15 TARÔS
01 - O TARÔ MITOLÓGICO - JULIET SHARMAN-BURKE E LIZ GREENE

Índice
Os Arcanos Maiores, 08
Naipe de Copas, 40
Naipe de Paus, 54
Naipe de Espadas, 67
Naipe de Ouros, 81
O que o Tarô pode e não pode fazer, 95
Método de Consulta, 99
Tarô Cigano, 105
Tarô ‘O Caminho do Amante’, 106
Tarô da Deusa, 158


Introdução
As Origens das Cartas de Tarô

       As origens das cartas de Tarô - quem primeiro as idealizou, quando, onde e com que
objetivo - permanecem vagas e duvidosas, apesar dos inumeráveis livros e artigos que
tentaram desvendar o mistério que envolve tais cartas. O encanto permanente pelas cartas
de Tarô é evidenciado não somente por alguns desses escritos bem fundamentados e
pesquisados e, às vezes, impressionantemente místicos, mas também pelo fascínio que
exercem sobre os leigos, apesar das constantes tentativas por parte dos céticos em
relegá-las a níveis inferiores de adivinhação, como a leitura de xícaras de café, bolas de
cristal e outras. Ainda assim, as cartas de Tarô mantiveram a imaginação dos homens
durante, pelo menos, 500 anos e possivelmente muito mais; e, sem dúvida, parece que o
interesse continua o mesmo.
       O que faz com que essas figuras continuem a exercer esse mágico encanto,
inclusive em indivíduos que se consideram racionais e sem qualquer tendência em acreditar
nos mistérios do ocultismo? A resposta pode ser, em parte, porque as cartas de Tarô não
são "ocultas" - ou seja, elas não são sobrenaturais ou mágicas, no sentido em que essas
palavras são geralmente usadas, e pelo fato de que não são propriedades exclusivas do
iniciado esotérico, mesmo que alguns estudantes pensem que o sejam. Evidências
sugerem que, em meados do século XV - época em que os estudiosos acreditam que as
cartas apareceram pela primeira vez -, elas eram disponíveis a qualquer pessoa que
pudesse adquiri-las e quisesse dedicar-se à sua compreensão e ao seu uso. Neste livro, a
nossa intenção é restaurar a acessibilidade original desse jogo de cartas para que não seja
mais de domínio exclusivo do estudioso ou do ocultista que deliberadamente mistifica o
seu simbolismo.
       Em diversas épocas, autores do assunto atribuíram a invenção das cartas a uma
infinidade de fontes. Alguns alegam que a origem se encontra nos rituais religiosos e nos
símbolos dos antigos egípcios;outros, nos cultos misteriosos de Mitra durante os primeiros
séculos depois de Cristo. Ainda outros encontram paralelos com as crenças celtas pagas
ou com os ciclos da poesia romântica do Santo Graal* que teriam surgido na Europa
ocidental, na época medieval. Baseados no que é possível ver e tocar em museus,
estudiosos mais sérios se concentraram nas cartas de Taro mais antigas, atualmente dispo-
níveis, e acreditam que foram pintadas durante a Renascença. É claro que, se quisermos
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basear a nossa exploração das origens do Taro em evidência comprovada, os primeiros
baralhos de Taro -aqueles que incluem tanto os quatro naipes do baralho quanto as
estranhas imagens conhecidas como os Arcanos Maiores - surgiram durante a segunda
metade do século XV e foram pintados na Itália. Existem dois desses baralhos: um deles é
conhecido como o baralho de Carlos VI e o outro, como o baralho de Visconti-Sforza. Mas
a existência desses maravilhosos baralhos de Taro não fornece qualquer indício de
certeza. Caso sejam, realmente, os primeiros a ser inventados, essa documentação não
revela por que, ainda hoje, -quando deixamos para trás, há muito tempo, as crenças
peculiares e a visão do mundo da Renascença -, achamos que seus símbolos e suas
imagens têm a inexplicável sensação de um profundo significado. Essas lâminas parecem
invocar memórias sutis e alguma associação com o mito, a lenda e o folclore e, apesar da
objeção racional, alguma história ou segredo, que não podem ser totalmente formulados,
nos escapam quando tentamos defini-las de maneira rígida demais.
      A Renascença italiana englobou um ressurgimento do clássico pensamento grego
com o seu espírito dinâmico de experimentação, aventura e empreendimento. Da triste,
rígida e melancólica visão do mundo da Idade Média, o brilhante espírito animista da antiga
Grécia explodiu no mundo ocidental com enorme energia e consequências incalculáveis.
Manuscritos gregos - particularmente as obras de Platão, os neoplatônicos, os filósofos
herméticos de Alexandria e do Oriente Médio - encontraram o caminho para o Ocidente
depois do saque de Constantinopla pelos turcos em 1453. Esses manuscritos, que até
então não estavam disponíveis na Europa desde que os godos invadiram Roma, chegaram
a Florença em uma época na qual os governantes da cidade simpatizavam com esses
escritos hereges e o novo espírito rapidamente se espalhou por causa da recente
invenção da máquina de imprimir.
      Esse movimento hermético neoplatônico desafiou ousadamente as crenças, que,
durante muitos séculos, haviam sido consideradas sacrossantas, pois se confrontou
diretamente com a autoridade da Igreja, denunciando a obediência cega aos dogmas e
encorajando o desenvolvimento psicológico do indivíduo. A visão era tão pagã quanto cristã, e
imagens dos deuses e deusas antigos começaram a aparecer na arte da Renascença
sendo que, anteriormente, havia unicamente temas religiosos convencionais. O movimento
invadiu primeiro a Europa ocidental, no exato momento em que as mais antigas cartas de
Taro, das quais temos conhecimento, eram usadas.
      É preciso conhecer um pouco dessa nova visão do mundo que o hermético
neoplatonismo adotava para, dessa forma, podermos entender um pouco melhor o
significado das cartas do Taro. Também poderemos ter uma ideia do motivo pelo qual o
Taro caiu em tanto descrédito a ponto de suas cartas serem associadas ao próprio
trabalho do Demónio. Essencialmente, a nova visão do mundo desafiava a velha ideia
medieval de que o homem era uma pobre criatura pecadora que somente podia conhecer
Deus por meio de Sua única intermediária, a Igreja. "Que grandioso milagre é o homem!"
tornou-se o grito da reorganização da Renascença, pois, de acordo com a nova visão, o
homem era o maravilhoso co-criador no Cosmos de Deus.
      O movimento hermético neoplatônico acreditava que o ser humano era, na essência,
um microcosmo do Universo maior e que, portanto, o autoconhecimento - conhecimento da
alma - era o único e verdadeiro caminho religioso pelo qual era possível reconectar-se com
as origens divinas. É claro que o autoconhecimento foi a primeira máxima dos gregos:
"Conhece-te a ti mesmo", inscrita acima do portal do templo de Apolo, em Delfos. E o
conhecimento do ego significava o conhecimento dos diversos esforços e impulsos
interiores do homem e da mulher, alguns sombrios e outros iluminados, assim como o
conhecimento dos ciclos de desenvolvimento da vida humana.
      Para a recém-despertada mente da Renascença, a multiplicidade de deuses gregos
parecia uma melhor e mais autêntica analogia dos padrões complexos do Universo do que
o mundo estático da Trindade, com a sua exclusiva divindade masculina e caridosa. Além
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disso, se o homem fosse um grande milagre e co-criador no Cosmos, então teria direito de
interferir consigo mesmo e com o seu mundo, e até de melhorar a criação não tão perfeita
de Deus em vez de, obediente, aceitar o seu destino de acordo com os dogmas religiosos.
É óbvio que a Igreja tinha de retaliar com grande ferocidade e, eventualmente, forçar essa
nova visão à marginalização durante os dois séculos seguintes.
      Junto aos maravilhosos deuses de múltiplas facetas, a Renascença também adotou
um método grego de abordá-los: a arte dos sistemas de memorização que fora inicialmente
desenvolvida como uma espécie de chave pictórica para a meditação. Ela era utilizada
quando um indivíduo queria simplesmente lembrar o texto de um discurso ou de um poema,
ou desejava experimentar um sentimento de ligação da alma com o Universo maior. Tais
sistemas envolviam o estudo ou a meditação sobre uma série de imagens mágicas, cada
uma das quais sendo um símbolo e, por conseguinte, tendo vários níveis de significados.
Um exemplo desses sistemas de memorização, ainda usados atualmente, são as Estações
da Via Sacra da Igreja Católica que procuram recriar na mente e no coração do observador
toda a história da vida de Cristo, de sua morte e ressurreição.
      Na Renascença, os sistemas de memorização foram associados aos talismãs
mágicos ou emblemas, figuras ou amuletos destinados a evocar no observador o sentido de
um certo poder agindo na vida em vários níveis. O objetivo dessa meditação era formar
uma espécie de escada para alcançar níveis superiores de consciência e conseguir um
discernimento do mundo divino. As imagens dos deuses gregos que aparecem em
pinturas, como aquelas de Botticelli e as dos primeiros baralhos de Taro, não são meros
ressurgimentos de veneração pagã. Elas eram consideradas símbolos de grandes leis
agindo por toda a Criação. A meditação, com essas imagens, destinava-se à recuperação
da "memória" do mundo divino da alma, elevando a consciência individual que se achava
presa ao mundo trivial da matéria, e ligando a pessoa com a sua fonte verdadeira.
      Naturalmente, a Igreja considerava o aparecimento dessas imagens pagãs como
obra do Demónio e, energicamente, reprimiu os estudos que lidavam com esses assuntos
heréticos. Até o advento da chamada Era da Iluminação, que introduziu a visão "científica"
e, aparentemente, colocou um fim aos absurdos místicos dos séculos anteriores, as cartas
de Taro foram relegadas à vida sombria dos ocultistas dos séculos XVIII e XIX. Não mais
acessíveis ao público e sem qualquer importância para uma visão filosófica e espiritual
aceitável à sociedade, as cartas foram progressivamente manipuladas e mudadas de
acordo com as crenças espirituais particulares do grupo ou da ordem que as possuísse.
      Portanto, as atuais cartas de Taro são interessantes mesclas influenciadas desde o
pensamento cabalístico até as lendas arturianas, e das práticas mágicas atuais até o
simbolismo rosa-cruz. Por mais interessantes que sejam, esses híbridos perderam sua
universalidade original e o leitor que deseja aprender mais a respeito das cartas é, muitas
vezes, confundido pelo simbolismo obscuro e, em alguns casos, pela rígida doutrina moral
e espiritual que foi incutida por uma escola de pensamento particularmente esotérica.

     O Taro Mitológico

     Neste livro, tentamos restaurar alguma de sua simplicidade original e da
acessibilidade às cartas de Taro, redesenhando o baralho de acordo com as imagens dos
deuses gregos tão caros aos artistas e autores da Renascença e que agregam os
fundamentos culturais da vida ocidental. Os deuses gregos não são propriedade exclusiva
de qualquer particular escola esotérica, doutrina religiosa ou caminho espiritual. Amoral e, no
entanto, contendo profundas verdades morais, eles antecedem e permeiam os nossos
símbolos religiosos judeu-cris-tãos, assim como a arte e a literatura de toda a cultura
ocidental. Além disso, continuam sendo as imagens mais fundamentais e precisas que
descrevem o funcionamento multilateral e multicolorido da psique humana. Eles são
símbolos da própria natureza, a nossa própria natureza humana com sua profunda
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ambivalência de corpo e espírito, e seus mutuamente contraditórios esforços para a auto-
realiza-ção e para a inconsciência. A compreensão de nossa própria ambivalência
começou, apenas recentemente, a ser restaurada ao seu antigo objetivo pela moderna
psicologia de profundidade, que inevitavelmente teve de voltar à fonte - os deuses pagãos -
para poder entender o comportamento humano. Assim, tanto nas cartas como neste livro,
aderimos aos tradicionais significados das cartas, ao mesmo tempo ressuscitando os velhos
deuses enterrados sob séculos de "refinamento".
      Então, o que é mito? Os nossos dicionários oferecem várias definições. Uma delas diz
que mito é uma história irreal - uma perspectiva que, sem dúvida, é válida em um sentido,
mas inadequada em outro. É verdade que nenhum arqueólogo chegou a descobrir os os-
sos de Édipo ou de Hércules. Mas o que pode ser irreal em termos concretos, pode muito
bem ser real no nível interior, como uma espécie de experiência subjetiva. A palavra mito
pode também implicar um esquema ou um plano e é, justamente, esse significado que
devemos considerar ao visualizarmos as cartas de Taro. Imagens mitológicas são
realmente figuras espontâneas criadas pela imaginação humana que descrevem, em
linguagem poética, experiências e padrões humanos essenciais de desenvolvimento.
Atualmente, a psicologia usa o termo "arquétipo" para descrever esses padrões. Arquétipo
significa um padrão que é universal e existente em todas as pessoas, em todas as culturas,
em todos os períodos da história.
      O nascimento, por exemplo, é uma experiência arquetípica. Isso é obviamente real
em um nível concreto - todos nós, em certo tempo ou em outro, nascemos. Mas também é
uma experiência psicológica de espécie arquetípica, porque sempre que iniciamos algo
novo, ou entramos em uma nova fase da vida, há um sentido de nascimento. Nascimento
também implica outros estados subjetivos, porque nascer significa abandonar as
reconfortantes e serenas águas do útero materno, tanto em nível físico quanto psicológico.
A morte também é uma experiência arquetípica; todos nós, algum dia, morreremos. Da
mesma forma, a morte também é psicológica, porque a vida muda, como nós também
mudamos; todas as vezes que há um final de qualquer espécie, uma separação ou o fim
de uma fase da vida, há um sentido de morte.
      A puberdade, a passagem da infância para a adolescência (e ao estado de homem
ou mulher fértil, adulto), também é arquetípica. Todos nós passamos pelos profundos
estágios físicos e emocionais da puberdade, entre 12 e 15 anos de idade. Mas também
podemos ter essas passagens muitas vezes em nossa vida, em nível interior e subjetivo,
sempre que passamos da maneira infantil e inocente de visualizar os acontecimentos para
uma compreensão mais real da vida que nos atinge e aprofunda. É por isso que um mito,
como o rapto da virgem Perséfone por Hades, o deus do Inferno, tanto é a imagem do
processo da puberdade, com a sua terrível separação do confortável mundo parental para
um mundo totalmente desconhecido da vida, quanto a imagem de uma experiência
psicológica que pode ocorrer sempre que ficamos presos a ideias ingénuas e pontos de
vista infantis sobre a vida, sendo forçados pela experiência a descobrir as profundidades
desconhecidas da vida e de nós mesmos.
      O mito retrata padrões arquetípicos da vida humana por meio de figuras e histórias. O
mito grego* é uma imaginativa descrição, sofisticada e eternamente viva, do que somos
feitos. Isso foi o que cativou a mente da Renascença e o que transpira nas imagens
misteriosas das cartas de Taro, que transcendem às mudanças de cultura e de consciência
dos últimos quatro milénios e nos remetem - como os velhos sistemas de memorização -
para o sentido de ligação com os antigos e eternos desígnios humanos.
      Podemos agora ver que, na realidade, existem dois caminhos pelos quais é possível
abordar as cartas de Taro. Podemos enveredar pela abordagem histórica, que se limita
essencialmente aos fatos, ou podemos empreender a abordagem psicológica, que é
essencialmente arquetípica. Com a primeira podemos explicar - ou, pelo menos, podemos
tentar explicar - as origens e intenções iniciais das cartas. Mas a segunda expõe a
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questão de seu eterno fascínio, apesar do fato de sermos mais bem versados
cientificamente. No mundo das imagens da psique, as experiências não são ligadas pela
casualidade, mas pelo significado. Outros padrões, que não os concretos, agem dentro de
nós e, se não tivermos algum conhecimento da psique, as estranhas coincidências das
cartas de Taro poderão nos parecer assustadoras ou perturbadoras. A ligação entre os
acontecimentos co-tidianos e as imagens das cartas de Taro não acontece porque as
cartas são "mágicas", mas porque há um significado associado. Isso é o que queremos
dizer quando citamos nascimento, morte e puberdade tanto como experiências externas
quanto internas. Passamos por essas experiências constantemente em diferentes níveis e
épocas de nossa vida, e há uma carta de Taro que descreve cada uma delas; de alguma
forma, ela aparecerá misteriosamente, "sem causa aparente", em uma abertura de cartas
no momento em que estivermos, internamente, vivendo uma experiência arquetípica.
      Assim, a maneira pela qual o Taro "opera", a título de previsão, é tal como um espelho
da psique. A natureza arquetípica das imagens atinge, de maneira oculta e inconsciente, a
intuição do intérprete e reflete nele um conhecimento desconhecido ou percepções que se
refiram à situação do cliente - aparentemente revelando fatos que, racionalmente, não
seriam possíveis de ser descobertos. É por isso que poderes de "clarividência" ou
"psíquicos" não são pré-requisitos para um intérprete sensitivo, pois a consciência dos
padrões arquetípicos ou correntes que opera na vida das pessoas é refletida nas imagens
das cartas.

OS ARCANOS MAIORES

       Agora podemos nos dedicar às próprias cartas para compreender melhor o grande
desígnio, história ou mito arquetípicos retratados em suas antigas imagens.
       As 22 cartas dos Arcanos Maiores do Taro consistem em uma série de imagens que
retratam diferentes estágios de uma jornada. Esta é uma das viagens familiares de muitos
mitos, lendas e contos de fadas, assim como de importantes ensinamentos religiosos.
Trata-se da jornada da vida de cada ser humano, desde o seu nascimento, passando pela
infância e o poder e a influência dos pais; a adolescência, com seus amores, conflitos e
contestações; a maturidade, com suas experiências cotidianas e os desafios éticos e
morais, perdas e crises, desespero, transformação e o despertar de novas esperanças
para, eventualmente, alcançar e realizar um objetivo - que, por sua vez, leva a outra
jornada.
       Esse não é somente um ciclo de idade cronológica, mas também é aquele que ocorre
várias vezes dentro do período de toda uma vida, pois tudo o que nos acontece tem início,
meio e fim. Assim, a jornada representada pelos Arcanos Maiores é arquetípica,
significando que, independentemente do que possam ser os detalhes específicos de uma
vida individual, longa ou curta, banal ou dramática, boa ou má, alguns estágios estão à
nossa espera no caminho do desenvolvimento psicológico. Todos nós fomos crianças e
tivemos pais, e continuamos tendo partes próprias com atitudes infantis e prontas para um
novo começo.
       Todos passamos por fracassos e sucessos, grandes ou pequenos e, apesar de
certas vezes com relutância, todos nós crescemos. Dessa forma, a arquetípica jornada da
vida, na realidade, uma jornada interior que ocorre em muitos e diferentes níveis, pode ser
encontrada em muitas manifestações criativas ao longo dos milénios. O famoso conto épico
babilónico Gilgamesh, com o seu herói lutando contra as forças obscuras do mal, não é
muito diferente do filme moderno Guerra nas Estrelas.
       Mudanças internas provocam acontecimentos externos e estes promovem mudanças
internas. Às vezes, é difícil dizer se, por exemplo, um caso de amor provocou uma atividade
criativa e uma nova percepção, ou se essa percepção e uma maneira mais criativa de
enxergar a vida nos levaram a um caso de amor. Também é difícil dizer se o fracasso de
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um negócio nos leva a ser amargos e desconfiados, ou se a desconfiança inata provoca o
fracasso do negócio por (tieio da alienação dos colegas. Portanto, as imagens dos Arcanos
Maiores descrevem tanto o estado interior do indivíduo em um determinado momento de
sua vida quanto as experiências que ele poderá encontrar em seu cotidiano. Os dois
estados andam em paralelo porque é o próprio indivíduo que os fundamenta. Como o
famoso psiquiatra Cari Jung* certa vez escreveu, a vida de uma pessoa é característica
dela mesma. Adivinhação e percepção psicológica caminham juntas com as figuras dos
Arcanos Maiores, pois o que acontece no mundo externo está ligado ao nosso mundo inter-
no. O mistério de por que uma carta específica aparece em uma abertura de cartas como
se fosse "por acaso" e, no entanto, impressionantemente relevante não somente à
condição psicológica do consulente (a pessoa que coloca a pergunta), mas também para
as circunstâncias do momento, é inexplicável em termos de causas comuns. Por esse
motivo, muitas pessoas têm medo das cartas, acreditando que estejam ligadas à magia ou
ao sobrenatural, de alguma forma. No entanto, elas o são tanto quanto é a nossa psique,
cujas profundezas pouco conhecemos e que parece estar ligada ao mundo 'externo" por
meio de conexões de múltiplos significados. De certa forma, compreender o significado
interior de uma determinada experiência - "O que isso tem a ver comigo?" - pode ajudar-
nos a enfrentá-la melhor e corresponder de uma forma mais rica e criativa, pois ela não
nos parece mais casual, azar ou puro destino. Podemos enxergar traços de nossas
próprias características ém tudo o que nos acontece.
       A jornada dos Arcanos Maiores é a do Louco, a primeira das 22 figuras. Seguimos o
Louco e, ao mesmo tempo, nós assumimos este papel no momento em que ele surge na
escuridão da caverna maternal e mergulha no desconhecido. Encontramos as
experiências fundamentais da infância- os pais terrenos e os pais internos do espírito e da
imaginação - nas cartas do Mago, da Imperatriz, do Imperador, da Sacerdotisa e do
Hierofante. Reconhecemos os conflitos e paixões do adolescente dentro de nós nas
cartas dos Namorados e do Carro. Deparamo-nos com os testes do mundo e os desafios
morais da vida nas cartas da Justiça, da Temperança, da Força e do Eremita. Passamos por
crises e perdas e o repentino golpe do destino representado pela Roda da Fortuna, e
sofremos o desamparo e o desespero do Enforcado e da Morte. Seguimos ainda o Louco, na
confrontação consigo mesmo, como o arquiteto oculto de seu próprio destino no Diabo e na
Torre. Dessa escuridão, nasce a esperança nas cartas da Estrela, da Lua e do Sol; e a
vitória sobre a escuridão e a reconciliação com a vida advêm com as cartas do
Julgamento e do Mundo.
       As imagens dos Arcanos Maiores são antigas e símbolos evocativos de experiências
de vida que pertencem à nossa condição e destino humanos. Tais símbolos prestam
dignidade à vida, porque descobrimos que outros lá estiveram antes de nós e
encontraram o caminho, e cresceram e enriqueceram. Todas as cartas possuem
significado ambivalente, de maneira a sugerir dimensões de experiências tanto negativas
quanto positivas. Nenhuma das cartas é totalmente positiva ou totalmente negativa, apesar
de algumas serem mais fáceis ou mais difíceis em termos de qualidade da experiência que
descrevem. É por isso que não utilizamos o método de inverter as cartas, interpretando-as
como positivas se aparecerem "de cabeça para cima" e negativas, "de cabeça para
baixo". Essa técnica de inversão é uma inovação moderna e pode confundir em vez de
elucidar o significado da carta. O "peso" de positivo ou negativo torna-se mais
compreensível no contexto do padrão geral da abertura de cartas que discutiremos mais
amplamente no capítulo apropriado. Mas uma experiência arquetípica e, portanto, a figura
arquetípica que a incorpora, é uma mescla tão sutil de positividade e de negatividade que é
impossível separá-las totalmente uma da outra.
       Todas as cartas dos Arcanos Maiores são rituais de passagem -estágios ou
processos, e não resultados finais ou lugares estáticos imutáveis. Cada estágio da vida
leva ao seguinte e, apesar de podermos, de maneira compreensiva, tentar reter o tempo e
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permanecer em um lugar confortável, não está em nós, mortais, influir no ciclo do movimento
da vida para que estagne em um único esconderijo. Portanto, ao final da jornada, o Louco
recomeça a sua caminhada, porque, quando sentimos que alcançamos a meta e realizamos
os nossos desígnios, uma outra meta, mais profunda ou mais alta, materializa-se além dela,
de maneira que todo fim, na realidade, é uma preparação para algo mais que nos leva a
reiniciar o ciclo.


     Agora vamos examinar cada uma das 22 cartas dos Arcanos Maiores com mais
detalhes.

0 - O LOUCO

      A carta do Louco, a primeira dos Arcanos Maiores, retrata um jovem selvagem
vestido com retalhos de peles de animais e de diversas cores, dançando em abandono
extático à beira de um precipício. Na cabeça, uma coroa de folhas de vinha sobre seus
cabelos castanhos e um par de chifres na fronte, semelhantes aos de um bode. Seu olhar
está voltado para o horizonte, onde o Sol está apenas nascendo. Ao seu redor, uma
paisagem árida com pedras marrons e cinzas. A sua esquerda, escondida pelas sombras
da noite que se retira, está a entrada da caverna da qual saiu. Acima dela, em um galho
seco, uma águia empoleirada.
      Aqui encontramos o herói de nossa jornada à guisa do misterioso deus Dioniso, o
que nasceu duas vezes. Ele era filho do grande Zeus, rei dos deuses, e de Semeie, uma
mortal, princesa de Tebas. A esposa de Zeus, Hera, furiosa por sua infidelidade,
disfarçou-se de ama-seca e sugeriu a Semeie que testasse a devoção de seu amante
pedindo-lhe que aparecesse em toda a sua divina glória. Como ele havia prometido a
Semeie que concederia tudo o que o seu coração desejasse, Zeus estava preso à sua
palavra quando ela insistiu que lhe revelasse a sua divindade. Com relutância, ele se
manifestou como trovão e raio, e Semeie foi consumida pelas chamas. Mas Zeus conseguiu
salvar a criança. Hermes, mensageiro dos deuses e patrono da magia, costurou o feto na
coxa de Zeus e foi assim que Dioniso nasceu.
      Hera continuou perseguindo a estranha criança de chifres e enviou os Titãs, os
deuses da Terra, para que cortassem Dioniso em pedaços. Mas Zeus salvou o coração da
criança, o qual ainda batia, e o transformou em uma poção de sementes de romã. A bebida
mágica foi oferecida à virgem Perséfone por Hades, o obscuro deus do Submundo, quando
este a raptou. Perséfone ficou grávida e foi assim que Dioniso renasceu no Submundo.
Ele, então, foi chamado Dioniso-Iaco, o que nasceu duas vezes, deus da luz e do êxtase.
Ordenado por seu pai Zeus a viver entre os homens e a compartilhar de seus sofrimentos,
ele foi acometido de loucura por Hera e vagou pelo mundo seguido por sátiros selvagens,
mulheres aloucadas e animais. Ele deu à humanidade o presente do vinho e concedia o
êxtase inebriante e a redenção espiritual àqueles que queriam se desvencilhar do poder e
das riquezas materiais. Posteriormente, seu pai divino, Zeus, pediu que ele subisse para o
Olimpo, onde ocupou o seu lugar à direita do rei dos deuses.
      No sentido interior, Dioniso, o Louco, é uma imagem do nosso misterioso impulso de
mergulhar no desconhecido. O nosso lado conservador, cauteloso e realista, observa com
horror esse espírito selvagem e jovem que, confiando no céu, está preparado para pular no
precipício sem qualquer hesitação. A loucura de Dioniso existe perante a nossa parte
ligada ao mundo da forma, dos fatos e da ordem lógica. Mas, em um sentido mais
profundo, não se trata de loucura, pois é o impulso para a mudança que nos atinge
inadvertidamente sem qualquer base racional e sem um programa planejado de ação. O
deus é retratado em peles de animais porque, de certa forma, essa dimensão intuitiva e
irracional para a personalidade humana é uma espécie de sexto sentido, um instinto
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animal que ouve uma música com a qual ouvidos cansados e acostumados à realidade
concreta não estão sintonizados. Dioniso é o filho do rei dos deuses e é o espírito de seu
pai com o qual ele está sintonizado, apesar de ordenado a viver na Terra com os mortais;
mas quando esse impulso nos atinge é difícil saber se ele procede da morada divina ou de
um lugar mais sombrio, do Submundo.
      Assim, Dioniso, o Louco, representa o impulso irracional para a mudança e abertura
dos horizontes da vida frente ao desconhecido. O Louco encontra-se no início de sua
jornada e, quando somos atingidos pelo misterioso impulso que representa, também nos
colocamos à beira de uma jornada. Às vezes, esses impulsos irracionais podem ser
destrutivos como também podem ser criativos, e frequentemente são os dois juntos. Às
vezes, o deus selvagem pode mergulhar no precipício e deparar-se com situações penosas
e prejudiciais, as quais também podem proporcionar inícios incrivelmente criativos, a
condição na qual se encontra o indivíduo desesperadamente ávido de alimento espiritual
que ele ou ela não pode realmente entender. Mas, se nós não correspondermos a esses
chamados do outro mundo, afundamos então em vidas monótonas, banais e sem sentido,
e chegamos ao final de uma vida perguntando-nos o que perdemos e por que o mundo
parece tão vazio. Por conseguinte, o Louco é uma figura altamente ambivalente, pois não
há qualquer garantia, no início dessa jornada, de chegarmos em segurança ou, se até
mesmo, chegaremos. Por outro lado, não iniciar é negar o deus que, em nível interior,
significa negar tudo em nós que seja jovem, criativo e que esteja em contato com o que é
maior do que nós mesmos.
      Em nível divinatório, Dioniso, o Louco, inaugura o advento de um novo capítulo da vida
quando aparece em uma abertura de cartas. Um risco de alguma espécie é necessário,
uma vontade de mergulhar no desconhecido. O Louco é tão ambíguo quanto Dioniso, pois
não podemos saber se penetraremos na percepção divina do Louco ou acabaremos
simplesmente parecendo loucos. Dessa forma, no meio da ambiguidade, da atividade e do
medo, começa a grande jornada da vida retratada pelo Arcano Maior do Taro.

1 - O MAGO

      A carta do Mago apresenta um jovem forte e esbelto, de cabelos pretos
encaracolados, que se encontra em uma encruzilhada. Ele veste uma curta túnica branca
e um manto de viagem vermelho. A sua mão esquerda aponta para o céu, enquanto com
a direita ele aponta para uma pedra plana que está à sua frente, no centro da
convergência das estradas. Sobre a pedra estão reunidos quatro objetos: um cálice, uma
espada, uma vara flamejante ou caduceu e um pentáculo.
      Atrás dele, um cenário árido com pedras marrons e cinzas - uma continuação do
cenário apresentado na carta do Louco. Duas ramificações da estrada desaparecem na
distância rochosa. o deus Hermes, guia dos viajantes, patrono dos ladrões e dos
mentirosos, soberano da magia e da adivinhação e promotor da boa sorte repentina e de
suas mudanças. É chamado de "Trapaceiro" por ser ambíguo e enganador e, no entanto,
ele é o mensageiro da confiança dos deuses e o guia das almas no Submundo.
      Na Mitologia grega*, Hermes era o filho de Zeus, rei dos deuses, e da misteriosa
ninfa Maia, também chamada de Mãe da Noite. Portanto, ele é o filho tanto da luz espiritual
quanto da escuridão primordial, e as suas cores - vermelho e preto - refletem a mistura
das paixões terrenas e da claridade espiritual que fazem parte de sua natureza.
      Ainda bebé, Hermes engatinhou para fora de seu berço e roubou um rebanho de gado
de seu irmão Apolo, o deus-Sol. Para enganar Apolo, ele vestiu sandálias ao revés para que
o deus, irado, procurasse o culpado na direção errada. Quando, finalmente, Apolo o
confrontou para saber quem havia roubado o seu gado, Hermes presenteou-o com uma
lira que havia feito da carapaça de uma tartaruga. Hermes elogiou seu irmão com um
discurso astuto, mas melífluo, dizendo-lhe que o presente era para honrar o seu
                                                                                           8
maravilhoso dom musical. O deus-Sol ficou tão orgulhoso que se esqueceu do gado e até
presenteou Hermes com o dom da adivinhação. Com isso, Hermes tornou-se o mestre dos
quatro elementos e, posteriormente, ensinou aos homens as habilidades da Geomancia
(adivinhação pela terra), Piromancia (adivinhação pelo fogo), Hidromancia (adivinhação pela
água) e Aeromancia (adivinhação pelo ar). Ele era sempre venerado em encruzilhadas, nas
quais estátuas eram erigidas para honrá-lo e invocar a sua bênção sobre os viajantes, os
errantes e os sem-teto.
      No sentido interior, Hermes, o Mago, é o guia. Isso significa que em algum lugar
dentro de nós, não importa quão perdidos ou confusos estejamos, em qualquer momento
da vida, temos os recursos da previsão muitas vezes ocultos da consciência, mas que
podem intuir a direção a ser tomada e as escolhas a empreender. O Mago nem sempre
atende quando é chamado, pois Hermes é um deus astuto e brincalhão. Ele tem suas
próprias ideias do que possa ser importante. Chega à noite, muitas vezes na forma de
sonhos perturbadores ou à guisa de reunião com outra pessoa que se torna significativa
como catalisadora da jornada. Ou, então, ele pode aparecer como uma pista repentina ou
a descoberta de que temos à disposição mais do que um pensamento. O livro que
"acidentalmente" nos cai nas mãos, ou a ocasional visita de um amigo, ou qualquer
pequena "virada do destino" são obras do Mago, o guia interior. De certa forma, o Mago é o
educador espiritual e protetor do Louco assim como, no mito, o deus Hermes conseguiu
costurar o feto Dioniso na coxa de Zeus, protegendo-o até o seu nascimento. Hermes, o
Mago, é o poder inconsciente a partir do qual cuida de nós, apesar de não podermos vê-lo,
e que aparece como por mágica nos momentos mais críticos e difíceis da vida, para
oferecer orientação e sabedoria.
      Hermes não era um deus no qual fosse possível confiar para decisões comuns dos
afazeres cotidianos. Ele podia trapacear e confundir e, muitas vezes, suas orientações
faziam homens e mulheres se perderem na noite ao longo de caminhos intricados e
afastados, levando o viajante a lugares estranhos e frustrantes. Seguir o guia interior não
significa sempre empreender escolhas seguras para garantir bons resultados.
Frequentemente, eles são o oposto. Mas, como Hermes é o mestre dos quatro elementos, a
sua sabedoria pode penetrar todas as fases da vida - a mente, a imaginação, o coração e
o corpo. Sem ele não temos absolutamente qualquer recurso interior e, portanto,
acabaremos sempre confiando na orientação de outras pessoas e destinados a viajar como
gado nas mesmas trilhas desgastadas como todos fazem. O Louco encontra o Mago
somente após ter enfrentado o precipício, pois as visitações do guia interior não ocorrem
quando nos escondemos na segurança da caverna maternal.
      No sentido divinatório, Hermes, o Mago, aponta para dons e habilidades criativas que
ainda não se manifestaram. Ele pode aparecer como uma onda de energia e uma intuição
de excitantes oportunidades novas. Ele pressente o discernimento e uma percepção de
possibilidades inexploradas. O Louco é cego e tem unicamente o sentido animal de um
significado a ser encontrado em algum lugar, de alguma forma. Mas, pelo seu encontro
com Hermes, o Mago, torna-se claro que a jornada é possível e que ele possui
capacidades que ainda devem ser desenvolvidas.

2 - A SACERDOTISA

     A carta da Sacerdotisa retrata uma jovem esbelta e delicada, de pele clara, longos
cabelos pretos e olhos escuros, portando um vestido branco, simples e longo. Em sua
cabeça, uma coroa dourada. Em sua mão direita, ela segura uma romã aberta ao meio
para mostrar suas múltiplas sementes. Em sua mão esquerda, um buque de narcisos
brancos que também se espalham pelo chão. Em cada lado da escadaria, na qual ela se
encontra, há uma coluna; a da esquerda é preta e a da direita, branca. Atrás dela, no alto
da escadaria, um portal dá passagem a um rico cenário verde que também aparece na
                                                                                          9
carta da Imperatriz.
      Aqui encontramos Perséfone, rainha do Submundo, filha de Deméter, a Mãe-Terra, e
guardiã dos segredos dos mortos. Na carta da Imperatriz, vimos como, de acordo com o
mito, Hades, senhor do Submundo, apaixonara-se pela jovem Perséfone quando ela colhia
flores nos campos, saindo de sua morada para raptá-la. Levando-a para o seu mundo
sombrio, ele lhe ofereceu uma romã, e ela aceitou. Ao comê-la, ela participou da fruta dos
mortos e, assim, ficou eternamente ligada ao deus.
      Perséfone governava o Submundo durante três meses do ano e, apesar de passar
nove meses no mundo da luz com a sua mãe Deméter, ela não podia contar os segredos
que lhe foram revelados no mundo dos mortos. O reino de Hades, cheio de mistérios e
riquezas, era cercado pelo terrível rio Estige, que nenhum ser humano vivo podia
atravessar sem a permissão do próprio Hades; mesmo quando Hermes, mensageiro dos
deuses e guia das almas, podia escoltar os heróis excepcionais que conseguiam o
consentimento do deus. Inclusive as almas dos mortos não podiam atravessar o rio sem
pagar uma moeda a Caronte, o velho barqueiro encarregado da travessia do Estige, pois
nos portais do reino de Hades encontrava-se Cérbero, o terrível cão de três cabeças, que
devorava qualquer intruso, vivo ou morto, que não respeitasse as leis desse reino invisível.
Dessa forma, ao comer a romã, Perséfone deixava para trás a sua infância inocente,
tornando-se a guardiã desse mundo sombrio e seus segredos.
      No sentido interior, Perséfone, a Sacerdotisa, é uma figura de ligação com o
misterioso mundo interior para o qual a psicologia de profundidade deu o nome de
"inconsciente". É como se embaixo e além do mundo da luz, que acreditamos ser a
realidade, houvesse um outro mundo oculto, cheio de riquezas e potenciais, que não
podemos penetrar sem o consentimento de seus governantes invisíveis. Esse mundo
contém os nossos potenciais a ser desenvolvidos, assim como as facetas mais sombrias e
primitivas da personalidade. Também contém o segredo do destino do indivíduo que, na
escuridão, se encontra em estado embrionário até que a maturidade seja alcançada para a
sua manifestação.
      Perséfone, a Sacerdotisa, é a incorporação da nossa parte que conhece os segredos
do mundo interior. Mas ela é apenas percebida pela consciência desperta e aparece por
meio de fugazes fragmentos de sonhos ou por estranhas coincidências que nos fazem
imaginar se existe algum padrão oculto agindo em nossas vidas.
      Perséfone é uma personagem sedutora e fascinante, mas ela não revela os seus
segredos. Da mesma maneira, o mundo obscuro do inconsciente, vislumbrado por meio de
sonhos, fantasias e intuições, também é sedutor e fascinante; mas, quando procuramos
entendê-lo pelo intelecto e "dominá-lo" para os nossos próprios propósitos, ele emudece e
nos escapa. O mundo sombrio de Perséfone proporciona unicamente vislumbres obscuros
de padrões e movimentos em ação no indivíduo, que requerem paciência e tempo antes
que possam ser trazidos à luz do dia. O mito de Perséfone enfatiza o movimento cíclico do
tempo, retratando um ritmo misterioso, um constante vaivém de algo. As sementes da
mudança e de novos potenciais aguardam silenciosamente no útero do Submundo antes
de serem transferidas aos cuidados da Mãe-Terra para serem levadas a nascer no mundo
material. Perséfone, a Sacerdotisa, é uma imagem da lei natural em ação nas
profundezas da alma que governa o desenrolar do destino a partir de uma fonte invisível e
que somente é revelada por meio do sentimento, da intuição e do mundo obscuro dos
sonhos.
      No sentido divinatório, o aparecimento da Sacerdotisa em uma abertura de cartas
prevê um aumento dos poderes da intuição e implica uma espécie de encontro com o
oculto mundo interior governado por Perséfone. O indivíduo pode ser atraído
inexplicavelmente para esse mundo por meio do interesse pelo ocultismo ou pelo esote-
rismo, ou ainda por meio de um poderoso sonho ou de um sentido interno de que "alguma
coisa" esteja agindo na vida das pessoas.
                                                                                          10
Desse modo, o Louco que aprendeu um pouco mais a respeito de sua natureza física
e de suas necessidades, assim como o seu lugar no mundo por meio de seus pais
terrenos, a Imperatriz e o Imperador, agora penetra no mundo da noite para ir ao
encontro, muitas vezes confuso e surpreso, da figura silenciosa que encarna a Mãe em
um nível mais profundo e sutil - o útero do inconsciente no qual o segredo de seu verdadeiro
propósito e o padrão de seu destino estão contidos.

3 - A IMPERATRIZ

      A carta da Imperatriz retrata uma bela mulher grávida, de longos cabelos castanhos,
em pé no meio de um campo de cevada em maturação. Sua saia é urdida com muitas e
diferentes plantas e a barra é feita de ramos de folhas de louro. Em volta do pescoço, um
colar de 12 pedras preciosas. Ela porta uma coroa com um diadema de castelos e torres.
Atrás dela, em um cenário de campos férteis, água flui para um lago.
      Aqui encontramos a grande deusa Deméter, a Mãe da Terra, regente de toda a
natureza e protetora das jovens criaturas indefesas. No mito grego, Deméter amadurecia
anualmente o trigo dourado e, ao final do verão, as pessoas lhe ofereciam
agradecimentos pela fertilidade da terra. Deméter reinava os ciclos ordenados da natureza
e a vida de todas as coisas em crescimento; daí a saia que ela veste. Ela preside a
gestação e o nascimento da nova vida, abençoando os rituais do casamento como veículo
para a continuidade da natureza. Deméter é uma deusa matriarcal, uma imagem do poder
dentro da própria terra, que não precisa de qualquer validação do céu. Dizem que ela
ensinou aos homens as artes de arar e de semear a terra e, às mulheres, as artes de
moer o trigo para fazer o pão.
      Deméter vivia com sua filha Perséfone, abrigada dos conflitos e das disputas do
mundo. Porém, um dia essa vida pacífica e contente foi violentamente invadida. Perséfone
havia saído para passear e não voltara. Angustiada, Deméter procurou-a em todos os
lugares, mas sua filha havia desaparecido sem deixar vestígios. Finalmente, após anos de
buscas infrutíferas, ela veio a conhecer o destino de Perséfone. Diziam que Hades, o
senhor obscuro do Submundo, se apaixonara pela jovem e saíra de seu domínio para a
superfície da Terra em sua carruagem, puxada por dois cavalos negros, e a raptara.
      Furiosa, Deméter permitiu que a Terra ficasse árida e recusou-se a restaurá-la à sua
antiga abundância. Como ela não podia suportar essa mudança - apesar de Perséfone ter
concordado em comer a romã, fruta do Submundo, e Hades tê-la tratado com honradez e
feito dela a sua rainha -, parecia que toda a humanidade pereceria por falta de alimento.
Por fim, graças à intercessão do inteligente e previdente deus Hermes, chegou-se a um
acordo: durante nove meses do ano, Perséfone viveria com a sua mãe, mas deveria voltar
para seu marido obscuro durante os outros três.
      Deméter nunca chegou a uma conclusão com essa solução. Todos os anos, quando
a sua filha estava ausente, a Mãe-Terra sofria de tristeza. As flores murchavam, as
árvores deixavam cair suas folhas e a Terra entrava em um período sem vida e frio. Mas
todos os anos, com o retorno de Perséfone, a esplendorosa Primavera voltava a reavivar a
Terra.
      No sentido interior, a imagem de Deméter, a Imperatriz, reflete a experiência da
maternidade. Isso não significa somente o processo físico de gestação, nascimento e
alimentação da jovem e indefesa criatura. Também é a experiência interior da Grande
Mãe: a descoberta do corpo como algo valioso e precioso que merece cuidado; a
experiência de ser parte da natureza e estar enraizado na vida natural; a apreciação dos
Sentido e os simples prazeres da existência cotidiana. Sem a Grande Mãe dentro de nós,
nada podemos levar à frutificação, pois esse é o nosso lado que possui a paciência e a
delicadeza de esperar até o momento de estar maduro para a ação. Sem ela, não podemos
apreciar o nosso ser físico e vivemos desligados em um mundo puramente intelectual, sem
                                                                                          11
qualquer base ou respeito pela realidade. A experiência da mãe de uma criança está ligada
ao sentimento de segurança e de confiança na vida e, da mesma forma, a imagem da
Imperatriz está ligada ao sentimento interno de segurança e confiança no presente. Ela é
sábia, mas não de maneira racional. A sua é a sabedoria da natureza, que sabe e entende
que todas as coisas se movem em ciclos e amadurecem no tempo apropriado.
      Entretanto, como todas as figuras do baralho do Taro, Deméter tem o seu lado
obscuro, pois a natureza também significa estagnação do espírito, apatia e indiferença que
neutralizam qualquer possibilidade de mudança. Deméter não somente é a Boa Mãe, mas
também a Mãe Enlutada que não pode renunciar às suas posses e que se vinga de
qualquer intrusão de conflitos da vida em seu mundo organizado e paradisíaco. Essa Mãe
Enlutada pode estar repleta de amargura e de ressentimento, pois a vida exige que
mudanças, separações e finalizações ocorram. Assim, quando o Louco em sua jornada
arquetípica encontra Deméter, a Imperatriz, ele é impulsionado para as dimensões
sombrias e iluminadas de sua própria natureza instintiva.
      No sentido divinatório, o aparecimento da Imperatriz em uma abertura de cartas sugere
o advento de uma fase mais terrena da vida. Pode ocorrer um casamento ou o nascimento
de uma criança, pois esses também exigem paciência e alimentação da Grande Mãe. Por
meio dessa carta, penetramos no domínio do corpo e dos instintos como um lugar de paz
e também de estagnação; lugar em que a vida é dada, mas também é sufocada. Dessa
maneira, o Louco, a criança do céu, descobre que vive em um corpo físico e é uma
criatura não somente espiritual, mas também material.

4 - O IMPERADOR

      A carta do Imperador retrata um homem maduro, de ombros e peito amplos e
musculosos. Seus belos e compridos cabelos e barba são castanho-avermelhados e seus
olhos azul-claros como o céu. Ele nos confronta sentado em um trono dourado no topo de
uma montanha. Sua veste é de cor púrpura bordada a ouro e, em sua cabeça, uma coroa
dourada. Com sua mão direita, ele segura três raios, e, com a esquerda, o globo do
mundo. Uma águia está pousada sobre o seu ombro. Atrás dele, estende-se um acúmulo
de picos nevados.
      Aqui encontramos o grande Zeus, rei dos deuses, que os gregos chamavam de Pai
de Todos, criador do mundo e soberano dos deuses e dos homens. Na Mitologia, Zeus era
o filho mais jovem dos Titãs Cronos e Réa. Uma profecia havia sido revelada a Cronos de
que, um dia, um de seus filhos o destronaria e ocuparia o seu lugar. Para se salvaguardar,
ele decidiu destruir os seus filhos e, durante cinco anos seguidos, à medida que Réa dava
à luz os seus filhos e filhas, Cronos os arrancava de seus braços e os engolia (pedofilia)
antes que abrissem os olhos.
      É claro que isso não agradava Réa que, quando soube que um sexto filho estava
para nascer, fugiu secretamente para Arcádia e, em uma gruta, deu à luz Zeus. Então, ela
envolveu uma grande pedra em faixas e apresentou-a a Cronos como seu filho. Ele
imediatamente a engoliu. Com o tempo, Zeus cresceu e apresentou-se a Cronos
disfarçado de copeiro. Ele preparou uma poção para o seu pai a qual o enjoou tão
violentamente que vomitou as cinco crianças ilesas, as quais havia engolido, assim como a
pedra que Réa lhe havia levado no lugar de Zeus. Zeus então levou seus irmãos e irmãs a
uma rebelião contra Cronos e, destronando-o, inaugurou um novo reinado.
      O novo rei dos deuses fez do Monte Olimpo a sua morada e estabeleceu uma
hierarquia de deuses que obedeciam à sua lei suprema. Seus símbolos de poder eram o
trovão e o raio. Seu espírito volátil, fogoso e dissoluto expressou-se não somente nas
tempestades elétricas, mas também nas muitas amantes que ele perseguiu e nos muitos
filhos que gerou. Entre eles estava Atena (deusa da justiça), Diké (deusa da lei natural), as
três Moiras ou Parcas (deusas do destino) e as nove Musas (que presidem as artes
                                                                                           12
liberais). Sua esposa, Hera, deusa do casamento e dos nascimentos, reinava como a sua
consorte. Zeus concedia o bem e o mal de acordo com as leis que ele mesmo
estabelecia. Ele também era deus dos lares e da amizade, e o protetor de todos os
homens.
       No sentido interior, Zeus, o Imperador, é a imagem da experiência da paternidade. É o
pai que encarna os nossos ideais espirituais, os nossos códigos éticos, a auto-suficiência
com a qual sobrevivemos no mundo, a autoridade e a ambição que nos levam às
realizações, a disciplina e a presciência necessárias para alcançar as nossas metas. Esse
princípio masculino, tanto nos homens quanto nas mulheres, difere da nutrição e do amor
incondicional da mãe com os quais nos deparamos na carta da Imperatriz. Aqui, o mais alto
valor é concedido ao espírito e não ao corpo, e o que é exigido de nós é a ação, em vez do
fluir intuitivo com a natureza.
       O nosso pai interior também promove o autorespeito porque é essa nossa parte que
pode assumir uma posição da qual é possível enfrentar os desafios da vida. Zeus podia
ter compaixão e defender os fracos e os pobres, mas também podia mostrar a sua ira e a
sua vingança caso a sua autoridade fosse contestada e suas leis fossem violadas. Dessa
forma, Zeus, o Imperador, tem o seu lado sombrio expresso, em nível interior, pela rigidez
e pela implacável retidão. Estar em relacionamento com o pai interior significa possuir um
sentido de autopoder, a capacidade de implementar ideias e concretizá-las no mundo. Ser
dominado pelo pai interior significa estar preso a um conjunto de crenças que esmaga
todos os sentimentos humanos com sua inflexibilidade e arrogância. Então, tal como o
próprio Zeus, devemos derrocar o antigo regime, inaugurando uma nova lei mais criativa
para não nos tornarmos tiranos fúteis ou para não sermos envolvidos pelo feitiço de um
tirano do mundo externo. Ao descobrir o mundo rico e fecundo das necessidades e dos
prazeres do corpo, o Louco, agora, deve encontrar os princípios éticos que devem reger a
vida, pois sem o Imperador somos meros joguetes guiados interna e externamente pelo
instinto cego, culpando outras pessoas e a sociedade por nossos problemas, em razão do
fato de não podermos encontrar a experiência interior da força representada pelo pai.
       No sentido divinatório, Zeus, o Imperador, prevê um confronto com relação à questão do
princípio do pai em sua forma tanto positiva quanto negativa. Somos desafiados a
manifestarmos para concretizar uma ideia criativa, para construir no mundo, talvez para
estabelecer um negócio ou a estrutura de um lar familiar. Devemos assumir uma posição
para nos tornarmos efetivos e poderosos, para expressarmos as nossas ideias e ética.
Também devemos considerar o momento em que o jovem rei se torna o rígido e
opressivo tirano, e quando as nossas ideologias interferem na vida e no desenvolvimento.
Quando o Louco encontra o Imperador, após a sua permanência temporária no mundo
dos instintos, ele aprende a enfrentar a vida sozinho, com seus próprios recursos e de
acordo com a ética que deve desenvolver para si. Ele, então, pode progredir em sua
jornada com a certeza de ser efetivo na vida, porque acredita em algo maior cuja
autoridade ele mesmo incorpora.

5 - O HIEROFANTE

     A carta do Hierofante retrata uma estranha figura: um Centauro, com o tronco, os
braços e a cabeça de homem e o corpo de um cavalo. Seus longos cabelos e barba
castanhos e seu rosto maduro e benigno sugerem um sacerdote ou um professor. Sua
mão direita está levantada em um antigo sinal de bênção, enquanto a esquerda segura
um pergaminho. Aos seus dois lados, uma coluna de pedra. Atrás dele é vista a rocha
bruta da caverna que é tanto a sua morada como o seu templo. Uma luz é dirigida sobre a
sua cabeça coroada por meio de uma abertura no teto da caverna.
     Aqui encontramos Quiron, rei dos Centauros, curador, sacerdote e sábio educador
de todos os jovens heróis da Mitologia. O próprio nascimento de Quiron foi um verdadeiro
                                                                                           13
mistério, pois ele nasceu da união de Ixion, - filho do deus da guerra, Ares -, com uma
nuvem que Zeus formou à semelhança de sua esposa Hera, para impedir que Ixion
fizesse amor com a própria deusa. O centauro foi educado por Apolo, o deus-Sol, e
Ártemis, a deusa da Lua, e, graças à sua grande sabedoria e espiritualidade, ele foi eleito
rei dos centauros, cuja tarefa era incutir nos jovens príncipes gregos os valores espirituais
e o respeito pela lei divina que eles deviam aprender antes mesmo das artes de reinar e
das proezas das armas.
      Quiron também era um grande curador e conhecia o segredo das ervas e das
plantas. Mas ele era incapaz de curar a si mesmo. Um dia, seu amigo Héracles visitou-o
em sua caverna; o herói grego acabara de matar Hidra com as suas nove cabeças
venenosas. Acidentalmente, Héracles arranhou o Centauro na coxa com uma de suas
flechas que haviam sido embebidas no sangue do monstro. Esse sangue era puro veneno e
todo o conhecimento que Quiron possuía não conseguiu fazer com que ele o extraísse da
ferida. Como era imortal, ele não podia morrer e, assim, foi condenado a conviver com a
dor, sacrificando a felicidade do mundo e dedicando-se a ensinar a sabedoria espiritual.
      No sentido interior, Quiron, o Hierofante, é a nossa parte que invoca o espírito para
poder compreender o que nos é exigido por Deus. Ele é o nosso educador espiritual
interno, o sacerdote que estabelece uma ligação entre a consciência terrena e o conheci-
mento intuitivo da lei de Deus. O mundo de Perséfone, a Sacerdotisa, é sombrio e fugaz, e
não pode ser compreendido pelo intelecto, mas o mundo de Quiron pode ser elucidado e
interpretado pela mente. A palavra antiga pontifex para sacerdote significa "fazedor de
pontes", pois o papel do sacerdote, tanto dentro quanto fora de nós', é servir de pai
espiritual, estabelecendo um relacionamento entre o homem e Deus e tornando clara a
natureza das leis pelas quais devemos viver para estarmos em relação correta com o
divino. As leis do Imperador, que incorporam o princípio do pai na Terra, dizem respeito ao
comportamento correto no mundo. Mas as leis do Hierofante se referem ao
comportamento correto aos olhos de Deus. Entretanto, Quiron não simboliza qualquer
sistema religioso ortodoxo. Ele é uma criatura selvagem, meio homem e meio animal, e o
seu templo não tem qualquer manipulação humana, porém, mais exa-tamente, é uma
caverna em uma montanha. Assim, a lei espiritual que ele transmite não é uma lei coletiva
baseada em dogmas, mas sim, individual e somente pode ser percebida por meio do
nosso sacerdote interior. Portanto, pessoas diferentes experimentam Deus de uma
maneira diferente, e atingimos o nosso entendimento espiritual de acordo com o nosso
entendimento particular do que "Deus" possa realmente significar.
      A ferida de Quíron faz com que ele seja o Curador Ferido, aquele que, por meio de sua
própria dor, pode compreender e apreciar a dor alheia e, portanto, pode enxergar muito
além do que aqueles que estão cegamente satisfeitos. E então Quíron, o Hierofante,
representa a nossa parte ferida em que algum problema insolúvel ou uma limitação
qualquer nos aprofunda e nos torna misericordiosos quando, ao contrário, seríamos meras
superficialidades de bondade sem qualquer sentido real do que possa significar. O
verdadeiro sacerdote está aberto à dor e aos desejos do mundo, porque, ele mesmo,
sofre.
      A imagem de Quíron nos liga ao valor das limitações insuperáveis ou das feridas
dentro de nós que, apesar de causarem sofrimento na vida cotidiana, assim mesmo nos
obrigam a questionar e a abrir o caminho para uma maior compreensão das leis superiores
da vida. Esse paradoxo também é sugerido pelo próprio Centauro, pois, sendo metade
deus e metade cavalo, ele se utiliza tanto do instinto quanto do espírito, além de conter uma
dualidade que faz parte de nossa condição humana. O homem não é totalmente animal
nem totalmente divino, mas uma mistura de ambos, e deve aprender a conviver com os
dois. Dessa mescla, surge a sabedoria do Centauro, que participa tanto do conhecimento
de Deus quanto do conhecimento da lei natural - Deus manifestando-se no mundo das
formas.
                                                                                           14
No sentido divinatório, quando Quíron, o Hierofante, aparece em uma abertura de
cartas, ele implica que o indivíduo começará a, ati-vamente, procurar respostas de nível
filosófico. Isso pode ocorrer como o estudo de uma filosofia particular ou de um sistema de
crença, ou ainda como o compromisso profundo de busca por um significado para a vida. O
Hierofante pode aparecer na forma de um analista, de um psicoterapeuta, de um sacerdote
ou de um mentor espiritual na vida exterior, para quem nos voltamos à procura de consolo
e ajuda. O Louco, então, emerge de sua descoberta do Submundo e dos poderes ocultos
do subconsciente à procura de respostas para o enigma de si mesmo e para o significado
de sua vida. Ao encontrar-se com o Hierofante, ele descobre a sua parte que pode
começar a formular e a expressar uma filosofia pessoal e uma visão individual do espírito
que o guiam ao deixar para trás a sua infância, preparan-do-se para enfrentar os desafios
da vida.

6 - OS NAMORADOS

      A carta dos namorados retrata um jovem formoso vestido em simples trajes de
pastor, segurando um cajado na mão direita; em sua mão esquerda, uma maçã dourada.
Três mulheres se exibem, pois se trata de um concurso de beleza e a maçã dourada será
o prémio da escolhida. A mulher à esquerda tem um porte majestoso e maduro, com
cabelos castanhos e olhos claros, um vestido de cor púrpura e porta um diadema dourado
na cabeça. Ela oferece ao jovem o globo do mundo. A mulher ao centro é jovem, sedutora
e de cabelos pretos. Sua túnica transparente cor-de-rosa revela mais do que esconde. Ela
oferece um cálice de ouro. A mulher à direita é fria e casta, vestida com armadura
completa de luta; seus cabelos claros estão quase totalmente cobertos pelo elmo de
guerreiro. Ela oferece uma espada. Atrás das quatro figuras, estende-se um cenário
ondulante de colinas verdejantes.
      Aqui encontramos o príncipe Paris que foi incumbido por Zeus de presidir um
concurso de beleza entre as três deusas - Hera, Afrodite e Atena. Quando Paris nasceu,
um oráculo previu que um dia ele representaria a derrocada do império do pai. Com medo
dessa profecia, o rei Príamo, seu pai, sentenciou-o à morte, abandonando-o à sua própria
sorte no topo de uma colina. Mas um pastor que por ali passava o salvou e criou. Ele
cresceu pastando ovelhas e passava horas a imaginar conquistas românticas, pois era um
jovem bonito e encantador.
      Quando, no Monte Olimpo, uma disputa ocorreu entre Hera (rainha dos deuses),
Afrodite (deusa do amor sensual) e Atena (deusa da justiça) quanto à mais bela das três,
Zeus decidiu que Paris, com sua rica e vasta experiência do assunto, seria o melhor juiz
para o concurso. Hermes foi enviado para informar o jovem dessa dúbia honra que lhe era
conferida pelo rei dos deuses.
      Inicialmente, Paris recusou o pedido, sabendo muito bem que, ao escolher uma delas,
as outras duas nunca o perdoariam. Mas Hermes o ameaçou com a ira de Zeus e Paris
então sugeriu dividir a maçã em três partes, pois de que forma ele poderia fazer uma
escolha entre tais beldades? Mas Hermes também não aceitou essa desculpa. Por
conseguinte, as deusas se exibiram perante o jovem. Hera ofereceu-lhe o governo do
mundo, caso a escolhesse; Atena ofereceu torná-lo o mais poderoso e justo dos guerreiros;
e Afrodite simplesmente abriu a sua túnica e ofereceu-lhe o cálice do amor, prometendo-lhe a
mulher mortal mais bonita do mundo como esposa.
      O resultado era previsível. Sendo jovem e inexperiente com respeito aos seus
valores internos, Paris escolheu Afrodite sem qualquer hesitação. O seu prémio foi a
famosa Helena, rainha de Esparta, que, inconvenientemente, era casada. Hera e Atena
sorriram e prometeram que não o culpariam por sua escolha e, em seguida, saíram de
braços dados confabulando a ruína de Tróia. E assim começou a conflagração da guerra
troiana, que se iniciou com a raiva do marido traído e terminou com a ruína total da cidade
                                                                                          15
de Tróia e de toda a casa real. O oráculo comprovou a sua autenticidade.
      No sentido interno, o Juízo de Paris, como ficou conhecido na Mitologia, é uma
imagem do primeiro grande desafio da vida em face do desenvolvimento individual: o
problema da escolha no amor. Esse dilema não diz respeito unicamente à decisão entre
duas mulheres ou dois homens, também se refere aos nossos valores, porque as escolhas
refletem o tipo de pessoa que queremos ser. Por ser jovem e em razão de suas
necessidades sexuais, Paris não pôde realmente escolher de uma perspectiva madura;
sua escolha derivou de seus desejos e não de suas verdadeiras necessidades. Aqui está
o problema do livre-arbítrio contra as compulsões dos instintos.
      As consequências das escolhas no amor são enormes, pois afe-tam todos os níveis
da vida. A compulsiva escolha de Paris resulta derradeiramente no grande conflito da
Guerra de Tróia. Aqui não se trata da escolha "errada", pois ele ainda não está centrado o
suficiente para comparar a atração erótica de Afrodite com a sedução da esposa de outra
pessoa. Também pouco conhece de si mesmo para decidir se o poder terreno ou a
liderança de um guerreiro são igualmente importantes para ele. O concurso lhe é imposto
assim como os desafios que surgem para todos nós antes que estejamos prontos para
eles e, de certa maneira, o seu "erro" é necessário e inevitável. O desejo por outra pessoa
implica o desenvolvimento dos valores individuais e o autoconhecimento por meio das
confusões e dos conflitos que derivam de nossas escolhas. Essa situação não pode ser
evitada, por ser arquetípica. Paris é a nossa parte que, governada pela incontida
necessidade da satisfação do desejo, ainda não pode enxergar que todas as opções têm
consequências pelas quais somos, no fim, responsáveis. Sem passar por meio da
iniciação pelo fogo, não podemos entender como criamos o nosso futuro, mas colocamos
a culpa no destino, no acaso ou em outra pessoa, em vez de colocá-la em nossa própria
falta de reflexão.
      No sentido divinatório, quando a carta dos Namorados aparece em uma abertura de
cartas, ela prevê a necessidade de algum tipo de escolha, geralmente no amor. O Louco,
que descobriu a sua própria dualidade, agora deve colocar os seus valores em teste. Às
vezes isso significa um triângulo amoroso, mas também pode significar o problema de um
casamento apressado ou a escolha entre o amor e uma carreira profissional ou alguma
outra atividade criativa. Essa carta implica a necessidade de analisar cuidadosamente as
consequências de nossas próprias escolhas, em vez de sermos cegamente impelidos,
como Paris, a uma conflagração de graves consequências.

7 - O CARRO

      A carta do Carro retrata um bonito homem viril de cabelos castanhos encaracolados,
olhos azuis e rosto corado, dirigindo uma carruagem de guerra em bronze. Ele veste
armadura e elmo também em bronze e uma túnica de cor vermelho-sangue. Em sua
cintura, ele carrega um escudo de bronze e, ao seu lado, uma grande lança. Ele segura
as rédeas de dois cavalos, um branco e outro preto, que puxam a carruagem em direções
opostas. A estrada poeirenta passa por um cenário deserto e avermelhado, enquanto
grandes nuvens se aproximam indicando uma iminente tempestade.
      Aqui encontramos Ares, o deus da guerra, que, de acordo com a Mitologia, foi
concebido por Hera, rainha dos deuses, sem o concurso da semente masculina. Como
deus da guerra, as atividades de Ares se concentravam nas lutas. Seus dois escudeiros,
Deimos (Medo) e Fobos (Terror) - que também diziam ser seus filhos -, acom-panhavam-
no nos campos de batalha. Diferentemente da deusa Atena que, como deusa guerreira,
representava a estratégia e a previsão, Ares adorava o calor e a glória da batalha com
uma exultante liberação de sua força ao desafiar o inimigo.
      Ares não era um deus apreciado por estar associado ao conflito e ao derramamento
de sangue, e Zeus e Atena não gostavam dele em razão de sua força bruta e falta de
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refinamento. Mas Afrodite, deusa do amor, possuía gostos diferentes. Impressionada com
o vigor do formoso guerreiro que, sem dúvida, comparava ao seu pouco favorecido marido
Hefesto, o deus ferreiro, ela se apaixonou por Ares. O sentimento foi logo retribuído. Ares
tomou a inescrupulosa vantagem da ausência de Hefesto para desonrar a união conjugal.
Mas o marido descobriu o caso adúltero e planejou uma bem engendrada vingança.
Secretamente, forjou uma rede tão fina que era quase impossível de ser detectada, mas
tão resistente que não podia ser quebrada. Ele colocou a rede sobre a cama em que os
amantes se amavam. No encontro seguinte, no momento em que estavam repousando,
Hefesto deixou cair a rede e chamou todos os deuses para testemunhar a vergonha da
esposa e de seu amante. Mas a paixão de Ares ainda era ardente, apesar do ocorrido e,
mais tarde, dessa sua união com Afrodite, ele gerou uma filha, Harmonia, cuja qualidade,
como o nome sugere, era o equilíbrio harmónico entre o amor e a discórdia.
       No sentido interior, Ares, o condutor do Carro, é a representação dos instintos
agressivos guiados e direcionados pela vontade da consciência. Os cavalos que puxam o
Carro em direções opostas são retratos dos nossos conflitantes impulsos animais, cheios
de vitalidade e, no entanto, negando-se a trabalhar em harmonia. Eles devem ser
controlados com força e firmeza, mas sem repressão e sem quebrá-los, para não perder o
poder e a força para sobreviver e criar o nosso caminho de vida. Ares, o deus sem pai, de
certa forma é a imagem dos instintos naturalmente agressivos e competitivos do próprio
corpo, pois lhe falta o pai espiritual arquetípico que poderia provê-lo de visão e de significado.
Mas a sua vontade férrea e grande coragem são uma dimensão necessária do caráter
humano, pois somente a visão espiritual não basta para sobreviver em um mundo difícil e
competitivo.
       Tendo criado o conflito como resultado de suas escolhas amorosas, agora o Louco
deve enfrentar a segunda maior lição da vida: o criativo controle dos violentos e
turbulentos impulsos da natureza instintiva. Portanto, por meio da figura de Ares, o condutor
do Carro, ele atinge a maturidade. Na carta dos Namorados, o Louco ainda é um
adolescente impelido pelos sonhos românticos e pelo desejo de possuir um objeto
maravilhoso. Mas, por meio do Carro, ele aprende a assumir as consequências de suas
ações como homem e enfrenta a raiva e o conflito que ele criou dentro e fora de si mesmo.
Tal como o Louco, nós - homens e mulheres - devemos aprender a lutar contra os opostos
e as necessidades conflitantes dentro de nós mesmos, caso pretendamos sobreviver na
selva da vida.
       Na Mitologia, Ares sempre entra em conflito, seja por uma disputa irada com alguém
ou pela sua brutal busca por um objeto de amor. Mas sobrevive a todas as suas
humilhações e derrotas, das quais ressurge ainda mais forte. Derradeiramente, ele gera
uma criança que incorpora a serenidade que pode ser encontrada ao final de um conflito
criativamente administrado. A discórdia que Ares encarna é uma experiência necessária.
Por mais que queiramos nos tornar espiritualmente comprometidos e nos empenhemos
em amar desinteressadamente, os impulsos agressivos internos continuarão existindo. Eles
podem ser deserdados e confinados no subconsciente, do qual ressurgem como uma
doença ou são projetados sobre outros que, por sua vez, liberam a sua agressividade
sobre nós. Mas, se pudermos enfrentar os desafios de Ares, então poderemos ser ho-
nestos a respeito dessa força interior, e o esforço para aprender a contê-la e a dirigi-la
promoverá o desenvolvimento de toda a personalidade.
       No sentido divinatório, quando o Carro aparece em uma abertura de cartas, ele prevê
um conflito ou uma disputa que podem resultar em uma personalidade mais forte. É
possível chegar a um confronto não somente com a agressão de outras pessoas, mas
também com os nossos próprios impulsos competitivos e agressivos. Esse conflito não
pode ser evitado, mas deve ser enfrentado com força e reserva. E, dessa maneira, o
Louco alcança a harmonia aprendendo a administrar suas próprias contradições e passa
do mundo da adolescência para o estágio seguinte de sua jornada.
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8 - A JUSTIÇA

       Esta carta da Justiça retrata uma linda jovem vestida com armadura de guerra e
elmo prateados, sentada em um trono de prata. Em sua mão direita, ela segura uma
espada ereta; em sua mão esquerda, ela segura uma balança. Seus cabelos claros e
túnica branca fazem eco à pureza das duas colunas e do pórtico branco que a
enquadram. Sob seus pés, um piso de mármore com padrão xadrez em branco e preto.
Uma coruja está pousada sobre o seu ombro esquerdo.
       Aqui encontramos Atena, deusa da Justiça, com a qual nos deparamos na carta dos
Namorados. Seu pai era Zeus, rei dos deuses, que havia sido advertido por Urano que,
caso gerasse uma criança com a sua primeira esposa, Métis, deusa da sabedoria, ela seria
mais poderosa do que ele. Para evitar essa eventualidade, ele engoliu Métis antes que
pudesse dar à luz a criança que ela carregaVa. Logo após, Zeus foi acometido por uma
insuportável dor de cabeça. Para curá-lo, Hefesto, o deus ferreiro, abriu-lhe a cabeça com
um machado de bronze e da ferida aberta surgiu Atena completamente armada, soltando
um grande grito de vitória. Com esse cenário, todos os imortais ficaram atónitos e
maravilhados. A deusa tornou-se a filha favorita de Zeus e essa preferência era tão
marcante que despertou o ciúme dos outros deuses.
       As tendências guerreiras de Atena foram imediatamente aparentes, mas ela era
diferente de Ares, o deus da guerra, em muitos aspectos. As artes da guerra que Atena
cultivava não se baseavam no amor pelo conflito e pelo derramamento de sangue. Ao
contrário, elas surgiam dos altos princípios e do excelente reconhecimento da necessidade
de lutar para sustentar e preservar a verdade. Ela era uma estrategista e não uma
guerreira insana, e equilibrava a agressão e a força física de Ares com lógica, diplomacia e
inteligência. Ela protegia os bravos e os valentes, e tornou-se a protetora de muitos heróis.
A proteção que oferecia a Perseu, a Ulisses e a outros guerreiros famosos consistia
sempre em armas que precisavam ser usadas com inteligência, previsão e planejamento.
       Atena era uma impressionante exceção na sociedade do Olimpo em razão da sua
castidade. Também prestou um valioso serviço à humanidade. Ela ensinou a arte de domar
cavalos e promoveu habilidades e profissões como a tecelagem e o bordado. Suas
atividades diziam respeito não somente ao trabalho útil, mas também à criação artística. Por
conseguinte, ela era considerada uma deusa civilizadora, embora também fosse, uma
guerreira quando se tratava de proteger a pacífica civilização sob o seu cuidado.
       No sentido interior, Atena, a deusa da Justiça, é uma figura da exclusiva faculdade
humana do julgamento refletivo e do pensamento racional. Para os gregos, essa faculdade
era divina porque diferenciava o homem do animal. Portanto, eles consideravam Atena
nascida da cabeça do grande Zeus, imune ao contágio da mãe corpórea que poderia ligá-
la ao mundo físico e dos instintos dos quais compartilhamos com os animais. Os
julgamentos de Atena não se baseiam no sentimento pessoal, mas na objetiva avaliação
imparcial de todos os fatores contidos em uma situação e nos princípios éticos
estabelecidos como parâmetros rígidos próprios para qualquer escolha. A castidade de
Atena pode ser considerada um símbolo de integridade e de pureza de sua faculdade
refletiva, que não é influenciada pelo desejo pessoal. Seus ensinamentos das artes da
civilização também refletem a capacidade da mente em manter a natureza indomada sob
controle, transformando-a por meio do planejamento claro e obje-tivo. Sua presteza em lutar
pelos princípios e não pelas paixões surge da capacidade mental em fazer escolhas
baseadas na reflexão, mantendo os instintos sob controle.
       A carta da Justiça é a primeira das quatro cartas dos Arcanos Maiores que
tradicionalmente eram chamadas de Quatro Lições Morais. Essas cartas - a Justiça, a
Temperança, a Força e o Eremita - referem-se ao desenvolvimento das faculdades
individuais necessárias para que funcionemos efetivamente na vida. Todas contribuem
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para o que a Psicologia denomina de a formação do ego, o que significa o sentido do "eu"
que todos nós devemos ter para poder experimentar um sentido de merecimento e de
valor na vida, e para enfrentar os desafios da vida a partir de uma base estável e propria-
mente individual.
      O Louco, que passou pelos dois grandes desafios da juventude -o desejo erótico e a
agressão - , agora enfrenta a necessidade de construir o seu caráter e desenvolver as
faculdades que o ajudarão a lidar com as incontáveis experiências da vida. Portanto,
quando o Louco se encontra com Atena, deusa da Justiça, ele deve aprender como
pensar claramente e como cultivar a faculdade de uma mente equilibrada. Ele deve
aprender a pesar uma e outra coisa - algo que ainda não podia fazer na carta dos
Namorados - e chegar ao julgamento mais imparcial possível. A Justiça não é possível se
não respeitarmos a imparcialidade e a verdade como importantes princípios éticos, em vez
de um bom comportamento adotado ao querermos ser apreciados pelas outras pessoas.
Atena ergue-nos acima da natureza e representa os nossos esforços para a perfeição
concebida pela mente humana e pelo espírito.
      No sentido divinatório, quando a Justiça aparece em uma abertura de cartas, ela
implica a necessidade de um pensamento equilibrado e de uma tomada de decisão
imparcial. Mas, tal como a espada de Atena, essa carta possui duas facetas. Existem
fases da vida nas quais a fria reflexão de Atena é gelada demais, muito idealista e
destrutiva do calor do relacionamento pessoal. Sua espada pode cortar o coração com
verdades gerais que não se adaptam a uma situação particular. Dessa forma, a Justiça,
como todos os Arcanos Maiores, é uma figura ambivalente. O Louco deve desenvolver o
que Atena representa, mas não pode permanecer eternamente em seu templo puro e
deve passar adiante para a Lição Moral seguinte.

9 - O EREMITA

       A carta do Eremita retrata um ancião de barba branca envolto em túnica cinza, tendo
seu rosto meio encoberto por um capuz. Em sua mão direita, ele carrega uma lanterna
que brilha em uma luz dourada; na mão esquerda, uma foice. Um corvo está pousado em
seu ombro. Atrás dele, um cenário frio e enevoado de montanhas cinzas sob um céu
carregado e opressivo
       Aqui encontramos o antigo deus Cronos, cujo nome significa Tempo. Na Mitologia,
Urano (o Céu) e Gaia (a Terra) uniram-se e geraram a primeira raça, os Titãs ou deuses
da Terra, entre os quais Cronos era o mais jovem. Mas Urano considerava a sua progénie
com horror, pois eram todos feios, imperfeitos e de carne. Por conseguinte, ele trancou os
Titãs nas profundezas do Submundo para que não ofendessem a seus olhos. Mas Gaia
irritou-se e planejou vingar-se do marido. De seu peito, retirou uma pedra de sílex e mo-
delou uma afiada foice que ela deu ao astuto Cronos, seu filho mais jovem. Ao cair da
noite, Urano chegou em casa como de costume. Enquanto seu pai quanto dormia, com a
ajuda de sua mãe, Cronos armou-se da foice e castrou Urano, jogando seus genitais ao
mar.
       Cronos então libertou seus irmãos e tornou-se soberano da Terra. Sob o seu longo e
paciente reinado, o trabalho da Criação foi completado. Essa época na Terra ficou
conhecida como a Era de Ouro, em razão da abundância sobre a qual Cronos presidia.
Como deus do Tempo, ele presidiu e administrou a passagem das estações, o nascimento
e o crescimento seguidos pela morte, gestação e renascimento; era venerado tanto como o
Anjo da Morte, que estabelecia os limites que o homem e a natureza não podiam
ultrapassar, quanto o deus da fertilidade. Mas o próprio Cronos não podia aceitar as leis
cíclicas que havia estabelecido, pois, quando foi profetizado que um dia o seu filho o
destronaria, como fizera com o seu próprio pai Urano, passou a engolir os seus filhos assim
que nasciam, para que pudesse preservar o seu domínio. E assim continua a história de
                                                                                         19
Zeus contada na carta do Imperador e que, na Mitologia, derrubou Cronos e se estabeleceu
no reino dos deuses do Olimpo. Alguns dizem que Cronos foi banido para as profundezas
do Submundo, mas outros dizem que foi para as Ilhas Abençoadas onde dorme,
esperando o início de uma nova Era de Ouro.
      No sentido interior, Cronos, o Eremita, é a imagem da última das quatro Lições Morais
que o Louco deve aprender: a lição do tempo e as limitações da vida mortal. A ninguém é
permitido viver além de seu tempo e nada permanece imutável; e essa é uma simples e
óbvia faceta da vida que, apesar de sua simplicidade e do fato de ser evidente, para nós é
doloroso aprender e da qual muitas vezes nos conscientizamos já com certa idade e com
a dura experiência. Cronos é um deus que incorpora o significado do tempo e, assim
mesmo, ele não o aceita. Então ele é humilhado e destronado, e aprende a ser sábio na
solidão e no silêncio. De muitas maneiras, é a imagem do próprio corpo que
inexoravelmente envelhece e, no entanto, revolta-se contra o seu mortal destino. O
problema da solidão e de descobrir que derradeiramente somos sós e mortais são dilemas
que todos os seres humanos devem enfrentar. Aceitar essa condição também é, de certa
forma, uma verdadeira separação interna dos pais e da infância, pois significa o sacrifício
da fantasia que algum dia, em algum lugar, alguém virá e fará com que tudo melhore. "E
então eles viveram felizes para sempre" é um sentimento que não pode sobreviver no
mundo de Cronos. A juventude passa para a maturidade e nunca pode ser recuperada de
maneira concreta. Mas a memória e a sabedoria são adquiridas com o passar do tempo,
assim como o dom da paciência.
      A lição do Eremita só pode ser aprendida por meio de lutas e conquistas. Cronos é a
contraparte de Héracles, pois a luta não pára o tempo. Somente a aceitação do tempo
dará direito aos prémios da Idade de Ouro de Cronos. Por meio da limitação imposta e das
circunstâncias que somente o tempo, e não a luta, pode liberar, o Louco desenvolve a
postura reflexiva, introvertida e solitária de Cronos, o Eremita. De certa maneira, Cronos é
uma imagem de humildade que frequentemente se inicia pela humilhação diante do que
não podemos mudar, mas que pode resultar em uma qualidade de calma e de serenidade
sem as quais não poderemos suportar os obstáculos e as desilusões que a vida, às vezes,
nos reserva. Entretanto, por mais sábio que seja o intelecto, por mais quente que seja o
coração, por mais forte que seja o sentido de identidade, as vicissitudes da vida nos
esmagariam se fôssemos incapazes de encontrar em nós mesmos a paciência e a
prudência do Eremita, que nos ensina como suportar e esperar em silêncio. A face negativa
de Cronos é a calcificação, uma resistência teimosa à mudança e à passagem do tempo.
Mas a face criativa desse deus antigo e ambivalente é a sagacidade para mudar o que
pudermos, para aceitar o que não pudermos e para esperar em silêncio até conhecermos
suas diferenças.
      No estado divinatório, a carta de Cronos, o Eremita, prevê um tempo de solidão ou de
isolamento das atividades extrovertidas da vida, para que a sabedoria da paciência possa
ser adquirida. Há uma oportunidade para estabelecer fundamentos sólidos, se tivermos
vontade de esperar. E assim, o Louco finalmente atinge a maturidade, havendo
desenvolvido uma mente e um coração, um firme sentido de identidade e, finalmente, um
profundo respeito por suas próprias limitações na grande passagem do tempo.

10 - A RODA DA FORTUNA

      A carta da Roda da Fortuna retrata três mulheres sentadas dentro de uma caverna
escura. A primeira é jovem e tece em uma roca dourada. A segunda é elegante e madura,
e mede o comprimento de um fio entre as suas mãos. A terceira é de mais idade e segura
um par de tesouras. No centro, entre elas, há uma roda dourada ao redor da qual quatro
figuras humanas são colocadas em posições diferentes. Pela abertura da caverna, um
cenário com muito verde é visível.Aqui encontramos as três deusas do Destino que os
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gregos chamam de Moiras ou Parcas. Na Mitologia, as Moiras eram filhas da Mãe Noite,
concebidas sem pai. Cloto fiava, Láquesis media e Atropos, cujo nome significa "aquela que
não pode ser evitada", cortava. As três teciam o fio da vida humana na escuridão secreta
da caverna e seus trabalhos não podiam ser desfeitos por deus algum, nem mesmo por
Zeus. Uma vez que o destino de um indivíduo fosse tramado, ele seria irrevogável e não
poderia ser alterado; e a extensão de vida e a época da morte fariam parte do destino que
as Moiras estabelecessem. Se alguém tentasse desafiar o destino, tal como alguns heróis
o fizeram, ele era afetado pelo que se chamava de "hubris" ou "hybris", que significa
arrogância aos olhos dos deuses. É claro que esse indivíduo não podia fugir ao seu
destino e, às vezes, sofria um terrível castigo infligido pelos deuses por tentar superar os
limites estabelecidos pelas Moiras. Dizem que certa vez Apolo, o deus-Sol, zombou e
embriagou as Moiras para poder salvar da morte o seu amigo Admeto. Mas geralmente se
acreditava que o próprio Zeus temia as donas do destino por não serem filhas de qualquer
deus, mas a progénie das profundezas da Noite, o mais antigo poder do Universo.
       No sentido interior, as três Moiras, detentoras da Roda da Fortuna, apresentam a
imagem de uma profunda e misteriosa lei agindo no indivíduo, desconhecida e ainda
invisível, que parece precipitar repentinas mudanças e subverter os padrões estabelecidos
da vida. As quatro figuras na Roda da Fortuna representam as diferentes experiências da
jornada, pois, quando a vida age dessa maneira, no início não nos preocupamos em
procurar a fonte por de trás da Roda, mas sim nossas reações à mudança. O homem no
topo foi impulsionado para o sucesso pelo giro da Roda, enquanto o homem no fundo foi
esmagado pelo que ele acredita ser "azar" - sem sorte alguma -, quando, na realidade foi a
evidente ação de algum misterioso padrão. O homem à direita iniciou a sua subida, ajudado
pelo mesmo poder invisível que coroou uma pessoa e derrubou outra; enquanto o homem
à esquerda, contra a sua vontade, iniciou a sua descida, pois a Roda girou e a sua "sorte"
está se exaurindo.
       Entretanto, a carta da Roda da Fortuna não diz respeito às mudanças bruscas da
sorte, do acaso ou por acidente. Atrás da Roda estão as Moiras que planejam de maneira
inteligente e organizada as aparentes mudanças aleatórias da vida. Essas figuras antigas
estão dentro de nós, bem no fundo do útero do inconsciente, e não fazem parte da
personalidade consciente. Nós somente as percebemos por meio dos efeitos externos
que parecem ser obra do Destino, mas que surgem das profundezas de nossa alma e não
de um poder externo.
       Na realidade, a experiência da Roda da Fortuna é a vivência daquele "Outro" dentro
de nós que, geralmente, projetamos no mundo exterior para poder culpar as pessoas,
além de nós mesmos, pelas bruscas mudanças de sorte. O giro da Roda da Fortuna nos
obriga a estarmos conscientes desse "Outro", o movimento inteligente que está por trás
da Roda e que é o destino que todos temos dentro de nós mesmos. A imagem da própria
Roda é profunda, pois seu aro giratório assemelha-se ao cenário em constante movimento
com o qual nos deparamos durante a vida; porém o eixo está sempre no centro, uma
essência ou fonte constante e imutável. O eixo é como o "eu" oculto que "escolhe" (apesar
de não ser uma escolha do ego consciente) voltar-se para as várias situações,
acontecimentos, caminhos e pessoas. O Destino não vem ao nosso encontro; ao contrário,
somos nós que nos dirigimos a ele. Na carta da Sacerdotisa, o Louco descobre a
faculdade intuitiva dentro de si, personificada por Perséfone, que pode entrever o padrão
em ação.
       Na carta da Roda da Fortuna, o Louco encontra o poder que tece o padrão, a própria
fonte de vida, distante e invisível, mais antigo do que os mais antigos deuses, com um
domínio tão absoluto que nem sequer o rei dos deuses ousa desafiar. Até o espírito está
sujeito aos comandos desse centro invisível que os gregos representaram com as Moiras
e que desmantelam a nossa complacência e a nossa ilusão de controle.
       É possível que a dificuldade e até o medo que algumas pessoas têm com respeito ao
                                                                                          21
estudo do Taro, da Astrologia* e de outras práicas proféticas sejam, em parte, devidos à
ansiedade que surge quando a personalidade consciente, acostumada a tomar decisões e
com a ilusão da vontade onipotente, confronta-se com esse "Outro" nas profundezas.
Apesar de também nos pertencer, não está em nosso poder controlá-lo, assim como Zeus
temia as Moiras. Por conseguinte, a Roda da Fortuna é mais do que um indicador de
mudança. Ela é o emissário de uma profunda jornada interna pela qual o Louco, a nossa
própria imagem, gradativamente chega a termos com o seu próprio destino.
     No sentido divinatório, a Roda da Fortuna prevê uma mudança repentina da sorte.
Isso pode ser tanto no sentido positivo quanto no negativo, mas, independentemente de
como gira, ela sempre promove o crescimento e uma nova fase da vida. Não podemos
prever o que virá ao nosso encontro - ou melhor, qual será a transformação. Mas por trás
dessas mudanças estão as Moiras, uma imagem do centro dentro de nós mesmos.
Portanto, o Louco é despertado de sua acomodação e começa a descida para a sua
própria fonte.

11 - A FORÇA

      A carta da Força retrata um homem musculoso e poderoso com cabelos castanhos
encaracolados, vestindo apenas uma tanga vermelha. Ele está embrenhado em uma luta
selvagem com um leão envolvendo seus fortes braços no pescoço do animal; no
momento crítico ele está vencendo a luta. Rodeando os dois, as paredes rochosas de
uma caverna escura. Pela entrada da caverna é possível ver um cenário árido de colinas
marrons.
      Aqui encontramos o grande guerreiro heracles chamdo Hercules pelo romanos, que
na Mitologia era o heroi invencivel. Ele era o filho de Zeus, rei dos deuses, com uma
mortal chamada Alcmena, rei dos deuses, com uma mortal chamada Alcmena. A esposa
de Zeus estava, como de costume, com ciúme da criança nascida do adultério do marido,
dessa maneira o perseguiu com terríveis castigos. Ela fez com que ficasse louco e, em
sua loucura, inadvertidamente assassinou a sua esposa e seus filhos. Héracles pediu aos
deuses que lhe dessem alguma tarefa para expiar os seus crimes, e o oráculo de Delfos
ordenou-lhe que se sujeitasse a 12 anos de trabalhos forçados a serviço do terrível rei
Euristeus que Hera favorecia. E assim, o herói sujeitou-se voluntariamente a servir o
favorito da deusa, que o perseguiu em reparação de um crime do qual ela era,
definitivamente, a responsável.
      O primeiro dos famosos Doze Trabalhos que o rei Euristeus exigiu de Héracles era a
conquista do Leão da Neméia, um enorme animal cuja pele era à prova de ferro, bronze e
pedra. Como o leão havia despovoado a vizinhança, Héracles não pôde encontrar nin-
guém que o dirigisse à sua toca. Finalmente, ele encontrou o animal lambuzado de sangue
de sua última vítima. Héracles disparou uma série de flechas, que não conseguiam
penetrar a sua grossa pele. Em seguida, usou a sua espada, que simplesmente acabou se
dobrando; depois usou o seu bastão, que se despedaçou na cabeça do leão. Então
Héracles cobriu uma das entradas da caverna em que o leão se escondia com uma rede
e entrou na caverna pelo outro lado. O leão arrancou-lhe um dos dedos, mas Héracles
conseguiu agarrá-lo pelo pescoço e o sufocou até a morte com suas próprias mãos. Ele
então lhe cortou a pele com uma de suas e afiadas garras e passou a usá-la sempre como
armadura e a cabeça como elmo, tornando-se tão invencível quanto o próprio leão.
      No sentido interior, Héracles lutando com o Leão da Neméia é a imagem do problema
em conter o poderoso e selvagem animal dentro de nós, preservando, ao mesmo tempo, as
qualidades animais que são criativas e vitais. O leão é um tipo especial de animal e reflete
um aspecto diferente da psique humana, quando o comparamos aos cavalos fogosos da
carta do Carro. Na Mitologia, o leão sempre foi associado com a realeza, mesmo quando
está em seu estado mais destrutivo, e esse rei dos animais é, ainda, a imagem de um
                                                                                          22
início infantil, selvagem e totalmente egocêntrico de uma especial individualidade.
Portanto, o Leão da Neméia não é totalmente mau e possui uma pele mágica que pode
oferecer invencibilidade. Essa invencibilidade está ligada ao sentido de permanência
interior que procede de um sólido sentido do "eu". Quando vestimos a pele do leão que
conquistamos, as opiniões das outras pessoas - os grandes "Eles" que amedrontam os
corações dos tímidos - pouco significam, pois estamos armados com o nosso próprio
sentido indestrutível de identidade.
       Por mais prometedor que seja o seu potencial, o leão é selvagem e cruel em sua
forma animal. Esse lado de uma pessoa descontrolada é o impulso do "eu primeiro" que,
sem pensar duas vezes, destrói qualquer um ou qualquer coisa em seu caminho, desde que
a sua gratificação seja assegurada. A raiva é uma das manifestações desse impulso - não
uma raiva sadia que seria apropriada para a situação, mas explosiva e furiosa quando não
conseguimos o nosso intento. O orgulho implacável é outra de suas facetas - não o auto-
respeito, mas uma bombástica e inchada auto-importância que pode nos tornar selvagens e
rígidos com aqueles dos quais dependemos ou que nos roubam o centro das atenções. De
muitas formas, o leão, como a criança irada em nós, exige que o mundo esteja à nossa
volta, destruindo cega e aleatoriamente quando isso não acontece. Mas, se esse animal
for conquistado, então podemos apropriar-nos de sua pele mágica que, em termos
psicológicos, significa integrar o poder vital da besta, fazendo com que sirva a um ego
consciente e responsável. Por conseguinte, a conquista do leão não é verdadeiramente
uma morte, mas uma espécie de transformação, de maneira que a força e a determinação
do animal sejam expressas por um humano, e não por um animal. Aqui está a
ambivalência da carta da Força, pois Héracles poderia simplesmente destruir o animal
sem que qualquer benefício fosse extraído do massacre. Essa é a faceta negativa de
Héracles dentro de nós: o tipo de força que reprime todo instinto sem qualquer
transformação, deixando para trás uma concha dentro da qual vive uma alma sem paixão,
sem ira e sem uma verdadeira identidade.
       No sentido divinatório, quando a carta da Força aparece em uma abertura de cartas,
ela implica uma situação na qual um embate com o leão interior é inevitável, sendo
necessário o controle da raiva e do orgulho insensato. Coragem, força e autodisciplina são
solicitadas para enfrentar a situação. Por meio dessa experiência podemos entrar em
contato com o animal, mas também com uma parte nossa que é representada por
Héracles, o herói que pode domá-la. Portanto, tendo desenvolvido as faculdades da mente
e o sentimento, o Louco agora aprende a lidar com o seu próprio exclusivismo, surgindo
desse encontro com confiança em si e integridade para com o próximo.

12 - O ENFORCADO

     A carta do Enforcado retrata um homem maduro, de cabelos e barba castanhos.
Apesar de estar acorrentado em posição invertida, quase nu à beira de um precipício, ele
ainda mantém uma expressão serena em seu rosto. Atrás dele, apresenta-se um cenário
obscuro de rochas escarpadas, enquanto o Sol do crepúsculo reflete um brilho sanguíneo
em seu corpo e ilumina a sua cabeça. Acima dele, uma águia se aproxima.
     Aqui encontramos Prometeu, o Titã que desafiou a lei de Zeus roubando o fogo dos
deuses para entregá-lo ao homem, que sabia muito bem que sofreria as consequências. O
nome Prometeu significa "antevisão", e o Titã possuía o dom da profecia. Na Mitologia,
também se dizia que ele criou o homem a partir da terra e da água de suas próprias lágrimas,
enquanto Atena soprou vida na criatura. Prometeu tinha uma profunda compaixão pela sorte
da humanidade por ele ser o seu criador.
     Mas Zeus confirmava a sua divina supremacia sobre os homens ocultando-lhes o
fogo. Isso significava a falta de progresso e de iluminação, pois sem o fogo o homem era
condenado a viver como um animal, alimentando-se de carne crua e escondendo-se em
                                                                                          23
cavernas. Prometeu pegou um pouco do fogo sagrado da forja de Hefesto, escondeu-o no
caule oco de um funcho e levou-o para a Terra.
      Indignado com o roubo, Zeus resolveu exterminar a humanidade por meio de uma
inundação a fim de destruir os culpados, pois ele não somente havia sido ferido em seu
orgulho, mas com o fogo o homem poderia tentar tornar-se divino. Mas Prometeu advertiu
seu filho Deucalião, que construiu uma arca e nela embarcou com sua esposa Pirra. A
inundação durou nove dias e nove noites e no décimo dia o dilúvio cessou e Deucalião
ofereceu sacrifício a Zeus. Tocado com sua piedade, o rei dos deuses concordou com o
seu pedido de renovar a raça humana.
      Mas Prometeu não teve a mesma sorte. Como havia previsto, Zeus prendeu-o com
correntes indestrutíveis em um alto despenhadeiro nas montanhas do Cáucaso. Todos os
dias uma águia descia das alturas para devorar o seu fígado, que a cada noite se refazia
para que a tortura fosse mantida indefinidamente. Após trinta anos, Zeus permitiu que ele
fosse resgatado por Héracles, que matou a águia e quebrou as correntes do prisioneiro.
Prometeu tornou-se imortal e passou a usar um anel de um dos elos da corrente que o
prendia como símbolo de seu cativeiro enquanto a grata humanidade erigia altares para
honrar o seu benfeitor.
      No sentido interior, Prometeu, o Enforcado, é o retrato do sacrifício voluntário para um
bem maior. O sacrifício pode ser representado por uma atitude externa ou interna, mas é
realizado voluntariamente, aceitando o sofrimento que possa ser exigido. Na carta da Roda
da Fortuna, o Louco depara-se com os bruscos golpes da sorte que provocam mudanças
extremas na vida. Mas nós, tal como o Louco, podemos corresponder a essas mudanças
de várias formas. Algumas pessoas não conseguem se adaptar e continuam agarrando-
se ao passado. Outras se tornam amargas e culpam a vida, Deus, a sociedade ou
qualquer outra pessoa. A figura de Prometeu é um símbolo da nossa parte que possui a
percepção necessária para compreender que essas mudanças podem ser úteis no
desenrolar de um padrão interno que ainda não está claro. Por conseguinte, o Titã re-
presenta uma atitude de submissão voluntária para com aquele centro misterioso cujos
padrões dependem dos giros da Roda.
      Prometeu, o Enforcado, implica a aceitação da espera na escuridão. Ele está
suspenso, torturado pela ansiedade e pelo medo de que o seu sacrifício possa ter sido em
vão e, no entanto, mantém uma expressão serena. E, finalmente, a sua tortura o
transforma, assim como o seu relacionamento com os deuses, pois o dom da imortalidade
lhe é concedido. De muitas formas, Prometeu abre mão do controle para que um novo e
maior sentido de vida possa emergir. Como Prometeu criou o homem, pode-se dizer que
ele mesmo também o fosse - uma espécie de espírito visionário dentro de nós que enxerga
maiores possibilidades e está disposto a abandonar tudo o que anteriormente mantínhamos
como sagrado para conseguir essa consciência maior. Como resultado, inicialmente
Prometeu torna-se extremamente vulnerável, pois, se estivermos preparados a fazer esse
sacrifício em confiança, então estaremos abertos para a vida, e ela poderá nos machucar.
Mas o preço dessa entrega de defesas e a realização dessa jornada na solidão e na
dúvida parecem ser necessárias para que tudo o que nos sustenta tenha um sentido real
quando não pudermos nos sustentar.
      Isso é o que as religiões querem dizer com a verdadeira fé que somente pode ser
adquirida por meio de nossas experiências na vida. A carta do Enforcado é um desabrochar
natural da Roda da Fortuna, pois implica a disposição em confiar naquele "Outro" que sabe,
melhor do que o ego, o que pode ser necessário e correto para o nosso desenvolvimento.
      No sentido divinatório, Prometeu, o Enforcado, prevê a necessidade de um sacrifício
voluntário com o propósito de adquirir algo de maior valor. Esse pode ser o sacrifício de
algo externo que anteriormente proporcionou segurança, na esperança de que algum
potencial possa ter espaço para o seu desenvolvimento. Ou pode ser o sacrifício de uma
atitude preferida, como a superioridade intelectual, ou um ódio inesquecível ou uma busca
                                                                                            24
insistente por uma fantasia inatingível. Dessa forma, o Louco responde ao desafio do giro
da Roda com uma disposição em colocar a sua confiança nas tramas invisíveis do
inconsciente e aguarda - muitas vezes com medo e ansiedade - na esperança de uma
vida nova e melhor.


13 - A MORTE

      A carta da Morte retrata uma figura envolta em uma túnica preta e seu rosto
escondido por um elmo escuro. Suas mãos estão abertas para receber os presentes
oferecidos pelos pequenos humanos que se ajoelham diante dela. Um deles lhe oferece
uma coroa dourada e outro, uma pilha de moedas. O terceiro, uma criança, oferece-lhe
uma flor. Atrás dessa figura sombria, flui um rio escuro. Do lado mais próximo do rio, a
terra é seca e árida. Do outro lado, a terra verdejante é gradativamente iluminada pelo Sol
que está apenas surgindo no horizonte.
      A.qui encontramos Hades, o deus sombrio e senhor do Submundo, com o qual nos
deparamos na carta da Imperatriz como o raptor de Perséfone, filha de Deméter. Na
Mitologia, Hades era conhecido como o Invisível. Ele também era chamado de Plutão,
que significa "riqueza", porque o seu reino era repleto de riquezas escondidas. Hades,
filho dos Titãs Cronos e Réa, foi salvo por seu irmão Zeus quando Cronos engolira os seus
filhos. Zeus então concedeu a Hades o domínio do Submundo como parte da herança.
Sobre esse mundo, o deus sombrio governava como dominador absoluto. Quando emergia
para o mundo da luz, o seu elmo o tornava invisível para que nenhum mortal o visse. Os
rituais da morte exigiam que uma moeda de ouro fosse colocada na boca do morto, pois
sem essa oferta a Hades a alma seria condenada a vagar eternamente às margens do rio
Estige, à beira do reino do Submundo.
      Apesar de ser-lhe conferido menos status do que ao seu irmão Zeus, ele tinha um
poder maior, porque a sua lei era irrevogável. Uma vez que uma alma entrava no domínio
de Hades, nenhum deus, nem sequer o rei dos deuses, poderia resgatá-la. Apesar de
alguns heróis, como Orfeu e Teseu, entrarem ilicitamente no reino de Hades enganando o
barqueiro Caronte e conseguindo passar por Cérbero, o cão que guarda a entrada, nenhum
deles voltou para o mundo da luz da mesma forma. O poder irrevogável de Hades era tal
que os deuses juravam seus votos solenes e suas maldições pelas águas do rio Estige,
que era veneno puro e, ao mesmo tempo, conferia a imortalidade.
      No sentido interior, Hades, o Senhor da Morte, é a figura permanente e final do ciclo
da vida. Quando mudamos, uma nova atitude ou circunstâncias novas podem surgir, mas
o caminho anterior está morto e nunca mais voltará à sua forma original. Portanto, Hades é
o símbolo daquela finalidade que experimentamos em todos os encerramentos, assim
como sua túnica preta é o símbolo do luto, necessário para o preparo do novo ciclo.
      Na carta do Enforcado, deparamo-nos com a experiência da submissão voluntária às leis
ocultas da psique - a decisão de abandonar algo na esperança de que uma nova fase da
vida possa emergir. Hades, o Senhor da Morte, representa aquele estado intermediário o
qual somos levados a enfrentar com a total finalidade de nossa perda, antes do início de
uma nova evolução.
      A carta da Morte não simboliza necessariamente um final "negativo". A experiência do
final irrevogável pode significar acontecimentos alegres como um casamento ou o
nascimento de uma criança. Mas esses acontecimentos não somente têm a conotação de
um novo início, como também podem significar a morte de um velho estilo de vida e essa
perda deve ser reconhecida e lamentada. E é por isso que temos os modernos rituais
como, por exemplo, a despedida de solteiros, que reconhece a perda de um estado civil.
Muitas vezes as mulheres (como também os homens) ficam terrivelmente deprimidas com
o nascimento de uma criança, porque ainda não houve o reconhecimento de que uma
                                                                                         25
fase da vida morreu e que algo novo nasceu. Assim, uma moeda deve ser paga a Hades,
porque ele preside a todos os finais e aos novos começos, sendo que o final é tão
importante quanto o começo, devendo ser reconhecido e sentido. Vamos para o
Submundo totalmente nus, pois não podemos levar conosco os antigos padrões e atitudes
que nos haviam proporcionado segurança.
      Por conseguinte, a carta da Morte não é uma descrição da morte física, mas a
inevitável mudança dos ciclos da vida que sempre envolvem uma finalização. Aos olhos de
Hades, a vida pode ser considerada como uma sequência de mortes, começando com o
abandono das águas reconfortantes do útero para a cruel realidade da separada existência
física. Nunca mais viveremos no paraíso abençoado do corpo de nossa mãe. A infância
deve morrer para que a adolescência e o desenvolvimento sexual se iniciem, e a
juventude, por mais tempo que a prolonguemos com dietas, exercícios e cosméticos,
finalmente morrerá para dar lugar à maturidade da meia-idade. Todo relacionamento, até o
melhor, tem os seus ciclos de começo e fim, pois os nossos sentimentos mudam com o
passar do tempo e à medida que cresce a nossa compreensão das outras pessoas. Com o
casamento, deixamos para trás o nosso estado de solteiro, assim como deixamos a nossa
juventude para trás com o nascimento de nossos filhos, o que nos lembra a nossa
mortalidade. E assim, Hades, o Senhor da Morte, é o nosso companheiro invisível durante
toda a vida e para quem devemos pagar o nosso tributo.
      No sentido divinatório, a carta da Morte implica algo que deve chegar ao fim. Se
essa experiência será penosa ou não, depende da capacidade da pessoa em aceitar e
reconhecer a necessidade de encerramentos e finalizações. A carta da Morte prevê a
oportunidade de uma nova vida, caso a velha possa ser abandonada. E, dessa maneira, o
Louco avança no Submundo deixando para trás a sua vida anterior e preparando-se para
um futuro ainda desconhecido.

14 - A TEMPERANÇA

      A carta da Temperança retrata uma linda e jovem mulher de cabelos pretos, trajando
túnicas com as cores do arco-íris, e asas com cores de várias tonalidades. Ela está com
um dos pés dentro de um rio, límpido e o outro sobre a terra seca. Ao longo das margens
do rio crescem lírios vermelhos. Atrás dela, um arco-íris estende-se pelo céu. Em suas
mãos ela segura dois cálices, um de ouro e outro de prata, e despeja água de um para o
outro.
      Aqui encontramos íris, a deusa do arco-íris e mensageira de Hera, rainha dos
deuses. íris era a contraparte feminina de Hermes, o emissário de Zeus, e era amada
tanto pelos deuses quanto pelos mortais por causa de sua natureza bondosa e afetuosa.
Se Hera ou Zeus quisesse transmitir uma mensagem aos homens, íris voava ligeiramente
para a Terra, onde assumia feições humanas ou aparecia em sua forma divina. Ela fendia
o ar tão rápido quanto o próprio vento Zéfiro, que era o seu consorte. Outras vezes ela
deslizava pelo arco-íris que fazia ponte entre o Céu e a Terra. Ela transpunha as águas
com a mesma facilidade e, até, o Submundo abria-se para ela quando, a pedido de Zeus,
ali se dirigia para reabastecer o seu cálice com água do rio Estige, da qual os imortais se
serviam para se proteger dos feitiços malignos. Quando os deuses voltavam de suas jorna-
das para o Olimpo, íris desatrelava os cavalos de suas carruagens e servia néctar e
ambrósia aos viajantes.
      Íris não somente entregava as mensagens de Hera, mas também executava as suas
vinganças, apesar de, mais frequentemente, oferecer ajuda e assistência. Ela preparava o
banho de Hera, ajudava-a com a sua toalete e, dia e noite, permanecia ao pé do trono de
sua patroa. Em uma versão da Mitologia, foi íris e não Afrodite que deu à luz Eros, o deus
do amor.
      No sentido interior, íris, deusa do arco-íris, é uma imagem da segunda das
                                                                                         26
qualidades ou faculdades que o Louco deve aprender para formar uma individualidade
estável: um coração equilibrado. Enquanto Atena, que incorpora a Justiça, é justa e
objetiva, íris, que incorpora a Temperança, é boa e misericordiosa, e a sua compaixão não
é enjoativa nem sentimental. íris está ligada à função do sentimento, que é diferente do
que chamamos de emoção, pois esta é a reação visceral de uma situação, enquanto o
sentimento é uma ativa e inteligente faculdade de escolha. A função do sentimento é ser
ponte em constante mudança entre os opostos, um atencioso sentido das necessidades de
uma situação particular visando à harmonia e ao relacionamento como meta final. E
assim, íris despeja água incessantemente de um cálice para o outro, porque o sentimento
deve fluir de modo constante e ser renovado de acordo com os requisitos de cada
momento. Se os preceitos éticos de Atena são necessariamente estáticos e universais, o
objetivo da harmonia de íris exige um perpétuo ajuste fluido de sentimento, algumas vezes
positivo e outras vezes negativo. Dessa forma, ela pode oferecer uma atenciosa as-
sistência ou executar a vingança de Hera. Mas derradeiramente ela serve aos propósitos
femininos em vez dos masculinos, e qualquer que seja a resposta mutante do fluxo - até
mesmo raiva e conflito -, a meta é sempre a cooperação, a harmonia e um relacionamento
melhor.
       Geralmente não pensamos em sentimento como uma função inteligente, como ocorre
com o pensamento racional. No entanto, as duas cartas, a Justiça e a Temperança, são
consideradas tanto opostas quanto complementares. Atena e íris são duas imagens
contraditórias, uma servindo o Pai de cuja cabeça nascera; a outra, a Mãe; uma
sustentando a verdade abstraía mesmo à custa do coração individual, a outra protegendo
o coração individual mesmo à custa da verdade abstrata. Apesar de essas duas deusas
não serem inimigas na Mitologia - pois íris não tinha inimigos -, no entanto elas podem ser
inimigas dentro de nós, pois muitas vezes oferecerão diferentes soluções para um mesmo
problema. Em que se baseia a nossa decisão: no pensamento racional ou nos ditames do
que os nossos sentimentos indicam ser o caminho apropriado para a preservação do
relacionamento? A presença dessas duas figuras em sequência nos Arcanos Maiores
sugere que o Louco, representando cada um de nós, deve integrar ambas. Por isso, tendo
aprendido por meio de Atena a pensar claramente, o Louco encontra íris, a deusa do arco-
íris, e deve aprender a delicada avaliação do sentimento que é tão diferente da primitiva
emoção reativa ou do sentimentalismo hipócrita.
       Mas até íris, a deusa do arco-íris, pode ser ambivalente. A constante mudança de
sentimento para preservar o relacionamento pode produzir a estagnação, porque nada
além do sentimento pode fazer com que seja impossível respirar. Nada pode ser falado a
respeito, nenhuma diferença discutida, nenhum conflito que possa levar ao crescimento,
porque a harmonia é tudo. Esse estado não permite espaço para a separação porque ela
ameaça a solidão, e íris, amiga tanto dos deuses como dos mortais, podendo funcionar
em todos os níveis da vida, deverá sempre servir alguém com devoção e não pode existir
em seu próprio direito. Portanto, a Temperança sem a Justiça torna-se água estagnada, na
qual nenhuma mudança é permitida ocorrer e a mente sufoca de mero tédio.
       No sentido divinatório, quando aparece a Temperança na abertura de cartas, ela
implica a necessidade de um fluxo de sentimento no relacionamento. íris, a guardiã do
arco-íris, sugere o potencial para a harmonia e a cooperação, resultando em um bom
relacionamento ou em um casamento feliz. Somos desafiados com o problema de apren-
der a desenvolver um coração equilibrado e, ao mesmo tempo, sermos gentilmente
lembrados de que o Louco não pode permanecer para sempre até mesmo com a linda
íris, e deve passar adiante para a Lição Moral seguinte.

15 - O DIABO

     A carta do Diabo retrata um Sátiro, uma criatura metade homem e metade bode,
                                                                                         27
dançando à música de uma siringe (flauta de sete tubos) que ele segura em sua mão
esquerda. Com a mão direita, ele segura duas correntes, cada uma presa a um colar ao
redor do pescoço de uma figura humana nua. As figuras - um homem e uma mulher - têm
pequenos chifres como aqueles do Sátiro. Apesar de suas mãos e pernas estarem livres
para dançar, eles estão presos às suas correntes de medo e de fascinação pela música.
Ao redor, aparecem as paredes escuras da caverna.
      Aqui encontramos o grande deus Pan que os gregos veneravam como o Grande
Todo. Na Mitologia, Pan era filho de Hermes e da ninfa Dríope. Quando nasceu, ele era
tão feio - com chifres, barba, cauda e patas de bode - que a sua mãe fugiu apavorada e
Hermes o levou para o Olimpo para entreter os deuses. Pan assombrava os bosques e os
pastos da Arcádia, e personificava o espírito fértil e fálico da natureza selvagem e
indomada. Ocasionalmente ele podia ser amigável com os homens, vigiando seus
rebanhos, gado e colmeias. Também participava das festas das ninfas das montanhas e
ajudava os caçadores a encontrarem suas presas. Em certa ocasião, ele perseguiu a casta
ninfa Siringe até o rio Ladon, onde ela se transformou em um feixe de caniços para fugir dos
indesejáveis abraços peludos. Como não podia individualizá-la dos outros, ele cortou vá-
rios caniços, dos quais fez uma siringe ou flauta de Pan.
      Do nome Pan derivamos a palavra "pânico", afinal ele se divertia provocando
pequenos sustos aos viajantes solitários. Ele era desprezado pelos outros deuses que, no
entanto, exploravam os seus poderes. Apolo, o deus-Sol, adulando-o, conseguiu dele a
arte da profecia; Hermes copiou uma flauta que ele havia deixado cair, declarou ser sua a
invenção e vendeu-a a Apolo. E foi assim que o deus-Sol recebeu ilicitamente a sua
música e o seu dom da profecia do deus da natureza com aspecto de bode, feio e
indomado.
      No sentido interior, Pan, o Diabo, é a imagem da sujeição ao mais rude e instintivo
aspecto da natureza humana. Como o deus era venerado pelo medo, em cavernas e
grutas, sua imagem dentro de nós sugere algo que tanto tememos quanto nos fascinam os
rudes e primitivos impulsos sexuais que consideramos "maus" em razão de sua natureza
compulsiva.
      Desde o início da Era Cristã, o deus Pan foi estabelecido como a figura do Diabo,
completo com seus chifres e trejeito irónico, e desprezado pelas pessoas "espirituais",
como Apolo o desprezou, na Mitologia grega. Plutarco conta que, durante o domínio do
imperador Tibério, um marinheiro que passava perto das Ilhas Equinades, no Mar Egeu,
ouviu uma voz misteriosa chamando-o três vezes, dizendo: "Quando chegar a Palodes,
proclame que o deus Pan está morto". Isso ocorria no exato momento em que o
Cristianismo* nascia na Judeia.
      Mas a presença dessa carta entre os Arcanos Maiores do Taro sugere que Pan não
morrera, mas havia sido relegado aos recessos mais profundos do inconsciente,
representando tudo aquilo que tememos, odiamos, desprezamos e, no entanto, nos
mantém presos pelo próprio medo e desgosto.
      O problema da vergonha do corpo e dos impulsos sexuais, particularmente os que a
psicanálise tanto fez para trazer à luz neste século - fantasias de incesto, fascinação pelas
funções corporais e excreções, o sentimento de ser sujo e mau, peludo, feio e inferior -,
são os que Pan, o Diabo, personifica. Até o homem, ou a mulher, mais "liberado"
sexualmente pode sentir essa vergonha secreta a respeito de seu corpo. Podemos sentir
alguma nobreza e romantismo no leão furioso na carta da Força ou nos obstinados cavalos
da carta do Carro. Contudo, é mais difícil perceber nobreza em Pan. Mas, na Mitologia, Pan
não era ruim, ele só era indomado, amoral e natural. A paralisia dos humanos que os leva
ao terror e à fascinação cria o problema. Acarta do Diabo implica bloqueios e inibições,
geralmente sexuais, que surgem pela falta de compreensão do deus. Apesar de feio, ele é
o Grande Todo - a vida nua e crua do próprio corpo, amoral e rude, mas assim mesmo um
deus. A energia empregada em manter o Diabo em sua caverna, vergonhoso e oculto, é
                                                                                           28
energia perdida para a personalidade, mas que pode ser liberada com um efeito
imensamente poderoso se tivermos a coragem de encarar Pan.
      Por conseguinte, o Louco deve aprender a enfrentar com humildade seus próprios
aspectos mais inferiores e mais vergonhosos, ou permanecerá eternamente preso aos
seus próprios medos. Então, para poder esconder esse segredo vergonhoso, ele deve
pretender ser superior e, assim, projeta a sua parte animal em outras pessoas, levando ao
preconceito, à inveja e até a perseguição de indivíduos e de raças que, para ele, são
"maus".
      No sentido divinatório, a carta de Pan, o Diabo, implica a necessidade de um confronto
com tudo o que na personalidade seja sombrio, vergonhoso e inferior. O Louco deve libertar-
se adquirindo conhecimento e, por meio da aceitação honesta e humilde de Pan, deve
liberar o poder criativo que está acorrentado ao seu próprio pânico e autodesprezo. E,
assim, ele chega ao coração do Labirinto e enfrenta a sua própria escuridão nas sombras
essenciais de seu corpo para tornar-se o que ele sempre foi - simplesmente natural.

16 - A TORRE

       A carta da Torre retrata um edifício de pedra construído em um alto rochedo com
vistas para o mar. Das profundezas das águas, surge uma figura poderosa e ameaçadora,
com uma coroa de ouro sobre os cabelos castanhos embrenhados de algas e um rabo de
peixe que pode ser visto entre as ondas furiosas. Ela aponta o seu tridente ao edifício,
que é atingido por um raio e fendido. O mar espuma e o céu é preto e ameaçador,
iluminado pelos relâmpagos de uma tempestade.
       Aqui podemos ver o famoso Labirinto do rei Minos que foi atingido por um terremoto
quando o irado deus Poseidon emergiu das águas para derrubar o seu domínio. Na
Mitologia, Minos era o rico e poderoso rei de Creta. Foi-lhe dado esse poder por Poseidon,
deus dos terremotos e das profundezas do oceano, que concordara em tornar Minos
soberano dos mares se esse lhe oferecesse em sacrifício um magnífico touro branco. Mas
o rei Minos não queria se desfazer de seu touro e escondeu-o entre o rebanho,
substituindo-o por um animal inferior. Furioso com o ato de arrogância e de repúdio ao
pacto, Poseidon pediu ajuda a Afrodite, a deusa do amor. Afrodite fez com que a esposa de
Minos, Pasifae, se apaixonasse perdidamente pelo touro branco (zoofilia). A rainha
subornou Dédalo, o artesão do palácio, para que construísse uma vaca de madeira.
Pasifae entrou na vaca (‘complexo-de-vaca’) e o touro branco penetrou Pasifae, e dessa
união nasceu o Minotauro, a vergonha de Minos, uma criatura com o corpo de um homem
e a cabeça de um touro que se alimentava de carne humana. Aterrorizado, o rei escondeu
essa criatura no coração de um grande Labirinto de pedra que Dédalo construíra a pedido
do rei.
       Mas o reino não podia permanecer estagnado eternamente e ainda com esse
vergonhoso segredo escondido em seu seio. Assim, Teseu, filho de Poseidon, com a
ajuda de Ariadne, filha de Minos, entrou no Labirinto e matou o Minotauro. No mesmo
instante, o deus levantou-se furioso de sua cama no oceano e atingiu o Labirinto. A
construção foi reduzida a entulho pelo terremoto, enterrando o rei Minos junto ao corpo do
Minotauro, e os escravos que eram mantidos sob o poder de Minos foram imediatamente
libertados. Teseu foi proclamado rei de Creta, uma nova era foi inaugurada e o Labirinto
nunca mais foi erguido.
       No sentido interior, a Torre atingida por Poseidon é uma imagem do colapso dos
velhos métodos. A Torre é a única estrutura construída pelo homem nos Arcanos Maiores e,
portanto, é uma representação das estruturas interna e externa que construímos, como
Minos, em defesa contra a vida e como esconderijo para ocultar das outras pessoas o
nosso lado menos agradável. De várias formas, a Torre é uma imagem das fachadas
socialmente aceitas que adotamos para esconder o nosso animal interior. Então usamos as
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nossas profissões, as nossas boas credenciais, as nossas associações com instituições e
companhias respeitáveis, as nossas atitudes sociais cuidadosamente elaboradas, os nossos
sorrisos educados e os nossos intercâmbios mais diplomáticos, as nossas aparências mais
inspiradas e as nossas morais familiares mais rígidas, para ocultar aquele segredo
vergonhoso que na carta do Diabo aguarda pelo Louco no Submundo. A Torre é uma
estrutura de valores falsos ou superados, de atitudes para com a vida que não emergem de
todo o ser, mas são papéis que, como em uma peça de teatro, representamos para
impressionar a audiência. Da mesma forma, a Torre também representa as estruturas que
construímos no mundo externo para incorporar o nosso eu incompleto.
      Assim, quando o Louco confronta o grande deus Pan em nosso Labirinto interior, ele
é transformado pelo encontro. Ele se torna humilde, mais completo e mais real.
Inevitavelmente, essa transformação resultará em mudanças que afetarão a vida exterior.
Da mesma maneira que as nossas atitudes são alteradas por qualquer encontro com o
que está no subconsciente, também os estilos de vida que escolhemos são alterados. Um
dos motivos de tantas pessoas temerem esse processo de olhar interiormente é que elas
apenas vislumbram que, havendo descoberto a própria natureza real, não podem mais
fingir aos olhos do mundo. O encontro honesto com o Diabo provoca uma profunda
integridade interior e, assim, a Torre, o edifício que representa os valores do passado, deve
cair. O Louco percebe as maneiras pelas quais ele traiu o seu "eu" essencial e o choque é
semelhante ao tridente de Poseidon atingindo o Labirinto: derruba as defesas e liberta as
nossas partes que haviam sido escravizadas. De muitas maneiras, o Minotauro é como o
Diabo, porque ambos representam um segredo animal ligado ao corpo e aos vergonhosos
sentimentos sexuais que devem ser escondidos, até de nós mesmos, se quisermos nos
mostrar inocentes e íntegros aos olhos da sociedade.
      No sentido divinatório, quando a Torre aparece em uma abertura de cartas, prevê a
derrubada de formas existentes. Essa carta, como as cartas da Morte e do Diabo, depende
muito da atitude do indivíduo com relação a quanto lhe é difícil e penoso lidar com ela. É
claro que é mais criativo perguntarmo-nos em que ponto estamos restritos e presos a uma
falsa persona ou auto-imagem, porque o desejo de romper com essas estruturas irreais
pode evitar muita angústia e dor. Mas parece que a Torre cairá de qualquer maneira,
independentemente de nossa vontade, não por causa de alguma maliciosa fatalidade
externa, mas porque algo no indivíduo atingiu um ponto insuportável e não pode mais
viver assim confinado.

17 - A ESTRELA

       A carta da Estrela retrata uma jovem linda, de cabelos compridos e claros, ajoelhada
diante de uma arca aberta da qual sai um enxame de criaturas voadoras que escurece o
ambiente. Mas o olhar da jovem está fixo na estrela brilhante, em que pode ser vista uma
figura feminina em brilhantes vestes brancas.
       Aqui encontramos Pandora que, segundo a Mitologia, abriu uma arca que Zeus
havia maliciosamente doado à humanidade, liberando assim todos os males. Depois que
Prometeu roubou o fogo sagrado dos deuses para doá-lo aos homens, o rei dos deuses
resolveu punir severamente a raça humana, o que culminou em uma grande inundação,
descrita na carta do Enforcado. Entretanto, antes dessa inunda-ção, a sua raiva foi mais
sutil, mas não o aplacou. Zeus pediu a Hefesto, o deus ferreiro, para fazer um corpo de
argila e água, dar-lhe força vital e voz humana, e fazer dele uma virgem de grande beleza
equiparada à das deusas do Olimpo. Todas as divindades cumularam a criatura de dons
especiais e foi-lhe dado o nome de Pandora. Mas Hermes colocou traição em seu
coração e mentiras em sua boca. Zeus enviou essa mulher para Epimeteu, irmão de
Prometeu, juntamente com uma grande arca. Mas Epimeteu, que havia sido avisado por
seu irmão a não aceitar qualquer presente de Zeus, inicialmente a recusou. Mas depois,
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lembrando-se da terrível vingança que o rei dos deuses havia infligido a Prometeu,
apressou-se em se casar com Pandora.
      Antes de ser aprisionado e acorrentado em seu pico solitário, Prometeu conseguiu
advertir Epitemeu a não tocar no cofre e este, por sua vez, avisou Pandora. Mas, apesar
de sua beleza, Pandora era preguiçosa, perversa e ignorante. Não levou muito tempo para
que a curiosidade a fizesse abrir a arca, e os terríveis males que Zeus havia ali colocado
escaparam e se espalharam sobre toda a Terra, contagiando a humanidade. Somente a
esperança, que, de alguma forma, havia sido presa na arca com os males, não fugiu.
      No sentido interior, a imagem de Pandora e da Estrela da Esperança é o símbolo da
nossa parte que, apesar da decepção, da depressão e da perda, ainda pode prender-se a
um sentido de significado e de futuro que poderia surgir da infelicidade passada. A Estrela
não representa uma convicção plena de planos futuros ou uma solução para os
problemas, ou ainda um guia para a ação. Tal como as cartas do Eremita e do Enforcado, a
carta da Estrela recomenda a espera, pois o sentido da esperança é uma ténue luz que
brilha e guia, mas não dissipa totalmente a escuridão. Portanto, a Esperança é apre-
sentada como uma figura feminina, porque é o nosso lado irracional - a intuição - que
percebe a Estrela no meio de um enxame de males indesejáveis. A esperança não
afugenta os males ou desfaz a vingança que Zeus planejou. Mas, de alguma forma, e
misteriosamente, ela oferece fé e, portanto, os olhos de Pandora na figura não
      olham para a infelicidade da condição humana, mas para o vago, irracional e
inexplicável sentido de que o Sol está prestes a surgir.
      Essa qualidade de esperança nada tem a ver com expectativas planejadas. Ela é
ligada com algo bem fundo dentro de nós que, algumas vezes, foi chamado de vontade de
viver e que - mesmo sendo uma experiência subjetiva sem qualquer razão visível e
concreta -muitas vezes pode representar a diferença entre a vida e a morte. Os médicos
conhecem bem essa vontade nos pacientes - a esperança e a vontade de viver no
indivíduo que frequentemente encontra os recursos internos para lutar contra a doença
que, do contrário, o mataria.
      Da mesma forma, indivíduos que sofreram circunstâncias trágicas ou se
confrontaram com desafios maiores do que a capacidade humana pode suportar - como
aquelas pessoas que passaram pela experiência do aprisionamento em campos de
concentração na Alemanha e na Polónia durante a Segunda Grande Guerra, ou presenci-
aram a destruição de famílias nas invasões russas daTchecoslováquia em 1948 e da
Hungria em 1956 - muitas vezes expressaram a sua crença em um sentimento interior de
fé e de significado que fizeram a diferença entre a sobrevivência e o completo colapso e a
morte.
      A Esperança é algo misterioso e profundo, pois parece transcender qualquer coisa
que a vida nos apresente na forma de catástrofe. No entanto, ela não surge por um ato de
vontade, assim como a Estrela não aparece, no mito de Pandora, por meio de qualquer
ato deliberado de sua parte. Ela simplesmente está ali, misteriosamente presa na arca,
com todos os males, e caso o indivíduo possa vislumbrar o seu brilho delicado, a resposta
às dificuldades pode ser radicalmente alterada. Por conseguinte, a Estrela, a visão
norteadora da esperança e da promessa, não surge de uma intenção, mas das cinzas da
Torre que foi destruída.
      O Louco aguarda, no meio do entulho, sem saber como e o que reconstruir. No meio
dessa confusão e do colapso de velhas atitudes e estruturas, surge a débil e evasiva, mas
potente, Estrela da Esperança.
      No sentido divinatório, quando a Estrela aparece em uma abertura de cartas, ela é
um indício de esperança, significado e fé em meio a dificuldades. Mas a Estrela também é
ambivalente e pode prevenir contra a esperança cega que não prevê qualquer ação ne-
cessária. A carta da Estrela anuncia o advento de promessas, uma experiência positiva
para o Louco que passou pelo colapso de tudo o que acreditava ter valor em sua vida.
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18 - A LUA

       A carta da Lua retrata uma misteriosa figura feminina com três rostos, coroada com
um diadema da Lua em suas três fases. O seu cabelo é prateado e ela veste uma longa
túnica que flui em uma poça de água a seus pés. A sua frente, há um cão de três cabeças
e na poça um caranguejo procura sair da água. Atrás dela, o céu é escuro e iluminado
somente pela luminescência de sua coroa.
       ]Aqui encontramos Hécate, a antiga deusa do Submundo, regente da Lua, da magia
e dos feitiços. Na Mitologia, Hécate era, às vezes, confundida com Artemis, a deusa da
Lua, uma divindade bem mais antiga e poderosa tanto no céu quanto embaixo da terra.
Filha de Zeus c Hera, incorreu na ira da mãe ao roubar-lhe um pote de ruge.
       Ela fugiu para a Terra c escondcu-se na casa de uma mulher que estava para dar à
luz. A experiência com o nascimento tornou-a impura e, como consequência, foi levada ao
Submundo para que a mancha fosse lavada. Ao contrário, ela se tornou uma das
soberanas do Submundo e veio a ser chamada a Rainha Invencível, presidindo as
purificações e as expiações. Como deusa dos feitiços, ela enviava demónios à Terra para
atormentar os homens em seus sonhos; era acompanhada de Cérbero, o guardião de três
cabeças do portal do Submundo, que era a sua forma anima! e seu espírito familiar. Os
lugares que ela mais assombrava eram as encruzilhadas, tumbas e cenas de crimes; por
isso é que imagens sagradas eram erigidas nas encruzilhadas e veneradas na véspera da
lua cheia.
       O próprio Zeus honrou Hécate de tal forma que nunca lhe negou o antigo poder que
sempre possuiu: de conceder ou de negar os desejos dos mortais. Suas companheiras no
Submundo eram as três Erínias ou Fúrias, que castigavam as ofensas contra a natureza e
representavam, de maneira ameaçadora, as três Moiras ou o Destino. E, assim, Hécate é
uma das mais antigas imagens da Mitologia, presidindo a magia, o nascimento, a morte, o
Submundo e o destino.
       No sentido interior, Hécate, a deusa da Lua, é uma imagem das profundezas
misteriosas do inconsciente. Já nos deparamos com esse estranho e fugaz reino em duas
outras cartas dos Arcanos Maiores: a Sacerdotisa e a Roda da Fortuna. Essas três cartas
estão ligadas em significado e representam uma progressão no aprofundamento da
compreensão e da experiência do mundo do inconsciente. Por meio de Perséfone, a
Sacerdotisa, o Louco conscientizou-se de uma intuição de suas profundezas pessoais, um
"eu" secreto por Irás da vida cotidiana. E, por meio das Moiras que presidem a Roda da For-
tuna, ele experimentou o poder do Destino por intermédio de mudanças bruscas que
revelam uma lei invisível ou um padrão intencional interior. Na carta da Lua, encontramos na
imagem de Hécate o oceano da grande coletividade do inconsciente, do qual não somente o
indivíduo, mas a própria vida emergiu.
       Hécale é muito mais do que um retrato das profundezas pessoais. Ela encarna o
princípio feminino da própria vida e os três rostos, as três fases da Lua, refictem o seu poder
multifacetado sobre o Céu, a Terra e o Submundo. Em lermos psicológicos, é desse reino
oceânico da imaginação humana que os grandes mitos, os símbolos religiosos e as obras de
arte sempre nasceram. E um mundo caótico, confuso c sem limites, do qual o indivíduo com
sua jornada pessoal e a sua busca do "eu" é somente uma pequena parte.
       O encontro com Hécate, a deusa da Lua, é uma confrontação com o mundo
transpessoal no qual os limites individuais se dissolvem e o sentido de direção e do ego se
perdem. É como se devêssemos esperar, submersos nas águas desse mundo, enquanto
os novos potenciais surgem para, eventualmente, tornar-se o nosso futuro. Mas as águas
escuras do inconsciente coletivo contêm tanto o positivo quanto o negativo e, às vezes, é
difícil distinguir seus movimentos alternados de loucura e de delírio. Ele pode ser um mundo
                                                                                            32
apavorante c cheio de ansiedade, pois viver no reino presidido por Hécate significa viver
sem conhecimento e sem compreensão. Algo passou por nós e levou consigo o passado,
preparando o caminho para o futuro; mas devemos esperar, assim como o feto espera no
útero da mãe.
     O único caminho para o reino de Hécate é o "Caminho Real" dos sonhos que, como o
caranguejo, nos atormenta com um vislumbre c depois volta para a água. A carta da Lua é
uma carta de gestação cheia de confusão, ansiedade e perplexidade. Temos apenas o
mundo dos sonhos e a Estrela da Esperança para nos guiar, pois essa imagem do
feminino não é pessoal como a da Sacerdotisa. E vaga, ilusória, impessoal e incorpora os
humores alternados e a confusão. Hécate não pode ser realmente compreendida, pois é a
deusa da magia e inicia o Louco em um mundo maior do que ele próprio, aquela água
primordial que dá origem à vida.
     No sentido divinatório, a carta de Hécate, a deusa da Lua, prevê um período de
confusão, flutuação c incerteza. Estamos presos ao inconsciente e somente podemos
esperar e agarrarmo-nos às imagens incertas dos sonhos e ao sentido de esperança e de
fé. Assim, o Louco aguarda o seu renascimento nas águas de um útero maior, apenas
consciente de que a sua jornada de desenvolvimento pessoal é tão-somente uma
pequena fração de uma vida ampla e desconhecida que abrange milénios, seguindo
eternamente fértil, mas incompleta.

19 - O SOL

      A carta do Sol retrata um homem classicamente elegante e de porte atlético, cabelos
loiros e com uma coroa de folhas de louro, portando em sua cabeça o disco dourado do
Sol. Ele tem asas douradas e veste uma curta túnica branca. Em sua mão direita, ele
segura um arco e uma aljava de flechas; com sua mão esquerda, ele segura uma lira. Ele
está em pé entre duas colunas de um pórtico construído em pedras de um dourado
pálido. Atrás dele, um cenário verde-dourado pontilhado de árvores de louro brilha sob um
quente céu azul. Aqui encontramos Apolo, o radiante deus-Sol, o cavalheiro do Olimpo e
senhor da profecia, da música e do conhecimento. O seu apelido era Febo, que significa
"aquele que brilha" e, na Mitologia, dizem que seus lugares preferidos eram os altos picos
das montanhas. Ele era filho de Zeus e de Leto, a deusa da Noite. Diferentemente das
outras crianças, Apolo não foi amamentado por sua mãe, mas alimentado com néctar c
com doce ambrósia assim, imediatamente, o recém-nascido arrancou as suas faixas e
ficou dotado do vigor de um homem. Ele andava com seu arco e suas flechas de longo
alcance -que Hefesto, o deus ferreiro, havia feito para ele - à procura de um lugar para o
seu santuário. Mas o lugar que ele escolheu, um desfiladeiro montanhoso, era a morada da
serpente fêmea Píton, uma criatura enviada por Hera que, por ciúmes, queria destruir
Leto, a mãe de Apolo. O deus matou Píton com uma de suas flechas, coroou-se com
louros e chamou o seu novo santuário de Delfos.
      Em Delfos, ele estabeleceu o seu oráculo, que era interpretado por uma sacerdotisa
posteriormente conhecida como Pitonisa. Todos os anos, no outono, Apolo saía de Delfos
para visitar a misteriosa terra dos Hipcrbóreos, onde ele podia deliciar-se com o eterno céu
brilhante. Apolo era o inimigo da escuridão e podia suprimir a maldição da culpa por crimes
de sangue e os consequentes sofrimentos. Entretanto, ele era um deus ardiloso, pois o
seu oráculo era ambíguo e vago, e as suas flechas podiam matar tanto animais quanto ho-
mens. Consequentemente, ele era considerado o deus da morte brusca, como também o
curador que dissipava as doenças e as sombras. A profecia, geralmente o dom das
divindades do Submundo, foi gradativamente apropriada a Apolo até ele mesmo se tornar
o deus da visão de longo alcance.
      No sentido interior, Apolo, o deus-Sol, é a imagem do poder da consciência em
dissipar a escuridão. Tal como Hécate que, sob o nome de Artemis, na Mitologia era irmã
                                                                                          33
gémea de Apolo, o deus personifica algo maior do que a capacidade do indivíduo em
adquirir conhecimento e percepção. Apolo é a imagem do impulso para a consciência que
existe em todos nós e, portanto, ele é o complemento natural e a antítese de Hécate.
Durante muitos séculos e por meio da ascensão e queda de muitas culturas e civilizações,
o impulso para o conhecimento e o desejo de liberdade da sujeição à natureza obscura e
desconhecida levaram a humanidade para picos impressionantes, mas perigosos. Apolo
representa o espírito do impulso intelectual combinado com a visão do futuro que engloba
o ideal da perfeição.
      Assim, o encontro do Louco com Apolo, o deus-Sol, proporciona-lhe esperança e
clareza após a longa noite de espera no útero de Hécate. Por meio de muitas tentativas e
perdas, o Louco manteve o seu objetivo e a sua integridade; mas a carta da Lua é um
lugar escuro no qual, apesar do fim da jornada estar próximo, o Louco perdeu a sua
confiança c o seu poder de ação. Mas Apolo é o dissipador do medo e a sua luz brilhante
dissipa as sombras. As sombras da Lua são como os medos noturnos da infância, que nos
fazem sentir pequenos e insignificantes diante da vastidão do desconhecido, ameaçados
pelas formas gigantescas que se desenham na escuridão.
      Apolo é a imagem da esperança e da fé que surge em todos nós independentemente
dos nossos impulsos, uma herança humana de nobreza e de determinação que pode
restaurar a fé do Louco em si mesmo, porque também é a fé no significado e no propósito
da jornada humana. A carta do Sol simboliza o espírito indómito que sempre lutou contra a
superstição, a inépcia, a ignorância e a sujeição ao fatalismo e ao desespero.
      E esse espírito que luta contra a serpente Píton, a encarnação do poder negativo, do
instinto cego e do medo primitivo. A música de Apolo nos arrebata, pois ela utiliza a
comunicação transpessoal, atravessando culturas e séculos e incorporando a tragédia e o
triunfo humanos.
      Apolo é um grande deus, respeitado por todos os outros deuses, inclusive até as
Moiras foram, em certa época, sujeitas à sua vontade - mas somente uma única vez.
Entretanto, o deus-Sol também é ambivalente, pois luz excessiva e repentina pode matar se
o conhecimento for prematuro, e destrói o tempo e a escuridão necessários à gestação.
Portanto, a carta do Sol segue a carta da Lua. O calor escaldante do Sol pode queimar,
por não respeitar as leis da Natureza. Na Mitologia, Apolo era frequentemente rejeitado em
seus avanços com as mulheres, pois sua luz era brilhante demais.
      No sentido divinatório, a carta de Apolo, o deus-Sol, prevê um tempo de clareza,
otimismo e confiança renovada. Torna possível compreender o padrão, planejar o futuro e
empreender o caminho para a frente. Os feitiços da noite são dissipados e agora o Louco
está de posse da antevisão, do propósito e de uma fé no impulso do espírito humano.
Dessa forma, ele se depara com o grande princípio masculino da vida que age tanto no
homem quanto na mulher e progride para a sua meta.

20 - O JULGAMENTO

     A carta do Julgamento retrata um jovem de cabelos pretos encaracolados, trajando
uma túnica branca e um manto de viagem vermelho. Em sua cabeça, um elmo alado e,
em seus pés, sandálias aladas. Em sua mão direita, ele segura o caduceu, a vara mágica
entrelaçada por duas cobras. Aos seus lados e apenas visíveis, duas colunas, uma
branca e outra preta. As escadas em que se encontra ascendem para uma porta pela qual
é possível entrever um cenário verde no qual o Sol está apenas surgindo. Diante dele
estão vários caixões gravados dos quais os mortos se levantam, esten- dendo-lhe seus
braços e desfazendo-se de suas mortalhas.
     Aqui, à medida que nos aproximamos do fim do ciclo dos Arcanos Maiores, deparamo-
nos com o deus com o qual nos encontramos no início - Hermes, o Psicopompo, Condutor de
Almas. Na carta do Mago, Hermes aparece como o guia interior do Louco no início de sua
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jornada da vida - trapaceiro, protetor dos viajantes perdidos e mago, o qual pode indicar o
caminho por meio das misteriosas intuições que, na Mitologia, diziam que o deus
dispensava. Agora, ele é revelado como uma divindade poderosa do Submundo, emissário
de Hades, que convoca gentil e eloquentemente os moribundos aplicando a sua vara
dourada sobre seus olhos. Mas Hermes também podia convocar as almas dos mortos de
volta à vida, como também introduzi-las no domínio de Hades.
       Na Mitologia, quando Tântalo, o rei da Lídia, cortou o seu filho em pedaços para servi-
los aos deuses, Hermes reuniu-os, devolvendo a vida ao jovem. Como arauto dos deuses,
Hermes também libertava heróis, como Teseu, que entravam no reino de Hades
ilicitamente e ali ficavam presos. Ele também guiou Orfeu nesse reino obscuro à procura de
sua esposa Eurídice e o guiou novamente para fora quando esse a perdeu pela segunda
vez. Dessa forma, o Hermes da carta do Julgamento não é somente o guia, mas também
aquele que convoca e leva as almas para o seu juízo, preparando-as para uma nova vida.
       No sentido interior, Hermes, o Psicopompo, é a imagem de um processo que ocorre
em certos momentos críticos da vida, como, por exemplo, um exame de consciência,
quando as experiências do passado são reunidas e consideradas como parte de um
padrão inteligente e cujas consequências devem ser compreendidas e aceitas. Esse
processo não é uma função intelectual, mas uma ideia do que é engendrado no Submundo
da inconsciência. É uma chamada para os mortos se erguerem, para que as muitas e
variadas ações e decisões que executamos sejam reunidas a fim de produzir um
resultado. O artista passa por esse processo quando, depois de muitas horas, semanas ou
até anos, na tentativa de formular, pesquisar, praticar uma técnica e dar forma a uma vaga
ideia ou imagem, finalmente algo "acontece" e uma nova obra criativa vem à luz.
       Esse mesmo processo pode ser visto na psicoterapia, em que um indivíduo luta,
durante um longo tempo, com as memórias e sentimentos desconectados do passado e do
presente, preso e bloqueado, e, de repente, há uma coesão e o seu padrão de vida
finalmente faz sentido. Esse processo pode ocorrer em qualquer plano de vida no qual
nos debatemos e lutamos cegamente diante de uma situação para repentinamente o
esforço ser recompensado, surgindo uma síntese e um novo desenvolvimento.
       Assim é Hermes no máximo de seu poder mágico, revelado como o verdadeiro senhor
de toda a jornada do Louco, juntando por meio de um misterioso processo de intuição as
experiências e as percepções angariadas em cada estágio da jornada e, magicamente,
mesclando-as para formar o início de uma nova e mais ampla personalidade.
       Portanto, a figura de Hermes conduzindo as almas para o julgamento representa um
processo de nascimento, que levará a uma personalidade mais completa que, de maneira
irracional, provém das experiências combinadas do passado, entremeadas pelo
discernimento e pelo sentido de que, na realidade, eventos e opções aparentemente
aleatórios estão secretamente ligados.
       O juiz dos mortos decide qual futuro merecem os esforços passados e é nesses
esforços das cartas passadas que o futuro do Louco é edificado. A carta do Julgamento
simboliza a recompensa dos esforços empenhados, apesar de o juiz estar em nosso
interior e não no mundo exterior. Também pagamos por nossos erros de inconsciência e
colhemos os frutos da recusa em assumir a responsabilidade de nossas próprias escolhas
em cada estágio da jornada.
       O Julgamento não é somente a imagem de um novo começo, mas é o início que
emerge do passado. Na filosofia oriental, isso é chamado de carma. Cada pessoa semeia o
seu próprio campo e deverá colher o que foi produzido de seu plantio. Apesar de
frequentemente ser considerado trapaceiro e mentiroso, na função de Psicopompo,
Hermes não permite que a alma minta. Tudo deve ser computado c o Louco encontra
finalmente as consequências de todas as escolhas que fez na vida.
       No sentido divinatório, quando o Julgamento aparece em uma abertura de cartas, ele
prevê um tempo de recompensa por esforços passados. Esse é o período da síntese, da
                                                                                            35
realização do que fizemos e onde nós mesmos criamos o futuro que agora nos aguarda.
Trata-se de uma carta ambígua, pois também pode implicar um confronto incómodo com
nossas fugas e traições. Nem sempre a recompensa é agradável. Agora, o Louco deve
responder por sua jornada, pois chegou o tempo da colheita e tanto os erros quanto os
esforços criativos do passado são reunidos para formar o futuro. Independentemente do
que acontece ao indivíduo em termos de experiências, a carta do Julgamento anuncia o
fim de um capítulo da vida. Mas, diferentemente da carta da Morte, ela não implica o luto.
Ao contrário, é a clara percepção de quanto fomos autênticos com relação a nós mesmos.

21 - O MUNDO

      A carta do Mundo retrata uma serpente dourada enrolada na forma de um ovo que
come a própria cauda. Dentro do círculo, uma estranha figura está dançando, metade
homem e metade mulher, alada, com uma coroa de louros e segurando em cada uma das
mãos uma vara dourada. Em volta da serpente, surgindo das nuvens, um cálice, uma
espada, uma tocha e um pentáculo dourado.
      Aqui encontramos Hennafrodito que, na Mitologia, era filho de Hermes e de Afrodite.
Em uma versão da lenda, ele nasceu como um ser de duplo sexo, mas, em outra versão,
essa dualidade ou unidade foi adquirida. Originalmente, Ucrmafrodito era uma criança de
género masculino e, para esconder o seu nascimento ilícito, Afrodite imediatamente o
confiou às ninfas do Monte Ida, que o criaram na floresta. Com a idade de 15 anos, ele era
um jovem selvagem cujo principal prazer era caçar nos bosques da montanha. Um dia ele
chegou às margens de um lago límpido cujo frescor convidativo fez com que ali se
banhasse. A ninfa Salmácis, que governava o lago, apaixonou-se por ele. Ela declarou o
seu amor a Hermafrodito c o tímido jovem tentou rejeitá-la. Mas Salmácis o abraçou e o
cobriu de beijos. Ele continuou resistindo, porém a ninfa gritou: "Ó deuses! Façam com que
jamais algo me separe dele ou ele de mim!" Imediatamente, seus dois corpos foram unidos
e se tomaram um só.
      As quatro figuras que cercam a imagem de Hermafrodito na carta do Mundo
pertencem a quatro divindades: Afrodite, a deusa do amor; Zeus, o rei dos deuses; Atena,
a deusa da sabedoria; e Poseidon, o deus dos terremotos. Já nos deparamos com esses
símbolos na carta do Mago: o cálice do amor, a vara da imaginação criativa, a espada do
intelecto e o pentáculo da realidade física. Esses quatro elementos, nós os encontraremos
novamente ao explorarmos os quatro naipes dos Arcanos Menores. A serpente em volta
de Hermafrodito é a antiga Serpente do Mundo que, como sabemos, incorpora o próprio
poder primordial instintivo da vida que se devora e se recria eternamente.
      No sentido interior, Hermafrodito é a imagem da experiência de estar completo.
Macho e fêmea são mais do que identificações limitadas aos órgãos sexuais. São as
grandes polaridades que englobam todos os opostos da vida. O ser de duplo sexo, nascido
em uma versão e adquirido em outra, é o símbolo da potencial integração dos opostos na
personalidade. Hermafrodito nasceu dessa forma porque o potencial dessa integração é
inerente a todos nós. Mas, de outra maneira, Hermafrodito adquiriu a dupla sexualidade
por meio das múltiplas experiências durante toda a jornada dos Arcanos Maiores que
derradeiramente levam a esse ser completo. As qualidades do cuidado materno e das
éticas paternas, intuição e expressão física, mente e sentimento, relacionamento e solidão,
conflito e harmonia, espírito e corpo -- todos esses opostos que brigam dentro de nós e
causam essa disputa em nossas vidas, nessa carta são considerados unidos, vivendo em
harmonia dentro do grande círculo da Serpente do Mundo que a imagem da vida
inesgotável.
      A imagem de integralidade, o sentido de estar completo, como é retratada na carta do
Mundo, é uma meta ideal e não algo que possamos possuir totalmente. Somos humanos e,
portanto, imperfeitos; o andrógino divino está além do nosso alcance. Mas podemos vislum-
                                                                                         36
brar esse estado sempre que houver um sentido de cura interna, quando duas partes
conflitantes dentro de nós chegarem a se confrontar para, em seguida, encontrar uma
solução que leva à paz e à harmonia.
      Geralmente, quando nos deparamos com esses opostos na vida e dentro de nós
mesmos, negamos que esse conflito exista, reprimindo metade e rclegando-o ao Submundo
do inconsciente. Ou projetamos a metade desconfortável sobre outra pessoa, ou sobre
algo que pertença ao mundo externo, e gastamos energia lutando contra alguma coisa que
está realmente dentro de nós. O estado de ambivalência faz parte da condição humana e,
no entanto, quantos de nós têm a coragem de admitir essa nossa ambivalência? Nós
dizemos: "É claro que quero me casar!", ou: "É claro que quero ter filhos!", ou: "E claro
que te amo!", ou: "É claro que acredito em Deus!", ou: "É claro que gosto do meu
trabalho!" Mas como seres humanos que somos, também somos complexos e a jornada
do Louco é de descoberta por meio dos nossos próprios opostos, consciente e inconsciente
juntos.
      A carta do Mundo é a última dos Arcanos Maiores e o fim da jornada do Louco, mas
também é um ovo que insinua ser a semente de uma nova jornada. Dessa forma, sempre
que tivermos um sentimento de "chegada" e houver um momento de realização e de cura,
um novo desafio surge, uma nova descoberta da velha jornada espiralada. E assim
continuamos a crescer e a mudar, sempre nos movendo para a frente e para Hermafrodito,
a imagem da integralidade, mas somente conseguindo realizar pequenos avanços e, às
vezes, de maneira muito sutil.
      No sentido divinatório, quando o Mundo aparece em uma abertura de cartas, ele
prevê um tempo de realização e de integração. Esse é um período de triunfo da bem-
sucedida conclusão de um assunto, ou a realização de um objetivo que foi duramente
trabalhado. Mas esse pico é simplesmente o vislumbre de algo misterioso e evasivo, e
Hermafrodito se torna um feto que, eventualmente, surge da caverna como o Louco.
      Assim, o grande ciclo dos Arcanos Maiores termina onde se inicia, pois poderíamos
começar com Hermafrodito como o futuro potencial da personalidade que leva ao
nascimento do Louco. E, dessa maneira, o círculo, como a Serpente do Mundo, completa-
se.



OS ARCANOS MENORES
Os Quatro Naipes
       Os quatro naipes do Tarô - simbolizados pela Taça (Copas), Bastão (Paus), Espada
(Espadas) e Pcntáculo (Ouros) - são descrições, no sentido da forma, de experiências em
quatro diferentes dimensões ou fases da vida. Tal como os antigos quatro elementos da
filosofia grega, dos quais se acreditava que todas as coisas manifestas fossem criadas, os
quatro naipes englobam cada faceta das experiências da vida. Em certo sentido, eles
revelam, com maior detalhe e em um nível mais pessoal, a jornada arquetípica retratada
pelas 22 cartas dos Arcanos Maiores. Cada naipe focaliza um determinado aspecto do
ciclo global e o examina por meio de diferentes e detalhadas fases de desenvolvimento.
          Cada naipe dos Arcanos Menores pode ser dividido em dois grupos: as cartas
numeradas, das quais há dez cartas cm cada naipe, e as cartas da corte, das quais há
quatro em cada naipe. Por intermédio das cartas numeradas, podemos vislumbrar as
experiências coti-dianas da vida, que nos acometem por meio de acontecimentos, do
tratamento com outras pessoas e por meio de estados passageiros da mente ou do
sentimento. Cada uma das cartas numeradas reflete uma experiência típica ou arquetípica
e, mais cedo ou mais tarde, durante o transcorrer da vida, nós nos encontramos em cada
um desses pequenos cenários. É por isso que as cartas numeradas são, de forma geral,
                                                                                        37
interpretadas de um ponto de vista divinatório como reflexos de fatos ou acontecimentos no
mundo exterior, embora elas sejam, na realidade, tão "psicológicas" quanto as cartas dos
Arcanos Maiores.
       As cartas da corte que pertencem a cada naipe - Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei
diferem das cartas numeradas, porque elas não descrevem realmente fatos ou
experiências, mas representam tipos de caráter ou dimensões de uma determinada fase
da vida que podem ser descritos como figuras humanas. Apesar de se apresentarem de
modo hierárquico, elas têm o mesmo valor, porém o diferente grau de poder material indica
o seu diferente grau de consolidação no mundo exterior.
       Os Pajens em todos os naipes dos Arcanos Menores são imagens dos jovens, inícios
 delicados das qualidades do específico naipe. Em outras palavras, essa é a parte primitiva
 daquela fase da vida em sua forma juvenil, frágil e incipiente, precisando de cuidado e
 proteção para que as suas qualidades se desenvolvam totalmente.
       Os Cavaleiros são imagens da fase adolescente volátil e energética das qualidades
 do específico naipe. Esse é o espírito jovem, energético e buscador que nos impulsiona a
 explorar e a experimentar aquela particular fase da vida.
        As Rainhas em todos os quatro naipes são imagens das qualidades estáveis e
 receptivas de uma fase específica da vida. Aqui a energia e o anseio não fluem mais com
 tanto abandono no ambiente - é o que a Psicologia* chamaria de acting-out (psicodrama)
 -; ao contrário, cies são mantidos interiormente, contidos e concentrados para que uma
 força maior possa emergir. Aqui os valores do indivíduo são formados e encenados pelas
 únicas figuras femininas das cartas da corte.
          Os Reis em todos os quatro naipes são imagens das qualidades dinâmicas,
 expansivas e diretivas do naipe específico. Essas poderosas figuras masculinas
 representam o uso total das energias dessa fase de vida para construir e concretizar no
 mundo exterior.
         As personalidades arquetípicas das cartas da corte não descrevem qualidades
pertinentes unicamente a homens ou a mulheres, apesar de as imagens serem
definitivamente sexuadas. Ao contrário, esses rostos masculinos e femininos implicam
qualidades de energia receptivas ou diretivas: masculino e feminino em um nível mais pro-
fundo e disponível a homens e mulheres. Essas figuras são maiores do que as das cartas
numeradas dos Arcanos Menores, embora não tão abrangentes e profundas quanto as
figuras dos Arcanos Maiores. A Rainha de Ouros, por exemplo, compartilha algumas das
qualidades terrenas da Imperatriz, mas incorpora todas as amplas e profundas dimensões
da Mãe do Mundo. A Rainha de Copas compartilha alguns atributos intuitivos tanto da
Sacerdotisa quanto da Lua; mas essas duas últimas são maiores, porque as profundezas
do inconsciente contêm mais do que simplesmente as intuições e os sentimentos
passionais encenados pela Rainha de Copas.
         As cartas da corte contem seu próprio mistério, porque, frequentemente, elas
penetram na vida do indivíduo não somente como uma experiência interior, mas como
pessoas reais. Aqui voltamos ao enigma do que a Psicologia chama de sincronicidade,
porque, quando algo está maduro para ser desenvolvido dentro de nós, muitas vezes o
encontramos no mundo exterior; e quando estivermos a caminho de nos tornar um certo
tipo de pessoa e precisarmos desenvolver certas qualidades internas, frequentemente
essa exata pessoa aparece "externamente" como um catalisador do qual podemos apren-
der mais sobre nós mesmos. Muitos relacionamentos acontecem em nossas vidas, porque
a outra pessoa incorpora algo que nós, com o tempo, devemos aprender a interiorizar.
Dessa forma, as cartas da corte abrangem os domínios da psique e da matéria de
maneira perturbadora, pois esses tipos de personalidades podem entrar em nossas vidas
como pessoas, além de descrever qualidades que nós mesmos estamos cm processo de
desenvolver.
       Os naipes de Copas correspondem ao antigo elemento água que, como diziam, deu
origem à vida. A água é fluida, sem forma, mutável e vaga, mas tão real e poderosa, à sua
                                                                                         38
maneira, quanto rocha sólida. Os ritmos e as profundezas do mar são maravilhosos, mas
perigosos. Assim também é o mundo do sentimento, pois, apesar de os sentimentos
mudarem e assumirem sua coloração de acordo com a situação que os cercam, eles
possuem seu próprio ritmo, realidade e poder. As 14 cartas do naipe de Copas descrevem o
desenvolvimento dos sentimentos durante a vida, as maneiras típicas pelas quais as
nossas emoções mudam e se aprofundam por meio de experiências humanas
características, do catalisador de outras pessoas e dos tipos de caráter que incorporam o
mundo do sentimento em sua forma mais pura. O símbolo da copa sempre foi associado
ao coração, pois o fluido que contém é o mundo fluido do sentimento. Quer seja essa a
água clara do amor espiritual ou o vinho vermelho-sangue da paixão, a copa da qual
bebemos é o veículo pelo qual experimentamos o relacionamento.
        O naipe de Paus corresponde ao antigo elemento fogo que, como diziam, surgiu
espontaneamente do nada e podia alterar e transformar tudo o que tocava sem mudar a si
mesmo. O fogo é volátil, um transformador de formas, nem sólido nem líquido, mas um
catalisador que reduz objetos aos seus mais básicos componentes, transformando a sua
natureza. Assim também é o mundo da imaginação criativa, que pode produzir imagens do
nada e que transforma objetos no mundo concreto e "real", incutindo neles significado e
objeti-vo, embora a própria imaginação permaneça inatingível. O símbolo do bastão (naipe
de Paus) é relacionado com a vara do mágico que, por meio do misterioso poder da
imaginação, pode conjurar objetos a existir e pode perceber ligações que a mente comum
não pode enxergar. As 14 cartas do naipe de Paus descrevem o desenvolvimento da
imaginação criativa e dos desafios com os quais nos deparamos no mundo exterior, sua
utilidade, os perigos da insensata imaginação excessiva e os personagens típicos que
incorporam mais puramente o domínio da imaginação.
        O naipe de Espadas corresponde ao antigo elemento ar que, sendo invisível, se
acreditava ser a respiração do espírito que concebeu a ideia da criação antes que fosse
manifestada. A morada do céu era a sede de Zeus, rei dos deuses, de onde ele formulou
suas leis e elaborou o seu plano para a evolução do homem. Assim, o elemento ar
simboliza o domínio da mente, as faculdades da conceituação e o pensamento abstraio
que devem preceder qualquer ato de criação e que proporciona estrutura e significado à
vida. A espada com seus dois gumes cortantes é uma imagem adequada para o poder
ambivalente da mente, que pode penetrar a situação mais obscura e mais
incompreensível com sua agudeza e, ao mesmo tempo, cortar com sua lâmina inflexível.
As 14 cartas do naipe de Espadas descrevem o desenvolvimento dessa faculdade racional
em sua forma obscura e clara por meio de conflitos, disputas e separações que os
pensamentos e as palavras podem provocar; pela clareza e pela compreensão que a
mente pode oferecer, e pelos tipos característicos que integram o domínio da mente em
sua forma mais pura.
        O naipe de Ouros (Pentáculos) corresponde ao antigo elemento terra, a argila
essencial da qual fomos formados e para a qual devemos voltar derradeiramente. A terra é
tanto o nosso início quanto o nosso fim, e a experiência do corpo é a realidade original
antes que qualquer sentimento, imagem ou espírito possa habitá-la. A terra pode ser
trabalhada e formada para construir casas e outras criações, e a própria vida exige ajustes
para as necessidades de nossos corpos por meio do alimento, do abrigo, da vestimenta e
do dinheiro que simboliza o merecimento, o valor e a recompensa pela energia empregada.
O símbolo do pentáculo - a moeda de ouro cunhada com a estrela de cinco pontas de
Hermes, o deus da magia, dos mercadores e das transações - significa dinheiro. Mas o
dinheiro em si é um dos símbolos mais profundos e intimamente ligados ao nosso sentido
de valor e de merecimento em tudo o que realizamos na vida. O pentáculo também é um
prato no qual o alimento pode ser servido, um recipiente que guarda tudo o que criamos. As
14 cartas do naipe de Ouros descrevem o desenvolvimento da "realidade da função" e o
ajuste gradativo, durante a vida, de necessidades, desafios, decepções e recompensas do
mundo material, assim como os personagens típicos que incorporam o mundo da terra em
sua forma mais pura.

                                                                                         39
Os antigos filósofos declaravam que esses quatro elementos estão em nós e, em um
sentido interior, todos nós possuímos essas quatro diferentes dimensões da vida e quatro
diferentes modos de nos adaptarmos a ela. Todos devemos passar por experiências ar-
quetípicas nos quatro reinos, ou seja, elas tendem a seguir certos padrões humanos
básicos. O curso dos relacionamentos humanos. por exemplo, é um caminho que, apesar
de bem conhecido, todas as vezes que o trilhamos é como se fosse pela primeira vez. A
nossa herança de Mitologia, folclore e contos de fadas, sem mencionar a grande literatura
e arte do mundo, revela todas as típicas situações humanas do amor - separação,
idealismo, decepção, rejeição, conquista, realização, união e perda.
        Em razão de nossas experiências serem típicas de cada um dos quatro reinos,
 exploraremos cada uma das cartas numeradas dos quatro naipes por meio de um mito
 particular que abrange as dez cartas e que incorpora essas experiências características.
 Exploraremos as quatro cartas da corte de cada naipe por intermédio de figuras humanas
 da Mitologia que personificam os tipos característicos daquele naipe. Dessa forma,
 poderemos examinar detalhadamente os essenciais padrões humanos do desenvolvimento
 que ocorre emocional, criativa, intelectual e fisicamente.
        Para as cartas numeradas do naipe de Copas, consideraremos o mito de Eros e
Psique, pois essa é uma história arquetípica de amor cujo desenrolar se relaciona com as
principais experiências nos relacionamentos com as outras pessoas.
        Para as cartas numeradas do naipe de Paus, analisaremos o mito de Jasão e o
Velocino de Ouro, pois essa é uma história de aventura e de conquista da imaginação
criativa sobre as limitações da matéria. O desenrolar dessa história relaciona-se com as
principais experiências no esforço para expandir as nossas vidas criativamente.
         Para as cartas numeradas do naipe de Espadas, acompanharemos o mito de
Orestes e a Maldição da Casa de Atreu, pois essa é uma história arquetípica dos usos e
dos abusos da mente, e dos conflitos, disputas e reconciliações que encontramos por meio
de nossa ética e de nossos princípios.
       E para as cartas numeradas do naipe de Ouros, investigaremos o mito de Dédalo,
pois essa é uma história arquetípica do destino do espírito encarnado em matéria
imperfeita e o desenvolvimento das destrezas e habilidades no mundo da forma.



O NAIPE DE COPAS
As Cartas Numeradas

      Na realidade, a lenda de Eros e Psique é o desenvolvimento e o amadurecimento
dos sentimentos, e a capacidade do relacionamento com outra pessoa. De certa forma é
uma jornada, uma viagem, mas diferente da grande jornada do Louco pelos Arcanos
Maiores, pois se trata de uma aventura específica que diz respeito ao tema central do
coração humano.
      Psique (em grego, a palavra significa "alma") era uma princesa de grande beleza e
de quem a própria deusa Afrodite tinha ciúmes. Ela ordenou ao seu filho Eros, o deus do
amor, que castigasse a audaciosa mortal. Logo depois, um oráculo mandou que o pai de
Psique, ameaçado de terrível calamidade, levasse a filha a um rochedo solitário na qual
ela se tornaria vítima de um monstro. Mas, quando Eros viu a jovem que deveria ser
sacrificada, ficou tão surpreso com a sua beleza que levou um tombo e acabou picando-
se com uma de suas flechas - aquelas que usava com tanta eficiência para incutir amor
tanto em mortais quanto em deuses. E, assim, Eros apaixonou-se por quem sua mãe lhe
ordenara destruir.
      Tremendo, mas resignada, Psique aguardava em seu rochedo solitário a realização
                                                                                       40
do oráculo quando, de repente, ela percebeu que estava sendo levada gentilmente pelos
ventos a um magnífico palácio. Ao cair da noite, quando Psique quase dormia, um ser
misterioso apareceu na escuridão dizendo-lhe ser o marido ao qual era destinada. Ela não
podia lhe ver as feições, mas a sua voz era gentil e suas palavras eram cheias de ternura.
O casamento foi devidamente realizado, mas ao alvorecer, antes de retirar-se, o estranho
fez com que Psique prometesse nunca tentar ver o seu rosto.
      Psique não era infeliz com a sua nova vida e nada lhe faltava, com exceção da
deliciosa presença do marido que somente a visitava durante a noite. A sua felicidade teria
continuado dessa maneira não fosse por suas duas invejosas irmãs, que plantaram a
semente da suspeita em seu coração, dizendo que o marido devia ser um monstro
horrível já que lhe escondia o rosto. Tanto insistiram que uma noite, apesar de sua
promessa, Psique Ievantou-se da cama que compartilhava com seu marido e acendeu uma
lanterna iluminando o rosto misterioso. Em vez de um monstro terrível, ela contemplou o
mais lindo jovem do mundo - o próprio Eros. Ao pé da cama, estavam a sua aljava e as
suas flechas. Chocada, Psique virou-se em direção à cama, mas caiu e feriu-se com uma
das flechas, apaixo-nando-se profundamente pelo jovem deus que ela, anteriormente,
havia aceitado porque ele a amava. Ao cair, ela despertou Eros, que a repreendeu por sua
falta de fé e imediatamente desapareceu.
      O palácio também desaparecera e a pobre Psique encontrou-se novamente no
rochedo solitário no seio de um apavorante isolamento. No início, ela considerou suicidar-
se e se jogou em um rio que estava próximo, mas as águas levaram-na delicadamente
para a margem oposta. Dali em diante, ela passou a vaguear pelo mundo à procura do
amor perdido, perseguida pela ira de Afrodite e forçada pela deusa a submeter-se a uma
série de terríveis provações. Entretanto, ela conseguiu superar todas as provas, assistida
pelas criaturas da Natureza - as formigas, os pássaros, os caniços. Ela teve de descer ao
Submundo, cujo acesso era proibido a qualquer ser humano. Finalmente, sensibilizado
com o arrependimento de sua esposa, que nunca deixara de amar e de proteger, Eros
implorou a permissão de Zeus para que Psique se reunisse a ele. Afrodite esqueceu o seu
rancor e as segundas núpcias dos dois amantes foram celebradas com grande alegria.


O Ás de Copas

      A carta Ás de Copas retrata uma linda mulher de cabelos pretos que emerge de um
mar espumante. Ela segura uma única e grande taça dourada.
      Nesta carta, encontramos a deusa iniciadora que é a força ativa responsável pela
lenda romântica de Eros e Psique: trata-se de Afrodite, que nasceu das águas
espumantes, a deusa do amor em seus mais nobres e também mais degradantes
aspectos. Na Mitologia, o nascimento de Afrodite foi muito estranho. Quando, pela
insistência de sua mãe Gaia, o astuto Cronos castrara o seu divino pai Urano, ele jogou
os seus genitais ao mar. Eles flutuaram na superfície das águas produzindo uma espuma
branca da qual surgiu Afrodite. Transportada pela respiração de Zéfiro, o Vento do Oeste, a
deusa foi levada para as margens de Citera (Grécia) e finalmente parou nas praias de
Chipre. Ela foi recebida pelas Horas, as deusas das estações, que a vestiram ricamente,
enfeitaram-na com jóias e a conduziram para a assembleia dos imortais.
      Afrodite era uma deusa complexa. Essência da beleza feminina, tudo nela era puro
charme e harmonia. Mas também podia ser ciumenta, maliciosa, vaidosa, enganadora,
traiçoeira, preguiçosa e vingadora. Ela espalhou por toda a natureza a alegria de viver,
embora também fosse a divindade temerosa que enchia os corações humanos com o
frenesi da paixão. As vítimas escolhidas por Afrodite sofriam, pois chegavam a trair os
seus próprios pais, a abandonar os seus lares ou eram acometidas por paixões
animalescas ou incestuosas. Ao mesmo tempo, Afrodite protegia as uniões legítimas e
                                                                                         41
presidia a santidade do casamento.
      Em suma, Afrodite é a imagem da força da Natureza. O significado dos Ases nos
quatro naipes dos Arcanos Menores é a erupção inicial da energia vital, e a deusa de
cabelos pretos que emerge do mar segurando a taça dourada representa o surgimento do
sentimento primordial. Esse é o impulso para o relacionamento e, se não estivermos
prontos, então a outra pessoa não aparecerá. Na lenda, Eros e Psique nunca teriam se
encontrado se não fosse por Afrodite, pois foi o seu capricho que promoveu a ação da
história. Portanto, o As de Copas implica o início da grande jornada pelo domínio do
coração, no qual a abundância de sentimentos irrompe e impulsiona o indivíduo ao
relacionamento.
      No sentido divinatório, o Ás de Copas anuncia uma disseminação de sentimento que,
apesar de não ter sido evidenciado, surge como primitivo, vital e, muitas vezes,
avassalador. No início de um relacionamento, o potencial está implícito, embora nem
sempre seja manifestado. E o indivíduo está pronto para embarcar na jornada do amor.

O Dois de Copas

       A carta Dois de Copas retrata o encontro inicial entre Eros e Psique. Ela está vestida
de branco para proclamar a sua virgindade e está amarrada em um rochedo cercado de
água por ordem de Afrodite. Aos seus pés há uma taça dourada. Seu olhar é distante e
ela aguarda a sua morte certa pelo monstro que habita a profundeza do mar. Atrás dela,
Eros paira no céu, tremulando com seus cabelos louros e suas asas douradas. Em sua
mão direita, ele segura uma taça dourada. Em sua mão esquerda, a flecha com a qual,
acidentalmente, ele se feriu e, inadvertidamente, apaixonando-se pela mulher que fora
ordenado a matar.
       O Dois nos quatro naipes dos Arcanos Menores representa a polarização da energia
vital inicial dos Ases. Aqui, no Dois de Copas, essa polarização implica a atração entre o
masculino e o feminino. O sentimento primordial que irrompeu no Ás agora encontrou um
obje-to, assim como Eros encontra a mulher com quem pode se unir. Na antiga fábula de
Platão a respeito das origens da humanidade, a alma humana, antigamente, era uma
esfera perfeita e continha tanto o masculino quanto o feminino. Mas essa alma andrógina
dividiu-se e, assim, a raça humana, constituída de homens e mulheres, é cegamente levada
a buscar a sua metade perdida. Para a mentalidade grega, a atração erótica representava
alguma coisa sensual e espiritual, pois, além de proporcionar prazer físico, também era a
procura da alma por seu complemento.
       Quando um novo potencial começa a surgir do inconsciente na vida do indivíduo, ele
inicia por projetar-se sobre alguém ou sobre alguma coisa no mundo exterior. Dessa
forma, quando o potencial para a realização indicado no Ás de Copas começa a
movimentar-se na pessoa, a primeira indicação desse movimento é a atração pela outra.
Nessa outra pessoa, podemos vislumbrar o que nós mesmos estamos nos tornando. Em
Psique, que é mortal, o deus Eros percebe a oportunidade de humanizar-se, pois ele é o
espírito desencarnado do amor que ainda não encarnou em um relacionamento humano. No
deus Eros, Psique pressente o potencial da imortalidade que pode elevar o seu amor
humano para um nível mais alto e mais espiritual, mas não nesse momento. O Dois de
Copas nos apresenta os protagonistas da lenda, e o poder primordial de Afrodite se
transforma no poder de atração.
       No sentido divinatório, o Dois de Copas prevê o início de um relacionamento. Ele
também sugere uma reconciliação que, em um relacionamento já existente, passou por
dificuldades ou pela separação. Pode até indicar o encontro ou os acordos entre parceiros
de negócios, pois aqui também o elemento de relacionamento é evocado.

O Três de Copas
                                                                                           42
A carta Três de Copas retrata o casamento de Eros e Psique. Em pé, no rochedo
cercado de água, Psique está com seu vestido de noiva e seus cabelos enfeitados de
flores; ela segura um buque de lírios brancos. Atrás dela, está o noivo que ela ainda não
pode ver -Eros, o radiante deus do amor, com seu arco e aljava com flechas douradas.
Três ondinas ou ninfas dançam em um círculo ao seu redor, cada qual emergindo da
água e segurando uma taça dourada em comemoração do casamento.
      Os Três de todos os naipes dos Arcanos Menores representam o estágio de uma
conclusão inicial. Uma nova dimensão de vida está por começar, enquanto a primeira
parte da jornada foi completada.
      Portanto, o Três de Copas é uma carta de comemoração, representando uma
experiência de realização emocional e a conclusão da atração inicial. O casal uniu-se e há
um sentimento de alegria e de promessas. Mas a história de Eros e Psique conta algo
muito importante sobre esse estágio inicial de realização e de conclusão. Psique ainda não
viu o seu noivo nem, no mito, questiona a falta de um encontro real. Inicialmente ela se
contenta em viver com Eros em uma espécie de estado onírico no qual ele volta para ela na
escuridão da noite. Portanto, junto com a alegria e a comemoração desse casamento, paira
uma certa ingenuidade. Esse é o estado imediatamente reconhecível de "estar
apaixonado", no qual estamos fascinados pela nossa imagem refletida na outra pessoa,
mas também é aquele estado em que o verdadeiro parceiro ainda não é visível aos nossos
olhos. O encontro inicial é uma experiência alegre, uma comemoração do amor e da vida,
um excitante início. Grande parte da literatura e do drama do mundo retrata a felicidade
desse mesmo estado. Mas a mensagem é: aproveite-o enquanto puder. Há muito mais à
frente, alegrias e tristezas, antes que a jornada pelo naipe de Copas se complete e que o
amor de Eros e Psique surja com todo o seu potencial humano e divino. O Três de Copas é
uma iniciação à vida, cheio de promessas. A virgem casa-se e deixa para trás a sua
virgindade e a sua inocência. Essa é a carta da transição anunciando outros desen-
volvimentos futuros. A jornada ainda não terminou e há muito trabalho à frente.
      No sentido divinatório, o Três de Copas sugere a comemoração de um casamento, o
início de um caso de amor, o nascimento de uma criança ou alguma outra situação de
realização emocional e de promessas. Mas cada uma dessas situações também é um
início, uma iniciação para níveis mais profundos de experiências do coração e o prenúncio
de explorações futuras.

O Quatro de Copas

     A carta Quatro de Copas retrata Psique, a recente noiva, sentada no magnífico
palácio do deus Eros. Através de colunas brancas, vislumbra-se o mar. Aos dois lados de
Psique, estão suas invejosas irmãs, uma vestindo preto e a outra, vermelho, ambas
sussurrando que o seu noivo seria um terrível monstro; do contrário, por que haveria de
ocultar-se nas sombras, visitando-a somente à noite? Psique assume um olhar
descontente. À sua frente, quatro taças douradas.
     Os Quatro de todos os naipes dos Arcanos Menores são aqueles do
descontentamento divino. Apesar de tudo parecer alegre e compensador, ainda existem
dúvida e suspeita. O Quatro de Copas retrata esse descontentamento em nível de
sentimento. Psique vive na opulência e é visitada à noite pelo marido amante e carinhoso,
mas mesmo assim não está satisfeita. Suas invejosas e ciumentas irmãs, de certa forma,
são os impulsos interiores da própria alma, pois, apesar de negativos e de provocar-lhe
dúvidas, sondam um problema real: a cegueira e a ignorância de Psique quanto a quem e
o que é o seu verdadeiro consorte.
     Assim, a realização inicial do Três provou ser uma decepção, pois há uma crescente
percepção de que alguma coisa está errada, algo que não está sendo considerado. Todos
                                                                                        43
temos essas horríveis irmãs dentro de nós, uma espécie de lado sombra de nossa
personalidade que mais parece desejar-nos o mal e, no entanto, somente quer o nosso
bem, porque ele nos obriga a analisar mais profundamente e a exigir mais honestidade em
nosso tratamento emocional com as pessoas. Caso Psique tivesse permanecido em seu
estado cego e satisfeito de ignorância, ela nunca teria crescido e todo o potencial de seu
relacionamento com Eros e o seu próprio "eu" nunca seria alcançado. Portanto, o Quatro
de Copas, a carta dos sentimentos descontentes e da insatisfação emocional, por nenhuma
razão aparente, é tanto negativo quanto positivo. Ele retrata todas as nossas vãs suspeitas
e dúvidas a respeito das outras pessoas; e isso resulta na semente de todas as traições.
Entretanto, ele ainda retrata uma misteriosa força
      inteligente funcionando no indivíduo que, de alguma forma, sabe que ainda há um
longo caminho pela frente.
      No sentido divinatório, o Quatro de Copas prevê um período de insatisfação, de tédio
e de depressão em um relacionamento. Há um sentimento de ter sido abandonado ou
trapaceado, apesar de que os trapaceiros somos nós mesmos, graças às nossas
expectativas irreais. Essa insatisfação pode levar a um demorado e tácito ressentimento ou
pode levar a uma análise mais profunda dos relacionamentos, um caminho mais árduo
porque as suposições e fantasias anteriores serão então desafiadas.

O Cinco de Copas

      A carta Cinco de Copas retrata as consequências da traição de Psique. Suas irmãs
despertaram os seus medos a tal ponto que ela acabou quebrando a promessa feita a
Eros ao acender uma lanterna para ver o seu rosto enquanto dormia. Aqui podemos ver
Psique desesperada diante da cama nupcial vazia. A mão esquerda segura a lanterna,
enquanto a direita está levantada em súplica para Eros, que pode ser vislumbrado
desaparecendo atrás das colunas de mármore do esplêndido palácio. A frente, quatro
taças derrubadas com seu conteúdo espalhado no chão; uma única taça permanece em
pé e intacta.
      O Cinco de Copas representa aquele período de prova em um relacionamento
quando nos arrependemos de certas ações do passado. Essa carta coloca o difícil
problema da traição que, como parte do naipe de Copas, é apresentada como uma
experiência necessária e potencialmente criativa. Apesar de penosa, a traição quebra o
cego encanto mágico de "estar apaixonado" e totalmente envolvido com a outra pessoa,
pois trair, às vezes, pode significar ser autêntico. A traição de Psique não foi um ato
impensado ou causado por ambição; ele surge de sua necessidade de conhecer o
parceiro, e o deus, de certa forma, está errado em negar-lhe esse conhecimento. Por-
tanto, essa é uma ação honesta que provoca o conflito inevitável que, no entanto, é
necessário, porque qualquer outra ação constituiria uma autotraição.
      Trair a exigência ou a expectativa da outra pessoa é um aspecto difícil, mas
frequente, de um relacionamento mais íntimo. O amante, marido ou esposa que diz: "Não
procure me conhecer realmente, mas permaneça apaixonado pela imagem que eu lhe
apresento", provocará a traição e o traidor, tal como Psique, muitas vezes sofre as
consequências. Porém, a presença de uma taça intacta na figura afirma que nem tudo
está perdido; alguma coisa ainda resiste que permite trabalhar na reestruturação.
      Agora Psique sabe quem é o seu marido, além de saber que o ama, e não a uma
simples imaginação. Sem esse ritual de passagem ela ficaria presa à ansiedade e ao
ressentimento do Quatro de Copas. Nesse momento, ela sofre com o amargo
arrependimento, mas ainda resta algo com o que trabalhar.
      No sentido divinatório, o Cinco de Copas implica o arrependimento de ações passadas.
Algo saiu errado, uma traição ocorreu, e há tristeza e remorso. A separação pode ocorrer
no relacionamento, mas essa carta não a prevê como definitiva. Resta ainda alguma coisa
                                                                                         44
a ser trabalhada e o indivíduo deve enfrentar o desafio e com-prometer-se com o futuro.

O Seis de Copas

      A carta Seis de Copas retrata Psique sentada sobre um rochedo e, atrás dela, um
mar calmo. Em sua mão esquerda, ela segura e contempla o conteúdo de uma taça
dourada. Em sua mão direita, os restos de seu buque de noiva de lírios brancos. Ao seu
redor, outras cinco taças douradas.
      O Seis de Copas é uma carta nostálgica. Aqui podemos ver Psique abandonada; o seu
misterioso marido se foi e o magnífico palácio desapareceu; tudo o que ela tem são boas
memórias. Entretanto, apesar da catástrofe, Psique parece estar tranquila, pois o Seis de
Copas não é uma carta negativa. Com o ocorrido, Psique conseguiu algo muito precioso.
Ela realmente viu Eros e agora sabe que o ama pelo que ele é, e não pelo conforto e pelo
prazer que ele lhe proporcionava. Portanto, apesar da perda, ela descobriu algo a seu
próprio respeito e é essa verdade que promove a harmonia que podemos ver nessa carta.
      A calma e a serenidade que muitas vezes ocorrem depois de uma crise em nossas
vidas são relacionadas a esse estágio da história. Aqui, os sonhos e as expectativas
irreais do passado, por meio de provas e decepções, de certa forma se cristalizam em
algo sólido e real. Psique assumiu o desafio de recuperar o seu amor perdido após o
arrependimento e o remorso do Cinco de Copas e, portanto, está em paz consigo mesma.
O seu amor tornou-se realidade e agora ela tem alguma coisa com que trabalhar. Nesses
momentos, a nostalgia do passado sempre volta para nos assombrar, mas existe uma
faísca de verdade nele e não se trata apenas de uma fantasia sentimental sem
fundamento. Após a auto-recriminação do Cinco, o Seis de Copas representa uma
retomada positiva na jornada de Psique para o seu objetivo.
      No sentido divinatório, o Seis de Copas anuncia um período de serenidade que
resulta das experiências dos sonhos do passado. Algumas vezes, um antigo amor volta do
passado ou o sonho de um desejo antigo parece ser realizável em um futuro próximo. A
cegueira própria do estado de "estar apaixonado" solidificou-se e, apesar de o passado
parecer maravilhoso, mas irrevogavelmente perdido, uma parte de sua promessa surge no
presente, temperada e reforçada. Essa carta implica a nostalgia a respeito do passado,
mas com uma diferença: o passado pode levar ao futuro e o sonho passa a ser possível, e
até próximo de realização.

O Sete de Copas

      A carta Sete de Copas retrata a deusa Afrodite instruindo Psique a respeito das
tarefas que ela deverá cumprir para poder ficar com Eros novamente. Psique está
ajoelhada diante da deusa, reconhecendo a soberania divina em todos os assuntos
relativos ao amor. Surgindo da água, Afrodite aponta para as sete taças douradas que
flutuam nas nuvens diante dela.
      O Sete de Copas representa a dádiva - e o problema - de ser confrontado com
muitas possibilidades nos assuntos do coração. Essa é a carta dos "castelos no ar". A
intuição percebe todos os tipos de potenciais futuros, mas essas visões de possibilidades
devem tornar-se reais e concretas por meio de um grande e árduo trabalho. Psique ergueu-
se de seu estado nostálgico retratado pelo Seis de Copas, com um sério compromisso
para com o seu amor e, humildemente, ela pede a ajuda de Afrodite, apesar de saber muito
bem que a caprichosa deusa foi quem iniciou todas as mudanças catastróficas da sorte.
Como resposta, Afrodite garante a futura reunião com Eros e é dessa forma que são
invocadas as alegres fantasias da solução do relacionamento. Agora, tudo é possível para
Psique. Mas Afrodite exige um preço: trabalho árduo e demorado, esforços cansativos, cui-
dado e previsão, que podem provocar humilhação e sofrimento. Mas Psique não pode ter
                                                                                          45
Eros de volta sem executar esses trabalhos.
      O surgimento de alegres fantasias a respeito de um futuro maravilhoso no qual tudo é
possível no amor é o natural desabrochar do comprometimento interior já estabelecido no
Seis de Copas. Quando conseguimos uma profunda realização dos nossos sentimentos
verdadeiros ou conseguimos uma ligação com uma importante parte de nós mesmos, tal
como Psique conseguiu com o seu amor por Eros, o futuro descortina-se para uma rósea
visão. "Agora eu sei como tudo isso aconteceu", afirmamos com confiança, porque agora
sabemos que as possibilidades são infinitas. Mas tempo, escolhas certas e trabalho árduo
são necessários para que essas possibilidades se transformem em realidade concreta. O
relacionamento profundo e honesto que Psique agora almeja promete um futuro feliz. Mas,
antes,ela deve aceitar as limitações da realidade: o fato de seu marido ser imaturo demais
para aceitar essa honestidade e que ela própria deve aprender a ser paciente, ter fé e
perseverança, antes de poder tê-lo de volta.
      No sentido divinatório, o Sete de Copas prevê uma situação emocional na qual muitos
potenciais são evidentes, mas o indivíduo é confrontado pelo desafio de escolher e agir em
termos realistas para que esses potenciais se manifestem.

O Oito de Copas

      A carta Oito de Copas retrata Psique executando a última tarefa de Afrodite: a
viagem ao Submundo para resgatar um pote de creme de beleza de Perséfone. Psique
apresenta-se de mãos vazias ao descer os degraus que levam à escuridão do Submundo;
seu rosto está triste, mas resignado, pois sabe que provavelmente não sobreviverá à
viagem. Atrás dela, abandonadas, oito taças douradas cuidadosamente arrumadas.
      O Oito de Copas é a fase mais difícil da jornada de Psique para o seu objctivo de
recuperar o relacionamento com Eros: a desistência voluntária da esperança no futuro.
Nenhum mortal vivo pode descer ao reino de Hades e, no que diz respeito a Psique, essa
última tarefa que Afrodite lhe impôs deve significar a sua morte. No entanto, ela obedece à
deusa por ser leal ao seu compromisso com o amor. Dessa maneira, trata-se da
desistência da esperança. Todas as tarefas tão meticulosamente executadas sugerem,
pelas oito taças cuidadosamente arrumadas, que de nada serviram. Ela enxerga a
situação como realmente é - que Afrodite jamais cederá - e, desesperada, ela desiste e
abandona todas as suas esperanças passadas.
      Esse estágio do relacionamento é um dos mais penosos, porque significa que nada
mais pode ser feito. Esforços maiores de nada servirão; devemos desistir e começar tudo
de novo. Muitas pessoas, quando são confrontadas com o dilema refletido pelo Oito de
Copas, recusam-se a aceitar o impasse e continuam a suplicar, ameaçar, coagir e a
chantagear o parceiro, na esperança de uma resposta que não é mais possível nas atuais
circunstâncias. O Submundo, como vimos na carta da Morte dos Arcanos Maiores, é o
símbolo de luto e o abandono do controle; é o lugar da morte e da transformação de
nossas velhas atitudes. Portanto, quando não há mais o que fazer, devemos desistir
voluntariamente, não a título de "negociação" para garantir uma futura reconciliação - pois
esse não é um autêntico abandono -, mas porque é a única coisa a ser feita. Essa é a
aceitação do que parece ser o destino, a aceitação do fim. Não importa o que aconteça
depois, a desistência nos transformará porque é a sujeição ao que é maior e não à boa
vontade do parceiro, mas à vontade do divino, aqui representada pela grande deusa do
amor.
      No sentido divinatório, o Oito de Copas implica a necessidade de desistir de alguma
coisa. A verdade da situação deve ser enfrentada; não há o que fazer e não existe outra
forma senão desistir. Muitas vezes, a situação leva à depressão, pois o Submundo é um
lugar de luto. O futuro não pode ser manipulado e para o desconhecido nos dirigimos de
mãos vazias.
                                                                                         46
O Nove de Copas

       A carta Nove de Copas retrata o momento de felicidade quando Psique é resgatada
do Submundo e reunida a Eros. Em um rochedo cercado pelo mar, Psique e Eros portam
guirlandas de flores e se confrontam de braços dados. Ao lado, Afrodite olha bondosa-
mente para os dois, levantando uma taça e abençoando essa união. Abaixo deles, seis
taças douradas estão cuidadosamente arrumadas em comemoração à reunião dos
amantes.
       O Nove de Copas é a carta do desejo que representa a satisfação e a realização de
um sonho emocional. Psique e Eros estão finalmente reunidos no mútuo amor honesto.
Cada um, à sua maneira, traiu o outro e sabe em nível profundo quem é o parceiro; e
compreenderam e perdoaram-se mutuamente. É por isso que Afrodite abençoa a união,
pois o poder do amor incondicional humano pode afetar até os deuses. Esse momento
extático de realização, diferentemente da comemoração inicial do Três de Copas, foi
realmente merecido,
       não pela força, pela vontade ou pela manipulação emocional, ou ainda pela
proclamação exagerada do auto-sacrifício, mas pelo seguro comprometimento interior
assumido pelo único ser humano da história. Tudo o que Psique fez e realizou foi em
fidelidade ao seu próprio sentimento. E, dessa forma, ela adquiriu o direito de reivindicar o
seu marido divino, fazendo com que até os deuses se envergonhassem.
       Esse segundo encontro é o autêntico casamento de Eros e Psique, sugerindo o que
essa união pode vir a ser, pois ela não surge do simples estado de "estar apaixonado", mas
do comprometimento tanto ao amor quanto ao ressentimento, à traição, à separação, ao
desespero e à possibilidade da desistência, se for necessária. Isso é raro, pois a jornada
de Copas não diz respeito a "estar apaixonado e viver feliz para sempre", para logo se
separar quando o amado decepciona. Na realidade, trata-se de uma jornada interior ao
encontro de um compromisso com os nossos próprios valores de sentimento e, portanto, é
uma união tanto interior quanto exterior.
       No sentido divinatório, o Nove de Copas anuncia um período de prazer e de
satisfação, e a realização de um desejo almejado. Ele representa a recompensa pelos
esforços empregados e a validação do nosso comprometimento.

O Dez de Copas

      A carta Dez de Copas retrata a elevação de Psique ao nível divino para que ela
possa entrar no mundo dos deuses com o seu marido. O casal, de mãos dadas, encontra-
se-novamente no esplêndido palácio de Eros. Psique não porta mais o seu traje virginal; a
sua veste agora é de ouro cintilante e, sobre seus ombros, como o seu marido, um par de
asas douradas. A frente deles, dez taças douradas.
      O Dez de Copas representa um estado de permanência e de contentamento
constante. O êxtase da reunião dos amantes na carta Nove de Copas não foi dissipado
como na comemoração da carta Três de Copas e o descontentamento no Quatro de
Copas, pois esse casamento se baseia na união consciente de dois amantes, mas par-
ceiros diferentes. Por conseguinte, eles poderão usufruir um futuro que suportará qualquer
desafio da vida ou dos deuses.
      O fato de Psique ter sido elevada ao status imortal implica que, agora, o seu amor
por Eros engloba não somente uma dimensão pessoal e sensual, mas também uma
dimensão espiritual. Eros foi humanizado pelo seu amor por Psique; ele não precisa mais
esconder dela o seu rosto. Por outro lado, Psique experimenta um sentido de ligação com
o divino que somente o amor profundo pode promover. Dizem que, às vezes, o amor por
uma pessoa abre o coração para o amor à própria vida; a vida tem significado e propósito,
                                                                                           47
e um mundo mais amplo e mais brilhante descortina-se ao nosso olhar. Certa vez, Platão
escreveu: "Quando olhamos para o rosto do ser amado, podemos ver o reflexo do deus
que chegamos a venerar". É como se o amor, ao passar por muitas provas e
fundamentado na honestidade e na humildade, nos ligasse às nossas próprias almas e
com um sentido de permanência, significado e retidão na vida. Essa é a promessa
inerente ao Ás de Copas que se realiza no Dez de Copas. Nem todo relacionamento
consegue esse feito, assim como não o consegue sempre. Entretanto, nós humanos
sempre tentamos.
     No sentido divinatório, o Dez de Copas prevê contentamento e permanência
duradouros no domínio do coração.

As Cartas da Corte

O Pajem de Copas

       A carta do Pajem de Copas retrata um garoto de aproximadamente 12 anos, de
cabelos pretos e trajando uma túnica lilás; ele está ajoelhado à beira de um lindo lago
azul. No chão, uma taça dourada cujo conteúdo o garoto olha atentamente, pois está
estudando o reflexo de seu próprio rosto e está maravilhado com sua beleza. Ao seu
redor, tufos de botões de íris e narcisos ainda não desabrochados. No cenário, uma
vegetação que esconde um céu azul.
       As cartas da corte do naipe de Copas são representadas por figuras mitológicas que
incorporam as características típicas do naipe. Na carta do Pajem de Copas, deparamo-nos
com o mutável, vulnerável e sutil início do elemento ar: a emergência nascente da
capacidade do sentir. Isso é encenado pela figura mitológica do lindo jovem Narciso. Ele era
um tespiano, filho do deus-rio Cefiso e de uma ninfa. Qualquer um poderia se apaixonar por
Narciso, mesmo como criança, e seu caminho estava repleto de pretendentes de ambos
os sexos que se apaixonavam pela beleza do garoto. Mas sua mãe, advertida pelo adivinho
Tirésias, nunca permitira que o garoto visse o seu próprio reflexo. Portanto, ele não tinha
noção de sua própria identidade.
       Um dia, passeando pela campina tespiana, Narciso chegou a um lago. Esse lago era
alimentado por uma fonte de água cristalina e nunca fora perturbado por gado, pássaros,
animais selvagens, homens e nem mesmo pelos galhos das árvores que o sombreavam.
Procurando saciar a sua sede, ele se ajoelhou e viu o seu reflexo na água, pelo qual se
apaixonou imediata e perdidamente. Primeiro ele procurou abraçar e beijar o lindo rapaz
que o confrontava, mas logo ele se reconheceu e ficou se admirando naquele lago, hora
após hora.
       Finalmente, Narciso não conseguia mais suportar a agonia desse inatingível amor.
Ele sacou a sua adaga e feriu o seu peito, exclamando: "Oh, jovem, amado em vão,
adeus!", e expirou. O seu sangue ensopou a terra e dela brotou a flor branca que foi
chamada narciso.
       Narciso, o Pajem de Copas, inicialmente parece ser simplesmente a imagem de um
fútil auto-amor. Mas também pode ser visto como uma imagem de autodescoberta, pois para
amar outra pessoa é preciso antes o reconhecimento e o amor de si mesmo; do contrário, é
um exercício triste e muitas vezes infrutífero procurar na outra pessoa o que o indivíduo
ainda não encontrou em si. Esses relacionamentos são destinados ao fracasso, e o egoísmo
aparente de Narciso, na realidade, é o início da descoberta do nosso próprio merecimento
de sermos amados. Frequentemente, esse é o início da genuína capacidade de amar outra
pessoa individualmente, em vez de um potencial fornecedor de qualidades que precisamos
para nos sentir completos.
       Assim Narciso, o Pajem de Copas, é uma figura ambígua. De um lado, como imagem
de um sutil início nascente do sentimento da vida, ele sugere o nascimento de algo novo - a
                                                                                          48
capacidade de amar ou a renovação da fé no amor que anteriormente poderia ter sido
prejudicada ou traumatizada por um relacionamento infeliz. De outro lado, o sentido do auto-
amor que Narciso incorpora é o início da cura, por mais fútil e infantil que ele pareça.
Depois de uma penosa separação ou da perda de um ser amado, muitas pessoas passam
um longo tempo em uma espécie de crepúsculo emocional, durante o qual elas têm o
sentimento de não ter mais nada para dar aos outros. Nesse período, o indivíduo
tampouco cuida de si mesmo. Mas os gentis e delicados movimentos dessa renovação da
capacidade de amar muitas vezes assume a forma de um interesse lento e gradativo por
si -no próprio corpo, no ambiente que o cerca, tentando agradar e alimentar a si mesmo
com coisas que proporcionem prazer em vez de dor ou de lembranças da dor. Esse é um
processo que deve ocorrer antes de o indivíduo estar pronto para arriscar outro encontro
emocional.
      O Pajem de Copas, tal como os outros pajens dos Arcanos Menores, sugere alguma
coisa frágil e delicada, facilmente mal-interpretada e prejudicada. Assim também é o nosso
sentido nascente do auto-amor, que pode levar a uma relação mais gratificante com a
vida. Podemos facilmente chamar Narciso de fútil e egoísta por ele se preocupar
unicamente consigo mesmo. Mas ele precisa começar dessa maneira antes de poder
enxergar qualquer outra pessoa e é interessante observar que, na Mitologia, é a sua mãe
que tenta man-tê-lo afastado do autoconhecimento e do auto-reconhecimento.
      O triste final da história de Narciso também pode ser interpretado em vários níveis. De
alguma forma, o Pajem de Copas e tudo o que representa deve ser transformado - ou
"morrer" - antes que o amor por outra pessoa possa desenvolver-se totalmente. Mas é
necessário que esse seja um auto-sacrifício, um movimento genuíno da autopreocupação
para a percepção das outras pessoas. Portanto, é próprio e correto que Narciso ponha um
fim à sua própria existência, transformando-se no Cavaleiro de Copas, que permitirá ao
sentimento da vida mover-se livremente para o exterior e para as outras pessoas.
      Quando o Pajem de Copas aparece em uma abertura de cartas, ele sugere algo
novo em nível de sentimento. Isso pode representar um novo relacionamento, uma nova
qualidade de sentimento em um relacionamento e até o nascimento de uma criança.
Muitas vezes, o Pajem de Copas prevê uma renovação da capacidade de amar, co-
meçando pelo amor por si mesmo, após um período de dor e de isolamento. Essa
qualidade delicada deve ser logo alimentada, do contrário pode desaparecer rapidamente.

O Cavaleiro de Copas

      A carta do Cavaleiro de Copas retrata um lindo jovem de pele clara, cabelos pretos e
olhos profundos, montado em um elegante cavalo branco. Ele traja uma túnica roxa e
uma armadura prateada toda escamada, e sobre a cabeça porta um elmo com um enfeite
em formato de cauda de peixe. Ele conduz o seu cavalo elegantemente ao longo de um
riacho borbulhante no qual os peixes saltam da água. Ao seu redor, um cenário romântico
de bosques e colinas verdes e, ao longe, o. mar pode ser visto sob um céu azul-claro.
Com a sua mão esquerda, ele segura uma taça dourada.
      Na carta do Cavaleiro de Copas, deparamo-nos com a dimensão volátil, sensível e
mutável do elemento água que, como o riacho, está cheio de vida e em movimento
constante. Essa é a representação do herói mitológico Perseu, motivado em todas as suas
aventuras pelo amor às mulheres e que, em suas jornadas, deve enfrentar as várias
facetas do feminino, tanto obscuras quanto claras, antes de poder reunir-se com o seu
amor. Perseu era filho de Zeus e de uma mulher mortal chamada Danae, para quem o
deus apareceu em uma chuva de ouro. O pai de Danae, Acrísio, havia sido avisado pelo
oráculo de Delfos que sua filha daria à luz um filho que o mataria. Para que isso fosse
evitado, ele encerrou Danae e o filho em uma arca e jogou-os ao mar. Protegidos pelas
divindades da água, eles foram levados às margens de Sérifos e para a proteção do rei
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Polidetes. O rei apaixo-nou-se por Danae e a perseguiu durante todos os anos da infância
e adolescência de Perseu. Finalmente, Polidetes resolveu matar Perseu porque o jovem era
contrário a seu casamento, acreditando que a sua mãe merecia algo melhor. Portanto, o rei
enviou o jovem na aparente missão impossível de trazer-lhe a cabeça da terrível Medusa.
      Em todo o seu trajeto, Perseu foi protegido pelas deusas. As Gréias, três bruxas que
compartilhavam de um único olho, conheciam os segredos do futuro e disseram-lhe onde
encontrar Medusa; Atena armou-o com um escudo mágico e foi dessa maneira que o
jovem conseguiu matar a górgona, olhando o seu reflexo no escudo espelhado, a fim de
proteger sua mãe. Ele levou consigo a cabeça da Medusa e em seu caminho de volta para
Sérifos passou pela Etiópia, onde salvou a linda Andrômeda das garras de um monstro
marinho. Ele matou o monstro, libertou-a e casou-se com a jovem. Ele então voltou para
Sérifos e matou Polidetes que, entrementes, tentara seduzir Danae. Isso feito, juntamente
com sua mãe e sua esposa, Perseu empreendeu o caminho de volta para o lugar de seu
nascimento onde Acrísio, o seu avô, tentara matá-lo. Apesar de não procurar vingar-se
dele deliberadamente, ele acabou matando-o acidentalmente, tor-nando-se, dessa forma,
rei de Argos. Mas o lugar era repleto de memórias tristes então decidiu transferir-se para
Tirinto, onde fundou uma gloriosa dinastia.
      Perseu, o Cavaleiro de Copas, é a imagem do verdadeiro espírito romântico, o herói
das mulheres em dificuldades, o adorador do amor, da beleza e da verdade, e o defensor
dos altos ideais que busca incessantemente o amor perfeito que somente existe no
espírito e que sempre parece estar muito próximo, no ser amado seguinte. O espírito
romântico do Cavaleiro de Copas incorpora tudo o que é gentil, idealista e bom; não se
trata de uma personalidade fraca, ao contrário, ele é capaz de sacrificar tudo em nome de
seu ideal ou do ser amado.
      Em certo sentido, essa é a imagem do estado de "estar apaixonado", uma
experiência que todo realista presume que, com a familiaridade do casamento, com os
filhos e as obrigações familiares, acabe morrendo, mas que todo romântico acredita que
possa e deva perdurar para sempre. Quando isso não ocorre, o Cavaleiro de Copas. pode
seguir em frente, buscando ainda a derradeira experiência do amor sagrado.
      É claro que a santidade do Cavaleiro de Copas não exclui o sexo, mas os
relacionamentos sexuais para essa figura devem necessariamente estar associados ao
amor e ao êxtase espiritual. A "mera" satisfação física não lhe interessa. Historicamente,
os ideais do amor romântico que floresceram na Idade Média refletem o espírito do Ca-
valeiro de Copas. O jovem cavaleiro sempre adorava a sua amada de longe; ele não a
contagiaria com seus desejos carnais, mas lhe escreveria poesias e, muitas vezes,
dedicaria a sua vida para protegê-la.
      Perseu é diferente dos outros heróis em virtude, justamente, desse alto idealismo e
veneração pelas mulheres. Diferentemente das figuras como Héracles que enfrenta seus
desafios porque tenta expiar um pecado ou como Teseu que os enfrenta por serem
excitantes, Perseu segue o seu destino pelo amor- principalmente começando pelo amor de
sua mãe. Essa qualidade de venerar e de idealizar a mãe é característica do Cavaleiro de
Copas, pois, apesar de sua força, ele se ajoelha aos pés de uma rainha - uma mulher de
maior poder do que ele. Muitas vezes, a qualidade do amor representado pelo Cavaleiro
de Copas contém esse elemento de adoração por uma pessoa diante da qual nos
sentimos um tanto indignos - ou por uma pessoa que já esteja casada. Esse ainda não é
um amor entre iguais, que encontraremos mais adiante na Rainha e no Rei de Copas. Mas,
à sua maneira, é amor e não deveria ser ridicularizado como adolescente ou imaturo. Sem o
Cavaleiro de Copas, viveríamos em um mundo insípido e desprovido de brilho.
      Quando o Cavaleiro de Copas aparece em uma ^abertura de cartas, indica que
chegou o momento de o indivíduo experimentar essa dimensão inebriante e romântica do
amor. Frequentemente, o Cavaleiro prevê uma proposta de casamento ou a experiência
de uma paixão. Em outro nível, às vezes ele implica uma proposta artística, um
                                                                                        50
relacionamento diferente, não menos exaltado e idealista. Ele ainda pode entrar na vida de
um indivíduo como um jovem poético e sensível, um arauto do nosso próprio romantismo
emergente.

A Rainha de Copas

      A carta da Rainha de Copas retrata uma mulher misteriosamente linda, com longos
cabelos pretos, um longo vestido verde-turquesa banhado pela água do rio a seus pés e
uma coroa dourada. Está sentada em um trono dourado em cujos braços são entalhadas
duas serpentes douradas. Na mão direita, ela segura uma taça dourada e, na esquerda,
uma maçã. Seu olhar concentra-se no conteúdo da taça. Atrás dela, além dos férteis
campos verdes, é possível ver o mar azul sob um céu claro.
      Aqui, na carta da Rainha de Copas, deparamo-nos com as profundezas estáveis,
contidas e introvertidas do elemento água - o particular mundo interior do sentimento
abismal e derradeiramente insondável. O quadro é representado pela figura mitológica de
Helena, com a qual nos encontramos na carta dos Namorados dos Arcanos Maiores e cuja
beleza era tão grande que a Guerra de Tróia ocorreu por sua causa.
      Helena era filha de Zeus e Leda e, ao atingir a idade adulta no palácio de seu
padrasto, o rei Tíndaro de Esparta, todos os príncipes da Grécia, como seus pretendentes,
ofereceram-lhe ricos presentes. Finalmente, casou-se com Menelau, que se tornou rei de
Esparta após a morte de Tíndaro. Mas o casamento estava fadado a fracassar, pois
Afrodite prometera a Paris, o príncipe troiano, a mais linda mulher do mundo se ele a
escolhesse no concurso de beleza mencionado na carta dos Namorados. E Helena era
essa mulher.
      No devido tempo, Paris e Helena encontraram-se e se apaixonaram, e Helena fugiu
com ele. O insulto causado ao rei Menelau provocou a Guerra de Tróia, na qual Paris foi
morto. Finalmente, a beleza de Helena atraiu para si três outros amantes, sem mencionar o
herói Teseu, que a sequestrou quando ainda era adolescente. Todos esses outros
amantes tiveram os seus favores enquanto ela ainda estava em Tróia e, dessa forma,
Helena desfrutou de um período de dez anos de guerra. Quando os troianos foram
derrotados, Menelau procurou Helena, a quem havia jurado matar por adultério. Mas, ao
vê-la, se apaixonou novamente e a levou de volta a Esparta. Se ela lhe foi fiel ou não
durante o resto da vida é algo que a Mitologia não revela.
      Helena, a Rainha de Copas, é mais do que a imagem da atraente beleza feminina.
Ela incorpora o hipnótico poder do mundo feminino dos sentimentos, um poder mágico e
magnético que desafia a mera perfeição física. Como na lenda, inúmeros homens
perseguem Helena e, no entanto, ninguém sabe realmente, pela Mitologia, o que a própria
Helena almejava ou que tipo de mulher era realmente. E como se ela mesma fosse água e
todos os homens a percebessem no reflexo da profundeza de suas próprias almas. Ela é
um código, um mistério, motivada por seus propósitos e sentimentos secretos. Pode ser
considerada uma prostituta por oferecer os seus favores a tantos homens, dentre eles
inimigos de sua própria terra natal.
      Entretanto, temos a impressão de que, por mais apaixonada que estivesse, Helena
somente faz o que gosta. Para ela, até a escolha de marido é uma opção livre, pois na
história ela mostra o seu favoritismo por Menelau ao colocar uma coroa de flores em sua
cabeça, um fato inusitado para uma mulher daquela época que, geralmente, era obrigada
a se casar com a pessoa escolhida pelo pai ou pelos irmãos. Quando se cansa de
Menelau, intrepidamente ela persegue a sua grande aventura amorosa com Paris, em vez
de recorrer a encontros clandestinos. Independentemente de quem seja o homem que
ama, ela se entrega totalmente a ele. Ela conquista os homens com facilidade, pois
incorpora todas as íntimas fantasias inconscientes da mulher perfeita que eles sempre
procuram.
                                                                                        51
A figura de Helena é tanto a de uma virgem como a de uma prostituta, uma
calculadora e uma vítima. Resumindo, ela é um conjunto de paradoxos, pois, apesar de a
lógica do coração ser indiscutível, ela ainda desafia a análise racional e, frequentemente,
enfrenta a própria moralidade. A Rainha de Copas possui uma característica indefinida e,
no entanto, ela provoca problemas onde quer que esteja, ativando as profundezas dos
outros e promovendo a ação e o conflito sem fazer absolutamente nada. Portanto, ela pode
ser considerada uma imagem do inconsciente, perseguindo seus propósitos secretos sem
conhecimento da mente consciente e levando o indivíduo a uma crise ou um conflito, e para
uma intensa paixão e destino por meio de seu misterioso poder sedutor.
      Quando a Rainha de Copas aparece em uma abertura de cartas, ela indica um
período para o indivíduo encontrar o mundo profundo, desconhecido e paradoxal do
sentimento em si mesmo. A Rainha de Copas pode entrar na vida do indivíduo como uma
mulher misteriosa e enigmática, não necessariamente como uma evidente sedutora, mas
estranhamente perturbadora e um catalisador para o surgimento de fantasias e sentimentos
profundos que, até então, permaneciam ocultos à consciência. Ela pode aparecer na forma
de um ser amado ou como rival; de qualquer maneira, esse encontro não é uma mera
casualidade. Ao contrário, é o prenúncio do surgimento dessas qualidades da alma que se
encontram no indivíduo.
      Para a mulher que não tem consciência da Helena em si mesma e se identifica com
os lados maternais ou práticos da feminilidade, a Rainha de Copas indica que é o
momento certo para encontrá-la, mesmo que o catalisador seja a "outra mulher".
      Para o homem que não tem consciência da profundeza de sua alma e baseia sua
realidade no pensamento racional e nos fatos concretos, a Rainha de Copas anuncia um
aprofundamento e desenvolvimento da vida interior, quer o catalisador seja ou não uma
mulher.

O Rei de Copas

      A carta do Rei de Copas retrata um homem de pele clara, com cabelos e barba
pretos, e grandes e compassivos olhos pretos. Ele veste uma túnica azul-escura e porta
uma coroa dourada. Ele está sentado em um trono dourado cujos braços são entalhados
com dois caranguejos dourados. Na mão direita, ele segura uma taça dourada e, na
esquerda, uma lira. A seus pés, degraus levam para a água de uma enseada da qual
emerge um caranguejo. Atrás dele, além do promontório em que está assentado o trono,
é possível vislumbrar um mar revolto.
      Na carta do Rei de Copas, deparamo-nos com a dimensão ativa e dinâmica da água
que procura evidentemente formar relacionamentos, e até mesmo guiar e ajudar as
pessoas. Esse quadro incorpora a figura mitológica de Orfeu, o cantor, que era sacerdote
e curador, mas cuja história é triste e solitária, apesar de ter proporcionado consolo aos
seus semelhantes. Orfeu era filho do rei Eagro da Trácia e da musa Calíope, sendo o
mais famoso poeta e músico que jamais existiu. Apolo presenteou-o com uma lira e as
musas o ensinaram a tocar, de forma tal que ele não somente encantava as feras, mas
fazia até as árvores e as pedras se moverem para seguir o som de suas músicas. Ele se
juntou aos Argonautas na busca do Velocino de Ouro e a sua música os ajudou a superar
muitas dificuldades. Ao voltar, ele casou-se com Eurídice e estabeleceu-se na Trácia.
      Contudo, a sua vida não estava destinada a felicidade. Um dia, um homem procurou
assaltar Eurídice no vale do rio Peneu e, ao tentar fugir, ela pisou em uma cobra que a
picou, causando-lhe a morte. Mas Orfeu ousadamente desceu para o Submundo procuran-
do trazê-la de volta. Ele não somente encantou o barqueiro Caronte; Cérbero, o cão de três
cabeças; e os três Juízes dos Mortos, com a sua música melodiosa, como também
conseguiu suspender temporariamente as torturas dos condenados e tanto consolou o
coração negro de Hades que obteve permissão de resgatar Eurídice ao mundo superior.
                                                                                         52
Mas Hades exigiu uma condição: Orfeu não deveria olhar para trás enquanto ela não
estivesse segura de volta à luz do Sol. Eurídice seguiu Orfeu pelas passagens escuras
guiada pelo som de sua lira. Mas, no último momento, ele perdeu-a confiança e olhou
para trás para ver se ela ainda o seguia e, dessa vez, perdeu-a para sempre.
       A partir de então, Orfeu assumiu o papel de sacerdote, ensinando os mistérios e
pregando os malefícios dos sacrifícios aos homens da Trácia. Porém, o deus Dionísio
enciumou-se dele por causa de sua fama entre os homens, que começaram a adorá-lo
como se fosse divino. O deus enviou as suas loucas Bacantes ao seu encalço e elas,
furiosas que eram, reduziram-no a pedaços. Lamentando e chorando o ocorrido, as Musas
recolheram seus restos mortais e os enterraram ao pé do Monte Olimpo, onde os rouxinóis
agora cantam mais docemente do que em qualquer outro lugar do mundo.
       Orfeu, o Rei de Copas, é a imagem do curador ferido, a figura que, pela compaixão e
pela empatia, pode curar os outros, mas não pode curar a própria ferida no domínio do
coração. De muitas maneiras, ele é o antigo equivalente dos modernos assistentes sociais
e dos psicoterapeutas - o indivíduo que almeja estar em contato com o mundo do
sentimento e procura incessantemente ajudar as pessoas a se relacionarem, mas ao qual,
às vezes, falta confiança em sua vida pessoal e, portanto, não consegue alcançar a
realização tão desejada.
       O Rei de Copas coloca o relacionamento e o amor humanos acima de tudo e
empenha todos os seus esforços para iniciar e para preservar esse contato emocional.
Entretanto, ele permanece curiosamente desconfortável e deve sempre olhar para trás
para ver se o que iniciou continua acompanhando-o ainda intacto. E, assim, ele
frequentemente perde o que mais deseja. A figura é profundamente paradoxal, como se o
elemento água - que, de muitas formas, é uma imagem do mundo feminino do sentimento -
estivesse desconfortavel-mente sentado na presença da imagem masculina e dinâmica do
Rei. Juntas, ambas ficam estranhas e criam uma peculiar ambivalência.
       O Rei de Copas é uma figura de temperamento inconstante e sensível, e muitas
vezes de sentimento profundo e um raro dom em comunicar esse sentimento para afetar e
influenciar as pessoas. Ele mesmo nunca abre mão do controle. É por isso que as
Bacantes de Dioniso, a multidão de mulheres extáticas que segue a corte do deus, o
desmembram, pois, de certa forma, ele deve se tornar inofensivo e metaforicamente
reduzido a pedaços, antes de se tornar algo além de conselheiro para as dores alheias. O
próprio Orfeu não se realiza realmente na vida, já que colocou em risco a oportunidade da
felicidade pessoal por meio de sua desconfiança na palavra de Hades. Isso, em si
mesmo, nos mostra muito a respeito do Rei de Copas, pois, apesar de poder iniciar
relacionamentos e falar constantemente a esse respeito, ele não confia totalmente no
mundo do inconsciente que não pode enxergar. E, assim, o lugar de seu trono é perto da
água, mas não pode mergulhar nela com medo de se afogar, o que significaria passar o
controle para outra pessoa.
       No sentido divinatório, quando o Rei de Copas aparece em uma abertura de cartas,
indica que chegou o tempo de o indivíduo experimentar esse lado ambivalente de si
mesmo - o dotado conselheiro e curador que pode empatizar e ajudar as pessoas, mas
que não pode confiar na vida o suficiente para seguir o seu curso. É característico o fato
de que muitas pessoas, cuja profissão se relaciona com a assistência social, escolhem
essa vocação pois foram feridas em relacionamentos pessoais, dos quais permanecem em
controle para não serem profundamente feridas novamente. Apesar de essa espécie de
dinâmica poder ser uma grande contribuição para os outros, o indivíduo engana a si
mesmo. Caso o Rei de Copas entre na vida do indivíduo na forma de uma pessoa que
incorpore essas qualidades, então isso pode ser considerado como uma indicação de que
seja o momento de encontrar-se com essa sua própria dimensão.


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O NAIPE DE PAUS
As Cartas Numeradas

      A história de Jasão e os Argonautas e sua expedição à procura do Vclocino de Ouro c
uma característica lenda heróica cheia de aventura e uma jornada corajosa ao
desconhecido. Como a história é, na realidade, uma missão na qual o herói depende de
suas faculdades além da vontade e do pensamento racional, a história de Jasão pode ser
interpretada como uma descrição da imaginação criativa e de seu misterioso poder de
provocar acontecimentos e de proporcionar soluções a partir dos níveis interiores que
transcendem a nossa compreensão consciente. Portanto, a história de Jasão é uma
aventura específica que diz respeito ao tema central da imaginação humana.
      A origem do Velocino de Ouro, o objetivo mágico da missão de Jasão, era a
seguinte: Frixo e Hele, filhos de Atamas, que, por sua vez, era filho de Éolo e rei de
Orcómenes, eram odiados pela madrasta Ino. Com suas próprias vidas sendo ameaçadas,
eles fugiram montados em um fabuloso carneiro, presente de Zeus, o rei dos deuses. Esse
carneiro era dotado de razão e de fala; ele tinha um velocino de ouro e podia voar. Durante a
fuga, Hele caiu no mar, e o lugar em que caiu foi mais tarde chamado de Helesponto. Mas
Frixo teve mais sorte e alcançou a região da Cólquida, no Mar Negro. Ele então sacrificou o
carneiro a Zeus, o seu protetor, e ofereceu o Velocino de Ouro a Aetes, rei daquela região,
que o pendurou em uma árvore e colocou um dragão para vigiá-lo.
      Enquanto isso ocorria, em Iolkos, na Tessália, reinava o rei Pélias, que usurpara o
trono de Eson, o seu irmão mais velho. O filho de Eson, Jasão, quanto pequeno, foi
confiado aos cuidados do centauro Quíron para que ele o protegesse da ira de seu tio
Pélias. Mais tarde, Quíron revelou a Jasão o segredo de sua origem e ele, imediatamente,
foi ao tio e exigiu, por direito, o governo do reino. Pélias ficou assustado, pois um oráculo o
havia advertido sobre um homem que o visitaria vestindo uma única sandália. E esse
homem era justamente Jasão, que havia perdido uma de suas sandálias ao cruzar o rio.
Portanto, Pélias prometeu a Jasão que concordaria com o seu pedido, mas com uma
condição: que Jasão fosse à Cólquida e lhe trouxesse o Velocino de Ouro que pertencia
ao santuário de Zeus, em Iolkos.
      Por conseguinte, Jasão começou a construir um navio de 50 remos, o "Argo", no
qual ele colocou um ramo do carvalho profético de Zeus. Ele juntou os heróis mais
famosos, entre eles Castor e Pólux (os gémeos guerreiros), Héracles, Orfeu, o cantor, e o
rei Teseu de Atenas, e esses destemidos aventureiros partiram em busca do famoso
Velocino de Ouro. A viagem foi cheia de incidentes e eles foram obrigados a lutar contra
monstros e os homens, assim como contra os elementos. Finalmente, eles chegaram ao
reino de Aetes, onde o Velocino de Ouro era guardado. Por sorte de Jasão, a filha do rei
Aetes, a feiticeira Medeia, apaixonou-se por ele e o ajudou a vencer o dragão que vigiava
o precioso troféu. O rei Aetes procurou impedir a fuga dos Argonautas com soldados
ferozes que surgiram dos dentes do dragão que Jasão matara, mas os heróis conseguiram
zarpar em seu navio, o "Argo", perseguidos de perto por Aetes. Medeia, que acompanhara
Jasão e que não morria de amores pela família, cruelmente cortou seu irmão Absirto em
pedaços e os espalhou pelo mar. Em sua dor, Aetes ordenou que a frota parasse para
recolher os restos do corpo do herdeiro, e o "Argo" com sua tripulação pôde então seguir a
viagem de volta para Iolkos sem esse percalço.
      Entretanto, a volta provou ser tão perigosa quanto a ida, e Jasão e seus
companheiros tiveram de atravessar dois grandes e perigosos rochedos, Cila e Caríbdes,
ao norte do Bósforo, cujas águas revoltas podiam esmagar um navio. Mas, finalmente,
Jasão chegou a Iolkos com o Velocino de Ouro. Ali, ele descobriu que Pélias havia matado
                                                                                             54
o seu pai Eson na certeza de que Jasão não voltaria de sua perigosa viagem. Jasão
vingou a morte de seu pai por meio de Medeia que, com seus feitiços, fez com que suas
filhas o matassem. Em seguida, Jasão assumiu o reino de Iolkos. Mas a sua vitória
provavelmente subiu-lhe à cabeça, pois, insatisfeito com um só reino, ele procurou outro - a
coroa de Corinto -, casando-se com Creusa, a filha do rei Creon de Corinto. Isso fez com
que Medeia se enfurecesse a ponto de vingar-se matando não somente Creusa, mas
também os filhos que teve com Jasão.
      Quanto a Jasão, alguns dizem que ele se enfastiou da vida e achou que o reino de
Iolkos era um peso. Já velho e pensando constantemente em seus dias de glória, ele
ficava sentado à sombra do velho "Argo" que apodrecia. Um dia, a popa do navio
despencou sobre ele, esmagando-o à morte.

O Ás de Paus

      A carta Ás de Paus retrata um homem maduro de porte poderoso, barba e cabelos
castanhos, uma coroa dourada na cabeça e uma túnica púrpura imperial. Ele está em pé
diante de um cenário de altos picos nevados. Em seu ombro e descendo até o chão, a
pele dourada de um carneiro. Em sua mão direita, ele segura o globo do mundo e, na
esquerda, uma tocha acesa.
      No Ás de Paus, encontramos novamente Zeus, rei dos deuses, o iniciador e a força
motriz na lenda de Jasão e o Velocino de Ouro. Trata-se do Velocino sagrado do próprio
Zeus que o herói deve resgatar e é esse Velocino que serve de símbolo da visão criativa
que nos impulsiona a afastar-nos do mundo seguro e convencional para um objetivo
imaginado, por caminhos desconhecidos.
      Zeus é um deus antigo e poderoso, e uma de suas mais antigas representações era
a divindade com cabeça de carneiro, o invisível poder criativo que gerou o Universo
manifestado. Em nosso interior, Zeus incorpora o invisível poder criativo da imaginação, que
não pode ser compreendido, mas é responsável por todos os esforços e produtos
concretos de nossas vidas. Não é somente o artista que usa a imaginação criativa, apesar
de que no artista podemos enxergar o seu poder - e a sua impressionante autonomia -
bem claramente.
      Na carta do Imperador dos Arcanos Maiores, deparamo-nos com o lado patriarcal de
Zeus, o Pai de Todos. No Ás de Paus, encontramos o seu espírito volátil e esse Zeus, tal
como Afrodite, é uma força da Natureza. Todos temos essa força dentro de nós. Zeus é a
capacidade de visualizar um potencial futuro diferente e maior do que a realidade concreta
na qual nos encontramos - quer seja um plano para redecorar uma sala de estar ou o
conceito para um novo negócio. Muitas pessoas não confiam nessa faculdade imaginativa,
acreditando ser "boba" ou "infantil", ou não assumem o risco da ideia nova com medo de
que fracasse. Mas o grande Zeus não é "bobo", nem tampouco "infantil", e o Ás de Paus
que retrata o surgimento inicial da energia criativa primitiva é uma carta poderosa. A nova
ideia ainda não foi formulada, mas há um profundo sentido de nervosismo e um sentimento
de abertura na vida. É esse sentido que impulsiona Jasão para a sua missão do Velocino
de Ouro. F.le poderia ter simplesmente deposto o seu tio Pélias e ficado em casa, em
Iolkos. Portanto, o Ás de Paus implica o início da grande jornada no mundo da visão e da
imaginação, no qual as limitações concretas são desafiadas e superadas e a vida, depois,
nunca mais será igual.
      No sentido divinalório, o As de Paus anuncia o surgimento da energia criativa, apesar
de cia ainda não ter sido formulada como uma meta ou um projeto. O nervosismo e a
insatisfação com as presentes circunstâncias são acompanhados de um forte sentimento
de que coisas novas são possíveis. O indivíduo está prestes a embarcar em uma aventura
em busca de um sonho.

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O Dois de Paus

       A carta Dois de Paus retrata o jovem Jasão em pé e pensativo diante da caverna do
Centauro Quíron, antes de se dirigir ao encontro com seu tio para reivindicar a sua
herança. Quíron é apenas visível na escuridão da caverna. Jasão veste uma túnica
escarlate e segura duas tochas acesas nas mãos.
       O Dois de Paus, como os Dois de todos os Arcanos Menores, polariza a energia
primitiva do As e, aqui, essa polarização implica o aventureiro e a sua meta recem-
estabeleeida. O nervosismo e o poder ainda indefinidos do Ás começaram a aglutinar-se
para formar uma visão particular, apesar de ainda não ser claro como essa visão ou meta
poderá ser alcançada. Jasão nada sabia a respeito do Velocino de Ouro, mas agora ele já
sabe, porque Quíron contou-lhe a sua história c do seu direito ao trono de Iolkos. Aqui, o
sentimento de potencial cristalizou-se em algo definido, mesmo que a verdadeira aventura
criativa do futuro de Jasão - a busca do Velocino de Ouro - somente tenha surgido depois
que ele empreendeu o primeiro estágio de sua jornada.
       É assim que começam todos os empreendimentos: um pouco de cada vez. Uma ideia
leva a outra e, muitas vezes, a primeira não é a derradeira, mas simplesmente um prelúdio.
Entretanto, o prelúdio é suficiente para nos impulsionar para fora do santuário da caverna,
cm razão do sentido de que poderíamos ter mais do que temos na realidade, ou sermos
mais do que somos. A jornada de Jasão para Iolkos, o lugar de sua herança por direito, é
entremeada de perigos, pois ele tem um inimigo que prazerosamente lhe tiraria a vida. Ele
não pode prever o resultado nem tampouco se conseguirá ou fracassará em seu intento.
Mas ele acredita em sua visão o suficiente para tentar e segura firmemente as tochas que
simbolizam o fogo da imaginação. Do contrário, ele - ou nós - permaneceria tranquilo, mas
para sempre reprimido cm sua caverna; seguro, mas nunca realizando os potenciais que
são seus por direito; por outro lado, esses potenciais precisam de visão para que possam
ser concretizados.
       No sentido divinatório, o Dois de Paus anuncia a formulação de uma nova meta,
ideia, objetivo ou projeto criativo. Essa nova ideia pode não ser a forma final do futuro, mas
tem muito potencial e é suficientemente atrativa para incentivar o indivíduo a sair dos seus
presentes limites, impulsionando-o para uma nova iniciativa. Aqui tudo depende da coragem
de o indivíduo assumir a nova ideia e ter fé naquela força criativa invisível que gerou a visão
desse novo caminho.

O Três de Paus

       A carta Três de Copas retrata Jasão recém-chegado à cidade de Iolkos. Ele veste
uma única sandália, havendo perdido a outra ao cruzar o rio, confirmando dessa maneira
o oráculo que profetizara o seu advento. De modo triunfal, na mão direita ele segura três
tochas em chamas. Aos seus pés, está ajoelhado o usurpador, o rei Pélias, de barba e
cabelos pretos e vestido em púrpura real, que lhe oferece com aparente humildade a
coroa dourada, assumida ilegalmente.
       O Três de Paus, como todos os Três dos Arcanos Menores, representa o estágio
inicial da inteireza. Aqui, trata-se da aparente integralidade da ideia criativa original. Há
motivo para comemorar e parece que tudo acontece conforme planejado. Jasão chegou ao
local de sua herança c, vejam só, sem qualquer resistência aparente. Com medo do
oráculo, Pélias parece querer abdicar voluntariamente ao trono que usurpou. E assim,
muitas vezes o trabalho criativo parece ter um início fácil; os contatos certos aparecem
como por mágica, os esquemas preliminares parecem favoráveis e a ideia parece adquirir
substância, como se fosse por intervenção divina.
       Entretanto, há um trabalho árduo pela frente e, frequentemente, novas ideias surgem
nesse estágio - detalhes que não havíamos considerado, mas que envolverão atrasos,
                                                                                             56
alterações de planos e muito mais esforço que o previsto. O Três de Paus implica um ponto
alto, mas ainda há muito mais na sequência.
      Agora Pélias conta a Jasão a respeito do Velocino de Ouro que se encontra em
Cólquida, sugerindo, para os seus próprios planos malévolos, que pouco significa ser rei de
Iolkos sem a restauração do precioso Velocino de Ouro no santuário de Zeus. É nesse
ponto, após a comemoração inicial, que muitos potenciais criativos caem por terra, pois o
estágio dc inteireza inicial não c um resultado final e, sem a vontade do indivíduo em seguir
um pouco além, a ideia não pode ser totalmente realizada. O mundo está cheio de planos
incompletos c esquecidos em alguma gaveta, cujas 20 primeiras páginas tiveram um bom
início. A mensagem aqui é: aproveitem a satisfação enquanto puderem, pois a ideia ainda
não foi completada. A verdadeira confiança criativa somente pode ser encontrada caso a
ideia seja testada, envolvendo o indivíduo ao máximo.
      No sentido divinatório, o Três de Paus implica o estágio de inteireza inicial de uma ideia
ou de um projeto criativo. Bases seguras foram estabelecidas, o entusiasmo é grande e há
um sentimento de satisfação e otimismo a respeito do potencial futuro do projeto. Mas
também há muito trabalho à frente e novos planos que devem ser engendrados antes de a
ideia ser totalmente realizada.

O Quatro de Paus

       A carta Quatro de Paus retrata Jasão e seus companheiros de viagem
comemorando o fim da construção do grande navio Argo que os levará para a Cólquida
em busca do Velocino de Ouro. O navio, com suas velas vermelhas e ostentando o
emblema de um clarão de Sol dourado, aguarda a subida da maré. Ao redor da figura de
Jasão, que veste uma túnica vermelha, estão cinco de seus heróicos companheiros:
Héracles (com o qual nos deparamos na carta da Força dos Arcanos Maiores), portando a
sua pele de leão e segurando uma tocha flamejante; Teseu, rei de Atenas (que
encontraremos mais adiante na carta do Rei de Paus dos Arcanos Menores), com uma
coroa dourada, vestido de vermelho-carmesim e segurando uma tocha flamejante; Castor
e Pólux, os Gémeos Guerreiros (que encontraremos mais adiante na carta do Cavaleiro
de Espadas), ambos portando uma armadura prateada e uma tocha flamejante; e Orfeu, o
Cantor (com o qual nos deparamos na carta do Rei de Copas), trajando uma túnica azul e
segurando a sua lira.
       O Quatro de Paus é a carta da colheita e da recompensa. O desafio de uma nova
ideia criativa foi enfrentado, muito trabalho foi feito e agora o indivíduo pode colher a sólida
recompensa conseguida por meio do esforço. Da mesma forma que o Três de Paus, essa
carta implica algo que merece ser comemorado; mas, diferentemente do Três de Paus, ela
possui uma base mais sólida e os benefícios já são evidentes. O desafio de conquistar o
Velocino de Ouro é assombroso; como pode um homem sozinho navegar aos confins do
mundo e com que meios? Jasão correspondeu a esse desafio cercando-se dos amigos
para ajudá-lo a alcançar os seus objetivos. Todos esses heróis da Mitologia têm
habilidades diferentes, de acordo com suas naturezas. Héracles tem a força; Teseu, um
fogoso aventureiro como Jasão, a visão criativa; os Gémeos, a mente afiada; e Orfeu, o
sentimento profundo e a empatia para desarmar qualquer inimigo. Se considerarmos
todos esses amigos como pessoas reais cujo apoio podemos angariar ou como recursos
interiores dos quais podemos usufruir nesse estágio do processo de trabalho criativo, a
ajuda está disponível e poderá permitir o alcance dos nossos objetivos. Com essa tripulação
heróica c esse navio esplêndido, a satisfação de Jasão está garantida.
       No sentido divinatório, o Quatro de Paus prevê um período de recompensa pelos
esforços empreendidos. Uma nova ideia produziu frutos prematuros e o indivíduo tem todo
o direito de comemorar os resultados concretos de seus esforços. Mas esse é tão-somente
um estágio da jornada e logo o navio deverá zarpar para enfrentar os maiores desafios
                                                                                             57
antes de atingir a meta final.

O Cinco de Paus

       A carta Cinco de Paus retrata a luta de Jasão com o dragão que vigia o Velocino de
Ouro. Enorme e coberto de escamas, o dragão sopra fogo de sua boca enquanto, com
suas garras, ele segura o Velocino. Jasão o enfrenta com duas tochas flamejantes.Ao seu
lado, está a feiticeira Medeia, filha do rei Aetes da Cólquida, que por ele se apaixonou e o
ajuda nessa empreitada. Ela é linda com seu cabelo preto, trajando um vestido vermelho
e segurando três tochas flamejantes.
       O Cinco de Paus representa a luta. Aqui, a visão criativa colidiu com a realidade do
mundo na forma do dragão que, na Mitologia, c a força primitiva da terra que resiste à
mudança. 0 problema cm aplicar limites na vida prática - assim como as nossas próprias
limitações da inércia regressiva - é o maior desafio para qualquer indivíduo que deseja
expressar o poder de sua imaginação criativa na vida real. Essa luta com o dragão pode
assumir a forma de problemas financeiros ou o problema de habilidades insuficientes
(quando o indivíduo precisa estudar ou treinar mais para dominar uma profissão), ou a
dificuldade de um corpo fraco (pelo cansaço ou por doença, causado pelo excesso de
esforço enquanto esteve impacientemente preso à visão), ou o dilema de ajustar a visão
ao mercado prevalecente (que inevitavelmente é conservador demais, cauteloso ou des-
valorizado); essa carta simboliza dificuldades em nível concreto. Muitas vezes essas
dificuldades concretas coincidem e são causadas pelo
       medo do insucesso e por uma profunda apatia que, em si mesmos, também fazem
parte da imagem do dragão. Mas o dragão deve ser enfrentado, do contrário Jasão não
poderá levar o Velocino, e os obstáculos que surgem durante o trabalho criativo - interno
ou externo - não podem ser evitados. Inevitavelmente, a imaginação colidirá com a
resistência da realidade e, de alguma forma, as duas deverão acomodar-se.
       No sentido divinatório, o Cinco de Paus prevê um período de luta durante o qual o
indivíduo deve enfrentar o dragão da realidade material para alcançar a sua meta.
Assuntos cotidianos podem começar a dar errado e é preciso prestar mais atenção às
exigências e aos limites da realidade concreta; o indivíduo também pode ficar preso a um
humor depressivo ou apático. Comprometimentos devem ser assumidos, mantendo ao
mesmo tempo a integridade da visão original.

O Seis de Paus

      A carta Seis de Paus retrata Jasão vitorioso após a sua luta com o dragão. O herói
levanta o Velocino de Ouro em triunfo. Atrás dele, seis dos seus amigos-heróis estão
festejando, cada um segurando uma tocha acesa.
      O Seis de Paus representa uma experiência de triunfo, de reconhecimento e de
aclamação pública. A luta com o dragão já aconteceu e Jasão fez jus à sua recompensa; o
Velocino está em suas mãos e seus amigos levantam suas tochas para honrá-lo em
reconhecimento. Essa carta representa um momento inebriante para o indivíduo que se
esforçou para expressar uma nova ideia ou uma visão criativa para as outras pessoas, pois
é o momento cm que somos reconhecidos pela coletividade por nossos esforços. O
empreendimento criativo foi aprovado não somente pelos nossos entes queridos, mas pelo
mundo exterior, que na carta do Cinco de Paus apareceu, inicialmente, como o terrível
dragâo-terra que parecia frustrar todos os esforços.
      O estágio, um tanto inebriante, refletido pelo Seis de Paus pode assumir muitas
formas, de acordo com o nível do objctivo e das aspirações do indivíduo. O atleta que
treinou e se preparou durante cansativos meses c até anos sabe disso quando vence uma
competição, assim como o indivíduo que almeja uma promoção também o reconhece
                                                                                          58
quando, finalmente, uma nova posição lhe é oferecida. O escritor aprecia-o quando o seu
livro é publicado e aclamado, c assim também o estudante, quando finalmente recebe o
seu diploma. Independentemente da dimensão, a meta aqui é alcançada e reconhecida
pelos outros. Portanto, o Seis de Paus é uma das cartas dos Arcanos Menores que mais
proporciona satisfação individual, pois significa a validação pública de uma visão criativa
que se iniciou em meio à ansiedade e à incerteza.
      Mas até o Seis de Paus deve ceder o seu lugar para a carta seguinte, pois Jasão
ainda não levou o Velocino de volta para Iolkos. O reconhecimento público provoca os seus
próprios dilemas, apesar de representar um pico na vida criativa, pois a imaginação é fértil,
e novos desafios - de forma particular a inveja e o sentido de competição - podem surgir
no momento do triunfo.
      No sentido divinatório, o Seis de Paus prevê a aceitação pública e o reconhecimento
de alguma espécie. Isso pode assumir a forma de uma promoção, uma qualificação ou o
reconhecimento de algum trabalho criativo.

O Sete de Paus

      A carta Sete de Paus retrata a luta de Jasão com o rei Aetes da Cólquida, que ele
deve derrotar para poder levar de volta o Velocino de Ouro. Jasão, segurando duas
tochas flamejantes, luta com o rei que veste uma túnica vermelho-fogo e segura outra
tocha flamejante. Dois dos amigos-heróis de Jasão - Héracles e Teseu - estão em
combate com dois guerreiros do rei que, vestindo armaduras, surgiram dos dentes do
dragão. Os dois heróis e os dois guerreiros do rei seguram tochas flamejantes.
      Tal como o Cinco de Paus, o Sete de Paus retrata uma lula, mas aqui se trata de um
combate entre homens, diferentemente do combate do herói contra o estranho dragão-
terra. A visão criativa do Velocino de Ouro conquistado em triunfo das garras do dragão
aqui leva para o que poderíamos chamar de pura competição, pois Aetes também quer o
Velocino e está preparado para lutar por ele. Portanto, o reconhecimento inerente ao Seis
de Paus provoca a inevitável resposta: mais alguém quer o que trabalhamos tão
arduamente para conseguir, e somos mergulhados em uma competição que nos desafia a
empenhar mais esforços. A mensagem é que não podemos permanecer estagnados com
os nossos louros ou alguém virá para roubá-los. O problema da inveja e da competição é
um fato da vida criativa que o indivíduo que trabalha nessa esfera deverá aceitar. A
imaginação não somente concentra a visão em uma pessoa, mas também estimula a
visão de outras. A competição é a companheira inevitável do sucesso criativo e,
frequentemente, é o próprio medo de não consegui-lo que faz com que as pessoas
desistam de tentar.
      Na realidade, o desafio do Sete de Paus é uma prova de fé do próprio indivíduo.
Quanto estamos dispostos a lutar pelo que já conseguimos conquistar? Essa ameaça do
"exterior" é um estímulo para a individualidade como também para a própria imaginação que
deverá então criar novas e melhores formas. Em muitos aspectos, o rei Aetes tinha tanto
direito ao Velocino de Ouro quanto Jasão, pois ele o possuiu antes. E essa é a falta de
moral do mercado no qual não adianta ficar chorando: "Mas fui eu quem primeiro teve essa
ideia!" Simplesmente devemos lutar para que a ideia funcione e para torná-la ainda melhor,
pois ninguém consolará o perdedor que, certa vez, teve uma boa ideia.
      No sentido divinatório, o Sete de Paus prevê uma luta pelas ideias criativas de outras
pessoas - pura competição. O indivíduo é desafiado a melhorar e a desenvolver o seu
projeto diante de um mundo invejoso e competitivo, e precisa aprender a valorizar a sua
ambição e o seu instinto competitivo.

O Oito de Paus

                                                                                           59
A carta Oito de Paus retrata a viagem de volta de Jasão após a sua fuga bem-
sucedida do irado rei Aetes. Podemos ver o Argo com todas as velas içadas e oito tochas
acesas em sua ponte. Acompanhando o navio, golfinhos brincam nas ondas.
      O Oito de Paus representa uma liberação de energia criativa depois que as
ansiedades e os esforços do Sete de Paus foram superados. O conflito estimula a
imaginação e, se tivermos a capacidade de enfrentá-lo e atravessá-lo, sempre haverá um
período de trégua quando os nossos planos prosseguem cm direção da meta a passos lar-
gos, com um sentimento de leveza e de confiança. Essa liberação de energia somente
surge das tensões que estão amainando, como se a confiança resultasse unicamente da
superação de obstáculos.
      A experiência da liberação de uma nova energia criativa pode ser vista em muitos
esportes competitivos nos quais, após um conjunto de dificuldades, há um brusco impulso
e o indivíduo ou a equipe se lança para a meta. Também é uma experiência comum para o
pintor, o escritor, o ator e o músico - e qualquer artista criativo que atravessou o bloqueio e
está "a caminho de casa". A euforia desse estado não surge simplesmente do nada; ela é
o preço que pagamos ao enfrentar o desafio da competição e da dúvida, das quais nos
levantamos com energia renovada. Isso nos diz algo a respeito de por que precisamos dos
conflitos em nossas vidas para poder criar e porque tantos artistas parecem cortejar os
conflitos e a competição com outros. Há um misterioso relacionamento entre os trabalhos
da imaginação criativa e a presença de um conflito saudável em nossas vidas. A Mitologia
também conta a respeito desse relacionamento, pois o deus Zeus, que preside a história
de Jasão, existe em um estado de constante tensão e luta com a sua esposa Hera. Ela,
incorporando as leis do matrimónio e da vida doméstica, eternamente o restringe e, ao
mesmo tempo, desafia-o a criar. Da mesma forma, nós também precisamos de restrição c
de desafios para poder gozar o fluxo excitante da energia que o Oito de Paus retrata por
meio da imagem de Jasão e de sua tripulação em seu caminho de volta para casa.
      No sentido divinatório, o Oito de Paus anuncia um período de ação depois de um
atraso ou de uma luta. Uma viagem pode ser implicada ou um longo trecho de frutífera
atividade criativa durante o qual a imaginação flui desimpedida depois que as ansiedades e
as tensões foram superadas ou resolvidas.

O Nove de Paus

      O Nove de Paus retrata a prova final de Jasão e de seus Argonautas antes de o
objetivo ser alcançado: a passagem pelos rochedos Cila e Caríbdes. Ao longe, a cidade
de Iolkos pode ser vista com nove tochas flamejantes na praia. O navio, Argo, com as
velas desmanteladas, encontra-se na passagem entre os rochedos, ainda em perigo. Em
volta do navio desencadeia-se uma tempestade e o mar é turbulento.
      O Nove de Paus é a carta da reserva de força. Ele retrata o tremendo poder da
imaginação criativa, pois justamente quando sentimos que não podemos mais lutar ou nos
confrontamos com outra dificuldade, de alguma maneira, no meio desse estresse, as ideias
e a energia se tomam disponíveis para enfrentar esse desafio final antes do objetivo. As
velas desmanteladas do Argo refletem o estado de exaustão de Jasão e de seus amigos,
pois passaram por muitas provas e dificuldades, e estão quase chegando em casa com o
Velocino de Ouro. É exatamente nesse momento que, muitas vezes, o inevitável desafio
final surge diante das nossas ideias criativas e projetos. E sentimos, nesse momento, que
simplesmente não podemos seguir em frente; a energia foi totalmente gasta e a força
desgastada, tudo feito por nada.
      Mas existe em nós algo misterioso e impressionante que é despertado para fazer
frente a esse desafio e, então, presenciamos o aspecto mais perturbador e milagroso: o
espírito criativo dos seres humanos. Apesar de não poder controlá-lo ou curvá-lo à nossa
vontade -não mais do que os gregos antigos pudessem exigir da obediência de Zeus às leis
                                                                                             60
humanas -, ele está disponível para ajudar-nos quando estivennos em nossos derradeiros
limites. É aí que a nossa imaginação proporciona uma brusca injcção de vida, esperança e
ideias novas. Se tivermos a vontade de tentar uma vez mais, a energia estará disponível e
o objetivo final poderá ser alcançado.
      No sentido divinatório, o Nove de Paus anuncia um período em que, no ponto de
exaustão, um desafio final surge para impedir que alcancemos a nossa meta; c quando, de
alguma forma, encontramos misteriosamente a reserva de força para fazer frente ao
desafio. Essa força somente é disponível quando todas as possibilidades foram exauridas
e parece ser invocada tanto pela nossa necessidade quanto pela nossa disponibilidade,
apesar da exaustão, em tentar uma vez mais.

O Dez de Paus

      A carta Dez de Paus retrata Jasão sentado diante dos destroços do navio Argo,
totalmente exausto. Ele voltou vitorioso para Iolkos e está com um traje real vermelho e
uma coroa dourada; aos seus pés, o Velocino de Ouro. Ele está curvado pelo peso das
dez tochas flamejantes, distribuídas em suas costas e seus ombros.
      O Dez de Paus retrata um estado de opressão. Jasão cumpriu o que havia planejado
fazer, mas, ao final da história, ele é uma figura triste, sobrecarregada e esmagada pelas
preocupações, enquanto o navio Argo, uma vez glorioso, o transportador de heróis, está
em ruínas e apodrecendo. A princípio é difícil entender por que essa lenda de visão e de
feitos heróicos devesse culminar em uma imagem tão pesada e triste. Mas essa última
carta do naipe de Paus revela algo importante a respeito da imaginação criativa: ela pode
não funcionar mais quando fica presa sob o peso das responsabilidades materiais.
      Essa dura lição ocorre a muitas pessoas que se propõem a iniciar um negócio ou
objetivam um sucesso criativo. Com o passar do tempo e com o crescimento e a solidez do
empreendimento, o espírito de aventura e o entusiasmo do começo parecem sumir. No
processo de atingir a sua meta e recuperar o seu trono, Jasão deixou de valorizar os
elementos imprevisíveis, como aqueles que Medeia personifica, e dessa maneira ele "se
vendeu", esquecendo-se da ousadia e da desenvoltura que primeiro o empurraram para a
aventura. O poder volátil da imaginação não se deixa prender às formas pesadas c estru-
turadas. Frequentemente, o tédio e a depressão acompanham a integralidade de um
trabalho criativo, pois, enquanto a tensão do esforço empenhado cm ideias criativas gera
mais ideias, suas concretizações finais significam que a imaginação não pode mais se
expressar livremente.
      Portanto, a imaginação precisa de campos novos e o indivíduo que, como Jasão, se
agarra às formas que construiu pode deparar-se com uma certa opressão e exaustão sem
razões aparentes. Esse é o momento de abrir mão de alguma defesa e segurança para
que a imaginação possa ser despertada com uma nova ideia, uma nova meta e uma nova
aventura.
      No sentido divinatório, o Dez de Paus sugere que o indivíduo está sobrecarregado e
oprimido por ter assumido responsabilidades em demasia e além de sua capacidade de
suportar. A imaginação foi sufocada pelas excessivas preocupações materiais e parte
daquela jovem ousadia c disposição simplesmente se perdeu. E preciso renunciar a certas
coisas para que o processo criativo possa ser renovado e um novo ciclo recomece.

As Cartas da Corte

O Pajem de Paus

     A carta do Pajem de Paus retrata um garoto de cerca de 12 anos, de cabelos
castanhos e vestindo uma túnica laranja. Ele monta um carneiro de pele dourada que voa
                                                                                        61
sobre rios e campos verdes e amarelos, segurando uma tocha flamejante. A sua frente, o
Sol aparece espalhando a sua luz alaranjada sobre o cenário.
      Na carta do Pajem de Paus, deparamo-nos com o elemento Fogo em seu mais
delicado e frágil início - os primeiros movimentos da inspiração criativa que, geralmente, se
manifesta com certa excitabilidade e desconforto com as condições existentes. O Pajem é
encenado por Frixo, com o qual já nos deparamos na história de Jasão e o Velocino de
Ouro. Ele realmente inicia essa história, apesar de não ser um dos heróis que dela
participam nem tampouco o deus que a preside, mas é quem leva o Velocino de Ouro
para o distante reino da Cólquida e longe do perigo.
      Frixo era filho do rei Atamas que, por ordem de Zeus, se casara com a mulher
fantasma chamada Néfíle, que lhe deu dois filhos: o menino Frixo e a menina Hele.
Finalmente, a mulher fantasma desapareceu c Atamas casou-se com uma mortal, Ino, que
tinha ciúmes tanto de sua antecessora quanto das crianças. Ino convenceu as mulheres
locais a ressecar secretamente as sementes de trigo para prejudicar a safra do grão c
espalhou o comentário de que o oráculo de Delfos exigia o sacrifício de Frixo a Zeus para
neutralizar a "maldição". Sua intenção era eliminar Frixo para que um filho seu pudesse ser
o herdeiro do trono.
      Mas Zeus zangou-se com o fato de seu nome ler sido envolvido nessa tentativa de
vingança e enviou o seu carneiro alado para salvar Frixo, que montou o animal e puxou a
irmã atrás dele. O carneiro dirigiu-se para o leste, em direção à Cólquida. Infelizmente,
Hele perdeu o seu ponto de apoio e caiu no mar. Mas Frixo conseguiu chegar à Cólquida,
onde sacrificou o carneiro a Zeus. Assim, Frixo é considerado o mensageiro e o cenógrafo
que prepara a ação antes de os conhecidos heróis entrarem no palco da história.
      Frixo, o Pajem de Paus, é a imagem daquele frágil início da imaginação criativa que
muitas vezes encontra dificuldades entre as pessoas mais realistas e nas exigências c
responsabilidades do mundo material. O perigo no qual o garoto se encontra é
característico do Pajem de Paus, pois essa figura, apesar de prometer um potencial futuro
que ainda não emergiu, frequentemente se manifesta de início como uma irritabilidade e
um nervosismo que provocam as pessoas e causam problemas na vida e no trabalho
pessoal. Mas Frixo é inocente e, portanto, Zeus o favorece concedendo-lhe um precioso
presente. O Pajem de Paus marca o início do surgimento de uma nova ideia criativa, mas,
como todos os Pajens dos Arcanos Menores, precisa de cuidados, proteção e orientação
para que essa pequena chama não seja apagada pelo ciúme e pela inveja de outras
pessoas ou pelo sentido de negatividade e de dúvida do próprio indivíduo. Zeus, rei dos
deuses e incorporação do fogoso espírito criativo, é o único que enxerga o verdadeiro
valor de Frixo e é preciso que tenhamos algum contato com esse princípio arquetípico
dentro de nós mesmos antes de poder valorizar esse delicado início da expressão
imaginativa.
      Frixo abre a história, mas não participa dela c desaparece diante do esplendor e do
poder do herói Jasão. Isso também reflete algo a respeito do Pajem de Paus. Muitas vezes
as primeiras ideias reílcti-das por essa carta são infantis e não representam suas formas
finais, que acabam resultando em um importante esforço criativo. Frequentemente, o
conceito inicial desaparece para ser substituído por algo melhor e mais sólido. Mas esse
início permite que o processo seja ativado e, sem esses movimentos frágeis, nada seria
desenvolvido na esfera das novas ideias criativas. Afinal, não é a personalidade de Frixo
que nos chega pela Mitologia - ele é imaturo e jovem demais para realmente possuir uma
personalidade -, mas é o seu papel de mensageiro e guardião inicial do Velocino de Ouro,
que pertence a Zeus, o emblema do grande poder criativo do deus. Portanto, o Pajem de
Paus pode não indicar um novo projeto ou ideia com sucesso garantido e a sua agitação
pode ser facilmente descartada como "ingénua" ou "fantástica". Ele pode apontar para o
poder da imaginação, avisando-nos que há muito mais no local do qual surgiu a primeira
ideia.
                                                                                           62
No sentido divinatório, quando o Pajem de Paus aparece em uma abertura de cartas,
ele anuncia que chegou o momento de o indivíduo descobrir esses impulsos de potencial
criativo dentro dele mesmo. Muitas vezes podem se manifestar por um certo nervosismo no
trabalho, um sentimento vago de insatisfação não suficientemente forte para motivar uma
mudança c uma indicação de que temos a capacidade de expandir, de alguma forma, a
própria vida. As fantasias iniciais que acompanham essa agitação não têm o poder
impulsionador do Ás de Paus e, no final, podem vir a ser impraticáveis ou impossíveis. Mas
é importante que sejam consideradas seriamente, pois elas são os arautos de uma fonte
mais forte de inspiração e precisam ser alimentadas c não rejeitadas, como se essa
excitação fosse meramente "uma má fase" em vez do prenúncio de algo mais criativo.

O Cavaleiro de Paus

      A carta do Cavaleiro de Paus retrata um exuberante jovem montado em um cavalo
alado trajando uma túnica vermelha e uma armadura e um elmo dourados. Uma aljava de
flechas em seu ombro e uma tocha flamejante em sua mão. O cavalo branco está voando
enquanto embaixo, na terra, encontra-se um monstro que o jovem matou com uma flecha.
O monstro tem cabeça de leão, corpo de carneiro e cauda de serpente.
      Na carta do Cavaleiro de Paus, deparamo-nos com a volátil, mutável e efervescente
dimensão do elemento Fogo, que está em constante movimento e eternamente buscando
novos desafios. Ele é encenado pela figura mitológica do herói Beierofonte, que domou o
cavalo alado Pégaso, matou a monstruosa Quimera e, em seguida, foi arruinado por sua
própria arrogância, que o levou a tentar voar para o Monte Olimpo, a morada dos deuses.
      Beierofonte teve de fugir de Corinto, sua terra natal, por haver matado acidentalmente
o seu próprio irmão Belero, e procurou santuário na corte do rei Preto de Tirinto. Mas a
esposa desse rei apaixonou-se pelo impetuoso e um tanto ambíguo rapaz e, ao ser
rejeitada pelo jovem, o acusou diante do rei Preto de tentar seduzi-la. Acreditando na
história da esposa, o rei decidiu destruí-lo. Beierofonte foi então enviado em uma aparente
missão fatal - a destruição da Quimera, um monstro que soprava fogo. Mas o jovem teve
a sorte de ser ajudado por um adivinho que o instruiu cm como capturar e domar Pégaso.
Beierofonte encontrou o cavalo e jogou sobre a sua cabeça uma rédea dourada que Atena
lhe havia dado. Ele então venceu a Quimera voando sobre ela no dorso de Pégaso,
enchendo-a de flechas e arremessando a sua lança, em cuja ponta havia colocado uma
bola de chumbo, na boca do monstro; o fogo que a Quimera soprava derreteu o chumbo
que, líquido, escorreu em sua garganta, matando-a.
      Em vez de demonstrar a apropriada modéstia com respeito ao seu feito, Beierofonte
tornou-se arrogante e prepotente. No auge de sua sorte, com presunção, tentou alcançar o
Olimpo como se fosse imortal. Furioso, Zeus enviou uma vespa que picou Pégaso por baixo
da cauda, fazendo-o empinar, desmontando Beierofonte, que despencou
vergonhosamente para a terra.
      Beierofonte, o Cavaleiro de Paus, é a imagem do desejo por novas e mais gloriosas
aventuras. Essa figura ambivalente, muito criativa e desprendida da realidade, pois,
apesar de ser a primeira a pressentir coisas novas, assim como a primeira a enfrentar um
desafio, por mais difícil que seja, também é a nossa tendência à presunção e a uma espécie
de pretensão de que a boa sorte deva ser proporcionada pela vida, independentemente de
quem sejamos ou do que façamos.
      O Cavaleiro de Paus é um sedutor - as mulheres tendem a amá-lo, tal como a esposa
do mitológico rei Preto -, mas ele não é confiável, pois nenhuma mulher consegue segurá-lo
quando uma nova aventura se apresenta. Ele é intuitivo c imaginativo, e, em termos
modernos, poderíamos até chamá-lo de tendencioso, pois é o primeiro a assumir uma
nova ideia, uma nova moda, um novo estilo de vida, bem antes de o restante da
humanidade se conscientizar do valor dessa novidade.
                                                                                          63
O Cavaleiro de Paus não é um seguidor, como também não é um líder, pois é
autocentrado demais e facilmente entediado para assumir a responsabilidade de dirigir
outras pessoas. Como Dom Quixote do famoso épico de Cervantes, ele ataca moinhos de
vento e assume causas ou desafios que podem não ser realmente relevantes, mas a
respeito dos quais está preparado a fazer um enorme alarde só porque parecem excitantes
e o colocarão em destaque, como também o manterão ocupado durante um certo tempo.
      O Cavaleiro de Paus é uma figura agradável e até adorável, e tendemos a perdoá-lo
constantemente graças à sua natural positividade, seu fascínio, sua ingenuidade e suas
boas intenções. Mas, como dizem, o caminho para o inferno está cheio de boas intenções, e
nem todas as intenções dessa figura são realmente concretizadas. Ele está constantemente
engendrando novas ideias que podem ser filtradas, consideradas e processadas por meio
de uma visão mais realista, seja pelo próprio indivíduo ou por outra pessoa mais em contato
com a realidade do que esse fogoso e volátil Cavaleiro. Então, a sua força pode ser
apreciada enquanto a sua fraqueza é tornada menos prejudicial pela fria consideração dos
fatos.
      No sentido divinatório, quando o Cavaleiro de Paus aparece em uma abertura de
cartas, ele anuncia que chegou o tempo para o indivíduo desenvolver as voláteis,
exuberantes e aventurosas qualidades incorporadas na figura de Belerofonte. Muitas vezes,
em nível divinatório, o Cavaleiro de Paus manifesta-se como uma mudança de residência,
porque o indivíduo repentinamente se sente oprimido pelo ambiente no qual se encontra e
sai à procura de campos mais amplos e verdes. Algumas vezes o Cavaleiro de Paus
penetra na vida das pessoas como um jovem encantador, interessante e um tanto
irresponsável, cheio de ideias novas e inspiradoras, mas que deve ser tratado com cuidado
para que ele não nos leve a possíveis prejuízos. Se um desses indivíduos entrar em nossa
esfera de relacionamentos, isso deve ser visto como um aviso de que essas qualidades
estão tentando emergir de dentro de nós mesmos.

A Rainha de Paus

     A carta da Rainha de Paus retrata uma linda e radiante mulher de cabelos
castanhos, com um vestido amarelo e portando uma coroa dourada. Está sentada em um
trono dourado cujos braços são entalhados com cabeças de leão e, aos seus pés,
amarrada em uma corrente dourada, encontra-se uma leoa adormecida. Em sua mão,
uma tocha flamejante e, ao seu redor, um cenário de ricos campos verdes e dourados sob
um céu azul-vivo.
     Na carta da Rainha de Paus, deparamo-nos com a dimensão estável, vivificante e fiel
do elemento Fogo, que aquece, anima e inspira. Ela incorpora a figura mitológica da rainha
Penélope, esposa do famoso Ulisses de ítaca. Ao nascer, Penélope foi jogada ao mar por
ordem de seu pai, ícaro, que esperava por um filho. Mas um grupo de patos listrados de
vermelho a levaram para a superfície, alimenta-ram-na e levaram-na à praia.
Impressionado com esse feito, Ícaro atenuou a sua decepção percebendo que a sua
jovem filha devia possuir um destino especial.
     Quando o seu marido Ulisses embarcou para a Guerra de Tróia juntamente com os
outros príncipes gregos, Penélope passou a governar a ilha com o seu único filho
Telêmaco para ajudá-la. Depois de um bom tempo, presumindo que Ulisses havia morrido,
112 jovens príncipes insolentes das ilhas ao redor de ítaca começaram a cortejar
Penélope, cada um esperando casar-se com ela para assumir o trono. Eles até decidiram,
entre si, assassinar Telêmaco. Quando pela primeira vez eles pediram que Penélope
escolhesse um deles como marido, ela manteve a sua fé com a sua intuição e coração
quanto à segurança de Ulisses e declarou que ele certamente devia estar vivo. Mais tarde,
sendo pressionada, ela prometeu uma decisão assim que terminasse a mortalha que estava
preparando para o velho Laerte, o seu sogro. Mas ela levou três anos nessa tarefa, tecendo
                                                                                         64
de dia e desfazendo o seu trabalho à noite, até que um dos pretendentes percebeu o
estratagema. Durante todo esse tempo, os príncipes insolentes ficaram desfrutando e
divertindo-se no palácio de Ulisses, consumindo o seu alimento, bebendo o seu vinho e
seduzindo as suas serviçais.
      Nesse meio tempo, Ulisses chegou a ítaca depois de dez anos de andanças c
viagens, disfarçado de mendigo porque havia sido informado das atividades em seu
palácio. Quando o tal "mendigo" ali apareceu, de início Penélope não o reconheceu, mas
finalmente ele se revelou, destruiu os pretendentes insolentes e reuniu-se feliz à sua
mulher. Entretanto, alguns negam que Penélope permaneceu fiel a Ulisses durante a sua
longa ausência, pois era uma mulher de espírito e imaginativa. Eles a acusam de gerar o
deus Pan com Hermes, o Mensageiro, o que pode ou não ser verdade.
      Penélope, a Rainha de Paus, é a imagem da fidelidade do coração e a força da
imaginação criativa para apoiar os objetivos escolhidos do coração. Em um certo sentido,
ela é a representação da esposa fiel, mas essa sua fidelidade não é necessariamente literal
e algumas versões do mito questionam essa técnica lealdade sexual. A fidelidade de
Penélope surge em um nível muito mais profundo. Durante a longa ausência de seu
marido, ela não tinha como saber se ele estava vivo ou morto e, às vezes, seria
obviamente mais conveniente escolher outro marido e seguir em frente com a sua vida.
Mas, intuitivamente, ela sabe que Ulisses voltará e é essa qualidade de fé e uma lealdade
que não surgem da moralidade forçada, mas de uma convicção interior de que, ao final,
tudo dará certo, que tornam Penélope uma figura tão apropriada para ilustrar a Rainha de
Paus. Mas ela também é contida e estável, pois o seu fogo está controlado e torna-se o
calor do aconchego, um centro ao qual muitos são atraídos - tal como os 112
pretendentes atraídos não somente pelo trono, mas também pela mulher.
      A Rainha de Paus não sai correndo atrás de arcos-íris ou tenta voar para o Monte
Olimpo - ideias mais típicas do Cavaleiro. Ela armazena a sua grande força e energia
interiormente e as dedica às poucas coisas que conquistaram o seu coração. De alguma
forma, a Rainha de Paus é uma imagem antiga daquela figura de "supermulher" que
tantas mulheres modernas gostariam de ser: a mulher que é capaz de amar e de ser fiel
em um relacionamento, mas que também possui a força, a ingenuidade, a criatividade e a
energia incansável para reger o seu próprio mundo pelo seu próprio direito, sem precisar
de um ombro forte sobre o qual se apoiar nem tampouco do rótulo socialmente aceito de
"esposa" para que se torne autoconfiante.
      No sentido divinatório, quando a Rainha de Paus aparece em uma abertura de cartas,
ela anuncia o momento de o indivíduo começar a desenvolver essas qualidades de
aconchego, de constância, de fidelidade e do sustento criativo de uma visão que Penélope
tão propriamente simboliza. A Rainha de Paus pode entrar em nossa vida como essa
mesma mulher, imaginativa, atraente, aconchegante e fiel. Não é mero acaso se essa
pessoa aparecer em nossa esfera de relacionamentos; ao contrário, trata-se de um
prenúncio de que o indivíduo está para encontrar esses atributos dentro dele mesmo.

O Rei de Paus

      A carta do Rei de Paus retrata um homem elegante com barba e cabelos castanhos
encaracolados. Ele veste uma roupa vermelha e uma coroa dourada na cabeça, e está
sentado em um trono cujos braços são entalhados em formato de cabeças de carneiros
douradas. Em sua mão direita, uma tocha flamejante. Ele está cercado de campos verdes
nos quais é possível ver um carneiro parado. Atrás dele, uma linda cidade com colunas e
pórticos brancos, coroada por uma acrópole.
      Na carta do Rei de Paus, deparamo-nos com a dimensão ativa, dinâmica c senhorial
do elemento Fogo, que simboliza a imaginação criativa. Ele é encenado pela figura
mitológica do rei Tcseu de Atenas, com o qual nos encontramos brevemente nas cartas
                                                                                         65
numeradas do naipe de Paus como um dos companheiros de Jasão em sua busca ao
Velocino de Ouro. O rei Teseu personifica o espírito excitante, extrovertido, impulsivo, mal-
humorado e tremendamente contagioso da energia do Fogo. Sua mãe Etra era amada tanto
pelo deus Poscidon quanto pelo rei Egeu de Atenas. Teseu foi gerado conjuntamente
pelos dois, mas desconheceu as suas origens até a idade de 16 anos, quando então saiu
em busca de seu lugar como herdeiro de Egeu que resultou em uma jornada cheia de
aventuras perigosas. Ele se ofereceu como um dos jovens tributos que eram enviados a
Creta para alimentar o terrível Minotauro, convenceu a filha do rei Minos, Ariadne, a ajudá-lo a
destruir o monstro e voltou para Atenas em triunfo, passando não somente pela violenta
luta com o monstro, mas também por fogo, terremoto, tumultos e mares terríveis.
       Ao se tornar rei de Atenas no lugar de Egeu, ele teve muitas ideias de como unir as
cidades gregas que viviam em constantes conflitos e, por meio de uma combinação de
charme, expressão, proeza física, uma queda para a dramaticidade e uma mente brilhante,
ele conseguiu convencer esses senhores independentes c altivos a se juntarem sob um
único governo, o qual ele presidiu como Alto Rei.
       As aventuras amorosas de Teseu foram variadas e turbulentas como os seus feitos
guerreiros. Constante na perseguição de mulheres, ele finalmente escolheu a amazona
Hipólita como a sua rainha, uma mulher guerreira que não se contentava em viver na
tranquilidade doméstica e insistia em lutar a seu lado em todas as batalhas. Depois da
morte dela, Teseu tornou-se um pirata dos mares, voltando periodicamente para Atenas,
mas sempre perseguindo um novo sonho, uma nova conquista. Casou-se novamente com
Fedra, uma princesa de Creta que, infelizmente, se apaixonou por Hipólito, o íilho de Teseu
com Hipólita. Esse dilema resultou no suicídio de Fedra e na morte de Hipólito. Depois
disso, Teseu pcrdeu-se totalmente e acabou se jogando ao mar do alto de um rochedo.
       Teseu, o Rei de Paus, é a imagem do fogoso entusiasmo que faz do indivíduo,
homem ou mulher, um verdadeiro líder. Esse espírito ardente não é simplesmente impulso,
intranquilidade e novas ideias -próprios do Cavaleiro de Paus - mas também é nobreza e
força. Teseu não é tão-somente um homem impetuoso, mas um estrategista e um
modelador de eventos mundiais, pela sua visão e a força constante em manifestar essa
visão, assim como a calorosa e contagiosa personalidade que consegue convencer os
outros de sua validade. Ele não tolera limitações, é impaciente e tem a certeza de estar
correto e, inquestionavelmente, é um mau perdedor.
       O rei Teseu também é o epítome do homem chauvinista, e esta qualidade não se
limita unicamente aos homens, podendo ser encontrada em muitas mulheres. É o espírito
exaltado da procura masculina por aventura, conflito e conquista e, ao mesmo tempo,
subestimando as dimensões mais "comuns" da vida emocional e material - que parecem
inferiores, tediosas e, portanto, não merecem perda de tempo e esforço. O rei Teseu é
irresistível por ser mais amplo que a vida, e essa qualidade da natureza humana, que tende
a se mistificar, assim como "vender" uma grande visão aos outros, também é irresistível e
dinâmica. Os indivíduos que possuem neles mesmos o espírito forte do Rei de Paus não
se satisfazem com o fato de ser "meros" mortais. Deve haver uma causa a ser assumida,
um dragão a ser destruído, um desafio a ser enfrentado, uma imperfeição no mundo que
deve ser corrigida, pois o indivíduo que não está familiarizado com o espírito do Rei de
Paus, na melhor das hipóteses, é encantador e
       fascinante e, na pior das hipóteses, autoritário, irritante, movido pelo poder e perigoso.
Mas sem essa qualidade não há o espírito de luta, como também não há a capacidade de
melhorar as próprias condições ou as das outras pessoas, pois não existe visão nem
confiança para transformar essa visão em realidade.
       O Rei de Paus pode ser caloroso e excitante, mas ele é inquestionavelmente egoísta
e esse egoísmo essencial, para muitas pessoas, parece ser repreensível e negativo. Mas
o rei Teseu é a incorporação do verdadeiro herói, pois a sua convicção é sempre de que a
humanidade poderia ser muito melhor do que é.
                                                                                              66
No sentido divinatório, quando o Rei de Paus aparece em uma abertura de cartas, ele
anuncia o momento em que o indivíduo deve encontrar essa dimensão da personalidade que
dá início a novas ideias, conseguindo "vendê-las" a outros e gerando uma mudança na pró-
pria vida e no ambiente que o cerca. É o espírito de liderança, a crença de que sempre há
uma ideia melhor que vale a pena ser promulgada e trabalhada para que seja
manifestada. Essa dimensão da vida pode aparecer na forma de um indivíduo impulsivo
que entra em nosso círculo de relacionamentos, alguém que contagia os outros com a força
de suas ideias. O fato de esse indivíduo entrar em nossa vida não é por acaso, mas é o
prenúncio da nossa necessidade de desenvolvimento.


O NAIPE DE ESPADAS
As Cartas Numeradas

       A história de Orestes e a maldição da Casa de Atreu é uma história sombria, cheia de
conflitos e de mortes, e uma das mais poderosas dos mitos gregos. Em seu ponto focal,
está o conflito de dois grandes princípios opostos - o direito de mãe e o direito de pai -, e é
esse embate de princípios que faz com que o conto seja adequado para ilustrar o
conflitante e turbulento, mas imensamente criativo naipe de Espadas. Esse naipe trata da
mente humana em sua forma mais poderosa: a capacidade de criar o bom ou mau destino,
de acordo com a força das nossas crenças, convicções e princípios.
       A completa lenda da maldição da Casa de Atreu é longa e conturbada, e aqui
trataremos principalmente de seu capítulo final. Resumidamente, ela começa com o crime
do rei Tântalo da Lídia, que se tomou tão arrogante que, em sua loucura, zombou dos
deuses. Ele cortou o seu pequeno filho em pedaços (sociopata), servindo-os como
banquete aos deuses que ele havia convidado para testar a sua sabedoria. Por esse ato
de selvageria e de arrogância, os deuses amaldiçoaram a descendência de Tântalo. E,
assim, a maldição da Casa de Atreu começa com o uso impróprio da mente: o dom
ambivalente do homem, que o eleva acima dos animais, mas também lhe proporciona o
poder de destruir desenfreadamente.
       Iniciamos a nossa exploração do naipe de Espadas com Orestes, o jovem príncipe
de Argos que descobriu que a maldição da família havia sido transferida para ele na forma
de uma terrível escolha. Orestes era filho do rei Agamenon e da rainha Clitemnestra de
Argos, e a maldição passara pelo pai e pelo avô de Agamenon. Quando a guerra entre
gregos e troianos foi declarada (cujo início tivemos um vislumbre na história de Paris, na
carta dos Namorados dos Arcanos Maiores), Agamenon era um dos chefes militares eleito
para comandar os exércitos que se dirigiram para Tróia pelo mar. Com sua arrogância, ele
conseguiu ofender a deusa Hécate (Artemis), zombando dela em um de seus santuários
sagrados. Zangada, Hécate provocou uma terrível tempestade que segurou a frota grega no
porto. O oráculo da deusa informou Agamenon que deveria oferecer um grande sacrifício a
ela antes que a deusa acabasse com a tempestade: ele deveria sacrificar a sua própria
filha Ifigênia no altar da deusa em Aulis ou então desistir da potencial glória de liderar os
exércitos gregos para Tróia. Para Agamenon, a glória era muito mais importante do que
uma filha, afinal ele tinha outra, chamada Electra, e filhas eram menos valorizadas do que
filhos. Assim, ele enganou a sua esposa Clitemnestra anunciando que Ifigênia deveria
casar-se em Aulis. A menina saiu de casa e dirigiu-se para o campo militar de Aulis, onde
foi sacrificada. Quando Clitemnestra soube do ocorrido, Agamenon já estava a caminho de
Tróia.
       Os exércitos gregos ganharam a guerra, Tróia foi saqueada e Agamenon voltou para
casa como herói. Mas, durante a sua ausência, Clitemnestra planejara uma vingança pela

                                                                                            67
morte da filha. Ela aceitou Egisto como amante e os dois planejaram o assassinato de
Agamenon. Quando ele chegou em casa cercado de suas tropas vitoriosas, ela o recebeu
amavelmente e o conduziu para o banho, onde, juntamente com o amante Egisto, o
assassinou. Para prevenir qualquer interferência no plano, Clitemnestra havia enviado o
filho Orestes para a longínqua cidade de Fócida, para que ele nada soubesse do crime e
não tentasse salvar ou vingar o pai.
      Enquanto isso, o deus Apolo apareceu a Orestes na Fócida, con-tou-lhe o ocorrido e
disse que ele deveria vingar a morte de seu pai, pois essa era a obrigação de um filho.
Horrorizado, Orestes protestou, porque isso significava cometer um matricídio. Mas Apolo
o ameaçou com a loucura e outros terríveis castigos caso ele se recusasse a obedecer ao
seu comando. Finalmente, o jovem príncipe aceitou a vontade do deus com um coração
pesaroso, pois matar a própria mãe - apesar de correto, de acordo com a lei patriarcal de
Apolo - significava ser levado à loucura e à morte pelas Fúrias, as terríveis deusas da
vingança que consideravam esse o pior de todos os crimes humanos, de acordo com sua
lei matriarcal. Enfim, Orestes aceitou o seu destino e, em segredo, viajou de volta para
Argos.
      Ao chegar ao palácio, somente o seu cão o reconheceu, mas finalmente também a
sua irmã Electra, que desejava ardentemente vingar a morte do pai. Ajudado pela irmã,
Orestes primeiro matou Egisto e depois a sua mãe. Dessa forma, ele cumpria a vontade
de Apolo. Mas imediatamente as Fúrias apareceram com suas cobras nos cabelos, asas
de couro e rostos horríveis, e o enlouqueceram com terríveis pesadelos e visões. Elas o
assombraram por toda a Grécia até que, desesperado e exausto, ele procurou refúgio no
altar da deusa Atcna. Essa deusa teve piedade do jovem príncipe que, sem culpa moral
própria, estava preso entre duas forças poderosas e destrutivas. Ela convocou um júri de
12 juízes humanos que pudessem avaliar o caso. O júri ficou dividido em seu juízo - seis
foram a favor de Apolo, afirmando que o pai era a pessoa mais importante da vida, e seis
foram a favor das Fúrias, afirmando que era a mãe a pessoa mais importante da vida. Foi
a própria Atena que decidiu o caso, votando a favor de Orestes no exato momento em que
ele expirava. A deusa então fez as pazes com as Fúrias, oferecendo-lhes seu próprio altar
e a veneração honrosa, e dessa forma Orestes foi libertado e a antiga maldição da Casa
de Atreu foi finalmente desfeita.

O Ás de Espadas

      A carta do Ás de Espadas retrata uma linda mulher em armadura completa e elmo
de batalha. Ela assume uma postura ameaçadora e segura uma espada de gume duplo.
Atrás dela, um cenário de picos nevados e um céu cinzento carregado de nuvens.
      No As de Espadas, encontramos novamente Atena, a deusa da justiça, com a qual
nos deparamos na carta da Justiça dos Arcanos Maiores. Apesar de não ter sido a
iniciadora da maldição da Casa de Atreu, assim mesmo é ela quem a soluciona quando
Crestes a ela se dirige em seu desespero. A espada de Atena é de gume duplo, pois o
poder de corte da mente, com a sua especial capacidade humana de formular ideias e
convicções que estimulam as ações e as consequências dessas ações, pode gerar um
terrível sofrimento e, ao mesmo tempo, soluções novas e sublimes. Por conseguinte, a
espada de Atena corta dos dois lados, pois a apaixonada e até rígida aderência a um
princípio é quem dá início ao conflito da lenda; e é o surgimento de um novo e mais viável
princípio que resolve e acaba com ele.
      Tal como o Ás de Copas e o Ás de Paus, o Ás de Espadas anuncia o surgimento de
energia primordial e, aqui, ela é a erupção inicial de uma nova visão do mundo. Mas essa
nova percepção ameaça imediatamente a antiga ordem e, dessa forma, o Ás de Espadas,
apesar de sua energia ser poderosa e potencialmente criativa, assinala o início de um
grande conflito. Muitas vezes, o despertar dos poderes mentais significa um inevitável
                                                                                        68
embate com as crenças que, anteriormente, fizeram parte de nossas vidas.
     Uma nova visão das coisas não é tão simples quanto parece, pois nós, seres
humanos, somos famosos por provocar guerras e sermos indulgentes com os terríveis atos
de selvageria em nome de um novo princípio. E só olhar para a Revolução Francesa de
1789 e para a Revolução Russa de 1917 para entender a força de uma nova ideia, e a
frequência com a qual ela provoca um grande conflito antes de ser integrada na vida. Até
em um nível mais pessoal, a nova energia primordial da mente que desperta à vida
geralmente precipita argumentos, debates c disputas, pois devemos experimentar tudo o
que é novo e fazer valer a nossa autonomia mental antes de qualquer possível diálogo ou
comprometimento. Portanto, o Ás de Espadas é realmente a carta de duplo gume: o arauto
de uma tremenda energia nova pronta para ser transformada em vida, mas também a
advertência do advento de um conflito.
     No sentido divinatório, o Ás de Espadas sugere que, de um conflito, alguma nova
opinião criativa possa surgir. Os poderes mentais estão despertando e isso significa
mudança em nossa vida; a antiga ordem é ameaçada e conflitos certamente surgirão.
Finalmente, uma solução será possível, mas existe a inevitabilidade de colisão e de
disputa antes de essa paz ser visível.

O Dois de Espadas

       A carta Dois de Espadas retrata Orestes, de cabelos claros e vestindo uma túnica
cinza, parado como se estivesse paralisado, com os olhos cerrados e suas mãos
pressionando seus ouvidos. À esquerda, está a sua mãe, a rainha Clitemnestra, com uma
coroa dourada em sua cabeça de cabelos louros, trajando um vestido lilás. Ela segura
uma espada apontada para o jovem príncipe e, por cima de sua cabeça, olha irada para
seu marido, o rei Agamenon, de barba e cabelos louros, vestindo uma túnica azul e uma
armadura completa. Ele também segura uma espada apontada para Orestes. Atrás deles,
picos nevados e um céu escurecendo com nuvens ameaçadoras.
       O Dois de Espadas reflete um estado de paralisia pelo qual forças opostas criam um
impasse em que movimento algum é possível sem que uma conflagração seja
desencadeada. Aqui, Orestes se encontra entre as forças opostas de sua mãe e de seu
pai. Como resposta a esse estado de tensão que exige uma das duas escolhas, ele prefe-
riu ficar alheio, fechando seus olhos e tampando seus ouvidos - e a sua recusa em se
conscientizar do iminente conflito é a única ação que ele pode oferecer no momento.
Portanto, a situação do Dois de Espadas reflete uma tensão que resultará em uma
realidade desagradável a ser enfrentada. Mas o indivíduo não quer alterar o status quo.
Assim, sem nada enxergar, Orestes consegue não ser infeliz, mas tampouco é feliz, pois
não pode se mover ou crescer. Ele também tem medo de provocar um desequilíbrio na
situação, pois o presente equilíbrio não é harmónico e uma tempestade ronda atrás dessas
figuras tensas.
       A polarização que ocorre em todos os Dois dos Arcanos Menores aqui se expressa
como um conflito de princípios opostos. E esse equilíbrio não resultou de um diálogo ou
de um acordo; trata-se de um intenso c total potencial de destruição. Portanto, quando
uma nova visão da vida começa a se agitar em nós com o Ás de Espadas, tendemos a ver
somente os extremos e ficamos presos em uma certa paralisia que não permite que nos
movamos, seja para a frente, seja para trás. Não podemos simular que nada aconteceu,
mas também não podemos ir à frente ou teremos problemas como consequência. O tom
emocional do Dois de Espadas é um estado desconfortável de um equilíbrio precariamente
calmo, mas que envolve uma grande tensão e ansiedade. É o estado de saber que alguma
coisa deve mudar, mas preferimos não enxergar em vez de arriscar o conflito que, finalmen-
te, ocorrerá de qualquer maneira.
       No sentido divinatório, o Dois de Espadas implica um estado de tenso equilíbrio no
                                                                                        69
qual há uma recusa em enfrentar alguma situação iminente de conflito. Uma maneira
criativa de resolver esse caso pode ser a tentativa em enfrentar o que está à nossa frente,
em vez de tentar preservar o status quo que, finalmente, será rompido de qualquer forma.

O Três de Espadas

       A carta Três de Espadas retrata o rei Agamenon, assassinado em seu banho. O
corpo do rei encontra-se na água. A esquerda, Egisto, de barba e cabelos pretos, vestido
de cinza-escuro, fere o coração do rei com a espada. Outra espada está enterrada no
corpo inerte.
       À direita, Clitemnestra também fere o coração do marido com uma espada. Além do
pórtico de mármore, um céu preto e ameaçador sobre picos nevados.
       O Três de Espadas é uma carta pesarosa porque a disputa ou o conflito iminente do
Dois de Espadas finalmente irrompeu. Portanto, o tema da integração inicial que liga todos
os Três dos Arcanos Menores está nele refletido em uma situação penosa que revela uma
separação ou uma desilusão. Mas, mesmo sendo penosa, essa carta, que sem dúvida é
difícil, representa uma liberação de energia, pois há movimento em comparação à
estagnada e desagradável tensão do Dois de Espadas. O que quer que tenha ocorrido foi
necessário, pois algo age para exigir esse conflito antes de ele se desenrolar para o seu
eventual final criativo.
       Aqui, Clitemnestra realizou a sua vingança, inevitável a partir do momento em que
Agamenon optou pela entrega da vida de sua filha a favor de sua própria glória. Alguma
coisa iniciada no passado desabrocha no Três de Espadas e o resultado raramente é
agradável. Este é o mais profundo significado da maldição do mito grego: não é um feitiço
ou um malfadado destino lançado por um deus caprichoso, mas o inevitável resultado das
consequências da escolha humana que, mais cedo ou mais tarde, resultará em um conflito
ou em uma desilusão no derradeiro acerto de contas.
       A triste visão do Três de Espadas traz consigo um sentimento de alívio, pois o veneno
finalmente veio à luz e, portanto, uma chance de cura futura torna-se possível.
Ressentimentos que ficaram intimamente presos em razão do medo do conflito e de raiva
finalmente têm uma forma de extravasarem, mas geralmente por meio da geração
seguinte que é forçada a resolver os problemas que a anterior se recusou a enfrentar. Por
mais desagradável que seja o Três de Espadas, ele é um passo criativo à frente do Dois
de Espadas, e também uma solução final agora é possível.
       No sentido divinatório, o Três de Espadas anuncia uma disputa, um conflito ou uma
separação. De alguma forma, esse estado penoso é necessário c o indivíduo percebe que
não pode seguir adiante recusando-se a enfrentar o conflito. Isso é como a retirada de um
abscesso para que o corpo possa reagir e começar a se curar.

O Quatro de Espadas

      A carta Quatro de Espadas retrata Crestes no exílio, em Fócida. Ele está sentado
tranquilamente no chão contemplando quatro espadas que formam um padrão à sua
frente.
      Atrás dele, um céu pálido e calmo com pequenas nuvens e um cenário de picos
nevados.
      O Quatro de Espadas reflete um período calmo de retiro e de contemplação. Aqui
podemos ver Orestes em seu exílio. Ele ainda não recebeu a ordem do deus Apolo e,
portanto, está em paz, apesar de não lhe ser permitido voltar para casa. O Quatro de
Espadas sugere um período de introversão e de reflexão, de recuperação emocional após
o surgimento do conflito no Três de Espadas. O veneno foi liberado e agora existe a
oportunidade para refletir sobre o que aconteceu. Esse é um período de preparação que
                                                                                          70
precede a tarefa de praticar as mudanças necessárias à vida como resultado do conflito.
Há um incremento de força, um controle das reservas internas em uma situação de calma
e de introspecção.
      Procuramos instintivamente esse lugar de quietude depois de um evento turbulento e
penoso em nossas vidas. O indivíduo que passou pela separação ou pelo divórcio, ou até
por uma discussão exacerbada, frequentemente precisa de um tempo sozinho para
analisar o padrão do que aconteceu; isso também ocorre com a pessoa sobrecarregada ou
aquela que foi demitida de seu trabalho, ou se separou de um amigo ou de um
relacionamento amoroso. Frequentemente não reconhecemos o valor desse período de
quietude e nos precipitamos e procuramos cercar-nos de pessoas que farão com que nos
sintamos melhor e que nos ajudem a esquecer o que aconteceu. Mas o exílio de Orcstes é
imposto e, de certa maneira, somos forçados à introversão pela descoberta de que essa
precipitação nervosa não cura absolutamente nada. Muitas vezes isso piora a nossa
situação, até reconhecermos a necessidade do silêncio e da solidão antes de voltarmos à
vida novamente. Essa reflexão pode revelar o significado que fundamenta a separação ou o
conflito, porque qualquer dificuldade refletida pelo naipe de Espadas inevitavelmente
apontará para algum estágio do passado no qual um novo conceito da vida começou a
surgir e está desequilibrando todos os nossos padrões preexistentes da vida.
      No sentido divinatório, o Quatro de Espadas anuncia um período de recuperação
silenciosa e de introversão, no qual o indivíduo pode armazenar energia preparando-sc
para maiores esforços. Quando o Quatro de Espadas aparece em uma abertura de cartas,
talvez seja melhor aceitar a solidão ou o retiro e não procurar preencher o tempo com
atividades, pois alguma quietude é necessária para controlar os pensamentos c organizar
a própria vida.

O Cinco de Espadas

       A carta Cinco de Espadas retrata Orestes sentado no chão diante do deus Apolo,
que apareceu para lhe contar de seu destino e de sua obrigação em vingar a morte de
seu pai. Apolo encontra-se à direita e aponta severamente para as cinco espadas que ele
segura em sua mão direita. Ao longe, nuvens negras rondam os picos nevados.
       O Cinco de Espadas representa a aceitação das limitações, das fronteiras e das
restrições do destino. Aqui, Orestes deve chegar a termo com a sua deteriorada herança
familiar e aceitar a tarefa que lhe foi imposta. Não c o caso de presumir que o seu destino
seja injusto; ele deve enfrentar o que está à sua frente sem se queixar, chorar ou recusar,
pois é pela aceitação de seu próprio destino que ele deve progredir e merecer o seu
direito ao crescimento c ao seu eventual reinado. Também é importante que Orestes
aceite a lei do deus, não simplesmente por medo - apesar de as ameaças de Apolo serem
apavorantes -, mas porque ele mesmo reconhece essa necessidade. Ele é homem e, por
conseguinte, a lei patriarcal de Apolo é também a sua lei. Caso ele fosse mulher, o seu
destino teria sido bem diferente. Mas aqui, ao considerar as suas opções, Orestes deve, no
final, oferecera sua lealdade ao princípio masculino enraizado em sua identidade sexual,
independentemente das consequências.
       Muitas vezes, as limitações e sua necessária aceitação exigem que
desconsideremos o falso orgulho e o medo. Às vezes, o indivíduo ultrapassa os limites
procurando alcançar algo além de suas possibilidades. O reconhecimento dos limites exige
consciência e uma mente imparcial. O indivíduo sabe o que ele é c, portanto, o que ele
pode e deve fazer; essa é a aceitação da lei interior. Apesar de ser angustiante ou
deprimente e aparentemente deprcciável, no entanto, é um estágio necessário, caso o
indivíduo queira tornar efetivos os princípios nos quais acredita. Sem essa aceitação do
próprio destino, nada pode ser realizado.
       No sentido divinatório, o Cinco de Espadas prevê a necessidade de enfrentar os
                                                                                         71
nossos próprios limites, reconhecendo que a vida precisa ser vivida dentro das limitações
de nossa capacidade. Frequentemente há uma situação em que o indivíduo assumiu
muitas responsabilidades e deve desistir do orgulho c retirar-se, enfrentando honestamente
o que é possível antes de seguir adiante.

O Seis de Espadas

      A carta Seis de Espadas retrata Orestes em pé, em uma postura digna, dentro de
um pequeno barco. Ele está envolto de um manto roxo, olhando para a cidade de Argos,
que pode ser vista a distância. Seis espadas estão fincadas no fundo do barco. Em
primeiro plano, águas revoltas e nuvens pretas no céu. Mas, à medida que Orestes se
aproxima da cidade, as águas estão mais calmas e, sobre a cidade, o céu está mais claro.
      O Seis de Espadas retrata uma situação de afastamento de sentimentos turbulentos e
difíceis para um estado mais calmo e sereno. Pela aceitação dos próprios limites, descrito
no Cinco de Espadas, alguma consciência e paz foram adquiridas e agora se apresenta à
frente um caminho mais calmo, mas ainda melancólico.
      O Seis de Espadas não é uma carta "feliz", mas sugere uma harmonia que nasce do
reconhecimento dos próprios limites e tarefas. Dessa maneira, apesar de sua difícil
missão, o jovem príncipe está em paz consigo mesmo e deixa para trás o estado ansioso,
penoso e carregado sugerido pelas águas turbulentas atrás dele.
      O estado sereno sugerido pelo Seis de Espadas não é tão agradável quanto a
nostalgia do Seis de Copas, pois ele não surge de um coração tranquilo, mas da mente
serena. Aqui, o mais importante é a percepção interna e a compreensão, pois a serenidade
e a passagem calma do Seis de Espadas dependem de enxergarmos e compreendermos
a maneira pela qual o padrão de nossa vida funciona. E essa necessidade de enxergar e
de compreender que leva muitas pessoas a estudar assuntos como o Taro e a Astrologia,
assim como a Psicologia e as funções da mente humana cm épocas de dificuldade, pois a
compreensão faz uma grande diferença quando estamos assolados pelos problemas;
enxergar a maneira como arquitetamos os nossos destinos pode, muitas vezes, liberar a
ansiedade e promover uma calma aceitação que nos permite seguir adiante.
      Os dons que esses simbólicos mapas oferecem por meio do Taro ou de horóscopos são
de grande valor, apesar de não escolherem por nós nem mesmo mudar uma situação
externa de negativa para positiva.
      Mas saber por que estamos em um determinado caminho, como ali chegamos e o
que isso pode significar, às vezes, pode fazer milagres. E, portanto, o mar apresenta essa
passagem calma e serena.
      No sentido divinatório, o Seis de Espadas sugere um período em que a capacidade
da mente para compreender ajuda a transformar uma época difícil que provoca ansiedade
cm uma passagem mais serena. A percepção interna acalma as nuvens tempestuosas e o
indivíduo pode manter a sua dignidade c o auto-respeito.

O Sete de Espadas

      A carta Sete de Espadas retrata Orestes, oculto em seu manto, dirigindo-se
sorrateiramente para o palácio de Argos. Em seus braços, ele carrega sete espadas. A
rua é escura e a entrada do palácio é negra e sinistra. Ao longe, além do palácio, uma fina
lua crescente brilha no céu escuro sobre picos nevados.
      O Sete de Espadas representa a aplicação da energia de maneira cautelosa, astuta e
diplomática para conseguir o objetivo desejado. Aqui a mensagem é "cérebro" em vez de
"força", e a vida pode exigir que o indivíduo desenvolva malícia, sagacidade e esperteza. O
sentimento do Sete de Espadas é ambivalente, pois não podemos ter certeza da retidão ou
da integridade moral do objetivo. E certamente, para Orestes, a sua volta sorrateira para
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Argos é motivada pela violência, pois, obedecendo à vontade do radiante deus do Sol, ele
está por cometer um matricídio.
       Existe alguma coisa um tanto questionável a respeito do Sete de Espadas, mesmo que
o objetivo seja aparentemente justificado, e isso levanta o problema da amoralidade
essencial da mente. Não contaminado pelos valores dos sentimentos, o intelecto pode ser frio
e manipulador, e os fins justificam os meios, mesmo quando se trata de um objetivo digno.
Mas essa carta sugere que a vida pode exigir que desenvolvamos tais atributos, mesmo que
a nossa natureza seja contrária a essa óbvia astúcia. Para poder alcançar um objetivo são
necessários tato, charme e até subterfúgio, que nos deixa desconfortáveis, caso sejamos
éticos em nosso tratamento com as outras pessoas.Mas Orcstes não pode entrar em
Argos com toda a pompa e glória, pois Clitcmnestra e seu amante o aprisionariam e
provavelmente o matariam, o que o impediria de cumprir a vontade do deus. Portanto, ele
deve controlar a sua personalidade e isso parece ser um requisito do estágio da jornada
refletida pelo Sete de Espadas. A astúcia é um dos atributos da mente e, algumas vezes,
deve ser usada na vida. Ela é necessária em qualquer troca de opiniões, do contrário
estaremos simplesmente intimidando e reprimindo-as, e nada realizando. Os políticos
conhecem bem essa qualidade, assim como os sacerdotes e os advogados, pois tato é a
versão mais agradável da astúcia e ideias devem ser apresentadas de forma tática para
ser transmitidas tanto positiva quanto negativamente.
       No sentido divinatório, o Sete de Espadas anuncia um período no qual c necessário
usar astúcia, tato, diplomacia e esperteza, em vez de usar a força e a imposição para
alcançar os nossos objetivos. Isso pode provocar um sentimento desconfortável de
falsidade, mas que pode ser exigido pela própria vida.

O Oito de Espadas

      A carta Oito de Espadas retrata Orestes em uma postura de medo, com suas mãos
levantadas tentando afastar o seu destino. Ele está cercado por um anel de oito espadas
fincadas no chão. À sua esquerda, Apolo olha para ele de modo severo e zangado. À sua
direita, as três Fúrias vestidas de preto, com rostos brancos e feios, e asas de morcego.
Ao longe, nuvens ameaçadoras sobre picos nevados.
      O Oito de Espadas retrata uma situação de servidão em função do medo.
Diferentemente da paralisia apresentada pela carta Dois de Espadas, essa servidão
envolve um total conhecimento da situação e as prováveis consequências de qualquer
escolha. Aqui Orestes sabe muito bem o que acontecerá se assassinar a sua mãe ou se
ele se recusar a fazê-lo, pois, qualquer que seja a sua escolha, sairá perdendo. Assim, ele
fica paralisado tentando afastar de si o momento da escolha. Apesar de as escolhas não
serem geralmente tão sutis quanto as de Orcstes, entretanto o Oito de Espadas reflete uma
situação de indecisão paralisante. Parle do desconforto surge da percepção do indivíduo
quanto à exata maneira de como chegou a essa situação, mas já é tarde para remorsos ou
para retroceder. Diferentemente também da cegueira da carta Dois de Espadas, o Oito de
Espadas retrata a consciência dolorosa de nossa parte na criação de toda a atual confusão.
Esse é o momento anterior a difícil escolha, exacerbado pela realização desagradável de
que nós mesmos a provocamos.
      Existem muitas situações típicas na vida, nas quais surgem a servidão e a paralisia
do Oito de Espadas. Urna das situações mais características é o problema do indivíduo
que esteve manipulando duas pessoas uma contra a outra - uma esposa e um amante,
um marido c um pai, dois amigos -, tentando adiar a decisão de uma escolha ou de um
compromisso. A tentativa de manter oculto o fato um do outro pode fazer com que a
tomada de decisão possa ser mantida em aguardo durante um certo tempo, mas cedo ou
tarde haverá uma confrontação e consequentemente o momento de choque, quando se
descobre que esse subterfúgio somente piorou a situação. Desse modo, o Oito de
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Espadas surge naturalmente do Sete de Espadas, como se a astúcia e a sutileza, apesar
de utilizadas por bons motivos e necessárias no momento, tivessem criado a própria
armadilha. Então, devemos aceitar a responsabilidade por todo o ocorrido, procurar
compreender o que realmente desejamos e agir imediata e definitivamente. Dessa
maneira, uma solução é possível.
       No sentido divinatório, o Oito de Espadas anuncia uma situação pela qual o indivíduo
é impossibilitado de agir por causa do medo das consequências. Uma tomada de decisão é
necessária, mas qualquer que seja a escolha, provocará problemas. Existe a
conscientização de que o dilema foi causado pelo próprio indivíduo, pois houve um longo
passado de recusa, duplicidade, cegueira e medo da confrontação, muitas vezes para "evitar
ferir" alguém, que sempre está presente no impasse. É importante enfrentar honestamente o
nosso próprio envolvimento no problema.

O Nove de Espadas

      A carta Nove de Espadas retrata Orestes em pé, com suas mãos cobrindo seus
ouvidos. Atrás dele, as três Fúrias pairam ameaçadoramente em um acúmulo de nuvens
escuras. Cada uma segura três espadas e todas elas estão apontadas para o jovem
príncipe. Atrás delas, um céu escuro sobre os picos das montanhas.
      O Nove de Espadas reflete uma experiência de grande medo e ansiedade. Essa é a
carta do pesadelo, a fantasia do iminente desastre que não se manifesta necessariamente
como um fato concreto, mas é apavorante e doloroso graças ao poder da imaginação.
      Aqui Orestes cumpriu a sua tarefa e matou a sua mãe, sendo agora perseguido pelas
Fúrias que, por sua própria natureza, não são corpóreas; elas não podem atingi-lo
fisicamente ou matá-lo. Elas o alonnentam por meio do sentimento de culpa - seus medos e
fantasias de destruição. Em termos psicológicos, o Nove de Espadas representa a
ansiedade, pois reflete um estado no qual o indivíduo aguarda um terrível desfecho, apesar
de não haver qualquer indicação real de que ele se concretizará no futuro.
      Entretanto, os nossos medos podem variar de acordo com a natureza dos próprios
indivíduos. Vez por outra, a maioria das pessoas é afetada por esse pesadelo de
ansiedade a respeito de um terrível futuro. Para algumas é o medo de que a pessoa
amada nos rejeite ou morra, ou simplesmente nos abandone. Para outras é o medo de uma
catástrofe financeira ou o fracasso de um projeto criativo. Esses medos sobre o futuro
atormentam muitas pessoas, assim como o terror da solidão, das doenças e da idade
avançada. O problema dessas visões apavorantes do futuro é que, caso sejamos
fortemente afetados e cheguemos a acreditar nelas, acabamos por agir de acordo,
tornando-nos desconfiados e fechados para a vida; isso fará com que destruamos qualquer
possibilidade de uma felicidade futura, muitas vezes, criando o destino que tanto nos
amedronta, por meio de nossas próprias suspeitas e desconfiança.
      O Nove de Espadas é uma carta extremamente psicológica, pois essas fantasias
mórbidas de um futuro malfadado surgem das culpas do passado. Esse é o caso de
Orestes, para quem as Fúrias são a personificação da culpa que o corrói. A culpa surge da
decisão assumida pelo Oito de Espadas que, por sua vez, surge do dilema criado pelo
próprio indivíduo por suas escolhas feitas no passado. Somente a percepção simbolizada
por Atena pode dissipar a fantasia atormentadora das Fúrias.
      No sentido divinatório, o Nove de Espadas anuncia um período de grande ansiedade
com respeito a um futuro desastroso. E importante examinar a origem da culpa criada no
passado que provoca esses medos, em vez de sujeitar-se a eles em detrimento do futuro.

O Dez de Espadas

     A carta Dez de Espadas retrata a deusa Atena segurando uma espada ereta em sua
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mão direita. À sua direita, as três Fúrias contêm suas ameaças em um círculo de nove
espadas. A sua esquerda, Orestes inconsciente está deitado no chão. O céu escuro sobre
as montanhas gradativamente dá lugar ao Sol nascente, apenas visível no horizonte.
      O Dez de Espadas simboliza um encerramento aqui representado pela dissipação de
uma maldição antiga realizada pelo juízo e pela imparcialidade da deusa da Justiça. Para
Orestes, esperança alguma é visível; ele está quase morto de desespero e de exaustão, e
não pode ver que a liberdade finalmente bate à sua porta.
      Para o indivíduo que finalmente chegou ao ponto em que não há mais esperança
alguma e um futuro que somente promete decepção e desilusão, a experiência do Dez de
Espadas parece mais uma morte. É um período obscuro, quando podemos ver as coisas
como realmente são e reconhecemos que não há mais para onde ir. Entretanto, apesar de
Orestes estar muito afundado em seu desespero para poder testemunhá-lo, o Sol
paulatinamente surge no horizonte e um novo começo é anunciado em meio à escuridão
de sua derrota. A percepção e a clareza de Atena desarmaram as Fúrias c, na história, isso
ocorre por meio da assistência de um júri humano. Isso sugere que a redenção dos nossos
piores c mais insolúveis problemas não acontece por meio de um raio enviado do céu nem
tampouco por um golpe da sorte, mas pela atenciosa deliberação da mente humana, com
o seu magnífico dom da reflexão imparcial.
      Uma maldição familiar como a de Orestcs c a imagem dos conflitos internos passados
de uma geração para outra, que os nossos avós e pais não conseguiram enfrentar
honestamente e pelos quais os filhos devem inevitavelmente assumir e sofrer até que o
discernimento seja finalmente conseguido.
      Portanto, o Dez de Espadas, apesar de não apresentar um final feliz de conto de
fadas, representa a própria e inevitável integração de um processo que começou com o
nascimento de novas ideias e de percepções da vida no Ás de Espadas. Muitas vezes um
nascimento significa que algum problema enraizado e antigo foi forçado a emergir para a
superfície c deverá ser finalmente eliminado; essas separações são penosas e difíceis.
Mas, uma vez que a crise foi superada, o Sol poderá surgir novamente, e nós seguiremos
adiante não somente decepcionados e desiludidos, mas livres de um câncer profundo
cujas raízes se encontravam além do nosso longínquo passado que o nosso sofrimento
libertou e redimiu.
      No sentido divinatório, o Dez de Espadas anuncia o fim de uma situação difícil. Esse
final pode ser doloroso, mas finalmente a situação é enfrentada honestamente e um novo
futuro, menos conflituoso, pode ser iniciado.

AS CARTAS DA CORTE

O Pajem de Espadas

      A carta do Pajem de Espadas retrata um jovem vestindo uma túnica azul, ajoelhado
entre as nuvens de um céu turbulento. Seus cabelos claros flutuam no vento que emana
do sopro de sua boca.
      Em sua mão, uma espada prateada. Abaixo dele, um cinzento cenário montanhoso.
      Na carta do Pajem de Espadas, deparamo-nos com os inícios primitivos e disformes
do elemento Ar: os primeiros impulsos da ati-vidade mental independente e da formulação.
Isso é encenado pela figura mitológica de Zéfiro, o jovem governante do Vento do Oeste. O
império dos quatro ventos surgiu da união de Eos, deusa da aurora, com Astreu, a
personificação de um céu noturno claro e estrelado. Noto era o Vento do Sul e Euro era o
Vento do Leste; mas os filhos mais poderosos dessa união da aurora com o céu noturno
eram Bóreas, o Vento do Norte, e Zéfiro. Juntos, esses dois irmãos eram venerados como
as forças selvagens e destrutivas da natureza; imaturos e desenfreados, eles se divertiam
em provocar tempestades e cm agitar as ondas do mar.
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De natureza elemental, Zéfiro vivia com seu irmão Bóreas nas cavernas montanhosas
da Trácia e montava as nuvens para soprar o seu ameaçador Vento do Oeste. O jovem era
de natureza despeitosa e maliciosa. De sua união com Podarge, uma das horríveis
Harpias, nasceram os dois cavalos selvagens que conduziram a carruagem do herói
Aquiles durante a Guerra de Tróia.
      Mais tarde o temperamento de Zéfiro abranda-se, mas o do irmão continua o
mesmo. Isso porque o Vento do Oeste se casa com a linda e gentil íris, a mensageira
feminina dos deuses e guardiã do arco-íris, com a qual nos deparamos na carta da
Temperança dos Arcanos Maiores. Como consequência dessa união, Zéfiro finalmente se
transforma em um vento suave que gentilmente ventilava e abençoava as regiões do
Eliseu, onde as almas dos heróis residiam em eterna tranquilidade.
      Zéfiro, o Pajem de Espadas, é a imagem dos primeiros impulsos da vida mental
independente que deve emergir em sua forma infantil antes de podermos formular nossas
próprias ideias e conceitos e conseguir expressá-los. Por ser jovem e primitivo, o Pajem de
Espadas é briguento e, como qualquer criança tem tendência a fazer comentários cruéis, à
zombaria, à grosseria e à maldade cm geral -uma espécie de exercício jocoso dos
poderes do pensamento e do discurso antes que qualquer valor de sentimento ou código
ético intervenha para formar e orientar a atividade mental. Esses impulsos iniciais do
pensamento original e independente podem surgir como uma inclinação para brigas
insignificantes e como uma curiosidade invasiva que não respeita a privacidade alheia.
      E justamente nesse espírito que Zéfiro, governante do Vento do Oeste, se diverte
provocando tempestades e agitando os mares, não porque seja maldoso, mas porque é
curioso para ver o que acontece. O discurso das crianças é notoriamente cruel, mas essa
crueldade somente atinge aqueles que têm alguma coisa para esconder ou se o orgulho
ou a auto-imagem não puder aguentar os golpes.
      Na realidade, a bisbilhotice é típica do Pajem de Espadas, pois é o equivalente adulto
desse espírito infantil que brinca com essa força maliciosa primitiva. Os comentários
maldosos podem ferir e até, com o tempo, podem ser exagerados e atingir ouvidos
intencionados; podem tornar-se poderosamente destrutivos para uma reputação ou para
um relacionamento. Diz o fofoqueiro: "Você já ouviu a última?...", e logo o mexerico é
deturpado, enfeitado, sendo objeto de inveja e de malícia, e finalmente se transforma em
uma tempestade que vai além de qualquer reconhecimento daquela infantil brisa soprada por
Zéfiro.
      Todos nós temos essa tendência para a bisbilhotice e ela surge de uma espécie de
curiosidade primitiva a respeito das outras pessoas. O mexerico é um grande nivelador e
ninguém é imune a ele - muito menos a pessoa que acredita que sua vida seja isenta de
culpas, pois, caso Zéfiro não possa descobrir alguma coisa, ele a inventará. Portanto, o
Pajem de Espadas é uma carta altamente ambivalente, porque sua energia infantil e
primitiva marca o início do verdadeiro pensamento independente.
      Ao mesmo tempo, Zéfiro pode ser caprichoso e malicioso, e as brigas insignificantes
que lhe são próprias se tornam tempestades desagradáveis. A energia de Zéfiro deve ser
alimentada e orientada sem ser esmagada, pois Zéfiro representa a nossa curiosidade
infantil a respeito da vida, do mundo e das pessoas.
      No sentido divinatório, quando o Pajem de Espadas aparece em uma abertura de
cartas, ele anuncia que chegou o momento do nosso encontro com aquela curiosidade
infantil e com a bisbilhotice maliciosa próprias do Pajem de Espadas, marcando o início do
uso dos poderes mentais. É até possível que sejamos, nós mesmos, vítimas da
bisbilhotice de outras pessoas ou pode haver uma tendência a provocarmos briguinhas
insignificantes e sermos irritantes e difíceis. No entanto essas coisas refletem o surgimento
de novas ideias e do verdadeiro pensamento independente - isso, geralmente, em uma
pessoa acostumada a aceitar cegamente os pontos de vista e opiniões dos outros.

                                                                                           76
O Cavaleiro de Espadas

      A carta do Cavaleiro de Espadas retrata um par de jovens, gémeos idênticos,
vestidos em túnicas cinza e armadura e elmos prateados em suas cabeças louras. Cada
um segura uma espada de prata e os dois estão montados em um único cavalo cinza. O
cavalo está agitado, suas patas dianteiras estão estendidas como se fosse levantar vôo e
os gémeos seguram suas espadas em riste, em posição de ataque. Acima deles, um céu
cinza e turbulento, com nuvens esvoaçantes.
      Na carta do Cavaleiro de Espadas, deparamo-nos com a dimensão flexível, volátil e
mutável do elemento Ar que está em constante movimento. Essa turbulenta atividade no
reino da mente é encenada pelas figuras mitológicas dos briguentos Dióscuros, - os
Gémeos Guerreiros, Castor e Pólux -, cuja mãe, Leda, rainha de Esparta, foi perseguida
pelo apaixonado Zeus, rei dos deuses. Quando ela rejeitou suas propostas, Zeus
transformou-se em cisne (zoofilia) e a violentou. Já grávida de seu marido, o rei Tíndaro,
Leda produziu dois ovos de seu amante-cisne. De um deles, saíram duas crianças mortais,
Castor e sua irmã Clitemnestra, a qual encontramos na história de Orestes nas Cartas
Numeradas do naipe de Espadas. Do outro ovo, saíram as duas crianças divinas de Zeus,
Pólux e Helena, que vimos na carta da Rainha de Copas dos Arcanos Menores. E, assim,
os Dióscuros eram irmãos gémeos, mas Castor era mortal e Pólux, divino.
      Os Dióscuros, que nunca se separavam (homosexualismo) para aventura alguma,
tornaram-se o orgulho de Esparta. Castor era famoso como soldado e domador de cavalos
e Pólux, como pugilista. Os dois possuíam um espírito combativo e eram conhecidos pela
tendência a provocar brigas. Eles frequentemente brigavam com outros dois gémeos, Idas
e Linceu. Idas matou Castor, o gémeo mortal, e Pólux matou Linceu com a sua lança.
Interferindo a favor do filho, Zeus matou Idas com um raio. Pólux ficou tão desesperado e
triste pela morte do irmão que se dirigiu a Zeus para pedir-lhe que não sobrevivesse à
morte de Castor. Sensibilizado, Zeus permitiu que os dois passassem seus dias
alternadamente no reino divino do Olimpo e nas sombras escuras do reino de Hades,
colocando suas figuras entre as estrelas como os Gémeos.
      Os Dióscuros são imagens de uma energia brusca e mutável, a capacidade da mente
humana em ser repentinamente inspirada ou tomada por uma nova ideia que joga a velha
ordem para o caos, deixando mudanças em seu rastro. O aspecto dual dos gémeos divi-
nos sugere uma dualidade ou uma duplicidade nesse reino da mente, porque muitas vezes
essas novas ideias inesperadas que surgem em nossas vidas monótonas podem promover
o conflito ou ser, elas mesmas, ambivalentes e cheias de conflitos. O espírito de luta e a
insensibilidade dos Dióscuros também nos dizem algo a respeito da qualidade da energia
mental descrita pelo Cavaleiro de Espadas.
      Ele não leva em consideração o sentimento humano (sociopata) e, frequentemente, é
a causa do rompimento de relacionamentos e separações, porque o indivíduo é
subitamente possuído por uma ideia que exige que ele fira outra pessoa. Portanto, existe
uma atitude básica inerente ao Cavaleiro de Espadas que não é diferente da figura de Don
Juan da lenda romântica. Essa figura é intensamente atraente por causa do seu brilho,
mas é insensível; ele não tem qualquer sentimento real pela continuidade do passado e
pela integridade do relacionamento humano, e não está preparado para fazer sacrifícios
pessoais e comprometer a fria e grandiosa visão do momento.
      Na vida colidiana, é possível ver a energia dos Dióscuros funcionando quando um
indivíduo abandona suas responsabilidades e seus relacionamentos para perseguir alguma
nova e juvenil aventura. Na Psicologia, esse impulso é chamado depuer eternum, juventude
eterna, e trata-se de um impulso mais dominante em certas pessoas do que em outras. O
espírito do Cavaleiro de Espadas não suporta ficar velho ou estagnar em uma situação de
servidão. Uma intimidade prolongada o incomoda e ele precisa de um constante estímulo
mental para evitar a monotonia. Ele possui aquela peculiar dupla face de ser destrutivo aos
                                                                                         77
relacionamentos sentimentais e, ao mesmo tempo, impulsiona criativamente o indivíduo
para fora de sua monotonia e servidão para novas fases de crescimento que,
frequentemente, o levam a ferir um ou dois corações.
      Dessa forma, ele tem uma função tanto negativa quanto positiva, aqui refletida na
imagem dos Gémeos. Para os Dióscuros, conflito e movimento são naturais, e o indivíduo
não pode passar muito tempo sentindo-se culpado quanto a quem ele possa ferir quando a
mente bruscamente vira e segue adiante em uma nova direção. A qualidade instável dos
Gémeos está refletida na carta pela agitação do cavalo que está quase suspenso no ar e
que não consegue ficar parado, levando os gémeos adiante para novas aventuras.
      No sentido divinatório, quando o Cavaleiro de Espadas aparece em uma abertura de
cartas, ele anuncia que chegou o momento de o indivíduo estar preparado para mudanças
repentinas que quebram os padrões normais da vida. Essas mudanças podem ser
provocadas por um indivíduo que aparece na vida de uma pessoa com as qualidades
mutáveis, fascinantes e conflitantes dos Dióscuros ou pode assumir a forma de uma ideia
nova ou uma visão que emana do interior do indivíduo, provocando uma desordem
temporária na vida cotidia-na. Por conseguinte, quer o Cavaleiro de Espadas apareça
interior ou externamente, o seu talento é a habilidade de acompanhar as mudanças, e a
turbulência que traz consigo pode, derradeiramente, levar a uma visão mais ampla da
vida.

A Rainha de Espadas

       A carta da Rainha de Espadas retrata uma linda, mas fria e severa mulher, vestindo
uma longa túnica azul, sóbria e simples. Ela porta uma coroa dourada sobre os seus
cabelos louros e está sentada em um trono prateado. Em uma das mãos, ela segura uma
espada de prata e, na outra, uma jarra da qual escorre água para o chão. Atrás dela, um
cenário de picos nevados pode ser visto sob um céu calmo e azul.
       Na carta da Rainha de Espadas, deparamo-nos com a dimensão estável, refletiva e
contida do elemento Ar. Isso é encenado pela figura mitológica de Atalanta, a Caçadora,
frustrada no amor em virtude de seus ideais demasiadamente altos. Atalanta, cujo nome
significa "Indómita", era filha do rei Jásio que esperava ansiosamente por um herdeiro. O
nascimento de Atalanta o decepcionou tão cruelmente que ele a abandonou em uma colina
perto de Calidontc. Mas a criança foi adotada e amamentada por uma ursa que a deusa da
Lua, Ártemis-Hécate, enviou em sua ajuda. Atalanta cresceu em uma comunidade de
caçadores que a encontraram e a educaram. Ela zelava por sua virgindade e sempre
portava suas armas. Chegando à idade adulta, ela ainda não se reconciliara com o pai, que
se recusava a reconhecê-la.
       Atalanta realizou muitos feitos guerreiros famosos, inclusive a famosa caça ao javali
calidoniana, durante a qual ela lutou ao lado dos homens e desferiu o primeiro golpe ao
javali. Apesar de o jovem herói Melcagro, filho do deus da guerra Ares e o melhor
arremessador de lanças da Grécia, apaixonar-se por ela, Atalanta recusou-se em ceder ao
destino comum de uma mulher. Finalmente, orgulhoso pelo feito, seu pai reconheceu-a e
prometeu encontrar-lhe um marido nobre. Mas ela protestou dizendo: "Pai, concordo, mas
com uma condição. Qualquer pretendente à minha mão deve primeiro derro-tar-me em
uma corrida a pé. Se não conseguir, deixe-me matá-lo". Como consequência, muitos
príncipes infelizes perderam suas vidas, porque cia era a mortal mais veloz da Terra.
Apesar do perigo e querendo competir pela mão de Atalanta, um jovem chamado Melânio
invocou a ajuda de Afrodite. A deusa lhe deu três maçãs douradas dizendo-lhe que, para
atrasá-la durante a corrida, deixasse cair as maçãs uma de cada vez. O estratagema teve
sucesso e o casamento se realizou. Mas ele estava malfadado, pois Melânio persuadiu
Atalanta a se deitar com ele no recinto consagrado a Zeus que, irado pelo sacrilégio, os
transformou em leões. Os gregos acreditavam que os leões não faziam sexo entre si, mas
                                                                                          78
com leopardos e, dessa maneira, o casal estava condenado a nunca mais provar das
delícias do amor.
      Atalanta, a Rainha de Espadas, é a imagem do isolamento e da intocabilidade da
mente que pode manter um ideal de perfeição a ponto de excluir e desvalorizar todos os
aspectos sensuais. A Rainha de Espadas é uma figura fria porque o seu perfeccionismo c
a sua identificação com o mundo masculino da mente e do espírito a tornam própria para a
amizade, mas não para o amor erótico. Portanto, a Rainha de Espadas é uma figura régia e
solene, mas também solitária, e essa solidão, muitas vezes acompanhada de orgulho e
integridade, não surge tanto das circunstâncias, mas da relutância em permitir que as coisas
mundanas demais prejudiquem o ideal da perfeição. O idealismo da Rainha de Espadas é
sublime e nobre, e há uma lealdade que pode resistir a muitas das provas mais difíceis da
vida. Entretanto, trata-se de um idealismo que não permite qualquer fracasso humano.
      O mito de Atalanta pode ser encontrado em muitos dos nossos populares contos de
fadas, como na imagem da princesa fria que exige que os seus pretendentes tentem
realizar tarefas impossíveis para poder conquistá-la. Essa exigência pode ser sutil e até
inconsciente, e fazer com que o amor seja excluído da vida do indivíduo. Por outro lado,
ela pode ser uma exigência criativa, porque incentiva as pessoas a serem melhores do que
realmente são. Entretanto, é uma visão fria e solitária, pois pretendente algum - ou nós
mesmos -pode derradeiramente passar pelas provas impossíveis, senão nos contos de
fadas. E esses contos que se identificam com Atalanta, na vida real, tendem a esperar a
vida inteira enquanto a vida mortal transcorre e a água do sentimento escorre
desperdiçada da jarra para o chão do tempo c do espaço. Portanto, a Rainha de Espadas,
que possui as grandes virtudes da lealdade e da integridade, assim como a capacidade
de suportar a tristeza sem esmorecer, é a imagem da frustração e do isolamento
emocionais, por ela ser intocável.
      Assim como o Rei de Copas é uma figura ambivalente porque o papel masculino da
realeza está assentado de maneira desconfortável ao lado do essencialmente feminino
elemento Água, assim também é a Rainha de Espadas, pois o papel feminino da realeza
está, da mesma maneira, ao lado do essencialmente masculino elemento Ar.
      O mito de Atalanta nos transmite algo profundo e sutil a respeito da psicologia da
Rainha de Espadas, pois seu pai deseja um herdeiro e recusa-se a aceitar o seu valor
como mulher; e foi somente depois de ela provar o seu valor por meio de feitos de armas
próprios de um homem que ele a reconheceu. O esforço para a perfeição expresso na
imagem da Rainha de Espadas é, de certa forma, o esforço para sermos reconhecidos por
um deus-pai que sempre está além do nosso alcance, pois não somos bons o suficiente
simplesmente porque somos feitos de carne. Assim, a Rainha de Espadas aceitará nada
menos que a perfeição, porque ela mesma devia ser supostamente perfeita e falhou.
      No sentido divinatório, quando a Rainha de Espadas aparece em uma abertura de
cartas, ela anuncia que chegou o momento de o indivíduo encontrar a sua dimensão presa
indomitamente a uma fé irremovível em altos ideais. Esses ideais podem ser nobres e
dignos e podem ajudar a melhorar a consciência e a qualidade de vida. Mas também
podem rejeitar a vida e representar uma defesa contra o medo do ser humano e, portanto,
vulnerável à dor. O indivíduo precisa ver onde ele poderia criar problemas em sua exigente
busca da perfeição humana nas pessoas ou nele mesmo. Se a Rainha de Espadas entrar
em nossa vida como uma mulher forte, idealista e solitária, ela pode ser considerada um
catalisador por meio do qual podemos descobrir esse aspecto em nós mesmos.

O Rei de Espadas

     A carta do Rei de Espadas retrata um homem elegante, com feições bem definidas,
barba e cabelos louros, vestindo uma túnica cinza e portando uma coroa dourada. Ele
está sentado em um trono de prata em cujos braços está entalhado o emblema da
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harmonia perfeita, o triângulo equilátero. Em uma das mãos, ele segura uma espada e, na
outra, uma balança.Atrás dele, um cenário de picos de montanhas embaixo de um céu
com nuvens cinza.
      Na carta do Rei de Espadas, deparamo-nos com a dimensão dinâmica, iniciadora e
organizadora do elemento Ar. Isso é encenado pela figura mitológica do herói Ulisses,
chamado "o Astuto" e com o qual nos encontramos brevemente na carta da Rainha de
Paus dos Arcanos Menores, como marido de Penélope. Ulisses, rei de ítaca, nasceu pela
união secreta de Sísifo com a filha do ladrão Autólicos, do qual herdou parte de sua astúcia
e inteligência. Ao ser deflagrada a Guerra de Tróia, Ulisses juntou-se aos outros príncipes
gregos no assalto a cidade.
      Ele provou ser, vez e outra, um conselheiro perspicaz e um bom estrategista. Foi
Ulisses quem primeiro concebeu a ideia do Cavalo de Tróia, aquele cavalo gigante de
madeira e oco, enviado para a cidade como presente da deusa Atena, escondendo dentro
de seu bojo um destacamento de soldados gregos. Quando finalmente Tróia foi saqueada,
Ulisses sempre mostrou ser magnânimo com os prisioneiros, prometendo que seriam
tratados com justiça, caso se rendessem pacificamente.
      Apesar de seus sucessos durante essa guerra, Ulisses não teve muita sorte em seu
regresso para Ítaca. Durante dez anos, ele e seus companheiros foram forçados a vagar,
levados pelos ventos e enfrentando adversários estranhos e perigosos no decorrer do
percurso e nas terras que visitaram.
      Dentre esses lugares, havia a ilha dos Comedores de Lótus, onde os seus homens
foram drogados e perderam a memória; a ilha dos Ciclopes, onde os ferozes gigantes de
um olho só, filhos do deus ferreiro Hefesto, ameaçaram matá-los; e a Ilha da Aurora, terra
da feiticeira Circe, onde os seus homens foram transformados em porcos. Ele teve de
conduzir o seu navio entre os terríveis monstros marinhos Cila e Caribdes e escapar das
sereias que matavam os marinheiros com o seu canto.
      Ao longo de todas essas provas, ele agiu com previsão, inteligência, estratégia e
astúcia, impelido pela sua determinação de alcançar o seu lar, apesar das oportunidades
de amor, riqueza e poder que se apresentaram durante essa sua viagem.
      Ulisses, o Rei de Espadas, é a imagem das mais impressionantes habilidades
estratégicas da mente humana. De todos os heróis da mitologia grega, Ulisses é o mais
brilhante e o mais criativo, apesar de nem sempre ser honesto, pois seus dons intelectuais
o tornaram o mais talentoso dos mentirosos. Mas a sua astúcia não era maliciosa, ele
sempre a usava a serviço dos princípios que tinha como sagrados - o triunfo sobre os
troianos e a santidade de sua terra natal, sua esposa c seu filho Telêmaco. O Rei de
Espadas é um homem de princípios, mesmo que às vezes não coincidissem com os dos
homens em geral. Ulisses fez muitos inimigos pois, muitas vezes, os seus princípios não
condiziam com a situação que ele enfrentava com seus companheiros.
      A figura do Rei de Espadas tem altos ideais sobre a decência, a bondade e a
imparcialidade, e o seu comportamento para com os troianos derrotados reflete bem esses
princípios. Mas a sua bondade era fria e não decorria de uma verdadeira resposta
emocional adquirida. Muitas mulheres se apaixonaram por ele, mas a sua única maneira de
correspondê-las era sexualmente. Portanto, ele nos chega por meio da Mitologia como um
brilhante estrategista, um negociante inteligente e manipulador, um homem bom com altos
ideais e uma figura fria sem qualquer empatia real por outros indivíduos. Ulisses é a imagem
do viandante, não no sentido do Cavaleiro de Espadas que sai em busca de aventuras,
mas no sentido de que ele não está arraigado ao coração c, portanto, não está arraigado
ao relacionamento com outras pessoas. Suas andanças podem ser interpretadas como
uma espécie de homem sem teto, uma falta de ligação que é mais do que compensada por
sua decência e inteligência, mas que o isola de seus companheiros e decepciona aqueles
que o amam.
      O Rei de Espadas incorpora a qualidade de liderança intelectual que é atraente e
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dinâmica no mundo. A sua ambivalência está em sua tendência à dissociação do
sentimento que pode fazer com que pareça um tanto superficial c indigno de confiança.
Sem dúvida ele é um homem de altos ideais e, no entanto, também é uma pessoa instável
que muda de aliança de acordo com os humores da situação para poder preservar a
diplomacia e a cooperação. Apesar de contraditório, em termos, os dois aspectos - de
nobreza e de astúcia - da sua natureza surgem da mesma raiz idealista.
      No sentido divinatório, quando o Rei de Espadas aparece em uma abertura de cartas,
ele anuncia que chegou o momento de encontrar em nós mesmos o dom ambivalente da
liderança intelectual e da estratégia. A proeza intelectual e as ideias inspiradas sobre
como desenvolvê-las no futuro são qualidades que ele possui em abundância. Algumas
vezes essa figura pode aparecer na vida das pessoas na forma de um indivíduo notável,
graças aos seus dons mentais e a sua capacidade de promover mudanças no mundo.
Mas, se esse indivíduo entrar em nosso ambiente, ele pode ser visto como um catalisador
por meio do qual podemos entrar em contato com essa dimensão de nós mesmos.



O NAIPE DE OUROS
As Cartas Numeradas

      A história de Dédalo, o escultor e artesão ateniense que construiu o Labirinto para o
rei Minos de Creta, é uma lenda sutil e o seu herói tem muitas nuances, pois ele não é um
homem totalmente bom nem tampouco um vilão, mas uma curiosa mistura de ambos.
Com o seu protagonista engenhoso e amoral, essa história é própria para o naipe de
Ouros, porque ilustra os problemas, os desafios, as aspirações, as armadilhas e a
complexa moralidade do esforço humano com os seus fracassos e as suas realizações.
       Dédalo descendia da casa real de Atenas e era um ferreiro maravilhoso, instruído
pela própria deusa Atena. Ele passou a sua juventude aperfeiçoando suas habilidades e
até dizem que foi ele quem inventou a serra e o machado, bem como foi o primeiro
homem a colocar bra¬ços e pernas nas primitivas estátuas disformes dos deuses. Ainda
jo¬vem, ficou famoso por sua engenhosidade e sagacidade.
      Entretanto, esse sucesso prematuro estava malfadado, por seu mau caráter. Dédalo
tinha um sobrinho chamado Talos que, apesar de ter 12 anos, começou a superar o seu
dotado tio na arte de criar ferramentas e lindos objetos. Ainda criança, Talos inventou a
roda do ceramista e o compasso.
      Dédalo ficou incrivelmente ciumento e desesperado com esse conflito, pois, embora
gostasse e admirasse seu sobrinho, em razão de sua ambição não podia tolerar o fato de
sua própria reputação ser ameaçada dessa maneira. Então ele matou Talos jogando o
garoto do alto do templo de Atena. Preso no momento em que escondia o corpo, Dédalo
estava condenado, mas conseguiu fugir de Atenas antes que qualquer sentença lhe fosse
imputada.
        Ele se dirigiu para Creta e procurou e recebeu a proteção do rei Minos. Durante
algum tempo, viveu com grandes favores em Knossos, a capital de Minos, criando
maravilhosas arquiteluras para o rei e divertindo as crianças do palácio com brinquedos
engenhosos. Foi então que a má sorte atingiu o rei Minos, com quem nos deparamos
anteriormente na história da carta da Torre dos Arcanos Maiores..Minos ofendera o deus
Poseidon recusando-se a sacrificar um touro branco no altar do deus e Poseidon revidou
fazendo com que Pasifae, a esposa do rei, se apaixonasse perdidamente pelo touro.
Levada pela sua louca compulsão, Pasifae pediu que Dédalo encontrasse um meio pelo
qual ela pudesse encontrar-se e copular secretamente com o touro. E, assim, Dédalo
encontra-se novamente em um grande conflito, pois Minos era o seu protetor e patrono.
                                                                                         81
Entretanto, estava claro que a mão do deus estava sobre Pasifae. Afinal, Dédalo optou
pelo deus e construiu uma vaca de madeira na qual Pasifae entrou e copulou com o touro.
Dessa união, nasceu o terrível e horrendo Minotauro, com cabeça de touro e corpo de
homem.
      Desconhecendo o envolvimento de Dédalo nessa concepção, o rei pediu ao artesão
que construísse um esconderijo em que o monstro pudesse ser encerrado. Dédalo
concordou em servir novamente o seu protetor e construiu os tortuosos corredores do
Labirinto no qual, quem ali entrasse, estaria irremediavelmente perdido.
      Mas quando o herói Jasão chegou à Creta para matar o Minotauro, a filha de Minos,
Ariadne, apaixonou-se por ele e dirigiu-se a Dédalo para descobrir um meio de o herói
entrar e sair do Labirinto. Novamente Dédalo traiu o seu mestre, preparando um novelo
de fio dourado. Foi assim que, com Ariadne segurando a extremidade do novelo, Jasão
penetrou nos escuros corredores do Labirinto, matou o Minotauro e voltou à luz do Sol
são e salvo.
       Dessa vez, o rei Minos descobre a traição de seu artesão e encerra Dédalo no
Labirinto. Mas o ferreiro engenhosamente conse¬gue fazer um par de asas de cera de
abelha, madeira e penas que a agradecida Pasifae lhe trouxe, levanta vôo do alto de uma
das torres do Labirinto. Levado pelo vento, ele finalmente consegue pousar em Cumae,
na costa da Itália.
     Dali ele se dirige para a Sicília, onde recebe os favores do rei Cocalos. Furioso com a
sua fuga, o rei Minos perseguiu Dédalo por toda a Grécia c Itália, levando consigo uma
concha triton de formato cónico com um furo muito pequeno na ponta e, por onde
passava, oferecia uma grande recompensa para quem conseguisse passar um fio de
algodão através dela um feito que, ele sabia, somente Dédalo conseguiria realizar. E foi
dessa maneira que o rei descobriu o seu esconderijo. Mas Cocalos não quis separar-se
dele e ordenou que suas filhas derramassem óleo quente no banho de Minos e, assim,
Dédalo conseguiu viver satisfeito e rico até atingir uma idade avançada.

O Ás de Ouros

       A carta do Ás de Ouros retrata um homem moreno e forte com longos cabelos
encaracolados e uma cauda de peixe, emergindo das profundezas do mar e erguendo um
grande pentáculo dourado. Ao seu redor, rochedos ricamente recobertos de vinhas com
cachos de uva amadurecendo. A distância, um cenário de verdes e férteis colinas
rodeando uma baía.
.      Aqui nos deparamos com o deus Poseidon, o qual encontramos na carta da Torre
dos Arcanos Maiores. Poseidon era um dos filhos de Cronos e Réa e participou do
destino de seus irmãos e irmãs, sendo engolido pelo pai ao nascer. Mas a bebida que
Zeus serviu a Cronos fez com que ele regurgitasse todos os filhos que havia engo¬lido.
Após a vitória sobre Cronos, a herança paterna foi dividida em três partes: Zeus tomou
posse dos vastos céus; Hades, do sombrio Submundo; e Poseidon, dos mares, lagos, rios
e de toda a superfície da Terra, visto que ela era apoiada sobre as suas águas e ele podia
fazê-la tremer à vontade. Ele ficou famoso entre os deuses pelo seu anseio por terras e
entrava em conflito com muitos deles por tentar apossar-se de ilhas e partes da costa da
Grécia.
       Poseidon era um deus da fertilidade, marido da grande Mãe-Terra e Senhor do
Universo físico. Ele era chamado de "agitador da Terra" e venerado na forma de um touro,
um grande animal preto com olhos flamejantes, que vivia nas entranhas da Terra; com
suas pisoteadas ele fazia com que as montanhas se movessem e os mares inundassem a
Terra. Portanto, Poseidon é uma das forças primitivas da natureza e, no Ás de Ouros, ele
mostra o seu poder como o impulso de uma nova energia para a criação material.

                                                                                          82
Em contraste com o Ás de Paus, que se ergue como o nascimento de uma nova
visão criativa, o Ás de Ouros volta a sua imensa potência criativa para a Terra, e essa
emergente necessidade de concretizar c criar no mun¬do manifesto é aquela que dá
suporte às nossas ambições materiais. O indivíduo que ambiciona riquezas e faz as
coisas acontecerem em nível material experimenta algo do poder desse antigo deus
terreno e o Ás de Ouros anuncia a erupção de uma nova ambição para a criação e o
sucesso material.
        No sentido divinatório, o Ás de Ouros prevê a possibilidade de uma realização
material porque, agora, a energia primitiva para esse trabalho está disponível ao
indivíduo. Muitas vezes dinheiro vêm na forma de uma herança ou de qualquer outra
fonte, acompanhado da engenhosidade e da persistência em utilizar esses recursos
efetiva e eficientemente.


O Dois de Ouros

       A carta Dois de Ouros retrata Dédalo, um homem moreno, de cabelos castanhos e
vestindo uma túnica ocre e um avental de couro, em sua oficina. À sua frente, a sua mesa
de trabalho sobre dois pentáculos dourados. Em ambos os lados, em uma treliça de
maneira, uma vinha cheia de cachos de uva. Atrás dele, um cenário de ricas colinas
verdes. Em sua mão esquerda, Dédalo segura o machado que acabou de inventar e, em
sua mão direita, uma serra, também invenção sua.
          A imagem do Dois de Ouros retrata Dédalo em início de carrei¬ra, quando
desenvolve as suas habilidades e cria a sua reputação entre os atenienses, aplicando a
sua engenhosidade em novas in¬venções, investindo seus esforços em novos projetos e
mantendo-se ocupado e ativo, trabalhando em várias coisas ao mesmo tempo. A figura
apresenta um homem materialmente ambicioso que ainda é aberto a novas idéias
criativas e disposto a assumir riscos para poder pôr em prática os seus talentos.
Entretanto, essa flexibilidade pode desaparecer bruscamente ao ficarmos presos a uma
estrutura de su¬cesso que conseguimos angariar; mas ela sempre estará presente no
início e, quando o Dois de Ouros aparecer, poderá ser recuperada.
         Portanto, o Dois de Ouros representa o estado de mudança ou de oscilação dos
bens materiais. Essa flutuação não implica prejuízos, mas um fluxo de energia criativa
dirigida a vários projetos. Aqui, o poder primordial do Ás de Ouros foi polarizado como em
todos os Dois dos Arcanos Menores, e o impulso para a criação material deve ser
fundamentado e canalizado.
       O conhecido dito popular "dinheiro faz dinheiro" é bem apropriado para essa carta,
pois é necessário assumir riscos e usar o capital para que ele trabalhe e produza antes da
realização dos lucros. O Dois de Ouros exige flexibilidade e disposição para fazer dinheiro
e energia trabalharem, e muitas vezes isso significa manipular e movimentar os recursos
de uma maneira que, para o indivíduo inexperiente, isso possa parecer um risco
desnecessário que provoca ansiedade. Entretanto, a carta do Dois de Ouros pode ser
interpretada como "boa", pois, apesar de sugerir a necessidade de prudência nos
assuntos financeiros, ela promete recompensas, porque a energia criativa está
devidamente trabalhada e movimentada.
         No sentido divinatório, o Dois de Ouros anuncia o momento em que dinheiro e a
força motivadora podem ser disponibilizados em novos projetos que podem levar a um
futuro compensador. Mas o indivíduo deve estar disposto em fazer trabalhar os recursos
assumindo riscos e fazendo uso do capital, em vez de pensar em economizar justamente
quando as novas oportunidades estão surgindo. Por conseguinte, a carta do Dois de
Ouros pode ser favorável para aqueles que sabem lidar com o dinheiro.

                                                                                         83
O Três de Ouros

        A carta Três de Ouros retrata Dédalo em pé em uma plataforma ou sobre um pódio,
vestindo ainda a sua túnica ocre e avental de couro. À sua frente, três atenienses
ricamente, mas não ostentosa¬mente, vestidos. Cada um lhe oferece um pentáculo
dourado. Ao redor dos quatro homens, uma treliça com vinhas e um cenário de colinas
verdes sob um céu claro e azul.
           O Três de Ouros, comum a todos os Três dos Arcanos Menores, implica uma
integração inicial, e aqui podemos ver Dédalo recebendo as primeiras recompensas por
seus trabalhos. A integração inicial representa os primeiros estágios da concretização de
um projeto que é parecida com a finalização da estrutura externa de um edifício antes que
qualquer estrutura interna ou decoração tenha sido desenvolvida. Dédalo conseguiu uma
posição firme no início de sua carreira, apesar de ainda não sabermos se ele poderá
reforçar essa posição para fazer com que seja permanente. Pelo que sabemos do mito,
ele não conseguiu. Portanto, a integração inicial do Três de Ouros não é o estágio final de
um projeto.
             Pode haver muito trabalho, dificuldade e risco antes de nos considerarmos
materialmente seguros. O Três de Ouros dá motivos para comemorar, mas essa
comemoração deve ser encarada com a conscientização de todo o trabalho que se
encontra à frente. Na história de Dédalo, o fator que causa o colapso desse sucesso
inicial não é material, mas uma deficiência de caráter do próprio homem.
        Isso também precisa ser considerado ao avaliar o significado das cartas numeradas
do naipe de Ouros, pois as recompensas materiais que esse naipe promete dependem
não somente das específicas habilidades comerciais e da disposição de trabalhar com
afinco, mas também do próprio caráter do indivíduo. A falta de habilidade em reconhecer
seus próprios limites ou acreditar que o indivíduo possa fazer o que quiser no mundo
material, sem considerar as consequências alheias, muitas vezes representa aquela
deficiência fatal que pode levar ao colapso do sucesso inicial indicado pelo Três de Ouros.
           Portanto, a mensagem dessa carta é: aproveite os primeiros resultados de seu
trabalho, porém considere o futuro, não somente em termos do trabalho que ainda deverá
ser feito, mas em termos de sua própria capacidade de execução.
           No sentido divinatório, o Três de Ouros anuncia um período de sucesso inicial
resultante de um esforço material. Um projeto pode render benefícios ou um
empreendimento criativo, como o lança¬mento de um livro, pode apresentar um sucesso
inicial no mercado.
          Mas, como todos os Três das cartas numeradas, esse não é um resultado final,
todavia um estágio no qual, por meio de grandes esforços, o indivíduo poderá ser levado
a uma realização mais permanente.

O Quatro de Ouros

         A carta Quatro de Ouros retrata Dédalo segurando firmemente em seus braços
quatro pentáculos dourados. Ele olha com raiva para um garoto ocupado em sua mesa de
trabalho - seu sobrinho Talos, vestido com uma túnica verde, de feições morenas e
cabelos castanhos, concentrado em um lindo enfeite que ele está completando. Ao redor
dos dois, uma treliça com vinhas bem carregadas e, no cenário, colinas verdes podem ser
vistas a distância contra um céu claro e azul.
        Às vezes, o Quatro de Ouros é chamado de carta do sovina, porque implica uma
condição de ser apegado demais ao próprio dinheiro ou a uma situação material. Por
causa desse apego, o fluxo de energia, sempre necessário ao naipe de Ouros para
desenvolver o sucesso material, é prejudicado e começa a estagnar. Aqui podemos ver
Dédalo correspondendo com raiva e ciúmes ao seu dotado sobrinho, que já o superou em
                                                                                         84
habilidades com a sua pouca idade. Em vez de ir ao encontro desse desafio competitivo
de maneira mais criativa, Dédalo escolheu reagir tentando agarrar-se por demais à
situação do passado. Finalmente, isso leva à morte não somente de Talos, mas a
destruição do próprio Dédalo.
        O Quatro de Ouros não diz respeito unicamente ao apego excessivo ao dinheiro,
pois ele é um símbolo e uma realidade objetiva, e é por meio do dinheiro que
determinamos a nossa avaliação das coisas. Portanto, representa o nosso próprio valor, o
preço que determinamos com relação à nossa própria expressão.
        As recompensas que o indivíduo espera por suas habilidades também representam
uma estimativa de avaliação de seus talentos em termos de valor e, por nos faltar
frequentemente a compreensão do significado mais profundo do dinheiro em nossas
vidas, presumimos que o próprio dinheiro seja responsável pela maioria dos males do
mundo.
        Os ensinamentos espirituais sugerem que o dinheiro seja intrinsecamente nocivo e
corrupto, mas esses ensinamentos não definem uma distinção entre o objetivo real e o
valor emocional que nele colocamos.
       Portanto, o ciúme de Dédalo não diz respeito realmente ao empreendimento que ele
poderia perder pelo fato de seu sobrinho criar objetos mais bonitos, pois devemos
presumir que o mercado ateniense fosse grande o suficiente para prestigiar os dois; além
disso, ele poderia ter usado o desafio de Talos como impulso para desenvolver ainda
mais os seus próprios talentos.
        Entretanto, o ciúme indica um problema em sua auto-estima, pois a auto-estima de
Dédalo está embutida na fama dos objetos bonitos que ele faz e a perda do prestígio
pode acarretar a perda da auto-estima. Por conseguinte, o Quatro de Ouros é uma carta
sutil, pois não se refere unicamente à atitude mesquinha que faz com que o indivíduo
fique muito apegado aos seus recursos, causando a estagnação da força motivadora e a
impossibilidade de angariar ganhos futuros. Essa carta também descreve o problema
interior de falta de confiança e do medo em deixar fluir, o que pode resultar na
estagnação, tanto material quanto emocional. Deixar a expressão emocional fluir
livremente faz com que também os recursos fluam e o indivíduo apegado demais, aquele
que não consegue delegar autoridade ou acumula e armazena elogios e generosidade,
acaba criando um bloqueio tanto interno no amor quanto externo no dinheiro.
          No sentido divinatório, o Quatro de Ouros adverte sobre uma atitude de apego
exagerado às coisas ligadas ao nosso sentido de auto-estima. O medo da perda pode
significar "não perder", mas também significa "não lucrar", pois há uma estagnação da
criatividade que, eventualmente, não somente bloqueia dinheiro, mas também a auto-
expressão sobre seus sentimentos e pensamentos.

O Cinco de Ouros

       A carta Cinco de Ouros retrata Dédalo coberto com um manto remendado fugindo
sorrateiramente da cidade onde há pouco tempo recebera tanta honra. Em uma colina
atrás dele, está a sua oficina com a treliça enfeitada de vinhas e apresentando cinco
pentáculos dourados - o sucesso que Dédalo deve abandonar atrás de si. O marrom das
colinas faz parte do cenário árido e da estrada que Dédalo agora percorre. No céu escuro,
aparece uma lua em sua fase minguante.
           O Cinco de Ouros é uma carta de perda e podemos ver como ela segue
naturalmente a resposta negativa ao desafio do Quatro de Ouros. Como Dédalo não
podia adequar-se ao desafio da concor¬rência, procurou apegar-se à situação do
passado e isso envolvia a única solução do assassinato de seu talentoso sobrinho. Agora
ele foge de Atenas como um miserável, deixando para trás as recompensas de duros
anos de trabalho.
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Muitas vezes o Cinco de Ouros indica o perigo de um período de perda financeira,
mas o mais relevante é que implica uma perda de autoconfiança. Como tantas vezes
confundimos auto-estima com segurança material, um revés financeiro pode destruir a
confiança material, assim como o sentido de direção do indivíduo e a fé em si mesmo.
          Durante a queda desastrosa da bolsa americana em 1929, muitos indivíduos
reagiram à catástrofe financeira cometendo suicídio - uma cruel resposta, se
considerarmos a preciosidade da vida humana e, no entanto, uma reação compreensível,
se pensarmos quantos são os muitos indivíduos que identificam sua auto-estima com o
sucesso material. A mensagem do Cinco de Ouros é deixar fluir, porque a ocorrência de
um desastre material pode significar que ele fosse necessário e a inevitável erradicação
de uma atitude errada ou imprópria.
      O colapso de Dédalo acontece graças a uma deficiência fatal em seu caráter e a sua
perda foi o único meio de perceber que o seu pior inimigo é ele mesmo.
         Se as dificuldades materiais puderem ser consideradas dessa maneira, então os
problemas refletidos pelo Cinco de Ouros podem resultar na transformação interior do
indivíduo para que o futuro produza um renovado sucesso material, aliado a um centro
interior mais sólido que lhe permitirá enfrentar os desafios que o sucesso traz consigo.
       No sentido divinatório, o Cinco de Ouros prevê um período de dificuldade ou perda
financeira. Isso pode ser acompanhado de uma perda de autoconfiança e é importante
tentar corresponder ao desa¬fio deixando as coisas fluírem e preparando-se para um
novo início, considerando também o exacerbado problema para o qual a nossa própria
natureza nos levou.

O Seis de Ouros

          A carta Seis de Ouros retrata Dédalo respeitosamente ajoelhado, suas mãos
cruzadas em um gesto de súplica. A sua frente, sentado em um trono dourado está o rei
Minos de Creta - um homem maduro de barba e cabelos pretos e tez morena, vestido em
púrpura real e portando uma coroa dourada. Em suas mãos, o rei segura seis pentáculos
dourados, que oferece a Dédalo em sinal de futuro apadrinhamento. Atrás do artesão
ajoelhado e do trono real, os muros do palácio de Minos decorados com frisos pintados
representando dançarinos e touros e as bordas com cachos de uva.
       O Seis de Ouros é uma carta harmoniosa que reflete a renovação da fé que aqui
acompanha a fuga bem-sucedida de Dédalo para Creta e o favorecimento da proteção do
poderoso e rico rei Minos. Depois da catástrofe do Cinco de Ouros e suas implicações de
perdas tanto de bens materiais quanto da confiança na vida e nas próprias habilidades, o
Seis de Ouros promete uma recuperação proporcionada pela generosidade e pela
caridade das pessoas.
      O clima dessa carta não diz respeito a recompensas por trabalhos realizados, mas à
benevolência. Às vezes, podemos contar com retribuições da própria vida, que nem
sempre é cruel e que recompensa o indivíduo pelos seus grandes esforços.
       Essa experiência da generosidade da vida surge do interior do próprio indivíduo e
não da caridade de outras pessoas, pois descobrimos que é possível dar
incondicionalmente, apesar dos nossos reveses e perdas.
       Portanto, o significado mais profundo do Seis de Ouros toca em uma importante
faceta da criação manifestada, porque nem tudo é consequência da vontade consciente
ou do erro. As vezes, a boa sorte cruza o nosso caminho e, apesar de não podermos
planejá-la ou esperá-la, geralmente ela sobre¬vêm no momento em que as nossas
posses estão no mais baixo nível..
      Dédalo não é uma pessoa totalmente ruim, apesar do crime que cometeu. Ele é um
homem ambivalente, capaz de proporcionar tanto muitos benefícios quanto malefícios e,
portanto, a vida não o julga da mesma forma que a sociedade o julgaria aqui representada
                                                                                      86
pela ira dos atenienses. Ele sofreu por seu crime pela pobreza, pelo exílio e pela
humilhação, e agora um novo ciclo se inicia, anunciado por um desses golpes de boa
sorte que se apresenta na forma de bondade c de generosidade as nossas ou as dos
outros.
      No sentido divinatório, o Seis de Ouros prevê uma situação que promete dinheiro ou
posses a ser compartilhados e dos quais o indivíduo será chamado a oferecer
generosidade ou será objeto dela. E, assim, a fé na vida e na própria capacidade é
readquirida.

O Sete de Ouros

       A carta Sete de Ouros retrata Dédalo no palácio do rei Minos. A sua direita, em uma
coluna pintada sobre a qual ele pousa a sua mão possessivamente, estão seis pentáculos
dourados. A sua esquerda, está a rainha Pasifae vestida em túnicas de cor escarlate e
portando uma coroa dourada sobre seus cabelos castanhos. Ela apresenta uma
expressão de angústia e de desespero e oferece ao arquiteto um único pentáculo
dourado. Atrás dela, a cara e os ombros de um touro branco.
       O Sete de Ouros retrata a situação de uma difícil decisão. Podemos ver Dédalo em
uma posição de segurança material e de favoritismo real representados pelos seis
pentáculos dourados a seu lado. Ele trabalhou muito para conseguir o seu lugar na corte
de Minos e pode estar honestamente orgulhoso do novo edifício que construiu da ruína
representada pelo Cinco de Ouros e do golpe benévolo do Seis de Ouros.
          Mas agora um novo fator entrou na história: uma proposta que pode ser ainda
melhor do que todas as recompensas passadas ou que podem levá-lo à ruína total. Aliar-
se à rainha Pasifae significa trair o seu protetor, mas ao mesmo tempo significa favorecer
a vontade do deus Poseidon que, como um deus, pode tornar-se uma escolha e uma
aliança muito mais sensata.
           Simplificando, a escolha de Dédalo retratada pelo Sete de Ouros reflete uma
situação em que somos chamados a decidir entre a segurança de tudo o que já
construímos e as possibilidades duvidosas e incertas de outra direção que pode ou não
levar ao sucesso futuro. Um pólo representa a escolha segura, apesar de essa situação
envolver o perigo da estagnação e até de uma fatalidade, se algo "divinamente inspirado"
for rejeitado a favor do que é seguro, mas faltando-lhe vitalidade. O outro pólo representa
algo possivelmente arriscado, até perigoso e talvez "imoral" no sentido de como foi
considerado pela opinião pública.
       Entretanto, essa nova possibilidade perigosa contém uma força vital e um potencial
de crescimento que podem ser muito mais favoráveis do que as recompensas do caminho
seguro.
       Assim, o Sete de Ouros representa uma situação que, cedo ou tarde, acontece com
todos os indivíduos que tentam manifestar energia criativa no mundo. O esperado
sucesso pode ser alcançado, mas, juntamente com ele, o espírito juvenil do risco é
geralmente despercebido e pode haver um limite ao que podemos realizar por meio de
um só canal. O problema é enveredar ou não por esse novo caminho oportunidade e
arriscar-a perder tudo o que foi acumulado.
           No sentido divinatório, o Sete de Ouros prevê um período em que uma difícil
decisão de trabalho deve ser tomada. Cuidado e previsão são necessários e a pergunta
surge: se deveríamos continuar desenvolvendo o que já construímos ou empenharmos
energia em um novo projeto.

O Oito de Ouros


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A carta Oito de Ouros retrata Dédalo em sua oficina nos recintos do palácio do rei
Cocalos, na Sicília. Aos seus lados, ricos cachos de uva decoram os postes de madeira.
Atrás dele, um cenário de montanhas verdejantes que leva para o mar. Aos pés do
ferreiro, sete pentáculos dourados, ainda inacabados, esperam ser terminados. Na mesa
de trabalho à sua frente, um único pentáculo dourado ao redor do qual Dédalo entalha
uma borda elaborada.
       O Oito de Ouros apresenta Dédalo novamente como um aprendiz, trabalhando com
afinco no desenvolvimento de suas habilidades. Aqui se implica o natural resultado do
Sete de Ouros: Dédalo optou por favorecer o deus e, conseqúentemente, um novo
caminho abre-se para ele, no qual novas habilidades devem ser adquiridas para que o
projeto possa florescer e dar frutos.
       O Oito de Ouros é a carta do aprendiz, porém, diferente do Dois de Ouros, na qual
vimos o artesão manipulando as suas energias e desenvolvendo os seus talentos por
meio da movimentação de fundos e de recursos, o Oito de Ouros não implica
instabilidade. Aqui, podemos ver o espírito de dedicação e uma energia dirigida para um
objetivo.
           Muitas vezes, o entusiasmado espírito é acompanhado de um novo evento,
principalmente se este for totalmente diferente do que foi feito anteriormente. De muitas
maneiras, o Oito de Ouros coincide com o período da vida que a Psicologia considera
como "crise de meia-idade", pois, de certa forma, o Sete de Ouros a representa: o que
éramos tornou-se insípido e superado; no entanto, o novo ciclo envolve, muitas vezes,
ansiedade e medo de perder toda a estabilidade que construímos. Mas, se essa transição
for executada com sucesso, poderemos ver a energia renovada do Oito de Ouros, que
implica não somente entusiasmo na aquisição de novas habilidades, mas também a
realização de que não exaurimos todos os nossos potenciais e que podemos ainda
continuar crescendo, manifestando novos empreendimentos.
         No sentido divinatório, o Oito de Ouros anuncia um período no qual o indivíduo
interpreta o papel do aprendiz que se esforça em adquirir uma nova habilidade. Essa
carta sugere um talento recente¬mente descoberto que merece os esforços do
desenvolvimento ou implica um passatempo que pode ser transformado em uma
profis¬são. O indivíduo pode experimentar um grande entusiasmo e interes¬se por um
novo campo de trabalho, no qual deverá começar como um aprendiz esforçado, muitas
vezes em um período da vida em que ele já deveria estar firmemente estabelecido.

O Nove de Ouros

       A carta Nove de Ouros retrata Dédalo com suas mãos cruzadas em uma postura e
sorriso de satisfação. Ele abandonou a sua túnica ocre e avental de couro e agora veste
um traje ocre borda¬do a ouro; em sua cabeça, uma coroa de louros. Aos seus lados,
vinhas carregadas de cachos de uva sobem por uma treliça e, mais distante, um cenário
de montanhas verdejantes e um calmo mar azul. Junto ao artesão, amontoados no chão,
nove pentáculos dourados.
       O Nove de Ouros retrata um estado de grande auto-satisfação. Dédalo arriscou-se
em um empreendimento perigoso, trabalhou com afinco para desenvolvê-lo, assumiu os
riscos, sofreu os consequentes perigos e agora admira as recompensas que dignamente
mereceu.
       A importância e a diferença do Nove de Ouros são que o prazer do artesão não se
refere ao aplauso e ao reconhecimento público. Essa é a satisfação solitária da realização
de coisas boas, o prazer da auto-suficiência e a realização decorrente dos próprios
esforços. Dédalo pode dizer honestamente "eu consegui à minha maneira", pois sua
adquirida riqueza é realmente um símbolo do sentido de auto-estima que somente pode
decorrer do interior do indivíduo. O artesão fez as pazes com o seu passado obscuro e
                                                                                        88
com seu período de perda e de exílio; ele também conseguiu enganar o rei Minos que o
perseguiu em razão da sua decisão de ajudar a rainha e seguir a vontade do deus
Poseidon.
          O perigo agora ficou no passado e Dédalo pode sentir satisfação pelos seus
esforços e sua astúcia que asseguraram a sua sobrevivência, riqueza e posição pelo
resto de sua vida. Portanto, o Nove de Ouros é uma carta de recompensa e de realização
aos nossos próprios olhos, sabendo que, mesmo que ninguém reconheça o valor do que
foi realizado, é bem merecido ser reconhecido por nosso próprio interior. Há uma
permanência e uma indestrutibilidade acerca da satisfação representada pelo Nove de
Ouros que não está presente em qualquer outra carta dos Arcanos Menores. Essa
satisfação depende de nada e de ninguém além de nós mesmos. Uma vez estabelecida,
não pode ser destruída, mesmo que toda a riqueza nos seja retirada.
       O Nove de Ouros é mais do que uma carta de realização material. Em um sentido
mais sutil, ela implica a descoberta de um sentido profundo e permanente de auto-
esti¬ma, angariado por meio do trabalho árduo ao enfrentar os desafios da vida no nível
material e sobrevivendo a todos.
       No sentido divinatório, o Nove de Ouros prevê um período em que o indivíduo pode
estar honestamente satisfeito consigo mesmo e com o que conseguiu realizar. Muitas
vezes, há um forte sentido de identidade, um sentimento de nossas habilidades especiais
e o valor de nossa própria vida.
       Essa carta reflete a satisfação solitária e auto-suficiente das coisas boas realizadas
que não dependem da concordância e da aprovação de qualquer pessoa para promover o
prazer e a profunda satisfação.

O Dez de Ouros

         A carta do Dez de Ouros retrata Dédalo como um homem velho, com cabelos
grisalhos. Ele está confortavelmente sentado com os netos ao seu redor: o patriarca e
fundador de uma linhagem. Aos seus lados, pendurados em colunas recobertas de
vinhas, dez pentáculos dourados, cinco de cada lado. Em seu colo, uma criança
brincando com um chocalho dourado. À sua esquerda, encontra-se uma mulher com
cerca de 30 anos, vestida de verde e portando um lindo colar dourado. Aos seus pés, um
garoto de 10 anos brinca com um cavalo dourado. Em um cenário distante, ricas
montanhas verdejantes e um calmo mar azul.
       O Dez de Ouros retrata uma situação de permanência que sobre¬vive à vida de um
único indivíduo. Aqui, seguro em sua posição na corte do rei Cocalos da Sicília, o artesão
finalmente depositou as suas raízes e fundou uma dinastia. Agora, ele pode transferir e
passar adiante tanto a sua fortuna e seu poder quanto as suas realiza¬ções ao chegar o
momento de sua despedida definitiva, seguro em seu conhecimento de que o seu
trabalho lhe sobreviverá.
       Os objetos dourados que ele fabricou, o chocalho, o colar e o cavalo de brinquedo,
são os seus presentes ao futuro, para que o processo de manifestação, representado em
todas as cartas do naipe de Ouros, consiga a sua conclusão natural, em uma imagem de
permanência que forma a contribuição individual das gerações futuras.
       De certa forma, este é o significado mais profundo do processo da manifestação de
ideias criativas, pois toda a vida individual é transitória e nenhum ser humano vive para
sempre. No entanto, o sentido de profunda satisfação e de realização pode ser alcançado
pela rea¬lização de que podemos construir alguma coisa duradoura para o mundo futuro.
          Para o naipe de Paus, a imortalidade está na imaginação e para o naipe de
Espadas, está no poder divino da mente; para o naipe de Copas, ela está na experiência
do amor que toca o transpessoal. Mas, para o naipe de Ouros, somente o que está aqui é
real e é esse sentimento de o indivíduo ter deixado uma marca e que a passagem pela
                                                                                           89
vida não foi um simples pestanejar insignificante que logo desaparece, que muitas vezes
forma o núcleo do que chamamos de ambição material.
        Por conseguinte, a aparente ambição e o materialismo associados com esforços
materiais, vêm de uma necessidade humana de oferecer uma parte de si mesmo à vida
como indicador permanente de nossa passagem por ela.
          Uma vida plena como foi a de Dédalo, com suas boas e más ações e uma
disposição para enfrentar os desafios independentemente das consequências em vez de
ficar morgando pacificamente na cama, pode levar à experiência de ter plenamente
realizado um destino, deixando alguma coisa para ser passada às gerações futuras.
             No sentido divinatório, o Dez de Ouros sugere um período de contínuo
contentamento e segurança. O sentido de algo permanente foi estabelecido e pode ser
transferido a outras pessoas. Isso pode se referir a uma herança material de riquezas ou
de propriedades, ou pode ser na forma de uma realização artística, como um livro ou uma
pintura que sobreviverá e apresentará o seu valor, independentemente do nosso próprio
tempo de vida.

O Pajem de Ouros

         A carta do Pajem de Ouros retrata um garoto de cerca de 12 anos com cabelos
castanho-escuros e tez morena, vestindo uma túnica verde. Ele se encontra no meio de
um fértil campo arado do qual começa a brotar uma variedade de verduras, flores e ervas.
Ele segura um pentáculo dourado com as duas mãos. Acima dele, um céu azul-pálido.
       Na carta do Pajem de Ouros, deparamo-nos com o elemento Terra em seu delicado
e frágil início a consciência nascente dos Sentido, da natureza e da capacidade de
manifestar coisas no mundo.
       Ela é representada pela figura mitológica do garoto Triptólemo, filho do rei Celéu de
Elêusis.
          Um dia, o garoto e seus irmãos estavam ajudando o pai em seu trabalho nos
campos; Triptólemo cuidava do gado, enquanto seus dois irmãos cuidavam dos carneiros
e dos porcos. Foi então que os três presenciaram uma estranha cena. De repente, a terra
abriu-se em uma fenda, engolindo todos os porcos do rei Celéu. Depois apareceu uma
carruagem puxada por dois cavalos pretos que desceu pela fenda. O rosto do condutor
não era visível, mas o seu braço direito segurava uma garota que gritava em desespero.
         O que os três irmãos presenciaram foi o rapto de Perséfone pelo obscuro deus
Hades, senhor do Submundo, cuja história foi apresentada na carta da Imperatriz e da
Sacerdotisa dos Arcanos Maiores.
        A mãe de Perséfone, Deméter, percorreu incansável o mundo todo em busca de
informações sobre o desaparecimento de sua filha. Quando ela chegou disfarçada de
Elêusis, somente o garoto Triptólemo a reconheceu e lhe forneceu a informação de que
ela precisava. Por seu ato de bondade, a Mãe-Terra recompensou Triptólemo ensinando-
lhe primeiro a venerá-la e essencialmente aos mistérios da Natureza, a morte e a
regeneração da vida por meio dos ciclos das quatro estações. Ela entregou ao garoto
sementes de milho, um arado de madeira e uma carruagem puxada por serpentes, e o
instruiu a viajar pelo mundo ensinando à humanidade a arte da agricultura.
       Triptólemo, o Pajem de Ouros, é a imagem dos primeiros e delicados esforços para
se relacionar com o mundo sensual que deve emer¬gir antes que qualquer maior ambição
material possa ser empreendida. Como é próprio de todos os Pajens dos Arcanos
Menores, o Pajem de Ouros é um botão de flor, um pequeno início, e, como todos os
botões, esse gentil c delicado início de reconhecimento do valor do mundo material deve
ser alimentado e protegido para não ser pisado pela insignificância e pela negligência.
         Muitas vezes, o Pajem de Ouros pode sugerir o interesse prematuro em algum
passatempo novo que começa como mera ideia ou entusiasmo, mas que, incentivado e
                                                                                          90
de¬senvolvido paulatina e pacientemente, pode eventualmente se tornar uma vocação
plena que pode resultar em recompensas materiais, afetivas e realizações.
        Todos nós experimentamos esses pequenos entusiasmos, mas quantos de nós os
seguimos realmente, tentando antes os primeiros passos necessários que nos levem a
algo maior?
         Triptólemo, o Pajem de Ouros, é uma criança séria, responsável e trabalhadora
como poucas crianças; com sua pouca idade, ele é encarregado do gado de seu pai, em
vez de brincar com as outras crianças.
       Assim, a energia do Pajem de Ouros precisa ser tratada gentil e seriamente. Dessa
mesma maneira, a imagem de Triptólemo pode refletir os inícios delicados da
sensualidade emergente, principalmente se em toda a sua vida o indivíduo subestimou
essa dimensão de experiência. Os inícios da percepção sensual em um temperamento
mais intelectual ou imaginativo podem passar despercebidos ou rejeitados; no entanto, o
mito de Triptólemo sugere que, se a vida do corpo é reconhecida e valorizada, assim
como o garoto reconhece os valores da deusa Deméter, grandes recompensas podem
surgir no futuro.
       Para muitas pessoas, a percepção do corpo toma a forma de um desejo de cuidar
melhor de si mesmo por meio de uma dieta ou de exercícios, ou buscando mais tempo
para relaxar, ou ainda pelo interesse em jardinagem ou mesmo cuidando de animais,
ocupações que levam a um relacionamento mais profundo e mais forte com a própria
terra.

[Nota: Os ‘Mistérios de Elêusis’ eram ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas
Demeter e Perséfone, que se celebravam em Elêusis, localidade da Grécia próxima a
Atenas. Eram considerados os de maior importância entre todos os que se celebravam na
antiguidade. Estes mitos e mistérios se transferiram ao Império Romano e sinais dele
podem ser notados em práticas iniciáticas modernas. Os ritos e crenças eram guardados
em segredo, só transmitidos a novos iniciados.Deméter e sua filha, Perséfone, (Ceres e
Proserpina para os romanos), presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios. Daí seu
prestígio. Muitos desses mistérios ainda não foram desvendados; no entanto, no grande
complexo de templos de Elêusis, notadamente no grande Templo de Deméter, o
Telesterion, os estudiosos têm descoberto esculturas e pinturas em vasos que
representam alguns desses ritos.Os mistérios eleusinos celebravam o regresso de
Perséfone, visto que era também o regresso das plantas e da vida à terra, depois do
inverno. As sementes que ela trazia significavam o renascimento de toda a vida vegetal
na primavera.Se o povo reverenciava em Deméter a terra-mãe e a deusa da agricultura,
os iniciados viam nela a luz celeste, mãe das almas e a Inteligência Divina, mãe dos
deuses cosmogânicos. Os sacerdotes de Elêusis ensinaram sempre a grande doutrina
esotérica que lhes veio do Egito. Esses sacerdotes, porém, no decorrer do tempo,
revestiram essa doutrina com o encanto de uma mitologia plástica, repleta de beleza. O
mito simboliza o lançar sementes à terra e o brotar de novas colheitas, uma espécie de
morte e ressurreição. No seu sentido íntimo, é a representação simbólica da história da
alma, de sua descida na matéria, de seus sofrimentos nas trevas do esquecimento e
depois sua re-ascensão e volta à vida divina.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Mist%C3%A9rios_de_El%C3%AAusis)}

O Cavaleiro de Ouros

        A carta do Cavaleiro de Ouros retrata um jovem forte de cabelos castanhos,
montado em um grande cavalo marrom. Ele veste uma túnica verde-limão, uma armadura
e um elmo em couro marrom. Em sua mão direita ele segura um pentáculo dourado e, em
sua esquerda, um feixe de trigo. Ao seu redor, ovelhas espalhadas em grandes pastos
                                                                                      91
verdejantes e um pequeno bosque de oliveiras com colmeias. Acima dele, um céu de
azul-brilhante. Na carta do Cavaleiro de Ouros deparamo-nos com a dimensão laboriosa,
versátil e mutável do elemento Terra que está cm constante movimento. Ele é
representado pela figura mitológica de Aristeu, chamado de "Guardião dos Rebanhos".
       Aristeu era filho do deus-Sol Apolo e de uma mortal chamada Cirene. Ainda criança,
ele foi en¬tregue à Mãe-Terra, que o alimentou com néctar e ambrósia. As dríades ou três
ninfas ensinaram Aristeu como coagular o leite para fazer queijo, construir colmeias e
fazer a oliveira produzir a azeitona cultivada. Ele ensinou essas artes úteis às pessoas
enquanto jovem ainda, viajando incessantemente pela África do Norte e Grécia, e
angariando honras em seu caminho.
       Quando Aristeu alcançou a maturidade, as Musas lhe ensinaram as artes da cura e
da profecia, e o encarregaram de vigiar suas ovelhas que pastavam na Planície de Ftia.
Foi ali que ele aperfeiçoou a arte da caça. Um dia Aristeu consultou o oráculo de Delfos,
de seu pai Apolo, que lhe disse para visitar a Ilha de Keas (atual Zea ou Tzia), onde ele
seria muito prestigiado. Embarcando imediatamente, Aristeu soube que uma praga havia
atingido os ilhéus, pelo fato de criminosos secretos haverem se infiltrado entre eles.
Aristeu condenou à morte os criminosos e a praga foi eliminada. Os keanos cumularam-
no de gratidão. Ele então visitou a Arcádia e mais tarde a cidade de Tempe, na Tessália,
onde as suas abelhas começaram a morrer e ele foi avisado por sua mãe a visitar o velho
deus marinho Proteu, que era profeta, e forçá-lo a explicar o motivo da catástrofe. Aristeu
saiu à sua procura e, encontrando-o, capturou-o. Forçado a responder, Proteu disse que a
doença das abelhas foi causada por um infeliz episódio amoroso que resultou na morte
acidental da mulher.
       Em vista disso, Aristeu estava sendo castigado pelos deuses. Como reparação, ele
ofereceu vários animais em sacrifício às divindades ofendidas, e das carcaças desses
animais surgiu um enxame de abelhas que ele capturou e colocou em suas colmeias.
Então, continuou suas viagens para a Líbia, dali para a Sardenha e, final¬mente, para a
Sicília. Depois se dirigiu para a Trácia, ainda irrequieto e em busca de outras tarefas. E,
finalmente, fundou uma cidade com o seu nome, onde morreu respeitado por sua
sabedoria.
       Aristeu, o Cavaleiro de Ouros, é a imagem da capacidade huma¬na pelo trabalho e
pelo serviço diligente. Ele não é realmente um herói, pois não enfrenta dragões ou
missões perigosas, e o seu maior desafio é a cura de abelhas doentes. Mas, assim
mesmo, ele é uma figura poderosa e criativa. A personalidade de Aristeu é aquela do
amante do campo e amigo dos animais e das criaturas selvagens, considerando que todo
trabalho é importante, desde que sirva a vida da Natureza. Apesar da limitação de seus
objetivos, Aristeu nunca pôde ser acusado do grandioso orgulho que aflige tantos heróis
gregos e que é a causa tanto de sua glória quanto de sua queda.
        Ele é bondoso e confiável, com vontade de trabalhar com afinco nos assuntos que
lhe dizem respeito.
         Apesar de quase todas as figuras da mitologia grega serem culpadas de estupro,
sedução, assassinato ou outro crime qualquer (psicopatas?), é peculiar o fato de Aristeu
aceitar de boa vontade uma missão cansativa e detalhada, cumprindo-a impecavelmente
a fim de beneficiar algumas abelhas.
          Aristeu representa o nosso lado humilde o suficiente para relacionar-se com as
formas mais humildes da vida e que está sempre pronto a aprender mais sobre as facetas
variadas e complexas da Natureza. O Cavaleiro de Ouros não é fascinante, mas é capaz
de satisfação, porque as suas realizações são sempre cingidas de realismo e de objetivos
humildes. Essa é a qualidade que nos permite aceitar de bom grado a tarefa que pode ser
aborrecida e que oferece muito trabalho. Ele desempenha criteriosamente as tarefas da
vida cotidiana. Aristeu não tem nenhuma pretensão à divindade e, no entanto, é filho de
um deus e, depois de sua morte, ele foi venerado como divino.
                                                                                         92
No sentido divinatório, quando o Rei de Ouros aparece em uma abertura de cartas,
chegou o momento de o indivíduo desenvolver a dimensão da personalidade que está
confortável e firmemente anco¬rada nas tarefas cotidianas da vida. O Cavaleiro de Ouros
pode en¬trar em nossa vida como um jovem trabalhador, humilde e gentil, faltando-lhe
talvez imaginação, mas rico nas qualidades de confiabilidade e gentileza. Se essa pessoa
entrar em nossa esfera de relacionamentos, isso pode ser interpretado como uma
oportunidade para aprender mais a respeito desse nosso lado pelo cataclismo de outra
pessoa.

A Rainha de Ouros

         A carta da Rainha de Ouros retrata uma linda mulher com ricos cabelos e olhos
castanhos, vestindo uma túnica sensual castanho-avermelhada e portando uma coroa
dourada na cabeça. Ela está sentada em um trono em cujos braços estão entalhadas
cabeças de touros. Em sua mão direita ela segura um pentáculo dourado e, na esquerda,
um cacho de uvas. Ao seu redor, pastos maduros, verdes e dourados, nos quais um
rebanho de gado pode ser visto pastando.
        Na carta da Rainha de Ouros, deparamo-nos com a dimensão receptiva, estável e
sensual do elemento Terra.
         Ela é representada pela figura mitológica da Rainha Ônfale, cujo nome significa
"umbigo". Ela aparece no ciclo de histórias que se referem ao herói Héracles que, em
uma fase pior de sua carreira, foi levado para a Ásia para ser vendido como escravo, um
Héracles bem diferente daquele com o qual nos deparamos na carta da Força dos
Arcanos Maiores.
       Ele foi comprado por Ônfale, rainha da Lídia, uma mulher que tinha bons olhos para
um bom negócio; e ele a serviu fielmente durante três anos, livrando a Ásia Menor dos
bandidos que infestavam aquela terra.
            Ônfale havia herdado o reinado de seu falecido marido e o governava com
capacidade, graças ao seu caráter pragmático, voltado para objetivos práticos, realista e
poderoso.
        Ela comprou Héracles com o intuito de torná-lo seu amante, em vez de um lutador,
e lhe deu três filhos. Ela aproveitava o máximo de seu tempo, com toda a indulgência com
o herói. Informações chegaram à Grécia de que Héracles havia desistido de sua pele de
leão, trocando-a por colares de pedras preciosas, braceletes de ouro, turbante de mulher,
xale vermelho e um cinto de mulher. Conta também a história que ele ali ficava sentado
fiando lã e tremendo quando a sua patroa o repreendia. Ele deixava que as escravas de
Ônfale o penteassem e que pintassem suas unhas, enquanto ela vestia a sua pele de
leão e carregava o seu cajado e o seu arco.
           Certo dia, o casal visitava algumas vinhas e o deus Pan, com o qual já nos
deparamos na carta do Diabo dos Arcanos Maiores, viu-os e apaixonou-se por Ônfale. O
deus, metade bode, deu adeus às suas ninfas e declarou amor eterno à rainha da Lídia.
      Quando o casal se retirou para uma caverna para passar a noite, Ônfale sugeriu que
trocassem de roupa. À meia-noite, Pan entrou na gruta, encontrou alguém com as roupas
que acreditava fossem da rainha e tentou estuprar quem veio a ser um furioso Heracles
(drag queen). O herói chutou Pan pela caverna toda e, depois, ele e Ônfale riram até
chorar vendo o deus Pan, sentado em um canto, cuidando de suas feridas. Daquele dia
em diante, Pan passou a odiar vestidos e sempre convoca os seus oficiais nus para os
seus rituais.
        Ônfale, a Rainha de Ouros, é a imagem do poder e da sensualidade feminina que
pode escravizar até um bruto selvagem como Héracles. Em um sentido, ela representa a
sensualidade do próprio corpo, dali o seu nome, pois os gregos acreditavam que o centro
da paixão estava no umbigo, que está presente tanto no homem quanto na mulher. Isso
                                                                                       93
não é simplesmente o desejo por satisfação física, mas uma força primordial que possui
dignidade e poder.
         Ao servir a Rainha Ônfale, Héracles passa por uma espécie de iniciação e nós
também, ao nos depararmos com a Rainha de Ouros dentro de nós mesmos, devemos
curvar-nos diante do poder dos instintos e reconhecer que até a mente mais privilegiada e
a espiritualidade mais rara existem em um corpo feito de terra.
       Entretanto, Ônfale não é simplesmente uma sensualista. Ela é uma governante em
seu próprio direito, preparada para ser generosa, mas sempre pragmática e protetora de
sua própria riqueza e território. A sua compra do herói como amante não foi realizada por
falta de outros amantes, mas porque ela queria o melhor. Dessa maneira, ela também
pode ser interpretada como a imagem da auto estima, porque Ônfale trata de si e de seu
corpo da mesma forma que trata o seu reino, com pródigo cuidado e generosidade. Ela
possui a resistência e a estabilidade da própria terra e, apesar do fato de que a
sensualidade por si só não pode preencher uma vida, Ônfale é uma imagem de grande
importância e valor.
       No sentido interior, quando a Rainha de Ouros aparece em uma abertura de cartas,
é chegado o tempo para o indivíduo aprender a respeito de sua própria sensualidade, do
valor do corpo e da importância daqueles prazeres que preservam e enriquecem a vida.
         O indivíduo também pode ser chamado para aprender a sustentar e a preservar
recursos materiais, manter condições estáveis, assegurar e acumular dinheiro e energia.
        A Rainha de Ouros pode entrar em nossa vida como uma mulher forte e sensual,
autosufíciente e trabalhadora e, no entanto, generosa e disposta a entregar-se aos
desejos próprios ou de outros, se isso fizer parte de seus propósitos. Mas, se essa mulher
entrar em nossa vida, sugere que essas qualidades tentam emergir de dentro de nós
mesmos.

O Rei de Ouros

         A carta do Rei de Ouros retrata um homem de tez morena, barba e cabelos
castanhos, forte e obviamente satisfeito com sua poderosa posição na vida.
      Ele está sentado em um trono dourado cujos braços estão entalhados com cabeças
de bodes. Atrás dele, um castelo fortificado em alvenaria e enfeitado com cachos de uva.
Na frente do castelo, os seus serviçais prontos para atendê-lo. Em suas mãos, um
pentáculo dourado e, aos seus pés, um monte de moedas de ouro, pequenos pentáculos
representando o seu acúmulo de bens materiais. Ele está ricamente, mas sobriamente
vestido com brocado dourado e porta uma coroa dourada na cabeça. Na grama ao seu
lado, um bode pastando.
        Na carta do Rei de Ouros, deparamo-nos com a dimensão ativa e dinâmica do
elemento Terra. Ela é representada pelo mitológico rei Midas, o rei da Macedônia, amante
dos prazeres. Em sua infância, uma procissão de formigas foi observada carregando
grãos de trigo e, subindo pelo lado de seu berço, colocavam os grãos em seus lábios
enquanto dormia, um prodígio que os adivinhos interpretaram como um presságio de
grande riqueza em seu futuro.
         Midas governou como um rei sábio e piedoso, e a sua bondade para com o
embriagado sátiro Silenos, tutor do deus Dioniso, valeu-lhe a gratidão do imprevisível
deus. Dioniso ofereceu a Midas conceder-lhe um desejo, ao qual respondeu sem hesitar:
"Peço que tudo o que eu toque se torne ouro". O rei logo se arrependeu dessa
imprudência, pois não somente as pedras, as flores e os móveis de sua casa se
transformavam em ouro, como também o alimento que comia e a água que bebia. Midas
logo pediu que fosse liberado de seu pedido porque estava rapidamente morrendo de
fome e de sede. Apesar de se divertir com o ocorrido, Dioniso teve compaixão e disse a
Midas para visitar a fonte do Rio Pactolo (Turquia), na qual Midas se banhou e
                                                                                        94
imediatamente se livrou de seu toque de ouro, mas as areias desse rio têm o brilho do
ouro até hoje.
        Midas, o Rei de Ouros, é a imagem da ambição humana. Ele é a nossa aspiração
ao status e à realização material, o nosso desejo por poder e reconhecimento aos olhos
do público, a nossa necessidade por segurança material e o nosso orgulho pelo trabalho
empreendido para conseguir o que possuímos.
         Essa ambição também é o espírito dinâmico, pois não se trata da satisfação do
conforto, mas da necessidade de desafios.
       Nesse mito, Midas faz por merecer a recompensa do deus Dioniso com seu ato de
bondade, a sua consideração pelo velho sátiro embriagado que era desprezado e
ridicularizado por todos. Isso aponta para uma importante verdade a respeito do sucesso
material: ele não somente depende de trabalho árduo e de inteligência, mas também do
reconhecimento e da compreensão daqueles aspectos do comportamento humano que
são preguiçosos, indolentes, embriagados bestiais.
         Somente por meio da tolerância e do con¬trole desses aspectos, retratados pelo
velho sátiro, é que os fundamen¬tos do poder e da autoridade do mundo podem ser
assegurados, pois, do contrário, o indivíduo pode ser corrompido simplesmente porque
ele não tem consciência de seu próprio potencial de corrupção.
          O Rei de Ouros conseguiu chegar ao topo por causa das suas qualidades de
liderança, autoridade, realismo e disciplina que fizeram com que superasse os obstáculos
em seu caminho. Mas, como suge¬re o mito, ele também deve aprender uma lição difícil
a respeito de sua própria ganância. Midas já possui o suficiente e muito mais; ele é um rei
poderoso e rico além de que seus trajes não são exatamente maltrapilhos, ele anda
trajado de acordo.
       Ele tem o direito de ser ambicioso, mas essa ambição não deve ser colocada acima
de tudo ou morrerá de fome e de sede. Havendo aprendido essa lição, o rei agora se
satisfaz com as compensações que já conseguiu. Ele é um materialista descarado e,
quando encontramos essa figura em nós mesmos, deparamo-nos com o nosso próprio
materialismo, mesmo que anteriormente acreditássemos ser idealistas abominando essa
espécie de grosseria.
        Esse rei é saudável e forte, apesar de que, como cm todas as cartas do Taro, não
podemos ficar presos em uma única faceta da vida, e o encontro com a ambição material
e com seus desafios e compensações ainda pode ser produtivo e curador -mesmo que
isso signifique que devamos, de alguma forma, experi¬mentar a dura lição de Midas.
       No sentido divinatório, quando o Rei de Ouros aparece em uma abertura de cartas,
ele anuncia que chegou o tempo de o indivíduo enfrentar os desafios materiais. Mas
movimentos interiores muitas vezes precisam de um catalisador e, portanto, o Rei de
Ouros pode entrar em nossa vida na forma de um indivíduo materialista, forte e bem-
sucedido alguém que tenha o "toque de Midas", o dom de manifestar idéias materiais
criativas. Entretanto, esse indivíduo é um simples catalisador para o desenvolvimento
material de nossa própria autoconfiança.


LENDO AS CARTAS

O QUE O TARÔ PODE E NÃO PODE FAZER
    O Taro não pode prever um futuro fixo e determinado.
     Suas características são uma serie de imagens que descrevem as qualidades do
momento em que um indivíduo as consulta com um problema particular ou uma situação
em mente. Naturalmente, os gregos tinham uma palavra para isso - kairos, que significa

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"o momento certo" e descreve a idéia de que todo momento possui características e
qualidades peculiares e únicas.
         Devemos deixar de lado a nossa típica visão do mundo ocidental moderno para
poder compreender a função real das cartas do Taro e olhar para a antiga Filosofia e para
as crenças orientais as quais não consideram o tempo em termos de quantidade (um
momento é uma medida que equivale a 1/16 de uma hora), mas em termos de qualidade
(um momento é algo vivo que possui a sua própria identidade e significado).
        Visto através das lentes dessa visão do mundo, a vida possui uma ligação ou um
relacionamento subjacente e secreto, e todos os níveis de vida, animada, inanimada,
consciente e inconsciente, interior e exterior, são realmente parte de um todo vivo.
           Portanto, a vida refletirá, em todos os níveis de sua existência, as mesmas
qualidades em um determinado momento de tempo. Dessa maneira, os antigos métodos
de adivinhação como Astrologia, Taro e I Ching não procuram "prever" um futuro que "já
está escrito", mas, ao contrário, preocupam-se em como as verdadeiras qualidades
internas e o significado do momento podem ser refletidos e, portanto, decodificados por
meio de formas simbólicas como planetas, moedas ou cartas.
       Esse é um conceito difícil para a mente ocidental compreender, mas, se tentarmos,
ele nos ajudará a esclarecer um problema de má interpretação entre os estudiosos de
Taro. O momento não somente possui qualidades particulares, mas tem um passado e
um futuro que pertencem a um contexto geral dessas qualidades.
       Existem situações e escolhas no passado que levaram até aquele momento e das
quais esse momento é a consequência; e existem situações e escolhas no futuro que
surgem diretamente de nossa resposta para aquele momento que, por sua vez, são
afetadas por nossas escolhas atuais.
        Portanto, faz sentido compreender tudo o que podemos a respeito de como nós
mesmos chegamos a uma determinada situação, pois esse entendimento afetará, por sua
vez, a maneira como corresponderemos à vida e, por conseguinte, ao "momento"
seguinte que nos é reservado.
        Nas situações e escolhas que pertencem a um determinado momento, paira um
particular significado arquetípico, pois não há nada que façamos ou experimentemos
antes, e é esse significado arquetípico que as cartas do Taro podem revelar. ("N.E.:
Sugerimos a leitura de I Ching - A Mais Bela Aventura da Humanidade, de Paulo Barroso
Júnior e I Ching- O Livro das Mutações, de Richard Lewis, ambos Madras Editora.)
         O passado, o presente e o futuro implicados na leitura de uma carta de Taro em
particular tendem a envolver um período de aproximadamente seis meses. E, assim, o
"momento" que estivermos considerando é um período cie tempo; o passado as escolhas,
os motivos e as experiências que levaram ao momento; o presente, quando as cartas são
consultadas; e o futuro - que é a consequência natural das forças agindo no presente. As
cartas não descrevem ocorrências concretas de uma maneira "fadada", mas sim ilustram
influências, oportunidades e motivos ocultos alguns dos quais podem ou não se realizar
em eventos externos ou pessoas que o indivíduo pode então tentar entender e trabalhar
da maneira mais criativa possível.
       Como se trata da qualidade do momento, procurando penetrar o seu sentido mais
profundo, o indivíduo poderá influenciar de forma mais consciente o futuro daquele
momento, afetando com maior percepção aquele que está se desenrolando.
          Nesse sentido, criamos os nossos destinos, ou melhor, o que somos molda o
destino dos nossos futuros. Para os gregos, o destino não era uma diversidade de
eventos aleatórios ou caprichosos que aconteciam para uma pessoa, mas uma rede
extensa e infinita de escolhas, respostas e consequências estendendo-se pelo tempo, de
volta para o passado e à frente no futuro, a maioria das quais permanecia inconsciente, a
menos que o indivíduo procurasse promover uma percepção mais profunda em sua vida.
       Como o "destino" que as cartas de Taro descrevem está amplamente enraizado no
                                                                                       96
inconsciente, normalmente nós não temos acesso a ele. Mas as imagens das cartas de
Taro podem ajudar-nos a fazer uma conexão e, portanto, as cartas refletem um
conhecimento a priori do inconsciente que possui a chave secreta para o significado do
momento e, por conseguinte, conhece o provável efeito futuro daquele momento. Pela
abertura das cartas de Taro, podemos receber ajuda na leitura dos complexos padrões e
movimentos do inconsciente, e esse novo relacionamento entre o ego consciente e o
mundo interior oculto permite que levemos ao momento e, portanto, à nossa situação do
momento, uma percepção mais profunda e maiores possibilidades de resposta e de
escolha.

Estabelecendo um Relacionamento com as Cartas

     Como as imagens das cartas de Taro são muito antigas e tão profundamente ligadas
aos mais íntimos padrões do desenvolvimento humano, elas merecem todo o respeito.
Elas não são um brinquedo, mas em um certo sentido são imagens sagradas, não porque
sejam "sobrenaturais", mas porque, como peças de grande arte e de literatura, refletem
os nossos mais profundos conflitos, necessidades e aspirações.
      O indivíduo que deseja aprender a trabalhar e verificar o potencial criativo das cartas
precisa cultivar uma atitude de respeito para com a dimensão arquetípica da vida que
representam e que, na vida cotidiana, se converte no respeito ao mundo simbólico do qual
as próprias cartas são uma representação.
      O leitor inteligente então procura estabelecer uma espécie de "relacionamento" com
as cartas, estabelecendo um lugar especial e procurando não fazer com que sejam con-
sideradas cartas de entretenimento vulgar nem permitindo que se sujem ou que sejam
negligenciadas e descuidadas.
           Por esse motivo, muitos leitores profissionais mantêm suas cartas de Taro
envolvidas em um lenço especial e em um lugar especial quando não são usadas. Esse
lenço é a maneira de ajudar o estudioso a começar a desenvolver um relacionamento
respeitoso com as cartas.
       A importância de um ritual para a concentração no uso das cartas afina as nossas
mentes e permite que a intuição entre em ação. Tal como em um ritual religioso, o ritual
de manter as cartas em um lugar especial e envolvê-las em seu lenço especial pode se
transformar em um importante foco de concentração, quer ou não acreditemos em
"vibrações". É o símbolo do lugar único e prestigiado que dedicamos às cartas e a
importância que relegamos às suas imagens.

Preparando a Disposição de uma Abertura

        O processo de selecionar um pequeno número de cartas de um baralho inteiro de
Taro de 78 cartas e dispô-las em um padrão a ser interpretado é chamado de "abertura
de um jogo". A ideia básica é que o baralho, como já vimos, contém uma descrição
figurativa de uma complexa jornada completa da vida e, ao selecionar um número mínimo
de cartas, geralmente dez, o consulente de forma simbólica reflete a sua passagem por
uma parte específica daquela jornada no momento presente. Em outras palavras, a
situação imediata, suas origens e o provável resultado que será refletido nessa pequena
parte do baralho completo.
       Existem vários e diferentes tipos de aberturas, e pessoas diferentes desenvolveram
seus padrões favoritos durante muitos séculos. O estudioso pode referir-se à relação na
bibliografia para uma melhor descrição das diversas aberturas usadas no Tarô.
           A específica abertura que ilustraremos aqui é uma das mais antigas e mais
populares, e é conhecida como a Cruz Celta. Essa abertura contém seleções dos dois
grupos de arcanos, os Maiores e os Menores, para que o indivíduo faça a sua escolha do
                                                                                           97
baralho inteiro. Portanto, a seleção reflete a vida no nível arquetípico mais profundo e no
nível mais cotidiano.
            Como mencionamos anteriormente, não fazemos uso da técnica das cartas
invertidas porque cada carta contém em si mesma a sua dimensão luz e a sua dimensão
sombra; e isso pode ser determinado pela posição da carta em sua abertura geral.
          O consulente, a pessoa que deseja consultar as cartas, deve ter uma pergunta
preparada, mesmo que seja vaga e difícil de formular. O leitor não precisa conhecer a
pergunta, mas o consulente sim, porque no nível inconsciente as cartas selecionadas
refletirão essa pergunta.
         O leitor mistura bem as cartas e então abre o baralho em uma meia-lua sobre a
mesa com as faces para baixo.
         O consulente é convidado a selecionar dez cartas. Por estarem com a face para
baixo, ele não pode saber as cartas que escolheu.
        O leitor então pega as cartas na ordem selecionada, ainda viradas para baixo, e as
coloca em suas posições correias, conforme a indicação a seguir.
A primeira carta selecionada deve ser colocada na posição 1, e assim por diante.
Agora o leitor pode desvirar as cartas começando pela posição 1, expondo assim as dez
cartas.


MÉTODO DE CONSULTA
        Foram dados nomes tradicionais às dez posições das cartas da Cruz Celta para
ajudar-nos a compreender seus significados. Cada posição descreve uma área específica
da vida na qual uma certa influência e situação interior ou exterior estejam ocorrendo.
Agora explicaremos as dez posições e o que elas significam.

POSIÇÃO 1 - Às vezes é chamada de Carta de Cobertura e outras vezes de
Signifícadora. Usaremos o termo Significadora porque a carta selecionada para essa
posição refletirá a situação interior e exterior na qual o indivíduo se encontra no momento
presente.

POSIÇÃO 2 - E chamada de Carta Cruzada e descreve essa situação interior e exterior
que gera conflito e obstrução no presente imediato. Trata-se do que está "cruzando" o
caminho do consulente e indica a natureza aparente do problema. Entretanto, a Carta
Cruzada não é necessariamente negativa, mas simplesmente representa a situação que
está gerando o conflito e revolvendo as coisas. Em certo sentido, ela impede a
Significadora de expressar-se totalmente, causando um bloqueio na vida.

POSIÇÃO 3 - É chamada de Carta da Cabeça. Ela é aparente simplesmente porque a
sua aparência visual - pairando diretamente sobre a Significadora - nessa posição
descreve o ambiente e a situação que pairam sobre o consulente no presente imediato.
Tudo o que está na cabeça de alguma coisa é aparente à visão de todos e, portanto, a
carta que aparece nessa posição reflete o que é externo, na superfície, e imediatamente
aparente na vida do consulente.

POSIÇÃO 4 - É chamada de Base da Questão. Ela descreve a situação interior e exterior,
o impulso, o instinto ou a aspiração que provoca a aparente situação superficial da Carta
da Cabeça. O que está na base é, na realidade, o que está na raiz da psique c muitas
vezes essa carta surge como surpresa para o consulente, que pode não estar a par de
uma motivação inconsciente que precisa ser levada para a consciência. Nem sempre

                                                                                         98
agimos ou sentimos coisas de acordo com o nosso pensamento, e a carta que aparece na
Base da Questão muitas vezes poderá contradizer o motivo aparente do nosso dilema no
momento em que consultamos as cartas.

POSIÇÃO 5 - É chamada de Influências do Passado. A carta que aparece nessa posição
descreve a situação interior e exterior que agora está acabando de passar pela vida do
consulente. No passado, ela foi importante, pois pode ter representado um conjunto de
valores que o indivíduo tinha em alta estima; mas agora ela perdeu a sua potência e o
consulente precisa ser capaz de soltar tudo o que essa carta representa antes que os
novos e futuros desenvolvimentos possam ser integrados criativamente na vida.

POSIÇÃO 6 - É chamada de Influências do Futuro. A carta que aparece nessa posição
descreve a situação interior e exterior que está por manifestar-se na vida do consulente.
Não se trata de um prognóstico duradouro de um resultado final, mas de uma descrição
das correntes agindo no presente imediato.

POSIÇÃO 7 - É chamada de Posição Atual e é uma espécie de extensão futura da
Posição 1, a Significadora. A carta que aparece nessa posição descreve a atitude ou
estado interno de negócios no qual o consulente logo se encontrará. Essa carta, tal como
a Significadora, descreve um conjunto de atitudes ou de qualidades, e muitas vezes
apresentará o que precisa ser desenvolvido, assim como o que provavelmente virá a
acontecer.

POSIÇÃO 8 - É chamada de Fatores Ambientais e descreve a imagem daquelas pessoas
que nos cercam - amigos e familiares - e que estão envolvidas em nossa situação e
conosco mesmos. A carta que aparece nessa posição geralmente implica que tipo de
resposta à nossa situação é possível esperar de outras pessoas, assim como o que nós
mesmos fizemos inconscientemente para projetar essa espécie de imagem para o mundo
exterior. Muitas vezes, um indivíduo passando por problemas de um tipo ou de outro não
é compreendido pelos amigos e pelos entes queridos como ele esperava que fosse, e a
carta na Posição Oito pode frequentemente nos dizer o porquê, pois essa é a visão que o
mundo tem de nós e pode contradizer a forma de como nos sentimos tão facilmente
quanto refletir honestamente a nossa situação.

POSIÇÃO 9 - E chamada de Esperanças e Temores. Tanto as esperanças quanto os
temores podem ser descritos por uma carta, pois todas as cartas do Taro são
ambivalentes.

POSIÇÃO 10 - E chamada de Resultado Final. Aqui, a palavra "final" pode ser mal-
interpretada, pois nada é absolutamente final, conforme vimos na jornada do Louco; e a
carta que aparece nessa posição não descreve uma situação de permanência duradoura,
mas uma situação que é o surgimento natural do que estamos passando no momento.
Como já dissemos, esse "resultado final" pode cobrir um período de aproximadamente
seis meses.

     Podemos agora nos voltar para dois exemplos de abertura de jogo a fim de explorar
com maiores detalhes a maneira de como ler as cartas.

Dois Exemplos de Abertura de Jogos

     O primeiro exemplo que ilustraremos para a leitura das cartas é o de uma mulher de
28 anos que queria consultar as cartas a respeito de problemas em seu casamento e em
                                                                                       99
seu trabalho. Ela e o marido estavam casados há um bom tempo, mas não conseguiam
ter filhos. Eles moravam em um apartamento em Londres e os dois trabalhavam o dia
todo.
           Essa mulher, que chamaremos de Célia, era editora de moda de uma revista
popular feminina, enquanto seu marido trabalhava como contador. Os dois não estavam
satisfeitos com sua vida em um apartamento da cidade e haviam comentado sobre a
possibilidade de se mudarem para o interior, em parte por causa da monotonia de seus
trabalhos e também pelo fato de que o casamento tinha chegado a um estado de
estagnação.
       Certamente havia necessidade de uma mudança, mas Célia estava confusa sobre o
que fazer, pois, apesar de o marido falar em se dedicar a uma atividade de paisagismo no
interior, ela mesma não tinha uma ideia clara sobre que espécie de trabalho poderia ser-
lhe conveniente e possível longe da nervosa metrópole na qual estava acostumada e
onde poderia realizar o seu potencial criativo.
          Essa situação apresenta a imagem de uma pessoa em uma encruzilhada, sem
saber qual direção tomar para o seu futuro e cheia de ansiedade a respeito do estado de
sua vida pessoal e, no entanto, disposta a assumir um compromisso para com o futuro, se
pudesse encontrar um sentido de qual caminho empreender.
       Célia selecionou dez cartas que consistiam da seguinte abertura:
             A JUSTIÇA aparecendo como Significadora sugere que ela precisa e está
começando a parar para pensar clara, fria e racionalmente a respeito de seu problema.
Por se tratar de uma carta dos Arcanos Maiores representada pela severa imagem da
deusa Atena, a implicação é que desenvolver a capacidade de uma reflexão impessoal é
importante não somente para a situação imediata, mas também é uma qualidade que não
foi bem desenvolvida em Célia no passado e que agora aparece como essencialmente
necessária para que ela se integre em sua personalidade para o futuro. Consultar as
cartas é, de certa forma, o início dessa reflexão impessoal.
           O NOVE DE PAUS aparecendo na Carta Cruzada sugere que Célia teve de
enfrentar uma série de conflitos e obstáculos em suas esperanças e desejos para o
futuro, e agora está exausta e incerta quanto à sua força no enfrentamento de outras
crises para alcançar a sua visão de uma vida melhor. Entretanto, essa carta também im-
plica que, caso tentasse, ela encontraria disponível uma reserva necessária de forças
para atravessar a tempestade. Essa carta retrata o navio de Jasão, o Argo, atravessando
o difícil estreito entre Cila e Caribdes, antes de chegar em casa com segurança; e aqui a
implicação é que Célia tem somente um último esforço a fazer para encontrar o que está
procurando.
        O OITO DE COPAS aparecendo como Carta da Cabeça sugere que um sentido de
decepção emocional esteja dificultando a visão de Célia quanto às suas possibilidades. O
Oito de Copas retrata Psique abandonando qualquer esperança de reconciliação com
Eros e descendo desesperada para o Submundo; e aqui a implicação é que Célia possa
ter fantasiado e esperado demais de seu casamento, que provou ser impraticável. Além
disso, ela ainda sofre de um sentido de decepção e de desespero a respeito do futuro do
relacionamento.
        O SOL aparecendo na Base da Questão simboliza o ardente desejo de Célia pela
criativa expressão individual, bem como por um significado cm sua vida. Nesse momento,
isso é frustrado, o que pode representar o motivo pelo qual ela esteja insatisfeita e talvez
por que, no passado, ela esperasse tanto de seu marido e de seu casamento. O Sol
expressa algo importante, promissor e otimista a respeito do caráter de Célia além da
crise atual, no sentido de que ela precisa brilhar por direito próprio e ser reconhecida
como pessoa criativa.
        O DEZ DE OUROS aparecendo nessa posição de Influências Passadas sugere que
a preocupação de Célia quanto à segurança material deve ser liberada, caso ela queira
                                                                                         100
realmente se realizar no futuro. Essa carta retrata o artesão Dédalo, rico e realizado,
encabeçando uma feliz dinastia para quem ele pode transferir a sua riqueza. A satisfação
financeira e a "respeitabilidade" retratadas nessa imagem foram muito importantes para
Célia no passado, mas ela precisa aprender a colocar menos valor nessas coisas para
poder satisfazer a sua necessidade pela criativa expressão individual.
        O REI DE COPAS aparecendo nessa posição de Influências Futuras sugere que
logo uma nova direção será aberta, seja por meio de um indivíduo (talvez um professor ou
alguém interessado em assuntos como o aconselhamento) ou por meio de uma terapia. O
próprio espírito masculino de Célia parece tender muito mais para um inundo introvertido
e interiorizado de interesse. A presença de uma Carta da Corte nesse lugar sugere que
uma pessoa poderá ser o catalisador para esses novos interesses em desenvolvimento;
mas, se essa pessoa entrar de fato na vida de Célia, será porque ela mesma está indo ao
encontro de um ambiente de interesse totalmente novo.
        O PAJEM DE ESPADAS aparecendo nessa Posição Atual sugere que Célia pode
encontrar-se em um estado mental confuso e irritadiço. Todos os Pajens dos Arcanos
Menores implicam o início de alguma nova qualidade ou direção e aqui, reflelida pelo
naipe de Espadas, está a qualidade do intelecto em desenvolvimento; e Célia está
começando a questionar pontos de vista que anteriormente mantinha ocultos e a ficar
intelectualmente irrequieta c precisando deuma nova linha de estudo ou de
desenvolvimento. Por conseguinte, inicialmente ela pode ser agressiva e sujeita a
comentários alheios -aqueles amigos e entes queridos que não conseguem entender por
que ela está mudando c ficam resSentido com o seu progresso que eles mesmos não
podem ter. Ela pode ficar na defensiva e provocar brigas, porque ainda não desenvolveu
a percepção e a confiança para perseguir sinceramente os novos valores que estão
surgindo.
       O IMPERADOR aparecendo na posição de Fatores Ambientais sugere que, para as
outras pessoas, Célia parece ter sucesso, poder e estar em controle de sua situação e,
portanto, a sua insatisfação pode não encontrar eco em seu ambiente. Exteriormente, ela
parece ter tudo de que precisa - um bom casamento, um lindo apartamento, um bom
emprego, posição, prestígio e poder. A sua frustração e falta de realização não são
percebidas pelo mundo exterior que, ao contrário, interpreta o lado positivo da carta do
Arcano Maior que envolve poder e uma boa posição na sociedade. E possível que a
própria Célia tentasse inconscientemente projetar essa imagem e, como Zeus, o
Imperador é a imagem do pai arquetípico, talvez fosse para agradar ao seu pai que ela
criara essa persona para os outros.
         O MUNDO aparecendo na posição de Esperanças e Temores sugere que Célia
esteja sendo levada por uma necessidade arquetípica de integração e queira tornar-se
uma pessoa completa. Ela não está à procura de compensações materiais, mas de um
sentido de estar completa - uma pessoa que usa tudo de si mesma em resposta à vida.
Portanto, suas ambições e expectativas são muito altas e surgem de uma raiz profunda,
não necessariamente identificável em termos materiais. Ao mesmo tempo, o medo de
tornar-se completa refiete a ansiedade de que esse estado não lhe permitirá espaço para
o seu casamento; uma mulher que possa expressar tanto o lado masculino quanto o
feminino muitas vezes ameaça o homem de sua vida. Assim, Célia quer tudo e, ao
mesmo tempo, está apavorada.
        A TEMPERANÇA na posição do Resultado Final sugere que a direção que Célia
está empreendendo é um bom prenúncio para a possibilidade de um relacionamento
equilibrado no qual há algum comprometimento e alguma troca genuína de sentimento.
Essa carta dos Arcanos Maiores que retrata íris, a deusa do arco-íris, implica que uma
importante mudança é provocada na psique de Célia, pela qual a sua capacidade de
funcionar em um relacionamento se desenvolverá em uma expressão mais compassiva e
humana, livre de muitas das rígidas expectativas que são características do passado e a
                                                                                     101
fonte de muitos de seus problemas com o marido. Por conseguinte, essa carta promissora
e alentadora resume uma mudança de direção na vida de Célia.

