A biosfera terrestre

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A biosfera terrestre

  1. 1. A BIOSFERA TERRESTREA Terra não nos pertence. Viemos para cá, pela primeira vez, há muitosmilhares de anos, para que através de vivências, que a vida na matériaproporciona, atingíssemos um tal nível de desenvolvimento espiritual que nospossibilitasse o retorno ao Paraíso, como personalidades plenamenteconscientes. Este é o nosso caminho normal de desenvolvimento, previsto naCriação.Enquanto estivermos no âmbito da Terra, seja na matéria visível ou no assimchamado além, não estamos ainda em nossa verdadeira Pátria, nossa moradadefinitiva, que, para nós, seres espirituais, só pode ser um plano espiritual, oqual é denominado de Paraíso. Enquanto estivermos no âmbito da matéria,não passamos de hóspedes aqui na Terra.O maravilhoso planeta Terra foi formado pelos servos enteais 1 do Criador.Com amor eles construíram um planeta que trazia todas as condições para odesenvolvimento dos espíritos humanos encarnados: a composição do ar puro,a diversidade da flora e da fauna, a regularidade das chuvas e estações do ano— as quais dão, para cada região e época do ano, exatamente aquilo que oscorpos dos animais e dos seres humanos necessitam naquele momento e local—, a massa de água dos oceanos na sua função reguladora do clima, osgrandes e pequenos rios que possibilitam o surgimento da vida nas maisinóspitas regiões… Enfim, tudo elaborado com o máximo cuidado para quenada, absolutamente nada faltasse ao ilustre hóspede que chegava nessagrande casa terrena: o ser humano.Os primeiros seres humanos, criaturas puramente intuitivas, ficavamespantados com toda a beleza e fartura ao seu redor, admirados de lhes serpermitido viver num lugar assim tão belo. A vida nos tempos primordiais eraum hino de gratidão contínuo para com Aquele que lhes havia presenteado tãoricamente com a vida. Eles amavam e respeitavam a natureza, considerando-se simples criaturas, como tantas outras que também tinham permissão edireito de viver num mundo assim maravilhoso.Este sentimento para com o planeta que viviam era certo, e não precisava nemdevia ter mudado. Se o ser humano não tivesse preferido seguir seus própriosfalsos caminhos, desprezando os que foram preconizados por seu Criador,ainda hoje respeitaria sua morada terrena, comportando-se como um hóspedebenquisto.Infelizmente, como em tantas coisas mais, o ser humano pecou aqui da formamais vil. Ao invés de com suas capacitações ajudar a conservar a casa limpa,da qual nunca foi nem jamais será dono, ele destruiu as matas, sujou rios emares, conspurcou o ar e envenenou o solo. E agora se surpreende quando a
  2. 2. natureza, através de catástrofes, retribui a sua ação destrutiva, eliminando deuma vez por todas esse bicho-homem tão nocivo, uma espécie incapaz deconviver com outras e de cuidar de sua própria morada.Do ponto de vista da natureza o ser humano nada mais é do que uma estranhacriatura, que por vontade própria se transformou num monstro, numaaberração, e que por isso precisa ser eliminado para o bem de todos os outrosseres, que igualmente têm o direito de viver em paz na Terra.O extraordinário crescimento do movimento ambientalista-ecológico nasúltimas décadas, assim como as tentativas de se voltar a uma vida natural, sãotambém efeitos do Juízo Final. O Juízo traz movimento a tudo que estavaparado ou que se movia lentamente, sejam acontecimentos da natureza ouvivências gravadas na alma.Assim é que muitas pessoas têm a nítida sensação de que precisam mudarrapidamente a sua maneira de viver e seu modo de atuar em relação ànatureza. É uma tentativa inconsciente de se adaptar às Leis da natureza, àsquais, em futuro próximo, não serão mais desrespeitadas por aqueles quetiverem permissão de continuar vivendo neste planeta, já que então a maiorparte da humanidade terá desaparecido para sempre da face da Terra.Essa sensação de apreensão foi descrita da seguinte maneira pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, em seu livro A Terra Em Balanço:"No entanto, não há dúvidas de que muitas pessoas — religiosas ou não —compartilham uma profunda apreensão quanto ao futuro, sentindo que talvezesteja se esgotando o tempo de nossa civilização. A ética religiosa daadministração torna-se, na verdade, mais difícil de ser aceita quando seacredita que o mundo está prestes a ser destruído — por Deus ou