Jarbas Hoffimann
Índice
Preliminares..........................................................................................................
JOSUÉ........................................................................................................................
Preliminares
I. DEFINIÇÃO
O termo “isagoge” é proveniente da justaposição da preposição grega ε com o verbo γω
surgin...
A Reforma e a Renascença deram impulso decisivo ao estudo da Isagoge Bíblica. A Reforma
trouxe progresso real na área da I...
tratado como qualquer outro livro humano! Na verdade, isto é herança da filosofia e teologia do séc. XVIII.
Os principais ...
Introdução Geral
I. Cânone
A. Definição
1. O termo “cânone” ou “cânon” vem do grego que significa “vara reta, régua...
N.B.: - Livros históricos = gozam de caráter profético! Isto é muito significante.
- Os Profetas Anteriores não são os úni...
1. História e desenvolvimento da língua hebraica. Diferentes sistemas de escrita: hebraico antigo,
sistemas palestínico e ...
– Transparece um conhecimento imperfeito do hebraico
– : traduzido primeiro (ca. 250 a.C.) no reino de Ptolomeu Phil...
Como vieram a existir? Processo gradual que começou no período pós-cativeiro3
quando o
hebraico pouco a pouco desvaneceu-s...
Muitas = feitas a partir da LXX. Versões cóptica (egípcia; da LXX), etiópica, arábica, armênia,
gótica, eslava, etc.
F. Va...
2. tentou penetrar até o período pré-literário das tradições orais que precederam a composição
literária dos documentos.
3...
Benedito Spinoza - Tractatus Theologico-Politicus (1670) = Esdras compôs o Pentateuco com
interpolação de Deuteronômio.
Ou...
500 - 450 a.C., foi acrescentado ao corpo JED já existente por um outro redator anônimo (RP) em ca. 400
a.C. O Pentateuco ...
Observações quanto ao Criticismo do Pentateuco
Criticismo do Pentateuco = 3 posições básicas:
1. Credibilidade do Pentateu...
3. Autor = ponto-de-vista estrangeiro, como quem está fora da Palestina. Estações e tempo = são
egípcios, não palestinos. ...
Introdução Especial
Pentateuco
Gênesis
I. Título
“Gênesis” - da LXX = “começo, gênese”  vem de Gn 2.4.
– título hebraico (costume = nome pelas...
 = início de nova seção. 10 seções. Estrutura literária baseada nesta expressão.
VI. Análise
A. Gn 1 - 11 = históri...
VII. Teologia Básica de Gênesis
1. Criação. Gn é o texto clássico. Criação do universo e do homem.
2. Pecado. Básico para ...
2. Êx 3 = Anjo de Iahweh na sarça ardente. Alguns = manifestação do Cristo pré-encarnado.
Revelação do nome  (3.14): "...
 Descida da “glória” (Perguntar o que entra aqui) de Deus = presença “encarnacional” de Deus! Esta
presença “encarnaciona...
Mas é preciso lembrar:
1. Pressuposto da teologia bíblica = o pecado corrompeu o homem todo, o corpo bem como o espírito, ...
2. Pecado é coisa séria. Implica em morte. Que o pecador não apareça pecador diante de Deus!
3. Deus mesmo providencia os ...
a. Culto = centro da vida do povo.
b. Privilégio da comunhão, alegria no servir.
c. Presença divina no meio do povo. Deus ...
DEUTERONÔMIO
I. TÍTULO
TM =  (ou só ) = "Estas são as palavras ..."
LXX =  (17.18)
V...
6. Conclusão (ao Dt e ao Pentateuco): 31-34
VI. ANÁLISE
Dt 1-4 = resumo histórico + detalhado. "Prólogo histórico" - por i...
Profetas Anteriores
A partir daqui a disposição dos documentos da Tradição Massorética difere da LXX.
Profetas Anteriores ...
a. Não há evidência histórica alguma de que Js fosse parte do Pentateuco. Torah = separada dos
outros livros.
b. Samaritan...
10.28ss = conquista do sul.
Conquista = primeiro o sul, depois o norte.
"Livro dos Justos" (10.13) = pouco se sabe. Talvez...
4. Evidências internas para antigüidade de Jz:
a. 1.21 = Jebuseus ainda em Jerusalém (logo, livro foi editado antes de 2 S...
d. compaixão de Deus e salvação (vv. 16-18)
Jz 3.7-11 = Otniel (de Judá). Povo sob Cusã-Risataim, da Mesopotâmia (não iden...
II. ESBOÇO
1. 1 Sm 1-7 = Samuel
2. 1 Sm 8-15 = Samuel + Saul
3. 1 Sm 16-31 = Saul + Davi
4. 2 Sm 1-8 = Triunfo de Davi sob...
1Samuel  A figura de Sm domina a primeira metade do livro. Nascimento e crescimento de Sm sob Eli.
Rolos do Mar Morto (Qu...
5. 23.8-39 = Guerreiros de Davi. (Falta Joabe!)
6. 24 = Censo. Aparentemente, o orgulho de Davi no auge do seu reinado pro...
Isagoge do Antigo Testamento
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Isagoge do Antigo Testamento

  1. 1. Jarbas Hoffimann
  2. 2. Índice Preliminares......................................................................................................................4 I. DEFINIÇÃO....................................................................................................................................4 II. CLASSIFICAÇÃO..........................................................................................................................4 III. HISTÓRIA DA INTRODUÇÃO AO AT...........................................................................................4 Introdução Geral...............................................................................................................7 I. Cânone........................................................................................................................................... 7 II. Texto.............................................................................................................................................. 8 III. Versões antigas............................................................................................................................9 IV. Criticismo do AT..........................................................................................................................12 V. Criticismo do Pentateuco.............................................................................................................13 VI. Autoria Mosaica do Pentateuco..................................................................................................16 VII. Importância do Pentateuco........................................................................................................17 Introdução Especial.......................................................................................................18 Pentateuco......................................................................................................................18 Gênesis............................................................................................................................19 I. Título.............................................................................................................................................19 II. Autoria..........................................................................................................................................19 III. Propósito.....................................................................................................................................19 IV. Esboço........................................................................................................................................19 V. Estrutura Literária........................................................................................................................19 VI. Análise........................................................................................................................................20 VII. Teologia Básica de Gênesis......................................................................................................21 Êxodo...............................................................................................................................21 I. Título.............................................................................................................................................21 II. AUTORIA.....................................................................................................................................21 III. Propósito.....................................................................................................................................21 IV. Esboço........................................................................................................................................21 V. Análise.........................................................................................................................................21 Levítico............................................................................................................................23 I. Título.............................................................................................................................................23 II. Autoria..........................................................................................................................................23 III. Propósito.....................................................................................................................................23 IV. Esboço........................................................................................................................................23 V. Análise.........................................................................................................................................23 VI. ASPECTOS BÁSICOS EM LEVÍTICO........................................................................................24 NÚMEROS.......................................................................................................................25 I. TÍTULO.........................................................................................................................................25 II. AUTORIA.....................................................................................................................................25 III. PROPÓSITO...............................................................................................................................25 IV. ESBOÇO....................................................................................................................................25 V. ANÁLISE......................................................................................................................................25 VI. DOIS ASPECTOS.......................................................................................................................26 DEUTERONÔMIO............................................................................................................27 I. TÍTULO.........................................................................................................................................27 II. AUTORIA.....................................................................................................................................27 III. PROPÓSITO...............................................................................................................................27 IV. POSTURA DO PENSAMENTO CRÍTICO...................................................................................27 V. ESBOÇO.....................................................................................................................................27 VI. ANÁLISE.....................................................................................................................................28 VII. ASPECTOS TEOLÓGICOS.......................................................................................................28 Profetas Anteriores........................................................................................................29
  3. 3. JOSUÉ..............................................................................................................................29 I. TÍTULO.........................................................................................................................................29 II. POSIÇÃO NO CÂNONE..............................................................................................................29 III. AUTORIA + DATA.......................................................................................................................30 IV. PROPÓSITO...............................................................................................................................30 V. ESBOÇO.....................................................................................................................................30 VI. ANÁLISE.....................................................................................................................................30 VI. ASPECTOS TEOLÓGICOS........................................................................................................31 JUÍZES.............................................................................................................................31 I. TÍTULO.........................................................................................................................................31 II. AUTORIA + DATA........................................................................................................................31 III. PROPÓSITO...............................................................................................................................32 IV. CRONOLOGIA............................................................................................................................32 V. ESBOÇO.....................................................................................................................................32 VI. ANÁLISE.....................................................................................................................................32 VII. ASPECTOS TEOLÓGICOS.......................................................................................................33 SAMUEL...........................................................................................................................33 I. TÍTULO.........................................................................................................................................33 II. ESBOÇO......................................................................................................................................34 III. PROPÓSITO...............................................................................................................................34 IV. AUTORIA + DATA.......................................................................................................................34 V. CRÍTICA TEXTUAL......................................................................................................................34 VI. ANÁLISE.....................................................................................................................................34 VII. OBSERVAÇÕES.......................................................................................................................36 REIS.................................................................................................................................36 I. TÍTULO.........................................................................................................................................36 II. PROPÓSITO................................................................................................................................36 III. DATA + AUTORIA.......................................................................................................................36 IV. ESBOÇO....................................................................................................................................36 V. ESTRUTURA...............................................................................................................................37 VI. CRONOLOGIA...........................................................................................................................37 VII. TEXTO.......................................................................................................................................37 VIII. ANÁLISE...................................................................................................................................37
