As tres virtudes (devocionais) elbem cesar

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As tres virtudes (devocionais) elbem cesar

  1. 1. © Elbem César Todos os direitos reservados ao autor CÉSAR, Elbem. As três virtudes: fé, esperança e amor. Brasília: Edição do autor, 2011. Coleção Devocionais. v. 1. 125p.
  2. 2. 1. Cristianismo. 2. Pensamento cristão. 3. Bíblia sagrada. 4. Devocionais. ISBN n. 978-85-88401-75-4 3/171
  3. 3. Em memória do meu querido irmão, Gesley Nogueira Amaral, cujo exemplo de autenti-cidade, coerência, integridade e lealdade in-spirou cada parte deste livro.
  4. 4. Prefácio Em agosto de 2010, minha vida mudou completamente. Naquela data, eu fui abalado por um grande terremoto interior: Deus ceifou a vida de meu amado irmão, com 42 anos. A morte dele foi uma tragédia enorme. Chegou a comover a imprensa e boa parte da sociedade brasiliense. Ele foi cruelmente assassinado por um assaltante dentro de sua própria casa, no momento em que estava só, sem poder con-tar com nenhuma ajuda humana. Ele deixou órfãos três filhos menores: o Lucas, o Tiago e o Davi. Minha cunhada Esther, heroica-mente e com a grande assistência do bom Deus, mantém o lar devidamente estru-turado. O Lucas, 17 anos, assumiu as funções do pai e ainda teve a proeza de continuar os estudos e lograr êxito no teste de vestibular da UnB.
  5. 5. 6/171 Para Deus, esse episódio é insignific-ante. É insignificante porque a morte física, para Ele, significa a chamada do espírito para mais perto de Si. Ele tem até prazer na morte do justo. O que importa bastante para o Soberano – e isso O entristece demais – é saber que algum ser humano, seja ele quem for, escolheu passar pela segunda morte – a morte da alma. Esta sim significa separação eterna da Sua presença. E, pela segunda morte, meu irmão não passará, pois ele era um homem temente a Deus, seguidor de Je-sus Cristo, íntegro, honesto e trabalhador! Porém, isso trouxe a mim e aos meus familiares grande e momentânea tristeza. Os gregos diziam que a tristeza servia para puri-ficar e edificar, e trazia à luz os verdadeiros motivos e os verdadeiros valores. Graças a Deus, que nos faz passar por algumas provas e sofrimentos, para fazer brotar a doçura e o que há de melhor em nós.
  6. 6. É como se uma mão gigantesca es-premesse um favo fazendo o mel sair. Como Moisés, quando bateu na rocha: isso feriu a rocha; mas, dela, brotou água! Como uma linda flor apertada e esmagada; mas, dela, sai o perfume! Como a linda música que sai da garganta do pássaro: quase parece que ele está sofrendo, mas o que sai é uma canção. Nós aprendemos muito por meio da tristeza, e algumas das lições mais preciosas que o Senhor nos ensina vêm de experiências di-fíceis e penosas. Ele me dá alegria para a minha tristeza. Dá-me amor que afasta o temor. Ele me dá o sol na escuridão e beleza por cinzas, meu irmão! Oh! Alegria que me buscas no sofrimento, abro a Ti o meu coração. Vejo o arco-íris na chuva e, no vento, e na promessa, encontro alento, que amanhã as lágrimas cessarão. 7/171
  7. 7. 8/171 Apesar de todo esse acontecimento, fora, ao meu redor, eu posso ter paz aqui dentro, no meu coração, com o Príncipe da Paz: Jesus. Jesus nunca dorme! Ele está sempre vigiando. Ele sabe quantos (poucos) fios de cabelo eu tenho! Tudo está nas mãos d’Ele. Ele guarda a minha alma na fenda da Rocha, que dá sombra a uma terra de sequidão. Ele me guarda nas profundezas do Seu amor e, ali, me protege com a Sua mão! O Senhor pode me proteger, não im-porta onde eu esteja! E, se Ele decidir que acha melhor me levar para Casa, para o Céu, em vez de cuidar de mim, então, de um jeito ou de outro, eu saio ganhando! “Porque a nossa vida está escondida com Cristo, em
  8. 8. Deus, e Tu conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firme em Ti porque ele confia em Ti.” (Col.3:3; Is. 26:3) É Ele quem me dá paz nesse mo-mento tão difícil pelo qual ainda estou pas-sando. É Ele que me ajuda. N’Ele está a minha confiança. Eu preciso confiar n’Ele, em Jesus, que é o alicerce mais firme no mundo! Seguro nos braços de Jesus, Seguro no Seu peito manso! Ali sinto feliz! Ali encontro descanso! Algumas das páginas seguintes, quando estavam sendo escritas, receberam o toque de algumas gotículas de lágrimas. Nelas, foram talhadas algumas das minhas reflexões sobre o poderio de Deus, criador dos céus e da Terra, que está no controle de todas as coisas, apesar de o mundo dissolver-se sob a regência do maligno. 9/171
  9. 9. 10/171 Esses escritos são frutos de uma mudança radical que vem ocorrendo paulati-namente em meu ser. Sob a inspiração de Deus, o verdadeiro autor de cada parágrafo, eu os escrevi pensando que eu mesmo os devo ler e reler, todos os dias, não somente eu, mas principalmente minha esposa, meus filhos, minha mãe, meu pai e meus irmãos e, claro, os meus amigos leitores, aos quais eu desejo que sejam também grandemente abençoados por Deus. Acordo para a verdadeira vida. Per-cebo que nada de material nesse mundo faz sentido se não tivermos em mente o ver-dadeiro propósito da vida, escrito claramente na Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. Agora, quando se aproximam os meus cinquenta anos, noto que, se o meu objetivo enquanto aqui no meio dos viventes não for glorificar o nome de Jesus Cristo, para que sirvo eu? Portanto, querido leitor, desejo a vo-cê uma excelente leitura e que o Espírito
  10. 10. 11/171 Santo possa iluminá-lo com cada palavra, frase e parágrafo desse livro. Que Deus o abençoe!
  11. 11. Introdução “Agora, pois, permanecem as virtudes da fé, da esperança e do amor. Estas três, mas a maior destas é o amor.” (1 Coríntios 13:13) As virtudes básicas de um ser humano bem preparado espiritualmente são claramente identificadas pelo mais atuante Apóstolo evangélico que a era cristã já presenciou. Em sua carta dirigida aos coríntios, Paulo desafiou os seus leitores a entenderem como funcionam as virtudes espirituais. No primeiro século, Corinto era a capital da Acaia, situada no sul da Grécia. Por causa da sua posição perto do istmo que ligava duas partes da Grécia, era uma cidade de im-portância comercial, cultural e religiosa.
  12. 12. 13/171 Os coríntios não haviam entendido ainda como deveriam funcionar essas vir-tudes. Por isso, Paulo escreveu-lhes para cor-rigir os equívocos. Em Cristo, o teste de cada virtude é a mensagem que ela inspira seu possuidor a afirmar. Uma vez que todas as diversas vir-tudes espirituais têm uma mesma fonte – o Espírito Santo –, não deveria haver rivalid-ade, ciúme ou comparação jactanciosa entre as pessoas. Uma virtude, em uma pessoa, completa a virtude de outrem. Assim, as pessoas se complementam, formando um corpo virtuoso. Espiritualmente, cada grupo de pess-oas, e suas virtudes, representa uma parte do corpo de Cristo. Todas as pessoas são igual-mente necessárias para o perfeito funciona-mento desse corpo. Assim, os membros não deveriam sentir-se inferiores ou superiores a outros membros porque Deus pôs cada um
  13. 13. 14/171 no corpo onde lhe agradou e deu a cada um as capacidades que Ele quis. A Carta de Paulo nos ensina hoje que todas as virtudes espirituais vêm de Deus. Assim, não devemos ser arrogantes ao possuí-las. Não fomos nós que as adquiri-mos. Também ensina a Carta que cada mem-bro deve ser valorizado e todos devem pensar, não de maneiras iguais, mas como um só corpo. Afinal, um só é a cabeça: Jesus Cristo. Não obstante o ser humano possa possuir várias virtudes, Paulo, ao terminar seu capítulo clássico sobre o amor, concluiu que três delas são básicas: a fé, a esperança e o amor. Disse Paulo: “Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas pa-lavras seriam como o som de um gongo ou como o barulho de um sino. Poderia ter o
  14. 14. 15/171 dom de anunciar mensagens de Deus, ter to-do o conhecimento, entender todos os segre-dos e ter tanta fé, que até poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada. Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada... Agora, o meu conhecimento é imperfeito, mas depois conhecerei perfeitamente [esse mistério], as-sim como sou conhecido por Deus. Portanto, agora existem estas três coisas: a fé, a esper-ança e o amor. Porém a maior delas é o amor.” O amor, além de básico, é a maior de todas as virtudes. É básico porque vivifica. E, se vivifica, então ele é tudo, porque sem vida o corpo não pode existir para abrigar outras virtudes. A virtude do amor afirma vida porque, quando uma pess-oa se sente amada, mesmo que esteja quase morta, ela se rejuvenesce. O amor é capaz de
  15. 15. ressuscitar qualquer indivíduo da morte mental, afetiva e espiritual. A esperança é básica porque renova a vida. Se o amor dá vida ao corpo, que, por sua vez, abriga a esperança, então o corpo cheio do amor tem suas forças renovadas pela esperança. O ferido é renovado pela esperança, mesmo que esteja no chão, cortado como uma árvore e com sua raiz envelhecida. Vindo o tempo das águas, ele brota nova-mente e floresce como uma nova árvore, tendo seus ramos reforçados para segurar os frutos que certamente se formarão. A fé é básica porque, com ela, se rompem barreiras. Sem fé, ninguém pode agradar a Deus; mas, com fé, n’Ele, o corpo vivificado pelo amor e renovado pela esper-ança, tudo pode. Com fé, se ora; a oração es-traçalha as cadeias que impedem o corpo de colocar em prática a virtude do amor. 16/171
  16. 16. 17/171 Com fé, se ama; com fé, se espera; com fé, o ser humano avança para alcançar o alvo, que é Jesus Cristo, a expressão exata de Deus. Deus é amor! Portanto, existem estas três coisas que são básicas para a boa vitalidade de um ser humano: a fé, a esperança e o amor. Porém, a maior delas é o amor. O amor é, e sempre dever ser, a mo-tivação, a mola mestra que impulsiona a ap-licação das demais virtudes.
  17. 17. O amor vivifica “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16) “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” (1 João 3:16)
  18. 18. O amor é lindo! “Vocês são filhos queridos de Deus e, por isso, devem ser como Ele. Que a vida de vo-cês seja dominada pelo amor, assim como Cristo nos amou e deu a Sua vida por nós, como uma oferta de perfume agradável e como um sacrifício que agrada a Deus!” (Efésios 5:1-2) O amor romântico é uma coisa linda, não é? É o sonho de meninas com seus prín-cipes encantados. É o sonho de meninos em amarrarem seus corações orgulhosamente numa linda mulher. Ambos querem prosseguir na vida com esperanças de viver-em felizes para sempre! Embora o amor romântico – a paixão – seja um presente de Deus – um pedaço do céu na terra –, vamos ser honestos: a paixão é também a arma que os demônios podem
  19. 19. 20/171 usar para brincar com nossos corações. Afi-nal, quantos de nós já experimentamos tam-bém os pontos fracos de uma paixão? Nos corações de muitos homens e mulheres, a paixão manifestou somente seus pontos fra-cos, mesmo quando as intenções eram as mais belas. É só pelo milagre de Deus que casamentos duram a vida inteira, dada a grande possibilidade de dor que os cônjuges estão propensos em infligir um ao outro. Po-etas e escritores têm se referido à paixão como uma forma de insanidade. Eu mesmo, recentemente, brinquei com um amigo, dizendo que, sem Deus, a paixão é uma insanidade. Mas, para o cristão, o amor é muito mais do que paixão. Se olharmos para Cristo na cruz, veremos que o amor verdadeira-mente sangra... O verdadeiro amor é vulner-ável e tudo sofre.