pelohomem."O mundo não vai ser destruído, mas apenas aquilo que nele não tiver sedesenvolvido corretamente, ou seja, a maior parte da humanidade com todasas suas excrescências e aberrações.Há cinco séculos ainda existiam povos que viviam integrados à natureza,respeitando-a como provedora de vida para seus corpos. Relatos da conquistada América informam que os índios nômades, que usavam cortiça para sevestir, jamais tiravam a casca do tronco inteiro, para assim conservarem aárvore viva. As tribos sedentárias, por sua vez, cultivavam diversas espéciesde plantas, deixando períodos de descanso para a terra, conservando-a tambémviva dessa forma. Mais recentemente, em 1855, um cacique da tribo Seathlmandou uma carta em resposta ao presidente dos Estados Unidos da época, oqual havia expresso o desejo de adquirir as terras de sua tribo. Essa carta é um
  3. 3. verdadeiro manifesto de reconhecimento, gratidão e amor à natureza. Abaixosão reproduzidas algumas passagens: "Cada folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. (…) Para ele [o homem branco] um torrão de terra é igual a outro. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de exauri-la ele vai embora. (…) Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si os desertos. (…) O ar é precioso para o homem vermelho. Porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar — animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo ele é insensível ao mau cheiro. (…) Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão que nós, os índios, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra. (…) De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez um dia venha a descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. (…) Ele é Deus da humanidade inteira. E quer bem igualmente ao homem vermelho como ao branco. A Terra é amada por Ele. E causar dano à Terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Ele continua poluindo a sua própria cama, e há de morrer numa noite, sufocado em seus próprios dejetos!"Ao vermos hoje a quantidade de poluição gerada pela chamada "civilização",e os efeitos disso no meio ambiente e nos próprios seres humanos, chegamos aconclusão que a profecia do cacique Seathl já está se cumprindo. Nos EstadosUnidos, só em relação ao lixo urbano, a produção anual é de 720 kg porhabitante, ou seja, cada americano produz em média quase 2 kg de lixo pordia. Outros países do Primeiro Mundo não ficam muito abaixo dessa marca, etambém nos países em desenvolvimento a situação não é muito melhor. Emjunho de 1997, o Brasil estava produzindo 240 mil toneladas de lixo por dia.Não é possível, porém, estimar a quantidade total de poluentes que é jogadano meio ambiente a cada hora em todo o mundo, nem os danos que a sujeiraprovocada pelo ser humano moderno já acarretou ao equilíbrio ecológico doplaneta. Não há uma estatística sobre isso, porque a quantidade de poluentes é
  4. 4. grande demais para ser mensurável. Vamos, porém, dar alguns exemplosconcretos do que a negligência humana e seu desrespeito à natureza jáacarretaram.Não se menciona aqui os grandes desastres industriais ou as tragédiasecológicas que, apesar de naturalmente fazerem parte da poluição gerada peloser humano, são também ao mesmo tempo efeitos retroativos do Juízo Final,trazendo danos imediatos a várias pessoas e ao meio ambiente do qual elasdependem para viver2. Faremos menção neste tópico apenas à contínua açãodegradadora do ser humano na natureza e as suas conseqüências imediatas.Dentre os rejeitos químicos eliminados no ar por várias indústrias, encontram-se o anidrido sulfuroso e o óxido de nitrogênio. Essas substâncias, em contatocom o vapor d’água e o oxigênio do ar transformam-se em ácido sulfúrico eácido nítrico, que por sua vez impregnam a neblina, a geada, a neve e as águasda chuva. Essas se transformam então nas chamadas chuvas ácidas.Ao caírem na superfície, as chuvas ácidas alteram a composição química dosolo e das águas, atingem as cadeias alimentares, destroem florestas elavouras, atacam estruturas metálicas, monumentos e edificações. Segundo oFundo Mundial para a Natureza, cerca de 35% dos ecossistemas europeus jáestão seriamente alterados e aproximadamente 50% das florestas da Alemanhae da Holanda foram destruídas pela acidez da chuva. Nas florestas o efeito éparticularmente terrível: as folhas das árvores são queimadas e o solo ficaexposto à