  4. 4. Preliminares I. DEFINIÇÃO O termo “isagoge” é proveniente da justaposição da preposição grega ε com o verbo γω surgindo daí o verbo εσγω (também o substantivo εσγ) que significa “trazer ou levar para..., para dentro.” Já o vocábulo “introdução” é proveniente do latim introducere (justaposição de ducere mais intro) e denota “a ação de trazer ou levar algo para dentro”. Isagoge bíblica, portanto, pode ser definida como segue: "Isagoge bíblica é a disciplina que trata dos assuntos que são preliminares ao estudo e interpretação da Escritura." Por "assuntos preliminares" entende-se língua, história, religião, cultura, autoria, data, integridade e transmissão do texto. II. CLASSIFICAÇÃO 1. A Introdução Geral trata do texto, cânon nos aspectos que são comuns a todos os documentos do AT. Também convencionou-se abordar na Introdução Geral a questão do criticismo do Pentateuco pelo fato deste tema estar vinculado à questão do cânon e da abordagem dos livros do AT. 2. A Introdução Especial lida com documentos individuais. III. HISTÓRIA DA INTRODUÇÃO AO AT A. Igreja Primitiva 1. O estudo da Isagoge do AT não tem caráter científico e sistemático. Os Pais eclesiásticos estão mais preocupados com a exposição da Escritura e com a formulação da doutrina. Sabe-se de eventuais debates isagógicos. 2. A primeira “introdução” à Bíblia talvez seja a obra De Doctrina Christiana, de Agostinho (354 - 430 A.D.). Nesta obra = informações sobre hermenêutica. 3. O primeiro uso conhecido do termo “introdução” () aparece num certo Adriano (V A.D.?) de quem pouco é conhecido. Conteúdo da obra: características da linguagem escriturística, forma da Escritura, distingue o histórico do profético, observações sobre interpretação. (Há também outros nomes além deste.) 4. Todos estes escritos se encontram sob a influência da tradição da igreja. Eram estudos eruditos. Porém as atuais questões isagógicas não haviam sido levantadas. B. Idade Média 1. Há enorme atividade exegética entre estudiosos judeus: codificação da tradição talmúdica, estabelecimento do texto hebraico entre as diferentes escolas massoréticas. As questões isagógicas eram debatidas vigorosamente. 2. No Cristianismo surgem alguns nomes. No entanto, em termos de introdução "científica" nada que superasse Jerônimo apareceu. C. Reforma e Pós-Reforma
  5. 5. A Reforma e a Renascença deram impulso decisivo ao estudo da Isagoge Bíblica. A Reforma trouxe progresso real na área da Isagoge do AT. 1. Há vários nomes e obras que indicam maior interesse e precisão nos estudos isagógicos. Faz-se enunciação objetiva de opiniões diversas. 2. Cajetano e Vatablus (católicos romanos) dedicam-se ao estudo do hebraico. Publicação do Bíblia Poliglota Complutensiana (na Espanha, em 1514 - 17) com a edição dos textos hebraico, aramaico, grego e latino. Demonstra o novo interesse filológico da época. Prepara palco para o criticismo bíblico erudito na área do AT. 3. Em 1636 é lançada a obra Officina Biblica Noviter Adaperta, do luterano Michael Walther. Esta obra é a primeira a fazer clara distinção entre Introdução Geral e Introdução Especial. Trata-se da primeira introdução no sentido moderno do termo. D. Surgimento do Criticismo Moderno Após a Reforma surgem filosofias hostis aos elementos sobrenatural e espiritual da Bíblia. É tempo de questionamento generalizado. O criticismo histórico moderno surge em conexão com a revolução intelectual do final do séc. XVI e início do séc. XVII A.D. A compreensão do ser humano, Deus, universo é radicalmente diferente do que se pensava no período anterior. (É a época do Deísmo.) 1. Benedito Spinoza, na obra Tractatus Theologico-Politicus (de 1670), rejeitou autoria tradicional das Escrituras. Todas as teorias devem ser testadas racionalmente. Ele propôs explicações históricas e psicológicas a conteúdos anteriormente compreendidos como sobrenaturais (como, por exemplo, profecias e milagres). 2. Richard Simon (padre católico, professor de filosofia por um tempo), em Histoire Critique du Vieux Testament (de 1678) investiga a história da literatura do AT. Simon tentou traçar o processo de crescimento e mudança dentro da literatura que não mais considerava o AT como um corpo de escritos sagrados unificado e fechado. O AT deixou de ser um bloco monolítico! Também propôs uma compreensão histórica para o desenvolvimento do cânon vétero-testamentário. Negou a autoria mosaica do Pentateuco. Os livros históricos eram extratos de anais públicos. 3. Johann Semler, publica Abhandlung von Freier Untersuchung des Canons em 1771 - 76, obra esta que marcou época. Ele atacou o cânon. Semler afirma que a interpretação teológica do cânon hebraico como um corpo monolítico de escritos vétero-testamentários autoritativos estava fundamentada sobre erros históricos e deveria ser substituída por uma definição histórica com conteúdo a ser estabelecido pelo seu verdadeiro desenvolvimento histórico. Semler é espírito totalmente negativo, manifesta tendência destrutiva, nada de positivo tem para oferecer em troca. 4. Evidentemente houve reações a estas opiniões. Algumas destas reações foram parciais. Johann Gottfried Eichhorn, em Einleitung in das Alte Testament (1780 - 83) publica a primeira introdução crítica histórica ao AT verdadeiramente moderna. Ele explorou as novas perspectivas, rompeu com a abordagem tradicional. E. Século XIX Numa retrospectiva, percebe-se que a Reforma1 significou revolta contra a autoridade da Igreja Católica Romana. O séc. XVIII promoveu a exaltação da razão humana ("la raison!"). E o séc. XIX traz a revolta contra a autoridade da própria Bíblia. O séc. XIX é a época do Iluminismo. Firma-se a afirmação do homem (Kant2 , ...). Muitas introduções deste século têm como pressuposto que o AT é um livro meramente humano e deve ser 1 Século XVI 2 Razão
  6. 6. tratado como qualquer outro livro humano! Na verdade, isto é herança da filosofia e teologia do séc. XVIII. Os principais nomes são os seguintes: 1. Wilhelm Martin Lebrecht de Wette (1780-1849) promove vigoroso ataque contra a autoria tradicional dos livros do AT. Sua visão racionalística e suas conclusões são negativas. 2. Heinrich Ewald (morreu em 1875), à semelhança de De Wette, rejeita posições tradicionais porém é mais positivo em caráter. Ele fundou escola. 3. Julius Wellhausen, K. H. Graf e Abraham Kuenen exibem clara expressão de uma escola moderna (conhecida como a escola de Graff-Kuenen-Wellhausen). Sua contribuição trouxe grande impulso ao criticismo moderno. O desenvolvimento evolucionário (Darwin) é aplicado à vida religiosa de Israel. Eles concordam com a visão liberal do NT. Baseiam-se nos pressupostos filosóficos de Hegel (dialética ou “valsa hegeliana”: tese-antítese-síntese) colocam-se numa posição de clara antítese ao cristianismo histórico. 4. Apareceram ainda outros nomes de menor estatura. Naturalmente houve oposição à escola crítica. Destacam-se Hengstenberg, Haevernick, Keil. Estes (e outros) manifestaram seu protesto contra o tratamento crítico do AT. Demonstraram respeito pelo integridade e confiabilidade do AT. Percebeu-se também oposição à escola crítica mesmo entre autores que rejeitam a visão cristã tradicional do AT. F. Século XX 1. Herman Gunkel (1862 - 1932) e Hugo Gressmann (1877 - 1927) lideram a reação contra tendências do wellhausenismo clássico. Eles são os grandes expoentes na crítica da fontes. Buscam descobrir o Sitz im Leben (contexto vital) do texto bíblico. Para tal fazem comparação com a mitologia antiga. Seu pensamento tem ampla influência no mundo acadêmico. Expressão clássica de sua posição está em Die Schriften des Alten Testaments (de 1911). 2. Otto Eissfeldt, em Einleitung in das Alte Testament (1934), faz uma classificação da literatura do AT em vários gêneros e/ou categorias (são os Gattungen). Ele tenta traçar o desenvolvimento (a pré-história literária) dos diferentes documentos. Eissfeldt recebeu influência de Wellhausen, e também de Gunkel-Gressmann. Não tem concepção adequada da revelação, considera a literatura do AT como de origem meramente humana. Outros autores seguem orientação similar. 3. R. H. Pfeiffer publica Introduction to the Old Testament (1941), uma obra ampla e erudita, basicamente anti-cristã. Ali se faz apologia para uma posição anti-teísta. Ele nega a revelação, os milagres, etc... afirmando que se trata de coisas subjetivas, sem prova científica. 4. Surge outros nomes em ambas as frentes. Alguns destes são: Wilhelm Moeller, Aage Bentzen, Engnell, Puukko, Weiser, Rowley, Sellin, Aalders, Anderson. Também estudiosos da Igreja Romana e da Igreja do Oriente interessam-se pelo assunto. 5. Hoje o liberalismo domina a Isagoge do AT. Na América Latina o estudo da isagoge do AT acha-se intimamente vinculado com a Teologia da Libertação.
  7. 7. Introdução Geral I. Cânone A. Definição 1. O termo “cânone” ou “cânon” vem do grego que significa “vara reta, régua, beirada reta”. A partir deste significado vem o sentido metafórico de “regra, norma”. 2. Nos Pais Eclesiásticos o uso de ocorre numa variedade de combinações.  é a “regra de verdade, regra de fé”. Orígenes (185–254 A.D.) usa o termo em sentido adjetivo ao reportar-se às “scripturae canonicae”. A primeira aplicação de para a coleção dos documentos que compõem as Escrituras se verifica no final do séc. IV A.D., nos escritos de Atanásio, com referência ao NT. Este termo continuou em uso desde os tempos de Jerônimo. 3. A literatura judaica clássica não emprega o termo “cânon”. Os rabinos falam dos “escritos sagrados” que “mancham as mãos”. Com esta expressão, eles se referem à santidade do textos sagrados que impregna as mãos dos que os manipulam. 4. Pode-se definir cânone bíblico como o conjunto das obras escritas que se conformam com a regra ou padrão da inspiração e autoridade divinas. Os livros canônicos são os escritos que constituem a norma inspirada de fé e vida da igreja. O critério da canonicidade de um livro é a sua inspiração. 5. O cânone do AT é composto por 39 livros. Estes livros são universalmente aceitos pelo judaísmo, igreja apostólica e igrejas protestantes. A igreja católica romana acrescenta a este conjunto mais 14 livros ou porções e os considera como sendo portadores de autoridade canônica. Estes acréscimos são denominados de livros apócrifos. B. Divisão do Cânone Hebraico 1. , Torah ou Lei, Pentateuco. A raiz do termo  é o verbo  que significa “instruir, ensinar.” Portanto,  é a “instrução, ensino”. Denominar a  de Lei pode ser enganoso. O termo Pentateuco significa “5 livros”. Portanto, a  ou Pentateuco compreende os 5 primeiros livros do AT. As tradições judaica e cristã lhe atribuem autoria mosaica. Na história de Israel a Torah tem autoridade divina. Ela existe para ser obedecida. Quebra da Torah significa punição. Mesmo hoje, na sinagoga a Torah é o texto sagrado por excelência, altamente distinguido, e considerado como fundamento da Bíblia. Os profetas estavam muito bem familiarizados com a Torah. Em 621 a.C., no reinado de Josias foi encontrado no templo o “livro da Lei” (supõe-se que tenha sido o texto de Dt). Este livro foi considerado inspirado, tinha autoridade e precipitou uma reforma religiosa. Nos tempos de Esdras e Neemias (ca. de 400 a.C.), a  tinha aceitação universal como livro divino. Os escritos pós-exílicos fazem referências respeitosas à . 2.  - Profetas. a)  - Profetas Anteriores: Js, Jz, Sm, Rs. b) - Profetas Posteriores: Is, Jr, Ez, (“os 12”). Profetas Maiores: Is, Jr, Ez. (*) Profetas Menores: "os 12" (*) (* = critério para esta divisão: não teologia, mas extensão dos livros.)
  8. 8. N.B.: - Livros históricos = gozam de caráter profético! Isto é muito significante. - Os Profetas Anteriores não são os únicos livros históricos. 3.  - Escritos  Hagiógrafos, “escritos santos” a) livros poéticos e sapienciais: Sl, Pv, Jó  . b)  (“rolos”): Ct, Lm, Rt, Ec, Et  lidos nas grandes festas de Israel. c) história: Dn, Ed, Ne, Cr. Observações: – Há poesia e história espalhadas pelos diversos livros. – Quem coletou estes livros? Talvez Esdras. – Ordem dos documentos do texto massorético (TM) = representa divisão posterior (para facilitar os debates com apologistas cristãos). Lista dos Escritos: não era fixa. C. Formação do Cânone do AT 1. Jesus Ben Sirach (ca. 180 a.C.), Eclesiástico = israelitas tinham 3 divisões da Bíblia  Lei, Profetas, “outros escritos”. Dá evidências de que o cânone está fechado. Cânone completo por volta de 180 a.C. (Cfr. Bíblia de Jerusalém, Prólogo ao Eclesiástico, vv. 1 - 26. Conforme Young, este prólogo foi escrito por volta de 130 a. C.). 2. Concílio de Jâmnia (90 A.D.)  definitivamente decidido aceitar estes 39 livros como canônicos. Foi uma ratificação. Nos círculos rabínicos houve vigorosos debates quanto a autoridade e canonicidade de alguns livros ou partes deles (Et, Ec, Ct, Ez, Pv). Entretanto aceitos. Não dependência de grau de autoridade e inspiração. 3. Qual o critério para a ordem de classificação? Não sabemos ao certo. Talvez: - conteúdo: lei, escritos proféticos, outros escritos santos. – ofício teocrático do autor. 4. Livros canônicos do AT  conhecidos e citados pelo NT. Livros apócrifos  não são citados pelo NT. 5. Diferentes classificações na LXX e Vulgata. Lutero fez a divisão final dos livros – separou os apócrifos do canônicos. Crítica moderna aceita o cânone do AT. 6. Em última análise: cânone está no círculo da fé e da revelação. Testimonium internum Spiritus Sancti! Deus nos convence! Esta é uma tarefa divina! II. Texto A. Língua AT = escrito por homens que falavam e escreviam hebraico e aramaico. 3 cap. Ed (4.8–6.18; 7.12–26) Partes em aramaico: +/- 6 cap. Dn (2.4b-7.28) 1 vers. Jr (10.11). Período exílico e pós-exílico: uso do aramaico como língua do povo de Israel. B. Escrita
  9. 9. 1. História e desenvolvimento da língua hebraica. Diferentes sistemas de escrita: hebraico antigo, sistemas palestínico e babilônico. Caracteres diferentes, sinais vocálicos em posições diferentes. (Em alguns manuscritos, grafado com caracteres do hebraico antigo.) 2. Transição da escrita antiga para a escrita quadrática ocorreu entre os sécs. IV e II a.C. Todos os manuscritos e fragmentos do AT (poucas exceções): escrita quadrática. Ainda em uso no tempo de Cristo (Mt 5.18: yod como o menor caráter só tem sentido no sistema quadrático). 3. No início: textos sem vocalização e sem acentuação. Massoretas, VII A.D.: vocalização tal qual se encontra hoje na Bíblia Hebraica. C. Material para escrita Tempos bíblicos: diferentes tipos de material para escrita. 1. Tábua de pedra – Êx 34.1; Dt 27.2-3; Jó 19.23,24. 2. Tábua de madeira – para anotações breves – Is 30.8; Hc 2.2. 3. Tábua de barro – muito popular no antigo oriente. Bom para cuneiforme, inconveniente para hebraico (linhas arredondadas). Achados arqueológicos. 4. Cerâmica – inscrições com tinta. Popular na Palestina. Muitos achados arqueológicos. Todos estes (1 - 4): para textos curtos. Talvez usados nos estágios primitivos da redação dos livros do AT. 5. Rolo - Sl 40.7; Jr 36.2,14. Fabricado com papiro ou couro (pele de animais). Couro = melhor que papiro, mais durável. 6. Usavam tinta (Jr 36.18) e escreviam com uma cana pontiaguda ou estilete (Sl 45.1). 7. Codex (“caderno”) – inventado no séc. I A.D. Vantagens sobre o rolo. III. Versões antigas “Versões antigas” – antes da invenção da imprensa (+/- 1450). “Versões modernas” – depois da invenção da imprensa. Ao que se sabe, a Bíblia foi o primeiro livro a ser traduzido para outra língua. A. Versões Gregas Septuaginta (LXX) ou Versão Alexandrina. É a mais antiga tradução do AT para outra língua. Muitos judeus no Egito, especialmente em Alexandria. Política favorável de Alexandre, o Grande, e Ptolomeu I e II. Judeus: esquecimento do hebraico e aramaico. Necessidade de uma tradução para o grego (língua franca de então) para uso na sinagoga e em casa. Carta de Aristeu - origem tradicional da LXX: tradução para a biblioteca de Alexandria, embaixada para Jerusalém, 6 tradutores de cada uma das 12 tribos (=72), foram para uma ilha, completa em 72 dias!, tradutores eram inspirados. Muitos acreditavam na história (inclusive alguns Pais Eclesiásticos). Fatos sobre a LXX: – Tradução feita em Alexandria – Por judeus alexandrinos, não judeus palestinos
  10. 10. – Transparece um conhecimento imperfeito do hebraico – : traduzido primeiro (ca. 250 a.C.) no reino de Ptolomeu Philadelpho. Evidências internas demonstram qualidade variável de tradução. Pentateuco = boa qualidade, a melhor parte. Sl e Is (especialmente) = qualidade inferior. Dn = tradução tão livre que lembra paráfrase. LXX deve ser usada com grande cautela nos empreendimentos textuais e hermenêuticos. Importância da LXX: religiosa/espiritual (para uso litúrgico dos judeus), histórica (Bíblia da igreja primitiva), crítica textual (comparação). Rivalidade cristãos x judeus. Cristãos = uso da LXX como texto autoritativo, inspirado (alguns). Judeus: reação – providenciaram outras traduções. As principais são as que seguem: 1. Versão de Aquila. Versão judaica. Cerca de 130 A.D. Tradução literal do hebraico para o grego. Má tradução; incompreensível, às vezes. Substituto da LXX para os judeus de fala grega. Contrapartida à LXX. Por ser literal, boa para a crítica do texto. 2. Versão de Teodósio. Início séc. II A.D. Teodósio revisou a LXX para harmonizá-la com o texto hebraico de então. (Na verdade = revisão da LXX.) Popularidade entre cristãos. 3. Versão de Símaco Preparada no final do II A.D. Reação contra o texto freqüentemente incompreensível de Aquila. Versão de Teodósio = revisão da tradução de Aquila com a ajuda da LXX e da versão de Teodósio. Visava mais o sentido que o texto. Algo semelhante a uma paráfrase. 4. Héxapla de Orígenes Corrupção no texto da LXX. Orígenes (185 - 254 A.D.; alguns o consideram como o primeiro teólogo erudito da Bíblia): corrigir corrupções e unificar o texto! Para ele = hebraico era o texto correto. Héxapla (= “seis vezes”)  continha o texto do AT 6 vezes em 6 colunas paralelas. a. texto hebraico consonantal b. texto hebraico em letras gregas Colunas c. versão de Aquila d. versão de Simaco e. LXX revisada por Orígenes f. Versão de Teodósio Estava na cidade de Cesaréia. Cidade queimada em 638 A.D. Manuscrito desapareceu! Existem fragmentos. 5. Existem outras revisões da LXX. N.B.: Há importantes manuscritos da versão grega do AT = B (Vaticano), A (Alexandrino),  (Sinaítico), C (Ephraemi). Todos em forma de códices. B. Targum ()  = estritamente não uma tradução, mais uma paráfrase do AT hebraico para o aramaico.