  20. 20. 21/171 Em seu livro The Four Loves, C.S. Lewis observou: “Amar a qualquer pessoa é ser vul-nerável... Se você quer manter seu coração intacto, você não deve dar o seu coração para qualquer um... Guarde-o com segur-ança no caixão do seu egoísmo. Mas esse caixão – seguro, escuro, imóvel, sufocante – um dia poderá se abrir. Ou será que não? Será que sempre ficará inquebrável, impen-etrável, irredimível... O único lugar onde você pode estar perfeitamente seguro e livre do amor é no inferno...” Todos nós gostaríamos de acabar com os pontos fracos do amor; mas, quando nos lembramos do sacrifício de Jesus Cristo na cruz, percebemos que isso é impossível. A Bíblia descreve a dura verdade sobre a natureza humana: quase ninguém seria capaz de morrer sequer por um grande amigo, mas Cristo morreu por todos, inclus-ive pelos Seus inimigos. Isso é o verdadeiro
  21. 21. 22/171 amor expresso de maneira muito mais elo-quente do que qualquer ser humano possa imaginar. O exemplo de Cristo, por si só, é o su-ficiente para justificar os riscos advindos do amor. Felizmente, amor não é apenas sofri-mento. Se fosse, então o amor seria real-mente uma insanidade. Pelo contrário, Deus – de um modo que só Ele sabe – usa o sofrimento para trazer a vida... e vida muito melhor do que se tivéssemos evitado os riscos do amor. A res-surreição do amor está à disposição de qualquer casal que queira colocar Cristo entre seu casamento e o sofrimento do amor. É essa mediação de Cristo que faz com que o sacrifício do amor seja agradavelmente per-fumado, como diz a Bíblia. Eu e minha esposa podemos atestar a obra redentora de Deus. Nós nos con-hecemos há 34 anos. Já passamos por todos
  22. 22. os momentos complicados que um casal possa passar, mas também já experi-mentamos as doces recompensas ao transpor esses momentos. Entretanto, somente pelo milagre do amor – Deus é amor – é que nós estamos juntos para glória de Deus. É muito bom ouvir as grandes históri-as de paixão, em que um rapaz conhece uma moça e, após seis meses sussurrando palav-ras doces, ficam noivos e planejam um casamento de conto de fadas. É também maravilhoso saber que o verdadeiro amor custa caro; é uma joia pre-ciosa; é conquistado aos poucos com lágrim-as e algumas feridas. Entretanto, estar aberto ao amor e, com Cristo, disposto a enfrentar os seus riscos, demonstra maturidade espir-itual em quem quer viver uma vida a dois, pra sempre. Agora, pratique! 23/171
  23. 23. 24/171 Você conhece alguém que se queimou no amor e prometeu nunca mais dar o seu coração para ninguém? Talvez essa pessoa seja você! Então, passe agora um tempo em oração pedindo a Deus para derrubar todas as muralhas construídas em torno do seu coração. Assim, você poderá amar e ser amado(a) novamente, sentindo que o amor é lindo!
  24. 24. Amor é uma ação “Quem ouve esses meus ensinamentos e vive de acordo com eles é como um homem sábio que construiu a sua casa na rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, e o vento soprou com força contra aquela casa. Porém, ela não caiu porque havia sido con-struída na rocha.” (Mateus 7: 24-25) Parece que as cerimônias de casamento estão se multiplicando ultima-mente, pelo menos dentro do meu círculo de amizade. Nos últimos três anos, eu tenho as-sistido a tantos que acho que perdi as contas. Nessas belíssimas cerimônias, que mais parecem contos de fadas, eu concentro a minha atenção nos votos matrimoniais, mais do que nos enfeites da festa. As promessas feitas um ao outro, pelos jovens
  25. 25. 26/171 casais, de alguma forma, parecem transcend-er o romance do dia do casamento. A união de duas vidas até a morte é muito sublime! Mas, às vezes, questiono se esse amor, demonstrado na alegria de terem encontrado a alma gêmea, permanecerá após o término da lua de mel. Embora os sentimentos de paixão possam ter alimentado a decisão de se casar-em, o sucesso da vida conjugal não depende do capricho dos sentimentos ou das circun-stâncias da vida, mas da vontade de con-struírem um relacionamento duradouro. Os votos matrimoniais são feitos em livre e espontânea vontade, e não podem se limitar à cerimônia, mas devem ser renova-dos todos os dias. Essa ação diária de amar um ao outro, que nem sempre é fácil, com-binada com a graça de Deus, permite que duas pessoas construam sua casa na rocha e experimentem uma intimidade que não se acaba com o tempo. Você já deve ter
  26. 26. 27/171 percebido o brilho nos olhos de alguns casais mais velhos quando dizem os anos que estão juntos. Pois é, isso é real! Espiritualmente falando, o casamento é um dos símbolos mais importantes da nossa fé cristã. Assim como os nubentes se entregam um ao outro em livre e espontânea vontade, Cristo livremente se entregou, so-freu e morreu por nós. A nossa caminhada na fé começa com uma livre e espontânea de-cisão de aceitar o sacrifício de Cristo. A aceit-ação inicial de Cristo, complementada com as decisões diárias de amar a Deus e à Sua Palavra, faz com que a caminhada na fé prospere. Agora, pratique! Talvez possamos estar passando por um momento difícil e Deus pareça estar dis-tante, mas a boa notícia é que não importa o quanto a nossa casa está sendo maltratada pelas intempéries da vida, Cristo continua ao
  27. 27. 28/171 nosso lado como um cônjuge fiel. Sua graça e seu amor inabaláveis estão sempre disponí-veis para nós, pois é n’Ele, a Rocha, que es-tamos construindo nossa casa.
  28. 28. As melhores coisas “O que eu peço a Deus é que o amor de vocês cresça cada vez mais e que tenham sabedoria e um entendimento completo, a fim de que saibam escolher o melhor.” (Filipenses 1:9) Muitas vezes nos entregamos à tira-nia da frase: “Isso é urgente”! E, então, saí-mos por aí fazendo as coisas de qualquer maneira! Lembremos a história de Marta e Maria... (Lucas 10:38-42) Muitos andam como Marta, na correria, preocupados em trabalhar para Deus, em vez de se acalmar aos pés de Jesus, como fez Maria. Uma dona-de-casa, quando prepara um jantar delicioso, pode ter a sensação de estar servindo a sua família, sem saber que seus filhos podem estar querendo que ela
  29. 29. 30/171 faça outra coisa, além de ficar em cima do fo-gão. Por exemplo, quando uma criança pede à mãe para fazer cafuné, isso, naquele mo-mento, poder ser mais importante do que o jantar. Ao cuidar do jantar, a mãe pode estar perdendo uma oportunidade de demonstrar o amor para com seu filho. Marta estava cheia de boas intenções; porém, ela inverteu a ordem: o ato de servir, que deveria ser o meio para demonstrar o amor, tornou-se o fim em si mesmo. Naquele momento, o que interessava ao Senhor era a companhia, tanto de Marta, quanto de Maria. Foi por isso que Jesus disse: “mas apenas uma [coisa] é necessária! Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela.” Sentar e ouvir Jesus ou meditar nas Suas Palavras não é a mesma coisa que não fazer nada. Satanás sussurra nos ouvidos dizendo que esse tempo poderia ser mais bem empregado fazendo outras coisas. Aí a
  30. 30. 31/171 “tirania do urgente” assume. Mas os nossos atos, por mais sublimes que sejam, não valem nada se não forem feitos com amor (1 Coríntios 13). Para aprendermos isso, só gastando tempo aos pés de Jesus. O amor leva às obras, e não o con-trário. Eu não posso discernir o que é melhor se não tiver a orientação de Jesus. Minha or-ação diária deve ser para que eu sempre me concentre em Jesus e demonstre o meu amor por Ele. Em seguida, Ele me mostra o que fazer. Então, sempre caminharei seguro, pois estarei focado no amor. Agora, pratique! Reavalie seus compromissos e certifique-se de que você está reservando um tempo para se sentar aos pés de Jesus e ouvir o seu comando, antes de iniciar qualquer atividade.
  31. 31. O misericordioso “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas foi por esse mesmo motivo que Deus teve misericórdia de mim, para que Cristo Jesus pudesse mostrar toda a sua paciência comigo. E isso ficará como exemplo para to-dos os que, no futuro, vão crer n’Ele e rece-ber a vida eterna.” (1 Timóteo 1:15-16) Paulo, autor do texto acima, é um dos discípulos de Jesus mais queridos em todos os tempos. Seu amor pelo Senhor inspira a muitos até hoje. No entanto, esse homem ex-traordinário também era um pecador – se-gundo suas próprias palavras, “o pior”. Como pode ser isso? Antes de se converter ao cristianismo, esse homem perseguiu os cristãos. Ele fez
  32. 32. 33/171 coisas horríveis em nome da justiça. Certa-mente, ele sabia dos seus pecados íntimos melhor do que nós. E, como ele disse, mesmo sendo o pior dos pecadores, Deus não poupou a sua misericórdia para com ele. Existe outra história muito emocion-ante na Bíblia – a da mulher pecadora com o vaso de alabastro. Interrompendo um jantar na casa de um fariseu, essa mulher – em um momento inoportuno –, chorou aos pés de Jesus, enxugou-os com os seus cabelos e derramou o perfume valiosíssimo que estava no vaso. Simão, o fariseu anfitrião, ficou re-voltado com essa demonstração pública de humildade, especialmente por uma mulher conhecida por ser uma pecadora. Jesus re-spondeu à sua indignação com a seguinte história: “Dois homens tinham uma dívida com um homem que costumava emprestar
  33. 33. 34/171 dinheiro. Um deles devia quinhentas moedas de prata e, o outro, cinquenta, mas nenhum dos dois podia pagar ao homem que havia emprestado. Então ele perdoou a dívida de cada um. Qual deles vai estimá-lo mais? – Eu acho que é aquele que foi mais perdoado! –respondeu Simão. – Você está certo! – disse Jesus. Eu afirmo a você, então, que o grande amor que essa mulher mostrou prova que os seus mui-tos pecados já foram perdoados. Mas onde pouco é perdoado, pouco amor é mostrado.” Muitas vezes, quando pensamos em nossos pecados e falhas, sentimo-nos enver-gonhados. Nós queremos nos esconder de Deus como fez Adão e Eva depois de comer o fruto proibido. Nós pensamos que Deus, em Sua perfeição divina, nunca poderia olhar para nós com o mesmo amor de antes. Talvez você até já experimentou esse tipo de rejeição, mediante o abandono de um
  34. 34. 35/171 familiar ou de um ente querido. Mas não é dessa maneira que Deus atua. A coisa surpreendente sobre a miser-icórdia de Deus é a sua acessibilidade. Quanto maior o pecado, mais Deus quer derramar a Sua misericórdia e o seu perdão, ao primeiro sinal de arrependimento. A Bíblia nos diz que, quando um pecador se ar-repende, há festa no céu. Mediante o testemunho de Paulo, podemos crer, sem dúvida, na paciência ilimitada de Cristo e no seu amor inesgotável. Agora, pratique! Deus também quer ser amado pelos pecadores, como fez aquela mulher. Não im-porta quantas vezes você pecou ou quão grave é o seu pecado, Ele deseja lavá-lo com a Sua misericórdia, se você estiver disposto a isso. Então, demonstre agora o seu carinho por Ele.
