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   Os olhos de Gabriel foram abrindo lentamente e a
primeira imagem que viu foi de um teto de um carro por
dentro. Alguns segundos depois, as lembranças vieram e
ele deduziu que estava no táxi em que uma mulher
desconhecida tinha dopado-o.
   O veículo estava parado e seu corpo estava deitado de
frente no banco traseiro, com seus braços e pernas
amarrados com cordas. O pouco que ele podia ver da
janela à sua frente, percebia que era noite. Não tinha a
mínima noção de onde estava, mas sentia que estava em
um local deserto. O único som que conseguia ouvir com
freqüência, de muito longe, era o de carros na pista, o que
o fez concluir que estivesse perto de alguma rua ou
avenida movimentada.
Participe da criação do livro e concorra a um exemplar
             www.depois-da-meia-noite.blogspot.com

    O medo logo começou a tomar conta dele. Seu instinto
de sobrevivência ordenou que ele saísse o mais rápido
possível dali, mas por mais que tentasse se desvencilhar
das cordas era inútil. A única chance que tinha de
escapar, era gritar ou chamar alguém, já que não tinham
vedado a sua boca. Mas logo desistiu ao ouvir passos de
alguém se aproximando. O medo começou a dar lugar ao
pavor. O som dos passos cada vez ficavam mais
próximos até que enfim pararam. Gabriel sentia que
alguém estava à frente da porta em que estava e nada
podia fazer para se defender. A porta foi aberta e ao ver o
rosto de seu suposto assassino, disse suspirando:
    — Meu Deus... Pensei que fossem eles.
    Natasha que estava segurando um gravador, disse:
    — Desculpa o mal jeito. Mas infelizmente tive que
fazer isso. Não se preocupe. Não vou te machucar. Você
precisa apenas me contar algumas coisas e pronto. Eu te
solto e você vai embora.
    Gabriel fechou o cenho e perguntou em um tom
intimidador:
    — Você está disposta a pôr a sua vida em risco?
    Natasha franziu a testa, estudou a pergunta de Gabriel
por alguns segundos e respondeu:
    — Nossa. Precisa mesmo de tudo isso para não contar
o segredo dessa maldita tatuagem?
    Gabriel fez que não com a cabeça e disse:
    — Você acha que é a primeira que me seqüestra?
Você acha que vai ser a primeira que vai descobrir tudo?
Aurélio Simões, autor do blog e do livro


— Gabriel deu uma risada e continuou. — Várias pessoas
já descobriram. Mas todas foram mortas. E tenho certeza
de que você nunca ouviu falar nada sobre isso, não é
mesmo? Quer saber o porquê? Porque tudo foi
encoberto. Por trás do que você quer tanto descobrir,
minha cara, existe gente muito poderosa. Você sabe que
com dinheiro se compra tudo. E eles compram o silêncio
de quem quer que seja em benefício deles. Eles estão
chegando. Aquela foto que tirei com o Prefeito foi só uma
apresentação. Eles me usaram. Eu pensei que tinha me
dado bem, mas com o tempo fui percebendo que eu tinha
feito a maior besteira da minha vida. Acredite. Esqueça
toda essa história e viva em paz, antes que seja tarde.
    Natasha ouviu atentamente tudo o que Gabriel dissera
e ela sentiu que ele estava dizendo a verdade. Todos os
argumentos dele eram irrefutáveis. Uma sensação de
medo começou a despertar nela e uma súbita e forçada
decisão foi tomada. A de seguir o conselho dele. Natasha
então se desfez do gravador pondo-o no banco dianteiro.
    Natasha aproximou-se de Gabriel, o pôs sentado no
banco e sentou-se ao lado dele. Envergonhada do que
tinha feito e sem ter coragem de olhar para o rosto dele,
disse:
    — Nem sei o que te dizer. Eu acho que perdi a
cabeça. Bem, eu vou te soltar e...
    — Onde estamos? — perguntou Gabriel olhando pela
janela.
    — Em Copacabana, próximo a uma praça.
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             www.depois-da-meia-noite.blogspot.com

   Outras lembranças vieram à mente de Gabriel e ele
perguntou:
   — Aquele homem que estava gritando... Antes de eu
entrar no táxi. Por acaso você...
   — É. Eu fiz essa besteira também.
   — Meu Deus! Você deixou uma pista para eles.
   — Pista? Como assim?
   —Com certeza eles desconfiaram. Uma mulher
roubando um táxi. Com certeza devem ter anotado a
placa e... Há quanto tempo estamos parados aqui?
   — Há uns vinte minutos.
   — Tenho que sair daqui! — disse Gabriel apavorado
— Me solte! Anda, me solta!
   Natasha rapidamente pegou sua bolsa da qual retirou
uma faca. Após alguns minutos, soltou os braços e as
pernas de Gabriel. Imediatamente ele assumiu a direção
e disse:
   — É melhor você descer do carro — disse Gabriel
entregando a bolsa para Natasha.
   Natasha assentiu e desceu do carro. Gabriel deu a
partida e saiu. Natasha ficou observando Gabriel entrar
em uma pista que tinha próximo, quando percebeu um
carro fechar o dele. O sangue de Natasha quase
congelou quando avistou três homens saindo da van
armados com metralhadoras. Não havia mais nada o que
Gabriel pudesse fazer. Os três homens alvejaram o carro
e não satisfeitos, ainda puseram fogo antes de irem
embora. Escondida atrás de uma árvore da praça, o corpo
Aurélio Simões, autor do blog e do livro


de Natasha estava trêmulo não só por ser testemunha de
um assassinato violento, mas por agora não saber se ela
poderia ser a próxima vítima.