  11. 11. Como vieram a existir? Processo gradual que começou no período pós-cativeiro3 quando o hebraico pouco a pouco desvaneceu-se como língua popular dos israelitas. Ofício do intérprete: após a leitura de cada verso da Torah ou 3 versos dos profetas, traduzia a passagem livremente para a língua do povo. Por um tempo = orais. Depois = foram escritos. Nenhum Targum cobre todo o AT. Os mais importantes: 1. Targum de Onkelos. Cobre a . É o mais antigo e o melhor Targum da Torah. Talvez seja a forma aramaica da versão de Aquila. É estritamente literal (com poucas exceções). Talvez tenha sido preparado no séc. II A.D. 2. Targum de Jonathan Ben Uziel Contém os Profetas Anteriores (Js-Rs) e Posteriores (Is-Ml). É o Targum oficial para os livros proféticos, também o mais antigo. É muito mais paráfrase do que o Targum de Onkelos e com freqüência assemelha-se a um comentário rápido ao texto. talvez seja do séc. III A.D. Conforme alguns, foi revisado na Palestina e rescrito na Babilônia nos sécs. IV e V A.D. 3. Outros Targums dos  (Escritos). Valor crítico dos Targums: – determinação dos textos usados pelos tradutores (é relativo) – revela o estado da exegese judaica da época, a forma como certas passagens eram entendidas. C. Versão Siríaca Língua siríaca = pertence ao ramo aramaico das línguas semíticas (uma espécie de "aramaico cristão"). Denomina-se Peshitta = significa simples, talvez com fins de diferenciação. É obra de muitas mãos. Versão modelo. Data de origem = desconhecida. Talvez = ao redor de 150 - 200 A.D. D. Versões Latinas Séc. I A.D. = sociedade romana - bilíngüe (grego + latim). Norte da África (ao redor de Cartago) - só latim. Cristianismo espalhou-se. Necessidade de tradução da Bíblia para o latim. Principais versões latinas: Vetus Latina AT traduzido para o latim ao redor de 150 A.D. Versão feita a partir da LXX e a segue fielmente, reproduzindo até erros! Tertuliano, Cipriano, Agostinho = citam da versão latina. Vulgata Dâmaso, bispo de Roma (366 - 384 A.D.), preocupação com o vasto número de corrupções no texto da vetus latina. Heresias circulando, debate com judeus. Necessidade de uma edição padrão. Encarregou Jerônimo para a tarefa em 382 A.D. Vulgata latina = versão de toda a Bíblia para o latim. Feita por Jerônimo (+420 A.D.) ao final do séc. IV A.D. (383 - 405). Em 390 A.D. = início da tradução do AT direto do hebraico. AT (fora Sl) = traduzido do hebraico. Uso da Héxapla de Orígenes para a revisão dos textos do AT. "Vulgata" = "versão de uso comum." Por mais de mil anos (domínio do latim) = Vulgata era a Bíblia do mundo ocidental. Tem importância histórica e crítica. É a versão oficial da Igreja Cat. Romana. A tradução latina (Vulgata) do AT é um feito notável. Obra sempre aclamada. E. Outras versões 3 O cativeiro teve início em 586 e fim em 538
  12. 12. Muitas = feitas a partir da LXX. Versões cóptica (egípcia; da LXX), etiópica, arábica, armênia, gótica, eslava, etc. F. Valores das versões 1. Crítica Textual Pela análise das versões = tentar aproximar o máximo do texto original. Comparação. Auxiliam a achar o verdadeiro sentido, onde perdido. 2. Interpretação Tradução = sempre interpretação (também), comentários (ex.: Targum). Auxiliam na compreensão do texto. IV. Criticismo do AT Divisão do Criticismo do AT: Baixa Crítica: a)criticismo textual = pesquisa na história do texto até determinar sua maior aproximação com o texto original. b)criticismo lingüístico = etiologia (raízes), semântica (significado), idioma propriamente dito. 2. Alta Crítica: a) crítica literária = problemas de data e autoria. b) crítica histórica = credibilidade dos documentos. Desenvolvimento da alta crítica A. JOHANN S. SEMLER (+1791) Papel decisivo e fatal. Primeira articulação influente daquilo que até hoje divide conservadores e liberais. Posição de Semler = resumida em 2 slogans (princípios): 1. A Bíblia simplesmente contém a Palavra de Deus! Análise: – A Bíblia não é a Palavra de Deus. – Crítico julga o que é verdadeiro ou falso na Bíblia. – Crítico define em que consiste a verdade da Bíblia. – Redução ao subjetivismo. Não há universais. 2. A Bíblia é um livro como qualquer outro livro! Análise: – Correto até certo ponto: em seu aspecto humano a Bíblia é um livro como qualquer outro. – Por outro, em seu aspecto divino a Bíblia não é um livro como qualquer outro! B. JULIUS WELLHAUSEN (Crítica das Fontes) Idéias germinadas no séc. XVIII amadureceram e triunfaram no séc. XIX. Axiomas evolucionísticos (críticos anteriores) = no estudo da história das religiões. Wellhausen (1844 - 1918) - "nova hipótese documentária" = reconstrução a partir dos labores de outros (Eichhorn, Graf, Kuenen, De Wette,...). Para a composição do AT = documentos JEDP. Negação da autoria mosaica do Pentateuco. Associado com a Crítica das Fontes. C. Crítica das formas (Formgeschichte) Herman Gunkel (1862 - 1932) - reação à Wellhausen. Mais que Wellhausen, Gunkel é o pai de maior número das atuais práticas do criticismo bíblico. Gunkel: 1. Tentou descobrir o Sitz im Leben (contexto vital) último das formas literárias dos documentos bíblicos.
  13. 13. 2. tentou penetrar até o período pré-literário das tradições orais que precederam a composição literária dos documentos. 3. Identificou diferentes "formas" ou "tipos" de literatura. Gattung, gêneros literários. Textos narrativos: lendas, sagas, mito, fábula, épico,... Distinção básica = poesia e prosa. Crítica à reconstrução de Gunkel: Subjetivismo: Falta perspectiva. Com freqüência: classificação baseada mais no conteúdo do que na forma literária. Pressupostos evolucionistas: unidades menores são necessariamente anteriores a unidades mais longas e mais complexas. (Até críticos duvidam disto!) D. Crítica da tradição (Traditionsgeschichte) É a próxima modificação na história do criticismo do AT. Filha da Formgeschichte. Ás vezes, difícil distinguir ambas. Formgeschichte = preocupa-se com a gênese da unidade literária no seu ambiente original. Traditionsgeschichte = teoriza a respeito do crescimento, combinação e reinterpretação daquelas unidades em exemplares maiores. E. Movimento da Teologia Bíblica Virou "moda" escrever teologia do AT e tentar reconstruir a história de Israel. Eichrodt, Jacob, Vriezen, Eichhorn, ... Gerhard von Rad (1901 - 1971) é o "papa" da nova tendência. Sua Teologia do AT é um verdadeiro monumento deste movimento. Ela foi redigida com base na Traditionsgeschichte. Seus 2 volumes têm como subtítulos "A Teologia das Tradições Históricas/Proféticas de Israel". Gerhard von Rad = um dos mais penetrantes e criativos escritores modernos na teologia do AT. Eichrodt = estruturou toda a matéria da sua Teologia do AT ao redor do conceito de "aliança". Década de 60 = o movimento esvaneceu-se. Dias atuais: Teologia da Libertação - América Latina = leitura social e política do AT. Movimento originário na Igreja Cat. Romana. Adeptos em outras denominações. Percepção antropocêntrica do AT. Leitura a partir da realidade do ser humano oprimido. V. Criticismo do Pentateuco Na verdade, este capítulo pertence à Introdução Especial. Mas o seu debate está intimamente relacionado ao criticismo de todo o Antigo Testamento. A. Tempo de Esdras Pentateuco era considerado como revelação autoritativa de Deus a Moisés. Tradições do Judaísmo, Islamismo e Cristianismo Moisés como o autor de todo o Pentateuco. Escritores da antigüidade (compilador de Eclesiástico - cf. 24.23, Filo, Josefo, autoridades do Talmude e Mishnah) = aceitavam sem questionar a autoria mosaica do Pentateuco. B. Igreja Primitiva e Idade Média já se questionava a autoria mosaica do Pentateuco. C. Antecedentes à Teoria Documental Renascença, Deísmo, Iluminismo = idéias humanísticas no ar. Thomas Hobbes - Leviathan (1651) = Pentateuco composto por Esdras a partir de fontes antigas.