  35. 35. O amante zeloso “Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês.” (Mateus 28:19-20) “Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo. Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empur-rados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas. Essas pessoas inventam mentiras e, por meio delas, levam outros para caminhos errados. Pelo contrário, falando a verdade com espírito de amor, cresçamos em tudo até alcançarmos a al-tura espiritual de Cristo, que é a cabeça.” (Efésios 4:13-15)
  36. 36. 37/171 Certo dia eu li uma frase no Twitter mais ou menos assim: “Se você quer ser pop-ular, fale de liberalidade. Caso contrário, fale de santidade.” Você já notou que a maioria das pessoas, inclusive líderes religiosos, pref-ere esquecer a palavra santidade? É muito penoso falar nessa palavra hoje em dia... Mas vamos lá... Considere os conjuntos de atributos e personalidades a seguir. Conjunto “A”: amoroso, comunicat-ivo, gentil, longânime, paciente, acessível, compreensivo, misericordioso, tolerante, sensível. Conjunto “B”: santo, honesto, reser-vado, ouvinte, coerente, dedicado, maduro, firme, correto, justo, racional. Qual conjunto melhor descreve a sua personalidade? De modo geral, as pessoas se dividem entre esses dois conjuntos. O pess-oal que se encaixa melhor no Conjunto “A”
  37. 37. 38/171 lembra mais fortemente que Deus é amor e de grande liberalidade. O ponto forte das pessoas desse grupo é que elas não de-sprezam ninguém, procuram conhecer e ajudar a todos quantos encontram pela frente, mostrando o grande amor de Deus pela humanidade. O ponto fraco é que o lado amoroso e sensível pode facilmente torná-las vítimas de indivíduos mal-intencionados. Por outro lado, o pessoal do Conjunto “B” tem a forte tendência de lembrar que Deus é santo e justo. O ponto forte é que são pessoas mais racionais, mais corretas, justas e zelosas, mostrando o lado intolerante de Deus para com o pecado. O ponto fraco do grupo se revela na falta de popularidade dos seus componentes. Eu conheci um professor que minis-trou aulas no ensino fundamental durante muitos anos. Nas suas aulas, ele enfocava mais o lado disciplinador, moral e ético. Uma vez, ele foi convocado para uma reunião com
  38. 38. 39/171 os pais dos alunos e a crítica que recebeu da maioria dos presentes é que os alunos não estavam sendo bem preparados para en-frentar o mundo, porque as pessoas que bus-cam ser corretas costumam ser muito im-populares e têm pouco espaço na comunid-ade. A maioria dos pais não queria que seus filhos fossem impopulares, pois já bastavam as dificuldades naturais que eles haveriam de enfrentar na busca por posições de liderança no mercado de trabalho. Não será por causa disso que temos tantos políticos muito populares, mas nada éticos, não é? Agora, pense com bastante honestid-ade no conjunto de palavras que melhor descreve o nosso Pai Celestial. Será que Deus tende para um lado ou para o outro? Será que o Criador é mais justo do que amoroso, ou vice-versa?
  39. 39. 40/171 O nosso Pai tem os atributos dos dois conjuntos. A Bíblia diz assim: “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16) e “O Senhor é a nossa rocha; ele é perfeito e justo em tudo o que faz. Ele é fiel e correto e julga com justiça e honestidade.” (Deuter-onômio 32:4) Então, o nosso Pai Celestial é um Amante Zeloso! Amante, porque Ele ama a todos. Zeloso, porque zela pela Sua própria justiça. Nós, se quisermos ser seus seguid-ores, devemos procurar agir como Ele. Mas, para isso, precisamos aprender as respostas para algumas perguntas: como ser justo e ser amante ao mesmo tempo? Como mostrar para as pessoas que Deus ama o pecador, mas detesta o pecado? Como mostrar que o amor é ilimitado, mas o pecado tem limite? Qual é o equilíbrio entre o amor e a justiça? Com o nosso exemplo de vida, estamos
  40. 40. fazendo bons seguidores de Jesus Cristo? Estamos sendo amorosos tanto quanto zelo-sos, e vice-versa? Amamos o suficiente para dizer a verdade, mesmo que doa? A Bíblia Sagrada tem todas as respos-tas que você precisa. Agora, pratique! Como você está formando seguidores de Jesus Cristo? Você procura mostrar a eles todos os atributos de Deus? Ou você mostra um Deus só amante? Ou um Deus só zeloso? Procure, na Palavra de Deus, o equilíbrio, e Ele lhe galardoará pela con-quista de verdadeiros seguidores! 41/171
  41. 41. Bom dia! “Quando alguém acorda um amigo de man-hã bem cedo com um grito de ‘bom dia!’, o seu cumprimento soa como uma maldição.” (Provérbios 27:14) “Portanto, não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem.” (Efésios 4:29) Eu não gosto de levantar cedo, pois sempre vou dormir tarde e isso acaba por me segurar um pouco mais na cama. Certa vez, eu estava em um retiro espiritual e um irmão brincalhão resolveu me despertar em uma madrugada. Então ele chegou perto dos meus ouvidos e bradou: “Bom dia, irmão El-bem!” Eu não me lembro de qual foi a minha
  42. 42. 43/171 resposta, mas tenho certeza de que não foi boa. Eu respeito os que levam ao pé da le-tra o provérbio popular: “Deus ajuda a quem cedo madruga”. Mas fiquei encantado, al-guns meses depois, quando descobri essa passagem de Provérbios 27:14. Eu, imediata-mente, compartilhei com meu amigo brincal-hão a descoberta, e nós dois chegamos à con-clusão de que Deus entende muito bem as pessoas que não gostam de levantar bem cedo. Evidentemente, esse texto bíblico diz respeito à sabedoria no falar. Provérbios traz mais uma vez o foco de volta para o poder que há em nossas palavras, quando nos rela-cionamos com as pessoas. A ilustração en-graçada demonstra que precisamos de sabedoria para falar o que precisa ser falado, mas na hora certa.
  43. 43. 44/171 Nós devemos falar a verdade com es-pírito de amor; mas, ainda assim, temos que escolher a hora certa. Mesmo a promessa confortante de Romanos 8:28 de que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, às vezes, deve dar lugar à preocupação, quando o dia-gnóstico de uma doença incurável é anun-ciado, ou ao luto, quando um ente querido morre. Esses são exemplos óbvios, mas as situações mais sutis são inumeráveis. Nós devemos considerar o impacto de nossas palavras, sempre. A pessoa sábia en-tende que há momentos em que as palavras não resolvem, mas um simples gesto demon-stra muito mais amor. Portanto, temos que reconhecer que uma palavra certa, dita na hora errada, pode muito bem ser maldição em vez de bênção. Agora, pratique!
  44. 44. 45/171 O que você tem falado? Você é um vizinho que grita: “Bom dia?” Vamos encora-jar um ao outro com palavras saudáveis, ditas na hora certa. Não fale alto. Nosso ob-jetivo não é impor nosso ponto de vista ou a nossa sabedoria, mas edificar uns aos outros com o amor de Cristo.
  45. 45. Pessoas eficazes “Os bons florescem como as palmeiras; eles crescem como os cedros dos montes líbanos. Eles são como árvores plantadas na casa do Senhor, que florescem nos pátios do Templo do nosso Deus. Na velhice, eles ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida.” (Salmo 92:12-14) A frase “começar com o final em mente” pode soar familiar para quem já leu o livro: “Os Sete Hábitos das Pessoas Alta-mente Eficazes”. Segundo o livro, a frase é uma ótima resposta para a pergunta: “Onde eu quero chegar?” Antes de se começar qualquer pro-jeto, é razoável que essa pergunta seja feita para que o foco seja ajustado, o caminho cor-reto seja trilhado, e se produza uma ação
  46. 46. 47/171 efetiva para o alcance do alvo. O que está faltando no livro, no entanto, é a perspectiva de Deus, expressa no Salmo 92. Se o seu alvo é somente material, o seu resultado pode ser a frustração, mesmo que você tenha trilhado corretamente o cam-inho traçado. As pessoas geralmente traçam seus objetivos de vida assim: eu quero ser bonito(a), eu quero ter coisas valiosas, eu quero ser um grande homem ou uma grande mulher. Todos querem ter muito tempo livre para lazer e cuidado da saúde. Nada de errado em buscar a felicid-ade, mas ocorre que, sem Deus, a vida é re-tratada nas Escrituras como vazia, en-ganadora e sem sentido, porque os nossos sonhos brotam de um coração contaminado pelo pecado. Se quisermos ser espiritual-mente eficazes na vida, temos que sonhar e começar a realizar nossos planos debaixo dos propósitos de Deus. Só assim podemos chegar à velhice produzindo bons frutos.
  47. 47. 48/171 No Salmo 92, Deus mostra qual é a fi-nalidade da vida e o que faz o homem feliz: “Ó Senhor Deus, os teus feitos poderosos me tornam feliz! Eu canto de alegria pelas coisas que fazes.” “Os bons florescem como as palmeiras”, ou seja, eles estão cheios de vitalidade espiritual, mesmo no final da vida, quando a tentação de reclamar e de expres-sar o egoísmo é mais forte. Em vez de re-clamar, os seus lábios estão cheios de louvor, declarando que Deus não foi injusto para com eles. As raízes de tal vigor da alma são teci-das ao longo dos versos anteriores desse Salmo, no qual lemos sete hábitos de vida es-piritualmente eficaz. São eles: 1. dar graças a Deus – “Ó Senhor Deus, como é bom dar-te graças! Como é bom cantar hinos em tua honra, ó Altíssimo!” (v.1);
  48. 48. 49/171 2. falar do amor de Deus – “Como é bom anunciar de manhã o teu amor e de noite, a tua fidelidade.” (v.2) Para o homem justo, cada dia começa e termina com Deus, o que implica que Deus é o centro dos seus pensamen-tos durante todo o dia. O amor de Deus é expresso na Sua promessa de salvação para todo homem. A fidelid-ade é o cumprimento da Sua promessa expressa na morte do Seu único filho, Jesus Cristo; 3. cantar com alegria a Deus – “Ó Sen-hor Deus, os teus feitos poderosos me tornam feliz! Eu canto de alegria pelas coisas que fazes.” (v.4); 4. procurar saber mais de Deus – “Que grandes coisas tens feito, ó Senhor! Como é difícil entender os teus pensamentos!” (v.5). Significa não ter uma visão superficial e pragmática de
  49. 49. 50/171 Deus. Não O ver apenas como um meio para conseguir outras coisas; 5. reconhecer a transcendência de Deus – “Pois tu, ó Senhor, estás para sempre acima de tudo e de todos.” (v.8). Deus está acima de todas as Suas criaturas. O justo percebe que o homem não é igual a Deus; 6. descansar em Deus – “Nós sabemos que os Teus inimigos morrerão e que todos os maus serão derrotados.” (v.9). Deus terá a palavra final sobre todos os males e as injustiças. Ele tratará com justiça os inimigos da justiça; e 7. depender continuamente de Deus – “Tu me tens tornado forte como um touro selvagem e me tens abençoado com a felicidade.” (v.10).
  50. 50. 51/171 Talvez você conheça um crente idoso que incorpora esses sete hábitos. Eu conheci o diácono João Sabino, um homem de Deus. Antes da sua morte, já de idade avançada, eu o visitei. Ele estava em uma cama de hospital e com graves problemas de saúde. Mas, dur-ante a nossa visita, ele falou não sobre a sua dor, mas sobre seu prazer em ler as verdades da Bíblia. Ele me perguntou sobre minha família, meu trabalho, e sobre o que eu venho lendo e aprendendo. Ele falou de di-versos hinos e canções que sempre cantava ao longo do dia. Lembramos-nos das suas gargalha-das. Sua oração no final de nossa conversa foi cheia de gratidão e louvor ao Senhor, evidenciando um conhecimento pessoal e uma profunda confiança em Deus. Enquanto eu o escutava, eu pensei comigo mesmo: esse homem é o Salmo 92 em pessoa. Em vez de abençoá-lo, eu é que saí abençoado, pois ali estava uma pessoa
  51. 51. 52/171 que, pela graça de Deus, aprendeu a praticar os hábitos de uma vida espiritualmente eficaz e, ainda na velhice, produzia frutos. Agora, pratique! Reflita comigo: estamos praticando regularmente os sete hábitos do Salmo 92? Como vivo hoje, eu vou conseguir passar o restante da minha vida nesta terra com vital-idade espiritual, florescendo como as pal-meiras? Se não, onde está o problema?