erosão. A vegetação da Serra do Mar, no município de Cubatão, foiseriamente afetada pelas chuvas ácidas originadas do pólo industrial aliexistente, tendo sido necessários trabalhos de contenção nas encostas, natentativa de se evitar desmoronamentos.Na costa do Atlântico Norte, a água do mar está entre 10% e 30% mais ácidaque nos últimos vinte anos. Atualmente suspeita-se que a chuva ácida faciliteo acúmulo de mercúrio nos peixes e, por essa razão, alguns Estados norte-americanos vêm advertindo a população contra o consumo de peixesprovenientes dos lagos mais poluídos.A queima de carvão e combustíveis fósseis produz dióxido de enxofre, o qualtambém provoca a formação de chuvas ácidas. Nos Estados Unidos, onde asusinas termoelétricas são responsáveis por quase 65% do dióxido de enxofrelançado na atmosfera, o solo dos montes Apalaches apresenta uma acidez dezvezes maior que o de áreas vizinhas de menor altitude, e cem vezes maior queo de regiões onde não há esse tipo de poluição. A poluição por sulfatos(subprodutos do ácido sulfúrico) é tão intensa no Parque Nacional do GrandCanyon, que a neblina de poluentes não permite mais ver o fundo dosdesfiladeiros…Além de ser uma das principais causas da chuva ácida, o óxido de nitrogênio,em presença da radiação ultravioleta do Sol e de hidrocarbonetos, transforma-se em compostos fotoquímicos extremamente tóxicos para os vegetais.
  5. 5. Como as chuvas ácidas produzidas num país podem ser levadas pelo ventopara países vizinhos, são também causa de incidentes internacionais.Aproximadamente metade da chuva ácida que atinge o Canadá é devida àpoluição gerada nos Estados Unidos. Uma grande parte da poluição americanatambém atinge a Europa e desencadeia lá chuvas ácidas, conforme jácomprovado através de imagens de satélites. No Brasil, uma usinatermoelétrica no Rio Grande do Sul provoca a formação de chuvas ácidas noUruguai. Parte do smog3 de Londres queima hoje as folhas das árvores naEscandinávia.Em 1982, o Canadá reclamou que a chuva ácida gerada pela poluiçãoamericana havia causado a morte de todos os peixes em 147 lagos daProvíncia de Ontário, e estava dizimando os cardumes de salmão na NovaEscócia.Cabe ressaltar que a natureza também produz chuvas ácidas. A diferençanesse caso, evidentemente, é que ela é útil. Durante uma tempestade, o calorprovocado pelas descargas atmosféricas força as moléculas de nitrogênio eoxigênio existentes no ar a se combinarem e produzirem o dióxido denitrogênio, que, dissolvido pela água da chuva transforma-se em ácido nítrico.A chuva com ácido nítrico produzido dessa forma é então uma chuva ácidanatural. Quando o ácido nítrico chega ao solo é transformado em nitratos, queajudam a fertilizar a terra. A chuva ácida da Natureza não contém o nocivoácido sulfúrico existente na inventada pelo ser humano; além disso, o ácidonítrico produzido pela "chuva humana" aparece em quantidades muitomaiores, causando danos ao invés de benefícios.A poluição atmosférica causada pelo ser humano abrange ainda umaquantidade enorme de compostos químicos além dos já mencionados, como:monóxido e dióxido de carbono, aldeídos, peróxidos, chumbo, arsênio,cádmio, cromo, cobalto, mercúrio, asbesto, benzeno, enxofre e materialparticulado. Os efeitos dessas substâncias sobre a saúde humana variam deacordo com a concentração, mas podem ser resumidos como se segue:alergias, tonturas, dor de cabeça, bronquite crônica, enfisema pulmonar,pneumoconiose, alterações no tecido conjuntivo, danos na visão, hipoxia,lesões degenerativas no coração, nos rins, no fígado, no sistema nervosocentral e no cérebro, defeitos congênitos e câncer. Suspeita-se que só ainalação de material particulado seja a causa da morte de cinco mil pessoaspor ano em Los Angeles e outras quatro mil em Nova York. No ano de 1952,de 4 a 9 de dezembro, entre 3.500 a 4.000 pessoas morreram de bronquiteaguda em Londres, vítimas de uma densa fumaça sobre a cidade.Se a poluição do ar já é tão terrível, a das águas adquire contornos de umahecatombe. As águas são o destino final de quase toda a poluição do meioambiente. Tudo quanto é jogado nos ralos das pias, vasos sanitários, bueiros emesmo nos quintais das casas, acaba interferindo no ciclo natural da água. Amaior parte dos poluentes da atmosfera reage com o vapor de água naatmosfera e volta à superfície sob a forma de chuvas. A chuva ácida é apenasa formação mais danosa.