       O segundo exemplo que a seguir apresentaremos ilustra um homem de 45 anos de
idade, médico de profissão, que recentemente se separara de sua esposa e filhos para
emigrar da Austrália para a Inglaterra. Esse homem, que chamaremos de Alan, queria
seguir um interesse em curas alternativas com a ideia de ser treinado em acupuntura ou
homeopatia e estabelecer um negócio em Londres, utilizando seus conhecimentos tanto
ortodoxos quanto heterodoxos. Ele estava muito confuso e ainda em grande conflito pela
separação de sua família, apesar de considerar, em seu íntimo, que havia tomado a
decisão correta. Entretanto, ele estava sujeito a fortes depressões e sentimentos de
tristeza e de solidão, apesar de a separação ter sido amigável e outra mulher ter entrado
em sua vida. Ele queria saber se profissionalmente estava no caminho certo, bem como
se ele conseguiria sair desse perturbador estado emocional, dando uma oportunidade ao
seu novo relacionamento.
       Alan selecionou dez cartas que consistiam na seguinte abertura:
       O AS DE OUROS sugere que Alan dispõe de muita energia, tanto no mundo interior
quanto no mundo exterior, para um novo esforço em construir algo sólido em sua vida.
Como essa carta implica recursos e possivelmente dinheiro disponível ao indivíduo para
um novo projeto, ela é positiva quanto ao desejo de Alan em seguir a medicina alternativa,
pois parece possível que encontrará apoio material e pessoal. O Ás de Ouros,
representado pelo poderoso deus Poseidon, é o prenúncio promissor e afirmativo da nova
direção que Alan escolheu assumir em sua vida.
         O SETE DE PAUS sugere que o problema central de Alan é o conflito que ele
inevitavelmente enfrentará com oponentes em sua profissão. Essa é a carta da "rígida
concorrência", representada por Jasão lutando com o rei Aetes pela posse do Velocino de
Ouro. Isso implica que Alan terá de estar preparado para deparar-se com os seus
colegas, seja porque outros queiram o lugar que ele almeja, seja porque ele poderia
contrariar aqueles de sua profissão que são mais conservadores e fechados para novos
métodos de cura. Esse conflito também pode rcfletir uma luta interior em Alan - entre a
sua nova visão intuitiva, simbolizada pelo fogoso herói Jasão, e a "velha ordem"
conservadora, simbolizada pelo rei Aetes, que por primeiro possuiu o Velocino. Portanto,
Alan precisará estar preparado para uma oposição dentro de si mesmo, assim como
exteriormente, pois esse é o problema que "cruza" o poderoso impulso para iniciar uma
nova vida.
           A MORTE aparecendo na posição da Carta da Cabeça reflete o estado de
depressão e de infelicidade no qual Alan se encontra atual-mente. Essa é uma carta dos
Arcanos Maiores sugerindo que Alan está experimentando uma dimensão arquetípica da
vida a tristeza e o luto que sobrevêm sempre que um capítulo da vida é encerrado e o
indivíduo deve deixar para trás o passado e seguir adiante nu e incerto para o seu futuro.
A presença dessa carta também insinua que Alan pode não ter passado tempo suficiente
lamentando a sua perda. A separação de uma família não é um assunto simples e, apesar
de ele pensar ter tomado a decisão certa, o passado precisa ser respeitado e lamentado.
        A RAINHA DE OUROS implica a presença de uma mulher na vida de Alan que, de
alguma forma, pode ser um catalisador para a nova direção que ele quer seguir. Esse
novo relacionamento envolvia uma mulher forte e financeiramente independente,
divorciada e disposta a oferecer-lhe o apoio emocional e o incentivo que ele precisava
nessa fase vulnerável de sua vida. Ela também poderia representar o desenvolvimento de
maior sensualidade dentro do próprio Alan.
        O QUATRO DE ESPADAS sugere que Alan acabava de passar por um período de
retiro e de reflexão, angariando força para enfrentar os desafios que se pronunciam à sua
frente. Mas esse período está terminando e logo ele poderá seguir adiante na vida.
                                                                                       102
O REI DE COPAS sugere a mesma interpretação do caso de Célia - que Alan está
sendo atraído pelo mundo interno do mundo dos sentimentos e da psique, e que o seu
interesse pela cura alternativa pode muito bem incluir uma investigação mais profunda na
Psicologia, além dos métodos de cura que ele pretende seguir. Um homem pode entrar
na vida de Alan como um catalisador para essa linha de interesse em desenvolvimento -
talvez um amigo que esteja envolvido nesses assuntos ou um professor, ou ainda um
terapeuta. Mas essa também é a imagem do que o próprio Alan está se tornando, pois ele
se aproxima mais do reino interior, tendo deixado para trás não somente o seu passado
pessoal, mas também a sua dedicação pela cura do corpo sem se preocupar com a alma.
         O SOL sugere que Alan provavelmente experimentará um momento de grande
esperança e otimismo, porque começa a se ligar a um arquetípico princípio de significado.
Essa carta dos Arcanos Maiores é representada por Apolo que, entre outros atributos, era
odeus da cura; e isso indica que, ao optar por uma exploração mais profunda do
significado da cura, Alan estabelecerá uma relação com a profunda capacidade de
recuperação e com a criatividade do espírito humano que provará ser essencial não
somente para o seu futuro trabalho, mas também para a sua própria cura.
       O ENFORCADO sugere que, aos olhos do mundo, Alan fez um grande sacrifício em
troca de um futuro desconhecido e incerto. Essa carta dos Arcanos Maiores representada
por Prometeu, que roubou o fogo dos deuses para entregá-io aos homens, significa a
desistência de algo de valor na esperança de que algo melhor, mais significativo e mais
compensador possa substituí-lo. Mas o futuro é cheio de incertezas e é a própria
incerteza que aqueles que cercam Alan percebem. Isso também combina com o que Alan
sente, embora a posição do Sol sugira que ele também tem uma profunda convicção do
sentido de seu caminho - que aqueles ao seu redor não podem enxergar ou compreender
imediatamente.
       O DOIS DE OUROS sugere que Alan tem por objetivo o desenvolvimento de novas
habilidades. Ele pode passar por um período de instabilidade financeira, forçando-o a
empenhar tempo, energia e recursos para fazer com que as coisas funcionem; e ele
parece estar ansioso a respeito, o que é refletido na instabilidade da carta na posição de
Temores, assim como de Esperanças. Mas essa carta dos Arcanos Menores não é uma
carta de perda. Ela retrata Dédalo em sua oficina no início de sua carreira, desenvolvendo
suas habilidades e inventando novas ferramentas. Se Alan estiver disposto a subme-ter-
se a um período de movimento e de mudança em seu status e em sua segurança
material, provavelmente ele descobrirá que não sofrerá inutilmente, mas surgirá com um
conjunto de habilidades que o ajudarão no futuro.
       O CINCO DE PAUS na posição do Resultado Final não é uma carta conclusiva, mas
reflete a grande luta de Jasão com o dragão para poder conseguir o Velocino de Ouro.
Aqui o significado parece indicar que Alan pode encontrar-se em conflito com a
coletividade, o que, no sentido de que esta represente a profissão médica, muito
provavelmente criará dificuldades para ele - como tende a fazer com a cura alternativa em
geral.
       Ele terá um sério problema em suas mãos e a questão que ele deve se colocar é:
"Estou eu à altura desse problema?" Se a resposta for "Sim", então incentivaríamos Alan
a continuar a perseguir o interesse escolhido, totalmente consciente de que o seu
caminho no mundo exterior não será tão fácil por algum tempo.


Conclusão

            Neste capítulo, mostramos como as cartas de Taro refletem não somente a
orientação da vida de um indivíduo no momento em que as cartas são consultadas, mas
também as profundas motivações inconscientes do passado que ajudaram a criar a
                                                                                       103
presente situação.
      Embora sejamos todos indivíduos com personalidade e destino únicos, as expe-
riências que a vida nos oferece não são infinitamente variadas em sua essência, mas
somente na forma, pois elas seguem certos padrões antigos arraigados em todos nós e
que fazem parte do processo da vida como seres humanos. Esses padrões foram
expressos desde tempos imemoriáveis na linguagem dos símbolos na rica e maravilhosa
tapeçaria dos mitos de muitas nações e culturas; nas imagens religiosas que nos
inspiram; e nos igualmente ricos e inspiradores desenhos dos grandes sistemas
simbólicos como o Taro.
      Longe de parecermos somente imitar e repetir os outros, um conhecimento e uma
apreciação da jornada do Louco oferecem um sentido de dignidade e de significado aos
mais difíceis desafios da vida, pois aprendemos que há beleza, ordem e propósito até nos
mais obscuros, mais sórdidos e mais banais acontecimentos de nossas vidas.
      As imagens mitológicas nos colocam em contato com o infinito mundo interior do
inconsciente, que é a maneira de a Psicologia moderna descrever o que certa vez durante
períodos menos racionais e menos científicos, era compreendido como o relacionamento
com o divino.
      Portanto, as imagens e o sentido do Taro, que são melhores expressos por meio de
mitos antigos que lhe deram origem, não são "sobrenaturais" nem "ocultos", mas
profundamente humanos e naturais, e disponíveis a todos nós, se nos empenharmos a
olhar e a aprender.
      Não há melhor forma de encerrar a nossa descrição da jornada do Louco do que
esses versos do grande poeta T. S. Elliot: “’E o objetivo dessa nossa jornada será
alcançar o ponto de onde partimos e conhecê-lo como um novo início.




                                        2
BARALHO CIGANO ASSOCIADO AO TARÔ MITOLÓGICO
AS CARTAS

1 - O Mensageiro = Pagem de Espadas
                                                                                     104
2 - Os Obstáculos, a rebeldia sem causa = 9 de Paus
3 - O Mar nutriz, a fartura material e espiritual= A Imperatriz
4 - O Equilíbrio mental= A Justiça imparcial
5 - As Árvores refrescantes, em paz cosigo mesmo e com Deus, amor platônico = 10 de
Copas
6 - Os Ventos instáveis, o desequilíbrio mental = O Louco, o arriscar.
7 - O Arco-Íris, a ponte entre o céu e a terra = O Sol, dissipando a escuridão através da
conscientização, otimismo precipitado.8 - Sentimento de Perda, depressão = A Morte
9 - A Chuva demorada, paciência e dedicação = 8 de Ouros
10 - As Transformações, mudanças repentinas = A Roda da Fortuna11 - A Magia do
pensamento = O Diabo12 - As Alegrias, o fim do problema = 10 de Espadas
13 - A Criança ingênua = A Lua
14 - As Armadilhas, a mentira, diplomacia e a fazeção de drama = 7 de Espadas
15 - As Falsidades, a proposta corrupta e tentadora = 7 de Ouros
16 - A Sorte, a oportunidade = 3 de Paus17 - As Novidades, o presente generoso = 6 de
Ouros
18 - O Aliado = A Esperança no encontro com o desconhecido
19 - A Espiritualidade = O Alto Sacerdote
20 - As Ervas, o equilíbrio material do corpo = 10 de Ouros
21 - As Pedras, os obstáculos, a incapacidade de dizer 'não' aos abusados = 10 de Paus
22 - Os Caminhos, a indecisão = Escolher o caminho e assumir a responsabilidade.
23 - Os Desgastes, trabalho duro e honesto com pouco dinheiro = 3 de Ouros
24 - Os Sentimentos, de coração aberto = Ás de Copas, o desejo por um relacionamento.
25 - As Alianças, o namoro = 3 de Copas
26 - Os Livros, o aprendizado = Pajem de Ouros
27 - O Aviso = Um alerta, mente atenta, atenção.
28 - Homem = Um dos reis, conforme o caso.
29 - Mulher = Uma das rainhas, conforme o caso.
30 - Os Rios, a mansidão e o servir - A Temperança, a renúcia do ego perante o outro.
31 - O Sol, o entusiamo = Ás de Paus
32 -A Honrarias = A Força moral de prestígio, reconhecimento pela boa conduta. Noites
de amor.
33 - As Soluções, seguindo a orientação certa do verdadeiro Eu = O Mago.
34 - A Matéria, o dinheiro, = a ganância, mesquinharia material e emocional = 4 de
Ouros35 - A Segurança, a âncora = A Auto-confiança

Exercício diário para o principiante durante um ano
Ao final do dia puxe apenas uma carta focalizando a seguinte questão:
Como foi o dia de hoje para mim?




                                        3
TARÔ ‘O CAMINHO DO AMANTE’ -                                 de Kris Waldherr
(tradução eletrônica sem revisão)

THE LOVER’S PATH TAROT - KRIS WALDHERR
(tradução sem revisão)
                                                                                      105
OS ARCANOS MAIORES

0 - A INOCÊNCIA

A Flauta Mágica foi a última ópera composta Mozart antes de sua morte em 1791.
Algumas das suas conto de fadas enredo foi inspirado no ritos da Maçonaria, uma
sociedade secreta em que Mozart tinha sido iniciada. A Flauta Mágica fala de uma
princesa chamada Pamina e um príncipe chamado TAMINO que aprender a confiar em
seus corações, inocentes e inexperientes como eles podem ser.

Quando Pamínas fatber encontrou-se sobre o seu leito de morte, o rei legou a sua flauta
mágica, cuja canção oferecido consolo, a sua rainha. Oub FIís solar, que deu o poder do
sol, foi dado a Sarastro, seu mais confiável iríend, a realizar de Pamina, quando ela
cresceu. Após o período de luto passou, a rainha, furioso que seu marido não tinha saído
do oub solar com ela, a filha dela começou a ressentir-se de que um dia ele próprio. Nada
eascd seu coração, nem mesmo a música da Flauta Mágica. Com o tempo, a rainha
aprenderam as artes negras, e tornar-se conhecida como a Rainha da Noite.

Para proteger Pamina da inocência, Sarastro tomou a criança longe da Rainha da Noite.
Os anos passaram e Pamina cresceram. A Rainha da Noite, a sua magia inútil em sua
busca pelo ciúmes oub solar, passou os mesmos anos conspirando para recuperá-la. Um
dia ela espiado Príncipe Tamino em madeira escura em torno da sua casa. A Rainha da
Noite introduziu-se. Ela mentiu como ela pediu Tamino e Pamina para salvar o orbe solar
de Sarastro, acreditando que ela seja uma donzela em apuros, TAMINO acordado. A
rainha deu a flauta mágica de Tamino para ajudar na sua busca.

Quando chegou TAMINO Sarastro do palácio, ele foi saudado pelo grande próprio
homem. Sarastro disse o príncipe ingênuo a verdade sobre Pamina ea Rainha da Noite.
Mas não acredita TAMINO Sarastro. Em busca de orientação, a
jovem príncipe desempenhado A Flauta Mágica. Sua canção benevolente lhe disse para
acreditar Sarastro, a segui-lo para Pamina.

O inevitável aconteceu logo que Tamino e Pamíno vi uns aos outros: Eles sabiam que
amavam-se mutuamente. Sarastro foi plcased pelo seu afecto, mas avisou que o pai de
Pamina TAMINO gostaria de provar-se digno dela. Para fazer isso, o príncipe deve
escolher submeter-se a um teste de bravura.

1 dia seguinte, ele, Tamino aguardava sua noiva e Sarastro pelo pé de uma montanha.
Etcbed para o lado de esta montanha foi dcep uma caverna a partir da qual podiam ser
vistas faixas de fogo e uma cachoeira rodeada pelos ventos. Sarastro TAMINO explicou
que seria testado por terra, vento, fogo e água. Pamina acrescentou, "Vou te levar, mas o
amor irá guiar-me." TAMINO levantou a flauta para os lábios. Pamina tomou a mão dele
para levá-lo. Juntos, eles caminharam na caverna, a flauta da canção quellíng seus
medos. A música protegida eles, acalmar-Ing seus corações. Eles emergiram intocado
pelos elementos e triunfante.

Tamino e Pamina são representadas como são testados pela primai elementos da água e
do fogo. Tamino é olhos vendados, representando a inocência limitando sua visão do
mundo. Não é possível ver, ele deve se basear em Pamina para orientar ele. Pamina, por
sua vez, espera que o amor irá orientá-los para a segurança. Embora ela pode ser
                                                                                      106
inocente, ela sabe o suficiente para confiar em seu coração. Este serena confiança é o
maior dom inocência oferece.

SIGNIFICADOS:
O início de uma grande jornada. Novos empreendimentos e riscos. Inocência que permite
que um deve ser aberto a possibilidades, e protege de dificuldades. Enfrentar medos.
Confiando o seu Béart. Otimismo. Sentindo-se protegidos por forças divinas. Rcvcrscd ou
fracamente aspcctcd: Ignoring seus melhores instintos. Cinismo e de pessimismo. A
desconfiança do self ou outros. Unwillínsrness para fazer um começo.

1 - O MÁGICO

Quando pensamos de magia, acho que temos muitas vezes de Merlin, um lendário
personagem com raízes na história britânica e mito. Famosa como a influente assessor e
assistente de King Arthur, Merlin foi a prole ilegítima de uma princesa e um ser
sobrenatural, quem Mcrlín's inimigos alegou que foi um mal íncubo seduzido innoccnt sua
mãe enquanto ela dormia.

Merlin's mágico powcrs se tornou evidente em uma idade precoce, quando a chegada de
Arthur forctold como o oncc e futuro rei. Arthur's sensata regra unido as facções da Grã-
Bretanha, levando a uma era dourada de paz e harmonia. Outras lendas beld Merlin
responsável pela criação da mesa redonda, que joíncd os cavaleiros de Arthur em cqual
rank. Outra história afirma ser persuadidos a Dama do Lago para outorgar Arthur com a
espada mágica, Excalibur; esta espada empowercd Arthur como único monarca da terra.
Stonehengc, o maciço e mystcrious stonc círculo fixado na southwcst

Engjand, bas becn crcdítcd também como um produet oi Mcrlín da magistral masíc.

Contudo, tão poderoso como Merlin's Magic pode ter sido, não poderia ¬ pare com a
magia do amor. Depois de muitos anos passados no serviço aos outros, o Wiz-ard
apaixonei-me pela primeira vez durante o inverno de sua vida. Vívíannc, uma bela mulher
ethe-rcally quem alguns estudiosos associam o mágico Dama do Lago, implorou o
assistente para levá-la sobre como seu aluno. Para provar seu valor, ela viajou com
Merlin, humildemente entre os animais que vivem na floresta. Ela agiu como seu servo
dedicado. Ela cumpriu ali, mas uma das suas necessidades: Ela não o ama.

Com o tempo, a proximidade e da persistência da moça usava Merlin para baixo até que
ele sentia tão fraco como um apaixonado criança. Ele deu forma ao seu melhor acórdão.
Ele ensinou-la ali sabia da arte mágica. E quando o assistente tinha dado o seu Ali ele
poderia, ele implorou a ela para ter piedade sobre sua dedicada coração. Vivianne tomou-
pena para ela e decidiu colocar Merlin fora de seu sofrimento. Ela olhou sobre o Mago,
agora totalmente sob o poder da sua beleza e ciladas, e administrar o golpe de grâcc.

Alguns acreditam Vivianne utilizado o mágico Merlin lhe ensinou muito para encaixotar o
Mago em uma torre de vidro, onde ele iria dormir através eternidade. Outra história que
ela mantém preso ele em um profundo, caverna escura, nunca para voltar a Arthur's
tribunal onde outros teriam ridicularizar a sua fraqueza para a jovem mulher. Outros dizem
que ela transformaram os idosos em um mago sorveira árvore, cujo mágico boughs
conceder poderes sobrenaturais para ali que sabem tirar partido deles.

O que aconteceu, Merlin da final era evidente. Os poderes mágicos que ele tinha sido
desfeita pela única coisa mais poderosa-amor.
                                                                                       107
Merlin é retratado aqui, no momento da sua transforma-ção de beguíler para iludiram. Ele
está cercado pelo instru-mentos de alquimia que ele tem ensinado a Vivianne wield.
Como Vivianne lança seu feitiço, Merlin é superado pelo amor, pela magia, pela tua
consciência vir demasiado tarde, ele já sabe sometnmg mais pow-1 erful que agora ele
próprio.

SIGNIFICADOS;
Desenvolver a magia dentro de si mesmo. Fundição um feitiço na outra para criar
mudanças positivas. Auto capacitar 'mento e actualization. A ânsia de crescer para além
percebida limitações. A capacidade de transformar a sua vida através da originalidade e
poder pessoal. Renovada criatividade e vigor. A ânsia de crescer além do limite ¬ ções.
Rcvasíd ou wtakly aspcctcd: Blocked poder. Sentindo-se sob o feitiço de um outro.
Manipular ou utilizar outros. A necessidade de controlar a situação nos bastidores. Sigilo.
Trickster comportamento que gera desconfiança.

2 – A SABEDORIA

A fantástica avisadores que compõem a coUection conhecida como A Mil e Uma Noites
ov 1 Arabian Nights ele surgiu pela primeira vez em torno do décimo século. Eles se
acredita que provenham de persa, árabe, indiana e Storytelling tradições. Durante o
décimo oitavo e décimo nono cen-séculos, traduções de A Mil e Uma Noites foi
popularizado no ocidente devido a um fascínio com o distante Oriente. O título deste livro
refere-se a organizar a sua elaboração dispositivo: Ao longo de um mil e uma noites,
Shahrazade, a noiva do rei sábio Shahríyar narra as muitas histórias que compõem o
coUection.

Shahrazade não foi Shahríyar da primeira esposa. Shahríyar da primeira esposa, a quem
o rei qua. na crença de seu virtuoso maneiras, foi descoberto em vias de INFI-delíty, para
grande surpresa sua inconsolável. Intoxicado com raiva, ele co-manded ela ímmedíatc
execução. Shahríyar mudou de um sábio, toleram monarca em um déspota desconfiada.
A partir daí, ele suspeita de desonestidade ou mulheres, e nunca se recusou a ser traída
novamente. Para garantir isso, ele decretou a qua. só virgem. noivas, a quem seria
imediatamente decapitado a alvorada-ção após a noite de núpcias.

Naturalmente, esta carnificina não podia continuar. Ali as meninas viviam com medo de
suas vidas, para que não poderia recusar uma proposta de casamento do rei sem pôr em
risco as suas famílias. Ninguém sabia o que fazer para salvar inteligente Shahrazade.

Shahrazade cortejada o rei. Ela voluntariou para ser sua próxima esposa. Impressionado
pela sua valentia, Shahríyar levou-a como sua noiva. Ele estabilizou o seu coração em
sua beleza e graça, e resolveu que ela iria morrer, tal como aqueles que tinham precedido
ela.

O casamento noite passada. "Então, como o rei estava prestes a ir dormir, Shahrazade
começou a dizer-lhe uma história. Apesar de sua exaustão, ele teve de ouvir as suas
palavras cativante. Shahríyar nunca tinha ouvido tal um conto! Foi inesperado enredo
cheio de torções , rever-sals de fortunc, heróis corajosos, e sensacional Geniès e
monstros. Era como sábio Shahrazade II tinha fiado ou do mundo da literatura em
maiores histórias ouro.

Assim como o sol estava prestes a RISC, assim como a sua história mais emocionante
                                                                                        108
reachcd seu clímax, Shahrazade parado falando. Naturalmente, o rei não poderia matá-la,
ele necded de ouvir a sua história como iria terminar.

Noite após noite, Shahrazade continuou a contar a sua história para o seu marido, que
pendurou em sua cada palavra. Contos entrelaçados em novos contos, na sua infinita
inteligente varia-ções. Manhã após manhã, Shahríyar poupou a vida dela. Em breve um
mil e uma noites e os dias passaram. Durante este tempo, a sabedoria Shahrazade
venceu os reis amor e confiança. Ao fazê-lo, ela salvou sua vida, assim como * i aqueles
do seu companheiro da mulher '^ Unido. Shahrazade é pintado aqui como ela diz a uma
tomada de ar para o seu conto encantado marido. O sol ris-Ing atrás deles revela o final
de mais uma noite árabe. Shahríyar da mais nova e última rainha é sereno com o
conhecimento que ela vai viver para ver outro dia.

SIGNIFICADOS.
Conhecimento e inteligência. Sabedoria adquirida a partir da educação. Traduzindo livro
aprendizagem em entendimento. Um professor que irá compartilhar com você o que você
está procurando. Usando da educação para melhorar a sua vida e outros. Usando
sabedoria para transformar uma situação difícil para o melhor. Rcverscd ou wcakly
aspecto: falta de vontade para aprender. Overrelíance sobre o intelecto, ou factos.
Superficialidade. Intimidados pela inteligência ou educação. Sentindo-se limitado por uma
falta de conhecimento ou compreensão.

3 – A FERTILIDADE

Magnífico Cleópatra, rainha. férteis do Nilo, imperatriz do Egipto, Egipto reinou durante
mais de duas décadas. Durante este tempo, ela se tornou conhecida em todo o mundo
antigo para o seu encanto sedutor, musical voz e inteligência invulgar. Embora tivesse
sido feita rainha Cleópatra na tenra idade de dezessete, ela logo foi forçado ao exílio por
aqueles que dela ressentimento regra. Para recuperar o seu trono, ela recorreu a ajuda de
César por contrabando-se a ele na rolos de um tapete oriental. César imediatamente caiu
no amor com a jovem rainha. e ajudá-la com sucesso resaín-lhe o trono.

Wbíle comemorar sua vitória, Cleópatra concebeu um filho de César, que um filho
chamado Caesaríon, ou "Little Caesar". Cleópatra retornou ao Egito, mas César não
poderia esquecer a imperatriz do bis coração. Ele convidou-a a regressar a Roma.
Durante quase dois anos, César e Cleópatra viviam juntos em seu magnífico palácio em
um círculo de ouro felicidade. César era tão besotted com a rainha egípcia que ele ergueu
uma estátua dela em um templo de Vénus. Embora César era casado com outra mulher,
alguns pensavam que ele iria encontrar um caminho para qua. Cleópatra. Isso tornaria o
filho herdeiro para a combinação reinos.

Juntos, os amantes foram simplesmente demasiado forte, o seu império demasiado
grande. César foi nomeado ditador do Império Romano, e detratores alegaram que ele
planejada para declarar-se rei de Roma. Ameaçados pelo poder César acumulou ea
ambição de Cleópatra, vários senadores conspiraram e esfaqueado até à morte César
sobre o infame Ides de março, em 44 AC. Inconsolável, mas pragmática, Cleópatra e
Roma Caesaríon fugiram para salvar suas vidas.

Após a sua retum para o Egipto, Cleópatra consolidado sua regra, sem dúvida utilizando
ali ela tinha aprendido a partir de César. Mas o cenário político mudou: Após a morte de
César, a guerra civil divide o império romano entre os três governantes. Um deles era
Marco Antônio, a quem Cleópatra facilmente seduzidos. Ele ajudou a Cleópatra estender
                                                                                        109
seu reinado para se tornar rainha de Creta e Cyrenaica. Ela foi proclamada a rainha dos
reis. Indignado, o Senado romano declarou guerra ao Egito.

Desta vez, Marco Antônio da afetividade não foi suficiente para proteger o império
Cleópatra. Mesmo com a sua ajuda militar, as forças egípcias foram facilmente o excesso
de entrar em uma batalha no mar. Preferindo morrer com honra do que viver humilhado,
Marco Antônio e Cleópatra escolheu para terminar a sua vida pelas suas próprias mãos.

Com o fim do reinado de Cleópatra, a era dourada de faraós carne para um próximo. Ela
foi a última monarca do Egipto, apesar da sua determinação intenções, o Egipto após a
sua morte se tornou uma província de Roma.

Cleópatra e César são i | f retratado aqui fecunda na glória de seu acórdão anos. Draped
rica em jóias, a rainha egípcia está grávida com o filho de César, quem espero, Consol-
IDATE seus reinos. César é coroado com os lauréis do Víctor. Eles estão rodeados por
símbolos de expandir os seus impérios, incluindo um mapa do mundo antigo, que está
sobreposta sobre um céu estrelado. Gatos, grandes e pequenas, cerca de desfile,
simbolizando a fertilidade poderes de Bastet, a regai deusa egípcia gato.

SIGNIFICADOS:
Prejudicial ao longo da vida. Alargar os horizontes. Experiências de fecundidade e
abundância. Um novo casamento ou SPE "ciai que apoia uma relação de crescimento.
Ação prática que se manifesta como produto físico-crianças, empenho artístico, ou
riqueza. Gravidez. Invertida ou fracamente aspicttd: privação ou esterilidade. Sentindo a
falta de recursos materiais. Limitação que esgotar. Necessitado de maior abundância na
vida.

4 – A POTÊNCIA

O Complexo LECEND de King Arthur e Rainha Guinevere aparece várias formas no
Reino Unido, bretão, e Roman história e íolklore. As raízes da sua história também pode
ser encontrado na mitologia celta, whcre Regents vezes o desgaste do imortal cores de
deus e deusa. O arquétipo de Arthur como uma única vez e futuro rei da Grã-Bretanha
vive hoje como um exemplo da utilização do poder iluminista-moderno imaginação ainda
são capturados pelo ideal de Camelot, o castelo de utópico que declarou Arthur.

Arthur's Life começou humildemente. Apesar de ser da rainha nasceu Igraíne, esposa do
rei Uther Pendragon, no momento da morte do seu pai, ele foi ime-díatcly tomadas a partir
de sua mãe pelo mago Merlin a bc raíscd de anonimato. Desta forma, o jovem monarca
Merlin protegido de os senhores que lutaram para conquistar o trono Uther. Como eles
squabblcd entre themselvcs, a terra caiu em ruína. Quando Merlin predito de um rei, que
viria a uni-los ali um dia, nenhum dos senhores acreditei ou a magia assinar ele
profetizou: Apenas um, que poderia puxar uma espada mágica de uma bigorna seria
regra Inglaterra pela direita.

Anos passaram. Conforme Arthur cresceu em masculinidade, ele permaneceu
conhecimento da real situação antes dele. O dia em breve. carne quando ele encontrou a
espada na pedra. Na necessidade de uma espada, Arthur facilmente puxado para fora,
alegando Inglaterra, assim como o seu. Embora muitos lutaram com o jovem rei, no
tempo ou questionando o seu direito à regra foram superados.

A chegada de King Arthur iniciada com uma idade dourada da Inglaterra. Ele uniu facções
                                                                                      110
por ganhar sua fealty com a sua coragem e uma liderança responsável. Ele reuniu os
melhores cavaleiros sobre ele que ele poderia encontrar, incluindo a nobre Lancelot du
Lac, a quem muitos considerado o maior cavaleiro vivo. Ele também decidiram se casar e
começar uma família.

Desde o primeiro momento a viu esbelto forma, Arthur amava Guinevere, a jovem filha do
Rei Leodegrace do Norte. Embora Merlin advertiu-lhe que outra mulher lhe traria maior
felicidade, o seu coração era irrevogavelmente fixado. Foi fiel Lancelot quem Arthur
confiáveis para apresentar o seu naipe para Leodegrace. Contudo, logo que cumpridas
Lancelot Guinevere dos olhos, eles foram posscssed por um poder maior do que a sua
lealdade para com o Arthur. Ambos lutaram para controlar as suas emoções como
Guinevere casado Arthur.

E assim Arthur's poder trouxe a noiva yearned para ele, mas ele não trazer o seu amor.
Por muito que Guinevere respeitado o seu marido, era Lancelot ela desejar. Experimente
o que ela poderia, o trágico triângulo de Arthur, Lancelot e Guinevere foi enraizada para o
resto de suas vidas. Ele levaria a amarga infelicidade para ali três. Mas ainda hoje, a
beleza do ilustre King Arthur's Reign vive em, apesar do triste rainha que não o amo.

Arthur e Guinevere são mostrados na sua trono, sur-arredondada, com a glória que foi
Camelot. A tapeçaria pendurada atrás deles revela Lancelot, que está sempre no Queen's
th.ough.ts. A mesa redonda, sobre a qual nenhum cavaleiro poderia sentar mais alto ou
mais baixo no estado, revela o objetivo final de energia: Para criar paz e harmonia.

SIGNIFICADOS:
A habilidade de usar o poder sabiamente. A consciência de um poder do. Reunião
autoridade figura ou um professor que pode ajudar. Responsíhílíty para outros. A
capacidade para liderar e inspirar. O conhecimento de como criar mudanças sem abrir
mão de valores importantes ou de recorrer à violência ou engano. Rcvcrscd ou wcakly
aspcctcd: Oprimido por outro o poder e autoridade. Insegurança. Perda de poder pessoal.
Passivo agressão. Usando o poder de manipular outros para ganho pessoal.

5 - A TRADIÇÃO

Romeu e Julieta foi baseada Thi Tragícal História de Romeus e Julkt, um longo poema
narrativo. conhecer durante Shakespeare's tempo. No entanto, tomou Shakespeare's
génio para transformar essa história em um dos maiores desempenha no idioma Inglês.
Escrito em 1595, Romeu e Julkt é conside-rados os quintessencial exemplo da estrela-
cruzado amantes aprisionado pelas suas famílias-LIES "tradicional ódio de si. Ao longo
dos séculos, esta extremamente pop "o seu jogo tem servido de inspiração para inúmeras
variações no cinema, na ópera, e da literatura, alguns dos quais subvenção Romeo
andjuliet negou-lhes o final feliz por Shakespeare.

Na Renascença Verona, uma antiga desavença entre a Montague Capulet famílias e
espalhar a discórdia througbout pacífica outra cidade. A tradição de ódio entre as duas
casas nobres era tão arraigada que iria acontecer se uma carnificina Capulet
acidentalmente reuniu um Montague na rua. Julieta, a quatorze anos de idade, filha de
Lord Capulet, fez o seu melhor para não tomar parte na contenda. Mas isso se tornou
impossível quando ela caiu no amor com Romeo, o bonitão, impetuoso filho de Lord
Montague.

Juliet Romeo conheci quando ele escapado dissimulada no Capulets' ¬ cos Tume Bali.
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Juliet, que também foi mascarada, atingiu-o com sua beleza e graça como ela dançou ao
lado dele. Quando ele soube que Juliet era o seu inimigo da filha, já era demasiado tarde,
tradição ou não, paixão proibida já tinha ultrapassado os jovens para os jovens Montague
Capulet. Mais tarde naquela noite, Juliet Romeo apareceu debaixo da janela do quarto
para ela namorar com melado palavras. Os dois admitiram ansiosamente seu amor um
pelo outro, e jurou de casar com a maior brevidade possível.

Foi Frei Lawren.ce cuja ajuda Romeu e Julieta alistaram. Fr. Lawren.ce foi inicialmente
duvidosos de Romeo's súbito desejo de Juliet, mas, em última instância, decidiu que os
seus votos de casamento ia curar o ódio entre as Montagues e as Capulets. Tocou os
tradicionais rituais de casamento para eles, e foi empossado em sigilo.

No entanto, a paz não era para ser de Romeu e Julieta. Mais tarde naquele mesmo dia,
Romeu foi atacada por um dos parentes da juliet na rua e, whílc dcfendíng si próprio, o
esfaqueado Capulet dcad. Forçado a fugir de sua vida, baseou-Romeo Frei Lourenço de
agir como íntcrmcdíary entre ele e sua nova artimanha. Juliet tinha problemas de seu
próprio: a sua família queria que ela se casar anothcr, e ela não podia dizer-lhes que ela
já estava qua. a Romeo. Para ajudar, o frade offeredJuliet uma poção que tornaria, como
se ela morreu há dois dias. Esta seria conceder-lhe tempo para notificar Romeo, que
chegam para salvar sua amada tal como ela despertámos em. cripta da família.

Mas o destino conspirou contra os amantes-Romeo recebeu palavra de Juliet da morte
antes de ter sido informado pelo frade. Ele correu ao seu lado, e envenenou-se a morte.
Julieta, despertar nos braços do marido dela morreu, não hesitou em usar sua adaga para
eternallyjoín ele. Triste como o seu conto pode ser, o amor de Romeu andjulíet fez trazer
sl ^ ^ ^ Wl Pí um fim à tradição ol ódio que flagelaram suas famílias. Ele deu lugar a uma
nova tradição de tolerância e compreensão.

Romeo andjulíet são mostrados como eles recebem a sacrcd rituais de casamento a partir
de Frei Lourenço. Dois querubins, paíntcd em afrescos enquadrar a jovem, oferecer a
opção de amor ou de direito. Além deles assenta a cidade de Verona, em cujos muros
caíram no amor.

SIGNIFICADOS:
Após estabelecer as estruturas sociais. Tradições que podem constranger. Em
relacionamentos amorosos, o desejo de casamento ou alguma outra estrutura formal por
motivos de segurança. Conscientização da imagem pública eo desejo de controlá-lo.
Querer obedecer a fim de obter aprovação. Possíveis rigidez. Rcvcrsed ou yjtakly
aspcctcd: A necessidade de se deitar fora antigas estruturas sociais que condicionem.
Medo de não convencionais ideias e formas de abordagem. Inconformismo.
Questionamento da tradição pela tradição do amor

6 - AMOR

O mito de Isis e Osiris ílustra o poder do amor e como ele pode transformar-nos
irremediavelmente. Durante mais de três mil anos, antes de 3000 a.C. para o segundo
século AD-Isis era venerado no Egito como a motber deusa do universo. Ela teve dois
brotbers, Osiris e Set. Osiris foi o responsável pelo solo fértil e Set governou o árido
deserto.

Quando eles foram idade suficiente, deus do sol Rá casado com Isis Osiris. Isis e Osiris
foi feliz em seu amor um pelo outro. Sem lua ou estrelas poderiam ofuscar a sua paixão.
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Porque eles foram felizes em tbcír união, Isis e Osiris foi generosa e justa. Seus dias
foram gastos nutrir o mundo: Isis poderes do combincd com Osiris's ressuscitados
abundante comida dos ricos e da fertilidade do solo egípcio Nilo. Consequentemente,
foram adorado por muitos e concedeu honras superiores ao seu irmão Set.

Definir este observado. Ciúmes comi a sua alma, concedendo-lhe sem descanso. Seu
propósito para o seu irmão rapidamente virou-se para odiar. Para ser liberado da mesma,
ele trappcd Osiris em um coflín e heaved-lo para a agitação das águas do Nilo.

Gríefstricken, Isis transformada em si mesma um pássaro escuro e flcw cada ior-se
procurando seu amado Osiris. Finalmente ela encontrou o caixão embeddcd dentro de
uma árvore, que tinha crescido em torno dele ao longo do tempo. Isis escondeu o caixão
de Conjunto. Definir Mas aprendi ali. Ele roubou Osiris de Isis, e cortar o corpo do irmão
bis em quatorze pedaços, que se dispersa ao longo do Egito.

Isis foi implacável. Reforçada pela sua devoção à Osiris, ela viajou para cima e para baixo
do Nilo, em um papiro barco, em busca de pedaços de perdeu o seu marido do corpo.
Anos se passaram antes que ela encontrou todos e cada um. Quando ela fez, Isis Osiris
colocados de cada peça, ao lado do outro, e juntou-lhes Ith cera e ouro. Em seguida,
usando o poder do seu amor, a deusa Osiris trouxe de volta à vida de um abraço final.

Esse ato de amor resultou em Isis conceber um filho de Osiris. Seu filho, o deus Horus
falconTeaded, cresceram e prosperaram, um potente lembrete de como o amor pode criar
vida, mesmo quando confrontados com a esmagadora adversidade. Isis e Osiris são
mostrados envolto na sua última abraçar. Vida redemoinhos em torno da quietude do seu
beijo. Vários pássaros voam pelo escuro, symbolíz "que aprova o movimento do destino
que o amor pode nos proteger contra, bem como Isíss pesquisa para ela perdeu Osiris. 1
ele bícroglyphs pintados sobre o ouro por detrás da parede amantes cita um antigo
Egípcio amor poema.

O Amor cartão symbohzes amor na sua mais pura forma: O amor que nos dá poder para
o bem; amor que traz alegria para o coração. Representa também o prazer sensual amor
traz à nossa vida, incentivando-nos a encontrar formas de aumentar saudável e desfrutar
de sua presença. Embora este cartão também pode sugerir o aparecimento de um
relacionamento amoroso importante, que pode parecer um predestinado pelos céus
symbolíz-lhe também, é a união das energias masculina e feminina dentro de nossa pró-
prios. Esta feliz estado de harmonia nos permite transformar o mundo em torno de nós,
como se fôssemos deuses ou goddesscs.

SIGNIFICADOS:
Amor que inspira-nos a grandes feitos e harmonia. A consciência da natureza do amor
apaixonado, e que é necessário para encorajar. Sensualidade. Integração das energias
masculina e feminina, o que alguns chamam a anima e animus. Uma nova e importante
relacionamento. Paz dentro de si mesmo. Amor, que transformaram o mundo em torno de
você, assim como você. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Feeling indigna de amor.
Manipular os outros com sexualidade. Impossibilidade de encontrar um parceiro amoroso.
Imaturidade e irresponsabilidade nos relacionamentos amorosos. Jogo. Desarmonia.

7 - DESEJO

The Story of Tristan e Isolde tem origem no francês e Celtic tradição. Ela mostra como o
desejo tudo arrasta ao longo da sua trajectória firme, criando movimento imparável, onde
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havia uma estagnação.

Tristan foi um homem que tinha conhecido-perda triste, triste; Tristan, um triste. Sua mãe
havia morrido trazê-lo para a vida, e juntou-lhe o pai logo depois. Sem raízes, ele
prometeu a sua lealdade ao rei Marcos da Cornualha, que amou e cuidou Tristan como
seu próprio filho.

Tristan e Mark eram inseparáveis. Ele confiou em que ele Tristan desejado digna de uma
esposa dele. Um dia uma pomba voou para a janela do Marcos, transportando uma
vertente de ouro cabelo. Persuadidos Este foi um sinal, ele perguntou Tristan para
encontrar o proprietário do cabelo, para que ela só poderia ser sua esposa. Tristan viajou
muito e largura. Ele encontrou o cabelo pertencia a Isolde, filha do rei de Portugal, o rei
Mark's mais acérrimo inimigo. Mas, inimigo ou não, Tristan faria Marcos da licitação.
Como Tristan Isolde wooed anonimamente para Rei Marcos, a princesa pensou que o
bonitão queria que o seu próprio cavalo e sentiu desejo em seu favor. Seu desejo virou
para fúria quando Tristan revelou que ele estava agindo de proxy de Mark King. Mas sem
o casamento, a ameaça de guerra loomed entre a Irlanda e Cornualha. Contra a vontade
dela, concordou com Isolde qua. um homem que ela nunca tinha visto e não amor.

Isolde chorou quando ela deixou o pai e mãe. Como ela abraçou-os para uma última vez,
a mãe dela pressionado um pacote para as mãos da princesa. Este pacote continha uma
poção mágica que ela prometeu Isolde traria alegria dela até à morte sobre a sua noite de
núpcias. Audição da sua mãe palavras, Isolde pensou a mãe dela tinha dado-lhe uma
maneira de matar, assim poupando-lhe a vergonha de um casamento indesejado. Isolde
decidiu que ela não iria morrer sozinho, em vez disso, ela ia morrer com Tristan, que tinha
ganho o seu coração, mas traiu a confiança dela.

Isolde misturada com a poção vinho em uma taça de prata. Ela convidou Tristan para vê-
la. Oferecendo a mão dela na amizade, Isolde bebeu a taça de profundidade e, em
seguida, entregou-a Tristan. Tristan. bebeu o que restou. Como o vinho snaked através
Tristan e Isolde's veias, o amor como uma propagação vinha mais forte do que espinhos e
muito mais selvagem, enchaíníng um para o outro. Para Tristan e Isolde morte não tinha
bebido, mas o amor que teria passado sobre a morte. Isolde da mãe, desejando a sua
filha em casamento alegria, tinha uma concepção amor poção tão forte que não terrena
poderes poderão alterá-la. Nada poderia ser feito. Como o navio em direção Sped
Cornualha, Tristão e Isolde deu-se ao desejo da atracção irresistível.

Tristan e Isolde são mostrados após beber poção do amor. O oceano ao seu redor é tão
selvagens como os desordeiros emoções nos seus corações. A feroz "vidade da sua
vontade paixões um ao outro, como se eles nunca poderiam ser separados. É uma força
muito grande de uma força para resistir-lhe puxa-los em conjunto como um poderoso
corcel.

O Desejado cartão sugere forças além con 'trol-queridos, temos de apresentar ao. A terra-
emocional escapo é demasiado selvagem e poderosa para domar. Só podemos confiar
em que estão em nosso melhor interesse, já que eles são fadado.

SIGNIFICADOS:
Sendo puxado pelo desejo. Movimento para a próxima fase da vida. Sentindo-se as forças
do destino. Se você estiver se sentindo impaciente, não se preocupe-transições vão bem,
como se eles estão destinados a ser. Externai forças que trabalham com você. Rcvcrsed
ou wcakly aspecto: Necessidade de espera. Impaciência. Encurralado pelo que sentem
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desejos insaciável. Inconvenient timing. Ignorar ou insensibilidade aos sinais em torno de
si mesmo. Sentindo-se incapaz de fazer uma transição.

8 – A FORÇA

A lenda de Siegfried Brunnhílde e é nativo da Norse e tradição germânica. Ela mostra
como o amor pode fortalecer-nos para fazer ações muito além das nossas capacidades
normais.

A valquíria Brunnhílde era o filho favorito de seu pai Wotan, soberano dos deuses e
deusas. Um guerreiro imortal, ela estava disposta a seguir a vontade de seu pai, trazendo
os corpos dos animais guerreiros para Valhalla, o seu palácio construído em grande
custo. Por Wotan havia comprado Valhalla ouro com um anel mágico, que deu o poder de
Ali o mundo para todos que ele usava. Se vier a este anel Fali em mãos erradas, o fim do
mundo iria chegar.

Para obter este anel, Wotan previstas para mobilizar a ajuda de um homem forte o
bastante para ganhá-la de volta. Esta foi bero Siegmund. Mas o destino tinha uma torção
de Wotan: Siegmund caiu no amor com outro homem da mulher, e os outros deuses
ordenado que ele deve ser morto pelo marido da mulher como punição por seu adultério.
Contra bis será Wotan foi obrigado a concordar com a sua decisão. Para fazer o contrário
seria expressos vergonha na sua consorte Frícka, a deusa do casamento cujos votos
Siegmund desonrado ilícitas com o seu amor.

Wotan enviado Brunnhílde Siegmund para dizer que ele iria morrer. Siegmund, mas
recusou-se a ir voluntariamente com a valquíria de Valhalla, para a mulher que ele amava
agora transportada seu filho. Como ele implorou pela sua vida, Brunnhílde do coração foi
movido. Pela primeira vez, ela compreendeu o poder do amor, que fez forte o suficiente
para ir contra a vontade de seu pai, ela concordou em ajudar a ganhar seu Siegmund
batalha. No entanto, Wotan. assolou Siegmund morto, para os deuses' com.br 'comandos
não devem ser ignorados.

Por essa transgressão, Wotan fez Brunnhílde mortal na carne e no coração.
• "Como mulher, Brunnhílde tinha ali as vulnerabilidades de um. Seu pai ordenou que ela
casar com o primeiro homem que encontrou a sua defesa na floresta. Mas Brunnhílde
teve uma inspiração: Ela implorou para não ser homem comum da noiva. Sabendo que
Siegmund da criança só poderia ser um herói como o pai, ela pediu para ser colocado
para dormir sobre uma pedra encantada protegida por um anel de fogo. Apenas um herói,
como o filho de Siegmund seria corajoso o suficiente para andar throush o fogo para
acordá-la como sua noiva. Juntos, eles bc seria forte o suficiente para recuperar o anel do
poder de Wotan.

Wotan concordou em Brunnhílde do sábio pedido. Quando Síegmun.d 's filho nasceu, sua
mãe lhe chamado Siegfried antes que ela faleceu. Siegfried cresceu para ser tão
destemido como Brunnhílde frente "disse. Os anos passaram e ele soube de uma mulher
cercada por chamas nenhum homem poderia reivindicar para o seu próprio. Sem medo,
Siegfried caminhou através intocadas as chamas. Como ele Brunnhílde acordei com um
beijo, ele sabia que o amor pela primeira vez.

Apesar de muitas torções do destino, Siegfried e Brunnhílde eram fortes o suficiente para
recuperar o anel do poder, assim, salvar o mundo. Brunnhílde e Siegfried são
representadas triunfantemente unida em último lugar. As chamas foram extintas
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Brunnhílde envolvente, como um encantamento quebrado pelo primeiro beijo do amor. Os
amantes cara do mundo, confiantes de que eles são fortes o suficiente para enfrentar
qualquer coisa. Nada vai impedi-lo de concluir a sua grande missão.

SIGNIFICADOS:
A transformação de fraqueza em força. Amor que nos fortalece. Integridade. A força para
fazer grandes proezas. Firme liderança. Implacável coragem. Revased ou wtakly asptctcd:
Feeling inseguro ou temeroso. A dispersão de energias. Querendo demais para ser forte
para você. Criação de discórdia para enfraquecer outros.

9 - CONTEMPLAÇÃO

O filósofo Peter Abelard era famoso como um brilhante teólogo e professor durante o
medievo idades. Ele nasceu em 1079 em uma pequena aldeia fora Nantes, França.
Embora Abelard inicialmente planejado para unir as forças armadas, ele encontrou-se
atraído para a mais vida contemplativa da mente. Dentro de sua profissão escolhida,
Abelardo depressa se tornou conhecido pela mestria do diálogo filosófico e independência
de pensamento, ele mesmo foi contra a política da Igreja e tomou posições solidário com
tradições pagãs.

No entanto, nenhum destes actos escandalosos poderia comparar a tempestade CRE
'criadas quando Abelard apaixonei por Eloise. A história de seu amor proibido é definido
no Abelard's 1130 livro, História Calamítatum, ou A História ofMy Calamhks. Forçado a
escolher entre seu amor pelo talentoso Eloise e sua carreira na igreja, Abelardo tentou
sem sucesso preservar ambos.

Eloise foi apenas dezassete anos, quando ela encontrou-se com o primeiro míddle'aged
professor, que tinha tomado a residir em Paris. Ela era linda, educada, e encantado com a
aprendizagem. Seu tio Abelardo implorou para levá-la sobre como seu aluno e ele
concordou. Abelardo e Eloise da paixão para o mundo da instrução intelectual logo deu
lugar a uma paixão por si: Abelardo deu o seu votos de celibato para se tornar sua
amante secreto. Mais de uma centena de cartas documento, o assunto de Abelardo e
Eloise, revelando o amor profundo e cumpridores eles compartilhados.

Eloise logo engravidaram com um filho. Ela chamado Astrolabíus ele, para sugerir celeste
origem. Para proteger a carreira brilhante Abelard na igreja, eles qua. em segredo. No
entanto, quando eles tragédia aguardado Eloise tio do des-coberto tudo. Ele estava tão
furioso com a traição do homem que ele havia contratado para ensinar sua sobrinha que
ele organizou para um grupo de homens para castrar ele. proteger o Eloise, Abelardo ela
insistiu em participar de um convento e tornar-se uma freira. Por sua vez, ele se tornou
um monge. Seu filho foi enviado para viver com segurança e com Eloise da irmã. Mas
apesar de os amantes foram sep 'arated, eles não podiam esquecer-se mutuamente. À
medida que os anos passaram, Eloise ele escrevia cartas volumosas. Em um deles ela
jurou, "Deus é minha testemunha que, se Augusto, imperador de todo o mundo,
pensamento apto a honra-me com casamento e conferiu a terra ali comigo para sempre
possuem, seria caro e mais honroso para mim para ser chamado, mas não a sua
Imperatriz sua pauta. " Eloise e Abelardo nunca conheceu outra vez na vida, mas foram
juntaram-se em morte: os seus corpos são enterrados ao lado de outros em cada Père La
Chaise, um cemitério parisiense conhecida pela sua celebridade habitantes.

Abelardo é mostrado como ele escreve sua História Calamítatum, que fala de seu amor
por Eloise. Como ele funciona, ele pinta uma foto dela como uma freira, como se ele é
                                                                                      116
Prevendo a sua vida naquele momento. Abelardo é fn vestido vermelho, simbolizando o
corpo pas-sion ele deixou para trás o mundo da razão. Uma janela mostra uma paisagem
calma, sugerindo a viagem, ambos os amantes tomaram uma viagem que levou-os a uma
vida de contemplação.

SIGNIFICADOS:
Retirada da vida para melhor contemplar efeito. A necessidade de ir dentro para ganhar
sabedoria. Ouvir o seu coração. Retiro em vida interior, neste momento, as suas
necessidades não são tão centrada na relação com os outros, mas sobre o seu
relacionamento com você mesmo. Rcversed ou wcakly aspecto: distracted por todo o
mundo. Ignoring intuição. Não há tempo para pensar e reflectir. Superfkíality. Sensações
estranhas com o seu coração.

10 - FORTUNE

A HISTÓRIA DO Danae oferece uma parábola da fortuna do triunfos e travaíls. Na Roma
antiga, um rei chamado Acrísíus tinha um chamado daugbter Danae-uma princesa com
uma maldição, após seu nascimento para o oráculo de ApolJo predisse que um dos filhos
da princesa iria matar o rei. Acrísíus não podia deixar isto acontecer. Quando Danae
carne de idade, ele murado ela dentro de uma torre de bronze, nunca se casar nem ter
filhos. Apesar disto, Danae sobrevivido e espera por algo melhor.

Um dia após a fortuna sorriu Danae. Como ela estabelecer repousarão sobre ela palete,
um chuveiro de ouro brilhante derramado através da torre, as janelas. Dentro deste brilho,
um homem alto e regai apareceu. Danae imediatamente conhecia este homem era um
deus. E ele foi: Ele era Zeus, deus dos deuses ali, e mais poderosa de seres ali. Zeus
transformou-a sombria prisão em um magnífico palácio. Ele é preenchido com jóias e
roupas bordadas, e deu-lhe livros e outros itens para preencher o seu tempo. Ele também
estabeleceu com Danae, jurando o seu amor por ela.

Fortune terá o seu caminho como seguramente como um Deus de uma rapariga inocente.
Em tempo Danae suportaram um bebê que ela chamado Perseus, um filho Zeus disse a
ela seria um grande herói. Danae finalmente sentia seguro, protegido pelo amor de deus,
a mãe de um herói. Mas o pai dela Acrísíus não tinha esquecido a maldição. Uma noite, o
rei viu luz deitando fora da torre, as janelas. Ele tinha seus operários abrir a torre, e
encontrou sua filha com o seu filho recém-nascido. Apavorado, mas incapaz de matar seu
único neto e filha, Danae e Perseu Acrísíus colocado em uma mala grande, que foi
heaved no oceano insondável para levá-las longe.

O mar em torno swírled Danae e Perseus, arremessando-os para a sua
destino. Danae Enquanto não poderia imaginar como eles vivem, ela sabia que iria
sobreviver, por Zeus iria protegê-los. E Deus fez a cuidar deles: Um homem capturado
Fisher-mãe e da criança dentro da sua rede após a sua mala finalmente aterrou upon.
longínquas da ilha de Seríphos.

Polydectes, o rei de que a terra, estava encantada por Danae da beleza e quis se casar
com ela. Mas Danae foi casado com a música-como certamente como Zeus fez dela a
sua amante. Perseus cresceu em um homem forte, ao longo dos anos. Depois de muitas
aventuras, ele fez matai-Acrísíus um castigo justo para o tratamento da sua única filha tão
cruelmente.

Danae deslumbrado com o que é mostrado fortuna trouxe-lhe, mas também intrigado.
                                                                                        117
Como Zeus aparece antes dela, ela calms com promessas de amor. Além dela, uma
paisagem verdejante rola em direção ao mar agitado, simbolizando o inesperado, mas
promissor voltas do destino vida tem oferecido a princesa. A Fortune cartão Arent
recorda-nos que estamos sempre no controle. Há mais poderes no trabalho, | forças que
são mais expansivas i e abundantes que, muitas vezes, para lhes dar crédito. Para confiar
na sorte melhor que podemos oferecer é a nossa cara mora com expectativas positivas, o
mundo pode ser uma generosa lugar onde as coisas boas acontecem

SIGNIFICADOS:
Positivo sorte. A generosidade do universo. A capacidade de estar abertos a abundância.
Atenção de todo o mundo. Sentimentos ol expansão e expectativas positivas.
Conscientização da beleza e do amor. Chance. Revased ou wcdkly aspectcd:
Desconfortável sentimentos ou decepcionantes experiências com chance. Unexpected
terminações ou iniciar-níngs. Caprícíousness. Sentindo-se ignorado por fortuna, quando é
que vai ser a sua vez?

11- JUSTIÇA

AS FORÇAS imóveis da justiça são representadas na história de Ulisses e Penélope, que
é contada em O Homer's Odyssey. A Odisséia narra do rescaldo da Guerra de Tróia,
Ulisses e do herói da jornada a ser reunificada com a sua amada esposa Penélope.
Embora ele tivesse sido deslocado para dez longos anos, Penélope esperou fielmente
para o seu retorno. Durante este tempo, ODYSSEUS havia sido preso após uma ilha pela
feiticeira Circe, que foi determinada a possuir o guerreiro por ela própria. Quando ele
finalmente escapou de suas garras, ODYSSEUS enfrentou outros desafios antes de
chegar casa. Estes incluíram um encontro com um ciclope, o canto das sereias
enlouquecedora, ea ilha de seduetíve o Lotus eaters.

Embora Penélope não sabia nada de aventuras do marido, ela se manteve certa. ele iria
voltar para ela. Apesar de sua fidelidade professada, ela estava sobrecarregado com os
pretendentes que pretendia preencher o lugar vazio no seu leito conjugal. Penélope
estava angustiado pela sua atenção e pela discórdia trouxeram ao seu agregado familiar.
Estes pretendentes movida em seu palácio, comeu sua comida, e lutaram entre si.

Mas Penélope foi sensato. Para criar a paz entre eles, ela começou a tecer uma
tapeçaria, promissor para escolher um novo marido no dia que ela acabei. Para garantir
que o tempo nunca chegou, cada noite Penélope desvendados seu dia de trabalho por
velas. Ainda estes pretendentes não deixaria a pobre mulher sozinha. Eles espiado sobre
ela, quando deveria ter sido dormindo, e ela descobriu secret.Threateníng para lutar
novamente, os pretendentes obrigou-a a terminar a tapeçaria e escolher um companheiro
de entre eles.

Dificultoso, Penélope teve outra idéia. Ela alegou que ela pró-ia casar com apenas um
homem forte o suficiente para string marido da proa, que havia deixado com ela
ODYSSEUS quando ele foi para a guerra. Centenas de homens alinhados, ansioso para
ter um turno
.
Nem um deles foi suficientemente forte, com excepção de um homem. Este homem, um
homem que Penélope não reconheceu na primeira por causa de seu cabelo trapos e
selvagens, foi ODYSSEUS próprio. Fingindo ser um novo pretendente, ele com chavêtas
seu arco-o mesmo arco estes pretendentes eram demasiado fracos para deter e matou-os
ali antes afirmando a sua mulher novamente. É impossível descrever-vel para o concurso
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de alegria e Penélope

ODYSSEUS do longa-yearned para a Reunião. Assim, justiça foi feita através da força da
ODYSSEUS e da sabedoria de Penélope.

Penélope é mostrado tecendo pacientemente a sua tapeçaria. Ela é con-fídent com
confiança o que ela espera do marido voltar. Pendurada na parede atrás dela retrata a
justiça ela sabe ODYSSEUS wíU servem. Uma escala, pintada sobre o lado de Penélope
do banco, que representam «wíU que representa a justiça prevaleça.
A Justiça cartão oferece uma calma lembrete para acreditar na força da equidade. Mesmo
Se a vida parece estar cheia com injustiça, calma orelhas wíU reconhecer o que é certo. A
verdade sempre vence.

SIGNIFICADOS:
Justiça será feito. Confiante paciência. Wise perspectivas. Equidade. Necessidade de
uma perspectiva mais destacados de um incômodo situação. Não se preocupe, você será
capaz de defender-te; razoável ouvidos ouvem. Rcvcrscd ou wcakly aspccted: injustas
acusações. Frustração com burocracias ou organizações. Impaciência. O surgimento
deste cartão mostra que esta é uma situação temporária.

12 - SACRIFÍCIO

O mito grego de Orfeu e Eurídice oferece um exemplo de amor sacrificada por causa do
amor. Sua história ressoa para este dia.

Orfeu era o filho do deus Apolo domingo. Embora ainda uma criança, seu pai ensinou-lhe
a forma de cantar e tocar a lira. Com suas canções Orfeu moveu os corações dos homens
e dos deuses. Além de ser jovem, talentoso, e bandsomc, ele era amado pela ninfa
Eurídice. Ele amava wíldly em troca.

Quando qua. Orfeu e Eurídice, Orfeu nunca suspeitou que eles seriam parted tão cedo.
Após Ali, ele foi abençoado por Apolo. Mas uma serpente, jcalous do jovem casal do
êxtase, pouco Eurydice SHC do tornozelo como strolled através de um campo gramado. E
assim ela passou írom deste mundo para o outro enquanto ainda uma jovem mulher.

Orfeu foi distraído pela Eurydice da morte. Ele wandered todo o lado, lamentando a sua
esposa. Dispostos a renunciar ao destino, alguns believcd ele viajou na medida do Egito,
onde ele aprendeu a preservar o segredo ritos mortos a ser como eram na vida. Na hora
que ele chegou no portão de Hades, a terra dos mortos Eurydice agora onde residia. Mad
com tristeza, ele decidiu resgatá-la.

Então Orfeu cantou. Com sua música, ele implorou a pedras em torno Hades para dividir
aberta para ele, e eles fizeram. Com sua música, ele entreated o Rio Styx à parte para
ele, e já o fez. Dentro da terra dos mortos, as bebidas espirituosas foram chocada ao ver
um homem vivo. Mas eles choraram após a audiência, a beleza de sua música, como ele
cantou de seu amor por Eurydice e como ele saudades dela. Portanto, a SPIR ¬ seu
trouxe o músico para Persephone, deusa dos mortos. Sua canção quebrou Persephone's
coração, e ela homenageado Orfeu 'pedido de reunificar-los, mas com. uma restrição:
Orfeu não deve olhar para ela como o seguiram Eurydice fora de Hades. Se ele estava a
ter um olhar para ela, mesmo antes de atingirem a sua casa, ela iria ser sacrificada à
morte para sempre.

                                                                                      119
Como o jovem percorrem em direção à terra dos vivos, EURYDICE estava radiante ao vê-
la busband. Mas então, dúvidas em conjunto. Desconhecendo por isso que Orfeu não
olhar para ela, ela implorou-lhe para mostrar-lhe algum sinal. de Affec-ção. Embora Orfeu
tentou tranquilizar-la com palavras amorosas, ela não acreditou nele. Para acalmar
lágrimas, ele virou-se para abraçar a sua esposa, assim sacrificar sua felicidade para
caso o seu coração.

Alguns dizem que a única coisa que Orfeu viu quando ele olhou para trás foi Eurydice
vanísbíng no ar. Para castigar-lhe o seu sacrifício, o músico foi rasgado em pedaços pela
Furíes. As Musas reuniu seus ossos e as colocou entre as estrelas para inspirar outros.

Porém, outros acreditam que, quaisquer que sejam as acções da Orfeu, os deuses e
deusas sub-se que os amantes haviam sacrificado suficiente. Eles concedida Orfeu e
Eurídice seu reencontro.

Orfeu é mostrado aqui capturados entre seu amor por Eurydice e sua necessidade de
tranquilizar a ela do seu amor. Eurydice, não plenamente humano, nem totalmente
espírito, desesperadamente implora para ele um abraço. Atrás deles, cavernas escuras
têm dividido a revê ai no rio Styx, o que leva de volta para Hades. O casal encontra-se
espartilhada    entre    o    mundo     dos     vivos   ea    terra  dos    mortos.
O cartão Sacriíice sugere um impasse que traz incertezas sobre a melhor forma de
proceder. Estamos literalmente encurralado entre mundos, incapaz de se mover. Quando
não sabemos o que fazer, mas o que podemos fazer é entregar às forças que nos
rodeiam.

SIGNIFICADOS:
Sermos apanhados entre mundos. Esperando transições. Curto prazo sacrifício para
atingir uma meta aguardada. A renúncia a um maior princípios. Cuidar dos outros
"necessidades, mesmo quando não estão no seu interesse pessoal. Empatia. Gaining
compaixão de experiências difíceis. Rcvascd ou wcakly aspcctcd: A falta de compaixão.
Sentindo-se incapaz de fazer um sacrifício a situação exige. Criando dificuldades para si
mesmo.

13 - TRANSFORMAÇÃO

O mito do Persephone serviu para explicar a mudança das estações do ano para os
gregos antigos. Também ilustra a forma como as nossas relações se transformam quando
encontramos a escuridão dentro de nós e outros.

Deméter, deusa da colheita, tinha uma filha chamada Persephone quem tesouro mais do
que a Terra. Persephone mãe amava muito em retorno. Um dia enquanto Persephone
gatbered flores num prado, de repente a terra dividida em dois sob os pés. Fora do
abismo ouro pulou uma carruagem puxada por cavalos pretos. O seu condutor, um
homem alto, seízcd Persephone pela cintura como o carro correu de volta para o centro
da terra.

Este homem foi Plutão, deus do submundo, que tinha caído no amor com Persephone.
Demeter, mas não sabia como ela esta searebed freneticamente para sua filha. Com o
tempo, ela consultou Hécate, deusa da lua escura, e Helios, deus do All-Seeing domingo
Helios Deméter disse que Plutão, o senhor dos mortos, tinha abdueted Persephone.
Quando soube que Deméter Z, UE tinha dado permissão para se casar com sua filha
Plutão, ela xingou o solo a ser tão árida como o coração dela. Pela primeira vez, visitou o
                                                                                        120
inverno terra.

Profundamente no submundo e longe de sua mãe, Persephone's coração foi insensível a
Plutão da declaração de amor, sua generosidade, e seu Reino. Ela chorou por sua mãe e
se recusou a comer, mesmo quando Plutão ofereceu-lhe um deleitáveis romã. Sobre a
terra, sem a orientação do Deméter permaneceu nu as árvores de fruto e do trigo não
crescer. Zeus observado isso, ainda se manteve firme na sua decisão. Mas quando
mortais entre homens e mulheres começaram a passar fome, ele finalmente entregue à
Demeter. Ele concordou em reunir-Persephone com a mãe, mas só se ela não tivesse
comido enquanto no submundo.

Persephone estava radiante ao ver a mãe dela. Ela alegou que ela não tinha comido
enquanto na terra dos mortos. Mas ela não poderia cumprir o seu olhar da mãe. Nem ela
pôde cumprir Plutão, quando ele solicitou o seu regresso da romã.
No âmbito da sua persistente Ques-mento, Persephone rendido os frutos das sementes e
seis estavam faltando. Como sua mãe e marido argumentar sobre se Persephone deve
ficar ou ir, um sábio compromisso foi apresentado: Ela iria voltar a Plutão seis meses do
ano, um mês por cada comido sementes.

E assim ficou decidido. Todos os anos, após a colheita foi interposto dentro, Persephone
retornou a Plutão. Então Deméter aflito e interposto em inverno. Seis meses mais tarde,
quando Persephone colher 'peared do submundo escuro, Deméter alegria e da terra
floresceu novamente com mola.

Persephone é mostrado deixando Plutão, transformada pelo seu tempo com ele. Ela
entrou no abrigo ¬ mundo uma criança, e agora deixa uma mulher, plenamente
consciente da complexidade da vida. Plutão, senhor do submundo, representa as forças
da mudança. Se resistir, a mudança parece ser semelhante a morte, a sua sombra
aspecto. Felizmente, a submeter à mudança é permitir a si próprio para ser renascido, tal
como a terra é renascer cada primavera, quando. Persephone volta ao Demeter. Para dar
forma a estas forças, escuro em que possa parecer, é, em última análise, para nos
libertar.

SIGNIFICADOS:
Transformações. Terminações e começos. A necessidade de permitir que qualquer coisa
a morrer, a fim de criar espaço para o novo. O medo da perda de mudança. Mudança que
podem sentir dor no início, mas é necessário. Criando vida fora da morte. Rcvcrsed ou
fracamente aspcctcd: estagnação. O medo da mudança. Resistindo à transformação. A
necessidade de avançar em uma nova direção, mas a incapacidade para o fazer. Bigídíty.
Agarrada ultrapassado situações por medo de perda.

14 - BALANÇA

Venus, A deusa romana do amor, nasceu do mar e espuma, e trouxe à terra dentro de
uma concha concha. Muitas vezes descrita como "a rainha do prazer," Venus primeiro foi
venerada como uma deusa natureza associada com a chegada da primavera, só mais
tarde a ganhar notoriedade por sua sensual Exploits. Ela pode ser considerado o bringer
da alegria, pois é o amor que gera felicidade por inspirar-nos com tb.ougb.ts de beleza e
paixão. Por esta razão, os seres humanos têm beseeched Vénus desde tempos
imemoriais para sorrir aos seus romances. A deusa foi homenageado em primeiro lugar a
cada abril Veneralia, uma festa para comemorar a chegada da primavera.

                                                                                      121
Talvez porque ela craved paixão, tanto quanto ela é inspirada, Vênus' romântica vida era
tão complicada como alguns dos mais ela abençoada. Para equilibrar a sua exuberância
natural, os deuses para desposá-la Vulcan, o coxo deus da forja. Vénus não apreciam do
marido habilidosos artesanal, que ele usou para eperlano tantos objectos úteis e
decorativos de metal. Estes incluíram Zeus da tbunderbolts, setas do Cupido, deus do sol
dourado da carruagem, assim como armaduras e jóias. Alguns também dizem que Vulcan
moldado Pandora, a primeira mulher mortal, de argila.

No entanto, Venus não hesitou em partilhar o seu afeto com os outros. Ela sentiu direito,
desde que ela considerados indignos da sua Vulcan-ele era tão feio quanto ela era bonita.
Enquanto muitos homens Vénus favorecido com amor, o coração dela foi quebrada
apenas por Adonis, um homem também pretendido pelo Proserpíne, a deusa da morte.
Assim Adônis foi morto por um javali enquanto caça medida do lado de Vênus.

Venus outros amantes da incluídos Marte, o deus da guerra, com quem teve um filho
homem, Eneas. A ligação do deus da guerra com a deusa do amor foi um apaixonado um.
Neste caso, Vulcan não sofrer a esposa do índiscre 'ções calmamente. Ele usou o seu
con-siderable talentos para criar uma rede invisível, mas forte, que ele usou para capturar
os amantes como eles abraçaram. Vulcan trouxe-os antes de os deuses e deus-desses,
esperando encontrar simpatia e justiça. Em vez disso, o ímmor 'tais riu na mira do nakcd
amantes apanhados na rede, e libertou-los sem punição. Apesar disto, Venus e Vulcan's
marríagecontínued. Cada era necessário para o outro como são muitas vezes opostos.
Seu relacionamento me serve para simbolizar a dança entre arte e beleza, UTILI-
taríanísm inspiração e-ele-mentos necessários para a produção artística, o supremo ato
de equilíbrio.

Venus e Vulcano são mostrados rodeado pelos seus nativos elemen-tos de água e fogo.
Estão coroados com um galho de rosas, as flores para a deusa sagrada
1 do amor. O casal são amarradas juntas por uma fita vermelha, que os une apesar das
suas diferen-ças. Como se dança, que oferecem inspiração para ali que se sabe
verdadeiro equilíbrio.

SIGNIFICADOS:
Integração e moderação. Artistry. Taming forças e auto controlo. Equilíbrio entre os
opostos. União dos aspectos conscientes e inconscientes da psique. Ocorrendo, ou que
procuram, um profundo sentimento de harmonia e equilíbrio. Rcvcrscd ou wcakly
aspccttd: Desequilíbrio. Desconforto. Incapacidade de encontrar a paz dentro ou com
outros. Falta de inspiração.

15 - TENTAÇÃO

A PARTIR DE TIMNE imemoriais, os seres humanos têm sido tentados pela proibido.
Assim como Adão e Eva foram atraídos pelos frutos do conhecimento no Jardim do Éden,
Paolo e Francesca foram atraídos pela paixão em thírteenth'century Itália.

A história de Paolo e Francesca foi inspirada pela história. Francesca Da Polenta de
Ravena era casada com Giovanni Malatesta para reforçar as suas famílias "político
obrigações. Mas havia um problema: Francesca Gíovannfs amado irmão, o bonitão Paolo.
Tentados pelo amor, Francesca e Paolo da história só poderia ter um trágico final, que
ainda se move corações setecentos anos mais tarde. Estes verdadeiros acontecimentos
inspirou o poeta Dante, que retold sua triste história em seu Inferno, o primeiro livro de
Divínc A Comédia.
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Dentro Dante's Inferno, o poeta escreve sobre uma viagem que ele imagina-abrigo, tendo
em círculos o mais profundo do inferno, conduzido e protegido pelo sábio Virgílio. Como o
poeta e seu guia à esquerda do primeiro círculo do inferno, ventos fortes círculo ao redor
deles, um vórtice mudo de cinza ali luz. Dentro destes ventos, Dante viu o seu SPIR-
amantes do infeliz que tinha morrido de paixão, amantes que tinham cedido à tentação
razão. O poeta sentiu compaixão triste quando ele ouviu os seus gritos, enquanto eles
estavam sempre em diante arremessado pelos ventos, capturados em conjunto através
da eternidade.

Ainda dentro desta turbulência, Dante viu Paolo e Francesca conforto mutuamente. A sua
ternura fundamenta o poeta a lágrimas. Ele implorastes esses espíritos de falar com ele
em nome do amor.Os dois amantes Dante agradeceu pela sua piedade. Então disse
Francesca da sua tentação, e de como o amor aderiu-los em uma morte. Ela explicou
que, embora ela foi casada com o irmão de Paulo, foi Paolo amava. Paolo Francesca deu
atenções para confortá-la enquanto seu marido estava fora em guerra. Se bem que tentou
controlar os seus pensamentos, um dia Paolo e Francesca de ler Lancelot, de como ele
declarou amor encantado. Sem qualquer receio, reuniu os seus olhos, as mãos e tocou.
Eles leia mais nenhum dia em que eles deram-se ao amor.

Foi no dia em que o infeliz que Paolo e Francesca foram apanhados de surpresa por
Paolo's SAHG-banda, que voltou da guerra sem aviso prévio. Ele matou-os no momento
de sua transgressão, assim, unindo-os eternamente.

Paolo e Francesca são ilustradas no círculo do inferno, à mercê dos ventos. Para protegê-
la contra as forças agitação sobre eles, Paolo abraça carinhosamente Francesca. Tanto
olhar para baixo, dispostos a reconhecer a escuridão eles são capturados no interior. Eles
são propulsionados eternamente em frente, nunca para descansar.

A Tentação cartão sugere que pensemos que estamos à mercê de forças que pensamos
que não podemos control. Temos medo de olhar diretamente para
1-los, como se eles teriam ganho soberania Se fizemos isso. Mas a recusa em causa é
um fardo muito maior do que seria de olhar para a escuridão. Caso contrário, não pode
nunca ser libertados.

SIGNIFICADOS:
Tentado por uma força não pode controlar. Algo profundo e escuro dentro da psique é
personificado como temp ¬ ção ou dependência. Obsession, sob a forma de inveja.
Sensual desejos. A necessidade de se controlar. Revascd ou wcakly aspectcd: Liberdade
de tentação. Maestria sobre algo anteriormente controlando-um hábito, um filho ou por
uma ferida do passado. Vivendo a inveja dos outros. Transformar uma fraqueza em uma
força. A aceitação de uma sombra escura ou da face.

16 - OPRESSÃO

RETOLD EM VírgfTs O Acneid, a história de Dido e Aeneas é um aviso de um conto
abandonado mulher oprimida por suas emoções.

Após a Guerra de Tróia, o guerreiro Enéias, o filho mortal de Vénus, percorrem na Itália,
sem fazer a devida sacrifícios aos deuses. Despojadas dos deuses "bênçãos, seu navio
foi atingida pelo mar e, eventualmente, lavados em África como destroços. Dido, rainha de
Cartago o majestoso, estava andando sobre a praia, quando ela encontrou AENEAS e
                                                                                       123
seus soldados. Ela foi encantado pelo belo estranho, e pelas histórias que ele disse do
seu actos heróicos. Ela deu-lhe comida e roupas. Ela numa conversa com ele.
Eventualmente ela bedded ele, concedendo-lhe honras de um governante ou para o
outro.

AENEAS fez amor Dido. Ela deu-lhe alegrias que ele tinha esquecido existiu, preso
durante tanto tempo sobre o mar, com duzentos guerreiros para a empresa. Mas ele era
um homem com uma causa maior do que o amor que ele poderia suportar para qualquer
mulher, até mesmo como uma desejável como rainha Dido. Ele alegou que era o deuses'
será que ele jour-Ney para fundar uma nova Tróia na Itália.

Dido pensamento diferente. Ou talvez ela didnt pensar muito em Ali: Ela passou
consumida com Eneias. Ela esqueceu a sua real missão, e disparou pelo encorajamento
da sua irmã, começou a esperança de casar com Eneias. Ela permitiu-lhe viver com ela
como marido e mulher, no seu palácio, mas sem nenhuma cerimônia. Com o tempo,
Enéias começou a agir como se fosse rei de Cartago, Dido e começou a agir como se ela
fosse o seu servo.

Todos sabiam AENEAS deixaria Dido. Mas foi surpreendido quando Eneias Dido
anunciou seus planos de ir para a Itália, vestindo a armadura encantado sua mãe fez para
ele. Para evitar Dido's exprobras, ele seria

Aguarde até a noite para roubar "com seus homens leais. Mas a rainha descobriu e
implorou-lhe para ficar, sem proveito.

Dido ficou furioso e humílí-se decretam. Oprimido por suas emoções, e oprimido pela
tristeza, quando a rainha deu-régia até ali esperança. Ela construiu uma pira funerária no
topo de uma torre alta e incendeie a ela. Como Aeneas "abandonar navio no mar, Dido
escalou a torre e fixar a partir da pira.

A arte mostra Dido no momento de seu maior opressão. Atrás dela, AENEAS já deixou o
navio para a Itália. A escuridão do céu e mar tempestuoso sugere a tumultuada sor "fila
esmagadora sua alma. Embora Dido sente totalmente sozinha, ela ainda tem uma
escolha: Ela não pode esperar por melhores dias. Ou ela pode dar forma à sua opressão.

A opressão cartão ¬ gests sugere que nos sentimos tão escuros como as emoções que
nos rodeiam. Nós somos incapazes de ver a nossa maneira clara e esperança de
melhores dias. Por enquanto, temos de confiar em que o tempo vai libertar o nosso pesar.
Caso contrário, vamos esquecer que temos uma escolha.

SIGNIFICADOS:
Sentindo-se sobrecarregado ou oprimidos pelas circunstâncias ou emoções. Depressão.
Confusão. A incapacidade de mudar as nossas vidas para melhor. Um novo começo após
um doloroso terminando que pode ter aniquilado o seu mundo. Uma pausa antes de se
mudar para uma nova fase da vida. Rcvcrsed ou wcakly aspcctcd: Libertação. Embora a
sua situação pode se sentir mais ¬ whelmíng, forças ocultas estão no trabalho. Seja
paciente e confiando-as coisas vão melhorar.

17 - TEMPERANÇA

AMOR pode inspirar-nos no sentido de graça, um estado que pode guiar-nos a bríUiance
mais brilhante do que um céu estrelado. O amor do poeta Dante por Beatriz é um
                                                                                       124
exemplo perfeito desta maravilhosa experiência.

Nascido em Florença, em 12,65, TRIE poeta Dante escreveu A Divina Comédia, um
poema épico descrevendo a sua visão de uma viagem através do inferno, purgatório e
céu. Beatrice, uma mulher que também viveu em Florença durante a vida, aparece no seu
páginas como seu orientador anjo. Beatrice é também o tema do primeiro livro de Dante,
La Vita ISluova ( "The New Life"), que reconta plenamente o seu amor por ela, e de como
ela inspirou a sua arte.

Beatrice foi de nove anos a primeira vez Dante olhou sobre ela, ele um pouco mais velho.
A sua presença fez uma tal impressão que ele sentiu como se seu espírito tivesse sido
infundidos com luz. A partir desse momento, Dante adorado Beatrice acima ou outros.
Através dos anos, uma vez que cresceu em idade adulta, Dante procurou reunir Beatrice,
demasiado sobrecarregado com amor para fazer nada mais do que olhar para ela. Ele
notou que a Beatrice era tão cheia de graça que todos que viram o seu experimentado
uma felicidade que só pode ser descrita através Suspiros. UA esta convencido de que
Dante Beatrice foi realmente um anjo. Desde que ele não disse nada, Beatrice não
suspeitavam Dante's amor, ela pensava ele mudos com timidez. Mas sua calorosa
saudação nunca oscilou não importa quão awkwardly Dante agiu.

Quando Beatrice virou quinze, seus pais dispostos seu casamento com um rico
comerciante. A primeira vez Dante viu Beatrice após seu casamento, ela foi
acompanhada por duas de suas virgens prudentes como eles caminharam ao longo do
Rio Arno, em Florença. Superados pelo conhecimento que ela já estava do outro esposa,
Dante virou bis rosto de Beatrice para esconder sua lágrimas. Beatrice's virgens
prudentes incompreendidos e pensei que o poeta tinha insultado sua amante. Eles jeered
a ele como eles levaram Beatrice distância.

Naquela noite, Dante recuaram para a sua câmara em angustiada vergonha. Wbíle ele
dormiu, uma visão lhe apareceu em seu sonho como as estrelas chegou a hora nona da
noite. A partir de uma nuvem a bue ol fírc surgiu um deus-como figura. Sendo este, que
ele identificou como auto-Amor, o espírito de amor, uma mulher realizada wbom como
Dante rccognízed Beatrice. Amor também realizou um coração, ele disse que Dante foi o
coração do poeta irrevogavelmente tinha dado a Beatrice.

Dante despertámos resolvida a partir de seu sonho. O seu amor por Beatrice haveria
paixão terrena para expirar quando eles morreram. Em vez disso, ele teria imortalizará
Beatrice com poemas que iria durar para sempre. Como suas vidas desdobradas,
Beatrice foi homenageado por Dante's versos como nenhuma mulher já tinha sido. O
poeta da fama espalhar-e, com ele, a história de seu amor por Beatrice.

Ao longo dos anos, a história de Dante e Beatrice tem inspirado muitos a dar o seu
coração tão completamente Ela lembra que a graça amor pode agracia-nos é um
presente caro do que os céus. Dante's visão noturna de Amor é mostrado aqui. Como o
espírito do amor abraça Beatrice, chamas turbulência sobre eles, como apaixonada como
as emoções em jogo. O céu estrelado por trás dos números sugerem forças celestes em
forças de trabalho que irá guiar-nos na direcção certa.

SIGNIFICADOS:
Amor que nos inspira e inspira outros. Transformar sonhos em realidade. Sensibilização
dos objetivos. A crença e auto-estima para os cumprir. A visita do Musas. Motivo de
esperança para o melhor. Rcverscd ou wiakly aspcctcd: Não seguir o seu deleite.
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Insegurança. Sentimentos de indignidade. Ignoring intuição. O medo de reconhecer os
seus sonhos, ou não se chegar a uma meta.

18 - ILLUSION

O conto de fadas Motif do cisne é solteira indígenas para a Europa Oriental, embora
outras formas de cncbanted ave-mulheres podem ser encontradas em lendas de todo o
mundo.

Talvez a mais famosa dessas donzelas cisne é princesa Odette, heroína do popular balé
Lago dos Cisnes. A história de Odette eo Príncipe Ivan oferece um poderoso exemplo de
como ilusões podem influenciar as nossas emoções para melhor ou para pior.

Como príncipe Ivan cresceu mais, se pretendia manter a sua nobre dever de himsclf: Para
casar e começar uma família. Apesar disto, após vinte e Ivan do primeiro aniversário, seu
pai, o rei organizou uma Bali para que cada princesa do terreno tinha sido convidado. O
príncipe era esperado para escolher uma noiva entre eles. O dia antes de seu aniversário,
o príncipe passou caça, esperando o esporte iria animá-lo. A tarde passou sem pedreira
encontrado. Mas, como o príncipe e sua comitiva começou a voltar para trás, um bando
de cisnes voaram gerais.

O príncipe prosseguiu os cisnes agressivamente, logo a perder o resto de seu partido.
Como noite caiu e subiu a lua, Ivan himsclf encontrado sozinho na margem do lago um
prisco, que shímmered com a luz reflectida. Ele esperou pela cisnes, sabendo que iria ser
retirada a água. Ele visando o seu arco, quando o primeiro cisne chegou. Para sua
surpresa, o cisne. transformou-se no belas garota imagináveis, colado no wbite puro.

Ivan instantaneamente amava o cisne Maiden. Movido pela sua dedicada palavras, o
cisne solteira confidenciou que ela era princesa Odette, amaldiçoado por um feiticeiro de
permanecer para sempre, excepto um cisne na noite. A única forma ela poderia ser
encantamento foi quebrado por um voto de amor eterno, no entanto, se essa promessa foi
quebrada, mesmo por acaso, ela iria morrer. O príncipe prometeu amá-la e voltar para ela
como sua noiva alegação. Só então, o feiticeiro chegou a esbravejar Odette. Então tudo
desaparecer-peared, como se fosse uma ilusão imaginada pelo lutuoso príncipe.

A próxima noite foi o bali comemorar o aniversário do Ivan. Ele yearned para que fim, para
que ele possa retornar ao Odette. Mas então, uma última princesa-chegados que um
lookcd exatamente como o cisne solteira, mas estava vestido de preto jacto. Ela tinha
bcen enviada pelo feiticeiro para enganar Ivan brcakíng em sua promessa de Odette.
Acreditando-la para ser seu verdadeiro amor, o príncipe bcggcd para ela casar com ele.

Como a princesa escura aceite a sua proposta, o príncipe ouviu um grito gritantes na
distância, o grito de um moribundo cisne. Ivan correu para rescuc Odette, Mas era tarde
demais. Embora a ilusão foi quebrado, o encanto foi completa. Odette é descrita aqui
como ela muda de cisne de solteira e de volta outra vez, preso por encantar 'mento. Ela é
leve como o cisne negro observando ela está escuro. O lago brilha com luar.

O encantamento de amor pode ser uma faca de dois gumes. Fali Quando estamos
apaixonados, podemos sentir como se o nosso amado lançou um feitiço sobre nós.
Sentimo-nos encantado com a paixão, ou rasgada com ciúmes. No entanto, é nosso
pensamento que nos confunde. Para bettcr ou worsc, estas emoções expressos
voluntarioso illu ¬ ções como profundidade como sombras expressos pela lua.
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SIGNIFICADOS:
Encantada por amor, para melhor ou para pior. Confusos por ilusões que podem ou não
ser real. Intenso emo ¬ ções. Fantasies. Vivid ou lúcido sonhos. A necessidade de saber
o que é real. Rcvcrscd ou vutàkly aspcctcd: delírio. Decepção. Emoções ou desconforto
no relacionamento. A falta de satisfação com o que você tem-sentimento de que algo
melhor está sempre ao virar da esquina.

19 - AEON

O mito de Cupido e Psique é frequentemente visto como uma alegoria que representa o
despertar emocional de uma mulher. Na Grécia antiga, onde surgiu esse mito, a palavra
de borboleta é psiquismo, wbicb também significa alma.

Psyche da beleza conquistou sua admiração, assim como o ciúme de Vénus. Para buscar
vingança sobre os mortais garota, o amor de goddcss instruiu seu filho Cupido para furar
Psyche com bis seta, de modo que ela estupidamente amor a primeira criatura quando ela
tropeçou. Embora Cupido tinha ouvido falar da beleza da Psique, nada preparada para ele
com ela. Como ele stared a ela, o deus do amor apertou as mãos, e sua flecha caiu,
pastejo sua coxa.

A partir desse momento, Psique Cupido amava acima ou outros. Semanas passaram, e
embora Psique Cupido visitou cada noite que ela dormiu, a menina suspccted nada.
Meses passaram e seus pais decidiram que era hora Psyche qua. Mas nenhum
pretendente pediu a mão-ali eram demasiado intimidados por sua beleza. Em desespero,
os pais de Psique consultou o oráculo de Apolo, que lhes disse que não ia casar com o
homem Psyche. Em vez disso, ela deve ser abandonada a um precipício onde um
monstro maior do que qualquer alegação teria ela como sua noiva.

Mas não chegou monstro. Soft ventos cradled a infeliz menina, levá-la a uma distância
distante ilha onde um palácio que foi apagada por leigos lua ou pode-LED. Dentro do
palácio escura, aguardadas há um que tomou Psique como sua esposa.
Quando Psique acordou na manhã seguinte, o novo marido tinha ido embora. Nesse
estranho, mas opulento palácio, os ventos da Psique teve o cuidado de cada necd,
trazendo-lhe comida e vinho, jóias e roupas de seda envolvente ela awak-ened corpo.
Naquela noite, o seu misterioso marido retornou para fazer amor com ela novamente na
escuridão. Na manhã seguinte, ele desapareceram novamente antes de a brilhante
domingo poderia revelar a sua identidade com ela.

Com o tempo, ela deve Psyche decidiu saber quem era o seu marido, mesmo que isso iria
destruir sua felicidade. A próxima vez Psyche amante de carne para ela, ela acendeu uma
lâmpada, logo que ele adormeceu. Não besta, não serpente cumprimentou os olhos só de
um homem tão radiante como um deus. Na sua pés descalços descansado arco e
flechas. Como Psyche testado sua nitidez, ela estava assustado ao ver uma gota de
sangue sobre seu polegar. Psyche da mão tremeu e caiu a luz, despertando Cupido.
Queimado pelo óleo quente, o deus do amor ílew longe.

Para ser reunificada com Cupido, Psycbe teve de mobilizar a ajuda de Vénus. Vénus
velejar muitos ensaios para Psique, forçando a menina a provar o seu merecimento à
deusa. Mas, finalmente Cupido e Psique foram unidas, despertou para a preciosidade da
seu amor pelos seus testes. Com o tempo, uma criança nasceu com elas, uma filha eles
chamado Prazer.
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Tal como a borboleta cujo nome ela ursos, Psique da alma foi despertado pelo amor após
uma longa viagem através de difícil desa-fios. Cupido também foi trans' formado por
conhecer o amor verdadeiro pela primeira vez. Iluminada por suas experiências, Cupido e
Psique puderam apreciar o melhor que a vida lhes pode oferecer.

Esta imagem mostra o momento em que alegre Psique é finalmente reunificada com
Cupido, libertos do seu ensaios e atribulações. Ao nascer do sol, os amantes são
revelados a cada um ou de outro em sua glória imperfeita. Para além do mar envolvente-
Ing lhes cabe uma cidade. É um lembrete do confinamento estruturas sociais a partir do
qual Cupido e Psique se libertarem.

SIGNIFICADOS:
Despertar emocional. Sentindo-se desbloqueado. Um expansiva, vida-afirmando que a
energia proporciona oportunidades e otimismo. Amor e sexualidade. Criatividade e
procriação. Relacionamento com os filhos. Fertilidade. Revascd ou vutakly aspectcd:
relutância em aceitar carinho. Problemas com as crianças. Criatividade bloqueados pelo
externai ou internai forças. Atrasos na expansão até à próxima fase de um projecto.
Sentindo-se frustrado. Recusa a crescer.

20 - ACÓRDÃO

A lenda de Tannhauser, o famoso alemão mínnesinger ou trovador, tem raízes na história
do século XIII. Várias de suas músicas letras sobreviver até hoje, incluindo uma canção
Buszlíed direito de arrependimento. Contemporâneo de notícias da traveis Tannhauser,
que pode ter incluído uma limitação nas Cruzadas, assumiu uma vida própria. Com o
tempo, que inspiraram uma balada do século XVI, que, por sua vez, serviu como base
para Tannhauser, Richard Wagner da ópera romântica do século XIX.

Tannhauser desdobra o conto de um nobre mínncsing-er do mesmo nome
capturados entre sagrado e profano ama. Embora Tannhauser amava-o vir tuous
Elisabeth, ele deixou-a para o mundo vagueia em busca de aventura e fama. Durante
estes traveis, Tannhauser encantado Vénus, a deusa do amor, com sua voz gloriosa e
canções. Ela rapidamente seduzido o mínnesinger com voluptuoso prazeres além sua
imaginação, e trouxe com ela reino mágico, o Venusberg. Tannhauser vivia lá com Vénus
como seu escravo. Besotted com paixão, ele seguiu o seu desejo e perdeu todos os ali-
mentos acórdão do que era certo ou errado. Ali que importava era o prazer.

Um ano passou, e começaram a Tannhauser desespero de sua vida superficial com
Vénus. Como ele pediu para voltar para a sua existência anterior, ele subitamente
recordar-bered seu sincero amor de Elisabeth. De alguma forma esta memória
Tannhauser libertou-o imediatamente Venusberg desapareceu, e ele encontrou-se
sozinho fora do castelo onde Elisabeth residia.

Elisabeth estava radiante ao ver o mínnesinger novamente, para que ela amava-o apenas
como Tannhauser amava. Foi só no tempo, também, para cantar uma concor-rência era
para ser realizada naquela noite, o vencedor do concurso ganharia Elisabeth's
mão em casamento. Tannhauser resolvido tbís concurso para ganhar, mas como ele
tentar mígbt, os prazeres de Vénus ainda possuído sua alma: Cantou um entusiasta bymn
ao sen ¬ Sual glórias da deusa do amor, que chocou a sensibilidade de quem escutou ali.
Irritado, muitos acusados de insultar Tannhauser Elisabeth, Elisabeth, mas defendeu a
sua amada. Para remover o seu julgamento, Tannhauser resolveu ir adiante. outra
                                                                                    128
viagem, desta vez, seria uma peregrinação a arrepender-se do seu amor por profano
Vénus.

Como o mês passado, Elisabeth Tannhauser ansiosamente aguardada para o retorno.
Palavra que veio a min-nesínger viu o papa para pedir dispensa de seu affair com Vênus.
O papa Tannhauser informado que ele poderia ser perdoado, assim como o regente da
madeira pessoal com novas gemas de vida em outras palavras, não era para ser.

No entanto, Elisabeth permaneceu dedicada à sua amada. Tannhauser devolvido a ela, o
seu espírito humilhado por sua peregrinação. Mas a força da Elísabeths orações em seu
nome tinha enfraquecido o seu corpo, ela desabou em Tann Hauser ¬ ^ abraçar e
terminou, deixando para trás apenas o seu amor puro. Mais tarde naquele dia, chegaram
notícias de que o papa tinha pessoal da flor que só no momento.

Tannhauser e Elisabeth são mostradas no momento imediatamente antes de sua reunião.
Elisabeth, simbolizando o maior impulso do Espírito, entusiasmo aguarda seu amado. Ele
foi quebrado por suas experiências com Vénus, que representa a base prazeres da vida
nesta história. O mural pintado na parede atrás Elisabeth apresenta o sagrado eo profano
escolhas ali homem deve fazer dentro de suas vidas.

SIGNIFICADOS:
Uma escolha que deve ser feita, por vezes entre maior e menor impulsos. Decisões
importantes ou notícias. Passagem para a próxima fase da vida. Tempo para uma maior e
necessária cb.an.ge na vida, muitas vezes. bem-vinda, mas a reforçar-susto por causa de
sua magnitude. Auto-conhecimento. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Estagnação.
Incapacidade de agir. Bloqueio. Dar-se um controlo da situação. Não vivem até um
potencial de alta ou normas. OTH permitindo-dores para julgá-lo para melhor ou para pior.

21 - TRIUNFO

O mito grego DE ARIADNE oferece esperança para ali que se sentiram o cheiro do amor
rejeitado. Diz-de triunfo após derrota, doce de sucesso após a duras tristeza.

Princesa Ariadne, filha do rei Minos de Creta, ajudou Theseus matar seu monstruoso balf-
irmão, conhecido como o Minotauro, através do ensino a ele para usar um fio dourado
como um caminho dentro do labirinto onde vivia o Minotauro. Profundo dentro desse
labirinto escuro onde nenhum homem ou a mulher já tinha sobrevivido a Minotauro da
selvageria, Theseus matou o monstro, então foUowed o ouro discussão à liberdade.
Quando ele emergiu triunfante do labirinto, Ariadne Theseus reivindicada para a sua
própria. Eles escaparam de Creta após uma espera-Ing navio, que vai de multidões oi
cidadãos zangados por Theseus do assassínio do seu half-bull/half-human príncipe.

À medida que navegou o mundo, Ariadne foi determinado que ela tinha ganho o coração
do herói em troca de seu brilho, sua lealdade, e seu amor. Depois ali, ela tinha traído
aqueles que mais se aproxima dela para salvar Theseus. Quando Theseus finalmente
trouxe seu navio para a longínqua ilha de Naxos, Ariadne pensou que iria viver para
sempre em êxtase. Em vez disso, quando ela abandonou a ilha, navegando sem um
pedido de desculpas. Esse era o seu agradecimento por salvá-lo.

Sozinho, Ariadne esqueceu seu triunfo como o untangler do labirinto. Ela foi abandonado
a Ariadne, Ariadne os tolos, em vez de Ariadne o amado de Theseus. Na primeira, a
princesa inconsolável chorou. Então ela pensou em matar a si mesma de vergonha e
                                                                                      129
tristeza. Mas as Musas teve piedade mediante Ariadne. Eles pairavam em torno da pobre
menina tão suave como ventos, e sussurrou em seu ouvido um digno de amor e de um
destino mais nobre. Isto não fazia sentido para a menina, ela não podia ver para além do
seu abandono por Theseus.

Mas logo vi Ariadne uma carruagem bronze aparecem no horizonte. As Musas sussurrou
ele realizou um novo noivo de Ariadne, o homem que estava fadado ao amor. Como o
carro chamou a aproximar-se, Ariadne viu foi draped na vinha e os pólos de uvas
maduras, para este carro foi conduzido por Dionísio, deus do Divino intoxicação, que
amava a sua apaixonada Ariadne bravura e lealdade.

Ariadne do coração foi imediatamente curada pelo Dionísio da admiração e amar
palavras. Ela logo esqueci Theseus e aceitou o seu destino final feliz. Dioniso e Ariadne
foram qua. Fabricado por uma deusa amor, Ariadne viveu sempre com o seu marido em
imortal extático triunfo.

Dioniso e Ariadne são mostradas no momento da sua maior alegria. Ariadne detém ainda
o ouro em discussão, que ela utilizados para navegar pelo labirinto. É símbolo-ízes o
caminho que finalmente levou ao êxtase.

Como Dioniso e Ariadne abraçar, se sente como se o mundo com as rodeia expansiva
calor, o universo e canta com a luz. O seu beijo é um beijo ali para o mundo.

SIGNIFICADOS:
Uma sensação de expansão e de esperança. Triumph após dificuldades. Sentindo-se
apoiada pelo universo. Feliz encerramento de uma fase da vida. Viagens e das
Comunicações. Carreira crescimento. Reconhecendo a divindade do mundo que nos
rodeia. Revtrstd ou wcakly aspecttd: Temor de expansão. Sentindo-se pessimista, mesmo
se você estiver incerto como o seu futuro, manifesto, você se move em um período mais
esperançoso. Frustrar-se ou outros.


OS ARCANOS MENORES

NAIPE DE COPAS
A menor arcana seguinte após o grande arcana em The Lover's Path Tarot. A menor
arcana é composto por quatro fatos que con-Sist de copos, PAUS, flechas, e moedas. No
menor arcana, a varrição arquétipos explorados dentro da grande são mapeados em
maior detalhe, utilizando o quadro de uma única história de amor.

In The Lover's Path Tarot, o naipe de copas representa o caminho da emoção. É
associada com Tristan e Isolde, representada mediante Desire (VII), o oitavo da
twenty'two grande arcana cartões (página 28). A história de Tristão e Isolde apresenta um
exemplo de inebriante vidas governadas por emoções extremas, como amor, desejo,
tristeza, saudade, raiva.

Copas também estão associadas com o elemento da água, que é regida pela lua. Assim,
cada cartão no naipe dos copos tem uma fronteira alusivos água. A água é um símbolo
apt para o caminho das emoções estabelecidos pelo naipe de copas. Da mesma forma

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que dependem de emoções para manter o nosso coração, que dependem da água para
viver.

Os nossos corpos são feitos principalmente de água. Sem água para alimentar as culturas
ou água para beber, poucos poderiam sobreviver. Se ele falis do céu como chuva, ou
fluxos de oceanos e rios, a água é de difícil controle: podemos sentir, tocar-lhe, no
entanto, nunca possa agarrar. Tem uma força que escapa shimmering captura ou
definição.

É a mesma coisa com as emoções. Como o mar é puxado pela Lua, nossas vidas são
puxados pelos nossos sentimentos. Eles varrem-nos, ao longo, por vezes tempestuosa,
outras vezes calma. Eles também sustam nós, dando vida a uma riqueza beyondjewels.

ÁS DE COPAS

A SILVER CUP, coroada de ouro, flutua acima de um oceano calmo. Luz, incandescente
a partir de uma lua cheia, falis na tigela generosa da taça, enquanto shimmer estrelas em
torno dela. Esta misteriosa níghtscape oferece uma visão de esperança "tant serenidade
onde tudo pode acontecer.

A taça é gravado com um coração alado, brilhando com o calor. Carved abaixo do
coração são a partir de ondas do mar. Ambos os motivos decorativos, sugerem a riqueza
emocional e transformações esta taça irá inspirar nos seus destinatários, por isso é que a
taça vai aderir Tristan e Isolde no amor eterno.

SIGNIFICADOS:
O início de um novo ciclo maduro com um potencial de felicidade e boa-ção. Alegria.
Receptividade. Início de um importante relacionamento amoroso ou nurturing amizade.
Creative visitação a partir de uma inspiração-THC Musas. Rcvased ou wtakly aspccted:
Rejeição dos outros' afeto. Creative blocos. Desilusão com amor. Tristeza ou mclancholy.

DOIS DE COPAS

ISOLDE, filha do rei da Irlanda, contra a vontade dela acordou para qua. Mark da
Cornualha para trazer a paz ao thcír beligerantes terras. Tristan, Mark dedicou a maior
parte do cavaleiro, a princesa woocd liège's em seu nome. Isolde ficou furioso quando
soube da verdadeira intenção de Tristan. Para BC rcvenged, ela offercd-lhe uma poção
que traria alegria até dcath, pensando que ela ia matar ela e ao cavaleiro. Em vez disso,
trouxe a poção evcrlastíng amor.

Tristan e Isolde são mostrados aqui apenas como têm bebido da poção mágica. Um copo,
usado para misturar a poção, permanece placcd carclully eretas. A segunda taça, a partir
do qual Tristan e Isolde ter embebidas, falis esqueceu de suas mãos, thcír agarrar
looscncd pelo alagamento extático emoções através das suas bodícs. Elas são
amarradas juntas por esta taça tão seguramente como se werc um ser. Como se olhar em
cada othcr da cycs, tempo appcars ter parado. Eles esqueci Tristan Isolde da lealdade e
da promessa de Mark King. Eles só precisam de si para ser concluída.

Enquanto Tristan e Isolde estão unidos em um casamento divino bcyond thcír con-trolo, a
água inunda o planeta sobre os seus pés. Seus pés descalços simbolizam o nat 'estado
natural que habitam agora, longe dos constrangimentos de as expectativas da sociedade.

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SIGNIFICADOS:
Harmonia. Amor. Encantamento. A integração dos aspectos masculino e feminino dentro
de si mesmo. Uma atração que pode se tornar um importante amigo-navio ou
relacionamento amoroso. Rcvcrscd ou wcakly aspecud: afeto. Desilusão em um
relacionamento amoroso ou de amizade íntima. Overíndulgíng na sensualidade para o
bem do emocional "alta".

TRÊS DE COPAS

Despi TE seu amor por Tristan, Isolde manteve a sua promessa para a família dela e
casado Rei Marcos. A união de Isolde e Marcos terminou a longa suportou as tensões
entre os seus países nativos da Cornualha e Irlanda. Assim, houve muita alegria em sua
festa casamento.

Este cartão é mostrada após a celebração do casamento de Isolde e Mark. Durante ela,
três donzelas levantar três taças de prata, uma vez que dança perante o rei e sua nova
rainha. Estes danccrs, uma loira, outra de cabelo vermelho, e ao final de cabelo escuro,
representam a união de opostos que se reúnem no meio para criar a paz. Atrás deles uma
lua cheia sobe, prometendo alegre satisfação para ali que se amam verdadeiramente.

SIGNIFICADOS:
Feliz sindicatos. Grande satisfação. Um motivo para comemorar. A paz entre as gerações
farrv familiar ou inimigos. Uma festa envolvendo womcn. Possivelmente um qua. ¬ ding
festa. Rcvcrsed ou wcakly aspcctcd: excesso. Procrastinação. Distraindo-se com prazer.
Demasiada indulgência a tempo de voltar ao trabalho!

QUATRO DE COPAS

No primeiro momento, ISOLDE TRiEDto distrair ela com o seu sindicato luxos lhe
proporcionou. Marcos também era um marido atencioso e carinhoso. Seu fiel camareira
Bragwene esperou sobre ela, não deixando qualquer necessidade autônoma.

Mas não foi suficiente. A jovem rainha senti como um prisioneiro dentro do magnífico
castelo onde ela residia e Mark. Como ela contemplava a riqueza e posição adquirida por
seu casamento, ela percebeu que significou nada para ela, por Isolde podia pensar em
nada, mas Tristan. Apesar dos riscos envolvidos, ela yearned para uma mais authcntic lifc
com ela belovcd.

Isolde é mostrado vestindo um vestido digno de ouro opulent a rainha ela tem becomc. Na
sua tcct rcst quatro xícaras, que ela não tenha touchcd-intoxicantes do néctar Contêm não
tentá-la. De sua janela, o oceano juncos na distância, que representa os selvagens
emoções Isolde expe-enccd com Tristan.

SIGNIFICADOS:
Necessidade de uma vida mais autêntica. Insatisfação. Takíno; somethínH; para g;
ranted-amor, talento, beleza.

Descontentamento e aborrecimento. Re-avaliação de um rclationship que considera
superficial. Rcvcrstd ou wcakly aspcctcd: Aceitação da situa-ção, mas o escontentamento
é ainda presente. Uma fase passageira.

CINCO DE COPAS
                                                                                      132
REI marca foi não ignorava de Isolde da insatisfação. Thougb ele amava sua esposa, ele
foi sábio o suficiente para ver que ela não retornou bis afetos. Isto foi feito por ela
dolorosamente claro bebavíor: Ousada ali riscos, Isolde tinha alistado sua camareira
Bragwene para reunir-se com ela Belp Tristan quantas vezes possi 'veis. Mark's emoções
debilitados bim, deixando-o incapaz de decidir o que fazer. Conhecendo melhor os amava
traiu foi mais do que o monarca poderia suportar.

Mark é retratada bere assoberbado com tristeza. Bebind ele, Isolde do quarto está acesa
em antecipação de Tristão da visita, a mais brilhante luz em uma noite escura sombria.
Para um dos lados do rei estandes duas taças, simbolizando o puro amor de Tristão e
Isolde. Atrás dele, outra thrce copos tenham derramado, sym ¬ bolizíng perdeu a alegria
em seu casamento, o complexo triângulo subordinação a ele para Tristão e Isolde.

Quanto ao que parece sem esperança, Mark tem uma escolha: ele pode aceitar que o BC
deve Tristan e Isolde verdade para tbeir corações. Ou ele pode reagir com raiva,
permitindo seu amor ao castigo deles ali.

SIGNIFICADOS:
Decepção ou dísíll usíonment com relacionamentos. Sentindo-se encurralado.
Concentrando-se nos problemas em vez de activos. Não vendo as oportunidades.
Bloqueio criativo ou infertilidade. Pessimismo ou depressão. Rcversed ou wiakly aspectcd:
uma consciência crescente de que as relações são o que você faz deles. A capacidade de
apreciar o que um tem para beber dois copos do restante, se você.

SEIS DE COPAS

TAMBÉM POR pesaroso Tristan e Isolde da traição a ignorá-lo, o rei Mark confrontados
os amantes. Tristan foi condenado à morte, e Isolde foi enviado para viver em um leproso
da colônia. Apesar de tudo, os amantes escapou e fugiu para viver simplesmente na
floresta. Longe de quem seria julgá-los, eles sentiam-se como crianças cheias com alegria
e esperança.

Com o tempo, Mark encontrou sua esposa e seu cavalo dormindo nos seus ocultos
floresta ninho. Por alguma razão, Tristão tinha colocado sua espada entre ele e Isolde
enquanto eles dormiam. Vendo isso, Mark se convenceu de sua inocência, foi preenchida
com a culpa. Como uma mensagem de contrição, Mark deixou a sua espada no lugar de
Tristan's para os amantes de encontrar quando despertámos.

Tristan e Isolde eles são mostrados como regozijar-nos a floresta. A floresta, floração na
Primavera, oferece uma cobertura verde para protegê-los a partir do agreste ele 'mentos.
Um fluxo é executado passado os seus pés, como prístinas como os seus afetos. Seis
xícaras florescer com rosas, simbolizando o florescimento do seu amor, que só pode
ocorrer longe dos olhos da sociedade julgar.

SIGNIFICADOS:
Paz. inocência. Crianças e infância memórias. Desprendimento pensamentos tristes e
constrangimentos. Anseio para a doçura do passado. A capacidade de criar doçura dentro
de casa, integrando as forças do passado para o presente. Reutrsca ou wtakly aspictcd:
Feeling limitados pelo passado ou memorias. Lost harmonia. Cinismo.

SETE DE COPAS
                                                                                       133
UPON LOCALIZANDO MARCA DO espada, os amantes foram novamente lembrados dos
seus problemas. Isolde devolvidos aos seus deveres como Marcos da mulher, a rainha da
Cornualha. Tristan esquerda para a Cornualha Bretanha, esperando a distanciar-se da
fadado amor que levou a sua traição do rei Marcos. Apesar de estar longe de Isolde,
Tristan pensamento de sua amada constantemente e enviou-lhe presentes. Embora cada
um dom chegou uncredíted, Isolde sabia quem era o doador. Como ela considerou-los,
ela recuou em fantasias de Tristan. Esses pensamentos ela chamou afastado de sua vida
atual.

Retratado aqui são sete taças Isolde rodando acima da cabeça, cada uma contendo um
futuro possível de ser considerado. Um copo cheio com rosas sugere 'gests Blissful sua
estada na floresta com Tristan. A coroa representa o seu represen-royal funções, uma
vida de riqueza e poder. Uma coroa de flores e cobra simbolizam louro glória e traição,
enquanto o crânio lembra Isolde das limitações da vida física. Um último copo permanece
misteriosamente coberto-Contém o desconhecido.

SIGNIFICADOS:
Overindulgíng em pensamentos sobre o que o futuro pode trazer. Devaneios. Fantasies. A
decisão deve ser feita no sentido de avançar e voltar ao mundo. Invertida ou fracamente
aspectcd: deixar fantasias de influenciar o modo como você vê vida a tempo de ser mais
realista. Projeção para outros em vez de ver as coisas como elas realmente são.

OITO DE COPAS

DESFITE seu exílio, regressou à Cornualha Tristan uma última vez para ver Isolde.
Disfarçando-se como um idiota, ele implorou a rainha loucamente por um beijo. Ninguém
suspeita sua astúcia, mas reconheceu Isolde-lo através de seu disfarce bruto por causa
de um anel que ela havia lhe dado. Como Tristão beijou sua amada, ele sabia que ele não
poderia viver sem ela. E ele estava certo: a caminho de volta à Bretanha após ver a
rainha, ele estava emboscados e perfurado por um dardo envenenado. Conhecendo a
morte estava perto, ele scnt de Isolde. Esperando Isolde foi a única coisa que manteve
Tristan. vivo. Cada dia, ele olhou para o seu navio a aparecer após o horizonte,
esperando que ela chegue antes que ele expirou.

Os amantes são sbown aqui na sua última abraçar. Oito copos, precariamente
equilibrado, os rodeiam como Isolde atinge em direção Tristan pela última vez. Um
declínio lua define como o sol nasce. A maré, áspero. e selvagens, derrama sobre a terra
em torno deles, à espera de varrer os amantes de distância.

SIGNIFICADOS:
Hora de seguir em frente. Necessidade de mais substância na vida-se que seja mais
satisfatória relacionamentos, um modo de vida mais autêntica. Leavetakíngs e tran-
sições. Desilusão. Rcvcrscd ou fracamente aspccted: prolongado demasiado longa em
uma situação difícil ou superficial. Incerteza sobre um relacionamento, se ficar ou sair.
Doubts.

NOVE DE COPAS

Embora Tristán maio ser morto, Isolde recusou-se a ser separado dele. Além disso,
também o seu espírito deixa-la sentir-Isolde dedicar sua presença ali ao seu redor. É ela
transfusionados com luz e energia, banir ou pensamentos de mágoa. Transfigurado com o
                                                                                      134
ecstasy, Isolde chegou para os céus, como se a abraçar a sua amada uma última vez. E
seu desejo foi concedido o espírito afastou-Isolde seu corpo, e foi eternamente ingressou
com Tristan.

Nove taças, simbolizando a suprema satisfação de Isolde's desejos, são mostrados
arqueamento shimmering acima dela como um feixe de ouro. Um único copo flutua na
frente de Isolde. Representa a taça que aderiram a ela para seu amado Tristan no amor
eterno.

SIGNIFICADOS:
Extático satisfação. Alegre sensualidade. Reunião com um ente querido. Contcntment.
Alguns consideram este cartão a ser o "desejo" cartão, ou seja, um desejo será concedido
se ela aparecer em um tarot leitura. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Atraso na concessão
de um desejo do seu coração. Complacência. Tendo uma relação, no navio para
concedido. Complacência excessiva. Incapacidade de receber prazer. Insatisfação.

DEZ DE COPAS

Em honra do seu amor, Mark Tristan e Isolde enterrados lado a lado. Dois frondosas
briars cresceu de cada grave e interligados em um. Em tempo, a sarça se tornou uma
grande árvore que flor profusamente cada primavera. Devido a esta árvore, muitos
aprenderam com a história de Tristão e Isolde, e foram encorajados por seu exemplo de
amor tão fearlessly.

A árvore é retratado como bere ela explode em floração. Dez xícaras formar um arco-
chuva acima dele, simbolizando a maior satisfação emocional vida pode oferecer. O mar
junco muito antes da árvore, trazendo a água doce para alimentar as suas raízes. Abaixo
da árvore significa um bappy jovem exploração seu bebê recém-nascido, criado a partir
de seu amor. Inspirado por Tristan e Isolde, a jovem família hon-ors o amor que também
eles juntos como um.

SIGNIFICADOS:
Alegre encerramento. Grande alegria e felicidade. Dar vida emocional. Abundância.
Profunda satisfação emocional. Endurance em relacionamentos amorosos. Fertilidade.
Expansão da família ou amigos em sua comunidade. Rcvcrscd ou wtakly asptcttd: a
incapacidade de experimentar alegria. Emocional blocos. Insatisfação tbough incerto
porquê-tudo parece perfeito sobre a superfície.

PRINCESA DE COPAS

BRAGWENE, ISOLDE'S JOVENS Maid, simboliza a Princesa de Copas, uma menina
adolescente aguarda a plenitude da mulher. Um mensageiro fiel à sua rainha, Bragwene
sugere       a       devoção     inerente      a     Princesa      de      Copas.
Antecipar amor, prazer e inspiração, a Princesa de Copas oferece-lhe a xícara reireshing
conteúdo a qualquer bebida que seria dele. Aqueles que aceitarem seu convite irá
experimentar o melhor do naipe de taças oferece: sábado emocional 'ísfactíon, talento
artístico, empatia e compaixão.

A princesa de Copas "tipo e formas sutis seduzir quem conhecê-la. Ela representa o
suave qualidades de inspiração, a capacidade de influenciar otlv dores com consideração.
Devido a sua inocência faz dela um pouco imatura emocionalmente, ela pode tornar-se
dependente da aprovação do outro. Nonetbeless, ela é uma companheira leal e
                                                                                      135
encantador que irradia beleza misteriosa, como a lua brilhante em um céu noturno.

SIGNIFICADOS:
MANSIDÃO. Grace e talento. Receptividade emocional. Um aliciante convite. Intuição.
Lealdade. Rcvcrscd ou fracamente aspecto: Um vazio oferta ou convite. Inconstância ou
imaturidade do afeto. Inconsistentes ou pouco fiáveis mensagens. Ambivalência.
Codependence.

PRINCE DE COPAS

Tristan, MARK KING'S filho adotivo, que representa a romântica Príncipe de Copas.
Assim como Tristan venceu Mark's afeto com sua graça e arte, o Príncipe de Copas traz
prazer ao coração dos que ali se reúne. Um sonhador de lugares e épocas mais felizes, a
força de sua musa-like presença inspira artistas a criação, a eloquência poetas, músicos e
à música.

A noite escura ao redor do Príncipe de Copas sugere o reino da fantasia, que muitas
vezes podem revelar nossas verdades mais profundas de nós mesmos. Holding bis bígh
taça em saudação, o Príncipe de Copas nos lembra que a riqueza da vida só pode ser
adquirida através emocional de risco, permitindo-nos a ser vulneráveis a aqueles que se
preocupam com a, escolhendo-se receptivo aos nossos desejos. Frequentemente êxito,
mas sempre encantadora, o Príncipe de Copas revela a melhor maneira de fazer isso.

SIGNIFICADOS:
Grace e talento. Inspiração Artística e receptividade. Movimento nestas áreas da vida.
Tornar sonhos em realidade. Um jovem que representa as forças do amor, beleza,
riqueza e emocional e tem a habilidade de inspirar. Invertida ou fracamente asp & ctcd: A
necessidade de ser mais receptivo à beleza, amor e harmonia. Excesso de fantasias. A
necessidade de estar alicerçado no emo ¬ cional realidades de uma situação.

RAINHA DE COPAS

[Solde, amado DE Tristão e wifc de Marcos, simboliza a Rainha de Copas etéreo. Como
Isolde, a Rainha de Copas experiências a vida como ela é mais significativa quando
infundidos com sentimento.

Soulful e sensível, a Rainha de Copas tem domínio sobre o reino das emoções, que
podem ser tão misteriosa como a lua. A Rainha de Copas é como a sua vida interior
rcceptíve como ela é a inspiração. Isso faz dela um talentoso artista que pode mover-se
demais com seu talento, alimentando o amigo que realmente escuta. HCR bcauty faz ela
como seduetíve como THC emoções ela embodícs.

A Rainha oi Copas é como um corpo de água, sempre flui em diante o que ela traz
inspiração e sensação de THC mundo. Embora ela pode, por vezes, como scem mutáveis
como o mar em si, ela é sempre a truc HCR coração. Sua forte lealdade ao que ela sente
incentiva outras pessoas a ser tão cmotíonally honesto. Essa honestidade pode ajudar-
nos a amar verdadeiramente mais.

SIGNIFICADOS:
Emocional ou o domínio de fato dos copos representa: Arte, beleza, intimidade, amor.
Inspiração Artística. Seduetíve emoções. A capacidade de expressar amor, para alimentar
outros. Oldcr Uma mulher que inspira outros a ser mais emotivo. Rcverscd ou wcakly
                                                                                       136
aspecto: esmagada pelas emoções que precisam triagem. Necessidade de tomar o
controlo desses sentimentos. Não mineira os tesouros da alma. Desarmonioso
relacionamentos com mulheres, ou com o auto.

REI DE COPAS

MARCA KING, marido de Isolde e Tristan de liège, simboliza o Rei de Copas. Apesar de o
Rei de Copas foi fustigada por seus sentimentos, ele está ali a mais sábia para eles. Suas
experiências, boas e difíceis, conceder-lhe uma calma maestria. Desde verdadeira
serenidade chega a partir da aceitação da humanidade do foibles, o Rei de Copas está
em paz. O mar calmo redor dele espelhos seu temperamento, simbolizando o seu
domínio sobre o reino das emoções. Introspectivo na natureza, o Rei de Copas exprime-
se melhor através de relações e artistry. Ele age como um mentor para apoio thosc que
sucederiam thcir crcative sonhos, oferecendo sugestões práticas abatidos Irorn anos ol
experiência. Na natureza generosa e carinhosa, ele partes livremente sua sabedoria para
aqueles que procuram o seu sincero conselho.

SIGNIFICADOS:
Aprendizagem a partir de relacionamentos amorosos. Habilidade para viver até aos ideais
e sonhos. Integridade artística. Maturidade emocional, sabedoria e integridade. Alguém
que simboliza essas forças. Rcverscd ou wcakly aspecto: desejo de ter mais con-trolo
sobre um's aspirações artísticas. Necd fantasiando de parar e começar a trabalhar.
Inconsistência. Unrcliabílíty.


NAIPE DE PAUS
A ação-embalado Terno de PAUS chega após o misterioso reino das emoções exploradas
dentro do naipe de copas. In The Lover's Path Tarot, o naipe das PAUS está associada
com Brunnhílde e Siegfried, representada mediante Força (VIII), a nona das vinte e duas
grandes arcana cartões (página 30). A história de Siegfried Brunnhílde e mostra como a
força do amor pode impulsionar-nos a grandes feitos, tornando-nos fortes, onde já foram
fracas. Na progressão do menor arcana da Fatos de PAUS são como nova árvore mudas
através de quebrar a terra-terra fértil que foi ungido com água a partir do anterior naipe de
taças.

PAUS estão também associados com o fogo, que é simbolizado pelo poderoso sol.
Assim, cada cartão no naipe das PAUS tem uma fronteira alusivos ílames flicker-Ing sobre
madeira, o mesmo material das PAUS estão esculpidos.

Incêndio, o mágico que transforma a substância em questão cinzas e fumaça, é uma força
que gera mudança. Sua tantalízíng calor aquece-nos apenas como amor aquece o nosso
coração, mas também pode queimar se não estivermos atentos. Esta dupla borda foi
primeiro experimentado pelo herói grego Prometeu, que roubou o fogo do céu para ajudar
a humanidade, só para ganhar a punição dos deuses por sua transgressão. A força
eléctrica consubstanciado no fato de PAUS é tão poderosa quanto a incêndio, e como
expansivo como o sol da vida, afirmando energia. Ela leva-nos no caminho da ação,
ensinando-nos como de tomar a cargo das nossas vidas.

ÁS DE PAUS


                                                                                          137
DENTRO DE UM PAISAGEM banhado com a luz solar, um único stave molas brotar da
terra fértil. Folhas verdes torção do seu nó grão, representando o crescimento vigoroso
surging dentro. o seu coração. O bordão é coroado com rico ouro. Asa em forma de
nuvens aparecer por trás dele, sugerindo uma grande energia irá em breve ser libertados.

É o início de um novo dia com as novas possibilidades de acção, bem como novas
oportunidades de crescimento. É a partir de. Esta paisagem de que a história de
Brunnhílde e Siegfried começa.

SIGNIFICADOS:
Grandes fluxos de energia que unbounded. Criatividade início de um período de
crescimento focado. Inspiração que inspira acção. Novas oportunidades. O mascu-line, ou
yang, aspecto da vida. Crescimento. Reverscd ou wcdkly aspcctcd: dificuldades com
novos empreendimentos. Ser queimado por demasiada energia, muita des-pesas, muitos
pensamentos. A necessidade de se concentrar.

DOIS DE PAUS

Wotan, DEUS de Ali deuses, pagou um preço pesado e perigoso para a construção
Valballa, o novo palácio dos deuses: h, mas ele tinha um plano para recuperá-la a partir
de tbose que poderiam usurpação da autoridade. Embora Wotan não pode recuperar o
anel directamente, felizmente ele pode influenciar a outra hclp bim. Para o seu plano para
ter sucesso, ele vai precisar da ajuda de um parceiro leal. E ele tem um em mente, a sua
filha dedicada Brunnhílde. Wotan é mostrado gazíng para Valhalla, que simboliza o ápice
de sua mundanos metas. Ele embraia um bordão na mão, um cristal oub no outro. Outro
stave, firmemente plantados em TBE eartb, fica ao lado do deus. Este bordão suçraests o
sroundíng seu esforço deve ter para garantir suecess.

SIGNIFICADOS:
Início de um novo empreendimento. Helpfull influências. Uma parceria dinâmica. Novas
idéias que transformam vidas e energizar as pessoas. Transformar inspiração em ação.
Rcvascd ou wcakly aspccttd: Venture que perde ímpeto após um início promissor.
Desilusão em projetos. Frustração ou impaciência. Necessitado de ajudar.

TRÊS DE PAUS

BRUNNHILDE, o mais fiel e amorosa de Wotan's muitas crianças, nasceu uma valquíria,
uma mulher guerreira imortal criado apenas para promover o seu pai's causas em
batalha. Wotan explicou a ela sobre o anel do poder, e pediu-lhe ajuda na reganhar ele.
Ele estava confiante de sucesso, por sua vontade apenas Brunnhilde entendido
absolutamente.

Brunnhilde está representado une o pai dela a olhar para o mar em direção Valhalla. "Três
PAUS são plantadas na terra, simbolizando a progressão. De Wotan's plano ambicioso.
Mão esquerda repousa sobre uma das PAUS, sugerem-ing o deus da poderosa
autoridade. O céu acima Wotan Brunnhilde e impetuosa é a partir do sol nascente,
sugerindo o início de uma nova pbase.

SIGNIFICADOS:
Uma empresa sobre a cumulação de sucesso. À espera de notícias. A capacidade de
transformar objetivos em acção realista. Business sucesso após um lançamento bem
sucedido. Focada actividade. Rcvased ou wcakly asptcted: Planos ambiciosos
                                                                                       138
QUATRO DE PAUS

Wotan plano da PROGRESSEDas desejado. Siegmund, o herói vai Wotan espera
recuperar. o anel do poder, se apaixonou por Sieglinde. Wotan sabia que o amor de
Sieglinde iria inspirar Siegmund para grandes feitos. Mas havia um problema: Sieglinde
era casado com Hunding, barbaramente um homem cruel. Siegmund deve lutar contra ele
para libertar dela Sieglinde votos. Apesar da ameaça de sinistro batalha, Siegmund e
Sieglinde foram êxtase-prosperaram. Cada senti como se tivessem encontrado o seu
verdadeiro amor, um amor que iria apoiá-los através dos dias difíceis à frente.

Os amantes são representadas como se dança sob uma árvore frondosa apoiados por
quatro PAUS, que simboliza a casa que sentem que têm encontrado em si. Esta casa vai
proteger Siegmund e Sieglinde aconteça o que acontecer.

SIGNIFICADOS:
Helpfull estrutura. Estabilidade dos empreendimentos. Um novo lar. Realizar metas e
desfruta-los. Primeiro sucesso de um novo empreendimento. Satisfação. Colocar as
raízes. Possivelmente um casamento ou parceria doméstica. Encerramento de uma
situação instável. Rcvcrstd ou wcakly aspccttd: querer estabilidade. O desejo de colocar
as raízes, mas elusíveness em fazê-lo. Frustrações ou decepcionar "sitos em casa.

CINCO DE PAUS

FRICKA, wotan da esposa e da deusa do casamento, aprendeu de Siegmund e
Sieglinde's adulterino amor. Irritado com sua destruição de sua sagrada votos, ela insistiu
em que Siegmund deve morrer em batalha contra Hundíng para recuperar a sua honra.
Wotan honrado seu pedido contra a sua vontade.

Wotan enviado Brunnhílde Siegmund para dizer que ele deve morrer. Mas o herói se
recusou a acompanhar a valquíria, Sieglinde transportadas para o seu nascituro. Como
Siegmund falou de seu amor, o coração Brunnhílde foi transferida para o primeiro-tempo,
ela compreendeu o poder do amor. Ela concordou em ajudar a Siegmund,
desobedecendo ordens do seu pai pela primeira vez em sua vida. Como eles lutaram,
Siegmund logo teve a vantagem sobre Hundíng. Mas era tarde demais: Wotan descobriu
Brunnhílde da transgressão e atingiu Siegmund morto.

A batalha entre Hundíng Siegmund e é apresentado sobre este cartão. Como Hundíng
Siegmund e briga com três PAUS, Brunnhílde, visto apenas por Siegmund em sua forma
sobrenatural valquíria, auxilia-lo com duas PAUS contra os furiosos Hundíng. O céu
alaranjado é tão quente como a sua tempera.

SIGNIFICADOS:
Discórdia, que pode ser dentro de si mesmo ou personificadas nas pessoas ao seu redor.
Conflitos por razões de conflito. Ego-Oriented concorrência. Perder de vista o que é
importante por causa de pequenos desacordos. Rcvcrscd ou wcakly aspccted:
Ultrapassar mesquinhas preocupações e inquietações para compreender o que é
importante. Unificar forças. Ultrapassar os obstáculos.

SEIS DE PAUS

Wotan BRUNNHÍLDE punido por sua desobediência, le-vando por fora dela divindade.
                                                                                        139
Agora, uma mulher mortal, ela seria deixada para passear na floresta, forçadas a casar
com o primeiro homem que a encontrei. Mas Brunnhílde teve uma inspiração: Sabendo
que Siegmund da criança só poderia ser um herói como o pai, ela implorou Wotan a ser
colocado em um cnchanted dormir sobre uma rocha cir-CLED pelo fogo. Apenas um
corajoso herói, como o filho de Siegmund poderia reivindicar ela como sua noiva. Juntos,
eles seriam fortes o suficiente para recuperar o anel do poder.

Wotan plano acordado com ela. Sícgmund da criança nasceu, um menino chamado
Siegfried por sua mãe antes que ela faleceu. Separados do mundo, o menino cresceu
selvagem na floresta e se tornou o forte e destemido herói Brunnhílde previsto.

O inteiramente cultivadas Siegfried é mostrado aqui como ele monta um cavalo branco
triunfantemente através da floresta. O único bordão na mão do herói representa a sua
pura vontade. Ele está cercado por cinco PAUS que venceu em forte árvores. Essas
árvores sugerem o desenvolvimento e eventual suecess de Wotan's plano para recuperar
o anel do poder.

SIGNIFICADOS:
Heroísmo. Triumph. Beneficiando suecess depois de muito trabalho e luta. Agradecimento
e honra daqueles em torno de você. Os frutos da coragem e integridade. Integração e
harmonia. Rcverscd ou fracamente aspecto: vitória é ilusório. YouVe feito o trabalho, que
merece as honras, mas eles não chegaram, talvez devido a uma falta de sensibilização
naqueles em torno de você. Falta de coragem ou honra.

SETE DE PAUS

SIEGFRIED SOON APRENDIDAS sobre Fafnir, um dragão guarda um precioso tesouro
de ouro roubado. Entre esses tesouros Wotan descansou da longa 'permutado anel.
Cercado por muito brilhante tesouro, tinha-se tornado o dragão furioso com ganância. Ele
aninhada sobre o ouro ali dia e noite, destruir-Ing qualquer que chamou para perto dele.

Ser jovem, forte, e aventureira, Siegfried decidiu a batalha ardente dragão. O herói da
primeira appearcd não ser páreo para Fafnir. Mas Siegfried foi corajoso, e, após uma
longa e sangrenta batalha, o jovem foi vitorioso. Como ele chegou para o tesouro
escondido do dragão de ouro, Siegfried's mãos ficaram revestidos com o seu adversário
caído do sangue. Ele tocou bis mãos para os lábios, acciden-tally saboreá-lo.
Siegfried é retratada no calor ol sua luta com o ouro-Amealhar dragão. Com apenas um
único stave, o rapaz parece ser subjugada por Fafnir's quatro PAUS. Felizmente, esta é
uma luta de vontade, não poderia.

SIGNIFICADOS:
lnstabilíty e luta. Defesa. Embora você possa ter a derradeira vantagem nesta situação,
ainda há conflito. O sucesso é possível, mas somente depois de Surdos Ing com pessoas
difíceis ou situações que se opõem as suas intenções. Tenha cuidado para não deixar
sua bagunça tornou seu. Rajcrsed ou wedkly aspecttd: indecisão em face da oposição.
Sentindo-se sobrecarregado. Sendo o seu pior inimigo. Criando problemas para distrair a
partir do que está realmente acontecendo.

OITO DE PAUS

À Prova Fafnir'S sangue, Siegfried experimentado um míracu-lous transformação: Ele era
capaz de entender o canto dos pássaros. A floresta se tornou subitamente sopros vivo
                                                                                      140
wítb língua, Siegfried esmagadora de cada árvore e ramo. Estes recém-entendidos em
torno de mensagens aumentou o jovem como ardente raios do sol.

Um pássaro em especial chamou a atenção do herói. Este pássaro persistentemente
cantou de uma mulher linda dormindo sobre uma pedra, rodeada por um anel de fogo. Ela
esperou um herói para acordá-la de volta para a vida. Siegfried homenageado o pássaro
da mensa-gem e se lhe seguiu. O pássaro conduziu Siegfried em direção a pedra onde
Brunnhil.de slumbered, dizendo-lhe que o verdadeiro amor seria encontrado ali.

Vários pássaros cantando estão representados nas oito branclies árvore. Eles sym-bolíze
mensagens que devem ser imediatamente reconhecido e atendido. O céu quente atrás
deles sugere a urgência de suas comunicações.

SIGNIFICADOS
Importam-Comunicações inesperados telefonemas, cartas-surpresa que libertem
incertezas e final em espera. Energetic movimento. Rapidez e suddenness. Desconhecido
informação finalmente libertados que faz sentido. Rcvcrsed ou votakly asptcted: uma
espera demasiado longa para a comuni-cação. Talvez seja hora de tomar a iniciativa,
para criar ondas. À espera de outros para fazer a primeira jogada. Passividade.

NOVE DE PAUS

SIEGFRIED Ouvido o pássaro da mensagem importante. Após a direc-ção, que
percorreram a floresta, uma clareira na direção de onde ele podia ver um alto rochedo
circulados no fogo. Dentro desta impetuosa tempestade dormir descansado uma mulher.
Sem medo ou hesitação, o herói Strode através das chamas para reivindicar a valquíria
encantado, que tinha esperado por ele. por tanto tempo. Ao ver Brunnhílde o rosto
brilhante, Siegfried conhecia o amor pela primeira vez.

Como o jovem rejubilaram no amor que encontraram, Siegfried Brunnhilde ofereceu um
anel em casamento-Wotan's anel, tomadas a partir de Fafnir s covil. Brunnhilde estava
satisfeito com o seu dom, mas ela também sabia que havia muito mais a fazer. Seu
trabalho não estará completo até que o anel era segura em Wotan's posse novamente.

Siegfried é descrita como ele desperta a longa slumberíng valquíria com o seu primeiro
beijo. Brunnhilde é thríUed como ela abre os olhos para ver o belo herói em seu lado. Ela
abraça-lo, alinhando-la para o seu futuro. Nove PAUS chamas vivas em seu redor,
sugerindo que a paixão do jovem da união.

SIGNIFICADOS:
Temporária sucesso. Uma pausa no trabalho para descansar, a reconsiderar planos.
Conclusão está tão perto, mas tão longe! Necessidade de protecção ou de separação de
outras pessoas que não podem ser totalmente favorável, a fim de concluir um projeto.
Responsabilidade. Rcverscd ou wtakly aspccted: Sensação sobrecarregado pelo trabalho.
Necessidade de uma pausa. Não reconhecendo plenamente o trabalho necessário para
concluir um projeto. Negação de responsabilidades.

DEZ DE PAUS

Depois de muitas aventuras e muito trabalho duro, Siegfried e Brunnhílde descobriu que
Wotan's anel deve ser destruído, se era para continuar a vida na terra. Para fazer isso,
Brunnhílde construiu uma enorme fogueira para derreter-lo. As chamas, quando visto de
                                                                                      141
uma distância, como foi brilhante como o sol. Alimentado pelo poderoso anel, este
poderoso incêndio atingiu as estrelas, o céu nocturno com manchas de calor e
electricidade.

Dez PAUS, representando a grande strugglc cxperícnced por Siegfried e Brunnhílde, são
mostradas as chamas flutuantes beforc. Essas PAUS pareço nat ¬ extensões naturais da
energia do sol. Folhas de torção das PAUS, que simboliza o crescimento pessoal e
Siegfried Brunnhílde ganharam seguindo o caminho da ação.

SIGNIFICADOS:
A acumulação da empresa começou com a criação de um PAUS. Sucesso que se torna
esmagadora com a sua responsabilidade. A última visão está dentro de seu alcance, mas
trabalho pode ser opressivo. Rcvcrscd ou wcakly asptctcd: Overwhclmed e
sobrecarregados por responsíbílítícs. Não há tempo para desfrutar com sucesso há muito
trabalho a fazer!

PRINCESA DE PAUS

BRUNNHÍLDE, o corajoso guerreiro valquíria, que representa a fíeiy Princesa de PAUS. A
personificação do pai Wotan. "S será, Brunnhílde sugere a forcefulness oferecido pela
princesa de PAUS.

Carregar sempre em frente, a Princesa de PAUS entusiasmo é personificado. Aqueles
que entram em contacto com esta intensa jovem são energizados por ela apaixonado
exemplo. Embora ela não pode ser pragmático quando se trata dos detalhes envolvidos
em um empreendimento, ela oferece o precioso dom de inspiração, sem inspiração, nada
pode vir a existir.

A inspiração concedida pela Princesa de PAUS é tão brilhante como os raios do
rebentamento sim atrás dela. Ela é portador de mensagens importantes e estimular novas
idéias que nós em acção. Um wonderíul companheiro a quem foUow sua vontade, sua
fidelidade pode encorajar-nos a cumprir nosso drcams. Sua confiança nos permite
deíend-nos contra qualquer diffícultícs que bloqueiam nosso caminho.

SIGNIFICADOS:
Entusiasmo. Importante Comunicações. Necessidade de ouvir a inspiração, novas idéias.
No entanto, estes devem ser ponderados de acordo com a praticidade. Inex-períenced
Um jovem que pode ser muito apaixonada, mas não muito expe-experiente. Rcvascd ou
fracamente aspectcd: Muita energia e não o suficiente foco. Idéias e mensagens que
fiasco, após o entusiasmo inicial. Inconsistência. Overenthusíasm por uma questão
emocional do visor.

PRÍNCIPE DE PAUS

SIEGFRIED, O CON au lisando herói, representa o Príncipe das PAUS, um jovem homem
cheio com paixão e força. Faltando medo, Siegfried corajosamente obtido o anel de Fafnir
e acordei Brunnhílde de seu sono encantado.

O Príncipe das PAUS' rijo personagem oferece um exemplo de integridade que não fivela
sob pressão. Sem medo de usar o seu bordão de protecção, este jovem. carrega dentro
bímself    os    conhecimentos     necessários    para   agir      sem    medo.
O Príncipe das PAUS é uma adição bem-vinda em qualquer situação nccding mudança.
                                                                                     142
Embracing ali desafios, bravc sua capacidade de forgc frente levanta os espíritos oi ali
aqueles que satisfaz, dissipar as dúvidas que possam impedi-los de avançar. Ele é tão
forte quanto o verdejante árvore crescendo atrás dele, e ust como enraizados na sua
convictic

SIGNIFICADOS:
A possibilidade de criar uma mudança no mundo. Paixão, integridade e criatividade.
Iniciativa. Novas ideias ou empreendimentos que devem ser postas em prática
imediatamente. Um jovem que inspira outros a viver esta missão. Revased ou fracamente
aspectcd: Scattered energia. Hesitação. Incapacidade de se concentrar sobre as matérias
em apreço. Necessidade de desenvolver habilidades para trazer sonhos em realidade.
Demasiada energia energia suficiente ou não.

RAINHA DE PAUS

Wotan'S CONSORT FRICKA simboliza a Rainha de PAUS inteligente. Forte da mente e
wíU, foi Frícka a procura de Wotan para honrar o seu juramento, que trouxe o amor de
Siegfried e Brunnhílde.

Vestida de vermelho ardente, a Rainha das PAUS detém o poder dela dentro. própria,
representada pela Simmering navio repousando sobre a sua volta. Seu entusiasmo é
focada apenas para os projectos e as pessoas que ela considera digno de atenção. Ela é
sábia o suficiente para compreender que a acção em prol da acção leva a nada, essa
mulher mais velha quer resultados, não emoção.

Aqueles que se aproximam da Rainha de PAUS para auxílio irá encontrar um pragmático
aliado. Ela sabe como abordar um projeto para garantir o sucesso, ea melhor maneira de
preservar a faísca que inspirou-lo. Imparável no seu talento, ela traz força e estabilidade
para qualquer esforço criativo. No entanto, sua intensidade pode queimar os
despreparada para recebê-la.

SIGNIFICADOS:
Uma mulher sábia o suficiente para inspirar outros a seguirem a sua vontade. IntcUigence
e potência aplicada a criação de ações pragmáticas, os bens materiais, expansão de
negócios sion. Argúcia. Uma mulher que incorpora essas idéias e inspira acção de outros.
Wit e sabedoria. hnthusíasm e acção. Suporte. Rcvcrscd ou wcakly aspccted: uma espera
demasiado longa para usar suas forças. Não mostrando ao mundo sua força. Minando a
sua própria autoridade. Sentindo-se impotente.

REI DE PAUS

Wotan, Deus de Au, que representa a magistral Rei de PAUS. É Wotan's action-vontade
que cria ali outros devem seguir o seu exemplo.

Recheados com autoridade, o Rei de PAUS tem capacidade para varrer o carismático
outros juntamente com o seu inspirador idéias. Este homem mais velho do honesto e
calorosa personagem ganha lealdade frorn ali que conhecê-lo, para que instintivamente
sua confiança abrir caminhos. Através do fogo, mas apoio palavras, o Rei de PAUS gera
crescimento de oportunidades para aqueles que ele se preocupa. Seu incentivo
proporciona uma base estável para a criatividade e as empresas se esforça para
florescer.

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Se o Rei de PAUS tem uma falha, é que às vezes ele acredita que sua vontade deve
torná-lo assim. Embora a sua capacidade de realizar mudanças é impressionante, ele
pode esquecer de considerar outros no âmbito da sua regai desejos. Mas mesmo quando
ele é descuidado, o Rei de PAUS é rapidamente perdoados. Poucos podem resistir seu
expansivo, generoso temperamento.

SIGNIFICADOS:
Dinâmico, estável entusiasmo. Confiança. Maestria sobre iniciativas empresariais. A
capacidade para reunir idéias para fruição. Alguém que simboliza estas forças. Creative
inspiração e ajuda. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: querer explorar estas forças, mas não
suficientemente forte para fazê-lo. Alguém que parece ser solidário, mas quando chega a
empurrar empurrão já perdeu interesse.


NAIPE DE ESPADAS
Assim como INCÊNDIO, associado ao fato de PAUS anteriores, queima-nos a agir em
nossas vidas, as setas Prick despertar em nossa consciência. Em I_over O Caminho do
Tarot, o naipe de setas está associada com Cupido e Psique, rep-ressentimento após
despertar (XIX), o vigésimo dos vinte e dois grandes arcana cartões (página 52,). O mito
de Cupido e Psyche descreve como amor concede sabedoria. O amor muda-nos, tal
como Cupid's mágico setas mudar ali que são afectadas por elas.

Setas estão associadas com o ar, wmch é affiliated com sal. Sal é ali que está à esquerda
da água do oceano, quando o ar é seco por evaporação ou pelo sol. É também um
componente de lágrimas chorou durante a experiência dolorosa 'cias, quando pensamos
que não têm nada dentro de nós, mas pura emoção. Ar simboliza comunicações,
mensagens de longe. Não surpreendentemente, as aves que a viagem aérea foram
considerados em tempos antigos a ser arautos da Divina tbought, trazendo mensagens de
Deus para celeste Earthbound humano.

Setas indicam as forças incisiva do intelecto. Centram-se o ardente energia cresceu nos
últimos naipe de PAUS, e ajude-nos a compreender a sua vida em ali com 'plexíties, ter
compaixão pelos outros. As mensagens trazida pelo fato de setas podem ser tão
galvanização como um relâmpago, chegando literalmente fora do ar.

A fronteira para cada cartão neste fato mostra um céu despedaçado por um relâmpago,
sugere "o choque gestíng entendimento pode trazer. Um segundo céu é calma com a paz,
trans-formada pela tempestade, apenas como sabedoria transforma-nos de um
rastreamento Caterpillar em uma Soaring borboleta.

ÁS DE ESPADAS

A SKY chance com relâmpago revela uma única flecha. Trata-se viravam com um
coração, que simboliza o poder do amor para criar sabedoria. Esta seta, pertencem-Ing
para Cupid, oferece o poder do intelecto incisivo a mudar-nos, como se fôssemos atingido
por um raio. Sugere também a súbita transformação pode trazer uma vida ao mundo.

Foi o caso de Psique. Psyche Desde seu nascimento, os homens e as mulheres tinham a
sua aclamada como uma nova deusa devido à sua beleza, o que eleva o homem menina
muito constrangimento e angústia. Também trouxe o zangado aviso de Vénus, a mãe de

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Cupido.

SIGNIFICADOS:
Os poderes incisiva do coração. Pura compreensão e sabedoria. Clareza e bom senso.
Conhecer a diferença entre certo e errado. Inteligência. Verdade. Início de um ciclo de
crescimento intelectual. Rcvcrsed ou wcakly aspccted: Necessidade de pensamento. A
auto-recriminação e rejeição por pessoal de poder de culpar outros. Confusão.

DOIS DE ESPADAS

VENUS WA tem ciúmes de culto a pródiga paga aos Psyche. Mas quando mortais
negligenciado a deusa do amor de templos para honrar a rapariga vez, Venus procurou
vingança. Ela pediu para visitar seu filho Cupido Psyche enquanto ela dormia e fure ela
com o seu mágico seta. Ao acordar, a menina seria uma tolice queimar com amor à
primeira coisa que ela possa ver.

Embora Cupido tinha ouvido as glórias da Psique da beleza, apertou as mãos ao ver o
seu sono. Uma seta posicionados na sua proa escorregou, pastejo sua coxa. A partir
desse momento, Cupido e Psique amava ela queria acima ali outros. Como ele assistiu a
rapariga inocente sono, Cupido foi ali também sabia como furioso sua mãe seria se ela
sabia que seus sentimentos. Ele ficou ali noite visitar seu amado, mas fugiu quando
amanhecer chegou antes que ela iria acordar.

Cupido visitou a menina cada noite como ela dormiu. Semanas passaram e Psique
permaneceram desconhecem o deus do amor da atenções. Cupido poderia ter
permanecido em paz com esta situação. Mas então, Psique seus pais decidiram que era
hora da menina casada.

Cupido é retratado aqui encantado com o amor que ele relógios Psyche sono. Duas
flechas são equilibradas sobre ele, o que representa o traço que ele temporar bas-
sariamente criada entre sua mãe e do seu amado. Por agora, ali está calmo.

SIGNIFICADOS:
Pacífica ou temporária trégua. Impasse. Compreender uma situação difícil. Equilíbrio
atingido, mas acabou questões terão de ser confrontados. A aceitação de uma situação
de limitações. Controle emocional. Rcverscd ou wcakly aspcctcd: desconforto com a
decisão. Overrelíance no intelecto, deixando-ções cmo desconhecimento. Desconfortável
relações que precisam mudar.

TRES DE ESPADAS

Meses passaram e nenhum pretendente para Psique pediu a mão dela em casamento.
Qualquer que possa ter também foram intimidados por sua beleza, que foi rumores de ser
divino. Em desespero, os pais de Psique consultado o ora-clé de Apolo. Animais foram
sacrificados, seus ossos atirados e lidos pelos sacerdotes. Ali os sinais conduziu a uma
mensagem: Não seria mortal Psique do marido. Em vez disso, ela deve ser abandonada a
um precipício onde um monstro nei-ther homem nem Deus poderia resistir teria ela como
sua noiva alegação. Todos choraram com a notícia, por isso significava Psyche certeza
da morte. Mas Apolo havia falado e deve ser obedecida.

Psyche conduziu a procissão ao seu casamento e de funeral. Quando o proces-missão
chegou ao precipício onde a menina era de esperar que o marido dela, o céu virou cinza
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com tempestades e do mar cresceu selvagem. Que vê este como um presságio ínauspí-
cíous, todos íled, abandonando Psique ao seu destino.

Psyche é mostrado como ela espera, na beira do precipício. Ela é rígida com medo-medo
do marido da identidade, medo de sua vida. Um coração flutua acima dela. É perfurado
com três setas, simbolizando a Girl's acentuada tristeza.

SIGNIFICADOS:
Uma dor aguda ao coração-decepção, final de um relacionamento amoroso, separação.
Sorrow que pode esclarecer ou debilitar. Oversensítívíty. Tempo de cicatrização. A
necessidade de transformar a dor em entendimento. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd:
Overíndulgíng em luto, por razões de drama. Identificar com a emoção em vez da perda.
Slow Flexibilização de tristeza.

QUATRO de ESPADAS

Algo inesperado ocorreu depois Psique foi deixado sozinho. A tempestade passou leve eo
mar acalmou. Soft ventos cradled cuidadosamente o infeliz siri, elevação; ela muito
superior ao do penhasco eo mar abaixo. Os ventos ela voou para uma ilha onde um
palácio esperei. Na sua mais escura, intimidades câmara, Psique foi preenchida por um
ser que abraçou-a como sua esposa e amante. Se ele era besta ou homem, Psique ela
deu-lhe em cima dela confusão inocente, como ele sussurrou de seu amor por ela.

Quando Psique acordou na manhã seguinte, o seu marido tinha ido embora invisível.
Sozinho naquele estranho mas opulento palácio, os fiéis ventos da Psique teve o cuidado
de todas as necessidades. Naquela noite, ela retornou ao seu misterioso marido
novamente nas trevas.

Para além de todo o mundo, Psique se usado para este estranho estado de coisas. Seu
marido continuou a sua visita a cada noite no escuro, quando ela não podia vê-lo. Ela foi
de conteúdo, pois ele foi gentil e amorosa. Psique logo esqueceu ali sobre o oráculo da
previsão assustadora.

Amor e Psique são representadas como eles dormem pacificamente. Separada do
mundo, eles são capazes de amar sem medo FBE outros. Quatro setas descansar sobre
a     sua    cama,     sugerindo    que     a   solidão     dá-lhes    protecção.
SIGNIFICADOS:
Introspecção. Cicatrização. Precisa de tempo para curar ou descansar. Paz após
emocional dis-nomeação. Destacamento do mundo cotidiano para recuperar o equilíbrio.
Recuperação de situações estressantes. Rcverscd ou wcakly aspccted: Forçados
isolamento. Solidão. Mais recuperação tempo necessário do que aquilo que foi permitido.
Necessitado de uma visão dos problemas mais destacados.

CINCO DE ESPADAS

TN TIMNE Psyche's contentamento virou para duvidar. Ela decidiu que tinha de saber
quem tinha casado, mesmo se este knowledgc destruiu seu precioso felicidade.

Quando seu marido carne para ela naquela noite, Psique chorou quando ela beijou o seu
marido, mas ele pensou que eram lágrimas de amor. Logo que a menina ouviu breatbíng
profundamente com o sono, ela acendeu uma luz e ela detida elevado acima do seu leito.
Não besta, não serpente cumprimentou os olhos só de um homem tão radiante como um
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deus. Na sua pés descalços descansado arco e flechas. Como Psyche testadas as setas'
nitidez, ela estava assustado ao ver uma gota de sangue sobre seu polegar.

Rapidamente o veneno lovc ol fluiu em Psique do corpo. Paixão. queimadas dentro dela
mais quentes e mais brilhantes, em seguida, a luz que ela realizou. Incapaz de controlar
suas emoções, a lâmpada clattered de Psique da aderência ao piso azulejos. Hot óleo
derramado a partir dele, queimando Cupido pouco acima seu coração.

Cupido é mostrado como ele voa longe, abandonando THC contrito Psyche. Cinco dos
seus mágico setas Fali esquecido, a falta suegestíng ol lcads entendimento que a
desarmonia. Feridos em corpo e furiosos com raiva, não vai ouvir Cupid's Psyche
fundamentos para o perdão.

SIGNIFICADOS:
Falta de confiança que leva ao conflito. Petty argumentos. Possível derrota ou
sentimentos de derrota. A necessidade de auto-proteção ou cuidado. Desconforto ou lutar
com uma situação. Não confiando a um emoções. Rcverscd ou wcakly aspecto: insincero
rendição. Derrote devido à indecisão. Paranóia. Desonestidade.

SEIS DE ESPADAS

ONCE Cupido fugiram da ilha, o magnífico palácio habitação Psique desapareceu,
juntamente com os ventos que serviram dela. A única coisa que deixou para trás era
mágico flechas do Cupido. Psique chorou durante dias, incerto sobre o que fazer. Mas
então ela despertamo-se a acção.

Determinado a ser reunificada com Cupido, Psique pesquisados em todos os lugares para
o seu amado marido. Eventualmente Psyche chegou a um conjunto majestoso templo no
topo de uma alta montanha. Certos de que essa estrutura só podia pertencer a uma
goddcss, a menina correu dentro e percebeu que o templo foi deixada em desordem.
Psyche prontamente definido para clcaning. Ceres, o goddcss ol do templo, estava
impressionado com Psique do trabalho árduo. Ela aconselhou-lhe que a melhor maneira
de encontrar Cupido foi encontrar a sua mãe Vênus. Então, a menina deve definir a
vencedora THC deusa da lavor.

Psyche é descrita como ela viagens para encontrar Cupido. Ela trouxe seis flechas com
ela, tanto para a protecção, bem como um lembrete de sua amada. Essas setas também
simbolizar a gírFs novos recursos encontrados no seu auto-¬ ela agora compreende o
que ela precisa de fazer para avançar.

SIGNIFICADOS:
Transições que correram bem. Os novos conhecimentos que ajuda a um movimento para
além das actuais limitações. A diminuição das dificuldades. Viagens, a fim de adquirir
conhecimento. Distanciando-se das dificuldades. Desprendimento para compreender
melhor a situação. Cura emocional. Revascd ou wcahly aspectcd: Mais uma compreensão
da situação é necessário antes de ele pode mudar. Viagens atrasos.

SETE DOS ESPADAS

Psyche THOUCH ACEITES Ceres' conselhos, inconsolável a menina tinha uma tarefa
difícil antes dela: Vénus odiavas Psyche. Além de estar com ciúmes dela, a deusa do
amor estava furioso que Psique havia ferido o filho dela. Depois, ao saber que tinham
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Cupid desposá-la secretamente maior inimigo, era mais do que Vénus poderia suportar.

Vénus uscd ali do seu encantamentos a enfermeira Cupido volta para a saúde,
comprometendo assim a sua própria beleza. Como o filho recuperado, a deusa decidiu
que Psique não ferir o filho dela nunca mais.

A deusa Vénus é pintado sobre este cartão como ela reúne sete setas para uso na
defesa, se a necessidade arísc. Estas setas wíU impedir de Psique nunca ferindo seu filho
novamente. Cupid repousa sobre uma pallct atrás de sua mãe, bis braço dobrado na
protecção. A cena por detrás dele revela um terreno montanhoso-escapo, sugerindo que
as dificuldades que aguardam Psyche

SIGNIFICADOS:
Fecling vulneráveis. A capacidade de defender onesell em uma situação difícil. Auto
"protecção. Necessidade de cautela e análise. Seja cuidadoso ao usar palavras que
podem ser girados contra você. Rcverscd ou wcakly aspecto: paranóia. Sentindo
defensiva. Culpa. Negar necessidade de protecção

OITO DOS ESPADAS

ONCE Psyche FOUND Venus, ela jogou a menina sobre o deus do amor ¬ DESS da
misericórdia. Ela implorou-lhe para reunir-la com palavras Cupido com humilde e
generoso elogio. Para provar o seu merecimento, ela ofereceu para fazer qualquer-coisa
Vénus exigido.

Vénus foi um rude zelador. Depois de manifestar a sua indignação com Psique, a deusa
levou THC garota para um hugc storcroom wherc incontáveis pilhas de trigo, cevada,
milho e outros grãos leigos baphazardly mixcd togcthcr. Oito setas werc preso dentro de
cada pilha, simbolizando Psyche's transgressões. Vénus então instruído Psique para
separar e colocar cada grão com sua própria espécie antes de anoitecer. Se ela foi bem
sucedida, a deusa pode considerar-Ing Belp encontrar seu marido.

Psyche é mostrada cercada por inúmeras pilhas de grãos. Uma seta é preso em pleno
coração de cada um, simbolizando os ensaios que ela deve mastcr antes de Vénus
permitirá o seu reencontro com Cupido. Paralyzcd por THC tarefa antes dela, Psique
chora. Ela é sem esperança.

SIGNIFICADOS:
Entrapped pela emoção e tristeza. Incapacidade de se mover. Depressão que é
incapacitante. Sentindo-se vítima. Extrema tristeza que pode ser causado por
oversensítívíty. Rcvcrsed ou wcakly aspecto: Algumas coisas podem não ser tão maus
como parecem. Obsessão com problemas pessoais, em detrimento de outros. Problemas
que podem vir de dentro. Projeção Negativity para outros. A redução de obsessões.
Narcisismo.

NOVE DE ESPADAS

Desconhecida da Psique, Cupido viu tudo e seu coração era amolecido pelo seu sincero
arrependimento. Recordando o seu amor por ela, ele ordenou a formiga humilde para
ajudar sua esposa. Logo formigas tinha organizado grãos para cada sep-arate pilhas, tal
como Vénus ordenados.

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Mas embora o grão foi separada, Vênus foi ainda satisfeitos. Ela tramou impossível tarefa
após tarefa de Psique para completar para ganhar. seu favor. Finalmente, Vénus ordenou
a menina para viagens para o submundo, o mais aterrador dos reinos, para encher uma
caixa com a essência da beleza para a deusa. Psyche facilmente alcançado este pedido,
mas ficaram tentados em seu caminho de volta à terra. Querendo olhar para a sua melhor
Cupido, a menina cracking abrir o cofre para esgueirar-se um pouco de si mesma beleza
e caiu em um pesadelo deatlvlíke slumber. Mas ali não foi perdido.

Cupid, totalmente recuperado da. sua ferida, é mostrado aqui como ele resgata Psyche.
Ele desperta a esposa com uma de suas flechas, trazendo-la de volta à vida. Restantes
oito setas um formulário padrão na parede por trás dos amantes. Estas flechas
simbolizam as muitas preocupações temporariamente entrappíng Psyche.

SIGNIFICADOS:
Teme que manter um desperto. Pesadelos. Uma questão que precisa de ser examinada
de forma mais estreita e só então será transformada. Ensaios e atribulações. Medo ou
ansiedade lancinante. Culpa. Psíquicos. Rcvased ou votakly aspccttd: O desmoronava
destas preocupações. Catarse. Compreensão. Alguém próximo que está sofrendo de
depressão, ansiedade, doença. A capacidade de transformar a dor em força.

DEZ DE ESPADAS

Depois de muito tumulto, Vénus aquiescido e Psique foi reunificada com a sua amada
Cupido. Tanto Amor e Psique foram sábios e mais paciente para o ensaio de seu amor do
bônus. Com o tempo, seu filho, uma filha que requintado chamado Pleasure-nasceu no
iluminado, brilhante ali a presença dos deuses e deusas.

Nove setas são mostrados nas thls cartão arqueamento através de um céu nublado. A
Sin-GLE seta voa baixo, simbolizando o caminho da sabedoria que pode nos libertar de
limitação dolorosa. Raio pisca drasticamente no céu. Thesc rep ¬ resem o choque de
entendimento que traz verdadeiras enlíghtcnment-tal como a história de Cupido e Psique
pode inspirar-nos a sabedoria em nome do amor.

SIGNIFICADOS:
Perfeito emocional sabedoria adquirida através da experiência. Entendimento adquirida
após a luta. O fim de uma situação difícil. A melhor experiência como professor, para
melhor e para pior. A partilha de conhecimentos com os outros. Rcvascd ou • wtaldy
aspectcd: Mais tem de ser considerado bcfore compreensão completa pode ser adquirida.
Sobrecarregado com demasiada informação. Perder-se em detalhes, a incapacidade de
ver a floresta para as árvores.

PRINCESA DE ESPADAS

Psyche, O amado de Cupido, representa a princesa de setas. Antes que ela poderia ser
reunificada com Cupido, Psique necessários para ganhar WIS-paço, representada por
definir as tarefas a ela por Vénus. Da mesma forma, a Princesa de setas procura
desesperadamente sabedoria. Como ela traveis de medronho e em busca do mesmo,
esta jovem mulher notícias partes que ela adquiriu com os outros, esperando que o
conhecimento que ela mais partes, mais ela vai ganhar.

Borboletas flutter sobre a princesa de setas, simbolizando a transfor-mação da Princesa
de setas anseia alcançar. Com o tempo ela irá adquirir a maturidade ea educação que ela
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procura. Por agora, o seu maior talento é para difundir idéias e conceitos sobre o mundo,
semelhante à maneira como uma borboleta poliniza flores para que eles possam
florescer.

Por causa de seu entusiasmo pelas ideias, a Princesa de setas usa tanto palavras faladas
e escritas com graça e precisão. Seu respeito pela língua faz-lhe uma fiável mensagem
portador, para a clarificação e infor-mações necessárias para qualquer situação. A
princesa das setas é uma boa amiga para aqueles que exercem ideias para uma vida.

SIGNIFICADOS:
Articulação. Educação. Notícias que traz sentido para uma situação. Mensagens faladas
ou escritas e Comunicações. Influenciar a capacidade de criar e trazer compreensão,
usando o poder das palavras. Alguém que personifica esta função. Rcvcrscd ou
fracamente aspecto: à espera de notícias. Não compreensão tanto como gostaria de um.
Ignorância. Confusão.

PRÍNCIPE DE ESPADAS

Cupido, o poderoso filho de Vénus, que representa a incisiva Príncipe de setas. Descrito
como um monstro humano ou deus não poderia resistir, Cupido e seu encantado setas
são       uma        força        que      não      deve       ser      subestimado
O príncipe das setas sabe o que ele quer, e está disposta a fazer o que é necessário para
obtê-la. Felizmente, este jovem é uma força positiva de justiça. Ele tem integridade
suficiente para ver e falar a trurh como é, não importa o quão dura que possa parecer.

Impacientes com aqueles que preferem agir do que falar, o príncipe de Setas é um bom
arqueiro, inteligentemente com a sua proa para enviar setas onde ele julgar necessário.
Estas flechas podem defender os inocentes e intimidar os culpados. Eles também podem
trazer desesperadamente necessárias novas idéias, transformando mentes demasiado
obstinada para ver a luz. Uma determinada força da natureza, o príncipe das Setas
oferece clareza e foco para aqueles dispostos a receber sua sabedoria.

SIGNIFICADOS:
A capacidade de deslocar-se em uma forma incisiva. Criando clareza de confusão. Ser
capaz de defender-se brilhante. Ajudar os outros com palavras. Foco e precisá ¬ dade de
compreensão. Um jovem que symbohzes destas forças. Rcvased ou vocakly aspecto:
Não compreensão tanto como gostaria de um. Sentindo-se incapaz de levantar-se para si,
ínartículate.The vontade de avançar, mas que sejam contrariadas.

RAINHA DE ESPADAS

A deusa Vênus, mãe de Cupido, representa o briUíant Rainha de setas. Embora Vénus
amou muitos, apenas o mortal Adonis foi capaz de quebrar o coração dela. Esta perda,
dor, tal como foi, concedido a deusa uma sabedoria maior do que beleza.

Cleverest de Ali, quando se trata de assuntos do coração, a Rainha das setas devem ser
tratados com grande respeito. Ela compreende perfeitamente as complexidades da
natureza humana em cada situação. Ela também sabe que essa educação. só pode ser
obtido através de experiências tanto doce e azedo. A Rainha das setas é uma mulher
madura. quem viu ele ali. Ela experimentou o amor ea perda. Ela sabe que as flores
florescendo ao seu redor irá desaparecer, mas também entende que ela vai crescer
novamente no tempo. Ela viu pássaros voam longe e voltar com as estações do ano.
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Esta vista worldly dela pode fazer sua impaciência com os menos experiência 'experiente.
No entanto, se correctamente abordado, a Rainha das setas irá gerar-mente com a sua
sabedoria, usando as setas para ela dizer-la como ela é. A vontade de apreciar a verdade
é ali que é necessário.

SIGNIFICADOS
Sabedoria em assuntos do coração. Auto-conhecimento. A capacidade de esclarecer
através da linguagem. Honestidade. Brilliance na escrita, fala ou qualquer outra coisa
transmitida com palavras. Uma mulher que tenha realizado plenamente essas qualidades.
Invertida ou vjtakly aspcctcd: maio simbolizar perda ou feridas, apesar de boas intenções,
acentuado palavras pessoas feridas e afetar as relações. Permitir intelecto para decidir
sobre o coração. Manipulação psicológica ou emocional.

REI DE ESPADAS

ADONIS, o único homem capaz de quebrar Vénus do coração, representa o Rei dos
responsáveis setas. Adonis foi tomada de Vênus quando um javali atacou ele na floresta,
gouging seu coração. Para aliviar a sua dor, ela aspergia o seu sangue sobre a terra,
criando assim a anêmona.

De seu trono conjunto elevado nas nuvens, o Rei de Espadas é capaz de visualizar
qualquer situação com clareza e desprendimento. Ele está vestido com as cores escuras
de autoridade. O pequeno buquê de anémonas em sua mão esquerda simboliza o amor
perdido, ele se mudou para lá emoção para o reino de pura reflexão. A seta no seu direito
revela sua disponibilidade para utilizá-las se necessário. Ele não vai permitir que os
sentimentos dele para entrar no modo de ver as coisas como elas realmente são.

Uma força de intelecto brilhante, que deve ser admirado e honrado, o Rei de setas é o
especialista para consultar quando uma decisão deve ser feita. Ele representa os
elevados padrões que devem reunir-se para ver realmente como são as nossas vidas,
libertando assim, nós mesmos a partir de delírio.

SIGNIFICADOS:
Caim autoridade e integridade. Perfeita compreensão. Um homem que será útil mais
velhos não sugarcoat palavras para proteger outros "sentimentos. Incisivo intelecto.
Responsabilidade. Altos valores que exigem um trabalho árduo. Rcvased ou wcakly
aspictcd: querer assumir a sua autoridade para evitar assumir. Colocar demasiada
confiança no intelecto. Ser demasiado criticai. Distanciamento emocional




NAIPE DE OUROS
A ROUPA DE MOEDAS

MOEDAS DA MELHOR simbolizar o mundo pode oferecer-nos, o que só pode ser
manifestada por submetidas a três xícaras de fatos anteriores, PAUS, e flechas. In The
Lover's Path Tarot, o naipe de moedas estão associados Danae e Zeus, representada
mediante Fortune (X), o décimo primeiro dos vinte e dois grandes arcana cartões (página
34). O mito de Danae foi considerado durante o Renascimento italiano a ser uma

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metáfora para a cortesã, uma mulher, bem como um geisba, que foi capaz de criar sua
própria índepcndent para sintonizar aceitando Coín de conversa e carinho. Danae da
viagem, como ela cresce a partir de um
inocente princesa aos ricos respeitada mãe de um herói, representa o poder do fato de
moedas para transformar vidas.

Moedas sugerem medidas práticas que podem ser tomadas para criar estabilidade em
nossas vidas. Eles estão associados com a terra, cuja maior parte dos metais preciosos é
ouro. Os primeiros mitos presentes na terra como um morno, dando condições para
apoiar a mãe ou da existência física. Nós dependem da terra para a nossa própria
existência. Vinculados pelas forças de gravidade, caminhamos sobre a terra; vinculada
pelas necessidades de nossos corpos, nós comer comida da terra.
Ouro, um símbolo da maior riqueza em muitas culturas, sugere que as forças da
prosperidade criada ao longo do caminho da manifestação. Estas forças podem ser
apenas assistiu a uma vez a nossa necessidades físicas são fulfíUed, permitindo-nos a
criar bonecos sobre terra.

ÁS DE OUROS

Um MARELE GATE exuberante com crescente hera apresenta uma única moeda de
ouro. Este é decorado com Coín ornamentado. um coração alado e copa, simbolizando o
maior     prosperidade      e     fortuna     na     terra  pode     oferecer-nos.
O portão dá origem a uma paisagem verde e fértil, generosa com verão e sol. Tn a uma
distância de altura bronze torre sobe evolutivo entre montanhas. Representa o caminho
da manifestação, que a princesa Danae, amada de Zeus, vai sofrer.

SIGNIFICADOS:
A pura evocação de prosperidade, fertilidade, e generosidade. O início de uma nova
phasc cheio com boa fortuna. Attaínmcnt de material metas. Contentamento na vida
pessoal. Fertilidade. Prazeres do mundo material TBE. Rcvased ou wtakly aspecto: o
desejo de colher os frutos do trabalho de parto. Elusive processá-sumo.Necessidade de
analisar o modo como uma mina onesell.

DOIS DE OUROS

Depois de muitos anos witbout prole, Rei Acrísius foi finalby blesscd com o nascimento de
uma filha chamada bcautiful Danae. No entanto a sua filha chegou ostentando uma
maldição: Foi anunciada após o seu nascimento que qualquer off ¬ Primavera Danae teria
nascido de um dia matar Acrísius. Acrísius foi rasgada betwecn alegria durante o seu
nascimento da filha e FCar do que o seu destino portended.

A arte revcals Acrísius como ele juggles duas moedas. Estas duas moedas sym-bolíze o
conflito choiccs undcr negociação. Sccn bchind o rei é um grecn verdejante terra e mar
shimmering, representando o equilíbrio das emoções e praticidade hc ycarns de
conseguir. Um hcart no RHCT moeda é colorcd cinza, representando a frieza de íntcllcct.
1 HC outros Coín da hcart é vermelho, rep ¬ resenting os desejos do hcart. Acrísius da
hcad pretende proteger ali hc adquiriu como rei da terra. Mas seu hcart pretende lovc sua
filha.

SIGNIFICADOS:
lhe a capacidade de fazer malabarismos severa! situações de uma vez - empregos,
oportunidades, ideias. Opostas desejos. Saldo betwecn o terreno e os mundos espirituais.
                                                                                      152
Gracc. Commercc e expansão. Rcvcrsei ou wcakly aspecto: Tendo em demasia para
agora. Sentindo-se sobrecarregado por demandas. Tempo para concentratc sobre uma
coisa de cada vez, isso bem antes de você expandir. Overcommíttíng si próprio.

TRÊS DE OUROS

AC GH SIUS finalmente chegou ata solução para seu dilema. Não querer ter a sua filha
executado, ele decidiu ter uma forte torre construída para a princesa a ser murado dentro
quando ela carne de idade. Dentro deste forte prisão, ninguém seria capaz de visitar
Danae, excepto os do rei ordenado.

Para construir a torre para abrigar a sua filha, Acrísíus encabeça a lista dos mais skíllcd
arquitectos do seu Reino. Constructcd de bronze e metais preciosos, a torre foi opulento
cnough ior uma princesa. Logo que a torre foi co-pleted, Acrísíus senti aliviada da sua
preocupação.

A torre está representado aqui na ali do seu magnífico esplendor. Thrcc moedas, sym-
bolízíng a riqueza ea educação, que tem ido para construí-lo, claborate adornam a sua
fachada. Thrcc janelas permitem em nada, mas luz e ar, mas oferecer uma visão
magníííccnt ol o mundo exterior. Embora Danae é triste, o comple-mento ol a torre, ela é
também residente °; NCD ao seu destino.

SIGNIFICADOS
Construção de carreira, relacionamentos, ou em casa. Alquimia, ou transformar energia
base em ouro. A capacidade de manifestar os bens materiais ou de negócios suecess.
Cooperar com outros para construet um tal empreendimento. Invertida ou wcakly aspecto:
Verificar novamente planos de expansão, eles são práticos? Elas são ade-quadas para as
tuas capacidades? Tempo para uma realidade de quem pode ser mais experiente.

QUATRO DE OUROS

Danae WS Walled interior da torre de bronze, assim separada do mundo. No entanto, o
céu tinha um destino diferente planncd para ela. Zeus, soberano dos deuses e deusas,
tinham notado Danae dentro. a sua torre de seu trono celeste. Ele caiu no amor com que
o preso princesa olhou tão triste e tão bonita.

Danae passou a maior parte do seu dia desfrutando o pouco sol caiu no interior da torre.
Um dia esta turncd luz solar em um banho de ouro, que caiu em torno do espanto
princesa. Dentro desse ouro chuveiro apareceu Zeus, que declarou seu lovc para Danae.
Zeus transformada em uma prisão ber magníííccnt palácio. Ele deu-lhe jóias, deliciosa
comida e vinho.

A princesa foi seduzido pelo belo Deus e sua generosa doação. Em tempo Danae Zeus
deu à luz o bebê, um filho que ela namcd Perseus. Surroundcd por luxo, um belo filho, e o
amor de Zeus, Danae esqueceu dela lathers rejeição e ela uma vez por duras ambiente.
Ela estava satisfeita.

A arte mostra Danae cercada por quatro moedas em ouro, simbolizando a boa sorte o
amor de Zeus trouxe ela. Zeus aparece dentro da luz solar bchínd bro, pronto para
transformar sua vida.

SIGNIFICADOS
                                                                                        153
Riqueza e prosperidade. Estabilidade dos materiais nas forças da vida. Agarrada
mundanos mercadorias. Uma herança familiar, este pode ser um talento, dinheiro, terra,
ou uma qualidade que acrescenta riqueza para a vida. Satisfação. Rtvtned ou wtakly
aspecto: ser miserabilista com riqueza, talentos. Inversamente, a ser excessivamente
generosos um perdulário. Necessidade de conservar e proteger os recursos. A inveja dos
outros.

CINCO DE OUROS

Danae MAS O pai não tinha esquecido a maldição. Uma noite Acrísius viu luz deitando
fora de THC torre do Windows. Pânico, ele ordenou bis workmcn para abrir a torre e
encontrou-bis filha com o filho.

Apavorado, mas incapaz de matar seu única filha e neto, Acrísius colocado Danae e seu
bebê em um grande tronco, que estava no oceano heaved levá-las para longe. O mar em
torno swírlcd Danae e Perseus, arremessando-os para o seu destino. Finalmente, o
tronco foi apanhado um peixe wítbín 'Erman's líquido sobre a ilha de Seríphos. Separada
Ali ela HCLD caro exccpt seu pequeno filho, Danae foi abandonado.

Danae é descrita como ela traveis ao seu destino desconhecido. Fívc moedas flutuar
acima dela camuflada cabeça, que simboliza a boa sorte que parece estar muito para trás
dela. Ela só pode confiar em que Zeus não vai esquecê-la ou seu filho.

SIGNIFICADOS:
Uma experiência de pobreza que força uma para olhar para dentro de mais recursos.
Essa pobreza pode ser representada como uma falta de riqueza ou de um sensc ot
steríhty emocional. Empobrecimento espiritual. Sentimento privados. Insegurança.
Rcversed ou vucakly aspecto: Estes sentimentos são transitórios. Tenha fé no futuro, uma
fase mais próspera de vida está a caminho. A capacidade de makc o melhor de uma
situação difícil.

SEIS DE OUROS

APÓS WAKDERIXG AlOUT a ilha de Seríphos, Danae foi encontrado e trazido para
Polydectes, o rei de que a terra. Ele estava encantado com a beleza e Danae decidido
para proteger a princesa e seu filho infantil. Ele também se apaixonou por ela e desejava
fazer dela a sua rainha.

Para conquistar Danae, Polydectes ofereceu-lhe jóias e riquezas além crença. Mas Danae
era casado com fortuna como certamente como Zeus fez dela a sua amante. Embora
Danae apreciaram a generosidade do rei, ela decidiu usar a riqueza para ganhar
independência de caprichos da sorte.

A arte revela Danae ouro rodeado por seis moedas, o que sugere a prosperidade
mundana agora dentro de seu alcance. Além dela, uma janela revela uma paisagem
nevado, simbolizando os tempos difíceis que ela se mudou para lá.

SIGNIFICADOS:
Generosidade e filantropia. Apreciação. Compartilhamento de talentos com o mundo.
Fortune. Confiando na prosperidade do universo. Ajudar os outros que são menos
afortunados. Rcvzrscd ou wcakly aspecttd: Ciúmes ou inveja daqueles menos
afortunados. Dar às expectativas. Necessidade de apreciação. Usando riqueza de
                                                                                      154
manipular outros. Resenting aqueles que precisam de ajuda.

SETE DE OUROS

Danae E Perseus derrubar raízes na ilha de Seríphos. Anos passaram. Graças à atenção
dedicada a princesa, seu filho cresceu forte e alto. Danae Perseus nutre as necessidades
tão diligentemente como um teria adorado uma árvore em um jardim. Embora a árvore do
fruto, simbolizado pelo ouro sete pentacles suspensa após a sua forte ramos não-fuUy
npened, ele estará pronto em breve. Em seguida, o fruto da árvore será Fali, como
Perseus Danae deixará de ir para o mundo.

Perseu e Danae são mostrados aqui como eles amorosamente tendem a árvore. Embora
não seja fuUy Perseus cresceu, ele será em breve. Danae aceita isso, compreendo-ção
de que o seu destino é ordenado pelos deuses.

SIGNIFICADOS:
Paciência. Expectativa de recompensa. À espera de uma colheita de um projeto criativo,
relações pessoais, ou qualquer empresa que o tempo e trabalho investido pol tendência é
o seu "jardim". Nutrir outros. Rexcrscd ou wiakly asptcteá: impaciência. A insegurança
sobre se receberam a recompensa pelo trabalho ren-dered será vale a pena.
Necessidade de trabalhar mais para gerar prosperidade.

OITO DE OUROS

AS Perseus G R E w, o mesmo que fizeram a sua força. Muitos falaram do rapaz que se
pensa ser o filho de um deus. King Polydectes, não esquecendo Perseu da mãe, implorou
Perseus para livrar a sua terra de uma terrível criatura que os resíduos para o campo
chamado Medusa. Desconhecido para Perseus, Polydectes esperava que o rapaz seria
vencida pelo que o rei poderá renovar o seu exercício de Danae sem o seu filho para
protegê-la.

Medusa era uma vez uma mulher muito bonita. Atena, deusa da sabedoria, a trans-
formado Medusa em um terrível monstro, com cobras em vez de cabelo, quando ela se
atreveu a insultar a deusa. Aqueles que quando ela olhou feio rosto foram imediatamente
transformado em pedra. Mas Perseus era esperta. Enquanto se prepara para morcego-
ELT Medusa, o rapaz procurou armadura de proteção. Athena viu trabalho e ficou
impressionada com o seu determinado Fortitude. Ela decidiu 2eus para ajudar o filho com
a sua missão.

Perseus é retratado como ele Smiths oito moedas, simbolizando o artesão-navio
necessário para criar esta armadura. O seu trabalho incidiu também revela a sua força e
dctermínatíon.

SIGNIFICADOS:
Trabalho. Feira pagamento. Reunião prazos. Desenvolver talentos para o mercado 'local.
Trabalhar com integridade e disciplina. O surgimento deste cartão em. uma leitura de um
artista ou craftsperson é uma afirmação de competência e talento. Rcvcrscd ou wcakly
aspcctcd: Evitando trabalho. Necessidade de trazer talentos para o próximo levei-talvez
seja tempo de formação profissional. Insatisfação com a remuneração ¬ mento para o
trabalho feito. Participação em "ficar rico depressa" regimes.

NOVE DE OUROS
                                                                                     155
Com a ajuda de Atena, destruiu Medusa Perseus êxito. Ele foi para outras aventuras, ali
do que trouxe para a sua glória divina e humana mãe pai. Após o seu regresso à ilha de
Seríphos, Perseus confrontados com êxito Polydectes, libertando assim a sua mãe
novamente.

Danae teve grande orgulho no seu filho da heróica triunfos, pois bem reflectido sobre o
seu trabalho árduo elevar ele. A princesa tinha feito o melhor que tinha oferecido o seu
destino. Ela era uma mulher feliz em paz com a vida dela.

A arte mostra nove moedas brilhante atrás Danae, simbolizando o luxu-ríous ela tem
merecido descanso após uma vida de muita agitação. Um pássaro branco repousa em
sua mão, sugerindo a sua satisfação em ali que ela ganhou. Totalmente satíated, ela não
deve sentir-se atraído para as duas aves fora do alcance.

SIGNIFICADOS:
Prazer ou sensualidade. Sentindo-se abençoado pela vida. Saborear os frutos de uma's
merecimento. Prosperidade material, já que este tem sido realizado, talvez seja tempo de
crcate um iamily. Fertilidade e luxo. Rcvascd ou wtakly asptctcd: excesso de prazeres
materiais, talvez a ponto de comprometer a estabilidade financeira. Que possuam mais de
tanta culpa, incapacidade de se divertir. O medo da inveja ou ciúmes.

DEZ DE MOEDAS

RTE ornado GOLD Glitter moedas dentro de um mármore portão, que abre as boas-
vindas Danae eo filho Perseus casa. Eles têm seguido o caminho da manifestação. Suas
aventuras completo, agora só tem a bondade do mundo os espera.

O material suave paisagem conduz Danae e Perseu a uma gloriosa palácio, onde irá viver
pacífica contentamento para o resto dos seus dias. Coroado com ouro e outros metais
preciosos, o palácio é um reino de prosperi-dade e segurança, generosamente lhes
ordenado por Z, UE, soberano dos deuses. O céu é dourado com calor.

SIGNIFICADOS:
Grande satisfação. Prosperidade e da construção de uma casa que reflecte esse estado.
Criando uma família de compartilhar com a riqueza. O êxito da acumulação de planos de
negócio. Expansão. Herança. Alegria e prazer. Rcvcrsed ou vutaldy aspccted:
descontentamento em casa ou dificuldades com as relações familiares. Querendo mais
prosperidade, mas incerto como alcançá-lo. Elusive sucesso no plano material.

PRINCESA DE OUROS

PRINCESS Princess Danae REPRESENTSthe fecunda de Moedas. Como a amante de
Zeus e mãe de Perseus, Danae exemplifica a capacidade de fazer o que de melhor vida
nos traz.

Como ela está dentro de si mesma, a princesa de Moedas ali está satisfeito com o mundo
oferece ela. Ela também está grávida, simbolizando wondcrful possibilidades realizada
dentro sozinha. Esta jovem mulher é acolhedor e presença é um lembrete de o
Munificentíssimo terra, e como a que prevê a nós em muitos leveis. Ela é uma bela força
de inspiração, construtivamente mostrando-nos onde oportuni-dades de aguardar.

                                                                                     156
A princesa de moedas é uma força que pode mover-nos em direção manifestando ali nós
desejamos. Para reconhecer a Princesa de moedas é de reconhecer que a vida pode ser
boa, se estamos dispostos a trabalhar duro e assumir a responsabilidade.

SIGNIFICADOS:
Fcrtílíty. Assumir a responsabilidade. Obter o knowlcdge necessário para fazer uma idéia
uma realidade. Ideias de negócio, diz. Prático planejamento. Mail ou mensagens de trazer
possibilidades de expansão. Oportunidades de negócio. Rcvcrsed ou wcakly aspecto:
muito tempo pensando, não basta fazer. De negócios que precisam ser examinados de
perto. À espera de dinheiro, Business News. Irrealista planejamento. Oversensualíty.

PRÍNCIPE DE OUROS

Perseus, o herói filho de Zeus e Danae, simboliza a prag-Matic príncipe das moedas. Tal
como utilizado Perseus corajosamente a sua força para livrar o mundo da monstruosa
Medusa, o príncipe de moedas pode se manifestar sobre a mudança física avião. UA que
é necessário é foco e determinação.

Cercado por árvores que florescem com mola, simbolizando o eventual materialização
dos seus planos, o príncipe das moedas é surpreendentemente aterrada para a sua
jovem anos. Ele entende perfeitamente que o trabalho árduo vai criar ali ele anseia por:
prosperidade, sucesso, uma família. Alguns poderão achar o príncipe das moedas-míndcd
único na sua devoção aos seus objectivos, mas a sua fiabilidade é obstinado
tranquilizadores. Sua inabalável olhos para as oportunidades garante o seu sucesso.

SIGNIFICADOS:
O trabalho árduo e sabedoria necessária para gerar crescimento. A capacidade de
trabalhar arduamente para criar prosperidade. Buscando oportunidades para
dcvelopment. Cuidar da auto sobre o material que levei, e desfrutar dos prazeres
associados a este. Um jovem personífyíng essas forças. Revtrscd ou fracamente
aspecttd: inércia ou preguiça. Não agir ou responsabilidades. Querer obter somethíno;
para nothíno - crédito de crédito em que não é devido.

RAINHA DE OUROS

Hera, a esposa e irmã de Zeus, que representa a terra da rainha moedas. Apesar Zeuss
muitos assuntos, a deusa do casamento permaneceu fiel a ele, assim como THC Rainha
de moedas é fiel à generosa forças da ever'fruítful terra. Do seu ponto de vantagem
verde, a Rainha de Moedas mantém domínio sobre o rcalm da física. Sua beleza e
repouso sugere luxo, na sua mais pura forma. O vermelho trono repousa sobre ela revela
as profundezas da sua scnsualíty. Esta mulher madura, mas fértil é ricamente vestido de
ouro pano e jcwelry, simbolizando o seu expansívc wcalth-wcalth mas o que ela oferece
vai além dos bens materiais.

Ela traz estabilidade e satisfação para qualquer situação.

A Rainha de moedas que compreende truc riqueza não significam nada wítbout a
capacidade de desfrutar thcm. Ela tem a rara capacidade de criar bonecos sobre terra.
Líkc THC ítsclf terra fertílc ela é uma força da natureza, trazendo beleza e har ¬ Mony
para todos os cantos da vida.

SIGNIFICADOS:
                                                                                     157
Crcatíngprospcríty e harmonia. Bcauty, wcalth, o homc. Fertilidade, possivelmente
parcnthood. Lealdade. Rcgalíty. Calor e carinho. Lovc. Feliz homc harmonioso. Uma
mulher que está alimentando e aceitar. Revcrscd ou ■ wcakly aspecto: Nccd terreno para
si próprio. Um overmateríalístíc orientação para a vida. Decepção em casa, ou a falta de
foco após criar uma harmoni 'níous cnvíronmcnt.

REI DE OUROS

ZEUS, EOVER DE Danae e marido de Hera, representa o poderoso rei de moedas.
Honrado como o supremo governante sobre Monte Olimpo, a luxuosa casa de montanha
dos deuses e deusas, Z, UE era frequentemente beseeched por seres humanos para
julgar os seus negócios e criar a paz. Como o Rei pragmática de moedas, ele tem o dom
de manifestar o que de melhor do mundo físico pode oferecer.

Persistente e diligente, o Rei de moedas é capaz de criar concretamente prosperidade em
qualquer forma que ele escolhe: imobiliário, riqueza, sucesso empresarial. Este homem
mais velho autoritativo é muitas vezes a pessoa bem sucedida nos bastidores, a
autoridade nurturing cuja visão inspiradora estabiliza outros como eles funcionam. Sua
sabedoria prática convida-nos a criar riqueza para nós, para que possamos tirar proveito
de nós a graça oferecida pelo mundo material.

SIGNIFICADOS:
As forças da prosperidade mundana. A capacidade para criar riqueza. Operações
imobiliárias. Os investimentos com dinheiro ou emocional. Firmeza e persistência
'ference. Alguém que personifica estas forças. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Instável, pie-
in-the-céu de negócios. Necessidade de ser mais realista. Envolvimento com pessoas que
possam prometer mais do que eles são capazes de entregar. A necessidade de
estabilidade e de disciplina no grassa.




                                         4
TARÔ DA DEUSA - KRIS WALDHERR
GODDESS TAROT BY KRIS WALDHERR - tradução eletrônica sem revisão

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OS ARCANOS MAIORES

Como um tradicional tarot deck, A Deusa Tarot contém setenta e oito cartões divididos em
22 Arcanos Maiores e 56 Minor Arcana cards cartões. Arcanos Maiores Cada placa está
ligada a uma deusa e de sua história e simboliza um aspecto importante da vida da
viagem. Quando esses cartões são escolhidos em um tarot leitura, eles podem represen ¬
enviado temas recorrentes ou grandes mudanças na situação boiiip. examinado

Alguns consideram os Arcanos Maiores para realizar todos os mundos sabedoria
destilada em 22 potentes imagens como concentrado em simbolismo que qualquer sonho.
Mas, como o simbolismo de um sonho, o significado atribuído a esses cartões devem ser
feitas perti ¬ nente para a sua vida experiências; olhar essas descrições como um guia
para desencadear sua imaginação e sentimentos. Também estão incluídas descrições de
inversão ou de cabeça para baixos cartões. Novamente, essas podem ser usadas de
acordo com a sua sentença; Eu pessoalmente prefiro (o c.irds pensar em como trazer
fortes ou fracos, tendo em consideração a questão de ser pedida, a sua posição relativa
em um diferencial, e as cartas que as envolve.

O. INÍCIO. TARA

Tibetanos acreditam que a deusa Tara tem o poder de curar todas as mágoas e conceder
todos os desejos. Tara é homenageado como o pro ¬ tectress contra os muitos medos
que bloqueiam os homens e mulheres de viver em felicidade e harmonia.

Sentidos: Innocence que protege. Novos começos. Otimismo. Inocente confiança.
Invertida: Folly descuido, ingenuidade, falta de foco.

I. MAGIC: ISIS

Associado com o Naipe de Espadas

A grande deusa egípcia fertilidade [SIS é um poderoso símbolo da alquímicas
transformações sugeridas pelo ibis cartão. Ela foi sozinha ao possuidor do nome secreto
de Ra, o deus egípcio acórdão, dando-lhe poderes mágicos ilimitados. / s: A crescente
consciência da magia dentro de si mesmo. A ânsia de crescer para além percebida
limitações. Você é capaz de transformar a sua vida através da tua força e poder orig ¬
inality-tudo que você precisa fazer é própria dele. Renovada criatividade e vigor. Invertida:
A necessidade de controlar. Sigilo.

II. SABEDORIA: SARASVATI

Sarasvati, a deusa hindu do conhecimento e da cultura, é a encarnação da verdadeira
sabedoria. Sentado sobre o seu trono lótus, ela simboliza o conhecimento espiritual, bem
como a aperfeiçoar ¬ mento das artes. Sentidos: Uma interesse no conhecimento
espiritual. Um prDEessor que irá compartilhar com você o que você procurar, ou talvez
você é que o prDEessor. Sabedoria adquirida em uma forma graciosa. Invertida: Falta de
confiança na intuição. Conhecimento superficial. Medo de olhar para dentro ¬ ção
respostas.

III. FECUNDIDADE: ESTSANATLEHI

                                                                                          159
Este benevolente Navajo milho deusa simboliza a sempre mudando, sempre em terra
fértil. Como a terra em si, Estsanatlehi aparece como uma jovem donzela para a
Primavera e Verão, como a roda do ano muda para outono e inverno, ela muda de idade
(na mulher idosa.

Sentidos: reelings de fecundidade e abundância. Uma nova reais ¬ mentos que celebra
um do crescimento como uma mulher. Criatividade. Uma gravidez revertida: Tempo de
olhar para onde a sua vida precisa adubaçao. Privação ou esterilidade.

IV. PODER: FREVJA

Associado com o Terno de PAUS

Freyja, a deusa da Norse criatividade, amor, beleza e mostra que o verdadeiro poder
reside na capacidade de discriminar entre agressividade e passividade, bem como a
capacidade de escolher entre eles, no momento certo.

Significados - The capacidade para usar o poder sabiamente. Conscientização de um
poder do. A capacidade para liderar e inspirar outros. O conhecimento de como "trabalho
do sistema." Invertida: Oprimido por outro powe e da autoridade. Insegurança Perda de
poder pessoal.

V. TRADIÇÃO: JUNO

Juno foi homenageado como a padroeira do casamento tradicional e de outros ritos de
passagens na vida da mulher. Esta deusa romana foi acreditado para assistir e proteger
todas as mulheres, desde a sua primeira para o seu último suspiro. Sentidos: Após
estabelecidas as estruturas sociais e tradições ¬ ções. Em relacionamentos amorosos, o
desejo de casamento ou declaração de intenções, por razões de segurança. Invertida;
Não conformidade. Questionar de tradições de tradições bem. Possíveis rigidez.
Associado com o Naipe de Copas

VI. AMOR: VENUS

Criado a partir da feliz união de mar e céu, Vénus, a deusa romana do amor, tem sido
descrito por rvwuiy <Lhe é rainha de prazer e paixão. Sentidos: Uma nova consciência da
natureza do amor apaixonado e que é necessário incentivá-la. Criatividade artística
Sexualidade. Integração do masculino e feminino. Uma nova e importante
relacionamento. Invertida: Manipulação outros com sexualidade. Incapacidade de
encontrar uma pinner amorosa.

VII. MOVIMENTO: KIIIANNON

Tin1 Hillish LIF> i'Siif »o (l (LRSS Kill.union se acredita loiijiptMrlti seguidores dela
enquanto cavalgando um cavalo branco que não é deste mundo. Nesta
forma, Rhiannon simboliza a força do movimento incessante, que puxa todas ao longo da
vida com ele.

Sentidos: Movimento para a próxima fase da vida. Se você estiver
sentimento impacientes, não se preocupe transições vai lisamente progressão
prDEissional. Bom momento! Invertida: impaciência. Ignorar ou insensibilidade aos sinais
em torno de si mesmo.
                                                                                      160
VIII. JUSTIÇA: ATHENA

Muitas vezes representado por uma coruja como um símbolo de iluminação, o brilho da
Greekgoddess Athena da razão de ser como foi dito penetrante como o seu claro, olhos
cinzentos. PrDEissões sem igual em Lhe arte da batalha, ela deu apenas protecção
àqueles que precisam de defesa.

Sentidos: A necessidade de ter uma visão mais destacados de um incômodo situação.
Imagine-se como sábios como Athena: você está sendo leal a si mesmo e (mangueira em
torno de você? A capacidade de defender-se assim que a justiça pode ser feito.
Revertida: Frustração com burocracias ou organizações. Impaciência com a burocracia.

IX. CONTEMPLAÇÃO: O CHANG

Chang 0, (a lua deusa chinesa, foi exilado para a lua, porque de sua necessidade de obter
uma divindade Com lebre branco como a sua única companheira, passou muito tempo
sozinha contemplação mistérios da vida. Sentidos: e necessidade de ir para dentro gdin
conhecimento,                        a                       própria
um da divindade. Retirada de melhor contemplar vida. Invertida: distracted por todo o
mundo. Recusa de ouvir INTUBAÇÃO ¬ ition. Não há tempo para pensar e reflectir.

X. FORTUNE: LAKSHMI ASSOCIADOS COM O FATO DE PENTODES

A deusa hindu da fortuna e da prosperidade, Lakshmi acredita-se ser atraídos para
espumantes jóias, que são como as riquezas que ela dá quando ela favoreceu
adoradores.

Sentidos: A generosidade do universo. A capacidade de estar aberto (o abundância.
Expectativas positivas. Sensibilização da beleza e do amor. Revertida: bobinagem
pessimista, desiludido, inesperado terminações ou começos.

XI. RESISTÊNCIA: OYA

Oya, a deusa do Yorubas rio Níger, é considerada uma patrona da liderança feminina e
força. Devido a isto, as mulheres, muitas vezes pergunto-lhe para as palavras certas para
conquistar o poder.

Significados: a força para criar a paz entre as forças opostas. Estas forças podem ser
dentro de você ou personificadas em uma situação. Tame-los: você tem a força! Invertida:
Discordia. Desequilíbrio. Valorizar energias mais baixas ao longo dos mais elevados.

XII. SACRIFÍCIO: KUAN YIN

Honrados como a santa mãe de compaixão, Kuan Yin é uma das mais queridas deusas
da China. Em vez de permitir-se a desfrutar do céu delícias, Kuan Yin jurou para nunca
deixar a terra até o último homem é livre de dor, saco ¬ rificing própria para o bem maior
de todos.

Sentidos: Uma renúncia a um maior princípios, objectivos superiores. Auto-abnegação.
Cuidar dos outros. Sacrifício, a fim de adquirir sabedoria. Empatia. Invertida: Falta de
compaixão. Evitando dor de ganho. Foco no materialismo ao determent de SPIR ¬ itual
                                                                                       161
valores.

XIII. TRANSFORMAÇÃO: UKEMODEl

Após sua morte, a comida japonesa deusa Ukemochis corpo transformado a fornecer
alimentos para a humanidade, sua cabeça virou vacas; grãos germinados de sua testa;
arroz plantas germinadas a partir da deusa da barriga-e assim, a vida foi trans ¬ formado
a partir de morte. Sentidos: Transformações. A necessidade de permitir que qualquer
coisa a morrer, a fim de criar espaço para o novo. Painful mudar o que for necessário.
Criando vida fora da morte. Invertida: O medo da mudança. Resistindo à transformação.

XIV. BALANÇA: YEMANA

Yemana, a Santeria deusa do mar, é muitas vezes chamado a prestar chuva: a água que
traz a vida e alimenta a Terra, como as águas do útero. Ela símbolo ¬ izes o divino
equilíbrio entre o céu ea terra.

Sentidos: Vivendo ou procurar um prDEundo sentimento de harmonia e união. Integração.
Moderação. Equilíbrio entre o espiritual (simbolizada pela água) e do físico (simbolizada
pela terra ou areia). Invertida: Desequilíbrio. Incapacidade de encontrar a paz dentro ou
com outros. A falta de moderação.

XV. TENTAÇÃO: NYAI LORO KIDUl

Dentro do verde das ondas do Oceano Pacífico reside a sedutora sereia deusa Nyai Loro
Kidul. Seu poder reflectir a tentação da ilusão; de belezas que podem ser escravizar; de
obsessões que controlam.

Sentidos: tentados por uma força não pode controlar Algo prDEundo dentro da psique, a
sombra-personificadas como temp ¬ ção ou dependência. Sensual desejos. Gula ou
inveja. Invertida: Liberdade de tentação. Maestria durante alguns ¬ coisa anteriormente
controlando-um hábito, uma pessoa, ou uma ferida do passado.

XVI. OPRESSÃO: O WAWALAK

Durante o Dreamtime, os aborígenes australianos irmã deus ¬ desses, o Wawalak, foram
engolidos inteiros por Yurlungur, o Grande Rainbow Serpent. Oprimidos pela escuridão na
barriga da serpente, o Wawalak chorou, até que foram Yurhmgur renasceu a partir de
volta para ele luz.

Sentidos: Sensação sobrecarregado, oprimido pela circunstân ¬ cias ou emoções. Tal
como o Wawalak, a luz "deixou a sua vida, você está esperando para ser liberada a partir
da escuridão. Revertida: Apesar de sua situação pode sentir-se avassaladora e
intimidante, forças ocultas estão a trabalhar para transformar as coisas para melhor. Seja
paciente.

XVII. A ESTRELA: INANNA

Vestido com as estrelas, Inanna, a grande deusa da Idade do Bronze, foi homenageado
com o título de "Rainha do Céu".

Sentidos: Siga seus sonhos, sem medo, don't ter medo de fazê-las acontecer! Sucesso,
                                                                                       162
boa sorte, criatividade. Invertida: Não seguir o seu deleite. O sentimento de insegurança.
un merecimento.

XVIII. THE MOON: DIANA

Na Roma antiga, Diana foi homenageada como a deusa da lua, bem como de florestas e
animais selvagens. A mudança lua reflete os ciclos da natureza e da vida. Sentidos: O
apoio das mulheres que verdadeiramente cuidar de você. Intuição, O receptivo aspectos
do Divino Feminino. Intenso sonhos. Invertida: Sensação como mutável como a lua.
Desconforto com a intuição, a mãe.

XIX. O SOL: A ZORYA

Na mitologia russa, morrem três Zorya são deusas-dants ¬ atenção ao sol deus. Bem
como trazendo calor e luz para o mundo, o sol representa o brilho da inteligência, cria ¬
ativity e fertilidade

Sentidos: Uma expansiva, vida-afirmando energia. Criatividade. Relacionamento com os
filhos. Fertilidade. Amor. Masculina, ou yang, a energia. Invertida: falta de vontade para
aceitar carinho. Ulixkcrl rivnllvlty Cmblcms Willi cNp.nulInK Id (mentira iltwl fase antigo
projeto. I'tvling frustrado.

XX. ACÓRDÃO: GWENHWYFAR

Gwenhwyfar, o galês primeira dama das ilhas do mar e acredita-se que têm existido
desde que houve surf (o libra contra a costa rochosa. Laudabilíssimo IBR herjudgment e
sabedoria, i I. se acreditava que o homem não poderia regra Gales sem ela por sua lado.

Sentidos: Tempo de uma importante e necessária mudança na vida: muitas vezes bem-
vinda, mas assustador, devido à sua magnitude. Confiança nesta mudança. Invertida:
Incapacidade para decidir sobre a acção. Bloqueio.

XXI. O MUNDO: GAIA

Na Grécia antiga, a terra foi personificado como Gaia, um deus ¬ DESS que existia antes
de toda a vida e criou toda a vida. A história de Gaia recorda-nos a interligação de todo o
mundo, bem como a importância de viver em harmonia com os seus recursos.

Sentidos: Vivendo ligação com o universo. Uma sensação de expansão e de esperança.
A consciência do frágil equilíbrio ecológico. Viagens e comunicações. Inverteu: o desejo
de uma mudança positiva, apesar de incertezas sobre como fazer ithappen. Medo de
expansão.


OS ARCANOS MENORES

Os Arcanos Menores é dividido em quatro - terra, ar, água, fogo, bem como a umA
determinada deusa.

O naipe de copas é associada com Vénus, a deusa romana do amor; PAUS, Freyja, a
Norse deusa da beleza e criatividade espadas, Isis, a grande deusa egípcia que simboliza
mágica, perda, e redenção; e OUROS, Lakshmi, os hindus deusa da prosperidade.
                                                                                        163
Cada cartão de crédito em cada naipe Minor Arcana (exceto para o tribunal cartões)
retrata uma mulher como ela sDEre a viagem sym ¬ bolized por cada naipe. Ela se
destina a representar "Everywoman"-ou o querant própria-como um aspecto da deusa
honrada no naipe. Tribunal cartões (princesa, príncipe, rei e rainha) pode simbolizar
diferentes aspectos ou energias do querant da psique, em diferentes épocas e áreas de
vida masculino, jovens, maduros, feminino. Eles também podem significar pessoas na
querant da vida.

Quando Minor Arcana cards aparecem em uma leitura, pense em como preencher os
dados de uma situação, as pessoas envolvidas, as emoções, os detalhes, o cotidiano
desdobra-contrariamente ao varrer vida muda frequentemente reflectida pelo Major
Arcana cartões. No Minor Arcana, sagrado questões exploradas na Arcanos Maiores são
feitas humano.

Invertida, ou de cabeça para baixo, cartão de significados também estão incluídos aqui.
Esses significados podem ser utilizados de acordo com o dis ¬ ção do problema a ser
analisado na leitura.


NAIPE DE COPAS -              O CAMINHO DE VENUS

elemento: a água, a Lua corresponde ao Amor, Major Arcana cartão 6

O naipe de copas é associada com Vénus, o deus romano ¬ DESS, do amor e da beleza.
Copos simbolizar a fertilidade receptivo aspecto do Divino Feminino. Concebido e nasce
da própria fértil mar, Vênus é o bringer de alegria para os deuses e os seres humanos,
bem como para o mundo vegetal. Os copos prDEerida por Vênus são um convite para
nós a beber prDEundamente do mágico água da vida, amor, inspiração e prazer. Eles
DEerecem-nos a nossa primeira experiência do Divino Feminino na sua mais pura forma.

ÁS DE COPAS

Aqui, a lua cheia é contido, mas não captou-dourado dentro de um copo rodeado pelo
mar, fonte de toda vida. Sentidos: Great emocional satisfação. Início de uma nova e
importante relacionamento. Receptividade a inspiração criativa. Invertida: Emocional
decepção. Creative bloqueios.

DOIS DE COPAS

Em um jardim iluminado pela lua, uma noiva eo noivo penhor a sua fé. A mulher, vestida
de branco, parecido com a lua vir à terra.; Ela é tão encantadora como Vênus, a deusa do
amor.

Sentidos: Integração dos aspectos masculino e feminino dentro de si mesmo. Uma
atração que pode se tornar um grave relationship.Harmony. Amor. Encantamento.
Invertida: cegar pela paixão. Desilusão dentro de um relacionamento amoroso ou fechar
amizade. Overindulging na sensualidade.

TRÊS DE COPAS

                                                                                     164
Três mulheres em um círculo de dança, celebrando o ciclo de vida. Juntas, essas
mulheres dançando simbolizar todos os prazeres da vida, potencialidades e riquezas.

Sentidos: Uma festa envolvendo mulheres. Possivelmente um casamento festa. A paz
entre as gerações familiares. Um motivo para comemoração ¬ brate. Invertida: excesso.
Demasiada celebração de tempo para chegar ao trabalho!

QUATRO DE COPAS

Após overindulging, a mulher se senta debaixo de uma árvore, esperando a terra própria
após a emoção de intoxicação. Quatro taças repouso antes dela, mas ela tem bebido
bastante.

Sentidos: Demasiada de uma coisa boa. Tendo alguma coisa para conceder-amor,
talento, beleza. Descontentamento ou aborrecimento. Invertida: Aceitação da situação,
embora o descontentamento é ainda presente. Uma fase passageira.

CINCO DE COPAS

Ter mais de três xícaras lipped, derramando suas mágicas água. Mas nem tudo está
perdido, dois copos ainda estão cheios.

Sentidos: decepção com relações íntimas, disil ¬ lusionment, tristeza. Concentrando-se
nos problemas em vez de activos. Desejo de seguir em frente. Invertida: A crescente
consciência t lícitas relações são o que você faz deles.

SEIS DE COPAS

Puxada pela gravidade luas, a maré subiu e inundaram cerca de seis xícaras. Eles estão
cheios de flores como uma DEerta de Vênus, simbolizando a rejuvenative aspecto do
Divino Feminino.

Sentidos: Harmoniosa casa. Crianças e infância mem ¬ ories. Anseio para a doçura e
inocência do passado. Invertida: Necessidade de integrar o passado, e talvez dolorosas
memórias-nos presentes.

SETE DE COPAS

Rodeado de caixas, cada uma contendo objetos simbolizando diferentes possibilidades,
uma mulher tenta decidir. Seus olhos estão fechados, sugerindo a necessidade de olhar
dentro.

Meamm / s.-Overindulging em pensamentos sobre o que o futuro pode trazer. Devaneios.
Hora de acordar e voltar a participar do worid. Invertida: Permitir fantasias de influenciar o
modo como você vê de vida mais objectividade é necessária. Projeção para outros.

OITO DE COPAS

A lua tem diminuiu; a maré tem ido para fora. Procurando mais substancial tarifa, a mulher
deixa oito copos vazios que ela tem de bêbado.

                                                                                           165
Sentidos: Hora de seguir em frente. Necessidade de mais substância na vida-se que seja
mais satisfatória relacionamentos, um modo de vida mais autêntica. Leavetakings.
Invertida: prolongado demasiado longa em uma situação difícil ou superficial. Incerteza
sobre um relacionamento, para ficar orleave.

NOVE DE COPAS

Finalmente satisfação! Um arco-íris leva a mulher para um banquete quadro com nove
taças. Quem espera sempre alcança, esta festa vai nutrir muitos corações e corpos.

Sentidos: Satisfação. Contentamento. Alguns consideram que esta carta o desejo de
cartão, ou seja, um desejo será concedido se ela aparecer em um diferencial. Invertida:
Atraso na concessão de seus desejos. Complacência. Tendo uma relação de concessão.

DEZ DE COPAS

Dez xícaras forma & N, ao longo de um arco íris e se reflectem num calmo oceano. A lua
está cheia, prometendo satisfação e abundância.

Sentidos: Feliz da vida familiar. Satisfação emocional e endurance em relacionamentos
amorosos. Grande felicidade. Invertida: a incapacidade de experimentar alegria. A
insatisfação, embora incerto, por isso tudo parece perfeito sobre a superfície.

PRÍCIPE DE COPAS

O Príncipe de Copas, um rapaz gentil, prDEfers uma taça. A água dentro, é uma poção
mágica, ela pode convidar amor, paixão, criatividade e intuição para a vida. Sentidos: Um
convite ou DEerta. Crianças jovens, que com sua doçura, para permitir uma experiência
inocência anew. Desilusão revertida com uma relação que prometeu mais substância.
Inconstância de afeto. Unreliable mensagens.

PRINCESA DE COPAS

A princesa de Copas, um adolescente menina tão bonita como Vênus, é coroado com um
waxing lua. Antecipar amor, prazer, e da maturação da mulher, ela bebe plenamente.
Sentidos: Inspiração Artística e nvoplivily. Um younj> wonitm que simboliza (ho marrãs de
Vénus-amor, beleza, riqueza e emocional. Circulação nestas áreas da vida. Grace.
Reversa: A necessidade de ser mais receptivo à beleza e do amor. Em excesso
imaginativo fantasias.

REI DO COPAS

O Rei de Copas, uma calma, serena homem mais velho se senta sobre o seu trono
rodeado por água. Magistral e artística, ele é capaz de expressar-se em ambas as
relações e trabalho.

Sentidos: Capacidade para viver uma's ideais. Combinando integridade artística com as
necessidades do mercado. Alguém que simboliza essas forças. Invertida: desejo de ter
um controle sobre a criatividade. Precisa parar de sonhar e começar a trabalhar.

RAINHA DE COPAS

                                                                                      166
A lua cheia é um halo em torno da coroa da Rainha de Copas majestoso. Sua misteriosa
regal sendo inspira as pessoas a olhar para dentro de nutrir Lhcir almas.
Sentidos: Mastery DE Venus e tudo o que o naipe de copas rep ¬ Representa-arte,
beleza, intimidade, amor. A capacidade de expressar amor, para alimentar outros. Uma
mulher mais velha que inspira outros a viver harmoniosamente. Invertida: esmagada pelas
emoções que precisam triagem. Necessidade de tomar o controlo desses sentimentos.
NAIPE DE PAUS - O Caminho de Freyja
elemento: fogo, o sol corresponde ao Poder, Arcanos Maiores cartão 4
ele naipe de PAUS Is rrldlcd lo I'tryju, a Norse deusa da criatividade, a fertilidade, e beleza
como as condutas do sol da procriação vigor, PAUS canalizar energia para áreas em que
pode estimular o crescimento. PAUS trazem movimento para uma leitura, bem como a
circulação exibido por Freyja como ela cavalga através do céu em seu carro puxado por
mágica cinza gatos.

Pragmático deusa que ela é, Freyja está associado com o Aesir, um grupo de Norse
deuses e deusas, que entrou em vigor com a Idade de Ferro, quando das primeiras armas
e ferramentas foram desenvolvidas com forjar e fogo.

ÁS DE PAUS

A aduela gramíneo cresce a partir de uma colina. Verdant folhas torção de sua superfície,
mostrando       o     crescimento      incentivado     pelo       sol     nascente.
Sentidos: Início de uma focada, criativa período. Inspiração que inspira acção. A
masculina, ou yang, aspecto da vida. Grandes energia. Invertida: Dificuldades com novos
empreendimentos. Reing "queimado" por muita energia, muita despesa, muitos
pensamentos. A necessidade de se concentrar.

DOIS DE PAUS

Vestidas com um vestido vermelho, a cor-de vigor e começo a mulher decide levá-la para
idéias em todo o mundo. Sua confiança e talento garante sucesso. Sentidos: Beginnings
de um empreendimento empresarial. Possível parceria. Novas idéias que transformam
vidas, trazer inspiração, e energizar as pessoas. Invertida: Um bom começo para uma
empresa que perde dinamismo. Desapontamento em projetos.

TRÊS DAS PAUS

Olhando ao longo de um mar calmo para o montanhas distantes, a mulher tem em seus
planos. Agarrar um dos três PAUS ao lado dela, ela está esperando por ela navios a
entrar, sabendo que irá trazer. Sentidos: Uma empresa sobre a cumulação de sucesso. A
capacidade de transformar em metas realistas acção. Invertida: Planos ambiciosos que
não pode ser fundamentada na realidade. Um atraso na recepção frustrante sucesso.

QUATRO DAS PAUS

Quatro PAUS são amarradas juntas pelo generoso guirlandas de fluxo ¬ res, que
sugerem a fundação de um lar estável. Sentidos: Estabilidade dos empreendimentos. Um
novo lar. Realizar objetivos. Satisfação. Colocar as raízes. ReversedThe desejo de
colocar as raízes, mas elusiveness em fazê-lo. Querendo estabilidade. Frustrações em
casa.

                                                                                            167
CINCO DAS PAUS

Diferentes aspectos da mesma mulher lutar uns contra os outros. O sol aquece broiling
sua tempera, tornando-o difícil de distinguir ¬ culto que eles realmente lutar por ele.
Sentidos: Conflito por razões de conflito. Ego-orientado concorrência. Perder de vista o
que é importante por causa de pequenos desacordos. Invertida: Ultrapassar pettiness
para perceber whats importante. Unificar forças. Ultrapassar os obstáculos.

SEIS DAS PAUS

Coroado com os louros da vitória, a mulher cavalga um cavalo branco puro. Os seis
PAUS em torno dela são criados em homenagem ao seu sucesso e coragem.
Sentidos: vitória. Agradecimento e honra. Invertida: A vitória é difícil de alcançar. Você fez
o trabalho, que merece as honras, mas o reconhecimento ainda para vir.

SETE DE PAUS

O hot domingo scorches a mulher. Usando um stave a luta seis outros, ela é incapaz de
sair do calor. Apesar de sua posição ¬ ção da vantagem, ela ainda é obrigado a se
defender. Sentidos: Embora você pode ter a parte superior do lado nesta situação, há
ainda luta. O sucesso é possível, mas somente depois de lidar com pessoas difíceis que
podem não ser favorável. Invertida: indecisão em face da oposição. Sentindo-se
sobrecarregado.

OITO DAS PAUS

Oito PAUS são posicionados como um relâmpago rachaduras em toda céu. Eles se
movem como electricidade, trazendo novidades e emocionante comunicações. Sentidos:
Sudden comunicações-inesperados telefonemas, cartas surpresa. Energetic movimento.
Inverteu espera demasiado longo para a comunicação. Talvez seja hora de tomar a
iniciativa.

NOVE DE PAUS

Protegido por um muro de PAUS, cabe a mulher para o momento a reagrupar suas
reflexões. Há ainda muito a fazer antes de sucesso é garantido.Sentidos: Uma pausa no
trabalho para reconsiderar planos. Complel íon está tão perto, mas tão longe! Invertida:
Peeling sobrecarregado pelo trabalho, uma pausa é necessária.

DEZ DE PAUS

Dez PAUS, rica em folhas verdes e de vida, irradiam a partir do domingo Estas são as
extensões do sol da vida, dando força. Sentidos: A acumulação da empresa começou
com a criação de um PAUS. Sucesso que se torna esmagadora com a sua
responsabilidade. Invertida: sobrecarregado e onerada por responsabilidades.

PRINCESA DE PAUS

A princesa das PAUS, uma ardente-haired mulher jovem, é tão forte como as rochas em
torno dela. Ela é uma inspiração para outras pessoas a viver apaixonadamente, sem
compromisso. Sentidos: A capacidade de criar beleza, que é útil, como Freyja. Energia, a
                                                                                           168
integridade, a criatividade Iniciativa. Novas ideias ou empreendimentos para ser atendido
imediatamente. Uma jovem mulher que inspira outros a viver esta missão. Invertida:
Scattered energia. Incapacidade de se concentrar sobre uma matéria (hand.

REI DE PAUS

Regal, expansivo, e energização, o Rei das PAUS é a epítome da energia do sol. Ele tem
a habilidade de inspirar OTH ¬ dores de crescer por causa de seu entusiasmo.

Sentidos: Dynamic, estável entusiasmo. Maestria sobre empre ¬ cia empreendimentos. A
capacidade de trazer idéias para fruição. Invertida: Querendo explorar estas forças, mas
não conseguiu fazê-lo. Alguém que parece ser favorável, mas quando chega a empurrar
mete já perdeu o interesse.

PRÍNCIPE DE PAUS

O Príncipe das PAUS, um garoto capaz de falar com paixão, mas por vezes incapaz de
realizar as suas ideias, traz uma mensagem importante. Eles vão abalar em uma ação.
Sentidos: Importante comunicações. Novas ideias. No entanto, estes devem ser
ponderados de acordo com a praticidade. Invertida: Muita energia e não o suficiente foco.
Idéias e mensagens que chiadeira inicial após a excitação.

RAINHA DA PAUS

Potência e energia são detidos pela Rainha de PAUS. Como Freyja, sua majestade pode
inspirar a criação de beleza através de aplicações práticas ¬ tical. Sentidos: Inteligência
aplicada à criação de bens materiais, a expansão das empresas. Argúcia. Uma mulher
que incorpora essas idéias DND inspira acção. Invertida: aguardar muito tempo para agir.
Não mostrando ao mundo o seu talento. Minando a sua autoridade. Falta de auto-estima.


NAIPE DE ESPADAS - O CAMINHO DA ISIS
elemento ar, sal corresponde a Magic, Arcanos Maiores cartão 1

O naipe de espadas isassociated com Isis, a deusa egípcia fer ¬ tility. Espadas simbolizar
as forças do intelecto incisivo, eles atravessam a reorientar a energia cresceu nos últimos
naipe de PAUS.

Espadas também simbolizar a mágica capacidade de transformar situações dolorosas em
áreas de crescimento pessoal. A história de Isis e seu consorte Osiris ilustra este princípio
lindamente. Por causa da trágica morte de Osiris, Isis foi capaz de dar à luz seu filho
Horus, o mais poderoso dos deuses egípcios.

Como Isis, podemos escolher a forma de utilizar os nossos espadas. Não podemos
transformá-las contra nós mesmos quando estamos com dor. Ou podemos transforma a
situação através do conhecimento e compreensão.

ÁS DE ESPADAS

Uma única espada é preso em um deserto paisagem circundante várias pirâmides, o

                                                                                          169
último local de descanso dos reis do Egito antigo. A espada é decorado com o símbolo de
Isis e cornudo o lótus. Sentidos: Pura compreensão e sabedoria. A capacidade de
manejar a espada sabiamente a ganhar forma. Clareza e boa acórdão ¬ mento. Invertida:
Necessidade de pensamento. Você está usando suas armas contra si mesmo? Confusão

DOIS DE ESPADAS

O impasse está satisfeita. A mulher tem olhos vendados, para que ela própria pode
melhor olhar dentro. Cercado por lotuses, a água flui por trás dela, simbolizando as
emoções confusas que ela tenha sido rejeitado por agora. Sentidos: Peaceful trégua.
Equilíbrio atingido, mas acabou questões terão de ser confrontados. Invertida: desconforto
com uma decisão que foi tomada. O excesso de dependência do intelecto, deixando
emoções desconhecimento. Desconfortável relacionamento.

TRÊS DE ESPADAS

Um coração, flutuando em um céu tempestuoso, é perfurada por três espadas. O olho de
Isis está sobreposta sobre ele, o que representa um olho-abertura experiências que
podem trazer lágrimas ou sabedoria.

Sentidos: Uma dor aguda ao coração-decepção, final de um relacionamento amoroso,
separação, tristeza que pode esclarecer ou pode debilitar. O excesso de sensibilidade
revertida: indulging em luto, por razões de drama. Slow flexibilização de tristeza.

QUATRO DE ESPADAS

A mulher está na recuperação. Quatro são as suas espadas suspensão acima dela,
protegendo-a do mundo exterior.

Sentidos: Necessidade de introspecção e cura. Recuperação da doença. Tempo para
fazer uma pausa a partir de situações estressantes. Invertida. Forçados isolamento.
Solidão. Mais recuperação de tempo necessário.

CINCO DE ESPADAS

Duas espadas são estabelecidas no trégua. No entanto, a mulher ainda apreende três
outros, mostrando que a luta não é overjustyet. Sentidos: Uma desconfortável trégua.
Possível derrota, ou sentir ¬ ções da derrota, mas é realmente acabou? Desconforto ou
lutar com uma situação. Necessidade de auto-protecção. Invertida: Derrote devido à
indecisão. Falta de confiança.

SEIS DE ESPADAS

A mulher está viajando em um barco para um lugar melhor. Ela recolheu seis espadas a
ter com ela; estes simbolizam a nova clareza e sabedoria que ela possui, que será
utilizada em sua nova vida. sentidos: Novos conhecimentos thai uma ajuda para
ultrapassar as actuais limitações. A diminuição oi 'dificuldades. Viajar. Invertida: Mais
compreensão da situação é necessário antes que ele possa mudar. Atrasos na partida, de
viagem.

SETE DE ESPADAS

                                                                                       170
A mulher está tentando transportar sete espadas, mas apenas cinco irá caber nos braços
dela. Como ela olhou para o seu ombro ela espera que as espadas deixados para trás
não será usada contra ela. Sentidos: A possibilidade de defender-se em uma situação
difícil mento. No entanto, a energia não devem ser colocadas em recriminações.
Necessidade de cautela e análise. Invertida: Paranóia. Eventual culpa. Necessidade de
proteger a si próprio.

OITO DE ESPADAS

Cercado por oito espadas, a mulher é entrapped. Se ela fosse apenas olhar para cima,
ela iria ver a sua saída. Mas ela é muito subjugada por dificuldades para o fazer.

Sentidos: Incapacidade de se mover. Incapacitante depressão. Sentindo entrapped
vitimizados ou por outros. Invertida: Obsession com problemas, em detrimento de outros.
As coisas podem não ser tão maus como parecem.

NOVE DE ESPADAS

Pesadelos atormentar a mulher, deixando ela não rest.These sonhos estão trazendo até
preocupa lancinante que precisam ser analisados e compreendidos. Sentidos: Insónia.
Inquietações que mantêm uma vigília. Uma questão que precisa de ser examinada de
forma mais estreita e só então será transformada. Um lancinante ansiedade. Inverteu-.Jhe
gradual desmoronava destas preocupações. Entendimento. Alguém próximo que está
sDErendo de depressão, ansiedade, ou doença.

DEZ DE ESPADAS

Dez espadas são entretecidos contra um céu nublado cinza symbolizing a capacidade de
transformar situações difíceis em sabedoria e ação. Sentidos: A perfeição de
entendimento. Sabedoria adquirida depois da luta. O fim de uma situação difícil. Invertida:
Mais precisa de ser considerados antes da completa compreensão pode ser adquirida.
Sobrecarregado com demasiada informação, coisas que precisam ser priorizados.

PRÍNCIPE DE ESPADAS

Lisonjeiro, mas forte-quisesse, o príncipe de Espadas ~ usa lan ¬ gabari de modo que não
pode haver confusão sobre suas intenções. Ele é um mensageiro trazendo informações
necessárias ou clareza.

Sentidos: Notícias que traz sentido para uma situação. Mensagens, comunicações. A
capacidade de criar influência. Alguém que personifica este papel. Invertida: À espera de
notícias. Sentindo inarticulados, incapaz de defender-se. Confusing mensagens.

PRINCESA DE ESPADAS

Segurando sua espada como uma equipe e não como um instrumento de defesa, a
Princesa de Espadas é capaz de cortar o seu caminho através do pântano. Em um com
suas intenções, ela não permite-se a ser confundido por qualquer coisa. Sentidos: incisivo
movimento. Corte através da confusão. Focus. Invertida: Não compreensão tanto como
gostaria de um. O desejo de mudar, mas sente frustrado.

REI DE ESPADAS
                                                                                        171
At home with his intellect, the King DE Swords brings wisdom and clarity to any situation.
He is the authority able to show in any plan what is needed and what can be cut away.

Meanings: The ability to bring calm authority to a situation. A helpful older man who won't
sugarcoat his words. Incisive intellect. Reverp&d; Wanting authority to lake over lo nvokl
responsibility, Placing too much (rust in the Intellect. Being too critical.

RAINHA DE ESPADAS

Brilhante e forte, a Rainha de Espadas regras sobre todos os aspectos da compreensão
intelectual. Esta é a mulher a consultar quando confundido devido à sua disponibilidade
para dizer-lhe como é, mesmo ao ponto de por vezes ser um pouco dura.

Sentidos: Uma mulher mais velha que tem essas qualidades. Deslumbrante intelecto e
compreensão. A capacidade de esclarecer através da linguagem. Invertida: maio
simbolizar perda ou feridas; para todas as suas boas intenções, ela pode cortar palavras
afiada.


NAIPE DE OUROS - A SENDA DE LAKSHMI
elemento terra, do ouro corresponde a Fortune, Arcanos Maiores cartão 10
O fato de OUROS está associada a Lakshmi, a deusa hindu da fortuna e prosperidade.
OUROS, como ouro e brilhantes como o espumante jóias Lakshmi está tão afeiçoado o (,
simbolizam        as     riquezas     contidas      no      interior    da      terra.
O fato de OUROS pode ser pensado como a grande colheita que chega depois que os
ensinamentos do mestre anterior três fatos. Copos de água das sementes plantadas por
inspiração divina IHE Feminino; incentivados por (IN1 energia do sol, os escravos são IHE
(Irsl growlh (hal sprou! Vigorosamente a partir de (ele terra; escravos arte! Podadas por
espadas para IHE motivos de força e crescimento; finalmente Lhe no fato de OUROS, a
árvore dê frutos assim o ciclo pode começar de novo.

OUROS contar a história da graça de terra-a tantas vezes simbolizada em muitas culturas
como uma deusa da terra generosa. Lakshmi, a hindu personificação deste fértil,
prospereis ¬ tes, e distintamente feminina vigor, é homenageado com este dia durante
muito estas qualidades.

Ace DE OUROS

A exuberante árvore tem uma fantástica-das-frutas de um único ouro pentagrama. É
decorado com símbolos da loto e apontou-o cinco estrelas. Sentidos: A mais pura
evocação de prosperidade, fertilidade, e generosidade. O início de uma nova fase da vida
que todas as promessas dessas coisas. Inverteu: o desejo de colher os frutos da medida
elusiva trabalhistas.

DOIS DE OUROS

A mulher juggles dois OUROS. Completamente focado sobre seu ato, ela não largar o
OUROS.


                                                                                        172
Sentidos: A capacidade de fazer malabarismos diversas situações de uma vez.
Empregos, oportunidades. Grace e bounty.Commerce e expansão ¬ mento. Invertida:
Tendo em demasia. Hora de se concentrar em uma coisa de cada vez, antes de expandir
estas mestre.

Três penUicles arco suspenso sobre o telhado dourado de um edifício palaciano. Este
palácio é a acumulação de talento, os bens materiais, planos e construtiva. Sentidos:
construtiva e pragmática construção da carreira, relacionamentos, em casa. Habilidade
para transformar talentos em material bens ou sucesso empresarial. Invertida:
Necessidade de desenvolver talentos antes de trazê-las para o mercado. Verificar
novamente planos de expansão, eles são adequados às suas capacidades?

QUATRO DAS OUROS

A mulher está em draped ricamente bordadas vestes, carregada de jóias como a deusa
Lakshmi sozinha. Cercado por quatro OUROS, ela é o epítome de luxo. Sentidos:
Riqueza e prosperidade. Estabilizador material forças na vida. Uma herança familiar, este
poderá ser um talento, dinheiro, terras. Invertida: Possibilidade de ser miserabilistas. Ou
seja excessivamente generoso. Necessidade de proteger os recursos.

CINCO DOS OUROS

Envolto em panos, dois mendigos passear através de um terreno nevado ¬ escapo. Uma
mulher cobre o rosto dela contra (ele dura frio; (ho outros olha para cima i »l I hr snow.uul
nol gelados Sua hiMtiiy. Sentidos: Pobreza que obriga um olhar para dentro (orgreater
recursos. Essa pobreza podem ser personificadas como a falta de riqueza ou de um
sentimento de esterilidade emocional. Revertida: Estes sentimentos são transitórios. A
fase mais próspera de vida está a caminho.

SEIS DOS OUROS

A mulher vestida ricamente decide ajudar os dois mendigos. Ela é tão rica que só
contribui para dar-lhe prosperidade. Sentidos: Filantropia e generosidade.
Compartilhamento de talentos com o mundo. Ajudar outros. Generosidade. Invertida:
Ciúmes ou inveja daqueles menos afortunados. Necessidade de apreciação.

SETE DOS OUROS

A mulher tende a uma árvore, capina em torno das suas raízes e poda suas boughs. Ela
está à espera de seus frutos, simbolizada por sete OUROS, para amadurecer. Sentidos:
Expectativa de recompensa. À espera de uma colheita, como um projeto criativo, dinheiro
ou de relacionamento pessoal, a ocorrer. Invertida: impaciência. A insegurança sobre se
receberam a recompensa para o trabalho prestado será vale a pena. Necessidade de um
trabalho árduo.

OITO DOS OUROS

Com base  wr Mlonts, (ele mulher p «iin (s <i prnhulr ouro mediante ,1 pt iv, é ela é t'l vai
'clt'il por <m * uv de sete penUicles. Sentidos: O aparecimento deste cartão em uma
leitura de um artista ou craftsperson é uma afirmação de competência e talento.
Pagamento justo para um trabalho árduo. Reunião prazos. Desenvolvendo talentos.
Invertida: Evitando trabalho. Infelicidade com o dinheiro recebido para trabalhar
                                                                                           173
determinado; necessidade de ajustar o equilíbrio.

NOVE DOS OUROS

Em um jardim encantado com perfume de flores e pássaros cantando, a mulher goza de
todos os luxos e prazeres que ela tem trabalhado arduamente para criar.
Sentidos: Prazer ou sensualidade. Fertilidade e luxo. Prosperidade material, já que este
tem sido realizado, talvez seja a hora de criar uma família revertida: excesso de material
prazeres. Culpa por ter tanta; incapacidade para apreciá-la.

DEZ DE OUROS

Aqui, o fato de OUROS é expresso na sua forma mais forte, uma ornately esculpidos
gateway leva a uma terra ¬ escapo verdejantes onde há mais do que suficiente para que
todos possam desfrutar. Sentidos: A acumulação de planos de negócio. Prosperidade A
criação de um lar e família para compartilhar com a riqueza. Expansão. Invertida:
Discontent em casa. Querendo uma maior prosperidade, mas a incerteza quanto criá-la.

PRINCE DE OUROS

Pragmática e leal, o Príncipe de OUROS é um bringer de mensagens e idéias. Ele é
capaz de mostrar onde as empresas podem expandir e quando é tempo de colheita.
Sentidos: ideias de negócio, diz. Mail ou mensagens trazem oportunidades de expansão,
o dinheiro no caminho. Inverteu Demasiada pensar, não basta fazer. Negócios precisam
ser examinados. Esperando.

REI DA OUROS

Coroado enthroned e com todas as riquezas da terra, o Rei da OUROS é uma força
estabilizadora capaz de trazer empresas e DEertas de imóveis frutos. Sentidos: firmeza. A
capacidade para criar riqueza. Alguém que personifica estas forças. Operações
imobiliárias. Invertida: Instável, torta-no-céu de negócios. Precisa ser mais realista lo.

RAINHA DA OUROS

A Rainha da Pentaclcs é a personificação da própria vida arquetípica A terra mãe, esta
expansivo, alegre-mulher mais velha tem o talento para criar céu sobre terra.
Sentidos: Fertilidade, possivelmente paternidade. Criando prosperidade e harmonia.
Beleza, riqueza, a casa. Realeza. Invertida: Necessidade de terreno próprio. Talvez um
excesso de orientação materialista ¬ ção para a vida; decepção em casa, ou a falta de
foco.

PRINCESA DO OUROS

Sedutora e docemente perfumada, a Princesa de OUROS da vida DEerece a todos os
prémios. Para eles possuem, no entanto, vontade não é suficiente-construtivas devem ser
tomadas medidas. Sentidos: A capacidade de criar oportunidades forgrowth e beleza.
Uma mulher que personifica estas forças. A capacidade de trabalhar arduamente para
criar prosperidade. Invertida: inércia ou preguiça; não agir ou responsabilidades. Excesso
de sensualidade.


                                                                                       174
USANDO O TARÔ DAS DEUSAS

cartões tenham sido utilizados ao longo da história por seres humanos 1 busca
compreender a sua vida com ¬ viagem mais radical. A forma mais comum de usar a
sabedoria do tarô é, depois de concentrar em um tema específico, para colocar um
número deles em um modelo especial chamado de propagação; cada cartão posição na
propagação reflete um aspecto da questão a ser considerada.

Os cartões são geralmente escolhidos para a propagação por baralhar as cardsa
predestinado número de vezes para assegurar a aleatoriedade. O (Jerk iscul. Uidcwds Eu
minto para espalhar escolhidos a partir de (ele (op Alguns leitores preferem tarot (o
vaivém dos cartões próprios, permitindo a querent (a pessoa que solicita a questão)
apenas para lidar com o baralho enquanto cortando-lo; isso permite que eles se sintam
lhes uma maior intimidade com os seus cartões, tornando mais fácil dar uma leitura
precisa. Outros preferem ter o querent escolher os seus próprios cartões, pois eles
acreditam que o querent irá escolher o mais adequado para os seus cartões situação.

Qualquer que seja a forma que você se decida a avançar, é importante concentrar-se
antes de a verdadeira leitura. Um simples ritual, como acender uma vela ou fechar os
olhos por um instante, pode ajudar a criar a atmosfera adequada para o receptivo ¬ infor
mações sobre a ser partilhada pelos cartões.

O mais simples propagação e uma boa maneira de familiarizar-se com cada cartão de
Tarot A Deusa-se a fechar os seus olhos e escolha um cartão ao mesmo tempo
concentrando-se na questão em apreço.

Considere este cartão conceder um oráculo ingyou as infor ¬ cação você ) ced. Demorar
alguns minutos para meditar sobre o seu cartão escolhido: o que fazer suas cores,
imagens e símbolos para trazer mente para você?

Uma variante desta é a de limitar-se a escolha do cartão Arcanos Maiores apenas Esta é
uma oportunidade maravilhosa de se tornar melhor familiarização com cada deusa
representada na Deusa 'Tawt e divinamente a experiência feminina que ela representa.
Ligeiramente mais complexo é o passado / presente / Futuro propagação. Escolha quatro
cards de seu pavimento e estabelecem-los, assim:

Cada cartão é colocado para baixo, é entregue como cada um está examinados.
Cartão 1: o passado, ou a fundação do assunto a ser considerado.
Cartão 2: o presente, ou como coisas estão agora.
Cartão 3: O futuro possível, se as coisas continuarem como estão agora. Lembre-se, o
futuro pode ser influenciado por nossas atitudes, nossas ações, e as nossas intenções.
Cartão 4: a mensagem global, ou de aula, da propagação. Este cartão somas tudo
analisado até agora.



CRUZ CELTA

Talvez devido à sua versátil capacidade para abranger muitos aspectos de uma situação
de grande prDEundidade, a Cruz Celta é um grampo de tarot spreads. Por essa leitura,
dar-te, pelo menos, vinte minutos ou mais, se possível.

                                                                                     175
O primeiro passo na criação do Celtic Cross é escolher uma carta do baralho para
significar o querent. Uma maneira é para escolher os Arcanos Maiores cartão associado à
deusa que tem soberania sobre o assunto a ser analisado: por exemplo, questões
espirituais pode ser simbolizada por Sarasvati, o amor verdadeiro ¬ ções por Vénus.

Mais tradicionais formas de escolher um significator incluem selecionar um tribunal cartão
(príncipe, princesa, rei ou rainha), de acordo com a idade, o sexo ea coloração da pessoa,
uma mulher jovem com cabelos luz poderia ser representada pela Princesa de Copas,
escuro haired uma mulher mais velha da Rainha de Espadas, e assim por diante.

Você também pode escolher o significator, de acordo com astrologi ¬ cos sinal. No
entanto, isso envolve o conhecimento da pessoa do nascimento, astrologia, e seu
accordant símbolos. Usando (seu método, uma pessoa nascida sob a água sinais de
Peixes, Escorpião e Câncer seria representada pela xícaras; sinais de incêndio, tais como
Sagitário, Áries, Leão e seria PAUS; o ar sinais de Aquarius, Libra, e Gemini , espadas e,
finalmente, a terra sinais de Touro, Virgem e Capricórnio seria rep ¬ ressentimento pelo
fato de OUROS. A idade eo sexo do tribunal determinar qual seria querent cartão é
escolhido.

Após a significator cartão é escolhida ea questão considerada, o pavimento está
baralhado, cortado, e dez cartões são escolhidos.

Cartões são colocados como mostrado, com o cartão i significator abaixo. Cada carta
representa uma área da questão ou problema a ser examinado m a leitura:

Cartão t: a situação global, ou atmosfera, em torno da querent no que diz respeito à
questão.
Cartão 2: o que está a influenciar a situação para melhor ou para pior. Qual deve ser
considerado.
Cartão 3: o fundamento da questão.
Cartão 4: o passado, ou influência que é agora falecimento.
Cartão 5: o que está na querant da mente neste momento.
Cartão 6: num futuro próximo, ou a influência agora entrando em cena
Cartão 7: a forma como a querent vê a situação, ou como é influenciá-los neste momento.
d 8: como ver os outros querent nesta situação, formas que podem ajudar ou atrapalhar.
Cartão 9: esperanças e medos, as emoções que rodeiam a situação. Este cartão também
pode ser utilizado como um guia para a querant.
Card 10: resultado possível, se as coisas continuarem ontário (ele agora caminho tomar.

Ao ler o Celtic Cross propagação, tente pensar como um cartão de cada capítulo em uma
história que você está dizendo-o que é que as imagens te disse? Que temas globais
emergem na história? Como esta história pode ser mudada, se mudar é desircd? E que
aula está sendo ensinado? Lembre-se que o cartão de interpretações podem ser
influenciados por diversos factores, incluindo a da proximidade e da posição de um
cartão, uma preponderância de qualquer naipe ou um Arcanos.




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5
QUEST TAROT -   JOSEPH ERNEST MARTIN

                                       177
Obs: Esse livro no original contém muita mistificação. O texto está resumido. Tradução
eletrônica incompleta e sem revisão, as figuras da corte de todos os naipes ainda não
foram incluídas na tradução. As cartas são lindas.

ARCANOS MAIORES

A Fool
Úrano. A energia da individualidade. Ser independente. Uma nova direcção. Personal
transformação revolucionária. Recomeço.

O Mago
Mercúrio. Usando a mente. Decisor. Falando a outros sobre o que está em sua mente.
Pensador.

O Alto Priestess
Lua. Pais e alimentando sentimentos. Energia feminina. Instinct, capacidade psíquica, e
fortes emoções.

A Imperatriz
Vénus. Relacionamentos e sentimentos. Económico e romântico parcerias. Amor e
dinheiro.

O Imperador
Áries. Iniciando. Pensando em você primeiro.
Determinação. Situações dinâmicas. Alta energia.

O Hierofante
Taurus. Possessiveness. Holding sobre demasiado rigorosa. O desejo de muitas posses.
Conservador. Seguro. Estável. Um construtor. Uma atracção para a estrutura. Teimoso.

Os Amantes
Gêmeos. Dualidade. Capaz de lidar com muitas coisas diferentes ao mesmo tempo.
Adaptáveis. Inquietação.

A Chariot
Câncer. Aparecendo como dura e insensível, mas na realidade imaginativo e sensível.
Melancolia.

Força
Leo. Autocrático. Reinante ao longo de um reino. A forte personalidade. Sabendo o que é
melhor. Em cobrança. Uso de auto-vontade. Dramática.

The Hermit
Virgo. Modéstia. Hipócrita e tímido. Um introvertido. Analysis. Fastidioso e detalhe
orientado.

A Roda da Fortuna
Júpiter. Expansiveness. Desejo de conhecimento. Tomar
uma perspectiva filosófica. Otimismo e tolerância.

Justiça
Libra. Harmonia e equilíbrio. Compreensão e
                                                                                         178
simpático. Possíveis contentiousness e dureza.

O Enforcou Man
Neptuno. Fazer alterações que afectam gerações. atingindo, única perspectiva. Alto
ideais. A auto-sacrifício.

Morte
Escorpião. A intensa energia. Buscando sexual atenção. Possíveis ciúmes ou
resentfulness. Muito envolvidos. Poderosa desejos e emoções.

Alquimia
Sagitário. Amor de serem livres. Comportamento não convencionais. Versatilidade. Ser
bom em tudo. Searching. Um sabe-tudo.

O Diabo
Capricórnio. Rígida e inflexível. Austera. Cálculo e prudente. Conservador. Único de
espírito. Sendo também anexada ao mundo material.

A Torre
Marte. Não domesticado e poderoso. Energia sexual. Hard trabalhador. Competitividade.
Quick a raiva.

A Estrela
Aquarius. Glamorous. Chefes vai virar. Possivelmente arrefecer e distante. Excêntrico e
original. Humanitária.

A Lua
Peixes. A auto-sacrifício. Amar, a natureza, e esperto. Ego interesses e os acessórios
conduzir a ilusão e decepção. Ilusões. Imaginação. Ser solidário.

O Sol
Sol. Primai fonte de vida e energia. Vitalidade, força, e de expressão do ego. Vibrante.
Cicatrização. Um forte força criativa.

Aeon
Plutão. Enterrado emoções e desejos secretos. Obstáculos manter aparecer antes de
você. Possíveis crueldade. Transforma-tiva. O processo de avançar.

O Universo
Saturno. Exteriores e interiores autoridade. Uma abordagem sensata.
Sem pressa para as coisas. Balanced reacções.

O Multiverso
Chiron. Um tempo de cicatrização. Tendo a chave que abre as portas para um novo
caminho. Iniciando uma nova jornada espiritual. Passando das trevas para a luz.


PAUS

Ace of Paus
O Ás de cada ação não tem qualquer conexão planetária. O tempo Áses conter
referências.
                                                                                     179
Dois dos Paus
Marte em Áries. Força e assertividade. Correndo ao longo dos topos dos outros. Não
preocuparem outros como você subir a escada.

Três dos Paus
Sol em Áries. Feroz determinação para alcançar o sucesso. Auto-centeredness.
Desrespeito pelos outros. Alta energia levei. Inquietação. Liderança.

Quatro de Paus
Vénus em Áries. Paixão e da energia. A assunção de riscos. Amor de intimidade física.
Excitação. Uma pessoa empreendedora.
Impulsivo.

Cinco dos Paus
Saturno em Leo. Augusto e prideful. Grande força. Graves atitude. Recusa de aceitar
limitações. Extreme esforço. Demasiada orgulho e willfulness.

Seis de Paus
Júpiter em Leo. Personalidade extrovertida. Rajada seu chifre. Tendência para ser
bombástico. Noisy ShowofF. O amor da vida. Demasiado optimistas ou erupção acórdão.

Sete de Paus
Marte em Leo. Dominante líder. Incentivar a atitude. Dramática acções. Corajoso e
vigorosa. Grande vitalidade física. Força.

Oito dos Paus
Mercúrio em Sagitário. Você tornar-se mais e mais neg-dentes. É tempo de pensar. Ser
graves em sua missão actual. Evite espalhar a sua energia.

Nove dos Paus
Sol e Lua em Sagitário. Amor de física e Intel-lectualjourneys. Auto-aperfeiçoamento.
Filosófica. Grande curiosidade Visionary

Dez de PausSaturno em Sagitário. Melhorar a sua mente. Educação continuada. Partilha
os teus pensamentos. Reprimir o entusiasmo. Um amor de ensino.


COPAS

Ás de Copas
O Ás de cada ação não tem qualquer conexão planetária. O tempo Áses conter
referências.

Dois de Copas
Vénus em Câncer. O intenso desejo de uma união estável e duradoura relação. Doht
sacrifício yourself. Romance. Nutrir energias. Sentimental. Forte vínculo familiar.

Três de Copas
Mercúrio em Câncer. Doht debruçar sobre o passado. Emoções você pode parar de
progredir. Exagero. Dificuldade pensar.

                                                                                  180
Quatro de Copas
Lua em Câncer. A auto-protecção. Hard casca exterior. Aparecer diferente de quem você
realmente é. Misteriosa presença. Necessidade de segurança emocional.

Cinco de Copas
Marte em Escorpião. Alto sexual. Intenso. Penetrating à essência das coisas. Força
interior. Situações são difíceis de compreender. Cuidado com ciúmes. Extreme.

Seis de Copas
Sol em Escorpião. Examinando o interior auto. Procurando o significado da vida.
Introspecção. Contemplação.

Sete de Copas
Vénus em Escorpião. Criando harmonia entre as suas muitas e variadas relações
intensas. Possíveis resentfulness.

Oito de Copas
Saturno em Peixes. Humane. Com medo de estar em público. Falta de auto-confiança.
Cuidado em torno de auto-expressão. Tímido. Vagos temores.

Nove de Copas
Júpiter em Peixes. Um tipo simpático e natureza. Cuidar profundamente sobre as
pessoas. Cuidar das pessoas necessitadas.

Dez de Copas
Marte em Peixes. Imaginação no desempenho sexual. Dificuldade em afirmar-se. Inner
agitação. Overly emocional. Artística e musical.


ESPADAS

Ás de Espadas
O Ás de cada ação não tem qualquer conexão planetária. O tempo Áses conter
referências.

Dois de Espadas
Lua em Libra. Peacetulness. Sensível aos problemas dos outros. Traga a paz para
situações. Easygoing presença. Necessidade de harmonia e paz. Evite a indecisão. Tem
que ser honesto com você e outros.
Três dos Sworâs

Saturno em Libra. Justiça, diplomacia e da equidade. Aprender lições através de
relacionamentos. Cooperação. Possíveis intolerância.

Quatro de Espadas
Júpiter em Libra. Ser atraente para outras pessoas. Laid-back atitude. Tomando o tempo
para desfrutar arredores. Refinamento. Amor de beleza.

Cinco de Espadas
Vénus em Aquário. Emocionalmente arrefecer. Intellectualizing relacionamentos. Forte
desejo de independência. Odiar quaisquer restrições. Chefe regras do coração.
Humanitária.
                                                                                   181
Seis de Espadas
Mercúrio em Aquário. Rápido e original intelecto. Unique idéias e opiniões. Nervoso
tensão. Seja consistem.

Sete dos Sworâs
Lua em Aquário. Brittle energias. Afastar ajudar. Surpreendente respostas. Necessidade
de independência.

Oito de Espadas
Júpiter em Gêmeos. Inquietante energia. Inquietação. Alegre e descontraído. Scattered
energia. Querendo ser em movimento. Abaladas. Gosta de atividade intelectual.

Nove de Espadas
Marte em Gêmeos. Difícil relaxar. Versatilidade e energia. Sempre ocupado Muitos
desafios e eventos. Experiência.

Dez de Espadas
Sol em Gêmeos. Fortes habilidades mentais. Amor de aprendizagem. Passionate sobre
compartilhamento de conhecimento. Curiosidade inata e versatilidade. Adaptáveis.


OUROS - PEDRAS

Ás das Pedras
O Ás de cada ação não tem qualquer conexão planetária. Os Ases têm tempo referências.
Dois dos OUROS
Júpiter em Capricórnio. Estar aterrado. Exercer cautela e bom senso. Sensible desafios.
Crescimento controlado.

Três dos OUROS
Marte em Capricórnio. Incrível stamina. Enduring outros aquilo que não pode suportar.
Tomando riscos calculados. Estabilidade.

Quatro das Pedras
Sol em Capricórnio. Avanço na riqueza material e status social. Forte sentido de
responsabilidade. Faça a sua marca.

Cinco dos OUROS
Mercúrio em Touro. Obsessivo e teimoso. Firmemente fixo em sua posição. Desejo de
segurança. Praticidade.

Seis dos OUROS
Lua em Touro. Conservador e convencional. Intenso estado emocional. Forte desejo de
criatura confortos. Necessidade de segurança material. Sensuous.

Sete dos OUROS
Saturno em Touro. Avançando em um ritmo lento e constante. Cuidado estável traz o
sucesso. Deliberada movimento. Evite possessiveness de pessoas e coisas.

Oito dos OUROS
Sol em Virgem. Adesão ao estrito rotinas diárias. Preocupados com a saúde, dieta e
                                                                                    182
exercício. Comunicação verbal. Analítica. Perfectionistic. Modestamente serviço dos
outros.

Nove dos OUROS
Vénus em Virgem. Encantador de uma forma tranquila. Modesta aparência. Disposto a
ajudar os outros. Pode ser também criticai dos entes queridos.

Dez dos OUROS
Mercúrio em Virgem. Fortes capacidades de resolução de problemas. O senso comum.
Firmemente plantados na realidade. Míope. Prático e detalhe orientado. Nervoso. Keen
intelecto. Boas competências verbais.




                                      6
GILDED TAROT de Ciro Marchetti
Tarô Dourado
                                                                                 183
Tradução eletrônica incompleta e sem revisão, só temos arcanos maiores. As cartas são
lindas.

Uma viagem Fools

Assim como a divisão da Minor Arcana em fatos e aprendiza-gem sobre o fato e
Numéricas associações panorâmica vide Pró-e uma breve introdução a estes cartões
'significados, aprendendo a viagem FooPs ajuda-nos a Introduzir os Arcanos Maiores. Os
vinte e dois Major Ar ¬ cana Cartões retratam uma viagem ao longo da vida, uma viagem
de auto-desenvolvimento e crescimento espiritual. Estamos ali como começar a Fool, o
primeiro cartão do Major Arcana, embora ali nossas viagens são diferentes.

Para visualizar o FooPs viagem, lay out dos cartões, colocando a Fool sozinho no topo.
Então lay out do resto dos cartões, em ordem numérica, por debaixo da Trengo em três
filas de sete (1-7, 8-14 e 15-21).

1. A primeira linha mostra os passos que passar na nossa base de desenvolvimento
desde o nascimento até os jovens e adultos em aprender a viver em sociedade.

2. A segunda linha mostra como leis universais ou regras da sociedade que temos de
Enfrentar pergunta, e entrar em um acordo com, também é de cerca de descobrir quem
somos.

3. A última linha é o nosso desenvolvimento espiritual.

0 – O LOUCO: O idiota. A Fool marca o início da viagem como um arquétipo infantil,
imaturo e un-aprendidas, inocente e ansioso.

1 - O MÁGICO: O Mago representa o animus masculino ou principal. Este é o nosso ativo
ou saída da energia, como nossas capacidades e competências em termos do mundo
exterior. Em termos básicos, é o modo como fazemos as coisas e como aprendemos.

2 - A ALTA SACERDOTISA: A Sacerdotisa incorporado sa anima principal ou fêmea. Esta
é a ossa passividade ou introspectivo energia, como nossas capacidades que não diz
respeito ao nosso mundo interior e de auto-reflexão. Em suma, este é o modo como
pensamos e sentimos sobre as coisas e que sabemos intuitivamente.

3 - A Imperatriz: A Imperatriz representa o arquétipo Mãe e nossa experiência com uma
maternidade, Nur-ração, emoções e os nossos impulsos criativos.

4 - O IMPERADOR: O Imperador representa o arquétipo Pai e nossa experiência com
uma Autoridade, rea-Filho, e da lógica.

5 - O HIEROFANTE: O Hierofante é a nossa educação formal não seio da nossa
sociedade, incluindo uma escola, formação reli-religiosas, culturais e das tradições.

6 - OS AMANTES: Em uma palavra, a nossa expe-adolescência hormonas de sexo, e
nosso senso de identidade.

7 - O CARRO: Um Carro ilustra uma Capacidade de ver os dois lados de uma questão,
que marca o fim da "mas isso não é justo!" FASE.
                                                                                         184
Depois temos estes arquétipos Sintetizada em nosso senso de auto, que Geralmente são
muito bem preparados para participar na sociedade. Às vezes nós incorporar alguns
desses elementos melhor do que outros. Por exemplo, se alguém "tem problemas com a
mãe," ela pode não ter tratado de forma muito eficaz com uma Imperatriz. E instintos

8 - RESISTÊNCIA: Força e onde se aprende um Controlar nossos impulsos, onde o nosso
mestre-eus Desenvolver e auto-controle. Nós podemos querer partido ou à noite, comer
todo o buffet, ou até a nossa loja de cartões de crédito atinge o seu limite, mas sabemos
que ele é provavelmente melhor se nós não satisfazer esses desejos ali.

9 - O EREMITA: Isto é-nos sentir A necessidade de encontrar "NOS". Não vire para
dentro, Questionando ali que aprendemos, e tentar encontrar um sentimento de paz
interior.

10 - RODA DA FORTUNA: Só quando nos sentimos centrada e Equilibrada, a nossa
determinação é testada por uma rodada de sorte. Algo acontece fora de nosso controle ou
nossa habilidade de Capacidade de Prever.

11 - JUSTIÇA: No rescaldo da rodada do destino, temos que descobrir como saíram, e
perceber que colher aquilo que semear. Se fomos bem preparados, estamos a sair bem,
mas talvez Abalada. Se não, talvez seja passar Necessário rever um eremita fase da
viagem, ou a.

12 – O ENFORCADO: O Homem Pendurado nos mostra a força eo poder de soltar e
Desfrutar da vista de uma perspectiva diferente. Este cartão também nos mostra um
Importância do sacrifício. Algumas coisas que vale a pena sacrificar para nós e talvez
realmente não pode te-lo ali, pelo menos não da forma como planejado.

13 - MORTE -: Só quando chegarmos Confortável pendurado por um fio, somos
confrontados com uma grande mudança em nossas vidas. Isto pode ser qualquer
alteração importante, positivo ou neg-dentes: uma inesperada promoção, o fim de uma re-
ção vertical, mudando para um novo local.

14 - A TEMPERANÇA: Depois que vem Através de uma transforma-ção experiência,
aprendemos Graciosa equilíbrio tol e lerância. Aprendemos a adaptar-se às mudanças de
circunstâncias, mantendo o nosso centro, o nosso sentimento de auto.

Chegou-se Através de uma fase muito difícil da nossa de-senvolvimento. Temos
enfrentado alguns disfarce em Morte. Nós aprendemos uma Manter-nos, para se adaptar
às circunstâncias, para não Ferroviário contra uma aparente injustiça do Universo. Que
mais Poderíamos, eventualmente, ter de fazer?

15 - THE DEVIL: Equilibrada, forte e confiante, agora somos sombras nossas confrontar
um Chamados Próprias, como o escuro-pectos que temos medo de nós mesmos e que
pode Controlar-nos em formas sutis. Estes aspectos também que nós aprendemos a
reprimir ou Controlar na Força cartão. Isso funcionou bem durante um tempo, antes
tínhamos theknowledge e experiência não apenas para re-prima e ignorar estes aspectos.
Agora precisamos de Revisitar elas, aprendem um apreciar como qualidades positivas
que podem trazer para nossas vidas, e sintetiza-los adequadamente.

16 - TORRE A: Embora nós mesmos sentimos que nós temos agora sob Controlo por
                                                                                         185
razoável, o universo de novo espírito que nós não estamos no controle de tudo. A Torre
nos dá um parafuso do azul que abala a nossa própria Fundação. Esta pode ser diferente
da roda ou Morte, em que ao invés de perturbar o externai circunstâncias das nossas
vidas, uma Torre abala os alicerces da nossa crença Sistemas.

17 - A ESTRELA: A Estrela apresenta-nos orientação, esperança e otimismo após
cataclísmico acontecimentos, dando-nos uma Fundações força que precisamos para
reconstruir a nossa desintegrado

18 - THE MOON: Enquanto o Star nos orienta em nosso caminho, uma Lua nos ensina a
questionar que tudo e para perceber como coisas nem sempre são o que parecem. Até a
luz da Lua, podemos perder o nosso caminho ou ser sedutora Distraidos por sombras.
Podemos também ter contornado em sonhos. Temos de aprender a dizer a diferença.

19 - O SOL: Após vagando na Lua, o Sol em que surgem com maior força e auto-
Conscientes-Dade, com a certeza de que nós sabemos, aquilo em que acreditamos, eo
que é real.

20 - ACÓRDÃO: O Julgamento cartão convida-nos a uma Realização espiritual profunda.
Muitas vezes, um convite é uma ac-ção, a partilhar o seu conhecimento ou experiência
com os outros.

21 - O MUNDO: Este é o fim do ciclo, temos aprendido ali das nossas aulas e que tenham
alcançado de Integração, o equilíbrio, e consciência espiritual.

Exercício
Arcanos Maiores cZTook em cada cartão. Anote uma situação ou uma sua própria
experiência de vida que você lembra de cada etapa da viagem Fool's.




                                       7
RIDER TAROT – Stuart Kaplan
(tradução eletrônica sem revisão)
                                                                                    186
OS ARCANOS MAIORES E SEUS SIGNIFICADOS

1. O Mago
Habilidade, diplomacia, endereço, doença, dor, perda, desastre, autoconfiança, vontade, o
consulente. Invertida: doença mental, vergonha, inquietação.

2. A Alta Sacerdotisa
Segredos, mistério, a mulher; silêncio, tenacidade, sabedoria, ciência. Invertida: Paixão,
moral ou física, ardor, vaidade, superfície conhecimento.

3. A Imperatriz
Fecundidade, ação, longos dias, clandestinamente, a desconhecida, dificuldade, dúvida,
ignorância. Reverso: Luz, a verdade, descobrir segredos, vitória pública, vacilação.

4. O Imperador
Estabilidade, poder, ajuda, proteção, uma grande pessoa, convicção, razão. Invertida:
Benevolência, compaixão, de crédito, também a confusão inimigos, obstrução,
imaturidade.

5. O Hierofante
Casamento, alianças, cativeiro, servidão, misericórdia e bondade, inspiração, o homem,
recurso. Invertida: Sociedade, bom entendimento, concórdia, o excesso de bondade,
fraqueza.

6. O Lovers
Atração, amor, beleza, ensaios superar. Invertida: tolo.

7. O Chariot
Socorrer, providência, também a guerra, triunfo, presunção, vingança. Invertida: Querela,
disputa, litígio, derrota.

8. Strength
Poder, energia, ação, coragem, magnanimidade. Invertida: Abuso de poder, de
despotismo, fraqueza, discórdia.

9. O Hermit
Prudência, dissimulação. Invertida: ocultação, dissimulação, política, medo, cautela.

10. Wheel da Fortuna
Destino, fortuna, sucesso,       sorte,   felicidade.   Invertida:   Aumento,   abundância,
superfluidade.

11. Justice
Equilíbrio, crepúsculo, probidade, executivo. Invertida: Direito em todos os departamentos,
intolerância, preconceito, excesso de severidade.

12. Enforcado
Sabedoria, tri als, cautela, discernimento, sacrifício, intuição, adivinhações, profecia.
Reverso: Egoísmo, a multidão, corpo político.

13. Death
                                                                                        187
Fim, mortalidade, destruição, corrupção. Invertida: Inércia, sono, letargia, petrificação,
sonambulismo.

14. Temperance
Economia, Moderação, frugalidade, gestão, acomodação. Invertida: Coisas ligadas a
igrejas, religiões, seitas, o sacerdócio, também infeliz combinações, desunião, interesses
concorrentes.

15. The Devil
Revanche, violência, vigor, veemência, esforços extraordinários, fatalidade, que é
predestinado, mas não por esta razão mal. Invertida: Fatalidade, fraqueza, cegueira.

16. A Torre
Miséria, desespero, ruína, indigência, adversidade, calamidade, desgraça, decepção.
Invertida: Opressão, prisão, tirania.

17. A Estrelar
Perda, roubo, perda, abandono, esperança e brilhantes perspectivas no futuro. Invertida:
arrogância, impotência, altivez.

18. A Lua
Ocultos inimigos, perigo, calúnia, escuridão, terror, engano, erro. Invertida: Instabilidade,
inconstância, silêncio, engano e erro.

19. O Sol
Material felicidade, casamento com alma-gêmea, contentamento.

20. Ultima Chamada – O Julgamento Final
Mudança de posição, a renovação, o desfecho. Invertida: fraqueza, covardia,
simplicidade, deliberação, decisão, sentença.

21. O Mundo
Encerramento em boa hora, viagem, a mudança de lugar. Invertida: inércia, fixação,
estagnação, permanência.

0. O Louco
Loucura, mania, extravagância, intoxicação, delírio, frenesi Invertida: Negligência,
ausência, distribuição, descuido, apatia, nulidade, vaidade.




OS ARCANOS MENORES

PAUS

Rei de paus
Emocional, ardente, flexível, animado, apaixonado, nobre. Sentido: homem, amigável,
conterrâneo, casado, honesto e consciencioso. Invertida: Bom, mas grave; austera, mas
tolerante.

Rainha de paus
                                                                                          188
Vida, animação, emocionalmente. Sentido: mulher provinciana, amiga, casta, amorosa,
honrada. o amor do dinheiro. Invertida: Bom, econômico, oposição, ciúme, falsidade e
infidelidade.

Cavaleiro de paus
Viagem, armado, missão milita. Sentido: Partida, ausência, fuga, emigração, amigável.
Mudança de residência. Invertida: Ruptura, divisão, interrupção, discórdia.

Pajem de paus
O mensageiro, notícia verídica. Sentido: jovem, fiel, um amante, um emissário, um
carteiro, testemunha. Invertida: Anedotas, anúncios, notícias mal, indecisão, instabilidade.

Dez de paus
Um homem oprimido pelo peso. Sentido: é também fortuna, ganho de qualquer tipo de
sucesso destas coisas. falsos aparente, dissimulação, falsidade. Invertida: Contrarieties,
dificuldades, intrigas, e as suas analogias.

Nove de paus
Espera um inimigo. Sentido: resistência,oposição. Se atacado, ele vai cumprir o ataque
corajosamente. atraso, suspensão, adiamento. Invertida: Obstáculos, adversidade,
calamidade.

Oito de paus
Vôo aberto. Sentido: rápidO, um mensageiro; grande pressa, grande esperança, para
uma velocidade final que promete felicidade garantida, o que está em movimento, flechas
do amor. Invertida: Setas do ciúme, interna disputa, querelas.

Sete de paus
Escarpadas, Sentido: vantagem posição. plano intelectual, discussão, prolixo contenda,
em actividade negociações, a guerra do comércio, permuta, a concorrência. combatente.
Invertida: Perplexidade, embarrassments, ansiedade.

Seis de paus
Sentido: vencedor triumphing, ótima notícia, expectativa a sua própria vontade, a coroa de
esperança. Invertida: apreensão, medo, como de um inimigo vitorioso no portão, traição,
deslealdade, como a abertura de portas para o inimigo.

Cinco de paus
Desporto ou contenda, guerra, Sentido: Imitação, combate simulado, a extenuante
competição e luta da pesquisa depois de riqueza e fortuna. ganho de opulência. Invertida:
estratagemas, Contradição, litígios, litígios.

Quatro de paus
Sentido: repouso, concórdia, har Mony, prosperidade, paz, bem como o perfeito trabalho
destes. Invertida: felicidade, beleza, decoração.

Três de paus
A calma, figura imponente, Sentido: estabelecido força, espírito empreendedor, o esforço,
o comércio, a descoberta, comércio, O fim de problemas, suspensão ou fim da versidade,
decepção, e labuta.

Dois de paus
                                                                                         189
Entre as alternativas. angústia, medo.

Ás de paus
Empresa, os poderes, princípio, começo, fonte, o nascimento, a família, a origem, o início
das empresas, conta com dinheiro, fortuna, herança. Invertidas: Queda, decadência,
ruína, perdição, a perecer, também, ensombradas alegria.


COPAS

Rei de copos
Sentido: homem de negócios, direito, ou divindade, resvel, eliminados obrigar a Querent.
Também capital, a arte e ciência, incluindo ciência, direito e arte, a inteligência criativa.
Revertida: desonesto, falsidade homem, tratantada, exação, injustiça, vício, escândalo.

Rainha de copos
Lindo, justo, sonhadora mulher (como uma visão que vê em uma xícara).
Sentido: Bom, mulher justa, honesta, dedicada, que fará o serviço ao
Querent. Loving inteligên ¬ cia, o dom da visão, o sucesso, felicidade, prazer, também
sabedoria, virtude. Invertida: mulher-vice, desonra, depravação.

Cavaleiro de copos
Graciosidade, não bélico, andando calmamente, vestindo um capacete alado. Sentido:
Chegada, abordagem, um mensageiro, avanços, proposição, comportamento, convite,
incitamento. Revertida: estratagemas, artifícios, subterfúgios, burla, duplicidade, fraude.

Pajem do copos
Justo, agradável, efeminado estudiosos Sentido: jovem impelidos a prestar um serviço,
estudioso da juventude, notícias, mensagem, a aplicação, reflexão, meditação, empresas.
Invertida: Prova, inclinação, penhora, sedução, engano, esperteza.

Dez de copos
Marido e mulher. crianças o prodígio, felizes depois da sua própria maneira. Sentido:
contentamento, descanso de todo o coração, a perfeição do estado Também a vila, aldeia
ou país longínquo de residência. Invertida: repouso da falsa coração, indignação,
violência.

Nove de copos
A festa Sentido: Concord, contentamento, vitória, sucesso, vantagem, satisfação,
Invertida: a verdade, lealdade, liberdade.

Oito de copos
Um homem de aspecto abatido é abandonando as taças de sua Felici ¬ dade, a empresa,
empresa ou anterior preocupação. Sentido: timidez, honra, modéstia. Invertida: grande
alegria, felicidade, festa.

Sete de copos
Estrangeiro, visão. Sentido: Fairy favores, imagens de reflexão, imaginação, sentimentos,
coisas que vi no vidro de contemplation, realização nada permanente ou substancial.
Invertida: desejo, vontade, determinação, projeto.

Seis de copos
                                                                                          190
Sentido: memória, passado. refletir sobre a infância, felicidade, gozo que vem do
passado, coisas que tenham desaparecido. inverte, novas relações, novos
conhecimentos, novo ambiente O futuro, a renovação, o que virá a passar actualmente.

Cinco de copos
A escuridão, camuflada figura, olhando para os lados em três propensas copos, dois
outros stand eretas atrás dele e de uma ponte está em segundo plano, levando a uma
pequena ou manter a exploração. Adivinhatória Significado: É um carta de perda, mas
alguma coisa ¬ m permanece mais, três foram tomadas, mas são duas esquerda. É um
carta de herança, transmissão e patrimônio, mas que não corresponda às expectativas.
Com alguns, é um carta de casamento, mas não sem amargura ou frustração. Invertida:
Notícias, alianças, afinidade, consangüinidade, ancestralidade, o regresso, falsos
projetos.

Quatro de copos
Descontentamento com o seu ambiente. Sentido: cansaço, aversão, imaginário vexations-
se. não vê nenhuma consola ¬ ção Invertida: Novidade, agouro, nova instrução, novas
relações.

Três dos copos
Sentido: celebração de qualquer assunto em abundância, por fection e alegria, prazer
questão, vitória, atendimento, conforto, cura. Invertida: Expedition, expedição, realizar-
mento, fim.

Dois Dos Copos
A juventude e solteira penhor são um outro, e acima de suas caixas sobe os caduceus de
Hermes, entre as grandes asas de que parece existir uma cabeça de leão. É uma variante
de um sinal que é encontrada em alguns antigos exame-pios deste cartão. Alguns
curiosos significados estão ligados a ele, mas não nos diz respeito a este lugar.
Adivinhatória significados: amor, paixão, amizade, união, afinidade, concórdia, simpatia, a
inter-relação entre os sexos, e, como uma sugestão para além de ali-officcs de
adivinhação que a natureza é santificado. Invertida: Falso amor, loucura, mal-entendido.

Ace of CUPS
As águas estão abaixo, sobre a qual são água lírios. A mão questões a partir da nuvem, a
sua participação na palma da taça, a partir dos quais quatro são córregos vazamento.
Uma pomba, tendo na sua lei uma cruzada marcado anfitrião, desce até o local bolacha
no copo, o orvalho da água está caindo sobre ali lados. É um intimation.of o que pode
estar por trás do Menor Arcanos. Adivinhatória Sentidos: Verdadeiro coração, alegria, o
conteúdo, a habitação, alimentação, abundância, fertilidade, santa mesa, ora felicidade.
Invertida: Falso coração, mutação, instabilidade, revolução.


ESPADAS

REI de espadas
Ele se senta no acórdão-mento, mantendo a unsheathed sinal de seu terno. Adivinhatória
Sentidos: tudo decorre da ideia de lhe judgmcnt e ali suas conexões-powcr, comando,
autoridade, militante inteligência, direito, serviço da coroa, e assim por diante. Invertida:
Cruclty, perversidade, barbaridade, falsidade, mal intenção

Rainha de espadas
                                                                                          191
Arma, tristeza. Sentido: viuvez, feminino tristeza e constrangimento, ausência,
esterilidade, luto, privação, separação. Invertida: Malice, intolerância, artifício, afetação de
virtude, engano.

Cavaleiro de Espadas Dispersando seus inimigos. Sentido: Perícia, coragem, capacidade,
de defesa, o endereço, inimizade, ira, guerra, destruição, oposição, resistência, ruína.
Invertida: imprudência, incapacidade, extravagância.

Pajem de espadas
Ágil e ativo, andar rápido. Sentido: Autoridade, serviços secretos, vigilância, espionagem,
exame, as qualidades e seu pertencimento.

Dez de Espadas
Sentido: o que há intimida pela concepção, também dor, aflição, ágrimas, tristeza,
desolação. Invertida: poder e autoridade.

Nove de espadas
Lamentações Sentido: Morte, fracasso, aborto, atraso, decepção, decepção, desespero.
Invertida: Prisão, dúvida, suspeita, razão incapaz, medo, vergonha.

Oito de espadas
Más notícias, violentos desgosto, crise, censura, poder em empecilho, conflito, a calúnia,
também doença. Invertida: inquietação, dificuldade, a oposição, acidente, traição, o
imprevisto, fatalidade.

Sete de Espadas
Design, tentativa, desejo, esperança, confiança, também si. Um plano que pode falhar,
incomodo. Invertida: Bom conselho, advogado, instrução, calúnia, balbucio.

Seis de Espadas
Caminhada pela água, rota, caminho, emissário, comissionary, expediente.

Cinco de espadas
Desdenhoso recuar e abatido. mestre na posse do campo. Sentido: Degradação,
destruição, inversão, infâmia, desonra, perda. Invertida: O mesmo enterramento exéquias.

Quatro de Espadas
Sentido: Vigilância, retiro, solidão, ermitão do repouso, exílio, túmulo e caixão. Invertida:
administração, a economia, a avareza, a precaução, testamento.

Três de Espadas Sentido: Remoção, ausência, atrasos, divisão, ruptura, dispersão,
Invertida: alienação mental, erro, perda, distração, desordem, confusão.

Dois de espadas Sentido: coragem, amizade, carinho, concórdia. Revertida: impostura,
falsidade, duplicidade, deslealdade. Ás de Espadas Sentido: Triunfo, o grau excessivo de
tudo, conquista, triunfo da força, grande força no amor. Inverteu: o mesmo significado,
mas os resultados são desastres, concepção, parto, acréscimo, multiplicidade.


OUROS

Rei dos pentáculos
                                                                                             192
Coragem, significados: Valor, percebendo inteligência, empresarial e intelectual normal
lectual aptidão, por vezes, as doações e matemática realizações deste tipo: sucesso
nestes caminhos. Invertida: Vice, fraqueza, feiúra, perversidade, corrupção perigo.

Rainha dos pentáculos
Grandeza de alma. inteligência, opulência, a generosidade, a segurança, a magnificência,
liberdade. Invertida: medo, suspeita, suspense, desconfiança.

Cavaleiro dos pentáculos
Utilidade, retidão, responsabilidade. Invertida: Inércia, ociosidade, descanso desse tipo, a
estagnação, placidez, desencorajarmento.

Pajem dos pentáculos
Sentido: Aplicação, bolsa estudo, reflexão. notícias, mensagens e regra, management.
Reversed: Prodigalidade, dissipação, liberdade, luxo, notícias desfavoráveis.

Dez de pentáculos
Sentido: Ganho, riquezas, , arquivos, extração, a residência de uma família. Invertida:
Chance, morte, perda, roubo, jogos de perigo; por vezes dom, dote, pensão.

Nove dos pentáculos
Sentido: Prudência, segurança, sucesso, realização, certezas, discernimento. Invertida:
tratante, engano, nulos projeto, má-fé.

Oito dos pentáculos
Sentido: Trabalho, emprego, comissão, artesanato, habilidade no artesanato e das
empresas. Invertida: anulado ambição, vaidade, avareza, extorsão, usura.

Sete dos pentáculos
Sentido: as empresas, escambo, altercação, brigar, inocência, ingenudade, purgação.
Invertida: Ansiedade sobre dinheiro.

Seis dos pentáculos
Comerciante pesa dinheiro e distribui-lo para os necessitados e angustiados Sentido:
Presentes, brindes, gratificação. atenção, vigilância, agora é a vez aceite, presentes
prosperidade etc. Revertida: Desire, avareza, inveja, jealousy, ilusão

Cinco dos pentáculos
Sentido: anuncia problemas materiais miséria. Desordem, caos, ruína, discórdia,
libertinagem.

Quatro dos pentáculos
Sentido: A garantia dos bens, clivando ao que tem um, doações, legados, herança.
Invertida: Suspense, atraso, de oposição.

Três dos pentáculos
Sentido: comércio, trabalhadores qualificados. mediocridade no trabalho puerilidade,
pettiness, fraqueza.
Dois de pentáculos
Sentido: obstáculos, agitação, confusão, embaraçamento. Invertida: Forçados alegria,
simulada gozo, sentido literal, composição, letras de câmbio.

                                                                                         193
Ás de pentáculos Sentido: Perfect contentamento, felicidade, o ecstasy, também rápida
inteligência, de ouro. Invertida: O lado perverso da riqueza, a má inteligência. Também
uma grande riqueza.


LEITURA DA CRUZ CELTA
O procedimento é o seguinte: Selecione a carta-significador da pessoa ou coisa sobre
quem ou o que é o inquérito. Coloque-a no meio. Deixe o leitor cortar o restante do
baralho três vezes cada.

Primeira carta - a pessoa ou coisa do ambiente geral
Segunda carta - representa o seu obstáculos
Terceira carta - o melhor que ele pode chegar
Quarta carta - trata-se do seu próprio eu que ele tem de trabalhar
Quinta carta - o passado do assunto.
Sexta carta - ação que irá operar no assunto específico.
Sétima carta - sua atitude e relação ao assunto.
Oitava Carta - sua casa, seu ambiente, a influência, pessoas e eventos sobre ele.
Nona carta - suas esperanças ou medos. Décima carta - representa o que virá.




                                         8
TARÔ DE MARSELHA
                                                                                    194
ARCANOS MAIORES


I N T R O D U Ç Ã O

        O TAROT é um conjunto composto por 78 cartas, que são subdivididas em:
"ARCANOS MENORES: englobam 4 naipes(bastões, taças, espadas e moedas), com
numeração de 1 a 10, e mais 4 figuras(pajem, cavaleiro, rainha e rei), foram estas cartas
que deram originem as nossas atuais utilizadas para jogos, no Tarot, emprega-se para
uso advinhatorio, servindo para uma confirmação dos Arcanos Maiores. ARCANOS
MAIORES: trata-se de uma seqüência numerologica, representada pôr 22 figuras, que
descrevem situações, pessoas, acontecimentos, que ocorrem de maneira Universal, em
várias fases da vida."
        Os ARCANOS MAIORES, também denominados de TRUNFOS ou ARQUÉTIPOS
, são considerados como um livro de conhecimentos, não escrito, valendo-se de imagens,
posição das figuras, cores, roupas e principalmente simbologia, torna-se necessário, o
conhecimento destes componentes para o desenvolvimento dos estudos.
        Com o estudo e prática de identificação associativa dos Trunfos Maiores,
podemos nos beneficiar, adaptando seu sentido oculto figurado, em nosso proveito
pessoal, visando atingir o nosso EQUILÍBRIO ENERGÉTICO e MENTAL, ajudando o
nosso desenvolvimento e ainda a conquista de nossas aspirações pessoais.
        Os ARCANOS MAIORES, são numerados pôr algarismos romanos de I a XXI,
com exceção do ARCANO - O LOUCO, que é a única figura sem número, sendo atribuído
o valor ZERO ou 22, e todas as figuras possuem um título sendo a única exceção o
ARCANO de número 13.
        A origem do TAROT é desconhecida, podemos comprovar sua existência há pelo
menos 600 anos, quando seu uso era comum na Idade Média, famílias nobres
encomendavam a artistas a confecção destas figuras que eram pintadas em pequenas
tábuas, ainda existem até hoje diversos destes Tarot conservados em museus europeus.
        Existem diversos tipos de Tarot, egípcio, mitológico, boêmios, e ainda os criados
por estudiosos do assunto, bem como os comemorativos que se inspiram em alegorias e
acontecimentos. O que menos mudou conservando sua simbologia original é o TAROT
DE MARSELHA.
        Em época mais recente, um cientista psicólogo, de origem suíça, CARL GUSTAV
JUNG, dedicou-se a um profundo estudo da simbologia do TAROT, e concluiu que estes
símbolos, seriam o que ele denominou de INCONSCIENTE COLETIVO, que
representamos medos, vontades, emoções e toda gama de outros sentimentos que são
inerentes aos seres humanos.
        Neste estudo indicaremos algumas técnicas de uso PRÁTICO DE UTILIZAÇÃO
DOS ARCANOS MAIORES, maneiras e formas, que podemos usar para nos
beneficiarmos destes conhecimentos.

COMPOSIÇÃO DO CURSO

        Exposição dos ARCANOS MAIORES, procurando explicar de maneira mais clara
e objetiva o significado dos mesmos, entretanto quanto maior for o estudo e o contacto
com estas cartas, mais elas serão enriquecidas com novos valores, visto que as mesmas
não são somente representativas de situações estáveis, estão sempre em constante
movimento, adaptando-se ao dia a dia, ao surgimento de novos fatos e emoções, sendo
esta a grande peculiaridade que torna o estudo do Tarot, dinâmico e atual.
        Após esta exposição serão apresentados alguns exemplos de como utilizar as
figuras de forma associativa, nos seguintes seguimentos:ASSOCIAÇÃO À

                                                                                      195
PERSONALIDADES HUMANAS; ASSOCIAÇÃO À SITUAÇÕES; ASSOCIAÇÃO
MEDITATIVA.
       E, finalmente entraremos no estudo do EQUILÍBRIO ENERGÉTICO, uma das
mais Importantes finalidades deste estudo, e ,ainda o CONSELHO INDIVIDUAL QUE
CADA ARCANO TRANSMITE.
       Trata-se do princípio Universal da dualidade de todas as coisas, dos dois
extremos em oposição, sendo o equilíbrio encontrado no meio dos dois.


CURSO ARCANOS MAIORES DO TAROT


ARCANO - "O L O U C O "

         Esta Figura, se não for a mais importante dos Arcanos é sem dúvida a mais
controvertida, a começar pela sua não determinação numérica, ou ZERO ou VINTE E
DOIS, anda livremente pôr todas as outras figuras(situações) surgindo inesperadamente e
alterando todos os conceitos estabelecidos.
         Representa o INÍCIO DE MOVIMENTAÇÃO, PORÉM DE FORMA
DESORDENADA.
         Toda evolução presume sempre um início de movimento, de ação, mesmo que
esta movimentação por falta de bases lógicas venha a acarretar grandes erros, são as
experiências que são impelidas a aceitar, adquirimos destas experiências avaliações para
atingir novos objetivos com perfeição.
         Analisando a vestimenta do LOUCO, observamos a mistura desordenada de
várias cores, as roupas estão rasgadas, demonstrando a sua total despreocupação por
valores normais, a figura caminha para frente, olhado para o lado, simbolizando o
interesse pôr novas paisagens (experiências), apoia-se num cajado, como que buscando
apoio em algo não muito confiável em sua caminhada, a figura do cão que parece querer
alerta-lo para um perigo eminente a frente, que ele não entende ou não dá atenção.
         Este Arcano representa a nossa necessidade de fantasia, o impulso que temos de
sair da rotina, são as nossas resoluções de forma impensada, nossa obsessão de desejar
algo repentinamente, são as nossas divagações, nossa necessidade interior de sonhar,
nossa visão particular que querer reformar o mundo acrescentando os valores, dogmas
morais de acordo com o que pensamos.
         Ë um personagem fantasioso, que não têm discernimento, entretanto pela sua
intensa movimentação, que lhe soma as novas experiências, até para sobreviver no
futuro, terá que apreender mesmo que de forma penosa enquadrar-se dentro dos padrões
estabelecidos, mesmo que de forma aparente.
         Podemos atribuir palavras chaves de associação a este Trunfo: quebra de rotina,
irresponsabilidade, irreflexão, exibicionismo, tendência para iniciar algo sem base
concreta,
ingenuidade, amoralidade, caráter aventureiro de forma temerária, tende a solucionar
complexos problemas utilizando formas simplistas, deslocamentos sem destino, falta de
objetividade.
         Dentro do simbolismo deste Arcano, já podemos de imediato identificar e entender
atitudes e ações que motivam muitas pessoas de nosso relacionamento.


ARCANO I - O M A G O

       Vem representado pôr um jovem com diversos apetrechos em cima de uma mesa,
                                                                                      196
segurando uma pequena vara, olha para a frente e indica que está iniciando um trabalho
para algum tipo de platéia, veste-se de maneira, sóbria com as cores equilibradas, um
importante símbolo Seu é o chapéu em forma de leminiscata (8 deitado) que é o símbolo
matemático do infinito, que indica sua ligação do mundo físico com o espiritual.
         Sua finalidade é evoluir e estabelecer uma identidade própria, usando sua grande
criatividade e capacidade de ação.
         Deseja atingir seus objetivos pessoais, age pôr diversas vezes de forma
egocêntrica, utiliza todos os seus conhecimentos , age politicamente, adapta-se a
realidade social criando uma personalidade em que demonstra uma imagem capaz de
agradas e influenciar a todos criando uma forte empatia.
         Também é chamado de O EMBUSTEIRO, ou O ILUSIONISTA, isto porque
preparam de maneira consciente os seus objetivos como num espetáculo, visa atingir os
seus objetivos pessoais e quando os resultados não são satisfatórios procura analisa-los
para não cometer os mesmo erros, no exercício de seus objetivos age como um
profissional determinado e competente.
         Possui uma personalidade em constante evolução, entretanto as alterações
pessoais, são sempre baseada no aprendizado de suas experiências, isto vem indicado
pelo simbolismo de uma tulipa ainda fechada, que podemos observar entre suas pernas,
indicando ter pleno conhecimento de que sua personalidade ainda não desabrochou,
entende que para crescer de forma harmoniosa terá que estar em plena harmonia com os
quatro elementos, fogo, terra, água e ar que também vêm representados pelos objetos em
cima de sua mesa.
         Podemos associar esta Figura com algumas palavras chaves: comerciante sagaz,
negociador, político, dissimulado, extrovertido, dominador sutil, grande força de vontade,
determinação, astúcia, autoconfiança, grande capacidade de influenciar pessoas, gosta
de ser o centro das atenções mas dissimuladamente usando de falsa modéstia


ARCANO II - A P A P I S A

        Este TRUNFO também pode ser denominado de A SACERDOTISA ou a
GRANDE SACERDOTISA.
        Este Arcano vem representado pôr uma mulher de idade média, sentada em um
trono pesado e solidamente assentado, sugerindo grande domínio de vida, suas roupas
são sóbrias, predominando o azul que cobre a cor vermelha, indicando o sue completo
domínio sobre as paixões. Segura no colo um livro aberto significando a sabedoria
adquirida através de estudos e experiências, e que ela se dispõem a ensinar, sua cabeça
coroada enfatiza ainda mais o seu conhecimento colocando-a acima das questões
comuns.
        É altamente evoluída, entretanto suas emoções são frias, usa de serenidade para
obter julgamentos corretos, ao passar seus conhecimentos visa que as determinações
sejam sempre tomadas de maneira objetiva, é excessivamente prática, prefere a
segurança ao risco de lançar-se em algo que não conhece ou não domina.
        É um ser, frio, porém amistoso e acolhedor, mas não é afetiva, é uma excelente
conselheira, procura sempre transmitir que A REALIDADE É DURA E IMPLACÁVEL
COM AQUELES QUE NÃO A ENCAREM DE FRENTE.
        Simboliza que para adquirimos conhecimento sobre os elementos é preciso
desvendar e interpretar.
        É a figura ARQUÉTIPICA do princípio feminino, da companheira, da mãe e da
mulher sábia, muito próxima da perfeição, a intuição feminina muito mais desenvolvida
que a masculina, aparece em toda sua plenitude com a PAPISA que é toda intuição.
        Associamos A PAPISA, sabedoria, julgamento exato, compreensão, serenidade,
                                                                                       197
ausência de sentimentos conflitantes, praticidade, e principalmente a uma pessoa a quem
sabemos poder recorrer para aconselhamento.
    As realizações alcançadas pôr este Trunfo, são sempre duradouras, porém devido ao
seu caráter precavido, quando os objetivos são alcançados existe uma tendência a
acomodação visando preservar-se o obtido.
        A simbologia indica que representa ações não muito dinâmicas, e sim ações que
se desenrolam de maneira ordenada e pausada de forma coerente e bem direcionada.
        Sabedoria, praticidade, domínio emocional, serenidade e compreensão são
qualificativos que podemos associar ã este Arcano.
        Também indica ações que se desenrolam de maneira ordenada e pausada, de
forma coerente e bem direcionada.


ARCANO III - A I M P E R A T R I Z

         A figura representativa é bastante parecida com a anterior, principalmente nas
vestes com predomínio de vermelho cobrindo o azul, entretanto a coroa é diferente,
possuem uma tonalidade vermelha indicando que existe o conhecimento das paixões
humanas porém ainda não o seu total domínio.
         Sua simbologia é bastante elucidativa, o autodomínio vêm indicado pelo escudo,
reforçado pelo emblema da águia, que representa sua autoridade, o cetro sustentado na
mão esquerda com bastante leveza, sem esforço, encimado por um globo terrestre com
uma cruz, sugere o domínio sobre as coisas materiais e terrenas, que são apoiadas pela
espiritualidade que deve dominar a matéria.
         Representa o elemento feminino em toda a sua grandeza, influencia nos
sentimentos pessoais, a atividade feminina, a fertilidade muitas vezes representada pelos
plantios e colheitas, em alguns Tarots, vem indicada como a DEUSA DA NATUREZA.
         Atribui-se A IMPERATRIZ, palavras como, desenvolvimento, frutificação,
fertilidade, interesse pôr assuntos do lar, influências femininas, prosperidade material,
evolução, artifícios femininos, liderança sensata, prática e intuitiva.
         São as forças fecundas da matéria colocadas as disposições da humanidade para
as suas criações.
         Está também implícita neste Trunfo a experiência como maternidade, descoberta
do corpo, criatividade, gestação de idéias, transmite a sensação de proteção e segurança,
mas está ainda muito ligada a coisa terrena.
         Como figura humana poderíamos associar a uma mulher bem sucedida em todos
os terrenos, profissionais ou no lar, a IMPERATRIZ age muito racionalmente, emoção
controlada e quando necessário impõem sua vontade até de forma ditatorial.


ARCANO IIII - O I M P E R A D O R

        Ë a representação do princípio ativo masculino, a autoridade para ordenar
pensamentos e energias, realismo e praticidade.
        Sua representação pôr um homem de meia idade, posicionado de maneira
relaxada, seu olhar dirigi-se a vastidão do infinito, o cetro representa seu poder e esta
encimado pôr um TULIPA aberta.
        Está completamente seguro dos seus domínios, mas apesar da tranqüilidade,
indica por sua determinação que se necessário a ação virá, de qualquer forma, usando de
todos os seus conhecimentos e atributos de um guerreiro que já lutou e venceu inúmeras
batalhas para consolidar suas posições.
        O próprio número 4 indica esta situação de controle, as quatro direções da
                                                                                      198
bússola, as quatro qualidades dos antigos (quente, seco, úmido e frio) os quatro
humores(sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico), os quatro elementos(água. fogo,
terra e ar), os quatro Ingredientes alquímicos(sal, enxofre, mercúrio e azoto) as quatro
figuras geométricas básicas(círculo, reta, quadrado e triângulo) e principalmente as quatro
virtudes cardeais(justiça, prudência, temperança e fortaleza).
        Lembra a figura da paternidade, código de ética, reconhecimento de autoridade,
liderança, esposo, experiência de vida, auto-suficiência, poder material, riqueza,
liderança, está arraigado em sues princípios quando sua autoridade é desafiada torna-se
rígido e inflexível.
        Costumamos associar este Trunfo a alguém de alta posição em que
reconhecemos o dinamismo, capacidade, autoridade, pessoa de confiança, um
orientador.
        Representa as energias materiais que necessitamos para ordenamento de nossas
criações e fantasias para uma realidade mais segura.
        Este Trunfo passa o seguinte conselho: VENHA A MIM QUE EU ESTOU
PRONTO DENTRO DOS MEUS PRINCÍPIOS PARA AJUDAR E ACONSELHAR, PORÉM
FORA DO MEU CÓDIGO DE ÉTICA INDIVIDUAL EU NÃO TRANSIJO.


ARCANO V - O P A P A

         Podemos denominar este Arcano também como O HIEROFANTE, ou SUMO
SACERDOTE, representa a necessidade do ser humano nas questões religiosas ou
espirituais, a Força Transmissora dos Princípios ou ainda a Face Visível de Deus. A
figura é representada por um ancião, sentado em um trono de duas colunas simbolizando
o perfeito equilíbrio entre o bem e o mal, sua cabeça está coroada com uma coroa com
alegorias em verde, vermelho e amarelo, indicando a superação dos três estágios, físico,
mental e espiritual, a cruz tripla que segura na mão esquerda, torna a enfatizar o
simbolismo da coroa, predomina o amarelo indicando sabedoria, e a mão direita faz o
gesto universal do exorcismo.
         As figuras a a frente, ajoelhadas em sinal de reverência buscam o
aconselhamento e uma mão estendida demonstra caridade.
         A figura de um homem idoso afirma que já adquiriu em suas experiências toda
espiritualidade necessária que a transmite quando solicitado.
         Representa a obrigação da humanidade de estudar, compreender e submeter-se
aos ensinamentos e leis divinas.
         Diversas palavras podem associar-se a este Trunfo: bondade, benevolência,
ritualismo, compaixão, representa um conselheiro lógico, fundamenta sua decisões em
dogmas espirituais isento de sentimentalismo, mente investigativa, poder moral.
         Associamos esta figura a uma pessoa rigidamente estabelecida em sólidas bases
morais e religiosas, podendo nos aconselhar neste terreno, mas, entretanto é muito pouco
propício a novas idéias e modernismo, é um conservador arraigado em suas convicções
muito refratário a mudanças abruptas, o que torna difícil a adaptação a novas situações
em que mudanças são necessárias e as vezes forçadas.
         Existe o perigo de fanatismo, em virtude de sua crença inabalável, o moralismo
ético sempre dentro dos seus princípios que procura pregar e adaptar de maneira rígida
aos acontecimentos diários, podemos associa-lo a líderes religiosos, pregadores ou ainda
seguidores políticos de alguma doutrina, os conhecimentos que prega de forma tão
veemente não raras vezes o conduzem ao sectarismo e fanatismo.


ARCANO VI - O S A M A N T E S.

                                                                                        199
Também denominado de O ENAMORADO, sugere a necessidade de analisarmos
uma opção colocada diante de nós. A necessidade de uma escolha, decisão, que
necessita avaliada para ter sucesso.
         O jovem personagem está colocado diante de uma mulher coroada,
representando estabilidade parta os assuntos mundanos e do outro lado uma mulher mais
jovem prometendo os sonhos e belezas das paixões.
         Acima a figura de Cupido, interferindo na decisão, optando pelo lado não muito
estável, sugere que tanto a beleza quantos os prazeres são passageiros, nota-se que
está completamente dividido sem saber a decisão a tomar.
         Esta figura não está somente associada a questões sentimentais, sugere muito
mais, seriam também as decisões de vida ou diárias que temos de tomar, a escolha de
um caminho, uma mudança qualquer, e ainda uma mudança em que nos achamos
acomodados para outra situação que de certa forma vamos nos aventurar para tentar
uma melhoria.
         Identifica-se com o Livre Arbítrio, qualidade inerente ao ser humano de alterar sua
vida, situação ou destino através de escolhas e decisões pessoais.
         Via de regra associa atitudes humanas por palavra para melhor entender os
Arcanos, neste caso recorremos a símbolos para melhor esclarecimento, o número 6 é
representado por dois triângulos um em baixo e outro acima, iguais e em perfeito
equilíbrio, indica o equilíbrio da ação e reação rigorosamente balanceadas, a harmonia
entre o bem e o mal, a advertência para a análise implica que as decisões das escolhas
pessoais não serem decididas apenas pelos impulsos.
         Trata-se de um teste a que constantemente somos submetidos, a escolha será
avaliada em função do tempo se certa ou errada.
         Também nos transmite associações como, beleza, perfeição, amor, harmonia,
provações superadas, confiança, possibilidade de um novo começo, desejo
ardente,assunto de conseqüência marcante, etc.
         Observamos o predomínio de três cores, azul equilíbrio, amarelo sabedoria,
vermelho paixão, a estrela que envolve O Cupido é composta por estas três cores bem
como a roupa do personagem principal, a das mulheres envolve apenas equilíbrio e
paixão.


ARCANO VII - O C A R R O.

        Figura dotada de extremo simbolismo, define a procura para encontrar seu lugar
individual dentro de um contexto social ampliado, nesta tentativa começa a descobrir seus
potenciais e limitações.
        Um jovem colocado no comando de uma Carruagem, entretanto não existem as
rédeas para o controle absoluto, decidi através de sua auto-confiança e com o poder de
decisão do conhecimento das causas e efeitos, as máscaras nos ombros simbolizam os
opostos, o dardo na mão direita a agressividade, os cavalos azul e vermelho a paixão e o
conhecimento, os animais não olham fixos em uma direção indicando que não estão
totalmente dominados, associasse a Impetuosidade da Juventude, que ao começar a
adquirir conhecimento dos fatos julga-se pre'-destinada a modificar o Mundo.
        Estes instintos agressivos precisam ser dirigidos de forma consciente os
sentimentos de amor e ódio representados pelos cavalos, expressam a dualidade do ser
humano que não deve ser reprimida e sim usada de maneira controlada.
        A figura Jovem temerária quer alcançar seus objetivos de qualquer modo, é um
competidor, têm o desejo de vitória a qualquer preço, os instintos violentos e turbulentos,
os conflitos internos e externos, e principalmente o questionamento das situações e
                                                                                         200
ordens pré-estabelecidas.
       Trata-se de um início de um novo ciclo, de transformações, a luta pela auto-
afirmação, a procura de um amplo espaço no contexto social.
       Na tentativa de atingir objetivos pessoais, exercendo seus poderes e paixões, a
concretização dos objetivos dependerá sempre do controle das forças opostas de forma
harmoniosa.
       O veiculo, O CARRO, foi feito para ser usado em terreno firme simbolizado pelas
rodas para conduzir através do caminho terreno o ser humano, é uma Figura em
constante movimento, super atividade, expressa as influências conflitantes, agitação,
sucesso, vingança, viagens, precipitação, imprudência.
       Pelos adjetivos acima podemos concluir de forma associativa, o esforço humano
usando de todo seu potencial para consolidar sua posição social.


ARCANO VIII - A J U S T I Ç A

         Esta figura, assim como todas as outras do Tarot, seguem uma ordem rígida de
colocação, entretanto esta Figura vem posicionada de uma maneira bastante elucidativa,
segue a figura do Carro, de intensa agitação, dúvidas e mobilidade, aqui vemos uma
Mulher de olhar firme e determinado, entronizada demonstrando toda sua autoridade,
situa-se entre os pilares do equilíbrio, a espada sugere ações punitivas baseadas em
decisões conscientes e não emotivas, baseadas em equilíbrio racional e perfeito
conforme simbologia dos pratos da balança.
         Os olhos estão bem abertos para nos demonstrar que percebe e analisa os fatos
de maneira imparcial.
         Representam a capacidade de julgamentos equilibrados, nos relacionamentos,
nossas análises frias e claras rigidamente analisadas dos atos que praticamos ou iremos
praticar.
         Expressam as necessidades de pensamentos equilibrados, tomadas de decisões
imparciais, lógica, justiça, virtude, honra, etc.
         É o conhecimento humano com capacidade de discernimento equilibrado de atos
ou decisões,com todas as suas conseqüências, felizes ou infelizes.
         O fato de a figura ser apresentada de frente indica uma ação direta,
confortavelmente assentada em bases sólidas, demonstrando um pensamento claro e
equilibrado quanto a necessidade de ordenação e disciplina.
         Aqui a ação não é nem rápida nem dinâmica, a ação vem determinada após
conceitos cuidadosamente analisados de forma super racional.
         Também é uma reavaliação, a lei de causas e efeitos, julgamento implacável,
significando o fim de ilusões, união, devido ao seu racionalismo, caminha para um ideal
de conduta humana de perfeição, de capacidade de julgamento dos atos individuais e
coletivos.
         Quando associamos esta Figura à algum tipo humano, mentalizamos uma pessoa
prática, analítica, lenta em tomada de decisões, que nunca respondem imediatamente,
não emotiva, não se arrisca nem se empolga com novos projetos a não ser depois de os
analisar de forma ponderada no equilíbrio dos pratos da balança, não aceita romantismos
preferindo as situações bem ordenadas evitando sonhos ou fantasias.


ARCANO IX - O E R E M I T A

        É a fase da compreensão humana, quando se entende o valor do tempo e das
limitações da vida, aceitação da própria condição, é a não valorização das fantasias
                                                                                       201
dando inicio a fase da maturidade.
         Este estágio é de evolução onde a sabedoria adquirida através das experiências
individuais, conduz às análises introspectivas, a solicitude, são as reflexões que
conduzem a paciência e prudência.
         Espelha a nossa necessidade individual de afastamento para uma análise das
situações, sempre que sentimos necessidade de meditação e privacidade.
         O Arcano vem representado por uma figura de um homem idoso, indica deter
grande sabedoria, coloca-se de perfil com a cabeça quase de frente, indica que está
orientado para a ação, porém com reflexão, apoia-se para caminhar em um cajado de
madeira, isto porque já não têm o mesmo vigor para caminhar rapidamente, esta é a
razão que procura trilhar o caminho em todos os assuntos de maneira segura.
         É a própria representação da Prudência, adquiriu sabedoria através de vivência, a
lanterna que segura na mão reforça a sabedoria que ilumina seu caminho, entretanto
procura ocultar de certa forma a luz que emana, tenta proteger os conhecimentos que no
seu entende devem ser passados a quem os busca e os merece, pode-se facilmente
identificar êste personagem ã um Mestre Espiritual.
         Apesar do seu imenso conhecimento adquirido, também nos adverte contra a
estagnação, o sedentarismo, pois esta figura tem imensa dificuldade em se comunicar, e,
questiona a praticidade da sabedoria adquirida.
         Alguns adjetivos associativos: informação, conhecimento, prudência, discrição,
circunspeção, retraimento, deserção, ausência de expressão, falta de praticidade, etc.
         É a busca da verdade, com calma e paciência, através da lógica e do
conhecimento, que são transmitidos com prudência.
         É uma pessoa que neste estágio de sua vivência acredita que com base em sua
sabedoria, já não tem mais nada a conquistar, prefere a manutenção da situação
preservando que possui.
         As experiências passadas o tornam comedido, e, até pela própria idade, não
projeta em função do futuro, lida com os fatos presentes quando se apresentam que os
domina com bastante eficiência.


ARCANO X - A R O D A D A F O R T U N A

         "TUDO VAI, TUDO VOLTA; ETERNAMENTE GIRA A RODA DO SER...
TORTUOSO É O CAMINHO DA ETERNIDADE.(NIETSCHE)
         Trata-se da alegoria do Reino do Equilíbrio, vêm representado por um círculo
dividido em seis raios que indicam as oposições, nesta circunferência giram dois animais
representando os acontecimentos da vida, que nos são impostos, tanto os bons quanto os
maus, em cima do círculo encontramos uma Esfinge, propondo a decifração do grande
enigma da vida, pela sua postura e a espada na mão, sendo também uma figura alada,
representa a inutilidade de divagar em pensamentos visando a previsão do destino, são
os fatos que movimentam a vida que vão gerar os acontecimentos vindouros
independente de nossa vontade.
         A Roda indica que o destino é mutável, alterna-se de maneira muito rápida a cada
instante, de acordo com o seu Giro, seria uma insensatez a previsão correta do futuro,
visto que alteraria através deste conhecimento, o livre arbítrio e também as motivações
pessoais, alterando conceitos e relacionamentos que precisam ser experimentados para a
própria evolução.
         O título A RODA DA FORTUNA já é por si próprio bastante elucidativo, podemos
definir o termo FORTUNA como sorte (acontecimento) boa ou má, A RODA, simbolizando
um movimento rápido, indicando a constante alteração dos fatos.
         Podemos associar a simbologia como: destino, fortuna, resultado, inevitabilidade,
                                                                                       202
acontecimentos inesperados, mudanças de situações tanto para melhor quanto para pior.
        Envolve um novo ciclo, evolução ou involução forçada, indica que devemos nos
preparar dentro de nossas experiências e vivência para a aceitação dos fatos.
        Mas a grande mensagem deste Arcano é que os acontecimentos futuros são um
mistério impenetrável, até por serem aleatórios, são as experiências passadas, que
atuam no presente, que precisamos analisar para melhor conseguir uma Orientação para
o Futuro.


ARCANO XI - A F Ô R Ç A

         A representação é feita por uma jovem mulher, vestida com as cores em total
equilíbrio, traz na cabeça um chapéu bastante semelhante ao do MAGO, vem para
demonstrar a supremacia da força espiritual sobre as forças materiais.
         O Leão que representa a força bruta, a força material está totalmente subjugado
pela dominação calma e serena da Mulher, ela não usa de força física para esta
dominação e sim de força moral, é sua força moral e interior, seu autodomínio que a
capacita para esta tarefa.
         O Leão simboliza a agressividade, os sentimentos internos mais brutos que
precisam ser subjugados de maneira racional e coerente.
         A figura indica a contestação dos instintos primitivos, mantendo a vitalidade e a
criatividade, o domínio das emoções e não a destruição das emoções internas e sim uma
maneira de canaliza-las de modo construtivo.
         Podemos identificar como: força, coragem, energia, determinação resistência,
ação construtiva, combatividade, etc.
         O Trunfo nos orienta para que as meta a serem alcançadas são frutos da vontade
e da energia que nela depositamos, usando da autodisciplina, superando os instintos
emocionais, lidando equilibradamente com sentimentos conflitantes, para o controle das
situações.
         A figura feminina, representativa das emoções, está nesta figura representando o
contexto geral de todos os sentimentos, eles fluem de forma livre porque estão totalmente
dominados e controlados.
         Ë a figura humana que associamos devido a sua grande personalidade, como um
mediador entre problemas conflitantes, capazes de impôr sua vontade impondo
racionalidade aos conflitos.


ARCANO XII - O E N F O R C A D O

    Este Arcano está representado pela figura central de um jovem dependurado de
cabeça para baixo entre duas vigas, mas mesmo nesta posição incômoda os olhos estão
abertos indicando que está consciente do que o rodeia.
        Indica uma situação de reflexão, uma parada, um sacrifício voluntário, é um
estágio de reavaliação de valores e condutas, existindo uma confusão mental.
    As vigas indicam a dualidade dos fatos, é ma reavaliação considerando o quanto são
ou não importantes os nossos valores.
    A cabeça está colocada como se estivesse abaixo do nível da terra, o que indica que
os pensamentos estão bloqueados, entretanto esta parada para reavaliação não poderá
durar indefinidamente, terá que ser encontrada uma maneira para sair desta situação, terá
que por-se de pé e tornar a caminhar no sentido evolutivo ou então terá que perecer.
    Associamos as nossas situações em que somos forçados a sacrificar algo, abandonar
alguma coisa que nos é cara, para poder gerar novos acontecimentos.
                                                                                       203
Estas situações que nos acontecem em determinados momentos, principalmente
quando não estamos preparados para lidar com os acontecimentos, e, então
instintivamente procuramos uma posição defensiva para ganhar tempo, através de uma
retirada (introspecção) para que possamos avaliar e entender o que ocorre, para
podermos lidar com o assunto da melhor maneira possível ao nosso alcance, esta
situação que nos está sendo imposta e que a teremos que resolver de maneira individual,
não existe ajuda externa esta ajuda terá que advir de nós mesmos temos a necessidade
de encontrar a saída para este abandono voluntário evitando que se transforme em
depressão ou que nos seja fatal
     Podemos definir como: mudanças mentais na maneira de agir, pensar e viver,
transições, apatia, inércia, tédio sentimento de abandono, renuncias, arrependimentos,
submissão voluntária, depressão, etc.
     A existência da energia vital, que impulsiona a Roda do Movimento e que impele a
humanidade à sua evolução, fará com que esta situação seja avaliada, que estes
acontecimentos que e apresentam situações que todos estamos sujeitos, e, mesmo com
a mente racional embotada, a necessidade de progresso irá fazer uma avaliação de fatos
e experiências que proporcionarão a libertação desta inércia.


ARCANO XIII –

        Esta carta tem uma particularidade única, recebe somente o numero 13 e
nenhuma denominação, interessante notar que o outro Arcano o Louco, recebe título
porém não recebe número.
        Por ser representada por um esqueleto, existe a tendência de ser associada a
morte Física, o que leva muitos autores a denominar este trunfo como A MORTE.
        Este Trunfo é representado por um esqueleto com a foice indicando que esta
usando a ferramenta para corte, no solo vemos uma cabeça jovem e outra cabeça
coroada, ambas decepadas, indicando que as transformações ocorrem a todos
independente de idade ou posição, e ainda notamos vegetais em crescimento o que
indica que as transformações acarretam surgimento de novos valores.
        É óbvio que também representa a morte física, o falecimento e o renascimento
para uma nova encarnação, mas também engloba todas as transformações de modo
Universal.
        É um marco definitivo indicando a finalização de alguma coisa, são as mudanças
radicais criando novas situações, os finais são tão importantes quanto aos começos, que
devem ser sentidos e reconhecidos da mesma forma. Diversas correntes atribuem os
mais diferentes significados para os Espiritualistas a morte física é apenas uma transição,
a passagem desta para outra vida, para diversas ordens esotéricas a definem como a
Grande Iniciação, e mais genericamente a passagem da vida material para a espiritual,
em todas as correntes não deixa nunca de ser uma Transformação. O termino de um
fato, ou acontecimento, poderá acarretar uma nova oportunidade, uma nova vida ou uma
nova visão de valores, trata-se de uma finalização para o início de um novo estágio.
        Podemos associar diversas situações tais como: as que envolvem todos os tipos
de mudanças definitivas, de posições, de idéias, de relacionamentos, rompimentos de
relacionamentos, de acordos etc.
        Também nos passa a mensagem de nossa mortalidade, da necessidade de
entendermos que a Morte é apenas um acontecimento normal a todos os seres viventes,
e que os seres humanos precisam entender desta forma, porque pelo fato de ser
inevitável atingira em determinado momento a tudo e a todos .


                                                                                        204
ARCANO XIV - A T E M P E R A N Ç A

         A representação é feita por um anjo alado, situado no plano terrestre, a vegetação
em crescimento e a terra indicam a fertilidade.
         As vestes, em tonalidade azul e vermelho estão perfeitamente divididas
mostrando a perfeição do equilíbrio, e ainda os detalhes em amarelo o equilíbrio também
espiritual, os cabelos são azuis e no topo da cabeça uma flor vermelha reforça o domínio
dos pensamentos de forma harmoniosa.
         A figura tem em suas mãos dois jarros um vermelho e outro azul, e a figura passa
água de um para o outro. A água é o símbolo do fluido vital, e esta ação de mudança
representa a polaridade entre a água e a terra na união dos opostos dentro do próprio
indivíduo.
         Esta situação reflete o reino das emoções equilibradas, o sentimento, a escolha
refletida, a variação dos sentimentos em constante agitação tentando a harmonia com os
opostos,
mas com bastante clareza, a percepção dos fatos em busca de uma harmonia perfeita.
         Ë a segurança da harmonia, da moderação e do autocontrole, proporcionando
uma adaptação tranqüila nos relacionamentos. O equilíbrio futuro depende dos
acontecimentos passados para o presente, para equilíbrio futuro, também indicado pela
troca de água dos vasos.
         O ANJO DA TEMPERANÇA é um personagem crucial na seqüência do Tarot, os
induz a pensar nos opostos vermelho e azul que ele mistura, como símbolos do espírito e
da carne, os associando a uma essência espiritual pura representado pela água.
         Podemos definir este ARCANO, como: moderação, temperança, paciência,
conciliação, harmonia, compatibilidade, fusão, ajustamentos, grande habilidade no
manuseio dos assuntos diários, imagem familiar, sobriedade etc.
         Ë a indicação do mais perfeito equilíbrio, que pode ser conseguido com as
definições acima, para o alcance de uma harmonia perfeita alcançada durante nossa
vivência.


ARCANO XV - O D I A B O

        Para melhor entendimento do simbolismo desta figura torna-se necessário que
vários conceitos que nos foram transmitidos através de dogmas religiosos, precisam ser
desassociados, para que possamos fazer uma nova reavaliação para conseguir uma
interpretação mais exata.
        A figura central representando O Diabo, é totalmente inumana, e até mesmo
patética, nos é apresentado como um ser andrógino com seios femininos, e, orgão genital
masculino, divido pelo vermelho e azul, mãos e pés inumanos, segura com a mão
esquerda a espada em posição incorreta, sendo seu uso para ação bastante duvidoso.
        Esta colocado em cima de uma bigorna vermelha com terra acima indicando estar
solidamente arraigado as paixões terrenas.
        Desta bigorna estão preso por cordas duas figuras uma masculina e outra
feminina, com um barrete vermelho a cabeça, indicando os pensamentos voltados apenas
para os sentimentos terrenos considerados negativos, possuem caudas para reforçar que
se encontram em estado sentimental animalesco, entretanto a corda que os ata pelo
pescoço é frouxa, as figuras têm as mãos colocadas para trás sugerindo que se
desejassem poderiam simplesmente retirar o laço e sair desta situação.
        Na realidade o simbolismo sugere que trata-se de uma servidão aos nossos
instintos não desenvolvidos, são os nossos profundos temores ou encantamentos com
nossos valores individuais, são os nossos impulsos sexuais e o grau de valorização que
                                                                                        205
damos à eles, representa a nossa parte irracional a qual o nossa lado racional tende a
atribuir como válvula de escape todas as nossas culpas e faltas, é o âmago do nosso
inconsciente onde escondemos tudo que tememos, odiamos ou desprezamos em nós
mesmos, são os nossos instintos que inibem nossa compreensão, e, a repressão que
somos obrigados a nos impor por temermos poder gerar uma forca de grande e terrível
efeito, fora de nosso controle.
         Subordinação, rejeição, mas influências, dependências físicas, violência, valores
distorcidos, confusão, caos mental. Considerar esta figura como agente máximo da
personificação do mal, é uma maneira simplista, visto que a própria figura indica um
estado de não discernimento o que a torna manipulável tanto para o bem quanto para o
mal, confundindo os valores através de grande confusão mental, podemos dizer que não
é mal e sim amoral, é selvagem porque não tem evolução, e, não consegue discernir em
sua mente caótica os valores morais e éticos.


ARCANO XVI - A T O R R E

        Representa uma advertência, bastante clara e direta, vemos uma sólida
construção, uma torre, de construção sólida desmoronando, tendo acima uma coroa
amarela, e um emblema tipo Flor de Lys em tonalidade vermelho, amarelo, que também
estão em queda, indicando que a queda advém da não evolução espiritual, e também
pelas paixões desequilibradas que são colocadas em projetos. Dois seres são projetados
ao solo indicando que nada nem ninguém esta livre de uma queda, são antigos padrões
que caem por não terem base sólida e estarem construídos com estruturas em falsos
valores.
        As três janelas simbolizam a visão muito limitada de conhecimentos que não
permitem uma avaliação dos pensamentos e atos de formas coerentes.
        Podemos associa-la a mudanças de forma total e súbita, quebra de valores
estabelecidos, abandono de relacionamento e conceitos, destruição, colapso, fatalidade,
perda de segurança,
contratempo, fraude, falência física e moral, adversidades etc.
        É a queda das coisas construídas sem nenhuma consistência, que irão fatalmente
ocorrer quando os projetos de realizações são gerados através de impulsos cegos, pelo
orgulho e pela presunção.
        Nos aconselha a refletir com cautela contra nosso egoísmo, orgulho e ambições
desmedidas, indicando que a qualidade da argamassa para qualquer realização não pode
ter por base as qualidades nefastas que inevitavelmente com o passar do tempo as
tornarão fracas e vulneráveis.


ARCANO XVII - A E S T R E L A

        Chegamos agora ao ARCANO - A ESTRELA, vendo a trajetória seguida, estamos
diante de uma situação agradável e serena, como se a claridade, a esperança
iluminassem as trevas e acontecimentos sombrios representados pelas cartas anteriores.
        A representação e feita por uma linda jovem totalmente despida, com uma
expressão de bastante tranqüilidade.
        Esta derramando a água contida em dois jarros vermelhos, simbolizando que
derrama o seu fluido vital, através dos atos controlados, em um rio que significa o curso
da vida, o agente que leva a fertilização do terreno representado por árvores em
crescimento e em DESENVOLVIMENTO em um solo amarelado representando a
evolução do conhecimento, um pássaro negro está acima da árvore maior, indicando por
                                                                                        206
esta a cor a mistura de todas as outras, sugerindo como agente de polinização a
utilização de tudo para a fertilidade geral.
         As estrelas são representadas por cores e formas ordenadas, em três cores
indicando o perfeito equilíbrio e uso dos valores.
         Retrata o elemento feminino em todo o seu esplendor, irradiando toda a beleza da
criação, indica pela sua atitude um período em que a personagem está fértil e pronta para
receber a semente da vida. A figura feminina têm que estar associada a criatividade e a
fecundidade da natureza, é o elemento gerador de toda vida, a nudez da figura demonstra
a inocência e a transparência dos seus atos e sonhos.
         Transmite: esperança, fé, inspiração, otimismo, satisfação prazer, boas
perspectivas etc.
         É a capacidade do elemento feminino, de criar no momento projetando para o
futuro, em uso dos atributos como a paciência e a coragem na espera da gestação, que
espelha o grande fator equilibrante da natureza.


ARCANO XVIII - A L U A

         Notamos que uma das particularidades deste Trunfo é não estar representado por
nenhuma figura humana, a imagem nos mostra uma paisagem desolada, sobrenatural e
aterradora, que vemos através da luz refletida da lua.
         Atrás da Lua vemos os raios do Sol, a máscara indica a ocultação das realidades,
que não emitem a transparência dos fatos. Dois cães uivam e bloqueiam um caminho a
ser trilhado, simbolizando os instintos primitivos que bloqueiam a evolução.
         Ao fundo vemos duas torres que parecem guardar a porta de entrada para uma
outra paisagem, bem mais amena, que devemos alcançar após trilhar o caminho
nebuloso.
         O lagostim imerso no lago representa a tentativa de passagem de um mundo irreal
para o real. A Lua têm uma simbologia bastante própria, suas quatro fases, provocam
alterações de marés, determinam ciclos, só podemos vislumbrar uma de suas faces
sendo que a outra nos permanece oculta.
         Representa um tempo de mistério, assombro e terror, é a revelação dos sonhos e
de mistérios ocultos. Muito ligada a rituais de sortilégios na Antigüidade conhecida como
a DAMA DA NOITE, nos indica uma descida as profundezas, para que finalmente
possamos entender sem maiores dúvidas as revelações que buscamos.
         Impostura, penumbra, obscuridade, embuste, erro, advertência, rituais mágicos,
falsas pretensões, fantasias sentimentais, velhacaria são as sugestões indicadas por esta
figura.
         Simbolicamente nos aconselha a meditar sobre os fatos que nos são projetados
de maneira não muito clara, podemos enxergar apenas os contornos, o que devemos
fazer com extrema cautela visto que com a claridade dos fatos poderíamos ter uma visão
anteriormente
distorcida.


ARCANO XIX - O S O L

         A figura do Sol nos é apresentada de frente, com raios de todas as cores e com
uma fisionomia humana e serena, as gotículas que caem são exatamente inversas as
das gotículas da Lua, estão direcionadas de modo a proporcionar energia..
         Seguindo a seqüência lógica, vindo logo após a Lua, indica a emanação de uma
luz forte aclarando todas as trevas, trazendo tudo a claridade dos fatos. Duas crianças
                                                                                      207
representando a humanidade brincam despreocupadamente expondo seus corpos
praticamente nus, para receber toda a Luz necessária para a evolução da vida. Indica um
período de total clareza, de otimismo, renovação de confiança, permite uma visão através
da luz do conhecimento como realmente são, iluminadas por uma luz própria.
        Satisfação, realização, contentamento, sucesso, amor, alegria, sentimentos
nobres, amizades, relacionamentos sem subterfúgios etc.
        Como o Tarot, representa uma viagem através de fatos e acontecimentos,
representa um estágio quase final de desenvolvimento, em que já adquirimos uma luz
totalmente própria, em virtude de nossa vivência, experiências e estudos, nos capacitando
a atingir o final da jornada com sucesso.


ARCANO XX - O J U L G A M E N T O

        Nesta carta temos a representação da mesma feita por um Anjo tocando uma
trombeta de ouro no céu, trazendo uma bandeira com uma cruz de ouro, abaixo, três
figuras humanas, nuas, sendo que uma das quais se ergue do túmulo.
        É a dramatização do momento da ressurreição espiritual, a figura saindo do
túmulo se vê diante da fonte de iluminação.
        É a percepção total e consciente, o recém erguido do sepulcro esta sendo
saudado pelas outras figuras, a nudez simboliza a ausência de qualquer mácula, é o a
consolidação total do ser humano adquirindo toda sua plenitude, a trombeta indica
também o cumprimento da promessa de um novo renascimento. A denominação de O
JULGAMENTO foi dada a esta carta não no sentido de justiça, mas no sentido de
comparação e avaliação do ser humano. É um chamamento no momento certo do
homem para um estágio superior, suas tendências e desejo de elevação.
        Elevação e progresso espiritual, relaciona-se com todos os aspectos positivos da
espiritualidade, rejuvenescimento, progresso, desejo de imortalidade.
        É a fase evolutiva, em que já pode haver uma auto-avaliação para pesar as
conseqüências das próprias ações para lhes atribuir os débitos e créditos que se adquiriu
durante a jornada.


ARCANO XXI - O M U N D O

        Representa o ponto final da jornada, a iluminação psíquica espiritual que se
manifesta através do mais pleno equilíbrio.
        O personagem central é andrógino, significando que a polaridade negativa e
positiva esta unida, na mão esquerda segura uma varinha para indicar o seu domínio
sobre a natureza, e na direita segura um recipiente de forma oval simbolizando o
renascimento.
        As quatro figuras representam as forças superiores estabilizadas, a águia a
sabedoria do Alto, o espiritual acima sobre toda criação, o Ser de aparência humana
evoca suas ligações com a humanidade, o Touro a força geradora do plano físico, e o
Leão amarelo a força inteligente.
        Definimos o Mundo como uma concretização harmoniosa da evolução que
precedeu os caminhos da jornada. A Guirlanda que rodeia o personagem também têm
uma forma oval, que simboliza o renascimento, o que vem indicar que seria uma etapa
reencarnatória que foi totalmente coroada de êxito devido aos esforços que foram
empreendidos, e que novamente haverá um renascimento num plano bem mais elevado.
Conclusão, perfeição, resultado final dos esforços, sucesso, segurança, caminho da
libertação são os valores que atribuímos à este trunfo.
                                                                                       208
TÉCNICAS ASSOCIATIVAS:

       Podemos nos valer dos ARCANOS MAIORES, utilizando sua simbologia de forma
associativa em diversos segmentos, sendo os três principais: ASSOCIAÇÃO A
PERSONALIDADES HUMANAS, ASSOCIAÇÃO Ã SITUAÇÕES E ASSOCIAÇOES
MEDITATIVAS.


ASSOCIAÇÃO ÀS PERSONALIDADES HUMANAS:

          Como exemplo deste tópico usaremos o ARCANO: O LOUCO. Ao contemplarmos
esta figura, observamos de imediato as suas roupas, mistura bastante confusa de cores, o
que demonstra total confusão de pensamentos, carrega em um pequeno saco
simbolizando: conhecimento)seus pertences, suas vestes estão rasgadas demonstrando
sua falta de preocupação com sua apresentação pessoal, um cão tenta adverti-lo dos
perigos do caminho, mas ele segue deslumbrado olhando para o lado contemplando a
paisagem distraído .
          Trata-se de figura humana associativa muito comum, que estamos habituados a
ver e não raras vezes conviver. São pessoas inconseqüentes, que se lançam a novos
projetos, relacionamentos, sem a mínima estrutura de planejamento, contestam a ordem
social estabelecida, são capazes de abandonar uma situação sólida para se lançarem a
outra totalmente duvidosa, e muitas vezes não conseguimos entender o porque desta
atitude. Sendo o seu número no Tarot o ZERO ou o VINTE E DOIS, entendemos por
esta simbologia, que ele não têm um lugar rígido na ordem das coisas, podendo correr
livre por toda a seqüência, aparecendo de repente quando menos se espera, em
situações e locais inesperados. Esta personalidade existe em todos nós,
quantas vezes não somos tentados a seguir a parte inconseqüente do LOUCO, entretanto
como o mantemos sob constante controle, na maioria das vezes apenas nos identificamos
com as situações a que Ele poderia nos conduzir.
          Ao nos encontramos com esta personalidade devemos escutar seus pontos de
vista, demonstrando interesse e depois criar uma nova motivação, visto que seu interesse
inicial logo se desfaz com algo que o interesse.
          São pessoas de mente criativa, altamente fantasiosas, muitas vezes de
eloqüência contaminadora, mas basta estarmos atentos que perceberemos que se trata
de uma conversação totalmente sem base, a mesma opinião externada muda
constantemente no segmento do dialogo.
          Um EXERCÍCIO MUITO ÚTIL que muito nos ajuda no relacionamento humano é
praticar em cima das figuras tentando identifica-las com pessoas do nosso conhecimento.
          Escolha um dos ARCANOS maiores, releia os valores que Ele transmite e faça
associação a pessoas do seu relacionamento. Praticando este exercício em pouco
tempo, poderemos identificar de imediato as pessoas que nos cercam, facilitando em
muito o nosso relacionamento pessoal.


ASSOCIAÇÃO MEDITATIVA:

       Utilizaremos como exemplo do tópico acima o ARCANO- A ESTRELA.
       Para melhor compreensão criaremos a seguinte situação: "Um dia extremamente
estressante, ao qual chegamos ao final com imensa dúvidas sobre a certeza de nossos
                                                                                     209
projetos, sentimentos etc.
         Deve-se procurar um local tranqüilo, tentando antes um relaxamento, através de
um banho morno, muito estimulante também é a utilização de música suave ao fundo.
         Devemos inicialmente nos concentrarmos na figura do Arcano, perceber todas as
suas nuances. Em pouco tempo começaremos a receber as mensagens subjetivas que
este Trunfo transmite. Nossa atenção será dirigida para os céus, as estrelas costumam
significar forças condutoras, muito utilizadas para predizer tendências futuras e ajudar na
harmonia do ritmo da vida, nos proporciona uma iluminação controlada, uma introversão
espiritual.
         Depois voltamos nossa atenção à figura de Mulher Desnuda, sentimos que ela
trabalha a energia vital, procurando o equilíbrio entre elemento matéria e espírito.
         Trabalhando em cima dos elementos acima começaremos a notar que começam a
afluir em nossos pensamentos, uma nova esperança de solução dos problemas do dia,
novos fatos se somarão, e outras situações começarão a serem criadas.
         Depois de certo tempo adquirimos uma sensação de tranqüilidade e esperança, e
passamos a encarar a atual situação com mais otimismo.


ASSOCIAÇÃO ÀS SITUAÇÕES:

        Tomarmos como exemplo para este tópico o ARCANO - XIII.
        Como sabemos este Arcano não possui nome, pode significar Morte Física,
Espiritual, Material e ainda Transformação Radicais de situações.
        Analisando pela situação Morte Física, entendemos que é um acontecimento a
que todo ser vivente está sujeito, temos plena consciência deste fato, mas o nosso
aceitamento a esta situação é muito controvertido. Estamos condicionados a encarar a
Morte Física como um fato triste e trágico, para melhor podermos lidar com esta situação,
deveremos tentar entender que se trata de um fato natural, o fim de um ciclo para início
de outro, uma Transformação.
        O fim de um relacionamento, que muitas vezes nos deixa abalados, também pode
associa-lo a esta situação, mas apesar de estarmos consternados, o tempo nos fará
meditar, no futuro outros relacionamentos surgirão, e quem sabe entenderemos aquela
finalização como o fim de um estágio para a passagem de um outro melhor.



CONSELHO INDIVIDUAL DE CADA ARCANO:

        Cada Arcano como representante de uma situação específica, transmite o seu
conselho de forma a identificar e orientar, através de uma mensagem própria a maneira
de lidarmos com o assunto. ARCANO: O LOUCO - como este ARCANO simboliza, início
de movimento, falta de experiência, imprudência, temeridade, é óbvio que é o único
Arcano que não possui uma orientação individual, visto que seria totalmente inválido se
dar crédito a algum conselho transmitido por alguém que age de maneira inconseqüente.

ARCANO: O MAGO: "O Homem como Deus deve criar sem cessar. Nada querer ou
nada fazer, é tão ruim quanto desejar o mal. Uma firme vontade e fé em si mesmo,
guiada pela razão e o amor a justiça, levara a alcançar a preservar, dos perigos do
caminho.

ARCANO: A PAPISA (SACERDOTISA)- "O Ser que possuem uma vontade sólida, verá a
Verdade brilhar, e guiado por ela, alcançara todo bem que deseja, guarda segredo sobre
                                                                                        210
os desejos pessoais, a fim de não entrega-los as contradições dos outros.

ARCANO: A IMPERATRIZ -"A afirmação da verdade e o desejo de justiça devem ser
praticados de forma incessante. O êxito dos empreendimentos resulta da atividade que
fecunda o espírito e a retidão do espírito e que fazem frutificar as obras.

ARCANO: O IMPERADOR: - "Nossos esforços para a conquista das realizações é muito
mais do que um direito, é um dever. Muitas vezes as realizações de nossos anseios
dependem de uma outra pessoa mais poderosa, devemos procura-la a fim de obter seu
apoio.

ARCANO: O SUMO SACERDOTE-HIEROFANTE-(O PAPA): “A avaliação do conceito
felicidade ou infelicidade, depende do emprego da vontade que utilizamos na criação de
nossas obras, nossa voz só é ouvida pela nossa consciência, devemos para obter as
respostas fazer nessa auto-·análise”.

ARCANO: OS AMANTES: " Para os seres comuns, a atração dos vícios têm mais
prestígio que a austeridade da beleza e da virtude, tome cuidado com suas resoluções. A
indecisão é muito pior do que um determinação errada, avance ou retroceda, mas não
vacile, saiba que uma cadeia de flores é muito mais difícil de se romper que uma cadeia
de ferro.

ARCANO: O CARRO: "O Império do Mundo pertence aqueles que possuem a soberania
do Espírito, esta é a Luz que clareia os mistérios da vida. Vencendo os obstáculos ,
vencemos os nossos defeitos e paixões, e todas as esperanças serão realizada, devemos
nos projetar para o futuro, com audácia e com consciência dos nossos direitos.

ARCANO: A JUSTIÇA: "Dominar os obstáculos e chegarmos aos objetivos, é apenas
uma parte da tarefa humana. Para a realização é preciso se estabelecer o equilíbrio das
forças em movimento, toda ação produz uma reação, a Vontade deve prever o choque
das forcas contrárias, para ameniza-las ou anula-las, tudo futuro equilibra-se entre o Bem
e o Mal, toda inteligência desequilibrada é como uma luz apagada.

ARCANO: O EREMITA: " A Prudência é a armadura do sábio a introspecção .evita
dissabores, devemos utiliza-la em todos os atos, mesmo nas menores coisas, nada é
indiferente no mundo, uma pequena pedra pode virar o carro do senhor do mundo; se a
palavra é de prata o silêncio é de ouro.

ARCANO: A RODA DA FORTUNA: " Para poder é preciso querer, para querer com
eficácia é preciso obrar, e para se obrar com êxito é preciso calar-se até o momento justo
da ação. Para se adquirir com direito de possuir o Conhecimento e o Poder é preciso
desejar com paciência e com perseverança infatigável.

ARCANO: A FORÇA: :"Para poder é preciso crer que se pode, avançar com fé,
considerar os obstáculos apenas como fantasmas. Para se ser forte é preciso se impor o
silêncio as fraquezas do coração, é necessário estudar o dever que é a regra do direito, e
praticar a justiça por amos a ela.

ARCANO: O ENFORCADO: "a devoção e o afeto são leis Divinas inerentes a todos os
seres, porém só espere ingratidão da parte dos humanos. Conserve sua alma sempre
pronta a prestar contas à Deus. Devemos nos resignar, aceitar com resignação
perdoando atos contra nós dirigidos, por que quem não perdoar será condenado a solidão
eterna.

                                                                                        211
ARCANO: XIII-(A MORTE) - "Entenda que as coisas terrenas têm pouca durabilidade, e
que os mais altos valores são ceifados como as ervas do campo. A dissolução de nossos
órgãos físicos acontecerá mais rápido do que esperamos, não devemos temer pois a
morte é apenas o nascimento para uma outra vida. A liberação dos instintos materiais por
uma livre vontade, liberta nossa alma as leis do movimento Universal, representando o
começo de nossa imortalidade.

ARCANO: A TEMPERANÇA: “Devemos avaliar nossas forças, não para recriar ou
retroceder diante de nossas obras, e, sim para vencer os obstáculos, como a água que
gotejando fura a mais dura pedra”.

ARCANO: O DIABO: - “ Reavalie todos os seus conceitos, morais, materiais, físicos e
mentais. Para a evolução é necessários nos libertarmos de todos os valores negativos,
adquirindo sabedoria e força”.

ARCANO: A TORRE:"- Toda vez que somos postos testados através dos infortúnios,
devemos aceitar com resignação, pois este é um processo que será recompensado
eternamente. Não valorizar em excesso as coisas materiais, é revestir-se da
imortalidade.

ARCANO: A ESTRELA: "A esperança é irmã da fé, livre-se de suas paixões e erros,
compreenda os mistérios da verdadeira ciência e o conhecimento será adquirido.
Aconteça o que acontecer, jamais ignore as flores da Esperança, para poder colher os
frutos da Fé.

ARCANO: A LUA: "Quem afronta o desconhecido procura a própria perdição. Os
espíritos hostis, nos armam emboscadas., através de bajulações e adulações, eles
passaram arrastando-se sem comoverem-se de nossa ruína. Observar, escutar e saber
se calar.

ARCANO: O SOL: "O Luz dos Mistérios, representam um fluido terrível, colocado pela
Natureza ao serviço da vontade. Ela orienta os que sabem utiliza-la e fulmina os que
ignoram seu poder ou abusam dele.

ARCANO: O JULGAMENTO: "Toda situação é insegura por mais estável que pareça. O
crescimento do Espírito é a meta que se deve alcançar através de suas provas
sucessivas. Em algum momento que ignoramos, a Roda da Fortuna vai girar, e seremos
elevados ou rebaixados pelos acontecimentos.

ARCANO: O MUNDO: "O Império do Mundo, pertence ao Império da Luz, o Império da
Luz é o trono que Deus reserva a Vontade bem direcionada. A felicidade é para os
humanos o fruto da ciência do Bem e do Mal, porque Deus só permite que este fruto seja
colhido, a alguém dono de sua vontade, capaz de aproximar-se dele sem o desejar.


A Analogia dos Contrários

      O TAROT baseia-se no verso e no reverso das situações antagônicas como o
YANG E YUNG, na filosofia oriental, as duas COLUNAS em Magia , a Branca e a
Negra,O Claro e o Escuro, depois de divididos em onze pares determinamos os 11
caminhos numa breve observação destes caminhos antagônicos podemos ter um
entendimento muito rápido e bastante esclarecedor do simbolismo do TAROT.

Caminho Seco                                Caminho Úmido
                                                                                       212
Ativo, masculino, solar                      Passivo, feminino, lunar
1) SUJEITO, PONTO DE PARTIDA
I – O MAGO                                   0 – O LOUCO
Ativo, positivo, iniciativa                  Passivo,negativo, auto-domínio
Sagacidade, razão.                           Missão e influências externas, impulsividade
                                             loucura
2) PERCEPÇÃO DO DESCONHECIDO
II – A SACERDOTISA                           XXI – O MUNDO
Observação, compreensão,                     Inspiração, exaltação,entusiasmo,
concepção,estudo                             capacidade
Sabedoria racional,                          Imaginativa, criação de idéias

3) A ASSIMILAÇÃO DO MUNDO EXTERNO
III – A IMPERATRIZ                    XX – O JULGAMENTO
Maternidade, descoberta do corpo,     Entusiasmo,
criatividade                          espiritualidade,renovação,avaliação
Diplomacia, charme,
                                      Lúcida de experiências, recompensa dos
sagacidade,discernimento,
Idealismo,                            esforços.
4) ILUMINAÇÃO ESPÍRITUAL
XIX – O SOL                           IV – O IMPERADOR
Luz universal, palavra de expansão,
                                      Luz interior, concentração de pensamento,
iluminação,
Origem do gênio, arte, sensibilidade, palavra forte, vontade, energia, cálculo,
idealismo.                            dedução, positividade.

5) ELABORAÇÃO DE UMA SÍNTESE
V- O HIEROFANTE                               XVIII – A LUA
                                              Espiritualidade, conhecimento
Abstrato, realidade especulativa, metafísica,
                                              transcendental,
Religiosidade, dever, leis morais, capricho   Conceitos vulgares,fantasias, erotismo,
                                              Ilusão dos sentidos
6) DETERMINAÇÃO DOS ATOS
VI – OS ENAMORADOS                            XVII – A ESTRELA
Liberdade, escolha, prova, dúvida, luta
                                              Predestinação, esperança, abandono,
inquieta
Contra as dificuldades da vida, sentimentos, Confiança na imortalidade, idealismo.
Amor ao belo, sensualidade,
7) ILUMINAÇÃO ESPÍRITUAL
VII – O CARRO                                 XVI – A TORRE
Dominação, triunfo, talento,capacidade, o
                                              Presunção, queda, orgulho, forças revoltas,
mestre
Que se faz obedecer, progresso, harmonia Catástrofe
8) ORGANIZAÇÃO E GOVERNO DAS FORÇAS
VIII – A JUSTIÇA                              XV – O DIABO
Lei, ordem, equilíbrio, estabilidade, lógica, Arbitrariedade, desordem, desequilíbrio,
placidez, calma, regularidade,
                                              Instinto, desregramento, paixão cega,
discernimento,
                                              Erotismo, fantasias sexuais.
9) RELAÇÕES DO INDIVÍDUO COM O AMBIENTE
IX – O EREMITA                                XIV – A TEMPERANÇA
Abstenção, isolamento, prudência, discrição Participação, comunhão, franqueza,
                                                                                       213
retenção, avareza, sábio, meticuloso,        Circulação, prodigalidade.
Metódico.
10) INTERVENÇÃO DO DESTINO
X – A RODA DA FORTUNA                        XIII – A MORTE
Sorte, ambição,invenções,                    Fatalidade, desilusão, fim de um ciclo,
                                             Renúncias, decomposição, transformação,
Descobertas, força vital, renovação
                                             final de relacionamento, negócio, etc
individual
11) OBJETIVOS, RESULTADO FINAL
XI – A FORÇA                                 XII – O ENFORCADO
Potência, idéia realizável, gênio prático,   Impotência, utopia, inabilidade no trato
Inteligência, energia, coragem para          Material, emocional, apóstolo, mártir,
Superar as dificuldades.                     Incompreensão alheia.


REDUÇÃO (UTILIZAÇÃO) NUMEROLÓGICA DO TAROT:
Primeiramente torna-se necessário uma explicação do porque da não inclusão do O
LOUCO nesta redução. Observe que ele também não está incluído em nenhum caminho
da Analogia dos Contrários, isto porque não se pode atribuir a Ele nem o número ZERO
nem o número 22, porque ele representa um inicio de atividade, ou então uma idéia
inquietante nem que ele seja como um coringa num jogo de baralho.Aparece
repentinamente, ligando-se a tudo e todos e normalmente alterando de forma
inconseqüente a ordem estabelecida.

DESTA FORMA A ANALISE IRA CONSIDERAR ATÉ O NUMERO 21 SENDO A
REDUÇÃO NUMEROLOGICA FEITA A PARTIR DESTE. NUMERO PESSOAL OU
NUMERO ATIVO: REPRESENTA AS INFLUENCIAS QUE HERDAMOS OU
EXPERIENCIAS ACUMULADAS ANTERIORMENTE. DATA DO NASCIMENTO -
REPRESENTA O DESTINO. NOME - MODO COMO NOS COLOCAMOS NA
SOCIEDADE. SOBRENOME - MODO COMO NOS EXPRESSAMOS
SOMA DE TODOS OS NUMEROS: SINTESE GERAL




                                             9
TARÔ ALEISTER CROWLEY
Hajo Banzhaf e Brigitte Theler
                                                                                        214
AS 22 CARTAS DOS ARCANOS MAIORES


0 - O LOUCO

Símbolos Significado
Figura de um louco (O louco de Abril)*
Loucura, despreocupação
Traje verde Vitalidade, frescor
Chifres e cristal Alegria de viver, conexão com Todo
Solas das botas direcionadas para cima Leveza
Cálice na mão direita emborcado
para baixo, fogo na esquerda
União de opostos (cálice = Elemento
Água)
Uvas Mel da vida, êxtase
Arco-íris, que circunda a cabeça Ponte entre céu e a terra, êxtase da
consciência
Três espirais ovais e circulares
ligadas umas às outras
Potencial evolutivo em três planos
Espiral com crocodilo e tigre Forças arcaicas, natureza instintiva
Espiral com laço em forma de coração O nível mais alto e sublime do coração
Espiral com crianças gêmeas e flor
azul
Natureza alegre e ingênua, despreocupação
paradisíaca
Pomba, abutre (asa azul), sol alado e
borboleta
Símbolos de transformação que
representam os ciclos de vida e morte
Sol no chacra básico Potência criadora
Ouros com símbolos astrológicos Materialização dos princípios originais
Cabala: Aleph a Boi, relha do arado
Astrologia: Elemento Ar M Leveza, despreocupação
*N.T.: A expressão "O louco de Abril" representa a irreverência das brincadeiras no "1º de
abril".
ASPECTOS GERAIS: Potencial original, caos criativo, despreocupação. novo
começo, partida para desconhecido, liberdade concedida pela loucura. leviandade.
VIDA PROFISSIONAL: Começar do zero, brincar com as mais diversas possibilidades,
pausa produtiva, estar aberto para novas atividades, inexperiência
profissional, planos caóticos, falta de responsabilidade.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tornar-se consciente da abundância quase ilimitada de
suas possibilidades, fazer um brainstorming.
RELACIONAMENTO: Vontade de curtir a vida, descontração, paquera, convivência
afetuosa, encontro novo e revigorante, relacionamento aberto, experimentar.
ENCORAJA A: Experimentar algo novo de uma forma descontraída e divertida.
ALERTA SOBRE: Circunstâncias caóticas e frivolidade exacerbada.
COMO CARTA DO DIA: Você deve hoje estar aberto a tudo. Passe dia da forma
mais descontraída possível, não leve nada muito a sério e encare até os "acontecimentos
mais insólitos" com uma divertida curiosidade. Quanto menos você se prender a idéias
às quais está habituado e às experiências já testadas e comprovadas, mais excitante e
                                                                                       215
incomum será seu dia. Caso chegue à conclusão de ter hoje de recomeçar um
determinado assunto do zero, então ouse um começo incomum, mais
despreocupadamente possível. Permita-se, ao menos uma vez, um pouco de "loucura"!
COMO CARTA DO ANO: Este ano pode entrar para a história da sua vida como
"significativo Ano Zero", no qual acontecerá um novo começo essencial. Tome
consciência das muitas possibilidades que este mundo oferece àquele que esteja aberto a
elas. Viva os próximos 12 meses como em uma eterna primavera. Dê férias por um ano
— com todo respeito — à seriedade demasiada e à comprovada experiência de vida e
tente encarar a vida com admiração e sem preconceitos. Deixe-se conduzir por sua
curiosidade. Siga caminhos instintivamente, sem saber para onde eles levarão. Assim,
você terá a chance de viver, no melhor sentido, algo excitante, libertando-se de uma
normalidade cinzenta e de uma rotina desanimada. Em vista da despreocupação e da
alegria de viver brincalhona do LOUCO. você poderá. ao final deste ano. até se sentir
mais jovem do que se sente hoje.


01- O MAGO
Símbolos Significado
Malabarista que se equilibra na montanha do inconsciente
Concentração e destreza intelectual inspirada
Tornozelo com par de asas Conhecimento que dá asas
Caduceu que vem das profundezas, com disco solar alado sobre a cabeça
A força solar mental mais elevada, que ascende do inconsciente, consciência da
totalidade
Triângulo lilás-claro Transcendência translúcida
Fazer malabarismo com os Quatro Elementos
Leveza, segurança nas suas relações com a realidade
Moeda Elemento Terra = ação
Espada Elemento Ar = intelecto
Tocha Elemento Fogo = força de vontade
Cálice Elemento Água = sentimento
Ovo alado Quinto Elemento = Quintessência
Cetro com cabeça de fênix Poder, força auto-regeneradora
Flecha voando Sede de conhecimento
Pergaminho Ciência
Macaco ameaçador Natureza instintiva, impulsividade
Cabala: Beth b Casa
Astrologia: Mercúrio E Habilidade, inteligência
ASPECTOS GERAIS: Impulso inicial, atividade, poder de resolução, força de
vontade, concentração, vitalidade, maestria, auto-realização, capacidade de imposição,
destreza, perspicácia.
VIDA PROFISSIONAL: Tomar iniciativa, realizar tarefas com maestria, demonstrar
concentração e habilidade, ter êxito, passar em provas, negociar com agilidade e
esperteza, ludibriar os outros.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Conscientização profunda, penetrar no consciente da
totalidade.
RELACIONAMENTO: Fascinação, força de atração, solucionar problemas com
competência, dar primeiro passo, aceitar a si e aos outros.
ENCORAJA A: Confiar em suas próprias capacidades e solucionar uma situação com
habilidade.
ALERTA SOBRE: Querer forçar algo a todo custo.
COMO CARTA DO DIA: "Quem, se não você? E quando, se não agora?" é lema do
                                                                                         216
dia. Não hesite em tomar a iniciativa. Você possui uma autoconfiança salutar, sabe que
quer e pode, com a concentração necessária, alcançar habilmente seu objetivo. Você
conseguirá realizar as suas tarefas com maestria. Hoje é dia ideal para tomar iniciativas
ou para colocar as suas habilidades à prova. Mostre do que você é capaz, mantenha-se
ágil e seguro nas conversas e nos negócios, e assim conseguirá conquistar os outros
para os seus propósitos facilmente.
COMO CARTA DO ANO: Este ano promete ser para você extremamente bemsucedido.
Você tem tudo nas mãos para fazer dele uma verdadeira obra-prima. Você
poderá alcançar novos ápices em áreas com as quais está familiarizado, ou buscar novos
pontos de interesse ou novas atividades, que lhe trarão satisfação e realização futuras.
Com certeza, aparecerão também boas oportunidades para solucionar velhos
problemas.Você não deve de jeito nenhum se menosprezar ou deixar que façam de tolo.
Em vez disso, mostre do que você é capaz e tome a iniciativa, onde quer que seja
necessário.
Participe ativamente do desenrolar deste ano, prove que você tem um espírito
empreendedor. Você possui agora a habilidade necessária, impulso certo e as melhores
cartas para alcançar as suas metas, sejam elas na sua vida profissional ou particular.
Qualquer coisa que você faça, terá boas perspectivas de tornar-se um sucesso!


II - A ALTA SACERDOTISA
Símbolos Significado
Figura feminina coberta com um véu Mistério, sabedoria oculta, inconsciente
Arco, curvado em forma de trompas de Falópio
Fertilidade, energia procriadora
Arco, que ao mesmo tempo é um instrumento de cordas
Força inspiradora, sedução, aliciação
Arco e flecha como arma Proteção contra intrusos indesejáveis
Véu prateado com textura quadriculada Feminilidade em estado puro,
encobrimento do mistério, padrão de sentimentos
Coroa de raios de luz em forma de meias-luas voltadas para cima
Disposição receptiva, chave para a verdade, conhecimento intuitivo
Sete meias-luas e coroa lunar Sete esferas planetárias, que conduzem à
visão do supremo
A lemniscata (oo) na frente dos olhos
Contemplação do Eterno
Flores, frutos, cristais, camelo Fertilidade, abundância, mundo
das estruturas, matéria
Cabala: Gimel g Camelo
Astrologia: Lua W Inconsciente, ânimo, premonição, sonho, sagacidade
ASPECTOS GERAIS: Guia interior, sabedoria, intuição feminina, visões, fantasia,
mistério, disposição passiva, ser guiado.
VIDA PROFISSIONAL: Atividades terapêuticas, aptidão mediúnica e inspiradora,
segurança instintiva.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão da mensagem dos sonhos, profundidade,
vivenciar experiências espirituais.
RELACIONAMENTO: Atração profunda, união espiritual, compreensão, confiança
mútua, deixar-se encontrar, disposição passiva.
ENCORAJA A: Confiar na sua voz interior.
ALERTA SOBRE: Deixar-se levar passivamente e simplesmente esperar por um
milagre.
COMO CARTA DO DIA: Deixe que dia de hoje venha tranqüilamente ao seu
                                                                                      217
encontro e observe, sem nenhuma intenção ou expectativa, que acontecerá. Deixe que
os acontecimentos se desenrolem e só interfira neles quando a sua voz interior lhe disser
que faça. Caso os seus afazeres permitam, observe hoje tranqüilamente que se passa
em você, quando não está em atividade. O que passa por sua cabeça? Do que você
sente necessidade subitamente? Não precisa para isso se obrigar a ficar parado; siga
apenas os seus impulsos interiores. Você se surpreenderá com quão intenso e satisfatório
será esse dia, aparentemente ocioso. Preste atenção aos seus sonhos em especial, pois
eles podem lhe transmitir informações valiosas.
COMO CARTA DO ANO: Você tem pela frente um ano cheio de mistérios. Se estiver
disposto a deixar-se conduzir, você vivenciará não somente experiências enriquecedoras
e inesquecíveis, como também entrará repetidas vezes em contato com forças ocultas;
com a realidade por trás da realidade. Confie na sua intuição. Preste atenção à sua voz
interior, que conduzirá na hora certa a lugares e pessoas que serão importantes para
você no momento. Principalmente se estiver acostumado a ter na vida uma postura ativa
e determinante, e não passiva e receptiva, você vivenciará este ano de ócio, após uma
curta fase de adaptação, como um período muito satisfatório e extremamente fascinante.
Talvez você possa começar a anotar os seus sonhos em um diário para, com passar do
tempo, compreender cada vez melhor as mensagens e as sugestões do seu inconsciente
e poder transpô-las para seu cotidiano.



03 - A IMPERATRIZ
Símbolos Significado
Figura de uma mulher trajada com um vestido verde e rosa, com uma coroa
lunar verde e uma cruz que simboliza soberania
Mãe Natureza, união com a terra, soberania terrena
Cinto decorado com signos do zodíaco
Senhora das estações do ano Colunas do trono em forma de
chamas azuis
A água original, da qual surgiu a vida
Posição do tronco e dos braços Símbolo alquímico do sal P
Abelhas no traje cor-de-rosa Dedicação, fertilidade, pureza
Meias-luas crescente e decrescente Ciclo da vida de nascimento e morte
Cetro em forma de um lótus na mão direita Criatividade feminina, vitalidade e
beleza que desabrocham do colo feminino
Mão esquerda aberta Receptividade, entrega
Pardal nas costas da Imperatriz Sensualidade latente
Posicionamento e olhar para pomba Caráter pacífico
Escudo com águia dupla branca Consciência feminina lunar
Cabala: Daleth d Portal
Astrologia: Vênus R Sensualidade, abundância e deleite
ASPECTOS GERAIS: Crescimento, potencial criativo. força intuitiva, inovações,
gravidez, nascimento, solicitude.
VIDA PROFISSIONAL: Atividade criativa, boas chances de crescimento e
desenvolvimento, transformações profissionais, senso apurado para as tendências e
ciclos nos negócios, criação de novos conceitos, cuidar com carinho do que lhe foi
confiado.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ter uma visão do eterno ciclo de nascimento e morte.
RELACIONAMENTO: Desenvolvimento intenso, sensualidade benéfica. profunda
confiança, aumento da família, proteção e aconchego. perspectivas novas e boas,
reativação de um vínculo antigo.
                                                                                      218
ENCORAJA A: Confiar na capacidade de crescimento da vida e estar aberto a
mudanças.
ALERTA SOBRE: Não se deixar levar por processos desenfreados e não desperdiçar
as oportunidades.
COMO CARTA DO DIA: Alegre-se pelo dia de hoje. Ele promete ser extremamente
excitante. Talvez você seja levado para ar livre, onde espírito e a alma possam se
revigorar. Porém, também no seu cotidiano soprará um vento estimulante que trará
idéias criativas e impulsos frutíferos. Algo que já vem crescendo há muito tempo dentro
de você pode hoje vir à tona, e que estava até agora estagnado receberá um impulso
forte de crescimento. O que você iniciar hoje tem boas perspectivas de desenvolver-se
magnificamente, pois seu excelente senso de compreensão dos processos naturais de
desenvolvimento conduzirá. instintivamente. a fazer o que é certo.
COMO CARTA DO ANO: Você está diante de um ano fértil. Os próximos 12 meses
estarão sob signo das transformações criativas e chances favoráveis de crescimento.
Prepare bem seu terreno, para que você possa fazer uma colheita farta no final. O
momento é favorável para começos promissores, nos quais que importa é se expressar
mais e utilizar melhor as suas capacidades. Abra-se a impulsos estimulantes e
fecundantes, , quais tornarão a sua vida mais rica e mais bela. Inclusive, algo que você
vem "gerando" dentro de si há muito tempo agora pode se concretizar e lhe
proporcionar uma nova realização. Tenha confiança na força auxiliadora e curativa da
Natureza.


04 - O IMPERADOR
Símbolos Significado
Figura majestosa de um homem em trajes vermelhos bordados de dourado
Força, atividade, autoridade, magnificência, poder
Pernas cruzadas e, acima destas, braços e tronco formando um triângulo
Símbolo alquímico do enxofre Q, energia masculina
Abelhas douradas no traje Dedicação, senso de disciplina,
realeza (atributo do Faraó)
Cetro com cabeça de carneiro Legitimação de autoridade, poder e
desejo de imposição, coragem
Globo imperial com Cruz de Malta Poder consolidado, direito e disciplina
como condições para paz e segurança
Coroa com diamantes Cristalização da vontade e poder
Cabeças de carneiro Alusão à associação dessa carta com Áries
Escudo com águia dupla Consciência solar e masculina
Dois discos solares com estrelas Retidão, continuidade
Cordeiro com bandeira da vitória Vitória da humildade
Lírios dourados Atributo do poder
Cabala: Tzaddi x Anzol
Astrologia: Áries a Capacidade de imposição, vontade
ASPECTOS GERAIS: Senso de realidade. disposição para assumir responsabilidades,
energia, segurança, continuidade, liderança, retidão de caráter, senso prático.
VIDA PROFISSIONAL: Estabilidade e estruturas claras, consolidação, realização de
planos, desenvolvimento de projetos com clareza, posição de liderança, disciplina e
perseverança, perfeccionismo.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Valorizar tanto estruturas organizacionais como
também raciocínio lógico e realista.
RELACIONAMENTO: Acordos claros, fundamento estável, estruturas no relacionamento
de eficácia já comprovada, relações ordenadas, realização de objetivos
                                                                                           219
comuns.
ENCORAJA A: Realizar intenções e planos com perseverança.
ALERTA SOBRE: O perigo de sufocar a vitalidade por causa de uma sobriedade e um
perfeccionismo exagerados.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve executar as suas tarefas com coerência.
Comece agora algo que tenha de ser realizado ou que você gostaria de já ter feito há
muito tempo, independentemente do que seja.Você possui agora a energia suficiente, a
habilidade e a coerência necessárias para colocar as coisas em ordem, esclarecer
dúvidas e concluir tarefas inacabadas. Caso não lhe ocorra nenhuma idéia concreta
sobre que você deve fazer. talvez seja apenas caso de arrumar a sua casa a fundo,
consertar a sua bicicleta ou pagar contas antigas.
COMO CARTA DO ANO: Você tem pela frente um ano de ação. Idéias que você
tenha até agora maquinado, coisas que você venha há tempos desejando e intenções que
você já tenha talvez manifestado várias vezes serão postas à prova de viabilização.
Concretize que é viável e elimine todo peso desnecessário. Nos próximos 12 meses,
você agirá com mais disciplina, perseverança e coerência do que em outras épocas.
Analise quais metas você realmente gostaria de alcançar e de que forma gostaria de
aproveitar essa fase. "Perseverança maleável" é lema mágico que lhe possibilitará
seguir fio da meada, até que possa concretizar seus propósitos. A sua tarefa para este
ano pode consistir, evidentemente também, em tomar decisões com as quais você se
comprometa, em defender que já foi alcançado, em definir limites claros ou assumir
mais responsabilidade com relação a si mesmo.



05 - O HIEROFANTE
Símbolos Significado
Hierofante Certeza da fé, sabedoria
Feições como se fossem uma máscara
Crenças enrijecidas, rituais mortos
Janela com pétalas de rosas Transcendência translúcida
Serpente sobre a cabeça Sabedoria, cura
Pomba Espírito Santo, iluminação
Báculo com três anéis Unificação do passado, presente e futuro
Três pentagramas contidos uns dentro dos outros
Incorporação do homem na estrutura cósmica
Osíris dentro do grande pentagrama Atual Era de Osíris39
Mulher com espada e meia-lua dentro do pentagrama do meio
A Era de Ísis," que existiu há mais de 2 mil anos
Hórus como criança dentro do pentagrama menor
O despontar da Era de Hórus39
Quatro Querubins nos quatro cantos Portadores do Altar Divino
Elefante e Touro Perseverança, sensatez
Cabala: Vau v Prego
Astrologia: Touro s Tradição e solidez
ASPECTOS GERAIS: Confiança, busca da verdade, percepção do sentido das coisas,
força persuasiva, virtude, expansão da consciência, força da fé.
VIDA PROFISSIONAL: Atividade que tenha um sentido, seguir uma vocação. ética
de trabalho elevada, ensino, aperfeiçoamento, confiança nas próprias capacidades.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Passar por uma experiência profunda que leve à
compreensão do sentido das coisas, desenvolver confiança em Deus, ampliar sua visão
de mundo, exame de consciência.
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RELACIONAMENTO: Confiança profunda, harmonia, declaração de amor,
princípios morais sólidos, reconhecer e estimar sentido e valor do relacionamento.
ENCORAJA A: Sair em busca de sentido e fazer algo significativo.
ALERTA SOBRE: Presunção arrogante e uma mania dogmática de sempre ter razão.
COMO CARTA DO DIA: Vá ao encontro do dia com uma confiança salutar em Deus.
Você tem todos os motivos para estar confiante e, além disso, boas possibilidades de
realizar ou vivenciar algo realmente significativo. Não se prenda a rituais enrijecidos e
não dê ouvidos a frases ocas e promessas vazias. Saia em busca do que é realmente
fundamental, de valores ocultos e intrínsecos, e não se deixe impressionar por
aparências. Caso você caia em um conflito de interesses, tome uma decisão de tal forma
que daqui a alguns anos você possa lembrar desse dia com a consciência tranqüila.
COMO CARTA DO ANO: A questão agora é sentido. Se você já se perguntou várias
vezes porquê de ter de fazer algo, ou para que serve isso tudo. então você terá, nos
próximos 12 meses, tempo e oportunidade de encontrar uma resposta convincente. Para
isso, você deve rever especialmente a validade dos seus princípios de fé. Não importa a
quais dogmas, valores morais ou preconceitos — que talvez lhe tenham sido impostos
na infância — você esteja preso. É chegada a hora de substituí-los por opiniões vivas e
convincentes, correspondentes ao seu amadurecimento de vida. Indiferentemente se isso
diz respeito a uma situação específica ou ao sentido da vida em si, neste ano você terá a
possibilidade de reconhecer que lhe é realmente importante. Não se surpreenda se ao
final deste ano você estiver com uma visão de mundo renovada e mais intensa.


06 - OS AMANTES
Símbolos Significado
Rei negro com coroa de ouro e leão vermelho
Energia masculina consciente
Rainha branca com coroa de prata e águia branca
Energia feminina consciente
Criança negra com clava na mão
Masculinidade intrínseca e inconsciente
Criança branca com ramalhete de rosas na mão
Feminilidade intrínseca e inconsciente
O rei e a rainha de mãos dadas União de opostos, amor
Criança branca e criança negra tocam-se nas mãos
Os pólos intrínsecos unem-se Também
Lança Conquista, capacidade procriadora
Cálice Capacidade de doação, franqueza
Figura de cor violeta, encoberta, com as mãos estendidas de uma
maneira protetora
Santidade, poder sacerdotal, bênção divina
Ovo órfico alado envolto por uma serpente
Mistério da vida, começo de uma grande obra
Cupido atirando uma flecha Anseio por unificação
Lilith e Eva Feminilidade sombria e luminosa
Abóbada de espadas Análise e decisão precisa
Cabala: Zain z Espada
Astrologia: Gêmeos d Opostos e intercâmbio
ASPECTOS GERAIS: União, amor, transações arrojadas, decisões tomadas com
coração, superação de diferenças, reunir detalhes.
VIDA PROFISSIONAL: Sentir-se atraído por uma tarefa, juntar-se aos outros,
capacidade de assumir compromissos, fusões nos negócios, fechar contratos, boa
                                                                                       221
cooperação.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a relação entre as coisas.
RELACIONAMENTO: Sorte no amor, casamento, reconciliação, encontrar parceiro
dos seus sonhos, desejo de relacionar-se, envolver-se realmente, seguir coração e tomar
uma decisão com clareza.
ENCORAJA A: Juntar-se a outras pessoas e envolver-se em um projeto com todo
coração.
ALERTA SOBRE: O perigo de acreditar que início já seja a meta.
COMO CARTA DO DIA: Tome hoje uma decisão arrojada, que pode dizer respeito a
uma pessoa, uma coisa ou uma intenção. Caso você esteja até agora hesitante e cheio
de dúvidas, dê férias à razão, ouça a sua voz interior e apóie seu coração. Analise quais
as diferenças e contradições interiores devem ser superadas e que deve ser feito para
unir outra vez que porventura esteja desunido ou desfeito. Nem sempre, quando se tira
essa carta, acontece de encontrar-se um grande amor no próximo ponto de ônibus, mas
às vezes isso ocorre de fato.
COMO CARTA DO ANO: Neste ano, seu coração baterá mais forte. A causa disso
talvez seja uma pessoa que você já conhece há muito tempo ou que tenha acabado de
entrar na sua vida, uma tarefa que lhe dará satisfação ou talvez até uma experiência
valiosa que fará seu coração transbordar. Seja lá como for, não se aproxime da situação
sem entusiasmo; pelo contrário, diga "sim" do fundo de sua alma. Mesmo que você
tenha condicionado a sua felicidade a outras pessoas e a fatores externos, você será
capaz de reconhecer agora que caminho para uma profunda realização começa com a
superação de resistências e contradições interiores. Faça um esforço para deixar as
coisas claras. Isso lhe dará forças para ultrapassar as barreiras iniciais, afastar possíveis
inconveniências, apaziguar conflitos e, no final, comemorar resultado à vontade.


07 - A CARRUAGEM
Símbolos Significado
Condutor da carruagem com armadura
dourada em posição meditativa Força espiritual concentrada, orientação interior
direcionada ao objetivo
Caranguejo decorando o elmo Alusão à associação dessa carta com Câncer
O Santo Graal em suas mãos voltado para a frente
Franqueza, busca pela realização
Rodas vermelhas da carruagem paradas
Força de vontade presente, intenção de ação, prontidão
Toldo azul apoiado em quatro colunas
Firmamento sustentado pelas colunas da terra
Círculos claros e concêntricos ao fundo
Dinâmica do eterno movimento cósmico
Centro do Santo Graal em frente ao centro (plexo solar) do condutor e
em frente ao centro dos círculos ao fundo
Sintonização entre os objetivos interiores, exteriores e cósmicos, direcionada a uma
orientação comum
Quatro esfinges, claras e escuras, com partes do corpo trocadas quatro
vezes entre si
Subdivisão dos quatro elementos em 16 subelementos, masculino/feminino
Cabala: Cheth j Cerca
Astrologia: Câncer f Seguir o seu próprio caminho obstinadamente
ASPECTOS GERAIS: Atmosfera de partida, desejo de aventura, iniciativa, firmeza de
propósito, vontade de impor-se.
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VIDA PROFISSIONAL: Independência, visar a novos projetos, ambição, disposição
de correr riscos, determinação, dar um salto na carreira, assumir novas funções.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Sintonizar-se internamente com um objetivo.
RELACIONAMENTO: Novos relacionamentos, impulsos estimulantes, alinhar-se a
um objetivo comum, dar um grande salto adiante.
ENCORAJA A: Aproveitar imediatamente a oportunidade com determinação e
objetividade.
ALERTA SOBRE: Acreditar que tudo se resuma à partida.
COMO CARTA DO DIA: Hoje, é chegada a hora de dar a largada. Você não precisa
mais esperar. Concentre-se no seu objetivo e avalie mais uma vez se você reuniu tudo o
que é necessário, para que ao longo do caminho não falte nada importante ou que você
não perca de repente a energia. Porém, se você não estiver preparado de jeito nenhum
para um salto ou nem sequer tiver pensado em uma partida, prepare-se então para ver
para qual pista de decolagem esse dia irá levá-lo. Pois alguma coisa irá, com certeza,
decolar hoje.
COMO CARTA DO ANO: Atreva-se agora dar um grande salto, deixe-se levar por
uma aventura. Este ano está sob o signo de um novo começo promissor. No final dele,
você estará encarando a vida com mais autoconfiança e independência. Se você estiver
pensando em ir atrás de um grande objetivo, em fugir de uma situação sufocante ou em
superar barreiras pessoais, em breve será dado o tiro de largada. Até lá, avalie
novamente as suas motivações e a clareza do seus objetivos pessoais. Direcione-se
então para a ação, sem hesitar, de maneira concentrada, decidida e determinada. Você
tem ótimas chances de alcançar o que se encontra à sua frente e, dessa forma, trazer
mais vitalidade e impulsos estimulantes para o seu cotidiano.


08 - O AJUSTAMENTO
Símbolos Significado
Figura feminina na ponta dos pés Equilíbrio interior, concentração
profunda, autocontrole
Coloração verde-azulada Sabedoria e contemplação
Máscara Atenção direcionada para o interior
Espada com punho em forma de meia-lua
Discernimento instintivo
Pratos da balança equilibrados com
as letras Alpha e Omega
Harmonia entre polaridades
Correntes que seguram os pratos da balança
Elos que tornam visível o princípio da causa e do efeito
Coroa com penas de avestruz Justiça divina
Trono formado por quatro pirâmides pontiagudas e oito esferas
Limitação, lei, equilíbrio entre o redondo (feminino) e o reto (masculino)
Círculos nos quatro cantos de onde saem raios
Equilíbrio entre luz e escuridão
Cabala: Lamed l Braço estendido
Astrologia: Libra j Equilíbrio, objetividade
ASPECTOS GERAIS: Objetividade, clareza, equilíbrio, justiça, carma, compreensão
sóbria, ter responsabilidade por si mesmo, autocrítica.
VIDA PROFISSIONAL: Arcar com as conseqüências, ter clareza sobre os seus
objetivos profissionais, boa capacidade de julgamento, contas equilibradas, contratos
justos, colher o que se semeou.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a nossa própria responsabilidade em tudo o
                                                                                        223
que vivenciamos.
RELACIONAMENTO: Igualdade, acordos justos, relacionamento equilibrado,
parceria motivada por interesses comuns, relacionamento comercial.
ENCORAJA A: Analisar algo com objetividade e sobriedade e reconhecer a sua
própria responsabilidade na situação.
ALERTA SOBRE: Tornar-se incapaz de agir, de tanto ponderar.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve manter a cabeça fresca. Caso haja um
conflito ou uma decisão que precise ser tomada, mantenha uma atitude justa e considere
as conseqüências dos seus atos a longo prazo. Você poderá hoje também se confrontar
com as conseqüências de uma situação do passado. A depender da forma como você
agiu naquela época, hoje poderá alegrar-se sobre um resultado ou encarar o dia com
uma sensação de mal-estar.
COMO CARTA DO ANO: Este ano é decisivo. Por isso, tome o tempo que for
necessário para esclarecer assuntos importantes e tomar decisões equilibradas,
responsáveis, justas e a longo prazo. De resto, dependerá apenas de você como estes
próximos 12 meses serão vividos. Mais precisamente, você é o responsável direto pelo
que acontecerá, pois colherá o que plantar agora. Isso pode ser bastante enriquecedor,
porém também extremamente desagradável, a depender da forma como você tenha
agido no passado. Caso realmente tenha de se confrontar com conseqüências
desagradáveis e fardos do passado, aproveite também essa oportunidade. Corrija o que
deu errado antes, para poder ter paz no futuro.


09 - O EREMITA
Símbolos Significado
Um homem velho, curvado, de perfil
Voltar-se para dentro de si, recolhimento interior, concentração no que
é essencial
Túnica vermelha Coragem, força
Cabelo branco Maturidade, sabedoria, iluminação
Diamante iluminado contendo o sol Luz da compreensão
Cérbero, o cão do Inferno, de três cabeças, domesticado
O mundo das sombras integrado à personalidade
Campo de trigo Natureza viva
Ovo de onde surgiu o mundo envolvido por uma serpente
Origem de todas as coisas, mistério da criação
Espermatozóide Impulso procriador, potencial vital
Pirâmide de raios Visão espiritual, libertação espiritual, iluminação
Cabala: Yod y Mão
Astrologia: Virgem h
Exatidão, confiabilidade, ascese, concentração, colheita
ASPECTOS GERAIS: Concentração no que é essencial, orientação, clausura,
seriedade, recuo, examinar as coisas a fundo, experiência de vida.
VIDA PROFISSIONAL: Projetos amadurecidos, apostar em objetivos que já foram
comprovados, reconhecer a sua verdadeira vocação, seguir o seu próprio caminho,
retirar-se da vida profissional, transmitir experiências.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Conhecer-se e ser fiel a si mesmo.
RELACIONAMENTO: Agir com seriedade, ter uma atitude madura, ser fiel a si
mesmo em vez de assumir compromissos duvidosos. Afastar-se temporariamente para
ponderar sobre o relacionamento ou tomar conscientemente a decisão de ficar solteiro.
ENCORAJA A: Deixar algo amadurecer e levar-se a sério.
ALERTA SOBRE: Amargura, esquisitices excêntricas e alienação à realidade.
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COMO CARTA DO DIA: Este dia lhe pertence. Dedique-se bastante tempo e não se
deixe contagiar pela correria do dia-a-dia. Porém, se você tiver de se dedicar a algum
assunto, faça-o com total atenção, sem se deixar pressionar ou influenciar pelos outros.
Caso tenha de tomar uma decisão importante, deixe que o assunto amadureça até que
você chegue a um posicionamento próprio e inequívoco. Meditar, dar um longo passeio
a pé ou simplesmente contemplar um lago pode ajudá-lo a chegar a uma conclusão.
COMO CARTA DO ANO: Agora o negócio vai ficar sério! Porém, no melhor sentido
da expressão. Este ano que você tem à sua frente será de introspecção, no qual o que
importa é ocupar-se seriamente consigo e com o mundo, para descobrir o que você
verdadeiramente quer. Aproveite essa fase para repensar a sua vida. Analise até que
ponto o conteúdo e a estrutura externa na sua vida profissional e particular ainda
correspondem à sua essência e à sua maneira de ser. Quando não for o caso, tente
descobrir o que deve ser modificado. Geralmente esse tipo de discernimento não é fácil
de ser feito, mas você tem o ano inteiro para isso. Alguns dias de recolhimento em
silêncio, por exemplo, em um convento, em uma ilha ou qualquer outro lugar afastado,
favorecem essas percepções. De qualquer forma, você não deve entender mal essa carta
e temer que tenha de passar o ano inteiro sozinho e solitário. O significado do
EREMITA é ser autêntico e fiel a si mesmo, justamente também quando se está em
contato com outras pessoas.


10 – A RODA DA FORTUNA
Símbolos Significado
Roda com dez raios Estrutura, tempo e espaço, regularidade do
nascimento e morte, perfeição
Roda celestial sem raios Eternidade, relógio do destino
cósmico, ciclo perpétuo
Estrelas amarelas Símbolo celestial, esperança
Raios Forças divinas, que podem atuar tanto de uma forma fecunda quanto
destrutiva
Fundo violeta Santidade, autoridade divina
Três figuras em cima da roda Nascimento-vida-morte
Criatura com cabeça de macaco
(Hermanubis) que se esforça para subir
Forças construtivas, espírito criativo, nascimento
Esfinge com espada Criação, totalidade, vida
Criatura com cabeça de crocodilo (Tífon) pendurada para baixo
Forças aniquiladoras e destrutivas, morte
O Ankh e o bastão curvo nas mãos de Tífon
Símbolo da vida e símbolo de poder
Redemoinho de energia ao fundo O efeito abrangedor da roda que gira
por si mesma
Cabala: Kaph k Palma da mão
Astrologia: Júpiter Y Sorte, abundância, crescimento
ASPECTOS GERAIS: Transformações, mudanças, recomeço, sorte, acontecimentos
determinados pelo destino, missão na vida.
VIDA PROFISSIONAL: Ser guiado pelo destino, encontrar a sua vocação.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão e aceitação de forças que são maiores
que o ego humano.
RELACIONAMENTO: Desenvolvimento satisfatório no relacionamento, vínculo
cármico, encontrar o parceiro certo, encontros marcados pelo destino, oportunidade de
compreensão do padrão de relacionamento.
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ENCORAJA A: Reconhecer o seu destino e fazer dele a sua missão de vida.
ALERTA SOBRE: Resignação fatalista ao destino.
COMO CARTA DO DIA: Existem dias nos quais temos de enfrentar situações e
tarefas inevitáveis. Se você hoje tiver a impressão de que determinadas coisas
simplesmente tomam um rumo próprio, não lute contra isso. Parta do princípio de que
tudo tem a sua razão de ser, mesmo que o sentido esteja, no momento, oculto para
você. Existem boas chances de tudo isso se revelar um caso de sorte no futuro.
COMO CARTA DO ANO: Este ano trará sorte. O "x do problema" é que nem
sempre compreendemos imediatamente o que nos faz bem; por isso, às vezes o destino
precisa forçar-nos à nossa própria sorte. Como você vivenciará o tempo que está por
vir, dependerá inteiramente da sua disposição em estar aberto ao aceno do destino. O
sentido por trás disso tudo diz respeito a um caminho que corresponde à essência
profunda do seu ser, porém que não é necessariamente como você imagina. Disso pode
surgir um dilema. Nós sofremos por algo se desenrolar de uma forma diferente do que
nós imaginávamos, e não reconhecemos que essa experiência era exatamente o que
faltava para a nossa felicidade, por corresponder profundamente à nossa essência. Seria
bom se você sondasse, com a ajuda da Astrologia, do Tarô ou do I Ching, a qualidade
do tempo nos próximos meses, para descobrir em qual área da sua vida você deverá
estar aberto para essas mudanças.


11 – A FORÇA
Símbolos Significado
Mulher nua de cabelos ondulados, recostada lascivamente
Êxtase sexual, paixão, entorpecimento, embriaguez divina, prazer em viver
Animal de sete cabeças semelhante a um leão
Impulso animal, instintividade, vitalidade, selvageria
Cálice de fogo em brasa (útero) do qual emanam raios de luz e serpentes
Energia sexual, vitalidade, morte e renascimento, destruição e renovação
Estrelas e rostos de santos no fundo violeta
Valores morais pisoteados
A Besta 666
Animal, mulher, estrelas caídas e santos pisoteados extraídos do
Apocalipse de João, o qual descreve
o Anticristo como a Besta 666, com a qual Crowley se identificava.
Cabala: Theth f Cobra
Astrologia: Leão g Alegria de viver, vitalidade, coragem
ASPECTOS GERAIS: Coragem, vitalidade, prazer em viver, intensidade, paixão,
destemor.
VIDA PROFISSIONAL: Ânimo para o trabalho, engajamento, disposição para correr
riscos, capacidade produtiva, motivação intensa, criatividade.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Enfrentar a sua fera interior e domá-la carinhosamente.
RELACIONAMENTO: Relação intensa, ligação apaixonada, fascinação, excessos
sexuais e excessos em geral.
ENCORAJA A: Entregar-se apaixonadamente a uma pessoa, a uma tarefa ou a uma
experiência.
ALERTA SOBRE: O perigo de seguir somente o princípio do prazer e passar por cima
dos valores alheios.
COMO CARTA DO DIA: Hoje será um dia agitado. Você se sentirá com vitalidade,
repleto de energia e tão cheio de vontade de viver que não deverá se surpreender se for
arrebatado por uma paixão. Isso não significa que você deva sair por aí tomando parte
de alguma orgia, mas pode permitir-se uma maior dose de animação. Se você
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compartilhar esse prazer com outra pessoa ou empregá-lo em um processo criativo,
poderá apreciar intensamente os seus aspectos fervilhantes e unificadores. Devido à sua
energia e ao seu brilho intenso, você hoje superará obstáculos brincando e passará uma
imagem atraente e convincente para as outras pessoas.
COMO CARTA DO ANO: Este é um ano de paixões. Você pode sentir-se
irresistivelmente atraído por alguém, entregar-se a uma tarefa de corpo e alma ou
comprometer-se com determinado assunto. De qualquer maneira, você deve aproveitar
essa força estimuladora e criativa para libertar-se de restrições sufocantes e estruturas
ultrapassadas. Porém, não se surpreenda se, ao fazer isso, você entrar em conflito com
princípios morais que até então lhe pareciam incontestáveis. Caso isso aconteça, avalie
se se trata de valores verdadeiros ou apenas de formalidades vazias, das quais seria
melhor
libertar-se agora. Agindo assim, você poderá tornar este ano, no verdadeiro sentido
da palavra, repleto de prazer.


12 – O ENFORCADO
Símbolos Significado
Figura nua, pendurada de cabeça para baixo
Impotência, posição de sacrifício, entrega incondicional
Pendurado pelo pé esquerdo Ter caído inconscientemente nessa situação
Pernas cruzadas
Realidade terrena
Braços fazem alusão a um triângulo Divindade
Cruz sobre triângulo O Terreno sobre Divino, mundo às avessas, escurecimento da luz
Cabeça calva sem feições Crise de identidade, perda do ego
Ankh com serpente da vida Pólo da vida, fio da vida
Fundo verde-brilhante Um fio de esperança
Serpente preta da morte abaixo da cabeça
Pólo da morte, entregar-se ao inevitável
Figura pendurada de cabeça para baixo entre as serpentes
Estar dividido entre dois pólos distintos
Grade azul quadriculada Forma de viver limitada, estruturas de pensamento pouco
inteligentes e compulsivas
Discos verdes Misericórdia, salvação
Cabala: Mem m Água
Astrologia: Elemento Água N Entrega, espiritualidade
ASPECTOS GERAIS: Desgastar-se entre dois pólos, dilema, prova de paciência,
impotência, beco sem saída, aprendizado involuntário, crise de vida, pausa forçada, ter
de fazer sacrifícios.
VIDA PROFISSIONAL: Trabalhos cansativos, falta de sucesso, planos arrastados,
procura de trabalho que parece ser inútil, falta de perspectivas futuras, estar imobilizado
sem saber que fazer para prosseguir.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Estar dividido entre contradições e reconhecer a saída
em uma mudança de direção.
RELACIONAMENTO: Crise no relacionamento, esforços inúteis, mover-se em
círculos, estar preso a um dilema do qual apenas se pode sair por meio do sacrifício de
algo que até momento é indiscutível.
ENCORAJA A: Dar uma virada e abrir-se a novas percepções.
ALERTA SOBRE: Resignar-se, desistir de si mesmo ou persistir em algo obstinadamente
por puro hábito.
COMO CARTA DO DIA: Hoje a sua paciência vai ser colocada à prova. Talvez algo
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que já esteja emperrado há muito tempo continue a ser protelado ou algo com qual você
não contava, empaque repentinamente. Não tente solucionar problema à força. Dessa
forma, você iria somente atrapalhar ainda mais. Talvez seja suficiente apenas mudar a
sua perspectiva para enxergar a situação sob um prisma completamente diferente. Se
isso também não ajudar, você terá, quer queira ou não, de fazer algum sacrifício para
que as coisas voltem a fluir.
COMO CARTA DO ANO: Deixe que este ano se transforme em um ano de transição
na sua vida. Você está perdido em um beco sem saída, e precisa, querendo ou não,
retornar. Ainda que você se sinta preso e impotente a uma armadilha, não se deixe
abater, senão entrará em uma crise ainda mais profunda. Tentar mudar a situação à
força, tampouco ajudará. E como se você estivesse em areia movediça: quanto mais
você se debater, mais afundará. Para que as coisas voltem a se movimentar, você
precisará de muita paciência, de disposição para sacrificar velhos hábitos e de
determinação para contemplar problema com uma atenção especial, tempo que for
necessário, até que subitamente a solução se torne clara. Isto é, na verdade, bem
simples. Pois, afinal, todas as soluções são simples, depois que nós finalmente as
encontramos.


13 - A MORTE
Símbolos Significado
Esqueleto preto, que corta as linhas da vida com uma foice
Transitoriedade, fim, renúncia
Coroa de Osíris, deus egípcio dos mortos
Morte e renascimento
Posição dos ossos da perna em forma de portal
Portal para uma vida nova
Bolhas ascendentes contendo figuras azul-claras dançando
Ascendência para uma vida nova
Escorpião
Alusão à associação dessa carta com Escorpião, símbolo da morte e do
nascimento
Flores de lótus e lírios murchos
Transitoriedade, processo de formação do húmus como condição para surgimento de
uma nova vida
Peixe e serpente Morte e ressurreição Águia Transformação, libertação, superação da
matéria
Cabala: Nun n Peixe
Astrologia: Escorpião k Transformação, morte e nascimento
ASPECTOS GERAIS: Despedida, fim natural, medo da vida, agarrar-se a algo
inutilmente, ter de desprender-se, renúncia.
VIDA PROFISSIONAL: Término de uma atividade profissional, ter cumprido seu
trabalho, enterrar objetivos e projetos profissionais, aposentadoria.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Confrontar-se com a sua própria efemeridade.
RELACIONAMENTO: Fim de um relacionamento, inicio de uma mudança
fundamental no relacionamento, despedida, medo da perda, sentimentos mortos.
ENCORAJA A: Desprender-se, deixar que algo chegue ao fim.
ALERTA SOBRE: Dar passos que não levam a futuro algum.
COMO CARTA DO DIA: Hoje algo chegará ao fim. Alguma coisa acabará ou perderá
prazo de validade. Talvez você esteja contente que "isso" tenha finalmente acabado,
porém talvez seja difícil desprender-se de algo que provavelmente tenha significado
muito para você no passado. De qualquer forma, você pode acreditar que é chegada a
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hora de dizer adeus. Não tente preservar algo que já tenha acabado. Quando você
realmente tiver se desprendido, irá se sentir finalmente livre e aliviado, mesmo que isso
no momento pareça difícil de imaginar.
COMO CARTA DO ANO: Este ano pode significar um momento decisivo na sua
vida. E chegada a hora de dizer adeus a tudo que já tenha acabado ou que tenha
conteúdo e a forma desgastados, para abrir assim espaço para desenvolvimento de
novos processos. Portanto. desprenda-se de tudo aquilo que você talvez há tempos já
tenha percebido, que mesmo maior dos esforços não trará resultado. Deixe maus e
nocivos hábitos definitivamente para trás e despeça-se de tudo que já não lhe faz bem.
Quanto mais consciente e determinado você estiver para se libertar de estruturas
ultrapassadas,
mais rapidamente surgirá uma nova fase. Se essa experiência for acompanhada de uma
despedida dolorosa ou medo do desconhecido, você deve encarálos de frente, sem tentar
heroicamente reprimir ou menosprezar esses sentimentos humanos.


14 – A TEMPERANÇA
Símbolos Significado
Alquimista como uma pessoa de duas cabeças e dois sexos (andrógino)
Junção das partes feminina e masculina, equilíbrio
Corpo com vários seios Força nutriz
Traje verde com abelhas Naturalidade, fertilidade
Mistura do fogo (enxofre) com a água (mercúrio)
A Arte Alquímica de unir os opostos
Caldeirão dourado, com caveira e corvo
Apodrecimento e morte como processos de
fermentação necessários para uma vida nova
Leão branco e águia vermelha A inversão da realidade "normal"40
Corrente de luz com as cores do arco-íris e seta que ascende do caldeirão
Energia liberada, despertar do espírito, conhecimento que jorra para a superfície
Arco solar com inscrição em latim:
"Visita interiora terrae rectificando
invenies occultum lapidem"
A solução universal: "Visita interior
da terra e, retificando, encontrarás a
pedra oculta"
Cabala: Samekh s Suporte, fundamento
Astrologia: Sagitário l Força que impele na direção do Supremo
ASPECTOS GERAIS: Encontrar a medida certa, equilíbrio de forças, harmonia,
relaxamento, superação dos opostos, cura.
VIDA PROFISSIONAL: Encerrar conflitos, cooperação agradável e produtiva,
mover-se para a frente, dissolver contradições e resistências, encontrar equilíbrio entre
trabalho e tempo livre.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Dominar as tensões interiores e encontrar a saída para
um dilema aparentemente indissolúvel.
RELACIONAMENTO: Harmonia verdadeira, relação tântrica, vínculo profundo,
conciliação bem-sucedida de interesses, convivência com direitos iguais, "a mistura
certa".
ENCORAJA A: Dar melhor de si para superar contradições e diferenças.
ALERTA SOBRE: Tomar cuidado para não subestimar a dificuldade do propósito e a
dimensão do problema.
COMO CARTA DO DIA: Você possui hoje a habilidade para realizar com sucesso
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uma mistura extraordinária, uma criação notável. Você poderá unir pessoas, descobrir
uma forma hábil de solucionar um problema ou criar uma receita requintada. Esse
também é dia perfeito para iniciar um vínculo profundo, contornar uma situação
incômoda ou dissolver tensões.
COMO CARTA DO ANO: Este é ano da Grande Obra. Assim os alquimistas
chamavam a união bem-sucedida de opostos. Caso você esteja vivenciando uma
contradição torturante, sentindo-se dividido entre dois extremos, impotente e preso a um
dilema ou duas almas dentro de seu peito que ameacem dilacerá-lo, você poderá
encontrar de fato, neste ano, a solução que até agora parecia impossível, a mistura certa.
A condição para esse artifício é a disposição de ir ao fundo quanto for necessário e não
se prender a superficialidades, a coisas aparentemente evidentes e a convenções sociais.
A libertação de um campo de tensão insuportável não é apenas um dos momentos mais
felizes na vida, como também, muitas vezes, passo decisivo para a cura. Transforme
este ano em uma grande obra de arte.


15 – O DIABO
Símbolos Significado
Bode com um sorriso e chifres espiralados e o terceiro olho
Pá, o deus da natureza, o oniparente, natureza instintiva e impulsiva
Coroa de flores de Lótus Identifica quem a usa como o filho do bem
Testículos transparentes contendo sêmen com formas humanas
Forças procriadoras, que descansam e amadurecem nas profundezas
Raiz com forma semelhante a um falo, que desemboca em um anel
azul, o colo da rainha do céu Seivas da vida, que ascendem das profundezas
Bastão com um disco solar alado (que se encontra na carta do MAGO
no lugar mais alto), que emerge das profundezas
A Luz como filha das Trevas
Textura acinzentada, como uma teia de aranha
Grilhões do submundo, perfídia, perigo de envolvimento
Cabala: Ayin u Olho
Astrologia: Capricórnio v Signo da maior escuridão* durante o ano, o solstício de inverno**
no qual o sol renasce.
*N.T.: Na perspectiva do hemisfério norte, onde o livro foi escrito, o signo de Capricórnio
está no período do inverno.
**N.T.: No hemisfério sul, o solstício de verão ocorre durante o signo de Capricórnio, e o
de inverno, durante o signo de Câncer, ao contrário do hemisfério norte. Essa perspectiva
diferente não interfere, contudo, na interpretação dessa carta.
ASPECTOS GERAIS: Sombra, impulsividade, excessos, cobiça, sede de poder,
tentação, forças inconscientes.
VIDA PROFISSIONAL: Atividades proibidas, corrupção, exploração, intrigas,
manobras não transparentes, aproveitar-se de relações de dependência, negócios
obscuros.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Confrontar-se com a sua própria sombra.
RELACIONAMENTO: Paixão profunda, pacto de amor, ligação cármica, envolvimento
emocional, magia do amor, fascinação, concupiscência, luta pelo poder,
ódio, servidão, projeções.
ENCORAJA A: Iluminar a escuridão.
ALERTA SOBRE: O poder destrutivo de impulsos naturais quando são reprimidos.
COMO CARTA DO DIA: Sem querer fazer com isso uma previsão assustadora, pode
ser que você hoje se confronte com seu lado sombrio. Talvez se deixe seduzir a dar um
passo impensado ou caia na tentação de agir contra seus princípios. Também podem vir
                                                                                        230
à tona sentimentos sobre os quais você não fazia a mínima idéia ou talvez acreditasse já
ter superado há muito tempo, como inveja, ciúme, avidez ou sede de poder. Aborrecerse
ou colocar a culpa nos outros ajudará tão pouco quanto tentar controlá-los. Aproveite
a oportunidade para iluminar a escuridão, tomando consciência de facetas que não
agradam e pesquisando as suas motivações secretas.
COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você deve arrumar seu porão. Ao fazê-lo,
algumas coisas que você desconhecia virão à tona e outras, sobre as quais você tinha
uma vaga idéia, irão tornar-se subitamente claras. Obviamente, "porão" aqui significa
lado escuro do nosso ser, aquele que, de vez em quando, impele-nos a fazer coisas
contrárias aos nossos princípios, e depois nos faz pensar que estávamos com diabo no
corpo. Nos próximos 12 meses, você terá oportunidades suficientes para conhecer
melhor esse seu lado sombrio. Tudo que você terá a fazer é parar de procurar por um
bode expiatório e questionar a razão de se encontrar nessas situações endiabradas.
Tome consciência da sua predisposição. Aprenda a conhecer os lados negativos e
renegados do seu ser, pois, enquanto eles estiverem reprimidos, poderão aliar-se a forças
externas e enfraquecê-lo. Dê a esses seres das sombras espaço devido e descubra onde
e quando você poderá vivenciar essas tendências de maneira cautelosa e suportável no
futuro.


16 – A TORRE
Símbolos Significado
Torre de pedra com grades nas portas e nas janelas
Personalidade endurecida, consciência incrustada, conceitos rígidos de segurança, prisão
Garganta do mundo das trevas expelindo chamas
Transformação proveniente das profundezas
Muros desmoronando Estruturas em rompimento, queda
Figuras de formas angulares em queda
Libertação ousada, ou possivelmente até perigosa, de almas enrijecidas pela prisão
Olho de Shiva radiante Força destrutiva
Pomba com ramo Salvação, nova esperança
Abraxas, a serpente com cabeça de leão
União entre a luz e as trevas, talismã
Fundo negro Destruição, caos, infortúnio, escuridão
Cabala: Pé p Boca
Astrologia: Marte T Força guerreira, destruidora, abaladora
ASPECTOS GERAIS: Compreensão súbita, transformação, ruptura, libertação, golpe
do destino.
VIDA PROFISSIONAL: Demissão, falência, mudança radical, demonstração de força.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer suas próprias idéias fixas e romper com
noções ultrapassadas que se tornaram limitantes.
RELACIONAMENTO: Separação repentina, explosão de sentimentos, rompimento
de um vínculo limitante, tempestades purificadoras no relacionamento.
ENCORAJA A: Romper com amarras limitantes.
ALERTA SOBRE: Riscos e perigos imprevisíveis, que trazem consigo uma
transformação radical.
COMO CARTA DO DIA: Hoje não será, certamente, um dia monótono. Conte com
uma surpresa que poderá ser vivenciada como algo positivo, ou como um distúrbio
intenso que destruirá expectativas concretas. Mesmo que você se chateie ou sofra hoje,
quando algo não correr como você esperava — que é perfeitamente compreensível —,
mantenha em mente que essa carta indica rompimento com um ambiente sufocante ou a
libertação de uma idéia fixa. No futuro, ao olhar para trás, você não lamentará que hoje
                                                                                      231
não deu certo.
COMO CARTA DO ANO: Este ano que está à sua frente poderá se tornar ano da sua
libertação, se você tiver a coragem necessária. Por isso, deixe que uma bomba caia e
destrua os limites que se tornaram muito estreitos para você. Ouse romper com noções,
estruturas ou formas de vida estreitas, que mantêm prisioneiro. Leve em consideração
que, em situações nas quais você esteja resistindo a transformações, correndo atrás de
idéias fixas ou agarrando-se a velhos hábitos, uma mudança no seu modo de pensar
talvez seja necessária. Portanto, analise em que você está sendo parcial, olhando as
coisas sob um prisma muito estreito ou a quais garantias aparentes você está
agarrandose.
Se você observar que disso surgem conflitos, desprenda-se desses conceitos; pois
quanto mais você lutar por eles, com mais intensidade forças externas obrigarão a
desistir. Não considere essas mudanças como um golpe do destino sem sentido, mas sim
como uma correção de rumo necessária e uma ruptura decisiva para seu crescimento
futuro.



17 – A ESTRELA
Símbolos Significado
Figura de mulher azulada nua Nut, a Senhora das Estrelas
Cabelo comprido Vitalidade, inspiração, ligação entre
Cosmos e a alma
Cálices dourado e prateado Sol (espírito) e Lua (alma) como fontes da água celestial
Água corrente Purificação, fertilidade, energia vital
Esfera celeste com estrela de sete pontas
Vênus, símbolo da força do amor
Cor lilás-clara Inteligência cósmica
Estrela grande com névoa em forma de espiral
Estrela de Babalon, fonte de luz espiritual, amor divino
Estrela azul pequena Amor terreno
Cristais Proteção, energia curadora, clareza cristalina
Rosas Amor, fertilidade
Borboletas Renovação, leveza
Cabala: Hé h Janela
Astrologia: Aquário x Perspicácia, perspectiva ampla. visão
ASPECTOS GERAIS: Boas perspectivas, esperança, confiança no futuro, harmonia,
orientação superior.
VIDA PROFISSIONAL: Projetos muito promissores, mudança de profissão, seguir a
sua vocação, começo de uma carreira com grandes perspectivas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Profunda compreensão e confiança nas leis do Cosmo.
RELACIONAMENTO: Ligação com boas perspectivas, planos para um futuro
comum, encontro que traz muitas esperanças, amor inspirador.
ENCORAJA A: Confiar na favorabilidade do momento e olhar com esperança para
futuro.
ALERTA SOBRE: Ocupar-se demais com futuro e, com isso, perder presente.
COMO CARTA DO DIA: Alegre-se por este dia, pois ele será regido por uma boa
estrela. Deixe-se inspirar por um sonho de futuro. O que for começado agora promete
decorrer satisfatoriamente, mesmo a longo prazo, pois hoje você terá instinto
necessário para enfrentar que virá pela frente. Caso não esteja planejando nada de
novo, também valerá a pena restaurar algo antigo. Você se surpreenderá com que
encontrará por baixo das camadas deixadas pelo tempo. As vezes, as lembranças
                                                                                       232
também nos conduzem a novas visões.
COMO CARTA DO ANO: Este ano encontra-se sob uma boa estrela, no melhor
sentido da expressão. Faça planos para futuro e ouse agora um novo começo, no qual
você aposte em metas a longo prazo. É chegado momento para novas esperanças e
visões direcionadas para futuro, principalmente se você tiver acabado de passar por
uma crise ou uma fase difícil. Isso não diz respeito apenas ao âmbito do amor e
relacionamentos, mas principalmente a eles. Tire os velhos escombros do caminho, lave
suas feridas com uma água curadora e observe a situação de um posto mais elevado, por
assim dizer, pela perspectiva de um passarinho, por cima. Você verá quão agradável são
as perspectivas e quão promissoras as possibilidades. Aproveite este ano também para
uma purificação interior e para seu crescimento espiritual. Sintonize a sua vida em
harmonia com a ordem cósmica.


18 – A LUA
Símbolos Significado
Duas torres de guarda negras
Portal do medo, passagem estreita, portal para renascimento
Caminho entre as torres Caminho que leva à totalidade
Duas figuras com cabeças de chacal acompanhadas de cachorros negros
Guardiões do umbral, vigias insubornáveis que só deixam passar aquele que não possui
defeitos
Escaravelho com Sol Ressurreição, despertar da consciência, nascer do Sol
Montanhas azul-celeste Coxas da deusa do céu Nut que, por meio de sua vagina, dá à luz
Sol todas as manhãs
Meia-lua voltada para baixo Energias lunares maléficas, como alienação mental,
obsessão
Nove gotas de sangue em forma da letra hebraica y Yod
Forças ambivalentes, que provêm da lua minguante
Curvas oscilatórias no âmbito do inconsciente
Sonhos como potencial criativo
Cabala: Koph q Parte de trás da cabeça
Astrologia: Peixes c O último dos signos zodiacais, que conduz ao renascimento do ano
ASPECTOS GERAIS: Medo do limiar que antecede um passo importante, incertezas,
pesadelos, nervosismo, lembranças ameaçadoras, pressentimentos sombrios.
VIDA PROFISSIONAL: Fase critica, insegurança no emprego, medo de fracasso,
intrigas, fraude, medo de provas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreender significado orientador do medo.
RELACIONAMENTO: Circunstâncias confusas, relacionamento não confiável ou
sinistro, ciúme corrosivo, incertezas, medo de dar um passo importante.
ENCORAJA A: Ultrapassar limiar do medo para alcançar terras novas que se
encontram por trás dele.
ALERTA SOBRE: Perder-se no escuro, esconder-se por trás de ilusões e estados de
embriaguez e fracassar ao tentar ultrapassar umbral.
COMO CARTA DO DIA: Talvez você já tenha hoje acordado de um pesadelo, ou
tenha, por outras razões, uma sensação estranha com relação a este dia. Porém, não se
deixe irritar por nenhum fantasma. Ainda que você se sinta pressionado ante as
exigências do dia ou ambiente à sua volta faça sentir-se inseguro, você não deve se
desviar do seu caminho. Tome consciência de que uma experiência importante e
enriquecedora espera por trás da barreira do medo, mas você só poderá chegar até ela
se conseguir superar esse obstáculo. Por isso, vá ao encontro do dia mais acordado
possível e siga seu caminho cautelosa e prudentemente, apesar de todo medo. Você irá
                                                                                   233
espantar-se com que alcançará por meio disso.
COMO CARTA DO ANO: O que importa este ano é passar pelo momento difícil ou,
apesar de todas as contrariedades, colaborar para nascimento de um processo
importante. Se empreendimento for bem-sucedido, resultado trará muita felicidade.
Porém, caminho que leva até lá não é fácil e é, em grande parte, tomado pelo medo.
Não deixe que esses medos perturbem, mesmo que fantasmas surjam sorrateiramente à
noite e atormentem com pesadelos. Ainda assim, você não se deve deixar intimidar. Por
outro lado, não seria inteligente menosprezar ou tentar amenizar as dificuldades que
estão relacionadas com os seus planos. Leve os riscos a sério, sem se deixar desanimar.
Pense exatamente naquilo que você quer fazer e dê um passo atrás do outro com
determinação, sem deixar que isso se transforme em uma marcha forçada, e sem bancar
herói.


19 – O SOL
Símbolos Significado
Sol radiante
Alegria de viver, superação de
medos e preocupações, clareza
No centro, rosa solar desabrochando
(Sol)
União do princípio masculino com
princípio feminino (rosa)
Crianças gêmeas, com asas de
borboletas, dançando
Leveza, alegria espontânea, superacão
dos opostos, "confraternização"
interior
Rosas-cruzes aos pés das crianças
Harmonia entre a consciência divina
e a existência terrena
Elipse com as cores do arco-íris
contendo os signos zodiacais
Perfeição, a totalidade, harmonia
entre consciente e inconsciente
Montanha verde Montanha do paraíso, solo fértil
Muro vermelho
O cume da unidade está próximo,
mas ainda não foi alcançado
Cabala: Resh r Cabeça
Astrologia: Sol Q Ânimo de vida, confiança
ASPECTOS GERAIS: Alegria, desfrutar lado ensolarado da vida, renascimento,
vontade de viver, êxito, desenvolvimento pessoal, direcionar-se para um ponto
culminante.
VIDA PROFISSIONAL: Sucesso, superar as dificuldades, força de persuasão,
criatividade, alegria no trabalho, ótimas perspectivas para planos futuros, boa
cooperação, auto-realização.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Encontrar alegria de viver no estado de
despreocupação original.
RELACIONAMENTO: Desfrutar amor, reconciliação, recomeço, tempos felizes,
confiança profunda, mimar um ao outro generosamente.
ENCORAJA A: Empenhar-se em alcançar ápice, topo, um objetivo elevado, com
                                                                                     234
confiança e firmeza.
ALERTA SOBRE: Superestima ingênua de si mesmo, leviandade ou desgaste de
forças.
COMO CARTA DO DIA: Hoje é um dia ensolarado, que deve ser apreciado em toda
a sua plenitude ou mesmo vivendo-o despreocupadamente ou comemorando algum
triunfo pessoal. Você se sentirá hoje tão autoconfiante e fortalecido que será capaz até
de ousar algo novo. Com a sua energia positiva e a sua atitude soberana, você será
capaz de motivar e conquistar as pessoas à sua volta. Banhe-se na luz do seu sucesso e
permita algo de bom a si mesmo e aos outros à sua volta.
COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você vai passear pelo lado ensolarado da vida.
Aquilo que tem atormentado você com medos e incertezas sobre si mesmo pertence
agora ao passado. Em vez disso, você desenvolverá esperança, alegria de viver,
confiança em si próprio e sentirá prazer em ser centro das atenções. Você será
presenteado pela vida com abundância e agirá, em conseqüência disso, calorosa e
generosamente com as pessoas à sua volta. A sua franqueza lhe trará muita simpatia e
ajudará a alcançar sucesso e realização tanto na vida profissional quanto na particular.
Se você não se deixar ofuscar e se alegrar por tudo isso com gratidão, não correrá
perigo de tornar-se presunçoso ou arrogante por ser tão iluminado pela luz solar.


20 – O JULGAMENTO
Símbolos Significado
Corpo de uma mulher de cor azul.
curvado em forma de um útero
Nut, deusa egípcia do céu, que à
noite engole Sol e pela manhã dá
à luz outra vez
Esfera de fogo alada e vermelha Hadit, companheiro da deusa do céu
União de Nut e Hadit O surgimento da Nova Era, da qual
Hórus, visto como uma divindade
dupla, é representante
Hórus, deus do Sol como uma
figura dupla
Aspectos extrovertidos e
introvertidos da força solar
Hórus adulto ao fundo, deus
falcão coroado, sentado no trono do
faraó
Poder consolidado, brilho exterior.
grandeza
Hórus criança (Harpocrates) no
primeiro plano com um cacho do
lado da cabeça e a serpente Ureus
A força jovem, ainda terna e não
utilizada; superação de velhas estruturas
Dedo indicador levado à boca Iniciação pelo silêncio
Letra hebraica Shin c. na qual se
encontram figuras humanas
A criança, adulto e velho; isso
significa que todas as fases da vida
participam da Nova Era
Cabala: Shin c Dente
                                                                                      235
Astrologia: Elemento Fogo O Energia purificadora e confiante
*N.E.: Imagem arquetípica do renascimento.
ASPECTOS GERAIS: Transmutação, recomeço, esperança, encontrar a si mesmo,
desenvolvimento espiritual.
VIDA PROFISSIONAL: Passos direcionadores, reorganização, abrir-se para novos
métodos de trabalho, aperfeiçoamento, trazer um espírito novo para a vida profissional.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Deixar-se envolver pelo espírito de uma Nova Era.
RELACIONAMENTO: Experimentar caminhos novos, impulsos estimulantes,
renovação de relacionamentos existentes, novo amor, crescimento.
ENCORAJA A: Abrir-se para um novo processo e levá-lo cuidadosamente adiante.
ALERTA SOBRE: Subestimar as dificuldades iniciais.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve dar uma nova ênfase à sua vida. É
indiferente se isso será feito no âmbito da aparência externa ou com relação a coisas
fundamentais do seu cotidiano e do ambiente à sua volta. Deixe velhos hábitos para trás
e permita que novos ventos soprem por sobre os campos empoeirados. Não se prenda a
tradições ultrapassadas e não aposte mais nas coisas aparentemente já comprovadas;
em vez disso, abra-se para novas evoluções e tendências atuais, às quais futuro
pertence.
COMO CARTA DO ANO: A partir deste ano, será iniciada uma era inteiramente nova
na sua vida. Isso pode significar tanto a descoberta e desenvolvimento de interesses e
habilidades até então ocultos como uma evolução decisiva e ampliadora da consciência
ou uma mudança concreta no âmbito pessoal. Você poderá mudar de residência ou até
mesmo emigrar, direcionar-se para novas atividades profissionais ou unir-se a pessoas
interessantes e abertas, que estejam entrando agora na sua vida. Mantenha-se aberto
para esse capítulo direcionador da sua história de vida, que conduzirá para um novo
futuro. No início dessa fase de transição, deixe velhas estruturas para trás e não exija
demais de si mesmo, tendo expectativas grandes demais. Cuide cautelosamente da
semente do novo, dando-lhe tempo e espaço necessários para que cresça
saudavelmente.