  52. 52. Felizes os mansos “Felizes os mansos, pois receberão o que Deus tem prometido.” (Mateus 5:5) Eu tinha uma aversão à palavra “manso”. Ela me fazia lembrar da época do meu último ano no ensino fundamental. Devido à má dicção, eu era um adolescente tímido, pois tinha dificuldade em pronunciar corretamente algumas palavras. Os colegas não deixavam de me zoar, principalmente quando estávamos em rodinha. Eles achavam engraçada a minha voz. Certo dia, na aula de educação sexual, o professor me pediu para fazer uma ap-resentação sobre a lição aprendida. Eu es-tava indo mais ou menos bem, na frente da sala, até que chegou a hora de dizer a palavra "homossexual”. Simplesmente, eu não
  53. 53. 54/171 conseguia pronunciar essa palavra. Depois de tanto gaguejar, enfim pronunciei “homoxexel”. Para quê! Foi motivo de gar-galhada da sala inteira, inclusive do profess-or. A partir daquele dia, os colegas começaram a me chamar de “homoxexel”. Essa atitude me irritava tanto que, certa vez, perdi a esportiva e comecei a esbravejar. Mas, a cada vez que esbravejava, mais eles me chamavam de “homoxexel”. Chegava em casa chorando e contava isso para minha avó. Ela, com toda paciên-cia, sempre dizia que eu deveria ser manso, porque Jesus disse que os mansos são felizes. Mas eu pensava comigo: como posso ser manso diante de tanta azucrinação que me deixa extremamente irritado? Numa manhã, minha avó leu esse trecho bíblico para mim e trouxe algumas re-flexões que me ajudaram a olhar o mundo sob outra perspectiva. No Sermão da Montanha, vemos Jesus explicar o seu
  54. 54. 55/171 verdadeiro propósito na Terra. Para a de-cepção de muitos, ele não iria ser um rei ter-reno, conferindo poder e prestígio ao seu povo. Em vez disso, Jesus mostra que o pla-no de Deus para a humanidade inclui uma transformação interior, visando um reino eterno. Para preparar adequadamente a to-dos nós para esse reino eterno, Jesus ensina que os valores terrenos devem ser substituí-dos pelos valores celestiais, e estes baseiam-se no amor e na misericórdia. É a misericórdia de Deus que trans-forma o nosso coração de pedra em coração de carne, tirando todo orgulho e presunção. É a humildade de Cristo que nos chama para um relacionamento saudável com o próximo e com Ele. Para isso se tornar real, Jesus nos pede para aprendermos com Ele o que é ser manso e humilde de coração. Só assim en-contraremos descanso para nossas almas. Isso não quer dizer que devemos jog-ar fora as virtudes como a coragem e
  55. 55. 56/171 intrepidez. Eu, particularmente, acho muito mais complicado aprender a ser manso e hu-milde do que aprender a ser ousado e cora-joso, mas temos que colocar todas essas vir-tudes na balança e buscar um equilíbrio. É um equilíbrio difícil – mas necessário – se quisermos refletir Cristo a este mundo ferido. Agora, pratique! Existe alguma área na qual você pre-cisa ser mais humilde e manso? Peça a Deus para lhe dar um coração como o de Jesus! Que sua alma seja restaurada sem que você perca a dignidade que Deus lhe deu. Seja feliz!
  56. 56. O irmão mais velho “Faz tantos anos que trabalho como um es-cravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim, o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus ami-gos. Porém, esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo! Então o pai respondeu: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu.” (Lucas 15: 29-31) Recentemente, um jovem abriu seu coração para mim. Ele tem 30 anos, é solteiro, não namora e não teve ainda a sua primeira experiência sexual. Ele me disse: “Eu gostaria muito de casar. Sei que essa escolha é séria, por isso, estou nesses anos todos esperando por uma princesa idônea,
  57. 57. 58/171 com a qual eu realmente possa ter um futuro feliz. Entretanto, quando vejo rapazes da minha idade viverem uma vida libertina, penso que deveria estar fazendo o mesmo! O que me dói é ver que todas essas pessoas comprometem a sua pureza, e mais rapida-mente ‘casam e dão-se em casamento’, en-quanto eu vivo uma vida de castidade, per-manecendo solteiro. Isso não é justo!” Alguma vez você já se sentiu assim? É natural sentir-se frustrado quando se dá mal fazendo boas escolhas, enquanto aqueles que fazem más escolhas parecem ganhar a vida de forma mais fácil. Muitos conhecem a história do filho pródigo citada no início. A maioria de nós, em algum momento, tem empatia com o irmão mais velho do filho pródigo. Afinal, ele é o filho que fez tudo certo. Mas, sincera-mente, o irmão mais velho não era muito diferente do mais jovem. Ambos acreditavam
  58. 58. 59/171 em uma falácia: “Se eu fizer as coisas do meu jeito, eu vou conseguir.” As consequências das ações do filho pródigo são óbvias – a vida realmente se des-faz, quando vivida de forma imprudente e desregrada. Mas o que acontece exatamente quando abraçamos a atitude do irmão mais velho? Podemos e devemos procurar ter uma vida de pureza, tomar decisões corretas e manter uma aparência de bem-estar, mas tudo isso começa a apodrecer dentro de nós, quando negligenciamos o amor do Pai. Eu vejo três perigos sutis para a alma daquele que opta pela atitude do irmão mais velho: 1. perda de clareza espiritual – quando nós assumimos a postura do irmão mais velho, a nossa visão espiritual é escurecida, porque esquecemos o sacrifício de Cristo. O irmão mais velho também percorre um caminho
  59. 59. 60/171 ímpio, porque ele não consegue ver as coisas da perspectiva de seu pai misericordioso. Ele não consegue ver que seu irmão pródigo sofreu – e muito – por causa das suas trans-gressões, mas arrependeu-se com profunda tristeza. Ele fica com inveja por causa da festa na chegada do seu irmão e interpreta o perdão do pai como um ato pessoal. O irmão mais velho, com o coração amargo e in-grato, só aumenta a dor de seu pai ao tentar justificar a sua raiva em fun-ção do aborrecimento que seu irmão mais novo o havia infligido; 2. orgulho espiritual – quando com-paramos a nossa bondade com as fal-has dos outros, nós praticamos o or-gulho espiritual. Esse tipo de orgulho é mortal para a alma. Ele nos faz per-der a gratidão para com o nosso Deus, obscurece a nossa própria
  60. 60. 61/171 necessidade de misericórdia, e nos engana em pensar que Deus nos deve alguma coisa. Com esse orgulho nós anulamos o sacrifício de Cristo; e 3. mesquinhez – a miséria sai do filho pródigo e se instala no filho mais velho. O irmão mais velho tinha acesso ao amor do pai o tempo todo, mas a sua atitude ao ver a alegria do pai não revela um coração alegre. Mesquinhez, orgulho, inveja, atitudes preconceituosas e perfeccionistas im-pedem a felicidade em nossas vidas. Então, o que podemos fazer para en-contrar a paz quando sentimos que a vida é injusta? Bom, além de reconhecermos os sentimentos de tristeza, de frustração e até mesmo de confusão, devemos parar de olhar para os outros e começar a olhar para Cristo. Lembremos o que Deus falou a Caim: “Por
  61. 61. 62/171 que você está com raiva? Por que anda carrancudo?” Agora, pratique! Existe alguma mágoa que você está guardando e que está lhe deixando pensar como “o irmão mais velho”? Peça a Deus para removê-la do seu coração para que você possa reconhecer o amor do Pai Celeste.
  62. 62. Mais um conto da carochinha... “Disse Jesus: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida...’ (João 5:24) “E se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte, eternamente.” (João 8:51) Uma das minhas leitoras me escreveu dizendo que não podia acreditar em Deus, porque um Deus amoroso não seria tão cruel a ponto de mandar pessoas para o inferno. O meu falecido irmão passou boa parte de sua vida pensando assim. Ele chegava a afirmar que a Bíblia é um conto da corochinha. Feliz-mente, ele mudou de ideia a tempo. Certa vez, eu ministrei uma palestra sobre “A Graça de Deus” e disse que o Deus
  63. 63. 64/171 de amor e misericórdia é o mesmo que envia pessoas para o inferno. Evidentemente, sob o ponto de vista humano, assassinos e crim-inosos merecem mesmo ser punidos. Mas o que diremos de pessoas que são boas e igual-mente condenadas por toda a eternidade? Só porque elas não aceitaram Jesus Cristo como único Salvador? Isso parece mesmo muito cruel. Bem, acho que podemos fazer um paralelo com a Declaração de Imposto de Renda. Confesso que não existe nada tão desnecessariamente complicado, dol-orosamente frustrante e sensivelmente es-tressante como prestar contas para o fisco e, depois, ainda ter que pagar os impostos. Não sei qual é a sua experiência; mas, ao prestar contas para o fisco, eu encontro uma resposta para a minha incerteza espir-itual. Pagar imposto pode ser frustrante, mas é lei. E aqueles que criaram e aprovaram os impostos e seus regulamentos sabem muito
  64. 64. 65/171 bem por que fizeram isso. Nós podemos ar-ranjar desculpas diversas: dizer que a carga tributária é injusta, que ela é alta, que o im-posto arrecadado é mal administrado, etc.; mas, no final, somos mesmos obrigados a cumprir a lei ou sofrer as consequências de nossas ações e omissões. Em vista disso, “será que a pena de morte para o pecado é injusta? De maneira nenhuma. Lembre-se que Deus voluntaria-mente nos criou. Ele nos deu o privilégio de sermos portadores de sua imagem. Ele nos fez um pouco inferior aos anjos. Ele livre-mente nos deu o domínio sobre toda a terra. Nós não somos tartarugas. Nós não somos vagalumes. Nós não somos lagartas ou coiotes. Somos pessoas. Nós somos a im-agem e semelhança do Majestoso Rei do Universo. O problema, é que nós não usam-os o dom da vida com a finalidade que Deus planejou. A vida neste planeta tornou-se uma arena na qual estamos diariamente
  65. 65. 66/171 mantendo o espetáculo da traição cósmica.” (R.C. Sproul) Infelizmente, a verdade não é sempre gentil; às vezes, ela é dura. E a Verdade de Deus é que, mesmo o mais bondoso ser hu-mano, já nasceu no pecado. “De fato, tenho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido.” Quem disse isso foi o rei Davi, homem con-siderado (por Deus) segundo o coração de Deus. (Salmos 51:5). Ocorre que todo o Universo caiu quando Adão pecou. E, então, o que fazemos agora? Bem, temos duas opções: nós podemos ficar o resto da nossa vida tentando negar nossa culpa, dizendo que tudo isso é mais um conto da carochinha. Certamente, não vamos chegar a lugar nenhum. Essa é uma opção. A outra é: nós podemos aceitar que Jesus Cristo, o unigênito filho de Deus, sacrificou-se para nos dar uma saída para
  66. 66. 67/171 esse imbróglio humano. Podemos recon-hecer a graça de Deus como um dom, sabendo que a morte de Seu filho nos pro-porcionou o perdão do pecado original, presente em toda a humanidade. “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1 Coríntios 15:22) Agora, pratique! A solução me parece simples: Deus nos deu o livre arbítrio e, agora, cabe a nós escolher a melhor opção. Eu já escolhi guardar a Palavra de Jesus, com fé de que não verei a morte eterna. (João 8:51). E você?