  6. 6. Substâncias tóxicas, não biodegradáveis4, dejetos orgânicos em suspensão(responsáveis pela proliferação de microrganismos patogênicos) e resíduosindustriais contendo metais pesados, como mercúrio, chumbo, arsênio ecádmio, que se acumulam nos organismos vivos, são lançados sem tratamentoem córregos, lagos, rios e mares. Na fauna de algumas localidades do OceanoAtlântico, como a Ilha da Madeira, foram constatadas taxas de mercúrio setevezes maiores que o limite máximo estabelecido pela Organização Mundial daSaúde, que é de cinco miligramas para cada quilo de peso. Ou melhor, era.Um estudo do governo americano de junho de 1996 revelou que as pessoas jácorrem riscos quando consomem mais de 0,1 microgramas diários para cadaquilo de massa corporal.A idéia de que toda a poluição lançada no mar se dilui rapidamente também éuma ilusão. De acordo com pesquisas científicas, o tempo de misturacompleta de uma partícula nos oceanos é de cerca de 500 anos… Acredita-seque garrafas e frascos de vidro podem permanecer incólumes no mar por atéum milhão de anos. E, a cada ano, milhões de toneladas de poluentes -inclusive vidro - são despejados nos oceanos. Só no Mar Báltico, estima-seque sejam despejados 10 milhões de toneladas de poluentes todos os anos.Um dos mais destruidores processos de poluição das águas é o desencadeadopelas indústrias, que despejam seus rejeitos químicos diretamente nos rios. Éabsolutamente impossível estimar a quantidade de poluentes que jácontaminaram as águas desta forma em todo o mundo, ou sequer o número decasos mais graves. Ao invés de simbolizarem vida e movimento, os riospassaram a ser relacionados com veneno e morte.Em 1º de novembro de 1986, um incêndio num laboratório químico suíço fezdescarregar 30 toneladas de produtos tóxicos no rio Reno, matando meiomilhão de peixes. Foram necessários mais de dez anos para o rio de recuperar.Em agosto de 1995, o rio Essequibo, na Guiana, foi declarado área de desastreambiental ao longo de 200 quilômetros de seu curso. Uma mina de ouro haviajogado no rio 300 milhões de galões de uma solução química de cianidreto.Cinco mil pessoas que dependiam do rio para pesca, banho e consumo foramimediatamente proibidas pelas autoridades de fazerem uso das águascontaminadas.Casos mais ou menos graves do que esses ocorrem rotineiramente em todo oplaneta, sem receber, todavia, o destaque e as reações que deveriam.De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, maisde 7 milhões de produtos químicos já foram descobertos ou produzidos pelahumanidade e milhares de novos compostos aparecem a cada ano. Desse total,cerca de 80 mil são usados em quantidades significativas, e sua produçãodeixa rejeitos químicos em grande parte perigosos. Em Londres, o Instituto doMeio Ambiente declarou sua intenção de realizar testes em mais de 60 milsubstâncias químicas artificiais, em razão da suspeita de que esses compostosquímicos sejam os responsáveis por alterações reprodutivas observadas emseres humanos e animais. Quando jogados no solo ou enterrados no subsolo,esses poluentes atingem e contaminam os lençóis subterrâneos. Tais lixões
  7. 7. químicos proliferam por todo o planeta. Na cidade paulista de Cubatão, a áreaocupada por esses lixões é de dois milhões de metros quadrados.Os agrotóxicos (herbicidas, fungicidas e inseticidas agrícolas), além decontaminar as águas fazem a terra perder seus nutrientes. Em 1973, aOrganização Mundial de Saúde estimou que ocorriam a cada ano nos paísesem desenvolvimento cerca de 250 mil casos de envenenamento por pesticidas,6.700 dos quais eram fatais. Em 1982, a Comissão Oxford para Alívio daFome estimou que esse índice havia-se elevado para 375 mil casos deenvenenamentos anuais, com 10 mil mortes… Em 1986, o total coligido atéentão era de 3,75 milhões de casos de intoxicação por agrotóxicos em todo omundo.Será que com números dessa ordem os governos não se vêem forçados atomar medidas mais drásticas para limitar a produção e o comércio deagrotóxicos?A resposta é não. Esclarece-se: só