21 – O MUNDO
Símbolos Significado
Deusa virgem dançante
Alegria de viver, força geradora de
vida
Serpente Vida (caduceu), morte (serpente do
paraíso) e regeneração
Dança Superação da inimizade entre a
serpente e a mulher, que foi imposta
pelo pecado original e pela maldição
divina
Olho radiante Lei cósmica, conhecimento
Vulva cósmica aberta Origem de toda criação
Solo original verde Fertilidade, esperança
Anel estrelar composto de 72
círculos
A totalidade da criação, estrelas =
universo; 72 é número simbólico de
"todos os povos"
Esboço de um templo (na parte
inferior)
                                                                                      236
Planta da criação
Quatro querubins que jorram água
pela boca
A vivacidade da criação
No centro, indicação de uma roda Início da árvore (cabalística) da vida
Cabala: Tau t Símbolo da cruz
Astrologia: Saturno U A estrutura da realidade
ASPECTOS GERAIS: Conclusão, alegria de viver, estar no lugar certo, estar centrado
em si mesmo, realização, retorno ao lar, reconciliação.
VIDA PROFISSIONAL: Alegria por realizar um trabalho, encontrar a sua vocação,
alcançar uma meta, ser criativo e ter entusiasmo.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Contemplar todo, no qual início e fim formam uma
unidade.
RELACIONAMENTO: Amor incondicional e repleto de entusiasmo, reconciliar-se,
fusão e realização sexual, encontrar parceiro certo.
ENCORAJA A: Ocupar seu lugar e alegrar-se por sua vida.
ALERTA SOBRE: Acreditar já ter chegado definitivamente ao seu objetivo.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você se sentirá cheio de vida, em comunhão consigo e
com mundo. Ou as coisas estão andando da forma como você desejou, ou você não se
está deixando afetar por possíveis interferências. Desfrute esse dia deixando a sua alma
balançar-se e saboreando inteiramente esse sentimento paradisíaco. Você poderá
também aproveitar a oportunidade para dissolver hostilidades. Mostre-se reconciliador e
promova a paz. Isso irá preenchê-lo com uma imensa alegria.
COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você terá a chance de encontrar seu lugar neste
mundo, um lugar cheio de felicidade e alegria de viver. Se isso significa encontrar seu
verdadeiro lar ou, no sentido figurado, encontrar uma amizade ou uma ligação amorosa
na qual você se sinta emocionalmente protegido, é indiferente. Você irá desfrutar
inteiramente desse "encontro". Também poderá tratar-se de um passo para a
conscientização, que conduzirá para a sua pátria espiritual, no centro de sua alma.
Como em um quebra-cabeça, cada parte de sua vida encaixar-se-à uma à outra
harmonicamente, e aos poucos você reconhecerá uma imagem global que faça sentido.
Essa ordem também se refletirá no seu cotidiano por meio de um sentimento de
harmonia consigo mesmo e com mundo.



AS 56 CARTAS DOS ARCANOS MENORES
Símbolos Significado


PAUS
Tocha de fogo Força criadora, potência sexual,
luminosidade
Dez labaredas O Ás contém potencial de todas as
dez cartas da série de bastões
Raios verdes Descarga de energia, alta-tensão,
surpresa, esperança
Fundo vermelho Temperamento, impulso de vida
Elemento e número Chance (Ás = 1) de desenvolvimento
pessoal (Fogo)
Astrologia: Signos do Elemento
Fogo: Áries (a), Leão (g),
                                                                                      237
Sagitário (l)
Iniciativa (a), alegria de viver (g),
crescimento (l)


ÁS DE PAUS
ASPECTOS GERAIS: Recomeço repleto de esperanças, iniciativa, força de vontade,
determinação, idéia empolgante, impulso criativo, chance de desenvolvimento pessoal,
inflamar-se por alguma coisa.
VIDA PROFISSIONAL: Desejo de realizar novos projetos, tornar-se autônomo,
vontade de arriscar-se, crescer com um desafio.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer que desenvolvimento pessoal requer
disposição para correr riscos.
RELACIONAMENTO: Novo começo, revitalização, arder de amor, encontros
tempestuosos, sexualidade apaixonada.
ENCORAJA A: Tomar iniciativa e seguir decididamente em frente.
ALERTA SOBRE: Impetuosidade, impaciência e arrogância.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você terá a energia necessária para começar algo novo
ou dar um novo impulso a algo que já esteja em andamento. Você enfrentará os desafios
deste dia com autoconfiança e entusiasmo. A sua energia contagiante não passará
despercebida pelos outros a sua volta e poderá até proporcionar momentos
emocionantes no âmbito dos relacionamentos pessoais. Prepare-se para surpresas,
esteja
aberto a impulsos e aproveite as chances que forem oferecidas.
Símbolos Significado
Dois "dorjes", símbolos tibetanos do
trovão, cruzados
Poder divino, que destrói e constrói
"Dorje" como símbolo fálico Energia sexual procriadora e
agressiva
Máscaras demoníacas
Dominação do medo
Par de serpentes Destruição e renovação
Seis labaredas Força de vontade que se incendeia
pelo atrito
Elemento e número Atrito (2) entre forças de polaridade
contrária (Fogo)
Astrologia: Marte (T) em Áries (a) Força do ego, energia (T) em
impulsão (a)



DOIS DE PAUS
DOMÍNIO
ASPECTOS GERAIS: Combatividade, coragem, prazer em correr riscos, força de
vontade, inflamar-se por alguma coisa, impor-se espontaneamente, avanço de uma
forma forçada, falta de consideração.
VIDA PROFISSIONAL: Espírito competitivo e rivalidade, desafio profissional,
disposição acentuada em assumir riscos, agir com engajamento.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer os processos destrutivos como condição
necessária para chegar a uma fase produtiva.
RELACIONAMENTO: Desejos de conquista, atmosfera inflamada, jogo tenso entre
                                                                                   238
forças dominadoras e submissas, atitudes machistas.
ENCORAJA A: Arriscar, impor ou conquistar alguma coisa.
ALERTA SOBRE: Valentia desconsiderada, ações destrutivas, demonstrações vazias
de poder.
COMO CARTA DO DIA: Hoje ninguém será capaz de segurar seu impulso de seguir
em frente. Você será capaz de remover radicalmente os obstáculos do seu caminho.
Mas, se você esforçar-se exaustivamente para alcançar os seus objetivos, poderá estar
no final totalmente exaurido e de mãos vazias. Não tente fazer a sua vontade prevalecer
a qualquer custo. Em vez disso, direcione a sua energia que emana do Elemento Fogo
para objetivos que valham a pena ou procure uma outra válvula de escape para a força
que está sobrando dentro de você. Gaste sua energia, por exemplo, praticando esportes
exaustivos ou participando de competições esportivas.
Símbolos Significado
Três bastões com lótus amarelos
desabrochando
Energia vital que desabrocha, luz do
Sol
Estrela de fogo branca com dez
raios no centro
Grande força criadora e estimuladora
de crescimento, pureza
Fundo amarelo-alaranjado Luz do amanhecer, nascer do Sol,
brilho
Elemento e número Desenvolvimento (Fogo) intenso (3)
Astrologia: Sol (Q) em Áries (a)
Autoconfiança, estar centrado em si
mesmo, energia vital (Q) em conexão
com espírito pioneiro e impulso
de seguir em frente (a)




TRÊS DE PAUS
VIRTUDE
ASPECTOS GERAIS: Base saudável, confiança, sucesso, espírito empreendedor,
vitalidade.
VIDA PROFISSIONAL: Contatos benéficos, vínculos comerciais promissores,
perspectivas favoráveis, avanço propício, apoio.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tornar-se consciente de suas possibilidades e desenvolver
autoconfiança.
RELACIONAMENTO: Vontade de curtir a vida, atar laços de ternura, vínculo
promissor, convivência excitante, harmonia.
ENCORAJA A: Olhar confiante para futuro e seguir novas metas.
ALERTA SOBRE: Ultrapassar impetuosamente os limites.
COMO CARTA DO DIA: Desfrute da atmosfera primaveril deste dia, não importa em
qual estação do ano você esteja. Sacuda os pensamentos tristes para longe e
presenteiese
com um ramalhete de flores. Caso você ainda não esteja comprometido, sentir-se-á
agora intensamente preparado para um novo amor. Hoje talvez surja uma oportunidade
para uma paquera. Porém, mesmo sozinho, você vivenciará este dia como sendo
extremamente benéfico.
                                                                                      239
Símbolos Significado
Círculo amarelo com quatro bastões
cruzados sobre Sol com oito chamas
Aspiração (8) do Terreno (4 e Cruz)
pelo Divino (Círculo), perfeição
(Círculo) e ao mesmo tempo limitação
(Cruz) da força criadora (Sol)
Cabeça de carneiro (guerra) e pomba
(paz) na ponta dos bastões
Equilíbrio de forças contrárias,
convivência harmoniosa
Fundo verde-escuro Prosperidade, naturalidade, prazer de
viver
Elemento e número Vontade (Fogo) inabalável (4)
Astrologia: Vênus (R) em Áries (a) Charme e boa vontade (R) em
conexão equilibrada com prazer em
lutar e desejo de conquista (a)




QUATRO DE PAUS
CONCLUSÃO
ASPECTOS GERAIS: Ordem e harmonia, dinâmica equilibrada, autoconfiança,
equilíbrio.
VIDA PROFISSIONAL: Distribuição de lucros, ser pago por um trabalho realizado,
resultados visíveis, espírito de grupo dinâmico, eficiência.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Percepção da totalidade que engloba contradições e
opostos.
RELACIONAMENTO: Ser complementado pelo parceiro, convivência harmoniosa,
solução de conflitos, encontros enriquecedores, realização sexual, dinâmica saudável na
relação.
ENCORAJA A: Encontrar a medida certa entre condescendência e intransigência.
ALERTA SOBRE: Abdicar até de discussões sadias em prol do estabelecimento de
uma harmonia.
COMO CARTA DO DIA: Tudo que você começar hoje terá boas chances de ser
concluído favoravelmente. Você conseguirá até apaziguar diferenças aparentemente
intransponíveis e isso preencherá com uma profunda satisfação. Você estará disposto a
fazer acordos, sem que precise, para isso, perder de vista os seus interesses. Se por
acaso você estiver há algum tempo evitando fazer algo um tanto desagradável, como,
por exemplo, dar um telefonema difícil, hoje poderá realizar essa tarefa com sucesso.
Símbolos Significado
Bastão em posição vertical com
símbolo real do antigo Egito Poder máximo
Flores e asas de cor violeta Força espiritual
Dois bastões cruzados com cabeças
de Fênix
Energia criativa e purificadora
Dois bastões cruzados com flores de
lótus
Força receptiva, fertilidade
Estrela com dez chamas Calor que se nutre do atrito de
                                                                                     240
energias contrárias
Fundo amarelo-ensolarado
Busca pela Luz
Elemento e número Desafio (5) para uma competição
(Fogo)
Astrologia: Saturno (U) em Leão (g) Coragem (g) para assumir
responsabilidades (U) e desenvolvimento
pessoal (g) perseverante (U)



CINCO DE PAUS
DISPUTA
ASPECTOS GERAIS: Medir forças, ambição, impetuosidade, desafio, ultrapassar
limites.
VIDA PROFISSIONAL: Concorrência, interesses comerciais diversos, disputar ou
defender cargos com persistência, engajamento ambicioso, conquistar "terras novas".
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Discutir pontos de vista controversos para encontrar a
melhor solução.
RELACIONAMENTO: Chegar a um consenso apesar das diferenças, entrar em atrito,
conciliar incompatibilidades.
ENCORAJA A: Ousar algo novo e entrar em uma competição.
ALERTA SOBRE: Possuir uma ambição desenfreada e tentar impressionar os outros
com arrogância.
COMO CARTA DO DIA: Este dia promete ser bem agitado. Alguém poderá cruzar
seu caminho, acarretando um choque de interesses. Não fuja do conflito, agarre touro
pelos chifres e demonstre claramente que você está no páreo. Se agir com justiça, e
além disso com empenho total, você terá boa chance de encontrar uma solução
satisfatória. Mesmo que hoje você tenha de lidar com burocratas, não hesite em mostrar
seu lado combativo.
Símbolos Significado
Cabeças de Fênix Força criadora
Flores de lótus
Energia receptiva
Discos solares alados com serpentes Símbolo de domínio equilibrado
Pares de bastões cruzados
harmoniosamente, com chamas ardentes
nos pontos de interseção
Energia estabilizada, ponto
culminante
Fundo em tom lilás
Verdade, magnanimidade
Elemento e número
Luta (Fogo) bem-sucedida (6)
Astrologia: Júpiter (Y) em Leão (g) Plenitude, riqueza, sucesso (Y) em
conexão com autoconfiança,
desenvolvimento pessoal, força,
triunfo (g)



SEIS DE PAUS
                                                                                     241
VITÓRIA
ASPECTOS GERAIS: Recompensa por serviços prestados, boas notícias, otimismo,
vitória.
VIDA PROFISSIONAL: Reconhecimento, sucesso encorajador, conclusão
bem-sucedida, bons negócios, impulso na carreira, aumento de salário, condecoração.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Desenvolver otimismo na vida.
RELACIONAMENTO: Superação de dificuldades, desabrochar de um relacionamento
caloroso, perspectivas agradáveis.
ENCORAJA A: Ter confiança de que tudo dará certo.
ALERTA SOBRE: Vangloriar-se do seu próprio sucesso com ar de menosprezo pelos
outros.
COMO CARTA DO DIA: Você tem motivos suficientes para alegrar-se, pois hoje é
seu dia de sorte! Uma boa notícia está no ar. Principalmente se você passou agora por
uma fase cansativa, perceberá como tudo tomará um impulso e se desenvolverá
rapidamente. Reconhecimento e uma recompensa adequada Aguardarão agora em
todos os lugares em que tenha prestado bons serviços. Desfrute do seu triunfo,
demonstre a sua felicidade e comemore adequadamente com os seus amigos.



SETE DE PAUS
VALOR
Símbolos Significado
Bordão em posição vertical no
primeiro plano
Força elementar selvagem, arma do
herói
Três pares de bastões com cabeças
de Fênix, flores de lótus e discos
solares alados cruzados harmoniosamente
no segundo plano
Forças estruturadas que aos poucos
vão perdendo efeito
Chamas desnorteadas Energias desorientadas,
desperdiçadas
Fundo violeta-escuro Ameaça
Elemento e número Auto-afirmação (Fogo) arriscada (7)
Astrologia: Marte (T) em Leão (g)
Coragem, determinação e disposição
para lutar (T) em conexão com
autoconfiança triunfante (g)
ASPECTOS GERAIS: Arriscar-se a seguir sozinho seu próprio caminho, superar-se,
lutar contra as adversidades, assumir um risco.
VIDA PROFISSIONAL: Cargo ameaçado, engajamento intenso, realizar um propósito
com determinação e até sozinho, se for necessário.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Lutar corajosamente por uma boa causa que esteja
enfraquecida ou impopular.
RELACIONAMENTO: Salvar relacionamento de um fracasso por meio de uma
manobra ousada ou afastar uma ameaça; dar um novo impulso com decisão a um
relacionamento desgastado.
ENCORAJA A: Salvar com bravura uma causa aparentemente perdida.
ALERTA SOBRE: Superestimar a si mesmo e gastar energia desnecessariamente.
                                                                                        242
COMO CARTA DO DIA: Uma vitória, que você já contava como certa, poderá hoje
estar ameaçada, ou um assunto que seja importante para você poderá subitamente
perder
significado. Conte com uma possível interferência de pessoas em seus assuntos, com
propósito de ameaçar a sua posição. Não fique parado passivamente vendo as suas
esperanças se perderem; lute com determinação pela sua causa. Ouse e, se necessário,
siga sozinho seu próprio caminho.
Símbolos Significado
Oito bastões em forma de raios
sobrepostos a um octaedro tridimensional
Oito, número intermediário,
permite que inspirações súbitas
vindas de mundos superiores
penetrem em nossa realidade
(tridimensional), compreensão
repentina, rompimento para a
liberdade, da tensão surge a luz
Arco-íris Ligação entre mundo espiritual e
mundo terreno
Fundo azul-claro Inspiração mental, inteligência
Elemento e número
Coragem (Fogo) para transformações
(8)
Astrologia: Mercúrio (E) em
Sagitário (l)
Pensamento e reconhecimento (l)
confiante, perspicaz e cheio de
esperança (E)



OITO DE PAUS
RAPIDEZ
ASPECTOS GERAIS: Lampejo súbito, solução repentina de um problema,
inspirações, "estar ligado à tomada".
VIDA PROFISSIONAL: Inovação, idéias empolgantes, desenvolvimentos favoráveis,
novos vínculos comerciais, negócios com exterior, aperfeiçoamento, ações rápidas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Abrir-se para novos horizontes por meio da superação
de velhos padrões de pensamento.
RELACIONAMENTO: Amor à primeira vista, solução repentina de conflitos,
impulsos estimulantes, erotismo ardente.
ENCORAJA A: Abrir-se para novas percepções e agir imediatamente.
ALERTA SOBRE: Conclusões apressadas, dar muita ênfase ao intelecto,
extravagâncias intelectuais.
COMO CARTA DO DIA: Uma boa notícia ou um telefonema inesperado poderão,
hoje, enchê-lo de energia e mudar surpreendentemente rumo do seu dia. Sua mente
estará fervilhando e, entre as muitas idéias que lhe passarão hoje pela cabeça,
encontrarse-
á a solução de um velho problema. Essa energia poderá, até mesmo, estender-se à sua
vida amorosa e explodir como "fogos de artifício". Isso seria, com certeza, a maneira
mais prazerosa de canalizar tanto vigor.
Símbolos Significado
                                                                                    243
Oito flechas cruzadas com as pontas
direcionadas para baixo Forças que ativam energias inconscientes
Bastão central em posição vertical
conectando Sol (Q) e a Lua (W)
Uníssono entre consciente (Q) e
inconsciente (W), combinação harmoniosa
entre espírito (Q) e alma (W)
Estrela de dez raios ao fundo Luminosidade resultante da ligação
harmônica
Cor ao fundo que vai clareando para
cima
Força que ascende do inconsciente
Elemento e número Coragem (Fogo) concentrada (9)
Astrologia: Lua (W) em Sagitário (l) Confiança e necessidade de
desenvolvimento (l) que ascendem do
inconsciente (W)



NOVE DE PAUS
FORÇA
ASPECTOS GERAIS: Dispor de muitas possibilidades, estar cheio de energia,
alegrar-se por algo que está por vir, inspiração.
VIDA PROFISSIONAL: Adentrar solos novos e repletos de perspectivas, ter
confiança nas próprias capacidades, começar um projeto com coragem e entusiasmo.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ser inspirado pelo inconsciente.
RELACIONAMENTO: Estabilidade e unissonância, impulsos estimulantes vindos da
alma, novo vínculo forte, intercâmbio intenso, entusiasmo.
ENCORAJA A: Agir audaciosamente confiando na sua própria intuição.
ALERTA SOBRE: Deixar-se levar por pensamentos megalômanos.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve arriscar-se! Deve ousar experimentar algo
para qual lhe tenha faltado coragem até agora. Você poderá confiar completamente na
sua intuição, que conduzirá a fazer instintivamente a coisa certa. Poderá também
aproveitar a energia inspiradora do dia de hoje para fazer planos agradáveis para futuro,
como, por exemplo, programar as suas próximas férias.
Símbolos Significado
Oito bastões ardendo em chamas Impulsos ardentes
Chamas selvagens em segundo
plano
Energias incontroláveis
Fundo cor de laranja
Energia do fogo
Dois poderosos bastões ritualísticos
tibetanos em primeiro plano Controle e opressão da energia do
fogo
Elemento e número Soma (10) de forças agressivas
(Fogo)
Astrologia: Saturno (U) em Sagitário (l)
Bloqueio, inibição, contenção (U) de
entusiasmo, capacidade persuasiva,
visão do mundo, expansão (l)

                                                                                        244
DEZ DE PAUS
OPRES SÃO
ASPECTOS GERAIS: Desenvolvimento bloqueado, problemas com autoridade,
frustração, medo da vida, camisa-de-força.
VIDA PROFISSIONAL: Forte pressão por causa do excesso de trabalho, estresse,
tormento, tentativa inútil de reconhecimento, medo do futuro profissional, dificuldades
de liderança.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Somente será possível dominar as tensões interiores
por meio de um profundo esforço.
RELACIONAMENTO: Endurecimento, lutas pelo poder, lutar contra tabus e
proibições, sentimentos bloqueados, desesperança.
ENCORAJA A: Reconhecer as suas próprias limitações e agir com responsabilidade.
ALERTA SOBRE: Demonstrações de poder, intolerância e agressividade reprimida.
COMO CARTA DO DIA: Arme-se hoje com uma boa dose de disciplina e capacidade
de resistência. Você poderá precisar delas. Talvez seja agredido por causa das suas
opiniões ou alguém tente dominá-lo. Você poderá também entrar em conflito com
autoridades, seja com seu chefe ou com a polícia de trânsito. Não se deixe provocar, de
forma nenhuma, mantenha-se tranqüilo e sereno, mesmo que isso não seja fácil. Você
reconhecerá mais tarde quão inteligente terá sido tomar essa atitude.
Símbolos Significado
Chama amarelo-esverdeada em
movimento dinâmico sobre um
fundo vermelho
Força vital efervescente, confiança
intensa, energias selvagens
Figura feminina nua Pureza sedutora
Plumas de avestruz como uma
cobertura para a cabeça
Justiça
Bastão com Sol Luminosidade
Tigre direcionado para baixo Separação dos impulsos
Altar dourado com cabeças de
carneiros
Energia vital ardente, força primaveril
Rosas em chamas Sacrifício para a deusa do amor



PRINCESA
DE PAUS
ASPECTOS GERAIS: Mulher jovem, dinâmica, impulsiva e cheia de vida, amazona,
impulso inicial, novo começo impetuoso, entusiasmo, espírito de aventura, impaciência.
VIDA PROFISSIONAL: Idéias inovadoras que necessitam ser expressas, início de
uma carreira profissional.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ficar em estado eufórico por causa de uma vontade
efervescente de viver.
RELACIONAMENTO: Vontade de curtir a vida, paixão tempestuosa, desejo sexual,
paquera excitante, fogo de palha, "pular a cerca".
ENCORAJA A: Viver de uma forma espontânea e cheia de ânimo.
ALERTA SOBRE: Comportamento teatral e humores variáveis e impulsivos.
                                                                                         245
COMO CARTA DO DIA: Hoje você quer tudo ou nada. Você não se dará por
satisfeito com meios-termos. Você estará tão radiante de energia que mal poderá esperar
para contagiar os outros com seu entusiasmo. No amor, isso poderá conduzi-lo a um
encontro apaixonante. De qualquer jeito, você estará disposto a deixar-se levar por uma
aventura, sem se preocupar com as conseqüências. De fato, hoje não terá nada que
impeça de deixar a razão de lado e, pelo menos uma vez, agir de acordo com os
princípios do prazer.
Símbolos Significado
Guerreiro nu em carruagem de
combate
Força impulsiva, capacidade de
imposição, jovialidade
Coroa de raios
Brilho, força criadora
Emblema mágico no peito Poder e capacidade de influenciar os
outros
Leão incandescente puxando a
carruagem Energia animal impulsiva, que
impele para a frente
Leão com rédeas Controle dos impulsos
Labaredas pontiagudas
Energia criativa direcionada para
alvo
Lança com cabeça de Fênix
Símbolo egípcio de poder, energia
purificadora



PRÍNCIPE
DE PAUS
ASPECTOS GERAIS: O homem empreendedor, conquistador, herói, corredor, a
pessoa colérica, novo impulso, iniciativa, entusiasmo.
VIDA PROFISSIONAL: Estar à disposição para trabalhar, vontade de se arriscar,
coragem para tornar-se autônomo, espírito pioneiro, começar algo novo com todo
entusiasmo.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ter uma postura otimista na vida e autoconfiança
elevada.
RELACIONAMENTO: Paixões selvagens, erotismo exigente, aventura arriscada,
satisfação do desejo de uma forma espontânea, porém também infantil. Humores
imprevisíveis.
ENCORAJA A: Encarar a vida de uma maneira aberta e cheia de autoconfiança.
ALERTA SOBRE: Satisfação espontânea de desejos à custa de objetivos a longo
prazo.
COMO CARTA DO DIA: Para ter uma experiência realmente intensa, você hoje
aceitará até correr riscos. De preferência, você gostaria de mostrar para todos quem
realmente traz dentro de si. Porém, se afrouxar as rédeas na hora errada, poderá, com
seu jeito enérgico, passar por cima de alguém e até aborrecer-se com os seus vizinhos
ou colegas de trabalho. Por isso, procure palco adequado para a sua encenação. Quebre
algum recorde ou saia e divirta-se.
Símbolos Significado
Rainha sentada em um trono de
                                                                                     246
labaredas, com os olhos fechados
Fogo interior, energia kundalini,
espiritualidade
Cabelos longos Energia vital
Coroa com 12 raios e sol alado Força criadora completamente
desenvolvida, iluminação
Bastão com cone de pinha na ponta
(Bastã) de Tirso no culto a Dionísio)
Paixão, êxtase
Leopardo Forças animalescas, natureza
instintiva
Mão sobre a cabeça do leopardo Domesticação cuidadosa e
integração das forças animalescas



RAINHA
DE PAUS
ASPECTOS GERAIS: Autoconfiança sadia, espírito empreendedor, franqueza,
impulsividade, independência, auto-realização, mulher enérgica, carismática. generosa e
madura.
VIDA PROFISSIONAL: Realizar-se profissionalmente com consciência de suas
capacidades, ter competência para assumir grandes tarefas, promoção, tornar-se
autônomo, assumir posições de liderança.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Aprimorar uma paixão ardente e transformá-la em
aspiração espiritual.
RELACIONAMENTO: Relação madura de igual para igual, leve submissão, tantra do
amor, calor humano.
ENCORAJA A: Expressar suas necessidades pessoais e responder por si mesmo.
ALERTA SOBRE: Egocentrismo e imposição de suas vontades a qualquer preço.
COMO CARTA DO DIA: Hoje é você quem manda! Você está sentindo-se forte, sabe
exatamente que quer e está preparado para realizar tarefas complicadas, mesmo que as
tenha de fazer sozinho. Graças a essa determinação, você poderá ter êxito ao dar passos
decisivos. Você causará uma impressão bem convincente nas pessoas à sua volta por
causa de sua atitude soberana, e elas se deixarão empolgar, motivar e conduzir por você
com prazer. É também possível que uma mulher enérgica e com força de vontade
represente hoje um papel importante no seu dia.
Símbolos Significado
Cavaleiro com armadura e capa feita
de labaredas, montado em um
cavalo que salta para alto
Energia criadora que jorra, mas que é,
contudo, controlada
Cavalo negro com um chifre Força motriz, determinação e energia
concentrada que estão direcionadas
para uma meta
Tocha ardendo em chamas
Trazer luz e visões para mundo,
força, inflamar também as outras
pessoas
Labaredas ardentes Energia, paixão
Fundo amarelo com raios
                                                                                    247
Iluminação, conhecimento



CAVALEIRO
DE PAUS
ASPECTOS GERAIS: Confiança em si mesmo, coragem, lutar por um ideal, forte
espírito de iniciativa, homem maduro com força de vontade e dinamismo, personalidade
que serve de exemplo para os outros, espírito de liderança.
VIDA PROFISSIONAL: Qualidades de liderança, motivação para novos projetos,
realizar trabalhos pioneiros, soberania, trabalhar com autoconfiança e independência.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Direcionar a sua força de vontade para objetivos
elevados.
RELACIONAMENTO: Convivência agitada de igual para igual entre dois parceiros,
generosidade e vontade de tomar parte em discussões construtivas. vínculo dinâmico.
ENCORAJA A: Agir com determinação. objetividade e coragem.
ALERTA SOBRE: Vaidade, intolerância e egoísmo.
COMO CARTA DO DIA: Hoje é um dia em que você poderá conquistar mundo!
Você estará faiscando de energia e mal poderá esperar para contagiar as pessoas à sua
volta com seu entusiasmo. Você saberá exatamente que quer, apostará em grandes
metas e terá agora boa oportunidade de alcançá-las. Você conseguirá realizar com
facilidade que para os outros parece difícil. Com tanto entusiasmo e tanta confiança,
você deverá ter cuidado para não atropelar as outras pessoas sem nenhuma
consideração. Também pode ser que hoje um homem interessante e temperamental
venha ao seu encontro.




COPAS

Símbolos Significado
O Santo Graal
Amor, franqueza, disposição para
entregar-se, busca pela realização,
cura
Cálice azul da cor de Maria Suavidade, misericórdia, compaixão
Lótus branco que sustenta cálice Força que alimenta e enche cálice
de água vital
Duas flores de lótus, uma dentro da
outra, que se abrem somente na
próxima carta (DOIS DE COPAS)
Beleza, sorte e felicidade como
potenciais, que ainda, irão se
desenvolver
Raio de luz incidindo do alto
Espírito criador inspirador
Elemento e número Chance (Ás = 1) de encontrar a
realização (Água)
Astrologia: Signos do Elemento
Água: Câncer (f), Escorpião (k),
Peixes (c)
                                                                                   248
Profundidade emocional (f), força
espiritual (k), dedicação e compaixão
(c)


ÁS DE COPAS
ASPECTOS GERAIS: Felicidade, riqueza interior, franqueza, harmonia, oportunidade
de encontrar realização.
VIDA PROFISSIONAL: Oportunidade de encontrar a sua verdadeira vocação,
atividade que tenha um sentido, realização profissional, paz e satisfação no local de
trabalho.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Abrir-se ao mistério do amor universal.
RELACIONAMENTO: Vivenciar um amor profundo, encontrar uma realização
imensa, clima romântico, entrega.
ENCORAJA A: Aproveitar uma oportunidade para encontrar uma felicidade enorme.
ALERTA SOBRE: Exaltação pretensiosa.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você vai receber uma boa ajuda. Aproveite momento
favorável para ousar fazer algo que prometa satisfação. As chances são boas,
principalmente no que diz respeito aos assuntos do coração. Se você aproximar-se das
outras pessoas despreocupadamente, poderá cair, de fato, diretamente nos braços de
uma sorte grande. Você poderá também encontrar a paz interior, solucionando um
problema antigo ou, finalmente, fazendo as pazes com alguém.
Símbolos Significado
Cálices com água derramando Sentimentos extravasados
Peixes entrelaçados, dos quais jorra
água Aliança afetuosa, vinculo físico e
espiritual, atração, troca emocional
Duas flores de lótus cor-de-rosa
desabrochadas, ligadas uma à outra Desenvolvimento harmônico,
ligação afortunada entre dois pólos,
amor
Água calmas, céu azul Paz e harmonia
Elemento e número Fusão (Água) de opostos (2)
Astrologia: Vênus (R) em Câncer (f)
Entrega e sentimentos (f) afetuosos, que
trazem felicidade (R), vínculo (R)
emocional (f)



DOIS DE COPAS
AMOR
ASPECTOS GERAIS: Ligações felizes, aproximação, reconciliação, encontros
prazerosos.
VIDA PROFISSIONAL: Bom ambiente de trabalho, trabalho em conjunto repleto de
confiança, contatos agradáveis com clientes, fazer uma sociedade comercial.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Unir as duas almas que existem dentro de si.
RELACIONAMENTO: Encontro afetuoso, almas gêmeas, reconciliação, viver um
grande amor.
ENCORAJA A: Ligar-se aos outros afetuosamente.
ALERTA SOBRE: Por causa de uma necessidade excessiva de harmonia, acabar por
negar-se a si mesmo.
                                                                                        249
COMO CARTA DO DIA: Hoje, trunfo é coração! Este dia será dominado por uma
profunda simpatia, um grande amor ou uma reconciliação. Deixe as "antenas" da sua
alma "ligadas", pois hoje você poderá apaixonar-se outra vez. Caso você já esteja
comprometido, irá pairar no ar uma sensação de retomo da primavera. Não fique apenas
parado esperando que a sorte grande venha bater à sua porta, faça também a sua parte
para que a deusa Fortuna possa presenteá-lo e as setas do cupido não sejam atiradas no
vazio.
Símbolos Significado
Cálices transbordando Amor, alegria, abundância, que fazem
coração transbordar
Cálices feitos de romãs Fertilidade, vínculo ou compromisso
profundo (Perséfone teve de
permanecer no submundo com
Hades, por ter comido uma semente
de romã)
Flores de lótus douradas, que
enchem os cálices
Amor espiritual
Água azul-escura, de onde saem as
hastes das flores de lótus
Fonte original da fertilidade
Elemento e número
Sentimentos (Água) vivos (3)
Astrologia: Mercúrio (E) em
Câncer (f)
Interação (E) emocional (f),
inteligência (E) emocional (f)



TRÊS DE COPAS
ABUNDÂNCIA
ASPECTOS GERAIS: Realização, alegria, interação fecunda, gratidão, bem-estar,
colheita abundante.
VIDA PROFISSIONAL: Negócios agradáveis, bom trabalho em conjunto, alegria em
realizar um trabalho, projetos promissores, contratos com boas perspectivas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Estar repleto de profunda gratidão.
RELACIONAMENTO: Alegria no amor, convivência harmoniosa, vinculo fecundo,
casamento.
ENCORAJA A: Comemorar todas as festas que aparecerem.
ALERTA SOBRE: Não distribuir a colheita antes que ela esteja no celeiro.
COMO CARTA DO DIA: Alegre-se com dia de hoje, pois ele presenteará com
abundância. Desfrute lado bom da vida, faça uso de suas diversas possibilidades e
mostre-se grato pelos prazeres que a vida lhe oferece neste momento. O melhor de tudo
é poder compartilhar a sua alegria com outras pessoas. Convide seus melhores amigos,
desfrute de bons momentos ao lado da sua família ou encha de mimos alguém que você
ama. Afinal de contas, não é todo dia que temos tantas razões para comemorar.
Símbolos Significado
Cálices repletos Riqueza de sentimentos, fartura
emocional
Pedestal quadrado Base estável
Flor de lótus vermelha, fortemente
                                                                                   250
enraizada, que se derrama sobre os
cálices
Amor que transborda, sentimentos
profundos, estabilidade emocional
Céu negro-acinzentado, mar agitado Inquietação profunda, ainda inconsciente
Elemento e número Fartura (4) emocional (Água)
Astrologia: Lua (W) em Câncer (f ) Sentimentos (W) maternais, de zelo,
de dedicação (f )



QUATRO DE COPAS
LUXÚRIA
ASPECTOS GERAIS: Gozar a vida, desfrutar, estabilidade, proteção e aconchego.
VIDA PROFISSIONAL: Clima de confiança no ambiente de trabalho, vivenciar bons
momentos, negócios agradáveis, equipe de trabalho entrosada.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a semente da decadência que a abundância
traz dentro de si.
RELACIONAMENTO: Desfrutar amor intensamente, tratar um ao outro com
carinho, vivenciar aconchego familiar, relação na qual os parceiros são cuidadosos um
com outro.
ENCORAJA A: Aproveitar as várias possibilidades disponíveis e apreciar momento.
ALERTA SOBRE: Acreditar ingenuamente que tudo permanecerá tão bem quanto está
sendo agora.
COMO CARTA DO DIA: Gaste bastante tempo saboreando dia de hoje. Você atingiu
um ápice temporário e merece tirar uma folga. Desfrute deste dia e não esquente a
cabeça com problemas que possam ser resolvidos amanhã, caso eles não se solucionem
por si mesmos. Em vez disso, alegre-se pela simpatia e dedicação que lhe serão
direcionadas hoje. Já que a vida lhe está oferecendo tantas coisas boas, você poderá
também demonstrar seu lado generoso com as outras pessoas.
Símbolos Significado
Cálices vazios e lagoa seca Sentimentos ressequidos, desilusão,
esterilidade
Duas flores de lótus murchas Amor envelhecido
Cálices posicionados na forma de um
pentagrama invertido
Triunfo da matéria sobre espírito
Raízes dos lótus em forma de
borboleta
Força da transformação
Céu vermelho-encarnado
Cólera, perigo
Elemento e número
Crise (5) emocional (Água)
Astrologia: Marte (T) em Escorpião (k)
Força que surge (T) da putrefação (k)



CINCO DE COPAS
DESAPONTAMENTO
ASPECTOS GERAIS: Expectativas decepcionadas, esperanças desvanecidas,
                                                                                   251
melancolia, reconhecimento doloroso, crise de transformação.
VIDA PROFISSIONAL: Projetos frustrantes, prejuízo nos negócios, recusas súbitas,
fracasso.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a força renovadora que surge na putrefação.
RELACIONAMENTO: Sentimentos que se estão extinguindo, estar atolado no
"pântano" da relação, princípio do fim.
ENCORAJA A: Demonstrar seu desgosto e a sua decepção.
ALERTA SOBRE: Otimismo cego e expectativas exageradas.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você terá de contar com uma freada. Alguma coisa
pela qual você já se havia alegrado, ou que já contava como certa, não acontecerá como
você esperava. Caso seja apenas uma coisa insignificante, enfrente a situação com bom
humor. Porém, tratando-se da dissolução de algo realmente importante, você deverá
suportar fato com calma, sem esconder a sua decepção. Quanto mais consciente e
sincero você encarar as suas esperanças fracassadas, mais rápido sentirá outra vez chão
embaixo dos seus pés.
Símbolos Significado
Cálices cheios
Realização, satisfação
Flores de lótus "dançantes", de cor
laranja
Alegria de viver, vitalidade, leveza
Hastes dos lótus com formas de
borboletas
O despertar de uma nova vida, forças
liberadas
Mar agitado
Sentimentos reanimados
Céu azul-claro
Tranqüilidade, contemplação
Elemento e número
Ligação (6) emocional (Água)
Astrologia: Sol (Q) em Escorpião (k)
Alegria de viver (Q) profunda e
auto-renovável (k)



SEIS DE COPAS
PRAZER
ASPECTOS GERAIS: O despertar da vitalidade, criar algo do fundo da alma,
encontrar realização, restabelecimento emocional, bem-estar.
VIDA PROFISSIONAL: Enorme força produtiva, sentir prazer em realizar um
trabalho, tarefas agradáveis.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Centrar-se.
RELACIONAMENTO: O desabrochar dos sentimentos, felicidade profunda, prazer
sensual, realização sexual.
ENCORAJA A: Abrir-se de todo coração para a vida e as suas alegrias.
ALERTA SOBRE: Gula e avidez.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você terá motivos suficientes para sair pulando de
alegria. Se você vai sair por aí literalmente pulando ou se vai fazê-lo dentro de si, tanto
faz, contanto que você não se contenha. Demonstre que você está bem em todos os
sentidos. Ainda mais se estiver se sentindo como se tivesse renascido, depois de ter
                                                                                              252
passado por uma fase ruim; saboreie intensamente a doçura da vida. Faça uma festa ou
celebre a si mesmo e satisfaça aquele desejo que você já vem guardando há muito
tempo.
Símbolos Significado
Sete cálices ordenados como dois
triângulos voltados para baixo
Desmoronamento
Lírios-tigre enchem os cálices com
um néctar venenoso
Tentação enganadora, calamitosa
Lago lamacento, envenenado Perigo do declínio
Céu verde-acinzentado
Atmosfera envenenada
Elemento e número Ilusões (Água) perigosas (7)
Astrologia: Vênus (R) em Escorpião (k) Precipícios (k) do prazer (R); gozo
(R)que conduz à dependência (k)



SETE DE COPAS
DEBOCHE
ASPECTOS GERAIS: Fatalidade, atração perigosa, vícios, enganos, desgraça
iminente.
VIDA PROFISSIONAL: Intrigas, negócios sujos, especulações fracassadas, dependência
fatal.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Aprender a diferenciar "busca" de "vício".
RELACIONAMENTO: Atmosfera carregada, servidão; por meio do relacionamento,
envolver-se com más companhias ou negócios duvidosos.
ENCORAJA A: Largar de mão algo.
ALERTA SOBRE: Fuga da realidade e situações tentadoras que levam à destruição.
COMO CARTA DO DIA: Hoje não se deixe seduzir, por mais atraente que a oferta
lhe pareça. Você pode acabar caindo em um atoleiro de esperanças falsas, do qual só
sairá com muita dificuldade. Evite situações obscuras, tudo que for mórbido ou não for
transparente, e recuse, de preferência, algo que lhe possa parecer muito atraente à
primeira vista, mas que só irá trazer vantagens a curto prazo. Fique de olhos bem
abertos e tome bastante cuidado com álcool e outras drogas.
Símbolos Significado
Cálices avariados, os quais somente
metade está cheia
Desgaste, falta de vitalidade
Lago escuro, apodrecido Melancolia, perigo de afundar-se
Flores de lótus murchas Falta de força e energia
Céu escurecido e carregado de
nuvens
Depressão, ameaça, medo do futuro
Elemento e número Humores (Água) alterados (8)
Astrologia: Saturno (U) em Peixes (c)
Sentimentos (c) contidos, mortos (U)



OITO DE COPAS
                                                                                    253
INDOLÊNCIA
ASPECTOS GERAIS: Fraqueza, esperanças destruídas, impasse. resignação.
necessidade de dar uma guinada, paralisação, depressão.
VIDA PROFISSIONAL: Ambiente de trabalho carregado, negócios estagnados, falta
de energia, expectativas frustradas, perigo de demissão, má administração.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer os próprios erros que levaram a decepções.
RELACIONAMENTO: Sentimentos indiferentes. ar carregado, falta de engajamento,
vínculo desesperançoso, resignação.
ENCORAJA A: Abandonar um atoleiro sinistro.
ALERTA SOBRE: Agarrar-se a algo deteriorado ou começar algo sem perspectivas.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você poderá atolar-se na lama. Mesmo que a culpa
não seja toda sua, você colaborou em parte para que isso acontecesse. Já que a situação
está muito confusa, você deve tentar sair mais rápido possível desse lamaçal. É também
muito importante que você se conscientize das razões que levaram a essa paralisação.
Só assim você poderá evitar que esse mesmo erro seja cometido outra vez no futuro.
Símbolos Significado
Flores de lótus derramam-se sobre
nove cálices
Alegria transbordante
Disposição em forma de um retângulo
simétrico
Estabilidade
Céu azul
Confiança, paz
Lago tranqüilo
Sentimentos estáveis, equilíbrio
Elemento e número Sentimentos (Água) concentrados (9)
Astrologia: Júpiter (Y) em Peixes (c) Felicidade, crescimento, confiança
(Y) na espiritualidade e amor
universal (c)



NOVE DE COPAS
FELICIDADE
ASPECTOS GERAIS: Felicidade, otimismo, descoberta do sentido, caridade,
confiança em Deus, felicidade serena.
VIDA PROFISSIONAL: Alegria no trabalho, bom faro para os negócios, espírito de
equipe, fechamento favorável de um contrato.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Alegria que transborda coração.
RELACIONAMENTO: Felicidade no amor, afeição, atração profunda, realização
emocional e física.
ENCORAJA A: Alegrar-se por sua própria sorte e olhar para futuro repleto de
confiança.
ALERTA SOBRE: Doçura exacerbada.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você rirá à vontade, pois a sorte estará ao seu lado!
Tudo correrá maravilhosamente bem e se desenvolverá como você queria. Aproveite.
Você poderá aumentar a sua alegria ainda mais, se compartilhá-la com os outros à sua
volta. Dê um passeio com a família ou convide amigos para irem à sua casa. É claro que
você também poderá aproveitar vento a seu favor para resolver facilmente algumas
coisas que já queria ter feito há muito tempo.
Símbolos Significado
                                                                                    254
Cálices ordenados na forma da
Árvore da Vida41
Harmonia emocional, realização
profunda
Cálices oscilantes
Princípio de uma mudança, instabilidade
Flor de lótus grande e vermelha Amor dedicado universal
Fundo vermelho e asas dos cálices
feitas de chifres de carneiro
Característica de Marte, energia do
fogo, nova arrancada
Elemento e número Abundância (10) de sentimentos
(Água)
Astrologia: Marte (T) em Peixes (c) Realização (c) e novo começo (T),
força (T) emocional (c)
___________________________
41. Símbolo cabalístico que representa a totalidade da criação.



DEZ DE COPAS
SACIEDADE
ASPECTOS GERAIS: Realização, apogeu, perfeição, gratidão, sociabilidade.
VIDA PROFISSIONAL: Trabalho bem-sucedido, fechar um negócio favoravelmente,
boas condições de trabalho, aposentadoria.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: A compreensão de que ápice termina a subida.
RELACIONAMENTO: Momentos felizes e satisfatórios, deliciar-se em emoções,
cobrir-se mutuamente de mimos.
ENCORAJA A: Desfrutar de sua alegria juntamente com os outros, sem se agarrar a
ela.
ALERTA SOBRE: A provável decadência que segue um apogeu.
COMO CARTA DO DIA: Celebre todas as festas que aparecerem. Hoje você terá
boas razões para isso. Ou porque você conseguiu concluir algo com sucesso, por estar
feliz e agradecido por um resultado positivo, ou simplesmente por estar sob todos os
aspectos satisfeito consigo mesmo e com a vida. Faça algo de bom para si mesmo,
encontre-se com amigos e saboreie essa despreocupação, enquanto ela durar.




PRINCESA
DE COPAS

Símbolos Significado
Mulher dançando com vestido em
forma de concha
Encanto oculto, mundo interior
amplo, mediunidade
Cristais em formação Cristalização de valores interiores
Cálice com tartaruga Mundo interior que se abre para
exterior
Cisne como coroa Dom da profecia
                                                                                       255
Delfim pulando contentemente Alegria de viver, força criadora
Lótus branca União divina
ASPECTOS GERAIS: Mulher jovem e sensível, sedutora, encantadora, dançarina dos
sonhos, musa, desejo de unir-se, romantismo, sentimentos profundos, entusiasmo,
felicidade tranqüila.
VIDA PROFISSIONAL: Boa intuição ao tomar decisões profissionais, fazer instintivamente
a coisa certa, poder confiar na sua intuição no dia-a-dia profissional.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Vivenciar experiências mediúnicas.
RELACIONAMENTO: Aproximação suave e cuidadosa, sentimentos temos de amor,
franqueza emocional, anseio.
ENCORAJA A: Abrir-se emocionalmente e expressar os seus sentimentos e desejos
ocultos.
ALERTA SOBRE: Coquetismo sedutor e enganar a si mesmo, ingenuamente.
COMO CARTA DO DIA: Não se admire se você hoje for inundado por um anseio
profundo ou por sentimentos temos de amor. Agora, mais do que nunca, você estará
aberto para um encontro romântico e, ao mesmo tempo, também suscetível a todo tipo
de tentações. Você deverá deixar-se envolver, pois tudo indica que terá uma experiência
encantadora, que despertará emoções dentro de você até então desconhecidas.



PRÍNCIPE
DE COPAS
Símbolos Significado
Guerreiro nu com elmo com uma
águia Processo de amadurecimento,
aperfeiçoamento da natureza
instintiva
Carruagem em forma de uma concha
puxada por uma águia
Força espiritual inspiradora, que
ilumina as águas do inconsciente
Cálice com serpente Transformação e renovação
Enorme flor de lótus
Força emocional
ASPECTOS GERAIS: Homem terno e romântico. sedutor, charmoso. cordialidade,
entusiasmo.
VIDA PROFISSIONAL: Vínculo bem-sucedido entre intuição e conhecimento,
engajamento social, atividade artística, trabalho terapêutico.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ser inspirado por seus sentimentos.
RELACIONAMENTO: Interação romântica e cheia de fantasia, tratamento afetuoso,
magia do amor, entusiasmo.
ENCORAJA A: Expressar as suas emoções ou deixar-se levar por urna divagação.
ALERTA SOBRE: Efusão de emoções dissimuladas.
COMO CARTA DO DIA: O dia de hoje dará asas à sua alma. Não somente a cabeça e
coração estarão harmonizando-se agradavelmente um com outro, como você também
vivenciará um impulso emocional, que elevará para sétimo céu. Aproveite a
oportunidade para colocar em ordem coisas que necessitem tanto de imaginação quanto
de razão. Sobretudo se alguma coisa estiver emperrada no âmbito dos relacionamentos.
liberte-a hoje.


                                                                                    256
RAINHA DE COPAS
Símbolos Significado
Figura feminina coberta por um véu
Fada misteriosa do oráculo
Lagoa serena O inconsciente, as sensações mais
profundas
Reflexo Espelho da alma, inconsciente
coletivo, sonhos
Caranguejo (no cálice) Maneira de agir instintiva, obstinada
Cálice branco em forma de concha Maternidade, renascimento, pureza
Flores de lótus Amor transbordante, pureza,
suscetibilidade
Garça Vigilância. prudência, segurança
instintiva
Arcos de luz brancas e azuis
Intuição
ASPECTOS GERAIS: Sensibilidade, dedicação, inspiração, emoções profundas,
suscetibilidade, suavidade, mulher compreensível, madura, mediúnica ou uma musa
inspiradora.
VIDA PROFISSIONAL: Tarefas espirituais, inspiração artística, pausa produtiva,
atividades mediúnicas ou terapêuticas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ouvir a sua voz interior e confiar nela.
RELACIONAMENTO: Compreensão íntima e sem palavras, almas gêmeas,
dedicação afetuosa, entrega, sentimentos profundos, anseio por fundir-se.
ENCORAJA A: Manter-se fiel aos seus sentimentos.
ALERTA SOBRE: Entregar-se aos seus humores sem se questionar ou perder-se em
utopias.
COMO CARTA DO DIA: Sua abertura emocional deixará hoje bastante receptivo às
necessidades do ambiente ao seu redor e, ao mesmo tempo, vulnerável a uma possível
rigidez. Mesmo assim, você deverá aproximar-se dos outros com total confiança, pois a
sua forte intuição protegerá de dificuldades. Dê uma atenção especial aos seus sonhos!
Você poderá conhecer uma mulher simpática, com capacidades mediúnicas, que
aproximará do lado misterioso e enigmático da vida.




CAVALEIRO DE COPAS
Símbolos Significado
Cavaleiro alado cavalgando para
alto
Princípio espiritual inspirador, que
alcança as esferas espirituais
Cavalo branco Natureza instintiva depurada, pureza
Armadura verde Naturalidade, esperança, fertilidade
Caranguejo (no cálice) Forma de agir instintiva e obstinadamente,
impetuosidade
Pavão com a cauda aberta
Variedade esplendorosa de cores
cintilantes do elemento Água e
magia do mundo dos sentimentos
                                                                                     257
CAVALEIRO DE COPAS
ASPECTOS GERAIS: Profundidade da alma, talento artístico, capacidades
mediúnicas, fantasia, sensibilidade, homem maduro, solícito, compreensivo,
conselheiro intuitivo.
VIDA PROFISSIONAL: Conciliar trabalho com as suas próprias necessidades,
aplicar a sua força espiritual no âmbito profissional, realização de tarefas que exijam
intuição, fantasia e sensibilidade, atividades sociais ou que inspirem as outras pessoas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ser inspirado por um objetivo próximo.
RELACIONAMENTO: Abertura emocional, convivência na qual os parceiros cuidam
um do outro carinhosamente, entendimento profundo, riqueza de sentimentos.
ENCORAJA A: Dar um grande salto para alcançar um objetivo elevado.
ALERTA SOBRE: Correr atrás de uma miragem.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve utilizar toda a sua energia para atingir um
objetivo que já se encontra a seu alcance. Empenhe-se mais uma vez com todo seu
engajamento para alcançá-lo. Agora, mais do que nunca, você perceberá quão
fortemente é apoiado por seus sentimentos e inspirado por sua imaginação fértil.
Também pode acontecer de hoje um homem compreensivo e simpático cruzar seu
caminho ou desempenhar um papel importante no seu dia. Você perceberá a sua
presença como algo enriquecedor e que lhe fará bem.



ESPADAS

ÁS DE ESPADAS
Símbolos Significado
Coroa com 22 raios Sabedoria radiante dos 22 Arcanos
maiores
Espada verde penetrante Força intelectual que penetra e
compreende tudo
A palavra grega qelhma (Thelema =
vontade) escrita na lâmina
Vontade de direcionar a força
intelectual para objetivos mais
elevados
Serpente e duas meias-luas no
punho da espada
A razão como ponte para inconsciente
Luz do sol com textura de cristais
iluminando céu
Lucidez intelectual, despertar da
consciência, percepções
esclarecedoras
Elemento e número Chance (Ás = 1) de compreender
algo ou tomar uma decisão com
inteligência (Ar)
Astrologia: Signos do elemento Ar:
Gêmeos (d), Libra (j) e Aquário (x)
Curiosidade (d), sociabilidade (j),
intelecto (x)
                                                                                            258
ASPECTOS GERAIS: Interesses intelectuais, sede de conhecimento, força da razão,
boa oportunidade para esclarecer, para compreender algo ou para tomar uma decisão
com inteligência e clareza.
VIDA PROFISSIONAL: Boas idéias, procedimento analítico, elaborar novos projetos,
encontrar soluções inteligentes para problemas profissionais, tomar decisões bem
pensadas, planejamento da carreira profissional.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Dar um passo decisivo para autoconhecimento.
RELACIONAMENTO: Esclarecimento de problemas e mal-entendidos, condições
claras e decisões nítidas, percepções importantes.
ENCORAJA A: Esclarecer, compreender, decidir algo.
ALERTA SOBRE: Agir de uma forma excessivamente minuciosa e calculista.
COMO CARTA DO DIA: Uma idéia vibrante irá ajudá-lo hoje a solucionar um
problema incômodo ou a compreender algo que tem sido para você um enigma já há
algum tempo. Fique de olhos abertos e deixe suas "antenas ligadas". Dessa forma, você
terá uma visão ampla da situação e ao mesmo tempo a oportunidade de tomar uma
decisão inteligente ou de elucidar algo que já deveria ter sido esclarecido há muito
tempo.




DOIS DE ESPADAS
Símbolos Significado
Duas espadas cruzadas
Trégua
Rosa azul de cinco pétalas Suavidade, apaziguamento, paz
Formas geométricas brancas com a
mesma forma
Equilíbrio, ordem harmônica, paz
Duas espadas menores com meia-lua
e símbolo de Libra
Equilíbrio, tranqüilidade
Fundo amarelo-esverdeado Ambivalência
Elemento e número Pensamentos (Ar) conciliadores (2)
Astrologia: Lua (W) em Libra (j) Sentimentos (W) equilibrados,
pacíficos (j); necessidade (W) de
harmonia (j)
DOIS DE ESPADAS
PAZ
ASPECTOS GERAIS: Equilíbrio, relaxamento, serenidade, ponderação, justiça,
compromisso.
VIDA PROFISSIONAL: Tática sagaz nos negócios, negociações justas. cotidiano de
trabalho balanceado, encerrar um conflito.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Vivenciar paz interior e equilíbrio.
RELACIONAMENTO: Convivência pacífica, companheirismo, igualdade de direitos,
harmonia, reconciliação.
ENCORAJA A: Soluções justas e equilibradas para a superação de desentendimentos.
ALERTA SOBRE: Intransigência e paz aparente.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve descansar as armas. Uma possível solução
para um conflito inflamado surgirá inesperadamente. Não hesite em dar primeiro passo,
mostre-se disposto a negociar e faça uma proposta justa para adversário. Para que isso
não se torne apenas uma paz aparente, terá de ser encontrado um denominador comum,
                                                                                    259
no qual ninguém seja prejudicado. Quando vocês estiverem juntos, mais tarde, fumando
cachimbo da paz, você se sentirá bem mais relaxado e satisfeito.



TRÊS DE ESPADAS
Símbolos Significado
Rosa amarela com pétalas caindo Perda da perfeição
Espada imponente e duas espadas
curvas Conhecimento poderoso e compreensões
adicionais
Destruição da rosa A compreensão atinge em cheio
coração e destrói a beleza e a
harmonia
Fundo escuro e tempestuoso Infortúnio que se está acumulando,
expectativas temerosas, caos
Elemento e número Constatações (Ar) seguras (3), mas
desagradáveis
Astrologia: Saturno (U) em Libra (j) Bloqueio/fim (U) da paz e da
harmonia (j)
DOR
ASPECTOS GERAIS: Notícia ruim, decepção, fraqueza, tristeza, desamparo, caos,
desilusão, renúncia, perda.
VIDA PROFISSIONAL: Fracasso, ameaça de demissão, falência, cálculo errado, não
ser aprovado em um teste, má notícia.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Percepções dolorosas e decepcionantes, porém
necessárias.
RELACIONAMENTO: Desilusão amorosa, medo da perda, ferimentos, fim do
relacionamento, esperanças desiludidas.
ENCORAJA A: Abrir-se a uma percepção desagradável, mas inteiramente necessária.
ALERTA SOBRE: Utopias que conduzem inevitavelmente a decepções.
COMO CARTA DO DIA: Hoje, quer você queira ou não, terá de se confrontar com
uma situação desagradável. O seu dia pode ser abalado por um golpe entristecedor, uma
notícia decepcionante ou uma decisão dolorosa. Quanto mais controlado e sereno você
encarar essa situação, mais rápido ela se resolverá. Portanto, faça que deve ser feito. Dê
aquele telefonema desagradável e não adie mais uma vez a sua consulta ao dentista.



QUATRO DE ESPADAS
Símbolos Significado
Cruz de Santo André Sofrimento, martírio
Quatro espadas descansando sobre
a cruz
Pausa que não piora nem melhora a
situação
Rosa de 49 pétalas Totalidade (7x7), amor e beleza
Pontas das espadas encontram-se no
centro da flor Faculdades mentais reunidas,
concentração, pausa
Imagem de estrelas desordenadas ao
fundo
                                                                                        260
Perspectivas inquietas
Elemento e número Ponto de vista (Ar) inflexível (4)
Astrologia: Júpiter (Y) em Libra (j) Confiança/esperança (Y) na/de paz e
justiça (j)
TRÉGUA
ASPECTOS GERAIS: Paz aparente, retirada temporária, a calmaria antes da
tempestade, covardia, pausa forçada, isolamento, concentração de forças.
VIDA PROFISSIONAL: Situações de imobilidade, emprego por tempo limitado,
trabalho de curta duração, férias forçadas, falta de perspectivas futuras, conflitos
adiados.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Percepção de que uma trégua ainda não significa paz.
RELACIONAMENTO: Fuga duvidosa de conflitos, repensar a relação, pausa para
descanso em uma crise no relacionamento, procurar ajuda de um terapeuta.
ENCORAJA A: Aproveitar uma calma temporária para trabalhar na verdadeira solução
de um problema.
ALERTA SOBRE: A ilusão de achar que tudo está em ordem outra vez.
COMO CARTA DO DIA: Não confie no sossego. Uma calmaria não é nenhuma
garantia de que a tempestade não recomeçará a qualquer momento. O seu problema só
está resolvido aparentemente, e não se resolverá por si só, futuramente. Mesmo que as
suas manobras de dispersão tenham vindo na hora certa, para você não ter de se
confrontar com esse assunto desagradável, mais importante agora é aproveitar essa
oportunidade para encontrar uma verdadeira solução para problema.




Símbolos Significado
Pentagrama invertido feito de
espadas e pétalas de rosa
Infortúnio, maldade, golpe baixo
Lâminas arqueadas e quebradas Fraqueza
Somente a lâmina mais estragada
aponta para cima
Força fraca de sustentação
Rosa de 49 pétalas despedaçada Aniquilamento total, feridas
emocionais
Luz ao fundo
Clareza que nasce do fracasso
Elemento e número
Percepção (Ar) critica (5)
Astrologia: Vênus (R) em Aquário (x) Comportamento na relação (R)
individualista, imprevisível,
frio (x)
CINCO DE ESPADAS
DERROTA
ASPECTOS GERAIS: Capitulação, traição, humilhação, fracasso, infâmia.
VIDA PROFISSIONAL: Fiasco, desastre, chicana, calúnia, assédio moral, bancarrota.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Perceber que evitar conflitos constantemente provoca
exatamente contrário, ou seja, invoca a briga.
RELACIONAMENTO: Hostilidade, ferimentos mútuos, lutas maldosas pelo poder,
vingança, separação, fracasso.
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ENCORAJA A: Parar de evitar os conflitos, ainda que se corra risco de sair perdendo
dessa vez.
ALERTA SOBRE: Desenvolvimentos perigosos e projetos que estejam condenados ao
fracasso.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve se prevenir. Talvez tenha de se defender
contra uma infâmia, uma calúnia maldosa ou uma chicana. Enfrente tudo da melhor
maneira possível e mantenha em mente que, mesmo depois de uma "sexta-feira negra",
segue um fim de semana no qual você pode se recuperar. Se você conseguir reconhecer
a sua participação para que as coisas tenham chegado a esse ponto, talvez consiga evitar
passar por uma situação desagradável como essa no futuro.




Símbolos Significado
Seis espadas formam um hexagrama Penetração mútua (estrela de seis
pontas) do mundo espiritual e
terreno
As pontas das espadas encontram-se
no centro de uma rosa-cruz amarela Esforço mental aspira a unidade e a
compreensão holística
Círculo dentro do quadrado
A verdade ( ○ ) eterna oculta na
realidade (r)
Rede e estruturas semelhantes a
cata-ventos
Pensamento interligado, flexibilidade
mental
Elemento e número Conhecimentos (Ar) por meio de
Combinações (6)
Astrologia: Mercúrio (E) em
Aquário (x) Pensamento (E) inovador (x) e
reconhecimento (E) filosófico e
científico (x)
SEIS DE ESPADAS
CIÊNCIA
ASPECTOS GERAIS: Conhecimento, progresso, abertura, entendimento,
objetividade, inteligência.
VIDA PROFISSIONAL: Trabalho de equipe, métodos globais de trabalho, trabalhos
autônomos, pesquisa, conceitos inovadores, profissões científicas. trabalho interligado,
descobertas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Avançar na direção de uma compreensão holística.
RELACIONAMENTO: Igualdade de direitos na relação, experimentar coisas novas,
vínculos fortes por afinidade, acordos e conversas claras.
ENCORAJA A: Sentir prazer em experimentar e investigar áreas desconhecidas.
ALERTA SOBRE: Conceitos que sejam muito abstratos ou teóricos e sem alma.
COMO CARTA DO DIA: Hoje, procure informar-se. Amplie os seus horizontes
intelectuais deixando-se estimular ou indo especificamente atrás de uma informação
pela qual você se vem interessando há muito tempo. Navegue na internet, remexa uma
livraria, procure por ofertas interessantes em um jornal ou analise programa de cursos
oferecidos por alguma instituição na sua cidade. Talvez você possa até programar uma
excursão cultural ao teatro, a uma exposição ou a uma palestra interessante.
                                                                                           262
SETE DE ESPADAS
Símbolos Significado
Espada grande com símbolo do Sol Lucidez, raciocínio estruturado,
intelecto
Seis espadas menores com símbolos
de planetas, que apontam na direção
contrária à espada grande
Prejuízo e ameaça por meio da ilusão
(Netuno), obstinação (Saturno),
arrogância (Júpiter), fúria destrutiva
(Marte), falsidade (Vênus), falta de
escrúpulos (Mercúrio)
Fundo azul-claro Superficialidade
Elemento e número Reflexões (Ar) perigosas (7)
Astrologia: Lua (W) em Aquário (x) Teorias e conceitos (x) inconstantes e
instáveis (W)
FUTILIDADE
ASPECTOS GERAIS: Obstáculos inesperados, prejuízos, iludir a si mesmo, trapaça,
covardia.
VIDA PROFISSIONAL: Negócios nebulosos, exploração no local de trabalho,
tramóias obscuras, intrigas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Desmascarar mentiras sobre a vida, fracassar com as
suas boas intenções.
RELACIONAMENTO: Deslealdade, hipocrisia, harmonia aparente, intrigas,
inconseqüência.
ENCORAJA A: Ser sincero consigo mesmo em vez de continuar se enganando.
ALERTA SOBRE: Subestimar resistências externas e internas e contar uma vitória
como certa.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve tomar cuidado. As suas boas intenções
serão colocadas à prova. Se você subestimar as suas barreiras e fraquezas interiores,
pode contar que, em um prazo muito curto de tempo, não conseguirá ir muito mais
adiante. Além disso, você estará hoje tendendo a enganar a si mesmo, em vez de encarar
a realidade de frente. Por isso, mantenha os olhos abertos ao tratar de contratos ou
outros acordos e leia com particular atenção que está escrito em letras miúdas, para não
ser ludibriado.


OITO DE ESPADAS
Símbolos Significado
Duas espadas paralelas com as
pontas para baixo, cruzadas por
diferentes sabres e punhais curvos
Força de vontade e firmeza, que são
freqüentemente perturbadas por
influências contrárias
Fundo vermelho-arroxeado irregular Vingança, briga, desgosto
Elemento e número Idéias (Ar) inconstantes (8)
Astrologia: Júpiter (Y) em Gêmeos (d) Objetivos elevados (Y), que
são ameaçados por dúvidas e
desuniões (d)
                                                                                     263
INTERFERÊNCIA
ASPECTOS GERAIS: Avanços lentos por causa de distrações, indecisão, dúvidas,
dispersão, danos, inconstância.
VIDA PROFISSIONAL: Planos profissionais destruídos ou sabotados, falta de clareza
sobre a sua área de competência, obstáculos inesperados dificultam trabalho.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tomar consciência do campo de interferência que
prejudica a própria vontade.
RELACIONAMENTO: Desavença com relação a objetivos comuns, necessidades
diferentes, atrapalhar um ao outro, ter dificuldade em cumprir acordos claros,
interferência de terceiros na relação.
ENCORAJA A: Perseguir os seus objetivos com determinação, sem deixar que
empecilhos desviem do rumo.
ALERTA SOBRE: Subestimar distúrbios e irritações.
COMO CARTA DO DIA: Tome cuidado, hoje, para não perder fio da meada.
Mantenha-se perseverante, paciente e assuma as suas decisões. Não se deixe
desanimar,
mesmo que alguém interrompa constantemente quando estiver falando, mesmo que
você fique preso em um engarrafamento ou que barreiras apareçam à sua frente, vindas
de lugares inesperados. Esses empecilhos podem desviá-lo um pouco da sua rota, mas,
se você não perder a sua meta de vista, irá por fim alcançá-la.


NOVE DE ESPADAS
Símbolos Significado
Espadas apontadas para baixo, com
as lâminas danificadas e ensangüentadas
Brutalidade, violência bruta, tirania
Veneno e sangue gotejando Ambiente carregado, perigo
Estruturas desordenadas em um
fundo acinzentado
Consciência afunda-se no âmbito
sombrio das emoções primitivas
Elemento e número Concentração (9) de pensamentos
negativos (Ar)
Astrologia: Marte (T) em Gêmeos (d) Rigidez impiedosa (T) e premeditação
calculista e desalmada (d)
CRUELDADE
ASPECTOS GERAIS: Adversidades, impotência, fracasso, sentimentos de culpa,
preocupações, pânico.
VIDA PROFISSIONAL: Estados de medo, não estar apto a cumprir com as
exigências, sofrer com a situação de trabalho, ter de realizar uma tarefa que se detesta,
medo de provas, nervosismo ao se apresentar em público.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Perder-se em preocupações negativas e autodestrutivas
ou fantasias primitivas de violência.
RELACIONAMENTO: Medos incontroláveis, insensibilidade, sofrimento por causa
de uma separação, crueldades psicológicas, amor e ódio, sede de vingança, choque.
ENCORAJA A: Não bancar herói quando há uma possibilidade para escapar.
ALERTA SOBRE: Acontecimentos desagradáveis e atitudes sobre as quais você se
arrependerá mais cedo ou mais tarde.
COMO CARTA DO DIA: Caso você hoje esteja torturando-se ou atormentando-se
com dúvidas sobre si mesmo ou imaginando cenários horríveis, faça tudo que puder
para despertar mais rápido possível desse pesadelo. Se você estiver realmente sendo
                                                                                        264
ameaçado por forças externas, existem duas possibilidades de reação: se não tiver para
onde correr, faça das tripas coração e enfrente a situação de uma vez por todas; porém,
se houver realmente uma saída alternativa, decida-se por ela.


DEZ DE ESPADAS
Símbolos Significado
Dez espadas dispostas na forma da
Arvore da Vida
A totalidade das forças
Nove espadas destroem uma décima
(com punho em forma de coração)
Forças destrutivas desencadeadas
Coração partido com estrela de dez
raios
O coração de todos os dez centros de
energia da Arvore da Vida são
destruidos
Fundo vermelho-amarelado com
estruturas agressivas
Atmosfera de "sangues quentes"
Elemento e número Somatório (10) de pensamentos
hostis (Ar)
Astrologia: Sol (Q) em Gêmeos (d)
Fragmentação (d) da força vital (Q)
RUÍNAS
ASPECTOS GERAIS: Fim arbitrário, fazer tabula rasa, colocar um ponto final,
dilaceramento, energias destrutivas descontroladas.
VIDA PROFISSIONAL: Demissão repentina, interrupção de um projeto profissional,
desistência de um trabalho.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreender que se precisa interromper algo.
RELACIONAMENTO: Encerrar uma relação, separação dolorosa, destruir algo por
estar furioso.
ENCORAJA A: Colocar um ponto final e interromper algo imediatamente.
ALERTA SOBRE: Forças destrutivas e projetos que estão condenados a fracassar.
COMO CARTA DO DIA: Coloque um ponto final. Talvez você seja hoje obrigado a
interromper ou desistir inesperadamente de algo que lhe seja muito importante. Pode
acontecer também de se sentir aliviado pelo término de algo que há muito tempo vinha
sendo um peso para você, deprimindo-o e atormentando. Em todo caso, você deve
tomar cuidado para não se deixar levar por uma fúria destrutiva ou jogar algo para alto,
atitudes das quais possa se arrepender no futuro.



PRINCESA DE ESPADAS
Símbolos Significado
Guerreira lutando Impetuosidade, impulsividade
arrebatada, disposição para lutar
Traje leve Mobilidade
Elmo com cabeça de Medusa Horror, poder
Asas rotativas e transparentes Rapidez, agilidade
Altar vazio em nuvens de fumaça
                                                                                           265
escuras
Saque, que será agora vingado
Céu tempestuoso Espírito excitado, inquietação, fúria
ASPECTOS GERAIS: Mulher jovem e intelectual, rebelde, mentalmente ágil e
versada, ser espirituoso, clareza, renovação mental, provocação, inquietude,vontade de
lutar.
VIDA PROFISSIONAL: Conflitos no local de trabalho, disputas por cargos,
discussões esclarecedoras, rebelião.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Análise critica de velhos padrões de pensamento.
RELACIONAMENTO: Relação movida por interesse, discussões sobre pontos de
vista, atmosfera hostil, debates, maldades.
ENCORAJA A: Esclarecer uma situação com frieza e determinação.
ALERTA SOBRE: "Ventos contrários", ataques e criticas ferinas.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você não está para brincadeiras. Você está agressivo e
sente-se pessoalmente atacado mais rapidamente do que de costume. Obviamente, isso
poderá causar problemas. Se você não se importar com isso, deixe que seu mau humor
corra solto. Por outro lado, poderá aproveitar a oportunidade para fazer uma autocrítica.
Talvez as criticas que estejam sendo feitas a você não sejam assim tão despropositadas
e sem fundamento. Se você estiver disposto a ouvir atentamente, isso poderá ajudá-lo
bastante.



PRÍNCIPE DE ESPADAS
Símbolos Significado
Figura masculina verde em uma carruagem de combate Inconstância, falta de
autocontrole,
indecisão, precipitação
Esfera verde contendo pirâmide dupla
Força mental, racionalidade, espírito analítico
Pequenas figuras aladas que puxam a carruagem descoordenadamente
Pensamentos adiantados, idéias ainda desordenadas de futuras possibilidades
Asas em forma de discos amarelos contendo figuras geométricas
Intelecto inspirado
Espada Força mental construtiva e
reconhecedora
Foice Força aniquiladora
Fundo claro, acidentado
Pensamentos incompletos, indecisão,
instabilidade
ASPECTOS GERAIS: O intelectual, a pessoa eloqüente, tecnocrata, aquele que está
sempre trocando de ponto de vista, independência, desorientação, desenvoltura, ardil,
cinismo.
VIDA PROFISSIONAL: Inconstância, ausência de diretrizes, clima de trabalho frio,
decisões súbitas, idéias distantes da realidade, inovação, presença de espírito.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Deduções precipitadas e superficiais em vez da busca
de uma compreensão profunda.
RELACIONAMENTO: Resfriamento, necessidade de independência, atmosfera de
partida, relação aberta ou racional, línguas afiadas.
ENCORAJA A: Brincar com as idéias e questionar com curiosidade.
ALERTA SOBRE: Divagações e perigo de perder-se nelas.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você estará se sentindo indeciso. Você se aborrecerá
                                                                                        266
por estar disperso, por não conseguir coordenar suas muitas idéias ou por ser rejeitado
pelos outros. Talvez você se confronte hoje com uma pessoa eloqüente e bem esperta.
Não deixe que ela confunda com sua astúcia e não se transtorne com seu cinismo ou
pela confusão que ela provoca. 0 melhor a fazer é comprar essa briga.


RAINHA DE ESPADAS
Símbolos Significado
Mulher sobre uma montanha de
nuvens
Ápice do conhecimento, visão geral
clara
Espada Raciocínio claro e aguçado
Cabeça cortada de um homem
Libertação de dependências, castração
mental
Coroa de cristais Idéias cristalizadas, inteligência pura
Cabeça de criança adornando a
coroa
Força renovadora
Céu azul-escuro Espírito bondoso
RAINHA DE ESPADAS
ASPECTOS GERAIS: Engenhosidade, lucidez, independência, presença de espírito,
mulher racional, culta, emancipada, critica, esperta, individualista.
VIDA PROFISSIONAL: Habilidade para negociar, soberania, trabalhos com
intelecto, autonomia, desenvoltura, atividade de aconselhamento ou mediação.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer as suas dependências e libertar-se delas.
RELACIONAMENTO: Relação justa de igual para igual, relacionamento funcional,
ligação sem paixão, permanecer solteiro, terminar um relacionamento sufocante.
ENCORAJA A: Argumentar com lucidez e agir com independência, habilidade e
esperteza.
ALERTA SOBRE: Cinismo e frieza calculista.
COMO CARTA DO DIA: Hoje poderá lhe ocorrer um lampejo de fato genial. Se você
conseguir identificar que vem constrangendo ou bloqueando ultimamente, terá boa
chance de conseguir libertar-se, de uma vez por todas, por meio de uma decisão clara.
Preste atenção para que, nos seus esforços em agir com independência, você não seja
muito radical, senão acabará afastando-se muito do seu objetivo. Hoje também pode
acontecer de uma mulher inteligente desempenhar um papel importante no seu dia.
Mantenha os seus ouvidos atentos para escutar que ela tem a lhe dizer.



CAVALEIRO DE ESPADAS
Símbolos Significado
Cavaleiro com armadura verde
avançando para ataque com
espada e punhal
Capacidade intelectual determinada,
perspicácia, necessidade de conhecimento
Cavalo dourado
A sabedoria mais elevada, força
cognitiva
                                                                                          267
Asas rotativas e transparentes em
cima do elmo
Mobilidade, rapidez, destreza
Cavaleiro e cavalo como uma
unidade
Vínculo intenso entre intelecto e
instinto
Andorinhas voando
Pensamentos direcionados para uma
meta
Céu tempestuoso azul-esbranquiçado
Impetuosidade
ASPECTOS GERAIS: Versatilidade, discernimento, flexibilidade, inteligência.
objetividade, racionalidade, calculismo; homem inteligente, eloqüente, espirituoso,
determinado, conselheiro experiente.
VIDA PROFISSIONAL: Capacidades analíticas, habilidades comerciais, espírito justo
de equipe, receber um bom conselho, estabelecer um contato proveitoso, conceitos
direcionados a uma meta, dinâmica, atividades estratégicas de consultoria ou
mediadoras.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Direcionar-se rumo a novas metas, repleto de idéias.
RELACIONAMENTO: Relação descomplicada, porém instável; experimentos no
relacionamento, pouca vontade de assumir um compromisso; relacionamento agitado
que se baseia na liberdade de escolha e não na obrigação.
ENCORAJA A: Distanciar-se para poder fazer uma idéia objetiva da situação.
ALERTA SOBRE: Ser conduzido apenas por pensamentos teóricos.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você irá diretamente ao seu objetivo. Você poderá
entusiasmar as outras pessoas com os seus planos, já que possui os conceitos mais
convincentes e os melhores argumentos, além de apresentá-los com charme e
espirituosidade. Aproveite essa clareza mental, sobretudo para tomar decisões que já
deveriam ter sido tomadas. Caso você esteja com um problema que não consegue
resolver há muito tempo, procure hoje a ajuda profissional de um especialista.




Símbolos Significado
Moeda dourada no centro de uma
esfera móvel esverdeada, contendo
três anéis no seu interior
Da união de opostos (1 e 2) surge
uma nova vida (3)
O número 666 no ponto central Número da Grande Besta do
Apocalipse
O número 1 acima do número 666 O símbolo da "Prostituta Babilônia",
aquela que cavalga a Besta42 ( seu
número é 666 + 1 = 667)
TO MEGA QHPION (grego To
Mega Therion = a Grande Besta)
Nome da Besta do Apocalipse,
"título" que Crowley conferiu a si
próprio
Estrela de sete pontas cercada por
                                                                                       268
dois pentagramas sobrepostos, que
constituem ponto central de um
decágono
Selo sagrado da Ordem Astrum
Argentum, uma das ordens místicas
fundadas por Crowley
Elemento e número Chance (1) enriquecedora (Terra)
Astrologia: Os signos do Elemento
Terra: Touro (s), Virgem (h),
Capricórnio (v)
Prazer (s), senso de realidade (h) e
estabilidade (v)
_________________________
42. Ver ilustração do Trunfo XI = Volúpia.
ÁS DE OUROS
ASPECTOS GERAIS: Prosperidade, sorte no âmbito material, saúde, força interior e
exterior, estabilidade, chance de um êxito duradouro, sensualidade.
VIDA PROFISSIONAL: Boa chance para ganhar dinheiro e progredir profissionalmente,
emprego garantido, negócios promissores.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Experiências e conhecimentos valiosos e
enriquecedores.
RELACIONAMENTO: União sólida e duradoura, atração física, desfrute de prazeres
sensuais.
ENCORAJA A: Aproveitar a chance para alcançar algo valioso e desfrutá-lo.
ALERTA SOBRE: Assumir uma atitude puramente materialista e gananciosa.
COMO CARTA DO DIA: Tente hoje forjar a sua própria sorte. Procure uma
pechincha, seja indo às compras, em uma agência de viagens ou no boletim de cotação
da bolsa de valores. Reconheça a oportunidade que se apresenta principalmente para
todas as intenções e investimentos que não tenham como objetivo vantagens a curto
prazo. Coloque hoje a pedra fundamental para um projeto no qual as perspectivas a
longo prazo lhe sejam muito importantes.


DOIS DE OUROS
Símbolos Significado
Serpente coroada, mordendo a sua
própria cauda e formando assim um
oito deitado (símbolo do infinito) e,
com isso, englobando dois símbolos
Yin-Yang
Eterna interação e mudança no
campo de tensão das polaridades
originais
Quatro triângulos: símbolos dos
quatro elementos nas suas cores
respectivas
Mudança em todos os planos da
existência
Fundo violeta Fé, confiança
Elemento e número Combinação (2) de possibilidades
concretas (Terra)
Astrologia: Júpiter (Y) em
                                                                                  269
Capricórnio (v)
Expansão (Y) e concentração (v)
MUDANÇA
ASPECTOS GERAIS: Modificação, intercâmbio flexível, fertilização mútua,
variação.
VIDA PROFISSIONAL: Troca de emprego, reestruturação, estabilização dos
objetivos alcançados ou novo crescimento após uma consolidação bem--sucedida.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão da importância vital dos ritmos de
crescimento e retrocesso.
RELACIONAMENTO: Cotidiano movimentado, novo impulso, transformações
dentro de uma união estável, paquera descompromissada.
ENCORAJA A: Dedicar-se ao pólo oposto, que era até momento mais negligenciado.
ALERTA SOBRE: Dispersar-se por ser inconstante.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você poderá se confrontar com um conflito de
interesses, no qual tenha de jogar com aparentes contradições. Permaneça flexível e
deixe as opções abertas. Qualquer atitude parcial irá agora conduzi-lo forçosamente a
um beco sem saída, no qual você será, por causa de circunstâncias externas, obrigado a
modificar as suas idéias. Se, por outro lado, você dispuser de possibilidades variadas,
será possível agregar posições, que até momento eram opostas, para formar uma
totalidade.



TRÊS DE OUROS
Símbolos Significado
Pirâmide de luz Cristalização da força criadora
Três rodas vermelhas, sobre as quais
a pirâmide está apoiada
A trindade poderosa entre corpo, a
mente e a alma produz as formas
visíveis da nossa realidade tridimensional
Oceano agitado ao fundo
Potencial original inesgotável, do
qual tudo é criado
Elemento e número
Valores (Terra) seguros e estáveis (3)
Astrologia: Marte (T) em
Capricórnio (v)
Elaborar e dar forma (T) à realidade, à
matéria (v), com vigor (T) e uma
resistência perseverante (v)
TRABALHO
ASPECTOS GERAIS: Tomar atitudes concretas, realizar idéias, estabelecer estruturas,
avançar lentamente, porém com continuidade, perseverança. consolidação.
VIDA PROFISSIONAL: Estabilizar que já foi alcançado, fazer progressos. realizar
projetos, fase de edificação profissional, criatividade, dedicação e .capacidade, trabalho
sólido.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Esforçar-se para obter os fatos.
RELACIONAMENTO: Construção de uma relação saudável, estabilidade, enfrentar
dia-a-dia juntos, cooperação harmônica.
ENCORAJA A: Proteger e consolidar bem que já foi alcançado.
ALERTA SOBRE: Dinamismo desorientado.
                                                                                         270
COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve arregaçar as mangas. Está na hora de
realizar com determinação aquela tarefa que você vem adiando com desânimo até
momento. Isso poderá significar construir um novo futuro: organizar seu jardim, fazer
um saneamento nas bases da sua relação ou estruturar as suas finanças, tanto faz.
Remova da sua frente as coisas que estão bloqueando seu caminho e leve seu plano
adiante passo a passo, até que você esteja satisfeito com resultado.



QUATRO DE OUROS
Símbolos Significado
Quatro torres quadradas como
pilares de uma fortaleza quadrada
Estabilidade, lei, estrutura e ordem
Área cercada por muros e fossos Refúgio seguro
Equilíbrio dos Quatro Elementos: Fogo
(O), Ar (M), Terra (L), Água (N)
Estabilidade, controle da realidade
Elemento e número Segurança (Terra) estável (4)
Astrologia: Sol (Q) em Capricórnio (v)
Realização pessoal e vitalidade (Q)
por meio de segurança, estrutura e
ordem (v)
PODER
ASPECTOS GERAIS: Estabilidade, garantia, senso de realidade, controle, estruturação.
VIDA PROFISSIONAL: Aumento de segurança e poder, elaboração clara de
conceitos, distanciamento saudável, resolução de problemas, colocar ordem, habilidade
para organizar.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Apostar em conhecimentos já comprovados.
RELACIONAMENTO: Consolidação da relação, estabelecer relações claras, proteger
a relação de ameaças externas.
ENCORAJA A: Estabelecer limites e proteger que já foi alcançado.
ALERTA SOBRE: Enfrentar mundo com uma viseira na frente dos olhos.
COMO CARTA DO DIA: Hoje você conseguirá resolver algo que já aborrece há
muito tempo. Você conseguirá afastar que tem incomodado ou esclarecer e estruturar
uma situação confusa. Não hesite em demarcar seu terreno nitidamente e proteger-se de
ataques invejosos ou hostis. Assuma responsabilidades e concentre-se completamente
nas coisas que estão ao seu encargo. Aproveite dia, se for possível, para colocar algo
importante a salvo.


CINCO DE OUROS
Símbolos Significado
Cinco discos ligados por linhas, no
centro dos quais está representado
um símbolo dos cinco Tattwas43
respectivamente
A coordenação de forças
As linhas que unem os discos
formam um pentagrama com a ponta
virada para baixo
Conexão de influências negativas,
                                                                                        271
direcionamento errado
Luz irradiada pela engrenagem
Boas possibilidades no segundo
plano, que são encobertas por um
desenvolvimento desfavorável
Elemento e número Crise (5) material (Terra)
Astrologia: Mercúrio (E) em Touro (s) Raciocínio (E) imobilizado,
obstinado (s)
PREOCUPAÇÃO
ASPECTOS GERAIS: Perplexidade, medo de perder algo, dificuldade, esforços
improdutivos, frustração, nada funciona.
VIDA PROFISSIONAL: Crise econômica, falta de perspectivas, cargo instável,
assédio moral, trabalho em projetos deteriorados, projetos sem perspectivas.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Envolver-se com pesadelos e pensamentos negativos.
RELACIONAMENTO: Ligação desgastada, exercer uma influência negativa um no
outro, crise no relacionamento, medo de perder algo, prejudicar-se mutuamente, fazer
acusações maldosas um ao outro insistentemente.
ENCORAJA A: Dar uma guinada e tomar um outro rumo.
ALERTA SOBRE: Envolver-se cada vez mais profundamente em uma situação sem
saída.
COMO CARTA DO DIA: Hoje a maré estará baixa para você financeiramente, ou por
algum motivo você será obrigado a restringir os seus gastos. De qualquer forma, não
será um dia em que as coisas correrão facilmente. Se você estiver envolvido em uma
situação problemática, não se torture mais desnecessariamente. Verifique se seu esforço
ainda vale a pena. Ainda que a constatação seja dolorosa, talvez tenha chegado a hora
de seguir outro caminho mais promissor e que poupe de mais frustrações.


SEIS DE OUROS
Símbolos Significado
Estrela de seis pontas e hexágono
circundam um círculo de luz
União harmoniosa, intensa e fértil
Seis discos com os símbolos da Lua,
Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e
Saturno sob a luz do Sol
Interação harmoniosa das forças dos
planetas sob uma luz favorável
Rosa-cruz no ponto central Força espiritual, luz interior
Fundo avermelhado Aurora, nascer do Sol
Elemento e número Ligação bem-sucedida (6), valores
materiais (Terra)
Astrologia: Lua (W) em Touro (s) Fertilidade (W) e crescimento (s),
sentimentos (W) de abundância e de
prazer (s)
SUCESSO
ASPECTOS GERAIS: Crescimento, lucro material, interação favorável de forças,
desenvolvimento satisfatório.
VIDA PROFISSIONAL: Cooperação frutífera, boa situação financeira, atividade
lucrativa, novo começo com promessa de êxito, bom planejamento e coordenação.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Superar as contradições internas e ficar em paz consigo
mesmo.
                                                                                     272
RELACIONAMENTO: Harmonia, ligação frutífera, apoio mútuo, felicidade no amor.
ENCORAJA A: Aproveitar as condições favoráveis para a realização de um propósito.
ALERTA SOBRE: Não destruir equilíbrio das forças por causa de expectativas
exageradas ou tendenciosas.
COMO CARTA DO DIA: Este dia será um sucesso. Se for preciso, reúna forças para
tomar um novo impulso. Você realizará com facilidade tudo aquilo que até agora estava
confuso ou vinha dando errado, seja isso um trabalho incômodo, a complicada
coordenação dos seus compromissos ou seu programa de exercícios físicos. Mesmo que
se trate de uma melhoria das suas condições financeiras, de qualquer forma, não deixe
que este dia passe sem que aproveite.


SETE DE OUROS
Símbolos Significado
Sete discos de Saturno feitos de
chumbo e pendurados em plantas
murchas
Desmoronamento, enfraquecimento,
perecimento
Discos arrumados como na figura
geomântica Rubeus
Infortúnio
Fundo escuro roxo-azulado
Mundo das sombras, definhar da
vida, caos
Elemento e número Segurança (Terra) ameaçada (7)
Astrologia: Saturno (U) em Touro (s) Bloqueio, fim, despedida (U) de
posses e estabilidade (s)
FRACASSO
ASPECTOS GERAIS: Esperanças destruídas, circunstâncias desgastadas, azar,
infelicidade, pessimismo, perda.
VIDA PROFISSIONAL: Fracasso de um projeto, alerta sobre investimentos errados,
ameaça de demissão, falência, desemprego.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tomar conhecimento dos lados efêmeros e ameaçadores
da vida.
RELACIONAMENTO: Tempos mórbidos, crise. medo da perda. reconciliação
fracassada, desmoronamento de um relacionamento.
ENCORAJA A: Reconhecer a falta de perspectivas e afastar-se.
ALERTA SOBRE: Fracassos e agarrar-se ao que já está morto.
COMO CARTA DO DIA: Tome cuidado, pois algo pode dar errado. É melhor deixar
para fazer amanhã as coisas que são de fato importantes para você. Talvez você tenha
de presenciar perecimento ou definhamento de algo. Não tente manter isso vivo
artificialmente. O seu tempo já chegou ao fim. Quanto mais rápido você se der conta
disso, mais cedo terá a chance de superar decepção e a crise que acompanham essa
situação.



OITO DE OUROS
Símbolos Significado
Oito discos posicionados como a
figura geomântica Populus
                                                                                       273
Lucrar ao não fazer nada
Árvore bem enraizada
Crescimento sadio
Flores vermelhas de cinco pétalas,
protegidas por folhas
Frutos vigorosos amadurecem sob
uma proteção
Fundo amarelo-dourado
Percepção clara
Solo verde-avermelhado Vitalidade natural
Elemento e número Novo começo (8) cauteloso (Terra)
Astrologia: Sol (Q) em Virgem (h) Índole (Q) atenciosa, prudente,
cautelosa (h)
OITO DE OUROS
PRUDÊNCIA
ASPECTOS GERAIS: Reinicio cuidadoso, moderação, habilidade, zelo, paciência.
VIDA PROFISSIONAL: Procedimento taticamente inteligente, habilidade ao
negociar, previsão cuidadosa, poder esperar por uma ocasião mais favorável, deixar que
tempo trabalhe a seu favor.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão profunda dos processos naturais de
crescimento.
RELACIONAMENTO: Recomeço cauteloso. relação atenciosa entre os parceiros,
vínculo amadurecido, planos familiares, expectativas realistas.
ENCORAJA A: Aproximar-se cautelosamente de um propósito e deixar que tempo
trabalhe a seu favor.
ALERTA SOBRE: Idéias que ainda não estão amadurecidas e uma colheita antes do
tempo.
COMO CARTA DO DIA: Recoste-se e deixe que tempo trabalhe por você. Você tem
um bom faro para perceber que é viável e deverá planejar com calma todos os passos
seguintes. Somente impaciência, leviandade e burrice podem impedir um bom
resultado. Por isso, não se deixe pressionar por uma eventual pressa no ambiente à sua
volta. De preferência, em vez disso, faça alguma coisa pelo seu bem-estar físico e
mental.



NOVE DE OUROS
Símbolos Significado
Nove discos, dos quais seis são
representados como moedas
Solidificação e materialização das
perspectivas de êxito da carta SEIS
DE OUROS
O grupo de cima representa os
planetas masculinos Marte (T),
Júpiter (Y), Saturno (U)
Crescimento externo, ambição
mental
O grupo de baixo representa Mercúrio
(E)(andrógino) e os planetas
femininos Lua (W) e Vênus (R)
Profundidade emocional, confiança
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instintiva
Grupo no centro com círculos e raios
verdes, vermelhos e azuis
Água, Fogo e Ar unem-se em frente
ao fundo cor de terra = realização,
concretização
Tons de verde intenso ao fundo Solo fértil
Elemento e número Concentração (9) de possibilidades
valiosas (Terra)
Astrologia: Vênus (R) em Virgem (h) Fortuna (R) faz a colheita (h)
GANHO
ASPECTOS GERAIS: Mudança de rumo favorável, prosperidade, golpe de sorte,
aumento de bens materiais.
VIDA PROFISSIONAL: Aproveitar uma chance lucrativa, tarefa recompensadora,
modificações agradáveis, aumento de salário, realização profissional, ter lucros.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Percepções surpreendentes e enriquecedoras.
RELACIONAMENTO: Encontro que traz felicidade, sentir-se realizado quando se
está a dois, desenvolvimentos agradáveis, uma mudança favorável.
ENCORAJA A: Confiar na sua própria sorte.
ALERTA SOBRE: Passar da hora certa de recolher os lucros.
COMO CARTA DO DIA: Prepare-se para uma surpresa agradável. Ela poderá vir
pelo correio, chegar como uma visita inesperada ou possivelmente estar à sua espera no
seu local de trabalho. Também não fará mal se você der uma ajudazinha à sua própria
sorte, tomando uma iniciativa. Aproveite momento propício e saia à caça do tesouro.
Faça alguma coisa que você até então nunca tenha ousado, experimente algo novo ou
compre ao menos um bilhete de loteria.


DEZ DE OUROS
Símbolos Significado
Dez discos representados como
moedas de ouro Riqueza exterior
Disposição das moedas na forma da
Árvore da Vida44
Riqueza interior
Símbolos mágicos de Mercúrio Fascinação exercida pelo dinheiro e
saber lidar habilmente com ele
O disco que se encontra na posição
mais baixa45 é maior de todos
Perigo de superestimar significado
de posse e afundar em uma ambição
materialista
Discos roxo-enegrecidos ao fundo Advertência sobre estagnação e
inutilidade
Elemento e número
Abundância (10) de valores sólidos
(Terra)
Astrologia: Mercúrio (E) em Inteligência e habilidade (E) na área
Virgem (h) comercial (h)
44. Símbolo cabalístico que representa a totalidade da criação.
45. A posição mais baixa na Árvore da Vida cabalística corresponde à Terra.
RIQUEZA
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ASPECTOS GERAIS: Sucessos concretos, riqueza, condições garantidas. ter
alcançado a sua meta.
VIDA PROFISSIONAL: Bons negócios, condições de trabalho ideais, negociações
bem-sucedidas, cotidiano de trabalho satisfatório, segurança.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tomar consciência da sua própria riqueza interior e
exterior.
RELACIONAMENTO: Valorização da relação, rede de relações estável, convivência
prazerosa, desfrutar a riqueza do relacionamento.
ENCORAJA A: Fazer bons negócios e alegrar-se pelo sucesso.
ALERTA SOBRE: Preguiça e acúmulo de bens materiais de uma forma sem sentido.
COMO CARTA DO DIA: Hoje, utilize os vários recursos disponíveis. Os frutos estão
só esperando para serem colhidos. Tome consciência da sua riqueza e proporcione algo
de bom para si e para os outros. Se você estiver para fechar um negócio, ou se aparecer
uma boa oportunidade para ganhar dinheiro, você deve aproveitar dia para fazê-lo.
Tudo que você tocar hoje tem a tendência de se transformar em ouro.


PRINCESA DE OUROS
Símbolos Significado
Mulher grávida
Força criadora
Ponta de cristal luminoso Luz cristalina, que nasce da matéria escura
Lança que penetra a terra
Junção física entre a energia masculina e a
feminina
Manta de pele de ovelha, chifres de
carneiro
Comunhão com a natureza, selvageria
original
Rosa da deusa Ísis com símbolo
Yin-Yang no centro União harmoniosa entre as energias
masculina e feminina originais, que
geram beleza e vida nova
Árvores que se erguem para céu
com raízes luminosas
O bosque sagrado, que une Céu à Terra
ASPECTOS GERAIS: Mulher jovem, sensual e fértil, naturalidade, criatividade,
crescimento, gravidez.
VIDA PROFISSIONAL: Trabalho na natureza ou para a natureza, atividade prática,
atividade manual, trabalho com animais ou plantas, perspectivas lucrativas, criatividade.
Plano da Consciência: Disposição para deixar-se "fertilizar".
RELACIONAMENTO: Relacionamento sensual, amor caloroso, vínculo duradouro e
fértil, aumento da família, construir algo conjuntamente.
ENCORAJA A: Captar um impulso fecundo e empregá-lo com criatividade.
ALERTA SOBRE: Fixar-se unicamente a valores materiais.
COMO CARTA DO DIA: Hoje, você se encontra no terreno da realidade. Atividades
concretas irão atraí-lo muito mais do que idéias mirabolantes e especulativas. Com seu
senso prático para solucionar as coisas, você conseguirá com facilidade organizar seu
dia-a-dia. Caso trabalho no jardim ou algum outro trabalho manual tenha sido
negligenciado nos últimos tempos, você sentirá hoje prazer em realizar essas tarefas.
Além disso, sentirá uma enorme vontade de se deliciar com os prazeres da vida.
Reserve para isso bastante tempo e aproveite a ótima oportunidade.
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PRÍNCIPE DE OUROS
Símbolos Significado
Homem nu em uma carruagem
puxada por um touro, com um elmo
em forma da cabeça de touro
Força selvagem, sensualidade
Globo com círculos e a figura de um
paralelepípedo no centro
Mundo dos aspectos visíveis, as
estruturas da ordem cíclica
Cetro Coroação da obra
Círculos concêntricos ao fundo Ciclos no decorrer do ano
Espigas e flores Fertilidade, comunhão com a
natureza
Frutos na carruagem
Fertilidade e potência
PRÍNCIPE DE OUROS
ASPECTOS GERAIS: Homem jovem e enérgico, homem de ação, pessoa com
capacidade de resistência imperturbável (um "rolo compressor"), senso de realidade,
pessoa conseqüente, perseverança, concentração, atividade.
VIDA PROFISSIONAL: Trabalhar com perseverança na direção de uma meta
estipulada, talento para comércio, atividade recompensadora. relação profissional
duradoura, agricultura e jardinagem.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Aguçar senso de realidade.
RELACIONAMENTO: Estabilidade, experiências sensuais intensas. confiabilidade,
sentir-se seguro, construir alguma coisa conjuntamente.
ENCORAJA A: Manter-se firme e concretizar suas metas com perseverança e
coerência.
ALERTA SOBRE: Mania de onipotência e obstinação sem fantasia.
COMO CARTA DO DIA: Hoje, ninguém ou nada poderá derrubá-lo. Você seguirá
seu caminho firmemente com a resistência e senso de realidade necessários para
concretizar com êxito as suas tarefas. Você estará sentindo-se tão forte e em tão boa
forma que certamente não se esquivará de nenhuma prova de força. Porém, você iria
gostar mais ainda de se dedicar a um prazer sensual, qual você pudesse desfrutar
intensamente.


RAINHA DE OUROS
Símbolos Significado
Mulher sentada em um trono em
forma de abacaxi
Rainha da fertilidade, Mãe Terra
Armadura feita de moedas
Segurança, senso para valores
materiais
Enormes chifres retorcidos como
adorno na cabeça
Força instintiva, vitalidade, libido
Cetro com cristal direcionado para
alto
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Percepção clara, ligação entre
espírito e a matéria
Esfera com círculos que se interceptam
Ciclo eterno de nascimento e morte
Deserto com rio ao fundo Escassez e solidão superadas
Cabrito montês sobre globo terrestre Representante da perseverança do
elemento Terra
RAINHA DE OUROS
ASPECTOS GERAIS: Fertilidade, proteção e aconchego, sensualidade, serenidade,
perseverança, mulher experiente e madura, mãe, tranqüilidade, paciência, estabilidade,
confiabilidade.
VIDA PROFISSIONAL: Disposição para assumir responsabilidades, projetos que
valem a pena, estabilidade, capacidades práticas, administrar com competência, garantia
profissional.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Confiar pacientemente nos ciclos naturais da vida.
RELACIONAMENTO: Confiança mútua, estabilidade, relação madura, fidelidade,
constituir uma família, proteção e aconchego.
ENCORAJA A: Dedicar-se a uma tarefa concreta com perseverança e paciência.
ALERTA SOBRE: "Matar-se de trabalhar" sem ter razão e esforçar-se de uma forma
sem imaginação para acumular bens.
COMO CARTA DO DIA: Hoje, não se deixe confundir por ninguém ou ser colocado
sob pressão. Faça aquilo que você resolveu fazer com calma e tranqüilidade. Você sabe
que um bom vinho leva anos para amadurecer. Por isso, não perca de vista a sua meta a
longo prazo, e semeie seu campo com paciência e cuidado, para que você possa colher
abundantemente. Hoje também uma mulher com um instinto materno e um carisma
natural e sensual pode desempenhar um papel importante para você. Confie no conselho
que ela lhe dará.



CAVALEIRO DE OUROS
Símbolos Significado
Cavaleiro montado em um cavalo Comunhão com a terra, natureza
robusto que está parado instintiva, senso de realidade,
firmeza
Armadura negra Segurança
Sela vermelha Atividade, natureza impulsiva e
criadora, potência procriadora
Mangual e cereais maduros Colheita, fertilidade
Elmo aberto para trás, adornado com Percepção ampliada, abertura para
cabeça de veado aspectos intelectuais
Escudo negro circundado por O espírito criativo une-se à matéria
círculos luminosos
ASPECTOS GERAIS: Firmeza, sobriedade, perseverança, valores estáveis. confiança,
retidão, homem maduro e sensual, realista, pragmático. garantia de segurança.
VIDA PROFISSIONAL: Cargo de responsabilidade, habilidade para comércio,
maneira coerente de proceder, bons negócios, rendimentos seguros, qualidades práticas,
senso sólido para assuntos que dizem respeito a bens imobiliários.
PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tomar consciência da responsabilidade que resulta de
se possuir algo.
RELACIONAMENTO: Relação estável, sensualidade, valorização mútua, confiança.
ENCORAJA A: Desfrutar de uma conquista e empregar seus meios e suas
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possibilidades responsavelmente.
ALERTA SOBRE: Teimosia e acúmulos desnecessários.
COMO CARTA DO DIA: Hoje, você deve contemplar os frutos dos seus esforços e
desfrutar do seu sucesso. Tome consciência da sua riqueza e descanse sobre os louros
da vitória. Se lhe ocorrerem idéias sobre planos que você gostaria de realizar a seguir, é
um
bom sinal. Mas, tão bom e tão importante quanto isso, seria nos próximos tempos
proteger intensamente que já foi conquistado. Talvez um homem bondoso, porém com
um jeito austero, desempenhe um papel importante para você no dia de hoje. Ouça os
seus conselhos ou aceite as suas sugestões.




                                      10
CURSO DE TAROT -             ELIANE GANEM
INICIAÇÃO E PRÁTICA NOS 22 ARCANOS MAIORES

Este livro pode ser baixado gratuitamente no site
http://www.elianeganem.com


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APRESENTAÇÃO
Para estudar Tarot não é necessário se aprofundar nos mistérios. O
Tarot em si já é um grande mistério a ser desvendado. Vivemos numa época
de expansão, e os mistérios tão bem guardados e parcamente distribuídos
agora já estão acessíveis a toda a humanidade. Pois sejam bem-vindos. Num
momento de conturbação social, em que o destino de nossa pequena Terra
aparece encoberto por uma densa poeira, o poder que realmente protege os
mistérios está ruindo, como na carta da Torre, indicando que um poder oculto
por muito tempo da humanidade — e que pode ser seu bem maior e
verdadeiro — jamais reverterá em benefício.
Por isso, hoje, correm todos, na tentativa de suprir rapidamente as
deficiências de um mundo de alienação e entorpecimento. Esperamos que
não seja tarde demais. A humanidade está dividida entre aqueles que
colocam no outro o seu conflito, o que resulta em guerras e manifestações de
violência e terror, e aqueles que já descobriram que o conflito está no interior
de cada um de nós. E que será através do auto-conhecimento que teremos a
maturidade de alcançarmos a transformação.
Por isso, aqui dou de presente ao leitor, na expectativa de que ele faça
excelente proveito, parte do caminho que trilhei na busca incessante de uma
compreensão maior de mim mesma. Vasculhei alguns mistérios, arrombei
portas que teimavam em permanecer entreabertas por trincos fortes, mas
inseguros. Muito aprendi. Portanto, este livro tem a intenção sincera de
ensinar Tarot primeiro através da compreensão intelectual das cartas, depois
através da experiência das cartas, o que dará a você, leitor, a real
compreensão dos arquétipos. Procurei aqui simplificar ao máximo o
entendimento, evitando o intrincado jogo de ocultamente de que lançam mão
alguns autores. Espero ter conseguido.


Introdução
Este livro tem a intenção básica de iniciar o leitor nos mistérios dos 22
Arcanos Maiores do Tarot, de forma simples, objetiva e direta.
Compreendendo 22 lições, de zero a vinte e um, nas quatro últimas
vamos encontrar exercícios práticos que formarão a base necessária para
que qualquer pessoa possa desenvolver determinadas características
indispensáveis a um bom Tarólogo.
A maior parte das 22 lições nasceu das minhas próprias observações
a respeito de cada uma das 22 lâminas que compõem os 22 Arcanos Maiores
do Tarot. As cartas de Tarot que aqui utilizamos são as do Tarot de Marselha,
por sua beleza e simplicidade, pela disponibilidade existente no mercado e
também por conservar praticamente intactos os símbolos e signos do original
Tarot que nos chegou através do Tarot dos Boêmios, mais tarde resgatados
no Tarot de Marselha.
Os 56 Arcanos Menores, restantes no baralho, não nos interessam
aqui. Ficarão guardados na expectativa de um aprofundamento sempre
necessário, já que a compreensão dos 22 Arcanos Maiores já é um
empreendimento de fôlego e que leva alguns estudiosos a dedicarem muitos
anos de suas vidas. Os Arcanos Menores serão estudados em outra
oportunidade.


Para que Serve o Tarot
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O Tarot forma um conjunto de 78 cartas, sendo 22 cartas identificadas
como Arcanos Maiores e 56 como Arcanos Menores. Os Arcanos Menores
são mais conhecidos, já que possuem características semelhantes ao
baralho de cartas comum.
Realmente, o Tarot serve para muitas oportunidades de nossas vidas.
Serve para adivinhar, para acrescentar emoção às nossas dúvidas, serve
para duvidar mais ainda, para esclarecer, para preencher horas de solidão,
para entreter pessoas em festas desanimadas. Mas serve, também e
principalmente, para se mergulhar naquilo que chamamos de alma humana.
Aliás, no palco onde está sendo encenada essa tragicomédia humana,
sempre vemos os personagens travestidos como nos arquétipos.
Estudar Tarot, de uma forma ou de outra, é compreender as nossas
aflições e dificuldades e antever os nossos medos e angústias. É
compreender nossos limites para transpô-los. Não é uma tarefa, mas um
prazer às vezes doloroso. Não é, na verdade, algo que se estude, mas algo
para ser estudado enquanto sujeito, já que o objeto verdadeiro somos nós
mesmos. Muitas e muitas vezes, quando abri o Tarot tive a sensação exata
de que ele é quem me abria e me desvendava. Muitas e muitas vezes,
parecia até que eu não estava preparada para o que lia nas cartas, mas se lia
é porque já havia a compreensão intuitiva de um processo inconsciente que
ali se completava.
Estudar Tarot é bater papo com o nosso inconsciente. É tornar
consciente algumas verdades que nos são reveladas na medida do nosso
amadurecimento. E, a não ser que você seja um apaixonado das emoções
humanas, o Tarot lhe parecerá apenas cartas bem ilustradas.
Portanto, estudar Tarot é ter a nítida compreensão de si mesmo e de
seus semelhantes. É ter o perdão latente e a compaixão suficiente para
compreender no outro o que já foi causa de profundo sofrimento em você
mesmo. O Tarot será seu espelho. Em cada lâmina você encontrará
momentos ou facetas de sua própria personalidade e também a
compreensão necessária da auto-aceitação e do desprendimento.
Breve História do Tarot
Para Court de Gobelin, a palavra Tarot tem o significado de “estrada
real da vida”. Na sua opinião, o Tarot originou-se no antigo Egito e
representava a história da criação do mundo e das três primeiras eras. Os
quatro naipes se destinavam a representar os quatro estados políticos do
Egito e como estes se organizavam.
Espada – os soberanos e a nobreza militar
Paus ou Vara – os agricultores
Copas – os sacerdotes e o clero
Moedas – os comerciantes em geral
Em conferência pronunciada para uma extensa platéia em sua época,
Gobelin se reportou ao fato de que a humanidade possui um livro de extrema
sabedoria, originário do antigo Egito, mas que esta mesma humanidade, por
ignorância, desconhece o tesouro que possui. Este livro é o Tarot. : “Ele é
tudo o que resta, na nossa época, das magníficas bibliotecas do Egito. E ele
é tão ‘vulgar’ que nenhum estudioso achou por bem se incomodar, pois antes
jamais alguém suspeitou de sua origem.” 1
Esta teoria egípcia, defendida por Gobelin, é a mais aceita, já que foi
muito bem fundamentada por ele. Para ele, o jogo de Tarot é baseado no
número 7, número sagrado entre os egípcios. Associando determinadas
figuras das cartas com os deuses egípcios e mais a reconstrução da rota que
                                                                                281
o Tarot tomou para chegar à Europa, Gobelin conseguiu recolher argumentos
incontestáveis para a sua teoria.
Também para G.O. Mebes, o Tarot tem sua origem no antigo Egito. Os
sacerdotes, em Memphis, certos de que a civilização egípcia estava em seus
últimos dias de esplendor, ocultaram seus conhecimentos sob a forma de um
baralho, na esperança de que, pelo hábito do jogo, sobrevivessem e um dia
fossem compreendidos.
Os ciganos, que para Gobelin foram egípcios que se dispersaram na
Europa, também teriam introduzido o Tarot na Índia. Este fato pode ser
comprovado, já que a língua cigana é um dialeto puro do sânscrito, idioma
erudito hindu.
Por isso, para alguns autores, a palavra Tarot parece ser derivada da
palavra cigana “TAR”, que significa “mago de cartas” e que em sânscrito tem
o nome de “TARU” 2, que também significa “estrada real da vida”.
De acordo com alguns autores, a primeira aparição do Tarot na
Europa data de 1392 e era considerado o tesouro da corte do Rei Carlos VI,
da França. Jacquemin Gingoneur as desenhou especialmente para diversão
deste rei. Nas se sabe se Gingoneur as criou ou apenas copiou algum
baralho existente.
Já Alliette, o famoso cabeleireiro, mago e alquimista, que apregoava
aos quatro cantos ter mais de 2000 anos, declarou que o Tarot foi concebido
171 anos após o Dilúvio. Hermes Trimegisto e mais dezessete magos teriam
escrito o livro de Thot sobre folhas de ouro, num templo situado em Memphis,
Egito.
Há também uma outra teoria. De que os Arcanos Maiores são
originariamente independentes dos Menores. Na verdade, os Arcanos
Menores guardam semelhança com as cartas de Tarot dos hindus e dos
chineses. Mas o mesmo não acontece com os Maiores. É possível que os
quatro naipes dos Arcanos Menores tenham uma correspondência com as
quatro castas do hinduísmo. Copas significaria os sacerdotes ou
Brahâmanes. Espadas, os guerreiros ou Kshatriyas. Ouros, comerciantes ou
Vaisyas. E paus, servos e sudras. Já os Arcanos Maiores se aproximam do
simbolismo e dos ensinamentos que o budismo pregou principalmente na
Índia e na China.
O Louco, por exemplo, seria a representação alegórica dos monges
errantes ou sannyasines. O Imperador e a Imperatriz seriam Suddhodana,
Rei dos Sakyas, e sua esposa Maya Devi, pais de Buda. O Carro seria o
mesmo carro de Vishnu. A Roda da Fortuna, a roda do renascimento e do
Karma. O Diabo seria Yama, o deus com cabeça de touro. E o Mundo seria o
Monte Meru, rodeado pelos quatro Dhyani Budas.
Eliphas Levi é quem, no entanto, percebe associações possíveis entre
o sistema cabalista dos hebreus e as lâminas do Tarot. Os 22 caminhos da
Árvore da Vida, na Cabala, teriam correspondência com os 22 Arcanos
Maiores do Tarot.
Levi assegura que o Tarot não é outro senão o “livro atribuído a
Enoque, Sétimo Mestre do mundo depois de Adão, pelos hebreus; a Hermes
Trimegisto, pelos egípcios; a Cademus, o misterioso fundador da cidade
santa, pelos gregos”. Em seu livro, Dogma e Ritual de Alta Magia, ele
declara:
“Como um livro cabalístico erudito, todas as combinações que revelam
a harmonia preexistente entre símbolos, letras e números, o valor prático do
Tarot é verdadeiramente, e acima de tudo, maravilhoso. Se um prisioneiro
                                                                               282
desprovido de livros tivesse apenas um Tarot e soubesse como fazer uso
dele, em poucos anos poderia adquirir um conhecimento universal e poderia
conversar com inigualável doutrina e inexaurível eloqüência.” 3
Wirth, renomado mestre do Tarot, no século XIX, diz que a
paternidade do Tarot, no entanto, se deve ao gênio coletivo dos “imagiers”
medievais, recolhidos de um conjunto simbólico disperso através dos
séculos, por entre a casualidade e o trabalho de reconstituição de alguns
eruditos.
Na Itália, na França, assim como em outros países da Europa, o jogo
de cartas sempre esteve presente. A invenção do Tarot é inseparável da
história dos jogos, que num certo momento passou a ter a companhia dos
Arcanos Maiores, aí introduzidos, talvez, para dissimular sua filiação
esotérica. Muitas são as vertentes, mas todas são unânimes em atribuir ao
Tarot a sabedoria que a humanidade preservou, mesmo que
inconscientemente, como seu mais precioso tesouro.
De qualquer forma, os ciganos em 1398, recém-chegados ao
quadrilátero da Boêmia, se espalharam pela Suíça, Itália e, depois, Espanha.
É através do Tarot dos Boêmios que se atribui a expansão do Tarot e da
Cartomancia na Europa. A partir daí, os simples jogos de cartas passaram a
ter uma conotação adivinhatória popular.
Lição 1 – Os três caminhos
Os Arcanos Maiores do Tarot, da carta 0, O Louco, à carta 21, O
Mundo, podem ser divididos em três caminhos distintos, mas que se
complementam e interagem uns com os outros, já que infinitas combinações
podem ser feitas com as cartas e seus posicionamentos.
Toda a trajetória que vamos seguir pelas cartas do Tarot é uma
trajetória do Mago, esta primeira carta com suas descobertas e o seu
desenvolvimento.
A Carta do Louco, carta 0, não pertence ao caminho do Mago. Ela
significa o próprio caminho em si, ficando fora do baralho, para nossa melhor
compreensão.
O primeiro caminho que o mago percorrerá irá da carta 1 até a 9, e se
chama Caminho Seco ou da Razão, ou do concreto ou matéria. Da carta 10
até a 18, Caminho Úmido ou da Emoção ou da vivência interna dos
sentimentos e das sensações. E da carta 19 a 21, Caminho do Meio ou da
Iluminação ou da Libertação.
Colocamos então as cartas sobre a mesa, da seguinte maneira:
Da carta 1, O Mago, até a carta 5, O Papa, temos a metade do
primeiro caminho, e que seriam os indícios de uma elaboração teórica do
processo de vida. Da carta 6, O Enamorado, até carta 9, O Eremita, a
segunda metade deste primeiro caminho, teríamos movimentos concretos
para se colocar o resultado dessa elaboração teórica em prática.
Da carta 10, A Roda da Fortuna, à carta 14, A Temperança, temos a
metade do segundo caminho, ou seja, os embates emocionais a que estamos
sujeitos. E da carta 15, O Diabo, à 18, A Lua, a segunda metade do segundo
caminho, como esses embates poderiam se expressar de forma prática,
digamos assim, em nossa emoção. Ou seja, como vemos nestas últimas
cartas as manifestações do “divino” em nossas emoções. Ou como tentação,
carta 15; ou como corte, carta 16; ou como sincronicidade, carta 17; ou como
magia, carta 18.
Da carta 19 à carta 21, estamos livres tanto da primeira quanto da
segunda via, e já podemos trilhar o nosso caminho como nós mesmos, sob a
                                                                                283
orientação única e exclusiva do nosso mestre interior.
A cada carta do Tarot corresponde uma letra hebraica e seu respectivo
valor numérico, um hieróglifo, um signo zodiacal, um astro e uma afirmação
que o revela. Isso nos importa na medida em que precisamos ampliar nossa
compreensão para sistemas mais abrangentes do que os que estamos
acostumados.
Todo sistema lingüístico é constituído por círculos (ou pontos) e retas,
inclusive a linguagem dos modernos computadores. No nosso alfabeto, por
exemplo, temos que a letra A é formada por três retas que se organizam
visualmente para que as possamos identificar como A, diferente da letra F,
cujas três retas são organizadas de forma espacialmente diferente. Já a letra
B são dois semicírculos que se sobrepõem, e assim por diante. 4
No hebraico também há essa correspondência entre círculos e retas,
apesar do desenho serifado às vezes nos confundir. Para cada letra há o seu
correspondente numérico, com pesos que variam de 1 a 900. Isso significa
que nem sempre uma palavra hebraica tenha para o leigo o mesmo
significado que para o iniciado, este último com maior compreensão dos
símbolos desta língua. Por exemplo, uma frase banal em hebraico pode
escamotear uma mensagem preciosíssima, inteligível apenas para poucos
iniciados. Para ilustrar o que foi dito, podemos comparar estes sinais com os
gestos e olhares expressivos que usamos em nossa cultura ocidental e que
compõem um quadro de significações para além de nossa língua,
ininteligíveis, por exemplo, para um indígena ou para um asiático. São esses
sinais que, invariavelmente, de uma forma mais ou menos rica, compõem
aquilo que está para além da língua.
Por outro lado, ao excluirmos do nosso idioma determinadas letras
como o y, o k e o w, estamos violando regras significativas que vão repercutir
em todo o Sistema Lingüístico de que nos servimos há século. Os sons e a
representação espacial dessas letras foram cassadas, provocando um
empobrecimento de que só nos damos conta a nível muito inconsciente.
Em geral, os alfabetos são formados por 22 letras, assim como os
Arcanos Maiores do Tarot. E toda a sabedoria egípcia que os formou e
articulou diretamente com o alfabeto egípcio (os hieróglifos) soube conservar
a correspondência necessária entre os arquétipo, os sons que eles provocam
no universo e o desenho espacial, ou a representação desses sons.
O quadro da página seguinte traz de forma resumida o essencial que
precisamos saber para compreender melhor o foi dito acima.
Para que possamos compreender melhor o quadro, vamos tomar a
carta 1 como exemplo.
A primeira letra do alfabeto hebraico (Aleph) e o seu hieróglifo
correspondente estão expressos no arquétipo do Mago. Até mesmo na
postura do corpo, a figura do Mago nos sugere a letra A do nosso alfabeto
ocidental. A interpretação do hieróglifo, ou seja, o que este hieróglifo significa
em sua origem, é Ser Humano. O valor numérico correspondente em
hebraico para a letra Aleph é 1, cujo peso é 1, e o astro que o rege é
Mercúrio (deus do comércio, da eloqüência e dos ladrões, para os romanos).
Em algumas cartas, o signo zodiacal substitui o astro, significando que os
signos que as regem, prevalecem.
A interpretação dos hieróglifos nem sempre nos é clara, mas um
pouco de reflexão nos ajudará.
Na carta 1, Ser Humano, nos remete ao fato de que o um é a primeira
manifestação no universo. Sendo o universo representado pelo zero, o vazio,
                                                                                     284
o TAO.
Na carta 2, Boca Humana, significa a forma como o um (humano) se
comunica e se expressa com o zero, ou com o que não é humano. ou seja,
silenciosamente através de uma sincronicidade com o cosmo e de uma
sabedoria inerente à carta da Papisa.
Letra
hebraica
Nome da letra
hebraica
Valor
Letra
N°
Arcano
Nome Arcano
Corresp.
Astrol.
Interpretação dos
hieróglifos
‫ א‬Aleph 1 A 1 O Mago Mercúrio Ser Humano
‫ ב‬Beth
2
B
2 A Papisa Lua Boca Humana
‫ ג‬Ghimel
3
G
3 A Imperatriz Vénus Mão que Ampara
‫ ד‬Daleth
4
D
4 O Imperador Marte Seio que Alimenta
‫ ה‬He
5
E
5 O Papa Aries Boca que Respira
‫ ו‬Vam
6
V
6 O Enamorado Gémeos Olho, ouvido
‫ ז‬Zaim 7 Z 7 O carro Câncer Flecha em movimento reto
‫ ח‬Heth 8 H 8 A Justiça Libra Campo para cultivo
‫ ט‬Teth 9 T 9 O Eremita Virgem Tetoprotetor
‫ י‬lod 10 J 10 A Roda Netuno Dedo Indicador
‫ כ‬Caph 20 C 11 A Força Leão Mão apertando algo
‫ ל‬Damed 30 L 12 O Enforcado Peixes Mão aberta
‫ מ‬Mem 40 M 13 A Morte Júpiter Uma mulher
‫ נ‬Num
50
N
14
A
Temperança
                                                                         285
Sagitário
O fruto
‫ ס‬Sarnech
60
S
15 O Diabo Capricórnio Flecha em movimento
circular
‫ ע‬Hayn
70
CH
16 A Torre Touro Uma ligação material
‫ פ‬Phe
80
PH
17 A Estrela Aquário Boca com Língua
‫ צ‬Tzadek
90
Ts
18 A Lua Escorpião Cobertura Opressora
‫ ק‬Kuf
100
K
19 O Sol Urano Um machado
‫ ר‬Reish
200
R
20 O Julgamento Saturno Cabeça numária
‫ ת‬Thof
400
TH
21 O Mundo Sol Um peito abrangente
‫ ש‬Shin
300
SH
0 O Louco Plutão Flecha em movimento
oscilante
Na carta 3, Mão que Ampara, significa que a Mãe Terra ampara
nossos pés e nos dá um ponto de referência.
Na carta 4, Seio que Alimenta, significa que é o Imperador que nos
provê, pois ele realiza no concreto o necessário à nossa sobrevivência.
Na carta 5, Boca que Respira e também aspira sobre nós a quintaessência,
é a que nos individualiza e nos dá a essência das coisas como
compreensão primeira do universo. Todo o universo respira através de nós.
Na carta 6, Olho e Ouvido, ou O que Tudo Vê e Ouve, portanto
observa. Assim como He e lod, esta letra Vau faz parte do nome de Deus (lod-
He-Vau-He) em hebraico.
Na carta 7, Flecha em Movimento Reto, significa que o Carro tem uma
direção, já decidida anteriormente, a trilhar.
Na carta 8, Campo para Cultivo, significa que A Justiça cultiva o campo
de acordo com os bens comuns de cada época.
Na carta 9, Teto que Protege, protege o Eremita na busca de si
mesmo.
                                                                               286
Na carta 10, Dedo Indicador, é o dedo que indica a entrada e a saída da
roda do karma.
Na carta 11, Mão Apertando Algo, é a certeza da decisão nos punhos
fechados da Força.
Na carta 12, Mão Aberta da renúncia e do sacrifício voluntário.
Na carta 13, Uma Mulher, que ao dar a vida dá também a morte como
parte de um mesmo processo.
Na carta 14, 0 Fruto, que necessita de tempo para amadurecer.
Na carta 15, Flecha em Movimento Circular indicando o eterno retorno
da lei do karma.
Na carta 16, Uma Ligação Material, pois toda vez que algo se rompe
significa que havia algo a que estávamos ligados.
Na carta 17, Boca com Língua, como realização da expressão cósmica
universal.
Na carta 18, Cobertura Opressora, já que a densidade da nossa
opressão se faz sentir através de uma identificação com o "divino".
Na carta 19, Um Machado, necessário para se abrir uma brecha na
Cobertura Opressora da carta 18, inundando de sol o espaço de toda a
lâmina da carta 19.
Na carta 20, Cabeça Humana, mais identificada com o Terceiro Olho
ou o Olho de Shiva, que transmuta o julgamento humano em nova visão dos
nossos julgamentos interiores.
Na carta 21, Um Peito Abrangente, se refere ao chakra do coração,
que se abre em conexão direta com o "divino".
Na carta ZERO, Flecha em Movimento Oscilante, típico de quem está
no caminho.


LIÇÃO 2 – ARCANOS MAIORES DE 1 A 5
Nesta Lição, vamos aprender o significado das cartas de 1 a 5, e seus
aspectos positivos e negativos.


CARTA 1 – O MAGO
Toda a trajetória que vamos seguir pelas cartas
do Tarot é uma trajetória do Mago, esta primeira carta
com suas descobertas e o seu desenvolvimento.
O Mago, como o nome já diz, é aquele que
consegue solucionar, muitas vezes magicamente, as
situações que a vida lhe reserva. Por ser o um, é o
indivisível, o coeso, o princípio yang masculino. Ele está
em pé, de frente e segura em sua mão esquerda um
bastão, símbolo do seu poder, e com a mão direita ele
manipula os elementos que estão sobre a mesa. A mesa
representa a realidade concreta que o Mago tem a sabedoria de usar a seu
favor. Os quatro elementos estão representados na faca (ar), na moeda
(terra), no pote azul (água) e no pote vermelho (fogo). Usa o chapéu
semelhante a um oito deitado, símbolo do infinito, que o conecta com o divino
no topo da lâmina (representado pela linha superior da carta). Seus pés estão
assentados no chão. E apesar de estar de frente, ele olha algo no passado.
Suas emoções estão em equilíbrio na roupa azul e vermelha, seus cabelos
amarelos indicam que ele usa o intelecto também em suas magias. O cinto
                                                                                287
amarelo separa o seu corpo em duas partes, indicando que há uma cisão
intelectual entre o plano inferior da matéria e o plano mais sutíl das emoções.
O Mago é o prestidigitador, o renovador, o novo em qualquer
empreendimento. Ele é a busca do caminho para ser o retorno a si mesmo.
Em seus Aspectos Positivos, o Mago significa: vontade, realização,
renovação.
Como personalidade, quem tira esta carta é jovem, inovador,
espontâneo, astuto, manipulador, habilidoso, determinado.
Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta, significa
oportunista, esperto, malandro, aproveitador, prestidigitador, ladrão,
inexperiente, inquieto, inseguro.


CARTA 2: A PAPISA
O Mago ao sair do seu estado indivisível se depara
com o olhar da Papisa, ou seja, com o dois, com o divisível,
com a dualidade, com a ambiguidade. Ele experimenta aí o
aspecto feminino yin, de si mesmo. Senta no trono da
Papisa e a reconhece na sabedoria de um passado que ele
abandonou para trilhar o caminho da separatividade.
A Papisa olha para o seu passado de Mago
enquanto repousa em seu colo o Thot, o livro da vida, que
ela mesma escreve. Está sentada de lado, as pernas
parecem estar unidas sob as vestes. Carrega a chave da
sabedoria na cruz azul que lhe atravessa o peito. Se conecta com o divino
através do chapéu de Papisa amarelo (intelecto) e vermelho (emoção).
O véu atrás encobre não só o seu trono, mas também os mistério que
só ela conhece, permitindo acesso a poucos iniciados.
A Papisa representa o saber, o oculto, a experiência adquirida no
passado e reaproveitada no presente. Ela é passiva – até mesmo o fato de
estar sentada indica essa passividade - pois a sua forma elaborada de saber
é necessária para expressão de sua dualidade.
Em seus Aspectos Positivos, a Papisa significa sabedoria,
compreensão, intuição, sagacidade, cultura. No sentido positivo, quem tira
esta carta é introvertido, receptivo, intuitivo, silencioso, perspicaz, bruxo.
Em seus aspectos negativos, significa: infidelidade, corrupção,
encobrimento, situações escusas e às escondidas. No sentido negativo,
quem tira esta carta é traiçoeiro, fofoqueiro, individualista, superficial,
platônico, infiel e bruxo, no sentido negativo.


CARTA 3 – A IMPERATRIZ
Aqui o Mago encontra o três ou a solução da
dualidade da Papisa. O Mago mais a Papisa se
desdobram na Imperatriz, que é o espírito feminino por
excelência. É a mãe terra, a protetora, a que dará à luz
por absoluto entendimento de sua natureza. É a doadora,
a geradora em todos os níveis da existência.
Está de frente, suas pernas aparentemente estão
abertas sob as vestes demonstrando a intenção de gerar.
Em sua mão direita está o cetro do poder encimado pela
cruz-de-malta. E em sua mão esquerda traz o escudo
                                                                                  288
com a águia, símbolo da sabedoria aguçada e da conexão com os nossos
centros superiores. As colunas encobertas da carta da Papisa aqui se
transformam nas colunas do trono da Imperatriz. Toca o divino através de sua
coroa dourada e o cinto vermelho das emoções envolvem seu intelecto,
simbolizado pelo amarelo em seu cabelo e em sua coroa, equilibrando-o.
O número três, além de ser a solução da dualidade, é também o
número do equilíbrio, o caminho do meio dos yogues. A terceira via ou o
caminho da criatividade renovada.
Em seus Aspectos Positivos, A Imperatriz significa: beleza, liderança,
refinamento, sofisticação, praticidade.
Esta carta significa o próprio consulente, caso este seja do sexo
feminino. Pode significar mãe e esposa. Independente do sexo, quem tira
esta carta é sofisticado, prático, realizador.
Em seus Aspectos Negativos significa futilidade,
vaidade, auto-suficiência, ambição, narcisismo.


CARTA 4 - O IMPERADOR
Solucionando o impasse da dualidade através do
equilíbrio da carta três, A Imperatriz, agora o Mago pode
dar forma às ideias tornando-as concretas no mundo das aparências. O
Imperador é uma carta de realização no plano material.
Sentado, mas numa atitude ativa, já que parece disposto a levantar do
seu trono se for necessário, o Imperador tem a perna direita sobre a
esquerda formando o número quatro, o número humano da concretude física.
O homem, provido de intelecto, emoção, corpo e espírito exibe a
quadrinidade expressa na carta do Imperador. Por estar em situação de
poder absoluto, o Imperador pode ser benevolente com seus súditos. Pode
reinar com rigor e amor. Seu cetro, semelhante ao da Imperatriz, mas em
posição contrária à dela, está seguro em sua mão direita, mão do
discernimento, e sob o trono o escudo com a águia demonstra que O
Imperador tem domínio total sobre a sabedoria que jaz aos seus pés.
A sua coroa resvala no divino e apesar de ser amarela (intelecto) com
um adorno vermelho (emoção), seu cabelo é azul, o que lhe dá o equilíbrio
necessário nas suas decisões.
Apesar de olhar para o passado, a sabedoria aguçada representada
no escudo pela águia, está de frente, sugerindo ser o Imperador conservador
até o momento em que isto não interfere decisivamente no presente. Sua
cintura também é cortada por um cinto (amarelo) provocando uma cisão entre o
aspecto mais denso da matéria e o aspecto mais fluido da emoção e do intelecto.
O colar que ele traz no peito é símbolo de sua subordinação aos desígnios
divinos.
Em seus Aspectos Positivos, O Imperador significa concretização,
realização material, fartura, autoridade, paternidade.
Quem tira esta carta é competente, consciente, firme em suas
decisões. Pode significar marido ou amante. Pode representar o próprio
consulente, se este for do sexo masculino.
Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta
é autoritário, conservador, acomodado, machista, amante
egoísta, esquematizado, agressivo.


                                                                                  289
CARTA 5 – O PAPA
Concretizado o mundo, resta ao Mago superá-lo.
O número cinco é o número da quinta-essência ou da
superação da matéria para outro plano, o espiritual. Aqui, as colunas
encobertas da Papisa estão aparentes e sedimentadas. O Papa olha para o
futuro, apesar de retirar do passado a experiência de um velho ancião. A
bênção papal é, nesta carta, uma espécie de ritual de iniciação, de passagem
do conhecimento para as duas crianças (os coroinhas) que estão aos pés do
trono.
Carrega a cruz papal, símbolo do encontro entre o plano material e
espiritual, em sua mão esquerda, e a sua coroa toca o divino na extremidade
superior.
O Papa é o legislador, o organizador do caos, o protetor e o que
consagra os fiéis na ordem estabelecida. Conservador por natureza é, no
entanto, um exímio político, capaz de mudar as regras caso estas não
atendam mais aos interesses comuns.
O Papa, em seus Aspectos Positivos, significa: rigor, casamento,
instituição, conciliação.
Quem tira esta carta é crítico, conciliador, juiz, legislador, guia
espiritual, mestre.
Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta é preconceituoso,
conservador, celibatário, dogmático, rotineiro, mestre do senso-comum.
Então, vamos ver se você assimilou o principal de cada carta. Associe
o número 1 à figura do Mago. Feche os olhos e tente se conectar com o que
o 1 significa realmente. O 1 que há dentro de você, indivisível, integrado,
coeso, o seu único ser verdadeiro.
Faça o mesmo com o número 2, a dualidade da Papisa, a
ambigüidade, os dois lados de uma situação. A aparente passividade da
reflexão, já que é uma atividade interna. Observe os seus pensamentos e
veja o movimento que eles fazem, se para o passado ou para o futuro, pois o
presente jamais é pensado. Esses dois momentos que já não existem mais, a
não ser na cabeça da gente. Essa é a nossa ambigüidade verdadeira, o
nosso verdadeiro ocultamente.
Faça o mesmo com a carta da Imperatriz, o número três, a realização
da trindade. O pai e o filho gestados pelo espírito feminino. Esta é a carta da
Deusa, reverenciada nos ritos da Antiguidade, e também hoje ainda nos
rituais dedicados ao feminino e à Terra.
A carta do Imperador, número 4 é a passividade redobrada da Papisa
que se levanta para concretizar o real.
O número 5 é o poder de sutílização, de ser mestre de algum ofício, de
ser o seu próprio mestre, aquele do qual você extrai o aprendizado de sua
própria vivência.
Entre em conexão com essas cartas e só então passe para a lição
seguinte.


Lição 3 – Arcanos Maiores de 6 a 9
Nesta lição, vamos aprender o significado das cartas 6 até 9, e seus
aspectos positivos e negativos.


CARTA 6 – O ENAMORADO
                                                                                  290
Após a sua iniciação com o Papa, o Mago se
depara então com a primeira contradição em sua vida.
Terá que escolher entre aquilo que já conhece, e torna
seguro o caminho a ser trilhado, e o novo, aquilo que
desconhece. A figura central oscila entre duas mulheres.
À sua direita, ou no passado, vemos uma mulher mais
velha, provavelmente a mãe que lhe supre todas as
necessidades e exigências. E do seu lado esquerdo, no
futuro, uma jovem que lhe toca o coração com uma das
mãos. Na verdade, a escolha parece estar feita, pois o
Cupido, símbolo do amor apaixonado, no alto da carta aponta para a jovem.
Carta de escolha, a dúvida permanece mais no olhar do jovem que se
vira para o passado, enquanto seu coração se volta para o futuro.
Esta carta seria a primeira tomada de consciência para o fato de que
somos responsáveis pelo nosso destino, daí a nossa primeira dúvida real, a
nossa primeira divisão, que pode também significar o primeiro encontro com
o nosso próprio ser. É uma carta de harmonia, pois a escolha é sempre uma
confluência de atenções tanto do nosso coração quanto da nossa mente. A
conexão com o divino se faz através do amor. O jovem, ainda inexperiente,
tem as pernas descobertas, está desprotegido diante do rumo que seguirá. A
ousadia é que o levará a trilhar este novo caminho em sua vida.
Como é uma carta que envolve três pessoas, no plano afetivo pode
significar também a ambigüidade de um relacionamento a três.
Em seus Aspectos Positivos, O Enamorado representa harmonia,
beleza, arte, paixão, amor.
Quem tira esta carta é sedutor, atraente, contemplativo, comunicativo,
artista.
Em seus Aspectos Negativos, significa: dúvida, indecisão, infidelidade,
irresponsabilidade, ambigüidade.


CARTA 7 – O CARRO
Após a escolha da Carat 6, o Mago parte com O
Carro. Esta carta significará não só uma maior ligeireza no
caminho, mas também a possibilidade de ampliação de
suas escolhas. É o que chamamos de livre arbítrio. Como
a primeira tomada de consciência ocorreu na carta 6,
aqui o nosso cavaleiro sabe que qualquer caminho
escolhido implicará em ser responsável pelo que possa
acontecer. Por isso, as duas mulheres anteriores da
carta 6 aqui aparecem representadas por dois cavalos
fogoso, cada um querendo seguir um rumo diverso do
outro. Cabe ao cavaleiro, com rédeas firmes, dar uma direção à sua
carruagem. Tem o cetro, o que indica que ele tem o poder de decidir o que
melhor lhe aprouver. Tem pressa, por isso usa O Carro ao invés das pernas.
Está conectado com o divino através da carruagem, que ostenta as colunas da
Papisa, agora desdobradas em quatro. Isso significa que o saber e o poder
adquiridos serão redobrados durante o percurso.
Traz em cada ombro uma máscara, que ele poderá usar como recurso
útil em sua jornada. Em seu corpo ostenta uma armadura que o protege, já
que as cores aí estão colocadas em perfeito equilíbrio. É um observador
sagaz, que assiste àquilo que vai pelo mundo, com o olhar de um atento
                                                                              291
viajante.
Quem tira esta carta é criativo, batalhador, alegre, valente, pioneiro,
vitorioso, líder. Em seus Aspectos positivos, O Carro significa sucesso, vitória
(outro nome dado a esta carta), livre-arbítrio, ação, conquista, decisão,
rapidez, agilidade.
Em seus Aspectos Negativos, significa: derrota, agitação, pressa,


negligência, submissão, fuga.
CARTA 8 – A JUSTIÇA
É o momento em que o Mago, de posse do
conhecimento que tem do mundo, passa a julgar as
atitudes humanas. As colunas da Papisa aqui também
encobrem as emoções (vermelho) que A Justiça tenta
afastar de seus julgamentos. Apesar de sua roupa ser
vermelha na altura do coração, ela está cingida por uma
corda amarela (intelecto) que a mantém rigidamente
investida da racionalidade. Traz em sua mão direita uma
espada, útil para os pequenos cortes das imperfeições
humanas. E na mão esquerda, a balança onde pesa e
pondera os atos para o julgamento final. Não é cega, tem os olhos abertos,
por isso nos parece mais cruel até do que a tradicional justiça de olhos
vendados. Esta a tudo assiste e nem por isso se deixa influenciar pelas
emoções ou por qualquer tentativa de envolvimento. Dura, rígida, imparcial, A
Justiça é o fiel da balança, o equilíbrio que muitas vezes necessitamos em
inúmeras situações de nossas vidas. Enquanto O Papa legisla, A Justiça
executa as leis.
Em seus Aspectos Positivos, A Justiça significa racionalidade,
imparcialidade, equilíbrio, julgamento, questionamento, heranças, casamento,
estabilidade, ponderação.
Quem tira esta carta é racional, metódico, imparcial, equilibrado, ou
seja, dotado dos atributos mencionados acima.
Negativamente, significa: fanatismo, rigidez, intolerância, abuso de
poder, extrema racionalidade, divórcio, cobranças, frigidez, desequilíbrio


mental, conservadorismo, severidade.
CARTA 9 – O EREMITA
Cansado da Justiça dos homens, o Mago se volta
para dentro de si mesmo, talvez no intuito, quem sabe,
de observar sem julgamento o caminho do seu próprio
crescimento espiritual. O Eremita se volta para o
passado para onde lança a luz de seu pequeno lampião.
É do passado que ele pode retirar a compreensão do
presente. Caminha para lá na tentativa de tomar
consciência dos seus atos aqui e agora. Tem a
sabedoria da sua própria luz interna, representada no
lampião em sua mão direita. O seu cetro é um bastão
que o guia num caminho nem sempre reto e desprovido de surpresas. Cabelo
azul, significando apaziguamento da mente, é por ele que se conecta com o
divino, diretamente, sem mediações, já que não usa chapéu nem coroa.
Carta da sabedoria adquirida, o Eremita é o buscador que não se ilude mais
                                                                                   292
na sua busca. Sabe que o que necessita está dentro dele, bastando apenas
ter a luz necessária para enxergar.
Em seus Aspectos Positivos, o Eremita significa sabedoria, solidão,
maturidade, meditação, autonomia, consciência, profundidade, astúcia,
orientação, prudência.
Quem tira esta carta é discreto, cauteloso, mestre, crítico silencioso,
sábio.
Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta é individualista,
egoísta, introvertido, tímido, frustrado, conservador, maníaco, escapista,
auto-suficiente, sofre de visão curta e de prudência exagerada.
Lição 4 – Arcanos Maiores de 10 a 14
Nesta lição, vamos nos deter no significado das cartas 10 até 14, e
seus aspectos positivos e negativos.


CARTA 10 – A RODA DA FORTUNA
Aqui O Mago retorna a si mesmo. O 10 volta ao l
— a soma dos algarismos de 10 é igual a 1 — para
novo começo.
O Mago agora depara com a Roda. A
engrenagem que o faz repetir, ingressando agora na via
úmida do Tarot. As três figuras da Roda oscilam de
momento a momento, já que a Roda dificilmente pára. O
macaco da direita, em breve, poderá estar à esquerda e
logo a seguir no topo. Assim como também os outros
podem tomar outros lugares à medida que a Roda gira.
Semelhante à roda da vida, onde uns caem e outros levantam, na
Roda da Fortuna nada está parado. Não está assentada em terra firme, pois
se vê água sob ela, o que a torna não só instável, mas também navegadora
no curso da maré. São os altos e baixos, momentos de oscilação. Mas é
também, em seu sentido positivo, ganhos materiais inesperados.
A Roda da Fortuna, em seus Aspectos Positivos, significa: fortuna,
progresso, ganho material, conclusão, mudança para melhor, ganhos em
jogos, conquista do nosso próprio centro, transformação, desafio para
superação.
Em seus Aspectos Negativos significa instabilidade, oscilação dos
humores, azar inesperado, inquietação, ansiedade, inconstância, excitação
mental, perdas materiais.


CARTA 11 – A FORÇA
Ameaçado pela oscilação constante da Roda Da
Fortuna, o Mago se dirige para A Força que há dentro
dele. Mais maduro, mais consciente do processo que o
aprisiona, agora tem condições de subjugar os instintos
com a suavidade com que a mulher na carta domina o
leão.
Em total equilíbrio, já que a roupa azul que lhe cobre o corpo é
revestida apenas da energia do vermelho em seus ombros e costas, A Força
é a personificação do controle das emoções aliado à impressão que já tem de
si mesma. Sua roupa aparece aberta na altura do coração, o que significa
que ela não tem mais medo de mostrar abertamente o que se passa dentro
                                                                              293
de si. Conecta o divino através do seu chapéu que, semelhante ao do Mago,
representa o símbolo do infinito.
Em seus Aspectos Positivos, A Força significa docilidade, ternura,
firmeza, honestidade, autodomínio, persuasão, inteligência.
Quem tira esta carta é firme, honesto, tem energia e força interna,
possui força física e mental. Conhece seus impulsos e controla seus instintos.
Negativamente, esta carta significa rigidez, controle, tirania,
indiferença, tensão, dominação, autoritarismo.


CARTA 12 – O PENDURADO
Após a compreensão que adquiriu de si mesmo,
O Mago descobre a sua verdadeira prisão.
Localizada no passado, essa prisão coloca aquele
que um dia foi Imperador, de cabeça para baixo. O
mesmo número quatro que o Imperador desenha com as
pernas está aqui no Pendurado de forma invertida. Ou
seja, as quatro qualidades do aspecto humano
encontram-se aqui de pernas para o ar.
As colunas da Papisa agora sustentam a forca do
Pendurado, que sofre as piores humilhações. Sua morte
será lenta e dolorosa, já que O Pendurado morre por asfixia nessa posição.
Sua cabeça se dirige para a terra, o aspecto mais material e mais denso de
sua natureza. Apesar de estar de frente, O Pendurado sofre a prisão do
passado. E o ar que falta é o ar da renovação.
Em seus Aspectos Positivos, O Pendurado significa: idealismo,
entrega, rendição, doação, renúncia, sacrifício, arrependimento, superação
do ego, espiritualidade.
Para quem é desenvolvido espiritualmente, tirar esta carta pode
significar aquilo que os católicos chamam de "cordeiro de deus".
Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta é masoquista,
impotente, frustrado, auto-destruidor, suicida. Está preso no passado desta
vida ou em algum gancho não resolvido em vidas passadas. São pessoas
que tendem ao martírio e sacrifício. Deprimidas e desorientadas pela culpa,
tentam se purificar através de algum tipo de martírio interno ou externo.


CARTA 13 – A MORTE
E então o Mago encontra A Morte. Ou física ou
de outra natureza. Não importa. O que importa é que a
morte aqui significa limpeza. Acostumados que estamos
a associar A Morte apenas ao indesejável, esquecemos
que, por já estar embutida na vida, A Morte é a
purificação necessária da própria vida. Que o que está
deteriorado possa ser imediatamente reprocessado por
ela.
É necessário um terreno limpo de velhas plantas,
para que novas sementes brotem. Esta é a função do
ceifador que aparece na carta. Função de limpar e renovar o solo para que
novas vidas, novas idéias, novas atitudes possas surgir. Na carta, A Morte
corta tudo o que está no chão: mãos, cabeças, ou seja, todo o passado que
congelava O Pendurado na carta anterior. É necessário que O Pendurado
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tome a atitude de um ceifador para poder se libertar.
A Morte se conecta com o divino diretamente e o ponto vermelho ao
final de sua coluna é a energia emergente da kundalini aqui representada.
Em seus Aspectos Positivos, A Morte significa limpeza, transformação
escolhida, renascimento, conclusão, renovação, mudança do antigo eu,
mudança para o estrangeiro, morte física, rompimentos necessários.
Em seus Aspectos Negativos, significa: separação afetiva, morte
física, radicalismo, morbidez, cortes indiscriminados, morte de ideais,
rompimentos desnecessários, excesso de limpeza.


CARTA 14 – A TEMPERANÇA
Após A Morte, resta ao Mago alquimizar o que
sobrou. Revitalizar, digamos assim, através de um
processo paciente de depuração interior. Após a
destruição da Morte, o que restou necessita passar por
uma revisão para um reaproveitamento em novas bases.
Aqui, as colunas da Papisa se transformam nas
asas do anjo. Possibilitado de voar, esse anjo deve
transmutar, através da água que corre de um jarro para
outro, todas as seqüelas, traumas e negatívidades
provenientes das duas cartas anteriores. É também um
processo de maturação e de captação de energia nessa jornada do Mago.
Com a emoção equilibrada, A Temperança se conecta com o divino
através do chakra coronário representado na flor vermelha em sua cabeça.
Tem os cabelos amarelos, indicando que a sua depuração também é
intelectiva, o que a torna mais protegida ainda contra os excessos da Morte.
A Temperança é o perdão para nós mesmos.
A Temperança, positivamente, significa transmutação, alquimia,
maturação, depuração, consciência ampla, experiência, paciência, fidelidade,
moderação, temperança, espera, discernimento, compreensão, compaixão,
perdão, notícias pelo telefone.
Em seus Aspectos Negativos, significa: esterilidade, morosidade,
dificuldade, lentidão, sofrimento, saudosismo, complicação. Em geral, as
pessoas que tiram esta carta são pessimistas, pesadas, adoram reclamar de
tudo. Tratam a vida como um grande problema a ser resolvido, daí a
dificuldade em resolver qualquer coisa.
Ao sintonizar com o número 10, na verdade, estamos sintonizando com
o Todo e a Integração. O 10 é a união do universo com a individualidade. É o
encontro do homem com Deus. Já o número 11 é o segundo número da
iniciação. Os povos primitivos iniciavam seus jovens exatamente aos 11 anos
de idade. É o momento do ingresso na vida social da tribo, como pequenos
adultos dotados já da capacidade da auto-sobrevivência.
O número 12 é o encontro do indivíduo com a sua dualidade. É o
momento de rever padrões de comportamento antigos, que não se sustentam
mais, nos dividem e nos tornam enforcados em nosso próprio destino.
O número 13 é a morte da matéria. Número do azar para os
supersticiosos. Um número que exige reflexão madura para a superação dos
nossos preconceitos.
O número 14 é o número da depuração dos três números anteriores.
Entre em intimidade com esses números antes de passar para a lição
seguinte.
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Lição 5 – Arcanos Maiores de 15 a 18
Nesta lição vamos aprender o significado das cartas 15 a 18 e seus
respectivos aspectos positivos e negativos.


CARTA 15 – O DIABO
É claro que depois de uma certa reclusão
consciente, quando colocamos em dia os resultados de
uma transformação em nossas vidas, surge um fogo que
nos assola mas também nos embala. Partimos para a
criação de algo novo. O poder da criatividade está aqui
representado pelo Diabo. É a carta das paixões, da
criação, mas também da perdição. Depende de como
ela, com a sua energia poderosa, pode influenciar cada
um de nós. É a energia sexual, a libido, e por isso
mesmo os dois diabinhos estão aprisionados um com o
outro, ligados por uma corda. A carta 6, O Enamorado, que é também o
resultado da soma dos algarismos da carta 15, está aqui revelada para além
das máscaras de pureza que envolvem os três personagens. O fogo que arde
na tocha que O Diabo segura é a energia kundalini em erupção. E o corpo
feminino do Diabo nos mostra que a androgenia é o caminho da libertação.
Ou seja, quando O Mago começa a ter a capacidade de casar seu aspecto
masculino (yang) com seu aspecto feminino (yin) começa também a ter a
capacidade de se libertar de sua última prisão. A prisão decisiva no seu
caminho iniciático e que, se rompida, conduz à libertação final.
As asas azuis do anjo da Temperança aqui se transformam nas asas
de morcego do intelecto diabólico, que oprime e desorienta. Com os pés
sobre a pira, arde nos desejos mundanos, reinando sobre os dois
acorrentados, ambos subjugados aos seus próprios desejos. No entanto,
será com a erupção da kundalini, que o Diabo personifica, que esses
mesmos humanos poderão romper com essa prisão e adquirir um potencial
mais elevado de auto-conhecimento.
O Diabo, positivamente, significa sexualidade, libido, criatividade,
pulsão, emoção, energia kundalini, ganhos materiais, instinto, desejos
realizados, garra, libertação.
Em seus Aspectos Negativos, significa: possessividade, magia negra,
infelicidade, dependência, imoralidade, amoralidade, irritação, influência
astral negativa, violência, brigas e discussões, vícios.
Quem tira esta carta pode sofrer suas consequências negativas. São em
geral pessoas neuróticas, mentirosas. Mas pode também significar pessoas
extremamente sensuais e também aqueles que comercializam com o sexo.


CARTA 16 – A TORRE
Mas a providência divina também tem seus
sinais. É quando pela força do raio, no lado esquerdo
superior da carta, A Torre desaba, mostrando que o
poder concreto do Imperador pode desmoronar. Que
nem todos os planos argutos de uma mente acostumada
a pensar e elaborar estão livres dos infortúnios e dos
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imprevistos. Que uma força maior é capaz de modificar,
de cortar, de quebrar o mais sólido dos edifícios. Assim
é a carta da Torre. Uma nova ordem deve surgir, uma
nova organização. É o momento de cuidado redobrado,
pois todos os esforços serão inúteis.
É quando o aspecto material do Imperador, já corporifícado em seu
castelo, cai. Todos os envolvidos, na verdade, caem na real, pois habitar uma
Torre muito alta nos coloca sempre com a cabeça nas nuvens. A parte superior
da Torre é a coroa do Imperador destronado, que oscila a ponto de desabar
após as duas figuras.
É também o poder de manipulação do Mago que cai.
Em seus Aspectos Positivos, A Torre significa: corte, quebra de
valores, transformação, reestruturação, obras, renovação, construção,
rompimentos de fora.
Em seus Aspectos Negativos, significa: corte, imprevistos, falência,
miséria, insegurança, perdas materiais, perdas afetivas, destruição,
separação, desilusão, risco de acidente, desestrutura.


CARTA 17 – A ESTRELA
A Esperança é bem-vinda após a quebra da
Torre. Aqui O Mago se depara com uma alquimia
diferente, apesar de semelhante em alguns aspectos, da
Temperança.
Aqui, a Temperança tirou a roupa. Está nua. Sua
intenção não é mais a de depuração, mas de entrega. Não
temos aqui um anjo, mas um ser humano em seu
aspecto feminino (yin). A energia que flui é a da água, que
toma a forma ora de jarro, ora de rio. É uma carta de
fartura e bem-aventurança, já que a mulher é quem
despeja no rio a água que o alimenta.
A energia do fogo é a fugaz energia das estrelas, lembrando os
nossos velhos e minúsculos insights. Carta da natureza, é ornamentada por
oito estrelas – a soma dos algarismo de 17 é 8 – o que a conecta com a carta
da Justiça. Os dois pratos da balança da Justiça, transformados em dois
jarros de outro, agora não medem nem pesam mais no plano do julgamento
humano. O julgamento, se há, é a partir das leis cósmicas. Carta de
confiança e de entrega, A Estrela pode fluir em todas as direções tal como o
leito de um abundante rio.
Em seus Aspectos Positivos, A Estrela significa: pureza, arte, beleza,
harmonia cósmica, paz, plenitude, inspiração, prazer. Quem tira esta carta,
em geral, é amante da natureza e leve em seus relacionamentos afetivos.
Mas pode também ser uma pessoa alienada e imatura, caso analisemos a
carta em seu aspecto negativo. Nesse aspecto, esta carta significa
morosidade, passividade, lentidão, platonismo, alienação e imaturidade.


CARTA 18 - A LUA
É noite escura e a Lua solitária usa de magia pra
brincar com os lobos. São dois, nos aspectos yin (azul)
e yang (rosa), separados, uivando amedrontados para o
céu. Por baixo do solo, um escorpião traiçoeiro emerge
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de águas lamacentas, tornando esta carta obscura e
repleta de maus presságios. Alguns prédios afastados
nos dão a certeza de que tal visão é fruto da imaginação
dos homens.
A carta da Lua é o inconsciente do Mago. É
aquilo que vive no submundo da nossa realidade
aparente. Apesar de lançar sombras e dúvidas, que A Lua projeta sobre nós
em noites de incertezas, esta carta pode ser de uma profunda lucidez para
quem, como O Mago, está em busca do auto-conhecimento.
A soma dos algarismos desta carta é 9. Se na carta 9, O Eremita tem
um lampião que o orienta, aqui O Eremita teria puramente sua intuição.
Caminhar no escuro é um empreendimento audacioso, mas perfeitamente
seguro para os que são dotados de terceira visão. Por isso é considerada
uma carta de alta magia além de, numa leitura mais mundana, significar
incertezas e aborrecimentos que seguramente aparecerão.
Esta é uma carta de magia, e tanto em seus Aspectos Positivos
quanto nos Negativos depende da intenção do Mago. Positivamente significa
também: intuição, inconsciente, lucidez, desafio. Negativamente significa
divisão, negatividade, discussão, obscuridade, crise pessoal, desilusão,
forças negativas, doenças incuráveis, falsidade, traição, desonestidade.
Este conjunto de quatro cartas nos parece audacioso para a
compreensão de um iniciante. Defrontar-se com O Diabo, com A Torre e com A
Lua num mesmo momento é perceber as nossas pequenas misérias e os
nossos pequenos e grandes medos de um só golpe.
O número 15, composto do número l do Mago e do número 5 do Papa,
é altamente incongruente. Se de um lado temos um ladrão e manipulador, do
outro temos o rigor e a ordem, o que nos parece um verdadeiro inferno. Essa é
a divisão irregular da carta do Diabo. O número 5 tem que medir esforços com
o l, pois o peso e o equilíbrio entre eles não é proporcional.
O número 16 é o 8 da Justiça duplicado e o 4 do Imperador
quadruplicado. Por isso a carta da Torre é a carta de maior densidade do Tarot.
Tudo nela é terra convulsionada. É a matéria que se desfaz e desaba sobre si
mesma.
O número 18 é o número da terceira e última iniciação. O momento em
que deixamos nossa juventude e passamos para o mundo adulto. É o
momento da nossa inserção efetíva na sociedade. Dúvidas e incertezas pairam
sobre o nosso destino.
Medite com essas cartas e só então passe para a lição seguinte.
Lição 6 – Arcanos Maiores de 19 a 21
Nesta lição vamos aprender o significado das cartas 19, 20, 21 e 0, e
ainda seus aspectos positivos e negativos.
CARTA 19 – O SOL
Após uma noite muito escura vem sempre um dia de forte Sol. A carta
do Sol, também conhecida como O Amor, é a carta de maior energia do
Tarot. É a energia da espiritualidade, do amor universal. Por isso, as duas
crianças estão praticamente nuas, desprovidas de qualquer proteção, a não
ser o muro ao fundo que as isola do mundo. É o
encontro de nossas crianças dentro de nós mesmos.
É uma carta de realizações afetivas, de encontros
amorosos. E, detalhe, as gotas ao fundo estão
invertidas, fazendo-nos crer que a energia que se
desprende do amor é a energia que alimenta o sol, e
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não o contrário. É uma carta de felicidade em todos os sentidos.
Aqui o Mago inicia a última via. A soma dos algarismos desta carta nos
remete à carta 10, que também somada nos leva de volta ao Mago.
Em seus Aspectos Positivos, o Sol significa clareza, amor, felicidade,
união feliz, sinceridade, alegria, espiritualidade, arte, luminosidade, otimismo,
pureza, morte física.
Em seus Aspectos Negativos, significa: alienação, platonismo,
excesso de luz que queima e cega, morte física.


CARTA 20 – O JULGAMENTO
Diferente da Justiça, que julga a partir das leis
mundanas, O Julgamento seria a Justiça divina, com
suas leis próprias.
O anjo anunciador toca para que os mortos
ressuscitem para o julgamento final. A energia da carta
é de transformação plena. O que estava morto revive,
não no sentido de reviver o passado, mas no sentido de
um renascimento completo, com uma identidade
absolutamente nova, sem nenhum ponto de contato com
aquilo que já passou.
Aqui, novamente, recorremos à carta 6. Só que a
escolha não pertence mais ao nosso plano de existência e não há mais aqui
uma prisão como na carta 15. Há um resgate das três figuras da carta 6 e 15,
no que parece ser um casamento andrógino de um único ser. A figura de
costas, azul, é o equilíbrio necessário entre a mulher (princípio yin) e o
homem (princípio yang). Esta figura azul parece ser também o que vai oficiar
o casamento, ou seja, ele será o ponto de união ou o mestre que vai
possibilitar essa união. O anjo, na verdade, tomou o lugar do Cupido, pois
não se trata mais de uma paixão, mas do amor incondicional de um ser por si
mesmo.
É o momento da morte e da ressurreição e da posterior iluminação que
virá com a carta 21.
Esta é uma carta de transformação total.
Em seus Aspectos Positivos, além desta conotação, significa também:
julgamento favorável, mudanças internas, notícia por carta, dons artísticos,
espiritualidade, superação, verdade existencial.
Em seus Aspectos Negativos significa separação, rompimento, medo
do desconhecido.


CARTA 21 – 0 MUNDO
Aqui O Mago chega ao final de suas realizações.
Por isso esta é uma carta de realização plena, tanto no
sentido mundano, quanto no sentido afetivo e espiritual.
É o coroamento final para quem teve que
percorrer caminho tão longo. No mundo estão os quatro
elementos dispostos em volta da carta, mas não mais
manipulados pelo Mago com suas mãos hábeis. Nela,
os quatro elementos circundam toda a atmosfera para
se fundirem num só – síntese de toda a energia
universal. É o que esta carta significa. Ou seja, de que a
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compreensão da iluminação — esse coroamento a que se reporta a figura —
só é possível quando se perde o sentido da individualidade e a personalidade
se dilui no Todo. O Mago, imaturo ainda, é o potencial necessário que habita
em todos nós para se atingir o universo pleno.
O anjo, no canto direito superior, significa o espírito e o elemento fogo,
no naipe de Paus. A águia, no canto esquerdo superior, significa nosso
processo mental e o elemento ar do naipe de Espadas. O leão, no canto
esquerdo inferior, significa as emoções e o elemento água do naipe de
Copas. E o touro, no canto direito inferior, significa o elemento terra do naipe
de Ouros.
A figura central está nua e despojada de seus bens. Segura em sua
mão esquerda, a mesma varinha do Mago, o que nos dá a possibilidade de
reconhecê-lo. Apenas uma faixa azul atrás e vermelha à frente significando
domínio das emoções, encobrem pequena parte do corpo. À sua volta, uma
guirlanda trançada é a única proteção, sugerindo também expansão da aura
e dos corpos sutis, antes aprisionados no corpo físico.
A energia yin – energia da espiritualidade – prevalece já que a figura é
feminina. As suas pernas desenham o mesmo número quatro da realidade
concreta do Imperador, com as pernas trocadas. A perna que está no ar é a
esquerda, das emoções, enquanto a do discernimento intelectual está
levemente apoiada no chão. Aliás, há um extravasamento desse chão para o
centro inferior da carta, indicando uma conexão com a terra através das figuras
inferiores e uma conexão com o divino através das figuras superiores.
Indica que tudo está bem em qualquer plano de nossas vidas, e que o
coroamento pelos nossos esforços já está acontecendo.
Em seus Aspectos Positivos esta carta significa: realização máxima,
plenitude, satisfação, proteção, iluminação, criatividade, comunicação,
notícias dadas pessoalmente, viagens para o estrangeiro, fama internacional,
transmutação da personalidade.
Em seus Aspectos Negativos, significa: necessidade das coisas
mundanas, agitação, egocentrismo, narcisismo, decadência.


CARTA 0 – O LOUCO
Esta é a carta mais intrigante do Tarot. Colocada
à margem do caminho do Mago, esta carta significa o
próprio caminho a ser trilhado.
Em geral, necessitamos de uma certa entrega e
despojamento, já que não temos certeza do que nos
pode ocorrer no minuto seguinte da nossa existência. O
Louco é aquele que se lança ingenuamente, desprovido
de armaduras e proteções externas. É o andarilho que
há dentro de nós, para o qual as surpresas fazem parte
do percurso. É a entrega ao nosso destino, que nos faz
ser buscadores, sem esperança e sem saudade, já que para o Louco não
existe nem futuro nem passado, mas apenas o estar no mundo.
Carrega, no farnel às costas, tudo o que necessitará no percurso, os
quatro elementos inclusive. O seu bastão é o seu guia, já que mantém os
olhos no céu à procura de uma correspondência com o que se passa na
Terra. Suas vestes rasgadas demonstram um certo desleixo com o seu corpo
físico, pois o Louco sabe que ele não é seu corpo, nem sua mente, nem suas
emoções. Por isso, o gato (emoções) que o persegue e o arranha, não o fere.
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Ele parece indiferente a tudo, mas na verdade não se trata da indiferença
intelectual que muitos adotam. No Louco, ao contrário, este seu “ar” significa
que ele está presente a cada passada que suas pequenas pernas são
capazes de dar nesse imenso caminho que tem à frente.
Usando a roupa dos bufões e bobos da corte, notáveis pela sua
sabedoria e comicidade, O Louco é um bem-humorado no sentido da
aceitação por tudo que a vida lhe pode ofertar. Seu chapéu invade o divino e
os sapatos vermelhos, presentes também em outras cartas do Tarot,
significam que ele é guiado pelas emoções.
Sem objetivos, pois qualquer lugar é um bom lugar para se estar, O
Louco é também conhecido como "a criança de deus", aquele ser
aparentemente desprotegido, no entanto provido, mais do que qualquer um,
pela essência divina.
Em seus Aspectos Positivos, esta carta significa: entrega, autoaceitação,
prazer, alegria, desprendimento, espontaneidade, confiança,
inocência, ingenuidade, intuição, amoralidade, existência presente, liberdade.
Em seus Aspectos Negativos significa: loucura, instabilidade,
imaturidade, prazer fugaz, fuga, inconseqüência, falsidade, leviandade,
frivolidade, insegurança.
É interessante chamar a atenção para o fato de que uma determinada
qualidade pode aparecer tanto nos Aspectos Positivos quanto nos Aspectos
Negativos. Morte física, por exemplo, aparece nos dois casos, significando
que a morte física pode ser encarada pelo consulente como algo pelo qual
ele teme, ou positivamente, como uma passagem para outro plano de
desenvolvimento. Uma outra observação se faz importante. Os Aspectos
Negativos, muito esporadicamente, significam o contrário dos Aspectos
Positivos. Em geral, os Aspectos Negativos são exageros ou excessos dos
Aspectos Positivos. Por exemplo, um Mago manipulador, ou seja, aquele que
sabiamente consegue extrair das situações o que lhe convém, pode se
revelar um oportunista pronto a manipular quem quer que seja em proveito
próprio. Portanto, é necessário que saibamos “olhar” as cartas para além dos
significados esquemáticos dos Aspectos Positivos e Negativos.
Mas, voltando às quatro últimas cartas, podemos dizer que a conexão
com elas é um empreendimento de peso. Ao contrário das cartas anteriores,
próximas ao cotidiano dos homens comuns, aqui podemos experienciar algo
absolutamente novo em nossas vidas.
Esta via, inaugurada com O Amor da carta 19, nos remete ao l e ao 10, já
que a soma dos algarismos de 19 é 10, que é igual a l. O amor mundano aqui é
transmutado pela roda da fortuna para se expressar no amor do Mago. Na
verdade, o amor de um Mago que se entrega.
O número 20 é a morte ou a transformação da dualidade. É o
renascimento da Papisa, cuja reflexão intelectíva já não serve mais. Aqui a
ambiguidade se funde com um único ser, outrora fragmentado.
O número 21 é o retorno do Mago ao Mago, ao princípio primeiro,
gestado pelo número 3 da Imperatriz.
Reflita com essas cartas para só então passar à lição seguinte.


LIÇÃO 7 – A LINGUAGEM SIMBÓLICA DAS CARTAS
De posse da interpretação das cartas e do que aprendemos das lições
anteriores, começamos a enriquecer nossa visão dos arquétipos. Não
importa com que Tarot se trabalhe. São muitos os Autores e Mestres que
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confeccionaram seu próprio Tarot, como Crowley, Wirth, etc. Mas em todos
eles conservaram-se os símbolos básicos, apesar de apresentarem para o
leigo uma aparência completamente diversa uns dos outros.
No Tarot de Marselha, esses símbolos são evidentes, podendo ser
identificados tão logo despertamos nossa atenção.
Por exemplo, os símbolos correspondentes ao Mago, os quatro
elementos, estão representados no Tarot de Marselha pelos objetos
dispostos sobre a mesa. Já no Tarot de Crowley, os mesmos objetos voam
num espaço belamente ornamentado por raios sugestivos.
Assim, em todas as cartas estão os mesmo símbolos, suas
representações e significados. Os do Tarot de Marselha são os mesmos do
Tarot de Crowley ou de qualquer outro que se manuseie.
No entanto, com as cores isso não acontece, apesar dos seus
significados serem importantes nas leituras que fazemos.
No original Tarot de Marselha são usadas três cores básicas: azul,
vermelho e amarelo. Alguns autores se reportam ao verde, inexistente
entretanto na Biblioteca Nacional de Paris.
O amarelo significa o poder intelectual, a inteligência, o discernimento,
a compreensão mental, a astúcia intelectiva. O vermelho representa nossas
emoções e a nossa sexualidade. E o azul a nossa espiritualidade, sabedoria
e compreensão. Equilibradas são as cartas cujas três cores estão também
equilibradas. Se parte de um corpo está em azul e a outra parte em
vermelho, é sinal de que há equilíbrio, principalmente se o vermelho está do
lado esquerdo (emoção) do corpo e o azul no lado direito (discernimento
intelectivo). Isto porque sabemos que o meridiano esquerdo do nosso
cérebro, que comanda nossa percepção intelectiva, se expressa no lado
direito do nosso corpo. E o meridiano direito do nosso cérebro, responsável
pela nossa intuição e emoção, se expressa no lado esquerdo.
Se o cabelo da figura for amarelo, significa que essa figura exerce com
intensidade sua força intelectiva. É um ser basicamente mental. Se o cabelo
é azul. como no Eremita, significa que a força da mente caminha por planos
mais espiritualizados e que o intelecto aqui está em equilíbrio com as
emoções.
A Carta 12, O Pendurado, por exemplo, exibe a cor azul apenas nas
pernas, enquanto o resto do seu corpo, desde o chakra básico (sexual) até o
chakra da garganta, é revestido alternadamente com as cores amarelo e
vermelho. Isso significa a divisão em que O Pendurado se encontra: o seu
discernimento divide espaço com a sua emoção. No entanto, esta mesma
carta em seu desenvolvimento espiritual máximo, pode indicar a integração
do Pendurado pelo encontro das duas cores. Para uma pessoa que já atingiu
um desenvolvimento espiritual elevado, as cartas podem se reportar a outros
significados que não os usuais.*
* Paul Marteau, em seu livro O TARÔ DE MARSELHA – Tradição e Simbolismo – Editora
Objetiva –
em algumas cartas se refere a cores diversas das aqui apontadas. Por ser assunto
controvertido,
recomendamos a consulta deste e de outros livros.
Olhar as cartas do Tarot não é enxergar os significados para além
delas. E se inicialmente parece difícil, à medida que vamos manuseando elas
mesmas vão se revelando pouco a pouco a cada nova interpretação.
Ainda no que se refere às cores, é necessários chamar atenção para o
fato de que o branco que aparece ao fundo do Tarot de Marselha, no antigo
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Egito não existia. Na verdade, as cartas eram espelhadas ao fundo na
intenção de que o consulente visse seu próprio rosto refletido. Por isso, hoje
em dia, alguns Tarôs como o The Stairs of Gold Tarot, de Tavaglione,
conservam a cor dourada ao fundo, sugerindo ao consulente a presença
desta intenção. O que não contraria a hipótese das primeiras cartas terem
sido elaboradas sobre folhas de ouro, já que o ouro polido também reflete a
imagem.
Nenhum sinal nas cartas deve ser desprezado, pois além de seu
significado universal podem existir outros mais específicos para cada pessoa
que se exercite em sua leitura.
Outro ponto a ser levado em consideração é a posição de cada figura.
Se em pé ou sentada ou em vias de levantar. Em pé indica atividade, sentada
indica passividade, e em vias de se levantar indica a intenção de se colocar
ativo nos momentos necessários. Se a figura estiver voltada para a direita da
carta, como no caso da Papisa, significa que ela está olhando para trás, para
o passado, tirando daí a sabedoria que necessita.
Se, ao contrário, a figura estiver voltada para a esquerda, significa que
ela está voltada para o futuro. No caso da Morte, por exemplo, o chão que
está sendo ceifado, na verdade está sendo feito aqui e agora com vistas ao
futuro. Mas há as cartas que, embora de frente, olham para um lado ou para
o outro, significando que no presente estão sendo projetadas situações do
futuro e do passado.
O Papa, que tem uma conotação de experiência passada, tem o corpo
virado pra frente, para o presente, mas o olhar no futuro. Ele é o responsável
pela formação de novas consciências, representadas na carta pelas duas
crianças de costas.
O Enamorado também é um bom exemplo. Ao mesmo tempo em que
o jovem à frente volta o rosto para a mulher do passado que está à sua
direita, o Cupido acima direciona a flecha para a jovem que está à esquerda,
no futuro. O Cupido são as emoções mais sinceras. Portanto, se a cabeça do
jovem se volta para trás, o coração o lança para frente.
A disposição da figura também é importante. No Mago, por exemplo,
seu braço esquerdo, que é seu lado intuitivo e anímico, está levantado
segurando a varinha dos magos, símbolo do poder sobrenatural. Braços e
pernas, no Tarot, representam a nossa vontade. Se o braço está erguido, a
vontade se expressa com ação. Se, no entanto, está abaixado, pode
significar indecisão, humildade ou impedimento de ação.
Alguns outros símbolos podem nos escapar aqui, por isso é
necessário que se leia e se observe atentamente o significado de cada carta,
na intenção de aprofundar a sua significação.
Cartas como a da Imperatriz e do Imperador, cuja conexão com a linha
superior da carta (o divino) se faz através da coroa, significa que o chakra
coronário (ou da coroa), situado no topo da cabeça, já está desenvolvido,
possibilitando uma maior percepção dos planos mais sutis da consciência.
Os ornamentos (botões, medalhas, colares, etc.) nas roupas indicam
um enriquecimento do arquétipo em todos os planos da vida. E o fato de que
em algumas cartas o solo se apresenta amarelo indica que a sabedoria
daquele Arcano se apóia no discernimento intelectivo.
E, finalmente, cartas cujas figuras têm o cabelo preso, como na carta
da Força, sugerem uma manifestação contida das emoções. E cartas em que
a figura aparece com o cabelo solto, como na carta da Estrela e do Mundo,
há um desprendimento maior das emoções.
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LIÇÃO 8 – OS QUATRO ELEMENTOS

Os quatro elementos, água, ar, terra e fogo, estão representados nos
Arcanos Menores, respectivamente, pelos naipes de Copas, Espadas, Ouro e
Paus.

A água são as nossas emoções, sejam positivas ou negativas, a nossa
sensibilidade, fluidez e vulnerabilidade. O ar é a nossa energia vital e
cósmica. É o prana do yogues. O nosso centro cerebral, de pensamentos e
de reflexão. O fogo é a energia dinâmica, que se irradia através do sol, da
energia sexual e da energia espiritual. A terra é o mundo material concreto,
da praticidade, da saúde, do físico, do aqui-agora.

Esses quatro elementos estão representados na carta 21 dos Arcanos
Maiores, O Mundo, em forma de touro, significa nossos centros inferiores
(dos primeiros chakras), nossa sexualidade, nossa criatividade, nossos
instintos, nossa terra densa. Em forma de leão, representa nossos centros
médios (ou chakras médios) da emoção, vivacidade e expressão da nossa
água interna. Em forma de águia, que representa nossos centros superiores
(ou chakras superiores) de inteligência e de sabedoria, o nosso ar. E em
forma de anjo, o nosso componente espiritual, composto do fogo da nossa
energia kundalini, que se encontra enroscada na base da coluna vertebral, e
que pode potencialmente ser desenroscada a ponto de atingir todos os
nossos chakras.

Entender os quatro elementos e descobri-los à nossa volta e um
empreendimento tentador. Temos, em geral, uma pálida idéia do que seja
isso, colocando-os sempre como objetos fora do nosso sujeito, como se não
tivéssemos dentro de nós aquilo que o universo parece conter. Na verdade,
contemos líquidos preciosos como os nossos hormônios, nossas enzimas,
nosso sangue. A terra, em nós, está representada pelos sais minerais, pela
estrutura densa dos nossos ossos, pela textura consistente de nossa carne.
Do fogo nosso de cada dia, pouco sabemos, já que não temos a tradição de
trabalharmos nossa energia corporal a ponto de senti-la, como sente um
atleta experiente. O alimento que por combustão se transforma no fogo que
nos move, não conhecemos. Conhecemos mais o fogo de algumas emoções
indesejáveis, como a raiva e a paixão violenta. Mas da energia que nos
mantém de pé, pouco sabemos.

Assim como quase não sabemos do ar.
Respiramos por um processo involuntário, e são poucos os que têm uma
percepção desenvolvida desse processo vital. Confundimos oxigénio e gás
carbônico com o processo da inspiração e da expiração. Desconhecemos que
inspiramos energia (prana) e expiramos energia (prana) também, numa troca
constante com o mundo exterior contido num universo mais amplo.
Por outro lado, somos meio que cegos e indiferentes ao mundo. Nossa
sensibilidade parece não perceber sutilezas.

A água que corre no rio será da
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mesma textura e energia da água que corre no mar, assim como a água contida
na emoção do amor será a mesma que é contida na emoção de outros
sentimentos? O ar que alimenta o fogo e o faz crepitar terá alguma semelhança
com o ar que corre nas montanhas altas e geladas do Everest? Assim como o ar
que nos agita a mente diante dos planos que executamos para uma guerra será
o mesmo que nos embala para além dos sonhos que nos levam para nossa
infância?

 Será a terra densa que nos alimenta distinta da terra porosa da areia
das praias, que também nos alimenta com suas algas e seus cocos
exuberantes? Para nós, o fogo crepita sim, no azulado bico do gás ou no fogo
de uma labareda das fogueiras de São João, cada dia mais distantes. Mas o
fogo da energia kundalini, por exemplo, também é poderoso, capaz de
transmutar as nossas energias mais grosseiras no ouro mais precioso dos
alquimistas.

Mas pouco sabemos sobre isso na nossa civilização ocidental, mais
preocupada em matar os elementos do que conhecê-los. Como diz o poeta,
aqui "os rios morrem de sede". Morrem também de fome nossas terras e
extintas florestas. Morre asfixiado o ar poluído por densas nuvens químicas.
Morre o fogo que Prometeu ousou roubar, no gás encanado das elegantes
cozinhas. O que nos sobra, então, se não somos capazes mais de sequer olhar
a lua. Essa coisa prateada e dependurada no céu, que esfria a cada noite por
detrás dos prédios das cidades.

Bem, nos sobra então aqui a listagem dos elementos presentes nas
cartas. Para descobri-los verdadeiramente, no entanto, é necessário vivenciálos.
Carta l, O Mago, possui os quatro elementos, que ele manipula com
destreza.
Carta 2, A Papisa — água e ar. Por ser o princípio yin (água) e por ser
mental (ar).
Carta 3, A Imperatriz — terra, ar e fogo. Mãe primordial (mãe terra),
carta de sabedoria (ar) e de poder (fogo).
Carta 4, o Imperador, possui os quatro elementos. Ele representa o
número quatro do ser humano, que necessita de todos os elementos para
poder realizar concretamente.
Carta 5, O Papa, possui os quatro e mais o éter ou a quinta-essência.
Carta 6, O Enamorado — água e fogo. Carta amorosa, remete a
Copas, símbolo do amor universal (água) e a Paus (fogo), energia amorosa
espiritual.
Carta 7, O Carro — terra, ar e fogo, pois o cavaleiro percorre seus
domínios mentais (predominância da cor amarela na carta-ar), e é na terra
que ele se realiza. Fogo é a energia guerreira que o impele a seguir adiante.
Carta 8, A Justiça — ar, terra e fogo. O ar é representado pela espada,
racional, mental. A terra, pela balança que tudo pesa. E o fogo, a energia que
julga e penaliza imparcialmente.
Carta 9,0 Eremita — terra e fogo. Fogo da espiritualidade, que nesta
carta é abrasador. É da terra que retira e para a terra que devolve seus
ensinamentos.
Carta 10, A Roda da Fortuna, possui todos os elementos em alta
rotatividade. Para a Roda, todos os elementos podem ser destruidores ou
benéficos.
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Carta 11, A Força — água e fogo. A energia feminina da receptividade
(água) aliada à espiritualidade (fogo), já que o fogo das emoções já está sob
domínio.
Carta 12,0 Pendurado, possui todos os elementos, que são absorvidos
intensamente.
Carta 13, A Morte — terra e fogo. Na terra nascemos e morremos e no
fogo é criada a centelha da vida que é reprocessada infinitamente.
Carta 14, A Temperança — água, terra e ar. As emoções (água) aqui
são filtradas através dos potes (terra), pelo anjo (ar). É a transmutação sem o
uso do fogo.
Carta 15,0 Diabo — fogo e ar. Intelecto (ar) que escraviza ao lado de
uma espiritualidade (fogo) pouco desenvolvida. No entanto, o fogo também
queima pelo excesso de oxigênio, o que pode significar a kundalini em erupcão.
Carta l6, A Torre—terra, fogo e ar. A torre desaba na terra, no concreto ao
ser atingida por um raio (fogo) divino. O elemento ar não a sustenta, apenas a
envolve. É quando o nosso plano mental, intelectual, para nada nos serve.
Carta 17, A Estrela — água, ar e fogo. A energia feminina yin (água)
recebe do cosmo (fogo) a inspiração divina (ar).
Carta 18, A Lua — água. É de água exclusivamente esta carta. A Lua
rege as marés e os nossos humores. Nossas águas puras e lamacentas.
Carta 19,0 Sol — fogo. Exclusivamente fogo, é a carta de maior energia
do Tarot. É a transmutação pelo fogo.
Carta 20, O Julgamento — ar e terra. O espírito representado pelo
anjo (ar) anuncia a chegada de um novo tempo à terra.
Carta 21, O Mundo, possui todos os elementos, todos os astros e
signos, todos os níveis de consciência.
Carta O, O Louco, possui todos os elementos que ele transporta em seu
pequeno farnel às costas.


LIÇÃO 9 - POSIÇÃO DAS CARTAS

Abrir Tarot é se abrir ao mundo, se desnudar pela mediação dos
arquétipos, que nos dão consciência e nos ensinam a ter mais confiança.
Aliás, o Tarot existe exatamente para que possamos desenvolver a
confiança em nós mesmos, principalmente nos momentos de angústia e
desespero.
Muitos autores sugerem que usemos o Tarot com as cartas
posicionadas corretamente e também em sua posição invertida. Ou seja,
embaralhar as cartas inadvertidamente, em qualquer posição que elas
possam ocorrer, deitando-as assim e fazendo a leitura. Para as cartas que
saem de cabeça para cima, a leitura recai nos aspectos positivos. Para as
outras, que saem em posição invertida, a leitura recai nos aspectos
negativos.
Na minha opinião, esse tipo de recurso é limitado e pouco inventivo. O
objetivo principal do Tarot é o desenvolvimento da intuição em detrimento da
imaginação. Só quando podemos colocar nossa imaginação à margem do
processo de leitura, é que a intuição emerge e a interpretação se faz mais
rica e correta.
A intuição é como um canal que se abre para além do nosso intelecto e
das nossas emoções. Não há projeção possível aí. Estamos prontos e
isentos de qualquer interferência em nossa leitura sobre aspectos da vida de
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outras pessoas. A imaginação, ao contrário, projeta sentimentos e avaliações
nossas nas leituras que fazemos. Acabamos então por incorrer no erro
mais grosseiro, que é atribuir aos outros aquilo que desejamos evitar ou ter.
Cabe então, aqui para nós, saber como podemos desenvolver nossa
intuição. Em primeiro lugar, usando as cartas apenas na posição correta,
jamais invertidas. Se uma determinada carta deve ser lida em seu aspecto
positivo ou negativo, dependerá de seu posicionamento nas casas, de sua
relação com as outras cartas e de nossa intuição. Parece ser mais difícil, e
é realmente. Mas, no entanto, é mais gratificante porque nossa margem de
erro é menor, já que a nossa intuição será constantemente requisitada por
essa intenção. Com esse recurso, desenvolvemos também, mais facilmente,
nossa capacidade de intuir em outros aspectos de nossas vidas,
que não o Tarot especificamente. Ficamos mais atentos e despertos para
os nossos sinais internos, sozinhos ou em meio a uma multidão.
Saber usar o Tarot é saber usar a vida. O que você faz com a sua
emoção, imaginação, discernimento, espiritualidade, está presente nas
cartas que você coloca para si mesmo. São apenas necessários um par
de olhos para ver e um coração para sentir.
Nada é definitivo no Tarot. O homem é responsável direto pelo seu
destino, podendo modificá-lo a qualquer momento. Isso significa que numa
leitura de Tarot o objetivo principal é levar consciência aonde há
alienação. Após essa consciência ter sido introduzida através das cartas
e nas observações que fazemos junto com o nosso consulente, o que
acontece é que estamos dando novos elementos para as situações no
sentido de lançar uma nova luz ou orientação ao que antes estava obscuro.
A partir daí, cabe ao consulente, já de posse de uma outra interpretação para
os seus problemas, solucioná-los ou não.
Por isso, reafirmo mais uma vez, nada no Tarot é definitivo. Podemos
mudar o nosso destino a cada nova jogada, a cada novo insight. Podemos
nos libertar. E o Tarot é uma chave preciosa que precisamos conservar
para abrir a porta que nos separa de nós mesmos.
Portanto, confiar no seu Tarot é confiar em você.
Sugiro também que visualize os oráculos que estão disponíveis a
todos, e que são os oráculos do Tarot. Mestres, não só da antiguidade, mas
também alguns contemporâneos, exímios na interpretação dos arquétipos,
são requisitados, mesmo que inconscientemente, sempre que
manuseamos ou dispomos as cartas sobre a mesa ou sobre um tabuleiro.
Use isso conscientemente, pois seria também uma outra forma correta de
permitir que esse canal de sua intuição se abra e se conecte com figuras de
elevado poder espiritual.

Como se Relacionar com o Tarot
O Tarot, em si, já é uma espécie de meditação. Enquanto estamos
absorvidos nos arquétipos, a nossa mente está presente e alerta. Mas às
vezes, estamos tão tensos, que precisaríamos de um dia inteiro de manuseio
das cartas para atingirmos o ponto ideal de leitura. Vivemos tão cheios, e
esta é a palavra correta, de preocupações, dúvidas, sentimentos
desencontrados, que não dispomos de nenhum espaço vazio para que os
arquétipos possam transitar. Por isso, durante algum tempo, é necessário
que você lance mão de técnicas simples de relaxamento. De qualquer forma,
segue aqui uma sugestão.
Compre ou grave uma fita de relaxamento. Existem muitas no
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mercado com músicas da Nova Era, em geral instrumentalizadas ou
sintetizadas. Regrave uma fita com a sua voz, tendo este fundo musical. O
texto deve conter orientações de relaxamento bem objetivas. A intenção é
que você se deite com os olhos fechados, a boca levemente aberta e dirija a
sua atenção para cada pedacinho do seu corpo, sempre começando pelos
pés e terminando na cabeça. Passe, com a energia da sua consciência, pelos
pés, pernas, tronco, braços, pescoço, rosto, couro cabeludo, de forma lenta e
pausada. Dê tempo para que haja uma distensão em cada pontinho de
congestão ou tensão. Seja criativo e se detenha exatamente naqueles pontos
que você já conhece e que são difíceis de relaxar, em geral pescoço, ombros
e costas. Quando você se sentir confiante, dispense a fita e utilize apenas o
mesmo fundo musical. Só em ouvir a música, o seu corpo começará a relaxar
sozinho.
Para a canalização propriamente dita, é necessário que a sua mente
esteja limpa e absolutamente presente na meditação. Separe então a carta 5
– O Papa – e a carta 9 – O Eremita - , colocando ora uma, ora outra entre
suas mãos. Você pode fazer esta experiência com os outros Arcanos
Maiores. Sinta a energia que se desprende tanto de uma quanto da outra. É
com a energia do Papa e do Eremita que você deve trabalhar para a conexão
e invocação dos Mestres do Tarot. Se você tiver um Mestre, melhor ainda.
Acredite no que você está fazendo e deixe o resto acontecer.
Por ser uma conversa com o nosso inconsciente, haverá momento
também de difícil compreensão das cartas, principalmente quando jogamos
para nós mesmos. É sempre muito mais fácil fazer uma leitura imparcial
sobre o destino dos outros do que sobre o nosso. Em geral isso começa a
ocorrer quando já há um domínio relativo das cartas e suas possíveis
interpretações. No início, não, tudo são flores.
O que também deve ser evitado é abrir o Tarot desconectado do ato
de abrir o Tarot, simplesmente por hábito ou por não ter nada melhor para
fazer. Em geral, temos o nosso ego surrado pelas cartas. Mas, esse detalhe
é melhor compreendido quando vivenciado por você mesmo.
Abrir o Tarot cansado ou em exaustão física também deve ser evitado.
A energia que se desprende das cartas é poderosa e, como para a maior
parte das pessoas, algumas cartas são inconvenientes ou indesejáveis,
nesse estado estaríamos mais vulneráveis à sua influência.
É claro que no início é salutar que você brinque com as cartas pelo
tempo que quiser, no sentido de adquirir maior intimidade com os arquétipos.
Mas, à medida que o Tarot for ficando presente em sua vida como a comida
com a qual você se alimenta, como ar que você respira, certamente você
mesmo sentirá a necessidade de comer com certa moderação ou aprender a
retirar melhor o prana do ar que você respira. Ou seja, você sentirá que o
Tarot é um instrumento valioso de reflexão e de auxílio, para o qual se deve
lançar mão nos momentos necessários.
O mesmo não se dá, é óbvio, com as pessoas que nos procuram
pedindo auxílio. E são tantas.
Quando você começar a auxiliar essas pessoas, certamente o Tarot
terá uma outra conotação. Por isso, você vai notar que, ao invés de ficar
esvaziado ou cansado pelo fato de abrir Tarot para tanta gente, você se
sentirá repleto e satisfeito, como se tivesse compreendido melhor seu lugar
no mundo.

Lição 10 – Redução Teosófica
                                                                                308
De posse já da interpretação das cartas e dos primeiros esboços sobre
o que precisamos saber neste nosso Curso de Tarot, é o momento de
começarmos a utilizar as cartas.
Primeiro é necessário um pouco de numerologia. Para isso, vamos
aprender a Redução Teosófica, que é o que nos interessa na leitura dos
jogos.
O nosso primeiro jogo terá três cartas. Uma para o presente, outra
para o passado e outra para o futuro. Queremos saber como estamos nos
sentindo no presente. O que nos aconteceu no passado. E o que acontecerá
no futuro. Tiramos a primeira carta, ela será o nosso presente. Tiramos a
segunda carta, que será o nosso passado. Tiramos a terceira carta que será
o nosso futuro.
Vamos supor que as cartas tiradas sejam a 12, a 10 e a 5.
Numa leitura rápida, percebemos que a carta 12 – presente – significa
que nos mantemos aprisionados (Pendurado ou Enforcado) em alguma coisa
do nosso passado, o que nos causa a sensação de desconforto. No passado,
temos a carta 10 – A Roda da Fortuna, sugerindo que houve uma mudança
em nossa vida, mas não uma mudança que nos tenha prejudicado realmente.
A mudança da Roda da Fortuna, em geral, é sempre para melhor. Mas, para
nós, resultou nesta sensação de aprisionamento e desconforto. O passado
aqui está influenciando o presente. No futuro, ou seja, o que acontecerá a
partir deste passado e deste presente, está com a carta 5. A carta 5, O Papa,
nos sugere que teremos que buscar orientação do nosso mestre interior para
saber porque nos sentimos desconfortáveis em relação a uma mudança para
melhor. Se é a nossa culpa que não nos permite viver plenamente as coisas
boas que a vida pode nos oferecer, por exemplo. Se quisermos aprofundar a
temática, teremos que abrir um jogo mais completo.
No entanto, o que nos interessa aqui é a síntese do jogo. A síntese é o
resultado final, ou seja, aquilo que a situação no passado, presente e futuro
pode nos provocar a nível mais inconsciente.
Como tiramos, então, a síntese? Pela Redução Teosófica das cartas.
Somamos primeiro os algarismo de 10=1. Depois somamos os
algarismos de 12=3. E, finalmente, o 5, que por ter um só algarismo,
permanece ele mesmo. O resultado é 9, carta do Eremita. Na síntese deste
jogo, então, a situação nos remete a uma sensação de solidão, de que
estamos sozinhos demais. E que até mesmo o fato de termos que recorrer no
futuro ao nosso mestre interior apenas nos faz sentir mais solitários ainda.
Como se necessitássemos dos amigos na solução deste conflito. De
qualquer maneira, a partir deste jogo temos consciência de que, na verdade,
não queremos solucionar nada, mas apenas dividir nossa tristeza com as
pessoas que alimentam as nossas neuroses. Que, na verdade, gostaríamos
de ficar na situação do “coitado de mim”, afinal a vida me dá coisas que não
são tão ruins assim, e eu tenho que aceitar.
Este tipo de leitura nos sugere um Tarot de crescimento, de reflexão,
de compreensão dos nossos processos inconscientes, de trazer à tona a
nossa lama, os nossos fantasmas e transformá-los em água cristalina e bicho
de pelúcia.
Mas há outros tipos de leitura. Os adivinhatórios apenas e aqueles que
somam as duas possibilidades. Enfim, os recursos com o Tarot são muitos.
Então, vamos ver se você aprendeu a Redução Teosófica. Neste jogo,
qual seria a redução?
Se você respondeu 2 + 7 + 3 = 12, está absolutamente correto. O
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processo foi: 11 = 1+1 = 2. 7 é 7 mesmo. 21 = 2 + 1 = 3. Somando os
resultados, temos; 2 + 7 + 3 = 12. Ainda podemos reduzir este 12, se
quisermos: 12 = 1 + 2 = 3.

Como embaralhar e dividir as cartas
Separe do seu baralho apenas os Arcanos Maiores. Embaralhe
normalmente, tomando cuidado para que as cartas não fiquem invertidas. Ou
seja, embaralhe sem permitir que uma ou outra fique de cabeça para baixo.
Divida então em três montinhos com a mão esquerda, que é a mão do
inconsciente ou do coração. Junte os montinhos, abra um leque fechado, ou
seja, com as figuras para baixo, e ofereça-o a alguém (no caso de jogar para
outra pessoa) ou a você ( no caso de jogar para você mesmo). Tire as cartas
em número necessário para cada jogo específico. Deixe o montinho das
cartas restantes perto de você e não mexa mais nele.
Se você ou a outra pessoa dividir o montinho da direita para a
esquerda, recolha as cartas da direita para a esquerda, para que as cartas
que estava embaixo anteriormente fiquem em cima. O objetivo é ter as cartas
bem embaralhadas. Por isso, fique atento aos movimentos do seu consulente
e repita-os na mesma ordem.
Existe um detalhe que ninguém ensina, que depende de cada um, mas
que eu desenvolvi o hábito de fazer. O consulente acabou de embaralhar e
de dividir o montinho em três. Recolho os montinhos num monte só,
conforme ensinei acima, sempre com as figuras para baixo, e dou uma
espiada rápida na última carta do montinho. Eu a chamo de Carta Oculta.
Aquela que o consulente não quer nem saber, por isso ele deixou no último
lugar do montinho. Você vai descobrir que ela é importante no jogo. Mas,
olhe discretamente para que o consulente não perceba, senão, na hora de
tirar as cartas do leque, certamente ele puxará esta a fim de matar a
curiosidade. Utilize-a, pois ela estará em sua memória, caso seja necessário
como complemento da leitura das outras cartas.
À medida que o outro for retirando as cartas, indique o lugar a ser
colocada cada uma, sempre com as figuras voltadas para baixo, até
completar o número de cartas para aquele jogo que está sendo utilizado.
Acabado o processo, vire então cada carta, começando pela carta 1, depois a
2, etc., sempre em ordem, e comece a leitura.
Procure sempre colocar as cartas de forma que o jogo fique de frente
para o consulente. Na verdade, você verá as cartas de cabeça para baixo,
pois você estará também de frente para o consulente. Inicialmente isso é
desconfortável, mas rápido você pega o jeito. O importante é que o
consulente fique de frente para ele mesmo, e ficar de frente para ele mesmo
é ficar de frente para as cartas do Tarot.
Se sair alguma carta invertida, isso pode acontecer, simplesmente
coloque-a na posição correta. E então faça a leitura.
Como as cartas não mentem jamais, você ficará impressionado ao ver
que você poderá desnudar o outro com o uso do Tarot. Como as pessoas
tiram realmente as cartas certas para o seu caso específico, não sabemos.
Parece que sabemos mais do que achamos que sabemos. Por isso mesmo,
jamais use o que você sabe sobre o outro em proveito próprio. O Tarot existe
para ajudar você, e à medida que o ajuda abre um espaço de amor e de
fartura interna, que pode ser usado para trazer mais consciência para todos.
Se alguma carta pular na hora em que o consulente estiver
embaralhando, preste atenção. Ela poderá ser de ajuda na leitura posterior.
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Mas só preste atenção e o ajude a colocar de volta no interior do monte de
cartas, para que todas continuem a ser embaralhadas.

Como e onde fazer a leitura
Você pode abrir Tarot em qualquer lugar, desde que não haja muita
gente em volta, pois isto pode confundir sua leitura. São muitas as formas de
pensamento no ar que podem influenciar. O ideal é você separar um cantinho
de sua casa só para atender quem vem de fora, pois nesse espaço,
lentamente, será criado um campo de energia poderoso. Com o tempo,
bastará você sentar ali para entrar em estado alterado de consciência. As
palavras começarão a vir como se pulassem das cartas para dentro de
você.Não haverá processo de pensamento nesses momentos, mas um
processo parecido com o da meditação. Você estará completamente
consciente e ao mesmo tempo seu pequenino ego não estará mais ali.
Pode e deve acender um incenso bem cheiroso, pois isso fluidificará
mais o ar à sua volta. Poderá usar um cristal branco, de tamanho médio, ao
lado de suas cartas, pois o cristal ajuda a ampliar a sua intuição ao mesmo
tempo que o protege de influências externas. Poderá usar um gravador, tanto
para gravar as entrevistas quanto para ouvir uma música suave de
relaxamento, enquanto lê as cartas. Enfim, poderá usar o instrumental que
você achar mais adequado, no intuito de provocar um relaxamento no seu
consulente e eu você mesmo.
Algumas pessoas vêm carregadas de angústias, conflitos e depressão.
Não abra o Tarot imediatamente. Peça para que ela lave as mãos. Coloque
um defumador no lugar do incenso, próximo aos dois, e coloque uma música
suave de relaxamento. E então proceda à leitura.
Procure não transformar o seu Tarot numa mágica de segunda
categoria. Afinal, você não é um macaquinho treinado para fazer gracinhas.
Mesmo quando muito solicitado, só abra as cartas se você realmente estiver
a fim ou sentir que o outro necessita muito ali naquele momento. Procure
então um lugar aconchegante, isolado e faça a leitura.
Sempre, e este sempre não é relativo, guarde seu Tarot em ordem.
Toda vez que usar, recolha as cartas, coloque-as em ordem e depois guarde.
Você está usando seu inconsciente através das cartas. Trate bem dele. Não
o deixe embaralhado, pois isso pode provocar confusão dentro e fora de
você. Use um pano de fundo branco para envolver seu baralho e guarde-o
num lugar que ninguém mexa. Avise as pessoas da casa – elas em geral
respeitam muito aquilo que não conhecem – para não mexerem no seu Tarot
sem o seu consentimento. Portanto, também não mexa no Tarot de ninguém
sem o consentimento do dono, por uma simples questão de respeito.
No início, você ainda não domina o significado de cada carta. Por isso,
os Aspectos Negativos e Positivos são de valia na hora da leitura. Recorra a
eles sempre que achar necessário, mas não se prenda a eles. Para melhor
compreensão das cartas, releia sempre a interpretação geral de cada carta
em separado e vivencie o seu Tarot intimamente, deixando que as cartas lhe
“digam” o que cada uma representa.


Lição 11 – Peladan
Depois das informações necessárias, podemos passar agora aos
jogos propriamente ditos. Antes, no entanto, vamos esclarecer uma questão
importante. Meus alunos sempre perguntam: Como vou saber o momento
                                                                                311
certo de ler uma carta em seus aspectos positivos ou negativos? A resposta
é que, além da intuição, você tem as outras cartas. O Tarot, por ser um
sistema fechado, só se sustenta na inter-relação dos arquétipos. Exclua uma
carta de seu posicionamento e a leitura não será possível de ser feita. Por
isso, toda vez que o jogo for colocado, deve-se virar todas as cartas, para só
então proceder à leitura. Primeiro, numa vista d’olhos você assimilará a interrelação
de uma carta com a outra. Só então você será capaz de expressar
essa inter-relação.
Esclarecido este ponto, vamos ao Peladan.
Peladan é o nome de um jogo muito usado em perguntas objetivas,
quando queremos respostas rápidas e diretas.
Tiramos as cartas, como em todos os jogos, sempre com as figuras
voltadas para baixo. Tiramos a 1a e a chamamos de tese. A 2a de Antítese, a
3a chamamos de Caminho e a 4a carta, de Resultado. Este é o nome de cada
casa que compõe este jogo. Colocamos o montinho restante de cartas ao
nosso lado sem nele mexer ou embaralhar.
Tese é o tema, ou a pergunta que fizemos, ou do que se trata o jogo.
Antítese é a discussão da Tese ou o seu complemento. O Caminho são os
obstáculos e as facilidades que encontraremos no caminho para a solução do
que nos aflige. E o Resultado é o resultado final após termos superado o
caminho.
Vamos supor uma pergunta. Estamos desempregados e vamos
amanhã para uma entrevista marcada com o chefe de setor de uma empresa.
A pergunta ao Tarot deverá ser sempre objetiva. O Tarot dá uma resposta de
cada vez. Faça, então, quantos jogos forem necessários para cada
desdobramento da pergunta. “Ou” é uma palavra dúbia. “Vou conseguir o
emprego ou não?”, não existe no Tarot. A pergunta certa é: “Vou conseguir o
emprego?”.
Suponhamos que saia a carta 16, A Torre, na Tese. Na Antítese, a
carta 5 – O Papa. No caminho, a carta 14 – Temperança. E no Resultado, a
carta 18 – A Lua.
Tiramos a Síntese, que será a carta colocada no centro do jogo. A
Síntese, que é a síntese do jogo todo, se descobre pela Redução Teosófica
das quatro cartas colocadas. Vamos ver. A redução da carta 16 é 1+6=7. Da
carta 18 é 1+8=9. DA carta 14 é 1+4=5 e da carta 5 é 5 mesmo.
Somamos então o resultado da redução de cada carta:
7+9+5+5=26
Como não existem 26 Arcanos, só 22, reduzimos também o 26:
2+6=8
Portanto, 8 é a redução final. Mas não é a carta 8 que vamos utilizar. É
a oitava carta do monte de cartas que haviam restado que nos interessa.
Vamos ao monte de cartas, com as figuras voltadas para baixo, contamos até
a oitava carta e a retiramos. Esta carta, que será a Síntese, será colocada no
centro do jogo.
Digamos que a oitava carta tenha sido a carta 19, carta do Sol. O jogo
fica assim.
Agora, vamos à leitura.
A Torre, carta 16, está na Tese. Estamos numa situação de corte.
Nossas necessidades estão sendo cortadas provavelmente em função da
falta de dinheiro decorrente do desemprego. Estamos divididos, receosos. Na
Antítese, a carta 5 nos avisa de que teremos uma entrevista com alguém de
posto elevado, eficiente no que faz. Aqui a Antítese aparece mais como
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complemento do que como discussão da Tese. No Caminho, temos a carta
14 – A Temperança, que significa paciência, tempo de maturação. Parece
que não conseguiremos o emprego, se depender da Temperança, que nos
diz que ainda não é o momento certo.
No Resultado, temos a carta 18 – A Lua. Certamente o emprego não
será nosso no que diz respeito ao resultado desta entrevista. Sairemos de lá
cabisbaixos, aborrecidos, certos de que não conseguimos.
Mas a Síntese é a carta 19, O Sol. Conseguiremos um emprego, sim,
mas provavelmente não será esse. Ainda temos que esperar um pouco.
Talvez até consigamos este emprego, mas não será agora.
No entanto, à medida que você toma consciência disso, você pode
tentar mudar um pouco as coisas, principalmente com a clareza na Síntese,
carta 19.
Talvez pelo clima de Torre, que temos estampado em nosso rosto, o
outro, O Papa, não nos dará emprego. Se nós conseguirmos mudar dentro
de nós a Tese, o jogo será mudado. Então, podemos nos conectar com uma
carta de força como a carta 11 – A Força – ou uma carta de realizações
concretas como a carta do Imperador, carta 4. A partir daí, nossa energia
muda, muda o nosso comportamento diante da entrevista que estará por vir,
muda toda a relação entre as cartas. Há duas maneiras de comprovar isso.
Abrindo novo jogo depois da conexão ou indo para a entrevista primeiro com
a carta da Torre, sentindo o rumo que as coisas estão tomando e no meio da
entrevista mudar o comportamento com a convicção do Imperador. Tente!
Você se surpreenderá!
Aliás, o Tarot nunca deve ser experimentado única e exclusivamente
pela fé, mas deve ser vivido e colocado à prova. Por isso, sempre que abrir
um jogo, coloque a data, a hora e a pergunta feita num caderno para conferir.
Você fará excelentes progressos rapidinho.
Vamos ver como seria uma leitura imaginativa e não intuitiva como a
que fizemos anteriormente.
Na Tese, acharíamos que a situação externa está contra nós. Parece
que o raio da Torre nos atingiu tornando este momento um momento difícil,
mas como o raio vem de fora, nada podemos fazer. A Torre é realmente uma
carta de imprevistos e cortes bruscos, mas não é aquilo que muitos tarólogos
acham: que não somos responsáveis pelo que vem de fora e, portanto, não
podemos interferir. Neste caso de que adiantaria adquirir consciência, se não
podemos agir? Na Antítese, a carta 5 poderia ser uma discussão da Tese, e
nos indicaria que somos peritos no que fazemos e que devemos confiar em
nossa capacidade para conseguir o emprego. No Caminho, temos a
Temperança, que nos avisa que devemos encontrar na entrevista uma
pessoa vacilante, carregada de energia negativa e temerosa. E, no
Resultado, A Lua, nos alertaria para o fato de que não devemos confiar nesta
pessoa. Ela talvez tenha motivos escusos para não nos ter por perto. Com a
carta do Sol na Síntese, podemos estar certos de que o emprego será nosso
apesar de tudo.
Com isso em mãos, agora Você tem uma idéia de como você pode ler
com a intuição, de maneira mais lúcida e imparcial, e assim ajudar o outro a
se desvencilhar das situações com mais consciência. E tem também o
exemplo de como você pode ler com a imaginação, atolado em um
imaginário obscuro, semelhante à carta da Lua e que redundará,
inevitavelmente, em erro de leitura.
É claro que num jogo hipotético como esse, descartamos um fator de
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importância: a presença do consulente que sempre nos orienta para além do
significado das cartas. No entanto, isso não deve ser um fator manipulador da
sua leitura. Pelo contrário, quanto menos identificado com o consulente você
estiver, maior será a sua chance de acerto.


Lição 12 – Jogo Amoroso
Estamos apaixonados. Que bom! Então, queremos saber como está a
nossa relação com o outro. Há um jogo simples e perfeito para isso.
Embaralhamos, cortamos e tiramos a primeira carta, que sou “eu”
mesmo. A segunda carta será “o outro”. A terceira carta será a “situação” E a
quarta carta, “insight”.
Vamos supor que tenham saído as seguintes cartas:
No “eu” estamos com a carta 8 – Justiça, que é uma carta excelente
para assuntos profissionais e de trabalho, mas que não funciona em assuntos
amorosos. A Justiça é extremamente racional e amor e razão não combinam.
Então, na verdade, apesar de me sentir apaixonado, estou entrando muito
racional nessa relação, medindo, ponderando, pesando, com o pé atrás. Na
posição “o outro’, temos a carta 17, A Estrela, significando que o outro está
receptivo, leve, nu e feliz na relação. Na situação, temos O Diabo, carta 15,
que é a paixão mesmo, o tesão. Então a situação parece correta. Está como
deveria estar mesmo. E o insight é a carta 10 – A Roda, ou seja, o que pode
ocorrer a partir das 3 cartas anteriores. A Roda significa mudança para
melhor. Pode haver um crescimento desta relação. Ela não vai estagnar e
parar aí ou morrer. Uma transformação ocorrerá e envolve tempo. Como no
insight não tivemos uma resposta que nos satisfaça, podemos tirar mais uma
carta, que chamaremos de Desdobramento do Insight ou do jogo, que é o
que mais está nos incomodando. Queremos saber que transformação será
essa.
Fazemos então a Redução Teosófica das quatro cartas.
8=8 17=1+1=8
15=1+5=6 10=1+0=1
Temos:
8+6+8+1=23
Reduzimos o 23:2+3=5
Vamos ao monte de cartas que sobraram e retiramos a 5a carta. Ela
será o insight. Digamos que tenha saído a carta 19 – O Sol. O jogo fica
assim:
Continuando a leitura, vemos que a transformação apontada no insight
pela carta 10, será melhor do que poderíamos supor. A carta do Sol é a carta
do Amor. Certamente a relação amadurecerá e o que hoje é apenas uma
paixão se transformará em algo mais sólido que nos trará a felicidade que
tanto ansiamos. É uma bela relação e deve ser aproveitada em todos os
sentido. Apenas precisamos rever no “eu” a carta 8, que pode impedir esse
florescimento. Menos razão e mais emoção é o que o “eu” precisa.
Agora que você já está virando um especialista em Redução
Teosófica, gostaria de chamar sua atenção para a redução que fizemos neste
jogo. O resultado da redução foi 5, o que nos leva à carta 5, O Papa. Isso
também deve estar presente em sua leitura, mesmo que a carta em si não
esteja presente. De posse dessa informação, agora podemos dizer que há
grande chance dessa relação acabar em casamento, pois não só a 19 é uma
carta de amor e de união feliz, como o Papa é um casamenteiro de mão
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cheia. Tanto o Papa quanto a Justiça gostam de legalizar situações. Quando
um dos dois sai, o perigo é iminente.


Lição 13 – As 11 Cartas Célticas
Este jogo é mais completo e por isso mesmo é mais usado. Ele nos dá
inclusive a possibilidade de incluir o tempo em nossa leitura. O Tarot é
realmente rebelde ao tempo, e cada leitura não excede o prazo máximo de 6
meses, a não ser que se determine antes do jogo o prazo que queremos.
Por exemplo, ao final de cada ano, é comum os tarólogos abrirem um
jogo de previsão para o ano seguinte. Nesse caso, pode-se ter uma ideia
bastante aproximada do que poderá ocorrer durante o ano. Mas, quando
jogamos para um consulente, o tempo é aleatório. No caso das Cartas Célticas,
temos duas casas reservadas para o tempo: Próximos Acontecimentos e Futuro
Próximo. Em Próximos Acontecimentos, o tempo vai de agora, neste minuto, até
15 dias aproximadamente. Em Futuro Próximo, o tempo excede os 16 dias até
6 meses, no máximo. Mas podemos precisar os prazos como quisermos,
sabendo que seria leviano ir além de um ano.
Vamos às cartas. Feito o ritual inicial — embaralhar, cortar, tirar as cartas
em número de 11 —, passamos ao jogo, que deverá ser arrumado da seguinte
forma:
Tire as cartas na ordem e coloque-as em seu devido lugar. A primeira
carta na casa l, a segunda, na casa 2 e assim por diante.
Agora vamos ver o que cada casa significa: Casa l — Tema
Casas 2 e 3 — Discussão do tema Casa 4 — Base Casa 5 — Passado
Casa 6 — Aspiração ou aquilo que está na cabeça. Meta. Casa 7 —
SeLf (é a energia mais importante no jogo) Casa 8 — Futuro Próximo (apesar
de ser a oitava carta, deve ser lida por último) Casa 9 — Situação Atual
Casa 10 — Esperanças e Temores (o que o nosso inconsciente mais
deseja e por isso muitas vezes rejeita) Casa 11 — Próximos Acontecimentos
Vamos supor a seguinte pergunta: Estou esperando uma promoção no
meu trabalho. Quero saber se sairá e quando.
Digamos que as cartas tiradas sejam as seguintes:
A primeira carta da casa do Tema, é a carta 7 - 0 Carro. O Carro é
sempre novos rumos e agilidade no caminho. Isso significa que temos pressa
em conseguir nossa promoção. As duas cartas que vão discutir essa pressa,
a carta 8 e a carta 4, aqui provocam uma certa tensão entre si pela oposição
das duas casas — a casa 2 e a casa 3. A carta 8, A Justiça, indica que o
processo ainda precisa ser legalizado para se tornar completo e deixar de ser
um mero sonho. A carta 4, do Imperador, se coloca a nível da concretização
da meta do tema. Ele é capaz e sabe disso. A carta 10 na base é uma carta
de oscilação. Não é uma carta ideal para a base. Ora parece que
conseguiremos, ora não, por seus altos e baixos.
No passado, temos a carta 16 que significa que houve cortes na
empresa e que este passado, de certa forma, está influenciando na decisão
quanto à nossa promoção.
Na cabeça, que é a casa do que aspiramos, temos a carta 3 — A
Imperatriz, que aponta para algo mais estruturado num tipo de trabalho que
será mais gratificante de realizar. Lembro que a carta da Imperatriz é uma
carta de energia feminina sofisticada, indicando que a nossa promoção
significará um refinamento de nossa personalidade.
A casa 7, que é o Self, o nosso eu ou a energia central do jogo, aponta
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para as nossas reais possibilidades de sucesso. Nela temos a carta 2 — A
Papisa. Esta carta indica que alguns pauzinhos estão sendo mexidos atrás dos
panos, e que devemos contar com a possibilidade de que a decisão ainda não
tenha sido tomada a nosso favor por causa de mexericos, oportunismos, etc.
Na casa 9, que é a situação como está neste momento, temos O Mago, que
é o anunciador de novos começos. Esta carta indica que temos muita chance de
começar algo novo em nosso trabalho.
Na casa 10, que é o nosso inconsciente por excelência, temos a
Temperança, carta 14, alertando para o fato de que internamente acreditamos
que o processo será moroso, que temos chance, mas que precisamos sofrer na
espera para sermos merecedores dessa promoção.
Na casa 11 — Próximos Acontecimentos, temos a carta 6 — O
Enamorado, significando que a escolha se fará no correr dos próximos 15 dias.
Na casa 8 — Futuro Próximo, que deverá ser lida por último, temos a
carta 20,0 Julgamento. Esta carta é uma carta que anuncia alguma coisa, que
traz alguma notícia, significando uma transformação muito grande em nosso
trabalho. Não se trata de uma simples promoção, mas também da
transformação que pode decorrer disto.
Como as duas cartas finais envolvem três figuras, excluindo o anjo e o
cupido, certamente haverá pelo menos mais dois candidatos para a mesma
vaga. Apesar de ter grande chance de conseguir a promoção, esta chance está na
carta l, O Mago e, de certa forma, na carta 20 — O Julgamento - seria melhor tentar
averiguar quais os tipos de cochichos que a Papisa tem aprontado na casa do
Self. E também que outros candidatos estão na pauta do assunto.
Na verdade, o Tarot indica pontos de estrangulamento, dúvidas,
processos inconscientes, envolvimentos. Não resolve por nós os nossos dilemas,
mas ajuda-nos a resolvê-los. Nesse jogo, por exemplo, a carta 14 — A
Temperança, está na casa Esperanças e Temores, sugerindo que talvez não
tenhamos sucesso a curto prazo. Esta casa assim como a casa do Self
costumam projetar suas sombras a todas as outras cartas do jogo. Portanto,
devemos nos conectar com cartas mais incisivas pá.-a questões como essa.
No lugar da Temperança, podemos nos conectar com a energia do Mago,
que tudo vence com destreza, a fim de introduzir o novo em nossas vidas. E
para a carta da Papisa, poderíamos nos conectar com a carta 19,0 Sol, que é
uma carta de clareza, a fim de afastar do Self os comentários obscuros da
Papisa.
Aí está a leitura que podemos fazer deste jogo e a possibilidade de
modificarmos certas crenças e atitudes que temos em relação às situações
do nosso cotídiano.

Lição 14 – A Pirâmide
Digamos que um dia um amigo seu, que está doente, pede para que
você lhe abra um Tarot. Sugiro usar a Pirâmide como jogo, nesse caso. Com
a Pirâmide, você tem um mapeamento completo do estado da pessoa no
plano físico, emocional, mental e espiritual. Ou, usando a terminologia
esotérica dos corpos, se você preferir, corpo físico, corpo astral, corpo
mental e corpo espiritual.
As cartas são colocadas da seguinte maneira:
No corpo físico, você vai ter uma orientação sobre o estado da pessoa
fisicamente. No corpo astral, o que está influenciando emocionalmente o corpo
físico da pessoa. No corpo mental, o que está influenciando mentalmente. E o
búdico, ou espiritual, a mesma coisa.
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Então, digamos que tenham saído as seguintes cartas:
Vamos então fazer a Redução Teosófica de cada plano, como uma
espécie de Síntese de cada plano.
Corpo Físico — 7+13+9+4= 7+4+9+4= 24= 2+4= 6
Corpo Astral — 16+18+5= 7+9+5= 21= 2+1= 3
Corpo Mental — 8+2= 10= 1
Corpo Búdico ou Espiritual — 11= 1+1= 2
Temos então:
Agora vamos procurar entender a Pirâmide seccionando-a:
Temos aqui três triângulos, agregados a partir de três casas próximas. O
triângulo central é o Self ou a atuação da pessoa no momento presente. O
segundo triângulo, o Self no passado. E o terceiro triângulo, o Self no futuro.
Ou seja, o que no passado influenciou o presente e o que no presente pode
influenciar o futuro.
Esta interação entre plano físico e plano emocional é importantíssima,
pois sabemos que todos os corpos interagem e que a maioria das doenças são
espirituais, instalando-se primeiro em nosso corpo mental e astral.
Agora vamos fazer o mesmo para a parte de cima da Pirâmide.
O quarto triângulo acontece na confluência de três cartas, duas do corpo
astral e uma do corpo mental, no passado. E o quinto triângulo, a mesma coisa,
mas com projeção para o futuro.
O sexto triângulo está na confluência das duas cartas do corpo mental e
da única carta do corpo búdico. Este triângulo está no presente, já que para o
espírito não existe passado nem futuro.
Então, agora temos duas pirâmides seccionadas para ler. Vamos pegar
primeiro a dos seis triângulos, ou a 2a Pirâmide, para análise do corpo físico e
emocional.
1° Triângulo — Está no presente com duas cartas, a 13 e a 9 no corpo
físico e uma carta, a 18, no corpo astral. A carta 18 — A Lua, indica que o nosso
amigo está emocionalmente muito abatido, cansado e deprimido. A carta 13, A
Morte, indica que ele parece ter um problema ósseo, na coluna provavelmente.
A carta 18 são as nossas águas turvas, podendo significar que há talvez
um problema de rins complicado por esse problema ósseo. A carta 9 é o
Eremita, que olha a carta da Morte achando que vai morrer.
Portanto, o emocional e o físico estão aqui misturados, principalmente
porque a 18 não é uma carta de clareza, mas de obscuridade. No astral ela
não nos permite ver absolutamente nada.
2° Triângulo — Está no passado e significa o quê no passado está
influenciando o presente. Neste 2a triângulo temos no astral a carta 16, A Torre,
revelando que deve ter havido algum acidente que está provocando as dores
no presente. No plano físico, a carta 7, O Carro, confirma o problema nos rins,
que está sendo prejudicado mais ainda pelo problema ósseo decorrente do
acidente.
3° Triângulo — Está no futuro e aqui a situação melhora
substancialmente. O Eremita, que aqui representa o nosso amigo, é ajudado
pelo Papa, carta 5, no astral. O Papa indica a presença de um médico
competente para o caso dele e indica também que há proteção no astral a
caminho. A carta 4, a do Imperador, é salutar, já que o Imperador é a própria
personificação da saúde, significando, portanto, pronto restabelecimento.
Antes de passarmos para os outros triângulos dos corpos acima, é
melhor procedermos à leitura da Redução Teosófíca da Pirâmide, no plano
físico. Voltamos à 1a Pirâmide para complementarmos a análise do corpo físico e
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emocional.
No plano físico temos as cartas 7, 13, 9 e 4, já analisadas na Pirâmide
anterior. A redução 6, nos remete à carta do Enamorado, e significa que a síntese
da situação atual é de dúvidas e indecisões, não se sabendo ao certo que rumo
tomar. Como no astral aparece a possibilidade de ajuda através de um médico,
O Papa, acreditamos que o melhor seria procurar um especialista em rins e
ossos. Aqui está, portanto, a primeira indicação do Tarot para alertarmos o nosso
amigo.
Passemos agora à análise dos triângulos superiores. Voltamos
novamente à 2a Pirâmide.
No quarto triângulo, situado no passado, temos a confluência das
cartas 16, A Torre, e 18, A Lua, ambas no plano emocional e a carta 8, A
Justiça, no plano mental. Este triângulo, também por estar no passado, vai
influenciar o primeiro triângulo do presente. Com a carta 8 no mental, significa
que o nosso amigo está racionalizando demais a respeito de sua saúde. O
acidente, representado pela carta 16, no passado, deixou sequelas em seu
corpo astral, provocando sombras emocionais ou depressões, carta 18, em seu
corpo físico, a carta 13.
O quinto triângulo, situado no futuro, indica que ele deverá procurar se
orientar, não com racionalizações infrutíferas, mas através da sabedoria da
Papisa, carta 2, que no plano mental significa atingir um espaço de silêncio
interior e de aprofundamento existencial. Este empreendimento poderá ser
facilitado pela carta 5, que representa Guias e Mestres. Esse contato, inicialmente,
poderá ser feito através de livros ou diretamente através de seu guia
interior.
A segunda sugestão do Tarot é que ele procure também uma solução
no astral e no mental para o seu físico, já que essas sequelas estão aí
sedimentadas como traumas a serem tratados.
No sexto e último triângulo, que atinge outro patamar de compreensão,
temos a confluência da carta 8 e da carta 2, ambas no plano mental, com a
carta 11, A Força, no plano espiritual, significando força suficiente para
modificar a situação. Ou seja, ele tem força e energia para superar este
momento. Corno vimos anteriormente, no futuro, o plano físico dele se
modifica para melhor com a carta do Imperador e do Papa, mas é do plano
espiritual, através da carta da Força, que ele deve retirar a energia necessária
para que isso ocorra.
Completa a leitura dos triângulos, vamos agora terminar a leitura da
primeira Pirâmide, com os planos emocional, mental e espiritual.
No plano emocional temos as cartas 16,18 e 5. A carta 18, como já
sabemos, lança certas dúvidas sobre as cartas 16 e 5, encobrindo-as com suas
sombras. Se realmente houve um acidente, carta 16, e parece que houve, o
nosso amigo rejeita o fato, assim como rejeita a ajuda do especialista, carta 5,
que poderá curá-lo. Mas a Redução Teosófica deste plano é 3, carta da Imperatriz,
que lança um pouco de claridade nas sombras projetadas pela Lua.
Talvez por causa desta carta oculta e só desvendada pela Redução Teosófïca,
ele tenha nos pedido ajuda através do Tarot. A Imperatriz "levanta o moral" em
situações de doença.
No plano mental, a razão predomina com A Justiça, carta 8, equilibrada,
no entanto, pela sabedoria da carta 2 — A Papisa. A redução nos dá a carta 1,
O Mago, mostrando que o nosso amigo está aberto a novas propostas que o
auxiliem a superar a doença.
A Redução Teosófica da carta 11, A Força, que aparece no plano
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espiritual, é 2 — carta da Papisa. Tanto a 11 quanto a 2 são ótimas cartas
neste plano. A Papisa, figura inspirada nas sacerdotisas do antigo Egito, tem o
conhecimento necessário dos mistérios que envolvem a vida e a morte e
condições suficientes para superação de obstáculos em questão de saúde.
A terceira sugestão do Tarot, então, é chamar atenção para o fato de que
através da Força que ele tem no plano espiritual e do Mago, no plano mental,
pode-se sugerir soluções novas como homeopatia, acupuntura ou ervas para o
seu tratamento. A Papisa também fortalece essa alternativa, já que ela é vista
como uma curandeira dos tarólogos.
Dito isto, agora vamos continuar seccionando nossa Pirâmide até esgotála.
As cartas à esquerda são o passado e devem ser reduzidas junto com a
do plano espiritual. Às cartas à direita significam o futuro, devendo ser
reduzidas também com o plano espiritual.
A redução do lado esquerdo nos dá:
7+7+8+2= 24= 2+4= 6
A redução do lado direito nos dá:
4+5+2+2=13=1+3=4
A redução de todos os corpos juntos, no passado, nos dá uma certa
harmonia, por causa da carta 6 - 0 Enamorado - e, por isso mesmo, uma certa
imaturidade ainda. A redução deles no futuro, nos dá a carta 4, O Imperador,
indicando uma coesão e estruturação maior da personalidade, necessária
para que a imaturidade do passado possa se dissolver na afirmação do
futuro. O Imperador realiza concretamente no mesmo espaço em que O
Enamorado ainda oscila.
Portanto, como orientação final e complementar, o Tarot indica que há
uma grande chance de sucesso no tratamento que ele escolher, levando em
consideração as orientações anteriores sugeridas. E que a Redução Teosófica
do futuro, tendo a carta 4 — O Imperador, é confirmação de restabelecimento
rápido.
Finalmente, a última observação que precisamos fazer é a de olhar a
Pirâmide como um todo e coletar os números de maior incidência.
Temos duas vezes o número 2,4 e 6. Neste caso, não nos parece
significativo, pois a incidência de números iguais é desprezível. Se o mesmo
número aparecesse três ou quatro vezes, teríamos que levá-lo em
consideração. Por exemplo, se o número 4, O Imperador, que apareceu duas
vezes, fosse o resultado de mais uma redução, seria interessante ver a relação
da posição da carta com os diferentes posicionamentos.
Ah, tem mais um detalhe. Esqueci de dizer que a carta oculta do nosso
amigo (dei uma espiada quando recolhi os montinhos), foi a carta l, O Mago,
que confirma o restabelecimento da saúde.
Numa primeira leitura, é certo que ficamos assustados com a riqueza que
podemos depreender de cada uma das cartas. Você pode achar, a partir da
leitura da Pirâmide feita aqui, que jamais conseguirá tal proeza. Sugiro apenas
que releia o exemplo muitas vezes para começar a extrair da leitura acima
dados que só são possíveis na interrelação das cartas.
Absorva lentamente as informações passadas aqui e em todas as lições
anteriores. Este livro, na verdade, tem a vantagem de estar à sua disposição a
qualquer momento, fato incomum nos cursos em geral.

Lição 15 - Diagnosticando Doenças
Assim como abrimos a Pirâmide para saber sobre o estado de saúde
de uma pessoa, podemos abrir o Tarot para diagnóstico. O jogo da Pirâmide
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é bom para isso, mas pode-se abrir o Peladan também para casos mais
corriqueiros. A disposição das cartas é a mesma do Peladan da Lição 11. O
que mudará aqui é a intenção.
A listagem abaixo está sendo revelada neste Curso Introdutório de
Tarot por uma questão de rigor. Mas, em geral, as cartas têm seus
significados agregados a outras cartas. Portanto, a nível de diagnóstico,
principalmente quando ainda somos amadores no Tarot, devemos ter o maior
cuidado nas leituras que envolvam a saúde de outras pessoas.
No entanto, se vamos mexer com o Tarot precisamos conhecer
algumas de suas potencialidades, nos conscientizando também do poder que
nossa palavra terá, principalmente em função da mistificação que as pessoas
em geral atribuem às cartas e às suas possibilidades adivinhatórias. Por isso,
todo o cuidado é pouco.
Dito isso, vamos às cartas. Precisamos saber o que significa cada
carta a nível das prováveis doenças que elas representam. A explanação que
se segue foi recolhida da experiência de alguns tarólogos e também de
alguns livros, acrescida da minha própria experiência com os consulentes.
É notório, para alguns tarólogos, que a carta l, O Mago, e a carta 4, O
Imperador, revelam que o consulente goza da mais perfeita saúde. No
entanto, como O Mago é uma figura desconectada, de uma certa forma tem
propensão a acidentes. O Imperador, por ser um executivo de primeira linha,
tem propensão a enfartes e derrames. Mas, vamos seguir a ordem das
cartas.
Carta 2 - A Papisa, que representa um certo ocultamento,
principalmente pelo véu ao fundo da carta, está intimamente ligada ao útero e
à vagina. É também à menopausa e ao climatério. É a gravidez no início,
quando a consulente ainda não tem consciência de que está grávida. Em
casos de aborto, a Papisa também aparece.
Carta 3 - A Imperatriz, por ser muito vaidosa e sofisticada, está ligada
à beleza feminina. Ou seja, cirurgias plásticas em geral, das quais os homens
também não estão livres. A Imperatriz tem problemas de varizes internas e
externas, inclusive hemorróidas dolorosas. Representa também gravidez,
mas a gravidez consciente.
Carta 5 - O Papa, por ser ancião tem propensão à arteriosclerose,
problemas de cabeça em geral e insônia.
Carta 6 - O Enamorado possui um delicado sistema digestivo,
podendo ter prisão de ventre, gases ou diarréias constantes.
Carta 7 - 0 Carro, nos remete às vias, aos rins, à bexiga, ao aparelho
urinário.
Carta 8 - A Justiça, que é extremamente racional e rígida, nos lembra
O Papa com sua insônia, mas tem também problemas de coluna e pescoço.
Carta 9 - O Eremita, que está sempre iluminando o caminho, tem
problemas de visão. Enxerga pouco, talvez por isso a luz lhe seja necessária.
Carta 10 - A Roda da Fortuna, oscila qual os nossos humores. Nos
remete aos nossos hormônios, à nossa tireóide, à hipófise e a todas as
glândulas do nosso corpo. Por isso também mexe com as nossas ansiedades
e angústias. Está ligada também ao sistema nervoso.
Carta 11 - A Força, que aparece para nós abrindo a boca do leão,
sugere tensão muscular principalmente na nuca, ombros, mãos e pernas.
Carta 12 - O Pendurado, como todo Enforcado, morre por asfixia. Por
isso, ele tem problemas respiratórios em geral, tipo amidalite, sinusite,
faringite, etc.
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Carta 13 - A Morte, que é puro osso, evidentemente tem problemas
nos ossos.
Carta 14 - A Temperança, são as nossas águas limpas, que ela troca
de um vaso para outro, ou seja, o nosso aparelho digestivo, a alquimia
interna do nosso corpo.
Carta 15 - O Diabo, se refere às doenças sexualmente transmissíveis,
como a Aids, por exemplo. São os problemas sexuais e/ou de sangue.
Carta 16 - A Torre, sugere pessoas desconectadas que têm propensão
a acidentes mais graves que os do Mago. Mas pode ser também queda
energética brusca, tipo gripe forte.
Carta 17 - A Estrela, com sua beleza, tem problemas de pele. É o
nosso aparelho circulatório. Tem problemas de estafa e stress,
principalmente se mora em cidades muito agitadas como os grandes centros
urbanos.
Carta 18 - A Lua, são as nossas águas profundas e escuras. Além de
representar nossas neuroses e psicoses, está ligada também a corrimentos,
viroses, câncer e tumores. Na mulher, exclusivamente, se refere à
menstruação e aborto.
Carta 19 - O Sol, claro demais e infantil demais, está associada a
problemas neurovegetativos e alergias de fundo emocionai. Especialmente
ligada a problemas emocionais infantis, a traumas de infância. Está ligada
também à gravidez em final de gestação. Esta carta associada a outras pode
significar morte física.
Carta 20 - 0 Julgamento, é o ressurgimento dos mortos, por isso nos
remete à pressão, alta e baixa. E também a problemas circulatórios em geral.
Carta 21 - O Mundo. São as doenças mundanas. As que entram pela
boca, obesidade. As que entram pelo ouvido, poluição sonora, que produz
ansiedade e mexe com o sistema nervoso. As que entram pelo nariz, por
intoxicações variadas. E as que entram pelos olhos, inflamações oculares por
vírus.
Carta O - O Louco, quando o organismo enlouquece e toca o alarme.
São as febres em geral ou qualquer desequilíbrio térmico ou energético. São
as doenças passageiras.
Vamos simular um Peladan, que é um jogo rápido para problemas
simples de saúde. A pergunta é a seguinte. Quero saber como está a minha
saúde.
Vamos supor que tenham saído as quatro cartas a seguir:
Vamos então fazer a Redução Teosófica das cartas para saber a
Síntese.
4+12+1+3 = 4+3+1+3 = 11=1+1 = 2
Vou no monte de cartas e retiro a 2ª carta. Vamos supor que tenha
saído a carta 5 - O Papa.
Na Tese temos O Imperador, indicando que o tema é saúde e não doença,
o que nos alegra muito. Esta carta nesta posição quer dizer que estruturalmente
temos uma saúde ótima. A Antítese com O Mago confirma boa saúde, mas
aponta negligência. No Caminho, temos a carta 3, A Imperatriz, mais
preocupada com a sua beleza do que com a sua saúde. Assim entendemos
que a negligência do Mago aliada à displicência da Imperatriz nos levou a um
problema nas vias respiratórias, revelado pela carta do Pendurado, no
Resultado. Certamente um resfriado mal cuidado que se transformou numa
sinusite ou coisa parecida. Na Síntese, temos a orientação do Tarot com a
carta do Papa, carta 5, sugerindo que procuremos um médico.
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Digamos que alguém venha nos pedir auxílio para uma doença
crônica. Após abrirmos o Tarot, verificamos que essa doença pode se
complicar mais tarde. É claro que além de alertarmos o consulente no sentido
de procurar um especialista ou de mudar de especialista, podemos através
do Tarot já iniciar o processo de cura, pedindo que a pessoa se conecte com
a carta de cura que lhe apresentarmos. Não esqueça que o Tarot é uma
energia que trabalha nos planos mais sutis do nosso inconsciente.
Em geral se usa a carta 5,0 Papa, ou a carta 4,0 Imperador ou ainda a
carta l, O Mago. Mas outras cartas podem também ser usadas, dependendo
da energia que se pretende. Pessoas muito lunáticas, usa-se, em geral, a
carta do Sol, e vice-versa. Pessoas muito tensas, que nos lembram a carta
da Força, em geral se usa a carta 17, A Estrela. De qualquer modo, é melhor
se deter, por enquanto, numa única carta. O Papa é excelente, pois ele como
Arquétipo significa o nosso mestre interior, a nossa sabedoria, o único que
nos pode guiar em direção à cura.
A conexão é simples. Peça para a pessoa olhar detidamente para a
carta e dizer o que ela lhe provoca. Se for algo agradável ou mesmo
indiferente, passe para a 2ª parte. Peça para que ela se deite e relaxe
mantendo a carta entre as duas mãos por cinco minutos. Peça então para ela
descrever o que sentiu. Peça a ela que tente se conectar pelo menos uma
vez ao dia com a carta, durante duas ou mais semanas. Para isso, você pode
ter à mão cópias xerox desta carta para distribuir nestes casos. Explique à
pessoa que a carta significa seu mestre interior e que se ela quiser proferir
alguma oração, ótimo!
Se a carta inicialmente for desagradável, explique à pessoa o que ela
significa. Se a sensação desagradável continuar ocorrendo, abandone a idéia
de conexão. Não force nada.

LIÇÃO 16 – TIPOS BRASILEIROS E O TAROT
Certamente que podemos viver vários arquétipos num só dia. Como
mãe, vivemos a Imperatriz. Como pai, O Imperador. Como amante, A Papisa.
Como profissional, no meu caso, por exemplo, ao escrever este livro, O
Eremita. Se jogamos na loteria ou no bicho, estamos em plena Roda da
Fortuna. Se vamos ao clube treinar, vivemos A Força. Se estamos no sítio
plantando, estamos com A Estrela ou A Morte. Enfim, de mil formas estamos
em contato com os arquétipos.
Mas há os casos típicos, que chamam nossa atenção e cuja
característica principal nos remete a um único arquétipo exclusivamente.
Vivemos no Brasil e nos arquétipos. É tão rica a presença dos
arquétipos em nossas ruas, bares, lugares públicos, que às vezes ficamos
horas nos deliciando com esta ingênua e alegre brincadeira. Todos em seus
papéis sociais e psicológicos, inclusive nós mesmos.
No entanto, no Brasil há uma incidência desconfortável de Magos, com
seus oportunismos. De Pendurados e Temperanças, com suas ladainhas e
reclamações. E Estrelas, alienadas do mundo real.
Mas, vamos dar um passeio. Vamos sair de casa com o nosso Carro,
em direção a um bairro movimentado. Paramos para estacionar e um homem
de paninho na mão, se dirige a nós, dizendo, “beleza, madama. Pode deixar
que eu tomo conta”. Esse é O Mago. A nossa carta 1 e o primeiro
personagem a entrar no nosso passeio.
Deixamos O Carro e vamos a pé em direção ao cabeleireiro. A nossa
Imperatriz quer se embelezar.
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Já no cabeleireiro, quem encontramos: a Clarinha. Nem bem nos viu e
já foi contando a última que o marido da Mariza aprontou. E aí demos de cara
com as fofocas da Papisa. Olhamos em volta para as Imperatrizes. E, é claro,
onde tem Imperatriz tem Imperador. São aqueles executivos ricos que vêm
buscar a sua Imperatriz no cabeleireiro para um almoço rápido. Aliás, coisa
cada vez mais rara nos dias de hoje.
Belissimamente melhoradas, saímos de lá, cabelo cortadinho que é
uma maravilha e vamos correndo pro analista. Estamos em cima da hora. A
porta nos é aberta por um reservado mas atraente senhor de pouca idade. É
o Papa a ouvir e analisar os nossos descaminhos. A sessão rápida acaba.
Saímos e já na rua nos deparamos com um irresistível par de olhos azuis
com sotaque francês. O coração dispara e vem aquela vozinha a nos falar:
“Não se mete em confusão. Se já tem homem em casa para que arrumar
sarna para se coçar?” É a carta do Enamorado que agora vivemos.
Para esquecer o par de olhos azuis ou para lembrar um pouco mais
talvez, seguimos o caminho da praia. No calçadão, brisa morna, muita gente
fazendo cooper, muitos carros no passeio. A carta do Carro aparece à nossa
frente nos motoristas, nos que correm, e até no mecânico no meio da rua
tentando consertar um carro parado só no papo, sem usar sequer uma
chave-de-fenda. Aí a Justiça pulou. Que abuso!, um senhor de meia idade
grita. Olhamos para a velhota que esperava pacientemente ser passada para
trás pelo mecânico, mas ela não esboçou a menor reação. A essas alturas, o
mecânico discutia com o senhor que acudia a velha. A briga rolava enquanto
juntava uma pequena multidão. Lá do meio, discretamente, surge a solução.
Parece um sábio a falar tão distintamente. Um verdadeiro Eremita sem
bastão. Os ânimos se acalmam, o mecânico inventa uma história, sai de
fininho. E o carro pega. Na verdade, o carro não tinha nada. Quem tinha era
a velha. Surda como O Louco, sequer ouvia o barulho do motor. Precisou o
pessoal gesticular: “pára, pára, que o carro pegou”, para a velha entender e
parar de ranger o motor-de-arranque. Recomeçamos a circular. Foi aí que a
Roda girou. De repente vi aos meus pés um pedaço de loteria. Abaixei para
pegar e um cara se aproximou. “Sua sorte, madama. Caiu da minha mão
direto no seu pé.” É A Roda da Fortuna!, pensei. E outro Mago a me passar
para trás. Resisti heroicamente à tentação de comprar aquele pedaço de
papel que me chamava, com a força que é peculiar aos domadores de leão.
Sentei num banco, relaxei o olhar para além das ilhas do horizonte. O
surfista, que rolava qual Estrela a brincar nas nuvens, abençoou a tarde que
deitava sobre as amendoeiras. Lentamente sorvi a areia morna que os
pivetes levantavam do chão. Foi então que o céu me pareceu meio
manchado pela Lua dos meninos abandonados, tipo escorpião preparando a
ceia. Uivamos cansados, eu e os meninos, até que o acrobata nos chamou a
atenção. Qual Pendurado despencava do ferro de ginástica, a cabeça em
direção ao branco mais branco da terra molhada de sal.
Esquecido o pivete, agora admirava O Diabo que surgia na puta e no
travesti que atravessavam a rua. Alguns artistas pintavam o calçadão. O
Mundo exigia O Julgamento das minhas retinas. Deixei a Deus tal tarefa, pois
já me dirigia à esquina onde estava estacionado O Carro.
No meio do caminho, A Morte, de mãos dadas com A Torre, demolia
um prédio perto de um majestoso jardim. Enquanto A Morte semeava a terra,
a Torre desovava sobre ela tanta pedra que pensei ser A Morte que morria
ali.
Faltou apenas A Temperança nesse meu passeio. Os homeopatas, os
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perfumistas. E então olhei para mim e para o mar que se despia pronto para
abraçar a noite que rondava. O perfume vinha dele. De mim, vinha a
alquimia, a chance de transformar tanta vida nesse pequeno vidro de poesia
que aqui despejo.
Foi quando olhei e não vi o Carro. Nem O Mago de paninho na mão.
Gelei. Um efetivo ladrão. Já pensou se tenho que ir para delegacia enfrentar
aquele monte de Diabos. Mas para meu alívio O Carro tinha sido empurrado
lá para frente. Abri aquele sorriso e pulei no pescoço do Mago em sinal de
agradecimento.


Profissões dos Arcanos
O que mais nos incomoda é assistir a um arquétipo fora de sua
correspondente atuação arquetípica. À Justiça, por exemplo, nos sugere
proteção e organização da ordem contra o caos. No entanto, muitas vezes
assistimos A Justiça trocando de máscara com a Papisa, em situações
escusas que nos desorientam.
De qualquer forma, a lista que se segue a respeito dos Arcanos e de
suas profissões não nos remete a essas idiossincrasias arquetípicas,
devendo isto ficar por conta da nossa observação.
Carta 1 - O Mago: ladrão, esperto, trambiqueiro, camelô, malandro,
oportunista, mágico, hipnotizador. Toda e qualquer profissão manejada com
esperteza e destreza.
Carta 2 - A Papisa: fofoqueira (de profissão, tipo apresentadores de
rádio). Todas as profissões que envolvam mutreta, propina e situações por
baixo dos panos. Representa também as enfermeiras, freiras, mães-desanto,
professoras e bruxos por excelência.
Carta 3 - A Imperatriz: é o lado feminino das profissões: estilistas,
cabeleireiros, costureiros, modistas, recepcionistas, etc.
Carta 4 - O Imperador: os executivos em geral. Médicos alopatas.
Deputados e Senadores.
Carta 5 - O Papa: Mestres e Guias espirituais. Psicanalistas, médicos
e juízes.
Carta 6 - O Enamorado: trabalho com o público. Publicidade,
Promotores de festas e eventos. Artistas em geral. Aliás, cartas com três a
quatro figuras indicam trabalhos com grupos e público.
Carta 7 - O Carro: corredores, mensageiros motorizados, motoristas,
pilotos, mecânicos, viajantes, executivos ainda em início de carreira.
Carta 8 - A Justiça: todo e qualquer trabalho muito racional. Toda
profissão que exige número, peso e medida. Matemáticos, profissionais de
informática, juízes, advogados, promotores, cirurgiões.
Carta 9 - O Eremita: os medalhões, grandes pensadores,
pesquisadores, escritores, sociólogos, cientistas, etc.
Carta 10 - A Roda da Fortuna: todas as profissões que envolvam
dinheiro fácil, tipo agiotas, bicheiros, donos de cassino, profissionais de jogos
de azar em geral.
Carta 11 - A Força: qualquer profissão que exija grande coragem. E
todos os profissionais que trabalham com energia corporal tipo bioenergética,
etc.
Carta 12 - O Pendurado: os que se dedicam à humanidade. Qualquer
profissão tratada com idealismo. Acrobatas e atletas.
Carta 13 - A Morte: todas as profissões que envolvam a terra. Desde
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coveiros, jardineiros até agricultores.
Carta 14 - A Temperança: todas as profissões alquímicas.
Homeopatas, laboratoristas, perfumistas, etc. todas as profissões ligadas à
cura.
Carta 15 - O Diabo: profissões que envolvem sexo, ou seja, pessoas
que comercializam a sexualidade. E também profissões violentas como
policiais, carrascos e carcereiros.
Carta 16 - A Torre: todas as profissões que envolvam obras e
demolições.
Carta 17 - A Estrela: todas as profissões que envolvam a natureza,
estética e cura natural. E também artistas, astrólogos, tarólogos, aeromoças
e comissários de bordo, ou seja, profissionais que vivem nas estrelas.
Carta 18 - A Lua: todos os profissionais da magia. Artistas que
trabalham na noite. Serviços noturnos em geral.
Carta 19 - O Sol: todos os profissionais da mente e do corpo.
Carta 20 - O Julgamento: os profissionais mais elevados
espiritualmente. Os que tratam do plano espiritual das pessoas. E também os
arqueólogos, profissionais das escavações, mineiros e músicos.
Carta 21 - O Mundo: profissões ligadas à área de comunicação.
Profissionais e artistas que atingiram a fama.
Carta 0 - O Louco: todas as profissões em que se caminha muito a pé.
Carteiros, viajantes, guias turísticos. Desempregados e os sem profissão
definida.


Lição 17 – Exercício de Peladan
Este nosso Curso de Tarot, por ser introdutório, não tem como
propósito esgotar todo o universo que existe e que só você pode descobrir
em suas andanças a respeito do Tarot. Tem como objetivo desmistificar um
pouco o manuseio das cartas e introduzir o leigo nos domínios de seu próprio
auto-conhecimento.
As informações, no entanto, aqui passadas, apesar de simples e
diretas, são absolutamente rigorosas e precisas. É necessário que um curso
introdutório de Tarot seja, pelo menos, correto. E esta foi a intenção que nos
norteou aqui.
Para que este curso seja completo, é necessária a prática. Como todo
bom iniciante, você tem o direito de abrir o Tarot para os amigos, advertindoos,
entretanto, de seu recente aprendizado. Como Aprendiz de Feiticeiro,
esperamos que você caia em inúmeros erros de leitura, mas também acerte
na mesma proporção. Você certamente verificará em si mesmo o que foi dito
anteriormente sobre imaginação e intuição. Se você estiver absolutamente
centrado, o que é um pouco difícil no início, a sua intuição funcionará às mil
maravilhas. Mas a prática vai auxiliá-lo quanto a isso. Por isso achamos por
bem que as últimas lições deste curso contenham exercícios práticos, que
você fará sozinho, para só depois consultar a resposta.
Cabe salientar que existem tantas interpretações quantos são os
tarólogos, apesar de haver um consenso diante da significação básica de
cada carta. Mas a interpretação que damos aqui é nossa e tem por função
apenas orientá-lo. Por isso, você não deve se prender a ela exclusivamente.
As 12 lições anteriores podem ser assimiladas pelo período de 1 a 12
dias ou mais. Depende de você. No entanto, sugerimos que os exercícios
sejam feitos ao final da leitura das 12 lições e de dois em dois dias. É
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necessário que você repita cada exercício pelo menos duas vezes antes de
recorrer à resposta, meditando com as cartas, deixando que seu coração se
conecte com elas a cada manuseio. Você verá que a sua interpretação
mudará vez por outra. Isso não deve ser fator de desconfiança, nem de
insegurança. Mas um indício de que sua visão interna está se ampliando.
Confie em você sempre. E nos Arcanos.
Agora, de posse do seu caderno, exclusivamente reservado para suas
anotações de Tarot escreva a data, hora e local da primeira leitura. No dia
seguinte, repita o mesmo processo. Esse simples hábito o ajudará
imensamente, principalmente no início.

Exercício 1 - Pedalan
Um consulente, executivo, do sexo masculino e de 48 anos, nos
procurou com a seguinte pergunta: estou em vias de fechar um importante
negócio com uma grande empresa. Vou ter sucesso?
O consulente embaralhou as cartas, dividiu-as em três montinhos, que
recolhemos, e tirou quatro cartas do leque fechado que lhe oferecemos. A
carta oculta foi a carta 11, A Força. As cartas que saíram foram:
No seu caderno, faça a Redução Teosófica.
Nossa Redução Teosófica:
4+5+3+7=19=1+9=10=1+0=1
Fomos ao maço de cartas e retiramos a 1a carta, que foi a carta 10, a
Roda da Fortuna.
Que leitura você fará?
Resposta do Exercício 1, para ser consultada posteriormente:
O Imperador, carta 4, que é o consulente, certamente terá sucesso
absoluto em seu negócio. A carta do Mundo, carta 21, é o que O Imperador
pretende atingir, ou seja, a realização material, também favorecida pela carta
5, O Papa, excelente para negócios bem estruturados. No Resultado, a carta
7, O Carro, indica bons rumos nos negócios. E Vitória, segundo nome da
carta do Carro, é bastante sugestivo nesse caso. A Roda da Fortuna, carta
10, confirma ganhos de dinheiro, já que ela é a síntese de cartas
promissoras. A carta oculta, A Força, é uma carta de energia positiva e de
fartura. A orientação do Tarot, portanto, é de que o nosso consulente vai ter
sucesso absoluto em seu empreendimento.

Lição 18 – Exercício do Jogo Amoroso
O Jogo Amoroso, que já conhecemos, em geral e útil para quase todas
as pessoas. Este será o nosso Exercício 2.
Fomos procurados por uma consulente, do sexo feminino, publicitária,
de 42 anos, com a seguinte pergunta: Como está à relação entre eu e o meu
marido?
A carta oculta deste jogo foi a carta 3, A Imperatriz, que para nós é a
própria consulente. As cartas que saíram, foram:
Faça a Redução Teosófica no seu caderno para achar o
desdobramento do insight ou do jogo como um todo.
Nossa Redução Teosófica:
6+7+2+4=19=1+9=10=1+0=1
Tiramos então a primeira carta do monte de cartas, que foi a carta 5 –
O Papa. O jogo ficou assim:
Que leitura você fará?
Resposta do Exercício 2, para ser consultada posteriormente.
                                                                                 326
Parece haver uma situação de triângulo amoroso, carta 6, O
Enamorado, que vem prejudicando a relação dos dois. Como esta carta saiu
na casa da consulente, convém argüir sobre a existência de uma relação
extraconjugal. O marido está passivo na relação, carta 2 – A Papisa, que
significa espera, mas também ocultamento. O que leva a crer que o marido
provavelmente também oculta algo dela. No entanto, parece que o impasse
não depende dele, mas sim dela, fato que pode ser confirmado pela carta
oculta, A Imperatriz, que reina na situação. É uma crise que envolve ruptura,
com a carta 16, A Torre, e exige extremo cuidado no trato. A consulente
parece tender para a separação, já que a carta da Torre está sob sua casa. O
insight, com a carta 13 – A Morte, também coloca a intenção de uma
separação por parte do marido, fato que ele está amadurecendo devagarinho
dentro dele, por causa da carta da Papisa.
Mas é possível que a relação renasça dos escombros da Torre e do
depuramento da Morte em novas bases. É o que indica a carta 5, O Papa,
carta do casamento e também da conciliação, no Desdobramento. Parece
que este fato depende mais da consulente do que de seu marido.


Lição 19 - Exercício das 11 Cartas Célticas
Nesta lição, o nosso exercício parece se complicar um pouco. Mas
temos também agora a nosso favor a possibilidade de trabalhar com prazos
de tempo. O nosso Exercício aqui envolve a leitura com as 11 Cartas
Célticas.
Um jovem consulente, de 25 anos, do sexo masculino e estudante
aplicado, nos procurou para saber a respeito dos seus estudos. A pergunta
que ele nos fez foi: Espero conseguir uma Bolsa de Estudos para a França.
Quero saber se vai demorar.
Cartas que saíram:
A carta oculta foi a 17, A Estrela.
Neste jogo não utilizamos a Redução Teosófica.
Que leitura que você fará?
Resposta do Exercício 3, para ser consultada posteriormente.
O Tema, casa 1, abre com a carta do Mago, carta 1. Carta l na casa 1
reafirma duas vezes a necessidade de renovação na vida do consulente. A
discussão do Tema, nas casas 2 e 3, envolvem as cartas 7 -0 Carro, e a
carta 16, A Torre. A carta 7 é uma carta excelente para empreendimentos
materiais, significando que O Mago acredita que irá conseguir a Bolsa. A
carta 16, no entanto, nos sugere um corte com coisas e pessoas que ficarão
para trás. O Mago oscila exatamente aí, entre O Carro e A Torre, ou seja, a
necessidade de se lançar no mundo e de obter sucesso e o custo afetivo que
isto significará. Ele mesmo não tem certeza de como se sentirá interiormente
se conseguir a Bolsa.
Na Base, a carta 20, O Julgamento, é uma carta que envolve
separações de situações antigas, transformações fortes. Como está na Base,
além de mexer com a estrutura emocional do nosso estudante, significa
também que notícias significativas deverão ocorrer. No passado, carta 12, O
Pendurado, nos sugere que o consulente provavelmente se sentia preso a
um passado e limitado a um espaço ou país. Isso certamente influenciou sua
decisão no sentido de pedir a Bolsa. Há uma espécie de fuga de situações
dolorosas que o consulente quer evitar, neste passado.
A carta 21, O Mundo, cujo posicionamento está na cabeça do jogo,
                                                                                327
significa que mentalmente o consulente já se sente na França. Esta é uma
carta de viagem longa para o estrangeiro. Isso é bom porque antes das
situações realmente acontecerem no plano material, é no mental que elas
tomam forma.
O Self, com a carta 2, A Papisa, sugere, no entanto, que o processo
será moroso e que ainda há obstáculos não revelados para se chegar ao
objetivo. Se tivesse saído a carta do Imperador, por exemplo, o processo já
estaria completo, bastando comprar as passagens. Mas a carta da Papisa é
passiva. Talvez seja interessante sugerir ao consulente que ele tente agilizar
o processo, identificando os pontos de entrave.
A situação atual é sólida, bem estruturada. Indica que O Papa, carta 5,
é reconhecido pelos que concederão a Bolsa como pessoa capaz e
competente. Significa também que a situação está sendo examinada com o
rigor institucional.
A casa Esperanças e Temores contém a carta 13, A Morte,
parecendo-nos que para o consulente essa viagem significa uma mudança
radical em sua vida. Podendo até mesmo, a nível inconsciente, significar uma
mudança definitiva para o país estrangeiro.
Em Próximos Acontecimentos, temos a carta 14, A Temperança. Esta
é uma carta de espera, o que nos leva a crer que a Bolsa será retardada um
pouco, certamente por entraves burocráticos. Mas a carta 8, A Justiça, que é
sempre legalização, está em Futuro Próximo, indicando que a Bolsa é certa e
que num período em torno de dois a três meses, ela será liberada com aval
institucional. Como A Justiça também significa cortes, já que com a espada
ela elimina o que é prejudicial à sociedade, é bom enfatizar que neste caso
esta carta tem uma conotação de legalização, já que estamos trabalhando
com a hipótese institucional.
A carta oculta, A Estrela, ou A Esperança, segundo nome para esta
carta, também confirma que o processo será lento. Mas é uma carta com
bons presságios.
Portanto, o consulente pode, de posse dessas informações, tentar
agilizar o processo de duas formas. Efetivamente, "in loco", e também
através do Tarot. Temos duas cartas que estão prejudicando o desenrolar da
história, sem contar com a carta oculta. A carta 2, A Papisa, no Self, e a carta
14, A Temperança, em Próximos Acontecimentos. A carta da Torre, num
certo sentido também, pois se há no mental — carta. 21 — uma intenção
muito forte de realização, com a carta da Torre há uma oscilação na vontade
do Mago. Sugerimos que o consulente se conecte com a carta do Imperador,
que é uma carta de concretização das nossas intenções, no sentido de
favorecer o andamento da Bolsa.


Lição 20 - Exercício da Pirâmide
Nesta lição, o nosso último exercício, A Pirâmide, fomos procurados
por nós mesmos. Vamos supor que nós temos 36 anos, somos do sexo
feminino, e somos uma simples dona-de-casa.
A nossa pergunta é: Quero me conhecer melhor.
Cartas que saíram:
Neste jogo não há carta oculta, porque jogamos para nós mesmos, o
que dificulta a utilização deste recurso.
Que leitura que você fará?
__________________
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Resposta do Exercício 4, para ser consultada posteriormente.
Faça a Redução Teosófica de cada plano.
Corpo Físico: 3+6+4+9= 13= 1+3= 4
Corpo Astral: 5+8+1= 14= 1+4= 5
Corpo Mental: 1+7= 8
Corpo Búdico: 1+0= 1
Agora seccione a Pirâmide:
No presente, temos o 1º triângulo com as cartas 6,17 e 3 — O
Enamorado, A Estrela e a Imperatriz. Nós passamos neste momento pelo
resgate da nossa feminilidade com a carta da Imperatriz, carta 3, que
associada ao Enamorado, carta 6, demonstra que ainda algumas dúvidas
pairam no ar. Parece que há um padrão de mulher em nós que
reconhecemos como não sendo nosso, mas que teimamos em reproduzir em
nossas situações amorosas. Como temos no astral a carta 17, A Estrela,
podemos dizer que este padrão de mulher se coaduna com o tipo "menininha
alienada" que nada sabe, mas que na verdade acaba sofrendo com isso. Por
outro lado, gostaríamos de criar um novo tipo de mulher para nós mesmos.
No 2º triângulo, passado, há uma transformação já ocorrida com a
carta 13, A Morte. O questionamento sobre "o que é ser mulher" já vem lá de
trás. Como no passado essa discussão interna foi bem alquimizada no
emocional pela Temperança, carta 14, no presente já há uma mudança de
comportamento visível, que se completará futuramente.
No 3º triângulo, futuro, a carta 3 da Imperatriz aparece junto com a
carta 9, O Eremita e 19, O Sol, no astral. A conjugação dessas três cartas é
alentadora. O Sol é clareza emocional, que influenciará diretamente A
Imperatriz. Certamente A Imperatriz iniciará uma busca mais profunda de si
mesma através da carta do Eremita, que é uma carta também de busca.
Portanto, neste último triângulo, o que parece obscuro hoje, se esclarecerá
internamente e A Imperatriz poderá trilhar seu caminho em perfeita
segurança.
O 4º triângulo tem duas cartas no astral, A Temperança, carta 14, e A
Estrela, carta 17. E uma carta no plano mental, O Mago, carta 1. Este
triângulo está no passado, significando que no mental havia uma
necessidade de renovação, com a carta do Mago. Como o processo da
Temperança é lento, o que poderia ser benéfico na carta da Estrela ainda
não está sendo utilizado. Talvez uma saída apropriada para nós no momento
seria uma vida voltada para os aspectos positivos da Estrela, que adora a
natureza e a vida ao ar livre.
No 5º triângulo, futuro, temos as cartas da Estrela, carta 17, e O Sol,
carta 19, no astral e a carta da Torre, carta 16, no mental. A clareza de
espírito, que reside no astral com a carta 19, não significará mais a alienação
da Estrela, pelo contrário. A carta da Torre, carta 16, é uma carta de corte e
de quebra de estruturas sedimentadas. Muita coisa ruirá nesse processo da
Imperatriz, que representa nós mesmos. Mas, como toda Imperatriz, ela
saberá que qualquer processo de destruição em que há discernimento e
clareza é altamente recompensador.
No 6º triângulo, plano espiritual, temos a carta da Roda da Fortuna,
carta 10. Esta é uma carta de transformação benéfica, principalmente se
relacionada a outras cartas do jogo como um todo. É certa a transformação,
os rompimentos futuros, assim como é certo um bem-estar que ocorrerá
nessa busca de nós mesmas. Aliás, o próprio fato desta pergunta ter sido
formulada ao Tarot já é um bom indicador.
                                                                                  329
Na leitura de cada plano temos que a carta do Imperador, resultado da
Redução Teosófica no plano físico vem confirmar tudo o que dissemos antes.
O plano físico, plano das concretizações, tem uma carta de concretização, o
que indica sucesso total no caminho. Como o plano físico também envolve
saúde, significa que temos uma saúde ótima.
No plano astral, a carta do Papa, carta 5, nos sugere o encontro com o
nosso mestre interior. O que torna ainda mais fácil o caminho a ser
percorrido.
No plano mental, a carta da Justiça, carta 8, indica que racionalizações
ocorrerão e que neste caso é muito salutar, pois A Estrela, que é a carta
central do jogo, regida por Aquário, necessita da racionalidade da Justiça
para o seu amadurecimento. A Justiça, nesse plano, também significa
equilíbrio necessário para minimizar a carta da Torre, carta 16. Não esquecer
que a carta 8 é uma carta mental e aqui aparece corretamente, no plano que
lhe cabe, o plano mental.
E, finalmente, no plano espiritual, temos a carta do Mago, carta 1,
como resultado da Redução Teosófica. Isto é mais do que poderíamos
esperar. A carta do Mago, neste posicionamento, é carta de renovação
espiritual. O que nos leva a crer que a carta do Papa, carta 5, presente aqui
no astral, poderá se concretizar com a carta 4, O Imperador, no plano físico.
Ou seja, que é possível que encontremos no plano físico um Mestre ou um
Guia, em futuro bem próximo, que nos ajudará substancialmente.
E, para completar, seccionamos a Pirâmide, agora verticalmente.
Redução Teosófica do Passado:
4+5+1+1= 11= 1+1= 2
Redução Teosófica do Futuro:
9+1+7+1=18=1+8=9
A Redução Teosófica do passado nos remete à carta da Papisa, carta
2. O que só vem confirmar o que foi dito anteriormente. A Papisa é uma carta
passiva, de espera e de maturação. A Papisa observa, mas não age. Pensa,
mas não fala. Estuda, mas não coloca em prática. Tem a sabedoria que ela
recolhe aqui e ali. Pois essa sabedoria será o ponto de partida para o futuro.
A carta do Eremita, carta 9, é uma carta ativa, de quem está de pé,
colocando em prática aquilo que foi recolhido pela Papisa. Claro que O
Eremita tem sabedoria própria, mas se esta sabedoria está aliada à da
Papisa, então está realmente sedimentada em bases sólidas. O nosso futuro
será de solidão interna, já que a busca espiritual sempre envolve um retorno
a nós mesmos.
Parece que a feminilidade tão questionada será a porta de entrada
para um caminho precioso. A energia yin da Papisa e da Imperatriz é a
mesma energia da espiritualidade. Uma nova mulher, realmente, deverá
surgir daí. Como a pergunta "quero me conhecer melhor" foi motivo desta
leitura, esperamos que a interpretação da Pirâmide do Tarot tenha cumprido
sua função de trazer mais consciência nesse sentido.


Lição 21 - O Caminho do Mago
Ao final de nosso curso, é necessário chamar a atenção para alguns
pontos que foram aqui tratados. Um deles é o recurso da conexão com as cartas
que utilizamos para mudar a energia que muitas vezes nos desorienta em
assuntos importantes de nossas vidas. Esse recurso, mais conhecido como
Visualização Criativa , mexe com o nosso inconsciente de maneira salutar. Não é
                                                                                  330
em geral utilizado pelos tarólogos. Eu particularmente o utilizo como auxílio no
tratamento de pessoas com algum tipo de doença mais ou menos grave.
Nas situações que envolvam outras pessoas que não o consulente,
não se deve usar este recurso de forma nenhuma. Isto é óbvio na medida em
que sabemos que o que é melhor para um pode ser prejuízo para outro. Por
exemplo: Se formos solicitados no sentido de usarmos a conexão com as
cartas para uma outra pessoa que não está presente, isso é violar os princípios
éticos mais elementares. O homem ou a mulher que nos procuram no sentido de
fazer retornar ao lar o parceiro ou a parceira, deve ser orientado de outra forma.
O Tarot, nesses casos, será o meio eficaz de trazer mais consciência a este
homem ou a esta mulher a respeito de sua relação e da consequente
responsabilidade de cada um, além dos motivos e causas que levaram a este
resultado. O que podemos fazer é orientar quem nos procura no sentido de
romper determinados padrões de comportamento que podem ter prejudicado
a relação. No entanto, deve-se chamar a atenção para inevitabilidade da
existência da vontade da outra pessoa, que precisa ser respeitada.
O mesmo se aplica a nós, quando jogamos para nós mesmos.
Na verdade, com o tempo o próprio Tarot ensinará que tudo o que nos
acontece está perfeitamente bem. De todas as situações podemos tirar o
aprendizado da aceitação e do desapego. E esta é a função final do Tarot.
Talvez alguns ainda necessitem impor à natureza e às coisas a vontade do
Mago, mas certamente, ao chegarmos à Estrela, teremos dado um passo
importante no sentido da entrega e da libertação que ocorrerá quando
atingirmos O Mundo, carta 21.
Na verdade, nós já nascemos perfeitos. Nascemos no estado de
iluminação, que é o retorno da carta 21 à carta do Mago, para o início de um
novo caminhar. O Tarot não começa na carta l nem termina na 21. O Tarot é
uma Mandala, circular, sem início nem fim. O aparente fim já é início aparente de
alguma coisa. Isso significa também que O Mago não achará nada nessa
busca que ele empreende de si mesmo. E só achando o nada, o vazio, ele pode
ter a verdadeira compreensão de seu ser. Por isso, o caminho do Mago é o
zero, O Louco. O caminho que todos percorremos para só então
compreendermos que não existe caminho, não existe nada a ser percorrido, nada
a ser decifrado. Que a proposta que a esfinge — representante de todo o nosso
pensamento ocidental — nos faz, é pura ilusão. Que se quisermos chamar de
"caminho" esta compreensão sem palavras que podemos atingir através dos
arquétipos, será apenas um mero recurso retórico.
Mas para chegar à compreensão verdadeira, é necessário botar o pé na
estrada. E é por isso que a figura do zero, do Louco, nos sugere isso. Só
procurando a nossa ilusão podemos encontrar a nossa verdade. E a verdade é
tão simples, que nos atinge como o raio da Torre, e despencamos contentes
desta vez, apesar de perceber que a nossa busca incessante nos jogou de volta
ao centro da terra. Onde existe um mundo igualzinho ao nosso, de onde
partem os discos voadores, quem sabe, em busca de si mesmos.
Portanto, agora posso aprofundar um pouco o significado real das cartas,
nascido da minha vivência com o Tarot e da intensa necessidade que tive de
compreendê-lo.
Para mim não há mundo real, a não ser aquele que criamos através da
mente. E é a mente que vê este planeta e se instala nele. Da carta 1, O Mago,
até a carta 9, O Eremita, podemos dizer que os arquétipos representam este
mundo real da razão. É o mundo exterior, físico ou o caminho exterior,
concreto, real, racional.
                                                                                     331
Da carta 10, A Roda da Fortuna, até a carta 19, O Sol, é o caminho de
dentro, do nosso interior, da nossa emoção.
A carta 20, O Julgamento ou o Juízo Final, é a morte para os dois
mundos ou os dois caminhos — o caminho da razão e o da emoção. E o
renascimento para a verdadeira vida, a Iluminação, que ocorre com a carta 21.
Essas duas cartas finais já não podemos chamar de caminho. Ele não mais
existe, como não existe mais ninguém para caminhar. Por isso, a carta zero
— que para nós é o caminho — é também identificada como O Coringa. Você
só a usa se necessitar. O caminho é sempre o caminho dos necessitados.
Quando a necessidade desaparece, o caminho também desaparece. Não há
mais o eu, nem o ele, nem o nós. Não se conjuga mais o verbo. Nos
transformamos no próprio verbo, em nosso princípio mais elementar, naquilo
que no princípio era o Verbo e o Verbo era Deus.
Fechada a Mandala podemos ou não retornar. Se identificamos a
existência do zero, identificamos a existência dos outros números. E então
reiniciamos o caminho do Mago para cumprirmos aquilo que o filósofo
chamou de "eterno retorno". Mas, se ao contrário não conseguirmos mais
identificar o zero, pois somos já o zero e o verbo, então não há a que
retornar. A Mandala se completa e é recriada em outro universo, para além
deste círculo fechado.
Para que haja uma compreensão melhor do que acabo de dizer,
vamos seguir o percurso das cartas.
O caminho da razão é o caminho óbvio, e não vou nele me deter. É o
caminho exterior das concretizações no plano material. O que nos interessa
aqui é O Eremita, este mago envelhecido, transmutado em ancião. Aquele
que já trilhou o caminho da razão e o abandonou, se voltando agora para
dentro de si mesmo.
O Eremita encontra a Roda, descobre aí que a sua prisão está no
passado, não só no passado desta vida, mas no passado de muitas eras que
o transformaram no ser de hoje. Através da força toma consciência e adquire
compreensão dos grilhões que o aprisionam. E aí descobre, através de um
contato íntimo com todas as podridões de um passado de medo e de culpa
(O Pendurado), a origem de sua verdadeira prisão. Mata este passado (A
Morte) para então se conscientizar que só isto não basta. É necessário
perdoar a todos e a si mesmo (A Temperança). Depois do perdão que é a
transmutação e a purificação das nossas emoções, O Eremita está então
preparado para enfrentar O Diabo, que é a sua última e derradeira prisão — o
sexo. Mas quanto a isso, ele nada pode fazer. A não ser que a carta da Torre
desabe sobre ele como um corte de fora, já que a quebra deste último elo
não depende da nossa vontade. Simplesmente acontece, como se fosse por
interferência divina. E se isso acontece, dá-se o momento da união cósmica,
o sexo transmutado em espiritualidade com a carta da Estrela.
Se O Diabo é a última prisão, a carta 18, A Lua, é a última tentação. É
aquele momento descrito pelos santos católicos, que são invadidos por
inúmeros apelos de um ego moribundo, que eles chamam de diabo. É a
última tentação de Cristo, quando ele afasta o cálice. Depois desse momento
de dúvida, de medos tenebrosos, de desespero, vem a clareza, a vitória
sobre os fantasmas projetados pela Lua, com a carta 19. Este é o momento
de romper com a segunda via e entrar na libertação. É isto o que significa a
carta 20, essa passagem gloriosa para um outro estado, completamente
diferente dos dois anteriores, o do renascimento da alma, para atingir a
iluminação com a carta 21.
                                                                                332
No entanto, esta compreensão intelectual de nada nos vale se não é
vivida até a última gota, transformando-nos num cálice vazio, apto a
comportar novos líquidos e saciar outras sedes que não a nossa, tal como
Cristo fez ao aceitar finalmente o cálice que lhe era oferecido.
Este é o "verdadeiro" percurso do Mago, que ao retornar a si mesmo
tantas vezes, acaba se libertando de sua própria imagem especular para se
tornar O Louco, ou O Nada.


Mensagem Final
Recorra a este livro inúmeras vezes. Releia-o sempre para que um dia
você possa ler nas entrelinhas. Algumas palavras aqui foram escolhidas a
dedo, pois elas contêm aquilo que só a experiência e a prática podem
revelar. Não são palavras vazias ou apenas providas de uma compreensão
intelectual, mas para que você possa compreendê-las realmente é
necessária uma certa quilometragem.
O mesmo ocorre quando você vai a um lugar pela primeira vez. Você
descobre o caminho mas não usufrui de tudo aquilo que o caminho lhe pode
oferecer. Voltando então algumas vezes, você vai descobrindo realmente a
beleza de cada recanto. Assim é o Tarot, uma viagem para dentro e para
fora. Uma viagem para aquele lugar que mais gostamos e para o qual
queremos voltar inúmeras vezes. Então volte, você será sempre bem-vindo
toda vez que recorrer a este livro.
Apenas dê um tempo para que sua pequena cabeça e o seu grande
coração possam assimilar o que você aprendeu aqui.
Estude e use o Tarot com Amor... E Boa Sorte!


NOTAS
1 — Kaplan, Stuart. O Taro Clássico. Ed. Pensamento, p. 38
2 — Idem, p. 37
3 — Levi, Eliphas. Dogma e Ritual de Alta Magia. Ed. Pensamento, p.
416
4 — A respeito do assunto, ler Adoum, Jorge. A Magia do Verbo e o
Poder das Letras. Ed. Pensamento.




                                    11
TARÔ ENCANTADO - Amy Zerner e Farber

SUMÁRIO

OS ARCANOS MAIORES

0 O Louco
                                                                            333
1 O Mago
2 A Sacerdotisa
3 A Imperatriz
4 O Imperador
5 O Papa
6 Os Apaixonados
7 O Carro
8 A Força
9 O Eremita
10 A Roda da Fortuna
11 A Justiça
12 O Enforcado
13 A Morte
14 A Temperança
15 O Diabo
16 A Torre
17 A Estrela
18 A Lua
19 O Sol
20 O Julgamento
21 O Mundo




TARÔ

ARCANOS MAIORES

0
O LOUCO

O SONHO

De olhos arregalados, inocente como um recém-nascido, O Louco
desceu dos domínios celestes e apeou no cume verde e violeta vibrante
das montanhas, pronto para começar a jornada mística no caminho da
iluminação. Tudo é novo para ele, que ainda não aprendeu a ter medo.
O Louco vive de momento a momento, seguindo em frente sem nenhum
pensamento premeditado, alheio às armadilhas e aos perigos que podem
haver à frente. Na algibeira, leva lembranças, instintos e sensações que
teve em vidas anteriores: é o chamado "inconsciente coletivo", que está
esperando para ser usado. O bastão simboliza a fé pura dos atos do
Louco e é coroado com uma cabeça que olha para trás, relacionando o
seu passado com o presente. O cachorro que o segue pulando representa
a natureza animal do nosso corpo físico e é visto numa harmonia
brincalhona com O Louco, como um animal de estimação brinca com
uma criança. O sonho está impregnado de verde (cor do crescimento) e
o céu está cheio da luz nova e clara da primavera, e de uma vida nova e
brilhante. Por não ter malícia nem desejo, O Louco só consegue dizer a
verdade, do mesmo modo que os bobos da corte, que mantiveram a
tradição dele.
                                                                           334
O DESPERTAR
Não analise demais as coisas; às vezes, você simplesmente tem de correr
riscos. Esta não é a hora de sofisticar nada, nem de procurar significados
ocultos nas palavras ou nos atos dos outros. Seja como uma criança, ou
não verá o céu na terra. Não olhe para trás nem procure prever atos ou
fatos. Está na hora de ter fé e inocência.


1
O MAGO
O SONHO
Um mago habilidoso e esperto está executando um ritual oculto; de mão
direita estendida flui energia, que explode numa coluna de fogo vivo.
Assim como o fogo consegue transformar tudo que lhe é adicionado,
este xamã transforma as coisas: água em vapor, argila em tijolo, e fogo
em cinzas. O Louco simboliza o saber inconsciente, e O Mago é a
corporificação da mente consciente, com sua capacidade humana de
conhecer e manipular o mundo físico. Como O Louco, O Mago também
usa um chapéu pontudo, cujo ápice alude à capacidade humana de atrair
as forças cósmicas. O chapéu do Mago está envolto em camadas de um
tecido rico, assim como a energia pura de um ser humano está envolta
em camadas de carne e sangue, pensamentos e emoções. O Mago usa
um cinto com Ouros, Copas, Espadas e Paus, um de cada, como símbolo
do domínio que tem sobre os quatro elementos (Terra, Água, Ar e
Fogo). Por trás dele está a cidade celeste onde mora, símbolo da origem
divina dos desejos manifestada na terra pelo poder do pensamento. O
Mago é o mediador entre estes dois mundos. Com iniciativa e tino,
escolhe as idéias que deve transformar em realidade.
O DESPERTAR
Se a sua força de vontade estiver dirigida de modo consciente e
agressivo, agora você, pode executar tudo que visualizar. Está desafiado
a seguir em frente no mundo e usar sua habilidade e inteligência para
produzir uma mudança para melhor. Faça mágicas!


2
A SACERDOTISA
O SONHO
Sob um céu salpicado de estrelas, A Sacerdotisa da Lua está de pé na
entrada da gruta que é o seu templo sagrado. Passiva e silenciosa,
representa um receptáculo de lembranças e da santa sabedoria feminina.
Tem poderes tão grandes que, praticamente, ficam além dos atos; o grifo
fêmea que está aos pés dela sente-lhe os desejos e corre a obedecê-la. A
Sacerdotisa tem segredos eternos que são comunicados por uma voz
interior, ou intuição, e só quem é sensato o bastante para se retirar em
silêncio passará a conhecê-los. Acima dela, empoleirada na lua
crescente, há uma coruja consagrada a Atena, deusa da sabedoria. A
coroa da Sacerdotisa evoca o crescente e o minguante e os ritmos
naturais do ciclo feminino. Aos pés dela há água e véus transparentes,
símbolos da misteriosa energia feminina que muitos homens professam
não entender. Em sintonia com os desejos do universo, que é seu filho,
A Sacerdotisa dirige sem esforço a sua capacidade psíquica. As mãos
                                                                             335
dela estão ocultas atrás dos centros de energia que ficam na base da
coluna e no alto da cabeça, significando que o poder verdadeiro vem do
uso das energias espirituais de cada indivíduo e está à disposição de
todos.
O DESPERTAR
Antes de fazer qualquer pergunta, é preciso invocar a imagem e a visão
espiritual onividente da Sacerdotisa e meditar nelas. A entrada da
Sacerdotisa é uma mensagem para você penetrar silenciosamente dentro
de si mesmo e ficar ciente de estar ligado a tudo que existe, existiu e
existirá; a força que você extrai do fato de perceber isso lhe dará
discernimento.


3
A IMPERATRIZ
O SONHO
Vestida de roxo, que é a cor do espírito, a Imperatriz grávida está
sentada num trono de pedra que a deixa enraizada na terra. Na cabeça,
usa uma estrela e um halo que a ligam ao céu. Está segurando um ramo
de flores com a mão direita. Há muitas flores ao redor dela, que é a Mãe
Terra sempre fértil. Pela mão invisível dela, a terra produz uma
cornucópia de beleza, como um jardim bem cuidado. A feminilidade
acariciante dela ajuda a desenvolver idéias criativas. Aos pés da
Imperatriz correm as águas do "inconsciente coletivo", que a unem com
sua própria família de um modo muito profundo. A Imperatriz
contempla a corrente nebulosa e sabe que aquelas águas darão uma vida
nova às sementes, que são suas filhas e filhos. Ela sonha que todos eles,
que ama incondicionalmente, tenham sorte e conheça a fartura, que é
um direito inato. A Imperatriz consegue nos ajudar a desfrutar sonhos
acordados num mundo em que a lógica e a intuição deveriam andar
juntas, como o Céu e a Terra.
O DESPERTAR
Tenha um coração aberto e compreensivo e os seus desejos serão
atendidos. Fique ciente do seu contato mental, emocional e físico com a
beleza sempre nova, a sensualidade, a fertilidade e a paz do jardim do
seu paraíso terrestre, e essas coisas nunca lhe faltarão na vida. Sc tentar
e conseguir trazer o céu para a terra, sempre terá à disposição muita
produtividade e inspiração criadora. Exerça o seu poder com mão
amorosa.


4
O IMPERADOR
O SONHO
O Imperador está sentado no trono, sob o pico de uma montanha alta.
Conseguiu atingir suas próprias metas. Escalou a montanha e até
reivindicou-a para si, mas assim reduziu o número de opções
disponíveis, o que o deixou com uma vida muito solitária.
Transformava-se em dono de todas as coisas materiais que contemplava
e, com isso, tomou-se pioneiro e líder. Tem uma grande capacidade de
raciocínio e chegou até a triunfar sobre a paixão e as emoções, que são
representadas pela água parada que há pouco abaixo dele. É um
                                                                              336
verdadeiro patriarca e não tem intuição feminina, mas jamais admitiria
tal "fraqueza", receoso de perder a autoridade. É dedicado, disciplinado
e equilibrado; por isso, não acha difícil fazer com que os outros
cumpram o que ordena. Por ser ambicioso, começa projetos inovadores
que nem sempre são sérios e conservadores como ele próprio aparenta
ser. Quando é obrigado a derrubar padrões antigos, pensa bastante no
assunto, pois quer ser considerado benevolente e compassivo, além de
infalível. Às vezes é prepotente, mas sempre se mostra responsável,
digno de confiança e carismático.
O DESPERTAR
A sua atitude em relação a obter e usar poder e autoridade está sendo
testada. Como você se relaciona com as pessoas que exercem a
autoridade? Aja como líder. Para atingir sua meta, você deve se
encarregar da situação e usar o poder de modo equilibrado e ponderado
e, ao mesmo tempo, convencer os outros a ajudá-lo a manter a sua
posição.


5
O HIEROFANTE
O SONHO
A figura de um velho sábio, plácido, paciente e piedoso, está de pé numa
elevação, oferecendo suas bênçãos à união de um homem ricamente
vestido com sua amada, que também é de ascendência nobre. As bases
de todas as religiões são os rituais necessários para ter uma família
bem-sucedida e, conseqüentemente, a sociedade gerada por ela. O
Hierofante (que às vezes é chamado O Papa) representa a orientação
espiritual dada pelos representantes das religiões organizadas
tradicionais. A orientação do representante é de ordem prática e segue,
sem discutir, todos os dogmas transmitidos pelos seus predecessores.
Ele tem por meta manter os costumes sociais convencionais e garantir a
posição da religião que adotou. A devoção do Hierofante à posição que
ocupa é real, como está indicado simbolicamente pelo coração branco
que ostenta acima da cabeça. Pode-se confiar neste "padre confessor"
para pedir conselhos e apoio, dentro das pautas de instrução que ele dá.
Apesar de estabelecer fielmente as leis codificadas e os princípios
espirituais que estão contidos no livro que está segurando com a mão
direita, o fato de estudar e praticar essas tradições infatigavelmente,
todos os dias, lhe confere uma parte do conhecimento oculto no qual a
sua própria religião foi baseada.
O DESPERTAR
As regras e tradições baseiam-se no desejo dos nossos antepassados,
que era proteger e conservar o que achavam útil na época. Quanto a
você, nem sempre os seus interesses ficam bem servidos por uma
obediência cega. A repressão do seu direito de pensar livremente pode
acabar em conformismo. Ainda assim, os valores morais e as tradições
religiosas virão consolar e apoiar você.


6
OS ENAMORADOS
O SONHO
                                                                           337
Cupido está pairando num céu estrelado, dizendo a dois enamorados
que ouçam a voz do coração. Eles têm de escolher entre o vício e a
virtude. O jovem enlaça com um braço o objeto do seu afeto, mas um
pouco abaixo dos dois há uma moça que parece languidamente
aborrecida e, enlouquecida pelos próprios desejos, tenta o jovem com
um amor mais profano, como acontece com a dualidade de escuridão e
luz em todos nós. O jovem só fará a escolha certa se estiver em contato
com os dois aspectos (masculino e feminino) da sua própria
personalidade. Os raios luminosos coloridos, que são raios da alegria
pura emanada dos centros de energia da coluna vertebral da amada,
estão brilhando na direção oposta a ele, que foi cegado pela indecisão.
Os olhos dele estão postos na outra mulher, quase esquecidos da
companheira que o enlaça no abraço do amor verdadeiro. Ao pé dele há
uma estrela vermelha igual à que está atrás de Cupido: é o símbolo dos
desejos elementares do centro de energia da base da coluna vertebral.
Ele tem de decidir se a empurra com o pé ou se passa por cima dela. O
jovem só será íntegro se souber o que é o amor verdadeiro.
O DESPERTAR
Os relacionamentos que você mantém refletem o seu equilíbrio interior.
Certifique-se de que a coisa que está afastando você de alguém, de
alguma coisa ou do lugar em que você se encontra não é um reflexo da
insatisfação que está sentindo consigo mesmo. Normalmente, a carta
dos Enamorados significa um caso de amor em andamento, mas nem
sempre a escolha é romântica ou sexual: pode ser entre um par de
qualquer tipo de atração.


7
O CARRO
O SONHO
Triunfante, a donzela guerreira Brunilda vence a corrida, levando os
despojos de guerra. Os chifres de rena que usa como corcel, juntamente
com o escudo que está atrás dela, simbolizam os dotes agressivos que
lhe valeram esta vitória. Com um físico robusto e uma determinação
severa, ela aproveita a energia da natureza e as suas próprias energias,
que são consideráveis. Talvez o arrojo e a confiança que tem em si
mesma tenham contribuído para ela se atirar à corrida contra uma
oposição formidável. Suprimindo todo e qualquer sentimento ou
emoção, segura as rédeas e arremete para diante, saindo de campos
áridos e indo para outros, verdes e floridos. Nem sempre os dons que
permitiram que tivesse êxito valerão em qualquer circunstância. Ela tem
de gozar este momento de glória sabendo que este passará, como tantos
outros momentos e tantas outras heroínas. Abaixo dela há uma biga (O
Carro) que foi desenhada simbolicamente em escala muito pequena em
relação à conquista da guerreira. O condutor do Carro também teve um
momento de glória, que agora se foi para sempre. Só é eterna a glória
dos unicórnios dourados que estão num horizonte jamais alcançado.
O DESPERTAR
Para triunfar, você precisa tomar as rédeas do controle e não soltá-las.
Na sua busca, invoque a ajuda das forças da natureza. Na sua vida não
há lugar para emoções neste momento: há apenas uma concentração
sincera na sua meta. Mas, à medida que for desenvolvendo a capacidade
                                                                           338
de enfrentar os desafios da vida, lembre-se de tirar a máscara de defesa
que colocou para que o mundo visse e temesse você.


8
A FORÇA
O SONHO
Uma linda princesa entrou por um portal coroado de folhas e está no
jardim em que brincava quando era criança. A natureza predominou e
agora o jardim malcuidado cresceu demais. Assim mesmo, as flores e
até as ervas daninhas são muito bonitas, e a princesa está colhendo
algumas para fazer um buquê harmonioso. De repente, encontra uma
leoa enorme cuja pata ficara presa nos espinhos emaranhados de uma
roseira que um dia havia sido o orgulho do jardim. O animal temível
ruge alto, mas a jovem é corajosa e não fica com medo. Liberta a leoa e,
controlando-a delicadamente, vai guiando-a até vê-la prostrada aos seus
pés. A princesa sabe que "a fera sabe o que o seu coração pensa".
Domou a natureza selvagem do animal com um toque espiritual. Não
tem necessidade de força física: o que conquistou, foi pelo amor. A
coroa da leoa significa que é a Rainha das Feras, e a Princesa valente
agora é a Rainha da Força, com o sinal do "infinito" coroando o seu
centro de energia mais elevado. Conquistando os medos naturais da sua
própria natureza bestial, ela utilizou o poder infinito do espírito.
O DESPERTAR
Com coragem e perseverança, é possível equilibrar conscientemente a
espiritualidade e a carnalidade, que são opostas. Diante do medo, aja
calmamente e com amor, e obterá a verdadeira força de um corpo
integrado ao espírito. Nessas horas, a força física não compete com a
resistência espiritual. Usando delicadeza, você consegue o que a força
física não consegue.


9
O EREMITA
O SONHO
Levando uma linda lanterna, se bem que acesa de modo estranho, O
Eremita passeia pelo caminho iluminado da Sabedoria. Trabalha
sozinho e à noite, para se ocultar nas vestes e no escuro, porque o que
ensina é só para quem o está procurando. O Eremita é um mestre que
chegou a uma compreensão profunda graças a ter evitado os delírios do
mundo para poder contemplar melhor o mundo da mente. Este velho
sábio bondoso conserva a visão do passado, mas está aberto a novas
idéias do futuro. A natureza toda adquire um brilho especial, revelando
seus segredos à curiosidade tranqüila do Eremita, que é um guia e
conselheiro pacífico e sincero. É circunspecto e introspectivo, e não se
apressa a agir nem julgar os outros. Só dá conselhos depois de fazer
muitas considerações. Acima do caminho do Eremita brilha uma estrela
dupla que proporciona a luz das duas mentes, a consciente e a
inconsciente: é a fonte de tudo que se conhece. Se você seguir este
solitário provedor de sabedoria com muita reverência e sem o desejo de
atingir metas materialistas, ele lançará bastante luz em qualquer
problema.
                                                                           339
O DESPERTAR
Não procure a resposta fora de si mesmo. Está na hora de se recolher e
seguir a sua própria luz interior. Um pouco de introspecção pode levar a
uma melhoria de si mesmo. Quando há uma deliberação madura, as
coisas se resolvem. Talvez apareça uma pessoa para ajudá-lo, utilizando
a própria experiência. A prudência pode impor que todas as respostas
não sejam reveladas imediatamente.


10
A RODA DA FORTUNA
O SONHO
As "rodas dentro de rodas" que formam A Roda da Fortuna (ou Roda da
Sorte) giram como um pião e rodam como os infindáveis ritmos e ciclos
da vida. Inesperadamente, um giro da roda pode trazer sorte,
prosperidade e oportunidades, mas também pode provocar o inverso e
apresentar obstáculos aos seus desejos. Um giro da roda da sorte pode
trazer uma confrontação com algum ato do passado. Isso é 'Destino",
"Vontade de Deus" ou "Carma"? Coisas que parecem inícios e fins, na
realidade são apenas uma parte do ciclo inconsútil da vida. Há duas
baforadas de fumaça que sobem do horizonte e simbolizam a forma de
espírito. Apesar de todas essas mudanças, só resta o espírito fugaz. Os
pavões graciosos, de cauda aberta, representam expansão e riqueza. O
cavalo dourado e vivaz está de casco levantado porque sente o
entusiasmo de arriscar, apostar e ganhar. Uma águia paira no alto,
simbolizando o sentimento de supremacia que adquiriu por ter chegado
ao alto da roda. Mais acima há uma Esfinge cujos olhos cintilantes vêem
todos os ciclos, todas as evoluções e os desenhos que se repetem. A
Esfinge sabe que ninguém se mantém no alto para sempre.
O DESPERTAR
A Roda da Fortuna, que gira, é uma mensagem que diz que tudo que
vai, volta, e tudo que sobe tem de descer. Você colherá o que semeou,
por isso precisa pensar com antecipação e considerar seus atos,
independentemente de estar na parte superior ou inferior da roda da
fortuna. Para não ser governado pelo Destino, responsabilize-se pela
sua vida e por tudo que lhe acontece. Arrisque-se. Fique aberto a
qualquer oportunidade nova ou inesperada.


11
A JUSTIÇA
O SONHO
Um mensageiro alado vem trazendo a verdade absoluta, com um rosto
que possui a inocência da juventude e a sabedoria dos anos. Tem uma
lança de ponta em forma de coração, com uma estrela incrustada
(mistura dos Ouros, Paus, Copas e Espadas dos Arcanos Menores). A
lança vai atravessar a camada exterior dos véus que obscurecem a
verdade simples que está oculta no núcleo, e revelá-la. Esta lâmina
brilhante impõe um castigo merecido ou protege e defende as crenças
válidas. A balança que o anjo tem na mão direita é usada para pesar
todos os fatores e chegar ao equilíbrio entre a verdade e a justiça. O anjo
da Justiça não é cego; pelo contrário, vê todos os lados de uma
                                                                              340
determinada questão. Atrás deste anjo imparcial, um céu rosado indica
a aurora de um novo dia que vai revelar valores morais ainda mais
elevados. A Justiça é implacável; a Justiça sempre prevalecerá na busca
da verdade. O anjo está em pé numa folha enorme que simboliza a
calma natural e ordenada que a Justiça traz para um mundo de caos
evidente. Sem ela, nenhum reino consegue durar muito.
O DESPERTAR
Chegou a hora de raciocinar e ser capaz de ver o ponto de vista dos
outros. Chegou a hora de fazer um balanço nas contas em nível físico,
mental e emocional, assim como nos assuntos financeiros e legais. Faça
os preparativos para colher o que semeou. Tenha fé em que a Justiça
triunfará e deixe nas mãos justas e sábias dela o castigo para quem você
acha que lhe fez algum mal.


12
O ENFORCADO
O SONHO
Sob um céu azul e calmo e acima de uma terra florida e radiante, um
homem está pendurado de cabeça para baixo, suspenso por um pé, da
cauda de uma libélula. A libélula salienta que não se trata de uma cena
de tortura: é apenas parte de um processo natural. A vida do jovem está
em suspenso mas, neste momento de rendição a uma força superior, o
rosto dele mostra somente aceitação e fé absoluta. O jovem parece estar
escutando uma voz interior. Talvez esteja esperando uma resposta
completamente oposta a tudo em que acreditara até ali. Talvez tenha se
sacrificado deliberadamente para atingir alguma meta desejada. Poderia
estar em transe ou num estado de iluminação, como resultado do
acúmulo de sangue na cabeça. No entanto, parece que o esquema da
vida diária do jovem foi invertido a fim de oferecer uma nova
perspectiva. A água que corre mais abaixo simboliza que o jovem se
elevou acima da confusão emocional e aceitou esta suspensão do seu
modo de vida costumeiro. O período de espera forçado pode ser
encarado como um meio de adquirir uma nova perspectiva.
O DESPERTAR
É preciso ter novas perspectivas. Este período da sua vida parece
limitativo, mas você está sendo forçado a ficar mais introspectivo e a
ouvir mais a sua mente superior. Em qualquer plano, a espera tem seu
lugar. Tente não se transformar em mártir, mas não tenha medo de fazer
sacrifícios ou não querer se adaptar a circunstâncias que mudam.
Quando se sentir sem forças, bloqueado ou num beco sem saída, precisa
levantar-se de novo pelos seus próprios esforços.



13
A MORTE
O SONHO
O Rei da Morte está sorrindo. Está numa postura um tanto hesitante,
como se talvez fosse começar a dançar a qualquer momento. A forma
esquelética faz lembrar que existe morte dentro da vida. A postura e o
rosto sorridente revelam que uma nova vida surgirá da morte. A Morte
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não quer ser temida porque significa transformação, renascimento e
renovação, assim como o fim que chega para tudo que existe. Tudo que
é superficial foi aparado; todos os desejos da carne foram eliminados. A
Morte passeia num jardim universal de flores vibrantes e vistosas, perto
de um regato revigorante e sob um céu cujas estrelas estão interligadas
por um destino comum. Com o corte dos brotos velhos, surgem novos
brotos. Quando ocorre a transição há um novo começo. Um ato de
soltura pode possibilitar de novo um movimento para diante. Pode
haver uma mudança profunda, mas faz parte de um ciclo de renovação
e renascimento e pode ser encarada como uma forma de libertação.
Temer a Morte é temer a vida. Só vivemos de verdade quando vivemos
em harmonia com as leis da Natureza.
O DESPERTAR
Se você opuser resistência, haverá uma mudança profunda que pode ser
dolorosa. Se o final não for feliz, não se importe e siga em frente.
Procure a parte essencial do assunto e deixe de lado os detalhes
supérfluos. Destrua os esquemas antigos e revele um caminho novo e
promissor. Não tenha medo de se modificar nem de morrer. Se quiser
interferir no processo de aproveitar mais a vida, precisa primeiro
admitir que tem medo da Morte.


14
A TEMPERANÇA
O SONHO
Um anjo está ensinando uma mulher a ter a paciência e a disciplina
necessárias para segurar o jarro bem no alto e despejar a água
revigorante na vasilha que contém os quatro elementos, sem derramar
unia gota. Acima de ambos, o relógio celeste indica o movimento
perpétuo e regular da vida e das estações. O tempo é o ingrediente
essencial, ainda que invisível, da "alquimia " exigida para transformar o
"chumbo" das circunstâncias atuais num futuro de "ouro". O bom
resultado da experiência vai depender não só de uma boa mistura dos
diversos ingredientes da situação como da atenção e paciência dadas
para que tudo seja misturado na hora certa. Aos pés do anjo há uma
árvore bonsai adulta cuja beleza perfeita é resultado de tempo e da
cooperação entre a inteligência da Natureza e do Homem. A mulher tem
de aprender a misturar bem os fatores e as polaridades que se opõem na
sua vida. O anjo surge como um exemplo da síntese benéfica dos
mundos espiritual e material.
O DESPERTAR
O que importa não é o tamanho nem a qualidade dos seus planos; as
chaves necessárias para destrancar os tesouros do futuro são: ter
paciência e agir na hora certa. Agora é hora de ser moderado. Você pode
fazer uma experiência, desde que esteja em harmonia com as
considerações práticas e as leis da Natureza. Precisa sempre temperar a
justiça com piedade. Assim, como acontece com o aço temperado, a sua
decisão será mais forte e mais duradoura.


15
O DIABO
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O SONHO
Este é o rosto do mal. Cego para a própria natureza espiritual, O Diabo
contempla seus tesouros com os olhos semicerrados, totalmente
obsedado com o mundo material, ao qual se entregou por completo. No
entanto, os lucros ilícitos que obteve não lhe adiantam na prática,
porque todas as trapaças e fraudes que cometeu afastaram as
companhias. Seguindo cegamente impulsos degenerados e julgando as
coisas pelo que aparentam, O Diabo expressa o pior lado da natureza
humana. É o lado escuro da alma, que deixa de lado tudo que é real e
valioso. Com aqueles lábios escarlate e chifres negros, O Diabo é criado
pelos pesadelos e pela paranóia. Sob a influência dele, o medo do
desconhecido passa a ser terrível. Surgem tendências ocultas que
exasperam os desejos e exigem um prazer imediato. No Diabo não
existe amor, que ele encara como sinal de fraqueza. Às vezes, ele pode
ser simplesmente travesso, mas sempre vai tentar se aproveitar de
qualquer situação, e não é digno de confiança. Solta apenas quem
prefere ver além dos seus próprios desejos materiais.
O DESPERTAR
Se você precisa de objetos materiais para se sentir bem consigo mesmo,
provavelmente deve se sentir vazio e receoso de ser reconhecido como
tal. Você tem de parar de enfatizar os interesses físicos e dar mais valor
aos interesses espirituais. A sua submissão vem do pouco que acredita
no mundo. Você tem dentro de si o poder de mudar suas crenças, usando
visualização, afirmações e atos sintonizados com a lei da Natureza.
Nunca deve recorrer ao engano nem à fraude.


16
A TORRE
O SONHO
O raio atingiu o céu da meia-noite e ainda está crepitando. Um edifício
antigo e muito sólido explodiu em pedaços. As forças da Natureza
reduziram a segurança daquele monumento esplêndido aos esforços
feitos pelo Homem. Brotam chamas e o ar está cheio de fumaça; houve
uma inversão espetacular do destino. Os planos para o futuro falharam.
Na cidade que fica abaixo da base da montanha da Torre, todos estão
discutindo se a antiga ordem conseguirá sobreviver. A explosão tem um
potencial libertador: limpou um lugar para um novo desenvolvimento.
Talvez isso seja um "raio vindo do nada", parecido com uma intuição
que consegue produzir uma mudança imediata. Mas, quando há uma
mudança cataclísmica, pode haver um período de transição quase
inevitável e até desagradável. As emoções podem explodir em raiva e
choque. Para ter uma liberdade completa, talvez haja necessidade de
uma terapia não só física como mental. O raio caiu, mas é possível que
logo venha a iluminação.
O DESPERTAR
É preciso aliviar as pressões acumuladas, senão haverá uma inversão de
todo o trabalho executado até agora. Houve uma inversão espetacular
dos fatos e os esquemas de pensamento estabelecidos vão mudar. Pode
ou não ter sido inevitável, mas essa explosão de valores antigos (e talvez
falsos) pode ser benéfica. Pôr toda a fé exclusivamente em objetos
materiais pode levar a um desastre, porque só o espírito é eterno.
                                                                             343
17
A ESTRELA
O SONHO
Depois da tempestade vem a paz. Uma estrela de esperança e assombro
brilha nos céus, prometendo iluminação e inspiração do espírito.
Embaixo, com um pé na terra e o outro pousado por magia na superfície
do regato do inconsciente, há uma donzela semidespida que está de pé,
em transe. Está recebendo com alegria as águas do lago, que se elevam
para ela de um nenúfar, enquanto ela própria, com as mãos em concha,
despeja na flor uma chuva de estrelas interminável. Está mostrando que,
assim como o céu alimenta o universo terreno, a beleza do mundo físico
alimenta o céu. A estrela que tem nos cabelos é uma daquelas que
servem para fazer pedidos miraculosos, com toda a inocência infantil. A
resposta sempre é amor, beleza, paz e ajuda de todos os tipos. Nos
domínios da Estrela tudo é fresco e novo, tudo é inocência. A linguagem
da donzela é poesia e arte, pois ela está perfeitamente em sintonia com
o dom espiritual que possui. A Estrela nos faz lembrar que, depois das
confusões da tempestade da vida, sempre há um tempo de purificação e
limpeza em que uma sensação de milagre anuncia que todos acreditam
de novo que os sonhos podem se realizar.
O DESPERTAR
Reserve um tempo para se recarregar com um período de descontração.
Desfrute o prazer de ser "a estrela" da história da sua própria vida. E
uma boa hora para desfrutar o entusiasmo e a satisfação pura de idéias e
conceitos espirituais. Deixe que suas idéias se derramem para alimentar
as pessoas que ama e aprecia. Deixe a mente divagar sobre o que há de
bom e agradável na sua vida e evite a negatividade por uns tempos. E
importante que você expresse sua ânsia criadora de algum modo,
apreciando ou fazendo arte.


18
A LUA
O SONHO
Sob uma lua minguante, numa paisagem escura e estranha, há uma
criança perdida, acompanhada do cachorrinho fiel. Está com medo,
olhando para a lua e se lembrando das histórias terríveis de uma Bruxa
da Lua que prega peças cruéis em quem se perde na noite. Parece estar
rezando, com esperanças de ser salva e guiada naquele pesadelo. Do
outro lado de um fosso de água túrgida, talvez habitado por coisas que
metem medo, vê os torreões do castelo onde mora. Mas a ponte levadiça
está levantada, os portões estão fechados, e parece que ninguém está
ouvindo seus lamentos. Será que a magia da Bruxa da Lua barrou o
caminho de casa? No momento em que a menina está prestes a
sucumbir a uma sensação horrível de desespero, perigo e tristeza gerada
pela falta que sente da família e de casa, A Lua surge de trás das nuvens,
mais clara ainda; de repente, parece mais quente e pensativa. A Lua está
chorando porque alguém a confundiu (erroneamente) com a malvada
Bruxa da Lua. Do rosto pálido daquela deusa escorrem lágrimas que
caem na água; subitamente, a terra começa a inchar e ultrapassa o fosso
                                                                             344
e a muralha que cercam o castelo. A menina vê claramente o caminho de
casa e agradece à Lua.
O DESPERTAR
Assim é a escuridão que precede a aurora. Você precisa separar a ilusão
da realidade. O caminho pode meter medo e parecer traiçoeiro, mas
você não precisa temer o desconhecido misterioso. A intuição consegue
muito bem guiar você para oportunidades desconhecidas. Lembre-se de
economizar energia para os desafios que virão, e não a esbanje com
preocupações ansiosas.



19
O SOL
O SONHO
Um casal de passarinhos está pedindo e recebendo a bênção vivificante
do Sol antes de começar a construir seu ninho de amor. Agradecidos, os
passarinhos prometem entoar hinos de louvor ao Sol todas as manhãs,
quando ele voltar da jornada que o coloca abaixo da Terra. O Sol
radiante tem os cantos dos lábios virados para cima, como o sol que as
crianças do mundo inteiro costumam desenhar, e simboliza a criança
divina que há em todo indivíduo. Nas cenas idílicas da infância, tudo é
aberto e geralmente está inundado de raios do Sol. Não há fronteiras
nem segredos. Parece que os prazeres terrenos, a animação e o sucesso
estão brilhando na Terra, do mesmo modo que uma energia paternal se
irradia do rosto sorridente do Sol. Os sete raios que emanam do Sol, que
tudo vê, representam as sete cores básicas do espectro das cores. Sete
também é o número tradicional da boa sorte. O Sol é de uma
generosidade infinita e contribui com a dádiva das quatro estações;
acima de tudo, nos dá a primavera, que deixa a Terra renascida, com um
novo colorido. Todas as manhãs O Sol traz uma luz nova que afugenta
as formas amolgadas e aterrorizantes da noite.
O DESPERTAR
Tudo fica ensolarado e claro. O amor, as amizades e os relacionamentos
de todos os tipos são realçados. É uma boa época para seguir o exemplo
da capacidade criadora e ativa do Sol e executar novas obras de arte e de
amor. Seja um líder dinâmico, inspirado e influente cuja luz brilha para
que todos vejam. Mostre ao mundo o que você é e o que fez.
Expresse-se de forma que todos que encontrar possam sentir o seu calor.


20
O JULGAMENTO
O SONHO
Lá no alto de um céu de alvorada cheio de luz violeta, um arauto
celestial está tocando a trombeta para anunciar a chegada do mais
elevado nível de Julgamento. Não é uma ocasião de castigo e
retribuição, é uma hora de ser chamado a prestar contas de situações e
atos passados. O arauto angelical está nos convocando a lembrar da vida
do espírito, onde é muito importante a vida de todos que vivem por trás
do Sol e da Lua. Das águas escuras e nebulosas da emoção, surge uma
mão estendida para cima, para o ar rarefeito do plano superior. Trata-se
                                                                            345
de um movimento positivo feito com um esforço deliberado. Houve
uma reflexão sobre o passado, e uma resolução positiva está sendo
reforçada. Com uma sensação de expiação e arrependimento, ocorre um
avanço real que leva à consecução das metas espirituais. Os montes
verdes vistos a distância sugerem a possibilidade de uma nova vida de
vigor e realizações.
O DESPERTAR
Das profundezas do núcleo do seu ser chega um chamado que anuncia
que chegou a hora de fazer uma mudança importante.
Independentemente de você estar ou não emparelhado com o que
acontece no mundo, precisa avaliar seus atos passados e ficar ciente de
quem você é e escolher bem as suas metas finais. Talvez relute um
pouco em admitir a necessidade de mudar, mas seria bom ouvir o apelo
do espírito. Você é quem você é, não o que faz para viver.


21
O MUNDO
O SONHO
A estátua de cobre que representa uma mulher adquiriu vida e está
dançando e olhando para trás, para uma folha que está segurando, de
braço estendido. Assim como a Terra (que é a mãe de todos nós) teve
origem nas estrelas e se materializou em realidade, o nosso corpo
também foi criado do seu corpo, de modo que podemos dançar a dança
da vida exatamente como Ela dança pelo cosmos. O corpo da estátua de
bronze foi desencavado da terra como minério bruto, refinado por
processos descobertos pela inteligência humana e animado pela
centelha de eletricidade que anima todo tipo de vida. Ela olha para a
folha (que é uma versão reduzida da folha enorme que estava aos seus
pés quando acabou de surgir) a fim de se lembrar que é um produto e um
processo do mundo natural, como todos nós. Dança diante de uma
enorme imagem da Terra que está suspensa de um templo colunado, por
meio de flores, o que indica que nós todos precisamos assumir o nosso
lugar em relação ao Templo Sagrado que é a Terra, antes que o nosso
corpo volte a Ela num ciclo que não pára de girar. Esta jornada parece
um sonho e consiste em penetrar em nós mesmos e encontrar a
harmonia essencial que há entre nós e Tudo Que Existe. Quando
soubermos perfeitamente o que somos, ganharemos o Mundo.
O DESPERTAR
Unindo e equilibrando a tão desejada harmonia interior com as
habilidades que adquiriu na vida, você chegou a um sucesso real. Nesta
situação, o Mundo pode ser seu. Para conseguir isso, é preciso trabalhar
arduamente, mas há uma promessa de recompensas materiais e paz
interior. Para conseguir saber o que deseja saber, você deve encarar a
vida no contexto do todo da própria vida.



PAUS

ÁS DE PAUS
INICIAÇÃO
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O SONHO
O poder da energia pura forma estrias de cores vívidas atrás de uma
tocha acesa. Há coriscos azuis que são descarregados para nos despertar
para a nossa própria realidade e vitalidade. A flor azul da primavera, que
há na base da carta, indica que, neste sonho, tudo é espontâneo como
uma centelha que dá início a um fogo ardente. Tudo que é negativo,
tudo que nos impede de avançar, pode ser queimado deixando um novo
começo, que é a nossa primavera pessoal. A fênix surge das cinzas. As
flores que estão acima das estrelas da parte inferior da carta têm plumas
de fumaça que indicam esse novo desenvolvimento. As estrelas dão a
inspiração do universo, onde agora há novos mundos que começam a
existir de repente, junto com cometas que aparecem numa glória
sublime. A mão da mulher está tatuada com imagens das primeiras
folhas nascidas de sementes recém-germinadas; entre os nós dos dedos
indicador e médio vemos a imagem de um coração alado. É o amor puro
que constitui o núcleo de todo tipo de vida. Este impulso vital básico e
liberto, que é o desejo de sentir o calor da criatividade, da percepção
consciente, da sexualidade, da iluminação espiritual e da
bem-aventurança, parece um bastão rompendo a parede gelada da
escuridão e da ausência de existência. O bastão é a forma unificadora
que está no fundo de todas as cartas do naipe de Paus.
O DESPERTAR
Neste momento, você se sente vivo, criativo e apaixonado. Se não
aceitar este instante quando ele chegar, talvez o perca. Nesta época de
impulso e entusiasmo, use os seus instintos; inicie projetos novos, sem
discutir se tem poderes para isso. Siga a primeira impressão e não pense
duas vezes.


DOIS DE PAUS
ARCANOS MENORES
PLANEJAMENTO
O SONHO
Depois de uma longa subida, um homem está de pé sozinho no alto de
um monte, encostado no cajado. Não dá sinais de fadiga; forte e ereto,
simplesmente fez uma pausa para um momento de contemplação. Está
ponderando calmamente a escolha equilibrada das quatro direções
indicadas pelos dois paus cruzados acima dele. Naquele momento de
paz e repouso, está ciente do poder e da capacidade que possui, pois a
terra que se vê mais abaixo é domínio seu. Herdou sozinho este lugar e
agora está pronto para fazer valer seus direitos. Nenhuma dúvida o
atormenta, porque equilibrou os lados masculino e feminino do próprio
eu, conseguindo chegar ao verdadeiro poder. O futuro surge como uma
época de desenvolvimento e renovação. Ele leva suas ferramentas e o
conhecimento necessário para usá-las e garantir que terá um futuro
brilhante. A borboleta simboliza os pensamentos que dirige para novas
direções e sondagens. Ele é forte e tem confiança no que espera. Por
agora, está livre das tentações do vale que fica lá embaixo, podendo
então decidir o que vai fazer.
O DESPERTAR
Você se estabeleceu e agora está independente. Como no momento está
em posição de tomar decisões, os medos que sentiu no passado já não
                                                                             347
controlam nada. É uma época de estabelecer seu plano, antes de ser
forçado a voltar para a realidade rotineira de definir detalhes. Você
consegue dominar tudo que encontra pela frente.


TRÊS DE PAUS
OPORTUNIDADE
O SONHO
Esta é uma reunião casual de três cupidos que representam o coração, a
mente e a ação. Aqueles "portadores de oportunidades" sentem a
energia dinâmica da realização e manifestação iminente de um desejo.
As flores e chamas vermelhas simbolizam a energia e a luz disponíveis
nesta época de invenção criadora. A satisfação especial que vem com a
expressão destemida das próprias idéias sobre a vida conserva a pureza
e a inocência da infância, quando tudo é novo. Dois dos cupidos, um
deles de olhos fechados, estão segurando os três paus suspensos no ar; o
terceiro, de tão entusiasmado, quase perdeu seu quinhão de
responsabilidade. Os três estão representando despreocupadamente a
mensagem que diz que esta oportunidade pode dar em nada se não
houver clareza de visão, cooperação e concentração. A atitude deles é de
cautela, pois querem usar com sensatez aquele momento predestinado
de criatividade e percepção consciente tão cheio de alegria.
O DESPERTAR
Adote uma atitude que lhe permita ver as coisas diretamente, como uma
criança; para obter uma colaboração num empreendimento satisfatório,
procure "companheiros de brinquedos" ou almas gêmeas da sua. Deixe
que este momento de abertura e sinceridade se alie à praticidade e
procure outras pessoas que, unidas, tragam cada qual suas habilidades
específicas para dar um final bem-sucedido a uma aventura
compartilhada. Está na hora de semear as sementes das colheitas
futuras.


QUATRO DE PAUS
O TRABALHO TERMINADO
O SONHO
Esta é uma época de solenidade e comemoração. Os paus sustentam
uma árvore cheia de frutas, pesada com os resultados de técnicas
perfeitas e trabalho bem-feito. Na frente da árvore há um casal de
marido e mulher. Ambos estão ricamente vestidos, e existe uma
sugestão de tranqüilidade doméstica, segurança e apoio mútuo, já que os
dois estão um de costas para o outro, com os ombros se tocando e os pés
plantados com toda firmeza. Juntos, conseguiram muita coisa, e o
relacionamento harmonioso entre os dois ajudou a produzir aquela
colheita. O céu está atravessado por linhas calmas de energia
estruturada. A árvore propriamente dita está coroada por um remate de
ouro que indica o bom resultado das aspirações e a felicidade do
relacionamento entre ambos. Acima do casal há dois passarinhos
empoleirados, entoando uma canção de agradecimento para o mundo e
levando a mensagem de que tudo vai bem. Os paus têm as cores do
arco-íris, simbolizando que aquela boa sorte nunca será destruída.
O DESPERTAR
                                                                           348
Desfrute a satisfação que vem de fazer um trabalho bem-feito. Não só os
seus esforços criaram uma base sólida, como o trabalho árduo que
executou para cumprir com suas obrigações, juntamente com o esforço
exigido para produzir o melhor que pôde, deram como resultado uma
comemoração otimista, agradecida e cheia de orgulho.


CINCO DE PAUS
COMPETIÇÃO
O SONHO
Sob cinco paus cruzados e opostos, defrontam-se dois líderes, cujas
forças são equivalentes. Chegaram a um impasse. Tem havido muita
disputa e, finalmente, houve uma luta armada, mas os dois guerreiros
ainda se respeitam mutuamente, como os bons guerreiros honram um
oponente digno. Os dois estão igualmente aparelhados e nenhum dos
dois está disposto a se considerar vencido, pois cada qual acha que seu
próprio ponto de vista é o certo. Naquele confronto está sendo retida
muita energia. Os dois estão zangados e frustrados, mas tratam-se
comedidamente, cada um esperando poder vencer fazendo o outro
admitir seus erros de julgamento. Se a sensatez prevalecer, esta luta
talvez permaneça equilibrada e pode ser que, no fim, os dois guerreiros
obstinados consigam fazer concessões e adaptar mutuamente seus
pontos de vista. O círculo que há acima dos dois representa um plano
superior que ainda não foi revelado.
O DESPERTAR
Neste mundo de competição e pontos de vista conflitantes, defenda-se e
defenda suas idéias. Não aceite ser vítima. Mas, numa situação
constrangedora, procure ser criativo em vez de limitativo. A luta deve
ser justa e representar todos os pontos de vista. Se o seu senso de ego é
muito definido e está manifestado de maneira muito forte, não deixe
isso negar aos outros a oportunidade de expor as próprias idéias. Não
deixe de exprimir suas idéias com clareza e lógica.


SEIS DE PAUS
ARCANOS MENORES
VITÓRIA
O SONHO
Contra um pôr-do-sol esplendido e ardente, surge a cavalo um jovem
triunfante. O cavalo magnífico salta para diante numa maré de energia
representada pelas chamas sagradas da parte inferior. O jovem está com
um penteado cerimonial que indica vitória. Por um instante supremo,
este cavaleiro é um conquistador que está sentindo sua exaltação em
quatro níveis: mental, físico, emocional e espiritual. Está repleto de
honra e orgulho; é um conquistador confiante que sabe que ganhou o dia
graças à própria liderança e por ter estado à altura da ocasião de forma
completa e instintiva. Aquela vitória está representada por uma estrela
cadente em brasa que está brilhando no céu num momento de glória
intensa, ainda que breve. Os paus prateados brilham no fogo que reflete
neles e será relembrado para sempre, mesmo que seja extinguido
depressa.
O DESPERTAR
                                                                            349
A vitória está se aproximando. Acredite que vai vencer. Todas as
atenções estão voltadas para você. Aceite esta ocasião de
reconhecimento e desenvolvimento, pois acabou de triunfar numa
situação difícil. Se perseverar numa época de crise, as coisas vão acabar
favoravelmente. Lembre-se de usar esta vitória para construir uma base
firme sobre a qual possa edificar seus bons resultados no futuro. Inclua
todos os que o ajudaram nessa comemoração.


SETE DE PAUS
CORAGEM
O SONHO
Uma figura solitária, mas robusta e de ar desafiador, está à frente das
ameias. Bem poderia se esconder atrás das muralhas de pedra para se
proteger, mas aceitou este desafio com coragem. Tem o rosto
determinado e está segurando o escudo com firmeza; leva um cajado
mágico que vale mais que os sete paus flamejantes dispostos contra ele.
Aos pés do homem há uma enorme flor vermelha que encarna todas as
coisas que ele alimentou e cuidou: entes queridos, a terra e todas as
coisas vivas que havia nela. Acredita firmemente que é preciso defender
os valores e idéias que foram estabelecidos, testados e sustentados há
muito tempo. Se a justiça não aparecer, ele mesmo resolverá sozinho
todas as dificuldades. Sabe que consegue defender o que é seu
enfrentando os problemas diretamente. Quando é desafiado ao extremo,
não faz concessões.
O DESPERTAR
Você está desafiado a defender seus valores e crenças. Não tenha medo
de defender pessoalmente o que tem de ser defendido. Só ganhará o dia
se for firme. Confie no seu próprio julgamento e intuição e creia que
saberá dominar a situação, mesmo que pareça impossível e difícil.
Lembre-se disto: a diferença entre o comportamento heróico e o
covarde é que o herói ou a heroína seguem em frente, apesar do medo.


OITO DE PAUS
céu, suba agora. O tempo de espera acabou, por ora"
SINAIS
O SONHO
Uma jovem está de pé diante de uma rosa ardente. Outras oito flores se
elevam para o céu, como as baforadas de fumaça usadas para fazer
sinais. A jovem fez surgir aquele belo fogo como por encanto,
esfregando rapidamente as mãos até que saltou uma fagulha que
acendeu a rosa. A fagulha simboliza atos e informações que passam de
um lugar para outro, gerando luz e calor enquanto isso. Os paus que se
movimentam rapidamente, emanando das flores que parecem emitir
sinais de fumaça, estão dirigidos para a jovem e também para o objetivo
dela. Tudo é muito direto e está em movimento, sugerindo um progresso
rápido. Está na hora de a jovem agir com rapidez, enviando mensagens
e sinais de amor ou de idéias novas. Ela sabe que a hora é de coisas
básicas, porque as chamas do romance não arderão para sempre, a
menos que sejam alimentadas por declarações de amor mútuas.
O DESPERTAR
                                                                            350
Faça, e faça agora. Se quiser conseguir o que deseja, é preciso agir. Seja
o primeiro a começar a se comunicar, e logo terá as mensagens de
resposta. Faça esse chamado. Atue na nova idéia. Está exatamente na
hora de reagir às necessidades do momento do modo mais direto
possível. As mensagens de amor e romance são o ponto de maior
interesse. Talvez esteja na hora de você dizer a alguém que está
apaixonado.


NOVE DE PAUS
DISCIPLINA
O SONHO
Uma mulher confiante como uma deusa está de pé num pedestal de
pedra, segurando no ar dois paus cujas pontas parecem uma divisa
militar; para isso está usando unicamente a própria força de vontade.
Está se preparando para arremessá-los voando de ponta para o chão,
como já fez com outros sete paus, a fim de completar uma barreira de
proteção na entrada da gruta onde mora. Está hesitando em completar o
trabalho porque percebeu que talvez venha a ser prisioneira dos próprios
esforços, ainda que fique em segurança. Assim é a natureza dual da
disciplina. Mesmo assim, a flor que está acima dela irradia energia solar
e saúde de corpo e mente, de modo que ela fará a escolha mais adequada
à situação. Tomará uma decisão que talvez não concorde com os
julgamentos e com a moral comum, mas não se sente levada pela
opinião das multidões. Está sempre pronta a enfrentar a oposição,
fortalecida pela coragem das próprias convicções. Tem uma base
segura.
O DESPERTAR
Você precisa recolher e manter uma grande reserva de resistência.
Prepare-se para defender sua posição, mesmo que seja contrária à das
pessoas que respeita. Talvez precise aguardar o momento propício, mas
tem de se ater fielmente ao seu objetivo. Aplique técnicas de disciplina
do tipo estritamente militar ao desenvolvimento da sua força de
vontade, do seu caráter e do seu corpo, porque a hora do desafio vem
chegando. Lembre-se apenas do seguinte: tempere a sua resistência com
o fato de saber que tem de usá-la para enfrentar um desafio.


DEZ DE PAUS
OPRESSÃO
O SONHO
Num espaço escuro há um trabalhador solitário levando uma carga
pesada e extenuante. As terríveis responsabilidades do dia-a-dia ficaram
praticamente insuportáveis. Fisicamente, é um homem forte, mas
parece que está prestes a desabar. Acima dele paira uma nuvem de
fumaça que lhe afeta a concentração e obscurece o campo de visão. Há
uma sensação de esgotamento total que apaga qualquer emoção,
impossibilitando que o homem exerça qualquer tipo de força ou se
expresse de algum modo. Ele deveria ser capaz de descansar ou
reconsiderar os próprios problemas, mas talvez ache que está sob o
controle de mais alguém e não pode fazer nada. Será que essas
responsabilidades e esse sofrimento podem ser um débito para com o
                                                                             351
carma? De qualquer forma, parece que o homem trabalhou demais e
acabará sendo forçado a se concentrar em coisas que mal tem força para
perseguir.
O DESPERTAR
Quando você se compromete a fazer coisas em excesso, tudo parece
uma carga pesada. A fadiga resultante deixa-o incapaz de expressar seus
pensamentos, e sua força se esgota. Reserve um tempo para pensar bem
nessa situação desagradável, se tiver a sorte de ser capaz de fazer isso.
Defina as suas metas, despojadas de tudo que for supérfluo. Desse
modo, as tensões ficarão aliviadas e as suas energias, que estão
reduzidas, serão usadas da melhor maneira.


PRINCESA DE PAUS
O SONHO
A Princesa do Palácio de Fogo é uma moça entusiasmada e corajosa. É
encantadora, mas parece um menino, com os cabelos de um belo
castanho avermelhado; é impulsiva quando ama e quando está zangada.
Pode chegar a ser indelicada a ponto de não ser diplomática, pois não
tem a sensatez gerada pela maturidade dos anos. O brilho e a energia
que leva para as aventuras atrai outras pessoas para si, mas, às vezes, o
entusiasmo dela pode durar pouco e se extinguir de repente. Isso
compensa uma certa dose de instabilidade, pois a velocidade energética
do momento pode se dissipar e parecer que inverte de repente a raiva em
teatralidade. As borboletas cor de fogo que adejam por ali representam
os pensamentos e idéias dela, que estão sempre presentes. A
pluma-chama vistosa do chapéu pode ser usada como pena para ela
anotar algum lampejo de inspiração repentino. O espírito da Princesa é
livre e se desloca para novas direções sem medo, dominando todos os
bloqueios interiores. Esta aventureira vencedora está associada com
notícias e informações interessantes, normalmente dadas por parentes
ou amigos.
O DESPERTAR
Talvez haja uma oportunidade chegando para você. É preciso que
equilibre a sua necessidade de ser imprudente e temerário com a
necessidade de agir de modo firme e amadurecido. Às vezes, a Princesa
de Paus é impetuosa e se inflama à toa, mas nos desperta para o lado
entusiástico e instintivo da vida. Saiba que o aparecimento da Princesa
de Paus numa leitura pode significar que, em breve, uma pessoa com as
qualidades dela pode aparecer na sua vida.


PRÍNCIPE DE PAUS
ARCANOS MENORES
O SONHO
O Príncipe de Paus é misterioso e surge cavalgando um magnífico
cavalo de batalha emplumado; na mão, leva um cetro cuja ponta é de
fogo. Por trás da figura dele, que brilha como uma brasa ardente, há
nuvens cinzentas espiralando como baforadas de fumaça. Esta viagem
está levando o Príncipe para o desconhecido, mas ele é um pioneiro
cheio de energia e entusiasmo. Gosta de arriscar e é impulsionado para
diante por uma disposição imprevisível e competitiva. Irradia uma
                                                                            352
energia muito masculina, cheia de criatividade e paixão. Apesar disso,
às vezes a juventude o impele a ser briguento e prepotente, quando acha
que sua própria autoridade de líder está em jogo. As vezes parece
egocêntrico e tende a pensar que sabe mais do que realmente sabe.
Nunca está parado e é ambicioso: está sempre procurando mudar de
residência ou subir na vida. Quer sempre subir cada vez mais e, quando
viaja, espera conhecer pessoas que o ajudem a satisfazer suas ambições.
O DESPERTAR
Aqui há uma mensagem sobre mudança de residência ou de emprego.
Nessa jogada, você encontrará alguém que faz surgir a centelha de ânsia
criadora. Será uma oportunidade de usar coragem e resistência para
ampliar a sua eficiência no mundo. Os pensamentos originais serão de
grande valia. Tenha o cuidado de não se gabar demais dos seus êxitos.
Saiba que o aparecimento do Príncipe de Paus numa leitura pode
significar que, em breve, aparecerá na sua vida uma pessoa com as
qualidades dele.


A RAINHA DE PAUS
O SONHO
A Rainha de Paus é magnética e segura de si; está usando uma grinalda
de flores cor-de-fogo nos cabelos castanhos, onde pôs uma pluma
também vermelha como fogo. Podem ser recordações de um passeio no
campo, já que a Rainha adora o campo e as caçadas. Também gosta de
esportes vigorosos e saudáveis. A Rainha sempre encontra tempo para
empunhar armas por uma causa justa, embora também consiga ser
áspera e impaciente com quem não vê as coisas ao modo dela. No
entanto, se você invocar o auxílio da Rainha, terá conseguido uma
defensora cheia de energia, se bem que um tanto mandona e
dominadora. Tem uma natureza básica muito generosa e leal e um fluxo
de energia contínuo, ao contrário da filha, cuja centelha de energia se
dissipa muito depressa. Os homens admiram a Rainha de Paus pelo tino
comercial que tem em relação aos negócios e à administração do
dinheiro. Respeitam-na, mas não são atraídos sexualmente por ela,
apesar daquela sua natureza ardente e apaixonada. Talvez seja porque é
voluntariosa demais e nem sempre mostre muita diplomacia. Assim
mesmo, é uma grande inspiradora cujos conselhos e bênçãos são
disputados pelos homens.
O DESPERTAR
Aja como uma pessoa que tem autoridade, é segura de si e sabe iniciar
uma ação. Prepare-se para ser inspirado num futuro próximo. Você
precisa participar de um projeto criativo que exija atenção contínua.
Talvez seja propenso a ter acessos de raiva e sisudez, mas também
consegue ter uma generosidade e um carisma radiante, desde que não
haja oposição às idéias que expressa. Saiba que o aparecimento da
Rainha de Paus numa leitura pode significar que, brevemente, uma
pessoa com as qualidades dela poderá entrar na sua vida.
inflamadas e logo você vai saber que ação deverá iniciar.


O REI DE PAUS
O SONHO
                                                                          353
O Rei deste reino flamejante é o parceiro perfeito da Rainha que tem.
Também adora caçadas no campo e esportes vigorosos, como ela. Tem
ainda mais segurança de ter convicções sempre certas. É uma pessoa um
pouco mais amadurecida e respeita muito as tradições e a vida familiar.
É um autocrata benevolente e só procura dominar os outros porque tem
certeza de saber o que é melhor para todos. Nem por isso deixa de ser o
típico senhor rural, sempre leal e generoso com todos que aprecia. Na
verdade, despreza todo tipo de mesquinhez, mediocridade e falta de
generosidade. O sol dourado que está brilhando atrás dele simboliza
energia masculina e dinamismo, e as borboletas que pairam dos dois
lados representam lampejos de intuição. É orgulhoso, e às vezes parece
arrogante ou exaltado, coisas que o levam a jogar e arriscar. Apesar
dessas aberrações momentâneas, é um homem nobre, honesto e digno
de confiança.
O DESPERTAR
Do mesmo modo que o Rei de Paus, no que se refere a poder e orgulho,
você está desenvolvendo a arte de agir. Não se lance impulsivamente
nas situações e conseguirá lidar com muitas ao mesmo tempo e ter bons
resultados. Adote unia abordagem cordial e confiante e vá em frente
como um líder decidido. Fique ciente de que a entrada de um Rei de
Paus numa leitura pode significar que, brevemente, uma pessoa com as
qualidades dele vai entrar na sua vida.


ESPADAS

ÁS DE ESPADAS
FORÇA
O SONHO
Sob o céu cor-de-anil do reino do Ar, as forças da verdade e da justiça
acabaram de triunfar. A espada erguida transmite a mensagem que diz
que a adversidade e a dúvida podem ser conquistadas pelo esforço. O
elemento do naipe de Espadas é o Ar ou elemento das idéias; esta vitória
também representa o poder que a mente tem, de prevalecer sobre a
incerteza. Vinte e duas borboletas simbolizam que todos os recursos se
uniram para atingir o pináculo da espada. (Na arte da Numerologia,
vinte e dois é um número sagrado; nos Arcanos Maiores há vinte e duas
cartas.) As luas minguante e crescente que há na base e na ponta da
espada indicam que está começando uma fase de ação completamente
nova: é uma fase de expansão. A borboleta maior que há na parte
inferior da carta simboliza a capacidade que as idéias têm de se deslocar
no Ar. Nos cantos há quatro escudos que representam a proteção dada
pelas forças mentais. Por trás da espada há uma forma que faz lembrar
outra espada; é a forma unificadora que aparece como fundo em todas
as cartas do naipe de Espadas.
O DESPERTAR
Estabeleça metas de longo prazo e inicie-as imediatamente. Talvez seja
preciso destruir alguma coisa para eliminar outras inúteis, mas não use
força nem manipulações. Se usar esta força poderosa para manipular ou
punir injustamente, seu destino será determinado pelo carma, ou lei de
causa e efeito. Esta carta pode ser encarada como uma espada de fio
duplo, que tanto pode atacar como defender. Concentre-se em
                                                                            354
princípios, não na forma.


DOIS DE ESPADAS
necessidade de lutar agora. No devido tempo, a Justiça será feita
BALANÇA
O SONHO
No céu noturno, as nuvens se bifurcam quando surge uma figura que
traz uma pluma branca à guisa de bandeira de trégua. Um dos pés dela
está pousando na pétala central da flor que está um pouco abaixo; é um
ponto em que talvez ela se desequilibre, mas só por um instante. A
figura está fazendo uma pausa curta, esperando que as nuvens se juntem
de novo. Agora que o conflito diminuiu, ela chegou a este lugar sagrado
para refletir no que aconteceu. A paz voltou, mas ainda resta uma certa
tensão entre as espadas levantadas. Haverá um novo impasse, ou será
que tudo vai se equilibrar? Agora está soprando uma brisa que afasta
toda a sensação deixada pelo confronto recente que dividiu tanto as
nuvens como as espadas. A figura delicada parece diplomática, sem
nenhum traço de crítica. A lua, símbolo da deusa que cuida de todos,
agora está lá em cima, contemplando tudo pacificamente. É difícil
atingir esse equilíbrio, mas é possível chegar a uma harmonia
simplesmente deixando a mente tranqüila e calma, a fim de deixar
tempo para urna consideração madura.
O DESPERTAR
Talvez você esteja em guarda para evitar que o tempo gasto em
contemplação seja um período de impasse ou adiamento, mas trata-se
de um tempo destinado a considerar os pontos de vista dos outros. Fazer
concessões é a alma da diplomacia, e há muita coisa que não pode ser
obtida por agressão, mas sim com diplomacia. Talvez você não tenha
todas as peças do quebra-cabeças, mas, por enquanto, deixe as coisas
como estão.


TRÊS DE ESPADAS
TRISTEZA E DOR
O SONHO
Do lado de fora desta caverna de tristeza, dor e solidão, uma rajada de
nuvens escuras passa pelo céu de um dia frio de outono. Sob um
triângulo invertido, uma figura semidespida vai resvalando para um
abismo profundo. Os corações feridos estão envolvidos em formas
negras que choram e ameaçam se unir e engolir a cena. Este triângulo de
espadas trouxe sofrimento para o sonho. Será que o amado fugiu, talvez
com outra pessoa, deixando a dor da perda e da ausência, junto com o
lamento inevitável pelo que poderia ter existido? As espadas estão
apontadas para os seios nus da figura sob cujos pés o chão oscila
imprevisivelmente. Ela está cheia de ciúmes e dó de si mesma, e não vê
para onde pode se voltar. Até agora havia idealizado uma pessoa (ou
uma situação) e agora a realidade verdadeira levou-a a esta frustração. A
vida parece tão sem sentido! Mas a vida tem de continuar e esta dor
interior tem de ser suportada como uma lição numa vida em que há
muito que aprender.
O DESPERTAR
                                                                            355
Sempre há alguma incompatibilidade num relacionamento. Alguém
destruiu a sua confiança, e as suas defesas esgotaram. Você está se
sentindo ferido e tendo pensamentos amargos. Lembre-se da sua
verdadeira identidade como espírito contido na carne, e lembre-se
também do verdadeiro objetivo que tem como alma que segue adiante
com o saber nascido da experiência. Dê a si mesmo o amor que até aqui
estava dando à outra pessoa, e a sua dor será vencida.


QUATRO DE ESPADAS
ISOLAMENTO
O SONHO
No centro de um lugar de isolamento e estabilidade há um Buda
sentado, na postura de meditação. Retirou-se da luta e está livre de todo
tipo de ansiedade. A forma piramidal que há em volta do seu corpo cria
um espaço próprio para cicatrizar as coisas do espírito. As nuvens que
representam a confusão e as pressões diárias do mundo exterior estão se
separando, e tudo que resta é a pureza da ligação com a terra eterna e
com as estrelas do infinito. É hora de aterrar e recarregar. Depois da dor
do Três de Espadas, com os resultados penosos de um excesso de
ligação à outra pessoa e dó de si mesmo, o Quatro de Espadas mostra
uma pessoa isolada e protegida de toda e qualquer situação difícil. O
Buda deixou que as forças cósmicas penetrassem em si, e com isso
chegou a uma percepção intuitiva mística. Para ficar sozinho com os
próprios pensamentos, precisou desse período de isolamento.
O DESPERTAR
Na sua viagem, você encontrou este Buda que agora vai lhe ensinar o
modo de olhar para dentro, aceitar e entender. Fazendo isso, você se
sentirá curado e renovado espiritualmente. Esta é uma ocasião de
isolamento estratégico. No meio do caos óbvio da vida, refugie-se onde
puder e isole-se. É necessário refletir, examinar-se a si mesmo e meditar.
Depois deste período de repouso tão necessário, você receberá
orientação da sua Mente Superior.
O ENCANTAMENTO
Faça este exercício no mínimo quatro minutos, um para cada espada.
Sente-se em silêncio, descontraidamente, garantindo que está com as
costas bem retas. Inale várias vezes pelo nariz, sempre devagar e em
golfadas profundas, exalando pela boca. Ao mesmo tempo, vá se
descontraindo cada vez mais. Continue sentado, respirando para dentro
e para fora naturalmente, consciente apenas da respiração, sem
pensamentos nem desejos. Vai se ver muito calmo e concentrado. Este é
o único resultado que deve esperar deste exercício.


CINCO DE ESPADAS
DERROTA
O SONHO
Está havendo uma tempestade violenta. O céu está riscado por raios que
parecem espadas e estão apontados para uma figura encapuzada e
cinzenta que está de braços erguidos como se quisesse se defender. De
cada lado há um escudo de proteção que foi arrancado das mãos da
figura e está caindo no chão. A lua cheia lança uma luz funesta que
                                                                             356
percorre o céu riscado de nuvens, como um presságio. A derrota e a
traição criam ódio, mas não necessariamente provocam uma resposta
física; conseguem amargurar a mente como uma maldição. Essa figura
sem armadura está impregnada de uma sensação de fraqueza. O fio da
lâmina das espadas está ensangüentado, simbolizando que a figura tem
de aceitar o destino ou ser destruída por forças muito mais poderosas do
que se pode imaginar. Tentar enganar o destino talvez ganhe um ou dois
instantes, mas é uma vitória vazia. Em vez de usar a desgraça para
conseguir se desenvolver na sensatez gerada pela experiência, é preciso
aceitá-la e compreendê-la como se fosse uma circunstância no grande
esquema da vida.
O DESPERTAR
Quando um problema se apresenta de modo tal que não será possível
vencer ou o custo será alto demais, é preciso render-se. Aceite isso. Olhe
para o futuro e lembre-se que esta tempestade vai passar. Não é
conveniente querer se vingar ou culpar alguém, pois isso seria apenas
desperdiçar os recursos preciosos que ainda lhe restam. Quando não é
possível vencer, o melhor é afastar-se — se você tiver a sorte de
conseguir fazer isso.

SEIS DE ESPADAS
ARCANOS MENORES
PASSAGEM
O SONHO
Um barquinho está navegando em águas calmas, depois de conseguir
afastar-se de mares turbulentos. Parece que os passageiros vão poder
aportar num refúgio seguro. Estão descansados e agora podem olhar
para trás, quase contentes por terem se esforçado tanto, sabendo que as
dificuldades os deixaram mais sensatos e mais fortes. A vela caída
sugere que talvez tenham tido um excesso de estímulo mental,
simbolizado por um vento poderoso, tão poderoso que não pôde ser
utilizado na viagem. No céu, à direita, há restos de nuvens de
tempestades; à esquerda, o céu é de um azul radiante. Acima deles há
um arco-íris que faz com que as nuvens brilhem com a promessa de um
novo amanhã. O pássaro em vôo traz uma mensagem do conforto que os
espera numa nova terra que está próxima. Esta viagem-sonho pode ser
encarada como um rito de passagem. Talvez não tenha sido uma viagem
física, mas poderia muito bem ter sido mental, implicando viajar para
longe dos pensamentos limitativos e chegar aos pensamentos mais
produtivos gerados por uma mente calma. As dificuldades encontradas
na viagem não poderiam ter sido evitadas. Só depois de enfrentadas e
resolvidas, a vida poderia continuar de modo satisfatório.
O DESPERTAR
Uma mudança de direção pode lhe dar uma perspectiva diferente.
Talvez se abra um panorama completamente novo, portador de soluções
novas que libertem você de velhos problemas. Agora está acabando um
ciclo difícil, e, depois de algumas ondas de transição tumultuosas, a
passagem será suave. Se você conseguir mudar de idéia, conseguirá
mudar o mundo, pois o seu mundo é muito influenciado pelo seu estado
de espírito.
muda tudo de repente ".

                                                                             357
SETE DE ESPADAS
OPOSIÇÃO
O SONHO
Uma jovem tenta desesperadamente escapar de uma saraivada de sete
espadas que estão caindo do céu azul, mas a expressão resignada sugere
que esta situação terrível não foi tão inesperada e talvez até tenha sido
obra dela própria. Poderia ser o resultado das coisas duras que ela disse
e fez pelas costas dos outros, ou mesmo a manifestação de um medo de
errar e até de ser bem-sucedida. Age com movimentos incoerentes,
atrapalhada pela própria negatividade e pelos enganos que cometeu e
estão simbolizados pelas folhas negras que se fecham dos dois lados
dela. A moça está tentando evitar que forças invisíveis a prejudiquem,
mas parece que esse desejo de ter paz está além das suas forças; talvez
a única saída seja trapacear e dissimular. Uma das mãos está enluvada e
é impossível saber o que está escondido nela. Estranhamente, ela
prefere se desviar das espadas com a mão sem luva, mantendo em
reserva a mão protegida, com o que quer que seja que está ocultando. É
um plano temerário, porque ela pode se dar mal se for ferida e não puder
mais usar habilmente esse ardil.
O DESPERTAR
Para fugir da oposição que você está encontrando, precisa ser lógico e
persistente e não recorrer a trapaças. Tem de enfrentar o fato de saber
que os problemas são criados por nós mesmos e que você só pode parar
de somar suas energias às forças de oposição identificando e eliminando
os padrões negativos de comportamento muito repetidos.


OITO DE ESPADAS
INDECISÃO
O SONHO
Uma mulher está em pé, imobilizada num pináculo. Atingiu um ponto
em que percebe que não consegue ir para a frente, mas também não
consegue recuar. Pelo ar vibram ondas irregulares que representam
pensamentos ou ondas de dúvida e confusão. A rigidez da figura sugere
fixação ou incapacidade de encarar de frente um problema que, por sua
vez, é uma criação da mente. A mente da mulher foi distraída por
detalhes sem importância e agora lhe parece impossível ver as diversas
opções expostas. Está cercada de negatividade, mas bem poderia usar a
espada do raciocínio dedutivo, que traz na mão, para cortar as grades da
armadilha em que se encontra. Mas precisa acreditar que, mesmo sem se
mexer, pode agir. As espadas apontadas para ela, pela direita e pela
esquerda, representam interferências, obstáculos, dúvida, confusão e
mal-entendidos, mas o raio de iluminação que parece uma espada e está
tocando o alto da cabeça é um sinal de que, se tiver fé, será guiada por
uma força superior que a ajudará a ver o problema de uma perspectiva
mais elevada. A mulher está bloqueada, mas conseguirá se soltar pelas
próprias forças e pelas forças de uma fonte superior.
O DESPERTAR
Não se concentre em detalhes sem importância. Procure ver o quadro
completo. Nas horas de dúvida e confusão, não aja irrefletidamente,
espere com paciência a chegada da iluminação que vem da sua Mente
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Superior. Não se analise demais; também não espere que alguém venha
salvá-lo. O que aprisionou você foi exatamente sua falta de perspectiva.
Agora é preciso trabalhar e rezar para se libertar.

NOVE DE ESPADAS
PESADELO
O SONHO
Dentro da noite, uma figura adormecida jaz aprisionada num horrível
mundo de pesadelos que existe no limiar do sono. Nele circulam
livremente muitos demônios, mágoas reprimidas e medos infantis. Pior
que a visão deste caos é a sensação de estar presa nas suas garras. As
formas ficam alteradas por sombras indefinidas e circulam em outras
formas ainda mais temíveis. É um lugar solitário e afastado de todo tipo
de ajuda e consolo. A figura adormecida é atormentada por sombras de
dor, sofrimento e depressão, até se transformar em vítima dos seus
próprios pensamentos e, qual um mártir, vai se empalando
repetidamente nos pontos mais doloridos. Está de olhos fechados
porque não consegue enfrentar aqueles medos acordada. No entanto, o
único meio de fugir daqueles pesadelos é abrir os olhos e despertar para
o que a está incomodando. Precisa confrontar seja o que for em plena
luz do dia, independentemente de se tratar de reputações perdidas,
descobertas de falsos amigos, ou pior, ver que os sentimentos mais
desagradáveis estão à solta. Uma alternativa é atormentar-se.
O DESPERTAR
No escuro, os demônios pessoais parecem maiores do que nunca. Para
se libertar, você precisa encontrar esses monstros, identificá-los e
enfrentá-los. Às vezes, para escapar dessas coisas basta admitir que
existem. Se você não confrontar as projeções dos medos e terrores, elas
podem atormentar você, como acontece num pesadelo horrível. Se não
verificar a existência dessas coisas, elas podem até chegar a deixá-lo
doente.


DEZ DE ESPADAS
ARCANOS MENORES
RUÍNA
O SONHO
Parece que o pior já passou, mas foi uma perda devastadora. Um raio
atingiu uma criança que agora jaz nos braços da mãe, cujo coração está
partido. Aquele raio pontudo vindo do nada dilacerou num instante o
tecido da vida, e parece que a própria vida fugiu a todo e qualquer
controle. Mas há um universo estrelado que se estende para cima e para
trás. O eterno silêncio prateado das galáxias contempla a cena e força
uma aceitação do destino. Algumas coisas estão fora de controle. Numa
hora de devastação e abandono, é preciso ter resistência; a vida continua
além da destruição pessoal, e o sofrimento diminui. As esperanças e
sonhos do passado já não existem. Talvez as lágrimas, a dor, o
sofrimento e a ruína sejam conseqüências do carma, mas, por mais
difícil que pareça, a mulher consegue resistência para suportar sabendo
que, após uma perda, sempre há um novo nascimento. Neste caso, não
há palavras que consolem de fato; os únicos consolos são o tempo e a
nova perspectiva que ele traz.
                                                                            359
O DESPERTAR
Quando você estiver com um receio terrível de que as coisas podem não
funcionar, que a ruína e o desespero vão assaltá-lo, o melhor a fazer é
deixar as coisas correrem e Deus agir. Aceite a idéia de que a luta deve
acabar e, quando acabar, virá um alívio abençoado. Para cicatrizar uma
ferida pode ser preciso ajuda exterior. Não tente se curar sozinho.


PRINCESA DE ESPADAS
O SONHO
A Princesa de Espadas tem olhos negros e vive no reino do Ar. Saiu do
castelo para receber uma carta que continha notícias surpreendentes e
algumas idéias inovadoras. Não há nuvens para estragar o céu
perfeitamente azul. Pela atmosfera flutuam pétalas cor-de-rosa e uma
borboleta de renda branca paira como uma mensageira perto da
Princesa, em cujo rosto bonito há um sorriso infantil cheio de interesse.
Aliás, a Princesa é jovem e um pouquinho ingênua. Às vezes pode
chegar a dizer coisas impensadas e imaturas, com uma
irresponsabilidade que é fruto da fascinação que tem pelas próprias
idéias. Apesar disso, tem a mente ágil e alerta. Qualquer pensamento
nebuloso é cortado e rejeitado com uma retidão de criança, e a Princesa
é rápida em distinguir a verdade. Não se pode deixar de ficar encantado
com o modo inteligente e esperto e com as idéias liberais dela. No
entanto, às vezes, por uma questão de pressa, ela chega a se adiantar a si
mesma ao falar e, conseqüentemente, pode dar uma informação não
muito clara. E, devido à imprudência juvenil, chega a ser bisbilhoteira.
O DESPERTAR
Algumas informações interessantes vão surpreender você, que ficará
cheio de idéias inovadoras referentes ao modo de aplicar as suas teorias
ao seu próprio mundo. A sua capacidade de pensar de maneira abstrata
vai deixar você ver os pontos fracos quando estiver planejando alguma
coisa. A capacidade de passar por cima de palavras irrelevantes vai lhe
ser muito útil nas comunicações. Saiba que o aparecimento da Princesa
de Espadas numa leitura pode significar que, brevemente, uma pessoa
com as qualidades dela vai entrar na sua vida.


PRÍNCIPE DE ESPADAS
O SONHO
Abaixo do garanhão galopante do Príncipe de Espadas há uma pirâmide
azul que contém um pássaro branco, símbolo da terra de nuvens e céu
onde mora o Príncipe. Sob as estrelas do início da noite, o Príncipe leva
o escudo erguido, antevendo oposições e batalhas que, normalmente,
são provocadas pela sua própria natureza imprudente e franca demais.
Ele é jovem e rápido nas reações; quando as coisas não saem como quer,
talvez chegue a atacar ou ser infantilmente emocional. No entanto, tem
uma fala carismática, é espirituoso e esperto, e provavelmente sempre
vai conseguir se desvencilhar de situações difíceis ou perigosas sem
precisar lutar fisicamente. Uma coisa admirável nele é a bravura, ainda
que às vezes se trate mais de uma reação impensada; tem atitudes
filosóficas um tanto inusitadas, como as pessoas presunçosas e
superficiais. É muito produtivo e ativo e gosta de lutar por uma boa
                                                                             360
idéia, do mesmo modo que luta quando fica melindrado. Geralmente
está do lado da verdade e da justiça.
O DESPERTAR
Chegou a hora de reagir. O Príncipe de Espadas indica bastante
movimento, expresso na interação de todo tipo de idéias com pessoas
que tem idéias novas. É preciso haver um intercâmbio de palavras, mas
sempre é possível uma pessoa se expressar com eficiência sem
discussões. Tenha cuidado com as palavras sarcásticas e cortantes que
talvez venham a provocar um conflito no futuro. No momento, as idéias
podem estimular você como nunca estimularam antes. Fique sabendo
que a entrada do Príncipe de Espadas numa leitura pode significar que
uma pessoa com as qualidades dele vai surgir logo na sua vida.


RAINHA DE ESPADAS
O SONHO
A irmã mais velha do Rei do Ar é solteira e tem uma mente aguçada e
perceptiva que ajuda muito seu irmão da realeza. É uma mulher linda,
de cabelos negros, e está coroada com as borboletas dos pensamentos e
das idéias. Não há nada que adore mais do que dançar a noite inteira.
Apesar desta frivolidade aparente, também conhece bem a dor e o
sofrimento. Passou por momentos infelizes e íntimos que não a deixam
com vontade de se colocar no lugar de pessoas infelizes a fim de
compreendê-las. A Rainha de Espadas aprendeu que não há palavras de
consolo que consigam mudar o fato de nós todos entrarmos e sairmos
deste mundo sozinhos. Talvez o motivo que explica algum ato ocasional
de amargura por parte dela seja o fato de viver sem um companheiro. É
independente e forte demais para admitir fraqueza em si mesma ou nos
outros. Mesmo assim, é boa conselheira e, sendo uma autoridade em
muitos assuntos, tende a oferecer uma solução válida para qualquer
problema que lhe apresentam. Sempre dá conselhos imparciais e justos,
embora às vezes os dê com uma língua bem afiada.
O DESPERTAR
Se quer definir a sua força e saber o que é sucesso, use as idéias e a
intuição. Só o puro volume de informações a considerar nesta hora já é,
em si, uma espécie de carga. Para dedicar toda a sua atenção ao assunto
em questão é preciso estar só. Se houver algum desvio considerado fora
das normas, cuidado para não usar severidade demais e acabar
provocando atos inescrupulosos ou puritanos. Saiba que a entrada da
Rainha de Espadas numa leitura pode significar que uma pessoa com as
qualidades dela vai surgir na sua vida dentro em breve.


O REI DE ESPADAS
ARCANOS MENORES
O SONHO
O Rei de Espadas leva uma pomba branca que é o símbolo do seu Reino
do Ar; está em pé nas nuvens, contemplando os seus domínios. O
capacete está coroado com as asas da maturidade. Está sempre tendo
idéias, e vive para se estimular mentalmente. Às vezes tem pensamentos
que o levam a sonhar acordado e esquecer de tudo, mas tem uma
excelente capacidade de resolver problemas que logo o traz de volta à
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realidade. Quando lida com adversários em potencial, é diplomático e
astuto, mas nunca se separa do escudo e das armas. E um governante
excelente e autoridade reconhecida em diversos assuntos, como a
Rainha sua irmã. No entanto, ao contrário dela, tem uma postura
refinada que não permite ares de superioridade nem de arrogância. Para
os súditos, é um conselheiro dedicado, além de ótimo juiz e crítico.
Num aspecto mais negativo, passa a vida praticamente num nível
mental e é visto pelos outros como emocionalmente frio e severo
demais. Esta ausência de emoção pode fazer com que pareça desalmado
ou inflexível, embora esteja sempre procurando ser justo e fiel às teorias
que estão por trás das suas decisões.
O DESPERTAR
Se você se considera o senhor de um reino de idéias, lembre-se disto:
mesmo que o seu intelecto fique despertado e estimulado por uma
lufada de idéias novas, não deixe que isso leve você para um estado em
que sonhar acordado e passar o tempo imaginando venha a ser algo mais
importante do que passar as idéias para a prática. Saiba que há outras
pessoas que adorariam partilhar os seus pensamentos e ser estimuladas
aprendendo com você. E fique sabendo que o aparecimento do Rei de
Espadas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades
dele vai surgir dentro em breve na sua vida.


COPAS

ÁS DE COPAS
AMOR
O SONHO
Um coração roxo em forma de asa se eleva de um vaso repleto de um
poder de Amar que tem um alcance supremo. Este vaso encantado está
sempre cheio, pois dar amor gera mais amor do que foi dado. Do mesmo
modo que a água, o amor também adquire a forma do vaso que o contém
e só tolera ser acolhido por mão gentil, jamais por um punho fechado. A
água também simboliza a beleza do amor incondicional, pois este poder
vital está ali para ser partilhado por todos. Em todas as lições esotéricas
antigas, a água simboliza as nossas emoções, sentimentos e intuições
que, em conjunto, formam a verdadeira linguagem do amor. No centro
do coração alado há um coração menor, vibrante, claro e receptivo. Este
coraçãozinho está dando, nutrindo, transbordando de desvelos e
felicidade. Como acontece no começo de um caso de amor, tudo neste
sonho está realçado pelo brilho transcendental do amor. Os roxos, rosas
e lavandas de todo o naipe de Copas simbolizam a propriedade divina e
espiritual do amor. O coração é a forma de unificação que serve de
fundo em todas as cartas do naipe de Copas.
O DESPERTAR
Isto marca o início fértil do fluxo de amor que está entrando na sua vida
pelo fato de você estar aceitando e recebendo em um novo nível. Na sua
vida está chegando uma nova oportunidade de sentir as emoções mais
positivas. Você está recebendo a oferta de alegria, saúde e felicidade.
Permita-se ter sentimentos positivos entrando e saindo do coração. São
sentimentos que o dinheiro não consegue comprar e o tempo não
consegue tirar de você.
                                                                              362
DOIS DE COPAS
ROMANCE
O SONHO
Dois lindos cisnes brancos circulam num regato claro entre nenúfares
flutuantes. Estão casados para sempre e simbolizam o eterno poder de
união do amor. Quando se forma uma união em que cada parceiro
adquire mais experiência graças ao amor e à vida a dois, as diferenças
entre masculino e feminino desaparecem. Os dois sabem perfeitamente
que um é especial para o outro. Estas cartas mostram um local de
encontro muito romântico onde os namorados podem se encontrar sem
medo de serem descobertos. É uma terra encantada que fica longe das
preocupações e tensões do dia-a-dia, onde o amor é venerado e
estimulado. Aqui há cupidos e flores brancas que decoram o alto da
forma de coração e sugerem um bolo de noiva e casamento. Um dos
coraçõezinhos menores que estão flutuando é exemplo de que o amor
está escrito nas estrelas; o outro, de curvas elegantes e graciosas, sugere
sociabilidade e uma convivência feliz. Estes dois corações batem como
se fossem um só.
O DESPERTAR
O foco do Dois de Copas está nos relacionamentos, na afinidade mútua
e na união. Esta carta representa tudo que é claro e verdadeiro, protetor
e confortante nas parcerias de amor, de família e de negócios, assim
como representa união e harmonia dos sexos. Aqui existe potencial para
se desenvolver uma união baseada no amor e há lugar para que as
paixões cresçam. Pode haver um intercâmbio emocional sincero de
algum tipo, mas talvez nem tudo seja revelado agora.


TRÊS DE COPAS
COMEMORAÇÃO
O SONHO
Três dançarinas estão compartilhando uma comemoração espontânea
em honra do amor com que os seus corações foram agraciados. As três
encarnam Fé, Esperança e Caridade. No plano de fundo há emoções
rodopiando, e sob os pés saltitantes das três há pétalas de flores e uvas
maduras prazerosamente esmagadas. No vinco do coração maior que se
arqueia das dançarinas há mais uvas, que simbolizam a suprema
habilidade que o coração tem de apanhar e conservar as coisas boas da
vida. A dança é de boas-vindas e oferece hospitalidade, convidando
todos a participar do divertimento. Também haverá comidas e bebidas e
uma esplêndida atmosfera de festa. Um sentimento positivo e radiante
emana desse sonho que está inundado de compreensão para com as
pessoas que passaram sem prazer e sem sensibilidade. A amizade e o
cumprimento da promessa que o amor faz, que é cicatrizar e curar, estão
disponíveis para quem quiser.
O DESPERTAR
Esta é uma comemoração de alegria, criatividade e felicidade. Você vai
se ver repleto de gratidão pela vida que tem. Vai sentir necessidade de
partilhar a sua boa sorte cercado de amigos devotados. Talvez pareça
difícil concentrar-se no trabalho num ambiente tão festivo, e pode ser
                                                                              363
que seu trabalho sofra um pouco, mas você precisa dessas horas
agradáveis para se desenvolver emocionalmente. A arte de compartilhar
as coisas vai ajudar o seu trabalho.


QUATRO DE COPAS
REAVALIAÇÃO
O SONHO
Numa gruta de veludo, uma figura coberta de véus assumiu uma
posição de prece e meditação. A caixa preta que há perto dela contém
antigas lembranças e recordações de um passado que talvez não tenha
satisfeito completamente as suas expectativas. Talvez tenha havido
prazeres e luxos materiais na vida dela, mas à custa de relacionamentos
inconvenientes que a deixaram sentindo-se vazia. Agora chegou um
momento de desilusão e incerteza, uma ocasião para ela reavaliar a vida.
Uma coroa-espírito brilha no alto da cabeça da figura, indicando que
este período de introspecção e análise dos valores está começando a
funcionar para lhe fazer um bem enorme. Agora ela sente o desejo de ter
um amor mais espiritual e emocional, em vez de satisfazer
materialmente uma meta. Esta mulher tem de enfrentar a possibilidade
de nunca haver conhecido realmente o verdadeiro amor. Ela está
dirigindo seu ritual ao Espírito do Amor, suplicando que seja eliminada
da sua vida a palidez cinzenta de um amor sem paixão.
O DESPERTAR
Quando você estiver entediado e insatisfeito com a direção que o seu
caminho tomou, concentre-se e examine-se "do fundo do coração" para
discernir melhor as coisas. Num período de reavaliação, você consegue
literalmente mudar o seu futuro. No entanto, só deve reentrar no mundo
de atividades sociais depois que estiver certo de haver restabelecido
contato com um sistema de valores pessoais.


CINCO DE COPAS
DESAPONTAMENTO
O SONHO
O amor foi substituído por tristeza e desapontamento. Será que vai
chover eternamente? Ao redor dos pés da mulher estão se formando
várias poças d'água. O leque que costumava ser usado para esfriar
paixões ardentes serve agora de escudo contra melancólicas gotas de
chuva. Desanimadas, as flores parecem desfalecer do mesmo modo que
a mulher desconsolada. Será mesmo o fim do amor? Há três corações
partidos, mas dois ainda estão inteiros. Talvez ainda haja esperança. O
amor hesita, inconsolável e quase à beira do desespero, incapaz de
avançar ou recuar. O amado da mulher está no plano de fundo, evitando
olhar para ela. Está amuado ou será que está indiferente? Ela não quer
olhar para ele e sabe que tem de se forçar a procurar novos interesses.
Um relacionamento que parecia harmonioso, agora está estilhaçado. No
mínimo houve dureza ou crueldade e a amizade se perdeu. Com um
suspiro longo e triste, ele espera que este momento de vulnerabilidade
emocional profunda passe logo.
O DESPERTAR
Esta é uma ocasião de frustração profunda, mas é preciso fazer um
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esforço consciente para superar isso. Você perdeu amor, mas ganhou
experiência. Talvez esteja se sentindo deprimido e melancólico, mas
precisa ser bondoso consigo mesmo, do mesmo modo que seria
bondoso com outra pessoa que estivesse na mesma situação. Assim
como as flores são o símbolo universal da presença do amor, o amor
consegue florescer de novo e florescerá.


SEIS DE COPAS
ALEGRIA
O SONHO
Esta é uma cena de pura alegria que consiste numa viagem de volta à
infância. O que se sente é algo revitalizante e benéfico. Nenhum amigo
é como os amigos da juventude, quando prevalecia uma inocência sem
críticas. O amor não exigia nada e bastava estar na companhia da pessoa
amada. Era possível passar dias e dias brincando alegremente e o
próprio tempo se deslocava num ritmo diferente, mais lento, deixando
que as coisas fossem saboreadas por completo. Cada descoberta era
algo sem igual. O mundo era novo e lindo como uma borboleta saindo
do casulo. O Seis de Copas é um sonho especialmente bonito. Duas
crianças felizes estão passeando e levando uma cesta com outra criança
mais nova. Voltar e ver e ouvir com os olhos e os ouvidos da criança que
há dentro de nós é uma oportunidade de ouro para renovar um
sentimento juvenil, alegre e cheio de entusiasmo. Esse sentimento está
sempre disponível, mas nem sempre as pessoas estão cientes disso.
O DESPERTAR
Esta carta é deliciosa e encantadora. Por algum capricho do destino, está
aparecendo na sua vida uma pessoa ou um sentimento, uma lembrança,
um aroma ou um sabor da infância. A conexão é imediata e completa.
Um presente ou uma viagem curta podem ativar um sentimento de
saudade. Essas lembranças deixam você olhar para o tempo em que os
adultos (especialmente a mãe) eram gigantes oniscientes e um ano
parecia se estender por toda a eternidade.


SETE DE COPAS
ILUSÃO
O SONHO
Uma mulher alada tenta reunir sete corações de energia pulsantes e
cheios de brilho que foram apanhados numa teia cercada de todas as
cores do arco-íris. Aqui estão simbolizados os mundos da imaginação,
da inspiração e, acima de tudo, da ilusão. O conjunto do mundo material
está representado como energia pura presa na teia da forma e irradiando
um número infinito de cores, aromas, sons e outras propriedades, dando
a ilusão de que este mundo interligado contém uma variedade infinita de
todo tipo de coisas. Esse é o motivo de a mulher estar usando as asas da
fantasia. Ela acredita que essa é a verdadeira natureza da realidade física
e, portanto, tudo deve ser possível. Neste mundo de sonho talvez ela
fique viciada pela fascinação e pela embriaguez nascidas da ilusão e
talvez fique dominada pelas implicações disso, que a impedem de
funcionar na vida diária. Com isso, fica prisioneira da teia, como os
corações. Um sol mágico em forma de concha está acima dela,
                                                                              365
irradiando a verdade suprema. A mulher precisa enfrentar a realidade
absoluta com a cabeça voltada para o céu, mas com os pés no chão. Só
assim poderá utilizar positivamente as visões que tem, e a arte gerada
por elas.
O DESPERTAR
Talvez você esteja sonhando acordado e fazendo castelos no ar. Está na
hora de olhar as coisas claramente a fim de evitar que você mesmo passe
a ser uma vítima de pensamentos veleitários. Agora você está
começando a se conhecer e talvez esteja tendo muitas idéias criativas e
sentindo coisas espirituais. Simplesmente lembre-se de ser realista em
relação a todas as eventualidades possíveis.


OITO DE COPAS
SACRIFÍCIO
O SONHO
Uma mulher melancólica está derramando oito lágrimas em forma de
coração e debruadas de gelo, que estão caindo como folhas secas no
regato frígido que há embaixo. O sacrifício dela foi feito em vão, e toda
a sua energia se esgotou. Esta é uma história de amor e devoção que
foram negados e agora não servem para nada. O peixe que está nadando
na água congelada simboliza emoção profunda, mas uma emoção que
ameaça dominar e, possivelmente, até imobilizar. O fato de ter se dado
tanto, inutilmente, deixou a mulher despojada de esperança, como os
galhos estéreis que crescem do coração central. Do mesmo modo que a
ilusão produzida pelas neves de inverno, parece que aqui a vida foi
sufocada para sempre e ela não tem possibilidade de suportar aquele
deserto. Foi-se a inspiração que a levou a dar a prova suprema de
lealdade, que consistiu em pôr os interesses de outra pessoa na frente
dos seus próprios. Quando a extensão e as implicações dessa insensatez
são reveladas, a mulher surge momentaneamente em pé, congelada no
mesmo lugar, mas, assim como as flores da primavera são regadas pelas
neves do inverno, no futuro as lágrimas dela também vão alimentar um
uso mais sensato das suas próprias energias devocionais.
O DESPERTAR
Agora é preciso haver um recuo da participação emocional. Você ficou
insatisfeito porque passou muito tempo se concentrando nos interesses
dos outros. Você se deu demais. Talvez precise abandonar o que
costuma procurar e passar a buscar o que é mais digno do seu esforço e
sacrifício. Agora está tendo a oportunidade de encontrar uma nova
direção.


NOVE DE COPAS
SATISFAÇÃO DE DESEJOS
O SONHO
Esta mulher é um gênio que realiza desejos e atende a pedidos. Surge de
um raio de pura luz violeta e traz satisfação e contentamento. Os nove
corações brilhantes que lhe servem de proteção estão perfeitamente
equilibrados. O fundo tem um tom vermelho quente e está coberto de
corações que vibram com a satisfação de amores e sonhos já realizados.
Ela tem na mão um cofrezinho cheio de jóias e pérolas e está segurando
                                                                            366
um fio também de pérolas, de modo tentador. Está confirmando que
esses presentes são merecidos e devem ser aceitos sem nenhum
sentimento de culpa ou medo. Naquele tesouro, que pode ser encarado
como a fonte divina, não há nada senão abundância. Quem compartilha
esse tesouro, de modo algum fica mais pobre. O dardo de luz roxa e as
linhas de energia do plano de fundo simbolizam a conexão inseparável
com um direito inato universal.
O DESPERTAR
Você está satisfeito. Seu pedido foi atendido. Talvez tenha chegado de
modo inesperado ou com um pouco de atraso, mas esta é uma época
feliz para você. Tenha a certeza de estar pedindo coisas que sabe que
serão as melhores para você a longo prazo, porque a probabilidade de
recebê-las é grande. Você pode se sentir mais sensual e experienciar um
abençoado período de contentamento. Se as coisas ficarem difíceis no
futuro, você poderá usar a lembrança desta pausa de cura de
insatisfações para se ajudar a atingir a meta suprema, que é a satisfação
pessoal completa.


DEZ DE COPAS
ARCANOS MENORES
ÊXITO
O SONHO
Aqui temos uma comemoração alegre entre amigos e sócios, velhos e
moços, reunidos para deixar marcada a contribuição de todos para um
resultado positivo. Estão aqui para comemorar o que virá a ser um
casamento feliz e duradouro. No alto, um dossel de flores douradas
brilha ardente, e a borboleta azul-claro exalta e abençoa a realização do
desejo de ter o céu na terra, que é o que todos pedem. É uma ocasião
emocional que representa a colheita de um resultado positivo
permanente e duradouro, de amor eterno, integridade e segurança. Da
verdadeira harmonia e satisfação que vêm com a iluminação espiritual
nasce uma maturidade que não tem idade. Os jovens sabem que esta
comemoração anuncia uma vida a ser vivida na companhia de bons
amigos e de um parceiro ou parceira dedicados. Os que já estão casados
ou associados vêem isto como sinal de que o melhor ainda está por vir.
Todos acham que este acontecimento indica a glória suprema de uma
vida em que o amor vai ser dado e recebido.
O DESPERTAR
Sob o caramanchão do Dez de Copas, você encontrou sua família
espiritual. Atingiu uma meta que lhe trará um êxito pessoal duradouro e
a felicidade doméstica. Sua reputação está realçada, do mesmo modo
que as suas relações com os amigos, parentes e sócios. O respeito e a
honra dos colegas são fruto da sua conduta correta.


PRINCESA DE COPAS
O SONHO
A Princesa de Copas mora num reino romântico que fica perto do mar.
É loura, tem a pele clara e está elegantemente vestida, com um coração
grande e florido no chapéu, além da bolsinha reticulada, também em
forma de coração, presa por uma fita na cintura do vestido de veludo
                                                                            367
violeta. Tem uma natureza poética e é dotada de uma grande empatia
para com os assuntos emocionais e artísticos da vida. Com essa natureza
delicada, depende muito dos outros, mas quando é solicitada, está
sempre pronta a ajudar ou oferecer consolo. Está em pé à beira de um
regato cintilante onde há dois peixes saltando. Aquela água, que é o
elemento principal do naipe de Copas, juntamente com os redemoinhos
de turbulência que há no céu, por trás dela, indicam qualidades
emocionais e espírito sensível. A Princesa está segurando um poema
que talvez seja um presságio do início de um caso de amor. Suas
mensagens são sempre de sonhos e intuições e assinalam idéias novas,
nascimentos e boas surpresas.
O DESPERTAR
Algo novo, criativo e carinhoso é esperado para breve. Para aproveitá-lo
ao máximo, procure não ser romântico demais e emocionalmente
ingênuo demais. Talvez você fique indolente, vagando e sonhando
acordado, quando o necessário seria agir. Fique sabendo que a entrada
da Princesa de Copas numa leitura pode significar que uma pessoa com
as qualidades dela vai entrar na sua vida dentro em breve.


PRÍNCIPE DE COPAS
O SONHO
O Príncipe de Copas está cavalgando por uma paisagem idealizada de
céus claros e tons pastel florais. Está sem armas, e aproxima-se de todos
com o coração na mão. Tem a natureza romântica dos tempos da
Cavalaria, quando os cavaleiros saíam em grandes buscas, sempre a
cavalo, levando a insígnia da amada para o campo de batalha. Como nas
Cortes do Amor da Idade Média, o ardor do Príncipe talvez proclame
um pouco de participação sexual e talvez seja simplesmente a
declaração de um amigo e admirador dedicado. O Príncipe não tem
receio de se exprimir, e geralmente representa o papel de artista ou
músico. O interesse que demonstra pelos assuntos do coração chega a
lhe granjear o nome de Casanova, mas ele não consegue deixar de agir
assim, pois está verdadeiramente apaixonado pelo amor. Normalmente,
age com bom gosto e delicadeza. O coração que leva consigo simboliza
a chegada do amor ou de um momento de intuição. Só leva mensagens
de fundo emocional.
O DESPERTAR
Está na hora de entrar em contato com os sentimentos do amor jovem.
O Príncipe de Copas indica bastante movimento, na forma de idas e
vindas de todos os tipos, tanto de emoções como de pessoas emocionais.
Normalmente, o Príncipe de Copas é alegre e encantador, e sempre é
bem recebido como visita, mas quando vê seus sentimentos feridos,
chega a ser superficial e até insincero. O pior é quando age como Don
Juan e não hesita em contar tudo. Saiba que a entrada do Príncipe de
Copas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades
dele vai entrar logo na sua vida.


RAINHA DE COPAS
O SONHO
A Rainha está literalmente coroada de corações. Fiel, dedicada e
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imaginativa, tem grande empatia com a família e os súditos. É uma
esposa perfeita e mãe dedicada. Qualquer desgarrado que atravessa seu
caminho é recolhido e bem cuidado, pois ela é uma excelente
enfermeira e gosta de cuidar de todos. Por trás dessa aparência
sonhadora, é uma boa alma e entende os altos e baixos da vida. No
entanto, quando acha que esconder as coisas é bom para alguém,
consegue ser reservada a ponto de decepcionar as pessoas. O interesse e
a preocupação que tem pelos outros chega a fazer com que acabe se
intrometendo na vida das pessoas. Não sabe dizer "não" a ninguém,
mas, quando é repelida, fica deprimida e reservada. Precisa estar sempre
em guarda, para evitar que o desejo de ajudar se transforme numa
espécie de assistência asfixiante.
O DESPERTAR
Está na hora de prestar atenção nos menos afortunados, interessar-se por
eles e ajudá-los a obter segurança emocional. A sua intuição está
divinamente inspirada, pois a Sacerdotisa se comunica diretamente com
a Rainha de Copas. Este auxílio vem sem nenhum aviso e deve ser dado
de modo a deixar independentes as pessoas que são ajudadas.
Lembre-se do antigo ditado chinês que diz: "Se der um peixe a uma
pessoa, estará alimentando-a apenas hoje. Ensine-a a pescar e ela se
alimentará sempre". Saiba que a entrada da Rainha de Copas numa
leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dela vai entrar
logo na sua vida.
O ENCANTAMENTO
Prepare uma xícara de chá de fruto de roseira. Sente-se numa cadeira
confortável. Enquanto vai tomando o chá, pense em algumas pessoas
que poderiam se beneficiar do seu amor. Sinta uma onda de sentimentos
cálidos e dedicados saindo de você e indo para elas. Enviar
pensamentos cheios de carga emocional é um método genuíno de
comunicação psíquica. Pense nos diversos modos de exprimir amor na
vida diária, que podem ser um sorriso, uma palavra delicada ou uma
ajuda qualquer.


REI DE COPAS
O SONHO
O Rei de Copas é o regente tolerante e bondoso deste reino que fica
perto do mar. As vestes quase teatrais refletem criatividade e
imaginação, mas ele próprio tem um temperamento tranqüilo. É bom
marido e pai, e pode-se confiar que tem muita consideração e afeição
para dar. Sua presença inspira confiança. Tendo em vista que, de certa
forma, é como se fosse um clérigo, isto é, não faz críticas e é bondoso,
as pessoas vão procurá-lo para pedir conselhos. E dono de um poder de
intuição que o deixa capaz de ler as intenções de todos que o cercam. É
capaz de perdoar qualquer pessoa, mesmo quem cometeu o erro de
interpretar aquela bondade como fraqueza. É o eterno cavalheiro, calmo
e de maneiras impecáveis, mas esse autocontrole genuíno pode ser uma
camada fina de verniz mascarando um turbilhão interior que surge
quando a sua natureza ciumenta é despertada. Uma vez ou outra, as boas
maneiras impedem-no de mostrar o que está sentindo realmente. Tem
muito contato com a arte e as humanidades, já que é grande apreciador
da beleza. E um magnífico colecionador e tem muito bom gosto.
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O DESPERTAR
É importante você fazer um esforço sincero para ser compreensivo neste
período e apelar para os aspectos emocionais da situação. Você precisa
ser o regente das suas próprias emoções entendendo-as, não
reprimindo-as. É muito perigoso procurar enterrar sentimentos fortes
sob uma superfície de calma fingida. Saiba que a entrada do Rei de
Copas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades
dele entrará logo na sua vida.


OUROS

ÁS DE OUROS
RECOMPENSA
O SONHO
A superfície da terra se abre para oferecer a você o tesouro que estava
desejando. A estrela da oportunidade ilimitada está engastada no mais
rico veio de ouro que se pode imaginar. Aquela linda estrela brilhante de
cinco pontas, de raios cor-de-rosa brilhantes e fundo cintilante
representa os seus desejos explodindo no mundo material. Os cantos
adornados de jóias simbolizam as riquezas que se cristalizaram da
essência de fogo da terra. "Ouros" já indica claramente isso. E Ouros é
o símbolo que une todas as cartas desse naipe. No fundo, é um reflexo
da primeira estrela, à qual fazemos nossos pedidos, a mesma que irradia
calor, prosperidade e segurança. A força dinâmica do Ás de Ouros dá a
você a força da terra, necessária para executar o trabalho de fazer com
que os seus planos produzam frutos.
O DESPERTAR
Num nível interior, esta carta da boa sorte concede o grande dom do
saber e da materialização de idéias. Para obter vantagens terrenas, é uma
das cartas mais favoráveis de O Tarô Encantado, porque indica um
grande senso de responsabilidade e força terrena. Você terá recursos
suficientes para fazer e ter tudo que puder desejar. É possível pedir
presentes e lembranças e receber ganhos materiais. As suas atividades
de negócios se expandem numa base segura. Surge um novo começo
relacionado com riqueza material e assuntos práticos. Se algum
investimento for manipulado adequadamente, o resultado será muito
lucro e riqueza.


DOIS DE OUROS
ARCANOS MENORES
MUDANÇA
O SONHO
Duas cobras (uma clara, outra escura) estão rastejando num fundo cheio
de correntes onduladas de luz colorida e sombra. Logo mais a cobra
escura vai soltar a pele e parecer que é clara, enquanto a clara vai fazer
o mesmo e parecer escura. Assim é a natureza eternamente variável e
cíclica do mundo material. Trata-se de um mundo de dualidade; claro e
escuro, masculino e feminino, jovem e velho, vida e morte, cada oposto
contrasta com o outro e define a sua própria exclusividade. O número
oito que rodeia as duas estrelas é o símbolo universal do infinito. É um
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número sem começo nem fim, formado por um ponto que muda de
direção ininterruptamente. As pontas das quatro flechas vêm de cada
canto da carta e se fundem em contato com o símbolo, indicando que
toda ação, direção e possibilidade, presentes em todos os momentos,
não passam de outra virada temporária dos fatos.
O DESPERTAR
O desenvolvimento que acompanha toda a vida de uma pessoa vem com
a mudança. A passagem de criança para adulto jovem e deste para velho
só tem sentido com o acompanhamento da sabedoria acumulada com a
mudança das estações da nossa vida. Você suportou mudanças no
passado; algumas foram confortáveis, outras não; agora essas mudanças
estão sendo solicitadas de novo. Quando você navega pelas ondas da
vida, tem de ser flexível e encarar a mudança como oportunidade.


TRÊS DE OUROS
TRABALHO
O SONHO
Um céu que está tingido de rosa pelo sol poente é um prenúncio feliz
para duas mulheres que passaram trabalhando o dia todo ao ar livre. Um
céu assim, sem dúvida trará um amanhã com bom tempo. As duas
mulheres estiveram trabalhando juntas numa horta comunitária e estão
trazendo cestas cheias de frutas e legumes que colheram quando
estavam no melhor ponto de maturação; também trouxeram flores,
simplesmente por apreciá-las. A colheita foi satisfatória e precedeu um
esforço compartilhado e muita perseverança. O plano de fundo contém
amoras vermelhas e pretas e espinhos pontudos; eliminar esse tipo de
obstáculo deve ter sido um trabalho árduo. Evidentemente, pelo ar
descontraído e os olhares amistosos, as duas são velhas amigas e
desenvolveram a capacidade de perseverar juntas. Trabalharam muito e
com bastante amizade para chegar à satisfação que vem de saber que o
trabalho foi bem-feito. Não perderam tempo com as conversas
superficiais e as ciumeiras que às vezes estragam a produtividade até
dos trabalhadores mais dedicados.
O DESPERTAR
Pode haver muitos obstáculos no caminho, mas anteveja com prazer a
chegada à meta distante. Trabalho compartilhado é metade do trabalho.
As cargas compartilhadas ficam mais leves; um amigo ou colega de
trabalho ajudam muito. A satisfação será a recompensa do esforço
contínuo feito com um parceiro. Não procure fazer sozinho todo o
trabalho. Escolha somente um parceiro que esteja disposto a trabalhar
conscientemente como você. Está na hora de arregaçar as mangas e
dar-se conta da recompensa recebida pelas tarefas que executou bem, só
pelo prazer de executá-las.


QUATRO DE OUROS
MANIA DE POSSE
O SONHO
Esta jovem filha de Midas trabalhou sozinha para obter seus ganhos
materiais. A quantidade impressionante de diamantes e outras pedras
preciosas e tecidos que estão transbordando ao redor dela foi
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conseguida graças a uma boa administração e excelente capacidade de
pôr as coisas no que ela acha que é a ordem certa; com as conveniências
em primeiro lugar! Ela está retirando da caixa de jóias e apertando
contra o peito aqueles sinais visíveis do que conseguiu, mas parece que
não há nenhuma felicidade refletida nesse rosto, que está pensativo,
talvez até ansioso. Será que ela ouviu algum ruído de passos, ou uma
porta se abrindo? Alguém estaria vindo roubar aquela sua riqueza? Ou
será que ela está pensando que aquilo ainda não é suficiente e é preciso
ganhar mais? Por medo e ambição, ela vai se tomar prisioneira da
própria mania de posse. Vai levar uma vida solitária em que a força
dominante serão os objetos materiais.
O DESPERTAR
Aqui, a lição a ser aprendida é que não se pode obter força real com
muita riqueza. Os ganhos materiais não satisfazem a sua necessidade de
segurança neste mundo em mutação, porque a segurança verdadeira
vem de dentro. Você precisa refletir na qualidade do que você preza e no
que você mesmo vale, pois trata-se de coisas preciosas que não podem
ser tiradas de você, só podem ser dadas pelos seus próprios pensamentos
e atos. Fique em guarda contra o egoísmo e a superproteção. Por mais
lindos que sejam, os seus bens materiais nem sempre conseguem trazer
felicidade.


CINCO DE OUROS
ANSIEDADE
O SONHO
Duas figuras cobertas de andrajos estão do lado de fora de um muro que
parece ter sido feito só para mantê-los fora. As roupas dos dois estão
remendadas e gastas. Está escuro e faz frio; os dois vão tropeçando na
neve, sob os flocos que voam pelo ar invernal. Parece que da janela vem
uma luz convidativa, mas não há nada à vista. Os dois saíram do calor
de onde estavam e agora o homem está apontando um lugar distante
para a companheira, que aparentemente está se apoiando no ombro dele.
Pode ser que nem consigam chegar onde pretendem. Já passaram juntos
por muitas coisas difíceis. Talvez tenham acabado de perder o emprego
e estejam preocupados em encontrar outro. Talvez tenham achado que
os conhecidos que não passam por um invento tão rigoroso não estejam
se incomodando. O homem tem uma espécie de proteção num olho;
talvez ambos tenham problemas de saúde. Os dois estão tendo
dificuldades e precisam se concentrar em sobreviver.
O DESPERTAR
Esta carta está cheia de dificuldades, mas não há dúvida que este casal
tem uma energia muito corajosa. Você não deve gastar a vitalidade que
tem preocupando-se com o futuro; o melhor é tratar das coisas dia a dia,
conforme vão aparecendo. Fazendo assim, apesar das dificuldades e da
pobreza, você vai ser sempre levado para situações positivas. Está na
hora do teste. Se você conseguir entender e controlar a sua ansiedade,
sem dúvida nenhuma receberá uma recompensa no futuro.


SEIS DE OUROS
GENEROSIDADE
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O SONHO
No centro desta carta há uma mulher madura e confiante. É uma Deusa
da Terra, cujo mero contato já cura, e está disposta a distribuir as
riquezas do planeta. O plano de fundo está cheio de máscaras
descartadas porque ela, generosa e honesta como é, não precisa de
disfarces e acha que o que se dá, volta em dobro. Esta "liberal" é muito
respeitada por julgar bem as coisas e por ser generosa, que é o motivo de
estar em cima de uma estrela. Está em pé numa estrela adornada de
flores, segurando uma urna da qual saem fios de pérolas cintilantes que
simbolizam a sua natureza caridosa e recompensas materiais. Está
pronta a dividir todas as coisas boas da vida e espera que todos os que
receberam alguma coisa dela também se mostrem igualmente
generosos. Se achar que a sua própria generosidade foi distribuída entre
os menos afortunados, já se considera paga.
O DESPERTAR
Diga o que quer, e outras pessoas virão ajudá-lo. Examine-se bem no
fundo de si mesmo e talvez ache coisas que pode compartilhar com
outras pessoas, para ter bons resultados. A sua generosidade e a dos
outros vão trazer muita satisfação e você verá que a recompensa valeu o
trabalho. Se der alguma coisa a alguém, não espere nada de volta.


SETE DE OUROS
FRUSTRAÇÃO
O SONHO
A figura mais ou menos encurvada deste lavrador do interior sugere
uma certa inércia e cansaço. Durante muito tempo, o homem trabalhou
bastante na horta, que fica num terreno estéril. Quando viu o resultado
do trabalho ficou desanimado. Quando começou, tinha esperanças, mas
agora está arrasado. Os espinhos agudos das plantas feriram seus dedos
e no céu começaram a se formar nuvens negras, além dos indícios da
neve que se aproxima. Será que o inverno vai chegar mais cedo e
destruir tudo que ele plantou? Esta carta mostra um certo amor por
botânica e horticultura e também mostra a necessidade de se ter as duas
coisas mais importantes neste campo, que são tempo e paciência. Há
muito que aprender, tanto dos erros como dos acertos. Para ter bons
resultados é preciso tempo e cada plano ou projeto tem um ciclo
individual que leva um certo tempo para se completar.
O DESPERTAR
Ter medo de errar ou começar a se preocupar com os resultados futuros
não significam bons resultados. Você tem de manter um desejo forte de
conseguir o que quer, mesmo diante da derrota. As raizes se
entranharam no fundo da terra e as plantas vão brotar de novo na hora
certa. Lembre-se disto: não adianta nada ficar medindo o
desenvolvimento do seu projeto.


OITO DE OUROS
ARCANOS MENORES
ARTESANATO
O SONHO
Uma figura jovem e forte está perto de um muro muito bem-feito que
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ela mesma fez. O muro foi feito tijolo por tijolo, com muita atenção para
os detalhes, em produção contínua. Ela está olhando com orgulho para
o resultado do que fez, com uma expressão serena, sabendo que fez o
melhor que podia. Não há dúvida que trabalha com disciplina, está bem
preparada e é eficiente. Os pés dela estão plantados no chão com muita
firmeza. Ao redor dela, o ambiente é de concentração e ordem. As flores
bem abertas que há ao redor dela representam tanto o florescimento da
produtividade, como a recompensa que ela vai receber. Esta colheita
segue a ordem, não o caos; vai atrás da confiança, não do controle. Esta
moça tão bem preparada trabalha com cuidado e método e tem uma
intuição natural com tudo que faz. E a encarnação do artesanato.
O DESPERTAR
Se você está preparado para aprender a trabalhar direito, prestando
bastante atenção nos detalhes com muito carinho, vai ter um resultado
ótimo. Se você praticar bastante e trabalhar bem, vai se transformar num
artesão que fará o trabalho pelo trabalho em si, não para ganhar muito
dinheiro para si ou para outras pessoas. Quando estiver fazendo o seu
trabalho, pense só no que está fazendo, não no que poderá ganhar no
fim. Quando acabar de fazer um trabalho bem-feito, vai ter um período
de satisfação completa e serena.


NOVE DE OUROS
ABUNDÂNCIA
O SONHO
Aqui o jardim está completamente florido. Tudo sugere uma
abundância de flores e o mais puro gozo dos prazeres terrenos. Esta
moça está rodeada de flores e plantas muito bem cuidadas e está sendo
seguida por um passarinho todo colorido; ela gosta da natureza e está
olhando o resultado do trabalho que fez. Parou embaixo de uma árvore
sagrada que está florindo com a promessa da colheita abundante que
virá. Tem direito a este momento de descanso e prazer solitário no lindo
lugar que ela mesma criou. Desde o começo, uma força feminina
mandou que seguisse o próprio coração e confiasse no universo para ter
o que precisasse, em qualquer sentido. Sentindo-se idêntica à natureza,
ela venceu em quase todos os aspectos da vida: amor, beleza, lucros
materiais e criatividade. Passou a ser a verdadeira encarnação da beleza
da mente e do espírito.
O DESPERTAR
Neste momento, você está para começar a confiar em si mesmo e gostar
muito de desfrutar esta idéia. Há no ar um senso de independência e
liberdade que é muito grande. Talvez alguma fonte inesperada possa
acrescentar alguma coisa ao seu orçamento, mas você também precisa
tomar cuidado para não engordar por causa do acúmulo de tensão e
crescimento.
O ENCANTAMENTO
Numa quinta-feira, acenda uma vela verde e comece a pensar em
Júpiter. Júpiter invoca sorte, expansão e entrada de dinheiro. Ponha
perto de você algumas flores bem viçosas e uma vasilha cheia de
moedas. Fique olhando fixamente para a chama da vela e diga para si
mesmo: "Estou aberto e receptivo para toda a abundância que há no
universo". Sinta o suprimento ilimitado de tudo que já precisou até aqui
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e está fluindo para você, agora e sempre.


DEZ DE OUROS
ARCANOS MENORES
PROTEÇÃO
O SONHO
O lar de uma pessoa é o seu castelo; e este edifício forte, de bases
firmes, com os torreões que chegam às estrelas, está construído num
alicerce que foi feito no passado e com o trabalho de muitos outros. As
muralhas do castelo são fortes e nos rodeiam com uma idéia de herança
e seguro para o futuro. Um losango especial está brilhando com um ar
de proteção, simbolizando que este sonho é a culminação das
oportunidades oferecidas pelo Ás de Ouros. Há uma idéia de história e
permanência relacionada com toda esta riqueza, prosperidade e
segurança material. As figuras graciosas e formais que há na parte
inferior da carta representam laços ancestrais, uma herança rica e
tradição de família. O passado e seus valores contribuíram muito; este
sonho fala disso. De qualquer modo, é possível estabelecer um sentido
de segurança vinda dessas bases, a fim de garantir sobrevivência e
continuidade. Parece que há pedras preciosas flutuando no ar que rodeia
o castelo, como um sonho cristalizado.
O DESPERTAR
A primeira regra para ter bons resultados em qualquer projeto é: "Faça
uma base segura". Esta carta é uma das mais favoráveis de O Tarô
Encantado e diz que, se você fez isso e não tomou nenhum atalho, pode
crer que terá sucesso garantido. Ao redor de você há um círculo de apoio
muito forte. Você está entrando num mundo que contém a manifestação
completa de tudo que você queria materialmente, o que também inclui
felicidade. E possível aposentar-se, e todas as coisas boas da vida estão
à disposição. Faça investimentos tradicionais para o futuro, mas não
arrisque. Não esbanje esta riqueza e nem permita que o luxo o deixe
preguiçoso.

A PRINCESA DE OUROS
O SONHO
A Princesa de Ouros é uma moça realista e muito prática. Está no seu
belo jardim, que é muito bem cuidado, segurando um lindo buquê de
flores, que ela mesma plantou e colheu. É princesa, mas está sempre
disposta a trabalhar arduamente e encher as unhas da terra que sustenta
a vida. Na realidade, a Princesa mais parece uma moça do interior do
que uma portadora de sangue azul que costuma aplicar na prática o
saber que possui. E deliberada e inteligente, mas absolutamente não é
intelectual; na realidade, não tem imaginação e, para falar a verdade às
vezes é uma moça desinteressante. Apesar disso, seus modos
persistentes e cuidadosos podem não dar como resultado uma ação
rápida, mas levam-na longe em matéria de produzir coisas materiais.
Ela procura todas as informações necessárias para ajudá-la no que
pretende fazer, ainda que devagar. Está sempre disposta a ajudar em
qualquer assunto ou problema de negócios, e é uma pessoa digna de
confiança e honrada.
O DESPERTAR
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Agora você está aprendendo a confiar nos seus instintos. Preste atenção
nos ritmos e ciclos naturais da sua vida que formam um paralelo com os
do mundo natural da Imperatriz. A Princesa de Ouros traz notícias de
assuntos materiais, informações úteis e assistência prática. Saiba que a
entrada da Princesa de Ouros numa leitura pode significar que uma
pessoa com as qualidades dela estará entrando na sua vida brevemente.


PRÍNCIPE DE OUROS
ARCANOS MENORES
O SONHO
O Príncipe de Ouros está cavalgando por suas próprias terras, que são
férteis e estão cultivadas. Com seu modo paciente e persistente,
provavelmente conseguiria extrair uma boa colheita até de uma terra
pedregosa e estéril. Não tem uma instrução formal muito elevada, mas
adora a terra e tudo da Natureza. Está tocando uma trompa de ouro para
chamar os cachorros, depois de um dia de caçada. Passou um tempo
ótimo ao ar livre, onde se sente mais à vontade do que confinado entre
as paredes cinzentas do castelo. É um jovem estável e digno de
confiança, apreciado por todos por ser muito trabalhador e bom
provedor. Não tem grandes lampejos de imaginação e talvez se
preocupe em excesso com coisas materiais. Um dos seus pontos fortes é
lidar com dinheiro, mas isso também pode fazê-lo parecer sovina. Em
geral está sério e de boca fechada, mas às vezes chega a surpreender
com um humor simples e vigoroso. E lento para perceber o ponto de
vista dos outros, quando não concorda com o seu, que é um tanto
estreito e convencional, mas em assuntos práticos está pronto a ajudar e
é digno de confiança.
O DESPERTAR
Agora não é hora de ser obstinado e muito honesto a fim de conseguir
êxito monetário. Concentre-se nos aspectos físicos da situação. Ser mais
físico, orientado para uma meta e competente pode capacitar você a
executar seus projetos com firmeza e resolução. Saiba que a entrada do
Príncipe de Ouros numa leitura pode significar que uma pessoa com as
qualidades dele logo estará entrando na sua vida.


RAINHA DE OUROS
O SONHO
A Rainha de Ouras é encantadora, com aqueles cabelos negros e a pele
cor de azeitona. É uma mulher calma e prática, além de bonita. Os
homens ficam muito atraídos por ela porque sabem que, por trás desse
exterior oficial, há uma mulher caridosa que não tem medo de trabalhar
muito. Ela adora o marido e a família e se interessa por tudo que fazem.
Gosta de dar grandes recepções, aprecia a boa mesa e as festas
opulentes, pois conhece as "melhores" pessoas. É uma grande
patrocinadora das artes e passa boa parte do tempo fomentando e
incentivando artistas e músicos talentosos e inspirados, assim como
espetáculos teatrais de todos os tipos. Também tem interesse na terra e
em coisas materiais e é muito cuidadosa com os detalhes de todas as
atividades que pratica. Não é dotada de um grande intelecto, mas divide
a boa sorte com outras pessoas, desde que sejam interessantes e
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acrescentem alguma coisa à condição social dela própria.
O DESPERTAR
Agora é hora de prestar atenção nos problemas financeiros de outras
pessoas menos afortunadas e sustentá-las, ajudando-as a ter segurança
no mundo material. O seu contato cura, porque a Imperatriz se
comunica diretamente com a Rainha de Ouros. E uma época social, mas
tome cuidado para não esquecer que existe outro tipo de vida além do
redemoinho social de festas e jantares. Fique sabendo que a entrada da
Rainha de Ouros numa leitura pode significar que uma pessoa com as
qualidades dela vai entrar logo na sua vida.


REI DE OUROS
O SONHO
A despeito do traje de guerreiro e da coroa cintilante, o Rei de Ouros é
um filho da Terra muito jovial. Não procura os senhores e senhoras do
reino, como faz a Rainha sua esposa; prefere os lavradores que labutam
na terra e trabalham muito para viver. Também gosta de animais e acha
que os súditos também deveriam manter o mesmo tipo de conexão com
a natureza que os animais mantêm. Ele também trabalhou arduamente a
vida toda e, graças a muito esforço sério e contínuo, conquistou a
posição que ocupa e ótimos resultados. Agora quer desfrutar isso e
manter o que obteve a fim de deixar tudo para a Rainha e os filhos. O
Rei de Ouros tem um grande coração e muita energia em questões
práticas, mas não é intelectual e não se interessa por assuntos esotéricos.
A única habilidade acadêmica que possui está na matemática, porque
acha que a previsibilidade e precisão dos números é essencialmente
prática nos assuntos do seu interesse. Em outros aspectos, custa a
mudar, não tem muito bom gosto nem boas maneiras sociais. Na
realidade, pode-se dizer que é um "diamante bruto".
O DESPERTAR
Você terá êxito nos assuntos materiais se mantiver uma autodisciplina
de rei e um senso de objetivo bem definido. Procure interagir
instintivamente com todas as pessoas que conhecer e não se deixe
confundir pela riqueza nem pela posição na vida. Mantenha seus laços
com o mundo natural porque isso deixará você mais forte em todo tipo
de negociação. Saiba que a entrada do Rei de Ouros numa leitura pode
significar que uma pessoa com as qualidades dele vai entrar logo na sua
vida.



PREPARATIVOS PARA UMA LEITURA

Para ter acesso à quantidade tremenda dos conhecimentos que o seu Eu
Superior possui, você precisa acalmar a mente que "pensa", de modo a
poder ouvir a parte que "sabe". Isso pode ser feito usando a técnica dada
a seguir, que serve para se colocar num estado de descontração perfeita.

Sente-se num lugar onde não será perturbado. É importante que os
pensamentos aleatórios relacionados com os acontecimentos do dia não
atrapalhem. Segundo as lições dos mestres da ioga, a respiração
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controlada leva ao controle da mente e do corpo, que são levados a uma
harmonia natural com o espírito do seu Eu Superior. Damos agora um
método para chegar a esse estado calmo e descontraído.

Respire profundamente, sem economizar ar. Enquanto está
inalando, ouça e veja mentalmente a palavra "inalar". Enquanto vai
exalando, devagar e suavemente, ouça e veja mentalmente o número
nove. Repita este processo, mas na próxima vez que exalar, veja e ouça
mentalmente o número oito. Continue assim até chegar a zero. Nesse
momento provavelmente já estará num estado descontraído e pronto
para formular sua primeira pergunta.

Enuncie cuidadosamente a pergunta. A maneira de enunciar a pergunta determina a
qualidade da resposta recebida. É melhor manter as perguntas simples e diretas, e
receber as respostas com muita compreensão. Assim, você deixa que as impressões
evocadas pelas cartas entrem na sua percepção consciente.
Quanto mais específico for o enunciado da pergunta, mais direta será a
resposta.

Quando começar a investigar um determinado assunto, o melhor é
enunciar a primeira pergunta mais ou menos assim: "Diga o que preciso
saber a respeito de ... (alguma coisa ou alguém) neste momento" ou
"Em que devo concentrar a minha busca para... (saber ou conseguir
alguma coisa)?" em vez de "Será que, esta semana, vou conseguir o
emprego (ou parceiro, dinheiro, lugar para morar, e assim por diante)?"
Há outros modos de enunciar a primeira pergunta, como por exemplo:
"Que plano de ação devo usar em relação a ...?"; "Que lição preciso
aprender a respeito de ...?" ou "Qual será o resultado de... para mim?"
(ou para a família, negócios, relacionamentos, finanças, e assim por
diante).

Tendo feito a primeira pergunta a respeito de uma situação e
recebido informações das condições básicas implicadas, pode
prosseguir e fazer perguntas relacionadas com a época ou hora em que
a coisa vai acontecer. Quando fizer a pergunta seguinte, sugira um
limite de tempo. Isso deixa as respostas mais claras quando se trata de
responder perguntas como estas: "Que condições devo esperar
encontrar no trabalho (hoje, amanhã, esta semana, este mês, nos
próximos três meses etc.)?" ou "Como o meu relacionamento com tal
parceiro vai se desenvolver no verão?"
Depois de se familiarizar bem com o significado de cada carta,
anime-se a fazer experiências com seu próprio método de enunciar as
perguntas. Comece com perguntas simples, como as que acabei de dar,
e inicie com a Técnica de Uma Carta. Depois que ficar bem a par do uso
das cartas, passe para a Seqüência de Três Níveis. Quando estiver bem
prático e quiser ter informações detalhadas sobre situações mais
complexas, vai poder usar a Seqüência da Cruz Celta. Embaralhe as
cartas antes e depois de todas as sessões, para purificar as cartas e deixá-las preparadas
para a sessão seguinte.

Alguns especialistas em Tarô acham que a pessoa não deve deixar
ninguém pôr as mãos no seu trabalho, a não ser para embaralhar para
                                                                                       378
uma leitura. É uma questão de preferência pessoal. Muita gente também
aconselha a manter o baralho embrulhado num pedaço de seda da cor
predileta, para proteger as cartas e manter as energias estabelecidas
entre a pessoa e seu trabalho. Qualquer ritual simples que faça você
ficar mais à vontade e ter mais confiança nas leituras é muito útil.
Depois de purificar as cartas, procure visualizar no "olho" da mente
a situação em questão. Se estiver muito ligado emocionalmente à
situação, visualize a Sacerdotisa, enquanto vai embaralhando as cartas e
fazendo a pergunta. Deseje apenas a verdade, não a resposta que
gostaria de receber. Embaralhe as cartas até achar que está na hora de
parar. Uma das vantagens de aprender a usar O Tarô é que você aprende a confiar na
intuição.

Para deitar as cartas, segure o baralho e divida-o em três montes,
da direita para a esquerda, com a mão esquerda. Sempre com a mão
esquerda, junte de novo os três montes, também da direita para a
esquerda, formando um único. (Estas instruções estão descrevendo as
cartas vistas da posição do leitor.) Retire do alto do monte o número
adequado de cartas para a leitura. Como você quer deixar que o seu Eu
Superior o guie na escolha, talvez convenha espalhar o baralho todo,
com as cartas viradas para baixo, de modo a ter acesso a todas. Deixe
que suas mãos sejam levadas para certas cartas, escolhendo-as
conscientemente para cada posição específica da técnica que estiver
usando. Por exemplo, quando estiver usando a Seqüência de Três
Níveis, pode tirar a primeira carta quando estiver pedindo informações
do "passado" da sua situação, a segunda quando estiver perguntando a
respeito das energias que se manifestam na época "presente", e a
terceira quando estiver pensando no "futuro".

Vire todas as cartas para baixo, uma de cada vez, e siga os padrões
dados para as diferentes seqüências. Depois desvire-as uma a uma,
interpretando o significado em termos da posição da carta na seqüência,
antes de passar para a carta seguinte.

Vai verificar que algumas cartas que desvirou estarão com a figura
para cima, com o título no alto, enquanto outras estarão com a figura
para baixo, isto é, invertidas.

Alguns ledores de tarô acham que, quando a carta sai com a figura para cima, expressa
com mais força as qualidades que contém; pelo contrário, quando saem invertidas, dão
uma expressão mais fraca das próprias energias específicas.

Outros acham que a inversão indica que as propriedades das cartas estão
bloqueadas, ocultas ou internas. Há ainda os especialistas que acham
que a inversão de cartas não faz diferença na leitura e deve ser deixada
de lado.

Sugiro que, enquanto você estiver aprendendo a arte de
interpretar, leia as cartas como está indicado no texto de cada uma,
independentemente de saber se, quando são desviradas, aparecem com
a figura para cima ou invertidas.

                                                                                  379
É conveniente manter um caderno com as perguntas e anotar as interpretações dadas por
você, assim como as cartas que apareceram com a figura para cima ou invertidas. Tendo
um registro das suas leituras, você será capaz de rever as interpretações que deu a cada
carta, à luz da posição, invertida ou não.