  67. 67. Haja coração! “Jesus usou parábolas para ensinar muitas coisas. Ele disse: — Escutem! Certo homem saiu para semear. Quando estava espal-hando as sementes, algumas caíram na beira do caminho, e os passarinhos comeram tudo. Outra parte das sementes caiu num lugar onde havia muitas pedras e pouca terra. As sementes brotaram logo porque a terra não era funda. Mas, quando o sol apareceu, queimou as plantas, e elas secaram porque não tinham raízes. Outras sementes caíram no meio de espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas. Mas as sementes que caíram em terra boa produziram na base de cem, de sessenta e de trinta grãos por um.” (Mat. 13:3-8) Um amigo estava me contando sobre um indivíduo que recentemente se converteu
  68. 68. 69/171 a Cristo, sem antes nunca ter ouvido falar sobre as Boas Novas. A verdade é que, apesar de tantas igrejas existentes hoje nos países abertos ao Evangelho, muitos ainda nunca ouviram falar de Jesus porque algumas pess-oas estão vivendo uma vida espiritual in-frutífera, sem darem testemunho genuíno do amor de Deus. Essas pessoas estão dentro das igre-jas, ouvem a Palavra de Deus constante-mente, mas seus corações permanecem en-durecidos para obedecerem ao “vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a to-das as pessoas.” (Marcos 16:15). Sem dúvida, isso é uma posição perigosa porque “quem é repreendido muitas vezes e teima em não se corrigir cairá de repente na desgraça e não poderá escapar.” (Provérbios 29:1) É bem verdade que a paciência e a misericórdia de Deus são imensuráveis. Di-ante disso, muitos relaxam e ficam apenas ouvindo os ensinamentos bíblicos
  69. 69. 70/171 semanalmente, sem nunca experimentarem a alegria de uma vida frutífera. Muitas vezes, essas pessoas são as que cresceram em uma família cristã e que seus pais as levaram à igreja. Entretanto, nunca tiveram uma ex-periência real com Cristo. Haja coração para ser um cristão autêntico! Devemos constantemente pergun-tar a nós mesmos se somos verdadeiros cristãos e se estamos cumprindo as ordens do Mestre. Será que não estamos fazendo da rotina cristã um hábito dominical, tão somente? A semente da Palavra que cai nos nossos corações produz frutos espirituais? Ou seja, tenho sido bênçãos para o meu próximo, aquele que Deus coloca no meu caminho para ajudar? Agora, pratique! Não basta ir à igreja e continuar com um coração empedernido, onde caem as se-mentes que logo secam! Nunca é tarde
  70. 70. 71/171 demais para renovar o seu compromisso com Cristo e experimentar a alegria de realmente ser luz nas trevas que dominam este mundo! Haja coração de carne!
  71. 71. Uma colinha “Ó Senhor Deus, ensina-me a entender as tuas leis, e eu sempre as seguirei. Dá-me en-tendimento para que eu possa guardar a tua lei e cumpri-la de todo o coração.” (Salmo 119: 33-34) Meus jovens leitores, eu tenho uma confissão a fazer. Quando estava no ensino médio, eu odiava as aulas de Química. Eu de-testava os laboratórios e os cheiros daqueles produtos horríveis. As aulas eram sem graça e ainda haviam os trabalhos práticos para serem feitos em casa. Como você pode ver, eu nunca fui um bom aluno nessa matéria. Em vez de estudar para as provas, eu preparava as minhas “colinhas”. Nos dias dos testes, eu sentava numa posição da sala na qual o bedel não podia me ver. Assim, fui le-vando a vida até conseguir passar e terminar
  72. 72. 73/171 o ensino médio. Eu pensava comigo: para que sofrer com essa matéria horrível, que não vou usar para nada, sendo que eu posso colar? Eu vim a perceber o meu erro logo mais tarde, quando tive que enfrentar o ves-tibular. Como não havia estudado nos anos anteriores, não sabia resolver nenhum prob-lema de Química. Resultado, fui reprovado e tive que voltar para o cursinho. Às vezes, nós gostamos de usar a Bíblia como “colinha”. Quando o mundo nos confronta com um problema ou uma dúvida, abrimos a Bíblia de qualquer maneira e grit-amos: “Veja, a Bíblia diz que não se pode fazer isso..., ou, a Bíblia não diz nada contra, vamos fazer...” A Bíblia é o Livro dos livros, é a Pa-lavra de Deus. Ela não foi escrita para ser usada como uma “colinha” nas horas de aperto. Se não estudarmos a Palavra de Deus
  73. 73. 74/171 como deve ser estudada, não vamos entender por que Jesus disse as coisas que disse. Se lermos a Bíblia sem meditar no que está es-crito, sem observar o contexto das pas-sagens, não vamos entender o recado de Deus para nós. Quando fazemos assim, somos realmente maus alunos. Tente pensar da seguinte forma: antes que um médico possa estar apto para curar a doença de um paciente, ele primeiro precisa compreender a doença. Ele tem que entender a sua origem, o que ela afeta no corpo, que tipo de tratamento pode ser min-istrado e qual a melhor medicação para o pa-ciente. Se o médico não faz esse diagnóstico antes, ele pode acabar prejudicando o pa-ciente, errando na dose dos remédios ou até aplicando o remédio errado. Da mesma forma, Deus nos chama para sermos médicos para os espiritual-mente doentes. Sem entendermos as leis divinas, sem compreendermos o grande
  74. 74. amor de Deus expresso nas Escrituras Sagra-das e sem sabermos qual é o tratamento que Deus deixou receitado, nós vamos errar a dose. As consequências podem ser duas: ou não salvaremos almas, pois não as faremos verdadeiros discípulos de Jesus, ou as mataremos de vez, não as fazendo com-preender o amor de Deus! Agora, pratique! E, então, você tem estudado bem o plano de Deus para a salvação da humanid-ade? Quão frequentemente você estuda a Bíblia Sagrada? Você é um bom médico es-piritual? Ou você costuma fazer “colinhas bíblicas”? 75/171
  75. 75. A esperança renova “Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.” (Jó 14:7) “Há esperança para o ferido Como árvore cortado, marcado pela dor Ainda que na terra envelheça a raiz E no chão, abandonado, o seu tronco morrer Há esperança pra você Ao cheiro das águas brotará
  76. 76. Como planta nova florescerá Seus ramos se renovarão Não cessarão os seus frutos E viverá” (Diante do Trono) 77/171
  77. 77. Cristo vive! “Ele não está aqui; já ressuscitou, como tinha dito. Venham ver o lugar onde ele foi posto.” (Mateus 28:6) Esse fato é a causa primordial da es-perança do Cristão. Quando fui a Israel, fiquei muito emocionado ao ler a frase “Ele não está aqui; Ele ressuscitou” escrita na parede do túmulo de Jesus. Naquela visita, pude sentir alguns arrepios. Foi um dos mo-mentos mais impactantes da minha viagem a Jerusalém. O que eu faria se alguém que eu con-hecesse pessoalmente tivesse ressuscitado? Especialmente se ele tivesse dito que iria morrer e que, depois de três dias, voltaria dos mortos?
  78. 78. 79/171 Pergunto sério. O que eu faria? O que você faria? Será que eu não contaria a todos que encontrasse pela frente sobre esse evento milagroso? Caramba, claro que con-taria! Eu costumo contar emoções menores, como uma boa cena de um filme. Então, cer-tamente, eu divulgaria um milagre desses! Ainda mais sabendo que a pessoa que res-suscitou estaria dizendo que fez isso para que todo o resto da humanidade tivesse a chance de jamais sofrer com a morte. E que, para isso acontecer, bastasse simplesmente acreditar no episódio, e mais nada! Ah! Você não crê? Você não é o único! Houve um que viu tudo isso e, mesmo assim, ainda não cria. Foi Tomé. Mas Jesus Cristo ressuscitado disse a Tomé: “– Veja as minhas mãos e ponha o seu dedo nelas. Estenda a mão e ponha no meu lado. Pare de duvidar e creia! Então Tomé exclamou: – Meu Senhor e meu Deus!” Disse Jesus: – Você creu porque me viu! Felizes são os que não viram,
  79. 79. 80/171 mas assim mesmo creram!” (João 20:27-29). Por isso, cantemos a música de Hillsong Un-ited: “Aleluia! Vivo está Jesus. A morte per-deu sua vitória e o túmulo foi negado. Jesus vive pra sempre. Ele está vivo! Ele está vivo!” Você aceita essa história? Se não, é bom aceitar, porque... “quem rejeita esse en-sinamento não está rejeitando um ser hu-mano, mas a Deus, que dá a vocês o seu Espírito Santo.” (1 Tessalonicenses 4:8). Bom, você aceita, mas não tem coragem sufi-ciente para divulgar isso aos seus amigos e parentes? Então, encha-se do Espírito Santo e perca o medo agora, “pois o Espírito que Deus nos deu não nos torna medrosos; pelo contrário, o Espírito nos enche de poder e de amor...” (2 Timóteo 1:7). Você acha que não é uma notícia rel-evante? A ressurreição de Jesus vem con-firmar e cumprir profecias de centenas de anos anteriores. Eis a razão pela qual a fé cristã assume lugar especial no coração do
  80. 80. 81/171 homem. Essa é a diferença entre Jesus Cristo e todos os outros que se diziam vindos de Deus (Mateus 28). Desta forma, Buda, Maomé, Gandhi e outros não ressuscitaram. Jesus é o único e verdadeiro filho de Deus, o Salvador da humanidade. Todos os outros morreram e passaram, mas Jesus ressuscitou e está vivo, salvando e fazendo milagres. Infelizmente, sinto que muitos con-tinuam diante do Jesus crucificado. Pois, apesar da mensagem da ressurreição, muitos continuam, por causa dos mais diversos problemas e dificuldades, sem razão para viver. As tensões, as angústias, as de-pressões, a violência, a doença, as mudanças e tantas outras dores e contratempos trans-formam a vida de muitos numa eterna cruci-ficação! Num eterno muro de lamentações! Por outro lado, me pergunto se é possível apagar completamente o sofrimento de nossas vidas.
  81. 81. 82/171 Creio que não. Porém, creio que é possível transformar o sofrimento em uma vida plena de sentido e cheia de realizações. Afinal, até as rosas têm os espinhos que fazem doer. E “para que a beleza de uma rosa seja apreciada, é preciso ter cuidado com os seus espinhos. Desviar dos espinhos é algo diferente do que retirá-los.” (Ernani Röpke). O Jesus Cristo vivo nos dá esperança para uma boa caminhada na vida, mesmo di-ante da morte. Basta você crer e tomar posse da bênção! Tenha uma vida plena em meio aos problemas. Agora, pratique! Portanto, não fique estagnado na cru-cificação de Cristo, mas lembre-se: Cristo vive para que você viva. Deixe a mensagem da ressurreição e o amor ilimitado de Deus revelado em Cristo Jesus transformarem o seu sofrimento em alegria e em esperança de vida. Quando o amor de Deus habita nossas
  82. 82. 83/171 mentes e corações, sempre ressurge uma vida plena e abundante.
  83. 83. Bênçãos ocultas “Deus fere, mas ele mesmo faz o curativo; ele machuca, mas as suas mãos curam.” (Jó 5:18) “Tudo de bom que recebemos e tudo o que é perfeito vêm do céu, vêm de Deus, o Criador das luzes do céu. Ele não muda, nem varia de posição, o que causaria a escuridão.” (Tiago 1:17) Embora já caminhando para o final do ano de 2011, eu ainda estou avaliando tudo o que aconteceu com minha família no ano passado. Desculpe-me por estar um pou-co atrasado, mas eu aproveito a calmaria das férias para uma reflexão. Eu sempre gosto de avaliar o que Deus tem feito em nossas vidas. Resumindo 2010, eu o chamo de ano de bênçãos ocultas. Além de muitas outras coisas ruins que me aconteceram, eu perdi
  84. 84. 85/171 meu irmão, assassinado por um ladrão, de forma brutal, dentro de seu próprio lar. Em decorrência disso, muitos outros problemas familiares me ocorrem até hoje. Não con-segui enxergar com os olhos carnais nen-huma bênção! Entretanto, eu me sinto sortudo por ter sobrevivido 2010. Isso não é um exagero! Eu sei que sou dependente da graça de Deus, que tem me mantido vivo a cada ano. Mas esse ano de 2010, porém, eu praticamente tive o meu nariz esfregado em tragédias. Todos os acontecimentos me levaram a ques-tionar: “por que isso aconteceu comigo?” – e eu mesmo a me responder com: “graças a Deus por tudo”. A verdade é que o Senhor não me deixou passar ileso por essas provas, pois eu senti, e sinto na alma, as consequências de tudo. Entretanto, Ele usou o meu sofrimento para trazer uma coisa boa: a experiência de sentir de forma real a graça divina.