  14. 14. Benedito Spinoza - Tractatus Theologico-Politicus (1670) = Esdras compôs o Pentateuco com interpolação de Deuteronômio. Outros nomes = Richard Simon, Jean Le Clerc , etc. D. Hipótese Documentária Primitiva Primeira tentativa de uma teoria documentária da origem do Pentateuco = em 1753, com Jean Astruc (médico francês)  sua tese: Moisés compilou o Gn a partir de 2 antigas memórias ("memoires") e outros documentos menores. Astruc indentificou 2 fontes principais = Fonte A (uso de Elohim) e Fonte B (uso de Iahweh). Astruc = não negava a autoria mosaica do Gn, até a defendeu! Astruc achou + 10 fontes e outras interpolações textuais. J. G. Eichhorn, Einleitung (1780-83), 3 vols. = expandiu as idéias de Astruc numa versão primitiva da teoria documentária clássica. Eichhorn = abandonou autoria mosaica do Pentateuco, dividiu Gn e Êx 1-2 em fontes designadas J (= javista) e E (= eloísta), e afirmou que estas foram editadas por um autor desconhecido. E. Hipótese Fragmentária Alexandre Geddes (padre católico romano escocês) investigou as "memoires" de Astruc. Em 1792 - 1800 = desenvolveu a hipótese fragmentária. Teoria de Geddes = a Torah foi compilada por um redator desconhecido a partir de numerosos fragmentos que tiveram sua origem em círculos diferentes, um eloísta, e o outro javista. Provavelmente o Pentateuco atingiu a forma final em Jerusalém durante o reinado de Salomão. Geddes foi seguido por: - J. S. Vater = identificou + de 30 fragmentos. - W. M. L. De Wette (em menor escala) = muito do material legal era de origem posterior, não anterior ao tempo de Davi. F. Hipótese Suplementar De Wette (1805) = Pentateuco composto por um documento básico suplementado por numerosos fragmentos. Esta idéia foi desenvolvida por H. Ewald (1831). Ewald = o principal documento do Pentateuco era o eloísta (E = Grundschrift). Este foi suplementado pelas narrativas javistas, cujo compilador também era o redator da material como um todo. (Posteriormente Ewald mudou de idéia.) G. A "Moderna" Teoria Documentária Hupfeldt (1853) = J é um documento contínuo, e não suplemento a E. E = consiste de E1 (eloísta original) e E2 (eloísta posterior). Um redator combinou os 3 documentos (J, E1, E2) no Pentateuco deixando "dificuldades". E. Riehm (1854) = caráter independente de Deuteronômio. D = é o 4º documento. 4 documentos isolados e datados = E1, E2, J, D. K. H. Graf (adotou sugestão de outros) = legislação levítica é posterior a Dt, e não pode ter surgido antes do período exílico. E1 (conhecido como P) é o último dos documentos do Pentateuco. Debate quanto à ordem cronológica dos documentos. Abraão Kuenen (1869 - 70) = reafirmou a ordem JEDP de Graf. Recebeu apoio de outros. Normalmente - teoria de Graf-Kuenen = citados juntos. Julius Wellhausen (seguiu Graf-Kuenen) - Die Composition des Hexateuchs (1876 - 77) = formulou a hipótese no seu mais alto grau de desenvolvimento. Proposta de Wellhausen: As mais antigas partes do Pentateuco = origem em 2 documentos independentes: J e E. J = ca. 850 a.C., de círculos religiosos do Sul (Judá). E = ca. 750 a.C., do Reino do Norte. Em ca. 650 a.C. um editor/redator desconhecido (= RJE) combinou ambos os documentos (J+E). Deuteronômio (D) é um produto do período do rei Josias (ca. 621 a.C. = D). D foi acrescentado ao documento JE em ca. 550 a.C. por um outro editor/redator (RD). Daí = J+E+D = JED - Pentateuco. O Código Sacerdotal (P), compilado em ca.
  15. 15. 500 - 450 a.C., foi acrescentado ao corpo JED já existente por um outro redator anônimo (RP) em ca. 400 a.C. O Pentateuco em sua forma final como o temos hoje surgiu em ca. 200 a.C. Caracterização dos Documentos JEDP: J  “javista”   IX a.C. Em Judá. Expansão territorial e proeminência de Judá. Conteúdo: episódios entre criação e entrada na terra de Canaã. Estilo literário (Gattung) = composição épica de primeiríssima qualidade (digna da tradição de Homero!). Extensão do documento = disputa (afeta também data). Características = ideologia intensamente nacionalista ("provinciana"), particular interesse nos patriarcas. Teologia = notável por sua representação antropomórfica da divindade, que freqüentemente assume um forma "semi-humana" e tem comunhão com os homens. E  “eloísta”   VIII a.C. (1 séc. mais tarde que J). Origem = no Norte (Efraim) = por causa da omissão das histórias de Abraão e Ló (relacionados com Hebrom e o sul), ênfase especial a Betel e Siquém, proeminência a José (= pai de Efraim e Manassés - Norte). Conteúdo: menos narrativa contínua que J, é mais fragmentário. Teologia: interesse nos aspectos religiosos e morais dos episódios --> exemplo: sacrifício de Isaque (= meio de ensinar ao patriarca que o verdadeiro sacrifício é o interno e não externo). D  documento deuteronomístico (ou deuteronômico). Praticamente corresponde ao livro de Dt. Graf- Wellhausenn = livro da Lei descoberto no templo na época de Josias (2Rs 22.3ss) continha ao menos parte, se não todo, o Dt. Correspondência = reforma religiosa de Josias (621 a.C.) com centralização e purificação do culto em Dt (2Rs 23.4ss; Dt 12.1ss; 16.21ss; 17.3; 18.10; etc.). Teologia de D: filosofia religiosa da história que formulava os termos bênção/juízo divinos; necessidade de justiça social à sombra do relacionamento da aliança. Conteúdo: coleção de exortações e decretos legais compilados durante a apostasia de Manassés e combinados editorialmente com J e E depois do período de Josias. P  documento sacerdotal ("priestly code"). Compilação de material legal e cerimonial derivado de vários períodos da história de Israel, codificado de forma a organizar a estrutura legal da teocracia judaica pós-exílica. Conteúdo: algumas seções narrativas, genealogias, origens e conceitos de práticas ritualísticas e legalísticas; não tanto preocupação com registro de episódios. Material altamente detalhado (ex.: tabernáculo  Êx 25.1;27.21). Origem: no período pós-exílico. Teologia: Deus utiliza a legislação como um meio de graça, conceitos de santidade e pureza cerimonial serviriam como veículo para transmitir bênção divina a Israel. Escola de Graf-Wellhausen = extremamente atrativa. Por anos = venerada como sinal de fé erudita. Apenas em tempos recentes = descobertas arqueológicas e outras pesquisas forçaram uma abordagem mais crítica e cautelosa à posição wellhausiana. Análise documentária não parou com Wellhausen. H. Acréscimos à Hipótese Documentária 1. Rudolf Smend (1912): 2 J = J1 e J2 no Hexateuco. 2. Otto Eissfeldt (1922): J1 de Smend é o documento L (“Laienquelle, lay source”, fonte leiga). 3. J. Morgenstern (1926-27): documento K (Kenita)  detalhes biográficos da vida de Moisés, relações Israel e os kenitas. 4. R. H. Pfeiffer (1930): documento S (“Sul” ou “Seir”). 5. Gerhard von Rad (1934): documentos PA e PB. Hexateuco.
  16. 16. Observações quanto ao Criticismo do Pentateuco Criticismo do Pentateuco = 3 posições básicas: 1. Credibilidade do Pentateuco – É história forjada. Dt foi inventado pelos profetas para reforçar a idéia da centralização. Uso do nome de Moisés = para dar autoridade ao texto, mas ele nada tinha a ver com a história do mesmo. Documento P = composto para assegurar a aceitação do sistema sacerdotal por parte do povo. - Incoerência, negam história bíblica e religião de Israel. 2. Impossibilidade do sobrenatural no AT - Muitos: o milagre é impossível! - Consequentemente, a intervenção divina é negada (inspiração, revelação, encarnação, ressurreição, etc.). 3. Negação da revelação especial - A Bíblia é um livro como qualquer outro! - Nivelamento do texto ao nível humano. VI. Autoria Mosaica do Pentateuco Não há cabeçalho (sobrescrito) que afirme ser Moisés o autor do Pentateuco. Porém evidências apontam nesta direção. A. Evidências Textuais do Pentateuco (Evidências internas) 1. Êx 17.14 = Moisés em condições de escrever. 2. Êx 24.4 - 8 = v. 4 refere-se ao menos ao "Livro da Aliança" (Êx 21.2 - 23.33). 3. Êx 34.27 = 2º mandamento de Deus para escrever. Refere-se a Êx 34.10 - 26, o 2º decálogo. 4. Nm 33.1 - 2 = Moisés anotou a lista das paradas desde o Egito até Moabe (cobriu caminhada pelo deserto). Alguns = argumento forte para autoria mosaica. 5. Dt 31.9,24 = Talvez refere-se aos 4 livros anteriores do Pentateuco. Dt = discursos de Moisés antes de despedir-se do povo. 6. Dt 31.22 = Refere-se a Dt 32. B. Evidências Externas (do AT) 1. Particular importância = livro de Josué (repleto de referências a Moisés). Referências à Torah como livro de Moisés = Js 1.7 - 8; 8.31; 22.9; 23.6; etc. 2. Jz 3.4 = "...por intermédio de Moisés.” 3. Referências a Moisés em Rs, Ed, Ne, Cr. Expressões freqüentes no livros históricos: "lei de Moisés", "livro da lei de Moisés", "livro de Moisés", etc. 1Rs 2.3; 2Rs 14.6; 21.8; Ed 6.18; Ne 13.1; etc. 4. Profetas falam na "lei" - pouca referência direta a Moisés. Dn 9.11 - 13; Ml 4.4. C. Evidências do NT NT = testemunho claro à autoria mosaica. Tanto Cristo, como escribas e fariseus. Idem apóstolos. 1. Cristo menciona passagens da Torah como sendo de Moisés. Mt 19.8; Mc 10.4,5. Outras passagens: Mt 8.4; Mc 1.44; 7.10; 12.26; Lc 5.14; 16.31; 20.37; 24.27,44; Jo 5.46 - 47; 7.19. 2. Restante do NT = em harmonia com Cristo. At 3.22,23; 13.38,39; 15.5,21; 26.22; 28.23; Rm 10.5,19; 1Co 9.9; 2Co 3.15; Ap 15.3. D. Fatos Internos no Pentateuco 1. Detalhes de uma testemunha ocular. Êx 15.27 = no. de fontes e palmeiras. Nm 11.7,8 = aparência e paladar do maná. 2. Gn e Êx = revelam profundo conhecimento do Egito (impressão: alguém que participou do êxodo). Conhecimento de palavras e nomes egípcios.
  17. 17. 3. Autor = ponto-de-vista estrangeiro, como quem está fora da Palestina. Estações e tempo = são egípcios, não palestinos. Flora e fauna = egípcias ou sinaíticas, não palestinas. Geografia = autor familiarizado com o Egito e o Sinai (Moisés esteve em Midiã). Pouca familiaridade com a Palestina. 4. Atmosfera de Êx até Nm = atmosfera de deserto, não de povo agrícola estabelecido. 5. Outros fatores que sugerem autoria única. Moisés = tinha qualificações suficientes para redigir o Pentateuco. VII. Importância do Pentateuco A. Aspecto Cósmico Criação do universo = ato criativo de Deus. Deus = a grande Primeira Causa, "Primeiro Motor" (Tomás de Aquino). Monergismo de Deus. Como? Por quê? Gn não se preocupa. Deus fez! Origem do cosmo em Gn = superior às antigas cosmogonias e relatos da criação. B. Aspecto Teológico Raízes do cristianismo e judaísmo = no Pentateuco. (No Pentateuco = cristianismo em botão.) Origem = universo, vida humana, pecado, Proto-Evangelho, cerimonial cúltico, etc. Três nomes de Deus = Elohim, Iahweh, Adonai. Início da auto-revelação de Deus. Tipologia, símbolo, profecia = proclamação de Cristo. Linha messiânica. As alianças. Início de Israel (Abraão) = povo escolhido, eleição, aliança no Sinai. C. Aspecto Histórico Não mera história. Escritura = história especial  história da redenção do ser humano. "Escândalo da particularidade!" História especial com motivo teológico por detrás. História ligada à profecia. Aspecto escatológico. Movimento para a frente e para o alto  para Cristo. História centrada no Messias. Via Cristo, torna-se nossa história!