INTERPRETAÇÃO DAS CARTAS

Quando você desvira a carta (ou cartas) que escolheu para a sua
seqüência, preste atenção, não só nas palavras impressas nas próprias
cartas, como em todo e qualquer sentimento evocado pelas imagens
contidas nelas. Observe as cores, o ambiente e a atitude das figuras do
tarô. Deixe a mente fazer uma "associação livre". Esta expressão é
usada para descrever a força de comunicação que a mente consciente
tem, que consegue se comunicar com o Eu Superior usando símbolos,
ou seja, a linguagem da terra dos nossos sonhos. A primeira impressão
que a carta deixa em você cria uma imagem na sua mente e consegue
inspirar uma série de imagens ligadas e dirigidas pelo seu Eu Superior.
Em poucos instantes, a sua mente consciente começa a compreender o
simbolismo das imagens e você terá a resposta esperada. Este é o modo
de agir da Sacerdotisa, que, aliás, é muito eficiente.

As cartas de O Tarô Encantado não dão informações de um futuro
"gravado em pedra", isto é, imutável. Oferecem uma orientação
baseada no estado do seu desenvolvimento e nas condições da situação
em questão, no momento em que você está fazendo as perguntas. Seu
futuro só é determinado pela sua reação emocional à resposta que
recebeu e pela sua decisão pessoal de pôr em prática essa resposta.


A TÉCNICA DE UMA CARTA

Cada carta deste tarô encarna um conceito e uma psicologia muito
específicos; qualquer carta pode ser escolhida como resposta a uma
pergunta ou como instrumento de meditação. Use a Técnica de Uma
Carta até ficar conhecendo bem cada carta, mas mesmo antes este
método é útil para dar uma orientação diária para as suas atividades
comuns, especialmente quando o tempo é precioso. Na Técnica de Uma
Carta, se uma carta cair do baralho enquanto você estiver embaralhando, não precisa
continuar, pois essa carta é a resposta. Damos abaixo um exemplo da Técnica de Uma
Carta:


PERGUNTA. Qual será o resultado do relacionamento da minha filha
com o namorado?

RESPOSTA. A Justiça.
A entrada de uma carta dos Arcanos Maiores significa que se trata de um
relacionamento importante. Obviamente, neste caso uma pessoa merece
a outra. O indicado é esforçar-se por obter harmonia e equilíbrio.
Usando associação livre, como descrevi anteriormente, a pessoa que faz
esta pergunta percebeu que muitos casamentos são feitos pelos "Juízes
                                                                                     380
de Paz", que estão relacionados diretamente com a Justiça. Aqui, a
conclusão é que há uma boa probabilidade de esse relacionamento
acabar em casamento.

A pessoa que estava perguntando quis saber quando a filha se
casaria.



PERGUNTA. Minha filha vai se casar este ano?
RESPOSTA. O Enforcado.
Mais uma vez, a entrada de uma carta dos Arcanos Maiores significa
que este será um ano importante neste relacionamento, um ano cujos
efeitos serão sentidos por toda a vida dos participantes. O
relacionamento vai se manter no nível em que está agora. Esse período
de espera forçada vai servir para dar ao casal a oportunidade de se
conhecer melhor.

PERGUNTA. Minha filha vai se casar dentro de dois anos?
RESPOSTA. Dois de Copas (mas é interessante notar que O Enforcado
parecia colado ao Dois de Copas e veio junto com a carta escolhida).
Aqui, o simbolismo é inconfundível. O Dois de Copas simboliza amor e
romance aliados a uma união satisfatória, feliz e eterna. O fato de O
Enforcado entrar junto com esta carta indica que o casamento vai se
realizar no fim do período de dois anos.


A SEQÜÊNCIA DE TRÊS NÍVEIS

A Seqüência de Três Níveis oferece um quadro mais amplo de uma
situação e pode ser útil para fazer perguntas a respeito da situação de
pessoas que não estão fisicamente presentes quando você estiver
fazendo a leitura.
Depois de haver se preparado e purificado as cartas,
embaralhando-as sete vezes, visualize sua pergunta no olho da mente e
peça que a resposta seja dada em três níveis. Embaralhe e corte
normalmente. Quando tirar as três cartas que vão descrever os três
níveis da sua resposta, deite-as da esquerda para a direita e desvire-as
uma a uma.

A resposta à sua pergunta sobre uma situação pode ser dada em
termos das condições Passadas (primeira carta), Presentes (carta
intermediária) e Futuras (terceira carta) da situação, ou em termos de
Mente, Corpo e Espírito.

Quando escolher a primeira carta, peça para receber uma mensagem
que descreva a base do assunto, ou seja, as condições ou circunstâncias
que contribuíram para que você ou a outra pessoa chegassem onde estão
hoje.

Quando escolher a segunda carta, peça para receber uma mensagem
que descreva o desenrolar atual da situação, como está hoje.
                                                                           381
Quando escolher a terceira carta, peça para receber uma mensagem
relativa ao resultado das condições descritas pela segunda carta que
tirou nesta seqüência.

Se verificar que o resultado não é o que você considera favorável,
convém usar a Técnica de Uma Carta para pedir conselhos sobre a
maneira de obter um resultado mais favorável. Leia com atenção o
exemplo de leitura dado a seguir.


PERGUNTA. As minhas emoções estão divididas entre ter um filho e
continuar na minha carreira profissional. Qual será o resultado das
minhas deliberações do ano que vem?

RESPOSTA.
Presente
O Julgamento

Passado
Dois de Espadas

Futuro
Seis de Espadas
O Dois de Espadas indica que esta mulher sentiu um desejo de chegar à
paz e ao equilíbrio na vida antes de tomar a decisão de ter uma criança.
O fato de a imagem da Lua (que é o símbolo da mulher, nutrição e
maternidade) ter aparecido nesta carta tem muito significado no caso.

A entrada de uma carta dos Arcanos Maiores em qualquer ponto de
uma leitura é sinal de que esta parte da leitura tem uma importância
muito grande. Neste caso, O Julgamento aparece na posição "Presente"
de Seqüência de Três Níveis, anunciando que está na hora de tomar uma
decisão importante e pensar além dos fatos corriqueiros do dia-a-dia.
Sempre é útil ler todas as informações contidas na página que fala de
cada carta e, neste caso, o Encantamento menciona a palavra
"renascido".

A entrada do Seis de Espadas na posição "Futuro" desta leitura
indica que um homem e uma mulher estão se afastando de um turbilhão
mental e indo para as águas calmas da resolução. O arco-íris contido na
carta é um sinal esperançoso de bênçãos. Como acontece em qualquer
interpretação, você estaria incluindo na sua interpretação todos os
sentimentos que tem em relação a cada carta. Nesse caso, o pássaro feliz
que se vê na carta foi encarnado como um espírito de vida nova que está
se aproximando; e a mulher interpretou o resultado determinado por
esta leitura com uma indicação de que teria uma criança no ano
seguinte.

Outro modo de interpretar a Seqüência de Três Níveis é usar os níveis
da Mente, do Corpo e do Espírito.


                                                                           382
Esta técnica é especialmente útil quando é usada para obter informações dos efeitos
produzidos por acontecimentos do passado, do presente e do futuro.


PERGUNTA. Qual será o resultado do meu novo emprego no que se
refere à minha mente, corpo e espírito?

RESPOSTA.
Mente Corpo Espírito
Três de Ouros Dois de Paus Ás de Ouros

O Três de Ouros indica que este novo emprego vai fazer você perceber
o valor do trabalho que está fazendo em conjunto com um colega
diligente cuja contribuição é igual à sua. Provavelmente, vai encontrar
um colega assim no emprego. Não haverá nenhuma mesquinhez
interferindo na atenção que o emprego exige.

O Dois de Paus no nível "Corpo" esclarece a presença do Três de
Ouros na posição "Mente" e indica que a função da pessoa que está
fazendo esta pergunta será principalmente supervisionar o trabalho
físico implicado no caso, além de se concentrar na distribuição
adequada da carga geral de trabalho entre todos os que vão trabalhar no
projeto.

O Ás de Ouros na posição "Espírito" indica que esse emprego trará
uma ótima oportunidade de renovação espiritual que talvez venha a
resultar em melhoria financeira.

Pode parecer que não há problemas nesta resposta, mas sempre
convém lembrar que a resposta verdadeira da pergunta feita é o efeito
que a resposta dada pela carta exerce na pessoa que está fazendo a
pergunta. Por exemplo, uma pessoa que não gosta de partilhar o serviço
com outras ou fica constrangida por ter de supervisionar um trabalho
físico talvez ache que esta resposta é um desafio.
Uma vez familiarizado com a Seqüência de Três Níveis, talvez você
ache interessante esclarecer o significado de uma determinada carta que
ocupa uma das inúmeras posições de Seqüência da Cruz de Celta. Se o
significado de uma carta em relação à posição de entrada não estiver
claro, você pode tirar mais três cartas, enquanto pede um esclarecimento, e lê-las em
termos do Passado, Presente e Futuro ou em termos dos níveis de Mente, Corpo e
Espírito.


A SEQÜÊNCIA DA CRUZ

Depois de se preparar para fazer uma leitura, escolha onze cartas e
disponha-as formando o esquema abaixo.
Enquanto escolhe as onze cartas desta Seqüência da Cruz Celta, tenha
em mente o aspecto da situação estabelecido por cada posição
específica na leitura, como está descrito nos parágrafos seguintes.

Posição 1: VOCÊ (ou "A Significadora") .
                                                                                  383
Esta primeira carta representa você e seus desejos mais íntimos relacionados com a
situação. Há casos em que o ledor de tarô acha que tem uma personalidade parecida
com a do Louco ou de alguma carta da Corte, por exemplo, e escolhe uma dessas cartas
como Significadora, antes de embaralhar as cartas. No entanto, esta prática restringe o
conselho que o baralho pode oferecer para a sua situação, mas nem por isso você pode
deixar de optar: a escolha do método é sua.

Posição 2: O que está cobrindo você.
A segunda carta é posta sobre a
primeira e descreve as condições atuais. Se o significado desta carta
parece refletir o resultado que você gostaria de obter, você está num
ambiente favorável.

Posição 3: O que está interceptando você .
A terceira carta é posta sobre
as duas primeiras e descreve obstáculos (tanto reais como em potencial)
à consecução dos seus desejos. Pode representar um conceito que está
deixando você confuso. Também neste caso, se o significado desta carta
parece refletir o resultado que você gostaria de obter, não deve ser
encarado como negativo.

Posição 4: O que está perto de você.
Esta carta representa a base ou o
alicerce da situação que você está estudando. É um fator que sustenta a
situação ou faz com que aconteça, portanto tem muita influência quando
está relacionado com o resultado a curto prazo. Você não pode mudar as
coisas que afetam a situação, mas pode examinar e até modificar a sua
atitude em relação a elas.

Posição 5: O que está atrás de você.
 Esta carta representa as condições
anteriores e as influências que levaram as coisas até o ponto em que
estão hoje. Essas influências estão diminuindo, mas é preciso levar em
conta e compensar as lembranças e os efeitos que exercem nos atos
passados, presentes e futuros.

Posição 6: O que está comando você.
 Esta carta representa o rumo de
desenvolvimento que você gostaria que a situação tomasse no futuro.
Esta é a meta que você gostaria de manter à vista, à medida que vai se
dirigindo para ela. Se a carta que está nesta posição é negativa, as metas
que têm de ser atingidas para chegar a resolver completamente a
situação consistem em eliminar a energia negativa da sua vida ou
eliminar a qualidade da sua reação àquela energia.

Posição 7: O que está diante de você.
Esta carta representa o resultado
da situação a curto prazo. São fatos para os quais é preciso estar
preparado, pois estão para acontecer.

Posição 8: Sua personalidade.
Esta carta representa como você deve se
                                                                                    384
conduzir para conseguir o resultado final desejado. A entrada de uma
carta negativa é um lembrete de que você só receberá de outras forças o
apoio necessário para cumprir sua missão quando se conduzir de modo
a exibir um desejo sincero de dominar os fatos infortunados da vida.

Posição 9: Como os outros vêem você.
Esta carta representa como você
é visto pelas outras pessoas relacionadas com a situação. A assistência e
o apoio dados pela família, pelos amigos e colegas de trabalho vão
determinar a quantidade de energia extra que há ao seu dispor quando
você enfrenta os desafios implicados na obtenção do resultado que
deseja. A entrada de uma carta negativa nesta posição pode ser indício
de você precisar contar só com as suas próprias energias para atingir
suas metas. Você também pode ter sido mal interpretado. As pessoas que
apóiam você talvez estejam retirando esse apoio justamente porque não
acreditam que você venha a ter muitas vantagens se conseguir o que está
desejando.

Posição 10: Seus medos e esperanças.
 Esta carta representa seus medos
e esperanças em relação ao resultado final da situação. O conceito
corporificado nesta situação é muito importante; considerando
inicialmente esta carta como uma carta de medo ou de esperança, você
está confrontando o fato de saber que o que pode ter estado impedindo
você de chegar à sua meta não é só medo de errar, é também medo de
saber que rumo a sua vida vai tomar quando você atingir essa meta. O
medo do desconhecido existe basicamente em todos os seres humanos,
mas ainda assim é imprescindível superar esse medo, caso contrário não
haverá progresso nenhum.

Posição 11: O resultado final.
 Esta carta representa o resultado final do
plano de ação. É a culminação dos seus esforços. A entrada de uma carta
contrária ao resultado final que você deseja indica que precisa analisar
seus desejos nesta altura do seu desenvolvimento. Se, apesar de tudo,
decidiu que é isso mesmo que deseja, precisa pedir esclarecimentos a
respeito dos atos exigidos para chegar à conclusão desejada. Para
analisar a direção a seguir ou para descobrir se se trata de um problema
de sincronização, use a Técnica de Uma Carta ou a Seqüência de Três
Níveis. O exemplo dado a seguir mostra uma leitura da Seqüência da
Cruz Celta.



PERGUNTA. Qual será o resultado de eu acabar o relacionamento que
tenho agora e começar um novo relacionamento amoroso?

RESPOSTA.

Posição 1: VOCÊ. Rainha de Paus
Neste caso, a "querente" (mulher que faz a pergunta) escolheu a Rainha
de Paus como sua Significadora, achando que se relacionava mais
                                                                            385
intimamente com o aspecto e a personalidade desta rainha em particular.

Posição 2: O que está cobrindo você.
 Princesa de Ouros
Desta vez, as condições que cercam a querente são as de uma energia de
jovem empenhada no processo de procurar se instruir. Esta carta sugere
deliberação lenta, com considerações práticas e simples pendendo da
mente. Ela está aprendendo a confiar nos próprios instintos, sem ser
impulsiva demais ao mesmo tempo.

Posição 3: O que está interceptando você.
 Princesa de Espadas
Aqui o obstáculo é que a querente não foi capaz de comunicar os
próprios desejos ao parceiro de tantos anos e precisa se desligar
emocionalmente e ser sincera em relação aos planos que faz.

Posição 4: O que está perto de você.
Quatro de Ouros
A base desta situação é a mania de posse. A querente deseja segurança e
quer manter os padrões de autovalorização, coisas que talvez provenha
das vantagens materiais de uma dessas situações. Neste ponto, a
situação muda.

Posição 5: O que está atrás de você.
O Sol
O que está abandonando a vida da querente é uma situação doméstica
clara e brilhante. A entrada de uma carta dos Arcanos Maiores realça
esta posição, e neste caso a querente está sendo alertada para o fato de
talvez estar perdendo o sistema de apoio cordial e amistoso com que
está acostumada.

Posição 6: O que está coroando você.
O Mago
A sua meta é ser capaz de manifestar os próprios desejos de modo mais
potente. Talvez a paz doméstica que está morrendo tenha sido obtida à
custa da sublimação dos seus próprios desejos nos do parceiro. Agora
ela quer ser capaz de utilizar todas as habilidades e dons que possui.

Posição 7: O que está diante de você.
Princesa de Copas
No futuro próximo, indubitavelmente ela vai preferir se empenhar num
novo romance. Está em busca de um relacionamento mais satisfatório
emocionalmente. Vai sentir-se como uma menina apaixonada.

Posição 8: Sua personalidade.
 Morte
A querente tem de enfrentar uma mudança profunda, eliminando um
parceiro ou o outro, para permitir que os antigos esquemas saiam e
deixem lugar para uma nova vida futura. Continuar a temer essa
mudança vai deixá-la imobilizada a ponto de estar arriscada a perder os
dois parceiros.

                                                                           386
Posição 9: Como os outros vêem você.
Cinco de Ouros
As outras pessoas vêem a querente como uma pessoa ansiosa com as
considerações materiais implicadas. Isto também indica que ela é
encarada como tendo estado com o parceiro original durante uma época
difícil e a decisão de abandoná-lo neste ponto, tomada pela mulher,
poderia deixá-la em má situação. Ela está confiante nas suas
expectativas.

Posição 10: Seus medos e esperanças.
 Dois de Paus
Devido ao significado desta carta, é seguro dizer que representa mais as
esperanças da querente do que os seus medos. Calmamente, ela fez um
levantamento da situação e está preparada para assumir a direção da
própria vida, confiante no que espera que aconteça.

Posição 11: O resultado final.
As de Copas
O resultado é amor. Indubitavelmente, a querente vai preferir um novo
romance ao relacionamento antigo. Esta carta indica que está
começando a dar e receber amor num novo nível. Desta troca de
corações vão jorrar muitas vantagens positivas.

Com isso, chegamos ao fim do livro O Tarô Encantado; mas não é
adeus porque, do mesmo modo que as cartas do próprio tarô, as
informações contidas nestas páginas destinam-se a ser consultadas
quantas vezes você quiser. À medida que for adquirindo prática de ouvir
a sabedoria das suas próprias intuições, que são evocadas pelas cartas,
vai encontrar novos significados nas frases que imaginava saber de cor,
e vai achar cada vez mais fácil usar a mente consciente para entrar em
contato com a sua percepção consciente (ou sonho) e produzir e sentir a
sua própria visão do estado de encantamento.



O TARO - A RESPEITO DA ARTISTA

Por mais de quinze anos, Amy Zerner expôs as suas "Tapeçarias
Iluminadas" por toda a extensão dos Estados Unidos e fora do país, em
mais de setenta e cinco mostras individuais ou coletivas, além de
exposições em museus. Muitas pessoas e empresas de destaque
adquiriram seus trabalhos, que fazem parte de uma obra que recebeu a
atenção de revistas e jornais importantes, além de receber uma Bolsa de
Artes Visuais (em 1986) na categoria de "Pintura", concedida pelo
Fundo Nacional Americano para as Artes.
As tapeçarias de Amy Zerner são uma mistura complexa de pintura com
tecido e pintura em tecido. Ela usa técnicas combinadas que incluem
colagem, aplique, tintura direta com corante, bordado com contas e
transferência de imagens coloridas. Justapõe babados vitorianos raros e
rendas antigas a tecidos da era do espaço e estampados de poliéster
obtidos em leilões e bazares. Montando e costurando esses elementos
novos e velhos nos quadros, consegue obter imagens potentes e
                                                                           387
intemporais que se transformam em "paisagens para a alma olhar".
Amy Zerner dedica-se a estudos metafísicos desde 1970. Mora e
trabalha em East Hampton (Nova York), onde tem um estúdio repleto de
arte, amor e magia.

A RESPEITO DO AUTOR

Monte Farber casou-se com a artista Amy Zerner há dezesseis anos; o
casamento é muito feliz. É autor e criador de Cartas do Carma; Novo
Guiapara o Seu Futuro pela Astrologia, além de conselheiro metafísico
e conferencista, músico e produtor de cinema. Apareceu em diversos
programas de televisão e rádio e deu inúmeras entrevistas para jornais e
revistas por todo os Estados Unidos. No momento, está trabalhando em
vários livros, roteiros de filmes e um novo sistema de adivinhação
baseado na alquimia; recentemente fez um vídeo intitulado O Carma
Bom, com composições próprias.




                                     13
TARÔ ZEN – OSHO

Além das 56 cartas dos Arcanos Menores, o Tarô contém mais 22 cartas, os Arcanos
                                                                             388
Maiores, as quais contam toda a história da viagem espiritual do Homem. Desde o
inocente passo inicial do Bobo até o coroamento da viagem, representado pela carta do
Encerramento, encontramos nos Arcanos Maiores as imagens arquetípicas que nos ligam
a nós todos, como seres humanos. Elas falam a respeito de uma viagem de
autodescoberta que é absolutamente única para cada indivíduo, conquanto sejam as
mesmas as verdades fundamentais a serem descobertas, independentemente de raça,
sexo, classe social ou de criação religiosa.Nas cartas do baralho do Tarô tradicional essa
viagem de autodescoberta é vista como um tipo de espiral, onde cada Encerramento
conduz a um novo nível no caminho, um novo começo com a reaparição do Coringa. No
Tarô Zen, de Osho, porém, acrescentou-se a carta “O Mestre”. Esta carta permite-nos
deixar para trás a espiral, para saltar fora da roda da morte/renascimento. A figura “O
Mestre” simboliza a superação definitiva do próprio viajar, uma transcendência que só se
torna possível pela dissolução do ego separado, individualizado, por meio da
iluminação.O Tarô Zen, de Osho, definitivamente não é um Tarô tradicional, no sentido de
lidar com predições. Trata-se antes de um jogo transcendental do Zen que espelha o
momento presente, apresentando, sem concessões, o que existe aqui e agora, sem
julgamento ou comparação. Este jogo é um chamado para o despertar, para sintonizar-se
com a sensibilidade, a intuição, a compaixão, a receptividade, a coragem e a
individualidade.Essa ênfase na consciência é uma das muitas inovações em relação aos
velhos sistemas e maneiras de pensar o Tarô, que logo saltará aos olhos dos praticantes
destas Meditações Zen-Transcendental, baseadas no Tarô Zen, de Osho.Estas
meditações podem ser feitas aleatoriamente, escolhendo-se ao acaso uma ou mais delas.
Apresentamos a seguir algumas orientações básicas para ajudar nesse processo.



OS ARCANOS MAIORES

As primeiras 22 meditações têm suas respectivas ilustrações numeradas com algarismos
romanos de 0 a XXI, e representam os temas centrais, arquetípicos, da viagem espiritual
humana. A figura da meditação 22 “O Mestre”, que simboliza a transcendência, não é
numerada. As meditações estão numeradas de 0 a 78.Quando fazemos uma meditação
dos Arcanos Maiores, ela tem uma significação especial. Esse fato nos diz que as
circunstâncias atuais da nossa vida estão nos oferecendo uma oportunidade para
examinar um dos temas centrais da nossa própria viagem espiritual. Será especialmente
proveitoso examinar outras meditações correlacionando-as com esse tema central – por
exemplo, “O que me diz o fato de eu ter estado trabalhando demais (Exaustão), a respeito
da minha necessidade de auto-expressão (Criatividade)? De que maneira posso estar
prejudicando o meu progresso na caminhada em direção à criatividade, por estar
consumindo toda a minha energia apenas para manter a “máquina” funcionando?Quando
fazemos uma meditação de Arcano Maior, é possível que a situação do momento seja
apenas uma trama secundária e passageira, na história mais ampla da nossa vida. Isso
não quer dizer que não tenha importância, ou que devamos sentir-nos uns tolos por
deixar-nos afetar tão fortemente pelas mensagens dessas meditações. Porém, pode ser a
confirmação de que “isto também passará”, e mais tarde poderemos muito bem nos
perguntar qual foi o motivo para tanta confusão.Finalmente, uma meditação de Arcanos
Maiores pode indicar que está acontecendo na história uma alteração importante de
cenário e de personagens. Há ocasiões em que, efetivamente, a profusão de meditações
de Arcanos Maiores é surpreendente. Você poderá preferir escolher apenas uma delas –
aquela que o impacta com a mensagem mais clara – como peça central de uma nova
leitura que o ajude a compreender o que você está enfrentando no momento.

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OS ARCANOS MENORES

Estas 56 meditações e respectivas ilustrações estão divididas em quatro naipes que
representam os quatro elementos, com cada ilustração marcada com um losango
particular, codificado pela cor, para que se distingam. Em cada caso, a cor do losango é
aquela que predomina no naipe. As figuras do naipe da Água têm um losango azul, as do
Fogo têm um losango vermelho, o naipe das Nuvens apresenta um losango cinza, e o
naipe do Arco-íris um losango com as cores do arco-íris. Como acontece nos baralhos
normais de jogar, cada naipe contém “cartas da corte”, que aqui não encerram qualquer
pretensão aristocrática, mas representam apenas as diferentes oportunidades para que
se consiga o domínio sobre os quatro elementos a que correspondem.O naipe do Fogo
corresponde ao de Paus do Tarô tradicional, e representa o campo da ação e da reação, a
energia que nos coloca em situações e que nos tira delas quando obedecemos aos
nossos instintos, de preferência à nossa mente ou às nossas emoções.O naipe da Água
substitui o de Copas tradicional, representando o lado emocional da vida, e tende a ser
uma energia mais “feminina” e receptiva do que o Fogo, que é mais “masculino” e
extrovertido.O naipe das Nuvens foi escolhido para substituir o de Espadas,
tradicionalmente o naipe do Ar, representando a mente. Isso porque a natureza da mente
não-iluminada é exatamente como a das nuvens, na maneira como bloqueia a luz e turva
a paisagem à nossa volta, impedindo-nos de enxergar as coisas como elas realmente
são. Existe também uma outra característica das nuvens que não pode ser esquecida –
elas vêm e vão, e, portanto, não devem ser levadas muito a sério!Finalmente, o naipe do
Arco-íris toma neste baralho o lugar do tradicional naipe de Ouros, representando o
elemento Terra. Este é, tradicionalmente, o elemento que representa o lado prático,
material, da vida. Coerentemente, porém, com a postura do Zen, que considera que até
as atividades mais humildes e terrenas encerram uma oportunidade para que se celebre o
sagrado, o Arco-íris foi escolhido para este naipe. Ao adotar o arco-íris – que faz uma
ponte entre o céu e a terra, entre o espírito e a matéria – lembramo-nos de que na
verdade não existe uma separação entre o mais baixo e o mais alto, de que o que existe
verdadeiramente é o continuum de uma energia única e total. Lembramo-nos também de
que o céu não é um lugar remoto lá no alto, mas é antes uma realidade esperando para
ser descoberta, aqui mesmo na Terra.Aqui está, portanto, uma viagem de descoberta, e o
caminho para a transcendência definitiva disso tudo. Siga em frente descontraída e
alegremente, dos cumes para os vales, e de volta aos picos novamente, saboreando cada
passo do caminho. Aprenda com os seus erros, e não haverá como não acertar.

SUGESTÃO DE COMO PRATICAR ESTAS MEDITAÇÕES

Você pode, obviamente, fazer estas meditações do modo que quiser, embora elas sejam
na verdade um veículo para expor aquilo que você já sabe. Qualquer uma destas
meditações escolhidas ao acaso é um reflexo direto daquilo que algumas vezes você não
se acha capaz, ou não tem vontade, de reconhecer nesse momento. E, no entanto, é
apenas por meio do reconhecimento (sem julgar se é certo ou errado) de um ponto de
vista inteiramente impessoal, que alguém pode começar a experienciar plenamente sua
altura e sua profundidade – todos os matizes da nossa natureza de arco-íris.Quando for
fazer estas meditações, escolha bem uma delas, imaginando-as como um receptáculo no
qual você está vertendo as suas energias. No momento em que se sentir pronto abra-a e
leia e medite atentamente. Lembre-se de permanecer ativo e lúcido no momento, à
medida que você acessa e lê a meditação, permitindo suas respostas interiores virem à
tona, para clarificar as suas questões exteriores.Como você logo vai perceber, as figuras
destas meditações Zen, estão vivas. O impacto que elas provocam é inegável, pois falam
em uma linguagem que o nosso ser mais íntimo reconhece. Elas despertam o
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entendimento. Provocam a lucidez.Não existe um modo definitivo para se praticar estas
meditações. Com a prática, porém, você irá desenvolver a sua própria maneira de usá-
las. Seja criativo – as possibilidades são ilimitadas.Mantenha-se em silêncio e centrado o
quanto possível, quando for usar estas meditações. Quanto mais você puder visualizar
estas meditações como uma dádiva para o seu crescimento pessoal, tanto mais
significativas serão as mensagens para você.Se você tiver a impressão de que uma
determinada meditação está sugerindo um significado diferente, outra orientação ou
percepção, confie na sua própria intuição e criatividade.O Sumário a seguir visa
simplesmente ajudar na seleção e escolha das meditações.




SUMÁRIO DAS MEDITAÇÕES

ARCANOS MAIORES

0. O Bobo
1. Existência
2. A Voz Interior
3. Criatividade
4. O Rebelde
5. Não-Materialidade
6. Os Amantes
7. Consciência
8. Coragem
9. Solitude
10. Mudança
11. Ruptura
12. Nova Visão
13. Transformação
14. Integração
15. Condicionamento
16. Relâmpago
17. Silêncio
18. Vidas Passadas
19. Inocência
20. Além da Ilusão
21. Completude
22. O Mestre

NAIPE DA ÁGUA
2 de Água – Amistosidade
3 de Água – Celebração
4 de Água – Voltando-se para Dentro
5 de Água – Apego ao Passado
6 de Água – O Sonho
7 de Água – Projeções
8 de Água – Deixando Ir
9 de Água – Preguiça
10 de Água – Harmonia
Ás de Água – Indo com a Correnteza
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NAIPE DAS NUVENS.
2 de Nuvens – Esquizofrenia.
3 de Nuvens – Isolamento Glacial
4 de Nuvens – Adiamento
5 de Nuvens – Comparação
6 de Nuvens – O Fardo.
7 de Nuvens – Política
8 de Nuvens – Culpa
9 de Nuvens – Sofrimento
10 de Nuvens – Renascimento.
Ás de Nuvens – Consciência

NAIPE DO ARCO-ÍRIS
2 de Arco-Íris – Momento a Momento
3 de Arco-Íris – Orientação
4 de Arco-Íris – O Avarento
5 de Arco-Íris – O Forasteiro
6 de Arco-Íris – Concessão
7 de Arco-Íris – Paciência
8 de Arco-Íris – Simplicidade
9 de Arco-Íris – Momento da Colheita
10 de Arco-Íris – Nós Somos o Mundo
Ás de Arco-Íris – Maturidade


0. O BOBO

Bobo é quem confia sempre; bobo é quem continua confiando, contrariamente ao que
recomendam todas as suas experiências vividas. Você o engana, e ele confia em você;
você o engana de novo, e ele continua confiando; você o engana mais uma vez, e ele
ainda confia em você. Então você dirá que ele é um bobo, que não aprende. A confiança
dele é enorme; é uma confiança tão pura que ninguém consegue corrompê-la.Seja um
bobo no sentido taoísta, no sentido do Zen. Não tente criar uma muralha de
conhecimentos em torno de você. Seja qual for a experiência que venha a você, deixe-a
acontecer e depois siga em frente, descartando-se dela. Vá limpando sua mente o tempo
todo; vá morrendo para o passado, de forma a permanecer no presente, no aqui-agora,
como se tivesse acabado de nascer, como se fosse um bebê. No começo isso será muito
difícil. O mundo começará a tirar vantagem de você... deixe que o façam. São uns pobres
companheiros. Ainda que trapaceiem com você, que o enganem e roubem, deixe
acontecer, porque aquilo que é realmente seu não pode ser roubado, o que realmente lhe
pertence ninguém pode tirar de você. E a cada vez que você não permitir que as
circunstâncias o corrompam, a oportunidade se transformará em um efeito de integração
dentro de você. A sua alma se tornará mais cristalizada.OshoDang Dang Doko Dang

Comentário:

Momento a momento, e a cada passo, o Bobo vai deixando o passado para trás. Não leva
nada mais do que a sua pureza, sua inocência e sua confiança, simbolizadas pela rosa
branca em sua mão. O estampado do seu colete contém as cores dos quatro elementos
do Tarô, indicando que ele está em harmonia com tudo o que existe à sua volta. A sua
intuição está ativada em grau máximo. Neste momento, o Bobo tem o apoio de todo o
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universo para dar o seu salto em direção ao desconhecido. Aventuras esperam por ele no
rio da vida.A figura está indicando que, se neste momento, você confiar em sua intuição,
na sua sensibilidade para a "adequação" das coisas, você não poderá errar. Os seus atos
poderão parecer "tolos" para os outros, ou até para você mesmo, se tentar analisá-los
com a mente racional. A posição "zero" porém, ocupada pelo Bobo, é a do número
inumerável, na qual a confiança e a inocência é que são os guias, e não o ceticismo e a
experiência passada.



1. EXISTÊNCIA

Você não está aí por acaso. A existência precisa de você. Sem a sua presença, algo
estará faltando na existência e ninguém poderá ocupar o lugar. Isto é o que lhe confere
dignidade: saber que a existência inteira sentiria a sua falta. As estrelas, o sol e a lua, as
árvores, os pássaros, a terra – tudo no universo sentiria que um pequeno lugar está vago,
o qual não pode ser ocupado por ninguém mais, a não ser por você. Isto lhe dá uma
alegria enorme, uma comprovação de que você tem a ver com tudo o que existe, e de que
a existência preocupa-se com você. Quando você está purificado e transparente, você
poderá perceber uma imensurável quantidade de amor derramando-se sobre você de
todas as dimensões. OshoGod is Dead: Now Zen is the Only Living Truth

Comentário:

 Esta figura nua está sentada sobre a folha do lótus da perfeição, com o olhar perdido na
beleza do céu noturno. Ela sabe que "lar" não é um lugar físico no mundo exterior, mas
uma qualidade interna de relaxamento e de aceitação. As estrelas, as pedras, as árvores,
as flores, os peixes e os pássaros – são todos nossos irmãos e irmãs nesta dança da
vida. Nós, seres humanos, temos certa tendência a nos esquecer disso, enquanto
procuramos cumprir nossos compromissos particulares, e acreditamos que é preciso lutar
para conseguir aquilo de que precisamos. No fundo, porém, nossa sensação de estar à
parte é apenas uma ilusão, criada pelas preocupações limitadas da mente. Agora é
chegado o momento de verificar se você está se permitindo receber a dádiva
extraordinária do sentir-se "em casa", onde quer que você esteja. Se estiver, assegure-se
de dedicar tempo para desfrutar essa sensação, de forma que ela possa aprofundar-se e
permanecer com você. Se, por outro lado, você tem se sentido como se o mundo
estivesse à espreita para pegá-lo, é hora de fazer uma pausa. Vá lá fora esta noite, e olhe
para as estrelas



2. A VOZ INTERIOR

Se você encontrou a sua verdade dentro de você, não há mais nada para descobrir em
toda esta existência. A verdade está atuando através de você. Quando você abre os
olhos, é a verdade abrindo os olhos. Quando fecha os seus olhos, é a verdade que está
fechando os olhos. Esta é uma meditação extraordinária. Se você puder simplesmente
entender o mecanismo, não precisará fazer nada – o que quer que esteja fazendo, estará
sendo feito pela verdade. Se você estiver andando, será a verdade andando; se estiver
dormindo, será a verdade dormindo; se estiver falando, será a verdade falando; se estiver
em silêncio, será a verdade que estará em silêncio. Esta é uma das técnicas de
meditação mais simples. Pouco a pouco, tudo se acomoda segundo esta fórmula simples
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e, então, não há mais necessidade da técnica.Quando você está curado, joga fora a
meditação, joga fora o remédio. Então, você vive como verdade – cheio de vida, radiante,
satisfeito, abençoado, uma canção em si mesmo. Toda a sua vida se transforma em uma
prece sem palavras ou, melhor dizendo, em um estado de oração, em um estado de
graça, de beleza que não pertence a este mundo, em um raio de luz vindo do além,
iluminando a escuridão do nosso mundo.OshoThe Great Zen Master Ta Hui

Comentário:

 A Voz Interior não fala por palavras, mas na linguagem inarticulada do coração. É como
um oráculo que só fala a verdade. Se tivesse um rosto, seria como o que aparece no
centro desta figura – desperto, vigilante, e capaz de aceitar tanto a escuridão quanto à
luz, simbolizadas pelas duas mãos que seguram o cristal. O cristal, em si, representa a
luminosidade que advém de se haver superado todas as dualidades. A voz interior
também pode ser brincalhona, à medida que mergulha profundamente nas emoções e
ressurge para lançar-se em direção ao céu, como dois golfinhos dançando nas águas da
vida. Ela está ligada ao cosmos por intermédio da coroa em forma de lua crescente, e à
Terra, do modo como está representada pelas folhas verdes no quimono desta figura. Há
momentos em nossas vidas, em que muitas vozes parecem nos estar chamando de
várias direções. A própria confusão que sentimos nessas ocasiões, é um lembrete para
que procuremos silêncio e centramento dentro de nós mesmos. Só assim seremos
capazes de escutar a nossa verdade.



3. CRIATIVIDADE

Criatividade é a qualidade que você traz para a atividade que está fazendo. Trata-se de
uma atitude, de uma disposição interior – a maneira como você olha para as coisas...
Nem todo mundo pode ser um pintor – e também não há necessidade disso. Se todos
fossem pintores, o mundo seria muito feio; e viver seria difícil. E também não é todo
mundo que pode ser dançarino, nem há necessidade disso. Todos, porém, podem ser
criativos. Seja o que for que faça, se você o faz com alegria, se o faz com amor, se o seu
ato de fazer não é meramente econômico, então ele é criativo. Se algo cresce em seu
íntimo como conseqüência, se isso lhe traz desenvolvimento, então é espiritual, é criativo,
é divino. Você se torna mais divino à medida que fica mais criativo. Todas as religiões do
mundo disseram que Deus é o criador. Eu não sei se ele é ou não é o criador, mas de
uma coisa eu sei: quanto mais criativo você se torna, mais divino você fica. Quando sua
criatividade chega a um clímax, quando a sua vida inteira se torna criativa, você está em
Deus. Ele deve ser, portanto, o criador, pois as pessoas que foram criativas estiveram
mais próximas dele. Ame o que você faz. Assuma uma postura meditativa enquanto você
estiver fazendo algo – seja lá o que for!OshoA Sudden Clash of Thunder

Comentário:

 A partir da alquimia de fogo e água na parte de baixo, até a luz divina que entra pela
parte de cima, a figura desta ilustração está literalmente "possuída" pela força criativa.
Realmente, a experiência da criatividade é um mergulho no misterioso. Técnica,
treinamento e conhecimento são apenas instrumentos; o segredo é abandonar-se à
energia que alimenta o nascimento de todas as coisas. Essa energia não tem forma nem
estrutura e, no entanto, todas as formas e estruturas nascem dela. – Pouco importa a
forma de expressão particular que a sua criatividade assuma – pode ser a pintura ou o
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canto, o plantio de um jardim ou a preparação de uma refeição. O importante é estar
aberto para aquilo que quer se expressar por seu intermédio. Lembre-se de que não
somos donos das nossas criações – elas não nos pertencem. A criatividade verdadeira
nasce de uma união com o divino, com o místico e com o incognoscível. Daí ser ela tanto
uma alegria para quem cria, quanto uma bênção para os demais



4. O Rebelde

As pessoas têm muito medo daqueles que conhecem a si mesmos. Estes têm um certo
poder, uma certa aura e um certo magnetismo, um carisma capaz de libertar os jovens,
ainda cheios de vida, do aprisionamento tradicional...O homem iluminado não pode ser
escravizado – este é o problema – e não pode ser feito prisioneiro... Todo gênio que tenha
conhecido um pouco do seu íntimo está fadado a ser um pouco difícil de ser absorvido:
ele deverá ser uma força perturbadora. As massas não querem ser perturbadas, ainda
que se encontrem na miséria; estão na miséria, mas estão acostumadas com isso, e
qualquer um que não seja um miserável parece um estranho.O homem iluminado é o
maior forasteiro do mundo; ele parece não pertencer a ninguém. Nenhuma organização
consegue confiná-lo, nenhuma comunidade, nenhuma sociedade, nenhuma
nação.OshoThe Zen Manifesto: Freedom from Oneself

Comentário:

 A figura de poder e autoridade desta meditação é, visivelmente, de alguém que é senhor
do seu próprio destino. Em seu ombro, há uma representação do sol, e a tocha que ele
segura na mão direita simboliza a luz da sua própria verdade, arduamente conquistada.
Rico ou pobre, o Rebelde é de fato um imperador, porque quebrou as correntes do
condicionamento repressivo e das opiniões da sociedade. Ele deu forma a si mesmo
abraçando todas as cores do arco-íris, aflorando das raízes obscuras e amorfas de seu
passado inconsciente, e criando asas para voar para o céu. A sua própria maneira de ser
é rebelde – não porque esteja lutando contra alguém ou contra qualquer coisa, mas
porque ele descobriu a sua própria natureza verdadeira e está determinado a viver de
acordo com ela. A águia é o animal com o qual se afina espiritualmente, um mensageiro
entre a terra e o céu. Rebelde nos desafia a ser suficientemente corajosos para assumir
responsabilidade por quem somos, e para viver a nossa verdade.



5. NÃO-MATERIALIDADE

Buda escolheu uma das palavras que realmente trazem em si um grande potencial –
shunyata.

 A palavra inglesa, o equivalente inglês ´nothingness´ [nada], não é uma palavra tão bela.
Por esse motivo é que eu gostaria de transformá-la em ´no-thingness´ (não-materialidade)
– porque o "nada" de fato não é exatamente um vazio: ali se encontra potencialmente o
"tudo". Nele, vibram todas as possibilidades. Trata-se de potencial, potencial absoluto.
Ainda não está manifesto, mas tudo está contido ali. No princípio é natureza, no final é
natureza. Então, por que criar tanta confusão no meio do caminho...? Por que ficar tão
preocupado, tão ansioso, com tantas ambições, no meio do caminho – por que criar
tamanho desespero? Toda a jornada é da não-materialidade à não-
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materialidade.OshoTake it Easy, Volume 1

Comentário:

 Encontrar-se "no vazio" pode ser desorientador e até assustador. Nada em que se apoiar,
nenhum sentido de direção, nem mesmo um indício a respeito de quais opções e
possibilidades poderiam estar à frente. Era, porém, exatamente esse estado de
potencialidade pura que existia antes que o universo fosse criado. Tudo o que você pode
fazer agora é relaxar no seio dessa não-materialidade... mergulhar nesse silêncio entre as
palavras... observar esse vazio entre a expiração e a inspiração, e guardar o tesouro de
cada momento vazio da experiência. Alguma coisa sagrada está para nascer.



6. OS AMANTES

É preciso ter em mente estas três coisas: o amor de nível inferior é o sexo – este é físico
– e o refinamento maior do amor é a compaixão. O sexo encontra-se abaixo do amor, a
compaixão está acima dele; o amor fica exatamente no meio. Bem pouca gente sabe o
que é o amor. Noventa e nove por cento das pessoas, infelizmente, pensa que
sexualidade é amor – não é. A sexualidade é por demais animal; certamente, ela contém
o potencial para transformar-se em amor, mas ainda não é amor, apenas potencial... Se
você se tornar consciente e alerta, meditativo, então o sexo poderá ser transformado em
amor. E se a sua atitude meditativa tornar-se total, absoluta, o amor poderá ser
transformado em compaixão. O sexo é a semente, o amor é a flor, compaixão é a
fragrância. Buda definiu a compaixão como sendo "amor mais meditação". Quando o seu
amor não é apenas um desejo pelo outro, quando o seu amor não é apenas uma
necessidade, quando o seu amor é um compartilhar, quando seu amor não é de um
pedinte, mas de um imperador, quando o seu amor não está pedindo nada em troca, mas
está pronto para dar apenas -- dar só pela total alegria de dar --, então, acrescente a
meditação a ele, e a pura fragrância é exalada. Isso é compaixão; compaixão é o
fenômeno mais elevado.OshoZen, Zest, Zip, Zap and Zing

Comentário:

 Aquilo que chamamos de amor é na verdade todo um espectro de modos de se
relacionar, abrangendo desde a terra até o céu. No nível mais terreno, o amor é a atração
sexual. Muitos de nós continuamos presos nesse nível, porque o condicionamento a que
fomos submetidos sobrecarregou nossa sexualidade com toda sorte de expectativas e de
repressões. Na verdade, o maior "problema" do amor sexual é que ele nunca perdura. Só
quando aceitamos tal fato é que podemos celebrá-lo pelo que ele realmente é – dar as
boas-vindas a seu aparecimento, e dizer adeus com gratidão quando ele se vai. Então, à
medida que vamos amadurecendo, podemos vivenciar o amor que existe além da
sexualidade, e que honra a individualidade singular do outro. Começamos a compreender
que o nosso parceiro funciona freqüentemente como um espelho, refletindo aspectos
desconhecidos do nosso ser mais profundo, e ajudando-nos a nos tornarmos completos
em nós mesmos. Esse amor é baseado na liberdade, não em expectativas nem na
necessidade. Em suas asas, somos levados, cada vez mais alto em direção ao amor
universal, que vivencia tudo como uma coisa só.



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7. CONSCIÊNCIA

A mente nunca pode ser inteligente – só a não-mente é inteligente. Só a não-mente é
original e radical. Só a não-mente é revolucionária – revolução em ação. A mente lhe dá
uma espécie de estupor. Sobrecarregado pelas lembranças do passado, sobrecarregado
pelas projeções do futuro, você vai vivendo – num nível mínimo. Não vive no máximo. A
sua chama permanece muito fraca. Uma vez que você começa a deixar de lado os
pensamentos, a poeira que você acumulou no passado, a chama se ergue – límpida,
clara, viva, jovem. A sua vida como um todo se transforma em uma chama, e uma chama
sem nenhuma fumaça. Isto é o que é a consciência.OshoA Sudden Clash of Thunder

Comentário:

 O véu da ilusão ou maya, que tem estado impedindo que você perceba a realidade como
ela é, está começando a queimar-se. Tal fogo não é a chama aquecida da paixão, mas a
flama fria da consciência. À medida que o véu vai sendo queimado, o rosto de um buda
muito delicado e infantil torna-se visível. A consciência que está crescendo em você neste
momento não é o resultado de algum "fazer" consciente, nem é preciso que você se
esforce para fazer alguma coisa acontecer. Qualquer impressão que você possa ter de
que vinha tateando no escuro, está se desfazendo agora, ou logo se dissipará. Deixe-se
assentar, e lembre-se de que, bem no fundo, você é apenas uma testemunha,
eternamente silenciosa, consciente e imutável. Um canal está se abrindo agora a partir da
esfera de atividades até o centro do testemunhar. Ele o ajudará a atingir o desapego, e
uma nova consciência removerá o véu dos seus olhos.



8. CORAGEM

A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a
semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para
transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada, e sempre será mais seguro não
entrar nessa jornada, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido. Nada pode
ser garantido. Mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos – e a
semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda
assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e
começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as
pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito
delicada, e os perigos serão muitos. Não havia perigo para a semente, a semente poderia
ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho
lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem
saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente
está tomada por um sonho, e segue em frente.Semelhante é o caminho para o homem. É
árduo. Muita coragem será necessária.OshoDang Dang Doko Dang

Comentário:

 Esta figura mostra uma pequena flor silvestre que enfrentou o desafio das rochas, das
pedras em seu caminho, para aflorar à luz do dia. Envolta em brilhante aura de luz
dourada, ela exibe a majestade do seu pequenino ser. Sem nenhum constrangimento,
equipara-se ao sol mais brilhante.Quando nos defrontamos com uma situação muito
difícil, há sempre uma escolha: podemos ficar repletos de ressentimentos e tentar
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encontrar alguém ou alguma coisa em que pôr a culpa pelas nossas dificuldades, ou
podemos enfrentar o desafio e crescer. A flor nos mostra o caminho, na medida em que a
sua paixão pela vida a conduz para fora da escuridão, para o mundo da luz. Não há
nenhum sentido em se lutar contra os desafios da vida, ou tentar evitá-los ou negá-los.
Eles estão aí, e se a semente deve transformar-se na flor, precisamos passar por eles.
Seja corajoso o bastante para transformar-se na flor que você foi feito para ser.



9. SOLITUDE

Quando você está sozinho, você não está só, está simplesmente solitário – e há uma
grande diferença entre solidão e solitude. Quando você está em solidão, fica pensando no
outro, sente a falta do outro. A solidão é um estado de espírito negativo. Você fica
sentindo que seria melhor se o outro estivesse ali – seu amigo, sua esposa, sua mãe, a
pessoa amada, seu marido. Seria bom se o outro estivesse ali, mas ele não está. Solidão
é ausência do outro. Solitude é a presença de si mesmo. A solitude é muito positiva. É
uma presença, uma presença transbordante. Você se sente tão pleno de presença que
pode preencher o universo inteiro com a sua presença, e não há nenhuma necessidade
de ninguém.OshoThe Discipline of Transcendence, Volume 1

Comentário:

 Quando não existe "alguém significativo" em nossa vida, podemos tanto nos sentir
solitários, quanto desfrutar da liberdade que a solidão traz. Quando não encontramos
apoio entre os outros para as nossas verdades sentidas profundamente, podemos nos
sentir isolados e amargurados, ou então celebrar o fato de que o nosso modo de ver as
coisas é seguro o bastante, até para sobreviver à poderosa necessidade humana de
aprovação da família, dos amigos, dos colegas. Se você está enfrentando uma tal
situação neste momento, tome consciência de como está optando por encarar a sua
"solitude", e assuma a responsabilidade pela escolha que fez.A figura humilde desta
meditação brilha com uma luz que emana do seu interior. Uma das contribuições mais
significativas do Buda Gautama para a vida espiritual da humanidade foi insistir junto a
seus discípulos: "Seja uma luz para você mesmo". Afinal de contas, cada um de nós deve
desenvolver em si a capacidade de abrir o seu próprio caminho através da escuridão, sem
quaisquer companheiros, mapas ou guia.



10. MUDANÇA

A vida segue repetindo-se despreocupadamente – e a menos que você se torne muito
consciente, ela continuará se repetindo, como uma roda. Por isso é que os budistas
chamam a isso de roda da vida e da morte – roda do tempo. Tudo se movimenta como
uma roda: ao nascimento se segue a morte, à morte o nascimento; ao amor se segue o
ódio, ao ódio o amor; ao sucesso se segue o fracasso, ao fracasso o sucesso. Basta olhar
à volta... Se lhe for possível observar apenas por alguns dias, você perceberá um padrão
se definindo: o esquema da roda. Em um dia, numa bela manhã, você se sente tão bem,
tão feliz e, no outro dia, está chateado, tão infeliz, que começa a pensar em cometer
suicídio. Há apenas alguns dias você se sentiu tão cheio de vida, tão abençoado, que
agradecia a Deus, pois você estava num estado de espírito de profunda gratidão, e hoje
há um grande sentimento de inconformismo, e você não vê razão que justifique continuar
                                                                                     398
vivendo... E essa alternância vai se repetindo, mas a gente não chega a perceber o
padrão. Uma vez que você perceba o padrão, você pode libertar-se dele.OshoTake it
Easy, Volume 1

Comentário:

 O símbolo desta figura é uma roda enorme que representa o tempo, o destino, o karma.
Galáxias orbitam em torno desse círculo que está em constante movimento, e os doze
signos do zodíaco aparecem à sua volta. Na parte de dentro da circunferência estão os
oito trigramas do I Ching, e mais próximo ao centro aparecem as quatro direções, cada
qual iluminada pela energia do relâmpago. O triângulo giratório neste momento está
apontando para cima, em direção ao divino, e o símbolo chinês do yin e yang, macho e
fêmea, o criativo e o receptivo, fica no centro. Com freqüência tem sido dito que a única
coisa que não muda no mundo, é a própria mudança. A vida está mudando
continuamente, evoluindo, morrendo e renascendo. Todos os opostos têm um papel
nesse vasto esquema circular. Se você se agarrar à borda da roda, poderá ficar tonto!
Avance em direção ao centro do ciclone e relaxe, sabendo que esse estado também
passará.



11. RUPTURA

Converter a derrocada em ruptura, eis toda a função de um mestre. O psicoterapeuta
simplesmente põe remendos. Essa é a sua função. Ele não está ali para transformá-lo.
Você precisa de uma metapsicologia – a psicologia dos budas. Sofrer uma derrocada
conscientemente é a maior aventura da vida. É o maior risco, porque não há nenhuma
garantia de que a derrocada se transformará em uma ruptura. Ela se transforma, mas
essas coisas não podem ser garantidas. O caos em que você se encontra é muito antigo
– por muitas, muitas vidas você tem estado no caos. Trata-se de um caos espesso e
denso. É quase um universo em si mesmo. Portanto, quando você o desafia com sua
capacidade limitada, é claro que há perigo. Sem desafiar, porém, esse perigo, ninguém
jamais se tornou integrado, ninguém jamais se tornou um indivíduo, indivisível.O Zen, ou
a meditação é o método que irá ajudá-lo a passar através do caos, pela noite escura da
alma, com equilíbrio, disciplinado, alerta. O alvorecer não está muito longe, mas antes
que lhe seja possível alcançar o nascer do dia, a noite escura precisará ser atravessada.
À medida que a alvorada for se aproximando, a noite se tornará ainda mais
escura.OshoWalking in Zen, Sitting in Zen

Comentário:

 A predominância do vermelho nesta figura indica, logo à primeira vista, que o seu tema é
a energia, o poder e a força. A aura brilhante emana do plexo solar ou centro de poder da
figura, e a sua postura é de exuberância e determinação. Todos nós atingimos
ocasionalmente um ponto em que "bastante é o bastante". Nesses momentos parece que
precisamos fazer alguma coisa, qualquer coisa, ainda que mais tarde essa coisa se revele
um engano. Precisamos deixar de lado as cargas e restrições que nos estão limitando. Se
não fazemos isso, elas ameaçam sufocar e neutralizar nossa própria energia vital.Se
neste momento você está sentindo que "bastante é o bastante", aceite o risco de romper
com os velhos padrões e limitações que têm impedido a sua energia de fluir. Ao fazê-lo,
você ficará surpreso com a vitalidade e com a energia que essa Ruptura trará à sua vida.

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12. NOVA VISÃO

Quando você se abre para o supremo, imediatamente ele se derrama dentro de você.
Você já não é mais um ser humano comum – você transcendeu. Seu insight transformou-
se no insight da existência como um todo. Agora, você não é mais um ser à parte – você
encontrou as suas raízes. Não sendo assim – o que é o mais comum –, as pessoas vão
vivendo sem raízes, sem saber de onde o seu coração continua recebendo energia, sem
saber quem continua respirando em seu interior, sem conhecer a seiva da vida que está
circulando dentro delas. Não se trata do corpo, e não se trata da mente – é alguma coisa
transcendental a todas as dualidades, que se denomina bhagavat – o bhagavat nas dez
direções...O seu ser interior, quando se abre, vivencia inicialmente duas direções: a altura
e a profundidade. Depois, devagarinho, à medida que vai se acostumando com essa
situação, você começa a olhar em volta, estendendo-se em todas as outras oito direções.
Quando você alcançar o ponto em que a sua altura e a sua profundidade se encontram,
então, você poderá olhar em volta, para a própria circunferência do universo. A partir
desse momento, a sua consciência começará a desdobrar-se em todas as dez direções,
mas o caminho terá sido só um.OshoZen: The Diamond Thunderbolt

Comentário:

 A figura desta meditação está nascendo de novo, emergindo de suas raízes presas à
terra e criando asas para voar em direção ao ilimitado. As formas geométricas em volta do
seu corpo mostram as muitas dimensões da vida que estão simultaneamente ao seu
alcance. O quadrado representa a parte física, o que está manifesto, o conhecido. O
círculo representa o não-manifesto, o espírito, o espaço puro. E o triângulo simboliza a
natureza trina do universo: o manifesto, o não-manifesto, e o ser humano que contém a
ambos.Você está tendo agora uma oportunidade para enxergar a vida em todas as suas
dimensões, das suas profundezas às alturas. Elas existem lado a lado, e, quando
descobrimos pela experiência que o escuro e o difícil são tão necessários quanto o claro e
o fácil, passamos a ter uma perspectiva muito diferente do mundo. Ao deixarmos que
todas as cores da vida penetrem em nós, tornamo-nos mais integrados.



13. TRANSFORMAÇÃO

Um mestre de Zen não é simplesmente um professor. Em todas as religiões, há apenas
professores. Eles ensinam a respeito de assuntos que você não conhece, e lhe pedem
para acreditar no que dizem, porque não há jeito de transformar essa experiência em
realidade objetiva. O professor tampouco as vivenciou – ele acreditou nelas, e transmite a
sua crença para outras pessoas.O Zen não é o mundo do crente. Não é para fiéis; o Zen
é destinado àquelas almas ousadas que são capazes de desfazer-se de toda crença,
descrença, dúvida, razão, mente, e mergulhar simplesmente na sua existência pura, sem
fronteiras. Ele traz, porém, uma transformação tremenda. Permitam-me, portanto, dizer
que, enquanto outros caminhos estão envolvidos com filosofias, o Zen está envolvido com
metamorfose, com uma transformação. Trata-se de uma alquimia autêntica: o Zen
transforma você de metal comum em ouro.Mas a sua linguagem precisa ser entendida,
não com o seu raciocínio e o seu intelecto, mas com o seu coração amoroso. Ou até
mesmo simplesmente escutar, sem se importar se é verdade ou não. Um momento
chega, repentinamente, em que você enxerga aquilo que não percebeu a vida inteira. De
                                                                                         400
repente, abre-se àquilo que o Buda Gautama denominou "oitenta e quatro mil
portas".OshoZen: The Solitary Bird, Cuckoo of the Forest

Comentário:

 A figura central desta meditação está sentada sobre a enorme flor do vazio, e segura os
símbolos da transformação – a espada que corta a ilusão, a serpente que se rejuvenesce
trocando de pele, a corrente partida das limitações, e o símbolo yin/yang da
transcendência da dualidade. Uma das mãos repousa no seu colo, aberta e receptiva. A
outra está embaixo, tocando a boca de um rosto adormecido, simbolizando o silêncio que
se instaura quando estamos em repouso.Este é um momento para uma passividade
profunda. Aceite qualquer dor, tristeza ou dificuldade, conforme-se com o "fato
consumado". É muito semelhante à experiência do Buda Gautama quando, após anos de
busca, ele finalmente desistiu, sabendo que não havia nada mais que pudesse fazer.
Naquela mesma noite ele se tornou iluminado. A transformação chega, como a morte, no
seu devido momento. E também como a morte, ela transporta você de uma dimensão
para outra.



14. INTEGRAÇÃO

O conflito está no homem. A menos que seja resolvido ali, não poderá ser resolvido em
nenhum outro lugar. O desafio político está dentro de você; ele acontece entre as duas
partes da mente. Há uma ponte muito pequena. Se essa ligação for rompida por algum
acidente, por algum defeito fisiológico ou por alguma outra razão, a pessoa fica dividida:
ela se tornará duas pessoas – e o fenômeno da esquizofrenia ou personalidade dividida,
se manifestará.Se a ponte for rompida – e é uma ponte muito frágil –, então você se
transformará em dois, passará a agir como duas pessoas. Pela manhã, você é muito
amável, uma pessoa encantadora; à tarde, está muito bravo, completamente diferente.
Você não irá lembrar-se de como foi de manhã... e como poderia lembrar-se? Era uma
outra mente que estava funcionando – e a pessoa se transforma em duas pessoas. Se
essa ponte for fortalecida o bastante para que as duas mentes deixem de ser duas e se
tornem uma só, então acontecerá a integração, a cristalização.Aquilo que George
Gurdjieff costumava chamar de cristalização do ser é apenas a transformação dessas
duas mentes em uma só, o encontro do masculino e do feminino dentro de nós, o
encontro do yin e do yang, o encontro do esquerdo com o direito, o encontro da lógica
com o ilógico, o encontro de Platão com Aristóteles.shoAncient Music in the Pines

Comentário:

 A imagem da integração é a união mística, a fusão dos opostos. Este é um momento de
comunicação entre dualidades da vida, anteriormente vivenciadas. Ao invés da noite
opondo-se ao dia, a escuridão suprimindo a luz, as polaridades estarão trabalhando
juntas para criar um todo unificado, transformando-se ininterruptamente uma na outra,
cada qual contendo a semente do seu oposto no seu âmago mais profundo. A águia e o
cisne são ambos seres alados e majestosos. A águia é a encarnação do poder e da
solitude. O cisne é a corporificação do espaço e da pureza, flutuando e mergulhando com
suavidade no elemento das emoções, totalmente satisfeito e realizado em sua perfeição e
beleza.Nós somos a união da águia com o cisne: macho e fêmea, fogo e água, vida e
morte. A figura da integração é o símbolo da autocriação, da vida nova e da união mística,
conhecida também como alquimia
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15. CONDICIONAMENTO

A menos que você abandone a sua personalidade, você não será capaz de encontrar a
sua individualidade. A individualidade é dada pela existência; a personalidade é imposta
pela sociedade. Personalidade é conveniência social. A sociedade não pode tolerar a
individualidade porque a individualidade não acompanhará o rebanho, como uma ovelha.
A individualidade tem a natureza do leão: o leão move-se sozinho. As ovelhas estão
sempre em rebanho, na esperança de que estar em grupo será aconchegante. Em meio à
multidão, o indivíduo sente-se mais protegido, seguro. Se alguém atacar, na multidão há
todas as possibilidades de você se salvar. Mas, e estando só? – apenas os leões andam
sós. Cada um de vocês nasceu leão, mas a sociedade está sempre condicionando,
programando a mente de vocês como ovelhas. Ela lhes imprime uma personalidade, uma
personalidade agradável, simpática, muito conveniente, muito obediente. A sociedade
quer escravos, não pessoas que sejam absolutamente dedicadas à liberdade. A
sociedade     quer    escravos      porque   os    interesses    estabelecidos    querem
obediência.OshoOne Seed Makes the Whole Earth Green

Comentário:

 Esta figura lembra uma antiga história Zen a respeito de um leão que foi criado por
ovelhas, e pensava que era uma delas, até que um velho leão o capturou e o levou até
um lago, onde lhe mostrou o seu próprio reflexo. Muitos de nós somos como esse leão –
a imagem que temos de nós mesmos não advém da nossa própria vivência direta, mas
das opiniões dos outros. Uma "personalidade" imposta de fora substitui a individualidade
que poderia ter se desenvolvido de dentro. Nós nos tornamos apenas mais uma ovelha no
rebanho, incapazes de nos movermos livremente, e inconscientes da nossa verdadeira
identidade. É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago, e de tomar a
iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento
pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito.
Dance, corra, mexa-se, fale uma língua inexistente – tudo o que for necessário para
acordar o leão adormecido dentro de você.



16. RELÂMPAGO

O que a meditação faz lentamente, um forte brado do mestre, inesperado, na situação em
que o discípulo está fazendo uma pergunta e o mestre pula e grita, ou lhe dá um golpe
firme, ou o atira porta afora, ou salta sobre ele... Tais métodos não eram conhecidos. Foi
simplesmente a genialidade muito criativa de Ma Tzu, e ele levou muitas pessoas à
iluminação. Algumas vezes parece hilariante: ele jogou um homem pela janela de um
prédio de dois andares, e o homem só havia ido perguntar-lhe sobre o que meditar. Ma
Tzu não apenas o atirou como saltou em seguida, caiu por cima dele, sentou-se no seu
peito e perguntou: "Entendeu?” O pobre sujeito respondeu "Sim", porque se dissesse
"Não", o mestre seria capaz de bater nele, ou de fazer qualquer outra coisa. Aquilo já era
o bastante – seu corpo estava arrebentado e Ma Tzu, sentado no seu peito, perguntando:
"Entendeu?" De fato ele entendeu, e justamente por aquilo ter sido tão repentino,
inesperado; ele nunca poderia ter imaginado uma coisa daquelas.OshoIsan: No Footprints
in the Blue Sky

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Comentário:

 A figura mostra uma torre sendo queimada, destruída, explodida. Um homem e uma
mulher se atiram dela, não por quererem isso, mas porque não há escolha. No fundo,
aparece uma figura transparente, meditativa, representando a consciência que a tudo
assiste. Talvez você esteja se sentindo muito abalado neste exato momento, como se a
terra tremesse sob seus pés. O seu sentido de segurança está sendo desafiado, e a
tendência natural é tentar segurar-se em tudo que estiver ao seu alcance. Esse terremoto
interior, porém, é tanto necessário quanto tremendamente importante – se você aceitar
que ele aconteça, você emergirá dos escombros mais forte e mais disponível a novas
experiências. Depois do incêndio, a terra é repovoada; após a tempestade o ar apresenta-
se limpo. Tente assistir à destruição com desprendimento, quase como se isso estivesse
acontecendo com uma outra pessoa. Diga "sim" ao processo ao encontrá-lo a meio
caminho.



17. SILÊNCIO

A energia do todo se apossou de você. Você está possuído, você nem mesmo existe
mais: o que existe é o todo. Neste momento, à medida que o silêncio o penetra, você vai
sendo capaz de compreender a significância dele, porque é o mesmo silêncio vivenciado
pelo Buda Gautama. É o mesmo silêncio de Chuang Tzu ou Bodhidharma, de Nansen... O
sabor do silêncio é o mesmo. Os tempos mudam, o mundo continua se transformando,
mas a experiência do silêncio, a alegria que vem dele, permanece a mesma. Essa é a
única coisa em que você pode confiar, a única coisa que nunca morre. Esta é a única
coisa que você pode chamar de seu próprio ser.Osho

Comentário:

 A receptividade silenciosa de uma noite estrelada de lua cheia, semelhante à de um
espelho, reflete-se abaixo no lago coberto de névoa. O rosto que aparece no céu está em
meditação profunda: uma deusa da noite que traz profundidade, paz e compreensão.Este
é um momento muito precioso. Será fácil para você repousar internamente, e sondar as
origens do seu próprio silêncio interior até o ponto em que ele se confunde com o silêncio
do universo. Não há nada para fazer, lugar nenhum aonde ir, e a marca do seu silêncio
interior permeia tudo o que você faz. Isso poderia deixar algumas pessoas sentirem-se
desconfortáveis, acostumadas que estão com todo o barulho e atividade do mundo. Não
importa. Procure encontrar as pessoas capazes de entrar em sintonia com o seu silêncio,
ou então desfrute a sua solitude. Este é o momento de reencontrar-se consigo mesmo. A
compreensão e os insights que lhe ocorrem nesses instantes manifestar-se-ão mais tarde,
em uma fase de maior extroversão da sua vida



18. VIDAS PASSADAS

A criança poderá tornar-se consciente somente se, na sua vida anterior, houver meditado
o suficiente, se houver criado suficiente energia meditativa para lutar contra a escuridão
que a morte traz. O indivíduo encontra-se simplesmente perdido em um esquecimento e,
então, de repente, encontra um novo útero e esquece completamente do corpo antigo. Há
uma descontinuidade. Essa escuridão, essa inconsciência gera a descontinuidade. O
                                                                                       403
Oriente tem trabalhado arduamente para penetrar essas barreiras. E o trabalho de dez mil
anos não foi em vão. Todos podem adentrar sua vida anterior, e até muitas vidas
passadas. Para que isso seja possível, porém, é necessário que você se aprofunde na
sua meditação, e por duas razões: a menos que você se aprofunde, você não será capaz
de encontrar a passagem para uma outra vida; em segundo lugar, é preciso que você
tenha ido muito fundo na meditação porque, caso você encontre a passagem para uma
outra vida, uma profusão de acontecimentos invadirá a sua mente. Já é bastante difícil
carregar apenas uma vida.OshoHyakujo: The Everest of Zen

Comentário:

 As mãos da existência assumem a forma dos órgãos genitais femininos, a abertura da
mãe cósmica. Em seu interior se revelam muitas imagens, rostos de outros tempos.
Conquanto possa ser divertido fantasiar a respeito de vidas passadas famosas, isso não
passa de uma distração. O importante é enxergar e entender os padrões kármicos das
nossas vidas e as suas raízes, em um ciclo repetitivo sem fim que nos aprisiona em um
comportamento inconsciente. Os dois lagartos com as cores do arco-íris, um de cada
lado, representam o saber e o não-saber. São os guardiões do inconsciente, certificando-
se de que estejamos preparados para uma visão que, de outra forma, poderia ser
dilacerante. Um vislumbre da eternidade da nossa existência constitui uma dádiva, e o
entendimento da função do karma em nossa vida não é algo que possa ser conseguido
quando se quer. Este é um chamado para que você desperte: os acontecimentos em sua
vida estão tentando fazê-lo enxergar um padrão tão antigo quanto à jornada da sua
própria alma.



19. INOCÊNCIA

O Zen diz que se você abandonar o conhecimento – e dentro do conhecimento inclui-se
tudo: seu nome, sua identidade, tudo... porque tudo isso lhe foi dado pelos outros –, se
você abandonar tudo o que lhe foi dado pelos outros, você adquirirá uma qualidade
totalmente diferente de ser – a inocência. Isso será uma crucificação da persona, da
personalidade, e haverá uma ressurreição da sua inocência; você se tornará outra vez
uma criança, renascida.OshoDang Dang Doko Dang

Comentário:

 O velho desta figura irradia no mundo uma satisfação de criança. Há uma atmosfera de
graça à sua volta, indicando que ele está bem consigo mesmo, e com o que a vida lhe
proporcionou. Parece que ele está conversando alegremente com o louva-a-deus em seu
dedo, como se os dois fossem os maiores amigos. As flores cor-de-rosa que cascateiam
em torno dele representam um tempo de deixar-acontecer, de relaxamento e doçura. Elas
são uma resposta à sua presença, um reflexo da sua própria natureza.A inocência que
advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser
infantil. A inocência das crianças é bela, mas ignorante. Ela será substituída por
desconfiança e dúvida à medida que a criança for crescendo e aprendendo que o mundo
pode ser um lugar perigoso e ameaçador. A inocência, porém, de uma vida plenamente
vivida, tem um quê da sabedoria e da aceitação do milagre da vida em eterna mudança.



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20. ALÉM DA ILUSÃO

Esta é a única distinção entre o sonho e o real: a realidade permite-lhe duvidar e o sonho
não lhe permite duvidar...Para mim, a capacidade de duvidar é uma das maiores bênçãos
da humanidade. As religiões comportam-se como inimigas, porque podam as próprias
raízes da dúvida; e existe uma razão para que elas ajam assim: elas querem que as
pessoas acreditem em determinadas ilusões que elas vivem pregando...Por que motivo,
pessoas como o Buda Gautama têm insistido tanto em que a existência inteira – com
exceção do seu eu que a tudo testemunha, com exceção da sua consciência – é efêmera,
feita do mesmo material de que são feitos os sonhos? Elas não estão afirmando que
aquelas árvores não se encontram ali. Não estão dizendo que aqueles pilares não estão
lá. Não entenda mal por causa da palavra ´ilusão´ (maya)... A palavra foi traduzida como
"ilusão", mas ´ilusão´ não é a palavra certa. Ilusão é algo que não existe. A realidade
existe. "Maya" fica exatamente entre as duas – algo que quase-existe. No que diz respeito
a atividades do dia-a-dia, maya pode ser tomado como realidade. Apenas no seu sentido
máximo – a partir do ápice da sua iluminação –, as coisas se revelam irreais,
ilusórias.Osho

Comentário:

  A borboleta, nesta figura, representa o exterior, aquilo que está constantemente se
transformando, aquilo que não é real, mas uma ilusão. Por detrás da borboleta está a face
da consciência, olhando para dentro, para aquilo que é eterno. O espaço entre os dois
olhos abriu-se, revelando o lótus do desenvolvimento espiritual e o sol da consciência que
se levanta. Através da ascensão do sol interior, nasce a meditação.A figura nos lembra de
não olhar para fora à procura do que é real, mas olhar antes para dentro de nós mesmos.
Quando nos concentramos no mundo exterior, com freqüência nos assaltam os
julgamentos – isto é bom, isto é ruim, isto eu quero, aquilo eu não quero. Tais julgamentos
nos mantêm prisioneiros das nossas ilusões, da nossa sonolência, dos nossos velhos
hábitos e padrões. Abandone sua mente opiniosa e mova-se para dentro. Lá você poderá
relaxar no seio da sua própria verdade mais profunda, onde a diferença entre sonhos e
realidade já é.



21. COMPLETUDE

Este é o jeito Zen: não dizer as coisas até o fim. Isso precisa ser compreendido, pois é
uma metodologia muito importante. Não dizer tudo significa dar uma oportunidade para
que o ouvinte complete o que está sendo dito.Todas as respostas vêm incompletas. O
mestre só lhe terá dado uma direção... No momento em que você chegar ao limite, você
saberá o que irá permanecer. Sendo assim, se alguém estiver tentando compreender o
Zen intelectualmente, irá fracassar. Não se trata de uma resposta para uma pergunta,
mas de algo maior do que a resposta. Trata-se da indicação da própria realidade... A
natureza do buda não é coisa muito distante: a sua própria consciência é natureza de
buda. E a sua consciência é capaz de testemunhar as coisas que constituem o mundo. O
mundo chegará a um fim, mas o espelho permanecerá, espelhando o nada.OshoJoshu:
The Lion's Roar

Comentário:

Aqui, a última peça de um quebra-cabeça está sendo colocada em seu lugar: a posição
                                                                                        405
do terceiro olho, o lugar da percepção interior. Mesmo no fluxo sempre mutável da vida,
há instantes em que chegamos a um ponto de completude. Nesses momentos, somos
capazes de apreender o quadro completo, o conjunto de todas as pequenas peças que
ocuparam por tanto tempo a nossa atenção. No momento da conclusão, podemos tanto
nos sentir em desespero – porque não queremos que aquela situação chegue a um fim –,
como podemos nos sentir agradecidos e receptivos ao fato de que a vida é cheia de
conclusões e de novos começos.O que quer que tenha estado absorvendo o seu tempo e
sua energia, agora está chegando ao fim. Ao concluir isso, você estará criando condições
para que alguma coisa nova possa começar. Use essa pausa momentânea para celebrar
ambas as coisas: o encerramento do velho e a chegada do novo.



22. O MESTRE

Aqui eu gostaria de dizer algo, que tenho guardado como um segredo por toda minha
vida. Eu nunca quis ser um Mestre para ninguém... Ser um mestre é uma tarefa muito
estranha. Você precisa convencer pessoas sobre o coração, utilizando argumentos e
razões, racionalidades, filosofia, você tem que usar a mente como uma serva do coração.
O trabalho do mestre é lhe afastar da mente, para que toda sua energia se mova para o
coração. Você captou o sentido? A palavra “mestre” cria a idéia do discípulo, do seguidor.
Como pode haver um mestre sem um discípulo, sem um seguidor? Mas no sentido
espiritual da palavra, “mestre” significa domínio de si mesmo. Não tem nenhuma relação
com qualquer seguidor; não depende da multidão. Um mestre sozinho é suficiente. O
novo homem de que tenho falado será um mestre de si mesmo.Osho

Comentário:

 No Zen, o Mestre não é um mestre de outros, mas um mestre de si mesmo. – Cada gesto
seu, e cada uma de suas palavras, refletem a sua condição de iluminado. Ele não é um
professor com uma doutrina para partilhar, nem um mensageiro supernatural conectado
diretamente a Deus, mas simplesmente aquele que se tornou um exemplo vivo do mais
alto potencial que repousa dentro de cada ser humano. Nos olhos do mestre, eles
encontram a própria verdade deles refletida, e no seu silêncio eles encontram com maior
facilidade o seu próprio silêncio interior.Juntos, eles criam um campo de força que dá
apoio a cada um isoladamente, para que encontre a sua própria luz interior. Esta luz, uma
vez encontrada, o discípulo chega a entender que o mestre exterior era apenas um
catalisador, um recurso para provocar o despertar do interior




ARCANOS MENORES

FOGO - PAUS

23. O Criador - O Domínio da Ação: Rei do Fogo

Existem dois tipos de criadores no mundo: um deles trabalha com objetos – um poeta, um
pintor, trabalham com objetos e criam coisas; o outro tipo de criador, o místico, cria a si
mesmo. Ele não trabalha com objetos, trabalha com o subjetivo; trabalha em si mesmo,
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no seu próprio ser. Este é o verdadeiro criador, o verdadeiro poeta, porque transforma a si
mesmo numa obra-prima. Você leva uma obra-prima escondida dentro de si, mas você
mesmo está obstruindo o caminho. Dê um passo para o lado, e a obra de mestre será
revelada. Cada um de nós é uma obra-prima, porque Deus nunca gera coisa alguma
menor do que isso. Cada qual carrega escondida essa obra de arte por muitas vidas, sem
saber quem é, e tentando apenas superficialmente tornar-se alguém.Abandone a idéia de
vir a ser alguém, porque você já é uma obra-prima. Você não pode ser aperfeiçoado. Você
tem apenas de se aproximar dela, de conhecê-la, de percebê-la. Deus criou você com
suas próprias mãos; você não pode ser aperfeiçoado.

Comentário:

 O mestre Zen, nesta figura, domesticou a energia do fogo e é capaz de utilizá-la para fins
criativos, em vez de usá-la para a destruição. Ele nos convida a reconhecer e a participar
com ele, da compreensão que é própria dos que estabeleceram seu domínio sobre os
fogos da paixão, sem reprimi-los, mas também sem permitir que eles se tornem
destrutivos e desequilibrados. Ele é tão integrado que já não há qualquer diferença entre
quem ele é por dentro, e quem ele é no mundo exterior. Esta dádiva da compreensão e
integração, ele oferece a todos aqueles que o procuram: a dádiva da luz criativa que flui
do centro do seu ser.O Rei do Fogo nos diz que qualquer coisa a que nos proponhamos
agora, com o entendimento que vem da maturidade, trará enriquecimento à nossa vida e
à vida de outras pessoas. É tempo de expressar-se utilizando quaisquer habilidades que
você tenha, o que quer que você tenha aprendido com a sua própria experiência de vida.



24. O Compartilhar - O Domínio da Ação: Rainha do Fogo

À medida que você progride para cima, em direção ao quarto centro – ou seja, o coração
– toda a sua vida se transforma num compartilhar de amor. O terceiro centro criou a
abundância de amor. Ao atingir, pela meditação, o terceiro centro, você se tornou tão
transbordante de amor, de compaixão, que você quer compartilhar. Isso vem a acontecer
no quarto centro – o coração. É por isso que mesmo na vida mundana as pessoas dizem
que o amor vem do coração. Para elas, entretanto, isso é apenas um papaguear, um falar
por ouvir dizer; elas de fato não conhecem, porque nunca chegaram ao seu próprio
coração. Mas o meditador, finalmente, chega ao coração. À medida que ele chega ao
âmago do seu ser – o terceiro centro – de repente acontece uma explosão de amor, de
compaixão, alegria, bem-aventurança e de êxtases, e com uma tal força que atinge o
coração, e abre o coração. O coração encontra-se exatamente no meio de todos os seus
sete centros – três ficam abaixo, os outros três ficam acima. Você chegou exatamente no
meio.

Comentário:

  A Rainha do Fogo é tão rica, tão régia, que pode permitir-se dar presentes. Nem lhe
ocorre a idéia de fazer um inventário do que tem, ou de deixar alguma coisa de lado para
o futuro. Ela distribui os seus tesouros sem restrições, recebendo a todos sem distinção,
para que participem da abundância, da fertilidade, e da luz que a envolve. Quando você
tira esta carta, isso sugere que você também se encontra em uma situação que lhe dá a
oportunidade de compartilhar o seu amor, a sua alegria, e o seu riso. Ao compartilhá-los,
você descobrirá que se sente ainda mais pleno. Não há necessidade de ir a parte alguma
nem de fazer nenhum esforço extraordinário. Você descobre que é capaz de desfrutar a
                                                                                        407
sensualidade sem possessividade ou apego, e que pode dar origem a uma criança ou a
um novo projeto, com a mesma sensação de criatividade plena. Tudo à sua volta parece
agora estar "se integrando". Desfrute isso, firme-se nisso, e permita que a abundância
que está em você e ao seu redor transborde.



25. Intensidade-O Domínio da Ação: Cavaleiro do Fogo

O Zen diz: Considere todos os grandes ditos e os grandes ensinamentos, como seus
inimigos mortais. Evite-os, porque você precisa encontrar a sua própria fonte. Você não
tem que ser um seguidor, um imitador. Você precisa ser um indivíduo original; precisa
encontrar por si mesmo o seu âmago mais profundo, sem nenhum guia, sem escrituras
que o orientem. É uma noite escura, mas com a chama intensa dessa busca, você está
destinado a chegar até o nascer do sol. Todos os que arderam com uma intensa procura,
encontraram o nascer do sol. Outros se limitam a acreditar. Esses que acreditam não são
religiosos; eles estão simplesmente evitando, com essa crença, a grande aventura da
religião.

Comentário:

 A figura desta meditação assumiu a forma de uma seta, movendo-se com o foco
unidirecionado daquele que sabe precisamente onde está indo. Movimenta-se com
tamanha velocidade que quase se transformou em pura energia. Sua intensidade não
deve, porém ser confundida com a energia obsessiva que faz as pessoas dirigirem seus
carros à velocidade máxima para ir do ponto A para o ponto B. Esse tipo de intensidade
pertence ao mundo horizontal do espaço/tempo. A intensidade representada pelo
Cavaleiro do Fogo é pertinente ao mundo vertical do momento instantâneo – um
reconhecimento de que agora é o único momento que existe, e de que aqui é o único
espaço. Quando você age com a intensidade do Cavaleiro do Fogo, é provável que isso
provoque ondulação nas águas à sua volta. Alguns irão sentir-se valorizados e renovados
pela sua presença, outros poderão sentir-se ameaçados ou incomodados. As opiniões
alheias importam pouco, porém; nada poderá detê-lo neste momento.



26. Espírito Brincalhão-O Domínio da Ação: Valete do Fogo

No momento em que você começa a enxergar a vida como uma coisa não-séria, como
uma brincadeira, toda a pressão sobre o seu coração desaparece. Todo o medo da morte,
da vida, do amor – tudo desaparece. A pessoa começa a se sentir muito leve, ou quase
sem peso nenhum. Tão leve ela se torna, que é capaz de voar no céu aberto.A maior
contribuição do Zen é oferecer-lhe uma alternativa à postura de homem sério. O homem
sério fez o mundo, o homem sério inventou todas as religiões. Ele criou todas as
filosofias, todas as culturas, todas as moralidades; tudo o que existe à sua volta é uma
criação do homem sério. O Zen excluiu-se do mundo sério. Criou um mundo próprio muito
divertido, cheio de risos, no qual até os grandes mestres se comportam como crianças.

Comentário:

 A vida raramente é tão séria quanto acreditamos que seja, e quando reconhecemos este
fato, ela responde oferecendo-nos cada vez mais oportunidades para brincar. A mulher
                                                                                     408
desta figura está celebrando a alegria de estar viva, como uma borboleta que emergiu da
sua crisálida para as promessas da luz. Ela nos faz lembrar do tempo em que éramos
crianças, encontrando conchas na praia ou construindo castelos na areia, sem nenhuma
preocupação com ondas que pudessem vir e desmanchá-los no momento seguinte. Ela
sabe que a vida é um jogo, e está desempenhando neste momento o papel de um
palhaço, sem nenhum constrangimento ou pretensão. Quando o Valete do Fogo entra em
sua vida, é um sinal de que você está preparado para receber o novo. Alguma coisa
maravilhosa está despontando no horizonte, e você tem exatamente a qualidade da
inocência feliz e da lucidez, para recepcioná-la de braços abertos.



48. A Fonte - Ás de Fogo: Ação

O Zen lhe pede que deixe de lado a cabeça e volte-se para a fonte primordial... Não é que
o Zen não esteja a par dos usos da energia na cabeça; mas, se toda a energia for usada
na cabeça, você nunca se dará conta da sua eternidade...Você nunca conhecerá como
uma experiência o que é tornar-se uno com o todo. Quando a energia fica restrita ao
centro, pulsando, quando ela não está se deslocando para parte alguma, nem para a
cabeça e nem para o coração, permanecendo na própria fonte de onde o coração a retira,
aonde a cabeça vai buscá-la, pulsando na própria fonte – esse é o significado exato do
Zazen.Zazen quer dizer apenas que, se você permanece na própria fonte, sem deslocar-
se para parte alguma, uma força imensa se levanta, uma transformação de energia em
luz e amor, em uma vida maior, em compaixão, em criatividade. Ela pode assumir formas
variadas. Primeiramente, porém, você tem que aprender como permanecer na fonte.
Depois, então, a fonte decidirá onde está o seu potencial. Você pode relaxar na fonte, e
ela o levará ao seu próprio potencial.

Comentário:

Quando falamos de estar "com os pés no chão" ou "centrados", é desta Fonte que
estamos falando. Quando damos início a um trabalho criativo, é com esta Fonte que nos
sintonizamos.Esta figura nos lembra de que existe um vasto reservatório de energia à
nossa disposição. E que não é quando pensamos e planejamos que nos ligamos a ele,
mas quando pomos os pés no chão, quando nos centramos, e quando permanecemos
suficientemente em silêncio para que o contato com a Fonte possa se estabelecer. Ela
está dentro de cada um de nós, como um sol pessoal, individual, proporcionando-nos vida
e alimento. Energia pura, ela permanece pulsando, disponível, pronta a nos dar o que for
que precisemos para realizar alguma coisa, e pronta também para nos acolher de volta
em casa, quando quisermos descansar.Recorra, portanto, à Fonte caso você esteja
dando início a alguma coisa nova e precise de inspiração imediatamente, e caso você
tenha acabado de finalizar alguma coisa, e queira descansar. Ela está sempre à sua
espera, e você nem precisa sair de casa para encontrá-la.



39. Possibilidades- 2 de Fogo: Ação

A mente pode aceitar fronteiras em qualquer lugar. A verdade, porém, é que, por sua
própria natureza, a existência não pode aceitar fronteiras de espécie alguma, pois o que
haverá do outro lado do muro? Céu e novamente um outro céu. Por isso é que estou
dizendo que céus sobre céus estão disponíveis para o seu vôo.Não se contente
                                                                                      409
facilmente. Os que se contentam com pouco permanecem pequenos: pequenas são as
suas alegrias, pequenos são os seus êxtases, pequenos são os seus silêncios, pequeno é
o seu ser. Mas não há necessidade disso!Essa pequenez é uma imposição que você
mesmo faz à sua liberdade, às suas possibilidades ilimitadas, ao seu potencial sem

Comentário:

 A águia tem uma visão panorâmica de todas as possibilidades existentes na paisagem lá
embaixo, enquanto voa livremente pelo céu, com naturalidade e sem qualquer esforço.
Ela está realmente no seu domínio, majestosa e senhora de si.Esta figura indica que você
se encontra num ponto em que um mundo de possibilidades lhe é oferecido. Por ter
desenvolvido mais amor para consigo mesmo, por estar mais pleno de si mesmo, você
consegue trabalhar facilmente com os outros. Por estar relaxado e à vontade, você é
capaz de reconhecer possibilidades à medida que elas se apresentam, algumas vezes até
antes que outros as consigam perceber. Por estar em sintonia com a sua própria
natureza, você compreende que a existência lhe está proporcionando exatamente aquilo
de que você precisa. Aproveite o vôo! E celebre todas as variadas maravilhas da
paisagem aberta diante de seus olhos.



40. O Experienciar- 3 de Fogo: Ação

Olhe, apenas, à sua volta, olhe dentro dos olhos de uma criança, ou nos olhos da pessoa
amada, nos de sua mãe, de um amigo – ou ainda, simplesmente sinta uma árvore.Alguma
vez você já abraçou uma árvore? Abrace uma árvore e, um dia, você perceberá que não
foi apenas você que abraçou a árvore, mas que a árvore também responde, a árvore
também o abraça. Pela primeira vez então, você será capaz de saber que a árvore não se
resume a uma forma, não é apenas uma determinada espécie de que os botânicos falam:
ela é um Deus desconhecido – tão verde ali no seu quintal, tão cheia de flores, tão
próxima a você, que vive lhe acenando, que o tempo todo o está chamando.

Comentário:

 Uma "experiência" é coisa que pode ser registrada num caderno, ou fotografada e
guardada num álbum. O experienciar já é a própria sensação de deslumbramento, a
emoção da comunhão, o toque delicado da nossa conexão com tudo o que nos rodeia.A
mulher desta figura não está apenas tocando a árvore: está em comunhão com ela, quase
que se tornou uma entidade única com a árvore. Trata-se de uma velha árvore, que
presenciou muitos tempos difíceis. O toque da mulher é suave, reverente, e o branco no
avesso do seu manto espelha a pureza do seu coração. Ela tem humildade, simplicidade
– e essa é a maneira correta de aproximar-se da natureza.A natureza não faz rufarem
tambores quando rebenta em flor, nem executa um réquiem quando as árvores se
desfazem das folhas, no outono. Quando, porém, nos aproximamos dela com o estado de
espírito adequado, ela tem muitos segredos para compartilhar. Se ultimamente você não
tem ouvido a natureza sussurrando para você, este é um bom momento para dar a ela
essa oportunidade.



41. Participação- 4 de Fogo: Ação

                                                                                     410
Alguma vez você já percebeu a noite passar? Pouquíssimas pessoas tomam consciência
das coisas que estão acontecendo todos os dias. Você já prestou atenção ao chegar da
noite? À meia-noite e à sua canção? Ao nascer do sol e à sua beleza? Temos nos
comportado quase como um bando de cegos. Num mundo tão bonito, vivemos em
pequenos compartimentos da nossa própria miséria. Ela é familiar; assim, mesmo que
alguém queira arrancá-lo dali, você resistirá. Você não quer ser afastado da sua miséria,
do seu sofrimento. Em contrapartida, há tanta alegria por toda à volta... você tem apenas
de perceber isso e tornar-se um participante, não um espectador.Filosofia é especulação;
Zen é participação. Participar da despedida da madrugada, participar da chegada da
noite, participar das estrelas e das nuvens; faça da participação o seu estilo de vida, e
toda a existência se transformará numa enorme alegria, num grande êxtase! Você não
poderia ter imaginado um universo melhor.

Comentário:

 Cada uma das figuras desta mandala está com a palma da mão esquerda voltada para
cima, em atitude de quem recebe, e a mão direita voltada para baixo, em atitude de quem
dá. O círculo que elas compõem cria um tremendo campo de energia que assume a forma
do "dorje" duplo, o símbolo tibetano para o relâmpago. A mandala tem uma natureza
semelhante à do campo de energia que se forma em torno de um buda, para o qual todas
as pessoas que tomam parte no círculo trazem contribuições únicas para a criação de um
todo unificado e vital. É como uma flor que, no seu conjunto, é ainda mais bonita do que a
soma de suas partes, e ao mesmo tempo aumenta a beleza de cada uma das suas
pétala.Agora, uma oportunidade está sendo dada a você, para participar junto com outras
pessoas, dando a sua contribuição para criar algo maior e mais belo do que o que cada
um de vocês seria capaz de fazer isoladamente. Sua participação não apenas irá nutri-lo,
mas, também, trará uma contribuição preciosa para o conjunto.



42. Totalidade- 5 Fogo: Ação

A cada momento há a possibilidade de ser total. Seja o que for que esteja fazendo, fique
tão completamente absorto, de modo que a mente não pense nada, esteja simplesmente
ali, seja apenas uma presença. E mais e mais totalidade virá para você e o sabor da
totalidade o tornará cada vez mais e mais capaz de ser total. Procure perceber quando
você não está sendo total. Esses são os momentos que precisarão ir sendo abandonados
pouco a pouco. Quando você não é total... sempre que você estiver na cabeça –
pensando, refletindo, fazendo cálculos, sendo astuto, achando soluções engenhosas –,
você não é total. Pouco a pouco, vá se descartando desses momentos. Trata-se apenas
de um velho hábito. Hábitos são difíceis de se deixar. Mas eles morrem certamente -- se a
pessoa persiste, eles morrem.

Comentário:

  Estas três mulheres estão suspensas no ar, livres e brincalhonas, porém alertas e
interdependentes. Num número de trapézio, ninguém pode permitir-se estar um
pouquinho "ausente", mesmo por uma fração de segundo. E é essa atitude de atenção
total ao momento presente, que está representada aqui.Podemos sentir que há coisas
demais para fazer ao mesmo tempo, e ficar hesitando ao tentar fazer um pouquinho aqui,
um pouquinho ali, em vez de fazer uma coisa de cada vez e até o fim. Pode ser, também,
que acreditemos que o que cabe a nós fazer é algo "chato", porque nos esquecemos de
                                                                                       411
que o que importa não é o que fazemos, mas a maneira como o fazemos.Desenvolver a
capacidade de estar presente por inteiro ao responder ao que quer que surja, da forma
como vier, é um dos maiores presentes que você pode dar a si mesmo. Dar um passo de
cada vez ao longo da vida, dedicando a cada um deles a sua total atenção e energia,
pode trazer uma grande e nova vitalidade e criatividade a tudo o que você faz.



43. Sucesso- 6 de Fogo: Ação

Observe as ondas no oceano. Quanto mais alto a onda sobe, mais fundo é o sulco que a
segue. Em um momento, você é a onda, no outro, você é o sulco que se forma atrás.
Aproveite ambos -- não fique apegado apenas a um deles. Não diga: "Eu gostaria de
estar sempre no auge!" Isso não é possível. Encare simplesmente o fato: não é possível.
Isso nunca aconteceu, e nunca irá acontecer. É simplesmente impossível -- não faz parte
da natureza das coisas. Então, o que se pode fazer?Desfrute o pico enquanto ele durar, e
depois desfrute o vale, quando ele vier. O que há de errado com o vale? O que há de mal
em estar em baixa? É um relaxamento. O pico é uma excitação e ninguém pode viver o
tempo todo em estado de excitação.

Comentário:

 Este personagem, obviamente, está, neste momento, "a cavaleiro do mundo", e todos
estão celebrando o seu sucesso com uma chuva de papel picado.Devido à sua disposição
para aceitar os recentes desafios da vida, neste momento, você está – ou logo estará –
desfrutando de uma maravilhosa cavalgada sobre o tigre do sucesso. Receba bem essa
oportunidade, desfrute-a, compartilhe a sua alegria com os outros – e lembre-se de que
todas as brilhantes paradas têm um começo e um fim. Mantendo isso em mente, se você
extrair cada gota de sumo da felicidade que está experienciando neste momento, será
capaz, depois, de aceitar o futuro da forma como vier, sem arrependimentos. Não seja,
porém, tentado a agarrar-se a este momento de abundância, ou a acondicioná-lo em
plástico para que dure para sempre.A maior sabedoria para ter em mente à medida que
vão desfilando os acontecimentos da sua vida, sejam momentos de alta ou de baixa, é
que "isto também passará". Celebre sim, e continue a cavalgar o tigre



44. Estresse- 7 de Fogo: Ação

Todas as metas pessoais são neuróticas. O homem sintonizado com a essência das
coisas consegue entender, sentir que: "Eu não sou separado do todo, e não há
necessidade de estar elegendo e procurando concretizar algum destino por minha conta.
Os fatos estão acontecendo, o mundo continua girando -- chame isso de Deus... ele está
fazendo coisas. Elas acontecem por vontade própria. Não há necessidade de que eu
trave alguma luta, que faça qualquer esforço; não há necessidade de que eu lute por
coisa alguma. Posso relaxar e simplesmente ser".O homem essencial não é um fazedor.
O homem acidental é um fazedor. Por isso, o homem acidental vive naturalmente com
ansiedade, tensão, estresse, angústia, sentado o tempo todo sobre um vulcão. Esse
vulcão pode entrar em erupção a qualquer momento, porque o homem vive num mundo
de incertezas e acredita que pode tomar as coisas como certas. Isto gera tensão em seu
ser: lá no fundo ele sabe que nada é certo.

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Comentário:

  Quantas pessoas você conhece que, justamente quando estavam totalmente
sobrecarregadas, com projetos demais, com muitos sonhos, de repente foram derrubadas
por uma gripe, ou levaram um tombo e acabaram de muletas? Esse é exatamente o tipo
de "momento inoportuno" que o macaquinho, com o alfinete na mão, está prestes a impor
ao "showman" retratado nesta figura! O tipo de esgotamento nervoso representado aqui
acontece de vez em quando com qualquer um de nós, mas os perfeccionistas são
particularmente vulneráveis a isso. Nós mesmos é que o provocamos, com a idéia de que,
sem a nossa participação, nada acontecerá -- especialmente do jeito que queremos que
aconteça... Bem, o que o faz pensar que você é tão especial? Você acha que o sol não se
levantará de manhã, a menos que você programe pessoalmente o despertador? Saia
para dar uma volta, compre algumas flores, prepare para si mesmo um macarrão para o
jantar -- qualquer coisa "sem importância" serve. Trate de colocar-se fora do alcance
daquele macaquinho!



45. Viagem - 8 de Fogo: Ação

A vida é uma continuidade, sempre e sempre. Não existe um destino final ao qual ela
esteja se dirigindo. Apenas a peregrinação, apenas a viagem em si já é a vida, não o
chegar a algum ponto, a alguma meta – apenas dançar e estar em peregrinação,
movendo-se alegremente sem se preocupar com nenhum ponto de chegada.O que você
fará depois que chegar a um destino? Ninguém nunca fez esta pergunta porque todo
mundo está empenhado em ter alguma meta na vida. Porém, as implicações disso...Se
você atingir de fato o destino final da vida, o que vem depois? Você irá parecer muito
desapontado! Não haverá lugar aonde ir... você já alcançou o ponto de destino... – e ao
longo da viagem deixou escapar tudo. Era preciso deixar passar! Então, nu e plantado no
ponto de chegada, você ficará olhando em volta como um idiota: qual era mesmo o
propósito disso tudo...? Você esteve se apressando tanto, preocupando-se tanto, e este é
o resultado final.

Comentário:

 A pequenina figura que se desloca pela trilha que corta esta bela paisagem, não está
preocupada em chegar a qualquer destino. Ele, ou ela, sabe que a viagem é a própria
meta, que a peregrinação em si é o santuário. Cada passo no caminho é importante por si
mesmo.Esta meditação e sua figura indicam um tempo de movimento e mudança. Pode
ser um deslocamento físico de um lugar para o próximo, ou um movimento interior de uma
maneira de ser para outra. Qualquer que seja o caso, porém, a figura desta meditação
assegura que a mudança será fácil, e que trará um sentimento de aventura e de
crescimento; não há nenhuma necessidade de se esforçar nem de planejar em demasia.
Esta figura da "Viagem" também nos lembra de que devemos aceitar e acolher o novo,
exatamente como acontece quando viajamos para um outro país, com uma cultura e um
ambiente diferentes daqueles a que estamos acostumados. Esta atitude de abertura e de
aceitação estimula o surgimento de novos amigos e de novas experiências na nossa vida.



46. Exaustão – 9 deFogo: Ação

                                                                                     413
O homem que vive através da consciência mental torna-se pesado. Aquele que vive com
consciência permanece leve. Por quê? – porque um homem que tem apenas algumas
idéias a respeito de como se deve viver, naturalmente se torna pesado. Ele se sente
obrigado a carregar consigo o seu caráter. Esse caráter é como uma armadura: é a sua
proteção, a sua segurança. Toda a sua vida está investida nesse caráter. E ele sempre
reage às situações através desse caráter, nunca diretamente.Se você lhe faz uma
pergunta, a resposta é pré-fabricada. Esse é o sinal de uma pessoa "pesada" -- ela é
enfadonha, estúpida, mecanizada. Ela pode ser um bom computador, mas não é um
homem. Você provoca e ela reage de uma maneira bem definida. A reação é previsível:
ela é um robô. O homem verdadeiro age de maneira espontânea. Se você lhe faz uma
pergunta, obtém uma resposta, não uma reação. Ele abre o coração para a sua pergunta,
expõe-se a ela, responde a ela...

Comentário:

 Eis aqui o retrato de uma pessoa que esgotou toda sua energia vital nos esforços que fez
para manter em funcionamento sua enorme e ridícula máquina de imagens pessoais de
importância. Ela esteve tão ocupada "mantendo as partes ligadas entre si" e
"assegurando-se de que tudo funcionava bem", que se esqueceu de descansar de
verdade. Sem dúvida, esse personagem não pode permitir-se qualquer distração. Deixar
de lado suas obrigações para dar um passeio na praia poderia significar o
desmantelamento de toda a estrutura. A mensagem desta figura não é, entretanto, apenas
a respeito de ser um viciado em trabalho. Ela se refere a todas as maneiras pelas quais
criamos rotinas seguras, porém contrárias à natureza, que conseguem manter longe de
nós tudo o que é caótico e espontâneo. A vida não é um negócio para ser administrado: é
um mistério a ser vivido. Já é tempo de rasgar o cartão de ponto, escapar da fábrica e
fazer uma pequena viagem pelo desconhecido. O seu trabalho poderá fluir mais
suavemente a partir de um estado relaxado de mente



47. Repressão – 10 de Fogo: Ação

Em sânscrito, a palavra é ´alaya vigyan´: a casa em cujo porão você vai juntando coisas
que gostaria de fazer, mas que não pode por causa das condições sociais, da cultura, da
civilização. Essas coisas, porém, vão se acumulando ali, e muito indiretamente passam a
afetar as suas ações, a sua vida. Elas não podem encará-lo diretamente – você as
obrigou a ficar na escuridão; mas, do escuro, elas continuam influenciando o seu
comportamento. Elas são perigosas: é arriscado manter todas essas inibições dentro de
você. É possível que essas sejam as coisas que atingem um clímax, quando uma pessoa
enlouquece. A loucura não é outra coisa senão todas essas repressões chegando a um
ponto em que você já não consegue controlá-las. A loucura, porém, é aceitável, ao passo
que a meditação não – e a meditação é o único caminho para tornar uma pessoa
absolutamente sã.

Comentário:

 A figura desta meditação apresenta-se literalmente "emaranhada em nós". Sua luz ainda
brilha no íntimo, mas esse personagem reprimiu sua própria vitalidade na tentativa de
corresponder a muitas exigências e expectativas. Abriu mão de todo o seu próprio poder e
visão, em troca de ser aceito por essas mesmas forças que o aprisionaram. O perigo de
reprimir dessa maneira a própria energia natural é visível nas rachaduras de uma erupção
                                                                                      414
vulcânica que está para acontecer em toda a volta da figura. A verdadeira mensagem
desta figura é que é necessário encontrar uma saída de cura para essa explosão
iminente. É essencial encontrar uma maneira de dar vazão a qualquer tensão e estresse
que possam estar se acumulando, neste momento, dentro de você. Soque um
travesseiro, dê pulos, procure uma área deserta e berre contra o céu vazio: qualquer
coisa que possa ativar sua energia e consiga fazê-la circular livremente. Não espere que
aconteça uma catástrofe.




ÁGUA - COPAS

27. A Cura-O Domínio das Emoções: Rei da Água

Você é quem carrega a sua chaga. Enquanto existir o ego, o seu ser como um todo será
uma ferida. E você irá carregá-la por aí. Ninguém está interessado em feri-lo, ninguém
está de fato esperando para machucá-lo; todos estão ocupados em proteger os seus
próprios ferimentos. Quem teria tanta energia para ainda querer atingi-lo? Mas, ainda
assim, acontece, porque você está demasiado pronto para ser atingido, demasiado
pronto, apenas na expectativa de que alguma coisa aconteça.É impossível atingir um
homem do Tao. Por quê? Porque não existe ninguém ali para ser atingido. Não há
nenhuma ferida. Ele é saudável, curado, pleno. A palavra ´pleno´ é bonita. Em inglês, a
palavra ´curar´ [to heal] vem de ´pleno´ [whole], e a palavra ´sagrado´ [holy] tem também a
mesma origem. O homem de Tao é inteiro, curado, sagrado. Tenha consciência da sua
ferida. Não deixe que piore: cure-a; e ela só será curada quando você se deslocar para
baixo, para as raízes. Quanto menos estiver presente a cabeça, tanto mais facilmente a
ferida será curada; não existindo a cabeça, não existe a ferida. Viva uma vida sem
cabeça. Mova-se como um ser pleno, e aceite as coisas. Tente isso, apenas por vinte e
quatro horas: aceitação total, aconteça o que acontecer. Se alguém o insultar, aceite a
ofensa, não reaja, e veja o que acontece. De repente, você sentirá fluindo em você, uma
energia nunca antes percebida.

Comentário:

 Este é um tempo em que as feridas do passado profundamente enterradas afloram para
ser curadas. A figura desta meditação apresenta-se nua, vulnerável, receptiva para o
toque amoroso da existência. A aura que lhe envolve o corpo está cheia de luz, e o clima
à sua volta, de relaxamento, cuidado e de amor, está dissolvendo sua tensão e
sofrimento. Vários lótus de luz aparecem sobre o seu corpo físico, e por todos os corpos
de energia sutil, que os que curam dizem existir em torno de cada um de nós. Em cada
uma dessas camadas sutis aparece um cristal ou modelo de cura. Quando nos
encontramos sob a influência de cura do Rei da Água, já não estamos mais nos
escondendo de nós mesmos, nem dos outros. Nessa atitude de abertura e de aceitação
poderemos ser curados, e ajudar outros a serem também saudáveis e inteiros.



28. Receptividade-O Domínio das Emoções: Rainha da Água

Ouvir é um dos segredos básicos para se entrar no templo de Deus. Ouvir significa
                                                                                        415
passividade. Significa se esquecer completamente de si mesmo – só então você pode
ouvir.Quando você ouve alguém com atenção, você se esquece de si mesmo. Se você
não consegue se esquecer da sua pessoa, você nunca ouve. Estando autoconsciente
demais, você simplesmente finge que está ouvindo – não ouve. Pode balançar a cabeça;
dizer algumas vezes "sim" e "não" – mas você não está ouvindo.Quando ouve, você se
torna apenas uma passagem, uma passividade, uma receptividade, um útero: você se
torna feminino. E, para chegar lá, a pessoa tem que se tornar feminina. Não se pode
alcançar Deus como um invasor violento, um conquistador. Você só poderá alcançar
Deus... ou será melhor dizer: Deus poderá alcançá-lo somente quando você estiver
receptivo, uma receptividade feminina. Quando você se tornar yin – uma passividade –, a
porta está aberta. E você espera. Escutar é a arte de se tornar passivo.

Comentário:

 A receptividade representa a natureza feminina, passiva, da água e das emoções. Os
braços da figura estão estendidos para cima, para receber, e ela se apresenta
completamente imersa na água. A figura não tem cabeça – nenhuma mente
sobrecarregada e agressiva para atrapalhar a sua receptividade pura. E à medida que ela
é preenchida, vai continuamente se esvaziando, transbordando e recebendo mais. O
símbolo ou matriz de lótus que emerge da figura representa a harmonia perfeita do
universo, que se torna aparente quando estamos em sintonia com ele. A Rainha da Água
traz um tempo de desprendimento e gratidão por tudo o que a vida possa nos dar, sem
quaisquer expectativas ou exigências. Nem sentimentos de obrigação, nem idéias de
reconhecimento, de mérito ou de recompensas são importantes. Sensibilidade, intuição e
compaixão são os traços que se destacam agora, dissolvendo todos os obstáculos que
nos mantêm separados uns dos outros, e do todo.



29. Confiança-O Domínio das Emoções: Cavaleiro da Água

Não desperdice a sua vida com aquilo que lhe vai ser tirado. Confie na vida. Se você
confiar, só então, será capaz de abandonar o seu conhecimento, só então, poderá colocar
de lado a sua mente. E com a confiança, algo imenso tem início. Esta vida deixa de ser
uma vida comum, torna-se plena de Deus, transbordante. Quando o coração se torna
inocente e as paredes desaparecem, você fica ligado ao infinito. E você não terá sido
enganado; não existirá nada que lhe possa ser tomado. Aquilo que pode ser tirado de
você, não vale a pena guardar; e aquilo que não há como ser tirado de você, por que
haveria alguém de ter medo que lhe seja tirado? – Não pode ser levado, não há
possibilidade. Você não pode perder o seu tesouro verdadeiro.

Comentário:

 Este é o momento de ser aquele "ioiô humano", capaz de se atirar no vazio sem a
proteção do cabo elástico amarrado aos pés! E é esta postura de confiança absoluta, sem
reservas nem redes de segurança escondidas, que o Cavaleiro da Água exige de nós.
Uma grande euforia nos invade quando conseguimos dar o salto para o desconhecido,
ainda que essa simples idéia nos apavore. E quando adquirimos confiança ao nível do
salto quântico, deixamos de fazer quaisquer planos elaborados, ou preparativos. Não
dizemos: "Muito bem, confio que sei o que fazer agora: vou pôr em dia meus negócios,
preparar minhas malas e levá-las comigo". Não; nós simplesmente saltamos, sem pensar
muito no que virá depois. O importante é o salto, e o arrepio que ele nos provoca à
                                                                                    416
medida que caímos em queda livre pelo vazio do céu. A figura nos dá, entretanto, uma
"deixa" a respeito do que nos espera no outro extremo – um delicado, convidativo, um
delicioso rosado... pétalas de rosa, um suculento... "Venha!"



30. Compreensão-O Domínio das Emoções: Valete da Água

Você está fora da prisão, fora da gaiola; pode abrir as asas e o céu inteiro é seu. Todas as
estrelas e a lua e o sol, pertencem a você. Você pode desaparecer no azul do além...
Basta desfazer-se do apego a essa gaiola. Saia dela e o céu inteiro será seu. Abra as
suas asas e voe passando à frente do sol, como uma águia. No céu interior, no mundo
interior, a liberdade é o valor mais alto – tudo o mais é secundário, inclusive a bem-
aventurança, o êxtase. Existem milhares de flores, elas são incontáveis, mas todas elas
só se tornam possíveis em clima de liberdade.

Comentário:

 O pássaro retratado nesta figura está olhando para fora, do que parece ser uma gaiola.
Não há porta; na verdade, as barras estão desaparecendo. As grades eram uma ilusão, e
esta avezinha está sendo atraída pela graça, pela liberdade e pelo encorajamento das
outras. Ela está abrindo suas asas, pronta para alçar vôo pela primeira vez. O surgimento
de uma nova compreensão – o de que a gaiola sempre esteve aberta e o céu sempre
esteve ali para que nós o explorássemos – pode fazer com que nos sintamos um pouco
abalados de início. Está bem, e é natural sentir-se chocado, mas não deixe que isso
desperdice a oportunidade para vivenciar a leveza de coração e a aventura que lhe estão
sendo oferecidas ali mesmo, junto com a sensação de abalo. Deixe-se levar pela
delicadeza e gentileza desse momento. Sinta o bater de asas dentro de você. Abra as
asas e seja livre.



58. Indo com a Correnteza - Ás da Água: Emoções

Quando eu digo "transforme-se em água", quero dizer "transforme-se num fluxo" – não
fique estagnado. Mova-se, e mova-se como a água. Lao Tzu diz: A maneira de ser do Tao
é igual à de um curso d`água. Movimenta-se como a água. E como é o movimento da
água? Ou um rio? Esse movimento tem algumas coisas belas em si. Uma delas é que a
água se desloca sempre em direção à profundeza, sempre procura o terreno mais baixo.
A água não tem ambição, nunca briga por ser a primeira: ela quer ser a última. Lembre-se
de que Jesus disse: "Os últimos serão os primeiros no meu reino de Deus". Ele estava
falando sobre essa maneira de ser do rio, do Tao – sem mencioná-la, mas falando a
respeito dela. Quanto a você, seja o último, seja sem ambição. Ambição significa subir
morro acima. A água vai para baixo, procura o terreno mais baixo, quer ser uma não-
entidade. Não quer proclamar-se especial, excepcional, extraordinária. A

Comentário:

A figura desta meditação está completamente relaxada e à vontade na água, deixando a
correnteza levá-la aonde queira. É alguém que dominou a arte de ser passivo e receptivo,
sem sentir-se enfadado ou sonolento. Apenas está disponível ao rio da vida, sem ter
nunca um pensamento do tipo "Eu não gosto disto aqui", ou "Eu prefiro ir em outra
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direção".A cada momento na vida temos a opção de entrar na correnteza e boiar, ou de
tentar nadar rio acima. A figura nesta meditação, é uma indicação de que agora você está
preparado para flutuar, confiante em que a vida o apoiará no seu relaxamento, e irá levá-
lo exatamente aonde ela quer que você vá. Deixe que esse sentimento de confiança e
relaxamento cresça cada vez mais; tudo está acontecendo exatamente como deveria.



49. Amistosidade – 2 de Água: Emoções

Primeiro dedique-se à meditação, atinja a bem-aventurança, e então muito amor se
manifestará de maneira espontânea. Nessa condição, é belo estar com os outros e belo
também é estar sozinho. É simples também. Você não depende dos outros e também não
torna os outros dependentes de você. O que existe é sempre amizade, amistosidade. A
coisa nunca se transforma numa relação; continua sendo uma afinidade. Você convive,
mas não cria um casamento. O casamento nasce do medo, a afinidade nasce do amor.
Você estabelece um relacionamento; enquanto as coisas andarem bem, você compartilha.
Se você percebe que é chegado o momento de partir porque os caminhos se separam
numa encruzilhada, você diz adeus com uma enorme gratidão por tudo que o outro foi
para você, por todas as alegrias, todos os prazeres, e por todos os belos momentos
compartilhados juntos. Sem nenhum sofrimento, sem nenhuma dor, você simplesmente
se afasta.

Comentário:

  Os ramos destas duas árvores floridas estão entrelaçados, e as suas pétalas caídas
misturam-se no chão, com suas belas cores. É como se o céu e a terra estivessem
interligados pelo amor. As árvores se erguem individualmente, cada qual enraizadas no
solo, em sua própria conexão com a terra. Desse ponto de vista, simbolizam a essência
dos verdadeiros amigos, maduros, cooperativos entre si, espontâneos. Não existe
nenhuma ansiedade na ligação entre eles, nenhuma carência, nenhuma vontade de
transformar o outro em alguma coisa diferente.Esta figura indica uma prontidão para
entrar nesta qualidade de amistosidade. Ao fazê-lo, você poderá notar que não está mais
interessado nos diferentes tipos de dramas e romances em que as outras pessoas estão
empenhadas. Não se trata de uma perda. É o surgimento de uma disposição de espírito
mais elevada, mais carregada de amor, nascida de uma sensação de vivenciamento
pleno. É o surgimento de um amor verdadeiramente incondicional, sem expectativas ou
exigências.



50. Celebração – 3 de Água: Emoções

A vida é um momento para ser celebrado, desfrutado. Torne-a divertida, uma celebração,
e então você entrará no Templo. Esse templo não é para os tristes e desanimados, nunca
foi para eles. Olhe para a vida: você vê tristeza em alguma parte? Você já viu uma árvore
deprimida? Você já encontrou um pássaro movido por ansiedade? Já viu um animal
neurótico?Não, a vida não é assim, absolutamente. Só o homem é que seguiu um
caminho errado, se desviou em algum lugar, porque ele se considera muito sábio, muito
esperto. Sua esperteza é o seu mal. Não seja sábio demais. Lembre-se sempre de parar;
não vá a extremos. Um pouco de tolice e um pouco de sabedoria fazem bem, e a
combinação certa faz de você um buda...
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Comentário:

 Estas três mulheres dançando ao vento e na chuva, nos fazem lembrar de que uma
celebração nunca precisa ficar na dependência de circunstâncias exteriores. Não é
preciso esperar por um feriado especial ou por uma ocasião formal, nem por um dia de sol
sem nuvens. A verdadeira celebração nasce de uma alegria que primeiro é experienciada
profundamente dentro do seu ser, e que se derrama num transbordamento de canto e
dança, de riso, e até mesmo de lágrimas de gratidão.Quando você fizer esta meditação, é
um sinal de que está se tornando cada vez mais disponível e aberto às muitas
oportunidades que existem para celebrar na vida e contagiar outras pessoas. Não se
preocupe em programar uma festa na sua agenda. Deixe o cabelo ao natural, tire os
sapatos, e comece a pular nas poças d’água agora mesmo. A festa está acontecendo à
sua volta, a cada momento!



51. Voltando-se para Dentro – 4 de Água: Emoções

Voltar-se para dentro não é movimentar-se, absolutamente. Ir para dentro de si não é
deslocar-se. Voltar-se para dentro simplesmente significa que você tem estado
perseguindo um desejo atrás do outro, que esteve correndo cada vez mais, para chegar
repetidas vezes à frustração; que cada desejo traz infelicidade, que não existe nenhum
preenchimento por meio de desejos; que você nunca chega a lugar nenhum, que o
contentamento é impossível. Percebendo a verdade de que correr atrás de desejos não
leva a lugar nenhum, você acaba parando. Não que você faça algum esforço para parar.
Se você fizer qualquer esforço para parar, de uma maneira sutil você ainda estará
correndo atrás de alguma coisa novamente. Você ainda está desejando – talvez, agora,
seja a ausência de desejo o seu desejo. Se estiver fazendo algum esforço para voltar-se
para dentro, você ainda estará saindo de si mesmo. Qualquer esforço só poderá levá-lo
para fora, em direção ao exterior. Todas as viagens são viagens para fora – não há
viagem para dentro. Como você pode viajar para dentro de si mesmo? Você já está ali,
não faz sentido ir. Quando o deslocar-se cessa, a viagem desaparece; quando não há
mais nenhum desejo obscurecendo a sua mente, você está dentro. A isso é que se chama
voltar-se para dentro. Mas não se trata absolutamente de um deslocamento, trata-se
simplesmente de não sair para fora.

Comentário:

  A mulher desta figura tem no rosto um sorriso discreto. Na verdade, ela está apenas
assistindo aos malabarismos da mente – não os está julgando, nem tentando contê-los,
tampouco está identificada – limita-se a observá-los como se fossem o tráfego numa
estrada, ou ondulações na superfície de um lago. E os malabarismos da mente são
razoavelmente divertidos, na medida em que eles pulam para cima e para baixo, e viram
para cá e para lá na tentativa de atrair a sua atenção, e de seduzi-lo para entrar no
jogo.Desenvolver a capacidade de manter certo distanciamento da mente é uma das
bênçãos maiores. De fato, esse é o grande objetivo da meditação – não ficar entoando
algum mantra, nem repetindo uma afirmação, mas ficar simplesmente observando, como
se a mente pertencesse a alguma outra pessoa. A essa altura, você está pronto para ter
esse distanciamento, e assistir à exibição sem se envolver no drama. Permita-se a
liberdade singela de "Voltar-se Para Dentro" sempre que puder, e a aptidão para a
meditação crescerá e se aprofundará em você.

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52. Apego ao passado – 5 de Água: Emoções

Os tempos verbais – passado, presente e futuro – não são noções do próprio tempo: são
conceitos da mente. Aquilo que não está mais diante da mente torna-se o passado. O que
se encontra diante dela é o presente. E aquilo que ainda irá apresentar-se à mente, é o
futuro. Passado é aquilo que não está mais à sua frente. Futuro é aquilo que ainda não
está diante de você. E presente é aquilo que está na sua frente, mas está se evadindo do
seu campo visual. Logo será passado... Se você não criar apego ao que passou... Porque
se apegar ao passado é pura estupidez. Ele não existe mais, de modo que você estará
chorando pelo leite derramado. O que passou, passou! E não crie apego ao presente,
porque isso está indo embora da mesma maneira, e logo será passado.Não crie apego ao
futuro – esperanças, imaginação, planos para o amanhã – porque o amanhã será
transformado em hoje, será transformado em ontem. Tudo se transformará em passado.
Tudo irá escapar-lhe das mãos. Criar apego trará apenas infelicidade. É preciso que você
deixe passar.

Comentário:

  A figura retratada nesta meditação está tão preocupada em agarrar sua caixa de
lembranças, que deu as costas à borbulhante taça de champanhe das oportunidades
disponíveis aqui e agora. A nostalgia do passado realmente faz dela uma "cabeça-dura" e,
além disso, um mendigo, como podemos perceber pelas suas roupas remendadas e
gastas. É claro que não haveria necessidade de ser mendigo – mas a pessoa não está
disponível para desfrutar os prazeres que se oferecem no momento presente.É hora de
aceitar o fato de que o passado ficou para trás e de que qualquer esforço para recriá-lo é
uma maneira certa de continuar preso a antigos padrões que você já teria superado, se
não tivesse estado tão dedicado a apegar-se às experiências passadas. Tome bastante
fôlego, ponha essa caixa no chão, enfeite-a com um laço bonito se for necessário, e dê-
lhe um caloroso e reverente adeus. A vida está passando ao largo, e você está correndo o
risco de tornar-se um velho fóssil antes do tempo!



53. O Sonho – 6 de Água: Emoções

Isto tem sido dito repetidas vezes no decorrer dos tempos. Todas as pessoas religiosas
têm afirmado que: "Sozinhos nós chegamos a este mundo, e sozinhos partiremos". Toda
idéia que envolve estar junto é ilusória. A própria idéia de companheirismo aparece
porque estamos sós, e o isolamento fere. Queremos neutralizar nosso isolamento com
relacionamentos...Por isso é que nos deixamos envolver tanto com o amor. Tente
entender a questão. Normalmente você pensa que se apaixonou por uma mulher, ou por
um homem, porque ela é bela, ou ele é belo. Essa não é a verdade. A verdade é
exatamente o contrário: Você "caiu de amor" porque não consegue ficar sozinho. Você
estava mesmo pronto para "cair". De uma maneira ou de outra você iria fugir de si
mesmo. E existem pessoas que não se apaixonam por mulheres ou homens – então se
apaixonam pelo dinheiro. Elas passam a acumular dinheiro, ou embarcam na aventura do
poder – elas se tornam políticos. Isso também é fugir do próprio isolamento. Se você
observar o Homem, se observar com profundidade a si mesmo, ficará surpreso: todas as
suas atividades podem ser reduzidas a uma única origem. Essa origem é o medo que
você tem da solitude. Tudo o mais são apenas desculpas. O motivo verdadeiro é que você
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se sente muito só.

Comentário:

Em alguma tardezinha encantada, você irá encontrar a sua alma gêmea, a pessoa
perfeita que corresponderá a todas as suas necessidades, e será a concretização de
todos os seus sonhos. Certo? Errado! Essa fantasia que os cantores e os poetas gostam
tanto de perpetuar tem suas raízes em memórias do útero, onde estávamos tão seguros e
"unificados" com nossas mães; não é de admirar que sejamos obcecados por retornar a
essa condição durante toda a nossa vida. Mas, falando numa linguagem crua, é um sonho
infantil. E é surpreendente que nos apeguemos a ele com tanta teimosia, diante da
realidade.Ninguém, seja o seu atual companheiro ou alguém com quem você sonha no
futuro, tem a obrigação de trazer-lhe à felicidade numa bandeja – nem poderia, ainda que
quisesse. O amor verdadeiro não advém de tentativas de satisfazer nossas necessidades
por meio da dependência com relação à outra pessoa, mas por meio do desenvolvimento
da nossa riqueza interior, e do nosso amadurecimento. Com isso, passamos a ter tanto
amor para dar, que amantes serão espontaneamente atraídos por nós.



54. Projeções – 7 de Água: Emoções

Numa sala de cinema, você olha para a tela, nunca para o fundo da sala – o projetor está
no fundo. O filme de fato não está na tela: é apenas uma projeção de sombra e luz. O
filme existe apenas lá atrás, mas você nunca olha naquela direção. E o projetor está
lá.Sua mente está por trás da coisa toda: a mente é o projetor. Mas você fica sempre
olhando para o outro, porque o outro é a tela. Quando você está apaixonado, a pessoa
parece linda, incomparável. Quando você sente ódio, a mesma pessoa parece a mais feia
de todas, e você nunca se questiona como pode a mesma pessoa ser a mais feia e a
mais bonita...A única maneira, portanto, de se chegar à verdade, é aprender como
enxergar diretamente, como deixar de lado a intermediação da mente. Essa interferência
é o problema, porque a mente só é capaz de criar sonhos... Com a ajuda do seu
entusiasmo, o sonho começa a parecer realidade. Quando o entusiasmo é demasiado,
então você está intoxicado, não está na posse dos seus sentidos. Nessa condição, o que
quer que você enxergue será apenas uma projeção sua. E existem tantos mundos quanto
mentes, porque cada mente vive no seu próprio mundo.

Comentário:

 O Homem e a mulher desta figura estão se olhando; contudo, não são capazes de se
enxergar com nitidez. Cada qual está projetando uma imagem que construiu em sua
mente, de maneira a encobrir o rosto verdadeiro da pessoa para quem está
olhando.Todos nós podemos cair na armadilha de projetar "filmes" de nossa própria
autoria, sobre as situações e as pessoas à nossa volta. Isso acontece quando não
estamos plenamente conscientes de nossas expectativas, desejos e julgamentos; em vez
de assumir a responsabilidade por tais expectativas, desejos e julgamentos, e de
reconhecê-los como nossos, tentamos atribuí-los aos outros. Uma projeção pode ser
diabólica ou divina, perturbadora ou confortadora, mas continua sendo uma projeção –
uma nuvem que nos impede de ver a realidade como ela é. O único modo de escapar
disso é entender como funciona o jogo. Quando você der com um julgamento se
formando a respeito de outra pessoa, vire-o do avesso: aquilo que você está vendo no
outro, na verdade, não pertence a você? A sua visão está límpida, ou obstruída pelo que
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você quer ver?



55. Deixando Ir – 8 de Água: Emoções

Na existência não há ninguém que seja superior e ninguém que seja inferior. Uma folha
de grama e a grande estrela são absolutamente iguais... O homem, porém, quer estar
acima dos outros, quer conquistar a natureza, e por isso precisa lutar continuamente.
Toda complexidade é fruto dessa luta. A pessoa inocente é aquela que renunciou à luta,
que não está mais interessada em estar acima, que não está mais interessada em
mostrar desempenho, em provar que é alguém especial; é aquela que se tornou
semelhante a uma rosa, ou a uma gota de orvalho sobre a folha de lótus; que se tornou
parte desta infinidade; aquela que se fundiu, se misturou e se tornou uma coisa só com o
oceano, e agora é simplesmente uma onda; é aquela que não tem qualquer idéia do "eu".
O desaparecimento do "eu" é a inocência.

Comentário:

 Nesta imagem de folhas de lótus ao amanhecer podemos ver, pela ondulação da água,
que uma gota acabou de cair. É um momento precioso, pungente. Ao render-se à força da
gravidade escorregando da folha, a gota perde a sua identidade anterior e junta-se à
vastidão da água que está embaixo. Podemos imaginar que ela deva ter vacilado antes
de cair, na exata fronteira entre o conhecido e o incognoscível. Tirar esta meditação é o
reconhecimento de que alguma coisa acabou, de que algo está se completando. Seja o
que for – um emprego, um relacionamento, um lar que você amou, qualquer coisa que
possa tê-lo ajudado a definir quem você é – é hora de deixar isso para trás, permitindo
qualquer tristeza que surja, mas sem tentar se agarrar ao que se completou. Alguma coisa
maior está esperando por você: há novas dimensões a serem descobertas. Você
ultrapassou o ponto a partir do qual não há volta, e a gravidade está cumprindo a sua
função. Não resista: isso significa libertação.



56. Preguiça – 9 de Água: Emoções

Quando você está preguiçoso, o sabor é negativo: você simplesmente sente que não tem
energia, sente-se entediado; sente-se sonolento; você simplesmente se sente morto.
Quando você está num estado de não-fazer, então, você está cheio de energia – é um
sabor muito positivo. Você tem energia total, transbordante. Você se sente radiante,
borbulhante, vibrante. Não há sonolência, você está perfeitamente consciente. Você não
está morto – você está tremendamente vivo...Há certa possibilidade de que a mente o
iluda: ela pode racionalizar a preguiça como sendo não-fazer. Ela é capaz de dizer "Eu
me tornei um mestre Zen", ou "Eu acredito no Tao”, mas você não estará enganando
ninguém. Apenas a você mesmo. Esteja alerta, portanto.

Comentário:

 O cavalheiro desta figura claramente acha que já conquistou tudo. Senta-se na sua
grande poltrona estofada e macia, à sombra do seu guarda-sol, com seus óculos escuros
e seus chinelos cor-de-rosa, segurando um coquetel refrescante. Não sente disposição
para se levantar e fazer algo, porque acha que já fez tudo. Ainda não se voltou para ver o
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espelho que está se partindo à sua direita, um sinal seguro de que essa posição que ele
acha que finalmente galgou, está prestes a desmoronar e dissolver-se diante dos seus
próprios olhos.A mensagem desta figura é de que esse recanto à beira da piscina não é o
seu destino final. A jornada não terminou ainda, como demonstra o pássaro branco
voando na vastidão do céu. Sua atitude auto-complacente certamente decorre de um
sentimento verdadeiro de realização, mas agora já é hora de seguir em frente. Não
importa quão confortáveis sejam os chinelos, quão saboroso o seu coquetel: há ainda
céus acima de céus esperando por serem explorados



57. Harmonia – 10 de Água: Emoções

Ouça o seu coração, e aja de acordo com ele, qualquer que seja o risco: Uma condição
de simplicidade absoluta, custando nada menos do que tudo... Ser simples é difícil,
porque custa tudo o que você tem. É preciso perder tudo para ser simples. Por isso é que
as pessoas optaram por ser complicadas e se esqueceram de como ser simples. Apenas
um coração simples, porém, pulsa de mãos dadas com Deus. Só um coração simples
canta com Deus, em profunda harmonia. Para chegar a tal ponto você terá que encontrar
o seu próprio coração, o seu próprio pulsar, o seu próprio ritmo.

Comentário:

 A experiência de relaxar no coração, durante a meditação, não é algo que possa ser
apossado, ou forçado. Ela vem naturalmente, à medida que vamos ficando mais
sintonizados com o ritmo do nosso próprio silêncio interior. A figura desta meditação
espelha a doçura e delicadeza dessa experiência. Os golfinhos que afloram do coração e
perfazem um arco em direção ao terceiro olho, refletem o espírito brincalhão e a
inteligência que se manifestam quando somos capazes de estabelecer conexão com o
coração, e de nos mover no mundo a partir daí.Permita-se ser mais gentil e mais
receptivo neste momento, porque uma alegria indescritível espera por você logo ali,
virando a esquina. Ninguém mais pode indicar-lhe onde ela está, e quando você a
encontrar não terá palavras para descrevê-la para os outros. Mas ela está ali,
profundamente dentro do seu coração, madura e pronta para ser descoberta.



NUVENS - ESPADAS

31. Controle-O Domínio da Mente: Rei das Nuvens

Pessoas controladas estão sempre nervosas porque lá no fundo, o tumulto ainda está
escondido. Se você não é controlado, mas é "solto", vivo, então não é nervoso. Não há
motivo para estar nervoso – o que quer que aconteça, acontece. Você não tem
expectativas para o futuro, não está representando. Então, por que deveria ficar nervoso?
Para conseguir controlar a mente, a pessoa precisa ficar tão fria, gelada, que nenhuma
energia vital é permitido entrar nos seus membros, no seu corpo. Se essa energia tiver
permissão para se mover, essas repressões virão à superfície. Por isso é que as pessoas
aprenderam a manter-se frias, a tocar os outros sem de fato tocá-los, a ver as pessoas e,
contudo não enxergá-las. Vivemos com frases feitas – "Olá, como vai?" Ninguém quer
dizer nada com isso. Essas frases são justamente para evitar o encontro real entre duas
pessoas. As pessoas não se olham nos olhos, não se seguram às mãos, não procuram
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sentir a energia umas das outras, não se permitem o extravasamento de emoções – muito
amedrontadas, dando apenas um jeito de ir levando as coisas, frias e mortas, dentro de
uma camisa-de-força.

Comentário:

 Existe um tempo e um lugar para o controle, mas se nós o colocamos presidindo as
nossas vidas, acabamos totalmente enrijecidos. A figura desta meditação apresenta-se
encaixada nos ângulos das formas piramidais que a circundam. A luz pisca e reflete nas
superfícies brilhantes da pirâmide, mas não penetra. É como se o personagem estivesse
quase mumificado no interior dessa estrutura que construiu em volta de si mesmo. Os
punhos estão crispados e o seu olhar é vazio, quase cego. A parte inferior do seu corpo,
abaixo da mesa, é uma ponta de faca, um fio cortante que divide e separa. O seu mundo
é organizado e perfeito, mas não é vivo – ele não pode permitir que nenhuma
espontaneidade ou vulnerabilidade penetre ali.A figura do Rei das Nuvens é um lembrete
para que tomemos uma respiração profunda, afrouxemos a gravata e passemos a cuidar
das coisas com calma. Se houver enganos, tudo bem. Se as coisas ficarem um pouco
fora de controle, isso é com certeza exatamente o que o médico prescreveu. Há muito,
muito mais na vida do que estar "no controle das coisas".



32. Moralidade-O Domínio da Mente: Rainha das Nuvens

Bodhidharma... transcende em muito os moralistas, os puritanos, as assim chamadas
"boas pessoas", os "fazedores do bem". Ele chegou à verdadeira raiz do problema. A
menos que a consciência desperte em você, toda a sua moralidade é falsa, toda a sua
cultura é apenas uma camada muito fina que pode ser destruída por qualquer um. Mas,
uma vez que a sua moralidade seja fruto da sua consciência, não de uma certa disciplina,
então, é coisa inteiramente diferente. Nessa condição, você responderá a cada situação a
partir da sua consciência. E o que quer que você faça será bom. A consciência não é
capaz de fazer nada que seja ruim. Esta é a beleza suprema da consciência: qualquer
coisa que surja dela é simplesmente bela, simplesmente correta, e isso sem nenhum
esforço, sem nenhum treinamento. Assim, em vez de podar folhas e galhos, corte a raiz. E
para cortar a raiz, não existe caminho alternativo além de um único método: o método de
manter-se alerta, de estar percebendo o que acontece, de estar consciente.

Comentário:

 A moralidade tem restringido aos estreitos limites da mente dessa mulher, toda a seiva e
a energia da vida. Nesse confinamento, a moralidade não pode fluir, e com isso
transformou-se numa "velha ameixa seca". Seu comportamento como um todo é muito
"conveniente", inflexível e severo, e ela está sempre pronta para ver cada situação
apenas em branco e preto, como a jóia que a figura traz em volta do pescoço.A Rainha
das Nuvens vive oculta na mente de todos nós que fomos criados com rígidos padrões a
respeito do que é bom e do que é mau, de pecado e virtude, do que é aceitável e não-
aceitável, moral e imoral. É importante lembrar que todos esses julgamentos da mente
são apenas produtos do nosso condicionamento. E nossos julgamentos, quer aplicados a
nós mesmos ou aos outros, impedem-nos de experienciar a beleza e a natureza divina
que habita dentro das pessoas. Apenas quando rompemos a prisão do nosso
condicionamento e alcançamos a verdade dos nossos próprios corações, é que podemos
começar a enxergar a vida como ela realmente é.
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33. A Luta-O Domínio da Mente: Cavaleiro das Nuvens

Num momento estava lá, no momento seguinte desapareceu. Em determinado momento,
estamos aqui, e em outro momento já passamos. E por este simples momento, quanta
confusão nós armamos – quanta violência, ambição, luta, conflito, raiva, ódio. Apenas por
um momento tão breve! Estamos tão-somente aguardando o trem na sala de espera de
uma estação, e criando tanta confusão! Brigando, machucando-nos uns aos outros,
tentando possuir, tentando comandar, tentando dominar – quanta política! Então, o trem
chega, e você se foi para sempre.

Comentário:

  A figura desta meditação apresenta-se completamente coberta por uma armadura.
Apenas se vê o seu olhar de cólera, e o branco dos nós das mãos fechadas. Olhando a
armadura mais de perto, você pode ver que ela está coberta de botões, prontos para
detonar se alguém apenas roçar neles. No plano de fundo aparece a sombria seqüência
das imagens que passam pela mente desse homem – duas figuras lutando por um
castelo. Um temperamento explosivo ou a raiva reprimida escondem com freqüência um
profundo sentimento de dor. Nós achamos que, espantando os outros para longe,
poderemos evitar ser machucados ainda mais. Na verdade, acontece exatamente o
inverso. Ao cobrir nossas feridas com a armadura, estamos impedindo que elas sejam
curadas. Ao agredir os outros, impedimos a nós mesmos de receber o amor e o alimento
afetivo de que precisamos. Se esta descrição parece corresponder ao seu caso, então
está na hora de parar de brigar. Existe muito amor à sua disposição, basta deixá-lo entrar!
Comece por perdoar a si mesmo: você merece.



34. A Mente-O Domínio da Mente: Valete das Nuvens

Esta é a situação da sua cabeça: vejo ali guidões de bicicleta, pedais e coisas estranhas
que você foi juntando de toda parte. Uma cabeça tão pequena... e sem espaço para se
viver nela! E esse material inútil fica revolvendo-se em sua cabeça; sua cabeça fica
girando e tramando – e isso mantém você ocupado. Imagine só que tipos de
pensamentos vão passando pela sua mente...Qualquer dia, simplesmente sente-se, feche
os olhos, e coloque no papel, durante meia hora, o que quer que passe pela sua mente.
Você compreenderá o que estou querendo dizer, e ficará surpreso com o que transita no
interior da sua mente. Isso tudo vai ficando nos bastidores, fica ali o tempo todo, e acaba
envolvendo-o, como uma nuvem. Devido a essa nuvem, você não consegue distinguir a
realidade, não consegue chegar à percepção espiritual. É preciso desfazer-se dela. E
apenas com a sua decisão de descartá-la é que ela irá desaparecer. Você está apegado a
ela – a nuvem mesma não tem o menor interesse em você, lembre-se disso.

Comentário:

 Isto é o que acontece quando nos esquecemos de que a mente foi feita para servir, e
começamos a permitir que ela dirija a nossa vida. A cabeça está cheia de mecanismos, a
boca não pára de censurar, e toda a atmosfera em volta fica poluída por essa fábrica de
argumentos e de opiniões. "Mas, espere aí!", você talvez diga. "A mente é o que nos torna
humanos, é a fonte de todo progresso, de todas as grandes verdades!" Se você acredita
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nisso, faça uma experiência: entre no seu quarto, feche a porta, ligue um gravador, e
passe a falar sem restrições o que quer que lhe venha "à mente". Se de fato você deixar
que saia tudo, sem nenhuma censura ou retificação, ficará espantado de ver a quantidade
de tolices que você dirá.O Valete das Nuvens está lhe dizendo que alguém, em algum
lugar, está preso em uma "viagem da cabeça". Dê uma olhada, e assegure-se de que não
é você.



68. Consciência - Ás de Nuvens: A Mente

Nós viemos do desconhecido, e avançamos para o desconhecido. Nós ainda voltaremos.
Já estivemos por aqui milhares de vezes, e voltaremos milhares de vezes. O nosso ser
essencial é imortal, mas nosso corpo, a nossa corporificação, é mortal. As molduras em
que nos colocamos, nossas casas, o corpo, a mente, são feitas de coisas materiais.
Essas coisas perderão a força, ficarão velhas, elas morrerão. A sua consciência, porém,
para a qual Bodhidharma usa a palavra "não-mente" – o Buda Gautama também usou
essa palavra, "não-mente" – é algo que está além do corpo e da mente, algo que está
além de tudo; essa "não-mente" é eterna. Ela adquire uma expressão física, e torna a
mergulhar depois no desconhecido. Esse movimento, do desconhecido para o conhecido
e do conhecido para o desconhecido, continua por toda a eternidade, a menos que a
pessoa se torne iluminada. Quando isso acontecer, essa será a sua última vida: essa flor
não voltará mais. A flor que se torna consciente de si mesma não precisa mais voltar à
vida, porque a vida nada mais é do que uma escola aonde se vem para aprender. É
alguém que aprendeu a lição e encontra-se agora acima das ilusões. Pela primeira vez,
você não irá mais se deslocar do conhecido para o desconhecido, mas para o
incognoscível.

Comentário:

A maioria das figuras deste naipe da mente ou é cômica ou é conturbada, porque a
influência da mente na nossa vida é geralmente ridícula ou opressiva. Esta figura da
Consciência, porém, apresenta uma imagem enorme do Buda. Ele é tão expansivo, que
vai até além das estrelas, e o que existe acima da sua cabeça é o vazio puro. Esse Buda
representa a consciência que está ao alcance de todos os que se tornam mestres da sua
própria mente, e que são capazes de utilizá-la como o instrumento que ela foi feita para
ser.Quando você escolhe esta mdditação, isso significa que agora já há uma luz cristalina
disponível, independente, enraizada na tranqüilidade profunda que existe no âmago do
seu ser. Já não há a vontade de entender as coisas sob a perspectiva da mente – a
compreensão que você tem agora é existencial, inteira, em consonância com o próprio
pulsar da vida. Aceite essa dádiva enorme, e compartilhe.



59. Esquizofrenia – 2 de Nuvens: A Mente

O homem é dividido. A esquizofrenia é uma condição normal do homem – ao menos no
momento atual. Pode não ter sido assim no mundo primitivo, porém séculos de
condicionamento, civilização, cultura e religião transformaram o homem numa multidão –
dividida, separada, contraditória... Contudo, pelo fato de essa divisão ser contrária à sua
natureza, lá no fundo, escondida em alguma parte, a unidade ainda sobrevive. Porque a
alma do homem é unitária, todos os condicionamentos, no máximo, só destroem a
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periferia do homem. O centro permanece intocado – por isso é que o homem continua a
viver. Mas sua vida tornou-se um inferno.Todo o trabalho do Zen é voltado para o como
desfazer-se dessa esquizofrenia, como desvencilhar-se dessa personalidade cindida,
como descartar a mente dividida do homem, como tornar-se não-dividido, integrado,
centrado, cristalizado.Do jeito como você está, não se pode dizer que você é. Você não
tem um ser – é uma praça de mercado: muitas vozes. Quando você quer dizer "sim",
imediatamente o "não" se apresenta. Sequer você consegue articular um simples "sim"
com inteireza... Dessa maneira a felicidade não é possível; a infelicidade é uma
conseqüência natural de uma personalidade dividida.

Comentário:

 O personagem desta figura traz um novo significado à velha idéia de "estar entre a cruz e
a espada"! Mas é precisamente nesse tipo de situação que ficamos quando nos deixamos
aprisionar pelo aspecto hesitante e dualista da mente. "Devo deixar que meus braços se
soltem e cair de cabeça para baixo, ou deixar que as minhas pernas se soltem, e cair de
pé? Devo vir para cá ou ir para lá? Devo dizer sim ou não?" E seja qual for a decisão que
tomemos, sempre estaremos nos questionando se não deveríamos ter decidido do modo
contrário. A única maneira de sair desse dilema é, infelizmente, soltar os dois extremos ao
mesmo tempo. Desse impasse você não vai conseguir sair valendo-se de fórmulas,
pesando os prós e os contras, ou tentando resolvê-lo de alguma outra forma com a sua
mente. Melhor seguir o seu coração, se lhe for possível ter acesso a ele. Se não tiver,
simplesmente salte – o seu coração começará a bater tão depressa que não haverá
engano a respeito de onde ele está!



60. Isolamento Glacial – 3 de Nuvens: A Mente

Somos infelizes porque ficamos excessivamente encerrados em nós mesmos. O que
quero dizer quando falo que nós ficamos excessivamente encerrados em nós mesmos? E
o que acontece exatamente, quando ficamos excessivamente encerrados em nós
mesmos? Ou você vive a vida, ou fica encerrado em si mesmo – as duas coisas ao
mesmo tempo, são impossíveis. Estar em si mesmo significa estar à parte, estar
separado. Estar em si mesmo significa tornar-se uma ilha. Estar em si mesmo significa
traçar uma linha divisória à sua volta. Significa estabelecer uma distinção entre "isto eu
sou" e "isto eu não sou". Essa definição, essa fronteira entre "eu" e "eu não" circunscreve
o território do "si mesmo" (self) – o si mesmo isola. E ele o torna congelado: você deixa de
fluir. Quando alguém está fluindo, o si mesmo não pode existir.Com esse jeito de ser, as
pessoas quase se transformaram em cubos de gelo. Já não têm calor nenhum, não
sentem nenhum amor – têm medo do amor, porque amor é calor. Se o calor se aproximar,
elas começarão a derreter, e as fronteiras irão desaparecer. As fronteiras desaparecem no
amor; na alegria também, porque a alegria não é fria.

Comentário:

 Em nossa sociedade, principalmente os homens têm sido ensinados a não chorar, a
armar uma fachada de valentia quando são atingidos, e a não demonstrar que estão
sofrendo. Mas as mulheres também podem cair nessa armadilha, e todos nós poderemos
sentir vez por outra, que a única maneira de sobreviver é reprimir nossos sentimentos e
emoções, de forma a que não nos possam ferir outra vez. Se a dor for especialmente
profunda, poderemos até mesmo tentar escondê-la de nós mesmos. Isso poderá nos
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tornar gélidos, rígidos, porque lá no fundo sabemos que uma pequena fenda no gelo
libertará a dor para que comece a circular outra vez dentro de nós.As lágrimas com as
cores do arco-íris no rosto desta figura encerram o segredo de como se libertar desse
"isolamento glacial". As lágrimas, e apenas elas, têm o poder de derreter o gelo. Chorar é
bom, e não há motivos para envergonhar-se de suas lágrimas. O choro nos ajuda a fazer
passar a dor, permite-nos ter consideração por nós mesmos e, afinal, ajuda-nos na cura
de nós mesmos.



61. Adiamento – 4 de Nuvens: A Mente

Adiar é simplesmente estupidez. Amanhã também será necessário decidir; então, por que
não resolver hoje mesmo? Você acha que amanhã estará mais sábio do que hoje? Você
acha que amanhã vai estar com um vigor maior do que o de hoje? Você acha que
amanhã estará mais jovem, renovado em relação a hoje?Amanhã você vai estar mais
velho, a sua coragem será menor; amanhã você vai estar mais experiente, e a sua
capacidade de dissimulação será maior; amanhã a morte chegará mais próximo – você
começará a titubear e a sentir mais medo. Nunca deixe para amanhã. Quem sabe? O
amanhã pode chegar ou pode não chegar. Se é preciso decidir, decida agora mesmo. O
dentista Dr. Vogel tinha concluído o exame de uma bela e jovem cliente. “Srta. Baseman",
ele disse, "acho que terei de arrancar os seus dentes do siso!” “Minha nossa!”, exclamou
a mocinha, “seria preferível parir um bebê!” “Bem”, disse o Dr. Vogel, “quer decidir logo
para que eu possa acertar a posição da cadeira?”Decida! Não continue adiando
indefinidamente.

Comentário:

  A mulher desta figura está vivendo em uma paisagem cinzenta, povoada de nuvens
irreais, nitidamente recortadas contra o céu. Através da moldura de janela ela pode ver
cores, luz e vida; e, embora quisesse escapar por ali – o que se percebe pelas cores do
arco-íris em sua roupa – ela não é capaz de fazer isso. Há ainda em sua mente muita
elucubração do tipo "mas, e se...?". Dizem que o amanhã nunca chega, e não importa a
freqüência com que isso é repetido, parece que a maioria de nós tende a esquecer a
verdade contida nessa frase. De fato, a única conseqüência certa de adiar as coisas é o
tédio e a depressão nos dias de hoje, um sentimento de incompletude e de limitação. O
alívio e o desenvolvimento que você sentirá quando puser de lado todos os pensamentos
de indecisão que o estão impedindo de agir agora, farão com que você se pergunte por
que esperou tanto tempo.



62. Comparação – 5 de Nuvens: A Mente

A comparação gera inferioridade, superioridade. Quando você não estabelece
comparações, toda inferioridade e toda superioridade desaparecem. Nessa condição você
simplesmente é, você simplesmente está aí. Um pequeno arbusto ou uma grande árvore
alta – isso não importa – você é você mesmo. Você é necessário. Uma folha de grama é
tão necessária quanto a maior das estrelas. Sem a folha de grama, Deus será menos do
que ele é. O pipilar de um pássaro é tão necessário quanto qualquer buda – o mundo será
menos, será menos rico se esse pássaro desaparecer.Basta olhar à sua volta. Tudo é
necessário e se encaixa em um todo. Trata-se de uma unidade orgânica: ninguém está
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acima, ninguém está abaixo, ninguém é superior, ninguém é inferior. Cada qual é
incomparavelmente único.

Comentário:

 Quem foi que lhe disse que o bambu é mais bonito do que o carvalho, ou que o carvalho
é mais valioso do que o bambu? Você imagina que o carvalho gostaria de ter um tronco
oco como o do bambu? Será que o bambu sente inveja do carvalho porque ele é maior e
suas folhas mudam de coloração no outono? A própria idéia das duas árvores fazendo
comparações entre si parece ridícula, mas os humanos consideram muito difícil romper
com esse hábito.Vamos encarar os fatos: sempre existirá alguém que é mais bonito, mais
talentoso, mais forte, mais inteligente, ou aparentemente mais feliz do que você. E,
inversamente, sempre haverá aqueles que são inferiores a você em todos esses
aspectos. O caminho para descobrir quem você é, não é a comparação com os outros,
mas um exame para ver se você está realizando o seu próprio potencial, da melhor
maneira de que é capaz.



63. O Fardo – 6 de Nuvens: A Mente

A verdadeira vida de um homem é o caminho no qual ele se desfaz das mentiras que lhe
foram impostas pelos outros. Desprovido das roupas, nu, ao natural, ele é aquilo que é.
Trata-se aqui de ser, e não de vir a ser. A mentira não pode transformar-se na verdade, a
personalidade não pode transformar-se na sua alma. Não existe maneira de transformar o
não-essencial em essencial. O não-essencial permanece não-essencial, e o essencial
permanece essencial – eles não são conversíveis. Esforçar-se pela verdade só vai criar
mais confusão. A verdade não precisa ser conquistada. Ela não pode ser conquistada,
pois já está aí. Apenas a mentira é que precisa ser descartada.Todos os anseios,
propósitos, ideais e metas, todas as ideologias, religiões e sistemas de aperfeiçoamento,
de melhoramento, são mentiras. Cuidado com tudo isso. Reconheça o fato de que do jeito
como você é agora, você é uma mentira, resultado de manipulação, produzido pelos
outros. A busca da verdade é de fato uma distração e um adiamento. É a fórmula
encontrada pela mentira para disfarçar-se. Olhe a mentira de frente, examine a fundo a
falsidade que é a sua personalidade. Pois encarar a mentira é parar de mentir. Deixar de
mentir é desistir de buscar alguma verdade – não há necessidade disso. No momento em
que desaparece a mentira, ali está a verdade em toda a sua beleza e esplendor.
Encarando-se a mentira ela desaparece, e o que fica é a verdade.

Comentário:

 Quando carregamos o fardo dos "você deve" e "você não deve", impostos a nós pelos
outros, ficamos como este personagem roto e sofrido, pelejando para abrir seu caminho
morro acima. "Mais depressa! Mais força! Tente chegar ao alto!" – grita o tolo tirano que
essa figura triste leva às costas, enquanto o próprio tirano, por sua vez, tem às costas um
galo dominador. — Se a vida nestes dias está lhe parecendo apenas uma luta ininterrupta
desde o berço até o túmulo, pode ser a hora de arriar a carga dos seus ombros e
experimentar caminhar sem ter de carregar às costas essas figuras. Você tem suas
próprias montanhas a conquistar, seus próprios sonhos a realizar, mas nunca haverá
energia suficiente para ir atrás dessas metas enquanto você não se desfizer de todas as
expectativas que lhe foram impostas pelos outros, e que agora você pensa que são suas.
Há a possibilidade de que essas expectativas estejam apenas na sua mente, mas isso
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não significa que elas não possam jogá-lo ao chão. É hora de arriar a carga, e dizer a
essas figuras que sigam o seu próprio caminho.



64. Política – 7 de Nuvens: A Mente

Qualquer um que seja capaz de fingir com convicção, que consiga ser hipócrita, se
tornará seu líder político, se tornará seu sacerdote religiosamente. Tudo que ele precisa é
de hipocrisia, tudo o que ele precisa é de dissimulação, tudo que ele precisa é de uma
"fachada" para se esconder por trás. Os seus políticos vivem vidas duplas, os seus
sacerdotes levam vida dupla – uma pela porta da frente, a outra pela porta dos fundos. E
aquela vivida pela porta dos fundos é a vida real deles. Aqueles sorrisos pela porta da
frente são pura falsidade, aquelas caras tão inocentes são puramente cultivadas.Se você
quiser ver a realidade do político, precisará olhá-lo pela porta dos fundos. Deste ângulo
ele aparece na sua nudez, do jeito como ele é; e para o sacerdote a coisa é assim
também. Esses dois tipos de pessoas dissimuladas têm dominado a humanidade. Muito
cedo eles descobriram que, se você quer dominar a humanidade, deve torná-la fraca,
fazê-la sentir-se culpada, não-merecedora.Destrua a sua dignidade, tire-lhe toda a glória,
humilhe-a. E encontraram maneiras tão sutis de humilhar, que eles nem aparecem "na
foto"; você mesmo fica encarregado de se humilhar, de se destruir. Eles lhe ensinaram
uma forma de suicídio lento.

Comentário:

 Você reconhece este homem? Com exceção dos mais inocentes e sinceros de nós, todos
temos um político de tocaia em algum lugar da nossa mente. De fato, a mente é política.
É da sua própria natureza planejar, montar esquemas, e tentar manipular situações e
pessoas de maneira a conseguir o que quer. Nesta figura, a mente é representada pela
serpente recoberta de nuvens, que "fala com uma língua bífida". O que é importante
perceber, porém, a propósito desta figura, é que ambas as caras são falsas. A face
cândida, inocente, do tipo "confie em mim", é uma máscara, e a face diabólica, venenosa,
do tipo "vou tirar vantagem de você", também não passa de uma máscara. Políticos não
têm faces verdadeiras. Seu jogo é na totalidade uma mentira.Dê uma boa examinada em
si mesmo para verificar se você tem estado fazendo esse jogo. O que você vai encontrar
poderá ser doloroso de ver, mas não tão doloroso quanto continuar agindo igual. No final,
esse jogo não serve ao interesse de ninguém, e muito menos ao seu. O que quer que
você consiga por esse caminho, irá transformar-se em pó nas suas mãos.



65. Culpa – 8 de Nuvens: A Mente

Este momento!... O aqui-agora... fica esquecido quando você começa a pensar em termos
de conquistar alguma coisa. Quando a mente realizadora se manifesta, você perde
contato com o paraíso em que está. Esta é uma das abordagens mais liberadoras: ela o
liberta imediatamente! Esqueça tudo a respeito do pecado e da santidade – ambas são
idéias estúpidas. Juntas, destruíram todas as alegrias da humanidade. O pecador se
sente culpado, e com isso sua alegria fica perdida. Como é possível apreciar a vida se
você está sempre se sentindo culpado? Se o tempo todo você fica indo à igreja para
confessar que fez isto e aquilo errado? Errado, errado, errado... a sua vida inteira parece
ser feita de pecados. Como viver com alegria? Fica impossível sentir prazer na vida. Você
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se torna pesado, carregado.A culpa instala-se no seu peito como uma pedra – ela o
esmaga; não permite que você dance. Como seria possível dançar? Como a culpa pode
dançar? Como a culpa pode cantar? Como a culpa pode amar? Como a culpa pode viver?
Assim, quem pensa que está fazendo coisas erradas sente-se culpado, pesado, um morto
antes da hora -- já está dentro do túmulo.

Comentário:

 A culpa é uma das emoções mais destrutivas em que podemos nos deixar aprisionar. Se
tivermos agido mal com alguém, ou procedido contrariamente à nossa própria verdade,
naturalmente nos sentiremos mal. Mas permitir que fiquemos sobrecarregados de culpa é
fazer um convite à enxaqueca. Acabaremos envolvidos por nuvens perturbadoras de
dúvidas a nosso próprio respeito, e por sentimentos de desvalor, a ponto de não
conseguirmos enxergar as belezas e alegrias que a vida está tentando nos oferecer.Todo
mundo anseia por ser uma pessoa melhor – mais amorosa, mais consciente, mais sincera
consigo mesmo. Quando, porém, nos punimos por nossas falhas, sentindo-nos culpados,
podemos cair prisioneiros de um ciclo de desespero e desesperança que nos tira toda a
clareza de visão a nosso próprio respeito e a respeito das situações que encontramos
pela frente. Você é absolutamente bom do jeito que é, e é absolutamente natural errar o
caminho de vez em quando. Apenas aprenda com a experiência; siga em frente e
aproveite a lição para não cometer o mesmo erro outra vez.



66. Sofrimento – 9 de Nuvens: A Mente

Esta dor que o aflige não deve deixá-lo triste, lembre-se disso. É este o ponto que as
pessoas continuam a não compreender... Esta dor é apenas para deixá-lo mais alerta –
porque as pessoas só ficam atentas quando a seta vai fundo no seu coração e as fere. De
outra maneira, não despertam. Quando a vida é fácil, confortável, conveniente, quem se
preocupa? Quem se dá ao trabalho de ficar alerta? Quando morre um amigo, apresenta-
se uma possibilidade. Quando a sua mulher o abandona – naquelas noites escuras, você
sente solidão. Você amou tanto aquela mulher e arriscou tudo por ela e, então, de
repente, um dia, ela vai-se embora. Chorando na sua solidão... essas são as ocasiões em
que, sabendo aproveitá-las, você poderá tornar-se consciente. A seta está ferindo: então é
possível usá-la. A dor não existe para fazê-lo infeliz: ela está aí para torná-lo mais
consciente! E quando você se torna consciente, a infelicidade desaparece.

Comentário:

 Esta figura é de Ananda, primo e discípulo do Buda Gautama. Ele esteve ao lado do
Buda constantemente, cuidando de cada necessidade dele por quarenta e dois anos.
Quando Buda morreu, conta-se que Ananda estava ainda a seu lado, chorando. Os outros
discípulos repreenderam-no por ele não estar entendendo: Buda havia morrido
completamente realizado; Ananda deveria estar celebrando! Mas Ananda respondeu:
"Vocês é que não estão compreendendo. Não estou chorando por ele, mas por mim
mesmo, porque ao longo desses anos todos eu estive constantemente ao seu lado, e
mesmo assim não consegui atingir". Ananda ficou acordado a noite inteira, meditando
profundamente e sentindo sua dor, sua tristeza. Diz a história que, quando o dia
amanheceu, ele estava iluminado.Tempos de grande sofrimento trazem em si,
potencialmente, tempos de grande transformação. Para que a transformação aconteça,
porém, precisamos ir fundo às raízes da nossa dor, vivenciando a dor exatamente como
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ela é, sem culpa e sem autopiedade.



67. Renascimento – 10 de Nuvens: A Mente

Segundo o Zen, você vem de lugar-nenhum, e vai para lugar-nenhum. Você existe apenas
agora, aqui: não vindo, nem indo. As coisas todas vão passando por você; a sua
consciência reflete o que passa, mas ela mesma não se identifica com isso. Quando um
leão ruge diante de um espelho, você pensa que o espelho também ruge? Ou quando o
leão se afasta e aparece uma criança dançando, o espelho, esquecendo completamente
o leão, passa a dançar com a criança – você acredita que o espelho realmente dance com
a criança?O espelho não faz nada, ele apenas reflete. A sua consciência é apenas um
espelho. Você nem vem, nem vai. As coisas vêm e vão. Você se torna um jovem, você
fica velho; você está vivo, você está morto. Todas essas situações são apenas reflexos
num lago eterno de consciência.

Comentário:

Esta figura representa a evolução dos graus de consciência do modo como é descrita por
Friedrich Nietzsche, em seu livro Assim Falou Zarathustra. Ele fala dos três níveis:
Camelo, Leão e Criança. O camelo é sonolento, entediado, satisfeito consigo mesmo.
Vive iludido julgando-se o cume de uma montanha, mas, na verdade, preocupa-se tanto
com a opinião dos outros que quase não tem energia própria. Emergindo do camelo,
aparece o leão. Quando nos damos conta de que temos estado abrindo mão da
oportunidade de viver realmente a vida, passamos a dizer "não" às demandas dos outros.
Nós nos apartamos da multidão, solitários e orgulhosos, rugindo a nossa verdade. A
coisa, porém, não acaba por aí. Finalmente, emerge a criança, nem submissa nem
rebelde, mas inocente e espontânea, fiel ao seu próprio ser.Qualquer que seja a posição
em que você se encontre neste momento – sonolento e abatido, ou desafiador e rebelde –
tenha consciência de que isso evoluirá para alguma coisa nova, se você permitir. Este é
um tempo de crescimento e mudança.



ARCO-ÍRIS - OUROS

35. Abundância-O Domínio da Natureza Física: Rei do Arco-Íris

No Oriente, as pessoas condenaram o corpo, condenaram a matéria, chamaram-na de
"ilusória", de maya: coisa que de fato não existe, apenas parece existir; coisa feita da
mesma substância dos sonhos. As pessoas renegaram o mundo, e esta é a razão pela
qual o Oriente permaneceu pobre, doente, faminto.Metade da humanidade tem vivido
aceitando o mundo interior, mas negando o mundo exterior. A outra metade tem aceitado
o mundo material, e negado o mundo interior. Ambas são metades, e homem nenhum que
seja uma metade pode estar satisfeito. É necessário ser inteiro: rico no corpo, rico em
ciência; rico em meditação, rico em consciência. No meu modo de ver, apenas a pessoa
inteira é uma pessoa sagrada. Eu quero que se misturem Zorba e Buda. Zorba sozinho é
vazio. Sua dança não tem significação eterna, é prazer momentâneo. Logo ele se cansará
dela. A menos que você disponha de fontes inesgotáveis que lhe venham do próprio
cosmos... a menos que você se torne existencial, não poderá tornar-se inteiro. Esta é a
minha contribuição para a humanidade: a pessoa inteira.
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Comentário:

 Este tipo dionisíaco é o próprio retrato de um homem inteiro, um "Zorba e Buda" que
pode beber vinho, dançar na praia, cantar na chuva, e ao mesmo tempo desfrutar as
profundezas da compreensão e do conhecimento próprios do sábio. Em uma das mãos
ele segura uma flor de lótus, demonstrando que respeita e contém em si mesmo a graça
do feminino. O peito exposto (um coração aberto) e a barriga relaxada mostram que ele
está à vontade com a sua masculinidade também, inteiramente pleno de si. Os quatro
elementos; terra, fogo, água e céu, confluem no Rei do Arco-Íris, que está sentado sobre
o livro da sabedoria da vida.Se você é mulher, o Rei do Arco-Íris traz para a sua vida o
apoio de suas energias masculinas, uma união com a alma gêmea interior. Para um
homem, esta figura representa uma oportunidade para romper com os estereótipos
masculinos convencionais, permitindo que transpareça a plenitude do ser humano
integral.



36. Florescimento-O Domínio da Natureza Física: Rainha do Arco-Íris

O Zen quer vê-lo vivendo, vivendo em abundância, vivendo na completude, vivendo
intensamente – não em grau mínimo, como pretende a Cristandade, mas no grau
máximo, transbordante. A sua vida deveria derramar-se até os outros. A sua felicidade, a
sua bem-aventurança, o seu êxtase, não deveriam ficar confinados dentro de você, como
uma semente. Deveriam abrir-se como a flor e espalhar sua fragrância
indiscriminadamente – não apenas para os amigos, mas para os desconhecidos
também.Isso é compaixão verdadeira, amor verdadeiro: compartilhar a sua iluminação,
compartilhar a sua dança do além.

Comentário:

  A Rainha do Arco-Íris é como uma planta fantástica que atingiu o ápice do seu
florescimento e das suas cores. É muito sensual, muito cheia de vida e plena de
possibilidades. Estalando os dedos ela acompanha a música do amor, e o seu colar do
zodíaco está colocado de tal maneira que Vênus repousa sobre o seu coração. As
mangas da sua vestimenta contêm sementes em abundância, e, à medida que sopra o
vento, elas são espalhadas para criar raízes onde lhes for possível. Não a preocupa saber
se as sementes caem no solo ou sobre as pedras – ela apenas as vai espalhando por
toda parte, em total celebração da vida e do amor. Flores caem do alto sobre a sua
cabeça, em harmonia com o seu próprio florescimento, e as águas da emoção
serpenteiam divertidamente sob a flor em que ela está sentada. Você poderia sentir-se
neste exato momento como um jardim de flores, regado por bênçãos vindas de toda
parte. Dê boas-vindas às abelhas, convide os pássaros a beber do seu néctar. Espalhe
em volta a sua alegria, para que todos compartilhem dela.



37. Desaceleração-O Domínio da Natureza Física: Cavaleiro do Arco-Íris

A meditação é uma espécie de remédio – seu uso será apenas passageiro. Quando você
tiver apreendido a qualidade, não precisará praticar mais nenhuma meditação em
particular, pois a atitude meditativa é que deverá permear todos os cantos da sua vida.
Andar é Zen, sentar-se é Zen.Qual será então essa qualidade? A pessoa passa a andar
                                                                                      433
de maneira vigilante, alerta, alegremente, sem metas a atingir, centrada, com amor,
deixando-se fluir. E o caminhar é despreocupado. A pessoa senta-se com amor, alerta,
vigilante, desinteressadamente – sem estar buscando alguma coisa em especial, mas
apenas desfrutando a beleza do sentar-se sem fazer nada, o quanto isso é relaxante,
repousante... Depois de uma longa caminhada, você se senta à sombra de uma árvore, e
a brisa vem e o refresca. A cada momento é preciso que a pessoa esteja bem consigo
mesma – não empenhada em melhorar, cultivando alguma coisa, praticando alguma
coisa. Andar é Zen, sentar-se é Zen.Falando ou em silêncio, movimentando-se, em
repouso, a essência está à vontade. A essência está à vontade: esta é a idéia-chave. A
essência está à vontade: esta é a afirmação-chave. Faça o que quiser, mas, no âmago
mais profundo, permaneça à vontade, frio, calmo, centrado.

Comentário:

 O Cavaleiro do Arco-Íris é um lembrete de que, exatamente como a tartaruga desta carta,
nós também levamos conosco a nossa casa, aonde quer que vamos. Não há necessidade
de apressar-se, não é preciso procurar abrigo em nenhum outro lugar. Mesmo quando
mergulhamos nas profundezas das águas da emoção, podemos manter-nos abrigados
em nós mesmos, imunes a dependências. Há um momento em que você se prepara para
deixar de lado quaisquer expectativas que tem cultivado a seu próprio respeito, ou a
respeito de outras pessoas; prepara-se para assumir a responsabilidade por quaisquer
ilusões que possa ter estado carregando. Nessa hora, não há necessidade de fazer nada,
bastando repousar na plenitude de quem você é neste exato momento. Se os desejos,
esperanças e sonhos estão se tornando vagos, tanto melhor. Seu desaparecimento está
abrindo espaço para um novo clima de tranqüilidade e de aceitação das coisas como são.
Você irá sentir-se capaz de dar as boas-vindas a esse crescimento pessoal, de uma
maneira que nunca esteve antes ao seu alcance.Desfrute essa sensação de diminuição
do ritmo, de se aproximar do repouso, e de reconhecer que você já está em casa.



38. Aventura-O Domínio da Natureza Física: Valete do Arco-Íris

O Zen diz que a verdade não tem nada a ver com autoridade, que a verdade não tem
nada a ver com tradição; que a verdade não tem nada a ver com o passado: a verdade é
uma realização radical, pessoal. Você precisa conquistá-la.O conhecimento oficial é coisa
segura; a busca do conhecimento pessoal, porém, é muito, muito arriscada. Ninguém
pode garantir o resultado. Se você me perguntar se posso garantir alguma coisa, direi que
não posso garantir-lhe nada. Só posso garantir o perigo – isso é certo. Só posso garantir-
lhe uma longa aventura, com todas as possibilidades de dar errado e de nunca se atingir
a meta. Uma coisa, porém, é certa: a própria busca irá ajudá-lo a crescer. Só posso
garantir-lhe o crescimento. O perigo estará lá, o sacrifício estará lá; você estará
mergulhando a cada dia no desconhecido, em terreno inexplorado, e não haverá nenhum
mapa a seguir, nenhum guia para acompanhar. Sim, há milhões de riscos e você poderá
desviar-se, poderá perder-se, mas é esta a única maneira de crescer. A insegurança é a
única senda para o crescimento, enfrentar o perigo é a única forma de crescer, aceitar o
desafio do desconhecido é o único caminho para se crescer.

Comentário:

 Quando estamos realmente com espírito de aventura, andamos exatamente como esta
criança. Cheios de confiança, vamos, passo a passo, saindo da escuridão da floresta para
                                                                                       434
o clarão da luz, levados pela nossa capacidade de nos maravilharmos, na trilha do
desconhecido. A idéia de aventura realmente não tem nada a ver com planos e mapas,
programações e organização. O Valete do Arco-Íris representa um estado de espírito que
pode tomar conta de nós em qualquer lugar – em casa ou no escritório, no campo ou na
cidade, num empreendimento criativo ou no nosso relacionamento com outras pessoas.
Sempre que nos lançamos ao novo e desconhecido com o espírito confiante de uma
criança, inocentes, abertos e vulneráveis, até mesmo as menores coisas da vida podem
transformar-se nas maiores aventuras.



78. Maturidade - Ás do Arco-Íris: A Natureza Física

A diferença entre a relva e as flores é a mesma que existe entre você enquanto não sabe
que é um buda, e você no momento em que compreende que é um buda. De fato, nem
poderia ser diferente.O buda é completamente florescido, inteiramente aberto. Os seus
lótus, suas pétalas, chegaram a uma realização...Com certeza, ser você mesmo, pleno de
primavera, é muito mais belo do que o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus.
E olha que essa é uma das coisas mais lindas de se ver: o orvalho de outono caindo
sobre as folhas de lótus, brilhando ao sol da manhã, como pérolas verdadeiras.
Naturalmente isso não passa de uma experiência momentânea. À medida que o sol se
levanta, o orvalho de outono começa a evaporar-se...Essa beleza passageira certamente
não pode ser comparada com uma eterna primavera em seu ser. Por mais longe que você
consiga olhar para trás, verá que essa primavera sempre esteve ali. Olhando para frente o
mais que pode, você se surpreenderá: trata-se do seu próprio ser. Onde quer que você
esteja, essa primavera estará também, e as flores continuarão a cair sobre a sua cabeça.
Isso é primavera espiritual.

Comentário:

  O personagem desta meditação está só, quieto, porém atento. O seu ser interior
apresenta-se repleto de flores – portadoras do espírito da primavera, e que renascem
onde quer que ele vá. Este florescimento interior e a completude pessoal que ele sente
criam-lhe a possibilidade de uma mobilidade ilimitada. Ele pode deslocar-se em qualquer
direção – no seu próprio interior ou no mundo aqui de fora, não faz diferença, pois a sua
alegria e maturidade não podem ser diminuídas por fatores externos. Ele chegou a um
tempo de centramento pessoal e de expansividade – a aura branca que o envolve é a sua
proteção, e a sua luz. O conjunto das experiências da vida o trouxe a este tempo de
perfeição.Quando você escolher e fizer esta meditação, saiba que o momento lhe traz um
presente – pelo trabalho pesado que foi bem feito. Agora, suas bases são sólidas, e o
sucesso e a boa sorte estão assegurados porque são a conseqüência natural daquilo que
já foi vivenciado em seu íntimo



69. Momento a Momento – 2 de Arco-Íris: A Natureza Física

O passado já se foi e o futuro ainda não chegou: ambos estão se movimentando
desnecessariamente em direções que não existem. Um existia, mas não existe mais, e o
outro nem sequer começou a existir ainda. A pessoa equilibrada é a que vive momento a
momento, cuja atenção está voltada para o momento presente, que sempre está aqui e
agora. Onde quer que ela se encontre, toda a sua consciência, todo o seu ser está
                                                                                      435
envolvido na realidade do aqui e na realidade do agora. Essa é a única direção certa. Só
um homem assim está habilitado a adentrar o portal dourado. O momento presente é o
portal dourado. O aqui-agora é o portal dourado. ... E você só consegue estar no
momento presente se não for ambicioso -- nenhuma meta a realizar, nenhuma pretensão
de poder, de dinheiro, de prestígio, ou mesmo de iluminação, porque toda ambição coloca
você no futuro. Apenas um homem não ambicioso é capaz de permanecer no momento
presente. Um homem que queira estar no momento presente não tem que pensar; precisa
apenas ver e adentrar o portal. A experiência virá, mas não precisa ser premeditada.

Comentário:

 À medida que o personagem desta figura vai andando de pedra em pedra, ele vai
pisando com leveza e sem seriedade e, ao mesmo tempo, com absoluto equilíbrio e
atenção. Por detrás das águas que ondulam sempre cambiantes, podemos ver silhuetas
de arranha-céus – parece que existe uma cidade ao fundo. O homem participa da praça
do mercado, mas ao mesmo tempo, mantém-se fora dela, preservando o seu equilíbrio e
sendo capaz de observá-la do alto.Esta figura nos desafia a nos afastarmos de nossas
preocupações com outros lugares e outros tempos, e a permanecer atentos ao que está
acontecendo aqui e agora. A vida é um grande oceano no qual você pode se divertir, se
se desfizer de todos os julgamentos, de suas preferências e do apego aos detalhes dos
seus planos de longo prazo. Esteja disponível para o que vier ao seu encontro, da forma
como vier. E não se preocupe se tropeçar ou cair: levante-se, sacuda a poeira, dê uma
boa gargalhada, e vá em frente.



70. Orientação – 3 de Arco-Íris: A Natureza Física

Você sente necessidade de procurar orientação, porque não sabe que o seu guia interior
está escondido dentro de você. É necessário encontrar esse guia interior, que eu chamo
de "a sua testemunha". Chamo também de "o seu dharma", seu buda intrínseco. É
preciso acordar esse buda, e a sua vida será banhada de bênçãos, de graças. Sua vida
tornar-se-á radiante de bem, de divindade, muito mais do que você seria capaz de
imaginar. É quase como luz. Se o seu quarto está escuro, basta trazer luz. Até uma
pequena vela servirá: toda a escuridão desaparece. Tendo uma vela, você saberá onde
fica a porta. Não precisará pensar: "Onde está a porta?". Só quem é cego pergunta onde
está a porta. Gente que tem olhos e dispõe de luz nem pensa nisso. Alguma vez você já
se perguntou onde fica a porta...!? Você simplesmente levanta e sai. Não dedica um
pensamento sequer a semelhante questão. Nem começa a tatear procurando a porta, ou
a bater a cabeça contra a parede. Você simplesmente vê, e não existe nem mesmo um
lampejo de pensamento: você simplesmente sai.

Comentário:

A figura angelical que aparece nesta meditação, com asas coloridas como o arco-íris,
representa o guia que cada um de nós traz dentro de si. Como acontece com a segunda
figura, no plano de fundo, algumas vezes nós podemos relutar em confiar nesse guia
quando ele se manifesta, porque estamos acostumados a receber nossos "sinais" mais do
mundo exterior do que de dentro de nós mesmos.A verdade do seu próprio ser mais
profundo está tentando mostrar-lhe o caminho a seguir neste exato momento, significando
que você pode confiar na orientação interior que lhe está sendo dada. Esta orientação
vem por meio de sussurros, e algumas vezes podemos hesitar, sem saber se
                                                                                     436
compreendemos corretamente. As indicações, porém, são claras: seguindo o seu guia
interior você se sentirá mais pleno, mais integrado, como se estivesse se movimentando a
partir do centro do seu próprio ser. Se você a acompanhar, essa célula de luz o conduzirá
exatamente para onde você precisa ir.



71. O Avarento – 4 de Arco-Íris: A Natureza Física

No momento em que você se torna avarento, fica fechado para o fenômeno fundamental
da vida: a expansão, o compartilhar.Quando começa a se apegar a coisas, você perde o
alvo de vista – simplesmente perde. Porque as coisas não são o alvo: você, o seu ser
interior, é que é o alvo – não uma bela casa, mas a sua beleza; não dinheiro em
abundância, mas a sua riqueza; não coisas demais, mas um ser aberto, disponível a
milhões de coisas.

Comentário:

 Esta mulher levantou uma fortaleza à sua volta, e fica agarrada a tudo o que tem, a tudo
o que considera seu tesouro. Ela acumulou tanto para se enfeitar – inclusive penas e
peles de criaturas vivas – que, no seu empenho, ela de fato ficou mais feia. Esta figura
nos desafia a examinar aquilo a que estamos nos apegando e o que possuímos de tão
valioso que precise ser protegido por uma fortaleza. Não é preciso que seja muito dinheiro
na conta, nem uma caixa repleta de jóias – poderia ser algo tão simples como
compartilhar o nosso tempo com um amigo, ou assumir o risco de expressar o nosso
amor por outra pessoa. Igual a um poço que é selado e se torna estagnado pela falta de
uso, os nossos tesouros ficam embaçados e sem proveito se nos recusamos a
compartilhá-los. Independente daquilo a que esteja se apegando, lembre-se de que não
poderá levar isso consigo. Desapegue-se, e sinta a liberdade e a expansão que o
compartilhar é capaz de proporcionar.



72. O Forasteiro – 5 de Arco-Íris: A Natureza Física

Então, você está se sentindo um estranho. Isso é bom. É o período de transição. Mas é
preciso estar atento para não se deixar tomar pela dor e infelicidade. Agora que Deus não
está mais aí, quem irá consolá-lo? Você não precisa de consolo nenhum. A humanidade já
é maior de idade! Seja um homem, seja uma mulher, e apóie-se nos seus próprios pés...A
única maneira de conectar-se com a existência é aprofundando-se em si mesmo, porque,
lá no seu centro, você ainda está conectado. Fisicamente, você foi desconectado de sua
mãe. Essa desconexão foi absolutamente necessária, para transformá-lo num indivíduo
autônomo. Do universo, porém, você não está desconectado. A sua conexão com o
universo é a consciência. Essa conexão não é visível, portanto é necessário mergulhar
profundamente em si mesmo, com grande consciência, atenção e observação, e você
encontrará a conexão. O buda é a conexão!

Comentário:

O menininho desta figura está de pé de um dos lados de um portão, olhando através da
grade. Ele é tão pequeno, e está tão convencido de que não pode passar, que não
consegue ver que a corrente que amarra o portão não está trancada; tudo o que ele
                                                                                       437
precisaria fazer seria soltá-la.Sempre que nos sentimos "deixados de fora", excluídos,
isso gera essa sensação de ser uma criança pequena e desamparada. Não é de causar
espanto, pois esse sentimento está profundamente enraizado nas nossas experiências da
mais tenra infância. O problema é exatamente esse, porque estando tão profundamente
enraizado, o sentimento ressurge repetidas vezes em nossa vida, como se fosse uma fita
gravada. Neste momento, uma oportunidade lhe está sendo oferecida para você
interromper essa gravação, para deixar de atormentar-se com a idéia de que, de alguma
maneira você "não está à altura" para ser aceito e recebido. Reconheça que as raízes
desse sentimento estão no passado, e deixe ir embora essa dor antiga. Isso irá trazer-lhe
lucidez para enxergar como pode abrir o portão e iniciar-se naquilo que você tanto anseia
ser.



73. Concessão – 6 de Arco-Íris: A Natureza Física

Não queira ser esperto, caso contrário, você permanecerá sempre o mesmo, nunca
mudará. Soluções de conciliação nos caminhos do amor, e na senda da meditação,
criarão muita confusão em você. Elas não ajudarão...Como pedir ajuda vai contra o ego,
você tenta acomodar uma situação fazendo concessões. Esse acerto será mais perigoso,
ele o desorientará mais, porque, feito com base em coisas mal esclarecidas, só poderá
confundir tudo ainda mais. Desse modo, tente entender primeiro o motivo pelo qual você
parece estar sempre pronto para fazer concessões. Mais cedo ou mais tarde, você será
capaz de compreender que fazer concessões não adianta. A concessão pode ser uma
maneira de você não ser obrigado a optar entre caminhos alternativos, ou pode ser
apenas a repressão da sua confusão. Isso acabará virando um hábito. Nunca reprima
nada, seja muito claro a respeito do que está sentindo. E se você estiver confuso, procure
ter consciência disso. Esta será a primeira coisa claramente definida a seu respeito: que
você está confuso. Assim, você terá dado início à caminhada.

Comentário:

Nas cortes do Japão antigo, os serviçais masculinos eram, com freqüência, escolhidos
entre as fileiras dos pequenos delinqüentes, que eram castrados. Em razão da
familiaridade íntima que tinham com as atividades palacianas, esses serviçais estavam
freqüentemente no centro das intrigas políticas e sociais, e exerciam muito poder nos
bastidores. As duas figuras desta meditação nos trazem à lembrança as situações
delicadas e conspiratórias em que podemos nos meter quando fazemos concessões no
que se refere à nossa própria verdade. Uma coisa é encontrar-se com o outro a meio
caminho, compreender um ponto de vista diferente do nosso e trabalhar no sentido de
harmonizar forças contrárias. Coisa muito diferente é ceder à pressão e trair a nossa
própria verdade. Se olharmos a fundo o que ocorre neste último caso, descobriremos que
normalmente estamos tentando tirar proveito de alguma coisa – quer se trate de poder, ou
da aprovação de outras pessoas. Se se sentir tentado, cuidado: as recompensas por esse
tipo de concessão deixam sempre um gosto amargo na boca.



74. Paciência – 7 de Arco-Íris: A Natureza Física

Nós nos esquecemos de como esperar; este é um espaço quase abandonado. No
entanto, ser capaz de esperar pelo momento certo é o nosso maior tesouro. A existência
                                                                                       438
inteira espera pelo momento certo. Até as árvores sabem disso – qual é o momento de
florescer, e o de deixar que as folhas caiam, e de se erguerem nuas ao céu. Também
nessa nudez elas são belas, esperando pela nova folhagem com grande confiança de que
as folhas velhas tenham caído, e de que as novas logo estarão chegando. E as folhas
novas começarão a crescer.Nós nos esquecemos de como é esperar: queremos tudo com
pressa. Trata-se de uma grande perda para a humanidade... Em silêncio e à espera,
alguma coisa dentro de você vai crescendo – o seu autêntico ser. Um dia ele salta e se
transforma numa labareda, e a sua personalidade inteira é estilhaçada: você é um novo
homem. E esse novo homem sabe o que é uma cerimônia, esse novo homem conhece os
sumos eternos da vida.

Comentário:

Há momentos em que a única coisa a fazer é esperar. A semente já foi plantada, a criança
está crescendo no útero, a ostra está cobrindo o grão de areia, transformando-o em uma
pérola. Esta figura nos lembra de que este é um momento em que tudo o que se requer é
manter-se simplesmente atento, paciente, à espera. A mulher retratada na figura está
justamente nessa atitude. Satisfeita, sem sinais de ansiedade, ela está apenas à espera.
Ao longo de todas as fases da lua que se sucedem no alto, ela permanece paciente, tão
sintonizada com os ritmos da lua, que quase se confunde com ela. A mulher sabe que
esta é uma época para permanecer na passividade, deixando que a natureza siga o seu
caminho. Não está, porém, com expressão de sono, nem indiferente; sabe que é tempo
de se preparar para alguma coisa importante. Trata-se de um período repleto de mistério,
como as horas que antecedem o amanhecer. É um tempo em que a única coisa a fazer, é
esperar.



75. Simplicidade- 8 de Arco-Íris: A Natureza Física

Às vezes acontece a você sentir-se integrado, em algum raro momento. Observe o
oceano, o seu espírito indomável – de repente você esquece a sua divisão interior, a sua
esquizofrenia: você relaxa. Ou então, andando pelo Himalaia, contemplando a neve
virgem nos picos das montanhas, de repente uma calma o envolve e você não precisa ser
falso, porque não há ali nenhum outro ser humano para o qual representar. Você se re-
integra. Ou ainda, ouvindo boa música, você se sente integrado. Sempre que, em
qualquer situação, você se torne uno, uma paz, uma felicidade, uma bênção o envolvem,
brotam de dentro de você. Você se sente preenchido. Não há necessidade de ficar
esperando por esses momentos – eles podem transformar-se na sua maneira natural de
viver. Esses momentos extraordinários podem transformar-se em momentos comuns –
este é todo o esforço do Zen. É possível viver uma vida extraordinária dentro dos limites
de uma vida bastante comum: cortando árvores, rachando lenha, buscando água no poço,
é possível estar extremamente à vontade consigo mesmo. Limpando o chão, preparando
a comida, lavando a roupa, você pode estar perfeitamente à vontade – porque a questão
toda é de você atuar com todo o seu ser, desfrutando, realizando-se no que faz.

Comentário:

 Esta figura, caminhando pela natureza, mostra-nos que a beleza pode ser encontrada
nas coisas simples e comuns da vida. Com muita freqüência nós tomamos este lindo
mundo em que vivemos como coisa garantida. Limpar a casa, cultivar o jardim, fazer a
comida – as tarefas mais simples ganham uma conotação sagrada quando são feitas com
                                                                                      439
envolvimento total, com amor, e exclusivamente pelo prazer de fazê-las, sem expectativas
de reconhecimento ou de recompensa.Neste momento, você passa por um período em
que esta maneira cordata, natural e extremamente simples de encarar as situações que
se apresentam, trará resultados muito melhores do que qualquer tentativa sua de ser
brilhante, perspicaz ou, de alguma outra forma, extraordinário. Deixe de lado toda
pretensão de fazer alarde quanto a ter inventado mais alguma coisa inútil, ou a vaidade
de encantar seus amigos e colegas com o seu talento incomparável de prima donna. A
contribuição especial que você tem para oferecer neste momento será maior se você
encarar as coisas sem resistência e com simplicidade, um passo de cada vez.



76. Momento da Colheita – 9 de Arco-Íris: A Natureza Física

Só se a sua meditação tiver proporcionado a você uma luz que brilha sempre à noite, é
que a morte não será morte para você, mas uma passagem para o divino. Com a luz no
coração, a própria morte é transformada numa passagem pela qual você adentra o
espírito universal: você se torna um com o oceano. E a menos que você passe pela
experiência oceânica, terá vivido em vão. O momento é sempre agora, e a fruta está
sempre pronta para ser colhida. Só é preciso ter coragem para penetrar em sua floresta
interior. A fruta está sempre madura, e qualquer momento é sempre o momento certo.
Não existe essa coisa de momento errado.

Comentário:

Quando a fruta está madura, ela cai da árvore por si mesma. Num momento, ela pende
de um dos galhos da árvore, cheia de sumo. No momento seguinte ela cai – não porque
tenha sido forçada a cair, ou tenha se esforçado para tanto, mas porque a árvore
reconheceu o seu amadurecimento, e simplesmente a deixou cair.Esta figura nesta
meditação indica que você está pronto para compartilhar as suas riquezas interiores, o
seu "sumo". Tudo o que você precisa fazer é relaxar exatamente onde você está, e
desejar que isso aconteça. Este compartilhar de você mesmo, essa expressão da sua
criatividade, pode acontecer de muitas maneiras – no seu trabalho, nos seus
relacionamentos, nas suas experiências de vida diárias. Não se requer nenhuma
preparação ou esforço especial de sua parte. Trata-se apenas do momento certo



77. Nós Somos o Mundo – 10 de Arco-Íris: A Natureza Física

Quando milhares e milhares de pessoas em todo o mundo estão celebrando, cantando,
dançando, em êxtase, embriagados pelo sentimento do divino, não existe nenhuma
possibilidade de um suicídio global.Com essa festividade e com tanto riso, com tanto
equilíbrio e saúde, com tanta naturalidade e espontaneidade, como poderia acontecer
uma guerra?... A vida lhe foi dada para que você crie, seja feliz e celebre. Quando você
chora, quando está infeliz, fica sozinho. Quando está celebrando, a existência inteira
participa com você.Somente na celebração encontramos o que é fundamental, o que é
eterno. Somente na celebração ultrapassamos o círculo do nascimento e da morte.

Comentário:

Aqui, a humanidade é representada como um arco-íris de seres dançando em volta da
                                                                                     440
mandala da Terra, com pessoas de mãos dadas e alegres, gratas pela dádiva da
vida.Esta figura representa um tempo de comunicação e de compartilhar as riquezas que
cada um de nós traz para o todo. Aqui não há apego, nenhum sentimento de propriedade.
É um círculo sem medo de sentimentos de inferioridade e de superioridade.Quando
reconhecemos a fonte comum da nossa humanidade, as origens comuns dos nossos
sonhos e anseios, das nossas esperanças e dos nossos medos, tornamo-nos capazes de
perceber que estamos todos juntos no grande milagre da existência. Quando
conseguimos somar nossa enorme riqueza interior para criar um tesouro de amor e
sabedoria que esteja ao alcance de todos, ficamos todos interligados no mecanismo único
da criação eterna.




                                    14
TARÔ DA TRANSFORMAÇÃO - OSHO
01- NÃO-MENTE

O Definitivo e o Inexprimível

                                                                                    441
O estado da não-mente é o estado do divino. Deus não é um pensamento mas a
experiência de estar sem pensamentos. Ele nãoé um conteúdo na mente; ele é a
explosão quando a mente fica sem conteúdo. Este não é um objeto que você possa ver; é
aprópria capacidade de ver. Não é o que é visto senão aquele que vê. Ele não é como as
nuvens que se jutam no céu, mas opróprio céu quando não há nenhuma nuvem. Ele é
esse céu vazio.Quando a consciência não estiver indo para algum objeto externo, quando
não houver nada para ver, nada parapensar, somente vacuidade ao redor, assim você
recai em si mesmo. Não há para onde ir - a pessoa relaxa naprópria fonte do ser, e essa
fonte é Deus.Seu ser interior é simplesmente o céu interior. O céu é vazio, mas é esse
céu vazio que contém todas as coisas,toda a existência, o Sol, a Lua, as estrelas, a Terra,
os planetas. É o céu vazio que dá espaço para tudo que é. Éesse céu vazio que é a base
de tudo que existe. Coisas vêm e vão e o céu permanece o mesmo.
Exatamente da mesma maneira, você tem um céu interior; esse também é vazio. Nuvens
vêm e vão, planetasnascem e desaparecem, estrelas surgem e morrem, e o céu interior
permanece o mesmo, intocado, imaculado.Chamamos esse céu interior de sakshin, a
testemunha – e esse é todo o objetivo da meditação.Vá para dentro, desfrute o céu
interior. Lembre-se, o que quer que você possa ver, você não é isso. Se puder ver
pensamentos, então você não é pensamento; se puder ver seus sentimentos, então você
não é seus sentimentos;se puder ver seus sonhos, desejos, memórias, imaginações,
projeções, então você não é nenhum deles. Prossigaeliminando tudo que você possa ver.
Desse modo, um dia, o momento especial chega, o momento mais
significante na vida de uma pessoa, quando nada resta para ser rejeitado. Tudo que foi
visto desaparece esomente aquele que vê está ali. Este observador é o céu vazio.
Conhecer isso é não ter o que temer, e conhecer isso é estar repleto de amor. Conhecer
isso é ser Deus, é serimortal.


02-COMUNHÃO
Harmonia dentro e fora
O homem está vivendo como uma ilha, e daí vem toda a miséria. Através dos séculos o
homem tem tentado viverindependentemente da existência - isso não é possível, pela
própria natureza das coisas. O homem não pode ser independente
nem dependente. A existência é um estado de interdependência: tudo depende de tudo
mais. Não há hierarquia, ninguém éinferior e ninguém é superior. Existência é uma
comunhão, um eterno caso de amor.Mas essa ideia de que o homem tem que ser
superior, especial, mais elevado, cria confusão. O homem precisa não
ser nada, precisa dissolver-se na totalidade das coisas. E quando deixamos cair todas as
barreiras, comunhãoacontece e essa comunhão é uma bênção. Ser um com o todo é
tudo. Este é o núcleo da religiosidade.Heráclito, o antigo pensador Grego, nos diz: se as
coisas acontecessem ao homem exatamente como ele deseja
isso de nada adiantaria. A menos que você espere o inesperado, jamais encontrará a
verdade, pois isso é difícil dedescobrir e árduo chegar até ela. A natureza adora
esconder-se. O senhor cujo oráculo está em Delfos nem revelanem dissimula – mas nos
envia sinais.A existência não possui linguagem... e, se você depender da linguagem não
conseguirá comunicar-se com aexistência. Existência é um mistério, não é possível
interpretá-la. Se você tentar, irá errar. Existência pode servivenciada, mas não pensada.
Ela é mais como poesia, menos como filosofia. É um sinal, uma porta. Ela se
mostra, mas nada diz.Não é possível abordar a existência através da mente. Se você
pensar a respeito dela, você pode continuarpensando, mais e mais, mas você nunca irá
alcançá-la – pois a barreira está, justamente, nos pensamentos.Pensar é um mundo
privado, pertence apenas a você – assim você fica encerrado, encapsulado, prisioneiro de

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simesmo. Com o não-pensar, você deixa de ser; você não está mais encerrado. Você se
abre, fica poroso, aexistência flui através de você e você flui através da existência.
Aprenda a escutar – escutar significa que você está aberto, vulnerável, receptivo, mas
não está pensando de jeitonenhum. Pensar é uma ação positiva. Escutar é passivo: você
se torna como um vale e recebe; você se tornacomo um útero e você recebe. Se puder
escutar, então a natureza fala – mas isso não será uma linguagem. A
natureza não usa palavras. Então o que ela usa? Heráclito diz que são sinais. Você
encontra uma flor: que sinal éesse? Ela nada está dizendo – mas você pode realmente
afirmar que ela não está dizendo coisa alguma? Ela estádizendo muito, só não está
utilizando palavras: é uma mensagem sem palavras.Para ouvir o inexprimível você terá
que abandonar as palavras, pois só o semelhante pode ouvir aquele que lhe é
semelhante, apenas os semelhantes podem se relacionar.Diante de uma flor, não seja
uma pessoa, seja uma flor. Ao lado de uma árvore, não seja uma pessoa, seja uma
árvore. Tomando banho em um rio, não seja humano, seja um rio. E assim milhões de
sinais lhe serão dados. Eisso não é uma comunicação – é uma comunhão. Assim a
natureza fala, fala em milhares de línguas, mas nãonuma linguagem.


03-ILUMINAÇÃO
Porque o Buda nos espera nos portais do paraíso
Tudo que você fizer, faça com profunda atenção; assim, mesmo as pequenas coisas se
tornam sagradas. Desse jeito cozinhar oulimpar se tornam sagrados; se tornam uma
oração. Não importa o que você esteja fazendo, a questão é como você está fazendo
isso. Você pode limpar o chão como um robô, uma coisa mecânica; você precisa limpá-lo,
então você o limpa - assim você perdealgo bonito. Limpar o chão poderia ter sido uma
grande experiência - você perdeu isso; o chão ficou limpo, mas alguma coisa
que poderia ter acontecido dentro de você não aconteceu. Se você estivesse perceptivo,
alerta, não somente o chão mas vocêtambém teria sentido uma limpeza profunda.
Limpe o chão em estado de total percepção, iluminado pela consciência. Trabalhe, sente-
se ou ande, mas umacoisa precisa ser contínua: faça com que um número cada vez
maior de momentos em sua vida sejam iluminadospela consciência. Deixe que a chama
da consciência brilhe em cada momento, em cada ato. O efeito cumulativo
disso é o que a iluminação é. O efeito cumulativo, todos os momentos juntos, todas as
pequenas luzes juntas,tornam-se uma grande fonte de luz.A história conta que quando
Gautama Buda morreu ele chegou às portas do paraíso. Essas portas raramente se
abrem, só de vez em quando, em séculos – visitantes não chegam todos os dias, e
quando alguém chega a essasportas todo o paraíso celebra essa chegada. Mais uma
consciência atingiu o florescer, e a existência fica mais ricado que antes.As portas foram
abertas, e os outros iluminados que entraram antes no paraíso... pois no Budismo não há
nenhumDeus, mas esses iluminados são divindades – assim há tantos deuses quanto
pessoas iluminadas. Todos eles sereuniram na entrada com música, canção e com
danças. Eles queriam dar boas vindas a Gautama Buda, mas parasurpresa deles, ele
estava de pé virado de costas para os portais. Sua face ainda voltada para as terras
longínquasque ele havia deixado para trás.Eles disseram, “Isso é estranho. Por quem
você está esperando?”Ele teria respondido: “Meu coração não é assim tão pequeno.
Espero por todos aqueles que deixei para trás queestão avançando pelo caminho. Eles
são meus companheiros de viagem. Podem manter as portas fechadas –vocês terão que
ainda esperar um pouco para celebrar minha entrada no paraíso, pois eu decidi ser o
último aentrar. Quando todos tiverem atingido a iluminação e tiverem passado pela porta,
quando não houver maisninguém do lado de fora, então terá chegado minha vez de
entrar.”Essa história é uma história – não pode ser um fato real. Isso não está em suas
mãos; uma vez que você tornouseiluminado você fará parte da fonte universal da vida.
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Não se trata de sua escolha ou decisão. Mas a história nosdiz que ele ainda está
tentando, mesmo após sua morte. Essa história surgiu de algo que ele disse que faria
umdia antes de morrer – ele disse que esperaria por todos vocês.Ele não pode esperar
aqui por mais tempo, ele já gastou o tempo que dispunha com essa espera. Já deveria
terpartido há mais tempo, porém, vendo tanta miséria e sofrimento, se manteve de algum
modo por perto. Mas issofoi ficando cada vez mais impossível. Ele terá que deixar vocês
– relutantemente – mas ele irá esperar por vocêsna outra margem; ele não irá entrar no
paraíso, isso é uma promessa: “Assim não esqueçam que eu estarei lá,
esperando por vocês durante séculos. Mas se apressem, não me deixem eperando por
muito tempo”.


04-SINCERIDADE
A Busca de Bodhidharma por um Discípulo
Só uma coisa precisa ser lembrada: Seja autêntico, seja sincero consigo mesmo. Declare
sua verdade, seja qual for o custo.Mesmo que a vida seja posta em risco, arrisque-a, pois
a verdade é muito mais valiosa do que qualquer outra coisa, porque a
verdade é a vida verdadeira.Eu me lembro de Bodhidharma, que introduziu o Zen na
China... O imperador veio recebê-lo na fronteira – e sefosse qualquer outra pessoa no
lugar de Bodhidharma, o imperador teria imediatamente cortado sua cabeça, pois
ele estava se comportando de uma maneira muito indelicada. O imperador havia
construído centenas de templos,feito milhares de estátuas de Buda. Um mil eruditos
estavam continuamente traduzindo as palavras de Buda doidioma Páli para o Chinês, e
dez mil monges budistas eram alimentados com recursos do tesouro imperial. Elehavia
feito muito para que a China se tornasse budista. Obviamente, ele esperava que por
causa disso seriaapreciado, então ele disse, “Eu fiz todas essas coisas. O que você acha:
qual será a virtude alcançada por tudoisso?”Diante de toda corte que acompanhava o
imperador, Bodhidharma respondeu: “Virtude? Seu idiota!” Todos ficaramem silêncio. Ele
continuou: “Você irá diretamente para o inferno!”O imperador não conseguia entender e
respondeu: “Não sei porque você está tão zangado.”Bodhidharma respondeu: “Você está
destruindo uma palavra viva, e você está alimentando esses eruditos que nãocontribuem
em nada para a nscientização das pessoas. Você ainda tem a coragem de me perguntar
se estásendo uma pessoa de grande virtude? Você irá sofrer no fogo do inferno!” O
imperador pensou: “Como sair fora dacilada desse homem? Eu entrei na toca do leão e
agora está muito difícil de sair...”O imperador retornou, e Bodhidharma permaneceu nas
montanhas pouco além da fronteira da China. Sentadonum templo, encarando uma
parede por nove anos, ele declarou: “Falar com pessoas que não compreendem é
omesmo que falar com uma parede. Mas falar com uma parede, ao menos há o consolo
de saber que se trata deuma parede. Eu só virarei meu rosto quando vier alguém que seja
digno de escutar a palavra viva.”Nove anos é um longo tempo – mas, finalmente numa
manhã, veio um homem. Ele disse, “Ouça, acho que sou apessoa por quem você está
esperando.” Como prova ele cortou uma de suas mãos com sua espada, jogou-a nocolo
de Bodhidharma dizendo: “Vire-se para mim; senão cortarei minha cabeça e você será
responsabilizado porisso!”Bodhidharma virou-se imediatamente. Ele disse: “Isso basta.
Isso é prova suficiente de que você é tão louco paraouvir o que tenho a dizer! Sente-se.
Não há necessidade de cortar sua cabeça – pois precisamos usá-la; você serámeu
ucessor.”Um homem que corta sua própria mão apenas como prova de sua busca
sincera... e não havia nenhuma dúvida namente de Bodhidharma, de que o homem teria
cortado a própria cabeça caso ele não se virasse.Desnecessariamente, ele seria
embaraçado com a responsabilidade de matar um homem, e logo alguém tão belo,tão
corajoso. E esse homem, certamente era o sucessor de Bodhidharma.Mas ninguém sabe
o que conteceu com esses dois. Nem uma única palavra – Bodhidharma apenas virou-se
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paraele, disse a ele para sentar-se, olhou nos olhos dele... a neve estava caindo e havia
um imenso silêncio ao redor.Nem uma pergunta foi feita, nenhuma resposta foi dada. Mas
alguma coisa deve ter ocorrido, do contrárioBodhidharma não o teria escolhido como
discípulo.


05- ACIDENTE SUPREMO
Chiyono e seu balde d'água
Não é uma determinada seqüência de causas que levam a iluminação. Sua busca, seu
desejo intenso, suadisposição para fazer o que for preciso - tudo isso junto talvez crie
uma certa aura ao seu redor na qual essegrande acidente se torna possívelA monja
Chiyono estudou durante anos, mas não foi capaz de atingir a iluminação. Uma noite, ela
estava carregando umvelho balde cheio de água. Enquanto caminhava, ela observava a
lua cheia refletida na água do balde. Subitamente, astiras de bambu que sustentavam o
balde rebentaram, e o balde caiu. A gua escorreu pelo chão, o reflexo da luadesapareceu
– e Chiyono tornou-se iluminada. Ela escreveu este verso:
Desse e daquele jeito tentei manter o balde inteiro,esperando que o frágil bambu nunca
rebentasse.De repente o fundo caiu.A água se foi. O reflexo da lua na água sumiu -
Vazio em minhas mãos.Iluminação é sempre como um acidente pois é imprevisível – você
não pode controlá-la, não pode fazê-la acontecer.Mas não me entenda mal, pois quando
digo que a iluminação é como um acidente, não estou dizendo para não fazer
nada para alcançá-la. O acidente só ocorre com aqueles que fizeram muito para isso
acontecer. Entretanto, este nuncaacontece devido ao fazer deles. O fazer é só uma causa
que gera a situação dentro deles, assim eles se tornam propensos
a essa forma de acidente, apenas isso. Esse é o significado desse lindo acontecimento.
Há uma coisa que preciso dizer sobre Chiyono. Ela era uma mulher muito bonita –
quando jovem, até mesmoimperadores e príncipes a procuravam. Ela recusou todos eles
pois só queria ser amante do divino. Ela foi de ummonastério a outro para tornar-se uma
monja; mas mesmo os grandes mestres a recusaram. Havia tantos monges, e ela
era tão bela que faria com que eles se esquecessem de Deus e tudo o mais. Em todos os
lugares, as portas se fechavampara ela.O que fez Chiyono? Não encontrando outro jeito,
ela queimou o próprio rosto. Criou cicatrizes em todo o rosto. Depoisela foi ter com um
mestre; que não soube nem mesmo reconhecer se ela era um homem ou uma mulher.
Assim ela foiaceita como monja. Ela estudou e meditou continuamente por trinta, quarenta
anos.Então, uma noite, ela estava olhando a lua refletida no balde. De repente o balde
caiu, a água escorreu, e o reflexo da luadesapareceu – e isso disparou todo o
processo.Sempre há um evento que cria esse momento singular no qual o velho
desaparece e o novo começa, de onde vocêrenasce. Foi esse evento que disparou o
processo: subitamente a água escorreu e não havia mais o reflexo da lua. Ela
deve ter olhado para o alto, e a verdadeira lua estava ali. Nesse instante ela despertou
para esse fato, que tudo era umreflexo, uma ilusão, pois estava sendo visto através da
mente. Quando o balde se quebrou, a mente também quebrou pordentro. Ela estava
pronta. Tudo que podia ser feito havia sido feito. Tudo que era possível, já havia sido feito.
Nada foideixado, ela estava preparada, tinha merecido isso. Esse incidente ordinário
tornou-se o ponto de disparo do processo.Subitamente o fundo caiu - era um acidente. A
água se foi; o reflexo da lua na água sumiu – vazio em minhas mãos.
Isso é iluminação: quando vacuidade está em suas mãos, quando tudo fica vazio, quando
não há mais ninguém, nemmesmo você. Então você alcançou a face original do Zen.



06-GANÂNCIA
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Uma parábola sobre a ambição e a pressa
Sempre que as pessoas se tornam gananciosas, elas ficam bem apressadas, e tentam
encontrar meios de ir mais rápido. Estãosempre correndo pois acreditam que a vida está
se esgotando. São essas as pessoas que dizem, "tempo é dinheiro."Tempo é dinheiro?
Dinheiro é muito limitado; o tempo é ilimitado. Tempo não é dinheiro, tempo é a
eternidade. Sempre foi esempre será. E você sempre esteve aqui e sempre estará aqui.
Então abandone a ambição e não se incomode com o resultado. Às vezes acontece que,
devido a sua impaciência, você perdemuitas coisas.Vou lhes contar uma antiga parábola
Hindu...Um grande santo, Narada, dirigia-se ao paraíso. Ele costumava viajar entre o
paraíso e a terra. Funcionava comouma espécie de mensageiro entre o outro mundo e
este mundo; ele servia de ponte entre os dois.Ele encontrou um velho sábio, muito velho,
sentado sob uma árvore e repetindo seu mantra. Ele esteve repetindo
esse mantra durante muitos anos, muitas vidas. Narada perguntou a ele, “Você gostaria
de perguntar algumacoisa? Você gostaria que alguma mensagem fosse entregue ao
Senhor?”O velho abriu seus olhos e disse, “Apenas uma pergunta: quanto tempo mais
tenho que esperar? Quanto tempo?Diga a ele que isso é demais. Por muitos vidas estive
repetindo este mantra, por quanto tempo mais tenho quecontinuar a fazê-lo? Estou
cansado disso. Estou cheio disso.”Bem ao lado do velho sábio, debaixo de outra árvore,
havia um jovem com uma ektara, um instrumento de uma
só corda, tocando e dançando. Narada perguntou a ele brincando, “Você também gostaria
de perguntar quantotempo ainda falta para sua iluminação acontecer?” Mas o jovem nem
mesmo se incomodou em responder. Elecontinuou a dançar.
Narada perguntou novamente, “Estou indo falar com o Senhor. Você não tem nada a
dizer?” O jovem porém,apenas sorriu e continuou a dançar.Quando Narada voltou alguns
dias depois, ele disse ao velho, “Deus disse que você terá que esperar pelo menosmais
três vidas.” O velho ficou tão furioso que jogou no chão seu rosário de orações. Ele estava
prestes a bater emNarada! E ele disse, “Isso é bobagem! Tenho esperado durante muito
tempo e tenho sido absolutamente austero,tenho recitado os mantras, jejuado, cumprido
todos os rituais. Já cumpri todos os requisitos. Três vidas! Isso nãoé justo!”O jovem ainda
estava dançando sob sua árvore, muito alegremente. Narada ficou receoso, ainda assim
foi até lá eperguntou a ele, “Embora você não tenha perguntado nada, de minha própria
curiosidade eu indaguei. Quando o
Senhor disse que esse velho homem teria que aguardar por mais três vidas, eu indaguei
sobre o jovem quedançava ao seu lado, dançando e tocando a ektara. E ele disse: ’Este
jovem terá que esperar tantas vidas quantoforem as folhas da árvore sob a qual ele está
dançando.’”E o jovem passou a dançar ainda mais rápido e ele disse, “Tantas folhas
quanto houver nesta árvore? Então nãoestá muito longe, assim eu já cheguei lá! Pense
quantas árvores há na terra e compare! Portanto, isso está bempróximo. Obrigado
senhor, por ter perguntado.”Ele continuou a dançar. E a história conta que o jovem
imedatamente tornou-se iluminado, naquele mesmoinstante.



07-ALÉM DA GANÂNCIA
Uma parábola da ambição e da pressa
Sempre que as pessoas se tornam gananciosas, elas ficam bem apressadas, e tentam
encontrar meios de ir mais rápido. Estãosempre correndo pois acreditam que a vida está
se esgotando. São essas as pessoas que dizem, "tempo é dinheiro."Tempo é dinheiro?
Dinheiro é muito limitado; o tempo é ilimitado. Tempo não é dinheiro, tempo é a
eternidade. Sempre foi esempre será. E você sempre esteve aqui e sempre estará aqui.


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Então abandone a ambição e não se incomode com o resultado. Às vezes acontece que,
devido a sua impaciência, você perdemuitas coisas.O homem fica completo se estiver em
sintonia com o universo; caso contrário estará vazio, completamente vazio.
E dessa vacuidade procede a ganância. A ganância serve para preencher esse vazio –
com dinheiro, com casas,com mobília, com amigos, com amantes, com qualquer coisa –
pois ninguém pode viver vazio. Isso é horrível, éuma vida fantasma. Se você estiver vazio
e nada houver dentro de você, fica impossível viver.Para ter a sensação de plenitude, só
há dois caminhos; ou você entra em sintonia com o universo... Assim você
fica preenchido pelo todo, com todas as flores e estrelas. Elas estão dentro de você assim
como estão fora devocê. Essa é a verdadeira plenitude. Mas se não fizer isso – e milhões
de pessoas não estão fazendo isso – então omais fácil é preencher o vazio com qualquer
porcaria.Ambição simplesmente significa que você está sentindo um vazio profundo e
você quer preenchê-lo com o que forpossível, não importa o que seja. E uma vez que
você compreende isso, então você nada mais tem a ver com aambição. Você tem algo a
ver com vir para uma comunhão com o todo, assim a vacuidade interior desaparece.
Ecom isso, toda ganância desaparece.
Mas há pessoas loucas por todo o mundo, e elas estão colecionando coisas para
preencher a vacuidade delas. Háquem esteja acumulando dinheiro embora nunca o
utilize. Há os que comem compulsivamente; e ainda que nãosintam fome continuam a
engolir. Sabem que isso irá criar sofrimento, que ficarão doentes, mas não conseguem
parar. Essa comilança também é uma forma de preenchimento.Portanto, pode haver
muitas maneiras de preencher o vazio, embora este nunca seja preenchido – permanece
vazio, e você permanece miserável, pois nunca há o bastante. Mais é necessário, e esse
mais e a exigência pormais é infinita.Você precisa entender a vacuidade que você está
tentando preencher, e faça a pergunta, “Porque estou vazio? Aexistência é tão plena,
porque me sinto vazio? Talvez tenha perdido o rumo – não esteja mais movendo-me na
mesma direção, não seja mais existencial. Essa é a causa da minha vacuidade.”
Então siga a existência.Relaxe, e aproxime-se da existência em silêncio e paz, em
meditação. E um dia você irá perceber que estará pleno– abundante, transbordante – de
alegria, de êxtase, de bem-aventurança. Você estará tão pleno dessessentimentos que
poderá distribuí-los para o mundo inteiro e ainda assim não se sentirá cansado.
Nesse dia, pela primeira vez você não terá qualquer ambição – por dinheiro, por comida,
ou por qualquer outracoisa.Você viverá naturalmente, e encontrará tudo que você
precisar.


08-DISCIPULATO
Os muitos mestres de Junnaid
Não há situação que não contenha uma lição, nenhuma situação. Todas as situações
possuem um potencial, mas você precisadescobrir qual é; este pode não ser aparente na
superfície. Você precisará estar atento, deverá examinar todos os aspectos da
situação.Um dos grandes mestres Sufi, Junnaid, estava morrendo. Seu discípulo mais
próximo veio até junto dele eperguntou: “Mestre, você está nos deixando. Uma questão
tem estado sempre em nossas mentes, mas nuncativemos coragem de lhe perguntar.
Quem foi seu Mestre? Isso tem sido uma grande curiosidade entre seus
discípulos, pois nunca ouvimos você falar de seu Mestre.”Junnaid abriu os olhos e disse:
“É difícil para mim responder porque aprendi de quase todos. Toda a existência foi
meu Mestre. Aprendi de cada pequeno evento em minha vida. E sou grato a tudo que
aconteceu, pois devido atodo esse aprendizado eu me tornei quem sou.”
Apenas para satisfazer sua curiosidade lhe darei três exemplos. Primeiro, eu estava com
muita sede e caminhavaem direção ao rio levando minha tigela de esmolas, a única posse
que tinha. Quando cheguei ao rio, um cachorropassou correndo, pulou dentro do rio e
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começou a beber água.Observei o cachorro por alguns instantes e então joguei fora
minha tigela de esmolas, porque não servia paranada. Um cão pode viver sem isso.
Também pulei no rio, bebi tanta água quanto quis. Todo meu corpo ficou
refrescado porque mergulhei no rio. Fiquei sentado no rio por alguns momentos, agradeci
ao cachorro, toquei nospés dele com profunda reverência pois ele havia me ensinado
uma lição.Eu abandonei tudo, todas as minhas posses, mas ainda estava apegado a
minha tigela de esmolas. Esta era umabonita tigela, belamente esculpida, e eu sempre
estava estava preocupado de que alguém pudesse roubá-la.Mesmo à noite costumava
colocá-la sob minha cabeça, como um travesseiro, assim ninguém podia tirá-la de
mim.Esse foi meu último apego, e o cachorro ajudou. Era tão claro: se um cão pode viver
sem uma tigela de esmolas e
eu sou um homem, porque não posso fazer o mesmo? Esse cão foi um de meus
mestres.“Segundo,” ele disse, “eu me perdi numa floresta e quando finalmente cheguei no
vilarejo mais próximo que pudeencontrar, já era meia-noite. Todos dormiam
profundamente. Perambulei por toda a cidade para ver se podiaencontrar alguém
acordado que me desse abrigo para passar a noite, até que finalmente encontrei um
homem.Perguntei a ele, ‘Parece que eu e você somos os únicos que estamos acordados
nesta cidade. Você pode me darabrigo para esta noite?’“O homem disse. ‘Posso ver por
seus trajes que você é um monge Sufi...’”A palavra Sufi vem de suf; que significa lã,
túnica de lã. Os sufis têm usado túnicas de lã há séculos; portantoforam chamados Sufis
por causa das suas vestimentas. O homem disse, “Posso ver que você é um Sufi e me
sintoum pouco desconcertado em levá-lo para minha casa. Gostaria de lhe dar abrigo,
mas antes preciso lhe dizerquem eu sou. Sou um ladrão - você gostaria de ser hóspede
de um ladrão?”Por um momento, Junnaid hesitou. O ladrão disse, “Olhe, foi melhor que
eu tenha dito a verdade. Você me parecehesitante. O ladrão está disposto a lhe dar
abrigo, mas o místico parece hesitar de entrar na casa de um ladrão,como se o místico
fosse mais fraco que o ladrão. Na verdade, eu deveria estar com medo de você – você
pode metransformar, você pode mudar toda minha vida! Convidar você significa perigo,
mas não estou assustado. Você ébem vindo. Venha para minha casa. Coma, beba,
durma, e fique quanto tempo quiser, pois vivo sozinho e o queganho é suficiente. Eu
posso sustentar duas pessoas. E seria bom conversar com você sobre grandes coisas.
Masvocê parece hesitante.”E Junnaid deu-se conta de que isso era verdade. Ele pediu
para ser perdoado. Tocou os pés do ladrão e disse,“Sim, meu enraizamento no meu
próprio ser ainda é muito fraco. Você realmente é um homem forte e eu gostaria
de ficar na sua casa. E gostaria de ficar por algum tempo, não só por essa noite. Eu
também quero aprender a sermais forte.”O ladrão disse, “Então venha!” Ele alimentou o
Sufi, deu-lhe algo para beber, ajudou-o a preparar-se para dormir e
depois disse, “Agora tenho que ir. Tenho que cuidar de meu próprio negócio. Voltarei de
manhã cedo.”De manhã cedo o ladrão retornou. Junnaid perguntou, “Você teve
sucesso?”O ladrão disse, “Não, hoje não, mas haverá outros dias.”
E isso aconteceu continuamente, por trinta dias: toda noite o ladrão saía, e toda manhã
voltava de mãos vazias.Mas ele nunca estava triste, nunca ficava frustrado – não havia
sinal de fracasso em seu rosto, ele estava semprefeliz – e ele dizia: “Não importa. Eu fiz o
melhor que pude. Não pude achar nada de valor hoje, mas amanhã
tentarei.de novo E, se Deus quiser, pode acontecer amanhã se não aconteceu hoje.”
Após um mês, Junnaid foi embora, e por anos ele tentou realizar o ato supremo, porém
sempre fracassava. Mastoda vez que ele decidia abandonar todo o projeto lembrava-se
do ladrão, sua face sorridente e dizendo “Se Deusquiser, aquilo que não aconteceu hoje
irá acontecer amanhã.”Junnaid disse ao discípulo, eu me lembro do ladrão como um dos
meus maiores mestres. Não fosse ele eu nãoseria o que sou.
O terceiro evento foi quando eu estava chegando a um pequeno vilarejo. Um menino
estava levando uma velaacesa, obviamente indo ao pequeno templo da cidade para lá
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deixar a vela acesa durante a noite.”Junnaid perguntou: “Você pode me dizer de onde
vem a luz? Você mesmo acendeu a vela então deve ter visto.Qual a fonte da luz?
O garoto riu e disse, “Espere!” E ele apagou a vela com um sopro na frente de Junnaid. E
disse, “Você viu a luz seapagar. Você pode me dizer para onde ela foi? Se me disser
aonde ela foi eu lhe direi de onde veio, porque foi parao mesmo lugar. Ela retornou à
fonte.”
E Junnaid disse, “Encontrei grandes filósofos mas nunca ninguém tinha feito uma
declaração tão bonita: ‘Elaretornou à sua própria fonte’. Tudo finalmente retorna a própria
fonte em algum momento. Além disso, a criançame fez ciente da minha própria
ignorância. Estava tentando brincar com a criança, mas foi ela que brincou comigo.
Me mostrou que fazer perguntas tolas – ‘De onde vem a luz?’ – não é inteligente. Ela vem
de lugar nenhum, donada – e retorna para lugar algum, para o nada.”
Junnaid continuou, “Eu toquei nos pés da criança. A criança ficou perplexa. Ela
perguntou, ‘Por que você estátocando meus pés?’ E eu respondi: você é meu mestre.
Você me ensinou algo. Você me deu uma grande lição, umgrande insight.
“Desde então,” Junnaid disse, “Tenho meditado sobre o nada e, aos poucos, bem
lentamente, fui penetrando nonada. E agora chega o momento final quando a vela se
apaga, a chama se apaga. E sei para onde estou indo –para a mesma fonte.
“Eu me lembro dessa criança com profunda gratidão. Ainda posso vê-la diante de mim,
soprando a vela.”



09-O MAIOR DOS MILAGRES
Sobre as tentações dos poderes espirituais
Fazer um milagre é um grande feito, mas não grande o bastante. Fazer um milagre é
ainda permanecer no mundo do ego. Averdadeira grandeza é tão comum que nada
reivindica; É tão ordinária que nunca tenta provar coisa alguma.Um homem veio até Lin
Chi e disse, “Meu mestre é um grande médium. O que você tem a dizer de seu mestre?
Oque seu mestre pode fazer, quais milagres faz?”Lin Chi perguntou, “Que tipo de
milagres seu mestre tem feito?”O discípulo disse, “Um dia ele me falou para ir para a
outra margem do rio, segurando um pedaço de papel naminha mão. O rio era muito largo,
quase uma milha. Ele estava na outra margem e de lá, ele começou a escrever
com uma pena, e sua escrita apareceu no meu papel. Eu mesmo presenciei isso, sou
uma testemunha disso! Oque seu mestre é capaz de fazer?”Lin Chi disse, “Quando ele
está com fome, come, e quando sente sono, ele vai dormir.”O homem disse, “Do que você
está falando? Você chama isso de milagres? Todo mundo faz isso!”
Lin Chi respondeu, “Ninguém faz isso. Quando você dorme, faz mil e uma coisas. Quando
você come, pensa emmil e uma coisas. Quando meu Mestre dorme ele apenas dorme;
não se mexe, não se vira, sequer sonha.Somente o sono existe naquele momento, nada
mais. E quando sente fome, ele come. Ele está sempreexatamente no lugar onde
está.”Qual o sentido em escrever de uma margem do rio para a outra? Isso é pura tolice.
Só pessoas tolas seinteressariam por isso. Qual o sentido?
Alguém disse Ramakrishna: “Meu mestre é um grande homem. Ele pode andar sobre a
água.”Ramakrishna disse, “Tolice! Pois eu posso simplesmente ir até ao barqueiro, e, por
apenas duas moedas, ele meleva para o outro lado. Seu Mestre é um tolo. Vá e faça-o
perceber de que ele não deve desperdiçar a vida delecom coisas tão simples.”
Mas a mente está sempre desejando algo. A mente não é nada além disso, um desejo
constante de que algumacoisa aconteça. Às vezes está pensando em dinheiro, ter mais
dinheiro, em ter uma casa maior, ter mais respeito,mais poder político. Depois você se
volta para a espiritualidade, mas a mente permanece a mesma. Agora quer ter

                                                                                        449
mais poderes psíquicos – telepatia, clarividência, e outras besteiras do mesmo gênero.
Mas a mente permanece amesma, querendo mais, sempre mais. O mesmo jogo
continua.Agora é telepatia, clarividência, poderes psíquicos: “Se você pode fazer isso,
posso fazer mais que isso. Posso leros pensamentos das pessoas a milhares de
quilômetros de distância.”A vida em si já é um milagre, mas o ego não está preparado
para aceitar isso. Este deseja algo especial, algo queninguém mais esteja fazendo, algo
extraordinário.


10- VALOR
Sobre as virtudes da inutilidade
Não se preocupe muito com as coisas utilitárias. Em lugar disso, lembre-se sempre de
que você não está vivendo aqui para setornar um produto. pois isso seria indigno. Você
não está aqui apenas para tornar-se cada vez mais eficiente, e sim para tornarse
cada vez mais vivo. Está aqui para ficar cada vez mais inteligente. Está aqui para ficar
cada vez mais feliz, feliz até o êxtase.Lao Tsu estava viajando com seus discípulos e
chegaram a uma floresta onde centenas de carpinteiros estavamcortando árvores, pois
um grande palácio estava sendo construído.Quase toda a floresta já havia sido cortada,
mas havia uma árvore ainda de pé, uma grande árvore com milharesde galhos – tão
grande que dez mil pessoas poderiam sentar-se à sua sombra. Lao Tzu pediu a seus
discípulos quefossem inquirir por que está árvore ainda não tinha sido cortada, quando
toda a floresta havia sido cortada e afloresta estava deserta.Os discípulos perguntaram
aos carpinteiros, “Porque vocês não cortaram essa árvore?”Os carpinteiros disseram,
“Essa árvore é absolutamente inútil. Sua madeira não pode ser trabalhada porque cada
galho têm muitos nós. Nada é reto. Você não pode fazer colunas ou pilares dela, e
também não serve para fazermóveis. Você não pode queimá-la, pois a fumaça faz muito
mal aos olhos. Então essa árvore é absolutamenteinútil. Eis porque.”Quando os discípulos
voltaram e contaram isso a Lao Tsu, ele riu e disse, “Se vocês quiserem sobreviver
nessemundo, sejam como essa árvore: completamente inúteis. Assim ninguém irá querer
prejudicar vocês. Se foremretoes e alinhados serão cortados, irão virar mobília na casa de
alguém. Se forem belos, serão vendidos nomercado, se tornarão objetos. Sejam como
esta árvore. Assim ninguém irá lhes fazer mal. E vocês poderãocrescer, tornando-se
grandes e vastos, e milhares de pessoas poderão encontrar uma sombra ao lado de
vocês.”Lau Tzu tem uma lógica completamente diferente da que existe na sua cabeça.
Ele diz: seja o último. Mova-se no
mundo como se você não existisse. Permaneça anônimo. Não tente ser o primeiro, não
seja competitivo, não tenteprovar seu valor. Não há nenhuma necessidade disso.
Permaneça inútil e desfrute.Claro que ele não está sendo prático. Mas se você
compreendê-lo você descobrirá que ele está sendo prático numnível mais profundo,
porque a vida é feita para ser desfrutada e celebrada, a vida não foi feita para que você
setorne um produto utilitário. A vida é mais como poesia do que como um produto no
mercado, devia ser semprecomo poesia, música, dança.Lao Tsu diz: Se você tentar ser
muito esperto, se tentar ser muito útil, você será usado. Se tentar ser muito
prático, em algum momento irão lhe colocar um cabresto, pois o mundo não pode deixar
aqueles que são práticosem paz. Lau Tsu diz, deixe tudo isso de lado. Abandone essas
idéias. Se você quiser ser um poema, um êxtase,então esqueça da utilidade. Permaneça
verdadeiro a si mesmo.


11-RECONHECIMENTO
O mestre, o jardineiro e o hóspede

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O anseio da mente é de ser extraordinária. O ego tem sede e fome para que reconheçam
que você é alguém. Alguém querealizará esse sonho através da riqueza, ou alguém que
realizará o sonho através do poder, ou da política. Pode ser alguém que
realizará o sonho através de milagres, de truques, não importa, pois o sonho permanece o
mesmo: "É insuportável serninguém."E este é o milagre, quando você aceita sua
nulidade, quando você se torna tão comum quanto todos os outros, quando você não
quer mais nenhum reconhecimento, quando puder existir como se não existisse. Estar
ausente é o milagre.Essa história é linda, uma das anedotas mais belas do Zen. Bankei é
um dos Mestres supremos. Mas também eraum homem comum.Certo dia, Bankei estava
trabalhando em seu jardim. Um buscador apareceu, um homem em busca de um
Mestre,aproximou-se e perguntou a Bankei, “Jardineiro, onde está o Mestre?”Bankei
sorriu e disse, “Espere. Passe por essa porta, e lá dentro você achará o Mestre.”Então o
homem deu a volta e entrou. Encontrou Bankei sentado num trono, o mesmo homem que
ele viucuidando do jardim. O jovem perguntou, “Você está brincando? Desça desse trono.
Isso é sacrilégio! você não temrespeito pelo Mestre.”Bankei desceu, sentou-se no chão, e
disse, “Assim você torna as coisas difíceis. Agora você não irá encontrar omestre aqui,
pois eu sou o mestre.”Era difícil para esse homem entender que um grande mestre podia
trabalhar no jardim, podia ser uma pessoacomum. Ele foi embora, pois não podia
acreditar que aquele homem era o mestre, ele não entendeu.Todos temem ser ninguém.
Somente pessoas raras e extraordinárias não temem ser ninguém – um GautamaBuddha,
um Bankei. Um ninguém não é um fenômeno comum; é uma das grandes experiências da
vida – o fatode que você é, mas ainda assim não é. Que você é pura existência sem
nome, sem endereço, sem fronteiras. Nempecador nem santo, nem inferior nem superior,
apenas um silêncio.Pessoas estão com medo disso porque toda a personalidade delas
terá então desaparecido; nome, fama,respeitabilidade, tudo se vai; daí, o medo. Mas a
morte vai tirá-las de você de qualquer forma. Aqueles que sãosensatos permitem que
essas coisas caiam por si mesmo. Assim nada resta para a morte levar. Depois todos
osmedos desaparecem, pois a morte não pode acontecer a você; já que nada terá
restado para ela. A morte nãopode matar um ninguém.Uma vez que você sente essa
anulação do ser, você se torna imortal. A experiência de anular o seu ser, de serninguém,
é o sentido exato do nirvana, do nada, do silêncio absoluto e imperturbável, sem ego,
sempersonalidade, sem nenhuma hipocrisia. Apenas silêncio - e a sinfonia dos insetos no
meio da noite.Você está aqui de certa forma, e ainda assim não está.Você está aqui
devido a velha associação com o corpo, mas olhe para dentro e verá que não está. E
esse insight,essa percepção, onde há puro silêncio e puro estado-de-ser, isso é sua
realidade, que a morte não pode destruir.Essa é sua eternidade, sua imortalidade.Não há
nada a temer. Não há nada a perder. E se você acha que perdeu algo – nome,
respeitabilidade, fama –estes são sem valor. Estes são brinquedos de crianças, não
servem para pessoas maduras. É hora de vocêamadurecer, hora de você apenas ser.Seu
ser-alguém é tão pequeno. Quanto mais alguém você for, menor é; quanto mais ninguém
você for, maior vocêé. Seja absolutamente ninguém, e você será um com a própria
existência.



12-QUESTIONANDO
O professor e sua sede por respostas
Aquele que muito pergunta se perde na selva da filosofia. Deixe que as questões venham
e passem. Olhe para a infinidade deperguntas da mesma forma que você olha as pessoas
deslocando-se na rua - nada a lhes dar, nada a lhes pedir - com desapego,


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mantendo-se distante.Quanto mais distância houver entre você e suas questões, melhor.
Pois é nesse espaço que a resposta irá surgir.Um professor de filosofia foi até um mestre
Zen, Nan-in, e perguntou a respeito de Deus, sobre o nirvana, sobre a
meditação, e muitas outras coisas. O mestre escutou em silêncio – perguntas e mais
perguntas – e então eledisse, “Você parece cansado. Você subiu esta elevada montanha;
veio de um lugar distante. Deixe-me primeiroservir um chá para você.” E o Mestre Zen fez
o chá.O professor esperou – a mente dele fervendo com questões. E enquanto o mestre
fazia o chá, o samovar cantandoe o aroma do chá começou a se espalhar, o mestre disse
ao professor, “Espere, não seja tão apressado. Quem
sabe? Talvez ao tomar o chá suas perguntas sejam respondidas, ou mesmo antes
disso.”O professor ficou atordoado. Ele começou a pensar, “Toda essa viagem foi um
desperdício. Esse homem parece ummaluco. Como podem minhas questões sobre Deus
ser respondidas pelo chá? Que importância tem tomar chá? Émelhor dar o fora daqui o
mais rápido possível.” Mas como ele estava se sentindo cansado, decidiu esperar etomar
uma xícara de chá antes de começar a descer a montanha de volta.
O mestre trouxe a chaleira, começou a verter o chá na xícara – e continuou derramando,
não parou. A xícara ficoucheia, e o chá começou a transbordar sobre o pires. Depois o
pires também ficou cheio. Mais uma gota e o chácomeçaria a escorrer pelo chão, então o
professor disse, “Pare! O que você está fazendo? Você ficou maluco? Vocênão pode ver
que a xícara está cheia? Você não pode ver que o pires está transbordando?”
E o mestre Zen respondeu, “É exatamente nessa situação que você se encontra: sua
mente está tão cheia deperguntas que mesmo que eu as responda, não haverá espaço
para a resposta penetrar. Mas você me parece serum homem inteligente. Você foi capaz
de perceber, que agora mesmo uma única gota de chá a mais bastará paraentornar o chá
no chão. Então eu lhe digo; desde que você entrou nessa casa, suas perguntas
estãotransbordando por todos os lados. Esse lugar pequeno está transbordando com
suas perguntas! Vá embora,esvazie sua xícara, e depois venha. Primeiro crie um pouco
de espaço dentro de si mesmo.”



13-ABANDONANDO OCONHECIMENTO
A visão assustadora de Naropa
A verdade é sua própria experiência, sua própria visão. Mesmo que eu tivesse visto a
verdade e a contasse a você, na hora queeu a contar, ela irá se tornar uma mentira para
você, não uma verdade. Para mim era uma verdade, para mim ela veio através
dos olhos. É minha visão. Mas não será sua visão, será uma coisa emprestado. Será uma
crença, será conhecimento, mas nãosaber. E se você crer nisso, estará acreditando numa
mentira.Agora lembre-se. Mesmo uma verdade torna-se uma mentira se entrar em você
pela porta errada. A verdade tem que entrar pelaporta principal, através dos olhos. A
verdade é uma visão, precisa ser vista com seus próprios olhos.Naropa era um grande
erudito, um grande sábio, tinha dez mil discípulos. Um dia estava sentado cercado por
milhares de escrituras – antigas, bem antigas e raras. Subitamente ele caiu no sono,
devia estar cansado, e teveuma visão.Ele viu uma mulher muito velha, bem feia, horrível –
uma bruxa. A feiúra dela era tal que ele começou a tremerno sonho. Era tão nauseante
que ele queria fugir – mas fugir para onde, para onde ir?Ele foi apanhado, como que
hipnotizado pela velha bruxa. Os olhos dela eram como magnetos.“O que você está
estudando?” perguntou a velha.Ele disse, “Filosofia, religião, epistemologia, linguagem,
gramática, lógica.”O velha perguntou de novo, “Você entende tudo isso?”
Naropa disse, “É claro... Sim, eu as compreendo.”“Mas você compreende as palavras, ou
o sentido?” A mulher perguntou novamente.Milhares de perguntas foram perguntadas a
Naropa na vida dele – milhares de estudantes sempre perguntando,inquirindo. Mas
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ninguém havia perguntado isso: se ele entendia as palavras ou o sentido. E os olhos da
mulhereram penetrantes, olhos que iam até as profundezas de seu ser, era impossível
mentir para ela. Para qualqueroutro ele teria dito, “É claro que compreendo o sentido,”
mas para essa mulher, essa mulher de aparênciamedonha, ele tinha que dizer a verdade.
Ele disse, “Eu entendo as palavras.”A mulher ficou muito feliz. Começou a dançar e a rir,
e a feiúra dela foi transformada; uma beleza sutil começou asurgir nela. Pensando, “Eu a
fiz tão feliz. Porque não fazê-la ainda mais feliz?” Naropa então disse, “E sim, eutambém
entendo o sentido.”A mulher parou de rir, parou de dançar. Ela começou a chorar e a
lamentar-se e toda sua feiúra voltou, mil vezespior. Naropa perguntou: “Porque você está
chorando e lamentando-se? E por que estava antes rindo e dançando?”Ela respondeu:
“Eu fiquei feliz porque um grande erudito como você não havia mentido. Mas agora estou
chorandoe lamentando porque você mentiu para mim. Eu sei – e você sabe – que você
não compreende o sentido.”A visão desapareceu e Naropa havia sido transformado. Ele
fugiu da universidade e nunca mais tocou numa
escritura novamente na sua vida. Tornou-se completamente ignorante, pois compreendeu
que a mulher não eraninguém de fora, era somente uma projeção. Era o próprio ser de
Naropa, que, através do conhecimento, havia setornado tão feio. Bastou esse bocado de
entendimento, a de que ele não compreendia o sentido, para que a feiúrase
transformasse em algo belo.A visão de Naropa é muito significativa. A menos que você
sinta que o conhecimento é inútil, você nunca estaráem busca da sabedoria. Você irá
carregar a moeda falsa, pensando tratar-se de um tesouro verdadeiro. Você
precisa perceber que o conhecimento é uma moeda falsa, pois não é saber, não é
entendimento. No máximo oconhecimento é algo intelectual: a palavra foi entendida, mas
o sentido se perdeu.



14-AUTENTICIDADE
Milarepa e o falso mestre
A coisa real não é um caminho. A coisa real é a autenticidade do buscador. Deixe-me
enfatizar isso.Você pode percorrer qualquer caminho. Se você for sincero e autêntico,
atingirá seu objetivo. Alguns caminhos serão difíceis,alguns podem ser mais fáceis,
alguns podem ter folhas verdes de ambos os lados, outros podem passar através de
desertos,haverá caminhos com um belo cenário ao redor deles, enquanto em outros não
haverá cenário algum, essas coisas fazem partedo caminho, mas se você for sincero,
honesto, autêntico e verdadeiro, então cada caminho lhe conduzirá ao objetivo.
Então é possível reduzir tudo a uma só coisa: a autenticidade é o caminho. Não importa
qual o caminho escolhido, se você forautêntico, cada um deles conduzira a meta. O
contrário também é verdadeiro: não importa que caminho você seguir, se não for
autêntico, não alcançará lugar algum. Sua autenticidade lhe traz de volta ao lar, nada
mais. Todos os caminhos são secundários.O básico é ser autêntico, verdadeiro.
Conta-se sobre um grande místico, Milarepa:Quando foi encontrar seu mestre no Tibet ele
era tão humilde, tão puro, tão autêntico, que os outros discípulosficaram com inveja dele.
Era certo que ele seria o sucessor. E é claro, que havia política evolvida, assim
elestentaram matá-lo.Um dia disseram a ele, “Se você realmente acredita no mestre,
pode pular da montanha? Se você realmenteacredita, se tiver confiança, então nada irá
lhe acontecer, você não irá se machucar.” E Milarepa saltou, semhesitar por um momento
sequer. Eles correram para baixo, pois era uma queda de quase mil metros.
Elesdesceram esperando encontrar os ossos dele espatifados, mas encontraram-no
sentado numa postura de lótus,muito feliz, imensamente feliz. Ele abriu os olhos e disse,
“vocês estão certos, confiança protege.”Pensaram que isso devia ser alguma
coincidência. Uma outra vez, quando uma casa estava pegando fogo,disseram a ele: "Se
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você ama seu mestre e confia nele, você pode entrar lá.” Ele entrou correndo para salvar
umamulher e seu filho que estavam lá dentro. O fogo era tão intenso que os outros
discípulos esperavam que elemorresse – mas quando ele saiu com a mulher e a criança,
não havia sequer uma queimadura em seu corpo. E eleficou ainda mais radiante, pois a
confiança protege.Um outro dia eles estavam indo a algum lugar, e tinham que atravessar
um rio, e disseram a ele, “Você nãoprecisa ir no barco. Você tem uma confiança tão
grande, que pode andar sobre o rio” – e ele andou.Essa foi a primeira vez que o mestre o
viu fazendo essas coisas. Ele não sabia que tinham dito a Milarepa quepulasse da
montanha ou entrasse na casa em chamas. Mas dessa vez ele estava ali na outra
margem e ele viuMilarepa caminhando sobre as águas e disse: “O que você está
fazendo? Isso é impossível!”E Milarepa disse, “Não é impossível de jeito nenhum! Estou
fazendo isso através de seu poder, meu senhor.”Então o Mestre pensou, “Se meu nome e
meu poder podem fazer isso a esse homem estúpido e ignorante,imagine comigo. E eu
mesmo nunca tentei..." Assim ele tentou fazer o mesmo. Ele afogou-se. Nunca mais
seouviu falar nele depois desse dia.


15-ATENÇÃO
A morte súbita do discípulo de ekido
Esteja alerta. Sinta cada momento como se fosse o último. E existe toda possibilidade de
que esse seja o último momento! Assimaproveite-o o máximo. Esprema totalmente os
sucos deste momento. Nesta totalidade você estará alerta.O Mestre Japonês Ekido era
um professor rigoroso e seus pupilos o temiam. Um dia, enquanto soava a hora do dia
no gongo do templo, um dos alunos esqueceu uma batida porque estava olhando uma
bela garota que passavapelos portões. Sem que o aluno soubesse, Ekido estava de pé
atrás dele. Ekido golpeou o aluno com seu bastão.O choque parou o coração do aluno, e
ele morreu.Ao ver essa história você pode pensar que o Mestre matou seu discípulo. A
coisa não é bem assim. O discípulo iamorrer de qualquer forma, era hora dele morrer. O
Mestre sabia disso, ele simplesmente usou o momento damorte para a iluminação do
discípulo.Isso não é dito na história, mas foi assim que ocorreu; senão porque estaria o
mestre por trás dele? Não teria elenada mais para fazer? Mas naquele momento não
havia nada que fosse mais significativo, pois esse discípulo iamorrer e sua morte tinha
que ser aproveitada.Essa história é bonita e muito significativa. O discípulo viu uma bela
moça passando e perdeu toda a suaconsciência. Todo seu ser ficou cheio de desejo – ele
queria seguir essa moça, possuí-la. Estava alerta apenas umsegundo antes, mas naquele
instante não estava mais alerta.Quando batia no gongo, estava completamente alerta.
Isso é parte da meditação num mosteiro Zen – o que querque você esteja fazendo. Faça
isso com total percepção. O que quer que você faça, esteja presente nesse atocomo uma
luz, e tudo se revelará. Então esse discípulo, na hora da sua morte, estaria alerta e
perceptivo, mas amente interveio e fez a última coisa, seu recurso final – olhou para uma
bela garota! Nesse momento, quando odiscípulo perdeu a percepção, o mestre o golpeou
com força na cabeça.O mestre estava vendo a morte aproximar-se, invisível, e ele bateu
apenas para restaurar a percepção dodiscípulo. O mestre estava esperando
atrás.Mestres estão sempre esperando por trás dos seus discípulos, seja física ou não-
fisicamente – e esse é um dosgrandes momentos, quando uma pessoa está prestes a
morrer. O Mestre o golpeou com força, o seu corpo caiu,mas por dentro ele voltou a estar
alerta. O desejo desapareceu. Tudo caiu junto com o corpo, despedaçado; eletornou-se
alerta. Nesse estado de atenção, ele morreu. E se você puder juntar o estado de atenção
com a morte,você se torna iluminado.



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16-IMITAÇÃO
O dedo de Gutei apontando para o Uno
Seja verdadeiro para si mesmo, pois sua própria verdade pode lhe conduzir até a verdade
suprema. A verdade dos outros nãopode ser sua própria. Você traz dentro de si uma
semente. Somente se essa semente crescer e tornar-se uma árvore, você irá
florescer; assim você estará em êxtase, terá uma bênção. Mas se você estiver seguindo
outros essa semente irá permanecermorta. E você pode acumular todos os ideais do
mundo e ser bem-sucedido, mas irá sentir-se vazio, pois nada mais podepreenchê-lo: só
sua semente, quando virar uma árvore, lhe preencherá. Você só irá sentir-se realizado
quando sua verdadeflorescer, nunca antes disso.O mestre Zen Gutei tinha o hábito de
levantar seu dedo sempre que ele explicava algo sobre o Zen. Um discípulomuito jovem
começou a imitá-lo, toda vez que alguém perguntava ao discípulo o que seu mestre
estavaensinando, o jovem levantava o dedo.Gutei soube disso e, um dia, ao encontrar o
jovem que estava explicando algo com seu dedo levantado, elesegurou o jovem, puxou
uma faca, cortou o dedo dele, e jogou-o longe.Quando o rapaz saiu correndo gritando,
Gutei falou, “Pare!” O rapaz parou, voltou-se, e olhou para o seu mestrecom os olhos
banhados de lágrimas.Gutei havia erguido seu próprio dedo. O rapaz tentou levantar seu
dedo, mas, quando viu que não havia maisdedo, ele curvou-se. Nesse instante ele se
tornou iluminado.Esta é uma história bem estranha, e existe toda possibilidade de que
você a interprete de forma incorreta, porquea coisa mais difícil de entender na vida é o
comportamento de uma pessoa iluminada.Mestres nunca fazem coisa alguma
desnecessariamente, nem mesmo erguer um dedo. Gutei nem sempre erguia
seu dedo, apenas quando explicava uma questão relativa ao Zen – porque? Todos os
seus problemas surgemporque você está fragmentado, em desunião, um caos, não em
harmonia. E o que é a meditação? Nada a não sertornar-se um.As explicações de Gutei
eram secundárias, o dedo erguido era a coisa mais importante. Ele estava dizendo,
“Sejaum! E todos os seus problemas estarão resolvidos.” O jovem passou a imitá-lo.
Agora, imitação não levará você a lugar algum. Imitação significa que o ideal vem de fora,
não é algo que estejaacontecendo dentro de você. Você tem uma semente dentro de si,
mas, se permanecer imitando os outros, essasemente continuará sem vida.
Gutei deve ter sido muito compassivo. Somente através da compaixão você pode ser tão
duro – a imitação precisaser severamente cortada. O dedo é apenas simbólico. O jovem
precisava sofrer um choque severo, e o sofrimentoprecisava ir até a raiz de seu ser. Um
momento intenso de percepção, uma tática bem inteligente...Gutei gritou, “Pare!” E,
quando o jovem parou não havia mais dor. Então, por força do hábito, quando o mestre
ergueu seu dedo, o discípulo também o fez, mas o dedo não estava lá. Pela primeira vez
ele se deu conta de quenão era o corpo, mas sim a consciência, a percepção. Ele é uma
alma, e o corpo é apenas sua morada.Você é a luz que brilha dentro – não a lâmpada,
mas a chama.



17-UMA XÍCARA DE CHÁ
As pálpebras de Bodhidharma e as origens do chá
Consciência vem através da sensibilidade. Você tem que se tornar mais sensível a tudo
aquilo que você faz, de forma que mesmouma coisa trivial como o chá... você pode
pensar em coisa mais trivial do que chá? Você pode encontrar coisa mais comum do
que chá? Não, não pode, e os mestres e monges Zen elevaram essa coisa tão comum ao
ponto de torná-la extraordinária. Elesinterligaram "isso" e "aquilo"... como se chá e Deus
tivessem se tornado um só.A menos que chá se torne divino você não será divino, pois o
menor precisa ser elevado para o maior, o ordinário tem que serelevado para o
extraordinário, a terra precisa ser o paraíso. É preciso criar uma ponte, não pode haver
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nenhuma brecha.O chá foi descoberto por Bodhidharma, o fundador do Zen. É uma bela
história.Ele esteve meditando por nove anos, olhando para uma parede. Nove anos,
apenas encarando uma parede,continuamente, é natural que eventualmente ele
começasse ter sono.Ele lutou e lutou contra o seu sono – lembre-se, o sono metafísico, a
inconsciência. Ele queria permanecer cônsciomesmo enquanto dormia. Ele queria manter
a consciência permanentemente – a luz deveria brilhar dia e noite,por vinte e quatro
horas. Eis o que dhyana é, o que meditação é: percepção.Uma noite ele sentiu que seria
impossível manter-se alerta; pois estava caindo de sono. Ele cortou suas pálpebrase as
jogou fora! Agora não havia mais como fechar os olhos.
A história é linda. Para obter a visão interior, esse olhar para fora deve ser abandonado.
Esse é um preço que deveser pago. E que aconteceu depois? Após alguns dias, ele
descobriu que aquelas pálpebras que ele havia jogado nochão, tinham começado a brotar
novamente. Esse broto tornou-se o chá.Eis porque quando você bebe chá, alguma coisa
de Bodhidharma penetra em você e o mantém acordado.Bodhidharma estava meditando
numa montanha chamada T’a, daí o nome, chá. Isso procede dessa montanhaonde
Bodhidharma meditou por nove anos.Isto é uma parábola. Quando um Mestre Zen diz,
“Beba uma xícara de chá,” ele está dizendo, “Prove um pouco de
Bodhidharma. Não se importe com essas questões, se existe Deus ou não, quem criou o
mundo, onde fica oparaíso e onde fica o inferno e qual é a teoria do Karma e da
reencarnação.”Quando o Mestre Zen diz, “Esqueça suas dúvidas e beba uma xícara de
chá,” ele está dizendo: “Melhor ficar maisatento, não se prenda a essas coisas sem
sentido. Nada disso irá lhe ajudar.



18-MEDITAÇÃO
De que lado de seu guarda-chuva você deixou seus sapatos?
Faça as pequenas coisas da vida com uma consciência relaxada. Quando estiver
comendo, coma com totalidade - mastigue comtotalidade, saboreie totalmente, cheire
totalmente. Toque no seu pão, sinta a textura. Cheire o pão, sinta o sabor. Mastigue-o,
deixe-o dissolver-se no seu ser, e permaneça consciente - você estará meditando. E
então meditação não estará separada davida.Sempre que a meditação é separada da
vida, algo está errado. Ela se torna negação da vida. Nesse caso a pessoa começa a
pensar em ir para um monastério ou para uma caverna no Himalaya. Assim a pessoa
quer fugir da vida, porque a vida parece seruma distração da meditação.A vida não é uma
distração, vida é uma ocasião para meditação.Um discípulo veio para ver Ikkyu, seu
mestre. O discípulo já estava praticando por algum tempo. Estavachovendo, e quando ele
entrou, deixou os sapatos e guarda-chuva do lado de fora.Após ter prestado seus
respeitos, o mestre perguntou a ele de que lado dos seus sapatos ele havia deixado seu
guarda-chuva.Agora, que pergunta...? Você não espera que mestres perguntem tais
questões bobas – espera que elesperguntem a respeito de Deus, sobre a energia
kundalini, chacras se abrindo, luzes acendendo na sua cabeça.Você pergunta a respeito
de grandes coisas – oculto, esotérico. Mas Ikkyu fez uma pergunta bem comum.
Nenhum santo Cristão teria feito essa pergunta, tampouco um monge Jainista ou um
swami Hindu. Isso só podeser feito por aquele que realmente está com Buda, dentro doo
Buda – que realmente ele mesmo é um Budha.O mestre lhe perguntou de que lado dos
sapatos ele havia deixado seu guarda-chuva. Agora, o que sapatos eguarda-chuva tem a
ver com espiritualidade? Se a mesma pergunta lhe fosse feita, você teria ficado
aborrecido.Que tipo de questão é essa? Mas há algo imensamente valioso nela. Tivesse
ele perguntado sobre Deus, sobre suaenergia kundalini e chacras, isso teria sido
bobagem, totalmente sem sentido. Mas isso tem significado. O discípulonão pôde
lembrar-se – quem se importa onde foram deixados os sapatos e de qual lado você
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deixou seu guardachuva,à direita ou à esquerda. Quem se importa? Quem dá tanta
atenção assim a guarda-chuvas? Quem seimporta com calçados? Quem é tão cuidadoso
assim? Mas isso era o bastante: o discípulo foi recusado.Ikkyu disse, “Assim vá e medite
por mais sete anos.”“Sete anos?” disse o discípulo. “Apenas por essa pequena
falta?”Ikkyu disse, “Essa não foi uma falha pequena. Enganos não são grandes nem
pequenos – você ainda não estávivendo meditativamente, isso é tudo. Volte, medite por
mais sete anos, e depois volte aqui.”Essa é a parte essencial da mensagem:
Seja cuidadoso, tenha cuidado com tudo. E não faça qualquer distinção entre as coisas,
dizendo que isso é trivial eaquilo é espiritual. Isso depende de você. Preste atenção, seja
cuidadoso, e tudo se torna espiritual. Não presteatenção, não seja cuidadoso e tudo se
torna não-espiritual.Espiritualidade é atribuída Às coisas por você, é seu presente para o
mundo.Quando um mestre como Ikkyu toca seu guarda-chuva, este guarda-chuva é tão
divino quanto qualquer coisapode ser. A energia da meditação é alquímica. Esta
transforma o metal base em ouro; ela vai transformando obásico no mais elevado.
No pico máximo, tudo se torna divino. Esse mesmo mundo é o paraíso, e esse mesmo
corpo o Buda.



19-PERMANECENDO CENTRADO
O monge e a prostituta
Onde quer que você esteja, fique centrado, torne-se mais alerta, viva de forma mais
consciente. Não há nenhum outro lugarpara ir. Tudo que tiver de acontecer, precisa
acontecer dentro de você, e isso só depende de você.Você não é um marionete, e as
cordas que o sustentam não estão nas mãos de ninguém. Você é um indivíduo
absolutamentelivre. Se decidir permanecer nas ilusões, você pode ficar assim por muitas
e muitas vidas. Se você decidir dar o fora, basta umúnico instante para decidir. Você pode
deixar para trás todas as ilusões agora mesmo.Buda estava em Vaishali, onde Amrapali
viveu – Amrapali era uma prostituta. No tempo de Buda, na Índia, era
comum que as mulheres mais bonitas de qualquer cidade não seriam permitidas casar
com qualquer pessoa, poisisso irá criar desnecessário ciúmes, inveja, conflito, luta. Assim
as mais belas mulheres tinham que se tornarnagarvadhu - esposas da cidade inteira.Isso
não era vergonhoso de maneira alguma; pelo contrário, elas eram muito respeitadas. Não
eram prostitutascomuns. Só eram visitadas por aqueles muito ricos, ou reis, príncipes,
generais – a classe mais alta da sociedade.Amrapali era muito bonita. Um dia ela estava
no seu terraço e viu um jovem monge Budista. Ela nunca tinha seapaixonado por alguém,
mas ela sentiu-se subitamente apaixonada – um jovem de uma tremenda
presença,percepção, graça. O jeito que ele caminhava... Ela desceu correndo e disse a
ele, “Dentro de três dias a estaçãochuvosa vai começar...” Ela sabia que monges budistas
não se movem durante quatro meses durante os quatromeses da estação de chuvas.
Amrapali disse, “Eu lhe convido para ficar na minha casa durante os próximos
quatromeses.”O jovem monge respondeu, “Vou perguntar ao meu mestre. Se ele permitir,
ficarei.”O jovem monge foi, tocou nos pés de Buda e contou a história toda, “Ela me pediu
para ficar os quatro meses nacasa dela. Eu disse a ela que iria consultar meu mestre,
então estou aqui... farei o que você disser.”Buda olhou em seus olhos e disse, “Você pode
ficar.”Isso foi um choque. Dez mil monges... Houve grande silêncio mas muita raiva, muita
inveja. Depois que o jovemsaiu para ficar com Amrapali, os monges começaram a trazer
fofocas todos os dias, “Toda a cidade está emrebuliço. Só se fala numa coisa – que um
monge budista está na casa de Amrapali.”Buda disse, “Vocês deveriam guardar silêncio.
Eu confio no meu monge. Eu olhei nos de seus olhos – não havianenhum desejo. Se eu
tivesse dito não, ele teria se chateado. Eu disse sim... ele simplesmente foi. E eu confio
naconsciência dele, na sua meditação. Porque vocês ficaram tão agitados e
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preocupados?Após quatro meses o jovem voltou, tocou nos pés de Buda – e com ele
estava Amrapali, vestida como uma monjabudista. Ela tocou nos pés de Buda e disse, “Eu
dei o máximo de mim para seduzir seu monge, mas foi ele que meseduziu. Ele me
convenceu pela sua presença e percepção que a verdadeira vida consiste em segui-lo.”E
Buda então disse para a assembléia de monjes, “Agora, estão satisfeitos ou não?” Se a
meditação for profunda,se a percepção for clara, nada pode perturbá-la. Amrapali tornou-
se uma das mulheres iluminadas entre osdiscípulos de Buda.



20-EGO
A mulher e a travessia do rio
Ego é um fenômeno social - é a sociedade, e não você. Mas ele lhe dá uma função na
sociedade, um lugar na hierarquia dasociedade. E se você se contentar com ele, irá
perder a oportunidade de encontrar o seu verdadeiro eu.Você já notou que todo tipo de
miséria entra através do ego? Este não pode lhe fazer feliz; ele só pode lhe fazer
miserável. Ego éo inferno. Sempre que estiver sofrendo, tente observar e analisar, e você
irá perceber que, de alguma forma, o ego é a causa dosofrimento.Dois monges Budistas
estão retornando para o monastério deles quando chegaram a uma passagem em um rio.
Acorrente era muito forte, era uma região montanhosa. Uma jovem e bela mulher estava
ali, esperando que alguéma ajudasse, pois estava com medo de atravessar sozinha.Um
monge, o mais idoso, é claro... porque ele é o mais velho, ele caminha na frente – tudo
jogo do ego. Se vocêfor mais velho, você tem que caminhar à frente; monges mais jovens
precisam caminhar um pouco atrás. Omonge mais velho vem primeiro. A garota pede a
ele, “Você pode me ajudar; basta segurar minha mão? Estoucom medo, a corrente está
tão forte e talvez, o rio possa ser fundo.”O velho fechou os olhos – isso é o que Buda
disse aos monges, que se vissem uma mulher, sobretudo uma mulherbonita, deveriam
fechar os olhos. Isso é surpreendente: você já a viu, depois você fecha os olhos; senão,
comovocê pode determinar que ela é uma mulher, e bela? Você já está afetado, e agora
você fecha seus olhos! Assimele fechou os olhos e entrou no rio sem responder a
mulher.Depois o segundo, o monge mais jovem chega. A garota está com medo, porém,
não há nada mais a fazer – o solestá se pondo, logo será noite. Então ela pede ao jovem
monge, ”Por favor, você pode segurar minha mão? Apassagem parece ser tão fundo e a
corrente está forte e estou com medo.”O monge diz, “Está fundo, eu sei, e apenas dar as
mãos não servirá; sente-se sobre meus ombros e eu acarregarei até o outro lado.”Quando
chegaram no monastério o monge mais velho diz para o mais jovem, “Você, companheiro,
cometeu umpecado e eu vou relatar que você não somente tocou na mulher, não
somente falou com ela, você a carregou nosseus ombros! Você deve ser expulso da
comunidade; não é digno de ser um monge.”O jovem simplesmente sorriu e disse,
“Parece que embora eu tenha deixado aquela mulher há alguns quilômetros,você ainda a
carrega nos seus ombros. Andamos quilômetros e você ainda se sente incomodado por
isso?”Agora, o que estava acontecendo a esse velho monge? A mulher era bela; ele havia
deixado escapar uma chance.Ele estava irritado, com inveja. Estava cheio de
sensualidade, muito confuso. O mais jovem, no entanto, estavacompletamente limpo. Ele
carregou a mulher através do rio e a deixou na outra margem, e isso é tudo, a
coisaterminou ali.Nunca lute contra a ganância, o ego, a raiva, a inveja, o ódio – você não
pode eliminá-los, você não podecombatê-los. Tudo que pode fazer é percebê-los. No
momento que você tiver essa percepção, estará livre deles.Na luz, a escuridão
simplesmente desaparece.



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21- CONSCIÊNCIA
Maria Madalena e o perfume precioso
A sociedade prossegue lhe dizendo, "Isso está certo, e aquilo está errado". Chamam a
isso de consciência. Ela se fixa, ficaimplantada em você. Você fica repetindo-o. Isso não
tem valor; não é verdadeiro. A coisa real é sua própria consciência. Estanão carrega
respostas pre-definidas sobre o que é errado e o que é certo, não. Mas instantaneamente,
seja qual for a situaçãoque surja, ela lhe traz a luz - você entende imediatamente o que
deve ser feito.Jesus foi visitar a casa de Maria Madalena. Maria estava profundamente
apaixonada. Ela derramou um perfumemuito precioso nos pés dele – o frasco inteiro. Era
um perfume bem raro que podia ter sido vendido. Judasimediatamente objetou. Ele disse,
“Você deve proibir as pessoas de fazer essas coisas sem sentido. O perfumeficará
estragado, e há pessoas que são pobres e que nada têm para comer. Podíamos ter
distribuído o dinheiropara os pobres.”Jesus disse: “Não se preocupe com isso. O pobre e
o faminto estarão sempre aqui, mas eu terei partido. Vocêpode serví-los durante toda sua
vida, mas eu terei partido. mas eu terei ido. Olhe para o amor, não para operfume
precioso. Veja o amor de Maria, seu coração.”Com quem você irá concordar? Jesus
parece ser muito burguês e Judas parece perfeitamente econômico. Judasestá falando a
respeito dos pobres, e Jesus apenas diz que partirá logo, assim deixe o coração dela
fazer o que elaquiser e não traga aqui sua filosofia.”Geralmente sua mente irá concordar
com Judas. Ele era um homem bem aculturado, sofisticado, um pensador. Eele o traiu –
vendendo Jesus por trinta moedas de prata. Mas, quando Jesus foi crucificado, ele
começou a sentirseculpado. É assim que um homem bom funciona – ele começou a se
sentir muito culpado, a consciência delecomeçou a perturbá-lo. Ele cometeu suicídio.Era
um homem bom, tinha uma consciência. Mas ele não era consciencioso. Essa distinção
precisa serprofundamente entendida. Consciência é emprestada, fornecida pela
sociedade. A consciência é sua realização. Asociedade lhe ensina o que é certo e o que é
errado: faça isso e não faça aquilo. Ela lhe dá a moral, o código, asregras do jogo – essa
é sua consciência. Do lado de fora, o policial; dentro, a consciência – é assim que
asociedade lhe controla.Judas tinha uma consciência, mas Jesus era consciencioso.
Jesus estava mais interessado no amor da mulher,Maria Madalena. Isso era uma coisa
tão profunda que coibí-lo seria ferir o amor dela; ela iria afundar dentro de simesma.
Derramar o perfume sobre os pés de Jesus foi apenas um gesto. Por trás disso, ela
estava dizendo. “Issoé tudo que tenho – a coisa mais preciosa que possuo. Verter água
não seria o bastante; está é muito barata. Eugostaria de derramar meu coração, eu
gostaria de derramar todo meu ser....”Mas Judas tinha somente sua cosnciência: ele
olhou para o perfume e disse, “Este é valioso.” Estavacompletamente cego para a mulher
e seu coração. O perfume é material, o amor é imaterial. Judas não conseguiaver o
imaterial. Para isso, você precisa dos olhos da perceptividade.



22-O CORAÇÃO TOLO
A louca sabedoria de Franscisco de Assis
O coração tem razões que a mente desconhece. O coração tem sua própria dimensão de
ser, que é completamente oculta para amente. O coração é mais elevado e mais profundo
do que a mente, está além do alcance dela. Isso parece bobagem. O amorsempre parece
bobo porque não é utilitário. A Mente é utilitária. Para ela, todas as coisas têm algum
propósito - esse é o sentidode ser utilitária. Mente é resoluta, orientada para um fim; ela
transforma tudo em um meio, e o amor não pode ser transformadoem um meio, esse é o
problema. O amor em si mesmo é a meta.
Tolos possuem uma sabedoria sutíl neles, e os sábios agem como tolos. Antigamente,
todos os imperadorestinham um bobo da corte. Também tinham sábios, conselheiros,
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ministros e primeiro ministros, mas sempremantinham um bobo na corte.Porque? –
porque existem coisas que os assim chamados sábios não serão capazes de entender,
coisas quesomente um bobo pode entender – isso porque aqueles que se dizem sábios
são tão tolos que a esperteza einteligência deles fecham suas mentes. Um bobo da corte
é tolo, e eles eram necessários porque há coisas que ossábios não diriam por medo do
imperador. Um tolo não tem medo de ninguém, irá falar não importa asconsequências.É
assim que os tolos agem, de forma simples, sem pensar qual será o resultado. Um
homem sensato semprepondera o resultado, depois age. O pensamento vem primeiro,
depois a ação; um homem tolo age, o pensamentonunca vem antes.
Sempre que alguém realiza o supremo, ele não é como seus sábios. Ele não pode ser.
Pode ser como seus bobos,mas não como seus sábios.Quando São Francisco tornou-se
iluminado ele costumava chamar a si mesmo de “Bobo de Deus.” O papa era umsábio, e
quando São Francisco foi vê-lo mesmo o papa achou que esse homem havia
enlouquecido. Ele erainteligente, calculista, esperto, do contrário como teria se tornado
papa? Para tornar-se um papa é preciso sermuito hábil na política. Para tornar-se um
papa diplomacia é necessária, uma competição agressiva é necessáriopara deixar para
trás os oponentes, para usar os outros como escada e depois derrubá-los.Tudo isso é
política... pois o papa é um líder político. A religião é secundária, ou absolutamente nada.
Como podeum homem religioso lutar e ser agressivo por um posto? Eles são somente
políticos.São Francisco veio falar com o papa, e o papa achou que esse homem era um
tolo. Mas as árvores, os pássaros eos peixes pensavam de maneira diferente. Quando
São Francisco ia até o rio os peixes saltavam em celebração
por sua vinda. Milhares de pessoas presenciaram esse fenômeno – milhões de peixes
saltavam simultaneamente;todo o rio ficava tomado por peixes que saltavam
simultaneamente. São Francisco havia chegado e os peixesestavam felizes. E aonde quer
que ele fosse os pássaros o seguiam e vinham pousar na perna dele, em seu colo.Eles
entendiam esse tolo melhor do que o papa. Até mesmo árvores que tinham secado e
estavam morrendovoltavam a verdejar e a florescer novamente se São Francisco
chegasse perto. As árvores compreendiam que essetolo não era um bobo qualquer; ele
era o "bobo de Deus".



23-ORAÇÃO
Amor e a lei de Moisés
Deixe que seus gestos sejam espontâneos, cheios de vida. Deixe sua própria consciência
guiar seu estilo de vida, seu padrão devida. Não permita que ninguém decida por você,
isso seria um pecado.Porque é um pecado? Porque você nunca estará presente. Irá
permanecer superficial, será hipócrita. Não pergunte a ninguémcomo orar. Deixe que o
momento decida, deixe o momento ser decisivo, e a verdade daquele momento deverá
ser sua oração.Uma vez que você permite a verdade do momento tomar conta do seu ser,
começará a crescer e irá conhecer a beleza profundada oração. Você estará trilhando o
caminho.Está é uma história famosa sobre Moisés:Ele passava por uma floresta e ele viu
um homem orando. O homem estava dizendo tais absurdos que Moisés teveque parar. O
que o homem estava dizendo era profano, um sacrilégio. Ele dizia, “Deus, às vezes você
deve sentirsemuito sozinho. Eu posso ir e ficar sempre com você como uma sombra.
Porque sofrer com a solidão quandoestou aqui? Eu não sou imprestável – posso lhe dar
um bom banho, e tirar todos os piolhos de seu cabelo e de seucorpo...”Piolhos?! Moisés
não podia acreditar nos seus ouvidos: de que este homem está falando? “E eu cozinharei
comidapara você – todo mundo gosta da comida que preparo. E irei arrumar sua cama e
lavar suas roupas. Quando vocêestiver doente eu cuidarei de você. Eu serei uma mãe
para você, uma esposa para você, um servo, um escravo –eu posso ser todo tipo de
                                                                                         460
coisa. Apenas me dê um sinal para que eu possa vir...”Piolhos? Moisés não podia
acreditar no que estava ouvindo: O que esse homem estava dizendo? "E irei cozinharpara
você, todos gostam do que cozinho. Farei sua cama e lavarei suas roupas. Quando você
ficar doente, cuidareide você, serei sua mãe, sua mulher, seu servo, seu escravo... Posso
ser qualquer coisa, basta que você me dê umsinal para que eu possa ir..." Moisés
interrompeu-o e perguntou-lhe o que ele estava fazendo, com quem estava falando:
"Piolhos no cabelo de Deus? Ele precisa de banho? Pare de falar besteiras! Isto não é
oração. Deus ficaráofendido com suas palavras.”Olhando para Moisés, o homem jogou-se
aos seus pés e disse: “Perdoe-me, Sou um analfabeto, ignorante. Não seirezar, por favor,
me ensine!”Então Moisés o ensinou a maneira correta de orar, e ficou muito feliz pois
havia colocado um homem na trilhacerta. Feliz, com seu ego inflado, Moisés foi embora. E
quando ele estava sozinho na floresta, uma voz trovejanteveio do céu e disse, “Moisés, eu
lhe trouxe ao mundo para levar as pessoas até mim, para conectar as pessoascomigo, e
não para afastar de mim aqueles que me amam. E foi isso exatamente o que você fez.
Aquele homemera um dos meus mais íntimos. Volte lá e peça desculpas. Diga-lhe para
esquecer da reza que você ensinou. Vocêdestruiu toda a beleza do dialogo dele. Ele é
sincero, ele é amoroso. Seu amor é verdadeiro. O que quer que eleestivesse dizendo, ele
estava dizendo de coração, não era um ritual. Agora, o que você deu a ele é só um
ritual.Ele irá repetí-lo, mas isso estará apenas nos lábios dele; não estará vindo de seu
ser.”



4-ABUSO DE PODER
Como Vivekananda perdeu sua chave
O único antídoto para o abuso do poder psíquico é o amor. Do contrário, todo poder
corrompe. Pode ser riqueza, pode serprestígio, pode ser política, ou pode ser poder
psíquico, não faz diferença. Sempre que você se sentir poderoso, se não tiveramor como
um antídoto, seus poderes irão se tornar uma calamidade para os outros, uma maldição;
porque o poder nos cega.O amor abre os olhos, amor limpa a visão... sua percepção fica
nítida e clara.No Ashram de Ramakrishna em Calcutá, havia muitos discípulos e
Vivekananda era o mais intelectual. Havia umhomem bem simples que também era um
discípulo. Seu nome era Kalu, um homem pobre. Ele era tão leal,religioso, emotivo que
tinha no seu quarto centenas de estátuas de deuses diferentes. De manhã cedo ele
tomavabanho no Ganges e depois ia adorar esses deuses. É claro que todos tinham que
ser venerado com a esmaintensidade; senão um deles poderia sentir-se ofendido. Então
Kalu gastava todo o seu dia com isso, e os outrosriam dele: “Que você está fazendo?
Apenas um deus é suficiente!”Vivekananda era o mais proeminente para debochar de
Kalu, dizendo: “Você é um estúpido, são apenas estatuetasde pedra! E você está
desperdiçando sua vida.”Um dia Ramakrishna deu a Vivekananda um certo método de
conscientização para praticar: “Vá para seu quarto,feche a porta e pratique-o.” Quando
Vivekananda atingiu um certo estágio, sentiu-se tão cheio de poder que teveuma idéia:
“Se eu disser para Kalu, nesse momento, apenas dentro de mim mesmo, ‘Pegue todos os
seus deusese jogue-os no rio Ganges', ele irá obedecer.”E ele fez isso, ele disse, em seu
próprio quarto, apenas para si mesmo: “Kalu, junte todos os seus deuses e jogueosno
Ganges.” Kalu reuniu todos os seus deuses dentro de uma sacola grande e estava
arrastando a sacola pelaescadaria quando Ramakrishna chegou até ele e disse, “Que
você está fazendo?”Kalu disse, “De repente ouvi uma voz que deve ter vindo do próprio
Deus, pois não havia mais ninguém no quarto,e a voz dizia: ‘Kalu, pegue todos os seus
deuses e jogue-os no Ganges.’ Era uma voz tão poderosa que não pudeduvidar
dela.”Ramakrishna disse, “Venha. Traga seus deuses de volta e lhe mostrarei de onde
veio a voz.” Ele bateu na porta de
                                                                                      461
Vivekananda. Vivekananda saiu e Ramakrishna estava muito zangado. Ele disse,
"Vivekananda, essa é a últimacoisa que eu esperava de você. Eu tinha lhe dito para ficar
mais perceptivo, e não que arruinasse a vida de umpobre homem. Ele tem um coração
tão puro, tão amoroso, um homem tão bonito... como você pôde fazer isso?Doravante,
você jamais terá esses poderes de novo.”Conta-se que Vivekananda morreu sem atingir a
iluminação. Ainda que ele tenha se tornado o sucessor deRamakrishna porque era um
grande orador, ele tinha um certo carisma e influenciava as pessoas, ele mesmomorreu
pobre, sem nenhum conhecimento. E isso só aconteceu porque ele, tendo obtido algum
poder, decidiu usálopara perturbar um homem, não usou seu poder para ajudar, mas sim
para prejudicar alguém.



25-LUZ NO CAMINHO
O filósofo, o místico e a tempestade de trovões
Um clarão de relâmpago não ilumina seu caminho, não funciona como uma lanterna na
sua mão. Apenas lhe dá um lampejo, umvislunbre da estrada adiante. Mas esse simples
vislumbre é muito precioso; agora seus pés estão firmes, agora sua vontade éreforçada,
agora sua decisão de alcançar seu destno fica fortalecida. Você viu a estrada e sabe que
está ali e que você não estávagando sem rumo. Um raio de luz bastou para que você
tivesse um vislumbre da estrada que deve trilhar e do templo que estáno final de sua
jornada.Eu ouvi contar sobre dois homens que estavam perdidos em uma floresta numa
noite muito escura. Era umafloresta bem perigosa, cheia de animais selvagens, muito
densa, totalmente às escuras. Um homem era filósofo eo outro um místico.De repente,
caiu uma tempestade, um choque de nuvens, e um grande relâmpago. O filósofo olhou
para o céu, omístico olhou para o caminho. Naquele momento do relâmpago, o caminho
diante dele, foi iluminado. O filósofoolhou para o relâmpago, e começou a se perguntar,
“Que está acontecendo?”, e assim, perdeu a trilha.Você está perdido numa floresta mais
densa do que a dessa história. A noite é ainda mais escura. Algumas vezesum clarão de
relâmpago acontece – olhe para o caminho. Um Chuang Tsu está iluminando, um Buddha
estáiluminandoo, Eu estou iluminando. Não olhe para mim, olhe para o caminho. Se olhar
para mim, você já perdeu,pois o relâmpago não será contínuo. Este dura só um instante,
e o momento no qual a eternidade penetra notempo é raro, assim como um raio.Se você
olhar para o raio, se você olhar para um Buda – e um Buda é belo, seu rosto é fascinante,
seus olhos sãomagnéticos – se você olha para um Buda, terá perdido a trilha. Olhe para o
caminho, esqueça o Buda.Olhe para o caminho e faça alguma coisa – siga a trilha, aja. O
pensamento não poderá guiá-lo, somente a ação,pois o pensamento se dá dentro de sua
cabeça. Nunca pode tornar-se pleno, apenas suas ações podem serplenas. Preste
atenção na vida! – viver é a coisa real. Não vá acumulando informações sobre o que é a
meditação– medite! Não fique colecionando informações sobre o que é a dança, existem
enciclopédias sobre a dança, mas acoisa toda é completamente inútil a menos que você
dance. Jogue fora todas essas enciclopédias! Livre-se doconhecimento e comece a
viver.E quando você começar a viver, então as coisas comuns e ordinárias são
transformadas numa belezaextraordinária. São coisas pequenas, pois a vida consiste de
coisas pequenas – mas quando você leva para elasum amor intenso, apaixonado,elas se
transformam, se enchem de luz.


26-UNICIDADE
Além da superioridade e da inferioridade
Todo ser humano é único. Não há nenhuma questão de alguém superior ou inferior. Sim,
as pessoas são diferentes.Deixem-me lembrá-los de uma coisa; senão vocês me
                                                                                      462
entenderão mal. Eu não estou dizendo que todo mundo é igual. Ninguém ésuperior,
ninguém é inferior, mas ninguém também é igual. As pessoas são simplesmente únicas,
incomparáveis. Você é você,eu sou eu. Eu tenho que contribuir com meu potencial para a
vida, você tem que contribuir com seu potencial para a vida. Eutenho que descobrir meu
próprio ser, você tem que descobrir seu próprio ser.Quando inferioridade desaparece,
todo sentimento de superioridade também desaparece. Eles vivem juntos, nãopodem ser
separados. O homem que se sente superior ainda está sentindo-se inferior de algum
modo. O homemque se sente inferior quer se sentir superior de alguma maneira. Eles
chegam num par; eles estão sempre juntos;não podem ficar parados.Aconteceu... Um
homem muito arrogante, um guerreiro, um samurai, veio ver um mestre Zen. O samurai
eramuito famoso, muito conhecido por todo o país, mas olhando para o mestre, olhando
para a beleza do mestre e nagraça do momento, ele subitamente sentiu-se inferior. Talvez
ele tenha vindo com um desejo inconsciente deprovar sua superioridade. Ele disse ao
mestre “Porque estou me sentindo inferior? Apenas um momento antes,tudo estava ok.
Quando entrei na sua corte subitamente me senti inferior. Eu nunca me senti assim.
Minhas mãosestão tremendo. Sou um guerreiro, já enfrentei a morte muitas vezes, e
nunca senti nenhum medo – porqueestou me sentindo assustado?”O mestre disse, “Você
espere. Quando todo mundo for embora, eu responderei.” As pessoas
continuaramchegando para visitar o mestre, e o homem foi ficando cansado, mais e mais
cansado. Lá pela tarde a sala ficouvazia, e não havia mais ninguém, e o samurai disse,
“Agora você pode responder?” E o mestre disse, “Agora,venha para fora.”Uma noite de
lua cheia – a lua estava justamente surgindo no horizonte... E ele disse, “Olhe para estas
árvores,essa árvore alta no céu e essa pequena árvore. Ambas têm existido ao lado da
minha janela por anos, e nuncahouve nenhum problema. A árvore menor nunca disse,
‘Porque me sinto inferior diante de você?’ para a árvoregrande. Como isso é possível?
Esta árvore é pequena, e aquela árvore é grande, e eu nunca ouvi qualquercochicho.”O
samurai disse, “Porque elas não podem comparar.”O mestre disse, “Então você não
precisa me perguntar; você sabe a resposta.”Comparação traz inferioridade,
superioridade.     Quando     você    não     compara,      toda     inferioridade,   toda
superioridadedesaparece. Assim você é, você está simplesmente aí. Um pequeno arbusto
ou uma grande árvore – isso nãoimporta; você é você mesmo. Você é necessário. Uma
folha de grama é tão necessária quanto a maior estrela.Sem a folha de grama Deus será
menor do que ele é. O canto do cuco é tão necessário tanto quanto qualquerBuda; o
mundo será menor, será menos rico se o cuco desaparecer.Apenas olhe ao redor. Tudo é
necessário, e tudo se encaixa. È uma unidade orgânica: ninguém é mais elevado
eninguém é mais baixo, ninguém é superior, ninguém é inferior. Todos são
incomparáveis, únicos.



27-BENÇÃOS DISFARÇADAS
As venturas e desventuras de um camponês
O único problema com a tristeza, desesperança, raiva, desamparo, ansiedade, angústia,
miséria, é que você quer se livrar delas.Essa é a única barreira. Você terá que conviver
com elas. Você simplesmente não pode escapar. Estes são a própria situação naqual a
vida precisa se integrar e crescer. São os desafios da vida. Aceite-os, pois são bênçãos
disfarçadas.Um homem tinha um belo cavalo, e o cavalo era tão raro que mesmo
imperadores pediam ao homem que ovendesse, pelo preço que quisesse, mas ele
recusava. Uma manhã, ele descobriu que o cavalo havia sido roubado.A aldeia inteira
reunida solidarizou-se com ele, e disseram: “Que desgraça! Você podia ter conseguido
umafortuna, as pessoas estavam oferecendo tanto dinheiro. Você foi teimoso e tolo.
Agora o seu cavalo foi roubado.”Mas o homem apenas sorriu e falou: “Não digam
                                                                                       463
bobagens! Apenas digam que o cavalo não está mais noestábulo. Deixem o tempo
passar, então veremos.”E aconteceu que depois de quinze dias o cavalo retornou, e não
estava sozinho. Trouxe consigo uma dúzia decavalos selvagens da floresta. A vila inteira
reuniu-se e disseram: “Ele estava certo! Seu cavalo está de volta etrouxe com ele mais
doze lindos cavalos. Agora ele pode ganhar todo o dinheiro que desejar.” Eles chegaram
parao homem e disseram, “Desculpe-nos. Não pudemos entender o futuro e os caminhos
de deus, você, porém, éformidável! Você sabia alguma coisa sobre isso; deve ter previsto
o futuro.”Ele disse, “Besteira! Tudo que sei é que agora o cavalo retornou com outros
doze cavalos – o que vai aconteceramanhã, ninguém sabe.”E no dia seguinte aconteceu
que o único filho desse homem estava tentando montar num novo cavalo quandocaiu, e
suas pernas ficaram quebradas. Toda a vila reuniu-se novamente e eles disseram: “A
gente nunca sabe –você estava certo; isso provou ser uma maldição. Teria sido melhor se
o cavalo não tivesse voltado. Agora seufilho irá permanecer aleijado para o resto da
vida.”O velho homem disse, “Não tirem conclusões apressadas! Esperem e vejam o que
irá acontecer. Digam apenasque meu filho quebrou suas pernas – isso é tudo.”Depois de
quinze dias aconteceu que todos os jovens da cidade foram forçadamente convocados
pelo governo,porque o país estava prestes a entrar em guerra. Somente o filho desse
homem foi deixado pois ele não tinhanenhuma utilidade. Todos se reuniram e disseram:
“Nossos filhos foram levados! Você pelo menos tem seu filho.Pode ser que ele fique
aleijado, mas está aqui! Nossos filhos se foram, e o inimigo é muito mais forte; todos
elesserão mortos. Na nossa velhice não teremos ninguém para cuidar de nós, mas você
pelo menos tem o seu filho etalvez ele possa ser curado.”Mas o velho disse, “Digam
somente isso – que seus filhos foram levados pelo governo. Meu filho foi deixado, masnão
se pode concluir nada além disso.”Limitem-se aos fatos! Não recebam nada como uma
maldição ou uma bênção. Não as interpretem e, ubitamente,vocês verão que tudo é belo.



28-AUTO-ACEITAÇÃO
Amor-perfeito no jardim do rei
Você não pode melhorar a si mesmo. Não estou dizendo que não é possível melhorar,
apenas que você não pode melhorar a simesmo. Quando você pára de melhorar a si
mesmo, a vida lhe melhora. Nesse relaxamento, nessa aceitação, a vida começa acuidar
de você, a vida começa a fluir através de você. Ninguém jamais foi como você e ninguém
jamais será como você; você ésimplesmente único, incomparável.Aceite isso, ame isso,
celebre isso – e nessa mesma celebração você começará a ver a singularidade dos
outros, a incomparávelbeleza dos outros.Amor só é possível quando há uma profunda
aceitação de si mesmo, do outro, do mundo. Aceitação cria o ambiente no qual oamor
cresce, é o solo no qual o amor floresce.Ouvi contar:Um rei foi para seu jardim e
encontrou plantas, arbustos e flores murchas, quase morrendo. O carvalho disse
queestava morrendo pois ele não podia ser tão alto como o pinho. Virando-se para o
pinho, percebeu que estavamurcho porque este era incapaz de dar uvas como a parreira.
E a parreira estava morrendo, pois ela não podiaflorescer como a roseira. Mas encontrou
o amor-perfeito florescendo e tão viçoso como jamais antes. Após inquirir,ele recebeu
essa resposta:“Eu tinha como certo que quando você me plantou você queria um Amor-
perfeito. Se houvesse desejado umcarvalho, uma videira ou uma roseira, você as teria
plantado. Assim eu pensei desde que você me colocou aqui, eudevia fazer o melhor para
ser o que você deseja. Eu nada posso ser senão o que sou e estou tentando sê-lo
nomáximo da minha capacidade.”Você está aqui porque essa existência precisa de você
como você é. Do contrário, outra pessoa estaria aqui! Aexistência não teria lhe ajudado a
estar aqui, não o teria criado. Você está realizando algo muito essencial, algomuito
fundamental, ao ser como é. Se Deus quisesse um Buda ele teria produzido tantos Budas
                                                                                      464
quanto quisesse.Produziu um único Buda – isso era suficiente, e ele ficou satisfeito com o
desejo de seu coração, completamentesatisfeito. Desde então ele não mais produziu
outro Buddha ou outro Cristo.Ao invés disso ele lhe criou. Basta pensar no respeito que o
universo lhe atribuiu! Você foi escolhido, não Buddha,não Cristo, não Krishna. Você será
mais necessário, essa é a razão. Você se encaixa mais agora. O trabalho delesestá feito,
contribuiram com suas fragrâncias para a existência. Agora você deve contribuir com sua
própriafragrância.Contudo, os moralistas, os puritanos, os padres, eles prosseguem lhe
ensinando lições, querem deixar vocêmaluco. Eles dizem à rosa, “Torne-se um lótus.” E
dizem ao lótus, ”O que você está fazendo aqui? Você devetornar-se alguma outra coisa.”
Eles levam o jardim inteiro à loucura, tudo começa a morrer – pois ninguém podeser outra
pessoa, isso não é possível.Foi isso que aconteceu com a humanidade. Todos estão
fingindo. Autenticidade se perdeu, verdade se perdeu,todos tentam ser outra pessoa.
Basta olhar para si mesmo: você está fingindo ser outra pessoa. E só pode servocê
mesmo – não existe outra maneira, nunca existiu, não há nenhuma possibilidade que
você possa ser outrapessoa. Você irá permanecer você mesmo. Você pode desfrutar
disso e florescer, ou pode secar aos poucos casocondene aquilo que você é.


29-GRATIDÃO
Uma noite sem abrigo
A partir do momento em que uma pessoa é capaz de ser grata tanto pelo sofrimento
quanto pelo prazer, sem qualquerdistinção, sem nenhuma escolha, apenas sendo garto
por aquilo que lhe é dado... Porque se foi dado por deus, deve haveruma razão para isso.
Podemos gostar ou podemos não gostar, mas isso deve ser necessário para o nosso
crescimento.Inverno e verão são ambos necessários para o crescimento. Uma vez que
essa idéia se fundamenta no coração, então cadamomento de vida é um momento de
gratidão. Deixe que isso se torne sua meditação e sua oração: Agradeça a deus por
cadamomento: pelos risos, pelas lágrimas, por tudo. Assim você verá surgir um silêncio
em seu coração que você não conheciaantes. Isso é o êxtase.A primeira coisa é aceitar a
vida como ela é. Aceitando-a, o desejo desaparece. Aceitando a vida como ela é, atensão
desaparece, o descontentamento desaparece; aceitando-a como ela é, a pessoa começa
a sentir -semuito alegre – sem nenhum motivo aparente!Quando a alegria tem um motivo,
esta não vai durar muito tempo. Quando alegria é sem razão, ela vai estar aípara
sempre.Isso aconteceu na vida de uma mulher Zen muito conhecida. O nome dela era
Rengetsu. Muito poucasmulheres alcançaram o supremo no Zen. Essa é uma dessas
raras mulheres.Ela estava numa eregrinação e chegou numa vila ao pôr do sol e pediu
abrigo para a noite, mas os vilarejosfecharam suas portas. Eles eram contra Zen. O Zen é
tão revolucionário, tão totalmente rebelde, que é muitodifícil aceitá-lo. Aceitando-o você
vai ser transformado; aceitar o Zen será como passar através do fogo, vocênunca mais
será o mesmo novamente. Pessoas conservadoras sempre foram contra tudo que é
verdadeiro nareligião. Tradição é tudo que é inverídico na religião. Então esses
moradores do vilarejo deviam ser os Budistastradicionais, e não permitiram que essa
mulher ficasse na cidade, eles a mandaram embora.Era uma noite fria, e já velha, estava
sem abrigo, e faminta. Teve que improvisar um abrigo debaixo de umacerejeira nos
campos. Estava realmente bem frio, e ela não conseguiu dormir bem. E era também
perigoso –animais selvagens e tudo mais. A meia-noite ela acordou – devido ao frio
intenso - e viu, no céu noturno, asflores abertas da cerejeira sorrindo para a lua
enevoada. Tomada pela beleza, ela levantou-se e curvou-se nadireção da vila, em sinal
de agradecimento, com essas lavras:Através de sua bondade ao recusar-me abrigo
descobri-me sob as flores na noite desta lua enevoada.Ela se sente agradecida. Cheia de
gratidão, agradece aquelas pessoas que lhe recusaram abrigo. Do contrárioestaria
dormindo sob um teto comum e teria perdido essa bênção – o cerejeiro florido, esse
                                                                                       465
sussuro com a luaenevoada, e o silêncio da noite, esse profundo silêncio da noite. Não
está zangada, ela aceita o que aconteceu.Não só aceita-o, o recebe com boas vindas, ela
sente-se grata. A pessoa torna-se um buda quando aceita tudoque a vida traz, com
gratidão.



31-DESPRENDIMENTO
Hakuin e o recém-nascido
Continue a sentir algo dentro de você que seja o mesmo não importa o que aconteça na
periferia. Quando alguém o insultar,concentre-se até o ponto onde você fica apenas
escutando-o - nada fazendo, sem reagir, apenas escutando. Ele está lheinsultando. E
depois alguém está lhe elogiando - apenas escute. Insulto ou Elogio, honra ou desonra,
apenas escute. Suaperiferia ficará perturbada. Olhe também para isso, mas não tente
mudar. Apenas olhe mantendo o seu centro, olhando dalí.Você terá um desprendimento
que não é forçado, o qual é espontâneo, natural. E uma vez que você tenha sentido
essedistanciamento natural, nada mais poderá lhe perturbar.Numa aldeia onde o grande
mestre Zen Hakuin vivia, uma moça ficou grávida. O pai dela maltratou-a para saber o
nome do amante dela e, finalmente, para escapar da punição, ela disse a ele que era
Hakuin. O pai não disse maisnada, mas quando chegou a hora e a criança nasceu, ele
imediatamente levou o bebê até Hakuin e o pôs a seuspés. “Parece que essa criança é
seu filho,” ele disse, e depois descarregou insultos e seu desprezo na desonra queaquilo
representava.Hakuin apenas disse, Oh, é mesmo?” E pegou o bebê nos seus braços.
Onde quer que ele fosse, ele levava o bebê,envolto nas mangas de seu quimono
esfarrapado. Durante os dias chuvosos e noites tempestuosas ele saia parapedir leite nas
casas vizinhas. Muitos de seus discípulos, considerando-o fracassado, se voltaram contra
ele e odeixaram. E Hakuin não disse uma palavra.Enquanto isso, a mãe achou que ela
não podia suportar a agonia da separação de seu filho. Ela confessou o nomedo
verdadeiro pai, e o próprio pai dela foi até Hakuin e prostou-se diante dele, suplicando por
perdão. Hakuinapenas disse, “Oh, é assim?”, e devolveu-lhe a criança.Para o homem
comum o que os outros dizem é muito importante, pois ele nada possui dele mesmo. Não
importa oque pensam ser, não passam de opiniões das outras pessoas. Alguém disse:
Você é bonito. Alguém disse: você éinteligente. E a pessoa vai acumulando todas essas
opiniões. Daí ele ficar sempre assustado e não devecomportar-se de certa maneira para
não perder sua reputação, respeitabilidade. Ele está sempre com medo daopinião pública,
o que as pessoas irão dizer, porque tudo que ele sabe sobre si mesmo é o que as
pessoas lhedisseram. Se as pessoas mudarem de idéia, o deixam desnudo. Assim ele
não sabe quem ele é, se feio, se belo,inteligente ou tolo. Ele não tem nenhuma idéia, nem
mesmo vagamente, de seu próprio ser: depende da opiniãodos outros.Mas aquele que
medita não precisa da opinião dos outros. Ele conhece a si mesmo, não importa o que os
outrosdizem. Mesmo que o mundo inteiro diga alguma coisa que vá contra sua própria
experiência, ele irá simplesmenterir. No máximo, essa pode ser a única resposta. Ele,
contudo, não irá tomar nenhuma atitude para mudar aopinião das pessoas. Quem elas
são? Elas não se conhecem, mas ainda assim tentam rotulá-lo. Ele irá rejeitar osrótulos.
Ele simplesmente dirá, “Sou aquilo que sou, e é desse jeito que vou ser.”



30-AQUILO QUE NUNCA MORRE
A mãe aflita e as sementes de mostarda
Lembre-se, a cada momento, o que você está acumulando - se trata de algo que vai ser
tirado pela morte? Se for, então não valea pena se incomodar com isso. Se isso não vai
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ser tirado pela morte, então até mesmo a vida pode ser sacrificada por issoporque mais
cedo ou mais tarde a vida vai desaparecer. Antes que a vida desapareça, aproveite a
oportunidade para encontraraquilo que nunca morre.O marido de uma mulher morreu. Ela
era jovem, tinha somente um filho. Ela queria cometer sati, queria pular napira funerária
do marido dela, mas essa criancinha a impediu. Ela precisava viver por causa dessa
criancinha.Porém o filhinho morreu; agora isso era demais. Ela quase ficou louca,
perguntando às pessoas, “Existe algummédico em algum lugar que possa trazer meu filho
de volta? Eu vivia só para ele, agora toda minha vida ficousimplesmente vazia.”
Aconteceu que Buda estava vindo para a cidade, então as pessoas disseram, “Leve o
seufilho até Buda. Diga a ele que você estava vivendo para esta criança, que morreu, e
peça a ele, ‘Você é umapessoa tão iluminada, chame-o de volta à vida! Tenha piedade de
mim!”Assim ela foi até Buda. Ela colocou o corpo morto da criança aos pés de Buda e
disse, “Traga-o de volta à vida.Você conhece todos os segredos da vida, você alcançou o
ápice da existência. Não pode você fazer um pequenomilagre para uma pobre
mulher?”Buda disse, “Posso fazê-lo, mas há uma condição.”Ela disse, “Eu cumprirei
qualquer condição.”Buda disse, “A condição é, vá pela cidade e de uma casa onde jamais
alguém tenha morrido, traga algumas
sementes de mostarda.”A mulher não conseguia entender a estratégia. Ela chegou numa
casa, e eles disseram, “Algumas sementes demostarda? Podemos trazer uma carroça
cheia de sementes de mostarda se Buda puder trazer seu filho de volta àvida. Mas temos
visto tantos mortos em nossa família... “Era uma cidade pequena, e ela foi em cada casa.
Todos queriam ajudar: “Quantas sementes você quer?” Mas acondição era impossível de
cumprir pois todos eles haviam tido muitas mortes em suas família.No final do dia ela
compreendeu que todo aquele que nasce um dia vai morrer, então qual é o sentido de
trazer acriança de volta de novo? “Ela irá morrer novamente. É melhor que você mesma
procure o eterno, o qual nuncanasce e nunca morre.” Ela retornou, de mãos vazias.Buda
perguntou, “Onde estão as sementes de mostarda?” Ela sorriu. Pela manhã ela tinha
vindo chorando; agoraela sorriu, e disse, “Você me pregou uma peça! Todo aquele que
nasce vai morrer. Não existe nenhuma família nomundo onde ninguém tenha morrido.
Assim eu não quero que meu filho volte a viver, pois não faria sentido.Esqueça a criança.
Me inicie na arte da meditação para que eu possa ir para o terreno, para o espaço
daimortalidade, onde nascimento e morte jamais aconteceu.Ӄ Isso que chamo de um
autêntico milagre: cortar o problema pela raiz.



32- ALÉM DA PEQUENA FAMÍLIA
"Ninguém é minha mãe..."
Você nasce com uma tremenda possibilidade de inteligência. Você nasce com uma luz
dentro de você. Escute a tranquila epequena voz dentro de você, e ela irá lhe guiar.
Ninguém mais pode lhe guiar, ninguém mais poderá ser um modelo para suavida, porque
você é único. Jamais houve alguém que tenha sido exatamente como você, e jamais
haverá alguém que sejaexatamente como você. Esta é sua glória, sua grandeza - que
você é totalmente insubstituível, que você é somente você mesmoe ninguém mais.Jesus
ainda era uma criancinha e seus pais foram ao grande templo para o festival anual. Jesus
perdeu-se emmeio à multidão, e só ao anoitecer seus pais puderam encontrá-lo. Ele
estava sentado com alguns eruditos,apenas uma criança, e estava discutindo coisas com
eles.Seu pai disse, “Jesus, o que você está fazendo aqui? Estávamos preocupados com
você.”Jesus disse, “Não se preocupem. Eu estava cuidando dos negócios de meu pai.”O
pai falou, “Eu sou seu pai – e que negócio você está cuidando aqui? Sou um
carpinteiro.”Jesus disse, “Meu pai está no paraíso. Você não é meu pai.”Assim como uma
criança tem que deixar o corpo da mãe, senão ela morrerá – ela precisa sair do útero – o
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mesmoacontece mentalmente também. Um dia ela tem de sair do útero do pai e da mãe.
Não só fisicamente, mastambém mentalmente. Não só mentalmente, mas também
espiritualmente.E quando nasce a criança espiritual, tendo rompido completamente com o
seu passado, pela primeira vez ela se
torna um eu, uma realidade independente, sobre seus próprios pés. Antes disso ela era
apenas uma parte da mãe,ou do pai, ou da família – mas nunca era ela mesma.O que
quer que você esteja fazendo, pensando, decidindo, preste atenção: isso está vindo de
você ou é outrapessoa falando? E você ficará surpreso de descobrir a verdadeira voz;
talvez seja sua mãe – você a ouvirá falarnovamente. Talvez seja seu pai; não é tão difícil
detectar. Isso permanece aí, gravado em você exatamente comolhe foi dado pela primeira
vez – o conselho, a ordem, a disciplina, o mandamento.Você pode encontrar muitas
pessoas, o padre, os professores, os amigos, os vizinhos, os parentes. Não hánenhuma
necessidade de lutar. Basta saber que essa não é sua voz mas a voz de outra pessoa –
seja lá quem foressa outra pessoa – você sabe que você não vai seguir isso. Seja quais
forem as consequências, agora você estádecidido a mover-se por si mesmo, você está
decidido a amadurecer. Você permaneceu criança por bastantetempo. Você permaneceu
dependente por bastante tempo. Você ouviu todas essas vozes e as seguiu por
bastantetempo. E aonde estas o levaram? Uma confusão.Portanto, uma vez que você
percebeu de quem são essas vozes, diga adeus a isso... pois a pessoa que lhe deuessa
voz não era sua inimiga. A intensão dela não era ruim, mas a intensão dela não é a
questão. O problema éque ela impõs algo sobre você que não está vindo de sua própria
fonte interior; e qualquer coisa que esteja vindode fora lhe faz um escravo
psicológico.Somente sua própria voz lhe conduzirá ao florescimento, à liberdade.



33-RENOVAÇÃO
A herança de Buda
Quando não houver passado, quando não houver futuro, só então haverá paz. Futuro
significa aspirações, realizações, metas,ambições, desejos. Você não pode estar
aqui/agora, pois está sempre correndo atrás de alguma coisa, em algum lugar. A
pessoaprecisa estar integralmente presente no presente, assim há paz. E disso procede a
renovação da vida, pois a vida só conhece umtempo, e esse é o presente.O passado está
morto; o futuro é apenas uma projeção do passado morto. O que você pode pensar sobre
o futuro? Você pensaem termos do seu passado, isso é o que você conhece, e você o
projeta – é claro que numa versão melhorada. Será mais bonito,mais bem decorado;
todas as dores foram são deixadas para trás e só os prazeres foram escolhidos, mas
ainda assim é opassado.O passado não é, o futuro não é, só o presente é. Estar no
presente é estar vivo, no que há de melhor – e isso é a renovação.Apenas um dia antes
de Gautama Buda deixar seu palácio para buscar a verdade, um filho havia nascido de
suaesposa. Esta é uma história muito humana, tão bela..Antes de deixar o palácio ele só
queria ver ao menos uma vez o rosto de seu filho, símbolo de seu amor por suaesposa.
Então entrou nos aposentos dela. Ela estava adormindo, e a criança encoberta, debaixo
de um lençol. Elequeria remover a coberta para ver o rosto da criança, pois talvez ele
jamais voltasse. Ele estava indo numa
peregrinação desconhecida. Ele estava arriscando tudo, seu reino, sua esposa, sua vida,
seu filho, ele mesmo, embusca da iluminação – algo que ele somente tinha escutado
como uma possibilidade, a qual havia acontecido antesa umas poucas pessoas que
tinham procurado por isso.Ele estava tão cheio de dúvidas como qualquer um de vocês,
mas o momento da decisão havia chegado. Eleestava determinado a partir. Mas a mente
humana, a natureza humana... Ele só queria ver – ele não tinha nemmesmo visto o rosto
de seu próprio filho. Mas ele temia que, se ele removesse a coberta, se Yashodhara,
                                                                                       468
suaesposa, acordasse, ela perguntaria, “O que você está fazendo no meio da noite em
meu quarto? – e você parecepreparado para ir a algum lugar.”Ele estava para partir, e ele
havia dito ao seu cocheiro, “Espere um minuto. Deixe-me ver o rosto da criança. Podeser
que eu jamais retorne.” Mas ele não pôde ver devido ao medo de Yashodhara acordar,
começar a chorar, asoluçar, “Onde você vai? Que você está fazendo? O que era esta
renúncia? O que era iluminação?” Não é possívelprever o que uma mulher fará – ela pode
acordar todo o palácio! O pai dela virá, e a coisa toda estará estragada.Então ele
simplesmente fugiu.Após doze anos, quando ele ficou iluminado, a primeira coisa que ele
fez foi voltar ao seu palácio para desculparsecom seu pai, sua esposa, seu filho que
agora devia estar com doze anos de idade. Ele estava ciente que elespodiam estar
zangados. O pai estava muito zangado – ele foi o primeiro a encontrá-lo, e por meia hora
elecontinuou insultando Buda. Mas depois, subitamente ele percebeu que estava dizendo
muitas coisas e seu filhopermanecia ali de pé, como uma estátua de mármore, como se
nada o afetasse.O pai olhou para ele, e Gautama Buda disse, “Foi o caminho que escolhi.
Por favor, enxugue suas lágrimas. Olhepara mim: Eu não sou o mesmo garoto que deixou
o palácio. Seu filho morreu muito tempo atrás. Posso meparecer com ele, porém, minha
consciência é outra. Basta me olhar.”O pai disse, “Estou vendo isso. Por meia hora eu
estive insultando você, e isso é prova suficiente de que vocêmudou. Do contrário, sei
quão temperamental você era: você não conseguiria ficar tão silencioso. Que aconteceu
avocê? Buda disse, “Eu lhe direi. Deixe-me primeiro ver minha esposa e meu filho. Eles
devem estar esperando –eles devem ter ouvido que eu cheguei.” E a primeira coisa que
sua esposa lhe disse foi, “Posso ver que você estátransformado. Estes doze anos foram
de grande sofrimento, mas não porque você se foi. Sofri porque você nadame disse. Se
houvesse simplesmente me contado que você estava indo em busca da verdade, você
acha que eu oteria impedido? Você me insultou profundamente. Essa é a mágoa que
tenho carregado por doze anos. Tambémpertenço a casta dos guerreiros – você acha que
sou assim tão frágil que teria chorado e gritado para tentarimpedi-lo de partir?“Durante
esses doze anos meu sofrimento foi que você não confiou em mim. Eu teria lhe permitido,
teria lhe dadouma despedida, teria vindo até a carruagem. Primeiro eu queria lhe fazer a
única pergunta que tem estado emminha mente por todos esses doze anos, sobre o que
quer que você tenha alcançado - e parece que certamentevocê alcançou algo.“Você não
é mais a mesma pessoa que deixou esse palácio. Você irradia uma luz diferente, sua
presença étotalmente nova e refrescante, seus olhos são tão puros e cristalinos como um
céu sem nuvens. Você ficou tãobonito, você sempre foi belo, mas essa beleza não parece
ser desse mundo. Alguma graça do além recaiu sobrevocê. Minha pergunta é, que seja lá
o que você tenha alcançado, não era possível alcançar isso aqui nessepalácio? Pode o
palácio impedir a verdade?”A pergunta era extremamente inteligente, e o Gautama Buda
teve que concordar: “Poderia ter conseguido issoaqui, mas não tinha nenhuma idéia disso
naquele momento. Agora posso dizer que eu poderia ter alcançado issoaqui nesse
palácio, não havia nenhuma necessidade de ir a lugar algum. Tinha apenas que
mergulhar dentro demim, e isso podia ter ocorrido em qualquer lugar. Este palácio era tão
bom quanto qualquer outro lugar, masagora posso dizer isso. Naquele momento eu não
tinha nenhuma idéia.“Então você deve me perdoar, pois não é que eu não confiasse em
você ou na sua coragem. Na verdade, estavaduvidoso quanto a mim mesmo: se você
acordasse e eu tivesse visto o bebê, podia ter começado a imaginar, ‘Queestou fazendo,
deixando minha bela esposa, cujo amor total, cuja total devoção é para mim. E deixando
meu filhode um dia de idade... se estou deixando-o então porque consenti no seu
nascimento? Estou fugindo das minhasresponsabilidades.’“Se meu velho pai tivesse
acordado, teria sido impossível para mim. Não é que eu não confiasse em você;realmente
foi que eu não confiava em mim mesmo. Sabia que havia uma indecisão; eu não era total
na renúncia.Uma parte de mim dizia, ‘Que você está fazendo?’ – e outra parte de mim
estava dizendo, ‘Essa é a hora de fazerisso. Se você não o fizer agora isso se tornará
                                                                                      469
cada vez mais difícil. Seu pai está se preparando para lhe coroar.Uma vez você seja
coroado rei, será bem mais difícil.’”Yashodhara disse a ele, “Essa era a única questão que
eu queria perguntar, e estou imensamente feliz por você tersido absolutamente verdadeiro
dizendo que isso pode ser alcançado aqui, que pode ser alcançado em qualquerparte.
Agora seu filho, que está de pé ali, um garotinho de doze anos, tem estado continuamente
perguntandosobre você, e tenho estado dizendo a ele, ‘Apenas espere. Ele irá voltar; ele
não pode ser tão cruel, não pode sertão indelicado, não pode ser tão desumano. Um dia
ele virá. Talvez o que quer que ele tenha ido realizar estejalevando tempo. Uma vez que
ele o realizou, a primeira coisa que ele fará será voltar.’“Então seu filho está ali, e eu
quero que você me diga qual herança você está deixando para seu filho? O que vocêtem
para dar a ele? Você lhe deu vida – e agora, o que mais?”Buda nada tinha a não ser sua
tigela de esmolas, então chamou seu filho, cujo nome era Rahul. Ele chamou Rahulpara
perto dele e deu a ele a tigela de esmolas. Ele disse, “Eu nada tenho. Essa é minha única
posse. Doravanteterei que usar minhas mãos para pedir esmolas, para pedir minha
comida. Dando a você essa tigela de esmolasestou lhe iniciando no sânias, na busca.
Esse é o único tesouro que encontrei, e eu gostaria que você também oencontrasse.”Ele
disse a Yashodhara, “Você precisa estar preparada para tornar-se uma parte de minha
comuna de sannyasins,“e iniciou sua esposa. Seu pai tinha chegado e estava observando
toda a cena. Ele disse a Gautama Buda, “Entãoporque você está me deixando de fora?
Você não quer compartilhar o que você encontrou com seu velho pai?Minha morte está
próxima... me inicie também.”Buda disse, “Na verdade, eu apenas vim para levar todos
vocês comigo, pois encontrei um reino muito maior – umreino que irá durar para sempre,
o qual não pode ser conquistado. Vim aqui para que vocês pudessem sentiraquilo que
atingi, a fim de que vocês pudessem sentir minha realização, e eu pudesse convencê-los
a serem meuscompanheiros de viagem.”



34-RAIVA
O monje com um temperamento ingovernável
Na próxima vez que ficar com raiva, corra e dê sete voltas ao redor da casa, e depois
sente-se debaixo de uma árvore e observepara aonde foi a raiva. Você não a reprimiu,
não a controlou, não a lançou sobre outra pessoa...Raiva é somente um vômito mental.
Não há nenhuma necessidade de jogá-la sobre outra pessoa. Faça um pouco de
exercício oupegue um travesseiro e bata nele até que suas mãos e dentes fiquem
relaxados. Na transformação você nunca ontrola,simplesmente se torna mais cônscio.
Raiva está acontecendo - é um belo fenômeno, justamente como a eletricidade
nasnuvens...Um estudante do Zen veio até Bankei e disse: “Mestre, tenho um
temperamento incontrolável. Como posso mecurar disso?” “Mostre para mim esse
temperamento, “ disse Bankei, “pois ele me soa fascinante.”“Não estou destemperado
agora,” disse o estudante, “assim não posso mostrá-lo a você.”“Então,” disse Bankei,
“traga-o para mim quando você o tiver.”“Mas não posso trazê-lo quando este acontecer,”
protestou o estudante. “É algo que surge inesperadamente, ecertamente já o terei perdido
antes de chegar até você.”“Nesse caso,” disse Bankei, ”Isso não pode ser parte de sua
verdadeira natureza. Se fosse, você poderia mostrálopara mim a qualquer momento.
Quando você nasceu não tinha esse temperamento, então isso deve ter vindode fora.
Sugiro que, sempre que isso aconteçer, você bata em si mesmo com uma vara até que o
temperamentose descontrole e vá embora.”Mesmo quando a raiva estiver acontecendo,
se você tornar-se subitamente cônscio, ela desaparece. Experimente!justo em meio a
tudo isso, quando seu sangue estiver fervendo e você fica com ganas de matar alguém –
nessemomento torne-se cônscio, e você irá sentir que alguma coisa mudou: um câmbio
dentro ‘encaixando’, você podesentir o clique, seu ser interior relaxou.Pode levar tempo
                                                                                       470
para sua camada externa relaxar, mas o ser interior já relaxou. A cooperação foi
quebrada...agora você não está mais identificado. O corpo levará algum tempo para
descansar, mas bem fundo no centro,tudo está tranquilo.Percepção é necessária, não
condenação. E através da perceptividade, a transformação aconteceespontaneamente.
Se perceber sua raiva, o entendimento penetrará em você. Apenas observando, sem
nenhumjulgamento, nem dizendo que é bom nem ruim, só observando seu céu interior.
Há relâmpagos, há raiva, vocêesquenta, todo o sistema nervoso se agita e você sente um
tremor pelo corpo inteiro – um belo momento, pois aenergia ativa pode ser observada
facilmente. Quando esta não está ativa você não pode observá-la.Feche os olhos e
medite sobre isso. Não lute, apenas olhe no que está acontecendo – o céu inteiro cheio
deeletricidade, tantos relâmpagos, tanta beleza. Deite-se no chão e olhe para o céu e
observe. Depois faça o mesmodentro de você. Alguém lhe insultou, alguém riu de você,
alguém disse isso ou aquilo... muitas nuvens, nuvensnegras no céu interior e muitos
relâmpagos. Observe!
É uma cena bonita – terrível também, pois você não a compreende. É misteriosa e, se o
mistério não forcompreendido, torna-se terrível, você fica com medo dele. E sempre que
um mistério é compreendido, torna-seuma graça, um presente, pois agora você possui as
chaves, e com elas, você é o mestre.




35-A MAESTRIA DOS HUMORES
O Segredo do Anel
Pensar que “Eu sou a mente”, é ser não perceptivo. Saber que a mente é apenas um
mecanismo exatamente como o corpo,saber que a mente está separada... A noite chega,
a manhã vem: você não fica identificado com a noite. Você não diz, “eu sou anoite”, não
diz “eu sou a manhã”. A noite chega, a manhã chega, o dia vem, novamente a noite vem.
A roda prossegue girando,mas você permanece alerta sabendo que você não é nenhuma
dessas coisas.O mesmo é o caso com a mente. Raiva vem, mas você esquece e fica
zangado. Ambição chega, você esquece e se torna aambição. Ódio vem, você esquece e
se torna o ódio. Isso é falta de percepção.Percepção é observar que a mente está cheia
de ambição, cheia de raiva, cheia de ódio ou repleta de desejos, mas você ésimplesmente
um observador. Então você pode ver a ambição surgindo, tornando-se uma grande
nuvem escura, depoisdispersando-se – e você permanece intocado. Quanto tempo isso
pode durar? Sua raiva é momentânea, sua ambição émomentânea, seu desejo é
momentâneo. Basta observar um pouco e você ficará surpreso: tudo isso vem e vai. E
você fica aíimpassível, tranquilo, calmo.A coisa mais básica a ser lembrada é que, quando
você está sentindo-se bem, em um estado de êxtase, nãocomece a pensar que isso vai
ser seu estado permanente. Viva o momento de forma tão feliz e alegre quantopossível,
sabendo perfeitamente bem que isso veio e irá passar, assim como uma brisa entra em
sua casa, comtoda sua fragrância e frescor, e sai pela outra porta.Essa é a coisa mais
fundamental. Se você começar a pensar em termos de tornar seus momentos de
êxtasepermanentes, você já começou a destruí-los. Quando estes acontecerem, seja
grato. Quando se forem, agradeça à
existência. Permaneça aberto. Isso irá acontecer muitas vezes, não faça julgamentos, não
selecione. Permaneçaneutro, sem escolhas.Sim, haverá momentos quando você irá se
sentir miserável. E daí? Existem pessoas que são miseráveis e que nemmesmo
conheceram um único momento de êxtase: você é afortunado. Mesmo em sua miséria,
lembre-se de queela não será permanente, também passará, então não se preocupe
muito com isso. Fique tranqüilo.Assim como há o dia e a noite, também há momentos de

                                                                                      471
alegria e de tristeza. Aceite isso como parte da dualidadeda natureza, como parte da
forma de ser própria das coisas. E você é simplesmente um observador: não se torna
nem a felicidade nem a miséria. Felicidade vem e passa, miséria vem e passa. Uma coisa
continua semprepresente: aquele que observa, aquele que testemunha.
Aos poucos, fique cada vez mais centrado no observador. Dias e noites virão... vidas e
mortes virão... sucesso efracasso irão ocorrer. Mas se você estiver centrado no
observador, pois essa é a única realidade em você, tudomais é um fenômeno
passageiro.Por um momento, tente sentir o que estou dizendo: seja apenas um
observador.Não se apegue a nenhum momento por este ser belo, e não fuja de nenhum
momento por este ser miserável.Pare com isso. Você vem fazendo isso por vidas. Nunca
teve sucesso e jamais terá. A única maneira de ir além, de
permanecer além, é encontrar um lugar de onde possa observar todos esses fenômenos
mutantes sem ficaridentificado com eles.Vou contar uma antiga história Sufi.Um rei
perguntou aos sábios da corte: “Estou fazendo um anel belíssimo para mim mesmo.
Consegui um dosmelhores diamantes que existe. Quero manter, escondido dentro do
anel, uma mensagem que possa me auxiliarnum momento de completo desespero. Terá
que ser bem pequena para que possa ficar oculta sob o diamante noanel.”Todos os
sábios estavam reunidos, todos grandes eruditos. Poderiam escrever grandes tratados.
Mas dar ao reiuma mensagem com apenas duas ou três palavras que pudesse ajudá-lo
em momentos de completo desespero...eles pensaram, procuraram em seus livros, mas
nada puderam encontrar.O rei tinha um servo antigo que era quase como seu pai – ele já
tinha servido também a seu pai. A mãe do reihavia morrido cedo e esse servo cuidou
dele, assim ele não era tratado como um empregado. O rei tinha imensorespeito por ele.
O velho disse, “Não sou um sábio, culto, conhecedor de muitos assuntos, mas sei qual é
amensagem, pois só existe uma mensagem. E estas pessoas não podem dá-la a você.
Ela só pode ser dada por ummístico, por um homem que tenha realizado a si mesmo.”Em
minha longa vida no palácio, encontrei todo tipo de pessoas, e uma vez, um místico. Ele
também era umhóspede de seu pai e fui colocado para servi-lo. Quando ele estava para
partir, como um gesto de agradecimentopor todos os meus serviços ele me deu essa
mensagem” e a escreveu num pedacinho de papel, depois dobrou opapel e disse ao rei,
“Não leia agora, apenas a mantenha escondida no anel. Só leia esta mensagem quando
tudomais tiver falhado, quando não houver mais saída.
E essa hora não demorou a chegar. O país foi invadido e o rei perdeu seu reino. Ele
estava fugindo em seu cavalopara salvar sua vida e os cavalos dos inimigos o estavam
seguindo. Ele estava sozinho, e eles eram muitos. Depoisele chegou a um ponto onde a
estrada acabava, num lugar sem saída, só havia um despenhadeiro. Cair dali seriao fim.
Ele não podia retornar, o inimigo estava ali e ele podia ouvir o som dos cavalos se
aproximando. Não podiaavançar, não havia saída...Então, lembrou-se do anel. Ele o
abriu, tirou o papel, e havia uma pequena mensagem de enorme valor:simplesmente
dizia, “Isso também irá passar.Um grande silêncio recaiu sobre ele enquanto lia a frase:
isso também irá passar. E passou. Tudo passa, nadapermanece eternamente nesse
mundo. Os inimigos que o seguiam devem ter se perdido na floresta, devem tertomado o
caminho errado. Os cavalos se afastavam aos poucos, até que não era mais possível
ouvi-los.O rei ficou imensamente agradecido ao serviçal e ao místico desconhecido.
Aquelas palavras provaram sermilagrosas. Ele dobrou o papel, colocou-o de volta no anel,
reuniu seus exércitos e reconquistou seu reino. Equando voltou à capital, vitorioso, havia
uma grande celebração por toda a cidade, com música e dança, e elesentia muito orgulho
de si mesmo. O velho serviçal caminhava ao lado de sua carruagem. Ele disse:
“Essatambém é uma boa hora: leia de novo a mensagem.”O rei falou: “O que você quer
dizer? Sou vitorioso, o povo está celebrando, não estou desesperado, não estounuma
situação da qual não há saída.”O velho serviçal disse, “Escute. Foi isso que o santo disse
para mim: esta mensagem não é só para os momentosde desespero, também é para os
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de grande prazer. Essa não é somente para quando você for derrotado, mas paraquando
você for vitorioso. Não apenas para quando você for o último, mas também para quando
for o primeiro.”E o rei abriu o anel e leu a mensagem: “isso também irá passar,” e de
repente, a mesma paz, o mesmo silêncio nomeio da multidão que celebrava alegre,
dançando. Mas o orgulho, o ego não estavam mais presentes. Tudo passa.Ele pediu ao
servo que se aproximasse mais da carruagem e se sentasse ao seu lado. Perguntou: “Há
mais algumacoisa? Tudo passa... Sua mensagem me ajudou muito.”O velho servo disse:
a terceira coisa que o santo disse foi: lembre-se, tudo passa. Só você permanece.
Vocêpermanece sempre como uma testemunha.”Tudo passa, mas você permanece. Você
é a realidade e tudo mais é somente um sonho. Belos sonhos, pesadelos.Mas não
importa se é um belo sonho ou um pesadelo, o que importa é aquele que está vendo o
sonho. Aquele quevê é a única realidade.



36-OS PORTAIS DO INFERNO
O orgulho do Samurai
Paraíso e inferno não são locais geográficos, são psicológicos, são a sua psicologia.
Paraíso e inferno não estão no final de suavida, estão aqui e agora. A cada momento as
portas se abrem, a todo momento você fica ondulando entre o paraíso e o inferno.É uma
questão de momento-a-momento, é urgente, em um único momento você pode mover-se
do inferno para o paraíso, doparaíso para o inferno.Ambos estão dentro de você. As
portões estão bem próximos um do outro: com a mão direita você pode abrir um, com a
mãoesquerda você pode abrir o outro. Basta uma simples mudança na sua mente, seu
ser se transforma. Do paraíso para o inferno edo inferno para o paraíso. Sempre que você
age inconscientemente, sem percepção, está no inferno. Sempre que você está
consciente, quando você age com plena atenção, está no paraíso.O mestre Zen Hakuin é
um daqueles raros florescimentos. Um guerreiro veio vê-lo, um samurai, um
grandesoldado, e ele perguntou: “existe algum inferno, algum paraíso? Se há um paraíso
e um inferno, onde ficam osportões? Por onde posso entrar? Como posso evitar o inferno
e escolher o paraíso?”Ele era um simples guerreiro. Um guerreiro sempre é simples, do
contrário não poderia ser um guerreiro. Umguerreiro só conhece duas coisas: a vida e a
morte. Sua vida está sempre em jogo, está sempre apostando: é umhomem simples. Não
veio aprender uma doutrina. Ele queria apenas saber onde estavam os portais para que
pudesse evitar o inferno e entrar no paraíso. E Hakuin respondeu de um modo que só um
guerreiro podiaentender.O que fez Hakuin? Ele disse: “Quem é você?”E o guerreiro
respondeu: “Sou um samurai.”No Japão, ser um samurai é uma grande honra. Significa
ser um guerreiro perfeito, um homem que não hesita umúnico momento para dar sua vida.
Para ele, vida e morte são apenas um jogo. Ele disse: “Sou um samurai. Sou olíder dos
samurais. Até mesmo o imperador me respeita.”Hakuin riu e disse, “Você, um samurai?
Mais parece um mendigo.”
O orgulho do samurai foi ferido, seu ego pisoteado. Ele se esqueceu para que tinha vindo
ali, puxou da espada eestava prestes a matar Hakuin. Esqueceu que tinha vindo até esse
mestre para perguntar onde estava o portão doparaíso e o portão do inferno.Hakuin riu e
disse: “Este é o portão do inferno. Com essa espada, essa raiva, esse ego, assim se abre
o portal.”Isso é algo que um guerreiro pode entender. Ele imediatamente compreendeu:
esse é o portal. Ele guardou sua
espada.E Hakuin disse: “Aí está o portal para o paraíso.”Inferno e céu estão dentro de
você, ambos os portais estão em você. Quando você se comporta
inconscientemente, aí está o portal do inferno. Quando você está alerta e consciente, aí
está o portal do paraíso.O que aconteceu a esse samurai? Quando ele estava prestes a
matar Hakuin, estava ele consciente? Estavaconsciente do que ia fazer? Estava ele
                                                                                     473
consciente do que tinha vindo fazer? Toda consciência havia desaparecido.Quando o ego
toma o controle, você não pode permanecer alerta. O ego é a droga, o tóxico que lhe faz
completamente inconsciente. Você age, mas a ação procede do inconsciente, não da
consciência. E sempre quealgum ato procede do inconsciente, a porta do inferno é aberta.
O que quer que faça, se você não estiver cônsciodo que está fazendo, o portal do inferno
se abre.Imediatamente o samurai ficou alerta. Subitamente, quando Hakuin disse: “Este é
o portal, você já o abriu”. Aprópria situação deve ter criado atenção. Por pouco, a cabeça
de Hakuin não foi decepada. Um simples momentomais e esta teria sido separada do
corpo. E Hakuin disse: “Esse é o portal do inferno.”Esta não é uma resposta filosófica.
Nenhum mestre responde de um modo filosófico. Filosofia só existe para osmedíocres,
mentes não-iluminadas. O mestre responde, mas a resposta não é verbal, é total. Que
esse homempodia tê-lo morto não é a questão. “Se você me matar e isso lhe tornar alerta,
então vale a pena.” Hakuin arriscoutudo.Isso deve ter acontecido com o guerreiro: parado,
espada empunhada, com Hakuin bem diante dele – os olhos deHakuin sorridentes, a face
risonha, e o portal do inferno aberto. Ele entendeu: A espada voltou para a
bainha.Enquanto punha a espada de volta na bainha, ele deve ter ficado totalmente
silencioso, em paz. A raiva tinhadesaparecido, e energia que se movia na raiva tornou-se
silenciosa.Se você, de repente, desperta em meio a raiva, você irá sentir uma paz que
nunca sentiu antes. A energia moviasee, subitamente, ela pára – você terá silêncio,
silêncio imediato. Você irá cair no seu ser interior e, a queda serátão repentina, você
ficará consciente.Não é uma queda lenta. É tão repentina que você não pode permanecer
inconsciente. Você só pode ficarinconsciente nas suas tarefas rotineiras, nas coisas
graduais. Você se move tão lentamente que não pode sentir omovimento. Este
movimento foi repentino – da atividade para a não-atividade, do pensar para o não-
pensar, damente para a não-mente. Enquanto a espada retornava para a bainha, o
guerreiro compreendeu. E Hakuin disse:“Aqui está os portais do paraíso.”O silêncio é a
porta. Paz interior é a porta. Não-violência é a porta. Amor e compaixão são os portais.



38-TRANSMUTAÇÃO
A Meditação do Coração de Atisha
A dor é natural. Precisa ser entendida, aceita. É claro que, naturalmente, temos meo da
dor e tentamos evitá-la. Por isso muitaspessoas evitam o coração e se fixam na mente,
vivem na mente.O coração lhes traz dor, é verdade, mas apenas porque ele também pode
trazer prazer - e é por isso que traz dor. A dor é a
forma pela qual o prazer chega, e é através da agonia que o êxtase entra. Se a pessoa
estiver atenta a isso, ela aceita a dorcomo uma bênção. Então a qualidade de sua dor
começa a mudar, imediatamente. Você não mais se opõe a ela, e porque não secoloca
mais em oposição, já não é mais dor: torna-se um amigo. É um fogo que irá purificá-lo. É
uma transmutação, umprocesso, no qual o velho partirá e o novo chegará, no qual a
mente desaparecerá e o coração funcionará em sua plenitude.Então a vida se torna uma
bênção.Tente o seguinte método de Atisha e preste atenção, pois esse é um dos grandes
métodos para a meditação.Quando inspirar, pense que está inspirando todas as misérias
de todas as pessoas do mundo. Toda a escuridão,toda a negatividade, todo o inferno que
existe em toda parte, você está colocando tudo isso para dentro. E deixe
que seja absorvido em seu coração.Você pode ter lido ou ouvido falar sobre pessoas que
propagam o ‘pensamento positivo’ no Ocidente. Dizemjustamente o oposto, mas não
sabem o que estão dizendo. Eles dizem: “Quando você expirar, coloque para foratoda sua
miséria e negatividade. Ao inspirar, inspire a felicidade, a positividade, a alegria.” O
método de Atisha é ooposto: quando você inspirar, inspire toda a miséria e sofrimento do
mundo – passados, presentes e futuros. E,quando inspirar deixe sair toda a alegria, todas
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as bênçãos que tiver.Expire, derrame-se na existência. Esse é o método da compaixão:
beba o sofrimento e derrame todas as bênçãos.Você ficará surpreso ao fazer isso. No
momento em que aceitar os sofrimentos do mundo dentro de si, não serãomais
sofrimentos. O coração transforma a energia imediatamente. O coração é uma força de
transformação: bebamiséria, ela será transformada em contentamento... depois devolva
isso. Uma vez que você aprendeu que seucoração pode fazer essa mágica, esse milagre,
você será capaz de fazê-lo sempre.Tente. É um dos métodos mais práticos: é simples e
traz resultados imediatos. Faça isso hoje e veja. Essa é umadas abordagens de Buda e
de todos seus discípulos. Atisha é um de seus discípulos, segue a mesma tradição, a
mesma linha. Buda dizia seguidamente para seus discípulos: “Ihi passiko – venham e
vejam!” São pessoascientíficas. O budismo é a religião mais científica do planeta e por
isso que o budismo está conquistando cada vezmais terreno no mundo.Conforme o
mundo vai se tornando mais inteligente, Buda se torna cada vez mais importante. É assim
que deveser. Quanto maior o número de pessoas que se informam sobre a ciência, maior
será o apelo de Buda. Eleconvencerá a mente científica, porque ele diz: “Qualquer coisa
que eu esteja dizendo pode ser colocada emprática.” Não digo para você: “Acredite em
mim.” Eu digo: “Experimente isso e somente depois, se você sentir omesmo, acredite no
que digo. Do contrário, não é preciso acreditar.”Tente este belo método de compaixão:
absorva toda a miséria e coloque para fora toda a alegria.



37-OS PORTAIS DO PARAÍSO
O Orgulho do Samurai
Paraíso e inferno não são locais geográficos, são psicológicos, são a sua psicologia.
Paraíso e inferno não estão no final de suavida, estão aqui e agora. A cada momento as
portas se abrem, a todo momento você fica ondulando entre o paraíso e o inferno.É uma
questão de momento-a-momento, é urgente, em um único momento você pode mover-se
do inferno para o paraíso, doparaíso para o inferno.Ambos estão dentro de você. As
portões estão bem próximos um do outro: com a mão direita você pode abrir um, com a
mãoesquerda você pode abrir o outro. Basta uma simples mudança na sua mente, seu
ser se transforma. Do paraíso para o inferno edo inferno para o paraíso. Sempre que você
age inconscientemente, sem percepção, está no inferno. Sempre que você está
consciente, quando você age com plena atenção, está no paraíso.Subitamente, quando
Hakuin disse: "Aí está o portal, você já o abriu", a própria situação deve ter despertado
apercepção do Samurai. Um único momento a mais e a cabeça de Hakuin teria sido
cortada. E Hakuin disse: "Esseé o portal do inferno." Não foi uma resposta filosófica, pois
nenhum mestre responde em termos filosóficos. Afilosofia existe apenas para as mentes
medíocres e não-iluminadas. O mestre responde, mas a resposta não éverbal, ela é
plena. O fato de que aquele homem poderia tê-lo morto não é o mais importante. "se você
me matar,e isso o tornar alerta, perceptivo, então vale a pena." Hakuin apostou nisso. Eis
o que deve ter acontecido com oguerreiro - parado, com a espada na mão, Hakuin à sua
frente - e não havia rido nos olhos de Hukuin, seu rostoestava sorridente, e os portais do
paraíso se abriram. Ele entendeu: a espada retornou à bainha. Ao colocar aespada de
volta, ele deve ter entrado em silêncio total, cheio de paz. A raiva havia desaparecido, a
energia que semovia na raiva havia se tornado silêncio. Se você de repente se tornar
perceptivo no meio da raiva, sentirá umapaz que nunca sentiu antes. A energia estava se
movendo e, subitamente, pára. Você encontrará o silêncio, osilêncio imediato. Cairá em
seu ser interior e a queda será tão repentina que você se tornará perceptivo. Não éuma
queda lenta, é tão abrupta que você não pode deixar de se tornar perceptivo. Só é
possível permanecer nãoperceptivocom coisas rotineiras, com coisas graduais, quando
você se move tão lentamente que não pode sentir omovimento. Isso foi um movimento
                                                                                        475
súbito, passando da atividade para a não-atividade, do pensamento para onão-
pensamento, da mente para a não-mente. Enquanto recolocava a espada em sua bainha,
o guerreirocompreendeu. E Hakuin disse: "Aqui se abrem as portas do paraíso." O
silêncio é a porta. A paz interior é a porta.A não-violência é a porta. O amor e a
compaixão são as portas.



39-ENERGIA
O homem com uma coroa de dedos
Ou você transforma sua energia em algo criativo ou ela irá tornar-se ácida e destrutiva.
Energia é uma coisa perigosa - se você ativer, tem que usá-la de forma criativa, caso
contrário, mais cedo ou mais tarde irá perceber que ela se tornou destrutiva.
Entãoencontre algo, o que você preferir, em que seja possível pôr sua energia. Se quiser,
pinte. Se preferir, dance ou cante, ou entãotoque um instrumento. Seja o que for que você
queira, encontre uma forma através da qual você consiga se soltarcompletamente.Se
você conseguir se soltar tocando violão, bom! Nestes momentos em que estiver solto, sua
energia será liberada de forma
criativa. Se você não conseguir se soltar através da pintura, da dança, de um violão ou de
uma flauta, então encontrará formasmais baixas de se soltar: ira, raiva, agressão. Estas
são formas rasteiras de se soltar.Gautama Buda iniciou um assassino no sannyas – e
esse não era um assassino comum. Hudolf Hess não é nadacomparado a ele. Seu nome
era Angulimal. Angulimal significa o homem que usa uma coroa de dedos humanos.Ele
havia feito um voto de que mataria mil pessoas. De cada pessoa que matasse, pegaria
um dedo para quelembrasse quantos já havia matado, e ele faria uma coroa com todos
esses dedos.Em sua coroa, já tinha 999 dedos, faltava apenas mais um. E lhe faltava
esse último dedo porque a estrada emque se encontrava estava fechada para que
ninguém passasse por lá. Mas o Buda Gautama tomou a estrada
fechada. O rei havia posto guardas para que ninguém seguisse esse caminho, sobretudo
estrangeiros que nãosabiam que havia um homem perigoso morando do outro lado das
colinas. Os guardas avisaram ao Buda que elenão deveria passar por aquela estrada,
pois era o local onde Angulimal vivia, e nem mesmo o rei tinha coragem dese aventurar
por aquela estrada, pois o homem era completamente louco.Disseram a Buda que a mãe
de Angulimal costumava ir vê-lo. Ela era a única pessoa que ia vê-lo de vez emquando,
mas até mesmo ela havia deixado de ir. Da última vez que ela tinha ido lá, ele disse a ela:
“Agora precisode apenas um último dedo, e só porque você é minha mãe... Desejo avisá-
la que, se você voltar mais uma vez,não irá retornar. Preciso desesperadamente desse
último dedo. Até agora não matei você porque havia outraspessoas à disposição, mas
agora ninguém mais passa por essa estrada a não ser você. Então quero avisá-la deque,
se vier mais uma vez, você será responsável, e não eu.” E desde então a mãe não havia
voltado. Os guardasdisseram a Buda que ele não deveria correr esse risco
desnecessário.E o que Buda respondeu a eles? Buda disse: “Se eu não for, quem irá? Só
há duas opções possíveis: ou sereicapaz de transformá-lo – e não posso deixar passar
esse desafio – ou então darei a ele o último dedo que deseja,de forma que seu desejo
seja satisfeito. Dar minha cabeça a Angulimal pelo menos terá alguma utilidade.
Docontrário, algum dia irei morrer e vocês me colocarão na pira funerária. Creio que é
melhor realizar o desejo dealguém e dar a ele paz interior. Então ele me matará ou eu o
matarei, mas esse encontro precisa acontecer:levem-me até lá.”As pessoas que
costumavam seguir o Buda Gautama, seus companheiros mais próximos, que em geral
competiampara ficar mais perto dele, começaram a diminuir o passo. Logo havia algumas
milhas entre Buda e seusdiscípulos. Todos queriam ver o que iria acontecer, mas não
queriam chegar muito perto. Angulimal estavasentado numa pedra observando. Ele não
                                                                                        476
podia acreditar no que via. Um belo homem com enorme carisma estavavindo em sua
direção. Quem poderia ser esse homem?Ele nunca ouvira falar no Buda, mas mesmo o
coração duro de Angulimal começou a sentir uma certa ternura por
ele. Era tão bonito, e estava vindo em sua direção. Era de manhã cedo, havia uma leve
brisa, o sol estava selevantando... Pássaros cantavam e as colinas estavam floridas.
Buda ia se aproximando. Finalmente, Angulimal,segurando a espada em suas mãos,
disse: “Pare!” Buda estava apenas a alguns metros, e Angulimal disse: “Nãodê nem mais
um passo, do contrário não me responsabilizarei por meus atos. Talvez você não saiba
quem sou!”Buda disse: “Você sabe quem você é?” Angulimal disse: “Não é isso que está
em questão. E esse não é o localnem a hora para discutir esse tipo de coisas. Sua vida
está em perigo!”Buda disse: “Eu penso de outra forma – a sua vida está em perigo.”O
homem disse: “Costumava pensar que eu era maluco, mas na verdade o maluco é você.
E você continua seaproximando. Então não diga que matei um homem inocente. Você
parece tão inocente e belo que gostaria quevocê voltasse. Encontrarei outra pessoa.
Posso esperar, não há pressa. Se já lidei com 999, é apenas uma questão
de tempo até encontrar mais um, mas não me force a matá-lo.Buda chegou muito perto, e
as mãos de Angulimal tremiam. Ele era tão belo, tão inocente, parecia uma criança.Ele já
estava apaixonado. Tinha matado tantas pessoas e nunca sentira essa fraqueza. Nunca
havia compreendidoo que era o amor. Pela primeira vez estava cheio de amor. Assim
havia uma contradição: a mão segurava a espadapara matar a pessoa, mas o coração
dizia: “Ponha a espada de volta na bainha.”Buda disse: “Estou pronto, mas porque sua
mão está tremendo? Você é um grande guerreiro, até o rei tem medode você, e sou um
pobre mendicante. Exceto pela tigela de esmolas, eu nada tenho. Você pode me matar e
ficareiimensamente satisfeito que pelo menos minha morte irá realizar os desejos de
alguém. Minha vida terá sido útil,minha morte também terá sido útil. Mas, antes que você
corte minha cabeça, tenho um pequeno desejo e achoque você me concederá esse
desejo antes de me matar.”Perante a morte, mesmo o mais duro inimigo está disposto a
conceder um último desejo. Angulimal disse então:“O que você quer?”
Buda disse: “Quero que você corte da árvore um galho que esteja cheio de flores. Nunca
mais verei estas flores,então quero vê-las bem de perto, sentir seu perfume e sua beleza
nesse sol da manhã, em toda sua glória.”Então Angulimal cortou com a espada um galho
inteiro cheio de flores. Antes que pudesse entregá-lo, Buda disse:“Isso era apenas
metade do desejo. A outra metade é, por favor, coloque o galho de volta na
árvore.”Angulimal disse: “Desde o início achei que você era maluco. Este é o desejo mais
louco que já ouvi. Como possocolocar esse galho de volta?”Buda disse: “Se você não
pode criar, não tem o direito de destruir. Se não pode dar vida, não tem o direito de
tirála.”Houve um momento de silêncio e transformação... A espada caiu de suas mãos.
Angulimal se jogou aos pés do
Buda Gautama e disse: “Não sei quem você é, mas seja quem for, leve-me para o mesmo
espaço em que vocêestá. Me inicie.”A essa altura os seguidores de Buda já haviam
chegado cada vez mais perto. Estavam à sua volta e, quando ele se
jogou aos pés de Buda, se aproximaram imediatamente. Alguém disse: “Não inicie esse
homem, ele é umassassino!”Buda disse mais uma vez: “se eu não o iniciar, quem o fará?
E eu amo esse homem. Amo sua coragem. E possover uma enorme potencialidade nele:
um único homem lutando contra o mundo inteiro. É esse tipo de pessoa queprocuro,
alguém que possa se levantar contra o mundo. Até agora ele enfrentou o mundo com uma
espada, agorairá enfrentar o mundo com uma consciência, o que é muito mais afiado que
qualquer espada. Eu disse a vocês que
um assassinato iria ocorrer, mas não estava claro quem seria assassinado – eu ou
Angulimal. Agora vocês podemver que Angulimal foi assassinado. E quem sou eu para
julgar?”

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40-INTEIREZA
Basta uma simples agulha ...
Nenhum homem é uma ilha, somos todos parte de um vasto continente. Há diferenças,
mas isso não nos torna separados. Avariedade torna a vida mais rica - uma parte de nós
está no Himalaia, parte nas estrelas, parte nas rosas. Uma parte de nós estáno pássaro
que voa, uma parte está no verde das árvores. Estamos espalhados por toda parte.
Experimentar isso como realidadeirá transformar toda a sua abordagem em relação à
vida, irá transformar cada um de seus atos, irá transformar seu próprio ser.Conta-se que,
na vida de um grande místico sufi chamado Farid, um rei foi visitá-lo. Ele havia levado um
presentepara ele, uma bela tesoura, feita de ouro e cravejada com diamantes – muito
valiosa, muito rara. Ele tocou nospés de Farid e deu a ele a tesoura. Farid pegou-a, olhou
para ela, e a devolveu ao rei dizendo: “Senhor, agradeçoprofundamente o presente que
você me trouxe. É lindo, mas absolutamente sem utilidade para mim. Seria melhorse você
pudesse me dar uma agulha. Não preciso de tesoura, uma agulha servirá.O rei disse: “Eu
não compreendo. Se você precisa de agulha, irá precisar de tesoura também.”Farid disse:
“Estou falando em metáforas. Não preciso de tesoura pois ela serve para cortar e separar
coisas.Preciso de uma agulha porque uma agulha junta as coisas. Eu ensino o amor.
Todo meu ensino está baseado noamor – colocar as coisas juntas, ensinar as pessoas
comunhão. Preciso de uma agulha para que possa juntar aspessoas. As tesouras são
inúteis. Elas cortam, desconectam. Da próxima vez que vier, basta trazer uma
agulhacomum.”A lógica é como uma tesoura: ela corta, divide as coisas. A mente é uma
espécie de prisma – passe um raio de luzbranca por ela e imediatamente será dividido em
sete cores. Passe qualquer coisa pela mente e você terá umadualidade. A vida e a morte
não são a vida-e-a-morte, a realidade é vidamorte. Deveria ser uma única palavra,não
duas, e nem mesmo ter um hífen entre elas. Vidamorte é um fenômeno. Amoródio é um
fenômeno.Escuridãoluz é um fenômeno. Negativopositivo é um fenômeno. No entanto, ao
passar este fenômeno únicoatravés da mente, o que é uno é imediatamente dividido em
dois. Vidamorte se torna vida e morte, não apenassão divididas, mas a morte se torna
antagônica à vida. São inimigas. Agora você pode ficar tentando fazer comque as duas se
encontrem, mas elas nunca vão se encontrar.Kipling está certo: “O Oriente é o Oriente e o
Ocidente é o Ocidente e nunca os dois irão se encontrar.“ Em termoslógicos, é verdade.
Como o Oriente pode encontrar o Ocidente? Como o Ocidente pode encontrar o Oriente?
Mas,existencialmente, não faz o menor sentido. Eles se encontram o tempo todo. Por
exemplo, se você está sentadona Índia: é Oriente ou Ocidente? Em relação a Londres,
será Oriente. Mas, em relação a Tóquio, será Ocidente.Então, o que são exatamente,
Oriente e Ocidente? Em cada ponto os dois se encontram, e ainda assim Kipling
diz:“Nunca os dois irão se encontrar”. Mas os dois estão se encontrando o tempo todo.
Não há um único ponto ondenão haja ao mesmo tempo Ocidente e Oriente e não há um
único homem no qual estes não se encontrem. Nãopode ser de outra forma: eles têm que
se encontrar – só existe uma realidade, um único céu.



41-FRACASSO
O            segredo             do           verdadeiro             sucesso
Quando a manhã é de manhã. Quando é noite, é no período da tarde. Você não pode
escolher. Abandon yte sentir livre escolha em todos os lugares: a liberdade só pode ser
encontrada na falta de escolha. Então, quando você é jovem, você muyhermoso, quando
você é criança, é muito bonito quando você está velho, é muito bonito quando você está
morrendo, está muyhermoso ... porque você nunca está separado do conjunto, uma onda
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do mar. O mismacomo onda do mar pode pensar nisso em um indivíduo e, em seguida
vêm os problemas. A onda do mar, nunca pensa que são separados, portanto, lelleve
levá-lo onde o oceano, ela é levada alegremente dançando, é muito disposto a seguir
essa canção místico Kabir dirección.Una: Eu falo para o meu amante interior e dizer Por
que a pressa? Nós sentimos que há um espírito que ama lospájaros, e animais, e as
formigas, talvez o mesmo que você fez quando você era um ser radiante em seu elvientre
mãe. É lógico que agora vai ser em torno de um órfão total? A verdade é que você deu a
si mesmo laespalda e decidiram entrar sozinho no escuro. Você está agora enredada com
os outros e ter olvidadolo já sabia, por isso tudo que você tem algum bug estranho. As
coisas acontecem quando tem que acontecer, as coisas vão acontecer quando eles
acontecem. Todos VABIAN, basta confiar. Lembre-se da diferença. O teólogo dirá: "Crê
no conceito de Deus." O diceque místico não precisa acreditar no conceito de Deus,
apenas sentir a harmonia da existência. Unconcepto Não, não é uma crença: você pode
sentir isso, é tudo partes.Casi é tangible.En quando você pensa que é um todo com o
relaxamento ocorre; tem lugarun interrupção abrupta. Não há necessidade de prender-se
que você pode relaxar. Não há necessidade de tensoporque você não tem para obter
qualquer objetivo pessoal específica. Fluxo com Deus. Objetivo de Deus é tuobjetivo, seu
destino é o seu destino. Você não tem um destino destino privado privado cria problemas.
Você não viu na sua vida? Qualquer que seja tarefa que para o fracasso. E ainda não
vêem a questão: você acha que fez o que deveria ter feito e você não poreso. Depois de
pensar que você é inteligente o bastante, mas depois você se exercita há mais afracasar.
E então penso: 'Todo mundo está contra mim "ou" o destino está contra mim "ou" Eu sou
uma vítima de pessoas Delos ciúme. " Continue a encontrar explicações para suas falhas,
mas nunca dar a sua real raíz.Kabir diz não significa que você-se-Deus. Esse é o
entendimento do Kabir. Falha iguala-menos-lhe Deus, você yéxito iguala-mais-Deus. E
lembre-se, quando eu digo "Deus" não me refiro uma pessoa sentada lá em cima, insome
lugar no céu, mas o espírito cósmico. Sinta o espírito cósmico, o Tao, a lei laexistencia
interpenetrando     todos     os    que     nasceram     e    um     dia    retornar.



42-PREOCUPAÇÃO
A velha senhora no ônibus
Você já notou uma coisa? O presente é sempre saboroso, o presente é sempre um
êxtase. Preocupação e sofrimento sãogerados tanto pelo que você queria fazer no
passado e não pôde, ou pelo que você quer fazer no futuro e não sabe se será capazde
fazê-lo ou não. Você já parou para pensar, já prestou atenção nessa pequena verdade, de
que não há qualquer sofrimento nopresente, nenhuma preocupação?É por isso que o
presente não perturba a mente – é a ansiedade que perturba a mente. Não há sofrimento
no presente. Opresente não conhece o sofrimento, o presente é um momento tão
pequeno que o sofrimento não tem como caber nele. Nopresente só cabe o paraíso, não
inferno. O inferno é grande demais! O presente só pode ser paz, só pode ser
felicidade.Ouvi dizer que uma velha senhora estava viajando de ônibus e estava muito
ansiosa, preocupada, perguntandocontinuamente que parada era essa. O passageiro que
havia sentado ao lado dela disse: “Relaxe, não sepreocupe. O motorista irá anunciar cada
parada, e se você estiver muito preocupada eu o chamarei aqui. Você
pode dizer a ele onde quer descer, assim ele fica avisado. E você pode relaxar!”
Ele chamou o condutor e a mulher disse: “Por favor, lembre-se, eu não posso perder
minha parada. Preciso chegarcom muita urgência.”O condutor disse: “Está bem, eu
prestarei atenção, embora mesmo sem o seu pedido, eu iria anunciar cada
parada, mas tomarei cuidado e virei até você e lhe avisarei quando sua parada chegar.
Relaxe, não se preocupecom isso!”Ela estava transpirando e tremendo, parecia tão tensa.
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Então ela disse: “Certo, preste atenção, preciso descer noponto final.”Ora, se era no
ponto final, porque preocupar-se? Como você poderia deixar passar o ponto final? Não há
comoperdê-lo! No momento em que você descansa, na hora que relaxa, você sabe que a
existência já está emmovimento, buscando algo maior, picos mais altos. E você é parte
disso. Não precisa ter ambições distintas.Isso é relaxamento: descansar, deixar de lado
todos os objetivos pessoais, deixar de lado a mente que desejaalcançar metas, todas as
projeções do ego. E assim a vida torna-se um mistério. Seus olhos ficarão
maravilhados,seu coração pleno de admiração.Não iremos nos tornar algo – nós já somos
algo. Essa é a essência da mensagem daqueles que despertaram: quevocê não tem que
alcançar coisa alguma, isso já lhe foi dado. É o presente de Deus. Você já está onde
deveriaestar, nem poderia ser diferente, você não pode




43-PROJEÇÃO DE VONTADES
A parábola da árvore dos desejos
Aquele que pensa é criativo com seus pensamentos - essa é uma das verdades mais
fundamentais a ser compreendida. Tudoaquilo que você vivencia é sua criação. Primeiro
você cria, então você a vivencia, depois você fica preso na experiência - porquenão sabe
da fonte de tudo que existe em você.Uma vez um homem estava viajando e, entrou
acidentalmente no paraíso. No conceito indiano de paraíso, háárvores que realizam
desejos, as Kalpatarus. Basta sentar-se debaixo delas, desejar alguma coisa,
eimediatamente seu desejo é realizado – não há qualquer intervalo entre o desejo e a
realização. Você pensa eimediatamente ele se torna em algo concreto: o pensamento se
realiza automaticamente. Essas Kalpatarus nadamais são que uma simbologia para a
mente. A mente é criativa, criativa com seus pensamentos.O homem estava cansado,
assim ele adormeceu debaixo de uma árvore dos desejos. Quando ele acordou, estavase
sentido muito faminto, então disse, “Gostaria de conseguir comida em algum lugar”. E
imediatamente a comidaapareceu do nada – flutuando à sua frente, uma comida
deliciosa. Ele começou a comer e, quando estava sesentindo satisfeito, outro pensamento
surgiu nele: “Se pudesse conseguir algo para beber...” E nada é proibido noparaíso, então
imediatamente, um precioso vinho apareceu.Bebendo vinho, relaxando na brisa fresca do
paraíso na sombra da árvore, ele começou a imaginar: “O que estáacontecendo? Fui
parar dentro de um sonho ou há fantasmas aqui me pregando peças?” Então
apareceramfantasmas! eram ferozes, terríveis, nauseantes. Ele começou a tremer, e
pensou: “Agora estou certo de que voumorrer. Esses fantasmas vão me matar”. E ele foi
morto.Essa parábola é muito antiga, de imenso significado. Sua mente é uma árvore dos
desejos; o que você imaginarserá realizado mais cedo ou mais tarde. Às vezes a demora
é tão longa que você já esqueceu completamente quehavia desejado algo tempos atrás.
Algumas vezes a demora é de alguns anos, ou de algumas vidas, então vocênão
consegue perceber a fonte. No entanto, se você olhar bem fundo, irá descobrir que seus
desejos estão criandovocê e sua vida. Eles criam seu inferno, criam ser paraíso. Criam
sua miséria, criam sua felicidade. Criam onegativo e o positivo. Todos vocês são mágicos,
girando e tecendo num mundo mágico em volta de si mesmos, e
depois ficando presos nisso – a aranha presa na própria teia.Uma vez que isso tenha sido
compreendido, as coisas começam a mudar. Então você pode brincar: você
podetransformar seu inferno num paraíso, é apenas uma questão de desenhá-lo a partir
de uma visão diferente. Ou sevocê estiver realmente apaixonado pela infelicidade, pode
criar mais e mais, até que seu coração fique cheio dela.Mas assim, você nunca irá se
queixar, porque sabe que é sua própria criação, é sua pintura, você não pode fazercom
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que ninguém se sinta responsável por isso. Então toda a responsabilidade é sua.Surge
então uma nova possibilidade: você pode deixar de criar o mundo, pode parar com isso.
Não é necessáriocriar o paraíso e o inferno, não há necessidade alguma de criar. Aquele
que cria pode ir relaxar, repousar. Esserepouso da mente é a meditação.




44-DESEJO
A Tigela de Esmolas Mágica
Quando você deseja algo, sua alegria depende disso. Se esta for retirada de você, você
se sente miserável. Se for dada a você,você ficará feliz, mas só por uns momentos. Isso
também precisa ser compreendido. Sempre que seu desejo é realizado, ele o éapenas
naquele momento em que você sente o prazer. É passageiro, pois assim que você
conseguir o que queria, sua mente
novamente começa a desejar mais, desejar outras coisas.A mente existe no ato de
desejar e, portanto, a mente nunca pode deixá-lo sem desejos. Se você não estiver
desejando nada, amente morre imediatamente. Esse é todo o segredo da meditação.Um
mendigo bate à porta do palácio do imperador de manhã cedo. O imperador estava
saindo para passear peloseu lindo jardim e não havia nenhum guarda com ele para
impedir a aproximação do pedinte.O imperador disse: “O que você quer?” O mendigo
respondeu: “Antes de perguntar isso, pense duas vezes!” Oimperador nunca tinha visto
um homem tão valente. O imperador havia lutado em guerras, obtido vitórias,
haviadeixado claro que ninguém era mais poderoso do que ele, mas, subitamente, esse
pedinte lhe dizia: “Pense duasvezes naquilo que está dizendo, pois você talvez não seja
capaz de realizá-lo.”O rei disse: “Não se preocupe, isso é problema meu. Diga apenas o
que quer e será feito!”O mendigo disse: “Você vê minha tigela de esmolas? Quero que ela
seja preenchida! Não importa com o quê, aúnica condição é que ela fique cheia. Você
ainda pode dizer não, mas se disser sim, estará correndo um risco.”
O imperador riu. Só uma tigela de esmolas!... e o mendigo pedia para ele ter cuidado? Ele
ordenou a seu primeiroministroque enchesse a tigela com diamantes, para que esse
mendigo soubesse com quem ele estava falando.O mendigo disse novamente: “Pense
duas vezes.” E logo ficou claro que o mendigo estava certo, pois no instanteem que os
diamantes foram colocados na tigela de esmolas, simplesmente desapareceram!Os
boatos se espalharam rapidamente pela região. Milhares de pessoas vieram para ver o
fenômeno. Quando aspedras preciosas acabaram, o rei disse: “Tragam todo o ouro e
prata, tragam tudo! Todo meu reino, toda minhaintegridade está em jogo.” Mas no final da
tarde tudo havia desaparecido e sobraram somente dois pedintes. Um
deles era o imperador.O imperador disse: “Antes que lhe peça perdão por não ter
escutado seu aviso, por favor, me diga o segredo dessatigela de esmolas.”O mendigo
disse: “Não há nenhum segredo. Eu a poli, fiz com que se parecesse com um prato, mas
é um crâniohumano. Você pode colocar o que quiser aí dentro que irá desaparecer.”Essa
história é significativa. Você já parou para pensar na sua própria tigela de esmolas? Tudo
some: poder,prestígio, respeito, riquezas. Tudo isso desaparece e sua tigela de esmolas
continua abrindo a boca e pedindomais. E esse ‘mais’ o tira daqui. Esse desejo lhe afasta
desse momento.Há somente dois tipos de pessoas no mundo: a maioria corre atrás de
sombras e suas tigelas de esmolaspermanecerão vazias até que eles entrem em seus
túmulos. Uma minoria bem pequena, uma pessoa em cadamilhão, pára de correr, põe de
lado todos os desejos, não pede mais nada. E subitamente encontra tudo dentro desi.



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45-VIVENDO PLENAMENTE
Alexandre o grande encontra-se com Diógenes
Aqueles que dizem estar esperando por uma oportunidade estão sendo enganados, e não
estão enganando ninguém a não sereles mesmos. A oportunidade não irá surgir amanhã.
Ela já chegou, steve sempre presente. Esteve presente mesmo quandovocê não estava
aqui. A existência é uma oportunidade. Ser é a oportunidade. Não diga: "Amanhã irei
meditar, amanhã ireiamar, amanhã irei ter uma relação radiante com a existência." Por
que amanhã? O amanhã nunca chega. Por que não agora? Porque adiar? O adiamento é
um truque da mente: faz com que você continue cheio de esperanças, e enquanto isso a
oportunidadeestá escapando de você. E, no final, você chegará ao derradeiro destino - a
morte - e não haverá mais oportunidades àdisposição. Isso já aconteceu muitas vezes no
passado. Você não é novo aqui. Você já nasceu e morreu muitas vezes. E, a cadavez, a
mente usou o mesmo truque, e você ainda não aprendeu.Quando Alexandre o Grande
estava indo para a Índia, encontrou um homem estranho, Diógenes. Era uma manhãde
inverno, uma brisa refrescante soprava e Diógenes estava deitado à margem do rio,
tomando um banho de sol,nu. Era um belo homem. Quando a alma é bela, surge uma
beleza que não é desse mundo. Ele nada tinha, nemmesmo uma tijela de esmolas,
porque um dia ele estava indo para o rio com sua tijela de esmolas para beberágua
quando viu um cachorro correndo para o rio. O cachorro pulou no rio e bebeu. Então
Diógenes riu e pensou:“Esse cachorro me ensinou algo. Se ele pode viver sem um prato
de esmolas, porque também não posso?” Entãodesfez-se da sua tijela de esmolas e fez
como o cachorro: pulou no rio e começou a beber. Desde então não tevemais nada.
Alexandre nunca tinha visto alguém tão gracioso, de tamanha beleza, algo que vinha de
uma fontedesconhecida… Ele estava impressionado e disse: “Senhor…” Ele nunca havia
dito “Senhor” para ninguém em suavida – “estou muito impressionado com o seu ser e
gostaria de fazer algo por você. Há algo que eu possa fazerpor você?” Diógenes disse:
Apenas chegue um pouco para o lado pois você está tapando o sol. Só isso. Nãopreciso
de mais nada.” Alexandre disse: “Se eu tiver outra chance de voltar à terra, pedirei a Deus
que, em vez deme fazer Alexandre de novo, me faça Diógenes.” Diógenes riu e disse:
“Quem o impede de fazer isso agora? Vocêpode tornar-se um Diógenes. Para onde está
indo? Durante meses vi exércitos se movendo por toda parte. Paraonde você está indo e
por que? Alexandre disse: “Estou indo para a Índia, para conquistar o mundo inteiro.”
“Edepois disso, o que você fará?, perguntou Diógenes. E Alexandre disse: “Então irei
descansar.” Diógenes riunovamente e disse: “Você está louco! Estou descansando agora
mesmo e não conquistei o mundo. Não vejo qual anecessidade disso. Quem lhe disse
que, antes de descansar, precisava conquistar o mundo? E lhe digo outra coisa:se você
não descansar agora, nunca o fará. Sempre haverá mais alguma coisa para ser
conquistada, e o tempopassa rápido. Você irá morrer no meio de sua jornada. Todos
morrem no maio da jornada.” E Alexandre morreu nomeio: morreu no caminho, quando
voltava da Índia. E nesse dia lembrou-se de Diógenes. Apenas Diógenes estavaem sua
mente – ele nunca pôde descansar em sua vida, e aquele homem descansou.




46- A BUSCA
À Procura da Morada de Deus
Reúna toda sua coragem e mude tudo. Você continuará existindo, mas de uma forma tão
nova que não conseguirá conectá-lacom a antiga. Haverá uma descontinuidade. A velha
era tão pequena, tão baixa, tão mesquinha, e a nova é tão vasta. A partir deuma gota de
orvalho, você tornou-se um oceano. Porém, mesmo a gota de orvalho caindo da folha de
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lótus treme por uminstante, tenta se segurar um pouco mais, porque pode ver o oceano...
Uma vez que tiver caído da folha de lótus, estaráacabada. Sim, de certa forma não
existirá mais, pelo menos não como gota de orvalho. Mas não será uma perda. Terá se
tornadooceânica. E todos os outros oceanos são limitados. Apenas o oceano da
existência é ilimitado.Falei muitas vezes sobre um lindo poema de Rabindranath Tagore.
O poeta está à procura de Deus durantemilhões de vidas. Ele o viu algumas vezes, longe,
ao lado de uma estrela, e começou a mover-se nessa direção,mas, quando chegou à
estrela, Deus havia se deslocado para outro lugar. Ainda assim continuou a procurar -
eleestava realmente determinado a encontrar a morada de Deus - e, para sua grande
surpresa, um dia encontrouuma casa em cuja porta estava escrito: "Morada de Deus."
Você pode imaginar seu contentamento, seu êxtase.Subiu correndo os degraus e, na hora
em que ia bater na porta, sua mão ficou paralisada. Pensou: “Se essa formesmo a
morada de Deus, então estou acabado, minha busca terminou. Me identifiquei com essa
busca, não hánada mais que eu conheça. Se a porta abrir e eu estiver diante de Deus, a
busca terá terminado. O que fareidepois?” Começou a tremer de medo, tirou os sapatos e
desceu de volta os magníficos degraus de mármore. Seumedo era de que Deus abrisse a
porta, mesmo sem que ele tivesse batido. Depois começou a correr o mais rápidoque
pôde. Achava que estivera correndo atrás de Deus o mais rápido possível, mas nesse dia
correu ainda mais, enunca olhou para trás. O poema termina assim: “Estou em busca de
Deus. Conheço sua morada, então evitopassar por perto e procuro em todos os outros
lugares. Há uma grande excitação, um grande desafio, e em minhabusca continuo a
existir. Deus é um perigo – eu seria aniquilado. Mas agora não tenho mais medo nem de
Deus,pois sei onde ele mora. Então, deixando sua casa de lado, posso continuar
procurando por ele em todo o universo.Lá no fundo sei que não é Deus que busco. Minha
busca serve para alimentar meu ego.” Geralmente não seassocia Rabindranath Tagore
com religião. Mas apenas um homem religioso extremamente experiente poderia
terescrito esse poema. Não é um poema qualquer, ele contém uma grande verdade. Essa
é a situação: o êxtase nãopermite que você exista, você tem que desaparecer. É por isso
que você não vê muitas pessoas em êxtase pelomundo. A infelicidade alimenta seu ego,
e é por isso que há tantas pessoas infelizes no mundo. O ponto central ebásico é o ego.
Para atingir a verdade suprema, você precisa pagar o preço. E o preço nada mais é que
sedesfazer do ego. Então, quando você encontrar um momento assim, não hesite:
desapareça, dançando. Com umagrande risada, desapareça. Com canções em seus
lábios, desapareça.


47-ESPERANÇA
Perdido na selva
A alegria do amor só é possível se você tiver conhecido a alegria de estar sozinho, porque
só então você terá algo paracompartilhar. De outra forma, serão dois mendigos se
encontrando, agarrando-se um ao outro, mas não poderão obter o êxtase.Criarão
infelicidade para ambos, porque cada um irá esperar em vão, que o outro o preencha. O
outro está esperando a mesmacoisa. Não podem se completar. Ambos estão cegos, não
podem ajudar um ao outro.Ouvi contar de um caçador que se perdeu na selva. Por três
dias ele não conseguiu encontrar ninguém paraperguntar pelo caminho de volta, e ele
estava ficando cada vez mais assustado, entrando em pânico - três diassem comer e com
um medo constante de animais selvagens. Por três dias ele não foi capaz de dormir; ele
ficavasentado acordado em alguma árvore, com receio de ser atacado. Havia cobras,
leões, e outros animais selvagens.No quarto dia de manhã cedo, ele viu um homem
sentado debaixo de uma árvore. Você pode imaginar suaalegria. Ele correu, abraçou o
homem, e disse: "Que alegria!" e o outro homem também o abraçou, e ambosestavam
imensamente felizes. Depois eles perguntaram um ao outro, "Por que você está tão
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contente?"O primeiro disse, "Eu estava perdido e esperava encontrar alguém." E o outro
disse: "Eu também estou perdido eesperava encontrar alguém. Mas se ambos estamos
perdidos então nossa felicidade é pura tolice. Agora stamosperdidos juntos!"É isso que
acontece: você está sozinho, a outra pessoa está sozinha. Então vocês se encontram.
Primeiro há a luade-mel, o êxtase do encontro, o êxtase por não estarem mais sozinhos.
Mas dentro de três dias ou, se você forinteligente o bastante, dentro de três horas...
depende de quão inteligente você for. Se for tolo, irá levar maistempo pois pessoas tolas
são aquelas que não aprendem. Caso contrário, uma pessoa inteligente pode perceberem
três minutos... "O que estamos tentando fazer? Não vai funcionar. Essa outra pessoa está
tão sozinha quantoeu. Agora iremos viver juntos, serão duas solidões juntas. Juntar duas
feridas não faz com que elas se curem."Cada um de nós é parte dos outros, nenhum
homem é uma ilha. Pertencemos a um continente invisível poréminfinito. Nossa existência
não possui limites.Contudo, essas experiências só são vividas pelas pessoas que estão
se aperfeiçoando, que estão em um estado deamor tão grande consigo mesmas que
podem fechar os olhos, ficar sozinhas e ainda assim em êxtase absoluto.Essa é a
essência da meditação.Meditação significa estar em êxtase dentro da sua solidão. Mas,
quando você encontra o êxtase em sua solidão,logo esse êxtase se torna tão grande que
você não pode contê-lo. Começa a transbordar de você. E quandocomeça a transbordar,
torna-se amor. A meditação permite que o amor surja. E as pessoas que não conheceram
ameditação jamais conhecerão o amor. Podem fingir que amam, mas não podem amar de
fato. Apenas fingem,porque não têm nada para dar, não estão transbordantes. Amar é
compartilhar. Mas antes que você possacompartilhar, você precisa ter algo para dar. A
meditação deveria ser a primeira coisa. A meditação é o centro, oamor é a circunferência
em torno dela. A meditação é a flor, o amor é o perfume.




48-DESAFIO
A parábola do fazendeiro e do trigo
Miséria significa que as coisas não estão de acordo com seus desejos. E as coisas nunca
estão de acordo com seus desejos, nãopodem estar. As coisas apenas vão seguindo sua
natureza.Lao Tsu chama essa natureza de Tao. O Buda chama essa natureza de
Dhamma. Mahavir definiu a religião como "a natureza dascoisas". Nada pode ser perfeito.
O fogo é quente e a água é fresca. Um homem sábio é aquele que relaxa em ação em
relação ànatureza das coisas, aquele que segue a natureza das coisas.E quando você
segue a natureza das coisas, não há sombras a seu redor. Não há infelicidade. Mesmo a
tristeza é luminosa nessecaso, mesmo a tristeza é bela. Não digo que não haverá tristeza:
ela virá, mas não será sua inimiga. Você será capaz de ver suagraça e será capaz de ver
por que está lá e por que é necessária.Me contaram uma antiga parábola - deve ser bem
antiga, porque Deus vivia na terra nessa época. Um dia umhomem foi até ele, um velho
fazendeiro, e disse: "Olhe, você pode ser Deus e pode ter criado o mundo, mas devolhe
dizer uma coisa: você não é um fazendeiro. Você nem sabe o básico sobre fazendas.
Deus disse: "Qual o seuconselho?" O fazendeiro respondeu: Me dê um ano, me deixe
fazer as coisas do meu jeito e você verá o que vaiacontecer. Não haverá mais
pobreza!"Deus estava disposto a tentar e deu um ano para o fazendeiro. Naturalmente,
este pediu apenas o melhor, sópensou no melhor: sem trovões, sem fortes ventanias,
sem perigos para as plantações. Tudo era muito
confortável, acolhedor, e ele estava muito feliz. O trigo estava crescendo muito! Quando
ele queria sol, havia sol.Quando ele queria chuva, havia chuva, e tanta chuva quanto ele
achasse necessário. Nesse ano tudo estevecorreto, matematicamente correto.Mas,
quando foi feita a colheita, não havia grãos de trigo dentro. O fazendeiro ficou surpreso e
                                                                                        484
perguntou a Deus oque havia acontecido, o que havia saído errado.Deus disse: "Como
não houve dificuldades nem conflitos, nenhum atrito, como você evitou tudo aquilo que
podiaser ruim, o trigo se tornou impotente. É necessário que haja alguma dificuldade. As
tempestades, os trovões, osraios, todos eles são necessários. Eles fazem com que a
alma do trigo se mobilize."Se você está apenas feliz, feliz e feliz, a felicidade irá perder
todo o seu sentido. Será como alguém que escrevecom giz branco sobre uma parede
branca. Ninguém será capaz de ler o que foi escrito. É preciso escrever em um
quadro-negro para que as coisas se tornem claras. A noite é tão necessária quanto o dia.
E os dias de tristeza sãotão essenciais quanto os de alegria. Chamo isso de
compreensão. Uma vez que você tenha entendido isso, poderelaxar: nesse relaxamento
estará a entrega. Você dirá: "Seja feita a vossa vontade." Você dirá: "Faça o que
acharmais correto. Se hoje forem necessárias nuvens, que venham nuvens. Não me
ouça, minha compreensão élimitada. O que sei sobre a vida e seus segredos? Não me
ouça! Continue agindo de acordo com a sua vontade."Então, lentamente, quanto mais
você perceber o ritmo da vida, o ritmo da dualidade, o ritmo da polaridade, maisirá parar
de pedir, de escolher.Esse é o segredo. Viva com este segredo e veja a beleza. Viva com
este segredo e subitamente você serásurpreendido: como é grande a bênção da vida!
Quanto é despejado sobre você a cada momento!



49-AMOR
O desafio do rei a seus três filhosA semente nunca está em perigo, lembre-se disso. Que
perigo haveria para a semente? Ela está completamente protegida. Mas aplanta está
sempre em perigo, a planta é muito delicada. A semente é como uma rocha, dura,
protegida por uma crosta grossa.Mas a planta precisa enfrentar mil e um perigos. E nem
todas as plantas atingirão o estágio em que poderão florescer em mil euma
flores...Poucos seres humanos atingem o segundo estágio e, desses, muito poucos
atingem o terceiro, o estágio da flor. Por que nãopodem atingir o estágio da flor? Por
causa da ganância, por causa da miséria, não estão prontos para dividir... por causa de
umestado em que há falta de amor. É necessário coragem para tornar-se uma planta, e é
necessário amor para tornar-se uma flor.Uma flor significa que a árvore está abrindo seu
coração, liberando seu perfume, oferecendo sua alma, vertendo seu ser naexistência.
Não continue sendo apenas uma semente. Reúna coragem: coragem para deixar para
trás o ego, coragem paradeixar para trás sua segurança, coragem para se tornar
vulnerável.Um grande rei tinha três filhos e queria escolher um para seu herdeiro. Era
muito difícil, pois os três eram muitointeligentes, muito corajosos. Qual deles escolher?
Então perguntou a um grande sábio, e o sábio sugeriu umacoisa...O rei foi para casa e
pediu que os três filhos se reunissem. Deu a cada um deles um saco de sementes de
flores edisse a eles que estava partindo em uma peregrinação. "Levará alguns anos,
talvez dois ou três, talvez até mais.Esse é um teste para vocês. Vocês terão que devolver
essas sementes quando eu voltar. Aquele que as protegermelhor será meu herdeiro." E
partiu.O primeiro filho trancou as sementes em um cofre de ferro, pois quando o pai
voltasse poderia devolvê-las nomesmo estado.O segundo filho pensou: "Se eu as trancar,
as sementes irão morrer. Meu pai pode argumentar que nos deusementes vivas, que
poderiam crescer, e que agora estavam mortas e não poderiam mais gerar flores." Então
foiao mercado, vendeu as sementes e guardou o dinheiro. Pensou: "Quando meu pai
retornar, irei ao mercado,comprarei novas sementes e darei a ele sementes melhores que
as primeiras."O terceiro, contudo, encontrou melhor solução. Voltou ao jardim e espalhou
as sementes em vários lugares.Três anos depois, quando o pai retornou, o primeiro filho
abriu o cofre. As sementes estavam mortas, apodrecidas.O pai lhe perguntou: "O que é
isso? Foram estas as sementes que lhe dei? Elas podiam florescer e liberar
                                                                                         485
docesaromas, mas suas sementes estão fedendo. Estas não são as minhas
sementes."Foi procurar o segundo filho. Ele correu até o mercado, comprou sementes,
voltou para casa e disse: "Aqui estãoas sementes." O pai lhe respondeu: Você se saiu
melhor do que o primeiro, mas não foi tão bom quanto eu teriadesejado."Então foi
procurar o terceiro. Tinha grande esperança, mas também medo: "O que ele terá feito?" E
o terceiro filholevou-o ao jardim, onde havia milhares de plantas florescendo, flores por
toda parte. E o filho disse: "Estas são assementes que você me deu. Em breve irei colher
as sementes e as darei de volta a você." O pai disse então: "Vocêé o meu herdeiro. É
assim que se deve proceder com sementes."



50-COMPAIXÃO
Jesus e os mercadores
As pessoas vêm até mim e perguntam: "O que é certo e o que é errado?" Eu digo:
"Percepção é certo e não-percepção é errado."Não rotulo as ações como certas ou
erradas. Não digo que a violência é errada. Algumas vezes a violência pode ser certa.
Nãodigo que o amor é certo. Algumas vezes o amor pode ser errado. O amor pode ser
dirigido à pessoa errada, pode ter motivoserrados. Uma pessoa diz que ama sua nação.
Isso é errado, pois o nacionalismo é uma praga. Outra pessoa diz que ama suareligião.
Essa pessoa pode matar, assassinar, incendiar os templos de outras pessoas. O amor
nem sempre está certo, e a raivanem sempre está errada.Então o que é certo e o que é
errado? Para mim, a percepção é o certo. Se você estiver com raiva, mas em total
percepção, até araiva estará certa. E se você estiver amando sem percepção, mesmo o
amor estará errado. Assim deixe a qualidade dapercepção estar presente em todos os
seus atos, em cada pensamento, em cada sonho que você tem. Deixe que a qualidade
dapercepção penetre cada vez mais em seu ser. Banhe-se na qualidade da percepção.
Então qualquer coisa que você fizer seráuma virtude. Então qualquer coisa que você fizer
será uma bênção para você e para o mundo em que vive.Deixe-me lembrá-lo de uma
situação que ocorreu durante a vida de Jesus. Ele pegou um chicote e entrou nogrande
templo de Jerusalém. Um chicote nas mãos de Jesus? Era isso que Buda queria dizer
quando falou: "Umamão sem feridas pode segurar veneno." Sim, Jesus pode usar um
chicote, não há problema nisso, pois o chicotenão tomará conta dele. Ele permanece
alerta, tamanha é sua consciência.O grande templo de Jerusalém havia se tornado um
abrigo de ladrões. Havia mercadores dentro do templo e elesestavam explorando todo o
país. Jesus entrou sozinho no templo e revirou as bancas de mercadorias, jogou todasas
mercadorias no chão e criou tamanha balbúrdia que os mercadores saíram do templo.
Eles eram muitos e Jesusestava sozinho, mas ele estava tão cheio de fúria, tão irritado!
Isso se tornou um problema para os cristãos: como explicar seus atos? Porque todo o
esforço dos cristãos temsido para provar que Jesus é como uma pomba, um símbolo de
paz. Como ele poderia usar um chicote? Como
poderia estar tão furioso, tão enraivecido, a ponto de revirar as bancas dos mercadores e
expulsá-los do templo? Edeveria estar possesso, do contrário teria sido dominado, pois
estava só.Sua energia deve ter sido tempestuosa, os outros não podiam enfrentá-lo. Os
sacerdotes e os mercadores fugiramgritando, dizendo que aquele homem estava
louco.Os cristãos evitam esta história. Mas não há porque evitá-la se você compreender
isso: Jesus é completamenteinocente! ele não é a raiva, ele é a compaixão. Ele não é
violência ou destruição, ele é amor. O chicote em suasmãos é o chicote nas mãos do
amor, da compaixão.Um homem que possui percepção age a partir de sua percepção, e
por isso não há arrependimento: sua ação éplena. E uma das belezas de uma ação plena
é que ela não cria um carma, não cria nada. Na verdade, não deixanenhuma marca em
você. É como escrever na água: antes mesmo que você tenha terminado... já se foi. Não
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énem como escrever na areia, pois essa escrita pode permanecer por algumas horas, se
o vento não soprar - écomo escrever na água.Se você puder estar completamente alerta,
então não haverá problemas. Você pode segurar veneno: então oveneno irá funcionar
como um remédio. nas mãos de um sábio, o veneno se torna remédio. Nas mãos de um
tolo,mesmo remédio, mesmo um néctar irá se tornar veneno. Se você agir partindo da
inocência - não doconhecimento, mas da inocência de uma criança - então jamais poderá
gerar qualquer mal, porque não deixarámarcas. Você permanecerá livre para agir. Você
viverá plenamente e nenhuma ação pesará sobre você.



52-ARREPENDIMENTO
Quando Shibli jogou a rosa
Se você fez algo de errado, vá falar com a pessoa a quem você ofendeu. Seja humilde,
peça seu perdão. Apenas essa pessoapoderá lhe perdoar, ninguém mais. E lembre-se de
que esse é o significado da palavra "pecado": esquecimento. A partir deagora, não se
esqueça mais, não volte a cometer o mesmo erro, pois do contrário seu pedido de
desculpas perde seu sentido.A partir de agora seja mais cuidadoso, esteja alerta, seja
consciente. Lembre-se de não repetir os mesmos erros: você devedecidir isso dentro de
você e então estará de fato arrependido.O arrependimento pode se tornar um fenômeno
muito, muito profundo se você compreender a responsabilidade. Neste caso,mesmo uma
pequena coisa, se ela se tornar um arrependimento - não apenas verbal, não apenas na
superfície - se ela entrarfundo em suas raízes, se você se arrepender a partir dessas
raízes. Se todo o seu ser se agitar, tremer e gritar, e saíremlágrimas, não somente de
seus olhos, mas de cada célula de seu corpo, então o arrependimento pode se tornar
umatransfiguração.A primeira vez que o nome de Shibli tornou-se conhecido foi quando
Mansur al-Hillaj estava sendo assassinado.Muitas pessoas já foram assassinadas no
passado por outras pessoas que se diziam religiosas - Jesus foi
assassinado - mas nunca houve um assassinato como o que ocorreu com al-Hillaj.
Primeiro cortaram suas pernas - ele ainda estava vivo - depois suas mãos. Então sua
língua foi cortada e seusolhos arrancados - e ele continuava vivo. Foi cortado em
pedaços. E qual foi o crime que Mansur cometeu? Elehavia dito: "An'al Hak." Significa "eu
sou a verdade, eu sou Deus". Todos os seers do Upanishad declaram isso,"Alam
Brahmasmi" - eu sou Brahma, o Ser supremo". Mas os maometanos não podiam tolerar
isso.Mansur é um dos grandes sufis. Quando começaram a cortar suas mãos, ele olhou
para o céu, rezou para deus edisse: "Você não pode me enganar! Posso vê-lo presente
em cada uma dessas pessoas aqui. Você está tentandome enganar? Veio como o
assassino, como o inimigo? Não importa, eu lhe digo, qualquer que seja a forma em
quevocê venha, eu o reconheço - porque o reconheci dentro de mim mesmo. Agora já não
é possível me enganar."Shibli era um companheiro, um amigo de al-Hillaj. As pessoas
estavam jogando pedras e lama em sinal dedespeito, mas Shibli permanecia ali. Mansur
ria e sorria. Subitamente ele começou a chorar, porque Shibli haviajogado uma rosa para
ele. Alguém perguntou: "Qual é seu problema? Quando jogam pedras, ri - você
ficoumaluco? E Shibli lhe atirou apenas uma rosa, por que você está chorando?"
Mansur disse: "As pessoas que estão jogando pedras não sabem o que fazem, mas Shibli
sabe. Para ele será difícilobter o perdão de Deus. Os outros serão perdoados porque
estão agindo em total ignorância, não podem agir deoutra forma. Em sua cegueira, isso é
tudo que podem fazer. Mas Shibli é um homem que sabe. É por isso queestou chorando
por ele. É o único homem aqui que está cometendo um pecado."E o que Mansur falou
mudou a vida de Shibli completamente. Ele jogou fora o Alcorão, as escrituras e disse:
Elesnem mesmo puderam me fazer entender isso: todo conhecimento é inútil.Agora irei
procurar o conhecimento adequado." E mais tarde, quando lhe perguntaram por que havia
                                                                                      487
atirado a flor,Shibli respondeu: "Tive medo da multidão. Se não jogasse nada, poderiam
pensar que eu pertencia ao grupo deMansur. Poderiam se tornar violentos também em
relação a mim. Joguei a flor, era apenas uma soluçãointermediária. Mansur estava certo,
ele chorou por meu medo, minha covardia. Chorou porque eu compactuei coma
multidão."Mas Shibli entendeu, e o choro de mansur tornou-se uma transformação.



51-ABANDONANDO O PASSADO
Deixe que os mortos enterrem os mortos
Reúna coragem, pois a jornada já começou. Mesmo se você voltar, não irá encontrar a
mesma praia outra vez. Mesmo se vocêvoltar, os velhos brinquedos não o ajudarão em
nada, você já não tem o que fazer com eles, pois saberá que são brinquedos.Agora aquilo
que é real deve ser encontrado, deve ser pesquisado. E não está muito longe: está dentro
de você.Um homem que vive de acordo com o passado certamente irá encontrar tédio,
falta de sentido e uma espécie deangústia: "O que estou fazendo aqui? Por que continuo
a viver? O que há no amanhã? Outra repetição do dia dehoje? E tudo que houve hoje foi
uma repetição de ontem." Então qual é o sentido? Por que ficar se arrastando doberço até
a sepultura, cumprindo a mesma rotina?Isso pode ser bom para búfalos ou asnos, porque
eles não têm uma memória do passado, não têm qualquer idéiasobre o futuro. Eles não
ficam entediados, porque é necessário uma certa consciência para que haja tédio.
Essaconsciência percebe que você já fez isso antes, que está fazendo de novo e que o
fará mais uma vez amanhã,porque você não sai do passado, não deixa que ele morra,
você o mantém vivo. Esse é o dilema que todosencontram na vida e a única solução é
deixar o passado morrer.Há uma linda história na vida de Jesus. Ele chegou a um lago,
cedo pela manhã, antes que o sol nascesse. Umpescador ia jogar sua rede no lago,
quando Jesus colocou sua mão no ombro do pescador e disse: "Durantequanto tempo
você vai fazer essa mesma coisa, todos os dias - manhã, tarde e noite - apenas pescar?
Você achaque isso é tudo que há na vida?."O pescador disse: "Nunca havia pensado
nisso,mas, como você fez a pergunta, entendo o que você diz, devehaver algo mais na
vida."Jesus então disse: "Se vier comigo, lhe ensinarei como pescar homens, em vez de
pescar peixes." O homem olhounos olhos de Jesus. Havia tanta profundidade, tanta
sinceridade, tanto amor que não era possível duvidar daquelehomem, havia um silêncio
tão grande a seu redor que não era possível dizer não para ele. O pescador atirou
suarede na água e seguiu Jesus.
Quando eles estavam prestes a deixar a cidade, um homem veio correndo e disse ao
pescador: "Seu pai, queestava doente há dias, morreu. Volte para casa!"O pescador
perguntou a Jesus: "Dê-me apenas três dias, para que eu possa cumprir os últimos rituais
que umfilho deve desempenhar quando seu pai morre."Jesus respondeu ao pescador - e
essa é a frase da qual gostaria que vocês se lembrassem: "Deixe que os mortosenterrem
os mortos, você vem comigo."O que ele quis dizer? "Toda a cidade está repleta de
pessoas mortas. Elas irão lidar com o corpo de seu pai. Vocênão é necessário, você vem
comigo."A cada momento algo está morrendo. Não seja um colecionador de antiguidades:
deixe para trás tudo aquilo queestá morto. Continue com sua vida, com sua plenitude e
intensidade, e nunca irá se defrontar com nenhumdilema, nenhum problema.



52-ARREPENDIMENTO
Quando Shibli jogou a rosa
Se você fez algo de errado, vá falar com a pessoa a quem você ofendeu. Seja humilde,
peça seu perdão. Apenas essa pessoapoderá lhe perdoar, ninguém mais. E lembre-se de
                                                                                     488
que esse é o significado da palavra "pecado": esquecimento. A partir deagora, não se
esqueça mais, não volte a cometer o mesmo erro, pois do contrário seu pedido de
desculpas perde seu sentido.A partir de agora seja mais cuidadoso, esteja alerta, seja
consciente. Lembre-se de não repetir os mesmos erros: você devedecidir isso dentro de
você e então estará de fato arrependido.O arrependimento pode se tornar um fenômeno
muito, muito profundo se você compreender a responsabilidade. Neste caso,mesmo uma
pequena coisa, se ela se tornar um arrependimento - não apenas verbal, não apenas na
superfície - se ela entrarfundo em suas raízes, se você se arrepender a partir dessas
raízes. Se todo o seu ser se agitar, tremer e gritar, e saíremlágrimas, não somente de
seus olhos, mas de cada célula de seu corpo, então o arrependimento pode se tornar
umatransfiguração.A primeira vez que o nome de Shibli tornou-se conhecido foi quando
Mansur al-Hillaj estava sendo assassinado.Muitas pessoas já foram assassinadas no
passado por outras pessoas que se diziam religiosas - Jesus foi
assassinado - mas nunca houve um assassinato como o que ocorreu com al-Hillaj.
Primeiro cortaram suas pernas - ele ainda estava vivo - depois suas mãos. Então sua
língua foi cortada e seusolhos arrancados - e ele continuava vivo. Foi cortado em
pedaços. E qual foi o crime que Mansur cometeu? Elehavia dito: "An'al Hak." Significa "eu
sou a verdade, eu sou Deus". Todos os seers do Upanishad declaram isso,"Alam
Brahmasmi" - eu sou Brahma, o Ser supremo". Mas os maometanos não podiam tolerar
isso.Mansur é um dos grandes sufis. Quando começaram a cortar suas mãos, ele olhou
para o céu, rezou para deus edisse: "Você não pode me enganar! Posso vê-lo presente
em cada uma dessas pessoas aqui. Você está tentandome enganar? Veio como o
assassino, como o inimigo? Não importa, eu lhe digo, qualquer que seja a forma em
quevocê venha, eu o reconheço - porque o reconheci dentro de mim mesmo. Agora já não
é possível me enganar."Shibli era um companheiro, um amigo de al-Hillaj. As pessoas
estavam jogando pedras e lama em sinal dedespeito, mas Shibli permanecia ali. Mansur
ria e sorria. Subitamente ele começou a chorar, porque Shibli haviajogado uma rosa para
ele. Alguém perguntou: "Qual é seu problema? Quando jogam pedras, ri - você
ficoumaluco? E Shibli lhe atirou apenas uma rosa, por que você está chorando?"
Mansur disse: "As pessoas que estão jogando pedras não sabem o que fazem, mas Shibli
sabe. Para ele será difícilobter o perdão de Deus. Os outros serão perdoados porque
estão agindo em total ignorância, não podem agir deoutra forma. Em sua cegueira, isso é
tudo que podem fazer. Mas Shibli é um homem que sabe. É por isso queestou chorando
por ele. É o único homem aqui que está cometendo um pecado."E o que Mansur falou
mudou a vida de Shibli completamente. Ele jogou fora o Alcorão, as escrituras e disse:
Elesnem mesmo puderam me fazer entender isso: todo conhecimento é inútil.Agora irei
procurar o conhecimento adequado." E mais tarde, quando lhe perguntaram por que havia
atirado a flor,Shibli respondeu: "Tive medo da multidão. Se não jogasse nada, poderiam
pensar que eu pertencia ao grupo deMansur. Poderiam se tornar violentos também em
relação a mim. Joguei a flor, era apenas uma soluçãointermediária. Mansur estava certo,
ele chorou por meu medo, minha covardia. Chorou porque eu compactuei coma
multidão."Mas Shibli entendeu, e o choro de mansur tornou-se uma transformação.



53-BRINCADEIRA
O desafio de Krishna à Arjuna
Sua mente brinca infinitamente - tudo é como um sonho em um quarto vazio. Ao meditar,
você deve olhar para a mente e vê-lafazendo suas travessuras, como uma crinaça
brincando e saltitando pelo puro excesso de energia. É só isso: pensamentospulando,
saltitando, brincando, apenas um jogo, você não deve levar isso à sério. Mesmo se
houver algum pensamento ruim,não se sinta culpado. Ou, se houver um grande
                                                                                      489
pensamento, um pensamento muito bom - se você desejar servir à humanidade
etransformar o mundo inteiro, trazer o paraíso à terra - não deixe que seu ego seja
tomado por ele, não pense que você se tornougrandioso. É apenas sua mente brincando.
Algumas vezes ela desce, outras ela sobe, nada mais que energia em excessotomando
muitas formas e faces.A dimensão da brincadeira deve ser estendida a toda sua vida.
Seja o que for que esteja fazendo, esteja presentenesta atividade tão completamente que
seu objetivo se torne irrelevante. O objetivo será atingido, tem que ser,mas não deve estar
presente em sua mente. Você está brincando, divertindo-se.É isso que Krishna quis dizer
- durante o Mahabharata, a grande guerra cujas crônicas estão no Gita - quando eledisse
a seu discípulo Arjuna que deixasse o futuro nas mãos do divino: "O resultado de sua
atividade está nasmãos do divino, você simplesmente faz." Este "Simplesmente fazer" se
torna uma brincadeira. Foi por isso que
Arjuna teve dificuldade em compreender, quando ele diz que, se é apenas uma
brincadeira, então por que matar,por que lutar? Mas toda a vida de Krishna é somente
uma brincadeira, você não encontrará outro homem quetenha sido tão pouco sério. Toda
sua vida é uma brincadeira, um jogo, uma peça. Ele está aproveitando tudointensamente
mas não está preocupado com o resultado. O que irá acontecer é irrelevante.É difícil para
Arjuna entender Krishna porque Arjuna é uma pessoa calculista, que pensa em termos de
resultadofinal. No início do Gita, ele diz: "Tudo isso me parece absurdo. Em ambos os
lados meus amigos e parentes estãoprontos para lutar. Não importa quem vença, será
uma perda porque minha família, meus parentes, meus amigos
terão sido destruídos. Mesmo que eu vença, de nada valerá, pois para quem irei mostrar
minha vitória? As vitóriasfazem sentido porque os amigos e parentes poderão desfrutá-
las. Mas, se não houver ninguém, será uma vitoriasobre corpos mortos. Quem irá apreciá-
la? Quem irá dizer 'Arjuna, seus feitos foram grandiosos'? Então nãoimporta se eu vencer
ou for derrotado, me parece absurdo. Não há sentido nisso." Ele deseja renunciar. Ele
éabsolutamente sério, e qualquer um que seja calculista será tão sério quanto ele.O que
ocorre no Gita é algo singular. A guerra é a mais séria das coisas. Não se pode brincar a
respeito dela,porque há vidas em jogo, milhões de vidas em jogo, e não há como brincar
com isso. Ainda assim, Krishna insisteque é preciso ser brincalhão. Não sobre o que irá
acontecer no final, apenas esteja aqui e agora. Seja apenas umguerreiro, brincando. Não
se preocupe com o resultado porque ele está nas mãos do divino. E não se trata
nemmesmo de questionar se o resultado está nas mãos do divino ou não - a questão é
que não deve estar nas suasmãos, o peso não deve recair sobre você. Se você carregar
esse peso, então não poderá viver em meditação.


54-FOCO
Saraha e a arqueira
A mente é tão astuta que pode ocultar-se sob as vestes de seu próprio oposto. A
indulgência pode se tornar asceticismo, omaterialismo pode se tornar espiritualista e algo
desse mundo pode se tornar algo do outro mundo. mas a mente é a mente -quer você
seja a favor do mundo ou contra o mundo você permanece enjaulado na mente. A favor
ou contra, ambos são parte damente. Quando a mente desaparece, ela desaparece em
ma perceptividade sem escolhas. Quando você pára de escolher,quando você não é nem
a favor nem contra, isso é parar no meio. Uma escolha leva à esquerda, um extremo. A
outra leva àdireita, que é o outro extremo. Se você não escolher, ficará exatamente no
meio. Isso é relaxamento, isso é descanso. Você nãofaz mais escolhas, não tem
obsessões, e nesse estado de consciência, sem escolhas nem obsessões, surge uma
inteligência queestava adormecida no mais profundo de seu ser. Você se torna uma luz
em si mesmo.Sarasa, o fundador do tantra, era filho de um brâmane muito culto, que
pertencia à corte do rei Mahapala. O reiestava disposto a dar em casamento sua própria
                                                                                        490
filha para Saraha, mas ele desejava renunciar a tudo, pois queriatornar-se um sannyasin.
O rei tentou persuadi-lo - Saraha era um jovem tão belo e inteligente. Mas ele
foipersistente e tiveram que lhe conceder a permissão, então Saraha tornou-se discípulo
de Sri Kirti.A primeira coisa que Sri Kirti lhe disse foi: "Esqueça todos os seus Vedas e
tudo que você aprendeu, todas essascoisas sem sentido." Era muito difícil, mas ele
estava disposto a arriscar tudo. Os anos se passaram e, aos poucos,ele apagou tudo
aquilo que sabia. Tornou-se um grande meditador.Um dia, enquanto Saraha meditava,
subitamente teve uma visão: havia uma mulher no mercado que iria se tornarsua
verdadeira mestre. Ele foi até o mercado. Viu a mulher, uma jovem, muito vivaz, radiante
e cheia de vida,
cortando a haste de uma flecha, sem olhar para a esquerda nem para a direita,
completamente concentrada emfazer a flecha. Ele imediatamente sentiu algo
extraordinário na presença dessa moça, algo que ele nunca anteshavia encontrado. Algo
tão fresco e algo que vinha da própria fonte. Quando a flecha ficou pronta, a mulherfechou
um dos olhos, mantendo o outro aberto, e ficou na postura de arqueiro, mirando um alvo
invisível.E algo ocorreu, algo como uma comunhão. Saraha nunca havia sentido algo
assim antes. Naquele momento, osignificado espiritual do que ela estava fazendo tornou-
se claro para ele. Não olhava nem para a esquerda nempara a direita, olhava apenas
para o centro.Pela primeira vez ele entendeu o que Buda quer dizer com estar no meio:
evitar o eixo. Você pode mover-se daesquerda para a direita, mas será como um pêndulo
em movimento. Estar no meio significa que o pêndulo
permanece ali, nem para a esquerda, nem para a direita. Então o relógio pára, o mundo
pára. Não há maistempo... então há o estado do não-tempo.
Ele ouviu Sri Kirti falar sobre isso tantas vezes, havia lido a respeito, havia ponderado,
contemplado o assunto.Havia até mesmo discutido com outros a respeito, dizendo que
estar no meio era a coisa certa. Pela primeira vezele viu isso em ação: a mulher não
estava olhando para a direita nem para a esquerda... apenas olhando para omeio, focada
no meio.O meio é o ponto a partir do qual a transcendência acontece. Pense sobre isso,
contemple o assunto, veja isso emação na vida.



55-SEXO
O Círculo de Mahamudra
O sexo guarda consigo grandes segredos, e o primeiro segredo é - se você meditar verá
isso - que a felicidade vem porque osexo desaparece. E sempre que você estiver naquele
momento de felicidade, o tempo também desaparece - se você meditarsobre isso - e a
mente também desaparece. E essas são as qualidades da meditação. Minha própria
observação é que o primeirolampejo da meditação no mundo deve ter vindo através do
sexo, não há outra forma possível. A meditação deve ter entrado navida através do sexo,
pois este é o fenômeno mais meditativo. Se você o entender, se você for fundo nele, se
você não o usarapenas como uma droga. Então, aos poucos, lentamente, à medida que a
compreensão cresce, o anseio desaparece, e chega umdia de grande liberdade em que o
sexo não é mais uma obsessão. Então você se torna silencioso, tranquilo, absolutamente
vocêmesmo. A necessidade do outro desapareceu. Ainda é possível fazer amor se quiser,
mas não há mais necessidade. Então será
uma espécie de compartilhamento.Quando dois amantes estão em um profundo orgasmo
sexual, fundem-se um no outro. Então a mulher não é maisa mulher, o homem não é mais
o homem. Tornam-se algo similar ao círculo de ying/yang, alcançando um aooutro,
encontram-se dentro do outro, dissolvendo-se, esquecendo suas próprias identidades. É
por isso que oamor é tão bonito. Esse estado de profunda penetração orgástica é
chamado de mudra. E o estágio final doorgasmo com o todo é chamado de Mahamudra, o
                                                                                       491
grande orgasmo.O orgasmo é um estado no qual seu corpo não é mais sentido como
matéria. Ele vibra como energia, eletricidade.Vibra tão profundamente, partindo de sua
própria fundação, que você se esquece completamente que é algomaterial. Torna-se um
fenômeno elétrico - e é um fenômeno elétrico. Agora os físicos dizem que não há
matéria,que toda matéria é apenas aparência e, lá no fundo, o que existe é eletricidade, e
não matéria. No orgasmo, vocêatinge essa camada mais profunda de seu corpo, na qual
a matéria não mais existe, apenas ondas de energia, evocê se torna uma forma de
energia dançando, vibrando. Não haverá mais limites para você - pulsando, masimaterial.
E quem você ama também estará pulsando. Aos poucos, se os parceiros se amam e se
entregam um aooutro, eles se entregam a esse momento de pulsação, de vibração, de
ser apenas energia, e não têm medo.Porque é uma experiência similar à da morte, essa
de perder os limites do corpo, quando o corpo se torna algovaporoso, quando a
substância do corpo se evapora e só resta energia, um ritmo muito sutil, mas você se
percebecomo se não fosse mais. Apenas dentro de um amor profundo alguém pode
entrar nesse estado. O amor é como amorte: você morre em relação a se pensar como
um corpo. Você morre como um corpo e evolui como energia,energia vital. E quando a
mulher e o marido, ou os amantes, ou os parceiros, começarem a vibrar em um
certoritmo, seus corações e seus corpos se juntam em um mesmo ritmo, cria-se uma
harmonia e há um orgasmo. Elesnão são mais dois. Esse é o símbolo do ying e yang: o
ying se movendo dentro do yang, o yang se movendodentro do ying, o homem se
movendo dentro da mulher, a mulher movendo-se dentro do homem. Agora formamum
círculo e vibram juntos, pulsam juntos. Seus corações não estão mais separados, seus
batimentos não estãomais separados: tornam-se uma melodia, uma harmonia. É a música
mais fantástica possível. Todas as outras
músicas soam pálidas em comparação.Orgasmo é a vibração de dois unidos em um só.
Quando a mesma coisa acontece, não com outra pessoa, mascom toda a existência,
então é Mahamudra, então é o grande orgasmo.



56-DEVOÇÃO
A Dança do Templo de Meera
A devoção é uma forma de unir-se e fundir-se com a existência. Não é uma peregrinação.
Significa apenas perder todos oslimites que separam você da existência. É uma relação
amorosa. O amor é a união com um indivíduo, uma intimidade profundaentre dois
corações, tão profunda que os dois corações começam a dançar na mesma harmonia.
Ainda que os corações sejamdois, há uma única harmonia, uma única música, uma única
dança.Assim como falamos do amor entre duas pessoas, falamos da devoção entre um
indivíduo e toda a existência. Ele dança naságuas do oceano, ele dança nas árvores que
dançam ao sol, ele dança com as estrelas. Seu coração responde à fragrância dasflores,
à canção dos pássaros, aos silêncios da noite.A devoção é a morte da personalidade. Por
sua própria vontade, você abandona aquilo que é mortal em você. Resta apenas oimortal,
o eterno, aquilo que não morre jamais. E aquilo que não morre não pode ser separado da
existência - que também nãomorre, está sempre indo, não conhece início nem fim. A
devoção é a maior forma de amor.Jesus disse uma vez: "Deus é amor." Se tivesse sido
escrito por uma mulher, ela teria dito: "O amor é Deus." Deusdeve ser secundário, é uma
hipótese mental. Mas o amor é uma realidade que pulsa em cada coração.Ao longo da
história, encontramos pessoas como Meera. Mas só mulheres extremamente corajosas
seriam capazesde se libertar de um sistema social repressivo. Ela pôde fazer isso, pois
era uma rainha, ainda que sua famíliatenha tentado matá-la porque ela dançava nas ruas.
A família não podia tolerar isto.Sobretudo na Índia, onde as mulheres são muito
oprimidas. E uma mulher tão bela quanto Meera, dançando nasruas e cantando...Havia
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um templo em Vrindavan, onde Krihna havia morado. Construíram um grande templo em
sua memória e,nesse templo, não podiam entrar mulheres. Elas só podiam ficar do lado
de fora, no máximo tocar as escadas dotemplo. Nunca haviam visto a estátua de Krishna
que ficava lá dentro, pois o sacerdote era muito inflexível.Quando Meera veio, o sacerdote
ficou preocupado que ela entresse no templo.Dois homens, com espada à mostra, foram
colocados na frente do portão para impedir que Meera entrasse. Masquando ela veio - e
pessoas assim são raras, uma brisa tão perfumada, uma dança tão bela, uma canção
quecoloca em palavras aquilo que não pode ser dito em palavras - esses dois homens se
esqueceram do que estavamfazendo ali e Meera entrou dançando no templo. Era a hora
em que o sacerdote rezava para Krishna. Seu prato,cheio de flores, caiu no chão quando
ele a viu.Ele estava absolutamente irritado e disse a ela: "Você quebrou uma regra de
centenas de anos."Ela respondeu: "Que regra?"O sacerdote disse: Nenhuma mulher pode
entrar aqui."E vejam a resposta... Isso é coragem. Meera disse: "Então como você entrou
aqui? A não ser por um único -aquele que é o supremo, o amado -, todos os outros são
mulheres. Você acredita que há dois homens no mundo:você e o supremo? Não diga
bobagens." Ela certamente tinha razão. Uma mulher de grande coração olha para
aexistência como um amado. E a existência o é.



