Autobiografia

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Autobiografia

  1. 1. AutobiografiaManuel JorgeCurso EFAIdentidadePreciso ser um outropara ser eu mesmoSou grão de rochaSou o vento que a desgastaSou pólen sem insectoSou areia sustentandoo sexo das árvoresExisto onde me desconheçoaguardando pelo meu passadoansiando a esperança do futuroNo mundo que combato morrono mundo por que luto nasçoMia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros PoemasESS-S Escola Secundária de Sampaio – SesimbraINTRODUÇÃO Moçambique, considerada terra da boa gente, situa-se na zona austral ena costa oriental de África. Com uma supefície de 799.380 quilómetrosquadrados, faz fronteira a norte com a Tanzania, a ocidente com o Malawi,Zambia, Zimbabwe e África do Sul, e a Sul com a Swazilandia e a África doSul. A sua faixa costeira, é banhada pelo oceano Índico, numa extensão de2.515 quilómetros. José Jorge, cidadão português, nascido em Portugal Continental,deslocado para a colónia de Moçambique em 1944, casou-se com VirigíniaJorge, nascida e criada nesta Província Ultramarina, onde se uniram peloSanto Sacramento do matrimónio. Anos depois e já com dois filhos, resolveu o casal, após entendimentoconjugal, continuar a procriação, dando a minha mãe à luz ao terceiro filho,baptizado com o nome de Manuel Jorge, às 13,00 horas do dia 10/05/1965,na Missão do Lifidzi, mais ou menos um ano após o início da luta delibertação nacional levada a cabo pela Frelimo – Frente de Libertação de
  2. 2. Moçambique, que teve uma duração de sensivelmente 10 anos e a qualculminou com a independência de Moçambique em 1975, formando-seassim o primeiro governo pós colonialismo, com um programa de trabalhoorientado para a construção de uma sociedade pro-socialista. Deixo reflectido em síntese neste portfolio parte da minha caminhadapela viagem da vida, nomeadamente algumas etapas da infância, daadolescência e enquanto adulto; o que aprendi, o que descobri, o que senti eo que vivenciei. Parte do aqui escrevo tem por objectivo responder às exigências doprograma a que me submeti para a aquisição de novas aprendizagens, o queficará reflectido a partir do final desta introdução. 1- A MINHA INFÂNCIA Até 1970, vivi num recanto que considero paradisíaco, maisprecisamente Vila Velha de Ulongué, vila esta situada no distrito deAngónia, uma localidade pacata a Noroeste de Moçambique, maisprecisamente na província de Tete (antigo distrito; visto Moçambique seruma Província Ultramarina). Caracterizada por um microclima, encontramo-nos na zona maisocidental de Moçambique, muito verdejante e onde tudo o que se cultivavadava os seus frutos. Campos enormes de longo verdejante, espairecendo atéaos sopés das montanhas que envolviam a vila como se fosse um abraço damãe natureza. Por motivos logísticos, e como o meu pai era veterinário e tinha que sedeslocar frequentemente por várias zonas da província (distrito), quando fizos meus seis anos, fui morar para a Vila Nova, capital de distrito, que selocalizava sensivelmente a 10km da vila onde nasci, distância estapercorrida por caminhos ermos, rodeados por florestas de árvores enormes,onde nas suas copas se podiam observar algumas das mais belas criaturas danatureza, nomeadamante babuinos, primatas da família dos símios. Desta fase da minha infância, recordo-me das várias vezes que medeslocava, junto dos meus pais e de um de meus irmãos (o do meio), àsquintas circundantes, onde se podiam observar as suas belas terras, umas
  3. 3. cultivadas outras de pasto e onde também se podiam observar algumasmanadas de gado bovino que pastavam nesses prados. Era lindo! Acompanhava também muitas vezes o meu pai quando ele se deslocavapara os tanques que existiam na zona, para os chamados banhos carracícidasdo gado bovino. Recordo-me das vezes que ficava com ele a contabilizar onúmero de animais existentes nas variadas manadas. Aqui aprendi osprimeiros números, enquanto em conjunto com o meu pai contava os queperfilavam por entre dois muros que os encaminhavam para o respectivotanque de banhos. Em 1971, chegada a hora da entrada para o ensino primário, os meuspais matricularam-me na escola primária de Vila Nova, onde frequentei apré-primária. 1972, a primeira das mudanças radicais na minha vida, pois fui morarpara a capital do distrito, cidade de Tete, onde continuei os meus estudos atéao liceu e onde conclui o Curso Geral dos Liceus, o actual 9º ano. 2- A MINHA ADOLESCÊNCIA Enquanto Ser, amigo da natureza e também aliado à curiosidade, váriosfactores fizeram com que despertasse um indicador de que mais tarde seria aminha directriz para um sonho que nunca se tornou realidade, pois o voo dascegonhas pelos céus em redor da minha casa, ainda quando morava na VilaVelha, “aguçavam-me o apetite” para algo que na altura me era de tododesconhecido, o ser um dia piloto de linha aérea. Enquanto aluno primário, fui adquirindo conhecimentos, naturalmentevirados para o ensino regular e pouco mais se fazia senão estudar, brincar ealgumas saidas para aqui e acolá, sempre na companhia dos meus pais. Entretanto, o tempo foi passando e eis que chega a altura da entrada noliceu, transição que coincide precisamente com o fim da ocupação colonialde que eu na altura não fazia ideia do que era. Até à data e tudo o que tinhaaprendido era de que Moçambique seria uma Província Ultramarina dePortugal. 1975, é declarada a independência de Moçambique, o que foi de factouma enorme confusão para mim, pois ouvia falar de terroristas, demalandros que andavam pelas matas e que, de vez em quando, atacavam osbrancos que viviam em propriedades nas zonas mais remotas da provínica,