  85. 85. 86/171 Eu sou uma pessoa orientada para resultados, por isso eu sempre me esforçava bastante para ser “suficientemente bom” para com Deus e, com isso, “ganhar” o favor de Deus por ser um bom cristão. Mas eu es-tava completamente errado nos meus concei-tos. Eu cheguei à conclusão que é somente Cristo que nos dá o dom da vida, apesar de nossos melhores esforços, que só servem para atrapalhar o efeito da graça divina em nós. Eu poderia escrever sobre outras coisas ruins que ainda me vêm acontecendo, mas a ideia que quero passar aqui é esta: de-vemos esperar com paciência, pois “Deus fere, mas ele mesmo faz o curativo; ele machuca, mas as suas mãos curam.” Por outro lado, não adianta querermos ser bonzinhos por nós mesmos, pois “tudo de bom que recebemos e tudo o que é perfeito vêm do céu, vêm de Deus.”
  86. 86. Diante dessa conclusão, posso ver os próximos anos com grande esperança, pois eu sei que, nas tragédias que me aconte-ceram no ano 2010, Deus estava trabalhando e tratando comigo e com a minha família. “Pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano.” (Romanos 8:28) Agora, pratique! Agora, estou convencido de que Deus usa todas as circunstâncias para nos abençoar. Isso não significa que nós nunca vamos sofrer ou que sempre vamos “sair por cima”. Pelo contrário, significa que ele irá usar as circunstâncias ruins para nos aproxi-mar d’Ele e de nós mesmos. 87/171
  87. 87. A vontade de Deus “Estejam sempre alegres, orem sempre e se-jam agradecidos a Deus em todas as ocasiões. Isso é a vontade de Deus para vo-cês por estarem unidos com Cristo Jesus.” (1 Tessalonicenses 5:16-18) “Qual é a vontade de Deus para minha vida?”Quantas vezes você já pergun-tou isso? Ou estudou sobre isso? Ou já leua respeito disso? Ou conhece alguém que está tentando achar a resposta para isso? Bem, a Bíblia tem a resposta, de forma bem simples: “Estejam sempre alegres, orem sempre e sejam agradecidos a Deus em todas as ocasiões.” Mas é só isso? Bom, vejamos então outro verso. “O Senhor já nos mostrou o que é bom, ele já disse o que exige de nós. A vontade de Deus é que façamos o que é
  88. 88. direito, que amemos uns aos outros com dedicação e que vivamos em humilde obed-iência ao nosso Deus.” Começou a complicar! Mas eu queria mesmo saber qual é a vontade de Deus para minha vida... na profissão, no casamento, etc. Já percebeu que a gente está sempre qu-erendo saber qual é a vontade de Deus? Por que isso? Não está claro na Bíblia? Eu acho que está claro, mas podemos complicar. A vontade de Deus para nossa vida pode aparecer de forma fácil ou difícil, depende de nós! Mas por que muita gente acha difícil enxergá-la, se ela é tão fácil de ser vista? Para responder a esse paradoxo, G.K. Chesterton disse a famosa frase: “O ideal cristão não foi considerado deficiente depois de testado. Ele foi considerado difícil e deix-ado de lado.” 89/171
  89. 89. 90/171 Poderíamos gastar muito tempo dis-cutindo como a vontade de Deus é fácil ou como é difícil, baseados em vários trechos da Sua Palavra. Mas vamos refletir um pouquinho sobre como a Bíblia descreve a vontade de Deus – o ideal cristão – no acontecimento narrado em Atos 16. Imagine que você tenha sido enviado por Deus para uma viagem missionária em uma terra estranha. Chegando lá, você começa a pregar o evangelho e aparece uma vidente possessa que fica repetindo o que vo-cê está falando, com o intuito de provocá-lo. Depois de um tempo, você resolve expulsar aquele demônio de adivinhação em nome de Jesus. Você resolveu o problema da mulher, mas, de repente, aparecem os homens que ganhavam dinheiro com o trabalho da mulh-er e eles acabam convencendo as autoridades de prenderem você. Agora você está na prisão de segur-ança máxima, acorrentado com seu
  90. 90. 91/171 companheiro de jornada. Após serem bastante espancados, em vez de desmaiarem de dor, vocês começam a louvar e glorificar a Deus em voz alta. Aí, de repente, o chão treme e os portões da prisão se abrem. Vocês, em vez de fugirem, esperam o car-cereiro chegar e então dizem a ele: “– Creia no Senhor Jesus e você será salvo, você e as pessoas da sua casa. Finalmente, eles se con-vertem ao evangelho e vocês vão felizes pra casa. A questão é: será que aceitaríamos um acontecimento desses na nossa vida como sendo a vontade de Deus? Veja bem, Deus queria salvar aquele carcereiro, assim como várias outras pessoas para quem Paulo e Silas estavam dispostos a pregar. Era essa a vontade d’Ele. Mas, para isso acontecer, foi preciso que eles passassem por uma situação que jamais imaginariam passar. Era esse o ideal cristão que estava sendo testado. Difícil de entender, não? Ainda mais sabendo que
  91. 91. 92/171 Deus poderia realizar a sua obra de forma bem mais fácil. Ocorre que Deus achou por bem provar a fidelidade de seus servos. Às vezes, para que a vontade de Deus seja realizada na nossa vida, coisas inexplicá-veis podem acontecer no meio do caminho. Sua vontade pode chegar de forma fácil ou difícil, depende de como estamos preparados para recebê-la. Entretanto, cabe a nós mantermos a fé e a persistência, dentro dos ideais cristãos, louvando a Deus com alegria, sempre, em qualquer circunstância. O ideal de Deus para a nossa vida será provado e de-verá ser aprovado, não deixado de lado. Agora, pratique! Você está disposto a aceitar a vontade de Deus para a sua vida? Qualquer que seja o ideal d’Ele?
  92. 92. Caráter aperfeiçoado “E também nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. Essa esperança não nos deixa decepcion-ados, pois Deus derramou o seu amor no nosso coração, por meio do Espírito Santo, que ele nos deu.” (Romanos 5:3-5) Quando eu era criança, meus pais re-uniam a família todos os dias para estudar a Bíblia. As sementes espirituais que foram plantadas em minha vida nesses primeiros anos germinaram e, hoje, eu estou tentando aproveitar o que aprendi, com o intuito de pautar o meu caminho de vida. Lembro-me de ter aprendido que o jovem deve estudar o livro de Provérbios de
  93. 93. 94/171 Salomão se quiser saber qual caminho seguir em busca de uma vida bem-aventurada. Sempre diziam meus pais: “esse livro aper-feiçoa o caráter; mas, se você quiser, pode deixar de lado as instruções nele contidas e escolher o caminho que quiser. Só lhe garanto uma coisa: certamente será um cam-inho mais difícil e com consequências dolorosas.” Entretanto, tenha em mente que Deus, com sua infinita misericórdia, não o abandonará; mas, em algum momento, en-trará em ação para não deixar que você se perca de vez. Como um bom pai que corrige o filho, Ele usará as circunstâncias dolorosas e o sofrimento físico-mental-espiritual para desenvolver em você as qualidades do caráter. Essas qualidades podem ser ad-quiridas de maneira bem mais fácil, colocando em prática os conselhos de
  94. 94. Salomão, o homem mais sábio que o mundo já teve. Bom, felizmente escolhi o caminho mais fácil! Mas muitos escolhem o caminho difícil, no qual o jovem passa por aflições e sofrimentos. Mesmo escolhendo o caminho traçado em Provérbios, diariamente, e com perseverança, o jovem tem que ajustar as velas do seu barco para que possa enfrentar as tempestades contrárias e seguir a rota rumo ao porto seguro. Quando o jovem escolhe outro cam-inho, ele terá que se contentar com o con-selho de Tiago 1:2-4: “Meus irmãos, sintam-se felizes quando passarem por todo tipo de aflições. Pois vocês sabem que, quando a sua fé vence essas provações, ela produz per-severança. Que essa perseverança seja per-feita a fim de que vocês sejam maduros e corretos, não falhando em nada!” 95/171
  95. 95. 96/171 Destaco três itens nesse trecho de Tiago: 1. sentir-se feliz – como se sentir feliz quando se passa por um divórcio? Ou após a morte de um ente querido? Ou após a perda de um emprego? Como é possível ter alegria, apesar das cir-cunstâncias ruins? Resposta: só Deus pode dar a felicidade; 2. perseverança – para aprender a per-severar, é preciso passar por alguns momentos difíceis. Pense nas suas experiências de vida. Quais foram os resultados? Você já fez quantas mudanças de rota em sua vida? Deus o ajudou a passar por alguns desafios? Lembre-se do que Deus fez e o que você pode fazer para continuar servindo-O. A persever-ança é provada com o tempo. Não se podem subir vários degraus de uma
  96. 96. escada de uma só vez. As dores irão com você; mas saiba que, a cada de-grau subido, significa que você está crescendo; e 3. ser maduro e correto – quando você era criança, você não tinha um arqui-vo de experiências de vida para con-sultar. Agora que você está mais velho, você já tem suas próprias ex-periências. Consulte quais lições do passado você deve seguir para que tenha mais sucesso na vida material, afetiva e espiritual. Agora, pratique! Você pode relembrar suas experiên-cias ruins passadas e ver como Deus trabal-hou o seu caráter. Liste algumas delas, com-pare os resultados e louve a Deus pela Sua misericórdia. 97/171
  97. 97. Atraente ou repelente “Encham-se do Espírito de Deus. Animem uns aos outros com salmos, hinos e canções espirituais. Cantem, de todo o coração, hi-nos e salmos ao Senhor. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo, agradeçam sempre to-das as coisas a Deus, o Pai.” (Efésios 5:18-20) Em 1971, o escritor Francis Schaeffer publicou True Spirituality (Verdadeira Espiritualidade), livro destinado às pessoas que queiram experimentar a realidade de Cristo na vida diária. No início, seu livro é uma série de lições bíblicas. Ele conta o que ensinou à sua família e aos estudantes que se reuniam regularmente em sua casa nos Alpes suíços. Mas, antes que aquelas lições se tor-nassem exemplos para outras pessoas, Schaeffer as ensinou a si mesmo.
  98. 98. 99/171 Schaeffer conta que passou por um período negro em sua vida. Ele estava pre-ocupado com a diferença desproporcional entre o conhecimento bíblico que ele via em si mesmo e a alegria espiritual genuína que experimentava. Ao longo desse período que passou caminhando nas montanhas, Francis repen-sou suas razões de ser um cristão. No final, ele concluiu que a obra completa de Cristo é realmente a fonte da vida diária do cristão. Ele ficou profundamente convencido de que a vida cristã não pode se resumir a apenas ao conhecimento teórico do plano de Deus para salvar o homem, mas deve ser vivida de forma prática, com a busca constante do Espírito Santo, para que se torne uma alegria espiritual genuína. O cristão cheio do Espírito Santo irra-dia alegria e contagia positivamente o ambi-ente por onde passa. Ele sempre procura transmitir ânimo e esperança às pessoas em
  99. 99. sua volta. A alegria que ele experimenta é a de demonstrar ao mundo o amor de Cristo mediante suas ações. Esse é o cristianismo autêntico! Agora, pratique! Como está sua espiritualidade? Você é uma pessoa atraente ou repelente? Você ama o seu próximo? Imagine se um amigo ou membro da família fosse chamado a testemunhar a respeito da sua espiritualid-ade... Que resposta eles dariam? Pense em quais são as motivações que um cristão deve ter! Reflita sobre o que significa ter uma re-lação autêntica com Deus. 100/171
  100. 100. Meu karma “Tenham no coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm.” (1 Pedro 3:15) As pessoas são muito boas para ajudar os que sofrem com tragédias. Quando há grandes enchentes ou terremotos, nós percebemos que logo surgem várias campan-has de arrecadação de alimentos, remédios e vestuários para serem enviados às pessoas necessitadas, aliviando-lhes a carga nos mo-mentos de angústia. Isso é uma forte evidên-cia da graça de Deus. Agora, imagine o contrário. Imagine que, em vez de oferecer palavras de conforto e ajuda após uma tragédia, a comunidade se
  101. 101. 102/171 afaste. Imagine as pessoas evitando o con-tato com os necessitados com medo de pegar uma doença contagiosa. Agora, imagine ainda que as pessoas, além de se afastarem, simplesmente jogassem na cara dos desabri-gados que eles estão passando por isso por culpa deles, porque alguma coisa eles fizer-am de errado para merecerem a tragédia. Isso é karma. No hinduísmo e no budismo, karma é a lei que afirma a sujeição humana à causalidade moral, de tal forma que toda ação (boa ou má) gera uma reação que retorna com a mesma qualidade e inten-sidade a quem a realizou, nesta ou em en-carnação futura. A transformação pode dar-se em direção ao aperfeiçoamento (mocsa, o fim do ciclo das reencarnações) ou de forma regressiva (o renascimento como animal, ve-getal ou mineral). Certa vez, um casal de missionários foi enviado para Londres, onde eles plane-javam estabelecer um trabalho com a
  102. 102. 103/171 comunidade de imigrantes hindus. Em uma conversa, eles manifestaram o desejo de tra-balhar para ver aqueles hindus libertos das amarras do karma. Enquanto dialogava com eles, veio na minha cabeça o texto de Gálatas 6:7 em que diz: “Não se enganem: ninguém zomba de Deus. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá.” Isso despertou meu interesse sobre o assunto. Será que o cristão tem uma espécie de karma? Tirando a questão da reencarnação, que já descarto de cara, pois não acredito de jeito nenhum, vamos refletir um pouco. Todos sabem que infidelidade e egoísmo têm as suas recompensas nesta vida. Por outro lado, as boas obras são fre-quentemente recompensadas com um sor-riso e uma expressão de gratidão. Isso é fácil perceber. Agora, essa questão de karma, o que é isso mesmo?