57-INTELIGÊNCIA
Rage eo enigma da agulha em falta
Nascemos para ser felizes, é nosso direito inato. Mas as pessoas são tão estúpidos,
mesmo que reivindica o direito isonthebirthcertificate. Estão mais interessados no que os
outros e começar a correr atrás dessas coisas. Eles nunca olhar para dentro nuncabuscan
em casa. A pessoa inteligente começará a busca de seu interior, este será o primeiro
aexplorar ", porque se você não sabe o que eu tenho lá dentro, como eu vou olhar para o
mundo?, É um mundo grande. Ylos que eles olharam para dentro, encontraram-lo
instantaneamente, imediatamente. Há um progresso gradual é repentina.He iluminação
unfenómeno repente ouviu falar de um místico Sufi, Rabia al-Adawi. Uma noite, as
pessoas encontraram sentado no carreterabuscando algo. Era uma mulher mais velha
olhos eram fracos e mal podia ver. Então, os vizinhos vieram aayudarla. Ele foi
perguntado: - O que você quer? "Essa questão é irrelevante", disse Rabia ", eu estou
procurando. Se você ajudar, hacedlo.Se riu e disse: "Rabia, você ficou louco? Você diz
que sua pergunta é pertinente, mas se você sabe que você está procurando loque, como
podemos ajudar? Rabia disse, "Okay. Só para satisfazer-lhe vou dizer que eu estou
olhando para a minha agulha, eu perdi minha agulha. Ellosempezaron para ajudá-la, mas
rapidamente percebeu que a estrada era larga ea agulha imensamente erauna coisa
muito pequena. Portanto, Rabia perguntou: "Por favor, diga-nos onde você perdeu,
ypreciso exato. Se não for muito difícil. A estrada é muito grande e pode estar procurando
sempre. Laperdiste Onde? "Novamente planteáis uma questão irrelevante", disse Rabia ",
o que é que isso tem a ver com a minha pesquisa? Eles parou e disse: - Agora temos a
certeza de que você está louco!" In-Sane ", disse Rabia , para satisfazer a você que vou
te dizer que eu perdi a minha casa .- Então por que você está procurando aqui? Eles
pediram. E ele disse que Rabia respondeu: "Porque não há luz aquíhay dentro. O sol
estava se pondo e ainda havia alguma luz sobre a estrada.Esta parábola é muito
significativo. Alguma vez você já se perguntou o que você está procurando? Você se
tornou algunavez a questão de que você está olhando para o seu objeto de meditação
profunda? Não. Mesmo em alguns momentos, os momentos de sono, você tem uma
intuição de que você está procurando, nunca é muito preciso, não exacto.Aún nunca
demasiado definido.Si tentar defini-lo, o mais definido, menos você vai sentir a
necessidade de procurar. Puedecontinuar pesquisa em um estado de indefinição, em um
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estado de sonho, quando as coisas não são claras apenas siguesbuscando. Impulsionada
por algum impulso interno, impulsionada por alguma compulsão interna, uma coisa que
você sabe: pesquisa tienesque. É uma necessidade interior. Mas você sabe o que quer. E
se você não sabe o que você está procurando, como você pode encontrar? É algo vago,
que é em dinheiro, no poder, o prestígio, respeitabilidade. Mas depois vespersonas
respeitáveis, pessoas poderosas, que também estão pesquisando. Então você vê
tremendamentericas pessoas e também estão procurando. Olhando para o fim de suas
vidas. Portanto, a riqueza não vai ser útil, a potência não vai ajudar. A busca continua,
apesar do que você tem.Você tem que estar à procura de algo mais. Esses nomes, esses
rótulos de dinheiro, poder, prestígio, são apenas parasatisfacer mente. Eles são apenas
para ajudar você a sentir que você está procurando algo. Isso é algo que ainda não está
definido, unasensación vaga. A primeira coisa a forma real para a forma que é um pouco
alerta, consciente, é a definição da pesquisa, faça-o conceito claro do que é, removê-lo da
consciência de mirarladirectamente sono, começa afrontarla.Inmediatamente
transformação ocorrer. Se você começar a refinar sua busca, perderinterés iniciá-lo.
Quanto mais você definir, a menos que exista. Depois de saber claramente o que é, de
repentedesaparece. Há apenas quando você não está atento.Deja para repetir a pesquisa
somente quando você dormir lá, a busca é feita somente quando você não está criando o
consciente.La inconsciência búsqueda.Sí, Rage está certo. No interior não há luz. E lá
dentro está sem luz e sem consciência, é claro siguesbuscando fora, porque fora parece
ter mais clareza. Nossos sentidos são completamente extrovertida. Losojos abrir para o
exterior, a mover as mãos, esticar, movimentar as pernas para fora, losoídos ouvir os
ruídos externos, sons. Tudo o que está disponível para você se abre; cincosentidos abrir o
caminho para onde extravertida.Empiezas de ver, sentir, tocar, a luz dos sentidos leva
para fora. E a forma está dentro. Estadicotomía deve ser entendida. O motor de busca é
interior, mas como a luz está fora, a pesquisa começa ambiciosamente removível,
tentando encontrar algo que seja satisfatório. Ocurrir.Nunca E isso nunca vai acontecer.
Não ocorrem na natureza das coisas, porque a menos que você procurou albuscador, sua
busca todo é sem sentido. A menos que você vem a saber quem você é, o que você está
procurando esfútil porque sabem que a forma. Sem conhecer o candidato, como se pode
avançar na verdadeira dimensão, na direcção certa? É imposible.Primero ser tidas em
conta em primeiro lugar. Se você parou de qualquer busca e de repente você percebeu
quesólo uma coisa sei: "Quem é essa forma de mim? Qual é essa energia que você quer
pesquisar? Whoami "Eu?", Então ocorre uma transformação. Todos os valores mudam de
repente. Você começa movertehacia dentro. Então Raiva não é mais fica na estrada à
procura de uma agulha que se perdeu em algum lugar na escuridão de sua própria alma.
Quando você começar a se mover para o interior ... é muito escuro, a primeira; Raiva é
certo. É muito, muito escuro, porque durante a vida inteira nunca hasestado dentro: seus
olhos foram voltados para o mundo exterior. Já reparou? Às vezes, quando eles entraram
na casa de fora está muito sol, muito brilhante luz ... quando de repente entra na casa
estámuy escuro, porque os olhos estão focados na luz exterior. Quando há muita luz, os
alunos encolher. Inthe Dark, os olhos têm de relaxar. Mas se ele se sentou por um tempo,
pouco a pouco as trevas desaparece.Hay mais luz, seus olhos vão adaptando.Durante
muitas vidas tem sido no calor do sol em todo o mundo, então quando você vai para
dentro de você como repor o olvidadocompletamente olhos. A meditação é simplesmente
um reajustamento de sua visão, seus olhos. E olhando dentro de sisigues leva tempo,
gradualmente, lentamente, começam a se sentir bonita lá dentro unaluz. Mas há uma luz
agressiva, não é como o sol está mais perto da lua. Ela não brilha, brilho, esmuy frio, não
quente, muito compassivo, muito reconfortante, bálsamo.Poco é um pouco, quando você
corrige a luz interior, você verá a mesma fonte. Buscado.Entonces a forma é o que você
verá que o tesouro está dentro e que o único problema era que você estava procurando
ele fora. Estabasbuscándolo fora em algum lugar e sempre esteve dentro de você. Você
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estava olhando na direção errada, isso é tudo.



58-FAZENDO
Confie em Alá, mas amarre seu camelo primeiro
Acontece todos os dias: você poderia ter feito alguma coisa, mas não fez e está usando a
desculpa de que, se Deus quisesse quealgo fosse feito, ele o faria de qualquer forma. Ou
então você faz algo e espera pelo resultado, fica esperando, mas o resultadonunca
chega. Então você fica zangado, como se tivesse sido trapaceado, como se Deus o
houvesse traído, como se ele estivessecontra você, sendo parcial, preconceituoso,
injusto. E então surge uma grande reclamação em sua mente. nessa hora, faltaconfiança.
Uma pessoa religiosa é alguém que fará o que for humanamente possível, mas não criará
nenhuma tensão por causadisto. Por que somos muito, muito pequenos, átomos ínfimos
neste universo, as coisas são muito complicadas. Nada dependeapenas da minha ação:
há milhares de energias se entrecruzando. A soma dessas energias irá determinar o
resultado. Como eupoderia determinar o resultado? Mas, se eu nada fizer, pode ser que
as coisas nunca mais sejam as mesmas. Tenho que agir,mas ao mesmo tempo, tenho
que aprender a não ter expectativas. Então o fazer torna-se uma espécie de oração, sem
nenhumdesejo de que tenha determinado resultado. Assim não há frustração. A confiança
irá ajudá-lo a permanecer livre de frustrações,e "amarrar meu camelo" irá ajudá-lo a
manter-se vivo, imensamente vivo.Esse ditado sufi deseja criar o terceiro tipo de homem,
o verdadeiro homem: aquele que sabe como fazer e comonão fazer; que pode ser um
fazedor quando necessário, pode dizer "Sim!", e que pode ser passivo quandonecessário
e dizer "Não". Aquele que está absolutamente acordado durante o dia e absolutamente
adormecidodurante a noite. Aquele que conhece o equilíbrio da vida. "Confie em Alá, mas
amarre seu camelo primeiro." Esteditado vem de uma breve história.Um mestre estava
viajando com um dos seus discípulos. O discípulo estava encarregado de cuidar do
camelo. Ànoite chegaram, cansados, a um abrigo de caravanas, um caravançará. Era
tarefa do discípulo amarrar o camelo,mas ele não o fez, deixou o camelo do lado de fora.
Em vez disso, ele simplesmente rezou. Disse a Deus: "Cuidedo camelo", e foi dormir.
Pela manhã o camelo havia partido. Tinha sido roubado ou simplesmente seguiu
seucaminho. O mestre perguntou: "O que houve com o camelo? Onde está o camelo?" E
o discípulo respondeu: "Eunão sei. Vá perguntar a Deus, pois eu havia dito a Alá que
tomasse conta do camelo, eu estava muito cansado,então não sei. E também não sou
responsável, porque eu havia dito a ele, e de forma muito clara! Não havia comonão
compreender. Na verdade eu não disse isso apenas uma vez, mas sim três. E você nos
ensinou a confiar emAlá, então eu confiei. Por isso não me lance esse olhar de raiva."O
mestre disse: "Confie em Alá mas amarre seu camelo primeiro, porque Alá não tem outras
mãos a não ser assuas." Se ele quiser amarrar o camelo, ele terá que usar as mãos de
alguém. Ele não tem outras. E é o seucamelo! A melhor maneira, e também a mais fácil, é
usar suas mãos. Confie em Alá - não confie apenas nas suasmãos, pois do contrário você
ficará tenso. Amarre o camelo e então confie em Alá. Você perguntará: "Então porque
confiar em Alá enquanto estou amarrando o camelo?" Porque mesmo um camelo
amarrado pode ser roubado.Faça o que puder fazer, mas isso não garante o resultado,
não há garantias. Então faça o que puder e aceite aquiloque acontecer. Esse é o sentido
de amarrar o camelo: faça o que for possível fazer, não fuja de suasresponsabilidades e,
se nada acontecer ou se algo der errado, confie em Alá. Então ele terá razão. Então
talvezseja correto que continuemos a viajar sem o camelo.É muito fácil confiar em Alá e
ser preguiçoso. É muito fácil não confiar em Alá e ser um fazedor. O terceiro tipo de


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homem é o mais difícil: aquele que confia em Alá e ainda assim permanece um fazedor.
Mas nesse momento vocêé apenas um instrumento: Deus é aquele que verdadeiramente
faz, você é um instrumento em suas mãos.



59-A JORNADA
Mesmo que você tenha quebrado seus votos mil vezes...
Tristeza, sofrimento e miséria – tudo tem que ser tomado de forma não-séria, porque,
quanto mais você os levar à sério, maisdifícil será livrar-se deles. Quanto menos sério
você for, mais fácil ficará passar através do sofrimento, através dos períodos deescuridão,
cantando uma canção. E, se uma pessoa é capaz de passar por esses períodos
cantarolando e dançando, então porque se torturar sem necessidade? Torne essa jornada
apenas um belo assunto para risadas.Há uma bela frase de Mevlana Jalaluddin Rumi, um
dos maiores mestres sufis de todos os tempos. Ele disse:Venha, quem quer que seja;
Errante, religioso, amante do conhecimento... Não importa. Não é de desespero,nossa
caravana. Venha, mesmo que por mil vezes Tenhas quebrado seu voto. Venha, venha, e
mais uma vez,venha. Lembre-se desta bela frase: “Não é de desespero nossa caravana.”
Também posso dizer isto. Não é dedesespero nossa caravana, é a celebração da vida. As
pessoas se tornam religiosas para fugir à infelicidade, eaquele que se torna religioso por
conta da miséria está se tornando religioso pelas razões erradas. E, se algo jácomeça
errado, o fim não poderá dar certo. Torne-se religioso por causa da alegria, por causa da
experiência dabeleza que está ao seu redor, por causa do enorme presente que Deus lhe
deu: a vida. Torne-se religioso porgratidão. Seus templos, suas igrejas, suas mesquitas e
gurudwaras estão cheios de pessoas miseráveis. Elastransformaram também os seus
templos em infernos. Estão lá porque estão em agonia. Elas não conhecem Deus,não têm
interesse em Deus. Não estão preocupadas com a verdade, não há questionamento.
Estão lá apenas paraserem consoladas, confortadas. Então procuram qualquer um que
possa dar a elas crenças fáceis com as quaispossam remendar suas vidas, esconder
suas feridas, cobrir sua infelicidade. Estão lá à procura de uma falsasatisfação. A nossa
caravana não é de desespero. É um templo de alegria, de canções, de música, de
criatividade,de amor e vida. Não importa. Você pode ter quebrado todas as regras de
conduta ou de moralidade. Na verdade,
qualquer um que tenha alguma coragem irá quebrar essas regras. Concordo com
Jalaluddin Rumi, quando ele diz:Venha, mesmo que por mil vezes Tenha quebrado seu
voto. As pessoas inteligentes irão quebrar todos os seusvotos muitas vezes, porque a
vida está sempre mudando, as situações mudam. E um voto é feito sob pressão –talvez o
medo do inferno, a ganância pelo paraíso, respeitabilidade na sociedade... Não está vindo
do núcleo maisprofundo de seu ser. Quando algo vem de seu próprio ser interno, nunca
se quebrará. Mas então não será umvoto, será um fenômeno simples, como respirar.
Venha, venha e mais uma vez venha. Todos são bem-vindos, semqualquer condição.
Você não precisa preencher nenhum pré-requisito. Chegou a hora em que é necessário
umagrande rebelião contra todas as religiões estabelecidas. A religiosidade é necessária
no mundo, mas nãoprecisamos de novas religiões – chega de hindus, cristãos,
mulçumanos -, apenas de pessoas puramentereligiosas, pessoas que tenham grande
respeito por si mesmas.




60-RISO
A última surpresa do místico Chinês
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O riso é eterno, a vida é eterna, a celebração continua. Os atores mudam, mas a peça
continua. As ondas se sucedem, mas ooceano continua. Você ri, você muda - e alguém
mais ri -, mas o riso prossegue. Você celebra, alguém mais celebra, mas a
celebração continua. A existência é contínua, é um continuum. Não há um único momento
de quebra nela. Nenhuma morte é amorte, porque cada morte abre uma nova porta, então
é um começo. Não há fim para a vida, há sempre um novo começo, umaressurreição. Se
você trocar sua tristeza por celebração, então também será capaz de trocar a morte por
ressurreição. Aprendaessa arte enquanto há tempo.Ouvi falar em três místicos chineses.
Ninguém sabe seus nomes hoje, e nunca se soube quais eram seus nomes.Eram
conhecidos apenas como "os Três Santos Risonhos", porque nunca faziam nada além
disso: eles riam. Essastrês pessoas eram realmente belas, rindo com suas barrigas
balançando. Era contagioso, pois os outros tambémcomeçavam a rir. Todos na praça do
mercado começavam a rir. Poucos momentos antes era um lugar feio, onde aspessoas só
pensavam em dinheiro, mas subitamente esses três loucos chegavam e mudavam a
qualidade de todoo mercado. Agora todos haviam esquecido que tinham ido comprar e
vender. Ninguém estava mais cheio deganância. Durante alguns segundos, um novo
mundo se abriu. Viajavam por toda a China, indo de cidade emcidade, apenas para
fazerem as pessoas rirem. Pessoas tristes, pessoas irritadas, gananciosas, invejosas,
todascomeçavam a rir com eles. E muitos encontravam a chave: você pode se
transformar. Contudo, quando estavamem um vilarejo, um dos três morreu. As pessoas
do vilarejo se reuniram e disseram: "Agora haverá problemas.
Agora vamos ver como eles fazem para continuar rindo. O amigo deles morreu, eles têm
que chorar." Mas, quandochegaram, os dois estavam dançando, rindo e celebrando a
morte. As pessoas disseram: "Isso é demais. Quandoum homem morre, é profano rir e
dançar." Eles responderam: "Durante toda a vida rimos com ele. Como podemoslhe dar o
último adeus com qualquer outra coisa? Temos que rir, temos que nos divertir, temos que
celebrar. Esseé o único adeus possível para um homem que riu durante toda a sua vida.
Não podemos pensar nele como ummorto. Como o riso pode morrer, como a vida pode
morrer?" Então o corpo devia ser cremado e as pessoas dovilarejo disseram: "Vamos lhe
dar um banho, como prescreve o ritual." Mas os dois amigos disseram: "Não, nossoamigo
disse: 'Não executem nenhum ritual, não troquem minhas roupas e não me dêem um
banho. Apenas mecoloquem como estou na pira funerária.'Assim temos que sequir suas
instruções." Então, subitamente, houve umgrande acontecimento. Quando o corpo foi
colocado sobre o fogo, aquele velho homem havia pregado a últimapeça. Havia
escondido muitos fogos sob suas roupas, e houve um festival de fogos! Então todo o
vilarejo começoua rir. Os dois amigos loucos estavam dançando, e logo todos estavam
dançando também. Não era a morte, era
uma nova vida.




Método de Leitura

1 - A primeira carta lhe representará e o que você traz para o relacionamento - ou quais
lições ele tem para ensiná-lo.
2 - A segunda representa a outra pessoa e o que ele ou ela traz para o relacionamento
3 - A terceira carta representa a dinâmica do relacionamento em si - a qualidade ou sabor
da interação entre vocês dois.
4 - A quarta e última carta representa o insight iluminado no relacionamento - e contém a
chave para o mais alto potencial.

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Interior e Exterior
Carta Significado
1. A primeira carta está colocada no início da linha horizontal -e representa eventos e
circunstâncias recentes em sua vida.Também pode representar influências externas que
afetamvocê ou sua questão - das quais você pode não estartotalmente consciente.
2. A segunda carta está colocada no fim da linha horizontal e representa a direção que os
eventos externos estão tomando - ou as influências externas das quais você está
consciente.
3. A carta três está colocada aos pés da cruz e representa as influências internas ou
qualidades das quais você pode não estar consciente - em outras palavras - a semente da
transformação que agora está se preparando para enraizar-se em você.
4. A carta quatro está colocada no topo - e sinaliza a direção do crescimento em sua
consciência interior - ou novos níveis de entendimento que somente agora estão se
tornando disponíveis para você.
5. A última carta está colocada no centro - e representa a chave para integração das
dimensões horizontais e verticais de sua vida. Ela também pode simbolizar o
entendimento interior que é o mais importante para você trabalhar agora mesmo.


Consciência sem Escolha
1 - A primeira carta de cada linha representa os desafios e oportunidades
disponíveis para a mente - você deve fazer essa escolha. Isso responde
a questão - "Que novo entendimento ou criatividade intelectual se
tornará disponível para que eu deva fazer essa escolha?"
2 - A segunda representa as influências emocionais que surgem de cada decisão.
O que irá acontecer no mundo dos sentimentos.
3 - A terceira carta da "manifestação" indica quais amplas mudanças em
sua vida ou entendimento irão acontecer como consequências de sua escolha em cada
caso.
Uma vez que você olhou nas implicações das duas alternativas - vire a primeira
carta para um insight no que a "escolha sem escolha" pode ser.




                                     16
HUMOR
http://desciclo.pedia.ws/wiki/Deuses_Gregos

O Olimpo

Pra falar a verdade o olimpo existe e é um lugar muito dificil de se assesar ja que fica em
cima de um gigante que mora la no acre (é dai quem vem a historia sobro o olimpo ser no
cu do mundo)mas eu juro que nunca cheguei no olimpo e ja faz mais de5 anos que jogo

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god of war mas com o meu analogico quebrado e bor isso nao consigo me sair muito bem
no jogo

 Lá eles nascem, crescem, fazem orgia, cheiram gatinhos e acessam a Wikipédia para
ficar lendo besteiras o dia todo até o momento em que Kratos decide eliminar um deles.
Acredita-se que o Olimpo se encontrava no cu do mundo, mas Dercy Gonçalves afirmou
que "aquela porra" fica no Acre. O que se sabe é que o Olimpo não existe mais, já que
Kratos o destruiu em busca de red orbs.

Em 25198, o Conselho Jedi irá reconstruir o Olimpo, que passará a ser conhecido como
Templo Jedi. De acordo com Mestre Yoda, depois que Darth Sidious o comando do
universo tomar e o Império formado for, o Olimpo um prostíbulo voltará a ser, sob o
comando de Dercy Gonçalves Hebe Camargo [ai, que meigo] ficará.

 Principais deuses gregos
 Existem vários deuses gregos, mas hoje só sobrou Atena e Kratos, deuses da
guerra.pode-se afirmar que só há um deus grego. As outras ralés menos importante e que
foram eliminadas são: Apolo, Poseidon, Afrodite, Hades, Hera, Palas Atena, Artémis,
Ares, Hernes, Dionísio, Hefaísto, entre outrous.

Zeus, deus dos céus

 Também conhecido como Júpiter, é o chefão dos deuses. Filho de Cronos, o deus-titã do
tempo e um dos mais antigos, foi salvo pela mãe, a deusa [[Raia]. Seus maiores feitos (e
os únicos interessantes) foi praticar incesto com a própria [irmã] e banir o seu pai, junto
com os outros titãs Paulo Miklos, Branco Melo e Sérgio Brito, em Tártaro, a terra do caos.

Atena, deusa da guerra

Filha de Zeus, é a deusa da , da guerra, do ofício. Foi tomada por Kratos depois da
destruição do Olimpo para destruir a terra.

Um grupo de gregos começou a adorar essa |deusa. Assim, eles fundaram a cidade
Atenas, cuja população até hoje é constituída de 168% adoradores. Na [adoração]] à
deusa, os filósofos pederastas atenienses faziam uma parada gay de dar inveja à torcida
do São Paulo.

Acredita-se que o Lado Rosa da Força pode estar concentrado nessa cidade. e zeus e
um viado que morreu facil facil para KRATOS o deus dos deuses da Guerra Ares kill my
enemys, and my life is your

Apolo, deus do Sol

O deus mais adorado pelos troianos. A-do-rava visitar a cidade Atenas e passar horas
olhando os machões de Esparta. O seu maior erro foi ter quase pensado na possibilidade
de talvez algum dia achar que podia experimentar talvez, muito talvez, ter uma chance
mínima de cantar Kratos. Uns anos atrás atendendo como Clodovil,fundou um clube onde
as bibas se reunem

Poseidon, deus dos mares, oceanos e dos surfistas


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Aê, brô! Poseidon é ‘O Cara’. Pega altas ondas na praia com seu tridente.
Não vacila com Poseidon. Segura tua onda com o cara, senão ele vai ficar muito irado
contigo. Sacou, brô?! SEU CU!!! seu Xeirador de pó!!!!!!!

Afrodite, deusa do amor

 Nascida de um dos testículos arrancados de Urano, é a deusa do amor, do sexo e da
putaria. É a deusa grega mais gostosa. Os deuses (com exceção de Apolo, que era muito
biba) queriam comer ela, mas foi Chuck Norris quem acabou fazendo isso primeiro. A
causa de sua morte é desconhecida, já que Kratos afirma só ter comido ela 42 vezes. A
teoria mais aceita pelos filósofos pederastas de Atenas é que ela entrou no caminho da
tenente Ripley ela dava pra todos deuses. Zeus afirmou ter comido ela mais de 17 veses
por dia, gemendo e berrando deixando-a toda assadinha!!!

 Hj em dia 97% das posições sexuais foi Zeus qm a inventou e deu os nomes! Zeus
lançou um livro "Aprenda a deixar sua mulher toda excitadinha na transa!" tem instruções
como deixa sua esposa toda excitada e com tesão, e aprenda também muitas posições
sexuais que você e sua esposa vao adorar! OBS:Serve também para casais GAYS! porra
nenhuma baytola


Hades, o verdadeiro capeta

Hades cujo seu unico passa tempo era assustar crincinhas e comer bodes resolveu
mudar drasticamentente de rob e resolve criar uma maquina que soh tem um propósito,
dominar o mundo. Tentou e tentou varias vezes, tentou com com os dinossauros e ao deu
certo,tentou com o pink e o cerebro mmas o plano flalhu(todas as noites)ai resolveu criar
a maquina mais perversa de todas, O terrivel Homer Simpson que finalmente conseguiu o
que Hades queria, dominou o mundo.

 Também conhecido como o máximo, é o dono do ajudante do papai noel( o cachorro e o
irmão do yoda homer tambem idealizou a ideia do seu rei e criou o suco Ades. e hoje ele
é o deus mais da dark da mitologia grega(por isso não arrumava mulher so a margie) e
sequestrou a esposa de hades pra ele que tinha o habito de se transformar nun veado
nas horas livres,Perséphone foi sequestrada nao teve jeito

Hades também escondia um grande segredo...Ele gostava de usar muita maquiagem e
desmunhecava nas horas vagas,até um dia resolver se infiltrar na humanidade usando o
pseudo nome Mana. Fundou algumas bandas(como Malice Mizer e Moi Dix Mois ) e um
plano besta para tentar dominar o bar do zé , fundando o fã clube, Moun+Amour.

Ares Kratos, deus da guerra

É o segundo melhor executador de Roundhouse Kick, capaz de executar a técnica com
asBlades of Chaos. Utilizando essas armas mortais, matou mais de
519.484.321.478.874.568.132.487.690.042.000.845,98 de criaturas mitológicas. Estima-
se que o número de humanos eliminados por ele seja o número de criaturas mitológicas
vezes 1.000.000.000.000.000.042 elevado a 42. Também é responsável pela morte da
maioria dos deuses gregos. Assim, o total de mortes do deus Kratos é
AAAAAAAAAAAAA. Também pode-se aproximar o número de mortos deixados por
Kratos calculando 97% do número de mortos deixados por Chuck Norris em sua vida.

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Ares se tornou deus da guerra, oficialmente, depois de eliminar, duas vezes, Kratos, um
programa utilizado para compartilhamento de arquivos. Para tanto, Kratos embarcou
numa missão onde ele deveria procurar a Caixa de Pandora, localizada nas costas de
Cronos. Depois disso, ele deveria pegar o CD de instalação do Windows que havia lá
dentro e usá-lo para implantar um vírus em Ares. Assim, Kratos eliminou o programa e
tomou o seu lugar, se tornando o deus da guerra e do compartilhamento de arquivos.
  Muito fácil...

Kratos sobre sua missão

destruir a marca de suco de hades) então de saco cheio ele teve a brilante ideia de criar
um suco pa ficar mais conhecido mas não poderia ser um suco normal então ele também
criou a soja,mesmo depois de criar o proprio suco ainda queria mais e deu o proprio nome
ao suco

Utilidade dos deuses gregos

 Pesquisadores de Harvard acreditam que os deuses gregos tenham tido alguma
utilidade, mas os estudantes da UFA ainda estão na frente, afirmando que a única
utilidade dessa estudo parte importante da cultura grega foi na difusão da orgia.
 Com os avanços nas Ciências da Computação, poderemos utilizar a ajuda do Pensador
Profundo para encontrar o sentido disso. Por enquanto, tudo o que podemos fazer é
ignorar a existência de deuses, espartanos, Bozo, gnomos e Padrinhos Mágicos.


HUMOR

Texto extraído de http://str.com.br/Humor/dicionario.htm

Sociedade da Terra Redonda

DICIONÁRIO DE ESOTERISMO

Chacras - Segundo a filosofia oriental, o ser humano possui um corpo físico e um interior.
No fim de semana, o homem verdadeiramente iluminado se desliga de sua vida material
se volta para o interior. Meu pai, por exemplo, tem uma chacra no interior de São Paulo,
em Botucatu. A Chacra do meu pai se chama "Meu Cantinho".

Cabala - Seita esotérica abandonada por seus fiéis, por isso seus fundadores estão
pensando em acabá-la.

Zen Budismo - Religião de pessoas que não têm bunda e estão gripadas.

Tarot - Revelação mística que se manifesta quando o homem verdadeiramente iluminado
vislumbra a deusa. Por exemplo: meu amigo viu a Camila Pitanga nua e Tarot.

Arcano - Figura do Tarot. Ex.: "Meu amigo viu a Camila Pitanga nua e Tarot. Ele deu um
lance nela, mas entrou pelo arcano."

Karma - Estado de elevação espiritual que só se atinge na mística cidade de Sorocaba.
Ex.: "Karma, pessoar! Zezé di Camargo e Luciano já tão chegando!"

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Kama-sutra - Estágio máximo de realização carnal. Antes de se chegar ao kama-sutra,
deve-se passar pelo sofá-sutra, pelo banco-de-fusca-sutra, pela escada-de-serviço-sutra
e pelo elevador-sutra.

Duende - Paciente de médico fanho. Ex: Guem ão gosda de zamba, bom zujeito não é. É
ruim da gabeza ou duende do bé.

Tao - É o rei da cocada mística. Ex.: Paulo Coelho é o Tao!

Quartzo - Cristal místico que se desenvolve em conjugados. Também conhecido como
Quartzo-e-sala.

Magos - Estado esotérico que atinge aqueles que não são mais godos.

Mandala - Estado de alteração mística exacerbada que um iniciado atinge quando não
agüenta mais sua mulher. Ele perde a Karma e só pensa em mandala à pqp.

Moscha-Bustão - Terapia carioca para garotas de seios avantajados.

I-Ching - Cantor inglês que abraçou a causa ecológica e ficou amigo do cacique Raoni.

Kundalini - Uma energia espiritual suave e maternal que está adormecida no osso sacro,
na base da coluna vertebral. Recebeu esse nome após ter sido descoberto através do
orifício anal da Aline.