no ano de 1990 as vendas de agrotóxicos nomundo movimentaram a cifra de 26,8 bilhões de dólares… As grandesindústrias químicas se esforçam hoje para desenvolver e aperfeiçoar asespécies cultivadas; não para que resistam às pragas, mas para que sobrevivamaos novos herbicidas produzidos por essas mesmas empresas...Dos poluentes mencionados anteriormente, dois merecem destaque especial:as matérias orgânicas e o mercúrio.Os esgotos e o lixo orgânico lançados sem tratamento nos rios acabam comtoda a flora e fauna aquáticas. A matéria orgânica dissolvida alimentainúmeros microrganismos que, para metabolizá-la, consomem o oxigênio daságuas. Cada litro de esgoto consome de 200 a 300 miligramas de oxigênio, oequivalente a 22 litros de água. Se a carga de esgoto for superior à capacidadede absorção das águas, o oxigênio desaparece, interrompendo a cadeiaalimentar e provocando a morte da fauna. É este o tipo de poluiçãoresponsável pelas horríveis cenas registradas de tempos em tempos na represaBillings, em São Paulo, e na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro,onde os peixes, pouco antes de morrerem aos milhares, vêm à tona tentandodesesperadamente sorver o oxigênio do ar.Nos oceanos e mares, esse mesmo processo forma as chamadas "marésvermelhas", que nada mais são do que o acúmulo de microrganismosconsumidores de oxigênio. As águas ficam escuras, os peixes morrem e osfrutos do mar tornam-se tóxicos para o consumo humano. Uma oceanógrafaamericana observou que a morte de golfinhos, focas, botos e baleias ocorridaentre 1987 e 1992 coincidiam com o descoramento de recifes de coral e com oaparecimento de enormes marés vermelhas. Estima-se que a maré vermelhaque se formou no atlântico sul entre março e abril de 1994 tenha sido a causada morte de milhares de focas no litoral da Namíbia, na África, em junhodaquele ano.
  8. 8. O mercúrio é o único metal que se mantém em estado líquido à temperaturaambiente, pois seu ponto de fusão é de -38,87°C. Por suas característicasfísico-químicas é uma substância bastante útil quando usada corretamente ecom segurança, como na odontologia por exemplo. Mas torna-se um venenomortal quando é negligentemente despejado na natureza. Quando um cursodágua é poluído por mercúrio, parte deste se volatiliza na atmosfera e torna acair na superfície com as chuvas, enquanto a outra parte é absorvida direta ouindiretamente por plantas e animais aquáticos, num processo chamado "bio-acumulação". Esse processo provoca a concentração de mercúrio emquantidades cada vez maiores nos animais que estão mais acima na cadeiaalimentar, como os peixes, que por sua vez são ainda consumidos pelaspessoas. Além disso, a atividade microbiana transforma o mercúrio metálicoem mercúrio orgânico, altamente tóxico.O mercúrio metálico provoca lesões celulares, atacando principalmente o tubodigestivo, os rins e o sistema nervoso central. Em 1956, o mercúrio orgânicofoi a causa da morte de 46 pessoas e da intoxicação de centenas de outrasnuma vila de pescadores na baía de Minamata, no Japão, que haviamconsumido peixes contaminados pelo metal, lançado de uma fábrica deprodutos químicos.Os efeitos decorrentes da contaminação com mercúrio orgânico são: estado deinconsciência, movimentos involuntários, degeneração das células do cérebro(que passa a apresentar um aspecto esponjoso), atrofiamento e degeneração dosistema nervoso, formigamento e posterior falta de sensibilidade dos membrose dos lábios, distúrbio das funções motoras, fala inarticulada, campo de visãoconstrito, defeitos congênitos. A baía de Minamata só foi declarada livre dacontaminação pelo mercúrio em julho de 1997, mais de 40 anos depois dodesastre ecológico.Dentre todos os resíduos poluentes, os mais perigosos são os radioativos,testemunhos do parco domínio da tecnologia nuclear pela humanidade nestefinal de século. As substâncias radioativas são usadas como combustível emusinas atômicas de geração de energia elétrica, em motores de submarinosnucleares, em equipamentos médico-hospitalares e em