  103. 103. 104/171 Os missionários me explicaram o lado feio do karma: em algumas comunidades hinduístas a comunidade se afasta dos mem-bros que estão sofrendo. Perder um emprego? É um efeito “kármico” – você deve ter enganado o seu patrão ou pelo menos falou mal dele. Perder um filho? De alguma forma, a culpa é sua também, pois o Universo busca equilibrar algum mal que vo-cê fez. Se as coisas horríveis são de alguma forma culpa do sofredor, então, pelo hinduísmo, faz sentido as pessoas se afastar-em do sofredor, para que não sejam contam-inadas por aquele mal. Segundo os mis-sionários, esse é o vínculo do karma. Para os cristãos, Cristo quebrou esse vínculo. Os cristãos confiam na promessa Divina, “pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano.” (Romanos
  104. 104. 105/171 8:28). “Quando somos corrigidos, isso no momento nos parece motivo de tristeza e não de alegria. Porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz.” (Hebreus 12:11). Como Jó, podemos jamais saber a razão do nosso sofrimento terreno. En-tretanto, sabemos que, por causa da graça de Deus, o sofrimento não é uma ação e reação desencadeadas pelos nossos pecados. Jesus Cristo foi rejeitado e desprezado por todos; ele “suportou dores e sofrimentos sem fim... No entanto, era o nosso sofrimento que ele estava carregando, era a nossa dor que ele estava suportando. E nós pensávamos que era por causa das suas próprias culpas que Deus o estava castigando, que Deus o estava maltratando e ferindo. Porém ele estava so-frendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades. Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos
  105. 105. ferimentos que ele recebeu... o Senhor cas-tigou o seu servo; fez com que ele sofresse o castigo que nós merecíamos.” (Isaías 53:3-6) Ao contrário do sistema hindu de karma e os seus efeitos perversos, sabemos que a nossa dor pode estar sendo usada por um Deus amoroso para nos corrigir e aumentar a nossa fé. Por causa disso, temos uma verdadeira esperança no amanhã, pois o nosso futuro não depende de nós, assim como o que passamos no presente não de-pende do que fizemos no passado! Não im-porta o que estejamos vivendo, podemos descansar na certeza de que, mesmo quando não estamos bem, Deus está conosco. Isso é graça, isso é misericórdia, isso é esperança. Portanto, não existe karma para o cristão, nem quebra de maldições. Cristo já levou sobre Si todas as nossas maldições. Agora, o que precisamos é crer no Seu sacri-fício e apregoar a mensagem da cruz. 106/171
  106. 106. Agora, pratique! Você está pronto para dar uma res-posta de esperança a quem está passando por um momento difícil? 107/171
  107. 107. Zaqueu “Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse a Zaqueu: — Zaqueu, desça depressa, pois hoje preciso ficar na sua casa.” (Lucas 19:5) Confesso que eu tenho medo de algu-mas pessoas, mas estou disposto a gastar tempo com quem não conhece Jesus ou nunca ouviu falar d’Ele. Na verdade, eu tenho procurado me corresponder com gente desconhecida na tentativa de poder expandir meu círculo de amizades. Alguns poucos, por motivo qualquer, não aceitam a minha tentativa de amizade e me escrevem de volta dizendo que não querem mais receber minhas mensagens. É claro que, quando isso acontece, eu fico um pouco desconfortável.
  108. 108. 109/171 Entretanto, devo dizer que eu sou um nada quando comparado ao amigo que conhece o íntimo de todo mundo o tempo todo e quer ser amigo de todos – Jesus. Eu admiro a ca-pacidade que Jesus tem de ir ao encontro de pessoas desconhecidas, sem medo da possib-ilidade de ser rejeitado e, ainda assim, convidá-las para estar com elas. Zaqueu era uma dessas pessoas. Ele realmente era um homem desprezível. Os co-bradores de impostos, nos tempos bíblicos, eram odiados, e ninguém tinha coragem de convidá-los para uma festa de aniversário. Chegar para uma pessoa desconhecida e convidá-la para almoçar na casa dela, então, era e é, até hoje, uma atitude muito ousada em qualquer cultura. Um dia, Jesus estava fazendo o seu percurso por Jericó e, surpreendentemente, percebeu que Zaqueu, um homem de baixa estatura, estava empoleirado em uma árvore. Jesus sabia que Zaqueu estava interessado
  109. 109. 110/171 em vê-Lo. Então, olhando para o fiscal de impostos, Jesus caminhou direto na sua direção e, sem medo, disse: – “Zaqueu, desça depressa, pois hoje preciso ficar na sua casa.” Naquela ocasião, Jesus já era bastante conhecido pelos seus milagres. Zaqueu já tinha ouvido falar de Jesus, mas ainda não O conhecia pessoalmente. Você pode imaginar o que Zaqueu pensou? Ele me conhece! Espera aí, como ele me conhece? E por que ele está querendo ficar na minha casa? Será que Ele não sabe que todo mundo tem medo de mim? Por que ele quer gastar tempo comigo? Entretanto, o que Zaqueu estava pensando não o impediu de descer da árvore depressa e acolher Jesus na sua casa com grande alegria. Ele foi tocado com o amor do Salvador. E, apesar da sua dureza como co-brador de impostos, e da sua arrogância como autoridade pública, ele quebrantou seu
  110. 110. 111/171 coração diante da manifestação desse grande amor. Já em sua casa, Zaqueu disse ao Sen-hor: “– Escute, Senhor, eu vou dar a metade dos meus bens aos pobres. E, se roubei al-guém, vou devolver quatro vezes mais.” Então Jesus disse: “ –Hoje a salvação entrou nesta casa, pois este homem também é descendente de Abraão.” Impressionante, não? Jesus não tinha medo de alguém que não era benquisto na sociedade. Ele também não se levantou di-ante de Zaqueu para condená-lo, mas o amou desde o primeiro momento que o viu. Essa é a prática que Jesus quer de nós. Ele disse:” – Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Marcos 16:15-16). Mesmo que as pessoas amecem rejeitá-lo, mesmo que rejeitem de fato a
  111. 111. 112/171 mensagem, mesmo que optem por rejeitar o amor de Jesus Cristo, ele, ela ou eles podem representar um Zaqueu ou uns Zaqueus na sua vida; temíveis, mas, por um milagre do Espírito Santo, podem ter o coração quebrantado. Portanto, não se afaste deles; pelo contrário, caminhe em direção a eles e convide-os para um modo de vida melhor, com esperança de uma eternidade gloriosa. Foi assim que Jesus agiu! Agora, pratique! Não tenha medo dos Zaqueus! Quando a multidão viu Jesus entrar na casa de Zaqueu, resmungou assim: “– Este homem foi se hospedar na casa de um pecador!?” Todos nós temos alguém em nossa volta que relutamos em amar. Não tenha medo de amar o Zaqueu da sua vida. O Espírito Santo vai ajudá-lo a seguir o
  112. 112. exemplo de Cristo, e você vai amar sem pre-conceito e sem acepção de pessoas. 113/171
  113. 113. A fé rompe “A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que ex-istem coisas que não podemos ver... Sem fé ninguém pode agradar a Deus, porque quem vai a ele precisa crer que ele existe e que recompensa os que procuram conhecê-lo melhor... Foi pela fé que Abraão, ao ser chamado por Deus, obedeceu e saiu para uma terra que Deus lhe prometeu dar. Ele deixou o seu próprio país, sem saber para onde ia... Foi pela fé que Abraão se tornou pai, em-bora fosse velho demais e a própria Sara não pudesse mais ter filhos. Ele creu que Deus ia cumprir a sua promessa... Foi pela fé que Abraão, quando Deus o quis pôr à prova, ofereceu o seu filho Isaque em
  114. 114. sacrifício. Deus tinha prometido muitos des-cendentes a Abraão, mas mesmo assim ele estava pronto para oferecer o seu único filho em sacrifício... Foi pela fé que Moisés saiu do Egito, sem ter medo da raiva do rei, e continuou firme, como se estivesse vendo o Deus invisível... Foi pela fé que os israelitas atravessaram o Mar Vermelho como se fosse terra seca. E, quando os egípcios tentaram atravessar, o mar os engoliu... Foi pela fé que caíram as muralhas de Jer-icó, depois que os israelitas marcharam em volta delas durante sete dias.” (Trecho da Carta do apóstolo Paulo aos Hebreus) 115/171
  115. 115. Fique quieto! “Deus diz: ‘Parem de lutar e fiquem sabendo que eu sou Deus. Eu sou o Rei das nações, o Rei do mundo inteiro.’” (Salmos 46:10) A obra de Deus é realizada paulatina-mente e de maneira quase imperceptível. O Espírito de Deus não é violento e nem pre-cipitado, mas “o homem deseja tantas coisas e, no entant,o precisa de tão pouco.” (Johann Goethe) Ultimamente, a minha cidade tem sido muito movimentada: fluxos interminá-veis de veículos, ruídos intensos, movimen-tos de pessoas, correria de um lado para o outro... A vida está ficando cada vez mais louca! “Nós nos tornamos máquinas de tra-balhar e estamos transformando nossas cri-anças em máquinas de aprender.” (Augusto
  116. 116. 117/171 Cury). A verdade é que, quanto mais vai avançando a nossa idade, mais saudosos ficam aqueles preguiçosos dias na infância, nos quais tínhamos tempo para tudo e para todos e não nos preocupávamos com nada. Se você é pai ou mãe de família, cer-tamente, neste momento, você deu uma pequena parada nas atividades corriqueiras para ler esta devocional e fazer uma reflexão. Mas você pode estar pensando assim: tenho que ler isso rápido porque, daqui a pouco, tenho que fazer muitas outras coisas... Somos cheios de atividades, não somos? Trabalhamos muitas horas por dia e, às vezes, nem tempo temos para usufruir aquilo que compramos, não é verdade? Por que vivemos assim, de maneira tão frenética? O que nos obriga a isso? E por que nos sentimos obrigados a viver assim? Será que não estamos extrapolando as nossas atribuições como seres humanos?