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15 TarôS

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    15 TARÔS 01 -O TARÔ MITOLÓGICO - JULIET SHARMAN-BURKE E LIZ GREENE Índice Os Arcanos Maiores, 08 Naipe de Copas, 40 Naipe de Paus, 54 Naipe de Espadas, 67 Naipe de Ouros, 81 O que o Tarô pode e não pode fazer, 95 Método de Consulta, 99 Tarô Cigano, 105 Tarô ‘O Caminho do Amante’, 106 Tarô da Deusa, 158 Introdução As Origens das Cartas de Tarô As origens das cartas de Tarô - quem primeiro as idealizou, quando, onde e com que objetivo - permanecem vagas e duvidosas, apesar dos inumeráveis livros e artigos que tentaram desvendar o mistério que envolve tais cartas. O encanto permanente pelas cartas de Tarô é evidenciado não somente por alguns desses escritos bem fundamentados e pesquisados e, às vezes, impressionantemente místicos, mas também pelo fascínio que exercem sobre os leigos, apesar das constantes tentativas por parte dos céticos em relegá-las a níveis inferiores de adivinhação, como a leitura de xícaras de café, bolas de cristal e outras. Ainda assim, as cartas de Tarô mantiveram a imaginação dos homens durante, pelo menos, 500 anos e possivelmente muito mais; e, sem dúvida, parece que o interesse continua o mesmo. O que faz com que essas figuras continuem a exercer esse mágico encanto, inclusive em indivíduos que se consideram racionais e sem qualquer tendência em acreditar nos mistérios do ocultismo? A resposta pode ser, em parte, porque as cartas de Tarô não são "ocultas" - ou seja, elas não são sobrenaturais ou mágicas, no sentido em que essas palavras são geralmente usadas, e pelo fato de que não são propriedades exclusivas do iniciado esotérico, mesmo que alguns estudantes pensem que o sejam. Evidências sugerem que, em meados do século XV - época em que os estudiosos acreditam que as cartas apareceram pela primeira vez -, elas eram disponíveis a qualquer pessoa que pudesse adquiri-las e quisesse dedicar-se à sua compreensão e ao seu uso. Neste livro, a nossa intenção é restaurar a acessibilidade original desse jogo de cartas para que não seja mais de domínio exclusivo do estudioso ou do ocultista que deliberadamente mistifica o seu simbolismo. Em diversas épocas, autores do assunto atribuíram a invenção das cartas a uma infinidade de fontes. Alguns alegam que a origem se encontra nos rituais religiosos e nos símbolos dos antigos egípcios;outros, nos cultos misteriosos de Mitra durante os primeiros séculos depois de Cristo. Ainda outros encontram paralelos com as crenças celtas pagas ou com os ciclos da poesia romântica do Santo Graal* que teriam surgido na Europa ocidental, na época medieval. Baseados no que é possível ver e tocar em museus, estudiosos mais sérios se concentraram nas cartas de Taro mais antigas, atualmente dispo- níveis, e acreditam que foram pintadas durante a Renascença. É claro que, se quisermos 1
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    basear a nossaexploração das origens do Taro em evidência comprovada, os primeiros baralhos de Taro -aqueles que incluem tanto os quatro naipes do baralho quanto as estranhas imagens conhecidas como os Arcanos Maiores - surgiram durante a segunda metade do século XV e foram pintados na Itália. Existem dois desses baralhos: um deles é conhecido como o baralho de Carlos VI e o outro, como o baralho de Visconti-Sforza. Mas a existência desses maravilhosos baralhos de Taro não fornece qualquer indício de certeza. Caso sejam, realmente, os primeiros a ser inventados, essa documentação não revela por que, ainda hoje, -quando deixamos para trás, há muito tempo, as crenças peculiares e a visão do mundo da Renascença -, achamos que seus símbolos e suas imagens têm a inexplicável sensação de um profundo significado. Essas lâminas parecem invocar memórias sutis e alguma associação com o mito, a lenda e o folclore e, apesar da objeção racional, alguma história ou segredo, que não podem ser totalmente formulados, nos escapam quando tentamos defini-las de maneira rígida demais. A Renascença italiana englobou um ressurgimento do clássico pensamento grego com o seu espírito dinâmico de experimentação, aventura e empreendimento. Da triste, rígida e melancólica visão do mundo da Idade Média, o brilhante espírito animista da antiga Grécia explodiu no mundo ocidental com enorme energia e consequências incalculáveis. Manuscritos gregos - particularmente as obras de Platão, os neoplatônicos, os filósofos herméticos de Alexandria e do Oriente Médio - encontraram o caminho para o Ocidente depois do saque de Constantinopla pelos turcos em 1453. Esses manuscritos, que até então não estavam disponíveis na Europa desde que os godos invadiram Roma, chegaram a Florença em uma época na qual os governantes da cidade simpatizavam com esses escritos hereges e o novo espírito rapidamente se espalhou por causa da recente invenção da máquina de imprimir. Esse movimento hermético neoplatônico desafiou ousadamente as crenças, que, durante muitos séculos, haviam sido consideradas sacrossantas, pois se confrontou diretamente com a autoridade da Igreja, denunciando a obediência cega aos dogmas e encorajando o desenvolvimento psicológico do indivíduo. A visão era tão pagã quanto cristã, e imagens dos deuses e deusas antigos começaram a aparecer na arte da Renascença sendo que, anteriormente, havia unicamente temas religiosos convencionais. O movimento invadiu primeiro a Europa ocidental, no exato momento em que as mais antigas cartas de Taro, das quais temos conhecimento, eram usadas. É preciso conhecer um pouco dessa nova visão do mundo que o hermético neoplatonismo adotava para, dessa forma, podermos entender um pouco melhor o significado das cartas do Taro. Também poderemos ter uma ideia do motivo pelo qual o Taro caiu em tanto descrédito a ponto de suas cartas serem associadas ao próprio trabalho do Demónio. Essencialmente, a nova visão do mundo desafiava a velha ideia medieval de que o homem era uma pobre criatura pecadora que somente podia conhecer Deus por meio de Sua única intermediária, a Igreja. "Que grandioso milagre é o homem!" tornou-se o grito da reorganização da Renascença, pois, de acordo com a nova visão, o homem era o maravilhoso co-criador no Cosmos de Deus. O movimento hermético neoplatônico acreditava que o ser humano era, na essência, um microcosmo do Universo maior e que, portanto, o autoconhecimento - conhecimento da alma - era o único e verdadeiro caminho religioso pelo qual era possível reconectar-se com as origens divinas. É claro que o autoconhecimento foi a primeira máxima dos gregos: "Conhece-te a ti mesmo", inscrita acima do portal do templo de Apolo, em Delfos. E o conhecimento do ego significava o conhecimento dos diversos esforços e impulsos interiores do homem e da mulher, alguns sombrios e outros iluminados, assim como o conhecimento dos ciclos de desenvolvimento da vida humana. Para a recém-despertada mente da Renascença, a multiplicidade de deuses gregos parecia uma melhor e mais autêntica analogia dos padrões complexos do Universo do que o mundo estático da Trindade, com a sua exclusiva divindade masculina e caridosa. Além 2
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    disso, se ohomem fosse um grande milagre e co-criador no Cosmos, então teria direito de interferir consigo mesmo e com o seu mundo, e até de melhorar a criação não tão perfeita de Deus em vez de, obediente, aceitar o seu destino de acordo com os dogmas religiosos. É óbvio que a Igreja tinha de retaliar com grande ferocidade e, eventualmente, forçar essa nova visão à marginalização durante os dois séculos seguintes. Junto aos maravilhosos deuses de múltiplas facetas, a Renascença também adotou um método grego de abordá-los: a arte dos sistemas de memorização que fora inicialmente desenvolvida como uma espécie de chave pictórica para a meditação. Ela era utilizada quando um indivíduo queria simplesmente lembrar o texto de um discurso ou de um poema, ou desejava experimentar um sentimento de ligação da alma com o Universo maior. Tais sistemas envolviam o estudo ou a meditação sobre uma série de imagens mágicas, cada uma das quais sendo um símbolo e, por conseguinte, tendo vários níveis de significados. Um exemplo desses sistemas de memorização, ainda usados atualmente, são as Estações da Via Sacra da Igreja Católica que procuram recriar na mente e no coração do observador toda a história da vida de Cristo, de sua morte e ressurreição. Na Renascença, os sistemas de memorização foram associados aos talismãs mágicos ou emblemas, figuras ou amuletos destinados a evocar no observador o sentido de um certo poder agindo na vida em vários níveis. O objetivo dessa meditação era formar uma espécie de escada para alcançar níveis superiores de consciência e conseguir um discernimento do mundo divino. As imagens dos deuses gregos que aparecem em pinturas, como aquelas de Botticelli e as dos primeiros baralhos de Taro, não são meros ressurgimentos de veneração pagã. Elas eram consideradas símbolos de grandes leis agindo por toda a Criação. A meditação, com essas imagens, destinava-se à recuperação da "memória" do mundo divino da alma, elevando a consciência individual que se achava presa ao mundo trivial da matéria, e ligando a pessoa com a sua fonte verdadeira. Naturalmente, a Igreja considerava o aparecimento dessas imagens pagãs como obra do Demónio e, energicamente, reprimiu os estudos que lidavam com esses assuntos heréticos. Até o advento da chamada Era da Iluminação, que introduziu a visão "científica" e, aparentemente, colocou um fim aos absurdos místicos dos séculos anteriores, as cartas de Taro foram relegadas à vida sombria dos ocultistas dos séculos XVIII e XIX. Não mais acessíveis ao público e sem qualquer importância para uma visão filosófica e espiritual aceitável à sociedade, as cartas foram progressivamente manipuladas e mudadas de acordo com as crenças espirituais particulares do grupo ou da ordem que as possuísse. Portanto, as atuais cartas de Taro são interessantes mesclas influenciadas desde o pensamento cabalístico até as lendas arturianas, e das práticas mágicas atuais até o simbolismo rosa-cruz. Por mais interessantes que sejam, esses híbridos perderam sua universalidade original e o leitor que deseja aprender mais a respeito das cartas é, muitas vezes, confundido pelo simbolismo obscuro e, em alguns casos, pela rígida doutrina moral e espiritual que foi incutida por uma escola de pensamento particularmente esotérica. O Taro Mitológico Neste livro, tentamos restaurar alguma de sua simplicidade original e da acessibilidade às cartas de Taro, redesenhando o baralho de acordo com as imagens dos deuses gregos tão caros aos artistas e autores da Renascença e que agregam os fundamentos culturais da vida ocidental. Os deuses gregos não são propriedade exclusiva de qualquer particular escola esotérica, doutrina religiosa ou caminho espiritual. Amoral e, no entanto, contendo profundas verdades morais, eles antecedem e permeiam os nossos símbolos religiosos judeu-cris-tãos, assim como a arte e a literatura de toda a cultura ocidental. Além disso, continuam sendo as imagens mais fundamentais e precisas que descrevem o funcionamento multilateral e multicolorido da psique humana. Eles são símbolos da própria natureza, a nossa própria natureza humana com sua profunda 3
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    ambivalência de corpoe espírito, e seus mutuamente contraditórios esforços para a auto- realiza-ção e para a inconsciência. A compreensão de nossa própria ambivalência começou, apenas recentemente, a ser restaurada ao seu antigo objetivo pela moderna psicologia de profundidade, que inevitavelmente teve de voltar à fonte - os deuses pagãos - para poder entender o comportamento humano. Assim, tanto nas cartas como neste livro, aderimos aos tradicionais significados das cartas, ao mesmo tempo ressuscitando os velhos deuses enterrados sob séculos de "refinamento". Então, o que é mito? Os nossos dicionários oferecem várias definições. Uma delas diz que mito é uma história irreal - uma perspectiva que, sem dúvida, é válida em um sentido, mas inadequada em outro. É verdade que nenhum arqueólogo chegou a descobrir os os- sos de Édipo ou de Hércules. Mas o que pode ser irreal em termos concretos, pode muito bem ser real no nível interior, como uma espécie de experiência subjetiva. A palavra mito pode também implicar um esquema ou um plano e é, justamente, esse significado que devemos considerar ao visualizarmos as cartas de Taro. Imagens mitológicas são realmente figuras espontâneas criadas pela imaginação humana que descrevem, em linguagem poética, experiências e padrões humanos essenciais de desenvolvimento. Atualmente, a psicologia usa o termo "arquétipo" para descrever esses padrões. Arquétipo significa um padrão que é universal e existente em todas as pessoas, em todas as culturas, em todos os períodos da história. O nascimento, por exemplo, é uma experiência arquetípica. Isso é obviamente real em um nível concreto - todos nós, em certo tempo ou em outro, nascemos. Mas também é uma experiência psicológica de espécie arquetípica, porque sempre que iniciamos algo novo, ou entramos em uma nova fase da vida, há um sentido de nascimento. Nascimento também implica outros estados subjetivos, porque nascer significa abandonar as reconfortantes e serenas águas do útero materno, tanto em nível físico quanto psicológico. A morte também é uma experiência arquetípica; todos nós, algum dia, morreremos. Da mesma forma, a morte também é psicológica, porque a vida muda, como nós também mudamos; todas as vezes que há um final de qualquer espécie, uma separação ou o fim de uma fase da vida, há um sentido de morte. A puberdade, a passagem da infância para a adolescência (e ao estado de homem ou mulher fértil, adulto), também é arquetípica. Todos nós passamos pelos profundos estágios físicos e emocionais da puberdade, entre 12 e 15 anos de idade. Mas também podemos ter essas passagens muitas vezes em nossa vida, em nível interior e subjetivo, sempre que passamos da maneira infantil e inocente de visualizar os acontecimentos para uma compreensão mais real da vida que nos atinge e aprofunda. É por isso que um mito, como o rapto da virgem Perséfone por Hades, o deus do Inferno, tanto é a imagem do processo da puberdade, com a sua terrível separação do confortável mundo parental para um mundo totalmente desconhecido da vida, quanto a imagem de uma experiência psicológica que pode ocorrer sempre que ficamos presos a ideias ingénuas e pontos de vista infantis sobre a vida, sendo forçados pela experiência a descobrir as profundidades desconhecidas da vida e de nós mesmos. O mito retrata padrões arquetípicos da vida humana por meio de figuras e histórias. O mito grego* é uma imaginativa descrição, sofisticada e eternamente viva, do que somos feitos. Isso foi o que cativou a mente da Renascença e o que transpira nas imagens misteriosas das cartas de Taro, que transcendem às mudanças de cultura e de consciência dos últimos quatro milénios e nos remetem - como os velhos sistemas de memorização - para o sentido de ligação com os antigos e eternos desígnios humanos. Podemos agora ver que, na realidade, existem dois caminhos pelos quais é possível abordar as cartas de Taro. Podemos enveredar pela abordagem histórica, que se limita essencialmente aos fatos, ou podemos empreender a abordagem psicológica, que é essencialmente arquetípica. Com a primeira podemos explicar - ou, pelo menos, podemos tentar explicar - as origens e intenções iniciais das cartas. Mas a segunda expõe a 4
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    questão de seueterno fascínio, apesar do fato de sermos mais bem versados cientificamente. No mundo das imagens da psique, as experiências não são ligadas pela casualidade, mas pelo significado. Outros padrões, que não os concretos, agem dentro de nós e, se não tivermos algum conhecimento da psique, as estranhas coincidências das cartas de Taro poderão nos parecer assustadoras ou perturbadoras. A ligação entre os acontecimentos co-tidianos e as imagens das cartas de Taro não acontece porque as cartas são "mágicas", mas porque há um significado associado. Isso é o que queremos dizer quando citamos nascimento, morte e puberdade tanto como experiências externas quanto internas. Passamos por essas experiências constantemente em diferentes níveis e épocas de nossa vida, e há uma carta de Taro que descreve cada uma delas; de alguma forma, ela aparecerá misteriosamente, "sem causa aparente", em uma abertura de cartas no momento em que estivermos, internamente, vivendo uma experiência arquetípica. Assim, a maneira pela qual o Taro "opera", a título de previsão, é tal como um espelho da psique. A natureza arquetípica das imagens atinge, de maneira oculta e inconsciente, a intuição do intérprete e reflete nele um conhecimento desconhecido ou percepções que se refiram à situação do cliente - aparentemente revelando fatos que, racionalmente, não seriam possíveis de ser descobertos. É por isso que poderes de "clarividência" ou "psíquicos" não são pré-requisitos para um intérprete sensitivo, pois a consciência dos padrões arquetípicos ou correntes que opera na vida das pessoas é refletida nas imagens das cartas. OS ARCANOS MAIORES Agora podemos nos dedicar às próprias cartas para compreender melhor o grande desígnio, história ou mito arquetípicos retratados em suas antigas imagens. As 22 cartas dos Arcanos Maiores do Taro consistem em uma série de imagens que retratam diferentes estágios de uma jornada. Esta é uma das viagens familiares de muitos mitos, lendas e contos de fadas, assim como de importantes ensinamentos religiosos. Trata-se da jornada da vida de cada ser humano, desde o seu nascimento, passando pela infância e o poder e a influência dos pais; a adolescência, com seus amores, conflitos e contestações; a maturidade, com suas experiências cotidianas e os desafios éticos e morais, perdas e crises, desespero, transformação e o despertar de novas esperanças para, eventualmente, alcançar e realizar um objetivo - que, por sua vez, leva a outra jornada. Esse não é somente um ciclo de idade cronológica, mas também é aquele que ocorre várias vezes dentro do período de toda uma vida, pois tudo o que nos acontece tem início, meio e fim. Assim, a jornada representada pelos Arcanos Maiores é arquetípica, significando que, independentemente do que possam ser os detalhes específicos de uma vida individual, longa ou curta, banal ou dramática, boa ou má, alguns estágios estão à nossa espera no caminho do desenvolvimento psicológico. Todos nós fomos crianças e tivemos pais, e continuamos tendo partes próprias com atitudes infantis e prontas para um novo começo. Todos passamos por fracassos e sucessos, grandes ou pequenos e, apesar de certas vezes com relutância, todos nós crescemos. Dessa forma, a arquetípica jornada da vida, na realidade, uma jornada interior que ocorre em muitos e diferentes níveis, pode ser encontrada em muitas manifestações criativas ao longo dos milénios. O famoso conto épico babilónico Gilgamesh, com o seu herói lutando contra as forças obscuras do mal, não é muito diferente do filme moderno Guerra nas Estrelas. Mudanças internas provocam acontecimentos externos e estes promovem mudanças internas. Às vezes, é difícil dizer se, por exemplo, um caso de amor provocou uma atividade criativa e uma nova percepção, ou se essa percepção e uma maneira mais criativa de enxergar a vida nos levaram a um caso de amor. Também é difícil dizer se o fracasso de 5
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    um negócio nosleva a ser amargos e desconfiados, ou se a desconfiança inata provoca o fracasso do negócio por (tieio da alienação dos colegas. Portanto, as imagens dos Arcanos Maiores descrevem tanto o estado interior do indivíduo em um determinado momento de sua vida quanto as experiências que ele poderá encontrar em seu cotidiano. Os dois estados andam em paralelo porque é o próprio indivíduo que os fundamenta. Como o famoso psiquiatra Cari Jung* certa vez escreveu, a vida de uma pessoa é característica dela mesma. Adivinhação e percepção psicológica caminham juntas com as figuras dos Arcanos Maiores, pois o que acontece no mundo externo está ligado ao nosso mundo inter- no. O mistério de por que uma carta específica aparece em uma abertura de cartas como se fosse "por acaso" e, no entanto, impressionantemente relevante não somente à condição psicológica do consulente (a pessoa que coloca a pergunta), mas também para as circunstâncias do momento, é inexplicável em termos de causas comuns. Por esse motivo, muitas pessoas têm medo das cartas, acreditando que estejam ligadas à magia ou ao sobrenatural, de alguma forma. No entanto, elas o são tanto quanto é a nossa psique, cujas profundezas pouco conhecemos e que parece estar ligada ao mundo 'externo" por meio de conexões de múltiplos significados. De certa forma, compreender o significado interior de uma determinada experiência - "O que isso tem a ver comigo?" - pode ajudar- nos a enfrentá-la melhor e corresponder de uma forma mais rica e criativa, pois ela não nos parece mais casual, azar ou puro destino. Podemos enxergar traços de nossas próprias características ém tudo o que nos acontece. A jornada dos Arcanos Maiores é a do Louco, a primeira das 22 figuras. Seguimos o Louco e, ao mesmo tempo, nós assumimos este papel no momento em que ele surge na escuridão da caverna maternal e mergulha no desconhecido. Encontramos as experiências fundamentais da infância- os pais terrenos e os pais internos do espírito e da imaginação - nas cartas do Mago, da Imperatriz, do Imperador, da Sacerdotisa e do Hierofante. Reconhecemos os conflitos e paixões do adolescente dentro de nós nas cartas dos Namorados e do Carro. Deparamo-nos com os testes do mundo e os desafios morais da vida nas cartas da Justiça, da Temperança, da Força e do Eremita. Passamos por crises e perdas e o repentino golpe do destino representado pela Roda da Fortuna, e sofremos o desamparo e o desespero do Enforcado e da Morte. Seguimos ainda o Louco, na confrontação consigo mesmo, como o arquiteto oculto de seu próprio destino no Diabo e na Torre. Dessa escuridão, nasce a esperança nas cartas da Estrela, da Lua e do Sol; e a vitória sobre a escuridão e a reconciliação com a vida advêm com as cartas do Julgamento e do Mundo. As imagens dos Arcanos Maiores são antigas e símbolos evocativos de experiências de vida que pertencem à nossa condição e destino humanos. Tais símbolos prestam dignidade à vida, porque descobrimos que outros lá estiveram antes de nós e encontraram o caminho, e cresceram e enriqueceram. Todas as cartas possuem significado ambivalente, de maneira a sugerir dimensões de experiências tanto negativas quanto positivas. Nenhuma das cartas é totalmente positiva ou totalmente negativa, apesar de algumas serem mais fáceis ou mais difíceis em termos de qualidade da experiência que descrevem. É por isso que não utilizamos o método de inverter as cartas, interpretando-as como positivas se aparecerem "de cabeça para cima" e negativas, "de cabeça para baixo". Essa técnica de inversão é uma inovação moderna e pode confundir em vez de elucidar o significado da carta. O "peso" de positivo ou negativo torna-se mais compreensível no contexto do padrão geral da abertura de cartas que discutiremos mais amplamente no capítulo apropriado. Mas uma experiência arquetípica e, portanto, a figura arquetípica que a incorpora, é uma mescla tão sutil de positividade e de negatividade que é impossível separá-las totalmente uma da outra. Todas as cartas dos Arcanos Maiores são rituais de passagem -estágios ou processos, e não resultados finais ou lugares estáticos imutáveis. Cada estágio da vida leva ao seguinte e, apesar de podermos, de maneira compreensiva, tentar reter o tempo e 6
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    permanecer em umlugar confortável, não está em nós, mortais, influir no ciclo do movimento da vida para que estagne em um único esconderijo. Portanto, ao final da jornada, o Louco recomeça a sua caminhada, porque, quando sentimos que alcançamos a meta e realizamos os nossos desígnios, uma outra meta, mais profunda ou mais alta, materializa-se além dela, de maneira que todo fim, na realidade, é uma preparação para algo mais que nos leva a reiniciar o ciclo. Agora vamos examinar cada uma das 22 cartas dos Arcanos Maiores com mais detalhes. 0 - O LOUCO A carta do Louco, a primeira dos Arcanos Maiores, retrata um jovem selvagem vestido com retalhos de peles de animais e de diversas cores, dançando em abandono extático à beira de um precipício. Na cabeça, uma coroa de folhas de vinha sobre seus cabelos castanhos e um par de chifres na fronte, semelhantes aos de um bode. Seu olhar está voltado para o horizonte, onde o Sol está apenas nascendo. Ao seu redor, uma paisagem árida com pedras marrons e cinzas. A sua esquerda, escondida pelas sombras da noite que se retira, está a entrada da caverna da qual saiu. Acima dela, em um galho seco, uma águia empoleirada. Aqui encontramos o herói de nossa jornada à guisa do misterioso deus Dioniso, o que nasceu duas vezes. Ele era filho do grande Zeus, rei dos deuses, e de Semeie, uma mortal, princesa de Tebas. A esposa de Zeus, Hera, furiosa por sua infidelidade, disfarçou-se de ama-seca e sugeriu a Semeie que testasse a devoção de seu amante pedindo-lhe que aparecesse em toda a sua divina glória. Como ele havia prometido a Semeie que concederia tudo o que o seu coração desejasse, Zeus estava preso à sua palavra quando ela insistiu que lhe revelasse a sua divindade. Com relutância, ele se manifestou como trovão e raio, e Semeie foi consumida pelas chamas. Mas Zeus conseguiu salvar a criança. Hermes, mensageiro dos deuses e patrono da magia, costurou o feto na coxa de Zeus e foi assim que Dioniso nasceu. Hera continuou perseguindo a estranha criança de chifres e enviou os Titãs, os deuses da Terra, para que cortassem Dioniso em pedaços. Mas Zeus salvou o coração da criança, o qual ainda batia, e o transformou em uma poção de sementes de romã. A bebida mágica foi oferecida à virgem Perséfone por Hades, o obscuro deus do Submundo, quando este a raptou. Perséfone ficou grávida e foi assim que Dioniso renasceu no Submundo. Ele, então, foi chamado Dioniso-Iaco, o que nasceu duas vezes, deus da luz e do êxtase. Ordenado por seu pai Zeus a viver entre os homens e a compartilhar de seus sofrimentos, ele foi acometido de loucura por Hera e vagou pelo mundo seguido por sátiros selvagens, mulheres aloucadas e animais. Ele deu à humanidade o presente do vinho e concedia o êxtase inebriante e a redenção espiritual àqueles que queriam se desvencilhar do poder e das riquezas materiais. Posteriormente, seu pai divino, Zeus, pediu que ele subisse para o Olimpo, onde ocupou o seu lugar à direita do rei dos deuses. No sentido interior, Dioniso, o Louco, é uma imagem do nosso misterioso impulso de mergulhar no desconhecido. O nosso lado conservador, cauteloso e realista, observa com horror esse espírito selvagem e jovem que, confiando no céu, está preparado para pular no precipício sem qualquer hesitação. A loucura de Dioniso existe perante a nossa parte ligada ao mundo da forma, dos fatos e da ordem lógica. Mas, em um sentido mais profundo, não se trata de loucura, pois é o impulso para a mudança que nos atinge inadvertidamente sem qualquer base racional e sem um programa planejado de ação. O deus é retratado em peles de animais porque, de certa forma, essa dimensão intuitiva e irracional para a personalidade humana é uma espécie de sexto sentido, um instinto 7
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    animal que ouveuma música com a qual ouvidos cansados e acostumados à realidade concreta não estão sintonizados. Dioniso é o filho do rei dos deuses e é o espírito de seu pai com o qual ele está sintonizado, apesar de ordenado a viver na Terra com os mortais; mas quando esse impulso nos atinge é difícil saber se ele procede da morada divina ou de um lugar mais sombrio, do Submundo. Assim, Dioniso, o Louco, representa o impulso irracional para a mudança e abertura dos horizontes da vida frente ao desconhecido. O Louco encontra-se no início de sua jornada e, quando somos atingidos pelo misterioso impulso que representa, também nos colocamos à beira de uma jornada. Às vezes, esses impulsos irracionais podem ser destrutivos como também podem ser criativos, e frequentemente são os dois juntos. Às vezes, o deus selvagem pode mergulhar no precipício e deparar-se com situações penosas e prejudiciais, as quais também podem proporcionar inícios incrivelmente criativos, a condição na qual se encontra o indivíduo desesperadamente ávido de alimento espiritual que ele ou ela não pode realmente entender. Mas, se nós não correspondermos a esses chamados do outro mundo, afundamos então em vidas monótonas, banais e sem sentido, e chegamos ao final de uma vida perguntando-nos o que perdemos e por que o mundo parece tão vazio. Por conseguinte, o Louco é uma figura altamente ambivalente, pois não há qualquer garantia, no início dessa jornada, de chegarmos em segurança ou, se até mesmo, chegaremos. Por outro lado, não iniciar é negar o deus que, em nível interior, significa negar tudo em nós que seja jovem, criativo e que esteja em contato com o que é maior do que nós mesmos. Em nível divinatório, Dioniso, o Louco, inaugura o advento de um novo capítulo da vida quando aparece em uma abertura de cartas. Um risco de alguma espécie é necessário, uma vontade de mergulhar no desconhecido. O Louco é tão ambíguo quanto Dioniso, pois não podemos saber se penetraremos na percepção divina do Louco ou acabaremos simplesmente parecendo loucos. Dessa forma, no meio da ambiguidade, da atividade e do medo, começa a grande jornada da vida retratada pelo Arcano Maior do Taro. 1 - O MAGO A carta do Mago apresenta um jovem forte e esbelto, de cabelos pretos encaracolados, que se encontra em uma encruzilhada. Ele veste uma curta túnica branca e um manto de viagem vermelho. A sua mão esquerda aponta para o céu, enquanto com a direita ele aponta para uma pedra plana que está à sua frente, no centro da convergência das estradas. Sobre a pedra estão reunidos quatro objetos: um cálice, uma espada, uma vara flamejante ou caduceu e um pentáculo. Atrás dele, um cenário árido com pedras marrons e cinzas - uma continuação do cenário apresentado na carta do Louco. Duas ramificações da estrada desaparecem na distância rochosa. o deus Hermes, guia dos viajantes, patrono dos ladrões e dos mentirosos, soberano da magia e da adivinhação e promotor da boa sorte repentina e de suas mudanças. É chamado de "Trapaceiro" por ser ambíguo e enganador e, no entanto, ele é o mensageiro da confiança dos deuses e o guia das almas no Submundo. Na Mitologia grega*, Hermes era o filho de Zeus, rei dos deuses, e da misteriosa ninfa Maia, também chamada de Mãe da Noite. Portanto, ele é o filho tanto da luz espiritual quanto da escuridão primordial, e as suas cores - vermelho e preto - refletem a mistura das paixões terrenas e da claridade espiritual que fazem parte de sua natureza. Ainda bebé, Hermes engatinhou para fora de seu berço e roubou um rebanho de gado de seu irmão Apolo, o deus-Sol. Para enganar Apolo, ele vestiu sandálias ao revés para que o deus, irado, procurasse o culpado na direção errada. Quando, finalmente, Apolo o confrontou para saber quem havia roubado o seu gado, Hermes presenteou-o com uma lira que havia feito da carapaça de uma tartaruga. Hermes elogiou seu irmão com um discurso astuto, mas melífluo, dizendo-lhe que o presente era para honrar o seu 8
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    maravilhoso dom musical.O deus-Sol ficou tão orgulhoso que se esqueceu do gado e até presenteou Hermes com o dom da adivinhação. Com isso, Hermes tornou-se o mestre dos quatro elementos e, posteriormente, ensinou aos homens as habilidades da Geomancia (adivinhação pela terra), Piromancia (adivinhação pelo fogo), Hidromancia (adivinhação pela água) e Aeromancia (adivinhação pelo ar). Ele era sempre venerado em encruzilhadas, nas quais estátuas eram erigidas para honrá-lo e invocar a sua bênção sobre os viajantes, os errantes e os sem-teto. No sentido interior, Hermes, o Mago, é o guia. Isso significa que em algum lugar dentro de nós, não importa quão perdidos ou confusos estejamos, em qualquer momento da vida, temos os recursos da previsão muitas vezes ocultos da consciência, mas que podem intuir a direção a ser tomada e as escolhas a empreender. O Mago nem sempre atende quando é chamado, pois Hermes é um deus astuto e brincalhão. Ele tem suas próprias ideias do que possa ser importante. Chega à noite, muitas vezes na forma de sonhos perturbadores ou à guisa de reunião com outra pessoa que se torna significativa como catalisadora da jornada. Ou, então, ele pode aparecer como uma pista repentina ou a descoberta de que temos à disposição mais do que um pensamento. O livro que "acidentalmente" nos cai nas mãos, ou a ocasional visita de um amigo, ou qualquer pequena "virada do destino" são obras do Mago, o guia interior. De certa forma, o Mago é o educador espiritual e protetor do Louco assim como, no mito, o deus Hermes conseguiu costurar o feto Dioniso na coxa de Zeus, protegendo-o até o seu nascimento. Hermes, o Mago, é o poder inconsciente a partir do qual cuida de nós, apesar de não podermos vê-lo, e que aparece como por mágica nos momentos mais críticos e difíceis da vida, para oferecer orientação e sabedoria. Hermes não era um deus no qual fosse possível confiar para decisões comuns dos afazeres cotidianos. Ele podia trapacear e confundir e, muitas vezes, suas orientações faziam homens e mulheres se perderem na noite ao longo de caminhos intricados e afastados, levando o viajante a lugares estranhos e frustrantes. Seguir o guia interior não significa sempre empreender escolhas seguras para garantir bons resultados. Frequentemente, eles são o oposto. Mas, como Hermes é o mestre dos quatro elementos, a sua sabedoria pode penetrar todas as fases da vida - a mente, a imaginação, o coração e o corpo. Sem ele não temos absolutamente qualquer recurso interior e, portanto, acabaremos sempre confiando na orientação de outras pessoas e destinados a viajar como gado nas mesmas trilhas desgastadas como todos fazem. O Louco encontra o Mago somente após ter enfrentado o precipício, pois as visitações do guia interior não ocorrem quando nos escondemos na segurança da caverna maternal. No sentido divinatório, Hermes, o Mago, aponta para dons e habilidades criativas que ainda não se manifestaram. Ele pode aparecer como uma onda de energia e uma intuição de excitantes oportunidades novas. Ele pressente o discernimento e uma percepção de possibilidades inexploradas. O Louco é cego e tem unicamente o sentido animal de um significado a ser encontrado em algum lugar, de alguma forma. Mas, pelo seu encontro com Hermes, o Mago, torna-se claro que a jornada é possível e que ele possui capacidades que ainda devem ser desenvolvidas. 2 - A SACERDOTISA A carta da Sacerdotisa retrata uma jovem esbelta e delicada, de pele clara, longos cabelos pretos e olhos escuros, portando um vestido branco, simples e longo. Em sua cabeça, uma coroa dourada. Em sua mão direita, ela segura uma romã aberta ao meio para mostrar suas múltiplas sementes. Em sua mão esquerda, um buque de narcisos brancos que também se espalham pelo chão. Em cada lado da escadaria, na qual ela se encontra, há uma coluna; a da esquerda é preta e a da direita, branca. Atrás dela, no alto da escadaria, um portal dá passagem a um rico cenário verde que também aparece na 9
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    carta da Imperatriz. Aqui encontramos Perséfone, rainha do Submundo, filha de Deméter, a Mãe-Terra, e guardiã dos segredos dos mortos. Na carta da Imperatriz, vimos como, de acordo com o mito, Hades, senhor do Submundo, apaixonara-se pela jovem Perséfone quando ela colhia flores nos campos, saindo de sua morada para raptá-la. Levando-a para o seu mundo sombrio, ele lhe ofereceu uma romã, e ela aceitou. Ao comê-la, ela participou da fruta dos mortos e, assim, ficou eternamente ligada ao deus. Perséfone governava o Submundo durante três meses do ano e, apesar de passar nove meses no mundo da luz com a sua mãe Deméter, ela não podia contar os segredos que lhe foram revelados no mundo dos mortos. O reino de Hades, cheio de mistérios e riquezas, era cercado pelo terrível rio Estige, que nenhum ser humano vivo podia atravessar sem a permissão do próprio Hades; mesmo quando Hermes, mensageiro dos deuses e guia das almas, podia escoltar os heróis excepcionais que conseguiam o consentimento do deus. Inclusive as almas dos mortos não podiam atravessar o rio sem pagar uma moeda a Caronte, o velho barqueiro encarregado da travessia do Estige, pois nos portais do reino de Hades encontrava-se Cérbero, o terrível cão de três cabeças, que devorava qualquer intruso, vivo ou morto, que não respeitasse as leis desse reino invisível. Dessa forma, ao comer a romã, Perséfone deixava para trás a sua infância inocente, tornando-se a guardiã desse mundo sombrio e seus segredos. No sentido interior, Perséfone, a Sacerdotisa, é uma figura de ligação com o misterioso mundo interior para o qual a psicologia de profundidade deu o nome de "inconsciente". É como se embaixo e além do mundo da luz, que acreditamos ser a realidade, houvesse um outro mundo oculto, cheio de riquezas e potenciais, que não podemos penetrar sem o consentimento de seus governantes invisíveis. Esse mundo contém os nossos potenciais a ser desenvolvidos, assim como as facetas mais sombrias e primitivas da personalidade. Também contém o segredo do destino do indivíduo que, na escuridão, se encontra em estado embrionário até que a maturidade seja alcançada para a sua manifestação. Perséfone, a Sacerdotisa, é a incorporação da nossa parte que conhece os segredos do mundo interior. Mas ela é apenas percebida pela consciência desperta e aparece por meio de fugazes fragmentos de sonhos ou por estranhas coincidências que nos fazem imaginar se existe algum padrão oculto agindo em nossas vidas. Perséfone é uma personagem sedutora e fascinante, mas ela não revela os seus segredos. Da mesma maneira, o mundo obscuro do inconsciente, vislumbrado por meio de sonhos, fantasias e intuições, também é sedutor e fascinante; mas, quando procuramos entendê-lo pelo intelecto e "dominá-lo" para os nossos próprios propósitos, ele emudece e nos escapa. O mundo sombrio de Perséfone proporciona unicamente vislumbres obscuros de padrões e movimentos em ação no indivíduo, que requerem paciência e tempo antes que possam ser trazidos à luz do dia. O mito de Perséfone enfatiza o movimento cíclico do tempo, retratando um ritmo misterioso, um constante vaivém de algo. As sementes da mudança e de novos potenciais aguardam silenciosamente no útero do Submundo antes de serem transferidas aos cuidados da Mãe-Terra para serem levadas a nascer no mundo material. Perséfone, a Sacerdotisa, é uma imagem da lei natural em ação nas profundezas da alma que governa o desenrolar do destino a partir de uma fonte invisível e que somente é revelada por meio do sentimento, da intuição e do mundo obscuro dos sonhos. No sentido divinatório, o aparecimento da Sacerdotisa em uma abertura de cartas prevê um aumento dos poderes da intuição e implica uma espécie de encontro com o oculto mundo interior governado por Perséfone. O indivíduo pode ser atraído inexplicavelmente para esse mundo por meio do interesse pelo ocultismo ou pelo esote- rismo, ou ainda por meio de um poderoso sonho ou de um sentido interno de que "alguma coisa" esteja agindo na vida das pessoas. 10
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    Desse modo, oLouco que aprendeu um pouco mais a respeito de sua natureza física e de suas necessidades, assim como o seu lugar no mundo por meio de seus pais terrenos, a Imperatriz e o Imperador, agora penetra no mundo da noite para ir ao encontro, muitas vezes confuso e surpreso, da figura silenciosa que encarna a Mãe em um nível mais profundo e sutil - o útero do inconsciente no qual o segredo de seu verdadeiro propósito e o padrão de seu destino estão contidos. 3 - A IMPERATRIZ A carta da Imperatriz retrata uma bela mulher grávida, de longos cabelos castanhos, em pé no meio de um campo de cevada em maturação. Sua saia é urdida com muitas e diferentes plantas e a barra é feita de ramos de folhas de louro. Em volta do pescoço, um colar de 12 pedras preciosas. Ela porta uma coroa com um diadema de castelos e torres. Atrás dela, em um cenário de campos férteis, água flui para um lago. Aqui encontramos a grande deusa Deméter, a Mãe da Terra, regente de toda a natureza e protetora das jovens criaturas indefesas. No mito grego, Deméter amadurecia anualmente o trigo dourado e, ao final do verão, as pessoas lhe ofereciam agradecimentos pela fertilidade da terra. Deméter reinava os ciclos ordenados da natureza e a vida de todas as coisas em crescimento; daí a saia que ela veste. Ela preside a gestação e o nascimento da nova vida, abençoando os rituais do casamento como veículo para a continuidade da natureza. Deméter é uma deusa matriarcal, uma imagem do poder dentro da própria terra, que não precisa de qualquer validação do céu. Dizem que ela ensinou aos homens as artes de arar e de semear a terra e, às mulheres, as artes de moer o trigo para fazer o pão. Deméter vivia com sua filha Perséfone, abrigada dos conflitos e das disputas do mundo. Porém, um dia essa vida pacífica e contente foi violentamente invadida. Perséfone havia saído para passear e não voltara. Angustiada, Deméter procurou-a em todos os lugares, mas sua filha havia desaparecido sem deixar vestígios. Finalmente, após anos de buscas infrutíferas, ela veio a conhecer o destino de Perséfone. Diziam que Hades, o senhor obscuro do Submundo, se apaixonara pela jovem e saíra de seu domínio para a superfície da Terra em sua carruagem, puxada por dois cavalos negros, e a raptara. Furiosa, Deméter permitiu que a Terra ficasse árida e recusou-se a restaurá-la à sua antiga abundância. Como ela não podia suportar essa mudança - apesar de Perséfone ter concordado em comer a romã, fruta do Submundo, e Hades tê-la tratado com honradez e feito dela a sua rainha -, parecia que toda a humanidade pereceria por falta de alimento. Por fim, graças à intercessão do inteligente e previdente deus Hermes, chegou-se a um acordo: durante nove meses do ano, Perséfone viveria com a sua mãe, mas deveria voltar para seu marido obscuro durante os outros três. Deméter nunca chegou a uma conclusão com essa solução. Todos os anos, quando a sua filha estava ausente, a Mãe-Terra sofria de tristeza. As flores murchavam, as árvores deixavam cair suas folhas e a Terra entrava em um período sem vida e frio. Mas todos os anos, com o retorno de Perséfone, a esplendorosa Primavera voltava a reavivar a Terra. No sentido interior, a imagem de Deméter, a Imperatriz, reflete a experiência da maternidade. Isso não significa somente o processo físico de gestação, nascimento e alimentação da jovem e indefesa criatura. Também é a experiência interior da Grande Mãe: a descoberta do corpo como algo valioso e precioso que merece cuidado; a experiência de ser parte da natureza e estar enraizado na vida natural; a apreciação dos Sentido e os simples prazeres da existência cotidiana. Sem a Grande Mãe dentro de nós, nada podemos levar à frutificação, pois esse é o nosso lado que possui a paciência e a delicadeza de esperar até o momento de estar maduro para a ação. Sem ela, não podemos apreciar o nosso ser físico e vivemos desligados em um mundo puramente intelectual, sem 11
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    qualquer base ourespeito pela realidade. A experiência da mãe de uma criança está ligada ao sentimento de segurança e de confiança na vida e, da mesma forma, a imagem da Imperatriz está ligada ao sentimento interno de segurança e confiança no presente. Ela é sábia, mas não de maneira racional. A sua é a sabedoria da natureza, que sabe e entende que todas as coisas se movem em ciclos e amadurecem no tempo apropriado. Entretanto, como todas as figuras do baralho do Taro, Deméter tem o seu lado obscuro, pois a natureza também significa estagnação do espírito, apatia e indiferença que neutralizam qualquer possibilidade de mudança. Deméter não somente é a Boa Mãe, mas também a Mãe Enlutada que não pode renunciar às suas posses e que se vinga de qualquer intrusão de conflitos da vida em seu mundo organizado e paradisíaco. Essa Mãe Enlutada pode estar repleta de amargura e de ressentimento, pois a vida exige que mudanças, separações e finalizações ocorram. Assim, quando o Louco em sua jornada arquetípica encontra Deméter, a Imperatriz, ele é impulsionado para as dimensões sombrias e iluminadas de sua própria natureza instintiva. No sentido divinatório, o aparecimento da Imperatriz em uma abertura de cartas sugere o advento de uma fase mais terrena da vida. Pode ocorrer um casamento ou o nascimento de uma criança, pois esses também exigem paciência e alimentação da Grande Mãe. Por meio dessa carta, penetramos no domínio do corpo e dos instintos como um lugar de paz e também de estagnação; lugar em que a vida é dada, mas também é sufocada. Dessa maneira, o Louco, a criança do céu, descobre que vive em um corpo físico e é uma criatura não somente espiritual, mas também material. 4 - O IMPERADOR A carta do Imperador retrata um homem maduro, de ombros e peito amplos e musculosos. Seus belos e compridos cabelos e barba são castanho-avermelhados e seus olhos azul-claros como o céu. Ele nos confronta sentado em um trono dourado no topo de uma montanha. Sua veste é de cor púrpura bordada a ouro e, em sua cabeça, uma coroa dourada. Com sua mão direita, ele segura três raios, e, com a esquerda, o globo do mundo. Uma águia está pousada sobre o seu ombro. Atrás dele, estende-se um acúmulo de picos nevados. Aqui encontramos o grande Zeus, rei dos deuses, que os gregos chamavam de Pai de Todos, criador do mundo e soberano dos deuses e dos homens. Na Mitologia, Zeus era o filho mais jovem dos Titãs Cronos e Réa. Uma profecia havia sido revelada a Cronos de que, um dia, um de seus filhos o destronaria e ocuparia o seu lugar. Para se salvaguardar, ele decidiu destruir os seus filhos e, durante cinco anos seguidos, à medida que Réa dava à luz os seus filhos e filhas, Cronos os arrancava de seus braços e os engolia (pedofilia) antes que abrissem os olhos. É claro que isso não agradava Réa que, quando soube que um sexto filho estava para nascer, fugiu secretamente para Arcádia e, em uma gruta, deu à luz Zeus. Então, ela envolveu uma grande pedra em faixas e apresentou-a a Cronos como seu filho. Ele imediatamente a engoliu. Com o tempo, Zeus cresceu e apresentou-se a Cronos disfarçado de copeiro. Ele preparou uma poção para o seu pai a qual o enjoou tão violentamente que vomitou as cinco crianças ilesas, as quais havia engolido, assim como a pedra que Réa lhe havia levado no lugar de Zeus. Zeus então levou seus irmãos e irmãs a uma rebelião contra Cronos e, destronando-o, inaugurou um novo reinado. O novo rei dos deuses fez do Monte Olimpo a sua morada e estabeleceu uma hierarquia de deuses que obedeciam à sua lei suprema. Seus símbolos de poder eram o trovão e o raio. Seu espírito volátil, fogoso e dissoluto expressou-se não somente nas tempestades elétricas, mas também nas muitas amantes que ele perseguiu e nos muitos filhos que gerou. Entre eles estava Atena (deusa da justiça), Diké (deusa da lei natural), as três Moiras ou Parcas (deusas do destino) e as nove Musas (que presidem as artes 12
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    liberais). Sua esposa,Hera, deusa do casamento e dos nascimentos, reinava como a sua consorte. Zeus concedia o bem e o mal de acordo com as leis que ele mesmo estabelecia. Ele também era deus dos lares e da amizade, e o protetor de todos os homens. No sentido interior, Zeus, o Imperador, é a imagem da experiência da paternidade. É o pai que encarna os nossos ideais espirituais, os nossos códigos éticos, a auto-suficiência com a qual sobrevivemos no mundo, a autoridade e a ambição que nos levam às realizações, a disciplina e a presciência necessárias para alcançar as nossas metas. Esse princípio masculino, tanto nos homens quanto nas mulheres, difere da nutrição e do amor incondicional da mãe com os quais nos deparamos na carta da Imperatriz. Aqui, o mais alto valor é concedido ao espírito e não ao corpo, e o que é exigido de nós é a ação, em vez do fluir intuitivo com a natureza. O nosso pai interior também promove o autorespeito porque é essa nossa parte que pode assumir uma posição da qual é possível enfrentar os desafios da vida. Zeus podia ter compaixão e defender os fracos e os pobres, mas também podia mostrar a sua ira e a sua vingança caso a sua autoridade fosse contestada e suas leis fossem violadas. Dessa forma, Zeus, o Imperador, tem o seu lado sombrio expresso, em nível interior, pela rigidez e pela implacável retidão. Estar em relacionamento com o pai interior significa possuir um sentido de autopoder, a capacidade de implementar ideias e concretizá-las no mundo. Ser dominado pelo pai interior significa estar preso a um conjunto de crenças que esmaga todos os sentimentos humanos com sua inflexibilidade e arrogância. Então, tal como o próprio Zeus, devemos derrocar o antigo regime, inaugurando uma nova lei mais criativa para não nos tornarmos tiranos fúteis ou para não sermos envolvidos pelo feitiço de um tirano do mundo externo. Ao descobrir o mundo rico e fecundo das necessidades e dos prazeres do corpo, o Louco, agora, deve encontrar os princípios éticos que devem reger a vida, pois sem o Imperador somos meros joguetes guiados interna e externamente pelo instinto cego, culpando outras pessoas e a sociedade por nossos problemas, em razão do fato de não podermos encontrar a experiência interior da força representada pelo pai. No sentido divinatório, Zeus, o Imperador, prevê um confronto com relação à questão do princípio do pai em sua forma tanto positiva quanto negativa. Somos desafiados a manifestarmos para concretizar uma ideia criativa, para construir no mundo, talvez para estabelecer um negócio ou a estrutura de um lar familiar. Devemos assumir uma posição para nos tornarmos efetivos e poderosos, para expressarmos as nossas ideias e ética. Também devemos considerar o momento em que o jovem rei se torna o rígido e opressivo tirano, e quando as nossas ideologias interferem na vida e no desenvolvimento. Quando o Louco encontra o Imperador, após a sua permanência temporária no mundo dos instintos, ele aprende a enfrentar a vida sozinho, com seus próprios recursos e de acordo com a ética que deve desenvolver para si. Ele, então, pode progredir em sua jornada com a certeza de ser efetivo na vida, porque acredita em algo maior cuja autoridade ele mesmo incorpora. 5 - O HIEROFANTE A carta do Hierofante retrata uma estranha figura: um Centauro, com o tronco, os braços e a cabeça de homem e o corpo de um cavalo. Seus longos cabelos e barba castanhos e seu rosto maduro e benigno sugerem um sacerdote ou um professor. Sua mão direita está levantada em um antigo sinal de bênção, enquanto a esquerda segura um pergaminho. Aos seus dois lados, uma coluna de pedra. Atrás dele é vista a rocha bruta da caverna que é tanto a sua morada como o seu templo. Uma luz é dirigida sobre a sua cabeça coroada por meio de uma abertura no teto da caverna. Aqui encontramos Quiron, rei dos Centauros, curador, sacerdote e sábio educador de todos os jovens heróis da Mitologia. O próprio nascimento de Quiron foi um verdadeiro 13
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    mistério, pois elenasceu da união de Ixion, - filho do deus da guerra, Ares -, com uma nuvem que Zeus formou à semelhança de sua esposa Hera, para impedir que Ixion fizesse amor com a própria deusa. O centauro foi educado por Apolo, o deus-Sol, e Ártemis, a deusa da Lua, e, graças à sua grande sabedoria e espiritualidade, ele foi eleito rei dos centauros, cuja tarefa era incutir nos jovens príncipes gregos os valores espirituais e o respeito pela lei divina que eles deviam aprender antes mesmo das artes de reinar e das proezas das armas. Quiron também era um grande curador e conhecia o segredo das ervas e das plantas. Mas ele era incapaz de curar a si mesmo. Um dia, seu amigo Héracles visitou-o em sua caverna; o herói grego acabara de matar Hidra com as suas nove cabeças venenosas. Acidentalmente, Héracles arranhou o Centauro na coxa com uma de suas flechas que haviam sido embebidas no sangue do monstro. Esse sangue era puro veneno e todo o conhecimento que Quiron possuía não conseguiu fazer com que ele o extraísse da ferida. Como era imortal, ele não podia morrer e, assim, foi condenado a conviver com a dor, sacrificando a felicidade do mundo e dedicando-se a ensinar a sabedoria espiritual. No sentido interior, Quiron, o Hierofante, é a nossa parte que invoca o espírito para poder compreender o que nos é exigido por Deus. Ele é o nosso educador espiritual interno, o sacerdote que estabelece uma ligação entre a consciência terrena e o conheci- mento intuitivo da lei de Deus. O mundo de Perséfone, a Sacerdotisa, é sombrio e fugaz, e não pode ser compreendido pelo intelecto, mas o mundo de Quiron pode ser elucidado e interpretado pela mente. A palavra antiga pontifex para sacerdote significa "fazedor de pontes", pois o papel do sacerdote, tanto dentro quanto fora de nós', é servir de pai espiritual, estabelecendo um relacionamento entre o homem e Deus e tornando clara a natureza das leis pelas quais devemos viver para estarmos em relação correta com o divino. As leis do Imperador, que incorporam o princípio do pai na Terra, dizem respeito ao comportamento correto no mundo. Mas as leis do Hierofante se referem ao comportamento correto aos olhos de Deus. Entretanto, Quiron não simboliza qualquer sistema religioso ortodoxo. Ele é uma criatura selvagem, meio homem e meio animal, e o seu templo não tem qualquer manipulação humana, porém, mais exa-tamente, é uma caverna em uma montanha. Assim, a lei espiritual que ele transmite não é uma lei coletiva baseada em dogmas, mas sim, individual e somente pode ser percebida por meio do nosso sacerdote interior. Portanto, pessoas diferentes experimentam Deus de uma maneira diferente, e atingimos o nosso entendimento espiritual de acordo com o nosso entendimento particular do que "Deus" possa realmente significar. A ferida de Quíron faz com que ele seja o Curador Ferido, aquele que, por meio de sua própria dor, pode compreender e apreciar a dor alheia e, portanto, pode enxergar muito além do que aqueles que estão cegamente satisfeitos. E então Quíron, o Hierofante, representa a nossa parte ferida em que algum problema insolúvel ou uma limitação qualquer nos aprofunda e nos torna misericordiosos quando, ao contrário, seríamos meras superficialidades de bondade sem qualquer sentido real do que possa significar. O verdadeiro sacerdote está aberto à dor e aos desejos do mundo, porque, ele mesmo, sofre. A imagem de Quíron nos liga ao valor das limitações insuperáveis ou das feridas dentro de nós que, apesar de causarem sofrimento na vida cotidiana, assim mesmo nos obrigam a questionar e a abrir o caminho para uma maior compreensão das leis superiores da vida. Esse paradoxo também é sugerido pelo próprio Centauro, pois, sendo metade deus e metade cavalo, ele se utiliza tanto do instinto quanto do espírito, além de conter uma dualidade que faz parte de nossa condição humana. O homem não é totalmente animal nem totalmente divino, mas uma mistura de ambos, e deve aprender a conviver com os dois. Dessa mescla, surge a sabedoria do Centauro, que participa tanto do conhecimento de Deus quanto do conhecimento da lei natural - Deus manifestando-se no mundo das formas. 14
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    No sentido divinatório,quando Quíron, o Hierofante, aparece em uma abertura de cartas, ele implica que o indivíduo começará a, ati-vamente, procurar respostas de nível filosófico. Isso pode ocorrer como o estudo de uma filosofia particular ou de um sistema de crença, ou ainda como o compromisso profundo de busca por um significado para a vida. O Hierofante pode aparecer na forma de um analista, de um psicoterapeuta, de um sacerdote ou de um mentor espiritual na vida exterior, para quem nos voltamos à procura de consolo e ajuda. O Louco, então, emerge de sua descoberta do Submundo e dos poderes ocultos do subconsciente à procura de respostas para o enigma de si mesmo e para o significado de sua vida. Ao encontrar-se com o Hierofante, ele descobre a sua parte que pode começar a formular e a expressar uma filosofia pessoal e uma visão individual do espírito que o guiam ao deixar para trás a sua infância, preparan-do-se para enfrentar os desafios da vida. 6 - OS NAMORADOS A carta dos namorados retrata um jovem formoso vestido em simples trajes de pastor, segurando um cajado na mão direita; em sua mão esquerda, uma maçã dourada. Três mulheres se exibem, pois se trata de um concurso de beleza e a maçã dourada será o prémio da escolhida. A mulher à esquerda tem um porte majestoso e maduro, com cabelos castanhos e olhos claros, um vestido de cor púrpura e porta um diadema dourado na cabeça. Ela oferece ao jovem o globo do mundo. A mulher ao centro é jovem, sedutora e de cabelos pretos. Sua túnica transparente cor-de-rosa revela mais do que esconde. Ela oferece um cálice de ouro. A mulher à direita é fria e casta, vestida com armadura completa de luta; seus cabelos claros estão quase totalmente cobertos pelo elmo de guerreiro. Ela oferece uma espada. Atrás das quatro figuras, estende-se um cenário ondulante de colinas verdejantes. Aqui encontramos o príncipe Paris que foi incumbido por Zeus de presidir um concurso de beleza entre as três deusas - Hera, Afrodite e Atena. Quando Paris nasceu, um oráculo previu que um dia ele representaria a derrocada do império do pai. Com medo dessa profecia, o rei Príamo, seu pai, sentenciou-o à morte, abandonando-o à sua própria sorte no topo de uma colina. Mas um pastor que por ali passava o salvou e criou. Ele cresceu pastando ovelhas e passava horas a imaginar conquistas românticas, pois era um jovem bonito e encantador. Quando, no Monte Olimpo, uma disputa ocorreu entre Hera (rainha dos deuses), Afrodite (deusa do amor sensual) e Atena (deusa da justiça) quanto à mais bela das três, Zeus decidiu que Paris, com sua rica e vasta experiência do assunto, seria o melhor juiz para o concurso. Hermes foi enviado para informar o jovem dessa dúbia honra que lhe era conferida pelo rei dos deuses. Inicialmente, Paris recusou o pedido, sabendo muito bem que, ao escolher uma delas, as outras duas nunca o perdoariam. Mas Hermes o ameaçou com a ira de Zeus e Paris então sugeriu dividir a maçã em três partes, pois de que forma ele poderia fazer uma escolha entre tais beldades? Mas Hermes também não aceitou essa desculpa. Por conseguinte, as deusas se exibiram perante o jovem. Hera ofereceu-lhe o governo do mundo, caso a escolhesse; Atena ofereceu torná-lo o mais poderoso e justo dos guerreiros; e Afrodite simplesmente abriu a sua túnica e ofereceu-lhe o cálice do amor, prometendo-lhe a mulher mortal mais bonita do mundo como esposa. O resultado era previsível. Sendo jovem e inexperiente com respeito aos seus valores internos, Paris escolheu Afrodite sem qualquer hesitação. O seu prémio foi a famosa Helena, rainha de Esparta, que, inconvenientemente, era casada. Hera e Atena sorriram e prometeram que não o culpariam por sua escolha e, em seguida, saíram de braços dados confabulando a ruína de Tróia. E assim começou a conflagração da guerra troiana, que se iniciou com a raiva do marido traído e terminou com a ruína total da cidade 15
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    de Tróia ede toda a casa real. O oráculo comprovou a sua autenticidade. No sentido interno, o Juízo de Paris, como ficou conhecido na Mitologia, é uma imagem do primeiro grande desafio da vida em face do desenvolvimento individual: o problema da escolha no amor. Esse dilema não diz respeito unicamente à decisão entre duas mulheres ou dois homens, também se refere aos nossos valores, porque as escolhas refletem o tipo de pessoa que queremos ser. Por ser jovem e em razão de suas necessidades sexuais, Paris não pôde realmente escolher de uma perspectiva madura; sua escolha derivou de seus desejos e não de suas verdadeiras necessidades. Aqui está o problema do livre-arbítrio contra as compulsões dos instintos. As consequências das escolhas no amor são enormes, pois afe-tam todos os níveis da vida. A compulsiva escolha de Paris resulta derradeiramente no grande conflito da Guerra de Tróia. Aqui não se trata da escolha "errada", pois ele ainda não está centrado o suficiente para comparar a atração erótica de Afrodite com a sedução da esposa de outra pessoa. Também pouco conhece de si mesmo para decidir se o poder terreno ou a liderança de um guerreiro são igualmente importantes para ele. O concurso lhe é imposto assim como os desafios que surgem para todos nós antes que estejamos prontos para eles e, de certa maneira, o seu "erro" é necessário e inevitável. O desejo por outra pessoa implica o desenvolvimento dos valores individuais e o autoconhecimento por meio das confusões e dos conflitos que derivam de nossas escolhas. Essa situação não pode ser evitada, por ser arquetípica. Paris é a nossa parte que, governada pela incontida necessidade da satisfação do desejo, ainda não pode enxergar que todas as opções têm consequências pelas quais somos, no fim, responsáveis. Sem passar por meio da iniciação pelo fogo, não podemos entender como criamos o nosso futuro, mas colocamos a culpa no destino, no acaso ou em outra pessoa, em vez de colocá-la em nossa própria falta de reflexão. No sentido divinatório, quando a carta dos Namorados aparece em uma abertura de cartas, ela prevê a necessidade de algum tipo de escolha, geralmente no amor. O Louco, que descobriu a sua própria dualidade, agora deve colocar os seus valores em teste. Às vezes isso significa um triângulo amoroso, mas também pode significar o problema de um casamento apressado ou a escolha entre o amor e uma carreira profissional ou alguma outra atividade criativa. Essa carta implica a necessidade de analisar cuidadosamente as consequências de nossas próprias escolhas, em vez de sermos cegamente impelidos, como Paris, a uma conflagração de graves consequências. 7 - O CARRO A carta do Carro retrata um bonito homem viril de cabelos castanhos encaracolados, olhos azuis e rosto corado, dirigindo uma carruagem de guerra em bronze. Ele veste armadura e elmo também em bronze e uma túnica de cor vermelho-sangue. Em sua cintura, ele carrega um escudo de bronze e, ao seu lado, uma grande lança. Ele segura as rédeas de dois cavalos, um branco e outro preto, que puxam a carruagem em direções opostas. A estrada poeirenta passa por um cenário deserto e avermelhado, enquanto grandes nuvens se aproximam indicando uma iminente tempestade. Aqui encontramos Ares, o deus da guerra, que, de acordo com a Mitologia, foi concebido por Hera, rainha dos deuses, sem o concurso da semente masculina. Como deus da guerra, as atividades de Ares se concentravam nas lutas. Seus dois escudeiros, Deimos (Medo) e Fobos (Terror) - que também diziam ser seus filhos -, acom-panhavam- no nos campos de batalha. Diferentemente da deusa Atena que, como deusa guerreira, representava a estratégia e a previsão, Ares adorava o calor e a glória da batalha com uma exultante liberação de sua força ao desafiar o inimigo. Ares não era um deus apreciado por estar associado ao conflito e ao derramamento de sangue, e Zeus e Atena não gostavam dele em razão de sua força bruta e falta de 16
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    refinamento. Mas Afrodite,deusa do amor, possuía gostos diferentes. Impressionada com o vigor do formoso guerreiro que, sem dúvida, comparava ao seu pouco favorecido marido Hefesto, o deus ferreiro, ela se apaixonou por Ares. O sentimento foi logo retribuído. Ares tomou a inescrupulosa vantagem da ausência de Hefesto para desonrar a união conjugal. Mas o marido descobriu o caso adúltero e planejou uma bem engendrada vingança. Secretamente, forjou uma rede tão fina que era quase impossível de ser detectada, mas tão resistente que não podia ser quebrada. Ele colocou a rede sobre a cama em que os amantes se amavam. No encontro seguinte, no momento em que estavam repousando, Hefesto deixou cair a rede e chamou todos os deuses para testemunhar a vergonha da esposa e de seu amante. Mas a paixão de Ares ainda era ardente, apesar do ocorrido e, mais tarde, dessa sua união com Afrodite, ele gerou uma filha, Harmonia, cuja qualidade, como o nome sugere, era o equilíbrio harmónico entre o amor e a discórdia. No sentido interior, Ares, o condutor do Carro, é a representação dos instintos agressivos guiados e direcionados pela vontade da consciência. Os cavalos que puxam o Carro em direções opostas são retratos dos nossos conflitantes impulsos animais, cheios de vitalidade e, no entanto, negando-se a trabalhar em harmonia. Eles devem ser controlados com força e firmeza, mas sem repressão e sem quebrá-los, para não perder o poder e a força para sobreviver e criar o nosso caminho de vida. Ares, o deus sem pai, de certa forma é a imagem dos instintos naturalmente agressivos e competitivos do próprio corpo, pois lhe falta o pai espiritual arquetípico que poderia provê-lo de visão e de significado. Mas a sua vontade férrea e grande coragem são uma dimensão necessária do caráter humano, pois somente a visão espiritual não basta para sobreviver em um mundo difícil e competitivo. Tendo criado o conflito como resultado de suas escolhas amorosas, agora o Louco deve enfrentar a segunda maior lição da vida: o criativo controle dos violentos e turbulentos impulsos da natureza instintiva. Portanto, por meio da figura de Ares, o condutor do Carro, ele atinge a maturidade. Na carta dos Namorados, o Louco ainda é um adolescente impelido pelos sonhos românticos e pelo desejo de possuir um objeto maravilhoso. Mas, por meio do Carro, ele aprende a assumir as consequências de suas ações como homem e enfrenta a raiva e o conflito que ele criou dentro e fora de si mesmo. Tal como o Louco, nós - homens e mulheres - devemos aprender a lutar contra os opostos e as necessidades conflitantes dentro de nós mesmos, caso pretendamos sobreviver na selva da vida. Na Mitologia, Ares sempre entra em conflito, seja por uma disputa irada com alguém ou pela sua brutal busca por um objeto de amor. Mas sobrevive a todas as suas humilhações e derrotas, das quais ressurge ainda mais forte. Derradeiramente, ele gera uma criança que incorpora a serenidade que pode ser encontrada ao final de um conflito criativamente administrado. A discórdia que Ares encarna é uma experiência necessária. Por mais que queiramos nos tornar espiritualmente comprometidos e nos empenhemos em amar desinteressadamente, os impulsos agressivos internos continuarão existindo. Eles podem ser deserdados e confinados no subconsciente, do qual ressurgem como uma doença ou são projetados sobre outros que, por sua vez, liberam a sua agressividade sobre nós. Mas, se pudermos enfrentar os desafios de Ares, então poderemos ser ho- nestos a respeito dessa força interior, e o esforço para aprender a contê-la e a dirigi-la promoverá o desenvolvimento de toda a personalidade. No sentido divinatório, quando o Carro aparece em uma abertura de cartas, ele prevê um conflito ou uma disputa que podem resultar em uma personalidade mais forte. É possível chegar a um confronto não somente com a agressão de outras pessoas, mas também com os nossos próprios impulsos competitivos e agressivos. Esse conflito não pode ser evitado, mas deve ser enfrentado com força e reserva. E, dessa maneira, o Louco alcança a harmonia aprendendo a administrar suas próprias contradições e passa do mundo da adolescência para o estágio seguinte de sua jornada. 17
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    8 - AJUSTIÇA Esta carta da Justiça retrata uma linda jovem vestida com armadura de guerra e elmo prateados, sentada em um trono de prata. Em sua mão direita, ela segura uma espada ereta; em sua mão esquerda, ela segura uma balança. Seus cabelos claros e túnica branca fazem eco à pureza das duas colunas e do pórtico branco que a enquadram. Sob seus pés, um piso de mármore com padrão xadrez em branco e preto. Uma coruja está pousada sobre o seu ombro esquerdo. Aqui encontramos Atena, deusa da Justiça, com a qual nos deparamos na carta dos Namorados. Seu pai era Zeus, rei dos deuses, que havia sido advertido por Urano que, caso gerasse uma criança com a sua primeira esposa, Métis, deusa da sabedoria, ela seria mais poderosa do que ele. Para evitar essa eventualidade, ele engoliu Métis antes que pudesse dar à luz a criança que ela carregaVa. Logo após, Zeus foi acometido por uma insuportável dor de cabeça. Para curá-lo, Hefesto, o deus ferreiro, abriu-lhe a cabeça com um machado de bronze e da ferida aberta surgiu Atena completamente armada, soltando um grande grito de vitória. Com esse cenário, todos os imortais ficaram atónitos e maravilhados. A deusa tornou-se a filha favorita de Zeus e essa preferência era tão marcante que despertou o ciúme dos outros deuses. As tendências guerreiras de Atena foram imediatamente aparentes, mas ela era diferente de Ares, o deus da guerra, em muitos aspectos. As artes da guerra que Atena cultivava não se baseavam no amor pelo conflito e pelo derramamento de sangue. Ao contrário, elas surgiam dos altos princípios e do excelente reconhecimento da necessidade de lutar para sustentar e preservar a verdade. Ela era uma estrategista e não uma guerreira insana, e equilibrava a agressão e a força física de Ares com lógica, diplomacia e inteligência. Ela protegia os bravos e os valentes, e tornou-se a protetora de muitos heróis. A proteção que oferecia a Perseu, a Ulisses e a outros guerreiros famosos consistia sempre em armas que precisavam ser usadas com inteligência, previsão e planejamento. Atena era uma impressionante exceção na sociedade do Olimpo em razão da sua castidade. Também prestou um valioso serviço à humanidade. Ela ensinou a arte de domar cavalos e promoveu habilidades e profissões como a tecelagem e o bordado. Suas atividades diziam respeito não somente ao trabalho útil, mas também à criação artística. Por conseguinte, ela era considerada uma deusa civilizadora, embora também fosse, uma guerreira quando se tratava de proteger a pacífica civilização sob o seu cuidado. No sentido interior, Atena, a deusa da Justiça, é uma figura da exclusiva faculdade humana do julgamento refletivo e do pensamento racional. Para os gregos, essa faculdade era divina porque diferenciava o homem do animal. Portanto, eles consideravam Atena nascida da cabeça do grande Zeus, imune ao contágio da mãe corpórea que poderia ligá- la ao mundo físico e dos instintos dos quais compartilhamos com os animais. Os julgamentos de Atena não se baseiam no sentimento pessoal, mas na objetiva avaliação imparcial de todos os fatores contidos em uma situação e nos princípios éticos estabelecidos como parâmetros rígidos próprios para qualquer escolha. A castidade de Atena pode ser considerada um símbolo de integridade e de pureza de sua faculdade refletiva, que não é influenciada pelo desejo pessoal. Seus ensinamentos das artes da civilização também refletem a capacidade da mente em manter a natureza indomada sob controle, transformando-a por meio do planejamento claro e obje-tivo. Sua presteza em lutar pelos princípios e não pelas paixões surge da capacidade mental em fazer escolhas baseadas na reflexão, mantendo os instintos sob controle. A carta da Justiça é a primeira das quatro cartas dos Arcanos Maiores que tradicionalmente eram chamadas de Quatro Lições Morais. Essas cartas - a Justiça, a Temperança, a Força e o Eremita - referem-se ao desenvolvimento das faculdades individuais necessárias para que funcionemos efetivamente na vida. Todas contribuem 18
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    para o quea Psicologia denomina de a formação do ego, o que significa o sentido do "eu" que todos nós devemos ter para poder experimentar um sentido de merecimento e de valor na vida, e para enfrentar os desafios da vida a partir de uma base estável e propria- mente individual. O Louco, que passou pelos dois grandes desafios da juventude -o desejo erótico e a agressão - , agora enfrenta a necessidade de construir o seu caráter e desenvolver as faculdades que o ajudarão a lidar com as incontáveis experiências da vida. Portanto, quando o Louco se encontra com Atena, deusa da Justiça, ele deve aprender como pensar claramente e como cultivar a faculdade de uma mente equilibrada. Ele deve aprender a pesar uma e outra coisa - algo que ainda não podia fazer na carta dos Namorados - e chegar ao julgamento mais imparcial possível. A Justiça não é possível se não respeitarmos a imparcialidade e a verdade como importantes princípios éticos, em vez de um bom comportamento adotado ao querermos ser apreciados pelas outras pessoas. Atena ergue-nos acima da natureza e representa os nossos esforços para a perfeição concebida pela mente humana e pelo espírito. No sentido divinatório, quando a Justiça aparece em uma abertura de cartas, ela implica a necessidade de um pensamento equilibrado e de uma tomada de decisão imparcial. Mas, tal como a espada de Atena, essa carta possui duas facetas. Existem fases da vida nas quais a fria reflexão de Atena é gelada demais, muito idealista e destrutiva do calor do relacionamento pessoal. Sua espada pode cortar o coração com verdades gerais que não se adaptam a uma situação particular. Dessa forma, a Justiça, como todos os Arcanos Maiores, é uma figura ambivalente. O Louco deve desenvolver o que Atena representa, mas não pode permanecer eternamente em seu templo puro e deve passar adiante para a Lição Moral seguinte. 9 - O EREMITA A carta do Eremita retrata um ancião de barba branca envolto em túnica cinza, tendo seu rosto meio encoberto por um capuz. Em sua mão direita, ele carrega uma lanterna que brilha em uma luz dourada; na mão esquerda, uma foice. Um corvo está pousado em seu ombro. Atrás dele, um cenário frio e enevoado de montanhas cinzas sob um céu carregado e opressivo Aqui encontramos o antigo deus Cronos, cujo nome significa Tempo. Na Mitologia, Urano (o Céu) e Gaia (a Terra) uniram-se e geraram a primeira raça, os Titãs ou deuses da Terra, entre os quais Cronos era o mais jovem. Mas Urano considerava a sua progénie com horror, pois eram todos feios, imperfeitos e de carne. Por conseguinte, ele trancou os Titãs nas profundezas do Submundo para que não ofendessem a seus olhos. Mas Gaia irritou-se e planejou vingar-se do marido. De seu peito, retirou uma pedra de sílex e mo- delou uma afiada foice que ela deu ao astuto Cronos, seu filho mais jovem. Ao cair da noite, Urano chegou em casa como de costume. Enquanto seu pai quanto dormia, com a ajuda de sua mãe, Cronos armou-se da foice e castrou Urano, jogando seus genitais ao mar. Cronos então libertou seus irmãos e tornou-se soberano da Terra. Sob o seu longo e paciente reinado, o trabalho da Criação foi completado. Essa época na Terra ficou conhecida como a Era de Ouro, em razão da abundância sobre a qual Cronos presidia. Como deus do Tempo, ele presidiu e administrou a passagem das estações, o nascimento e o crescimento seguidos pela morte, gestação e renascimento; era venerado tanto como o Anjo da Morte, que estabelecia os limites que o homem e a natureza não podiam ultrapassar, quanto o deus da fertilidade. Mas o próprio Cronos não podia aceitar as leis cíclicas que havia estabelecido, pois, quando foi profetizado que um dia o seu filho o destronaria, como fizera com o seu próprio pai Urano, passou a engolir os seus filhos assim que nasciam, para que pudesse preservar o seu domínio. E assim continua a história de 19
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    Zeus contada nacarta do Imperador e que, na Mitologia, derrubou Cronos e se estabeleceu no reino dos deuses do Olimpo. Alguns dizem que Cronos foi banido para as profundezas do Submundo, mas outros dizem que foi para as Ilhas Abençoadas onde dorme, esperando o início de uma nova Era de Ouro. No sentido interior, Cronos, o Eremita, é a imagem da última das quatro Lições Morais que o Louco deve aprender: a lição do tempo e as limitações da vida mortal. A ninguém é permitido viver além de seu tempo e nada permanece imutável; e essa é uma simples e óbvia faceta da vida que, apesar de sua simplicidade e do fato de ser evidente, para nós é doloroso aprender e da qual muitas vezes nos conscientizamos já com certa idade e com a dura experiência. Cronos é um deus que incorpora o significado do tempo e, assim mesmo, ele não o aceita. Então ele é humilhado e destronado, e aprende a ser sábio na solidão e no silêncio. De muitas maneiras, é a imagem do próprio corpo que inexoravelmente envelhece e, no entanto, revolta-se contra o seu mortal destino. O problema da solidão e de descobrir que derradeiramente somos sós e mortais são dilemas que todos os seres humanos devem enfrentar. Aceitar essa condição também é, de certa forma, uma verdadeira separação interna dos pais e da infância, pois significa o sacrifício da fantasia que algum dia, em algum lugar, alguém virá e fará com que tudo melhore. "E então eles viveram felizes para sempre" é um sentimento que não pode sobreviver no mundo de Cronos. A juventude passa para a maturidade e nunca pode ser recuperada de maneira concreta. Mas a memória e a sabedoria são adquiridas com o passar do tempo, assim como o dom da paciência. A lição do Eremita só pode ser aprendida por meio de lutas e conquistas. Cronos é a contraparte de Héracles, pois a luta não pára o tempo. Somente a aceitação do tempo dará direito aos prémios da Idade de Ouro de Cronos. Por meio da limitação imposta e das circunstâncias que somente o tempo, e não a luta, pode liberar, o Louco desenvolve a postura reflexiva, introvertida e solitária de Cronos, o Eremita. De certa maneira, Cronos é uma imagem de humildade que frequentemente se inicia pela humilhação diante do que não podemos mudar, mas que pode resultar em uma qualidade de calma e de serenidade sem as quais não poderemos suportar os obstáculos e as desilusões que a vida, às vezes, nos reserva. Entretanto, por mais sábio que seja o intelecto, por mais quente que seja o coração, por mais forte que seja o sentido de identidade, as vicissitudes da vida nos esmagariam se fôssemos incapazes de encontrar em nós mesmos a paciência e a prudência do Eremita, que nos ensina como suportar e esperar em silêncio. A face negativa de Cronos é a calcificação, uma resistência teimosa à mudança e à passagem do tempo. Mas a face criativa desse deus antigo e ambivalente é a sagacidade para mudar o que pudermos, para aceitar o que não pudermos e para esperar em silêncio até conhecermos suas diferenças. No estado divinatório, a carta de Cronos, o Eremita, prevê um tempo de solidão ou de isolamento das atividades extrovertidas da vida, para que a sabedoria da paciência possa ser adquirida. Há uma oportunidade para estabelecer fundamentos sólidos, se tivermos vontade de esperar. E assim, o Louco finalmente atinge a maturidade, havendo desenvolvido uma mente e um coração, um firme sentido de identidade e, finalmente, um profundo respeito por suas próprias limitações na grande passagem do tempo. 10 - A RODA DA FORTUNA A carta da Roda da Fortuna retrata três mulheres sentadas dentro de uma caverna escura. A primeira é jovem e tece em uma roca dourada. A segunda é elegante e madura, e mede o comprimento de um fio entre as suas mãos. A terceira é de mais idade e segura um par de tesouras. No centro, entre elas, há uma roda dourada ao redor da qual quatro figuras humanas são colocadas em posições diferentes. Pela abertura da caverna, um cenário com muito verde é visível.Aqui encontramos as três deusas do Destino que os 20
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    gregos chamam deMoiras ou Parcas. Na Mitologia, as Moiras eram filhas da Mãe Noite, concebidas sem pai. Cloto fiava, Láquesis media e Atropos, cujo nome significa "aquela que não pode ser evitada", cortava. As três teciam o fio da vida humana na escuridão secreta da caverna e seus trabalhos não podiam ser desfeitos por deus algum, nem mesmo por Zeus. Uma vez que o destino de um indivíduo fosse tramado, ele seria irrevogável e não poderia ser alterado; e a extensão de vida e a época da morte fariam parte do destino que as Moiras estabelecessem. Se alguém tentasse desafiar o destino, tal como alguns heróis o fizeram, ele era afetado pelo que se chamava de "hubris" ou "hybris", que significa arrogância aos olhos dos deuses. É claro que esse indivíduo não podia fugir ao seu destino e, às vezes, sofria um terrível castigo infligido pelos deuses por tentar superar os limites estabelecidos pelas Moiras. Dizem que certa vez Apolo, o deus-Sol, zombou e embriagou as Moiras para poder salvar da morte o seu amigo Admeto. Mas geralmente se acreditava que o próprio Zeus temia as donas do destino por não serem filhas de qualquer deus, mas a progénie das profundezas da Noite, o mais antigo poder do Universo. No sentido interior, as três Moiras, detentoras da Roda da Fortuna, apresentam a imagem de uma profunda e misteriosa lei agindo no indivíduo, desconhecida e ainda invisível, que parece precipitar repentinas mudanças e subverter os padrões estabelecidos da vida. As quatro figuras na Roda da Fortuna representam as diferentes experiências da jornada, pois, quando a vida age dessa maneira, no início não nos preocupamos em procurar a fonte por de trás da Roda, mas sim nossas reações à mudança. O homem no topo foi impulsionado para o sucesso pelo giro da Roda, enquanto o homem no fundo foi esmagado pelo que ele acredita ser "azar" - sem sorte alguma -, quando, na realidade foi a evidente ação de algum misterioso padrão. O homem à direita iniciou a sua subida, ajudado pelo mesmo poder invisível que coroou uma pessoa e derrubou outra; enquanto o homem à esquerda, contra a sua vontade, iniciou a sua descida, pois a Roda girou e a sua "sorte" está se exaurindo. Entretanto, a carta da Roda da Fortuna não diz respeito às mudanças bruscas da sorte, do acaso ou por acidente. Atrás da Roda estão as Moiras que planejam de maneira inteligente e organizada as aparentes mudanças aleatórias da vida. Essas figuras antigas estão dentro de nós, bem no fundo do útero do inconsciente, e não fazem parte da personalidade consciente. Nós somente as percebemos por meio dos efeitos externos que parecem ser obra do Destino, mas que surgem das profundezas de nossa alma e não de um poder externo. Na realidade, a experiência da Roda da Fortuna é a vivência daquele "Outro" dentro de nós que, geralmente, projetamos no mundo exterior para poder culpar as pessoas, além de nós mesmos, pelas bruscas mudanças de sorte. O giro da Roda da Fortuna nos obriga a estarmos conscientes desse "Outro", o movimento inteligente que está por trás da Roda e que é o destino que todos temos dentro de nós mesmos. A imagem da própria Roda é profunda, pois seu aro giratório assemelha-se ao cenário em constante movimento com o qual nos deparamos durante a vida; porém o eixo está sempre no centro, uma essência ou fonte constante e imutável. O eixo é como o "eu" oculto que "escolhe" (apesar de não ser uma escolha do ego consciente) voltar-se para as várias situações, acontecimentos, caminhos e pessoas. O Destino não vem ao nosso encontro; ao contrário, somos nós que nos dirigimos a ele. Na carta da Sacerdotisa, o Louco descobre a faculdade intuitiva dentro de si, personificada por Perséfone, que pode entrever o padrão em ação. Na carta da Roda da Fortuna, o Louco encontra o poder que tece o padrão, a própria fonte de vida, distante e invisível, mais antigo do que os mais antigos deuses, com um domínio tão absoluto que nem sequer o rei dos deuses ousa desafiar. Até o espírito está sujeito aos comandos desse centro invisível que os gregos representaram com as Moiras e que desmantelam a nossa complacência e a nossa ilusão de controle. É possível que a dificuldade e até o medo que algumas pessoas têm com respeito ao 21
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    estudo do Taro,da Astrologia* e de outras práicas proféticas sejam, em parte, devidos à ansiedade que surge quando a personalidade consciente, acostumada a tomar decisões e com a ilusão da vontade onipotente, confronta-se com esse "Outro" nas profundezas. Apesar de também nos pertencer, não está em nosso poder controlá-lo, assim como Zeus temia as Moiras. Por conseguinte, a Roda da Fortuna é mais do que um indicador de mudança. Ela é o emissário de uma profunda jornada interna pela qual o Louco, a nossa própria imagem, gradativamente chega a termos com o seu próprio destino. No sentido divinatório, a Roda da Fortuna prevê uma mudança repentina da sorte. Isso pode ser tanto no sentido positivo quanto no negativo, mas, independentemente de como gira, ela sempre promove o crescimento e uma nova fase da vida. Não podemos prever o que virá ao nosso encontro - ou melhor, qual será a transformação. Mas por trás dessas mudanças estão as Moiras, uma imagem do centro dentro de nós mesmos. Portanto, o Louco é despertado de sua acomodação e começa a descida para a sua própria fonte. 11 - A FORÇA A carta da Força retrata um homem musculoso e poderoso com cabelos castanhos encaracolados, vestindo apenas uma tanga vermelha. Ele está embrenhado em uma luta selvagem com um leão envolvendo seus fortes braços no pescoço do animal; no momento crítico ele está vencendo a luta. Rodeando os dois, as paredes rochosas de uma caverna escura. Pela entrada da caverna é possível ver um cenário árido de colinas marrons. Aqui encontramos o grande guerreiro heracles chamdo Hercules pelo romanos, que na Mitologia era o heroi invencivel. Ele era o filho de Zeus, rei dos deuses, com uma mortal chamada Alcmena, rei dos deuses, com uma mortal chamada Alcmena. A esposa de Zeus estava, como de costume, com ciúme da criança nascida do adultério do marido, dessa maneira o perseguiu com terríveis castigos. Ela fez com que ficasse louco e, em sua loucura, inadvertidamente assassinou a sua esposa e seus filhos. Héracles pediu aos deuses que lhe dessem alguma tarefa para expiar os seus crimes, e o oráculo de Delfos ordenou-lhe que se sujeitasse a 12 anos de trabalhos forçados a serviço do terrível rei Euristeus que Hera favorecia. E assim, o herói sujeitou-se voluntariamente a servir o favorito da deusa, que o perseguiu em reparação de um crime do qual ela era, definitivamente, a responsável. O primeiro dos famosos Doze Trabalhos que o rei Euristeus exigiu de Héracles era a conquista do Leão da Neméia, um enorme animal cuja pele era à prova de ferro, bronze e pedra. Como o leão havia despovoado a vizinhança, Héracles não pôde encontrar nin- guém que o dirigisse à sua toca. Finalmente, ele encontrou o animal lambuzado de sangue de sua última vítima. Héracles disparou uma série de flechas, que não conseguiam penetrar a sua grossa pele. Em seguida, usou a sua espada, que simplesmente acabou se dobrando; depois usou o seu bastão, que se despedaçou na cabeça do leão. Então Héracles cobriu uma das entradas da caverna em que o leão se escondia com uma rede e entrou na caverna pelo outro lado. O leão arrancou-lhe um dos dedos, mas Héracles conseguiu agarrá-lo pelo pescoço e o sufocou até a morte com suas próprias mãos. Ele então lhe cortou a pele com uma de suas e afiadas garras e passou a usá-la sempre como armadura e a cabeça como elmo, tornando-se tão invencível quanto o próprio leão. No sentido interior, Héracles lutando com o Leão da Neméia é a imagem do problema em conter o poderoso e selvagem animal dentro de nós, preservando, ao mesmo tempo, as qualidades animais que são criativas e vitais. O leão é um tipo especial de animal e reflete um aspecto diferente da psique humana, quando o comparamos aos cavalos fogosos da carta do Carro. Na Mitologia, o leão sempre foi associado com a realeza, mesmo quando está em seu estado mais destrutivo, e esse rei dos animais é, ainda, a imagem de um 22
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    início infantil, selvageme totalmente egocêntrico de uma especial individualidade. Portanto, o Leão da Neméia não é totalmente mau e possui uma pele mágica que pode oferecer invencibilidade. Essa invencibilidade está ligada ao sentido de permanência interior que procede de um sólido sentido do "eu". Quando vestimos a pele do leão que conquistamos, as opiniões das outras pessoas - os grandes "Eles" que amedrontam os corações dos tímidos - pouco significam, pois estamos armados com o nosso próprio sentido indestrutível de identidade. Por mais prometedor que seja o seu potencial, o leão é selvagem e cruel em sua forma animal. Esse lado de uma pessoa descontrolada é o impulso do "eu primeiro" que, sem pensar duas vezes, destrói qualquer um ou qualquer coisa em seu caminho, desde que a sua gratificação seja assegurada. A raiva é uma das manifestações desse impulso - não uma raiva sadia que seria apropriada para a situação, mas explosiva e furiosa quando não conseguimos o nosso intento. O orgulho implacável é outra de suas facetas - não o auto- respeito, mas uma bombástica e inchada auto-importância que pode nos tornar selvagens e rígidos com aqueles dos quais dependemos ou que nos roubam o centro das atenções. De muitas formas, o leão, como a criança irada em nós, exige que o mundo esteja à nossa volta, destruindo cega e aleatoriamente quando isso não acontece. Mas, se esse animal for conquistado, então podemos apropriar-nos de sua pele mágica que, em termos psicológicos, significa integrar o poder vital da besta, fazendo com que sirva a um ego consciente e responsável. Por conseguinte, a conquista do leão não é verdadeiramente uma morte, mas uma espécie de transformação, de maneira que a força e a determinação do animal sejam expressas por um humano, e não por um animal. Aqui está a ambivalência da carta da Força, pois Héracles poderia simplesmente destruir o animal sem que qualquer benefício fosse extraído do massacre. Essa é a faceta negativa de Héracles dentro de nós: o tipo de força que reprime todo instinto sem qualquer transformação, deixando para trás uma concha dentro da qual vive uma alma sem paixão, sem ira e sem uma verdadeira identidade. No sentido divinatório, quando a carta da Força aparece em uma abertura de cartas, ela implica uma situação na qual um embate com o leão interior é inevitável, sendo necessário o controle da raiva e do orgulho insensato. Coragem, força e autodisciplina são solicitadas para enfrentar a situação. Por meio dessa experiência podemos entrar em contato com o animal, mas também com uma parte nossa que é representada por Héracles, o herói que pode domá-la. Portanto, tendo desenvolvido as faculdades da mente e o sentimento, o Louco agora aprende a lidar com o seu próprio exclusivismo, surgindo desse encontro com confiança em si e integridade para com o próximo. 12 - O ENFORCADO A carta do Enforcado retrata um homem maduro, de cabelos e barba castanhos. Apesar de estar acorrentado em posição invertida, quase nu à beira de um precipício, ele ainda mantém uma expressão serena em seu rosto. Atrás dele, apresenta-se um cenário obscuro de rochas escarpadas, enquanto o Sol do crepúsculo reflete um brilho sanguíneo em seu corpo e ilumina a sua cabeça. Acima dele, uma águia se aproxima. Aqui encontramos Prometeu, o Titã que desafiou a lei de Zeus roubando o fogo dos deuses para entregá-lo ao homem, que sabia muito bem que sofreria as consequências. O nome Prometeu significa "antevisão", e o Titã possuía o dom da profecia. Na Mitologia, também se dizia que ele criou o homem a partir da terra e da água de suas próprias lágrimas, enquanto Atena soprou vida na criatura. Prometeu tinha uma profunda compaixão pela sorte da humanidade por ele ser o seu criador. Mas Zeus confirmava a sua divina supremacia sobre os homens ocultando-lhes o fogo. Isso significava a falta de progresso e de iluminação, pois sem o fogo o homem era condenado a viver como um animal, alimentando-se de carne crua e escondendo-se em 23
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    cavernas. Prometeu pegouum pouco do fogo sagrado da forja de Hefesto, escondeu-o no caule oco de um funcho e levou-o para a Terra. Indignado com o roubo, Zeus resolveu exterminar a humanidade por meio de uma inundação a fim de destruir os culpados, pois ele não somente havia sido ferido em seu orgulho, mas com o fogo o homem poderia tentar tornar-se divino. Mas Prometeu advertiu seu filho Deucalião, que construiu uma arca e nela embarcou com sua esposa Pirra. A inundação durou nove dias e nove noites e no décimo dia o dilúvio cessou e Deucalião ofereceu sacrifício a Zeus. Tocado com sua piedade, o rei dos deuses concordou com o seu pedido de renovar a raça humana. Mas Prometeu não teve a mesma sorte. Como havia previsto, Zeus prendeu-o com correntes indestrutíveis em um alto despenhadeiro nas montanhas do Cáucaso. Todos os dias uma águia descia das alturas para devorar o seu fígado, que a cada noite se refazia para que a tortura fosse mantida indefinidamente. Após trinta anos, Zeus permitiu que ele fosse resgatado por Héracles, que matou a águia e quebrou as correntes do prisioneiro. Prometeu tornou-se imortal e passou a usar um anel de um dos elos da corrente que o prendia como símbolo de seu cativeiro enquanto a grata humanidade erigia altares para honrar o seu benfeitor. No sentido interior, Prometeu, o Enforcado, é o retrato do sacrifício voluntário para um bem maior. O sacrifício pode ser representado por uma atitude externa ou interna, mas é realizado voluntariamente, aceitando o sofrimento que possa ser exigido. Na carta da Roda da Fortuna, o Louco depara-se com os bruscos golpes da sorte que provocam mudanças extremas na vida. Mas nós, tal como o Louco, podemos corresponder a essas mudanças de várias formas. Algumas pessoas não conseguem se adaptar e continuam agarrando- se ao passado. Outras se tornam amargas e culpam a vida, Deus, a sociedade ou qualquer outra pessoa. A figura de Prometeu é um símbolo da nossa parte que possui a percepção necessária para compreender que essas mudanças podem ser úteis no desenrolar de um padrão interno que ainda não está claro. Por conseguinte, o Titã re- presenta uma atitude de submissão voluntária para com aquele centro misterioso cujos padrões dependem dos giros da Roda. Prometeu, o Enforcado, implica a aceitação da espera na escuridão. Ele está suspenso, torturado pela ansiedade e pelo medo de que o seu sacrifício possa ter sido em vão e, no entanto, mantém uma expressão serena. E, finalmente, a sua tortura o transforma, assim como o seu relacionamento com os deuses, pois o dom da imortalidade lhe é concedido. De muitas formas, Prometeu abre mão do controle para que um novo e maior sentido de vida possa emergir. Como Prometeu criou o homem, pode-se dizer que ele mesmo também o fosse - uma espécie de espírito visionário dentro de nós que enxerga maiores possibilidades e está disposto a abandonar tudo o que anteriormente mantínhamos como sagrado para conseguir essa consciência maior. Como resultado, inicialmente Prometeu torna-se extremamente vulnerável, pois, se estivermos preparados a fazer esse sacrifício em confiança, então estaremos abertos para a vida, e ela poderá nos machucar. Mas o preço dessa entrega de defesas e a realização dessa jornada na solidão e na dúvida parecem ser necessárias para que tudo o que nos sustenta tenha um sentido real quando não pudermos nos sustentar. Isso é o que as religiões querem dizer com a verdadeira fé que somente pode ser adquirida por meio de nossas experiências na vida. A carta do Enforcado é um desabrochar natural da Roda da Fortuna, pois implica a disposição em confiar naquele "Outro" que sabe, melhor do que o ego, o que pode ser necessário e correto para o nosso desenvolvimento. No sentido divinatório, Prometeu, o Enforcado, prevê a necessidade de um sacrifício voluntário com o propósito de adquirir algo de maior valor. Esse pode ser o sacrifício de algo externo que anteriormente proporcionou segurança, na esperança de que algum potencial possa ter espaço para o seu desenvolvimento. Ou pode ser o sacrifício de uma atitude preferida, como a superioridade intelectual, ou um ódio inesquecível ou uma busca 24
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    insistente por umafantasia inatingível. Dessa forma, o Louco responde ao desafio do giro da Roda com uma disposição em colocar a sua confiança nas tramas invisíveis do inconsciente e aguarda - muitas vezes com medo e ansiedade - na esperança de uma vida nova e melhor. 13 - A MORTE A carta da Morte retrata uma figura envolta em uma túnica preta e seu rosto escondido por um elmo escuro. Suas mãos estão abertas para receber os presentes oferecidos pelos pequenos humanos que se ajoelham diante dela. Um deles lhe oferece uma coroa dourada e outro, uma pilha de moedas. O terceiro, uma criança, oferece-lhe uma flor. Atrás dessa figura sombria, flui um rio escuro. Do lado mais próximo do rio, a terra é seca e árida. Do outro lado, a terra verdejante é gradativamente iluminada pelo Sol que está apenas surgindo no horizonte. A.qui encontramos Hades, o deus sombrio e senhor do Submundo, com o qual nos deparamos na carta da Imperatriz como o raptor de Perséfone, filha de Deméter. Na Mitologia, Hades era conhecido como o Invisível. Ele também era chamado de Plutão, que significa "riqueza", porque o seu reino era repleto de riquezas escondidas. Hades, filho dos Titãs Cronos e Réa, foi salvo por seu irmão Zeus quando Cronos engolira os seus filhos. Zeus então concedeu a Hades o domínio do Submundo como parte da herança. Sobre esse mundo, o deus sombrio governava como dominador absoluto. Quando emergia para o mundo da luz, o seu elmo o tornava invisível para que nenhum mortal o visse. Os rituais da morte exigiam que uma moeda de ouro fosse colocada na boca do morto, pois sem essa oferta a Hades a alma seria condenada a vagar eternamente às margens do rio Estige, à beira do reino do Submundo. Apesar de ser-lhe conferido menos status do que ao seu irmão Zeus, ele tinha um poder maior, porque a sua lei era irrevogável. Uma vez que uma alma entrava no domínio de Hades, nenhum deus, nem sequer o rei dos deuses, poderia resgatá-la. Apesar de alguns heróis, como Orfeu e Teseu, entrarem ilicitamente no reino de Hades enganando o barqueiro Caronte e conseguindo passar por Cérbero, o cão que guarda a entrada, nenhum deles voltou para o mundo da luz da mesma forma. O poder irrevogável de Hades era tal que os deuses juravam seus votos solenes e suas maldições pelas águas do rio Estige, que era veneno puro e, ao mesmo tempo, conferia a imortalidade. No sentido interior, Hades, o Senhor da Morte, é a figura permanente e final do ciclo da vida. Quando mudamos, uma nova atitude ou circunstâncias novas podem surgir, mas o caminho anterior está morto e nunca mais voltará à sua forma original. Portanto, Hades é o símbolo daquela finalidade que experimentamos em todos os encerramentos, assim como sua túnica preta é o símbolo do luto, necessário para o preparo do novo ciclo. Na carta do Enforcado, deparamo-nos com a experiência da submissão voluntária às leis ocultas da psique - a decisão de abandonar algo na esperança de que uma nova fase da vida possa emergir. Hades, o Senhor da Morte, representa aquele estado intermediário o qual somos levados a enfrentar com a total finalidade de nossa perda, antes do início de uma nova evolução. A carta da Morte não simboliza necessariamente um final "negativo". A experiência do final irrevogável pode significar acontecimentos alegres como um casamento ou o nascimento de uma criança. Mas esses acontecimentos não somente têm a conotação de um novo início, como também podem significar a morte de um velho estilo de vida e essa perda deve ser reconhecida e lamentada. E é por isso que temos os modernos rituais como, por exemplo, a despedida de solteiros, que reconhece a perda de um estado civil. Muitas vezes as mulheres (como também os homens) ficam terrivelmente deprimidas com o nascimento de uma criança, porque ainda não houve o reconhecimento de que uma 25
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    fase da vidamorreu e que algo novo nasceu. Assim, uma moeda deve ser paga a Hades, porque ele preside a todos os finais e aos novos começos, sendo que o final é tão importante quanto o começo, devendo ser reconhecido e sentido. Vamos para o Submundo totalmente nus, pois não podemos levar conosco os antigos padrões e atitudes que nos haviam proporcionado segurança. Por conseguinte, a carta da Morte não é uma descrição da morte física, mas a inevitável mudança dos ciclos da vida que sempre envolvem uma finalização. Aos olhos de Hades, a vida pode ser considerada como uma sequência de mortes, começando com o abandono das águas reconfortantes do útero para a cruel realidade da separada existência física. Nunca mais viveremos no paraíso abençoado do corpo de nossa mãe. A infância deve morrer para que a adolescência e o desenvolvimento sexual se iniciem, e a juventude, por mais tempo que a prolonguemos com dietas, exercícios e cosméticos, finalmente morrerá para dar lugar à maturidade da meia-idade. Todo relacionamento, até o melhor, tem os seus ciclos de começo e fim, pois os nossos sentimentos mudam com o passar do tempo e à medida que cresce a nossa compreensão das outras pessoas. Com o casamento, deixamos para trás o nosso estado de solteiro, assim como deixamos a nossa juventude para trás com o nascimento de nossos filhos, o que nos lembra a nossa mortalidade. E assim, Hades, o Senhor da Morte, é o nosso companheiro invisível durante toda a vida e para quem devemos pagar o nosso tributo. No sentido divinatório, a carta da Morte implica algo que deve chegar ao fim. Se essa experiência será penosa ou não, depende da capacidade da pessoa em aceitar e reconhecer a necessidade de encerramentos e finalizações. A carta da Morte prevê a oportunidade de uma nova vida, caso a velha possa ser abandonada. E, dessa maneira, o Louco avança no Submundo deixando para trás a sua vida anterior e preparando-se para um futuro ainda desconhecido. 14 - A TEMPERANÇA A carta da Temperança retrata uma linda e jovem mulher de cabelos pretos, trajando túnicas com as cores do arco-íris, e asas com cores de várias tonalidades. Ela está com um dos pés dentro de um rio, límpido e o outro sobre a terra seca. Ao longo das margens do rio crescem lírios vermelhos. Atrás dela, um arco-íris estende-se pelo céu. Em suas mãos ela segura dois cálices, um de ouro e outro de prata, e despeja água de um para o outro. Aqui encontramos íris, a deusa do arco-íris e mensageira de Hera, rainha dos deuses. íris era a contraparte feminina de Hermes, o emissário de Zeus, e era amada tanto pelos deuses quanto pelos mortais por causa de sua natureza bondosa e afetuosa. Se Hera ou Zeus quisesse transmitir uma mensagem aos homens, íris voava ligeiramente para a Terra, onde assumia feições humanas ou aparecia em sua forma divina. Ela fendia o ar tão rápido quanto o próprio vento Zéfiro, que era o seu consorte. Outras vezes ela deslizava pelo arco-íris que fazia ponte entre o Céu e a Terra. Ela transpunha as águas com a mesma facilidade e, até, o Submundo abria-se para ela quando, a pedido de Zeus, ali se dirigia para reabastecer o seu cálice com água do rio Estige, da qual os imortais se serviam para se proteger dos feitiços malignos. Quando os deuses voltavam de suas jorna- das para o Olimpo, íris desatrelava os cavalos de suas carruagens e servia néctar e ambrósia aos viajantes. Íris não somente entregava as mensagens de Hera, mas também executava as suas vinganças, apesar de, mais frequentemente, oferecer ajuda e assistência. Ela preparava o banho de Hera, ajudava-a com a sua toalete e, dia e noite, permanecia ao pé do trono de sua patroa. Em uma versão da Mitologia, foi íris e não Afrodite que deu à luz Eros, o deus do amor. No sentido interior, íris, deusa do arco-íris, é uma imagem da segunda das 26
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    qualidades ou faculdadesque o Louco deve aprender para formar uma individualidade estável: um coração equilibrado. Enquanto Atena, que incorpora a Justiça, é justa e objetiva, íris, que incorpora a Temperança, é boa e misericordiosa, e a sua compaixão não é enjoativa nem sentimental. íris está ligada à função do sentimento, que é diferente do que chamamos de emoção, pois esta é a reação visceral de uma situação, enquanto o sentimento é uma ativa e inteligente faculdade de escolha. A função do sentimento é ser ponte em constante mudança entre os opostos, um atencioso sentido das necessidades de uma situação particular visando à harmonia e ao relacionamento como meta final. E assim, íris despeja água incessantemente de um cálice para o outro, porque o sentimento deve fluir de modo constante e ser renovado de acordo com os requisitos de cada momento. Se os preceitos éticos de Atena são necessariamente estáticos e universais, o objetivo da harmonia de íris exige um perpétuo ajuste fluido de sentimento, algumas vezes positivo e outras vezes negativo. Dessa forma, ela pode oferecer uma atenciosa as- sistência ou executar a vingança de Hera. Mas derradeiramente ela serve aos propósitos femininos em vez dos masculinos, e qualquer que seja a resposta mutante do fluxo - até mesmo raiva e conflito -, a meta é sempre a cooperação, a harmonia e um relacionamento melhor. Geralmente não pensamos em sentimento como uma função inteligente, como ocorre com o pensamento racional. No entanto, as duas cartas, a Justiça e a Temperança, são consideradas tanto opostas quanto complementares. Atena e íris são duas imagens contraditórias, uma servindo o Pai de cuja cabeça nascera; a outra, a Mãe; uma sustentando a verdade abstraía mesmo à custa do coração individual, a outra protegendo o coração individual mesmo à custa da verdade abstrata. Apesar de essas duas deusas não serem inimigas na Mitologia - pois íris não tinha inimigos -, no entanto elas podem ser inimigas dentro de nós, pois muitas vezes oferecerão diferentes soluções para um mesmo problema. Em que se baseia a nossa decisão: no pensamento racional ou nos ditames do que os nossos sentimentos indicam ser o caminho apropriado para a preservação do relacionamento? A presença dessas duas figuras em sequência nos Arcanos Maiores sugere que o Louco, representando cada um de nós, deve integrar ambas. Por isso, tendo aprendido por meio de Atena a pensar claramente, o Louco encontra íris, a deusa do arco- íris, e deve aprender a delicada avaliação do sentimento que é tão diferente da primitiva emoção reativa ou do sentimentalismo hipócrita. Mas até íris, a deusa do arco-íris, pode ser ambivalente. A constante mudança de sentimento para preservar o relacionamento pode produzir a estagnação, porque nada além do sentimento pode fazer com que seja impossível respirar. Nada pode ser falado a respeito, nenhuma diferença discutida, nenhum conflito que possa levar ao crescimento, porque a harmonia é tudo. Esse estado não permite espaço para a separação porque ela ameaça a solidão, e íris, amiga tanto dos deuses como dos mortais, podendo funcionar em todos os níveis da vida, deverá sempre servir alguém com devoção e não pode existir em seu próprio direito. Portanto, a Temperança sem a Justiça torna-se água estagnada, na qual nenhuma mudança é permitida ocorrer e a mente sufoca de mero tédio. No sentido divinatório, quando aparece a Temperança na abertura de cartas, ela implica a necessidade de um fluxo de sentimento no relacionamento. íris, a guardiã do arco-íris, sugere o potencial para a harmonia e a cooperação, resultando em um bom relacionamento ou em um casamento feliz. Somos desafiados com o problema de apren- der a desenvolver um coração equilibrado e, ao mesmo tempo, sermos gentilmente lembrados de que o Louco não pode permanecer para sempre até mesmo com a linda íris, e deve passar adiante para a Lição Moral seguinte. 15 - O DIABO A carta do Diabo retrata um Sátiro, uma criatura metade homem e metade bode, 27
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    dançando à músicade uma siringe (flauta de sete tubos) que ele segura em sua mão esquerda. Com a mão direita, ele segura duas correntes, cada uma presa a um colar ao redor do pescoço de uma figura humana nua. As figuras - um homem e uma mulher - têm pequenos chifres como aqueles do Sátiro. Apesar de suas mãos e pernas estarem livres para dançar, eles estão presos às suas correntes de medo e de fascinação pela música. Ao redor, aparecem as paredes escuras da caverna. Aqui encontramos o grande deus Pan que os gregos veneravam como o Grande Todo. Na Mitologia, Pan era filho de Hermes e da ninfa Dríope. Quando nasceu, ele era tão feio - com chifres, barba, cauda e patas de bode - que a sua mãe fugiu apavorada e Hermes o levou para o Olimpo para entreter os deuses. Pan assombrava os bosques e os pastos da Arcádia, e personificava o espírito fértil e fálico da natureza selvagem e indomada. Ocasionalmente ele podia ser amigável com os homens, vigiando seus rebanhos, gado e colmeias. Também participava das festas das ninfas das montanhas e ajudava os caçadores a encontrarem suas presas. Em certa ocasião, ele perseguiu a casta ninfa Siringe até o rio Ladon, onde ela se transformou em um feixe de caniços para fugir dos indesejáveis abraços peludos. Como não podia individualizá-la dos outros, ele cortou vá- rios caniços, dos quais fez uma siringe ou flauta de Pan. Do nome Pan derivamos a palavra "pânico", afinal ele se divertia provocando pequenos sustos aos viajantes solitários. Ele era desprezado pelos outros deuses que, no entanto, exploravam os seus poderes. Apolo, o deus-Sol, adulando-o, conseguiu dele a arte da profecia; Hermes copiou uma flauta que ele havia deixado cair, declarou ser sua a invenção e vendeu-a a Apolo. E foi assim que o deus-Sol recebeu ilicitamente a sua música e o seu dom da profecia do deus da natureza com aspecto de bode, feio e indomado. No sentido interior, Pan, o Diabo, é a imagem da sujeição ao mais rude e instintivo aspecto da natureza humana. Como o deus era venerado pelo medo, em cavernas e grutas, sua imagem dentro de nós sugere algo que tanto tememos quanto nos fascinam os rudes e primitivos impulsos sexuais que consideramos "maus" em razão de sua natureza compulsiva. Desde o início da Era Cristã, o deus Pan foi estabelecido como a figura do Diabo, completo com seus chifres e trejeito irónico, e desprezado pelas pessoas "espirituais", como Apolo o desprezou, na Mitologia grega. Plutarco conta que, durante o domínio do imperador Tibério, um marinheiro que passava perto das Ilhas Equinades, no Mar Egeu, ouviu uma voz misteriosa chamando-o três vezes, dizendo: "Quando chegar a Palodes, proclame que o deus Pan está morto". Isso ocorria no exato momento em que o Cristianismo* nascia na Judeia. Mas a presença dessa carta entre os Arcanos Maiores do Taro sugere que Pan não morrera, mas havia sido relegado aos recessos mais profundos do inconsciente, representando tudo aquilo que tememos, odiamos, desprezamos e, no entanto, nos mantém presos pelo próprio medo e desgosto. O problema da vergonha do corpo e dos impulsos sexuais, particularmente os que a psicanálise tanto fez para trazer à luz neste século - fantasias de incesto, fascinação pelas funções corporais e excreções, o sentimento de ser sujo e mau, peludo, feio e inferior -, são os que Pan, o Diabo, personifica. Até o homem, ou a mulher, mais "liberado" sexualmente pode sentir essa vergonha secreta a respeito de seu corpo. Podemos sentir alguma nobreza e romantismo no leão furioso na carta da Força ou nos obstinados cavalos da carta do Carro. Contudo, é mais difícil perceber nobreza em Pan. Mas, na Mitologia, Pan não era ruim, ele só era indomado, amoral e natural. A paralisia dos humanos que os leva ao terror e à fascinação cria o problema. Acarta do Diabo implica bloqueios e inibições, geralmente sexuais, que surgem pela falta de compreensão do deus. Apesar de feio, ele é o Grande Todo - a vida nua e crua do próprio corpo, amoral e rude, mas assim mesmo um deus. A energia empregada em manter o Diabo em sua caverna, vergonhoso e oculto, é 28
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    energia perdida paraa personalidade, mas que pode ser liberada com um efeito imensamente poderoso se tivermos a coragem de encarar Pan. Por conseguinte, o Louco deve aprender a enfrentar com humildade seus próprios aspectos mais inferiores e mais vergonhosos, ou permanecerá eternamente preso aos seus próprios medos. Então, para poder esconder esse segredo vergonhoso, ele deve pretender ser superior e, assim, projeta a sua parte animal em outras pessoas, levando ao preconceito, à inveja e até a perseguição de indivíduos e de raças que, para ele, são "maus". No sentido divinatório, a carta de Pan, o Diabo, implica a necessidade de um confronto com tudo o que na personalidade seja sombrio, vergonhoso e inferior. O Louco deve libertar- se adquirindo conhecimento e, por meio da aceitação honesta e humilde de Pan, deve liberar o poder criativo que está acorrentado ao seu próprio pânico e autodesprezo. E, assim, ele chega ao coração do Labirinto e enfrenta a sua própria escuridão nas sombras essenciais de seu corpo para tornar-se o que ele sempre foi - simplesmente natural. 16 - A TORRE A carta da Torre retrata um edifício de pedra construído em um alto rochedo com vistas para o mar. Das profundezas das águas, surge uma figura poderosa e ameaçadora, com uma coroa de ouro sobre os cabelos castanhos embrenhados de algas e um rabo de peixe que pode ser visto entre as ondas furiosas. Ela aponta o seu tridente ao edifício, que é atingido por um raio e fendido. O mar espuma e o céu é preto e ameaçador, iluminado pelos relâmpagos de uma tempestade. Aqui podemos ver o famoso Labirinto do rei Minos que foi atingido por um terremoto quando o irado deus Poseidon emergiu das águas para derrubar o seu domínio. Na Mitologia, Minos era o rico e poderoso rei de Creta. Foi-lhe dado esse poder por Poseidon, deus dos terremotos e das profundezas do oceano, que concordara em tornar Minos soberano dos mares se esse lhe oferecesse em sacrifício um magnífico touro branco. Mas o rei Minos não queria se desfazer de seu touro e escondeu-o entre o rebanho, substituindo-o por um animal inferior. Furioso com o ato de arrogância e de repúdio ao pacto, Poseidon pediu ajuda a Afrodite, a deusa do amor. Afrodite fez com que a esposa de Minos, Pasifae, se apaixonasse perdidamente pelo touro branco (zoofilia). A rainha subornou Dédalo, o artesão do palácio, para que construísse uma vaca de madeira. Pasifae entrou na vaca (‘complexo-de-vaca’) e o touro branco penetrou Pasifae, e dessa união nasceu o Minotauro, a vergonha de Minos, uma criatura com o corpo de um homem e a cabeça de um touro que se alimentava de carne humana. Aterrorizado, o rei escondeu essa criatura no coração de um grande Labirinto de pedra que Dédalo construíra a pedido do rei. Mas o reino não podia permanecer estagnado eternamente e ainda com esse vergonhoso segredo escondido em seu seio. Assim, Teseu, filho de Poseidon, com a ajuda de Ariadne, filha de Minos, entrou no Labirinto e matou o Minotauro. No mesmo instante, o deus levantou-se furioso de sua cama no oceano e atingiu o Labirinto. A construção foi reduzida a entulho pelo terremoto, enterrando o rei Minos junto ao corpo do Minotauro, e os escravos que eram mantidos sob o poder de Minos foram imediatamente libertados. Teseu foi proclamado rei de Creta, uma nova era foi inaugurada e o Labirinto nunca mais foi erguido. No sentido interior, a Torre atingida por Poseidon é uma imagem do colapso dos velhos métodos. A Torre é a única estrutura construída pelo homem nos Arcanos Maiores e, portanto, é uma representação das estruturas interna e externa que construímos, como Minos, em defesa contra a vida e como esconderijo para ocultar das outras pessoas o nosso lado menos agradável. De várias formas, a Torre é uma imagem das fachadas socialmente aceitas que adotamos para esconder o nosso animal interior. Então usamos as 29
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    nossas profissões, asnossas boas credenciais, as nossas associações com instituições e companhias respeitáveis, as nossas atitudes sociais cuidadosamente elaboradas, os nossos sorrisos educados e os nossos intercâmbios mais diplomáticos, as nossas aparências mais inspiradas e as nossas morais familiares mais rígidas, para ocultar aquele segredo vergonhoso que na carta do Diabo aguarda pelo Louco no Submundo. A Torre é uma estrutura de valores falsos ou superados, de atitudes para com a vida que não emergem de todo o ser, mas são papéis que, como em uma peça de teatro, representamos para impressionar a audiência. Da mesma forma, a Torre também representa as estruturas que construímos no mundo externo para incorporar o nosso eu incompleto. Assim, quando o Louco confronta o grande deus Pan em nosso Labirinto interior, ele é transformado pelo encontro. Ele se torna humilde, mais completo e mais real. Inevitavelmente, essa transformação resultará em mudanças que afetarão a vida exterior. Da mesma maneira que as nossas atitudes são alteradas por qualquer encontro com o que está no subconsciente, também os estilos de vida que escolhemos são alterados. Um dos motivos de tantas pessoas temerem esse processo de olhar interiormente é que elas apenas vislumbram que, havendo descoberto a própria natureza real, não podem mais fingir aos olhos do mundo. O encontro honesto com o Diabo provoca uma profunda integridade interior e, assim, a Torre, o edifício que representa os valores do passado, deve cair. O Louco percebe as maneiras pelas quais ele traiu o seu "eu" essencial e o choque é semelhante ao tridente de Poseidon atingindo o Labirinto: derruba as defesas e liberta as nossas partes que haviam sido escravizadas. De muitas maneiras, o Minotauro é como o Diabo, porque ambos representam um segredo animal ligado ao corpo e aos vergonhosos sentimentos sexuais que devem ser escondidos, até de nós mesmos, se quisermos nos mostrar inocentes e íntegros aos olhos da sociedade. No sentido divinatório, quando a Torre aparece em uma abertura de cartas, prevê a derrubada de formas existentes. Essa carta, como as cartas da Morte e do Diabo, depende muito da atitude do indivíduo com relação a quanto lhe é difícil e penoso lidar com ela. É claro que é mais criativo perguntarmo-nos em que ponto estamos restritos e presos a uma falsa persona ou auto-imagem, porque o desejo de romper com essas estruturas irreais pode evitar muita angústia e dor. Mas parece que a Torre cairá de qualquer maneira, independentemente de nossa vontade, não por causa de alguma maliciosa fatalidade externa, mas porque algo no indivíduo atingiu um ponto insuportável e não pode mais viver assim confinado. 17 - A ESTRELA A carta da Estrela retrata uma jovem linda, de cabelos compridos e claros, ajoelhada diante de uma arca aberta da qual sai um enxame de criaturas voadoras que escurece o ambiente. Mas o olhar da jovem está fixo na estrela brilhante, em que pode ser vista uma figura feminina em brilhantes vestes brancas. Aqui encontramos Pandora que, segundo a Mitologia, abriu uma arca que Zeus havia maliciosamente doado à humanidade, liberando assim todos os males. Depois que Prometeu roubou o fogo sagrado dos deuses para doá-lo aos homens, o rei dos deuses resolveu punir severamente a raça humana, o que culminou em uma grande inundação, descrita na carta do Enforcado. Entretanto, antes dessa inunda-ção, a sua raiva foi mais sutil, mas não o aplacou. Zeus pediu a Hefesto, o deus ferreiro, para fazer um corpo de argila e água, dar-lhe força vital e voz humana, e fazer dele uma virgem de grande beleza equiparada à das deusas do Olimpo. Todas as divindades cumularam a criatura de dons especiais e foi-lhe dado o nome de Pandora. Mas Hermes colocou traição em seu coração e mentiras em sua boca. Zeus enviou essa mulher para Epimeteu, irmão de Prometeu, juntamente com uma grande arca. Mas Epimeteu, que havia sido avisado por seu irmão a não aceitar qualquer presente de Zeus, inicialmente a recusou. Mas depois, 30
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    lembrando-se da terrívelvingança que o rei dos deuses havia infligido a Prometeu, apressou-se em se casar com Pandora. Antes de ser aprisionado e acorrentado em seu pico solitário, Prometeu conseguiu advertir Epitemeu a não tocar no cofre e este, por sua vez, avisou Pandora. Mas, apesar de sua beleza, Pandora era preguiçosa, perversa e ignorante. Não levou muito tempo para que a curiosidade a fizesse abrir a arca, e os terríveis males que Zeus havia ali colocado escaparam e se espalharam sobre toda a Terra, contagiando a humanidade. Somente a esperança, que, de alguma forma, havia sido presa na arca com os males, não fugiu. No sentido interior, a imagem de Pandora e da Estrela da Esperança é o símbolo da nossa parte que, apesar da decepção, da depressão e da perda, ainda pode prender-se a um sentido de significado e de futuro que poderia surgir da infelicidade passada. A Estrela não representa uma convicção plena de planos futuros ou uma solução para os problemas, ou ainda um guia para a ação. Tal como as cartas do Eremita e do Enforcado, a carta da Estrela recomenda a espera, pois o sentido da esperança é uma ténue luz que brilha e guia, mas não dissipa totalmente a escuridão. Portanto, a Esperança é apre- sentada como uma figura feminina, porque é o nosso lado irracional - a intuição - que percebe a Estrela no meio de um enxame de males indesejáveis. A esperança não afugenta os males ou desfaz a vingança que Zeus planejou. Mas, de alguma forma, e misteriosamente, ela oferece fé e, portanto, os olhos de Pandora na figura não olham para a infelicidade da condição humana, mas para o vago, irracional e inexplicável sentido de que o Sol está prestes a surgir. Essa qualidade de esperança nada tem a ver com expectativas planejadas. Ela é ligada com algo bem fundo dentro de nós que, algumas vezes, foi chamado de vontade de viver e que - mesmo sendo uma experiência subjetiva sem qualquer razão visível e concreta -muitas vezes pode representar a diferença entre a vida e a morte. Os médicos conhecem bem essa vontade nos pacientes - a esperança e a vontade de viver no indivíduo que frequentemente encontra os recursos internos para lutar contra a doença que, do contrário, o mataria. Da mesma forma, indivíduos que sofreram circunstâncias trágicas ou se confrontaram com desafios maiores do que a capacidade humana pode suportar - como aquelas pessoas que passaram pela experiência do aprisionamento em campos de concentração na Alemanha e na Polónia durante a Segunda Grande Guerra, ou presenci- aram a destruição de famílias nas invasões russas daTchecoslováquia em 1948 e da Hungria em 1956 - muitas vezes expressaram a sua crença em um sentimento interior de fé e de significado que fizeram a diferença entre a sobrevivência e o completo colapso e a morte. A Esperança é algo misterioso e profundo, pois parece transcender qualquer coisa que a vida nos apresente na forma de catástrofe. No entanto, ela não surge por um ato de vontade, assim como a Estrela não aparece, no mito de Pandora, por meio de qualquer ato deliberado de sua parte. Ela simplesmente está ali, misteriosamente presa na arca, com todos os males, e caso o indivíduo possa vislumbrar o seu brilho delicado, a resposta às dificuldades pode ser radicalmente alterada. Por conseguinte, a Estrela, a visão norteadora da esperança e da promessa, não surge de uma intenção, mas das cinzas da Torre que foi destruída. O Louco aguarda, no meio do entulho, sem saber como e o que reconstruir. No meio dessa confusão e do colapso de velhas atitudes e estruturas, surge a débil e evasiva, mas potente, Estrela da Esperança. No sentido divinatório, quando a Estrela aparece em uma abertura de cartas, ela é um indício de esperança, significado e fé em meio a dificuldades. Mas a Estrela também é ambivalente e pode prevenir contra a esperança cega que não prevê qualquer ação ne- cessária. A carta da Estrela anuncia o advento de promessas, uma experiência positiva para o Louco que passou pelo colapso de tudo o que acreditava ter valor em sua vida. 31
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    18 - ALUA A carta da Lua retrata uma misteriosa figura feminina com três rostos, coroada com um diadema da Lua em suas três fases. O seu cabelo é prateado e ela veste uma longa túnica que flui em uma poça de água a seus pés. A sua frente, há um cão de três cabeças e na poça um caranguejo procura sair da água. Atrás dela, o céu é escuro e iluminado somente pela luminescência de sua coroa. ]Aqui encontramos Hécate, a antiga deusa do Submundo, regente da Lua, da magia e dos feitiços. Na Mitologia, Hécate era, às vezes, confundida com Artemis, a deusa da Lua, uma divindade bem mais antiga e poderosa tanto no céu quanto embaixo da terra. Filha de Zeus c Hera, incorreu na ira da mãe ao roubar-lhe um pote de ruge. Ela fugiu para a Terra c escondcu-se na casa de uma mulher que estava para dar à luz. A experiência com o nascimento tornou-a impura e, como consequência, foi levada ao Submundo para que a mancha fosse lavada. Ao contrário, ela se tornou uma das soberanas do Submundo e veio a ser chamada a Rainha Invencível, presidindo as purificações e as expiações. Como deusa dos feitiços, ela enviava demónios à Terra para atormentar os homens em seus sonhos; era acompanhada de Cérbero, o guardião de três cabeças do portal do Submundo, que era a sua forma anima! e seu espírito familiar. Os lugares que ela mais assombrava eram as encruzilhadas, tumbas e cenas de crimes; por isso é que imagens sagradas eram erigidas nas encruzilhadas e veneradas na véspera da lua cheia. O próprio Zeus honrou Hécate de tal forma que nunca lhe negou o antigo poder que sempre possuiu: de conceder ou de negar os desejos dos mortais. Suas companheiras no Submundo eram as três Erínias ou Fúrias, que castigavam as ofensas contra a natureza e representavam, de maneira ameaçadora, as três Moiras ou o Destino. E, assim, Hécate é uma das mais antigas imagens da Mitologia, presidindo a magia, o nascimento, a morte, o Submundo e o destino. No sentido interior, Hécate, a deusa da Lua, é uma imagem das profundezas misteriosas do inconsciente. Já nos deparamos com esse estranho e fugaz reino em duas outras cartas dos Arcanos Maiores: a Sacerdotisa e a Roda da Fortuna. Essas três cartas estão ligadas em significado e representam uma progressão no aprofundamento da compreensão e da experiência do mundo do inconsciente. Por meio de Perséfone, a Sacerdotisa, o Louco conscientizou-se de uma intuição de suas profundezas pessoais, um "eu" secreto por Irás da vida cotidiana. E, por meio das Moiras que presidem a Roda da For- tuna, ele experimentou o poder do Destino por intermédio de mudanças bruscas que revelam uma lei invisível ou um padrão intencional interior. Na carta da Lua, encontramos na imagem de Hécate o oceano da grande coletividade do inconsciente, do qual não somente o indivíduo, mas a própria vida emergiu. Hécale é muito mais do que um retrato das profundezas pessoais. Ela encarna o princípio feminino da própria vida e os três rostos, as três fases da Lua, refictem o seu poder multifacetado sobre o Céu, a Terra e o Submundo. Em lermos psicológicos, é desse reino oceânico da imaginação humana que os grandes mitos, os símbolos religiosos e as obras de arte sempre nasceram. E um mundo caótico, confuso c sem limites, do qual o indivíduo com sua jornada pessoal e a sua busca do "eu" é somente uma pequena parte. O encontro com Hécate, a deusa da Lua, é uma confrontação com o mundo transpessoal no qual os limites individuais se dissolvem e o sentido de direção e do ego se perdem. É como se devêssemos esperar, submersos nas águas desse mundo, enquanto os novos potenciais surgem para, eventualmente, tornar-se o nosso futuro. Mas as águas escuras do inconsciente coletivo contêm tanto o positivo quanto o negativo e, às vezes, é difícil distinguir seus movimentos alternados de loucura e de delírio. Ele pode ser um mundo 32
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    apavorante c cheiode ansiedade, pois viver no reino presidido por Hécate significa viver sem conhecimento e sem compreensão. Algo passou por nós e levou consigo o passado, preparando o caminho para o futuro; mas devemos esperar, assim como o feto espera no útero da mãe. O único caminho para o reino de Hécate é o "Caminho Real" dos sonhos que, como o caranguejo, nos atormenta com um vislumbre c depois volta para a água. A carta da Lua é uma carta de gestação cheia de confusão, ansiedade e perplexidade. Temos apenas o mundo dos sonhos e a Estrela da Esperança para nos guiar, pois essa imagem do feminino não é pessoal como a da Sacerdotisa. E vaga, ilusória, impessoal e incorpora os humores alternados e a confusão. Hécate não pode ser realmente compreendida, pois é a deusa da magia e inicia o Louco em um mundo maior do que ele próprio, aquela água primordial que dá origem à vida. No sentido divinatório, a carta de Hécate, a deusa da Lua, prevê um período de confusão, flutuação c incerteza. Estamos presos ao inconsciente e somente podemos esperar e agarrarmo-nos às imagens incertas dos sonhos e ao sentido de esperança e de fé. Assim, o Louco aguarda o seu renascimento nas águas de um útero maior, apenas consciente de que a sua jornada de desenvolvimento pessoal é tão-somente uma pequena fração de uma vida ampla e desconhecida que abrange milénios, seguindo eternamente fértil, mas incompleta. 19 - O SOL A carta do Sol retrata um homem classicamente elegante e de porte atlético, cabelos loiros e com uma coroa de folhas de louro, portando em sua cabeça o disco dourado do Sol. Ele tem asas douradas e veste uma curta túnica branca. Em sua mão direita, ele segura um arco e uma aljava de flechas; com sua mão esquerda, ele segura uma lira. Ele está em pé entre duas colunas de um pórtico construído em pedras de um dourado pálido. Atrás dele, um cenário verde-dourado pontilhado de árvores de louro brilha sob um quente céu azul. Aqui encontramos Apolo, o radiante deus-Sol, o cavalheiro do Olimpo e senhor da profecia, da música e do conhecimento. O seu apelido era Febo, que significa "aquele que brilha" e, na Mitologia, dizem que seus lugares preferidos eram os altos picos das montanhas. Ele era filho de Zeus e de Leto, a deusa da Noite. Diferentemente das outras crianças, Apolo não foi amamentado por sua mãe, mas alimentado com néctar c com doce ambrósia assim, imediatamente, o recém-nascido arrancou as suas faixas e ficou dotado do vigor de um homem. Ele andava com seu arco e suas flechas de longo alcance -que Hefesto, o deus ferreiro, havia feito para ele - à procura de um lugar para o seu santuário. Mas o lugar que ele escolheu, um desfiladeiro montanhoso, era a morada da serpente fêmea Píton, uma criatura enviada por Hera que, por ciúmes, queria destruir Leto, a mãe de Apolo. O deus matou Píton com uma de suas flechas, coroou-se com louros e chamou o seu novo santuário de Delfos. Em Delfos, ele estabeleceu o seu oráculo, que era interpretado por uma sacerdotisa posteriormente conhecida como Pitonisa. Todos os anos, no outono, Apolo saía de Delfos para visitar a misteriosa terra dos Hipcrbóreos, onde ele podia deliciar-se com o eterno céu brilhante. Apolo era o inimigo da escuridão e podia suprimir a maldição da culpa por crimes de sangue e os consequentes sofrimentos. Entretanto, ele era um deus ardiloso, pois o seu oráculo era ambíguo e vago, e as suas flechas podiam matar tanto animais quanto ho- mens. Consequentemente, ele era considerado o deus da morte brusca, como também o curador que dissipava as doenças e as sombras. A profecia, geralmente o dom das divindades do Submundo, foi gradativamente apropriada a Apolo até ele mesmo se tornar o deus da visão de longo alcance. No sentido interior, Apolo, o deus-Sol, é a imagem do poder da consciência em dissipar a escuridão. Tal como Hécate que, sob o nome de Artemis, na Mitologia era irmã 33
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    gémea de Apolo,o deus personifica algo maior do que a capacidade do indivíduo em adquirir conhecimento e percepção. Apolo é a imagem do impulso para a consciência que existe em todos nós e, portanto, ele é o complemento natural e a antítese de Hécate. Durante muitos séculos e por meio da ascensão e queda de muitas culturas e civilizações, o impulso para o conhecimento e o desejo de liberdade da sujeição à natureza obscura e desconhecida levaram a humanidade para picos impressionantes, mas perigosos. Apolo representa o espírito do impulso intelectual combinado com a visão do futuro que engloba o ideal da perfeição. Assim, o encontro do Louco com Apolo, o deus-Sol, proporciona-lhe esperança e clareza após a longa noite de espera no útero de Hécate. Por meio de muitas tentativas e perdas, o Louco manteve o seu objetivo e a sua integridade; mas a carta da Lua é um lugar escuro no qual, apesar do fim da jornada estar próximo, o Louco perdeu a sua confiança c o seu poder de ação. Mas Apolo é o dissipador do medo e a sua luz brilhante dissipa as sombras. As sombras da Lua são como os medos noturnos da infância, que nos fazem sentir pequenos e insignificantes diante da vastidão do desconhecido, ameaçados pelas formas gigantescas que se desenham na escuridão. Apolo é a imagem da esperança e da fé que surge em todos nós independentemente dos nossos impulsos, uma herança humana de nobreza e de determinação que pode restaurar a fé do Louco em si mesmo, porque também é a fé no significado e no propósito da jornada humana. A carta do Sol simboliza o espírito indómito que sempre lutou contra a superstição, a inépcia, a ignorância e a sujeição ao fatalismo e ao desespero. E esse espírito que luta contra a serpente Píton, a encarnação do poder negativo, do instinto cego e do medo primitivo. A música de Apolo nos arrebata, pois ela utiliza a comunicação transpessoal, atravessando culturas e séculos e incorporando a tragédia e o triunfo humanos. Apolo é um grande deus, respeitado por todos os outros deuses, inclusive até as Moiras foram, em certa época, sujeitas à sua vontade - mas somente uma única vez. Entretanto, o deus-Sol também é ambivalente, pois luz excessiva e repentina pode matar se o conhecimento for prematuro, e destrói o tempo e a escuridão necessários à gestação. Portanto, a carta do Sol segue a carta da Lua. O calor escaldante do Sol pode queimar, por não respeitar as leis da Natureza. Na Mitologia, Apolo era frequentemente rejeitado em seus avanços com as mulheres, pois sua luz era brilhante demais. No sentido divinatório, a carta de Apolo, o deus-Sol, prevê um tempo de clareza, otimismo e confiança renovada. Torna possível compreender o padrão, planejar o futuro e empreender o caminho para a frente. Os feitiços da noite são dissipados e agora o Louco está de posse da antevisão, do propósito e de uma fé no impulso do espírito humano. Dessa forma, ele se depara com o grande princípio masculino da vida que age tanto no homem quanto na mulher e progride para a sua meta. 20 - O JULGAMENTO A carta do Julgamento retrata um jovem de cabelos pretos encaracolados, trajando uma túnica branca e um manto de viagem vermelho. Em sua cabeça, um elmo alado e, em seus pés, sandálias aladas. Em sua mão direita, ele segura o caduceu, a vara mágica entrelaçada por duas cobras. Aos seus lados e apenas visíveis, duas colunas, uma branca e outra preta. As escadas em que se encontra ascendem para uma porta pela qual é possível entrever um cenário verde no qual o Sol está apenas surgindo. Diante dele estão vários caixões gravados dos quais os mortos se levantam, esten- dendo-lhe seus braços e desfazendo-se de suas mortalhas. Aqui, à medida que nos aproximamos do fim do ciclo dos Arcanos Maiores, deparamo- nos com o deus com o qual nos encontramos no início - Hermes, o Psicopompo, Condutor de Almas. Na carta do Mago, Hermes aparece como o guia interior do Louco no início de sua 34
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    jornada da vida- trapaceiro, protetor dos viajantes perdidos e mago, o qual pode indicar o caminho por meio das misteriosas intuições que, na Mitologia, diziam que o deus dispensava. Agora, ele é revelado como uma divindade poderosa do Submundo, emissário de Hades, que convoca gentil e eloquentemente os moribundos aplicando a sua vara dourada sobre seus olhos. Mas Hermes também podia convocar as almas dos mortos de volta à vida, como também introduzi-las no domínio de Hades. Na Mitologia, quando Tântalo, o rei da Lídia, cortou o seu filho em pedaços para servi- los aos deuses, Hermes reuniu-os, devolvendo a vida ao jovem. Como arauto dos deuses, Hermes também libertava heróis, como Teseu, que entravam no reino de Hades ilicitamente e ali ficavam presos. Ele também guiou Orfeu nesse reino obscuro à procura de sua esposa Eurídice e o guiou novamente para fora quando esse a perdeu pela segunda vez. Dessa forma, o Hermes da carta do Julgamento não é somente o guia, mas também aquele que convoca e leva as almas para o seu juízo, preparando-as para uma nova vida. No sentido interior, Hermes, o Psicopompo, é a imagem de um processo que ocorre em certos momentos críticos da vida, como, por exemplo, um exame de consciência, quando as experiências do passado são reunidas e consideradas como parte de um padrão inteligente e cujas consequências devem ser compreendidas e aceitas. Esse processo não é uma função intelectual, mas uma ideia do que é engendrado no Submundo da inconsciência. É uma chamada para os mortos se erguerem, para que as muitas e variadas ações e decisões que executamos sejam reunidas a fim de produzir um resultado. O artista passa por esse processo quando, depois de muitas horas, semanas ou até anos, na tentativa de formular, pesquisar, praticar uma técnica e dar forma a uma vaga ideia ou imagem, finalmente algo "acontece" e uma nova obra criativa vem à luz. Esse mesmo processo pode ser visto na psicoterapia, em que um indivíduo luta, durante um longo tempo, com as memórias e sentimentos desconectados do passado e do presente, preso e bloqueado, e, de repente, há uma coesão e o seu padrão de vida finalmente faz sentido. Esse processo pode ocorrer em qualquer plano de vida no qual nos debatemos e lutamos cegamente diante de uma situação para repentinamente o esforço ser recompensado, surgindo uma síntese e um novo desenvolvimento. Assim é Hermes no máximo de seu poder mágico, revelado como o verdadeiro senhor de toda a jornada do Louco, juntando por meio de um misterioso processo de intuição as experiências e as percepções angariadas em cada estágio da jornada e, magicamente, mesclando-as para formar o início de uma nova e mais ampla personalidade. Portanto, a figura de Hermes conduzindo as almas para o julgamento representa um processo de nascimento, que levará a uma personalidade mais completa que, de maneira irracional, provém das experiências combinadas do passado, entremeadas pelo discernimento e pelo sentido de que, na realidade, eventos e opções aparentemente aleatórios estão secretamente ligados. O juiz dos mortos decide qual futuro merecem os esforços passados e é nesses esforços das cartas passadas que o futuro do Louco é edificado. A carta do Julgamento simboliza a recompensa dos esforços empenhados, apesar de o juiz estar em nosso interior e não no mundo exterior. Também pagamos por nossos erros de inconsciência e colhemos os frutos da recusa em assumir a responsabilidade de nossas próprias escolhas em cada estágio da jornada. O Julgamento não é somente a imagem de um novo começo, mas é o início que emerge do passado. Na filosofia oriental, isso é chamado de carma. Cada pessoa semeia o seu próprio campo e deverá colher o que foi produzido de seu plantio. Apesar de frequentemente ser considerado trapaceiro e mentiroso, na função de Psicopompo, Hermes não permite que a alma minta. Tudo deve ser computado c o Louco encontra finalmente as consequências de todas as escolhas que fez na vida. No sentido divinatório, quando o Julgamento aparece em uma abertura de cartas, ele prevê um tempo de recompensa por esforços passados. Esse é o período da síntese, da 35
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    realização do quefizemos e onde nós mesmos criamos o futuro que agora nos aguarda. Trata-se de uma carta ambígua, pois também pode implicar um confronto incómodo com nossas fugas e traições. Nem sempre a recompensa é agradável. Agora, o Louco deve responder por sua jornada, pois chegou o tempo da colheita e tanto os erros quanto os esforços criativos do passado são reunidos para formar o futuro. Independentemente do que acontece ao indivíduo em termos de experiências, a carta do Julgamento anuncia o fim de um capítulo da vida. Mas, diferentemente da carta da Morte, ela não implica o luto. Ao contrário, é a clara percepção de quanto fomos autênticos com relação a nós mesmos. 21 - O MUNDO A carta do Mundo retrata uma serpente dourada enrolada na forma de um ovo que come a própria cauda. Dentro do círculo, uma estranha figura está dançando, metade homem e metade mulher, alada, com uma coroa de louros e segurando em cada uma das mãos uma vara dourada. Em volta da serpente, surgindo das nuvens, um cálice, uma espada, uma tocha e um pentáculo dourado. Aqui encontramos Hennafrodito que, na Mitologia, era filho de Hermes e de Afrodite. Em uma versão da lenda, ele nasceu como um ser de duplo sexo, mas, em outra versão, essa dualidade ou unidade foi adquirida. Originalmente, Ucrmafrodito era uma criança de género masculino e, para esconder o seu nascimento ilícito, Afrodite imediatamente o confiou às ninfas do Monte Ida, que o criaram na floresta. Com a idade de 15 anos, ele era um jovem selvagem cujo principal prazer era caçar nos bosques da montanha. Um dia ele chegou às margens de um lago límpido cujo frescor convidativo fez com que ali se banhasse. A ninfa Salmácis, que governava o lago, apaixonou-se por ele. Ela declarou o seu amor a Hermafrodito c o tímido jovem tentou rejeitá-la. Mas Salmácis o abraçou e o cobriu de beijos. Ele continuou resistindo, porém a ninfa gritou: "Ó deuses! Façam com que jamais algo me separe dele ou ele de mim!" Imediatamente, seus dois corpos foram unidos e se tomaram um só. As quatro figuras que cercam a imagem de Hermafrodito na carta do Mundo pertencem a quatro divindades: Afrodite, a deusa do amor; Zeus, o rei dos deuses; Atena, a deusa da sabedoria; e Poseidon, o deus dos terremotos. Já nos deparamos com esses símbolos na carta do Mago: o cálice do amor, a vara da imaginação criativa, a espada do intelecto e o pentáculo da realidade física. Esses quatro elementos, nós os encontraremos novamente ao explorarmos os quatro naipes dos Arcanos Menores. A serpente em volta de Hermafrodito é a antiga Serpente do Mundo que, como sabemos, incorpora o próprio poder primordial instintivo da vida que se devora e se recria eternamente. No sentido interior, Hermafrodito é a imagem da experiência de estar completo. Macho e fêmea são mais do que identificações limitadas aos órgãos sexuais. São as grandes polaridades que englobam todos os opostos da vida. O ser de duplo sexo, nascido em uma versão e adquirido em outra, é o símbolo da potencial integração dos opostos na personalidade. Hermafrodito nasceu dessa forma porque o potencial dessa integração é inerente a todos nós. Mas, de outra maneira, Hermafrodito adquiriu a dupla sexualidade por meio das múltiplas experiências durante toda a jornada dos Arcanos Maiores que derradeiramente levam a esse ser completo. As qualidades do cuidado materno e das éticas paternas, intuição e expressão física, mente e sentimento, relacionamento e solidão, conflito e harmonia, espírito e corpo -- todos esses opostos que brigam dentro de nós e causam essa disputa em nossas vidas, nessa carta são considerados unidos, vivendo em harmonia dentro do grande círculo da Serpente do Mundo que a imagem da vida inesgotável. A imagem de integralidade, o sentido de estar completo, como é retratada na carta do Mundo, é uma meta ideal e não algo que possamos possuir totalmente. Somos humanos e, portanto, imperfeitos; o andrógino divino está além do nosso alcance. Mas podemos vislum- 36
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    brar esse estadosempre que houver um sentido de cura interna, quando duas partes conflitantes dentro de nós chegarem a se confrontar para, em seguida, encontrar uma solução que leva à paz e à harmonia. Geralmente, quando nos deparamos com esses opostos na vida e dentro de nós mesmos, negamos que esse conflito exista, reprimindo metade e rclegando-o ao Submundo do inconsciente. Ou projetamos a metade desconfortável sobre outra pessoa, ou sobre algo que pertença ao mundo externo, e gastamos energia lutando contra alguma coisa que está realmente dentro de nós. O estado de ambivalência faz parte da condição humana e, no entanto, quantos de nós têm a coragem de admitir essa nossa ambivalência? Nós dizemos: "É claro que quero me casar!", ou: "É claro que quero ter filhos!", ou: "E claro que te amo!", ou: "É claro que acredito em Deus!", ou: "É claro que gosto do meu trabalho!" Mas como seres humanos que somos, também somos complexos e a jornada do Louco é de descoberta por meio dos nossos próprios opostos, consciente e inconsciente juntos. A carta do Mundo é a última dos Arcanos Maiores e o fim da jornada do Louco, mas também é um ovo que insinua ser a semente de uma nova jornada. Dessa forma, sempre que tivermos um sentimento de "chegada" e houver um momento de realização e de cura, um novo desafio surge, uma nova descoberta da velha jornada espiralada. E assim continuamos a crescer e a mudar, sempre nos movendo para a frente e para Hermafrodito, a imagem da integralidade, mas somente conseguindo realizar pequenos avanços e, às vezes, de maneira muito sutil. No sentido divinatório, quando o Mundo aparece em uma abertura de cartas, ele prevê um tempo de realização e de integração. Esse é um período de triunfo da bem- sucedida conclusão de um assunto, ou a realização de um objetivo que foi duramente trabalhado. Mas esse pico é simplesmente o vislumbre de algo misterioso e evasivo, e Hermafrodito se torna um feto que, eventualmente, surge da caverna como o Louco. Assim, o grande ciclo dos Arcanos Maiores termina onde se inicia, pois poderíamos começar com Hermafrodito como o futuro potencial da personalidade que leva ao nascimento do Louco. E, dessa maneira, o círculo, como a Serpente do Mundo, completa- se. OS ARCANOS MENORES Os Quatro Naipes Os quatro naipes do Tarô - simbolizados pela Taça (Copas), Bastão (Paus), Espada (Espadas) e Pcntáculo (Ouros) - são descrições, no sentido da forma, de experiências em quatro diferentes dimensões ou fases da vida. Tal como os antigos quatro elementos da filosofia grega, dos quais se acreditava que todas as coisas manifestas fossem criadas, os quatro naipes englobam cada faceta das experiências da vida. Em certo sentido, eles revelam, com maior detalhe e em um nível mais pessoal, a jornada arquetípica retratada pelas 22 cartas dos Arcanos Maiores. Cada naipe focaliza um determinado aspecto do ciclo global e o examina por meio de diferentes e detalhadas fases de desenvolvimento. Cada naipe dos Arcanos Menores pode ser dividido em dois grupos: as cartas numeradas, das quais há dez cartas cm cada naipe, e as cartas da corte, das quais há quatro em cada naipe. Por intermédio das cartas numeradas, podemos vislumbrar as experiências coti-dianas da vida, que nos acometem por meio de acontecimentos, do tratamento com outras pessoas e por meio de estados passageiros da mente ou do sentimento. Cada uma das cartas numeradas reflete uma experiência típica ou arquetípica e, mais cedo ou mais tarde, durante o transcorrer da vida, nós nos encontramos em cada um desses pequenos cenários. É por isso que as cartas numeradas são, de forma geral, 37
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    interpretadas de umponto de vista divinatório como reflexos de fatos ou acontecimentos no mundo exterior, embora elas sejam, na realidade, tão "psicológicas" quanto as cartas dos Arcanos Maiores. As cartas da corte que pertencem a cada naipe - Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei diferem das cartas numeradas, porque elas não descrevem realmente fatos ou experiências, mas representam tipos de caráter ou dimensões de uma determinada fase da vida que podem ser descritos como figuras humanas. Apesar de se apresentarem de modo hierárquico, elas têm o mesmo valor, porém o diferente grau de poder material indica o seu diferente grau de consolidação no mundo exterior. Os Pajens em todos os naipes dos Arcanos Menores são imagens dos jovens, inícios delicados das qualidades do específico naipe. Em outras palavras, essa é a parte primitiva daquela fase da vida em sua forma juvenil, frágil e incipiente, precisando de cuidado e proteção para que as suas qualidades se desenvolvam totalmente. Os Cavaleiros são imagens da fase adolescente volátil e energética das qualidades do específico naipe. Esse é o espírito jovem, energético e buscador que nos impulsiona a explorar e a experimentar aquela particular fase da vida. As Rainhas em todos os quatro naipes são imagens das qualidades estáveis e receptivas de uma fase específica da vida. Aqui a energia e o anseio não fluem mais com tanto abandono no ambiente - é o que a Psicologia* chamaria de acting-out (psicodrama) -; ao contrário, cies são mantidos interiormente, contidos e concentrados para que uma força maior possa emergir. Aqui os valores do indivíduo são formados e encenados pelas únicas figuras femininas das cartas da corte. Os Reis em todos os quatro naipes são imagens das qualidades dinâmicas, expansivas e diretivas do naipe específico. Essas poderosas figuras masculinas representam o uso total das energias dessa fase de vida para construir e concretizar no mundo exterior. As personalidades arquetípicas das cartas da corte não descrevem qualidades pertinentes unicamente a homens ou a mulheres, apesar de as imagens serem definitivamente sexuadas. Ao contrário, esses rostos masculinos e femininos implicam qualidades de energia receptivas ou diretivas: masculino e feminino em um nível mais pro- fundo e disponível a homens e mulheres. Essas figuras são maiores do que as das cartas numeradas dos Arcanos Menores, embora não tão abrangentes e profundas quanto as figuras dos Arcanos Maiores. A Rainha de Ouros, por exemplo, compartilha algumas das qualidades terrenas da Imperatriz, mas incorpora todas as amplas e profundas dimensões da Mãe do Mundo. A Rainha de Copas compartilha alguns atributos intuitivos tanto da Sacerdotisa quanto da Lua; mas essas duas últimas são maiores, porque as profundezas do inconsciente contêm mais do que simplesmente as intuições e os sentimentos passionais encenados pela Rainha de Copas. As cartas da corte contem seu próprio mistério, porque, frequentemente, elas penetram na vida do indivíduo não somente como uma experiência interior, mas como pessoas reais. Aqui voltamos ao enigma do que a Psicologia chama de sincronicidade, porque, quando algo está maduro para ser desenvolvido dentro de nós, muitas vezes o encontramos no mundo exterior; e quando estivermos a caminho de nos tornar um certo tipo de pessoa e precisarmos desenvolver certas qualidades internas, frequentemente essa exata pessoa aparece "externamente" como um catalisador do qual podemos apren- der mais sobre nós mesmos. Muitos relacionamentos acontecem em nossas vidas, porque a outra pessoa incorpora algo que nós, com o tempo, devemos aprender a interiorizar. Dessa forma, as cartas da corte abrangem os domínios da psique e da matéria de maneira perturbadora, pois esses tipos de personalidades podem entrar em nossas vidas como pessoas, além de descrever qualidades que nós mesmos estamos cm processo de desenvolver. Os naipes de Copas correspondem ao antigo elemento água que, como diziam, deu origem à vida. A água é fluida, sem forma, mutável e vaga, mas tão real e poderosa, à sua 38
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    maneira, quanto rochasólida. Os ritmos e as profundezas do mar são maravilhosos, mas perigosos. Assim também é o mundo do sentimento, pois, apesar de os sentimentos mudarem e assumirem sua coloração de acordo com a situação que os cercam, eles possuem seu próprio ritmo, realidade e poder. As 14 cartas do naipe de Copas descrevem o desenvolvimento dos sentimentos durante a vida, as maneiras típicas pelas quais as nossas emoções mudam e se aprofundam por meio de experiências humanas características, do catalisador de outras pessoas e dos tipos de caráter que incorporam o mundo do sentimento em sua forma mais pura. O símbolo da copa sempre foi associado ao coração, pois o fluido que contém é o mundo fluido do sentimento. Quer seja essa a água clara do amor espiritual ou o vinho vermelho-sangue da paixão, a copa da qual bebemos é o veículo pelo qual experimentamos o relacionamento. O naipe de Paus corresponde ao antigo elemento fogo que, como diziam, surgiu espontaneamente do nada e podia alterar e transformar tudo o que tocava sem mudar a si mesmo. O fogo é volátil, um transformador de formas, nem sólido nem líquido, mas um catalisador que reduz objetos aos seus mais básicos componentes, transformando a sua natureza. Assim também é o mundo da imaginação criativa, que pode produzir imagens do nada e que transforma objetos no mundo concreto e "real", incutindo neles significado e objeti-vo, embora a própria imaginação permaneça inatingível. O símbolo do bastão (naipe de Paus) é relacionado com a vara do mágico que, por meio do misterioso poder da imaginação, pode conjurar objetos a existir e pode perceber ligações que a mente comum não pode enxergar. As 14 cartas do naipe de Paus descrevem o desenvolvimento da imaginação criativa e dos desafios com os quais nos deparamos no mundo exterior, sua utilidade, os perigos da insensata imaginação excessiva e os personagens típicos que incorporam mais puramente o domínio da imaginação. O naipe de Espadas corresponde ao antigo elemento ar que, sendo invisível, se acreditava ser a respiração do espírito que concebeu a ideia da criação antes que fosse manifestada. A morada do céu era a sede de Zeus, rei dos deuses, de onde ele formulou suas leis e elaborou o seu plano para a evolução do homem. Assim, o elemento ar simboliza o domínio da mente, as faculdades da conceituação e o pensamento abstraio que devem preceder qualquer ato de criação e que proporciona estrutura e significado à vida. A espada com seus dois gumes cortantes é uma imagem adequada para o poder ambivalente da mente, que pode penetrar a situação mais obscura e mais incompreensível com sua agudeza e, ao mesmo tempo, cortar com sua lâmina inflexível. As 14 cartas do naipe de Espadas descrevem o desenvolvimento dessa faculdade racional em sua forma obscura e clara por meio de conflitos, disputas e separações que os pensamentos e as palavras podem provocar; pela clareza e pela compreensão que a mente pode oferecer, e pelos tipos característicos que integram o domínio da mente em sua forma mais pura. O naipe de Ouros (Pentáculos) corresponde ao antigo elemento terra, a argila essencial da qual fomos formados e para a qual devemos voltar derradeiramente. A terra é tanto o nosso início quanto o nosso fim, e a experiência do corpo é a realidade original antes que qualquer sentimento, imagem ou espírito possa habitá-la. A terra pode ser trabalhada e formada para construir casas e outras criações, e a própria vida exige ajustes para as necessidades de nossos corpos por meio do alimento, do abrigo, da vestimenta e do dinheiro que simboliza o merecimento, o valor e a recompensa pela energia empregada. O símbolo do pentáculo - a moeda de ouro cunhada com a estrela de cinco pontas de Hermes, o deus da magia, dos mercadores e das transações - significa dinheiro. Mas o dinheiro em si é um dos símbolos mais profundos e intimamente ligados ao nosso sentido de valor e de merecimento em tudo o que realizamos na vida. O pentáculo também é um prato no qual o alimento pode ser servido, um recipiente que guarda tudo o que criamos. As 14 cartas do naipe de Ouros descrevem o desenvolvimento da "realidade da função" e o ajuste gradativo, durante a vida, de necessidades, desafios, decepções e recompensas do mundo material, assim como os personagens típicos que incorporam o mundo da terra em sua forma mais pura. 39
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    Os antigos filósofosdeclaravam que esses quatro elementos estão em nós e, em um sentido interior, todos nós possuímos essas quatro diferentes dimensões da vida e quatro diferentes modos de nos adaptarmos a ela. Todos devemos passar por experiências ar- quetípicas nos quatro reinos, ou seja, elas tendem a seguir certos padrões humanos básicos. O curso dos relacionamentos humanos. por exemplo, é um caminho que, apesar de bem conhecido, todas as vezes que o trilhamos é como se fosse pela primeira vez. A nossa herança de Mitologia, folclore e contos de fadas, sem mencionar a grande literatura e arte do mundo, revela todas as típicas situações humanas do amor - separação, idealismo, decepção, rejeição, conquista, realização, união e perda. Em razão de nossas experiências serem típicas de cada um dos quatro reinos, exploraremos cada uma das cartas numeradas dos quatro naipes por meio de um mito particular que abrange as dez cartas e que incorpora essas experiências características. Exploraremos as quatro cartas da corte de cada naipe por intermédio de figuras humanas da Mitologia que personificam os tipos característicos daquele naipe. Dessa forma, poderemos examinar detalhadamente os essenciais padrões humanos do desenvolvimento que ocorre emocional, criativa, intelectual e fisicamente. Para as cartas numeradas do naipe de Copas, consideraremos o mito de Eros e Psique, pois essa é uma história arquetípica de amor cujo desenrolar se relaciona com as principais experiências nos relacionamentos com as outras pessoas. Para as cartas numeradas do naipe de Paus, analisaremos o mito de Jasão e o Velocino de Ouro, pois essa é uma história de aventura e de conquista da imaginação criativa sobre as limitações da matéria. O desenrolar dessa história relaciona-se com as principais experiências no esforço para expandir as nossas vidas criativamente. Para as cartas numeradas do naipe de Espadas, acompanharemos o mito de Orestes e a Maldição da Casa de Atreu, pois essa é uma história arquetípica dos usos e dos abusos da mente, e dos conflitos, disputas e reconciliações que encontramos por meio de nossa ética e de nossos princípios. E para as cartas numeradas do naipe de Ouros, investigaremos o mito de Dédalo, pois essa é uma história arquetípica do destino do espírito encarnado em matéria imperfeita e o desenvolvimento das destrezas e habilidades no mundo da forma. O NAIPE DE COPAS As Cartas Numeradas Na realidade, a lenda de Eros e Psique é o desenvolvimento e o amadurecimento dos sentimentos, e a capacidade do relacionamento com outra pessoa. De certa forma é uma jornada, uma viagem, mas diferente da grande jornada do Louco pelos Arcanos Maiores, pois se trata de uma aventura específica que diz respeito ao tema central do coração humano. Psique (em grego, a palavra significa "alma") era uma princesa de grande beleza e de quem a própria deusa Afrodite tinha ciúmes. Ela ordenou ao seu filho Eros, o deus do amor, que castigasse a audaciosa mortal. Logo depois, um oráculo mandou que o pai de Psique, ameaçado de terrível calamidade, levasse a filha a um rochedo solitário na qual ela se tornaria vítima de um monstro. Mas, quando Eros viu a jovem que deveria ser sacrificada, ficou tão surpreso com a sua beleza que levou um tombo e acabou picando- se com uma de suas flechas - aquelas que usava com tanta eficiência para incutir amor tanto em mortais quanto em deuses. E, assim, Eros apaixonou-se por quem sua mãe lhe ordenara destruir. Tremendo, mas resignada, Psique aguardava em seu rochedo solitário a realização 40
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    do oráculo quando,de repente, ela percebeu que estava sendo levada gentilmente pelos ventos a um magnífico palácio. Ao cair da noite, quando Psique quase dormia, um ser misterioso apareceu na escuridão dizendo-lhe ser o marido ao qual era destinada. Ela não podia lhe ver as feições, mas a sua voz era gentil e suas palavras eram cheias de ternura. O casamento foi devidamente realizado, mas ao alvorecer, antes de retirar-se, o estranho fez com que Psique prometesse nunca tentar ver o seu rosto. Psique não era infeliz com a sua nova vida e nada lhe faltava, com exceção da deliciosa presença do marido que somente a visitava durante a noite. A sua felicidade teria continuado dessa maneira não fosse por suas duas invejosas irmãs, que plantaram a semente da suspeita em seu coração, dizendo que o marido devia ser um monstro horrível já que lhe escondia o rosto. Tanto insistiram que uma noite, apesar de sua promessa, Psique Ievantou-se da cama que compartilhava com seu marido e acendeu uma lanterna iluminando o rosto misterioso. Em vez de um monstro terrível, ela contemplou o mais lindo jovem do mundo - o próprio Eros. Ao pé da cama, estavam a sua aljava e as suas flechas. Chocada, Psique virou-se em direção à cama, mas caiu e feriu-se com uma das flechas, apaixo-nando-se profundamente pelo jovem deus que ela, anteriormente, havia aceitado porque ele a amava. Ao cair, ela despertou Eros, que a repreendeu por sua falta de fé e imediatamente desapareceu. O palácio também desaparecera e a pobre Psique encontrou-se novamente no rochedo solitário no seio de um apavorante isolamento. No início, ela considerou suicidar- se e se jogou em um rio que estava próximo, mas as águas levaram-na delicadamente para a margem oposta. Dali em diante, ela passou a vaguear pelo mundo à procura do amor perdido, perseguida pela ira de Afrodite e forçada pela deusa a submeter-se a uma série de terríveis provações. Entretanto, ela conseguiu superar todas as provas, assistida pelas criaturas da Natureza - as formigas, os pássaros, os caniços. Ela teve de descer ao Submundo, cujo acesso era proibido a qualquer ser humano. Finalmente, sensibilizado com o arrependimento de sua esposa, que nunca deixara de amar e de proteger, Eros implorou a permissão de Zeus para que Psique se reunisse a ele. Afrodite esqueceu o seu rancor e as segundas núpcias dos dois amantes foram celebradas com grande alegria. O Ás de Copas A carta Ás de Copas retrata uma linda mulher de cabelos pretos que emerge de um mar espumante. Ela segura uma única e grande taça dourada. Nesta carta, encontramos a deusa iniciadora que é a força ativa responsável pela lenda romântica de Eros e Psique: trata-se de Afrodite, que nasceu das águas espumantes, a deusa do amor em seus mais nobres e também mais degradantes aspectos. Na Mitologia, o nascimento de Afrodite foi muito estranho. Quando, pela insistência de sua mãe Gaia, o astuto Cronos castrara o seu divino pai Urano, ele jogou os seus genitais ao mar. Eles flutuaram na superfície das águas produzindo uma espuma branca da qual surgiu Afrodite. Transportada pela respiração de Zéfiro, o Vento do Oeste, a deusa foi levada para as margens de Citera (Grécia) e finalmente parou nas praias de Chipre. Ela foi recebida pelas Horas, as deusas das estações, que a vestiram ricamente, enfeitaram-na com jóias e a conduziram para a assembleia dos imortais. Afrodite era uma deusa complexa. Essência da beleza feminina, tudo nela era puro charme e harmonia. Mas também podia ser ciumenta, maliciosa, vaidosa, enganadora, traiçoeira, preguiçosa e vingadora. Ela espalhou por toda a natureza a alegria de viver, embora também fosse a divindade temerosa que enchia os corações humanos com o frenesi da paixão. As vítimas escolhidas por Afrodite sofriam, pois chegavam a trair os seus próprios pais, a abandonar os seus lares ou eram acometidas por paixões animalescas ou incestuosas. Ao mesmo tempo, Afrodite protegia as uniões legítimas e 41
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    presidia a santidadedo casamento. Em suma, Afrodite é a imagem da força da Natureza. O significado dos Ases nos quatro naipes dos Arcanos Menores é a erupção inicial da energia vital, e a deusa de cabelos pretos que emerge do mar segurando a taça dourada representa o surgimento do sentimento primordial. Esse é o impulso para o relacionamento e, se não estivermos prontos, então a outra pessoa não aparecerá. Na lenda, Eros e Psique nunca teriam se encontrado se não fosse por Afrodite, pois foi o seu capricho que promoveu a ação da história. Portanto, o As de Copas implica o início da grande jornada pelo domínio do coração, no qual a abundância de sentimentos irrompe e impulsiona o indivíduo ao relacionamento. No sentido divinatório, o Ás de Copas anuncia uma disseminação de sentimento que, apesar de não ter sido evidenciado, surge como primitivo, vital e, muitas vezes, avassalador. No início de um relacionamento, o potencial está implícito, embora nem sempre seja manifestado. E o indivíduo está pronto para embarcar na jornada do amor. O Dois de Copas A carta Dois de Copas retrata o encontro inicial entre Eros e Psique. Ela está vestida de branco para proclamar a sua virgindade e está amarrada em um rochedo cercado de água por ordem de Afrodite. Aos seus pés há uma taça dourada. Seu olhar é distante e ela aguarda a sua morte certa pelo monstro que habita a profundeza do mar. Atrás dela, Eros paira no céu, tremulando com seus cabelos louros e suas asas douradas. Em sua mão direita, ele segura uma taça dourada. Em sua mão esquerda, a flecha com a qual, acidentalmente, ele se feriu e, inadvertidamente, apaixonando-se pela mulher que fora ordenado a matar. O Dois nos quatro naipes dos Arcanos Menores representa a polarização da energia vital inicial dos Ases. Aqui, no Dois de Copas, essa polarização implica a atração entre o masculino e o feminino. O sentimento primordial que irrompeu no Ás agora encontrou um obje-to, assim como Eros encontra a mulher com quem pode se unir. Na antiga fábula de Platão a respeito das origens da humanidade, a alma humana, antigamente, era uma esfera perfeita e continha tanto o masculino quanto o feminino. Mas essa alma andrógina dividiu-se e, assim, a raça humana, constituída de homens e mulheres, é cegamente levada a buscar a sua metade perdida. Para a mentalidade grega, a atração erótica representava alguma coisa sensual e espiritual, pois, além de proporcionar prazer físico, também era a procura da alma por seu complemento. Quando um novo potencial começa a surgir do inconsciente na vida do indivíduo, ele inicia por projetar-se sobre alguém ou sobre alguma coisa no mundo exterior. Dessa forma, quando o potencial para a realização indicado no Ás de Copas começa a movimentar-se na pessoa, a primeira indicação desse movimento é a atração pela outra. Nessa outra pessoa, podemos vislumbrar o que nós mesmos estamos nos tornando. Em Psique, que é mortal, o deus Eros percebe a oportunidade de humanizar-se, pois ele é o espírito desencarnado do amor que ainda não encarnou em um relacionamento humano. No deus Eros, Psique pressente o potencial da imortalidade que pode elevar o seu amor humano para um nível mais alto e mais espiritual, mas não nesse momento. O Dois de Copas nos apresenta os protagonistas da lenda, e o poder primordial de Afrodite se transforma no poder de atração. No sentido divinatório, o Dois de Copas prevê o início de um relacionamento. Ele também sugere uma reconciliação que, em um relacionamento já existente, passou por dificuldades ou pela separação. Pode até indicar o encontro ou os acordos entre parceiros de negócios, pois aqui também o elemento de relacionamento é evocado. O Três de Copas 42
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    A carta Trêsde Copas retrata o casamento de Eros e Psique. Em pé, no rochedo cercado de água, Psique está com seu vestido de noiva e seus cabelos enfeitados de flores; ela segura um buque de lírios brancos. Atrás dela, está o noivo que ela ainda não pode ver -Eros, o radiante deus do amor, com seu arco e aljava com flechas douradas. Três ondinas ou ninfas dançam em um círculo ao seu redor, cada qual emergindo da água e segurando uma taça dourada em comemoração do casamento. Os Três de todos os naipes dos Arcanos Menores representam o estágio de uma conclusão inicial. Uma nova dimensão de vida está por começar, enquanto a primeira parte da jornada foi completada. Portanto, o Três de Copas é uma carta de comemoração, representando uma experiência de realização emocional e a conclusão da atração inicial. O casal uniu-se e há um sentimento de alegria e de promessas. Mas a história de Eros e Psique conta algo muito importante sobre esse estágio inicial de realização e de conclusão. Psique ainda não viu o seu noivo nem, no mito, questiona a falta de um encontro real. Inicialmente ela se contenta em viver com Eros em uma espécie de estado onírico no qual ele volta para ela na escuridão da noite. Portanto, junto com a alegria e a comemoração desse casamento, paira uma certa ingenuidade. Esse é o estado imediatamente reconhecível de "estar apaixonado", no qual estamos fascinados pela nossa imagem refletida na outra pessoa, mas também é aquele estado em que o verdadeiro parceiro ainda não é visível aos nossos olhos. O encontro inicial é uma experiência alegre, uma comemoração do amor e da vida, um excitante início. Grande parte da literatura e do drama do mundo retrata a felicidade desse mesmo estado. Mas a mensagem é: aproveite-o enquanto puder. Há muito mais à frente, alegrias e tristezas, antes que a jornada pelo naipe de Copas se complete e que o amor de Eros e Psique surja com todo o seu potencial humano e divino. O Três de Copas é uma iniciação à vida, cheio de promessas. A virgem casa-se e deixa para trás a sua virgindade e a sua inocência. Essa é a carta da transição anunciando outros desen- volvimentos futuros. A jornada ainda não terminou e há muito trabalho à frente. No sentido divinatório, o Três de Copas sugere a comemoração de um casamento, o início de um caso de amor, o nascimento de uma criança ou alguma outra situação de realização emocional e de promessas. Mas cada uma dessas situações também é um início, uma iniciação para níveis mais profundos de experiências do coração e o prenúncio de explorações futuras. O Quatro de Copas A carta Quatro de Copas retrata Psique, a recente noiva, sentada no magnífico palácio do deus Eros. Através de colunas brancas, vislumbra-se o mar. Aos dois lados de Psique, estão suas invejosas irmãs, uma vestindo preto e a outra, vermelho, ambas sussurrando que o seu noivo seria um terrível monstro; do contrário, por que haveria de ocultar-se nas sombras, visitando-a somente à noite? Psique assume um olhar descontente. À sua frente, quatro taças douradas. Os Quatro de todos os naipes dos Arcanos Menores são aqueles do descontentamento divino. Apesar de tudo parecer alegre e compensador, ainda existem dúvida e suspeita. O Quatro de Copas retrata esse descontentamento em nível de sentimento. Psique vive na opulência e é visitada à noite pelo marido amante e carinhoso, mas mesmo assim não está satisfeita. Suas invejosas e ciumentas irmãs, de certa forma, são os impulsos interiores da própria alma, pois, apesar de negativos e de provocar-lhe dúvidas, sondam um problema real: a cegueira e a ignorância de Psique quanto a quem e o que é o seu verdadeiro consorte. Assim, a realização inicial do Três provou ser uma decepção, pois há uma crescente percepção de que alguma coisa está errada, algo que não está sendo considerado. Todos 43
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    temos essas horríveisirmãs dentro de nós, uma espécie de lado sombra de nossa personalidade que mais parece desejar-nos o mal e, no entanto, somente quer o nosso bem, porque ele nos obriga a analisar mais profundamente e a exigir mais honestidade em nosso tratamento emocional com as pessoas. Caso Psique tivesse permanecido em seu estado cego e satisfeito de ignorância, ela nunca teria crescido e todo o potencial de seu relacionamento com Eros e o seu próprio "eu" nunca seria alcançado. Portanto, o Quatro de Copas, a carta dos sentimentos descontentes e da insatisfação emocional, por nenhuma razão aparente, é tanto negativo quanto positivo. Ele retrata todas as nossas vãs suspeitas e dúvidas a respeito das outras pessoas; e isso resulta na semente de todas as traições. Entretanto, ele ainda retrata uma misteriosa força inteligente funcionando no indivíduo que, de alguma forma, sabe que ainda há um longo caminho pela frente. No sentido divinatório, o Quatro de Copas prevê um período de insatisfação, de tédio e de depressão em um relacionamento. Há um sentimento de ter sido abandonado ou trapaceado, apesar de que os trapaceiros somos nós mesmos, graças às nossas expectativas irreais. Essa insatisfação pode levar a um demorado e tácito ressentimento ou pode levar a uma análise mais profunda dos relacionamentos, um caminho mais árduo porque as suposições e fantasias anteriores serão então desafiadas. O Cinco de Copas A carta Cinco de Copas retrata as consequências da traição de Psique. Suas irmãs despertaram os seus medos a tal ponto que ela acabou quebrando a promessa feita a Eros ao acender uma lanterna para ver o seu rosto enquanto dormia. Aqui podemos ver Psique desesperada diante da cama nupcial vazia. A mão esquerda segura a lanterna, enquanto a direita está levantada em súplica para Eros, que pode ser vislumbrado desaparecendo atrás das colunas de mármore do esplêndido palácio. A frente, quatro taças derrubadas com seu conteúdo espalhado no chão; uma única taça permanece em pé e intacta. O Cinco de Copas representa aquele período de prova em um relacionamento quando nos arrependemos de certas ações do passado. Essa carta coloca o difícil problema da traição que, como parte do naipe de Copas, é apresentada como uma experiência necessária e potencialmente criativa. Apesar de penosa, a traição quebra o cego encanto mágico de "estar apaixonado" e totalmente envolvido com a outra pessoa, pois trair, às vezes, pode significar ser autêntico. A traição de Psique não foi um ato impensado ou causado por ambição; ele surge de sua necessidade de conhecer o parceiro, e o deus, de certa forma, está errado em negar-lhe esse conhecimento. Por- tanto, essa é uma ação honesta que provoca o conflito inevitável que, no entanto, é necessário, porque qualquer outra ação constituiria uma autotraição. Trair a exigência ou a expectativa da outra pessoa é um aspecto difícil, mas frequente, de um relacionamento mais íntimo. O amante, marido ou esposa que diz: "Não procure me conhecer realmente, mas permaneça apaixonado pela imagem que eu lhe apresento", provocará a traição e o traidor, tal como Psique, muitas vezes sofre as consequências. Porém, a presença de uma taça intacta na figura afirma que nem tudo está perdido; alguma coisa ainda resiste que permite trabalhar na reestruturação. Agora Psique sabe quem é o seu marido, além de saber que o ama, e não a uma simples imaginação. Sem esse ritual de passagem ela ficaria presa à ansiedade e ao ressentimento do Quatro de Copas. Nesse momento, ela sofre com o amargo arrependimento, mas ainda resta algo com o que trabalhar. No sentido divinatório, o Cinco de Copas implica o arrependimento de ações passadas. Algo saiu errado, uma traição ocorreu, e há tristeza e remorso. A separação pode ocorrer no relacionamento, mas essa carta não a prevê como definitiva. Resta ainda alguma coisa 44
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    a ser trabalhadae o indivíduo deve enfrentar o desafio e com-prometer-se com o futuro. O Seis de Copas A carta Seis de Copas retrata Psique sentada sobre um rochedo e, atrás dela, um mar calmo. Em sua mão esquerda, ela segura e contempla o conteúdo de uma taça dourada. Em sua mão direita, os restos de seu buque de noiva de lírios brancos. Ao seu redor, outras cinco taças douradas. O Seis de Copas é uma carta nostálgica. Aqui podemos ver Psique abandonada; o seu misterioso marido se foi e o magnífico palácio desapareceu; tudo o que ela tem são boas memórias. Entretanto, apesar da catástrofe, Psique parece estar tranquila, pois o Seis de Copas não é uma carta negativa. Com o ocorrido, Psique conseguiu algo muito precioso. Ela realmente viu Eros e agora sabe que o ama pelo que ele é, e não pelo conforto e pelo prazer que ele lhe proporcionava. Portanto, apesar da perda, ela descobriu algo a seu próprio respeito e é essa verdade que promove a harmonia que podemos ver nessa carta. A calma e a serenidade que muitas vezes ocorrem depois de uma crise em nossas vidas são relacionadas a esse estágio da história. Aqui, os sonhos e as expectativas irreais do passado, por meio de provas e decepções, de certa forma se cristalizam em algo sólido e real. Psique assumiu o desafio de recuperar o seu amor perdido após o arrependimento e o remorso do Cinco de Copas e, portanto, está em paz consigo mesma. O seu amor tornou-se realidade e agora ela tem alguma coisa com que trabalhar. Nesses momentos, a nostalgia do passado sempre volta para nos assombrar, mas existe uma faísca de verdade nele e não se trata apenas de uma fantasia sentimental sem fundamento. Após a auto-recriminação do Cinco, o Seis de Copas representa uma retomada positiva na jornada de Psique para o seu objetivo. No sentido divinatório, o Seis de Copas anuncia um período de serenidade que resulta das experiências dos sonhos do passado. Algumas vezes, um antigo amor volta do passado ou o sonho de um desejo antigo parece ser realizável em um futuro próximo. A cegueira própria do estado de "estar apaixonado" solidificou-se e, apesar de o passado parecer maravilhoso, mas irrevogavelmente perdido, uma parte de sua promessa surge no presente, temperada e reforçada. Essa carta implica a nostalgia a respeito do passado, mas com uma diferença: o passado pode levar ao futuro e o sonho passa a ser possível, e até próximo de realização. O Sete de Copas A carta Sete de Copas retrata a deusa Afrodite instruindo Psique a respeito das tarefas que ela deverá cumprir para poder ficar com Eros novamente. Psique está ajoelhada diante da deusa, reconhecendo a soberania divina em todos os assuntos relativos ao amor. Surgindo da água, Afrodite aponta para as sete taças douradas que flutuam nas nuvens diante dela. O Sete de Copas representa a dádiva - e o problema - de ser confrontado com muitas possibilidades nos assuntos do coração. Essa é a carta dos "castelos no ar". A intuição percebe todos os tipos de potenciais futuros, mas essas visões de possibilidades devem tornar-se reais e concretas por meio de um grande e árduo trabalho. Psique ergueu- se de seu estado nostálgico retratado pelo Seis de Copas, com um sério compromisso para com o seu amor e, humildemente, ela pede a ajuda de Afrodite, apesar de saber muito bem que a caprichosa deusa foi quem iniciou todas as mudanças catastróficas da sorte. Como resposta, Afrodite garante a futura reunião com Eros e é dessa forma que são invocadas as alegres fantasias da solução do relacionamento. Agora, tudo é possível para Psique. Mas Afrodite exige um preço: trabalho árduo e demorado, esforços cansativos, cui- dado e previsão, que podem provocar humilhação e sofrimento. Mas Psique não pode ter 45
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    Eros de voltasem executar esses trabalhos. O surgimento de alegres fantasias a respeito de um futuro maravilhoso no qual tudo é possível no amor é o natural desabrochar do comprometimento interior já estabelecido no Seis de Copas. Quando conseguimos uma profunda realização dos nossos sentimentos verdadeiros ou conseguimos uma ligação com uma importante parte de nós mesmos, tal como Psique conseguiu com o seu amor por Eros, o futuro descortina-se para uma rósea visão. "Agora eu sei como tudo isso aconteceu", afirmamos com confiança, porque agora sabemos que as possibilidades são infinitas. Mas tempo, escolhas certas e trabalho árduo são necessários para que essas possibilidades se transformem em realidade concreta. O relacionamento profundo e honesto que Psique agora almeja promete um futuro feliz. Mas, antes,ela deve aceitar as limitações da realidade: o fato de seu marido ser imaturo demais para aceitar essa honestidade e que ela própria deve aprender a ser paciente, ter fé e perseverança, antes de poder tê-lo de volta. No sentido divinatório, o Sete de Copas prevê uma situação emocional na qual muitos potenciais são evidentes, mas o indivíduo é confrontado pelo desafio de escolher e agir em termos realistas para que esses potenciais se manifestem. O Oito de Copas A carta Oito de Copas retrata Psique executando a última tarefa de Afrodite: a viagem ao Submundo para resgatar um pote de creme de beleza de Perséfone. Psique apresenta-se de mãos vazias ao descer os degraus que levam à escuridão do Submundo; seu rosto está triste, mas resignado, pois sabe que provavelmente não sobreviverá à viagem. Atrás dela, abandonadas, oito taças douradas cuidadosamente arrumadas. O Oito de Copas é a fase mais difícil da jornada de Psique para o seu objctivo de recuperar o relacionamento com Eros: a desistência voluntária da esperança no futuro. Nenhum mortal vivo pode descer ao reino de Hades e, no que diz respeito a Psique, essa última tarefa que Afrodite lhe impôs deve significar a sua morte. No entanto, ela obedece à deusa por ser leal ao seu compromisso com o amor. Dessa maneira, trata-se da desistência da esperança. Todas as tarefas tão meticulosamente executadas sugerem, pelas oito taças cuidadosamente arrumadas, que de nada serviram. Ela enxerga a situação como realmente é - que Afrodite jamais cederá - e, desesperada, ela desiste e abandona todas as suas esperanças passadas. Esse estágio do relacionamento é um dos mais penosos, porque significa que nada mais pode ser feito. Esforços maiores de nada servirão; devemos desistir e começar tudo de novo. Muitas pessoas, quando são confrontadas com o dilema refletido pelo Oito de Copas, recusam-se a aceitar o impasse e continuam a suplicar, ameaçar, coagir e a chantagear o parceiro, na esperança de uma resposta que não é mais possível nas atuais circunstâncias. O Submundo, como vimos na carta da Morte dos Arcanos Maiores, é o símbolo de luto e o abandono do controle; é o lugar da morte e da transformação de nossas velhas atitudes. Portanto, quando não há mais o que fazer, devemos desistir voluntariamente, não a título de "negociação" para garantir uma futura reconciliação - pois esse não é um autêntico abandono -, mas porque é a única coisa a ser feita. Essa é a aceitação do que parece ser o destino, a aceitação do fim. Não importa o que aconteça depois, a desistência nos transformará porque é a sujeição ao que é maior e não à boa vontade do parceiro, mas à vontade do divino, aqui representada pela grande deusa do amor. No sentido divinatório, o Oito de Copas implica a necessidade de desistir de alguma coisa. A verdade da situação deve ser enfrentada; não há o que fazer e não existe outra forma senão desistir. Muitas vezes, a situação leva à depressão, pois o Submundo é um lugar de luto. O futuro não pode ser manipulado e para o desconhecido nos dirigimos de mãos vazias. 46
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    O Nove deCopas A carta Nove de Copas retrata o momento de felicidade quando Psique é resgatada do Submundo e reunida a Eros. Em um rochedo cercado pelo mar, Psique e Eros portam guirlandas de flores e se confrontam de braços dados. Ao lado, Afrodite olha bondosa- mente para os dois, levantando uma taça e abençoando essa união. Abaixo deles, seis taças douradas estão cuidadosamente arrumadas em comemoração à reunião dos amantes. O Nove de Copas é a carta do desejo que representa a satisfação e a realização de um sonho emocional. Psique e Eros estão finalmente reunidos no mútuo amor honesto. Cada um, à sua maneira, traiu o outro e sabe em nível profundo quem é o parceiro; e compreenderam e perdoaram-se mutuamente. É por isso que Afrodite abençoa a união, pois o poder do amor incondicional humano pode afetar até os deuses. Esse momento extático de realização, diferentemente da comemoração inicial do Três de Copas, foi realmente merecido, não pela força, pela vontade ou pela manipulação emocional, ou ainda pela proclamação exagerada do auto-sacrifício, mas pelo seguro comprometimento interior assumido pelo único ser humano da história. Tudo o que Psique fez e realizou foi em fidelidade ao seu próprio sentimento. E, dessa forma, ela adquiriu o direito de reivindicar o seu marido divino, fazendo com que até os deuses se envergonhassem. Esse segundo encontro é o autêntico casamento de Eros e Psique, sugerindo o que essa união pode vir a ser, pois ela não surge do simples estado de "estar apaixonado", mas do comprometimento tanto ao amor quanto ao ressentimento, à traição, à separação, ao desespero e à possibilidade da desistência, se for necessária. Isso é raro, pois a jornada de Copas não diz respeito a "estar apaixonado e viver feliz para sempre", para logo se separar quando o amado decepciona. Na realidade, trata-se de uma jornada interior ao encontro de um compromisso com os nossos próprios valores de sentimento e, portanto, é uma união tanto interior quanto exterior. No sentido divinatório, o Nove de Copas anuncia um período de prazer e de satisfação, e a realização de um desejo almejado. Ele representa a recompensa pelos esforços empregados e a validação do nosso comprometimento. O Dez de Copas A carta Dez de Copas retrata a elevação de Psique ao nível divino para que ela possa entrar no mundo dos deuses com o seu marido. O casal, de mãos dadas, encontra- se-novamente no esplêndido palácio de Eros. Psique não porta mais o seu traje virginal; a sua veste agora é de ouro cintilante e, sobre seus ombros, como o seu marido, um par de asas douradas. A frente deles, dez taças douradas. O Dez de Copas representa um estado de permanência e de contentamento constante. O êxtase da reunião dos amantes na carta Nove de Copas não foi dissipado como na comemoração da carta Três de Copas e o descontentamento no Quatro de Copas, pois esse casamento se baseia na união consciente de dois amantes, mas par- ceiros diferentes. Por conseguinte, eles poderão usufruir um futuro que suportará qualquer desafio da vida ou dos deuses. O fato de Psique ter sido elevada ao status imortal implica que, agora, o seu amor por Eros engloba não somente uma dimensão pessoal e sensual, mas também uma dimensão espiritual. Eros foi humanizado pelo seu amor por Psique; ele não precisa mais esconder dela o seu rosto. Por outro lado, Psique experimenta um sentido de ligação com o divino que somente o amor profundo pode promover. Dizem que, às vezes, o amor por uma pessoa abre o coração para o amor à própria vida; a vida tem significado e propósito, 47
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    e um mundomais amplo e mais brilhante descortina-se ao nosso olhar. Certa vez, Platão escreveu: "Quando olhamos para o rosto do ser amado, podemos ver o reflexo do deus que chegamos a venerar". É como se o amor, ao passar por muitas provas e fundamentado na honestidade e na humildade, nos ligasse às nossas próprias almas e com um sentido de permanência, significado e retidão na vida. Essa é a promessa inerente ao Ás de Copas que se realiza no Dez de Copas. Nem todo relacionamento consegue esse feito, assim como não o consegue sempre. Entretanto, nós humanos sempre tentamos. No sentido divinatório, o Dez de Copas prevê contentamento e permanência duradouros no domínio do coração. As Cartas da Corte O Pajem de Copas A carta do Pajem de Copas retrata um garoto de aproximadamente 12 anos, de cabelos pretos e trajando uma túnica lilás; ele está ajoelhado à beira de um lindo lago azul. No chão, uma taça dourada cujo conteúdo o garoto olha atentamente, pois está estudando o reflexo de seu próprio rosto e está maravilhado com sua beleza. Ao seu redor, tufos de botões de íris e narcisos ainda não desabrochados. No cenário, uma vegetação que esconde um céu azul. As cartas da corte do naipe de Copas são representadas por figuras mitológicas que incorporam as características típicas do naipe. Na carta do Pajem de Copas, deparamo-nos com o mutável, vulnerável e sutil início do elemento ar: a emergência nascente da capacidade do sentir. Isso é encenado pela figura mitológica do lindo jovem Narciso. Ele era um tespiano, filho do deus-rio Cefiso e de uma ninfa. Qualquer um poderia se apaixonar por Narciso, mesmo como criança, e seu caminho estava repleto de pretendentes de ambos os sexos que se apaixonavam pela beleza do garoto. Mas sua mãe, advertida pelo adivinho Tirésias, nunca permitira que o garoto visse o seu próprio reflexo. Portanto, ele não tinha noção de sua própria identidade. Um dia, passeando pela campina tespiana, Narciso chegou a um lago. Esse lago era alimentado por uma fonte de água cristalina e nunca fora perturbado por gado, pássaros, animais selvagens, homens e nem mesmo pelos galhos das árvores que o sombreavam. Procurando saciar a sua sede, ele se ajoelhou e viu o seu reflexo na água, pelo qual se apaixonou imediata e perdidamente. Primeiro ele procurou abraçar e beijar o lindo rapaz que o confrontava, mas logo ele se reconheceu e ficou se admirando naquele lago, hora após hora. Finalmente, Narciso não conseguia mais suportar a agonia desse inatingível amor. Ele sacou a sua adaga e feriu o seu peito, exclamando: "Oh, jovem, amado em vão, adeus!", e expirou. O seu sangue ensopou a terra e dela brotou a flor branca que foi chamada narciso. Narciso, o Pajem de Copas, inicialmente parece ser simplesmente a imagem de um fútil auto-amor. Mas também pode ser visto como uma imagem de autodescoberta, pois para amar outra pessoa é preciso antes o reconhecimento e o amor de si mesmo; do contrário, é um exercício triste e muitas vezes infrutífero procurar na outra pessoa o que o indivíduo ainda não encontrou em si. Esses relacionamentos são destinados ao fracasso, e o egoísmo aparente de Narciso, na realidade, é o início da descoberta do nosso próprio merecimento de sermos amados. Frequentemente, esse é o início da genuína capacidade de amar outra pessoa individualmente, em vez de um potencial fornecedor de qualidades que precisamos para nos sentir completos. Assim Narciso, o Pajem de Copas, é uma figura ambígua. De um lado, como imagem de um sutil início nascente do sentimento da vida, ele sugere o nascimento de algo novo - a 48
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    capacidade de amarou a renovação da fé no amor que anteriormente poderia ter sido prejudicada ou traumatizada por um relacionamento infeliz. De outro lado, o sentido do auto- amor que Narciso incorpora é o início da cura, por mais fútil e infantil que ele pareça. Depois de uma penosa separação ou da perda de um ser amado, muitas pessoas passam um longo tempo em uma espécie de crepúsculo emocional, durante o qual elas têm o sentimento de não ter mais nada para dar aos outros. Nesse período, o indivíduo tampouco cuida de si mesmo. Mas os gentis e delicados movimentos dessa renovação da capacidade de amar muitas vezes assume a forma de um interesse lento e gradativo por si -no próprio corpo, no ambiente que o cerca, tentando agradar e alimentar a si mesmo com coisas que proporcionem prazer em vez de dor ou de lembranças da dor. Esse é um processo que deve ocorrer antes de o indivíduo estar pronto para arriscar outro encontro emocional. O Pajem de Copas, tal como os outros pajens dos Arcanos Menores, sugere alguma coisa frágil e delicada, facilmente mal-interpretada e prejudicada. Assim também é o nosso sentido nascente do auto-amor, que pode levar a uma relação mais gratificante com a vida. Podemos facilmente chamar Narciso de fútil e egoísta por ele se preocupar unicamente consigo mesmo. Mas ele precisa começar dessa maneira antes de poder enxergar qualquer outra pessoa e é interessante observar que, na Mitologia, é a sua mãe que tenta man-tê-lo afastado do autoconhecimento e do auto-reconhecimento. O triste final da história de Narciso também pode ser interpretado em vários níveis. De alguma forma, o Pajem de Copas e tudo o que representa deve ser transformado - ou "morrer" - antes que o amor por outra pessoa possa desenvolver-se totalmente. Mas é necessário que esse seja um auto-sacrifício, um movimento genuíno da autopreocupação para a percepção das outras pessoas. Portanto, é próprio e correto que Narciso ponha um fim à sua própria existência, transformando-se no Cavaleiro de Copas, que permitirá ao sentimento da vida mover-se livremente para o exterior e para as outras pessoas. Quando o Pajem de Copas aparece em uma abertura de cartas, ele sugere algo novo em nível de sentimento. Isso pode representar um novo relacionamento, uma nova qualidade de sentimento em um relacionamento e até o nascimento de uma criança. Muitas vezes, o Pajem de Copas prevê uma renovação da capacidade de amar, co- meçando pelo amor por si mesmo, após um período de dor e de isolamento. Essa qualidade delicada deve ser logo alimentada, do contrário pode desaparecer rapidamente. O Cavaleiro de Copas A carta do Cavaleiro de Copas retrata um lindo jovem de pele clara, cabelos pretos e olhos profundos, montado em um elegante cavalo branco. Ele traja uma túnica roxa e uma armadura prateada toda escamada, e sobre a cabeça porta um elmo com um enfeite em formato de cauda de peixe. Ele conduz o seu cavalo elegantemente ao longo de um riacho borbulhante no qual os peixes saltam da água. Ao seu redor, um cenário romântico de bosques e colinas verdes e, ao longe, o. mar pode ser visto sob um céu azul-claro. Com a sua mão esquerda, ele segura uma taça dourada. Na carta do Cavaleiro de Copas, deparamo-nos com a dimensão volátil, sensível e mutável do elemento água que, como o riacho, está cheio de vida e em movimento constante. Essa é a representação do herói mitológico Perseu, motivado em todas as suas aventuras pelo amor às mulheres e que, em suas jornadas, deve enfrentar as várias facetas do feminino, tanto obscuras quanto claras, antes de poder reunir-se com o seu amor. Perseu era filho de Zeus e de uma mulher mortal chamada Danae, para quem o deus apareceu em uma chuva de ouro. O pai de Danae, Acrísio, havia sido avisado pelo oráculo de Delfos que sua filha daria à luz um filho que o mataria. Para que isso fosse evitado, ele encerrou Danae e o filho em uma arca e jogou-os ao mar. Protegidos pelas divindades da água, eles foram levados às margens de Sérifos e para a proteção do rei 49
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    Polidetes. O reiapaixo-nou-se por Danae e a perseguiu durante todos os anos da infância e adolescência de Perseu. Finalmente, Polidetes resolveu matar Perseu porque o jovem era contrário a seu casamento, acreditando que a sua mãe merecia algo melhor. Portanto, o rei enviou o jovem na aparente missão impossível de trazer-lhe a cabeça da terrível Medusa. Em todo o seu trajeto, Perseu foi protegido pelas deusas. As Gréias, três bruxas que compartilhavam de um único olho, conheciam os segredos do futuro e disseram-lhe onde encontrar Medusa; Atena armou-o com um escudo mágico e foi dessa maneira que o jovem conseguiu matar a górgona, olhando o seu reflexo no escudo espelhado, a fim de proteger sua mãe. Ele levou consigo a cabeça da Medusa e em seu caminho de volta para Sérifos passou pela Etiópia, onde salvou a linda Andrômeda das garras de um monstro marinho. Ele matou o monstro, libertou-a e casou-se com a jovem. Ele então voltou para Sérifos e matou Polidetes que, entrementes, tentara seduzir Danae. Isso feito, juntamente com sua mãe e sua esposa, Perseu empreendeu o caminho de volta para o lugar de seu nascimento onde Acrísio, o seu avô, tentara matá-lo. Apesar de não procurar vingar-se dele deliberadamente, ele acabou matando-o acidentalmente, tor-nando-se, dessa forma, rei de Argos. Mas o lugar era repleto de memórias tristes então decidiu transferir-se para Tirinto, onde fundou uma gloriosa dinastia. Perseu, o Cavaleiro de Copas, é a imagem do verdadeiro espírito romântico, o herói das mulheres em dificuldades, o adorador do amor, da beleza e da verdade, e o defensor dos altos ideais que busca incessantemente o amor perfeito que somente existe no espírito e que sempre parece estar muito próximo, no ser amado seguinte. O espírito romântico do Cavaleiro de Copas incorpora tudo o que é gentil, idealista e bom; não se trata de uma personalidade fraca, ao contrário, ele é capaz de sacrificar tudo em nome de seu ideal ou do ser amado. Em certo sentido, essa é a imagem do estado de "estar apaixonado", uma experiência que todo realista presume que, com a familiaridade do casamento, com os filhos e as obrigações familiares, acabe morrendo, mas que todo romântico acredita que possa e deva perdurar para sempre. Quando isso não ocorre, o Cavaleiro de Copas. pode seguir em frente, buscando ainda a derradeira experiência do amor sagrado. É claro que a santidade do Cavaleiro de Copas não exclui o sexo, mas os relacionamentos sexuais para essa figura devem necessariamente estar associados ao amor e ao êxtase espiritual. A "mera" satisfação física não lhe interessa. Historicamente, os ideais do amor romântico que floresceram na Idade Média refletem o espírito do Ca- valeiro de Copas. O jovem cavaleiro sempre adorava a sua amada de longe; ele não a contagiaria com seus desejos carnais, mas lhe escreveria poesias e, muitas vezes, dedicaria a sua vida para protegê-la. Perseu é diferente dos outros heróis em virtude, justamente, desse alto idealismo e veneração pelas mulheres. Diferentemente das figuras como Héracles que enfrenta seus desafios porque tenta expiar um pecado ou como Teseu que os enfrenta por serem excitantes, Perseu segue o seu destino pelo amor- principalmente começando pelo amor de sua mãe. Essa qualidade de venerar e de idealizar a mãe é característica do Cavaleiro de Copas, pois, apesar de sua força, ele se ajoelha aos pés de uma rainha - uma mulher de maior poder do que ele. Muitas vezes, a qualidade do amor representado pelo Cavaleiro de Copas contém esse elemento de adoração por uma pessoa diante da qual nos sentimos um tanto indignos - ou por uma pessoa que já esteja casada. Esse ainda não é um amor entre iguais, que encontraremos mais adiante na Rainha e no Rei de Copas. Mas, à sua maneira, é amor e não deveria ser ridicularizado como adolescente ou imaturo. Sem o Cavaleiro de Copas, viveríamos em um mundo insípido e desprovido de brilho. Quando o Cavaleiro de Copas aparece em uma ^abertura de cartas, indica que chegou o momento de o indivíduo experimentar essa dimensão inebriante e romântica do amor. Frequentemente, o Cavaleiro prevê uma proposta de casamento ou a experiência de uma paixão. Em outro nível, às vezes ele implica uma proposta artística, um 50
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    relacionamento diferente, nãomenos exaltado e idealista. Ele ainda pode entrar na vida de um indivíduo como um jovem poético e sensível, um arauto do nosso próprio romantismo emergente. A Rainha de Copas A carta da Rainha de Copas retrata uma mulher misteriosamente linda, com longos cabelos pretos, um longo vestido verde-turquesa banhado pela água do rio a seus pés e uma coroa dourada. Está sentada em um trono dourado em cujos braços são entalhadas duas serpentes douradas. Na mão direita, ela segura uma taça dourada e, na esquerda, uma maçã. Seu olhar concentra-se no conteúdo da taça. Atrás dela, além dos férteis campos verdes, é possível ver o mar azul sob um céu claro. Aqui, na carta da Rainha de Copas, deparamo-nos com as profundezas estáveis, contidas e introvertidas do elemento água - o particular mundo interior do sentimento abismal e derradeiramente insondável. O quadro é representado pela figura mitológica de Helena, com a qual nos encontramos na carta dos Namorados dos Arcanos Maiores e cuja beleza era tão grande que a Guerra de Tróia ocorreu por sua causa. Helena era filha de Zeus e Leda e, ao atingir a idade adulta no palácio de seu padrasto, o rei Tíndaro de Esparta, todos os príncipes da Grécia, como seus pretendentes, ofereceram-lhe ricos presentes. Finalmente, casou-se com Menelau, que se tornou rei de Esparta após a morte de Tíndaro. Mas o casamento estava fadado a fracassar, pois Afrodite prometera a Paris, o príncipe troiano, a mais linda mulher do mundo se ele a escolhesse no concurso de beleza mencionado na carta dos Namorados. E Helena era essa mulher. No devido tempo, Paris e Helena encontraram-se e se apaixonaram, e Helena fugiu com ele. O insulto causado ao rei Menelau provocou a Guerra de Tróia, na qual Paris foi morto. Finalmente, a beleza de Helena atraiu para si três outros amantes, sem mencionar o herói Teseu, que a sequestrou quando ainda era adolescente. Todos esses outros amantes tiveram os seus favores enquanto ela ainda estava em Tróia e, dessa forma, Helena desfrutou de um período de dez anos de guerra. Quando os troianos foram derrotados, Menelau procurou Helena, a quem havia jurado matar por adultério. Mas, ao vê-la, se apaixonou novamente e a levou de volta a Esparta. Se ela lhe foi fiel ou não durante o resto da vida é algo que a Mitologia não revela. Helena, a Rainha de Copas, é mais do que a imagem da atraente beleza feminina. Ela incorpora o hipnótico poder do mundo feminino dos sentimentos, um poder mágico e magnético que desafia a mera perfeição física. Como na lenda, inúmeros homens perseguem Helena e, no entanto, ninguém sabe realmente, pela Mitologia, o que a própria Helena almejava ou que tipo de mulher era realmente. E como se ela mesma fosse água e todos os homens a percebessem no reflexo da profundeza de suas próprias almas. Ela é um código, um mistério, motivada por seus propósitos e sentimentos secretos. Pode ser considerada uma prostituta por oferecer os seus favores a tantos homens, dentre eles inimigos de sua própria terra natal. Entretanto, temos a impressão de que, por mais apaixonada que estivesse, Helena somente faz o que gosta. Para ela, até a escolha de marido é uma opção livre, pois na história ela mostra o seu favoritismo por Menelau ao colocar uma coroa de flores em sua cabeça, um fato inusitado para uma mulher daquela época que, geralmente, era obrigada a se casar com a pessoa escolhida pelo pai ou pelos irmãos. Quando se cansa de Menelau, intrepidamente ela persegue a sua grande aventura amorosa com Paris, em vez de recorrer a encontros clandestinos. Independentemente de quem seja o homem que ama, ela se entrega totalmente a ele. Ela conquista os homens com facilidade, pois incorpora todas as íntimas fantasias inconscientes da mulher perfeita que eles sempre procuram. 51
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    A figura deHelena é tanto a de uma virgem como a de uma prostituta, uma calculadora e uma vítima. Resumindo, ela é um conjunto de paradoxos, pois, apesar de a lógica do coração ser indiscutível, ela ainda desafia a análise racional e, frequentemente, enfrenta a própria moralidade. A Rainha de Copas possui uma característica indefinida e, no entanto, ela provoca problemas onde quer que esteja, ativando as profundezas dos outros e promovendo a ação e o conflito sem fazer absolutamente nada. Portanto, ela pode ser considerada uma imagem do inconsciente, perseguindo seus propósitos secretos sem conhecimento da mente consciente e levando o indivíduo a uma crise ou um conflito, e para uma intensa paixão e destino por meio de seu misterioso poder sedutor. Quando a Rainha de Copas aparece em uma abertura de cartas, ela indica um período para o indivíduo encontrar o mundo profundo, desconhecido e paradoxal do sentimento em si mesmo. A Rainha de Copas pode entrar na vida do indivíduo como uma mulher misteriosa e enigmática, não necessariamente como uma evidente sedutora, mas estranhamente perturbadora e um catalisador para o surgimento de fantasias e sentimentos profundos que, até então, permaneciam ocultos à consciência. Ela pode aparecer na forma de um ser amado ou como rival; de qualquer maneira, esse encontro não é uma mera casualidade. Ao contrário, é o prenúncio do surgimento dessas qualidades da alma que se encontram no indivíduo. Para a mulher que não tem consciência da Helena em si mesma e se identifica com os lados maternais ou práticos da feminilidade, a Rainha de Copas indica que é o momento certo para encontrá-la, mesmo que o catalisador seja a "outra mulher". Para o homem que não tem consciência da profundeza de sua alma e baseia sua realidade no pensamento racional e nos fatos concretos, a Rainha de Copas anuncia um aprofundamento e desenvolvimento da vida interior, quer o catalisador seja ou não uma mulher. O Rei de Copas A carta do Rei de Copas retrata um homem de pele clara, com cabelos e barba pretos, e grandes e compassivos olhos pretos. Ele veste uma túnica azul-escura e porta uma coroa dourada. Ele está sentado em um trono dourado cujos braços são entalhados com dois caranguejos dourados. Na mão direita, ele segura uma taça dourada e, na esquerda, uma lira. A seus pés, degraus levam para a água de uma enseada da qual emerge um caranguejo. Atrás dele, além do promontório em que está assentado o trono, é possível vislumbrar um mar revolto. Na carta do Rei de Copas, deparamo-nos com a dimensão ativa e dinâmica da água que procura evidentemente formar relacionamentos, e até mesmo guiar e ajudar as pessoas. Esse quadro incorpora a figura mitológica de Orfeu, o cantor, que era sacerdote e curador, mas cuja história é triste e solitária, apesar de ter proporcionado consolo aos seus semelhantes. Orfeu era filho do rei Eagro da Trácia e da musa Calíope, sendo o mais famoso poeta e músico que jamais existiu. Apolo presenteou-o com uma lira e as musas o ensinaram a tocar, de forma tal que ele não somente encantava as feras, mas fazia até as árvores e as pedras se moverem para seguir o som de suas músicas. Ele se juntou aos Argonautas na busca do Velocino de Ouro e a sua música os ajudou a superar muitas dificuldades. Ao voltar, ele casou-se com Eurídice e estabeleceu-se na Trácia. Contudo, a sua vida não estava destinada a felicidade. Um dia, um homem procurou assaltar Eurídice no vale do rio Peneu e, ao tentar fugir, ela pisou em uma cobra que a picou, causando-lhe a morte. Mas Orfeu ousadamente desceu para o Submundo procuran- do trazê-la de volta. Ele não somente encantou o barqueiro Caronte; Cérbero, o cão de três cabeças; e os três Juízes dos Mortos, com a sua música melodiosa, como também conseguiu suspender temporariamente as torturas dos condenados e tanto consolou o coração negro de Hades que obteve permissão de resgatar Eurídice ao mundo superior. 52
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    Mas Hades exigiuuma condição: Orfeu não deveria olhar para trás enquanto ela não estivesse segura de volta à luz do Sol. Eurídice seguiu Orfeu pelas passagens escuras guiada pelo som de sua lira. Mas, no último momento, ele perdeu-a confiança e olhou para trás para ver se ela ainda o seguia e, dessa vez, perdeu-a para sempre. A partir de então, Orfeu assumiu o papel de sacerdote, ensinando os mistérios e pregando os malefícios dos sacrifícios aos homens da Trácia. Porém, o deus Dionísio enciumou-se dele por causa de sua fama entre os homens, que começaram a adorá-lo como se fosse divino. O deus enviou as suas loucas Bacantes ao seu encalço e elas, furiosas que eram, reduziram-no a pedaços. Lamentando e chorando o ocorrido, as Musas recolheram seus restos mortais e os enterraram ao pé do Monte Olimpo, onde os rouxinóis agora cantam mais docemente do que em qualquer outro lugar do mundo. Orfeu, o Rei de Copas, é a imagem do curador ferido, a figura que, pela compaixão e pela empatia, pode curar os outros, mas não pode curar a própria ferida no domínio do coração. De muitas maneiras, ele é o antigo equivalente dos modernos assistentes sociais e dos psicoterapeutas - o indivíduo que almeja estar em contato com o mundo do sentimento e procura incessantemente ajudar as pessoas a se relacionarem, mas ao qual, às vezes, falta confiança em sua vida pessoal e, portanto, não consegue alcançar a realização tão desejada. O Rei de Copas coloca o relacionamento e o amor humanos acima de tudo e empenha todos os seus esforços para iniciar e para preservar esse contato emocional. Entretanto, ele permanece curiosamente desconfortável e deve sempre olhar para trás para ver se o que iniciou continua acompanhando-o ainda intacto. E, assim, ele frequentemente perde o que mais deseja. A figura é profundamente paradoxal, como se o elemento água - que, de muitas formas, é uma imagem do mundo feminino do sentimento - estivesse desconfortavel-mente sentado na presença da imagem masculina e dinâmica do Rei. Juntas, ambas ficam estranhas e criam uma peculiar ambivalência. O Rei de Copas é uma figura de temperamento inconstante e sensível, e muitas vezes de sentimento profundo e um raro dom em comunicar esse sentimento para afetar e influenciar as pessoas. Ele mesmo nunca abre mão do controle. É por isso que as Bacantes de Dioniso, a multidão de mulheres extáticas que segue a corte do deus, o desmembram, pois, de certa forma, ele deve se tornar inofensivo e metaforicamente reduzido a pedaços, antes de se tornar algo além de conselheiro para as dores alheias. O próprio Orfeu não se realiza realmente na vida, já que colocou em risco a oportunidade da felicidade pessoal por meio de sua desconfiança na palavra de Hades. Isso, em si mesmo, nos mostra muito a respeito do Rei de Copas, pois, apesar de poder iniciar relacionamentos e falar constantemente a esse respeito, ele não confia totalmente no mundo do inconsciente que não pode enxergar. E, assim, o lugar de seu trono é perto da água, mas não pode mergulhar nela com medo de se afogar, o que significaria passar o controle para outra pessoa. No sentido divinatório, quando o Rei de Copas aparece em uma abertura de cartas, indica que chegou o tempo de o indivíduo experimentar esse lado ambivalente de si mesmo - o dotado conselheiro e curador que pode empatizar e ajudar as pessoas, mas que não pode confiar na vida o suficiente para seguir o seu curso. É característico o fato de que muitas pessoas, cuja profissão se relaciona com a assistência social, escolhem essa vocação pois foram feridas em relacionamentos pessoais, dos quais permanecem em controle para não serem profundamente feridas novamente. Apesar de essa espécie de dinâmica poder ser uma grande contribuição para os outros, o indivíduo engana a si mesmo. Caso o Rei de Copas entre na vida do indivíduo na forma de uma pessoa que incorpore essas qualidades, então isso pode ser considerado como uma indicação de que seja o momento de encontrar-se com essa sua própria dimensão. 53
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    O NAIPE DEPAUS As Cartas Numeradas A história de Jasão e os Argonautas e sua expedição à procura do Vclocino de Ouro c uma característica lenda heróica cheia de aventura e uma jornada corajosa ao desconhecido. Como a história é, na realidade, uma missão na qual o herói depende de suas faculdades além da vontade e do pensamento racional, a história de Jasão pode ser interpretada como uma descrição da imaginação criativa e de seu misterioso poder de provocar acontecimentos e de proporcionar soluções a partir dos níveis interiores que transcendem a nossa compreensão consciente. Portanto, a história de Jasão é uma aventura específica que diz respeito ao tema central da imaginação humana. A origem do Velocino de Ouro, o objetivo mágico da missão de Jasão, era a seguinte: Frixo e Hele, filhos de Atamas, que, por sua vez, era filho de Éolo e rei de Orcómenes, eram odiados pela madrasta Ino. Com suas próprias vidas sendo ameaçadas, eles fugiram montados em um fabuloso carneiro, presente de Zeus, o rei dos deuses. Esse carneiro era dotado de razão e de fala; ele tinha um velocino de ouro e podia voar. Durante a fuga, Hele caiu no mar, e o lugar em que caiu foi mais tarde chamado de Helesponto. Mas Frixo teve mais sorte e alcançou a região da Cólquida, no Mar Negro. Ele então sacrificou o carneiro a Zeus, o seu protetor, e ofereceu o Velocino de Ouro a Aetes, rei daquela região, que o pendurou em uma árvore e colocou um dragão para vigiá-lo. Enquanto isso ocorria, em Iolkos, na Tessália, reinava o rei Pélias, que usurpara o trono de Eson, o seu irmão mais velho. O filho de Eson, Jasão, quanto pequeno, foi confiado aos cuidados do centauro Quíron para que ele o protegesse da ira de seu tio Pélias. Mais tarde, Quíron revelou a Jasão o segredo de sua origem e ele, imediatamente, foi ao tio e exigiu, por direito, o governo do reino. Pélias ficou assustado, pois um oráculo o havia advertido sobre um homem que o visitaria vestindo uma única sandália. E esse homem era justamente Jasão, que havia perdido uma de suas sandálias ao cruzar o rio. Portanto, Pélias prometeu a Jasão que concordaria com o seu pedido, mas com uma condição: que Jasão fosse à Cólquida e lhe trouxesse o Velocino de Ouro que pertencia ao santuário de Zeus, em Iolkos. Por conseguinte, Jasão começou a construir um navio de 50 remos, o "Argo", no qual ele colocou um ramo do carvalho profético de Zeus. Ele juntou os heróis mais famosos, entre eles Castor e Pólux (os gémeos guerreiros), Héracles, Orfeu, o cantor, e o rei Teseu de Atenas, e esses destemidos aventureiros partiram em busca do famoso Velocino de Ouro. A viagem foi cheia de incidentes e eles foram obrigados a lutar contra monstros e os homens, assim como contra os elementos. Finalmente, eles chegaram ao reino de Aetes, onde o Velocino de Ouro era guardado. Por sorte de Jasão, a filha do rei Aetes, a feiticeira Medeia, apaixonou-se por ele e o ajudou a vencer o dragão que vigiava o precioso troféu. O rei Aetes procurou impedir a fuga dos Argonautas com soldados ferozes que surgiram dos dentes do dragão que Jasão matara, mas os heróis conseguiram zarpar em seu navio, o "Argo", perseguidos de perto por Aetes. Medeia, que acompanhara Jasão e que não morria de amores pela família, cruelmente cortou seu irmão Absirto em pedaços e os espalhou pelo mar. Em sua dor, Aetes ordenou que a frota parasse para recolher os restos do corpo do herdeiro, e o "Argo" com sua tripulação pôde então seguir a viagem de volta para Iolkos sem esse percalço. Entretanto, a volta provou ser tão perigosa quanto a ida, e Jasão e seus companheiros tiveram de atravessar dois grandes e perigosos rochedos, Cila e Caríbdes, ao norte do Bósforo, cujas águas revoltas podiam esmagar um navio. Mas, finalmente, Jasão chegou a Iolkos com o Velocino de Ouro. Ali, ele descobriu que Pélias havia matado 54
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    o seu paiEson na certeza de que Jasão não voltaria de sua perigosa viagem. Jasão vingou a morte de seu pai por meio de Medeia que, com seus feitiços, fez com que suas filhas o matassem. Em seguida, Jasão assumiu o reino de Iolkos. Mas a sua vitória provavelmente subiu-lhe à cabeça, pois, insatisfeito com um só reino, ele procurou outro - a coroa de Corinto -, casando-se com Creusa, a filha do rei Creon de Corinto. Isso fez com que Medeia se enfurecesse a ponto de vingar-se matando não somente Creusa, mas também os filhos que teve com Jasão. Quanto a Jasão, alguns dizem que ele se enfastiou da vida e achou que o reino de Iolkos era um peso. Já velho e pensando constantemente em seus dias de glória, ele ficava sentado à sombra do velho "Argo" que apodrecia. Um dia, a popa do navio despencou sobre ele, esmagando-o à morte. O Ás de Paus A carta Ás de Paus retrata um homem maduro de porte poderoso, barba e cabelos castanhos, uma coroa dourada na cabeça e uma túnica púrpura imperial. Ele está em pé diante de um cenário de altos picos nevados. Em seu ombro e descendo até o chão, a pele dourada de um carneiro. Em sua mão direita, ele segura o globo do mundo e, na esquerda, uma tocha acesa. No Ás de Paus, encontramos novamente Zeus, rei dos deuses, o iniciador e a força motriz na lenda de Jasão e o Velocino de Ouro. Trata-se do Velocino sagrado do próprio Zeus que o herói deve resgatar e é esse Velocino que serve de símbolo da visão criativa que nos impulsiona a afastar-nos do mundo seguro e convencional para um objetivo imaginado, por caminhos desconhecidos. Zeus é um deus antigo e poderoso, e uma de suas mais antigas representações era a divindade com cabeça de carneiro, o invisível poder criativo que gerou o Universo manifestado. Em nosso interior, Zeus incorpora o invisível poder criativo da imaginação, que não pode ser compreendido, mas é responsável por todos os esforços e produtos concretos de nossas vidas. Não é somente o artista que usa a imaginação criativa, apesar de que no artista podemos enxergar o seu poder - e a sua impressionante autonomia - bem claramente. Na carta do Imperador dos Arcanos Maiores, deparamo-nos com o lado patriarcal de Zeus, o Pai de Todos. No Ás de Paus, encontramos o seu espírito volátil e esse Zeus, tal como Afrodite, é uma força da Natureza. Todos temos essa força dentro de nós. Zeus é a capacidade de visualizar um potencial futuro diferente e maior do que a realidade concreta na qual nos encontramos - quer seja um plano para redecorar uma sala de estar ou o conceito para um novo negócio. Muitas pessoas não confiam nessa faculdade imaginativa, acreditando ser "boba" ou "infantil", ou não assumem o risco da ideia nova com medo de que fracasse. Mas o grande Zeus não é "bobo", nem tampouco "infantil", e o Ás de Paus que retrata o surgimento inicial da energia criativa primitiva é uma carta poderosa. A nova ideia ainda não foi formulada, mas há um profundo sentido de nervosismo e um sentimento de abertura na vida. É esse sentido que impulsiona Jasão para a sua missão do Velocino de Ouro. F.le poderia ter simplesmente deposto o seu tio Pélias e ficado em casa, em Iolkos. Portanto, o Ás de Paus implica o início da grande jornada no mundo da visão e da imaginação, no qual as limitações concretas são desafiadas e superadas e a vida, depois, nunca mais será igual. No sentido divinalório, o As de Paus anuncia o surgimento da energia criativa, apesar de cia ainda não ter sido formulada como uma meta ou um projeto. O nervosismo e a insatisfação com as presentes circunstâncias são acompanhados de um forte sentimento de que coisas novas são possíveis. O indivíduo está prestes a embarcar em uma aventura em busca de um sonho. 55
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    O Dois dePaus A carta Dois de Paus retrata o jovem Jasão em pé e pensativo diante da caverna do Centauro Quíron, antes de se dirigir ao encontro com seu tio para reivindicar a sua herança. Quíron é apenas visível na escuridão da caverna. Jasão veste uma túnica escarlate e segura duas tochas acesas nas mãos. O Dois de Paus, como os Dois de todos os Arcanos Menores, polariza a energia primitiva do As e, aqui, essa polarização implica o aventureiro e a sua meta recem- estabeleeida. O nervosismo e o poder ainda indefinidos do Ás começaram a aglutinar-se para formar uma visão particular, apesar de ainda não ser claro como essa visão ou meta poderá ser alcançada. Jasão nada sabia a respeito do Velocino de Ouro, mas agora ele já sabe, porque Quíron contou-lhe a sua história c do seu direito ao trono de Iolkos. Aqui, o sentimento de potencial cristalizou-se em algo definido, mesmo que a verdadeira aventura criativa do futuro de Jasão - a busca do Velocino de Ouro - somente tenha surgido depois que ele empreendeu o primeiro estágio de sua jornada. É assim que começam todos os empreendimentos: um pouco de cada vez. Uma ideia leva a outra e, muitas vezes, a primeira não é a derradeira, mas simplesmente um prelúdio. Entretanto, o prelúdio é suficiente para nos impulsionar para fora do santuário da caverna, cm razão do sentido de que poderíamos ter mais do que temos na realidade, ou sermos mais do que somos. A jornada de Jasão para Iolkos, o lugar de sua herança por direito, é entremeada de perigos, pois ele tem um inimigo que prazerosamente lhe tiraria a vida. Ele não pode prever o resultado nem tampouco se conseguirá ou fracassará em seu intento. Mas ele acredita em sua visão o suficiente para tentar e segura firmemente as tochas que simbolizam o fogo da imaginação. Do contrário, ele - ou nós - permaneceria tranquilo, mas para sempre reprimido cm sua caverna; seguro, mas nunca realizando os potenciais que são seus por direito; por outro lado, esses potenciais precisam de visão para que possam ser concretizados. No sentido divinatório, o Dois de Paus anuncia a formulação de uma nova meta, ideia, objetivo ou projeto criativo. Essa nova ideia pode não ser a forma final do futuro, mas tem muito potencial e é suficientemente atrativa para incentivar o indivíduo a sair dos seus presentes limites, impulsionando-o para uma nova iniciativa. Aqui tudo depende da coragem de o indivíduo assumir a nova ideia e ter fé naquela força criativa invisível que gerou a visão desse novo caminho. O Três de Paus A carta Três de Copas retrata Jasão recém-chegado à cidade de Iolkos. Ele veste uma única sandália, havendo perdido a outra ao cruzar o rio, confirmando dessa maneira o oráculo que profetizara o seu advento. De modo triunfal, na mão direita ele segura três tochas em chamas. Aos seus pés, está ajoelhado o usurpador, o rei Pélias, de barba e cabelos pretos e vestido em púrpura real, que lhe oferece com aparente humildade a coroa dourada, assumida ilegalmente. O Três de Paus, como todos os Três dos Arcanos Menores, representa o estágio inicial da inteireza. Aqui, trata-se da aparente integralidade da ideia criativa original. Há motivo para comemorar e parece que tudo acontece conforme planejado. Jasão chegou ao local de sua herança c, vejam só, sem qualquer resistência aparente. Com medo do oráculo, Pélias parece querer abdicar voluntariamente ao trono que usurpou. E assim, muitas vezes o trabalho criativo parece ter um início fácil; os contatos certos aparecem como por mágica, os esquemas preliminares parecem favoráveis e a ideia parece adquirir substância, como se fosse por intervenção divina. Entretanto, há um trabalho árduo pela frente e, frequentemente, novas ideias surgem nesse estágio - detalhes que não havíamos considerado, mas que envolverão atrasos, 56
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    alterações de planose muito mais esforço que o previsto. O Três de Paus implica um ponto alto, mas ainda há muito mais na sequência. Agora Pélias conta a Jasão a respeito do Velocino de Ouro que se encontra em Cólquida, sugerindo, para os seus próprios planos malévolos, que pouco significa ser rei de Iolkos sem a restauração do precioso Velocino de Ouro no santuário de Zeus. É nesse ponto, após a comemoração inicial, que muitos potenciais criativos caem por terra, pois o estágio dc inteireza inicial não c um resultado final e, sem a vontade do indivíduo em seguir um pouco além, a ideia não pode ser totalmente realizada. O mundo está cheio de planos incompletos c esquecidos em alguma gaveta, cujas 20 primeiras páginas tiveram um bom início. A mensagem aqui é: aproveitem a satisfação enquanto puderem, pois a ideia ainda não foi completada. A verdadeira confiança criativa somente pode ser encontrada caso a ideia seja testada, envolvendo o indivíduo ao máximo. No sentido divinatório, o Três de Paus implica o estágio de inteireza inicial de uma ideia ou de um projeto criativo. Bases seguras foram estabelecidas, o entusiasmo é grande e há um sentimento de satisfação e otimismo a respeito do potencial futuro do projeto. Mas também há muito trabalho à frente e novos planos que devem ser engendrados antes de a ideia ser totalmente realizada. O Quatro de Paus A carta Quatro de Paus retrata Jasão e seus companheiros de viagem comemorando o fim da construção do grande navio Argo que os levará para a Cólquida em busca do Velocino de Ouro. O navio, com suas velas vermelhas e ostentando o emblema de um clarão de Sol dourado, aguarda a subida da maré. Ao redor da figura de Jasão, que veste uma túnica vermelha, estão cinco de seus heróicos companheiros: Héracles (com o qual nos deparamos na carta da Força dos Arcanos Maiores), portando a sua pele de leão e segurando uma tocha flamejante; Teseu, rei de Atenas (que encontraremos mais adiante na carta do Rei de Paus dos Arcanos Menores), com uma coroa dourada, vestido de vermelho-carmesim e segurando uma tocha flamejante; Castor e Pólux, os Gémeos Guerreiros (que encontraremos mais adiante na carta do Cavaleiro de Espadas), ambos portando uma armadura prateada e uma tocha flamejante; e Orfeu, o Cantor (com o qual nos deparamos na carta do Rei de Copas), trajando uma túnica azul e segurando a sua lira. O Quatro de Paus é a carta da colheita e da recompensa. O desafio de uma nova ideia criativa foi enfrentado, muito trabalho foi feito e agora o indivíduo pode colher a sólida recompensa conseguida por meio do esforço. Da mesma forma que o Três de Paus, essa carta implica algo que merece ser comemorado; mas, diferentemente do Três de Paus, ela possui uma base mais sólida e os benefícios já são evidentes. O desafio de conquistar o Velocino de Ouro é assombroso; como pode um homem sozinho navegar aos confins do mundo e com que meios? Jasão correspondeu a esse desafio cercando-se dos amigos para ajudá-lo a alcançar os seus objetivos. Todos esses heróis da Mitologia têm habilidades diferentes, de acordo com suas naturezas. Héracles tem a força; Teseu, um fogoso aventureiro como Jasão, a visão criativa; os Gémeos, a mente afiada; e Orfeu, o sentimento profundo e a empatia para desarmar qualquer inimigo. Se considerarmos todos esses amigos como pessoas reais cujo apoio podemos angariar ou como recursos interiores dos quais podemos usufruir nesse estágio do processo de trabalho criativo, a ajuda está disponível e poderá permitir o alcance dos nossos objetivos. Com essa tripulação heróica c esse navio esplêndido, a satisfação de Jasão está garantida. No sentido divinatório, o Quatro de Paus prevê um período de recompensa pelos esforços empreendidos. Uma nova ideia produziu frutos prematuros e o indivíduo tem todo o direito de comemorar os resultados concretos de seus esforços. Mas esse é tão-somente um estágio da jornada e logo o navio deverá zarpar para enfrentar os maiores desafios 57
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    antes de atingira meta final. O Cinco de Paus A carta Cinco de Paus retrata a luta de Jasão com o dragão que vigia o Velocino de Ouro. Enorme e coberto de escamas, o dragão sopra fogo de sua boca enquanto, com suas garras, ele segura o Velocino. Jasão o enfrenta com duas tochas flamejantes.Ao seu lado, está a feiticeira Medeia, filha do rei Aetes da Cólquida, que por ele se apaixonou e o ajuda nessa empreitada. Ela é linda com seu cabelo preto, trajando um vestido vermelho e segurando três tochas flamejantes. O Cinco de Paus representa a luta. Aqui, a visão criativa colidiu com a realidade do mundo na forma do dragão que, na Mitologia, c a força primitiva da terra que resiste à mudança. 0 problema cm aplicar limites na vida prática - assim como as nossas próprias limitações da inércia regressiva - é o maior desafio para qualquer indivíduo que deseja expressar o poder de sua imaginação criativa na vida real. Essa luta com o dragão pode assumir a forma de problemas financeiros ou o problema de habilidades insuficientes (quando o indivíduo precisa estudar ou treinar mais para dominar uma profissão), ou a dificuldade de um corpo fraco (pelo cansaço ou por doença, causado pelo excesso de esforço enquanto esteve impacientemente preso à visão), ou o dilema de ajustar a visão ao mercado prevalecente (que inevitavelmente é conservador demais, cauteloso ou des- valorizado); essa carta simboliza dificuldades em nível concreto. Muitas vezes essas dificuldades concretas coincidem e são causadas pelo medo do insucesso e por uma profunda apatia que, em si mesmos, também fazem parte da imagem do dragão. Mas o dragão deve ser enfrentado, do contrário Jasão não poderá levar o Velocino, e os obstáculos que surgem durante o trabalho criativo - interno ou externo - não podem ser evitados. Inevitavelmente, a imaginação colidirá com a resistência da realidade e, de alguma forma, as duas deverão acomodar-se. No sentido divinatório, o Cinco de Paus prevê um período de luta durante o qual o indivíduo deve enfrentar o dragão da realidade material para alcançar a sua meta. Assuntos cotidianos podem começar a dar errado e é preciso prestar mais atenção às exigências e aos limites da realidade concreta; o indivíduo também pode ficar preso a um humor depressivo ou apático. Comprometimentos devem ser assumidos, mantendo ao mesmo tempo a integridade da visão original. O Seis de Paus A carta Seis de Paus retrata Jasão vitorioso após a sua luta com o dragão. O herói levanta o Velocino de Ouro em triunfo. Atrás dele, seis dos seus amigos-heróis estão festejando, cada um segurando uma tocha acesa. O Seis de Paus representa uma experiência de triunfo, de reconhecimento e de aclamação pública. A luta com o dragão já aconteceu e Jasão fez jus à sua recompensa; o Velocino está em suas mãos e seus amigos levantam suas tochas para honrá-lo em reconhecimento. Essa carta representa um momento inebriante para o indivíduo que se esforçou para expressar uma nova ideia ou uma visão criativa para as outras pessoas, pois é o momento cm que somos reconhecidos pela coletividade por nossos esforços. O empreendimento criativo foi aprovado não somente pelos nossos entes queridos, mas pelo mundo exterior, que na carta do Cinco de Paus apareceu, inicialmente, como o terrível dragâo-terra que parecia frustrar todos os esforços. O estágio, um tanto inebriante, refletido pelo Seis de Paus pode assumir muitas formas, de acordo com o nível do objctivo e das aspirações do indivíduo. O atleta que treinou e se preparou durante cansativos meses c até anos sabe disso quando vence uma competição, assim como o indivíduo que almeja uma promoção também o reconhece 58
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    quando, finalmente, umanova posição lhe é oferecida. O escritor aprecia-o quando o seu livro é publicado e aclamado, c assim também o estudante, quando finalmente recebe o seu diploma. Independentemente da dimensão, a meta aqui é alcançada e reconhecida pelos outros. Portanto, o Seis de Paus é uma das cartas dos Arcanos Menores que mais proporciona satisfação individual, pois significa a validação pública de uma visão criativa que se iniciou em meio à ansiedade e à incerteza. Mas até o Seis de Paus deve ceder o seu lugar para a carta seguinte, pois Jasão ainda não levou o Velocino de volta para Iolkos. O reconhecimento público provoca os seus próprios dilemas, apesar de representar um pico na vida criativa, pois a imaginação é fértil, e novos desafios - de forma particular a inveja e o sentido de competição - podem surgir no momento do triunfo. No sentido divinatório, o Seis de Paus prevê a aceitação pública e o reconhecimento de alguma espécie. Isso pode assumir a forma de uma promoção, uma qualificação ou o reconhecimento de algum trabalho criativo. O Sete de Paus A carta Sete de Paus retrata a luta de Jasão com o rei Aetes da Cólquida, que ele deve derrotar para poder levar de volta o Velocino de Ouro. Jasão, segurando duas tochas flamejantes, luta com o rei que veste uma túnica vermelho-fogo e segura outra tocha flamejante. Dois dos amigos-heróis de Jasão - Héracles e Teseu - estão em combate com dois guerreiros do rei que, vestindo armaduras, surgiram dos dentes do dragão. Os dois heróis e os dois guerreiros do rei seguram tochas flamejantes. Tal como o Cinco de Paus, o Sete de Paus retrata uma lula, mas aqui se trata de um combate entre homens, diferentemente do combate do herói contra o estranho dragão- terra. A visão criativa do Velocino de Ouro conquistado em triunfo das garras do dragão aqui leva para o que poderíamos chamar de pura competição, pois Aetes também quer o Velocino e está preparado para lutar por ele. Portanto, o reconhecimento inerente ao Seis de Paus provoca a inevitável resposta: mais alguém quer o que trabalhamos tão arduamente para conseguir, e somos mergulhados em uma competição que nos desafia a empenhar mais esforços. A mensagem é que não podemos permanecer estagnados com os nossos louros ou alguém virá para roubá-los. O problema da inveja e da competição é um fato da vida criativa que o indivíduo que trabalha nessa esfera deverá aceitar. A imaginação não somente concentra a visão em uma pessoa, mas também estimula a visão de outras. A competição é a companheira inevitável do sucesso criativo e, frequentemente, é o próprio medo de não consegui-lo que faz com que as pessoas desistam de tentar. Na realidade, o desafio do Sete de Paus é uma prova de fé do próprio indivíduo. Quanto estamos dispostos a lutar pelo que já conseguimos conquistar? Essa ameaça do "exterior" é um estímulo para a individualidade como também para a própria imaginação que deverá então criar novas e melhores formas. Em muitos aspectos, o rei Aetes tinha tanto direito ao Velocino de Ouro quanto Jasão, pois ele o possuiu antes. E essa é a falta de moral do mercado no qual não adianta ficar chorando: "Mas fui eu quem primeiro teve essa ideia!" Simplesmente devemos lutar para que a ideia funcione e para torná-la ainda melhor, pois ninguém consolará o perdedor que, certa vez, teve uma boa ideia. No sentido divinatório, o Sete de Paus prevê uma luta pelas ideias criativas de outras pessoas - pura competição. O indivíduo é desafiado a melhorar e a desenvolver o seu projeto diante de um mundo invejoso e competitivo, e precisa aprender a valorizar a sua ambição e o seu instinto competitivo. O Oito de Paus 59
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    A carta Oitode Paus retrata a viagem de volta de Jasão após a sua fuga bem- sucedida do irado rei Aetes. Podemos ver o Argo com todas as velas içadas e oito tochas acesas em sua ponte. Acompanhando o navio, golfinhos brincam nas ondas. O Oito de Paus representa uma liberação de energia criativa depois que as ansiedades e os esforços do Sete de Paus foram superados. O conflito estimula a imaginação e, se tivermos a capacidade de enfrentá-lo e atravessá-lo, sempre haverá um período de trégua quando os nossos planos prosseguem cm direção da meta a passos lar- gos, com um sentimento de leveza e de confiança. Essa liberação de energia somente surge das tensões que estão amainando, como se a confiança resultasse unicamente da superação de obstáculos. A experiência da liberação de uma nova energia criativa pode ser vista em muitos esportes competitivos nos quais, após um conjunto de dificuldades, há um brusco impulso e o indivíduo ou a equipe se lança para a meta. Também é uma experiência comum para o pintor, o escritor, o ator e o músico - e qualquer artista criativo que atravessou o bloqueio e está "a caminho de casa". A euforia desse estado não surge simplesmente do nada; ela é o preço que pagamos ao enfrentar o desafio da competição e da dúvida, das quais nos levantamos com energia renovada. Isso nos diz algo a respeito de por que precisamos dos conflitos em nossas vidas para poder criar e porque tantos artistas parecem cortejar os conflitos e a competição com outros. Há um misterioso relacionamento entre os trabalhos da imaginação criativa e a presença de um conflito saudável em nossas vidas. A Mitologia também conta a respeito desse relacionamento, pois o deus Zeus, que preside a história de Jasão, existe em um estado de constante tensão e luta com a sua esposa Hera. Ela, incorporando as leis do matrimónio e da vida doméstica, eternamente o restringe e, ao mesmo tempo, desafia-o a criar. Da mesma forma, nós também precisamos de restrição c de desafios para poder gozar o fluxo excitante da energia que o Oito de Paus retrata por meio da imagem de Jasão e de sua tripulação em seu caminho de volta para casa. No sentido divinatório, o Oito de Paus anuncia um período de ação depois de um atraso ou de uma luta. Uma viagem pode ser implicada ou um longo trecho de frutífera atividade criativa durante o qual a imaginação flui desimpedida depois que as ansiedades e as tensões foram superadas ou resolvidas. O Nove de Paus O Nove de Paus retrata a prova final de Jasão e de seus Argonautas antes de o objetivo ser alcançado: a passagem pelos rochedos Cila e Caríbdes. Ao longe, a cidade de Iolkos pode ser vista com nove tochas flamejantes na praia. O navio, Argo, com as velas desmanteladas, encontra-se na passagem entre os rochedos, ainda em perigo. Em volta do navio desencadeia-se uma tempestade e o mar é turbulento. O Nove de Paus é a carta da reserva de força. Ele retrata o tremendo poder da imaginação criativa, pois justamente quando sentimos que não podemos mais lutar ou nos confrontamos com outra dificuldade, de alguma maneira, no meio desse estresse, as ideias e a energia se tomam disponíveis para enfrentar esse desafio final antes do objetivo. As velas desmanteladas do Argo refletem o estado de exaustão de Jasão e de seus amigos, pois passaram por muitas provas e dificuldades, e estão quase chegando em casa com o Velocino de Ouro. É exatamente nesse momento que, muitas vezes, o inevitável desafio final surge diante das nossas ideias criativas e projetos. E sentimos, nesse momento, que simplesmente não podemos seguir em frente; a energia foi totalmente gasta e a força desgastada, tudo feito por nada. Mas existe em nós algo misterioso e impressionante que é despertado para fazer frente a esse desafio e, então, presenciamos o aspecto mais perturbador e milagroso: o espírito criativo dos seres humanos. Apesar de não poder controlá-lo ou curvá-lo à nossa vontade -não mais do que os gregos antigos pudessem exigir da obediência de Zeus às leis 60
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    humanas -, eleestá disponível para ajudar-nos quando estivennos em nossos derradeiros limites. É aí que a nossa imaginação proporciona uma brusca injcção de vida, esperança e ideias novas. Se tivermos a vontade de tentar uma vez mais, a energia estará disponível e o objetivo final poderá ser alcançado. No sentido divinatório, o Nove de Paus anuncia um período em que, no ponto de exaustão, um desafio final surge para impedir que alcancemos a nossa meta; c quando, de alguma forma, encontramos misteriosamente a reserva de força para fazer frente ao desafio. Essa força somente é disponível quando todas as possibilidades foram exauridas e parece ser invocada tanto pela nossa necessidade quanto pela nossa disponibilidade, apesar da exaustão, em tentar uma vez mais. O Dez de Paus A carta Dez de Paus retrata Jasão sentado diante dos destroços do navio Argo, totalmente exausto. Ele voltou vitorioso para Iolkos e está com um traje real vermelho e uma coroa dourada; aos seus pés, o Velocino de Ouro. Ele está curvado pelo peso das dez tochas flamejantes, distribuídas em suas costas e seus ombros. O Dez de Paus retrata um estado de opressão. Jasão cumpriu o que havia planejado fazer, mas, ao final da história, ele é uma figura triste, sobrecarregada e esmagada pelas preocupações, enquanto o navio Argo, uma vez glorioso, o transportador de heróis, está em ruínas e apodrecendo. A princípio é difícil entender por que essa lenda de visão e de feitos heróicos devesse culminar em uma imagem tão pesada e triste. Mas essa última carta do naipe de Paus revela algo importante a respeito da imaginação criativa: ela pode não funcionar mais quando fica presa sob o peso das responsabilidades materiais. Essa dura lição ocorre a muitas pessoas que se propõem a iniciar um negócio ou objetivam um sucesso criativo. Com o passar do tempo e com o crescimento e a solidez do empreendimento, o espírito de aventura e o entusiasmo do começo parecem sumir. No processo de atingir a sua meta e recuperar o seu trono, Jasão deixou de valorizar os elementos imprevisíveis, como aqueles que Medeia personifica, e dessa maneira ele "se vendeu", esquecendo-se da ousadia e da desenvoltura que primeiro o empurraram para a aventura. O poder volátil da imaginação não se deixa prender às formas pesadas c estru- turadas. Frequentemente, o tédio e a depressão acompanham a integralidade de um trabalho criativo, pois, enquanto a tensão do esforço empenhado cm ideias criativas gera mais ideias, suas concretizações finais significam que a imaginação não pode mais se expressar livremente. Portanto, a imaginação precisa de campos novos e o indivíduo que, como Jasão, se agarra às formas que construiu pode deparar-se com uma certa opressão e exaustão sem razões aparentes. Esse é o momento de abrir mão de alguma defesa e segurança para que a imaginação possa ser despertada com uma nova ideia, uma nova meta e uma nova aventura. No sentido divinatório, o Dez de Paus sugere que o indivíduo está sobrecarregado e oprimido por ter assumido responsabilidades em demasia e além de sua capacidade de suportar. A imaginação foi sufocada pelas excessivas preocupações materiais e parte daquela jovem ousadia c disposição simplesmente se perdeu. E preciso renunciar a certas coisas para que o processo criativo possa ser renovado e um novo ciclo recomece. As Cartas da Corte O Pajem de Paus A carta do Pajem de Paus retrata um garoto de cerca de 12 anos, de cabelos castanhos e vestindo uma túnica laranja. Ele monta um carneiro de pele dourada que voa 61
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    sobre rios ecampos verdes e amarelos, segurando uma tocha flamejante. A sua frente, o Sol aparece espalhando a sua luz alaranjada sobre o cenário. Na carta do Pajem de Paus, deparamo-nos com o elemento Fogo em seu mais delicado e frágil início - os primeiros movimentos da inspiração criativa que, geralmente, se manifesta com certa excitabilidade e desconforto com as condições existentes. O Pajem é encenado por Frixo, com o qual já nos deparamos na história de Jasão e o Velocino de Ouro. Ele realmente inicia essa história, apesar de não ser um dos heróis que dela participam nem tampouco o deus que a preside, mas é quem leva o Velocino de Ouro para o distante reino da Cólquida e longe do perigo. Frixo era filho do rei Atamas que, por ordem de Zeus, se casara com a mulher fantasma chamada Néfíle, que lhe deu dois filhos: o menino Frixo e a menina Hele. Finalmente, a mulher fantasma desapareceu c Atamas casou-se com uma mortal, Ino, que tinha ciúmes tanto de sua antecessora quanto das crianças. Ino convenceu as mulheres locais a ressecar secretamente as sementes de trigo para prejudicar a safra do grão c espalhou o comentário de que o oráculo de Delfos exigia o sacrifício de Frixo a Zeus para neutralizar a "maldição". Sua intenção era eliminar Frixo para que um filho seu pudesse ser o herdeiro do trono. Mas Zeus zangou-se com o fato de seu nome ler sido envolvido nessa tentativa de vingança e enviou o seu carneiro alado para salvar Frixo, que montou o animal e puxou a irmã atrás dele. O carneiro dirigiu-se para o leste, em direção à Cólquida. Infelizmente, Hele perdeu o seu ponto de apoio e caiu no mar. Mas Frixo conseguiu chegar à Cólquida, onde sacrificou o carneiro a Zeus. Assim, Frixo é considerado o mensageiro e o cenógrafo que prepara a ação antes de os conhecidos heróis entrarem no palco da história. Frixo, o Pajem de Paus, é a imagem daquele frágil início da imaginação criativa que muitas vezes encontra dificuldades entre as pessoas mais realistas e nas exigências c responsabilidades do mundo material. O perigo no qual o garoto se encontra é característico do Pajem de Paus, pois essa figura, apesar de prometer um potencial futuro que ainda não emergiu, frequentemente se manifesta de início como uma irritabilidade e um nervosismo que provocam as pessoas e causam problemas na vida e no trabalho pessoal. Mas Frixo é inocente e, portanto, Zeus o favorece concedendo-lhe um precioso presente. O Pajem de Paus marca o início do surgimento de uma nova ideia criativa, mas, como todos os Pajens dos Arcanos Menores, precisa de cuidados, proteção e orientação para que essa pequena chama não seja apagada pelo ciúme e pela inveja de outras pessoas ou pelo sentido de negatividade e de dúvida do próprio indivíduo. Zeus, rei dos deuses e incorporação do fogoso espírito criativo, é o único que enxerga o verdadeiro valor de Frixo e é preciso que tenhamos algum contato com esse princípio arquetípico dentro de nós mesmos antes de poder valorizar esse delicado início da expressão imaginativa. Frixo abre a história, mas não participa dela c desaparece diante do esplendor e do poder do herói Jasão. Isso também reflete algo a respeito do Pajem de Paus. Muitas vezes as primeiras ideias reílcti-das por essa carta são infantis e não representam suas formas finais, que acabam resultando em um importante esforço criativo. Frequentemente, o conceito inicial desaparece para ser substituído por algo melhor e mais sólido. Mas esse início permite que o processo seja ativado e, sem esses movimentos frágeis, nada seria desenvolvido na esfera das novas ideias criativas. Afinal, não é a personalidade de Frixo que nos chega pela Mitologia - ele é imaturo e jovem demais para realmente possuir uma personalidade -, mas é o seu papel de mensageiro e guardião inicial do Velocino de Ouro, que pertence a Zeus, o emblema do grande poder criativo do deus. Portanto, o Pajem de Paus pode não indicar um novo projeto ou ideia com sucesso garantido e a sua agitação pode ser facilmente descartada como "ingénua" ou "fantástica". Ele pode apontar para o poder da imaginação, avisando-nos que há muito mais no local do qual surgiu a primeira ideia. 62
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    No sentido divinatório,quando o Pajem de Paus aparece em uma abertura de cartas, ele anuncia que chegou o momento de o indivíduo descobrir esses impulsos de potencial criativo dentro dele mesmo. Muitas vezes podem se manifestar por um certo nervosismo no trabalho, um sentimento vago de insatisfação não suficientemente forte para motivar uma mudança c uma indicação de que temos a capacidade de expandir, de alguma forma, a própria vida. As fantasias iniciais que acompanham essa agitação não têm o poder impulsionador do Ás de Paus e, no final, podem vir a ser impraticáveis ou impossíveis. Mas é importante que sejam consideradas seriamente, pois elas são os arautos de uma fonte mais forte de inspiração e precisam ser alimentadas c não rejeitadas, como se essa excitação fosse meramente "uma má fase" em vez do prenúncio de algo mais criativo. O Cavaleiro de Paus A carta do Cavaleiro de Paus retrata um exuberante jovem montado em um cavalo alado trajando uma túnica vermelha e uma armadura e um elmo dourados. Uma aljava de flechas em seu ombro e uma tocha flamejante em sua mão. O cavalo branco está voando enquanto embaixo, na terra, encontra-se um monstro que o jovem matou com uma flecha. O monstro tem cabeça de leão, corpo de carneiro e cauda de serpente. Na carta do Cavaleiro de Paus, deparamo-nos com a volátil, mutável e efervescente dimensão do elemento Fogo, que está em constante movimento e eternamente buscando novos desafios. Ele é encenado pela figura mitológica do herói Beierofonte, que domou o cavalo alado Pégaso, matou a monstruosa Quimera e, em seguida, foi arruinado por sua própria arrogância, que o levou a tentar voar para o Monte Olimpo, a morada dos deuses. Beierofonte teve de fugir de Corinto, sua terra natal, por haver matado acidentalmente o seu próprio irmão Belero, e procurou santuário na corte do rei Preto de Tirinto. Mas a esposa desse rei apaixonou-se pelo impetuoso e um tanto ambíguo rapaz e, ao ser rejeitada pelo jovem, o acusou diante do rei Preto de tentar seduzi-la. Acreditando na história da esposa, o rei decidiu destruí-lo. Beierofonte foi então enviado em uma aparente missão fatal - a destruição da Quimera, um monstro que soprava fogo. Mas o jovem teve a sorte de ser ajudado por um adivinho que o instruiu cm como capturar e domar Pégaso. Beierofonte encontrou o cavalo e jogou sobre a sua cabeça uma rédea dourada que Atena lhe havia dado. Ele então venceu a Quimera voando sobre ela no dorso de Pégaso, enchendo-a de flechas e arremessando a sua lança, em cuja ponta havia colocado uma bola de chumbo, na boca do monstro; o fogo que a Quimera soprava derreteu o chumbo que, líquido, escorreu em sua garganta, matando-a. Em vez de demonstrar a apropriada modéstia com respeito ao seu feito, Beierofonte tornou-se arrogante e prepotente. No auge de sua sorte, com presunção, tentou alcançar o Olimpo como se fosse imortal. Furioso, Zeus enviou uma vespa que picou Pégaso por baixo da cauda, fazendo-o empinar, desmontando Beierofonte, que despencou vergonhosamente para a terra. Beierofonte, o Cavaleiro de Paus, é a imagem do desejo por novas e mais gloriosas aventuras. Essa figura ambivalente, muito criativa e desprendida da realidade, pois, apesar de ser a primeira a pressentir coisas novas, assim como a primeira a enfrentar um desafio, por mais difícil que seja, também é a nossa tendência à presunção e a uma espécie de pretensão de que a boa sorte deva ser proporcionada pela vida, independentemente de quem sejamos ou do que façamos. O Cavaleiro de Paus é um sedutor - as mulheres tendem a amá-lo, tal como a esposa do mitológico rei Preto -, mas ele não é confiável, pois nenhuma mulher consegue segurá-lo quando uma nova aventura se apresenta. Ele é intuitivo c imaginativo, e, em termos modernos, poderíamos até chamá-lo de tendencioso, pois é o primeiro a assumir uma nova ideia, uma nova moda, um novo estilo de vida, bem antes de o restante da humanidade se conscientizar do valor dessa novidade. 63
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    O Cavaleiro dePaus não é um seguidor, como também não é um líder, pois é autocentrado demais e facilmente entediado para assumir a responsabilidade de dirigir outras pessoas. Como Dom Quixote do famoso épico de Cervantes, ele ataca moinhos de vento e assume causas ou desafios que podem não ser realmente relevantes, mas a respeito dos quais está preparado a fazer um enorme alarde só porque parecem excitantes e o colocarão em destaque, como também o manterão ocupado durante um certo tempo. O Cavaleiro de Paus é uma figura agradável e até adorável, e tendemos a perdoá-lo constantemente graças à sua natural positividade, seu fascínio, sua ingenuidade e suas boas intenções. Mas, como dizem, o caminho para o inferno está cheio de boas intenções, e nem todas as intenções dessa figura são realmente concretizadas. Ele está constantemente engendrando novas ideias que podem ser filtradas, consideradas e processadas por meio de uma visão mais realista, seja pelo próprio indivíduo ou por outra pessoa mais em contato com a realidade do que esse fogoso e volátil Cavaleiro. Então, a sua força pode ser apreciada enquanto a sua fraqueza é tornada menos prejudicial pela fria consideração dos fatos. No sentido divinatório, quando o Cavaleiro de Paus aparece em uma abertura de cartas, ele anuncia que chegou o tempo para o indivíduo desenvolver as voláteis, exuberantes e aventurosas qualidades incorporadas na figura de Belerofonte. Muitas vezes, em nível divinatório, o Cavaleiro de Paus manifesta-se como uma mudança de residência, porque o indivíduo repentinamente se sente oprimido pelo ambiente no qual se encontra e sai à procura de campos mais amplos e verdes. Algumas vezes o Cavaleiro de Paus penetra na vida das pessoas como um jovem encantador, interessante e um tanto irresponsável, cheio de ideias novas e inspiradoras, mas que deve ser tratado com cuidado para que ele não nos leve a possíveis prejuízos. Se um desses indivíduos entrar em nossa esfera de relacionamentos, isso deve ser visto como um aviso de que essas qualidades estão tentando emergir de dentro de nós mesmos. A Rainha de Paus A carta da Rainha de Paus retrata uma linda e radiante mulher de cabelos castanhos, com um vestido amarelo e portando uma coroa dourada. Está sentada em um trono dourado cujos braços são entalhados com cabeças de leão e, aos seus pés, amarrada em uma corrente dourada, encontra-se uma leoa adormecida. Em sua mão, uma tocha flamejante e, ao seu redor, um cenário de ricos campos verdes e dourados sob um céu azul-vivo. Na carta da Rainha de Paus, deparamo-nos com a dimensão estável, vivificante e fiel do elemento Fogo, que aquece, anima e inspira. Ela incorpora a figura mitológica da rainha Penélope, esposa do famoso Ulisses de ítaca. Ao nascer, Penélope foi jogada ao mar por ordem de seu pai, ícaro, que esperava por um filho. Mas um grupo de patos listrados de vermelho a levaram para a superfície, alimenta-ram-na e levaram-na à praia. Impressionado com esse feito, Ícaro atenuou a sua decepção percebendo que a sua jovem filha devia possuir um destino especial. Quando o seu marido Ulisses embarcou para a Guerra de Tróia juntamente com os outros príncipes gregos, Penélope passou a governar a ilha com o seu único filho Telêmaco para ajudá-la. Depois de um bom tempo, presumindo que Ulisses havia morrido, 112 jovens príncipes insolentes das ilhas ao redor de ítaca começaram a cortejar Penélope, cada um esperando casar-se com ela para assumir o trono. Eles até decidiram, entre si, assassinar Telêmaco. Quando pela primeira vez eles pediram que Penélope escolhesse um deles como marido, ela manteve a sua fé com a sua intuição e coração quanto à segurança de Ulisses e declarou que ele certamente devia estar vivo. Mais tarde, sendo pressionada, ela prometeu uma decisão assim que terminasse a mortalha que estava preparando para o velho Laerte, o seu sogro. Mas ela levou três anos nessa tarefa, tecendo 64
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    de dia edesfazendo o seu trabalho à noite, até que um dos pretendentes percebeu o estratagema. Durante todo esse tempo, os príncipes insolentes ficaram desfrutando e divertindo-se no palácio de Ulisses, consumindo o seu alimento, bebendo o seu vinho e seduzindo as suas serviçais. Nesse meio tempo, Ulisses chegou a ítaca depois de dez anos de andanças c viagens, disfarçado de mendigo porque havia sido informado das atividades em seu palácio. Quando o tal "mendigo" ali apareceu, de início Penélope não o reconheceu, mas finalmente ele se revelou, destruiu os pretendentes insolentes e reuniu-se feliz à sua mulher. Entretanto, alguns negam que Penélope permaneceu fiel a Ulisses durante a sua longa ausência, pois era uma mulher de espírito e imaginativa. Eles a acusam de gerar o deus Pan com Hermes, o Mensageiro, o que pode ou não ser verdade. Penélope, a Rainha de Paus, é a imagem da fidelidade do coração e a força da imaginação criativa para apoiar os objetivos escolhidos do coração. Em um certo sentido, ela é a representação da esposa fiel, mas essa sua fidelidade não é necessariamente literal e algumas versões do mito questionam essa técnica lealdade sexual. A fidelidade de Penélope surge em um nível muito mais profundo. Durante a longa ausência de seu marido, ela não tinha como saber se ele estava vivo ou morto e, às vezes, seria obviamente mais conveniente escolher outro marido e seguir em frente com a sua vida. Mas, intuitivamente, ela sabe que Ulisses voltará e é essa qualidade de fé e uma lealdade que não surgem da moralidade forçada, mas de uma convicção interior de que, ao final, tudo dará certo, que tornam Penélope uma figura tão apropriada para ilustrar a Rainha de Paus. Mas ela também é contida e estável, pois o seu fogo está controlado e torna-se o calor do aconchego, um centro ao qual muitos são atraídos - tal como os 112 pretendentes atraídos não somente pelo trono, mas também pela mulher. A Rainha de Paus não sai correndo atrás de arcos-íris ou tenta voar para o Monte Olimpo - ideias mais típicas do Cavaleiro. Ela armazena a sua grande força e energia interiormente e as dedica às poucas coisas que conquistaram o seu coração. De alguma forma, a Rainha de Paus é uma imagem antiga daquela figura de "supermulher" que tantas mulheres modernas gostariam de ser: a mulher que é capaz de amar e de ser fiel em um relacionamento, mas que também possui a força, a ingenuidade, a criatividade e a energia incansável para reger o seu próprio mundo pelo seu próprio direito, sem precisar de um ombro forte sobre o qual se apoiar nem tampouco do rótulo socialmente aceito de "esposa" para que se torne autoconfiante. No sentido divinatório, quando a Rainha de Paus aparece em uma abertura de cartas, ela anuncia o momento de o indivíduo começar a desenvolver essas qualidades de aconchego, de constância, de fidelidade e do sustento criativo de uma visão que Penélope tão propriamente simboliza. A Rainha de Paus pode entrar em nossa vida como essa mesma mulher, imaginativa, atraente, aconchegante e fiel. Não é mero acaso se essa pessoa aparecer em nossa esfera de relacionamentos; ao contrário, trata-se de um prenúncio de que o indivíduo está para encontrar esses atributos dentro dele mesmo. O Rei de Paus A carta do Rei de Paus retrata um homem elegante com barba e cabelos castanhos encaracolados. Ele veste uma roupa vermelha e uma coroa dourada na cabeça, e está sentado em um trono cujos braços são entalhados em formato de cabeças de carneiros douradas. Em sua mão direita, uma tocha flamejante. Ele está cercado de campos verdes nos quais é possível ver um carneiro parado. Atrás dele, uma linda cidade com colunas e pórticos brancos, coroada por uma acrópole. Na carta do Rei de Paus, deparamo-nos com a dimensão ativa, dinâmica c senhorial do elemento Fogo, que simboliza a imaginação criativa. Ele é encenado pela figura mitológica do rei Tcseu de Atenas, com o qual nos encontramos brevemente nas cartas 65
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    numeradas do naipede Paus como um dos companheiros de Jasão em sua busca ao Velocino de Ouro. O rei Teseu personifica o espírito excitante, extrovertido, impulsivo, mal- humorado e tremendamente contagioso da energia do Fogo. Sua mãe Etra era amada tanto pelo deus Poscidon quanto pelo rei Egeu de Atenas. Teseu foi gerado conjuntamente pelos dois, mas desconheceu as suas origens até a idade de 16 anos, quando então saiu em busca de seu lugar como herdeiro de Egeu que resultou em uma jornada cheia de aventuras perigosas. Ele se ofereceu como um dos jovens tributos que eram enviados a Creta para alimentar o terrível Minotauro, convenceu a filha do rei Minos, Ariadne, a ajudá-lo a destruir o monstro e voltou para Atenas em triunfo, passando não somente pela violenta luta com o monstro, mas também por fogo, terremoto, tumultos e mares terríveis. Ao se tornar rei de Atenas no lugar de Egeu, ele teve muitas ideias de como unir as cidades gregas que viviam em constantes conflitos e, por meio de uma combinação de charme, expressão, proeza física, uma queda para a dramaticidade e uma mente brilhante, ele conseguiu convencer esses senhores independentes c altivos a se juntarem sob um único governo, o qual ele presidiu como Alto Rei. As aventuras amorosas de Teseu foram variadas e turbulentas como os seus feitos guerreiros. Constante na perseguição de mulheres, ele finalmente escolheu a amazona Hipólita como a sua rainha, uma mulher guerreira que não se contentava em viver na tranquilidade doméstica e insistia em lutar a seu lado em todas as batalhas. Depois da morte dela, Teseu tornou-se um pirata dos mares, voltando periodicamente para Atenas, mas sempre perseguindo um novo sonho, uma nova conquista. Casou-se novamente com Fedra, uma princesa de Creta que, infelizmente, se apaixonou por Hipólito, o íilho de Teseu com Hipólita. Esse dilema resultou no suicídio de Fedra e na morte de Hipólito. Depois disso, Teseu pcrdeu-se totalmente e acabou se jogando ao mar do alto de um rochedo. Teseu, o Rei de Paus, é a imagem do fogoso entusiasmo que faz do indivíduo, homem ou mulher, um verdadeiro líder. Esse espírito ardente não é simplesmente impulso, intranquilidade e novas ideias -próprios do Cavaleiro de Paus - mas também é nobreza e força. Teseu não é tão-somente um homem impetuoso, mas um estrategista e um modelador de eventos mundiais, pela sua visão e a força constante em manifestar essa visão, assim como a calorosa e contagiosa personalidade que consegue convencer os outros de sua validade. Ele não tolera limitações, é impaciente e tem a certeza de estar correto e, inquestionavelmente, é um mau perdedor. O rei Teseu também é o epítome do homem chauvinista, e esta qualidade não se limita unicamente aos homens, podendo ser encontrada em muitas mulheres. É o espírito exaltado da procura masculina por aventura, conflito e conquista e, ao mesmo tempo, subestimando as dimensões mais "comuns" da vida emocional e material - que parecem inferiores, tediosas e, portanto, não merecem perda de tempo e esforço. O rei Teseu é irresistível por ser mais amplo que a vida, e essa qualidade da natureza humana, que tende a se mistificar, assim como "vender" uma grande visão aos outros, também é irresistível e dinâmica. Os indivíduos que possuem neles mesmos o espírito forte do Rei de Paus não se satisfazem com o fato de ser "meros" mortais. Deve haver uma causa a ser assumida, um dragão a ser destruído, um desafio a ser enfrentado, uma imperfeição no mundo que deve ser corrigida, pois o indivíduo que não está familiarizado com o espírito do Rei de Paus, na melhor das hipóteses, é encantador e fascinante e, na pior das hipóteses, autoritário, irritante, movido pelo poder e perigoso. Mas sem essa qualidade não há o espírito de luta, como também não há a capacidade de melhorar as próprias condições ou as das outras pessoas, pois não existe visão nem confiança para transformar essa visão em realidade. O Rei de Paus pode ser caloroso e excitante, mas ele é inquestionavelmente egoísta e esse egoísmo essencial, para muitas pessoas, parece ser repreensível e negativo. Mas o rei Teseu é a incorporação do verdadeiro herói, pois a sua convicção é sempre de que a humanidade poderia ser muito melhor do que é. 66
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    No sentido divinatório,quando o Rei de Paus aparece em uma abertura de cartas, ele anuncia o momento em que o indivíduo deve encontrar essa dimensão da personalidade que dá início a novas ideias, conseguindo "vendê-las" a outros e gerando uma mudança na pró- pria vida e no ambiente que o cerca. É o espírito de liderança, a crença de que sempre há uma ideia melhor que vale a pena ser promulgada e trabalhada para que seja manifestada. Essa dimensão da vida pode aparecer na forma de um indivíduo impulsivo que entra em nosso círculo de relacionamentos, alguém que contagia os outros com a força de suas ideias. O fato de esse indivíduo entrar em nossa vida não é por acaso, mas é o prenúncio da nossa necessidade de desenvolvimento. O NAIPE DE ESPADAS As Cartas Numeradas A história de Orestes e a maldição da Casa de Atreu é uma história sombria, cheia de conflitos e de mortes, e uma das mais poderosas dos mitos gregos. Em seu ponto focal, está o conflito de dois grandes princípios opostos - o direito de mãe e o direito de pai -, e é esse embate de princípios que faz com que o conto seja adequado para ilustrar o conflitante e turbulento, mas imensamente criativo naipe de Espadas. Esse naipe trata da mente humana em sua forma mais poderosa: a capacidade de criar o bom ou mau destino, de acordo com a força das nossas crenças, convicções e princípios. A completa lenda da maldição da Casa de Atreu é longa e conturbada, e aqui trataremos principalmente de seu capítulo final. Resumidamente, ela começa com o crime do rei Tântalo da Lídia, que se tomou tão arrogante que, em sua loucura, zombou dos deuses. Ele cortou o seu pequeno filho em pedaços (sociopata), servindo-os como banquete aos deuses que ele havia convidado para testar a sua sabedoria. Por esse ato de selvageria e de arrogância, os deuses amaldiçoaram a descendência de Tântalo. E, assim, a maldição da Casa de Atreu começa com o uso impróprio da mente: o dom ambivalente do homem, que o eleva acima dos animais, mas também lhe proporciona o poder de destruir desenfreadamente. Iniciamos a nossa exploração do naipe de Espadas com Orestes, o jovem príncipe de Argos que descobriu que a maldição da família havia sido transferida para ele na forma de uma terrível escolha. Orestes era filho do rei Agamenon e da rainha Clitemnestra de Argos, e a maldição passara pelo pai e pelo avô de Agamenon. Quando a guerra entre gregos e troianos foi declarada (cujo início tivemos um vislumbre na história de Paris, na carta dos Namorados dos Arcanos Maiores), Agamenon era um dos chefes militares eleito para comandar os exércitos que se dirigiram para Tróia pelo mar. Com sua arrogância, ele conseguiu ofender a deusa Hécate (Artemis), zombando dela em um de seus santuários sagrados. Zangada, Hécate provocou uma terrível tempestade que segurou a frota grega no porto. O oráculo da deusa informou Agamenon que deveria oferecer um grande sacrifício a ela antes que a deusa acabasse com a tempestade: ele deveria sacrificar a sua própria filha Ifigênia no altar da deusa em Aulis ou então desistir da potencial glória de liderar os exércitos gregos para Tróia. Para Agamenon, a glória era muito mais importante do que uma filha, afinal ele tinha outra, chamada Electra, e filhas eram menos valorizadas do que filhos. Assim, ele enganou a sua esposa Clitemnestra anunciando que Ifigênia deveria casar-se em Aulis. A menina saiu de casa e dirigiu-se para o campo militar de Aulis, onde foi sacrificada. Quando Clitemnestra soube do ocorrido, Agamenon já estava a caminho de Tróia. Os exércitos gregos ganharam a guerra, Tróia foi saqueada e Agamenon voltou para casa como herói. Mas, durante a sua ausência, Clitemnestra planejara uma vingança pela 67
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    morte da filha.Ela aceitou Egisto como amante e os dois planejaram o assassinato de Agamenon. Quando ele chegou em casa cercado de suas tropas vitoriosas, ela o recebeu amavelmente e o conduziu para o banho, onde, juntamente com o amante Egisto, o assassinou. Para prevenir qualquer interferência no plano, Clitemnestra havia enviado o filho Orestes para a longínqua cidade de Fócida, para que ele nada soubesse do crime e não tentasse salvar ou vingar o pai. Enquanto isso, o deus Apolo apareceu a Orestes na Fócida, con-tou-lhe o ocorrido e disse que ele deveria vingar a morte de seu pai, pois essa era a obrigação de um filho. Horrorizado, Orestes protestou, porque isso significava cometer um matricídio. Mas Apolo o ameaçou com a loucura e outros terríveis castigos caso ele se recusasse a obedecer ao seu comando. Finalmente, o jovem príncipe aceitou a vontade do deus com um coração pesaroso, pois matar a própria mãe - apesar de correto, de acordo com a lei patriarcal de Apolo - significava ser levado à loucura e à morte pelas Fúrias, as terríveis deusas da vingança que consideravam esse o pior de todos os crimes humanos, de acordo com sua lei matriarcal. Enfim, Orestes aceitou o seu destino e, em segredo, viajou de volta para Argos. Ao chegar ao palácio, somente o seu cão o reconheceu, mas finalmente também a sua irmã Electra, que desejava ardentemente vingar a morte do pai. Ajudado pela irmã, Orestes primeiro matou Egisto e depois a sua mãe. Dessa forma, ele cumpria a vontade de Apolo. Mas imediatamente as Fúrias apareceram com suas cobras nos cabelos, asas de couro e rostos horríveis, e o enlouqueceram com terríveis pesadelos e visões. Elas o assombraram por toda a Grécia até que, desesperado e exausto, ele procurou refúgio no altar da deusa Atcna. Essa deusa teve piedade do jovem príncipe que, sem culpa moral própria, estava preso entre duas forças poderosas e destrutivas. Ela convocou um júri de 12 juízes humanos que pudessem avaliar o caso. O júri ficou dividido em seu juízo - seis foram a favor de Apolo, afirmando que o pai era a pessoa mais importante da vida, e seis foram a favor das Fúrias, afirmando que era a mãe a pessoa mais importante da vida. Foi a própria Atena que decidiu o caso, votando a favor de Orestes no exato momento em que ele expirava. A deusa então fez as pazes com as Fúrias, oferecendo-lhes seu próprio altar e a veneração honrosa, e dessa forma Orestes foi libertado e a antiga maldição da Casa de Atreu foi finalmente desfeita. O Ás de Espadas A carta do Ás de Espadas retrata uma linda mulher em armadura completa e elmo de batalha. Ela assume uma postura ameaçadora e segura uma espada de gume duplo. Atrás dela, um cenário de picos nevados e um céu cinzento carregado de nuvens. No As de Espadas, encontramos novamente Atena, a deusa da justiça, com a qual nos deparamos na carta da Justiça dos Arcanos Maiores. Apesar de não ter sido a iniciadora da maldição da Casa de Atreu, assim mesmo é ela quem a soluciona quando Crestes a ela se dirige em seu desespero. A espada de Atena é de gume duplo, pois o poder de corte da mente, com a sua especial capacidade humana de formular ideias e convicções que estimulam as ações e as consequências dessas ações, pode gerar um terrível sofrimento e, ao mesmo tempo, soluções novas e sublimes. Por conseguinte, a espada de Atena corta dos dois lados, pois a apaixonada e até rígida aderência a um princípio é quem dá início ao conflito da lenda; e é o surgimento de um novo e mais viável princípio que resolve e acaba com ele. Tal como o Ás de Copas e o Ás de Paus, o Ás de Espadas anuncia o surgimento de energia primordial e, aqui, ela é a erupção inicial de uma nova visão do mundo. Mas essa nova percepção ameaça imediatamente a antiga ordem e, dessa forma, o Ás de Espadas, apesar de sua energia ser poderosa e potencialmente criativa, assinala o início de um grande conflito. Muitas vezes, o despertar dos poderes mentais significa um inevitável 68
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    embate com ascrenças que, anteriormente, fizeram parte de nossas vidas. Uma nova visão das coisas não é tão simples quanto parece, pois nós, seres humanos, somos famosos por provocar guerras e sermos indulgentes com os terríveis atos de selvageria em nome de um novo princípio. E só olhar para a Revolução Francesa de 1789 e para a Revolução Russa de 1917 para entender a força de uma nova ideia, e a frequência com a qual ela provoca um grande conflito antes de ser integrada na vida. Até em um nível mais pessoal, a nova energia primordial da mente que desperta à vida geralmente precipita argumentos, debates c disputas, pois devemos experimentar tudo o que é novo e fazer valer a nossa autonomia mental antes de qualquer possível diálogo ou comprometimento. Portanto, o Ás de Espadas é realmente a carta de duplo gume: o arauto de uma tremenda energia nova pronta para ser transformada em vida, mas também a advertência do advento de um conflito. No sentido divinatório, o Ás de Espadas sugere que, de um conflito, alguma nova opinião criativa possa surgir. Os poderes mentais estão despertando e isso significa mudança em nossa vida; a antiga ordem é ameaçada e conflitos certamente surgirão. Finalmente, uma solução será possível, mas existe a inevitabilidade de colisão e de disputa antes de essa paz ser visível. O Dois de Espadas A carta Dois de Espadas retrata Orestes, de cabelos claros e vestindo uma túnica cinza, parado como se estivesse paralisado, com os olhos cerrados e suas mãos pressionando seus ouvidos. À esquerda, está a sua mãe, a rainha Clitemnestra, com uma coroa dourada em sua cabeça de cabelos louros, trajando um vestido lilás. Ela segura uma espada apontada para o jovem príncipe e, por cima de sua cabeça, olha irada para seu marido, o rei Agamenon, de barba e cabelos louros, vestindo uma túnica azul e uma armadura completa. Ele também segura uma espada apontada para Orestes. Atrás deles, picos nevados e um céu escurecendo com nuvens ameaçadoras. O Dois de Espadas reflete um estado de paralisia pelo qual forças opostas criam um impasse em que movimento algum é possível sem que uma conflagração seja desencadeada. Aqui, Orestes se encontra entre as forças opostas de sua mãe e de seu pai. Como resposta a esse estado de tensão que exige uma das duas escolhas, ele prefe- riu ficar alheio, fechando seus olhos e tampando seus ouvidos - e a sua recusa em se conscientizar do iminente conflito é a única ação que ele pode oferecer no momento. Portanto, a situação do Dois de Espadas reflete uma tensão que resultará em uma realidade desagradável a ser enfrentada. Mas o indivíduo não quer alterar o status quo. Assim, sem nada enxergar, Orestes consegue não ser infeliz, mas tampouco é feliz, pois não pode se mover ou crescer. Ele também tem medo de provocar um desequilíbrio na situação, pois o presente equilíbrio não é harmónico e uma tempestade ronda atrás dessas figuras tensas. A polarização que ocorre em todos os Dois dos Arcanos Menores aqui se expressa como um conflito de princípios opostos. E esse equilíbrio não resultou de um diálogo ou de um acordo; trata-se de um intenso c total potencial de destruição. Portanto, quando uma nova visão da vida começa a se agitar em nós com o Ás de Espadas, tendemos a ver somente os extremos e ficamos presos em uma certa paralisia que não permite que nos movamos, seja para a frente, seja para trás. Não podemos simular que nada aconteceu, mas também não podemos ir à frente ou teremos problemas como consequência. O tom emocional do Dois de Espadas é um estado desconfortável de um equilíbrio precariamente calmo, mas que envolve uma grande tensão e ansiedade. É o estado de saber que alguma coisa deve mudar, mas preferimos não enxergar em vez de arriscar o conflito que, finalmen- te, ocorrerá de qualquer maneira. No sentido divinatório, o Dois de Espadas implica um estado de tenso equilíbrio no 69
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    qual há umarecusa em enfrentar alguma situação iminente de conflito. Uma maneira criativa de resolver esse caso pode ser a tentativa em enfrentar o que está à nossa frente, em vez de tentar preservar o status quo que, finalmente, será rompido de qualquer forma. O Três de Espadas A carta Três de Espadas retrata o rei Agamenon, assassinado em seu banho. O corpo do rei encontra-se na água. A esquerda, Egisto, de barba e cabelos pretos, vestido de cinza-escuro, fere o coração do rei com a espada. Outra espada está enterrada no corpo inerte. À direita, Clitemnestra também fere o coração do marido com uma espada. Além do pórtico de mármore, um céu preto e ameaçador sobre picos nevados. O Três de Espadas é uma carta pesarosa porque a disputa ou o conflito iminente do Dois de Espadas finalmente irrompeu. Portanto, o tema da integração inicial que liga todos os Três dos Arcanos Menores está nele refletido em uma situação penosa que revela uma separação ou uma desilusão. Mas, mesmo sendo penosa, essa carta, que sem dúvida é difícil, representa uma liberação de energia, pois há movimento em comparação à estagnada e desagradável tensão do Dois de Espadas. O que quer que tenha ocorrido foi necessário, pois algo age para exigir esse conflito antes de ele se desenrolar para o seu eventual final criativo. Aqui, Clitemnestra realizou a sua vingança, inevitável a partir do momento em que Agamenon optou pela entrega da vida de sua filha a favor de sua própria glória. Alguma coisa iniciada no passado desabrocha no Três de Espadas e o resultado raramente é agradável. Este é o mais profundo significado da maldição do mito grego: não é um feitiço ou um malfadado destino lançado por um deus caprichoso, mas o inevitável resultado das consequências da escolha humana que, mais cedo ou mais tarde, resultará em um conflito ou em uma desilusão no derradeiro acerto de contas. A triste visão do Três de Espadas traz consigo um sentimento de alívio, pois o veneno finalmente veio à luz e, portanto, uma chance de cura futura torna-se possível. Ressentimentos que ficaram intimamente presos em razão do medo do conflito e de raiva finalmente têm uma forma de extravasarem, mas geralmente por meio da geração seguinte que é forçada a resolver os problemas que a anterior se recusou a enfrentar. Por mais desagradável que seja o Três de Espadas, ele é um passo criativo à frente do Dois de Espadas, e também uma solução final agora é possível. No sentido divinatório, o Três de Espadas anuncia uma disputa, um conflito ou uma separação. De alguma forma, esse estado penoso é necessário c o indivíduo percebe que não pode seguir adiante recusando-se a enfrentar o conflito. Isso é como a retirada de um abscesso para que o corpo possa reagir e começar a se curar. O Quatro de Espadas A carta Quatro de Espadas retrata Crestes no exílio, em Fócida. Ele está sentado tranquilamente no chão contemplando quatro espadas que formam um padrão à sua frente. Atrás dele, um céu pálido e calmo com pequenas nuvens e um cenário de picos nevados. O Quatro de Espadas reflete um período calmo de retiro e de contemplação. Aqui podemos ver Orestes em seu exílio. Ele ainda não recebeu a ordem do deus Apolo e, portanto, está em paz, apesar de não lhe ser permitido voltar para casa. O Quatro de Espadas sugere um período de introversão e de reflexão, de recuperação emocional após o surgimento do conflito no Três de Espadas. O veneno foi liberado e agora existe a oportunidade para refletir sobre o que aconteceu. Esse é um período de preparação que 70
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    precede a tarefade praticar as mudanças necessárias à vida como resultado do conflito. Há um incremento de força, um controle das reservas internas em uma situação de calma e de introspecção. Procuramos instintivamente esse lugar de quietude depois de um evento turbulento e penoso em nossas vidas. O indivíduo que passou pela separação ou pelo divórcio, ou até por uma discussão exacerbada, frequentemente precisa de um tempo sozinho para analisar o padrão do que aconteceu; isso também ocorre com a pessoa sobrecarregada ou aquela que foi demitida de seu trabalho, ou se separou de um amigo ou de um relacionamento amoroso. Frequentemente não reconhecemos o valor desse período de quietude e nos precipitamos e procuramos cercar-nos de pessoas que farão com que nos sintamos melhor e que nos ajudem a esquecer o que aconteceu. Mas o exílio de Orcstes é imposto e, de certa maneira, somos forçados à introversão pela descoberta de que essa precipitação nervosa não cura absolutamente nada. Muitas vezes isso piora a nossa situação, até reconhecermos a necessidade do silêncio e da solidão antes de voltarmos à vida novamente. Essa reflexão pode revelar o significado que fundamenta a separação ou o conflito, porque qualquer dificuldade refletida pelo naipe de Espadas inevitavelmente apontará para algum estágio do passado no qual um novo conceito da vida começou a surgir e está desequilibrando todos os nossos padrões preexistentes da vida. No sentido divinatório, o Quatro de Espadas anuncia um período de recuperação silenciosa e de introversão, no qual o indivíduo pode armazenar energia preparando-sc para maiores esforços. Quando o Quatro de Espadas aparece em uma abertura de cartas, talvez seja melhor aceitar a solidão ou o retiro e não procurar preencher o tempo com atividades, pois alguma quietude é necessária para controlar os pensamentos c organizar a própria vida. O Cinco de Espadas A carta Cinco de Espadas retrata Orestes sentado no chão diante do deus Apolo, que apareceu para lhe contar de seu destino e de sua obrigação em vingar a morte de seu pai. Apolo encontra-se à direita e aponta severamente para as cinco espadas que ele segura em sua mão direita. Ao longe, nuvens negras rondam os picos nevados. O Cinco de Espadas representa a aceitação das limitações, das fronteiras e das restrições do destino. Aqui, Orestes deve chegar a termo com a sua deteriorada herança familiar e aceitar a tarefa que lhe foi imposta. Não c o caso de presumir que o seu destino seja injusto; ele deve enfrentar o que está à sua frente sem se queixar, chorar ou recusar, pois é pela aceitação de seu próprio destino que ele deve progredir e merecer o seu direito ao crescimento c ao seu eventual reinado. Também é importante que Orestes aceite a lei do deus, não simplesmente por medo - apesar de as ameaças de Apolo serem apavorantes -, mas porque ele mesmo reconhece essa necessidade. Ele é homem e, por conseguinte, a lei patriarcal de Apolo é também a sua lei. Caso ele fosse mulher, o seu destino teria sido bem diferente. Mas aqui, ao considerar as suas opções, Orestes deve, no final, oferecera sua lealdade ao princípio masculino enraizado em sua identidade sexual, independentemente das consequências. Muitas vezes, as limitações e sua necessária aceitação exigem que desconsideremos o falso orgulho e o medo. Às vezes, o indivíduo ultrapassa os limites procurando alcançar algo além de suas possibilidades. O reconhecimento dos limites exige consciência e uma mente imparcial. O indivíduo sabe o que ele é c, portanto, o que ele pode e deve fazer; essa é a aceitação da lei interior. Apesar de ser angustiante ou deprimente e aparentemente deprcciável, no entanto, é um estágio necessário, caso o indivíduo queira tornar efetivos os princípios nos quais acredita. Sem essa aceitação do próprio destino, nada pode ser realizado. No sentido divinatório, o Cinco de Espadas prevê a necessidade de enfrentar os 71
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    nossos próprios limites,reconhecendo que a vida precisa ser vivida dentro das limitações de nossa capacidade. Frequentemente há uma situação em que o indivíduo assumiu muitas responsabilidades e deve desistir do orgulho c retirar-se, enfrentando honestamente o que é possível antes de seguir adiante. O Seis de Espadas A carta Seis de Espadas retrata Orestes em pé, em uma postura digna, dentro de um pequeno barco. Ele está envolto de um manto roxo, olhando para a cidade de Argos, que pode ser vista a distância. Seis espadas estão fincadas no fundo do barco. Em primeiro plano, águas revoltas e nuvens pretas no céu. Mas, à medida que Orestes se aproxima da cidade, as águas estão mais calmas e, sobre a cidade, o céu está mais claro. O Seis de Espadas retrata uma situação de afastamento de sentimentos turbulentos e difíceis para um estado mais calmo e sereno. Pela aceitação dos próprios limites, descrito no Cinco de Espadas, alguma consciência e paz foram adquiridas e agora se apresenta à frente um caminho mais calmo, mas ainda melancólico. O Seis de Espadas não é uma carta "feliz", mas sugere uma harmonia que nasce do reconhecimento dos próprios limites e tarefas. Dessa maneira, apesar de sua difícil missão, o jovem príncipe está em paz consigo mesmo e deixa para trás o estado ansioso, penoso e carregado sugerido pelas águas turbulentas atrás dele. O estado sereno sugerido pelo Seis de Espadas não é tão agradável quanto a nostalgia do Seis de Copas, pois ele não surge de um coração tranquilo, mas da mente serena. Aqui, o mais importante é a percepção interna e a compreensão, pois a serenidade e a passagem calma do Seis de Espadas dependem de enxergarmos e compreendermos a maneira pela qual o padrão de nossa vida funciona. E essa necessidade de enxergar e de compreender que leva muitas pessoas a estudar assuntos como o Taro e a Astrologia, assim como a Psicologia e as funções da mente humana cm épocas de dificuldade, pois a compreensão faz uma grande diferença quando estamos assolados pelos problemas; enxergar a maneira como arquitetamos os nossos destinos pode, muitas vezes, liberar a ansiedade e promover uma calma aceitação que nos permite seguir adiante. Os dons que esses simbólicos mapas oferecem por meio do Taro ou de horóscopos são de grande valor, apesar de não escolherem por nós nem mesmo mudar uma situação externa de negativa para positiva. Mas saber por que estamos em um determinado caminho, como ali chegamos e o que isso pode significar, às vezes, pode fazer milagres. E, portanto, o mar apresenta essa passagem calma e serena. No sentido divinatório, o Seis de Espadas sugere um período em que a capacidade da mente para compreender ajuda a transformar uma época difícil que provoca ansiedade cm uma passagem mais serena. A percepção interna acalma as nuvens tempestuosas e o indivíduo pode manter a sua dignidade c o auto-respeito. O Sete de Espadas A carta Sete de Espadas retrata Orestes, oculto em seu manto, dirigindo-se sorrateiramente para o palácio de Argos. Em seus braços, ele carrega sete espadas. A rua é escura e a entrada do palácio é negra e sinistra. Ao longe, além do palácio, uma fina lua crescente brilha no céu escuro sobre picos nevados. O Sete de Espadas representa a aplicação da energia de maneira cautelosa, astuta e diplomática para conseguir o objetivo desejado. Aqui a mensagem é "cérebro" em vez de "força", e a vida pode exigir que o indivíduo desenvolva malícia, sagacidade e esperteza. O sentimento do Sete de Espadas é ambivalente, pois não podemos ter certeza da retidão ou da integridade moral do objetivo. E certamente, para Orestes, a sua volta sorrateira para 72
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    Argos é motivadapela violência, pois, obedecendo à vontade do radiante deus do Sol, ele está por cometer um matricídio. Existe alguma coisa um tanto questionável a respeito do Sete de Espadas, mesmo que o objetivo seja aparentemente justificado, e isso levanta o problema da amoralidade essencial da mente. Não contaminado pelos valores dos sentimentos, o intelecto pode ser frio e manipulador, e os fins justificam os meios, mesmo quando se trata de um objetivo digno. Mas essa carta sugere que a vida pode exigir que desenvolvamos tais atributos, mesmo que a nossa natureza seja contrária a essa óbvia astúcia. Para poder alcançar um objetivo são necessários tato, charme e até subterfúgio, que nos deixa desconfortáveis, caso sejamos éticos em nosso tratamento com as outras pessoas.Mas Orcstes não pode entrar em Argos com toda a pompa e glória, pois Clitcmnestra e seu amante o aprisionariam e provavelmente o matariam, o que o impediria de cumprir a vontade do deus. Portanto, ele deve controlar a sua personalidade e isso parece ser um requisito do estágio da jornada refletida pelo Sete de Espadas. A astúcia é um dos atributos da mente e, algumas vezes, deve ser usada na vida. Ela é necessária em qualquer troca de opiniões, do contrário estaremos simplesmente intimidando e reprimindo-as, e nada realizando. Os políticos conhecem bem essa qualidade, assim como os sacerdotes e os advogados, pois tato é a versão mais agradável da astúcia e ideias devem ser apresentadas de forma tática para ser transmitidas tanto positiva quanto negativamente. No sentido divinatório, o Sete de Espadas anuncia um período no qual c necessário usar astúcia, tato, diplomacia e esperteza, em vez de usar a força e a imposição para alcançar os nossos objetivos. Isso pode provocar um sentimento desconfortável de falsidade, mas que pode ser exigido pela própria vida. O Oito de Espadas A carta Oito de Espadas retrata Orestes em uma postura de medo, com suas mãos levantadas tentando afastar o seu destino. Ele está cercado por um anel de oito espadas fincadas no chão. À sua esquerda, Apolo olha para ele de modo severo e zangado. À sua direita, as três Fúrias vestidas de preto, com rostos brancos e feios, e asas de morcego. Ao longe, nuvens ameaçadoras sobre picos nevados. O Oito de Espadas retrata uma situação de servidão em função do medo. Diferentemente da paralisia apresentada pela carta Dois de Espadas, essa servidão envolve um total conhecimento da situação e as prováveis consequências de qualquer escolha. Aqui Orestes sabe muito bem o que acontecerá se assassinar a sua mãe ou se ele se recusar a fazê-lo, pois, qualquer que seja a sua escolha, sairá perdendo. Assim, ele fica paralisado tentando afastar de si o momento da escolha. Apesar de as escolhas não serem geralmente tão sutis quanto as de Orcstes, entretanto o Oito de Espadas reflete uma situação de indecisão paralisante. Parle do desconforto surge da percepção do indivíduo quanto à exata maneira de como chegou a essa situação, mas já é tarde para remorsos ou para retroceder. Diferentemente também da cegueira da carta Dois de Espadas, o Oito de Espadas retrata a consciência dolorosa de nossa parte na criação de toda a atual confusão. Esse é o momento anterior a difícil escolha, exacerbado pela realização desagradável de que nós mesmos a provocamos. Existem muitas situações típicas na vida, nas quais surgem a servidão e a paralisia do Oito de Espadas. Urna das situações mais características é o problema do indivíduo que esteve manipulando duas pessoas uma contra a outra - uma esposa e um amante, um marido c um pai, dois amigos -, tentando adiar a decisão de uma escolha ou de um compromisso. A tentativa de manter oculto o fato um do outro pode fazer com que a tomada de decisão possa ser mantida em aguardo durante um certo tempo, mas cedo ou tarde haverá uma confrontação e consequentemente o momento de choque, quando se descobre que esse subterfúgio somente piorou a situação. Desse modo, o Oito de 73
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    Espadas surge naturalmentedo Sete de Espadas, como se a astúcia e a sutileza, apesar de utilizadas por bons motivos e necessárias no momento, tivessem criado a própria armadilha. Então, devemos aceitar a responsabilidade por todo o ocorrido, procurar compreender o que realmente desejamos e agir imediata e definitivamente. Dessa maneira, uma solução é possível. No sentido divinatório, o Oito de Espadas anuncia uma situação pela qual o indivíduo é impossibilitado de agir por causa do medo das consequências. Uma tomada de decisão é necessária, mas qualquer que seja a escolha, provocará problemas. Existe a conscientização de que o dilema foi causado pelo próprio indivíduo, pois houve um longo passado de recusa, duplicidade, cegueira e medo da confrontação, muitas vezes para "evitar ferir" alguém, que sempre está presente no impasse. É importante enfrentar honestamente o nosso próprio envolvimento no problema. O Nove de Espadas A carta Nove de Espadas retrata Orestes em pé, com suas mãos cobrindo seus ouvidos. Atrás dele, as três Fúrias pairam ameaçadoramente em um acúmulo de nuvens escuras. Cada uma segura três espadas e todas elas estão apontadas para o jovem príncipe. Atrás delas, um céu escuro sobre os picos das montanhas. O Nove de Espadas reflete uma experiência de grande medo e ansiedade. Essa é a carta do pesadelo, a fantasia do iminente desastre que não se manifesta necessariamente como um fato concreto, mas é apavorante e doloroso graças ao poder da imaginação. Aqui Orestes cumpriu a sua tarefa e matou a sua mãe, sendo agora perseguido pelas Fúrias que, por sua própria natureza, não são corpóreas; elas não podem atingi-lo fisicamente ou matá-lo. Elas o alonnentam por meio do sentimento de culpa - seus medos e fantasias de destruição. Em termos psicológicos, o Nove de Espadas representa a ansiedade, pois reflete um estado no qual o indivíduo aguarda um terrível desfecho, apesar de não haver qualquer indicação real de que ele se concretizará no futuro. Entretanto, os nossos medos podem variar de acordo com a natureza dos próprios indivíduos. Vez por outra, a maioria das pessoas é afetada por esse pesadelo de ansiedade a respeito de um terrível futuro. Para algumas é o medo de que a pessoa amada nos rejeite ou morra, ou simplesmente nos abandone. Para outras é o medo de uma catástrofe financeira ou o fracasso de um projeto criativo. Esses medos sobre o futuro atormentam muitas pessoas, assim como o terror da solidão, das doenças e da idade avançada. O problema dessas visões apavorantes do futuro é que, caso sejamos fortemente afetados e cheguemos a acreditar nelas, acabamos por agir de acordo, tornando-nos desconfiados e fechados para a vida; isso fará com que destruamos qualquer possibilidade de uma felicidade futura, muitas vezes, criando o destino que tanto nos amedronta, por meio de nossas próprias suspeitas e desconfiança. O Nove de Espadas é uma carta extremamente psicológica, pois essas fantasias mórbidas de um futuro malfadado surgem das culpas do passado. Esse é o caso de Orestes, para quem as Fúrias são a personificação da culpa que o corrói. A culpa surge da decisão assumida pelo Oito de Espadas que, por sua vez, surge do dilema criado pelo próprio indivíduo por suas escolhas feitas no passado. Somente a percepção simbolizada por Atena pode dissipar a fantasia atormentadora das Fúrias. No sentido divinatório, o Nove de Espadas anuncia um período de grande ansiedade com respeito a um futuro desastroso. E importante examinar a origem da culpa criada no passado que provoca esses medos, em vez de sujeitar-se a eles em detrimento do futuro. O Dez de Espadas A carta Dez de Espadas retrata a deusa Atena segurando uma espada ereta em sua 74
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    mão direita. Àsua direita, as três Fúrias contêm suas ameaças em um círculo de nove espadas. A sua esquerda, Orestes inconsciente está deitado no chão. O céu escuro sobre as montanhas gradativamente dá lugar ao Sol nascente, apenas visível no horizonte. O Dez de Espadas simboliza um encerramento aqui representado pela dissipação de uma maldição antiga realizada pelo juízo e pela imparcialidade da deusa da Justiça. Para Orestes, esperança alguma é visível; ele está quase morto de desespero e de exaustão, e não pode ver que a liberdade finalmente bate à sua porta. Para o indivíduo que finalmente chegou ao ponto em que não há mais esperança alguma e um futuro que somente promete decepção e desilusão, a experiência do Dez de Espadas parece mais uma morte. É um período obscuro, quando podemos ver as coisas como realmente são e reconhecemos que não há mais para onde ir. Entretanto, apesar de Orestes estar muito afundado em seu desespero para poder testemunhá-lo, o Sol paulatinamente surge no horizonte e um novo começo é anunciado em meio à escuridão de sua derrota. A percepção e a clareza de Atena desarmaram as Fúrias c, na história, isso ocorre por meio da assistência de um júri humano. Isso sugere que a redenção dos nossos piores c mais insolúveis problemas não acontece por meio de um raio enviado do céu nem tampouco por um golpe da sorte, mas pela atenciosa deliberação da mente humana, com o seu magnífico dom da reflexão imparcial. Uma maldição familiar como a de Orestcs c a imagem dos conflitos internos passados de uma geração para outra, que os nossos avós e pais não conseguiram enfrentar honestamente e pelos quais os filhos devem inevitavelmente assumir e sofrer até que o discernimento seja finalmente conseguido. Portanto, o Dez de Espadas, apesar de não apresentar um final feliz de conto de fadas, representa a própria e inevitável integração de um processo que começou com o nascimento de novas ideias e de percepções da vida no Ás de Espadas. Muitas vezes um nascimento significa que algum problema enraizado e antigo foi forçado a emergir para a superfície c deverá ser finalmente eliminado; essas separações são penosas e difíceis. Mas, uma vez que a crise foi superada, o Sol poderá surgir novamente, e nós seguiremos adiante não somente decepcionados e desiludidos, mas livres de um câncer profundo cujas raízes se encontravam além do nosso longínquo passado que o nosso sofrimento libertou e redimiu. No sentido divinatório, o Dez de Espadas anuncia o fim de uma situação difícil. Esse final pode ser doloroso, mas finalmente a situação é enfrentada honestamente e um novo futuro, menos conflituoso, pode ser iniciado. AS CARTAS DA CORTE O Pajem de Espadas A carta do Pajem de Espadas retrata um jovem vestindo uma túnica azul, ajoelhado entre as nuvens de um céu turbulento. Seus cabelos claros flutuam no vento que emana do sopro de sua boca. Em sua mão, uma espada prateada. Abaixo dele, um cinzento cenário montanhoso. Na carta do Pajem de Espadas, deparamo-nos com os inícios primitivos e disformes do elemento Ar: os primeiros impulsos da ati-vidade mental independente e da formulação. Isso é encenado pela figura mitológica de Zéfiro, o jovem governante do Vento do Oeste. O império dos quatro ventos surgiu da união de Eos, deusa da aurora, com Astreu, a personificação de um céu noturno claro e estrelado. Noto era o Vento do Sul e Euro era o Vento do Leste; mas os filhos mais poderosos dessa união da aurora com o céu noturno eram Bóreas, o Vento do Norte, e Zéfiro. Juntos, esses dois irmãos eram venerados como as forças selvagens e destrutivas da natureza; imaturos e desenfreados, eles se divertiam em provocar tempestades e cm agitar as ondas do mar. 75
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    De natureza elemental,Zéfiro vivia com seu irmão Bóreas nas cavernas montanhosas da Trácia e montava as nuvens para soprar o seu ameaçador Vento do Oeste. O jovem era de natureza despeitosa e maliciosa. De sua união com Podarge, uma das horríveis Harpias, nasceram os dois cavalos selvagens que conduziram a carruagem do herói Aquiles durante a Guerra de Tróia. Mais tarde o temperamento de Zéfiro abranda-se, mas o do irmão continua o mesmo. Isso porque o Vento do Oeste se casa com a linda e gentil íris, a mensageira feminina dos deuses e guardiã do arco-íris, com a qual nos deparamos na carta da Temperança dos Arcanos Maiores. Como consequência dessa união, Zéfiro finalmente se transforma em um vento suave que gentilmente ventilava e abençoava as regiões do Eliseu, onde as almas dos heróis residiam em eterna tranquilidade. Zéfiro, o Pajem de Espadas, é a imagem dos primeiros impulsos da vida mental independente que deve emergir em sua forma infantil antes de podermos formular nossas próprias ideias e conceitos e conseguir expressá-los. Por ser jovem e primitivo, o Pajem de Espadas é briguento e, como qualquer criança tem tendência a fazer comentários cruéis, à zombaria, à grosseria e à maldade cm geral -uma espécie de exercício jocoso dos poderes do pensamento e do discurso antes que qualquer valor de sentimento ou código ético intervenha para formar e orientar a atividade mental. Esses impulsos iniciais do pensamento original e independente podem surgir como uma inclinação para brigas insignificantes e como uma curiosidade invasiva que não respeita a privacidade alheia. E justamente nesse espírito que Zéfiro, governante do Vento do Oeste, se diverte provocando tempestades e agitando os mares, não porque seja maldoso, mas porque é curioso para ver o que acontece. O discurso das crianças é notoriamente cruel, mas essa crueldade somente atinge aqueles que têm alguma coisa para esconder ou se o orgulho ou a auto-imagem não puder aguentar os golpes. Na realidade, a bisbilhotice é típica do Pajem de Espadas, pois é o equivalente adulto desse espírito infantil que brinca com essa força maliciosa primitiva. Os comentários maldosos podem ferir e até, com o tempo, podem ser exagerados e atingir ouvidos intencionados; podem tornar-se poderosamente destrutivos para uma reputação ou para um relacionamento. Diz o fofoqueiro: "Você já ouviu a última?...", e logo o mexerico é deturpado, enfeitado, sendo objeto de inveja e de malícia, e finalmente se transforma em uma tempestade que vai além de qualquer reconhecimento daquela infantil brisa soprada por Zéfiro. Todos nós temos essa tendência para a bisbilhotice e ela surge de uma espécie de curiosidade primitiva a respeito das outras pessoas. O mexerico é um grande nivelador e ninguém é imune a ele - muito menos a pessoa que acredita que sua vida seja isenta de culpas, pois, caso Zéfiro não possa descobrir alguma coisa, ele a inventará. Portanto, o Pajem de Espadas é uma carta altamente ambivalente, porque sua energia infantil e primitiva marca o início do verdadeiro pensamento independente. Ao mesmo tempo, Zéfiro pode ser caprichoso e malicioso, e as brigas insignificantes que lhe são próprias se tornam tempestades desagradáveis. A energia de Zéfiro deve ser alimentada e orientada sem ser esmagada, pois Zéfiro representa a nossa curiosidade infantil a respeito da vida, do mundo e das pessoas. No sentido divinatório, quando o Pajem de Espadas aparece em uma abertura de cartas, ele anuncia que chegou o momento do nosso encontro com aquela curiosidade infantil e com a bisbilhotice maliciosa próprias do Pajem de Espadas, marcando o início do uso dos poderes mentais. É até possível que sejamos, nós mesmos, vítimas da bisbilhotice de outras pessoas ou pode haver uma tendência a provocarmos briguinhas insignificantes e sermos irritantes e difíceis. No entanto essas coisas refletem o surgimento de novas ideias e do verdadeiro pensamento independente - isso, geralmente, em uma pessoa acostumada a aceitar cegamente os pontos de vista e opiniões dos outros. 76
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    O Cavaleiro deEspadas A carta do Cavaleiro de Espadas retrata um par de jovens, gémeos idênticos, vestidos em túnicas cinza e armadura e elmos prateados em suas cabeças louras. Cada um segura uma espada de prata e os dois estão montados em um único cavalo cinza. O cavalo está agitado, suas patas dianteiras estão estendidas como se fosse levantar vôo e os gémeos seguram suas espadas em riste, em posição de ataque. Acima deles, um céu cinza e turbulento, com nuvens esvoaçantes. Na carta do Cavaleiro de Espadas, deparamo-nos com a dimensão flexível, volátil e mutável do elemento Ar que está em constante movimento. Essa turbulenta atividade no reino da mente é encenada pelas figuras mitológicas dos briguentos Dióscuros, - os Gémeos Guerreiros, Castor e Pólux -, cuja mãe, Leda, rainha de Esparta, foi perseguida pelo apaixonado Zeus, rei dos deuses. Quando ela rejeitou suas propostas, Zeus transformou-se em cisne (zoofilia) e a violentou. Já grávida de seu marido, o rei Tíndaro, Leda produziu dois ovos de seu amante-cisne. De um deles, saíram duas crianças mortais, Castor e sua irmã Clitemnestra, a qual encontramos na história de Orestes nas Cartas Numeradas do naipe de Espadas. Do outro ovo, saíram as duas crianças divinas de Zeus, Pólux e Helena, que vimos na carta da Rainha de Copas dos Arcanos Menores. E, assim, os Dióscuros eram irmãos gémeos, mas Castor era mortal e Pólux, divino. Os Dióscuros, que nunca se separavam (homosexualismo) para aventura alguma, tornaram-se o orgulho de Esparta. Castor era famoso como soldado e domador de cavalos e Pólux, como pugilista. Os dois possuíam um espírito combativo e eram conhecidos pela tendência a provocar brigas. Eles frequentemente brigavam com outros dois gémeos, Idas e Linceu. Idas matou Castor, o gémeo mortal, e Pólux matou Linceu com a sua lança. Interferindo a favor do filho, Zeus matou Idas com um raio. Pólux ficou tão desesperado e triste pela morte do irmão que se dirigiu a Zeus para pedir-lhe que não sobrevivesse à morte de Castor. Sensibilizado, Zeus permitiu que os dois passassem seus dias alternadamente no reino divino do Olimpo e nas sombras escuras do reino de Hades, colocando suas figuras entre as estrelas como os Gémeos. Os Dióscuros são imagens de uma energia brusca e mutável, a capacidade da mente humana em ser repentinamente inspirada ou tomada por uma nova ideia que joga a velha ordem para o caos, deixando mudanças em seu rastro. O aspecto dual dos gémeos divi- nos sugere uma dualidade ou uma duplicidade nesse reino da mente, porque muitas vezes essas novas ideias inesperadas que surgem em nossas vidas monótonas podem promover o conflito ou ser, elas mesmas, ambivalentes e cheias de conflitos. O espírito de luta e a insensibilidade dos Dióscuros também nos dizem algo a respeito da qualidade da energia mental descrita pelo Cavaleiro de Espadas. Ele não leva em consideração o sentimento humano (sociopata) e, frequentemente, é a causa do rompimento de relacionamentos e separações, porque o indivíduo é subitamente possuído por uma ideia que exige que ele fira outra pessoa. Portanto, existe uma atitude básica inerente ao Cavaleiro de Espadas que não é diferente da figura de Don Juan da lenda romântica. Essa figura é intensamente atraente por causa do seu brilho, mas é insensível; ele não tem qualquer sentimento real pela continuidade do passado e pela integridade do relacionamento humano, e não está preparado para fazer sacrifícios pessoais e comprometer a fria e grandiosa visão do momento. Na vida colidiana, é possível ver a energia dos Dióscuros funcionando quando um indivíduo abandona suas responsabilidades e seus relacionamentos para perseguir alguma nova e juvenil aventura. Na Psicologia, esse impulso é chamado depuer eternum, juventude eterna, e trata-se de um impulso mais dominante em certas pessoas do que em outras. O espírito do Cavaleiro de Espadas não suporta ficar velho ou estagnar em uma situação de servidão. Uma intimidade prolongada o incomoda e ele precisa de um constante estímulo mental para evitar a monotonia. Ele possui aquela peculiar dupla face de ser destrutivo aos 77
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    relacionamentos sentimentais e,ao mesmo tempo, impulsiona criativamente o indivíduo para fora de sua monotonia e servidão para novas fases de crescimento que, frequentemente, o levam a ferir um ou dois corações. Dessa forma, ele tem uma função tanto negativa quanto positiva, aqui refletida na imagem dos Gémeos. Para os Dióscuros, conflito e movimento são naturais, e o indivíduo não pode passar muito tempo sentindo-se culpado quanto a quem ele possa ferir quando a mente bruscamente vira e segue adiante em uma nova direção. A qualidade instável dos Gémeos está refletida na carta pela agitação do cavalo que está quase suspenso no ar e que não consegue ficar parado, levando os gémeos adiante para novas aventuras. No sentido divinatório, quando o Cavaleiro de Espadas aparece em uma abertura de cartas, ele anuncia que chegou o momento de o indivíduo estar preparado para mudanças repentinas que quebram os padrões normais da vida. Essas mudanças podem ser provocadas por um indivíduo que aparece na vida de uma pessoa com as qualidades mutáveis, fascinantes e conflitantes dos Dióscuros ou pode assumir a forma de uma ideia nova ou uma visão que emana do interior do indivíduo, provocando uma desordem temporária na vida cotidia-na. Por conseguinte, quer o Cavaleiro de Espadas apareça interior ou externamente, o seu talento é a habilidade de acompanhar as mudanças, e a turbulência que traz consigo pode, derradeiramente, levar a uma visão mais ampla da vida. A Rainha de Espadas A carta da Rainha de Espadas retrata uma linda, mas fria e severa mulher, vestindo uma longa túnica azul, sóbria e simples. Ela porta uma coroa dourada sobre os seus cabelos louros e está sentada em um trono prateado. Em uma das mãos, ela segura uma espada de prata e, na outra, uma jarra da qual escorre água para o chão. Atrás dela, um cenário de picos nevados pode ser visto sob um céu calmo e azul. Na carta da Rainha de Espadas, deparamo-nos com a dimensão estável, refletiva e contida do elemento Ar. Isso é encenado pela figura mitológica de Atalanta, a Caçadora, frustrada no amor em virtude de seus ideais demasiadamente altos. Atalanta, cujo nome significa "Indómita", era filha do rei Jásio que esperava ansiosamente por um herdeiro. O nascimento de Atalanta o decepcionou tão cruelmente que ele a abandonou em uma colina perto de Calidontc. Mas a criança foi adotada e amamentada por uma ursa que a deusa da Lua, Ártemis-Hécate, enviou em sua ajuda. Atalanta cresceu em uma comunidade de caçadores que a encontraram e a educaram. Ela zelava por sua virgindade e sempre portava suas armas. Chegando à idade adulta, ela ainda não se reconciliara com o pai, que se recusava a reconhecê-la. Atalanta realizou muitos feitos guerreiros famosos, inclusive a famosa caça ao javali calidoniana, durante a qual ela lutou ao lado dos homens e desferiu o primeiro golpe ao javali. Apesar de o jovem herói Melcagro, filho do deus da guerra Ares e o melhor arremessador de lanças da Grécia, apaixonar-se por ela, Atalanta recusou-se em ceder ao destino comum de uma mulher. Finalmente, orgulhoso pelo feito, seu pai reconheceu-a e prometeu encontrar-lhe um marido nobre. Mas ela protestou dizendo: "Pai, concordo, mas com uma condição. Qualquer pretendente à minha mão deve primeiro derro-tar-me em uma corrida a pé. Se não conseguir, deixe-me matá-lo". Como consequência, muitos príncipes infelizes perderam suas vidas, porque cia era a mortal mais veloz da Terra. Apesar do perigo e querendo competir pela mão de Atalanta, um jovem chamado Melânio invocou a ajuda de Afrodite. A deusa lhe deu três maçãs douradas dizendo-lhe que, para atrasá-la durante a corrida, deixasse cair as maçãs uma de cada vez. O estratagema teve sucesso e o casamento se realizou. Mas ele estava malfadado, pois Melânio persuadiu Atalanta a se deitar com ele no recinto consagrado a Zeus que, irado pelo sacrilégio, os transformou em leões. Os gregos acreditavam que os leões não faziam sexo entre si, mas 78
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    com leopardos e,dessa maneira, o casal estava condenado a nunca mais provar das delícias do amor. Atalanta, a Rainha de Espadas, é a imagem do isolamento e da intocabilidade da mente que pode manter um ideal de perfeição a ponto de excluir e desvalorizar todos os aspectos sensuais. A Rainha de Espadas é uma figura fria porque o seu perfeccionismo c a sua identificação com o mundo masculino da mente e do espírito a tornam própria para a amizade, mas não para o amor erótico. Portanto, a Rainha de Espadas é uma figura régia e solene, mas também solitária, e essa solidão, muitas vezes acompanhada de orgulho e integridade, não surge tanto das circunstâncias, mas da relutância em permitir que as coisas mundanas demais prejudiquem o ideal da perfeição. O idealismo da Rainha de Espadas é sublime e nobre, e há uma lealdade que pode resistir a muitas das provas mais difíceis da vida. Entretanto, trata-se de um idealismo que não permite qualquer fracasso humano. O mito de Atalanta pode ser encontrado em muitos dos nossos populares contos de fadas, como na imagem da princesa fria que exige que os seus pretendentes tentem realizar tarefas impossíveis para poder conquistá-la. Essa exigência pode ser sutil e até inconsciente, e fazer com que o amor seja excluído da vida do indivíduo. Por outro lado, ela pode ser uma exigência criativa, porque incentiva as pessoas a serem melhores do que realmente são. Entretanto, é uma visão fria e solitária, pois pretendente algum - ou nós mesmos -pode derradeiramente passar pelas provas impossíveis, senão nos contos de fadas. E esses contos que se identificam com Atalanta, na vida real, tendem a esperar a vida inteira enquanto a vida mortal transcorre e a água do sentimento escorre desperdiçada da jarra para o chão do tempo c do espaço. Portanto, a Rainha de Espadas, que possui as grandes virtudes da lealdade e da integridade, assim como a capacidade de suportar a tristeza sem esmorecer, é a imagem da frustração e do isolamento emocionais, por ela ser intocável. Assim como o Rei de Copas é uma figura ambivalente porque o papel masculino da realeza está assentado de maneira desconfortável ao lado do essencialmente feminino elemento Água, assim também é a Rainha de Espadas, pois o papel feminino da realeza está, da mesma maneira, ao lado do essencialmente masculino elemento Ar. O mito de Atalanta nos transmite algo profundo e sutil a respeito da psicologia da Rainha de Espadas, pois seu pai deseja um herdeiro e recusa-se a aceitar o seu valor como mulher; e foi somente depois de ela provar o seu valor por meio de feitos de armas próprios de um homem que ele a reconheceu. O esforço para a perfeição expresso na imagem da Rainha de Espadas é, de certa forma, o esforço para sermos reconhecidos por um deus-pai que sempre está além do nosso alcance, pois não somos bons o suficiente simplesmente porque somos feitos de carne. Assim, a Rainha de Espadas aceitará nada menos que a perfeição, porque ela mesma devia ser supostamente perfeita e falhou. No sentido divinatório, quando a Rainha de Espadas aparece em uma abertura de cartas, ela anuncia que chegou o momento de o indivíduo encontrar a sua dimensão presa indomitamente a uma fé irremovível em altos ideais. Esses ideais podem ser nobres e dignos e podem ajudar a melhorar a consciência e a qualidade de vida. Mas também podem rejeitar a vida e representar uma defesa contra o medo do ser humano e, portanto, vulnerável à dor. O indivíduo precisa ver onde ele poderia criar problemas em sua exigente busca da perfeição humana nas pessoas ou nele mesmo. Se a Rainha de Espadas entrar em nossa vida como uma mulher forte, idealista e solitária, ela pode ser considerada um catalisador por meio do qual podemos descobrir esse aspecto em nós mesmos. O Rei de Espadas A carta do Rei de Espadas retrata um homem elegante, com feições bem definidas, barba e cabelos louros, vestindo uma túnica cinza e portando uma coroa dourada. Ele está sentado em um trono de prata em cujos braços está entalhado o emblema da 79
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    harmonia perfeita, otriângulo equilátero. Em uma das mãos, ele segura uma espada e, na outra, uma balança.Atrás dele, um cenário de picos de montanhas embaixo de um céu com nuvens cinza. Na carta do Rei de Espadas, deparamo-nos com a dimensão dinâmica, iniciadora e organizadora do elemento Ar. Isso é encenado pela figura mitológica do herói Ulisses, chamado "o Astuto" e com o qual nos encontramos brevemente na carta da Rainha de Paus dos Arcanos Menores, como marido de Penélope. Ulisses, rei de ítaca, nasceu pela união secreta de Sísifo com a filha do ladrão Autólicos, do qual herdou parte de sua astúcia e inteligência. Ao ser deflagrada a Guerra de Tróia, Ulisses juntou-se aos outros príncipes gregos no assalto a cidade. Ele provou ser, vez e outra, um conselheiro perspicaz e um bom estrategista. Foi Ulisses quem primeiro concebeu a ideia do Cavalo de Tróia, aquele cavalo gigante de madeira e oco, enviado para a cidade como presente da deusa Atena, escondendo dentro de seu bojo um destacamento de soldados gregos. Quando finalmente Tróia foi saqueada, Ulisses sempre mostrou ser magnânimo com os prisioneiros, prometendo que seriam tratados com justiça, caso se rendessem pacificamente. Apesar de seus sucessos durante essa guerra, Ulisses não teve muita sorte em seu regresso para Ítaca. Durante dez anos, ele e seus companheiros foram forçados a vagar, levados pelos ventos e enfrentando adversários estranhos e perigosos no decorrer do percurso e nas terras que visitaram. Dentre esses lugares, havia a ilha dos Comedores de Lótus, onde os seus homens foram drogados e perderam a memória; a ilha dos Ciclopes, onde os ferozes gigantes de um olho só, filhos do deus ferreiro Hefesto, ameaçaram matá-los; e a Ilha da Aurora, terra da feiticeira Circe, onde os seus homens foram transformados em porcos. Ele teve de conduzir o seu navio entre os terríveis monstros marinhos Cila e Caribdes e escapar das sereias que matavam os marinheiros com o seu canto. Ao longo de todas essas provas, ele agiu com previsão, inteligência, estratégia e astúcia, impelido pela sua determinação de alcançar o seu lar, apesar das oportunidades de amor, riqueza e poder que se apresentaram durante essa sua viagem. Ulisses, o Rei de Espadas, é a imagem das mais impressionantes habilidades estratégicas da mente humana. De todos os heróis da mitologia grega, Ulisses é o mais brilhante e o mais criativo, apesar de nem sempre ser honesto, pois seus dons intelectuais o tornaram o mais talentoso dos mentirosos. Mas a sua astúcia não era maliciosa, ele sempre a usava a serviço dos princípios que tinha como sagrados - o triunfo sobre os troianos e a santidade de sua terra natal, sua esposa c seu filho Telêmaco. O Rei de Espadas é um homem de princípios, mesmo que às vezes não coincidissem com os dos homens em geral. Ulisses fez muitos inimigos pois, muitas vezes, os seus princípios não condiziam com a situação que ele enfrentava com seus companheiros. A figura do Rei de Espadas tem altos ideais sobre a decência, a bondade e a imparcialidade, e o seu comportamento para com os troianos derrotados reflete bem esses princípios. Mas a sua bondade era fria e não decorria de uma verdadeira resposta emocional adquirida. Muitas mulheres se apaixonaram por ele, mas a sua única maneira de correspondê-las era sexualmente. Portanto, ele nos chega por meio da Mitologia como um brilhante estrategista, um negociante inteligente e manipulador, um homem bom com altos ideais e uma figura fria sem qualquer empatia real por outros indivíduos. Ulisses é a imagem do viandante, não no sentido do Cavaleiro de Espadas que sai em busca de aventuras, mas no sentido de que ele não está arraigado ao coração c, portanto, não está arraigado ao relacionamento com outras pessoas. Suas andanças podem ser interpretadas como uma espécie de homem sem teto, uma falta de ligação que é mais do que compensada por sua decência e inteligência, mas que o isola de seus companheiros e decepciona aqueles que o amam. O Rei de Espadas incorpora a qualidade de liderança intelectual que é atraente e 80
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    dinâmica no mundo.A sua ambivalência está em sua tendência à dissociação do sentimento que pode fazer com que pareça um tanto superficial c indigno de confiança. Sem dúvida ele é um homem de altos ideais e, no entanto, também é uma pessoa instável que muda de aliança de acordo com os humores da situação para poder preservar a diplomacia e a cooperação. Apesar de contraditório, em termos, os dois aspectos - de nobreza e de astúcia - da sua natureza surgem da mesma raiz idealista. No sentido divinatório, quando o Rei de Espadas aparece em uma abertura de cartas, ele anuncia que chegou o momento de encontrar em nós mesmos o dom ambivalente da liderança intelectual e da estratégia. A proeza intelectual e as ideias inspiradas sobre como desenvolvê-las no futuro são qualidades que ele possui em abundância. Algumas vezes essa figura pode aparecer na vida das pessoas na forma de um indivíduo notável, graças aos seus dons mentais e a sua capacidade de promover mudanças no mundo. Mas, se esse indivíduo entrar em nosso ambiente, ele pode ser visto como um catalisador por meio do qual podemos entrar em contato com essa dimensão de nós mesmos. O NAIPE DE OUROS As Cartas Numeradas A história de Dédalo, o escultor e artesão ateniense que construiu o Labirinto para o rei Minos de Creta, é uma lenda sutil e o seu herói tem muitas nuances, pois ele não é um homem totalmente bom nem tampouco um vilão, mas uma curiosa mistura de ambos. Com o seu protagonista engenhoso e amoral, essa história é própria para o naipe de Ouros, porque ilustra os problemas, os desafios, as aspirações, as armadilhas e a complexa moralidade do esforço humano com os seus fracassos e as suas realizações. Dédalo descendia da casa real de Atenas e era um ferreiro maravilhoso, instruído pela própria deusa Atena. Ele passou a sua juventude aperfeiçoando suas habilidades e até dizem que foi ele quem inventou a serra e o machado, bem como foi o primeiro homem a colocar bra¬ços e pernas nas primitivas estátuas disformes dos deuses. Ainda jo¬vem, ficou famoso por sua engenhosidade e sagacidade. Entretanto, esse sucesso prematuro estava malfadado, por seu mau caráter. Dédalo tinha um sobrinho chamado Talos que, apesar de ter 12 anos, começou a superar o seu dotado tio na arte de criar ferramentas e lindos objetos. Ainda criança, Talos inventou a roda do ceramista e o compasso. Dédalo ficou incrivelmente ciumento e desesperado com esse conflito, pois, embora gostasse e admirasse seu sobrinho, em razão de sua ambição não podia tolerar o fato de sua própria reputação ser ameaçada dessa maneira. Então ele matou Talos jogando o garoto do alto do templo de Atena. Preso no momento em que escondia o corpo, Dédalo estava condenado, mas conseguiu fugir de Atenas antes que qualquer sentença lhe fosse imputada. Ele se dirigiu para Creta e procurou e recebeu a proteção do rei Minos. Durante algum tempo, viveu com grandes favores em Knossos, a capital de Minos, criando maravilhosas arquiteluras para o rei e divertindo as crianças do palácio com brinquedos engenhosos. Foi então que a má sorte atingiu o rei Minos, com quem nos deparamos anteriormente na história da carta da Torre dos Arcanos Maiores..Minos ofendera o deus Poseidon recusando-se a sacrificar um touro branco no altar do deus e Poseidon revidou fazendo com que Pasifae, a esposa do rei, se apaixonasse perdidamente pelo touro. Levada pela sua louca compulsão, Pasifae pediu que Dédalo encontrasse um meio pelo qual ela pudesse encontrar-se e copular secretamente com o touro. E, assim, Dédalo encontra-se novamente em um grande conflito, pois Minos era o seu protetor e patrono. 81
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    Entretanto, estava claroque a mão do deus estava sobre Pasifae. Afinal, Dédalo optou pelo deus e construiu uma vaca de madeira na qual Pasifae entrou e copulou com o touro. Dessa união, nasceu o terrível e horrendo Minotauro, com cabeça de touro e corpo de homem. Desconhecendo o envolvimento de Dédalo nessa concepção, o rei pediu ao artesão que construísse um esconderijo em que o monstro pudesse ser encerrado. Dédalo concordou em servir novamente o seu protetor e construiu os tortuosos corredores do Labirinto no qual, quem ali entrasse, estaria irremediavelmente perdido. Mas quando o herói Jasão chegou à Creta para matar o Minotauro, a filha de Minos, Ariadne, apaixonou-se por ele e dirigiu-se a Dédalo para descobrir um meio de o herói entrar e sair do Labirinto. Novamente Dédalo traiu o seu mestre, preparando um novelo de fio dourado. Foi assim que, com Ariadne segurando a extremidade do novelo, Jasão penetrou nos escuros corredores do Labirinto, matou o Minotauro e voltou à luz do Sol são e salvo. Dessa vez, o rei Minos descobre a traição de seu artesão e encerra Dédalo no Labirinto. Mas o ferreiro engenhosamente conse¬gue fazer um par de asas de cera de abelha, madeira e penas que a agradecida Pasifae lhe trouxe, levanta vôo do alto de uma das torres do Labirinto. Levado pelo vento, ele finalmente consegue pousar em Cumae, na costa da Itália. Dali ele se dirige para a Sicília, onde recebe os favores do rei Cocalos. Furioso com a sua fuga, o rei Minos perseguiu Dédalo por toda a Grécia c Itália, levando consigo uma concha triton de formato cónico com um furo muito pequeno na ponta e, por onde passava, oferecia uma grande recompensa para quem conseguisse passar um fio de algodão através dela um feito que, ele sabia, somente Dédalo conseguiria realizar. E foi dessa maneira que o rei descobriu o seu esconderijo. Mas Cocalos não quis separar-se dele e ordenou que suas filhas derramassem óleo quente no banho de Minos e, assim, Dédalo conseguiu viver satisfeito e rico até atingir uma idade avançada. O Ás de Ouros A carta do Ás de Ouros retrata um homem moreno e forte com longos cabelos encaracolados e uma cauda de peixe, emergindo das profundezas do mar e erguendo um grande pentáculo dourado. Ao seu redor, rochedos ricamente recobertos de vinhas com cachos de uva amadurecendo. A distância, um cenário de verdes e férteis colinas rodeando uma baía. . Aqui nos deparamos com o deus Poseidon, o qual encontramos na carta da Torre dos Arcanos Maiores. Poseidon era um dos filhos de Cronos e Réa e participou do destino de seus irmãos e irmãs, sendo engolido pelo pai ao nascer. Mas a bebida que Zeus serviu a Cronos fez com que ele regurgitasse todos os filhos que havia engo¬lido. Após a vitória sobre Cronos, a herança paterna foi dividida em três partes: Zeus tomou posse dos vastos céus; Hades, do sombrio Submundo; e Poseidon, dos mares, lagos, rios e de toda a superfície da Terra, visto que ela era apoiada sobre as suas águas e ele podia fazê-la tremer à vontade. Ele ficou famoso entre os deuses pelo seu anseio por terras e entrava em conflito com muitos deles por tentar apossar-se de ilhas e partes da costa da Grécia. Poseidon era um deus da fertilidade, marido da grande Mãe-Terra e Senhor do Universo físico. Ele era chamado de "agitador da Terra" e venerado na forma de um touro, um grande animal preto com olhos flamejantes, que vivia nas entranhas da Terra; com suas pisoteadas ele fazia com que as montanhas se movessem e os mares inundassem a Terra. Portanto, Poseidon é uma das forças primitivas da natureza e, no Ás de Ouros, ele mostra o seu poder como o impulso de uma nova energia para a criação material. 82
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    Em contraste como Ás de Paus, que se ergue como o nascimento de uma nova visão criativa, o Ás de Ouros volta a sua imensa potência criativa para a Terra, e essa emergente necessidade de concretizar c criar no mun¬do manifesto é aquela que dá suporte às nossas ambições materiais. O indivíduo que ambiciona riquezas e faz as coisas acontecerem em nível material experimenta algo do poder desse antigo deus terreno e o Ás de Ouros anuncia a erupção de uma nova ambição para a criação e o sucesso material. No sentido divinatório, o Ás de Ouros prevê a possibilidade de uma realização material porque, agora, a energia primitiva para esse trabalho está disponível ao indivíduo. Muitas vezes dinheiro vêm na forma de uma herança ou de qualquer outra fonte, acompanhado da engenhosidade e da persistência em utilizar esses recursos efetiva e eficientemente. O Dois de Ouros A carta Dois de Ouros retrata Dédalo, um homem moreno, de cabelos castanhos e vestindo uma túnica ocre e um avental de couro, em sua oficina. À sua frente, a sua mesa de trabalho sobre dois pentáculos dourados. Em ambos os lados, em uma treliça de maneira, uma vinha cheia de cachos de uva. Atrás dele, um cenário de ricas colinas verdes. Em sua mão esquerda, Dédalo segura o machado que acabou de inventar e, em sua mão direita, uma serra, também invenção sua. A imagem do Dois de Ouros retrata Dédalo em início de carrei¬ra, quando desenvolve as suas habilidades e cria a sua reputação entre os atenienses, aplicando a sua engenhosidade em novas in¬venções, investindo seus esforços em novos projetos e mantendo-se ocupado e ativo, trabalhando em várias coisas ao mesmo tempo. A figura apresenta um homem materialmente ambicioso que ainda é aberto a novas idéias criativas e disposto a assumir riscos para poder pôr em prática os seus talentos. Entretanto, essa flexibilidade pode desaparecer bruscamente ao ficarmos presos a uma estrutura de su¬cesso que conseguimos angariar; mas ela sempre estará presente no início e, quando o Dois de Ouros aparecer, poderá ser recuperada. Portanto, o Dois de Ouros representa o estado de mudança ou de oscilação dos bens materiais. Essa flutuação não implica prejuízos, mas um fluxo de energia criativa dirigida a vários projetos. Aqui, o poder primordial do Ás de Ouros foi polarizado como em todos os Dois dos Arcanos Menores, e o impulso para a criação material deve ser fundamentado e canalizado. O conhecido dito popular "dinheiro faz dinheiro" é bem apropriado para essa carta, pois é necessário assumir riscos e usar o capital para que ele trabalhe e produza antes da realização dos lucros. O Dois de Ouros exige flexibilidade e disposição para fazer dinheiro e energia trabalharem, e muitas vezes isso significa manipular e movimentar os recursos de uma maneira que, para o indivíduo inexperiente, isso possa parecer um risco desnecessário que provoca ansiedade. Entretanto, a carta do Dois de Ouros pode ser interpretada como "boa", pois, apesar de sugerir a necessidade de prudência nos assuntos financeiros, ela promete recompensas, porque a energia criativa está devidamente trabalhada e movimentada. No sentido divinatório, o Dois de Ouros anuncia o momento em que dinheiro e a força motivadora podem ser disponibilizados em novos projetos que podem levar a um futuro compensador. Mas o indivíduo deve estar disposto em fazer trabalhar os recursos assumindo riscos e fazendo uso do capital, em vez de pensar em economizar justamente quando as novas oportunidades estão surgindo. Por conseguinte, a carta do Dois de Ouros pode ser favorável para aqueles que sabem lidar com o dinheiro. 83
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    O Três deOuros A carta Três de Ouros retrata Dédalo em pé em uma plataforma ou sobre um pódio, vestindo ainda a sua túnica ocre e avental de couro. À sua frente, três atenienses ricamente, mas não ostentosa¬mente, vestidos. Cada um lhe oferece um pentáculo dourado. Ao redor dos quatro homens, uma treliça com vinhas e um cenário de colinas verdes sob um céu claro e azul. O Três de Ouros, comum a todos os Três dos Arcanos Menores, implica uma integração inicial, e aqui podemos ver Dédalo recebendo as primeiras recompensas por seus trabalhos. A integração inicial representa os primeiros estágios da concretização de um projeto que é parecida com a finalização da estrutura externa de um edifício antes que qualquer estrutura interna ou decoração tenha sido desenvolvida. Dédalo conseguiu uma posição firme no início de sua carreira, apesar de ainda não sabermos se ele poderá reforçar essa posição para fazer com que seja permanente. Pelo que sabemos do mito, ele não conseguiu. Portanto, a integração inicial do Três de Ouros não é o estágio final de um projeto. Pode haver muito trabalho, dificuldade e risco antes de nos considerarmos materialmente seguros. O Três de Ouros dá motivos para comemorar, mas essa comemoração deve ser encarada com a conscientização de todo o trabalho que se encontra à frente. Na história de Dédalo, o fator que causa o colapso desse sucesso inicial não é material, mas uma deficiência de caráter do próprio homem. Isso também precisa ser considerado ao avaliar o significado das cartas numeradas do naipe de Ouros, pois as recompensas materiais que esse naipe promete dependem não somente das específicas habilidades comerciais e da disposição de trabalhar com afinco, mas também do próprio caráter do indivíduo. A falta de habilidade em reconhecer seus próprios limites ou acreditar que o indivíduo possa fazer o que quiser no mundo material, sem considerar as consequências alheias, muitas vezes representa aquela deficiência fatal que pode levar ao colapso do sucesso inicial indicado pelo Três de Ouros. Portanto, a mensagem dessa carta é: aproveite os primeiros resultados de seu trabalho, porém considere o futuro, não somente em termos do trabalho que ainda deverá ser feito, mas em termos de sua própria capacidade de execução. No sentido divinatório, o Três de Ouros anuncia um período de sucesso inicial resultante de um esforço material. Um projeto pode render benefícios ou um empreendimento criativo, como o lança¬mento de um livro, pode apresentar um sucesso inicial no mercado. Mas, como todos os Três das cartas numeradas, esse não é um resultado final, todavia um estágio no qual, por meio de grandes esforços, o indivíduo poderá ser levado a uma realização mais permanente. O Quatro de Ouros A carta Quatro de Ouros retrata Dédalo segurando firmemente em seus braços quatro pentáculos dourados. Ele olha com raiva para um garoto ocupado em sua mesa de trabalho - seu sobrinho Talos, vestido com uma túnica verde, de feições morenas e cabelos castanhos, concentrado em um lindo enfeite que ele está completando. Ao redor dos dois, uma treliça com vinhas bem carregadas e, no cenário, colinas verdes podem ser vistas a distância contra um céu claro e azul. Às vezes, o Quatro de Ouros é chamado de carta do sovina, porque implica uma condição de ser apegado demais ao próprio dinheiro ou a uma situação material. Por causa desse apego, o fluxo de energia, sempre necessário ao naipe de Ouros para desenvolver o sucesso material, é prejudicado e começa a estagnar. Aqui podemos ver Dédalo correspondendo com raiva e ciúmes ao seu dotado sobrinho, que já o superou em 84
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    habilidades com asua pouca idade. Em vez de ir ao encontro desse desafio competitivo de maneira mais criativa, Dédalo escolheu reagir tentando agarrar-se por demais à situação do passado. Finalmente, isso leva à morte não somente de Talos, mas a destruição do próprio Dédalo. O Quatro de Ouros não diz respeito unicamente ao apego excessivo ao dinheiro, pois ele é um símbolo e uma realidade objetiva, e é por meio do dinheiro que determinamos a nossa avaliação das coisas. Portanto, representa o nosso próprio valor, o preço que determinamos com relação à nossa própria expressão. As recompensas que o indivíduo espera por suas habilidades também representam uma estimativa de avaliação de seus talentos em termos de valor e, por nos faltar frequentemente a compreensão do significado mais profundo do dinheiro em nossas vidas, presumimos que o próprio dinheiro seja responsável pela maioria dos males do mundo. Os ensinamentos espirituais sugerem que o dinheiro seja intrinsecamente nocivo e corrupto, mas esses ensinamentos não definem uma distinção entre o objetivo real e o valor emocional que nele colocamos. Portanto, o ciúme de Dédalo não diz respeito realmente ao empreendimento que ele poderia perder pelo fato de seu sobrinho criar objetos mais bonitos, pois devemos presumir que o mercado ateniense fosse grande o suficiente para prestigiar os dois; além disso, ele poderia ter usado o desafio de Talos como impulso para desenvolver ainda mais os seus próprios talentos. Entretanto, o ciúme indica um problema em sua auto-estima, pois a auto-estima de Dédalo está embutida na fama dos objetos bonitos que ele faz e a perda do prestígio pode acarretar a perda da auto-estima. Por conseguinte, o Quatro de Ouros é uma carta sutil, pois não se refere unicamente à atitude mesquinha que faz com que o indivíduo fique muito apegado aos seus recursos, causando a estagnação da força motivadora e a impossibilidade de angariar ganhos futuros. Essa carta também descreve o problema interior de falta de confiança e do medo em deixar fluir, o que pode resultar na estagnação, tanto material quanto emocional. Deixar a expressão emocional fluir livremente faz com que também os recursos fluam e o indivíduo apegado demais, aquele que não consegue delegar autoridade ou acumula e armazena elogios e generosidade, acaba criando um bloqueio tanto interno no amor quanto externo no dinheiro. No sentido divinatório, o Quatro de Ouros adverte sobre uma atitude de apego exagerado às coisas ligadas ao nosso sentido de auto-estima. O medo da perda pode significar "não perder", mas também significa "não lucrar", pois há uma estagnação da criatividade que, eventualmente, não somente bloqueia dinheiro, mas também a auto- expressão sobre seus sentimentos e pensamentos. O Cinco de Ouros A carta Cinco de Ouros retrata Dédalo coberto com um manto remendado fugindo sorrateiramente da cidade onde há pouco tempo recebera tanta honra. Em uma colina atrás dele, está a sua oficina com a treliça enfeitada de vinhas e apresentando cinco pentáculos dourados - o sucesso que Dédalo deve abandonar atrás de si. O marrom das colinas faz parte do cenário árido e da estrada que Dédalo agora percorre. No céu escuro, aparece uma lua em sua fase minguante. O Cinco de Ouros é uma carta de perda e podemos ver como ela segue naturalmente a resposta negativa ao desafio do Quatro de Ouros. Como Dédalo não podia adequar-se ao desafio da concor¬rência, procurou apegar-se à situação do passado e isso envolvia a única solução do assassinato de seu talentoso sobrinho. Agora ele foge de Atenas como um miserável, deixando para trás as recompensas de duros anos de trabalho. 85
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    Muitas vezes oCinco de Ouros indica o perigo de um período de perda financeira, mas o mais relevante é que implica uma perda de autoconfiança. Como tantas vezes confundimos auto-estima com segurança material, um revés financeiro pode destruir a confiança material, assim como o sentido de direção do indivíduo e a fé em si mesmo. Durante a queda desastrosa da bolsa americana em 1929, muitos indivíduos reagiram à catástrofe financeira cometendo suicídio - uma cruel resposta, se considerarmos a preciosidade da vida humana e, no entanto, uma reação compreensível, se pensarmos quantos são os muitos indivíduos que identificam sua auto-estima com o sucesso material. A mensagem do Cinco de Ouros é deixar fluir, porque a ocorrência de um desastre material pode significar que ele fosse necessário e a inevitável erradicação de uma atitude errada ou imprópria. O colapso de Dédalo acontece graças a uma deficiência fatal em seu caráter e a sua perda foi o único meio de perceber que o seu pior inimigo é ele mesmo. Se as dificuldades materiais puderem ser consideradas dessa maneira, então os problemas refletidos pelo Cinco de Ouros podem resultar na transformação interior do indivíduo para que o futuro produza um renovado sucesso material, aliado a um centro interior mais sólido que lhe permitirá enfrentar os desafios que o sucesso traz consigo. No sentido divinatório, o Cinco de Ouros prevê um período de dificuldade ou perda financeira. Isso pode ser acompanhado de uma perda de autoconfiança e é importante tentar corresponder ao desa¬fio deixando as coisas fluírem e preparando-se para um novo início, considerando também o exacerbado problema para o qual a nossa própria natureza nos levou. O Seis de Ouros A carta Seis de Ouros retrata Dédalo respeitosamente ajoelhado, suas mãos cruzadas em um gesto de súplica. A sua frente, sentado em um trono dourado está o rei Minos de Creta - um homem maduro de barba e cabelos pretos e tez morena, vestido em púrpura real e portando uma coroa dourada. Em suas mãos, o rei segura seis pentáculos dourados, que oferece a Dédalo em sinal de futuro apadrinhamento. Atrás do artesão ajoelhado e do trono real, os muros do palácio de Minos decorados com frisos pintados representando dançarinos e touros e as bordas com cachos de uva. O Seis de Ouros é uma carta harmoniosa que reflete a renovação da fé que aqui acompanha a fuga bem-sucedida de Dédalo para Creta e o favorecimento da proteção do poderoso e rico rei Minos. Depois da catástrofe do Cinco de Ouros e suas implicações de perdas tanto de bens materiais quanto da confiança na vida e nas próprias habilidades, o Seis de Ouros promete uma recuperação proporcionada pela generosidade e pela caridade das pessoas. O clima dessa carta não diz respeito a recompensas por trabalhos realizados, mas à benevolência. Às vezes, podemos contar com retribuições da própria vida, que nem sempre é cruel e que recompensa o indivíduo pelos seus grandes esforços. Essa experiência da generosidade da vida surge do interior do próprio indivíduo e não da caridade de outras pessoas, pois descobrimos que é possível dar incondicionalmente, apesar dos nossos reveses e perdas. Portanto, o significado mais profundo do Seis de Ouros toca em uma importante faceta da criação manifestada, porque nem tudo é consequência da vontade consciente ou do erro. As vezes, a boa sorte cruza o nosso caminho e, apesar de não podermos planejá-la ou esperá-la, geralmente ela sobre¬vêm no momento em que as nossas posses estão no mais baixo nível.. Dédalo não é uma pessoa totalmente ruim, apesar do crime que cometeu. Ele é um homem ambivalente, capaz de proporcionar tanto muitos benefícios quanto malefícios e, portanto, a vida não o julga da mesma forma que a sociedade o julgaria aqui representada 86
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    pela ira dosatenienses. Ele sofreu por seu crime pela pobreza, pelo exílio e pela humilhação, e agora um novo ciclo se inicia, anunciado por um desses golpes de boa sorte que se apresenta na forma de bondade c de generosidade as nossas ou as dos outros. No sentido divinatório, o Seis de Ouros prevê uma situação que promete dinheiro ou posses a ser compartilhados e dos quais o indivíduo será chamado a oferecer generosidade ou será objeto dela. E, assim, a fé na vida e na própria capacidade é readquirida. O Sete de Ouros A carta Sete de Ouros retrata Dédalo no palácio do rei Minos. A sua direita, em uma coluna pintada sobre a qual ele pousa a sua mão possessivamente, estão seis pentáculos dourados. A sua esquerda, está a rainha Pasifae vestida em túnicas de cor escarlate e portando uma coroa dourada sobre seus cabelos castanhos. Ela apresenta uma expressão de angústia e de desespero e oferece ao arquiteto um único pentáculo dourado. Atrás dela, a cara e os ombros de um touro branco. O Sete de Ouros retrata a situação de uma difícil decisão. Podemos ver Dédalo em uma posição de segurança material e de favoritismo real representados pelos seis pentáculos dourados a seu lado. Ele trabalhou muito para conseguir o seu lugar na corte de Minos e pode estar honestamente orgulhoso do novo edifício que construiu da ruína representada pelo Cinco de Ouros e do golpe benévolo do Seis de Ouros. Mas agora um novo fator entrou na história: uma proposta que pode ser ainda melhor do que todas as recompensas passadas ou que podem levá-lo à ruína total. Aliar- se à rainha Pasifae significa trair o seu protetor, mas ao mesmo tempo significa favorecer a vontade do deus Poseidon que, como um deus, pode tornar-se uma escolha e uma aliança muito mais sensata. Simplificando, a escolha de Dédalo retratada pelo Sete de Ouros reflete uma situação em que somos chamados a decidir entre a segurança de tudo o que já construímos e as possibilidades duvidosas e incertas de outra direção que pode ou não levar ao sucesso futuro. Um pólo representa a escolha segura, apesar de essa situação envolver o perigo da estagnação e até de uma fatalidade, se algo "divinamente inspirado" for rejeitado a favor do que é seguro, mas faltando-lhe vitalidade. O outro pólo representa algo possivelmente arriscado, até perigoso e talvez "imoral" no sentido de como foi considerado pela opinião pública. Entretanto, essa nova possibilidade perigosa contém uma força vital e um potencial de crescimento que podem ser muito mais favoráveis do que as recompensas do caminho seguro. Assim, o Sete de Ouros representa uma situação que, cedo ou tarde, acontece com todos os indivíduos que tentam manifestar energia criativa no mundo. O esperado sucesso pode ser alcançado, mas, juntamente com ele, o espírito juvenil do risco é geralmente despercebido e pode haver um limite ao que podemos realizar por meio de um só canal. O problema é enveredar ou não por esse novo caminho oportunidade e arriscar-a perder tudo o que foi acumulado. No sentido divinatório, o Sete de Ouros prevê um período em que uma difícil decisão de trabalho deve ser tomada. Cuidado e previsão são necessários e a pergunta surge: se deveríamos continuar desenvolvendo o que já construímos ou empenharmos energia em um novo projeto. O Oito de Ouros 87
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    A carta Oitode Ouros retrata Dédalo em sua oficina nos recintos do palácio do rei Cocalos, na Sicília. Aos seus lados, ricos cachos de uva decoram os postes de madeira. Atrás dele, um cenário de montanhas verdejantes que leva para o mar. Aos pés do ferreiro, sete pentáculos dourados, ainda inacabados, esperam ser terminados. Na mesa de trabalho à sua frente, um único pentáculo dourado ao redor do qual Dédalo entalha uma borda elaborada. O Oito de Ouros apresenta Dédalo novamente como um aprendiz, trabalhando com afinco no desenvolvimento de suas habilidades. Aqui se implica o natural resultado do Sete de Ouros: Dédalo optou por favorecer o deus e, conseqúentemente, um novo caminho abre-se para ele, no qual novas habilidades devem ser adquiridas para que o projeto possa florescer e dar frutos. O Oito de Ouros é a carta do aprendiz, porém, diferente do Dois de Ouros, na qual vimos o artesão manipulando as suas energias e desenvolvendo os seus talentos por meio da movimentação de fundos e de recursos, o Oito de Ouros não implica instabilidade. Aqui, podemos ver o espírito de dedicação e uma energia dirigida para um objetivo. Muitas vezes, o entusiasmado espírito é acompanhado de um novo evento, principalmente se este for totalmente diferente do que foi feito anteriormente. De muitas maneiras, o Oito de Ouros coincide com o período da vida que a Psicologia considera como "crise de meia-idade", pois, de certa forma, o Sete de Ouros a representa: o que éramos tornou-se insípido e superado; no entanto, o novo ciclo envolve, muitas vezes, ansiedade e medo de perder toda a estabilidade que construímos. Mas, se essa transição for executada com sucesso, poderemos ver a energia renovada do Oito de Ouros, que implica não somente entusiasmo na aquisição de novas habilidades, mas também a realização de que não exaurimos todos os nossos potenciais e que podemos ainda continuar crescendo, manifestando novos empreendimentos. No sentido divinatório, o Oito de Ouros anuncia um período no qual o indivíduo interpreta o papel do aprendiz que se esforça em adquirir uma nova habilidade. Essa carta sugere um talento recente¬mente descoberto que merece os esforços do desenvolvimento ou implica um passatempo que pode ser transformado em uma profis¬são. O indivíduo pode experimentar um grande entusiasmo e interes¬se por um novo campo de trabalho, no qual deverá começar como um aprendiz esforçado, muitas vezes em um período da vida em que ele já deveria estar firmemente estabelecido. O Nove de Ouros A carta Nove de Ouros retrata Dédalo com suas mãos cruzadas em uma postura e sorriso de satisfação. Ele abandonou a sua túnica ocre e avental de couro e agora veste um traje ocre borda¬do a ouro; em sua cabeça, uma coroa de louros. Aos seus lados, vinhas carregadas de cachos de uva sobem por uma treliça e, mais distante, um cenário de montanhas verdejantes e um calmo mar azul. Junto ao artesão, amontoados no chão, nove pentáculos dourados. O Nove de Ouros retrata um estado de grande auto-satisfação. Dédalo arriscou-se em um empreendimento perigoso, trabalhou com afinco para desenvolvê-lo, assumiu os riscos, sofreu os consequentes perigos e agora admira as recompensas que dignamente mereceu. A importância e a diferença do Nove de Ouros são que o prazer do artesão não se refere ao aplauso e ao reconhecimento público. Essa é a satisfação solitária da realização de coisas boas, o prazer da auto-suficiência e a realização decorrente dos próprios esforços. Dédalo pode dizer honestamente "eu consegui à minha maneira", pois sua adquirida riqueza é realmente um símbolo do sentido de auto-estima que somente pode decorrer do interior do indivíduo. O artesão fez as pazes com o seu passado obscuro e 88
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    com seu períodode perda e de exílio; ele também conseguiu enganar o rei Minos que o perseguiu em razão da sua decisão de ajudar a rainha e seguir a vontade do deus Poseidon. O perigo agora ficou no passado e Dédalo pode sentir satisfação pelos seus esforços e sua astúcia que asseguraram a sua sobrevivência, riqueza e posição pelo resto de sua vida. Portanto, o Nove de Ouros é uma carta de recompensa e de realização aos nossos próprios olhos, sabendo que, mesmo que ninguém reconheça o valor do que foi realizado, é bem merecido ser reconhecido por nosso próprio interior. Há uma permanência e uma indestrutibilidade acerca da satisfação representada pelo Nove de Ouros que não está presente em qualquer outra carta dos Arcanos Menores. Essa satisfação depende de nada e de ninguém além de nós mesmos. Uma vez estabelecida, não pode ser destruída, mesmo que toda a riqueza nos seja retirada. O Nove de Ouros é mais do que uma carta de realização material. Em um sentido mais sutil, ela implica a descoberta de um sentido profundo e permanente de auto- esti¬ma, angariado por meio do trabalho árduo ao enfrentar os desafios da vida no nível material e sobrevivendo a todos. No sentido divinatório, o Nove de Ouros prevê um período em que o indivíduo pode estar honestamente satisfeito consigo mesmo e com o que conseguiu realizar. Muitas vezes, há um forte sentido de identidade, um sentimento de nossas habilidades especiais e o valor de nossa própria vida. Essa carta reflete a satisfação solitária e auto-suficiente das coisas boas realizadas que não dependem da concordância e da aprovação de qualquer pessoa para promover o prazer e a profunda satisfação. O Dez de Ouros A carta do Dez de Ouros retrata Dédalo como um homem velho, com cabelos grisalhos. Ele está confortavelmente sentado com os netos ao seu redor: o patriarca e fundador de uma linhagem. Aos seus lados, pendurados em colunas recobertas de vinhas, dez pentáculos dourados, cinco de cada lado. Em seu colo, uma criança brincando com um chocalho dourado. À sua esquerda, encontra-se uma mulher com cerca de 30 anos, vestida de verde e portando um lindo colar dourado. Aos seus pés, um garoto de 10 anos brinca com um cavalo dourado. Em um cenário distante, ricas montanhas verdejantes e um calmo mar azul. O Dez de Ouros retrata uma situação de permanência que sobre¬vive à vida de um único indivíduo. Aqui, seguro em sua posição na corte do rei Cocalos da Sicília, o artesão finalmente depositou as suas raízes e fundou uma dinastia. Agora, ele pode transferir e passar adiante tanto a sua fortuna e seu poder quanto as suas realiza¬ções ao chegar o momento de sua despedida definitiva, seguro em seu conhecimento de que o seu trabalho lhe sobreviverá. Os objetos dourados que ele fabricou, o chocalho, o colar e o cavalo de brinquedo, são os seus presentes ao futuro, para que o processo de manifestação, representado em todas as cartas do naipe de Ouros, consiga a sua conclusão natural, em uma imagem de permanência que forma a contribuição individual das gerações futuras. De certa forma, este é o significado mais profundo do processo da manifestação de ideias criativas, pois toda a vida individual é transitória e nenhum ser humano vive para sempre. No entanto, o sentido de profunda satisfação e de realização pode ser alcançado pela rea¬lização de que podemos construir alguma coisa duradoura para o mundo futuro. Para o naipe de Paus, a imortalidade está na imaginação e para o naipe de Espadas, está no poder divino da mente; para o naipe de Copas, ela está na experiência do amor que toca o transpessoal. Mas, para o naipe de Ouros, somente o que está aqui é real e é esse sentimento de o indivíduo ter deixado uma marca e que a passagem pela 89
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    vida não foium simples pestanejar insignificante que logo desaparece, que muitas vezes forma o núcleo do que chamamos de ambição material. Por conseguinte, a aparente ambição e o materialismo associados com esforços materiais, vêm de uma necessidade humana de oferecer uma parte de si mesmo à vida como indicador permanente de nossa passagem por ela. Uma vida plena como foi a de Dédalo, com suas boas e más ações e uma disposição para enfrentar os desafios independentemente das consequências em vez de ficar morgando pacificamente na cama, pode levar à experiência de ter plenamente realizado um destino, deixando alguma coisa para ser passada às gerações futuras. No sentido divinatório, o Dez de Ouros sugere um período de contínuo contentamento e segurança. O sentido de algo permanente foi estabelecido e pode ser transferido a outras pessoas. Isso pode se referir a uma herança material de riquezas ou de propriedades, ou pode ser na forma de uma realização artística, como um livro ou uma pintura que sobreviverá e apresentará o seu valor, independentemente do nosso próprio tempo de vida. O Pajem de Ouros A carta do Pajem de Ouros retrata um garoto de cerca de 12 anos com cabelos castanho-escuros e tez morena, vestindo uma túnica verde. Ele se encontra no meio de um fértil campo arado do qual começa a brotar uma variedade de verduras, flores e ervas. Ele segura um pentáculo dourado com as duas mãos. Acima dele, um céu azul-pálido. Na carta do Pajem de Ouros, deparamo-nos com o elemento Terra em seu delicado e frágil início a consciência nascente dos Sentido, da natureza e da capacidade de manifestar coisas no mundo. Ela é representada pela figura mitológica do garoto Triptólemo, filho do rei Celéu de Elêusis. Um dia, o garoto e seus irmãos estavam ajudando o pai em seu trabalho nos campos; Triptólemo cuidava do gado, enquanto seus dois irmãos cuidavam dos carneiros e dos porcos. Foi então que os três presenciaram uma estranha cena. De repente, a terra abriu-se em uma fenda, engolindo todos os porcos do rei Celéu. Depois apareceu uma carruagem puxada por dois cavalos pretos que desceu pela fenda. O rosto do condutor não era visível, mas o seu braço direito segurava uma garota que gritava em desespero. O que os três irmãos presenciaram foi o rapto de Perséfone pelo obscuro deus Hades, senhor do Submundo, cuja história foi apresentada na carta da Imperatriz e da Sacerdotisa dos Arcanos Maiores. A mãe de Perséfone, Deméter, percorreu incansável o mundo todo em busca de informações sobre o desaparecimento de sua filha. Quando ela chegou disfarçada de Elêusis, somente o garoto Triptólemo a reconheceu e lhe forneceu a informação de que ela precisava. Por seu ato de bondade, a Mãe-Terra recompensou Triptólemo ensinando- lhe primeiro a venerá-la e essencialmente aos mistérios da Natureza, a morte e a regeneração da vida por meio dos ciclos das quatro estações. Ela entregou ao garoto sementes de milho, um arado de madeira e uma carruagem puxada por serpentes, e o instruiu a viajar pelo mundo ensinando à humanidade a arte da agricultura. Triptólemo, o Pajem de Ouros, é a imagem dos primeiros e delicados esforços para se relacionar com o mundo sensual que deve emer¬gir antes que qualquer maior ambição material possa ser empreendida. Como é próprio de todos os Pajens dos Arcanos Menores, o Pajem de Ouros é um botão de flor, um pequeno início, e, como todos os botões, esse gentil c delicado início de reconhecimento do valor do mundo material deve ser alimentado e protegido para não ser pisado pela insignificância e pela negligência. Muitas vezes, o Pajem de Ouros pode sugerir o interesse prematuro em algum passatempo novo que começa como mera ideia ou entusiasmo, mas que, incentivado e 90
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    de¬senvolvido paulatina epacientemente, pode eventualmente se tornar uma vocação plena que pode resultar em recompensas materiais, afetivas e realizações. Todos nós experimentamos esses pequenos entusiasmos, mas quantos de nós os seguimos realmente, tentando antes os primeiros passos necessários que nos levem a algo maior? Triptólemo, o Pajem de Ouros, é uma criança séria, responsável e trabalhadora como poucas crianças; com sua pouca idade, ele é encarregado do gado de seu pai, em vez de brincar com as outras crianças. Assim, a energia do Pajem de Ouros precisa ser tratada gentil e seriamente. Dessa mesma maneira, a imagem de Triptólemo pode refletir os inícios delicados da sensualidade emergente, principalmente se em toda a sua vida o indivíduo subestimou essa dimensão de experiência. Os inícios da percepção sensual em um temperamento mais intelectual ou imaginativo podem passar despercebidos ou rejeitados; no entanto, o mito de Triptólemo sugere que, se a vida do corpo é reconhecida e valorizada, assim como o garoto reconhece os valores da deusa Deméter, grandes recompensas podem surgir no futuro. Para muitas pessoas, a percepção do corpo toma a forma de um desejo de cuidar melhor de si mesmo por meio de uma dieta ou de exercícios, ou buscando mais tempo para relaxar, ou ainda pelo interesse em jardinagem ou mesmo cuidando de animais, ocupações que levam a um relacionamento mais profundo e mais forte com a própria terra. [Nota: Os ‘Mistérios de Elêusis’ eram ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Demeter e Perséfone, que se celebravam em Elêusis, localidade da Grécia próxima a Atenas. Eram considerados os de maior importância entre todos os que se celebravam na antiguidade. Estes mitos e mistérios se transferiram ao Império Romano e sinais dele podem ser notados em práticas iniciáticas modernas. Os ritos e crenças eram guardados em segredo, só transmitidos a novos iniciados.Deméter e sua filha, Perséfone, (Ceres e Proserpina para os romanos), presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios. Daí seu prestígio. Muitos desses mistérios ainda não foram desvendados; no entanto, no grande complexo de templos de Elêusis, notadamente no grande Templo de Deméter, o Telesterion, os estudiosos têm descoberto esculturas e pinturas em vasos que representam alguns desses ritos.Os mistérios eleusinos celebravam o regresso de Perséfone, visto que era também o regresso das plantas e da vida à terra, depois do inverno. As sementes que ela trazia significavam o renascimento de toda a vida vegetal na primavera.Se o povo reverenciava em Deméter a terra-mãe e a deusa da agricultura, os iniciados viam nela a luz celeste, mãe das almas e a Inteligência Divina, mãe dos deuses cosmogânicos. Os sacerdotes de Elêusis ensinaram sempre a grande doutrina esotérica que lhes veio do Egito. Esses sacerdotes, porém, no decorrer do tempo, revestiram essa doutrina com o encanto de uma mitologia plástica, repleta de beleza. O mito simboliza o lançar sementes à terra e o brotar de novas colheitas, uma espécie de morte e ressurreição. No seu sentido íntimo, é a representação simbólica da história da alma, de sua descida na matéria, de seus sofrimentos nas trevas do esquecimento e depois sua re-ascensão e volta à vida divina. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mist%C3%A9rios_de_El%C3%AAusis)} O Cavaleiro de Ouros A carta do Cavaleiro de Ouros retrata um jovem forte de cabelos castanhos, montado em um grande cavalo marrom. Ele veste uma túnica verde-limão, uma armadura e um elmo em couro marrom. Em sua mão direita ele segura um pentáculo dourado e, em sua esquerda, um feixe de trigo. Ao seu redor, ovelhas espalhadas em grandes pastos 91
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    verdejantes e umpequeno bosque de oliveiras com colmeias. Acima dele, um céu de azul-brilhante. Na carta do Cavaleiro de Ouros deparamo-nos com a dimensão laboriosa, versátil e mutável do elemento Terra que está cm constante movimento. Ele é representado pela figura mitológica de Aristeu, chamado de "Guardião dos Rebanhos". Aristeu era filho do deus-Sol Apolo e de uma mortal chamada Cirene. Ainda criança, ele foi en¬tregue à Mãe-Terra, que o alimentou com néctar e ambrósia. As dríades ou três ninfas ensinaram Aristeu como coagular o leite para fazer queijo, construir colmeias e fazer a oliveira produzir a azeitona cultivada. Ele ensinou essas artes úteis às pessoas enquanto jovem ainda, viajando incessantemente pela África do Norte e Grécia, e angariando honras em seu caminho. Quando Aristeu alcançou a maturidade, as Musas lhe ensinaram as artes da cura e da profecia, e o encarregaram de vigiar suas ovelhas que pastavam na Planície de Ftia. Foi ali que ele aperfeiçoou a arte da caça. Um dia Aristeu consultou o oráculo de Delfos, de seu pai Apolo, que lhe disse para visitar a Ilha de Keas (atual Zea ou Tzia), onde ele seria muito prestigiado. Embarcando imediatamente, Aristeu soube que uma praga havia atingido os ilhéus, pelo fato de criminosos secretos haverem se infiltrado entre eles. Aristeu condenou à morte os criminosos e a praga foi eliminada. Os keanos cumularam- no de gratidão. Ele então visitou a Arcádia e mais tarde a cidade de Tempe, na Tessália, onde as suas abelhas começaram a morrer e ele foi avisado por sua mãe a visitar o velho deus marinho Proteu, que era profeta, e forçá-lo a explicar o motivo da catástrofe. Aristeu saiu à sua procura e, encontrando-o, capturou-o. Forçado a responder, Proteu disse que a doença das abelhas foi causada por um infeliz episódio amoroso que resultou na morte acidental da mulher. Em vista disso, Aristeu estava sendo castigado pelos deuses. Como reparação, ele ofereceu vários animais em sacrifício às divindades ofendidas, e das carcaças desses animais surgiu um enxame de abelhas que ele capturou e colocou em suas colmeias. Então, continuou suas viagens para a Líbia, dali para a Sardenha e, final¬mente, para a Sicília. Depois se dirigiu para a Trácia, ainda irrequieto e em busca de outras tarefas. E, finalmente, fundou uma cidade com o seu nome, onde morreu respeitado por sua sabedoria. Aristeu, o Cavaleiro de Ouros, é a imagem da capacidade huma¬na pelo trabalho e pelo serviço diligente. Ele não é realmente um herói, pois não enfrenta dragões ou missões perigosas, e o seu maior desafio é a cura de abelhas doentes. Mas, assim mesmo, ele é uma figura poderosa e criativa. A personalidade de Aristeu é aquela do amante do campo e amigo dos animais e das criaturas selvagens, considerando que todo trabalho é importante, desde que sirva a vida da Natureza. Apesar da limitação de seus objetivos, Aristeu nunca pôde ser acusado do grandioso orgulho que aflige tantos heróis gregos e que é a causa tanto de sua glória quanto de sua queda. Ele é bondoso e confiável, com vontade de trabalhar com afinco nos assuntos que lhe dizem respeito. Apesar de quase todas as figuras da mitologia grega serem culpadas de estupro, sedução, assassinato ou outro crime qualquer (psicopatas?), é peculiar o fato de Aristeu aceitar de boa vontade uma missão cansativa e detalhada, cumprindo-a impecavelmente a fim de beneficiar algumas abelhas. Aristeu representa o nosso lado humilde o suficiente para relacionar-se com as formas mais humildes da vida e que está sempre pronto a aprender mais sobre as facetas variadas e complexas da Natureza. O Cavaleiro de Ouros não é fascinante, mas é capaz de satisfação, porque as suas realizações são sempre cingidas de realismo e de objetivos humildes. Essa é a qualidade que nos permite aceitar de bom grado a tarefa que pode ser aborrecida e que oferece muito trabalho. Ele desempenha criteriosamente as tarefas da vida cotidiana. Aristeu não tem nenhuma pretensão à divindade e, no entanto, é filho de um deus e, depois de sua morte, ele foi venerado como divino. 92
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    No sentido divinatório,quando o Rei de Ouros aparece em uma abertura de cartas, chegou o momento de o indivíduo desenvolver a dimensão da personalidade que está confortável e firmemente anco¬rada nas tarefas cotidianas da vida. O Cavaleiro de Ouros pode en¬trar em nossa vida como um jovem trabalhador, humilde e gentil, faltando-lhe talvez imaginação, mas rico nas qualidades de confiabilidade e gentileza. Se essa pessoa entrar em nossa esfera de relacionamentos, isso pode ser interpretado como uma oportunidade para aprender mais a respeito desse nosso lado pelo cataclismo de outra pessoa. A Rainha de Ouros A carta da Rainha de Ouros retrata uma linda mulher com ricos cabelos e olhos castanhos, vestindo uma túnica sensual castanho-avermelhada e portando uma coroa dourada na cabeça. Ela está sentada em um trono em cujos braços estão entalhadas cabeças de touros. Em sua mão direita ela segura um pentáculo dourado e, na esquerda, um cacho de uvas. Ao seu redor, pastos maduros, verdes e dourados, nos quais um rebanho de gado pode ser visto pastando. Na carta da Rainha de Ouros, deparamo-nos com a dimensão receptiva, estável e sensual do elemento Terra. Ela é representada pela figura mitológica da Rainha Ônfale, cujo nome significa "umbigo". Ela aparece no ciclo de histórias que se referem ao herói Héracles que, em uma fase pior de sua carreira, foi levado para a Ásia para ser vendido como escravo, um Héracles bem diferente daquele com o qual nos deparamos na carta da Força dos Arcanos Maiores. Ele foi comprado por Ônfale, rainha da Lídia, uma mulher que tinha bons olhos para um bom negócio; e ele a serviu fielmente durante três anos, livrando a Ásia Menor dos bandidos que infestavam aquela terra. Ônfale havia herdado o reinado de seu falecido marido e o governava com capacidade, graças ao seu caráter pragmático, voltado para objetivos práticos, realista e poderoso. Ela comprou Héracles com o intuito de torná-lo seu amante, em vez de um lutador, e lhe deu três filhos. Ela aproveitava o máximo de seu tempo, com toda a indulgência com o herói. Informações chegaram à Grécia de que Héracles havia desistido de sua pele de leão, trocando-a por colares de pedras preciosas, braceletes de ouro, turbante de mulher, xale vermelho e um cinto de mulher. Conta também a história que ele ali ficava sentado fiando lã e tremendo quando a sua patroa o repreendia. Ele deixava que as escravas de Ônfale o penteassem e que pintassem suas unhas, enquanto ela vestia a sua pele de leão e carregava o seu cajado e o seu arco. Certo dia, o casal visitava algumas vinhas e o deus Pan, com o qual já nos deparamos na carta do Diabo dos Arcanos Maiores, viu-os e apaixonou-se por Ônfale. O deus, metade bode, deu adeus às suas ninfas e declarou amor eterno à rainha da Lídia. Quando o casal se retirou para uma caverna para passar a noite, Ônfale sugeriu que trocassem de roupa. À meia-noite, Pan entrou na gruta, encontrou alguém com as roupas que acreditava fossem da rainha e tentou estuprar quem veio a ser um furioso Heracles (drag queen). O herói chutou Pan pela caverna toda e, depois, ele e Ônfale riram até chorar vendo o deus Pan, sentado em um canto, cuidando de suas feridas. Daquele dia em diante, Pan passou a odiar vestidos e sempre convoca os seus oficiais nus para os seus rituais. Ônfale, a Rainha de Ouros, é a imagem do poder e da sensualidade feminina que pode escravizar até um bruto selvagem como Héracles. Em um sentido, ela representa a sensualidade do próprio corpo, dali o seu nome, pois os gregos acreditavam que o centro da paixão estava no umbigo, que está presente tanto no homem quanto na mulher. Isso 93
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    não é simplesmenteo desejo por satisfação física, mas uma força primordial que possui dignidade e poder. Ao servir a Rainha Ônfale, Héracles passa por uma espécie de iniciação e nós também, ao nos depararmos com a Rainha de Ouros dentro de nós mesmos, devemos curvar-nos diante do poder dos instintos e reconhecer que até a mente mais privilegiada e a espiritualidade mais rara existem em um corpo feito de terra. Entretanto, Ônfale não é simplesmente uma sensualista. Ela é uma governante em seu próprio direito, preparada para ser generosa, mas sempre pragmática e protetora de sua própria riqueza e território. A sua compra do herói como amante não foi realizada por falta de outros amantes, mas porque ela queria o melhor. Dessa maneira, ela também pode ser interpretada como a imagem da auto estima, porque Ônfale trata de si e de seu corpo da mesma forma que trata o seu reino, com pródigo cuidado e generosidade. Ela possui a resistência e a estabilidade da própria terra e, apesar do fato de que a sensualidade por si só não pode preencher uma vida, Ônfale é uma imagem de grande importância e valor. No sentido interior, quando a Rainha de Ouros aparece em uma abertura de cartas, é chegado o tempo para o indivíduo aprender a respeito de sua própria sensualidade, do valor do corpo e da importância daqueles prazeres que preservam e enriquecem a vida. O indivíduo também pode ser chamado para aprender a sustentar e a preservar recursos materiais, manter condições estáveis, assegurar e acumular dinheiro e energia. A Rainha de Ouros pode entrar em nossa vida como uma mulher forte e sensual, autosufíciente e trabalhadora e, no entanto, generosa e disposta a entregar-se aos desejos próprios ou de outros, se isso fizer parte de seus propósitos. Mas, se essa mulher entrar em nossa vida, sugere que essas qualidades tentam emergir de dentro de nós mesmos. O Rei de Ouros A carta do Rei de Ouros retrata um homem de tez morena, barba e cabelos castanhos, forte e obviamente satisfeito com sua poderosa posição na vida. Ele está sentado em um trono dourado cujos braços estão entalhados com cabeças de bodes. Atrás dele, um castelo fortificado em alvenaria e enfeitado com cachos de uva. Na frente do castelo, os seus serviçais prontos para atendê-lo. Em suas mãos, um pentáculo dourado e, aos seus pés, um monte de moedas de ouro, pequenos pentáculos representando o seu acúmulo de bens materiais. Ele está ricamente, mas sobriamente vestido com brocado dourado e porta uma coroa dourada na cabeça. Na grama ao seu lado, um bode pastando. Na carta do Rei de Ouros, deparamo-nos com a dimensão ativa e dinâmica do elemento Terra. Ela é representada pelo mitológico rei Midas, o rei da Macedônia, amante dos prazeres. Em sua infância, uma procissão de formigas foi observada carregando grãos de trigo e, subindo pelo lado de seu berço, colocavam os grãos em seus lábios enquanto dormia, um prodígio que os adivinhos interpretaram como um presságio de grande riqueza em seu futuro. Midas governou como um rei sábio e piedoso, e a sua bondade para com o embriagado sátiro Silenos, tutor do deus Dioniso, valeu-lhe a gratidão do imprevisível deus. Dioniso ofereceu a Midas conceder-lhe um desejo, ao qual respondeu sem hesitar: "Peço que tudo o que eu toque se torne ouro". O rei logo se arrependeu dessa imprudência, pois não somente as pedras, as flores e os móveis de sua casa se transformavam em ouro, como também o alimento que comia e a água que bebia. Midas logo pediu que fosse liberado de seu pedido porque estava rapidamente morrendo de fome e de sede. Apesar de se divertir com o ocorrido, Dioniso teve compaixão e disse a Midas para visitar a fonte do Rio Pactolo (Turquia), na qual Midas se banhou e 94
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    imediatamente se livroude seu toque de ouro, mas as areias desse rio têm o brilho do ouro até hoje. Midas, o Rei de Ouros, é a imagem da ambição humana. Ele é a nossa aspiração ao status e à realização material, o nosso desejo por poder e reconhecimento aos olhos do público, a nossa necessidade por segurança material e o nosso orgulho pelo trabalho empreendido para conseguir o que possuímos. Essa ambição também é o espírito dinâmico, pois não se trata da satisfação do conforto, mas da necessidade de desafios. Nesse mito, Midas faz por merecer a recompensa do deus Dioniso com seu ato de bondade, a sua consideração pelo velho sátiro embriagado que era desprezado e ridicularizado por todos. Isso aponta para uma importante verdade a respeito do sucesso material: ele não somente depende de trabalho árduo e de inteligência, mas também do reconhecimento e da compreensão daqueles aspectos do comportamento humano que são preguiçosos, indolentes, embriagados bestiais. Somente por meio da tolerância e do con¬trole desses aspectos, retratados pelo velho sátiro, é que os fundamen¬tos do poder e da autoridade do mundo podem ser assegurados, pois, do contrário, o indivíduo pode ser corrompido simplesmente porque ele não tem consciência de seu próprio potencial de corrupção. O Rei de Ouros conseguiu chegar ao topo por causa das suas qualidades de liderança, autoridade, realismo e disciplina que fizeram com que superasse os obstáculos em seu caminho. Mas, como suge¬re o mito, ele também deve aprender uma lição difícil a respeito de sua própria ganância. Midas já possui o suficiente e muito mais; ele é um rei poderoso e rico além de que seus trajes não são exatamente maltrapilhos, ele anda trajado de acordo. Ele tem o direito de ser ambicioso, mas essa ambição não deve ser colocada acima de tudo ou morrerá de fome e de sede. Havendo aprendido essa lição, o rei agora se satisfaz com as compensações que já conseguiu. Ele é um materialista descarado e, quando encontramos essa figura em nós mesmos, deparamo-nos com o nosso próprio materialismo, mesmo que anteriormente acreditássemos ser idealistas abominando essa espécie de grosseria. Esse rei é saudável e forte, apesar de que, como cm todas as cartas do Taro, não podemos ficar presos em uma única faceta da vida, e o encontro com a ambição material e com seus desafios e compensações ainda pode ser produtivo e curador -mesmo que isso signifique que devamos, de alguma forma, experi¬mentar a dura lição de Midas. No sentido divinatório, quando o Rei de Ouros aparece em uma abertura de cartas, ele anuncia que chegou o tempo de o indivíduo enfrentar os desafios materiais. Mas movimentos interiores muitas vezes precisam de um catalisador e, portanto, o Rei de Ouros pode entrar em nossa vida na forma de um indivíduo materialista, forte e bem- sucedido alguém que tenha o "toque de Midas", o dom de manifestar idéias materiais criativas. Entretanto, esse indivíduo é um simples catalisador para o desenvolvimento material de nossa própria autoconfiança. LENDO AS CARTAS O QUE O TARÔ PODE E NÃO PODE FAZER O Taro não pode prever um futuro fixo e determinado. Suas características são uma serie de imagens que descrevem as qualidades do momento em que um indivíduo as consulta com um problema particular ou uma situação em mente. Naturalmente, os gregos tinham uma palavra para isso - kairos, que significa 95
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    "o momento certo"e descreve a idéia de que todo momento possui características e qualidades peculiares e únicas. Devemos deixar de lado a nossa típica visão do mundo ocidental moderno para poder compreender a função real das cartas do Taro e olhar para a antiga Filosofia e para as crenças orientais as quais não consideram o tempo em termos de quantidade (um momento é uma medida que equivale a 1/16 de uma hora), mas em termos de qualidade (um momento é algo vivo que possui a sua própria identidade e significado). Visto através das lentes dessa visão do mundo, a vida possui uma ligação ou um relacionamento subjacente e secreto, e todos os níveis de vida, animada, inanimada, consciente e inconsciente, interior e exterior, são realmente parte de um todo vivo. Portanto, a vida refletirá, em todos os níveis de sua existência, as mesmas qualidades em um determinado momento de tempo. Dessa maneira, os antigos métodos de adivinhação como Astrologia, Taro e I Ching não procuram "prever" um futuro que "já está escrito", mas, ao contrário, preocupam-se em como as verdadeiras qualidades internas e o significado do momento podem ser refletidos e, portanto, decodificados por meio de formas simbólicas como planetas, moedas ou cartas. Esse é um conceito difícil para a mente ocidental compreender, mas, se tentarmos, ele nos ajudará a esclarecer um problema de má interpretação entre os estudiosos de Taro. O momento não somente possui qualidades particulares, mas tem um passado e um futuro que pertencem a um contexto geral dessas qualidades. Existem situações e escolhas no passado que levaram até aquele momento e das quais esse momento é a consequência; e existem situações e escolhas no futuro que surgem diretamente de nossa resposta para aquele momento que, por sua vez, são afetadas por nossas escolhas atuais. Portanto, faz sentido compreender tudo o que podemos a respeito de como nós mesmos chegamos a uma determinada situação, pois esse entendimento afetará, por sua vez, a maneira como corresponderemos à vida e, por conseguinte, ao "momento" seguinte que nos é reservado. Nas situações e escolhas que pertencem a um determinado momento, paira um particular significado arquetípico, pois não há nada que façamos ou experimentemos antes, e é esse significado arquetípico que as cartas do Taro podem revelar. ("N.E.: Sugerimos a leitura de I Ching - A Mais Bela Aventura da Humanidade, de Paulo Barroso Júnior e I Ching- O Livro das Mutações, de Richard Lewis, ambos Madras Editora.) O passado, o presente e o futuro implicados na leitura de uma carta de Taro em particular tendem a envolver um período de aproximadamente seis meses. E, assim, o "momento" que estivermos considerando é um período cie tempo; o passado as escolhas, os motivos e as experiências que levaram ao momento; o presente, quando as cartas são consultadas; e o futuro - que é a consequência natural das forças agindo no presente. As cartas não descrevem ocorrências concretas de uma maneira "fadada", mas sim ilustram influências, oportunidades e motivos ocultos alguns dos quais podem ou não se realizar em eventos externos ou pessoas que o indivíduo pode então tentar entender e trabalhar da maneira mais criativa possível. Como se trata da qualidade do momento, procurando penetrar o seu sentido mais profundo, o indivíduo poderá influenciar de forma mais consciente o futuro daquele momento, afetando com maior percepção aquele que está se desenrolando. Nesse sentido, criamos os nossos destinos, ou melhor, o que somos molda o destino dos nossos futuros. Para os gregos, o destino não era uma diversidade de eventos aleatórios ou caprichosos que aconteciam para uma pessoa, mas uma rede extensa e infinita de escolhas, respostas e consequências estendendo-se pelo tempo, de volta para o passado e à frente no futuro, a maioria das quais permanecia inconsciente, a menos que o indivíduo procurasse promover uma percepção mais profunda em sua vida. Como o "destino" que as cartas de Taro descrevem está amplamente enraizado no 96
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    inconsciente, normalmente nósnão temos acesso a ele. Mas as imagens das cartas de Taro podem ajudar-nos a fazer uma conexão e, portanto, as cartas refletem um conhecimento a priori do inconsciente que possui a chave secreta para o significado do momento e, por conseguinte, conhece o provável efeito futuro daquele momento. Pela abertura das cartas de Taro, podemos receber ajuda na leitura dos complexos padrões e movimentos do inconsciente, e esse novo relacionamento entre o ego consciente e o mundo interior oculto permite que levemos ao momento e, portanto, à nossa situação do momento, uma percepção mais profunda e maiores possibilidades de resposta e de escolha. Estabelecendo um Relacionamento com as Cartas Como as imagens das cartas de Taro são muito antigas e tão profundamente ligadas aos mais íntimos padrões do desenvolvimento humano, elas merecem todo o respeito. Elas não são um brinquedo, mas em um certo sentido são imagens sagradas, não porque sejam "sobrenaturais", mas porque, como peças de grande arte e de literatura, refletem os nossos mais profundos conflitos, necessidades e aspirações. O indivíduo que deseja aprender a trabalhar e verificar o potencial criativo das cartas precisa cultivar uma atitude de respeito para com a dimensão arquetípica da vida que representam e que, na vida cotidiana, se converte no respeito ao mundo simbólico do qual as próprias cartas são uma representação. O leitor inteligente então procura estabelecer uma espécie de "relacionamento" com as cartas, estabelecendo um lugar especial e procurando não fazer com que sejam con- sideradas cartas de entretenimento vulgar nem permitindo que se sujem ou que sejam negligenciadas e descuidadas. Por esse motivo, muitos leitores profissionais mantêm suas cartas de Taro envolvidas em um lenço especial e em um lugar especial quando não são usadas. Esse lenço é a maneira de ajudar o estudioso a começar a desenvolver um relacionamento respeitoso com as cartas. A importância de um ritual para a concentração no uso das cartas afina as nossas mentes e permite que a intuição entre em ação. Tal como em um ritual religioso, o ritual de manter as cartas em um lugar especial e envolvê-las em seu lenço especial pode se transformar em um importante foco de concentração, quer ou não acreditemos em "vibrações". É o símbolo do lugar único e prestigiado que dedicamos às cartas e a importância que relegamos às suas imagens. Preparando a Disposição de uma Abertura O processo de selecionar um pequeno número de cartas de um baralho inteiro de Taro de 78 cartas e dispô-las em um padrão a ser interpretado é chamado de "abertura de um jogo". A ideia básica é que o baralho, como já vimos, contém uma descrição figurativa de uma complexa jornada completa da vida e, ao selecionar um número mínimo de cartas, geralmente dez, o consulente de forma simbólica reflete a sua passagem por uma parte específica daquela jornada no momento presente. Em outras palavras, a situação imediata, suas origens e o provável resultado que será refletido nessa pequena parte do baralho completo. Existem vários e diferentes tipos de aberturas, e pessoas diferentes desenvolveram seus padrões favoritos durante muitos séculos. O estudioso pode referir-se à relação na bibliografia para uma melhor descrição das diversas aberturas usadas no Tarô. A específica abertura que ilustraremos aqui é uma das mais antigas e mais populares, e é conhecida como a Cruz Celta. Essa abertura contém seleções dos dois grupos de arcanos, os Maiores e os Menores, para que o indivíduo faça a sua escolha do 97
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    baralho inteiro. Portanto,a seleção reflete a vida no nível arquetípico mais profundo e no nível mais cotidiano. Como mencionamos anteriormente, não fazemos uso da técnica das cartas invertidas porque cada carta contém em si mesma a sua dimensão luz e a sua dimensão sombra; e isso pode ser determinado pela posição da carta em sua abertura geral. O consulente, a pessoa que deseja consultar as cartas, deve ter uma pergunta preparada, mesmo que seja vaga e difícil de formular. O leitor não precisa conhecer a pergunta, mas o consulente sim, porque no nível inconsciente as cartas selecionadas refletirão essa pergunta. O leitor mistura bem as cartas e então abre o baralho em uma meia-lua sobre a mesa com as faces para baixo. O consulente é convidado a selecionar dez cartas. Por estarem com a face para baixo, ele não pode saber as cartas que escolheu. O leitor então pega as cartas na ordem selecionada, ainda viradas para baixo, e as coloca em suas posições correias, conforme a indicação a seguir. A primeira carta selecionada deve ser colocada na posição 1, e assim por diante. Agora o leitor pode desvirar as cartas começando pela posição 1, expondo assim as dez cartas. MÉTODO DE CONSULTA Foram dados nomes tradicionais às dez posições das cartas da Cruz Celta para ajudar-nos a compreender seus significados. Cada posição descreve uma área específica da vida na qual uma certa influência e situação interior ou exterior estejam ocorrendo. Agora explicaremos as dez posições e o que elas significam. POSIÇÃO 1 - Às vezes é chamada de Carta de Cobertura e outras vezes de Signifícadora. Usaremos o termo Significadora porque a carta selecionada para essa posição refletirá a situação interior e exterior na qual o indivíduo se encontra no momento presente. POSIÇÃO 2 - E chamada de Carta Cruzada e descreve essa situação interior e exterior que gera conflito e obstrução no presente imediato. Trata-se do que está "cruzando" o caminho do consulente e indica a natureza aparente do problema. Entretanto, a Carta Cruzada não é necessariamente negativa, mas simplesmente representa a situação que está gerando o conflito e revolvendo as coisas. Em certo sentido, ela impede a Significadora de expressar-se totalmente, causando um bloqueio na vida. POSIÇÃO 3 - É chamada de Carta da Cabeça. Ela é aparente simplesmente porque a sua aparência visual - pairando diretamente sobre a Significadora - nessa posição descreve o ambiente e a situação que pairam sobre o consulente no presente imediato. Tudo o que está na cabeça de alguma coisa é aparente à visão de todos e, portanto, a carta que aparece nessa posição reflete o que é externo, na superfície, e imediatamente aparente na vida do consulente. POSIÇÃO 4 - É chamada de Base da Questão. Ela descreve a situação interior e exterior, o impulso, o instinto ou a aspiração que provoca a aparente situação superficial da Carta da Cabeça. O que está na base é, na realidade, o que está na raiz da psique c muitas vezes essa carta surge como surpresa para o consulente, que pode não estar a par de uma motivação inconsciente que precisa ser levada para a consciência. Nem sempre 98
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    agimos ou sentimoscoisas de acordo com o nosso pensamento, e a carta que aparece na Base da Questão muitas vezes poderá contradizer o motivo aparente do nosso dilema no momento em que consultamos as cartas. POSIÇÃO 5 - É chamada de Influências do Passado. A carta que aparece nessa posição descreve a situação interior e exterior que agora está acabando de passar pela vida do consulente. No passado, ela foi importante, pois pode ter representado um conjunto de valores que o indivíduo tinha em alta estima; mas agora ela perdeu a sua potência e o consulente precisa ser capaz de soltar tudo o que essa carta representa antes que os novos e futuros desenvolvimentos possam ser integrados criativamente na vida. POSIÇÃO 6 - É chamada de Influências do Futuro. A carta que aparece nessa posição descreve a situação interior e exterior que está por manifestar-se na vida do consulente. Não se trata de um prognóstico duradouro de um resultado final, mas de uma descrição das correntes agindo no presente imediato. POSIÇÃO 7 - É chamada de Posição Atual e é uma espécie de extensão futura da Posição 1, a Significadora. A carta que aparece nessa posição descreve a atitude ou estado interno de negócios no qual o consulente logo se encontrará. Essa carta, tal como a Significadora, descreve um conjunto de atitudes ou de qualidades, e muitas vezes apresentará o que precisa ser desenvolvido, assim como o que provavelmente virá a acontecer. POSIÇÃO 8 - É chamada de Fatores Ambientais e descreve a imagem daquelas pessoas que nos cercam - amigos e familiares - e que estão envolvidas em nossa situação e conosco mesmos. A carta que aparece nessa posição geralmente implica que tipo de resposta à nossa situação é possível esperar de outras pessoas, assim como o que nós mesmos fizemos inconscientemente para projetar essa espécie de imagem para o mundo exterior. Muitas vezes, um indivíduo passando por problemas de um tipo ou de outro não é compreendido pelos amigos e pelos entes queridos como ele esperava que fosse, e a carta na Posição Oito pode frequentemente nos dizer o porquê, pois essa é a visão que o mundo tem de nós e pode contradizer a forma de como nos sentimos tão facilmente quanto refletir honestamente a nossa situação. POSIÇÃO 9 - E chamada de Esperanças e Temores. Tanto as esperanças quanto os temores podem ser descritos por uma carta, pois todas as cartas do Taro são ambivalentes. POSIÇÃO 10 - E chamada de Resultado Final. Aqui, a palavra "final" pode ser mal- interpretada, pois nada é absolutamente final, conforme vimos na jornada do Louco; e a carta que aparece nessa posição não descreve uma situação de permanência duradoura, mas uma situação que é o surgimento natural do que estamos passando no momento. Como já dissemos, esse "resultado final" pode cobrir um período de aproximadamente seis meses. Podemos agora nos voltar para dois exemplos de abertura de jogo a fim de explorar com maiores detalhes a maneira de como ler as cartas. Dois Exemplos de Abertura de Jogos O primeiro exemplo que ilustraremos para a leitura das cartas é o de uma mulher de 28 anos que queria consultar as cartas a respeito de problemas em seu casamento e em 99
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    seu trabalho. Elae o marido estavam casados há um bom tempo, mas não conseguiam ter filhos. Eles moravam em um apartamento em Londres e os dois trabalhavam o dia todo. Essa mulher, que chamaremos de Célia, era editora de moda de uma revista popular feminina, enquanto seu marido trabalhava como contador. Os dois não estavam satisfeitos com sua vida em um apartamento da cidade e haviam comentado sobre a possibilidade de se mudarem para o interior, em parte por causa da monotonia de seus trabalhos e também pelo fato de que o casamento tinha chegado a um estado de estagnação. Certamente havia necessidade de uma mudança, mas Célia estava confusa sobre o que fazer, pois, apesar de o marido falar em se dedicar a uma atividade de paisagismo no interior, ela mesma não tinha uma ideia clara sobre que espécie de trabalho poderia ser- lhe conveniente e possível longe da nervosa metrópole na qual estava acostumada e onde poderia realizar o seu potencial criativo. Essa situação apresenta a imagem de uma pessoa em uma encruzilhada, sem saber qual direção tomar para o seu futuro e cheia de ansiedade a respeito do estado de sua vida pessoal e, no entanto, disposta a assumir um compromisso para com o futuro, se pudesse encontrar um sentido de qual caminho empreender. Célia selecionou dez cartas que consistiam da seguinte abertura: A JUSTIÇA aparecendo como Significadora sugere que ela precisa e está começando a parar para pensar clara, fria e racionalmente a respeito de seu problema. Por se tratar de uma carta dos Arcanos Maiores representada pela severa imagem da deusa Atena, a implicação é que desenvolver a capacidade de uma reflexão impessoal é importante não somente para a situação imediata, mas também é uma qualidade que não foi bem desenvolvida em Célia no passado e que agora aparece como essencialmente necessária para que ela se integre em sua personalidade para o futuro. Consultar as cartas é, de certa forma, o início dessa reflexão impessoal. O NOVE DE PAUS aparecendo na Carta Cruzada sugere que Célia teve de enfrentar uma série de conflitos e obstáculos em suas esperanças e desejos para o futuro, e agora está exausta e incerta quanto à sua força no enfrentamento de outras crises para alcançar a sua visão de uma vida melhor. Entretanto, essa carta também im- plica que, caso tentasse, ela encontraria disponível uma reserva necessária de forças para atravessar a tempestade. Essa carta retrata o navio de Jasão, o Argo, atravessando o difícil estreito entre Cila e Caribdes, antes de chegar em casa com segurança; e aqui a implicação é que Célia tem somente um último esforço a fazer para encontrar o que está procurando. O OITO DE COPAS aparecendo como Carta da Cabeça sugere que um sentido de decepção emocional esteja dificultando a visão de Célia quanto às suas possibilidades. O Oito de Copas retrata Psique abandonando qualquer esperança de reconciliação com Eros e descendo desesperada para o Submundo; e aqui a implicação é que Célia possa ter fantasiado e esperado demais de seu casamento, que provou ser impraticável. Além disso, ela ainda sofre de um sentido de decepção e de desespero a respeito do futuro do relacionamento. O SOL aparecendo na Base da Questão simboliza o ardente desejo de Célia pela criativa expressão individual, bem como por um significado cm sua vida. Nesse momento, isso é frustrado, o que pode representar o motivo pelo qual ela esteja insatisfeita e talvez por que, no passado, ela esperasse tanto de seu marido e de seu casamento. O Sol expressa algo importante, promissor e otimista a respeito do caráter de Célia além da crise atual, no sentido de que ela precisa brilhar por direito próprio e ser reconhecida como pessoa criativa. O DEZ DE OUROS aparecendo nessa posição de Influências Passadas sugere que a preocupação de Célia quanto à segurança material deve ser liberada, caso ela queira 100
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    realmente se realizarno futuro. Essa carta retrata o artesão Dédalo, rico e realizado, encabeçando uma feliz dinastia para quem ele pode transferir a sua riqueza. A satisfação financeira e a "respeitabilidade" retratadas nessa imagem foram muito importantes para Célia no passado, mas ela precisa aprender a colocar menos valor nessas coisas para poder satisfazer a sua necessidade pela criativa expressão individual. O REI DE COPAS aparecendo nessa posição de Influências Futuras sugere que logo uma nova direção será aberta, seja por meio de um indivíduo (talvez um professor ou alguém interessado em assuntos como o aconselhamento) ou por meio de uma terapia. O próprio espírito masculino de Célia parece tender muito mais para um inundo introvertido e interiorizado de interesse. A presença de uma Carta da Corte nesse lugar sugere que uma pessoa poderá ser o catalisador para esses novos interesses em desenvolvimento; mas, se essa pessoa entrar de fato na vida de Célia, será porque ela mesma está indo ao encontro de um ambiente de interesse totalmente novo. O PAJEM DE ESPADAS aparecendo nessa Posição Atual sugere que Célia pode encontrar-se em um estado mental confuso e irritadiço. Todos os Pajens dos Arcanos Menores implicam o início de alguma nova qualidade ou direção e aqui, reflelida pelo naipe de Espadas, está a qualidade do intelecto em desenvolvimento; e Célia está começando a questionar pontos de vista que anteriormente mantinha ocultos e a ficar intelectualmente irrequieta c precisando deuma nova linha de estudo ou de desenvolvimento. Por conseguinte, inicialmente ela pode ser agressiva e sujeita a comentários alheios -aqueles amigos e entes queridos que não conseguem entender por que ela está mudando c ficam resSentido com o seu progresso que eles mesmos não podem ter. Ela pode ficar na defensiva e provocar brigas, porque ainda não desenvolveu a percepção e a confiança para perseguir sinceramente os novos valores que estão surgindo. O IMPERADOR aparecendo na posição de Fatores Ambientais sugere que, para as outras pessoas, Célia parece ter sucesso, poder e estar em controle de sua situação e, portanto, a sua insatisfação pode não encontrar eco em seu ambiente. Exteriormente, ela parece ter tudo de que precisa - um bom casamento, um lindo apartamento, um bom emprego, posição, prestígio e poder. A sua frustração e falta de realização não são percebidas pelo mundo exterior que, ao contrário, interpreta o lado positivo da carta do Arcano Maior que envolve poder e uma boa posição na sociedade. E possível que a própria Célia tentasse inconscientemente projetar essa imagem e, como Zeus, o Imperador é a imagem do pai arquetípico, talvez fosse para agradar ao seu pai que ela criara essa persona para os outros. O MUNDO aparecendo na posição de Esperanças e Temores sugere que Célia esteja sendo levada por uma necessidade arquetípica de integração e queira tornar-se uma pessoa completa. Ela não está à procura de compensações materiais, mas de um sentido de estar completa - uma pessoa que usa tudo de si mesma em resposta à vida. Portanto, suas ambições e expectativas são muito altas e surgem de uma raiz profunda, não necessariamente identificável em termos materiais. Ao mesmo tempo, o medo de tornar-se completa refiete a ansiedade de que esse estado não lhe permitirá espaço para o seu casamento; uma mulher que possa expressar tanto o lado masculino quanto o feminino muitas vezes ameaça o homem de sua vida. Assim, Célia quer tudo e, ao mesmo tempo, está apavorada. A TEMPERANÇA na posição do Resultado Final sugere que a direção que Célia está empreendendo é um bom prenúncio para a possibilidade de um relacionamento equilibrado no qual há algum comprometimento e alguma troca genuína de sentimento. Essa carta dos Arcanos Maiores que retrata íris, a deusa do arco-íris, implica que uma importante mudança é provocada na psique de Célia, pela qual a sua capacidade de funcionar em um relacionamento se desenvolverá em uma expressão mais compassiva e humana, livre de muitas das rígidas expectativas que são características do passado e a 101
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    fonte de muitosde seus problemas com o marido. Por conseguinte, essa carta promissora e alentadora resume uma mudança de direção na vida de Célia. O segundo exemplo que a seguir apresentaremos ilustra um homem de 45 anos de idade, médico de profissão, que recentemente se separara de sua esposa e filhos para emigrar da Austrália para a Inglaterra. Esse homem, que chamaremos de Alan, queria seguir um interesse em curas alternativas com a ideia de ser treinado em acupuntura ou homeopatia e estabelecer um negócio em Londres, utilizando seus conhecimentos tanto ortodoxos quanto heterodoxos. Ele estava muito confuso e ainda em grande conflito pela separação de sua família, apesar de considerar, em seu íntimo, que havia tomado a decisão correta. Entretanto, ele estava sujeito a fortes depressões e sentimentos de tristeza e de solidão, apesar de a separação ter sido amigável e outra mulher ter entrado em sua vida. Ele queria saber se profissionalmente estava no caminho certo, bem como se ele conseguiria sair desse perturbador estado emocional, dando uma oportunidade ao seu novo relacionamento. Alan selecionou dez cartas que consistiam na seguinte abertura: O AS DE OUROS sugere que Alan dispõe de muita energia, tanto no mundo interior quanto no mundo exterior, para um novo esforço em construir algo sólido em sua vida. Como essa carta implica recursos e possivelmente dinheiro disponível ao indivíduo para um novo projeto, ela é positiva quanto ao desejo de Alan em seguir a medicina alternativa, pois parece possível que encontrará apoio material e pessoal. O Ás de Ouros, representado pelo poderoso deus Poseidon, é o prenúncio promissor e afirmativo da nova direção que Alan escolheu assumir em sua vida. O SETE DE PAUS sugere que o problema central de Alan é o conflito que ele inevitavelmente enfrentará com oponentes em sua profissão. Essa é a carta da "rígida concorrência", representada por Jasão lutando com o rei Aetes pela posse do Velocino de Ouro. Isso implica que Alan terá de estar preparado para deparar-se com os seus colegas, seja porque outros queiram o lugar que ele almeja, seja porque ele poderia contrariar aqueles de sua profissão que são mais conservadores e fechados para novos métodos de cura. Esse conflito também pode rcfletir uma luta interior em Alan - entre a sua nova visão intuitiva, simbolizada pelo fogoso herói Jasão, e a "velha ordem" conservadora, simbolizada pelo rei Aetes, que por primeiro possuiu o Velocino. Portanto, Alan precisará estar preparado para uma oposição dentro de si mesmo, assim como exteriormente, pois esse é o problema que "cruza" o poderoso impulso para iniciar uma nova vida. A MORTE aparecendo na posição da Carta da Cabeça reflete o estado de depressão e de infelicidade no qual Alan se encontra atual-mente. Essa é uma carta dos Arcanos Maiores sugerindo que Alan está experimentando uma dimensão arquetípica da vida a tristeza e o luto que sobrevêm sempre que um capítulo da vida é encerrado e o indivíduo deve deixar para trás o passado e seguir adiante nu e incerto para o seu futuro. A presença dessa carta também insinua que Alan pode não ter passado tempo suficiente lamentando a sua perda. A separação de uma família não é um assunto simples e, apesar de ele pensar ter tomado a decisão certa, o passado precisa ser respeitado e lamentado. A RAINHA DE OUROS implica a presença de uma mulher na vida de Alan que, de alguma forma, pode ser um catalisador para a nova direção que ele quer seguir. Esse novo relacionamento envolvia uma mulher forte e financeiramente independente, divorciada e disposta a oferecer-lhe o apoio emocional e o incentivo que ele precisava nessa fase vulnerável de sua vida. Ela também poderia representar o desenvolvimento de maior sensualidade dentro do próprio Alan. O QUATRO DE ESPADAS sugere que Alan acabava de passar por um período de retiro e de reflexão, angariando força para enfrentar os desafios que se pronunciam à sua frente. Mas esse período está terminando e logo ele poderá seguir adiante na vida. 102
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    O REI DECOPAS sugere a mesma interpretação do caso de Célia - que Alan está sendo atraído pelo mundo interno do mundo dos sentimentos e da psique, e que o seu interesse pela cura alternativa pode muito bem incluir uma investigação mais profunda na Psicologia, além dos métodos de cura que ele pretende seguir. Um homem pode entrar na vida de Alan como um catalisador para essa linha de interesse em desenvolvimento - talvez um amigo que esteja envolvido nesses assuntos ou um professor, ou ainda um terapeuta. Mas essa também é a imagem do que o próprio Alan está se tornando, pois ele se aproxima mais do reino interior, tendo deixado para trás não somente o seu passado pessoal, mas também a sua dedicação pela cura do corpo sem se preocupar com a alma. O SOL sugere que Alan provavelmente experimentará um momento de grande esperança e otimismo, porque começa a se ligar a um arquetípico princípio de significado. Essa carta dos Arcanos Maiores é representada por Apolo que, entre outros atributos, era odeus da cura; e isso indica que, ao optar por uma exploração mais profunda do significado da cura, Alan estabelecerá uma relação com a profunda capacidade de recuperação e com a criatividade do espírito humano que provará ser essencial não somente para o seu futuro trabalho, mas também para a sua própria cura. O ENFORCADO sugere que, aos olhos do mundo, Alan fez um grande sacrifício em troca de um futuro desconhecido e incerto. Essa carta dos Arcanos Maiores representada por Prometeu, que roubou o fogo dos deuses para entregá-io aos homens, significa a desistência de algo de valor na esperança de que algo melhor, mais significativo e mais compensador possa substituí-lo. Mas o futuro é cheio de incertezas e é a própria incerteza que aqueles que cercam Alan percebem. Isso também combina com o que Alan sente, embora a posição do Sol sugira que ele também tem uma profunda convicção do sentido de seu caminho - que aqueles ao seu redor não podem enxergar ou compreender imediatamente. O DOIS DE OUROS sugere que Alan tem por objetivo o desenvolvimento de novas habilidades. Ele pode passar por um período de instabilidade financeira, forçando-o a empenhar tempo, energia e recursos para fazer com que as coisas funcionem; e ele parece estar ansioso a respeito, o que é refletido na instabilidade da carta na posição de Temores, assim como de Esperanças. Mas essa carta dos Arcanos Menores não é uma carta de perda. Ela retrata Dédalo em sua oficina no início de sua carreira, desenvolvendo suas habilidades e inventando novas ferramentas. Se Alan estiver disposto a subme-ter- se a um período de movimento e de mudança em seu status e em sua segurança material, provavelmente ele descobrirá que não sofrerá inutilmente, mas surgirá com um conjunto de habilidades que o ajudarão no futuro. O CINCO DE PAUS na posição do Resultado Final não é uma carta conclusiva, mas reflete a grande luta de Jasão com o dragão para poder conseguir o Velocino de Ouro. Aqui o significado parece indicar que Alan pode encontrar-se em conflito com a coletividade, o que, no sentido de que esta represente a profissão médica, muito provavelmente criará dificuldades para ele - como tende a fazer com a cura alternativa em geral. Ele terá um sério problema em suas mãos e a questão que ele deve se colocar é: "Estou eu à altura desse problema?" Se a resposta for "Sim", então incentivaríamos Alan a continuar a perseguir o interesse escolhido, totalmente consciente de que o seu caminho no mundo exterior não será tão fácil por algum tempo. Conclusão Neste capítulo, mostramos como as cartas de Taro refletem não somente a orientação da vida de um indivíduo no momento em que as cartas são consultadas, mas também as profundas motivações inconscientes do passado que ajudaram a criar a 103
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    presente situação. Embora sejamos todos indivíduos com personalidade e destino únicos, as expe- riências que a vida nos oferece não são infinitamente variadas em sua essência, mas somente na forma, pois elas seguem certos padrões antigos arraigados em todos nós e que fazem parte do processo da vida como seres humanos. Esses padrões foram expressos desde tempos imemoriáveis na linguagem dos símbolos na rica e maravilhosa tapeçaria dos mitos de muitas nações e culturas; nas imagens religiosas que nos inspiram; e nos igualmente ricos e inspiradores desenhos dos grandes sistemas simbólicos como o Taro. Longe de parecermos somente imitar e repetir os outros, um conhecimento e uma apreciação da jornada do Louco oferecem um sentido de dignidade e de significado aos mais difíceis desafios da vida, pois aprendemos que há beleza, ordem e propósito até nos mais obscuros, mais sórdidos e mais banais acontecimentos de nossas vidas. As imagens mitológicas nos colocam em contato com o infinito mundo interior do inconsciente, que é a maneira de a Psicologia moderna descrever o que certa vez durante períodos menos racionais e menos científicos, era compreendido como o relacionamento com o divino. Portanto, as imagens e o sentido do Taro, que são melhores expressos por meio de mitos antigos que lhe deram origem, não são "sobrenaturais" nem "ocultos", mas profundamente humanos e naturais, e disponíveis a todos nós, se nos empenharmos a olhar e a aprender. Não há melhor forma de encerrar a nossa descrição da jornada do Louco do que esses versos do grande poeta T. S. Elliot: “’E o objetivo dessa nossa jornada será alcançar o ponto de onde partimos e conhecê-lo como um novo início. 2 BARALHO CIGANO ASSOCIADO AO TARÔ MITOLÓGICO AS CARTAS 1 - O Mensageiro = Pagem de Espadas 104
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    2 - OsObstáculos, a rebeldia sem causa = 9 de Paus 3 - O Mar nutriz, a fartura material e espiritual= A Imperatriz 4 - O Equilíbrio mental= A Justiça imparcial 5 - As Árvores refrescantes, em paz cosigo mesmo e com Deus, amor platônico = 10 de Copas 6 - Os Ventos instáveis, o desequilíbrio mental = O Louco, o arriscar. 7 - O Arco-Íris, a ponte entre o céu e a terra = O Sol, dissipando a escuridão através da conscientização, otimismo precipitado.8 - Sentimento de Perda, depressão = A Morte 9 - A Chuva demorada, paciência e dedicação = 8 de Ouros 10 - As Transformações, mudanças repentinas = A Roda da Fortuna11 - A Magia do pensamento = O Diabo12 - As Alegrias, o fim do problema = 10 de Espadas 13 - A Criança ingênua = A Lua 14 - As Armadilhas, a mentira, diplomacia e a fazeção de drama = 7 de Espadas 15 - As Falsidades, a proposta corrupta e tentadora = 7 de Ouros 16 - A Sorte, a oportunidade = 3 de Paus17 - As Novidades, o presente generoso = 6 de Ouros 18 - O Aliado = A Esperança no encontro com o desconhecido 19 - A Espiritualidade = O Alto Sacerdote 20 - As Ervas, o equilíbrio material do corpo = 10 de Ouros 21 - As Pedras, os obstáculos, a incapacidade de dizer 'não' aos abusados = 10 de Paus 22 - Os Caminhos, a indecisão = Escolher o caminho e assumir a responsabilidade. 23 - Os Desgastes, trabalho duro e honesto com pouco dinheiro = 3 de Ouros 24 - Os Sentimentos, de coração aberto = Ás de Copas, o desejo por um relacionamento. 25 - As Alianças, o namoro = 3 de Copas 26 - Os Livros, o aprendizado = Pajem de Ouros 27 - O Aviso = Um alerta, mente atenta, atenção. 28 - Homem = Um dos reis, conforme o caso. 29 - Mulher = Uma das rainhas, conforme o caso. 30 - Os Rios, a mansidão e o servir - A Temperança, a renúcia do ego perante o outro. 31 - O Sol, o entusiamo = Ás de Paus 32 -A Honrarias = A Força moral de prestígio, reconhecimento pela boa conduta. Noites de amor. 33 - As Soluções, seguindo a orientação certa do verdadeiro Eu = O Mago. 34 - A Matéria, o dinheiro, = a ganância, mesquinharia material e emocional = 4 de Ouros35 - A Segurança, a âncora = A Auto-confiança Exercício diário para o principiante durante um ano Ao final do dia puxe apenas uma carta focalizando a seguinte questão: Como foi o dia de hoje para mim? 3 TARÔ ‘O CAMINHO DO AMANTE’ - de Kris Waldherr (tradução eletrônica sem revisão) THE LOVER’S PATH TAROT - KRIS WALDHERR (tradução sem revisão) 105
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    OS ARCANOS MAIORES 0- A INOCÊNCIA A Flauta Mágica foi a última ópera composta Mozart antes de sua morte em 1791. Algumas das suas conto de fadas enredo foi inspirado no ritos da Maçonaria, uma sociedade secreta em que Mozart tinha sido iniciada. A Flauta Mágica fala de uma princesa chamada Pamina e um príncipe chamado TAMINO que aprender a confiar em seus corações, inocentes e inexperientes como eles podem ser. Quando Pamínas fatber encontrou-se sobre o seu leito de morte, o rei legou a sua flauta mágica, cuja canção oferecido consolo, a sua rainha. Oub FIís solar, que deu o poder do sol, foi dado a Sarastro, seu mais confiável iríend, a realizar de Pamina, quando ela cresceu. Após o período de luto passou, a rainha, furioso que seu marido não tinha saído do oub solar com ela, a filha dela começou a ressentir-se de que um dia ele próprio. Nada eascd seu coração, nem mesmo a música da Flauta Mágica. Com o tempo, a rainha aprenderam as artes negras, e tornar-se conhecida como a Rainha da Noite. Para proteger Pamina da inocência, Sarastro tomou a criança longe da Rainha da Noite. Os anos passaram e Pamina cresceram. A Rainha da Noite, a sua magia inútil em sua busca pelo ciúmes oub solar, passou os mesmos anos conspirando para recuperá-la. Um dia ela espiado Príncipe Tamino em madeira escura em torno da sua casa. A Rainha da Noite introduziu-se. Ela mentiu como ela pediu Tamino e Pamina para salvar o orbe solar de Sarastro, acreditando que ela seja uma donzela em apuros, TAMINO acordado. A rainha deu a flauta mágica de Tamino para ajudar na sua busca. Quando chegou TAMINO Sarastro do palácio, ele foi saudado pelo grande próprio homem. Sarastro disse o príncipe ingênuo a verdade sobre Pamina ea Rainha da Noite. Mas não acredita TAMINO Sarastro. Em busca de orientação, a jovem príncipe desempenhado A Flauta Mágica. Sua canção benevolente lhe disse para acreditar Sarastro, a segui-lo para Pamina. O inevitável aconteceu logo que Tamino e Pamíno vi uns aos outros: Eles sabiam que amavam-se mutuamente. Sarastro foi plcased pelo seu afecto, mas avisou que o pai de Pamina TAMINO gostaria de provar-se digno dela. Para fazer isso, o príncipe deve escolher submeter-se a um teste de bravura. 1 dia seguinte, ele, Tamino aguardava sua noiva e Sarastro pelo pé de uma montanha. Etcbed para o lado de esta montanha foi dcep uma caverna a partir da qual podiam ser vistas faixas de fogo e uma cachoeira rodeada pelos ventos. Sarastro TAMINO explicou que seria testado por terra, vento, fogo e água. Pamina acrescentou, "Vou te levar, mas o amor irá guiar-me." TAMINO levantou a flauta para os lábios. Pamina tomou a mão dele para levá-lo. Juntos, eles caminharam na caverna, a flauta da canção quellíng seus medos. A música protegida eles, acalmar-Ing seus corações. Eles emergiram intocado pelos elementos e triunfante. Tamino e Pamina são representadas como são testados pela primai elementos da água e do fogo. Tamino é olhos vendados, representando a inocência limitando sua visão do mundo. Não é possível ver, ele deve se basear em Pamina para orientar ele. Pamina, por sua vez, espera que o amor irá orientá-los para a segurança. Embora ela pode ser 106
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    inocente, ela sabeo suficiente para confiar em seu coração. Este serena confiança é o maior dom inocência oferece. SIGNIFICADOS: O início de uma grande jornada. Novos empreendimentos e riscos. Inocência que permite que um deve ser aberto a possibilidades, e protege de dificuldades. Enfrentar medos. Confiando o seu Béart. Otimismo. Sentindo-se protegidos por forças divinas. Rcvcrscd ou fracamente aspcctcd: Ignoring seus melhores instintos. Cinismo e de pessimismo. A desconfiança do self ou outros. Unwillínsrness para fazer um começo. 1 - O MÁGICO Quando pensamos de magia, acho que temos muitas vezes de Merlin, um lendário personagem com raízes na história britânica e mito. Famosa como a influente assessor e assistente de King Arthur, Merlin foi a prole ilegítima de uma princesa e um ser sobrenatural, quem Mcrlín's inimigos alegou que foi um mal íncubo seduzido innoccnt sua mãe enquanto ela dormia. Merlin's mágico powcrs se tornou evidente em uma idade precoce, quando a chegada de Arthur forctold como o oncc e futuro rei. Arthur's sensata regra unido as facções da Grã- Bretanha, levando a uma era dourada de paz e harmonia. Outras lendas beld Merlin responsável pela criação da mesa redonda, que joíncd os cavaleiros de Arthur em cqual rank. Outra história afirma ser persuadidos a Dama do Lago para outorgar Arthur com a espada mágica, Excalibur; esta espada empowercd Arthur como único monarca da terra. Stonehengc, o maciço e mystcrious stonc círculo fixado na southwcst Engjand, bas becn crcdítcd também como um produet oi Mcrlín da magistral masíc. Contudo, tão poderoso como Merlin's Magic pode ter sido, não poderia ¬ pare com a magia do amor. Depois de muitos anos passados no serviço aos outros, o Wiz-ard apaixonei-me pela primeira vez durante o inverno de sua vida. Vívíannc, uma bela mulher ethe-rcally quem alguns estudiosos associam o mágico Dama do Lago, implorou o assistente para levá-la sobre como seu aluno. Para provar seu valor, ela viajou com Merlin, humildemente entre os animais que vivem na floresta. Ela agiu como seu servo dedicado. Ela cumpriu ali, mas uma das suas necessidades: Ela não o ama. Com o tempo, a proximidade e da persistência da moça usava Merlin para baixo até que ele sentia tão fraco como um apaixonado criança. Ele deu forma ao seu melhor acórdão. Ele ensinou-la ali sabia da arte mágica. E quando o assistente tinha dado o seu Ali ele poderia, ele implorou a ela para ter piedade sobre sua dedicada coração. Vivianne tomou- pena para ela e decidiu colocar Merlin fora de seu sofrimento. Ela olhou sobre o Mago, agora totalmente sob o poder da sua beleza e ciladas, e administrar o golpe de grâcc. Alguns acreditam Vivianne utilizado o mágico Merlin lhe ensinou muito para encaixotar o Mago em uma torre de vidro, onde ele iria dormir através eternidade. Outra história que ela mantém preso ele em um profundo, caverna escura, nunca para voltar a Arthur's tribunal onde outros teriam ridicularizar a sua fraqueza para a jovem mulher. Outros dizem que ela transformaram os idosos em um mago sorveira árvore, cujo mágico boughs conceder poderes sobrenaturais para ali que sabem tirar partido deles. O que aconteceu, Merlin da final era evidente. Os poderes mágicos que ele tinha sido desfeita pela única coisa mais poderosa-amor. 107
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    Merlin é retratadoaqui, no momento da sua transforma-ção de beguíler para iludiram. Ele está cercado pelo instru-mentos de alquimia que ele tem ensinado a Vivianne wield. Como Vivianne lança seu feitiço, Merlin é superado pelo amor, pela magia, pela tua consciência vir demasiado tarde, ele já sabe sometnmg mais pow-1 erful que agora ele próprio. SIGNIFICADOS; Desenvolver a magia dentro de si mesmo. Fundição um feitiço na outra para criar mudanças positivas. Auto capacitar 'mento e actualization. A ânsia de crescer para além percebida limitações. A capacidade de transformar a sua vida através da originalidade e poder pessoal. Renovada criatividade e vigor. A ânsia de crescer além do limite ¬ ções. Rcvasíd ou wtakly aspcctcd: Blocked poder. Sentindo-se sob o feitiço de um outro. Manipular ou utilizar outros. A necessidade de controlar a situação nos bastidores. Sigilo. Trickster comportamento que gera desconfiança. 2 – A SABEDORIA A fantástica avisadores que compõem a coUection conhecida como A Mil e Uma Noites ov 1 Arabian Nights ele surgiu pela primeira vez em torno do décimo século. Eles se acredita que provenham de persa, árabe, indiana e Storytelling tradições. Durante o décimo oitavo e décimo nono cen-séculos, traduções de A Mil e Uma Noites foi popularizado no ocidente devido a um fascínio com o distante Oriente. O título deste livro refere-se a organizar a sua elaboração dispositivo: Ao longo de um mil e uma noites, Shahrazade, a noiva do rei sábio Shahríyar narra as muitas histórias que compõem o coUection. Shahrazade não foi Shahríyar da primeira esposa. Shahríyar da primeira esposa, a quem o rei qua. na crença de seu virtuoso maneiras, foi descoberto em vias de INFI-delíty, para grande surpresa sua inconsolável. Intoxicado com raiva, ele co-manded ela ímmedíatc execução. Shahríyar mudou de um sábio, toleram monarca em um déspota desconfiada. A partir daí, ele suspeita de desonestidade ou mulheres, e nunca se recusou a ser traída novamente. Para garantir isso, ele decretou a qua. só virgem. noivas, a quem seria imediatamente decapitado a alvorada-ção após a noite de núpcias. Naturalmente, esta carnificina não podia continuar. Ali as meninas viviam com medo de suas vidas, para que não poderia recusar uma proposta de casamento do rei sem pôr em risco as suas famílias. Ninguém sabia o que fazer para salvar inteligente Shahrazade. Shahrazade cortejada o rei. Ela voluntariou para ser sua próxima esposa. Impressionado pela sua valentia, Shahríyar levou-a como sua noiva. Ele estabilizou o seu coração em sua beleza e graça, e resolveu que ela iria morrer, tal como aqueles que tinham precedido ela. O casamento noite passada. "Então, como o rei estava prestes a ir dormir, Shahrazade começou a dizer-lhe uma história. Apesar de sua exaustão, ele teve de ouvir as suas palavras cativante. Shahríyar nunca tinha ouvido tal um conto! Foi inesperado enredo cheio de torções , rever-sals de fortunc, heróis corajosos, e sensacional Geniès e monstros. Era como sábio Shahrazade II tinha fiado ou do mundo da literatura em maiores histórias ouro. Assim como o sol estava prestes a RISC, assim como a sua história mais emocionante 108
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    reachcd seu clímax,Shahrazade parado falando. Naturalmente, o rei não poderia matá-la, ele necded de ouvir a sua história como iria terminar. Noite após noite, Shahrazade continuou a contar a sua história para o seu marido, que pendurou em sua cada palavra. Contos entrelaçados em novos contos, na sua infinita inteligente varia-ções. Manhã após manhã, Shahríyar poupou a vida dela. Em breve um mil e uma noites e os dias passaram. Durante este tempo, a sabedoria Shahrazade venceu os reis amor e confiança. Ao fazê-lo, ela salvou sua vida, assim como * i aqueles do seu companheiro da mulher '^ Unido. Shahrazade é pintado aqui como ela diz a uma tomada de ar para o seu conto encantado marido. O sol ris-Ing atrás deles revela o final de mais uma noite árabe. Shahríyar da mais nova e última rainha é sereno com o conhecimento que ela vai viver para ver outro dia. SIGNIFICADOS. Conhecimento e inteligência. Sabedoria adquirida a partir da educação. Traduzindo livro aprendizagem em entendimento. Um professor que irá compartilhar com você o que você está procurando. Usando da educação para melhorar a sua vida e outros. Usando sabedoria para transformar uma situação difícil para o melhor. Rcverscd ou wcakly aspecto: falta de vontade para aprender. Overrelíance sobre o intelecto, ou factos. Superficialidade. Intimidados pela inteligência ou educação. Sentindo-se limitado por uma falta de conhecimento ou compreensão. 3 – A FERTILIDADE Magnífico Cleópatra, rainha. férteis do Nilo, imperatriz do Egipto, Egipto reinou durante mais de duas décadas. Durante este tempo, ela se tornou conhecida em todo o mundo antigo para o seu encanto sedutor, musical voz e inteligência invulgar. Embora tivesse sido feita rainha Cleópatra na tenra idade de dezessete, ela logo foi forçado ao exílio por aqueles que dela ressentimento regra. Para recuperar o seu trono, ela recorreu a ajuda de César por contrabando-se a ele na rolos de um tapete oriental. César imediatamente caiu no amor com a jovem rainha. e ajudá-la com sucesso resaín-lhe o trono. Wbíle comemorar sua vitória, Cleópatra concebeu um filho de César, que um filho chamado Caesaríon, ou "Little Caesar". Cleópatra retornou ao Egito, mas César não poderia esquecer a imperatriz do bis coração. Ele convidou-a a regressar a Roma. Durante quase dois anos, César e Cleópatra viviam juntos em seu magnífico palácio em um círculo de ouro felicidade. César era tão besotted com a rainha egípcia que ele ergueu uma estátua dela em um templo de Vénus. Embora César era casado com outra mulher, alguns pensavam que ele iria encontrar um caminho para qua. Cleópatra. Isso tornaria o filho herdeiro para a combinação reinos. Juntos, os amantes foram simplesmente demasiado forte, o seu império demasiado grande. César foi nomeado ditador do Império Romano, e detratores alegaram que ele planejada para declarar-se rei de Roma. Ameaçados pelo poder César acumulou ea ambição de Cleópatra, vários senadores conspiraram e esfaqueado até à morte César sobre o infame Ides de março, em 44 AC. Inconsolável, mas pragmática, Cleópatra e Roma Caesaríon fugiram para salvar suas vidas. Após a sua retum para o Egipto, Cleópatra consolidado sua regra, sem dúvida utilizando ali ela tinha aprendido a partir de César. Mas o cenário político mudou: Após a morte de César, a guerra civil divide o império romano entre os três governantes. Um deles era Marco Antônio, a quem Cleópatra facilmente seduzidos. Ele ajudou a Cleópatra estender 109
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    seu reinado parase tornar rainha de Creta e Cyrenaica. Ela foi proclamada a rainha dos reis. Indignado, o Senado romano declarou guerra ao Egito. Desta vez, Marco Antônio da afetividade não foi suficiente para proteger o império Cleópatra. Mesmo com a sua ajuda militar, as forças egípcias foram facilmente o excesso de entrar em uma batalha no mar. Preferindo morrer com honra do que viver humilhado, Marco Antônio e Cleópatra escolheu para terminar a sua vida pelas suas próprias mãos. Com o fim do reinado de Cleópatra, a era dourada de faraós carne para um próximo. Ela foi a última monarca do Egipto, apesar da sua determinação intenções, o Egipto após a sua morte se tornou uma província de Roma. Cleópatra e César são i | f retratado aqui fecunda na glória de seu acórdão anos. Draped rica em jóias, a rainha egípcia está grávida com o filho de César, quem espero, Consol- IDATE seus reinos. César é coroado com os lauréis do Víctor. Eles estão rodeados por símbolos de expandir os seus impérios, incluindo um mapa do mundo antigo, que está sobreposta sobre um céu estrelado. Gatos, grandes e pequenas, cerca de desfile, simbolizando a fertilidade poderes de Bastet, a regai deusa egípcia gato. SIGNIFICADOS: Prejudicial ao longo da vida. Alargar os horizontes. Experiências de fecundidade e abundância. Um novo casamento ou SPE "ciai que apoia uma relação de crescimento. Ação prática que se manifesta como produto físico-crianças, empenho artístico, ou riqueza. Gravidez. Invertida ou fracamente aspicttd: privação ou esterilidade. Sentindo a falta de recursos materiais. Limitação que esgotar. Necessitado de maior abundância na vida. 4 – A POTÊNCIA O Complexo LECEND de King Arthur e Rainha Guinevere aparece várias formas no Reino Unido, bretão, e Roman história e íolklore. As raízes da sua história também pode ser encontrado na mitologia celta, whcre Regents vezes o desgaste do imortal cores de deus e deusa. O arquétipo de Arthur como uma única vez e futuro rei da Grã-Bretanha vive hoje como um exemplo da utilização do poder iluminista-moderno imaginação ainda são capturados pelo ideal de Camelot, o castelo de utópico que declarou Arthur. Arthur's Life começou humildemente. Apesar de ser da rainha nasceu Igraíne, esposa do rei Uther Pendragon, no momento da morte do seu pai, ele foi ime-díatcly tomadas a partir de sua mãe pelo mago Merlin a bc raíscd de anonimato. Desta forma, o jovem monarca Merlin protegido de os senhores que lutaram para conquistar o trono Uther. Como eles squabblcd entre themselvcs, a terra caiu em ruína. Quando Merlin predito de um rei, que viria a uni-los ali um dia, nenhum dos senhores acreditei ou a magia assinar ele profetizou: Apenas um, que poderia puxar uma espada mágica de uma bigorna seria regra Inglaterra pela direita. Anos passaram. Conforme Arthur cresceu em masculinidade, ele permaneceu conhecimento da real situação antes dele. O dia em breve. carne quando ele encontrou a espada na pedra. Na necessidade de uma espada, Arthur facilmente puxado para fora, alegando Inglaterra, assim como o seu. Embora muitos lutaram com o jovem rei, no tempo ou questionando o seu direito à regra foram superados. A chegada de King Arthur iniciada com uma idade dourada da Inglaterra. Ele uniu facções 110
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    por ganhar suafealty com a sua coragem e uma liderança responsável. Ele reuniu os melhores cavaleiros sobre ele que ele poderia encontrar, incluindo a nobre Lancelot du Lac, a quem muitos considerado o maior cavaleiro vivo. Ele também decidiram se casar e começar uma família. Desde o primeiro momento a viu esbelto forma, Arthur amava Guinevere, a jovem filha do Rei Leodegrace do Norte. Embora Merlin advertiu-lhe que outra mulher lhe traria maior felicidade, o seu coração era irrevogavelmente fixado. Foi fiel Lancelot quem Arthur confiáveis para apresentar o seu naipe para Leodegrace. Contudo, logo que cumpridas Lancelot Guinevere dos olhos, eles foram posscssed por um poder maior do que a sua lealdade para com o Arthur. Ambos lutaram para controlar as suas emoções como Guinevere casado Arthur. E assim Arthur's poder trouxe a noiva yearned para ele, mas ele não trazer o seu amor. Por muito que Guinevere respeitado o seu marido, era Lancelot ela desejar. Experimente o que ela poderia, o trágico triângulo de Arthur, Lancelot e Guinevere foi enraizada para o resto de suas vidas. Ele levaria a amarga infelicidade para ali três. Mas ainda hoje, a beleza do ilustre King Arthur's Reign vive em, apesar do triste rainha que não o amo. Arthur e Guinevere são mostrados na sua trono, sur-arredondada, com a glória que foi Camelot. A tapeçaria pendurada atrás deles revela Lancelot, que está sempre no Queen's th.ough.ts. A mesa redonda, sobre a qual nenhum cavaleiro poderia sentar mais alto ou mais baixo no estado, revela o objetivo final de energia: Para criar paz e harmonia. SIGNIFICADOS: A habilidade de usar o poder sabiamente. A consciência de um poder do. Reunião autoridade figura ou um professor que pode ajudar. Responsíhílíty para outros. A capacidade para liderar e inspirar. O conhecimento de como criar mudanças sem abrir mão de valores importantes ou de recorrer à violência ou engano. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Oprimido por outro o poder e autoridade. Insegurança. Perda de poder pessoal. Passivo agressão. Usando o poder de manipular outros para ganho pessoal. 5 - A TRADIÇÃO Romeu e Julieta foi baseada Thi Tragícal História de Romeus e Julkt, um longo poema narrativo. conhecer durante Shakespeare's tempo. No entanto, tomou Shakespeare's génio para transformar essa história em um dos maiores desempenha no idioma Inglês. Escrito em 1595, Romeu e Julkt é conside-rados os quintessencial exemplo da estrela- cruzado amantes aprisionado pelas suas famílias-LIES "tradicional ódio de si. Ao longo dos séculos, esta extremamente pop "o seu jogo tem servido de inspiração para inúmeras variações no cinema, na ópera, e da literatura, alguns dos quais subvenção Romeo andjuliet negou-lhes o final feliz por Shakespeare. Na Renascença Verona, uma antiga desavença entre a Montague Capulet famílias e espalhar a discórdia througbout pacífica outra cidade. A tradição de ódio entre as duas casas nobres era tão arraigada que iria acontecer se uma carnificina Capulet acidentalmente reuniu um Montague na rua. Julieta, a quatorze anos de idade, filha de Lord Capulet, fez o seu melhor para não tomar parte na contenda. Mas isso se tornou impossível quando ela caiu no amor com Romeo, o bonitão, impetuoso filho de Lord Montague. Juliet Romeo conheci quando ele escapado dissimulada no Capulets' ¬ cos Tume Bali. 111
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    Juliet, que tambémfoi mascarada, atingiu-o com sua beleza e graça como ela dançou ao lado dele. Quando ele soube que Juliet era o seu inimigo da filha, já era demasiado tarde, tradição ou não, paixão proibida já tinha ultrapassado os jovens para os jovens Montague Capulet. Mais tarde naquela noite, Juliet Romeo apareceu debaixo da janela do quarto para ela namorar com melado palavras. Os dois admitiram ansiosamente seu amor um pelo outro, e jurou de casar com a maior brevidade possível. Foi Frei Lawren.ce cuja ajuda Romeu e Julieta alistaram. Fr. Lawren.ce foi inicialmente duvidosos de Romeo's súbito desejo de Juliet, mas, em última instância, decidiu que os seus votos de casamento ia curar o ódio entre as Montagues e as Capulets. Tocou os tradicionais rituais de casamento para eles, e foi empossado em sigilo. No entanto, a paz não era para ser de Romeu e Julieta. Mais tarde naquele mesmo dia, Romeu foi atacada por um dos parentes da juliet na rua e, whílc dcfendíng si próprio, o esfaqueado Capulet dcad. Forçado a fugir de sua vida, baseou-Romeo Frei Lourenço de agir como íntcrmcdíary entre ele e sua nova artimanha. Juliet tinha problemas de seu próprio: a sua família queria que ela se casar anothcr, e ela não podia dizer-lhes que ela já estava qua. a Romeo. Para ajudar, o frade offeredJuliet uma poção que tornaria, como se ela morreu há dois dias. Esta seria conceder-lhe tempo para notificar Romeo, que chegam para salvar sua amada tal como ela despertámos em. cripta da família. Mas o destino conspirou contra os amantes-Romeo recebeu palavra de Juliet da morte antes de ter sido informado pelo frade. Ele correu ao seu lado, e envenenou-se a morte. Julieta, despertar nos braços do marido dela morreu, não hesitou em usar sua adaga para eternallyjoín ele. Triste como o seu conto pode ser, o amor de Romeu andjulíet fez trazer sl ^ ^ ^ Wl Pí um fim à tradição ol ódio que flagelaram suas famílias. Ele deu lugar a uma nova tradição de tolerância e compreensão. Romeo andjulíet são mostrados como eles recebem a sacrcd rituais de casamento a partir de Frei Lourenço. Dois querubins, paíntcd em afrescos enquadrar a jovem, oferecer a opção de amor ou de direito. Além deles assenta a cidade de Verona, em cujos muros caíram no amor. SIGNIFICADOS: Após estabelecer as estruturas sociais. Tradições que podem constranger. Em relacionamentos amorosos, o desejo de casamento ou alguma outra estrutura formal por motivos de segurança. Conscientização da imagem pública eo desejo de controlá-lo. Querer obedecer a fim de obter aprovação. Possíveis rigidez. Rcvcrsed ou yjtakly aspcctcd: A necessidade de se deitar fora antigas estruturas sociais que condicionem. Medo de não convencionais ideias e formas de abordagem. Inconformismo. Questionamento da tradição pela tradição do amor 6 - AMOR O mito de Isis e Osiris ílustra o poder do amor e como ele pode transformar-nos irremediavelmente. Durante mais de três mil anos, antes de 3000 a.C. para o segundo século AD-Isis era venerado no Egito como a motber deusa do universo. Ela teve dois brotbers, Osiris e Set. Osiris foi o responsável pelo solo fértil e Set governou o árido deserto. Quando eles foram idade suficiente, deus do sol Rá casado com Isis Osiris. Isis e Osiris foi feliz em seu amor um pelo outro. Sem lua ou estrelas poderiam ofuscar a sua paixão. 112
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    Porque eles foramfelizes em tbcír união, Isis e Osiris foi generosa e justa. Seus dias foram gastos nutrir o mundo: Isis poderes do combincd com Osiris's ressuscitados abundante comida dos ricos e da fertilidade do solo egípcio Nilo. Consequentemente, foram adorado por muitos e concedeu honras superiores ao seu irmão Set. Definir este observado. Ciúmes comi a sua alma, concedendo-lhe sem descanso. Seu propósito para o seu irmão rapidamente virou-se para odiar. Para ser liberado da mesma, ele trappcd Osiris em um coflín e heaved-lo para a agitação das águas do Nilo. Gríefstricken, Isis transformada em si mesma um pássaro escuro e flcw cada ior-se procurando seu amado Osiris. Finalmente ela encontrou o caixão embeddcd dentro de uma árvore, que tinha crescido em torno dele ao longo do tempo. Isis escondeu o caixão de Conjunto. Definir Mas aprendi ali. Ele roubou Osiris de Isis, e cortar o corpo do irmão bis em quatorze pedaços, que se dispersa ao longo do Egito. Isis foi implacável. Reforçada pela sua devoção à Osiris, ela viajou para cima e para baixo do Nilo, em um papiro barco, em busca de pedaços de perdeu o seu marido do corpo. Anos se passaram antes que ela encontrou todos e cada um. Quando ela fez, Isis Osiris colocados de cada peça, ao lado do outro, e juntou-lhes Ith cera e ouro. Em seguida, usando o poder do seu amor, a deusa Osiris trouxe de volta à vida de um abraço final. Esse ato de amor resultou em Isis conceber um filho de Osiris. Seu filho, o deus Horus falconTeaded, cresceram e prosperaram, um potente lembrete de como o amor pode criar vida, mesmo quando confrontados com a esmagadora adversidade. Isis e Osiris são mostrados envolto na sua última abraçar. Vida redemoinhos em torno da quietude do seu beijo. Vários pássaros voam pelo escuro, symbolíz "que aprova o movimento do destino que o amor pode nos proteger contra, bem como Isíss pesquisa para ela perdeu Osiris. 1 ele bícroglyphs pintados sobre o ouro por detrás da parede amantes cita um antigo Egípcio amor poema. O Amor cartão symbohzes amor na sua mais pura forma: O amor que nos dá poder para o bem; amor que traz alegria para o coração. Representa também o prazer sensual amor traz à nossa vida, incentivando-nos a encontrar formas de aumentar saudável e desfrutar de sua presença. Embora este cartão também pode sugerir o aparecimento de um relacionamento amoroso importante, que pode parecer um predestinado pelos céus symbolíz-lhe também, é a união das energias masculina e feminina dentro de nossa pró- prios. Esta feliz estado de harmonia nos permite transformar o mundo em torno de nós, como se fôssemos deuses ou goddesscs. SIGNIFICADOS: Amor que inspira-nos a grandes feitos e harmonia. A consciência da natureza do amor apaixonado, e que é necessário para encorajar. Sensualidade. Integração das energias masculina e feminina, o que alguns chamam a anima e animus. Uma nova e importante relacionamento. Paz dentro de si mesmo. Amor, que transformaram o mundo em torno de você, assim como você. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Feeling indigna de amor. Manipular os outros com sexualidade. Impossibilidade de encontrar um parceiro amoroso. Imaturidade e irresponsabilidade nos relacionamentos amorosos. Jogo. Desarmonia. 7 - DESEJO The Story of Tristan e Isolde tem origem no francês e Celtic tradição. Ela mostra como o desejo tudo arrasta ao longo da sua trajectória firme, criando movimento imparável, onde 113
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    havia uma estagnação. Tristanfoi um homem que tinha conhecido-perda triste, triste; Tristan, um triste. Sua mãe havia morrido trazê-lo para a vida, e juntou-lhe o pai logo depois. Sem raízes, ele prometeu a sua lealdade ao rei Marcos da Cornualha, que amou e cuidou Tristan como seu próprio filho. Tristan e Mark eram inseparáveis. Ele confiou em que ele Tristan desejado digna de uma esposa dele. Um dia uma pomba voou para a janela do Marcos, transportando uma vertente de ouro cabelo. Persuadidos Este foi um sinal, ele perguntou Tristan para encontrar o proprietário do cabelo, para que ela só poderia ser sua esposa. Tristan viajou muito e largura. Ele encontrou o cabelo pertencia a Isolde, filha do rei de Portugal, o rei Mark's mais acérrimo inimigo. Mas, inimigo ou não, Tristan faria Marcos da licitação. Como Tristan Isolde wooed anonimamente para Rei Marcos, a princesa pensou que o bonitão queria que o seu próprio cavalo e sentiu desejo em seu favor. Seu desejo virou para fúria quando Tristan revelou que ele estava agindo de proxy de Mark King. Mas sem o casamento, a ameaça de guerra loomed entre a Irlanda e Cornualha. Contra a vontade dela, concordou com Isolde qua. um homem que ela nunca tinha visto e não amor. Isolde chorou quando ela deixou o pai e mãe. Como ela abraçou-os para uma última vez, a mãe dela pressionado um pacote para as mãos da princesa. Este pacote continha uma poção mágica que ela prometeu Isolde traria alegria dela até à morte sobre a sua noite de núpcias. Audição da sua mãe palavras, Isolde pensou a mãe dela tinha dado-lhe uma maneira de matar, assim poupando-lhe a vergonha de um casamento indesejado. Isolde decidiu que ela não iria morrer sozinho, em vez disso, ela ia morrer com Tristan, que tinha ganho o seu coração, mas traiu a confiança dela. Isolde misturada com a poção vinho em uma taça de prata. Ela convidou Tristan para vê- la. Oferecendo a mão dela na amizade, Isolde bebeu a taça de profundidade e, em seguida, entregou-a Tristan. Tristan. bebeu o que restou. Como o vinho snaked através Tristan e Isolde's veias, o amor como uma propagação vinha mais forte do que espinhos e muito mais selvagem, enchaíníng um para o outro. Para Tristan e Isolde morte não tinha bebido, mas o amor que teria passado sobre a morte. Isolde da mãe, desejando a sua filha em casamento alegria, tinha uma concepção amor poção tão forte que não terrena poderes poderão alterá-la. Nada poderia ser feito. Como o navio em direção Sped Cornualha, Tristão e Isolde deu-se ao desejo da atracção irresistível. Tristan e Isolde são mostrados após beber poção do amor. O oceano ao seu redor é tão selvagens como os desordeiros emoções nos seus corações. A feroz "vidade da sua vontade paixões um ao outro, como se eles nunca poderiam ser separados. É uma força muito grande de uma força para resistir-lhe puxa-los em conjunto como um poderoso corcel. O Desejado cartão sugere forças além con 'trol-queridos, temos de apresentar ao. A terra- emocional escapo é demasiado selvagem e poderosa para domar. Só podemos confiar em que estão em nosso melhor interesse, já que eles são fadado. SIGNIFICADOS: Sendo puxado pelo desejo. Movimento para a próxima fase da vida. Sentindo-se as forças do destino. Se você estiver se sentindo impaciente, não se preocupe-transições vão bem, como se eles estão destinados a ser. Externai forças que trabalham com você. Rcvcrsed ou wcakly aspecto: Necessidade de espera. Impaciência. Encurralado pelo que sentem 114
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    desejos insaciável. Inconvenienttiming. Ignorar ou insensibilidade aos sinais em torno de si mesmo. Sentindo-se incapaz de fazer uma transição. 8 – A FORÇA A lenda de Siegfried Brunnhílde e é nativo da Norse e tradição germânica. Ela mostra como o amor pode fortalecer-nos para fazer ações muito além das nossas capacidades normais. A valquíria Brunnhílde era o filho favorito de seu pai Wotan, soberano dos deuses e deusas. Um guerreiro imortal, ela estava disposta a seguir a vontade de seu pai, trazendo os corpos dos animais guerreiros para Valhalla, o seu palácio construído em grande custo. Por Wotan havia comprado Valhalla ouro com um anel mágico, que deu o poder de Ali o mundo para todos que ele usava. Se vier a este anel Fali em mãos erradas, o fim do mundo iria chegar. Para obter este anel, Wotan previstas para mobilizar a ajuda de um homem forte o bastante para ganhá-la de volta. Esta foi bero Siegmund. Mas o destino tinha uma torção de Wotan: Siegmund caiu no amor com outro homem da mulher, e os outros deuses ordenado que ele deve ser morto pelo marido da mulher como punição por seu adultério. Contra bis será Wotan foi obrigado a concordar com a sua decisão. Para fazer o contrário seria expressos vergonha na sua consorte Frícka, a deusa do casamento cujos votos Siegmund desonrado ilícitas com o seu amor. Wotan enviado Brunnhílde Siegmund para dizer que ele iria morrer. Siegmund, mas recusou-se a ir voluntariamente com a valquíria de Valhalla, para a mulher que ele amava agora transportada seu filho. Como ele implorou pela sua vida, Brunnhílde do coração foi movido. Pela primeira vez, ela compreendeu o poder do amor, que fez forte o suficiente para ir contra a vontade de seu pai, ela concordou em ajudar a ganhar seu Siegmund batalha. No entanto, Wotan. assolou Siegmund morto, para os deuses' com.br 'comandos não devem ser ignorados. Por essa transgressão, Wotan fez Brunnhílde mortal na carne e no coração. • "Como mulher, Brunnhílde tinha ali as vulnerabilidades de um. Seu pai ordenou que ela casar com o primeiro homem que encontrou a sua defesa na floresta. Mas Brunnhílde teve uma inspiração: Ela implorou para não ser homem comum da noiva. Sabendo que Siegmund da criança só poderia ser um herói como o pai, ela pediu para ser colocado para dormir sobre uma pedra encantada protegida por um anel de fogo. Apenas um herói, como o filho de Siegmund seria corajoso o suficiente para andar throush o fogo para acordá-la como sua noiva. Juntos, eles bc seria forte o suficiente para recuperar o anel do poder de Wotan. Wotan concordou em Brunnhílde do sábio pedido. Quando Síegmun.d 's filho nasceu, sua mãe lhe chamado Siegfried antes que ela faleceu. Siegfried cresceu para ser tão destemido como Brunnhílde frente "disse. Os anos passaram e ele soube de uma mulher cercada por chamas nenhum homem poderia reivindicar para o seu próprio. Sem medo, Siegfried caminhou através intocadas as chamas. Como ele Brunnhílde acordei com um beijo, ele sabia que o amor pela primeira vez. Apesar de muitas torções do destino, Siegfried e Brunnhílde eram fortes o suficiente para recuperar o anel do poder, assim, salvar o mundo. Brunnhílde e Siegfried são representadas triunfantemente unida em último lugar. As chamas foram extintas 115
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    Brunnhílde envolvente, comoum encantamento quebrado pelo primeiro beijo do amor. Os amantes cara do mundo, confiantes de que eles são fortes o suficiente para enfrentar qualquer coisa. Nada vai impedi-lo de concluir a sua grande missão. SIGNIFICADOS: A transformação de fraqueza em força. Amor que nos fortalece. Integridade. A força para fazer grandes proezas. Firme liderança. Implacável coragem. Revased ou wtakly asptctcd: Feeling inseguro ou temeroso. A dispersão de energias. Querendo demais para ser forte para você. Criação de discórdia para enfraquecer outros. 9 - CONTEMPLAÇÃO O filósofo Peter Abelard era famoso como um brilhante teólogo e professor durante o medievo idades. Ele nasceu em 1079 em uma pequena aldeia fora Nantes, França. Embora Abelard inicialmente planejado para unir as forças armadas, ele encontrou-se atraído para a mais vida contemplativa da mente. Dentro de sua profissão escolhida, Abelardo depressa se tornou conhecido pela mestria do diálogo filosófico e independência de pensamento, ele mesmo foi contra a política da Igreja e tomou posições solidário com tradições pagãs. No entanto, nenhum destes actos escandalosos poderia comparar a tempestade CRE 'criadas quando Abelard apaixonei por Eloise. A história de seu amor proibido é definido no Abelard's 1130 livro, História Calamítatum, ou A História ofMy Calamhks. Forçado a escolher entre seu amor pelo talentoso Eloise e sua carreira na igreja, Abelardo tentou sem sucesso preservar ambos. Eloise foi apenas dezassete anos, quando ela encontrou-se com o primeiro míddle'aged professor, que tinha tomado a residir em Paris. Ela era linda, educada, e encantado com a aprendizagem. Seu tio Abelardo implorou para levá-la sobre como seu aluno e ele concordou. Abelardo e Eloise da paixão para o mundo da instrução intelectual logo deu lugar a uma paixão por si: Abelardo deu o seu votos de celibato para se tornar sua amante secreto. Mais de uma centena de cartas documento, o assunto de Abelardo e Eloise, revelando o amor profundo e cumpridores eles compartilhados. Eloise logo engravidaram com um filho. Ela chamado Astrolabíus ele, para sugerir celeste origem. Para proteger a carreira brilhante Abelard na igreja, eles qua. em segredo. No entanto, quando eles tragédia aguardado Eloise tio do des-coberto tudo. Ele estava tão furioso com a traição do homem que ele havia contratado para ensinar sua sobrinha que ele organizou para um grupo de homens para castrar ele. proteger o Eloise, Abelardo ela insistiu em participar de um convento e tornar-se uma freira. Por sua vez, ele se tornou um monge. Seu filho foi enviado para viver com segurança e com Eloise da irmã. Mas apesar de os amantes foram sep 'arated, eles não podiam esquecer-se mutuamente. À medida que os anos passaram, Eloise ele escrevia cartas volumosas. Em um deles ela jurou, "Deus é minha testemunha que, se Augusto, imperador de todo o mundo, pensamento apto a honra-me com casamento e conferiu a terra ali comigo para sempre possuem, seria caro e mais honroso para mim para ser chamado, mas não a sua Imperatriz sua pauta. " Eloise e Abelardo nunca conheceu outra vez na vida, mas foram juntaram-se em morte: os seus corpos são enterrados ao lado de outros em cada Père La Chaise, um cemitério parisiense conhecida pela sua celebridade habitantes. Abelardo é mostrado como ele escreve sua História Calamítatum, que fala de seu amor por Eloise. Como ele funciona, ele pinta uma foto dela como uma freira, como se ele é 116
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    Prevendo a suavida naquele momento. Abelardo é fn vestido vermelho, simbolizando o corpo pas-sion ele deixou para trás o mundo da razão. Uma janela mostra uma paisagem calma, sugerindo a viagem, ambos os amantes tomaram uma viagem que levou-os a uma vida de contemplação. SIGNIFICADOS: Retirada da vida para melhor contemplar efeito. A necessidade de ir dentro para ganhar sabedoria. Ouvir o seu coração. Retiro em vida interior, neste momento, as suas necessidades não são tão centrada na relação com os outros, mas sobre o seu relacionamento com você mesmo. Rcversed ou wcakly aspecto: distracted por todo o mundo. Ignoring intuição. Não há tempo para pensar e reflectir. Superfkíality. Sensações estranhas com o seu coração. 10 - FORTUNE A HISTÓRIA DO Danae oferece uma parábola da fortuna do triunfos e travaíls. Na Roma antiga, um rei chamado Acrísíus tinha um chamado daugbter Danae-uma princesa com uma maldição, após seu nascimento para o oráculo de ApolJo predisse que um dos filhos da princesa iria matar o rei. Acrísíus não podia deixar isto acontecer. Quando Danae carne de idade, ele murado ela dentro de uma torre de bronze, nunca se casar nem ter filhos. Apesar disto, Danae sobrevivido e espera por algo melhor. Um dia após a fortuna sorriu Danae. Como ela estabelecer repousarão sobre ela palete, um chuveiro de ouro brilhante derramado através da torre, as janelas. Dentro deste brilho, um homem alto e regai apareceu. Danae imediatamente conhecia este homem era um deus. E ele foi: Ele era Zeus, deus dos deuses ali, e mais poderosa de seres ali. Zeus transformou-a sombria prisão em um magnífico palácio. Ele é preenchido com jóias e roupas bordadas, e deu-lhe livros e outros itens para preencher o seu tempo. Ele também estabeleceu com Danae, jurando o seu amor por ela. Fortune terá o seu caminho como seguramente como um Deus de uma rapariga inocente. Em tempo Danae suportaram um bebê que ela chamado Perseus, um filho Zeus disse a ela seria um grande herói. Danae finalmente sentia seguro, protegido pelo amor de deus, a mãe de um herói. Mas o pai dela Acrísíus não tinha esquecido a maldição. Uma noite, o rei viu luz deitando fora da torre, as janelas. Ele tinha seus operários abrir a torre, e encontrou sua filha com o seu filho recém-nascido. Apavorado, mas incapaz de matar seu único neto e filha, Danae e Perseu Acrísíus colocado em uma mala grande, que foi heaved no oceano insondável para levá-las longe. O mar em torno swírled Danae e Perseus, arremessando-os para a sua destino. Danae Enquanto não poderia imaginar como eles vivem, ela sabia que iria sobreviver, por Zeus iria protegê-los. E Deus fez a cuidar deles: Um homem capturado Fisher-mãe e da criança dentro da sua rede após a sua mala finalmente aterrou upon. longínquas da ilha de Seríphos. Polydectes, o rei de que a terra, estava encantada por Danae da beleza e quis se casar com ela. Mas Danae foi casado com a música-como certamente como Zeus fez dela a sua amante. Perseus cresceu em um homem forte, ao longo dos anos. Depois de muitas aventuras, ele fez matai-Acrísíus um castigo justo para o tratamento da sua única filha tão cruelmente. Danae deslumbrado com o que é mostrado fortuna trouxe-lhe, mas também intrigado. 117
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    Como Zeus apareceantes dela, ela calms com promessas de amor. Além dela, uma paisagem verdejante rola em direção ao mar agitado, simbolizando o inesperado, mas promissor voltas do destino vida tem oferecido a princesa. A Fortune cartão Arent recorda-nos que estamos sempre no controle. Há mais poderes no trabalho, | forças que são mais expansivas i e abundantes que, muitas vezes, para lhes dar crédito. Para confiar na sorte melhor que podemos oferecer é a nossa cara mora com expectativas positivas, o mundo pode ser uma generosa lugar onde as coisas boas acontecem SIGNIFICADOS: Positivo sorte. A generosidade do universo. A capacidade de estar abertos a abundância. Atenção de todo o mundo. Sentimentos ol expansão e expectativas positivas. Conscientização da beleza e do amor. Chance. Revased ou wcdkly aspectcd: Desconfortável sentimentos ou decepcionantes experiências com chance. Unexpected terminações ou iniciar-níngs. Caprícíousness. Sentindo-se ignorado por fortuna, quando é que vai ser a sua vez? 11- JUSTIÇA AS FORÇAS imóveis da justiça são representadas na história de Ulisses e Penélope, que é contada em O Homer's Odyssey. A Odisséia narra do rescaldo da Guerra de Tróia, Ulisses e do herói da jornada a ser reunificada com a sua amada esposa Penélope. Embora ele tivesse sido deslocado para dez longos anos, Penélope esperou fielmente para o seu retorno. Durante este tempo, ODYSSEUS havia sido preso após uma ilha pela feiticeira Circe, que foi determinada a possuir o guerreiro por ela própria. Quando ele finalmente escapou de suas garras, ODYSSEUS enfrentou outros desafios antes de chegar casa. Estes incluíram um encontro com um ciclope, o canto das sereias enlouquecedora, ea ilha de seduetíve o Lotus eaters. Embora Penélope não sabia nada de aventuras do marido, ela se manteve certa. ele iria voltar para ela. Apesar de sua fidelidade professada, ela estava sobrecarregado com os pretendentes que pretendia preencher o lugar vazio no seu leito conjugal. Penélope estava angustiado pela sua atenção e pela discórdia trouxeram ao seu agregado familiar. Estes pretendentes movida em seu palácio, comeu sua comida, e lutaram entre si. Mas Penélope foi sensato. Para criar a paz entre eles, ela começou a tecer uma tapeçaria, promissor para escolher um novo marido no dia que ela acabei. Para garantir que o tempo nunca chegou, cada noite Penélope desvendados seu dia de trabalho por velas. Ainda estes pretendentes não deixaria a pobre mulher sozinha. Eles espiado sobre ela, quando deveria ter sido dormindo, e ela descobriu secret.Threateníng para lutar novamente, os pretendentes obrigou-a a terminar a tapeçaria e escolher um companheiro de entre eles. Dificultoso, Penélope teve outra idéia. Ela alegou que ela pró-ia casar com apenas um homem forte o suficiente para string marido da proa, que havia deixado com ela ODYSSEUS quando ele foi para a guerra. Centenas de homens alinhados, ansioso para ter um turno . Nem um deles foi suficientemente forte, com excepção de um homem. Este homem, um homem que Penélope não reconheceu na primeira por causa de seu cabelo trapos e selvagens, foi ODYSSEUS próprio. Fingindo ser um novo pretendente, ele com chavêtas seu arco-o mesmo arco estes pretendentes eram demasiado fracos para deter e matou-os ali antes afirmando a sua mulher novamente. É impossível descrever-vel para o concurso 118
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    de alegria ePenélope ODYSSEUS do longa-yearned para a Reunião. Assim, justiça foi feita através da força da ODYSSEUS e da sabedoria de Penélope. Penélope é mostrado tecendo pacientemente a sua tapeçaria. Ela é con-fídent com confiança o que ela espera do marido voltar. Pendurada na parede atrás dela retrata a justiça ela sabe ODYSSEUS wíU servem. Uma escala, pintada sobre o lado de Penélope do banco, que representam «wíU que representa a justiça prevaleça. A Justiça cartão oferece uma calma lembrete para acreditar na força da equidade. Mesmo Se a vida parece estar cheia com injustiça, calma orelhas wíU reconhecer o que é certo. A verdade sempre vence. SIGNIFICADOS: Justiça será feito. Confiante paciência. Wise perspectivas. Equidade. Necessidade de uma perspectiva mais destacados de um incômodo situação. Não se preocupe, você será capaz de defender-te; razoável ouvidos ouvem. Rcvcrscd ou wcakly aspccted: injustas acusações. Frustração com burocracias ou organizações. Impaciência. O surgimento deste cartão mostra que esta é uma situação temporária. 12 - SACRIFÍCIO O mito grego de Orfeu e Eurídice oferece um exemplo de amor sacrificada por causa do amor. Sua história ressoa para este dia. Orfeu era o filho do deus Apolo domingo. Embora ainda uma criança, seu pai ensinou-lhe a forma de cantar e tocar a lira. Com suas canções Orfeu moveu os corações dos homens e dos deuses. Além de ser jovem, talentoso, e bandsomc, ele era amado pela ninfa Eurídice. Ele amava wíldly em troca. Quando qua. Orfeu e Eurídice, Orfeu nunca suspeitou que eles seriam parted tão cedo. Após Ali, ele foi abençoado por Apolo. Mas uma serpente, jcalous do jovem casal do êxtase, pouco Eurydice SHC do tornozelo como strolled através de um campo gramado. E assim ela passou írom deste mundo para o outro enquanto ainda uma jovem mulher. Orfeu foi distraído pela Eurydice da morte. Ele wandered todo o lado, lamentando a sua esposa. Dispostos a renunciar ao destino, alguns believcd ele viajou na medida do Egito, onde ele aprendeu a preservar o segredo ritos mortos a ser como eram na vida. Na hora que ele chegou no portão de Hades, a terra dos mortos Eurydice agora onde residia. Mad com tristeza, ele decidiu resgatá-la. Então Orfeu cantou. Com sua música, ele implorou a pedras em torno Hades para dividir aberta para ele, e eles fizeram. Com sua música, ele entreated o Rio Styx à parte para ele, e já o fez. Dentro da terra dos mortos, as bebidas espirituosas foram chocada ao ver um homem vivo. Mas eles choraram após a audiência, a beleza de sua música, como ele cantou de seu amor por Eurydice e como ele saudades dela. Portanto, a SPIR ¬ seu trouxe o músico para Persephone, deusa dos mortos. Sua canção quebrou Persephone's coração, e ela homenageado Orfeu 'pedido de reunificar-los, mas com. uma restrição: Orfeu não deve olhar para ela como o seguiram Eurydice fora de Hades. Se ele estava a ter um olhar para ela, mesmo antes de atingirem a sua casa, ela iria ser sacrificada à morte para sempre. 119
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    Como o jovempercorrem em direção à terra dos vivos, EURYDICE estava radiante ao vê- la busband. Mas então, dúvidas em conjunto. Desconhecendo por isso que Orfeu não olhar para ela, ela implorou-lhe para mostrar-lhe algum sinal. de Affec-ção. Embora Orfeu tentou tranquilizar-la com palavras amorosas, ela não acreditou nele. Para acalmar lágrimas, ele virou-se para abraçar a sua esposa, assim sacrificar sua felicidade para caso o seu coração. Alguns dizem que a única coisa que Orfeu viu quando ele olhou para trás foi Eurydice vanísbíng no ar. Para castigar-lhe o seu sacrifício, o músico foi rasgado em pedaços pela Furíes. As Musas reuniu seus ossos e as colocou entre as estrelas para inspirar outros. Porém, outros acreditam que, quaisquer que sejam as acções da Orfeu, os deuses e deusas sub-se que os amantes haviam sacrificado suficiente. Eles concedida Orfeu e Eurídice seu reencontro. Orfeu é mostrado aqui capturados entre seu amor por Eurydice e sua necessidade de tranquilizar a ela do seu amor. Eurydice, não plenamente humano, nem totalmente espírito, desesperadamente implora para ele um abraço. Atrás deles, cavernas escuras têm dividido a revê ai no rio Styx, o que leva de volta para Hades. O casal encontra-se espartilhada entre o mundo dos vivos ea terra dos mortos. O cartão Sacriíice sugere um impasse que traz incertezas sobre a melhor forma de proceder. Estamos literalmente encurralado entre mundos, incapaz de se mover. Quando não sabemos o que fazer, mas o que podemos fazer é entregar às forças que nos rodeiam. SIGNIFICADOS: Sermos apanhados entre mundos. Esperando transições. Curto prazo sacrifício para atingir uma meta aguardada. A renúncia a um maior princípios. Cuidar dos outros "necessidades, mesmo quando não estão no seu interesse pessoal. Empatia. Gaining compaixão de experiências difíceis. Rcvascd ou wcakly aspcctcd: A falta de compaixão. Sentindo-se incapaz de fazer um sacrifício a situação exige. Criando dificuldades para si mesmo. 13 - TRANSFORMAÇÃO O mito do Persephone serviu para explicar a mudança das estações do ano para os gregos antigos. Também ilustra a forma como as nossas relações se transformam quando encontramos a escuridão dentro de nós e outros. Deméter, deusa da colheita, tinha uma filha chamada Persephone quem tesouro mais do que a Terra. Persephone mãe amava muito em retorno. Um dia enquanto Persephone gatbered flores num prado, de repente a terra dividida em dois sob os pés. Fora do abismo ouro pulou uma carruagem puxada por cavalos pretos. O seu condutor, um homem alto, seízcd Persephone pela cintura como o carro correu de volta para o centro da terra. Este homem foi Plutão, deus do submundo, que tinha caído no amor com Persephone. Demeter, mas não sabia como ela esta searebed freneticamente para sua filha. Com o tempo, ela consultou Hécate, deusa da lua escura, e Helios, deus do All-Seeing domingo Helios Deméter disse que Plutão, o senhor dos mortos, tinha abdueted Persephone. Quando soube que Deméter Z, UE tinha dado permissão para se casar com sua filha Plutão, ela xingou o solo a ser tão árida como o coração dela. Pela primeira vez, visitou o 120
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    inverno terra. Profundamente nosubmundo e longe de sua mãe, Persephone's coração foi insensível a Plutão da declaração de amor, sua generosidade, e seu Reino. Ela chorou por sua mãe e se recusou a comer, mesmo quando Plutão ofereceu-lhe um deleitáveis romã. Sobre a terra, sem a orientação do Deméter permaneceu nu as árvores de fruto e do trigo não crescer. Zeus observado isso, ainda se manteve firme na sua decisão. Mas quando mortais entre homens e mulheres começaram a passar fome, ele finalmente entregue à Demeter. Ele concordou em reunir-Persephone com a mãe, mas só se ela não tivesse comido enquanto no submundo. Persephone estava radiante ao ver a mãe dela. Ela alegou que ela não tinha comido enquanto na terra dos mortos. Mas ela não poderia cumprir o seu olhar da mãe. Nem ela pôde cumprir Plutão, quando ele solicitou o seu regresso da romã. No âmbito da sua persistente Ques-mento, Persephone rendido os frutos das sementes e seis estavam faltando. Como sua mãe e marido argumentar sobre se Persephone deve ficar ou ir, um sábio compromisso foi apresentado: Ela iria voltar a Plutão seis meses do ano, um mês por cada comido sementes. E assim ficou decidido. Todos os anos, após a colheita foi interposto dentro, Persephone retornou a Plutão. Então Deméter aflito e interposto em inverno. Seis meses mais tarde, quando Persephone colher 'peared do submundo escuro, Deméter alegria e da terra floresceu novamente com mola. Persephone é mostrado deixando Plutão, transformada pelo seu tempo com ele. Ela entrou no abrigo ¬ mundo uma criança, e agora deixa uma mulher, plenamente consciente da complexidade da vida. Plutão, senhor do submundo, representa as forças da mudança. Se resistir, a mudança parece ser semelhante a morte, a sua sombra aspecto. Felizmente, a submeter à mudança é permitir a si próprio para ser renascido, tal como a terra é renascer cada primavera, quando. Persephone volta ao Demeter. Para dar forma a estas forças, escuro em que possa parecer, é, em última análise, para nos libertar. SIGNIFICADOS: Transformações. Terminações e começos. A necessidade de permitir que qualquer coisa a morrer, a fim de criar espaço para o novo. O medo da perda de mudança. Mudança que podem sentir dor no início, mas é necessário. Criando vida fora da morte. Rcvcrsed ou fracamente aspcctcd: estagnação. O medo da mudança. Resistindo à transformação. A necessidade de avançar em uma nova direção, mas a incapacidade para o fazer. Bigídíty. Agarrada ultrapassado situações por medo de perda. 14 - BALANÇA Venus, A deusa romana do amor, nasceu do mar e espuma, e trouxe à terra dentro de uma concha concha. Muitas vezes descrita como "a rainha do prazer," Venus primeiro foi venerada como uma deusa natureza associada com a chegada da primavera, só mais tarde a ganhar notoriedade por sua sensual Exploits. Ela pode ser considerado o bringer da alegria, pois é o amor que gera felicidade por inspirar-nos com tb.ougb.ts de beleza e paixão. Por esta razão, os seres humanos têm beseeched Vénus desde tempos imemoriais para sorrir aos seus romances. A deusa foi homenageado em primeiro lugar a cada abril Veneralia, uma festa para comemorar a chegada da primavera. 121
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    Talvez porque elacraved paixão, tanto quanto ela é inspirada, Vênus' romântica vida era tão complicada como alguns dos mais ela abençoada. Para equilibrar a sua exuberância natural, os deuses para desposá-la Vulcan, o coxo deus da forja. Vénus não apreciam do marido habilidosos artesanal, que ele usou para eperlano tantos objectos úteis e decorativos de metal. Estes incluíram Zeus da tbunderbolts, setas do Cupido, deus do sol dourado da carruagem, assim como armaduras e jóias. Alguns também dizem que Vulcan moldado Pandora, a primeira mulher mortal, de argila. No entanto, Venus não hesitou em partilhar o seu afeto com os outros. Ela sentiu direito, desde que ela considerados indignos da sua Vulcan-ele era tão feio quanto ela era bonita. Enquanto muitos homens Vénus favorecido com amor, o coração dela foi quebrada apenas por Adonis, um homem também pretendido pelo Proserpíne, a deusa da morte. Assim Adônis foi morto por um javali enquanto caça medida do lado de Vênus. Venus outros amantes da incluídos Marte, o deus da guerra, com quem teve um filho homem, Eneas. A ligação do deus da guerra com a deusa do amor foi um apaixonado um. Neste caso, Vulcan não sofrer a esposa do índiscre 'ções calmamente. Ele usou o seu con-siderable talentos para criar uma rede invisível, mas forte, que ele usou para capturar os amantes como eles abraçaram. Vulcan trouxe-os antes de os deuses e deus-desses, esperando encontrar simpatia e justiça. Em vez disso, o ímmor 'tais riu na mira do nakcd amantes apanhados na rede, e libertou-los sem punição. Apesar disto, Venus e Vulcan's marríagecontínued. Cada era necessário para o outro como são muitas vezes opostos. Seu relacionamento me serve para simbolizar a dança entre arte e beleza, UTILI- taríanísm inspiração e-ele-mentos necessários para a produção artística, o supremo ato de equilíbrio. Venus e Vulcano são mostrados rodeado pelos seus nativos elemen-tos de água e fogo. Estão coroados com um galho de rosas, as flores para a deusa sagrada 1 do amor. O casal são amarradas juntas por uma fita vermelha, que os une apesar das suas diferen-ças. Como se dança, que oferecem inspiração para ali que se sabe verdadeiro equilíbrio. SIGNIFICADOS: Integração e moderação. Artistry. Taming forças e auto controlo. Equilíbrio entre os opostos. União dos aspectos conscientes e inconscientes da psique. Ocorrendo, ou que procuram, um profundo sentimento de harmonia e equilíbrio. Rcvcrscd ou wcakly aspccttd: Desequilíbrio. Desconforto. Incapacidade de encontrar a paz dentro ou com outros. Falta de inspiração. 15 - TENTAÇÃO A PARTIR DE TIMNE imemoriais, os seres humanos têm sido tentados pela proibido. Assim como Adão e Eva foram atraídos pelos frutos do conhecimento no Jardim do Éden, Paolo e Francesca foram atraídos pela paixão em thírteenth'century Itália. A história de Paolo e Francesca foi inspirada pela história. Francesca Da Polenta de Ravena era casada com Giovanni Malatesta para reforçar as suas famílias "político obrigações. Mas havia um problema: Francesca Gíovannfs amado irmão, o bonitão Paolo. Tentados pelo amor, Francesca e Paolo da história só poderia ter um trágico final, que ainda se move corações setecentos anos mais tarde. Estes verdadeiros acontecimentos inspirou o poeta Dante, que retold sua triste história em seu Inferno, o primeiro livro de Divínc A Comédia. 122
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    Dentro Dante's Inferno,o poeta escreve sobre uma viagem que ele imagina-abrigo, tendo em círculos o mais profundo do inferno, conduzido e protegido pelo sábio Virgílio. Como o poeta e seu guia à esquerda do primeiro círculo do inferno, ventos fortes círculo ao redor deles, um vórtice mudo de cinza ali luz. Dentro destes ventos, Dante viu o seu SPIR- amantes do infeliz que tinha morrido de paixão, amantes que tinham cedido à tentação razão. O poeta sentiu compaixão triste quando ele ouviu os seus gritos, enquanto eles estavam sempre em diante arremessado pelos ventos, capturados em conjunto através da eternidade. Ainda dentro desta turbulência, Dante viu Paolo e Francesca conforto mutuamente. A sua ternura fundamenta o poeta a lágrimas. Ele implorastes esses espíritos de falar com ele em nome do amor.Os dois amantes Dante agradeceu pela sua piedade. Então disse Francesca da sua tentação, e de como o amor aderiu-los em uma morte. Ela explicou que, embora ela foi casada com o irmão de Paulo, foi Paolo amava. Paolo Francesca deu atenções para confortá-la enquanto seu marido estava fora em guerra. Se bem que tentou controlar os seus pensamentos, um dia Paolo e Francesca de ler Lancelot, de como ele declarou amor encantado. Sem qualquer receio, reuniu os seus olhos, as mãos e tocou. Eles leia mais nenhum dia em que eles deram-se ao amor. Foi no dia em que o infeliz que Paolo e Francesca foram apanhados de surpresa por Paolo's SAHG-banda, que voltou da guerra sem aviso prévio. Ele matou-os no momento de sua transgressão, assim, unindo-os eternamente. Paolo e Francesca são ilustradas no círculo do inferno, à mercê dos ventos. Para protegê- la contra as forças agitação sobre eles, Paolo abraça carinhosamente Francesca. Tanto olhar para baixo, dispostos a reconhecer a escuridão eles são capturados no interior. Eles são propulsionados eternamente em frente, nunca para descansar. A Tentação cartão sugere que pensemos que estamos à mercê de forças que pensamos que não podemos control. Temos medo de olhar diretamente para 1-los, como se eles teriam ganho soberania Se fizemos isso. Mas a recusa em causa é um fardo muito maior do que seria de olhar para a escuridão. Caso contrário, não pode nunca ser libertados. SIGNIFICADOS: Tentado por uma força não pode controlar. Algo profundo e escuro dentro da psique é personificado como temp ¬ ção ou dependência. Obsession, sob a forma de inveja. Sensual desejos. A necessidade de se controlar. Revascd ou wcakly aspectcd: Liberdade de tentação. Maestria sobre algo anteriormente controlando-um hábito, um filho ou por uma ferida do passado. Vivendo a inveja dos outros. Transformar uma fraqueza em uma força. A aceitação de uma sombra escura ou da face. 16 - OPRESSÃO RETOLD EM VírgfTs O Acneid, a história de Dido e Aeneas é um aviso de um conto abandonado mulher oprimida por suas emoções. Após a Guerra de Tróia, o guerreiro Enéias, o filho mortal de Vénus, percorrem na Itália, sem fazer a devida sacrifícios aos deuses. Despojadas dos deuses "bênçãos, seu navio foi atingida pelo mar e, eventualmente, lavados em África como destroços. Dido, rainha de Cartago o majestoso, estava andando sobre a praia, quando ela encontrou AENEAS e 123
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    seus soldados. Elafoi encantado pelo belo estranho, e pelas histórias que ele disse do seu actos heróicos. Ela deu-lhe comida e roupas. Ela numa conversa com ele. Eventualmente ela bedded ele, concedendo-lhe honras de um governante ou para o outro. AENEAS fez amor Dido. Ela deu-lhe alegrias que ele tinha esquecido existiu, preso durante tanto tempo sobre o mar, com duzentos guerreiros para a empresa. Mas ele era um homem com uma causa maior do que o amor que ele poderia suportar para qualquer mulher, até mesmo como uma desejável como rainha Dido. Ele alegou que era o deuses' será que ele jour-Ney para fundar uma nova Tróia na Itália. Dido pensamento diferente. Ou talvez ela didnt pensar muito em Ali: Ela passou consumida com Eneias. Ela esqueceu a sua real missão, e disparou pelo encorajamento da sua irmã, começou a esperança de casar com Eneias. Ela permitiu-lhe viver com ela como marido e mulher, no seu palácio, mas sem nenhuma cerimônia. Com o tempo, Enéias começou a agir como se fosse rei de Cartago, Dido e começou a agir como se ela fosse o seu servo. Todos sabiam AENEAS deixaria Dido. Mas foi surpreendido quando Eneias Dido anunciou seus planos de ir para a Itália, vestindo a armadura encantado sua mãe fez para ele. Para evitar Dido's exprobras, ele seria Aguarde até a noite para roubar "com seus homens leais. Mas a rainha descobriu e implorou-lhe para ficar, sem proveito. Dido ficou furioso e humílí-se decretam. Oprimido por suas emoções, e oprimido pela tristeza, quando a rainha deu-régia até ali esperança. Ela construiu uma pira funerária no topo de uma torre alta e incendeie a ela. Como Aeneas "abandonar navio no mar, Dido escalou a torre e fixar a partir da pira. A arte mostra Dido no momento de seu maior opressão. Atrás dela, AENEAS já deixou o navio para a Itália. A escuridão do céu e mar tempestuoso sugere a tumultuada sor "fila esmagadora sua alma. Embora Dido sente totalmente sozinha, ela ainda tem uma escolha: Ela não pode esperar por melhores dias. Ou ela pode dar forma à sua opressão. A opressão cartão ¬ gests sugere que nos sentimos tão escuros como as emoções que nos rodeiam. Nós somos incapazes de ver a nossa maneira clara e esperança de melhores dias. Por enquanto, temos de confiar em que o tempo vai libertar o nosso pesar. Caso contrário, vamos esquecer que temos uma escolha. SIGNIFICADOS: Sentindo-se sobrecarregado ou oprimidos pelas circunstâncias ou emoções. Depressão. Confusão. A incapacidade de mudar as nossas vidas para melhor. Um novo começo após um doloroso terminando que pode ter aniquilado o seu mundo. Uma pausa antes de se mudar para uma nova fase da vida. Rcvcrsed ou wcakly aspcctcd: Libertação. Embora a sua situação pode se sentir mais ¬ whelmíng, forças ocultas estão no trabalho. Seja paciente e confiando-as coisas vão melhorar. 17 - TEMPERANÇA AMOR pode inspirar-nos no sentido de graça, um estado que pode guiar-nos a bríUiance mais brilhante do que um céu estrelado. O amor do poeta Dante por Beatriz é um 124
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    exemplo perfeito destamaravilhosa experiência. Nascido em Florença, em 12,65, TRIE poeta Dante escreveu A Divina Comédia, um poema épico descrevendo a sua visão de uma viagem através do inferno, purgatório e céu. Beatrice, uma mulher que também viveu em Florença durante a vida, aparece no seu páginas como seu orientador anjo. Beatrice é também o tema do primeiro livro de Dante, La Vita ISluova ( "The New Life"), que reconta plenamente o seu amor por ela, e de como ela inspirou a sua arte. Beatrice foi de nove anos a primeira vez Dante olhou sobre ela, ele um pouco mais velho. A sua presença fez uma tal impressão que ele sentiu como se seu espírito tivesse sido infundidos com luz. A partir desse momento, Dante adorado Beatrice acima ou outros. Através dos anos, uma vez que cresceu em idade adulta, Dante procurou reunir Beatrice, demasiado sobrecarregado com amor para fazer nada mais do que olhar para ela. Ele notou que a Beatrice era tão cheia de graça que todos que viram o seu experimentado uma felicidade que só pode ser descrita através Suspiros. UA esta convencido de que Dante Beatrice foi realmente um anjo. Desde que ele não disse nada, Beatrice não suspeitavam Dante's amor, ela pensava ele mudos com timidez. Mas sua calorosa saudação nunca oscilou não importa quão awkwardly Dante agiu. Quando Beatrice virou quinze, seus pais dispostos seu casamento com um rico comerciante. A primeira vez Dante viu Beatrice após seu casamento, ela foi acompanhada por duas de suas virgens prudentes como eles caminharam ao longo do Rio Arno, em Florença. Superados pelo conhecimento que ela já estava do outro esposa, Dante virou bis rosto de Beatrice para esconder sua lágrimas. Beatrice's virgens prudentes incompreendidos e pensei que o poeta tinha insultado sua amante. Eles jeered a ele como eles levaram Beatrice distância. Naquela noite, Dante recuaram para a sua câmara em angustiada vergonha. Wbíle ele dormiu, uma visão lhe apareceu em seu sonho como as estrelas chegou a hora nona da noite. A partir de uma nuvem a bue ol fírc surgiu um deus-como figura. Sendo este, que ele identificou como auto-Amor, o espírito de amor, uma mulher realizada wbom como Dante rccognízed Beatrice. Amor também realizou um coração, ele disse que Dante foi o coração do poeta irrevogavelmente tinha dado a Beatrice. Dante despertámos resolvida a partir de seu sonho. O seu amor por Beatrice haveria paixão terrena para expirar quando eles morreram. Em vez disso, ele teria imortalizará Beatrice com poemas que iria durar para sempre. Como suas vidas desdobradas, Beatrice foi homenageado por Dante's versos como nenhuma mulher já tinha sido. O poeta da fama espalhar-e, com ele, a história de seu amor por Beatrice. Ao longo dos anos, a história de Dante e Beatrice tem inspirado muitos a dar o seu coração tão completamente Ela lembra que a graça amor pode agracia-nos é um presente caro do que os céus. Dante's visão noturna de Amor é mostrado aqui. Como o espírito do amor abraça Beatrice, chamas turbulência sobre eles, como apaixonada como as emoções em jogo. O céu estrelado por trás dos números sugerem forças celestes em forças de trabalho que irá guiar-nos na direcção certa. SIGNIFICADOS: Amor que nos inspira e inspira outros. Transformar sonhos em realidade. Sensibilização dos objetivos. A crença e auto-estima para os cumprir. A visita do Musas. Motivo de esperança para o melhor. Rcverscd ou wiakly aspcctcd: Não seguir o seu deleite. 125
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    Insegurança. Sentimentos deindignidade. Ignoring intuição. O medo de reconhecer os seus sonhos, ou não se chegar a uma meta. 18 - ILLUSION O conto de fadas Motif do cisne é solteira indígenas para a Europa Oriental, embora outras formas de cncbanted ave-mulheres podem ser encontradas em lendas de todo o mundo. Talvez a mais famosa dessas donzelas cisne é princesa Odette, heroína do popular balé Lago dos Cisnes. A história de Odette eo Príncipe Ivan oferece um poderoso exemplo de como ilusões podem influenciar as nossas emoções para melhor ou para pior. Como príncipe Ivan cresceu mais, se pretendia manter a sua nobre dever de himsclf: Para casar e começar uma família. Apesar disto, após vinte e Ivan do primeiro aniversário, seu pai, o rei organizou uma Bali para que cada princesa do terreno tinha sido convidado. O príncipe era esperado para escolher uma noiva entre eles. O dia antes de seu aniversário, o príncipe passou caça, esperando o esporte iria animá-lo. A tarde passou sem pedreira encontrado. Mas, como o príncipe e sua comitiva começou a voltar para trás, um bando de cisnes voaram gerais. O príncipe prosseguiu os cisnes agressivamente, logo a perder o resto de seu partido. Como noite caiu e subiu a lua, Ivan himsclf encontrado sozinho na margem do lago um prisco, que shímmered com a luz reflectida. Ele esperou pela cisnes, sabendo que iria ser retirada a água. Ele visando o seu arco, quando o primeiro cisne chegou. Para sua surpresa, o cisne. transformou-se no belas garota imagináveis, colado no wbite puro. Ivan instantaneamente amava o cisne Maiden. Movido pela sua dedicada palavras, o cisne solteira confidenciou que ela era princesa Odette, amaldiçoado por um feiticeiro de permanecer para sempre, excepto um cisne na noite. A única forma ela poderia ser encantamento foi quebrado por um voto de amor eterno, no entanto, se essa promessa foi quebrada, mesmo por acaso, ela iria morrer. O príncipe prometeu amá-la e voltar para ela como sua noiva alegação. Só então, o feiticeiro chegou a esbravejar Odette. Então tudo desaparecer-peared, como se fosse uma ilusão imaginada pelo lutuoso príncipe. A próxima noite foi o bali comemorar o aniversário do Ivan. Ele yearned para que fim, para que ele possa retornar ao Odette. Mas então, uma última princesa-chegados que um lookcd exatamente como o cisne solteira, mas estava vestido de preto jacto. Ela tinha bcen enviada pelo feiticeiro para enganar Ivan brcakíng em sua promessa de Odette. Acreditando-la para ser seu verdadeiro amor, o príncipe bcggcd para ela casar com ele. Como a princesa escura aceite a sua proposta, o príncipe ouviu um grito gritantes na distância, o grito de um moribundo cisne. Ivan correu para rescuc Odette, Mas era tarde demais. Embora a ilusão foi quebrado, o encanto foi completa. Odette é descrita aqui como ela muda de cisne de solteira e de volta outra vez, preso por encantar 'mento. Ela é leve como o cisne negro observando ela está escuro. O lago brilha com luar. O encantamento de amor pode ser uma faca de dois gumes. Fali Quando estamos apaixonados, podemos sentir como se o nosso amado lançou um feitiço sobre nós. Sentimo-nos encantado com a paixão, ou rasgada com ciúmes. No entanto, é nosso pensamento que nos confunde. Para bettcr ou worsc, estas emoções expressos voluntarioso illu ¬ ções como profundidade como sombras expressos pela lua. 126
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    SIGNIFICADOS: Encantada por amor,para melhor ou para pior. Confusos por ilusões que podem ou não ser real. Intenso emo ¬ ções. Fantasies. Vivid ou lúcido sonhos. A necessidade de saber o que é real. Rcvcrscd ou vutàkly aspcctcd: delírio. Decepção. Emoções ou desconforto no relacionamento. A falta de satisfação com o que você tem-sentimento de que algo melhor está sempre ao virar da esquina. 19 - AEON O mito de Cupido e Psique é frequentemente visto como uma alegoria que representa o despertar emocional de uma mulher. Na Grécia antiga, onde surgiu esse mito, a palavra de borboleta é psiquismo, wbicb também significa alma. Psyche da beleza conquistou sua admiração, assim como o ciúme de Vénus. Para buscar vingança sobre os mortais garota, o amor de goddcss instruiu seu filho Cupido para furar Psyche com bis seta, de modo que ela estupidamente amor a primeira criatura quando ela tropeçou. Embora Cupido tinha ouvido falar da beleza da Psique, nada preparada para ele com ela. Como ele stared a ela, o deus do amor apertou as mãos, e sua flecha caiu, pastejo sua coxa. A partir desse momento, Psique Cupido amava acima ou outros. Semanas passaram, e embora Psique Cupido visitou cada noite que ela dormiu, a menina suspccted nada. Meses passaram e seus pais decidiram que era hora Psyche qua. Mas nenhum pretendente pediu a mão-ali eram demasiado intimidados por sua beleza. Em desespero, os pais de Psique consultou o oráculo de Apolo, que lhes disse que não ia casar com o homem Psyche. Em vez disso, ela deve ser abandonada a um precipício onde um monstro maior do que qualquer alegação teria ela como sua noiva. Mas não chegou monstro. Soft ventos cradled a infeliz menina, levá-la a uma distância distante ilha onde um palácio que foi apagada por leigos lua ou pode-LED. Dentro do palácio escura, aguardadas há um que tomou Psique como sua esposa. Quando Psique acordou na manhã seguinte, o novo marido tinha ido embora. Nesse estranho, mas opulento palácio, os ventos da Psique teve o cuidado de cada necd, trazendo-lhe comida e vinho, jóias e roupas de seda envolvente ela awak-ened corpo. Naquela noite, o seu misterioso marido retornou para fazer amor com ela novamente na escuridão. Na manhã seguinte, ele desapareceram novamente antes de a brilhante domingo poderia revelar a sua identidade com ela. Com o tempo, ela deve Psyche decidiu saber quem era o seu marido, mesmo que isso iria destruir sua felicidade. A próxima vez Psyche amante de carne para ela, ela acendeu uma lâmpada, logo que ele adormeceu. Não besta, não serpente cumprimentou os olhos só de um homem tão radiante como um deus. Na sua pés descalços descansado arco e flechas. Como Psyche testado sua nitidez, ela estava assustado ao ver uma gota de sangue sobre seu polegar. Psyche da mão tremeu e caiu a luz, despertando Cupido. Queimado pelo óleo quente, o deus do amor ílew longe. Para ser reunificada com Cupido, Psycbe teve de mobilizar a ajuda de Vénus. Vénus velejar muitos ensaios para Psique, forçando a menina a provar o seu merecimento à deusa. Mas, finalmente Cupido e Psique foram unidas, despertou para a preciosidade da seu amor pelos seus testes. Com o tempo, uma criança nasceu com elas, uma filha eles chamado Prazer. 127
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    Tal como aborboleta cujo nome ela ursos, Psique da alma foi despertado pelo amor após uma longa viagem através de difícil desa-fios. Cupido também foi trans' formado por conhecer o amor verdadeiro pela primeira vez. Iluminada por suas experiências, Cupido e Psique puderam apreciar o melhor que a vida lhes pode oferecer. Esta imagem mostra o momento em que alegre Psique é finalmente reunificada com Cupido, libertos do seu ensaios e atribulações. Ao nascer do sol, os amantes são revelados a cada um ou de outro em sua glória imperfeita. Para além do mar envolvente- Ing lhes cabe uma cidade. É um lembrete do confinamento estruturas sociais a partir do qual Cupido e Psique se libertarem. SIGNIFICADOS: Despertar emocional. Sentindo-se desbloqueado. Um expansiva, vida-afirmando que a energia proporciona oportunidades e otimismo. Amor e sexualidade. Criatividade e procriação. Relacionamento com os filhos. Fertilidade. Revascd ou vutakly aspectcd: relutância em aceitar carinho. Problemas com as crianças. Criatividade bloqueados pelo externai ou internai forças. Atrasos na expansão até à próxima fase de um projecto. Sentindo-se frustrado. Recusa a crescer. 20 - ACÓRDÃO A lenda de Tannhauser, o famoso alemão mínnesinger ou trovador, tem raízes na história do século XIII. Várias de suas músicas letras sobreviver até hoje, incluindo uma canção Buszlíed direito de arrependimento. Contemporâneo de notícias da traveis Tannhauser, que pode ter incluído uma limitação nas Cruzadas, assumiu uma vida própria. Com o tempo, que inspiraram uma balada do século XVI, que, por sua vez, serviu como base para Tannhauser, Richard Wagner da ópera romântica do século XIX. Tannhauser desdobra o conto de um nobre mínncsing-er do mesmo nome capturados entre sagrado e profano ama. Embora Tannhauser amava-o vir tuous Elisabeth, ele deixou-a para o mundo vagueia em busca de aventura e fama. Durante estes traveis, Tannhauser encantado Vénus, a deusa do amor, com sua voz gloriosa e canções. Ela rapidamente seduzido o mínnesinger com voluptuoso prazeres além sua imaginação, e trouxe com ela reino mágico, o Venusberg. Tannhauser vivia lá com Vénus como seu escravo. Besotted com paixão, ele seguiu o seu desejo e perdeu todos os ali- mentos acórdão do que era certo ou errado. Ali que importava era o prazer. Um ano passou, e começaram a Tannhauser desespero de sua vida superficial com Vénus. Como ele pediu para voltar para a sua existência anterior, ele subitamente recordar-bered seu sincero amor de Elisabeth. De alguma forma esta memória Tannhauser libertou-o imediatamente Venusberg desapareceu, e ele encontrou-se sozinho fora do castelo onde Elisabeth residia. Elisabeth estava radiante ao ver o mínnesinger novamente, para que ela amava-o apenas como Tannhauser amava. Foi só no tempo, também, para cantar uma concor-rência era para ser realizada naquela noite, o vencedor do concurso ganharia Elisabeth's mão em casamento. Tannhauser resolvido tbís concurso para ganhar, mas como ele tentar mígbt, os prazeres de Vénus ainda possuído sua alma: Cantou um entusiasta bymn ao sen ¬ Sual glórias da deusa do amor, que chocou a sensibilidade de quem escutou ali. Irritado, muitos acusados de insultar Tannhauser Elisabeth, Elisabeth, mas defendeu a sua amada. Para remover o seu julgamento, Tannhauser resolveu ir adiante. outra 128
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    viagem, desta vez,seria uma peregrinação a arrepender-se do seu amor por profano Vénus. Como o mês passado, Elisabeth Tannhauser ansiosamente aguardada para o retorno. Palavra que veio a min-nesínger viu o papa para pedir dispensa de seu affair com Vênus. O papa Tannhauser informado que ele poderia ser perdoado, assim como o regente da madeira pessoal com novas gemas de vida em outras palavras, não era para ser. No entanto, Elisabeth permaneceu dedicada à sua amada. Tannhauser devolvido a ela, o seu espírito humilhado por sua peregrinação. Mas a força da Elísabeths orações em seu nome tinha enfraquecido o seu corpo, ela desabou em Tann Hauser ¬ ^ abraçar e terminou, deixando para trás apenas o seu amor puro. Mais tarde naquele dia, chegaram notícias de que o papa tinha pessoal da flor que só no momento. Tannhauser e Elisabeth são mostradas no momento imediatamente antes de sua reunião. Elisabeth, simbolizando o maior impulso do Espírito, entusiasmo aguarda seu amado. Ele foi quebrado por suas experiências com Vénus, que representa a base prazeres da vida nesta história. O mural pintado na parede atrás Elisabeth apresenta o sagrado eo profano escolhas ali homem deve fazer dentro de suas vidas. SIGNIFICADOS: Uma escolha que deve ser feita, por vezes entre maior e menor impulsos. Decisões importantes ou notícias. Passagem para a próxima fase da vida. Tempo para uma maior e necessária cb.an.ge na vida, muitas vezes. bem-vinda, mas a reforçar-susto por causa de sua magnitude. Auto-conhecimento. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Estagnação. Incapacidade de agir. Bloqueio. Dar-se um controlo da situação. Não vivem até um potencial de alta ou normas. OTH permitindo-dores para julgá-lo para melhor ou para pior. 21 - TRIUNFO O mito grego DE ARIADNE oferece esperança para ali que se sentiram o cheiro do amor rejeitado. Diz-de triunfo após derrota, doce de sucesso após a duras tristeza. Princesa Ariadne, filha do rei Minos de Creta, ajudou Theseus matar seu monstruoso balf- irmão, conhecido como o Minotauro, através do ensino a ele para usar um fio dourado como um caminho dentro do labirinto onde vivia o Minotauro. Profundo dentro desse labirinto escuro onde nenhum homem ou a mulher já tinha sobrevivido a Minotauro da selvageria, Theseus matou o monstro, então foUowed o ouro discussão à liberdade. Quando ele emergiu triunfante do labirinto, Ariadne Theseus reivindicada para a sua própria. Eles escaparam de Creta após uma espera-Ing navio, que vai de multidões oi cidadãos zangados por Theseus do assassínio do seu half-bull/half-human príncipe. À medida que navegou o mundo, Ariadne foi determinado que ela tinha ganho o coração do herói em troca de seu brilho, sua lealdade, e seu amor. Depois ali, ela tinha traído aqueles que mais se aproxima dela para salvar Theseus. Quando Theseus finalmente trouxe seu navio para a longínqua ilha de Naxos, Ariadne pensou que iria viver para sempre em êxtase. Em vez disso, quando ela abandonou a ilha, navegando sem um pedido de desculpas. Esse era o seu agradecimento por salvá-lo. Sozinho, Ariadne esqueceu seu triunfo como o untangler do labirinto. Ela foi abandonado a Ariadne, Ariadne os tolos, em vez de Ariadne o amado de Theseus. Na primeira, a princesa inconsolável chorou. Então ela pensou em matar a si mesma de vergonha e 129
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    tristeza. Mas asMusas teve piedade mediante Ariadne. Eles pairavam em torno da pobre menina tão suave como ventos, e sussurrou em seu ouvido um digno de amor e de um destino mais nobre. Isto não fazia sentido para a menina, ela não podia ver para além do seu abandono por Theseus. Mas logo vi Ariadne uma carruagem bronze aparecem no horizonte. As Musas sussurrou ele realizou um novo noivo de Ariadne, o homem que estava fadado ao amor. Como o carro chamou a aproximar-se, Ariadne viu foi draped na vinha e os pólos de uvas maduras, para este carro foi conduzido por Dionísio, deus do Divino intoxicação, que amava a sua apaixonada Ariadne bravura e lealdade. Ariadne do coração foi imediatamente curada pelo Dionísio da admiração e amar palavras. Ela logo esqueci Theseus e aceitou o seu destino final feliz. Dioniso e Ariadne foram qua. Fabricado por uma deusa amor, Ariadne viveu sempre com o seu marido em imortal extático triunfo. Dioniso e Ariadne são mostradas no momento da sua maior alegria. Ariadne detém ainda o ouro em discussão, que ela utilizados para navegar pelo labirinto. É símbolo-ízes o caminho que finalmente levou ao êxtase. Como Dioniso e Ariadne abraçar, se sente como se o mundo com as rodeia expansiva calor, o universo e canta com a luz. O seu beijo é um beijo ali para o mundo. SIGNIFICADOS: Uma sensação de expansão e de esperança. Triumph após dificuldades. Sentindo-se apoiada pelo universo. Feliz encerramento de uma fase da vida. Viagens e das Comunicações. Carreira crescimento. Reconhecendo a divindade do mundo que nos rodeia. Revtrstd ou wcakly aspecttd: Temor de expansão. Sentindo-se pessimista, mesmo se você estiver incerto como o seu futuro, manifesto, você se move em um período mais esperançoso. Frustrar-se ou outros. OS ARCANOS MENORES NAIPE DE COPAS A menor arcana seguinte após o grande arcana em The Lover's Path Tarot. A menor arcana é composto por quatro fatos que con-Sist de copos, PAUS, flechas, e moedas. No menor arcana, a varrição arquétipos explorados dentro da grande são mapeados em maior detalhe, utilizando o quadro de uma única história de amor. In The Lover's Path Tarot, o naipe de copas representa o caminho da emoção. É associada com Tristan e Isolde, representada mediante Desire (VII), o oitavo da twenty'two grande arcana cartões (página 28). A história de Tristão e Isolde apresenta um exemplo de inebriante vidas governadas por emoções extremas, como amor, desejo, tristeza, saudade, raiva. Copas também estão associadas com o elemento da água, que é regida pela lua. Assim, cada cartão no naipe dos copos tem uma fronteira alusivos água. A água é um símbolo apt para o caminho das emoções estabelecidos pelo naipe de copas. Da mesma forma 130
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    que dependem deemoções para manter o nosso coração, que dependem da água para viver. Os nossos corpos são feitos principalmente de água. Sem água para alimentar as culturas ou água para beber, poucos poderiam sobreviver. Se ele falis do céu como chuva, ou fluxos de oceanos e rios, a água é de difícil controle: podemos sentir, tocar-lhe, no entanto, nunca possa agarrar. Tem uma força que escapa shimmering captura ou definição. É a mesma coisa com as emoções. Como o mar é puxado pela Lua, nossas vidas são puxados pelos nossos sentimentos. Eles varrem-nos, ao longo, por vezes tempestuosa, outras vezes calma. Eles também sustam nós, dando vida a uma riqueza beyondjewels. ÁS DE COPAS A SILVER CUP, coroada de ouro, flutua acima de um oceano calmo. Luz, incandescente a partir de uma lua cheia, falis na tigela generosa da taça, enquanto shimmer estrelas em torno dela. Esta misteriosa níghtscape oferece uma visão de esperança "tant serenidade onde tudo pode acontecer. A taça é gravado com um coração alado, brilhando com o calor. Carved abaixo do coração são a partir de ondas do mar. Ambos os motivos decorativos, sugerem a riqueza emocional e transformações esta taça irá inspirar nos seus destinatários, por isso é que a taça vai aderir Tristan e Isolde no amor eterno. SIGNIFICADOS: O início de um novo ciclo maduro com um potencial de felicidade e boa-ção. Alegria. Receptividade. Início de um importante relacionamento amoroso ou nurturing amizade. Creative visitação a partir de uma inspiração-THC Musas. Rcvased ou wtakly aspccted: Rejeição dos outros' afeto. Creative blocos. Desilusão com amor. Tristeza ou mclancholy. DOIS DE COPAS ISOLDE, filha do rei da Irlanda, contra a vontade dela acordou para qua. Mark da Cornualha para trazer a paz ao thcír beligerantes terras. Tristan, Mark dedicou a maior parte do cavaleiro, a princesa woocd liège's em seu nome. Isolde ficou furioso quando soube da verdadeira intenção de Tristan. Para BC rcvenged, ela offercd-lhe uma poção que traria alegria até dcath, pensando que ela ia matar ela e ao cavaleiro. Em vez disso, trouxe a poção evcrlastíng amor. Tristan e Isolde são mostrados aqui apenas como têm bebido da poção mágica. Um copo, usado para misturar a poção, permanece placcd carclully eretas. A segunda taça, a partir do qual Tristan e Isolde ter embebidas, falis esqueceu de suas mãos, thcír agarrar looscncd pelo alagamento extático emoções através das suas bodícs. Elas são amarradas juntas por esta taça tão seguramente como se werc um ser. Como se olhar em cada othcr da cycs, tempo appcars ter parado. Eles esqueci Tristan Isolde da lealdade e da promessa de Mark King. Eles só precisam de si para ser concluída. Enquanto Tristan e Isolde estão unidos em um casamento divino bcyond thcír con-trolo, a água inunda o planeta sobre os seus pés. Seus pés descalços simbolizam o nat 'estado natural que habitam agora, longe dos constrangimentos de as expectativas da sociedade. 131
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    SIGNIFICADOS: Harmonia. Amor. Encantamento.A integração dos aspectos masculino e feminino dentro de si mesmo. Uma atração que pode se tornar um importante amigo-navio ou relacionamento amoroso. Rcvcrscd ou wcakly aspecud: afeto. Desilusão em um relacionamento amoroso ou de amizade íntima. Overíndulgíng na sensualidade para o bem do emocional "alta". TRÊS DE COPAS Despi TE seu amor por Tristan, Isolde manteve a sua promessa para a família dela e casado Rei Marcos. A união de Isolde e Marcos terminou a longa suportou as tensões entre os seus países nativos da Cornualha e Irlanda. Assim, houve muita alegria em sua festa casamento. Este cartão é mostrada após a celebração do casamento de Isolde e Mark. Durante ela, três donzelas levantar três taças de prata, uma vez que dança perante o rei e sua nova rainha. Estes danccrs, uma loira, outra de cabelo vermelho, e ao final de cabelo escuro, representam a união de opostos que se reúnem no meio para criar a paz. Atrás deles uma lua cheia sobe, prometendo alegre satisfação para ali que se amam verdadeiramente. SIGNIFICADOS: Feliz sindicatos. Grande satisfação. Um motivo para comemorar. A paz entre as gerações farrv familiar ou inimigos. Uma festa envolvendo womcn. Possivelmente um qua. ¬ ding festa. Rcvcrsed ou wcakly aspcctcd: excesso. Procrastinação. Distraindo-se com prazer. Demasiada indulgência a tempo de voltar ao trabalho! QUATRO DE COPAS No primeiro momento, ISOLDE TRiEDto distrair ela com o seu sindicato luxos lhe proporcionou. Marcos também era um marido atencioso e carinhoso. Seu fiel camareira Bragwene esperou sobre ela, não deixando qualquer necessidade autônoma. Mas não foi suficiente. A jovem rainha senti como um prisioneiro dentro do magnífico castelo onde ela residia e Mark. Como ela contemplava a riqueza e posição adquirida por seu casamento, ela percebeu que significou nada para ela, por Isolde podia pensar em nada, mas Tristan. Apesar dos riscos envolvidos, ela yearned para uma mais authcntic lifc com ela belovcd. Isolde é mostrado vestindo um vestido digno de ouro opulent a rainha ela tem becomc. Na sua tcct rcst quatro xícaras, que ela não tenha touchcd-intoxicantes do néctar Contêm não tentá-la. De sua janela, o oceano juncos na distância, que representa os selvagens emoções Isolde expe-enccd com Tristan. SIGNIFICADOS: Necessidade de uma vida mais autêntica. Insatisfação. Takíno; somethínH; para g; ranted-amor, talento, beleza. Descontentamento e aborrecimento. Re-avaliação de um rclationship que considera superficial. Rcvcrstd ou wcakly aspcctcd: Aceitação da situa-ção, mas o escontentamento é ainda presente. Uma fase passageira. CINCO DE COPAS 132
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    REI marca foinão ignorava de Isolde da insatisfação. Thougb ele amava sua esposa, ele foi sábio o suficiente para ver que ela não retornou bis afetos. Isto foi feito por ela dolorosamente claro bebavíor: Ousada ali riscos, Isolde tinha alistado sua camareira Bragwene para reunir-se com ela Belp Tristan quantas vezes possi 'veis. Mark's emoções debilitados bim, deixando-o incapaz de decidir o que fazer. Conhecendo melhor os amava traiu foi mais do que o monarca poderia suportar. Mark é retratada bere assoberbado com tristeza. Bebind ele, Isolde do quarto está acesa em antecipação de Tristão da visita, a mais brilhante luz em uma noite escura sombria. Para um dos lados do rei estandes duas taças, simbolizando o puro amor de Tristão e Isolde. Atrás dele, outra thrce copos tenham derramado, sym ¬ bolizíng perdeu a alegria em seu casamento, o complexo triângulo subordinação a ele para Tristão e Isolde. Quanto ao que parece sem esperança, Mark tem uma escolha: ele pode aceitar que o BC deve Tristan e Isolde verdade para tbeir corações. Ou ele pode reagir com raiva, permitindo seu amor ao castigo deles ali. SIGNIFICADOS: Decepção ou dísíll usíonment com relacionamentos. Sentindo-se encurralado. Concentrando-se nos problemas em vez de activos. Não vendo as oportunidades. Bloqueio criativo ou infertilidade. Pessimismo ou depressão. Rcversed ou wiakly aspectcd: uma consciência crescente de que as relações são o que você faz deles. A capacidade de apreciar o que um tem para beber dois copos do restante, se você. SEIS DE COPAS TAMBÉM POR pesaroso Tristan e Isolde da traição a ignorá-lo, o rei Mark confrontados os amantes. Tristan foi condenado à morte, e Isolde foi enviado para viver em um leproso da colônia. Apesar de tudo, os amantes escapou e fugiu para viver simplesmente na floresta. Longe de quem seria julgá-los, eles sentiam-se como crianças cheias com alegria e esperança. Com o tempo, Mark encontrou sua esposa e seu cavalo dormindo nos seus ocultos floresta ninho. Por alguma razão, Tristão tinha colocado sua espada entre ele e Isolde enquanto eles dormiam. Vendo isso, Mark se convenceu de sua inocência, foi preenchida com a culpa. Como uma mensagem de contrição, Mark deixou a sua espada no lugar de Tristan's para os amantes de encontrar quando despertámos. Tristan e Isolde eles são mostrados como regozijar-nos a floresta. A floresta, floração na Primavera, oferece uma cobertura verde para protegê-los a partir do agreste ele 'mentos. Um fluxo é executado passado os seus pés, como prístinas como os seus afetos. Seis xícaras florescer com rosas, simbolizando o florescimento do seu amor, que só pode ocorrer longe dos olhos da sociedade julgar. SIGNIFICADOS: Paz. inocência. Crianças e infância memórias. Desprendimento pensamentos tristes e constrangimentos. Anseio para a doçura do passado. A capacidade de criar doçura dentro de casa, integrando as forças do passado para o presente. Reutrsca ou wtakly aspictcd: Feeling limitados pelo passado ou memorias. Lost harmonia. Cinismo. SETE DE COPAS 133
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    UPON LOCALIZANDO MARCADO espada, os amantes foram novamente lembrados dos seus problemas. Isolde devolvidos aos seus deveres como Marcos da mulher, a rainha da Cornualha. Tristan esquerda para a Cornualha Bretanha, esperando a distanciar-se da fadado amor que levou a sua traição do rei Marcos. Apesar de estar longe de Isolde, Tristan pensamento de sua amada constantemente e enviou-lhe presentes. Embora cada um dom chegou uncredíted, Isolde sabia quem era o doador. Como ela considerou-los, ela recuou em fantasias de Tristan. Esses pensamentos ela chamou afastado de sua vida atual. Retratado aqui são sete taças Isolde rodando acima da cabeça, cada uma contendo um futuro possível de ser considerado. Um copo cheio com rosas sugere 'gests Blissful sua estada na floresta com Tristan. A coroa representa o seu represen-royal funções, uma vida de riqueza e poder. Uma coroa de flores e cobra simbolizam louro glória e traição, enquanto o crânio lembra Isolde das limitações da vida física. Um último copo permanece misteriosamente coberto-Contém o desconhecido. SIGNIFICADOS: Overindulgíng em pensamentos sobre o que o futuro pode trazer. Devaneios. Fantasies. A decisão deve ser feita no sentido de avançar e voltar ao mundo. Invertida ou fracamente aspectcd: deixar fantasias de influenciar o modo como você vê vida a tempo de ser mais realista. Projeção para outros em vez de ver as coisas como elas realmente são. OITO DE COPAS DESFITE seu exílio, regressou à Cornualha Tristan uma última vez para ver Isolde. Disfarçando-se como um idiota, ele implorou a rainha loucamente por um beijo. Ninguém suspeita sua astúcia, mas reconheceu Isolde-lo através de seu disfarce bruto por causa de um anel que ela havia lhe dado. Como Tristão beijou sua amada, ele sabia que ele não poderia viver sem ela. E ele estava certo: a caminho de volta à Bretanha após ver a rainha, ele estava emboscados e perfurado por um dardo envenenado. Conhecendo a morte estava perto, ele scnt de Isolde. Esperando Isolde foi a única coisa que manteve Tristan. vivo. Cada dia, ele olhou para o seu navio a aparecer após o horizonte, esperando que ela chegue antes que ele expirou. Os amantes são sbown aqui na sua última abraçar. Oito copos, precariamente equilibrado, os rodeiam como Isolde atinge em direção Tristan pela última vez. Um declínio lua define como o sol nasce. A maré, áspero. e selvagens, derrama sobre a terra em torno deles, à espera de varrer os amantes de distância. SIGNIFICADOS: Hora de seguir em frente. Necessidade de mais substância na vida-se que seja mais satisfatória relacionamentos, um modo de vida mais autêntica. Leavetakíngs e tran- sições. Desilusão. Rcvcrscd ou fracamente aspccted: prolongado demasiado longa em uma situação difícil ou superficial. Incerteza sobre um relacionamento, se ficar ou sair. Doubts. NOVE DE COPAS Embora Tristán maio ser morto, Isolde recusou-se a ser separado dele. Além disso, também o seu espírito deixa-la sentir-Isolde dedicar sua presença ali ao seu redor. É ela transfusionados com luz e energia, banir ou pensamentos de mágoa. Transfigurado com o 134
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    ecstasy, Isolde chegoupara os céus, como se a abraçar a sua amada uma última vez. E seu desejo foi concedido o espírito afastou-Isolde seu corpo, e foi eternamente ingressou com Tristan. Nove taças, simbolizando a suprema satisfação de Isolde's desejos, são mostrados arqueamento shimmering acima dela como um feixe de ouro. Um único copo flutua na frente de Isolde. Representa a taça que aderiram a ela para seu amado Tristan no amor eterno. SIGNIFICADOS: Extático satisfação. Alegre sensualidade. Reunião com um ente querido. Contcntment. Alguns consideram este cartão a ser o "desejo" cartão, ou seja, um desejo será concedido se ela aparecer em um tarot leitura. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Atraso na concessão de um desejo do seu coração. Complacência. Tendo uma relação, no navio para concedido. Complacência excessiva. Incapacidade de receber prazer. Insatisfação. DEZ DE COPAS Em honra do seu amor, Mark Tristan e Isolde enterrados lado a lado. Dois frondosas briars cresceu de cada grave e interligados em um. Em tempo, a sarça se tornou uma grande árvore que flor profusamente cada primavera. Devido a esta árvore, muitos aprenderam com a história de Tristão e Isolde, e foram encorajados por seu exemplo de amor tão fearlessly. A árvore é retratado como bere ela explode em floração. Dez xícaras formar um arco- chuva acima dele, simbolizando a maior satisfação emocional vida pode oferecer. O mar junco muito antes da árvore, trazendo a água doce para alimentar as suas raízes. Abaixo da árvore significa um bappy jovem exploração seu bebê recém-nascido, criado a partir de seu amor. Inspirado por Tristan e Isolde, a jovem família hon-ors o amor que também eles juntos como um. SIGNIFICADOS: Alegre encerramento. Grande alegria e felicidade. Dar vida emocional. Abundância. Profunda satisfação emocional. Endurance em relacionamentos amorosos. Fertilidade. Expansão da família ou amigos em sua comunidade. Rcvcrscd ou wtakly asptcttd: a incapacidade de experimentar alegria. Emocional blocos. Insatisfação tbough incerto porquê-tudo parece perfeito sobre a superfície. PRINCESA DE COPAS BRAGWENE, ISOLDE'S JOVENS Maid, simboliza a Princesa de Copas, uma menina adolescente aguarda a plenitude da mulher. Um mensageiro fiel à sua rainha, Bragwene sugere a devoção inerente a Princesa de Copas. Antecipar amor, prazer e inspiração, a Princesa de Copas oferece-lhe a xícara reireshing conteúdo a qualquer bebida que seria dele. Aqueles que aceitarem seu convite irá experimentar o melhor do naipe de taças oferece: sábado emocional 'ísfactíon, talento artístico, empatia e compaixão. A princesa de Copas "tipo e formas sutis seduzir quem conhecê-la. Ela representa o suave qualidades de inspiração, a capacidade de influenciar otlv dores com consideração. Devido a sua inocência faz dela um pouco imatura emocionalmente, ela pode tornar-se dependente da aprovação do outro. Nonetbeless, ela é uma companheira leal e 135
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    encantador que irradiabeleza misteriosa, como a lua brilhante em um céu noturno. SIGNIFICADOS: MANSIDÃO. Grace e talento. Receptividade emocional. Um aliciante convite. Intuição. Lealdade. Rcvcrscd ou fracamente aspecto: Um vazio oferta ou convite. Inconstância ou imaturidade do afeto. Inconsistentes ou pouco fiáveis mensagens. Ambivalência. Codependence. PRINCE DE COPAS Tristan, MARK KING'S filho adotivo, que representa a romântica Príncipe de Copas. Assim como Tristan venceu Mark's afeto com sua graça e arte, o Príncipe de Copas traz prazer ao coração dos que ali se reúne. Um sonhador de lugares e épocas mais felizes, a força de sua musa-like presença inspira artistas a criação, a eloquência poetas, músicos e à música. A noite escura ao redor do Príncipe de Copas sugere o reino da fantasia, que muitas vezes podem revelar nossas verdades mais profundas de nós mesmos. Holding bis bígh taça em saudação, o Príncipe de Copas nos lembra que a riqueza da vida só pode ser adquirida através emocional de risco, permitindo-nos a ser vulneráveis a aqueles que se preocupam com a, escolhendo-se receptivo aos nossos desejos. Frequentemente êxito, mas sempre encantadora, o Príncipe de Copas revela a melhor maneira de fazer isso. SIGNIFICADOS: Grace e talento. Inspiração Artística e receptividade. Movimento nestas áreas da vida. Tornar sonhos em realidade. Um jovem que representa as forças do amor, beleza, riqueza e emocional e tem a habilidade de inspirar. Invertida ou fracamente asp & ctcd: A necessidade de ser mais receptivo à beleza, amor e harmonia. Excesso de fantasias. A necessidade de estar alicerçado no emo ¬ cional realidades de uma situação. RAINHA DE COPAS [Solde, amado DE Tristão e wifc de Marcos, simboliza a Rainha de Copas etéreo. Como Isolde, a Rainha de Copas experiências a vida como ela é mais significativa quando infundidos com sentimento. Soulful e sensível, a Rainha de Copas tem domínio sobre o reino das emoções, que podem ser tão misteriosa como a lua. A Rainha de Copas é como a sua vida interior rcceptíve como ela é a inspiração. Isso faz dela um talentoso artista que pode mover-se demais com seu talento, alimentando o amigo que realmente escuta. HCR bcauty faz ela como seduetíve como THC emoções ela embodícs. A Rainha oi Copas é como um corpo de água, sempre flui em diante o que ela traz inspiração e sensação de THC mundo. Embora ela pode, por vezes, como scem mutáveis como o mar em si, ela é sempre a truc HCR coração. Sua forte lealdade ao que ela sente incentiva outras pessoas a ser tão cmotíonally honesto. Essa honestidade pode ajudar- nos a amar verdadeiramente mais. SIGNIFICADOS: Emocional ou o domínio de fato dos copos representa: Arte, beleza, intimidade, amor. Inspiração Artística. Seduetíve emoções. A capacidade de expressar amor, para alimentar outros. Oldcr Uma mulher que inspira outros a ser mais emotivo. Rcverscd ou wcakly 136
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    aspecto: esmagada pelasemoções que precisam triagem. Necessidade de tomar o controlo desses sentimentos. Não mineira os tesouros da alma. Desarmonioso relacionamentos com mulheres, ou com o auto. REI DE COPAS MARCA KING, marido de Isolde e Tristan de liège, simboliza o Rei de Copas. Apesar de o Rei de Copas foi fustigada por seus sentimentos, ele está ali a mais sábia para eles. Suas experiências, boas e difíceis, conceder-lhe uma calma maestria. Desde verdadeira serenidade chega a partir da aceitação da humanidade do foibles, o Rei de Copas está em paz. O mar calmo redor dele espelhos seu temperamento, simbolizando o seu domínio sobre o reino das emoções. Introspectivo na natureza, o Rei de Copas exprime- se melhor através de relações e artistry. Ele age como um mentor para apoio thosc que sucederiam thcir crcative sonhos, oferecendo sugestões práticas abatidos Irorn anos ol experiência. Na natureza generosa e carinhosa, ele partes livremente sua sabedoria para aqueles que procuram o seu sincero conselho. SIGNIFICADOS: Aprendizagem a partir de relacionamentos amorosos. Habilidade para viver até aos ideais e sonhos. Integridade artística. Maturidade emocional, sabedoria e integridade. Alguém que simboliza essas forças. Rcverscd ou wcakly aspecto: desejo de ter mais con-trolo sobre um's aspirações artísticas. Necd fantasiando de parar e começar a trabalhar. Inconsistência. Unrcliabílíty. NAIPE DE PAUS A ação-embalado Terno de PAUS chega após o misterioso reino das emoções exploradas dentro do naipe de copas. In The Lover's Path Tarot, o naipe das PAUS está associada com Brunnhílde e Siegfried, representada mediante Força (VIII), a nona das vinte e duas grandes arcana cartões (página 30). A história de Siegfried Brunnhílde e mostra como a força do amor pode impulsionar-nos a grandes feitos, tornando-nos fortes, onde já foram fracas. Na progressão do menor arcana da Fatos de PAUS são como nova árvore mudas através de quebrar a terra-terra fértil que foi ungido com água a partir do anterior naipe de taças. PAUS estão também associados com o fogo, que é simbolizado pelo poderoso sol. Assim, cada cartão no naipe das PAUS tem uma fronteira alusivos ílames flicker-Ing sobre madeira, o mesmo material das PAUS estão esculpidos. Incêndio, o mágico que transforma a substância em questão cinzas e fumaça, é uma força que gera mudança. Sua tantalízíng calor aquece-nos apenas como amor aquece o nosso coração, mas também pode queimar se não estivermos atentos. Esta dupla borda foi primeiro experimentado pelo herói grego Prometeu, que roubou o fogo do céu para ajudar a humanidade, só para ganhar a punição dos deuses por sua transgressão. A força eléctrica consubstanciado no fato de PAUS é tão poderosa quanto a incêndio, e como expansivo como o sol da vida, afirmando energia. Ela leva-nos no caminho da ação, ensinando-nos como de tomar a cargo das nossas vidas. ÁS DE PAUS 137
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    DENTRO DE UMPAISAGEM banhado com a luz solar, um único stave molas brotar da terra fértil. Folhas verdes torção do seu nó grão, representando o crescimento vigoroso surging dentro. o seu coração. O bordão é coroado com rico ouro. Asa em forma de nuvens aparecer por trás dele, sugerindo uma grande energia irá em breve ser libertados. É o início de um novo dia com as novas possibilidades de acção, bem como novas oportunidades de crescimento. É a partir de. Esta paisagem de que a história de Brunnhílde e Siegfried começa. SIGNIFICADOS: Grandes fluxos de energia que unbounded. Criatividade início de um período de crescimento focado. Inspiração que inspira acção. Novas oportunidades. O mascu-line, ou yang, aspecto da vida. Crescimento. Reverscd ou wcdkly aspcctcd: dificuldades com novos empreendimentos. Ser queimado por demasiada energia, muita des-pesas, muitos pensamentos. A necessidade de se concentrar. DOIS DE PAUS Wotan, DEUS de Ali deuses, pagou um preço pesado e perigoso para a construção Valballa, o novo palácio dos deuses: h, mas ele tinha um plano para recuperá-la a partir de tbose que poderiam usurpação da autoridade. Embora Wotan não pode recuperar o anel directamente, felizmente ele pode influenciar a outra hclp bim. Para o seu plano para ter sucesso, ele vai precisar da ajuda de um parceiro leal. E ele tem um em mente, a sua filha dedicada Brunnhílde. Wotan é mostrado gazíng para Valhalla, que simboliza o ápice de sua mundanos metas. Ele embraia um bordão na mão, um cristal oub no outro. Outro stave, firmemente plantados em TBE eartb, fica ao lado do deus. Este bordão suçraests o sroundíng seu esforço deve ter para garantir suecess. SIGNIFICADOS: Início de um novo empreendimento. Helpfull influências. Uma parceria dinâmica. Novas idéias que transformam vidas e energizar as pessoas. Transformar inspiração em ação. Rcvascd ou wcakly aspccttd: Venture que perde ímpeto após um início promissor. Desilusão em projetos. Frustração ou impaciência. Necessitado de ajudar. TRÊS DE PAUS BRUNNHILDE, o mais fiel e amorosa de Wotan's muitas crianças, nasceu uma valquíria, uma mulher guerreira imortal criado apenas para promover o seu pai's causas em batalha. Wotan explicou a ela sobre o anel do poder, e pediu-lhe ajuda na reganhar ele. Ele estava confiante de sucesso, por sua vontade apenas Brunnhilde entendido absolutamente. Brunnhilde está representado une o pai dela a olhar para o mar em direção Valhalla. "Três PAUS são plantadas na terra, simbolizando a progressão. De Wotan's plano ambicioso. Mão esquerda repousa sobre uma das PAUS, sugerem-ing o deus da poderosa autoridade. O céu acima Wotan Brunnhilde e impetuosa é a partir do sol nascente, sugerindo o início de uma nova pbase. SIGNIFICADOS: Uma empresa sobre a cumulação de sucesso. À espera de notícias. A capacidade de transformar objetivos em acção realista. Business sucesso após um lançamento bem sucedido. Focada actividade. Rcvased ou wcakly asptcted: Planos ambiciosos 138
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    QUATRO DE PAUS Wotanplano da PROGRESSEDas desejado. Siegmund, o herói vai Wotan espera recuperar. o anel do poder, se apaixonou por Sieglinde. Wotan sabia que o amor de Sieglinde iria inspirar Siegmund para grandes feitos. Mas havia um problema: Sieglinde era casado com Hunding, barbaramente um homem cruel. Siegmund deve lutar contra ele para libertar dela Sieglinde votos. Apesar da ameaça de sinistro batalha, Siegmund e Sieglinde foram êxtase-prosperaram. Cada senti como se tivessem encontrado o seu verdadeiro amor, um amor que iria apoiá-los através dos dias difíceis à frente. Os amantes são representadas como se dança sob uma árvore frondosa apoiados por quatro PAUS, que simboliza a casa que sentem que têm encontrado em si. Esta casa vai proteger Siegmund e Sieglinde aconteça o que acontecer. SIGNIFICADOS: Helpfull estrutura. Estabilidade dos empreendimentos. Um novo lar. Realizar metas e desfruta-los. Primeiro sucesso de um novo empreendimento. Satisfação. Colocar as raízes. Possivelmente um casamento ou parceria doméstica. Encerramento de uma situação instável. Rcvcrstd ou wcakly aspccttd: querer estabilidade. O desejo de colocar as raízes, mas elusíveness em fazê-lo. Frustrações ou decepcionar "sitos em casa. CINCO DE PAUS FRICKA, wotan da esposa e da deusa do casamento, aprendeu de Siegmund e Sieglinde's adulterino amor. Irritado com sua destruição de sua sagrada votos, ela insistiu em que Siegmund deve morrer em batalha contra Hundíng para recuperar a sua honra. Wotan honrado seu pedido contra a sua vontade. Wotan enviado Brunnhílde Siegmund para dizer que ele deve morrer. Mas o herói se recusou a acompanhar a valquíria, Sieglinde transportadas para o seu nascituro. Como Siegmund falou de seu amor, o coração Brunnhílde foi transferida para o primeiro-tempo, ela compreendeu o poder do amor. Ela concordou em ajudar a Siegmund, desobedecendo ordens do seu pai pela primeira vez em sua vida. Como eles lutaram, Siegmund logo teve a vantagem sobre Hundíng. Mas era tarde demais: Wotan descobriu Brunnhílde da transgressão e atingiu Siegmund morto. A batalha entre Hundíng Siegmund e é apresentado sobre este cartão. Como Hundíng Siegmund e briga com três PAUS, Brunnhílde, visto apenas por Siegmund em sua forma sobrenatural valquíria, auxilia-lo com duas PAUS contra os furiosos Hundíng. O céu alaranjado é tão quente como a sua tempera. SIGNIFICADOS: Discórdia, que pode ser dentro de si mesmo ou personificadas nas pessoas ao seu redor. Conflitos por razões de conflito. Ego-Oriented concorrência. Perder de vista o que é importante por causa de pequenos desacordos. Rcvcrscd ou wcakly aspccted: Ultrapassar mesquinhas preocupações e inquietações para compreender o que é importante. Unificar forças. Ultrapassar os obstáculos. SEIS DE PAUS Wotan BRUNNHÍLDE punido por sua desobediência, le-vando por fora dela divindade. 139
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    Agora, uma mulhermortal, ela seria deixada para passear na floresta, forçadas a casar com o primeiro homem que a encontrei. Mas Brunnhílde teve uma inspiração: Sabendo que Siegmund da criança só poderia ser um herói como o pai, ela implorou Wotan a ser colocado em um cnchanted dormir sobre uma rocha cir-CLED pelo fogo. Apenas um corajoso herói, como o filho de Siegmund poderia reivindicar ela como sua noiva. Juntos, eles seriam fortes o suficiente para recuperar o anel do poder. Wotan plano acordado com ela. Sícgmund da criança nasceu, um menino chamado Siegfried por sua mãe antes que ela faleceu. Separados do mundo, o menino cresceu selvagem na floresta e se tornou o forte e destemido herói Brunnhílde previsto. O inteiramente cultivadas Siegfried é mostrado aqui como ele monta um cavalo branco triunfantemente através da floresta. O único bordão na mão do herói representa a sua pura vontade. Ele está cercado por cinco PAUS que venceu em forte árvores. Essas árvores sugerem o desenvolvimento e eventual suecess de Wotan's plano para recuperar o anel do poder. SIGNIFICADOS: Heroísmo. Triumph. Beneficiando suecess depois de muito trabalho e luta. Agradecimento e honra daqueles em torno de você. Os frutos da coragem e integridade. Integração e harmonia. Rcverscd ou fracamente aspecto: vitória é ilusório. YouVe feito o trabalho, que merece as honras, mas eles não chegaram, talvez devido a uma falta de sensibilização naqueles em torno de você. Falta de coragem ou honra. SETE DE PAUS SIEGFRIED SOON APRENDIDAS sobre Fafnir, um dragão guarda um precioso tesouro de ouro roubado. Entre esses tesouros Wotan descansou da longa 'permutado anel. Cercado por muito brilhante tesouro, tinha-se tornado o dragão furioso com ganância. Ele aninhada sobre o ouro ali dia e noite, destruir-Ing qualquer que chamou para perto dele. Ser jovem, forte, e aventureira, Siegfried decidiu a batalha ardente dragão. O herói da primeira appearcd não ser páreo para Fafnir. Mas Siegfried foi corajoso, e, após uma longa e sangrenta batalha, o jovem foi vitorioso. Como ele chegou para o tesouro escondido do dragão de ouro, Siegfried's mãos ficaram revestidos com o seu adversário caído do sangue. Ele tocou bis mãos para os lábios, acciden-tally saboreá-lo. Siegfried é retratada no calor ol sua luta com o ouro-Amealhar dragão. Com apenas um único stave, o rapaz parece ser subjugada por Fafnir's quatro PAUS. Felizmente, esta é uma luta de vontade, não poderia. SIGNIFICADOS: lnstabilíty e luta. Defesa. Embora você possa ter a derradeira vantagem nesta situação, ainda há conflito. O sucesso é possível, mas somente depois de Surdos Ing com pessoas difíceis ou situações que se opõem as suas intenções. Tenha cuidado para não deixar sua bagunça tornou seu. Rajcrsed ou wedkly aspecttd: indecisão em face da oposição. Sentindo-se sobrecarregado. Sendo o seu pior inimigo. Criando problemas para distrair a partir do que está realmente acontecendo. OITO DE PAUS À Prova Fafnir'S sangue, Siegfried experimentado um míracu-lous transformação: Ele era capaz de entender o canto dos pássaros. A floresta se tornou subitamente sopros vivo 140
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    wítb língua, Siegfriedesmagadora de cada árvore e ramo. Estes recém-entendidos em torno de mensagens aumentou o jovem como ardente raios do sol. Um pássaro em especial chamou a atenção do herói. Este pássaro persistentemente cantou de uma mulher linda dormindo sobre uma pedra, rodeada por um anel de fogo. Ela esperou um herói para acordá-la de volta para a vida. Siegfried homenageado o pássaro da mensa-gem e se lhe seguiu. O pássaro conduziu Siegfried em direção a pedra onde Brunnhil.de slumbered, dizendo-lhe que o verdadeiro amor seria encontrado ali. Vários pássaros cantando estão representados nas oito branclies árvore. Eles sym-bolíze mensagens que devem ser imediatamente reconhecido e atendido. O céu quente atrás deles sugere a urgência de suas comunicações. SIGNIFICADOS Importam-Comunicações inesperados telefonemas, cartas-surpresa que libertem incertezas e final em espera. Energetic movimento. Rapidez e suddenness. Desconhecido informação finalmente libertados que faz sentido. Rcvcrsed ou votakly asptcted: uma espera demasiado longa para a comuni-cação. Talvez seja hora de tomar a iniciativa, para criar ondas. À espera de outros para fazer a primeira jogada. Passividade. NOVE DE PAUS SIEGFRIED Ouvido o pássaro da mensagem importante. Após a direc-ção, que percorreram a floresta, uma clareira na direção de onde ele podia ver um alto rochedo circulados no fogo. Dentro desta impetuosa tempestade dormir descansado uma mulher. Sem medo ou hesitação, o herói Strode através das chamas para reivindicar a valquíria encantado, que tinha esperado por ele. por tanto tempo. Ao ver Brunnhílde o rosto brilhante, Siegfried conhecia o amor pela primeira vez. Como o jovem rejubilaram no amor que encontraram, Siegfried Brunnhilde ofereceu um anel em casamento-Wotan's anel, tomadas a partir de Fafnir s covil. Brunnhilde estava satisfeito com o seu dom, mas ela também sabia que havia muito mais a fazer. Seu trabalho não estará completo até que o anel era segura em Wotan's posse novamente. Siegfried é descrita como ele desperta a longa slumberíng valquíria com o seu primeiro beijo. Brunnhilde é thríUed como ela abre os olhos para ver o belo herói em seu lado. Ela abraça-lo, alinhando-la para o seu futuro. Nove PAUS chamas vivas em seu redor, sugerindo que a paixão do jovem da união. SIGNIFICADOS: Temporária sucesso. Uma pausa no trabalho para descansar, a reconsiderar planos. Conclusão está tão perto, mas tão longe! Necessidade de protecção ou de separação de outras pessoas que não podem ser totalmente favorável, a fim de concluir um projeto. Responsabilidade. Rcverscd ou wtakly aspccted: Sensação sobrecarregado pelo trabalho. Necessidade de uma pausa. Não reconhecendo plenamente o trabalho necessário para concluir um projeto. Negação de responsabilidades. DEZ DE PAUS Depois de muitas aventuras e muito trabalho duro, Siegfried e Brunnhílde descobriu que Wotan's anel deve ser destruído, se era para continuar a vida na terra. Para fazer isso, Brunnhílde construiu uma enorme fogueira para derreter-lo. As chamas, quando visto de 141
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    uma distância, comofoi brilhante como o sol. Alimentado pelo poderoso anel, este poderoso incêndio atingiu as estrelas, o céu nocturno com manchas de calor e electricidade. Dez PAUS, representando a grande strugglc cxperícnced por Siegfried e Brunnhílde, são mostradas as chamas flutuantes beforc. Essas PAUS pareço nat ¬ extensões naturais da energia do sol. Folhas de torção das PAUS, que simboliza o crescimento pessoal e Siegfried Brunnhílde ganharam seguindo o caminho da ação. SIGNIFICADOS: A acumulação da empresa começou com a criação de um PAUS. Sucesso que se torna esmagadora com a sua responsabilidade. A última visão está dentro de seu alcance, mas trabalho pode ser opressivo. Rcvcrscd ou wcakly asptctcd: Overwhclmed e sobrecarregados por responsíbílítícs. Não há tempo para desfrutar com sucesso há muito trabalho a fazer! PRINCESA DE PAUS BRUNNHÍLDE, o corajoso guerreiro valquíria, que representa a fíeiy Princesa de PAUS. A personificação do pai Wotan. "S será, Brunnhílde sugere a forcefulness oferecido pela princesa de PAUS. Carregar sempre em frente, a Princesa de PAUS entusiasmo é personificado. Aqueles que entram em contacto com esta intensa jovem são energizados por ela apaixonado exemplo. Embora ela não pode ser pragmático quando se trata dos detalhes envolvidos em um empreendimento, ela oferece o precioso dom de inspiração, sem inspiração, nada pode vir a existir. A inspiração concedida pela Princesa de PAUS é tão brilhante como os raios do rebentamento sim atrás dela. Ela é portador de mensagens importantes e estimular novas idéias que nós em acção. Um wonderíul companheiro a quem foUow sua vontade, sua fidelidade pode encorajar-nos a cumprir nosso drcams. Sua confiança nos permite deíend-nos contra qualquer diffícultícs que bloqueiam nosso caminho. SIGNIFICADOS: Entusiasmo. Importante Comunicações. Necessidade de ouvir a inspiração, novas idéias. No entanto, estes devem ser ponderados de acordo com a praticidade. Inex-períenced Um jovem que pode ser muito apaixonada, mas não muito expe-experiente. Rcvascd ou fracamente aspectcd: Muita energia e não o suficiente foco. Idéias e mensagens que fiasco, após o entusiasmo inicial. Inconsistência. Overenthusíasm por uma questão emocional do visor. PRÍNCIPE DE PAUS SIEGFRIED, O CON au lisando herói, representa o Príncipe das PAUS, um jovem homem cheio com paixão e força. Faltando medo, Siegfried corajosamente obtido o anel de Fafnir e acordei Brunnhílde de seu sono encantado. O Príncipe das PAUS' rijo personagem oferece um exemplo de integridade que não fivela sob pressão. Sem medo de usar o seu bordão de protecção, este jovem. carrega dentro bímself os conhecimentos necessários para agir sem medo. O Príncipe das PAUS é uma adição bem-vinda em qualquer situação nccding mudança. 142
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    Embracing ali desafios,bravc sua capacidade de forgc frente levanta os espíritos oi ali aqueles que satisfaz, dissipar as dúvidas que possam impedi-los de avançar. Ele é tão forte quanto o verdejante árvore crescendo atrás dele, e ust como enraizados na sua convictic SIGNIFICADOS: A possibilidade de criar uma mudança no mundo. Paixão, integridade e criatividade. Iniciativa. Novas ideias ou empreendimentos que devem ser postas em prática imediatamente. Um jovem que inspira outros a viver esta missão. Revased ou fracamente aspectcd: Scattered energia. Hesitação. Incapacidade de se concentrar sobre as matérias em apreço. Necessidade de desenvolver habilidades para trazer sonhos em realidade. Demasiada energia energia suficiente ou não. RAINHA DE PAUS Wotan'S CONSORT FRICKA simboliza a Rainha de PAUS inteligente. Forte da mente e wíU, foi Frícka a procura de Wotan para honrar o seu juramento, que trouxe o amor de Siegfried e Brunnhílde. Vestida de vermelho ardente, a Rainha das PAUS detém o poder dela dentro. própria, representada pela Simmering navio repousando sobre a sua volta. Seu entusiasmo é focada apenas para os projectos e as pessoas que ela considera digno de atenção. Ela é sábia o suficiente para compreender que a acção em prol da acção leva a nada, essa mulher mais velha quer resultados, não emoção. Aqueles que se aproximam da Rainha de PAUS para auxílio irá encontrar um pragmático aliado. Ela sabe como abordar um projeto para garantir o sucesso, ea melhor maneira de preservar a faísca que inspirou-lo. Imparável no seu talento, ela traz força e estabilidade para qualquer esforço criativo. No entanto, sua intensidade pode queimar os despreparada para recebê-la. SIGNIFICADOS: Uma mulher sábia o suficiente para inspirar outros a seguirem a sua vontade. IntcUigence e potência aplicada a criação de ações pragmáticas, os bens materiais, expansão de negócios sion. Argúcia. Uma mulher que incorpora essas idéias e inspira acção de outros. Wit e sabedoria. hnthusíasm e acção. Suporte. Rcvcrscd ou wcakly aspccted: uma espera demasiado longa para usar suas forças. Não mostrando ao mundo sua força. Minando a sua própria autoridade. Sentindo-se impotente. REI DE PAUS Wotan, Deus de Au, que representa a magistral Rei de PAUS. É Wotan's action-vontade que cria ali outros devem seguir o seu exemplo. Recheados com autoridade, o Rei de PAUS tem capacidade para varrer o carismático outros juntamente com o seu inspirador idéias. Este homem mais velho do honesto e calorosa personagem ganha lealdade frorn ali que conhecê-lo, para que instintivamente sua confiança abrir caminhos. Através do fogo, mas apoio palavras, o Rei de PAUS gera crescimento de oportunidades para aqueles que ele se preocupa. Seu incentivo proporciona uma base estável para a criatividade e as empresas se esforça para florescer. 143