              © Todos os direitos reservados

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  • 1.
    2 Os olhos de Gabriel foram abrindo lentamente e a primeira imagem que viu foi de um teto de um carro por dentro. Alguns segundos depois, as lembranças vieram e ele deduziu que estava no táxi em que uma mulher desconhecida tinha dopado-o. O veículo estava parado e seu corpo estava deitado de frente no banco traseiro, com seus braços e pernas amarrados com cordas. O pouco que ele podia ver da janela à sua frente, percebia que era noite. Não tinha a mínima noção de onde estava, mas sentia que estava em um local deserto. O único som que conseguia ouvir com freqüência, de muito longe, era o de carros na pista, o que o fez concluir que estivesse perto de alguma rua ou avenida movimentada.
  • 2.
    Participe da criaçãodo livro e concorra a um exemplar www.depois-da-meia-noite.blogspot.com O medo logo começou a tomar conta dele. Seu instinto de sobrevivência ordenou que ele saísse o mais rápido possível dali, mas por mais que tentasse se desvencilhar das cordas era inútil. A única chance que tinha de escapar, era gritar ou chamar alguém, já que não tinham vedado a sua boca. Mas logo desistiu ao ouvir passos de alguém se aproximando. O medo começou a dar lugar ao pavor. O som dos passos cada vez ficavam mais próximos até que enfim pararam. Gabriel sentia que alguém estava à frente da porta em que estava e nada podia fazer para se defender. A porta foi aberta e ao ver o rosto de seu suposto assassino, disse suspirando: — Meu Deus... Pensei que fossem eles. Natasha que estava segurando um gravador, disse: — Desculpa o mal jeito. Mas infelizmente tive que fazer isso. Não se preocupe. Não vou te machucar. Você precisa apenas me contar algumas coisas e pronto. Eu te solto e você vai embora. Gabriel fechou o cenho e perguntou em um tom intimidador: — Você está disposta a pôr a sua vida em risco? Natasha franziu a testa, estudou a pergunta de Gabriel por alguns segundos e respondeu: — Nossa. Precisa mesmo de tudo isso para não contar o segredo dessa maldita tatuagem? Gabriel fez que não com a cabeça e disse: — Você acha que é a primeira que me seqüestra? Você acha que vai ser a primeira que vai descobrir tudo?
  • 3.
    Aurélio Simões, autordo blog e do livro — Gabriel deu uma risada e continuou. — Várias pessoas já descobriram. Mas todas foram mortas. E tenho certeza de que você nunca ouviu falar nada sobre isso, não é mesmo? Quer saber o porquê? Porque tudo foi encoberto. Por trás do que você quer tanto descobrir, minha cara, existe gente muito poderosa. Você sabe que com dinheiro se compra tudo. E eles compram o silêncio de quem quer que seja em benefício deles. Eles estão chegando. Aquela foto que tirei com o Prefeito foi só uma apresentação. Eles me usaram. Eu pensei que tinha me dado bem, mas com o tempo fui percebendo que eu tinha feito a maior besteira da minha vida. Acredite. Esqueça toda essa história e viva em paz, antes que seja tarde. Natasha ouviu atentamente tudo o que Gabriel dissera e ela sentiu que ele estava dizendo a verdade. Todos os argumentos dele eram irrefutáveis. Uma sensação de medo começou a despertar nela e uma súbita e forçada decisão foi tomada. A de seguir o conselho dele. Natasha então se desfez do gravador pondo-o no banco dianteiro. Natasha aproximou-se de Gabriel, o pôs sentado no banco e sentou-se ao lado dele. Envergonhada do que tinha feito e sem ter coragem de olhar para o rosto dele, disse: — Nem sei o que te dizer. Eu acho que perdi a cabeça. Bem, eu vou te soltar e... — Onde estamos? — perguntou Gabriel olhando pela janela. — Em Copacabana, próximo a uma praça.
  • 4.
    Participe da criaçãodo livro e concorra a um exemplar www.depois-da-meia-noite.blogspot.com Outras lembranças vieram à mente de Gabriel e ele perguntou: — Aquele homem que estava gritando... Antes de eu entrar no táxi. Por acaso você... — É. Eu fiz essa besteira também. — Meu Deus! Você deixou uma pista para eles. — Pista? Como assim? —Com certeza eles desconfiaram. Uma mulher roubando um táxi. Com certeza devem ter anotado a placa e... Há quanto tempo estamos parados aqui? — Há uns vinte minutos. — Tenho que sair daqui! — disse Gabriel apavorado — Me solte! Anda, me solta! Natasha rapidamente pegou sua bolsa da qual retirou uma faca. Após alguns minutos, soltou os braços e as pernas de Gabriel. Imediatamente ele assumiu a direção e disse: — É melhor você descer do carro — disse Gabriel entregando a bolsa para Natasha. Natasha assentiu e desceu do carro. Gabriel deu a partida e saiu. Natasha ficou observando Gabriel entrar em uma pista que tinha próximo, quando percebeu um carro fechar o dele. O sangue de Natasha quase congelou quando avistou três homens saindo da van armados com metralhadoras. Não havia mais nada o que Gabriel pudesse fazer. Os três homens alvejaram o carro e não satisfeitos, ainda puseram fogo antes de irem embora. Escondida atrás de uma árvore da praça, o corpo
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    Aurélio Simões, autordo blog e do livro de Natasha estava trêmulo não só por ser testemunha de um assassinato violento, mas por agora não saber se ela poderia ser a próxima vítima. © Todos os direitos reservados