  117. 117. 118/171 Muitos pensam: se eu trabalhar duro, eu conseguirei tal bem, tal posição social, ou terei mais valor diante das pessoas. Outros não pensam nada disso, mas se enterram no trabalho na tentativa de manter a mente des-ligada das decepções e das frustrações da vida... Às vezes, acabamos por perder de vista as nossas prioridades, aquilo que mais gostamos de fazer, e somos facilmente en-volvidos pelo padrão que o sistema con-sumista impõe, sendo enquadrados pela cul-tura ao nosso redor, sem percebermos que estamos deixamos o precioso tempo de vida escapar. A verdade é que estamos tão pre-ocupados com o que queremos ter que nos esquecemos de usufruir e agradecer o que já temos. Independentemente do motivo pelo qual estamos vivendo, tomados de frenesi, no fundo, cada um de nós almeja deixar um pouco essa louca rotina. Nossas almas
  118. 118. 119/171 anseiam pela paz, pela quietude, pelo silên-cio... Se ignorarmos os gritos da nossa alma, certamente nossos corpos passarão a exigir esse alívio, antes que arriam de vez. Por que gostamos tanto da quietude e da tranquilidade? É porque essa vida agitada que aí está não foi almejada por Deus para os humanos. Nas Escrituras, vemos mais que uma vez Deus nos chamando para n’Ele bus-carmos a paz; para n’Ele aliviarmos nosso fardo; para com Ele deixarmos de lado nossas ansiedades e nossas batalhas sem sentido. Vemos Deus falar com o salmista com uma voz mansa e delicada, como no texto citado. Vemos Jesus Cristo dizer para uma Marta, ansiosa, que sua irmã, Maria, escol-heu a melhor parte, quando ela abandonou as tarefas domésticas para se sentar aos pés de Jesus. (Lucas 10: 41-42)
  119. 119. 120/171 Após um longo dia de correr aqui e acolá, eu encontro o desejo de ser igual a Maria, pacífica, tranquila, cuja única ocu-pação é estar com Cristo. Como podemos nos tornar mais parecidos com Maria quando a grande maioria de nós se assemelha com a preocupada Marta? Como eu amo essa parte da Bíblia em que é descrita a história de Marta e Maria! No meio de tanta atividade, Maria fez uma escolha simples: parou, sentou-se e ficou quieta. Você e eu podemos fazer uma escolha assim também, mesmo quando a vida parece nos pressionar por todos os la-dos. Pode ser difícil no início, porque haverá momentos em que seremos tentados a pegar o controle remoto da vida ou encurtar nosso tempo devocional com Deus. Mas, se buscar-mos efetivamente a quietude, estaremos dizendo: “nada mais é tão importante para mim quanto o Senhor.”
  120. 120. 121/171 Quando eu entro no escritório para passar o meu tempo com Deus, ouvir a Sua voz e escrever devocionais, eu não percebo nada que está acontecendo lá fora. Aliás, nenhum ruído me perturba, além dos cantos dos passarinhos. É tão bom ficar sem fazer nada em um lugar cheio da presença de Deus, podendo ter a experiência de conhecê- Lo mais profundamente! Agora, pratique! Como está sua vida? Você consegue ficar quieto? Visite algum local onde possa se sentar, refletir e estar a sós com o Senhor. Faça isso pelo menos uma hora por dia e verá a diferença!
  121. 121. Joelho dobrado “O Senhor é o meu forte defensor; foi ele quem me salvou. Ele é o meu Deus, e eu o louvarei. Ele é o Deus do meu pai, e eu can-tarei a sua grandeza.” (Êxodo 15:2) Pela graça de Deus, nós somos salvos por meio da fé. Isso não vem de nós, mas é um presente dado por Deus. A nossa salvação nos leva a sermos a habitação do Espírito Santo e nos leva a tornarmo-nos um espírito com Cristo. Esse é o objetivo da graça salvadora. Nós estávamos espiritualmente mortos por causa dos nossos delitos e pecados. Antes, nós seguíamos o mau caminho deste mundo e fazíamos a vontade daquele que governa os poderes es-pirituais nas regiões celestes, o espírito que controla os que desobedecem a Deus.
  122. 122. 123/171 De fato, todos nós vivíamos de acordo com a nossa natureza humana, fazendo o que o nosso corpo e a nossa mente queriam. Assim, nós também estávamos destinados a sofrer o castigo que Deus preparou para o Diabo e os seus anjos. Mas a misericórdia de Deus é muito grande, e o seu amor por nós é tanto, que, quando estávamos espiritual-mente mortos por causa da nossa desobediência, ele nos trouxe para a vida que temos em união com Cristo. Pela graça de Deus, fomos salvos. Por estarmos unidos com Cristo Je-sus, Deus está nos preparando para reinar-mos com Ele no mundo celestial. Deus faz isso para mostrar, em todos os tempos do fu-turo, a imensa grandeza da sua graça, que é nossa por meio do amor que ele nos mostrou em Cristo Jesus. A salvação não é o resultado dos nos-sos esforços; portanto, ninguém pode se or-gulhar de tê-la. Deus foi quem nos fez e
  123. 123. 124/171 mantém o que somos agora. Em nossa união com Cristo Jesus, ele nos criou para fazer-mos as boas obras. Então, quando você olhar para o mundo sofrendo, saiba: era para ser muito pior. Quando você olhar para o progresso da humanidade, saiba: é por causa da graça de Deus. Se algum cientista agora, em qualquer lugar do planeta, estiver inventando alguma coisa para o bem da humanidade, lembre-se de que é a graça de Deus mantendo viva a humanidade e dando tempo para a redenção final. Porque nós precisávamos de tempo. Tempo para Jesus Cristo vir. Tempo para Je-sus Cristo nascer, crescer e entregar-se como Cordeiro de Deus. E nós precisávamos de mais tempo. Tempo para que a mensagem de Jesus Cristo chegasse a todos nós. Deus está dando tempo para nós, porque Ele quer salvar a todos. Essa maldade
  124. 124. 125/171 que aí está é para nos lembrarmos de que nós trouxemos o mal para o Universo. E o fato de a maldade não ter nos destruído, é para nos lembrarmos de que um Deus se sac-rificou por nós. Por isso que louvar a Deus é uma coisa que tem peso. Não é essa coisa livre, leve e solta em que falar “aleluia” não custa nada. Não quer dizer que a gente não deva ter momentos de pular de alegria e de celeb-rar, mas sem esquecer jamais que isso foi muito peso, isso custou muito caro, isso custou o sacrifício de Jesus Cristo, apesar de Ele ter feito tudo isso por amor. Sem Ele, nada do que foi feito se fez. Por isso, disse o apóstolo Paulo: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que sendo Deus, não julgou por usurpação ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, e a si mesmo se humilhou, sendo
  125. 125. 126/171 achado em figura humana, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.” Paulo está dizendo que, para salvar a mim e a você, Deus, por intermédio de Jesus Cristo, sofreu duas mortes: a morte de Deus e a morte do homem. Quando é que Deus morreu? Quando Jesus Cristo abriu mão da sua Santíssima Trindade: sendo Deus, não julgou por usurpação ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou. Veja: Ele não foi esvaziado. Ele a si mesmo se esvaziou e assumiu a forma de servo, e se humilhou em figura humana, humilhou-se a si mesmo, e foi obediente até a morte. Então, primeiro Jesus Cristo con-heceu a morte de Deus quando se esvaziou da Sua glória e, depois, Ele conheceu a morte do homem quando foi obediente até a morte e morte de cruz. Mas Deus O exaltou dando- Lhe um nome que é sobre todo nome, para
  126. 126. 127/171 que ao nome d’Ele se dobre todo o joelho no céu e na terra e debaixo da terra e toda lín-gua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai. Agora, pratique! Leve algumas pessoas a compreenderem que o Cristianismo não é fanatismo religioso. Leve-as a entenderem por que o nome de Je-sus Cristo é bendito de eternidade em etern-idade. Por que os filhos de Deus não se cansam e querem a todo custo ver todo joelho dobrado e toda língua confessando: Jesus Cristo, e só Jesus Cristo é o Senhor.
  127. 127. Uma fé diet “A diferença clara que existe entre os filhos de Deus e os filhos do Diabo é esta: quem não faz o que é correto ou não ama o seu irmão não é filho de Deus.” (1 João 3: 10) Somos amigos inseparáveis de um casal muito gente fina. Fomos seus padrin-hos de casamento. Durante os churrascos de fins de semana – e agora ultimamente no meio das semanas também –, eu brinco com os costumes engraçados deles. Ele é um carnívoro voraz; ela é uma vegetariana de-vota. Então, quando vou servir os pedaços saborosos de picanha, eu coloco uma folh-inha de alecrim na travessa e digo assim: a carne é para ele; a folha de alecrim é para ela. Isso é motivo de muita risada e diversão...
  128. 128. 129/171 Mas eu acho que tem hora que eu passo dos limites. Creio que temos que re-speitar a escolha e o hábito de cada pessoa. É claro que, nas refeições que servimos, sempre preparamos, além do churrasco, uma deliciosa e crocante salada para a minha afil-hada. Afinal, ela merece! Entretanto, se perguntarmos a qualquer nutricionista, eles dirão que ser ve-getariano é uma boa opção para quem busca ter uma excelente saúde. Para quem sabe saborear a delícia de uma salada – de frutas ou de legumes –, o hábito de ser vegetariano é tão prazeroso quanto saborosa é a carne para o carnívoro. Eu acredito que Deus, na Sua sabedoria, criou o homem vegetariano, e este só veio a adquirir o hábito de comer carne após o dilúvio, tendo em vista a ne-cessidade na época. Particularmente, também acredito que o hábito vegetariano é mais saudável, embora eu seja carnívoro desde criancinha.
  129. 129. 130/171 Por ser este um costume familiar, há muitos anos tenho tentado inutilmente mudá-lo. Não quero aqui criar partido para de-fender nem um, nem outro hábito. Porém, existe uma enorme e substancial diferença entre os dois: o vegetariano, por ingerir um alimento facilmente digerível, sente-se mais leve; mas precisa repetir a dose com mais frequência durante o dia para evitar a fome. Já o carnívoro se satisfaz com uma ou duas refeições diárias, tem uma digestão com-plicada, e muitos deles precisam até da ajuda de um antiácido. Comparando com a alimentação es-piritual, eu pergunto: qual é o seu hábito ali-mentar? Você tem uma alimentação saudável? Com que periodicidade você ali-menta a sua alma da Palavra de Deus? Diari-amente? Semanalmente? Mensalmente? So-mente nas festas religiosas anuais? Ou quando já está quase morto de fome? Você se alimenta regularmente como um
  130. 130. 131/171 vegetariano? Ou é como o carnívoro que passa tempos e tempos tentando digerir o al-imento e, às vezes, necessitando de um acon-selhamento, de um antiácido? Todos nós precisamos de uma boa al-imentação para crescer na fé e ter boa saúde espiritual. Precisamos ser diferentes daqueles que ainda não temem a Deus. Não se engane: Deus quer que sejamos luz do mundo e sal da terra. Jesus disse: “– Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam.” (Mateus 5: 13) Precisamos refletir uma boa e sincera saúde espiritual para as pessoas que nos rodeiam. Precisamos fazer o que é correto sob a perspectiva da Palavra de Deus. Precis-amos amar as pessoas e levar a paz onde há conflitos; a esperança, onde há desespero; o amor, onde há ódio!
  131. 131. Agora, pratique! 132/171 Convide seus amigos para juntos estudarem a Palavra de Deus na sua casa. Se você se ativer apenas ao sermão de domingo, e talvez nem a este, certamente a sua fé não será suficiente e você não estará bem pre-parado para todas essas tarefas cristãs. Então, negue-se a si mesmo e comece um relacionamento saudável com Deus e a Sua Palavra. Não precisa ser diet na vida cristã. Quanto mais alimentado da Palavra de Deus, melhor!
  132. 132. Andando na linha “É assim que podemos ter certeza de que es-tamos vivendo unidos com Deus: quem diz que vive unido com Deus deve andar como Jesus Cristo andou.” (1 João 2:5-6) Há alguns anos eu comprei uma es-teira. Eu costumava jogar futebol, mas machuquei o meu joelho e estava impossibil-itado de fazer exercícios fortes. Para não parar de vez com a atividade física, resolvi caminhar em casa, com o auxílio da esteira. No começo, eram mil maravilhas! Eu andava na esteira várias vezes por semana. Com isso, a minha saúde e o meu nível de condicionamento físico eram bons. Mas, logo, a bendita esteira começou a virar peça de escultura num canto da sala de TV. O meu plano de atividade física estava indo para o

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