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    Se o Reide PAUS tem uma falha, é que às vezes ele acredita que sua vontade deve torná-lo assim. Embora a sua capacidade de realizar mudanças é impressionante, ele pode esquecer de considerar outros no âmbito da sua regai desejos. Mas mesmo quando ele é descuidado, o Rei de PAUS é rapidamente perdoados. Poucos podem resistir seu expansivo, generoso temperamento. SIGNIFICADOS: Dinâmico, estável entusiasmo. Confiança. Maestria sobre iniciativas empresariais. A capacidade para reunir idéias para fruição. Alguém que simboliza estas forças. Creative inspiração e ajuda. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: querer explorar estas forças, mas não suficientemente forte para fazê-lo. Alguém que parece ser solidário, mas quando chega a empurrar empurrão já perdeu interesse. NAIPE DE ESPADAS Assim como INCÊNDIO, associado ao fato de PAUS anteriores, queima-nos a agir em nossas vidas, as setas Prick despertar em nossa consciência. Em I_over O Caminho do Tarot, o naipe de setas está associada com Cupido e Psique, rep-ressentimento após despertar (XIX), o vigésimo dos vinte e dois grandes arcana cartões (página 52,). O mito de Cupido e Psyche descreve como amor concede sabedoria. O amor muda-nos, tal como Cupid's mágico setas mudar ali que são afectadas por elas. Setas estão associadas com o ar, wmch é affiliated com sal. Sal é ali que está à esquerda da água do oceano, quando o ar é seco por evaporação ou pelo sol. É também um componente de lágrimas chorou durante a experiência dolorosa 'cias, quando pensamos que não têm nada dentro de nós, mas pura emoção. Ar simboliza comunicações, mensagens de longe. Não surpreendentemente, as aves que a viagem aérea foram considerados em tempos antigos a ser arautos da Divina tbought, trazendo mensagens de Deus para celeste Earthbound humano. Setas indicam as forças incisiva do intelecto. Centram-se o ardente energia cresceu nos últimos naipe de PAUS, e ajude-nos a compreender a sua vida em ali com 'plexíties, ter compaixão pelos outros. As mensagens trazida pelo fato de setas podem ser tão galvanização como um relâmpago, chegando literalmente fora do ar. A fronteira para cada cartão neste fato mostra um céu despedaçado por um relâmpago, sugere "o choque gestíng entendimento pode trazer. Um segundo céu é calma com a paz, trans-formada pela tempestade, apenas como sabedoria transforma-nos de um rastreamento Caterpillar em uma Soaring borboleta. ÁS DE ESPADAS A SKY chance com relâmpago revela uma única flecha. Trata-se viravam com um coração, que simboliza o poder do amor para criar sabedoria. Esta seta, pertencem-Ing para Cupid, oferece o poder do intelecto incisivo a mudar-nos, como se fôssemos atingido por um raio. Sugere também a súbita transformação pode trazer uma vida ao mundo. Foi o caso de Psique. Psyche Desde seu nascimento, os homens e as mulheres tinham a sua aclamada como uma nova deusa devido à sua beleza, o que eleva o homem menina muito constrangimento e angústia. Também trouxe o zangado aviso de Vénus, a mãe de 144
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    Cupido. SIGNIFICADOS: Os poderes incisivado coração. Pura compreensão e sabedoria. Clareza e bom senso. Conhecer a diferença entre certo e errado. Inteligência. Verdade. Início de um ciclo de crescimento intelectual. Rcvcrsed ou wcakly aspccted: Necessidade de pensamento. A auto-recriminação e rejeição por pessoal de poder de culpar outros. Confusão. DOIS DE ESPADAS VENUS WA tem ciúmes de culto a pródiga paga aos Psyche. Mas quando mortais negligenciado a deusa do amor de templos para honrar a rapariga vez, Venus procurou vingança. Ela pediu para visitar seu filho Cupido Psyche enquanto ela dormia e fure ela com o seu mágico seta. Ao acordar, a menina seria uma tolice queimar com amor à primeira coisa que ela possa ver. Embora Cupido tinha ouvido as glórias da Psique da beleza, apertou as mãos ao ver o seu sono. Uma seta posicionados na sua proa escorregou, pastejo sua coxa. A partir desse momento, Cupido e Psique amava ela queria acima ali outros. Como ele assistiu a rapariga inocente sono, Cupido foi ali também sabia como furioso sua mãe seria se ela sabia que seus sentimentos. Ele ficou ali noite visitar seu amado, mas fugiu quando amanhecer chegou antes que ela iria acordar. Cupido visitou a menina cada noite como ela dormiu. Semanas passaram e Psique permaneceram desconhecem o deus do amor da atenções. Cupido poderia ter permanecido em paz com esta situação. Mas então, Psique seus pais decidiram que era hora da menina casada. Cupido é retratado aqui encantado com o amor que ele relógios Psyche sono. Duas flechas são equilibradas sobre ele, o que representa o traço que ele temporar bas- sariamente criada entre sua mãe e do seu amado. Por agora, ali está calmo. SIGNIFICADOS: Pacífica ou temporária trégua. Impasse. Compreender uma situação difícil. Equilíbrio atingido, mas acabou questões terão de ser confrontados. A aceitação de uma situação de limitações. Controle emocional. Rcverscd ou wcakly aspcctcd: desconforto com a decisão. Overrelíance no intelecto, deixando-ções cmo desconhecimento. Desconfortável relações que precisam mudar. TRES DE ESPADAS Meses passaram e nenhum pretendente para Psique pediu a mão dela em casamento. Qualquer que possa ter também foram intimidados por sua beleza, que foi rumores de ser divino. Em desespero, os pais de Psique consultado o ora-clé de Apolo. Animais foram sacrificados, seus ossos atirados e lidos pelos sacerdotes. Ali os sinais conduziu a uma mensagem: Não seria mortal Psique do marido. Em vez disso, ela deve ser abandonada a um precipício onde um monstro nei-ther homem nem Deus poderia resistir teria ela como sua noiva alegação. Todos choraram com a notícia, por isso significava Psyche certeza da morte. Mas Apolo havia falado e deve ser obedecida. Psyche conduziu a procissão ao seu casamento e de funeral. Quando o proces-missão chegou ao precipício onde a menina era de esperar que o marido dela, o céu virou cinza 145
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    com tempestades edo mar cresceu selvagem. Que vê este como um presságio ínauspí- cíous, todos íled, abandonando Psique ao seu destino. Psyche é mostrado como ela espera, na beira do precipício. Ela é rígida com medo-medo do marido da identidade, medo de sua vida. Um coração flutua acima dela. É perfurado com três setas, simbolizando a Girl's acentuada tristeza. SIGNIFICADOS: Uma dor aguda ao coração-decepção, final de um relacionamento amoroso, separação. Sorrow que pode esclarecer ou debilitar. Oversensítívíty. Tempo de cicatrização. A necessidade de transformar a dor em entendimento. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Overíndulgíng em luto, por razões de drama. Identificar com a emoção em vez da perda. Slow Flexibilização de tristeza. QUATRO de ESPADAS Algo inesperado ocorreu depois Psique foi deixado sozinho. A tempestade passou leve eo mar acalmou. Soft ventos cradled cuidadosamente o infeliz siri, elevação; ela muito superior ao do penhasco eo mar abaixo. Os ventos ela voou para uma ilha onde um palácio esperei. Na sua mais escura, intimidades câmara, Psique foi preenchida por um ser que abraçou-a como sua esposa e amante. Se ele era besta ou homem, Psique ela deu-lhe em cima dela confusão inocente, como ele sussurrou de seu amor por ela. Quando Psique acordou na manhã seguinte, o seu marido tinha ido embora invisível. Sozinho naquele estranho mas opulento palácio, os fiéis ventos da Psique teve o cuidado de todas as necessidades. Naquela noite, ela retornou ao seu misterioso marido novamente nas trevas. Para além de todo o mundo, Psique se usado para este estranho estado de coisas. Seu marido continuou a sua visita a cada noite no escuro, quando ela não podia vê-lo. Ela foi de conteúdo, pois ele foi gentil e amorosa. Psique logo esqueceu ali sobre o oráculo da previsão assustadora. Amor e Psique são representadas como eles dormem pacificamente. Separada do mundo, eles são capazes de amar sem medo FBE outros. Quatro setas descansar sobre a sua cama, sugerindo que a solidão dá-lhes protecção. SIGNIFICADOS: Introspecção. Cicatrização. Precisa de tempo para curar ou descansar. Paz após emocional dis-nomeação. Destacamento do mundo cotidiano para recuperar o equilíbrio. Recuperação de situações estressantes. Rcverscd ou wcakly aspccted: Forçados isolamento. Solidão. Mais recuperação tempo necessário do que aquilo que foi permitido. Necessitado de uma visão dos problemas mais destacados. CINCO DE ESPADAS TN TIMNE Psyche's contentamento virou para duvidar. Ela decidiu que tinha de saber quem tinha casado, mesmo se este knowledgc destruiu seu precioso felicidade. Quando seu marido carne para ela naquela noite, Psique chorou quando ela beijou o seu marido, mas ele pensou que eram lágrimas de amor. Logo que a menina ouviu breatbíng profundamente com o sono, ela acendeu uma luz e ela detida elevado acima do seu leito. Não besta, não serpente cumprimentou os olhos só de um homem tão radiante como um 146
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    deus. Na suapés descalços descansado arco e flechas. Como Psyche testadas as setas' nitidez, ela estava assustado ao ver uma gota de sangue sobre seu polegar. Rapidamente o veneno lovc ol fluiu em Psique do corpo. Paixão. queimadas dentro dela mais quentes e mais brilhantes, em seguida, a luz que ela realizou. Incapaz de controlar suas emoções, a lâmpada clattered de Psique da aderência ao piso azulejos. Hot óleo derramado a partir dele, queimando Cupido pouco acima seu coração. Cupido é mostrado como ele voa longe, abandonando THC contrito Psyche. Cinco dos seus mágico setas Fali esquecido, a falta suegestíng ol lcads entendimento que a desarmonia. Feridos em corpo e furiosos com raiva, não vai ouvir Cupid's Psyche fundamentos para o perdão. SIGNIFICADOS: Falta de confiança que leva ao conflito. Petty argumentos. Possível derrota ou sentimentos de derrota. A necessidade de auto-proteção ou cuidado. Desconforto ou lutar com uma situação. Não confiando a um emoções. Rcverscd ou wcakly aspecto: insincero rendição. Derrote devido à indecisão. Paranóia. Desonestidade. SEIS DE ESPADAS ONCE Cupido fugiram da ilha, o magnífico palácio habitação Psique desapareceu, juntamente com os ventos que serviram dela. A única coisa que deixou para trás era mágico flechas do Cupido. Psique chorou durante dias, incerto sobre o que fazer. Mas então ela despertamo-se a acção. Determinado a ser reunificada com Cupido, Psique pesquisados em todos os lugares para o seu amado marido. Eventualmente Psyche chegou a um conjunto majestoso templo no topo de uma alta montanha. Certos de que essa estrutura só podia pertencer a uma goddcss, a menina correu dentro e percebeu que o templo foi deixada em desordem. Psyche prontamente definido para clcaning. Ceres, o goddcss ol do templo, estava impressionado com Psique do trabalho árduo. Ela aconselhou-lhe que a melhor maneira de encontrar Cupido foi encontrar a sua mãe Vênus. Então, a menina deve definir a vencedora THC deusa da lavor. Psyche é descrita como ela viagens para encontrar Cupido. Ela trouxe seis flechas com ela, tanto para a protecção, bem como um lembrete de sua amada. Essas setas também simbolizar a gírFs novos recursos encontrados no seu auto-¬ ela agora compreende o que ela precisa de fazer para avançar. SIGNIFICADOS: Transições que correram bem. Os novos conhecimentos que ajuda a um movimento para além das actuais limitações. A diminuição das dificuldades. Viagens, a fim de adquirir conhecimento. Distanciando-se das dificuldades. Desprendimento para compreender melhor a situação. Cura emocional. Revascd ou wcahly aspectcd: Mais uma compreensão da situação é necessário antes de ele pode mudar. Viagens atrasos. SETE DOS ESPADAS Psyche THOUCH ACEITES Ceres' conselhos, inconsolável a menina tinha uma tarefa difícil antes dela: Vénus odiavas Psyche. Além de estar com ciúmes dela, a deusa do amor estava furioso que Psique havia ferido o filho dela. Depois, ao saber que tinham 147
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    Cupid desposá-la secretamentemaior inimigo, era mais do que Vénus poderia suportar. Vénus uscd ali do seu encantamentos a enfermeira Cupido volta para a saúde, comprometendo assim a sua própria beleza. Como o filho recuperado, a deusa decidiu que Psique não ferir o filho dela nunca mais. A deusa Vénus é pintado sobre este cartão como ela reúne sete setas para uso na defesa, se a necessidade arísc. Estas setas wíU impedir de Psique nunca ferindo seu filho novamente. Cupid repousa sobre uma pallct atrás de sua mãe, bis braço dobrado na protecção. A cena por detrás dele revela um terreno montanhoso-escapo, sugerindo que as dificuldades que aguardam Psyche SIGNIFICADOS: Fecling vulneráveis. A capacidade de defender onesell em uma situação difícil. Auto "protecção. Necessidade de cautela e análise. Seja cuidadoso ao usar palavras que podem ser girados contra você. Rcverscd ou wcakly aspecto: paranóia. Sentindo defensiva. Culpa. Negar necessidade de protecção OITO DOS ESPADAS ONCE Psyche FOUND Venus, ela jogou a menina sobre o deus do amor ¬ DESS da misericórdia. Ela implorou-lhe para reunir-la com palavras Cupido com humilde e generoso elogio. Para provar o seu merecimento, ela ofereceu para fazer qualquer-coisa Vénus exigido. Vénus foi um rude zelador. Depois de manifestar a sua indignação com Psique, a deusa levou THC garota para um hugc storcroom wherc incontáveis pilhas de trigo, cevada, milho e outros grãos leigos baphazardly mixcd togcthcr. Oito setas werc preso dentro de cada pilha, simbolizando Psyche's transgressões. Vénus então instruído Psique para separar e colocar cada grão com sua própria espécie antes de anoitecer. Se ela foi bem sucedida, a deusa pode considerar-Ing Belp encontrar seu marido. Psyche é mostrada cercada por inúmeras pilhas de grãos. Uma seta é preso em pleno coração de cada um, simbolizando os ensaios que ela deve mastcr antes de Vénus permitirá o seu reencontro com Cupido. Paralyzcd por THC tarefa antes dela, Psique chora. Ela é sem esperança. SIGNIFICADOS: Entrapped pela emoção e tristeza. Incapacidade de se mover. Depressão que é incapacitante. Sentindo-se vítima. Extrema tristeza que pode ser causado por oversensítívíty. Rcvcrsed ou wcakly aspecto: Algumas coisas podem não ser tão maus como parecem. Obsessão com problemas pessoais, em detrimento de outros. Problemas que podem vir de dentro. Projeção Negativity para outros. A redução de obsessões. Narcisismo. NOVE DE ESPADAS Desconhecida da Psique, Cupido viu tudo e seu coração era amolecido pelo seu sincero arrependimento. Recordando o seu amor por ela, ele ordenou a formiga humilde para ajudar sua esposa. Logo formigas tinha organizado grãos para cada sep-arate pilhas, tal como Vénus ordenados. 148
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    Mas embora ogrão foi separada, Vênus foi ainda satisfeitos. Ela tramou impossível tarefa após tarefa de Psique para completar para ganhar. seu favor. Finalmente, Vénus ordenou a menina para viagens para o submundo, o mais aterrador dos reinos, para encher uma caixa com a essência da beleza para a deusa. Psyche facilmente alcançado este pedido, mas ficaram tentados em seu caminho de volta à terra. Querendo olhar para a sua melhor Cupido, a menina cracking abrir o cofre para esgueirar-se um pouco de si mesma beleza e caiu em um pesadelo deatlvlíke slumber. Mas ali não foi perdido. Cupid, totalmente recuperado da. sua ferida, é mostrado aqui como ele resgata Psyche. Ele desperta a esposa com uma de suas flechas, trazendo-la de volta à vida. Restantes oito setas um formulário padrão na parede por trás dos amantes. Estas flechas simbolizam as muitas preocupações temporariamente entrappíng Psyche. SIGNIFICADOS: Teme que manter um desperto. Pesadelos. Uma questão que precisa de ser examinada de forma mais estreita e só então será transformada. Ensaios e atribulações. Medo ou ansiedade lancinante. Culpa. Psíquicos. Rcvased ou votakly aspccttd: O desmoronava destas preocupações. Catarse. Compreensão. Alguém próximo que está sofrendo de depressão, ansiedade, doença. A capacidade de transformar a dor em força. DEZ DE ESPADAS Depois de muito tumulto, Vénus aquiescido e Psique foi reunificada com a sua amada Cupido. Tanto Amor e Psique foram sábios e mais paciente para o ensaio de seu amor do bônus. Com o tempo, seu filho, uma filha que requintado chamado Pleasure-nasceu no iluminado, brilhante ali a presença dos deuses e deusas. Nove setas são mostrados nas thls cartão arqueamento através de um céu nublado. A Sin-GLE seta voa baixo, simbolizando o caminho da sabedoria que pode nos libertar de limitação dolorosa. Raio pisca drasticamente no céu. Thesc rep ¬ resem o choque de entendimento que traz verdadeiras enlíghtcnment-tal como a história de Cupido e Psique pode inspirar-nos a sabedoria em nome do amor. SIGNIFICADOS: Perfeito emocional sabedoria adquirida através da experiência. Entendimento adquirida após a luta. O fim de uma situação difícil. A melhor experiência como professor, para melhor e para pior. A partilha de conhecimentos com os outros. Rcvascd ou • wtaldy aspectcd: Mais tem de ser considerado bcfore compreensão completa pode ser adquirida. Sobrecarregado com demasiada informação. Perder-se em detalhes, a incapacidade de ver a floresta para as árvores. PRINCESA DE ESPADAS Psyche, O amado de Cupido, representa a princesa de setas. Antes que ela poderia ser reunificada com Cupido, Psique necessários para ganhar WIS-paço, representada por definir as tarefas a ela por Vénus. Da mesma forma, a Princesa de setas procura desesperadamente sabedoria. Como ela traveis de medronho e em busca do mesmo, esta jovem mulher notícias partes que ela adquiriu com os outros, esperando que o conhecimento que ela mais partes, mais ela vai ganhar. Borboletas flutter sobre a princesa de setas, simbolizando a transfor-mação da Princesa de setas anseia alcançar. Com o tempo ela irá adquirir a maturidade ea educação que ela 149
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    procura. Por agora,o seu maior talento é para difundir idéias e conceitos sobre o mundo, semelhante à maneira como uma borboleta poliniza flores para que eles possam florescer. Por causa de seu entusiasmo pelas ideias, a Princesa de setas usa tanto palavras faladas e escritas com graça e precisão. Seu respeito pela língua faz-lhe uma fiável mensagem portador, para a clarificação e infor-mações necessárias para qualquer situação. A princesa das setas é uma boa amiga para aqueles que exercem ideias para uma vida. SIGNIFICADOS: Articulação. Educação. Notícias que traz sentido para uma situação. Mensagens faladas ou escritas e Comunicações. Influenciar a capacidade de criar e trazer compreensão, usando o poder das palavras. Alguém que personifica esta função. Rcvcrscd ou fracamente aspecto: à espera de notícias. Não compreensão tanto como gostaria de um. Ignorância. Confusão. PRÍNCIPE DE ESPADAS Cupido, o poderoso filho de Vénus, que representa a incisiva Príncipe de setas. Descrito como um monstro humano ou deus não poderia resistir, Cupido e seu encantado setas são uma força que não deve ser subestimado O príncipe das setas sabe o que ele quer, e está disposta a fazer o que é necessário para obtê-la. Felizmente, este jovem é uma força positiva de justiça. Ele tem integridade suficiente para ver e falar a trurh como é, não importa o quão dura que possa parecer. Impacientes com aqueles que preferem agir do que falar, o príncipe de Setas é um bom arqueiro, inteligentemente com a sua proa para enviar setas onde ele julgar necessário. Estas flechas podem defender os inocentes e intimidar os culpados. Eles também podem trazer desesperadamente necessárias novas idéias, transformando mentes demasiado obstinada para ver a luz. Uma determinada força da natureza, o príncipe das Setas oferece clareza e foco para aqueles dispostos a receber sua sabedoria. SIGNIFICADOS: A capacidade de deslocar-se em uma forma incisiva. Criando clareza de confusão. Ser capaz de defender-se brilhante. Ajudar os outros com palavras. Foco e precisá ¬ dade de compreensão. Um jovem que symbohzes destas forças. Rcvased ou vocakly aspecto: Não compreensão tanto como gostaria de um. Sentindo-se incapaz de levantar-se para si, ínartículate.The vontade de avançar, mas que sejam contrariadas. RAINHA DE ESPADAS A deusa Vênus, mãe de Cupido, representa o briUíant Rainha de setas. Embora Vénus amou muitos, apenas o mortal Adonis foi capaz de quebrar o coração dela. Esta perda, dor, tal como foi, concedido a deusa uma sabedoria maior do que beleza. Cleverest de Ali, quando se trata de assuntos do coração, a Rainha das setas devem ser tratados com grande respeito. Ela compreende perfeitamente as complexidades da natureza humana em cada situação. Ela também sabe que essa educação. só pode ser obtido através de experiências tanto doce e azedo. A Rainha das setas é uma mulher madura. quem viu ele ali. Ela experimentou o amor ea perda. Ela sabe que as flores florescendo ao seu redor irá desaparecer, mas também entende que ela vai crescer novamente no tempo. Ela viu pássaros voam longe e voltar com as estações do ano. 150
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    Esta vista worldlydela pode fazer sua impaciência com os menos experiência 'experiente. No entanto, se correctamente abordado, a Rainha das setas irá gerar-mente com a sua sabedoria, usando as setas para ela dizer-la como ela é. A vontade de apreciar a verdade é ali que é necessário. SIGNIFICADOS Sabedoria em assuntos do coração. Auto-conhecimento. A capacidade de esclarecer através da linguagem. Honestidade. Brilliance na escrita, fala ou qualquer outra coisa transmitida com palavras. Uma mulher que tenha realizado plenamente essas qualidades. Invertida ou vjtakly aspcctcd: maio simbolizar perda ou feridas, apesar de boas intenções, acentuado palavras pessoas feridas e afetar as relações. Permitir intelecto para decidir sobre o coração. Manipulação psicológica ou emocional. REI DE ESPADAS ADONIS, o único homem capaz de quebrar Vénus do coração, representa o Rei dos responsáveis setas. Adonis foi tomada de Vênus quando um javali atacou ele na floresta, gouging seu coração. Para aliviar a sua dor, ela aspergia o seu sangue sobre a terra, criando assim a anêmona. De seu trono conjunto elevado nas nuvens, o Rei de Espadas é capaz de visualizar qualquer situação com clareza e desprendimento. Ele está vestido com as cores escuras de autoridade. O pequeno buquê de anémonas em sua mão esquerda simboliza o amor perdido, ele se mudou para lá emoção para o reino de pura reflexão. A seta no seu direito revela sua disponibilidade para utilizá-las se necessário. Ele não vai permitir que os sentimentos dele para entrar no modo de ver as coisas como elas realmente são. Uma força de intelecto brilhante, que deve ser admirado e honrado, o Rei de setas é o especialista para consultar quando uma decisão deve ser feita. Ele representa os elevados padrões que devem reunir-se para ver realmente como são as nossas vidas, libertando assim, nós mesmos a partir de delírio. SIGNIFICADOS: Caim autoridade e integridade. Perfeita compreensão. Um homem que será útil mais velhos não sugarcoat palavras para proteger outros "sentimentos. Incisivo intelecto. Responsabilidade. Altos valores que exigem um trabalho árduo. Rcvased ou wcakly aspictcd: querer assumir a sua autoridade para evitar assumir. Colocar demasiada confiança no intelecto. Ser demasiado criticai. Distanciamento emocional NAIPE DE OUROS A ROUPA DE MOEDAS MOEDAS DA MELHOR simbolizar o mundo pode oferecer-nos, o que só pode ser manifestada por submetidas a três xícaras de fatos anteriores, PAUS, e flechas. In The Lover's Path Tarot, o naipe de moedas estão associados Danae e Zeus, representada mediante Fortune (X), o décimo primeiro dos vinte e dois grandes arcana cartões (página 34). O mito de Danae foi considerado durante o Renascimento italiano a ser uma 151
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    metáfora para acortesã, uma mulher, bem como um geisba, que foi capaz de criar sua própria índepcndent para sintonizar aceitando Coín de conversa e carinho. Danae da viagem, como ela cresce a partir de um inocente princesa aos ricos respeitada mãe de um herói, representa o poder do fato de moedas para transformar vidas. Moedas sugerem medidas práticas que podem ser tomadas para criar estabilidade em nossas vidas. Eles estão associados com a terra, cuja maior parte dos metais preciosos é ouro. Os primeiros mitos presentes na terra como um morno, dando condições para apoiar a mãe ou da existência física. Nós dependem da terra para a nossa própria existência. Vinculados pelas forças de gravidade, caminhamos sobre a terra; vinculada pelas necessidades de nossos corpos, nós comer comida da terra. Ouro, um símbolo da maior riqueza em muitas culturas, sugere que as forças da prosperidade criada ao longo do caminho da manifestação. Estas forças podem ser apenas assistiu a uma vez a nossa necessidades físicas são fulfíUed, permitindo-nos a criar bonecos sobre terra. ÁS DE OUROS Um MARELE GATE exuberante com crescente hera apresenta uma única moeda de ouro. Este é decorado com Coín ornamentado. um coração alado e copa, simbolizando o maior prosperidade e fortuna na terra pode oferecer-nos. O portão dá origem a uma paisagem verde e fértil, generosa com verão e sol. Tn a uma distância de altura bronze torre sobe evolutivo entre montanhas. Representa o caminho da manifestação, que a princesa Danae, amada de Zeus, vai sofrer. SIGNIFICADOS: A pura evocação de prosperidade, fertilidade, e generosidade. O início de uma nova phasc cheio com boa fortuna. Attaínmcnt de material metas. Contentamento na vida pessoal. Fertilidade. Prazeres do mundo material TBE. Rcvased ou wtakly aspecto: o desejo de colher os frutos do trabalho de parto. Elusive processá-sumo.Necessidade de analisar o modo como uma mina onesell. DOIS DE OUROS Depois de muitos anos witbout prole, Rei Acrísius foi finalby blesscd com o nascimento de uma filha chamada bcautiful Danae. No entanto a sua filha chegou ostentando uma maldição: Foi anunciada após o seu nascimento que qualquer off ¬ Primavera Danae teria nascido de um dia matar Acrísius. Acrísius foi rasgada betwecn alegria durante o seu nascimento da filha e FCar do que o seu destino portended. A arte revcals Acrísius como ele juggles duas moedas. Estas duas moedas sym-bolíze o conflito choiccs undcr negociação. Sccn bchind o rei é um grecn verdejante terra e mar shimmering, representando o equilíbrio das emoções e praticidade hc ycarns de conseguir. Um hcart no RHCT moeda é colorcd cinza, representando a frieza de íntcllcct. 1 HC outros Coín da hcart é vermelho, rep ¬ resenting os desejos do hcart. Acrísius da hcad pretende proteger ali hc adquiriu como rei da terra. Mas seu hcart pretende lovc sua filha. SIGNIFICADOS: lhe a capacidade de fazer malabarismos severa! situações de uma vez - empregos, oportunidades, ideias. Opostas desejos. Saldo betwecn o terreno e os mundos espirituais. 152
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    Gracc. Commercc eexpansão. Rcvcrsei ou wcakly aspecto: Tendo em demasia para agora. Sentindo-se sobrecarregado por demandas. Tempo para concentratc sobre uma coisa de cada vez, isso bem antes de você expandir. Overcommíttíng si próprio. TRÊS DE OUROS AC GH SIUS finalmente chegou ata solução para seu dilema. Não querer ter a sua filha executado, ele decidiu ter uma forte torre construída para a princesa a ser murado dentro quando ela carne de idade. Dentro deste forte prisão, ninguém seria capaz de visitar Danae, excepto os do rei ordenado. Para construir a torre para abrigar a sua filha, Acrísíus encabeça a lista dos mais skíllcd arquitectos do seu Reino. Constructcd de bronze e metais preciosos, a torre foi opulento cnough ior uma princesa. Logo que a torre foi co-pleted, Acrísíus senti aliviada da sua preocupação. A torre está representado aqui na ali do seu magnífico esplendor. Thrcc moedas, sym- bolízíng a riqueza ea educação, que tem ido para construí-lo, claborate adornam a sua fachada. Thrcc janelas permitem em nada, mas luz e ar, mas oferecer uma visão magníííccnt ol o mundo exterior. Embora Danae é triste, o comple-mento ol a torre, ela é também residente °; NCD ao seu destino. SIGNIFICADOS Construção de carreira, relacionamentos, ou em casa. Alquimia, ou transformar energia base em ouro. A capacidade de manifestar os bens materiais ou de negócios suecess. Cooperar com outros para construet um tal empreendimento. Invertida ou wcakly aspecto: Verificar novamente planos de expansão, eles são práticos? Elas são ade-quadas para as tuas capacidades? Tempo para uma realidade de quem pode ser mais experiente. QUATRO DE OUROS Danae WS Walled interior da torre de bronze, assim separada do mundo. No entanto, o céu tinha um destino diferente planncd para ela. Zeus, soberano dos deuses e deusas, tinham notado Danae dentro. a sua torre de seu trono celeste. Ele caiu no amor com que o preso princesa olhou tão triste e tão bonita. Danae passou a maior parte do seu dia desfrutando o pouco sol caiu no interior da torre. Um dia esta turncd luz solar em um banho de ouro, que caiu em torno do espanto princesa. Dentro desse ouro chuveiro apareceu Zeus, que declarou seu lovc para Danae. Zeus transformada em uma prisão ber magníííccnt palácio. Ele deu-lhe jóias, deliciosa comida e vinho. A princesa foi seduzido pelo belo Deus e sua generosa doação. Em tempo Danae Zeus deu à luz o bebê, um filho que ela namcd Perseus. Surroundcd por luxo, um belo filho, e o amor de Zeus, Danae esqueceu dela lathers rejeição e ela uma vez por duras ambiente. Ela estava satisfeita. A arte mostra Danae cercada por quatro moedas em ouro, simbolizando a boa sorte o amor de Zeus trouxe ela. Zeus aparece dentro da luz solar bchínd bro, pronto para transformar sua vida. SIGNIFICADOS 153
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    Riqueza e prosperidade.Estabilidade dos materiais nas forças da vida. Agarrada mundanos mercadorias. Uma herança familiar, este pode ser um talento, dinheiro, terra, ou uma qualidade que acrescenta riqueza para a vida. Satisfação. Rtvtned ou wtakly aspecto: ser miserabilista com riqueza, talentos. Inversamente, a ser excessivamente generosos um perdulário. Necessidade de conservar e proteger os recursos. A inveja dos outros. CINCO DE OUROS Danae MAS O pai não tinha esquecido a maldição. Uma noite Acrísius viu luz deitando fora de THC torre do Windows. Pânico, ele ordenou bis workmcn para abrir a torre e encontrou-bis filha com o filho. Apavorado, mas incapaz de matar seu única filha e neto, Acrísius colocado Danae e seu bebê em um grande tronco, que estava no oceano heaved levá-las para longe. O mar em torno swírlcd Danae e Perseus, arremessando-os para o seu destino. Finalmente, o tronco foi apanhado um peixe wítbín 'Erman's líquido sobre a ilha de Seríphos. Separada Ali ela HCLD caro exccpt seu pequeno filho, Danae foi abandonado. Danae é descrita como ela traveis ao seu destino desconhecido. Fívc moedas flutuar acima dela camuflada cabeça, que simboliza a boa sorte que parece estar muito para trás dela. Ela só pode confiar em que Zeus não vai esquecê-la ou seu filho. SIGNIFICADOS: Uma experiência de pobreza que força uma para olhar para dentro de mais recursos. Essa pobreza pode ser representada como uma falta de riqueza ou de um sensc ot steríhty emocional. Empobrecimento espiritual. Sentimento privados. Insegurança. Rcversed ou vucakly aspecto: Estes sentimentos são transitórios. Tenha fé no futuro, uma fase mais próspera de vida está a caminho. A capacidade de makc o melhor de uma situação difícil. SEIS DE OUROS APÓS WAKDERIXG AlOUT a ilha de Seríphos, Danae foi encontrado e trazido para Polydectes, o rei de que a terra. Ele estava encantado com a beleza e Danae decidido para proteger a princesa e seu filho infantil. Ele também se apaixonou por ela e desejava fazer dela a sua rainha. Para conquistar Danae, Polydectes ofereceu-lhe jóias e riquezas além crença. Mas Danae era casado com fortuna como certamente como Zeus fez dela a sua amante. Embora Danae apreciaram a generosidade do rei, ela decidiu usar a riqueza para ganhar independência de caprichos da sorte. A arte revela Danae ouro rodeado por seis moedas, o que sugere a prosperidade mundana agora dentro de seu alcance. Além dela, uma janela revela uma paisagem nevado, simbolizando os tempos difíceis que ela se mudou para lá. SIGNIFICADOS: Generosidade e filantropia. Apreciação. Compartilhamento de talentos com o mundo. Fortune. Confiando na prosperidade do universo. Ajudar os outros que são menos afortunados. Rcvzrscd ou wcakly aspecttd: Ciúmes ou inveja daqueles menos afortunados. Dar às expectativas. Necessidade de apreciação. Usando riqueza de 154
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    manipular outros. Resentingaqueles que precisam de ajuda. SETE DE OUROS Danae E Perseus derrubar raízes na ilha de Seríphos. Anos passaram. Graças à atenção dedicada a princesa, seu filho cresceu forte e alto. Danae Perseus nutre as necessidades tão diligentemente como um teria adorado uma árvore em um jardim. Embora a árvore do fruto, simbolizado pelo ouro sete pentacles suspensa após a sua forte ramos não-fuUy npened, ele estará pronto em breve. Em seguida, o fruto da árvore será Fali, como Perseus Danae deixará de ir para o mundo. Perseu e Danae são mostrados aqui como eles amorosamente tendem a árvore. Embora não seja fuUy Perseus cresceu, ele será em breve. Danae aceita isso, compreendo-ção de que o seu destino é ordenado pelos deuses. SIGNIFICADOS: Paciência. Expectativa de recompensa. À espera de uma colheita de um projeto criativo, relações pessoais, ou qualquer empresa que o tempo e trabalho investido pol tendência é o seu "jardim". Nutrir outros. Rexcrscd ou wiakly asptcteá: impaciência. A insegurança sobre se receberam a recompensa pelo trabalho ren-dered será vale a pena. Necessidade de trabalhar mais para gerar prosperidade. OITO DE OUROS AS Perseus G R E w, o mesmo que fizeram a sua força. Muitos falaram do rapaz que se pensa ser o filho de um deus. King Polydectes, não esquecendo Perseu da mãe, implorou Perseus para livrar a sua terra de uma terrível criatura que os resíduos para o campo chamado Medusa. Desconhecido para Perseus, Polydectes esperava que o rapaz seria vencida pelo que o rei poderá renovar o seu exercício de Danae sem o seu filho para protegê-la. Medusa era uma vez uma mulher muito bonita. Atena, deusa da sabedoria, a trans- formado Medusa em um terrível monstro, com cobras em vez de cabelo, quando ela se atreveu a insultar a deusa. Aqueles que quando ela olhou feio rosto foram imediatamente transformado em pedra. Mas Perseus era esperta. Enquanto se prepara para morcego- ELT Medusa, o rapaz procurou armadura de proteção. Athena viu trabalho e ficou impressionada com o seu determinado Fortitude. Ela decidiu 2eus para ajudar o filho com a sua missão. Perseus é retratado como ele Smiths oito moedas, simbolizando o artesão-navio necessário para criar esta armadura. O seu trabalho incidiu também revela a sua força e dctermínatíon. SIGNIFICADOS: Trabalho. Feira pagamento. Reunião prazos. Desenvolver talentos para o mercado 'local. Trabalhar com integridade e disciplina. O surgimento deste cartão em. uma leitura de um artista ou craftsperson é uma afirmação de competência e talento. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Evitando trabalho. Necessidade de trazer talentos para o próximo levei-talvez seja tempo de formação profissional. Insatisfação com a remuneração ¬ mento para o trabalho feito. Participação em "ficar rico depressa" regimes. NOVE DE OUROS 155
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    Com a ajudade Atena, destruiu Medusa Perseus êxito. Ele foi para outras aventuras, ali do que trouxe para a sua glória divina e humana mãe pai. Após o seu regresso à ilha de Seríphos, Perseus confrontados com êxito Polydectes, libertando assim a sua mãe novamente. Danae teve grande orgulho no seu filho da heróica triunfos, pois bem reflectido sobre o seu trabalho árduo elevar ele. A princesa tinha feito o melhor que tinha oferecido o seu destino. Ela era uma mulher feliz em paz com a vida dela. A arte mostra nove moedas brilhante atrás Danae, simbolizando o luxu-ríous ela tem merecido descanso após uma vida de muita agitação. Um pássaro branco repousa em sua mão, sugerindo a sua satisfação em ali que ela ganhou. Totalmente satíated, ela não deve sentir-se atraído para as duas aves fora do alcance. SIGNIFICADOS: Prazer ou sensualidade. Sentindo-se abençoado pela vida. Saborear os frutos de uma's merecimento. Prosperidade material, já que este tem sido realizado, talvez seja tempo de crcate um iamily. Fertilidade e luxo. Rcvascd ou wtakly asptctcd: excesso de prazeres materiais, talvez a ponto de comprometer a estabilidade financeira. Que possuam mais de tanta culpa, incapacidade de se divertir. O medo da inveja ou ciúmes. DEZ DE MOEDAS RTE ornado GOLD Glitter moedas dentro de um mármore portão, que abre as boas- vindas Danae eo filho Perseus casa. Eles têm seguido o caminho da manifestação. Suas aventuras completo, agora só tem a bondade do mundo os espera. O material suave paisagem conduz Danae e Perseu a uma gloriosa palácio, onde irá viver pacífica contentamento para o resto dos seus dias. Coroado com ouro e outros metais preciosos, o palácio é um reino de prosperi-dade e segurança, generosamente lhes ordenado por Z, UE, soberano dos deuses. O céu é dourado com calor. SIGNIFICADOS: Grande satisfação. Prosperidade e da construção de uma casa que reflecte esse estado. Criando uma família de compartilhar com a riqueza. O êxito da acumulação de planos de negócio. Expansão. Herança. Alegria e prazer. Rcvcrsed ou vutaldy aspccted: descontentamento em casa ou dificuldades com as relações familiares. Querendo mais prosperidade, mas incerto como alcançá-lo. Elusive sucesso no plano material. PRINCESA DE OUROS PRINCESS Princess Danae REPRESENTSthe fecunda de Moedas. Como a amante de Zeus e mãe de Perseus, Danae exemplifica a capacidade de fazer o que de melhor vida nos traz. Como ela está dentro de si mesma, a princesa de Moedas ali está satisfeito com o mundo oferece ela. Ela também está grávida, simbolizando wondcrful possibilidades realizada dentro sozinha. Esta jovem mulher é acolhedor e presença é um lembrete de o Munificentíssimo terra, e como a que prevê a nós em muitos leveis. Ela é uma bela força de inspiração, construtivamente mostrando-nos onde oportuni-dades de aguardar. 156
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    A princesa demoedas é uma força que pode mover-nos em direção manifestando ali nós desejamos. Para reconhecer a Princesa de moedas é de reconhecer que a vida pode ser boa, se estamos dispostos a trabalhar duro e assumir a responsabilidade. SIGNIFICADOS: Fcrtílíty. Assumir a responsabilidade. Obter o knowlcdge necessário para fazer uma idéia uma realidade. Ideias de negócio, diz. Prático planejamento. Mail ou mensagens de trazer possibilidades de expansão. Oportunidades de negócio. Rcvcrsed ou wcakly aspecto: muito tempo pensando, não basta fazer. De negócios que precisam ser examinados de perto. À espera de dinheiro, Business News. Irrealista planejamento. Oversensualíty. PRÍNCIPE DE OUROS Perseus, o herói filho de Zeus e Danae, simboliza a prag-Matic príncipe das moedas. Tal como utilizado Perseus corajosamente a sua força para livrar o mundo da monstruosa Medusa, o príncipe de moedas pode se manifestar sobre a mudança física avião. UA que é necessário é foco e determinação. Cercado por árvores que florescem com mola, simbolizando o eventual materialização dos seus planos, o príncipe das moedas é surpreendentemente aterrada para a sua jovem anos. Ele entende perfeitamente que o trabalho árduo vai criar ali ele anseia por: prosperidade, sucesso, uma família. Alguns poderão achar o príncipe das moedas-míndcd único na sua devoção aos seus objectivos, mas a sua fiabilidade é obstinado tranquilizadores. Sua inabalável olhos para as oportunidades garante o seu sucesso. SIGNIFICADOS: O trabalho árduo e sabedoria necessária para gerar crescimento. A capacidade de trabalhar arduamente para criar prosperidade. Buscando oportunidades para dcvelopment. Cuidar da auto sobre o material que levei, e desfrutar dos prazeres associados a este. Um jovem personífyíng essas forças. Revtrscd ou fracamente aspecttd: inércia ou preguiça. Não agir ou responsabilidades. Querer obter somethíno; para nothíno - crédito de crédito em que não é devido. RAINHA DE OUROS Hera, a esposa e irmã de Zeus, que representa a terra da rainha moedas. Apesar Zeuss muitos assuntos, a deusa do casamento permaneceu fiel a ele, assim como THC Rainha de moedas é fiel à generosa forças da ever'fruítful terra. Do seu ponto de vantagem verde, a Rainha de Moedas mantém domínio sobre o rcalm da física. Sua beleza e repouso sugere luxo, na sua mais pura forma. O vermelho trono repousa sobre ela revela as profundezas da sua scnsualíty. Esta mulher madura, mas fértil é ricamente vestido de ouro pano e jcwelry, simbolizando o seu expansívc wcalth-wcalth mas o que ela oferece vai além dos bens materiais. Ela traz estabilidade e satisfação para qualquer situação. A Rainha de moedas que compreende truc riqueza não significam nada wítbout a capacidade de desfrutar thcm. Ela tem a rara capacidade de criar bonecos sobre terra. Líkc THC ítsclf terra fertílc ela é uma força da natureza, trazendo beleza e har ¬ Mony para todos os cantos da vida. SIGNIFICADOS: 157
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    Crcatíngprospcríty e harmonia.Bcauty, wcalth, o homc. Fertilidade, possivelmente parcnthood. Lealdade. Rcgalíty. Calor e carinho. Lovc. Feliz homc harmonioso. Uma mulher que está alimentando e aceitar. Revcrscd ou ■ wcakly aspecto: Nccd terreno para si próprio. Um overmateríalístíc orientação para a vida. Decepção em casa, ou a falta de foco após criar uma harmoni 'níous cnvíronmcnt. REI DE OUROS ZEUS, EOVER DE Danae e marido de Hera, representa o poderoso rei de moedas. Honrado como o supremo governante sobre Monte Olimpo, a luxuosa casa de montanha dos deuses e deusas, Z, UE era frequentemente beseeched por seres humanos para julgar os seus negócios e criar a paz. Como o Rei pragmática de moedas, ele tem o dom de manifestar o que de melhor do mundo físico pode oferecer. Persistente e diligente, o Rei de moedas é capaz de criar concretamente prosperidade em qualquer forma que ele escolhe: imobiliário, riqueza, sucesso empresarial. Este homem mais velho autoritativo é muitas vezes a pessoa bem sucedida nos bastidores, a autoridade nurturing cuja visão inspiradora estabiliza outros como eles funcionam. Sua sabedoria prática convida-nos a criar riqueza para nós, para que possamos tirar proveito de nós a graça oferecida pelo mundo material. SIGNIFICADOS: As forças da prosperidade mundana. A capacidade para criar riqueza. Operações imobiliárias. Os investimentos com dinheiro ou emocional. Firmeza e persistência 'ference. Alguém que personifica estas forças. Rcvcrscd ou wcakly aspcctcd: Instável, pie- in-the-céu de negócios. Necessidade de ser mais realista. Envolvimento com pessoas que possam prometer mais do que eles são capazes de entregar. A necessidade de estabilidade e de disciplina no grassa. 4 TARÔ DA DEUSA - KRIS WALDHERR GODDESS TAROT BY KRIS WALDHERR - tradução eletrônica sem revisão 158
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    OS ARCANOS MAIORES Comoum tradicional tarot deck, A Deusa Tarot contém setenta e oito cartões divididos em 22 Arcanos Maiores e 56 Minor Arcana cards cartões. Arcanos Maiores Cada placa está ligada a uma deusa e de sua história e simboliza um aspecto importante da vida da viagem. Quando esses cartões são escolhidos em um tarot leitura, eles podem represen ¬ enviado temas recorrentes ou grandes mudanças na situação boiiip. examinado Alguns consideram os Arcanos Maiores para realizar todos os mundos sabedoria destilada em 22 potentes imagens como concentrado em simbolismo que qualquer sonho. Mas, como o simbolismo de um sonho, o significado atribuído a esses cartões devem ser feitas perti ¬ nente para a sua vida experiências; olhar essas descrições como um guia para desencadear sua imaginação e sentimentos. Também estão incluídas descrições de inversão ou de cabeça para baixos cartões. Novamente, essas podem ser usadas de acordo com a sua sentença; Eu pessoalmente prefiro (o c.irds pensar em como trazer fortes ou fracos, tendo em consideração a questão de ser pedida, a sua posição relativa em um diferencial, e as cartas que as envolve. O. INÍCIO. TARA Tibetanos acreditam que a deusa Tara tem o poder de curar todas as mágoas e conceder todos os desejos. Tara é homenageado como o pro ¬ tectress contra os muitos medos que bloqueiam os homens e mulheres de viver em felicidade e harmonia. Sentidos: Innocence que protege. Novos começos. Otimismo. Inocente confiança. Invertida: Folly descuido, ingenuidade, falta de foco. I. MAGIC: ISIS Associado com o Naipe de Espadas A grande deusa egípcia fertilidade [SIS é um poderoso símbolo da alquímicas transformações sugeridas pelo ibis cartão. Ela foi sozinha ao possuidor do nome secreto de Ra, o deus egípcio acórdão, dando-lhe poderes mágicos ilimitados. / s: A crescente consciência da magia dentro de si mesmo. A ânsia de crescer para além percebida limitações. Você é capaz de transformar a sua vida através da tua força e poder orig ¬ inality-tudo que você precisa fazer é própria dele. Renovada criatividade e vigor. Invertida: A necessidade de controlar. Sigilo. II. SABEDORIA: SARASVATI Sarasvati, a deusa hindu do conhecimento e da cultura, é a encarnação da verdadeira sabedoria. Sentado sobre o seu trono lótus, ela simboliza o conhecimento espiritual, bem como a aperfeiçoar ¬ mento das artes. Sentidos: Uma interesse no conhecimento espiritual. Um prDEessor que irá compartilhar com você o que você procurar, ou talvez você é que o prDEessor. Sabedoria adquirida em uma forma graciosa. Invertida: Falta de confiança na intuição. Conhecimento superficial. Medo de olhar para dentro ¬ ção respostas. III. FECUNDIDADE: ESTSANATLEHI 159
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    Este benevolente Navajomilho deusa simboliza a sempre mudando, sempre em terra fértil. Como a terra em si, Estsanatlehi aparece como uma jovem donzela para a Primavera e Verão, como a roda do ano muda para outono e inverno, ela muda de idade (na mulher idosa. Sentidos: reelings de fecundidade e abundância. Uma nova reais ¬ mentos que celebra um do crescimento como uma mulher. Criatividade. Uma gravidez revertida: Tempo de olhar para onde a sua vida precisa adubaçao. Privação ou esterilidade. IV. PODER: FREVJA Associado com o Terno de PAUS Freyja, a deusa da Norse criatividade, amor, beleza e mostra que o verdadeiro poder reside na capacidade de discriminar entre agressividade e passividade, bem como a capacidade de escolher entre eles, no momento certo. Significados - The capacidade para usar o poder sabiamente. Conscientização de um poder do. A capacidade para liderar e inspirar outros. O conhecimento de como "trabalho do sistema." Invertida: Oprimido por outro powe e da autoridade. Insegurança Perda de poder pessoal. V. TRADIÇÃO: JUNO Juno foi homenageado como a padroeira do casamento tradicional e de outros ritos de passagens na vida da mulher. Esta deusa romana foi acreditado para assistir e proteger todas as mulheres, desde a sua primeira para o seu último suspiro. Sentidos: Após estabelecidas as estruturas sociais e tradições ¬ ções. Em relacionamentos amorosos, o desejo de casamento ou declaração de intenções, por razões de segurança. Invertida; Não conformidade. Questionar de tradições de tradições bem. Possíveis rigidez. Associado com o Naipe de Copas VI. AMOR: VENUS Criado a partir da feliz união de mar e céu, Vénus, a deusa romana do amor, tem sido descrito por rvwuiy <Lhe é rainha de prazer e paixão. Sentidos: Uma nova consciência da natureza do amor apaixonado e que é necessário incentivá-la. Criatividade artística Sexualidade. Integração do masculino e feminino. Uma nova e importante relacionamento. Invertida: Manipulação outros com sexualidade. Incapacidade de encontrar uma pinner amorosa. VII. MOVIMENTO: KIIIANNON Tin1 Hillish LIF> i'Siif »o (l (LRSS Kill.union se acredita loiijiptMrlti seguidores dela enquanto cavalgando um cavalo branco que não é deste mundo. Nesta forma, Rhiannon simboliza a força do movimento incessante, que puxa todas ao longo da vida com ele. Sentidos: Movimento para a próxima fase da vida. Se você estiver sentimento impacientes, não se preocupe transições vai lisamente progressão prDEissional. Bom momento! Invertida: impaciência. Ignorar ou insensibilidade aos sinais em torno de si mesmo. 160
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    VIII. JUSTIÇA: ATHENA Muitasvezes representado por uma coruja como um símbolo de iluminação, o brilho da Greekgoddess Athena da razão de ser como foi dito penetrante como o seu claro, olhos cinzentos. PrDEissões sem igual em Lhe arte da batalha, ela deu apenas protecção àqueles que precisam de defesa. Sentidos: A necessidade de ter uma visão mais destacados de um incômodo situação. Imagine-se como sábios como Athena: você está sendo leal a si mesmo e (mangueira em torno de você? A capacidade de defender-se assim que a justiça pode ser feito. Revertida: Frustração com burocracias ou organizações. Impaciência com a burocracia. IX. CONTEMPLAÇÃO: O CHANG Chang 0, (a lua deusa chinesa, foi exilado para a lua, porque de sua necessidade de obter uma divindade Com lebre branco como a sua única companheira, passou muito tempo sozinha contemplação mistérios da vida. Sentidos: e necessidade de ir para dentro gdin conhecimento, a própria um da divindade. Retirada de melhor contemplar vida. Invertida: distracted por todo o mundo. Recusa de ouvir INTUBAÇÃO ¬ ition. Não há tempo para pensar e reflectir. X. FORTUNE: LAKSHMI ASSOCIADOS COM O FATO DE PENTODES A deusa hindu da fortuna e da prosperidade, Lakshmi acredita-se ser atraídos para espumantes jóias, que são como as riquezas que ela dá quando ela favoreceu adoradores. Sentidos: A generosidade do universo. A capacidade de estar aberto (o abundância. Expectativas positivas. Sensibilização da beleza e do amor. Revertida: bobinagem pessimista, desiludido, inesperado terminações ou começos. XI. RESISTÊNCIA: OYA Oya, a deusa do Yorubas rio Níger, é considerada uma patrona da liderança feminina e força. Devido a isto, as mulheres, muitas vezes pergunto-lhe para as palavras certas para conquistar o poder. Significados: a força para criar a paz entre as forças opostas. Estas forças podem ser dentro de você ou personificadas em uma situação. Tame-los: você tem a força! Invertida: Discordia. Desequilíbrio. Valorizar energias mais baixas ao longo dos mais elevados. XII. SACRIFÍCIO: KUAN YIN Honrados como a santa mãe de compaixão, Kuan Yin é uma das mais queridas deusas da China. Em vez de permitir-se a desfrutar do céu delícias, Kuan Yin jurou para nunca deixar a terra até o último homem é livre de dor, saco ¬ rificing própria para o bem maior de todos. Sentidos: Uma renúncia a um maior princípios, objectivos superiores. Auto-abnegação. Cuidar dos outros. Sacrifício, a fim de adquirir sabedoria. Empatia. Invertida: Falta de compaixão. Evitando dor de ganho. Foco no materialismo ao determent de SPIR ¬ itual 161
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    valores. XIII. TRANSFORMAÇÃO: UKEMODEl Apóssua morte, a comida japonesa deusa Ukemochis corpo transformado a fornecer alimentos para a humanidade, sua cabeça virou vacas; grãos germinados de sua testa; arroz plantas germinadas a partir da deusa da barriga-e assim, a vida foi trans ¬ formado a partir de morte. Sentidos: Transformações. A necessidade de permitir que qualquer coisa a morrer, a fim de criar espaço para o novo. Painful mudar o que for necessário. Criando vida fora da morte. Invertida: O medo da mudança. Resistindo à transformação. XIV. BALANÇA: YEMANA Yemana, a Santeria deusa do mar, é muitas vezes chamado a prestar chuva: a água que traz a vida e alimenta a Terra, como as águas do útero. Ela símbolo ¬ izes o divino equilíbrio entre o céu ea terra. Sentidos: Vivendo ou procurar um prDEundo sentimento de harmonia e união. Integração. Moderação. Equilíbrio entre o espiritual (simbolizada pela água) e do físico (simbolizada pela terra ou areia). Invertida: Desequilíbrio. Incapacidade de encontrar a paz dentro ou com outros. A falta de moderação. XV. TENTAÇÃO: NYAI LORO KIDUl Dentro do verde das ondas do Oceano Pacífico reside a sedutora sereia deusa Nyai Loro Kidul. Seu poder reflectir a tentação da ilusão; de belezas que podem ser escravizar; de obsessões que controlam. Sentidos: tentados por uma força não pode controlar Algo prDEundo dentro da psique, a sombra-personificadas como temp ¬ ção ou dependência. Sensual desejos. Gula ou inveja. Invertida: Liberdade de tentação. Maestria durante alguns ¬ coisa anteriormente controlando-um hábito, uma pessoa, ou uma ferida do passado. XVI. OPRESSÃO: O WAWALAK Durante o Dreamtime, os aborígenes australianos irmã deus ¬ desses, o Wawalak, foram engolidos inteiros por Yurlungur, o Grande Rainbow Serpent. Oprimidos pela escuridão na barriga da serpente, o Wawalak chorou, até que foram Yurhmgur renasceu a partir de volta para ele luz. Sentidos: Sensação sobrecarregado, oprimido pela circunstân ¬ cias ou emoções. Tal como o Wawalak, a luz "deixou a sua vida, você está esperando para ser liberada a partir da escuridão. Revertida: Apesar de sua situação pode sentir-se avassaladora e intimidante, forças ocultas estão a trabalhar para transformar as coisas para melhor. Seja paciente. XVII. A ESTRELA: INANNA Vestido com as estrelas, Inanna, a grande deusa da Idade do Bronze, foi homenageado com o título de "Rainha do Céu". Sentidos: Siga seus sonhos, sem medo, don't ter medo de fazê-las acontecer! Sucesso, 162
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    boa sorte, criatividade.Invertida: Não seguir o seu deleite. O sentimento de insegurança. un merecimento. XVIII. THE MOON: DIANA Na Roma antiga, Diana foi homenageada como a deusa da lua, bem como de florestas e animais selvagens. A mudança lua reflete os ciclos da natureza e da vida. Sentidos: O apoio das mulheres que verdadeiramente cuidar de você. Intuição, O receptivo aspectos do Divino Feminino. Intenso sonhos. Invertida: Sensação como mutável como a lua. Desconforto com a intuição, a mãe. XIX. O SOL: A ZORYA Na mitologia russa, morrem três Zorya são deusas-dants ¬ atenção ao sol deus. Bem como trazendo calor e luz para o mundo, o sol representa o brilho da inteligência, cria ¬ ativity e fertilidade Sentidos: Uma expansiva, vida-afirmando energia. Criatividade. Relacionamento com os filhos. Fertilidade. Amor. Masculina, ou yang, a energia. Invertida: falta de vontade para aceitar carinho. Ulixkcrl rivnllvlty Cmblcms Willi cNp.nulInK Id (mentira iltwl fase antigo projeto. I'tvling frustrado. XX. ACÓRDÃO: GWENHWYFAR Gwenhwyfar, o galês primeira dama das ilhas do mar e acredita-se que têm existido desde que houve surf (o libra contra a costa rochosa. Laudabilíssimo IBR herjudgment e sabedoria, i I. se acreditava que o homem não poderia regra Gales sem ela por sua lado. Sentidos: Tempo de uma importante e necessária mudança na vida: muitas vezes bem- vinda, mas assustador, devido à sua magnitude. Confiança nesta mudança. Invertida: Incapacidade para decidir sobre a acção. Bloqueio. XXI. O MUNDO: GAIA Na Grécia antiga, a terra foi personificado como Gaia, um deus ¬ DESS que existia antes de toda a vida e criou toda a vida. A história de Gaia recorda-nos a interligação de todo o mundo, bem como a importância de viver em harmonia com os seus recursos. Sentidos: Vivendo ligação com o universo. Uma sensação de expansão e de esperança. A consciência do frágil equilíbrio ecológico. Viagens e comunicações. Inverteu: o desejo de uma mudança positiva, apesar de incertezas sobre como fazer ithappen. Medo de expansão. OS ARCANOS MENORES Os Arcanos Menores é dividido em quatro - terra, ar, água, fogo, bem como a umA determinada deusa. O naipe de copas é associada com Vénus, a deusa romana do amor; PAUS, Freyja, a Norse deusa da beleza e criatividade espadas, Isis, a grande deusa egípcia que simboliza mágica, perda, e redenção; e OUROS, Lakshmi, os hindus deusa da prosperidade. 163
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    Cada cartão decrédito em cada naipe Minor Arcana (exceto para o tribunal cartões) retrata uma mulher como ela sDEre a viagem sym ¬ bolized por cada naipe. Ela se destina a representar "Everywoman"-ou o querant própria-como um aspecto da deusa honrada no naipe. Tribunal cartões (princesa, príncipe, rei e rainha) pode simbolizar diferentes aspectos ou energias do querant da psique, em diferentes épocas e áreas de vida masculino, jovens, maduros, feminino. Eles também podem significar pessoas na querant da vida. Quando Minor Arcana cards aparecem em uma leitura, pense em como preencher os dados de uma situação, as pessoas envolvidas, as emoções, os detalhes, o cotidiano desdobra-contrariamente ao varrer vida muda frequentemente reflectida pelo Major Arcana cartões. No Minor Arcana, sagrado questões exploradas na Arcanos Maiores são feitas humano. Invertida, ou de cabeça para baixo, cartão de significados também estão incluídos aqui. Esses significados podem ser utilizados de acordo com o dis ¬ ção do problema a ser analisado na leitura. NAIPE DE COPAS - O CAMINHO DE VENUS elemento: a água, a Lua corresponde ao Amor, Major Arcana cartão 6 O naipe de copas é associada com Vénus, o deus romano ¬ DESS, do amor e da beleza. Copos simbolizar a fertilidade receptivo aspecto do Divino Feminino. Concebido e nasce da própria fértil mar, Vênus é o bringer de alegria para os deuses e os seres humanos, bem como para o mundo vegetal. Os copos prDEerida por Vênus são um convite para nós a beber prDEundamente do mágico água da vida, amor, inspiração e prazer. Eles DEerecem-nos a nossa primeira experiência do Divino Feminino na sua mais pura forma. ÁS DE COPAS Aqui, a lua cheia é contido, mas não captou-dourado dentro de um copo rodeado pelo mar, fonte de toda vida. Sentidos: Great emocional satisfação. Início de uma nova e importante relacionamento. Receptividade a inspiração criativa. Invertida: Emocional decepção. Creative bloqueios. DOIS DE COPAS Em um jardim iluminado pela lua, uma noiva eo noivo penhor a sua fé. A mulher, vestida de branco, parecido com a lua vir à terra.; Ela é tão encantadora como Vênus, a deusa do amor. Sentidos: Integração dos aspectos masculino e feminino dentro de si mesmo. Uma atração que pode se tornar um grave relationship.Harmony. Amor. Encantamento. Invertida: cegar pela paixão. Desilusão dentro de um relacionamento amoroso ou fechar amizade. Overindulging na sensualidade. TRÊS DE COPAS 164
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    Três mulheres emum círculo de dança, celebrando o ciclo de vida. Juntas, essas mulheres dançando simbolizar todos os prazeres da vida, potencialidades e riquezas. Sentidos: Uma festa envolvendo mulheres. Possivelmente um casamento festa. A paz entre as gerações familiares. Um motivo para comemoração ¬ brate. Invertida: excesso. Demasiada celebração de tempo para chegar ao trabalho! QUATRO DE COPAS Após overindulging, a mulher se senta debaixo de uma árvore, esperando a terra própria após a emoção de intoxicação. Quatro taças repouso antes dela, mas ela tem bebido bastante. Sentidos: Demasiada de uma coisa boa. Tendo alguma coisa para conceder-amor, talento, beleza. Descontentamento ou aborrecimento. Invertida: Aceitação da situação, embora o descontentamento é ainda presente. Uma fase passageira. CINCO DE COPAS Ter mais de três xícaras lipped, derramando suas mágicas água. Mas nem tudo está perdido, dois copos ainda estão cheios. Sentidos: decepção com relações íntimas, disil ¬ lusionment, tristeza. Concentrando-se nos problemas em vez de activos. Desejo de seguir em frente. Invertida: A crescente consciência t lícitas relações são o que você faz deles. SEIS DE COPAS Puxada pela gravidade luas, a maré subiu e inundaram cerca de seis xícaras. Eles estão cheios de flores como uma DEerta de Vênus, simbolizando a rejuvenative aspecto do Divino Feminino. Sentidos: Harmoniosa casa. Crianças e infância mem ¬ ories. Anseio para a doçura e inocência do passado. Invertida: Necessidade de integrar o passado, e talvez dolorosas memórias-nos presentes. SETE DE COPAS Rodeado de caixas, cada uma contendo objetos simbolizando diferentes possibilidades, uma mulher tenta decidir. Seus olhos estão fechados, sugerindo a necessidade de olhar dentro. Meamm / s.-Overindulging em pensamentos sobre o que o futuro pode trazer. Devaneios. Hora de acordar e voltar a participar do worid. Invertida: Permitir fantasias de influenciar o modo como você vê de vida mais objectividade é necessária. Projeção para outros. OITO DE COPAS A lua tem diminuiu; a maré tem ido para fora. Procurando mais substancial tarifa, a mulher deixa oito copos vazios que ela tem de bêbado. 165
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    Sentidos: Hora deseguir em frente. Necessidade de mais substância na vida-se que seja mais satisfatória relacionamentos, um modo de vida mais autêntica. Leavetakings. Invertida: prolongado demasiado longa em uma situação difícil ou superficial. Incerteza sobre um relacionamento, para ficar orleave. NOVE DE COPAS Finalmente satisfação! Um arco-íris leva a mulher para um banquete quadro com nove taças. Quem espera sempre alcança, esta festa vai nutrir muitos corações e corpos. Sentidos: Satisfação. Contentamento. Alguns consideram que esta carta o desejo de cartão, ou seja, um desejo será concedido se ela aparecer em um diferencial. Invertida: Atraso na concessão de seus desejos. Complacência. Tendo uma relação de concessão. DEZ DE COPAS Dez xícaras forma & N, ao longo de um arco íris e se reflectem num calmo oceano. A lua está cheia, prometendo satisfação e abundância. Sentidos: Feliz da vida familiar. Satisfação emocional e endurance em relacionamentos amorosos. Grande felicidade. Invertida: a incapacidade de experimentar alegria. A insatisfação, embora incerto, por isso tudo parece perfeito sobre a superfície. PRÍCIPE DE COPAS O Príncipe de Copas, um rapaz gentil, prDEfers uma taça. A água dentro, é uma poção mágica, ela pode convidar amor, paixão, criatividade e intuição para a vida. Sentidos: Um convite ou DEerta. Crianças jovens, que com sua doçura, para permitir uma experiência inocência anew. Desilusão revertida com uma relação que prometeu mais substância. Inconstância de afeto. Unreliable mensagens. PRINCESA DE COPAS A princesa de Copas, um adolescente menina tão bonita como Vênus, é coroado com um waxing lua. Antecipar amor, prazer, e da maturação da mulher, ela bebe plenamente. Sentidos: Inspiração Artística e nvoplivily. Um younj> wonitm que simboliza (ho marrãs de Vénus-amor, beleza, riqueza e emocional. Circulação nestas áreas da vida. Grace. Reversa: A necessidade de ser mais receptivo à beleza e do amor. Em excesso imaginativo fantasias. REI DO COPAS O Rei de Copas, uma calma, serena homem mais velho se senta sobre o seu trono rodeado por água. Magistral e artística, ele é capaz de expressar-se em ambas as relações e trabalho. Sentidos: Capacidade para viver uma's ideais. Combinando integridade artística com as necessidades do mercado. Alguém que simboliza essas forças. Invertida: desejo de ter um controle sobre a criatividade. Precisa parar de sonhar e começar a trabalhar. RAINHA DE COPAS 166
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    A lua cheiaé um halo em torno da coroa da Rainha de Copas majestoso. Sua misteriosa regal sendo inspira as pessoas a olhar para dentro de nutrir Lhcir almas. Sentidos: Mastery DE Venus e tudo o que o naipe de copas rep ¬ Representa-arte, beleza, intimidade, amor. A capacidade de expressar amor, para alimentar outros. Uma mulher mais velha que inspira outros a viver harmoniosamente. Invertida: esmagada pelas emoções que precisam triagem. Necessidade de tomar o controlo desses sentimentos. NAIPE DE PAUS - O Caminho de Freyja elemento: fogo, o sol corresponde ao Poder, Arcanos Maiores cartão 4 ele naipe de PAUS Is rrldlcd lo I'tryju, a Norse deusa da criatividade, a fertilidade, e beleza como as condutas do sol da procriação vigor, PAUS canalizar energia para áreas em que pode estimular o crescimento. PAUS trazem movimento para uma leitura, bem como a circulação exibido por Freyja como ela cavalga através do céu em seu carro puxado por mágica cinza gatos. Pragmático deusa que ela é, Freyja está associado com o Aesir, um grupo de Norse deuses e deusas, que entrou em vigor com a Idade de Ferro, quando das primeiras armas e ferramentas foram desenvolvidas com forjar e fogo. ÁS DE PAUS A aduela gramíneo cresce a partir de uma colina. Verdant folhas torção de sua superfície, mostrando o crescimento incentivado pelo sol nascente. Sentidos: Início de uma focada, criativa período. Inspiração que inspira acção. A masculina, ou yang, aspecto da vida. Grandes energia. Invertida: Dificuldades com novos empreendimentos. Reing "queimado" por muita energia, muita despesa, muitos pensamentos. A necessidade de se concentrar. DOIS DE PAUS Vestidas com um vestido vermelho, a cor-de vigor e começo a mulher decide levá-la para idéias em todo o mundo. Sua confiança e talento garante sucesso. Sentidos: Beginnings de um empreendimento empresarial. Possível parceria. Novas idéias que transformam vidas, trazer inspiração, e energizar as pessoas. Invertida: Um bom começo para uma empresa que perde dinamismo. Desapontamento em projetos. TRÊS DAS PAUS Olhando ao longo de um mar calmo para o montanhas distantes, a mulher tem em seus planos. Agarrar um dos três PAUS ao lado dela, ela está esperando por ela navios a entrar, sabendo que irá trazer. Sentidos: Uma empresa sobre a cumulação de sucesso. A capacidade de transformar em metas realistas acção. Invertida: Planos ambiciosos que não pode ser fundamentada na realidade. Um atraso na recepção frustrante sucesso. QUATRO DAS PAUS Quatro PAUS são amarradas juntas pelo generoso guirlandas de fluxo ¬ res, que sugerem a fundação de um lar estável. Sentidos: Estabilidade dos empreendimentos. Um novo lar. Realizar objetivos. Satisfação. Colocar as raízes. ReversedThe desejo de colocar as raízes, mas elusiveness em fazê-lo. Querendo estabilidade. Frustrações em casa. 167
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    CINCO DAS PAUS Diferentesaspectos da mesma mulher lutar uns contra os outros. O sol aquece broiling sua tempera, tornando-o difícil de distinguir ¬ culto que eles realmente lutar por ele. Sentidos: Conflito por razões de conflito. Ego-orientado concorrência. Perder de vista o que é importante por causa de pequenos desacordos. Invertida: Ultrapassar pettiness para perceber whats importante. Unificar forças. Ultrapassar os obstáculos. SEIS DAS PAUS Coroado com os louros da vitória, a mulher cavalga um cavalo branco puro. Os seis PAUS em torno dela são criados em homenagem ao seu sucesso e coragem. Sentidos: vitória. Agradecimento e honra. Invertida: A vitória é difícil de alcançar. Você fez o trabalho, que merece as honras, mas o reconhecimento ainda para vir. SETE DE PAUS O hot domingo scorches a mulher. Usando um stave a luta seis outros, ela é incapaz de sair do calor. Apesar de sua posição ¬ ção da vantagem, ela ainda é obrigado a se defender. Sentidos: Embora você pode ter a parte superior do lado nesta situação, há ainda luta. O sucesso é possível, mas somente depois de lidar com pessoas difíceis que podem não ser favorável. Invertida: indecisão em face da oposição. Sentindo-se sobrecarregado. OITO DAS PAUS Oito PAUS são posicionados como um relâmpago rachaduras em toda céu. Eles se movem como electricidade, trazendo novidades e emocionante comunicações. Sentidos: Sudden comunicações-inesperados telefonemas, cartas surpresa. Energetic movimento. Inverteu espera demasiado longo para a comunicação. Talvez seja hora de tomar a iniciativa. NOVE DE PAUS Protegido por um muro de PAUS, cabe a mulher para o momento a reagrupar suas reflexões. Há ainda muito a fazer antes de sucesso é garantido.Sentidos: Uma pausa no trabalho para reconsiderar planos. Complel íon está tão perto, mas tão longe! Invertida: Peeling sobrecarregado pelo trabalho, uma pausa é necessária. DEZ DE PAUS Dez PAUS, rica em folhas verdes e de vida, irradiam a partir do domingo Estas são as extensões do sol da vida, dando força. Sentidos: A acumulação da empresa começou com a criação de um PAUS. Sucesso que se torna esmagadora com a sua responsabilidade. Invertida: sobrecarregado e onerada por responsabilidades. PRINCESA DE PAUS A princesa das PAUS, uma ardente-haired mulher jovem, é tão forte como as rochas em torno dela. Ela é uma inspiração para outras pessoas a viver apaixonadamente, sem compromisso. Sentidos: A capacidade de criar beleza, que é útil, como Freyja. Energia, a 168
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    integridade, a criatividadeIniciativa. Novas ideias ou empreendimentos para ser atendido imediatamente. Uma jovem mulher que inspira outros a viver esta missão. Invertida: Scattered energia. Incapacidade de se concentrar sobre uma matéria (hand. REI DE PAUS Regal, expansivo, e energização, o Rei das PAUS é a epítome da energia do sol. Ele tem a habilidade de inspirar OTH ¬ dores de crescer por causa de seu entusiasmo. Sentidos: Dynamic, estável entusiasmo. Maestria sobre empre ¬ cia empreendimentos. A capacidade de trazer idéias para fruição. Invertida: Querendo explorar estas forças, mas não conseguiu fazê-lo. Alguém que parece ser favorável, mas quando chega a empurrar mete já perdeu o interesse. PRÍNCIPE DE PAUS O Príncipe das PAUS, um garoto capaz de falar com paixão, mas por vezes incapaz de realizar as suas ideias, traz uma mensagem importante. Eles vão abalar em uma ação. Sentidos: Importante comunicações. Novas ideias. No entanto, estes devem ser ponderados de acordo com a praticidade. Invertida: Muita energia e não o suficiente foco. Idéias e mensagens que chiadeira inicial após a excitação. RAINHA DA PAUS Potência e energia são detidos pela Rainha de PAUS. Como Freyja, sua majestade pode inspirar a criação de beleza através de aplicações práticas ¬ tical. Sentidos: Inteligência aplicada à criação de bens materiais, a expansão das empresas. Argúcia. Uma mulher que incorpora essas idéias DND inspira acção. Invertida: aguardar muito tempo para agir. Não mostrando ao mundo o seu talento. Minando a sua autoridade. Falta de auto-estima. NAIPE DE ESPADAS - O CAMINHO DA ISIS elemento ar, sal corresponde a Magic, Arcanos Maiores cartão 1 O naipe de espadas isassociated com Isis, a deusa egípcia fer ¬ tility. Espadas simbolizar as forças do intelecto incisivo, eles atravessam a reorientar a energia cresceu nos últimos naipe de PAUS. Espadas também simbolizar a mágica capacidade de transformar situações dolorosas em áreas de crescimento pessoal. A história de Isis e seu consorte Osiris ilustra este princípio lindamente. Por causa da trágica morte de Osiris, Isis foi capaz de dar à luz seu filho Horus, o mais poderoso dos deuses egípcios. Como Isis, podemos escolher a forma de utilizar os nossos espadas. Não podemos transformá-las contra nós mesmos quando estamos com dor. Ou podemos transforma a situação através do conhecimento e compreensão. ÁS DE ESPADAS Uma única espada é preso em um deserto paisagem circundante várias pirâmides, o 169
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    último local dedescanso dos reis do Egito antigo. A espada é decorado com o símbolo de Isis e cornudo o lótus. Sentidos: Pura compreensão e sabedoria. A capacidade de manejar a espada sabiamente a ganhar forma. Clareza e boa acórdão ¬ mento. Invertida: Necessidade de pensamento. Você está usando suas armas contra si mesmo? Confusão DOIS DE ESPADAS O impasse está satisfeita. A mulher tem olhos vendados, para que ela própria pode melhor olhar dentro. Cercado por lotuses, a água flui por trás dela, simbolizando as emoções confusas que ela tenha sido rejeitado por agora. Sentidos: Peaceful trégua. Equilíbrio atingido, mas acabou questões terão de ser confrontados. Invertida: desconforto com uma decisão que foi tomada. O excesso de dependência do intelecto, deixando emoções desconhecimento. Desconfortável relacionamento. TRÊS DE ESPADAS Um coração, flutuando em um céu tempestuoso, é perfurada por três espadas. O olho de Isis está sobreposta sobre ele, o que representa um olho-abertura experiências que podem trazer lágrimas ou sabedoria. Sentidos: Uma dor aguda ao coração-decepção, final de um relacionamento amoroso, separação, tristeza que pode esclarecer ou pode debilitar. O excesso de sensibilidade revertida: indulging em luto, por razões de drama. Slow flexibilização de tristeza. QUATRO DE ESPADAS A mulher está na recuperação. Quatro são as suas espadas suspensão acima dela, protegendo-a do mundo exterior. Sentidos: Necessidade de introspecção e cura. Recuperação da doença. Tempo para fazer uma pausa a partir de situações estressantes. Invertida. Forçados isolamento. Solidão. Mais recuperação de tempo necessário. CINCO DE ESPADAS Duas espadas são estabelecidas no trégua. No entanto, a mulher ainda apreende três outros, mostrando que a luta não é overjustyet. Sentidos: Uma desconfortável trégua. Possível derrota, ou sentir ¬ ções da derrota, mas é realmente acabou? Desconforto ou lutar com uma situação. Necessidade de auto-protecção. Invertida: Derrote devido à indecisão. Falta de confiança. SEIS DE ESPADAS A mulher está viajando em um barco para um lugar melhor. Ela recolheu seis espadas a ter com ela; estes simbolizam a nova clareza e sabedoria que ela possui, que será utilizada em sua nova vida. sentidos: Novos conhecimentos thai uma ajuda para ultrapassar as actuais limitações. A diminuição oi 'dificuldades. Viajar. Invertida: Mais compreensão da situação é necessário antes que ele possa mudar. Atrasos na partida, de viagem. SETE DE ESPADAS 170
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    A mulher estátentando transportar sete espadas, mas apenas cinco irá caber nos braços dela. Como ela olhou para o seu ombro ela espera que as espadas deixados para trás não será usada contra ela. Sentidos: A possibilidade de defender-se em uma situação difícil mento. No entanto, a energia não devem ser colocadas em recriminações. Necessidade de cautela e análise. Invertida: Paranóia. Eventual culpa. Necessidade de proteger a si próprio. OITO DE ESPADAS Cercado por oito espadas, a mulher é entrapped. Se ela fosse apenas olhar para cima, ela iria ver a sua saída. Mas ela é muito subjugada por dificuldades para o fazer. Sentidos: Incapacidade de se mover. Incapacitante depressão. Sentindo entrapped vitimizados ou por outros. Invertida: Obsession com problemas, em detrimento de outros. As coisas podem não ser tão maus como parecem. NOVE DE ESPADAS Pesadelos atormentar a mulher, deixando ela não rest.These sonhos estão trazendo até preocupa lancinante que precisam ser analisados e compreendidos. Sentidos: Insónia. Inquietações que mantêm uma vigília. Uma questão que precisa de ser examinada de forma mais estreita e só então será transformada. Um lancinante ansiedade. Inverteu-.Jhe gradual desmoronava destas preocupações. Entendimento. Alguém próximo que está sDErendo de depressão, ansiedade, ou doença. DEZ DE ESPADAS Dez espadas são entretecidos contra um céu nublado cinza symbolizing a capacidade de transformar situações difíceis em sabedoria e ação. Sentidos: A perfeição de entendimento. Sabedoria adquirida depois da luta. O fim de uma situação difícil. Invertida: Mais precisa de ser considerados antes da completa compreensão pode ser adquirida. Sobrecarregado com demasiada informação, coisas que precisam ser priorizados. PRÍNCIPE DE ESPADAS Lisonjeiro, mas forte-quisesse, o príncipe de Espadas ~ usa lan ¬ gabari de modo que não pode haver confusão sobre suas intenções. Ele é um mensageiro trazendo informações necessárias ou clareza. Sentidos: Notícias que traz sentido para uma situação. Mensagens, comunicações. A capacidade de criar influência. Alguém que personifica este papel. Invertida: À espera de notícias. Sentindo inarticulados, incapaz de defender-se. Confusing mensagens. PRINCESA DE ESPADAS Segurando sua espada como uma equipe e não como um instrumento de defesa, a Princesa de Espadas é capaz de cortar o seu caminho através do pântano. Em um com suas intenções, ela não permite-se a ser confundido por qualquer coisa. Sentidos: incisivo movimento. Corte através da confusão. Focus. Invertida: Não compreensão tanto como gostaria de um. O desejo de mudar, mas sente frustrado. REI DE ESPADAS 171
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    At home withhis intellect, the King DE Swords brings wisdom and clarity to any situation. He is the authority able to show in any plan what is needed and what can be cut away. Meanings: The ability to bring calm authority to a situation. A helpful older man who won't sugarcoat his words. Incisive intellect. Reverp&d; Wanting authority to lake over lo nvokl responsibility, Placing too much (rust in the Intellect. Being too critical. RAINHA DE ESPADAS Brilhante e forte, a Rainha de Espadas regras sobre todos os aspectos da compreensão intelectual. Esta é a mulher a consultar quando confundido devido à sua disponibilidade para dizer-lhe como é, mesmo ao ponto de por vezes ser um pouco dura. Sentidos: Uma mulher mais velha que tem essas qualidades. Deslumbrante intelecto e compreensão. A capacidade de esclarecer através da linguagem. Invertida: maio simbolizar perda ou feridas; para todas as suas boas intenções, ela pode cortar palavras afiada. NAIPE DE OUROS - A SENDA DE LAKSHMI elemento terra, do ouro corresponde a Fortune, Arcanos Maiores cartão 10 O fato de OUROS está associada a Lakshmi, a deusa hindu da fortuna e prosperidade. OUROS, como ouro e brilhantes como o espumante jóias Lakshmi está tão afeiçoado o (, simbolizam as riquezas contidas no interior da terra. O fato de OUROS pode ser pensado como a grande colheita que chega depois que os ensinamentos do mestre anterior três fatos. Copos de água das sementes plantadas por inspiração divina IHE Feminino; incentivados por (IN1 energia do sol, os escravos são IHE (Irsl growlh (hal sprou! Vigorosamente a partir de (ele terra; escravos arte! Podadas por espadas para IHE motivos de força e crescimento; finalmente Lhe no fato de OUROS, a árvore dê frutos assim o ciclo pode começar de novo. OUROS contar a história da graça de terra-a tantas vezes simbolizada em muitas culturas como uma deusa da terra generosa. Lakshmi, a hindu personificação deste fértil, prospereis ¬ tes, e distintamente feminina vigor, é homenageado com este dia durante muito estas qualidades. Ace DE OUROS A exuberante árvore tem uma fantástica-das-frutas de um único ouro pentagrama. É decorado com símbolos da loto e apontou-o cinco estrelas. Sentidos: A mais pura evocação de prosperidade, fertilidade, e generosidade. O início de uma nova fase da vida que todas as promessas dessas coisas. Inverteu: o desejo de colher os frutos da medida elusiva trabalhistas. DOIS DE OUROS A mulher juggles dois OUROS. Completamente focado sobre seu ato, ela não largar o OUROS. 172
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    Sentidos: A capacidadede fazer malabarismos diversas situações de uma vez. Empregos, oportunidades. Grace e bounty.Commerce e expansão ¬ mento. Invertida: Tendo em demasia. Hora de se concentrar em uma coisa de cada vez, antes de expandir estas mestre. Três penUicles arco suspenso sobre o telhado dourado de um edifício palaciano. Este palácio é a acumulação de talento, os bens materiais, planos e construtiva. Sentidos: construtiva e pragmática construção da carreira, relacionamentos, em casa. Habilidade para transformar talentos em material bens ou sucesso empresarial. Invertida: Necessidade de desenvolver talentos antes de trazê-las para o mercado. Verificar novamente planos de expansão, eles são adequados às suas capacidades? QUATRO DAS OUROS A mulher está em draped ricamente bordadas vestes, carregada de jóias como a deusa Lakshmi sozinha. Cercado por quatro OUROS, ela é o epítome de luxo. Sentidos: Riqueza e prosperidade. Estabilizador material forças na vida. Uma herança familiar, este poderá ser um talento, dinheiro, terras. Invertida: Possibilidade de ser miserabilistas. Ou seja excessivamente generoso. Necessidade de proteger os recursos. CINCO DOS OUROS Envolto em panos, dois mendigos passear através de um terreno nevado ¬ escapo. Uma mulher cobre o rosto dela contra (ele dura frio; (ho outros olha para cima i »l I hr snow.uul nol gelados Sua hiMtiiy. Sentidos: Pobreza que obriga um olhar para dentro (orgreater recursos. Essa pobreza podem ser personificadas como a falta de riqueza ou de um sentimento de esterilidade emocional. Revertida: Estes sentimentos são transitórios. A fase mais próspera de vida está a caminho. SEIS DOS OUROS A mulher vestida ricamente decide ajudar os dois mendigos. Ela é tão rica que só contribui para dar-lhe prosperidade. Sentidos: Filantropia e generosidade. Compartilhamento de talentos com o mundo. Ajudar outros. Generosidade. Invertida: Ciúmes ou inveja daqueles menos afortunados. Necessidade de apreciação. SETE DOS OUROS A mulher tende a uma árvore, capina em torno das suas raízes e poda suas boughs. Ela está à espera de seus frutos, simbolizada por sete OUROS, para amadurecer. Sentidos: Expectativa de recompensa. À espera de uma colheita, como um projeto criativo, dinheiro ou de relacionamento pessoal, a ocorrer. Invertida: impaciência. A insegurança sobre se receberam a recompensa para o trabalho prestado será vale a pena. Necessidade de um trabalho árduo. OITO DOS OUROS Com base wr Mlonts, (ele mulher p «iin (s <i prnhulr ouro mediante ,1 pt iv, é ela é t'l vai 'clt'il por <m * uv de sete penUicles. Sentidos: O aparecimento deste cartão em uma leitura de um artista ou craftsperson é uma afirmação de competência e talento. Pagamento justo para um trabalho árduo. Reunião prazos. Desenvolvendo talentos. Invertida: Evitando trabalho. Infelicidade com o dinheiro recebido para trabalhar 173
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    determinado; necessidade deajustar o equilíbrio. NOVE DOS OUROS Em um jardim encantado com perfume de flores e pássaros cantando, a mulher goza de todos os luxos e prazeres que ela tem trabalhado arduamente para criar. Sentidos: Prazer ou sensualidade. Fertilidade e luxo. Prosperidade material, já que este tem sido realizado, talvez seja a hora de criar uma família revertida: excesso de material prazeres. Culpa por ter tanta; incapacidade para apreciá-la. DEZ DE OUROS Aqui, o fato de OUROS é expresso na sua forma mais forte, uma ornately esculpidos gateway leva a uma terra ¬ escapo verdejantes onde há mais do que suficiente para que todos possam desfrutar. Sentidos: A acumulação de planos de negócio. Prosperidade A criação de um lar e família para compartilhar com a riqueza. Expansão. Invertida: Discontent em casa. Querendo uma maior prosperidade, mas a incerteza quanto criá-la. PRINCE DE OUROS Pragmática e leal, o Príncipe de OUROS é um bringer de mensagens e idéias. Ele é capaz de mostrar onde as empresas podem expandir e quando é tempo de colheita. Sentidos: ideias de negócio, diz. Mail ou mensagens trazem oportunidades de expansão, o dinheiro no caminho. Inverteu Demasiada pensar, não basta fazer. Negócios precisam ser examinados. Esperando. REI DA OUROS Coroado enthroned e com todas as riquezas da terra, o Rei da OUROS é uma força estabilizadora capaz de trazer empresas e DEertas de imóveis frutos. Sentidos: firmeza. A capacidade para criar riqueza. Alguém que personifica estas forças. Operações imobiliárias. Invertida: Instável, torta-no-céu de negócios. Precisa ser mais realista lo. RAINHA DA OUROS A Rainha da Pentaclcs é a personificação da própria vida arquetípica A terra mãe, esta expansivo, alegre-mulher mais velha tem o talento para criar céu sobre terra. Sentidos: Fertilidade, possivelmente paternidade. Criando prosperidade e harmonia. Beleza, riqueza, a casa. Realeza. Invertida: Necessidade de terreno próprio. Talvez um excesso de orientação materialista ¬ ção para a vida; decepção em casa, ou a falta de foco. PRINCESA DO OUROS Sedutora e docemente perfumada, a Princesa de OUROS da vida DEerece a todos os prémios. Para eles possuem, no entanto, vontade não é suficiente-construtivas devem ser tomadas medidas. Sentidos: A capacidade de criar oportunidades forgrowth e beleza. Uma mulher que personifica estas forças. A capacidade de trabalhar arduamente para criar prosperidade. Invertida: inércia ou preguiça; não agir ou responsabilidades. Excesso de sensualidade. 174
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    USANDO O TARÔDAS DEUSAS cartões tenham sido utilizados ao longo da história por seres humanos 1 busca compreender a sua vida com ¬ viagem mais radical. A forma mais comum de usar a sabedoria do tarô é, depois de concentrar em um tema específico, para colocar um número deles em um modelo especial chamado de propagação; cada cartão posição na propagação reflete um aspecto da questão a ser considerada. Os cartões são geralmente escolhidos para a propagação por baralhar as cardsa predestinado número de vezes para assegurar a aleatoriedade. O (Jerk iscul. Uidcwds Eu minto para espalhar escolhidos a partir de (ele (op Alguns leitores preferem tarot (o vaivém dos cartões próprios, permitindo a querent (a pessoa que solicita a questão) apenas para lidar com o baralho enquanto cortando-lo; isso permite que eles se sintam lhes uma maior intimidade com os seus cartões, tornando mais fácil dar uma leitura precisa. Outros preferem ter o querent escolher os seus próprios cartões, pois eles acreditam que o querent irá escolher o mais adequado para os seus cartões situação. Qualquer que seja a forma que você se decida a avançar, é importante concentrar-se antes de a verdadeira leitura. Um simples ritual, como acender uma vela ou fechar os olhos por um instante, pode ajudar a criar a atmosfera adequada para o receptivo ¬ infor mações sobre a ser partilhada pelos cartões. O mais simples propagação e uma boa maneira de familiarizar-se com cada cartão de Tarot A Deusa-se a fechar os seus olhos e escolha um cartão ao mesmo tempo concentrando-se na questão em apreço. Considere este cartão conceder um oráculo ingyou as infor ¬ cação você ) ced. Demorar alguns minutos para meditar sobre o seu cartão escolhido: o que fazer suas cores, imagens e símbolos para trazer mente para você? Uma variante desta é a de limitar-se a escolha do cartão Arcanos Maiores apenas Esta é uma oportunidade maravilhosa de se tornar melhor familiarização com cada deusa representada na Deusa 'Tawt e divinamente a experiência feminina que ela representa. Ligeiramente mais complexo é o passado / presente / Futuro propagação. Escolha quatro cards de seu pavimento e estabelecem-los, assim: Cada cartão é colocado para baixo, é entregue como cada um está examinados. Cartão 1: o passado, ou a fundação do assunto a ser considerado. Cartão 2: o presente, ou como coisas estão agora. Cartão 3: O futuro possível, se as coisas continuarem como estão agora. Lembre-se, o futuro pode ser influenciado por nossas atitudes, nossas ações, e as nossas intenções. Cartão 4: a mensagem global, ou de aula, da propagação. Este cartão somas tudo analisado até agora. CRUZ CELTA Talvez devido à sua versátil capacidade para abranger muitos aspectos de uma situação de grande prDEundidade, a Cruz Celta é um grampo de tarot spreads. Por essa leitura, dar-te, pelo menos, vinte minutos ou mais, se possível. 175
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    O primeiro passona criação do Celtic Cross é escolher uma carta do baralho para significar o querent. Uma maneira é para escolher os Arcanos Maiores cartão associado à deusa que tem soberania sobre o assunto a ser analisado: por exemplo, questões espirituais pode ser simbolizada por Sarasvati, o amor verdadeiro ¬ ções por Vénus. Mais tradicionais formas de escolher um significator incluem selecionar um tribunal cartão (príncipe, princesa, rei ou rainha), de acordo com a idade, o sexo ea coloração da pessoa, uma mulher jovem com cabelos luz poderia ser representada pela Princesa de Copas, escuro haired uma mulher mais velha da Rainha de Espadas, e assim por diante. Você também pode escolher o significator, de acordo com astrologi ¬ cos sinal. No entanto, isso envolve o conhecimento da pessoa do nascimento, astrologia, e seu accordant símbolos. Usando (seu método, uma pessoa nascida sob a água sinais de Peixes, Escorpião e Câncer seria representada pela xícaras; sinais de incêndio, tais como Sagitário, Áries, Leão e seria PAUS; o ar sinais de Aquarius, Libra, e Gemini , espadas e, finalmente, a terra sinais de Touro, Virgem e Capricórnio seria rep ¬ ressentimento pelo fato de OUROS. A idade eo sexo do tribunal determinar qual seria querent cartão é escolhido. Após a significator cartão é escolhida ea questão considerada, o pavimento está baralhado, cortado, e dez cartões são escolhidos. Cartões são colocados como mostrado, com o cartão i significator abaixo. Cada carta representa uma área da questão ou problema a ser examinado m a leitura: Cartão t: a situação global, ou atmosfera, em torno da querent no que diz respeito à questão. Cartão 2: o que está a influenciar a situação para melhor ou para pior. Qual deve ser considerado. Cartão 3: o fundamento da questão. Cartão 4: o passado, ou influência que é agora falecimento. Cartão 5: o que está na querant da mente neste momento. Cartão 6: num futuro próximo, ou a influência agora entrando em cena Cartão 7: a forma como a querent vê a situação, ou como é influenciá-los neste momento. d 8: como ver os outros querent nesta situação, formas que podem ajudar ou atrapalhar. Cartão 9: esperanças e medos, as emoções que rodeiam a situação. Este cartão também pode ser utilizado como um guia para a querant. Card 10: resultado possível, se as coisas continuarem ontário (ele agora caminho tomar. Ao ler o Celtic Cross propagação, tente pensar como um cartão de cada capítulo em uma história que você está dizendo-o que é que as imagens te disse? Que temas globais emergem na história? Como esta história pode ser mudada, se mudar é desircd? E que aula está sendo ensinado? Lembre-se que o cartão de interpretações podem ser influenciados por diversos factores, incluindo a da proximidade e da posição de um cartão, uma preponderância de qualquer naipe ou um Arcanos. 176
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    5 QUEST TAROT - JOSEPH ERNEST MARTIN 177
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    Obs: Esse livrono original contém muita mistificação. O texto está resumido. Tradução eletrônica incompleta e sem revisão, as figuras da corte de todos os naipes ainda não foram incluídas na tradução. As cartas são lindas. ARCANOS MAIORES A Fool Úrano. A energia da individualidade. Ser independente. Uma nova direcção. Personal transformação revolucionária. Recomeço. O Mago Mercúrio. Usando a mente. Decisor. Falando a outros sobre o que está em sua mente. Pensador. O Alto Priestess Lua. Pais e alimentando sentimentos. Energia feminina. Instinct, capacidade psíquica, e fortes emoções. A Imperatriz Vénus. Relacionamentos e sentimentos. Económico e romântico parcerias. Amor e dinheiro. O Imperador Áries. Iniciando. Pensando em você primeiro. Determinação. Situações dinâmicas. Alta energia. O Hierofante Taurus. Possessiveness. Holding sobre demasiado rigorosa. O desejo de muitas posses. Conservador. Seguro. Estável. Um construtor. Uma atracção para a estrutura. Teimoso. Os Amantes Gêmeos. Dualidade. Capaz de lidar com muitas coisas diferentes ao mesmo tempo. Adaptáveis. Inquietação. A Chariot Câncer. Aparecendo como dura e insensível, mas na realidade imaginativo e sensível. Melancolia. Força Leo. Autocrático. Reinante ao longo de um reino. A forte personalidade. Sabendo o que é melhor. Em cobrança. Uso de auto-vontade. Dramática. The Hermit Virgo. Modéstia. Hipócrita e tímido. Um introvertido. Analysis. Fastidioso e detalhe orientado. A Roda da Fortuna Júpiter. Expansiveness. Desejo de conhecimento. Tomar uma perspectiva filosófica. Otimismo e tolerância. Justiça Libra. Harmonia e equilíbrio. Compreensão e 178
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    simpático. Possíveis contentiousnesse dureza. O Enforcou Man Neptuno. Fazer alterações que afectam gerações. atingindo, única perspectiva. Alto ideais. A auto-sacrifício. Morte Escorpião. A intensa energia. Buscando sexual atenção. Possíveis ciúmes ou resentfulness. Muito envolvidos. Poderosa desejos e emoções. Alquimia Sagitário. Amor de serem livres. Comportamento não convencionais. Versatilidade. Ser bom em tudo. Searching. Um sabe-tudo. O Diabo Capricórnio. Rígida e inflexível. Austera. Cálculo e prudente. Conservador. Único de espírito. Sendo também anexada ao mundo material. A Torre Marte. Não domesticado e poderoso. Energia sexual. Hard trabalhador. Competitividade. Quick a raiva. A Estrela Aquarius. Glamorous. Chefes vai virar. Possivelmente arrefecer e distante. Excêntrico e original. Humanitária. A Lua Peixes. A auto-sacrifício. Amar, a natureza, e esperto. Ego interesses e os acessórios conduzir a ilusão e decepção. Ilusões. Imaginação. Ser solidário. O Sol Sol. Primai fonte de vida e energia. Vitalidade, força, e de expressão do ego. Vibrante. Cicatrização. Um forte força criativa. Aeon Plutão. Enterrado emoções e desejos secretos. Obstáculos manter aparecer antes de você. Possíveis crueldade. Transforma-tiva. O processo de avançar. O Universo Saturno. Exteriores e interiores autoridade. Uma abordagem sensata. Sem pressa para as coisas. Balanced reacções. O Multiverso Chiron. Um tempo de cicatrização. Tendo a chave que abre as portas para um novo caminho. Iniciando uma nova jornada espiritual. Passando das trevas para a luz. PAUS Ace of Paus O Ás de cada ação não tem qualquer conexão planetária. O tempo Áses conter referências. 179
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    Dois dos Paus Marteem Áries. Força e assertividade. Correndo ao longo dos topos dos outros. Não preocuparem outros como você subir a escada. Três dos Paus Sol em Áries. Feroz determinação para alcançar o sucesso. Auto-centeredness. Desrespeito pelos outros. Alta energia levei. Inquietação. Liderança. Quatro de Paus Vénus em Áries. Paixão e da energia. A assunção de riscos. Amor de intimidade física. Excitação. Uma pessoa empreendedora. Impulsivo. Cinco dos Paus Saturno em Leo. Augusto e prideful. Grande força. Graves atitude. Recusa de aceitar limitações. Extreme esforço. Demasiada orgulho e willfulness. Seis de Paus Júpiter em Leo. Personalidade extrovertida. Rajada seu chifre. Tendência para ser bombástico. Noisy ShowofF. O amor da vida. Demasiado optimistas ou erupção acórdão. Sete de Paus Marte em Leo. Dominante líder. Incentivar a atitude. Dramática acções. Corajoso e vigorosa. Grande vitalidade física. Força. Oito dos Paus Mercúrio em Sagitário. Você tornar-se mais e mais neg-dentes. É tempo de pensar. Ser graves em sua missão actual. Evite espalhar a sua energia. Nove dos Paus Sol e Lua em Sagitário. Amor de física e Intel-lectualjourneys. Auto-aperfeiçoamento. Filosófica. Grande curiosidade Visionary Dez de PausSaturno em Sagitário. Melhorar a sua mente. Educação continuada. Partilha os teus pensamentos. Reprimir o entusiasmo. Um amor de ensino. COPAS Ás de Copas O Ás de cada ação não tem qualquer conexão planetária. O tempo Áses conter referências. Dois de Copas Vénus em Câncer. O intenso desejo de uma união estável e duradoura relação. Doht sacrifício yourself. Romance. Nutrir energias. Sentimental. Forte vínculo familiar. Três de Copas Mercúrio em Câncer. Doht debruçar sobre o passado. Emoções você pode parar de progredir. Exagero. Dificuldade pensar. 180
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    Quatro de Copas Luaem Câncer. A auto-protecção. Hard casca exterior. Aparecer diferente de quem você realmente é. Misteriosa presença. Necessidade de segurança emocional. Cinco de Copas Marte em Escorpião. Alto sexual. Intenso. Penetrating à essência das coisas. Força interior. Situações são difíceis de compreender. Cuidado com ciúmes. Extreme. Seis de Copas Sol em Escorpião. Examinando o interior auto. Procurando o significado da vida. Introspecção. Contemplação. Sete de Copas Vénus em Escorpião. Criando harmonia entre as suas muitas e variadas relações intensas. Possíveis resentfulness. Oito de Copas Saturno em Peixes. Humane. Com medo de estar em público. Falta de auto-confiança. Cuidado em torno de auto-expressão. Tímido. Vagos temores. Nove de Copas Júpiter em Peixes. Um tipo simpático e natureza. Cuidar profundamente sobre as pessoas. Cuidar das pessoas necessitadas. Dez de Copas Marte em Peixes. Imaginação no desempenho sexual. Dificuldade em afirmar-se. Inner agitação. Overly emocional. Artística e musical. ESPADAS Ás de Espadas O Ás de cada ação não tem qualquer conexão planetária. O tempo Áses conter referências. Dois de Espadas Lua em Libra. Peacetulness. Sensível aos problemas dos outros. Traga a paz para situações. Easygoing presença. Necessidade de harmonia e paz. Evite a indecisão. Tem que ser honesto com você e outros. Três dos Sworâs Saturno em Libra. Justiça, diplomacia e da equidade. Aprender lições através de relacionamentos. Cooperação. Possíveis intolerância. Quatro de Espadas Júpiter em Libra. Ser atraente para outras pessoas. Laid-back atitude. Tomando o tempo para desfrutar arredores. Refinamento. Amor de beleza. Cinco de Espadas Vénus em Aquário. Emocionalmente arrefecer. Intellectualizing relacionamentos. Forte desejo de independência. Odiar quaisquer restrições. Chefe regras do coração. Humanitária. 181
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    Seis de Espadas Mercúrioem Aquário. Rápido e original intelecto. Unique idéias e opiniões. Nervoso tensão. Seja consistem. Sete dos Sworâs Lua em Aquário. Brittle energias. Afastar ajudar. Surpreendente respostas. Necessidade de independência. Oito de Espadas Júpiter em Gêmeos. Inquietante energia. Inquietação. Alegre e descontraído. Scattered energia. Querendo ser em movimento. Abaladas. Gosta de atividade intelectual. Nove de Espadas Marte em Gêmeos. Difícil relaxar. Versatilidade e energia. Sempre ocupado Muitos desafios e eventos. Experiência. Dez de Espadas Sol em Gêmeos. Fortes habilidades mentais. Amor de aprendizagem. Passionate sobre compartilhamento de conhecimento. Curiosidade inata e versatilidade. Adaptáveis. OUROS - PEDRAS Ás das Pedras O Ás de cada ação não tem qualquer conexão planetária. Os Ases têm tempo referências. Dois dos OUROS Júpiter em Capricórnio. Estar aterrado. Exercer cautela e bom senso. Sensible desafios. Crescimento controlado. Três dos OUROS Marte em Capricórnio. Incrível stamina. Enduring outros aquilo que não pode suportar. Tomando riscos calculados. Estabilidade. Quatro das Pedras Sol em Capricórnio. Avanço na riqueza material e status social. Forte sentido de responsabilidade. Faça a sua marca. Cinco dos OUROS Mercúrio em Touro. Obsessivo e teimoso. Firmemente fixo em sua posição. Desejo de segurança. Praticidade. Seis dos OUROS Lua em Touro. Conservador e convencional. Intenso estado emocional. Forte desejo de criatura confortos. Necessidade de segurança material. Sensuous. Sete dos OUROS Saturno em Touro. Avançando em um ritmo lento e constante. Cuidado estável traz o sucesso. Deliberada movimento. Evite possessiveness de pessoas e coisas. Oito dos OUROS Sol em Virgem. Adesão ao estrito rotinas diárias. Preocupados com a saúde, dieta e 182
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    exercício. Comunicação verbal.Analítica. Perfectionistic. Modestamente serviço dos outros. Nove dos OUROS Vénus em Virgem. Encantador de uma forma tranquila. Modesta aparência. Disposto a ajudar os outros. Pode ser também criticai dos entes queridos. Dez dos OUROS Mercúrio em Virgem. Fortes capacidades de resolução de problemas. O senso comum. Firmemente plantados na realidade. Míope. Prático e detalhe orientado. Nervoso. Keen intelecto. Boas competências verbais. 6 GILDED TAROT de Ciro Marchetti Tarô Dourado 183
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    Tradução eletrônica incompletae sem revisão, só temos arcanos maiores. As cartas são lindas. Uma viagem Fools Assim como a divisão da Minor Arcana em fatos e aprendiza-gem sobre o fato e Numéricas associações panorâmica vide Pró-e uma breve introdução a estes cartões 'significados, aprendendo a viagem FooPs ajuda-nos a Introduzir os Arcanos Maiores. Os vinte e dois Major Ar ¬ cana Cartões retratam uma viagem ao longo da vida, uma viagem de auto-desenvolvimento e crescimento espiritual. Estamos ali como começar a Fool, o primeiro cartão do Major Arcana, embora ali nossas viagens são diferentes. Para visualizar o FooPs viagem, lay out dos cartões, colocando a Fool sozinho no topo. Então lay out do resto dos cartões, em ordem numérica, por debaixo da Trengo em três filas de sete (1-7, 8-14 e 15-21). 1. A primeira linha mostra os passos que passar na nossa base de desenvolvimento desde o nascimento até os jovens e adultos em aprender a viver em sociedade. 2. A segunda linha mostra como leis universais ou regras da sociedade que temos de Enfrentar pergunta, e entrar em um acordo com, também é de cerca de descobrir quem somos. 3. A última linha é o nosso desenvolvimento espiritual. 0 – O LOUCO: O idiota. A Fool marca o início da viagem como um arquétipo infantil, imaturo e un-aprendidas, inocente e ansioso. 1 - O MÁGICO: O Mago representa o animus masculino ou principal. Este é o nosso ativo ou saída da energia, como nossas capacidades e competências em termos do mundo exterior. Em termos básicos, é o modo como fazemos as coisas e como aprendemos. 2 - A ALTA SACERDOTISA: A Sacerdotisa incorporado sa anima principal ou fêmea. Esta é a ossa passividade ou introspectivo energia, como nossas capacidades que não diz respeito ao nosso mundo interior e de auto-reflexão. Em suma, este é o modo como pensamos e sentimos sobre as coisas e que sabemos intuitivamente. 3 - A Imperatriz: A Imperatriz representa o arquétipo Mãe e nossa experiência com uma maternidade, Nur-ração, emoções e os nossos impulsos criativos. 4 - O IMPERADOR: O Imperador representa o arquétipo Pai e nossa experiência com uma Autoridade, rea-Filho, e da lógica. 5 - O HIEROFANTE: O Hierofante é a nossa educação formal não seio da nossa sociedade, incluindo uma escola, formação reli-religiosas, culturais e das tradições. 6 - OS AMANTES: Em uma palavra, a nossa expe-adolescência hormonas de sexo, e nosso senso de identidade. 7 - O CARRO: Um Carro ilustra uma Capacidade de ver os dois lados de uma questão, que marca o fim da "mas isso não é justo!" FASE. 184
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    Depois temos estesarquétipos Sintetizada em nosso senso de auto, que Geralmente são muito bem preparados para participar na sociedade. Às vezes nós incorporar alguns desses elementos melhor do que outros. Por exemplo, se alguém "tem problemas com a mãe," ela pode não ter tratado de forma muito eficaz com uma Imperatriz. E instintos 8 - RESISTÊNCIA: Força e onde se aprende um Controlar nossos impulsos, onde o nosso mestre-eus Desenvolver e auto-controle. Nós podemos querer partido ou à noite, comer todo o buffet, ou até a nossa loja de cartões de crédito atinge o seu limite, mas sabemos que ele é provavelmente melhor se nós não satisfazer esses desejos ali. 9 - O EREMITA: Isto é-nos sentir A necessidade de encontrar "NOS". Não vire para dentro, Questionando ali que aprendemos, e tentar encontrar um sentimento de paz interior. 10 - RODA DA FORTUNA: Só quando nos sentimos centrada e Equilibrada, a nossa determinação é testada por uma rodada de sorte. Algo acontece fora de nosso controle ou nossa habilidade de Capacidade de Prever. 11 - JUSTIÇA: No rescaldo da rodada do destino, temos que descobrir como saíram, e perceber que colher aquilo que semear. Se fomos bem preparados, estamos a sair bem, mas talvez Abalada. Se não, talvez seja passar Necessário rever um eremita fase da viagem, ou a. 12 – O ENFORCADO: O Homem Pendurado nos mostra a força eo poder de soltar e Desfrutar da vista de uma perspectiva diferente. Este cartão também nos mostra um Importância do sacrifício. Algumas coisas que vale a pena sacrificar para nós e talvez realmente não pode te-lo ali, pelo menos não da forma como planejado. 13 - MORTE -: Só quando chegarmos Confortável pendurado por um fio, somos confrontados com uma grande mudança em nossas vidas. Isto pode ser qualquer alteração importante, positivo ou neg-dentes: uma inesperada promoção, o fim de uma re- ção vertical, mudando para um novo local. 14 - A TEMPERANÇA: Depois que vem Através de uma transforma-ção experiência, aprendemos Graciosa equilíbrio tol e lerância. Aprendemos a adaptar-se às mudanças de circunstâncias, mantendo o nosso centro, o nosso sentimento de auto. Chegou-se Através de uma fase muito difícil da nossa de-senvolvimento. Temos enfrentado alguns disfarce em Morte. Nós aprendemos uma Manter-nos, para se adaptar às circunstâncias, para não Ferroviário contra uma aparente injustiça do Universo. Que mais Poderíamos, eventualmente, ter de fazer? 15 - THE DEVIL: Equilibrada, forte e confiante, agora somos sombras nossas confrontar um Chamados Próprias, como o escuro-pectos que temos medo de nós mesmos e que pode Controlar-nos em formas sutis. Estes aspectos também que nós aprendemos a reprimir ou Controlar na Força cartão. Isso funcionou bem durante um tempo, antes tínhamos theknowledge e experiência não apenas para re-prima e ignorar estes aspectos. Agora precisamos de Revisitar elas, aprendem um apreciar como qualidades positivas que podem trazer para nossas vidas, e sintetiza-los adequadamente. 16 - TORRE A: Embora nós mesmos sentimos que nós temos agora sob Controlo por 185
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    razoável, o universode novo espírito que nós não estamos no controle de tudo. A Torre nos dá um parafuso do azul que abala a nossa própria Fundação. Esta pode ser diferente da roda ou Morte, em que ao invés de perturbar o externai circunstâncias das nossas vidas, uma Torre abala os alicerces da nossa crença Sistemas. 17 - A ESTRELA: A Estrela apresenta-nos orientação, esperança e otimismo após cataclísmico acontecimentos, dando-nos uma Fundações força que precisamos para reconstruir a nossa desintegrado 18 - THE MOON: Enquanto o Star nos orienta em nosso caminho, uma Lua nos ensina a questionar que tudo e para perceber como coisas nem sempre são o que parecem. Até a luz da Lua, podemos perder o nosso caminho ou ser sedutora Distraidos por sombras. Podemos também ter contornado em sonhos. Temos de aprender a dizer a diferença. 19 - O SOL: Após vagando na Lua, o Sol em que surgem com maior força e auto- Conscientes-Dade, com a certeza de que nós sabemos, aquilo em que acreditamos, eo que é real. 20 - ACÓRDÃO: O Julgamento cartão convida-nos a uma Realização espiritual profunda. Muitas vezes, um convite é uma ac-ção, a partilhar o seu conhecimento ou experiência com os outros. 21 - O MUNDO: Este é o fim do ciclo, temos aprendido ali das nossas aulas e que tenham alcançado de Integração, o equilíbrio, e consciência espiritual. Exercício Arcanos Maiores cZTook em cada cartão. Anote uma situação ou uma sua própria experiência de vida que você lembra de cada etapa da viagem Fool's. 7 RIDER TAROT – Stuart Kaplan (tradução eletrônica sem revisão) 186
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    OS ARCANOS MAIORESE SEUS SIGNIFICADOS 1. O Mago Habilidade, diplomacia, endereço, doença, dor, perda, desastre, autoconfiança, vontade, o consulente. Invertida: doença mental, vergonha, inquietação. 2. A Alta Sacerdotisa Segredos, mistério, a mulher; silêncio, tenacidade, sabedoria, ciência. Invertida: Paixão, moral ou física, ardor, vaidade, superfície conhecimento. 3. A Imperatriz Fecundidade, ação, longos dias, clandestinamente, a desconhecida, dificuldade, dúvida, ignorância. Reverso: Luz, a verdade, descobrir segredos, vitória pública, vacilação. 4. O Imperador Estabilidade, poder, ajuda, proteção, uma grande pessoa, convicção, razão. Invertida: Benevolência, compaixão, de crédito, também a confusão inimigos, obstrução, imaturidade. 5. O Hierofante Casamento, alianças, cativeiro, servidão, misericórdia e bondade, inspiração, o homem, recurso. Invertida: Sociedade, bom entendimento, concórdia, o excesso de bondade, fraqueza. 6. O Lovers Atração, amor, beleza, ensaios superar. Invertida: tolo. 7. O Chariot Socorrer, providência, também a guerra, triunfo, presunção, vingança. Invertida: Querela, disputa, litígio, derrota. 8. Strength Poder, energia, ação, coragem, magnanimidade. Invertida: Abuso de poder, de despotismo, fraqueza, discórdia. 9. O Hermit Prudência, dissimulação. Invertida: ocultação, dissimulação, política, medo, cautela. 10. Wheel da Fortuna Destino, fortuna, sucesso, sorte, felicidade. Invertida: Aumento, abundância, superfluidade. 11. Justice Equilíbrio, crepúsculo, probidade, executivo. Invertida: Direito em todos os departamentos, intolerância, preconceito, excesso de severidade. 12. Enforcado Sabedoria, tri als, cautela, discernimento, sacrifício, intuição, adivinhações, profecia. Reverso: Egoísmo, a multidão, corpo político. 13. Death 187
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    Fim, mortalidade, destruição,corrupção. Invertida: Inércia, sono, letargia, petrificação, sonambulismo. 14. Temperance Economia, Moderação, frugalidade, gestão, acomodação. Invertida: Coisas ligadas a igrejas, religiões, seitas, o sacerdócio, também infeliz combinações, desunião, interesses concorrentes. 15. The Devil Revanche, violência, vigor, veemência, esforços extraordinários, fatalidade, que é predestinado, mas não por esta razão mal. Invertida: Fatalidade, fraqueza, cegueira. 16. A Torre Miséria, desespero, ruína, indigência, adversidade, calamidade, desgraça, decepção. Invertida: Opressão, prisão, tirania. 17. A Estrelar Perda, roubo, perda, abandono, esperança e brilhantes perspectivas no futuro. Invertida: arrogância, impotência, altivez. 18. A Lua Ocultos inimigos, perigo, calúnia, escuridão, terror, engano, erro. Invertida: Instabilidade, inconstância, silêncio, engano e erro. 19. O Sol Material felicidade, casamento com alma-gêmea, contentamento. 20. Ultima Chamada – O Julgamento Final Mudança de posição, a renovação, o desfecho. Invertida: fraqueza, covardia, simplicidade, deliberação, decisão, sentença. 21. O Mundo Encerramento em boa hora, viagem, a mudança de lugar. Invertida: inércia, fixação, estagnação, permanência. 0. O Louco Loucura, mania, extravagância, intoxicação, delírio, frenesi Invertida: Negligência, ausência, distribuição, descuido, apatia, nulidade, vaidade. OS ARCANOS MENORES PAUS Rei de paus Emocional, ardente, flexível, animado, apaixonado, nobre. Sentido: homem, amigável, conterrâneo, casado, honesto e consciencioso. Invertida: Bom, mas grave; austera, mas tolerante. Rainha de paus 188
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    Vida, animação, emocionalmente.Sentido: mulher provinciana, amiga, casta, amorosa, honrada. o amor do dinheiro. Invertida: Bom, econômico, oposição, ciúme, falsidade e infidelidade. Cavaleiro de paus Viagem, armado, missão milita. Sentido: Partida, ausência, fuga, emigração, amigável. Mudança de residência. Invertida: Ruptura, divisão, interrupção, discórdia. Pajem de paus O mensageiro, notícia verídica. Sentido: jovem, fiel, um amante, um emissário, um carteiro, testemunha. Invertida: Anedotas, anúncios, notícias mal, indecisão, instabilidade. Dez de paus Um homem oprimido pelo peso. Sentido: é também fortuna, ganho de qualquer tipo de sucesso destas coisas. falsos aparente, dissimulação, falsidade. Invertida: Contrarieties, dificuldades, intrigas, e as suas analogias. Nove de paus Espera um inimigo. Sentido: resistência,oposição. Se atacado, ele vai cumprir o ataque corajosamente. atraso, suspensão, adiamento. Invertida: Obstáculos, adversidade, calamidade. Oito de paus Vôo aberto. Sentido: rápidO, um mensageiro; grande pressa, grande esperança, para uma velocidade final que promete felicidade garantida, o que está em movimento, flechas do amor. Invertida: Setas do ciúme, interna disputa, querelas. Sete de paus Escarpadas, Sentido: vantagem posição. plano intelectual, discussão, prolixo contenda, em actividade negociações, a guerra do comércio, permuta, a concorrência. combatente. Invertida: Perplexidade, embarrassments, ansiedade. Seis de paus Sentido: vencedor triumphing, ótima notícia, expectativa a sua própria vontade, a coroa de esperança. Invertida: apreensão, medo, como de um inimigo vitorioso no portão, traição, deslealdade, como a abertura de portas para o inimigo. Cinco de paus Desporto ou contenda, guerra, Sentido: Imitação, combate simulado, a extenuante competição e luta da pesquisa depois de riqueza e fortuna. ganho de opulência. Invertida: estratagemas, Contradição, litígios, litígios. Quatro de paus Sentido: repouso, concórdia, har Mony, prosperidade, paz, bem como o perfeito trabalho destes. Invertida: felicidade, beleza, decoração. Três de paus A calma, figura imponente, Sentido: estabelecido força, espírito empreendedor, o esforço, o comércio, a descoberta, comércio, O fim de problemas, suspensão ou fim da versidade, decepção, e labuta. Dois de paus 189
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    Entre as alternativas.angústia, medo. Ás de paus Empresa, os poderes, princípio, começo, fonte, o nascimento, a família, a origem, o início das empresas, conta com dinheiro, fortuna, herança. Invertidas: Queda, decadência, ruína, perdição, a perecer, também, ensombradas alegria. COPAS Rei de copos Sentido: homem de negócios, direito, ou divindade, resvel, eliminados obrigar a Querent. Também capital, a arte e ciência, incluindo ciência, direito e arte, a inteligência criativa. Revertida: desonesto, falsidade homem, tratantada, exação, injustiça, vício, escândalo. Rainha de copos Lindo, justo, sonhadora mulher (como uma visão que vê em uma xícara). Sentido: Bom, mulher justa, honesta, dedicada, que fará o serviço ao Querent. Loving inteligên ¬ cia, o dom da visão, o sucesso, felicidade, prazer, também sabedoria, virtude. Invertida: mulher-vice, desonra, depravação. Cavaleiro de copos Graciosidade, não bélico, andando calmamente, vestindo um capacete alado. Sentido: Chegada, abordagem, um mensageiro, avanços, proposição, comportamento, convite, incitamento. Revertida: estratagemas, artifícios, subterfúgios, burla, duplicidade, fraude. Pajem do copos Justo, agradável, efeminado estudiosos Sentido: jovem impelidos a prestar um serviço, estudioso da juventude, notícias, mensagem, a aplicação, reflexão, meditação, empresas. Invertida: Prova, inclinação, penhora, sedução, engano, esperteza. Dez de copos Marido e mulher. crianças o prodígio, felizes depois da sua própria maneira. Sentido: contentamento, descanso de todo o coração, a perfeição do estado Também a vila, aldeia ou país longínquo de residência. Invertida: repouso da falsa coração, indignação, violência. Nove de copos A festa Sentido: Concord, contentamento, vitória, sucesso, vantagem, satisfação, Invertida: a verdade, lealdade, liberdade. Oito de copos Um homem de aspecto abatido é abandonando as taças de sua Felici ¬ dade, a empresa, empresa ou anterior preocupação. Sentido: timidez, honra, modéstia. Invertida: grande alegria, felicidade, festa. Sete de copos Estrangeiro, visão. Sentido: Fairy favores, imagens de reflexão, imaginação, sentimentos, coisas que vi no vidro de contemplation, realização nada permanente ou substancial. Invertida: desejo, vontade, determinação, projeto. Seis de copos 190
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    Sentido: memória, passado.refletir sobre a infância, felicidade, gozo que vem do passado, coisas que tenham desaparecido. inverte, novas relações, novos conhecimentos, novo ambiente O futuro, a renovação, o que virá a passar actualmente. Cinco de copos A escuridão, camuflada figura, olhando para os lados em três propensas copos, dois outros stand eretas atrás dele e de uma ponte está em segundo plano, levando a uma pequena ou manter a exploração. Adivinhatória Significado: É um carta de perda, mas alguma coisa ¬ m permanece mais, três foram tomadas, mas são duas esquerda. É um carta de herança, transmissão e patrimônio, mas que não corresponda às expectativas. Com alguns, é um carta de casamento, mas não sem amargura ou frustração. Invertida: Notícias, alianças, afinidade, consangüinidade, ancestralidade, o regresso, falsos projetos. Quatro de copos Descontentamento com o seu ambiente. Sentido: cansaço, aversão, imaginário vexations- se. não vê nenhuma consola ¬ ção Invertida: Novidade, agouro, nova instrução, novas relações. Três dos copos Sentido: celebração de qualquer assunto em abundância, por fection e alegria, prazer questão, vitória, atendimento, conforto, cura. Invertida: Expedition, expedição, realizar- mento, fim. Dois Dos Copos A juventude e solteira penhor são um outro, e acima de suas caixas sobe os caduceus de Hermes, entre as grandes asas de que parece existir uma cabeça de leão. É uma variante de um sinal que é encontrada em alguns antigos exame-pios deste cartão. Alguns curiosos significados estão ligados a ele, mas não nos diz respeito a este lugar. Adivinhatória significados: amor, paixão, amizade, união, afinidade, concórdia, simpatia, a inter-relação entre os sexos, e, como uma sugestão para além de ali-officcs de adivinhação que a natureza é santificado. Invertida: Falso amor, loucura, mal-entendido. Ace of CUPS As águas estão abaixo, sobre a qual são água lírios. A mão questões a partir da nuvem, a sua participação na palma da taça, a partir dos quais quatro são córregos vazamento. Uma pomba, tendo na sua lei uma cruzada marcado anfitrião, desce até o local bolacha no copo, o orvalho da água está caindo sobre ali lados. É um intimation.of o que pode estar por trás do Menor Arcanos. Adivinhatória Sentidos: Verdadeiro coração, alegria, o conteúdo, a habitação, alimentação, abundância, fertilidade, santa mesa, ora felicidade. Invertida: Falso coração, mutação, instabilidade, revolução. ESPADAS REI de espadas Ele se senta no acórdão-mento, mantendo a unsheathed sinal de seu terno. Adivinhatória Sentidos: tudo decorre da ideia de lhe judgmcnt e ali suas conexões-powcr, comando, autoridade, militante inteligência, direito, serviço da coroa, e assim por diante. Invertida: Cruclty, perversidade, barbaridade, falsidade, mal intenção Rainha de espadas 191
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    Arma, tristeza. Sentido:viuvez, feminino tristeza e constrangimento, ausência, esterilidade, luto, privação, separação. Invertida: Malice, intolerância, artifício, afetação de virtude, engano. Cavaleiro de Espadas Dispersando seus inimigos. Sentido: Perícia, coragem, capacidade, de defesa, o endereço, inimizade, ira, guerra, destruição, oposição, resistência, ruína. Invertida: imprudência, incapacidade, extravagância. Pajem de espadas Ágil e ativo, andar rápido. Sentido: Autoridade, serviços secretos, vigilância, espionagem, exame, as qualidades e seu pertencimento. Dez de Espadas Sentido: o que há intimida pela concepção, também dor, aflição, ágrimas, tristeza, desolação. Invertida: poder e autoridade. Nove de espadas Lamentações Sentido: Morte, fracasso, aborto, atraso, decepção, decepção, desespero. Invertida: Prisão, dúvida, suspeita, razão incapaz, medo, vergonha. Oito de espadas Más notícias, violentos desgosto, crise, censura, poder em empecilho, conflito, a calúnia, também doença. Invertida: inquietação, dificuldade, a oposição, acidente, traição, o imprevisto, fatalidade. Sete de Espadas Design, tentativa, desejo, esperança, confiança, também si. Um plano que pode falhar, incomodo. Invertida: Bom conselho, advogado, instrução, calúnia, balbucio. Seis de Espadas Caminhada pela água, rota, caminho, emissário, comissionary, expediente. Cinco de espadas Desdenhoso recuar e abatido. mestre na posse do campo. Sentido: Degradação, destruição, inversão, infâmia, desonra, perda. Invertida: O mesmo enterramento exéquias. Quatro de Espadas Sentido: Vigilância, retiro, solidão, ermitão do repouso, exílio, túmulo e caixão. Invertida: administração, a economia, a avareza, a precaução, testamento. Três de Espadas Sentido: Remoção, ausência, atrasos, divisão, ruptura, dispersão, Invertida: alienação mental, erro, perda, distração, desordem, confusão. Dois de espadas Sentido: coragem, amizade, carinho, concórdia. Revertida: impostura, falsidade, duplicidade, deslealdade. Ás de Espadas Sentido: Triunfo, o grau excessivo de tudo, conquista, triunfo da força, grande força no amor. Inverteu: o mesmo significado, mas os resultados são desastres, concepção, parto, acréscimo, multiplicidade. OUROS Rei dos pentáculos 192
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    Coragem, significados: Valor,percebendo inteligência, empresarial e intelectual normal lectual aptidão, por vezes, as doações e matemática realizações deste tipo: sucesso nestes caminhos. Invertida: Vice, fraqueza, feiúra, perversidade, corrupção perigo. Rainha dos pentáculos Grandeza de alma. inteligência, opulência, a generosidade, a segurança, a magnificência, liberdade. Invertida: medo, suspeita, suspense, desconfiança. Cavaleiro dos pentáculos Utilidade, retidão, responsabilidade. Invertida: Inércia, ociosidade, descanso desse tipo, a estagnação, placidez, desencorajarmento. Pajem dos pentáculos Sentido: Aplicação, bolsa estudo, reflexão. notícias, mensagens e regra, management. Reversed: Prodigalidade, dissipação, liberdade, luxo, notícias desfavoráveis. Dez de pentáculos Sentido: Ganho, riquezas, , arquivos, extração, a residência de uma família. Invertida: Chance, morte, perda, roubo, jogos de perigo; por vezes dom, dote, pensão. Nove dos pentáculos Sentido: Prudência, segurança, sucesso, realização, certezas, discernimento. Invertida: tratante, engano, nulos projeto, má-fé. Oito dos pentáculos Sentido: Trabalho, emprego, comissão, artesanato, habilidade no artesanato e das empresas. Invertida: anulado ambição, vaidade, avareza, extorsão, usura. Sete dos pentáculos Sentido: as empresas, escambo, altercação, brigar, inocência, ingenudade, purgação. Invertida: Ansiedade sobre dinheiro. Seis dos pentáculos Comerciante pesa dinheiro e distribui-lo para os necessitados e angustiados Sentido: Presentes, brindes, gratificação. atenção, vigilância, agora é a vez aceite, presentes prosperidade etc. Revertida: Desire, avareza, inveja, jealousy, ilusão Cinco dos pentáculos Sentido: anuncia problemas materiais miséria. Desordem, caos, ruína, discórdia, libertinagem. Quatro dos pentáculos Sentido: A garantia dos bens, clivando ao que tem um, doações, legados, herança. Invertida: Suspense, atraso, de oposição. Três dos pentáculos Sentido: comércio, trabalhadores qualificados. mediocridade no trabalho puerilidade, pettiness, fraqueza. Dois de pentáculos Sentido: obstáculos, agitação, confusão, embaraçamento. Invertida: Forçados alegria, simulada gozo, sentido literal, composição, letras de câmbio. 193
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    Ás de pentáculosSentido: Perfect contentamento, felicidade, o ecstasy, também rápida inteligência, de ouro. Invertida: O lado perverso da riqueza, a má inteligência. Também uma grande riqueza. LEITURA DA CRUZ CELTA O procedimento é o seguinte: Selecione a carta-significador da pessoa ou coisa sobre quem ou o que é o inquérito. Coloque-a no meio. Deixe o leitor cortar o restante do baralho três vezes cada. Primeira carta - a pessoa ou coisa do ambiente geral Segunda carta - representa o seu obstáculos Terceira carta - o melhor que ele pode chegar Quarta carta - trata-se do seu próprio eu que ele tem de trabalhar Quinta carta - o passado do assunto. Sexta carta - ação que irá operar no assunto específico. Sétima carta - sua atitude e relação ao assunto. Oitava Carta - sua casa, seu ambiente, a influência, pessoas e eventos sobre ele. Nona carta - suas esperanças ou medos. Décima carta - representa o que virá. 8 TARÔ DE MARSELHA 194
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    ARCANOS MAIORES I NT R O D U Ç Ã O O TAROT é um conjunto composto por 78 cartas, que são subdivididas em: "ARCANOS MENORES: englobam 4 naipes(bastões, taças, espadas e moedas), com numeração de 1 a 10, e mais 4 figuras(pajem, cavaleiro, rainha e rei), foram estas cartas que deram originem as nossas atuais utilizadas para jogos, no Tarot, emprega-se para uso advinhatorio, servindo para uma confirmação dos Arcanos Maiores. ARCANOS MAIORES: trata-se de uma seqüência numerologica, representada pôr 22 figuras, que descrevem situações, pessoas, acontecimentos, que ocorrem de maneira Universal, em várias fases da vida." Os ARCANOS MAIORES, também denominados de TRUNFOS ou ARQUÉTIPOS , são considerados como um livro de conhecimentos, não escrito, valendo-se de imagens, posição das figuras, cores, roupas e principalmente simbologia, torna-se necessário, o conhecimento destes componentes para o desenvolvimento dos estudos. Com o estudo e prática de identificação associativa dos Trunfos Maiores, podemos nos beneficiar, adaptando seu sentido oculto figurado, em nosso proveito pessoal, visando atingir o nosso EQUILÍBRIO ENERGÉTICO e MENTAL, ajudando o nosso desenvolvimento e ainda a conquista de nossas aspirações pessoais. Os ARCANOS MAIORES, são numerados pôr algarismos romanos de I a XXI, com exceção do ARCANO - O LOUCO, que é a única figura sem número, sendo atribuído o valor ZERO ou 22, e todas as figuras possuem um título sendo a única exceção o ARCANO de número 13. A origem do TAROT é desconhecida, podemos comprovar sua existência há pelo menos 600 anos, quando seu uso era comum na Idade Média, famílias nobres encomendavam a artistas a confecção destas figuras que eram pintadas em pequenas tábuas, ainda existem até hoje diversos destes Tarot conservados em museus europeus. Existem diversos tipos de Tarot, egípcio, mitológico, boêmios, e ainda os criados por estudiosos do assunto, bem como os comemorativos que se inspiram em alegorias e acontecimentos. O que menos mudou conservando sua simbologia original é o TAROT DE MARSELHA. Em época mais recente, um cientista psicólogo, de origem suíça, CARL GUSTAV JUNG, dedicou-se a um profundo estudo da simbologia do TAROT, e concluiu que estes símbolos, seriam o que ele denominou de INCONSCIENTE COLETIVO, que representamos medos, vontades, emoções e toda gama de outros sentimentos que são inerentes aos seres humanos. Neste estudo indicaremos algumas técnicas de uso PRÁTICO DE UTILIZAÇÃO DOS ARCANOS MAIORES, maneiras e formas, que podemos usar para nos beneficiarmos destes conhecimentos. COMPOSIÇÃO DO CURSO Exposição dos ARCANOS MAIORES, procurando explicar de maneira mais clara e objetiva o significado dos mesmos, entretanto quanto maior for o estudo e o contacto com estas cartas, mais elas serão enriquecidas com novos valores, visto que as mesmas não são somente representativas de situações estáveis, estão sempre em constante movimento, adaptando-se ao dia a dia, ao surgimento de novos fatos e emoções, sendo esta a grande peculiaridade que torna o estudo do Tarot, dinâmico e atual. Após esta exposição serão apresentados alguns exemplos de como utilizar as figuras de forma associativa, nos seguintes seguimentos:ASSOCIAÇÃO À 195
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    PERSONALIDADES HUMANAS; ASSOCIAÇÃOÀ SITUAÇÕES; ASSOCIAÇÃO MEDITATIVA. E, finalmente entraremos no estudo do EQUILÍBRIO ENERGÉTICO, uma das mais Importantes finalidades deste estudo, e ,ainda o CONSELHO INDIVIDUAL QUE CADA ARCANO TRANSMITE. Trata-se do princípio Universal da dualidade de todas as coisas, dos dois extremos em oposição, sendo o equilíbrio encontrado no meio dos dois. CURSO ARCANOS MAIORES DO TAROT ARCANO - "O L O U C O " Esta Figura, se não for a mais importante dos Arcanos é sem dúvida a mais controvertida, a começar pela sua não determinação numérica, ou ZERO ou VINTE E DOIS, anda livremente pôr todas as outras figuras(situações) surgindo inesperadamente e alterando todos os conceitos estabelecidos. Representa o INÍCIO DE MOVIMENTAÇÃO, PORÉM DE FORMA DESORDENADA. Toda evolução presume sempre um início de movimento, de ação, mesmo que esta movimentação por falta de bases lógicas venha a acarretar grandes erros, são as experiências que são impelidas a aceitar, adquirimos destas experiências avaliações para atingir novos objetivos com perfeição. Analisando a vestimenta do LOUCO, observamos a mistura desordenada de várias cores, as roupas estão rasgadas, demonstrando a sua total despreocupação por valores normais, a figura caminha para frente, olhado para o lado, simbolizando o interesse pôr novas paisagens (experiências), apoia-se num cajado, como que buscando apoio em algo não muito confiável em sua caminhada, a figura do cão que parece querer alerta-lo para um perigo eminente a frente, que ele não entende ou não dá atenção. Este Arcano representa a nossa necessidade de fantasia, o impulso que temos de sair da rotina, são as nossas resoluções de forma impensada, nossa obsessão de desejar algo repentinamente, são as nossas divagações, nossa necessidade interior de sonhar, nossa visão particular que querer reformar o mundo acrescentando os valores, dogmas morais de acordo com o que pensamos. Ë um personagem fantasioso, que não têm discernimento, entretanto pela sua intensa movimentação, que lhe soma as novas experiências, até para sobreviver no futuro, terá que apreender mesmo que de forma penosa enquadrar-se dentro dos padrões estabelecidos, mesmo que de forma aparente. Podemos atribuir palavras chaves de associação a este Trunfo: quebra de rotina, irresponsabilidade, irreflexão, exibicionismo, tendência para iniciar algo sem base concreta, ingenuidade, amoralidade, caráter aventureiro de forma temerária, tende a solucionar complexos problemas utilizando formas simplistas, deslocamentos sem destino, falta de objetividade. Dentro do simbolismo deste Arcano, já podemos de imediato identificar e entender atitudes e ações que motivam muitas pessoas de nosso relacionamento. ARCANO I - O M A G O Vem representado pôr um jovem com diversos apetrechos em cima de uma mesa, 196
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    segurando uma pequenavara, olha para a frente e indica que está iniciando um trabalho para algum tipo de platéia, veste-se de maneira, sóbria com as cores equilibradas, um importante símbolo Seu é o chapéu em forma de leminiscata (8 deitado) que é o símbolo matemático do infinito, que indica sua ligação do mundo físico com o espiritual. Sua finalidade é evoluir e estabelecer uma identidade própria, usando sua grande criatividade e capacidade de ação. Deseja atingir seus objetivos pessoais, age pôr diversas vezes de forma egocêntrica, utiliza todos os seus conhecimentos , age politicamente, adapta-se a realidade social criando uma personalidade em que demonstra uma imagem capaz de agradas e influenciar a todos criando uma forte empatia. Também é chamado de O EMBUSTEIRO, ou O ILUSIONISTA, isto porque preparam de maneira consciente os seus objetivos como num espetáculo, visa atingir os seus objetivos pessoais e quando os resultados não são satisfatórios procura analisa-los para não cometer os mesmo erros, no exercício de seus objetivos age como um profissional determinado e competente. Possui uma personalidade em constante evolução, entretanto as alterações pessoais, são sempre baseada no aprendizado de suas experiências, isto vem indicado pelo simbolismo de uma tulipa ainda fechada, que podemos observar entre suas pernas, indicando ter pleno conhecimento de que sua personalidade ainda não desabrochou, entende que para crescer de forma harmoniosa terá que estar em plena harmonia com os quatro elementos, fogo, terra, água e ar que também vêm representados pelos objetos em cima de sua mesa. Podemos associar esta Figura com algumas palavras chaves: comerciante sagaz, negociador, político, dissimulado, extrovertido, dominador sutil, grande força de vontade, determinação, astúcia, autoconfiança, grande capacidade de influenciar pessoas, gosta de ser o centro das atenções mas dissimuladamente usando de falsa modéstia ARCANO II - A P A P I S A Este TRUNFO também pode ser denominado de A SACERDOTISA ou a GRANDE SACERDOTISA. Este Arcano vem representado pôr uma mulher de idade média, sentada em um trono pesado e solidamente assentado, sugerindo grande domínio de vida, suas roupas são sóbrias, predominando o azul que cobre a cor vermelha, indicando o sue completo domínio sobre as paixões. Segura no colo um livro aberto significando a sabedoria adquirida através de estudos e experiências, e que ela se dispõem a ensinar, sua cabeça coroada enfatiza ainda mais o seu conhecimento colocando-a acima das questões comuns. É altamente evoluída, entretanto suas emoções são frias, usa de serenidade para obter julgamentos corretos, ao passar seus conhecimentos visa que as determinações sejam sempre tomadas de maneira objetiva, é excessivamente prática, prefere a segurança ao risco de lançar-se em algo que não conhece ou não domina. É um ser, frio, porém amistoso e acolhedor, mas não é afetiva, é uma excelente conselheira, procura sempre transmitir que A REALIDADE É DURA E IMPLACÁVEL COM AQUELES QUE NÃO A ENCAREM DE FRENTE. Simboliza que para adquirimos conhecimento sobre os elementos é preciso desvendar e interpretar. É a figura ARQUÉTIPICA do princípio feminino, da companheira, da mãe e da mulher sábia, muito próxima da perfeição, a intuição feminina muito mais desenvolvida que a masculina, aparece em toda sua plenitude com a PAPISA que é toda intuição. Associamos A PAPISA, sabedoria, julgamento exato, compreensão, serenidade, 197
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    ausência de sentimentosconflitantes, praticidade, e principalmente a uma pessoa a quem sabemos poder recorrer para aconselhamento. As realizações alcançadas pôr este Trunfo, são sempre duradouras, porém devido ao seu caráter precavido, quando os objetivos são alcançados existe uma tendência a acomodação visando preservar-se o obtido. A simbologia indica que representa ações não muito dinâmicas, e sim ações que se desenrolam de maneira ordenada e pausada de forma coerente e bem direcionada. Sabedoria, praticidade, domínio emocional, serenidade e compreensão são qualificativos que podemos associar ã este Arcano. Também indica ações que se desenrolam de maneira ordenada e pausada, de forma coerente e bem direcionada. ARCANO III - A I M P E R A T R I Z A figura representativa é bastante parecida com a anterior, principalmente nas vestes com predomínio de vermelho cobrindo o azul, entretanto a coroa é diferente, possuem uma tonalidade vermelha indicando que existe o conhecimento das paixões humanas porém ainda não o seu total domínio. Sua simbologia é bastante elucidativa, o autodomínio vêm indicado pelo escudo, reforçado pelo emblema da águia, que representa sua autoridade, o cetro sustentado na mão esquerda com bastante leveza, sem esforço, encimado por um globo terrestre com uma cruz, sugere o domínio sobre as coisas materiais e terrenas, que são apoiadas pela espiritualidade que deve dominar a matéria. Representa o elemento feminino em toda a sua grandeza, influencia nos sentimentos pessoais, a atividade feminina, a fertilidade muitas vezes representada pelos plantios e colheitas, em alguns Tarots, vem indicada como a DEUSA DA NATUREZA. Atribui-se A IMPERATRIZ, palavras como, desenvolvimento, frutificação, fertilidade, interesse pôr assuntos do lar, influências femininas, prosperidade material, evolução, artifícios femininos, liderança sensata, prática e intuitiva. São as forças fecundas da matéria colocadas as disposições da humanidade para as suas criações. Está também implícita neste Trunfo a experiência como maternidade, descoberta do corpo, criatividade, gestação de idéias, transmite a sensação de proteção e segurança, mas está ainda muito ligada a coisa terrena. Como figura humana poderíamos associar a uma mulher bem sucedida em todos os terrenos, profissionais ou no lar, a IMPERATRIZ age muito racionalmente, emoção controlada e quando necessário impõem sua vontade até de forma ditatorial. ARCANO IIII - O I M P E R A D O R Ë a representação do princípio ativo masculino, a autoridade para ordenar pensamentos e energias, realismo e praticidade. Sua representação pôr um homem de meia idade, posicionado de maneira relaxada, seu olhar dirigi-se a vastidão do infinito, o cetro representa seu poder e esta encimado pôr um TULIPA aberta. Está completamente seguro dos seus domínios, mas apesar da tranqüilidade, indica por sua determinação que se necessário a ação virá, de qualquer forma, usando de todos os seus conhecimentos e atributos de um guerreiro que já lutou e venceu inúmeras batalhas para consolidar suas posições. O próprio número 4 indica esta situação de controle, as quatro direções da 198
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    bússola, as quatroqualidades dos antigos (quente, seco, úmido e frio) os quatro humores(sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico), os quatro elementos(água. fogo, terra e ar), os quatro Ingredientes alquímicos(sal, enxofre, mercúrio e azoto) as quatro figuras geométricas básicas(círculo, reta, quadrado e triângulo) e principalmente as quatro virtudes cardeais(justiça, prudência, temperança e fortaleza). Lembra a figura da paternidade, código de ética, reconhecimento de autoridade, liderança, esposo, experiência de vida, auto-suficiência, poder material, riqueza, liderança, está arraigado em sues princípios quando sua autoridade é desafiada torna-se rígido e inflexível. Costumamos associar este Trunfo a alguém de alta posição em que reconhecemos o dinamismo, capacidade, autoridade, pessoa de confiança, um orientador. Representa as energias materiais que necessitamos para ordenamento de nossas criações e fantasias para uma realidade mais segura. Este Trunfo passa o seguinte conselho: VENHA A MIM QUE EU ESTOU PRONTO DENTRO DOS MEUS PRINCÍPIOS PARA AJUDAR E ACONSELHAR, PORÉM FORA DO MEU CÓDIGO DE ÉTICA INDIVIDUAL EU NÃO TRANSIJO. ARCANO V - O P A P A Podemos denominar este Arcano também como O HIEROFANTE, ou SUMO SACERDOTE, representa a necessidade do ser humano nas questões religiosas ou espirituais, a Força Transmissora dos Princípios ou ainda a Face Visível de Deus. A figura é representada por um ancião, sentado em um trono de duas colunas simbolizando o perfeito equilíbrio entre o bem e o mal, sua cabeça está coroada com uma coroa com alegorias em verde, vermelho e amarelo, indicando a superação dos três estágios, físico, mental e espiritual, a cruz tripla que segura na mão esquerda, torna a enfatizar o simbolismo da coroa, predomina o amarelo indicando sabedoria, e a mão direita faz o gesto universal do exorcismo. As figuras a a frente, ajoelhadas em sinal de reverência buscam o aconselhamento e uma mão estendida demonstra caridade. A figura de um homem idoso afirma que já adquiriu em suas experiências toda espiritualidade necessária que a transmite quando solicitado. Representa a obrigação da humanidade de estudar, compreender e submeter-se aos ensinamentos e leis divinas. Diversas palavras podem associar-se a este Trunfo: bondade, benevolência, ritualismo, compaixão, representa um conselheiro lógico, fundamenta sua decisões em dogmas espirituais isento de sentimentalismo, mente investigativa, poder moral. Associamos esta figura a uma pessoa rigidamente estabelecida em sólidas bases morais e religiosas, podendo nos aconselhar neste terreno, mas, entretanto é muito pouco propício a novas idéias e modernismo, é um conservador arraigado em suas convicções muito refratário a mudanças abruptas, o que torna difícil a adaptação a novas situações em que mudanças são necessárias e as vezes forçadas. Existe o perigo de fanatismo, em virtude de sua crença inabalável, o moralismo ético sempre dentro dos seus princípios que procura pregar e adaptar de maneira rígida aos acontecimentos diários, podemos associa-lo a líderes religiosos, pregadores ou ainda seguidores políticos de alguma doutrina, os conhecimentos que prega de forma tão veemente não raras vezes o conduzem ao sectarismo e fanatismo. ARCANO VI - O S A M A N T E S. 199
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    Também denominado deO ENAMORADO, sugere a necessidade de analisarmos uma opção colocada diante de nós. A necessidade de uma escolha, decisão, que necessita avaliada para ter sucesso. O jovem personagem está colocado diante de uma mulher coroada, representando estabilidade parta os assuntos mundanos e do outro lado uma mulher mais jovem prometendo os sonhos e belezas das paixões. Acima a figura de Cupido, interferindo na decisão, optando pelo lado não muito estável, sugere que tanto a beleza quantos os prazeres são passageiros, nota-se que está completamente dividido sem saber a decisão a tomar. Esta figura não está somente associada a questões sentimentais, sugere muito mais, seriam também as decisões de vida ou diárias que temos de tomar, a escolha de um caminho, uma mudança qualquer, e ainda uma mudança em que nos achamos acomodados para outra situação que de certa forma vamos nos aventurar para tentar uma melhoria. Identifica-se com o Livre Arbítrio, qualidade inerente ao ser humano de alterar sua vida, situação ou destino através de escolhas e decisões pessoais. Via de regra associa atitudes humanas por palavra para melhor entender os Arcanos, neste caso recorremos a símbolos para melhor esclarecimento, o número 6 é representado por dois triângulos um em baixo e outro acima, iguais e em perfeito equilíbrio, indica o equilíbrio da ação e reação rigorosamente balanceadas, a harmonia entre o bem e o mal, a advertência para a análise implica que as decisões das escolhas pessoais não serem decididas apenas pelos impulsos. Trata-se de um teste a que constantemente somos submetidos, a escolha será avaliada em função do tempo se certa ou errada. Também nos transmite associações como, beleza, perfeição, amor, harmonia, provações superadas, confiança, possibilidade de um novo começo, desejo ardente,assunto de conseqüência marcante, etc. Observamos o predomínio de três cores, azul equilíbrio, amarelo sabedoria, vermelho paixão, a estrela que envolve O Cupido é composta por estas três cores bem como a roupa do personagem principal, a das mulheres envolve apenas equilíbrio e paixão. ARCANO VII - O C A R R O. Figura dotada de extremo simbolismo, define a procura para encontrar seu lugar individual dentro de um contexto social ampliado, nesta tentativa começa a descobrir seus potenciais e limitações. Um jovem colocado no comando de uma Carruagem, entretanto não existem as rédeas para o controle absoluto, decidi através de sua auto-confiança e com o poder de decisão do conhecimento das causas e efeitos, as máscaras nos ombros simbolizam os opostos, o dardo na mão direita a agressividade, os cavalos azul e vermelho a paixão e o conhecimento, os animais não olham fixos em uma direção indicando que não estão totalmente dominados, associasse a Impetuosidade da Juventude, que ao começar a adquirir conhecimento dos fatos julga-se pre'-destinada a modificar o Mundo. Estes instintos agressivos precisam ser dirigidos de forma consciente os sentimentos de amor e ódio representados pelos cavalos, expressam a dualidade do ser humano que não deve ser reprimida e sim usada de maneira controlada. A figura Jovem temerária quer alcançar seus objetivos de qualquer modo, é um competidor, têm o desejo de vitória a qualquer preço, os instintos violentos e turbulentos, os conflitos internos e externos, e principalmente o questionamento das situações e 200
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    ordens pré-estabelecidas. Trata-se de um início de um novo ciclo, de transformações, a luta pela auto- afirmação, a procura de um amplo espaço no contexto social. Na tentativa de atingir objetivos pessoais, exercendo seus poderes e paixões, a concretização dos objetivos dependerá sempre do controle das forças opostas de forma harmoniosa. O veiculo, O CARRO, foi feito para ser usado em terreno firme simbolizado pelas rodas para conduzir através do caminho terreno o ser humano, é uma Figura em constante movimento, super atividade, expressa as influências conflitantes, agitação, sucesso, vingança, viagens, precipitação, imprudência. Pelos adjetivos acima podemos concluir de forma associativa, o esforço humano usando de todo seu potencial para consolidar sua posição social. ARCANO VIII - A J U S T I Ç A Esta figura, assim como todas as outras do Tarot, seguem uma ordem rígida de colocação, entretanto esta Figura vem posicionada de uma maneira bastante elucidativa, segue a figura do Carro, de intensa agitação, dúvidas e mobilidade, aqui vemos uma Mulher de olhar firme e determinado, entronizada demonstrando toda sua autoridade, situa-se entre os pilares do equilíbrio, a espada sugere ações punitivas baseadas em decisões conscientes e não emotivas, baseadas em equilíbrio racional e perfeito conforme simbologia dos pratos da balança. Os olhos estão bem abertos para nos demonstrar que percebe e analisa os fatos de maneira imparcial. Representam a capacidade de julgamentos equilibrados, nos relacionamentos, nossas análises frias e claras rigidamente analisadas dos atos que praticamos ou iremos praticar. Expressam as necessidades de pensamentos equilibrados, tomadas de decisões imparciais, lógica, justiça, virtude, honra, etc. É o conhecimento humano com capacidade de discernimento equilibrado de atos ou decisões,com todas as suas conseqüências, felizes ou infelizes. O fato de a figura ser apresentada de frente indica uma ação direta, confortavelmente assentada em bases sólidas, demonstrando um pensamento claro e equilibrado quanto a necessidade de ordenação e disciplina. Aqui a ação não é nem rápida nem dinâmica, a ação vem determinada após conceitos cuidadosamente analisados de forma super racional. Também é uma reavaliação, a lei de causas e efeitos, julgamento implacável, significando o fim de ilusões, união, devido ao seu racionalismo, caminha para um ideal de conduta humana de perfeição, de capacidade de julgamento dos atos individuais e coletivos. Quando associamos esta Figura à algum tipo humano, mentalizamos uma pessoa prática, analítica, lenta em tomada de decisões, que nunca respondem imediatamente, não emotiva, não se arrisca nem se empolga com novos projetos a não ser depois de os analisar de forma ponderada no equilíbrio dos pratos da balança, não aceita romantismos preferindo as situações bem ordenadas evitando sonhos ou fantasias. ARCANO IX - O E R E M I T A É a fase da compreensão humana, quando se entende o valor do tempo e das limitações da vida, aceitação da própria condição, é a não valorização das fantasias 201
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    dando inicio afase da maturidade. Este estágio é de evolução onde a sabedoria adquirida através das experiências individuais, conduz às análises introspectivas, a solicitude, são as reflexões que conduzem a paciência e prudência. Espelha a nossa necessidade individual de afastamento para uma análise das situações, sempre que sentimos necessidade de meditação e privacidade. O Arcano vem representado por uma figura de um homem idoso, indica deter grande sabedoria, coloca-se de perfil com a cabeça quase de frente, indica que está orientado para a ação, porém com reflexão, apoia-se para caminhar em um cajado de madeira, isto porque já não têm o mesmo vigor para caminhar rapidamente, esta é a razão que procura trilhar o caminho em todos os assuntos de maneira segura. É a própria representação da Prudência, adquiriu sabedoria através de vivência, a lanterna que segura na mão reforça a sabedoria que ilumina seu caminho, entretanto procura ocultar de certa forma a luz que emana, tenta proteger os conhecimentos que no seu entende devem ser passados a quem os busca e os merece, pode-se facilmente identificar êste personagem ã um Mestre Espiritual. Apesar do seu imenso conhecimento adquirido, também nos adverte contra a estagnação, o sedentarismo, pois esta figura tem imensa dificuldade em se comunicar, e, questiona a praticidade da sabedoria adquirida. Alguns adjetivos associativos: informação, conhecimento, prudência, discrição, circunspeção, retraimento, deserção, ausência de expressão, falta de praticidade, etc. É a busca da verdade, com calma e paciência, através da lógica e do conhecimento, que são transmitidos com prudência. É uma pessoa que neste estágio de sua vivência acredita que com base em sua sabedoria, já não tem mais nada a conquistar, prefere a manutenção da situação preservando que possui. As experiências passadas o tornam comedido, e, até pela própria idade, não projeta em função do futuro, lida com os fatos presentes quando se apresentam que os domina com bastante eficiência. ARCANO X - A R O D A D A F O R T U N A "TUDO VAI, TUDO VOLTA; ETERNAMENTE GIRA A RODA DO SER... TORTUOSO É O CAMINHO DA ETERNIDADE.(NIETSCHE) Trata-se da alegoria do Reino do Equilíbrio, vêm representado por um círculo dividido em seis raios que indicam as oposições, nesta circunferência giram dois animais representando os acontecimentos da vida, que nos são impostos, tanto os bons quanto os maus, em cima do círculo encontramos uma Esfinge, propondo a decifração do grande enigma da vida, pela sua postura e a espada na mão, sendo também uma figura alada, representa a inutilidade de divagar em pensamentos visando a previsão do destino, são os fatos que movimentam a vida que vão gerar os acontecimentos vindouros independente de nossa vontade. A Roda indica que o destino é mutável, alterna-se de maneira muito rápida a cada instante, de acordo com o seu Giro, seria uma insensatez a previsão correta do futuro, visto que alteraria através deste conhecimento, o livre arbítrio e também as motivações pessoais, alterando conceitos e relacionamentos que precisam ser experimentados para a própria evolução. O título A RODA DA FORTUNA já é por si próprio bastante elucidativo, podemos definir o termo FORTUNA como sorte (acontecimento) boa ou má, A RODA, simbolizando um movimento rápido, indicando a constante alteração dos fatos. Podemos associar a simbologia como: destino, fortuna, resultado, inevitabilidade, 202
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    acontecimentos inesperados, mudançasde situações tanto para melhor quanto para pior. Envolve um novo ciclo, evolução ou involução forçada, indica que devemos nos preparar dentro de nossas experiências e vivência para a aceitação dos fatos. Mas a grande mensagem deste Arcano é que os acontecimentos futuros são um mistério impenetrável, até por serem aleatórios, são as experiências passadas, que atuam no presente, que precisamos analisar para melhor conseguir uma Orientação para o Futuro. ARCANO XI - A F Ô R Ç A A representação é feita por uma jovem mulher, vestida com as cores em total equilíbrio, traz na cabeça um chapéu bastante semelhante ao do MAGO, vem para demonstrar a supremacia da força espiritual sobre as forças materiais. O Leão que representa a força bruta, a força material está totalmente subjugado pela dominação calma e serena da Mulher, ela não usa de força física para esta dominação e sim de força moral, é sua força moral e interior, seu autodomínio que a capacita para esta tarefa. O Leão simboliza a agressividade, os sentimentos internos mais brutos que precisam ser subjugados de maneira racional e coerente. A figura indica a contestação dos instintos primitivos, mantendo a vitalidade e a criatividade, o domínio das emoções e não a destruição das emoções internas e sim uma maneira de canaliza-las de modo construtivo. Podemos identificar como: força, coragem, energia, determinação resistência, ação construtiva, combatividade, etc. O Trunfo nos orienta para que as meta a serem alcançadas são frutos da vontade e da energia que nela depositamos, usando da autodisciplina, superando os instintos emocionais, lidando equilibradamente com sentimentos conflitantes, para o controle das situações. A figura feminina, representativa das emoções, está nesta figura representando o contexto geral de todos os sentimentos, eles fluem de forma livre porque estão totalmente dominados e controlados. Ë a figura humana que associamos devido a sua grande personalidade, como um mediador entre problemas conflitantes, capazes de impôr sua vontade impondo racionalidade aos conflitos. ARCANO XII - O E N F O R C A D O Este Arcano está representado pela figura central de um jovem dependurado de cabeça para baixo entre duas vigas, mas mesmo nesta posição incômoda os olhos estão abertos indicando que está consciente do que o rodeia. Indica uma situação de reflexão, uma parada, um sacrifício voluntário, é um estágio de reavaliação de valores e condutas, existindo uma confusão mental. As vigas indicam a dualidade dos fatos, é ma reavaliação considerando o quanto são ou não importantes os nossos valores. A cabeça está colocada como se estivesse abaixo do nível da terra, o que indica que os pensamentos estão bloqueados, entretanto esta parada para reavaliação não poderá durar indefinidamente, terá que ser encontrada uma maneira para sair desta situação, terá que por-se de pé e tornar a caminhar no sentido evolutivo ou então terá que perecer. Associamos as nossas situações em que somos forçados a sacrificar algo, abandonar alguma coisa que nos é cara, para poder gerar novos acontecimentos. 203
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    Estas situações quenos acontecem em determinados momentos, principalmente quando não estamos preparados para lidar com os acontecimentos, e, então instintivamente procuramos uma posição defensiva para ganhar tempo, através de uma retirada (introspecção) para que possamos avaliar e entender o que ocorre, para podermos lidar com o assunto da melhor maneira possível ao nosso alcance, esta situação que nos está sendo imposta e que a teremos que resolver de maneira individual, não existe ajuda externa esta ajuda terá que advir de nós mesmos temos a necessidade de encontrar a saída para este abandono voluntário evitando que se transforme em depressão ou que nos seja fatal Podemos definir como: mudanças mentais na maneira de agir, pensar e viver, transições, apatia, inércia, tédio sentimento de abandono, renuncias, arrependimentos, submissão voluntária, depressão, etc. A existência da energia vital, que impulsiona a Roda do Movimento e que impele a humanidade à sua evolução, fará com que esta situação seja avaliada, que estes acontecimentos que e apresentam situações que todos estamos sujeitos, e, mesmo com a mente racional embotada, a necessidade de progresso irá fazer uma avaliação de fatos e experiências que proporcionarão a libertação desta inércia. ARCANO XIII – Esta carta tem uma particularidade única, recebe somente o numero 13 e nenhuma denominação, interessante notar que o outro Arcano o Louco, recebe título porém não recebe número. Por ser representada por um esqueleto, existe a tendência de ser associada a morte Física, o que leva muitos autores a denominar este trunfo como A MORTE. Este Trunfo é representado por um esqueleto com a foice indicando que esta usando a ferramenta para corte, no solo vemos uma cabeça jovem e outra cabeça coroada, ambas decepadas, indicando que as transformações ocorrem a todos independente de idade ou posição, e ainda notamos vegetais em crescimento o que indica que as transformações acarretam surgimento de novos valores. É óbvio que também representa a morte física, o falecimento e o renascimento para uma nova encarnação, mas também engloba todas as transformações de modo Universal. É um marco definitivo indicando a finalização de alguma coisa, são as mudanças radicais criando novas situações, os finais são tão importantes quanto aos começos, que devem ser sentidos e reconhecidos da mesma forma. Diversas correntes atribuem os mais diferentes significados para os Espiritualistas a morte física é apenas uma transição, a passagem desta para outra vida, para diversas ordens esotéricas a definem como a Grande Iniciação, e mais genericamente a passagem da vida material para a espiritual, em todas as correntes não deixa nunca de ser uma Transformação. O termino de um fato, ou acontecimento, poderá acarretar uma nova oportunidade, uma nova vida ou uma nova visão de valores, trata-se de uma finalização para o início de um novo estágio. Podemos associar diversas situações tais como: as que envolvem todos os tipos de mudanças definitivas, de posições, de idéias, de relacionamentos, rompimentos de relacionamentos, de acordos etc. Também nos passa a mensagem de nossa mortalidade, da necessidade de entendermos que a Morte é apenas um acontecimento normal a todos os seres viventes, e que os seres humanos precisam entender desta forma, porque pelo fato de ser inevitável atingira em determinado momento a tudo e a todos . 204
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    ARCANO XIV -A T E M P E R A N Ç A A representação é feita por um anjo alado, situado no plano terrestre, a vegetação em crescimento e a terra indicam a fertilidade. As vestes, em tonalidade azul e vermelho estão perfeitamente divididas mostrando a perfeição do equilíbrio, e ainda os detalhes em amarelo o equilíbrio também espiritual, os cabelos são azuis e no topo da cabeça uma flor vermelha reforça o domínio dos pensamentos de forma harmoniosa. A figura tem em suas mãos dois jarros um vermelho e outro azul, e a figura passa água de um para o outro. A água é o símbolo do fluido vital, e esta ação de mudança representa a polaridade entre a água e a terra na união dos opostos dentro do próprio indivíduo. Esta situação reflete o reino das emoções equilibradas, o sentimento, a escolha refletida, a variação dos sentimentos em constante agitação tentando a harmonia com os opostos, mas com bastante clareza, a percepção dos fatos em busca de uma harmonia perfeita. Ë a segurança da harmonia, da moderação e do autocontrole, proporcionando uma adaptação tranqüila nos relacionamentos. O equilíbrio futuro depende dos acontecimentos passados para o presente, para equilíbrio futuro, também indicado pela troca de água dos vasos. O ANJO DA TEMPERANÇA é um personagem crucial na seqüência do Tarot, os induz a pensar nos opostos vermelho e azul que ele mistura, como símbolos do espírito e da carne, os associando a uma essência espiritual pura representado pela água. Podemos definir este ARCANO, como: moderação, temperança, paciência, conciliação, harmonia, compatibilidade, fusão, ajustamentos, grande habilidade no manuseio dos assuntos diários, imagem familiar, sobriedade etc. Ë a indicação do mais perfeito equilíbrio, que pode ser conseguido com as definições acima, para o alcance de uma harmonia perfeita alcançada durante nossa vivência. ARCANO XV - O D I A B O Para melhor entendimento do simbolismo desta figura torna-se necessário que vários conceitos que nos foram transmitidos através de dogmas religiosos, precisam ser desassociados, para que possamos fazer uma nova reavaliação para conseguir uma interpretação mais exata. A figura central representando O Diabo, é totalmente inumana, e até mesmo patética, nos é apresentado como um ser andrógino com seios femininos, e, orgão genital masculino, divido pelo vermelho e azul, mãos e pés inumanos, segura com a mão esquerda a espada em posição incorreta, sendo seu uso para ação bastante duvidoso. Esta colocado em cima de uma bigorna vermelha com terra acima indicando estar solidamente arraigado as paixões terrenas. Desta bigorna estão preso por cordas duas figuras uma masculina e outra feminina, com um barrete vermelho a cabeça, indicando os pensamentos voltados apenas para os sentimentos terrenos considerados negativos, possuem caudas para reforçar que se encontram em estado sentimental animalesco, entretanto a corda que os ata pelo pescoço é frouxa, as figuras têm as mãos colocadas para trás sugerindo que se desejassem poderiam simplesmente retirar o laço e sair desta situação. Na realidade o simbolismo sugere que trata-se de uma servidão aos nossos instintos não desenvolvidos, são os nossos profundos temores ou encantamentos com nossos valores individuais, são os nossos impulsos sexuais e o grau de valorização que 205
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    damos à eles,representa a nossa parte irracional a qual o nossa lado racional tende a atribuir como válvula de escape todas as nossas culpas e faltas, é o âmago do nosso inconsciente onde escondemos tudo que tememos, odiamos ou desprezamos em nós mesmos, são os nossos instintos que inibem nossa compreensão, e, a repressão que somos obrigados a nos impor por temermos poder gerar uma forca de grande e terrível efeito, fora de nosso controle. Subordinação, rejeição, mas influências, dependências físicas, violência, valores distorcidos, confusão, caos mental. Considerar esta figura como agente máximo da personificação do mal, é uma maneira simplista, visto que a própria figura indica um estado de não discernimento o que a torna manipulável tanto para o bem quanto para o mal, confundindo os valores através de grande confusão mental, podemos dizer que não é mal e sim amoral, é selvagem porque não tem evolução, e, não consegue discernir em sua mente caótica os valores morais e éticos. ARCANO XVI - A T O R R E Representa uma advertência, bastante clara e direta, vemos uma sólida construção, uma torre, de construção sólida desmoronando, tendo acima uma coroa amarela, e um emblema tipo Flor de Lys em tonalidade vermelho, amarelo, que também estão em queda, indicando que a queda advém da não evolução espiritual, e também pelas paixões desequilibradas que são colocadas em projetos. Dois seres são projetados ao solo indicando que nada nem ninguém esta livre de uma queda, são antigos padrões que caem por não terem base sólida e estarem construídos com estruturas em falsos valores. As três janelas simbolizam a visão muito limitada de conhecimentos que não permitem uma avaliação dos pensamentos e atos de formas coerentes. Podemos associa-la a mudanças de forma total e súbita, quebra de valores estabelecidos, abandono de relacionamento e conceitos, destruição, colapso, fatalidade, perda de segurança, contratempo, fraude, falência física e moral, adversidades etc. É a queda das coisas construídas sem nenhuma consistência, que irão fatalmente ocorrer quando os projetos de realizações são gerados através de impulsos cegos, pelo orgulho e pela presunção. Nos aconselha a refletir com cautela contra nosso egoísmo, orgulho e ambições desmedidas, indicando que a qualidade da argamassa para qualquer realização não pode ter por base as qualidades nefastas que inevitavelmente com o passar do tempo as tornarão fracas e vulneráveis. ARCANO XVII - A E S T R E L A Chegamos agora ao ARCANO - A ESTRELA, vendo a trajetória seguida, estamos diante de uma situação agradável e serena, como se a claridade, a esperança iluminassem as trevas e acontecimentos sombrios representados pelas cartas anteriores. A representação e feita por uma linda jovem totalmente despida, com uma expressão de bastante tranqüilidade. Esta derramando a água contida em dois jarros vermelhos, simbolizando que derrama o seu fluido vital, através dos atos controlados, em um rio que significa o curso da vida, o agente que leva a fertilização do terreno representado por árvores em crescimento e em DESENVOLVIMENTO em um solo amarelado representando a evolução do conhecimento, um pássaro negro está acima da árvore maior, indicando por 206
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    esta a cora mistura de todas as outras, sugerindo como agente de polinização a utilização de tudo para a fertilidade geral. As estrelas são representadas por cores e formas ordenadas, em três cores indicando o perfeito equilíbrio e uso dos valores. Retrata o elemento feminino em todo o seu esplendor, irradiando toda a beleza da criação, indica pela sua atitude um período em que a personagem está fértil e pronta para receber a semente da vida. A figura feminina têm que estar associada a criatividade e a fecundidade da natureza, é o elemento gerador de toda vida, a nudez da figura demonstra a inocência e a transparência dos seus atos e sonhos. Transmite: esperança, fé, inspiração, otimismo, satisfação prazer, boas perspectivas etc. É a capacidade do elemento feminino, de criar no momento projetando para o futuro, em uso dos atributos como a paciência e a coragem na espera da gestação, que espelha o grande fator equilibrante da natureza. ARCANO XVIII - A L U A Notamos que uma das particularidades deste Trunfo é não estar representado por nenhuma figura humana, a imagem nos mostra uma paisagem desolada, sobrenatural e aterradora, que vemos através da luz refletida da lua. Atrás da Lua vemos os raios do Sol, a máscara indica a ocultação das realidades, que não emitem a transparência dos fatos. Dois cães uivam e bloqueiam um caminho a ser trilhado, simbolizando os instintos primitivos que bloqueiam a evolução. Ao fundo vemos duas torres que parecem guardar a porta de entrada para uma outra paisagem, bem mais amena, que devemos alcançar após trilhar o caminho nebuloso. O lagostim imerso no lago representa a tentativa de passagem de um mundo irreal para o real. A Lua têm uma simbologia bastante própria, suas quatro fases, provocam alterações de marés, determinam ciclos, só podemos vislumbrar uma de suas faces sendo que a outra nos permanece oculta. Representa um tempo de mistério, assombro e terror, é a revelação dos sonhos e de mistérios ocultos. Muito ligada a rituais de sortilégios na Antigüidade conhecida como a DAMA DA NOITE, nos indica uma descida as profundezas, para que finalmente possamos entender sem maiores dúvidas as revelações que buscamos. Impostura, penumbra, obscuridade, embuste, erro, advertência, rituais mágicos, falsas pretensões, fantasias sentimentais, velhacaria são as sugestões indicadas por esta figura. Simbolicamente nos aconselha a meditar sobre os fatos que nos são projetados de maneira não muito clara, podemos enxergar apenas os contornos, o que devemos fazer com extrema cautela visto que com a claridade dos fatos poderíamos ter uma visão anteriormente distorcida. ARCANO XIX - O S O L A figura do Sol nos é apresentada de frente, com raios de todas as cores e com uma fisionomia humana e serena, as gotículas que caem são exatamente inversas as das gotículas da Lua, estão direcionadas de modo a proporcionar energia.. Seguindo a seqüência lógica, vindo logo após a Lua, indica a emanação de uma luz forte aclarando todas as trevas, trazendo tudo a claridade dos fatos. Duas crianças 207
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    representando a humanidadebrincam despreocupadamente expondo seus corpos praticamente nus, para receber toda a Luz necessária para a evolução da vida. Indica um período de total clareza, de otimismo, renovação de confiança, permite uma visão através da luz do conhecimento como realmente são, iluminadas por uma luz própria. Satisfação, realização, contentamento, sucesso, amor, alegria, sentimentos nobres, amizades, relacionamentos sem subterfúgios etc. Como o Tarot, representa uma viagem através de fatos e acontecimentos, representa um estágio quase final de desenvolvimento, em que já adquirimos uma luz totalmente própria, em virtude de nossa vivência, experiências e estudos, nos capacitando a atingir o final da jornada com sucesso. ARCANO XX - O J U L G A M E N T O Nesta carta temos a representação da mesma feita por um Anjo tocando uma trombeta de ouro no céu, trazendo uma bandeira com uma cruz de ouro, abaixo, três figuras humanas, nuas, sendo que uma das quais se ergue do túmulo. É a dramatização do momento da ressurreição espiritual, a figura saindo do túmulo se vê diante da fonte de iluminação. É a percepção total e consciente, o recém erguido do sepulcro esta sendo saudado pelas outras figuras, a nudez simboliza a ausência de qualquer mácula, é o a consolidação total do ser humano adquirindo toda sua plenitude, a trombeta indica também o cumprimento da promessa de um novo renascimento. A denominação de O JULGAMENTO foi dada a esta carta não no sentido de justiça, mas no sentido de comparação e avaliação do ser humano. É um chamamento no momento certo do homem para um estágio superior, suas tendências e desejo de elevação. Elevação e progresso espiritual, relaciona-se com todos os aspectos positivos da espiritualidade, rejuvenescimento, progresso, desejo de imortalidade. É a fase evolutiva, em que já pode haver uma auto-avaliação para pesar as conseqüências das próprias ações para lhes atribuir os débitos e créditos que se adquiriu durante a jornada. ARCANO XXI - O M U N D O Representa o ponto final da jornada, a iluminação psíquica espiritual que se manifesta através do mais pleno equilíbrio. O personagem central é andrógino, significando que a polaridade negativa e positiva esta unida, na mão esquerda segura uma varinha para indicar o seu domínio sobre a natureza, e na direita segura um recipiente de forma oval simbolizando o renascimento. As quatro figuras representam as forças superiores estabilizadas, a águia a sabedoria do Alto, o espiritual acima sobre toda criação, o Ser de aparência humana evoca suas ligações com a humanidade, o Touro a força geradora do plano físico, e o Leão amarelo a força inteligente. Definimos o Mundo como uma concretização harmoniosa da evolução que precedeu os caminhos da jornada. A Guirlanda que rodeia o personagem também têm uma forma oval, que simboliza o renascimento, o que vem indicar que seria uma etapa reencarnatória que foi totalmente coroada de êxito devido aos esforços que foram empreendidos, e que novamente haverá um renascimento num plano bem mais elevado. Conclusão, perfeição, resultado final dos esforços, sucesso, segurança, caminho da libertação são os valores que atribuímos à este trunfo. 208
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    TÉCNICAS ASSOCIATIVAS: Podemos nos valer dos ARCANOS MAIORES, utilizando sua simbologia de forma associativa em diversos segmentos, sendo os três principais: ASSOCIAÇÃO A PERSONALIDADES HUMANAS, ASSOCIAÇÃO Ã SITUAÇÕES E ASSOCIAÇOES MEDITATIVAS. ASSOCIAÇÃO ÀS PERSONALIDADES HUMANAS: Como exemplo deste tópico usaremos o ARCANO: O LOUCO. Ao contemplarmos esta figura, observamos de imediato as suas roupas, mistura bastante confusa de cores, o que demonstra total confusão de pensamentos, carrega em um pequeno saco simbolizando: conhecimento)seus pertences, suas vestes estão rasgadas demonstrando sua falta de preocupação com sua apresentação pessoal, um cão tenta adverti-lo dos perigos do caminho, mas ele segue deslumbrado olhando para o lado contemplando a paisagem distraído . Trata-se de figura humana associativa muito comum, que estamos habituados a ver e não raras vezes conviver. São pessoas inconseqüentes, que se lançam a novos projetos, relacionamentos, sem a mínima estrutura de planejamento, contestam a ordem social estabelecida, são capazes de abandonar uma situação sólida para se lançarem a outra totalmente duvidosa, e muitas vezes não conseguimos entender o porque desta atitude. Sendo o seu número no Tarot o ZERO ou o VINTE E DOIS, entendemos por esta simbologia, que ele não têm um lugar rígido na ordem das coisas, podendo correr livre por toda a seqüência, aparecendo de repente quando menos se espera, em situações e locais inesperados. Esta personalidade existe em todos nós, quantas vezes não somos tentados a seguir a parte inconseqüente do LOUCO, entretanto como o mantemos sob constante controle, na maioria das vezes apenas nos identificamos com as situações a que Ele poderia nos conduzir. Ao nos encontramos com esta personalidade devemos escutar seus pontos de vista, demonstrando interesse e depois criar uma nova motivação, visto que seu interesse inicial logo se desfaz com algo que o interesse. São pessoas de mente criativa, altamente fantasiosas, muitas vezes de eloqüência contaminadora, mas basta estarmos atentos que perceberemos que se trata de uma conversação totalmente sem base, a mesma opinião externada muda constantemente no segmento do dialogo. Um EXERCÍCIO MUITO ÚTIL que muito nos ajuda no relacionamento humano é praticar em cima das figuras tentando identifica-las com pessoas do nosso conhecimento. Escolha um dos ARCANOS maiores, releia os valores que Ele transmite e faça associação a pessoas do seu relacionamento. Praticando este exercício em pouco tempo, poderemos identificar de imediato as pessoas que nos cercam, facilitando em muito o nosso relacionamento pessoal. ASSOCIAÇÃO MEDITATIVA: Utilizaremos como exemplo do tópico acima o ARCANO- A ESTRELA. Para melhor compreensão criaremos a seguinte situação: "Um dia extremamente estressante, ao qual chegamos ao final com imensa dúvidas sobre a certeza de nossos 209
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    projetos, sentimentos etc. Deve-se procurar um local tranqüilo, tentando antes um relaxamento, através de um banho morno, muito estimulante também é a utilização de música suave ao fundo. Devemos inicialmente nos concentrarmos na figura do Arcano, perceber todas as suas nuances. Em pouco tempo começaremos a receber as mensagens subjetivas que este Trunfo transmite. Nossa atenção será dirigida para os céus, as estrelas costumam significar forças condutoras, muito utilizadas para predizer tendências futuras e ajudar na harmonia do ritmo da vida, nos proporciona uma iluminação controlada, uma introversão espiritual. Depois voltamos nossa atenção à figura de Mulher Desnuda, sentimos que ela trabalha a energia vital, procurando o equilíbrio entre elemento matéria e espírito. Trabalhando em cima dos elementos acima começaremos a notar que começam a afluir em nossos pensamentos, uma nova esperança de solução dos problemas do dia, novos fatos se somarão, e outras situações começarão a serem criadas. Depois de certo tempo adquirimos uma sensação de tranqüilidade e esperança, e passamos a encarar a atual situação com mais otimismo. ASSOCIAÇÃO ÀS SITUAÇÕES: Tomarmos como exemplo para este tópico o ARCANO - XIII. Como sabemos este Arcano não possui nome, pode significar Morte Física, Espiritual, Material e ainda Transformação Radicais de situações. Analisando pela situação Morte Física, entendemos que é um acontecimento a que todo ser vivente está sujeito, temos plena consciência deste fato, mas o nosso aceitamento a esta situação é muito controvertido. Estamos condicionados a encarar a Morte Física como um fato triste e trágico, para melhor podermos lidar com esta situação, deveremos tentar entender que se trata de um fato natural, o fim de um ciclo para início de outro, uma Transformação. O fim de um relacionamento, que muitas vezes nos deixa abalados, também pode associa-lo a esta situação, mas apesar de estarmos consternados, o tempo nos fará meditar, no futuro outros relacionamentos surgirão, e quem sabe entenderemos aquela finalização como o fim de um estágio para a passagem de um outro melhor. CONSELHO INDIVIDUAL DE CADA ARCANO: Cada Arcano como representante de uma situação específica, transmite o seu conselho de forma a identificar e orientar, através de uma mensagem própria a maneira de lidarmos com o assunto. ARCANO: O LOUCO - como este ARCANO simboliza, início de movimento, falta de experiência, imprudência, temeridade, é óbvio que é o único Arcano que não possui uma orientação individual, visto que seria totalmente inválido se dar crédito a algum conselho transmitido por alguém que age de maneira inconseqüente. ARCANO: O MAGO: "O Homem como Deus deve criar sem cessar. Nada querer ou nada fazer, é tão ruim quanto desejar o mal. Uma firme vontade e fé em si mesmo, guiada pela razão e o amor a justiça, levara a alcançar a preservar, dos perigos do caminho. ARCANO: A PAPISA (SACERDOTISA)- "O Ser que possuem uma vontade sólida, verá a Verdade brilhar, e guiado por ela, alcançara todo bem que deseja, guarda segredo sobre 210
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    os desejos pessoais,a fim de não entrega-los as contradições dos outros. ARCANO: A IMPERATRIZ -"A afirmação da verdade e o desejo de justiça devem ser praticados de forma incessante. O êxito dos empreendimentos resulta da atividade que fecunda o espírito e a retidão do espírito e que fazem frutificar as obras. ARCANO: O IMPERADOR: - "Nossos esforços para a conquista das realizações é muito mais do que um direito, é um dever. Muitas vezes as realizações de nossos anseios dependem de uma outra pessoa mais poderosa, devemos procura-la a fim de obter seu apoio. ARCANO: O SUMO SACERDOTE-HIEROFANTE-(O PAPA): “A avaliação do conceito felicidade ou infelicidade, depende do emprego da vontade que utilizamos na criação de nossas obras, nossa voz só é ouvida pela nossa consciência, devemos para obter as respostas fazer nessa auto-·análise”. ARCANO: OS AMANTES: " Para os seres comuns, a atração dos vícios têm mais prestígio que a austeridade da beleza e da virtude, tome cuidado com suas resoluções. A indecisão é muito pior do que um determinação errada, avance ou retroceda, mas não vacile, saiba que uma cadeia de flores é muito mais difícil de se romper que uma cadeia de ferro. ARCANO: O CARRO: "O Império do Mundo pertence aqueles que possuem a soberania do Espírito, esta é a Luz que clareia os mistérios da vida. Vencendo os obstáculos , vencemos os nossos defeitos e paixões, e todas as esperanças serão realizada, devemos nos projetar para o futuro, com audácia e com consciência dos nossos direitos. ARCANO: A JUSTIÇA: "Dominar os obstáculos e chegarmos aos objetivos, é apenas uma parte da tarefa humana. Para a realização é preciso se estabelecer o equilíbrio das forças em movimento, toda ação produz uma reação, a Vontade deve prever o choque das forcas contrárias, para ameniza-las ou anula-las, tudo futuro equilibra-se entre o Bem e o Mal, toda inteligência desequilibrada é como uma luz apagada. ARCANO: O EREMITA: " A Prudência é a armadura do sábio a introspecção .evita dissabores, devemos utiliza-la em todos os atos, mesmo nas menores coisas, nada é indiferente no mundo, uma pequena pedra pode virar o carro do senhor do mundo; se a palavra é de prata o silêncio é de ouro. ARCANO: A RODA DA FORTUNA: " Para poder é preciso querer, para querer com eficácia é preciso obrar, e para se obrar com êxito é preciso calar-se até o momento justo da ação. Para se adquirir com direito de possuir o Conhecimento e o Poder é preciso desejar com paciência e com perseverança infatigável. ARCANO: A FORÇA: :"Para poder é preciso crer que se pode, avançar com fé, considerar os obstáculos apenas como fantasmas. Para se ser forte é preciso se impor o silêncio as fraquezas do coração, é necessário estudar o dever que é a regra do direito, e praticar a justiça por amos a ela. ARCANO: O ENFORCADO: "a devoção e o afeto são leis Divinas inerentes a todos os seres, porém só espere ingratidão da parte dos humanos. Conserve sua alma sempre pronta a prestar contas à Deus. Devemos nos resignar, aceitar com resignação perdoando atos contra nós dirigidos, por que quem não perdoar será condenado a solidão eterna. 211
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    ARCANO: XIII-(A MORTE)- "Entenda que as coisas terrenas têm pouca durabilidade, e que os mais altos valores são ceifados como as ervas do campo. A dissolução de nossos órgãos físicos acontecerá mais rápido do que esperamos, não devemos temer pois a morte é apenas o nascimento para uma outra vida. A liberação dos instintos materiais por uma livre vontade, liberta nossa alma as leis do movimento Universal, representando o começo de nossa imortalidade. ARCANO: A TEMPERANÇA: “Devemos avaliar nossas forças, não para recriar ou retroceder diante de nossas obras, e, sim para vencer os obstáculos, como a água que gotejando fura a mais dura pedra”. ARCANO: O DIABO: - “ Reavalie todos os seus conceitos, morais, materiais, físicos e mentais. Para a evolução é necessários nos libertarmos de todos os valores negativos, adquirindo sabedoria e força”. ARCANO: A TORRE:"- Toda vez que somos postos testados através dos infortúnios, devemos aceitar com resignação, pois este é um processo que será recompensado eternamente. Não valorizar em excesso as coisas materiais, é revestir-se da imortalidade. ARCANO: A ESTRELA: "A esperança é irmã da fé, livre-se de suas paixões e erros, compreenda os mistérios da verdadeira ciência e o conhecimento será adquirido. Aconteça o que acontecer, jamais ignore as flores da Esperança, para poder colher os frutos da Fé. ARCANO: A LUA: "Quem afronta o desconhecido procura a própria perdição. Os espíritos hostis, nos armam emboscadas., através de bajulações e adulações, eles passaram arrastando-se sem comoverem-se de nossa ruína. Observar, escutar e saber se calar. ARCANO: O SOL: "O Luz dos Mistérios, representam um fluido terrível, colocado pela Natureza ao serviço da vontade. Ela orienta os que sabem utiliza-la e fulmina os que ignoram seu poder ou abusam dele. ARCANO: O JULGAMENTO: "Toda situação é insegura por mais estável que pareça. O crescimento do Espírito é a meta que se deve alcançar através de suas provas sucessivas. Em algum momento que ignoramos, a Roda da Fortuna vai girar, e seremos elevados ou rebaixados pelos acontecimentos. ARCANO: O MUNDO: "O Império do Mundo, pertence ao Império da Luz, o Império da Luz é o trono que Deus reserva a Vontade bem direcionada. A felicidade é para os humanos o fruto da ciência do Bem e do Mal, porque Deus só permite que este fruto seja colhido, a alguém dono de sua vontade, capaz de aproximar-se dele sem o desejar. A Analogia dos Contrários O TAROT baseia-se no verso e no reverso das situações antagônicas como o YANG E YUNG, na filosofia oriental, as duas COLUNAS em Magia , a Branca e a Negra,O Claro e o Escuro, depois de divididos em onze pares determinamos os 11 caminhos numa breve observação destes caminhos antagônicos podemos ter um entendimento muito rápido e bastante esclarecedor do simbolismo do TAROT. Caminho Seco Caminho Úmido 212
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    Ativo, masculino, solar Passivo, feminino, lunar 1) SUJEITO, PONTO DE PARTIDA I – O MAGO 0 – O LOUCO Ativo, positivo, iniciativa Passivo,negativo, auto-domínio Sagacidade, razão. Missão e influências externas, impulsividade loucura 2) PERCEPÇÃO DO DESCONHECIDO II – A SACERDOTISA XXI – O MUNDO Observação, compreensão, Inspiração, exaltação,entusiasmo, concepção,estudo capacidade Sabedoria racional, Imaginativa, criação de idéias 3) A ASSIMILAÇÃO DO MUNDO EXTERNO III – A IMPERATRIZ XX – O JULGAMENTO Maternidade, descoberta do corpo, Entusiasmo, criatividade espiritualidade,renovação,avaliação Diplomacia, charme, Lúcida de experiências, recompensa dos sagacidade,discernimento, Idealismo, esforços. 4) ILUMINAÇÃO ESPÍRITUAL XIX – O SOL IV – O IMPERADOR Luz universal, palavra de expansão, Luz interior, concentração de pensamento, iluminação, Origem do gênio, arte, sensibilidade, palavra forte, vontade, energia, cálculo, idealismo. dedução, positividade. 5) ELABORAÇÃO DE UMA SÍNTESE V- O HIEROFANTE XVIII – A LUA Espiritualidade, conhecimento Abstrato, realidade especulativa, metafísica, transcendental, Religiosidade, dever, leis morais, capricho Conceitos vulgares,fantasias, erotismo, Ilusão dos sentidos 6) DETERMINAÇÃO DOS ATOS VI – OS ENAMORADOS XVII – A ESTRELA Liberdade, escolha, prova, dúvida, luta Predestinação, esperança, abandono, inquieta Contra as dificuldades da vida, sentimentos, Confiança na imortalidade, idealismo. Amor ao belo, sensualidade, 7) ILUMINAÇÃO ESPÍRITUAL VII – O CARRO XVI – A TORRE Dominação, triunfo, talento,capacidade, o Presunção, queda, orgulho, forças revoltas, mestre Que se faz obedecer, progresso, harmonia Catástrofe 8) ORGANIZAÇÃO E GOVERNO DAS FORÇAS VIII – A JUSTIÇA XV – O DIABO Lei, ordem, equilíbrio, estabilidade, lógica, Arbitrariedade, desordem, desequilíbrio, placidez, calma, regularidade, Instinto, desregramento, paixão cega, discernimento, Erotismo, fantasias sexuais. 9) RELAÇÕES DO INDIVÍDUO COM O AMBIENTE IX – O EREMITA XIV – A TEMPERANÇA Abstenção, isolamento, prudência, discrição Participação, comunhão, franqueza, 213
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    retenção, avareza, sábio,meticuloso, Circulação, prodigalidade. Metódico. 10) INTERVENÇÃO DO DESTINO X – A RODA DA FORTUNA XIII – A MORTE Sorte, ambição,invenções, Fatalidade, desilusão, fim de um ciclo, Renúncias, decomposição, transformação, Descobertas, força vital, renovação final de relacionamento, negócio, etc individual 11) OBJETIVOS, RESULTADO FINAL XI – A FORÇA XII – O ENFORCADO Potência, idéia realizável, gênio prático, Impotência, utopia, inabilidade no trato Inteligência, energia, coragem para Material, emocional, apóstolo, mártir, Superar as dificuldades. Incompreensão alheia. REDUÇÃO (UTILIZAÇÃO) NUMEROLÓGICA DO TAROT: Primeiramente torna-se necessário uma explicação do porque da não inclusão do O LOUCO nesta redução. Observe que ele também não está incluído em nenhum caminho da Analogia dos Contrários, isto porque não se pode atribuir a Ele nem o número ZERO nem o número 22, porque ele representa um inicio de atividade, ou então uma idéia inquietante nem que ele seja como um coringa num jogo de baralho.Aparece repentinamente, ligando-se a tudo e todos e normalmente alterando de forma inconseqüente a ordem estabelecida. DESTA FORMA A ANALISE IRA CONSIDERAR ATÉ O NUMERO 21 SENDO A REDUÇÃO NUMEROLOGICA FEITA A PARTIR DESTE. NUMERO PESSOAL OU NUMERO ATIVO: REPRESENTA AS INFLUENCIAS QUE HERDAMOS OU EXPERIENCIAS ACUMULADAS ANTERIORMENTE. DATA DO NASCIMENTO - REPRESENTA O DESTINO. NOME - MODO COMO NOS COLOCAMOS NA SOCIEDADE. SOBRENOME - MODO COMO NOS EXPRESSAMOS SOMA DE TODOS OS NUMEROS: SINTESE GERAL 9 TARÔ ALEISTER CROWLEY Hajo Banzhaf e Brigitte Theler 214
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    AS 22 CARTASDOS ARCANOS MAIORES 0 - O LOUCO Símbolos Significado Figura de um louco (O louco de Abril)* Loucura, despreocupação Traje verde Vitalidade, frescor Chifres e cristal Alegria de viver, conexão com Todo Solas das botas direcionadas para cima Leveza Cálice na mão direita emborcado para baixo, fogo na esquerda União de opostos (cálice = Elemento Água) Uvas Mel da vida, êxtase Arco-íris, que circunda a cabeça Ponte entre céu e a terra, êxtase da consciência Três espirais ovais e circulares ligadas umas às outras Potencial evolutivo em três planos Espiral com crocodilo e tigre Forças arcaicas, natureza instintiva Espiral com laço em forma de coração O nível mais alto e sublime do coração Espiral com crianças gêmeas e flor azul Natureza alegre e ingênua, despreocupação paradisíaca Pomba, abutre (asa azul), sol alado e borboleta Símbolos de transformação que representam os ciclos de vida e morte Sol no chacra básico Potência criadora Ouros com símbolos astrológicos Materialização dos princípios originais Cabala: Aleph a Boi, relha do arado Astrologia: Elemento Ar M Leveza, despreocupação *N.T.: A expressão "O louco de Abril" representa a irreverência das brincadeiras no "1º de abril". ASPECTOS GERAIS: Potencial original, caos criativo, despreocupação. novo começo, partida para desconhecido, liberdade concedida pela loucura. leviandade. VIDA PROFISSIONAL: Começar do zero, brincar com as mais diversas possibilidades, pausa produtiva, estar aberto para novas atividades, inexperiência profissional, planos caóticos, falta de responsabilidade. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tornar-se consciente da abundância quase ilimitada de suas possibilidades, fazer um brainstorming. RELACIONAMENTO: Vontade de curtir a vida, descontração, paquera, convivência afetuosa, encontro novo e revigorante, relacionamento aberto, experimentar. ENCORAJA A: Experimentar algo novo de uma forma descontraída e divertida. ALERTA SOBRE: Circunstâncias caóticas e frivolidade exacerbada. COMO CARTA DO DIA: Você deve hoje estar aberto a tudo. Passe dia da forma mais descontraída possível, não leve nada muito a sério e encare até os "acontecimentos mais insólitos" com uma divertida curiosidade. Quanto menos você se prender a idéias às quais está habituado e às experiências já testadas e comprovadas, mais excitante e 215
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    incomum será seudia. Caso chegue à conclusão de ter hoje de recomeçar um determinado assunto do zero, então ouse um começo incomum, mais despreocupadamente possível. Permita-se, ao menos uma vez, um pouco de "loucura"! COMO CARTA DO ANO: Este ano pode entrar para a história da sua vida como "significativo Ano Zero", no qual acontecerá um novo começo essencial. Tome consciência das muitas possibilidades que este mundo oferece àquele que esteja aberto a elas. Viva os próximos 12 meses como em uma eterna primavera. Dê férias por um ano — com todo respeito — à seriedade demasiada e à comprovada experiência de vida e tente encarar a vida com admiração e sem preconceitos. Deixe-se conduzir por sua curiosidade. Siga caminhos instintivamente, sem saber para onde eles levarão. Assim, você terá a chance de viver, no melhor sentido, algo excitante, libertando-se de uma normalidade cinzenta e de uma rotina desanimada. Em vista da despreocupação e da alegria de viver brincalhona do LOUCO. você poderá. ao final deste ano. até se sentir mais jovem do que se sente hoje. 01- O MAGO Símbolos Significado Malabarista que se equilibra na montanha do inconsciente Concentração e destreza intelectual inspirada Tornozelo com par de asas Conhecimento que dá asas Caduceu que vem das profundezas, com disco solar alado sobre a cabeça A força solar mental mais elevada, que ascende do inconsciente, consciência da totalidade Triângulo lilás-claro Transcendência translúcida Fazer malabarismo com os Quatro Elementos Leveza, segurança nas suas relações com a realidade Moeda Elemento Terra = ação Espada Elemento Ar = intelecto Tocha Elemento Fogo = força de vontade Cálice Elemento Água = sentimento Ovo alado Quinto Elemento = Quintessência Cetro com cabeça de fênix Poder, força auto-regeneradora Flecha voando Sede de conhecimento Pergaminho Ciência Macaco ameaçador Natureza instintiva, impulsividade Cabala: Beth b Casa Astrologia: Mercúrio E Habilidade, inteligência ASPECTOS GERAIS: Impulso inicial, atividade, poder de resolução, força de vontade, concentração, vitalidade, maestria, auto-realização, capacidade de imposição, destreza, perspicácia. VIDA PROFISSIONAL: Tomar iniciativa, realizar tarefas com maestria, demonstrar concentração e habilidade, ter êxito, passar em provas, negociar com agilidade e esperteza, ludibriar os outros. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Conscientização profunda, penetrar no consciente da totalidade. RELACIONAMENTO: Fascinação, força de atração, solucionar problemas com competência, dar primeiro passo, aceitar a si e aos outros. ENCORAJA A: Confiar em suas próprias capacidades e solucionar uma situação com habilidade. ALERTA SOBRE: Querer forçar algo a todo custo. COMO CARTA DO DIA: "Quem, se não você? E quando, se não agora?" é lema do 216
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    dia. Não hesiteem tomar a iniciativa. Você possui uma autoconfiança salutar, sabe que quer e pode, com a concentração necessária, alcançar habilmente seu objetivo. Você conseguirá realizar as suas tarefas com maestria. Hoje é dia ideal para tomar iniciativas ou para colocar as suas habilidades à prova. Mostre do que você é capaz, mantenha-se ágil e seguro nas conversas e nos negócios, e assim conseguirá conquistar os outros para os seus propósitos facilmente. COMO CARTA DO ANO: Este ano promete ser para você extremamente bemsucedido. Você tem tudo nas mãos para fazer dele uma verdadeira obra-prima. Você poderá alcançar novos ápices em áreas com as quais está familiarizado, ou buscar novos pontos de interesse ou novas atividades, que lhe trarão satisfação e realização futuras. Com certeza, aparecerão também boas oportunidades para solucionar velhos problemas.Você não deve de jeito nenhum se menosprezar ou deixar que façam de tolo. Em vez disso, mostre do que você é capaz e tome a iniciativa, onde quer que seja necessário. Participe ativamente do desenrolar deste ano, prove que você tem um espírito empreendedor. Você possui agora a habilidade necessária, impulso certo e as melhores cartas para alcançar as suas metas, sejam elas na sua vida profissional ou particular. Qualquer coisa que você faça, terá boas perspectivas de tornar-se um sucesso! II - A ALTA SACERDOTISA Símbolos Significado Figura feminina coberta com um véu Mistério, sabedoria oculta, inconsciente Arco, curvado em forma de trompas de Falópio Fertilidade, energia procriadora Arco, que ao mesmo tempo é um instrumento de cordas Força inspiradora, sedução, aliciação Arco e flecha como arma Proteção contra intrusos indesejáveis Véu prateado com textura quadriculada Feminilidade em estado puro, encobrimento do mistério, padrão de sentimentos Coroa de raios de luz em forma de meias-luas voltadas para cima Disposição receptiva, chave para a verdade, conhecimento intuitivo Sete meias-luas e coroa lunar Sete esferas planetárias, que conduzem à visão do supremo A lemniscata (oo) na frente dos olhos Contemplação do Eterno Flores, frutos, cristais, camelo Fertilidade, abundância, mundo das estruturas, matéria Cabala: Gimel g Camelo Astrologia: Lua W Inconsciente, ânimo, premonição, sonho, sagacidade ASPECTOS GERAIS: Guia interior, sabedoria, intuição feminina, visões, fantasia, mistério, disposição passiva, ser guiado. VIDA PROFISSIONAL: Atividades terapêuticas, aptidão mediúnica e inspiradora, segurança instintiva. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão da mensagem dos sonhos, profundidade, vivenciar experiências espirituais. RELACIONAMENTO: Atração profunda, união espiritual, compreensão, confiança mútua, deixar-se encontrar, disposição passiva. ENCORAJA A: Confiar na sua voz interior. ALERTA SOBRE: Deixar-se levar passivamente e simplesmente esperar por um milagre. COMO CARTA DO DIA: Deixe que dia de hoje venha tranqüilamente ao seu 217
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    encontro e observe,sem nenhuma intenção ou expectativa, que acontecerá. Deixe que os acontecimentos se desenrolem e só interfira neles quando a sua voz interior lhe disser que faça. Caso os seus afazeres permitam, observe hoje tranqüilamente que se passa em você, quando não está em atividade. O que passa por sua cabeça? Do que você sente necessidade subitamente? Não precisa para isso se obrigar a ficar parado; siga apenas os seus impulsos interiores. Você se surpreenderá com quão intenso e satisfatório será esse dia, aparentemente ocioso. Preste atenção aos seus sonhos em especial, pois eles podem lhe transmitir informações valiosas. COMO CARTA DO ANO: Você tem pela frente um ano cheio de mistérios. Se estiver disposto a deixar-se conduzir, você vivenciará não somente experiências enriquecedoras e inesquecíveis, como também entrará repetidas vezes em contato com forças ocultas; com a realidade por trás da realidade. Confie na sua intuição. Preste atenção à sua voz interior, que conduzirá na hora certa a lugares e pessoas que serão importantes para você no momento. Principalmente se estiver acostumado a ter na vida uma postura ativa e determinante, e não passiva e receptiva, você vivenciará este ano de ócio, após uma curta fase de adaptação, como um período muito satisfatório e extremamente fascinante. Talvez você possa começar a anotar os seus sonhos em um diário para, com passar do tempo, compreender cada vez melhor as mensagens e as sugestões do seu inconsciente e poder transpô-las para seu cotidiano. 03 - A IMPERATRIZ Símbolos Significado Figura de uma mulher trajada com um vestido verde e rosa, com uma coroa lunar verde e uma cruz que simboliza soberania Mãe Natureza, união com a terra, soberania terrena Cinto decorado com signos do zodíaco Senhora das estações do ano Colunas do trono em forma de chamas azuis A água original, da qual surgiu a vida Posição do tronco e dos braços Símbolo alquímico do sal P Abelhas no traje cor-de-rosa Dedicação, fertilidade, pureza Meias-luas crescente e decrescente Ciclo da vida de nascimento e morte Cetro em forma de um lótus na mão direita Criatividade feminina, vitalidade e beleza que desabrocham do colo feminino Mão esquerda aberta Receptividade, entrega Pardal nas costas da Imperatriz Sensualidade latente Posicionamento e olhar para pomba Caráter pacífico Escudo com águia dupla branca Consciência feminina lunar Cabala: Daleth d Portal Astrologia: Vênus R Sensualidade, abundância e deleite ASPECTOS GERAIS: Crescimento, potencial criativo. força intuitiva, inovações, gravidez, nascimento, solicitude. VIDA PROFISSIONAL: Atividade criativa, boas chances de crescimento e desenvolvimento, transformações profissionais, senso apurado para as tendências e ciclos nos negócios, criação de novos conceitos, cuidar com carinho do que lhe foi confiado. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ter uma visão do eterno ciclo de nascimento e morte. RELACIONAMENTO: Desenvolvimento intenso, sensualidade benéfica. profunda confiança, aumento da família, proteção e aconchego. perspectivas novas e boas, reativação de um vínculo antigo. 218
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    ENCORAJA A: Confiarna capacidade de crescimento da vida e estar aberto a mudanças. ALERTA SOBRE: Não se deixar levar por processos desenfreados e não desperdiçar as oportunidades. COMO CARTA DO DIA: Alegre-se pelo dia de hoje. Ele promete ser extremamente excitante. Talvez você seja levado para ar livre, onde espírito e a alma possam se revigorar. Porém, também no seu cotidiano soprará um vento estimulante que trará idéias criativas e impulsos frutíferos. Algo que já vem crescendo há muito tempo dentro de você pode hoje vir à tona, e que estava até agora estagnado receberá um impulso forte de crescimento. O que você iniciar hoje tem boas perspectivas de desenvolver-se magnificamente, pois seu excelente senso de compreensão dos processos naturais de desenvolvimento conduzirá. instintivamente. a fazer o que é certo. COMO CARTA DO ANO: Você está diante de um ano fértil. Os próximos 12 meses estarão sob signo das transformações criativas e chances favoráveis de crescimento. Prepare bem seu terreno, para que você possa fazer uma colheita farta no final. O momento é favorável para começos promissores, nos quais que importa é se expressar mais e utilizar melhor as suas capacidades. Abra-se a impulsos estimulantes e fecundantes, , quais tornarão a sua vida mais rica e mais bela. Inclusive, algo que você vem "gerando" dentro de si há muito tempo agora pode se concretizar e lhe proporcionar uma nova realização. Tenha confiança na força auxiliadora e curativa da Natureza. 04 - O IMPERADOR Símbolos Significado Figura majestosa de um homem em trajes vermelhos bordados de dourado Força, atividade, autoridade, magnificência, poder Pernas cruzadas e, acima destas, braços e tronco formando um triângulo Símbolo alquímico do enxofre Q, energia masculina Abelhas douradas no traje Dedicação, senso de disciplina, realeza (atributo do Faraó) Cetro com cabeça de carneiro Legitimação de autoridade, poder e desejo de imposição, coragem Globo imperial com Cruz de Malta Poder consolidado, direito e disciplina como condições para paz e segurança Coroa com diamantes Cristalização da vontade e poder Cabeças de carneiro Alusão à associação dessa carta com Áries Escudo com águia dupla Consciência solar e masculina Dois discos solares com estrelas Retidão, continuidade Cordeiro com bandeira da vitória Vitória da humildade Lírios dourados Atributo do poder Cabala: Tzaddi x Anzol Astrologia: Áries a Capacidade de imposição, vontade ASPECTOS GERAIS: Senso de realidade. disposição para assumir responsabilidades, energia, segurança, continuidade, liderança, retidão de caráter, senso prático. VIDA PROFISSIONAL: Estabilidade e estruturas claras, consolidação, realização de planos, desenvolvimento de projetos com clareza, posição de liderança, disciplina e perseverança, perfeccionismo. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Valorizar tanto estruturas organizacionais como também raciocínio lógico e realista. RELACIONAMENTO: Acordos claros, fundamento estável, estruturas no relacionamento de eficácia já comprovada, relações ordenadas, realização de objetivos 219
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    comuns. ENCORAJA A: Realizarintenções e planos com perseverança. ALERTA SOBRE: O perigo de sufocar a vitalidade por causa de uma sobriedade e um perfeccionismo exagerados. COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve executar as suas tarefas com coerência. Comece agora algo que tenha de ser realizado ou que você gostaria de já ter feito há muito tempo, independentemente do que seja.Você possui agora a energia suficiente, a habilidade e a coerência necessárias para colocar as coisas em ordem, esclarecer dúvidas e concluir tarefas inacabadas. Caso não lhe ocorra nenhuma idéia concreta sobre que você deve fazer. talvez seja apenas caso de arrumar a sua casa a fundo, consertar a sua bicicleta ou pagar contas antigas. COMO CARTA DO ANO: Você tem pela frente um ano de ação. Idéias que você tenha até agora maquinado, coisas que você venha há tempos desejando e intenções que você já tenha talvez manifestado várias vezes serão postas à prova de viabilização. Concretize que é viável e elimine todo peso desnecessário. Nos próximos 12 meses, você agirá com mais disciplina, perseverança e coerência do que em outras épocas. Analise quais metas você realmente gostaria de alcançar e de que forma gostaria de aproveitar essa fase. "Perseverança maleável" é lema mágico que lhe possibilitará seguir fio da meada, até que possa concretizar seus propósitos. A sua tarefa para este ano pode consistir, evidentemente também, em tomar decisões com as quais você se comprometa, em defender que já foi alcançado, em definir limites claros ou assumir mais responsabilidade com relação a si mesmo. 05 - O HIEROFANTE Símbolos Significado Hierofante Certeza da fé, sabedoria Feições como se fossem uma máscara Crenças enrijecidas, rituais mortos Janela com pétalas de rosas Transcendência translúcida Serpente sobre a cabeça Sabedoria, cura Pomba Espírito Santo, iluminação Báculo com três anéis Unificação do passado, presente e futuro Três pentagramas contidos uns dentro dos outros Incorporação do homem na estrutura cósmica Osíris dentro do grande pentagrama Atual Era de Osíris39 Mulher com espada e meia-lua dentro do pentagrama do meio A Era de Ísis," que existiu há mais de 2 mil anos Hórus como criança dentro do pentagrama menor O despontar da Era de Hórus39 Quatro Querubins nos quatro cantos Portadores do Altar Divino Elefante e Touro Perseverança, sensatez Cabala: Vau v Prego Astrologia: Touro s Tradição e solidez ASPECTOS GERAIS: Confiança, busca da verdade, percepção do sentido das coisas, força persuasiva, virtude, expansão da consciência, força da fé. VIDA PROFISSIONAL: Atividade que tenha um sentido, seguir uma vocação. ética de trabalho elevada, ensino, aperfeiçoamento, confiança nas próprias capacidades. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Passar por uma experiência profunda que leve à compreensão do sentido das coisas, desenvolver confiança em Deus, ampliar sua visão de mundo, exame de consciência. 220
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    RELACIONAMENTO: Confiança profunda,harmonia, declaração de amor, princípios morais sólidos, reconhecer e estimar sentido e valor do relacionamento. ENCORAJA A: Sair em busca de sentido e fazer algo significativo. ALERTA SOBRE: Presunção arrogante e uma mania dogmática de sempre ter razão. COMO CARTA DO DIA: Vá ao encontro do dia com uma confiança salutar em Deus. Você tem todos os motivos para estar confiante e, além disso, boas possibilidades de realizar ou vivenciar algo realmente significativo. Não se prenda a rituais enrijecidos e não dê ouvidos a frases ocas e promessas vazias. Saia em busca do que é realmente fundamental, de valores ocultos e intrínsecos, e não se deixe impressionar por aparências. Caso você caia em um conflito de interesses, tome uma decisão de tal forma que daqui a alguns anos você possa lembrar desse dia com a consciência tranqüila. COMO CARTA DO ANO: A questão agora é sentido. Se você já se perguntou várias vezes porquê de ter de fazer algo, ou para que serve isso tudo. então você terá, nos próximos 12 meses, tempo e oportunidade de encontrar uma resposta convincente. Para isso, você deve rever especialmente a validade dos seus princípios de fé. Não importa a quais dogmas, valores morais ou preconceitos — que talvez lhe tenham sido impostos na infância — você esteja preso. É chegada a hora de substituí-los por opiniões vivas e convincentes, correspondentes ao seu amadurecimento de vida. Indiferentemente se isso diz respeito a uma situação específica ou ao sentido da vida em si, neste ano você terá a possibilidade de reconhecer que lhe é realmente importante. Não se surpreenda se ao final deste ano você estiver com uma visão de mundo renovada e mais intensa. 06 - OS AMANTES Símbolos Significado Rei negro com coroa de ouro e leão vermelho Energia masculina consciente Rainha branca com coroa de prata e águia branca Energia feminina consciente Criança negra com clava na mão Masculinidade intrínseca e inconsciente Criança branca com ramalhete de rosas na mão Feminilidade intrínseca e inconsciente O rei e a rainha de mãos dadas União de opostos, amor Criança branca e criança negra tocam-se nas mãos Os pólos intrínsecos unem-se Também Lança Conquista, capacidade procriadora Cálice Capacidade de doação, franqueza Figura de cor violeta, encoberta, com as mãos estendidas de uma maneira protetora Santidade, poder sacerdotal, bênção divina Ovo órfico alado envolto por uma serpente Mistério da vida, começo de uma grande obra Cupido atirando uma flecha Anseio por unificação Lilith e Eva Feminilidade sombria e luminosa Abóbada de espadas Análise e decisão precisa Cabala: Zain z Espada Astrologia: Gêmeos d Opostos e intercâmbio ASPECTOS GERAIS: União, amor, transações arrojadas, decisões tomadas com coração, superação de diferenças, reunir detalhes. VIDA PROFISSIONAL: Sentir-se atraído por uma tarefa, juntar-se aos outros, capacidade de assumir compromissos, fusões nos negócios, fechar contratos, boa 221
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    cooperação. PLANO DA CONSCIÊNCIA:Reconhecer a relação entre as coisas. RELACIONAMENTO: Sorte no amor, casamento, reconciliação, encontrar parceiro dos seus sonhos, desejo de relacionar-se, envolver-se realmente, seguir coração e tomar uma decisão com clareza. ENCORAJA A: Juntar-se a outras pessoas e envolver-se em um projeto com todo coração. ALERTA SOBRE: O perigo de acreditar que início já seja a meta. COMO CARTA DO DIA: Tome hoje uma decisão arrojada, que pode dizer respeito a uma pessoa, uma coisa ou uma intenção. Caso você esteja até agora hesitante e cheio de dúvidas, dê férias à razão, ouça a sua voz interior e apóie seu coração. Analise quais as diferenças e contradições interiores devem ser superadas e que deve ser feito para unir outra vez que porventura esteja desunido ou desfeito. Nem sempre, quando se tira essa carta, acontece de encontrar-se um grande amor no próximo ponto de ônibus, mas às vezes isso ocorre de fato. COMO CARTA DO ANO: Neste ano, seu coração baterá mais forte. A causa disso talvez seja uma pessoa que você já conhece há muito tempo ou que tenha acabado de entrar na sua vida, uma tarefa que lhe dará satisfação ou talvez até uma experiência valiosa que fará seu coração transbordar. Seja lá como for, não se aproxime da situação sem entusiasmo; pelo contrário, diga "sim" do fundo de sua alma. Mesmo que você tenha condicionado a sua felicidade a outras pessoas e a fatores externos, você será capaz de reconhecer agora que caminho para uma profunda realização começa com a superação de resistências e contradições interiores. Faça um esforço para deixar as coisas claras. Isso lhe dará forças para ultrapassar as barreiras iniciais, afastar possíveis inconveniências, apaziguar conflitos e, no final, comemorar resultado à vontade. 07 - A CARRUAGEM Símbolos Significado Condutor da carruagem com armadura dourada em posição meditativa Força espiritual concentrada, orientação interior direcionada ao objetivo Caranguejo decorando o elmo Alusão à associação dessa carta com Câncer O Santo Graal em suas mãos voltado para a frente Franqueza, busca pela realização Rodas vermelhas da carruagem paradas Força de vontade presente, intenção de ação, prontidão Toldo azul apoiado em quatro colunas Firmamento sustentado pelas colunas da terra Círculos claros e concêntricos ao fundo Dinâmica do eterno movimento cósmico Centro do Santo Graal em frente ao centro (plexo solar) do condutor e em frente ao centro dos círculos ao fundo Sintonização entre os objetivos interiores, exteriores e cósmicos, direcionada a uma orientação comum Quatro esfinges, claras e escuras, com partes do corpo trocadas quatro vezes entre si Subdivisão dos quatro elementos em 16 subelementos, masculino/feminino Cabala: Cheth j Cerca Astrologia: Câncer f Seguir o seu próprio caminho obstinadamente ASPECTOS GERAIS: Atmosfera de partida, desejo de aventura, iniciativa, firmeza de propósito, vontade de impor-se. 222
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    VIDA PROFISSIONAL: Independência,visar a novos projetos, ambição, disposição de correr riscos, determinação, dar um salto na carreira, assumir novas funções. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Sintonizar-se internamente com um objetivo. RELACIONAMENTO: Novos relacionamentos, impulsos estimulantes, alinhar-se a um objetivo comum, dar um grande salto adiante. ENCORAJA A: Aproveitar imediatamente a oportunidade com determinação e objetividade. ALERTA SOBRE: Acreditar que tudo se resuma à partida. COMO CARTA DO DIA: Hoje, é chegada a hora de dar a largada. Você não precisa mais esperar. Concentre-se no seu objetivo e avalie mais uma vez se você reuniu tudo o que é necessário, para que ao longo do caminho não falte nada importante ou que você não perca de repente a energia. Porém, se você não estiver preparado de jeito nenhum para um salto ou nem sequer tiver pensado em uma partida, prepare-se então para ver para qual pista de decolagem esse dia irá levá-lo. Pois alguma coisa irá, com certeza, decolar hoje. COMO CARTA DO ANO: Atreva-se agora dar um grande salto, deixe-se levar por uma aventura. Este ano está sob o signo de um novo começo promissor. No final dele, você estará encarando a vida com mais autoconfiança e independência. Se você estiver pensando em ir atrás de um grande objetivo, em fugir de uma situação sufocante ou em superar barreiras pessoais, em breve será dado o tiro de largada. Até lá, avalie novamente as suas motivações e a clareza do seus objetivos pessoais. Direcione-se então para a ação, sem hesitar, de maneira concentrada, decidida e determinada. Você tem ótimas chances de alcançar o que se encontra à sua frente e, dessa forma, trazer mais vitalidade e impulsos estimulantes para o seu cotidiano. 08 - O AJUSTAMENTO Símbolos Significado Figura feminina na ponta dos pés Equilíbrio interior, concentração profunda, autocontrole Coloração verde-azulada Sabedoria e contemplação Máscara Atenção direcionada para o interior Espada com punho em forma de meia-lua Discernimento instintivo Pratos da balança equilibrados com as letras Alpha e Omega Harmonia entre polaridades Correntes que seguram os pratos da balança Elos que tornam visível o princípio da causa e do efeito Coroa com penas de avestruz Justiça divina Trono formado por quatro pirâmides pontiagudas e oito esferas Limitação, lei, equilíbrio entre o redondo (feminino) e o reto (masculino) Círculos nos quatro cantos de onde saem raios Equilíbrio entre luz e escuridão Cabala: Lamed l Braço estendido Astrologia: Libra j Equilíbrio, objetividade ASPECTOS GERAIS: Objetividade, clareza, equilíbrio, justiça, carma, compreensão sóbria, ter responsabilidade por si mesmo, autocrítica. VIDA PROFISSIONAL: Arcar com as conseqüências, ter clareza sobre os seus objetivos profissionais, boa capacidade de julgamento, contas equilibradas, contratos justos, colher o que se semeou. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a nossa própria responsabilidade em tudo o 223
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    que vivenciamos. RELACIONAMENTO: Igualdade,acordos justos, relacionamento equilibrado, parceria motivada por interesses comuns, relacionamento comercial. ENCORAJA A: Analisar algo com objetividade e sobriedade e reconhecer a sua própria responsabilidade na situação. ALERTA SOBRE: Tornar-se incapaz de agir, de tanto ponderar. COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve manter a cabeça fresca. Caso haja um conflito ou uma decisão que precise ser tomada, mantenha uma atitude justa e considere as conseqüências dos seus atos a longo prazo. Você poderá hoje também se confrontar com as conseqüências de uma situação do passado. A depender da forma como você agiu naquela época, hoje poderá alegrar-se sobre um resultado ou encarar o dia com uma sensação de mal-estar. COMO CARTA DO ANO: Este ano é decisivo. Por isso, tome o tempo que for necessário para esclarecer assuntos importantes e tomar decisões equilibradas, responsáveis, justas e a longo prazo. De resto, dependerá apenas de você como estes próximos 12 meses serão vividos. Mais precisamente, você é o responsável direto pelo que acontecerá, pois colherá o que plantar agora. Isso pode ser bastante enriquecedor, porém também extremamente desagradável, a depender da forma como você tenha agido no passado. Caso realmente tenha de se confrontar com conseqüências desagradáveis e fardos do passado, aproveite também essa oportunidade. Corrija o que deu errado antes, para poder ter paz no futuro. 09 - O EREMITA Símbolos Significado Um homem velho, curvado, de perfil Voltar-se para dentro de si, recolhimento interior, concentração no que é essencial Túnica vermelha Coragem, força Cabelo branco Maturidade, sabedoria, iluminação Diamante iluminado contendo o sol Luz da compreensão Cérbero, o cão do Inferno, de três cabeças, domesticado O mundo das sombras integrado à personalidade Campo de trigo Natureza viva Ovo de onde surgiu o mundo envolvido por uma serpente Origem de todas as coisas, mistério da criação Espermatozóide Impulso procriador, potencial vital Pirâmide de raios Visão espiritual, libertação espiritual, iluminação Cabala: Yod y Mão Astrologia: Virgem h Exatidão, confiabilidade, ascese, concentração, colheita ASPECTOS GERAIS: Concentração no que é essencial, orientação, clausura, seriedade, recuo, examinar as coisas a fundo, experiência de vida. VIDA PROFISSIONAL: Projetos amadurecidos, apostar em objetivos que já foram comprovados, reconhecer a sua verdadeira vocação, seguir o seu próprio caminho, retirar-se da vida profissional, transmitir experiências. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Conhecer-se e ser fiel a si mesmo. RELACIONAMENTO: Agir com seriedade, ter uma atitude madura, ser fiel a si mesmo em vez de assumir compromissos duvidosos. Afastar-se temporariamente para ponderar sobre o relacionamento ou tomar conscientemente a decisão de ficar solteiro. ENCORAJA A: Deixar algo amadurecer e levar-se a sério. ALERTA SOBRE: Amargura, esquisitices excêntricas e alienação à realidade. 224
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    COMO CARTA DODIA: Este dia lhe pertence. Dedique-se bastante tempo e não se deixe contagiar pela correria do dia-a-dia. Porém, se você tiver de se dedicar a algum assunto, faça-o com total atenção, sem se deixar pressionar ou influenciar pelos outros. Caso tenha de tomar uma decisão importante, deixe que o assunto amadureça até que você chegue a um posicionamento próprio e inequívoco. Meditar, dar um longo passeio a pé ou simplesmente contemplar um lago pode ajudá-lo a chegar a uma conclusão. COMO CARTA DO ANO: Agora o negócio vai ficar sério! Porém, no melhor sentido da expressão. Este ano que você tem à sua frente será de introspecção, no qual o que importa é ocupar-se seriamente consigo e com o mundo, para descobrir o que você verdadeiramente quer. Aproveite essa fase para repensar a sua vida. Analise até que ponto o conteúdo e a estrutura externa na sua vida profissional e particular ainda correspondem à sua essência e à sua maneira de ser. Quando não for o caso, tente descobrir o que deve ser modificado. Geralmente esse tipo de discernimento não é fácil de ser feito, mas você tem o ano inteiro para isso. Alguns dias de recolhimento em silêncio, por exemplo, em um convento, em uma ilha ou qualquer outro lugar afastado, favorecem essas percepções. De qualquer forma, você não deve entender mal essa carta e temer que tenha de passar o ano inteiro sozinho e solitário. O significado do EREMITA é ser autêntico e fiel a si mesmo, justamente também quando se está em contato com outras pessoas. 10 – A RODA DA FORTUNA Símbolos Significado Roda com dez raios Estrutura, tempo e espaço, regularidade do nascimento e morte, perfeição Roda celestial sem raios Eternidade, relógio do destino cósmico, ciclo perpétuo Estrelas amarelas Símbolo celestial, esperança Raios Forças divinas, que podem atuar tanto de uma forma fecunda quanto destrutiva Fundo violeta Santidade, autoridade divina Três figuras em cima da roda Nascimento-vida-morte Criatura com cabeça de macaco (Hermanubis) que se esforça para subir Forças construtivas, espírito criativo, nascimento Esfinge com espada Criação, totalidade, vida Criatura com cabeça de crocodilo (Tífon) pendurada para baixo Forças aniquiladoras e destrutivas, morte O Ankh e o bastão curvo nas mãos de Tífon Símbolo da vida e símbolo de poder Redemoinho de energia ao fundo O efeito abrangedor da roda que gira por si mesma Cabala: Kaph k Palma da mão Astrologia: Júpiter Y Sorte, abundância, crescimento ASPECTOS GERAIS: Transformações, mudanças, recomeço, sorte, acontecimentos determinados pelo destino, missão na vida. VIDA PROFISSIONAL: Ser guiado pelo destino, encontrar a sua vocação. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão e aceitação de forças que são maiores que o ego humano. RELACIONAMENTO: Desenvolvimento satisfatório no relacionamento, vínculo cármico, encontrar o parceiro certo, encontros marcados pelo destino, oportunidade de compreensão do padrão de relacionamento. 225
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    ENCORAJA A: Reconhecero seu destino e fazer dele a sua missão de vida. ALERTA SOBRE: Resignação fatalista ao destino. COMO CARTA DO DIA: Existem dias nos quais temos de enfrentar situações e tarefas inevitáveis. Se você hoje tiver a impressão de que determinadas coisas simplesmente tomam um rumo próprio, não lute contra isso. Parta do princípio de que tudo tem a sua razão de ser, mesmo que o sentido esteja, no momento, oculto para você. Existem boas chances de tudo isso se revelar um caso de sorte no futuro. COMO CARTA DO ANO: Este ano trará sorte. O "x do problema" é que nem sempre compreendemos imediatamente o que nos faz bem; por isso, às vezes o destino precisa forçar-nos à nossa própria sorte. Como você vivenciará o tempo que está por vir, dependerá inteiramente da sua disposição em estar aberto ao aceno do destino. O sentido por trás disso tudo diz respeito a um caminho que corresponde à essência profunda do seu ser, porém que não é necessariamente como você imagina. Disso pode surgir um dilema. Nós sofremos por algo se desenrolar de uma forma diferente do que nós imaginávamos, e não reconhecemos que essa experiência era exatamente o que faltava para a nossa felicidade, por corresponder profundamente à nossa essência. Seria bom se você sondasse, com a ajuda da Astrologia, do Tarô ou do I Ching, a qualidade do tempo nos próximos meses, para descobrir em qual área da sua vida você deverá estar aberto para essas mudanças. 11 – A FORÇA Símbolos Significado Mulher nua de cabelos ondulados, recostada lascivamente Êxtase sexual, paixão, entorpecimento, embriaguez divina, prazer em viver Animal de sete cabeças semelhante a um leão Impulso animal, instintividade, vitalidade, selvageria Cálice de fogo em brasa (útero) do qual emanam raios de luz e serpentes Energia sexual, vitalidade, morte e renascimento, destruição e renovação Estrelas e rostos de santos no fundo violeta Valores morais pisoteados A Besta 666 Animal, mulher, estrelas caídas e santos pisoteados extraídos do Apocalipse de João, o qual descreve o Anticristo como a Besta 666, com a qual Crowley se identificava. Cabala: Theth f Cobra Astrologia: Leão g Alegria de viver, vitalidade, coragem ASPECTOS GERAIS: Coragem, vitalidade, prazer em viver, intensidade, paixão, destemor. VIDA PROFISSIONAL: Ânimo para o trabalho, engajamento, disposição para correr riscos, capacidade produtiva, motivação intensa, criatividade. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Enfrentar a sua fera interior e domá-la carinhosamente. RELACIONAMENTO: Relação intensa, ligação apaixonada, fascinação, excessos sexuais e excessos em geral. ENCORAJA A: Entregar-se apaixonadamente a uma pessoa, a uma tarefa ou a uma experiência. ALERTA SOBRE: O perigo de seguir somente o princípio do prazer e passar por cima dos valores alheios. COMO CARTA DO DIA: Hoje será um dia agitado. Você se sentirá com vitalidade, repleto de energia e tão cheio de vontade de viver que não deverá se surpreender se for arrebatado por uma paixão. Isso não significa que você deva sair por aí tomando parte de alguma orgia, mas pode permitir-se uma maior dose de animação. Se você 226
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    compartilhar esse prazercom outra pessoa ou empregá-lo em um processo criativo, poderá apreciar intensamente os seus aspectos fervilhantes e unificadores. Devido à sua energia e ao seu brilho intenso, você hoje superará obstáculos brincando e passará uma imagem atraente e convincente para as outras pessoas. COMO CARTA DO ANO: Este é um ano de paixões. Você pode sentir-se irresistivelmente atraído por alguém, entregar-se a uma tarefa de corpo e alma ou comprometer-se com determinado assunto. De qualquer maneira, você deve aproveitar essa força estimuladora e criativa para libertar-se de restrições sufocantes e estruturas ultrapassadas. Porém, não se surpreenda se, ao fazer isso, você entrar em conflito com princípios morais que até então lhe pareciam incontestáveis. Caso isso aconteça, avalie se se trata de valores verdadeiros ou apenas de formalidades vazias, das quais seria melhor libertar-se agora. Agindo assim, você poderá tornar este ano, no verdadeiro sentido da palavra, repleto de prazer. 12 – O ENFORCADO Símbolos Significado Figura nua, pendurada de cabeça para baixo Impotência, posição de sacrifício, entrega incondicional Pendurado pelo pé esquerdo Ter caído inconscientemente nessa situação Pernas cruzadas Realidade terrena Braços fazem alusão a um triângulo Divindade Cruz sobre triângulo O Terreno sobre Divino, mundo às avessas, escurecimento da luz Cabeça calva sem feições Crise de identidade, perda do ego Ankh com serpente da vida Pólo da vida, fio da vida Fundo verde-brilhante Um fio de esperança Serpente preta da morte abaixo da cabeça Pólo da morte, entregar-se ao inevitável Figura pendurada de cabeça para baixo entre as serpentes Estar dividido entre dois pólos distintos Grade azul quadriculada Forma de viver limitada, estruturas de pensamento pouco inteligentes e compulsivas Discos verdes Misericórdia, salvação Cabala: Mem m Água Astrologia: Elemento Água N Entrega, espiritualidade ASPECTOS GERAIS: Desgastar-se entre dois pólos, dilema, prova de paciência, impotência, beco sem saída, aprendizado involuntário, crise de vida, pausa forçada, ter de fazer sacrifícios. VIDA PROFISSIONAL: Trabalhos cansativos, falta de sucesso, planos arrastados, procura de trabalho que parece ser inútil, falta de perspectivas futuras, estar imobilizado sem saber que fazer para prosseguir. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Estar dividido entre contradições e reconhecer a saída em uma mudança de direção. RELACIONAMENTO: Crise no relacionamento, esforços inúteis, mover-se em círculos, estar preso a um dilema do qual apenas se pode sair por meio do sacrifício de algo que até momento é indiscutível. ENCORAJA A: Dar uma virada e abrir-se a novas percepções. ALERTA SOBRE: Resignar-se, desistir de si mesmo ou persistir em algo obstinadamente por puro hábito. COMO CARTA DO DIA: Hoje a sua paciência vai ser colocada à prova. Talvez algo 227
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    que já estejaemperrado há muito tempo continue a ser protelado ou algo com qual você não contava, empaque repentinamente. Não tente solucionar problema à força. Dessa forma, você iria somente atrapalhar ainda mais. Talvez seja suficiente apenas mudar a sua perspectiva para enxergar a situação sob um prisma completamente diferente. Se isso também não ajudar, você terá, quer queira ou não, de fazer algum sacrifício para que as coisas voltem a fluir. COMO CARTA DO ANO: Deixe que este ano se transforme em um ano de transição na sua vida. Você está perdido em um beco sem saída, e precisa, querendo ou não, retornar. Ainda que você se sinta preso e impotente a uma armadilha, não se deixe abater, senão entrará em uma crise ainda mais profunda. Tentar mudar a situação à força, tampouco ajudará. E como se você estivesse em areia movediça: quanto mais você se debater, mais afundará. Para que as coisas voltem a se movimentar, você precisará de muita paciência, de disposição para sacrificar velhos hábitos e de determinação para contemplar problema com uma atenção especial, tempo que for necessário, até que subitamente a solução se torne clara. Isto é, na verdade, bem simples. Pois, afinal, todas as soluções são simples, depois que nós finalmente as encontramos. 13 - A MORTE Símbolos Significado Esqueleto preto, que corta as linhas da vida com uma foice Transitoriedade, fim, renúncia Coroa de Osíris, deus egípcio dos mortos Morte e renascimento Posição dos ossos da perna em forma de portal Portal para uma vida nova Bolhas ascendentes contendo figuras azul-claras dançando Ascendência para uma vida nova Escorpião Alusão à associação dessa carta com Escorpião, símbolo da morte e do nascimento Flores de lótus e lírios murchos Transitoriedade, processo de formação do húmus como condição para surgimento de uma nova vida Peixe e serpente Morte e ressurreição Águia Transformação, libertação, superação da matéria Cabala: Nun n Peixe Astrologia: Escorpião k Transformação, morte e nascimento ASPECTOS GERAIS: Despedida, fim natural, medo da vida, agarrar-se a algo inutilmente, ter de desprender-se, renúncia. VIDA PROFISSIONAL: Término de uma atividade profissional, ter cumprido seu trabalho, enterrar objetivos e projetos profissionais, aposentadoria. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Confrontar-se com a sua própria efemeridade. RELACIONAMENTO: Fim de um relacionamento, inicio de uma mudança fundamental no relacionamento, despedida, medo da perda, sentimentos mortos. ENCORAJA A: Desprender-se, deixar que algo chegue ao fim. ALERTA SOBRE: Dar passos que não levam a futuro algum. COMO CARTA DO DIA: Hoje algo chegará ao fim. Alguma coisa acabará ou perderá prazo de validade. Talvez você esteja contente que "isso" tenha finalmente acabado, porém talvez seja difícil desprender-se de algo que provavelmente tenha significado muito para você no passado. De qualquer forma, você pode acreditar que é chegada a 228
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    hora de dizeradeus. Não tente preservar algo que já tenha acabado. Quando você realmente tiver se desprendido, irá se sentir finalmente livre e aliviado, mesmo que isso no momento pareça difícil de imaginar. COMO CARTA DO ANO: Este ano pode significar um momento decisivo na sua vida. E chegada a hora de dizer adeus a tudo que já tenha acabado ou que tenha conteúdo e a forma desgastados, para abrir assim espaço para desenvolvimento de novos processos. Portanto. desprenda-se de tudo aquilo que você talvez há tempos já tenha percebido, que mesmo maior dos esforços não trará resultado. Deixe maus e nocivos hábitos definitivamente para trás e despeça-se de tudo que já não lhe faz bem. Quanto mais consciente e determinado você estiver para se libertar de estruturas ultrapassadas, mais rapidamente surgirá uma nova fase. Se essa experiência for acompanhada de uma despedida dolorosa ou medo do desconhecido, você deve encarálos de frente, sem tentar heroicamente reprimir ou menosprezar esses sentimentos humanos. 14 – A TEMPERANÇA Símbolos Significado Alquimista como uma pessoa de duas cabeças e dois sexos (andrógino) Junção das partes feminina e masculina, equilíbrio Corpo com vários seios Força nutriz Traje verde com abelhas Naturalidade, fertilidade Mistura do fogo (enxofre) com a água (mercúrio) A Arte Alquímica de unir os opostos Caldeirão dourado, com caveira e corvo Apodrecimento e morte como processos de fermentação necessários para uma vida nova Leão branco e águia vermelha A inversão da realidade "normal"40 Corrente de luz com as cores do arco-íris e seta que ascende do caldeirão Energia liberada, despertar do espírito, conhecimento que jorra para a superfície Arco solar com inscrição em latim: "Visita interiora terrae rectificando invenies occultum lapidem" A solução universal: "Visita interior da terra e, retificando, encontrarás a pedra oculta" Cabala: Samekh s Suporte, fundamento Astrologia: Sagitário l Força que impele na direção do Supremo ASPECTOS GERAIS: Encontrar a medida certa, equilíbrio de forças, harmonia, relaxamento, superação dos opostos, cura. VIDA PROFISSIONAL: Encerrar conflitos, cooperação agradável e produtiva, mover-se para a frente, dissolver contradições e resistências, encontrar equilíbrio entre trabalho e tempo livre. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Dominar as tensões interiores e encontrar a saída para um dilema aparentemente indissolúvel. RELACIONAMENTO: Harmonia verdadeira, relação tântrica, vínculo profundo, conciliação bem-sucedida de interesses, convivência com direitos iguais, "a mistura certa". ENCORAJA A: Dar melhor de si para superar contradições e diferenças. ALERTA SOBRE: Tomar cuidado para não subestimar a dificuldade do propósito e a dimensão do problema. COMO CARTA DO DIA: Você possui hoje a habilidade para realizar com sucesso 229
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    uma mistura extraordinária,uma criação notável. Você poderá unir pessoas, descobrir uma forma hábil de solucionar um problema ou criar uma receita requintada. Esse também é dia perfeito para iniciar um vínculo profundo, contornar uma situação incômoda ou dissolver tensões. COMO CARTA DO ANO: Este é ano da Grande Obra. Assim os alquimistas chamavam a união bem-sucedida de opostos. Caso você esteja vivenciando uma contradição torturante, sentindo-se dividido entre dois extremos, impotente e preso a um dilema ou duas almas dentro de seu peito que ameacem dilacerá-lo, você poderá encontrar de fato, neste ano, a solução que até agora parecia impossível, a mistura certa. A condição para esse artifício é a disposição de ir ao fundo quanto for necessário e não se prender a superficialidades, a coisas aparentemente evidentes e a convenções sociais. A libertação de um campo de tensão insuportável não é apenas um dos momentos mais felizes na vida, como também, muitas vezes, passo decisivo para a cura. Transforme este ano em uma grande obra de arte. 15 – O DIABO Símbolos Significado Bode com um sorriso e chifres espiralados e o terceiro olho Pá, o deus da natureza, o oniparente, natureza instintiva e impulsiva Coroa de flores de Lótus Identifica quem a usa como o filho do bem Testículos transparentes contendo sêmen com formas humanas Forças procriadoras, que descansam e amadurecem nas profundezas Raiz com forma semelhante a um falo, que desemboca em um anel azul, o colo da rainha do céu Seivas da vida, que ascendem das profundezas Bastão com um disco solar alado (que se encontra na carta do MAGO no lugar mais alto), que emerge das profundezas A Luz como filha das Trevas Textura acinzentada, como uma teia de aranha Grilhões do submundo, perfídia, perigo de envolvimento Cabala: Ayin u Olho Astrologia: Capricórnio v Signo da maior escuridão* durante o ano, o solstício de inverno** no qual o sol renasce. *N.T.: Na perspectiva do hemisfério norte, onde o livro foi escrito, o signo de Capricórnio está no período do inverno. **N.T.: No hemisfério sul, o solstício de verão ocorre durante o signo de Capricórnio, e o de inverno, durante o signo de Câncer, ao contrário do hemisfério norte. Essa perspectiva diferente não interfere, contudo, na interpretação dessa carta. ASPECTOS GERAIS: Sombra, impulsividade, excessos, cobiça, sede de poder, tentação, forças inconscientes. VIDA PROFISSIONAL: Atividades proibidas, corrupção, exploração, intrigas, manobras não transparentes, aproveitar-se de relações de dependência, negócios obscuros. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Confrontar-se com a sua própria sombra. RELACIONAMENTO: Paixão profunda, pacto de amor, ligação cármica, envolvimento emocional, magia do amor, fascinação, concupiscência, luta pelo poder, ódio, servidão, projeções. ENCORAJA A: Iluminar a escuridão. ALERTA SOBRE: O poder destrutivo de impulsos naturais quando são reprimidos. COMO CARTA DO DIA: Sem querer fazer com isso uma previsão assustadora, pode ser que você hoje se confronte com seu lado sombrio. Talvez se deixe seduzir a dar um passo impensado ou caia na tentação de agir contra seus princípios. Também podem vir 230
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    à tona sentimentossobre os quais você não fazia a mínima idéia ou talvez acreditasse já ter superado há muito tempo, como inveja, ciúme, avidez ou sede de poder. Aborrecerse ou colocar a culpa nos outros ajudará tão pouco quanto tentar controlá-los. Aproveite a oportunidade para iluminar a escuridão, tomando consciência de facetas que não agradam e pesquisando as suas motivações secretas. COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você deve arrumar seu porão. Ao fazê-lo, algumas coisas que você desconhecia virão à tona e outras, sobre as quais você tinha uma vaga idéia, irão tornar-se subitamente claras. Obviamente, "porão" aqui significa lado escuro do nosso ser, aquele que, de vez em quando, impele-nos a fazer coisas contrárias aos nossos princípios, e depois nos faz pensar que estávamos com diabo no corpo. Nos próximos 12 meses, você terá oportunidades suficientes para conhecer melhor esse seu lado sombrio. Tudo que você terá a fazer é parar de procurar por um bode expiatório e questionar a razão de se encontrar nessas situações endiabradas. Tome consciência da sua predisposição. Aprenda a conhecer os lados negativos e renegados do seu ser, pois, enquanto eles estiverem reprimidos, poderão aliar-se a forças externas e enfraquecê-lo. Dê a esses seres das sombras espaço devido e descubra onde e quando você poderá vivenciar essas tendências de maneira cautelosa e suportável no futuro. 16 – A TORRE Símbolos Significado Torre de pedra com grades nas portas e nas janelas Personalidade endurecida, consciência incrustada, conceitos rígidos de segurança, prisão Garganta do mundo das trevas expelindo chamas Transformação proveniente das profundezas Muros desmoronando Estruturas em rompimento, queda Figuras de formas angulares em queda Libertação ousada, ou possivelmente até perigosa, de almas enrijecidas pela prisão Olho de Shiva radiante Força destrutiva Pomba com ramo Salvação, nova esperança Abraxas, a serpente com cabeça de leão União entre a luz e as trevas, talismã Fundo negro Destruição, caos, infortúnio, escuridão Cabala: Pé p Boca Astrologia: Marte T Força guerreira, destruidora, abaladora ASPECTOS GERAIS: Compreensão súbita, transformação, ruptura, libertação, golpe do destino. VIDA PROFISSIONAL: Demissão, falência, mudança radical, demonstração de força. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer suas próprias idéias fixas e romper com noções ultrapassadas que se tornaram limitantes. RELACIONAMENTO: Separação repentina, explosão de sentimentos, rompimento de um vínculo limitante, tempestades purificadoras no relacionamento. ENCORAJA A: Romper com amarras limitantes. ALERTA SOBRE: Riscos e perigos imprevisíveis, que trazem consigo uma transformação radical. COMO CARTA DO DIA: Hoje não será, certamente, um dia monótono. Conte com uma surpresa que poderá ser vivenciada como algo positivo, ou como um distúrbio intenso que destruirá expectativas concretas. Mesmo que você se chateie ou sofra hoje, quando algo não correr como você esperava — que é perfeitamente compreensível —, mantenha em mente que essa carta indica rompimento com um ambiente sufocante ou a libertação de uma idéia fixa. No futuro, ao olhar para trás, você não lamentará que hoje 231
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    não deu certo. COMOCARTA DO ANO: Este ano que está à sua frente poderá se tornar ano da sua libertação, se você tiver a coragem necessária. Por isso, deixe que uma bomba caia e destrua os limites que se tornaram muito estreitos para você. Ouse romper com noções, estruturas ou formas de vida estreitas, que mantêm prisioneiro. Leve em consideração que, em situações nas quais você esteja resistindo a transformações, correndo atrás de idéias fixas ou agarrando-se a velhos hábitos, uma mudança no seu modo de pensar talvez seja necessária. Portanto, analise em que você está sendo parcial, olhando as coisas sob um prisma muito estreito ou a quais garantias aparentes você está agarrandose. Se você observar que disso surgem conflitos, desprenda-se desses conceitos; pois quanto mais você lutar por eles, com mais intensidade forças externas obrigarão a desistir. Não considere essas mudanças como um golpe do destino sem sentido, mas sim como uma correção de rumo necessária e uma ruptura decisiva para seu crescimento futuro. 17 – A ESTRELA Símbolos Significado Figura de mulher azulada nua Nut, a Senhora das Estrelas Cabelo comprido Vitalidade, inspiração, ligação entre Cosmos e a alma Cálices dourado e prateado Sol (espírito) e Lua (alma) como fontes da água celestial Água corrente Purificação, fertilidade, energia vital Esfera celeste com estrela de sete pontas Vênus, símbolo da força do amor Cor lilás-clara Inteligência cósmica Estrela grande com névoa em forma de espiral Estrela de Babalon, fonte de luz espiritual, amor divino Estrela azul pequena Amor terreno Cristais Proteção, energia curadora, clareza cristalina Rosas Amor, fertilidade Borboletas Renovação, leveza Cabala: Hé h Janela Astrologia: Aquário x Perspicácia, perspectiva ampla. visão ASPECTOS GERAIS: Boas perspectivas, esperança, confiança no futuro, harmonia, orientação superior. VIDA PROFISSIONAL: Projetos muito promissores, mudança de profissão, seguir a sua vocação, começo de uma carreira com grandes perspectivas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Profunda compreensão e confiança nas leis do Cosmo. RELACIONAMENTO: Ligação com boas perspectivas, planos para um futuro comum, encontro que traz muitas esperanças, amor inspirador. ENCORAJA A: Confiar na favorabilidade do momento e olhar com esperança para futuro. ALERTA SOBRE: Ocupar-se demais com futuro e, com isso, perder presente. COMO CARTA DO DIA: Alegre-se por este dia, pois ele será regido por uma boa estrela. Deixe-se inspirar por um sonho de futuro. O que for começado agora promete decorrer satisfatoriamente, mesmo a longo prazo, pois hoje você terá instinto necessário para enfrentar que virá pela frente. Caso não esteja planejando nada de novo, também valerá a pena restaurar algo antigo. Você se surpreenderá com que encontrará por baixo das camadas deixadas pelo tempo. As vezes, as lembranças 232
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    também nos conduzema novas visões. COMO CARTA DO ANO: Este ano encontra-se sob uma boa estrela, no melhor sentido da expressão. Faça planos para futuro e ouse agora um novo começo, no qual você aposte em metas a longo prazo. É chegado momento para novas esperanças e visões direcionadas para futuro, principalmente se você tiver acabado de passar por uma crise ou uma fase difícil. Isso não diz respeito apenas ao âmbito do amor e relacionamentos, mas principalmente a eles. Tire os velhos escombros do caminho, lave suas feridas com uma água curadora e observe a situação de um posto mais elevado, por assim dizer, pela perspectiva de um passarinho, por cima. Você verá quão agradável são as perspectivas e quão promissoras as possibilidades. Aproveite este ano também para uma purificação interior e para seu crescimento espiritual. Sintonize a sua vida em harmonia com a ordem cósmica. 18 – A LUA Símbolos Significado Duas torres de guarda negras Portal do medo, passagem estreita, portal para renascimento Caminho entre as torres Caminho que leva à totalidade Duas figuras com cabeças de chacal acompanhadas de cachorros negros Guardiões do umbral, vigias insubornáveis que só deixam passar aquele que não possui defeitos Escaravelho com Sol Ressurreição, despertar da consciência, nascer do Sol Montanhas azul-celeste Coxas da deusa do céu Nut que, por meio de sua vagina, dá à luz Sol todas as manhãs Meia-lua voltada para baixo Energias lunares maléficas, como alienação mental, obsessão Nove gotas de sangue em forma da letra hebraica y Yod Forças ambivalentes, que provêm da lua minguante Curvas oscilatórias no âmbito do inconsciente Sonhos como potencial criativo Cabala: Koph q Parte de trás da cabeça Astrologia: Peixes c O último dos signos zodiacais, que conduz ao renascimento do ano ASPECTOS GERAIS: Medo do limiar que antecede um passo importante, incertezas, pesadelos, nervosismo, lembranças ameaçadoras, pressentimentos sombrios. VIDA PROFISSIONAL: Fase critica, insegurança no emprego, medo de fracasso, intrigas, fraude, medo de provas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreender significado orientador do medo. RELACIONAMENTO: Circunstâncias confusas, relacionamento não confiável ou sinistro, ciúme corrosivo, incertezas, medo de dar um passo importante. ENCORAJA A: Ultrapassar limiar do medo para alcançar terras novas que se encontram por trás dele. ALERTA SOBRE: Perder-se no escuro, esconder-se por trás de ilusões e estados de embriaguez e fracassar ao tentar ultrapassar umbral. COMO CARTA DO DIA: Talvez você já tenha hoje acordado de um pesadelo, ou tenha, por outras razões, uma sensação estranha com relação a este dia. Porém, não se deixe irritar por nenhum fantasma. Ainda que você se sinta pressionado ante as exigências do dia ou ambiente à sua volta faça sentir-se inseguro, você não deve se desviar do seu caminho. Tome consciência de que uma experiência importante e enriquecedora espera por trás da barreira do medo, mas você só poderá chegar até ela se conseguir superar esse obstáculo. Por isso, vá ao encontro do dia mais acordado possível e siga seu caminho cautelosa e prudentemente, apesar de todo medo. Você irá 233
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    espantar-se com quealcançará por meio disso. COMO CARTA DO ANO: O que importa este ano é passar pelo momento difícil ou, apesar de todas as contrariedades, colaborar para nascimento de um processo importante. Se empreendimento for bem-sucedido, resultado trará muita felicidade. Porém, caminho que leva até lá não é fácil e é, em grande parte, tomado pelo medo. Não deixe que esses medos perturbem, mesmo que fantasmas surjam sorrateiramente à noite e atormentem com pesadelos. Ainda assim, você não se deve deixar intimidar. Por outro lado, não seria inteligente menosprezar ou tentar amenizar as dificuldades que estão relacionadas com os seus planos. Leve os riscos a sério, sem se deixar desanimar. Pense exatamente naquilo que você quer fazer e dê um passo atrás do outro com determinação, sem deixar que isso se transforme em uma marcha forçada, e sem bancar herói. 19 – O SOL Símbolos Significado Sol radiante Alegria de viver, superação de medos e preocupações, clareza No centro, rosa solar desabrochando (Sol) União do princípio masculino com princípio feminino (rosa) Crianças gêmeas, com asas de borboletas, dançando Leveza, alegria espontânea, superacão dos opostos, "confraternização" interior Rosas-cruzes aos pés das crianças Harmonia entre a consciência divina e a existência terrena Elipse com as cores do arco-íris contendo os signos zodiacais Perfeição, a totalidade, harmonia entre consciente e inconsciente Montanha verde Montanha do paraíso, solo fértil Muro vermelho O cume da unidade está próximo, mas ainda não foi alcançado Cabala: Resh r Cabeça Astrologia: Sol Q Ânimo de vida, confiança ASPECTOS GERAIS: Alegria, desfrutar lado ensolarado da vida, renascimento, vontade de viver, êxito, desenvolvimento pessoal, direcionar-se para um ponto culminante. VIDA PROFISSIONAL: Sucesso, superar as dificuldades, força de persuasão, criatividade, alegria no trabalho, ótimas perspectivas para planos futuros, boa cooperação, auto-realização. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Encontrar alegria de viver no estado de despreocupação original. RELACIONAMENTO: Desfrutar amor, reconciliação, recomeço, tempos felizes, confiança profunda, mimar um ao outro generosamente. ENCORAJA A: Empenhar-se em alcançar ápice, topo, um objetivo elevado, com 234
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    confiança e firmeza. ALERTASOBRE: Superestima ingênua de si mesmo, leviandade ou desgaste de forças. COMO CARTA DO DIA: Hoje é um dia ensolarado, que deve ser apreciado em toda a sua plenitude ou mesmo vivendo-o despreocupadamente ou comemorando algum triunfo pessoal. Você se sentirá hoje tão autoconfiante e fortalecido que será capaz até de ousar algo novo. Com a sua energia positiva e a sua atitude soberana, você será capaz de motivar e conquistar as pessoas à sua volta. Banhe-se na luz do seu sucesso e permita algo de bom a si mesmo e aos outros à sua volta. COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você vai passear pelo lado ensolarado da vida. Aquilo que tem atormentado você com medos e incertezas sobre si mesmo pertence agora ao passado. Em vez disso, você desenvolverá esperança, alegria de viver, confiança em si próprio e sentirá prazer em ser centro das atenções. Você será presenteado pela vida com abundância e agirá, em conseqüência disso, calorosa e generosamente com as pessoas à sua volta. A sua franqueza lhe trará muita simpatia e ajudará a alcançar sucesso e realização tanto na vida profissional quanto na particular. Se você não se deixar ofuscar e se alegrar por tudo isso com gratidão, não correrá perigo de tornar-se presunçoso ou arrogante por ser tão iluminado pela luz solar. 20 – O JULGAMENTO Símbolos Significado Corpo de uma mulher de cor azul. curvado em forma de um útero Nut, deusa egípcia do céu, que à noite engole Sol e pela manhã dá à luz outra vez Esfera de fogo alada e vermelha Hadit, companheiro da deusa do céu União de Nut e Hadit O surgimento da Nova Era, da qual Hórus, visto como uma divindade dupla, é representante Hórus, deus do Sol como uma figura dupla Aspectos extrovertidos e introvertidos da força solar Hórus adulto ao fundo, deus falcão coroado, sentado no trono do faraó Poder consolidado, brilho exterior. grandeza Hórus criança (Harpocrates) no primeiro plano com um cacho do lado da cabeça e a serpente Ureus A força jovem, ainda terna e não utilizada; superação de velhas estruturas Dedo indicador levado à boca Iniciação pelo silêncio Letra hebraica Shin c. na qual se encontram figuras humanas A criança, adulto e velho; isso significa que todas as fases da vida participam da Nova Era Cabala: Shin c Dente 235
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    Astrologia: Elemento FogoO Energia purificadora e confiante *N.E.: Imagem arquetípica do renascimento. ASPECTOS GERAIS: Transmutação, recomeço, esperança, encontrar a si mesmo, desenvolvimento espiritual. VIDA PROFISSIONAL: Passos direcionadores, reorganização, abrir-se para novos métodos de trabalho, aperfeiçoamento, trazer um espírito novo para a vida profissional. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Deixar-se envolver pelo espírito de uma Nova Era. RELACIONAMENTO: Experimentar caminhos novos, impulsos estimulantes, renovação de relacionamentos existentes, novo amor, crescimento. ENCORAJA A: Abrir-se para um novo processo e levá-lo cuidadosamente adiante. ALERTA SOBRE: Subestimar as dificuldades iniciais. COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve dar uma nova ênfase à sua vida. É indiferente se isso será feito no âmbito da aparência externa ou com relação a coisas fundamentais do seu cotidiano e do ambiente à sua volta. Deixe velhos hábitos para trás e permita que novos ventos soprem por sobre os campos empoeirados. Não se prenda a tradições ultrapassadas e não aposte mais nas coisas aparentemente já comprovadas; em vez disso, abra-se para novas evoluções e tendências atuais, às quais futuro pertence. COMO CARTA DO ANO: A partir deste ano, será iniciada uma era inteiramente nova na sua vida. Isso pode significar tanto a descoberta e desenvolvimento de interesses e habilidades até então ocultos como uma evolução decisiva e ampliadora da consciência ou uma mudança concreta no âmbito pessoal. Você poderá mudar de residência ou até mesmo emigrar, direcionar-se para novas atividades profissionais ou unir-se a pessoas interessantes e abertas, que estejam entrando agora na sua vida. Mantenha-se aberto para esse capítulo direcionador da sua história de vida, que conduzirá para um novo futuro. No início dessa fase de transição, deixe velhas estruturas para trás e não exija demais de si mesmo, tendo expectativas grandes demais. Cuide cautelosamente da semente do novo, dando-lhe tempo e espaço necessários para que cresça saudavelmente. 21 – O MUNDO Símbolos Significado Deusa virgem dançante Alegria de viver, força geradora de vida Serpente Vida (caduceu), morte (serpente do paraíso) e regeneração Dança Superação da inimizade entre a serpente e a mulher, que foi imposta pelo pecado original e pela maldição divina Olho radiante Lei cósmica, conhecimento Vulva cósmica aberta Origem de toda criação Solo original verde Fertilidade, esperança Anel estrelar composto de 72 círculos A totalidade da criação, estrelas = universo; 72 é número simbólico de "todos os povos" Esboço de um templo (na parte inferior) 236
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    Planta da criação Quatroquerubins que jorram água pela boca A vivacidade da criação No centro, indicação de uma roda Início da árvore (cabalística) da vida Cabala: Tau t Símbolo da cruz Astrologia: Saturno U A estrutura da realidade ASPECTOS GERAIS: Conclusão, alegria de viver, estar no lugar certo, estar centrado em si mesmo, realização, retorno ao lar, reconciliação. VIDA PROFISSIONAL: Alegria por realizar um trabalho, encontrar a sua vocação, alcançar uma meta, ser criativo e ter entusiasmo. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Contemplar todo, no qual início e fim formam uma unidade. RELACIONAMENTO: Amor incondicional e repleto de entusiasmo, reconciliar-se, fusão e realização sexual, encontrar parceiro certo. ENCORAJA A: Ocupar seu lugar e alegrar-se por sua vida. ALERTA SOBRE: Acreditar já ter chegado definitivamente ao seu objetivo. COMO CARTA DO DIA: Hoje você se sentirá cheio de vida, em comunhão consigo e com mundo. Ou as coisas estão andando da forma como você desejou, ou você não se está deixando afetar por possíveis interferências. Desfrute esse dia deixando a sua alma balançar-se e saboreando inteiramente esse sentimento paradisíaco. Você poderá também aproveitar a oportunidade para dissolver hostilidades. Mostre-se reconciliador e promova a paz. Isso irá preenchê-lo com uma imensa alegria. COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você terá a chance de encontrar seu lugar neste mundo, um lugar cheio de felicidade e alegria de viver. Se isso significa encontrar seu verdadeiro lar ou, no sentido figurado, encontrar uma amizade ou uma ligação amorosa na qual você se sinta emocionalmente protegido, é indiferente. Você irá desfrutar inteiramente desse "encontro". Também poderá tratar-se de um passo para a conscientização, que conduzirá para a sua pátria espiritual, no centro de sua alma. Como em um quebra-cabeça, cada parte de sua vida encaixar-se-à uma à outra harmonicamente, e aos poucos você reconhecerá uma imagem global que faça sentido. Essa ordem também se refletirá no seu cotidiano por meio de um sentimento de harmonia consigo mesmo e com mundo. AS 56 CARTAS DOS ARCANOS MENORES Símbolos Significado PAUS Tocha de fogo Força criadora, potência sexual, luminosidade Dez labaredas O Ás contém potencial de todas as dez cartas da série de bastões Raios verdes Descarga de energia, alta-tensão, surpresa, esperança Fundo vermelho Temperamento, impulso de vida Elemento e número Chance (Ás = 1) de desenvolvimento pessoal (Fogo) Astrologia: Signos do Elemento Fogo: Áries (a), Leão (g), 237
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    Sagitário (l) Iniciativa (a),alegria de viver (g), crescimento (l) ÁS DE PAUS ASPECTOS GERAIS: Recomeço repleto de esperanças, iniciativa, força de vontade, determinação, idéia empolgante, impulso criativo, chance de desenvolvimento pessoal, inflamar-se por alguma coisa. VIDA PROFISSIONAL: Desejo de realizar novos projetos, tornar-se autônomo, vontade de arriscar-se, crescer com um desafio. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer que desenvolvimento pessoal requer disposição para correr riscos. RELACIONAMENTO: Novo começo, revitalização, arder de amor, encontros tempestuosos, sexualidade apaixonada. ENCORAJA A: Tomar iniciativa e seguir decididamente em frente. ALERTA SOBRE: Impetuosidade, impaciência e arrogância. COMO CARTA DO DIA: Hoje você terá a energia necessária para começar algo novo ou dar um novo impulso a algo que já esteja em andamento. Você enfrentará os desafios deste dia com autoconfiança e entusiasmo. A sua energia contagiante não passará despercebida pelos outros a sua volta e poderá até proporcionar momentos emocionantes no âmbito dos relacionamentos pessoais. Prepare-se para surpresas, esteja aberto a impulsos e aproveite as chances que forem oferecidas. Símbolos Significado Dois "dorjes", símbolos tibetanos do trovão, cruzados Poder divino, que destrói e constrói "Dorje" como símbolo fálico Energia sexual procriadora e agressiva Máscaras demoníacas Dominação do medo Par de serpentes Destruição e renovação Seis labaredas Força de vontade que se incendeia pelo atrito Elemento e número Atrito (2) entre forças de polaridade contrária (Fogo) Astrologia: Marte (T) em Áries (a) Força do ego, energia (T) em impulsão (a) DOIS DE PAUS DOMÍNIO ASPECTOS GERAIS: Combatividade, coragem, prazer em correr riscos, força de vontade, inflamar-se por alguma coisa, impor-se espontaneamente, avanço de uma forma forçada, falta de consideração. VIDA PROFISSIONAL: Espírito competitivo e rivalidade, desafio profissional, disposição acentuada em assumir riscos, agir com engajamento. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer os processos destrutivos como condição necessária para chegar a uma fase produtiva. RELACIONAMENTO: Desejos de conquista, atmosfera inflamada, jogo tenso entre 238
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    forças dominadoras esubmissas, atitudes machistas. ENCORAJA A: Arriscar, impor ou conquistar alguma coisa. ALERTA SOBRE: Valentia desconsiderada, ações destrutivas, demonstrações vazias de poder. COMO CARTA DO DIA: Hoje ninguém será capaz de segurar seu impulso de seguir em frente. Você será capaz de remover radicalmente os obstáculos do seu caminho. Mas, se você esforçar-se exaustivamente para alcançar os seus objetivos, poderá estar no final totalmente exaurido e de mãos vazias. Não tente fazer a sua vontade prevalecer a qualquer custo. Em vez disso, direcione a sua energia que emana do Elemento Fogo para objetivos que valham a pena ou procure uma outra válvula de escape para a força que está sobrando dentro de você. Gaste sua energia, por exemplo, praticando esportes exaustivos ou participando de competições esportivas. Símbolos Significado Três bastões com lótus amarelos desabrochando Energia vital que desabrocha, luz do Sol Estrela de fogo branca com dez raios no centro Grande força criadora e estimuladora de crescimento, pureza Fundo amarelo-alaranjado Luz do amanhecer, nascer do Sol, brilho Elemento e número Desenvolvimento (Fogo) intenso (3) Astrologia: Sol (Q) em Áries (a) Autoconfiança, estar centrado em si mesmo, energia vital (Q) em conexão com espírito pioneiro e impulso de seguir em frente (a) TRÊS DE PAUS VIRTUDE ASPECTOS GERAIS: Base saudável, confiança, sucesso, espírito empreendedor, vitalidade. VIDA PROFISSIONAL: Contatos benéficos, vínculos comerciais promissores, perspectivas favoráveis, avanço propício, apoio. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tornar-se consciente de suas possibilidades e desenvolver autoconfiança. RELACIONAMENTO: Vontade de curtir a vida, atar laços de ternura, vínculo promissor, convivência excitante, harmonia. ENCORAJA A: Olhar confiante para futuro e seguir novas metas. ALERTA SOBRE: Ultrapassar impetuosamente os limites. COMO CARTA DO DIA: Desfrute da atmosfera primaveril deste dia, não importa em qual estação do ano você esteja. Sacuda os pensamentos tristes para longe e presenteiese com um ramalhete de flores. Caso você ainda não esteja comprometido, sentir-se-á agora intensamente preparado para um novo amor. Hoje talvez surja uma oportunidade para uma paquera. Porém, mesmo sozinho, você vivenciará este dia como sendo extremamente benéfico. 239
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    Símbolos Significado Círculo amarelocom quatro bastões cruzados sobre Sol com oito chamas Aspiração (8) do Terreno (4 e Cruz) pelo Divino (Círculo), perfeição (Círculo) e ao mesmo tempo limitação (Cruz) da força criadora (Sol) Cabeça de carneiro (guerra) e pomba (paz) na ponta dos bastões Equilíbrio de forças contrárias, convivência harmoniosa Fundo verde-escuro Prosperidade, naturalidade, prazer de viver Elemento e número Vontade (Fogo) inabalável (4) Astrologia: Vênus (R) em Áries (a) Charme e boa vontade (R) em conexão equilibrada com prazer em lutar e desejo de conquista (a) QUATRO DE PAUS CONCLUSÃO ASPECTOS GERAIS: Ordem e harmonia, dinâmica equilibrada, autoconfiança, equilíbrio. VIDA PROFISSIONAL: Distribuição de lucros, ser pago por um trabalho realizado, resultados visíveis, espírito de grupo dinâmico, eficiência. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Percepção da totalidade que engloba contradições e opostos. RELACIONAMENTO: Ser complementado pelo parceiro, convivência harmoniosa, solução de conflitos, encontros enriquecedores, realização sexual, dinâmica saudável na relação. ENCORAJA A: Encontrar a medida certa entre condescendência e intransigência. ALERTA SOBRE: Abdicar até de discussões sadias em prol do estabelecimento de uma harmonia. COMO CARTA DO DIA: Tudo que você começar hoje terá boas chances de ser concluído favoravelmente. Você conseguirá até apaziguar diferenças aparentemente intransponíveis e isso preencherá com uma profunda satisfação. Você estará disposto a fazer acordos, sem que precise, para isso, perder de vista os seus interesses. Se por acaso você estiver há algum tempo evitando fazer algo um tanto desagradável, como, por exemplo, dar um telefonema difícil, hoje poderá realizar essa tarefa com sucesso. Símbolos Significado Bastão em posição vertical com símbolo real do antigo Egito Poder máximo Flores e asas de cor violeta Força espiritual Dois bastões cruzados com cabeças de Fênix Energia criativa e purificadora Dois bastões cruzados com flores de lótus Força receptiva, fertilidade Estrela com dez chamas Calor que se nutre do atrito de 240
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    energias contrárias Fundo amarelo-ensolarado Buscapela Luz Elemento e número Desafio (5) para uma competição (Fogo) Astrologia: Saturno (U) em Leão (g) Coragem (g) para assumir responsabilidades (U) e desenvolvimento pessoal (g) perseverante (U) CINCO DE PAUS DISPUTA ASPECTOS GERAIS: Medir forças, ambição, impetuosidade, desafio, ultrapassar limites. VIDA PROFISSIONAL: Concorrência, interesses comerciais diversos, disputar ou defender cargos com persistência, engajamento ambicioso, conquistar "terras novas". PLANO DA CONSCIÊNCIA: Discutir pontos de vista controversos para encontrar a melhor solução. RELACIONAMENTO: Chegar a um consenso apesar das diferenças, entrar em atrito, conciliar incompatibilidades. ENCORAJA A: Ousar algo novo e entrar em uma competição. ALERTA SOBRE: Possuir uma ambição desenfreada e tentar impressionar os outros com arrogância. COMO CARTA DO DIA: Este dia promete ser bem agitado. Alguém poderá cruzar seu caminho, acarretando um choque de interesses. Não fuja do conflito, agarre touro pelos chifres e demonstre claramente que você está no páreo. Se agir com justiça, e além disso com empenho total, você terá boa chance de encontrar uma solução satisfatória. Mesmo que hoje você tenha de lidar com burocratas, não hesite em mostrar seu lado combativo. Símbolos Significado Cabeças de Fênix Força criadora Flores de lótus Energia receptiva Discos solares alados com serpentes Símbolo de domínio equilibrado Pares de bastões cruzados harmoniosamente, com chamas ardentes nos pontos de interseção Energia estabilizada, ponto culminante Fundo em tom lilás Verdade, magnanimidade Elemento e número Luta (Fogo) bem-sucedida (6) Astrologia: Júpiter (Y) em Leão (g) Plenitude, riqueza, sucesso (Y) em conexão com autoconfiança, desenvolvimento pessoal, força, triunfo (g) SEIS DE PAUS 241
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    VITÓRIA ASPECTOS GERAIS: Recompensapor serviços prestados, boas notícias, otimismo, vitória. VIDA PROFISSIONAL: Reconhecimento, sucesso encorajador, conclusão bem-sucedida, bons negócios, impulso na carreira, aumento de salário, condecoração. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Desenvolver otimismo na vida. RELACIONAMENTO: Superação de dificuldades, desabrochar de um relacionamento caloroso, perspectivas agradáveis. ENCORAJA A: Ter confiança de que tudo dará certo. ALERTA SOBRE: Vangloriar-se do seu próprio sucesso com ar de menosprezo pelos outros. COMO CARTA DO DIA: Você tem motivos suficientes para alegrar-se, pois hoje é seu dia de sorte! Uma boa notícia está no ar. Principalmente se você passou agora por uma fase cansativa, perceberá como tudo tomará um impulso e se desenvolverá rapidamente. Reconhecimento e uma recompensa adequada Aguardarão agora em todos os lugares em que tenha prestado bons serviços. Desfrute do seu triunfo, demonstre a sua felicidade e comemore adequadamente com os seus amigos. SETE DE PAUS VALOR Símbolos Significado Bordão em posição vertical no primeiro plano Força elementar selvagem, arma do herói Três pares de bastões com cabeças de Fênix, flores de lótus e discos solares alados cruzados harmoniosamente no segundo plano Forças estruturadas que aos poucos vão perdendo efeito Chamas desnorteadas Energias desorientadas, desperdiçadas Fundo violeta-escuro Ameaça Elemento e número Auto-afirmação (Fogo) arriscada (7) Astrologia: Marte (T) em Leão (g) Coragem, determinação e disposição para lutar (T) em conexão com autoconfiança triunfante (g) ASPECTOS GERAIS: Arriscar-se a seguir sozinho seu próprio caminho, superar-se, lutar contra as adversidades, assumir um risco. VIDA PROFISSIONAL: Cargo ameaçado, engajamento intenso, realizar um propósito com determinação e até sozinho, se for necessário. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Lutar corajosamente por uma boa causa que esteja enfraquecida ou impopular. RELACIONAMENTO: Salvar relacionamento de um fracasso por meio de uma manobra ousada ou afastar uma ameaça; dar um novo impulso com decisão a um relacionamento desgastado. ENCORAJA A: Salvar com bravura uma causa aparentemente perdida. ALERTA SOBRE: Superestimar a si mesmo e gastar energia desnecessariamente. 242
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    COMO CARTA DODIA: Uma vitória, que você já contava como certa, poderá hoje estar ameaçada, ou um assunto que seja importante para você poderá subitamente perder significado. Conte com uma possível interferência de pessoas em seus assuntos, com propósito de ameaçar a sua posição. Não fique parado passivamente vendo as suas esperanças se perderem; lute com determinação pela sua causa. Ouse e, se necessário, siga sozinho seu próprio caminho. Símbolos Significado Oito bastões em forma de raios sobrepostos a um octaedro tridimensional Oito, número intermediário, permite que inspirações súbitas vindas de mundos superiores penetrem em nossa realidade (tridimensional), compreensão repentina, rompimento para a liberdade, da tensão surge a luz Arco-íris Ligação entre mundo espiritual e mundo terreno Fundo azul-claro Inspiração mental, inteligência Elemento e número Coragem (Fogo) para transformações (8) Astrologia: Mercúrio (E) em Sagitário (l) Pensamento e reconhecimento (l) confiante, perspicaz e cheio de esperança (E) OITO DE PAUS RAPIDEZ ASPECTOS GERAIS: Lampejo súbito, solução repentina de um problema, inspirações, "estar ligado à tomada". VIDA PROFISSIONAL: Inovação, idéias empolgantes, desenvolvimentos favoráveis, novos vínculos comerciais, negócios com exterior, aperfeiçoamento, ações rápidas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Abrir-se para novos horizontes por meio da superação de velhos padrões de pensamento. RELACIONAMENTO: Amor à primeira vista, solução repentina de conflitos, impulsos estimulantes, erotismo ardente. ENCORAJA A: Abrir-se para novas percepções e agir imediatamente. ALERTA SOBRE: Conclusões apressadas, dar muita ênfase ao intelecto, extravagâncias intelectuais. COMO CARTA DO DIA: Uma boa notícia ou um telefonema inesperado poderão, hoje, enchê-lo de energia e mudar surpreendentemente rumo do seu dia. Sua mente estará fervilhando e, entre as muitas idéias que lhe passarão hoje pela cabeça, encontrarse- á a solução de um velho problema. Essa energia poderá, até mesmo, estender-se à sua vida amorosa e explodir como "fogos de artifício". Isso seria, com certeza, a maneira mais prazerosa de canalizar tanto vigor. Símbolos Significado 243
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    Oito flechas cruzadascom as pontas direcionadas para baixo Forças que ativam energias inconscientes Bastão central em posição vertical conectando Sol (Q) e a Lua (W) Uníssono entre consciente (Q) e inconsciente (W), combinação harmoniosa entre espírito (Q) e alma (W) Estrela de dez raios ao fundo Luminosidade resultante da ligação harmônica Cor ao fundo que vai clareando para cima Força que ascende do inconsciente Elemento e número Coragem (Fogo) concentrada (9) Astrologia: Lua (W) em Sagitário (l) Confiança e necessidade de desenvolvimento (l) que ascendem do inconsciente (W) NOVE DE PAUS FORÇA ASPECTOS GERAIS: Dispor de muitas possibilidades, estar cheio de energia, alegrar-se por algo que está por vir, inspiração. VIDA PROFISSIONAL: Adentrar solos novos e repletos de perspectivas, ter confiança nas próprias capacidades, começar um projeto com coragem e entusiasmo. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ser inspirado pelo inconsciente. RELACIONAMENTO: Estabilidade e unissonância, impulsos estimulantes vindos da alma, novo vínculo forte, intercâmbio intenso, entusiasmo. ENCORAJA A: Agir audaciosamente confiando na sua própria intuição. ALERTA SOBRE: Deixar-se levar por pensamentos megalômanos. COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve arriscar-se! Deve ousar experimentar algo para qual lhe tenha faltado coragem até agora. Você poderá confiar completamente na sua intuição, que conduzirá a fazer instintivamente a coisa certa. Poderá também aproveitar a energia inspiradora do dia de hoje para fazer planos agradáveis para futuro, como, por exemplo, programar as suas próximas férias. Símbolos Significado Oito bastões ardendo em chamas Impulsos ardentes Chamas selvagens em segundo plano Energias incontroláveis Fundo cor de laranja Energia do fogo Dois poderosos bastões ritualísticos tibetanos em primeiro plano Controle e opressão da energia do fogo Elemento e número Soma (10) de forças agressivas (Fogo) Astrologia: Saturno (U) em Sagitário (l) Bloqueio, inibição, contenção (U) de entusiasmo, capacidade persuasiva, visão do mundo, expansão (l) 244
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    DEZ DE PAUS OPRESSÃO ASPECTOS GERAIS: Desenvolvimento bloqueado, problemas com autoridade, frustração, medo da vida, camisa-de-força. VIDA PROFISSIONAL: Forte pressão por causa do excesso de trabalho, estresse, tormento, tentativa inútil de reconhecimento, medo do futuro profissional, dificuldades de liderança. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Somente será possível dominar as tensões interiores por meio de um profundo esforço. RELACIONAMENTO: Endurecimento, lutas pelo poder, lutar contra tabus e proibições, sentimentos bloqueados, desesperança. ENCORAJA A: Reconhecer as suas próprias limitações e agir com responsabilidade. ALERTA SOBRE: Demonstrações de poder, intolerância e agressividade reprimida. COMO CARTA DO DIA: Arme-se hoje com uma boa dose de disciplina e capacidade de resistência. Você poderá precisar delas. Talvez seja agredido por causa das suas opiniões ou alguém tente dominá-lo. Você poderá também entrar em conflito com autoridades, seja com seu chefe ou com a polícia de trânsito. Não se deixe provocar, de forma nenhuma, mantenha-se tranqüilo e sereno, mesmo que isso não seja fácil. Você reconhecerá mais tarde quão inteligente terá sido tomar essa atitude. Símbolos Significado Chama amarelo-esverdeada em movimento dinâmico sobre um fundo vermelho Força vital efervescente, confiança intensa, energias selvagens Figura feminina nua Pureza sedutora Plumas de avestruz como uma cobertura para a cabeça Justiça Bastão com Sol Luminosidade Tigre direcionado para baixo Separação dos impulsos Altar dourado com cabeças de carneiros Energia vital ardente, força primaveril Rosas em chamas Sacrifício para a deusa do amor PRINCESA DE PAUS ASPECTOS GERAIS: Mulher jovem, dinâmica, impulsiva e cheia de vida, amazona, impulso inicial, novo começo impetuoso, entusiasmo, espírito de aventura, impaciência. VIDA PROFISSIONAL: Idéias inovadoras que necessitam ser expressas, início de uma carreira profissional. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ficar em estado eufórico por causa de uma vontade efervescente de viver. RELACIONAMENTO: Vontade de curtir a vida, paixão tempestuosa, desejo sexual, paquera excitante, fogo de palha, "pular a cerca". ENCORAJA A: Viver de uma forma espontânea e cheia de ânimo. ALERTA SOBRE: Comportamento teatral e humores variáveis e impulsivos. 245
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    COMO CARTA DODIA: Hoje você quer tudo ou nada. Você não se dará por satisfeito com meios-termos. Você estará tão radiante de energia que mal poderá esperar para contagiar os outros com seu entusiasmo. No amor, isso poderá conduzi-lo a um encontro apaixonante. De qualquer jeito, você estará disposto a deixar-se levar por uma aventura, sem se preocupar com as conseqüências. De fato, hoje não terá nada que impeça de deixar a razão de lado e, pelo menos uma vez, agir de acordo com os princípios do prazer. Símbolos Significado Guerreiro nu em carruagem de combate Força impulsiva, capacidade de imposição, jovialidade Coroa de raios Brilho, força criadora Emblema mágico no peito Poder e capacidade de influenciar os outros Leão incandescente puxando a carruagem Energia animal impulsiva, que impele para a frente Leão com rédeas Controle dos impulsos Labaredas pontiagudas Energia criativa direcionada para alvo Lança com cabeça de Fênix Símbolo egípcio de poder, energia purificadora PRÍNCIPE DE PAUS ASPECTOS GERAIS: O homem empreendedor, conquistador, herói, corredor, a pessoa colérica, novo impulso, iniciativa, entusiasmo. VIDA PROFISSIONAL: Estar à disposição para trabalhar, vontade de se arriscar, coragem para tornar-se autônomo, espírito pioneiro, começar algo novo com todo entusiasmo. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ter uma postura otimista na vida e autoconfiança elevada. RELACIONAMENTO: Paixões selvagens, erotismo exigente, aventura arriscada, satisfação do desejo de uma forma espontânea, porém também infantil. Humores imprevisíveis. ENCORAJA A: Encarar a vida de uma maneira aberta e cheia de autoconfiança. ALERTA SOBRE: Satisfação espontânea de desejos à custa de objetivos a longo prazo. COMO CARTA DO DIA: Para ter uma experiência realmente intensa, você hoje aceitará até correr riscos. De preferência, você gostaria de mostrar para todos quem realmente traz dentro de si. Porém, se afrouxar as rédeas na hora errada, poderá, com seu jeito enérgico, passar por cima de alguém e até aborrecer-se com os seus vizinhos ou colegas de trabalho. Por isso, procure palco adequado para a sua encenação. Quebre algum recorde ou saia e divirta-se. Símbolos Significado Rainha sentada em um trono de 246
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    labaredas, com osolhos fechados Fogo interior, energia kundalini, espiritualidade Cabelos longos Energia vital Coroa com 12 raios e sol alado Força criadora completamente desenvolvida, iluminação Bastão com cone de pinha na ponta (Bastã) de Tirso no culto a Dionísio) Paixão, êxtase Leopardo Forças animalescas, natureza instintiva Mão sobre a cabeça do leopardo Domesticação cuidadosa e integração das forças animalescas RAINHA DE PAUS ASPECTOS GERAIS: Autoconfiança sadia, espírito empreendedor, franqueza, impulsividade, independência, auto-realização, mulher enérgica, carismática. generosa e madura. VIDA PROFISSIONAL: Realizar-se profissionalmente com consciência de suas capacidades, ter competência para assumir grandes tarefas, promoção, tornar-se autônomo, assumir posições de liderança. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Aprimorar uma paixão ardente e transformá-la em aspiração espiritual. RELACIONAMENTO: Relação madura de igual para igual, leve submissão, tantra do amor, calor humano. ENCORAJA A: Expressar suas necessidades pessoais e responder por si mesmo. ALERTA SOBRE: Egocentrismo e imposição de suas vontades a qualquer preço. COMO CARTA DO DIA: Hoje é você quem manda! Você está sentindo-se forte, sabe exatamente que quer e está preparado para realizar tarefas complicadas, mesmo que as tenha de fazer sozinho. Graças a essa determinação, você poderá ter êxito ao dar passos decisivos. Você causará uma impressão bem convincente nas pessoas à sua volta por causa de sua atitude soberana, e elas se deixarão empolgar, motivar e conduzir por você com prazer. É também possível que uma mulher enérgica e com força de vontade represente hoje um papel importante no seu dia. Símbolos Significado Cavaleiro com armadura e capa feita de labaredas, montado em um cavalo que salta para alto Energia criadora que jorra, mas que é, contudo, controlada Cavalo negro com um chifre Força motriz, determinação e energia concentrada que estão direcionadas para uma meta Tocha ardendo em chamas Trazer luz e visões para mundo, força, inflamar também as outras pessoas Labaredas ardentes Energia, paixão Fundo amarelo com raios 247
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    Iluminação, conhecimento CAVALEIRO DE PAUS ASPECTOSGERAIS: Confiança em si mesmo, coragem, lutar por um ideal, forte espírito de iniciativa, homem maduro com força de vontade e dinamismo, personalidade que serve de exemplo para os outros, espírito de liderança. VIDA PROFISSIONAL: Qualidades de liderança, motivação para novos projetos, realizar trabalhos pioneiros, soberania, trabalhar com autoconfiança e independência. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Direcionar a sua força de vontade para objetivos elevados. RELACIONAMENTO: Convivência agitada de igual para igual entre dois parceiros, generosidade e vontade de tomar parte em discussões construtivas. vínculo dinâmico. ENCORAJA A: Agir com determinação. objetividade e coragem. ALERTA SOBRE: Vaidade, intolerância e egoísmo. COMO CARTA DO DIA: Hoje é um dia em que você poderá conquistar mundo! Você estará faiscando de energia e mal poderá esperar para contagiar as pessoas à sua volta com seu entusiasmo. Você saberá exatamente que quer, apostará em grandes metas e terá agora boa oportunidade de alcançá-las. Você conseguirá realizar com facilidade que para os outros parece difícil. Com tanto entusiasmo e tanta confiança, você deverá ter cuidado para não atropelar as outras pessoas sem nenhuma consideração. Também pode ser que hoje um homem interessante e temperamental venha ao seu encontro. COPAS Símbolos Significado O Santo Graal Amor, franqueza, disposição para entregar-se, busca pela realização, cura Cálice azul da cor de Maria Suavidade, misericórdia, compaixão Lótus branco que sustenta cálice Força que alimenta e enche cálice de água vital Duas flores de lótus, uma dentro da outra, que se abrem somente na próxima carta (DOIS DE COPAS) Beleza, sorte e felicidade como potenciais, que ainda, irão se desenvolver Raio de luz incidindo do alto Espírito criador inspirador Elemento e número Chance (Ás = 1) de encontrar a realização (Água) Astrologia: Signos do Elemento Água: Câncer (f), Escorpião (k), Peixes (c) 248
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    Profundidade emocional (f),força espiritual (k), dedicação e compaixão (c) ÁS DE COPAS ASPECTOS GERAIS: Felicidade, riqueza interior, franqueza, harmonia, oportunidade de encontrar realização. VIDA PROFISSIONAL: Oportunidade de encontrar a sua verdadeira vocação, atividade que tenha um sentido, realização profissional, paz e satisfação no local de trabalho. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Abrir-se ao mistério do amor universal. RELACIONAMENTO: Vivenciar um amor profundo, encontrar uma realização imensa, clima romântico, entrega. ENCORAJA A: Aproveitar uma oportunidade para encontrar uma felicidade enorme. ALERTA SOBRE: Exaltação pretensiosa. COMO CARTA DO DIA: Hoje você vai receber uma boa ajuda. Aproveite momento favorável para ousar fazer algo que prometa satisfação. As chances são boas, principalmente no que diz respeito aos assuntos do coração. Se você aproximar-se das outras pessoas despreocupadamente, poderá cair, de fato, diretamente nos braços de uma sorte grande. Você poderá também encontrar a paz interior, solucionando um problema antigo ou, finalmente, fazendo as pazes com alguém. Símbolos Significado Cálices com água derramando Sentimentos extravasados Peixes entrelaçados, dos quais jorra água Aliança afetuosa, vinculo físico e espiritual, atração, troca emocional Duas flores de lótus cor-de-rosa desabrochadas, ligadas uma à outra Desenvolvimento harmônico, ligação afortunada entre dois pólos, amor Água calmas, céu azul Paz e harmonia Elemento e número Fusão (Água) de opostos (2) Astrologia: Vênus (R) em Câncer (f) Entrega e sentimentos (f) afetuosos, que trazem felicidade (R), vínculo (R) emocional (f) DOIS DE COPAS AMOR ASPECTOS GERAIS: Ligações felizes, aproximação, reconciliação, encontros prazerosos. VIDA PROFISSIONAL: Bom ambiente de trabalho, trabalho em conjunto repleto de confiança, contatos agradáveis com clientes, fazer uma sociedade comercial. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Unir as duas almas que existem dentro de si. RELACIONAMENTO: Encontro afetuoso, almas gêmeas, reconciliação, viver um grande amor. ENCORAJA A: Ligar-se aos outros afetuosamente. ALERTA SOBRE: Por causa de uma necessidade excessiva de harmonia, acabar por negar-se a si mesmo. 249
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    COMO CARTA DODIA: Hoje, trunfo é coração! Este dia será dominado por uma profunda simpatia, um grande amor ou uma reconciliação. Deixe as "antenas" da sua alma "ligadas", pois hoje você poderá apaixonar-se outra vez. Caso você já esteja comprometido, irá pairar no ar uma sensação de retomo da primavera. Não fique apenas parado esperando que a sorte grande venha bater à sua porta, faça também a sua parte para que a deusa Fortuna possa presenteá-lo e as setas do cupido não sejam atiradas no vazio. Símbolos Significado Cálices transbordando Amor, alegria, abundância, que fazem coração transbordar Cálices feitos de romãs Fertilidade, vínculo ou compromisso profundo (Perséfone teve de permanecer no submundo com Hades, por ter comido uma semente de romã) Flores de lótus douradas, que enchem os cálices Amor espiritual Água azul-escura, de onde saem as hastes das flores de lótus Fonte original da fertilidade Elemento e número Sentimentos (Água) vivos (3) Astrologia: Mercúrio (E) em Câncer (f) Interação (E) emocional (f), inteligência (E) emocional (f) TRÊS DE COPAS ABUNDÂNCIA ASPECTOS GERAIS: Realização, alegria, interação fecunda, gratidão, bem-estar, colheita abundante. VIDA PROFISSIONAL: Negócios agradáveis, bom trabalho em conjunto, alegria em realizar um trabalho, projetos promissores, contratos com boas perspectivas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Estar repleto de profunda gratidão. RELACIONAMENTO: Alegria no amor, convivência harmoniosa, vinculo fecundo, casamento. ENCORAJA A: Comemorar todas as festas que aparecerem. ALERTA SOBRE: Não distribuir a colheita antes que ela esteja no celeiro. COMO CARTA DO DIA: Alegre-se com dia de hoje, pois ele presenteará com abundância. Desfrute lado bom da vida, faça uso de suas diversas possibilidades e mostre-se grato pelos prazeres que a vida lhe oferece neste momento. O melhor de tudo é poder compartilhar a sua alegria com outras pessoas. Convide seus melhores amigos, desfrute de bons momentos ao lado da sua família ou encha de mimos alguém que você ama. Afinal de contas, não é todo dia que temos tantas razões para comemorar. Símbolos Significado Cálices repletos Riqueza de sentimentos, fartura emocional Pedestal quadrado Base estável Flor de lótus vermelha, fortemente 250
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    enraizada, que sederrama sobre os cálices Amor que transborda, sentimentos profundos, estabilidade emocional Céu negro-acinzentado, mar agitado Inquietação profunda, ainda inconsciente Elemento e número Fartura (4) emocional (Água) Astrologia: Lua (W) em Câncer (f ) Sentimentos (W) maternais, de zelo, de dedicação (f ) QUATRO DE COPAS LUXÚRIA ASPECTOS GERAIS: Gozar a vida, desfrutar, estabilidade, proteção e aconchego. VIDA PROFISSIONAL: Clima de confiança no ambiente de trabalho, vivenciar bons momentos, negócios agradáveis, equipe de trabalho entrosada. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a semente da decadência que a abundância traz dentro de si. RELACIONAMENTO: Desfrutar amor intensamente, tratar um ao outro com carinho, vivenciar aconchego familiar, relação na qual os parceiros são cuidadosos um com outro. ENCORAJA A: Aproveitar as várias possibilidades disponíveis e apreciar momento. ALERTA SOBRE: Acreditar ingenuamente que tudo permanecerá tão bem quanto está sendo agora. COMO CARTA DO DIA: Gaste bastante tempo saboreando dia de hoje. Você atingiu um ápice temporário e merece tirar uma folga. Desfrute deste dia e não esquente a cabeça com problemas que possam ser resolvidos amanhã, caso eles não se solucionem por si mesmos. Em vez disso, alegre-se pela simpatia e dedicação que lhe serão direcionadas hoje. Já que a vida lhe está oferecendo tantas coisas boas, você poderá também demonstrar seu lado generoso com as outras pessoas. Símbolos Significado Cálices vazios e lagoa seca Sentimentos ressequidos, desilusão, esterilidade Duas flores de lótus murchas Amor envelhecido Cálices posicionados na forma de um pentagrama invertido Triunfo da matéria sobre espírito Raízes dos lótus em forma de borboleta Força da transformação Céu vermelho-encarnado Cólera, perigo Elemento e número Crise (5) emocional (Água) Astrologia: Marte (T) em Escorpião (k) Força que surge (T) da putrefação (k) CINCO DE COPAS DESAPONTAMENTO ASPECTOS GERAIS: Expectativas decepcionadas, esperanças desvanecidas, 251
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    melancolia, reconhecimento doloroso,crise de transformação. VIDA PROFISSIONAL: Projetos frustrantes, prejuízo nos negócios, recusas súbitas, fracasso. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a força renovadora que surge na putrefação. RELACIONAMENTO: Sentimentos que se estão extinguindo, estar atolado no "pântano" da relação, princípio do fim. ENCORAJA A: Demonstrar seu desgosto e a sua decepção. ALERTA SOBRE: Otimismo cego e expectativas exageradas. COMO CARTA DO DIA: Hoje você terá de contar com uma freada. Alguma coisa pela qual você já se havia alegrado, ou que já contava como certa, não acontecerá como você esperava. Caso seja apenas uma coisa insignificante, enfrente a situação com bom humor. Porém, tratando-se da dissolução de algo realmente importante, você deverá suportar fato com calma, sem esconder a sua decepção. Quanto mais consciente e sincero você encarar as suas esperanças fracassadas, mais rápido sentirá outra vez chão embaixo dos seus pés. Símbolos Significado Cálices cheios Realização, satisfação Flores de lótus "dançantes", de cor laranja Alegria de viver, vitalidade, leveza Hastes dos lótus com formas de borboletas O despertar de uma nova vida, forças liberadas Mar agitado Sentimentos reanimados Céu azul-claro Tranqüilidade, contemplação Elemento e número Ligação (6) emocional (Água) Astrologia: Sol (Q) em Escorpião (k) Alegria de viver (Q) profunda e auto-renovável (k) SEIS DE COPAS PRAZER ASPECTOS GERAIS: O despertar da vitalidade, criar algo do fundo da alma, encontrar realização, restabelecimento emocional, bem-estar. VIDA PROFISSIONAL: Enorme força produtiva, sentir prazer em realizar um trabalho, tarefas agradáveis. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Centrar-se. RELACIONAMENTO: O desabrochar dos sentimentos, felicidade profunda, prazer sensual, realização sexual. ENCORAJA A: Abrir-se de todo coração para a vida e as suas alegrias. ALERTA SOBRE: Gula e avidez. COMO CARTA DO DIA: Hoje você terá motivos suficientes para sair pulando de alegria. Se você vai sair por aí literalmente pulando ou se vai fazê-lo dentro de si, tanto faz, contanto que você não se contenha. Demonstre que você está bem em todos os sentidos. Ainda mais se estiver se sentindo como se tivesse renascido, depois de ter 252
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    passado por umafase ruim; saboreie intensamente a doçura da vida. Faça uma festa ou celebre a si mesmo e satisfaça aquele desejo que você já vem guardando há muito tempo. Símbolos Significado Sete cálices ordenados como dois triângulos voltados para baixo Desmoronamento Lírios-tigre enchem os cálices com um néctar venenoso Tentação enganadora, calamitosa Lago lamacento, envenenado Perigo do declínio Céu verde-acinzentado Atmosfera envenenada Elemento e número Ilusões (Água) perigosas (7) Astrologia: Vênus (R) em Escorpião (k) Precipícios (k) do prazer (R); gozo (R)que conduz à dependência (k) SETE DE COPAS DEBOCHE ASPECTOS GERAIS: Fatalidade, atração perigosa, vícios, enganos, desgraça iminente. VIDA PROFISSIONAL: Intrigas, negócios sujos, especulações fracassadas, dependência fatal. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Aprender a diferenciar "busca" de "vício". RELACIONAMENTO: Atmosfera carregada, servidão; por meio do relacionamento, envolver-se com más companhias ou negócios duvidosos. ENCORAJA A: Largar de mão algo. ALERTA SOBRE: Fuga da realidade e situações tentadoras que levam à destruição. COMO CARTA DO DIA: Hoje não se deixe seduzir, por mais atraente que a oferta lhe pareça. Você pode acabar caindo em um atoleiro de esperanças falsas, do qual só sairá com muita dificuldade. Evite situações obscuras, tudo que for mórbido ou não for transparente, e recuse, de preferência, algo que lhe possa parecer muito atraente à primeira vista, mas que só irá trazer vantagens a curto prazo. Fique de olhos bem abertos e tome bastante cuidado com álcool e outras drogas. Símbolos Significado Cálices avariados, os quais somente metade está cheia Desgaste, falta de vitalidade Lago escuro, apodrecido Melancolia, perigo de afundar-se Flores de lótus murchas Falta de força e energia Céu escurecido e carregado de nuvens Depressão, ameaça, medo do futuro Elemento e número Humores (Água) alterados (8) Astrologia: Saturno (U) em Peixes (c) Sentimentos (c) contidos, mortos (U) OITO DE COPAS 253
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    INDOLÊNCIA ASPECTOS GERAIS: Fraqueza,esperanças destruídas, impasse. resignação. necessidade de dar uma guinada, paralisação, depressão. VIDA PROFISSIONAL: Ambiente de trabalho carregado, negócios estagnados, falta de energia, expectativas frustradas, perigo de demissão, má administração. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer os próprios erros que levaram a decepções. RELACIONAMENTO: Sentimentos indiferentes. ar carregado, falta de engajamento, vínculo desesperançoso, resignação. ENCORAJA A: Abandonar um atoleiro sinistro. ALERTA SOBRE: Agarrar-se a algo deteriorado ou começar algo sem perspectivas. COMO CARTA DO DIA: Hoje você poderá atolar-se na lama. Mesmo que a culpa não seja toda sua, você colaborou em parte para que isso acontecesse. Já que a situação está muito confusa, você deve tentar sair mais rápido possível desse lamaçal. É também muito importante que você se conscientize das razões que levaram a essa paralisação. Só assim você poderá evitar que esse mesmo erro seja cometido outra vez no futuro. Símbolos Significado Flores de lótus derramam-se sobre nove cálices Alegria transbordante Disposição em forma de um retângulo simétrico Estabilidade Céu azul Confiança, paz Lago tranqüilo Sentimentos estáveis, equilíbrio Elemento e número Sentimentos (Água) concentrados (9) Astrologia: Júpiter (Y) em Peixes (c) Felicidade, crescimento, confiança (Y) na espiritualidade e amor universal (c) NOVE DE COPAS FELICIDADE ASPECTOS GERAIS: Felicidade, otimismo, descoberta do sentido, caridade, confiança em Deus, felicidade serena. VIDA PROFISSIONAL: Alegria no trabalho, bom faro para os negócios, espírito de equipe, fechamento favorável de um contrato. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Alegria que transborda coração. RELACIONAMENTO: Felicidade no amor, afeição, atração profunda, realização emocional e física. ENCORAJA A: Alegrar-se por sua própria sorte e olhar para futuro repleto de confiança. ALERTA SOBRE: Doçura exacerbada. COMO CARTA DO DIA: Hoje você rirá à vontade, pois a sorte estará ao seu lado! Tudo correrá maravilhosamente bem e se desenvolverá como você queria. Aproveite. Você poderá aumentar a sua alegria ainda mais, se compartilhá-la com os outros à sua volta. Dê um passeio com a família ou convide amigos para irem à sua casa. É claro que você também poderá aproveitar vento a seu favor para resolver facilmente algumas coisas que já queria ter feito há muito tempo. Símbolos Significado 254
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    Cálices ordenados naforma da Árvore da Vida41 Harmonia emocional, realização profunda Cálices oscilantes Princípio de uma mudança, instabilidade Flor de lótus grande e vermelha Amor dedicado universal Fundo vermelho e asas dos cálices feitas de chifres de carneiro Característica de Marte, energia do fogo, nova arrancada Elemento e número Abundância (10) de sentimentos (Água) Astrologia: Marte (T) em Peixes (c) Realização (c) e novo começo (T), força (T) emocional (c) ___________________________ 41. Símbolo cabalístico que representa a totalidade da criação. DEZ DE COPAS SACIEDADE ASPECTOS GERAIS: Realização, apogeu, perfeição, gratidão, sociabilidade. VIDA PROFISSIONAL: Trabalho bem-sucedido, fechar um negócio favoravelmente, boas condições de trabalho, aposentadoria. PLANO DA CONSCIÊNCIA: A compreensão de que ápice termina a subida. RELACIONAMENTO: Momentos felizes e satisfatórios, deliciar-se em emoções, cobrir-se mutuamente de mimos. ENCORAJA A: Desfrutar de sua alegria juntamente com os outros, sem se agarrar a ela. ALERTA SOBRE: A provável decadência que segue um apogeu. COMO CARTA DO DIA: Celebre todas as festas que aparecerem. Hoje você terá boas razões para isso. Ou porque você conseguiu concluir algo com sucesso, por estar feliz e agradecido por um resultado positivo, ou simplesmente por estar sob todos os aspectos satisfeito consigo mesmo e com a vida. Faça algo de bom para si mesmo, encontre-se com amigos e saboreie essa despreocupação, enquanto ela durar. PRINCESA DE COPAS Símbolos Significado Mulher dançando com vestido em forma de concha Encanto oculto, mundo interior amplo, mediunidade Cristais em formação Cristalização de valores interiores Cálice com tartaruga Mundo interior que se abre para exterior Cisne como coroa Dom da profecia 255
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    Delfim pulando contentementeAlegria de viver, força criadora Lótus branca União divina ASPECTOS GERAIS: Mulher jovem e sensível, sedutora, encantadora, dançarina dos sonhos, musa, desejo de unir-se, romantismo, sentimentos profundos, entusiasmo, felicidade tranqüila. VIDA PROFISSIONAL: Boa intuição ao tomar decisões profissionais, fazer instintivamente a coisa certa, poder confiar na sua intuição no dia-a-dia profissional. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Vivenciar experiências mediúnicas. RELACIONAMENTO: Aproximação suave e cuidadosa, sentimentos temos de amor, franqueza emocional, anseio. ENCORAJA A: Abrir-se emocionalmente e expressar os seus sentimentos e desejos ocultos. ALERTA SOBRE: Coquetismo sedutor e enganar a si mesmo, ingenuamente. COMO CARTA DO DIA: Não se admire se você hoje for inundado por um anseio profundo ou por sentimentos temos de amor. Agora, mais do que nunca, você estará aberto para um encontro romântico e, ao mesmo tempo, também suscetível a todo tipo de tentações. Você deverá deixar-se envolver, pois tudo indica que terá uma experiência encantadora, que despertará emoções dentro de você até então desconhecidas. PRÍNCIPE DE COPAS Símbolos Significado Guerreiro nu com elmo com uma águia Processo de amadurecimento, aperfeiçoamento da natureza instintiva Carruagem em forma de uma concha puxada por uma águia Força espiritual inspiradora, que ilumina as águas do inconsciente Cálice com serpente Transformação e renovação Enorme flor de lótus Força emocional ASPECTOS GERAIS: Homem terno e romântico. sedutor, charmoso. cordialidade, entusiasmo. VIDA PROFISSIONAL: Vínculo bem-sucedido entre intuição e conhecimento, engajamento social, atividade artística, trabalho terapêutico. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ser inspirado por seus sentimentos. RELACIONAMENTO: Interação romântica e cheia de fantasia, tratamento afetuoso, magia do amor, entusiasmo. ENCORAJA A: Expressar as suas emoções ou deixar-se levar por urna divagação. ALERTA SOBRE: Efusão de emoções dissimuladas. COMO CARTA DO DIA: O dia de hoje dará asas à sua alma. Não somente a cabeça e coração estarão harmonizando-se agradavelmente um com outro, como você também vivenciará um impulso emocional, que elevará para sétimo céu. Aproveite a oportunidade para colocar em ordem coisas que necessitem tanto de imaginação quanto de razão. Sobretudo se alguma coisa estiver emperrada no âmbito dos relacionamentos. liberte-a hoje. 256
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    RAINHA DE COPAS SímbolosSignificado Figura feminina coberta por um véu Fada misteriosa do oráculo Lagoa serena O inconsciente, as sensações mais profundas Reflexo Espelho da alma, inconsciente coletivo, sonhos Caranguejo (no cálice) Maneira de agir instintiva, obstinada Cálice branco em forma de concha Maternidade, renascimento, pureza Flores de lótus Amor transbordante, pureza, suscetibilidade Garça Vigilância. prudência, segurança instintiva Arcos de luz brancas e azuis Intuição ASPECTOS GERAIS: Sensibilidade, dedicação, inspiração, emoções profundas, suscetibilidade, suavidade, mulher compreensível, madura, mediúnica ou uma musa inspiradora. VIDA PROFISSIONAL: Tarefas espirituais, inspiração artística, pausa produtiva, atividades mediúnicas ou terapêuticas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ouvir a sua voz interior e confiar nela. RELACIONAMENTO: Compreensão íntima e sem palavras, almas gêmeas, dedicação afetuosa, entrega, sentimentos profundos, anseio por fundir-se. ENCORAJA A: Manter-se fiel aos seus sentimentos. ALERTA SOBRE: Entregar-se aos seus humores sem se questionar ou perder-se em utopias. COMO CARTA DO DIA: Sua abertura emocional deixará hoje bastante receptivo às necessidades do ambiente ao seu redor e, ao mesmo tempo, vulnerável a uma possível rigidez. Mesmo assim, você deverá aproximar-se dos outros com total confiança, pois a sua forte intuição protegerá de dificuldades. Dê uma atenção especial aos seus sonhos! Você poderá conhecer uma mulher simpática, com capacidades mediúnicas, que aproximará do lado misterioso e enigmático da vida. CAVALEIRO DE COPAS Símbolos Significado Cavaleiro alado cavalgando para alto Princípio espiritual inspirador, que alcança as esferas espirituais Cavalo branco Natureza instintiva depurada, pureza Armadura verde Naturalidade, esperança, fertilidade Caranguejo (no cálice) Forma de agir instintiva e obstinadamente, impetuosidade Pavão com a cauda aberta Variedade esplendorosa de cores cintilantes do elemento Água e magia do mundo dos sentimentos 257
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    CAVALEIRO DE COPAS ASPECTOSGERAIS: Profundidade da alma, talento artístico, capacidades mediúnicas, fantasia, sensibilidade, homem maduro, solícito, compreensivo, conselheiro intuitivo. VIDA PROFISSIONAL: Conciliar trabalho com as suas próprias necessidades, aplicar a sua força espiritual no âmbito profissional, realização de tarefas que exijam intuição, fantasia e sensibilidade, atividades sociais ou que inspirem as outras pessoas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ser inspirado por um objetivo próximo. RELACIONAMENTO: Abertura emocional, convivência na qual os parceiros cuidam um do outro carinhosamente, entendimento profundo, riqueza de sentimentos. ENCORAJA A: Dar um grande salto para alcançar um objetivo elevado. ALERTA SOBRE: Correr atrás de uma miragem. COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve utilizar toda a sua energia para atingir um objetivo que já se encontra a seu alcance. Empenhe-se mais uma vez com todo seu engajamento para alcançá-lo. Agora, mais do que nunca, você perceberá quão fortemente é apoiado por seus sentimentos e inspirado por sua imaginação fértil. Também pode acontecer de hoje um homem compreensivo e simpático cruzar seu caminho ou desempenhar um papel importante no seu dia. Você perceberá a sua presença como algo enriquecedor e que lhe fará bem. ESPADAS ÁS DE ESPADAS Símbolos Significado Coroa com 22 raios Sabedoria radiante dos 22 Arcanos maiores Espada verde penetrante Força intelectual que penetra e compreende tudo A palavra grega qelhma (Thelema = vontade) escrita na lâmina Vontade de direcionar a força intelectual para objetivos mais elevados Serpente e duas meias-luas no punho da espada A razão como ponte para inconsciente Luz do sol com textura de cristais iluminando céu Lucidez intelectual, despertar da consciência, percepções esclarecedoras Elemento e número Chance (Ás = 1) de compreender algo ou tomar uma decisão com inteligência (Ar) Astrologia: Signos do elemento Ar: Gêmeos (d), Libra (j) e Aquário (x) Curiosidade (d), sociabilidade (j), intelecto (x) 258
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    ASPECTOS GERAIS: Interessesintelectuais, sede de conhecimento, força da razão, boa oportunidade para esclarecer, para compreender algo ou para tomar uma decisão com inteligência e clareza. VIDA PROFISSIONAL: Boas idéias, procedimento analítico, elaborar novos projetos, encontrar soluções inteligentes para problemas profissionais, tomar decisões bem pensadas, planejamento da carreira profissional. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Dar um passo decisivo para autoconhecimento. RELACIONAMENTO: Esclarecimento de problemas e mal-entendidos, condições claras e decisões nítidas, percepções importantes. ENCORAJA A: Esclarecer, compreender, decidir algo. ALERTA SOBRE: Agir de uma forma excessivamente minuciosa e calculista. COMO CARTA DO DIA: Uma idéia vibrante irá ajudá-lo hoje a solucionar um problema incômodo ou a compreender algo que tem sido para você um enigma já há algum tempo. Fique de olhos abertos e deixe suas "antenas ligadas". Dessa forma, você terá uma visão ampla da situação e ao mesmo tempo a oportunidade de tomar uma decisão inteligente ou de elucidar algo que já deveria ter sido esclarecido há muito tempo. DOIS DE ESPADAS Símbolos Significado Duas espadas cruzadas Trégua Rosa azul de cinco pétalas Suavidade, apaziguamento, paz Formas geométricas brancas com a mesma forma Equilíbrio, ordem harmônica, paz Duas espadas menores com meia-lua e símbolo de Libra Equilíbrio, tranqüilidade Fundo amarelo-esverdeado Ambivalência Elemento e número Pensamentos (Ar) conciliadores (2) Astrologia: Lua (W) em Libra (j) Sentimentos (W) equilibrados, pacíficos (j); necessidade (W) de harmonia (j) DOIS DE ESPADAS PAZ ASPECTOS GERAIS: Equilíbrio, relaxamento, serenidade, ponderação, justiça, compromisso. VIDA PROFISSIONAL: Tática sagaz nos negócios, negociações justas. cotidiano de trabalho balanceado, encerrar um conflito. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Vivenciar paz interior e equilíbrio. RELACIONAMENTO: Convivência pacífica, companheirismo, igualdade de direitos, harmonia, reconciliação. ENCORAJA A: Soluções justas e equilibradas para a superação de desentendimentos. ALERTA SOBRE: Intransigência e paz aparente. COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve descansar as armas. Uma possível solução para um conflito inflamado surgirá inesperadamente. Não hesite em dar primeiro passo, mostre-se disposto a negociar e faça uma proposta justa para adversário. Para que isso não se torne apenas uma paz aparente, terá de ser encontrado um denominador comum, 259
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    no qual ninguémseja prejudicado. Quando vocês estiverem juntos, mais tarde, fumando cachimbo da paz, você se sentirá bem mais relaxado e satisfeito. TRÊS DE ESPADAS Símbolos Significado Rosa amarela com pétalas caindo Perda da perfeição Espada imponente e duas espadas curvas Conhecimento poderoso e compreensões adicionais Destruição da rosa A compreensão atinge em cheio coração e destrói a beleza e a harmonia Fundo escuro e tempestuoso Infortúnio que se está acumulando, expectativas temerosas, caos Elemento e número Constatações (Ar) seguras (3), mas desagradáveis Astrologia: Saturno (U) em Libra (j) Bloqueio/fim (U) da paz e da harmonia (j) DOR ASPECTOS GERAIS: Notícia ruim, decepção, fraqueza, tristeza, desamparo, caos, desilusão, renúncia, perda. VIDA PROFISSIONAL: Fracasso, ameaça de demissão, falência, cálculo errado, não ser aprovado em um teste, má notícia. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Percepções dolorosas e decepcionantes, porém necessárias. RELACIONAMENTO: Desilusão amorosa, medo da perda, ferimentos, fim do relacionamento, esperanças desiludidas. ENCORAJA A: Abrir-se a uma percepção desagradável, mas inteiramente necessária. ALERTA SOBRE: Utopias que conduzem inevitavelmente a decepções. COMO CARTA DO DIA: Hoje, quer você queira ou não, terá de se confrontar com uma situação desagradável. O seu dia pode ser abalado por um golpe entristecedor, uma notícia decepcionante ou uma decisão dolorosa. Quanto mais controlado e sereno você encarar essa situação, mais rápido ela se resolverá. Portanto, faça que deve ser feito. Dê aquele telefonema desagradável e não adie mais uma vez a sua consulta ao dentista. QUATRO DE ESPADAS Símbolos Significado Cruz de Santo André Sofrimento, martírio Quatro espadas descansando sobre a cruz Pausa que não piora nem melhora a situação Rosa de 49 pétalas Totalidade (7x7), amor e beleza Pontas das espadas encontram-se no centro da flor Faculdades mentais reunidas, concentração, pausa Imagem de estrelas desordenadas ao fundo 260
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    Perspectivas inquietas Elemento enúmero Ponto de vista (Ar) inflexível (4) Astrologia: Júpiter (Y) em Libra (j) Confiança/esperança (Y) na/de paz e justiça (j) TRÉGUA ASPECTOS GERAIS: Paz aparente, retirada temporária, a calmaria antes da tempestade, covardia, pausa forçada, isolamento, concentração de forças. VIDA PROFISSIONAL: Situações de imobilidade, emprego por tempo limitado, trabalho de curta duração, férias forçadas, falta de perspectivas futuras, conflitos adiados. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Percepção de que uma trégua ainda não significa paz. RELACIONAMENTO: Fuga duvidosa de conflitos, repensar a relação, pausa para descanso em uma crise no relacionamento, procurar ajuda de um terapeuta. ENCORAJA A: Aproveitar uma calma temporária para trabalhar na verdadeira solução de um problema. ALERTA SOBRE: A ilusão de achar que tudo está em ordem outra vez. COMO CARTA DO DIA: Não confie no sossego. Uma calmaria não é nenhuma garantia de que a tempestade não recomeçará a qualquer momento. O seu problema só está resolvido aparentemente, e não se resolverá por si só, futuramente. Mesmo que as suas manobras de dispersão tenham vindo na hora certa, para você não ter de se confrontar com esse assunto desagradável, mais importante agora é aproveitar essa oportunidade para encontrar uma verdadeira solução para problema. Símbolos Significado Pentagrama invertido feito de espadas e pétalas de rosa Infortúnio, maldade, golpe baixo Lâminas arqueadas e quebradas Fraqueza Somente a lâmina mais estragada aponta para cima Força fraca de sustentação Rosa de 49 pétalas despedaçada Aniquilamento total, feridas emocionais Luz ao fundo Clareza que nasce do fracasso Elemento e número Percepção (Ar) critica (5) Astrologia: Vênus (R) em Aquário (x) Comportamento na relação (R) individualista, imprevisível, frio (x) CINCO DE ESPADAS DERROTA ASPECTOS GERAIS: Capitulação, traição, humilhação, fracasso, infâmia. VIDA PROFISSIONAL: Fiasco, desastre, chicana, calúnia, assédio moral, bancarrota. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Perceber que evitar conflitos constantemente provoca exatamente contrário, ou seja, invoca a briga. RELACIONAMENTO: Hostilidade, ferimentos mútuos, lutas maldosas pelo poder, vingança, separação, fracasso. 261
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    ENCORAJA A: Pararde evitar os conflitos, ainda que se corra risco de sair perdendo dessa vez. ALERTA SOBRE: Desenvolvimentos perigosos e projetos que estejam condenados ao fracasso. COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve se prevenir. Talvez tenha de se defender contra uma infâmia, uma calúnia maldosa ou uma chicana. Enfrente tudo da melhor maneira possível e mantenha em mente que, mesmo depois de uma "sexta-feira negra", segue um fim de semana no qual você pode se recuperar. Se você conseguir reconhecer a sua participação para que as coisas tenham chegado a esse ponto, talvez consiga evitar passar por uma situação desagradável como essa no futuro. Símbolos Significado Seis espadas formam um hexagrama Penetração mútua (estrela de seis pontas) do mundo espiritual e terreno As pontas das espadas encontram-se no centro de uma rosa-cruz amarela Esforço mental aspira a unidade e a compreensão holística Círculo dentro do quadrado A verdade ( ○ ) eterna oculta na realidade (r) Rede e estruturas semelhantes a cata-ventos Pensamento interligado, flexibilidade mental Elemento e número Conhecimentos (Ar) por meio de Combinações (6) Astrologia: Mercúrio (E) em Aquário (x) Pensamento (E) inovador (x) e reconhecimento (E) filosófico e científico (x) SEIS DE ESPADAS CIÊNCIA ASPECTOS GERAIS: Conhecimento, progresso, abertura, entendimento, objetividade, inteligência. VIDA PROFISSIONAL: Trabalho de equipe, métodos globais de trabalho, trabalhos autônomos, pesquisa, conceitos inovadores, profissões científicas. trabalho interligado, descobertas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Avançar na direção de uma compreensão holística. RELACIONAMENTO: Igualdade de direitos na relação, experimentar coisas novas, vínculos fortes por afinidade, acordos e conversas claras. ENCORAJA A: Sentir prazer em experimentar e investigar áreas desconhecidas. ALERTA SOBRE: Conceitos que sejam muito abstratos ou teóricos e sem alma. COMO CARTA DO DIA: Hoje, procure informar-se. Amplie os seus horizontes intelectuais deixando-se estimular ou indo especificamente atrás de uma informação pela qual você se vem interessando há muito tempo. Navegue na internet, remexa uma livraria, procure por ofertas interessantes em um jornal ou analise programa de cursos oferecidos por alguma instituição na sua cidade. Talvez você possa até programar uma excursão cultural ao teatro, a uma exposição ou a uma palestra interessante. 262
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    SETE DE ESPADAS SímbolosSignificado Espada grande com símbolo do Sol Lucidez, raciocínio estruturado, intelecto Seis espadas menores com símbolos de planetas, que apontam na direção contrária à espada grande Prejuízo e ameaça por meio da ilusão (Netuno), obstinação (Saturno), arrogância (Júpiter), fúria destrutiva (Marte), falsidade (Vênus), falta de escrúpulos (Mercúrio) Fundo azul-claro Superficialidade Elemento e número Reflexões (Ar) perigosas (7) Astrologia: Lua (W) em Aquário (x) Teorias e conceitos (x) inconstantes e instáveis (W) FUTILIDADE ASPECTOS GERAIS: Obstáculos inesperados, prejuízos, iludir a si mesmo, trapaça, covardia. VIDA PROFISSIONAL: Negócios nebulosos, exploração no local de trabalho, tramóias obscuras, intrigas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Desmascarar mentiras sobre a vida, fracassar com as suas boas intenções. RELACIONAMENTO: Deslealdade, hipocrisia, harmonia aparente, intrigas, inconseqüência. ENCORAJA A: Ser sincero consigo mesmo em vez de continuar se enganando. ALERTA SOBRE: Subestimar resistências externas e internas e contar uma vitória como certa. COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve tomar cuidado. As suas boas intenções serão colocadas à prova. Se você subestimar as suas barreiras e fraquezas interiores, pode contar que, em um prazo muito curto de tempo, não conseguirá ir muito mais adiante. Além disso, você estará hoje tendendo a enganar a si mesmo, em vez de encarar a realidade de frente. Por isso, mantenha os olhos abertos ao tratar de contratos ou outros acordos e leia com particular atenção que está escrito em letras miúdas, para não ser ludibriado. OITO DE ESPADAS Símbolos Significado Duas espadas paralelas com as pontas para baixo, cruzadas por diferentes sabres e punhais curvos Força de vontade e firmeza, que são freqüentemente perturbadas por influências contrárias Fundo vermelho-arroxeado irregular Vingança, briga, desgosto Elemento e número Idéias (Ar) inconstantes (8) Astrologia: Júpiter (Y) em Gêmeos (d) Objetivos elevados (Y), que são ameaçados por dúvidas e desuniões (d) 263
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    INTERFERÊNCIA ASPECTOS GERAIS: Avançoslentos por causa de distrações, indecisão, dúvidas, dispersão, danos, inconstância. VIDA PROFISSIONAL: Planos profissionais destruídos ou sabotados, falta de clareza sobre a sua área de competência, obstáculos inesperados dificultam trabalho. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tomar consciência do campo de interferência que prejudica a própria vontade. RELACIONAMENTO: Desavença com relação a objetivos comuns, necessidades diferentes, atrapalhar um ao outro, ter dificuldade em cumprir acordos claros, interferência de terceiros na relação. ENCORAJA A: Perseguir os seus objetivos com determinação, sem deixar que empecilhos desviem do rumo. ALERTA SOBRE: Subestimar distúrbios e irritações. COMO CARTA DO DIA: Tome cuidado, hoje, para não perder fio da meada. Mantenha-se perseverante, paciente e assuma as suas decisões. Não se deixe desanimar, mesmo que alguém interrompa constantemente quando estiver falando, mesmo que você fique preso em um engarrafamento ou que barreiras apareçam à sua frente, vindas de lugares inesperados. Esses empecilhos podem desviá-lo um pouco da sua rota, mas, se você não perder a sua meta de vista, irá por fim alcançá-la. NOVE DE ESPADAS Símbolos Significado Espadas apontadas para baixo, com as lâminas danificadas e ensangüentadas Brutalidade, violência bruta, tirania Veneno e sangue gotejando Ambiente carregado, perigo Estruturas desordenadas em um fundo acinzentado Consciência afunda-se no âmbito sombrio das emoções primitivas Elemento e número Concentração (9) de pensamentos negativos (Ar) Astrologia: Marte (T) em Gêmeos (d) Rigidez impiedosa (T) e premeditação calculista e desalmada (d) CRUELDADE ASPECTOS GERAIS: Adversidades, impotência, fracasso, sentimentos de culpa, preocupações, pânico. VIDA PROFISSIONAL: Estados de medo, não estar apto a cumprir com as exigências, sofrer com a situação de trabalho, ter de realizar uma tarefa que se detesta, medo de provas, nervosismo ao se apresentar em público. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Perder-se em preocupações negativas e autodestrutivas ou fantasias primitivas de violência. RELACIONAMENTO: Medos incontroláveis, insensibilidade, sofrimento por causa de uma separação, crueldades psicológicas, amor e ódio, sede de vingança, choque. ENCORAJA A: Não bancar herói quando há uma possibilidade para escapar. ALERTA SOBRE: Acontecimentos desagradáveis e atitudes sobre as quais você se arrependerá mais cedo ou mais tarde. COMO CARTA DO DIA: Caso você hoje esteja torturando-se ou atormentando-se com dúvidas sobre si mesmo ou imaginando cenários horríveis, faça tudo que puder para despertar mais rápido possível desse pesadelo. Se você estiver realmente sendo 264
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    ameaçado por forçasexternas, existem duas possibilidades de reação: se não tiver para onde correr, faça das tripas coração e enfrente a situação de uma vez por todas; porém, se houver realmente uma saída alternativa, decida-se por ela. DEZ DE ESPADAS Símbolos Significado Dez espadas dispostas na forma da Arvore da Vida A totalidade das forças Nove espadas destroem uma décima (com punho em forma de coração) Forças destrutivas desencadeadas Coração partido com estrela de dez raios O coração de todos os dez centros de energia da Arvore da Vida são destruidos Fundo vermelho-amarelado com estruturas agressivas Atmosfera de "sangues quentes" Elemento e número Somatório (10) de pensamentos hostis (Ar) Astrologia: Sol (Q) em Gêmeos (d) Fragmentação (d) da força vital (Q) RUÍNAS ASPECTOS GERAIS: Fim arbitrário, fazer tabula rasa, colocar um ponto final, dilaceramento, energias destrutivas descontroladas. VIDA PROFISSIONAL: Demissão repentina, interrupção de um projeto profissional, desistência de um trabalho. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreender que se precisa interromper algo. RELACIONAMENTO: Encerrar uma relação, separação dolorosa, destruir algo por estar furioso. ENCORAJA A: Colocar um ponto final e interromper algo imediatamente. ALERTA SOBRE: Forças destrutivas e projetos que estão condenados a fracassar. COMO CARTA DO DIA: Coloque um ponto final. Talvez você seja hoje obrigado a interromper ou desistir inesperadamente de algo que lhe seja muito importante. Pode acontecer também de se sentir aliviado pelo término de algo que há muito tempo vinha sendo um peso para você, deprimindo-o e atormentando. Em todo caso, você deve tomar cuidado para não se deixar levar por uma fúria destrutiva ou jogar algo para alto, atitudes das quais possa se arrepender no futuro. PRINCESA DE ESPADAS Símbolos Significado Guerreira lutando Impetuosidade, impulsividade arrebatada, disposição para lutar Traje leve Mobilidade Elmo com cabeça de Medusa Horror, poder Asas rotativas e transparentes Rapidez, agilidade Altar vazio em nuvens de fumaça 265
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    escuras Saque, que seráagora vingado Céu tempestuoso Espírito excitado, inquietação, fúria ASPECTOS GERAIS: Mulher jovem e intelectual, rebelde, mentalmente ágil e versada, ser espirituoso, clareza, renovação mental, provocação, inquietude,vontade de lutar. VIDA PROFISSIONAL: Conflitos no local de trabalho, disputas por cargos, discussões esclarecedoras, rebelião. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Análise critica de velhos padrões de pensamento. RELACIONAMENTO: Relação movida por interesse, discussões sobre pontos de vista, atmosfera hostil, debates, maldades. ENCORAJA A: Esclarecer uma situação com frieza e determinação. ALERTA SOBRE: "Ventos contrários", ataques e criticas ferinas. COMO CARTA DO DIA: Hoje você não está para brincadeiras. Você está agressivo e sente-se pessoalmente atacado mais rapidamente do que de costume. Obviamente, isso poderá causar problemas. Se você não se importar com isso, deixe que seu mau humor corra solto. Por outro lado, poderá aproveitar a oportunidade para fazer uma autocrítica. Talvez as criticas que estejam sendo feitas a você não sejam assim tão despropositadas e sem fundamento. Se você estiver disposto a ouvir atentamente, isso poderá ajudá-lo bastante. PRÍNCIPE DE ESPADAS Símbolos Significado Figura masculina verde em uma carruagem de combate Inconstância, falta de autocontrole, indecisão, precipitação Esfera verde contendo pirâmide dupla Força mental, racionalidade, espírito analítico Pequenas figuras aladas que puxam a carruagem descoordenadamente Pensamentos adiantados, idéias ainda desordenadas de futuras possibilidades Asas em forma de discos amarelos contendo figuras geométricas Intelecto inspirado Espada Força mental construtiva e reconhecedora Foice Força aniquiladora Fundo claro, acidentado Pensamentos incompletos, indecisão, instabilidade ASPECTOS GERAIS: O intelectual, a pessoa eloqüente, tecnocrata, aquele que está sempre trocando de ponto de vista, independência, desorientação, desenvoltura, ardil, cinismo. VIDA PROFISSIONAL: Inconstância, ausência de diretrizes, clima de trabalho frio, decisões súbitas, idéias distantes da realidade, inovação, presença de espírito. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Deduções precipitadas e superficiais em vez da busca de uma compreensão profunda. RELACIONAMENTO: Resfriamento, necessidade de independência, atmosfera de partida, relação aberta ou racional, línguas afiadas. ENCORAJA A: Brincar com as idéias e questionar com curiosidade. ALERTA SOBRE: Divagações e perigo de perder-se nelas. COMO CARTA DO DIA: Hoje você estará se sentindo indeciso. Você se aborrecerá 266
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    por estar disperso,por não conseguir coordenar suas muitas idéias ou por ser rejeitado pelos outros. Talvez você se confronte hoje com uma pessoa eloqüente e bem esperta. Não deixe que ela confunda com sua astúcia e não se transtorne com seu cinismo ou pela confusão que ela provoca. 0 melhor a fazer é comprar essa briga. RAINHA DE ESPADAS Símbolos Significado Mulher sobre uma montanha de nuvens Ápice do conhecimento, visão geral clara Espada Raciocínio claro e aguçado Cabeça cortada de um homem Libertação de dependências, castração mental Coroa de cristais Idéias cristalizadas, inteligência pura Cabeça de criança adornando a coroa Força renovadora Céu azul-escuro Espírito bondoso RAINHA DE ESPADAS ASPECTOS GERAIS: Engenhosidade, lucidez, independência, presença de espírito, mulher racional, culta, emancipada, critica, esperta, individualista. VIDA PROFISSIONAL: Habilidade para negociar, soberania, trabalhos com intelecto, autonomia, desenvoltura, atividade de aconselhamento ou mediação. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer as suas dependências e libertar-se delas. RELACIONAMENTO: Relação justa de igual para igual, relacionamento funcional, ligação sem paixão, permanecer solteiro, terminar um relacionamento sufocante. ENCORAJA A: Argumentar com lucidez e agir com independência, habilidade e esperteza. ALERTA SOBRE: Cinismo e frieza calculista. COMO CARTA DO DIA: Hoje poderá lhe ocorrer um lampejo de fato genial. Se você conseguir identificar que vem constrangendo ou bloqueando ultimamente, terá boa chance de conseguir libertar-se, de uma vez por todas, por meio de uma decisão clara. Preste atenção para que, nos seus esforços em agir com independência, você não seja muito radical, senão acabará afastando-se muito do seu objetivo. Hoje também pode acontecer de uma mulher inteligente desempenhar um papel importante no seu dia. Mantenha os seus ouvidos atentos para escutar que ela tem a lhe dizer. CAVALEIRO DE ESPADAS Símbolos Significado Cavaleiro com armadura verde avançando para ataque com espada e punhal Capacidade intelectual determinada, perspicácia, necessidade de conhecimento Cavalo dourado A sabedoria mais elevada, força cognitiva 267
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    Asas rotativas etransparentes em cima do elmo Mobilidade, rapidez, destreza Cavaleiro e cavalo como uma unidade Vínculo intenso entre intelecto e instinto Andorinhas voando Pensamentos direcionados para uma meta Céu tempestuoso azul-esbranquiçado Impetuosidade ASPECTOS GERAIS: Versatilidade, discernimento, flexibilidade, inteligência. objetividade, racionalidade, calculismo; homem inteligente, eloqüente, espirituoso, determinado, conselheiro experiente. VIDA PROFISSIONAL: Capacidades analíticas, habilidades comerciais, espírito justo de equipe, receber um bom conselho, estabelecer um contato proveitoso, conceitos direcionados a uma meta, dinâmica, atividades estratégicas de consultoria ou mediadoras. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Direcionar-se rumo a novas metas, repleto de idéias. RELACIONAMENTO: Relação descomplicada, porém instável; experimentos no relacionamento, pouca vontade de assumir um compromisso; relacionamento agitado que se baseia na liberdade de escolha e não na obrigação. ENCORAJA A: Distanciar-se para poder fazer uma idéia objetiva da situação. ALERTA SOBRE: Ser conduzido apenas por pensamentos teóricos. COMO CARTA DO DIA: Hoje você irá diretamente ao seu objetivo. Você poderá entusiasmar as outras pessoas com os seus planos, já que possui os conceitos mais convincentes e os melhores argumentos, além de apresentá-los com charme e espirituosidade. Aproveite essa clareza mental, sobretudo para tomar decisões que já deveriam ter sido tomadas. Caso você esteja com um problema que não consegue resolver há muito tempo, procure hoje a ajuda profissional de um especialista. Símbolos Significado Moeda dourada no centro de uma esfera móvel esverdeada, contendo três anéis no seu interior Da união de opostos (1 e 2) surge uma nova vida (3) O número 666 no ponto central Número da Grande Besta do Apocalipse O número 1 acima do número 666 O símbolo da "Prostituta Babilônia", aquela que cavalga a Besta42 ( seu número é 666 + 1 = 667) TO MEGA QHPION (grego To Mega Therion = a Grande Besta) Nome da Besta do Apocalipse, "título" que Crowley conferiu a si próprio Estrela de sete pontas cercada por 268
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    dois pentagramas sobrepostos,que constituem ponto central de um decágono Selo sagrado da Ordem Astrum Argentum, uma das ordens místicas fundadas por Crowley Elemento e número Chance (1) enriquecedora (Terra) Astrologia: Os signos do Elemento Terra: Touro (s), Virgem (h), Capricórnio (v) Prazer (s), senso de realidade (h) e estabilidade (v) _________________________ 42. Ver ilustração do Trunfo XI = Volúpia. ÁS DE OUROS ASPECTOS GERAIS: Prosperidade, sorte no âmbito material, saúde, força interior e exterior, estabilidade, chance de um êxito duradouro, sensualidade. VIDA PROFISSIONAL: Boa chance para ganhar dinheiro e progredir profissionalmente, emprego garantido, negócios promissores. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Experiências e conhecimentos valiosos e enriquecedores. RELACIONAMENTO: União sólida e duradoura, atração física, desfrute de prazeres sensuais. ENCORAJA A: Aproveitar a chance para alcançar algo valioso e desfrutá-lo. ALERTA SOBRE: Assumir uma atitude puramente materialista e gananciosa. COMO CARTA DO DIA: Tente hoje forjar a sua própria sorte. Procure uma pechincha, seja indo às compras, em uma agência de viagens ou no boletim de cotação da bolsa de valores. Reconheça a oportunidade que se apresenta principalmente para todas as intenções e investimentos que não tenham como objetivo vantagens a curto prazo. Coloque hoje a pedra fundamental para um projeto no qual as perspectivas a longo prazo lhe sejam muito importantes. DOIS DE OUROS Símbolos Significado Serpente coroada, mordendo a sua própria cauda e formando assim um oito deitado (símbolo do infinito) e, com isso, englobando dois símbolos Yin-Yang Eterna interação e mudança no campo de tensão das polaridades originais Quatro triângulos: símbolos dos quatro elementos nas suas cores respectivas Mudança em todos os planos da existência Fundo violeta Fé, confiança Elemento e número Combinação (2) de possibilidades concretas (Terra) Astrologia: Júpiter (Y) em 269
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    Capricórnio (v) Expansão (Y)e concentração (v) MUDANÇA ASPECTOS GERAIS: Modificação, intercâmbio flexível, fertilização mútua, variação. VIDA PROFISSIONAL: Troca de emprego, reestruturação, estabilização dos objetivos alcançados ou novo crescimento após uma consolidação bem--sucedida. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão da importância vital dos ritmos de crescimento e retrocesso. RELACIONAMENTO: Cotidiano movimentado, novo impulso, transformações dentro de uma união estável, paquera descompromissada. ENCORAJA A: Dedicar-se ao pólo oposto, que era até momento mais negligenciado. ALERTA SOBRE: Dispersar-se por ser inconstante. COMO CARTA DO DIA: Hoje você poderá se confrontar com um conflito de interesses, no qual tenha de jogar com aparentes contradições. Permaneça flexível e deixe as opções abertas. Qualquer atitude parcial irá agora conduzi-lo forçosamente a um beco sem saída, no qual você será, por causa de circunstâncias externas, obrigado a modificar as suas idéias. Se, por outro lado, você dispuser de possibilidades variadas, será possível agregar posições, que até momento eram opostas, para formar uma totalidade. TRÊS DE OUROS Símbolos Significado Pirâmide de luz Cristalização da força criadora Três rodas vermelhas, sobre as quais a pirâmide está apoiada A trindade poderosa entre corpo, a mente e a alma produz as formas visíveis da nossa realidade tridimensional Oceano agitado ao fundo Potencial original inesgotável, do qual tudo é criado Elemento e número Valores (Terra) seguros e estáveis (3) Astrologia: Marte (T) em Capricórnio (v) Elaborar e dar forma (T) à realidade, à matéria (v), com vigor (T) e uma resistência perseverante (v) TRABALHO ASPECTOS GERAIS: Tomar atitudes concretas, realizar idéias, estabelecer estruturas, avançar lentamente, porém com continuidade, perseverança. consolidação. VIDA PROFISSIONAL: Estabilizar que já foi alcançado, fazer progressos. realizar projetos, fase de edificação profissional, criatividade, dedicação e .capacidade, trabalho sólido. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Esforçar-se para obter os fatos. RELACIONAMENTO: Construção de uma relação saudável, estabilidade, enfrentar dia-a-dia juntos, cooperação harmônica. ENCORAJA A: Proteger e consolidar bem que já foi alcançado. ALERTA SOBRE: Dinamismo desorientado. 270
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    COMO CARTA DODIA: Hoje você deve arregaçar as mangas. Está na hora de realizar com determinação aquela tarefa que você vem adiando com desânimo até momento. Isso poderá significar construir um novo futuro: organizar seu jardim, fazer um saneamento nas bases da sua relação ou estruturar as suas finanças, tanto faz. Remova da sua frente as coisas que estão bloqueando seu caminho e leve seu plano adiante passo a passo, até que você esteja satisfeito com resultado. QUATRO DE OUROS Símbolos Significado Quatro torres quadradas como pilares de uma fortaleza quadrada Estabilidade, lei, estrutura e ordem Área cercada por muros e fossos Refúgio seguro Equilíbrio dos Quatro Elementos: Fogo (O), Ar (M), Terra (L), Água (N) Estabilidade, controle da realidade Elemento e número Segurança (Terra) estável (4) Astrologia: Sol (Q) em Capricórnio (v) Realização pessoal e vitalidade (Q) por meio de segurança, estrutura e ordem (v) PODER ASPECTOS GERAIS: Estabilidade, garantia, senso de realidade, controle, estruturação. VIDA PROFISSIONAL: Aumento de segurança e poder, elaboração clara de conceitos, distanciamento saudável, resolução de problemas, colocar ordem, habilidade para organizar. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Apostar em conhecimentos já comprovados. RELACIONAMENTO: Consolidação da relação, estabelecer relações claras, proteger a relação de ameaças externas. ENCORAJA A: Estabelecer limites e proteger que já foi alcançado. ALERTA SOBRE: Enfrentar mundo com uma viseira na frente dos olhos. COMO CARTA DO DIA: Hoje você conseguirá resolver algo que já aborrece há muito tempo. Você conseguirá afastar que tem incomodado ou esclarecer e estruturar uma situação confusa. Não hesite em demarcar seu terreno nitidamente e proteger-se de ataques invejosos ou hostis. Assuma responsabilidades e concentre-se completamente nas coisas que estão ao seu encargo. Aproveite dia, se for possível, para colocar algo importante a salvo. CINCO DE OUROS Símbolos Significado Cinco discos ligados por linhas, no centro dos quais está representado um símbolo dos cinco Tattwas43 respectivamente A coordenação de forças As linhas que unem os discos formam um pentagrama com a ponta virada para baixo Conexão de influências negativas, 271
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    direcionamento errado Luz irradiadapela engrenagem Boas possibilidades no segundo plano, que são encobertas por um desenvolvimento desfavorável Elemento e número Crise (5) material (Terra) Astrologia: Mercúrio (E) em Touro (s) Raciocínio (E) imobilizado, obstinado (s) PREOCUPAÇÃO ASPECTOS GERAIS: Perplexidade, medo de perder algo, dificuldade, esforços improdutivos, frustração, nada funciona. VIDA PROFISSIONAL: Crise econômica, falta de perspectivas, cargo instável, assédio moral, trabalho em projetos deteriorados, projetos sem perspectivas. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Envolver-se com pesadelos e pensamentos negativos. RELACIONAMENTO: Ligação desgastada, exercer uma influência negativa um no outro, crise no relacionamento, medo de perder algo, prejudicar-se mutuamente, fazer acusações maldosas um ao outro insistentemente. ENCORAJA A: Dar uma guinada e tomar um outro rumo. ALERTA SOBRE: Envolver-se cada vez mais profundamente em uma situação sem saída. COMO CARTA DO DIA: Hoje a maré estará baixa para você financeiramente, ou por algum motivo você será obrigado a restringir os seus gastos. De qualquer forma, não será um dia em que as coisas correrão facilmente. Se você estiver envolvido em uma situação problemática, não se torture mais desnecessariamente. Verifique se seu esforço ainda vale a pena. Ainda que a constatação seja dolorosa, talvez tenha chegado a hora de seguir outro caminho mais promissor e que poupe de mais frustrações. SEIS DE OUROS Símbolos Significado Estrela de seis pontas e hexágono circundam um círculo de luz União harmoniosa, intensa e fértil Seis discos com os símbolos da Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno sob a luz do Sol Interação harmoniosa das forças dos planetas sob uma luz favorável Rosa-cruz no ponto central Força espiritual, luz interior Fundo avermelhado Aurora, nascer do Sol Elemento e número Ligação bem-sucedida (6), valores materiais (Terra) Astrologia: Lua (W) em Touro (s) Fertilidade (W) e crescimento (s), sentimentos (W) de abundância e de prazer (s) SUCESSO ASPECTOS GERAIS: Crescimento, lucro material, interação favorável de forças, desenvolvimento satisfatório. VIDA PROFISSIONAL: Cooperação frutífera, boa situação financeira, atividade lucrativa, novo começo com promessa de êxito, bom planejamento e coordenação. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Superar as contradições internas e ficar em paz consigo mesmo. 272
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    RELACIONAMENTO: Harmonia, ligaçãofrutífera, apoio mútuo, felicidade no amor. ENCORAJA A: Aproveitar as condições favoráveis para a realização de um propósito. ALERTA SOBRE: Não destruir equilíbrio das forças por causa de expectativas exageradas ou tendenciosas. COMO CARTA DO DIA: Este dia será um sucesso. Se for preciso, reúna forças para tomar um novo impulso. Você realizará com facilidade tudo aquilo que até agora estava confuso ou vinha dando errado, seja isso um trabalho incômodo, a complicada coordenação dos seus compromissos ou seu programa de exercícios físicos. Mesmo que se trate de uma melhoria das suas condições financeiras, de qualquer forma, não deixe que este dia passe sem que aproveite. SETE DE OUROS Símbolos Significado Sete discos de Saturno feitos de chumbo e pendurados em plantas murchas Desmoronamento, enfraquecimento, perecimento Discos arrumados como na figura geomântica Rubeus Infortúnio Fundo escuro roxo-azulado Mundo das sombras, definhar da vida, caos Elemento e número Segurança (Terra) ameaçada (7) Astrologia: Saturno (U) em Touro (s) Bloqueio, fim, despedida (U) de posses e estabilidade (s) FRACASSO ASPECTOS GERAIS: Esperanças destruídas, circunstâncias desgastadas, azar, infelicidade, pessimismo, perda. VIDA PROFISSIONAL: Fracasso de um projeto, alerta sobre investimentos errados, ameaça de demissão, falência, desemprego. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tomar conhecimento dos lados efêmeros e ameaçadores da vida. RELACIONAMENTO: Tempos mórbidos, crise. medo da perda. reconciliação fracassada, desmoronamento de um relacionamento. ENCORAJA A: Reconhecer a falta de perspectivas e afastar-se. ALERTA SOBRE: Fracassos e agarrar-se ao que já está morto. COMO CARTA DO DIA: Tome cuidado, pois algo pode dar errado. É melhor deixar para fazer amanhã as coisas que são de fato importantes para você. Talvez você tenha de presenciar perecimento ou definhamento de algo. Não tente manter isso vivo artificialmente. O seu tempo já chegou ao fim. Quanto mais rápido você se der conta disso, mais cedo terá a chance de superar decepção e a crise que acompanham essa situação. OITO DE OUROS Símbolos Significado Oito discos posicionados como a figura geomântica Populus 273
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    Lucrar ao nãofazer nada Árvore bem enraizada Crescimento sadio Flores vermelhas de cinco pétalas, protegidas por folhas Frutos vigorosos amadurecem sob uma proteção Fundo amarelo-dourado Percepção clara Solo verde-avermelhado Vitalidade natural Elemento e número Novo começo (8) cauteloso (Terra) Astrologia: Sol (Q) em Virgem (h) Índole (Q) atenciosa, prudente, cautelosa (h) OITO DE OUROS PRUDÊNCIA ASPECTOS GERAIS: Reinicio cuidadoso, moderação, habilidade, zelo, paciência. VIDA PROFISSIONAL: Procedimento taticamente inteligente, habilidade ao negociar, previsão cuidadosa, poder esperar por uma ocasião mais favorável, deixar que tempo trabalhe a seu favor. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão profunda dos processos naturais de crescimento. RELACIONAMENTO: Recomeço cauteloso. relação atenciosa entre os parceiros, vínculo amadurecido, planos familiares, expectativas realistas. ENCORAJA A: Aproximar-se cautelosamente de um propósito e deixar que tempo trabalhe a seu favor. ALERTA SOBRE: Idéias que ainda não estão amadurecidas e uma colheita antes do tempo. COMO CARTA DO DIA: Recoste-se e deixe que tempo trabalhe por você. Você tem um bom faro para perceber que é viável e deverá planejar com calma todos os passos seguintes. Somente impaciência, leviandade e burrice podem impedir um bom resultado. Por isso, não se deixe pressionar por uma eventual pressa no ambiente à sua volta. De preferência, em vez disso, faça alguma coisa pelo seu bem-estar físico e mental. NOVE DE OUROS Símbolos Significado Nove discos, dos quais seis são representados como moedas Solidificação e materialização das perspectivas de êxito da carta SEIS DE OUROS O grupo de cima representa os planetas masculinos Marte (T), Júpiter (Y), Saturno (U) Crescimento externo, ambição mental O grupo de baixo representa Mercúrio (E)(andrógino) e os planetas femininos Lua (W) e Vênus (R) Profundidade emocional, confiança 274
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    instintiva Grupo no centrocom círculos e raios verdes, vermelhos e azuis Água, Fogo e Ar unem-se em frente ao fundo cor de terra = realização, concretização Tons de verde intenso ao fundo Solo fértil Elemento e número Concentração (9) de possibilidades valiosas (Terra) Astrologia: Vênus (R) em Virgem (h) Fortuna (R) faz a colheita (h) GANHO ASPECTOS GERAIS: Mudança de rumo favorável, prosperidade, golpe de sorte, aumento de bens materiais. VIDA PROFISSIONAL: Aproveitar uma chance lucrativa, tarefa recompensadora, modificações agradáveis, aumento de salário, realização profissional, ter lucros. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Percepções surpreendentes e enriquecedoras. RELACIONAMENTO: Encontro que traz felicidade, sentir-se realizado quando se está a dois, desenvolvimentos agradáveis, uma mudança favorável. ENCORAJA A: Confiar na sua própria sorte. ALERTA SOBRE: Passar da hora certa de recolher os lucros. COMO CARTA DO DIA: Prepare-se para uma surpresa agradável. Ela poderá vir pelo correio, chegar como uma visita inesperada ou possivelmente estar à sua espera no seu local de trabalho. Também não fará mal se você der uma ajudazinha à sua própria sorte, tomando uma iniciativa. Aproveite momento propício e saia à caça do tesouro. Faça alguma coisa que você até então nunca tenha ousado, experimente algo novo ou compre ao menos um bilhete de loteria. DEZ DE OUROS Símbolos Significado Dez discos representados como moedas de ouro Riqueza exterior Disposição das moedas na forma da Árvore da Vida44 Riqueza interior Símbolos mágicos de Mercúrio Fascinação exercida pelo dinheiro e saber lidar habilmente com ele O disco que se encontra na posição mais baixa45 é maior de todos Perigo de superestimar significado de posse e afundar em uma ambição materialista Discos roxo-enegrecidos ao fundo Advertência sobre estagnação e inutilidade Elemento e número Abundância (10) de valores sólidos (Terra) Astrologia: Mercúrio (E) em Inteligência e habilidade (E) na área Virgem (h) comercial (h) 44. Símbolo cabalístico que representa a totalidade da criação. 45. A posição mais baixa na Árvore da Vida cabalística corresponde à Terra. RIQUEZA 275
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    ASPECTOS GERAIS: Sucessosconcretos, riqueza, condições garantidas. ter alcançado a sua meta. VIDA PROFISSIONAL: Bons negócios, condições de trabalho ideais, negociações bem-sucedidas, cotidiano de trabalho satisfatório, segurança. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tomar consciência da sua própria riqueza interior e exterior. RELACIONAMENTO: Valorização da relação, rede de relações estável, convivência prazerosa, desfrutar a riqueza do relacionamento. ENCORAJA A: Fazer bons negócios e alegrar-se pelo sucesso. ALERTA SOBRE: Preguiça e acúmulo de bens materiais de uma forma sem sentido. COMO CARTA DO DIA: Hoje, utilize os vários recursos disponíveis. Os frutos estão só esperando para serem colhidos. Tome consciência da sua riqueza e proporcione algo de bom para si e para os outros. Se você estiver para fechar um negócio, ou se aparecer uma boa oportunidade para ganhar dinheiro, você deve aproveitar dia para fazê-lo. Tudo que você tocar hoje tem a tendência de se transformar em ouro. PRINCESA DE OUROS Símbolos Significado Mulher grávida Força criadora Ponta de cristal luminoso Luz cristalina, que nasce da matéria escura Lança que penetra a terra Junção física entre a energia masculina e a feminina Manta de pele de ovelha, chifres de carneiro Comunhão com a natureza, selvageria original Rosa da deusa Ísis com símbolo Yin-Yang no centro União harmoniosa entre as energias masculina e feminina originais, que geram beleza e vida nova Árvores que se erguem para céu com raízes luminosas O bosque sagrado, que une Céu à Terra ASPECTOS GERAIS: Mulher jovem, sensual e fértil, naturalidade, criatividade, crescimento, gravidez. VIDA PROFISSIONAL: Trabalho na natureza ou para a natureza, atividade prática, atividade manual, trabalho com animais ou plantas, perspectivas lucrativas, criatividade. Plano da Consciência: Disposição para deixar-se "fertilizar". RELACIONAMENTO: Relacionamento sensual, amor caloroso, vínculo duradouro e fértil, aumento da família, construir algo conjuntamente. ENCORAJA A: Captar um impulso fecundo e empregá-lo com criatividade. ALERTA SOBRE: Fixar-se unicamente a valores materiais. COMO CARTA DO DIA: Hoje, você se encontra no terreno da realidade. Atividades concretas irão atraí-lo muito mais do que idéias mirabolantes e especulativas. Com seu senso prático para solucionar as coisas, você conseguirá com facilidade organizar seu dia-a-dia. Caso trabalho no jardim ou algum outro trabalho manual tenha sido negligenciado nos últimos tempos, você sentirá hoje prazer em realizar essas tarefas. Além disso, sentirá uma enorme vontade de se deliciar com os prazeres da vida. Reserve para isso bastante tempo e aproveite a ótima oportunidade. 276
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    PRÍNCIPE DE OUROS SímbolosSignificado Homem nu em uma carruagem puxada por um touro, com um elmo em forma da cabeça de touro Força selvagem, sensualidade Globo com círculos e a figura de um paralelepípedo no centro Mundo dos aspectos visíveis, as estruturas da ordem cíclica Cetro Coroação da obra Círculos concêntricos ao fundo Ciclos no decorrer do ano Espigas e flores Fertilidade, comunhão com a natureza Frutos na carruagem Fertilidade e potência PRÍNCIPE DE OUROS ASPECTOS GERAIS: Homem jovem e enérgico, homem de ação, pessoa com capacidade de resistência imperturbável (um "rolo compressor"), senso de realidade, pessoa conseqüente, perseverança, concentração, atividade. VIDA PROFISSIONAL: Trabalhar com perseverança na direção de uma meta estipulada, talento para comércio, atividade recompensadora. relação profissional duradoura, agricultura e jardinagem. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Aguçar senso de realidade. RELACIONAMENTO: Estabilidade, experiências sensuais intensas. confiabilidade, sentir-se seguro, construir alguma coisa conjuntamente. ENCORAJA A: Manter-se firme e concretizar suas metas com perseverança e coerência. ALERTA SOBRE: Mania de onipotência e obstinação sem fantasia. COMO CARTA DO DIA: Hoje, ninguém ou nada poderá derrubá-lo. Você seguirá seu caminho firmemente com a resistência e senso de realidade necessários para concretizar com êxito as suas tarefas. Você estará sentindo-se tão forte e em tão boa forma que certamente não se esquivará de nenhuma prova de força. Porém, você iria gostar mais ainda de se dedicar a um prazer sensual, qual você pudesse desfrutar intensamente. RAINHA DE OUROS Símbolos Significado Mulher sentada em um trono em forma de abacaxi Rainha da fertilidade, Mãe Terra Armadura feita de moedas Segurança, senso para valores materiais Enormes chifres retorcidos como adorno na cabeça Força instintiva, vitalidade, libido Cetro com cristal direcionado para alto 277
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    Percepção clara, ligaçãoentre espírito e a matéria Esfera com círculos que se interceptam Ciclo eterno de nascimento e morte Deserto com rio ao fundo Escassez e solidão superadas Cabrito montês sobre globo terrestre Representante da perseverança do elemento Terra RAINHA DE OUROS ASPECTOS GERAIS: Fertilidade, proteção e aconchego, sensualidade, serenidade, perseverança, mulher experiente e madura, mãe, tranqüilidade, paciência, estabilidade, confiabilidade. VIDA PROFISSIONAL: Disposição para assumir responsabilidades, projetos que valem a pena, estabilidade, capacidades práticas, administrar com competência, garantia profissional. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Confiar pacientemente nos ciclos naturais da vida. RELACIONAMENTO: Confiança mútua, estabilidade, relação madura, fidelidade, constituir uma família, proteção e aconchego. ENCORAJA A: Dedicar-se a uma tarefa concreta com perseverança e paciência. ALERTA SOBRE: "Matar-se de trabalhar" sem ter razão e esforçar-se de uma forma sem imaginação para acumular bens. COMO CARTA DO DIA: Hoje, não se deixe confundir por ninguém ou ser colocado sob pressão. Faça aquilo que você resolveu fazer com calma e tranqüilidade. Você sabe que um bom vinho leva anos para amadurecer. Por isso, não perca de vista a sua meta a longo prazo, e semeie seu campo com paciência e cuidado, para que você possa colher abundantemente. Hoje também uma mulher com um instinto materno e um carisma natural e sensual pode desempenhar um papel importante para você. Confie no conselho que ela lhe dará. CAVALEIRO DE OUROS Símbolos Significado Cavaleiro montado em um cavalo Comunhão com a terra, natureza robusto que está parado instintiva, senso de realidade, firmeza Armadura negra Segurança Sela vermelha Atividade, natureza impulsiva e criadora, potência procriadora Mangual e cereais maduros Colheita, fertilidade Elmo aberto para trás, adornado com Percepção ampliada, abertura para cabeça de veado aspectos intelectuais Escudo negro circundado por O espírito criativo une-se à matéria círculos luminosos ASPECTOS GERAIS: Firmeza, sobriedade, perseverança, valores estáveis. confiança, retidão, homem maduro e sensual, realista, pragmático. garantia de segurança. VIDA PROFISSIONAL: Cargo de responsabilidade, habilidade para comércio, maneira coerente de proceder, bons negócios, rendimentos seguros, qualidades práticas, senso sólido para assuntos que dizem respeito a bens imobiliários. PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tomar consciência da responsabilidade que resulta de se possuir algo. RELACIONAMENTO: Relação estável, sensualidade, valorização mútua, confiança. ENCORAJA A: Desfrutar de uma conquista e empregar seus meios e suas 278
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    possibilidades responsavelmente. ALERTA SOBRE:Teimosia e acúmulos desnecessários. COMO CARTA DO DIA: Hoje, você deve contemplar os frutos dos seus esforços e desfrutar do seu sucesso. Tome consciência da sua riqueza e descanse sobre os louros da vitória. Se lhe ocorrerem idéias sobre planos que você gostaria de realizar a seguir, é um bom sinal. Mas, tão bom e tão importante quanto isso, seria nos próximos tempos proteger intensamente que já foi conquistado. Talvez um homem bondoso, porém com um jeito austero, desempenhe um papel importante para você no dia de hoje. Ouça os seus conselhos ou aceite as suas sugestões. 10 CURSO DE TAROT - ELIANE GANEM INICIAÇÃO E PRÁTICA NOS 22 ARCANOS MAIORES Este livro pode ser baixado gratuitamente no site http://www.elianeganem.com 279
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    APRESENTAÇÃO Para estudar Tarotnão é necessário se aprofundar nos mistérios. O Tarot em si já é um grande mistério a ser desvendado. Vivemos numa época de expansão, e os mistérios tão bem guardados e parcamente distribuídos agora já estão acessíveis a toda a humanidade. Pois sejam bem-vindos. Num momento de conturbação social, em que o destino de nossa pequena Terra aparece encoberto por uma densa poeira, o poder que realmente protege os mistérios está ruindo, como na carta da Torre, indicando que um poder oculto por muito tempo da humanidade — e que pode ser seu bem maior e verdadeiro — jamais reverterá em benefício. Por isso, hoje, correm todos, na tentativa de suprir rapidamente as deficiências de um mundo de alienação e entorpecimento. Esperamos que não seja tarde demais. A humanidade está dividida entre aqueles que colocam no outro o seu conflito, o que resulta em guerras e manifestações de violência e terror, e aqueles que já descobriram que o conflito está no interior de cada um de nós. E que será através do auto-conhecimento que teremos a maturidade de alcançarmos a transformação. Por isso, aqui dou de presente ao leitor, na expectativa de que ele faça excelente proveito, parte do caminho que trilhei na busca incessante de uma compreensão maior de mim mesma. Vasculhei alguns mistérios, arrombei portas que teimavam em permanecer entreabertas por trincos fortes, mas inseguros. Muito aprendi. Portanto, este livro tem a intenção sincera de ensinar Tarot primeiro através da compreensão intelectual das cartas, depois através da experiência das cartas, o que dará a você, leitor, a real compreensão dos arquétipos. Procurei aqui simplificar ao máximo o entendimento, evitando o intrincado jogo de ocultamente de que lançam mão alguns autores. Espero ter conseguido. Introdução Este livro tem a intenção básica de iniciar o leitor nos mistérios dos 22 Arcanos Maiores do Tarot, de forma simples, objetiva e direta. Compreendendo 22 lições, de zero a vinte e um, nas quatro últimas vamos encontrar exercícios práticos que formarão a base necessária para que qualquer pessoa possa desenvolver determinadas características indispensáveis a um bom Tarólogo. A maior parte das 22 lições nasceu das minhas próprias observações a respeito de cada uma das 22 lâminas que compõem os 22 Arcanos Maiores do Tarot. As cartas de Tarot que aqui utilizamos são as do Tarot de Marselha, por sua beleza e simplicidade, pela disponibilidade existente no mercado e também por conservar praticamente intactos os símbolos e signos do original Tarot que nos chegou através do Tarot dos Boêmios, mais tarde resgatados no Tarot de Marselha. Os 56 Arcanos Menores, restantes no baralho, não nos interessam aqui. Ficarão guardados na expectativa de um aprofundamento sempre necessário, já que a compreensão dos 22 Arcanos Maiores já é um empreendimento de fôlego e que leva alguns estudiosos a dedicarem muitos anos de suas vidas. Os Arcanos Menores serão estudados em outra oportunidade. Para que Serve o Tarot 280
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    O Tarot formaum conjunto de 78 cartas, sendo 22 cartas identificadas como Arcanos Maiores e 56 como Arcanos Menores. Os Arcanos Menores são mais conhecidos, já que possuem características semelhantes ao baralho de cartas comum. Realmente, o Tarot serve para muitas oportunidades de nossas vidas. Serve para adivinhar, para acrescentar emoção às nossas dúvidas, serve para duvidar mais ainda, para esclarecer, para preencher horas de solidão, para entreter pessoas em festas desanimadas. Mas serve, também e principalmente, para se mergulhar naquilo que chamamos de alma humana. Aliás, no palco onde está sendo encenada essa tragicomédia humana, sempre vemos os personagens travestidos como nos arquétipos. Estudar Tarot, de uma forma ou de outra, é compreender as nossas aflições e dificuldades e antever os nossos medos e angústias. É compreender nossos limites para transpô-los. Não é uma tarefa, mas um prazer às vezes doloroso. Não é, na verdade, algo que se estude, mas algo para ser estudado enquanto sujeito, já que o objeto verdadeiro somos nós mesmos. Muitas e muitas vezes, quando abri o Tarot tive a sensação exata de que ele é quem me abria e me desvendava. Muitas e muitas vezes, parecia até que eu não estava preparada para o que lia nas cartas, mas se lia é porque já havia a compreensão intuitiva de um processo inconsciente que ali se completava. Estudar Tarot é bater papo com o nosso inconsciente. É tornar consciente algumas verdades que nos são reveladas na medida do nosso amadurecimento. E, a não ser que você seja um apaixonado das emoções humanas, o Tarot lhe parecerá apenas cartas bem ilustradas. Portanto, estudar Tarot é ter a nítida compreensão de si mesmo e de seus semelhantes. É ter o perdão latente e a compaixão suficiente para compreender no outro o que já foi causa de profundo sofrimento em você mesmo. O Tarot será seu espelho. Em cada lâmina você encontrará momentos ou facetas de sua própria personalidade e também a compreensão necessária da auto-aceitação e do desprendimento. Breve História do Tarot Para Court de Gobelin, a palavra Tarot tem o significado de “estrada real da vida”. Na sua opinião, o Tarot originou-se no antigo Egito e representava a história da criação do mundo e das três primeiras eras. Os quatro naipes se destinavam a representar os quatro estados políticos do Egito e como estes se organizavam. Espada – os soberanos e a nobreza militar Paus ou Vara – os agricultores Copas – os sacerdotes e o clero Moedas – os comerciantes em geral Em conferência pronunciada para uma extensa platéia em sua época, Gobelin se reportou ao fato de que a humanidade possui um livro de extrema sabedoria, originário do antigo Egito, mas que esta mesma humanidade, por ignorância, desconhece o tesouro que possui. Este livro é o Tarot. : “Ele é tudo o que resta, na nossa época, das magníficas bibliotecas do Egito. E ele é tão ‘vulgar’ que nenhum estudioso achou por bem se incomodar, pois antes jamais alguém suspeitou de sua origem.” 1 Esta teoria egípcia, defendida por Gobelin, é a mais aceita, já que foi muito bem fundamentada por ele. Para ele, o jogo de Tarot é baseado no número 7, número sagrado entre os egípcios. Associando determinadas figuras das cartas com os deuses egípcios e mais a reconstrução da rota que 281
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    o Tarot tomoupara chegar à Europa, Gobelin conseguiu recolher argumentos incontestáveis para a sua teoria. Também para G.O. Mebes, o Tarot tem sua origem no antigo Egito. Os sacerdotes, em Memphis, certos de que a civilização egípcia estava em seus últimos dias de esplendor, ocultaram seus conhecimentos sob a forma de um baralho, na esperança de que, pelo hábito do jogo, sobrevivessem e um dia fossem compreendidos. Os ciganos, que para Gobelin foram egípcios que se dispersaram na Europa, também teriam introduzido o Tarot na Índia. Este fato pode ser comprovado, já que a língua cigana é um dialeto puro do sânscrito, idioma erudito hindu. Por isso, para alguns autores, a palavra Tarot parece ser derivada da palavra cigana “TAR”, que significa “mago de cartas” e que em sânscrito tem o nome de “TARU” 2, que também significa “estrada real da vida”. De acordo com alguns autores, a primeira aparição do Tarot na Europa data de 1392 e era considerado o tesouro da corte do Rei Carlos VI, da França. Jacquemin Gingoneur as desenhou especialmente para diversão deste rei. Nas se sabe se Gingoneur as criou ou apenas copiou algum baralho existente. Já Alliette, o famoso cabeleireiro, mago e alquimista, que apregoava aos quatro cantos ter mais de 2000 anos, declarou que o Tarot foi concebido 171 anos após o Dilúvio. Hermes Trimegisto e mais dezessete magos teriam escrito o livro de Thot sobre folhas de ouro, num templo situado em Memphis, Egito. Há também uma outra teoria. De que os Arcanos Maiores são originariamente independentes dos Menores. Na verdade, os Arcanos Menores guardam semelhança com as cartas de Tarot dos hindus e dos chineses. Mas o mesmo não acontece com os Maiores. É possível que os quatro naipes dos Arcanos Menores tenham uma correspondência com as quatro castas do hinduísmo. Copas significaria os sacerdotes ou Brahâmanes. Espadas, os guerreiros ou Kshatriyas. Ouros, comerciantes ou Vaisyas. E paus, servos e sudras. Já os Arcanos Maiores se aproximam do simbolismo e dos ensinamentos que o budismo pregou principalmente na Índia e na China. O Louco, por exemplo, seria a representação alegórica dos monges errantes ou sannyasines. O Imperador e a Imperatriz seriam Suddhodana, Rei dos Sakyas, e sua esposa Maya Devi, pais de Buda. O Carro seria o mesmo carro de Vishnu. A Roda da Fortuna, a roda do renascimento e do Karma. O Diabo seria Yama, o deus com cabeça de touro. E o Mundo seria o Monte Meru, rodeado pelos quatro Dhyani Budas. Eliphas Levi é quem, no entanto, percebe associações possíveis entre o sistema cabalista dos hebreus e as lâminas do Tarot. Os 22 caminhos da Árvore da Vida, na Cabala, teriam correspondência com os 22 Arcanos Maiores do Tarot. Levi assegura que o Tarot não é outro senão o “livro atribuído a Enoque, Sétimo Mestre do mundo depois de Adão, pelos hebreus; a Hermes Trimegisto, pelos egípcios; a Cademus, o misterioso fundador da cidade santa, pelos gregos”. Em seu livro, Dogma e Ritual de Alta Magia, ele declara: “Como um livro cabalístico erudito, todas as combinações que revelam a harmonia preexistente entre símbolos, letras e números, o valor prático do Tarot é verdadeiramente, e acima de tudo, maravilhoso. Se um prisioneiro 282
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    desprovido de livrostivesse apenas um Tarot e soubesse como fazer uso dele, em poucos anos poderia adquirir um conhecimento universal e poderia conversar com inigualável doutrina e inexaurível eloqüência.” 3 Wirth, renomado mestre do Tarot, no século XIX, diz que a paternidade do Tarot, no entanto, se deve ao gênio coletivo dos “imagiers” medievais, recolhidos de um conjunto simbólico disperso através dos séculos, por entre a casualidade e o trabalho de reconstituição de alguns eruditos. Na Itália, na França, assim como em outros países da Europa, o jogo de cartas sempre esteve presente. A invenção do Tarot é inseparável da história dos jogos, que num certo momento passou a ter a companhia dos Arcanos Maiores, aí introduzidos, talvez, para dissimular sua filiação esotérica. Muitas são as vertentes, mas todas são unânimes em atribuir ao Tarot a sabedoria que a humanidade preservou, mesmo que inconscientemente, como seu mais precioso tesouro. De qualquer forma, os ciganos em 1398, recém-chegados ao quadrilátero da Boêmia, se espalharam pela Suíça, Itália e, depois, Espanha. É através do Tarot dos Boêmios que se atribui a expansão do Tarot e da Cartomancia na Europa. A partir daí, os simples jogos de cartas passaram a ter uma conotação adivinhatória popular. Lição 1 – Os três caminhos Os Arcanos Maiores do Tarot, da carta 0, O Louco, à carta 21, O Mundo, podem ser divididos em três caminhos distintos, mas que se complementam e interagem uns com os outros, já que infinitas combinações podem ser feitas com as cartas e seus posicionamentos. Toda a trajetória que vamos seguir pelas cartas do Tarot é uma trajetória do Mago, esta primeira carta com suas descobertas e o seu desenvolvimento. A Carta do Louco, carta 0, não pertence ao caminho do Mago. Ela significa o próprio caminho em si, ficando fora do baralho, para nossa melhor compreensão. O primeiro caminho que o mago percorrerá irá da carta 1 até a 9, e se chama Caminho Seco ou da Razão, ou do concreto ou matéria. Da carta 10 até a 18, Caminho Úmido ou da Emoção ou da vivência interna dos sentimentos e das sensações. E da carta 19 a 21, Caminho do Meio ou da Iluminação ou da Libertação. Colocamos então as cartas sobre a mesa, da seguinte maneira: Da carta 1, O Mago, até a carta 5, O Papa, temos a metade do primeiro caminho, e que seriam os indícios de uma elaboração teórica do processo de vida. Da carta 6, O Enamorado, até carta 9, O Eremita, a segunda metade deste primeiro caminho, teríamos movimentos concretos para se colocar o resultado dessa elaboração teórica em prática. Da carta 10, A Roda da Fortuna, à carta 14, A Temperança, temos a metade do segundo caminho, ou seja, os embates emocionais a que estamos sujeitos. E da carta 15, O Diabo, à 18, A Lua, a segunda metade do segundo caminho, como esses embates poderiam se expressar de forma prática, digamos assim, em nossa emoção. Ou seja, como vemos nestas últimas cartas as manifestações do “divino” em nossas emoções. Ou como tentação, carta 15; ou como corte, carta 16; ou como sincronicidade, carta 17; ou como magia, carta 18. Da carta 19 à carta 21, estamos livres tanto da primeira quanto da segunda via, e já podemos trilhar o nosso caminho como nós mesmos, sob a 283
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    orientação única eexclusiva do nosso mestre interior. A cada carta do Tarot corresponde uma letra hebraica e seu respectivo valor numérico, um hieróglifo, um signo zodiacal, um astro e uma afirmação que o revela. Isso nos importa na medida em que precisamos ampliar nossa compreensão para sistemas mais abrangentes do que os que estamos acostumados. Todo sistema lingüístico é constituído por círculos (ou pontos) e retas, inclusive a linguagem dos modernos computadores. No nosso alfabeto, por exemplo, temos que a letra A é formada por três retas que se organizam visualmente para que as possamos identificar como A, diferente da letra F, cujas três retas são organizadas de forma espacialmente diferente. Já a letra B são dois semicírculos que se sobrepõem, e assim por diante. 4 No hebraico também há essa correspondência entre círculos e retas, apesar do desenho serifado às vezes nos confundir. Para cada letra há o seu correspondente numérico, com pesos que variam de 1 a 900. Isso significa que nem sempre uma palavra hebraica tenha para o leigo o mesmo significado que para o iniciado, este último com maior compreensão dos símbolos desta língua. Por exemplo, uma frase banal em hebraico pode escamotear uma mensagem preciosíssima, inteligível apenas para poucos iniciados. Para ilustrar o que foi dito, podemos comparar estes sinais com os gestos e olhares expressivos que usamos em nossa cultura ocidental e que compõem um quadro de significações para além de nossa língua, ininteligíveis, por exemplo, para um indígena ou para um asiático. São esses sinais que, invariavelmente, de uma forma mais ou menos rica, compõem aquilo que está para além da língua. Por outro lado, ao excluirmos do nosso idioma determinadas letras como o y, o k e o w, estamos violando regras significativas que vão repercutir em todo o Sistema Lingüístico de que nos servimos há século. Os sons e a representação espacial dessas letras foram cassadas, provocando um empobrecimento de que só nos damos conta a nível muito inconsciente. Em geral, os alfabetos são formados por 22 letras, assim como os Arcanos Maiores do Tarot. E toda a sabedoria egípcia que os formou e articulou diretamente com o alfabeto egípcio (os hieróglifos) soube conservar a correspondência necessária entre os arquétipo, os sons que eles provocam no universo e o desenho espacial, ou a representação desses sons. O quadro da página seguinte traz de forma resumida o essencial que precisamos saber para compreender melhor o foi dito acima. Para que possamos compreender melhor o quadro, vamos tomar a carta 1 como exemplo. A primeira letra do alfabeto hebraico (Aleph) e o seu hieróglifo correspondente estão expressos no arquétipo do Mago. Até mesmo na postura do corpo, a figura do Mago nos sugere a letra A do nosso alfabeto ocidental. A interpretação do hieróglifo, ou seja, o que este hieróglifo significa em sua origem, é Ser Humano. O valor numérico correspondente em hebraico para a letra Aleph é 1, cujo peso é 1, e o astro que o rege é Mercúrio (deus do comércio, da eloqüência e dos ladrões, para os romanos). Em algumas cartas, o signo zodiacal substitui o astro, significando que os signos que as regem, prevalecem. A interpretação dos hieróglifos nem sempre nos é clara, mas um pouco de reflexão nos ajudará. Na carta 1, Ser Humano, nos remete ao fato de que o um é a primeira manifestação no universo. Sendo o universo representado pelo zero, o vazio, 284
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    o TAO. Na carta2, Boca Humana, significa a forma como o um (humano) se comunica e se expressa com o zero, ou com o que não é humano. ou seja, silenciosamente através de uma sincronicidade com o cosmo e de uma sabedoria inerente à carta da Papisa. Letra hebraica Nome da letra hebraica Valor Letra N° Arcano Nome Arcano Corresp. Astrol. Interpretação dos hieróglifos ‫ א‬Aleph 1 A 1 O Mago Mercúrio Ser Humano ‫ ב‬Beth 2 B 2 A Papisa Lua Boca Humana ‫ ג‬Ghimel 3 G 3 A Imperatriz Vénus Mão que Ampara ‫ ד‬Daleth 4 D 4 O Imperador Marte Seio que Alimenta ‫ ה‬He 5 E 5 O Papa Aries Boca que Respira ‫ ו‬Vam 6 V 6 O Enamorado Gémeos Olho, ouvido ‫ ז‬Zaim 7 Z 7 O carro Câncer Flecha em movimento reto ‫ ח‬Heth 8 H 8 A Justiça Libra Campo para cultivo ‫ ט‬Teth 9 T 9 O Eremita Virgem Tetoprotetor ‫ י‬lod 10 J 10 A Roda Netuno Dedo Indicador ‫ כ‬Caph 20 C 11 A Força Leão Mão apertando algo ‫ ל‬Damed 30 L 12 O Enforcado Peixes Mão aberta ‫ מ‬Mem 40 M 13 A Morte Júpiter Uma mulher ‫ נ‬Num 50 N 14 A Temperança 285
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    Sagitário O fruto ‫ ס‬Sarnech 60 S 15O Diabo Capricórnio Flecha em movimento circular ‫ ע‬Hayn 70 CH 16 A Torre Touro Uma ligação material ‫ פ‬Phe 80 PH 17 A Estrela Aquário Boca com Língua ‫ צ‬Tzadek 90 Ts 18 A Lua Escorpião Cobertura Opressora ‫ ק‬Kuf 100 K 19 O Sol Urano Um machado ‫ ר‬Reish 200 R 20 O Julgamento Saturno Cabeça numária ‫ ת‬Thof 400 TH 21 O Mundo Sol Um peito abrangente ‫ ש‬Shin 300 SH 0 O Louco Plutão Flecha em movimento oscilante Na carta 3, Mão que Ampara, significa que a Mãe Terra ampara nossos pés e nos dá um ponto de referência. Na carta 4, Seio que Alimenta, significa que é o Imperador que nos provê, pois ele realiza no concreto o necessário à nossa sobrevivência. Na carta 5, Boca que Respira e também aspira sobre nós a quintaessência, é a que nos individualiza e nos dá a essência das coisas como compreensão primeira do universo. Todo o universo respira através de nós. Na carta 6, Olho e Ouvido, ou O que Tudo Vê e Ouve, portanto observa. Assim como He e lod, esta letra Vau faz parte do nome de Deus (lod- He-Vau-He) em hebraico. Na carta 7, Flecha em Movimento Reto, significa que o Carro tem uma direção, já decidida anteriormente, a trilhar. Na carta 8, Campo para Cultivo, significa que A Justiça cultiva o campo de acordo com os bens comuns de cada época. Na carta 9, Teto que Protege, protege o Eremita na busca de si mesmo. 286
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    Na carta 10,Dedo Indicador, é o dedo que indica a entrada e a saída da roda do karma. Na carta 11, Mão Apertando Algo, é a certeza da decisão nos punhos fechados da Força. Na carta 12, Mão Aberta da renúncia e do sacrifício voluntário. Na carta 13, Uma Mulher, que ao dar a vida dá também a morte como parte de um mesmo processo. Na carta 14, 0 Fruto, que necessita de tempo para amadurecer. Na carta 15, Flecha em Movimento Circular indicando o eterno retorno da lei do karma. Na carta 16, Uma Ligação Material, pois toda vez que algo se rompe significa que havia algo a que estávamos ligados. Na carta 17, Boca com Língua, como realização da expressão cósmica universal. Na carta 18, Cobertura Opressora, já que a densidade da nossa opressão se faz sentir através de uma identificação com o "divino". Na carta 19, Um Machado, necessário para se abrir uma brecha na Cobertura Opressora da carta 18, inundando de sol o espaço de toda a lâmina da carta 19. Na carta 20, Cabeça Humana, mais identificada com o Terceiro Olho ou o Olho de Shiva, que transmuta o julgamento humano em nova visão dos nossos julgamentos interiores. Na carta 21, Um Peito Abrangente, se refere ao chakra do coração, que se abre em conexão direta com o "divino". Na carta ZERO, Flecha em Movimento Oscilante, típico de quem está no caminho. LIÇÃO 2 – ARCANOS MAIORES DE 1 A 5 Nesta Lição, vamos aprender o significado das cartas de 1 a 5, e seus aspectos positivos e negativos. CARTA 1 – O MAGO Toda a trajetória que vamos seguir pelas cartas do Tarot é uma trajetória do Mago, esta primeira carta com suas descobertas e o seu desenvolvimento. O Mago, como o nome já diz, é aquele que consegue solucionar, muitas vezes magicamente, as situações que a vida lhe reserva. Por ser o um, é o indivisível, o coeso, o princípio yang masculino. Ele está em pé, de frente e segura em sua mão esquerda um bastão, símbolo do seu poder, e com a mão direita ele manipula os elementos que estão sobre a mesa. A mesa representa a realidade concreta que o Mago tem a sabedoria de usar a seu favor. Os quatro elementos estão representados na faca (ar), na moeda (terra), no pote azul (água) e no pote vermelho (fogo). Usa o chapéu semelhante a um oito deitado, símbolo do infinito, que o conecta com o divino no topo da lâmina (representado pela linha superior da carta). Seus pés estão assentados no chão. E apesar de estar de frente, ele olha algo no passado. Suas emoções estão em equilíbrio na roupa azul e vermelha, seus cabelos amarelos indicam que ele usa o intelecto também em suas magias. O cinto 287
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    amarelo separa oseu corpo em duas partes, indicando que há uma cisão intelectual entre o plano inferior da matéria e o plano mais sutíl das emoções. O Mago é o prestidigitador, o renovador, o novo em qualquer empreendimento. Ele é a busca do caminho para ser o retorno a si mesmo. Em seus Aspectos Positivos, o Mago significa: vontade, realização, renovação. Como personalidade, quem tira esta carta é jovem, inovador, espontâneo, astuto, manipulador, habilidoso, determinado. Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta, significa oportunista, esperto, malandro, aproveitador, prestidigitador, ladrão, inexperiente, inquieto, inseguro. CARTA 2: A PAPISA O Mago ao sair do seu estado indivisível se depara com o olhar da Papisa, ou seja, com o dois, com o divisível, com a dualidade, com a ambiguidade. Ele experimenta aí o aspecto feminino yin, de si mesmo. Senta no trono da Papisa e a reconhece na sabedoria de um passado que ele abandonou para trilhar o caminho da separatividade. A Papisa olha para o seu passado de Mago enquanto repousa em seu colo o Thot, o livro da vida, que ela mesma escreve. Está sentada de lado, as pernas parecem estar unidas sob as vestes. Carrega a chave da sabedoria na cruz azul que lhe atravessa o peito. Se conecta com o divino através do chapéu de Papisa amarelo (intelecto) e vermelho (emoção). O véu atrás encobre não só o seu trono, mas também os mistério que só ela conhece, permitindo acesso a poucos iniciados. A Papisa representa o saber, o oculto, a experiência adquirida no passado e reaproveitada no presente. Ela é passiva – até mesmo o fato de estar sentada indica essa passividade - pois a sua forma elaborada de saber é necessária para expressão de sua dualidade. Em seus Aspectos Positivos, a Papisa significa sabedoria, compreensão, intuição, sagacidade, cultura. No sentido positivo, quem tira esta carta é introvertido, receptivo, intuitivo, silencioso, perspicaz, bruxo. Em seus aspectos negativos, significa: infidelidade, corrupção, encobrimento, situações escusas e às escondidas. No sentido negativo, quem tira esta carta é traiçoeiro, fofoqueiro, individualista, superficial, platônico, infiel e bruxo, no sentido negativo. CARTA 3 – A IMPERATRIZ Aqui o Mago encontra o três ou a solução da dualidade da Papisa. O Mago mais a Papisa se desdobram na Imperatriz, que é o espírito feminino por excelência. É a mãe terra, a protetora, a que dará à luz por absoluto entendimento de sua natureza. É a doadora, a geradora em todos os níveis da existência. Está de frente, suas pernas aparentemente estão abertas sob as vestes demonstrando a intenção de gerar. Em sua mão direita está o cetro do poder encimado pela cruz-de-malta. E em sua mão esquerda traz o escudo 288
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    com a águia,símbolo da sabedoria aguçada e da conexão com os nossos centros superiores. As colunas encobertas da carta da Papisa aqui se transformam nas colunas do trono da Imperatriz. Toca o divino através de sua coroa dourada e o cinto vermelho das emoções envolvem seu intelecto, simbolizado pelo amarelo em seu cabelo e em sua coroa, equilibrando-o. O número três, além de ser a solução da dualidade, é também o número do equilíbrio, o caminho do meio dos yogues. A terceira via ou o caminho da criatividade renovada. Em seus Aspectos Positivos, A Imperatriz significa: beleza, liderança, refinamento, sofisticação, praticidade. Esta carta significa o próprio consulente, caso este seja do sexo feminino. Pode significar mãe e esposa. Independente do sexo, quem tira esta carta é sofisticado, prático, realizador. Em seus Aspectos Negativos significa futilidade, vaidade, auto-suficiência, ambição, narcisismo. CARTA 4 - O IMPERADOR Solucionando o impasse da dualidade através do equilíbrio da carta três, A Imperatriz, agora o Mago pode dar forma às ideias tornando-as concretas no mundo das aparências. O Imperador é uma carta de realização no plano material. Sentado, mas numa atitude ativa, já que parece disposto a levantar do seu trono se for necessário, o Imperador tem a perna direita sobre a esquerda formando o número quatro, o número humano da concretude física. O homem, provido de intelecto, emoção, corpo e espírito exibe a quadrinidade expressa na carta do Imperador. Por estar em situação de poder absoluto, o Imperador pode ser benevolente com seus súditos. Pode reinar com rigor e amor. Seu cetro, semelhante ao da Imperatriz, mas em posição contrária à dela, está seguro em sua mão direita, mão do discernimento, e sob o trono o escudo com a águia demonstra que O Imperador tem domínio total sobre a sabedoria que jaz aos seus pés. A sua coroa resvala no divino e apesar de ser amarela (intelecto) com um adorno vermelho (emoção), seu cabelo é azul, o que lhe dá o equilíbrio necessário nas suas decisões. Apesar de olhar para o passado, a sabedoria aguçada representada no escudo pela águia, está de frente, sugerindo ser o Imperador conservador até o momento em que isto não interfere decisivamente no presente. Sua cintura também é cortada por um cinto (amarelo) provocando uma cisão entre o aspecto mais denso da matéria e o aspecto mais fluido da emoção e do intelecto. O colar que ele traz no peito é símbolo de sua subordinação aos desígnios divinos. Em seus Aspectos Positivos, O Imperador significa concretização, realização material, fartura, autoridade, paternidade. Quem tira esta carta é competente, consciente, firme em suas decisões. Pode significar marido ou amante. Pode representar o próprio consulente, se este for do sexo masculino. Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta é autoritário, conservador, acomodado, machista, amante egoísta, esquematizado, agressivo. 289
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    CARTA 5 –O PAPA Concretizado o mundo, resta ao Mago superá-lo. O número cinco é o número da quinta-essência ou da superação da matéria para outro plano, o espiritual. Aqui, as colunas encobertas da Papisa estão aparentes e sedimentadas. O Papa olha para o futuro, apesar de retirar do passado a experiência de um velho ancião. A bênção papal é, nesta carta, uma espécie de ritual de iniciação, de passagem do conhecimento para as duas crianças (os coroinhas) que estão aos pés do trono. Carrega a cruz papal, símbolo do encontro entre o plano material e espiritual, em sua mão esquerda, e a sua coroa toca o divino na extremidade superior. O Papa é o legislador, o organizador do caos, o protetor e o que consagra os fiéis na ordem estabelecida. Conservador por natureza é, no entanto, um exímio político, capaz de mudar as regras caso estas não atendam mais aos interesses comuns. O Papa, em seus Aspectos Positivos, significa: rigor, casamento, instituição, conciliação. Quem tira esta carta é crítico, conciliador, juiz, legislador, guia espiritual, mestre. Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta é preconceituoso, conservador, celibatário, dogmático, rotineiro, mestre do senso-comum. Então, vamos ver se você assimilou o principal de cada carta. Associe o número 1 à figura do Mago. Feche os olhos e tente se conectar com o que o 1 significa realmente. O 1 que há dentro de você, indivisível, integrado, coeso, o seu único ser verdadeiro. Faça o mesmo com o número 2, a dualidade da Papisa, a ambigüidade, os dois lados de uma situação. A aparente passividade da reflexão, já que é uma atividade interna. Observe os seus pensamentos e veja o movimento que eles fazem, se para o passado ou para o futuro, pois o presente jamais é pensado. Esses dois momentos que já não existem mais, a não ser na cabeça da gente. Essa é a nossa ambigüidade verdadeira, o nosso verdadeiro ocultamente. Faça o mesmo com a carta da Imperatriz, o número três, a realização da trindade. O pai e o filho gestados pelo espírito feminino. Esta é a carta da Deusa, reverenciada nos ritos da Antiguidade, e também hoje ainda nos rituais dedicados ao feminino e à Terra. A carta do Imperador, número 4 é a passividade redobrada da Papisa que se levanta para concretizar o real. O número 5 é o poder de sutílização, de ser mestre de algum ofício, de ser o seu próprio mestre, aquele do qual você extrai o aprendizado de sua própria vivência. Entre em conexão com essas cartas e só então passe para a lição seguinte. Lição 3 – Arcanos Maiores de 6 a 9 Nesta lição, vamos aprender o significado das cartas 6 até 9, e seus aspectos positivos e negativos. CARTA 6 – O ENAMORADO 290
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    Após a suainiciação com o Papa, o Mago se depara então com a primeira contradição em sua vida. Terá que escolher entre aquilo que já conhece, e torna seguro o caminho a ser trilhado, e o novo, aquilo que desconhece. A figura central oscila entre duas mulheres. À sua direita, ou no passado, vemos uma mulher mais velha, provavelmente a mãe que lhe supre todas as necessidades e exigências. E do seu lado esquerdo, no futuro, uma jovem que lhe toca o coração com uma das mãos. Na verdade, a escolha parece estar feita, pois o Cupido, símbolo do amor apaixonado, no alto da carta aponta para a jovem. Carta de escolha, a dúvida permanece mais no olhar do jovem que se vira para o passado, enquanto seu coração se volta para o futuro. Esta carta seria a primeira tomada de consciência para o fato de que somos responsáveis pelo nosso destino, daí a nossa primeira dúvida real, a nossa primeira divisão, que pode também significar o primeiro encontro com o nosso próprio ser. É uma carta de harmonia, pois a escolha é sempre uma confluência de atenções tanto do nosso coração quanto da nossa mente. A conexão com o divino se faz através do amor. O jovem, ainda inexperiente, tem as pernas descobertas, está desprotegido diante do rumo que seguirá. A ousadia é que o levará a trilhar este novo caminho em sua vida. Como é uma carta que envolve três pessoas, no plano afetivo pode significar também a ambigüidade de um relacionamento a três. Em seus Aspectos Positivos, O Enamorado representa harmonia, beleza, arte, paixão, amor. Quem tira esta carta é sedutor, atraente, contemplativo, comunicativo, artista. Em seus Aspectos Negativos, significa: dúvida, indecisão, infidelidade, irresponsabilidade, ambigüidade. CARTA 7 – O CARRO Após a escolha da Carat 6, o Mago parte com O Carro. Esta carta significará não só uma maior ligeireza no caminho, mas também a possibilidade de ampliação de suas escolhas. É o que chamamos de livre arbítrio. Como a primeira tomada de consciência ocorreu na carta 6, aqui o nosso cavaleiro sabe que qualquer caminho escolhido implicará em ser responsável pelo que possa acontecer. Por isso, as duas mulheres anteriores da carta 6 aqui aparecem representadas por dois cavalos fogoso, cada um querendo seguir um rumo diverso do outro. Cabe ao cavaleiro, com rédeas firmes, dar uma direção à sua carruagem. Tem o cetro, o que indica que ele tem o poder de decidir o que melhor lhe aprouver. Tem pressa, por isso usa O Carro ao invés das pernas. Está conectado com o divino através da carruagem, que ostenta as colunas da Papisa, agora desdobradas em quatro. Isso significa que o saber e o poder adquiridos serão redobrados durante o percurso. Traz em cada ombro uma máscara, que ele poderá usar como recurso útil em sua jornada. Em seu corpo ostenta uma armadura que o protege, já que as cores aí estão colocadas em perfeito equilíbrio. É um observador sagaz, que assiste àquilo que vai pelo mundo, com o olhar de um atento 291
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    viajante. Quem tira estacarta é criativo, batalhador, alegre, valente, pioneiro, vitorioso, líder. Em seus Aspectos positivos, O Carro significa sucesso, vitória (outro nome dado a esta carta), livre-arbítrio, ação, conquista, decisão, rapidez, agilidade. Em seus Aspectos Negativos, significa: derrota, agitação, pressa, negligência, submissão, fuga. CARTA 8 – A JUSTIÇA É o momento em que o Mago, de posse do conhecimento que tem do mundo, passa a julgar as atitudes humanas. As colunas da Papisa aqui também encobrem as emoções (vermelho) que A Justiça tenta afastar de seus julgamentos. Apesar de sua roupa ser vermelha na altura do coração, ela está cingida por uma corda amarela (intelecto) que a mantém rigidamente investida da racionalidade. Traz em sua mão direita uma espada, útil para os pequenos cortes das imperfeições humanas. E na mão esquerda, a balança onde pesa e pondera os atos para o julgamento final. Não é cega, tem os olhos abertos, por isso nos parece mais cruel até do que a tradicional justiça de olhos vendados. Esta a tudo assiste e nem por isso se deixa influenciar pelas emoções ou por qualquer tentativa de envolvimento. Dura, rígida, imparcial, A Justiça é o fiel da balança, o equilíbrio que muitas vezes necessitamos em inúmeras situações de nossas vidas. Enquanto O Papa legisla, A Justiça executa as leis. Em seus Aspectos Positivos, A Justiça significa racionalidade, imparcialidade, equilíbrio, julgamento, questionamento, heranças, casamento, estabilidade, ponderação. Quem tira esta carta é racional, metódico, imparcial, equilibrado, ou seja, dotado dos atributos mencionados acima. Negativamente, significa: fanatismo, rigidez, intolerância, abuso de poder, extrema racionalidade, divórcio, cobranças, frigidez, desequilíbrio mental, conservadorismo, severidade. CARTA 9 – O EREMITA Cansado da Justiça dos homens, o Mago se volta para dentro de si mesmo, talvez no intuito, quem sabe, de observar sem julgamento o caminho do seu próprio crescimento espiritual. O Eremita se volta para o passado para onde lança a luz de seu pequeno lampião. É do passado que ele pode retirar a compreensão do presente. Caminha para lá na tentativa de tomar consciência dos seus atos aqui e agora. Tem a sabedoria da sua própria luz interna, representada no lampião em sua mão direita. O seu cetro é um bastão que o guia num caminho nem sempre reto e desprovido de surpresas. Cabelo azul, significando apaziguamento da mente, é por ele que se conecta com o divino, diretamente, sem mediações, já que não usa chapéu nem coroa. Carta da sabedoria adquirida, o Eremita é o buscador que não se ilude mais 292
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    na sua busca.Sabe que o que necessita está dentro dele, bastando apenas ter a luz necessária para enxergar. Em seus Aspectos Positivos, o Eremita significa sabedoria, solidão, maturidade, meditação, autonomia, consciência, profundidade, astúcia, orientação, prudência. Quem tira esta carta é discreto, cauteloso, mestre, crítico silencioso, sábio. Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta é individualista, egoísta, introvertido, tímido, frustrado, conservador, maníaco, escapista, auto-suficiente, sofre de visão curta e de prudência exagerada. Lição 4 – Arcanos Maiores de 10 a 14 Nesta lição, vamos nos deter no significado das cartas 10 até 14, e seus aspectos positivos e negativos. CARTA 10 – A RODA DA FORTUNA Aqui O Mago retorna a si mesmo. O 10 volta ao l — a soma dos algarismos de 10 é igual a 1 — para novo começo. O Mago agora depara com a Roda. A engrenagem que o faz repetir, ingressando agora na via úmida do Tarot. As três figuras da Roda oscilam de momento a momento, já que a Roda dificilmente pára. O macaco da direita, em breve, poderá estar à esquerda e logo a seguir no topo. Assim como também os outros podem tomar outros lugares à medida que a Roda gira. Semelhante à roda da vida, onde uns caem e outros levantam, na Roda da Fortuna nada está parado. Não está assentada em terra firme, pois se vê água sob ela, o que a torna não só instável, mas também navegadora no curso da maré. São os altos e baixos, momentos de oscilação. Mas é também, em seu sentido positivo, ganhos materiais inesperados. A Roda da Fortuna, em seus Aspectos Positivos, significa: fortuna, progresso, ganho material, conclusão, mudança para melhor, ganhos em jogos, conquista do nosso próprio centro, transformação, desafio para superação. Em seus Aspectos Negativos significa instabilidade, oscilação dos humores, azar inesperado, inquietação, ansiedade, inconstância, excitação mental, perdas materiais. CARTA 11 – A FORÇA Ameaçado pela oscilação constante da Roda Da Fortuna, o Mago se dirige para A Força que há dentro dele. Mais maduro, mais consciente do processo que o aprisiona, agora tem condições de subjugar os instintos com a suavidade com que a mulher na carta domina o leão. Em total equilíbrio, já que a roupa azul que lhe cobre o corpo é revestida apenas da energia do vermelho em seus ombros e costas, A Força é a personificação do controle das emoções aliado à impressão que já tem de si mesma. Sua roupa aparece aberta na altura do coração, o que significa que ela não tem mais medo de mostrar abertamente o que se passa dentro 293
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    de si. Conectao divino através do seu chapéu que, semelhante ao do Mago, representa o símbolo do infinito. Em seus Aspectos Positivos, A Força significa docilidade, ternura, firmeza, honestidade, autodomínio, persuasão, inteligência. Quem tira esta carta é firme, honesto, tem energia e força interna, possui força física e mental. Conhece seus impulsos e controla seus instintos. Negativamente, esta carta significa rigidez, controle, tirania, indiferença, tensão, dominação, autoritarismo. CARTA 12 – O PENDURADO Após a compreensão que adquiriu de si mesmo, O Mago descobre a sua verdadeira prisão. Localizada no passado, essa prisão coloca aquele que um dia foi Imperador, de cabeça para baixo. O mesmo número quatro que o Imperador desenha com as pernas está aqui no Pendurado de forma invertida. Ou seja, as quatro qualidades do aspecto humano encontram-se aqui de pernas para o ar. As colunas da Papisa agora sustentam a forca do Pendurado, que sofre as piores humilhações. Sua morte será lenta e dolorosa, já que O Pendurado morre por asfixia nessa posição. Sua cabeça se dirige para a terra, o aspecto mais material e mais denso de sua natureza. Apesar de estar de frente, O Pendurado sofre a prisão do passado. E o ar que falta é o ar da renovação. Em seus Aspectos Positivos, O Pendurado significa: idealismo, entrega, rendição, doação, renúncia, sacrifício, arrependimento, superação do ego, espiritualidade. Para quem é desenvolvido espiritualmente, tirar esta carta pode significar aquilo que os católicos chamam de "cordeiro de deus". Em seus Aspectos Negativos, quem tira esta carta é masoquista, impotente, frustrado, auto-destruidor, suicida. Está preso no passado desta vida ou em algum gancho não resolvido em vidas passadas. São pessoas que tendem ao martírio e sacrifício. Deprimidas e desorientadas pela culpa, tentam se purificar através de algum tipo de martírio interno ou externo. CARTA 13 – A MORTE E então o Mago encontra A Morte. Ou física ou de outra natureza. Não importa. O que importa é que a morte aqui significa limpeza. Acostumados que estamos a associar A Morte apenas ao indesejável, esquecemos que, por já estar embutida na vida, A Morte é a purificação necessária da própria vida. Que o que está deteriorado possa ser imediatamente reprocessado por ela. É necessário um terreno limpo de velhas plantas, para que novas sementes brotem. Esta é a função do ceifador que aparece na carta. Função de limpar e renovar o solo para que novas vidas, novas idéias, novas atitudes possas surgir. Na carta, A Morte corta tudo o que está no chão: mãos, cabeças, ou seja, todo o passado que congelava O Pendurado na carta anterior. É necessário que O Pendurado 294
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    tome a atitudede um ceifador para poder se libertar. A Morte se conecta com o divino diretamente e o ponto vermelho ao final de sua coluna é a energia emergente da kundalini aqui representada. Em seus Aspectos Positivos, A Morte significa limpeza, transformação escolhida, renascimento, conclusão, renovação, mudança do antigo eu, mudança para o estrangeiro, morte física, rompimentos necessários. Em seus Aspectos Negativos, significa: separação afetiva, morte física, radicalismo, morbidez, cortes indiscriminados, morte de ideais, rompimentos desnecessários, excesso de limpeza. CARTA 14 – A TEMPERANÇA Após A Morte, resta ao Mago alquimizar o que sobrou. Revitalizar, digamos assim, através de um processo paciente de depuração interior. Após a destruição da Morte, o que restou necessita passar por uma revisão para um reaproveitamento em novas bases. Aqui, as colunas da Papisa se transformam nas asas do anjo. Possibilitado de voar, esse anjo deve transmutar, através da água que corre de um jarro para outro, todas as seqüelas, traumas e negatívidades provenientes das duas cartas anteriores. É também um processo de maturação e de captação de energia nessa jornada do Mago. Com a emoção equilibrada, A Temperança se conecta com o divino através do chakra coronário representado na flor vermelha em sua cabeça. Tem os cabelos amarelos, indicando que a sua depuração também é intelectiva, o que a torna mais protegida ainda contra os excessos da Morte. A Temperança é o perdão para nós mesmos. A Temperança, positivamente, significa transmutação, alquimia, maturação, depuração, consciência ampla, experiência, paciência, fidelidade, moderação, temperança, espera, discernimento, compreensão, compaixão, perdão, notícias pelo telefone. Em seus Aspectos Negativos, significa: esterilidade, morosidade, dificuldade, lentidão, sofrimento, saudosismo, complicação. Em geral, as pessoas que tiram esta carta são pessimistas, pesadas, adoram reclamar de tudo. Tratam a vida como um grande problema a ser resolvido, daí a dificuldade em resolver qualquer coisa. Ao sintonizar com o número 10, na verdade, estamos sintonizando com o Todo e a Integração. O 10 é a união do universo com a individualidade. É o encontro do homem com Deus. Já o número 11 é o segundo número da iniciação. Os povos primitivos iniciavam seus jovens exatamente aos 11 anos de idade. É o momento do ingresso na vida social da tribo, como pequenos adultos dotados já da capacidade da auto-sobrevivência. O número 12 é o encontro do indivíduo com a sua dualidade. É o momento de rever padrões de comportamento antigos, que não se sustentam mais, nos dividem e nos tornam enforcados em nosso próprio destino. O número 13 é a morte da matéria. Número do azar para os supersticiosos. Um número que exige reflexão madura para a superação dos nossos preconceitos. O número 14 é o número da depuração dos três números anteriores. Entre em intimidade com esses números antes de passar para a lição seguinte. 295
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    Lição 5 –Arcanos Maiores de 15 a 18 Nesta lição vamos aprender o significado das cartas 15 a 18 e seus respectivos aspectos positivos e negativos. CARTA 15 – O DIABO É claro que depois de uma certa reclusão consciente, quando colocamos em dia os resultados de uma transformação em nossas vidas, surge um fogo que nos assola mas também nos embala. Partimos para a criação de algo novo. O poder da criatividade está aqui representado pelo Diabo. É a carta das paixões, da criação, mas também da perdição. Depende de como ela, com a sua energia poderosa, pode influenciar cada um de nós. É a energia sexual, a libido, e por isso mesmo os dois diabinhos estão aprisionados um com o outro, ligados por uma corda. A carta 6, O Enamorado, que é também o resultado da soma dos algarismos da carta 15, está aqui revelada para além das máscaras de pureza que envolvem os três personagens. O fogo que arde na tocha que O Diabo segura é a energia kundalini em erupção. E o corpo feminino do Diabo nos mostra que a androgenia é o caminho da libertação. Ou seja, quando O Mago começa a ter a capacidade de casar seu aspecto masculino (yang) com seu aspecto feminino (yin) começa também a ter a capacidade de se libertar de sua última prisão. A prisão decisiva no seu caminho iniciático e que, se rompida, conduz à libertação final. As asas azuis do anjo da Temperança aqui se transformam nas asas de morcego do intelecto diabólico, que oprime e desorienta. Com os pés sobre a pira, arde nos desejos mundanos, reinando sobre os dois acorrentados, ambos subjugados aos seus próprios desejos. No entanto, será com a erupção da kundalini, que o Diabo personifica, que esses mesmos humanos poderão romper com essa prisão e adquirir um potencial mais elevado de auto-conhecimento. O Diabo, positivamente, significa sexualidade, libido, criatividade, pulsão, emoção, energia kundalini, ganhos materiais, instinto, desejos realizados, garra, libertação. Em seus Aspectos Negativos, significa: possessividade, magia negra, infelicidade, dependência, imoralidade, amoralidade, irritação, influência astral negativa, violência, brigas e discussões, vícios. Quem tira esta carta pode sofrer suas consequências negativas. São em geral pessoas neuróticas, mentirosas. Mas pode também significar pessoas extremamente sensuais e também aqueles que comercializam com o sexo. CARTA 16 – A TORRE Mas a providência divina também tem seus sinais. É quando pela força do raio, no lado esquerdo superior da carta, A Torre desaba, mostrando que o poder concreto do Imperador pode desmoronar. Que nem todos os planos argutos de uma mente acostumada a pensar e elaborar estão livres dos infortúnios e dos 296
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    imprevistos. Que umaforça maior é capaz de modificar, de cortar, de quebrar o mais sólido dos edifícios. Assim é a carta da Torre. Uma nova ordem deve surgir, uma nova organização. É o momento de cuidado redobrado, pois todos os esforços serão inúteis. É quando o aspecto material do Imperador, já corporifícado em seu castelo, cai. Todos os envolvidos, na verdade, caem na real, pois habitar uma Torre muito alta nos coloca sempre com a cabeça nas nuvens. A parte superior da Torre é a coroa do Imperador destronado, que oscila a ponto de desabar após as duas figuras. É também o poder de manipulação do Mago que cai. Em seus Aspectos Positivos, A Torre significa: corte, quebra de valores, transformação, reestruturação, obras, renovação, construção, rompimentos de fora. Em seus Aspectos Negativos, significa: corte, imprevistos, falência, miséria, insegurança, perdas materiais, perdas afetivas, destruição, separação, desilusão, risco de acidente, desestrutura. CARTA 17 – A ESTRELA A Esperança é bem-vinda após a quebra da Torre. Aqui O Mago se depara com uma alquimia diferente, apesar de semelhante em alguns aspectos, da Temperança. Aqui, a Temperança tirou a roupa. Está nua. Sua intenção não é mais a de depuração, mas de entrega. Não temos aqui um anjo, mas um ser humano em seu aspecto feminino (yin). A energia que flui é a da água, que toma a forma ora de jarro, ora de rio. É uma carta de fartura e bem-aventurança, já que a mulher é quem despeja no rio a água que o alimenta. A energia do fogo é a fugaz energia das estrelas, lembrando os nossos velhos e minúsculos insights. Carta da natureza, é ornamentada por oito estrelas – a soma dos algarismo de 17 é 8 – o que a conecta com a carta da Justiça. Os dois pratos da balança da Justiça, transformados em dois jarros de outro, agora não medem nem pesam mais no plano do julgamento humano. O julgamento, se há, é a partir das leis cósmicas. Carta de confiança e de entrega, A Estrela pode fluir em todas as direções tal como o leito de um abundante rio. Em seus Aspectos Positivos, A Estrela significa: pureza, arte, beleza, harmonia cósmica, paz, plenitude, inspiração, prazer. Quem tira esta carta, em geral, é amante da natureza e leve em seus relacionamentos afetivos. Mas pode também ser uma pessoa alienada e imatura, caso analisemos a carta em seu aspecto negativo. Nesse aspecto, esta carta significa morosidade, passividade, lentidão, platonismo, alienação e imaturidade. CARTA 18 - A LUA É noite escura e a Lua solitária usa de magia pra brincar com os lobos. São dois, nos aspectos yin (azul) e yang (rosa), separados, uivando amedrontados para o céu. Por baixo do solo, um escorpião traiçoeiro emerge 297
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    de águas lamacentas,tornando esta carta obscura e repleta de maus presságios. Alguns prédios afastados nos dão a certeza de que tal visão é fruto da imaginação dos homens. A carta da Lua é o inconsciente do Mago. É aquilo que vive no submundo da nossa realidade aparente. Apesar de lançar sombras e dúvidas, que A Lua projeta sobre nós em noites de incertezas, esta carta pode ser de uma profunda lucidez para quem, como O Mago, está em busca do auto-conhecimento. A soma dos algarismos desta carta é 9. Se na carta 9, O Eremita tem um lampião que o orienta, aqui O Eremita teria puramente sua intuição. Caminhar no escuro é um empreendimento audacioso, mas perfeitamente seguro para os que são dotados de terceira visão. Por isso é considerada uma carta de alta magia além de, numa leitura mais mundana, significar incertezas e aborrecimentos que seguramente aparecerão. Esta é uma carta de magia, e tanto em seus Aspectos Positivos quanto nos Negativos depende da intenção do Mago. Positivamente significa também: intuição, inconsciente, lucidez, desafio. Negativamente significa divisão, negatividade, discussão, obscuridade, crise pessoal, desilusão, forças negativas, doenças incuráveis, falsidade, traição, desonestidade. Este conjunto de quatro cartas nos parece audacioso para a compreensão de um iniciante. Defrontar-se com O Diabo, com A Torre e com A Lua num mesmo momento é perceber as nossas pequenas misérias e os nossos pequenos e grandes medos de um só golpe. O número 15, composto do número l do Mago e do número 5 do Papa, é altamente incongruente. Se de um lado temos um ladrão e manipulador, do outro temos o rigor e a ordem, o que nos parece um verdadeiro inferno. Essa é a divisão irregular da carta do Diabo. O número 5 tem que medir esforços com o l, pois o peso e o equilíbrio entre eles não é proporcional. O número 16 é o 8 da Justiça duplicado e o 4 do Imperador quadruplicado. Por isso a carta da Torre é a carta de maior densidade do Tarot. Tudo nela é terra convulsionada. É a matéria que se desfaz e desaba sobre si mesma. O número 18 é o número da terceira e última iniciação. O momento em que deixamos nossa juventude e passamos para o mundo adulto. É o momento da nossa inserção efetíva na sociedade. Dúvidas e incertezas pairam sobre o nosso destino. Medite com essas cartas e só então passe para a lição seguinte. Lição 6 – Arcanos Maiores de 19 a 21 Nesta lição vamos aprender o significado das cartas 19, 20, 21 e 0, e ainda seus aspectos positivos e negativos. CARTA 19 – O SOL Após uma noite muito escura vem sempre um dia de forte Sol. A carta do Sol, também conhecida como O Amor, é a carta de maior energia do Tarot. É a energia da espiritualidade, do amor universal. Por isso, as duas crianças estão praticamente nuas, desprovidas de qualquer proteção, a não ser o muro ao fundo que as isola do mundo. É o encontro de nossas crianças dentro de nós mesmos. É uma carta de realizações afetivas, de encontros amorosos. E, detalhe, as gotas ao fundo estão invertidas, fazendo-nos crer que a energia que se desprende do amor é a energia que alimenta o sol, e 298
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    não o contrário.É uma carta de felicidade em todos os sentidos. Aqui o Mago inicia a última via. A soma dos algarismos desta carta nos remete à carta 10, que também somada nos leva de volta ao Mago. Em seus Aspectos Positivos, o Sol significa clareza, amor, felicidade, união feliz, sinceridade, alegria, espiritualidade, arte, luminosidade, otimismo, pureza, morte física. Em seus Aspectos Negativos, significa: alienação, platonismo, excesso de luz que queima e cega, morte física. CARTA 20 – O JULGAMENTO Diferente da Justiça, que julga a partir das leis mundanas, O Julgamento seria a Justiça divina, com suas leis próprias. O anjo anunciador toca para que os mortos ressuscitem para o julgamento final. A energia da carta é de transformação plena. O que estava morto revive, não no sentido de reviver o passado, mas no sentido de um renascimento completo, com uma identidade absolutamente nova, sem nenhum ponto de contato com aquilo que já passou. Aqui, novamente, recorremos à carta 6. Só que a escolha não pertence mais ao nosso plano de existência e não há mais aqui uma prisão como na carta 15. Há um resgate das três figuras da carta 6 e 15, no que parece ser um casamento andrógino de um único ser. A figura de costas, azul, é o equilíbrio necessário entre a mulher (princípio yin) e o homem (princípio yang). Esta figura azul parece ser também o que vai oficiar o casamento, ou seja, ele será o ponto de união ou o mestre que vai possibilitar essa união. O anjo, na verdade, tomou o lugar do Cupido, pois não se trata mais de uma paixão, mas do amor incondicional de um ser por si mesmo. É o momento da morte e da ressurreição e da posterior iluminação que virá com a carta 21. Esta é uma carta de transformação total. Em seus Aspectos Positivos, além desta conotação, significa também: julgamento favorável, mudanças internas, notícia por carta, dons artísticos, espiritualidade, superação, verdade existencial. Em seus Aspectos Negativos significa separação, rompimento, medo do desconhecido. CARTA 21 – 0 MUNDO Aqui O Mago chega ao final de suas realizações. Por isso esta é uma carta de realização plena, tanto no sentido mundano, quanto no sentido afetivo e espiritual. É o coroamento final para quem teve que percorrer caminho tão longo. No mundo estão os quatro elementos dispostos em volta da carta, mas não mais manipulados pelo Mago com suas mãos hábeis. Nela, os quatro elementos circundam toda a atmosfera para se fundirem num só – síntese de toda a energia universal. É o que esta carta significa. Ou seja, de que a 299
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    compreensão da iluminação— esse coroamento a que se reporta a figura — só é possível quando se perde o sentido da individualidade e a personalidade se dilui no Todo. O Mago, imaturo ainda, é o potencial necessário que habita em todos nós para se atingir o universo pleno. O anjo, no canto direito superior, significa o espírito e o elemento fogo, no naipe de Paus. A águia, no canto esquerdo superior, significa nosso processo mental e o elemento ar do naipe de Espadas. O leão, no canto esquerdo inferior, significa as emoções e o elemento água do naipe de Copas. E o touro, no canto direito inferior, significa o elemento terra do naipe de Ouros. A figura central está nua e despojada de seus bens. Segura em sua mão esquerda, a mesma varinha do Mago, o que nos dá a possibilidade de reconhecê-lo. Apenas uma faixa azul atrás e vermelha à frente significando domínio das emoções, encobrem pequena parte do corpo. À sua volta, uma guirlanda trançada é a única proteção, sugerindo também expansão da aura e dos corpos sutis, antes aprisionados no corpo físico. A energia yin – energia da espiritualidade – prevalece já que a figura é feminina. As suas pernas desenham o mesmo número quatro da realidade concreta do Imperador, com as pernas trocadas. A perna que está no ar é a esquerda, das emoções, enquanto a do discernimento intelectual está levemente apoiada no chão. Aliás, há um extravasamento desse chão para o centro inferior da carta, indicando uma conexão com a terra através das figuras inferiores e uma conexão com o divino através das figuras superiores. Indica que tudo está bem em qualquer plano de nossas vidas, e que o coroamento pelos nossos esforços já está acontecendo. Em seus Aspectos Positivos esta carta significa: realização máxima, plenitude, satisfação, proteção, iluminação, criatividade, comunicação, notícias dadas pessoalmente, viagens para o estrangeiro, fama internacional, transmutação da personalidade. Em seus Aspectos Negativos, significa: necessidade das coisas mundanas, agitação, egocentrismo, narcisismo, decadência. CARTA 0 – O LOUCO Esta é a carta mais intrigante do Tarot. Colocada à margem do caminho do Mago, esta carta significa o próprio caminho a ser trilhado. Em geral, necessitamos de uma certa entrega e despojamento, já que não temos certeza do que nos pode ocorrer no minuto seguinte da nossa existência. O Louco é aquele que se lança ingenuamente, desprovido de armaduras e proteções externas. É o andarilho que há dentro de nós, para o qual as surpresas fazem parte do percurso. É a entrega ao nosso destino, que nos faz ser buscadores, sem esperança e sem saudade, já que para o Louco não existe nem futuro nem passado, mas apenas o estar no mundo. Carrega, no farnel às costas, tudo o que necessitará no percurso, os quatro elementos inclusive. O seu bastão é o seu guia, já que mantém os olhos no céu à procura de uma correspondência com o que se passa na Terra. Suas vestes rasgadas demonstram um certo desleixo com o seu corpo físico, pois o Louco sabe que ele não é seu corpo, nem sua mente, nem suas emoções. Por isso, o gato (emoções) que o persegue e o arranha, não o fere. 300
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    Ele parece indiferentea tudo, mas na verdade não se trata da indiferença intelectual que muitos adotam. No Louco, ao contrário, este seu “ar” significa que ele está presente a cada passada que suas pequenas pernas são capazes de dar nesse imenso caminho que tem à frente. Usando a roupa dos bufões e bobos da corte, notáveis pela sua sabedoria e comicidade, O Louco é um bem-humorado no sentido da aceitação por tudo que a vida lhe pode ofertar. Seu chapéu invade o divino e os sapatos vermelhos, presentes também em outras cartas do Tarot, significam que ele é guiado pelas emoções. Sem objetivos, pois qualquer lugar é um bom lugar para se estar, O Louco é também conhecido como "a criança de deus", aquele ser aparentemente desprotegido, no entanto provido, mais do que qualquer um, pela essência divina. Em seus Aspectos Positivos, esta carta significa: entrega, autoaceitação, prazer, alegria, desprendimento, espontaneidade, confiança, inocência, ingenuidade, intuição, amoralidade, existência presente, liberdade. Em seus Aspectos Negativos significa: loucura, instabilidade, imaturidade, prazer fugaz, fuga, inconseqüência, falsidade, leviandade, frivolidade, insegurança. É interessante chamar a atenção para o fato de que uma determinada qualidade pode aparecer tanto nos Aspectos Positivos quanto nos Aspectos Negativos. Morte física, por exemplo, aparece nos dois casos, significando que a morte física pode ser encarada pelo consulente como algo pelo qual ele teme, ou positivamente, como uma passagem para outro plano de desenvolvimento. Uma outra observação se faz importante. Os Aspectos Negativos, muito esporadicamente, significam o contrário dos Aspectos Positivos. Em geral, os Aspectos Negativos são exageros ou excessos dos Aspectos Positivos. Por exemplo, um Mago manipulador, ou seja, aquele que sabiamente consegue extrair das situações o que lhe convém, pode se revelar um oportunista pronto a manipular quem quer que seja em proveito próprio. Portanto, é necessário que saibamos “olhar” as cartas para além dos significados esquemáticos dos Aspectos Positivos e Negativos. Mas, voltando às quatro últimas cartas, podemos dizer que a conexão com elas é um empreendimento de peso. Ao contrário das cartas anteriores, próximas ao cotidiano dos homens comuns, aqui podemos experienciar algo absolutamente novo em nossas vidas. Esta via, inaugurada com O Amor da carta 19, nos remete ao l e ao 10, já que a soma dos algarismos de 19 é 10, que é igual a l. O amor mundano aqui é transmutado pela roda da fortuna para se expressar no amor do Mago. Na verdade, o amor de um Mago que se entrega. O número 20 é a morte ou a transformação da dualidade. É o renascimento da Papisa, cuja reflexão intelectíva já não serve mais. Aqui a ambiguidade se funde com um único ser, outrora fragmentado. O número 21 é o retorno do Mago ao Mago, ao princípio primeiro, gestado pelo número 3 da Imperatriz. Reflita com essas cartas para só então passar à lição seguinte. LIÇÃO 7 – A LINGUAGEM SIMBÓLICA DAS CARTAS De posse da interpretação das cartas e do que aprendemos das lições anteriores, começamos a enriquecer nossa visão dos arquétipos. Não importa com que Tarot se trabalhe. São muitos os Autores e Mestres que 301
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    confeccionaram seu próprioTarot, como Crowley, Wirth, etc. Mas em todos eles conservaram-se os símbolos básicos, apesar de apresentarem para o leigo uma aparência completamente diversa uns dos outros. No Tarot de Marselha, esses símbolos são evidentes, podendo ser identificados tão logo despertamos nossa atenção. Por exemplo, os símbolos correspondentes ao Mago, os quatro elementos, estão representados no Tarot de Marselha pelos objetos dispostos sobre a mesa. Já no Tarot de Crowley, os mesmos objetos voam num espaço belamente ornamentado por raios sugestivos. Assim, em todas as cartas estão os mesmo símbolos, suas representações e significados. Os do Tarot de Marselha são os mesmos do Tarot de Crowley ou de qualquer outro que se manuseie. No entanto, com as cores isso não acontece, apesar dos seus significados serem importantes nas leituras que fazemos. No original Tarot de Marselha são usadas três cores básicas: azul, vermelho e amarelo. Alguns autores se reportam ao verde, inexistente entretanto na Biblioteca Nacional de Paris. O amarelo significa o poder intelectual, a inteligência, o discernimento, a compreensão mental, a astúcia intelectiva. O vermelho representa nossas emoções e a nossa sexualidade. E o azul a nossa espiritualidade, sabedoria e compreensão. Equilibradas são as cartas cujas três cores estão também equilibradas. Se parte de um corpo está em azul e a outra parte em vermelho, é sinal de que há equilíbrio, principalmente se o vermelho está do lado esquerdo (emoção) do corpo e o azul no lado direito (discernimento intelectivo). Isto porque sabemos que o meridiano esquerdo do nosso cérebro, que comanda nossa percepção intelectiva, se expressa no lado direito do nosso corpo. E o meridiano direito do nosso cérebro, responsável pela nossa intuição e emoção, se expressa no lado esquerdo. Se o cabelo da figura for amarelo, significa que essa figura exerce com intensidade sua força intelectiva. É um ser basicamente mental. Se o cabelo é azul. como no Eremita, significa que a força da mente caminha por planos mais espiritualizados e que o intelecto aqui está em equilíbrio com as emoções. A Carta 12, O Pendurado, por exemplo, exibe a cor azul apenas nas pernas, enquanto o resto do seu corpo, desde o chakra básico (sexual) até o chakra da garganta, é revestido alternadamente com as cores amarelo e vermelho. Isso significa a divisão em que O Pendurado se encontra: o seu discernimento divide espaço com a sua emoção. No entanto, esta mesma carta em seu desenvolvimento espiritual máximo, pode indicar a integração do Pendurado pelo encontro das duas cores. Para uma pessoa que já atingiu um desenvolvimento espiritual elevado, as cartas podem se reportar a outros significados que não os usuais.* * Paul Marteau, em seu livro O TARÔ DE MARSELHA – Tradição e Simbolismo – Editora Objetiva – em algumas cartas se refere a cores diversas das aqui apontadas. Por ser assunto controvertido, recomendamos a consulta deste e de outros livros. Olhar as cartas do Tarot não é enxergar os significados para além delas. E se inicialmente parece difícil, à medida que vamos manuseando elas mesmas vão se revelando pouco a pouco a cada nova interpretação. Ainda no que se refere às cores, é necessários chamar atenção para o fato de que o branco que aparece ao fundo do Tarot de Marselha, no antigo 302
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    Egito não existia.Na verdade, as cartas eram espelhadas ao fundo na intenção de que o consulente visse seu próprio rosto refletido. Por isso, hoje em dia, alguns Tarôs como o The Stairs of Gold Tarot, de Tavaglione, conservam a cor dourada ao fundo, sugerindo ao consulente a presença desta intenção. O que não contraria a hipótese das primeiras cartas terem sido elaboradas sobre folhas de ouro, já que o ouro polido também reflete a imagem. Nenhum sinal nas cartas deve ser desprezado, pois além de seu significado universal podem existir outros mais específicos para cada pessoa que se exercite em sua leitura. Outro ponto a ser levado em consideração é a posição de cada figura. Se em pé ou sentada ou em vias de levantar. Em pé indica atividade, sentada indica passividade, e em vias de se levantar indica a intenção de se colocar ativo nos momentos necessários. Se a figura estiver voltada para a direita da carta, como no caso da Papisa, significa que ela está olhando para trás, para o passado, tirando daí a sabedoria que necessita. Se, ao contrário, a figura estiver voltada para a esquerda, significa que ela está voltada para o futuro. No caso da Morte, por exemplo, o chão que está sendo ceifado, na verdade está sendo feito aqui e agora com vistas ao futuro. Mas há as cartas que, embora de frente, olham para um lado ou para o outro, significando que no presente estão sendo projetadas situações do futuro e do passado. O Papa, que tem uma conotação de experiência passada, tem o corpo virado pra frente, para o presente, mas o olhar no futuro. Ele é o responsável pela formação de novas consciências, representadas na carta pelas duas crianças de costas. O Enamorado também é um bom exemplo. Ao mesmo tempo em que o jovem à frente volta o rosto para a mulher do passado que está à sua direita, o Cupido acima direciona a flecha para a jovem que está à esquerda, no futuro. O Cupido são as emoções mais sinceras. Portanto, se a cabeça do jovem se volta para trás, o coração o lança para frente. A disposição da figura também é importante. No Mago, por exemplo, seu braço esquerdo, que é seu lado intuitivo e anímico, está levantado segurando a varinha dos magos, símbolo do poder sobrenatural. Braços e pernas, no Tarot, representam a nossa vontade. Se o braço está erguido, a vontade se expressa com ação. Se, no entanto, está abaixado, pode significar indecisão, humildade ou impedimento de ação. Alguns outros símbolos podem nos escapar aqui, por isso é necessário que se leia e se observe atentamente o significado de cada carta, na intenção de aprofundar a sua significação. Cartas como a da Imperatriz e do Imperador, cuja conexão com a linha superior da carta (o divino) se faz através da coroa, significa que o chakra coronário (ou da coroa), situado no topo da cabeça, já está desenvolvido, possibilitando uma maior percepção dos planos mais sutis da consciência. Os ornamentos (botões, medalhas, colares, etc.) nas roupas indicam um enriquecimento do arquétipo em todos os planos da vida. E o fato de que em algumas cartas o solo se apresenta amarelo indica que a sabedoria daquele Arcano se apóia no discernimento intelectivo. E, finalmente, cartas cujas figuras têm o cabelo preso, como na carta da Força, sugerem uma manifestação contida das emoções. E cartas em que a figura aparece com o cabelo solto, como na carta da Estrela e do Mundo, há um desprendimento maior das emoções. 303
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    LIÇÃO 8 –OS QUATRO ELEMENTOS Os quatro elementos, água, ar, terra e fogo, estão representados nos Arcanos Menores, respectivamente, pelos naipes de Copas, Espadas, Ouro e Paus. A água são as nossas emoções, sejam positivas ou negativas, a nossa sensibilidade, fluidez e vulnerabilidade. O ar é a nossa energia vital e cósmica. É o prana do yogues. O nosso centro cerebral, de pensamentos e de reflexão. O fogo é a energia dinâmica, que se irradia através do sol, da energia sexual e da energia espiritual. A terra é o mundo material concreto, da praticidade, da saúde, do físico, do aqui-agora. Esses quatro elementos estão representados na carta 21 dos Arcanos Maiores, O Mundo, em forma de touro, significa nossos centros inferiores (dos primeiros chakras), nossa sexualidade, nossa criatividade, nossos instintos, nossa terra densa. Em forma de leão, representa nossos centros médios (ou chakras médios) da emoção, vivacidade e expressão da nossa água interna. Em forma de águia, que representa nossos centros superiores (ou chakras superiores) de inteligência e de sabedoria, o nosso ar. E em forma de anjo, o nosso componente espiritual, composto do fogo da nossa energia kundalini, que se encontra enroscada na base da coluna vertebral, e que pode potencialmente ser desenroscada a ponto de atingir todos os nossos chakras. Entender os quatro elementos e descobri-los à nossa volta e um empreendimento tentador. Temos, em geral, uma pálida idéia do que seja isso, colocando-os sempre como objetos fora do nosso sujeito, como se não tivéssemos dentro de nós aquilo que o universo parece conter. Na verdade, contemos líquidos preciosos como os nossos hormônios, nossas enzimas, nosso sangue. A terra, em nós, está representada pelos sais minerais, pela estrutura densa dos nossos ossos, pela textura consistente de nossa carne. Do fogo nosso de cada dia, pouco sabemos, já que não temos a tradição de trabalharmos nossa energia corporal a ponto de senti-la, como sente um atleta experiente. O alimento que por combustão se transforma no fogo que nos move, não conhecemos. Conhecemos mais o fogo de algumas emoções indesejáveis, como a raiva e a paixão violenta. Mas da energia que nos mantém de pé, pouco sabemos. Assim como quase não sabemos do ar. Respiramos por um processo involuntário, e são poucos os que têm uma percepção desenvolvida desse processo vital. Confundimos oxigénio e gás carbônico com o processo da inspiração e da expiração. Desconhecemos que inspiramos energia (prana) e expiramos energia (prana) também, numa troca constante com o mundo exterior contido num universo mais amplo. Por outro lado, somos meio que cegos e indiferentes ao mundo. Nossa sensibilidade parece não perceber sutilezas. A água que corre no rio será da 304
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    mesma textura eenergia da água que corre no mar, assim como a água contida na emoção do amor será a mesma que é contida na emoção de outros sentimentos? O ar que alimenta o fogo e o faz crepitar terá alguma semelhança com o ar que corre nas montanhas altas e geladas do Everest? Assim como o ar que nos agita a mente diante dos planos que executamos para uma guerra será o mesmo que nos embala para além dos sonhos que nos levam para nossa infância? Será a terra densa que nos alimenta distinta da terra porosa da areia das praias, que também nos alimenta com suas algas e seus cocos exuberantes? Para nós, o fogo crepita sim, no azulado bico do gás ou no fogo de uma labareda das fogueiras de São João, cada dia mais distantes. Mas o fogo da energia kundalini, por exemplo, também é poderoso, capaz de transmutar as nossas energias mais grosseiras no ouro mais precioso dos alquimistas. Mas pouco sabemos sobre isso na nossa civilização ocidental, mais preocupada em matar os elementos do que conhecê-los. Como diz o poeta, aqui "os rios morrem de sede". Morrem também de fome nossas terras e extintas florestas. Morre asfixiado o ar poluído por densas nuvens químicas. Morre o fogo que Prometeu ousou roubar, no gás encanado das elegantes cozinhas. O que nos sobra, então, se não somos capazes mais de sequer olhar a lua. Essa coisa prateada e dependurada no céu, que esfria a cada noite por detrás dos prédios das cidades. Bem, nos sobra então aqui a listagem dos elementos presentes nas cartas. Para descobri-los verdadeiramente, no entanto, é necessário vivenciálos. Carta l, O Mago, possui os quatro elementos, que ele manipula com destreza. Carta 2, A Papisa — água e ar. Por ser o princípio yin (água) e por ser mental (ar). Carta 3, A Imperatriz — terra, ar e fogo. Mãe primordial (mãe terra), carta de sabedoria (ar) e de poder (fogo). Carta 4, o Imperador, possui os quatro elementos. Ele representa o número quatro do ser humano, que necessita de todos os elementos para poder realizar concretamente. Carta 5, O Papa, possui os quatro e mais o éter ou a quinta-essência. Carta 6, O Enamorado — água e fogo. Carta amorosa, remete a Copas, símbolo do amor universal (água) e a Paus (fogo), energia amorosa espiritual. Carta 7, O Carro — terra, ar e fogo, pois o cavaleiro percorre seus domínios mentais (predominância da cor amarela na carta-ar), e é na terra que ele se realiza. Fogo é a energia guerreira que o impele a seguir adiante. Carta 8, A Justiça — ar, terra e fogo. O ar é representado pela espada, racional, mental. A terra, pela balança que tudo pesa. E o fogo, a energia que julga e penaliza imparcialmente. Carta 9,0 Eremita — terra e fogo. Fogo da espiritualidade, que nesta carta é abrasador. É da terra que retira e para a terra que devolve seus ensinamentos. Carta 10, A Roda da Fortuna, possui todos os elementos em alta rotatividade. Para a Roda, todos os elementos podem ser destruidores ou benéficos. 305
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    Carta 11, AForça — água e fogo. A energia feminina da receptividade (água) aliada à espiritualidade (fogo), já que o fogo das emoções já está sob domínio. Carta 12,0 Pendurado, possui todos os elementos, que são absorvidos intensamente. Carta 13, A Morte — terra e fogo. Na terra nascemos e morremos e no fogo é criada a centelha da vida que é reprocessada infinitamente. Carta 14, A Temperança — água, terra e ar. As emoções (água) aqui são filtradas através dos potes (terra), pelo anjo (ar). É a transmutação sem o uso do fogo. Carta 15,0 Diabo — fogo e ar. Intelecto (ar) que escraviza ao lado de uma espiritualidade (fogo) pouco desenvolvida. No entanto, o fogo também queima pelo excesso de oxigênio, o que pode significar a kundalini em erupcão. Carta l6, A Torre—terra, fogo e ar. A torre desaba na terra, no concreto ao ser atingida por um raio (fogo) divino. O elemento ar não a sustenta, apenas a envolve. É quando o nosso plano mental, intelectual, para nada nos serve. Carta 17, A Estrela — água, ar e fogo. A energia feminina yin (água) recebe do cosmo (fogo) a inspiração divina (ar). Carta 18, A Lua — água. É de água exclusivamente esta carta. A Lua rege as marés e os nossos humores. Nossas águas puras e lamacentas. Carta 19,0 Sol — fogo. Exclusivamente fogo, é a carta de maior energia do Tarot. É a transmutação pelo fogo. Carta 20, O Julgamento — ar e terra. O espírito representado pelo anjo (ar) anuncia a chegada de um novo tempo à terra. Carta 21, O Mundo, possui todos os elementos, todos os astros e signos, todos os níveis de consciência. Carta O, O Louco, possui todos os elementos que ele transporta em seu pequeno farnel às costas. LIÇÃO 9 - POSIÇÃO DAS CARTAS Abrir Tarot é se abrir ao mundo, se desnudar pela mediação dos arquétipos, que nos dão consciência e nos ensinam a ter mais confiança. Aliás, o Tarot existe exatamente para que possamos desenvolver a confiança em nós mesmos, principalmente nos momentos de angústia e desespero. Muitos autores sugerem que usemos o Tarot com as cartas posicionadas corretamente e também em sua posição invertida. Ou seja, embaralhar as cartas inadvertidamente, em qualquer posição que elas possam ocorrer, deitando-as assim e fazendo a leitura. Para as cartas que saem de cabeça para cima, a leitura recai nos aspectos positivos. Para as outras, que saem em posição invertida, a leitura recai nos aspectos negativos. Na minha opinião, esse tipo de recurso é limitado e pouco inventivo. O objetivo principal do Tarot é o desenvolvimento da intuição em detrimento da imaginação. Só quando podemos colocar nossa imaginação à margem do processo de leitura, é que a intuição emerge e a interpretação se faz mais rica e correta. A intuição é como um canal que se abre para além do nosso intelecto e das nossas emoções. Não há projeção possível aí. Estamos prontos e isentos de qualquer interferência em nossa leitura sobre aspectos da vida de 306
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    outras pessoas. Aimaginação, ao contrário, projeta sentimentos e avaliações nossas nas leituras que fazemos. Acabamos então por incorrer no erro mais grosseiro, que é atribuir aos outros aquilo que desejamos evitar ou ter. Cabe então, aqui para nós, saber como podemos desenvolver nossa intuição. Em primeiro lugar, usando as cartas apenas na posição correta, jamais invertidas. Se uma determinada carta deve ser lida em seu aspecto positivo ou negativo, dependerá de seu posicionamento nas casas, de sua relação com as outras cartas e de nossa intuição. Parece ser mais difícil, e é realmente. Mas, no entanto, é mais gratificante porque nossa margem de erro é menor, já que a nossa intuição será constantemente requisitada por essa intenção. Com esse recurso, desenvolvemos também, mais facilmente, nossa capacidade de intuir em outros aspectos de nossas vidas, que não o Tarot especificamente. Ficamos mais atentos e despertos para os nossos sinais internos, sozinhos ou em meio a uma multidão. Saber usar o Tarot é saber usar a vida. O que você faz com a sua emoção, imaginação, discernimento, espiritualidade, está presente nas cartas que você coloca para si mesmo. São apenas necessários um par de olhos para ver e um coração para sentir. Nada é definitivo no Tarot. O homem é responsável direto pelo seu destino, podendo modificá-lo a qualquer momento. Isso significa que numa leitura de Tarot o objetivo principal é levar consciência aonde há alienação. Após essa consciência ter sido introduzida através das cartas e nas observações que fazemos junto com o nosso consulente, o que acontece é que estamos dando novos elementos para as situações no sentido de lançar uma nova luz ou orientação ao que antes estava obscuro. A partir daí, cabe ao consulente, já de posse de uma outra interpretação para os seus problemas, solucioná-los ou não. Por isso, reafirmo mais uma vez, nada no Tarot é definitivo. Podemos mudar o nosso destino a cada nova jogada, a cada novo insight. Podemos nos libertar. E o Tarot é uma chave preciosa que precisamos conservar para abrir a porta que nos separa de nós mesmos. Portanto, confiar no seu Tarot é confiar em você. Sugiro também que visualize os oráculos que estão disponíveis a todos, e que são os oráculos do Tarot. Mestres, não só da antiguidade, mas também alguns contemporâneos, exímios na interpretação dos arquétipos, são requisitados, mesmo que inconscientemente, sempre que manuseamos ou dispomos as cartas sobre a mesa ou sobre um tabuleiro. Use isso conscientemente, pois seria também uma outra forma correta de permitir que esse canal de sua intuição se abra e se conecte com figuras de elevado poder espiritual. Como se Relacionar com o Tarot O Tarot, em si, já é uma espécie de meditação. Enquanto estamos absorvidos nos arquétipos, a nossa mente está presente e alerta. Mas às vezes, estamos tão tensos, que precisaríamos de um dia inteiro de manuseio das cartas para atingirmos o ponto ideal de leitura. Vivemos tão cheios, e esta é a palavra correta, de preocupações, dúvidas, sentimentos desencontrados, que não dispomos de nenhum espaço vazio para que os arquétipos possam transitar. Por isso, durante algum tempo, é necessário que você lance mão de técnicas simples de relaxamento. De qualquer forma, segue aqui uma sugestão. Compre ou grave uma fita de relaxamento. Existem muitas no 307
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    mercado com músicasda Nova Era, em geral instrumentalizadas ou sintetizadas. Regrave uma fita com a sua voz, tendo este fundo musical. O texto deve conter orientações de relaxamento bem objetivas. A intenção é que você se deite com os olhos fechados, a boca levemente aberta e dirija a sua atenção para cada pedacinho do seu corpo, sempre começando pelos pés e terminando na cabeça. Passe, com a energia da sua consciência, pelos pés, pernas, tronco, braços, pescoço, rosto, couro cabeludo, de forma lenta e pausada. Dê tempo para que haja uma distensão em cada pontinho de congestão ou tensão. Seja criativo e se detenha exatamente naqueles pontos que você já conhece e que são difíceis de relaxar, em geral pescoço, ombros e costas. Quando você se sentir confiante, dispense a fita e utilize apenas o mesmo fundo musical. Só em ouvir a música, o seu corpo começará a relaxar sozinho. Para a canalização propriamente dita, é necessário que a sua mente esteja limpa e absolutamente presente na meditação. Separe então a carta 5 – O Papa – e a carta 9 – O Eremita - , colocando ora uma, ora outra entre suas mãos. Você pode fazer esta experiência com os outros Arcanos Maiores. Sinta a energia que se desprende tanto de uma quanto da outra. É com a energia do Papa e do Eremita que você deve trabalhar para a conexão e invocação dos Mestres do Tarot. Se você tiver um Mestre, melhor ainda. Acredite no que você está fazendo e deixe o resto acontecer. Por ser uma conversa com o nosso inconsciente, haverá momento também de difícil compreensão das cartas, principalmente quando jogamos para nós mesmos. É sempre muito mais fácil fazer uma leitura imparcial sobre o destino dos outros do que sobre o nosso. Em geral isso começa a ocorrer quando já há um domínio relativo das cartas e suas possíveis interpretações. No início, não, tudo são flores. O que também deve ser evitado é abrir o Tarot desconectado do ato de abrir o Tarot, simplesmente por hábito ou por não ter nada melhor para fazer. Em geral, temos o nosso ego surrado pelas cartas. Mas, esse detalhe é melhor compreendido quando vivenciado por você mesmo. Abrir o Tarot cansado ou em exaustão física também deve ser evitado. A energia que se desprende das cartas é poderosa e, como para a maior parte das pessoas, algumas cartas são inconvenientes ou indesejáveis, nesse estado estaríamos mais vulneráveis à sua influência. É claro que no início é salutar que você brinque com as cartas pelo tempo que quiser, no sentido de adquirir maior intimidade com os arquétipos. Mas, à medida que o Tarot for ficando presente em sua vida como a comida com a qual você se alimenta, como ar que você respira, certamente você mesmo sentirá a necessidade de comer com certa moderação ou aprender a retirar melhor o prana do ar que você respira. Ou seja, você sentirá que o Tarot é um instrumento valioso de reflexão e de auxílio, para o qual se deve lançar mão nos momentos necessários. O mesmo não se dá, é óbvio, com as pessoas que nos procuram pedindo auxílio. E são tantas. Quando você começar a auxiliar essas pessoas, certamente o Tarot terá uma outra conotação. Por isso, você vai notar que, ao invés de ficar esvaziado ou cansado pelo fato de abrir Tarot para tanta gente, você se sentirá repleto e satisfeito, como se tivesse compreendido melhor seu lugar no mundo. Lição 10 – Redução Teosófica 308
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    De posse jáda interpretação das cartas e dos primeiros esboços sobre o que precisamos saber neste nosso Curso de Tarot, é o momento de começarmos a utilizar as cartas. Primeiro é necessário um pouco de numerologia. Para isso, vamos aprender a Redução Teosófica, que é o que nos interessa na leitura dos jogos. O nosso primeiro jogo terá três cartas. Uma para o presente, outra para o passado e outra para o futuro. Queremos saber como estamos nos sentindo no presente. O que nos aconteceu no passado. E o que acontecerá no futuro. Tiramos a primeira carta, ela será o nosso presente. Tiramos a segunda carta, que será o nosso passado. Tiramos a terceira carta que será o nosso futuro. Vamos supor que as cartas tiradas sejam a 12, a 10 e a 5. Numa leitura rápida, percebemos que a carta 12 – presente – significa que nos mantemos aprisionados (Pendurado ou Enforcado) em alguma coisa do nosso passado, o que nos causa a sensação de desconforto. No passado, temos a carta 10 – A Roda da Fortuna, sugerindo que houve uma mudança em nossa vida, mas não uma mudança que nos tenha prejudicado realmente. A mudança da Roda da Fortuna, em geral, é sempre para melhor. Mas, para nós, resultou nesta sensação de aprisionamento e desconforto. O passado aqui está influenciando o presente. No futuro, ou seja, o que acontecerá a partir deste passado e deste presente, está com a carta 5. A carta 5, O Papa, nos sugere que teremos que buscar orientação do nosso mestre interior para saber porque nos sentimos desconfortáveis em relação a uma mudança para melhor. Se é a nossa culpa que não nos permite viver plenamente as coisas boas que a vida pode nos oferecer, por exemplo. Se quisermos aprofundar a temática, teremos que abrir um jogo mais completo. No entanto, o que nos interessa aqui é a síntese do jogo. A síntese é o resultado final, ou seja, aquilo que a situação no passado, presente e futuro pode nos provocar a nível mais inconsciente. Como tiramos, então, a síntese? Pela Redução Teosófica das cartas. Somamos primeiro os algarismo de 10=1. Depois somamos os algarismos de 12=3. E, finalmente, o 5, que por ter um só algarismo, permanece ele mesmo. O resultado é 9, carta do Eremita. Na síntese deste jogo, então, a situação nos remete a uma sensação de solidão, de que estamos sozinhos demais. E que até mesmo o fato de termos que recorrer no futuro ao nosso mestre interior apenas nos faz sentir mais solitários ainda. Como se necessitássemos dos amigos na solução deste conflito. De qualquer maneira, a partir deste jogo temos consciência de que, na verdade, não queremos solucionar nada, mas apenas dividir nossa tristeza com as pessoas que alimentam as nossas neuroses. Que, na verdade, gostaríamos de ficar na situação do “coitado de mim”, afinal a vida me dá coisas que não são tão ruins assim, e eu tenho que aceitar. Este tipo de leitura nos sugere um Tarot de crescimento, de reflexão, de compreensão dos nossos processos inconscientes, de trazer à tona a nossa lama, os nossos fantasmas e transformá-los em água cristalina e bicho de pelúcia. Mas há outros tipos de leitura. Os adivinhatórios apenas e aqueles que somam as duas possibilidades. Enfim, os recursos com o Tarot são muitos. Então, vamos ver se você aprendeu a Redução Teosófica. Neste jogo, qual seria a redução? Se você respondeu 2 + 7 + 3 = 12, está absolutamente correto. O 309
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    processo foi: 11= 1+1 = 2. 7 é 7 mesmo. 21 = 2 + 1 = 3. Somando os resultados, temos; 2 + 7 + 3 = 12. Ainda podemos reduzir este 12, se quisermos: 12 = 1 + 2 = 3. Como embaralhar e dividir as cartas Separe do seu baralho apenas os Arcanos Maiores. Embaralhe normalmente, tomando cuidado para que as cartas não fiquem invertidas. Ou seja, embaralhe sem permitir que uma ou outra fique de cabeça para baixo. Divida então em três montinhos com a mão esquerda, que é a mão do inconsciente ou do coração. Junte os montinhos, abra um leque fechado, ou seja, com as figuras para baixo, e ofereça-o a alguém (no caso de jogar para outra pessoa) ou a você ( no caso de jogar para você mesmo). Tire as cartas em número necessário para cada jogo específico. Deixe o montinho das cartas restantes perto de você e não mexa mais nele. Se você ou a outra pessoa dividir o montinho da direita para a esquerda, recolha as cartas da direita para a esquerda, para que as cartas que estava embaixo anteriormente fiquem em cima. O objetivo é ter as cartas bem embaralhadas. Por isso, fique atento aos movimentos do seu consulente e repita-os na mesma ordem. Existe um detalhe que ninguém ensina, que depende de cada um, mas que eu desenvolvi o hábito de fazer. O consulente acabou de embaralhar e de dividir o montinho em três. Recolho os montinhos num monte só, conforme ensinei acima, sempre com as figuras para baixo, e dou uma espiada rápida na última carta do montinho. Eu a chamo de Carta Oculta. Aquela que o consulente não quer nem saber, por isso ele deixou no último lugar do montinho. Você vai descobrir que ela é importante no jogo. Mas, olhe discretamente para que o consulente não perceba, senão, na hora de tirar as cartas do leque, certamente ele puxará esta a fim de matar a curiosidade. Utilize-a, pois ela estará em sua memória, caso seja necessário como complemento da leitura das outras cartas. À medida que o outro for retirando as cartas, indique o lugar a ser colocada cada uma, sempre com as figuras voltadas para baixo, até completar o número de cartas para aquele jogo que está sendo utilizado. Acabado o processo, vire então cada carta, começando pela carta 1, depois a 2, etc., sempre em ordem, e comece a leitura. Procure sempre colocar as cartas de forma que o jogo fique de frente para o consulente. Na verdade, você verá as cartas de cabeça para baixo, pois você estará também de frente para o consulente. Inicialmente isso é desconfortável, mas rápido você pega o jeito. O importante é que o consulente fique de frente para ele mesmo, e ficar de frente para ele mesmo é ficar de frente para as cartas do Tarot. Se sair alguma carta invertida, isso pode acontecer, simplesmente coloque-a na posição correta. E então faça a leitura. Como as cartas não mentem jamais, você ficará impressionado ao ver que você poderá desnudar o outro com o uso do Tarot. Como as pessoas tiram realmente as cartas certas para o seu caso específico, não sabemos. Parece que sabemos mais do que achamos que sabemos. Por isso mesmo, jamais use o que você sabe sobre o outro em proveito próprio. O Tarot existe para ajudar você, e à medida que o ajuda abre um espaço de amor e de fartura interna, que pode ser usado para trazer mais consciência para todos. Se alguma carta pular na hora em que o consulente estiver embaralhando, preste atenção. Ela poderá ser de ajuda na leitura posterior. 310
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    Mas só presteatenção e o ajude a colocar de volta no interior do monte de cartas, para que todas continuem a ser embaralhadas. Como e onde fazer a leitura Você pode abrir Tarot em qualquer lugar, desde que não haja muita gente em volta, pois isto pode confundir sua leitura. São muitas as formas de pensamento no ar que podem influenciar. O ideal é você separar um cantinho de sua casa só para atender quem vem de fora, pois nesse espaço, lentamente, será criado um campo de energia poderoso. Com o tempo, bastará você sentar ali para entrar em estado alterado de consciência. As palavras começarão a vir como se pulassem das cartas para dentro de você.Não haverá processo de pensamento nesses momentos, mas um processo parecido com o da meditação. Você estará completamente consciente e ao mesmo tempo seu pequenino ego não estará mais ali. Pode e deve acender um incenso bem cheiroso, pois isso fluidificará mais o ar à sua volta. Poderá usar um cristal branco, de tamanho médio, ao lado de suas cartas, pois o cristal ajuda a ampliar a sua intuição ao mesmo tempo que o protege de influências externas. Poderá usar um gravador, tanto para gravar as entrevistas quanto para ouvir uma música suave de relaxamento, enquanto lê as cartas. Enfim, poderá usar o instrumental que você achar mais adequado, no intuito de provocar um relaxamento no seu consulente e eu você mesmo. Algumas pessoas vêm carregadas de angústias, conflitos e depressão. Não abra o Tarot imediatamente. Peça para que ela lave as mãos. Coloque um defumador no lugar do incenso, próximo aos dois, e coloque uma música suave de relaxamento. E então proceda à leitura. Procure não transformar o seu Tarot numa mágica de segunda categoria. Afinal, você não é um macaquinho treinado para fazer gracinhas. Mesmo quando muito solicitado, só abra as cartas se você realmente estiver a fim ou sentir que o outro necessita muito ali naquele momento. Procure então um lugar aconchegante, isolado e faça a leitura. Sempre, e este sempre não é relativo, guarde seu Tarot em ordem. Toda vez que usar, recolha as cartas, coloque-as em ordem e depois guarde. Você está usando seu inconsciente através das cartas. Trate bem dele. Não o deixe embaralhado, pois isso pode provocar confusão dentro e fora de você. Use um pano de fundo branco para envolver seu baralho e guarde-o num lugar que ninguém mexa. Avise as pessoas da casa – elas em geral respeitam muito aquilo que não conhecem – para não mexerem no seu Tarot sem o seu consentimento. Portanto, também não mexa no Tarot de ninguém sem o consentimento do dono, por uma simples questão de respeito. No início, você ainda não domina o significado de cada carta. Por isso, os Aspectos Negativos e Positivos são de valia na hora da leitura. Recorra a eles sempre que achar necessário, mas não se prenda a eles. Para melhor compreensão das cartas, releia sempre a interpretação geral de cada carta em separado e vivencie o seu Tarot intimamente, deixando que as cartas lhe “digam” o que cada uma representa. Lição 11 – Peladan Depois das informações necessárias, podemos passar agora aos jogos propriamente ditos. Antes, no entanto, vamos esclarecer uma questão importante. Meus alunos sempre perguntam: Como vou saber o momento 311
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    certo de leruma carta em seus aspectos positivos ou negativos? A resposta é que, além da intuição, você tem as outras cartas. O Tarot, por ser um sistema fechado, só se sustenta na inter-relação dos arquétipos. Exclua uma carta de seu posicionamento e a leitura não será possível de ser feita. Por isso, toda vez que o jogo for colocado, deve-se virar todas as cartas, para só então proceder à leitura. Primeiro, numa vista d’olhos você assimilará a interrelação de uma carta com a outra. Só então você será capaz de expressar essa inter-relação. Esclarecido este ponto, vamos ao Peladan. Peladan é o nome de um jogo muito usado em perguntas objetivas, quando queremos respostas rápidas e diretas. Tiramos as cartas, como em todos os jogos, sempre com as figuras voltadas para baixo. Tiramos a 1a e a chamamos de tese. A 2a de Antítese, a 3a chamamos de Caminho e a 4a carta, de Resultado. Este é o nome de cada casa que compõe este jogo. Colocamos o montinho restante de cartas ao nosso lado sem nele mexer ou embaralhar. Tese é o tema, ou a pergunta que fizemos, ou do que se trata o jogo. Antítese é a discussão da Tese ou o seu complemento. O Caminho são os obstáculos e as facilidades que encontraremos no caminho para a solução do que nos aflige. E o Resultado é o resultado final após termos superado o caminho. Vamos supor uma pergunta. Estamos desempregados e vamos amanhã para uma entrevista marcada com o chefe de setor de uma empresa. A pergunta ao Tarot deverá ser sempre objetiva. O Tarot dá uma resposta de cada vez. Faça, então, quantos jogos forem necessários para cada desdobramento da pergunta. “Ou” é uma palavra dúbia. “Vou conseguir o emprego ou não?”, não existe no Tarot. A pergunta certa é: “Vou conseguir o emprego?”. Suponhamos que saia a carta 16, A Torre, na Tese. Na Antítese, a carta 5 – O Papa. No caminho, a carta 14 – Temperança. E no Resultado, a carta 18 – A Lua. Tiramos a Síntese, que será a carta colocada no centro do jogo. A Síntese, que é a síntese do jogo todo, se descobre pela Redução Teosófica das quatro cartas colocadas. Vamos ver. A redução da carta 16 é 1+6=7. Da carta 18 é 1+8=9. DA carta 14 é 1+4=5 e da carta 5 é 5 mesmo. Somamos então o resultado da redução de cada carta: 7+9+5+5=26 Como não existem 26 Arcanos, só 22, reduzimos também o 26: 2+6=8 Portanto, 8 é a redução final. Mas não é a carta 8 que vamos utilizar. É a oitava carta do monte de cartas que haviam restado que nos interessa. Vamos ao monte de cartas, com as figuras voltadas para baixo, contamos até a oitava carta e a retiramos. Esta carta, que será a Síntese, será colocada no centro do jogo. Digamos que a oitava carta tenha sido a carta 19, carta do Sol. O jogo fica assim. Agora, vamos à leitura. A Torre, carta 16, está na Tese. Estamos numa situação de corte. Nossas necessidades estão sendo cortadas provavelmente em função da falta de dinheiro decorrente do desemprego. Estamos divididos, receosos. Na Antítese, a carta 5 nos avisa de que teremos uma entrevista com alguém de posto elevado, eficiente no que faz. Aqui a Antítese aparece mais como 312
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    complemento do quecomo discussão da Tese. No Caminho, temos a carta 14 – A Temperança, que significa paciência, tempo de maturação. Parece que não conseguiremos o emprego, se depender da Temperança, que nos diz que ainda não é o momento certo. No Resultado, temos a carta 18 – A Lua. Certamente o emprego não será nosso no que diz respeito ao resultado desta entrevista. Sairemos de lá cabisbaixos, aborrecidos, certos de que não conseguimos. Mas a Síntese é a carta 19, O Sol. Conseguiremos um emprego, sim, mas provavelmente não será esse. Ainda temos que esperar um pouco. Talvez até consigamos este emprego, mas não será agora. No entanto, à medida que você toma consciência disso, você pode tentar mudar um pouco as coisas, principalmente com a clareza na Síntese, carta 19. Talvez pelo clima de Torre, que temos estampado em nosso rosto, o outro, O Papa, não nos dará emprego. Se nós conseguirmos mudar dentro de nós a Tese, o jogo será mudado. Então, podemos nos conectar com uma carta de força como a carta 11 – A Força – ou uma carta de realizações concretas como a carta do Imperador, carta 4. A partir daí, nossa energia muda, muda o nosso comportamento diante da entrevista que estará por vir, muda toda a relação entre as cartas. Há duas maneiras de comprovar isso. Abrindo novo jogo depois da conexão ou indo para a entrevista primeiro com a carta da Torre, sentindo o rumo que as coisas estão tomando e no meio da entrevista mudar o comportamento com a convicção do Imperador. Tente! Você se surpreenderá! Aliás, o Tarot nunca deve ser experimentado única e exclusivamente pela fé, mas deve ser vivido e colocado à prova. Por isso, sempre que abrir um jogo, coloque a data, a hora e a pergunta feita num caderno para conferir. Você fará excelentes progressos rapidinho. Vamos ver como seria uma leitura imaginativa e não intuitiva como a que fizemos anteriormente. Na Tese, acharíamos que a situação externa está contra nós. Parece que o raio da Torre nos atingiu tornando este momento um momento difícil, mas como o raio vem de fora, nada podemos fazer. A Torre é realmente uma carta de imprevistos e cortes bruscos, mas não é aquilo que muitos tarólogos acham: que não somos responsáveis pelo que vem de fora e, portanto, não podemos interferir. Neste caso de que adiantaria adquirir consciência, se não podemos agir? Na Antítese, a carta 5 poderia ser uma discussão da Tese, e nos indicaria que somos peritos no que fazemos e que devemos confiar em nossa capacidade para conseguir o emprego. No Caminho, temos a Temperança, que nos avisa que devemos encontrar na entrevista uma pessoa vacilante, carregada de energia negativa e temerosa. E, no Resultado, A Lua, nos alertaria para o fato de que não devemos confiar nesta pessoa. Ela talvez tenha motivos escusos para não nos ter por perto. Com a carta do Sol na Síntese, podemos estar certos de que o emprego será nosso apesar de tudo. Com isso em mãos, agora Você tem uma idéia de como você pode ler com a intuição, de maneira mais lúcida e imparcial, e assim ajudar o outro a se desvencilhar das situações com mais consciência. E tem também o exemplo de como você pode ler com a imaginação, atolado em um imaginário obscuro, semelhante à carta da Lua e que redundará, inevitavelmente, em erro de leitura. É claro que num jogo hipotético como esse, descartamos um fator de 313
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    importância: a presençado consulente que sempre nos orienta para além do significado das cartas. No entanto, isso não deve ser um fator manipulador da sua leitura. Pelo contrário, quanto menos identificado com o consulente você estiver, maior será a sua chance de acerto. Lição 12 – Jogo Amoroso Estamos apaixonados. Que bom! Então, queremos saber como está a nossa relação com o outro. Há um jogo simples e perfeito para isso. Embaralhamos, cortamos e tiramos a primeira carta, que sou “eu” mesmo. A segunda carta será “o outro”. A terceira carta será a “situação” E a quarta carta, “insight”. Vamos supor que tenham saído as seguintes cartas: No “eu” estamos com a carta 8 – Justiça, que é uma carta excelente para assuntos profissionais e de trabalho, mas que não funciona em assuntos amorosos. A Justiça é extremamente racional e amor e razão não combinam. Então, na verdade, apesar de me sentir apaixonado, estou entrando muito racional nessa relação, medindo, ponderando, pesando, com o pé atrás. Na posição “o outro’, temos a carta 17, A Estrela, significando que o outro está receptivo, leve, nu e feliz na relação. Na situação, temos O Diabo, carta 15, que é a paixão mesmo, o tesão. Então a situação parece correta. Está como deveria estar mesmo. E o insight é a carta 10 – A Roda, ou seja, o que pode ocorrer a partir das 3 cartas anteriores. A Roda significa mudança para melhor. Pode haver um crescimento desta relação. Ela não vai estagnar e parar aí ou morrer. Uma transformação ocorrerá e envolve tempo. Como no insight não tivemos uma resposta que nos satisfaça, podemos tirar mais uma carta, que chamaremos de Desdobramento do Insight ou do jogo, que é o que mais está nos incomodando. Queremos saber que transformação será essa. Fazemos então a Redução Teosófica das quatro cartas. 8=8 17=1+1=8 15=1+5=6 10=1+0=1 Temos: 8+6+8+1=23 Reduzimos o 23:2+3=5 Vamos ao monte de cartas que sobraram e retiramos a 5a carta. Ela será o insight. Digamos que tenha saído a carta 19 – O Sol. O jogo fica assim: Continuando a leitura, vemos que a transformação apontada no insight pela carta 10, será melhor do que poderíamos supor. A carta do Sol é a carta do Amor. Certamente a relação amadurecerá e o que hoje é apenas uma paixão se transformará em algo mais sólido que nos trará a felicidade que tanto ansiamos. É uma bela relação e deve ser aproveitada em todos os sentido. Apenas precisamos rever no “eu” a carta 8, que pode impedir esse florescimento. Menos razão e mais emoção é o que o “eu” precisa. Agora que você já está virando um especialista em Redução Teosófica, gostaria de chamar sua atenção para a redução que fizemos neste jogo. O resultado da redução foi 5, o que nos leva à carta 5, O Papa. Isso também deve estar presente em sua leitura, mesmo que a carta em si não esteja presente. De posse dessa informação, agora podemos dizer que há grande chance dessa relação acabar em casamento, pois não só a 19 é uma carta de amor e de união feliz, como o Papa é um casamenteiro de mão 314
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    cheia. Tanto oPapa quanto a Justiça gostam de legalizar situações. Quando um dos dois sai, o perigo é iminente. Lição 13 – As 11 Cartas Célticas Este jogo é mais completo e por isso mesmo é mais usado. Ele nos dá inclusive a possibilidade de incluir o tempo em nossa leitura. O Tarot é realmente rebelde ao tempo, e cada leitura não excede o prazo máximo de 6 meses, a não ser que se determine antes do jogo o prazo que queremos. Por exemplo, ao final de cada ano, é comum os tarólogos abrirem um jogo de previsão para o ano seguinte. Nesse caso, pode-se ter uma ideia bastante aproximada do que poderá ocorrer durante o ano. Mas, quando jogamos para um consulente, o tempo é aleatório. No caso das Cartas Célticas, temos duas casas reservadas para o tempo: Próximos Acontecimentos e Futuro Próximo. Em Próximos Acontecimentos, o tempo vai de agora, neste minuto, até 15 dias aproximadamente. Em Futuro Próximo, o tempo excede os 16 dias até 6 meses, no máximo. Mas podemos precisar os prazos como quisermos, sabendo que seria leviano ir além de um ano. Vamos às cartas. Feito o ritual inicial — embaralhar, cortar, tirar as cartas em número de 11 —, passamos ao jogo, que deverá ser arrumado da seguinte forma: Tire as cartas na ordem e coloque-as em seu devido lugar. A primeira carta na casa l, a segunda, na casa 2 e assim por diante. Agora vamos ver o que cada casa significa: Casa l — Tema Casas 2 e 3 — Discussão do tema Casa 4 — Base Casa 5 — Passado Casa 6 — Aspiração ou aquilo que está na cabeça. Meta. Casa 7 — SeLf (é a energia mais importante no jogo) Casa 8 — Futuro Próximo (apesar de ser a oitava carta, deve ser lida por último) Casa 9 — Situação Atual Casa 10 — Esperanças e Temores (o que o nosso inconsciente mais deseja e por isso muitas vezes rejeita) Casa 11 — Próximos Acontecimentos Vamos supor a seguinte pergunta: Estou esperando uma promoção no meu trabalho. Quero saber se sairá e quando. Digamos que as cartas tiradas sejam as seguintes: A primeira carta da casa do Tema, é a carta 7 - 0 Carro. O Carro é sempre novos rumos e agilidade no caminho. Isso significa que temos pressa em conseguir nossa promoção. As duas cartas que vão discutir essa pressa, a carta 8 e a carta 4, aqui provocam uma certa tensão entre si pela oposição das duas casas — a casa 2 e a casa 3. A carta 8, A Justiça, indica que o processo ainda precisa ser legalizado para se tornar completo e deixar de ser um mero sonho. A carta 4, do Imperador, se coloca a nível da concretização da meta do tema. Ele é capaz e sabe disso. A carta 10 na base é uma carta de oscilação. Não é uma carta ideal para a base. Ora parece que conseguiremos, ora não, por seus altos e baixos. No passado, temos a carta 16 que significa que houve cortes na empresa e que este passado, de certa forma, está influenciando na decisão quanto à nossa promoção. Na cabeça, que é a casa do que aspiramos, temos a carta 3 — A Imperatriz, que aponta para algo mais estruturado num tipo de trabalho que será mais gratificante de realizar. Lembro que a carta da Imperatriz é uma carta de energia feminina sofisticada, indicando que a nossa promoção significará um refinamento de nossa personalidade. A casa 7, que é o Self, o nosso eu ou a energia central do jogo, aponta 315
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    para as nossasreais possibilidades de sucesso. Nela temos a carta 2 — A Papisa. Esta carta indica que alguns pauzinhos estão sendo mexidos atrás dos panos, e que devemos contar com a possibilidade de que a decisão ainda não tenha sido tomada a nosso favor por causa de mexericos, oportunismos, etc. Na casa 9, que é a situação como está neste momento, temos O Mago, que é o anunciador de novos começos. Esta carta indica que temos muita chance de começar algo novo em nosso trabalho. Na casa 10, que é o nosso inconsciente por excelência, temos a Temperança, carta 14, alertando para o fato de que internamente acreditamos que o processo será moroso, que temos chance, mas que precisamos sofrer na espera para sermos merecedores dessa promoção. Na casa 11 — Próximos Acontecimentos, temos a carta 6 — O Enamorado, significando que a escolha se fará no correr dos próximos 15 dias. Na casa 8 — Futuro Próximo, que deverá ser lida por último, temos a carta 20,0 Julgamento. Esta carta é uma carta que anuncia alguma coisa, que traz alguma notícia, significando uma transformação muito grande em nosso trabalho. Não se trata de uma simples promoção, mas também da transformação que pode decorrer disto. Como as duas cartas finais envolvem três figuras, excluindo o anjo e o cupido, certamente haverá pelo menos mais dois candidatos para a mesma vaga. Apesar de ter grande chance de conseguir a promoção, esta chance está na carta l, O Mago e, de certa forma, na carta 20 — O Julgamento - seria melhor tentar averiguar quais os tipos de cochichos que a Papisa tem aprontado na casa do Self. E também que outros candidatos estão na pauta do assunto. Na verdade, o Tarot indica pontos de estrangulamento, dúvidas, processos inconscientes, envolvimentos. Não resolve por nós os nossos dilemas, mas ajuda-nos a resolvê-los. Nesse jogo, por exemplo, a carta 14 — A Temperança, está na casa Esperanças e Temores, sugerindo que talvez não tenhamos sucesso a curto prazo. Esta casa assim como a casa do Self costumam projetar suas sombras a todas as outras cartas do jogo. Portanto, devemos nos conectar com cartas mais incisivas pá.-a questões como essa. No lugar da Temperança, podemos nos conectar com a energia do Mago, que tudo vence com destreza, a fim de introduzir o novo em nossas vidas. E para a carta da Papisa, poderíamos nos conectar com a carta 19,0 Sol, que é uma carta de clareza, a fim de afastar do Self os comentários obscuros da Papisa. Aí está a leitura que podemos fazer deste jogo e a possibilidade de modificarmos certas crenças e atitudes que temos em relação às situações do nosso cotídiano. Lição 14 – A Pirâmide Digamos que um dia um amigo seu, que está doente, pede para que você lhe abra um Tarot. Sugiro usar a Pirâmide como jogo, nesse caso. Com a Pirâmide, você tem um mapeamento completo do estado da pessoa no plano físico, emocional, mental e espiritual. Ou, usando a terminologia esotérica dos corpos, se você preferir, corpo físico, corpo astral, corpo mental e corpo espiritual. As cartas são colocadas da seguinte maneira: No corpo físico, você vai ter uma orientação sobre o estado da pessoa fisicamente. No corpo astral, o que está influenciando emocionalmente o corpo físico da pessoa. No corpo mental, o que está influenciando mentalmente. E o búdico, ou espiritual, a mesma coisa. 316
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    Então, digamos quetenham saído as seguintes cartas: Vamos então fazer a Redução Teosófica de cada plano, como uma espécie de Síntese de cada plano. Corpo Físico — 7+13+9+4= 7+4+9+4= 24= 2+4= 6 Corpo Astral — 16+18+5= 7+9+5= 21= 2+1= 3 Corpo Mental — 8+2= 10= 1 Corpo Búdico ou Espiritual — 11= 1+1= 2 Temos então: Agora vamos procurar entender a Pirâmide seccionando-a: Temos aqui três triângulos, agregados a partir de três casas próximas. O triângulo central é o Self ou a atuação da pessoa no momento presente. O segundo triângulo, o Self no passado. E o terceiro triângulo, o Self no futuro. Ou seja, o que no passado influenciou o presente e o que no presente pode influenciar o futuro. Esta interação entre plano físico e plano emocional é importantíssima, pois sabemos que todos os corpos interagem e que a maioria das doenças são espirituais, instalando-se primeiro em nosso corpo mental e astral. Agora vamos fazer o mesmo para a parte de cima da Pirâmide. O quarto triângulo acontece na confluência de três cartas, duas do corpo astral e uma do corpo mental, no passado. E o quinto triângulo, a mesma coisa, mas com projeção para o futuro. O sexto triângulo está na confluência das duas cartas do corpo mental e da única carta do corpo búdico. Este triângulo está no presente, já que para o espírito não existe passado nem futuro. Então, agora temos duas pirâmides seccionadas para ler. Vamos pegar primeiro a dos seis triângulos, ou a 2a Pirâmide, para análise do corpo físico e emocional. 1° Triângulo — Está no presente com duas cartas, a 13 e a 9 no corpo físico e uma carta, a 18, no corpo astral. A carta 18 — A Lua, indica que o nosso amigo está emocionalmente muito abatido, cansado e deprimido. A carta 13, A Morte, indica que ele parece ter um problema ósseo, na coluna provavelmente. A carta 18 são as nossas águas turvas, podendo significar que há talvez um problema de rins complicado por esse problema ósseo. A carta 9 é o Eremita, que olha a carta da Morte achando que vai morrer. Portanto, o emocional e o físico estão aqui misturados, principalmente porque a 18 não é uma carta de clareza, mas de obscuridade. No astral ela não nos permite ver absolutamente nada. 2° Triângulo — Está no passado e significa o quê no passado está influenciando o presente. Neste 2a triângulo temos no astral a carta 16, A Torre, revelando que deve ter havido algum acidente que está provocando as dores no presente. No plano físico, a carta 7, O Carro, confirma o problema nos rins, que está sendo prejudicado mais ainda pelo problema ósseo decorrente do acidente. 3° Triângulo — Está no futuro e aqui a situação melhora substancialmente. O Eremita, que aqui representa o nosso amigo, é ajudado pelo Papa, carta 5, no astral. O Papa indica a presença de um médico competente para o caso dele e indica também que há proteção no astral a caminho. A carta 4, a do Imperador, é salutar, já que o Imperador é a própria personificação da saúde, significando, portanto, pronto restabelecimento. Antes de passarmos para os outros triângulos dos corpos acima, é melhor procedermos à leitura da Redução Teosófíca da Pirâmide, no plano físico. Voltamos à 1a Pirâmide para complementarmos a análise do corpo físico e 317
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    emocional. No plano físicotemos as cartas 7, 13, 9 e 4, já analisadas na Pirâmide anterior. A redução 6, nos remete à carta do Enamorado, e significa que a síntese da situação atual é de dúvidas e indecisões, não se sabendo ao certo que rumo tomar. Como no astral aparece a possibilidade de ajuda através de um médico, O Papa, acreditamos que o melhor seria procurar um especialista em rins e ossos. Aqui está, portanto, a primeira indicação do Tarot para alertarmos o nosso amigo. Passemos agora à análise dos triângulos superiores. Voltamos novamente à 2a Pirâmide. No quarto triângulo, situado no passado, temos a confluência das cartas 16, A Torre, e 18, A Lua, ambas no plano emocional e a carta 8, A Justiça, no plano mental. Este triângulo, também por estar no passado, vai influenciar o primeiro triângulo do presente. Com a carta 8 no mental, significa que o nosso amigo está racionalizando demais a respeito de sua saúde. O acidente, representado pela carta 16, no passado, deixou sequelas em seu corpo astral, provocando sombras emocionais ou depressões, carta 18, em seu corpo físico, a carta 13. O quinto triângulo, situado no futuro, indica que ele deverá procurar se orientar, não com racionalizações infrutíferas, mas através da sabedoria da Papisa, carta 2, que no plano mental significa atingir um espaço de silêncio interior e de aprofundamento existencial. Este empreendimento poderá ser facilitado pela carta 5, que representa Guias e Mestres. Esse contato, inicialmente, poderá ser feito através de livros ou diretamente através de seu guia interior. A segunda sugestão do Tarot é que ele procure também uma solução no astral e no mental para o seu físico, já que essas sequelas estão aí sedimentadas como traumas a serem tratados. No sexto e último triângulo, que atinge outro patamar de compreensão, temos a confluência da carta 8 e da carta 2, ambas no plano mental, com a carta 11, A Força, no plano espiritual, significando força suficiente para modificar a situação. Ou seja, ele tem força e energia para superar este momento. Corno vimos anteriormente, no futuro, o plano físico dele se modifica para melhor com a carta do Imperador e do Papa, mas é do plano espiritual, através da carta da Força, que ele deve retirar a energia necessária para que isso ocorra. Completa a leitura dos triângulos, vamos agora terminar a leitura da primeira Pirâmide, com os planos emocional, mental e espiritual. No plano emocional temos as cartas 16,18 e 5. A carta 18, como já sabemos, lança certas dúvidas sobre as cartas 16 e 5, encobrindo-as com suas sombras. Se realmente houve um acidente, carta 16, e parece que houve, o nosso amigo rejeita o fato, assim como rejeita a ajuda do especialista, carta 5, que poderá curá-lo. Mas a Redução Teosófica deste plano é 3, carta da Imperatriz, que lança um pouco de claridade nas sombras projetadas pela Lua. Talvez por causa desta carta oculta e só desvendada pela Redução Teosófïca, ele tenha nos pedido ajuda através do Tarot. A Imperatriz "levanta o moral" em situações de doença. No plano mental, a razão predomina com A Justiça, carta 8, equilibrada, no entanto, pela sabedoria da carta 2 — A Papisa. A redução nos dá a carta 1, O Mago, mostrando que o nosso amigo está aberto a novas propostas que o auxiliem a superar a doença. A Redução Teosófica da carta 11, A Força, que aparece no plano 318
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    espiritual, é 2— carta da Papisa. Tanto a 11 quanto a 2 são ótimas cartas neste plano. A Papisa, figura inspirada nas sacerdotisas do antigo Egito, tem o conhecimento necessário dos mistérios que envolvem a vida e a morte e condições suficientes para superação de obstáculos em questão de saúde. A terceira sugestão do Tarot, então, é chamar atenção para o fato de que através da Força que ele tem no plano espiritual e do Mago, no plano mental, pode-se sugerir soluções novas como homeopatia, acupuntura ou ervas para o seu tratamento. A Papisa também fortalece essa alternativa, já que ela é vista como uma curandeira dos tarólogos. Dito isto, agora vamos continuar seccionando nossa Pirâmide até esgotála. As cartas à esquerda são o passado e devem ser reduzidas junto com a do plano espiritual. Às cartas à direita significam o futuro, devendo ser reduzidas também com o plano espiritual. A redução do lado esquerdo nos dá: 7+7+8+2= 24= 2+4= 6 A redução do lado direito nos dá: 4+5+2+2=13=1+3=4 A redução de todos os corpos juntos, no passado, nos dá uma certa harmonia, por causa da carta 6 - 0 Enamorado - e, por isso mesmo, uma certa imaturidade ainda. A redução deles no futuro, nos dá a carta 4, O Imperador, indicando uma coesão e estruturação maior da personalidade, necessária para que a imaturidade do passado possa se dissolver na afirmação do futuro. O Imperador realiza concretamente no mesmo espaço em que O Enamorado ainda oscila. Portanto, como orientação final e complementar, o Tarot indica que há uma grande chance de sucesso no tratamento que ele escolher, levando em consideração as orientações anteriores sugeridas. E que a Redução Teosófica do futuro, tendo a carta 4 — O Imperador, é confirmação de restabelecimento rápido. Finalmente, a última observação que precisamos fazer é a de olhar a Pirâmide como um todo e coletar os números de maior incidência. Temos duas vezes o número 2,4 e 6. Neste caso, não nos parece significativo, pois a incidência de números iguais é desprezível. Se o mesmo número aparecesse três ou quatro vezes, teríamos que levá-lo em consideração. Por exemplo, se o número 4, O Imperador, que apareceu duas vezes, fosse o resultado de mais uma redução, seria interessante ver a relação da posição da carta com os diferentes posicionamentos. Ah, tem mais um detalhe. Esqueci de dizer que a carta oculta do nosso amigo (dei uma espiada quando recolhi os montinhos), foi a carta l, O Mago, que confirma o restabelecimento da saúde. Numa primeira leitura, é certo que ficamos assustados com a riqueza que podemos depreender de cada uma das cartas. Você pode achar, a partir da leitura da Pirâmide feita aqui, que jamais conseguirá tal proeza. Sugiro apenas que releia o exemplo muitas vezes para começar a extrair da leitura acima dados que só são possíveis na interrelação das cartas. Absorva lentamente as informações passadas aqui e em todas as lições anteriores. Este livro, na verdade, tem a vantagem de estar à sua disposição a qualquer momento, fato incomum nos cursos em geral. Lição 15 - Diagnosticando Doenças Assim como abrimos a Pirâmide para saber sobre o estado de saúde de uma pessoa, podemos abrir o Tarot para diagnóstico. O jogo da Pirâmide 319
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    é bom paraisso, mas pode-se abrir o Peladan também para casos mais corriqueiros. A disposição das cartas é a mesma do Peladan da Lição 11. O que mudará aqui é a intenção. A listagem abaixo está sendo revelada neste Curso Introdutório de Tarot por uma questão de rigor. Mas, em geral, as cartas têm seus significados agregados a outras cartas. Portanto, a nível de diagnóstico, principalmente quando ainda somos amadores no Tarot, devemos ter o maior cuidado nas leituras que envolvam a saúde de outras pessoas. No entanto, se vamos mexer com o Tarot precisamos conhecer algumas de suas potencialidades, nos conscientizando também do poder que nossa palavra terá, principalmente em função da mistificação que as pessoas em geral atribuem às cartas e às suas possibilidades adivinhatórias. Por isso, todo o cuidado é pouco. Dito isso, vamos às cartas. Precisamos saber o que significa cada carta a nível das prováveis doenças que elas representam. A explanação que se segue foi recolhida da experiência de alguns tarólogos e também de alguns livros, acrescida da minha própria experiência com os consulentes. É notório, para alguns tarólogos, que a carta l, O Mago, e a carta 4, O Imperador, revelam que o consulente goza da mais perfeita saúde. No entanto, como O Mago é uma figura desconectada, de uma certa forma tem propensão a acidentes. O Imperador, por ser um executivo de primeira linha, tem propensão a enfartes e derrames. Mas, vamos seguir a ordem das cartas. Carta 2 - A Papisa, que representa um certo ocultamento, principalmente pelo véu ao fundo da carta, está intimamente ligada ao útero e à vagina. É também à menopausa e ao climatério. É a gravidez no início, quando a consulente ainda não tem consciência de que está grávida. Em casos de aborto, a Papisa também aparece. Carta 3 - A Imperatriz, por ser muito vaidosa e sofisticada, está ligada à beleza feminina. Ou seja, cirurgias plásticas em geral, das quais os homens também não estão livres. A Imperatriz tem problemas de varizes internas e externas, inclusive hemorróidas dolorosas. Representa também gravidez, mas a gravidez consciente. Carta 5 - O Papa, por ser ancião tem propensão à arteriosclerose, problemas de cabeça em geral e insônia. Carta 6 - O Enamorado possui um delicado sistema digestivo, podendo ter prisão de ventre, gases ou diarréias constantes. Carta 7 - 0 Carro, nos remete às vias, aos rins, à bexiga, ao aparelho urinário. Carta 8 - A Justiça, que é extremamente racional e rígida, nos lembra O Papa com sua insônia, mas tem também problemas de coluna e pescoço. Carta 9 - O Eremita, que está sempre iluminando o caminho, tem problemas de visão. Enxerga pouco, talvez por isso a luz lhe seja necessária. Carta 10 - A Roda da Fortuna, oscila qual os nossos humores. Nos remete aos nossos hormônios, à nossa tireóide, à hipófise e a todas as glândulas do nosso corpo. Por isso também mexe com as nossas ansiedades e angústias. Está ligada também ao sistema nervoso. Carta 11 - A Força, que aparece para nós abrindo a boca do leão, sugere tensão muscular principalmente na nuca, ombros, mãos e pernas. Carta 12 - O Pendurado, como todo Enforcado, morre por asfixia. Por isso, ele tem problemas respiratórios em geral, tipo amidalite, sinusite, faringite, etc. 320
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    Carta 13 -A Morte, que é puro osso, evidentemente tem problemas nos ossos. Carta 14 - A Temperança, são as nossas águas limpas, que ela troca de um vaso para outro, ou seja, o nosso aparelho digestivo, a alquimia interna do nosso corpo. Carta 15 - O Diabo, se refere às doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, por exemplo. São os problemas sexuais e/ou de sangue. Carta 16 - A Torre, sugere pessoas desconectadas que têm propensão a acidentes mais graves que os do Mago. Mas pode ser também queda energética brusca, tipo gripe forte. Carta 17 - A Estrela, com sua beleza, tem problemas de pele. É o nosso aparelho circulatório. Tem problemas de estafa e stress, principalmente se mora em cidades muito agitadas como os grandes centros urbanos. Carta 18 - A Lua, são as nossas águas profundas e escuras. Além de representar nossas neuroses e psicoses, está ligada também a corrimentos, viroses, câncer e tumores. Na mulher, exclusivamente, se refere à menstruação e aborto. Carta 19 - O Sol, claro demais e infantil demais, está associada a problemas neurovegetativos e alergias de fundo emocionai. Especialmente ligada a problemas emocionais infantis, a traumas de infância. Está ligada também à gravidez em final de gestação. Esta carta associada a outras pode significar morte física. Carta 20 - 0 Julgamento, é o ressurgimento dos mortos, por isso nos remete à pressão, alta e baixa. E também a problemas circulatórios em geral. Carta 21 - O Mundo. São as doenças mundanas. As que entram pela boca, obesidade. As que entram pelo ouvido, poluição sonora, que produz ansiedade e mexe com o sistema nervoso. As que entram pelo nariz, por intoxicações variadas. E as que entram pelos olhos, inflamações oculares por vírus. Carta O - O Louco, quando o organismo enlouquece e toca o alarme. São as febres em geral ou qualquer desequilíbrio térmico ou energético. São as doenças passageiras. Vamos simular um Peladan, que é um jogo rápido para problemas simples de saúde. A pergunta é a seguinte. Quero saber como está a minha saúde. Vamos supor que tenham saído as quatro cartas a seguir: Vamos então fazer a Redução Teosófica das cartas para saber a Síntese. 4+12+1+3 = 4+3+1+3 = 11=1+1 = 2 Vou no monte de cartas e retiro a 2ª carta. Vamos supor que tenha saído a carta 5 - O Papa. Na Tese temos O Imperador, indicando que o tema é saúde e não doença, o que nos alegra muito. Esta carta nesta posição quer dizer que estruturalmente temos uma saúde ótima. A Antítese com O Mago confirma boa saúde, mas aponta negligência. No Caminho, temos a carta 3, A Imperatriz, mais preocupada com a sua beleza do que com a sua saúde. Assim entendemos que a negligência do Mago aliada à displicência da Imperatriz nos levou a um problema nas vias respiratórias, revelado pela carta do Pendurado, no Resultado. Certamente um resfriado mal cuidado que se transformou numa sinusite ou coisa parecida. Na Síntese, temos a orientação do Tarot com a carta do Papa, carta 5, sugerindo que procuremos um médico. 321
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    Digamos que alguémvenha nos pedir auxílio para uma doença crônica. Após abrirmos o Tarot, verificamos que essa doença pode se complicar mais tarde. É claro que além de alertarmos o consulente no sentido de procurar um especialista ou de mudar de especialista, podemos através do Tarot já iniciar o processo de cura, pedindo que a pessoa se conecte com a carta de cura que lhe apresentarmos. Não esqueça que o Tarot é uma energia que trabalha nos planos mais sutis do nosso inconsciente. Em geral se usa a carta 5,0 Papa, ou a carta 4,0 Imperador ou ainda a carta l, O Mago. Mas outras cartas podem também ser usadas, dependendo da energia que se pretende. Pessoas muito lunáticas, usa-se, em geral, a carta do Sol, e vice-versa. Pessoas muito tensas, que nos lembram a carta da Força, em geral se usa a carta 17, A Estrela. De qualquer modo, é melhor se deter, por enquanto, numa única carta. O Papa é excelente, pois ele como Arquétipo significa o nosso mestre interior, a nossa sabedoria, o único que nos pode guiar em direção à cura. A conexão é simples. Peça para a pessoa olhar detidamente para a carta e dizer o que ela lhe provoca. Se for algo agradável ou mesmo indiferente, passe para a 2ª parte. Peça para que ela se deite e relaxe mantendo a carta entre as duas mãos por cinco minutos. Peça então para ela descrever o que sentiu. Peça a ela que tente se conectar pelo menos uma vez ao dia com a carta, durante duas ou mais semanas. Para isso, você pode ter à mão cópias xerox desta carta para distribuir nestes casos. Explique à pessoa que a carta significa seu mestre interior e que se ela quiser proferir alguma oração, ótimo! Se a carta inicialmente for desagradável, explique à pessoa o que ela significa. Se a sensação desagradável continuar ocorrendo, abandone a idéia de conexão. Não force nada. LIÇÃO 16 – TIPOS BRASILEIROS E O TAROT Certamente que podemos viver vários arquétipos num só dia. Como mãe, vivemos a Imperatriz. Como pai, O Imperador. Como amante, A Papisa. Como profissional, no meu caso, por exemplo, ao escrever este livro, O Eremita. Se jogamos na loteria ou no bicho, estamos em plena Roda da Fortuna. Se vamos ao clube treinar, vivemos A Força. Se estamos no sítio plantando, estamos com A Estrela ou A Morte. Enfim, de mil formas estamos em contato com os arquétipos. Mas há os casos típicos, que chamam nossa atenção e cuja característica principal nos remete a um único arquétipo exclusivamente. Vivemos no Brasil e nos arquétipos. É tão rica a presença dos arquétipos em nossas ruas, bares, lugares públicos, que às vezes ficamos horas nos deliciando com esta ingênua e alegre brincadeira. Todos em seus papéis sociais e psicológicos, inclusive nós mesmos. No entanto, no Brasil há uma incidência desconfortável de Magos, com seus oportunismos. De Pendurados e Temperanças, com suas ladainhas e reclamações. E Estrelas, alienadas do mundo real. Mas, vamos dar um passeio. Vamos sair de casa com o nosso Carro, em direção a um bairro movimentado. Paramos para estacionar e um homem de paninho na mão, se dirige a nós, dizendo, “beleza, madama. Pode deixar que eu tomo conta”. Esse é O Mago. A nossa carta 1 e o primeiro personagem a entrar no nosso passeio. Deixamos O Carro e vamos a pé em direção ao cabeleireiro. A nossa Imperatriz quer se embelezar. 322
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    Já no cabeleireiro,quem encontramos: a Clarinha. Nem bem nos viu e já foi contando a última que o marido da Mariza aprontou. E aí demos de cara com as fofocas da Papisa. Olhamos em volta para as Imperatrizes. E, é claro, onde tem Imperatriz tem Imperador. São aqueles executivos ricos que vêm buscar a sua Imperatriz no cabeleireiro para um almoço rápido. Aliás, coisa cada vez mais rara nos dias de hoje. Belissimamente melhoradas, saímos de lá, cabelo cortadinho que é uma maravilha e vamos correndo pro analista. Estamos em cima da hora. A porta nos é aberta por um reservado mas atraente senhor de pouca idade. É o Papa a ouvir e analisar os nossos descaminhos. A sessão rápida acaba. Saímos e já na rua nos deparamos com um irresistível par de olhos azuis com sotaque francês. O coração dispara e vem aquela vozinha a nos falar: “Não se mete em confusão. Se já tem homem em casa para que arrumar sarna para se coçar?” É a carta do Enamorado que agora vivemos. Para esquecer o par de olhos azuis ou para lembrar um pouco mais talvez, seguimos o caminho da praia. No calçadão, brisa morna, muita gente fazendo cooper, muitos carros no passeio. A carta do Carro aparece à nossa frente nos motoristas, nos que correm, e até no mecânico no meio da rua tentando consertar um carro parado só no papo, sem usar sequer uma chave-de-fenda. Aí a Justiça pulou. Que abuso!, um senhor de meia idade grita. Olhamos para a velhota que esperava pacientemente ser passada para trás pelo mecânico, mas ela não esboçou a menor reação. A essas alturas, o mecânico discutia com o senhor que acudia a velha. A briga rolava enquanto juntava uma pequena multidão. Lá do meio, discretamente, surge a solução. Parece um sábio a falar tão distintamente. Um verdadeiro Eremita sem bastão. Os ânimos se acalmam, o mecânico inventa uma história, sai de fininho. E o carro pega. Na verdade, o carro não tinha nada. Quem tinha era a velha. Surda como O Louco, sequer ouvia o barulho do motor. Precisou o pessoal gesticular: “pára, pára, que o carro pegou”, para a velha entender e parar de ranger o motor-de-arranque. Recomeçamos a circular. Foi aí que a Roda girou. De repente vi aos meus pés um pedaço de loteria. Abaixei para pegar e um cara se aproximou. “Sua sorte, madama. Caiu da minha mão direto no seu pé.” É A Roda da Fortuna!, pensei. E outro Mago a me passar para trás. Resisti heroicamente à tentação de comprar aquele pedaço de papel que me chamava, com a força que é peculiar aos domadores de leão. Sentei num banco, relaxei o olhar para além das ilhas do horizonte. O surfista, que rolava qual Estrela a brincar nas nuvens, abençoou a tarde que deitava sobre as amendoeiras. Lentamente sorvi a areia morna que os pivetes levantavam do chão. Foi então que o céu me pareceu meio manchado pela Lua dos meninos abandonados, tipo escorpião preparando a ceia. Uivamos cansados, eu e os meninos, até que o acrobata nos chamou a atenção. Qual Pendurado despencava do ferro de ginástica, a cabeça em direção ao branco mais branco da terra molhada de sal. Esquecido o pivete, agora admirava O Diabo que surgia na puta e no travesti que atravessavam a rua. Alguns artistas pintavam o calçadão. O Mundo exigia O Julgamento das minhas retinas. Deixei a Deus tal tarefa, pois já me dirigia à esquina onde estava estacionado O Carro. No meio do caminho, A Morte, de mãos dadas com A Torre, demolia um prédio perto de um majestoso jardim. Enquanto A Morte semeava a terra, a Torre desovava sobre ela tanta pedra que pensei ser A Morte que morria ali. Faltou apenas A Temperança nesse meu passeio. Os homeopatas, os 323
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    perfumistas. E entãoolhei para mim e para o mar que se despia pronto para abraçar a noite que rondava. O perfume vinha dele. De mim, vinha a alquimia, a chance de transformar tanta vida nesse pequeno vidro de poesia que aqui despejo. Foi quando olhei e não vi o Carro. Nem O Mago de paninho na mão. Gelei. Um efetivo ladrão. Já pensou se tenho que ir para delegacia enfrentar aquele monte de Diabos. Mas para meu alívio O Carro tinha sido empurrado lá para frente. Abri aquele sorriso e pulei no pescoço do Mago em sinal de agradecimento. Profissões dos Arcanos O que mais nos incomoda é assistir a um arquétipo fora de sua correspondente atuação arquetípica. À Justiça, por exemplo, nos sugere proteção e organização da ordem contra o caos. No entanto, muitas vezes assistimos A Justiça trocando de máscara com a Papisa, em situações escusas que nos desorientam. De qualquer forma, a lista que se segue a respeito dos Arcanos e de suas profissões não nos remete a essas idiossincrasias arquetípicas, devendo isto ficar por conta da nossa observação. Carta 1 - O Mago: ladrão, esperto, trambiqueiro, camelô, malandro, oportunista, mágico, hipnotizador. Toda e qualquer profissão manejada com esperteza e destreza. Carta 2 - A Papisa: fofoqueira (de profissão, tipo apresentadores de rádio). Todas as profissões que envolvam mutreta, propina e situações por baixo dos panos. Representa também as enfermeiras, freiras, mães-desanto, professoras e bruxos por excelência. Carta 3 - A Imperatriz: é o lado feminino das profissões: estilistas, cabeleireiros, costureiros, modistas, recepcionistas, etc. Carta 4 - O Imperador: os executivos em geral. Médicos alopatas. Deputados e Senadores. Carta 5 - O Papa: Mestres e Guias espirituais. Psicanalistas, médicos e juízes. Carta 6 - O Enamorado: trabalho com o público. Publicidade, Promotores de festas e eventos. Artistas em geral. Aliás, cartas com três a quatro figuras indicam trabalhos com grupos e público. Carta 7 - O Carro: corredores, mensageiros motorizados, motoristas, pilotos, mecânicos, viajantes, executivos ainda em início de carreira. Carta 8 - A Justiça: todo e qualquer trabalho muito racional. Toda profissão que exige número, peso e medida. Matemáticos, profissionais de informática, juízes, advogados, promotores, cirurgiões. Carta 9 - O Eremita: os medalhões, grandes pensadores, pesquisadores, escritores, sociólogos, cientistas, etc. Carta 10 - A Roda da Fortuna: todas as profissões que envolvam dinheiro fácil, tipo agiotas, bicheiros, donos de cassino, profissionais de jogos de azar em geral. Carta 11 - A Força: qualquer profissão que exija grande coragem. E todos os profissionais que trabalham com energia corporal tipo bioenergética, etc. Carta 12 - O Pendurado: os que se dedicam à humanidade. Qualquer profissão tratada com idealismo. Acrobatas e atletas. Carta 13 - A Morte: todas as profissões que envolvam a terra. Desde 324
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    coveiros, jardineiros atéagricultores. Carta 14 - A Temperança: todas as profissões alquímicas. Homeopatas, laboratoristas, perfumistas, etc. todas as profissões ligadas à cura. Carta 15 - O Diabo: profissões que envolvem sexo, ou seja, pessoas que comercializam a sexualidade. E também profissões violentas como policiais, carrascos e carcereiros. Carta 16 - A Torre: todas as profissões que envolvam obras e demolições. Carta 17 - A Estrela: todas as profissões que envolvam a natureza, estética e cura natural. E também artistas, astrólogos, tarólogos, aeromoças e comissários de bordo, ou seja, profissionais que vivem nas estrelas. Carta 18 - A Lua: todos os profissionais da magia. Artistas que trabalham na noite. Serviços noturnos em geral. Carta 19 - O Sol: todos os profissionais da mente e do corpo. Carta 20 - O Julgamento: os profissionais mais elevados espiritualmente. Os que tratam do plano espiritual das pessoas. E também os arqueólogos, profissionais das escavações, mineiros e músicos. Carta 21 - O Mundo: profissões ligadas à área de comunicação. Profissionais e artistas que atingiram a fama. Carta 0 - O Louco: todas as profissões em que se caminha muito a pé. Carteiros, viajantes, guias turísticos. Desempregados e os sem profissão definida. Lição 17 – Exercício de Peladan Este nosso Curso de Tarot, por ser introdutório, não tem como propósito esgotar todo o universo que existe e que só você pode descobrir em suas andanças a respeito do Tarot. Tem como objetivo desmistificar um pouco o manuseio das cartas e introduzir o leigo nos domínios de seu próprio auto-conhecimento. As informações, no entanto, aqui passadas, apesar de simples e diretas, são absolutamente rigorosas e precisas. É necessário que um curso introdutório de Tarot seja, pelo menos, correto. E esta foi a intenção que nos norteou aqui. Para que este curso seja completo, é necessária a prática. Como todo bom iniciante, você tem o direito de abrir o Tarot para os amigos, advertindoos, entretanto, de seu recente aprendizado. Como Aprendiz de Feiticeiro, esperamos que você caia em inúmeros erros de leitura, mas também acerte na mesma proporção. Você certamente verificará em si mesmo o que foi dito anteriormente sobre imaginação e intuição. Se você estiver absolutamente centrado, o que é um pouco difícil no início, a sua intuição funcionará às mil maravilhas. Mas a prática vai auxiliá-lo quanto a isso. Por isso achamos por bem que as últimas lições deste curso contenham exercícios práticos, que você fará sozinho, para só depois consultar a resposta. Cabe salientar que existem tantas interpretações quantos são os tarólogos, apesar de haver um consenso diante da significação básica de cada carta. Mas a interpretação que damos aqui é nossa e tem por função apenas orientá-lo. Por isso, você não deve se prender a ela exclusivamente. As 12 lições anteriores podem ser assimiladas pelo período de 1 a 12 dias ou mais. Depende de você. No entanto, sugerimos que os exercícios sejam feitos ao final da leitura das 12 lições e de dois em dois dias. É 325
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    necessário que vocêrepita cada exercício pelo menos duas vezes antes de recorrer à resposta, meditando com as cartas, deixando que seu coração se conecte com elas a cada manuseio. Você verá que a sua interpretação mudará vez por outra. Isso não deve ser fator de desconfiança, nem de insegurança. Mas um indício de que sua visão interna está se ampliando. Confie em você sempre. E nos Arcanos. Agora, de posse do seu caderno, exclusivamente reservado para suas anotações de Tarot escreva a data, hora e local da primeira leitura. No dia seguinte, repita o mesmo processo. Esse simples hábito o ajudará imensamente, principalmente no início. Exercício 1 - Pedalan Um consulente, executivo, do sexo masculino e de 48 anos, nos procurou com a seguinte pergunta: estou em vias de fechar um importante negócio com uma grande empresa. Vou ter sucesso? O consulente embaralhou as cartas, dividiu-as em três montinhos, que recolhemos, e tirou quatro cartas do leque fechado que lhe oferecemos. A carta oculta foi a carta 11, A Força. As cartas que saíram foram: No seu caderno, faça a Redução Teosófica. Nossa Redução Teosófica: 4+5+3+7=19=1+9=10=1+0=1 Fomos ao maço de cartas e retiramos a 1a carta, que foi a carta 10, a Roda da Fortuna. Que leitura você fará? Resposta do Exercício 1, para ser consultada posteriormente: O Imperador, carta 4, que é o consulente, certamente terá sucesso absoluto em seu negócio. A carta do Mundo, carta 21, é o que O Imperador pretende atingir, ou seja, a realização material, também favorecida pela carta 5, O Papa, excelente para negócios bem estruturados. No Resultado, a carta 7, O Carro, indica bons rumos nos negócios. E Vitória, segundo nome da carta do Carro, é bastante sugestivo nesse caso. A Roda da Fortuna, carta 10, confirma ganhos de dinheiro, já que ela é a síntese de cartas promissoras. A carta oculta, A Força, é uma carta de energia positiva e de fartura. A orientação do Tarot, portanto, é de que o nosso consulente vai ter sucesso absoluto em seu empreendimento. Lição 18 – Exercício do Jogo Amoroso O Jogo Amoroso, que já conhecemos, em geral e útil para quase todas as pessoas. Este será o nosso Exercício 2. Fomos procurados por uma consulente, do sexo feminino, publicitária, de 42 anos, com a seguinte pergunta: Como está à relação entre eu e o meu marido? A carta oculta deste jogo foi a carta 3, A Imperatriz, que para nós é a própria consulente. As cartas que saíram, foram: Faça a Redução Teosófica no seu caderno para achar o desdobramento do insight ou do jogo como um todo. Nossa Redução Teosófica: 6+7+2+4=19=1+9=10=1+0=1 Tiramos então a primeira carta do monte de cartas, que foi a carta 5 – O Papa. O jogo ficou assim: Que leitura você fará? Resposta do Exercício 2, para ser consultada posteriormente. 326
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    Parece haver umasituação de triângulo amoroso, carta 6, O Enamorado, que vem prejudicando a relação dos dois. Como esta carta saiu na casa da consulente, convém argüir sobre a existência de uma relação extraconjugal. O marido está passivo na relação, carta 2 – A Papisa, que significa espera, mas também ocultamento. O que leva a crer que o marido provavelmente também oculta algo dela. No entanto, parece que o impasse não depende dele, mas sim dela, fato que pode ser confirmado pela carta oculta, A Imperatriz, que reina na situação. É uma crise que envolve ruptura, com a carta 16, A Torre, e exige extremo cuidado no trato. A consulente parece tender para a separação, já que a carta da Torre está sob sua casa. O insight, com a carta 13 – A Morte, também coloca a intenção de uma separação por parte do marido, fato que ele está amadurecendo devagarinho dentro dele, por causa da carta da Papisa. Mas é possível que a relação renasça dos escombros da Torre e do depuramento da Morte em novas bases. É o que indica a carta 5, O Papa, carta do casamento e também da conciliação, no Desdobramento. Parece que este fato depende mais da consulente do que de seu marido. Lição 19 - Exercício das 11 Cartas Célticas Nesta lição, o nosso exercício parece se complicar um pouco. Mas temos também agora a nosso favor a possibilidade de trabalhar com prazos de tempo. O nosso Exercício aqui envolve a leitura com as 11 Cartas Célticas. Um jovem consulente, de 25 anos, do sexo masculino e estudante aplicado, nos procurou para saber a respeito dos seus estudos. A pergunta que ele nos fez foi: Espero conseguir uma Bolsa de Estudos para a França. Quero saber se vai demorar. Cartas que saíram: A carta oculta foi a 17, A Estrela. Neste jogo não utilizamos a Redução Teosófica. Que leitura que você fará? Resposta do Exercício 3, para ser consultada posteriormente. O Tema, casa 1, abre com a carta do Mago, carta 1. Carta l na casa 1 reafirma duas vezes a necessidade de renovação na vida do consulente. A discussão do Tema, nas casas 2 e 3, envolvem as cartas 7 -0 Carro, e a carta 16, A Torre. A carta 7 é uma carta excelente para empreendimentos materiais, significando que O Mago acredita que irá conseguir a Bolsa. A carta 16, no entanto, nos sugere um corte com coisas e pessoas que ficarão para trás. O Mago oscila exatamente aí, entre O Carro e A Torre, ou seja, a necessidade de se lançar no mundo e de obter sucesso e o custo afetivo que isto significará. Ele mesmo não tem certeza de como se sentirá interiormente se conseguir a Bolsa. Na Base, a carta 20, O Julgamento, é uma carta que envolve separações de situações antigas, transformações fortes. Como está na Base, além de mexer com a estrutura emocional do nosso estudante, significa também que notícias significativas deverão ocorrer. No passado, carta 12, O Pendurado, nos sugere que o consulente provavelmente se sentia preso a um passado e limitado a um espaço ou país. Isso certamente influenciou sua decisão no sentido de pedir a Bolsa. Há uma espécie de fuga de situações dolorosas que o consulente quer evitar, neste passado. A carta 21, O Mundo, cujo posicionamento está na cabeça do jogo, 327
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    significa que mentalmenteo consulente já se sente na França. Esta é uma carta de viagem longa para o estrangeiro. Isso é bom porque antes das situações realmente acontecerem no plano material, é no mental que elas tomam forma. O Self, com a carta 2, A Papisa, sugere, no entanto, que o processo será moroso e que ainda há obstáculos não revelados para se chegar ao objetivo. Se tivesse saído a carta do Imperador, por exemplo, o processo já estaria completo, bastando comprar as passagens. Mas a carta da Papisa é passiva. Talvez seja interessante sugerir ao consulente que ele tente agilizar o processo, identificando os pontos de entrave. A situação atual é sólida, bem estruturada. Indica que O Papa, carta 5, é reconhecido pelos que concederão a Bolsa como pessoa capaz e competente. Significa também que a situação está sendo examinada com o rigor institucional. A casa Esperanças e Temores contém a carta 13, A Morte, parecendo-nos que para o consulente essa viagem significa uma mudança radical em sua vida. Podendo até mesmo, a nível inconsciente, significar uma mudança definitiva para o país estrangeiro. Em Próximos Acontecimentos, temos a carta 14, A Temperança. Esta é uma carta de espera, o que nos leva a crer que a Bolsa será retardada um pouco, certamente por entraves burocráticos. Mas a carta 8, A Justiça, que é sempre legalização, está em Futuro Próximo, indicando que a Bolsa é certa e que num período em torno de dois a três meses, ela será liberada com aval institucional. Como A Justiça também significa cortes, já que com a espada ela elimina o que é prejudicial à sociedade, é bom enfatizar que neste caso esta carta tem uma conotação de legalização, já que estamos trabalhando com a hipótese institucional. A carta oculta, A Estrela, ou A Esperança, segundo nome para esta carta, também confirma que o processo será lento. Mas é uma carta com bons presságios. Portanto, o consulente pode, de posse dessas informações, tentar agilizar o processo de duas formas. Efetivamente, "in loco", e também através do Tarot. Temos duas cartas que estão prejudicando o desenrolar da história, sem contar com a carta oculta. A carta 2, A Papisa, no Self, e a carta 14, A Temperança, em Próximos Acontecimentos. A carta da Torre, num certo sentido também, pois se há no mental — carta. 21 — uma intenção muito forte de realização, com a carta da Torre há uma oscilação na vontade do Mago. Sugerimos que o consulente se conecte com a carta do Imperador, que é uma carta de concretização das nossas intenções, no sentido de favorecer o andamento da Bolsa. Lição 20 - Exercício da Pirâmide Nesta lição, o nosso último exercício, A Pirâmide, fomos procurados por nós mesmos. Vamos supor que nós temos 36 anos, somos do sexo feminino, e somos uma simples dona-de-casa. A nossa pergunta é: Quero me conhecer melhor. Cartas que saíram: Neste jogo não há carta oculta, porque jogamos para nós mesmos, o que dificulta a utilização deste recurso. Que leitura que você fará? __________________ 328
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    Resposta do Exercício4, para ser consultada posteriormente. Faça a Redução Teosófica de cada plano. Corpo Físico: 3+6+4+9= 13= 1+3= 4 Corpo Astral: 5+8+1= 14= 1+4= 5 Corpo Mental: 1+7= 8 Corpo Búdico: 1+0= 1 Agora seccione a Pirâmide: No presente, temos o 1º triângulo com as cartas 6,17 e 3 — O Enamorado, A Estrela e a Imperatriz. Nós passamos neste momento pelo resgate da nossa feminilidade com a carta da Imperatriz, carta 3, que associada ao Enamorado, carta 6, demonstra que ainda algumas dúvidas pairam no ar. Parece que há um padrão de mulher em nós que reconhecemos como não sendo nosso, mas que teimamos em reproduzir em nossas situações amorosas. Como temos no astral a carta 17, A Estrela, podemos dizer que este padrão de mulher se coaduna com o tipo "menininha alienada" que nada sabe, mas que na verdade acaba sofrendo com isso. Por outro lado, gostaríamos de criar um novo tipo de mulher para nós mesmos. No 2º triângulo, passado, há uma transformação já ocorrida com a carta 13, A Morte. O questionamento sobre "o que é ser mulher" já vem lá de trás. Como no passado essa discussão interna foi bem alquimizada no emocional pela Temperança, carta 14, no presente já há uma mudança de comportamento visível, que se completará futuramente. No 3º triângulo, futuro, a carta 3 da Imperatriz aparece junto com a carta 9, O Eremita e 19, O Sol, no astral. A conjugação dessas três cartas é alentadora. O Sol é clareza emocional, que influenciará diretamente A Imperatriz. Certamente A Imperatriz iniciará uma busca mais profunda de si mesma através da carta do Eremita, que é uma carta também de busca. Portanto, neste último triângulo, o que parece obscuro hoje, se esclarecerá internamente e A Imperatriz poderá trilhar seu caminho em perfeita segurança. O 4º triângulo tem duas cartas no astral, A Temperança, carta 14, e A Estrela, carta 17. E uma carta no plano mental, O Mago, carta 1. Este triângulo está no passado, significando que no mental havia uma necessidade de renovação, com a carta do Mago. Como o processo da Temperança é lento, o que poderia ser benéfico na carta da Estrela ainda não está sendo utilizado. Talvez uma saída apropriada para nós no momento seria uma vida voltada para os aspectos positivos da Estrela, que adora a natureza e a vida ao ar livre. No 5º triângulo, futuro, temos as cartas da Estrela, carta 17, e O Sol, carta 19, no astral e a carta da Torre, carta 16, no mental. A clareza de espírito, que reside no astral com a carta 19, não significará mais a alienação da Estrela, pelo contrário. A carta da Torre, carta 16, é uma carta de corte e de quebra de estruturas sedimentadas. Muita coisa ruirá nesse processo da Imperatriz, que representa nós mesmos. Mas, como toda Imperatriz, ela saberá que qualquer processo de destruição em que há discernimento e clareza é altamente recompensador. No 6º triângulo, plano espiritual, temos a carta da Roda da Fortuna, carta 10. Esta é uma carta de transformação benéfica, principalmente se relacionada a outras cartas do jogo como um todo. É certa a transformação, os rompimentos futuros, assim como é certo um bem-estar que ocorrerá nessa busca de nós mesmas. Aliás, o próprio fato desta pergunta ter sido formulada ao Tarot já é um bom indicador. 329
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    Na leitura decada plano temos que a carta do Imperador, resultado da Redução Teosófica no plano físico vem confirmar tudo o que dissemos antes. O plano físico, plano das concretizações, tem uma carta de concretização, o que indica sucesso total no caminho. Como o plano físico também envolve saúde, significa que temos uma saúde ótima. No plano astral, a carta do Papa, carta 5, nos sugere o encontro com o nosso mestre interior. O que torna ainda mais fácil o caminho a ser percorrido. No plano mental, a carta da Justiça, carta 8, indica que racionalizações ocorrerão e que neste caso é muito salutar, pois A Estrela, que é a carta central do jogo, regida por Aquário, necessita da racionalidade da Justiça para o seu amadurecimento. A Justiça, nesse plano, também significa equilíbrio necessário para minimizar a carta da Torre, carta 16. Não esquecer que a carta 8 é uma carta mental e aqui aparece corretamente, no plano que lhe cabe, o plano mental. E, finalmente, no plano espiritual, temos a carta do Mago, carta 1, como resultado da Redução Teosófica. Isto é mais do que poderíamos esperar. A carta do Mago, neste posicionamento, é carta de renovação espiritual. O que nos leva a crer que a carta do Papa, carta 5, presente aqui no astral, poderá se concretizar com a carta 4, O Imperador, no plano físico. Ou seja, que é possível que encontremos no plano físico um Mestre ou um Guia, em futuro bem próximo, que nos ajudará substancialmente. E, para completar, seccionamos a Pirâmide, agora verticalmente. Redução Teosófica do Passado: 4+5+1+1= 11= 1+1= 2 Redução Teosófica do Futuro: 9+1+7+1=18=1+8=9 A Redução Teosófica do passado nos remete à carta da Papisa, carta 2. O que só vem confirmar o que foi dito anteriormente. A Papisa é uma carta passiva, de espera e de maturação. A Papisa observa, mas não age. Pensa, mas não fala. Estuda, mas não coloca em prática. Tem a sabedoria que ela recolhe aqui e ali. Pois essa sabedoria será o ponto de partida para o futuro. A carta do Eremita, carta 9, é uma carta ativa, de quem está de pé, colocando em prática aquilo que foi recolhido pela Papisa. Claro que O Eremita tem sabedoria própria, mas se esta sabedoria está aliada à da Papisa, então está realmente sedimentada em bases sólidas. O nosso futuro será de solidão interna, já que a busca espiritual sempre envolve um retorno a nós mesmos. Parece que a feminilidade tão questionada será a porta de entrada para um caminho precioso. A energia yin da Papisa e da Imperatriz é a mesma energia da espiritualidade. Uma nova mulher, realmente, deverá surgir daí. Como a pergunta "quero me conhecer melhor" foi motivo desta leitura, esperamos que a interpretação da Pirâmide do Tarot tenha cumprido sua função de trazer mais consciência nesse sentido. Lição 21 - O Caminho do Mago Ao final de nosso curso, é necessário chamar a atenção para alguns pontos que foram aqui tratados. Um deles é o recurso da conexão com as cartas que utilizamos para mudar a energia que muitas vezes nos desorienta em assuntos importantes de nossas vidas. Esse recurso, mais conhecido como Visualização Criativa , mexe com o nosso inconsciente de maneira salutar. Não é 330
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    em geral utilizadopelos tarólogos. Eu particularmente o utilizo como auxílio no tratamento de pessoas com algum tipo de doença mais ou menos grave. Nas situações que envolvam outras pessoas que não o consulente, não se deve usar este recurso de forma nenhuma. Isto é óbvio na medida em que sabemos que o que é melhor para um pode ser prejuízo para outro. Por exemplo: Se formos solicitados no sentido de usarmos a conexão com as cartas para uma outra pessoa que não está presente, isso é violar os princípios éticos mais elementares. O homem ou a mulher que nos procuram no sentido de fazer retornar ao lar o parceiro ou a parceira, deve ser orientado de outra forma. O Tarot, nesses casos, será o meio eficaz de trazer mais consciência a este homem ou a esta mulher a respeito de sua relação e da consequente responsabilidade de cada um, além dos motivos e causas que levaram a este resultado. O que podemos fazer é orientar quem nos procura no sentido de romper determinados padrões de comportamento que podem ter prejudicado a relação. No entanto, deve-se chamar a atenção para inevitabilidade da existência da vontade da outra pessoa, que precisa ser respeitada. O mesmo se aplica a nós, quando jogamos para nós mesmos. Na verdade, com o tempo o próprio Tarot ensinará que tudo o que nos acontece está perfeitamente bem. De todas as situações podemos tirar o aprendizado da aceitação e do desapego. E esta é a função final do Tarot. Talvez alguns ainda necessitem impor à natureza e às coisas a vontade do Mago, mas certamente, ao chegarmos à Estrela, teremos dado um passo importante no sentido da entrega e da libertação que ocorrerá quando atingirmos O Mundo, carta 21. Na verdade, nós já nascemos perfeitos. Nascemos no estado de iluminação, que é o retorno da carta 21 à carta do Mago, para o início de um novo caminhar. O Tarot não começa na carta l nem termina na 21. O Tarot é uma Mandala, circular, sem início nem fim. O aparente fim já é início aparente de alguma coisa. Isso significa também que O Mago não achará nada nessa busca que ele empreende de si mesmo. E só achando o nada, o vazio, ele pode ter a verdadeira compreensão de seu ser. Por isso, o caminho do Mago é o zero, O Louco. O caminho que todos percorremos para só então compreendermos que não existe caminho, não existe nada a ser percorrido, nada a ser decifrado. Que a proposta que a esfinge — representante de todo o nosso pensamento ocidental — nos faz, é pura ilusão. Que se quisermos chamar de "caminho" esta compreensão sem palavras que podemos atingir através dos arquétipos, será apenas um mero recurso retórico. Mas para chegar à compreensão verdadeira, é necessário botar o pé na estrada. E é por isso que a figura do zero, do Louco, nos sugere isso. Só procurando a nossa ilusão podemos encontrar a nossa verdade. E a verdade é tão simples, que nos atinge como o raio da Torre, e despencamos contentes desta vez, apesar de perceber que a nossa busca incessante nos jogou de volta ao centro da terra. Onde existe um mundo igualzinho ao nosso, de onde partem os discos voadores, quem sabe, em busca de si mesmos. Portanto, agora posso aprofundar um pouco o significado real das cartas, nascido da minha vivência com o Tarot e da intensa necessidade que tive de compreendê-lo. Para mim não há mundo real, a não ser aquele que criamos através da mente. E é a mente que vê este planeta e se instala nele. Da carta 1, O Mago, até a carta 9, O Eremita, podemos dizer que os arquétipos representam este mundo real da razão. É o mundo exterior, físico ou o caminho exterior, concreto, real, racional. 331
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    Da carta 10,A Roda da Fortuna, até a carta 19, O Sol, é o caminho de dentro, do nosso interior, da nossa emoção. A carta 20, O Julgamento ou o Juízo Final, é a morte para os dois mundos ou os dois caminhos — o caminho da razão e o da emoção. E o renascimento para a verdadeira vida, a Iluminação, que ocorre com a carta 21. Essas duas cartas finais já não podemos chamar de caminho. Ele não mais existe, como não existe mais ninguém para caminhar. Por isso, a carta zero — que para nós é o caminho — é também identificada como O Coringa. Você só a usa se necessitar. O caminho é sempre o caminho dos necessitados. Quando a necessidade desaparece, o caminho também desaparece. Não há mais o eu, nem o ele, nem o nós. Não se conjuga mais o verbo. Nos transformamos no próprio verbo, em nosso princípio mais elementar, naquilo que no princípio era o Verbo e o Verbo era Deus. Fechada a Mandala podemos ou não retornar. Se identificamos a existência do zero, identificamos a existência dos outros números. E então reiniciamos o caminho do Mago para cumprirmos aquilo que o filósofo chamou de "eterno retorno". Mas, se ao contrário não conseguirmos mais identificar o zero, pois somos já o zero e o verbo, então não há a que retornar. A Mandala se completa e é recriada em outro universo, para além deste círculo fechado. Para que haja uma compreensão melhor do que acabo de dizer, vamos seguir o percurso das cartas. O caminho da razão é o caminho óbvio, e não vou nele me deter. É o caminho exterior das concretizações no plano material. O que nos interessa aqui é O Eremita, este mago envelhecido, transmutado em ancião. Aquele que já trilhou o caminho da razão e o abandonou, se voltando agora para dentro de si mesmo. O Eremita encontra a Roda, descobre aí que a sua prisão está no passado, não só no passado desta vida, mas no passado de muitas eras que o transformaram no ser de hoje. Através da força toma consciência e adquire compreensão dos grilhões que o aprisionam. E aí descobre, através de um contato íntimo com todas as podridões de um passado de medo e de culpa (O Pendurado), a origem de sua verdadeira prisão. Mata este passado (A Morte) para então se conscientizar que só isto não basta. É necessário perdoar a todos e a si mesmo (A Temperança). Depois do perdão que é a transmutação e a purificação das nossas emoções, O Eremita está então preparado para enfrentar O Diabo, que é a sua última e derradeira prisão — o sexo. Mas quanto a isso, ele nada pode fazer. A não ser que a carta da Torre desabe sobre ele como um corte de fora, já que a quebra deste último elo não depende da nossa vontade. Simplesmente acontece, como se fosse por interferência divina. E se isso acontece, dá-se o momento da união cósmica, o sexo transmutado em espiritualidade com a carta da Estrela. Se O Diabo é a última prisão, a carta 18, A Lua, é a última tentação. É aquele momento descrito pelos santos católicos, que são invadidos por inúmeros apelos de um ego moribundo, que eles chamam de diabo. É a última tentação de Cristo, quando ele afasta o cálice. Depois desse momento de dúvida, de medos tenebrosos, de desespero, vem a clareza, a vitória sobre os fantasmas projetados pela Lua, com a carta 19. Este é o momento de romper com a segunda via e entrar na libertação. É isto o que significa a carta 20, essa passagem gloriosa para um outro estado, completamente diferente dos dois anteriores, o do renascimento da alma, para atingir a iluminação com a carta 21. 332
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    No entanto, estacompreensão intelectual de nada nos vale se não é vivida até a última gota, transformando-nos num cálice vazio, apto a comportar novos líquidos e saciar outras sedes que não a nossa, tal como Cristo fez ao aceitar finalmente o cálice que lhe era oferecido. Este é o "verdadeiro" percurso do Mago, que ao retornar a si mesmo tantas vezes, acaba se libertando de sua própria imagem especular para se tornar O Louco, ou O Nada. Mensagem Final Recorra a este livro inúmeras vezes. Releia-o sempre para que um dia você possa ler nas entrelinhas. Algumas palavras aqui foram escolhidas a dedo, pois elas contêm aquilo que só a experiência e a prática podem revelar. Não são palavras vazias ou apenas providas de uma compreensão intelectual, mas para que você possa compreendê-las realmente é necessária uma certa quilometragem. O mesmo ocorre quando você vai a um lugar pela primeira vez. Você descobre o caminho mas não usufrui de tudo aquilo que o caminho lhe pode oferecer. Voltando então algumas vezes, você vai descobrindo realmente a beleza de cada recanto. Assim é o Tarot, uma viagem para dentro e para fora. Uma viagem para aquele lugar que mais gostamos e para o qual queremos voltar inúmeras vezes. Então volte, você será sempre bem-vindo toda vez que recorrer a este livro. Apenas dê um tempo para que sua pequena cabeça e o seu grande coração possam assimilar o que você aprendeu aqui. Estude e use o Tarot com Amor... E Boa Sorte! NOTAS 1 — Kaplan, Stuart. O Taro Clássico. Ed. Pensamento, p. 38 2 — Idem, p. 37 3 — Levi, Eliphas. Dogma e Ritual de Alta Magia. Ed. Pensamento, p. 416 4 — A respeito do assunto, ler Adoum, Jorge. A Magia do Verbo e o Poder das Letras. Ed. Pensamento. 11 TARÔ ENCANTADO - Amy Zerner e Farber SUMÁRIO OS ARCANOS MAIORES 0 O Louco 333
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    1 O Mago 2A Sacerdotisa 3 A Imperatriz 4 O Imperador 5 O Papa 6 Os Apaixonados 7 O Carro 8 A Força 9 O Eremita 10 A Roda da Fortuna 11 A Justiça 12 O Enforcado 13 A Morte 14 A Temperança 15 O Diabo 16 A Torre 17 A Estrela 18 A Lua 19 O Sol 20 O Julgamento 21 O Mundo TARÔ ARCANOS MAIORES 0 O LOUCO O SONHO De olhos arregalados, inocente como um recém-nascido, O Louco desceu dos domínios celestes e apeou no cume verde e violeta vibrante das montanhas, pronto para começar a jornada mística no caminho da iluminação. Tudo é novo para ele, que ainda não aprendeu a ter medo. O Louco vive de momento a momento, seguindo em frente sem nenhum pensamento premeditado, alheio às armadilhas e aos perigos que podem haver à frente. Na algibeira, leva lembranças, instintos e sensações que teve em vidas anteriores: é o chamado "inconsciente coletivo", que está esperando para ser usado. O bastão simboliza a fé pura dos atos do Louco e é coroado com uma cabeça que olha para trás, relacionando o seu passado com o presente. O cachorro que o segue pulando representa a natureza animal do nosso corpo físico e é visto numa harmonia brincalhona com O Louco, como um animal de estimação brinca com uma criança. O sonho está impregnado de verde (cor do crescimento) e o céu está cheio da luz nova e clara da primavera, e de uma vida nova e brilhante. Por não ter malícia nem desejo, O Louco só consegue dizer a verdade, do mesmo modo que os bobos da corte, que mantiveram a tradição dele. 334
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    O DESPERTAR Não analisedemais as coisas; às vezes, você simplesmente tem de correr riscos. Esta não é a hora de sofisticar nada, nem de procurar significados ocultos nas palavras ou nos atos dos outros. Seja como uma criança, ou não verá o céu na terra. Não olhe para trás nem procure prever atos ou fatos. Está na hora de ter fé e inocência. 1 O MAGO O SONHO Um mago habilidoso e esperto está executando um ritual oculto; de mão direita estendida flui energia, que explode numa coluna de fogo vivo. Assim como o fogo consegue transformar tudo que lhe é adicionado, este xamã transforma as coisas: água em vapor, argila em tijolo, e fogo em cinzas. O Louco simboliza o saber inconsciente, e O Mago é a corporificação da mente consciente, com sua capacidade humana de conhecer e manipular o mundo físico. Como O Louco, O Mago também usa um chapéu pontudo, cujo ápice alude à capacidade humana de atrair as forças cósmicas. O chapéu do Mago está envolto em camadas de um tecido rico, assim como a energia pura de um ser humano está envolta em camadas de carne e sangue, pensamentos e emoções. O Mago usa um cinto com Ouros, Copas, Espadas e Paus, um de cada, como símbolo do domínio que tem sobre os quatro elementos (Terra, Água, Ar e Fogo). Por trás dele está a cidade celeste onde mora, símbolo da origem divina dos desejos manifestada na terra pelo poder do pensamento. O Mago é o mediador entre estes dois mundos. Com iniciativa e tino, escolhe as idéias que deve transformar em realidade. O DESPERTAR Se a sua força de vontade estiver dirigida de modo consciente e agressivo, agora você, pode executar tudo que visualizar. Está desafiado a seguir em frente no mundo e usar sua habilidade e inteligência para produzir uma mudança para melhor. Faça mágicas! 2 A SACERDOTISA O SONHO Sob um céu salpicado de estrelas, A Sacerdotisa da Lua está de pé na entrada da gruta que é o seu templo sagrado. Passiva e silenciosa, representa um receptáculo de lembranças e da santa sabedoria feminina. Tem poderes tão grandes que, praticamente, ficam além dos atos; o grifo fêmea que está aos pés dela sente-lhe os desejos e corre a obedecê-la. A Sacerdotisa tem segredos eternos que são comunicados por uma voz interior, ou intuição, e só quem é sensato o bastante para se retirar em silêncio passará a conhecê-los. Acima dela, empoleirada na lua crescente, há uma coruja consagrada a Atena, deusa da sabedoria. A coroa da Sacerdotisa evoca o crescente e o minguante e os ritmos naturais do ciclo feminino. Aos pés dela há água e véus transparentes, símbolos da misteriosa energia feminina que muitos homens professam não entender. Em sintonia com os desejos do universo, que é seu filho, A Sacerdotisa dirige sem esforço a sua capacidade psíquica. As mãos 335
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    dela estão ocultasatrás dos centros de energia que ficam na base da coluna e no alto da cabeça, significando que o poder verdadeiro vem do uso das energias espirituais de cada indivíduo e está à disposição de todos. O DESPERTAR Antes de fazer qualquer pergunta, é preciso invocar a imagem e a visão espiritual onividente da Sacerdotisa e meditar nelas. A entrada da Sacerdotisa é uma mensagem para você penetrar silenciosamente dentro de si mesmo e ficar ciente de estar ligado a tudo que existe, existiu e existirá; a força que você extrai do fato de perceber isso lhe dará discernimento. 3 A IMPERATRIZ O SONHO Vestida de roxo, que é a cor do espírito, a Imperatriz grávida está sentada num trono de pedra que a deixa enraizada na terra. Na cabeça, usa uma estrela e um halo que a ligam ao céu. Está segurando um ramo de flores com a mão direita. Há muitas flores ao redor dela, que é a Mãe Terra sempre fértil. Pela mão invisível dela, a terra produz uma cornucópia de beleza, como um jardim bem cuidado. A feminilidade acariciante dela ajuda a desenvolver idéias criativas. Aos pés da Imperatriz correm as águas do "inconsciente coletivo", que a unem com sua própria família de um modo muito profundo. A Imperatriz contempla a corrente nebulosa e sabe que aquelas águas darão uma vida nova às sementes, que são suas filhas e filhos. Ela sonha que todos eles, que ama incondicionalmente, tenham sorte e conheça a fartura, que é um direito inato. A Imperatriz consegue nos ajudar a desfrutar sonhos acordados num mundo em que a lógica e a intuição deveriam andar juntas, como o Céu e a Terra. O DESPERTAR Tenha um coração aberto e compreensivo e os seus desejos serão atendidos. Fique ciente do seu contato mental, emocional e físico com a beleza sempre nova, a sensualidade, a fertilidade e a paz do jardim do seu paraíso terrestre, e essas coisas nunca lhe faltarão na vida. Sc tentar e conseguir trazer o céu para a terra, sempre terá à disposição muita produtividade e inspiração criadora. Exerça o seu poder com mão amorosa. 4 O IMPERADOR O SONHO O Imperador está sentado no trono, sob o pico de uma montanha alta. Conseguiu atingir suas próprias metas. Escalou a montanha e até reivindicou-a para si, mas assim reduziu o número de opções disponíveis, o que o deixou com uma vida muito solitária. Transformava-se em dono de todas as coisas materiais que contemplava e, com isso, tomou-se pioneiro e líder. Tem uma grande capacidade de raciocínio e chegou até a triunfar sobre a paixão e as emoções, que são representadas pela água parada que há pouco abaixo dele. É um 336
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    verdadeiro patriarca enão tem intuição feminina, mas jamais admitiria tal "fraqueza", receoso de perder a autoridade. É dedicado, disciplinado e equilibrado; por isso, não acha difícil fazer com que os outros cumpram o que ordena. Por ser ambicioso, começa projetos inovadores que nem sempre são sérios e conservadores como ele próprio aparenta ser. Quando é obrigado a derrubar padrões antigos, pensa bastante no assunto, pois quer ser considerado benevolente e compassivo, além de infalível. Às vezes é prepotente, mas sempre se mostra responsável, digno de confiança e carismático. O DESPERTAR A sua atitude em relação a obter e usar poder e autoridade está sendo testada. Como você se relaciona com as pessoas que exercem a autoridade? Aja como líder. Para atingir sua meta, você deve se encarregar da situação e usar o poder de modo equilibrado e ponderado e, ao mesmo tempo, convencer os outros a ajudá-lo a manter a sua posição. 5 O HIEROFANTE O SONHO A figura de um velho sábio, plácido, paciente e piedoso, está de pé numa elevação, oferecendo suas bênçãos à união de um homem ricamente vestido com sua amada, que também é de ascendência nobre. As bases de todas as religiões são os rituais necessários para ter uma família bem-sucedida e, conseqüentemente, a sociedade gerada por ela. O Hierofante (que às vezes é chamado O Papa) representa a orientação espiritual dada pelos representantes das religiões organizadas tradicionais. A orientação do representante é de ordem prática e segue, sem discutir, todos os dogmas transmitidos pelos seus predecessores. Ele tem por meta manter os costumes sociais convencionais e garantir a posição da religião que adotou. A devoção do Hierofante à posição que ocupa é real, como está indicado simbolicamente pelo coração branco que ostenta acima da cabeça. Pode-se confiar neste "padre confessor" para pedir conselhos e apoio, dentro das pautas de instrução que ele dá. Apesar de estabelecer fielmente as leis codificadas e os princípios espirituais que estão contidos no livro que está segurando com a mão direita, o fato de estudar e praticar essas tradições infatigavelmente, todos os dias, lhe confere uma parte do conhecimento oculto no qual a sua própria religião foi baseada. O DESPERTAR As regras e tradições baseiam-se no desejo dos nossos antepassados, que era proteger e conservar o que achavam útil na época. Quanto a você, nem sempre os seus interesses ficam bem servidos por uma obediência cega. A repressão do seu direito de pensar livremente pode acabar em conformismo. Ainda assim, os valores morais e as tradições religiosas virão consolar e apoiar você. 6 OS ENAMORADOS O SONHO 337
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    Cupido está pairandonum céu estrelado, dizendo a dois enamorados que ouçam a voz do coração. Eles têm de escolher entre o vício e a virtude. O jovem enlaça com um braço o objeto do seu afeto, mas um pouco abaixo dos dois há uma moça que parece languidamente aborrecida e, enlouquecida pelos próprios desejos, tenta o jovem com um amor mais profano, como acontece com a dualidade de escuridão e luz em todos nós. O jovem só fará a escolha certa se estiver em contato com os dois aspectos (masculino e feminino) da sua própria personalidade. Os raios luminosos coloridos, que são raios da alegria pura emanada dos centros de energia da coluna vertebral da amada, estão brilhando na direção oposta a ele, que foi cegado pela indecisão. Os olhos dele estão postos na outra mulher, quase esquecidos da companheira que o enlaça no abraço do amor verdadeiro. Ao pé dele há uma estrela vermelha igual à que está atrás de Cupido: é o símbolo dos desejos elementares do centro de energia da base da coluna vertebral. Ele tem de decidir se a empurra com o pé ou se passa por cima dela. O jovem só será íntegro se souber o que é o amor verdadeiro. O DESPERTAR Os relacionamentos que você mantém refletem o seu equilíbrio interior. Certifique-se de que a coisa que está afastando você de alguém, de alguma coisa ou do lugar em que você se encontra não é um reflexo da insatisfação que está sentindo consigo mesmo. Normalmente, a carta dos Enamorados significa um caso de amor em andamento, mas nem sempre a escolha é romântica ou sexual: pode ser entre um par de qualquer tipo de atração. 7 O CARRO O SONHO Triunfante, a donzela guerreira Brunilda vence a corrida, levando os despojos de guerra. Os chifres de rena que usa como corcel, juntamente com o escudo que está atrás dela, simbolizam os dotes agressivos que lhe valeram esta vitória. Com um físico robusto e uma determinação severa, ela aproveita a energia da natureza e as suas próprias energias, que são consideráveis. Talvez o arrojo e a confiança que tem em si mesma tenham contribuído para ela se atirar à corrida contra uma oposição formidável. Suprimindo todo e qualquer sentimento ou emoção, segura as rédeas e arremete para diante, saindo de campos áridos e indo para outros, verdes e floridos. Nem sempre os dons que permitiram que tivesse êxito valerão em qualquer circunstância. Ela tem de gozar este momento de glória sabendo que este passará, como tantos outros momentos e tantas outras heroínas. Abaixo dela há uma biga (O Carro) que foi desenhada simbolicamente em escala muito pequena em relação à conquista da guerreira. O condutor do Carro também teve um momento de glória, que agora se foi para sempre. Só é eterna a glória dos unicórnios dourados que estão num horizonte jamais alcançado. O DESPERTAR Para triunfar, você precisa tomar as rédeas do controle e não soltá-las. Na sua busca, invoque a ajuda das forças da natureza. Na sua vida não há lugar para emoções neste momento: há apenas uma concentração sincera na sua meta. Mas, à medida que for desenvolvendo a capacidade 338
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    de enfrentar osdesafios da vida, lembre-se de tirar a máscara de defesa que colocou para que o mundo visse e temesse você. 8 A FORÇA O SONHO Uma linda princesa entrou por um portal coroado de folhas e está no jardim em que brincava quando era criança. A natureza predominou e agora o jardim malcuidado cresceu demais. Assim mesmo, as flores e até as ervas daninhas são muito bonitas, e a princesa está colhendo algumas para fazer um buquê harmonioso. De repente, encontra uma leoa enorme cuja pata ficara presa nos espinhos emaranhados de uma roseira que um dia havia sido o orgulho do jardim. O animal temível ruge alto, mas a jovem é corajosa e não fica com medo. Liberta a leoa e, controlando-a delicadamente, vai guiando-a até vê-la prostrada aos seus pés. A princesa sabe que "a fera sabe o que o seu coração pensa". Domou a natureza selvagem do animal com um toque espiritual. Não tem necessidade de força física: o que conquistou, foi pelo amor. A coroa da leoa significa que é a Rainha das Feras, e a Princesa valente agora é a Rainha da Força, com o sinal do "infinito" coroando o seu centro de energia mais elevado. Conquistando os medos naturais da sua própria natureza bestial, ela utilizou o poder infinito do espírito. O DESPERTAR Com coragem e perseverança, é possível equilibrar conscientemente a espiritualidade e a carnalidade, que são opostas. Diante do medo, aja calmamente e com amor, e obterá a verdadeira força de um corpo integrado ao espírito. Nessas horas, a força física não compete com a resistência espiritual. Usando delicadeza, você consegue o que a força física não consegue. 9 O EREMITA O SONHO Levando uma linda lanterna, se bem que acesa de modo estranho, O Eremita passeia pelo caminho iluminado da Sabedoria. Trabalha sozinho e à noite, para se ocultar nas vestes e no escuro, porque o que ensina é só para quem o está procurando. O Eremita é um mestre que chegou a uma compreensão profunda graças a ter evitado os delírios do mundo para poder contemplar melhor o mundo da mente. Este velho sábio bondoso conserva a visão do passado, mas está aberto a novas idéias do futuro. A natureza toda adquire um brilho especial, revelando seus segredos à curiosidade tranqüila do Eremita, que é um guia e conselheiro pacífico e sincero. É circunspecto e introspectivo, e não se apressa a agir nem julgar os outros. Só dá conselhos depois de fazer muitas considerações. Acima do caminho do Eremita brilha uma estrela dupla que proporciona a luz das duas mentes, a consciente e a inconsciente: é a fonte de tudo que se conhece. Se você seguir este solitário provedor de sabedoria com muita reverência e sem o desejo de atingir metas materialistas, ele lançará bastante luz em qualquer problema. 339
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    O DESPERTAR Não procurea resposta fora de si mesmo. Está na hora de se recolher e seguir a sua própria luz interior. Um pouco de introspecção pode levar a uma melhoria de si mesmo. Quando há uma deliberação madura, as coisas se resolvem. Talvez apareça uma pessoa para ajudá-lo, utilizando a própria experiência. A prudência pode impor que todas as respostas não sejam reveladas imediatamente. 10 A RODA DA FORTUNA O SONHO As "rodas dentro de rodas" que formam A Roda da Fortuna (ou Roda da Sorte) giram como um pião e rodam como os infindáveis ritmos e ciclos da vida. Inesperadamente, um giro da roda pode trazer sorte, prosperidade e oportunidades, mas também pode provocar o inverso e apresentar obstáculos aos seus desejos. Um giro da roda da sorte pode trazer uma confrontação com algum ato do passado. Isso é 'Destino", "Vontade de Deus" ou "Carma"? Coisas que parecem inícios e fins, na realidade são apenas uma parte do ciclo inconsútil da vida. Há duas baforadas de fumaça que sobem do horizonte e simbolizam a forma de espírito. Apesar de todas essas mudanças, só resta o espírito fugaz. Os pavões graciosos, de cauda aberta, representam expansão e riqueza. O cavalo dourado e vivaz está de casco levantado porque sente o entusiasmo de arriscar, apostar e ganhar. Uma águia paira no alto, simbolizando o sentimento de supremacia que adquiriu por ter chegado ao alto da roda. Mais acima há uma Esfinge cujos olhos cintilantes vêem todos os ciclos, todas as evoluções e os desenhos que se repetem. A Esfinge sabe que ninguém se mantém no alto para sempre. O DESPERTAR A Roda da Fortuna, que gira, é uma mensagem que diz que tudo que vai, volta, e tudo que sobe tem de descer. Você colherá o que semeou, por isso precisa pensar com antecipação e considerar seus atos, independentemente de estar na parte superior ou inferior da roda da fortuna. Para não ser governado pelo Destino, responsabilize-se pela sua vida e por tudo que lhe acontece. Arrisque-se. Fique aberto a qualquer oportunidade nova ou inesperada. 11 A JUSTIÇA O SONHO Um mensageiro alado vem trazendo a verdade absoluta, com um rosto que possui a inocência da juventude e a sabedoria dos anos. Tem uma lança de ponta em forma de coração, com uma estrela incrustada (mistura dos Ouros, Paus, Copas e Espadas dos Arcanos Menores). A lança vai atravessar a camada exterior dos véus que obscurecem a verdade simples que está oculta no núcleo, e revelá-la. Esta lâmina brilhante impõe um castigo merecido ou protege e defende as crenças válidas. A balança que o anjo tem na mão direita é usada para pesar todos os fatores e chegar ao equilíbrio entre a verdade e a justiça. O anjo da Justiça não é cego; pelo contrário, vê todos os lados de uma 340