  4. 4. longe das cidades capitais, e que eram vítimas da barbariedade criminal, oque para mim não fazia sentido, pois até à independência nunca haviasofrido nenhum “encontro imediato” com quem quer seja que lutava pelaocupação colonial; ironia do destino. Com o desenrolar dos tempos e, com a entrada do novo governo,criaram-se novas estruturas de ensino, assente numa ideologia pro-socialista. Fui adquirindo novos conhecimentos sobre a realidade da colonização.Começo por perceber, de facto, o que era o passado e o que seria o presente,restando-me por descobrir o futuro. Entretanto, nos tempos disponíveis e principalmente nas férias, o meupai, pessoalmente muito conhecido de várias entidades, não sógovernamentais, como mesmo a nível social, por exemplo peloscomerciantes da cidade, preocupava-se em arranjar, sempre que possível,uma ocupação para os filhos nas épocas de interrupção das aulas. Umasvezes lá ia eu para uma oficina reparadora de automóveis, outras deelectrodmésticos, outras ainda para oficinas de reparação de rádios, onde,em todas estas áreas, pude adquirir novos conhecimentos e aprendizagens. Nos meus tempos de ócio, fazia caminhadas com os meus amigos daaltura pelas matas e montanhas circundantes, andávamos nós felizes econtentes, pois podíamos assim passar bons momentos de contacto com afauna e flora existente nessas zonas. As épocas das férias grandes (o período de férias maior do ano) eramgeralmente preenchidas com viagens e também visitas de estudo, não pelaescola, mas sim a título particular, pois, o meu pai era o meu guia e levava-me a conhecer cidades e localidades que me eram desconhecidas até então,tendo assim oportunidade de ficar a conhecer um dos maiores ex-líbris daengenharia portuguesa em Moçambique e para o mundo, a barragem deCahora Bassa. Por vezes, também fazíamos férias nos países vizinhos como o Malawi eZimbabwe. Eis então chegados a 1976, ano em que surgem os primeiros indícios dedesestabilização pós-independência em Moçambique, cujo desenvolvimentoatinge a forma de uma guerra civil alargada a todo o país, sobretudo nadécada de 80, opondo a FRELIMO – Frente de Libertação de Moçambique ea RENAMO - Resistência Nacional de Moçambique. A desestabilização
  5. 5. provocada por estes conflitos internos é agravada por agressões militaresque a Rodésia (país vizinho) faz a Moçambique, tendo como justificação oapoio que o governo Moçambicano dava aos guerrilheiros que lutavamcontra a ocupação branca. É de se considerar este tipo de referência visto aRodésia nesta altura já não ser colónia britânica, apesar do domíniogovernamental continuar a ser maioritariamente branco, pois era governadopor um nacionalista de nome Douglas Ian Smith, primeiro-ministro, quehouvera declarado nem relação à coroa britânica unilateralmente aindependência em 11 de Novembro de 1965 ficando no governo até 1 deJunho de 1979, data da segunda independência, declarada pelosconsiderados os verdadeiros nacionalistas. Neste interregno, o meu irmão do meio completava os 18 anos de idade,o que se tornou um caso sério para a estabilidade emocional da minhafamília, tendo os meus pais que envia-lo para Portugal, visto o mesmo andara ser seguido pelas autoridades locais no sentido de o alistar nas forçasarmadas de Moçambique para posteriormente ser enviado para o combateque se desenrolava entre as tropas governamentais e a RENAMO. Apenas em 1992, com a assinatura do ‘Acordo Geral de Paz’ entre aFRELIMO e a RENAMO, cessam as hostilidades e inicia-se um processo dereconciliação. Apesar deste “clima” de destabilização, lá se ia vivendo com mais oumenos receio de que algo de mal nos pudesse acontecer. Em 1984 desloco-me mais a minha família definitivamente paraPortugal. Esta mudança é um novo traçado na caminhada da minha vida. Novasaventuras e novas aprendizagens, voltam a cruzar-se no meu percurso devida. 3- A MINHA VIDA ADULTA Em Portugal, sinto-me deslocado no tempo e no espaço, apesar de que,de quando em vez, eu visitado o mesmo em épocas de férias, mas pesavaaqui o facto das minhas raízes se encontrarem a milhares de quilómetros. Um dos meus objectivos foi sempre o de continuar os estudos, mas arealidade da vida assim não o permitiu.