  18. 18. Introdução Especial Pentateuco
  19. 19. Gênesis I. Título “Gênesis” - da LXX = “começo, gênese”  vem de Gn 2.4. – título hebraico (costume = nome pelas primeiras palavras do livro). Título é apropriado. II. Autoria Nenhuma declaração direta quanto ao autor. Tradição = Moisés. Indício do NT = circuncisão (Gn 17.12) referido no NT (Jo 7.23) como fazendo parte da Lei de Moisés. Moisés = editor e compilador de material pré-existente (tradições orais e escritas). III. Propósito Registro do início. Visão da revelação do início do universo até quando Israelitas estão no Egito. IV. Esboço A. 1. História primitiva: 1 - 11 2. História patriarcal: 12 - 50 a. Abraão + Isaque: 12 - 26 b. Jacó + Esaú: 27 - 36 c. José: 37 - 50 B. Gn 1-11 = prepara cenário para aliança. Gn 12-50 = leva até quase cumprimento inicial no êxodo. C. Alianças universais: 1. Com Adão (2.15 - 17) = antes do dilúvio. 2. Com Noé (9.8 - 17) = depois do dilúvio. Foram quebradas. Não atingiram seu propósito. Necessário, então, seleção = eleição de Israel. "Escândalo da particularidade!" Gn 12 - 50: figura central = Abraão. Enfoque na aliança. Revelação Deus- homem = propósito de redenção. Linha que perpassa todo o texto. V. Estrutura Literária Gn = esquema peculiar. Difere dos outros livros. Onze vezes = expressão "estas são as gerações de...” (). Gn 2.4 = "gerações dos céus e da terra" Gn 5.1 = " de Adão" Gn 6.9 = " de Noé" Gn 10.1 = " dos filhos de Noé" Gn 11.10 = " de Sem" Gn 11.27 = " de Terá Gn 25.12 = " de Ismael" Gn 25.19 = " de Isaque" Gn 36.1,9 = " de Esaú" Gn 37.2 = " de Jacó"
  20. 20.  = início de nova seção. 10 seções. Estrutura literária baseada nesta expressão. VI. Análise A. Gn 1 - 11 = história real e empírica. Não temos como investigá-la (como outras épocas). Relato da protologia = contraste com escatologia. B. Gênesis 1 1) Monergismo de Deus (  +  = “um só trabalhador”) = Deus é o único criador!  = 32 vezes, quase sempre como sujeito. 2) Complacência divina na criação - "... e viu Deus que era bom!" (7 vezes). 3)  = usado em Gn 1 = indica poder, autoridade, majestade. 4)   interpretação = 2 possibilidades: a. dia literal de 24 horas. Criação numa semana. b. período indefinido, “longo período de tempo”, estágio. Observações: a) Gramaticalmente, textualmente = impossível calcular extensão do  ou data da criação. Uso de = variedade de sentidos (ex.: Gn 2.4b). b) Contexto de Gn 1 = dia de 24 hs. é o sentido mais natural ou literal. c) Problema de Gn 1 (tb 1-11) = não é exegético, mas hermenêutico. Depende do ponto de partida filosófico e epistemológico, dos pressupostos. 5) Gn 1.1 e 1.2 = alguns  um período separa os dois. Há o caos, então Deus põe ordem. Não é o caso. C. Gênesis 2 1) Criação do homem e da mulher. Ordem da criação: homem e mulher (2.22; 1.27). 2) Teologia liberal = Gn 1 e 2  2 relatos separados e independentes. Não! Gn 1 = visão global, geral (criação do universo) Gn 2 = visão particular (criação do homem) 3) Historicidade de Adão = questionada NT = Rm 5 - facticidade do 1º Adão. Tipologia do 1º e 2º Adão. (Rm 5.12 - 14,17 - 19) 4. Instituição do matrimônio = Gn 2.24 (comentário editorial de Moisés). D. Gênesis 3 1) Modernos negam historicidade. Mas NT = 2Co 11.3; Jo 8.44; Rm 5.12 - 14,17 - 19. Se Gn 3 não é história = cristologia em dúvida. Importante para obra redentora de Cristo.  Destaque para Gn 3.15, o proto-evangelho! E. Gn 4 - 5 = crescimento e desenvolvimento do pecado. 1º homicídio. Gn 5 = conseqüência do pecado, domínio da morte  universal: "... e morreu!" F. Gênesis 6 - 9: Dilúvio 1) Questão da universalidade do dilúvio. Local ou universal? Questão complexa. Há bases realmente precisas para resposta? Dilúvio local  aparentemente não é exegese literal (Gn 7.19 - 23). NT = Dilúvio universal - 2Pe 2.4 - 5; 3.5 - 6; Mt 24.38 - 39. 2) Tamanho da arca = debate: suficiente para os animais? 3) Profecia Messiânica: Gn 9.25 - 27  o descendente vem através de Sem. G. Gênesis 10 - 11 – Gn 10 = Tábua das Nações - não temos muito para relacionar com história extra-bíblica conhecida. – Gn 11 = Torre de Babel. Desobediência = Gn 9.1,7. Opção humanística. Civilização centrada ao redor do nome do homem. H. Gênesis 12 - 26 Foco = Abraão + Isaque. Destaque = profecia messiânica  Gn 12.1 - 3. I. Gênesis 27 - 36  Foco = Jacó + Esaú. J. Gênesis 37 - 50  José e a vinda de Israel para o Egito.
  21. 21. VII. Teologia Básica de Gênesis 1. Criação. Gn é o texto clássico. Criação do universo e do homem. 2. Pecado. Básico para todo o sistema cristão. Arruinou relacionamento homem-Deus, trouxe morte. Deus ainda dá oportunidade. Gn 3 = a queda. Depois: "... viveu ... anos ... e morreu!" 3. Aliança. Com Adão, com Noé, com Abraão, e demais patriarcas. 4. Promessa Messiânica. 3.15 = Adão + Eva. 9.25 - 27 = Sem. 12.1 - 3 = Abraão. 49.8 - 12 = Judá. Êxodo I. Título TM =  ou apenas  LXX =  Vulgata = Exodus Tanto na LXX como na Vulgata, baseado em Êx 19.1. II. AUTORIA Moisés. III. Propósito Conexão (continuação) entre Gn e restante do Pentateuco. Episódio do êxodo = alta significância teológica, coração do evangelho do AT. "Redimir" = ligado ao êxodo. Tipologia  Cristo = "saída", "êxodo" na Páscoa. IV. Esboço A. Libertação: 1 - 19 1 escravidão e preparo para libertação: 1 - 12 2. êxodo e jornada até o Sinai: 13 - 19 B. Legislação: 20 - 40 1. leis: 20 - 31 2. apostasia e retorno: 32 - 34 3. construção do tabernáculo: 35 - 40 V. Análise Êxodo 1 Crescimento do povo. Escravidão e opressão. Êxodo 2 - 6 1. Moisés = preparo no Egito e no deserto de Midiã.
  22. 22. 2. Êx 3 = Anjo de Iahweh na sarça ardente. Alguns = manifestação do Cristo pré-encarnado. Revelação do nome  (3.14): "sou o que sou", causar ser, trazer à existência, ...Iahweh = nome pessoal de Deus, vinculado à aliança. O Deus do Êxodo é o Deus que libertou Israel do Egito e entrou em aliança com o povo. Oriente Antigo = revelar nome é revelar o próprio ser. Iahweh ao revelar o seu nome estava revelando o seu ser, se desnudando ao povo. Êxodo 7 - 12 1. Operação dos milagres. As 10 pragas (sangue, rãs, piolhos, moscas, peste nos animais, úlceras, granizo, gafanhotos, trevas, morte dos primogênitos). Milagres = para convencer faraó que Iahweh é Deus supremo, e convencer o povo do poder de Deus. - Pragas: racionalistas entendem como meras catástrofes naturais. Na verdade, no plano metafísico (Êx 12.12), luta: Iahweh x deuses do Egito. Na 10ª praga o panteão egípcio é atingido na cabeça: o próprio faraó (visto como divino pelos egípcios) é atingido! Ou seja, o Deus de Israel é vencedor sobre os deuses egípcios.  última praga: não só punição pela resistência. Tipologia = motif, tema do juízo final. 2. Êx 12 - Páscoa. Importância para Iahwismo e Judaísmo. Cristianismo = importância tipológica: Semana Santa + Páscoa = sacrifício do Cordeiro de Deus que também lidera o seu povo para fora da "escravidão egípcia". Êxodo 14 - 15  Cruzamento do Mar Vermelho. Êx 15: Perguntar o que entra aqui = é o Te Deum do AT.  Importância do êxodo + passagem pelo Mar Vermelho = citado mais de 150 xx. Êxodo = ação salvífica de Deus - alta significância. Local da travessia do Mar Vermelho = não se sabe com exatidão. Críticos negam (não mar, mas pequena porção de água, miragem, etc.). Êxodo 19 - 24 - Aliança no Sinai 1. Êx 19 = 3 meses depois do êxodo, chegada ao Sinai. Teofania, fenômenos naturais. Êx 19.5,6 = “sacerdócio universal” (1Pe 2.9). 2. Êx 20.1 - 17 = as 10 palavras (Perguntar o que entra aqui)! Gramaticalmente = decálogo no indicativo, não imperativo (negação é Perguntar o que entra aqui, não Perguntar o que entra aqui). Daí = resposta voluntária do fiel que já experimentou a graça de Deus (aliança), não para merecer graça. Cristão: simul justus et peccator = decálogo também é o segundo uso da lei (espelho). 3. “Livro da Aliança” = Êx 20.22 - 23.33 (alguns, até 23.19). Título a partir de 24.7. Não é caso de legalismo, mas 3º uso da lei. Exemplos, ilustração da reação do fiel à redenção. 4. Êx 24 = ratificação da aliança. Clímax da primeira fase da revelação sinaítica. Êxodo 25 - 40 - Tabernáculo 1. Postura quanto ao tabernáculo: – Liberais = é acréscimo sacerdotal (P) – Protestantes = mera descrição de uma construção (legalismo) Em ambos os casos, tabernáculo reduzido a quase nada. 2. Tabernáculo (Êx 25 - 31, 35 - 40 = 13 capítulos!): em que consiste realmente? Valor tipológico do tabernáculo. Objetificação "sacramental" da aliança, da vontade salvadora de Deus e sua presença redentora entre o povo. Deus está "encarnado" em algum lugar especial para sua habitação entre os homens, porém separado deles por causa da alienação do homem em pecado. Cumprimento da aliança: "Teu Deus, meu povo, habitarei entre vós!" Do ponto de vista do AT, tabernáculo era como que "sacramento" da presença de Deus entre o povo. Êx 25.9 = Perguntar o que entra aqui: “modelo, tipo” = tipologia vertical  o tabernáculo e seu ritual são um reflexo, uma miniatura, uma cópia do templo celestial! Tabernáculo: Êx 25 - 31: texto (aspecto) prescritivo. Instruções. Êx 35 - 40: texto (aspecto) descritivo. Relato de como foi feito. Êxodo 32 - 34 - Apostasia e Retorno Bezerro de ouro. Quebra da primeira aliança. Quebra das tábuas. Intercessão de Moisés. Êx 34 = "nova" aliança. Êxodo 40 - Consagração do Tabernáculo
  23. 23.  Descida da “glória” (Perguntar o que entra aqui) de Deus = presença “encarnacional” de Deus! Esta presença “encarnacional” de Deus (nuvem, Perguntar o que entra aqui) os trouxe desde o Egito, agora assume residência permanente sobre o Propiciatório no Santo dos Santos!  Teologia do Tabernáculo (também do Templo): mensagem do AT = "o Verbo se tornando carne". Isto fica evidente na “presença real”, “encarnacional” e “sacramental” de Deus no santuário, no Propiciatório. Tabernáculo (templo): tipo de primeira grandeza da encarnação de Deus. Jo 1.14: Perguntar o que entra aqui = “tabernacular” - cumprimento deste tipo. A consumação nos aguarda no fim dos tempos - Ap 21 - 22 = a nova Jerusalém. Levítico I. Título TM =  LXX =  Vulgata = Leviticus II. Autoria Moisés III. Propósito Israel = nação teocrática organizada, aliança ratificada, tabernáculo erigido. Agora necessário = regulamentação quanto ao culto no tabernáculo e quanto à santidade na vida. Lv = regulamentação para o culto e vida santificada. IV. Esboço A. Remoção da impureza que separa o homem de Deus: 1 - 16 1. Sacrifícios: 1 - 7 2. Sacerdócio: 8 - 10 3. Purificação: 11 - 16 B. Comportamento apropriado ao povo purificado: 17 - 26 C. Apêndice: 27 V. Análise A. Lv 1 - 7 = Lei dos Sacrifícios Sacrifícios básicos: 1. Oferta queimada (holocausto)  Lv 1 2. Manjares (cereal)  Lv 2 3. Sacrifícios pacíficos (comunhão)  Lv 3 4. Oferta pelo pecado e pela culpa  Lv 4.1 - 6.7 Sacrifício básico = holocausto. Lv 1 - 5 = para todo o povo Lv 6 - 7 = para Arão e seus filhos Não contradição, mas perspectiva diferente. Normalmente = textos opacos e sem interesse para o leitor moderno. Em geral = leitura do AT "empaca" em Lv.