instalações militaresenvolvidas na construção de armas nucleares.Mesmo depois de esgotarem sua capacidade como combustível, essassubstâncias não podem ser destruídas e permanecem em atividade durantemilhares e até milhões de anos. Apesar de os despejos no mar e na atmosferaestarem proibidos desde 1983, não se encontrou até hoje formas seguras de searmazenar esses produtos.Recomenda-se a utilização de tambores ou recipientes impermeáveis deconcreto, à prova de radiação, que devem ser enterrados em áreasgeologicamente estáveis. Acontece que essas áreas, ditas "estáveis", podemdeixar de sê-lo a qualquer momento, como atestam a ocorrência de terremotoscom freqüência cada vez maior em todo o mundo; além disso, essas
  9. 9. precauções raramente são cumpridas e os vazamentos são freqüentes. Emcontato com o meio ambiente, as substâncias radioativas interferemdiretamente nos átomos e moléculas que formam os tecidos vivos, provocandolesões celulares que podem resultar em câncer, alterações no material genéticoque podem acarretar mutações nas próximas gerações e modificações nasfunções de certos órgãos do corpo. Acredita-se que a aspiração de ummilionésimo de grama de plutônio é suficiente para causar câncer no pulmão.Na ex-União Soviética e nos países da Europa oriental o desrespeito, diria atéo desprezo para com a natureza atingiu o ápice. O materialismo do regimecomunista nunca cogitou de qualquer preocupação em relação ao meioambiente, pois isso era algo que não dizia respeito à classe trabalhadora, nãopassando de um capricho burguês, um passatempo que, como tal, tinha de serdevidamente menosprezado e combatido.A desintegração do comunismo nesses países revelou uma situaçãoinacreditável de completo descaso ambiental. O trecho a seguir foi extraído dolivro A Terra Em Balanço, de Al Gore:"Um visitante de Copsa Mica, a ‘cidade negra’ da Romênia, observou que ‘asárvores e a grama ficam tão manchadas de fuligem que parecem ter sidomergulhadas em tinta’. Um médico local afirmou que até os cavalos sópodem permanecer nessa cidade por dois anos: ‘depois disso, eles têm de serlevados embora, do contrário morrerão’. Nas regiões setentrionais da ex-Tchecoslováquia o ar é tão poluído, que o governo instituiu um prêmio paraqualquer pessoa que ali residir por mais de dez anos. Aqueles que o pleiteiamchamam esse prêmio de ‘pé na cova’. Mais a leste, na Ucrânia, o número departículas poluentes lançadas anualmente na atmosfera é oito vezes maiorque em todos os Estados Unidos da América."A situação na Rússia consegue ser ainda mais tétrica. Em dezembro de 1994descobriu-se que desde 1950 lixo nuclear altamente radioativo vinha sendosimplesmente injetado no chão, em terrenos próximos a grandes rios. Aquantidade de radioatividade superava em 60 vezes o total liberado no maisgrave acidente nuclear já ocorrido até então: o da usina de Chernobyl, naUcrânia. O lixo radioativo enterrado atingiu lençóis freáticos através dainfiltração de água no subsolo, levando a radioatividade para grandesdistâncias. Três anos depois, a Agência Internacional de Energia Atômica(AIEA) informou que a Rússia "estava sentada sobre mais de 500 mil metroscúbicos de dejetos nucleares)."Ao comentário do cientista americano Henry Kendall, prêmio Nobel de Física,de que a descoberta do lixo radioativo fora "a maior irresponsabilidadenuclear na história da humanidade", o assessor russo para o meio ambiente,Alexei Iablokov, retrucou: "Já é um progresso, ainda há poucos anosninguém teria sabido de nada. É uma prova de que nossa consciênciaecológica está aumentando."Apesar de irônica, a declaração de Iablokov é verdadeira. Sobre o destino domaterial nuclear retirado dos mísseis da ex-União Soviética ele declarousimplesmente o seguinte: "Eu vi de que maneira o material físsil retirado de