  6. 6. Com o meu pai já com alguma idade, aposentado e ainda com dois filhospara apoiar no seu crescimento como Homens, a vida torna-se um poucocomplicada para ele, pois era o único com rendimentos sustentáveis e sobreo qual pesava a responsabilidade do sustento da família, composta por umagregado de quatro elementos. Com o sentido de responsabilidade apurado tive que arregaçar asmangas e tentar entrar para o mercado de trabalho com o objectivo e espíritode entreajuda, o que consegui com alguma facilidade; mais uma vez valeramos conhecimentos do meu pai. Vindo eu de África e já com alguns conhecimentos de mecânica autoadquiridos na época de férias, consigo emprego num concessionárioautomóvel com a designação de Auto Monumental do Areeiro, onde fico atrabalhar no departamento de Tuneup (preparação e afinação de veículos decompetição) durante aproximadamente dois anos e meio, altura em que souchamado para o cumprimento do Serviço Militar Obrigatório - finais de1987. Faço a recruta em Elvas onde em simultâneo e através do exército tiro acarta de pesados com reboque, o que era uma mais-valia para mim, poisdava muito valor a tudo o que conseguia obter e considerava-o como umtroféu pelo esforço e empenho dedicado. Depois de terminada a recruta, sou transferido para Santa Margarida,onde sita o Agrupamento Base, o maior centro de aquartelamentos do país.Sou destacado para a 1ª BMI (Brigada Mista Independente), onde cumpro18 meses de serviço militar e de onde saio com o devido reconhecimentopelos meus préstimos como militar, pela ordem e disciplina, juntando assimao meu curriculum um diploma de louvor (um dos quatro militarespremiados de entre os 400 do batalhão). Estamos no primeiro trimestre de 1989, mais uma página passada, novosdesafios se advinham. Depois do cumprimento do serviço militar, eis que torno ao mercado detrabalho, e como já possuía licença de condução para pesados com reboque,e enquanto estava à espera de ser chamado para um concessionário Citroen,empresa para a qual concorri para o lugar de recepcionista, consigo empregotemporário numa empresa de distribuição de combustível em bombas deabastecimento para automóveis. Permaneço dois/três meses. Aqui, adquiro
  7. 7. novos conhecimentos de formas e técnicas para o abastecimento, inclusiveregras de segurança para o procedimento de descarga. Próximo do terceiro trimestre do ano de 1998, eis que sou chamado pelaempresa concessionária de automóveis da marca Citroen, para a qualconcorri, onde sou admitido e aí permaneço sensivelmente 10 anos. Faço pela empresa várias formações, como a de recepcionista e maistarde a de escriturário, tempos que me ficaram na memória gravados comouma fase positiva da minha vida. Eis que quando estou no “auge” digamos assim, de uma vida estável,começa a manifestar-se, entretanto, a patologia de padeço (neuro-muscular),e que me vai marcando ao longo dos tempos através de alguma mobilidadereduzida. Em 1999, nova reviravolta; a firma onde trabalho declara insolvência,tendo eu que regressar ao mercado de emprego. Desta feita e ponderando jáum certo grau de incapacidade que possuía, e também no meu futuro,consigo emprego numa clínica de diagnóstico como escriturário, da qualfaço parte dos quadros efectivos. Entretanto, com o agravar da minha situação de saúde e visto ter iniciadoum processo de baixa por incapacidade temporária, eis que traço um novoobjectivo, o de continuar os estudos e para já, tendo como meta a conclusãodo 12º ano, com a complementaridade de um curso técnico, podendo assimpreencher com este feito mais uma página e um capítulo do livro da minhavida. 14 de Setembro de 2009, o virar da página para o início do tão desejadodestino. Matriculado na ESS (Escola Secundária de Sampaio) em Sesimbra, eis-me na presença de mais uma aventura para um somatório de novosconhecimentos e aprendizagens…

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