  24. 24. Mas é preciso lembrar: 1. Pressuposto da teologia bíblica = o pecado corrompeu o homem todo, o corpo bem como o espírito, e o remédio deve corresponder a isto. 2. Uso tipológico no NT --> satisfação vicária de Cristo, Cordeiro de Deus. Impossível compreender a conexão tipológica se a base teológica do AT é diferente do NT (obras, e não graça). 3. Sacrifício: a. Aspecto eucarístico: "espécie" de oração de agradecimento que acompanhava e confirmava as orações verbais agradecendo a Deus por suas dádivas da aliança. (Lv e Sl vão juntos!) b. Meios da graça: ordenados por Deus para expiar o pecado e propiciar sua justa ira. 4. Sacrifício: a. Externamente: muito em comum com os sacrifícios de todo o mundo. b. Funcionalmente (coram Deo): são “sacramentos”. Do ponto de vista de Deus pertencem ao campo da justificação (em virtude da unidade com o sacrifício de Cristo!). Participação humana = na área da santificação! 5. Temas Sacrificiais a. Oferta (de gratidão) b. Comunhão c. Expiação e/ou propiciação Todos estes temas estão presentes em alguma medida nos sacrifícios. Não está presente o tema do alimento aos deuses (tema comum nas religiões pagãs). B. Lv 8-10 = Sacerdócio  Consagração e instalação de Arão e os sacerdotes.  Prescrição em Êx 29.1-36; 40.12-15. C. Lv 11-16 = Pureza e Expiação 1. Lei da Pureza. Complexo de leis governando a pureza, impureza, purificação. 2. Conceito bíblico de pureza = físico/material e espiritual ao mesmo tempo. Pureza = vontade de Deus. O “puro” = tipo da “nova criação”, a redenção de nossos corpos (Rm 8.23). 3. Lv 13-14 = “lepra”  palavra genérica, até mal interpretada. Inclui uma variedade de infecções, fungos. Lv 13.47; 14.34 = “lepra” em roupa e casa! 4. Corpos e objetos = são pecaminosos e impuros  refletem um universo imperfeito, decaído, não mais “muito bom” como originalmente criado. 5. Lv 16 = “Dia da Expiação” ( - Lv 23.27-28). Clímax de Lv. Único jejum prescrito pelo AT. Dia da Expiação:  oferta pelos pecados (sangue aspergido no propiciatório)  purifica (expia) templo (especialmente o altar)  2 bodes: um para Iahweh, outro para Azazel (deserto) D. Lv 17-26 = Santidade Segundo A. Klostermann (1877), Lv 17-26 constitui o documento "H" ("Heiligkeitsgesetz"). Relação com textos de Ez. Lv 23 = calendário litúrgico do AT. Não se comemora pessoas, só fatos! As 3 festas principais do ano hebreu são: a. Páscoa + Pães Asmos = 14º dia do 1º mês. Libertação do cativeiro + saída apressada do Egito. b. Semanas (), ou Pentecoste = 6º dia do 3º mês. Dedicação das primícias do trigo. c. Tabernáculos () = 15º-22º dias do 7º mês. Peregrinação + colheitas completas. Costume = morar em tendas, impacto nas crianças. Lv 25 = Ano do descanso + ano do jubileu. VI. ASPECTOS BÁSICOS EM LEVÍTICO 1. Santidade consumidora de Deus. O impuro não subsiste diante do totalmente puro. Hb 10.31.
  25. 25. 2. Pecado é coisa séria. Implica em morte. Que o pecador não apareça pecador diante de Deus! 3. Deus mesmo providencia os meios para a purificação. Sistema sacrificial. Graça. 4. Expiação por substituição. Se o transgressor quer salvar sua vida, a expiação pelo pecado deve ser feita por substituição. O pecador deve trazer uma oferta que será seu substituto. Ninguém pode ser seu próprio salvador ou mediador. 5. Sacerdócio. Lidando com vida e morte. Proclamação de Lei e Evangelho! Mediadores e representantes de Deus. NÚMERO S I. TÍTULO TM =  LXX =   destaque aos números dos censos. Vulgata = Numeri  segue LXX. II. AUTORIA Moisés = tradições judaica e cristã. III. PROPÓSITO Legislação = segue naturalmente Lv. Nação = pronta para continuar sua marcha. Combinação entre história e legislação. Partida do Sinai até atingir as planícies de Moabe. Episódios que se passaram neste ínterim. IV. ESBOÇO Em muitos sentidos o livro é uma miscelânea, e quase não tem esboço explicitamente definido. Estrutura básica = história com acréscimos de alguma legislação. Itinerário israelita  3 seções: 1. Preparo para partida do Sinai: 1.1-10.10 2. Jornada do Sinai até as planícies de Moabe:10.11-21.23 3. Episódios nas planícies de Moabe: 22-36 Em Nm  a narrativa histórica tem mais espaço que em Lv e Dt. Período de tempo = aparentemente cerca de 40 anos. V. ANÁLISE A. Nm 1.1-10.10: período de 19 dias (do 1o. ao 20o. dia do 2o. mês do 2o. ano depois do êxodo)  Nm 1.1; 10.11. Nm 1-4  Censo e disposição do povo Nm 1 = Homens capazes de ir para a guerra (idade militar, 20 anos para cima)  603.550 (Nm 1.45-46). Cálculos de alguns: 600.000 guerreiros, logo população ao redor de 2,5 milhões de pessoas. Nm 2 = Simbolismo da disposição do acampamento é teologicamente significante, bem como histórica e militarmente plausível. Tabernáculo no centro, três tribos de cada lado, com Judá (messianicamente) colocado no lado leste, oposto à entrada. Sentido teológico do tabernáculo no centro do povo:
  26. 26. a. Culto = centro da vida do povo. b. Privilégio da comunhão, alegria no servir. c. Presença divina no meio do povo. Deus "encarnado" entre eles. "Habitarei no meio de vós!" Aliança. Nm 3 = Papel da tribo de Levi = auxiliar o sacerdote na execução do seu dever no santuário. Nm 6 = Nazireus (nazireado) = representavam uma espécie de ideal exemplar de santidade (se bem entendido, não muito diferente do ideal monástico) a. abster-se de bebida alcoólica Nazireus b. não cortar cabelos e barba (6.1-8) c. não tocar cadáver (mesmo parente) Nm 6.22-27 = Bênção sacerdotal! Nm 7 - 10.10 = últimos episódios no Sinai. Ofertas dos príncipes, consagração dos levitas, celebração da Páscoa, nuvem sobre o tabernáculo, as 2 trombetas. B. Nm 10.11-21.35: Jornada do Sinai até Moabe. Maior parte dos 40 anos no deserto está "comprimida" nestes capítulos. Nm 11 = Murmuração do povo. Moisés = pesado o seu cargo. 70 anciãos para ajudarem Moisés (protótipo para o sinédrio - 70 membros). Codornizes Nm 12 = Rebelião de Míriam e Arão contra Moisés. Nm 13-14 = Espias. Parecer desfavorável e desanimador. Josué + Calebe = ânimo, fé. Nm 14.10-12: Deus quer destruir povo e fazer de Moisés um novo povo (maior e mais forte). Intercessão de Moisés. Povo = 40 anos no deserto. Nm 16-17 = Rebelião de Coré, Datã e Abirão contra Moisés e Arão, contra "liderança política". Ira de Deus = homens tragados. Nm 17 = Arão é confirmado por Deus (sua vara floresce!). Nm 20 = Rebelião do próprio Moisés em Meribá (20.7ss). Moisés = falar à rocha; ele a fere com a vara. Trágico anti-clímax (em contraste com as outras rebeliões). Morte de Arão. Substituído por Eleazar. Nm 21 = Serpente de bronze. Tipologia em Jo 3.14ss. Serpente passou a ser adorada (2Rs 18.4). Foi destruída. C. Nm 22-36: episódios nas planícies de Moabe. Continuação do caráter miscelâneo. Nm 22-24 = Balaão. Veio da Mesopotâmia até Moabe - levou semanas. (Arqueologia em Mari = existência e freqüência de adivinhos. Chamados para propósitos especiais.) Contra sua vontade, abençoa Israel 3 xx. 4a. vez = "estrela de Jacó" (24.17). Historicidade comprovada no NT (2Pe 2.15; Jd 11; Ap 2.14). Nm 25 = Apostasia em Sitim. Baal-Peor = ritos licenciosos de fertilidade. Fidelidade de Finéias. Nm 26 = 2o. censo. Total = 601.730 homens - alguma alteração em relação ao 1o. censo. Nm 27 = Josué = sucessor de Moisés. Nm 31 =  - "guerra santa"  vontade de Deus. Contra midianitas - manifestação do juízo de Deus - fizeram Israel pecar no caso de Baal-Peor (v. 16). Nm 32 = Distribuição da terra. 2 1/2 tribos na Transjordânia (Rúbem, Gade, 1/2 Manassés). Promessa de ajudar na conquista. Nm 33 = Sumário do itinerário desde o Egito. Morte de Arão. Nm 34-35 = Limites do território, cidades dos levitas, 6 cidades de refúgio (= asilo). VI. DOIS ASPECTOS 1. Avanço do povo de Israel - na medida da fé. Dependência de Deus. Episódio dos espias (Cades- Barnéia) = falta de fé. 2. Conquista - não tamanho do exército, mas da fé. Percepção tipológica = A Igreja Cristã é Israel em marcha pelo deserto em direção à Terra Prometida. Livro de Nm é como nossa vida = não há estrutura simétrica, mas está cheio de altos e baixos.
  27. 27. DEUTERONÔMIO I. TÍTULO TM =  (ou só ) = "Estas são as palavras ..." LXX =  (17.18) Vulgata = Deuteronomium LXX = Título baseado numa interpretação incorreta de Dt 17.18. Não corresponde ao fato. Dt 17.18 = o rei deve providenciar uma cópia ("traslado") e não uma "segunda lei" (sentido de "deuteronômio"). II. AUTORIA Moisés III. PROPÓSITO  Três últimos discursos de Moisés nas campinas de Moabe. Proferidos ao povo. Resumo das principais leis e observações que norteariam o povo na nova terra. Moisés = 120 anos --> vigor físico e mental (Dt 34.7).  Discursos = caráter sermônico.  Dt = significativo para a teologia do AT e do NT.  Teologicamente = é um dos livros mais importantes do AT. Existe alguma repetição das leis anteriores.  Mas a maior preocupação é com a teologia da Torah, i. e., as boas-novas do evangelho que capacitam e motivam toda obediência válida diante de Deus  Ex = Dt 4; 6.10ss; 10.12ss; 29.2-8,9ss. Dt = base das mensagens de Jr e Ez (especialmente exortações). Cristo cita Dt 90 vezes! Ex = tentação de JC  8.3; 6.16; 10.20. IV. POSTURA DO PENSAMENTO CRÍTICO 1. Pensamento crítico mais antigo = Dt não termina o Pentateuco. Porém este culmina com Js. Teoria do Hexateuco. Wellhausen, Gerhard von Rad. 2. Pensamento crítico mais recente = Martin Noth  teoria do Tetrateuco. Dt é uma introdução teológica à subsequente "história deuteronomística". Tetrateuco "História Deuteronomística" Gn Êx Lv Nm Dt Js Jz Sm Rs Hexateuco V. ESBOÇO Basicamente: "Código Deuteronômico" precedido e seguido por matéria homilética. 1. Primeiro discurso: 1-4 2. Segundo discurso: 5-11 3. Código Deuteronômico: 12-26 4. Bênçãos e maldições: 27-28 5. "Terceiro sermão" (discurso): 29-30
  28. 28. 6. Conclusão (ao Dt e ao Pentateuco): 31-34 VI. ANÁLISE Dt 1-4 = resumo histórico + detalhado. "Prólogo histórico" - por isso, apegar-se a Iahweh! Dt 5-11 = da perspectiva da articulação teológica é o coração do livro. Dt 5 = repetição do Decálogo. Dt 6 = comentário sobre o 1o. mandamento. 6.4 = !, o credo do Judaísmo posterior e moderno. 6.5 = o 1º grande mandamento. 6.6 = prioridade à "educação cristã". Dt 7-9 = outro grande tema de Dt = a necessidade de extermínio do paganismo cananita. Tema do ! (esp. Dt 20) Dt 11 = Peroração, sumário. Existencialmente colocado diante de Israel a escolha da vida e da morte, maldição e bênção. Dt 12-26 = Código Deuteronômico Exemplos ou ilustrações específicas do que significa fidelidade à aliança = 3º uso da Lei. Preocupação = menos cívica, mais religiosa. Leis = forte ênfase no amor. Lembrar que já foram estrangeiros no Egito. Dt 12.4-7: um dos grandes temas de Dt, o santuário central. A ser erguido no lugar que o próprio Deus determinasse. Em Dt = não se estabelece Jerusalém como o lugar escolhido por Deus. Dt 17 = escolha de um rei. Críticos = é do período da monarquia! Porém Moisés conheceu monarquias absolutistas no Egito e "reizinhos" entre os povos na caminhada pelo deserto. Rei de Israel: a. do povo de Israel b. não multiplicar cavalos (para não voltar ao Egito. 1Rs 10.28) c. não ter muitas esposas d. não ter muito ouro e. ter cópia da Lei Dt 18.9-22 = tema da profecia. Questão da origem da profecia  provavelmente anterior a Moisés. Deus não deixaria faltar profetas para eles. Dt 18.15 = sucessão de profetas fiéis? Cumprimento climático em Cristo. Dt 26 = Muitos dos temas do livro = sumarizados em 26.5-9  confissão histórica do ofertante das primícias (conforme Gerhard von Rad, um dos principais credenda, se não o principal). Dt 27-28 = Código Deuteronômico - termina com uma lista de bênçãos e maldições. É o padrão do antigo tratado de suzerania. Espécie de antifonia. Após travessia  Mte. Ebal e Gerizim = erigir pedras e sobre elas escrever a lei. Cumprido em Js 8.30-35. Dt 29-30 = Espécie de 3o. sermão, conclusão. Escolha da vida ou morte perante o povo. Reflete as antifonias de 27-28. Dt 31-34 = Dt 31 = preocupação com continuidade da aliança. Josué = sucessor de Moisés. Leitura periódica da Torah que Moisés escreveu (31.9ss). Cópia depositada ao lado da arca (31.24ss). Dt 32 = "Cântico de Moisés". Debate. Críticos afirmam que não é mosaico. Dt 33 = "Bênção de Moisés". Debate. Críticos afirmam que não é mosaico. Simeão não é mencionado! Dt 34 = Quem escreveu? Filo + Josefo: o próprio Moisés é o autor. (Teologicamente possível, historicamente improvável). Alguns da tradição judaica = Josué é o autor. Como provar? ES inspirou alguém para escrever Dt 34! VII. ASPECTOS TEOLÓGICOS 1. Relação entre Deus e seu povo = baseada na aliança. Relação mais de amor que legalismo. Com freqüência os verbos estão no indicativo. Exs.: Dt 4.37; 7.13; 33.3. 2. O maior perigo para o povo é a idolatria. Esta deve ser sumariamente suprimida!