  10. 10. 23 mil ogivas nucleares está guardado: praticamente ao ar livre. (…) Nestepaís jamais alguém se preocupou com conseqüências, com o homem e com anatureza, e isso ainda pouco mudou."Para avaliarmos o alcance dessas declarações do assessor russo, bastaconsiderar que das ogivas nucleares já desativadas da ex-União Soviéticarestaram cerca de 500 quilos de plutônio, que foram "armazenados" na formaque agora se conhece. O plutônio é o elemento radioativo mais tóxico queexiste: tem uma meia vida de 24 mil anos no meio ambiente, e a aspiração de2 mg é suficiente para matar uma pessoa.As notícias atômicas se sucedem. O chefe da contra-espionagem russa, EugeniPrimakov, afirma que um quinto do território da antiga União Soviética(equivalente à metade da área do Brasil) foi contaminado por radioatividade.A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) , sediada em Viena,constatou que a marinha russa continua afundando lixo nuclear nos mares.Treze submarinos nucleares russos estão estacionados indefinidamente numpequeno porto do Ártico; seus reatores funcionaram o dobro da vida útil e nãopodem mais ser desativados, pois nesse caso os resíduos são tão radioativosque não existem depósitos seguros para eles. Pelo menos dez submarinosnucleares, com quinze reatores, apodrecem no fundo do mar ao redor de umailha onde foram detonadas 132 bombas nucleares. O lixo radioativo de um dosprimeiros submarinos nucleares russos foi colocado em recipientes e jogadosnum lixo, perto da fronteira com a Noruega, há mais de 30 anos. E continuamlá. Em dezembro de 1997, apenas 42 submarinos nucleares, dos 150desativados, estavam sem o combustível nuclear.Também em outros tipos de poluição a Rússia parece imbatível. O estragocausado pela poluição atmosférica em áreas inteiras próximas a cidadesindustriais, fez com que a Noruega declarasse algumas regiões próximas àfronteira como "território de total destruição ambiental".A cidade russa de Nikel, com 50 mil habitantes e equipada com instalaçõespara produção de níquel, joga todos os anos na atmosfera 11 toneladas demetais pesados venenosos e 300 mil toneladas de gases sulfúricos, sete vezesmais do que polui a Noruega inteira com seus 4 milhões de habitantes. Numaárea de 100 km² em redor de Nikel não cresce mais vegetação. Mesmo emregiões mais afastadas as autoridades proíbem a coleta de frutos silvestres oufungos, pelo receio de envenenamento.Na Sibéria e no Ártico, estima-se que já vazaram dos oleodutos queatravessam a região o equivalente a um ano da produção de petróleo doKuwait. A esse respeito, advertia uma matéria da revista Veja:"Da mesma maneira que os burocratas do átomo trataram com notáveldesdém o lixo nuclear — e as populações afetadas — os do petróleocompensam as perdas causadas por vazamentos nos oleodutos malconstruídos simplesmente bombeando mais petróleo pela tubulação. Emfevereiro, vinte anos depois de começar a funcionar, os oleodutosapresentavam vazamentos — em média 700 por ano — que já não maispodiam ser controlados pela Komineft, a gigantesca empresa que explora o
  11. 11. petróleo da região. (…) O motivo dessa catástrofe — especialistas ocidentaisestimam a quantidade de óleo perdida em 300 mil toneladas, sete vezes maisque no desastre do superpetroleiro Exxon Valdez — continua o mesmo da erasoviética, quando 7% a 20% da produção escapava por vazamentos nosoleodutos siberianos: o medo de que uma paralisação temporária, paraencontrar o vazamento, comprometa centenas de quilômetros de tubulação. Aexpectativa de vida dos habitantes das regiões de exploração de petróleo naSibéria baixou de 62 anos para 55. O leite de vacas da região estácontaminado por benzol, fenol e enxofre."Há ainda um outro tipo de lixo que é exclusivo da nossa época: o espacial. Anuvem de sujeira que atualmente órbita a Terra, produzida em apenas quatrodécadas de era espacial, inclui satélites em funcionamento e desativados,restos de foguetes, tanques de combustível, parafusos, etc. Dos 3.800 foguetese 4.600 satélites lançados nas últimas quatro décadas, só 500 aindafuncionavam em janeiro de 1998. O resto é lixo espacial. Há ainda cerca de 8mil peças maiores que uma bola de tênis, 110 mil cacos com diâmetro entreum e dez centímetros e 35 milhões de lascas menores que