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    determinada questão. Atrásdeste anjo imparcial, um céu rosado indica a aurora de um novo dia que vai revelar valores morais ainda mais elevados. A Justiça é implacável; a Justiça sempre prevalecerá na busca da verdade. O anjo está em pé numa folha enorme que simboliza a calma natural e ordenada que a Justiça traz para um mundo de caos evidente. Sem ela, nenhum reino consegue durar muito. O DESPERTAR Chegou a hora de raciocinar e ser capaz de ver o ponto de vista dos outros. Chegou a hora de fazer um balanço nas contas em nível físico, mental e emocional, assim como nos assuntos financeiros e legais. Faça os preparativos para colher o que semeou. Tenha fé em que a Justiça triunfará e deixe nas mãos justas e sábias dela o castigo para quem você acha que lhe fez algum mal. 12 O ENFORCADO O SONHO Sob um céu azul e calmo e acima de uma terra florida e radiante, um homem está pendurado de cabeça para baixo, suspenso por um pé, da cauda de uma libélula. A libélula salienta que não se trata de uma cena de tortura: é apenas parte de um processo natural. A vida do jovem está em suspenso mas, neste momento de rendição a uma força superior, o rosto dele mostra somente aceitação e fé absoluta. O jovem parece estar escutando uma voz interior. Talvez esteja esperando uma resposta completamente oposta a tudo em que acreditara até ali. Talvez tenha se sacrificado deliberadamente para atingir alguma meta desejada. Poderia estar em transe ou num estado de iluminação, como resultado do acúmulo de sangue na cabeça. No entanto, parece que o esquema da vida diária do jovem foi invertido a fim de oferecer uma nova perspectiva. A água que corre mais abaixo simboliza que o jovem se elevou acima da confusão emocional e aceitou esta suspensão do seu modo de vida costumeiro. O período de espera forçado pode ser encarado como um meio de adquirir uma nova perspectiva. O DESPERTAR É preciso ter novas perspectivas. Este período da sua vida parece limitativo, mas você está sendo forçado a ficar mais introspectivo e a ouvir mais a sua mente superior. Em qualquer plano, a espera tem seu lugar. Tente não se transformar em mártir, mas não tenha medo de fazer sacrifícios ou não querer se adaptar a circunstâncias que mudam. Quando se sentir sem forças, bloqueado ou num beco sem saída, precisa levantar-se de novo pelos seus próprios esforços. 13 A MORTE O SONHO O Rei da Morte está sorrindo. Está numa postura um tanto hesitante, como se talvez fosse começar a dançar a qualquer momento. A forma esquelética faz lembrar que existe morte dentro da vida. A postura e o rosto sorridente revelam que uma nova vida surgirá da morte. A Morte 341
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    não quer sertemida porque significa transformação, renascimento e renovação, assim como o fim que chega para tudo que existe. Tudo que é superficial foi aparado; todos os desejos da carne foram eliminados. A Morte passeia num jardim universal de flores vibrantes e vistosas, perto de um regato revigorante e sob um céu cujas estrelas estão interligadas por um destino comum. Com o corte dos brotos velhos, surgem novos brotos. Quando ocorre a transição há um novo começo. Um ato de soltura pode possibilitar de novo um movimento para diante. Pode haver uma mudança profunda, mas faz parte de um ciclo de renovação e renascimento e pode ser encarada como uma forma de libertação. Temer a Morte é temer a vida. Só vivemos de verdade quando vivemos em harmonia com as leis da Natureza. O DESPERTAR Se você opuser resistência, haverá uma mudança profunda que pode ser dolorosa. Se o final não for feliz, não se importe e siga em frente. Procure a parte essencial do assunto e deixe de lado os detalhes supérfluos. Destrua os esquemas antigos e revele um caminho novo e promissor. Não tenha medo de se modificar nem de morrer. Se quiser interferir no processo de aproveitar mais a vida, precisa primeiro admitir que tem medo da Morte. 14 A TEMPERANÇA O SONHO Um anjo está ensinando uma mulher a ter a paciência e a disciplina necessárias para segurar o jarro bem no alto e despejar a água revigorante na vasilha que contém os quatro elementos, sem derramar unia gota. Acima de ambos, o relógio celeste indica o movimento perpétuo e regular da vida e das estações. O tempo é o ingrediente essencial, ainda que invisível, da "alquimia " exigida para transformar o "chumbo" das circunstâncias atuais num futuro de "ouro". O bom resultado da experiência vai depender não só de uma boa mistura dos diversos ingredientes da situação como da atenção e paciência dadas para que tudo seja misturado na hora certa. Aos pés do anjo há uma árvore bonsai adulta cuja beleza perfeita é resultado de tempo e da cooperação entre a inteligência da Natureza e do Homem. A mulher tem de aprender a misturar bem os fatores e as polaridades que se opõem na sua vida. O anjo surge como um exemplo da síntese benéfica dos mundos espiritual e material. O DESPERTAR O que importa não é o tamanho nem a qualidade dos seus planos; as chaves necessárias para destrancar os tesouros do futuro são: ter paciência e agir na hora certa. Agora é hora de ser moderado. Você pode fazer uma experiência, desde que esteja em harmonia com as considerações práticas e as leis da Natureza. Precisa sempre temperar a justiça com piedade. Assim, como acontece com o aço temperado, a sua decisão será mais forte e mais duradoura. 15 O DIABO 342
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    O SONHO Este éo rosto do mal. Cego para a própria natureza espiritual, O Diabo contempla seus tesouros com os olhos semicerrados, totalmente obsedado com o mundo material, ao qual se entregou por completo. No entanto, os lucros ilícitos que obteve não lhe adiantam na prática, porque todas as trapaças e fraudes que cometeu afastaram as companhias. Seguindo cegamente impulsos degenerados e julgando as coisas pelo que aparentam, O Diabo expressa o pior lado da natureza humana. É o lado escuro da alma, que deixa de lado tudo que é real e valioso. Com aqueles lábios escarlate e chifres negros, O Diabo é criado pelos pesadelos e pela paranóia. Sob a influência dele, o medo do desconhecido passa a ser terrível. Surgem tendências ocultas que exasperam os desejos e exigem um prazer imediato. No Diabo não existe amor, que ele encara como sinal de fraqueza. Às vezes, ele pode ser simplesmente travesso, mas sempre vai tentar se aproveitar de qualquer situação, e não é digno de confiança. Solta apenas quem prefere ver além dos seus próprios desejos materiais. O DESPERTAR Se você precisa de objetos materiais para se sentir bem consigo mesmo, provavelmente deve se sentir vazio e receoso de ser reconhecido como tal. Você tem de parar de enfatizar os interesses físicos e dar mais valor aos interesses espirituais. A sua submissão vem do pouco que acredita no mundo. Você tem dentro de si o poder de mudar suas crenças, usando visualização, afirmações e atos sintonizados com a lei da Natureza. Nunca deve recorrer ao engano nem à fraude. 16 A TORRE O SONHO O raio atingiu o céu da meia-noite e ainda está crepitando. Um edifício antigo e muito sólido explodiu em pedaços. As forças da Natureza reduziram a segurança daquele monumento esplêndido aos esforços feitos pelo Homem. Brotam chamas e o ar está cheio de fumaça; houve uma inversão espetacular do destino. Os planos para o futuro falharam. Na cidade que fica abaixo da base da montanha da Torre, todos estão discutindo se a antiga ordem conseguirá sobreviver. A explosão tem um potencial libertador: limpou um lugar para um novo desenvolvimento. Talvez isso seja um "raio vindo do nada", parecido com uma intuição que consegue produzir uma mudança imediata. Mas, quando há uma mudança cataclísmica, pode haver um período de transição quase inevitável e até desagradável. As emoções podem explodir em raiva e choque. Para ter uma liberdade completa, talvez haja necessidade de uma terapia não só física como mental. O raio caiu, mas é possível que logo venha a iluminação. O DESPERTAR É preciso aliviar as pressões acumuladas, senão haverá uma inversão de todo o trabalho executado até agora. Houve uma inversão espetacular dos fatos e os esquemas de pensamento estabelecidos vão mudar. Pode ou não ter sido inevitável, mas essa explosão de valores antigos (e talvez falsos) pode ser benéfica. Pôr toda a fé exclusivamente em objetos materiais pode levar a um desastre, porque só o espírito é eterno. 343
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    17 A ESTRELA O SONHO Depoisda tempestade vem a paz. Uma estrela de esperança e assombro brilha nos céus, prometendo iluminação e inspiração do espírito. Embaixo, com um pé na terra e o outro pousado por magia na superfície do regato do inconsciente, há uma donzela semidespida que está de pé, em transe. Está recebendo com alegria as águas do lago, que se elevam para ela de um nenúfar, enquanto ela própria, com as mãos em concha, despeja na flor uma chuva de estrelas interminável. Está mostrando que, assim como o céu alimenta o universo terreno, a beleza do mundo físico alimenta o céu. A estrela que tem nos cabelos é uma daquelas que servem para fazer pedidos miraculosos, com toda a inocência infantil. A resposta sempre é amor, beleza, paz e ajuda de todos os tipos. Nos domínios da Estrela tudo é fresco e novo, tudo é inocência. A linguagem da donzela é poesia e arte, pois ela está perfeitamente em sintonia com o dom espiritual que possui. A Estrela nos faz lembrar que, depois das confusões da tempestade da vida, sempre há um tempo de purificação e limpeza em que uma sensação de milagre anuncia que todos acreditam de novo que os sonhos podem se realizar. O DESPERTAR Reserve um tempo para se recarregar com um período de descontração. Desfrute o prazer de ser "a estrela" da história da sua própria vida. E uma boa hora para desfrutar o entusiasmo e a satisfação pura de idéias e conceitos espirituais. Deixe que suas idéias se derramem para alimentar as pessoas que ama e aprecia. Deixe a mente divagar sobre o que há de bom e agradável na sua vida e evite a negatividade por uns tempos. E importante que você expresse sua ânsia criadora de algum modo, apreciando ou fazendo arte. 18 A LUA O SONHO Sob uma lua minguante, numa paisagem escura e estranha, há uma criança perdida, acompanhada do cachorrinho fiel. Está com medo, olhando para a lua e se lembrando das histórias terríveis de uma Bruxa da Lua que prega peças cruéis em quem se perde na noite. Parece estar rezando, com esperanças de ser salva e guiada naquele pesadelo. Do outro lado de um fosso de água túrgida, talvez habitado por coisas que metem medo, vê os torreões do castelo onde mora. Mas a ponte levadiça está levantada, os portões estão fechados, e parece que ninguém está ouvindo seus lamentos. Será que a magia da Bruxa da Lua barrou o caminho de casa? No momento em que a menina está prestes a sucumbir a uma sensação horrível de desespero, perigo e tristeza gerada pela falta que sente da família e de casa, A Lua surge de trás das nuvens, mais clara ainda; de repente, parece mais quente e pensativa. A Lua está chorando porque alguém a confundiu (erroneamente) com a malvada Bruxa da Lua. Do rosto pálido daquela deusa escorrem lágrimas que caem na água; subitamente, a terra começa a inchar e ultrapassa o fosso 344
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    e a muralhaque cercam o castelo. A menina vê claramente o caminho de casa e agradece à Lua. O DESPERTAR Assim é a escuridão que precede a aurora. Você precisa separar a ilusão da realidade. O caminho pode meter medo e parecer traiçoeiro, mas você não precisa temer o desconhecido misterioso. A intuição consegue muito bem guiar você para oportunidades desconhecidas. Lembre-se de economizar energia para os desafios que virão, e não a esbanje com preocupações ansiosas. 19 O SOL O SONHO Um casal de passarinhos está pedindo e recebendo a bênção vivificante do Sol antes de começar a construir seu ninho de amor. Agradecidos, os passarinhos prometem entoar hinos de louvor ao Sol todas as manhãs, quando ele voltar da jornada que o coloca abaixo da Terra. O Sol radiante tem os cantos dos lábios virados para cima, como o sol que as crianças do mundo inteiro costumam desenhar, e simboliza a criança divina que há em todo indivíduo. Nas cenas idílicas da infância, tudo é aberto e geralmente está inundado de raios do Sol. Não há fronteiras nem segredos. Parece que os prazeres terrenos, a animação e o sucesso estão brilhando na Terra, do mesmo modo que uma energia paternal se irradia do rosto sorridente do Sol. Os sete raios que emanam do Sol, que tudo vê, representam as sete cores básicas do espectro das cores. Sete também é o número tradicional da boa sorte. O Sol é de uma generosidade infinita e contribui com a dádiva das quatro estações; acima de tudo, nos dá a primavera, que deixa a Terra renascida, com um novo colorido. Todas as manhãs O Sol traz uma luz nova que afugenta as formas amolgadas e aterrorizantes da noite. O DESPERTAR Tudo fica ensolarado e claro. O amor, as amizades e os relacionamentos de todos os tipos são realçados. É uma boa época para seguir o exemplo da capacidade criadora e ativa do Sol e executar novas obras de arte e de amor. Seja um líder dinâmico, inspirado e influente cuja luz brilha para que todos vejam. Mostre ao mundo o que você é e o que fez. Expresse-se de forma que todos que encontrar possam sentir o seu calor. 20 O JULGAMENTO O SONHO Lá no alto de um céu de alvorada cheio de luz violeta, um arauto celestial está tocando a trombeta para anunciar a chegada do mais elevado nível de Julgamento. Não é uma ocasião de castigo e retribuição, é uma hora de ser chamado a prestar contas de situações e atos passados. O arauto angelical está nos convocando a lembrar da vida do espírito, onde é muito importante a vida de todos que vivem por trás do Sol e da Lua. Das águas escuras e nebulosas da emoção, surge uma mão estendida para cima, para o ar rarefeito do plano superior. Trata-se 345
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    de um movimentopositivo feito com um esforço deliberado. Houve uma reflexão sobre o passado, e uma resolução positiva está sendo reforçada. Com uma sensação de expiação e arrependimento, ocorre um avanço real que leva à consecução das metas espirituais. Os montes verdes vistos a distância sugerem a possibilidade de uma nova vida de vigor e realizações. O DESPERTAR Das profundezas do núcleo do seu ser chega um chamado que anuncia que chegou a hora de fazer uma mudança importante. Independentemente de você estar ou não emparelhado com o que acontece no mundo, precisa avaliar seus atos passados e ficar ciente de quem você é e escolher bem as suas metas finais. Talvez relute um pouco em admitir a necessidade de mudar, mas seria bom ouvir o apelo do espírito. Você é quem você é, não o que faz para viver. 21 O MUNDO O SONHO A estátua de cobre que representa uma mulher adquiriu vida e está dançando e olhando para trás, para uma folha que está segurando, de braço estendido. Assim como a Terra (que é a mãe de todos nós) teve origem nas estrelas e se materializou em realidade, o nosso corpo também foi criado do seu corpo, de modo que podemos dançar a dança da vida exatamente como Ela dança pelo cosmos. O corpo da estátua de bronze foi desencavado da terra como minério bruto, refinado por processos descobertos pela inteligência humana e animado pela centelha de eletricidade que anima todo tipo de vida. Ela olha para a folha (que é uma versão reduzida da folha enorme que estava aos seus pés quando acabou de surgir) a fim de se lembrar que é um produto e um processo do mundo natural, como todos nós. Dança diante de uma enorme imagem da Terra que está suspensa de um templo colunado, por meio de flores, o que indica que nós todos precisamos assumir o nosso lugar em relação ao Templo Sagrado que é a Terra, antes que o nosso corpo volte a Ela num ciclo que não pára de girar. Esta jornada parece um sonho e consiste em penetrar em nós mesmos e encontrar a harmonia essencial que há entre nós e Tudo Que Existe. Quando soubermos perfeitamente o que somos, ganharemos o Mundo. O DESPERTAR Unindo e equilibrando a tão desejada harmonia interior com as habilidades que adquiriu na vida, você chegou a um sucesso real. Nesta situação, o Mundo pode ser seu. Para conseguir isso, é preciso trabalhar arduamente, mas há uma promessa de recompensas materiais e paz interior. Para conseguir saber o que deseja saber, você deve encarar a vida no contexto do todo da própria vida. PAUS ÁS DE PAUS INICIAÇÃO 346
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    O SONHO O poderda energia pura forma estrias de cores vívidas atrás de uma tocha acesa. Há coriscos azuis que são descarregados para nos despertar para a nossa própria realidade e vitalidade. A flor azul da primavera, que há na base da carta, indica que, neste sonho, tudo é espontâneo como uma centelha que dá início a um fogo ardente. Tudo que é negativo, tudo que nos impede de avançar, pode ser queimado deixando um novo começo, que é a nossa primavera pessoal. A fênix surge das cinzas. As flores que estão acima das estrelas da parte inferior da carta têm plumas de fumaça que indicam esse novo desenvolvimento. As estrelas dão a inspiração do universo, onde agora há novos mundos que começam a existir de repente, junto com cometas que aparecem numa glória sublime. A mão da mulher está tatuada com imagens das primeiras folhas nascidas de sementes recém-germinadas; entre os nós dos dedos indicador e médio vemos a imagem de um coração alado. É o amor puro que constitui o núcleo de todo tipo de vida. Este impulso vital básico e liberto, que é o desejo de sentir o calor da criatividade, da percepção consciente, da sexualidade, da iluminação espiritual e da bem-aventurança, parece um bastão rompendo a parede gelada da escuridão e da ausência de existência. O bastão é a forma unificadora que está no fundo de todas as cartas do naipe de Paus. O DESPERTAR Neste momento, você se sente vivo, criativo e apaixonado. Se não aceitar este instante quando ele chegar, talvez o perca. Nesta época de impulso e entusiasmo, use os seus instintos; inicie projetos novos, sem discutir se tem poderes para isso. Siga a primeira impressão e não pense duas vezes. DOIS DE PAUS ARCANOS MENORES PLANEJAMENTO O SONHO Depois de uma longa subida, um homem está de pé sozinho no alto de um monte, encostado no cajado. Não dá sinais de fadiga; forte e ereto, simplesmente fez uma pausa para um momento de contemplação. Está ponderando calmamente a escolha equilibrada das quatro direções indicadas pelos dois paus cruzados acima dele. Naquele momento de paz e repouso, está ciente do poder e da capacidade que possui, pois a terra que se vê mais abaixo é domínio seu. Herdou sozinho este lugar e agora está pronto para fazer valer seus direitos. Nenhuma dúvida o atormenta, porque equilibrou os lados masculino e feminino do próprio eu, conseguindo chegar ao verdadeiro poder. O futuro surge como uma época de desenvolvimento e renovação. Ele leva suas ferramentas e o conhecimento necessário para usá-las e garantir que terá um futuro brilhante. A borboleta simboliza os pensamentos que dirige para novas direções e sondagens. Ele é forte e tem confiança no que espera. Por agora, está livre das tentações do vale que fica lá embaixo, podendo então decidir o que vai fazer. O DESPERTAR Você se estabeleceu e agora está independente. Como no momento está em posição de tomar decisões, os medos que sentiu no passado já não 347
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    controlam nada. Éuma época de estabelecer seu plano, antes de ser forçado a voltar para a realidade rotineira de definir detalhes. Você consegue dominar tudo que encontra pela frente. TRÊS DE PAUS OPORTUNIDADE O SONHO Esta é uma reunião casual de três cupidos que representam o coração, a mente e a ação. Aqueles "portadores de oportunidades" sentem a energia dinâmica da realização e manifestação iminente de um desejo. As flores e chamas vermelhas simbolizam a energia e a luz disponíveis nesta época de invenção criadora. A satisfação especial que vem com a expressão destemida das próprias idéias sobre a vida conserva a pureza e a inocência da infância, quando tudo é novo. Dois dos cupidos, um deles de olhos fechados, estão segurando os três paus suspensos no ar; o terceiro, de tão entusiasmado, quase perdeu seu quinhão de responsabilidade. Os três estão representando despreocupadamente a mensagem que diz que esta oportunidade pode dar em nada se não houver clareza de visão, cooperação e concentração. A atitude deles é de cautela, pois querem usar com sensatez aquele momento predestinado de criatividade e percepção consciente tão cheio de alegria. O DESPERTAR Adote uma atitude que lhe permita ver as coisas diretamente, como uma criança; para obter uma colaboração num empreendimento satisfatório, procure "companheiros de brinquedos" ou almas gêmeas da sua. Deixe que este momento de abertura e sinceridade se alie à praticidade e procure outras pessoas que, unidas, tragam cada qual suas habilidades específicas para dar um final bem-sucedido a uma aventura compartilhada. Está na hora de semear as sementes das colheitas futuras. QUATRO DE PAUS O TRABALHO TERMINADO O SONHO Esta é uma época de solenidade e comemoração. Os paus sustentam uma árvore cheia de frutas, pesada com os resultados de técnicas perfeitas e trabalho bem-feito. Na frente da árvore há um casal de marido e mulher. Ambos estão ricamente vestidos, e existe uma sugestão de tranqüilidade doméstica, segurança e apoio mútuo, já que os dois estão um de costas para o outro, com os ombros se tocando e os pés plantados com toda firmeza. Juntos, conseguiram muita coisa, e o relacionamento harmonioso entre os dois ajudou a produzir aquela colheita. O céu está atravessado por linhas calmas de energia estruturada. A árvore propriamente dita está coroada por um remate de ouro que indica o bom resultado das aspirações e a felicidade do relacionamento entre ambos. Acima do casal há dois passarinhos empoleirados, entoando uma canção de agradecimento para o mundo e levando a mensagem de que tudo vai bem. Os paus têm as cores do arco-íris, simbolizando que aquela boa sorte nunca será destruída. O DESPERTAR 348
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    Desfrute a satisfaçãoque vem de fazer um trabalho bem-feito. Não só os seus esforços criaram uma base sólida, como o trabalho árduo que executou para cumprir com suas obrigações, juntamente com o esforço exigido para produzir o melhor que pôde, deram como resultado uma comemoração otimista, agradecida e cheia de orgulho. CINCO DE PAUS COMPETIÇÃO O SONHO Sob cinco paus cruzados e opostos, defrontam-se dois líderes, cujas forças são equivalentes. Chegaram a um impasse. Tem havido muita disputa e, finalmente, houve uma luta armada, mas os dois guerreiros ainda se respeitam mutuamente, como os bons guerreiros honram um oponente digno. Os dois estão igualmente aparelhados e nenhum dos dois está disposto a se considerar vencido, pois cada qual acha que seu próprio ponto de vista é o certo. Naquele confronto está sendo retida muita energia. Os dois estão zangados e frustrados, mas tratam-se comedidamente, cada um esperando poder vencer fazendo o outro admitir seus erros de julgamento. Se a sensatez prevalecer, esta luta talvez permaneça equilibrada e pode ser que, no fim, os dois guerreiros obstinados consigam fazer concessões e adaptar mutuamente seus pontos de vista. O círculo que há acima dos dois representa um plano superior que ainda não foi revelado. O DESPERTAR Neste mundo de competição e pontos de vista conflitantes, defenda-se e defenda suas idéias. Não aceite ser vítima. Mas, numa situação constrangedora, procure ser criativo em vez de limitativo. A luta deve ser justa e representar todos os pontos de vista. Se o seu senso de ego é muito definido e está manifestado de maneira muito forte, não deixe isso negar aos outros a oportunidade de expor as próprias idéias. Não deixe de exprimir suas idéias com clareza e lógica. SEIS DE PAUS ARCANOS MENORES VITÓRIA O SONHO Contra um pôr-do-sol esplendido e ardente, surge a cavalo um jovem triunfante. O cavalo magnífico salta para diante numa maré de energia representada pelas chamas sagradas da parte inferior. O jovem está com um penteado cerimonial que indica vitória. Por um instante supremo, este cavaleiro é um conquistador que está sentindo sua exaltação em quatro níveis: mental, físico, emocional e espiritual. Está repleto de honra e orgulho; é um conquistador confiante que sabe que ganhou o dia graças à própria liderança e por ter estado à altura da ocasião de forma completa e instintiva. Aquela vitória está representada por uma estrela cadente em brasa que está brilhando no céu num momento de glória intensa, ainda que breve. Os paus prateados brilham no fogo que reflete neles e será relembrado para sempre, mesmo que seja extinguido depressa. O DESPERTAR 349
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    A vitória estáse aproximando. Acredite que vai vencer. Todas as atenções estão voltadas para você. Aceite esta ocasião de reconhecimento e desenvolvimento, pois acabou de triunfar numa situação difícil. Se perseverar numa época de crise, as coisas vão acabar favoravelmente. Lembre-se de usar esta vitória para construir uma base firme sobre a qual possa edificar seus bons resultados no futuro. Inclua todos os que o ajudaram nessa comemoração. SETE DE PAUS CORAGEM O SONHO Uma figura solitária, mas robusta e de ar desafiador, está à frente das ameias. Bem poderia se esconder atrás das muralhas de pedra para se proteger, mas aceitou este desafio com coragem. Tem o rosto determinado e está segurando o escudo com firmeza; leva um cajado mágico que vale mais que os sete paus flamejantes dispostos contra ele. Aos pés do homem há uma enorme flor vermelha que encarna todas as coisas que ele alimentou e cuidou: entes queridos, a terra e todas as coisas vivas que havia nela. Acredita firmemente que é preciso defender os valores e idéias que foram estabelecidos, testados e sustentados há muito tempo. Se a justiça não aparecer, ele mesmo resolverá sozinho todas as dificuldades. Sabe que consegue defender o que é seu enfrentando os problemas diretamente. Quando é desafiado ao extremo, não faz concessões. O DESPERTAR Você está desafiado a defender seus valores e crenças. Não tenha medo de defender pessoalmente o que tem de ser defendido. Só ganhará o dia se for firme. Confie no seu próprio julgamento e intuição e creia que saberá dominar a situação, mesmo que pareça impossível e difícil. Lembre-se disto: a diferença entre o comportamento heróico e o covarde é que o herói ou a heroína seguem em frente, apesar do medo. OITO DE PAUS céu, suba agora. O tempo de espera acabou, por ora" SINAIS O SONHO Uma jovem está de pé diante de uma rosa ardente. Outras oito flores se elevam para o céu, como as baforadas de fumaça usadas para fazer sinais. A jovem fez surgir aquele belo fogo como por encanto, esfregando rapidamente as mãos até que saltou uma fagulha que acendeu a rosa. A fagulha simboliza atos e informações que passam de um lugar para outro, gerando luz e calor enquanto isso. Os paus que se movimentam rapidamente, emanando das flores que parecem emitir sinais de fumaça, estão dirigidos para a jovem e também para o objetivo dela. Tudo é muito direto e está em movimento, sugerindo um progresso rápido. Está na hora de a jovem agir com rapidez, enviando mensagens e sinais de amor ou de idéias novas. Ela sabe que a hora é de coisas básicas, porque as chamas do romance não arderão para sempre, a menos que sejam alimentadas por declarações de amor mútuas. O DESPERTAR 350
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    Faça, e façaagora. Se quiser conseguir o que deseja, é preciso agir. Seja o primeiro a começar a se comunicar, e logo terá as mensagens de resposta. Faça esse chamado. Atue na nova idéia. Está exatamente na hora de reagir às necessidades do momento do modo mais direto possível. As mensagens de amor e romance são o ponto de maior interesse. Talvez esteja na hora de você dizer a alguém que está apaixonado. NOVE DE PAUS DISCIPLINA O SONHO Uma mulher confiante como uma deusa está de pé num pedestal de pedra, segurando no ar dois paus cujas pontas parecem uma divisa militar; para isso está usando unicamente a própria força de vontade. Está se preparando para arremessá-los voando de ponta para o chão, como já fez com outros sete paus, a fim de completar uma barreira de proteção na entrada da gruta onde mora. Está hesitando em completar o trabalho porque percebeu que talvez venha a ser prisioneira dos próprios esforços, ainda que fique em segurança. Assim é a natureza dual da disciplina. Mesmo assim, a flor que está acima dela irradia energia solar e saúde de corpo e mente, de modo que ela fará a escolha mais adequada à situação. Tomará uma decisão que talvez não concorde com os julgamentos e com a moral comum, mas não se sente levada pela opinião das multidões. Está sempre pronta a enfrentar a oposição, fortalecida pela coragem das próprias convicções. Tem uma base segura. O DESPERTAR Você precisa recolher e manter uma grande reserva de resistência. Prepare-se para defender sua posição, mesmo que seja contrária à das pessoas que respeita. Talvez precise aguardar o momento propício, mas tem de se ater fielmente ao seu objetivo. Aplique técnicas de disciplina do tipo estritamente militar ao desenvolvimento da sua força de vontade, do seu caráter e do seu corpo, porque a hora do desafio vem chegando. Lembre-se apenas do seguinte: tempere a sua resistência com o fato de saber que tem de usá-la para enfrentar um desafio. DEZ DE PAUS OPRESSÃO O SONHO Num espaço escuro há um trabalhador solitário levando uma carga pesada e extenuante. As terríveis responsabilidades do dia-a-dia ficaram praticamente insuportáveis. Fisicamente, é um homem forte, mas parece que está prestes a desabar. Acima dele paira uma nuvem de fumaça que lhe afeta a concentração e obscurece o campo de visão. Há uma sensação de esgotamento total que apaga qualquer emoção, impossibilitando que o homem exerça qualquer tipo de força ou se expresse de algum modo. Ele deveria ser capaz de descansar ou reconsiderar os próprios problemas, mas talvez ache que está sob o controle de mais alguém e não pode fazer nada. Será que essas responsabilidades e esse sofrimento podem ser um débito para com o 351
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    carma? De qualquerforma, parece que o homem trabalhou demais e acabará sendo forçado a se concentrar em coisas que mal tem força para perseguir. O DESPERTAR Quando você se compromete a fazer coisas em excesso, tudo parece uma carga pesada. A fadiga resultante deixa-o incapaz de expressar seus pensamentos, e sua força se esgota. Reserve um tempo para pensar bem nessa situação desagradável, se tiver a sorte de ser capaz de fazer isso. Defina as suas metas, despojadas de tudo que for supérfluo. Desse modo, as tensões ficarão aliviadas e as suas energias, que estão reduzidas, serão usadas da melhor maneira. PRINCESA DE PAUS O SONHO A Princesa do Palácio de Fogo é uma moça entusiasmada e corajosa. É encantadora, mas parece um menino, com os cabelos de um belo castanho avermelhado; é impulsiva quando ama e quando está zangada. Pode chegar a ser indelicada a ponto de não ser diplomática, pois não tem a sensatez gerada pela maturidade dos anos. O brilho e a energia que leva para as aventuras atrai outras pessoas para si, mas, às vezes, o entusiasmo dela pode durar pouco e se extinguir de repente. Isso compensa uma certa dose de instabilidade, pois a velocidade energética do momento pode se dissipar e parecer que inverte de repente a raiva em teatralidade. As borboletas cor de fogo que adejam por ali representam os pensamentos e idéias dela, que estão sempre presentes. A pluma-chama vistosa do chapéu pode ser usada como pena para ela anotar algum lampejo de inspiração repentino. O espírito da Princesa é livre e se desloca para novas direções sem medo, dominando todos os bloqueios interiores. Esta aventureira vencedora está associada com notícias e informações interessantes, normalmente dadas por parentes ou amigos. O DESPERTAR Talvez haja uma oportunidade chegando para você. É preciso que equilibre a sua necessidade de ser imprudente e temerário com a necessidade de agir de modo firme e amadurecido. Às vezes, a Princesa de Paus é impetuosa e se inflama à toa, mas nos desperta para o lado entusiástico e instintivo da vida. Saiba que o aparecimento da Princesa de Paus numa leitura pode significar que, em breve, uma pessoa com as qualidades dela pode aparecer na sua vida. PRÍNCIPE DE PAUS ARCANOS MENORES O SONHO O Príncipe de Paus é misterioso e surge cavalgando um magnífico cavalo de batalha emplumado; na mão, leva um cetro cuja ponta é de fogo. Por trás da figura dele, que brilha como uma brasa ardente, há nuvens cinzentas espiralando como baforadas de fumaça. Esta viagem está levando o Príncipe para o desconhecido, mas ele é um pioneiro cheio de energia e entusiasmo. Gosta de arriscar e é impulsionado para diante por uma disposição imprevisível e competitiva. Irradia uma 352
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    energia muito masculina,cheia de criatividade e paixão. Apesar disso, às vezes a juventude o impele a ser briguento e prepotente, quando acha que sua própria autoridade de líder está em jogo. As vezes parece egocêntrico e tende a pensar que sabe mais do que realmente sabe. Nunca está parado e é ambicioso: está sempre procurando mudar de residência ou subir na vida. Quer sempre subir cada vez mais e, quando viaja, espera conhecer pessoas que o ajudem a satisfazer suas ambições. O DESPERTAR Aqui há uma mensagem sobre mudança de residência ou de emprego. Nessa jogada, você encontrará alguém que faz surgir a centelha de ânsia criadora. Será uma oportunidade de usar coragem e resistência para ampliar a sua eficiência no mundo. Os pensamentos originais serão de grande valia. Tenha o cuidado de não se gabar demais dos seus êxitos. Saiba que o aparecimento do Príncipe de Paus numa leitura pode significar que, em breve, aparecerá na sua vida uma pessoa com as qualidades dele. A RAINHA DE PAUS O SONHO A Rainha de Paus é magnética e segura de si; está usando uma grinalda de flores cor-de-fogo nos cabelos castanhos, onde pôs uma pluma também vermelha como fogo. Podem ser recordações de um passeio no campo, já que a Rainha adora o campo e as caçadas. Também gosta de esportes vigorosos e saudáveis. A Rainha sempre encontra tempo para empunhar armas por uma causa justa, embora também consiga ser áspera e impaciente com quem não vê as coisas ao modo dela. No entanto, se você invocar o auxílio da Rainha, terá conseguido uma defensora cheia de energia, se bem que um tanto mandona e dominadora. Tem uma natureza básica muito generosa e leal e um fluxo de energia contínuo, ao contrário da filha, cuja centelha de energia se dissipa muito depressa. Os homens admiram a Rainha de Paus pelo tino comercial que tem em relação aos negócios e à administração do dinheiro. Respeitam-na, mas não são atraídos sexualmente por ela, apesar daquela sua natureza ardente e apaixonada. Talvez seja porque é voluntariosa demais e nem sempre mostre muita diplomacia. Assim mesmo, é uma grande inspiradora cujos conselhos e bênçãos são disputados pelos homens. O DESPERTAR Aja como uma pessoa que tem autoridade, é segura de si e sabe iniciar uma ação. Prepare-se para ser inspirado num futuro próximo. Você precisa participar de um projeto criativo que exija atenção contínua. Talvez seja propenso a ter acessos de raiva e sisudez, mas também consegue ter uma generosidade e um carisma radiante, desde que não haja oposição às idéias que expressa. Saiba que o aparecimento da Rainha de Paus numa leitura pode significar que, brevemente, uma pessoa com as qualidades dela poderá entrar na sua vida. inflamadas e logo você vai saber que ação deverá iniciar. O REI DE PAUS O SONHO 353
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    O Rei destereino flamejante é o parceiro perfeito da Rainha que tem. Também adora caçadas no campo e esportes vigorosos, como ela. Tem ainda mais segurança de ter convicções sempre certas. É uma pessoa um pouco mais amadurecida e respeita muito as tradições e a vida familiar. É um autocrata benevolente e só procura dominar os outros porque tem certeza de saber o que é melhor para todos. Nem por isso deixa de ser o típico senhor rural, sempre leal e generoso com todos que aprecia. Na verdade, despreza todo tipo de mesquinhez, mediocridade e falta de generosidade. O sol dourado que está brilhando atrás dele simboliza energia masculina e dinamismo, e as borboletas que pairam dos dois lados representam lampejos de intuição. É orgulhoso, e às vezes parece arrogante ou exaltado, coisas que o levam a jogar e arriscar. Apesar dessas aberrações momentâneas, é um homem nobre, honesto e digno de confiança. O DESPERTAR Do mesmo modo que o Rei de Paus, no que se refere a poder e orgulho, você está desenvolvendo a arte de agir. Não se lance impulsivamente nas situações e conseguirá lidar com muitas ao mesmo tempo e ter bons resultados. Adote unia abordagem cordial e confiante e vá em frente como um líder decidido. Fique ciente de que a entrada de um Rei de Paus numa leitura pode significar que, brevemente, uma pessoa com as qualidades dele vai entrar na sua vida. ESPADAS ÁS DE ESPADAS FORÇA O SONHO Sob o céu cor-de-anil do reino do Ar, as forças da verdade e da justiça acabaram de triunfar. A espada erguida transmite a mensagem que diz que a adversidade e a dúvida podem ser conquistadas pelo esforço. O elemento do naipe de Espadas é o Ar ou elemento das idéias; esta vitória também representa o poder que a mente tem, de prevalecer sobre a incerteza. Vinte e duas borboletas simbolizam que todos os recursos se uniram para atingir o pináculo da espada. (Na arte da Numerologia, vinte e dois é um número sagrado; nos Arcanos Maiores há vinte e duas cartas.) As luas minguante e crescente que há na base e na ponta da espada indicam que está começando uma fase de ação completamente nova: é uma fase de expansão. A borboleta maior que há na parte inferior da carta simboliza a capacidade que as idéias têm de se deslocar no Ar. Nos cantos há quatro escudos que representam a proteção dada pelas forças mentais. Por trás da espada há uma forma que faz lembrar outra espada; é a forma unificadora que aparece como fundo em todas as cartas do naipe de Espadas. O DESPERTAR Estabeleça metas de longo prazo e inicie-as imediatamente. Talvez seja preciso destruir alguma coisa para eliminar outras inúteis, mas não use força nem manipulações. Se usar esta força poderosa para manipular ou punir injustamente, seu destino será determinado pelo carma, ou lei de causa e efeito. Esta carta pode ser encarada como uma espada de fio duplo, que tanto pode atacar como defender. Concentre-se em 354
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    princípios, não naforma. DOIS DE ESPADAS necessidade de lutar agora. No devido tempo, a Justiça será feita BALANÇA O SONHO No céu noturno, as nuvens se bifurcam quando surge uma figura que traz uma pluma branca à guisa de bandeira de trégua. Um dos pés dela está pousando na pétala central da flor que está um pouco abaixo; é um ponto em que talvez ela se desequilibre, mas só por um instante. A figura está fazendo uma pausa curta, esperando que as nuvens se juntem de novo. Agora que o conflito diminuiu, ela chegou a este lugar sagrado para refletir no que aconteceu. A paz voltou, mas ainda resta uma certa tensão entre as espadas levantadas. Haverá um novo impasse, ou será que tudo vai se equilibrar? Agora está soprando uma brisa que afasta toda a sensação deixada pelo confronto recente que dividiu tanto as nuvens como as espadas. A figura delicada parece diplomática, sem nenhum traço de crítica. A lua, símbolo da deusa que cuida de todos, agora está lá em cima, contemplando tudo pacificamente. É difícil atingir esse equilíbrio, mas é possível chegar a uma harmonia simplesmente deixando a mente tranqüila e calma, a fim de deixar tempo para urna consideração madura. O DESPERTAR Talvez você esteja em guarda para evitar que o tempo gasto em contemplação seja um período de impasse ou adiamento, mas trata-se de um tempo destinado a considerar os pontos de vista dos outros. Fazer concessões é a alma da diplomacia, e há muita coisa que não pode ser obtida por agressão, mas sim com diplomacia. Talvez você não tenha todas as peças do quebra-cabeças, mas, por enquanto, deixe as coisas como estão. TRÊS DE ESPADAS TRISTEZA E DOR O SONHO Do lado de fora desta caverna de tristeza, dor e solidão, uma rajada de nuvens escuras passa pelo céu de um dia frio de outono. Sob um triângulo invertido, uma figura semidespida vai resvalando para um abismo profundo. Os corações feridos estão envolvidos em formas negras que choram e ameaçam se unir e engolir a cena. Este triângulo de espadas trouxe sofrimento para o sonho. Será que o amado fugiu, talvez com outra pessoa, deixando a dor da perda e da ausência, junto com o lamento inevitável pelo que poderia ter existido? As espadas estão apontadas para os seios nus da figura sob cujos pés o chão oscila imprevisivelmente. Ela está cheia de ciúmes e dó de si mesma, e não vê para onde pode se voltar. Até agora havia idealizado uma pessoa (ou uma situação) e agora a realidade verdadeira levou-a a esta frustração. A vida parece tão sem sentido! Mas a vida tem de continuar e esta dor interior tem de ser suportada como uma lição numa vida em que há muito que aprender. O DESPERTAR 355
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    Sempre há algumaincompatibilidade num relacionamento. Alguém destruiu a sua confiança, e as suas defesas esgotaram. Você está se sentindo ferido e tendo pensamentos amargos. Lembre-se da sua verdadeira identidade como espírito contido na carne, e lembre-se também do verdadeiro objetivo que tem como alma que segue adiante com o saber nascido da experiência. Dê a si mesmo o amor que até aqui estava dando à outra pessoa, e a sua dor será vencida. QUATRO DE ESPADAS ISOLAMENTO O SONHO No centro de um lugar de isolamento e estabilidade há um Buda sentado, na postura de meditação. Retirou-se da luta e está livre de todo tipo de ansiedade. A forma piramidal que há em volta do seu corpo cria um espaço próprio para cicatrizar as coisas do espírito. As nuvens que representam a confusão e as pressões diárias do mundo exterior estão se separando, e tudo que resta é a pureza da ligação com a terra eterna e com as estrelas do infinito. É hora de aterrar e recarregar. Depois da dor do Três de Espadas, com os resultados penosos de um excesso de ligação à outra pessoa e dó de si mesmo, o Quatro de Espadas mostra uma pessoa isolada e protegida de toda e qualquer situação difícil. O Buda deixou que as forças cósmicas penetrassem em si, e com isso chegou a uma percepção intuitiva mística. Para ficar sozinho com os próprios pensamentos, precisou desse período de isolamento. O DESPERTAR Na sua viagem, você encontrou este Buda que agora vai lhe ensinar o modo de olhar para dentro, aceitar e entender. Fazendo isso, você se sentirá curado e renovado espiritualmente. Esta é uma ocasião de isolamento estratégico. No meio do caos óbvio da vida, refugie-se onde puder e isole-se. É necessário refletir, examinar-se a si mesmo e meditar. Depois deste período de repouso tão necessário, você receberá orientação da sua Mente Superior. O ENCANTAMENTO Faça este exercício no mínimo quatro minutos, um para cada espada. Sente-se em silêncio, descontraidamente, garantindo que está com as costas bem retas. Inale várias vezes pelo nariz, sempre devagar e em golfadas profundas, exalando pela boca. Ao mesmo tempo, vá se descontraindo cada vez mais. Continue sentado, respirando para dentro e para fora naturalmente, consciente apenas da respiração, sem pensamentos nem desejos. Vai se ver muito calmo e concentrado. Este é o único resultado que deve esperar deste exercício. CINCO DE ESPADAS DERROTA O SONHO Está havendo uma tempestade violenta. O céu está riscado por raios que parecem espadas e estão apontados para uma figura encapuzada e cinzenta que está de braços erguidos como se quisesse se defender. De cada lado há um escudo de proteção que foi arrancado das mãos da figura e está caindo no chão. A lua cheia lança uma luz funesta que 356
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    percorre o céuriscado de nuvens, como um presságio. A derrota e a traição criam ódio, mas não necessariamente provocam uma resposta física; conseguem amargurar a mente como uma maldição. Essa figura sem armadura está impregnada de uma sensação de fraqueza. O fio da lâmina das espadas está ensangüentado, simbolizando que a figura tem de aceitar o destino ou ser destruída por forças muito mais poderosas do que se pode imaginar. Tentar enganar o destino talvez ganhe um ou dois instantes, mas é uma vitória vazia. Em vez de usar a desgraça para conseguir se desenvolver na sensatez gerada pela experiência, é preciso aceitá-la e compreendê-la como se fosse uma circunstância no grande esquema da vida. O DESPERTAR Quando um problema se apresenta de modo tal que não será possível vencer ou o custo será alto demais, é preciso render-se. Aceite isso. Olhe para o futuro e lembre-se que esta tempestade vai passar. Não é conveniente querer se vingar ou culpar alguém, pois isso seria apenas desperdiçar os recursos preciosos que ainda lhe restam. Quando não é possível vencer, o melhor é afastar-se — se você tiver a sorte de conseguir fazer isso. SEIS DE ESPADAS ARCANOS MENORES PASSAGEM O SONHO Um barquinho está navegando em águas calmas, depois de conseguir afastar-se de mares turbulentos. Parece que os passageiros vão poder aportar num refúgio seguro. Estão descansados e agora podem olhar para trás, quase contentes por terem se esforçado tanto, sabendo que as dificuldades os deixaram mais sensatos e mais fortes. A vela caída sugere que talvez tenham tido um excesso de estímulo mental, simbolizado por um vento poderoso, tão poderoso que não pôde ser utilizado na viagem. No céu, à direita, há restos de nuvens de tempestades; à esquerda, o céu é de um azul radiante. Acima deles há um arco-íris que faz com que as nuvens brilhem com a promessa de um novo amanhã. O pássaro em vôo traz uma mensagem do conforto que os espera numa nova terra que está próxima. Esta viagem-sonho pode ser encarada como um rito de passagem. Talvez não tenha sido uma viagem física, mas poderia muito bem ter sido mental, implicando viajar para longe dos pensamentos limitativos e chegar aos pensamentos mais produtivos gerados por uma mente calma. As dificuldades encontradas na viagem não poderiam ter sido evitadas. Só depois de enfrentadas e resolvidas, a vida poderia continuar de modo satisfatório. O DESPERTAR Uma mudança de direção pode lhe dar uma perspectiva diferente. Talvez se abra um panorama completamente novo, portador de soluções novas que libertem você de velhos problemas. Agora está acabando um ciclo difícil, e, depois de algumas ondas de transição tumultuosas, a passagem será suave. Se você conseguir mudar de idéia, conseguirá mudar o mundo, pois o seu mundo é muito influenciado pelo seu estado de espírito. muda tudo de repente ". 357
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    SETE DE ESPADAS OPOSIÇÃO OSONHO Uma jovem tenta desesperadamente escapar de uma saraivada de sete espadas que estão caindo do céu azul, mas a expressão resignada sugere que esta situação terrível não foi tão inesperada e talvez até tenha sido obra dela própria. Poderia ser o resultado das coisas duras que ela disse e fez pelas costas dos outros, ou mesmo a manifestação de um medo de errar e até de ser bem-sucedida. Age com movimentos incoerentes, atrapalhada pela própria negatividade e pelos enganos que cometeu e estão simbolizados pelas folhas negras que se fecham dos dois lados dela. A moça está tentando evitar que forças invisíveis a prejudiquem, mas parece que esse desejo de ter paz está além das suas forças; talvez a única saída seja trapacear e dissimular. Uma das mãos está enluvada e é impossível saber o que está escondido nela. Estranhamente, ela prefere se desviar das espadas com a mão sem luva, mantendo em reserva a mão protegida, com o que quer que seja que está ocultando. É um plano temerário, porque ela pode se dar mal se for ferida e não puder mais usar habilmente esse ardil. O DESPERTAR Para fugir da oposição que você está encontrando, precisa ser lógico e persistente e não recorrer a trapaças. Tem de enfrentar o fato de saber que os problemas são criados por nós mesmos e que você só pode parar de somar suas energias às forças de oposição identificando e eliminando os padrões negativos de comportamento muito repetidos. OITO DE ESPADAS INDECISÃO O SONHO Uma mulher está em pé, imobilizada num pináculo. Atingiu um ponto em que percebe que não consegue ir para a frente, mas também não consegue recuar. Pelo ar vibram ondas irregulares que representam pensamentos ou ondas de dúvida e confusão. A rigidez da figura sugere fixação ou incapacidade de encarar de frente um problema que, por sua vez, é uma criação da mente. A mente da mulher foi distraída por detalhes sem importância e agora lhe parece impossível ver as diversas opções expostas. Está cercada de negatividade, mas bem poderia usar a espada do raciocínio dedutivo, que traz na mão, para cortar as grades da armadilha em que se encontra. Mas precisa acreditar que, mesmo sem se mexer, pode agir. As espadas apontadas para ela, pela direita e pela esquerda, representam interferências, obstáculos, dúvida, confusão e mal-entendidos, mas o raio de iluminação que parece uma espada e está tocando o alto da cabeça é um sinal de que, se tiver fé, será guiada por uma força superior que a ajudará a ver o problema de uma perspectiva mais elevada. A mulher está bloqueada, mas conseguirá se soltar pelas próprias forças e pelas forças de uma fonte superior. O DESPERTAR Não se concentre em detalhes sem importância. Procure ver o quadro completo. Nas horas de dúvida e confusão, não aja irrefletidamente, espere com paciência a chegada da iluminação que vem da sua Mente 358
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    Superior. Não seanalise demais; também não espere que alguém venha salvá-lo. O que aprisionou você foi exatamente sua falta de perspectiva. Agora é preciso trabalhar e rezar para se libertar. NOVE DE ESPADAS PESADELO O SONHO Dentro da noite, uma figura adormecida jaz aprisionada num horrível mundo de pesadelos que existe no limiar do sono. Nele circulam livremente muitos demônios, mágoas reprimidas e medos infantis. Pior que a visão deste caos é a sensação de estar presa nas suas garras. As formas ficam alteradas por sombras indefinidas e circulam em outras formas ainda mais temíveis. É um lugar solitário e afastado de todo tipo de ajuda e consolo. A figura adormecida é atormentada por sombras de dor, sofrimento e depressão, até se transformar em vítima dos seus próprios pensamentos e, qual um mártir, vai se empalando repetidamente nos pontos mais doloridos. Está de olhos fechados porque não consegue enfrentar aqueles medos acordada. No entanto, o único meio de fugir daqueles pesadelos é abrir os olhos e despertar para o que a está incomodando. Precisa confrontar seja o que for em plena luz do dia, independentemente de se tratar de reputações perdidas, descobertas de falsos amigos, ou pior, ver que os sentimentos mais desagradáveis estão à solta. Uma alternativa é atormentar-se. O DESPERTAR No escuro, os demônios pessoais parecem maiores do que nunca. Para se libertar, você precisa encontrar esses monstros, identificá-los e enfrentá-los. Às vezes, para escapar dessas coisas basta admitir que existem. Se você não confrontar as projeções dos medos e terrores, elas podem atormentar você, como acontece num pesadelo horrível. Se não verificar a existência dessas coisas, elas podem até chegar a deixá-lo doente. DEZ DE ESPADAS ARCANOS MENORES RUÍNA O SONHO Parece que o pior já passou, mas foi uma perda devastadora. Um raio atingiu uma criança que agora jaz nos braços da mãe, cujo coração está partido. Aquele raio pontudo vindo do nada dilacerou num instante o tecido da vida, e parece que a própria vida fugiu a todo e qualquer controle. Mas há um universo estrelado que se estende para cima e para trás. O eterno silêncio prateado das galáxias contempla a cena e força uma aceitação do destino. Algumas coisas estão fora de controle. Numa hora de devastação e abandono, é preciso ter resistência; a vida continua além da destruição pessoal, e o sofrimento diminui. As esperanças e sonhos do passado já não existem. Talvez as lágrimas, a dor, o sofrimento e a ruína sejam conseqüências do carma, mas, por mais difícil que pareça, a mulher consegue resistência para suportar sabendo que, após uma perda, sempre há um novo nascimento. Neste caso, não há palavras que consolem de fato; os únicos consolos são o tempo e a nova perspectiva que ele traz. 359
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    O DESPERTAR Quando vocêestiver com um receio terrível de que as coisas podem não funcionar, que a ruína e o desespero vão assaltá-lo, o melhor a fazer é deixar as coisas correrem e Deus agir. Aceite a idéia de que a luta deve acabar e, quando acabar, virá um alívio abençoado. Para cicatrizar uma ferida pode ser preciso ajuda exterior. Não tente se curar sozinho. PRINCESA DE ESPADAS O SONHO A Princesa de Espadas tem olhos negros e vive no reino do Ar. Saiu do castelo para receber uma carta que continha notícias surpreendentes e algumas idéias inovadoras. Não há nuvens para estragar o céu perfeitamente azul. Pela atmosfera flutuam pétalas cor-de-rosa e uma borboleta de renda branca paira como uma mensageira perto da Princesa, em cujo rosto bonito há um sorriso infantil cheio de interesse. Aliás, a Princesa é jovem e um pouquinho ingênua. Às vezes pode chegar a dizer coisas impensadas e imaturas, com uma irresponsabilidade que é fruto da fascinação que tem pelas próprias idéias. Apesar disso, tem a mente ágil e alerta. Qualquer pensamento nebuloso é cortado e rejeitado com uma retidão de criança, e a Princesa é rápida em distinguir a verdade. Não se pode deixar de ficar encantado com o modo inteligente e esperto e com as idéias liberais dela. No entanto, às vezes, por uma questão de pressa, ela chega a se adiantar a si mesma ao falar e, conseqüentemente, pode dar uma informação não muito clara. E, devido à imprudência juvenil, chega a ser bisbilhoteira. O DESPERTAR Algumas informações interessantes vão surpreender você, que ficará cheio de idéias inovadoras referentes ao modo de aplicar as suas teorias ao seu próprio mundo. A sua capacidade de pensar de maneira abstrata vai deixar você ver os pontos fracos quando estiver planejando alguma coisa. A capacidade de passar por cima de palavras irrelevantes vai lhe ser muito útil nas comunicações. Saiba que o aparecimento da Princesa de Espadas numa leitura pode significar que, brevemente, uma pessoa com as qualidades dela vai entrar na sua vida. PRÍNCIPE DE ESPADAS O SONHO Abaixo do garanhão galopante do Príncipe de Espadas há uma pirâmide azul que contém um pássaro branco, símbolo da terra de nuvens e céu onde mora o Príncipe. Sob as estrelas do início da noite, o Príncipe leva o escudo erguido, antevendo oposições e batalhas que, normalmente, são provocadas pela sua própria natureza imprudente e franca demais. Ele é jovem e rápido nas reações; quando as coisas não saem como quer, talvez chegue a atacar ou ser infantilmente emocional. No entanto, tem uma fala carismática, é espirituoso e esperto, e provavelmente sempre vai conseguir se desvencilhar de situações difíceis ou perigosas sem precisar lutar fisicamente. Uma coisa admirável nele é a bravura, ainda que às vezes se trate mais de uma reação impensada; tem atitudes filosóficas um tanto inusitadas, como as pessoas presunçosas e superficiais. É muito produtivo e ativo e gosta de lutar por uma boa 360
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    idéia, do mesmomodo que luta quando fica melindrado. Geralmente está do lado da verdade e da justiça. O DESPERTAR Chegou a hora de reagir. O Príncipe de Espadas indica bastante movimento, expresso na interação de todo tipo de idéias com pessoas que tem idéias novas. É preciso haver um intercâmbio de palavras, mas sempre é possível uma pessoa se expressar com eficiência sem discussões. Tenha cuidado com as palavras sarcásticas e cortantes que talvez venham a provocar um conflito no futuro. No momento, as idéias podem estimular você como nunca estimularam antes. Fique sabendo que a entrada do Príncipe de Espadas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dele vai surgir logo na sua vida. RAINHA DE ESPADAS O SONHO A irmã mais velha do Rei do Ar é solteira e tem uma mente aguçada e perceptiva que ajuda muito seu irmão da realeza. É uma mulher linda, de cabelos negros, e está coroada com as borboletas dos pensamentos e das idéias. Não há nada que adore mais do que dançar a noite inteira. Apesar desta frivolidade aparente, também conhece bem a dor e o sofrimento. Passou por momentos infelizes e íntimos que não a deixam com vontade de se colocar no lugar de pessoas infelizes a fim de compreendê-las. A Rainha de Espadas aprendeu que não há palavras de consolo que consigam mudar o fato de nós todos entrarmos e sairmos deste mundo sozinhos. Talvez o motivo que explica algum ato ocasional de amargura por parte dela seja o fato de viver sem um companheiro. É independente e forte demais para admitir fraqueza em si mesma ou nos outros. Mesmo assim, é boa conselheira e, sendo uma autoridade em muitos assuntos, tende a oferecer uma solução válida para qualquer problema que lhe apresentam. Sempre dá conselhos imparciais e justos, embora às vezes os dê com uma língua bem afiada. O DESPERTAR Se quer definir a sua força e saber o que é sucesso, use as idéias e a intuição. Só o puro volume de informações a considerar nesta hora já é, em si, uma espécie de carga. Para dedicar toda a sua atenção ao assunto em questão é preciso estar só. Se houver algum desvio considerado fora das normas, cuidado para não usar severidade demais e acabar provocando atos inescrupulosos ou puritanos. Saiba que a entrada da Rainha de Espadas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dela vai surgir na sua vida dentro em breve. O REI DE ESPADAS ARCANOS MENORES O SONHO O Rei de Espadas leva uma pomba branca que é o símbolo do seu Reino do Ar; está em pé nas nuvens, contemplando os seus domínios. O capacete está coroado com as asas da maturidade. Está sempre tendo idéias, e vive para se estimular mentalmente. Às vezes tem pensamentos que o levam a sonhar acordado e esquecer de tudo, mas tem uma excelente capacidade de resolver problemas que logo o traz de volta à 361
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    realidade. Quando lidacom adversários em potencial, é diplomático e astuto, mas nunca se separa do escudo e das armas. E um governante excelente e autoridade reconhecida em diversos assuntos, como a Rainha sua irmã. No entanto, ao contrário dela, tem uma postura refinada que não permite ares de superioridade nem de arrogância. Para os súditos, é um conselheiro dedicado, além de ótimo juiz e crítico. Num aspecto mais negativo, passa a vida praticamente num nível mental e é visto pelos outros como emocionalmente frio e severo demais. Esta ausência de emoção pode fazer com que pareça desalmado ou inflexível, embora esteja sempre procurando ser justo e fiel às teorias que estão por trás das suas decisões. O DESPERTAR Se você se considera o senhor de um reino de idéias, lembre-se disto: mesmo que o seu intelecto fique despertado e estimulado por uma lufada de idéias novas, não deixe que isso leve você para um estado em que sonhar acordado e passar o tempo imaginando venha a ser algo mais importante do que passar as idéias para a prática. Saiba que há outras pessoas que adorariam partilhar os seus pensamentos e ser estimuladas aprendendo com você. E fique sabendo que o aparecimento do Rei de Espadas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dele vai surgir dentro em breve na sua vida. COPAS ÁS DE COPAS AMOR O SONHO Um coração roxo em forma de asa se eleva de um vaso repleto de um poder de Amar que tem um alcance supremo. Este vaso encantado está sempre cheio, pois dar amor gera mais amor do que foi dado. Do mesmo modo que a água, o amor também adquire a forma do vaso que o contém e só tolera ser acolhido por mão gentil, jamais por um punho fechado. A água também simboliza a beleza do amor incondicional, pois este poder vital está ali para ser partilhado por todos. Em todas as lições esotéricas antigas, a água simboliza as nossas emoções, sentimentos e intuições que, em conjunto, formam a verdadeira linguagem do amor. No centro do coração alado há um coração menor, vibrante, claro e receptivo. Este coraçãozinho está dando, nutrindo, transbordando de desvelos e felicidade. Como acontece no começo de um caso de amor, tudo neste sonho está realçado pelo brilho transcendental do amor. Os roxos, rosas e lavandas de todo o naipe de Copas simbolizam a propriedade divina e espiritual do amor. O coração é a forma de unificação que serve de fundo em todas as cartas do naipe de Copas. O DESPERTAR Isto marca o início fértil do fluxo de amor que está entrando na sua vida pelo fato de você estar aceitando e recebendo em um novo nível. Na sua vida está chegando uma nova oportunidade de sentir as emoções mais positivas. Você está recebendo a oferta de alegria, saúde e felicidade. Permita-se ter sentimentos positivos entrando e saindo do coração. São sentimentos que o dinheiro não consegue comprar e o tempo não consegue tirar de você. 362
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    DOIS DE COPAS ROMANCE OSONHO Dois lindos cisnes brancos circulam num regato claro entre nenúfares flutuantes. Estão casados para sempre e simbolizam o eterno poder de união do amor. Quando se forma uma união em que cada parceiro adquire mais experiência graças ao amor e à vida a dois, as diferenças entre masculino e feminino desaparecem. Os dois sabem perfeitamente que um é especial para o outro. Estas cartas mostram um local de encontro muito romântico onde os namorados podem se encontrar sem medo de serem descobertos. É uma terra encantada que fica longe das preocupações e tensões do dia-a-dia, onde o amor é venerado e estimulado. Aqui há cupidos e flores brancas que decoram o alto da forma de coração e sugerem um bolo de noiva e casamento. Um dos coraçõezinhos menores que estão flutuando é exemplo de que o amor está escrito nas estrelas; o outro, de curvas elegantes e graciosas, sugere sociabilidade e uma convivência feliz. Estes dois corações batem como se fossem um só. O DESPERTAR O foco do Dois de Copas está nos relacionamentos, na afinidade mútua e na união. Esta carta representa tudo que é claro e verdadeiro, protetor e confortante nas parcerias de amor, de família e de negócios, assim como representa união e harmonia dos sexos. Aqui existe potencial para se desenvolver uma união baseada no amor e há lugar para que as paixões cresçam. Pode haver um intercâmbio emocional sincero de algum tipo, mas talvez nem tudo seja revelado agora. TRÊS DE COPAS COMEMORAÇÃO O SONHO Três dançarinas estão compartilhando uma comemoração espontânea em honra do amor com que os seus corações foram agraciados. As três encarnam Fé, Esperança e Caridade. No plano de fundo há emoções rodopiando, e sob os pés saltitantes das três há pétalas de flores e uvas maduras prazerosamente esmagadas. No vinco do coração maior que se arqueia das dançarinas há mais uvas, que simbolizam a suprema habilidade que o coração tem de apanhar e conservar as coisas boas da vida. A dança é de boas-vindas e oferece hospitalidade, convidando todos a participar do divertimento. Também haverá comidas e bebidas e uma esplêndida atmosfera de festa. Um sentimento positivo e radiante emana desse sonho que está inundado de compreensão para com as pessoas que passaram sem prazer e sem sensibilidade. A amizade e o cumprimento da promessa que o amor faz, que é cicatrizar e curar, estão disponíveis para quem quiser. O DESPERTAR Esta é uma comemoração de alegria, criatividade e felicidade. Você vai se ver repleto de gratidão pela vida que tem. Vai sentir necessidade de partilhar a sua boa sorte cercado de amigos devotados. Talvez pareça difícil concentrar-se no trabalho num ambiente tão festivo, e pode ser 363
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    que seu trabalhosofra um pouco, mas você precisa dessas horas agradáveis para se desenvolver emocionalmente. A arte de compartilhar as coisas vai ajudar o seu trabalho. QUATRO DE COPAS REAVALIAÇÃO O SONHO Numa gruta de veludo, uma figura coberta de véus assumiu uma posição de prece e meditação. A caixa preta que há perto dela contém antigas lembranças e recordações de um passado que talvez não tenha satisfeito completamente as suas expectativas. Talvez tenha havido prazeres e luxos materiais na vida dela, mas à custa de relacionamentos inconvenientes que a deixaram sentindo-se vazia. Agora chegou um momento de desilusão e incerteza, uma ocasião para ela reavaliar a vida. Uma coroa-espírito brilha no alto da cabeça da figura, indicando que este período de introspecção e análise dos valores está começando a funcionar para lhe fazer um bem enorme. Agora ela sente o desejo de ter um amor mais espiritual e emocional, em vez de satisfazer materialmente uma meta. Esta mulher tem de enfrentar a possibilidade de nunca haver conhecido realmente o verdadeiro amor. Ela está dirigindo seu ritual ao Espírito do Amor, suplicando que seja eliminada da sua vida a palidez cinzenta de um amor sem paixão. O DESPERTAR Quando você estiver entediado e insatisfeito com a direção que o seu caminho tomou, concentre-se e examine-se "do fundo do coração" para discernir melhor as coisas. Num período de reavaliação, você consegue literalmente mudar o seu futuro. No entanto, só deve reentrar no mundo de atividades sociais depois que estiver certo de haver restabelecido contato com um sistema de valores pessoais. CINCO DE COPAS DESAPONTAMENTO O SONHO O amor foi substituído por tristeza e desapontamento. Será que vai chover eternamente? Ao redor dos pés da mulher estão se formando várias poças d'água. O leque que costumava ser usado para esfriar paixões ardentes serve agora de escudo contra melancólicas gotas de chuva. Desanimadas, as flores parecem desfalecer do mesmo modo que a mulher desconsolada. Será mesmo o fim do amor? Há três corações partidos, mas dois ainda estão inteiros. Talvez ainda haja esperança. O amor hesita, inconsolável e quase à beira do desespero, incapaz de avançar ou recuar. O amado da mulher está no plano de fundo, evitando olhar para ela. Está amuado ou será que está indiferente? Ela não quer olhar para ele e sabe que tem de se forçar a procurar novos interesses. Um relacionamento que parecia harmonioso, agora está estilhaçado. No mínimo houve dureza ou crueldade e a amizade se perdeu. Com um suspiro longo e triste, ele espera que este momento de vulnerabilidade emocional profunda passe logo. O DESPERTAR Esta é uma ocasião de frustração profunda, mas é preciso fazer um 364
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    esforço consciente parasuperar isso. Você perdeu amor, mas ganhou experiência. Talvez esteja se sentindo deprimido e melancólico, mas precisa ser bondoso consigo mesmo, do mesmo modo que seria bondoso com outra pessoa que estivesse na mesma situação. Assim como as flores são o símbolo universal da presença do amor, o amor consegue florescer de novo e florescerá. SEIS DE COPAS ALEGRIA O SONHO Esta é uma cena de pura alegria que consiste numa viagem de volta à infância. O que se sente é algo revitalizante e benéfico. Nenhum amigo é como os amigos da juventude, quando prevalecia uma inocência sem críticas. O amor não exigia nada e bastava estar na companhia da pessoa amada. Era possível passar dias e dias brincando alegremente e o próprio tempo se deslocava num ritmo diferente, mais lento, deixando que as coisas fossem saboreadas por completo. Cada descoberta era algo sem igual. O mundo era novo e lindo como uma borboleta saindo do casulo. O Seis de Copas é um sonho especialmente bonito. Duas crianças felizes estão passeando e levando uma cesta com outra criança mais nova. Voltar e ver e ouvir com os olhos e os ouvidos da criança que há dentro de nós é uma oportunidade de ouro para renovar um sentimento juvenil, alegre e cheio de entusiasmo. Esse sentimento está sempre disponível, mas nem sempre as pessoas estão cientes disso. O DESPERTAR Esta carta é deliciosa e encantadora. Por algum capricho do destino, está aparecendo na sua vida uma pessoa ou um sentimento, uma lembrança, um aroma ou um sabor da infância. A conexão é imediata e completa. Um presente ou uma viagem curta podem ativar um sentimento de saudade. Essas lembranças deixam você olhar para o tempo em que os adultos (especialmente a mãe) eram gigantes oniscientes e um ano parecia se estender por toda a eternidade. SETE DE COPAS ILUSÃO O SONHO Uma mulher alada tenta reunir sete corações de energia pulsantes e cheios de brilho que foram apanhados numa teia cercada de todas as cores do arco-íris. Aqui estão simbolizados os mundos da imaginação, da inspiração e, acima de tudo, da ilusão. O conjunto do mundo material está representado como energia pura presa na teia da forma e irradiando um número infinito de cores, aromas, sons e outras propriedades, dando a ilusão de que este mundo interligado contém uma variedade infinita de todo tipo de coisas. Esse é o motivo de a mulher estar usando as asas da fantasia. Ela acredita que essa é a verdadeira natureza da realidade física e, portanto, tudo deve ser possível. Neste mundo de sonho talvez ela fique viciada pela fascinação e pela embriaguez nascidas da ilusão e talvez fique dominada pelas implicações disso, que a impedem de funcionar na vida diária. Com isso, fica prisioneira da teia, como os corações. Um sol mágico em forma de concha está acima dela, 365
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    irradiando a verdadesuprema. A mulher precisa enfrentar a realidade absoluta com a cabeça voltada para o céu, mas com os pés no chão. Só assim poderá utilizar positivamente as visões que tem, e a arte gerada por elas. O DESPERTAR Talvez você esteja sonhando acordado e fazendo castelos no ar. Está na hora de olhar as coisas claramente a fim de evitar que você mesmo passe a ser uma vítima de pensamentos veleitários. Agora você está começando a se conhecer e talvez esteja tendo muitas idéias criativas e sentindo coisas espirituais. Simplesmente lembre-se de ser realista em relação a todas as eventualidades possíveis. OITO DE COPAS SACRIFÍCIO O SONHO Uma mulher melancólica está derramando oito lágrimas em forma de coração e debruadas de gelo, que estão caindo como folhas secas no regato frígido que há embaixo. O sacrifício dela foi feito em vão, e toda a sua energia se esgotou. Esta é uma história de amor e devoção que foram negados e agora não servem para nada. O peixe que está nadando na água congelada simboliza emoção profunda, mas uma emoção que ameaça dominar e, possivelmente, até imobilizar. O fato de ter se dado tanto, inutilmente, deixou a mulher despojada de esperança, como os galhos estéreis que crescem do coração central. Do mesmo modo que a ilusão produzida pelas neves de inverno, parece que aqui a vida foi sufocada para sempre e ela não tem possibilidade de suportar aquele deserto. Foi-se a inspiração que a levou a dar a prova suprema de lealdade, que consistiu em pôr os interesses de outra pessoa na frente dos seus próprios. Quando a extensão e as implicações dessa insensatez são reveladas, a mulher surge momentaneamente em pé, congelada no mesmo lugar, mas, assim como as flores da primavera são regadas pelas neves do inverno, no futuro as lágrimas dela também vão alimentar um uso mais sensato das suas próprias energias devocionais. O DESPERTAR Agora é preciso haver um recuo da participação emocional. Você ficou insatisfeito porque passou muito tempo se concentrando nos interesses dos outros. Você se deu demais. Talvez precise abandonar o que costuma procurar e passar a buscar o que é mais digno do seu esforço e sacrifício. Agora está tendo a oportunidade de encontrar uma nova direção. NOVE DE COPAS SATISFAÇÃO DE DESEJOS O SONHO Esta mulher é um gênio que realiza desejos e atende a pedidos. Surge de um raio de pura luz violeta e traz satisfação e contentamento. Os nove corações brilhantes que lhe servem de proteção estão perfeitamente equilibrados. O fundo tem um tom vermelho quente e está coberto de corações que vibram com a satisfação de amores e sonhos já realizados. Ela tem na mão um cofrezinho cheio de jóias e pérolas e está segurando 366
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    um fio tambémde pérolas, de modo tentador. Está confirmando que esses presentes são merecidos e devem ser aceitos sem nenhum sentimento de culpa ou medo. Naquele tesouro, que pode ser encarado como a fonte divina, não há nada senão abundância. Quem compartilha esse tesouro, de modo algum fica mais pobre. O dardo de luz roxa e as linhas de energia do plano de fundo simbolizam a conexão inseparável com um direito inato universal. O DESPERTAR Você está satisfeito. Seu pedido foi atendido. Talvez tenha chegado de modo inesperado ou com um pouco de atraso, mas esta é uma época feliz para você. Tenha a certeza de estar pedindo coisas que sabe que serão as melhores para você a longo prazo, porque a probabilidade de recebê-las é grande. Você pode se sentir mais sensual e experienciar um abençoado período de contentamento. Se as coisas ficarem difíceis no futuro, você poderá usar a lembrança desta pausa de cura de insatisfações para se ajudar a atingir a meta suprema, que é a satisfação pessoal completa. DEZ DE COPAS ARCANOS MENORES ÊXITO O SONHO Aqui temos uma comemoração alegre entre amigos e sócios, velhos e moços, reunidos para deixar marcada a contribuição de todos para um resultado positivo. Estão aqui para comemorar o que virá a ser um casamento feliz e duradouro. No alto, um dossel de flores douradas brilha ardente, e a borboleta azul-claro exalta e abençoa a realização do desejo de ter o céu na terra, que é o que todos pedem. É uma ocasião emocional que representa a colheita de um resultado positivo permanente e duradouro, de amor eterno, integridade e segurança. Da verdadeira harmonia e satisfação que vêm com a iluminação espiritual nasce uma maturidade que não tem idade. Os jovens sabem que esta comemoração anuncia uma vida a ser vivida na companhia de bons amigos e de um parceiro ou parceira dedicados. Os que já estão casados ou associados vêem isto como sinal de que o melhor ainda está por vir. Todos acham que este acontecimento indica a glória suprema de uma vida em que o amor vai ser dado e recebido. O DESPERTAR Sob o caramanchão do Dez de Copas, você encontrou sua família espiritual. Atingiu uma meta que lhe trará um êxito pessoal duradouro e a felicidade doméstica. Sua reputação está realçada, do mesmo modo que as suas relações com os amigos, parentes e sócios. O respeito e a honra dos colegas são fruto da sua conduta correta. PRINCESA DE COPAS O SONHO A Princesa de Copas mora num reino romântico que fica perto do mar. É loura, tem a pele clara e está elegantemente vestida, com um coração grande e florido no chapéu, além da bolsinha reticulada, também em forma de coração, presa por uma fita na cintura do vestido de veludo 367
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    violeta. Tem umanatureza poética e é dotada de uma grande empatia para com os assuntos emocionais e artísticos da vida. Com essa natureza delicada, depende muito dos outros, mas quando é solicitada, está sempre pronta a ajudar ou oferecer consolo. Está em pé à beira de um regato cintilante onde há dois peixes saltando. Aquela água, que é o elemento principal do naipe de Copas, juntamente com os redemoinhos de turbulência que há no céu, por trás dela, indicam qualidades emocionais e espírito sensível. A Princesa está segurando um poema que talvez seja um presságio do início de um caso de amor. Suas mensagens são sempre de sonhos e intuições e assinalam idéias novas, nascimentos e boas surpresas. O DESPERTAR Algo novo, criativo e carinhoso é esperado para breve. Para aproveitá-lo ao máximo, procure não ser romântico demais e emocionalmente ingênuo demais. Talvez você fique indolente, vagando e sonhando acordado, quando o necessário seria agir. Fique sabendo que a entrada da Princesa de Copas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dela vai entrar na sua vida dentro em breve. PRÍNCIPE DE COPAS O SONHO O Príncipe de Copas está cavalgando por uma paisagem idealizada de céus claros e tons pastel florais. Está sem armas, e aproxima-se de todos com o coração na mão. Tem a natureza romântica dos tempos da Cavalaria, quando os cavaleiros saíam em grandes buscas, sempre a cavalo, levando a insígnia da amada para o campo de batalha. Como nas Cortes do Amor da Idade Média, o ardor do Príncipe talvez proclame um pouco de participação sexual e talvez seja simplesmente a declaração de um amigo e admirador dedicado. O Príncipe não tem receio de se exprimir, e geralmente representa o papel de artista ou músico. O interesse que demonstra pelos assuntos do coração chega a lhe granjear o nome de Casanova, mas ele não consegue deixar de agir assim, pois está verdadeiramente apaixonado pelo amor. Normalmente, age com bom gosto e delicadeza. O coração que leva consigo simboliza a chegada do amor ou de um momento de intuição. Só leva mensagens de fundo emocional. O DESPERTAR Está na hora de entrar em contato com os sentimentos do amor jovem. O Príncipe de Copas indica bastante movimento, na forma de idas e vindas de todos os tipos, tanto de emoções como de pessoas emocionais. Normalmente, o Príncipe de Copas é alegre e encantador, e sempre é bem recebido como visita, mas quando vê seus sentimentos feridos, chega a ser superficial e até insincero. O pior é quando age como Don Juan e não hesita em contar tudo. Saiba que a entrada do Príncipe de Copas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dele vai entrar logo na sua vida. RAINHA DE COPAS O SONHO A Rainha está literalmente coroada de corações. Fiel, dedicada e 368
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    imaginativa, tem grandeempatia com a família e os súditos. É uma esposa perfeita e mãe dedicada. Qualquer desgarrado que atravessa seu caminho é recolhido e bem cuidado, pois ela é uma excelente enfermeira e gosta de cuidar de todos. Por trás dessa aparência sonhadora, é uma boa alma e entende os altos e baixos da vida. No entanto, quando acha que esconder as coisas é bom para alguém, consegue ser reservada a ponto de decepcionar as pessoas. O interesse e a preocupação que tem pelos outros chega a fazer com que acabe se intrometendo na vida das pessoas. Não sabe dizer "não" a ninguém, mas, quando é repelida, fica deprimida e reservada. Precisa estar sempre em guarda, para evitar que o desejo de ajudar se transforme numa espécie de assistência asfixiante. O DESPERTAR Está na hora de prestar atenção nos menos afortunados, interessar-se por eles e ajudá-los a obter segurança emocional. A sua intuição está divinamente inspirada, pois a Sacerdotisa se comunica diretamente com a Rainha de Copas. Este auxílio vem sem nenhum aviso e deve ser dado de modo a deixar independentes as pessoas que são ajudadas. Lembre-se do antigo ditado chinês que diz: "Se der um peixe a uma pessoa, estará alimentando-a apenas hoje. Ensine-a a pescar e ela se alimentará sempre". Saiba que a entrada da Rainha de Copas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dela vai entrar logo na sua vida. O ENCANTAMENTO Prepare uma xícara de chá de fruto de roseira. Sente-se numa cadeira confortável. Enquanto vai tomando o chá, pense em algumas pessoas que poderiam se beneficiar do seu amor. Sinta uma onda de sentimentos cálidos e dedicados saindo de você e indo para elas. Enviar pensamentos cheios de carga emocional é um método genuíno de comunicação psíquica. Pense nos diversos modos de exprimir amor na vida diária, que podem ser um sorriso, uma palavra delicada ou uma ajuda qualquer. REI DE COPAS O SONHO O Rei de Copas é o regente tolerante e bondoso deste reino que fica perto do mar. As vestes quase teatrais refletem criatividade e imaginação, mas ele próprio tem um temperamento tranqüilo. É bom marido e pai, e pode-se confiar que tem muita consideração e afeição para dar. Sua presença inspira confiança. Tendo em vista que, de certa forma, é como se fosse um clérigo, isto é, não faz críticas e é bondoso, as pessoas vão procurá-lo para pedir conselhos. E dono de um poder de intuição que o deixa capaz de ler as intenções de todos que o cercam. É capaz de perdoar qualquer pessoa, mesmo quem cometeu o erro de interpretar aquela bondade como fraqueza. É o eterno cavalheiro, calmo e de maneiras impecáveis, mas esse autocontrole genuíno pode ser uma camada fina de verniz mascarando um turbilhão interior que surge quando a sua natureza ciumenta é despertada. Uma vez ou outra, as boas maneiras impedem-no de mostrar o que está sentindo realmente. Tem muito contato com a arte e as humanidades, já que é grande apreciador da beleza. E um magnífico colecionador e tem muito bom gosto. 369
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    O DESPERTAR É importantevocê fazer um esforço sincero para ser compreensivo neste período e apelar para os aspectos emocionais da situação. Você precisa ser o regente das suas próprias emoções entendendo-as, não reprimindo-as. É muito perigoso procurar enterrar sentimentos fortes sob uma superfície de calma fingida. Saiba que a entrada do Rei de Copas numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dele entrará logo na sua vida. OUROS ÁS DE OUROS RECOMPENSA O SONHO A superfície da terra se abre para oferecer a você o tesouro que estava desejando. A estrela da oportunidade ilimitada está engastada no mais rico veio de ouro que se pode imaginar. Aquela linda estrela brilhante de cinco pontas, de raios cor-de-rosa brilhantes e fundo cintilante representa os seus desejos explodindo no mundo material. Os cantos adornados de jóias simbolizam as riquezas que se cristalizaram da essência de fogo da terra. "Ouros" já indica claramente isso. E Ouros é o símbolo que une todas as cartas desse naipe. No fundo, é um reflexo da primeira estrela, à qual fazemos nossos pedidos, a mesma que irradia calor, prosperidade e segurança. A força dinâmica do Ás de Ouros dá a você a força da terra, necessária para executar o trabalho de fazer com que os seus planos produzam frutos. O DESPERTAR Num nível interior, esta carta da boa sorte concede o grande dom do saber e da materialização de idéias. Para obter vantagens terrenas, é uma das cartas mais favoráveis de O Tarô Encantado, porque indica um grande senso de responsabilidade e força terrena. Você terá recursos suficientes para fazer e ter tudo que puder desejar. É possível pedir presentes e lembranças e receber ganhos materiais. As suas atividades de negócios se expandem numa base segura. Surge um novo começo relacionado com riqueza material e assuntos práticos. Se algum investimento for manipulado adequadamente, o resultado será muito lucro e riqueza. DOIS DE OUROS ARCANOS MENORES MUDANÇA O SONHO Duas cobras (uma clara, outra escura) estão rastejando num fundo cheio de correntes onduladas de luz colorida e sombra. Logo mais a cobra escura vai soltar a pele e parecer que é clara, enquanto a clara vai fazer o mesmo e parecer escura. Assim é a natureza eternamente variável e cíclica do mundo material. Trata-se de um mundo de dualidade; claro e escuro, masculino e feminino, jovem e velho, vida e morte, cada oposto contrasta com o outro e define a sua própria exclusividade. O número oito que rodeia as duas estrelas é o símbolo universal do infinito. É um 370
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    número sem começonem fim, formado por um ponto que muda de direção ininterruptamente. As pontas das quatro flechas vêm de cada canto da carta e se fundem em contato com o símbolo, indicando que toda ação, direção e possibilidade, presentes em todos os momentos, não passam de outra virada temporária dos fatos. O DESPERTAR O desenvolvimento que acompanha toda a vida de uma pessoa vem com a mudança. A passagem de criança para adulto jovem e deste para velho só tem sentido com o acompanhamento da sabedoria acumulada com a mudança das estações da nossa vida. Você suportou mudanças no passado; algumas foram confortáveis, outras não; agora essas mudanças estão sendo solicitadas de novo. Quando você navega pelas ondas da vida, tem de ser flexível e encarar a mudança como oportunidade. TRÊS DE OUROS TRABALHO O SONHO Um céu que está tingido de rosa pelo sol poente é um prenúncio feliz para duas mulheres que passaram trabalhando o dia todo ao ar livre. Um céu assim, sem dúvida trará um amanhã com bom tempo. As duas mulheres estiveram trabalhando juntas numa horta comunitária e estão trazendo cestas cheias de frutas e legumes que colheram quando estavam no melhor ponto de maturação; também trouxeram flores, simplesmente por apreciá-las. A colheita foi satisfatória e precedeu um esforço compartilhado e muita perseverança. O plano de fundo contém amoras vermelhas e pretas e espinhos pontudos; eliminar esse tipo de obstáculo deve ter sido um trabalho árduo. Evidentemente, pelo ar descontraído e os olhares amistosos, as duas são velhas amigas e desenvolveram a capacidade de perseverar juntas. Trabalharam muito e com bastante amizade para chegar à satisfação que vem de saber que o trabalho foi bem-feito. Não perderam tempo com as conversas superficiais e as ciumeiras que às vezes estragam a produtividade até dos trabalhadores mais dedicados. O DESPERTAR Pode haver muitos obstáculos no caminho, mas anteveja com prazer a chegada à meta distante. Trabalho compartilhado é metade do trabalho. As cargas compartilhadas ficam mais leves; um amigo ou colega de trabalho ajudam muito. A satisfação será a recompensa do esforço contínuo feito com um parceiro. Não procure fazer sozinho todo o trabalho. Escolha somente um parceiro que esteja disposto a trabalhar conscientemente como você. Está na hora de arregaçar as mangas e dar-se conta da recompensa recebida pelas tarefas que executou bem, só pelo prazer de executá-las. QUATRO DE OUROS MANIA DE POSSE O SONHO Esta jovem filha de Midas trabalhou sozinha para obter seus ganhos materiais. A quantidade impressionante de diamantes e outras pedras preciosas e tecidos que estão transbordando ao redor dela foi 371
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    conseguida graças auma boa administração e excelente capacidade de pôr as coisas no que ela acha que é a ordem certa; com as conveniências em primeiro lugar! Ela está retirando da caixa de jóias e apertando contra o peito aqueles sinais visíveis do que conseguiu, mas parece que não há nenhuma felicidade refletida nesse rosto, que está pensativo, talvez até ansioso. Será que ela ouviu algum ruído de passos, ou uma porta se abrindo? Alguém estaria vindo roubar aquela sua riqueza? Ou será que ela está pensando que aquilo ainda não é suficiente e é preciso ganhar mais? Por medo e ambição, ela vai se tomar prisioneira da própria mania de posse. Vai levar uma vida solitária em que a força dominante serão os objetos materiais. O DESPERTAR Aqui, a lição a ser aprendida é que não se pode obter força real com muita riqueza. Os ganhos materiais não satisfazem a sua necessidade de segurança neste mundo em mutação, porque a segurança verdadeira vem de dentro. Você precisa refletir na qualidade do que você preza e no que você mesmo vale, pois trata-se de coisas preciosas que não podem ser tiradas de você, só podem ser dadas pelos seus próprios pensamentos e atos. Fique em guarda contra o egoísmo e a superproteção. Por mais lindos que sejam, os seus bens materiais nem sempre conseguem trazer felicidade. CINCO DE OUROS ANSIEDADE O SONHO Duas figuras cobertas de andrajos estão do lado de fora de um muro que parece ter sido feito só para mantê-los fora. As roupas dos dois estão remendadas e gastas. Está escuro e faz frio; os dois vão tropeçando na neve, sob os flocos que voam pelo ar invernal. Parece que da janela vem uma luz convidativa, mas não há nada à vista. Os dois saíram do calor de onde estavam e agora o homem está apontando um lugar distante para a companheira, que aparentemente está se apoiando no ombro dele. Pode ser que nem consigam chegar onde pretendem. Já passaram juntos por muitas coisas difíceis. Talvez tenham acabado de perder o emprego e estejam preocupados em encontrar outro. Talvez tenham achado que os conhecidos que não passam por um invento tão rigoroso não estejam se incomodando. O homem tem uma espécie de proteção num olho; talvez ambos tenham problemas de saúde. Os dois estão tendo dificuldades e precisam se concentrar em sobreviver. O DESPERTAR Esta carta está cheia de dificuldades, mas não há dúvida que este casal tem uma energia muito corajosa. Você não deve gastar a vitalidade que tem preocupando-se com o futuro; o melhor é tratar das coisas dia a dia, conforme vão aparecendo. Fazendo assim, apesar das dificuldades e da pobreza, você vai ser sempre levado para situações positivas. Está na hora do teste. Se você conseguir entender e controlar a sua ansiedade, sem dúvida nenhuma receberá uma recompensa no futuro. SEIS DE OUROS GENEROSIDADE 372
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    O SONHO No centrodesta carta há uma mulher madura e confiante. É uma Deusa da Terra, cujo mero contato já cura, e está disposta a distribuir as riquezas do planeta. O plano de fundo está cheio de máscaras descartadas porque ela, generosa e honesta como é, não precisa de disfarces e acha que o que se dá, volta em dobro. Esta "liberal" é muito respeitada por julgar bem as coisas e por ser generosa, que é o motivo de estar em cima de uma estrela. Está em pé numa estrela adornada de flores, segurando uma urna da qual saem fios de pérolas cintilantes que simbolizam a sua natureza caridosa e recompensas materiais. Está pronta a dividir todas as coisas boas da vida e espera que todos os que receberam alguma coisa dela também se mostrem igualmente generosos. Se achar que a sua própria generosidade foi distribuída entre os menos afortunados, já se considera paga. O DESPERTAR Diga o que quer, e outras pessoas virão ajudá-lo. Examine-se bem no fundo de si mesmo e talvez ache coisas que pode compartilhar com outras pessoas, para ter bons resultados. A sua generosidade e a dos outros vão trazer muita satisfação e você verá que a recompensa valeu o trabalho. Se der alguma coisa a alguém, não espere nada de volta. SETE DE OUROS FRUSTRAÇÃO O SONHO A figura mais ou menos encurvada deste lavrador do interior sugere uma certa inércia e cansaço. Durante muito tempo, o homem trabalhou bastante na horta, que fica num terreno estéril. Quando viu o resultado do trabalho ficou desanimado. Quando começou, tinha esperanças, mas agora está arrasado. Os espinhos agudos das plantas feriram seus dedos e no céu começaram a se formar nuvens negras, além dos indícios da neve que se aproxima. Será que o inverno vai chegar mais cedo e destruir tudo que ele plantou? Esta carta mostra um certo amor por botânica e horticultura e também mostra a necessidade de se ter as duas coisas mais importantes neste campo, que são tempo e paciência. Há muito que aprender, tanto dos erros como dos acertos. Para ter bons resultados é preciso tempo e cada plano ou projeto tem um ciclo individual que leva um certo tempo para se completar. O DESPERTAR Ter medo de errar ou começar a se preocupar com os resultados futuros não significam bons resultados. Você tem de manter um desejo forte de conseguir o que quer, mesmo diante da derrota. As raizes se entranharam no fundo da terra e as plantas vão brotar de novo na hora certa. Lembre-se disto: não adianta nada ficar medindo o desenvolvimento do seu projeto. OITO DE OUROS ARCANOS MENORES ARTESANATO O SONHO Uma figura jovem e forte está perto de um muro muito bem-feito que 373
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    ela mesma fez.O muro foi feito tijolo por tijolo, com muita atenção para os detalhes, em produção contínua. Ela está olhando com orgulho para o resultado do que fez, com uma expressão serena, sabendo que fez o melhor que podia. Não há dúvida que trabalha com disciplina, está bem preparada e é eficiente. Os pés dela estão plantados no chão com muita firmeza. Ao redor dela, o ambiente é de concentração e ordem. As flores bem abertas que há ao redor dela representam tanto o florescimento da produtividade, como a recompensa que ela vai receber. Esta colheita segue a ordem, não o caos; vai atrás da confiança, não do controle. Esta moça tão bem preparada trabalha com cuidado e método e tem uma intuição natural com tudo que faz. E a encarnação do artesanato. O DESPERTAR Se você está preparado para aprender a trabalhar direito, prestando bastante atenção nos detalhes com muito carinho, vai ter um resultado ótimo. Se você praticar bastante e trabalhar bem, vai se transformar num artesão que fará o trabalho pelo trabalho em si, não para ganhar muito dinheiro para si ou para outras pessoas. Quando estiver fazendo o seu trabalho, pense só no que está fazendo, não no que poderá ganhar no fim. Quando acabar de fazer um trabalho bem-feito, vai ter um período de satisfação completa e serena. NOVE DE OUROS ABUNDÂNCIA O SONHO Aqui o jardim está completamente florido. Tudo sugere uma abundância de flores e o mais puro gozo dos prazeres terrenos. Esta moça está rodeada de flores e plantas muito bem cuidadas e está sendo seguida por um passarinho todo colorido; ela gosta da natureza e está olhando o resultado do trabalho que fez. Parou embaixo de uma árvore sagrada que está florindo com a promessa da colheita abundante que virá. Tem direito a este momento de descanso e prazer solitário no lindo lugar que ela mesma criou. Desde o começo, uma força feminina mandou que seguisse o próprio coração e confiasse no universo para ter o que precisasse, em qualquer sentido. Sentindo-se idêntica à natureza, ela venceu em quase todos os aspectos da vida: amor, beleza, lucros materiais e criatividade. Passou a ser a verdadeira encarnação da beleza da mente e do espírito. O DESPERTAR Neste momento, você está para começar a confiar em si mesmo e gostar muito de desfrutar esta idéia. Há no ar um senso de independência e liberdade que é muito grande. Talvez alguma fonte inesperada possa acrescentar alguma coisa ao seu orçamento, mas você também precisa tomar cuidado para não engordar por causa do acúmulo de tensão e crescimento. O ENCANTAMENTO Numa quinta-feira, acenda uma vela verde e comece a pensar em Júpiter. Júpiter invoca sorte, expansão e entrada de dinheiro. Ponha perto de você algumas flores bem viçosas e uma vasilha cheia de moedas. Fique olhando fixamente para a chama da vela e diga para si mesmo: "Estou aberto e receptivo para toda a abundância que há no universo". Sinta o suprimento ilimitado de tudo que já precisou até aqui 374
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    e está fluindopara você, agora e sempre. DEZ DE OUROS ARCANOS MENORES PROTEÇÃO O SONHO O lar de uma pessoa é o seu castelo; e este edifício forte, de bases firmes, com os torreões que chegam às estrelas, está construído num alicerce que foi feito no passado e com o trabalho de muitos outros. As muralhas do castelo são fortes e nos rodeiam com uma idéia de herança e seguro para o futuro. Um losango especial está brilhando com um ar de proteção, simbolizando que este sonho é a culminação das oportunidades oferecidas pelo Ás de Ouros. Há uma idéia de história e permanência relacionada com toda esta riqueza, prosperidade e segurança material. As figuras graciosas e formais que há na parte inferior da carta representam laços ancestrais, uma herança rica e tradição de família. O passado e seus valores contribuíram muito; este sonho fala disso. De qualquer modo, é possível estabelecer um sentido de segurança vinda dessas bases, a fim de garantir sobrevivência e continuidade. Parece que há pedras preciosas flutuando no ar que rodeia o castelo, como um sonho cristalizado. O DESPERTAR A primeira regra para ter bons resultados em qualquer projeto é: "Faça uma base segura". Esta carta é uma das mais favoráveis de O Tarô Encantado e diz que, se você fez isso e não tomou nenhum atalho, pode crer que terá sucesso garantido. Ao redor de você há um círculo de apoio muito forte. Você está entrando num mundo que contém a manifestação completa de tudo que você queria materialmente, o que também inclui felicidade. E possível aposentar-se, e todas as coisas boas da vida estão à disposição. Faça investimentos tradicionais para o futuro, mas não arrisque. Não esbanje esta riqueza e nem permita que o luxo o deixe preguiçoso. A PRINCESA DE OUROS O SONHO A Princesa de Ouros é uma moça realista e muito prática. Está no seu belo jardim, que é muito bem cuidado, segurando um lindo buquê de flores, que ela mesma plantou e colheu. É princesa, mas está sempre disposta a trabalhar arduamente e encher as unhas da terra que sustenta a vida. Na realidade, a Princesa mais parece uma moça do interior do que uma portadora de sangue azul que costuma aplicar na prática o saber que possui. E deliberada e inteligente, mas absolutamente não é intelectual; na realidade, não tem imaginação e, para falar a verdade às vezes é uma moça desinteressante. Apesar disso, seus modos persistentes e cuidadosos podem não dar como resultado uma ação rápida, mas levam-na longe em matéria de produzir coisas materiais. Ela procura todas as informações necessárias para ajudá-la no que pretende fazer, ainda que devagar. Está sempre disposta a ajudar em qualquer assunto ou problema de negócios, e é uma pessoa digna de confiança e honrada. O DESPERTAR 375
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    Agora você estáaprendendo a confiar nos seus instintos. Preste atenção nos ritmos e ciclos naturais da sua vida que formam um paralelo com os do mundo natural da Imperatriz. A Princesa de Ouros traz notícias de assuntos materiais, informações úteis e assistência prática. Saiba que a entrada da Princesa de Ouros numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dela estará entrando na sua vida brevemente. PRÍNCIPE DE OUROS ARCANOS MENORES O SONHO O Príncipe de Ouros está cavalgando por suas próprias terras, que são férteis e estão cultivadas. Com seu modo paciente e persistente, provavelmente conseguiria extrair uma boa colheita até de uma terra pedregosa e estéril. Não tem uma instrução formal muito elevada, mas adora a terra e tudo da Natureza. Está tocando uma trompa de ouro para chamar os cachorros, depois de um dia de caçada. Passou um tempo ótimo ao ar livre, onde se sente mais à vontade do que confinado entre as paredes cinzentas do castelo. É um jovem estável e digno de confiança, apreciado por todos por ser muito trabalhador e bom provedor. Não tem grandes lampejos de imaginação e talvez se preocupe em excesso com coisas materiais. Um dos seus pontos fortes é lidar com dinheiro, mas isso também pode fazê-lo parecer sovina. Em geral está sério e de boca fechada, mas às vezes chega a surpreender com um humor simples e vigoroso. E lento para perceber o ponto de vista dos outros, quando não concorda com o seu, que é um tanto estreito e convencional, mas em assuntos práticos está pronto a ajudar e é digno de confiança. O DESPERTAR Agora não é hora de ser obstinado e muito honesto a fim de conseguir êxito monetário. Concentre-se nos aspectos físicos da situação. Ser mais físico, orientado para uma meta e competente pode capacitar você a executar seus projetos com firmeza e resolução. Saiba que a entrada do Príncipe de Ouros numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dele logo estará entrando na sua vida. RAINHA DE OUROS O SONHO A Rainha de Ouras é encantadora, com aqueles cabelos negros e a pele cor de azeitona. É uma mulher calma e prática, além de bonita. Os homens ficam muito atraídos por ela porque sabem que, por trás desse exterior oficial, há uma mulher caridosa que não tem medo de trabalhar muito. Ela adora o marido e a família e se interessa por tudo que fazem. Gosta de dar grandes recepções, aprecia a boa mesa e as festas opulentes, pois conhece as "melhores" pessoas. É uma grande patrocinadora das artes e passa boa parte do tempo fomentando e incentivando artistas e músicos talentosos e inspirados, assim como espetáculos teatrais de todos os tipos. Também tem interesse na terra e em coisas materiais e é muito cuidadosa com os detalhes de todas as atividades que pratica. Não é dotada de um grande intelecto, mas divide a boa sorte com outras pessoas, desde que sejam interessantes e 376
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    acrescentem alguma coisaà condição social dela própria. O DESPERTAR Agora é hora de prestar atenção nos problemas financeiros de outras pessoas menos afortunadas e sustentá-las, ajudando-as a ter segurança no mundo material. O seu contato cura, porque a Imperatriz se comunica diretamente com a Rainha de Ouros. E uma época social, mas tome cuidado para não esquecer que existe outro tipo de vida além do redemoinho social de festas e jantares. Fique sabendo que a entrada da Rainha de Ouros numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dela vai entrar logo na sua vida. REI DE OUROS O SONHO A despeito do traje de guerreiro e da coroa cintilante, o Rei de Ouros é um filho da Terra muito jovial. Não procura os senhores e senhoras do reino, como faz a Rainha sua esposa; prefere os lavradores que labutam na terra e trabalham muito para viver. Também gosta de animais e acha que os súditos também deveriam manter o mesmo tipo de conexão com a natureza que os animais mantêm. Ele também trabalhou arduamente a vida toda e, graças a muito esforço sério e contínuo, conquistou a posição que ocupa e ótimos resultados. Agora quer desfrutar isso e manter o que obteve a fim de deixar tudo para a Rainha e os filhos. O Rei de Ouros tem um grande coração e muita energia em questões práticas, mas não é intelectual e não se interessa por assuntos esotéricos. A única habilidade acadêmica que possui está na matemática, porque acha que a previsibilidade e precisão dos números é essencialmente prática nos assuntos do seu interesse. Em outros aspectos, custa a mudar, não tem muito bom gosto nem boas maneiras sociais. Na realidade, pode-se dizer que é um "diamante bruto". O DESPERTAR Você terá êxito nos assuntos materiais se mantiver uma autodisciplina de rei e um senso de objetivo bem definido. Procure interagir instintivamente com todas as pessoas que conhecer e não se deixe confundir pela riqueza nem pela posição na vida. Mantenha seus laços com o mundo natural porque isso deixará você mais forte em todo tipo de negociação. Saiba que a entrada do Rei de Ouros numa leitura pode significar que uma pessoa com as qualidades dele vai entrar logo na sua vida. PREPARATIVOS PARA UMA LEITURA Para ter acesso à quantidade tremenda dos conhecimentos que o seu Eu Superior possui, você precisa acalmar a mente que "pensa", de modo a poder ouvir a parte que "sabe". Isso pode ser feito usando a técnica dada a seguir, que serve para se colocar num estado de descontração perfeita. Sente-se num lugar onde não será perturbado. É importante que os pensamentos aleatórios relacionados com os acontecimentos do dia não atrapalhem. Segundo as lições dos mestres da ioga, a respiração 377
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    controlada leva aocontrole da mente e do corpo, que são levados a uma harmonia natural com o espírito do seu Eu Superior. Damos agora um método para chegar a esse estado calmo e descontraído. Respire profundamente, sem economizar ar. Enquanto está inalando, ouça e veja mentalmente a palavra "inalar". Enquanto vai exalando, devagar e suavemente, ouça e veja mentalmente o número nove. Repita este processo, mas na próxima vez que exalar, veja e ouça mentalmente o número oito. Continue assim até chegar a zero. Nesse momento provavelmente já estará num estado descontraído e pronto para formular sua primeira pergunta. Enuncie cuidadosamente a pergunta. A maneira de enunciar a pergunta determina a qualidade da resposta recebida. É melhor manter as perguntas simples e diretas, e receber as respostas com muita compreensão. Assim, você deixa que as impressões evocadas pelas cartas entrem na sua percepção consciente. Quanto mais específico for o enunciado da pergunta, mais direta será a resposta. Quando começar a investigar um determinado assunto, o melhor é enunciar a primeira pergunta mais ou menos assim: "Diga o que preciso saber a respeito de ... (alguma coisa ou alguém) neste momento" ou "Em que devo concentrar a minha busca para... (saber ou conseguir alguma coisa)?" em vez de "Será que, esta semana, vou conseguir o emprego (ou parceiro, dinheiro, lugar para morar, e assim por diante)?" Há outros modos de enunciar a primeira pergunta, como por exemplo: "Que plano de ação devo usar em relação a ...?"; "Que lição preciso aprender a respeito de ...?" ou "Qual será o resultado de... para mim?" (ou para a família, negócios, relacionamentos, finanças, e assim por diante). Tendo feito a primeira pergunta a respeito de uma situação e recebido informações das condições básicas implicadas, pode prosseguir e fazer perguntas relacionadas com a época ou hora em que a coisa vai acontecer. Quando fizer a pergunta seguinte, sugira um limite de tempo. Isso deixa as respostas mais claras quando se trata de responder perguntas como estas: "Que condições devo esperar encontrar no trabalho (hoje, amanhã, esta semana, este mês, nos próximos três meses etc.)?" ou "Como o meu relacionamento com tal parceiro vai se desenvolver no verão?" Depois de se familiarizar bem com o significado de cada carta, anime-se a fazer experiências com seu próprio método de enunciar as perguntas. Comece com perguntas simples, como as que acabei de dar, e inicie com a Técnica de Uma Carta. Depois que ficar bem a par do uso das cartas, passe para a Seqüência de Três Níveis. Quando estiver bem prático e quiser ter informações detalhadas sobre situações mais complexas, vai poder usar a Seqüência da Cruz Celta. Embaralhe as cartas antes e depois de todas as sessões, para purificar as cartas e deixá-las preparadas para a sessão seguinte. Alguns especialistas em Tarô acham que a pessoa não deve deixar ninguém pôr as mãos no seu trabalho, a não ser para embaralhar para 378
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    uma leitura. Éuma questão de preferência pessoal. Muita gente também aconselha a manter o baralho embrulhado num pedaço de seda da cor predileta, para proteger as cartas e manter as energias estabelecidas entre a pessoa e seu trabalho. Qualquer ritual simples que faça você ficar mais à vontade e ter mais confiança nas leituras é muito útil. Depois de purificar as cartas, procure visualizar no "olho" da mente a situação em questão. Se estiver muito ligado emocionalmente à situação, visualize a Sacerdotisa, enquanto vai embaralhando as cartas e fazendo a pergunta. Deseje apenas a verdade, não a resposta que gostaria de receber. Embaralhe as cartas até achar que está na hora de parar. Uma das vantagens de aprender a usar O Tarô é que você aprende a confiar na intuição. Para deitar as cartas, segure o baralho e divida-o em três montes, da direita para a esquerda, com a mão esquerda. Sempre com a mão esquerda, junte de novo os três montes, também da direita para a esquerda, formando um único. (Estas instruções estão descrevendo as cartas vistas da posição do leitor.) Retire do alto do monte o número adequado de cartas para a leitura. Como você quer deixar que o seu Eu Superior o guie na escolha, talvez convenha espalhar o baralho todo, com as cartas viradas para baixo, de modo a ter acesso a todas. Deixe que suas mãos sejam levadas para certas cartas, escolhendo-as conscientemente para cada posição específica da técnica que estiver usando. Por exemplo, quando estiver usando a Seqüência de Três Níveis, pode tirar a primeira carta quando estiver pedindo informações do "passado" da sua situação, a segunda quando estiver perguntando a respeito das energias que se manifestam na época "presente", e a terceira quando estiver pensando no "futuro". Vire todas as cartas para baixo, uma de cada vez, e siga os padrões dados para as diferentes seqüências. Depois desvire-as uma a uma, interpretando o significado em termos da posição da carta na seqüência, antes de passar para a carta seguinte. Vai verificar que algumas cartas que desvirou estarão com a figura para cima, com o título no alto, enquanto outras estarão com a figura para baixo, isto é, invertidas. Alguns ledores de tarô acham que, quando a carta sai com a figura para cima, expressa com mais força as qualidades que contém; pelo contrário, quando saem invertidas, dão uma expressão mais fraca das próprias energias específicas. Outros acham que a inversão indica que as propriedades das cartas estão bloqueadas, ocultas ou internas. Há ainda os especialistas que acham que a inversão de cartas não faz diferença na leitura e deve ser deixada de lado. Sugiro que, enquanto você estiver aprendendo a arte de interpretar, leia as cartas como está indicado no texto de cada uma, independentemente de saber se, quando são desviradas, aparecem com a figura para cima ou invertidas. 379
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    É conveniente manterum caderno com as perguntas e anotar as interpretações dadas por você, assim como as cartas que apareceram com a figura para cima ou invertidas. Tendo um registro das suas leituras, você será capaz de rever as interpretações que deu a cada carta, à luz da posição, invertida ou não. INTERPRETAÇÃO DAS CARTAS Quando você desvira a carta (ou cartas) que escolheu para a sua seqüência, preste atenção, não só nas palavras impressas nas próprias cartas, como em todo e qualquer sentimento evocado pelas imagens contidas nelas. Observe as cores, o ambiente e a atitude das figuras do tarô. Deixe a mente fazer uma "associação livre". Esta expressão é usada para descrever a força de comunicação que a mente consciente tem, que consegue se comunicar com o Eu Superior usando símbolos, ou seja, a linguagem da terra dos nossos sonhos. A primeira impressão que a carta deixa em você cria uma imagem na sua mente e consegue inspirar uma série de imagens ligadas e dirigidas pelo seu Eu Superior. Em poucos instantes, a sua mente consciente começa a compreender o simbolismo das imagens e você terá a resposta esperada. Este é o modo de agir da Sacerdotisa, que, aliás, é muito eficiente. As cartas de O Tarô Encantado não dão informações de um futuro "gravado em pedra", isto é, imutável. Oferecem uma orientação baseada no estado do seu desenvolvimento e nas condições da situação em questão, no momento em que você está fazendo as perguntas. Seu futuro só é determinado pela sua reação emocional à resposta que recebeu e pela sua decisão pessoal de pôr em prática essa resposta. A TÉCNICA DE UMA CARTA Cada carta deste tarô encarna um conceito e uma psicologia muito específicos; qualquer carta pode ser escolhida como resposta a uma pergunta ou como instrumento de meditação. Use a Técnica de Uma Carta até ficar conhecendo bem cada carta, mas mesmo antes este método é útil para dar uma orientação diária para as suas atividades comuns, especialmente quando o tempo é precioso. Na Técnica de Uma Carta, se uma carta cair do baralho enquanto você estiver embaralhando, não precisa continuar, pois essa carta é a resposta. Damos abaixo um exemplo da Técnica de Uma Carta: PERGUNTA. Qual será o resultado do relacionamento da minha filha com o namorado? RESPOSTA. A Justiça. A entrada de uma carta dos Arcanos Maiores significa que se trata de um relacionamento importante. Obviamente, neste caso uma pessoa merece a outra. O indicado é esforçar-se por obter harmonia e equilíbrio. Usando associação livre, como descrevi anteriormente, a pessoa que faz esta pergunta percebeu que muitos casamentos são feitos pelos "Juízes 380
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    de Paz", queestão relacionados diretamente com a Justiça. Aqui, a conclusão é que há uma boa probabilidade de esse relacionamento acabar em casamento. A pessoa que estava perguntando quis saber quando a filha se casaria. PERGUNTA. Minha filha vai se casar este ano? RESPOSTA. O Enforcado. Mais uma vez, a entrada de uma carta dos Arcanos Maiores significa que este será um ano importante neste relacionamento, um ano cujos efeitos serão sentidos por toda a vida dos participantes. O relacionamento vai se manter no nível em que está agora. Esse período de espera forçada vai servir para dar ao casal a oportunidade de se conhecer melhor. PERGUNTA. Minha filha vai se casar dentro de dois anos? RESPOSTA. Dois de Copas (mas é interessante notar que O Enforcado parecia colado ao Dois de Copas e veio junto com a carta escolhida). Aqui, o simbolismo é inconfundível. O Dois de Copas simboliza amor e romance aliados a uma união satisfatória, feliz e eterna. O fato de O Enforcado entrar junto com esta carta indica que o casamento vai se realizar no fim do período de dois anos. A SEQÜÊNCIA DE TRÊS NÍVEIS A Seqüência de Três Níveis oferece um quadro mais amplo de uma situação e pode ser útil para fazer perguntas a respeito da situação de pessoas que não estão fisicamente presentes quando você estiver fazendo a leitura. Depois de haver se preparado e purificado as cartas, embaralhando-as sete vezes, visualize sua pergunta no olho da mente e peça que a resposta seja dada em três níveis. Embaralhe e corte normalmente. Quando tirar as três cartas que vão descrever os três níveis da sua resposta, deite-as da esquerda para a direita e desvire-as uma a uma. A resposta à sua pergunta sobre uma situação pode ser dada em termos das condições Passadas (primeira carta), Presentes (carta intermediária) e Futuras (terceira carta) da situação, ou em termos de Mente, Corpo e Espírito. Quando escolher a primeira carta, peça para receber uma mensagem que descreva a base do assunto, ou seja, as condições ou circunstâncias que contribuíram para que você ou a outra pessoa chegassem onde estão hoje. Quando escolher a segunda carta, peça para receber uma mensagem que descreva o desenrolar atual da situação, como está hoje. 381
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    Quando escolher aterceira carta, peça para receber uma mensagem relativa ao resultado das condições descritas pela segunda carta que tirou nesta seqüência. Se verificar que o resultado não é o que você considera favorável, convém usar a Técnica de Uma Carta para pedir conselhos sobre a maneira de obter um resultado mais favorável. Leia com atenção o exemplo de leitura dado a seguir. PERGUNTA. As minhas emoções estão divididas entre ter um filho e continuar na minha carreira profissional. Qual será o resultado das minhas deliberações do ano que vem? RESPOSTA. Presente O Julgamento Passado Dois de Espadas Futuro Seis de Espadas O Dois de Espadas indica que esta mulher sentiu um desejo de chegar à paz e ao equilíbrio na vida antes de tomar a decisão de ter uma criança. O fato de a imagem da Lua (que é o símbolo da mulher, nutrição e maternidade) ter aparecido nesta carta tem muito significado no caso. A entrada de uma carta dos Arcanos Maiores em qualquer ponto de uma leitura é sinal de que esta parte da leitura tem uma importância muito grande. Neste caso, O Julgamento aparece na posição "Presente" de Seqüência de Três Níveis, anunciando que está na hora de tomar uma decisão importante e pensar além dos fatos corriqueiros do dia-a-dia. Sempre é útil ler todas as informações contidas na página que fala de cada carta e, neste caso, o Encantamento menciona a palavra "renascido". A entrada do Seis de Espadas na posição "Futuro" desta leitura indica que um homem e uma mulher estão se afastando de um turbilhão mental e indo para as águas calmas da resolução. O arco-íris contido na carta é um sinal esperançoso de bênçãos. Como acontece em qualquer interpretação, você estaria incluindo na sua interpretação todos os sentimentos que tem em relação a cada carta. Nesse caso, o pássaro feliz que se vê na carta foi encarnado como um espírito de vida nova que está se aproximando; e a mulher interpretou o resultado determinado por esta leitura com uma indicação de que teria uma criança no ano seguinte. Outro modo de interpretar a Seqüência de Três Níveis é usar os níveis da Mente, do Corpo e do Espírito. 382
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    Esta técnica éespecialmente útil quando é usada para obter informações dos efeitos produzidos por acontecimentos do passado, do presente e do futuro. PERGUNTA. Qual será o resultado do meu novo emprego no que se refere à minha mente, corpo e espírito? RESPOSTA. Mente Corpo Espírito Três de Ouros Dois de Paus Ás de Ouros O Três de Ouros indica que este novo emprego vai fazer você perceber o valor do trabalho que está fazendo em conjunto com um colega diligente cuja contribuição é igual à sua. Provavelmente, vai encontrar um colega assim no emprego. Não haverá nenhuma mesquinhez interferindo na atenção que o emprego exige. O Dois de Paus no nível "Corpo" esclarece a presença do Três de Ouros na posição "Mente" e indica que a função da pessoa que está fazendo esta pergunta será principalmente supervisionar o trabalho físico implicado no caso, além de se concentrar na distribuição adequada da carga geral de trabalho entre todos os que vão trabalhar no projeto. O Ás de Ouros na posição "Espírito" indica que esse emprego trará uma ótima oportunidade de renovação espiritual que talvez venha a resultar em melhoria financeira. Pode parecer que não há problemas nesta resposta, mas sempre convém lembrar que a resposta verdadeira da pergunta feita é o efeito que a resposta dada pela carta exerce na pessoa que está fazendo a pergunta. Por exemplo, uma pessoa que não gosta de partilhar o serviço com outras ou fica constrangida por ter de supervisionar um trabalho físico talvez ache que esta resposta é um desafio. Uma vez familiarizado com a Seqüência de Três Níveis, talvez você ache interessante esclarecer o significado de uma determinada carta que ocupa uma das inúmeras posições de Seqüência da Cruz de Celta. Se o significado de uma carta em relação à posição de entrada não estiver claro, você pode tirar mais três cartas, enquanto pede um esclarecimento, e lê-las em termos do Passado, Presente e Futuro ou em termos dos níveis de Mente, Corpo e Espírito. A SEQÜÊNCIA DA CRUZ Depois de se preparar para fazer uma leitura, escolha onze cartas e disponha-as formando o esquema abaixo. Enquanto escolhe as onze cartas desta Seqüência da Cruz Celta, tenha em mente o aspecto da situação estabelecido por cada posição específica na leitura, como está descrito nos parágrafos seguintes. Posição 1: VOCÊ (ou "A Significadora") . 383
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    Esta primeira cartarepresenta você e seus desejos mais íntimos relacionados com a situação. Há casos em que o ledor de tarô acha que tem uma personalidade parecida com a do Louco ou de alguma carta da Corte, por exemplo, e escolhe uma dessas cartas como Significadora, antes de embaralhar as cartas. No entanto, esta prática restringe o conselho que o baralho pode oferecer para a sua situação, mas nem por isso você pode deixar de optar: a escolha do método é sua. Posição 2: O que está cobrindo você. A segunda carta é posta sobre a primeira e descreve as condições atuais. Se o significado desta carta parece refletir o resultado que você gostaria de obter, você está num ambiente favorável. Posição 3: O que está interceptando você . A terceira carta é posta sobre as duas primeiras e descreve obstáculos (tanto reais como em potencial) à consecução dos seus desejos. Pode representar um conceito que está deixando você confuso. Também neste caso, se o significado desta carta parece refletir o resultado que você gostaria de obter, não deve ser encarado como negativo. Posição 4: O que está perto de você. Esta carta representa a base ou o alicerce da situação que você está estudando. É um fator que sustenta a situação ou faz com que aconteça, portanto tem muita influência quando está relacionado com o resultado a curto prazo. Você não pode mudar as coisas que afetam a situação, mas pode examinar e até modificar a sua atitude em relação a elas. Posição 5: O que está atrás de você. Esta carta representa as condições anteriores e as influências que levaram as coisas até o ponto em que estão hoje. Essas influências estão diminuindo, mas é preciso levar em conta e compensar as lembranças e os efeitos que exercem nos atos passados, presentes e futuros. Posição 6: O que está comando você. Esta carta representa o rumo de desenvolvimento que você gostaria que a situação tomasse no futuro. Esta é a meta que você gostaria de manter à vista, à medida que vai se dirigindo para ela. Se a carta que está nesta posição é negativa, as metas que têm de ser atingidas para chegar a resolver completamente a situação consistem em eliminar a energia negativa da sua vida ou eliminar a qualidade da sua reação àquela energia. Posição 7: O que está diante de você. Esta carta representa o resultado da situação a curto prazo. São fatos para os quais é preciso estar preparado, pois estão para acontecer. Posição 8: Sua personalidade. Esta carta representa como você deve se 384
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    conduzir para conseguiro resultado final desejado. A entrada de uma carta negativa é um lembrete de que você só receberá de outras forças o apoio necessário para cumprir sua missão quando se conduzir de modo a exibir um desejo sincero de dominar os fatos infortunados da vida. Posição 9: Como os outros vêem você. Esta carta representa como você é visto pelas outras pessoas relacionadas com a situação. A assistência e o apoio dados pela família, pelos amigos e colegas de trabalho vão determinar a quantidade de energia extra que há ao seu dispor quando você enfrenta os desafios implicados na obtenção do resultado que deseja. A entrada de uma carta negativa nesta posição pode ser indício de você precisar contar só com as suas próprias energias para atingir suas metas. Você também pode ter sido mal interpretado. As pessoas que apóiam você talvez estejam retirando esse apoio justamente porque não acreditam que você venha a ter muitas vantagens se conseguir o que está desejando. Posição 10: Seus medos e esperanças. Esta carta representa seus medos e esperanças em relação ao resultado final da situação. O conceito corporificado nesta situação é muito importante; considerando inicialmente esta carta como uma carta de medo ou de esperança, você está confrontando o fato de saber que o que pode ter estado impedindo você de chegar à sua meta não é só medo de errar, é também medo de saber que rumo a sua vida vai tomar quando você atingir essa meta. O medo do desconhecido existe basicamente em todos os seres humanos, mas ainda assim é imprescindível superar esse medo, caso contrário não haverá progresso nenhum. Posição 11: O resultado final. Esta carta representa o resultado final do plano de ação. É a culminação dos seus esforços. A entrada de uma carta contrária ao resultado final que você deseja indica que precisa analisar seus desejos nesta altura do seu desenvolvimento. Se, apesar de tudo, decidiu que é isso mesmo que deseja, precisa pedir esclarecimentos a respeito dos atos exigidos para chegar à conclusão desejada. Para analisar a direção a seguir ou para descobrir se se trata de um problema de sincronização, use a Técnica de Uma Carta ou a Seqüência de Três Níveis. O exemplo dado a seguir mostra uma leitura da Seqüência da Cruz Celta. PERGUNTA. Qual será o resultado de eu acabar o relacionamento que tenho agora e começar um novo relacionamento amoroso? RESPOSTA. Posição 1: VOCÊ. Rainha de Paus Neste caso, a "querente" (mulher que faz a pergunta) escolheu a Rainha de Paus como sua Significadora, achando que se relacionava mais 385
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    intimamente com oaspecto e a personalidade desta rainha em particular. Posição 2: O que está cobrindo você. Princesa de Ouros Desta vez, as condições que cercam a querente são as de uma energia de jovem empenhada no processo de procurar se instruir. Esta carta sugere deliberação lenta, com considerações práticas e simples pendendo da mente. Ela está aprendendo a confiar nos próprios instintos, sem ser impulsiva demais ao mesmo tempo. Posição 3: O que está interceptando você. Princesa de Espadas Aqui o obstáculo é que a querente não foi capaz de comunicar os próprios desejos ao parceiro de tantos anos e precisa se desligar emocionalmente e ser sincera em relação aos planos que faz. Posição 4: O que está perto de você. Quatro de Ouros A base desta situação é a mania de posse. A querente deseja segurança e quer manter os padrões de autovalorização, coisas que talvez provenha das vantagens materiais de uma dessas situações. Neste ponto, a situação muda. Posição 5: O que está atrás de você. O Sol O que está abandonando a vida da querente é uma situação doméstica clara e brilhante. A entrada de uma carta dos Arcanos Maiores realça esta posição, e neste caso a querente está sendo alertada para o fato de talvez estar perdendo o sistema de apoio cordial e amistoso com que está acostumada. Posição 6: O que está coroando você. O Mago A sua meta é ser capaz de manifestar os próprios desejos de modo mais potente. Talvez a paz doméstica que está morrendo tenha sido obtida à custa da sublimação dos seus próprios desejos nos do parceiro. Agora ela quer ser capaz de utilizar todas as habilidades e dons que possui. Posição 7: O que está diante de você. Princesa de Copas No futuro próximo, indubitavelmente ela vai preferir se empenhar num novo romance. Está em busca de um relacionamento mais satisfatório emocionalmente. Vai sentir-se como uma menina apaixonada. Posição 8: Sua personalidade. Morte A querente tem de enfrentar uma mudança profunda, eliminando um parceiro ou o outro, para permitir que os antigos esquemas saiam e deixem lugar para uma nova vida futura. Continuar a temer essa mudança vai deixá-la imobilizada a ponto de estar arriscada a perder os dois parceiros. 386
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    Posição 9: Comoos outros vêem você. Cinco de Ouros As outras pessoas vêem a querente como uma pessoa ansiosa com as considerações materiais implicadas. Isto também indica que ela é encarada como tendo estado com o parceiro original durante uma época difícil e a decisão de abandoná-lo neste ponto, tomada pela mulher, poderia deixá-la em má situação. Ela está confiante nas suas expectativas. Posição 10: Seus medos e esperanças. Dois de Paus Devido ao significado desta carta, é seguro dizer que representa mais as esperanças da querente do que os seus medos. Calmamente, ela fez um levantamento da situação e está preparada para assumir a direção da própria vida, confiante no que espera que aconteça. Posição 11: O resultado final. As de Copas O resultado é amor. Indubitavelmente, a querente vai preferir um novo romance ao relacionamento antigo. Esta carta indica que está começando a dar e receber amor num novo nível. Desta troca de corações vão jorrar muitas vantagens positivas. Com isso, chegamos ao fim do livro O Tarô Encantado; mas não é adeus porque, do mesmo modo que as cartas do próprio tarô, as informações contidas nestas páginas destinam-se a ser consultadas quantas vezes você quiser. À medida que for adquirindo prática de ouvir a sabedoria das suas próprias intuições, que são evocadas pelas cartas, vai encontrar novos significados nas frases que imaginava saber de cor, e vai achar cada vez mais fácil usar a mente consciente para entrar em contato com a sua percepção consciente (ou sonho) e produzir e sentir a sua própria visão do estado de encantamento. O TARO - A RESPEITO DA ARTISTA Por mais de quinze anos, Amy Zerner expôs as suas "Tapeçarias Iluminadas" por toda a extensão dos Estados Unidos e fora do país, em mais de setenta e cinco mostras individuais ou coletivas, além de exposições em museus. Muitas pessoas e empresas de destaque adquiriram seus trabalhos, que fazem parte de uma obra que recebeu a atenção de revistas e jornais importantes, além de receber uma Bolsa de Artes Visuais (em 1986) na categoria de "Pintura", concedida pelo Fundo Nacional Americano para as Artes. As tapeçarias de Amy Zerner são uma mistura complexa de pintura com tecido e pintura em tecido. Ela usa técnicas combinadas que incluem colagem, aplique, tintura direta com corante, bordado com contas e transferência de imagens coloridas. Justapõe babados vitorianos raros e rendas antigas a tecidos da era do espaço e estampados de poliéster obtidos em leilões e bazares. Montando e costurando esses elementos novos e velhos nos quadros, consegue obter imagens potentes e 387
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    intemporais que setransformam em "paisagens para a alma olhar". Amy Zerner dedica-se a estudos metafísicos desde 1970. Mora e trabalha em East Hampton (Nova York), onde tem um estúdio repleto de arte, amor e magia. A RESPEITO DO AUTOR Monte Farber casou-se com a artista Amy Zerner há dezesseis anos; o casamento é muito feliz. É autor e criador de Cartas do Carma; Novo Guiapara o Seu Futuro pela Astrologia, além de conselheiro metafísico e conferencista, músico e produtor de cinema. Apareceu em diversos programas de televisão e rádio e deu inúmeras entrevistas para jornais e revistas por todo os Estados Unidos. No momento, está trabalhando em vários livros, roteiros de filmes e um novo sistema de adivinhação baseado na alquimia; recentemente fez um vídeo intitulado O Carma Bom, com composições próprias. 13 TARÔ ZEN – OSHO Além das 56 cartas dos Arcanos Menores, o Tarô contém mais 22 cartas, os Arcanos 388
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    Maiores, as quaiscontam toda a história da viagem espiritual do Homem. Desde o inocente passo inicial do Bobo até o coroamento da viagem, representado pela carta do Encerramento, encontramos nos Arcanos Maiores as imagens arquetípicas que nos ligam a nós todos, como seres humanos. Elas falam a respeito de uma viagem de autodescoberta que é absolutamente única para cada indivíduo, conquanto sejam as mesmas as verdades fundamentais a serem descobertas, independentemente de raça, sexo, classe social ou de criação religiosa.Nas cartas do baralho do Tarô tradicional essa viagem de autodescoberta é vista como um tipo de espiral, onde cada Encerramento conduz a um novo nível no caminho, um novo começo com a reaparição do Coringa. No Tarô Zen, de Osho, porém, acrescentou-se a carta “O Mestre”. Esta carta permite-nos deixar para trás a espiral, para saltar fora da roda da morte/renascimento. A figura “O Mestre” simboliza a superação definitiva do próprio viajar, uma transcendência que só se torna possível pela dissolução do ego separado, individualizado, por meio da iluminação.O Tarô Zen, de Osho, definitivamente não é um Tarô tradicional, no sentido de lidar com predições. Trata-se antes de um jogo transcendental do Zen que espelha o momento presente, apresentando, sem concessões, o que existe aqui e agora, sem julgamento ou comparação. Este jogo é um chamado para o despertar, para sintonizar-se com a sensibilidade, a intuição, a compaixão, a receptividade, a coragem e a individualidade.Essa ênfase na consciência é uma das muitas inovações em relação aos velhos sistemas e maneiras de pensar o Tarô, que logo saltará aos olhos dos praticantes destas Meditações Zen-Transcendental, baseadas no Tarô Zen, de Osho.Estas meditações podem ser feitas aleatoriamente, escolhendo-se ao acaso uma ou mais delas. Apresentamos a seguir algumas orientações básicas para ajudar nesse processo. OS ARCANOS MAIORES As primeiras 22 meditações têm suas respectivas ilustrações numeradas com algarismos romanos de 0 a XXI, e representam os temas centrais, arquetípicos, da viagem espiritual humana. A figura da meditação 22 “O Mestre”, que simboliza a transcendência, não é numerada. As meditações estão numeradas de 0 a 78.Quando fazemos uma meditação dos Arcanos Maiores, ela tem uma significação especial. Esse fato nos diz que as circunstâncias atuais da nossa vida estão nos oferecendo uma oportunidade para examinar um dos temas centrais da nossa própria viagem espiritual. Será especialmente proveitoso examinar outras meditações correlacionando-as com esse tema central – por exemplo, “O que me diz o fato de eu ter estado trabalhando demais (Exaustão), a respeito da minha necessidade de auto-expressão (Criatividade)? De que maneira posso estar prejudicando o meu progresso na caminhada em direção à criatividade, por estar consumindo toda a minha energia apenas para manter a “máquina” funcionando?Quando fazemos uma meditação de Arcano Maior, é possível que a situação do momento seja apenas uma trama secundária e passageira, na história mais ampla da nossa vida. Isso não quer dizer que não tenha importância, ou que devamos sentir-nos uns tolos por deixar-nos afetar tão fortemente pelas mensagens dessas meditações. Porém, pode ser a confirmação de que “isto também passará”, e mais tarde poderemos muito bem nos perguntar qual foi o motivo para tanta confusão.Finalmente, uma meditação de Arcanos Maiores pode indicar que está acontecendo na história uma alteração importante de cenário e de personagens. Há ocasiões em que, efetivamente, a profusão de meditações de Arcanos Maiores é surpreendente. Você poderá preferir escolher apenas uma delas – aquela que o impacta com a mensagem mais clara – como peça central de uma nova leitura que o ajude a compreender o que você está enfrentando no momento. 389
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    OS ARCANOS MENORES Estas56 meditações e respectivas ilustrações estão divididas em quatro naipes que representam os quatro elementos, com cada ilustração marcada com um losango particular, codificado pela cor, para que se distingam. Em cada caso, a cor do losango é aquela que predomina no naipe. As figuras do naipe da Água têm um losango azul, as do Fogo têm um losango vermelho, o naipe das Nuvens apresenta um losango cinza, e o naipe do Arco-íris um losango com as cores do arco-íris. Como acontece nos baralhos normais de jogar, cada naipe contém “cartas da corte”, que aqui não encerram qualquer pretensão aristocrática, mas representam apenas as diferentes oportunidades para que se consiga o domínio sobre os quatro elementos a que correspondem.O naipe do Fogo corresponde ao de Paus do Tarô tradicional, e representa o campo da ação e da reação, a energia que nos coloca em situações e que nos tira delas quando obedecemos aos nossos instintos, de preferência à nossa mente ou às nossas emoções.O naipe da Água substitui o de Copas tradicional, representando o lado emocional da vida, e tende a ser uma energia mais “feminina” e receptiva do que o Fogo, que é mais “masculino” e extrovertido.O naipe das Nuvens foi escolhido para substituir o de Espadas, tradicionalmente o naipe do Ar, representando a mente. Isso porque a natureza da mente não-iluminada é exatamente como a das nuvens, na maneira como bloqueia a luz e turva a paisagem à nossa volta, impedindo-nos de enxergar as coisas como elas realmente são. Existe também uma outra característica das nuvens que não pode ser esquecida – elas vêm e vão, e, portanto, não devem ser levadas muito a sério!Finalmente, o naipe do Arco-íris toma neste baralho o lugar do tradicional naipe de Ouros, representando o elemento Terra. Este é, tradicionalmente, o elemento que representa o lado prático, material, da vida. Coerentemente, porém, com a postura do Zen, que considera que até as atividades mais humildes e terrenas encerram uma oportunidade para que se celebre o sagrado, o Arco-íris foi escolhido para este naipe. Ao adotar o arco-íris – que faz uma ponte entre o céu e a terra, entre o espírito e a matéria – lembramo-nos de que na verdade não existe uma separação entre o mais baixo e o mais alto, de que o que existe verdadeiramente é o continuum de uma energia única e total. Lembramo-nos também de que o céu não é um lugar remoto lá no alto, mas é antes uma realidade esperando para ser descoberta, aqui mesmo na Terra.Aqui está, portanto, uma viagem de descoberta, e o caminho para a transcendência definitiva disso tudo. Siga em frente descontraída e alegremente, dos cumes para os vales, e de volta aos picos novamente, saboreando cada passo do caminho. Aprenda com os seus erros, e não haverá como não acertar. SUGESTÃO DE COMO PRATICAR ESTAS MEDITAÇÕES Você pode, obviamente, fazer estas meditações do modo que quiser, embora elas sejam na verdade um veículo para expor aquilo que você já sabe. Qualquer uma destas meditações escolhidas ao acaso é um reflexo direto daquilo que algumas vezes você não se acha capaz, ou não tem vontade, de reconhecer nesse momento. E, no entanto, é apenas por meio do reconhecimento (sem julgar se é certo ou errado) de um ponto de vista inteiramente impessoal, que alguém pode começar a experienciar plenamente sua altura e sua profundidade – todos os matizes da nossa natureza de arco-íris.Quando for fazer estas meditações, escolha bem uma delas, imaginando-as como um receptáculo no qual você está vertendo as suas energias. No momento em que se sentir pronto abra-a e leia e medite atentamente. Lembre-se de permanecer ativo e lúcido no momento, à medida que você acessa e lê a meditação, permitindo suas respostas interiores virem à tona, para clarificar as suas questões exteriores.Como você logo vai perceber, as figuras destas meditações Zen, estão vivas. O impacto que elas provocam é inegável, pois falam em uma linguagem que o nosso ser mais íntimo reconhece. Elas despertam o 390
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    entendimento. Provocam alucidez.Não existe um modo definitivo para se praticar estas meditações. Com a prática, porém, você irá desenvolver a sua própria maneira de usá- las. Seja criativo – as possibilidades são ilimitadas.Mantenha-se em silêncio e centrado o quanto possível, quando for usar estas meditações. Quanto mais você puder visualizar estas meditações como uma dádiva para o seu crescimento pessoal, tanto mais significativas serão as mensagens para você.Se você tiver a impressão de que uma determinada meditação está sugerindo um significado diferente, outra orientação ou percepção, confie na sua própria intuição e criatividade.O Sumário a seguir visa simplesmente ajudar na seleção e escolha das meditações. SUMÁRIO DAS MEDITAÇÕES ARCANOS MAIORES 0. O Bobo 1. Existência 2. A Voz Interior 3. Criatividade 4. O Rebelde 5. Não-Materialidade 6. Os Amantes 7. Consciência 8. Coragem 9. Solitude 10. Mudança 11. Ruptura 12. Nova Visão 13. Transformação 14. Integração 15. Condicionamento 16. Relâmpago 17. Silêncio 18. Vidas Passadas 19. Inocência 20. Além da Ilusão 21. Completude 22. O Mestre NAIPE DA ÁGUA 2 de Água – Amistosidade 3 de Água – Celebração 4 de Água – Voltando-se para Dentro 5 de Água – Apego ao Passado 6 de Água – O Sonho 7 de Água – Projeções 8 de Água – Deixando Ir 9 de Água – Preguiça 10 de Água – Harmonia Ás de Água – Indo com a Correnteza 391
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    NAIPE DAS NUVENS. 2de Nuvens – Esquizofrenia. 3 de Nuvens – Isolamento Glacial 4 de Nuvens – Adiamento 5 de Nuvens – Comparação 6 de Nuvens – O Fardo. 7 de Nuvens – Política 8 de Nuvens – Culpa 9 de Nuvens – Sofrimento 10 de Nuvens – Renascimento. Ás de Nuvens – Consciência NAIPE DO ARCO-ÍRIS 2 de Arco-Íris – Momento a Momento 3 de Arco-Íris – Orientação 4 de Arco-Íris – O Avarento 5 de Arco-Íris – O Forasteiro 6 de Arco-Íris – Concessão 7 de Arco-Íris – Paciência 8 de Arco-Íris – Simplicidade 9 de Arco-Íris – Momento da Colheita 10 de Arco-Íris – Nós Somos o Mundo Ás de Arco-Íris – Maturidade 0. O BOBO Bobo é quem confia sempre; bobo é quem continua confiando, contrariamente ao que recomendam todas as suas experiências vividas. Você o engana, e ele confia em você; você o engana de novo, e ele continua confiando; você o engana mais uma vez, e ele ainda confia em você. Então você dirá que ele é um bobo, que não aprende. A confiança dele é enorme; é uma confiança tão pura que ninguém consegue corrompê-la.Seja um bobo no sentido taoísta, no sentido do Zen. Não tente criar uma muralha de conhecimentos em torno de você. Seja qual for a experiência que venha a você, deixe-a acontecer e depois siga em frente, descartando-se dela. Vá limpando sua mente o tempo todo; vá morrendo para o passado, de forma a permanecer no presente, no aqui-agora, como se tivesse acabado de nascer, como se fosse um bebê. No começo isso será muito difícil. O mundo começará a tirar vantagem de você... deixe que o façam. São uns pobres companheiros. Ainda que trapaceiem com você, que o enganem e roubem, deixe acontecer, porque aquilo que é realmente seu não pode ser roubado, o que realmente lhe pertence ninguém pode tirar de você. E a cada vez que você não permitir que as circunstâncias o corrompam, a oportunidade se transformará em um efeito de integração dentro de você. A sua alma se tornará mais cristalizada.OshoDang Dang Doko Dang Comentário: Momento a momento, e a cada passo, o Bobo vai deixando o passado para trás. Não leva nada mais do que a sua pureza, sua inocência e sua confiança, simbolizadas pela rosa branca em sua mão. O estampado do seu colete contém as cores dos quatro elementos do Tarô, indicando que ele está em harmonia com tudo o que existe à sua volta. A sua intuição está ativada em grau máximo. Neste momento, o Bobo tem o apoio de todo o 392
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    universo para daro seu salto em direção ao desconhecido. Aventuras esperam por ele no rio da vida.A figura está indicando que, se neste momento, você confiar em sua intuição, na sua sensibilidade para a "adequação" das coisas, você não poderá errar. Os seus atos poderão parecer "tolos" para os outros, ou até para você mesmo, se tentar analisá-los com a mente racional. A posição "zero" porém, ocupada pelo Bobo, é a do número inumerável, na qual a confiança e a inocência é que são os guias, e não o ceticismo e a experiência passada. 1. EXISTÊNCIA Você não está aí por acaso. A existência precisa de você. Sem a sua presença, algo estará faltando na existência e ninguém poderá ocupar o lugar. Isto é o que lhe confere dignidade: saber que a existência inteira sentiria a sua falta. As estrelas, o sol e a lua, as árvores, os pássaros, a terra – tudo no universo sentiria que um pequeno lugar está vago, o qual não pode ser ocupado por ninguém mais, a não ser por você. Isto lhe dá uma alegria enorme, uma comprovação de que você tem a ver com tudo o que existe, e de que a existência preocupa-se com você. Quando você está purificado e transparente, você poderá perceber uma imensurável quantidade de amor derramando-se sobre você de todas as dimensões. OshoGod is Dead: Now Zen is the Only Living Truth Comentário: Esta figura nua está sentada sobre a folha do lótus da perfeição, com o olhar perdido na beleza do céu noturno. Ela sabe que "lar" não é um lugar físico no mundo exterior, mas uma qualidade interna de relaxamento e de aceitação. As estrelas, as pedras, as árvores, as flores, os peixes e os pássaros – são todos nossos irmãos e irmãs nesta dança da vida. Nós, seres humanos, temos certa tendência a nos esquecer disso, enquanto procuramos cumprir nossos compromissos particulares, e acreditamos que é preciso lutar para conseguir aquilo de que precisamos. No fundo, porém, nossa sensação de estar à parte é apenas uma ilusão, criada pelas preocupações limitadas da mente. Agora é chegado o momento de verificar se você está se permitindo receber a dádiva extraordinária do sentir-se "em casa", onde quer que você esteja. Se estiver, assegure-se de dedicar tempo para desfrutar essa sensação, de forma que ela possa aprofundar-se e permanecer com você. Se, por outro lado, você tem se sentido como se o mundo estivesse à espreita para pegá-lo, é hora de fazer uma pausa. Vá lá fora esta noite, e olhe para as estrelas 2. A VOZ INTERIOR Se você encontrou a sua verdade dentro de você, não há mais nada para descobrir em toda esta existência. A verdade está atuando através de você. Quando você abre os olhos, é a verdade abrindo os olhos. Quando fecha os seus olhos, é a verdade que está fechando os olhos. Esta é uma meditação extraordinária. Se você puder simplesmente entender o mecanismo, não precisará fazer nada – o que quer que esteja fazendo, estará sendo feito pela verdade. Se você estiver andando, será a verdade andando; se estiver dormindo, será a verdade dormindo; se estiver falando, será a verdade falando; se estiver em silêncio, será a verdade que estará em silêncio. Esta é uma das técnicas de meditação mais simples. Pouco a pouco, tudo se acomoda segundo esta fórmula simples 393
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    e, então, nãohá mais necessidade da técnica.Quando você está curado, joga fora a meditação, joga fora o remédio. Então, você vive como verdade – cheio de vida, radiante, satisfeito, abençoado, uma canção em si mesmo. Toda a sua vida se transforma em uma prece sem palavras ou, melhor dizendo, em um estado de oração, em um estado de graça, de beleza que não pertence a este mundo, em um raio de luz vindo do além, iluminando a escuridão do nosso mundo.OshoThe Great Zen Master Ta Hui Comentário: A Voz Interior não fala por palavras, mas na linguagem inarticulada do coração. É como um oráculo que só fala a verdade. Se tivesse um rosto, seria como o que aparece no centro desta figura – desperto, vigilante, e capaz de aceitar tanto a escuridão quanto à luz, simbolizadas pelas duas mãos que seguram o cristal. O cristal, em si, representa a luminosidade que advém de se haver superado todas as dualidades. A voz interior também pode ser brincalhona, à medida que mergulha profundamente nas emoções e ressurge para lançar-se em direção ao céu, como dois golfinhos dançando nas águas da vida. Ela está ligada ao cosmos por intermédio da coroa em forma de lua crescente, e à Terra, do modo como está representada pelas folhas verdes no quimono desta figura. Há momentos em nossas vidas, em que muitas vozes parecem nos estar chamando de várias direções. A própria confusão que sentimos nessas ocasiões, é um lembrete para que procuremos silêncio e centramento dentro de nós mesmos. Só assim seremos capazes de escutar a nossa verdade. 3. CRIATIVIDADE Criatividade é a qualidade que você traz para a atividade que está fazendo. Trata-se de uma atitude, de uma disposição interior – a maneira como você olha para as coisas... Nem todo mundo pode ser um pintor – e também não há necessidade disso. Se todos fossem pintores, o mundo seria muito feio; e viver seria difícil. E também não é todo mundo que pode ser dançarino, nem há necessidade disso. Todos, porém, podem ser criativos. Seja o que for que faça, se você o faz com alegria, se o faz com amor, se o seu ato de fazer não é meramente econômico, então ele é criativo. Se algo cresce em seu íntimo como conseqüência, se isso lhe traz desenvolvimento, então é espiritual, é criativo, é divino. Você se torna mais divino à medida que fica mais criativo. Todas as religiões do mundo disseram que Deus é o criador. Eu não sei se ele é ou não é o criador, mas de uma coisa eu sei: quanto mais criativo você se torna, mais divino você fica. Quando sua criatividade chega a um clímax, quando a sua vida inteira se torna criativa, você está em Deus. Ele deve ser, portanto, o criador, pois as pessoas que foram criativas estiveram mais próximas dele. Ame o que você faz. Assuma uma postura meditativa enquanto você estiver fazendo algo – seja lá o que for!OshoA Sudden Clash of Thunder Comentário: A partir da alquimia de fogo e água na parte de baixo, até a luz divina que entra pela parte de cima, a figura desta ilustração está literalmente "possuída" pela força criativa. Realmente, a experiência da criatividade é um mergulho no misterioso. Técnica, treinamento e conhecimento são apenas instrumentos; o segredo é abandonar-se à energia que alimenta o nascimento de todas as coisas. Essa energia não tem forma nem estrutura e, no entanto, todas as formas e estruturas nascem dela. – Pouco importa a forma de expressão particular que a sua criatividade assuma – pode ser a pintura ou o 394
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    canto, o plantiode um jardim ou a preparação de uma refeição. O importante é estar aberto para aquilo que quer se expressar por seu intermédio. Lembre-se de que não somos donos das nossas criações – elas não nos pertencem. A criatividade verdadeira nasce de uma união com o divino, com o místico e com o incognoscível. Daí ser ela tanto uma alegria para quem cria, quanto uma bênção para os demais 4. O Rebelde As pessoas têm muito medo daqueles que conhecem a si mesmos. Estes têm um certo poder, uma certa aura e um certo magnetismo, um carisma capaz de libertar os jovens, ainda cheios de vida, do aprisionamento tradicional...O homem iluminado não pode ser escravizado – este é o problema – e não pode ser feito prisioneiro... Todo gênio que tenha conhecido um pouco do seu íntimo está fadado a ser um pouco difícil de ser absorvido: ele deverá ser uma força perturbadora. As massas não querem ser perturbadas, ainda que se encontrem na miséria; estão na miséria, mas estão acostumadas com isso, e qualquer um que não seja um miserável parece um estranho.O homem iluminado é o maior forasteiro do mundo; ele parece não pertencer a ninguém. Nenhuma organização consegue confiná-lo, nenhuma comunidade, nenhuma sociedade, nenhuma nação.OshoThe Zen Manifesto: Freedom from Oneself Comentário: A figura de poder e autoridade desta meditação é, visivelmente, de alguém que é senhor do seu próprio destino. Em seu ombro, há uma representação do sol, e a tocha que ele segura na mão direita simboliza a luz da sua própria verdade, arduamente conquistada. Rico ou pobre, o Rebelde é de fato um imperador, porque quebrou as correntes do condicionamento repressivo e das opiniões da sociedade. Ele deu forma a si mesmo abraçando todas as cores do arco-íris, aflorando das raízes obscuras e amorfas de seu passado inconsciente, e criando asas para voar para o céu. A sua própria maneira de ser é rebelde – não porque esteja lutando contra alguém ou contra qualquer coisa, mas porque ele descobriu a sua própria natureza verdadeira e está determinado a viver de acordo com ela. A águia é o animal com o qual se afina espiritualmente, um mensageiro entre a terra e o céu. Rebelde nos desafia a ser suficientemente corajosos para assumir responsabilidade por quem somos, e para viver a nossa verdade. 5. NÃO-MATERIALIDADE Buda escolheu uma das palavras que realmente trazem em si um grande potencial – shunyata. A palavra inglesa, o equivalente inglês ´nothingness´ [nada], não é uma palavra tão bela. Por esse motivo é que eu gostaria de transformá-la em ´no-thingness´ (não-materialidade) – porque o "nada" de fato não é exatamente um vazio: ali se encontra potencialmente o "tudo". Nele, vibram todas as possibilidades. Trata-se de potencial, potencial absoluto. Ainda não está manifesto, mas tudo está contido ali. No princípio é natureza, no final é natureza. Então, por que criar tanta confusão no meio do caminho...? Por que ficar tão preocupado, tão ansioso, com tantas ambições, no meio do caminho – por que criar tamanho desespero? Toda a jornada é da não-materialidade à não- 395
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    materialidade.OshoTake it Easy,Volume 1 Comentário: Encontrar-se "no vazio" pode ser desorientador e até assustador. Nada em que se apoiar, nenhum sentido de direção, nem mesmo um indício a respeito de quais opções e possibilidades poderiam estar à frente. Era, porém, exatamente esse estado de potencialidade pura que existia antes que o universo fosse criado. Tudo o que você pode fazer agora é relaxar no seio dessa não-materialidade... mergulhar nesse silêncio entre as palavras... observar esse vazio entre a expiração e a inspiração, e guardar o tesouro de cada momento vazio da experiência. Alguma coisa sagrada está para nascer. 6. OS AMANTES É preciso ter em mente estas três coisas: o amor de nível inferior é o sexo – este é físico – e o refinamento maior do amor é a compaixão. O sexo encontra-se abaixo do amor, a compaixão está acima dele; o amor fica exatamente no meio. Bem pouca gente sabe o que é o amor. Noventa e nove por cento das pessoas, infelizmente, pensa que sexualidade é amor – não é. A sexualidade é por demais animal; certamente, ela contém o potencial para transformar-se em amor, mas ainda não é amor, apenas potencial... Se você se tornar consciente e alerta, meditativo, então o sexo poderá ser transformado em amor. E se a sua atitude meditativa tornar-se total, absoluta, o amor poderá ser transformado em compaixão. O sexo é a semente, o amor é a flor, compaixão é a fragrância. Buda definiu a compaixão como sendo "amor mais meditação". Quando o seu amor não é apenas um desejo pelo outro, quando o seu amor não é apenas uma necessidade, quando o seu amor é um compartilhar, quando seu amor não é de um pedinte, mas de um imperador, quando o seu amor não está pedindo nada em troca, mas está pronto para dar apenas -- dar só pela total alegria de dar --, então, acrescente a meditação a ele, e a pura fragrância é exalada. Isso é compaixão; compaixão é o fenômeno mais elevado.OshoZen, Zest, Zip, Zap and Zing Comentário: Aquilo que chamamos de amor é na verdade todo um espectro de modos de se relacionar, abrangendo desde a terra até o céu. No nível mais terreno, o amor é a atração sexual. Muitos de nós continuamos presos nesse nível, porque o condicionamento a que fomos submetidos sobrecarregou nossa sexualidade com toda sorte de expectativas e de repressões. Na verdade, o maior "problema" do amor sexual é que ele nunca perdura. Só quando aceitamos tal fato é que podemos celebrá-lo pelo que ele realmente é – dar as boas-vindas a seu aparecimento, e dizer adeus com gratidão quando ele se vai. Então, à medida que vamos amadurecendo, podemos vivenciar o amor que existe além da sexualidade, e que honra a individualidade singular do outro. Começamos a compreender que o nosso parceiro funciona freqüentemente como um espelho, refletindo aspectos desconhecidos do nosso ser mais profundo, e ajudando-nos a nos tornarmos completos em nós mesmos. Esse amor é baseado na liberdade, não em expectativas nem na necessidade. Em suas asas, somos levados, cada vez mais alto em direção ao amor universal, que vivencia tudo como uma coisa só. 396
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    7. CONSCIÊNCIA A mentenunca pode ser inteligente – só a não-mente é inteligente. Só a não-mente é original e radical. Só a não-mente é revolucionária – revolução em ação. A mente lhe dá uma espécie de estupor. Sobrecarregado pelas lembranças do passado, sobrecarregado pelas projeções do futuro, você vai vivendo – num nível mínimo. Não vive no máximo. A sua chama permanece muito fraca. Uma vez que você começa a deixar de lado os pensamentos, a poeira que você acumulou no passado, a chama se ergue – límpida, clara, viva, jovem. A sua vida como um todo se transforma em uma chama, e uma chama sem nenhuma fumaça. Isto é o que é a consciência.OshoA Sudden Clash of Thunder Comentário: O véu da ilusão ou maya, que tem estado impedindo que você perceba a realidade como ela é, está começando a queimar-se. Tal fogo não é a chama aquecida da paixão, mas a flama fria da consciência. À medida que o véu vai sendo queimado, o rosto de um buda muito delicado e infantil torna-se visível. A consciência que está crescendo em você neste momento não é o resultado de algum "fazer" consciente, nem é preciso que você se esforce para fazer alguma coisa acontecer. Qualquer impressão que você possa ter de que vinha tateando no escuro, está se desfazendo agora, ou logo se dissipará. Deixe-se assentar, e lembre-se de que, bem no fundo, você é apenas uma testemunha, eternamente silenciosa, consciente e imutável. Um canal está se abrindo agora a partir da esfera de atividades até o centro do testemunhar. Ele o ajudará a atingir o desapego, e uma nova consciência removerá o véu dos seus olhos. 8. CORAGEM A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada, e sempre será mais seguro não entrar nessa jornada, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido. Nada pode ser garantido. Mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos – e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos. Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho, e segue em frente.Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária.OshoDang Dang Doko Dang Comentário: Esta figura mostra uma pequena flor silvestre que enfrentou o desafio das rochas, das pedras em seu caminho, para aflorar à luz do dia. Envolta em brilhante aura de luz dourada, ela exibe a majestade do seu pequenino ser. Sem nenhum constrangimento, equipara-se ao sol mais brilhante.Quando nos defrontamos com uma situação muito difícil, há sempre uma escolha: podemos ficar repletos de ressentimentos e tentar 397
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    encontrar alguém oualguma coisa em que pôr a culpa pelas nossas dificuldades, ou podemos enfrentar o desafio e crescer. A flor nos mostra o caminho, na medida em que a sua paixão pela vida a conduz para fora da escuridão, para o mundo da luz. Não há nenhum sentido em se lutar contra os desafios da vida, ou tentar evitá-los ou negá-los. Eles estão aí, e se a semente deve transformar-se na flor, precisamos passar por eles. Seja corajoso o bastante para transformar-se na flor que você foi feito para ser. 9. SOLITUDE Quando você está sozinho, você não está só, está simplesmente solitário – e há uma grande diferença entre solidão e solitude. Quando você está em solidão, fica pensando no outro, sente a falta do outro. A solidão é um estado de espírito negativo. Você fica sentindo que seria melhor se o outro estivesse ali – seu amigo, sua esposa, sua mãe, a pessoa amada, seu marido. Seria bom se o outro estivesse ali, mas ele não está. Solidão é ausência do outro. Solitude é a presença de si mesmo. A solitude é muito positiva. É uma presença, uma presença transbordante. Você se sente tão pleno de presença que pode preencher o universo inteiro com a sua presença, e não há nenhuma necessidade de ninguém.OshoThe Discipline of Transcendence, Volume 1 Comentário: Quando não existe "alguém significativo" em nossa vida, podemos tanto nos sentir solitários, quanto desfrutar da liberdade que a solidão traz. Quando não encontramos apoio entre os outros para as nossas verdades sentidas profundamente, podemos nos sentir isolados e amargurados, ou então celebrar o fato de que o nosso modo de ver as coisas é seguro o bastante, até para sobreviver à poderosa necessidade humana de aprovação da família, dos amigos, dos colegas. Se você está enfrentando uma tal situação neste momento, tome consciência de como está optando por encarar a sua "solitude", e assuma a responsabilidade pela escolha que fez.A figura humilde desta meditação brilha com uma luz que emana do seu interior. Uma das contribuições mais significativas do Buda Gautama para a vida espiritual da humanidade foi insistir junto a seus discípulos: "Seja uma luz para você mesmo". Afinal de contas, cada um de nós deve desenvolver em si a capacidade de abrir o seu próprio caminho através da escuridão, sem quaisquer companheiros, mapas ou guia. 10. MUDANÇA A vida segue repetindo-se despreocupadamente – e a menos que você se torne muito consciente, ela continuará se repetindo, como uma roda. Por isso é que os budistas chamam a isso de roda da vida e da morte – roda do tempo. Tudo se movimenta como uma roda: ao nascimento se segue a morte, à morte o nascimento; ao amor se segue o ódio, ao ódio o amor; ao sucesso se segue o fracasso, ao fracasso o sucesso. Basta olhar à volta... Se lhe for possível observar apenas por alguns dias, você perceberá um padrão se definindo: o esquema da roda. Em um dia, numa bela manhã, você se sente tão bem, tão feliz e, no outro dia, está chateado, tão infeliz, que começa a pensar em cometer suicídio. Há apenas alguns dias você se sentiu tão cheio de vida, tão abençoado, que agradecia a Deus, pois você estava num estado de espírito de profunda gratidão, e hoje há um grande sentimento de inconformismo, e você não vê razão que justifique continuar 398
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    vivendo... E essaalternância vai se repetindo, mas a gente não chega a perceber o padrão. Uma vez que você perceba o padrão, você pode libertar-se dele.OshoTake it Easy, Volume 1 Comentário: O símbolo desta figura é uma roda enorme que representa o tempo, o destino, o karma. Galáxias orbitam em torno desse círculo que está em constante movimento, e os doze signos do zodíaco aparecem à sua volta. Na parte de dentro da circunferência estão os oito trigramas do I Ching, e mais próximo ao centro aparecem as quatro direções, cada qual iluminada pela energia do relâmpago. O triângulo giratório neste momento está apontando para cima, em direção ao divino, e o símbolo chinês do yin e yang, macho e fêmea, o criativo e o receptivo, fica no centro. Com freqüência tem sido dito que a única coisa que não muda no mundo, é a própria mudança. A vida está mudando continuamente, evoluindo, morrendo e renascendo. Todos os opostos têm um papel nesse vasto esquema circular. Se você se agarrar à borda da roda, poderá ficar tonto! Avance em direção ao centro do ciclone e relaxe, sabendo que esse estado também passará. 11. RUPTURA Converter a derrocada em ruptura, eis toda a função de um mestre. O psicoterapeuta simplesmente põe remendos. Essa é a sua função. Ele não está ali para transformá-lo. Você precisa de uma metapsicologia – a psicologia dos budas. Sofrer uma derrocada conscientemente é a maior aventura da vida. É o maior risco, porque não há nenhuma garantia de que a derrocada se transformará em uma ruptura. Ela se transforma, mas essas coisas não podem ser garantidas. O caos em que você se encontra é muito antigo – por muitas, muitas vidas você tem estado no caos. Trata-se de um caos espesso e denso. É quase um universo em si mesmo. Portanto, quando você o desafia com sua capacidade limitada, é claro que há perigo. Sem desafiar, porém, esse perigo, ninguém jamais se tornou integrado, ninguém jamais se tornou um indivíduo, indivisível.O Zen, ou a meditação é o método que irá ajudá-lo a passar através do caos, pela noite escura da alma, com equilíbrio, disciplinado, alerta. O alvorecer não está muito longe, mas antes que lhe seja possível alcançar o nascer do dia, a noite escura precisará ser atravessada. À medida que a alvorada for se aproximando, a noite se tornará ainda mais escura.OshoWalking in Zen, Sitting in Zen Comentário: A predominância do vermelho nesta figura indica, logo à primeira vista, que o seu tema é a energia, o poder e a força. A aura brilhante emana do plexo solar ou centro de poder da figura, e a sua postura é de exuberância e determinação. Todos nós atingimos ocasionalmente um ponto em que "bastante é o bastante". Nesses momentos parece que precisamos fazer alguma coisa, qualquer coisa, ainda que mais tarde essa coisa se revele um engano. Precisamos deixar de lado as cargas e restrições que nos estão limitando. Se não fazemos isso, elas ameaçam sufocar e neutralizar nossa própria energia vital.Se neste momento você está sentindo que "bastante é o bastante", aceite o risco de romper com os velhos padrões e limitações que têm impedido a sua energia de fluir. Ao fazê-lo, você ficará surpreso com a vitalidade e com a energia que essa Ruptura trará à sua vida. 399
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    12. NOVA VISÃO Quandovocê se abre para o supremo, imediatamente ele se derrama dentro de você. Você já não é mais um ser humano comum – você transcendeu. Seu insight transformou- se no insight da existência como um todo. Agora, você não é mais um ser à parte – você encontrou as suas raízes. Não sendo assim – o que é o mais comum –, as pessoas vão vivendo sem raízes, sem saber de onde o seu coração continua recebendo energia, sem saber quem continua respirando em seu interior, sem conhecer a seiva da vida que está circulando dentro delas. Não se trata do corpo, e não se trata da mente – é alguma coisa transcendental a todas as dualidades, que se denomina bhagavat – o bhagavat nas dez direções...O seu ser interior, quando se abre, vivencia inicialmente duas direções: a altura e a profundidade. Depois, devagarinho, à medida que vai se acostumando com essa situação, você começa a olhar em volta, estendendo-se em todas as outras oito direções. Quando você alcançar o ponto em que a sua altura e a sua profundidade se encontram, então, você poderá olhar em volta, para a própria circunferência do universo. A partir desse momento, a sua consciência começará a desdobrar-se em todas as dez direções, mas o caminho terá sido só um.OshoZen: The Diamond Thunderbolt Comentário: A figura desta meditação está nascendo de novo, emergindo de suas raízes presas à terra e criando asas para voar em direção ao ilimitado. As formas geométricas em volta do seu corpo mostram as muitas dimensões da vida que estão simultaneamente ao seu alcance. O quadrado representa a parte física, o que está manifesto, o conhecido. O círculo representa o não-manifesto, o espírito, o espaço puro. E o triângulo simboliza a natureza trina do universo: o manifesto, o não-manifesto, e o ser humano que contém a ambos.Você está tendo agora uma oportunidade para enxergar a vida em todas as suas dimensões, das suas profundezas às alturas. Elas existem lado a lado, e, quando descobrimos pela experiência que o escuro e o difícil são tão necessários quanto o claro e o fácil, passamos a ter uma perspectiva muito diferente do mundo. Ao deixarmos que todas as cores da vida penetrem em nós, tornamo-nos mais integrados. 13. TRANSFORMAÇÃO Um mestre de Zen não é simplesmente um professor. Em todas as religiões, há apenas professores. Eles ensinam a respeito de assuntos que você não conhece, e lhe pedem para acreditar no que dizem, porque não há jeito de transformar essa experiência em realidade objetiva. O professor tampouco as vivenciou – ele acreditou nelas, e transmite a sua crença para outras pessoas.O Zen não é o mundo do crente. Não é para fiéis; o Zen é destinado àquelas almas ousadas que são capazes de desfazer-se de toda crença, descrença, dúvida, razão, mente, e mergulhar simplesmente na sua existência pura, sem fronteiras. Ele traz, porém, uma transformação tremenda. Permitam-me, portanto, dizer que, enquanto outros caminhos estão envolvidos com filosofias, o Zen está envolvido com metamorfose, com uma transformação. Trata-se de uma alquimia autêntica: o Zen transforma você de metal comum em ouro.Mas a sua linguagem precisa ser entendida, não com o seu raciocínio e o seu intelecto, mas com o seu coração amoroso. Ou até mesmo simplesmente escutar, sem se importar se é verdade ou não. Um momento chega, repentinamente, em que você enxerga aquilo que não percebeu a vida inteira. De 400
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    repente, abre-se àquiloque o Buda Gautama denominou "oitenta e quatro mil portas".OshoZen: The Solitary Bird, Cuckoo of the Forest Comentário: A figura central desta meditação está sentada sobre a enorme flor do vazio, e segura os símbolos da transformação – a espada que corta a ilusão, a serpente que se rejuvenesce trocando de pele, a corrente partida das limitações, e o símbolo yin/yang da transcendência da dualidade. Uma das mãos repousa no seu colo, aberta e receptiva. A outra está embaixo, tocando a boca de um rosto adormecido, simbolizando o silêncio que se instaura quando estamos em repouso.Este é um momento para uma passividade profunda. Aceite qualquer dor, tristeza ou dificuldade, conforme-se com o "fato consumado". É muito semelhante à experiência do Buda Gautama quando, após anos de busca, ele finalmente desistiu, sabendo que não havia nada mais que pudesse fazer. Naquela mesma noite ele se tornou iluminado. A transformação chega, como a morte, no seu devido momento. E também como a morte, ela transporta você de uma dimensão para outra. 14. INTEGRAÇÃO O conflito está no homem. A menos que seja resolvido ali, não poderá ser resolvido em nenhum outro lugar. O desafio político está dentro de você; ele acontece entre as duas partes da mente. Há uma ponte muito pequena. Se essa ligação for rompida por algum acidente, por algum defeito fisiológico ou por alguma outra razão, a pessoa fica dividida: ela se tornará duas pessoas – e o fenômeno da esquizofrenia ou personalidade dividida, se manifestará.Se a ponte for rompida – e é uma ponte muito frágil –, então você se transformará em dois, passará a agir como duas pessoas. Pela manhã, você é muito amável, uma pessoa encantadora; à tarde, está muito bravo, completamente diferente. Você não irá lembrar-se de como foi de manhã... e como poderia lembrar-se? Era uma outra mente que estava funcionando – e a pessoa se transforma em duas pessoas. Se essa ponte for fortalecida o bastante para que as duas mentes deixem de ser duas e se tornem uma só, então acontecerá a integração, a cristalização.Aquilo que George Gurdjieff costumava chamar de cristalização do ser é apenas a transformação dessas duas mentes em uma só, o encontro do masculino e do feminino dentro de nós, o encontro do yin e do yang, o encontro do esquerdo com o direito, o encontro da lógica com o ilógico, o encontro de Platão com Aristóteles.shoAncient Music in the Pines Comentário: A imagem da integração é a união mística, a fusão dos opostos. Este é um momento de comunicação entre dualidades da vida, anteriormente vivenciadas. Ao invés da noite opondo-se ao dia, a escuridão suprimindo a luz, as polaridades estarão trabalhando juntas para criar um todo unificado, transformando-se ininterruptamente uma na outra, cada qual contendo a semente do seu oposto no seu âmago mais profundo. A águia e o cisne são ambos seres alados e majestosos. A águia é a encarnação do poder e da solitude. O cisne é a corporificação do espaço e da pureza, flutuando e mergulhando com suavidade no elemento das emoções, totalmente satisfeito e realizado em sua perfeição e beleza.Nós somos a união da águia com o cisne: macho e fêmea, fogo e água, vida e morte. A figura da integração é o símbolo da autocriação, da vida nova e da união mística, conhecida também como alquimia 401
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    15. CONDICIONAMENTO A menosque você abandone a sua personalidade, você não será capaz de encontrar a sua individualidade. A individualidade é dada pela existência; a personalidade é imposta pela sociedade. Personalidade é conveniência social. A sociedade não pode tolerar a individualidade porque a individualidade não acompanhará o rebanho, como uma ovelha. A individualidade tem a natureza do leão: o leão move-se sozinho. As ovelhas estão sempre em rebanho, na esperança de que estar em grupo será aconchegante. Em meio à multidão, o indivíduo sente-se mais protegido, seguro. Se alguém atacar, na multidão há todas as possibilidades de você se salvar. Mas, e estando só? – apenas os leões andam sós. Cada um de vocês nasceu leão, mas a sociedade está sempre condicionando, programando a mente de vocês como ovelhas. Ela lhes imprime uma personalidade, uma personalidade agradável, simpática, muito conveniente, muito obediente. A sociedade quer escravos, não pessoas que sejam absolutamente dedicadas à liberdade. A sociedade quer escravos porque os interesses estabelecidos querem obediência.OshoOne Seed Makes the Whole Earth Green Comentário: Esta figura lembra uma antiga história Zen a respeito de um leão que foi criado por ovelhas, e pensava que era uma delas, até que um velho leão o capturou e o levou até um lago, onde lhe mostrou o seu próprio reflexo. Muitos de nós somos como esse leão – a imagem que temos de nós mesmos não advém da nossa própria vivência direta, mas das opiniões dos outros. Uma "personalidade" imposta de fora substitui a individualidade que poderia ter se desenvolvido de dentro. Nós nos tornamos apenas mais uma ovelha no rebanho, incapazes de nos movermos livremente, e inconscientes da nossa verdadeira identidade. É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago, e de tomar a iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito. Dance, corra, mexa-se, fale uma língua inexistente – tudo o que for necessário para acordar o leão adormecido dentro de você. 16. RELÂMPAGO O que a meditação faz lentamente, um forte brado do mestre, inesperado, na situação em que o discípulo está fazendo uma pergunta e o mestre pula e grita, ou lhe dá um golpe firme, ou o atira porta afora, ou salta sobre ele... Tais métodos não eram conhecidos. Foi simplesmente a genialidade muito criativa de Ma Tzu, e ele levou muitas pessoas à iluminação. Algumas vezes parece hilariante: ele jogou um homem pela janela de um prédio de dois andares, e o homem só havia ido perguntar-lhe sobre o que meditar. Ma Tzu não apenas o atirou como saltou em seguida, caiu por cima dele, sentou-se no seu peito e perguntou: "Entendeu?” O pobre sujeito respondeu "Sim", porque se dissesse "Não", o mestre seria capaz de bater nele, ou de fazer qualquer outra coisa. Aquilo já era o bastante – seu corpo estava arrebentado e Ma Tzu, sentado no seu peito, perguntando: "Entendeu?" De fato ele entendeu, e justamente por aquilo ter sido tão repentino, inesperado; ele nunca poderia ter imaginado uma coisa daquelas.OshoIsan: No Footprints in the Blue Sky 402
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    Comentário: A figuramostra uma torre sendo queimada, destruída, explodida. Um homem e uma mulher se atiram dela, não por quererem isso, mas porque não há escolha. No fundo, aparece uma figura transparente, meditativa, representando a consciência que a tudo assiste. Talvez você esteja se sentindo muito abalado neste exato momento, como se a terra tremesse sob seus pés. O seu sentido de segurança está sendo desafiado, e a tendência natural é tentar segurar-se em tudo que estiver ao seu alcance. Esse terremoto interior, porém, é tanto necessário quanto tremendamente importante – se você aceitar que ele aconteça, você emergirá dos escombros mais forte e mais disponível a novas experiências. Depois do incêndio, a terra é repovoada; após a tempestade o ar apresenta- se limpo. Tente assistir à destruição com desprendimento, quase como se isso estivesse acontecendo com uma outra pessoa. Diga "sim" ao processo ao encontrá-lo a meio caminho. 17. SILÊNCIO A energia do todo se apossou de você. Você está possuído, você nem mesmo existe mais: o que existe é o todo. Neste momento, à medida que o silêncio o penetra, você vai sendo capaz de compreender a significância dele, porque é o mesmo silêncio vivenciado pelo Buda Gautama. É o mesmo silêncio de Chuang Tzu ou Bodhidharma, de Nansen... O sabor do silêncio é o mesmo. Os tempos mudam, o mundo continua se transformando, mas a experiência do silêncio, a alegria que vem dele, permanece a mesma. Essa é a única coisa em que você pode confiar, a única coisa que nunca morre. Esta é a única coisa que você pode chamar de seu próprio ser.Osho Comentário: A receptividade silenciosa de uma noite estrelada de lua cheia, semelhante à de um espelho, reflete-se abaixo no lago coberto de névoa. O rosto que aparece no céu está em meditação profunda: uma deusa da noite que traz profundidade, paz e compreensão.Este é um momento muito precioso. Será fácil para você repousar internamente, e sondar as origens do seu próprio silêncio interior até o ponto em que ele se confunde com o silêncio do universo. Não há nada para fazer, lugar nenhum aonde ir, e a marca do seu silêncio interior permeia tudo o que você faz. Isso poderia deixar algumas pessoas sentirem-se desconfortáveis, acostumadas que estão com todo o barulho e atividade do mundo. Não importa. Procure encontrar as pessoas capazes de entrar em sintonia com o seu silêncio, ou então desfrute a sua solitude. Este é o momento de reencontrar-se consigo mesmo. A compreensão e os insights que lhe ocorrem nesses instantes manifestar-se-ão mais tarde, em uma fase de maior extroversão da sua vida 18. VIDAS PASSADAS A criança poderá tornar-se consciente somente se, na sua vida anterior, houver meditado o suficiente, se houver criado suficiente energia meditativa para lutar contra a escuridão que a morte traz. O indivíduo encontra-se simplesmente perdido em um esquecimento e, então, de repente, encontra um novo útero e esquece completamente do corpo antigo. Há uma descontinuidade. Essa escuridão, essa inconsciência gera a descontinuidade. O 403
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    Oriente tem trabalhadoarduamente para penetrar essas barreiras. E o trabalho de dez mil anos não foi em vão. Todos podem adentrar sua vida anterior, e até muitas vidas passadas. Para que isso seja possível, porém, é necessário que você se aprofunde na sua meditação, e por duas razões: a menos que você se aprofunde, você não será capaz de encontrar a passagem para uma outra vida; em segundo lugar, é preciso que você tenha ido muito fundo na meditação porque, caso você encontre a passagem para uma outra vida, uma profusão de acontecimentos invadirá a sua mente. Já é bastante difícil carregar apenas uma vida.OshoHyakujo: The Everest of Zen Comentário: As mãos da existência assumem a forma dos órgãos genitais femininos, a abertura da mãe cósmica. Em seu interior se revelam muitas imagens, rostos de outros tempos. Conquanto possa ser divertido fantasiar a respeito de vidas passadas famosas, isso não passa de uma distração. O importante é enxergar e entender os padrões kármicos das nossas vidas e as suas raízes, em um ciclo repetitivo sem fim que nos aprisiona em um comportamento inconsciente. Os dois lagartos com as cores do arco-íris, um de cada lado, representam o saber e o não-saber. São os guardiões do inconsciente, certificando- se de que estejamos preparados para uma visão que, de outra forma, poderia ser dilacerante. Um vislumbre da eternidade da nossa existência constitui uma dádiva, e o entendimento da função do karma em nossa vida não é algo que possa ser conseguido quando se quer. Este é um chamado para que você desperte: os acontecimentos em sua vida estão tentando fazê-lo enxergar um padrão tão antigo quanto à jornada da sua própria alma. 19. INOCÊNCIA O Zen diz que se você abandonar o conhecimento – e dentro do conhecimento inclui-se tudo: seu nome, sua identidade, tudo... porque tudo isso lhe foi dado pelos outros –, se você abandonar tudo o que lhe foi dado pelos outros, você adquirirá uma qualidade totalmente diferente de ser – a inocência. Isso será uma crucificação da persona, da personalidade, e haverá uma ressurreição da sua inocência; você se tornará outra vez uma criança, renascida.OshoDang Dang Doko Dang Comentário: O velho desta figura irradia no mundo uma satisfação de criança. Há uma atmosfera de graça à sua volta, indicando que ele está bem consigo mesmo, e com o que a vida lhe proporcionou. Parece que ele está conversando alegremente com o louva-a-deus em seu dedo, como se os dois fossem os maiores amigos. As flores cor-de-rosa que cascateiam em torno dele representam um tempo de deixar-acontecer, de relaxamento e doçura. Elas são uma resposta à sua presença, um reflexo da sua própria natureza.A inocência que advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser infantil. A inocência das crianças é bela, mas ignorante. Ela será substituída por desconfiança e dúvida à medida que a criança for crescendo e aprendendo que o mundo pode ser um lugar perigoso e ameaçador. A inocência, porém, de uma vida plenamente vivida, tem um quê da sabedoria e da aceitação do milagre da vida em eterna mudança. 404
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    20. ALÉM DAILUSÃO Esta é a única distinção entre o sonho e o real: a realidade permite-lhe duvidar e o sonho não lhe permite duvidar...Para mim, a capacidade de duvidar é uma das maiores bênçãos da humanidade. As religiões comportam-se como inimigas, porque podam as próprias raízes da dúvida; e existe uma razão para que elas ajam assim: elas querem que as pessoas acreditem em determinadas ilusões que elas vivem pregando...Por que motivo, pessoas como o Buda Gautama têm insistido tanto em que a existência inteira – com exceção do seu eu que a tudo testemunha, com exceção da sua consciência – é efêmera, feita do mesmo material de que são feitos os sonhos? Elas não estão afirmando que aquelas árvores não se encontram ali. Não estão dizendo que aqueles pilares não estão lá. Não entenda mal por causa da palavra ´ilusão´ (maya)... A palavra foi traduzida como "ilusão", mas ´ilusão´ não é a palavra certa. Ilusão é algo que não existe. A realidade existe. "Maya" fica exatamente entre as duas – algo que quase-existe. No que diz respeito a atividades do dia-a-dia, maya pode ser tomado como realidade. Apenas no seu sentido máximo – a partir do ápice da sua iluminação –, as coisas se revelam irreais, ilusórias.Osho Comentário: A borboleta, nesta figura, representa o exterior, aquilo que está constantemente se transformando, aquilo que não é real, mas uma ilusão. Por detrás da borboleta está a face da consciência, olhando para dentro, para aquilo que é eterno. O espaço entre os dois olhos abriu-se, revelando o lótus do desenvolvimento espiritual e o sol da consciência que se levanta. Através da ascensão do sol interior, nasce a meditação.A figura nos lembra de não olhar para fora à procura do que é real, mas olhar antes para dentro de nós mesmos. Quando nos concentramos no mundo exterior, com freqüência nos assaltam os julgamentos – isto é bom, isto é ruim, isto eu quero, aquilo eu não quero. Tais julgamentos nos mantêm prisioneiros das nossas ilusões, da nossa sonolência, dos nossos velhos hábitos e padrões. Abandone sua mente opiniosa e mova-se para dentro. Lá você poderá relaxar no seio da sua própria verdade mais profunda, onde a diferença entre sonhos e realidade já é. 21. COMPLETUDE Este é o jeito Zen: não dizer as coisas até o fim. Isso precisa ser compreendido, pois é uma metodologia muito importante. Não dizer tudo significa dar uma oportunidade para que o ouvinte complete o que está sendo dito.Todas as respostas vêm incompletas. O mestre só lhe terá dado uma direção... No momento em que você chegar ao limite, você saberá o que irá permanecer. Sendo assim, se alguém estiver tentando compreender o Zen intelectualmente, irá fracassar. Não se trata de uma resposta para uma pergunta, mas de algo maior do que a resposta. Trata-se da indicação da própria realidade... A natureza do buda não é coisa muito distante: a sua própria consciência é natureza de buda. E a sua consciência é capaz de testemunhar as coisas que constituem o mundo. O mundo chegará a um fim, mas o espelho permanecerá, espelhando o nada.OshoJoshu: The Lion's Roar Comentário: Aqui, a última peça de um quebra-cabeça está sendo colocada em seu lugar: a posição 405
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    do terceiro olho,o lugar da percepção interior. Mesmo no fluxo sempre mutável da vida, há instantes em que chegamos a um ponto de completude. Nesses momentos, somos capazes de apreender o quadro completo, o conjunto de todas as pequenas peças que ocuparam por tanto tempo a nossa atenção. No momento da conclusão, podemos tanto nos sentir em desespero – porque não queremos que aquela situação chegue a um fim –, como podemos nos sentir agradecidos e receptivos ao fato de que a vida é cheia de conclusões e de novos começos.O que quer que tenha estado absorvendo o seu tempo e sua energia, agora está chegando ao fim. Ao concluir isso, você estará criando condições para que alguma coisa nova possa começar. Use essa pausa momentânea para celebrar ambas as coisas: o encerramento do velho e a chegada do novo. 22. O MESTRE Aqui eu gostaria de dizer algo, que tenho guardado como um segredo por toda minha vida. Eu nunca quis ser um Mestre para ninguém... Ser um mestre é uma tarefa muito estranha. Você precisa convencer pessoas sobre o coração, utilizando argumentos e razões, racionalidades, filosofia, você tem que usar a mente como uma serva do coração. O trabalho do mestre é lhe afastar da mente, para que toda sua energia se mova para o coração. Você captou o sentido? A palavra “mestre” cria a idéia do discípulo, do seguidor. Como pode haver um mestre sem um discípulo, sem um seguidor? Mas no sentido espiritual da palavra, “mestre” significa domínio de si mesmo. Não tem nenhuma relação com qualquer seguidor; não depende da multidão. Um mestre sozinho é suficiente. O novo homem de que tenho falado será um mestre de si mesmo.Osho Comentário: No Zen, o Mestre não é um mestre de outros, mas um mestre de si mesmo. – Cada gesto seu, e cada uma de suas palavras, refletem a sua condição de iluminado. Ele não é um professor com uma doutrina para partilhar, nem um mensageiro supernatural conectado diretamente a Deus, mas simplesmente aquele que se tornou um exemplo vivo do mais alto potencial que repousa dentro de cada ser humano. Nos olhos do mestre, eles encontram a própria verdade deles refletida, e no seu silêncio eles encontram com maior facilidade o seu próprio silêncio interior.Juntos, eles criam um campo de força que dá apoio a cada um isoladamente, para que encontre a sua própria luz interior. Esta luz, uma vez encontrada, o discípulo chega a entender que o mestre exterior era apenas um catalisador, um recurso para provocar o despertar do interior ARCANOS MENORES FOGO - PAUS 23. O Criador - O Domínio da Ação: Rei do Fogo Existem dois tipos de criadores no mundo: um deles trabalha com objetos – um poeta, um pintor, trabalham com objetos e criam coisas; o outro tipo de criador, o místico, cria a si mesmo. Ele não trabalha com objetos, trabalha com o subjetivo; trabalha em si mesmo, 406
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    no seu próprioser. Este é o verdadeiro criador, o verdadeiro poeta, porque transforma a si mesmo numa obra-prima. Você leva uma obra-prima escondida dentro de si, mas você mesmo está obstruindo o caminho. Dê um passo para o lado, e a obra de mestre será revelada. Cada um de nós é uma obra-prima, porque Deus nunca gera coisa alguma menor do que isso. Cada qual carrega escondida essa obra de arte por muitas vidas, sem saber quem é, e tentando apenas superficialmente tornar-se alguém.Abandone a idéia de vir a ser alguém, porque você já é uma obra-prima. Você não pode ser aperfeiçoado. Você tem apenas de se aproximar dela, de conhecê-la, de percebê-la. Deus criou você com suas próprias mãos; você não pode ser aperfeiçoado. Comentário: O mestre Zen, nesta figura, domesticou a energia do fogo e é capaz de utilizá-la para fins criativos, em vez de usá-la para a destruição. Ele nos convida a reconhecer e a participar com ele, da compreensão que é própria dos que estabeleceram seu domínio sobre os fogos da paixão, sem reprimi-los, mas também sem permitir que eles se tornem destrutivos e desequilibrados. Ele é tão integrado que já não há qualquer diferença entre quem ele é por dentro, e quem ele é no mundo exterior. Esta dádiva da compreensão e integração, ele oferece a todos aqueles que o procuram: a dádiva da luz criativa que flui do centro do seu ser.O Rei do Fogo nos diz que qualquer coisa a que nos proponhamos agora, com o entendimento que vem da maturidade, trará enriquecimento à nossa vida e à vida de outras pessoas. É tempo de expressar-se utilizando quaisquer habilidades que você tenha, o que quer que você tenha aprendido com a sua própria experiência de vida. 24. O Compartilhar - O Domínio da Ação: Rainha do Fogo À medida que você progride para cima, em direção ao quarto centro – ou seja, o coração – toda a sua vida se transforma num compartilhar de amor. O terceiro centro criou a abundância de amor. Ao atingir, pela meditação, o terceiro centro, você se tornou tão transbordante de amor, de compaixão, que você quer compartilhar. Isso vem a acontecer no quarto centro – o coração. É por isso que mesmo na vida mundana as pessoas dizem que o amor vem do coração. Para elas, entretanto, isso é apenas um papaguear, um falar por ouvir dizer; elas de fato não conhecem, porque nunca chegaram ao seu próprio coração. Mas o meditador, finalmente, chega ao coração. À medida que ele chega ao âmago do seu ser – o terceiro centro – de repente acontece uma explosão de amor, de compaixão, alegria, bem-aventurança e de êxtases, e com uma tal força que atinge o coração, e abre o coração. O coração encontra-se exatamente no meio de todos os seus sete centros – três ficam abaixo, os outros três ficam acima. Você chegou exatamente no meio. Comentário: A Rainha do Fogo é tão rica, tão régia, que pode permitir-se dar presentes. Nem lhe ocorre a idéia de fazer um inventário do que tem, ou de deixar alguma coisa de lado para o futuro. Ela distribui os seus tesouros sem restrições, recebendo a todos sem distinção, para que participem da abundância, da fertilidade, e da luz que a envolve. Quando você tira esta carta, isso sugere que você também se encontra em uma situação que lhe dá a oportunidade de compartilhar o seu amor, a sua alegria, e o seu riso. Ao compartilhá-los, você descobrirá que se sente ainda mais pleno. Não há necessidade de ir a parte alguma nem de fazer nenhum esforço extraordinário. Você descobre que é capaz de desfrutar a 407
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    sensualidade sem possessividadeou apego, e que pode dar origem a uma criança ou a um novo projeto, com a mesma sensação de criatividade plena. Tudo à sua volta parece agora estar "se integrando". Desfrute isso, firme-se nisso, e permita que a abundância que está em você e ao seu redor transborde. 25. Intensidade-O Domínio da Ação: Cavaleiro do Fogo O Zen diz: Considere todos os grandes ditos e os grandes ensinamentos, como seus inimigos mortais. Evite-os, porque você precisa encontrar a sua própria fonte. Você não tem que ser um seguidor, um imitador. Você precisa ser um indivíduo original; precisa encontrar por si mesmo o seu âmago mais profundo, sem nenhum guia, sem escrituras que o orientem. É uma noite escura, mas com a chama intensa dessa busca, você está destinado a chegar até o nascer do sol. Todos os que arderam com uma intensa procura, encontraram o nascer do sol. Outros se limitam a acreditar. Esses que acreditam não são religiosos; eles estão simplesmente evitando, com essa crença, a grande aventura da religião. Comentário: A figura desta meditação assumiu a forma de uma seta, movendo-se com o foco unidirecionado daquele que sabe precisamente onde está indo. Movimenta-se com tamanha velocidade que quase se transformou em pura energia. Sua intensidade não deve, porém ser confundida com a energia obsessiva que faz as pessoas dirigirem seus carros à velocidade máxima para ir do ponto A para o ponto B. Esse tipo de intensidade pertence ao mundo horizontal do espaço/tempo. A intensidade representada pelo Cavaleiro do Fogo é pertinente ao mundo vertical do momento instantâneo – um reconhecimento de que agora é o único momento que existe, e de que aqui é o único espaço. Quando você age com a intensidade do Cavaleiro do Fogo, é provável que isso provoque ondulação nas águas à sua volta. Alguns irão sentir-se valorizados e renovados pela sua presença, outros poderão sentir-se ameaçados ou incomodados. As opiniões alheias importam pouco, porém; nada poderá detê-lo neste momento. 26. Espírito Brincalhão-O Domínio da Ação: Valete do Fogo No momento em que você começa a enxergar a vida como uma coisa não-séria, como uma brincadeira, toda a pressão sobre o seu coração desaparece. Todo o medo da morte, da vida, do amor – tudo desaparece. A pessoa começa a se sentir muito leve, ou quase sem peso nenhum. Tão leve ela se torna, que é capaz de voar no céu aberto.A maior contribuição do Zen é oferecer-lhe uma alternativa à postura de homem sério. O homem sério fez o mundo, o homem sério inventou todas as religiões. Ele criou todas as filosofias, todas as culturas, todas as moralidades; tudo o que existe à sua volta é uma criação do homem sério. O Zen excluiu-se do mundo sério. Criou um mundo próprio muito divertido, cheio de risos, no qual até os grandes mestres se comportam como crianças. Comentário: A vida raramente é tão séria quanto acreditamos que seja, e quando reconhecemos este fato, ela responde oferecendo-nos cada vez mais oportunidades para brincar. A mulher 408
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    desta figura estácelebrando a alegria de estar viva, como uma borboleta que emergiu da sua crisálida para as promessas da luz. Ela nos faz lembrar do tempo em que éramos crianças, encontrando conchas na praia ou construindo castelos na areia, sem nenhuma preocupação com ondas que pudessem vir e desmanchá-los no momento seguinte. Ela sabe que a vida é um jogo, e está desempenhando neste momento o papel de um palhaço, sem nenhum constrangimento ou pretensão. Quando o Valete do Fogo entra em sua vida, é um sinal de que você está preparado para receber o novo. Alguma coisa maravilhosa está despontando no horizonte, e você tem exatamente a qualidade da inocência feliz e da lucidez, para recepcioná-la de braços abertos. 48. A Fonte - Ás de Fogo: Ação O Zen lhe pede que deixe de lado a cabeça e volte-se para a fonte primordial... Não é que o Zen não esteja a par dos usos da energia na cabeça; mas, se toda a energia for usada na cabeça, você nunca se dará conta da sua eternidade...Você nunca conhecerá como uma experiência o que é tornar-se uno com o todo. Quando a energia fica restrita ao centro, pulsando, quando ela não está se deslocando para parte alguma, nem para a cabeça e nem para o coração, permanecendo na própria fonte de onde o coração a retira, aonde a cabeça vai buscá-la, pulsando na própria fonte – esse é o significado exato do Zazen.Zazen quer dizer apenas que, se você permanece na própria fonte, sem deslocar- se para parte alguma, uma força imensa se levanta, uma transformação de energia em luz e amor, em uma vida maior, em compaixão, em criatividade. Ela pode assumir formas variadas. Primeiramente, porém, você tem que aprender como permanecer na fonte. Depois, então, a fonte decidirá onde está o seu potencial. Você pode relaxar na fonte, e ela o levará ao seu próprio potencial. Comentário: Quando falamos de estar "com os pés no chão" ou "centrados", é desta Fonte que estamos falando. Quando damos início a um trabalho criativo, é com esta Fonte que nos sintonizamos.Esta figura nos lembra de que existe um vasto reservatório de energia à nossa disposição. E que não é quando pensamos e planejamos que nos ligamos a ele, mas quando pomos os pés no chão, quando nos centramos, e quando permanecemos suficientemente em silêncio para que o contato com a Fonte possa se estabelecer. Ela está dentro de cada um de nós, como um sol pessoal, individual, proporcionando-nos vida e alimento. Energia pura, ela permanece pulsando, disponível, pronta a nos dar o que for que precisemos para realizar alguma coisa, e pronta também para nos acolher de volta em casa, quando quisermos descansar.Recorra, portanto, à Fonte caso você esteja dando início a alguma coisa nova e precise de inspiração imediatamente, e caso você tenha acabado de finalizar alguma coisa, e queira descansar. Ela está sempre à sua espera, e você nem precisa sair de casa para encontrá-la. 39. Possibilidades- 2 de Fogo: Ação A mente pode aceitar fronteiras em qualquer lugar. A verdade, porém, é que, por sua própria natureza, a existência não pode aceitar fronteiras de espécie alguma, pois o que haverá do outro lado do muro? Céu e novamente um outro céu. Por isso é que estou dizendo que céus sobre céus estão disponíveis para o seu vôo.Não se contente 409
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    facilmente. Os quese contentam com pouco permanecem pequenos: pequenas são as suas alegrias, pequenos são os seus êxtases, pequenos são os seus silêncios, pequeno é o seu ser. Mas não há necessidade disso!Essa pequenez é uma imposição que você mesmo faz à sua liberdade, às suas possibilidades ilimitadas, ao seu potencial sem Comentário: A águia tem uma visão panorâmica de todas as possibilidades existentes na paisagem lá embaixo, enquanto voa livremente pelo céu, com naturalidade e sem qualquer esforço. Ela está realmente no seu domínio, majestosa e senhora de si.Esta figura indica que você se encontra num ponto em que um mundo de possibilidades lhe é oferecido. Por ter desenvolvido mais amor para consigo mesmo, por estar mais pleno de si mesmo, você consegue trabalhar facilmente com os outros. Por estar relaxado e à vontade, você é capaz de reconhecer possibilidades à medida que elas se apresentam, algumas vezes até antes que outros as consigam perceber. Por estar em sintonia com a sua própria natureza, você compreende que a existência lhe está proporcionando exatamente aquilo de que você precisa. Aproveite o vôo! E celebre todas as variadas maravilhas da paisagem aberta diante de seus olhos. 40. O Experienciar- 3 de Fogo: Ação Olhe, apenas, à sua volta, olhe dentro dos olhos de uma criança, ou nos olhos da pessoa amada, nos de sua mãe, de um amigo – ou ainda, simplesmente sinta uma árvore.Alguma vez você já abraçou uma árvore? Abrace uma árvore e, um dia, você perceberá que não foi apenas você que abraçou a árvore, mas que a árvore também responde, a árvore também o abraça. Pela primeira vez então, você será capaz de saber que a árvore não se resume a uma forma, não é apenas uma determinada espécie de que os botânicos falam: ela é um Deus desconhecido – tão verde ali no seu quintal, tão cheia de flores, tão próxima a você, que vive lhe acenando, que o tempo todo o está chamando. Comentário: Uma "experiência" é coisa que pode ser registrada num caderno, ou fotografada e guardada num álbum. O experienciar já é a própria sensação de deslumbramento, a emoção da comunhão, o toque delicado da nossa conexão com tudo o que nos rodeia.A mulher desta figura não está apenas tocando a árvore: está em comunhão com ela, quase que se tornou uma entidade única com a árvore. Trata-se de uma velha árvore, que presenciou muitos tempos difíceis. O toque da mulher é suave, reverente, e o branco no avesso do seu manto espelha a pureza do seu coração. Ela tem humildade, simplicidade – e essa é a maneira correta de aproximar-se da natureza.A natureza não faz rufarem tambores quando rebenta em flor, nem executa um réquiem quando as árvores se desfazem das folhas, no outono. Quando, porém, nos aproximamos dela com o estado de espírito adequado, ela tem muitos segredos para compartilhar. Se ultimamente você não tem ouvido a natureza sussurrando para você, este é um bom momento para dar a ela essa oportunidade. 41. Participação- 4 de Fogo: Ação 410
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    Alguma vez vocêjá percebeu a noite passar? Pouquíssimas pessoas tomam consciência das coisas que estão acontecendo todos os dias. Você já prestou atenção ao chegar da noite? À meia-noite e à sua canção? Ao nascer do sol e à sua beleza? Temos nos comportado quase como um bando de cegos. Num mundo tão bonito, vivemos em pequenos compartimentos da nossa própria miséria. Ela é familiar; assim, mesmo que alguém queira arrancá-lo dali, você resistirá. Você não quer ser afastado da sua miséria, do seu sofrimento. Em contrapartida, há tanta alegria por toda à volta... você tem apenas de perceber isso e tornar-se um participante, não um espectador.Filosofia é especulação; Zen é participação. Participar da despedida da madrugada, participar da chegada da noite, participar das estrelas e das nuvens; faça da participação o seu estilo de vida, e toda a existência se transformará numa enorme alegria, num grande êxtase! Você não poderia ter imaginado um universo melhor. Comentário: Cada uma das figuras desta mandala está com a palma da mão esquerda voltada para cima, em atitude de quem recebe, e a mão direita voltada para baixo, em atitude de quem dá. O círculo que elas compõem cria um tremendo campo de energia que assume a forma do "dorje" duplo, o símbolo tibetano para o relâmpago. A mandala tem uma natureza semelhante à do campo de energia que se forma em torno de um buda, para o qual todas as pessoas que tomam parte no círculo trazem contribuições únicas para a criação de um todo unificado e vital. É como uma flor que, no seu conjunto, é ainda mais bonita do que a soma de suas partes, e ao mesmo tempo aumenta a beleza de cada uma das suas pétala.Agora, uma oportunidade está sendo dada a você, para participar junto com outras pessoas, dando a sua contribuição para criar algo maior e mais belo do que o que cada um de vocês seria capaz de fazer isoladamente. Sua participação não apenas irá nutri-lo, mas, também, trará uma contribuição preciosa para o conjunto. 42. Totalidade- 5 Fogo: Ação A cada momento há a possibilidade de ser total. Seja o que for que esteja fazendo, fique tão completamente absorto, de modo que a mente não pense nada, esteja simplesmente ali, seja apenas uma presença. E mais e mais totalidade virá para você e o sabor da totalidade o tornará cada vez mais e mais capaz de ser total. Procure perceber quando você não está sendo total. Esses são os momentos que precisarão ir sendo abandonados pouco a pouco. Quando você não é total... sempre que você estiver na cabeça – pensando, refletindo, fazendo cálculos, sendo astuto, achando soluções engenhosas –, você não é total. Pouco a pouco, vá se descartando desses momentos. Trata-se apenas de um velho hábito. Hábitos são difíceis de se deixar. Mas eles morrem certamente -- se a pessoa persiste, eles morrem. Comentário: Estas três mulheres estão suspensas no ar, livres e brincalhonas, porém alertas e interdependentes. Num número de trapézio, ninguém pode permitir-se estar um pouquinho "ausente", mesmo por uma fração de segundo. E é essa atitude de atenção total ao momento presente, que está representada aqui.Podemos sentir que há coisas demais para fazer ao mesmo tempo, e ficar hesitando ao tentar fazer um pouquinho aqui, um pouquinho ali, em vez de fazer uma coisa de cada vez e até o fim. Pode ser, também, que acreditemos que o que cabe a nós fazer é algo "chato", porque nos esquecemos de 411
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    que o queimporta não é o que fazemos, mas a maneira como o fazemos.Desenvolver a capacidade de estar presente por inteiro ao responder ao que quer que surja, da forma como vier, é um dos maiores presentes que você pode dar a si mesmo. Dar um passo de cada vez ao longo da vida, dedicando a cada um deles a sua total atenção e energia, pode trazer uma grande e nova vitalidade e criatividade a tudo o que você faz. 43. Sucesso- 6 de Fogo: Ação Observe as ondas no oceano. Quanto mais alto a onda sobe, mais fundo é o sulco que a segue. Em um momento, você é a onda, no outro, você é o sulco que se forma atrás. Aproveite ambos -- não fique apegado apenas a um deles. Não diga: "Eu gostaria de estar sempre no auge!" Isso não é possível. Encare simplesmente o fato: não é possível. Isso nunca aconteceu, e nunca irá acontecer. É simplesmente impossível -- não faz parte da natureza das coisas. Então, o que se pode fazer?Desfrute o pico enquanto ele durar, e depois desfrute o vale, quando ele vier. O que há de errado com o vale? O que há de mal em estar em baixa? É um relaxamento. O pico é uma excitação e ninguém pode viver o tempo todo em estado de excitação. Comentário: Este personagem, obviamente, está, neste momento, "a cavaleiro do mundo", e todos estão celebrando o seu sucesso com uma chuva de papel picado.Devido à sua disposição para aceitar os recentes desafios da vida, neste momento, você está – ou logo estará – desfrutando de uma maravilhosa cavalgada sobre o tigre do sucesso. Receba bem essa oportunidade, desfrute-a, compartilhe a sua alegria com os outros – e lembre-se de que todas as brilhantes paradas têm um começo e um fim. Mantendo isso em mente, se você extrair cada gota de sumo da felicidade que está experienciando neste momento, será capaz, depois, de aceitar o futuro da forma como vier, sem arrependimentos. Não seja, porém, tentado a agarrar-se a este momento de abundância, ou a acondicioná-lo em plástico para que dure para sempre.A maior sabedoria para ter em mente à medida que vão desfilando os acontecimentos da sua vida, sejam momentos de alta ou de baixa, é que "isto também passará". Celebre sim, e continue a cavalgar o tigre 44. Estresse- 7 de Fogo: Ação Todas as metas pessoais são neuróticas. O homem sintonizado com a essência das coisas consegue entender, sentir que: "Eu não sou separado do todo, e não há necessidade de estar elegendo e procurando concretizar algum destino por minha conta. Os fatos estão acontecendo, o mundo continua girando -- chame isso de Deus... ele está fazendo coisas. Elas acontecem por vontade própria. Não há necessidade de que eu trave alguma luta, que faça qualquer esforço; não há necessidade de que eu lute por coisa alguma. Posso relaxar e simplesmente ser".O homem essencial não é um fazedor. O homem acidental é um fazedor. Por isso, o homem acidental vive naturalmente com ansiedade, tensão, estresse, angústia, sentado o tempo todo sobre um vulcão. Esse vulcão pode entrar em erupção a qualquer momento, porque o homem vive num mundo de incertezas e acredita que pode tomar as coisas como certas. Isto gera tensão em seu ser: lá no fundo ele sabe que nada é certo. 412
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    Comentário: Quantaspessoas você conhece que, justamente quando estavam totalmente sobrecarregadas, com projetos demais, com muitos sonhos, de repente foram derrubadas por uma gripe, ou levaram um tombo e acabaram de muletas? Esse é exatamente o tipo de "momento inoportuno" que o macaquinho, com o alfinete na mão, está prestes a impor ao "showman" retratado nesta figura! O tipo de esgotamento nervoso representado aqui acontece de vez em quando com qualquer um de nós, mas os perfeccionistas são particularmente vulneráveis a isso. Nós mesmos é que o provocamos, com a idéia de que, sem a nossa participação, nada acontecerá -- especialmente do jeito que queremos que aconteça... Bem, o que o faz pensar que você é tão especial? Você acha que o sol não se levantará de manhã, a menos que você programe pessoalmente o despertador? Saia para dar uma volta, compre algumas flores, prepare para si mesmo um macarrão para o jantar -- qualquer coisa "sem importância" serve. Trate de colocar-se fora do alcance daquele macaquinho! 45. Viagem - 8 de Fogo: Ação A vida é uma continuidade, sempre e sempre. Não existe um destino final ao qual ela esteja se dirigindo. Apenas a peregrinação, apenas a viagem em si já é a vida, não o chegar a algum ponto, a alguma meta – apenas dançar e estar em peregrinação, movendo-se alegremente sem se preocupar com nenhum ponto de chegada.O que você fará depois que chegar a um destino? Ninguém nunca fez esta pergunta porque todo mundo está empenhado em ter alguma meta na vida. Porém, as implicações disso...Se você atingir de fato o destino final da vida, o que vem depois? Você irá parecer muito desapontado! Não haverá lugar aonde ir... você já alcançou o ponto de destino... – e ao longo da viagem deixou escapar tudo. Era preciso deixar passar! Então, nu e plantado no ponto de chegada, você ficará olhando em volta como um idiota: qual era mesmo o propósito disso tudo...? Você esteve se apressando tanto, preocupando-se tanto, e este é o resultado final. Comentário: A pequenina figura que se desloca pela trilha que corta esta bela paisagem, não está preocupada em chegar a qualquer destino. Ele, ou ela, sabe que a viagem é a própria meta, que a peregrinação em si é o santuário. Cada passo no caminho é importante por si mesmo.Esta meditação e sua figura indicam um tempo de movimento e mudança. Pode ser um deslocamento físico de um lugar para o próximo, ou um movimento interior de uma maneira de ser para outra. Qualquer que seja o caso, porém, a figura desta meditação assegura que a mudança será fácil, e que trará um sentimento de aventura e de crescimento; não há nenhuma necessidade de se esforçar nem de planejar em demasia. Esta figura da "Viagem" também nos lembra de que devemos aceitar e acolher o novo, exatamente como acontece quando viajamos para um outro país, com uma cultura e um ambiente diferentes daqueles a que estamos acostumados. Esta atitude de abertura e de aceitação estimula o surgimento de novos amigos e de novas experiências na nossa vida. 46. Exaustão – 9 deFogo: Ação 413
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    O homem quevive através da consciência mental torna-se pesado. Aquele que vive com consciência permanece leve. Por quê? – porque um homem que tem apenas algumas idéias a respeito de como se deve viver, naturalmente se torna pesado. Ele se sente obrigado a carregar consigo o seu caráter. Esse caráter é como uma armadura: é a sua proteção, a sua segurança. Toda a sua vida está investida nesse caráter. E ele sempre reage às situações através desse caráter, nunca diretamente.Se você lhe faz uma pergunta, a resposta é pré-fabricada. Esse é o sinal de uma pessoa "pesada" -- ela é enfadonha, estúpida, mecanizada. Ela pode ser um bom computador, mas não é um homem. Você provoca e ela reage de uma maneira bem definida. A reação é previsível: ela é um robô. O homem verdadeiro age de maneira espontânea. Se você lhe faz uma pergunta, obtém uma resposta, não uma reação. Ele abre o coração para a sua pergunta, expõe-se a ela, responde a ela... Comentário: Eis aqui o retrato de uma pessoa que esgotou toda sua energia vital nos esforços que fez para manter em funcionamento sua enorme e ridícula máquina de imagens pessoais de importância. Ela esteve tão ocupada "mantendo as partes ligadas entre si" e "assegurando-se de que tudo funcionava bem", que se esqueceu de descansar de verdade. Sem dúvida, esse personagem não pode permitir-se qualquer distração. Deixar de lado suas obrigações para dar um passeio na praia poderia significar o desmantelamento de toda a estrutura. A mensagem desta figura não é, entretanto, apenas a respeito de ser um viciado em trabalho. Ela se refere a todas as maneiras pelas quais criamos rotinas seguras, porém contrárias à natureza, que conseguem manter longe de nós tudo o que é caótico e espontâneo. A vida não é um negócio para ser administrado: é um mistério a ser vivido. Já é tempo de rasgar o cartão de ponto, escapar da fábrica e fazer uma pequena viagem pelo desconhecido. O seu trabalho poderá fluir mais suavemente a partir de um estado relaxado de mente 47. Repressão – 10 de Fogo: Ação Em sânscrito, a palavra é ´alaya vigyan´: a casa em cujo porão você vai juntando coisas que gostaria de fazer, mas que não pode por causa das condições sociais, da cultura, da civilização. Essas coisas, porém, vão se acumulando ali, e muito indiretamente passam a afetar as suas ações, a sua vida. Elas não podem encará-lo diretamente – você as obrigou a ficar na escuridão; mas, do escuro, elas continuam influenciando o seu comportamento. Elas são perigosas: é arriscado manter todas essas inibições dentro de você. É possível que essas sejam as coisas que atingem um clímax, quando uma pessoa enlouquece. A loucura não é outra coisa senão todas essas repressões chegando a um ponto em que você já não consegue controlá-las. A loucura, porém, é aceitável, ao passo que a meditação não – e a meditação é o único caminho para tornar uma pessoa absolutamente sã. Comentário: A figura desta meditação apresenta-se literalmente "emaranhada em nós". Sua luz ainda brilha no íntimo, mas esse personagem reprimiu sua própria vitalidade na tentativa de corresponder a muitas exigências e expectativas. Abriu mão de todo o seu próprio poder e visão, em troca de ser aceito por essas mesmas forças que o aprisionaram. O perigo de reprimir dessa maneira a própria energia natural é visível nas rachaduras de uma erupção 414
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    vulcânica que estápara acontecer em toda a volta da figura. A verdadeira mensagem desta figura é que é necessário encontrar uma saída de cura para essa explosão iminente. É essencial encontrar uma maneira de dar vazão a qualquer tensão e estresse que possam estar se acumulando, neste momento, dentro de você. Soque um travesseiro, dê pulos, procure uma área deserta e berre contra o céu vazio: qualquer coisa que possa ativar sua energia e consiga fazê-la circular livremente. Não espere que aconteça uma catástrofe. ÁGUA - COPAS 27. A Cura-O Domínio das Emoções: Rei da Água Você é quem carrega a sua chaga. Enquanto existir o ego, o seu ser como um todo será uma ferida. E você irá carregá-la por aí. Ninguém está interessado em feri-lo, ninguém está de fato esperando para machucá-lo; todos estão ocupados em proteger os seus próprios ferimentos. Quem teria tanta energia para ainda querer atingi-lo? Mas, ainda assim, acontece, porque você está demasiado pronto para ser atingido, demasiado pronto, apenas na expectativa de que alguma coisa aconteça.É impossível atingir um homem do Tao. Por quê? Porque não existe ninguém ali para ser atingido. Não há nenhuma ferida. Ele é saudável, curado, pleno. A palavra ´pleno´ é bonita. Em inglês, a palavra ´curar´ [to heal] vem de ´pleno´ [whole], e a palavra ´sagrado´ [holy] tem também a mesma origem. O homem de Tao é inteiro, curado, sagrado. Tenha consciência da sua ferida. Não deixe que piore: cure-a; e ela só será curada quando você se deslocar para baixo, para as raízes. Quanto menos estiver presente a cabeça, tanto mais facilmente a ferida será curada; não existindo a cabeça, não existe a ferida. Viva uma vida sem cabeça. Mova-se como um ser pleno, e aceite as coisas. Tente isso, apenas por vinte e quatro horas: aceitação total, aconteça o que acontecer. Se alguém o insultar, aceite a ofensa, não reaja, e veja o que acontece. De repente, você sentirá fluindo em você, uma energia nunca antes percebida. Comentário: Este é um tempo em que as feridas do passado profundamente enterradas afloram para ser curadas. A figura desta meditação apresenta-se nua, vulnerável, receptiva para o toque amoroso da existência. A aura que lhe envolve o corpo está cheia de luz, e o clima à sua volta, de relaxamento, cuidado e de amor, está dissolvendo sua tensão e sofrimento. Vários lótus de luz aparecem sobre o seu corpo físico, e por todos os corpos de energia sutil, que os que curam dizem existir em torno de cada um de nós. Em cada uma dessas camadas sutis aparece um cristal ou modelo de cura. Quando nos encontramos sob a influência de cura do Rei da Água, já não estamos mais nos escondendo de nós mesmos, nem dos outros. Nessa atitude de abertura e de aceitação poderemos ser curados, e ajudar outros a serem também saudáveis e inteiros. 28. Receptividade-O Domínio das Emoções: Rainha da Água Ouvir é um dos segredos básicos para se entrar no templo de Deus. Ouvir significa 415
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    passividade. Significa seesquecer completamente de si mesmo – só então você pode ouvir.Quando você ouve alguém com atenção, você se esquece de si mesmo. Se você não consegue se esquecer da sua pessoa, você nunca ouve. Estando autoconsciente demais, você simplesmente finge que está ouvindo – não ouve. Pode balançar a cabeça; dizer algumas vezes "sim" e "não" – mas você não está ouvindo.Quando ouve, você se torna apenas uma passagem, uma passividade, uma receptividade, um útero: você se torna feminino. E, para chegar lá, a pessoa tem que se tornar feminina. Não se pode alcançar Deus como um invasor violento, um conquistador. Você só poderá alcançar Deus... ou será melhor dizer: Deus poderá alcançá-lo somente quando você estiver receptivo, uma receptividade feminina. Quando você se tornar yin – uma passividade –, a porta está aberta. E você espera. Escutar é a arte de se tornar passivo. Comentário: A receptividade representa a natureza feminina, passiva, da água e das emoções. Os braços da figura estão estendidos para cima, para receber, e ela se apresenta completamente imersa na água. A figura não tem cabeça – nenhuma mente sobrecarregada e agressiva para atrapalhar a sua receptividade pura. E à medida que ela é preenchida, vai continuamente se esvaziando, transbordando e recebendo mais. O símbolo ou matriz de lótus que emerge da figura representa a harmonia perfeita do universo, que se torna aparente quando estamos em sintonia com ele. A Rainha da Água traz um tempo de desprendimento e gratidão por tudo o que a vida possa nos dar, sem quaisquer expectativas ou exigências. Nem sentimentos de obrigação, nem idéias de reconhecimento, de mérito ou de recompensas são importantes. Sensibilidade, intuição e compaixão são os traços que se destacam agora, dissolvendo todos os obstáculos que nos mantêm separados uns dos outros, e do todo. 29. Confiança-O Domínio das Emoções: Cavaleiro da Água Não desperdice a sua vida com aquilo que lhe vai ser tirado. Confie na vida. Se você confiar, só então, será capaz de abandonar o seu conhecimento, só então, poderá colocar de lado a sua mente. E com a confiança, algo imenso tem início. Esta vida deixa de ser uma vida comum, torna-se plena de Deus, transbordante. Quando o coração se torna inocente e as paredes desaparecem, você fica ligado ao infinito. E você não terá sido enganado; não existirá nada que lhe possa ser tomado. Aquilo que pode ser tirado de você, não vale a pena guardar; e aquilo que não há como ser tirado de você, por que haveria alguém de ter medo que lhe seja tirado? – Não pode ser levado, não há possibilidade. Você não pode perder o seu tesouro verdadeiro. Comentário: Este é o momento de ser aquele "ioiô humano", capaz de se atirar no vazio sem a proteção do cabo elástico amarrado aos pés! E é esta postura de confiança absoluta, sem reservas nem redes de segurança escondidas, que o Cavaleiro da Água exige de nós. Uma grande euforia nos invade quando conseguimos dar o salto para o desconhecido, ainda que essa simples idéia nos apavore. E quando adquirimos confiança ao nível do salto quântico, deixamos de fazer quaisquer planos elaborados, ou preparativos. Não dizemos: "Muito bem, confio que sei o que fazer agora: vou pôr em dia meus negócios, preparar minhas malas e levá-las comigo". Não; nós simplesmente saltamos, sem pensar muito no que virá depois. O importante é o salto, e o arrepio que ele nos provoca à 416
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    medida que caímosem queda livre pelo vazio do céu. A figura nos dá, entretanto, uma "deixa" a respeito do que nos espera no outro extremo – um delicado, convidativo, um delicioso rosado... pétalas de rosa, um suculento... "Venha!" 30. Compreensão-O Domínio das Emoções: Valete da Água Você está fora da prisão, fora da gaiola; pode abrir as asas e o céu inteiro é seu. Todas as estrelas e a lua e o sol, pertencem a você. Você pode desaparecer no azul do além... Basta desfazer-se do apego a essa gaiola. Saia dela e o céu inteiro será seu. Abra as suas asas e voe passando à frente do sol, como uma águia. No céu interior, no mundo interior, a liberdade é o valor mais alto – tudo o mais é secundário, inclusive a bem- aventurança, o êxtase. Existem milhares de flores, elas são incontáveis, mas todas elas só se tornam possíveis em clima de liberdade. Comentário: O pássaro retratado nesta figura está olhando para fora, do que parece ser uma gaiola. Não há porta; na verdade, as barras estão desaparecendo. As grades eram uma ilusão, e esta avezinha está sendo atraída pela graça, pela liberdade e pelo encorajamento das outras. Ela está abrindo suas asas, pronta para alçar vôo pela primeira vez. O surgimento de uma nova compreensão – o de que a gaiola sempre esteve aberta e o céu sempre esteve ali para que nós o explorássemos – pode fazer com que nos sintamos um pouco abalados de início. Está bem, e é natural sentir-se chocado, mas não deixe que isso desperdice a oportunidade para vivenciar a leveza de coração e a aventura que lhe estão sendo oferecidas ali mesmo, junto com a sensação de abalo. Deixe-se levar pela delicadeza e gentileza desse momento. Sinta o bater de asas dentro de você. Abra as asas e seja livre. 58. Indo com a Correnteza - Ás da Água: Emoções Quando eu digo "transforme-se em água", quero dizer "transforme-se num fluxo" – não fique estagnado. Mova-se, e mova-se como a água. Lao Tzu diz: A maneira de ser do Tao é igual à de um curso d`água. Movimenta-se como a água. E como é o movimento da água? Ou um rio? Esse movimento tem algumas coisas belas em si. Uma delas é que a água se desloca sempre em direção à profundeza, sempre procura o terreno mais baixo. A água não tem ambição, nunca briga por ser a primeira: ela quer ser a última. Lembre-se de que Jesus disse: "Os últimos serão os primeiros no meu reino de Deus". Ele estava falando sobre essa maneira de ser do rio, do Tao – sem mencioná-la, mas falando a respeito dela. Quanto a você, seja o último, seja sem ambição. Ambição significa subir morro acima. A água vai para baixo, procura o terreno mais baixo, quer ser uma não- entidade. Não quer proclamar-se especial, excepcional, extraordinária. A Comentário: A figura desta meditação está completamente relaxada e à vontade na água, deixando a correnteza levá-la aonde queira. É alguém que dominou a arte de ser passivo e receptivo, sem sentir-se enfadado ou sonolento. Apenas está disponível ao rio da vida, sem ter nunca um pensamento do tipo "Eu não gosto disto aqui", ou "Eu prefiro ir em outra 417
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    direção".A cada momentona vida temos a opção de entrar na correnteza e boiar, ou de tentar nadar rio acima. A figura nesta meditação, é uma indicação de que agora você está preparado para flutuar, confiante em que a vida o apoiará no seu relaxamento, e irá levá- lo exatamente aonde ela quer que você vá. Deixe que esse sentimento de confiança e relaxamento cresça cada vez mais; tudo está acontecendo exatamente como deveria. 49. Amistosidade – 2 de Água: Emoções Primeiro dedique-se à meditação, atinja a bem-aventurança, e então muito amor se manifestará de maneira espontânea. Nessa condição, é belo estar com os outros e belo também é estar sozinho. É simples também. Você não depende dos outros e também não torna os outros dependentes de você. O que existe é sempre amizade, amistosidade. A coisa nunca se transforma numa relação; continua sendo uma afinidade. Você convive, mas não cria um casamento. O casamento nasce do medo, a afinidade nasce do amor. Você estabelece um relacionamento; enquanto as coisas andarem bem, você compartilha. Se você percebe que é chegado o momento de partir porque os caminhos se separam numa encruzilhada, você diz adeus com uma enorme gratidão por tudo que o outro foi para você, por todas as alegrias, todos os prazeres, e por todos os belos momentos compartilhados juntos. Sem nenhum sofrimento, sem nenhuma dor, você simplesmente se afasta. Comentário: Os ramos destas duas árvores floridas estão entrelaçados, e as suas pétalas caídas misturam-se no chão, com suas belas cores. É como se o céu e a terra estivessem interligados pelo amor. As árvores se erguem individualmente, cada qual enraizadas no solo, em sua própria conexão com a terra. Desse ponto de vista, simbolizam a essência dos verdadeiros amigos, maduros, cooperativos entre si, espontâneos. Não existe nenhuma ansiedade na ligação entre eles, nenhuma carência, nenhuma vontade de transformar o outro em alguma coisa diferente.Esta figura indica uma prontidão para entrar nesta qualidade de amistosidade. Ao fazê-lo, você poderá notar que não está mais interessado nos diferentes tipos de dramas e romances em que as outras pessoas estão empenhadas. Não se trata de uma perda. É o surgimento de uma disposição de espírito mais elevada, mais carregada de amor, nascida de uma sensação de vivenciamento pleno. É o surgimento de um amor verdadeiramente incondicional, sem expectativas ou exigências. 50. Celebração – 3 de Água: Emoções A vida é um momento para ser celebrado, desfrutado. Torne-a divertida, uma celebração, e então você entrará no Templo. Esse templo não é para os tristes e desanimados, nunca foi para eles. Olhe para a vida: você vê tristeza em alguma parte? Você já viu uma árvore deprimida? Você já encontrou um pássaro movido por ansiedade? Já viu um animal neurótico?Não, a vida não é assim, absolutamente. Só o homem é que seguiu um caminho errado, se desviou em algum lugar, porque ele se considera muito sábio, muito esperto. Sua esperteza é o seu mal. Não seja sábio demais. Lembre-se sempre de parar; não vá a extremos. Um pouco de tolice e um pouco de sabedoria fazem bem, e a combinação certa faz de você um buda... 418
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    Comentário: Estas trêsmulheres dançando ao vento e na chuva, nos fazem lembrar de que uma celebração nunca precisa ficar na dependência de circunstâncias exteriores. Não é preciso esperar por um feriado especial ou por uma ocasião formal, nem por um dia de sol sem nuvens. A verdadeira celebração nasce de uma alegria que primeiro é experienciada profundamente dentro do seu ser, e que se derrama num transbordamento de canto e dança, de riso, e até mesmo de lágrimas de gratidão.Quando você fizer esta meditação, é um sinal de que está se tornando cada vez mais disponível e aberto às muitas oportunidades que existem para celebrar na vida e contagiar outras pessoas. Não se preocupe em programar uma festa na sua agenda. Deixe o cabelo ao natural, tire os sapatos, e comece a pular nas poças d’água agora mesmo. A festa está acontecendo à sua volta, a cada momento! 51. Voltando-se para Dentro – 4 de Água: Emoções Voltar-se para dentro não é movimentar-se, absolutamente. Ir para dentro de si não é deslocar-se. Voltar-se para dentro simplesmente significa que você tem estado perseguindo um desejo atrás do outro, que esteve correndo cada vez mais, para chegar repetidas vezes à frustração; que cada desejo traz infelicidade, que não existe nenhum preenchimento por meio de desejos; que você nunca chega a lugar nenhum, que o contentamento é impossível. Percebendo a verdade de que correr atrás de desejos não leva a lugar nenhum, você acaba parando. Não que você faça algum esforço para parar. Se você fizer qualquer esforço para parar, de uma maneira sutil você ainda estará correndo atrás de alguma coisa novamente. Você ainda está desejando – talvez, agora, seja a ausência de desejo o seu desejo. Se estiver fazendo algum esforço para voltar-se para dentro, você ainda estará saindo de si mesmo. Qualquer esforço só poderá levá-lo para fora, em direção ao exterior. Todas as viagens são viagens para fora – não há viagem para dentro. Como você pode viajar para dentro de si mesmo? Você já está ali, não faz sentido ir. Quando o deslocar-se cessa, a viagem desaparece; quando não há mais nenhum desejo obscurecendo a sua mente, você está dentro. A isso é que se chama voltar-se para dentro. Mas não se trata absolutamente de um deslocamento, trata-se simplesmente de não sair para fora. Comentário: A mulher desta figura tem no rosto um sorriso discreto. Na verdade, ela está apenas assistindo aos malabarismos da mente – não os está julgando, nem tentando contê-los, tampouco está identificada – limita-se a observá-los como se fossem o tráfego numa estrada, ou ondulações na superfície de um lago. E os malabarismos da mente são razoavelmente divertidos, na medida em que eles pulam para cima e para baixo, e viram para cá e para lá na tentativa de atrair a sua atenção, e de seduzi-lo para entrar no jogo.Desenvolver a capacidade de manter certo distanciamento da mente é uma das bênçãos maiores. De fato, esse é o grande objetivo da meditação – não ficar entoando algum mantra, nem repetindo uma afirmação, mas ficar simplesmente observando, como se a mente pertencesse a alguma outra pessoa. A essa altura, você está pronto para ter esse distanciamento, e assistir à exibição sem se envolver no drama. Permita-se a liberdade singela de "Voltar-se Para Dentro" sempre que puder, e a aptidão para a meditação crescerá e se aprofundará em você. 419
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    52. Apego aopassado – 5 de Água: Emoções Os tempos verbais – passado, presente e futuro – não são noções do próprio tempo: são conceitos da mente. Aquilo que não está mais diante da mente torna-se o passado. O que se encontra diante dela é o presente. E aquilo que ainda irá apresentar-se à mente, é o futuro. Passado é aquilo que não está mais à sua frente. Futuro é aquilo que ainda não está diante de você. E presente é aquilo que está na sua frente, mas está se evadindo do seu campo visual. Logo será passado... Se você não criar apego ao que passou... Porque se apegar ao passado é pura estupidez. Ele não existe mais, de modo que você estará chorando pelo leite derramado. O que passou, passou! E não crie apego ao presente, porque isso está indo embora da mesma maneira, e logo será passado.Não crie apego ao futuro – esperanças, imaginação, planos para o amanhã – porque o amanhã será transformado em hoje, será transformado em ontem. Tudo se transformará em passado. Tudo irá escapar-lhe das mãos. Criar apego trará apenas infelicidade. É preciso que você deixe passar. Comentário: A figura retratada nesta meditação está tão preocupada em agarrar sua caixa de lembranças, que deu as costas à borbulhante taça de champanhe das oportunidades disponíveis aqui e agora. A nostalgia do passado realmente faz dela uma "cabeça-dura" e, além disso, um mendigo, como podemos perceber pelas suas roupas remendadas e gastas. É claro que não haveria necessidade de ser mendigo – mas a pessoa não está disponível para desfrutar os prazeres que se oferecem no momento presente.É hora de aceitar o fato de que o passado ficou para trás e de que qualquer esforço para recriá-lo é uma maneira certa de continuar preso a antigos padrões que você já teria superado, se não tivesse estado tão dedicado a apegar-se às experiências passadas. Tome bastante fôlego, ponha essa caixa no chão, enfeite-a com um laço bonito se for necessário, e dê- lhe um caloroso e reverente adeus. A vida está passando ao largo, e você está correndo o risco de tornar-se um velho fóssil antes do tempo! 53. O Sonho – 6 de Água: Emoções Isto tem sido dito repetidas vezes no decorrer dos tempos. Todas as pessoas religiosas têm afirmado que: "Sozinhos nós chegamos a este mundo, e sozinhos partiremos". Toda idéia que envolve estar junto é ilusória. A própria idéia de companheirismo aparece porque estamos sós, e o isolamento fere. Queremos neutralizar nosso isolamento com relacionamentos...Por isso é que nos deixamos envolver tanto com o amor. Tente entender a questão. Normalmente você pensa que se apaixonou por uma mulher, ou por um homem, porque ela é bela, ou ele é belo. Essa não é a verdade. A verdade é exatamente o contrário: Você "caiu de amor" porque não consegue ficar sozinho. Você estava mesmo pronto para "cair". De uma maneira ou de outra você iria fugir de si mesmo. E existem pessoas que não se apaixonam por mulheres ou homens – então se apaixonam pelo dinheiro. Elas passam a acumular dinheiro, ou embarcam na aventura do poder – elas se tornam políticos. Isso também é fugir do próprio isolamento. Se você observar o Homem, se observar com profundidade a si mesmo, ficará surpreso: todas as suas atividades podem ser reduzidas a uma única origem. Essa origem é o medo que você tem da solitude. Tudo o mais são apenas desculpas. O motivo verdadeiro é que você 420
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    se sente muitosó. Comentário: Em alguma tardezinha encantada, você irá encontrar a sua alma gêmea, a pessoa perfeita que corresponderá a todas as suas necessidades, e será a concretização de todos os seus sonhos. Certo? Errado! Essa fantasia que os cantores e os poetas gostam tanto de perpetuar tem suas raízes em memórias do útero, onde estávamos tão seguros e "unificados" com nossas mães; não é de admirar que sejamos obcecados por retornar a essa condição durante toda a nossa vida. Mas, falando numa linguagem crua, é um sonho infantil. E é surpreendente que nos apeguemos a ele com tanta teimosia, diante da realidade.Ninguém, seja o seu atual companheiro ou alguém com quem você sonha no futuro, tem a obrigação de trazer-lhe à felicidade numa bandeja – nem poderia, ainda que quisesse. O amor verdadeiro não advém de tentativas de satisfazer nossas necessidades por meio da dependência com relação à outra pessoa, mas por meio do desenvolvimento da nossa riqueza interior, e do nosso amadurecimento. Com isso, passamos a ter tanto amor para dar, que amantes serão espontaneamente atraídos por nós. 54. Projeções – 7 de Água: Emoções Numa sala de cinema, você olha para a tela, nunca para o fundo da sala – o projetor está no fundo. O filme de fato não está na tela: é apenas uma projeção de sombra e luz. O filme existe apenas lá atrás, mas você nunca olha naquela direção. E o projetor está lá.Sua mente está por trás da coisa toda: a mente é o projetor. Mas você fica sempre olhando para o outro, porque o outro é a tela. Quando você está apaixonado, a pessoa parece linda, incomparável. Quando você sente ódio, a mesma pessoa parece a mais feia de todas, e você nunca se questiona como pode a mesma pessoa ser a mais feia e a mais bonita...A única maneira, portanto, de se chegar à verdade, é aprender como enxergar diretamente, como deixar de lado a intermediação da mente. Essa interferência é o problema, porque a mente só é capaz de criar sonhos... Com a ajuda do seu entusiasmo, o sonho começa a parecer realidade. Quando o entusiasmo é demasiado, então você está intoxicado, não está na posse dos seus sentidos. Nessa condição, o que quer que você enxergue será apenas uma projeção sua. E existem tantos mundos quanto mentes, porque cada mente vive no seu próprio mundo. Comentário: O Homem e a mulher desta figura estão se olhando; contudo, não são capazes de se enxergar com nitidez. Cada qual está projetando uma imagem que construiu em sua mente, de maneira a encobrir o rosto verdadeiro da pessoa para quem está olhando.Todos nós podemos cair na armadilha de projetar "filmes" de nossa própria autoria, sobre as situações e as pessoas à nossa volta. Isso acontece quando não estamos plenamente conscientes de nossas expectativas, desejos e julgamentos; em vez de assumir a responsabilidade por tais expectativas, desejos e julgamentos, e de reconhecê-los como nossos, tentamos atribuí-los aos outros. Uma projeção pode ser diabólica ou divina, perturbadora ou confortadora, mas continua sendo uma projeção – uma nuvem que nos impede de ver a realidade como ela é. O único modo de escapar disso é entender como funciona o jogo. Quando você der com um julgamento se formando a respeito de outra pessoa, vire-o do avesso: aquilo que você está vendo no outro, na verdade, não pertence a você? A sua visão está límpida, ou obstruída pelo que 421
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    você quer ver? 55.Deixando Ir – 8 de Água: Emoções Na existência não há ninguém que seja superior e ninguém que seja inferior. Uma folha de grama e a grande estrela são absolutamente iguais... O homem, porém, quer estar acima dos outros, quer conquistar a natureza, e por isso precisa lutar continuamente. Toda complexidade é fruto dessa luta. A pessoa inocente é aquela que renunciou à luta, que não está mais interessada em estar acima, que não está mais interessada em mostrar desempenho, em provar que é alguém especial; é aquela que se tornou semelhante a uma rosa, ou a uma gota de orvalho sobre a folha de lótus; que se tornou parte desta infinidade; aquela que se fundiu, se misturou e se tornou uma coisa só com o oceano, e agora é simplesmente uma onda; é aquela que não tem qualquer idéia do "eu". O desaparecimento do "eu" é a inocência. Comentário: Nesta imagem de folhas de lótus ao amanhecer podemos ver, pela ondulação da água, que uma gota acabou de cair. É um momento precioso, pungente. Ao render-se à força da gravidade escorregando da folha, a gota perde a sua identidade anterior e junta-se à vastidão da água que está embaixo. Podemos imaginar que ela deva ter vacilado antes de cair, na exata fronteira entre o conhecido e o incognoscível. Tirar esta meditação é o reconhecimento de que alguma coisa acabou, de que algo está se completando. Seja o que for – um emprego, um relacionamento, um lar que você amou, qualquer coisa que possa tê-lo ajudado a definir quem você é – é hora de deixar isso para trás, permitindo qualquer tristeza que surja, mas sem tentar se agarrar ao que se completou. Alguma coisa maior está esperando por você: há novas dimensões a serem descobertas. Você ultrapassou o ponto a partir do qual não há volta, e a gravidade está cumprindo a sua função. Não resista: isso significa libertação. 56. Preguiça – 9 de Água: Emoções Quando você está preguiçoso, o sabor é negativo: você simplesmente sente que não tem energia, sente-se entediado; sente-se sonolento; você simplesmente se sente morto. Quando você está num estado de não-fazer, então, você está cheio de energia – é um sabor muito positivo. Você tem energia total, transbordante. Você se sente radiante, borbulhante, vibrante. Não há sonolência, você está perfeitamente consciente. Você não está morto – você está tremendamente vivo...Há certa possibilidade de que a mente o iluda: ela pode racionalizar a preguiça como sendo não-fazer. Ela é capaz de dizer "Eu me tornei um mestre Zen", ou "Eu acredito no Tao”, mas você não estará enganando ninguém. Apenas a você mesmo. Esteja alerta, portanto. Comentário: O cavalheiro desta figura claramente acha que já conquistou tudo. Senta-se na sua grande poltrona estofada e macia, à sombra do seu guarda-sol, com seus óculos escuros e seus chinelos cor-de-rosa, segurando um coquetel refrescante. Não sente disposição para se levantar e fazer algo, porque acha que já fez tudo. Ainda não se voltou para ver o 422
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    espelho que estáse partindo à sua direita, um sinal seguro de que essa posição que ele acha que finalmente galgou, está prestes a desmoronar e dissolver-se diante dos seus próprios olhos.A mensagem desta figura é de que esse recanto à beira da piscina não é o seu destino final. A jornada não terminou ainda, como demonstra o pássaro branco voando na vastidão do céu. Sua atitude auto-complacente certamente decorre de um sentimento verdadeiro de realização, mas agora já é hora de seguir em frente. Não importa quão confortáveis sejam os chinelos, quão saboroso o seu coquetel: há ainda céus acima de céus esperando por serem explorados 57. Harmonia – 10 de Água: Emoções Ouça o seu coração, e aja de acordo com ele, qualquer que seja o risco: Uma condição de simplicidade absoluta, custando nada menos do que tudo... Ser simples é difícil, porque custa tudo o que você tem. É preciso perder tudo para ser simples. Por isso é que as pessoas optaram por ser complicadas e se esqueceram de como ser simples. Apenas um coração simples, porém, pulsa de mãos dadas com Deus. Só um coração simples canta com Deus, em profunda harmonia. Para chegar a tal ponto você terá que encontrar o seu próprio coração, o seu próprio pulsar, o seu próprio ritmo. Comentário: A experiência de relaxar no coração, durante a meditação, não é algo que possa ser apossado, ou forçado. Ela vem naturalmente, à medida que vamos ficando mais sintonizados com o ritmo do nosso próprio silêncio interior. A figura desta meditação espelha a doçura e delicadeza dessa experiência. Os golfinhos que afloram do coração e perfazem um arco em direção ao terceiro olho, refletem o espírito brincalhão e a inteligência que se manifestam quando somos capazes de estabelecer conexão com o coração, e de nos mover no mundo a partir daí.Permita-se ser mais gentil e mais receptivo neste momento, porque uma alegria indescritível espera por você logo ali, virando a esquina. Ninguém mais pode indicar-lhe onde ela está, e quando você a encontrar não terá palavras para descrevê-la para os outros. Mas ela está ali, profundamente dentro do seu coração, madura e pronta para ser descoberta. NUVENS - ESPADAS 31. Controle-O Domínio da Mente: Rei das Nuvens Pessoas controladas estão sempre nervosas porque lá no fundo, o tumulto ainda está escondido. Se você não é controlado, mas é "solto", vivo, então não é nervoso. Não há motivo para estar nervoso – o que quer que aconteça, acontece. Você não tem expectativas para o futuro, não está representando. Então, por que deveria ficar nervoso? Para conseguir controlar a mente, a pessoa precisa ficar tão fria, gelada, que nenhuma energia vital é permitido entrar nos seus membros, no seu corpo. Se essa energia tiver permissão para se mover, essas repressões virão à superfície. Por isso é que as pessoas aprenderam a manter-se frias, a tocar os outros sem de fato tocá-los, a ver as pessoas e, contudo não enxergá-las. Vivemos com frases feitas – "Olá, como vai?" Ninguém quer dizer nada com isso. Essas frases são justamente para evitar o encontro real entre duas pessoas. As pessoas não se olham nos olhos, não se seguram às mãos, não procuram 423
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    sentir a energiaumas das outras, não se permitem o extravasamento de emoções – muito amedrontadas, dando apenas um jeito de ir levando as coisas, frias e mortas, dentro de uma camisa-de-força. Comentário: Existe um tempo e um lugar para o controle, mas se nós o colocamos presidindo as nossas vidas, acabamos totalmente enrijecidos. A figura desta meditação apresenta-se encaixada nos ângulos das formas piramidais que a circundam. A luz pisca e reflete nas superfícies brilhantes da pirâmide, mas não penetra. É como se o personagem estivesse quase mumificado no interior dessa estrutura que construiu em volta de si mesmo. Os punhos estão crispados e o seu olhar é vazio, quase cego. A parte inferior do seu corpo, abaixo da mesa, é uma ponta de faca, um fio cortante que divide e separa. O seu mundo é organizado e perfeito, mas não é vivo – ele não pode permitir que nenhuma espontaneidade ou vulnerabilidade penetre ali.A figura do Rei das Nuvens é um lembrete para que tomemos uma respiração profunda, afrouxemos a gravata e passemos a cuidar das coisas com calma. Se houver enganos, tudo bem. Se as coisas ficarem um pouco fora de controle, isso é com certeza exatamente o que o médico prescreveu. Há muito, muito mais na vida do que estar "no controle das coisas". 32. Moralidade-O Domínio da Mente: Rainha das Nuvens Bodhidharma... transcende em muito os moralistas, os puritanos, as assim chamadas "boas pessoas", os "fazedores do bem". Ele chegou à verdadeira raiz do problema. A menos que a consciência desperte em você, toda a sua moralidade é falsa, toda a sua cultura é apenas uma camada muito fina que pode ser destruída por qualquer um. Mas, uma vez que a sua moralidade seja fruto da sua consciência, não de uma certa disciplina, então, é coisa inteiramente diferente. Nessa condição, você responderá a cada situação a partir da sua consciência. E o que quer que você faça será bom. A consciência não é capaz de fazer nada que seja ruim. Esta é a beleza suprema da consciência: qualquer coisa que surja dela é simplesmente bela, simplesmente correta, e isso sem nenhum esforço, sem nenhum treinamento. Assim, em vez de podar folhas e galhos, corte a raiz. E para cortar a raiz, não existe caminho alternativo além de um único método: o método de manter-se alerta, de estar percebendo o que acontece, de estar consciente. Comentário: A moralidade tem restringido aos estreitos limites da mente dessa mulher, toda a seiva e a energia da vida. Nesse confinamento, a moralidade não pode fluir, e com isso transformou-se numa "velha ameixa seca". Seu comportamento como um todo é muito "conveniente", inflexível e severo, e ela está sempre pronta para ver cada situação apenas em branco e preto, como a jóia que a figura traz em volta do pescoço.A Rainha das Nuvens vive oculta na mente de todos nós que fomos criados com rígidos padrões a respeito do que é bom e do que é mau, de pecado e virtude, do que é aceitável e não- aceitável, moral e imoral. É importante lembrar que todos esses julgamentos da mente são apenas produtos do nosso condicionamento. E nossos julgamentos, quer aplicados a nós mesmos ou aos outros, impedem-nos de experienciar a beleza e a natureza divina que habita dentro das pessoas. Apenas quando rompemos a prisão do nosso condicionamento e alcançamos a verdade dos nossos próprios corações, é que podemos começar a enxergar a vida como ela realmente é. 424
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    33. A Luta-ODomínio da Mente: Cavaleiro das Nuvens Num momento estava lá, no momento seguinte desapareceu. Em determinado momento, estamos aqui, e em outro momento já passamos. E por este simples momento, quanta confusão nós armamos – quanta violência, ambição, luta, conflito, raiva, ódio. Apenas por um momento tão breve! Estamos tão-somente aguardando o trem na sala de espera de uma estação, e criando tanta confusão! Brigando, machucando-nos uns aos outros, tentando possuir, tentando comandar, tentando dominar – quanta política! Então, o trem chega, e você se foi para sempre. Comentário: A figura desta meditação apresenta-se completamente coberta por uma armadura. Apenas se vê o seu olhar de cólera, e o branco dos nós das mãos fechadas. Olhando a armadura mais de perto, você pode ver que ela está coberta de botões, prontos para detonar se alguém apenas roçar neles. No plano de fundo aparece a sombria seqüência das imagens que passam pela mente desse homem – duas figuras lutando por um castelo. Um temperamento explosivo ou a raiva reprimida escondem com freqüência um profundo sentimento de dor. Nós achamos que, espantando os outros para longe, poderemos evitar ser machucados ainda mais. Na verdade, acontece exatamente o inverso. Ao cobrir nossas feridas com a armadura, estamos impedindo que elas sejam curadas. Ao agredir os outros, impedimos a nós mesmos de receber o amor e o alimento afetivo de que precisamos. Se esta descrição parece corresponder ao seu caso, então está na hora de parar de brigar. Existe muito amor à sua disposição, basta deixá-lo entrar! Comece por perdoar a si mesmo: você merece. 34. A Mente-O Domínio da Mente: Valete das Nuvens Esta é a situação da sua cabeça: vejo ali guidões de bicicleta, pedais e coisas estranhas que você foi juntando de toda parte. Uma cabeça tão pequena... e sem espaço para se viver nela! E esse material inútil fica revolvendo-se em sua cabeça; sua cabeça fica girando e tramando – e isso mantém você ocupado. Imagine só que tipos de pensamentos vão passando pela sua mente...Qualquer dia, simplesmente sente-se, feche os olhos, e coloque no papel, durante meia hora, o que quer que passe pela sua mente. Você compreenderá o que estou querendo dizer, e ficará surpreso com o que transita no interior da sua mente. Isso tudo vai ficando nos bastidores, fica ali o tempo todo, e acaba envolvendo-o, como uma nuvem. Devido a essa nuvem, você não consegue distinguir a realidade, não consegue chegar à percepção espiritual. É preciso desfazer-se dela. E apenas com a sua decisão de descartá-la é que ela irá desaparecer. Você está apegado a ela – a nuvem mesma não tem o menor interesse em você, lembre-se disso. Comentário: Isto é o que acontece quando nos esquecemos de que a mente foi feita para servir, e começamos a permitir que ela dirija a nossa vida. A cabeça está cheia de mecanismos, a boca não pára de censurar, e toda a atmosfera em volta fica poluída por essa fábrica de argumentos e de opiniões. "Mas, espere aí!", você talvez diga. "A mente é o que nos torna humanos, é a fonte de todo progresso, de todas as grandes verdades!" Se você acredita 425
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    nisso, faça umaexperiência: entre no seu quarto, feche a porta, ligue um gravador, e passe a falar sem restrições o que quer que lhe venha "à mente". Se de fato você deixar que saia tudo, sem nenhuma censura ou retificação, ficará espantado de ver a quantidade de tolices que você dirá.O Valete das Nuvens está lhe dizendo que alguém, em algum lugar, está preso em uma "viagem da cabeça". Dê uma olhada, e assegure-se de que não é você. 68. Consciência - Ás de Nuvens: A Mente Nós viemos do desconhecido, e avançamos para o desconhecido. Nós ainda voltaremos. Já estivemos por aqui milhares de vezes, e voltaremos milhares de vezes. O nosso ser essencial é imortal, mas nosso corpo, a nossa corporificação, é mortal. As molduras em que nos colocamos, nossas casas, o corpo, a mente, são feitas de coisas materiais. Essas coisas perderão a força, ficarão velhas, elas morrerão. A sua consciência, porém, para a qual Bodhidharma usa a palavra "não-mente" – o Buda Gautama também usou essa palavra, "não-mente" – é algo que está além do corpo e da mente, algo que está além de tudo; essa "não-mente" é eterna. Ela adquire uma expressão física, e torna a mergulhar depois no desconhecido. Esse movimento, do desconhecido para o conhecido e do conhecido para o desconhecido, continua por toda a eternidade, a menos que a pessoa se torne iluminada. Quando isso acontecer, essa será a sua última vida: essa flor não voltará mais. A flor que se torna consciente de si mesma não precisa mais voltar à vida, porque a vida nada mais é do que uma escola aonde se vem para aprender. É alguém que aprendeu a lição e encontra-se agora acima das ilusões. Pela primeira vez, você não irá mais se deslocar do conhecido para o desconhecido, mas para o incognoscível. Comentário: A maioria das figuras deste naipe da mente ou é cômica ou é conturbada, porque a influência da mente na nossa vida é geralmente ridícula ou opressiva. Esta figura da Consciência, porém, apresenta uma imagem enorme do Buda. Ele é tão expansivo, que vai até além das estrelas, e o que existe acima da sua cabeça é o vazio puro. Esse Buda representa a consciência que está ao alcance de todos os que se tornam mestres da sua própria mente, e que são capazes de utilizá-la como o instrumento que ela foi feita para ser.Quando você escolhe esta mdditação, isso significa que agora já há uma luz cristalina disponível, independente, enraizada na tranqüilidade profunda que existe no âmago do seu ser. Já não há a vontade de entender as coisas sob a perspectiva da mente – a compreensão que você tem agora é existencial, inteira, em consonância com o próprio pulsar da vida. Aceite essa dádiva enorme, e compartilhe. 59. Esquizofrenia – 2 de Nuvens: A Mente O homem é dividido. A esquizofrenia é uma condição normal do homem – ao menos no momento atual. Pode não ter sido assim no mundo primitivo, porém séculos de condicionamento, civilização, cultura e religião transformaram o homem numa multidão – dividida, separada, contraditória... Contudo, pelo fato de essa divisão ser contrária à sua natureza, lá no fundo, escondida em alguma parte, a unidade ainda sobrevive. Porque a alma do homem é unitária, todos os condicionamentos, no máximo, só destroem a 426
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    periferia do homem.O centro permanece intocado – por isso é que o homem continua a viver. Mas sua vida tornou-se um inferno.Todo o trabalho do Zen é voltado para o como desfazer-se dessa esquizofrenia, como desvencilhar-se dessa personalidade cindida, como descartar a mente dividida do homem, como tornar-se não-dividido, integrado, centrado, cristalizado.Do jeito como você está, não se pode dizer que você é. Você não tem um ser – é uma praça de mercado: muitas vozes. Quando você quer dizer "sim", imediatamente o "não" se apresenta. Sequer você consegue articular um simples "sim" com inteireza... Dessa maneira a felicidade não é possível; a infelicidade é uma conseqüência natural de uma personalidade dividida. Comentário: O personagem desta figura traz um novo significado à velha idéia de "estar entre a cruz e a espada"! Mas é precisamente nesse tipo de situação que ficamos quando nos deixamos aprisionar pelo aspecto hesitante e dualista da mente. "Devo deixar que meus braços se soltem e cair de cabeça para baixo, ou deixar que as minhas pernas se soltem, e cair de pé? Devo vir para cá ou ir para lá? Devo dizer sim ou não?" E seja qual for a decisão que tomemos, sempre estaremos nos questionando se não deveríamos ter decidido do modo contrário. A única maneira de sair desse dilema é, infelizmente, soltar os dois extremos ao mesmo tempo. Desse impasse você não vai conseguir sair valendo-se de fórmulas, pesando os prós e os contras, ou tentando resolvê-lo de alguma outra forma com a sua mente. Melhor seguir o seu coração, se lhe for possível ter acesso a ele. Se não tiver, simplesmente salte – o seu coração começará a bater tão depressa que não haverá engano a respeito de onde ele está! 60. Isolamento Glacial – 3 de Nuvens: A Mente Somos infelizes porque ficamos excessivamente encerrados em nós mesmos. O que quero dizer quando falo que nós ficamos excessivamente encerrados em nós mesmos? E o que acontece exatamente, quando ficamos excessivamente encerrados em nós mesmos? Ou você vive a vida, ou fica encerrado em si mesmo – as duas coisas ao mesmo tempo, são impossíveis. Estar em si mesmo significa estar à parte, estar separado. Estar em si mesmo significa tornar-se uma ilha. Estar em si mesmo significa traçar uma linha divisória à sua volta. Significa estabelecer uma distinção entre "isto eu sou" e "isto eu não sou". Essa definição, essa fronteira entre "eu" e "eu não" circunscreve o território do "si mesmo" (self) – o si mesmo isola. E ele o torna congelado: você deixa de fluir. Quando alguém está fluindo, o si mesmo não pode existir.Com esse jeito de ser, as pessoas quase se transformaram em cubos de gelo. Já não têm calor nenhum, não sentem nenhum amor – têm medo do amor, porque amor é calor. Se o calor se aproximar, elas começarão a derreter, e as fronteiras irão desaparecer. As fronteiras desaparecem no amor; na alegria também, porque a alegria não é fria. Comentário: Em nossa sociedade, principalmente os homens têm sido ensinados a não chorar, a armar uma fachada de valentia quando são atingidos, e a não demonstrar que estão sofrendo. Mas as mulheres também podem cair nessa armadilha, e todos nós poderemos sentir vez por outra, que a única maneira de sobreviver é reprimir nossos sentimentos e emoções, de forma a que não nos possam ferir outra vez. Se a dor for especialmente profunda, poderemos até mesmo tentar escondê-la de nós mesmos. Isso poderá nos 427
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    tornar gélidos, rígidos,porque lá no fundo sabemos que uma pequena fenda no gelo libertará a dor para que comece a circular outra vez dentro de nós.As lágrimas com as cores do arco-íris no rosto desta figura encerram o segredo de como se libertar desse "isolamento glacial". As lágrimas, e apenas elas, têm o poder de derreter o gelo. Chorar é bom, e não há motivos para envergonhar-se de suas lágrimas. O choro nos ajuda a fazer passar a dor, permite-nos ter consideração por nós mesmos e, afinal, ajuda-nos na cura de nós mesmos. 61. Adiamento – 4 de Nuvens: A Mente Adiar é simplesmente estupidez. Amanhã também será necessário decidir; então, por que não resolver hoje mesmo? Você acha que amanhã estará mais sábio do que hoje? Você acha que amanhã vai estar com um vigor maior do que o de hoje? Você acha que amanhã estará mais jovem, renovado em relação a hoje?Amanhã você vai estar mais velho, a sua coragem será menor; amanhã você vai estar mais experiente, e a sua capacidade de dissimulação será maior; amanhã a morte chegará mais próximo – você começará a titubear e a sentir mais medo. Nunca deixe para amanhã. Quem sabe? O amanhã pode chegar ou pode não chegar. Se é preciso decidir, decida agora mesmo. O dentista Dr. Vogel tinha concluído o exame de uma bela e jovem cliente. “Srta. Baseman", ele disse, "acho que terei de arrancar os seus dentes do siso!” “Minha nossa!”, exclamou a mocinha, “seria preferível parir um bebê!” “Bem”, disse o Dr. Vogel, “quer decidir logo para que eu possa acertar a posição da cadeira?”Decida! Não continue adiando indefinidamente. Comentário: A mulher desta figura está vivendo em uma paisagem cinzenta, povoada de nuvens irreais, nitidamente recortadas contra o céu. Através da moldura de janela ela pode ver cores, luz e vida; e, embora quisesse escapar por ali – o que se percebe pelas cores do arco-íris em sua roupa – ela não é capaz de fazer isso. Há ainda em sua mente muita elucubração do tipo "mas, e se...?". Dizem que o amanhã nunca chega, e não importa a freqüência com que isso é repetido, parece que a maioria de nós tende a esquecer a verdade contida nessa frase. De fato, a única conseqüência certa de adiar as coisas é o tédio e a depressão nos dias de hoje, um sentimento de incompletude e de limitação. O alívio e o desenvolvimento que você sentirá quando puser de lado todos os pensamentos de indecisão que o estão impedindo de agir agora, farão com que você se pergunte por que esperou tanto tempo. 62. Comparação – 5 de Nuvens: A Mente A comparação gera inferioridade, superioridade. Quando você não estabelece comparações, toda inferioridade e toda superioridade desaparecem. Nessa condição você simplesmente é, você simplesmente está aí. Um pequeno arbusto ou uma grande árvore alta – isso não importa – você é você mesmo. Você é necessário. Uma folha de grama é tão necessária quanto a maior das estrelas. Sem a folha de grama, Deus será menos do que ele é. O pipilar de um pássaro é tão necessário quanto qualquer buda – o mundo será menos, será menos rico se esse pássaro desaparecer.Basta olhar à sua volta. Tudo é necessário e se encaixa em um todo. Trata-se de uma unidade orgânica: ninguém está 428
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    acima, ninguém estáabaixo, ninguém é superior, ninguém é inferior. Cada qual é incomparavelmente único. Comentário: Quem foi que lhe disse que o bambu é mais bonito do que o carvalho, ou que o carvalho é mais valioso do que o bambu? Você imagina que o carvalho gostaria de ter um tronco oco como o do bambu? Será que o bambu sente inveja do carvalho porque ele é maior e suas folhas mudam de coloração no outono? A própria idéia das duas árvores fazendo comparações entre si parece ridícula, mas os humanos consideram muito difícil romper com esse hábito.Vamos encarar os fatos: sempre existirá alguém que é mais bonito, mais talentoso, mais forte, mais inteligente, ou aparentemente mais feliz do que você. E, inversamente, sempre haverá aqueles que são inferiores a você em todos esses aspectos. O caminho para descobrir quem você é, não é a comparação com os outros, mas um exame para ver se você está realizando o seu próprio potencial, da melhor maneira de que é capaz. 63. O Fardo – 6 de Nuvens: A Mente A verdadeira vida de um homem é o caminho no qual ele se desfaz das mentiras que lhe foram impostas pelos outros. Desprovido das roupas, nu, ao natural, ele é aquilo que é. Trata-se aqui de ser, e não de vir a ser. A mentira não pode transformar-se na verdade, a personalidade não pode transformar-se na sua alma. Não existe maneira de transformar o não-essencial em essencial. O não-essencial permanece não-essencial, e o essencial permanece essencial – eles não são conversíveis. Esforçar-se pela verdade só vai criar mais confusão. A verdade não precisa ser conquistada. Ela não pode ser conquistada, pois já está aí. Apenas a mentira é que precisa ser descartada.Todos os anseios, propósitos, ideais e metas, todas as ideologias, religiões e sistemas de aperfeiçoamento, de melhoramento, são mentiras. Cuidado com tudo isso. Reconheça o fato de que do jeito como você é agora, você é uma mentira, resultado de manipulação, produzido pelos outros. A busca da verdade é de fato uma distração e um adiamento. É a fórmula encontrada pela mentira para disfarçar-se. Olhe a mentira de frente, examine a fundo a falsidade que é a sua personalidade. Pois encarar a mentira é parar de mentir. Deixar de mentir é desistir de buscar alguma verdade – não há necessidade disso. No momento em que desaparece a mentira, ali está a verdade em toda a sua beleza e esplendor. Encarando-se a mentira ela desaparece, e o que fica é a verdade. Comentário: Quando carregamos o fardo dos "você deve" e "você não deve", impostos a nós pelos outros, ficamos como este personagem roto e sofrido, pelejando para abrir seu caminho morro acima. "Mais depressa! Mais força! Tente chegar ao alto!" – grita o tolo tirano que essa figura triste leva às costas, enquanto o próprio tirano, por sua vez, tem às costas um galo dominador. — Se a vida nestes dias está lhe parecendo apenas uma luta ininterrupta desde o berço até o túmulo, pode ser a hora de arriar a carga dos seus ombros e experimentar caminhar sem ter de carregar às costas essas figuras. Você tem suas próprias montanhas a conquistar, seus próprios sonhos a realizar, mas nunca haverá energia suficiente para ir atrás dessas metas enquanto você não se desfizer de todas as expectativas que lhe foram impostas pelos outros, e que agora você pensa que são suas. Há a possibilidade de que essas expectativas estejam apenas na sua mente, mas isso 429
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    não significa queelas não possam jogá-lo ao chão. É hora de arriar a carga, e dizer a essas figuras que sigam o seu próprio caminho. 64. Política – 7 de Nuvens: A Mente Qualquer um que seja capaz de fingir com convicção, que consiga ser hipócrita, se tornará seu líder político, se tornará seu sacerdote religiosamente. Tudo que ele precisa é de hipocrisia, tudo o que ele precisa é de dissimulação, tudo que ele precisa é de uma "fachada" para se esconder por trás. Os seus políticos vivem vidas duplas, os seus sacerdotes levam vida dupla – uma pela porta da frente, a outra pela porta dos fundos. E aquela vivida pela porta dos fundos é a vida real deles. Aqueles sorrisos pela porta da frente são pura falsidade, aquelas caras tão inocentes são puramente cultivadas.Se você quiser ver a realidade do político, precisará olhá-lo pela porta dos fundos. Deste ângulo ele aparece na sua nudez, do jeito como ele é; e para o sacerdote a coisa é assim também. Esses dois tipos de pessoas dissimuladas têm dominado a humanidade. Muito cedo eles descobriram que, se você quer dominar a humanidade, deve torná-la fraca, fazê-la sentir-se culpada, não-merecedora.Destrua a sua dignidade, tire-lhe toda a glória, humilhe-a. E encontraram maneiras tão sutis de humilhar, que eles nem aparecem "na foto"; você mesmo fica encarregado de se humilhar, de se destruir. Eles lhe ensinaram uma forma de suicídio lento. Comentário: Você reconhece este homem? Com exceção dos mais inocentes e sinceros de nós, todos temos um político de tocaia em algum lugar da nossa mente. De fato, a mente é política. É da sua própria natureza planejar, montar esquemas, e tentar manipular situações e pessoas de maneira a conseguir o que quer. Nesta figura, a mente é representada pela serpente recoberta de nuvens, que "fala com uma língua bífida". O que é importante perceber, porém, a propósito desta figura, é que ambas as caras são falsas. A face cândida, inocente, do tipo "confie em mim", é uma máscara, e a face diabólica, venenosa, do tipo "vou tirar vantagem de você", também não passa de uma máscara. Políticos não têm faces verdadeiras. Seu jogo é na totalidade uma mentira.Dê uma boa examinada em si mesmo para verificar se você tem estado fazendo esse jogo. O que você vai encontrar poderá ser doloroso de ver, mas não tão doloroso quanto continuar agindo igual. No final, esse jogo não serve ao interesse de ninguém, e muito menos ao seu. O que quer que você consiga por esse caminho, irá transformar-se em pó nas suas mãos. 65. Culpa – 8 de Nuvens: A Mente Este momento!... O aqui-agora... fica esquecido quando você começa a pensar em termos de conquistar alguma coisa. Quando a mente realizadora se manifesta, você perde contato com o paraíso em que está. Esta é uma das abordagens mais liberadoras: ela o liberta imediatamente! Esqueça tudo a respeito do pecado e da santidade – ambas são idéias estúpidas. Juntas, destruíram todas as alegrias da humanidade. O pecador se sente culpado, e com isso sua alegria fica perdida. Como é possível apreciar a vida se você está sempre se sentindo culpado? Se o tempo todo você fica indo à igreja para confessar que fez isto e aquilo errado? Errado, errado, errado... a sua vida inteira parece ser feita de pecados. Como viver com alegria? Fica impossível sentir prazer na vida. Você 430
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    se torna pesado,carregado.A culpa instala-se no seu peito como uma pedra – ela o esmaga; não permite que você dance. Como seria possível dançar? Como a culpa pode dançar? Como a culpa pode cantar? Como a culpa pode amar? Como a culpa pode viver? Assim, quem pensa que está fazendo coisas erradas sente-se culpado, pesado, um morto antes da hora -- já está dentro do túmulo. Comentário: A culpa é uma das emoções mais destrutivas em que podemos nos deixar aprisionar. Se tivermos agido mal com alguém, ou procedido contrariamente à nossa própria verdade, naturalmente nos sentiremos mal. Mas permitir que fiquemos sobrecarregados de culpa é fazer um convite à enxaqueca. Acabaremos envolvidos por nuvens perturbadoras de dúvidas a nosso próprio respeito, e por sentimentos de desvalor, a ponto de não conseguirmos enxergar as belezas e alegrias que a vida está tentando nos oferecer.Todo mundo anseia por ser uma pessoa melhor – mais amorosa, mais consciente, mais sincera consigo mesmo. Quando, porém, nos punimos por nossas falhas, sentindo-nos culpados, podemos cair prisioneiros de um ciclo de desespero e desesperança que nos tira toda a clareza de visão a nosso próprio respeito e a respeito das situações que encontramos pela frente. Você é absolutamente bom do jeito que é, e é absolutamente natural errar o caminho de vez em quando. Apenas aprenda com a experiência; siga em frente e aproveite a lição para não cometer o mesmo erro outra vez. 66. Sofrimento – 9 de Nuvens: A Mente Esta dor que o aflige não deve deixá-lo triste, lembre-se disso. É este o ponto que as pessoas continuam a não compreender... Esta dor é apenas para deixá-lo mais alerta – porque as pessoas só ficam atentas quando a seta vai fundo no seu coração e as fere. De outra maneira, não despertam. Quando a vida é fácil, confortável, conveniente, quem se preocupa? Quem se dá ao trabalho de ficar alerta? Quando morre um amigo, apresenta- se uma possibilidade. Quando a sua mulher o abandona – naquelas noites escuras, você sente solidão. Você amou tanto aquela mulher e arriscou tudo por ela e, então, de repente, um dia, ela vai-se embora. Chorando na sua solidão... essas são as ocasiões em que, sabendo aproveitá-las, você poderá tornar-se consciente. A seta está ferindo: então é possível usá-la. A dor não existe para fazê-lo infeliz: ela está aí para torná-lo mais consciente! E quando você se torna consciente, a infelicidade desaparece. Comentário: Esta figura é de Ananda, primo e discípulo do Buda Gautama. Ele esteve ao lado do Buda constantemente, cuidando de cada necessidade dele por quarenta e dois anos. Quando Buda morreu, conta-se que Ananda estava ainda a seu lado, chorando. Os outros discípulos repreenderam-no por ele não estar entendendo: Buda havia morrido completamente realizado; Ananda deveria estar celebrando! Mas Ananda respondeu: "Vocês é que não estão compreendendo. Não estou chorando por ele, mas por mim mesmo, porque ao longo desses anos todos eu estive constantemente ao seu lado, e mesmo assim não consegui atingir". Ananda ficou acordado a noite inteira, meditando profundamente e sentindo sua dor, sua tristeza. Diz a história que, quando o dia amanheceu, ele estava iluminado.Tempos de grande sofrimento trazem em si, potencialmente, tempos de grande transformação. Para que a transformação aconteça, porém, precisamos ir fundo às raízes da nossa dor, vivenciando a dor exatamente como 431
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    ela é, semculpa e sem autopiedade. 67. Renascimento – 10 de Nuvens: A Mente Segundo o Zen, você vem de lugar-nenhum, e vai para lugar-nenhum. Você existe apenas agora, aqui: não vindo, nem indo. As coisas todas vão passando por você; a sua consciência reflete o que passa, mas ela mesma não se identifica com isso. Quando um leão ruge diante de um espelho, você pensa que o espelho também ruge? Ou quando o leão se afasta e aparece uma criança dançando, o espelho, esquecendo completamente o leão, passa a dançar com a criança – você acredita que o espelho realmente dance com a criança?O espelho não faz nada, ele apenas reflete. A sua consciência é apenas um espelho. Você nem vem, nem vai. As coisas vêm e vão. Você se torna um jovem, você fica velho; você está vivo, você está morto. Todas essas situações são apenas reflexos num lago eterno de consciência. Comentário: Esta figura representa a evolução dos graus de consciência do modo como é descrita por Friedrich Nietzsche, em seu livro Assim Falou Zarathustra. Ele fala dos três níveis: Camelo, Leão e Criança. O camelo é sonolento, entediado, satisfeito consigo mesmo. Vive iludido julgando-se o cume de uma montanha, mas, na verdade, preocupa-se tanto com a opinião dos outros que quase não tem energia própria. Emergindo do camelo, aparece o leão. Quando nos damos conta de que temos estado abrindo mão da oportunidade de viver realmente a vida, passamos a dizer "não" às demandas dos outros. Nós nos apartamos da multidão, solitários e orgulhosos, rugindo a nossa verdade. A coisa, porém, não acaba por aí. Finalmente, emerge a criança, nem submissa nem rebelde, mas inocente e espontânea, fiel ao seu próprio ser.Qualquer que seja a posição em que você se encontre neste momento – sonolento e abatido, ou desafiador e rebelde – tenha consciência de que isso evoluirá para alguma coisa nova, se você permitir. Este é um tempo de crescimento e mudança. ARCO-ÍRIS - OUROS 35. Abundância-O Domínio da Natureza Física: Rei do Arco-Íris No Oriente, as pessoas condenaram o corpo, condenaram a matéria, chamaram-na de "ilusória", de maya: coisa que de fato não existe, apenas parece existir; coisa feita da mesma substância dos sonhos. As pessoas renegaram o mundo, e esta é a razão pela qual o Oriente permaneceu pobre, doente, faminto.Metade da humanidade tem vivido aceitando o mundo interior, mas negando o mundo exterior. A outra metade tem aceitado o mundo material, e negado o mundo interior. Ambas são metades, e homem nenhum que seja uma metade pode estar satisfeito. É necessário ser inteiro: rico no corpo, rico em ciência; rico em meditação, rico em consciência. No meu modo de ver, apenas a pessoa inteira é uma pessoa sagrada. Eu quero que se misturem Zorba e Buda. Zorba sozinho é vazio. Sua dança não tem significação eterna, é prazer momentâneo. Logo ele se cansará dela. A menos que você disponha de fontes inesgotáveis que lhe venham do próprio cosmos... a menos que você se torne existencial, não poderá tornar-se inteiro. Esta é a minha contribuição para a humanidade: a pessoa inteira. 432
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    Comentário: Este tipodionisíaco é o próprio retrato de um homem inteiro, um "Zorba e Buda" que pode beber vinho, dançar na praia, cantar na chuva, e ao mesmo tempo desfrutar as profundezas da compreensão e do conhecimento próprios do sábio. Em uma das mãos ele segura uma flor de lótus, demonstrando que respeita e contém em si mesmo a graça do feminino. O peito exposto (um coração aberto) e a barriga relaxada mostram que ele está à vontade com a sua masculinidade também, inteiramente pleno de si. Os quatro elementos; terra, fogo, água e céu, confluem no Rei do Arco-Íris, que está sentado sobre o livro da sabedoria da vida.Se você é mulher, o Rei do Arco-Íris traz para a sua vida o apoio de suas energias masculinas, uma união com a alma gêmea interior. Para um homem, esta figura representa uma oportunidade para romper com os estereótipos masculinos convencionais, permitindo que transpareça a plenitude do ser humano integral. 36. Florescimento-O Domínio da Natureza Física: Rainha do Arco-Íris O Zen quer vê-lo vivendo, vivendo em abundância, vivendo na completude, vivendo intensamente – não em grau mínimo, como pretende a Cristandade, mas no grau máximo, transbordante. A sua vida deveria derramar-se até os outros. A sua felicidade, a sua bem-aventurança, o seu êxtase, não deveriam ficar confinados dentro de você, como uma semente. Deveriam abrir-se como a flor e espalhar sua fragrância indiscriminadamente – não apenas para os amigos, mas para os desconhecidos também.Isso é compaixão verdadeira, amor verdadeiro: compartilhar a sua iluminação, compartilhar a sua dança do além. Comentário: A Rainha do Arco-Íris é como uma planta fantástica que atingiu o ápice do seu florescimento e das suas cores. É muito sensual, muito cheia de vida e plena de possibilidades. Estalando os dedos ela acompanha a música do amor, e o seu colar do zodíaco está colocado de tal maneira que Vênus repousa sobre o seu coração. As mangas da sua vestimenta contêm sementes em abundância, e, à medida que sopra o vento, elas são espalhadas para criar raízes onde lhes for possível. Não a preocupa saber se as sementes caem no solo ou sobre as pedras – ela apenas as vai espalhando por toda parte, em total celebração da vida e do amor. Flores caem do alto sobre a sua cabeça, em harmonia com o seu próprio florescimento, e as águas da emoção serpenteiam divertidamente sob a flor em que ela está sentada. Você poderia sentir-se neste exato momento como um jardim de flores, regado por bênçãos vindas de toda parte. Dê boas-vindas às abelhas, convide os pássaros a beber do seu néctar. Espalhe em volta a sua alegria, para que todos compartilhem dela. 37. Desaceleração-O Domínio da Natureza Física: Cavaleiro do Arco-Íris A meditação é uma espécie de remédio – seu uso será apenas passageiro. Quando você tiver apreendido a qualidade, não precisará praticar mais nenhuma meditação em particular, pois a atitude meditativa é que deverá permear todos os cantos da sua vida. Andar é Zen, sentar-se é Zen.Qual será então essa qualidade? A pessoa passa a andar 433
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    de maneira vigilante,alerta, alegremente, sem metas a atingir, centrada, com amor, deixando-se fluir. E o caminhar é despreocupado. A pessoa senta-se com amor, alerta, vigilante, desinteressadamente – sem estar buscando alguma coisa em especial, mas apenas desfrutando a beleza do sentar-se sem fazer nada, o quanto isso é relaxante, repousante... Depois de uma longa caminhada, você se senta à sombra de uma árvore, e a brisa vem e o refresca. A cada momento é preciso que a pessoa esteja bem consigo mesma – não empenhada em melhorar, cultivando alguma coisa, praticando alguma coisa. Andar é Zen, sentar-se é Zen.Falando ou em silêncio, movimentando-se, em repouso, a essência está à vontade. A essência está à vontade: esta é a idéia-chave. A essência está à vontade: esta é a afirmação-chave. Faça o que quiser, mas, no âmago mais profundo, permaneça à vontade, frio, calmo, centrado. Comentário: O Cavaleiro do Arco-Íris é um lembrete de que, exatamente como a tartaruga desta carta, nós também levamos conosco a nossa casa, aonde quer que vamos. Não há necessidade de apressar-se, não é preciso procurar abrigo em nenhum outro lugar. Mesmo quando mergulhamos nas profundezas das águas da emoção, podemos manter-nos abrigados em nós mesmos, imunes a dependências. Há um momento em que você se prepara para deixar de lado quaisquer expectativas que tem cultivado a seu próprio respeito, ou a respeito de outras pessoas; prepara-se para assumir a responsabilidade por quaisquer ilusões que possa ter estado carregando. Nessa hora, não há necessidade de fazer nada, bastando repousar na plenitude de quem você é neste exato momento. Se os desejos, esperanças e sonhos estão se tornando vagos, tanto melhor. Seu desaparecimento está abrindo espaço para um novo clima de tranqüilidade e de aceitação das coisas como são. Você irá sentir-se capaz de dar as boas-vindas a esse crescimento pessoal, de uma maneira que nunca esteve antes ao seu alcance.Desfrute essa sensação de diminuição do ritmo, de se aproximar do repouso, e de reconhecer que você já está em casa. 38. Aventura-O Domínio da Natureza Física: Valete do Arco-Íris O Zen diz que a verdade não tem nada a ver com autoridade, que a verdade não tem nada a ver com tradição; que a verdade não tem nada a ver com o passado: a verdade é uma realização radical, pessoal. Você precisa conquistá-la.O conhecimento oficial é coisa segura; a busca do conhecimento pessoal, porém, é muito, muito arriscada. Ninguém pode garantir o resultado. Se você me perguntar se posso garantir alguma coisa, direi que não posso garantir-lhe nada. Só posso garantir o perigo – isso é certo. Só posso garantir- lhe uma longa aventura, com todas as possibilidades de dar errado e de nunca se atingir a meta. Uma coisa, porém, é certa: a própria busca irá ajudá-lo a crescer. Só posso garantir-lhe o crescimento. O perigo estará lá, o sacrifício estará lá; você estará mergulhando a cada dia no desconhecido, em terreno inexplorado, e não haverá nenhum mapa a seguir, nenhum guia para acompanhar. Sim, há milhões de riscos e você poderá desviar-se, poderá perder-se, mas é esta a única maneira de crescer. A insegurança é a única senda para o crescimento, enfrentar o perigo é a única forma de crescer, aceitar o desafio do desconhecido é o único caminho para se crescer. Comentário: Quando estamos realmente com espírito de aventura, andamos exatamente como esta criança. Cheios de confiança, vamos, passo a passo, saindo da escuridão da floresta para 434
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    o clarão daluz, levados pela nossa capacidade de nos maravilharmos, na trilha do desconhecido. A idéia de aventura realmente não tem nada a ver com planos e mapas, programações e organização. O Valete do Arco-Íris representa um estado de espírito que pode tomar conta de nós em qualquer lugar – em casa ou no escritório, no campo ou na cidade, num empreendimento criativo ou no nosso relacionamento com outras pessoas. Sempre que nos lançamos ao novo e desconhecido com o espírito confiante de uma criança, inocentes, abertos e vulneráveis, até mesmo as menores coisas da vida podem transformar-se nas maiores aventuras. 78. Maturidade - Ás do Arco-Íris: A Natureza Física A diferença entre a relva e as flores é a mesma que existe entre você enquanto não sabe que é um buda, e você no momento em que compreende que é um buda. De fato, nem poderia ser diferente.O buda é completamente florescido, inteiramente aberto. Os seus lótus, suas pétalas, chegaram a uma realização...Com certeza, ser você mesmo, pleno de primavera, é muito mais belo do que o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus. E olha que essa é uma das coisas mais lindas de se ver: o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus, brilhando ao sol da manhã, como pérolas verdadeiras. Naturalmente isso não passa de uma experiência momentânea. À medida que o sol se levanta, o orvalho de outono começa a evaporar-se...Essa beleza passageira certamente não pode ser comparada com uma eterna primavera em seu ser. Por mais longe que você consiga olhar para trás, verá que essa primavera sempre esteve ali. Olhando para frente o mais que pode, você se surpreenderá: trata-se do seu próprio ser. Onde quer que você esteja, essa primavera estará também, e as flores continuarão a cair sobre a sua cabeça. Isso é primavera espiritual. Comentário: O personagem desta meditação está só, quieto, porém atento. O seu ser interior apresenta-se repleto de flores – portadoras do espírito da primavera, e que renascem onde quer que ele vá. Este florescimento interior e a completude pessoal que ele sente criam-lhe a possibilidade de uma mobilidade ilimitada. Ele pode deslocar-se em qualquer direção – no seu próprio interior ou no mundo aqui de fora, não faz diferença, pois a sua alegria e maturidade não podem ser diminuídas por fatores externos. Ele chegou a um tempo de centramento pessoal e de expansividade – a aura branca que o envolve é a sua proteção, e a sua luz. O conjunto das experiências da vida o trouxe a este tempo de perfeição.Quando você escolher e fizer esta meditação, saiba que o momento lhe traz um presente – pelo trabalho pesado que foi bem feito. Agora, suas bases são sólidas, e o sucesso e a boa sorte estão assegurados porque são a conseqüência natural daquilo que já foi vivenciado em seu íntimo 69. Momento a Momento – 2 de Arco-Íris: A Natureza Física O passado já se foi e o futuro ainda não chegou: ambos estão se movimentando desnecessariamente em direções que não existem. Um existia, mas não existe mais, e o outro nem sequer começou a existir ainda. A pessoa equilibrada é a que vive momento a momento, cuja atenção está voltada para o momento presente, que sempre está aqui e agora. Onde quer que ela se encontre, toda a sua consciência, todo o seu ser está 435
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    envolvido na realidadedo aqui e na realidade do agora. Essa é a única direção certa. Só um homem assim está habilitado a adentrar o portal dourado. O momento presente é o portal dourado. O aqui-agora é o portal dourado. ... E você só consegue estar no momento presente se não for ambicioso -- nenhuma meta a realizar, nenhuma pretensão de poder, de dinheiro, de prestígio, ou mesmo de iluminação, porque toda ambição coloca você no futuro. Apenas um homem não ambicioso é capaz de permanecer no momento presente. Um homem que queira estar no momento presente não tem que pensar; precisa apenas ver e adentrar o portal. A experiência virá, mas não precisa ser premeditada. Comentário: À medida que o personagem desta figura vai andando de pedra em pedra, ele vai pisando com leveza e sem seriedade e, ao mesmo tempo, com absoluto equilíbrio e atenção. Por detrás das águas que ondulam sempre cambiantes, podemos ver silhuetas de arranha-céus – parece que existe uma cidade ao fundo. O homem participa da praça do mercado, mas ao mesmo tempo, mantém-se fora dela, preservando o seu equilíbrio e sendo capaz de observá-la do alto.Esta figura nos desafia a nos afastarmos de nossas preocupações com outros lugares e outros tempos, e a permanecer atentos ao que está acontecendo aqui e agora. A vida é um grande oceano no qual você pode se divertir, se se desfizer de todos os julgamentos, de suas preferências e do apego aos detalhes dos seus planos de longo prazo. Esteja disponível para o que vier ao seu encontro, da forma como vier. E não se preocupe se tropeçar ou cair: levante-se, sacuda a poeira, dê uma boa gargalhada, e vá em frente. 70. Orientação – 3 de Arco-Íris: A Natureza Física Você sente necessidade de procurar orientação, porque não sabe que o seu guia interior está escondido dentro de você. É necessário encontrar esse guia interior, que eu chamo de "a sua testemunha". Chamo também de "o seu dharma", seu buda intrínseco. É preciso acordar esse buda, e a sua vida será banhada de bênçãos, de graças. Sua vida tornar-se-á radiante de bem, de divindade, muito mais do que você seria capaz de imaginar. É quase como luz. Se o seu quarto está escuro, basta trazer luz. Até uma pequena vela servirá: toda a escuridão desaparece. Tendo uma vela, você saberá onde fica a porta. Não precisará pensar: "Onde está a porta?". Só quem é cego pergunta onde está a porta. Gente que tem olhos e dispõe de luz nem pensa nisso. Alguma vez você já se perguntou onde fica a porta...!? Você simplesmente levanta e sai. Não dedica um pensamento sequer a semelhante questão. Nem começa a tatear procurando a porta, ou a bater a cabeça contra a parede. Você simplesmente vê, e não existe nem mesmo um lampejo de pensamento: você simplesmente sai. Comentário: A figura angelical que aparece nesta meditação, com asas coloridas como o arco-íris, representa o guia que cada um de nós traz dentro de si. Como acontece com a segunda figura, no plano de fundo, algumas vezes nós podemos relutar em confiar nesse guia quando ele se manifesta, porque estamos acostumados a receber nossos "sinais" mais do mundo exterior do que de dentro de nós mesmos.A verdade do seu próprio ser mais profundo está tentando mostrar-lhe o caminho a seguir neste exato momento, significando que você pode confiar na orientação interior que lhe está sendo dada. Esta orientação vem por meio de sussurros, e algumas vezes podemos hesitar, sem saber se 436
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    compreendemos corretamente. Asindicações, porém, são claras: seguindo o seu guia interior você se sentirá mais pleno, mais integrado, como se estivesse se movimentando a partir do centro do seu próprio ser. Se você a acompanhar, essa célula de luz o conduzirá exatamente para onde você precisa ir. 71. O Avarento – 4 de Arco-Íris: A Natureza Física No momento em que você se torna avarento, fica fechado para o fenômeno fundamental da vida: a expansão, o compartilhar.Quando começa a se apegar a coisas, você perde o alvo de vista – simplesmente perde. Porque as coisas não são o alvo: você, o seu ser interior, é que é o alvo – não uma bela casa, mas a sua beleza; não dinheiro em abundância, mas a sua riqueza; não coisas demais, mas um ser aberto, disponível a milhões de coisas. Comentário: Esta mulher levantou uma fortaleza à sua volta, e fica agarrada a tudo o que tem, a tudo o que considera seu tesouro. Ela acumulou tanto para se enfeitar – inclusive penas e peles de criaturas vivas – que, no seu empenho, ela de fato ficou mais feia. Esta figura nos desafia a examinar aquilo a que estamos nos apegando e o que possuímos de tão valioso que precise ser protegido por uma fortaleza. Não é preciso que seja muito dinheiro na conta, nem uma caixa repleta de jóias – poderia ser algo tão simples como compartilhar o nosso tempo com um amigo, ou assumir o risco de expressar o nosso amor por outra pessoa. Igual a um poço que é selado e se torna estagnado pela falta de uso, os nossos tesouros ficam embaçados e sem proveito se nos recusamos a compartilhá-los. Independente daquilo a que esteja se apegando, lembre-se de que não poderá levar isso consigo. Desapegue-se, e sinta a liberdade e a expansão que o compartilhar é capaz de proporcionar. 72. O Forasteiro – 5 de Arco-Íris: A Natureza Física Então, você está se sentindo um estranho. Isso é bom. É o período de transição. Mas é preciso estar atento para não se deixar tomar pela dor e infelicidade. Agora que Deus não está mais aí, quem irá consolá-lo? Você não precisa de consolo nenhum. A humanidade já é maior de idade! Seja um homem, seja uma mulher, e apóie-se nos seus próprios pés...A única maneira de conectar-se com a existência é aprofundando-se em si mesmo, porque, lá no seu centro, você ainda está conectado. Fisicamente, você foi desconectado de sua mãe. Essa desconexão foi absolutamente necessária, para transformá-lo num indivíduo autônomo. Do universo, porém, você não está desconectado. A sua conexão com o universo é a consciência. Essa conexão não é visível, portanto é necessário mergulhar profundamente em si mesmo, com grande consciência, atenção e observação, e você encontrará a conexão. O buda é a conexão! Comentário: O menininho desta figura está de pé de um dos lados de um portão, olhando através da grade. Ele é tão pequeno, e está tão convencido de que não pode passar, que não consegue ver que a corrente que amarra o portão não está trancada; tudo o que ele 437
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    precisaria fazer seriasoltá-la.Sempre que nos sentimos "deixados de fora", excluídos, isso gera essa sensação de ser uma criança pequena e desamparada. Não é de causar espanto, pois esse sentimento está profundamente enraizado nas nossas experiências da mais tenra infância. O problema é exatamente esse, porque estando tão profundamente enraizado, o sentimento ressurge repetidas vezes em nossa vida, como se fosse uma fita gravada. Neste momento, uma oportunidade lhe está sendo oferecida para você interromper essa gravação, para deixar de atormentar-se com a idéia de que, de alguma maneira você "não está à altura" para ser aceito e recebido. Reconheça que as raízes desse sentimento estão no passado, e deixe ir embora essa dor antiga. Isso irá trazer-lhe lucidez para enxergar como pode abrir o portão e iniciar-se naquilo que você tanto anseia ser. 73. Concessão – 6 de Arco-Íris: A Natureza Física Não queira ser esperto, caso contrário, você permanecerá sempre o mesmo, nunca mudará. Soluções de conciliação nos caminhos do amor, e na senda da meditação, criarão muita confusão em você. Elas não ajudarão...Como pedir ajuda vai contra o ego, você tenta acomodar uma situação fazendo concessões. Esse acerto será mais perigoso, ele o desorientará mais, porque, feito com base em coisas mal esclarecidas, só poderá confundir tudo ainda mais. Desse modo, tente entender primeiro o motivo pelo qual você parece estar sempre pronto para fazer concessões. Mais cedo ou mais tarde, você será capaz de compreender que fazer concessões não adianta. A concessão pode ser uma maneira de você não ser obrigado a optar entre caminhos alternativos, ou pode ser apenas a repressão da sua confusão. Isso acabará virando um hábito. Nunca reprima nada, seja muito claro a respeito do que está sentindo. E se você estiver confuso, procure ter consciência disso. Esta será a primeira coisa claramente definida a seu respeito: que você está confuso. Assim, você terá dado início à caminhada. Comentário: Nas cortes do Japão antigo, os serviçais masculinos eram, com freqüência, escolhidos entre as fileiras dos pequenos delinqüentes, que eram castrados. Em razão da familiaridade íntima que tinham com as atividades palacianas, esses serviçais estavam freqüentemente no centro das intrigas políticas e sociais, e exerciam muito poder nos bastidores. As duas figuras desta meditação nos trazem à lembrança as situações delicadas e conspiratórias em que podemos nos meter quando fazemos concessões no que se refere à nossa própria verdade. Uma coisa é encontrar-se com o outro a meio caminho, compreender um ponto de vista diferente do nosso e trabalhar no sentido de harmonizar forças contrárias. Coisa muito diferente é ceder à pressão e trair a nossa própria verdade. Se olharmos a fundo o que ocorre neste último caso, descobriremos que normalmente estamos tentando tirar proveito de alguma coisa – quer se trate de poder, ou da aprovação de outras pessoas. Se se sentir tentado, cuidado: as recompensas por esse tipo de concessão deixam sempre um gosto amargo na boca. 74. Paciência – 7 de Arco-Íris: A Natureza Física Nós nos esquecemos de como esperar; este é um espaço quase abandonado. No entanto, ser capaz de esperar pelo momento certo é o nosso maior tesouro. A existência 438
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    inteira espera pelomomento certo. Até as árvores sabem disso – qual é o momento de florescer, e o de deixar que as folhas caiam, e de se erguerem nuas ao céu. Também nessa nudez elas são belas, esperando pela nova folhagem com grande confiança de que as folhas velhas tenham caído, e de que as novas logo estarão chegando. E as folhas novas começarão a crescer.Nós nos esquecemos de como é esperar: queremos tudo com pressa. Trata-se de uma grande perda para a humanidade... Em silêncio e à espera, alguma coisa dentro de você vai crescendo – o seu autêntico ser. Um dia ele salta e se transforma numa labareda, e a sua personalidade inteira é estilhaçada: você é um novo homem. E esse novo homem sabe o que é uma cerimônia, esse novo homem conhece os sumos eternos da vida. Comentário: Há momentos em que a única coisa a fazer é esperar. A semente já foi plantada, a criança está crescendo no útero, a ostra está cobrindo o grão de areia, transformando-o em uma pérola. Esta figura nos lembra de que este é um momento em que tudo o que se requer é manter-se simplesmente atento, paciente, à espera. A mulher retratada na figura está justamente nessa atitude. Satisfeita, sem sinais de ansiedade, ela está apenas à espera. Ao longo de todas as fases da lua que se sucedem no alto, ela permanece paciente, tão sintonizada com os ritmos da lua, que quase se confunde com ela. A mulher sabe que esta é uma época para permanecer na passividade, deixando que a natureza siga o seu caminho. Não está, porém, com expressão de sono, nem indiferente; sabe que é tempo de se preparar para alguma coisa importante. Trata-se de um período repleto de mistério, como as horas que antecedem o amanhecer. É um tempo em que a única coisa a fazer, é esperar. 75. Simplicidade- 8 de Arco-Íris: A Natureza Física Às vezes acontece a você sentir-se integrado, em algum raro momento. Observe o oceano, o seu espírito indomável – de repente você esquece a sua divisão interior, a sua esquizofrenia: você relaxa. Ou então, andando pelo Himalaia, contemplando a neve virgem nos picos das montanhas, de repente uma calma o envolve e você não precisa ser falso, porque não há ali nenhum outro ser humano para o qual representar. Você se re- integra. Ou ainda, ouvindo boa música, você se sente integrado. Sempre que, em qualquer situação, você se torne uno, uma paz, uma felicidade, uma bênção o envolvem, brotam de dentro de você. Você se sente preenchido. Não há necessidade de ficar esperando por esses momentos – eles podem transformar-se na sua maneira natural de viver. Esses momentos extraordinários podem transformar-se em momentos comuns – este é todo o esforço do Zen. É possível viver uma vida extraordinária dentro dos limites de uma vida bastante comum: cortando árvores, rachando lenha, buscando água no poço, é possível estar extremamente à vontade consigo mesmo. Limpando o chão, preparando a comida, lavando a roupa, você pode estar perfeitamente à vontade – porque a questão toda é de você atuar com todo o seu ser, desfrutando, realizando-se no que faz. Comentário: Esta figura, caminhando pela natureza, mostra-nos que a beleza pode ser encontrada nas coisas simples e comuns da vida. Com muita freqüência nós tomamos este lindo mundo em que vivemos como coisa garantida. Limpar a casa, cultivar o jardim, fazer a comida – as tarefas mais simples ganham uma conotação sagrada quando são feitas com 439
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    envolvimento total, comamor, e exclusivamente pelo prazer de fazê-las, sem expectativas de reconhecimento ou de recompensa.Neste momento, você passa por um período em que esta maneira cordata, natural e extremamente simples de encarar as situações que se apresentam, trará resultados muito melhores do que qualquer tentativa sua de ser brilhante, perspicaz ou, de alguma outra forma, extraordinário. Deixe de lado toda pretensão de fazer alarde quanto a ter inventado mais alguma coisa inútil, ou a vaidade de encantar seus amigos e colegas com o seu talento incomparável de prima donna. A contribuição especial que você tem para oferecer neste momento será maior se você encarar as coisas sem resistência e com simplicidade, um passo de cada vez. 76. Momento da Colheita – 9 de Arco-Íris: A Natureza Física Só se a sua meditação tiver proporcionado a você uma luz que brilha sempre à noite, é que a morte não será morte para você, mas uma passagem para o divino. Com a luz no coração, a própria morte é transformada numa passagem pela qual você adentra o espírito universal: você se torna um com o oceano. E a menos que você passe pela experiência oceânica, terá vivido em vão. O momento é sempre agora, e a fruta está sempre pronta para ser colhida. Só é preciso ter coragem para penetrar em sua floresta interior. A fruta está sempre madura, e qualquer momento é sempre o momento certo. Não existe essa coisa de momento errado. Comentário: Quando a fruta está madura, ela cai da árvore por si mesma. Num momento, ela pende de um dos galhos da árvore, cheia de sumo. No momento seguinte ela cai – não porque tenha sido forçada a cair, ou tenha se esforçado para tanto, mas porque a árvore reconheceu o seu amadurecimento, e simplesmente a deixou cair.Esta figura nesta meditação indica que você está pronto para compartilhar as suas riquezas interiores, o seu "sumo". Tudo o que você precisa fazer é relaxar exatamente onde você está, e desejar que isso aconteça. Este compartilhar de você mesmo, essa expressão da sua criatividade, pode acontecer de muitas maneiras – no seu trabalho, nos seus relacionamentos, nas suas experiências de vida diárias. Não se requer nenhuma preparação ou esforço especial de sua parte. Trata-se apenas do momento certo 77. Nós Somos o Mundo – 10 de Arco-Íris: A Natureza Física Quando milhares e milhares de pessoas em todo o mundo estão celebrando, cantando, dançando, em êxtase, embriagados pelo sentimento do divino, não existe nenhuma possibilidade de um suicídio global.Com essa festividade e com tanto riso, com tanto equilíbrio e saúde, com tanta naturalidade e espontaneidade, como poderia acontecer uma guerra?... A vida lhe foi dada para que você crie, seja feliz e celebre. Quando você chora, quando está infeliz, fica sozinho. Quando está celebrando, a existência inteira participa com você.Somente na celebração encontramos o que é fundamental, o que é eterno. Somente na celebração ultrapassamos o círculo do nascimento e da morte. Comentário: Aqui, a humanidade é representada como um arco-íris de seres dançando em volta da 440
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    mandala da Terra,com pessoas de mãos dadas e alegres, gratas pela dádiva da vida.Esta figura representa um tempo de comunicação e de compartilhar as riquezas que cada um de nós traz para o todo. Aqui não há apego, nenhum sentimento de propriedade. É um círculo sem medo de sentimentos de inferioridade e de superioridade.Quando reconhecemos a fonte comum da nossa humanidade, as origens comuns dos nossos sonhos e anseios, das nossas esperanças e dos nossos medos, tornamo-nos capazes de perceber que estamos todos juntos no grande milagre da existência. Quando conseguimos somar nossa enorme riqueza interior para criar um tesouro de amor e sabedoria que esteja ao alcance de todos, ficamos todos interligados no mecanismo único da criação eterna. 14 TARÔ DA TRANSFORMAÇÃO - OSHO 01- NÃO-MENTE O Definitivo e o Inexprimível 441
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    O estado danão-mente é o estado do divino. Deus não é um pensamento mas a experiência de estar sem pensamentos. Ele nãoé um conteúdo na mente; ele é a explosão quando a mente fica sem conteúdo. Este não é um objeto que você possa ver; é aprópria capacidade de ver. Não é o que é visto senão aquele que vê. Ele não é como as nuvens que se jutam no céu, mas opróprio céu quando não há nenhuma nuvem. Ele é esse céu vazio.Quando a consciência não estiver indo para algum objeto externo, quando não houver nada para ver, nada parapensar, somente vacuidade ao redor, assim você recai em si mesmo. Não há para onde ir - a pessoa relaxa naprópria fonte do ser, e essa fonte é Deus.Seu ser interior é simplesmente o céu interior. O céu é vazio, mas é esse céu vazio que contém todas as coisas,toda a existência, o Sol, a Lua, as estrelas, a Terra, os planetas. É o céu vazio que dá espaço para tudo que é. Éesse céu vazio que é a base de tudo que existe. Coisas vêm e vão e o céu permanece o mesmo. Exatamente da mesma maneira, você tem um céu interior; esse também é vazio. Nuvens vêm e vão, planetasnascem e desaparecem, estrelas surgem e morrem, e o céu interior permanece o mesmo, intocado, imaculado.Chamamos esse céu interior de sakshin, a testemunha – e esse é todo o objetivo da meditação.Vá para dentro, desfrute o céu interior. Lembre-se, o que quer que você possa ver, você não é isso. Se puder ver pensamentos, então você não é pensamento; se puder ver seus sentimentos, então você não é seus sentimentos;se puder ver seus sonhos, desejos, memórias, imaginações, projeções, então você não é nenhum deles. Prossigaeliminando tudo que você possa ver. Desse modo, um dia, o momento especial chega, o momento mais significante na vida de uma pessoa, quando nada resta para ser rejeitado. Tudo que foi visto desaparece esomente aquele que vê está ali. Este observador é o céu vazio. Conhecer isso é não ter o que temer, e conhecer isso é estar repleto de amor. Conhecer isso é ser Deus, é serimortal. 02-COMUNHÃO Harmonia dentro e fora O homem está vivendo como uma ilha, e daí vem toda a miséria. Através dos séculos o homem tem tentado viverindependentemente da existência - isso não é possível, pela própria natureza das coisas. O homem não pode ser independente nem dependente. A existência é um estado de interdependência: tudo depende de tudo mais. Não há hierarquia, ninguém éinferior e ninguém é superior. Existência é uma comunhão, um eterno caso de amor.Mas essa ideia de que o homem tem que ser superior, especial, mais elevado, cria confusão. O homem precisa não ser nada, precisa dissolver-se na totalidade das coisas. E quando deixamos cair todas as barreiras, comunhãoacontece e essa comunhão é uma bênção. Ser um com o todo é tudo. Este é o núcleo da religiosidade.Heráclito, o antigo pensador Grego, nos diz: se as coisas acontecessem ao homem exatamente como ele deseja isso de nada adiantaria. A menos que você espere o inesperado, jamais encontrará a verdade, pois isso é difícil dedescobrir e árduo chegar até ela. A natureza adora esconder-se. O senhor cujo oráculo está em Delfos nem revelanem dissimula – mas nos envia sinais.A existência não possui linguagem... e, se você depender da linguagem não conseguirá comunicar-se com aexistência. Existência é um mistério, não é possível interpretá-la. Se você tentar, irá errar. Existência pode servivenciada, mas não pensada. Ela é mais como poesia, menos como filosofia. É um sinal, uma porta. Ela se mostra, mas nada diz.Não é possível abordar a existência através da mente. Se você pensar a respeito dela, você pode continuarpensando, mais e mais, mas você nunca irá alcançá-la – pois a barreira está, justamente, nos pensamentos.Pensar é um mundo privado, pertence apenas a você – assim você fica encerrado, encapsulado, prisioneiro de 442
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    simesmo. Com onão-pensar, você deixa de ser; você não está mais encerrado. Você se abre, fica poroso, aexistência flui através de você e você flui através da existência. Aprenda a escutar – escutar significa que você está aberto, vulnerável, receptivo, mas não está pensando de jeitonenhum. Pensar é uma ação positiva. Escutar é passivo: você se torna como um vale e recebe; você se tornacomo um útero e você recebe. Se puder escutar, então a natureza fala – mas isso não será uma linguagem. A natureza não usa palavras. Então o que ela usa? Heráclito diz que são sinais. Você encontra uma flor: que sinal éesse? Ela nada está dizendo – mas você pode realmente afirmar que ela não está dizendo coisa alguma? Ela estádizendo muito, só não está utilizando palavras: é uma mensagem sem palavras.Para ouvir o inexprimível você terá que abandonar as palavras, pois só o semelhante pode ouvir aquele que lhe é semelhante, apenas os semelhantes podem se relacionar.Diante de uma flor, não seja uma pessoa, seja uma flor. Ao lado de uma árvore, não seja uma pessoa, seja uma árvore. Tomando banho em um rio, não seja humano, seja um rio. E assim milhões de sinais lhe serão dados. Eisso não é uma comunicação – é uma comunhão. Assim a natureza fala, fala em milhares de línguas, mas nãonuma linguagem. 03-ILUMINAÇÃO Porque o Buda nos espera nos portais do paraíso Tudo que você fizer, faça com profunda atenção; assim, mesmo as pequenas coisas se tornam sagradas. Desse jeito cozinhar oulimpar se tornam sagrados; se tornam uma oração. Não importa o que você esteja fazendo, a questão é como você está fazendo isso. Você pode limpar o chão como um robô, uma coisa mecânica; você precisa limpá-lo, então você o limpa - assim você perdealgo bonito. Limpar o chão poderia ter sido uma grande experiência - você perdeu isso; o chão ficou limpo, mas alguma coisa que poderia ter acontecido dentro de você não aconteceu. Se você estivesse perceptivo, alerta, não somente o chão mas vocêtambém teria sentido uma limpeza profunda. Limpe o chão em estado de total percepção, iluminado pela consciência. Trabalhe, sente- se ou ande, mas umacoisa precisa ser contínua: faça com que um número cada vez maior de momentos em sua vida sejam iluminadospela consciência. Deixe que a chama da consciência brilhe em cada momento, em cada ato. O efeito cumulativo disso é o que a iluminação é. O efeito cumulativo, todos os momentos juntos, todas as pequenas luzes juntas,tornam-se uma grande fonte de luz.A história conta que quando Gautama Buda morreu ele chegou às portas do paraíso. Essas portas raramente se abrem, só de vez em quando, em séculos – visitantes não chegam todos os dias, e quando alguém chega a essasportas todo o paraíso celebra essa chegada. Mais uma consciência atingiu o florescer, e a existência fica mais ricado que antes.As portas foram abertas, e os outros iluminados que entraram antes no paraíso... pois no Budismo não há nenhumDeus, mas esses iluminados são divindades – assim há tantos deuses quanto pessoas iluminadas. Todos eles sereuniram na entrada com música, canção e com danças. Eles queriam dar boas vindas a Gautama Buda, mas parasurpresa deles, ele estava de pé virado de costas para os portais. Sua face ainda voltada para as terras longínquasque ele havia deixado para trás.Eles disseram, “Isso é estranho. Por quem você está esperando?”Ele teria respondido: “Meu coração não é assim tão pequeno. Espero por todos aqueles que deixei para trás queestão avançando pelo caminho. Eles são meus companheiros de viagem. Podem manter as portas fechadas –vocês terão que ainda esperar um pouco para celebrar minha entrada no paraíso, pois eu decidi ser o último aentrar. Quando todos tiverem atingido a iluminação e tiverem passado pela porta, quando não houver maisninguém do lado de fora, então terá chegado minha vez de entrar.”Essa história é uma história – não pode ser um fato real. Isso não está em suas mãos; uma vez que você tornouseiluminado você fará parte da fonte universal da vida. 443
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    Não se tratade sua escolha ou decisão. Mas a história nosdiz que ele ainda está tentando, mesmo após sua morte. Essa história surgiu de algo que ele disse que faria umdia antes de morrer – ele disse que esperaria por todos vocês.Ele não pode esperar aqui por mais tempo, ele já gastou o tempo que dispunha com essa espera. Já deveria terpartido há mais tempo, porém, vendo tanta miséria e sofrimento, se manteve de algum modo por perto. Mas issofoi ficando cada vez mais impossível. Ele terá que deixar vocês – relutantemente – mas ele irá esperar por vocêsna outra margem; ele não irá entrar no paraíso, isso é uma promessa: “Assim não esqueçam que eu estarei lá, esperando por vocês durante séculos. Mas se apressem, não me deixem eperando por muito tempo”. 04-SINCERIDADE A Busca de Bodhidharma por um Discípulo Só uma coisa precisa ser lembrada: Seja autêntico, seja sincero consigo mesmo. Declare sua verdade, seja qual for o custo.Mesmo que a vida seja posta em risco, arrisque-a, pois a verdade é muito mais valiosa do que qualquer outra coisa, porque a verdade é a vida verdadeira.Eu me lembro de Bodhidharma, que introduziu o Zen na China... O imperador veio recebê-lo na fronteira – e sefosse qualquer outra pessoa no lugar de Bodhidharma, o imperador teria imediatamente cortado sua cabeça, pois ele estava se comportando de uma maneira muito indelicada. O imperador havia construído centenas de templos,feito milhares de estátuas de Buda. Um mil eruditos estavam continuamente traduzindo as palavras de Buda doidioma Páli para o Chinês, e dez mil monges budistas eram alimentados com recursos do tesouro imperial. Elehavia feito muito para que a China se tornasse budista. Obviamente, ele esperava que por causa disso seriaapreciado, então ele disse, “Eu fiz todas essas coisas. O que você acha: qual será a virtude alcançada por tudoisso?”Diante de toda corte que acompanhava o imperador, Bodhidharma respondeu: “Virtude? Seu idiota!” Todos ficaramem silêncio. Ele continuou: “Você irá diretamente para o inferno!”O imperador não conseguia entender e respondeu: “Não sei porque você está tão zangado.”Bodhidharma respondeu: “Você está destruindo uma palavra viva, e você está alimentando esses eruditos que nãocontribuem em nada para a nscientização das pessoas. Você ainda tem a coragem de me perguntar se estásendo uma pessoa de grande virtude? Você irá sofrer no fogo do inferno!” O imperador pensou: “Como sair fora dacilada desse homem? Eu entrei na toca do leão e agora está muito difícil de sair...”O imperador retornou, e Bodhidharma permaneceu nas montanhas pouco além da fronteira da China. Sentadonum templo, encarando uma parede por nove anos, ele declarou: “Falar com pessoas que não compreendem é omesmo que falar com uma parede. Mas falar com uma parede, ao menos há o consolo de saber que se trata deuma parede. Eu só virarei meu rosto quando vier alguém que seja digno de escutar a palavra viva.”Nove anos é um longo tempo – mas, finalmente numa manhã, veio um homem. Ele disse, “Ouça, acho que sou apessoa por quem você está esperando.” Como prova ele cortou uma de suas mãos com sua espada, jogou-a nocolo de Bodhidharma dizendo: “Vire-se para mim; senão cortarei minha cabeça e você será responsabilizado porisso!”Bodhidharma virou-se imediatamente. Ele disse: “Isso basta. Isso é prova suficiente de que você é tão louco paraouvir o que tenho a dizer! Sente-se. Não há necessidade de cortar sua cabeça – pois precisamos usá-la; você serámeu ucessor.”Um homem que corta sua própria mão apenas como prova de sua busca sincera... e não havia nenhuma dúvida namente de Bodhidharma, de que o homem teria cortado a própria cabeça caso ele não se virasse.Desnecessariamente, ele seria embaraçado com a responsabilidade de matar um homem, e logo alguém tão belo,tão corajoso. E esse homem, certamente era o sucessor de Bodhidharma.Mas ninguém sabe o que conteceu com esses dois. Nem uma única palavra – Bodhidharma apenas virou-se 444
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    paraele, disse aele para sentar-se, olhou nos olhos dele... a neve estava caindo e havia um imenso silêncio ao redor.Nem uma pergunta foi feita, nenhuma resposta foi dada. Mas alguma coisa deve ter ocorrido, do contrárioBodhidharma não o teria escolhido como discípulo. 05- ACIDENTE SUPREMO Chiyono e seu balde d'água Não é uma determinada seqüência de causas que levam a iluminação. Sua busca, seu desejo intenso, suadisposição para fazer o que for preciso - tudo isso junto talvez crie uma certa aura ao seu redor na qual essegrande acidente se torna possívelA monja Chiyono estudou durante anos, mas não foi capaz de atingir a iluminação. Uma noite, ela estava carregando umvelho balde cheio de água. Enquanto caminhava, ela observava a lua cheia refletida na água do balde. Subitamente, astiras de bambu que sustentavam o balde rebentaram, e o balde caiu. A gua escorreu pelo chão, o reflexo da luadesapareceu – e Chiyono tornou-se iluminada. Ela escreveu este verso: Desse e daquele jeito tentei manter o balde inteiro,esperando que o frágil bambu nunca rebentasse.De repente o fundo caiu.A água se foi. O reflexo da lua na água sumiu - Vazio em minhas mãos.Iluminação é sempre como um acidente pois é imprevisível – você não pode controlá-la, não pode fazê-la acontecer.Mas não me entenda mal, pois quando digo que a iluminação é como um acidente, não estou dizendo para não fazer nada para alcançá-la. O acidente só ocorre com aqueles que fizeram muito para isso acontecer. Entretanto, este nuncaacontece devido ao fazer deles. O fazer é só uma causa que gera a situação dentro deles, assim eles se tornam propensos a essa forma de acidente, apenas isso. Esse é o significado desse lindo acontecimento. Há uma coisa que preciso dizer sobre Chiyono. Ela era uma mulher muito bonita – quando jovem, até mesmoimperadores e príncipes a procuravam. Ela recusou todos eles pois só queria ser amante do divino. Ela foi de ummonastério a outro para tornar-se uma monja; mas mesmo os grandes mestres a recusaram. Havia tantos monges, e ela era tão bela que faria com que eles se esquecessem de Deus e tudo o mais. Em todos os lugares, as portas se fechavampara ela.O que fez Chiyono? Não encontrando outro jeito, ela queimou o próprio rosto. Criou cicatrizes em todo o rosto. Depoisela foi ter com um mestre; que não soube nem mesmo reconhecer se ela era um homem ou uma mulher. Assim ela foiaceita como monja. Ela estudou e meditou continuamente por trinta, quarenta anos.Então, uma noite, ela estava olhando a lua refletida no balde. De repente o balde caiu, a água escorreu, e o reflexo da luadesapareceu – e isso disparou todo o processo.Sempre há um evento que cria esse momento singular no qual o velho desaparece e o novo começa, de onde vocêrenasce. Foi esse evento que disparou o processo: subitamente a água escorreu e não havia mais o reflexo da lua. Ela deve ter olhado para o alto, e a verdadeira lua estava ali. Nesse instante ela despertou para esse fato, que tudo era umreflexo, uma ilusão, pois estava sendo visto através da mente. Quando o balde se quebrou, a mente também quebrou pordentro. Ela estava pronta. Tudo que podia ser feito havia sido feito. Tudo que era possível, já havia sido feito. Nada foideixado, ela estava preparada, tinha merecido isso. Esse incidente ordinário tornou-se o ponto de disparo do processo.Subitamente o fundo caiu - era um acidente. A água se foi; o reflexo da lua na água sumiu – vazio em minhas mãos. Isso é iluminação: quando vacuidade está em suas mãos, quando tudo fica vazio, quando não há mais ninguém, nemmesmo você. Então você alcançou a face original do Zen. 06-GANÂNCIA 445
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    Uma parábola sobrea ambição e a pressa Sempre que as pessoas se tornam gananciosas, elas ficam bem apressadas, e tentam encontrar meios de ir mais rápido. Estãosempre correndo pois acreditam que a vida está se esgotando. São essas as pessoas que dizem, "tempo é dinheiro."Tempo é dinheiro? Dinheiro é muito limitado; o tempo é ilimitado. Tempo não é dinheiro, tempo é a eternidade. Sempre foi esempre será. E você sempre esteve aqui e sempre estará aqui. Então abandone a ambição e não se incomode com o resultado. Às vezes acontece que, devido a sua impaciência, você perdemuitas coisas.Vou lhes contar uma antiga parábola Hindu...Um grande santo, Narada, dirigia-se ao paraíso. Ele costumava viajar entre o paraíso e a terra. Funcionava comouma espécie de mensageiro entre o outro mundo e este mundo; ele servia de ponte entre os dois.Ele encontrou um velho sábio, muito velho, sentado sob uma árvore e repetindo seu mantra. Ele esteve repetindo esse mantra durante muitos anos, muitas vidas. Narada perguntou a ele, “Você gostaria de perguntar algumacoisa? Você gostaria que alguma mensagem fosse entregue ao Senhor?”O velho abriu seus olhos e disse, “Apenas uma pergunta: quanto tempo mais tenho que esperar? Quanto tempo?Diga a ele que isso é demais. Por muitos vidas estive repetindo este mantra, por quanto tempo mais tenho quecontinuar a fazê-lo? Estou cansado disso. Estou cheio disso.”Bem ao lado do velho sábio, debaixo de outra árvore, havia um jovem com uma ektara, um instrumento de uma só corda, tocando e dançando. Narada perguntou a ele brincando, “Você também gostaria de perguntar quantotempo ainda falta para sua iluminação acontecer?” Mas o jovem nem mesmo se incomodou em responder. Elecontinuou a dançar. Narada perguntou novamente, “Estou indo falar com o Senhor. Você não tem nada a dizer?” O jovem porém,apenas sorriu e continuou a dançar.Quando Narada voltou alguns dias depois, ele disse ao velho, “Deus disse que você terá que esperar pelo menosmais três vidas.” O velho ficou tão furioso que jogou no chão seu rosário de orações. Ele estava prestes a bater emNarada! E ele disse, “Isso é bobagem! Tenho esperado durante muito tempo e tenho sido absolutamente austero,tenho recitado os mantras, jejuado, cumprido todos os rituais. Já cumpri todos os requisitos. Três vidas! Isso nãoé justo!”O jovem ainda estava dançando sob sua árvore, muito alegremente. Narada ficou receoso, ainda assim foi até lá eperguntou a ele, “Embora você não tenha perguntado nada, de minha própria curiosidade eu indaguei. Quando o Senhor disse que esse velho homem teria que aguardar por mais três vidas, eu indaguei sobre o jovem quedançava ao seu lado, dançando e tocando a ektara. E ele disse: ’Este jovem terá que esperar tantas vidas quantoforem as folhas da árvore sob a qual ele está dançando.’”E o jovem passou a dançar ainda mais rápido e ele disse, “Tantas folhas quanto houver nesta árvore? Então nãoestá muito longe, assim eu já cheguei lá! Pense quantas árvores há na terra e compare! Portanto, isso está bempróximo. Obrigado senhor, por ter perguntado.”Ele continuou a dançar. E a história conta que o jovem imedatamente tornou-se iluminado, naquele mesmoinstante. 07-ALÉM DA GANÂNCIA Uma parábola da ambição e da pressa Sempre que as pessoas se tornam gananciosas, elas ficam bem apressadas, e tentam encontrar meios de ir mais rápido. Estãosempre correndo pois acreditam que a vida está se esgotando. São essas as pessoas que dizem, "tempo é dinheiro."Tempo é dinheiro? Dinheiro é muito limitado; o tempo é ilimitado. Tempo não é dinheiro, tempo é a eternidade. Sempre foi esempre será. E você sempre esteve aqui e sempre estará aqui. 446
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    Então abandone aambição e não se incomode com o resultado. Às vezes acontece que, devido a sua impaciência, você perdemuitas coisas.O homem fica completo se estiver em sintonia com o universo; caso contrário estará vazio, completamente vazio. E dessa vacuidade procede a ganância. A ganância serve para preencher esse vazio – com dinheiro, com casas,com mobília, com amigos, com amantes, com qualquer coisa – pois ninguém pode viver vazio. Isso é horrível, éuma vida fantasma. Se você estiver vazio e nada houver dentro de você, fica impossível viver.Para ter a sensação de plenitude, só há dois caminhos; ou você entra em sintonia com o universo... Assim você fica preenchido pelo todo, com todas as flores e estrelas. Elas estão dentro de você assim como estão fora devocê. Essa é a verdadeira plenitude. Mas se não fizer isso – e milhões de pessoas não estão fazendo isso – então omais fácil é preencher o vazio com qualquer porcaria.Ambição simplesmente significa que você está sentindo um vazio profundo e você quer preenchê-lo com o que forpossível, não importa o que seja. E uma vez que você compreende isso, então você nada mais tem a ver com aambição. Você tem algo a ver com vir para uma comunhão com o todo, assim a vacuidade interior desaparece. Ecom isso, toda ganância desaparece. Mas há pessoas loucas por todo o mundo, e elas estão colecionando coisas para preencher a vacuidade delas. Háquem esteja acumulando dinheiro embora nunca o utilize. Há os que comem compulsivamente; e ainda que nãosintam fome continuam a engolir. Sabem que isso irá criar sofrimento, que ficarão doentes, mas não conseguem parar. Essa comilança também é uma forma de preenchimento.Portanto, pode haver muitas maneiras de preencher o vazio, embora este nunca seja preenchido – permanece vazio, e você permanece miserável, pois nunca há o bastante. Mais é necessário, e esse mais e a exigência pormais é infinita.Você precisa entender a vacuidade que você está tentando preencher, e faça a pergunta, “Porque estou vazio? Aexistência é tão plena, porque me sinto vazio? Talvez tenha perdido o rumo – não esteja mais movendo-me na mesma direção, não seja mais existencial. Essa é a causa da minha vacuidade.” Então siga a existência.Relaxe, e aproxime-se da existência em silêncio e paz, em meditação. E um dia você irá perceber que estará pleno– abundante, transbordante – de alegria, de êxtase, de bem-aventurança. Você estará tão pleno dessessentimentos que poderá distribuí-los para o mundo inteiro e ainda assim não se sentirá cansado. Nesse dia, pela primeira vez você não terá qualquer ambição – por dinheiro, por comida, ou por qualquer outracoisa.Você viverá naturalmente, e encontrará tudo que você precisar. 08-DISCIPULATO Os muitos mestres de Junnaid Não há situação que não contenha uma lição, nenhuma situação. Todas as situações possuem um potencial, mas você precisadescobrir qual é; este pode não ser aparente na superfície. Você precisará estar atento, deverá examinar todos os aspectos da situação.Um dos grandes mestres Sufi, Junnaid, estava morrendo. Seu discípulo mais próximo veio até junto dele eperguntou: “Mestre, você está nos deixando. Uma questão tem estado sempre em nossas mentes, mas nuncativemos coragem de lhe perguntar. Quem foi seu Mestre? Isso tem sido uma grande curiosidade entre seus discípulos, pois nunca ouvimos você falar de seu Mestre.”Junnaid abriu os olhos e disse: “É difícil para mim responder porque aprendi de quase todos. Toda a existência foi meu Mestre. Aprendi de cada pequeno evento em minha vida. E sou grato a tudo que aconteceu, pois devido atodo esse aprendizado eu me tornei quem sou.” Apenas para satisfazer sua curiosidade lhe darei três exemplos. Primeiro, eu estava com muita sede e caminhavaem direção ao rio levando minha tigela de esmolas, a única posse que tinha. Quando cheguei ao rio, um cachorropassou correndo, pulou dentro do rio e 447
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    começou a beberágua.Observei o cachorro por alguns instantes e então joguei fora minha tigela de esmolas, porque não servia paranada. Um cão pode viver sem isso. Também pulei no rio, bebi tanta água quanto quis. Todo meu corpo ficou refrescado porque mergulhei no rio. Fiquei sentado no rio por alguns momentos, agradeci ao cachorro, toquei nospés dele com profunda reverência pois ele havia me ensinado uma lição.Eu abandonei tudo, todas as minhas posses, mas ainda estava apegado a minha tigela de esmolas. Esta era umabonita tigela, belamente esculpida, e eu sempre estava estava preocupado de que alguém pudesse roubá-la.Mesmo à noite costumava colocá-la sob minha cabeça, como um travesseiro, assim ninguém podia tirá-la de mim.Esse foi meu último apego, e o cachorro ajudou. Era tão claro: se um cão pode viver sem uma tigela de esmolas e eu sou um homem, porque não posso fazer o mesmo? Esse cão foi um de meus mestres.“Segundo,” ele disse, “eu me perdi numa floresta e quando finalmente cheguei no vilarejo mais próximo que pudeencontrar, já era meia-noite. Todos dormiam profundamente. Perambulei por toda a cidade para ver se podiaencontrar alguém acordado que me desse abrigo para passar a noite, até que finalmente encontrei um homem.Perguntei a ele, ‘Parece que eu e você somos os únicos que estamos acordados nesta cidade. Você pode me darabrigo para esta noite?’“O homem disse. ‘Posso ver por seus trajes que você é um monge Sufi...’”A palavra Sufi vem de suf; que significa lã, túnica de lã. Os sufis têm usado túnicas de lã há séculos; portantoforam chamados Sufis por causa das suas vestimentas. O homem disse, “Posso ver que você é um Sufi e me sintoum pouco desconcertado em levá-lo para minha casa. Gostaria de lhe dar abrigo, mas antes preciso lhe dizerquem eu sou. Sou um ladrão - você gostaria de ser hóspede de um ladrão?”Por um momento, Junnaid hesitou. O ladrão disse, “Olhe, foi melhor que eu tenha dito a verdade. Você me parecehesitante. O ladrão está disposto a lhe dar abrigo, mas o místico parece hesitar de entrar na casa de um ladrão,como se o místico fosse mais fraco que o ladrão. Na verdade, eu deveria estar com medo de você – você pode metransformar, você pode mudar toda minha vida! Convidar você significa perigo, mas não estou assustado. Você ébem vindo. Venha para minha casa. Coma, beba, durma, e fique quanto tempo quiser, pois vivo sozinho e o queganho é suficiente. Eu posso sustentar duas pessoas. E seria bom conversar com você sobre grandes coisas. Masvocê parece hesitante.”E Junnaid deu-se conta de que isso era verdade. Ele pediu para ser perdoado. Tocou os pés do ladrão e disse,“Sim, meu enraizamento no meu próprio ser ainda é muito fraco. Você realmente é um homem forte e eu gostaria de ficar na sua casa. E gostaria de ficar por algum tempo, não só por essa noite. Eu também quero aprender a sermais forte.”O ladrão disse, “Então venha!” Ele alimentou o Sufi, deu-lhe algo para beber, ajudou-o a preparar-se para dormir e depois disse, “Agora tenho que ir. Tenho que cuidar de meu próprio negócio. Voltarei de manhã cedo.”De manhã cedo o ladrão retornou. Junnaid perguntou, “Você teve sucesso?”O ladrão disse, “Não, hoje não, mas haverá outros dias.” E isso aconteceu continuamente, por trinta dias: toda noite o ladrão saía, e toda manhã voltava de mãos vazias.Mas ele nunca estava triste, nunca ficava frustrado – não havia sinal de fracasso em seu rosto, ele estava semprefeliz – e ele dizia: “Não importa. Eu fiz o melhor que pude. Não pude achar nada de valor hoje, mas amanhã tentarei.de novo E, se Deus quiser, pode acontecer amanhã se não aconteceu hoje.” Após um mês, Junnaid foi embora, e por anos ele tentou realizar o ato supremo, porém sempre fracassava. Mastoda vez que ele decidia abandonar todo o projeto lembrava-se do ladrão, sua face sorridente e dizendo “Se Deusquiser, aquilo que não aconteceu hoje irá acontecer amanhã.”Junnaid disse ao discípulo, eu me lembro do ladrão como um dos meus maiores mestres. Não fosse ele eu nãoseria o que sou. O terceiro evento foi quando eu estava chegando a um pequeno vilarejo. Um menino estava levando uma velaacesa, obviamente indo ao pequeno templo da cidade para lá 448
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    deixar a velaacesa durante a noite.”Junnaid perguntou: “Você pode me dizer de onde vem a luz? Você mesmo acendeu a vela então deve ter visto.Qual a fonte da luz? O garoto riu e disse, “Espere!” E ele apagou a vela com um sopro na frente de Junnaid. E disse, “Você viu a luz seapagar. Você pode me dizer para onde ela foi? Se me disser aonde ela foi eu lhe direi de onde veio, porque foi parao mesmo lugar. Ela retornou à fonte.” E Junnaid disse, “Encontrei grandes filósofos mas nunca ninguém tinha feito uma declaração tão bonita: ‘Elaretornou à sua própria fonte’. Tudo finalmente retorna a própria fonte em algum momento. Além disso, a criançame fez ciente da minha própria ignorância. Estava tentando brincar com a criança, mas foi ela que brincou comigo. Me mostrou que fazer perguntas tolas – ‘De onde vem a luz?’ – não é inteligente. Ela vem de lugar nenhum, donada – e retorna para lugar algum, para o nada.” Junnaid continuou, “Eu toquei nos pés da criança. A criança ficou perplexa. Ela perguntou, ‘Por que você estátocando meus pés?’ E eu respondi: você é meu mestre. Você me ensinou algo. Você me deu uma grande lição, umgrande insight. “Desde então,” Junnaid disse, “Tenho meditado sobre o nada e, aos poucos, bem lentamente, fui penetrando nonada. E agora chega o momento final quando a vela se apaga, a chama se apaga. E sei para onde estou indo –para a mesma fonte. “Eu me lembro dessa criança com profunda gratidão. Ainda posso vê-la diante de mim, soprando a vela.” 09-O MAIOR DOS MILAGRES Sobre as tentações dos poderes espirituais Fazer um milagre é um grande feito, mas não grande o bastante. Fazer um milagre é ainda permanecer no mundo do ego. Averdadeira grandeza é tão comum que nada reivindica; É tão ordinária que nunca tenta provar coisa alguma.Um homem veio até Lin Chi e disse, “Meu mestre é um grande médium. O que você tem a dizer de seu mestre? Oque seu mestre pode fazer, quais milagres faz?”Lin Chi perguntou, “Que tipo de milagres seu mestre tem feito?”O discípulo disse, “Um dia ele me falou para ir para a outra margem do rio, segurando um pedaço de papel naminha mão. O rio era muito largo, quase uma milha. Ele estava na outra margem e de lá, ele começou a escrever com uma pena, e sua escrita apareceu no meu papel. Eu mesmo presenciei isso, sou uma testemunha disso! Oque seu mestre é capaz de fazer?”Lin Chi disse, “Quando ele está com fome, come, e quando sente sono, ele vai dormir.”O homem disse, “Do que você está falando? Você chama isso de milagres? Todo mundo faz isso!” Lin Chi respondeu, “Ninguém faz isso. Quando você dorme, faz mil e uma coisas. Quando você come, pensa emmil e uma coisas. Quando meu Mestre dorme ele apenas dorme; não se mexe, não se vira, sequer sonha.Somente o sono existe naquele momento, nada mais. E quando sente fome, ele come. Ele está sempreexatamente no lugar onde está.”Qual o sentido em escrever de uma margem do rio para a outra? Isso é pura tolice. Só pessoas tolas seinteressariam por isso. Qual o sentido? Alguém disse Ramakrishna: “Meu mestre é um grande homem. Ele pode andar sobre a água.”Ramakrishna disse, “Tolice! Pois eu posso simplesmente ir até ao barqueiro, e, por apenas duas moedas, ele meleva para o outro lado. Seu Mestre é um tolo. Vá e faça-o perceber de que ele não deve desperdiçar a vida delecom coisas tão simples.” Mas a mente está sempre desejando algo. A mente não é nada além disso, um desejo constante de que algumacoisa aconteça. Às vezes está pensando em dinheiro, ter mais dinheiro, em ter uma casa maior, ter mais respeito,mais poder político. Depois você se volta para a espiritualidade, mas a mente permanece a mesma. Agora quer ter 449
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    mais poderes psíquicos– telepatia, clarividência, e outras besteiras do mesmo gênero. Mas a mente permanece amesma, querendo mais, sempre mais. O mesmo jogo continua.Agora é telepatia, clarividência, poderes psíquicos: “Se você pode fazer isso, posso fazer mais que isso. Posso leros pensamentos das pessoas a milhares de quilômetros de distância.”A vida em si já é um milagre, mas o ego não está preparado para aceitar isso. Este deseja algo especial, algo queninguém mais esteja fazendo, algo extraordinário. 10- VALOR Sobre as virtudes da inutilidade Não se preocupe muito com as coisas utilitárias. Em lugar disso, lembre-se sempre de que você não está vivendo aqui para setornar um produto. pois isso seria indigno. Você não está aqui apenas para tornar-se cada vez mais eficiente, e sim para tornarse cada vez mais vivo. Está aqui para ficar cada vez mais inteligente. Está aqui para ficar cada vez mais feliz, feliz até o êxtase.Lao Tsu estava viajando com seus discípulos e chegaram a uma floresta onde centenas de carpinteiros estavamcortando árvores, pois um grande palácio estava sendo construído.Quase toda a floresta já havia sido cortada, mas havia uma árvore ainda de pé, uma grande árvore com milharesde galhos – tão grande que dez mil pessoas poderiam sentar-se à sua sombra. Lao Tzu pediu a seus discípulos quefossem inquirir por que está árvore ainda não tinha sido cortada, quando toda a floresta havia sido cortada e afloresta estava deserta.Os discípulos perguntaram aos carpinteiros, “Porque vocês não cortaram essa árvore?”Os carpinteiros disseram, “Essa árvore é absolutamente inútil. Sua madeira não pode ser trabalhada porque cada galho têm muitos nós. Nada é reto. Você não pode fazer colunas ou pilares dela, e também não serve para fazermóveis. Você não pode queimá-la, pois a fumaça faz muito mal aos olhos. Então essa árvore é absolutamenteinútil. Eis porque.”Quando os discípulos voltaram e contaram isso a Lao Tsu, ele riu e disse, “Se vocês quiserem sobreviver nessemundo, sejam como essa árvore: completamente inúteis. Assim ninguém irá querer prejudicar vocês. Se foremretoes e alinhados serão cortados, irão virar mobília na casa de alguém. Se forem belos, serão vendidos nomercado, se tornarão objetos. Sejam como esta árvore. Assim ninguém irá lhes fazer mal. E vocês poderãocrescer, tornando-se grandes e vastos, e milhares de pessoas poderão encontrar uma sombra ao lado de vocês.”Lau Tzu tem uma lógica completamente diferente da que existe na sua cabeça. Ele diz: seja o último. Mova-se no mundo como se você não existisse. Permaneça anônimo. Não tente ser o primeiro, não seja competitivo, não tenteprovar seu valor. Não há nenhuma necessidade disso. Permaneça inútil e desfrute.Claro que ele não está sendo prático. Mas se você compreendê-lo você descobrirá que ele está sendo prático numnível mais profundo, porque a vida é feita para ser desfrutada e celebrada, a vida não foi feita para que você setorne um produto utilitário. A vida é mais como poesia do que como um produto no mercado, devia ser semprecomo poesia, música, dança.Lao Tsu diz: Se você tentar ser muito esperto, se tentar ser muito útil, você será usado. Se tentar ser muito prático, em algum momento irão lhe colocar um cabresto, pois o mundo não pode deixar aqueles que são práticosem paz. Lau Tsu diz, deixe tudo isso de lado. Abandone essas idéias. Se você quiser ser um poema, um êxtase,então esqueça da utilidade. Permaneça verdadeiro a si mesmo. 11-RECONHECIMENTO O mestre, o jardineiro e o hóspede 450
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    O anseio damente é de ser extraordinária. O ego tem sede e fome para que reconheçam que você é alguém. Alguém querealizará esse sonho através da riqueza, ou alguém que realizará o sonho através do poder, ou da política. Pode ser alguém que realizará o sonho através de milagres, de truques, não importa, pois o sonho permanece o mesmo: "É insuportável serninguém."E este é o milagre, quando você aceita sua nulidade, quando você se torna tão comum quanto todos os outros, quando você não quer mais nenhum reconhecimento, quando puder existir como se não existisse. Estar ausente é o milagre.Essa história é linda, uma das anedotas mais belas do Zen. Bankei é um dos Mestres supremos. Mas também eraum homem comum.Certo dia, Bankei estava trabalhando em seu jardim. Um buscador apareceu, um homem em busca de um Mestre,aproximou-se e perguntou a Bankei, “Jardineiro, onde está o Mestre?”Bankei sorriu e disse, “Espere. Passe por essa porta, e lá dentro você achará o Mestre.”Então o homem deu a volta e entrou. Encontrou Bankei sentado num trono, o mesmo homem que ele viucuidando do jardim. O jovem perguntou, “Você está brincando? Desça desse trono. Isso é sacrilégio! você não temrespeito pelo Mestre.”Bankei desceu, sentou-se no chão, e disse, “Assim você torna as coisas difíceis. Agora você não irá encontrar omestre aqui, pois eu sou o mestre.”Era difícil para esse homem entender que um grande mestre podia trabalhar no jardim, podia ser uma pessoacomum. Ele foi embora, pois não podia acreditar que aquele homem era o mestre, ele não entendeu.Todos temem ser ninguém. Somente pessoas raras e extraordinárias não temem ser ninguém – um GautamaBuddha, um Bankei. Um ninguém não é um fenômeno comum; é uma das grandes experiências da vida – o fatode que você é, mas ainda assim não é. Que você é pura existência sem nome, sem endereço, sem fronteiras. Nempecador nem santo, nem inferior nem superior, apenas um silêncio.Pessoas estão com medo disso porque toda a personalidade delas terá então desaparecido; nome, fama,respeitabilidade, tudo se vai; daí, o medo. Mas a morte vai tirá-las de você de qualquer forma. Aqueles que sãosensatos permitem que essas coisas caiam por si mesmo. Assim nada resta para a morte levar. Depois todos osmedos desaparecem, pois a morte não pode acontecer a você; já que nada terá restado para ela. A morte nãopode matar um ninguém.Uma vez que você sente essa anulação do ser, você se torna imortal. A experiência de anular o seu ser, de serninguém, é o sentido exato do nirvana, do nada, do silêncio absoluto e imperturbável, sem ego, sempersonalidade, sem nenhuma hipocrisia. Apenas silêncio - e a sinfonia dos insetos no meio da noite.Você está aqui de certa forma, e ainda assim não está.Você está aqui devido a velha associação com o corpo, mas olhe para dentro e verá que não está. E esse insight,essa percepção, onde há puro silêncio e puro estado-de-ser, isso é sua realidade, que a morte não pode destruir.Essa é sua eternidade, sua imortalidade.Não há nada a temer. Não há nada a perder. E se você acha que perdeu algo – nome, respeitabilidade, fama –estes são sem valor. Estes são brinquedos de crianças, não servem para pessoas maduras. É hora de vocêamadurecer, hora de você apenas ser.Seu ser-alguém é tão pequeno. Quanto mais alguém você for, menor é; quanto mais ninguém você for, maior vocêé. Seja absolutamente ninguém, e você será um com a própria existência. 12-QUESTIONANDO O professor e sua sede por respostas Aquele que muito pergunta se perde na selva da filosofia. Deixe que as questões venham e passem. Olhe para a infinidade deperguntas da mesma forma que você olha as pessoas deslocando-se na rua - nada a lhes dar, nada a lhes pedir - com desapego, 451
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    mantendo-se distante.Quanto maisdistância houver entre você e suas questões, melhor. Pois é nesse espaço que a resposta irá surgir.Um professor de filosofia foi até um mestre Zen, Nan-in, e perguntou a respeito de Deus, sobre o nirvana, sobre a meditação, e muitas outras coisas. O mestre escutou em silêncio – perguntas e mais perguntas – e então eledisse, “Você parece cansado. Você subiu esta elevada montanha; veio de um lugar distante. Deixe-me primeiroservir um chá para você.” E o Mestre Zen fez o chá.O professor esperou – a mente dele fervendo com questões. E enquanto o mestre fazia o chá, o samovar cantandoe o aroma do chá começou a se espalhar, o mestre disse ao professor, “Espere, não seja tão apressado. Quem sabe? Talvez ao tomar o chá suas perguntas sejam respondidas, ou mesmo antes disso.”O professor ficou atordoado. Ele começou a pensar, “Toda essa viagem foi um desperdício. Esse homem parece ummaluco. Como podem minhas questões sobre Deus ser respondidas pelo chá? Que importância tem tomar chá? Émelhor dar o fora daqui o mais rápido possível.” Mas como ele estava se sentindo cansado, decidiu esperar etomar uma xícara de chá antes de começar a descer a montanha de volta. O mestre trouxe a chaleira, começou a verter o chá na xícara – e continuou derramando, não parou. A xícara ficoucheia, e o chá começou a transbordar sobre o pires. Depois o pires também ficou cheio. Mais uma gota e o chácomeçaria a escorrer pelo chão, então o professor disse, “Pare! O que você está fazendo? Você ficou maluco? Vocênão pode ver que a xícara está cheia? Você não pode ver que o pires está transbordando?” E o mestre Zen respondeu, “É exatamente nessa situação que você se encontra: sua mente está tão cheia deperguntas que mesmo que eu as responda, não haverá espaço para a resposta penetrar. Mas você me parece serum homem inteligente. Você foi capaz de perceber, que agora mesmo uma única gota de chá a mais bastará paraentornar o chá no chão. Então eu lhe digo; desde que você entrou nessa casa, suas perguntas estãotransbordando por todos os lados. Esse lugar pequeno está transbordando com suas perguntas! Vá embora,esvazie sua xícara, e depois venha. Primeiro crie um pouco de espaço dentro de si mesmo.” 13-ABANDONANDO OCONHECIMENTO A visão assustadora de Naropa A verdade é sua própria experiência, sua própria visão. Mesmo que eu tivesse visto a verdade e a contasse a você, na hora queeu a contar, ela irá se tornar uma mentira para você, não uma verdade. Para mim era uma verdade, para mim ela veio através dos olhos. É minha visão. Mas não será sua visão, será uma coisa emprestado. Será uma crença, será conhecimento, mas nãosaber. E se você crer nisso, estará acreditando numa mentira.Agora lembre-se. Mesmo uma verdade torna-se uma mentira se entrar em você pela porta errada. A verdade tem que entrar pelaporta principal, através dos olhos. A verdade é uma visão, precisa ser vista com seus próprios olhos.Naropa era um grande erudito, um grande sábio, tinha dez mil discípulos. Um dia estava sentado cercado por milhares de escrituras – antigas, bem antigas e raras. Subitamente ele caiu no sono, devia estar cansado, e teveuma visão.Ele viu uma mulher muito velha, bem feia, horrível – uma bruxa. A feiúra dela era tal que ele começou a tremerno sonho. Era tão nauseante que ele queria fugir – mas fugir para onde, para onde ir?Ele foi apanhado, como que hipnotizado pela velha bruxa. Os olhos dela eram como magnetos.“O que você está estudando?” perguntou a velha.Ele disse, “Filosofia, religião, epistemologia, linguagem, gramática, lógica.”O velha perguntou de novo, “Você entende tudo isso?” Naropa disse, “É claro... Sim, eu as compreendo.”“Mas você compreende as palavras, ou o sentido?” A mulher perguntou novamente.Milhares de perguntas foram perguntadas a Naropa na vida dele – milhares de estudantes sempre perguntando,inquirindo. Mas 452
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    ninguém havia perguntadoisso: se ele entendia as palavras ou o sentido. E os olhos da mulhereram penetrantes, olhos que iam até as profundezas de seu ser, era impossível mentir para ela. Para qualqueroutro ele teria dito, “É claro que compreendo o sentido,” mas para essa mulher, essa mulher de aparênciamedonha, ele tinha que dizer a verdade. Ele disse, “Eu entendo as palavras.”A mulher ficou muito feliz. Começou a dançar e a rir, e a feiúra dela foi transformada; uma beleza sutil começou asurgir nela. Pensando, “Eu a fiz tão feliz. Porque não fazê-la ainda mais feliz?” Naropa então disse, “E sim, eutambém entendo o sentido.”A mulher parou de rir, parou de dançar. Ela começou a chorar e a lamentar-se e toda sua feiúra voltou, mil vezespior. Naropa perguntou: “Porque você está chorando e lamentando-se? E por que estava antes rindo e dançando?”Ela respondeu: “Eu fiquei feliz porque um grande erudito como você não havia mentido. Mas agora estou chorandoe lamentando porque você mentiu para mim. Eu sei – e você sabe – que você não compreende o sentido.”A visão desapareceu e Naropa havia sido transformado. Ele fugiu da universidade e nunca mais tocou numa escritura novamente na sua vida. Tornou-se completamente ignorante, pois compreendeu que a mulher não eraninguém de fora, era somente uma projeção. Era o próprio ser de Naropa, que, através do conhecimento, havia setornado tão feio. Bastou esse bocado de entendimento, a de que ele não compreendia o sentido, para que a feiúrase transformasse em algo belo.A visão de Naropa é muito significativa. A menos que você sinta que o conhecimento é inútil, você nunca estaráem busca da sabedoria. Você irá carregar a moeda falsa, pensando tratar-se de um tesouro verdadeiro. Você precisa perceber que o conhecimento é uma moeda falsa, pois não é saber, não é entendimento. No máximo oconhecimento é algo intelectual: a palavra foi entendida, mas o sentido se perdeu. 14-AUTENTICIDADE Milarepa e o falso mestre A coisa real não é um caminho. A coisa real é a autenticidade do buscador. Deixe-me enfatizar isso.Você pode percorrer qualquer caminho. Se você for sincero e autêntico, atingirá seu objetivo. Alguns caminhos serão difíceis,alguns podem ser mais fáceis, alguns podem ter folhas verdes de ambos os lados, outros podem passar através de desertos,haverá caminhos com um belo cenário ao redor deles, enquanto em outros não haverá cenário algum, essas coisas fazem partedo caminho, mas se você for sincero, honesto, autêntico e verdadeiro, então cada caminho lhe conduzirá ao objetivo. Então é possível reduzir tudo a uma só coisa: a autenticidade é o caminho. Não importa qual o caminho escolhido, se você forautêntico, cada um deles conduzira a meta. O contrário também é verdadeiro: não importa que caminho você seguir, se não for autêntico, não alcançará lugar algum. Sua autenticidade lhe traz de volta ao lar, nada mais. Todos os caminhos são secundários.O básico é ser autêntico, verdadeiro. Conta-se sobre um grande místico, Milarepa:Quando foi encontrar seu mestre no Tibet ele era tão humilde, tão puro, tão autêntico, que os outros discípulosficaram com inveja dele. Era certo que ele seria o sucessor. E é claro, que havia política evolvida, assim elestentaram matá-lo.Um dia disseram a ele, “Se você realmente acredita no mestre, pode pular da montanha? Se você realmenteacredita, se tiver confiança, então nada irá lhe acontecer, você não irá se machucar.” E Milarepa saltou, semhesitar por um momento sequer. Eles correram para baixo, pois era uma queda de quase mil metros. Elesdesceram esperando encontrar os ossos dele espatifados, mas encontraram-no sentado numa postura de lótus,muito feliz, imensamente feliz. Ele abriu os olhos e disse, “vocês estão certos, confiança protege.”Pensaram que isso devia ser alguma coincidência. Uma outra vez, quando uma casa estava pegando fogo,disseram a ele: "Se 453
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    você ama seumestre e confia nele, você pode entrar lá.” Ele entrou correndo para salvar umamulher e seu filho que estavam lá dentro. O fogo era tão intenso que os outros discípulos esperavam que elemorresse – mas quando ele saiu com a mulher e a criança, não havia sequer uma queimadura em seu corpo. E eleficou ainda mais radiante, pois a confiança protege.Um outro dia eles estavam indo a algum lugar, e tinham que atravessar um rio, e disseram a ele, “Você nãoprecisa ir no barco. Você tem uma confiança tão grande, que pode andar sobre o rio” – e ele andou.Essa foi a primeira vez que o mestre o viu fazendo essas coisas. Ele não sabia que tinham dito a Milarepa quepulasse da montanha ou entrasse na casa em chamas. Mas dessa vez ele estava ali na outra margem e ele viuMilarepa caminhando sobre as águas e disse: “O que você está fazendo? Isso é impossível!”E Milarepa disse, “Não é impossível de jeito nenhum! Estou fazendo isso através de seu poder, meu senhor.”Então o Mestre pensou, “Se meu nome e meu poder podem fazer isso a esse homem estúpido e ignorante,imagine comigo. E eu mesmo nunca tentei..." Assim ele tentou fazer o mesmo. Ele afogou-se. Nunca mais seouviu falar nele depois desse dia. 15-ATENÇÃO A morte súbita do discípulo de ekido Esteja alerta. Sinta cada momento como se fosse o último. E existe toda possibilidade de que esse seja o último momento! Assimaproveite-o o máximo. Esprema totalmente os sucos deste momento. Nesta totalidade você estará alerta.O Mestre Japonês Ekido era um professor rigoroso e seus pupilos o temiam. Um dia, enquanto soava a hora do dia no gongo do templo, um dos alunos esqueceu uma batida porque estava olhando uma bela garota que passavapelos portões. Sem que o aluno soubesse, Ekido estava de pé atrás dele. Ekido golpeou o aluno com seu bastão.O choque parou o coração do aluno, e ele morreu.Ao ver essa história você pode pensar que o Mestre matou seu discípulo. A coisa não é bem assim. O discípulo iamorrer de qualquer forma, era hora dele morrer. O Mestre sabia disso, ele simplesmente usou o momento damorte para a iluminação do discípulo.Isso não é dito na história, mas foi assim que ocorreu; senão porque estaria o mestre por trás dele? Não teria elenada mais para fazer? Mas naquele momento não havia nada que fosse mais significativo, pois esse discípulo iamorrer e sua morte tinha que ser aproveitada.Essa história é bonita e muito significativa. O discípulo viu uma bela moça passando e perdeu toda a suaconsciência. Todo seu ser ficou cheio de desejo – ele queria seguir essa moça, possuí-la. Estava alerta apenas umsegundo antes, mas naquele instante não estava mais alerta.Quando batia no gongo, estava completamente alerta. Isso é parte da meditação num mosteiro Zen – o que querque você esteja fazendo. Faça isso com total percepção. O que quer que você faça, esteja presente nesse atocomo uma luz, e tudo se revelará. Então esse discípulo, na hora da sua morte, estaria alerta e perceptivo, mas amente interveio e fez a última coisa, seu recurso final – olhou para uma bela garota! Nesse momento, quando odiscípulo perdeu a percepção, o mestre o golpeou com força na cabeça.O mestre estava vendo a morte aproximar-se, invisível, e ele bateu apenas para restaurar a percepção dodiscípulo. O mestre estava esperando atrás.Mestres estão sempre esperando por trás dos seus discípulos, seja física ou não- fisicamente – e esse é um dosgrandes momentos, quando uma pessoa está prestes a morrer. O Mestre o golpeou com força, o seu corpo caiu,mas por dentro ele voltou a estar alerta. O desejo desapareceu. Tudo caiu junto com o corpo, despedaçado; eletornou-se alerta. Nesse estado de atenção, ele morreu. E se você puder juntar o estado de atenção com a morte,você se torna iluminado. 454
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    16-IMITAÇÃO O dedo deGutei apontando para o Uno Seja verdadeiro para si mesmo, pois sua própria verdade pode lhe conduzir até a verdade suprema. A verdade dos outros nãopode ser sua própria. Você traz dentro de si uma semente. Somente se essa semente crescer e tornar-se uma árvore, você irá florescer; assim você estará em êxtase, terá uma bênção. Mas se você estiver seguindo outros essa semente irá permanecermorta. E você pode acumular todos os ideais do mundo e ser bem-sucedido, mas irá sentir-se vazio, pois nada mais podepreenchê-lo: só sua semente, quando virar uma árvore, lhe preencherá. Você só irá sentir-se realizado quando sua verdadeflorescer, nunca antes disso.O mestre Zen Gutei tinha o hábito de levantar seu dedo sempre que ele explicava algo sobre o Zen. Um discípulomuito jovem começou a imitá-lo, toda vez que alguém perguntava ao discípulo o que seu mestre estavaensinando, o jovem levantava o dedo.Gutei soube disso e, um dia, ao encontrar o jovem que estava explicando algo com seu dedo levantado, elesegurou o jovem, puxou uma faca, cortou o dedo dele, e jogou-o longe.Quando o rapaz saiu correndo gritando, Gutei falou, “Pare!” O rapaz parou, voltou-se, e olhou para o seu mestrecom os olhos banhados de lágrimas.Gutei havia erguido seu próprio dedo. O rapaz tentou levantar seu dedo, mas, quando viu que não havia maisdedo, ele curvou-se. Nesse instante ele se tornou iluminado.Esta é uma história bem estranha, e existe toda possibilidade de que você a interprete de forma incorreta, porquea coisa mais difícil de entender na vida é o comportamento de uma pessoa iluminada.Mestres nunca fazem coisa alguma desnecessariamente, nem mesmo erguer um dedo. Gutei nem sempre erguia seu dedo, apenas quando explicava uma questão relativa ao Zen – porque? Todos os seus problemas surgemporque você está fragmentado, em desunião, um caos, não em harmonia. E o que é a meditação? Nada a não sertornar-se um.As explicações de Gutei eram secundárias, o dedo erguido era a coisa mais importante. Ele estava dizendo, “Sejaum! E todos os seus problemas estarão resolvidos.” O jovem passou a imitá-lo. Agora, imitação não levará você a lugar algum. Imitação significa que o ideal vem de fora, não é algo que estejaacontecendo dentro de você. Você tem uma semente dentro de si, mas, se permanecer imitando os outros, essasemente continuará sem vida. Gutei deve ter sido muito compassivo. Somente através da compaixão você pode ser tão duro – a imitação precisaser severamente cortada. O dedo é apenas simbólico. O jovem precisava sofrer um choque severo, e o sofrimentoprecisava ir até a raiz de seu ser. Um momento intenso de percepção, uma tática bem inteligente...Gutei gritou, “Pare!” E, quando o jovem parou não havia mais dor. Então, por força do hábito, quando o mestre ergueu seu dedo, o discípulo também o fez, mas o dedo não estava lá. Pela primeira vez ele se deu conta de quenão era o corpo, mas sim a consciência, a percepção. Ele é uma alma, e o corpo é apenas sua morada.Você é a luz que brilha dentro – não a lâmpada, mas a chama. 17-UMA XÍCARA DE CHÁ As pálpebras de Bodhidharma e as origens do chá Consciência vem através da sensibilidade. Você tem que se tornar mais sensível a tudo aquilo que você faz, de forma que mesmouma coisa trivial como o chá... você pode pensar em coisa mais trivial do que chá? Você pode encontrar coisa mais comum do que chá? Não, não pode, e os mestres e monges Zen elevaram essa coisa tão comum ao ponto de torná-la extraordinária. Elesinterligaram "isso" e "aquilo"... como se chá e Deus tivessem se tornado um só.A menos que chá se torne divino você não será divino, pois o menor precisa ser elevado para o maior, o ordinário tem que serelevado para o extraordinário, a terra precisa ser o paraíso. É preciso criar uma ponte, não pode haver 455
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    nenhuma brecha.O cháfoi descoberto por Bodhidharma, o fundador do Zen. É uma bela história.Ele esteve meditando por nove anos, olhando para uma parede. Nove anos, apenas encarando uma parede,continuamente, é natural que eventualmente ele começasse ter sono.Ele lutou e lutou contra o seu sono – lembre-se, o sono metafísico, a inconsciência. Ele queria permanecer cônsciomesmo enquanto dormia. Ele queria manter a consciência permanentemente – a luz deveria brilhar dia e noite,por vinte e quatro horas. Eis o que dhyana é, o que meditação é: percepção.Uma noite ele sentiu que seria impossível manter-se alerta; pois estava caindo de sono. Ele cortou suas pálpebrase as jogou fora! Agora não havia mais como fechar os olhos. A história é linda. Para obter a visão interior, esse olhar para fora deve ser abandonado. Esse é um preço que deveser pago. E que aconteceu depois? Após alguns dias, ele descobriu que aquelas pálpebras que ele havia jogado nochão, tinham começado a brotar novamente. Esse broto tornou-se o chá.Eis porque quando você bebe chá, alguma coisa de Bodhidharma penetra em você e o mantém acordado.Bodhidharma estava meditando numa montanha chamada T’a, daí o nome, chá. Isso procede dessa montanhaonde Bodhidharma meditou por nove anos.Isto é uma parábola. Quando um Mestre Zen diz, “Beba uma xícara de chá,” ele está dizendo, “Prove um pouco de Bodhidharma. Não se importe com essas questões, se existe Deus ou não, quem criou o mundo, onde fica oparaíso e onde fica o inferno e qual é a teoria do Karma e da reencarnação.”Quando o Mestre Zen diz, “Esqueça suas dúvidas e beba uma xícara de chá,” ele está dizendo: “Melhor ficar maisatento, não se prenda a essas coisas sem sentido. Nada disso irá lhe ajudar. 18-MEDITAÇÃO De que lado de seu guarda-chuva você deixou seus sapatos? Faça as pequenas coisas da vida com uma consciência relaxada. Quando estiver comendo, coma com totalidade - mastigue comtotalidade, saboreie totalmente, cheire totalmente. Toque no seu pão, sinta a textura. Cheire o pão, sinta o sabor. Mastigue-o, deixe-o dissolver-se no seu ser, e permaneça consciente - você estará meditando. E então meditação não estará separada davida.Sempre que a meditação é separada da vida, algo está errado. Ela se torna negação da vida. Nesse caso a pessoa começa a pensar em ir para um monastério ou para uma caverna no Himalaya. Assim a pessoa quer fugir da vida, porque a vida parece seruma distração da meditação.A vida não é uma distração, vida é uma ocasião para meditação.Um discípulo veio para ver Ikkyu, seu mestre. O discípulo já estava praticando por algum tempo. Estavachovendo, e quando ele entrou, deixou os sapatos e guarda-chuva do lado de fora.Após ter prestado seus respeitos, o mestre perguntou a ele de que lado dos seus sapatos ele havia deixado seu guarda-chuva.Agora, que pergunta...? Você não espera que mestres perguntem tais questões bobas – espera que elesperguntem a respeito de Deus, sobre a energia kundalini, chacras se abrindo, luzes acendendo na sua cabeça.Você pergunta a respeito de grandes coisas – oculto, esotérico. Mas Ikkyu fez uma pergunta bem comum. Nenhum santo Cristão teria feito essa pergunta, tampouco um monge Jainista ou um swami Hindu. Isso só podeser feito por aquele que realmente está com Buda, dentro doo Buda – que realmente ele mesmo é um Budha.O mestre lhe perguntou de que lado dos sapatos ele havia deixado seu guarda-chuva. Agora, o que sapatos eguarda-chuva tem a ver com espiritualidade? Se a mesma pergunta lhe fosse feita, você teria ficado aborrecido.Que tipo de questão é essa? Mas há algo imensamente valioso nela. Tivesse ele perguntado sobre Deus, sobre suaenergia kundalini e chacras, isso teria sido bobagem, totalmente sem sentido. Mas isso tem significado. O discípulonão pôde lembrar-se – quem se importa onde foram deixados os sapatos e de qual lado você 456
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    deixou seu guardachuva,àdireita ou à esquerda. Quem se importa? Quem dá tanta atenção assim a guarda-chuvas? Quem seimporta com calçados? Quem é tão cuidadoso assim? Mas isso era o bastante: o discípulo foi recusado.Ikkyu disse, “Assim vá e medite por mais sete anos.”“Sete anos?” disse o discípulo. “Apenas por essa pequena falta?”Ikkyu disse, “Essa não foi uma falha pequena. Enganos não são grandes nem pequenos – você ainda não estávivendo meditativamente, isso é tudo. Volte, medite por mais sete anos, e depois volte aqui.”Essa é a parte essencial da mensagem: Seja cuidadoso, tenha cuidado com tudo. E não faça qualquer distinção entre as coisas, dizendo que isso é trivial eaquilo é espiritual. Isso depende de você. Preste atenção, seja cuidadoso, e tudo se torna espiritual. Não presteatenção, não seja cuidadoso e tudo se torna não-espiritual.Espiritualidade é atribuída Às coisas por você, é seu presente para o mundo.Quando um mestre como Ikkyu toca seu guarda-chuva, este guarda-chuva é tão divino quanto qualquer coisapode ser. A energia da meditação é alquímica. Esta transforma o metal base em ouro; ela vai transformando obásico no mais elevado. No pico máximo, tudo se torna divino. Esse mesmo mundo é o paraíso, e esse mesmo corpo o Buda. 19-PERMANECENDO CENTRADO O monge e a prostituta Onde quer que você esteja, fique centrado, torne-se mais alerta, viva de forma mais consciente. Não há nenhum outro lugarpara ir. Tudo que tiver de acontecer, precisa acontecer dentro de você, e isso só depende de você.Você não é um marionete, e as cordas que o sustentam não estão nas mãos de ninguém. Você é um indivíduo absolutamentelivre. Se decidir permanecer nas ilusões, você pode ficar assim por muitas e muitas vidas. Se você decidir dar o fora, basta umúnico instante para decidir. Você pode deixar para trás todas as ilusões agora mesmo.Buda estava em Vaishali, onde Amrapali viveu – Amrapali era uma prostituta. No tempo de Buda, na Índia, era comum que as mulheres mais bonitas de qualquer cidade não seriam permitidas casar com qualquer pessoa, poisisso irá criar desnecessário ciúmes, inveja, conflito, luta. Assim as mais belas mulheres tinham que se tornarnagarvadhu - esposas da cidade inteira.Isso não era vergonhoso de maneira alguma; pelo contrário, elas eram muito respeitadas. Não eram prostitutascomuns. Só eram visitadas por aqueles muito ricos, ou reis, príncipes, generais – a classe mais alta da sociedade.Amrapali era muito bonita. Um dia ela estava no seu terraço e viu um jovem monge Budista. Ela nunca tinha seapaixonado por alguém, mas ela sentiu-se subitamente apaixonada – um jovem de uma tremenda presença,percepção, graça. O jeito que ele caminhava... Ela desceu correndo e disse a ele, “Dentro de três dias a estaçãochuvosa vai começar...” Ela sabia que monges budistas não se movem durante quatro meses durante os quatromeses da estação de chuvas. Amrapali disse, “Eu lhe convido para ficar na minha casa durante os próximos quatromeses.”O jovem monge respondeu, “Vou perguntar ao meu mestre. Se ele permitir, ficarei.”O jovem monge foi, tocou nos pés de Buda e contou a história toda, “Ela me pediu para ficar os quatro meses nacasa dela. Eu disse a ela que iria consultar meu mestre, então estou aqui... farei o que você disser.”Buda olhou em seus olhos e disse, “Você pode ficar.”Isso foi um choque. Dez mil monges... Houve grande silêncio mas muita raiva, muita inveja. Depois que o jovemsaiu para ficar com Amrapali, os monges começaram a trazer fofocas todos os dias, “Toda a cidade está emrebuliço. Só se fala numa coisa – que um monge budista está na casa de Amrapali.”Buda disse, “Vocês deveriam guardar silêncio. Eu confio no meu monge. Eu olhei nos de seus olhos – não havianenhum desejo. Se eu tivesse dito não, ele teria se chateado. Eu disse sim... ele simplesmente foi. E eu confio naconsciência dele, na sua meditação. Porque vocês ficaram tão agitados e 457
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    preocupados?Após quatro meseso jovem voltou, tocou nos pés de Buda – e com ele estava Amrapali, vestida como uma monjabudista. Ela tocou nos pés de Buda e disse, “Eu dei o máximo de mim para seduzir seu monge, mas foi ele que meseduziu. Ele me convenceu pela sua presença e percepção que a verdadeira vida consiste em segui-lo.”E Buda então disse para a assembléia de monjes, “Agora, estão satisfeitos ou não?” Se a meditação for profunda,se a percepção for clara, nada pode perturbá-la. Amrapali tornou- se uma das mulheres iluminadas entre osdiscípulos de Buda. 20-EGO A mulher e a travessia do rio Ego é um fenômeno social - é a sociedade, e não você. Mas ele lhe dá uma função na sociedade, um lugar na hierarquia dasociedade. E se você se contentar com ele, irá perder a oportunidade de encontrar o seu verdadeiro eu.Você já notou que todo tipo de miséria entra através do ego? Este não pode lhe fazer feliz; ele só pode lhe fazer miserável. Ego éo inferno. Sempre que estiver sofrendo, tente observar e analisar, e você irá perceber que, de alguma forma, o ego é a causa dosofrimento.Dois monges Budistas estão retornando para o monastério deles quando chegaram a uma passagem em um rio. Acorrente era muito forte, era uma região montanhosa. Uma jovem e bela mulher estava ali, esperando que alguéma ajudasse, pois estava com medo de atravessar sozinha.Um monge, o mais idoso, é claro... porque ele é o mais velho, ele caminha na frente – tudo jogo do ego. Se vocêfor mais velho, você tem que caminhar à frente; monges mais jovens precisam caminhar um pouco atrás. Omonge mais velho vem primeiro. A garota pede a ele, “Você pode me ajudar; basta segurar minha mão? Estoucom medo, a corrente está tão forte e talvez, o rio possa ser fundo.”O velho fechou os olhos – isso é o que Buda disse aos monges, que se vissem uma mulher, sobretudo uma mulherbonita, deveriam fechar os olhos. Isso é surpreendente: você já a viu, depois você fecha os olhos; senão, comovocê pode determinar que ela é uma mulher, e bela? Você já está afetado, e agora você fecha seus olhos! Assimele fechou os olhos e entrou no rio sem responder a mulher.Depois o segundo, o monge mais jovem chega. A garota está com medo, porém, não há nada mais a fazer – o solestá se pondo, logo será noite. Então ela pede ao jovem monge, ”Por favor, você pode segurar minha mão? Apassagem parece ser tão fundo e a corrente está forte e estou com medo.”O monge diz, “Está fundo, eu sei, e apenas dar as mãos não servirá; sente-se sobre meus ombros e eu acarregarei até o outro lado.”Quando chegaram no monastério o monge mais velho diz para o mais jovem, “Você, companheiro, cometeu umpecado e eu vou relatar que você não somente tocou na mulher, não somente falou com ela, você a carregou nosseus ombros! Você deve ser expulso da comunidade; não é digno de ser um monge.”O jovem simplesmente sorriu e disse, “Parece que embora eu tenha deixado aquela mulher há alguns quilômetros,você ainda a carrega nos seus ombros. Andamos quilômetros e você ainda se sente incomodado por isso?”Agora, o que estava acontecendo a esse velho monge? A mulher era bela; ele havia deixado escapar uma chance.Ele estava irritado, com inveja. Estava cheio de sensualidade, muito confuso. O mais jovem, no entanto, estavacompletamente limpo. Ele carregou a mulher através do rio e a deixou na outra margem, e isso é tudo, a coisaterminou ali.Nunca lute contra a ganância, o ego, a raiva, a inveja, o ódio – você não pode eliminá-los, você não podecombatê-los. Tudo que pode fazer é percebê-los. No momento que você tiver essa percepção, estará livre deles.Na luz, a escuridão simplesmente desaparece. 458
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    21- CONSCIÊNCIA Maria Madalenae o perfume precioso A sociedade prossegue lhe dizendo, "Isso está certo, e aquilo está errado". Chamam a isso de consciência. Ela se fixa, ficaimplantada em você. Você fica repetindo-o. Isso não tem valor; não é verdadeiro. A coisa real é sua própria consciência. Estanão carrega respostas pre-definidas sobre o que é errado e o que é certo, não. Mas instantaneamente, seja qual for a situaçãoque surja, ela lhe traz a luz - você entende imediatamente o que deve ser feito.Jesus foi visitar a casa de Maria Madalena. Maria estava profundamente apaixonada. Ela derramou um perfumemuito precioso nos pés dele – o frasco inteiro. Era um perfume bem raro que podia ter sido vendido. Judasimediatamente objetou. Ele disse, “Você deve proibir as pessoas de fazer essas coisas sem sentido. O perfumeficará estragado, e há pessoas que são pobres e que nada têm para comer. Podíamos ter distribuído o dinheiropara os pobres.”Jesus disse: “Não se preocupe com isso. O pobre e o faminto estarão sempre aqui, mas eu terei partido. Vocêpode serví-los durante toda sua vida, mas eu terei partido. mas eu terei ido. Olhe para o amor, não para operfume precioso. Veja o amor de Maria, seu coração.”Com quem você irá concordar? Jesus parece ser muito burguês e Judas parece perfeitamente econômico. Judasestá falando a respeito dos pobres, e Jesus apenas diz que partirá logo, assim deixe o coração dela fazer o que elaquiser e não traga aqui sua filosofia.”Geralmente sua mente irá concordar com Judas. Ele era um homem bem aculturado, sofisticado, um pensador. Eele o traiu – vendendo Jesus por trinta moedas de prata. Mas, quando Jesus foi crucificado, ele começou a sentirseculpado. É assim que um homem bom funciona – ele começou a se sentir muito culpado, a consciência delecomeçou a perturbá-lo. Ele cometeu suicídio.Era um homem bom, tinha uma consciência. Mas ele não era consciencioso. Essa distinção precisa serprofundamente entendida. Consciência é emprestada, fornecida pela sociedade. A consciência é sua realização. Asociedade lhe ensina o que é certo e o que é errado: faça isso e não faça aquilo. Ela lhe dá a moral, o código, asregras do jogo – essa é sua consciência. Do lado de fora, o policial; dentro, a consciência – é assim que asociedade lhe controla.Judas tinha uma consciência, mas Jesus era consciencioso. Jesus estava mais interessado no amor da mulher,Maria Madalena. Isso era uma coisa tão profunda que coibí-lo seria ferir o amor dela; ela iria afundar dentro de simesma. Derramar o perfume sobre os pés de Jesus foi apenas um gesto. Por trás disso, ela estava dizendo. “Issoé tudo que tenho – a coisa mais preciosa que possuo. Verter água não seria o bastante; está é muito barata. Eugostaria de derramar meu coração, eu gostaria de derramar todo meu ser....”Mas Judas tinha somente sua cosnciência: ele olhou para o perfume e disse, “Este é valioso.” Estavacompletamente cego para a mulher e seu coração. O perfume é material, o amor é imaterial. Judas não conseguiaver o imaterial. Para isso, você precisa dos olhos da perceptividade. 22-O CORAÇÃO TOLO A louca sabedoria de Franscisco de Assis O coração tem razões que a mente desconhece. O coração tem sua própria dimensão de ser, que é completamente oculta para amente. O coração é mais elevado e mais profundo do que a mente, está além do alcance dela. Isso parece bobagem. O amorsempre parece bobo porque não é utilitário. A Mente é utilitária. Para ela, todas as coisas têm algum propósito - esse é o sentidode ser utilitária. Mente é resoluta, orientada para um fim; ela transforma tudo em um meio, e o amor não pode ser transformadoem um meio, esse é o problema. O amor em si mesmo é a meta. Tolos possuem uma sabedoria sutíl neles, e os sábios agem como tolos. Antigamente, todos os imperadorestinham um bobo da corte. Também tinham sábios, conselheiros, 459
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    ministros e primeiroministros, mas sempremantinham um bobo na corte.Porque? – porque existem coisas que os assim chamados sábios não serão capazes de entender, coisas quesomente um bobo pode entender – isso porque aqueles que se dizem sábios são tão tolos que a esperteza einteligência deles fecham suas mentes. Um bobo da corte é tolo, e eles eram necessários porque há coisas que ossábios não diriam por medo do imperador. Um tolo não tem medo de ninguém, irá falar não importa asconsequências.É assim que os tolos agem, de forma simples, sem pensar qual será o resultado. Um homem sensato semprepondera o resultado, depois age. O pensamento vem primeiro, depois a ação; um homem tolo age, o pensamentonunca vem antes. Sempre que alguém realiza o supremo, ele não é como seus sábios. Ele não pode ser. Pode ser como seus bobos,mas não como seus sábios.Quando São Francisco tornou-se iluminado ele costumava chamar a si mesmo de “Bobo de Deus.” O papa era umsábio, e quando São Francisco foi vê-lo mesmo o papa achou que esse homem havia enlouquecido. Ele erainteligente, calculista, esperto, do contrário como teria se tornado papa? Para tornar-se um papa é preciso sermuito hábil na política. Para tornar-se um papa diplomacia é necessária, uma competição agressiva é necessáriopara deixar para trás os oponentes, para usar os outros como escada e depois derrubá-los.Tudo isso é política... pois o papa é um líder político. A religião é secundária, ou absolutamente nada. Como podeum homem religioso lutar e ser agressivo por um posto? Eles são somente políticos.São Francisco veio falar com o papa, e o papa achou que esse homem era um tolo. Mas as árvores, os pássaros eos peixes pensavam de maneira diferente. Quando São Francisco ia até o rio os peixes saltavam em celebração por sua vinda. Milhares de pessoas presenciaram esse fenômeno – milhões de peixes saltavam simultaneamente;todo o rio ficava tomado por peixes que saltavam simultaneamente. São Francisco havia chegado e os peixesestavam felizes. E aonde quer que ele fosse os pássaros o seguiam e vinham pousar na perna dele, em seu colo.Eles entendiam esse tolo melhor do que o papa. Até mesmo árvores que tinham secado e estavam morrendovoltavam a verdejar e a florescer novamente se São Francisco chegasse perto. As árvores compreendiam que essetolo não era um bobo qualquer; ele era o "bobo de Deus". 23-ORAÇÃO Amor e a lei de Moisés Deixe que seus gestos sejam espontâneos, cheios de vida. Deixe sua própria consciência guiar seu estilo de vida, seu padrão devida. Não permita que ninguém decida por você, isso seria um pecado.Porque é um pecado? Porque você nunca estará presente. Irá permanecer superficial, será hipócrita. Não pergunte a ninguémcomo orar. Deixe que o momento decida, deixe o momento ser decisivo, e a verdade daquele momento deverá ser sua oração.Uma vez que você permite a verdade do momento tomar conta do seu ser, começará a crescer e irá conhecer a beleza profundada oração. Você estará trilhando o caminho.Está é uma história famosa sobre Moisés:Ele passava por uma floresta e ele viu um homem orando. O homem estava dizendo tais absurdos que Moisés teveque parar. O que o homem estava dizendo era profano, um sacrilégio. Ele dizia, “Deus, às vezes você deve sentirsemuito sozinho. Eu posso ir e ficar sempre com você como uma sombra. Porque sofrer com a solidão quandoestou aqui? Eu não sou imprestável – posso lhe dar um bom banho, e tirar todos os piolhos de seu cabelo e de seucorpo...”Piolhos?! Moisés não podia acreditar nos seus ouvidos: de que este homem está falando? “E eu cozinharei comidapara você – todo mundo gosta da comida que preparo. E irei arrumar sua cama e lavar suas roupas. Quando vocêestiver doente eu cuidarei de você. Eu serei uma mãe para você, uma esposa para você, um servo, um escravo –eu posso ser todo tipo de 460
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    coisa. Apenas medê um sinal para que eu possa vir...”Piolhos? Moisés não podia acreditar no que estava ouvindo: O que esse homem estava dizendo? "E irei cozinharpara você, todos gostam do que cozinho. Farei sua cama e lavarei suas roupas. Quando você ficar doente, cuidareide você, serei sua mãe, sua mulher, seu servo, seu escravo... Posso ser qualquer coisa, basta que você me dê umsinal para que eu possa ir..." Moisés interrompeu-o e perguntou-lhe o que ele estava fazendo, com quem estava falando: "Piolhos no cabelo de Deus? Ele precisa de banho? Pare de falar besteiras! Isto não é oração. Deus ficaráofendido com suas palavras.”Olhando para Moisés, o homem jogou-se aos seus pés e disse: “Perdoe-me, Sou um analfabeto, ignorante. Não seirezar, por favor, me ensine!”Então Moisés o ensinou a maneira correta de orar, e ficou muito feliz pois havia colocado um homem na trilhacerta. Feliz, com seu ego inflado, Moisés foi embora. E quando ele estava sozinho na floresta, uma voz trovejanteveio do céu e disse, “Moisés, eu lhe trouxe ao mundo para levar as pessoas até mim, para conectar as pessoascomigo, e não para afastar de mim aqueles que me amam. E foi isso exatamente o que você fez. Aquele homemera um dos meus mais íntimos. Volte lá e peça desculpas. Diga-lhe para esquecer da reza que você ensinou. Vocêdestruiu toda a beleza do dialogo dele. Ele é sincero, ele é amoroso. Seu amor é verdadeiro. O que quer que eleestivesse dizendo, ele estava dizendo de coração, não era um ritual. Agora, o que você deu a ele é só um ritual.Ele irá repetí-lo, mas isso estará apenas nos lábios dele; não estará vindo de seu ser.” 4-ABUSO DE PODER Como Vivekananda perdeu sua chave O único antídoto para o abuso do poder psíquico é o amor. Do contrário, todo poder corrompe. Pode ser riqueza, pode serprestígio, pode ser política, ou pode ser poder psíquico, não faz diferença. Sempre que você se sentir poderoso, se não tiveramor como um antídoto, seus poderes irão se tornar uma calamidade para os outros, uma maldição; porque o poder nos cega.O amor abre os olhos, amor limpa a visão... sua percepção fica nítida e clara.No Ashram de Ramakrishna em Calcutá, havia muitos discípulos e Vivekananda era o mais intelectual. Havia umhomem bem simples que também era um discípulo. Seu nome era Kalu, um homem pobre. Ele era tão leal,religioso, emotivo que tinha no seu quarto centenas de estátuas de deuses diferentes. De manhã cedo ele tomavabanho no Ganges e depois ia adorar esses deuses. É claro que todos tinham que ser venerado com a esmaintensidade; senão um deles poderia sentir-se ofendido. Então Kalu gastava todo o seu dia com isso, e os outrosriam dele: “Que você está fazendo? Apenas um deus é suficiente!”Vivekananda era o mais proeminente para debochar de Kalu, dizendo: “Você é um estúpido, são apenas estatuetasde pedra! E você está desperdiçando sua vida.”Um dia Ramakrishna deu a Vivekananda um certo método de conscientização para praticar: “Vá para seu quarto,feche a porta e pratique-o.” Quando Vivekananda atingiu um certo estágio, sentiu-se tão cheio de poder que teveuma idéia: “Se eu disser para Kalu, nesse momento, apenas dentro de mim mesmo, ‘Pegue todos os seus deusese jogue-os no rio Ganges', ele irá obedecer.”E ele fez isso, ele disse, em seu próprio quarto, apenas para si mesmo: “Kalu, junte todos os seus deuses e jogueosno Ganges.” Kalu reuniu todos os seus deuses dentro de uma sacola grande e estava arrastando a sacola pelaescadaria quando Ramakrishna chegou até ele e disse, “Que você está fazendo?”Kalu disse, “De repente ouvi uma voz que deve ter vindo do próprio Deus, pois não havia mais ninguém no quarto,e a voz dizia: ‘Kalu, pegue todos os seus deuses e jogue-os no Ganges.’ Era uma voz tão poderosa que não pudeduvidar dela.”Ramakrishna disse, “Venha. Traga seus deuses de volta e lhe mostrarei de onde veio a voz.” Ele bateu na porta de 461
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    Vivekananda. Vivekananda saiue Ramakrishna estava muito zangado. Ele disse, "Vivekananda, essa é a últimacoisa que eu esperava de você. Eu tinha lhe dito para ficar mais perceptivo, e não que arruinasse a vida de umpobre homem. Ele tem um coração tão puro, tão amoroso, um homem tão bonito... como você pôde fazer isso?Doravante, você jamais terá esses poderes de novo.”Conta-se que Vivekananda morreu sem atingir a iluminação. Ainda que ele tenha se tornado o sucessor deRamakrishna porque era um grande orador, ele tinha um certo carisma e influenciava as pessoas, ele mesmomorreu pobre, sem nenhum conhecimento. E isso só aconteceu porque ele, tendo obtido algum poder, decidiu usálopara perturbar um homem, não usou seu poder para ajudar, mas sim para prejudicar alguém. 25-LUZ NO CAMINHO O filósofo, o místico e a tempestade de trovões Um clarão de relâmpago não ilumina seu caminho, não funciona como uma lanterna na sua mão. Apenas lhe dá um lampejo, umvislunbre da estrada adiante. Mas esse simples vislumbre é muito precioso; agora seus pés estão firmes, agora sua vontade éreforçada, agora sua decisão de alcançar seu destno fica fortalecida. Você viu a estrada e sabe que está ali e que você não estávagando sem rumo. Um raio de luz bastou para que você tivesse um vislumbre da estrada que deve trilhar e do templo que estáno final de sua jornada.Eu ouvi contar sobre dois homens que estavam perdidos em uma floresta numa noite muito escura. Era umafloresta bem perigosa, cheia de animais selvagens, muito densa, totalmente às escuras. Um homem era filósofo eo outro um místico.De repente, caiu uma tempestade, um choque de nuvens, e um grande relâmpago. O filósofo olhou para o céu, omístico olhou para o caminho. Naquele momento do relâmpago, o caminho diante dele, foi iluminado. O filósofoolhou para o relâmpago, e começou a se perguntar, “Que está acontecendo?”, e assim, perdeu a trilha.Você está perdido numa floresta mais densa do que a dessa história. A noite é ainda mais escura. Algumas vezesum clarão de relâmpago acontece – olhe para o caminho. Um Chuang Tsu está iluminando, um Buddha estáiluminandoo, Eu estou iluminando. Não olhe para mim, olhe para o caminho. Se olhar para mim, você já perdeu,pois o relâmpago não será contínuo. Este dura só um instante, e o momento no qual a eternidade penetra notempo é raro, assim como um raio.Se você olhar para o raio, se você olhar para um Buda – e um Buda é belo, seu rosto é fascinante, seus olhos sãomagnéticos – se você olha para um Buda, terá perdido a trilha. Olhe para o caminho, esqueça o Buda.Olhe para o caminho e faça alguma coisa – siga a trilha, aja. O pensamento não poderá guiá-lo, somente a ação,pois o pensamento se dá dentro de sua cabeça. Nunca pode tornar-se pleno, apenas suas ações podem serplenas. Preste atenção na vida! – viver é a coisa real. Não vá acumulando informações sobre o que é a meditação– medite! Não fique colecionando informações sobre o que é a dança, existem enciclopédias sobre a dança, mas acoisa toda é completamente inútil a menos que você dance. Jogue fora todas essas enciclopédias! Livre-se doconhecimento e comece a viver.E quando você começar a viver, então as coisas comuns e ordinárias são transformadas numa belezaextraordinária. São coisas pequenas, pois a vida consiste de coisas pequenas – mas quando você leva para elasum amor intenso, apaixonado,elas se transformam, se enchem de luz. 26-UNICIDADE Além da superioridade e da inferioridade Todo ser humano é único. Não há nenhuma questão de alguém superior ou inferior. Sim, as pessoas são diferentes.Deixem-me lembrá-los de uma coisa; senão vocês me 462
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    entenderão mal. Eunão estou dizendo que todo mundo é igual. Ninguém ésuperior, ninguém é inferior, mas ninguém também é igual. As pessoas são simplesmente únicas, incomparáveis. Você é você,eu sou eu. Eu tenho que contribuir com meu potencial para a vida, você tem que contribuir com seu potencial para a vida. Eutenho que descobrir meu próprio ser, você tem que descobrir seu próprio ser.Quando inferioridade desaparece, todo sentimento de superioridade também desaparece. Eles vivem juntos, nãopodem ser separados. O homem que se sente superior ainda está sentindo-se inferior de algum modo. O homemque se sente inferior quer se sentir superior de alguma maneira. Eles chegam num par; eles estão sempre juntos;não podem ficar parados.Aconteceu... Um homem muito arrogante, um guerreiro, um samurai, veio ver um mestre Zen. O samurai eramuito famoso, muito conhecido por todo o país, mas olhando para o mestre, olhando para a beleza do mestre e nagraça do momento, ele subitamente sentiu-se inferior. Talvez ele tenha vindo com um desejo inconsciente deprovar sua superioridade. Ele disse ao mestre “Porque estou me sentindo inferior? Apenas um momento antes,tudo estava ok. Quando entrei na sua corte subitamente me senti inferior. Eu nunca me senti assim. Minhas mãosestão tremendo. Sou um guerreiro, já enfrentei a morte muitas vezes, e nunca senti nenhum medo – porqueestou me sentindo assustado?”O mestre disse, “Você espere. Quando todo mundo for embora, eu responderei.” As pessoas continuaramchegando para visitar o mestre, e o homem foi ficando cansado, mais e mais cansado. Lá pela tarde a sala ficouvazia, e não havia mais ninguém, e o samurai disse, “Agora você pode responder?” E o mestre disse, “Agora,venha para fora.”Uma noite de lua cheia – a lua estava justamente surgindo no horizonte... E ele disse, “Olhe para estas árvores,essa árvore alta no céu e essa pequena árvore. Ambas têm existido ao lado da minha janela por anos, e nuncahouve nenhum problema. A árvore menor nunca disse, ‘Porque me sinto inferior diante de você?’ para a árvoregrande. Como isso é possível? Esta árvore é pequena, e aquela árvore é grande, e eu nunca ouvi qualquercochicho.”O samurai disse, “Porque elas não podem comparar.”O mestre disse, “Então você não precisa me perguntar; você sabe a resposta.”Comparação traz inferioridade, superioridade. Quando você não compara, toda inferioridade, toda superioridadedesaparece. Assim você é, você está simplesmente aí. Um pequeno arbusto ou uma grande árvore – isso nãoimporta; você é você mesmo. Você é necessário. Uma folha de grama é tão necessária quanto a maior estrela.Sem a folha de grama Deus será menor do que ele é. O canto do cuco é tão necessário tanto quanto qualquerBuda; o mundo será menor, será menos rico se o cuco desaparecer.Apenas olhe ao redor. Tudo é necessário, e tudo se encaixa. È uma unidade orgânica: ninguém é mais elevado eninguém é mais baixo, ninguém é superior, ninguém é inferior. Todos são incomparáveis, únicos. 27-BENÇÃOS DISFARÇADAS As venturas e desventuras de um camponês O único problema com a tristeza, desesperança, raiva, desamparo, ansiedade, angústia, miséria, é que você quer se livrar delas.Essa é a única barreira. Você terá que conviver com elas. Você simplesmente não pode escapar. Estes são a própria situação naqual a vida precisa se integrar e crescer. São os desafios da vida. Aceite-os, pois são bênçãos disfarçadas.Um homem tinha um belo cavalo, e o cavalo era tão raro que mesmo imperadores pediam ao homem que ovendesse, pelo preço que quisesse, mas ele recusava. Uma manhã, ele descobriu que o cavalo havia sido roubado.A aldeia inteira reunida solidarizou-se com ele, e disseram: “Que desgraça! Você podia ter conseguido umafortuna, as pessoas estavam oferecendo tanto dinheiro. Você foi teimoso e tolo. Agora o seu cavalo foi roubado.”Mas o homem apenas sorriu e falou: “Não digam 463
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    bobagens! Apenas digamque o cavalo não está mais noestábulo. Deixem o tempo passar, então veremos.”E aconteceu que depois de quinze dias o cavalo retornou, e não estava sozinho. Trouxe consigo uma dúzia decavalos selvagens da floresta. A vila inteira reuniu-se e disseram: “Ele estava certo! Seu cavalo está de volta etrouxe com ele mais doze lindos cavalos. Agora ele pode ganhar todo o dinheiro que desejar.” Eles chegaram parao homem e disseram, “Desculpe-nos. Não pudemos entender o futuro e os caminhos de deus, você, porém, éformidável! Você sabia alguma coisa sobre isso; deve ter previsto o futuro.”Ele disse, “Besteira! Tudo que sei é que agora o cavalo retornou com outros doze cavalos – o que vai aconteceramanhã, ninguém sabe.”E no dia seguinte aconteceu que o único filho desse homem estava tentando montar num novo cavalo quandocaiu, e suas pernas ficaram quebradas. Toda a vila reuniu-se novamente e eles disseram: “A gente nunca sabe –você estava certo; isso provou ser uma maldição. Teria sido melhor se o cavalo não tivesse voltado. Agora seufilho irá permanecer aleijado para o resto da vida.”O velho homem disse, “Não tirem conclusões apressadas! Esperem e vejam o que irá acontecer. Digam apenasque meu filho quebrou suas pernas – isso é tudo.”Depois de quinze dias aconteceu que todos os jovens da cidade foram forçadamente convocados pelo governo,porque o país estava prestes a entrar em guerra. Somente o filho desse homem foi deixado pois ele não tinhanenhuma utilidade. Todos se reuniram e disseram: “Nossos filhos foram levados! Você pelo menos tem seu filho.Pode ser que ele fique aleijado, mas está aqui! Nossos filhos se foram, e o inimigo é muito mais forte; todos elesserão mortos. Na nossa velhice não teremos ninguém para cuidar de nós, mas você pelo menos tem o seu filho etalvez ele possa ser curado.”Mas o velho disse, “Digam somente isso – que seus filhos foram levados pelo governo. Meu filho foi deixado, masnão se pode concluir nada além disso.”Limitem-se aos fatos! Não recebam nada como uma maldição ou uma bênção. Não as interpretem e, ubitamente,vocês verão que tudo é belo. 28-AUTO-ACEITAÇÃO Amor-perfeito no jardim do rei Você não pode melhorar a si mesmo. Não estou dizendo que não é possível melhorar, apenas que você não pode melhorar a simesmo. Quando você pára de melhorar a si mesmo, a vida lhe melhora. Nesse relaxamento, nessa aceitação, a vida começa acuidar de você, a vida começa a fluir através de você. Ninguém jamais foi como você e ninguém jamais será como você; você ésimplesmente único, incomparável.Aceite isso, ame isso, celebre isso – e nessa mesma celebração você começará a ver a singularidade dos outros, a incomparávelbeleza dos outros.Amor só é possível quando há uma profunda aceitação de si mesmo, do outro, do mundo. Aceitação cria o ambiente no qual oamor cresce, é o solo no qual o amor floresce.Ouvi contar:Um rei foi para seu jardim e encontrou plantas, arbustos e flores murchas, quase morrendo. O carvalho disse queestava morrendo pois ele não podia ser tão alto como o pinho. Virando-se para o pinho, percebeu que estavamurcho porque este era incapaz de dar uvas como a parreira. E a parreira estava morrendo, pois ela não podiaflorescer como a roseira. Mas encontrou o amor-perfeito florescendo e tão viçoso como jamais antes. Após inquirir,ele recebeu essa resposta:“Eu tinha como certo que quando você me plantou você queria um Amor- perfeito. Se houvesse desejado umcarvalho, uma videira ou uma roseira, você as teria plantado. Assim eu pensei desde que você me colocou aqui, eudevia fazer o melhor para ser o que você deseja. Eu nada posso ser senão o que sou e estou tentando sê-lo nomáximo da minha capacidade.”Você está aqui porque essa existência precisa de você como você é. Do contrário, outra pessoa estaria aqui! Aexistência não teria lhe ajudado a estar aqui, não o teria criado. Você está realizando algo muito essencial, algomuito fundamental, ao ser como é. Se Deus quisesse um Buda ele teria produzido tantos Budas 464
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    quanto quisesse.Produziu umúnico Buda – isso era suficiente, e ele ficou satisfeito com o desejo de seu coração, completamentesatisfeito. Desde então ele não mais produziu outro Buddha ou outro Cristo.Ao invés disso ele lhe criou. Basta pensar no respeito que o universo lhe atribuiu! Você foi escolhido, não Buddha,não Cristo, não Krishna. Você será mais necessário, essa é a razão. Você se encaixa mais agora. O trabalho delesestá feito, contribuiram com suas fragrâncias para a existência. Agora você deve contribuir com sua própriafragrância.Contudo, os moralistas, os puritanos, os padres, eles prosseguem lhe ensinando lições, querem deixar vocêmaluco. Eles dizem à rosa, “Torne-se um lótus.” E dizem ao lótus, ”O que você está fazendo aqui? Você devetornar-se alguma outra coisa.” Eles levam o jardim inteiro à loucura, tudo começa a morrer – pois ninguém podeser outra pessoa, isso não é possível.Foi isso que aconteceu com a humanidade. Todos estão fingindo. Autenticidade se perdeu, verdade se perdeu,todos tentam ser outra pessoa. Basta olhar para si mesmo: você está fingindo ser outra pessoa. E só pode servocê mesmo – não existe outra maneira, nunca existiu, não há nenhuma possibilidade que você possa ser outrapessoa. Você irá permanecer você mesmo. Você pode desfrutar disso e florescer, ou pode secar aos poucos casocondene aquilo que você é. 29-GRATIDÃO Uma noite sem abrigo A partir do momento em que uma pessoa é capaz de ser grata tanto pelo sofrimento quanto pelo prazer, sem qualquerdistinção, sem nenhuma escolha, apenas sendo garto por aquilo que lhe é dado... Porque se foi dado por deus, deve haveruma razão para isso. Podemos gostar ou podemos não gostar, mas isso deve ser necessário para o nosso crescimento.Inverno e verão são ambos necessários para o crescimento. Uma vez que essa idéia se fundamenta no coração, então cadamomento de vida é um momento de gratidão. Deixe que isso se torne sua meditação e sua oração: Agradeça a deus por cadamomento: pelos risos, pelas lágrimas, por tudo. Assim você verá surgir um silêncio em seu coração que você não conheciaantes. Isso é o êxtase.A primeira coisa é aceitar a vida como ela é. Aceitando-a, o desejo desaparece. Aceitando a vida como ela é, atensão desaparece, o descontentamento desaparece; aceitando-a como ela é, a pessoa começa a sentir -semuito alegre – sem nenhum motivo aparente!Quando a alegria tem um motivo, esta não vai durar muito tempo. Quando alegria é sem razão, ela vai estar aípara sempre.Isso aconteceu na vida de uma mulher Zen muito conhecida. O nome dela era Rengetsu. Muito poucasmulheres alcançaram o supremo no Zen. Essa é uma dessas raras mulheres.Ela estava numa eregrinação e chegou numa vila ao pôr do sol e pediu abrigo para a noite, mas os vilarejosfecharam suas portas. Eles eram contra Zen. O Zen é tão revolucionário, tão totalmente rebelde, que é muitodifícil aceitá-lo. Aceitando-o você vai ser transformado; aceitar o Zen será como passar através do fogo, vocênunca mais será o mesmo novamente. Pessoas conservadoras sempre foram contra tudo que é verdadeiro nareligião. Tradição é tudo que é inverídico na religião. Então esses moradores do vilarejo deviam ser os Budistastradicionais, e não permitiram que essa mulher ficasse na cidade, eles a mandaram embora.Era uma noite fria, e já velha, estava sem abrigo, e faminta. Teve que improvisar um abrigo debaixo de umacerejeira nos campos. Estava realmente bem frio, e ela não conseguiu dormir bem. E era também perigoso –animais selvagens e tudo mais. A meia-noite ela acordou – devido ao frio intenso - e viu, no céu noturno, asflores abertas da cerejeira sorrindo para a lua enevoada. Tomada pela beleza, ela levantou-se e curvou-se nadireção da vila, em sinal de agradecimento, com essas lavras:Através de sua bondade ao recusar-me abrigo descobri-me sob as flores na noite desta lua enevoada.Ela se sente agradecida. Cheia de gratidão, agradece aquelas pessoas que lhe recusaram abrigo. Do contrárioestaria dormindo sob um teto comum e teria perdido essa bênção – o cerejeiro florido, esse 465
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    sussuro com aluaenevoada, e o silêncio da noite, esse profundo silêncio da noite. Não está zangada, ela aceita o que aconteceu.Não só aceita-o, o recebe com boas vindas, ela sente-se grata. A pessoa torna-se um buda quando aceita tudoque a vida traz, com gratidão. 31-DESPRENDIMENTO Hakuin e o recém-nascido Continue a sentir algo dentro de você que seja o mesmo não importa o que aconteça na periferia. Quando alguém o insultar,concentre-se até o ponto onde você fica apenas escutando-o - nada fazendo, sem reagir, apenas escutando. Ele está lheinsultando. E depois alguém está lhe elogiando - apenas escute. Insulto ou Elogio, honra ou desonra, apenas escute. Suaperiferia ficará perturbada. Olhe também para isso, mas não tente mudar. Apenas olhe mantendo o seu centro, olhando dalí.Você terá um desprendimento que não é forçado, o qual é espontâneo, natural. E uma vez que você tenha sentido essedistanciamento natural, nada mais poderá lhe perturbar.Numa aldeia onde o grande mestre Zen Hakuin vivia, uma moça ficou grávida. O pai dela maltratou-a para saber o nome do amante dela e, finalmente, para escapar da punição, ela disse a ele que era Hakuin. O pai não disse maisnada, mas quando chegou a hora e a criança nasceu, ele imediatamente levou o bebê até Hakuin e o pôs a seuspés. “Parece que essa criança é seu filho,” ele disse, e depois descarregou insultos e seu desprezo na desonra queaquilo representava.Hakuin apenas disse, Oh, é mesmo?” E pegou o bebê nos seus braços. Onde quer que ele fosse, ele levava o bebê,envolto nas mangas de seu quimono esfarrapado. Durante os dias chuvosos e noites tempestuosas ele saia parapedir leite nas casas vizinhas. Muitos de seus discípulos, considerando-o fracassado, se voltaram contra ele e odeixaram. E Hakuin não disse uma palavra.Enquanto isso, a mãe achou que ela não podia suportar a agonia da separação de seu filho. Ela confessou o nomedo verdadeiro pai, e o próprio pai dela foi até Hakuin e prostou-se diante dele, suplicando por perdão. Hakuinapenas disse, “Oh, é assim?”, e devolveu-lhe a criança.Para o homem comum o que os outros dizem é muito importante, pois ele nada possui dele mesmo. Não importa oque pensam ser, não passam de opiniões das outras pessoas. Alguém disse: Você é bonito. Alguém disse: você éinteligente. E a pessoa vai acumulando todas essas opiniões. Daí ele ficar sempre assustado e não devecomportar-se de certa maneira para não perder sua reputação, respeitabilidade. Ele está sempre com medo daopinião pública, o que as pessoas irão dizer, porque tudo que ele sabe sobre si mesmo é o que as pessoas lhedisseram. Se as pessoas mudarem de idéia, o deixam desnudo. Assim ele não sabe quem ele é, se feio, se belo,inteligente ou tolo. Ele não tem nenhuma idéia, nem mesmo vagamente, de seu próprio ser: depende da opiniãodos outros.Mas aquele que medita não precisa da opinião dos outros. Ele conhece a si mesmo, não importa o que os outrosdizem. Mesmo que o mundo inteiro diga alguma coisa que vá contra sua própria experiência, ele irá simplesmenterir. No máximo, essa pode ser a única resposta. Ele, contudo, não irá tomar nenhuma atitude para mudar aopinião das pessoas. Quem elas são? Elas não se conhecem, mas ainda assim tentam rotulá-lo. Ele irá rejeitar osrótulos. Ele simplesmente dirá, “Sou aquilo que sou, e é desse jeito que vou ser.” 30-AQUILO QUE NUNCA MORRE A mãe aflita e as sementes de mostarda Lembre-se, a cada momento, o que você está acumulando - se trata de algo que vai ser tirado pela morte? Se for, então não valea pena se incomodar com isso. Se isso não vai 466
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    ser tirado pelamorte, então até mesmo a vida pode ser sacrificada por issoporque mais cedo ou mais tarde a vida vai desaparecer. Antes que a vida desapareça, aproveite a oportunidade para encontraraquilo que nunca morre.O marido de uma mulher morreu. Ela era jovem, tinha somente um filho. Ela queria cometer sati, queria pular napira funerária do marido dela, mas essa criancinha a impediu. Ela precisava viver por causa dessa criancinha.Porém o filhinho morreu; agora isso era demais. Ela quase ficou louca, perguntando às pessoas, “Existe algummédico em algum lugar que possa trazer meu filho de volta? Eu vivia só para ele, agora toda minha vida ficousimplesmente vazia.” Aconteceu que Buda estava vindo para a cidade, então as pessoas disseram, “Leve o seufilho até Buda. Diga a ele que você estava vivendo para esta criança, que morreu, e peça a ele, ‘Você é umapessoa tão iluminada, chame-o de volta à vida! Tenha piedade de mim!”Assim ela foi até Buda. Ela colocou o corpo morto da criança aos pés de Buda e disse, “Traga-o de volta à vida.Você conhece todos os segredos da vida, você alcançou o ápice da existência. Não pode você fazer um pequenomilagre para uma pobre mulher?”Buda disse, “Posso fazê-lo, mas há uma condição.”Ela disse, “Eu cumprirei qualquer condição.”Buda disse, “A condição é, vá pela cidade e de uma casa onde jamais alguém tenha morrido, traga algumas sementes de mostarda.”A mulher não conseguia entender a estratégia. Ela chegou numa casa, e eles disseram, “Algumas sementes demostarda? Podemos trazer uma carroça cheia de sementes de mostarda se Buda puder trazer seu filho de volta àvida. Mas temos visto tantos mortos em nossa família... “Era uma cidade pequena, e ela foi em cada casa. Todos queriam ajudar: “Quantas sementes você quer?” Mas acondição era impossível de cumprir pois todos eles haviam tido muitas mortes em suas família.No final do dia ela compreendeu que todo aquele que nasce um dia vai morrer, então qual é o sentido de trazer acriança de volta de novo? “Ela irá morrer novamente. É melhor que você mesma procure o eterno, o qual nuncanasce e nunca morre.” Ela retornou, de mãos vazias.Buda perguntou, “Onde estão as sementes de mostarda?” Ela sorriu. Pela manhã ela tinha vindo chorando; agoraela sorriu, e disse, “Você me pregou uma peça! Todo aquele que nasce vai morrer. Não existe nenhuma família nomundo onde ninguém tenha morrido. Assim eu não quero que meu filho volte a viver, pois não faria sentido.Esqueça a criança. Me inicie na arte da meditação para que eu possa ir para o terreno, para o espaço daimortalidade, onde nascimento e morte jamais aconteceu.”É Isso que chamo de um autêntico milagre: cortar o problema pela raiz. 32- ALÉM DA PEQUENA FAMÍLIA "Ninguém é minha mãe..." Você nasce com uma tremenda possibilidade de inteligência. Você nasce com uma luz dentro de você. Escute a tranquila epequena voz dentro de você, e ela irá lhe guiar. Ninguém mais pode lhe guiar, ninguém mais poderá ser um modelo para suavida, porque você é único. Jamais houve alguém que tenha sido exatamente como você, e jamais haverá alguém que sejaexatamente como você. Esta é sua glória, sua grandeza - que você é totalmente insubstituível, que você é somente você mesmoe ninguém mais.Jesus ainda era uma criancinha e seus pais foram ao grande templo para o festival anual. Jesus perdeu-se emmeio à multidão, e só ao anoitecer seus pais puderam encontrá-lo. Ele estava sentado com alguns eruditos,apenas uma criança, e estava discutindo coisas com eles.Seu pai disse, “Jesus, o que você está fazendo aqui? Estávamos preocupados com você.”Jesus disse, “Não se preocupem. Eu estava cuidando dos negócios de meu pai.”O pai falou, “Eu sou seu pai – e que negócio você está cuidando aqui? Sou um carpinteiro.”Jesus disse, “Meu pai está no paraíso. Você não é meu pai.”Assim como uma criança tem que deixar o corpo da mãe, senão ela morrerá – ela precisa sair do útero – o 467
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    mesmoacontece mentalmente também.Um dia ela tem de sair do útero do pai e da mãe. Não só fisicamente, mastambém mentalmente. Não só mentalmente, mas também espiritualmente.E quando nasce a criança espiritual, tendo rompido completamente com o seu passado, pela primeira vez ela se torna um eu, uma realidade independente, sobre seus próprios pés. Antes disso ela era apenas uma parte da mãe,ou do pai, ou da família – mas nunca era ela mesma.O que quer que você esteja fazendo, pensando, decidindo, preste atenção: isso está vindo de você ou é outrapessoa falando? E você ficará surpreso de descobrir a verdadeira voz; talvez seja sua mãe – você a ouvirá falarnovamente. Talvez seja seu pai; não é tão difícil detectar. Isso permanece aí, gravado em você exatamente comolhe foi dado pela primeira vez – o conselho, a ordem, a disciplina, o mandamento.Você pode encontrar muitas pessoas, o padre, os professores, os amigos, os vizinhos, os parentes. Não hánenhuma necessidade de lutar. Basta saber que essa não é sua voz mas a voz de outra pessoa – seja lá quem foressa outra pessoa – você sabe que você não vai seguir isso. Seja quais forem as consequências, agora você estádecidido a mover-se por si mesmo, você está decidido a amadurecer. Você permaneceu criança por bastantetempo. Você permaneceu dependente por bastante tempo. Você ouviu todas essas vozes e as seguiu por bastantetempo. E aonde estas o levaram? Uma confusão.Portanto, uma vez que você percebeu de quem são essas vozes, diga adeus a isso... pois a pessoa que lhe deuessa voz não era sua inimiga. A intensão dela não era ruim, mas a intensão dela não é a questão. O problema éque ela impõs algo sobre você que não está vindo de sua própria fonte interior; e qualquer coisa que esteja vindode fora lhe faz um escravo psicológico.Somente sua própria voz lhe conduzirá ao florescimento, à liberdade. 33-RENOVAÇÃO A herança de Buda Quando não houver passado, quando não houver futuro, só então haverá paz. Futuro significa aspirações, realizações, metas,ambições, desejos. Você não pode estar aqui/agora, pois está sempre correndo atrás de alguma coisa, em algum lugar. A pessoaprecisa estar integralmente presente no presente, assim há paz. E disso procede a renovação da vida, pois a vida só conhece umtempo, e esse é o presente.O passado está morto; o futuro é apenas uma projeção do passado morto. O que você pode pensar sobre o futuro? Você pensaem termos do seu passado, isso é o que você conhece, e você o projeta – é claro que numa versão melhorada. Será mais bonito,mais bem decorado; todas as dores foram são deixadas para trás e só os prazeres foram escolhidos, mas ainda assim é opassado.O passado não é, o futuro não é, só o presente é. Estar no presente é estar vivo, no que há de melhor – e isso é a renovação.Apenas um dia antes de Gautama Buda deixar seu palácio para buscar a verdade, um filho havia nascido de suaesposa. Esta é uma história muito humana, tão bela..Antes de deixar o palácio ele só queria ver ao menos uma vez o rosto de seu filho, símbolo de seu amor por suaesposa. Então entrou nos aposentos dela. Ela estava adormindo, e a criança encoberta, debaixo de um lençol. Elequeria remover a coberta para ver o rosto da criança, pois talvez ele jamais voltasse. Ele estava indo numa peregrinação desconhecida. Ele estava arriscando tudo, seu reino, sua esposa, sua vida, seu filho, ele mesmo, embusca da iluminação – algo que ele somente tinha escutado como uma possibilidade, a qual havia acontecido antesa umas poucas pessoas que tinham procurado por isso.Ele estava tão cheio de dúvidas como qualquer um de vocês, mas o momento da decisão havia chegado. Eleestava determinado a partir. Mas a mente humana, a natureza humana... Ele só queria ver – ele não tinha nemmesmo visto o rosto de seu próprio filho. Mas ele temia que, se ele removesse a coberta, se Yashodhara, 468
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    suaesposa, acordasse, elaperguntaria, “O que você está fazendo no meio da noite em meu quarto? – e você parecepreparado para ir a algum lugar.”Ele estava para partir, e ele havia dito ao seu cocheiro, “Espere um minuto. Deixe-me ver o rosto da criança. Podeser que eu jamais retorne.” Mas ele não pôde ver devido ao medo de Yashodhara acordar, começar a chorar, asoluçar, “Onde você vai? Que você está fazendo? O que era esta renúncia? O que era iluminação?” Não é possívelprever o que uma mulher fará – ela pode acordar todo o palácio! O pai dela virá, e a coisa toda estará estragada.Então ele simplesmente fugiu.Após doze anos, quando ele ficou iluminado, a primeira coisa que ele fez foi voltar ao seu palácio para desculparsecom seu pai, sua esposa, seu filho que agora devia estar com doze anos de idade. Ele estava ciente que elespodiam estar zangados. O pai estava muito zangado – ele foi o primeiro a encontrá-lo, e por meia hora elecontinuou insultando Buda. Mas depois, subitamente ele percebeu que estava dizendo muitas coisas e seu filhopermanecia ali de pé, como uma estátua de mármore, como se nada o afetasse.O pai olhou para ele, e Gautama Buda disse, “Foi o caminho que escolhi. Por favor, enxugue suas lágrimas. Olhepara mim: Eu não sou o mesmo garoto que deixou o palácio. Seu filho morreu muito tempo atrás. Posso meparecer com ele, porém, minha consciência é outra. Basta me olhar.”O pai disse, “Estou vendo isso. Por meia hora eu estive insultando você, e isso é prova suficiente de que vocêmudou. Do contrário, sei quão temperamental você era: você não conseguiria ficar tão silencioso. Que aconteceu avocê? Buda disse, “Eu lhe direi. Deixe-me primeiro ver minha esposa e meu filho. Eles devem estar esperando –eles devem ter ouvido que eu cheguei.” E a primeira coisa que sua esposa lhe disse foi, “Posso ver que você estátransformado. Estes doze anos foram de grande sofrimento, mas não porque você se foi. Sofri porque você nadame disse. Se houvesse simplesmente me contado que você estava indo em busca da verdade, você acha que eu oteria impedido? Você me insultou profundamente. Essa é a mágoa que tenho carregado por doze anos. Tambémpertenço a casta dos guerreiros – você acha que sou assim tão frágil que teria chorado e gritado para tentarimpedi-lo de partir?“Durante esses doze anos meu sofrimento foi que você não confiou em mim. Eu teria lhe permitido, teria lhe dadouma despedida, teria vindo até a carruagem. Primeiro eu queria lhe fazer a única pergunta que tem estado emminha mente por todos esses doze anos, sobre o que quer que você tenha alcançado - e parece que certamentevocê alcançou algo.“Você não é mais a mesma pessoa que deixou esse palácio. Você irradia uma luz diferente, sua presença étotalmente nova e refrescante, seus olhos são tão puros e cristalinos como um céu sem nuvens. Você ficou tãobonito, você sempre foi belo, mas essa beleza não parece ser desse mundo. Alguma graça do além recaiu sobrevocê. Minha pergunta é, que seja lá o que você tenha alcançado, não era possível alcançar isso aqui nessepalácio? Pode o palácio impedir a verdade?”A pergunta era extremamente inteligente, e o Gautama Buda teve que concordar: “Poderia ter conseguido issoaqui, mas não tinha nenhuma idéia disso naquele momento. Agora posso dizer que eu poderia ter alcançado issoaqui nesse palácio, não havia nenhuma necessidade de ir a lugar algum. Tinha apenas que mergulhar dentro demim, e isso podia ter ocorrido em qualquer lugar. Este palácio era tão bom quanto qualquer outro lugar, masagora posso dizer isso. Naquele momento eu não tinha nenhuma idéia.“Então você deve me perdoar, pois não é que eu não confiasse em você ou na sua coragem. Na verdade, estavaduvidoso quanto a mim mesmo: se você acordasse e eu tivesse visto o bebê, podia ter começado a imaginar, ‘Queestou fazendo, deixando minha bela esposa, cujo amor total, cuja total devoção é para mim. E deixando meu filhode um dia de idade... se estou deixando-o então porque consenti no seu nascimento? Estou fugindo das minhasresponsabilidades.’“Se meu velho pai tivesse acordado, teria sido impossível para mim. Não é que eu não confiasse em você;realmente foi que eu não confiava em mim mesmo. Sabia que havia uma indecisão; eu não era total na renúncia.Uma parte de mim dizia, ‘Que você está fazendo?’ – e outra parte de mim estava dizendo, ‘Essa é a hora de fazerisso. Se você não o fizer agora isso se tornará 469
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    cada vez maisdifícil. Seu pai está se preparando para lhe coroar.Uma vez você seja coroado rei, será bem mais difícil.’”Yashodhara disse a ele, “Essa era a única questão que eu queria perguntar, e estou imensamente feliz por você tersido absolutamente verdadeiro dizendo que isso pode ser alcançado aqui, que pode ser alcançado em qualquerparte. Agora seu filho, que está de pé ali, um garotinho de doze anos, tem estado continuamente perguntandosobre você, e tenho estado dizendo a ele, ‘Apenas espere. Ele irá voltar; ele não pode ser tão cruel, não pode sertão indelicado, não pode ser tão desumano. Um dia ele virá. Talvez o que quer que ele tenha ido realizar estejalevando tempo. Uma vez que ele o realizou, a primeira coisa que ele fará será voltar.’“Então seu filho está ali, e eu quero que você me diga qual herança você está deixando para seu filho? O que vocêtem para dar a ele? Você lhe deu vida – e agora, o que mais?”Buda nada tinha a não ser sua tigela de esmolas, então chamou seu filho, cujo nome era Rahul. Ele chamou Rahulpara perto dele e deu a ele a tigela de esmolas. Ele disse, “Eu nada tenho. Essa é minha única posse. Doravanteterei que usar minhas mãos para pedir esmolas, para pedir minha comida. Dando a você essa tigela de esmolasestou lhe iniciando no sânias, na busca. Esse é o único tesouro que encontrei, e eu gostaria que você também oencontrasse.”Ele disse a Yashodhara, “Você precisa estar preparada para tornar-se uma parte de minha comuna de sannyasins,“e iniciou sua esposa. Seu pai tinha chegado e estava observando toda a cena. Ele disse a Gautama Buda, “Entãoporque você está me deixando de fora? Você não quer compartilhar o que você encontrou com seu velho pai?Minha morte está próxima... me inicie também.”Buda disse, “Na verdade, eu apenas vim para levar todos vocês comigo, pois encontrei um reino muito maior – umreino que irá durar para sempre, o qual não pode ser conquistado. Vim aqui para que vocês pudessem sentiraquilo que atingi, a fim de que vocês pudessem sentir minha realização, e eu pudesse convencê-los a serem meuscompanheiros de viagem.” 34-RAIVA O monje com um temperamento ingovernável Na próxima vez que ficar com raiva, corra e dê sete voltas ao redor da casa, e depois sente-se debaixo de uma árvore e observepara aonde foi a raiva. Você não a reprimiu, não a controlou, não a lançou sobre outra pessoa...Raiva é somente um vômito mental. Não há nenhuma necessidade de jogá-la sobre outra pessoa. Faça um pouco de exercício oupegue um travesseiro e bata nele até que suas mãos e dentes fiquem relaxados. Na transformação você nunca ontrola,simplesmente se torna mais cônscio. Raiva está acontecendo - é um belo fenômeno, justamente como a eletricidade nasnuvens...Um estudante do Zen veio até Bankei e disse: “Mestre, tenho um temperamento incontrolável. Como posso mecurar disso?” “Mostre para mim esse temperamento, “ disse Bankei, “pois ele me soa fascinante.”“Não estou destemperado agora,” disse o estudante, “assim não posso mostrá-lo a você.”“Então,” disse Bankei, “traga-o para mim quando você o tiver.”“Mas não posso trazê-lo quando este acontecer,” protestou o estudante. “É algo que surge inesperadamente, ecertamente já o terei perdido antes de chegar até você.”“Nesse caso,” disse Bankei, ”Isso não pode ser parte de sua verdadeira natureza. Se fosse, você poderia mostrálopara mim a qualquer momento. Quando você nasceu não tinha esse temperamento, então isso deve ter vindode fora. Sugiro que, sempre que isso aconteçer, você bata em si mesmo com uma vara até que o temperamentose descontrole e vá embora.”Mesmo quando a raiva estiver acontecendo, se você tornar-se subitamente cônscio, ela desaparece. Experimente!justo em meio a tudo isso, quando seu sangue estiver fervendo e você fica com ganas de matar alguém – nessemomento torne-se cônscio, e você irá sentir que alguma coisa mudou: um câmbio dentro ‘encaixando’, você podesentir o clique, seu ser interior relaxou.Pode levar tempo 470
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    para sua camadaexterna relaxar, mas o ser interior já relaxou. A cooperação foi quebrada...agora você não está mais identificado. O corpo levará algum tempo para descansar, mas bem fundo no centro,tudo está tranquilo.Percepção é necessária, não condenação. E através da perceptividade, a transformação aconteceespontaneamente. Se perceber sua raiva, o entendimento penetrará em você. Apenas observando, sem nenhumjulgamento, nem dizendo que é bom nem ruim, só observando seu céu interior. Há relâmpagos, há raiva, vocêesquenta, todo o sistema nervoso se agita e você sente um tremor pelo corpo inteiro – um belo momento, pois aenergia ativa pode ser observada facilmente. Quando esta não está ativa você não pode observá-la.Feche os olhos e medite sobre isso. Não lute, apenas olhe no que está acontecendo – o céu inteiro cheio deeletricidade, tantos relâmpagos, tanta beleza. Deite-se no chão e olhe para o céu e observe. Depois faça o mesmodentro de você. Alguém lhe insultou, alguém riu de você, alguém disse isso ou aquilo... muitas nuvens, nuvensnegras no céu interior e muitos relâmpagos. Observe! É uma cena bonita – terrível também, pois você não a compreende. É misteriosa e, se o mistério não forcompreendido, torna-se terrível, você fica com medo dele. E sempre que um mistério é compreendido, torna-seuma graça, um presente, pois agora você possui as chaves, e com elas, você é o mestre. 35-A MAESTRIA DOS HUMORES O Segredo do Anel Pensar que “Eu sou a mente”, é ser não perceptivo. Saber que a mente é apenas um mecanismo exatamente como o corpo,saber que a mente está separada... A noite chega, a manhã vem: você não fica identificado com a noite. Você não diz, “eu sou anoite”, não diz “eu sou a manhã”. A noite chega, a manhã chega, o dia vem, novamente a noite vem. A roda prossegue girando,mas você permanece alerta sabendo que você não é nenhuma dessas coisas.O mesmo é o caso com a mente. Raiva vem, mas você esquece e fica zangado. Ambição chega, você esquece e se torna aambição. Ódio vem, você esquece e se torna o ódio. Isso é falta de percepção.Percepção é observar que a mente está cheia de ambição, cheia de raiva, cheia de ódio ou repleta de desejos, mas você ésimplesmente um observador. Então você pode ver a ambição surgindo, tornando-se uma grande nuvem escura, depoisdispersando-se – e você permanece intocado. Quanto tempo isso pode durar? Sua raiva é momentânea, sua ambição émomentânea, seu desejo é momentâneo. Basta observar um pouco e você ficará surpreso: tudo isso vem e vai. E você fica aíimpassível, tranquilo, calmo.A coisa mais básica a ser lembrada é que, quando você está sentindo-se bem, em um estado de êxtase, nãocomece a pensar que isso vai ser seu estado permanente. Viva o momento de forma tão feliz e alegre quantopossível, sabendo perfeitamente bem que isso veio e irá passar, assim como uma brisa entra em sua casa, comtoda sua fragrância e frescor, e sai pela outra porta.Essa é a coisa mais fundamental. Se você começar a pensar em termos de tornar seus momentos de êxtasepermanentes, você já começou a destruí-los. Quando estes acontecerem, seja grato. Quando se forem, agradeça à existência. Permaneça aberto. Isso irá acontecer muitas vezes, não faça julgamentos, não selecione. Permaneçaneutro, sem escolhas.Sim, haverá momentos quando você irá se sentir miserável. E daí? Existem pessoas que são miseráveis e que nemmesmo conheceram um único momento de êxtase: você é afortunado. Mesmo em sua miséria, lembre-se de queela não será permanente, também passará, então não se preocupe muito com isso. Fique tranqüilo.Assim como há o dia e a noite, também há momentos de 471
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    alegria e detristeza. Aceite isso como parte da dualidadeda natureza, como parte da forma de ser própria das coisas. E você é simplesmente um observador: não se torna nem a felicidade nem a miséria. Felicidade vem e passa, miséria vem e passa. Uma coisa continua semprepresente: aquele que observa, aquele que testemunha. Aos poucos, fique cada vez mais centrado no observador. Dias e noites virão... vidas e mortes virão... sucesso efracasso irão ocorrer. Mas se você estiver centrado no observador, pois essa é a única realidade em você, tudomais é um fenômeno passageiro.Por um momento, tente sentir o que estou dizendo: seja apenas um observador.Não se apegue a nenhum momento por este ser belo, e não fuja de nenhum momento por este ser miserável.Pare com isso. Você vem fazendo isso por vidas. Nunca teve sucesso e jamais terá. A única maneira de ir além, de permanecer além, é encontrar um lugar de onde possa observar todos esses fenômenos mutantes sem ficaridentificado com eles.Vou contar uma antiga história Sufi.Um rei perguntou aos sábios da corte: “Estou fazendo um anel belíssimo para mim mesmo. Consegui um dosmelhores diamantes que existe. Quero manter, escondido dentro do anel, uma mensagem que possa me auxiliarnum momento de completo desespero. Terá que ser bem pequena para que possa ficar oculta sob o diamante noanel.”Todos os sábios estavam reunidos, todos grandes eruditos. Poderiam escrever grandes tratados. Mas dar ao reiuma mensagem com apenas duas ou três palavras que pudesse ajudá-lo em momentos de completo desespero...eles pensaram, procuraram em seus livros, mas nada puderam encontrar.O rei tinha um servo antigo que era quase como seu pai – ele já tinha servido também a seu pai. A mãe do reihavia morrido cedo e esse servo cuidou dele, assim ele não era tratado como um empregado. O rei tinha imensorespeito por ele. O velho disse, “Não sou um sábio, culto, conhecedor de muitos assuntos, mas sei qual é amensagem, pois só existe uma mensagem. E estas pessoas não podem dá-la a você. Ela só pode ser dada por ummístico, por um homem que tenha realizado a si mesmo.”Em minha longa vida no palácio, encontrei todo tipo de pessoas, e uma vez, um místico. Ele também era umhóspede de seu pai e fui colocado para servi-lo. Quando ele estava para partir, como um gesto de agradecimentopor todos os meus serviços ele me deu essa mensagem” e a escreveu num pedacinho de papel, depois dobrou opapel e disse ao rei, “Não leia agora, apenas a mantenha escondida no anel. Só leia esta mensagem quando tudomais tiver falhado, quando não houver mais saída. E essa hora não demorou a chegar. O país foi invadido e o rei perdeu seu reino. Ele estava fugindo em seu cavalopara salvar sua vida e os cavalos dos inimigos o estavam seguindo. Ele estava sozinho, e eles eram muitos. Depoisele chegou a um ponto onde a estrada acabava, num lugar sem saída, só havia um despenhadeiro. Cair dali seriao fim. Ele não podia retornar, o inimigo estava ali e ele podia ouvir o som dos cavalos se aproximando. Não podiaavançar, não havia saída...Então, lembrou-se do anel. Ele o abriu, tirou o papel, e havia uma pequena mensagem de enorme valor:simplesmente dizia, “Isso também irá passar.Um grande silêncio recaiu sobre ele enquanto lia a frase: isso também irá passar. E passou. Tudo passa, nadapermanece eternamente nesse mundo. Os inimigos que o seguiam devem ter se perdido na floresta, devem tertomado o caminho errado. Os cavalos se afastavam aos poucos, até que não era mais possível ouvi-los.O rei ficou imensamente agradecido ao serviçal e ao místico desconhecido. Aquelas palavras provaram sermilagrosas. Ele dobrou o papel, colocou-o de volta no anel, reuniu seus exércitos e reconquistou seu reino. Equando voltou à capital, vitorioso, havia uma grande celebração por toda a cidade, com música e dança, e elesentia muito orgulho de si mesmo. O velho serviçal caminhava ao lado de sua carruagem. Ele disse: “Essatambém é uma boa hora: leia de novo a mensagem.”O rei falou: “O que você quer dizer? Sou vitorioso, o povo está celebrando, não estou desesperado, não estounuma situação da qual não há saída.”O velho serviçal disse, “Escute. Foi isso que o santo disse para mim: esta mensagem não é só para os momentosde desespero, também é para os 472
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    de grande prazer.Essa não é somente para quando você for derrotado, mas paraquando você for vitorioso. Não apenas para quando você for o último, mas também para quando for o primeiro.”E o rei abriu o anel e leu a mensagem: “isso também irá passar,” e de repente, a mesma paz, o mesmo silêncio nomeio da multidão que celebrava alegre, dançando. Mas o orgulho, o ego não estavam mais presentes. Tudo passa.Ele pediu ao servo que se aproximasse mais da carruagem e se sentasse ao seu lado. Perguntou: “Há mais algumacoisa? Tudo passa... Sua mensagem me ajudou muito.”O velho servo disse: a terceira coisa que o santo disse foi: lembre-se, tudo passa. Só você permanece. Vocêpermanece sempre como uma testemunha.”Tudo passa, mas você permanece. Você é a realidade e tudo mais é somente um sonho. Belos sonhos, pesadelos.Mas não importa se é um belo sonho ou um pesadelo, o que importa é aquele que está vendo o sonho. Aquele quevê é a única realidade. 36-OS PORTAIS DO INFERNO O orgulho do Samurai Paraíso e inferno não são locais geográficos, são psicológicos, são a sua psicologia. Paraíso e inferno não estão no final de suavida, estão aqui e agora. A cada momento as portas se abrem, a todo momento você fica ondulando entre o paraíso e o inferno.É uma questão de momento-a-momento, é urgente, em um único momento você pode mover-se do inferno para o paraíso, doparaíso para o inferno.Ambos estão dentro de você. As portões estão bem próximos um do outro: com a mão direita você pode abrir um, com a mãoesquerda você pode abrir o outro. Basta uma simples mudança na sua mente, seu ser se transforma. Do paraíso para o inferno edo inferno para o paraíso. Sempre que você age inconscientemente, sem percepção, está no inferno. Sempre que você está consciente, quando você age com plena atenção, está no paraíso.O mestre Zen Hakuin é um daqueles raros florescimentos. Um guerreiro veio vê-lo, um samurai, um grandesoldado, e ele perguntou: “existe algum inferno, algum paraíso? Se há um paraíso e um inferno, onde ficam osportões? Por onde posso entrar? Como posso evitar o inferno e escolher o paraíso?”Ele era um simples guerreiro. Um guerreiro sempre é simples, do contrário não poderia ser um guerreiro. Umguerreiro só conhece duas coisas: a vida e a morte. Sua vida está sempre em jogo, está sempre apostando: é umhomem simples. Não veio aprender uma doutrina. Ele queria apenas saber onde estavam os portais para que pudesse evitar o inferno e entrar no paraíso. E Hakuin respondeu de um modo que só um guerreiro podiaentender.O que fez Hakuin? Ele disse: “Quem é você?”E o guerreiro respondeu: “Sou um samurai.”No Japão, ser um samurai é uma grande honra. Significa ser um guerreiro perfeito, um homem que não hesita umúnico momento para dar sua vida. Para ele, vida e morte são apenas um jogo. Ele disse: “Sou um samurai. Sou olíder dos samurais. Até mesmo o imperador me respeita.”Hakuin riu e disse, “Você, um samurai? Mais parece um mendigo.” O orgulho do samurai foi ferido, seu ego pisoteado. Ele se esqueceu para que tinha vindo ali, puxou da espada eestava prestes a matar Hakuin. Esqueceu que tinha vindo até esse mestre para perguntar onde estava o portão doparaíso e o portão do inferno.Hakuin riu e disse: “Este é o portão do inferno. Com essa espada, essa raiva, esse ego, assim se abre o portal.”Isso é algo que um guerreiro pode entender. Ele imediatamente compreendeu: esse é o portal. Ele guardou sua espada.E Hakuin disse: “Aí está o portal para o paraíso.”Inferno e céu estão dentro de você, ambos os portais estão em você. Quando você se comporta inconscientemente, aí está o portal do inferno. Quando você está alerta e consciente, aí está o portal do paraíso.O que aconteceu a esse samurai? Quando ele estava prestes a matar Hakuin, estava ele consciente? Estavaconsciente do que ia fazer? Estava ele 473
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    consciente do quetinha vindo fazer? Toda consciência havia desaparecido.Quando o ego toma o controle, você não pode permanecer alerta. O ego é a droga, o tóxico que lhe faz completamente inconsciente. Você age, mas a ação procede do inconsciente, não da consciência. E sempre quealgum ato procede do inconsciente, a porta do inferno é aberta. O que quer que faça, se você não estiver cônsciodo que está fazendo, o portal do inferno se abre.Imediatamente o samurai ficou alerta. Subitamente, quando Hakuin disse: “Este é o portal, você já o abriu”. Aprópria situação deve ter criado atenção. Por pouco, a cabeça de Hakuin não foi decepada. Um simples momentomais e esta teria sido separada do corpo. E Hakuin disse: “Esse é o portal do inferno.”Esta não é uma resposta filosófica. Nenhum mestre responde de um modo filosófico. Filosofia só existe para osmedíocres, mentes não-iluminadas. O mestre responde, mas a resposta não é verbal, é total. Que esse homempodia tê-lo morto não é a questão. “Se você me matar e isso lhe tornar alerta, então vale a pena.” Hakuin arriscoutudo.Isso deve ter acontecido com o guerreiro: parado, espada empunhada, com Hakuin bem diante dele – os olhos deHakuin sorridentes, a face risonha, e o portal do inferno aberto. Ele entendeu: A espada voltou para a bainha.Enquanto punha a espada de volta na bainha, ele deve ter ficado totalmente silencioso, em paz. A raiva tinhadesaparecido, e energia que se movia na raiva tornou-se silenciosa.Se você, de repente, desperta em meio a raiva, você irá sentir uma paz que nunca sentiu antes. A energia moviasee, subitamente, ela pára – você terá silêncio, silêncio imediato. Você irá cair no seu ser interior e, a queda serátão repentina, você ficará consciente.Não é uma queda lenta. É tão repentina que você não pode permanecer inconsciente. Você só pode ficarinconsciente nas suas tarefas rotineiras, nas coisas graduais. Você se move tão lentamente que não pode sentir omovimento. Este movimento foi repentino – da atividade para a não-atividade, do pensar para o não- pensar, damente para a não-mente. Enquanto a espada retornava para a bainha, o guerreiro compreendeu. E Hakuin disse:“Aqui está os portais do paraíso.”O silêncio é a porta. Paz interior é a porta. Não-violência é a porta. Amor e compaixão são os portais. 38-TRANSMUTAÇÃO A Meditação do Coração de Atisha A dor é natural. Precisa ser entendida, aceita. É claro que, naturalmente, temos meo da dor e tentamos evitá-la. Por isso muitaspessoas evitam o coração e se fixam na mente, vivem na mente.O coração lhes traz dor, é verdade, mas apenas porque ele também pode trazer prazer - e é por isso que traz dor. A dor é a forma pela qual o prazer chega, e é através da agonia que o êxtase entra. Se a pessoa estiver atenta a isso, ela aceita a dorcomo uma bênção. Então a qualidade de sua dor começa a mudar, imediatamente. Você não mais se opõe a ela, e porque não secoloca mais em oposição, já não é mais dor: torna-se um amigo. É um fogo que irá purificá-lo. É uma transmutação, umprocesso, no qual o velho partirá e o novo chegará, no qual a mente desaparecerá e o coração funcionará em sua plenitude.Então a vida se torna uma bênção.Tente o seguinte método de Atisha e preste atenção, pois esse é um dos grandes métodos para a meditação.Quando inspirar, pense que está inspirando todas as misérias de todas as pessoas do mundo. Toda a escuridão,toda a negatividade, todo o inferno que existe em toda parte, você está colocando tudo isso para dentro. E deixe que seja absorvido em seu coração.Você pode ter lido ou ouvido falar sobre pessoas que propagam o ‘pensamento positivo’ no Ocidente. Dizemjustamente o oposto, mas não sabem o que estão dizendo. Eles dizem: “Quando você expirar, coloque para foratoda sua miséria e negatividade. Ao inspirar, inspire a felicidade, a positividade, a alegria.” O método de Atisha é ooposto: quando você inspirar, inspire toda a miséria e sofrimento do mundo – passados, presentes e futuros. E,quando inspirar deixe sair toda a alegria, todas 474
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    as bênçãos quetiver.Expire, derrame-se na existência. Esse é o método da compaixão: beba o sofrimento e derrame todas as bênçãos.Você ficará surpreso ao fazer isso. No momento em que aceitar os sofrimentos do mundo dentro de si, não serãomais sofrimentos. O coração transforma a energia imediatamente. O coração é uma força de transformação: bebamiséria, ela será transformada em contentamento... depois devolva isso. Uma vez que você aprendeu que seucoração pode fazer essa mágica, esse milagre, você será capaz de fazê-lo sempre.Tente. É um dos métodos mais práticos: é simples e traz resultados imediatos. Faça isso hoje e veja. Essa é umadas abordagens de Buda e de todos seus discípulos. Atisha é um de seus discípulos, segue a mesma tradição, a mesma linha. Buda dizia seguidamente para seus discípulos: “Ihi passiko – venham e vejam!” São pessoascientíficas. O budismo é a religião mais científica do planeta e por isso que o budismo está conquistando cada vezmais terreno no mundo.Conforme o mundo vai se tornando mais inteligente, Buda se torna cada vez mais importante. É assim que deveser. Quanto maior o número de pessoas que se informam sobre a ciência, maior será o apelo de Buda. Eleconvencerá a mente científica, porque ele diz: “Qualquer coisa que eu esteja dizendo pode ser colocada emprática.” Não digo para você: “Acredite em mim.” Eu digo: “Experimente isso e somente depois, se você sentir omesmo, acredite no que digo. Do contrário, não é preciso acreditar.”Tente este belo método de compaixão: absorva toda a miséria e coloque para fora toda a alegria. 37-OS PORTAIS DO PARAÍSO O Orgulho do Samurai Paraíso e inferno não são locais geográficos, são psicológicos, são a sua psicologia. Paraíso e inferno não estão no final de suavida, estão aqui e agora. A cada momento as portas se abrem, a todo momento você fica ondulando entre o paraíso e o inferno.É uma questão de momento-a-momento, é urgente, em um único momento você pode mover-se do inferno para o paraíso, doparaíso para o inferno.Ambos estão dentro de você. As portões estão bem próximos um do outro: com a mão direita você pode abrir um, com a mãoesquerda você pode abrir o outro. Basta uma simples mudança na sua mente, seu ser se transforma. Do paraíso para o inferno edo inferno para o paraíso. Sempre que você age inconscientemente, sem percepção, está no inferno. Sempre que você está consciente, quando você age com plena atenção, está no paraíso.Subitamente, quando Hakuin disse: "Aí está o portal, você já o abriu", a própria situação deve ter despertado apercepção do Samurai. Um único momento a mais e a cabeça de Hakuin teria sido cortada. E Hakuin disse: "Esseé o portal do inferno." Não foi uma resposta filosófica, pois nenhum mestre responde em termos filosóficos. Afilosofia existe apenas para as mentes medíocres e não-iluminadas. O mestre responde, mas a resposta não éverbal, ela é plena. O fato de que aquele homem poderia tê-lo morto não é o mais importante. "se você me matar,e isso o tornar alerta, perceptivo, então vale a pena." Hakuin apostou nisso. Eis o que deve ter acontecido com oguerreiro - parado, com a espada na mão, Hakuin à sua frente - e não havia rido nos olhos de Hukuin, seu rostoestava sorridente, e os portais do paraíso se abriram. Ele entendeu: a espada retornou à bainha. Ao colocar aespada de volta, ele deve ter entrado em silêncio total, cheio de paz. A raiva havia desaparecido, a energia que semovia na raiva havia se tornado silêncio. Se você de repente se tornar perceptivo no meio da raiva, sentirá umapaz que nunca sentiu antes. A energia estava se movendo e, subitamente, pára. Você encontrará o silêncio, osilêncio imediato. Cairá em seu ser interior e a queda será tão repentina que você se tornará perceptivo. Não éuma queda lenta, é tão abrupta que você não pode deixar de se tornar perceptivo. Só é possível permanecer nãoperceptivocom coisas rotineiras, com coisas graduais, quando você se move tão lentamente que não pode sentir omovimento. Isso foi um movimento 475
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    súbito, passando daatividade para a não-atividade, do pensamento para onão- pensamento, da mente para a não-mente. Enquanto recolocava a espada em sua bainha, o guerreirocompreendeu. E Hakuin disse: "Aqui se abrem as portas do paraíso." O silêncio é a porta. A paz interior é a porta.A não-violência é a porta. O amor e a compaixão são as portas. 39-ENERGIA O homem com uma coroa de dedos Ou você transforma sua energia em algo criativo ou ela irá tornar-se ácida e destrutiva. Energia é uma coisa perigosa - se você ativer, tem que usá-la de forma criativa, caso contrário, mais cedo ou mais tarde irá perceber que ela se tornou destrutiva. Entãoencontre algo, o que você preferir, em que seja possível pôr sua energia. Se quiser, pinte. Se preferir, dance ou cante, ou entãotoque um instrumento. Seja o que for que você queira, encontre uma forma através da qual você consiga se soltarcompletamente.Se você conseguir se soltar tocando violão, bom! Nestes momentos em que estiver solto, sua energia será liberada de forma criativa. Se você não conseguir se soltar através da pintura, da dança, de um violão ou de uma flauta, então encontrará formasmais baixas de se soltar: ira, raiva, agressão. Estas são formas rasteiras de se soltar.Gautama Buda iniciou um assassino no sannyas – e esse não era um assassino comum. Hudolf Hess não é nadacomparado a ele. Seu nome era Angulimal. Angulimal significa o homem que usa uma coroa de dedos humanos.Ele havia feito um voto de que mataria mil pessoas. De cada pessoa que matasse, pegaria um dedo para quelembrasse quantos já havia matado, e ele faria uma coroa com todos esses dedos.Em sua coroa, já tinha 999 dedos, faltava apenas mais um. E lhe faltava esse último dedo porque a estrada emque se encontrava estava fechada para que ninguém passasse por lá. Mas o Buda Gautama tomou a estrada fechada. O rei havia posto guardas para que ninguém seguisse esse caminho, sobretudo estrangeiros que nãosabiam que havia um homem perigoso morando do outro lado das colinas. Os guardas avisaram ao Buda que elenão deveria passar por aquela estrada, pois era o local onde Angulimal vivia, e nem mesmo o rei tinha coragem dese aventurar por aquela estrada, pois o homem era completamente louco.Disseram a Buda que a mãe de Angulimal costumava ir vê-lo. Ela era a única pessoa que ia vê-lo de vez emquando, mas até mesmo ela havia deixado de ir. Da última vez que ela tinha ido lá, ele disse a ela: “Agora precisode apenas um último dedo, e só porque você é minha mãe... Desejo avisá- la que, se você voltar mais uma vez,não irá retornar. Preciso desesperadamente desse último dedo. Até agora não matei você porque havia outraspessoas à disposição, mas agora ninguém mais passa por essa estrada a não ser você. Então quero avisá-la deque, se vier mais uma vez, você será responsável, e não eu.” E desde então a mãe não havia voltado. Os guardasdisseram a Buda que ele não deveria correr esse risco desnecessário.E o que Buda respondeu a eles? Buda disse: “Se eu não for, quem irá? Só há duas opções possíveis: ou sereicapaz de transformá-lo – e não posso deixar passar esse desafio – ou então darei a ele o último dedo que deseja,de forma que seu desejo seja satisfeito. Dar minha cabeça a Angulimal pelo menos terá alguma utilidade. Docontrário, algum dia irei morrer e vocês me colocarão na pira funerária. Creio que é melhor realizar o desejo dealguém e dar a ele paz interior. Então ele me matará ou eu o matarei, mas esse encontro precisa acontecer:levem-me até lá.”As pessoas que costumavam seguir o Buda Gautama, seus companheiros mais próximos, que em geral competiampara ficar mais perto dele, começaram a diminuir o passo. Logo havia algumas milhas entre Buda e seusdiscípulos. Todos queriam ver o que iria acontecer, mas não queriam chegar muito perto. Angulimal estavasentado numa pedra observando. Ele não 476
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    podia acreditar noque via. Um belo homem com enorme carisma estavavindo em sua direção. Quem poderia ser esse homem?Ele nunca ouvira falar no Buda, mas mesmo o coração duro de Angulimal começou a sentir uma certa ternura por ele. Era tão bonito, e estava vindo em sua direção. Era de manhã cedo, havia uma leve brisa, o sol estava selevantando... Pássaros cantavam e as colinas estavam floridas. Buda ia se aproximando. Finalmente, Angulimal,segurando a espada em suas mãos, disse: “Pare!” Buda estava apenas a alguns metros, e Angulimal disse: “Nãodê nem mais um passo, do contrário não me responsabilizarei por meus atos. Talvez você não saiba quem sou!”Buda disse: “Você sabe quem você é?” Angulimal disse: “Não é isso que está em questão. E esse não é o localnem a hora para discutir esse tipo de coisas. Sua vida está em perigo!”Buda disse: “Eu penso de outra forma – a sua vida está em perigo.”O homem disse: “Costumava pensar que eu era maluco, mas na verdade o maluco é você. E você continua seaproximando. Então não diga que matei um homem inocente. Você parece tão inocente e belo que gostaria quevocê voltasse. Encontrarei outra pessoa. Posso esperar, não há pressa. Se já lidei com 999, é apenas uma questão de tempo até encontrar mais um, mas não me force a matá-lo.Buda chegou muito perto, e as mãos de Angulimal tremiam. Ele era tão belo, tão inocente, parecia uma criança.Ele já estava apaixonado. Tinha matado tantas pessoas e nunca sentira essa fraqueza. Nunca havia compreendidoo que era o amor. Pela primeira vez estava cheio de amor. Assim havia uma contradição: a mão segurava a espadapara matar a pessoa, mas o coração dizia: “Ponha a espada de volta na bainha.”Buda disse: “Estou pronto, mas porque sua mão está tremendo? Você é um grande guerreiro, até o rei tem medode você, e sou um pobre mendicante. Exceto pela tigela de esmolas, eu nada tenho. Você pode me matar e ficareiimensamente satisfeito que pelo menos minha morte irá realizar os desejos de alguém. Minha vida terá sido útil,minha morte também terá sido útil. Mas, antes que você corte minha cabeça, tenho um pequeno desejo e achoque você me concederá esse desejo antes de me matar.”Perante a morte, mesmo o mais duro inimigo está disposto a conceder um último desejo. Angulimal disse então:“O que você quer?” Buda disse: “Quero que você corte da árvore um galho que esteja cheio de flores. Nunca mais verei estas flores,então quero vê-las bem de perto, sentir seu perfume e sua beleza nesse sol da manhã, em toda sua glória.”Então Angulimal cortou com a espada um galho inteiro cheio de flores. Antes que pudesse entregá-lo, Buda disse:“Isso era apenas metade do desejo. A outra metade é, por favor, coloque o galho de volta na árvore.”Angulimal disse: “Desde o início achei que você era maluco. Este é o desejo mais louco que já ouvi. Como possocolocar esse galho de volta?”Buda disse: “Se você não pode criar, não tem o direito de destruir. Se não pode dar vida, não tem o direito de tirála.”Houve um momento de silêncio e transformação... A espada caiu de suas mãos. Angulimal se jogou aos pés do Buda Gautama e disse: “Não sei quem você é, mas seja quem for, leve-me para o mesmo espaço em que vocêestá. Me inicie.”A essa altura os seguidores de Buda já haviam chegado cada vez mais perto. Estavam à sua volta e, quando ele se jogou aos pés de Buda, se aproximaram imediatamente. Alguém disse: “Não inicie esse homem, ele é umassassino!”Buda disse mais uma vez: “se eu não o iniciar, quem o fará? E eu amo esse homem. Amo sua coragem. E possover uma enorme potencialidade nele: um único homem lutando contra o mundo inteiro. É esse tipo de pessoa queprocuro, alguém que possa se levantar contra o mundo. Até agora ele enfrentou o mundo com uma espada, agorairá enfrentar o mundo com uma consciência, o que é muito mais afiado que qualquer espada. Eu disse a vocês que um assassinato iria ocorrer, mas não estava claro quem seria assassinado – eu ou Angulimal. Agora vocês podemver que Angulimal foi assassinado. E quem sou eu para julgar?” 477
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    40-INTEIREZA Basta uma simplesagulha ... Nenhum homem é uma ilha, somos todos parte de um vasto continente. Há diferenças, mas isso não nos torna separados. Avariedade torna a vida mais rica - uma parte de nós está no Himalaia, parte nas estrelas, parte nas rosas. Uma parte de nós estáno pássaro que voa, uma parte está no verde das árvores. Estamos espalhados por toda parte. Experimentar isso como realidadeirá transformar toda a sua abordagem em relação à vida, irá transformar cada um de seus atos, irá transformar seu próprio ser.Conta-se que, na vida de um grande místico sufi chamado Farid, um rei foi visitá-lo. Ele havia levado um presentepara ele, uma bela tesoura, feita de ouro e cravejada com diamantes – muito valiosa, muito rara. Ele tocou nospés de Farid e deu a ele a tesoura. Farid pegou-a, olhou para ela, e a devolveu ao rei dizendo: “Senhor, agradeçoprofundamente o presente que você me trouxe. É lindo, mas absolutamente sem utilidade para mim. Seria melhorse você pudesse me dar uma agulha. Não preciso de tesoura, uma agulha servirá.O rei disse: “Eu não compreendo. Se você precisa de agulha, irá precisar de tesoura também.”Farid disse: “Estou falando em metáforas. Não preciso de tesoura pois ela serve para cortar e separar coisas.Preciso de uma agulha porque uma agulha junta as coisas. Eu ensino o amor. Todo meu ensino está baseado noamor – colocar as coisas juntas, ensinar as pessoas comunhão. Preciso de uma agulha para que possa juntar aspessoas. As tesouras são inúteis. Elas cortam, desconectam. Da próxima vez que vier, basta trazer uma agulhacomum.”A lógica é como uma tesoura: ela corta, divide as coisas. A mente é uma espécie de prisma – passe um raio de luzbranca por ela e imediatamente será dividido em sete cores. Passe qualquer coisa pela mente e você terá umadualidade. A vida e a morte não são a vida-e-a-morte, a realidade é vidamorte. Deveria ser uma única palavra,não duas, e nem mesmo ter um hífen entre elas. Vidamorte é um fenômeno. Amoródio é um fenômeno.Escuridãoluz é um fenômeno. Negativopositivo é um fenômeno. No entanto, ao passar este fenômeno únicoatravés da mente, o que é uno é imediatamente dividido em dois. Vidamorte se torna vida e morte, não apenassão divididas, mas a morte se torna antagônica à vida. São inimigas. Agora você pode ficar tentando fazer comque as duas se encontrem, mas elas nunca vão se encontrar.Kipling está certo: “O Oriente é o Oriente e o Ocidente é o Ocidente e nunca os dois irão se encontrar.“ Em termoslógicos, é verdade. Como o Oriente pode encontrar o Ocidente? Como o Ocidente pode encontrar o Oriente? Mas,existencialmente, não faz o menor sentido. Eles se encontram o tempo todo. Por exemplo, se você está sentadona Índia: é Oriente ou Ocidente? Em relação a Londres, será Oriente. Mas, em relação a Tóquio, será Ocidente.Então, o que são exatamente, Oriente e Ocidente? Em cada ponto os dois se encontram, e ainda assim Kipling diz:“Nunca os dois irão se encontrar”. Mas os dois estão se encontrando o tempo todo. Não há um único ponto ondenão haja ao mesmo tempo Ocidente e Oriente e não há um único homem no qual estes não se encontrem. Nãopode ser de outra forma: eles têm que se encontrar – só existe uma realidade, um único céu. 41-FRACASSO O segredo do verdadeiro sucesso Quando a manhã é de manhã. Quando é noite, é no período da tarde. Você não pode escolher. Abandon yte sentir livre escolha em todos os lugares: a liberdade só pode ser encontrada na falta de escolha. Então, quando você é jovem, você muyhermoso, quando você é criança, é muito bonito quando você está velho, é muito bonito quando você está morrendo, está muyhermoso ... porque você nunca está separado do conjunto, uma onda 478
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    do mar. Omismacomo onda do mar pode pensar nisso em um indivíduo e, em seguida vêm os problemas. A onda do mar, nunca pensa que são separados, portanto, lelleve levá-lo onde o oceano, ela é levada alegremente dançando, é muito disposto a seguir essa canção místico Kabir dirección.Una: Eu falo para o meu amante interior e dizer Por que a pressa? Nós sentimos que há um espírito que ama lospájaros, e animais, e as formigas, talvez o mesmo que você fez quando você era um ser radiante em seu elvientre mãe. É lógico que agora vai ser em torno de um órfão total? A verdade é que você deu a si mesmo laespalda e decidiram entrar sozinho no escuro. Você está agora enredada com os outros e ter olvidadolo já sabia, por isso tudo que você tem algum bug estranho. As coisas acontecem quando tem que acontecer, as coisas vão acontecer quando eles acontecem. Todos VABIAN, basta confiar. Lembre-se da diferença. O teólogo dirá: "Crê no conceito de Deus." O diceque místico não precisa acreditar no conceito de Deus, apenas sentir a harmonia da existência. Unconcepto Não, não é uma crença: você pode sentir isso, é tudo partes.Casi é tangible.En quando você pensa que é um todo com o relaxamento ocorre; tem lugarun interrupção abrupta. Não há necessidade de prender-se que você pode relaxar. Não há necessidade de tensoporque você não tem para obter qualquer objetivo pessoal específica. Fluxo com Deus. Objetivo de Deus é tuobjetivo, seu destino é o seu destino. Você não tem um destino destino privado privado cria problemas. Você não viu na sua vida? Qualquer que seja tarefa que para o fracasso. E ainda não vêem a questão: você acha que fez o que deveria ter feito e você não poreso. Depois de pensar que você é inteligente o bastante, mas depois você se exercita há mais afracasar. E então penso: 'Todo mundo está contra mim "ou" o destino está contra mim "ou" Eu sou uma vítima de pessoas Delos ciúme. " Continue a encontrar explicações para suas falhas, mas nunca dar a sua real raíz.Kabir diz não significa que você-se-Deus. Esse é o entendimento do Kabir. Falha iguala-menos-lhe Deus, você yéxito iguala-mais-Deus. E lembre-se, quando eu digo "Deus" não me refiro uma pessoa sentada lá em cima, insome lugar no céu, mas o espírito cósmico. Sinta o espírito cósmico, o Tao, a lei laexistencia interpenetrando todos os que nasceram e um dia retornar. 42-PREOCUPAÇÃO A velha senhora no ônibus Você já notou uma coisa? O presente é sempre saboroso, o presente é sempre um êxtase. Preocupação e sofrimento sãogerados tanto pelo que você queria fazer no passado e não pôde, ou pelo que você quer fazer no futuro e não sabe se será capazde fazê-lo ou não. Você já parou para pensar, já prestou atenção nessa pequena verdade, de que não há qualquer sofrimento nopresente, nenhuma preocupação?É por isso que o presente não perturba a mente – é a ansiedade que perturba a mente. Não há sofrimento no presente. Opresente não conhece o sofrimento, o presente é um momento tão pequeno que o sofrimento não tem como caber nele. Nopresente só cabe o paraíso, não inferno. O inferno é grande demais! O presente só pode ser paz, só pode ser felicidade.Ouvi dizer que uma velha senhora estava viajando de ônibus e estava muito ansiosa, preocupada, perguntandocontinuamente que parada era essa. O passageiro que havia sentado ao lado dela disse: “Relaxe, não sepreocupe. O motorista irá anunciar cada parada, e se você estiver muito preocupada eu o chamarei aqui. Você pode dizer a ele onde quer descer, assim ele fica avisado. E você pode relaxar!” Ele chamou o condutor e a mulher disse: “Por favor, lembre-se, eu não posso perder minha parada. Preciso chegarcom muita urgência.”O condutor disse: “Está bem, eu prestarei atenção, embora mesmo sem o seu pedido, eu iria anunciar cada parada, mas tomarei cuidado e virei até você e lhe avisarei quando sua parada chegar. Relaxe, não se preocupecom isso!”Ela estava transpirando e tremendo, parecia tão tensa. 479
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    Então ela disse:“Certo, preste atenção, preciso descer noponto final.”Ora, se era no ponto final, porque preocupar-se? Como você poderia deixar passar o ponto final? Não há comoperdê-lo! No momento em que você descansa, na hora que relaxa, você sabe que a existência já está emmovimento, buscando algo maior, picos mais altos. E você é parte disso. Não precisa ter ambições distintas.Isso é relaxamento: descansar, deixar de lado todos os objetivos pessoais, deixar de lado a mente que desejaalcançar metas, todas as projeções do ego. E assim a vida torna-se um mistério. Seus olhos ficarão maravilhados,seu coração pleno de admiração.Não iremos nos tornar algo – nós já somos algo. Essa é a essência da mensagem daqueles que despertaram: quevocê não tem que alcançar coisa alguma, isso já lhe foi dado. É o presente de Deus. Você já está onde deveriaestar, nem poderia ser diferente, você não pode 43-PROJEÇÃO DE VONTADES A parábola da árvore dos desejos Aquele que pensa é criativo com seus pensamentos - essa é uma das verdades mais fundamentais a ser compreendida. Tudoaquilo que você vivencia é sua criação. Primeiro você cria, então você a vivencia, depois você fica preso na experiência - porquenão sabe da fonte de tudo que existe em você.Uma vez um homem estava viajando e, entrou acidentalmente no paraíso. No conceito indiano de paraíso, háárvores que realizam desejos, as Kalpatarus. Basta sentar-se debaixo delas, desejar alguma coisa, eimediatamente seu desejo é realizado – não há qualquer intervalo entre o desejo e a realização. Você pensa eimediatamente ele se torna em algo concreto: o pensamento se realiza automaticamente. Essas Kalpatarus nadamais são que uma simbologia para a mente. A mente é criativa, criativa com seus pensamentos.O homem estava cansado, assim ele adormeceu debaixo de uma árvore dos desejos. Quando ele acordou, estavase sentido muito faminto, então disse, “Gostaria de conseguir comida em algum lugar”. E imediatamente a comidaapareceu do nada – flutuando à sua frente, uma comida deliciosa. Ele começou a comer e, quando estava sesentindo satisfeito, outro pensamento surgiu nele: “Se pudesse conseguir algo para beber...” E nada é proibido noparaíso, então imediatamente, um precioso vinho apareceu.Bebendo vinho, relaxando na brisa fresca do paraíso na sombra da árvore, ele começou a imaginar: “O que estáacontecendo? Fui parar dentro de um sonho ou há fantasmas aqui me pregando peças?” Então apareceramfantasmas! eram ferozes, terríveis, nauseantes. Ele começou a tremer, e pensou: “Agora estou certo de que voumorrer. Esses fantasmas vão me matar”. E ele foi morto.Essa parábola é muito antiga, de imenso significado. Sua mente é uma árvore dos desejos; o que você imaginarserá realizado mais cedo ou mais tarde. Às vezes a demora é tão longa que você já esqueceu completamente quehavia desejado algo tempos atrás. Algumas vezes a demora é de alguns anos, ou de algumas vidas, então vocênão consegue perceber a fonte. No entanto, se você olhar bem fundo, irá descobrir que seus desejos estão criandovocê e sua vida. Eles criam seu inferno, criam ser paraíso. Criam sua miséria, criam sua felicidade. Criam onegativo e o positivo. Todos vocês são mágicos, girando e tecendo num mundo mágico em volta de si mesmos, e depois ficando presos nisso – a aranha presa na própria teia.Uma vez que isso tenha sido compreendido, as coisas começam a mudar. Então você pode brincar: você podetransformar seu inferno num paraíso, é apenas uma questão de desenhá-lo a partir de uma visão diferente. Ou sevocê estiver realmente apaixonado pela infelicidade, pode criar mais e mais, até que seu coração fique cheio dela.Mas assim, você nunca irá se queixar, porque sabe que é sua própria criação, é sua pintura, você não pode fazercom 480
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    que ninguém sesinta responsável por isso. Então toda a responsabilidade é sua.Surge então uma nova possibilidade: você pode deixar de criar o mundo, pode parar com isso. Não é necessáriocriar o paraíso e o inferno, não há necessidade alguma de criar. Aquele que cria pode ir relaxar, repousar. Esserepouso da mente é a meditação. 44-DESEJO A Tigela de Esmolas Mágica Quando você deseja algo, sua alegria depende disso. Se esta for retirada de você, você se sente miserável. Se for dada a você,você ficará feliz, mas só por uns momentos. Isso também precisa ser compreendido. Sempre que seu desejo é realizado, ele o éapenas naquele momento em que você sente o prazer. É passageiro, pois assim que você conseguir o que queria, sua mente novamente começa a desejar mais, desejar outras coisas.A mente existe no ato de desejar e, portanto, a mente nunca pode deixá-lo sem desejos. Se você não estiver desejando nada, amente morre imediatamente. Esse é todo o segredo da meditação.Um mendigo bate à porta do palácio do imperador de manhã cedo. O imperador estava saindo para passear peloseu lindo jardim e não havia nenhum guarda com ele para impedir a aproximação do pedinte.O imperador disse: “O que você quer?” O mendigo respondeu: “Antes de perguntar isso, pense duas vezes!” Oimperador nunca tinha visto um homem tão valente. O imperador havia lutado em guerras, obtido vitórias, haviadeixado claro que ninguém era mais poderoso do que ele, mas, subitamente, esse pedinte lhe dizia: “Pense duasvezes naquilo que está dizendo, pois você talvez não seja capaz de realizá-lo.”O rei disse: “Não se preocupe, isso é problema meu. Diga apenas o que quer e será feito!”O mendigo disse: “Você vê minha tigela de esmolas? Quero que ela seja preenchida! Não importa com o quê, aúnica condição é que ela fique cheia. Você ainda pode dizer não, mas se disser sim, estará correndo um risco.” O imperador riu. Só uma tigela de esmolas!... e o mendigo pedia para ele ter cuidado? Ele ordenou a seu primeiroministroque enchesse a tigela com diamantes, para que esse mendigo soubesse com quem ele estava falando.O mendigo disse novamente: “Pense duas vezes.” E logo ficou claro que o mendigo estava certo, pois no instanteem que os diamantes foram colocados na tigela de esmolas, simplesmente desapareceram!Os boatos se espalharam rapidamente pela região. Milhares de pessoas vieram para ver o fenômeno. Quando aspedras preciosas acabaram, o rei disse: “Tragam todo o ouro e prata, tragam tudo! Todo meu reino, toda minhaintegridade está em jogo.” Mas no final da tarde tudo havia desaparecido e sobraram somente dois pedintes. Um deles era o imperador.O imperador disse: “Antes que lhe peça perdão por não ter escutado seu aviso, por favor, me diga o segredo dessatigela de esmolas.”O mendigo disse: “Não há nenhum segredo. Eu a poli, fiz com que se parecesse com um prato, mas é um crâniohumano. Você pode colocar o que quiser aí dentro que irá desaparecer.”Essa história é significativa. Você já parou para pensar na sua própria tigela de esmolas? Tudo some: poder,prestígio, respeito, riquezas. Tudo isso desaparece e sua tigela de esmolas continua abrindo a boca e pedindomais. E esse ‘mais’ o tira daqui. Esse desejo lhe afasta desse momento.Há somente dois tipos de pessoas no mundo: a maioria corre atrás de sombras e suas tigelas de esmolaspermanecerão vazias até que eles entrem em seus túmulos. Uma minoria bem pequena, uma pessoa em cadamilhão, pára de correr, põe de lado todos os desejos, não pede mais nada. E subitamente encontra tudo dentro desi. 481
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    45-VIVENDO PLENAMENTE Alexandre ogrande encontra-se com Diógenes Aqueles que dizem estar esperando por uma oportunidade estão sendo enganados, e não estão enganando ninguém a não sereles mesmos. A oportunidade não irá surgir amanhã. Ela já chegou, steve sempre presente. Esteve presente mesmo quandovocê não estava aqui. A existência é uma oportunidade. Ser é a oportunidade. Não diga: "Amanhã irei meditar, amanhã ireiamar, amanhã irei ter uma relação radiante com a existência." Por que amanhã? O amanhã nunca chega. Por que não agora? Porque adiar? O adiamento é um truque da mente: faz com que você continue cheio de esperanças, e enquanto isso a oportunidadeestá escapando de você. E, no final, você chegará ao derradeiro destino - a morte - e não haverá mais oportunidades àdisposição. Isso já aconteceu muitas vezes no passado. Você não é novo aqui. Você já nasceu e morreu muitas vezes. E, a cadavez, a mente usou o mesmo truque, e você ainda não aprendeu.Quando Alexandre o Grande estava indo para a Índia, encontrou um homem estranho, Diógenes. Era uma manhãde inverno, uma brisa refrescante soprava e Diógenes estava deitado à margem do rio, tomando um banho de sol,nu. Era um belo homem. Quando a alma é bela, surge uma beleza que não é desse mundo. Ele nada tinha, nemmesmo uma tijela de esmolas, porque um dia ele estava indo para o rio com sua tijela de esmolas para beberágua quando viu um cachorro correndo para o rio. O cachorro pulou no rio e bebeu. Então Diógenes riu e pensou:“Esse cachorro me ensinou algo. Se ele pode viver sem um prato de esmolas, porque também não posso?” Entãodesfez-se da sua tijela de esmolas e fez como o cachorro: pulou no rio e começou a beber. Desde então não tevemais nada. Alexandre nunca tinha visto alguém tão gracioso, de tamanha beleza, algo que vinha de uma fontedesconhecida… Ele estava impressionado e disse: “Senhor…” Ele nunca havia dito “Senhor” para ninguém em suavida – “estou muito impressionado com o seu ser e gostaria de fazer algo por você. Há algo que eu possa fazerpor você?” Diógenes disse: Apenas chegue um pouco para o lado pois você está tapando o sol. Só isso. Nãopreciso de mais nada.” Alexandre disse: “Se eu tiver outra chance de voltar à terra, pedirei a Deus que, em vez deme fazer Alexandre de novo, me faça Diógenes.” Diógenes riu e disse: “Quem o impede de fazer isso agora? Vocêpode tornar-se um Diógenes. Para onde está indo? Durante meses vi exércitos se movendo por toda parte. Paraonde você está indo e por que? Alexandre disse: “Estou indo para a Índia, para conquistar o mundo inteiro.” “Edepois disso, o que você fará?, perguntou Diógenes. E Alexandre disse: “Então irei descansar.” Diógenes riunovamente e disse: “Você está louco! Estou descansando agora mesmo e não conquistei o mundo. Não vejo qual anecessidade disso. Quem lhe disse que, antes de descansar, precisava conquistar o mundo? E lhe digo outra coisa:se você não descansar agora, nunca o fará. Sempre haverá mais alguma coisa para ser conquistada, e o tempopassa rápido. Você irá morrer no meio de sua jornada. Todos morrem no maio da jornada.” E Alexandre morreu nomeio: morreu no caminho, quando voltava da Índia. E nesse dia lembrou-se de Diógenes. Apenas Diógenes estavaem sua mente – ele nunca pôde descansar em sua vida, e aquele homem descansou. 46- A BUSCA À Procura da Morada de Deus Reúna toda sua coragem e mude tudo. Você continuará existindo, mas de uma forma tão nova que não conseguirá conectá-lacom a antiga. Haverá uma descontinuidade. A velha era tão pequena, tão baixa, tão mesquinha, e a nova é tão vasta. A partir deuma gota de orvalho, você tornou-se um oceano. Porém, mesmo a gota de orvalho caindo da folha de 482
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    lótus treme poruminstante, tenta se segurar um pouco mais, porque pode ver o oceano... Uma vez que tiver caído da folha de lótus, estaráacabada. Sim, de certa forma não existirá mais, pelo menos não como gota de orvalho. Mas não será uma perda. Terá se tornadooceânica. E todos os outros oceanos são limitados. Apenas o oceano da existência é ilimitado.Falei muitas vezes sobre um lindo poema de Rabindranath Tagore. O poeta está à procura de Deus durantemilhões de vidas. Ele o viu algumas vezes, longe, ao lado de uma estrela, e começou a mover-se nessa direção,mas, quando chegou à estrela, Deus havia se deslocado para outro lugar. Ainda assim continuou a procurar - eleestava realmente determinado a encontrar a morada de Deus - e, para sua grande surpresa, um dia encontrouuma casa em cuja porta estava escrito: "Morada de Deus." Você pode imaginar seu contentamento, seu êxtase.Subiu correndo os degraus e, na hora em que ia bater na porta, sua mão ficou paralisada. Pensou: “Se essa formesmo a morada de Deus, então estou acabado, minha busca terminou. Me identifiquei com essa busca, não hánada mais que eu conheça. Se a porta abrir e eu estiver diante de Deus, a busca terá terminado. O que fareidepois?” Começou a tremer de medo, tirou os sapatos e desceu de volta os magníficos degraus de mármore. Seumedo era de que Deus abrisse a porta, mesmo sem que ele tivesse batido. Depois começou a correr o mais rápidoque pôde. Achava que estivera correndo atrás de Deus o mais rápido possível, mas nesse dia correu ainda mais, enunca olhou para trás. O poema termina assim: “Estou em busca de Deus. Conheço sua morada, então evitopassar por perto e procuro em todos os outros lugares. Há uma grande excitação, um grande desafio, e em minhabusca continuo a existir. Deus é um perigo – eu seria aniquilado. Mas agora não tenho mais medo nem de Deus,pois sei onde ele mora. Então, deixando sua casa de lado, posso continuar procurando por ele em todo o universo.Lá no fundo sei que não é Deus que busco. Minha busca serve para alimentar meu ego.” Geralmente não seassocia Rabindranath Tagore com religião. Mas apenas um homem religioso extremamente experiente poderia terescrito esse poema. Não é um poema qualquer, ele contém uma grande verdade. Essa é a situação: o êxtase nãopermite que você exista, você tem que desaparecer. É por isso que você não vê muitas pessoas em êxtase pelomundo. A infelicidade alimenta seu ego, e é por isso que há tantas pessoas infelizes no mundo. O ponto central ebásico é o ego. Para atingir a verdade suprema, você precisa pagar o preço. E o preço nada mais é que sedesfazer do ego. Então, quando você encontrar um momento assim, não hesite: desapareça, dançando. Com umagrande risada, desapareça. Com canções em seus lábios, desapareça. 47-ESPERANÇA Perdido na selva A alegria do amor só é possível se você tiver conhecido a alegria de estar sozinho, porque só então você terá algo paracompartilhar. De outra forma, serão dois mendigos se encontrando, agarrando-se um ao outro, mas não poderão obter o êxtase.Criarão infelicidade para ambos, porque cada um irá esperar em vão, que o outro o preencha. O outro está esperando a mesmacoisa. Não podem se completar. Ambos estão cegos, não podem ajudar um ao outro.Ouvi contar de um caçador que se perdeu na selva. Por três dias ele não conseguiu encontrar ninguém paraperguntar pelo caminho de volta, e ele estava ficando cada vez mais assustado, entrando em pânico - três diassem comer e com um medo constante de animais selvagens. Por três dias ele não foi capaz de dormir; ele ficavasentado acordado em alguma árvore, com receio de ser atacado. Havia cobras, leões, e outros animais selvagens.No quarto dia de manhã cedo, ele viu um homem sentado debaixo de uma árvore. Você pode imaginar suaalegria. Ele correu, abraçou o homem, e disse: "Que alegria!" e o outro homem também o abraçou, e ambosestavam imensamente felizes. Depois eles perguntaram um ao outro, "Por que você está tão 483
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    contente?"O primeiro disse,"Eu estava perdido e esperava encontrar alguém." E o outro disse: "Eu também estou perdido eesperava encontrar alguém. Mas se ambos estamos perdidos então nossa felicidade é pura tolice. Agora stamosperdidos juntos!"É isso que acontece: você está sozinho, a outra pessoa está sozinha. Então vocês se encontram. Primeiro há a luade-mel, o êxtase do encontro, o êxtase por não estarem mais sozinhos. Mas dentro de três dias ou, se você forinteligente o bastante, dentro de três horas... depende de quão inteligente você for. Se for tolo, irá levar maistempo pois pessoas tolas são aquelas que não aprendem. Caso contrário, uma pessoa inteligente pode perceberem três minutos... "O que estamos tentando fazer? Não vai funcionar. Essa outra pessoa está tão sozinha quantoeu. Agora iremos viver juntos, serão duas solidões juntas. Juntar duas feridas não faz com que elas se curem."Cada um de nós é parte dos outros, nenhum homem é uma ilha. Pertencemos a um continente invisível poréminfinito. Nossa existência não possui limites.Contudo, essas experiências só são vividas pelas pessoas que estão se aperfeiçoando, que estão em um estado deamor tão grande consigo mesmas que podem fechar os olhos, ficar sozinhas e ainda assim em êxtase absoluto.Essa é a essência da meditação.Meditação significa estar em êxtase dentro da sua solidão. Mas, quando você encontra o êxtase em sua solidão,logo esse êxtase se torna tão grande que você não pode contê-lo. Começa a transbordar de você. E quandocomeça a transbordar, torna-se amor. A meditação permite que o amor surja. E as pessoas que não conheceram ameditação jamais conhecerão o amor. Podem fingir que amam, mas não podem amar de fato. Apenas fingem,porque não têm nada para dar, não estão transbordantes. Amar é compartilhar. Mas antes que você possacompartilhar, você precisa ter algo para dar. A meditação deveria ser a primeira coisa. A meditação é o centro, oamor é a circunferência em torno dela. A meditação é a flor, o amor é o perfume. 48-DESAFIO A parábola do fazendeiro e do trigo Miséria significa que as coisas não estão de acordo com seus desejos. E as coisas nunca estão de acordo com seus desejos, nãopodem estar. As coisas apenas vão seguindo sua natureza.Lao Tsu chama essa natureza de Tao. O Buda chama essa natureza de Dhamma. Mahavir definiu a religião como "a natureza dascoisas". Nada pode ser perfeito. O fogo é quente e a água é fresca. Um homem sábio é aquele que relaxa em ação em relação ànatureza das coisas, aquele que segue a natureza das coisas.E quando você segue a natureza das coisas, não há sombras a seu redor. Não há infelicidade. Mesmo a tristeza é luminosa nessecaso, mesmo a tristeza é bela. Não digo que não haverá tristeza: ela virá, mas não será sua inimiga. Você será capaz de ver suagraça e será capaz de ver por que está lá e por que é necessária.Me contaram uma antiga parábola - deve ser bem antiga, porque Deus vivia na terra nessa época. Um dia umhomem foi até ele, um velho fazendeiro, e disse: "Olhe, você pode ser Deus e pode ter criado o mundo, mas devolhe dizer uma coisa: você não é um fazendeiro. Você nem sabe o básico sobre fazendas. Deus disse: "Qual o seuconselho?" O fazendeiro respondeu: Me dê um ano, me deixe fazer as coisas do meu jeito e você verá o que vaiacontecer. Não haverá mais pobreza!"Deus estava disposto a tentar e deu um ano para o fazendeiro. Naturalmente, este pediu apenas o melhor, sópensou no melhor: sem trovões, sem fortes ventanias, sem perigos para as plantações. Tudo era muito confortável, acolhedor, e ele estava muito feliz. O trigo estava crescendo muito! Quando ele queria sol, havia sol.Quando ele queria chuva, havia chuva, e tanta chuva quanto ele achasse necessário. Nesse ano tudo estevecorreto, matematicamente correto.Mas, quando foi feita a colheita, não havia grãos de trigo dentro. O fazendeiro ficou surpreso e 484
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    perguntou a Deusoque havia acontecido, o que havia saído errado.Deus disse: "Como não houve dificuldades nem conflitos, nenhum atrito, como você evitou tudo aquilo que podiaser ruim, o trigo se tornou impotente. É necessário que haja alguma dificuldade. As tempestades, os trovões, osraios, todos eles são necessários. Eles fazem com que a alma do trigo se mobilize."Se você está apenas feliz, feliz e feliz, a felicidade irá perder todo o seu sentido. Será como alguém que escrevecom giz branco sobre uma parede branca. Ninguém será capaz de ler o que foi escrito. É preciso escrever em um quadro-negro para que as coisas se tornem claras. A noite é tão necessária quanto o dia. E os dias de tristeza sãotão essenciais quanto os de alegria. Chamo isso de compreensão. Uma vez que você tenha entendido isso, poderelaxar: nesse relaxamento estará a entrega. Você dirá: "Seja feita a vossa vontade." Você dirá: "Faça o que acharmais correto. Se hoje forem necessárias nuvens, que venham nuvens. Não me ouça, minha compreensão élimitada. O que sei sobre a vida e seus segredos? Não me ouça! Continue agindo de acordo com a sua vontade."Então, lentamente, quanto mais você perceber o ritmo da vida, o ritmo da dualidade, o ritmo da polaridade, maisirá parar de pedir, de escolher.Esse é o segredo. Viva com este segredo e veja a beleza. Viva com este segredo e subitamente você serásurpreendido: como é grande a bênção da vida! Quanto é despejado sobre você a cada momento! 49-AMOR O desafio do rei a seus três filhosA semente nunca está em perigo, lembre-se disso. Que perigo haveria para a semente? Ela está completamente protegida. Mas aplanta está sempre em perigo, a planta é muito delicada. A semente é como uma rocha, dura, protegida por uma crosta grossa.Mas a planta precisa enfrentar mil e um perigos. E nem todas as plantas atingirão o estágio em que poderão florescer em mil euma flores...Poucos seres humanos atingem o segundo estágio e, desses, muito poucos atingem o terceiro, o estágio da flor. Por que nãopodem atingir o estágio da flor? Por causa da ganância, por causa da miséria, não estão prontos para dividir... por causa de umestado em que há falta de amor. É necessário coragem para tornar-se uma planta, e é necessário amor para tornar-se uma flor.Uma flor significa que a árvore está abrindo seu coração, liberando seu perfume, oferecendo sua alma, vertendo seu ser naexistência. Não continue sendo apenas uma semente. Reúna coragem: coragem para deixar para trás o ego, coragem paradeixar para trás sua segurança, coragem para se tornar vulnerável.Um grande rei tinha três filhos e queria escolher um para seu herdeiro. Era muito difícil, pois os três eram muitointeligentes, muito corajosos. Qual deles escolher? Então perguntou a um grande sábio, e o sábio sugeriu umacoisa...O rei foi para casa e pediu que os três filhos se reunissem. Deu a cada um deles um saco de sementes de flores edisse a eles que estava partindo em uma peregrinação. "Levará alguns anos, talvez dois ou três, talvez até mais.Esse é um teste para vocês. Vocês terão que devolver essas sementes quando eu voltar. Aquele que as protegermelhor será meu herdeiro." E partiu.O primeiro filho trancou as sementes em um cofre de ferro, pois quando o pai voltasse poderia devolvê-las nomesmo estado.O segundo filho pensou: "Se eu as trancar, as sementes irão morrer. Meu pai pode argumentar que nos deusementes vivas, que poderiam crescer, e que agora estavam mortas e não poderiam mais gerar flores." Então foiao mercado, vendeu as sementes e guardou o dinheiro. Pensou: "Quando meu pai retornar, irei ao mercado,comprarei novas sementes e darei a ele sementes melhores que as primeiras."O terceiro, contudo, encontrou melhor solução. Voltou ao jardim e espalhou as sementes em vários lugares.Três anos depois, quando o pai retornou, o primeiro filho abriu o cofre. As sementes estavam mortas, apodrecidas.O pai lhe perguntou: "O que é isso? Foram estas as sementes que lhe dei? Elas podiam florescer e liberar 485
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    docesaromas, mas suassementes estão fedendo. Estas não são as minhas sementes."Foi procurar o segundo filho. Ele correu até o mercado, comprou sementes, voltou para casa e disse: "Aqui estãoas sementes." O pai lhe respondeu: Você se saiu melhor do que o primeiro, mas não foi tão bom quanto eu teriadesejado."Então foi procurar o terceiro. Tinha grande esperança, mas também medo: "O que ele terá feito?" E o terceiro filholevou-o ao jardim, onde havia milhares de plantas florescendo, flores por toda parte. E o filho disse: "Estas são assementes que você me deu. Em breve irei colher as sementes e as darei de volta a você." O pai disse então: "Vocêé o meu herdeiro. É assim que se deve proceder com sementes." 50-COMPAIXÃO Jesus e os mercadores As pessoas vêm até mim e perguntam: "O que é certo e o que é errado?" Eu digo: "Percepção é certo e não-percepção é errado."Não rotulo as ações como certas ou erradas. Não digo que a violência é errada. Algumas vezes a violência pode ser certa. Nãodigo que o amor é certo. Algumas vezes o amor pode ser errado. O amor pode ser dirigido à pessoa errada, pode ter motivoserrados. Uma pessoa diz que ama sua nação. Isso é errado, pois o nacionalismo é uma praga. Outra pessoa diz que ama suareligião. Essa pessoa pode matar, assassinar, incendiar os templos de outras pessoas. O amor nem sempre está certo, e a raivanem sempre está errada.Então o que é certo e o que é errado? Para mim, a percepção é o certo. Se você estiver com raiva, mas em total percepção, até araiva estará certa. E se você estiver amando sem percepção, mesmo o amor estará errado. Assim deixe a qualidade dapercepção estar presente em todos os seus atos, em cada pensamento, em cada sonho que você tem. Deixe que a qualidade dapercepção penetre cada vez mais em seu ser. Banhe-se na qualidade da percepção. Então qualquer coisa que você fizer seráuma virtude. Então qualquer coisa que você fizer será uma bênção para você e para o mundo em que vive.Deixe-me lembrá-lo de uma situação que ocorreu durante a vida de Jesus. Ele pegou um chicote e entrou nogrande templo de Jerusalém. Um chicote nas mãos de Jesus? Era isso que Buda queria dizer quando falou: "Umamão sem feridas pode segurar veneno." Sim, Jesus pode usar um chicote, não há problema nisso, pois o chicotenão tomará conta dele. Ele permanece alerta, tamanha é sua consciência.O grande templo de Jerusalém havia se tornado um abrigo de ladrões. Havia mercadores dentro do templo e elesestavam explorando todo o país. Jesus entrou sozinho no templo e revirou as bancas de mercadorias, jogou todasas mercadorias no chão e criou tamanha balbúrdia que os mercadores saíram do templo. Eles eram muitos e Jesusestava sozinho, mas ele estava tão cheio de fúria, tão irritado! Isso se tornou um problema para os cristãos: como explicar seus atos? Porque todo o esforço dos cristãos temsido para provar que Jesus é como uma pomba, um símbolo de paz. Como ele poderia usar um chicote? Como poderia estar tão furioso, tão enraivecido, a ponto de revirar as bancas dos mercadores e expulsá-los do templo? Edeveria estar possesso, do contrário teria sido dominado, pois estava só.Sua energia deve ter sido tempestuosa, os outros não podiam enfrentá-lo. Os sacerdotes e os mercadores fugiramgritando, dizendo que aquele homem estava louco.Os cristãos evitam esta história. Mas não há porque evitá-la se você compreender isso: Jesus é completamenteinocente! ele não é a raiva, ele é a compaixão. Ele não é violência ou destruição, ele é amor. O chicote em suasmãos é o chicote nas mãos do amor, da compaixão.Um homem que possui percepção age a partir de sua percepção, e por isso não há arrependimento: sua ação éplena. E uma das belezas de uma ação plena é que ela não cria um carma, não cria nada. Na verdade, não deixanenhuma marca em você. É como escrever na água: antes mesmo que você tenha terminado... já se foi. Não 486
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    énem como escreverna areia, pois essa escrita pode permanecer por algumas horas, se o vento não soprar - écomo escrever na água.Se você puder estar completamente alerta, então não haverá problemas. Você pode segurar veneno: então oveneno irá funcionar como um remédio. nas mãos de um sábio, o veneno se torna remédio. Nas mãos de um tolo,mesmo remédio, mesmo um néctar irá se tornar veneno. Se você agir partindo da inocência - não doconhecimento, mas da inocência de uma criança - então jamais poderá gerar qualquer mal, porque não deixarámarcas. Você permanecerá livre para agir. Você viverá plenamente e nenhuma ação pesará sobre você. 52-ARREPENDIMENTO Quando Shibli jogou a rosa Se você fez algo de errado, vá falar com a pessoa a quem você ofendeu. Seja humilde, peça seu perdão. Apenas essa pessoapoderá lhe perdoar, ninguém mais. E lembre-se de que esse é o significado da palavra "pecado": esquecimento. A partir deagora, não se esqueça mais, não volte a cometer o mesmo erro, pois do contrário seu pedido de desculpas perde seu sentido.A partir de agora seja mais cuidadoso, esteja alerta, seja consciente. Lembre-se de não repetir os mesmos erros: você devedecidir isso dentro de você e então estará de fato arrependido.O arrependimento pode se tornar um fenômeno muito, muito profundo se você compreender a responsabilidade. Neste caso,mesmo uma pequena coisa, se ela se tornar um arrependimento - não apenas verbal, não apenas na superfície - se ela entrarfundo em suas raízes, se você se arrepender a partir dessas raízes. Se todo o seu ser se agitar, tremer e gritar, e saíremlágrimas, não somente de seus olhos, mas de cada célula de seu corpo, então o arrependimento pode se tornar umatransfiguração.A primeira vez que o nome de Shibli tornou-se conhecido foi quando Mansur al-Hillaj estava sendo assassinado.Muitas pessoas já foram assassinadas no passado por outras pessoas que se diziam religiosas - Jesus foi assassinado - mas nunca houve um assassinato como o que ocorreu com al-Hillaj. Primeiro cortaram suas pernas - ele ainda estava vivo - depois suas mãos. Então sua língua foi cortada e seusolhos arrancados - e ele continuava vivo. Foi cortado em pedaços. E qual foi o crime que Mansur cometeu? Elehavia dito: "An'al Hak." Significa "eu sou a verdade, eu sou Deus". Todos os seers do Upanishad declaram isso,"Alam Brahmasmi" - eu sou Brahma, o Ser supremo". Mas os maometanos não podiam tolerar isso.Mansur é um dos grandes sufis. Quando começaram a cortar suas mãos, ele olhou para o céu, rezou para deus edisse: "Você não pode me enganar! Posso vê-lo presente em cada uma dessas pessoas aqui. Você está tentandome enganar? Veio como o assassino, como o inimigo? Não importa, eu lhe digo, qualquer que seja a forma em quevocê venha, eu o reconheço - porque o reconheci dentro de mim mesmo. Agora já não é possível me enganar."Shibli era um companheiro, um amigo de al-Hillaj. As pessoas estavam jogando pedras e lama em sinal dedespeito, mas Shibli permanecia ali. Mansur ria e sorria. Subitamente ele começou a chorar, porque Shibli haviajogado uma rosa para ele. Alguém perguntou: "Qual é seu problema? Quando jogam pedras, ri - você ficoumaluco? E Shibli lhe atirou apenas uma rosa, por que você está chorando?" Mansur disse: "As pessoas que estão jogando pedras não sabem o que fazem, mas Shibli sabe. Para ele será difícilobter o perdão de Deus. Os outros serão perdoados porque estão agindo em total ignorância, não podem agir deoutra forma. Em sua cegueira, isso é tudo que podem fazer. Mas Shibli é um homem que sabe. É por isso queestou chorando por ele. É o único homem aqui que está cometendo um pecado."E o que Mansur falou mudou a vida de Shibli completamente. Ele jogou fora o Alcorão, as escrituras e disse: Elesnem mesmo puderam me fazer entender isso: todo conhecimento é inútil.Agora irei procurar o conhecimento adequado." E mais tarde, quando lhe perguntaram por que havia 487
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    atirado a flor,Shiblirespondeu: "Tive medo da multidão. Se não jogasse nada, poderiam pensar que eu pertencia ao grupo deMansur. Poderiam se tornar violentos também em relação a mim. Joguei a flor, era apenas uma soluçãointermediária. Mansur estava certo, ele chorou por meu medo, minha covardia. Chorou porque eu compactuei coma multidão."Mas Shibli entendeu, e o choro de mansur tornou-se uma transformação. 51-ABANDONANDO O PASSADO Deixe que os mortos enterrem os mortos Reúna coragem, pois a jornada já começou. Mesmo se você voltar, não irá encontrar a mesma praia outra vez. Mesmo se vocêvoltar, os velhos brinquedos não o ajudarão em nada, você já não tem o que fazer com eles, pois saberá que são brinquedos.Agora aquilo que é real deve ser encontrado, deve ser pesquisado. E não está muito longe: está dentro de você.Um homem que vive de acordo com o passado certamente irá encontrar tédio, falta de sentido e uma espécie deangústia: "O que estou fazendo aqui? Por que continuo a viver? O que há no amanhã? Outra repetição do dia dehoje? E tudo que houve hoje foi uma repetição de ontem." Então qual é o sentido? Por que ficar se arrastando doberço até a sepultura, cumprindo a mesma rotina?Isso pode ser bom para búfalos ou asnos, porque eles não têm uma memória do passado, não têm qualquer idéiasobre o futuro. Eles não ficam entediados, porque é necessário uma certa consciência para que haja tédio. Essaconsciência percebe que você já fez isso antes, que está fazendo de novo e que o fará mais uma vez amanhã,porque você não sai do passado, não deixa que ele morra, você o mantém vivo. Esse é o dilema que todosencontram na vida e a única solução é deixar o passado morrer.Há uma linda história na vida de Jesus. Ele chegou a um lago, cedo pela manhã, antes que o sol nascesse. Umpescador ia jogar sua rede no lago, quando Jesus colocou sua mão no ombro do pescador e disse: "Durantequanto tempo você vai fazer essa mesma coisa, todos os dias - manhã, tarde e noite - apenas pescar? Você achaque isso é tudo que há na vida?."O pescador disse: "Nunca havia pensado nisso,mas, como você fez a pergunta, entendo o que você diz, devehaver algo mais na vida."Jesus então disse: "Se vier comigo, lhe ensinarei como pescar homens, em vez de pescar peixes." O homem olhounos olhos de Jesus. Havia tanta profundidade, tanta sinceridade, tanto amor que não era possível duvidar daquelehomem, havia um silêncio tão grande a seu redor que não era possível dizer não para ele. O pescador atirou suarede na água e seguiu Jesus. Quando eles estavam prestes a deixar a cidade, um homem veio correndo e disse ao pescador: "Seu pai, queestava doente há dias, morreu. Volte para casa!"O pescador perguntou a Jesus: "Dê-me apenas três dias, para que eu possa cumprir os últimos rituais que umfilho deve desempenhar quando seu pai morre."Jesus respondeu ao pescador - e essa é a frase da qual gostaria que vocês se lembrassem: "Deixe que os mortosenterrem os mortos, você vem comigo."O que ele quis dizer? "Toda a cidade está repleta de pessoas mortas. Elas irão lidar com o corpo de seu pai. Vocênão é necessário, você vem comigo."A cada momento algo está morrendo. Não seja um colecionador de antiguidades: deixe para trás tudo aquilo queestá morto. Continue com sua vida, com sua plenitude e intensidade, e nunca irá se defrontar com nenhumdilema, nenhum problema. 52-ARREPENDIMENTO Quando Shibli jogou a rosa Se você fez algo de errado, vá falar com a pessoa a quem você ofendeu. Seja humilde, peça seu perdão. Apenas essa pessoapoderá lhe perdoar, ninguém mais. E lembre-se de 488
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    que esse éo significado da palavra "pecado": esquecimento. A partir deagora, não se esqueça mais, não volte a cometer o mesmo erro, pois do contrário seu pedido de desculpas perde seu sentido.A partir de agora seja mais cuidadoso, esteja alerta, seja consciente. Lembre-se de não repetir os mesmos erros: você devedecidir isso dentro de você e então estará de fato arrependido.O arrependimento pode se tornar um fenômeno muito, muito profundo se você compreender a responsabilidade. Neste caso,mesmo uma pequena coisa, se ela se tornar um arrependimento - não apenas verbal, não apenas na superfície - se ela entrarfundo em suas raízes, se você se arrepender a partir dessas raízes. Se todo o seu ser se agitar, tremer e gritar, e saíremlágrimas, não somente de seus olhos, mas de cada célula de seu corpo, então o arrependimento pode se tornar umatransfiguração.A primeira vez que o nome de Shibli tornou-se conhecido foi quando Mansur al-Hillaj estava sendo assassinado.Muitas pessoas já foram assassinadas no passado por outras pessoas que se diziam religiosas - Jesus foi assassinado - mas nunca houve um assassinato como o que ocorreu com al-Hillaj. Primeiro cortaram suas pernas - ele ainda estava vivo - depois suas mãos. Então sua língua foi cortada e seusolhos arrancados - e ele continuava vivo. Foi cortado em pedaços. E qual foi o crime que Mansur cometeu? Elehavia dito: "An'al Hak." Significa "eu sou a verdade, eu sou Deus". Todos os seers do Upanishad declaram isso,"Alam Brahmasmi" - eu sou Brahma, o Ser supremo". Mas os maometanos não podiam tolerar isso.Mansur é um dos grandes sufis. Quando começaram a cortar suas mãos, ele olhou para o céu, rezou para deus edisse: "Você não pode me enganar! Posso vê-lo presente em cada uma dessas pessoas aqui. Você está tentandome enganar? Veio como o assassino, como o inimigo? Não importa, eu lhe digo, qualquer que seja a forma em quevocê venha, eu o reconheço - porque o reconheci dentro de mim mesmo. Agora já não é possível me enganar."Shibli era um companheiro, um amigo de al-Hillaj. As pessoas estavam jogando pedras e lama em sinal dedespeito, mas Shibli permanecia ali. Mansur ria e sorria. Subitamente ele começou a chorar, porque Shibli haviajogado uma rosa para ele. Alguém perguntou: "Qual é seu problema? Quando jogam pedras, ri - você ficoumaluco? E Shibli lhe atirou apenas uma rosa, por que você está chorando?" Mansur disse: "As pessoas que estão jogando pedras não sabem o que fazem, mas Shibli sabe. Para ele será difícilobter o perdão de Deus. Os outros serão perdoados porque estão agindo em total ignorância, não podem agir deoutra forma. Em sua cegueira, isso é tudo que podem fazer. Mas Shibli é um homem que sabe. É por isso queestou chorando por ele. É o único homem aqui que está cometendo um pecado."E o que Mansur falou mudou a vida de Shibli completamente. Ele jogou fora o Alcorão, as escrituras e disse: Elesnem mesmo puderam me fazer entender isso: todo conhecimento é inútil.Agora irei procurar o conhecimento adequado." E mais tarde, quando lhe perguntaram por que havia atirado a flor,Shibli respondeu: "Tive medo da multidão. Se não jogasse nada, poderiam pensar que eu pertencia ao grupo deMansur. Poderiam se tornar violentos também em relação a mim. Joguei a flor, era apenas uma soluçãointermediária. Mansur estava certo, ele chorou por meu medo, minha covardia. Chorou porque eu compactuei coma multidão."Mas Shibli entendeu, e o choro de mansur tornou-se uma transformação. 53-BRINCADEIRA O desafio de Krishna à Arjuna Sua mente brinca infinitamente - tudo é como um sonho em um quarto vazio. Ao meditar, você deve olhar para a mente e vê-lafazendo suas travessuras, como uma crinaça brincando e saltitando pelo puro excesso de energia. É só isso: pensamentospulando, saltitando, brincando, apenas um jogo, você não deve levar isso à sério. Mesmo se houver algum pensamento ruim,não se sinta culpado. Ou, se houver um grande 489
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    pensamento, um pensamentomuito bom - se você desejar servir à humanidade etransformar o mundo inteiro, trazer o paraíso à terra - não deixe que seu ego seja tomado por ele, não pense que você se tornougrandioso. É apenas sua mente brincando. Algumas vezes ela desce, outras ela sobe, nada mais que energia em excessotomando muitas formas e faces.A dimensão da brincadeira deve ser estendida a toda sua vida. Seja o que for que esteja fazendo, esteja presentenesta atividade tão completamente que seu objetivo se torne irrelevante. O objetivo será atingido, tem que ser,mas não deve estar presente em sua mente. Você está brincando, divertindo-se.É isso que Krishna quis dizer - durante o Mahabharata, a grande guerra cujas crônicas estão no Gita - quando eledisse a seu discípulo Arjuna que deixasse o futuro nas mãos do divino: "O resultado de sua atividade está nasmãos do divino, você simplesmente faz." Este "Simplesmente fazer" se torna uma brincadeira. Foi por isso que Arjuna teve dificuldade em compreender, quando ele diz que, se é apenas uma brincadeira, então por que matar,por que lutar? Mas toda a vida de Krishna é somente uma brincadeira, você não encontrará outro homem quetenha sido tão pouco sério. Toda sua vida é uma brincadeira, um jogo, uma peça. Ele está aproveitando tudointensamente mas não está preocupado com o resultado. O que irá acontecer é irrelevante.É difícil para Arjuna entender Krishna porque Arjuna é uma pessoa calculista, que pensa em termos de resultadofinal. No início do Gita, ele diz: "Tudo isso me parece absurdo. Em ambos os lados meus amigos e parentes estãoprontos para lutar. Não importa quem vença, será uma perda porque minha família, meus parentes, meus amigos terão sido destruídos. Mesmo que eu vença, de nada valerá, pois para quem irei mostrar minha vitória? As vitóriasfazem sentido porque os amigos e parentes poderão desfrutá- las. Mas, se não houver ninguém, será uma vitoriasobre corpos mortos. Quem irá apreciá- la? Quem irá dizer 'Arjuna, seus feitos foram grandiosos'? Então nãoimporta se eu vencer ou for derrotado, me parece absurdo. Não há sentido nisso." Ele deseja renunciar. Ele éabsolutamente sério, e qualquer um que seja calculista será tão sério quanto ele.O que ocorre no Gita é algo singular. A guerra é a mais séria das coisas. Não se pode brincar a respeito dela,porque há vidas em jogo, milhões de vidas em jogo, e não há como brincar com isso. Ainda assim, Krishna insisteque é preciso ser brincalhão. Não sobre o que irá acontecer no final, apenas esteja aqui e agora. Seja apenas umguerreiro, brincando. Não se preocupe com o resultado porque ele está nas mãos do divino. E não se trata nemmesmo de questionar se o resultado está nas mãos do divino ou não - a questão é que não deve estar nas suasmãos, o peso não deve recair sobre você. Se você carregar esse peso, então não poderá viver em meditação. 54-FOCO Saraha e a arqueira A mente é tão astuta que pode ocultar-se sob as vestes de seu próprio oposto. A indulgência pode se tornar asceticismo, omaterialismo pode se tornar espiritualista e algo desse mundo pode se tornar algo do outro mundo. mas a mente é a mente -quer você seja a favor do mundo ou contra o mundo você permanece enjaulado na mente. A favor ou contra, ambos são parte damente. Quando a mente desaparece, ela desaparece em ma perceptividade sem escolhas. Quando você pára de escolher,quando você não é nem a favor nem contra, isso é parar no meio. Uma escolha leva à esquerda, um extremo. A outra leva àdireita, que é o outro extremo. Se você não escolher, ficará exatamente no meio. Isso é relaxamento, isso é descanso. Você nãofaz mais escolhas, não tem obsessões, e nesse estado de consciência, sem escolhas nem obsessões, surge uma inteligência queestava adormecida no mais profundo de seu ser. Você se torna uma luz em si mesmo.Sarasa, o fundador do tantra, era filho de um brâmane muito culto, que pertencia à corte do rei Mahapala. O reiestava disposto a dar em casamento sua própria 490
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    filha para Saraha,mas ele desejava renunciar a tudo, pois queriatornar-se um sannyasin. O rei tentou persuadi-lo - Saraha era um jovem tão belo e inteligente. Mas ele foipersistente e tiveram que lhe conceder a permissão, então Saraha tornou-se discípulo de Sri Kirti.A primeira coisa que Sri Kirti lhe disse foi: "Esqueça todos os seus Vedas e tudo que você aprendeu, todas essascoisas sem sentido." Era muito difícil, mas ele estava disposto a arriscar tudo. Os anos se passaram e, aos poucos,ele apagou tudo aquilo que sabia. Tornou-se um grande meditador.Um dia, enquanto Saraha meditava, subitamente teve uma visão: havia uma mulher no mercado que iria se tornarsua verdadeira mestre. Ele foi até o mercado. Viu a mulher, uma jovem, muito vivaz, radiante e cheia de vida, cortando a haste de uma flecha, sem olhar para a esquerda nem para a direita, completamente concentrada emfazer a flecha. Ele imediatamente sentiu algo extraordinário na presença dessa moça, algo que ele nunca anteshavia encontrado. Algo tão fresco e algo que vinha da própria fonte. Quando a flecha ficou pronta, a mulherfechou um dos olhos, mantendo o outro aberto, e ficou na postura de arqueiro, mirando um alvo invisível.E algo ocorreu, algo como uma comunhão. Saraha nunca havia sentido algo assim antes. Naquele momento, osignificado espiritual do que ela estava fazendo tornou- se claro para ele. Não olhava nem para a esquerda nempara a direita, olhava apenas para o centro.Pela primeira vez ele entendeu o que Buda quer dizer com estar no meio: evitar o eixo. Você pode mover-se daesquerda para a direita, mas será como um pêndulo em movimento. Estar no meio significa que o pêndulo permanece ali, nem para a esquerda, nem para a direita. Então o relógio pára, o mundo pára. Não há maistempo... então há o estado do não-tempo. Ele ouviu Sri Kirti falar sobre isso tantas vezes, havia lido a respeito, havia ponderado, contemplado o assunto.Havia até mesmo discutido com outros a respeito, dizendo que estar no meio era a coisa certa. Pela primeira vezele viu isso em ação: a mulher não estava olhando para a direita nem para a esquerda... apenas olhando para omeio, focada no meio.O meio é o ponto a partir do qual a transcendência acontece. Pense sobre isso, contemple o assunto, veja isso emação na vida. 55-SEXO O Círculo de Mahamudra O sexo guarda consigo grandes segredos, e o primeiro segredo é - se você meditar verá isso - que a felicidade vem porque osexo desaparece. E sempre que você estiver naquele momento de felicidade, o tempo também desaparece - se você meditarsobre isso - e a mente também desaparece. E essas são as qualidades da meditação. Minha própria observação é que o primeirolampejo da meditação no mundo deve ter vindo através do sexo, não há outra forma possível. A meditação deve ter entrado navida através do sexo, pois este é o fenômeno mais meditativo. Se você o entender, se você for fundo nele, se você não o usarapenas como uma droga. Então, aos poucos, lentamente, à medida que a compreensão cresce, o anseio desaparece, e chega umdia de grande liberdade em que o sexo não é mais uma obsessão. Então você se torna silencioso, tranquilo, absolutamente vocêmesmo. A necessidade do outro desapareceu. Ainda é possível fazer amor se quiser, mas não há mais necessidade. Então será uma espécie de compartilhamento.Quando dois amantes estão em um profundo orgasmo sexual, fundem-se um no outro. Então a mulher não é maisa mulher, o homem não é mais o homem. Tornam-se algo similar ao círculo de ying/yang, alcançando um aooutro, encontram-se dentro do outro, dissolvendo-se, esquecendo suas próprias identidades. É por isso que oamor é tão bonito. Esse estado de profunda penetração orgástica é chamado de mudra. E o estágio final doorgasmo com o todo é chamado de Mahamudra, o 491
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    grande orgasmo.O orgasmoé um estado no qual seu corpo não é mais sentido como matéria. Ele vibra como energia, eletricidade.Vibra tão profundamente, partindo de sua própria fundação, que você se esquece completamente que é algomaterial. Torna-se um fenômeno elétrico - e é um fenômeno elétrico. Agora os físicos dizem que não há matéria,que toda matéria é apenas aparência e, lá no fundo, o que existe é eletricidade, e não matéria. No orgasmo, vocêatinge essa camada mais profunda de seu corpo, na qual a matéria não mais existe, apenas ondas de energia, evocê se torna uma forma de energia dançando, vibrando. Não haverá mais limites para você - pulsando, masimaterial. E quem você ama também estará pulsando. Aos poucos, se os parceiros se amam e se entregam um aooutro, eles se entregam a esse momento de pulsação, de vibração, de ser apenas energia, e não têm medo.Porque é uma experiência similar à da morte, essa de perder os limites do corpo, quando o corpo se torna algovaporoso, quando a substância do corpo se evapora e só resta energia, um ritmo muito sutil, mas você se percebecomo se não fosse mais. Apenas dentro de um amor profundo alguém pode entrar nesse estado. O amor é como amorte: você morre em relação a se pensar como um corpo. Você morre como um corpo e evolui como energia,energia vital. E quando a mulher e o marido, ou os amantes, ou os parceiros, começarem a vibrar em um certoritmo, seus corações e seus corpos se juntam em um mesmo ritmo, cria-se uma harmonia e há um orgasmo. Elesnão são mais dois. Esse é o símbolo do ying e yang: o ying se movendo dentro do yang, o yang se movendodentro do ying, o homem se movendo dentro da mulher, a mulher movendo-se dentro do homem. Agora formamum círculo e vibram juntos, pulsam juntos. Seus corações não estão mais separados, seus batimentos não estãomais separados: tornam-se uma melodia, uma harmonia. É a música mais fantástica possível. Todas as outras músicas soam pálidas em comparação.Orgasmo é a vibração de dois unidos em um só. Quando a mesma coisa acontece, não com outra pessoa, mascom toda a existência, então é Mahamudra, então é o grande orgasmo. 56-DEVOÇÃO A Dança do Templo de Meera A devoção é uma forma de unir-se e fundir-se com a existência. Não é uma peregrinação. Significa apenas perder todos oslimites que separam você da existência. É uma relação amorosa. O amor é a união com um indivíduo, uma intimidade profundaentre dois corações, tão profunda que os dois corações começam a dançar na mesma harmonia. Ainda que os corações sejamdois, há uma única harmonia, uma única música, uma única dança.Assim como falamos do amor entre duas pessoas, falamos da devoção entre um indivíduo e toda a existência. Ele dança naságuas do oceano, ele dança nas árvores que dançam ao sol, ele dança com as estrelas. Seu coração responde à fragrância dasflores, à canção dos pássaros, aos silêncios da noite.A devoção é a morte da personalidade. Por sua própria vontade, você abandona aquilo que é mortal em você. Resta apenas oimortal, o eterno, aquilo que não morre jamais. E aquilo que não morre não pode ser separado da existência - que também nãomorre, está sempre indo, não conhece início nem fim. A devoção é a maior forma de amor.Jesus disse uma vez: "Deus é amor." Se tivesse sido escrito por uma mulher, ela teria dito: "O amor é Deus." Deusdeve ser secundário, é uma hipótese mental. Mas o amor é uma realidade que pulsa em cada coração.Ao longo da história, encontramos pessoas como Meera. Mas só mulheres extremamente corajosas seriam capazesde se libertar de um sistema social repressivo. Ela pôde fazer isso, pois era uma rainha, ainda que sua famíliatenha tentado matá-la porque ela dançava nas ruas. A família não podia tolerar isto.Sobretudo na Índia, onde as mulheres são muito oprimidas. E uma mulher tão bela quanto Meera, dançando nasruas e cantando...Havia 492
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    um templo emVrindavan, onde Krihna havia morado. Construíram um grande templo em sua memória e,nesse templo, não podiam entrar mulheres. Elas só podiam ficar do lado de fora, no máximo tocar as escadas dotemplo. Nunca haviam visto a estátua de Krishna que ficava lá dentro, pois o sacerdote era muito inflexível.Quando Meera veio, o sacerdote ficou preocupado que ela entresse no templo.Dois homens, com espada à mostra, foram colocados na frente do portão para impedir que Meera entrasse. Masquando ela veio - e pessoas assim são raras, uma brisa tão perfumada, uma dança tão bela, uma canção quecoloca em palavras aquilo que não pode ser dito em palavras - esses dois homens se esqueceram do que estavamfazendo ali e Meera entrou dançando no templo. Era a hora em que o sacerdote rezava para Krishna. Seu prato,cheio de flores, caiu no chão quando ele a viu.Ele estava absolutamente irritado e disse a ela: "Você quebrou uma regra de centenas de anos."Ela respondeu: "Que regra?"O sacerdote disse: Nenhuma mulher pode entrar aqui."E vejam a resposta... Isso é coragem. Meera disse: "Então como você entrou aqui? A não ser por um único -aquele que é o supremo, o amado -, todos os outros são mulheres. Você acredita que há dois homens no mundo:você e o supremo? Não diga bobagens." Ela certamente tinha razão. Uma mulher de grande coração olha para aexistência como um amado. E a existência o é. 57-INTELIGÊNCIA Rage eo enigma da agulha em falta Nascemos para ser felizes, é nosso direito inato. Mas as pessoas são tão estúpidos, mesmo que reivindica o direito isonthebirthcertificate. Estão mais interessados no que os outros e começar a correr atrás dessas coisas. Eles nunca olhar para dentro nuncabuscan em casa. A pessoa inteligente começará a busca de seu interior, este será o primeiro aexplorar ", porque se você não sabe o que eu tenho lá dentro, como eu vou olhar para o mundo?, É um mundo grande. Ylos que eles olharam para dentro, encontraram-lo instantaneamente, imediatamente. Há um progresso gradual é repentina.He iluminação unfenómeno repente ouviu falar de um místico Sufi, Rabia al-Adawi. Uma noite, as pessoas encontraram sentado no carreterabuscando algo. Era uma mulher mais velha olhos eram fracos e mal podia ver. Então, os vizinhos vieram aayudarla. Ele foi perguntado: - O que você quer? "Essa questão é irrelevante", disse Rabia ", eu estou procurando. Se você ajudar, hacedlo.Se riu e disse: "Rabia, você ficou louco? Você diz que sua pergunta é pertinente, mas se você sabe que você está procurando loque, como podemos ajudar? Rabia disse, "Okay. Só para satisfazer-lhe vou dizer que eu estou olhando para a minha agulha, eu perdi minha agulha. Ellosempezaron para ajudá-la, mas rapidamente percebeu que a estrada era larga ea agulha imensamente erauna coisa muito pequena. Portanto, Rabia perguntou: "Por favor, diga-nos onde você perdeu, ypreciso exato. Se não for muito difícil. A estrada é muito grande e pode estar procurando sempre. Laperdiste Onde? "Novamente planteáis uma questão irrelevante", disse Rabia ", o que é que isso tem a ver com a minha pesquisa? Eles parou e disse: - Agora temos a certeza de que você está louco!" In-Sane ", disse Rabia , para satisfazer a você que vou te dizer que eu perdi a minha casa .- Então por que você está procurando aqui? Eles pediram. E ele disse que Rabia respondeu: "Porque não há luz aquíhay dentro. O sol estava se pondo e ainda havia alguma luz sobre a estrada.Esta parábola é muito significativo. Alguma vez você já se perguntou o que você está procurando? Você se tornou algunavez a questão de que você está olhando para o seu objeto de meditação profunda? Não. Mesmo em alguns momentos, os momentos de sono, você tem uma intuição de que você está procurando, nunca é muito preciso, não exacto.Aún nunca demasiado definido.Si tentar defini-lo, o mais definido, menos você vai sentir a necessidade de procurar. Puedecontinuar pesquisa em um estado de indefinição, em um 493
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    estado de sonho,quando as coisas não são claras apenas siguesbuscando. Impulsionada por algum impulso interno, impulsionada por alguma compulsão interna, uma coisa que você sabe: pesquisa tienesque. É uma necessidade interior. Mas você sabe o que quer. E se você não sabe o que você está procurando, como você pode encontrar? É algo vago, que é em dinheiro, no poder, o prestígio, respeitabilidade. Mas depois vespersonas respeitáveis, pessoas poderosas, que também estão pesquisando. Então você vê tremendamentericas pessoas e também estão procurando. Olhando para o fim de suas vidas. Portanto, a riqueza não vai ser útil, a potência não vai ajudar. A busca continua, apesar do que você tem.Você tem que estar à procura de algo mais. Esses nomes, esses rótulos de dinheiro, poder, prestígio, são apenas parasatisfacer mente. Eles são apenas para ajudar você a sentir que você está procurando algo. Isso é algo que ainda não está definido, unasensación vaga. A primeira coisa a forma real para a forma que é um pouco alerta, consciente, é a definição da pesquisa, faça-o conceito claro do que é, removê-lo da consciência de mirarladirectamente sono, começa afrontarla.Inmediatamente transformação ocorrer. Se você começar a refinar sua busca, perderinterés iniciá-lo. Quanto mais você definir, a menos que exista. Depois de saber claramente o que é, de repentedesaparece. Há apenas quando você não está atento.Deja para repetir a pesquisa somente quando você dormir lá, a busca é feita somente quando você não está criando o consciente.La inconsciência búsqueda.Sí, Rage está certo. No interior não há luz. E lá dentro está sem luz e sem consciência, é claro siguesbuscando fora, porque fora parece ter mais clareza. Nossos sentidos são completamente extrovertida. Losojos abrir para o exterior, a mover as mãos, esticar, movimentar as pernas para fora, losoídos ouvir os ruídos externos, sons. Tudo o que está disponível para você se abre; cincosentidos abrir o caminho para onde extravertida.Empiezas de ver, sentir, tocar, a luz dos sentidos leva para fora. E a forma está dentro. Estadicotomía deve ser entendida. O motor de busca é interior, mas como a luz está fora, a pesquisa começa ambiciosamente removível, tentando encontrar algo que seja satisfatório. Ocurrir.Nunca E isso nunca vai acontecer. Não ocorrem na natureza das coisas, porque a menos que você procurou albuscador, sua busca todo é sem sentido. A menos que você vem a saber quem você é, o que você está procurando esfútil porque sabem que a forma. Sem conhecer o candidato, como se pode avançar na verdadeira dimensão, na direcção certa? É imposible.Primero ser tidas em conta em primeiro lugar. Se você parou de qualquer busca e de repente você percebeu quesólo uma coisa sei: "Quem é essa forma de mim? Qual é essa energia que você quer pesquisar? Whoami "Eu?", Então ocorre uma transformação. Todos os valores mudam de repente. Você começa movertehacia dentro. Então Raiva não é mais fica na estrada à procura de uma agulha que se perdeu em algum lugar na escuridão de sua própria alma. Quando você começar a se mover para o interior ... é muito escuro, a primeira; Raiva é certo. É muito, muito escuro, porque durante a vida inteira nunca hasestado dentro: seus olhos foram voltados para o mundo exterior. Já reparou? Às vezes, quando eles entraram na casa de fora está muito sol, muito brilhante luz ... quando de repente entra na casa estámuy escuro, porque os olhos estão focados na luz exterior. Quando há muita luz, os alunos encolher. Inthe Dark, os olhos têm de relaxar. Mas se ele se sentou por um tempo, pouco a pouco as trevas desaparece.Hay mais luz, seus olhos vão adaptando.Durante muitas vidas tem sido no calor do sol em todo o mundo, então quando você vai para dentro de você como repor o olvidadocompletamente olhos. A meditação é simplesmente um reajustamento de sua visão, seus olhos. E olhando dentro de sisigues leva tempo, gradualmente, lentamente, começam a se sentir bonita lá dentro unaluz. Mas há uma luz agressiva, não é como o sol está mais perto da lua. Ela não brilha, brilho, esmuy frio, não quente, muito compassivo, muito reconfortante, bálsamo.Poco é um pouco, quando você corrige a luz interior, você verá a mesma fonte. Buscado.Entonces a forma é o que você verá que o tesouro está dentro e que o único problema era que você estava procurando ele fora. Estabasbuscándolo fora em algum lugar e sempre esteve dentro de você. Você 494
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    estava olhando nadireção errada, isso é tudo. 58-FAZENDO Confie em Alá, mas amarre seu camelo primeiro Acontece todos os dias: você poderia ter feito alguma coisa, mas não fez e está usando a desculpa de que, se Deus quisesse quealgo fosse feito, ele o faria de qualquer forma. Ou então você faz algo e espera pelo resultado, fica esperando, mas o resultadonunca chega. Então você fica zangado, como se tivesse sido trapaceado, como se Deus o houvesse traído, como se ele estivessecontra você, sendo parcial, preconceituoso, injusto. E então surge uma grande reclamação em sua mente. nessa hora, faltaconfiança. Uma pessoa religiosa é alguém que fará o que for humanamente possível, mas não criará nenhuma tensão por causadisto. Por que somos muito, muito pequenos, átomos ínfimos neste universo, as coisas são muito complicadas. Nada dependeapenas da minha ação: há milhares de energias se entrecruzando. A soma dessas energias irá determinar o resultado. Como eupoderia determinar o resultado? Mas, se eu nada fizer, pode ser que as coisas nunca mais sejam as mesmas. Tenho que agir,mas ao mesmo tempo, tenho que aprender a não ter expectativas. Então o fazer torna-se uma espécie de oração, sem nenhumdesejo de que tenha determinado resultado. Assim não há frustração. A confiança irá ajudá-lo a permanecer livre de frustrações,e "amarrar meu camelo" irá ajudá-lo a manter-se vivo, imensamente vivo.Esse ditado sufi deseja criar o terceiro tipo de homem, o verdadeiro homem: aquele que sabe como fazer e comonão fazer; que pode ser um fazedor quando necessário, pode dizer "Sim!", e que pode ser passivo quandonecessário e dizer "Não". Aquele que está absolutamente acordado durante o dia e absolutamente adormecidodurante a noite. Aquele que conhece o equilíbrio da vida. "Confie em Alá, mas amarre seu camelo primeiro." Esteditado vem de uma breve história.Um mestre estava viajando com um dos seus discípulos. O discípulo estava encarregado de cuidar do camelo. Ànoite chegaram, cansados, a um abrigo de caravanas, um caravançará. Era tarefa do discípulo amarrar o camelo,mas ele não o fez, deixou o camelo do lado de fora. Em vez disso, ele simplesmente rezou. Disse a Deus: "Cuidedo camelo", e foi dormir. Pela manhã o camelo havia partido. Tinha sido roubado ou simplesmente seguiu seucaminho. O mestre perguntou: "O que houve com o camelo? Onde está o camelo?" E o discípulo respondeu: "Eunão sei. Vá perguntar a Deus, pois eu havia dito a Alá que tomasse conta do camelo, eu estava muito cansado,então não sei. E também não sou responsável, porque eu havia dito a ele, e de forma muito clara! Não havia comonão compreender. Na verdade eu não disse isso apenas uma vez, mas sim três. E você nos ensinou a confiar emAlá, então eu confiei. Por isso não me lance esse olhar de raiva."O mestre disse: "Confie em Alá mas amarre seu camelo primeiro, porque Alá não tem outras mãos a não ser assuas." Se ele quiser amarrar o camelo, ele terá que usar as mãos de alguém. Ele não tem outras. E é o seucamelo! A melhor maneira, e também a mais fácil, é usar suas mãos. Confie em Alá - não confie apenas nas suasmãos, pois do contrário você ficará tenso. Amarre o camelo e então confie em Alá. Você perguntará: "Então porque confiar em Alá enquanto estou amarrando o camelo?" Porque mesmo um camelo amarrado pode ser roubado.Faça o que puder fazer, mas isso não garante o resultado, não há garantias. Então faça o que puder e aceite aquiloque acontecer. Esse é o sentido de amarrar o camelo: faça o que for possível fazer, não fuja de suasresponsabilidades e, se nada acontecer ou se algo der errado, confie em Alá. Então ele terá razão. Então talvezseja correto que continuemos a viajar sem o camelo.É muito fácil confiar em Alá e ser preguiçoso. É muito fácil não confiar em Alá e ser um fazedor. O terceiro tipo de 495
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    homem é omais difícil: aquele que confia em Alá e ainda assim permanece um fazedor. Mas nesse momento vocêé apenas um instrumento: Deus é aquele que verdadeiramente faz, você é um instrumento em suas mãos. 59-A JORNADA Mesmo que você tenha quebrado seus votos mil vezes... Tristeza, sofrimento e miséria – tudo tem que ser tomado de forma não-séria, porque, quanto mais você os levar à sério, maisdifícil será livrar-se deles. Quanto menos sério você for, mais fácil ficará passar através do sofrimento, através dos períodos deescuridão, cantando uma canção. E, se uma pessoa é capaz de passar por esses períodos cantarolando e dançando, então porque se torturar sem necessidade? Torne essa jornada apenas um belo assunto para risadas.Há uma bela frase de Mevlana Jalaluddin Rumi, um dos maiores mestres sufis de todos os tempos. Ele disse:Venha, quem quer que seja; Errante, religioso, amante do conhecimento... Não importa. Não é de desespero,nossa caravana. Venha, mesmo que por mil vezes Tenhas quebrado seu voto. Venha, venha, e mais uma vez,venha. Lembre-se desta bela frase: “Não é de desespero nossa caravana.” Também posso dizer isto. Não é dedesespero nossa caravana, é a celebração da vida. As pessoas se tornam religiosas para fugir à infelicidade, eaquele que se torna religioso por conta da miséria está se tornando religioso pelas razões erradas. E, se algo jácomeça errado, o fim não poderá dar certo. Torne-se religioso por causa da alegria, por causa da experiência dabeleza que está ao seu redor, por causa do enorme presente que Deus lhe deu: a vida. Torne-se religioso porgratidão. Seus templos, suas igrejas, suas mesquitas e gurudwaras estão cheios de pessoas miseráveis. Elastransformaram também os seus templos em infernos. Estão lá porque estão em agonia. Elas não conhecem Deus,não têm interesse em Deus. Não estão preocupadas com a verdade, não há questionamento. Estão lá apenas paraserem consoladas, confortadas. Então procuram qualquer um que possa dar a elas crenças fáceis com as quaispossam remendar suas vidas, esconder suas feridas, cobrir sua infelicidade. Estão lá à procura de uma falsasatisfação. A nossa caravana não é de desespero. É um templo de alegria, de canções, de música, de criatividade,de amor e vida. Não importa. Você pode ter quebrado todas as regras de conduta ou de moralidade. Na verdade, qualquer um que tenha alguma coragem irá quebrar essas regras. Concordo com Jalaluddin Rumi, quando ele diz:Venha, mesmo que por mil vezes Tenha quebrado seu voto. As pessoas inteligentes irão quebrar todos os seusvotos muitas vezes, porque a vida está sempre mudando, as situações mudam. E um voto é feito sob pressão –talvez o medo do inferno, a ganância pelo paraíso, respeitabilidade na sociedade... Não está vindo do núcleo maisprofundo de seu ser. Quando algo vem de seu próprio ser interno, nunca se quebrará. Mas então não será umvoto, será um fenômeno simples, como respirar. Venha, venha e mais uma vez venha. Todos são bem-vindos, semqualquer condição. Você não precisa preencher nenhum pré-requisito. Chegou a hora em que é necessário umagrande rebelião contra todas as religiões estabelecidas. A religiosidade é necessária no mundo, mas nãoprecisamos de novas religiões – chega de hindus, cristãos, mulçumanos -, apenas de pessoas puramentereligiosas, pessoas que tenham grande respeito por si mesmas. 60-RISO A última surpresa do místico Chinês 496
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    O riso éeterno, a vida é eterna, a celebração continua. Os atores mudam, mas a peça continua. As ondas se sucedem, mas ooceano continua. Você ri, você muda - e alguém mais ri -, mas o riso prossegue. Você celebra, alguém mais celebra, mas a celebração continua. A existência é contínua, é um continuum. Não há um único momento de quebra nela. Nenhuma morte é amorte, porque cada morte abre uma nova porta, então é um começo. Não há fim para a vida, há sempre um novo começo, umaressurreição. Se você trocar sua tristeza por celebração, então também será capaz de trocar a morte por ressurreição. Aprendaessa arte enquanto há tempo.Ouvi falar em três místicos chineses. Ninguém sabe seus nomes hoje, e nunca se soube quais eram seus nomes.Eram conhecidos apenas como "os Três Santos Risonhos", porque nunca faziam nada além disso: eles riam. Essastrês pessoas eram realmente belas, rindo com suas barrigas balançando. Era contagioso, pois os outros tambémcomeçavam a rir. Todos na praça do mercado começavam a rir. Poucos momentos antes era um lugar feio, onde aspessoas só pensavam em dinheiro, mas subitamente esses três loucos chegavam e mudavam a qualidade de todoo mercado. Agora todos haviam esquecido que tinham ido comprar e vender. Ninguém estava mais cheio deganância. Durante alguns segundos, um novo mundo se abriu. Viajavam por toda a China, indo de cidade emcidade, apenas para fazerem as pessoas rirem. Pessoas tristes, pessoas irritadas, gananciosas, invejosas, todascomeçavam a rir com eles. E muitos encontravam a chave: você pode se transformar. Contudo, quando estavamem um vilarejo, um dos três morreu. As pessoas do vilarejo se reuniram e disseram: "Agora haverá problemas. Agora vamos ver como eles fazem para continuar rindo. O amigo deles morreu, eles têm que chorar." Mas, quandochegaram, os dois estavam dançando, rindo e celebrando a morte. As pessoas disseram: "Isso é demais. Quandoum homem morre, é profano rir e dançar." Eles responderam: "Durante toda a vida rimos com ele. Como podemoslhe dar o último adeus com qualquer outra coisa? Temos que rir, temos que nos divertir, temos que celebrar. Esseé o único adeus possível para um homem que riu durante toda a sua vida. Não podemos pensar nele como ummorto. Como o riso pode morrer, como a vida pode morrer?" Então o corpo devia ser cremado e as pessoas dovilarejo disseram: "Vamos lhe dar um banho, como prescreve o ritual." Mas os dois amigos disseram: "Não, nossoamigo disse: 'Não executem nenhum ritual, não troquem minhas roupas e não me dêem um banho. Apenas mecoloquem como estou na pira funerária.'Assim temos que sequir suas instruções." Então, subitamente, houve umgrande acontecimento. Quando o corpo foi colocado sobre o fogo, aquele velho homem havia pregado a últimapeça. Havia escondido muitos fogos sob suas roupas, e houve um festival de fogos! Então todo o vilarejo começoua rir. Os dois amigos loucos estavam dançando, e logo todos estavam dançando também. Não era a morte, era uma nova vida. Método de Leitura 1 - A primeira carta lhe representará e o que você traz para o relacionamento - ou quais lições ele tem para ensiná-lo. 2 - A segunda representa a outra pessoa e o que ele ou ela traz para o relacionamento 3 - A terceira carta representa a dinâmica do relacionamento em si - a qualidade ou sabor da interação entre vocês dois. 4 - A quarta e última carta representa o insight iluminado no relacionamento - e contém a chave para o mais alto potencial. 497
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    Interior e Exterior CartaSignificado 1. A primeira carta está colocada no início da linha horizontal -e representa eventos e circunstâncias recentes em sua vida.Também pode representar influências externas que afetamvocê ou sua questão - das quais você pode não estartotalmente consciente. 2. A segunda carta está colocada no fim da linha horizontal e representa a direção que os eventos externos estão tomando - ou as influências externas das quais você está consciente. 3. A carta três está colocada aos pés da cruz e representa as influências internas ou qualidades das quais você pode não estar consciente - em outras palavras - a semente da transformação que agora está se preparando para enraizar-se em você. 4. A carta quatro está colocada no topo - e sinaliza a direção do crescimento em sua consciência interior - ou novos níveis de entendimento que somente agora estão se tornando disponíveis para você. 5. A última carta está colocada no centro - e representa a chave para integração das dimensões horizontais e verticais de sua vida. Ela também pode simbolizar o entendimento interior que é o mais importante para você trabalhar agora mesmo. Consciência sem Escolha 1 - A primeira carta de cada linha representa os desafios e oportunidades disponíveis para a mente - você deve fazer essa escolha. Isso responde a questão - "Que novo entendimento ou criatividade intelectual se tornará disponível para que eu deva fazer essa escolha?" 2 - A segunda representa as influências emocionais que surgem de cada decisão. O que irá acontecer no mundo dos sentimentos. 3 - A terceira carta da "manifestação" indica quais amplas mudanças em sua vida ou entendimento irão acontecer como consequências de sua escolha em cada caso. Uma vez que você olhou nas implicações das duas alternativas - vire a primeira carta para um insight no que a "escolha sem escolha" pode ser. 16 HUMOR http://desciclo.pedia.ws/wiki/Deuses_Gregos O Olimpo Pra falar a verdade o olimpo existe e é um lugar muito dificil de se assesar ja que fica em cima de um gigante que mora la no acre (é dai quem vem a historia sobro o olimpo ser no cu do mundo)mas eu juro que nunca cheguei no olimpo e ja faz mais de5 anos que jogo 498
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    god of warmas com o meu analogico quebrado e bor isso nao consigo me sair muito bem no jogo Lá eles nascem, crescem, fazem orgia, cheiram gatinhos e acessam a Wikipédia para ficar lendo besteiras o dia todo até o momento em que Kratos decide eliminar um deles. Acredita-se que o Olimpo se encontrava no cu do mundo, mas Dercy Gonçalves afirmou que "aquela porra" fica no Acre. O que se sabe é que o Olimpo não existe mais, já que Kratos o destruiu em busca de red orbs. Em 25198, o Conselho Jedi irá reconstruir o Olimpo, que passará a ser conhecido como Templo Jedi. De acordo com Mestre Yoda, depois que Darth Sidious o comando do universo tomar e o Império formado for, o Olimpo um prostíbulo voltará a ser, sob o comando de Dercy Gonçalves Hebe Camargo [ai, que meigo] ficará. Principais deuses gregos Existem vários deuses gregos, mas hoje só sobrou Atena e Kratos, deuses da guerra.pode-se afirmar que só há um deus grego. As outras ralés menos importante e que foram eliminadas são: Apolo, Poseidon, Afrodite, Hades, Hera, Palas Atena, Artémis, Ares, Hernes, Dionísio, Hefaísto, entre outrous. Zeus, deus dos céus Também conhecido como Júpiter, é o chefão dos deuses. Filho de Cronos, o deus-titã do tempo e um dos mais antigos, foi salvo pela mãe, a deusa [[Raia]. Seus maiores feitos (e os únicos interessantes) foi praticar incesto com a própria [irmã] e banir o seu pai, junto com os outros titãs Paulo Miklos, Branco Melo e Sérgio Brito, em Tártaro, a terra do caos. Atena, deusa da guerra Filha de Zeus, é a deusa da , da guerra, do ofício. Foi tomada por Kratos depois da destruição do Olimpo para destruir a terra. Um grupo de gregos começou a adorar essa |deusa. Assim, eles fundaram a cidade Atenas, cuja população até hoje é constituída de 168% adoradores. Na [adoração]] à deusa, os filósofos pederastas atenienses faziam uma parada gay de dar inveja à torcida do São Paulo. Acredita-se que o Lado Rosa da Força pode estar concentrado nessa cidade. e zeus e um viado que morreu facil facil para KRATOS o deus dos deuses da Guerra Ares kill my enemys, and my life is your Apolo, deus do Sol O deus mais adorado pelos troianos. A-do-rava visitar a cidade Atenas e passar horas olhando os machões de Esparta. O seu maior erro foi ter quase pensado na possibilidade de talvez algum dia achar que podia experimentar talvez, muito talvez, ter uma chance mínima de cantar Kratos. Uns anos atrás atendendo como Clodovil,fundou um clube onde as bibas se reunem Poseidon, deus dos mares, oceanos e dos surfistas 499
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    Aê, brô! Poseidoné ‘O Cara’. Pega altas ondas na praia com seu tridente. Não vacila com Poseidon. Segura tua onda com o cara, senão ele vai ficar muito irado contigo. Sacou, brô?! SEU CU!!! seu Xeirador de pó!!!!!!! Afrodite, deusa do amor Nascida de um dos testículos arrancados de Urano, é a deusa do amor, do sexo e da putaria. É a deusa grega mais gostosa. Os deuses (com exceção de Apolo, que era muito biba) queriam comer ela, mas foi Chuck Norris quem acabou fazendo isso primeiro. A causa de sua morte é desconhecida, já que Kratos afirma só ter comido ela 42 vezes. A teoria mais aceita pelos filósofos pederastas de Atenas é que ela entrou no caminho da tenente Ripley ela dava pra todos deuses. Zeus afirmou ter comido ela mais de 17 veses por dia, gemendo e berrando deixando-a toda assadinha!!! Hj em dia 97% das posições sexuais foi Zeus qm a inventou e deu os nomes! Zeus lançou um livro "Aprenda a deixar sua mulher toda excitadinha na transa!" tem instruções como deixa sua esposa toda excitada e com tesão, e aprenda também muitas posições sexuais que você e sua esposa vao adorar! OBS:Serve também para casais GAYS! porra nenhuma baytola Hades, o verdadeiro capeta Hades cujo seu unico passa tempo era assustar crincinhas e comer bodes resolveu mudar drasticamentente de rob e resolve criar uma maquina que soh tem um propósito, dominar o mundo. Tentou e tentou varias vezes, tentou com com os dinossauros e ao deu certo,tentou com o pink e o cerebro mmas o plano flalhu(todas as noites)ai resolveu criar a maquina mais perversa de todas, O terrivel Homer Simpson que finalmente conseguiu o que Hades queria, dominou o mundo. Também conhecido como o máximo, é o dono do ajudante do papai noel( o cachorro e o irmão do yoda homer tambem idealizou a ideia do seu rei e criou o suco Ades. e hoje ele é o deus mais da dark da mitologia grega(por isso não arrumava mulher so a margie) e sequestrou a esposa de hades pra ele que tinha o habito de se transformar nun veado nas horas livres,Perséphone foi sequestrada nao teve jeito Hades também escondia um grande segredo...Ele gostava de usar muita maquiagem e desmunhecava nas horas vagas,até um dia resolver se infiltrar na humanidade usando o pseudo nome Mana. Fundou algumas bandas(como Malice Mizer e Moi Dix Mois ) e um plano besta para tentar dominar o bar do zé , fundando o fã clube, Moun+Amour. Ares Kratos, deus da guerra É o segundo melhor executador de Roundhouse Kick, capaz de executar a técnica com asBlades of Chaos. Utilizando essas armas mortais, matou mais de 519.484.321.478.874.568.132.487.690.042.000.845,98 de criaturas mitológicas. Estima- se que o número de humanos eliminados por ele seja o número de criaturas mitológicas vezes 1.000.000.000.000.000.042 elevado a 42. Também é responsável pela morte da maioria dos deuses gregos. Assim, o total de mortes do deus Kratos é AAAAAAAAAAAAA. Também pode-se aproximar o número de mortos deixados por Kratos calculando 97% do número de mortos deixados por Chuck Norris em sua vida. 500
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    Ares se tornoudeus da guerra, oficialmente, depois de eliminar, duas vezes, Kratos, um programa utilizado para compartilhamento de arquivos. Para tanto, Kratos embarcou numa missão onde ele deveria procurar a Caixa de Pandora, localizada nas costas de Cronos. Depois disso, ele deveria pegar o CD de instalação do Windows que havia lá dentro e usá-lo para implantar um vírus em Ares. Assim, Kratos eliminou o programa e tomou o seu lugar, se tornando o deus da guerra e do compartilhamento de arquivos. Muito fácil... Kratos sobre sua missão destruir a marca de suco de hades) então de saco cheio ele teve a brilante ideia de criar um suco pa ficar mais conhecido mas não poderia ser um suco normal então ele também criou a soja,mesmo depois de criar o proprio suco ainda queria mais e deu o proprio nome ao suco Utilidade dos deuses gregos Pesquisadores de Harvard acreditam que os deuses gregos tenham tido alguma utilidade, mas os estudantes da UFA ainda estão na frente, afirmando que a única utilidade dessa estudo parte importante da cultura grega foi na difusão da orgia. Com os avanços nas Ciências da Computação, poderemos utilizar a ajuda do Pensador Profundo para encontrar o sentido disso. Por enquanto, tudo o que podemos fazer é ignorar a existência de deuses, espartanos, Bozo, gnomos e Padrinhos Mágicos. HUMOR Texto extraído de http://str.com.br/Humor/dicionario.htm Sociedade da Terra Redonda DICIONÁRIO DE ESOTERISMO Chacras - Segundo a filosofia oriental, o ser humano possui um corpo físico e um interior. No fim de semana, o homem verdadeiramente iluminado se desliga de sua vida material se volta para o interior. Meu pai, por exemplo, tem uma chacra no interior de São Paulo, em Botucatu. A Chacra do meu pai se chama "Meu Cantinho". Cabala - Seita esotérica abandonada por seus fiéis, por isso seus fundadores estão pensando em acabá-la. Zen Budismo - Religião de pessoas que não têm bunda e estão gripadas. Tarot - Revelação mística que se manifesta quando o homem verdadeiramente iluminado vislumbra a deusa. Por exemplo: meu amigo viu a Camila Pitanga nua e Tarot. Arcano - Figura do Tarot. Ex.: "Meu amigo viu a Camila Pitanga nua e Tarot. Ele deu um lance nela, mas entrou pelo arcano." Karma - Estado de elevação espiritual que só se atinge na mística cidade de Sorocaba. Ex.: "Karma, pessoar! Zezé di Camargo e Luciano já tão chegando!" 501
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    Kama-sutra - Estágiomáximo de realização carnal. Antes de se chegar ao kama-sutra, deve-se passar pelo sofá-sutra, pelo banco-de-fusca-sutra, pela escada-de-serviço-sutra e pelo elevador-sutra. Duende - Paciente de médico fanho. Ex: Guem ão gosda de zamba, bom zujeito não é. É ruim da gabeza ou duende do bé. Tao - É o rei da cocada mística. Ex.: Paulo Coelho é o Tao! Quartzo - Cristal místico que se desenvolve em conjugados. Também conhecido como Quartzo-e-sala. Magos - Estado esotérico que atinge aqueles que não são mais godos. Mandala - Estado de alteração mística exacerbada que um iniciado atinge quando não agüenta mais sua mulher. Ele perde a Karma e só pensa em mandala à pqp. Moscha-Bustão - Terapia carioca para garotas de seios avantajados. I-Ching - Cantor inglês que abraçou a causa ecológica e ficou amigo do cacique Raoni. Kundalini - Uma energia espiritual suave e maternal que está adormecida no osso sacro, na base da coluna vertebral. Recebeu esse nome após ter sido descoberto através do orifício anal da Aline. 502