  29. 29. Profetas Anteriores A partir daqui a disposição dos documentos da Tradição Massorética difere da LXX. Profetas Anteriores = Js, Jz, Sm, Rs. TM = 1+2 Sm e 1+2Rs eram contados como um único livro cada. Os 4 profetas anteriores = anônimos. Simetria = quatro profetas anteriores + quatro profetas posteriores (os 3 profetas maiores + "os 12"). Por que "profetas"? Refere-se mais ao conteúdo do que à forma. História interpretativa da nação teocrática desde a entrada na Terra Prometida até a dissolução da Teocracia no exílio. Profetas Anteriores = exibem uma teologia profética, como que ilustrações de sermões que precedem os "sermões" do profetas p.d. Profetas Anteriores = continuação e complemento ao Pentateuco. Também complemento e "background" (fundo) para os Profetas Posteriores. Dias atuais = a historiografia busca "objetividade científica"! Isto é questionável. Como realmente ser "objetivo"? Historiografia do AT --> pressuposto = o que é apresentado é totalmente verdadeiro, factual e teologicamente, mesmo que muitas das questões levantadas permaneçam sem resposta. O estudioso da Bíblia é livre para suplementar (com novas hipóteses ou com achados arqueológicos), porém não suplantar o texto. A preocupação do escritor bíblico é mais de cunho teológico do que históri- co. Real Autor do texto (ES) = interesse último na história interna ("sacramento") que o texto apresenta. Percepção "sacramental" = os fatos exteriores trazem em seu bojo um conteúdo maior. Este é o interesse real de Deus. Estrutura básica dos Profetas Anteriores: – recompensa para obediência e fidelidade – retribuição e punição para infidelidade Em última análise = preocupação com o que é verdadeiro. A Palavra de Deus é operativa em bênção e em maldição. Profetas Anteriores = é mais teologia da história, não tanto filosofia da história. Martin Noth = Teoria da História Deuteronomística --> Esta é composta pelos livro de Dt (autoria não é mosaica) e os Profetas Anteriores. Não precisa ser rejeitada no seu todo. O conservador pode ficar com certos postulados de Noth: - Prof. Ant. aplicam e ilustram princípios básicos de Dt. - Tema da bênção x maldição = é o princípio organizador da história posterior. – Se bem entendido, realmente existe a influência "deuteronomística" de Moisés nos Prof. Anteriores. JOSUÉ I. TÍTULO TM =  LXX =  Vulgata = Liber Josue. Título do livro = baseado no seu personagem principal (Josué). O livro é muito bem intitulado. Nada tem de explícito sobre o autor ou data. II. POSIÇÃO NO CÂNONE 1. Versão siríaca = Jó entre Js e Pentateuco. Acreditava-se ser Moisés o autor de Jó. 2. TM = Js logo depois do Pentateuco. 3. Teoria do Hexateuco. Alexandre Geddes  talvez tenha sido o primeiro a acrescentar Js ao Pentateuco  daí Hexateuco. Evidências contrárias:
  30. 30. a. Não há evidência histórica alguma de que Js fosse parte do Pentateuco. Torah = separada dos outros livros. b. Samaritanos ("denominação" judaica) = só Pentateuco (Pentateuco Samaritano). Não inclui Js. c. Peculiaridades lingüísticas no Pentateuco que não aparecem em Js. d. Outras evidências. Conclusão: Js pertence aos Profetas Anteriores, não ao Hexateuco! III. AUTORIA + DATA Autor = não há indicação no texto. Também não há indicação posterior na Escritura que atribua o livro a Josué. Tradição judaica = "Josué" refere-se ao autor do livro. Evidências: 1. Grande parte do livro = escrita por testemunha ocular. Ex.: envio dos espias, passagem pelo Jordão, captura de Jericó e Ai, aliança com os gibeonitas. Sugerem participação ativa do narrador. 2. Ao menos partes do livro (se não tudo) foram escritas por Josué. Ex.: 24.26 refere-se a 24.1-25. 3. Há indicações de que o livro foi escrito muito cedo. Ex.: Raabe ainda vivia (6.25); jebuseus habitavam com Israel - 18.16 (indica data pré-davídica, jebuseus expulsos no tempo de Davi - 2 Sm 5.5-9); Jerusalém = não era a capital de Israel (18.16,28 = ainda habitada pelos jebuseus e ainda não capturada por Davi). 4. Na forma atual do livro = eventos que se deram depois da morte de Josué (conquista de Hebrom por Calebe e Quiriate-Sefer por Otniel - Js l5.13-19; Jz 1.9-13); narração da morte de Js = segundo a tradição judaica, foi adicionada por Eleazar (o sacerdote). "Conclusão": - Boa parte do livro foi escrita por Js. - Há possíveis acréscimos posteriores feitos por Eleazar, Finéias (judeus = adicionou a morte de Eleazar), também Samuel (talvez). - Data = forma final --> depois de Josué. IV. PROPÓSITO Narração de como Deus trouxe a nação teocrática do deserto para a terra prometida. Josué dá continuidade ao Pentateuco e à teocracia. Relato da execução da tarefa de Josué = "dar" a terra prometida ao povo de Israel. V. ESBOÇO 1. Conquista da Cisjordânia: 1-12 2. Divisão da terra: 13-22 3. Despedida e morte de Josué: 23-24 VI. ANÁLISE Js 1-2 = Js no comando. 1.1-9 = introdução a todo o livro. Raabe = na genealogia de Cristo (Mt 1..5; Hb 11.31; Tg 2.25). Js 3-4 = Cruzamento do Jordão  formação militar, com Iahweh "encarnado" na arca! Js 6-9 = Captura de Jericó. Incidente com Ai. Estratagema dos gibeonitas. Js 10 = Derrota da liga cananita (5 reis). Milagre = sol parou!
  31. 31. 10.28ss = conquista do sul. Conquista = primeiro o sul, depois o norte. "Livro dos Justos" (10.13) = pouco se sabe. Talvez seja uma antologia dos heróis nacionais. Não há relato extra-bíblico sobre esta livro. Js 11 = Conquista do Norte. Js 13 = 13.1: "muitíssima terra para se possuir!" 13.8-21 = Transjordânia Js 14-19 = Territórios das tribos da Cisjordânia. Js 23-24 = duas alocuções de Josué: 23 = linguagem "deuteronômica", apelo contra apostasia 24 = despedida. Povo opta por servir a Iahweh. Ocupação da terra = preocupação  primeiro ocupar, depois subjugar. Ocupação não significa subjugação total do povo. Pode ter sido ocupação parcial. VI. ASPECTOS TEOLÓGICOS 1. Js é continuação natural de Dt. A aliança continua. Terra = um cumprimento da promessa de Deus na Torah. O cumprimento acontece em Cristo! Em certo sentido, vivemos no AT e esperamos a consumação, o clímax desta promessa, a eternidade! Tipologia = Josué  tipo de Cristo (mesmo nome!). "Cruzar o Jordão", "terra prometida" = tipos dos benefícios trazidos por Cristo. Também "descanso na terra". 2. Guerra Santa () Guerra santa com destruição total ordenada por Iahweh. Extermínio completo = responsabilidade de Iahweh. Para evitar contaminação. Nisto se manifesta o "escândalo da particularidade!" A conquista é história especial e única. A conquista é propósito divino! Rejeitar isto é rejeitar o livro em toda a sua dimensão teológica. O Criador livremente elegeu dar uma terra ao seu povo! Além disso, a medida da iniquidade dos habitantes daquela terra já havia passado os limites toleráveis por Deus (confere Gn 15.16 e Dt 9.4-5!). JUÍZES I. TÍTULO TM =  (); LXX = ; Vulgata = Liber Judicum (Judices) Título do livro = tem base no tipo de governo existente em Israel neste tempo. = "rei/governante" + líder carismático do momento. Pessoas revestidas com poder especial do Espírito de Deus. Conteúdo deste termo hebraico é mais amplo que o conceito forense do termo em português. Juízes  classificação: 1. Menores = Sangar, Tola, Jair, Ibsã, Elom, Abdom. Há pouca informação sobre eles. Talvez seus atos não se enquadravam nos objetivos teológicos do escritor. 2. Maiores = Otniel, Eúde, Débora (+ Baraque), Gideão, Jefté, Sansão. Há mais informações sobre estes. II. AUTORIA + DATA 1. Existe nenhuma evidência clara quanto à identidade do autor. 2. Criticismo liberal --> Jz não é unidade literária, mas compilação de fontes diversas. Originalmente foi escrito por J e E, posteriormente foi alterado pelo RJE (redator JE). Depois da queda de Jerusalém houve a edição deuteronomista (influência de D) do livro. Portanto, tal qual o temos hoje, o livro é pós-exílico. 3. Tradição judaica do Talmude (Baba Bathra 14b) = "Samuel escreveu o livro que leva o seu nome e o livro de Juízes e Rute." (Mas é preciso perguntar: até que ponto esta tradição é realmente fidedigna?)
  32. 32. 4. Evidências internas para antigüidade de Jz: a. 1.21 = Jebuseus ainda em Jerusalém (logo, livro foi editado antes de 2 Sm 5.6ss quando Davi toma Jerusalém. b. 1.29 = Cananeus em Gezer (antes de 1Rs 9.16, antes do faraó ter dado a cidade a Salomão). c. 3.3 = Sidom é a principal cidade fenícia (não Tiro que começou a sobrepujar Sidom pouco antes do XI a.C.). Conclusão = talvez o livro tenha sido compilado no início da monarquia (ou um pouco antes) – por volta do ano 1.000 a.C. Mas isto é conjectura. >é difícil algo definido. III. PROPÓSITO História cheia de problemas do povo de Deus no período pós-conquista. Foi tudo, menos um período tranqüilo. "Cada um fazia o que achava mais reto!" (Jz 21.25). Os fracassos preparam o caminho para a monarquia. Extensão histórica = desde a morte de Josué até o surgimento de Samuel como profeta de Deus. Neste período consolidou-se a posse da terra, e o extermínio dos cananeus não aconteceu. Afastamento de Iahweh = Israel era entregue aos inimigos. Quando havia arrependimento = Deus levantava "libertadores". Alternância: apostasia do povo, opressão sob inimigo, arrependimento do povo, libertação por um juiz. Toda esta situação preparou o caminho para a instituição da profecia. IV. CRONOLOGIA A cronologia de Jz apresenta dificuldades. Para críticos é evidência da "errância" da Escritura. Segundo o AT, o total de anos do período dos Jz é de 410 anos! É um número alto! O êxodo se deu no XV a.C., e o início da monarquia aconteceu no XI a.C. = fazendo as contas, dá um intervalo de 4 séculos. Ora, se o período de Jz durou 410 anos, onde está o espaço para os outros eventos, tais como a caminhada pelo deserto, a conquista, etc.? Conforme 1Rs 6.1, 480 anos se passaram entre o êxodo e o início do reinado de Salomão. Tirando 410 anos (Jz) dos 480 ali mencionados, sobra 70 anos, o que é pouco para todos os outros episódios. Como explicar isto? Propostas para solução: 1. Períodos de co-regência. Alguns dos juízes foram contemporâneos. A maioria (se não todos) governaram sobre partes da terra no mesmo (ou em parte do mesmo) período. Jz 10.7 = Israel sob os filisteus e Amon simultaneamente (Jefté e Sansão). 2. Texto apresenta interesse sermônico e pedagógico. Enfoca a fragilidade da fé, a prioridade da educação cristã. Jz = não cita data global para todo o período. V. ESBOÇO 1. Introdução: 1.1-2.5 2. História dos juízes: 2.6-16.31 3. Apêndice: 17-21 VI. ANÁLISE Jz 1 = Introdução. Conquistas. Jz 2 = Retrospecto e prospecto "deuteronomístico"  coloca a base teológica para a correta leitura do que segue. 2.1-5 = manifestação do Anjo do Senhor. 2.10ss = estrutura da maioria dos episódios: a. apostasia (vv. 11-13) b. punição divina (v. 14-15) c. arrependimento (v. 18)
  33. 33. d. compaixão de Deus e salvação (vv. 16-18) Jz 3.7-11 = Otniel (de Judá). Povo sob Cusã-Risataim, da Mesopotâmia (não identificado). Jz 3.12-30 = Eúde (de Benjamim). Canhoto. Povo sob Eglom (de Moabe). Jz 3.31 = Sangar. Jz 4-5 = Débora (de Efraim) e Baraque (de Naftali). 4.4 = Débora era profetiza e juíza. Israel estava sob Jabim, que reinava em Hasor. Jz 4 e 5 = dois relatos paralelos, em prosa e verso, semelhante ao paralelismo de Êx 14 e 15. Jz 5 = "Cântico de Débora", o mais antigo (ou o segundo mais antigo) texto do AT. (O outro é Êx 15.) Jz 6-9 = Gideão (de Manassés) e Abimeleque (seu filho). Povo sob os midianitas. Nome "duplo" = Gideão e Jerubaal. Jz 9.7ss = apólogo de Jotão, um dos mais belos discursos do AT. Jz 10.1-2 = Tola (de Issacar). Jz 10.3-5 = Jair (de Gileade). Jz 10.6-12.7 = Jefté (de Gileade). Povo sob os amonitas, um novo poder na Trasnjordânia norte. 11.34ss = Jefté sacrificou sua filha? É uma antiga crux theologorum! Jz 12.8-15 = Ibsã (Zebulom) - vv. 8-10 Elom (Zebulom) - vv. 11-12 Abdom (Efraim) - vv. 13-15 Jz 13-16 = Sansão (Dã). Nazireu. Movido pelo Espírito de Iahweh. Fraqueza fatal por mulheres. Poder divino em Jz culminou em Sansão. Caráter fraco. Simul justus et peccator! Jz 17-21 = Apêndices. Não têm a estrutura e comentário "deuteronomísticos" dos outros episódios. 17-18 = Mica faz um ídolo, contrata levita de Judá ser o seu sacerdote. Os de Dã lá chegam, há a previsão de vitória, oferta melhor para o sacerdote (18.19ss), ele vai com os danitas. 19-21 = Concubina do levita é forçada é Gibeá (Benjamim). Guerra = Benjamim é dizimado. Juramento = não dar as filhas em casamento aos da tribo de Benjamim. Mulheres para estes: as de Jabes-Gileade (21.14), e rapto nas solenidades de Silo. Último versículo de Jz = caracterização precisa da situação: "Naqueles dias não havia rei em Israel: cada um fazia o que achava mais reto!" (21.25). VII. ASPECTOS TEOLÓGICOS 1. Livro organizado ao redor de uma estrutura "deuteronomística", objetivos sermônicos, pedagógicos. Episódios concretos de como se vive (ou se quebra) em aliança com Iahweh. 2. Em última análise  enfoque no nosso relacionamento com Deus e sua aliança. Cristo é o final ("juiz/libertador"). de Deus ("decisão legal", conceito forense) é oferecido pelo de Deus (Cristo). Cristo como: – função de "libertador, salvador: primeira vinda. – função de "juiz": segunda vinda. S AMUEL I. TÍTULO TM =  Samuel é o principal personagem que ungiu dois outros personagens também importantes  Saul e Davi. Originalmente na TM, 1 e 2 Sm eram considerados um só livro. LXX = dividiu o livro (Sm) em dois   e  Desta forma, na LXX, estes ficaram sendo o "Primeiro e o Segundo Livro dos Reinos". 1 e 2Rs, por sua vez, ficaram sendo o "Terceiro e Quarto Livro dos Reinos". A Vulgata seguiu a LXX na divisão dos livros. O livro de Sm da TM ficou sendo 1 e 2 Sm na Vulg. E Rs (TM) ficou sendo 1 e 2Rs na Vulgata. Bíblia Hebraica = divisão de Sm e Rs em 2 livros cada a partir da edição da BH de Daniel Bomberg (Veneza, 1516-17).