um centímetro. Eem 1998 e 1999 estavam previstos pelo menos 300 novos lançamentos desatélites, apenas nas órbitas baixa e média, até 30 mil quilômetros de altitude.Alguns cientistas são de opinião que as próximas estações espaciais deverãoestar protegidas por escudos contra o lixo sideral...Recentemente descobriu-se que uma estranha nuvem que orbitava a Terra a650 quilômetros de sua superfície era radioativa, proveniente de umvazamento de um reator nuclear da ex-União Soviética, que viaja à deriva noespaço.Aonde alcança a atuação do ser humano terreno, lá se forma algo nocivo…É inegável que nos últimos anos a preocupação com o meio ambiente cresceuconsideravelmente no mundo. Todavia, isso se deu em sua maior parte peloreceio de que o bem-estar dos povos, particularmente os dos paísesdesenvolvidos, pudesse ser afetado de alguma maneira pela poluiçãocrescente, conforme ficou claro na ECO-92, com seus termos ambíguos de"crescimento sustentado" e "preservação da biodiversidade". E também com adeclaração indisfarçavelmente hipócrita de que as companhias transnacionais(onde se incluem aquelas fabricantes de agrotóxicos que desenvolvem plantasresistentes a eles) são "grupos cujo papel nos processos decisórios é precisofortalecer."Fabricantes de veneno decidindo sobre ecologia…Nenhum governo, nenhuma indústria, e certamente muito poucos indivíduos,lutam contra a poluição por amor e respeito à natureza. Nos seus "manifestosecológicos", visam, em última instância, a preservação de seus interessespróprios e imediatos.
  12. 12. E um novo perigo surgiu recentemente. Na constatação de que a natureza émuito mais resistente do que se pensava, pois se assim não fosse já estaríamostodos mortos com tanto veneno, algumas pessoas querem fazer crer que apoluição não está tão ruim assim, que inclusive o mundo está mais limpo eque as perspectivas para o futuro são francamente animadoras. Esse tipo deatitude só faz enfraquecer o movimento ecológico mundial, tentandoapresentar os que nele militam como pessoas "alarmistas".Os apaziguadores não perdem tempo. Também aqui eles colocam panosquentes em tudo e distribuem óculos cor-de-rosa para camuflar uma situaçãoextremamente grave. Grave para os próprios seres humanos, que angariampara si mais uma culpa em seu já extenso rosário, ao sujareminconseqüentemente o planeta que habitam e destruírem levianamente o ar, asflorestas, os rios e os mares. Não é o ser humano que sobreviverá à destruiçãoda natureza, mas exatamente o contrário.Como não poderia deixar de ser, aspectos econômicos e ameaças dedesemprego são também freqüentemente evocados para não se melhorar onível de poluição, principalmente nas indústrias. Cito, como exemplo, umaempresa americana que anunciou estar suspendendo indefinidamente asatividades de sua fundição porque, conforme alegou, atender as exigênciasambientais era caro demais. O comunicado deixou mil trabalhadoresdesempregados. Num encontro com assessores do governador, algunsfuncionários exibiam cartazes com os dizeres: "Nossos bebês não podemcomer ar puro!"A chantagem dessa empresa é um retrato claro do valor que a quase totalidadeda humanidade devota à natureza e às suas Leis. A obediência irrestrita a essasLeis, no entanto, até agora tão arrogantemente afrontadas e escarnecidas, é aúnica possibilidade que o ser humano dispõe para subsistir no Juízo Final. Aúnica e última possibilidade.Notas de Texto1. A respeito da atuação dos enteais, ou seres da natureza, ver as seguintes obras deRoselis von Sass, publicadas pela Editora Ordem do Graal na Terra: O Livro do JuízoFinal, O Nascimento da Terra, Os Primeiros Seres humanos.2. Esse assunto é abordado no tópico Acidentes.3. Smog: mistura de fumaça (vários poluentes) e de nevoeiro, que se forma sobregrandes concentrações urbanas e industriais sob determinadas condições atmosféricas.4.Alguns produtos, como as fraldas descartáveis, levam até 50 anos para se degradar; amaior parte dos plásticos, entre 4 e 5 séculos.

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