  34. 34. II. ESBOÇO 1. 1 Sm 1-7 = Samuel 2. 1 Sm 8-15 = Samuel + Saul 3. 1 Sm 16-31 = Saul + Davi 4. 2 Sm 1-8 = Triunfo de Davi sobre a casa de Saul 5. 2 Sm 9-20 = "História da Corte" (Davi) 6. 2 Sm 21-24 = Apêndices III. PROPÓSITO Registrar a fundação da monarquia hebraica. Inclui as carreiras de Samuel, Saul e Davi. Samuel = era juiz (1 Sm 7.6,15-17) e profeta (1 Sm 3.20). Samuel faz a ligação entre o período dos juízes e o início da monarquia. Houve duplo preparo para o reinado: 1. Período dos juízes = confusão e desorientação. Jz 21.25 = característico de todo o período. 2. Necessidade de um bom rei. Séria ameaça dos filisteus. IV. AUTORIA + DATA Situação similar a Js e Jz. A tradição judaica (Baba Bathra 14b) é do parecer que a primeira parte do livro foi escrita por Samuel, e o restante pelos profetas Gade e Natan. Porém fica a pergunta: até que ponto esta tradição é confiável? 1. Sm deve ter escrito ao menos parte do livro (1 Sm 10.25). Mas certamente não escreveu tudo. Sua morte (Sm) é relatada em 1 Sm 25.1 e 28.3. Há também a narrativa de fatos que se passaram após a morte de Sm. 2. 1Sm 27.6 = aparentemente divisão da monarquia já começara quando este texto foi redigido. Consequentemente a forma final do texto não se completou antes da divisão dos dois reinos. 3. O autor (ou autores) nada parece saber a respeito da queda da Samaria. Logo é razoável datar o livro antes deste evento. 4. Conservadores datam o livro entre 930 a.C. (outros em 922, data do início da monarquia dividida) e 722 a.C. (queda de Samaria e Reino do Norte). 5. Compilador usou fontes escritas anteriormente existentes. 1 Cr 29.29 = menção explícita das "crônicas" de Samuel, Natã e Gade. 2 Sm 1.18 = "Livro dos Justos"  é também uma destas fontes? 6. 2Sm 9-20 = Hipótese para a "História da Corte" - unidade e homogeneidade deste bloco se destacam. V. CRÍTICA TEXTUAL Em termos de qualidade textual, o hebraico de Sm é o texto mais pobremente preservado dentre os livros históricos do AT. Há problemas textuais. 1. 1Sm 13.1 = falta o número antes da palavra "anos". 2. 1Sm 17 = Davi matou Golias! Porém em 2Sm 21.19 = Elanã matou Golias! Críticos = erro da Bíblia! Mas melhor explicação em 1Cr 20.5 = Elanã feriu o irmão de Golias. Parece haver corrupção no texto de 2Sm 21.19. VI. ANÁLISE
  35. 35. 1Samuel  A figura de Sm domina a primeira metade do livro. Nascimento e crescimento de Sm sob Eli. Rolos do Mar Morto (Qumran) parecem confirmar explicitamente a suspeita de que Sm tenha sido dedicado por sua mãe como um nazireu. 1 Sm 2.1-10 = Cântico de Ana = protótipo e par do Magnificat. Exemplo de gratidão individual. 1 Sm 2.27ss = perversão da família de Eli. 1 Sm 4-6 = Batalha de Afeque/Ebenézer  arca é tomada. Dagon cai sobre sua face, filisteus com tumores,... 1 Sm 7 = Atuação decisiva de Sm. Grande reavivamento religioso Reversão com relação aos filisteus. 1 Sm 8 = Pedido de um rei. 1 Sm 9 = Saul entra em cena. Procura as jumentas do pai. Profetiza. 1 Sm 10 = Saul é ungido privadamente e escolhido publicamente por sortes. 1 Sm 12 = Despedida "deuteronômica" de Sm como juiz. Significância de Samuel Sm = às portas da maior transição política e teológica de Israel (da teocracia à monarquia). Sm também foi o último e maior dos juízes. Presumivelmente também era sacerdote  no conflito com Saul, só ele podia sacrificar (1 Sm 13.13). Em muitos sentidos, também foi o primeiro dos grandes profetas de Israel (At 13.20). Conclusão = Sm é um verdadeiro "segundo Moisés", representando virtualmente todos os ofícios em Israel como nenhum outro tinha feito desde Moisés. Jr 15.1 menciona Moisés e Samuel como os grandes mediadores e intercessores por Israel. Assim sendo, Sm antecipa Elias e Cristo! 1 Sm 13.1 = Corrupção no texto. Falta um número. Alguns = tradução literal  "Saul tinha trinta (conforme alguns manuscritos da LXX) anos quando tornou-se rei, e reinou quarenta (a partir de At 13.21) e dois anos sobre Israel". 1 Sm 14 = Comportamento estranho de Saul. Torna-se cada vez pior. (Suspeita = seria ele portador de algum distúrbio mental?) 1 Sm 15 = Saul desobedece às leis do  na batalha contra os amalequitas. Apenas à luz disto entende-se que Sm despedaçou o rei Agague (15.33). 1 Sm 16 = Davi é ungido secretamente. 1 Sm 17 = Davi x Golias. (Dificuldades com 2 Sm 21.19.) 1 Sm 19 = Davi torna-se fugitivo e "guerrilheiro". Episódios de Davi no "exílio". 1 Sm 31 = Batalha final de Saul. Suicídio. Gilboa. 2 Samuel 2 Sm 1-8 = Elegia por Saul e Jônatas. Fonte: "Livro dos Justos (também Js 10.13). Davi estabelece capital em Hebrom. Abner (poder atrás do trono) = faz Isbosete rei de Israel (em Maanaim, longe dos filisteus). 2 = "Luta de gladiadores" no poço de Gibeom. 3 = Abner morto por Joabe. 4 = Isbosete, sem Abner, é morto. 5 = Davi: rei em todo Israel. Conquista de Jerusalém = neutralidade, idealmente localizada na fronteira N-S. 7.12-17 = promessa messiânica  oráculo messiânico chave do AT (no sentido estrito, real do termo). Esta promessa é cumprida escatologicamente em Cristo, Hb 1.5. 8 = Vitórias de Davi por todos os lados. "Império" que alcança o Rio Eufrates! 2 Sm 9-20 - "História da Sucessão da Corte Real" Unidade que revela conhecimento detalhado, até íntimo de acontecimentos privados  talvez escrito por alguém que foi testemunha ocular ou mesmo participante nos eventos. Candidatos à autoria = Aimaás, filho de Zadoque (em geral, é o favorito); também Abiatar, ou o seu filho Jonatan. Pensa-se que continua em 2Rs 2, exceto pelas interpolações de 2 Sm 21-24 2 Sm 21-24  6 apêndices: 1. 21.1-14 = Fome 2. 21.15-22 = Miscelânea 3. 22 = Salmo de gratidão, virtualmente igual ao Sl 18. 4. 23.1-7 = >últimas palavras de Davi (uma espécie de "testamento").
  36. 36. 5. 23.8-39 = Guerreiros de Davi. (Falta Joabe!) 6. 24 = Censo. Aparentemente, o orgulho de Davi no auge do seu reinado provoca a ira de Deus. Apêndices = interrompem o fluxo do pensamento. Segundo alguns, possivelmente foram inseridos nesta posição após forma final de Sm e Rs. VII. OBSERVAÇÕES 1. 1 e 2 Sm = historiografia profética. Prima pelo estilo vívido e pela disposição clara dos assuntos. Dados biográficos = são convincentes. 2. Há muitas referências a episódios de 1 e 2 Sm. Exs.: Cristo em Mt 12.3 (= 1 Sm 21.6), Paulo em At 13.20-22. REIS I. TÍTULO TM =  Na TM os 2 livros de Rs eram originalmente um só volume (assim como Sm). LXX =  e  (3º e 4º Livros dos Reinos) Vulgata = Liber Regum Tertius et Quartus. II. PROPÓSITO Relatar a história da teocracia até seu final no exílio babilônico. O relato vai desde as últimas palavras de Davi até o cativeiro. Reis de Judá = julgados (medidos) pela promessa de 2Sm 7.12-16. Reis de Israel = condenados por terem continuado no pecado de Jeroboão, filho de Nebate (o primeiro que descentralizou o centro de adoração para o Norte4 ). Grande ênfase nos ministérios de Elias e Eliseu = ligação entre o período anterior e o profetismo. Reino de Judá5 = particular ênfase sobre os reis fiéis ao padrão davídico. Condenação  quando necessária. Claro, exílio é castigo divino! III. DATA + AUTORIA 1. Talmude = atribui a Jeremias. Baba Bathraa 15 = "Jeremias escreveu o seu próprio livro, o livro de Reis, e Lamentações". Esta tradição é muito atraente. Há muita semelhança entre o livro do profeta Jeremias e Reis. 2. Data: a. limite anterior = 562 a.C. (libertação do rei Joaquim, 2Rs 25.27). b. limite posterior = 539 a.C. (queda da Babilônia, não há alusão). 3. Fontes: autor  menção e uso de fontes escritas anteriores: a. "Livro da História de Salomão" - 1Rs 11.41. b. "Livro da História dos Reis de Judá" - 1Rs 14.29; 15.7,23; etc. (um total de 15 menções). c. "Livro da História dos Reis de Israel" - 1Rs 14.19; 15.31; etc. (17 menções). Talvez estes "livros" fossem os arquivos e anais oficiais do reino. Talvez houvesse mais fontes à disposição. IV. ESBOÇO 4 Israel, que foi levada, pelos assírios, em cativeiro em 722 a.C. 5 Reino do Sul, que foi levado ao cativeiro babilônico em 587 a.C.

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