Paula Toller

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Paula Toller

  1. 1. DIVA52
  2. 2. A musa Paula Toller vivencia um momento iné- dito em sua carreira. Enquanto colhe os bons re- sultados de seu segundo e aclamado trabalho solo, “Sónós”, a cantora finaliza a produção de seu pri- meiro DVD, feito de forma independente em parce- ria com seu marido, o cineasta Lui Farias. Sem a presença dos companheiros do Kid Abelha nem as canções enérgicas da sua banda, Paula assume Lançado nove anos após sua primeira aventura uma postura mais intimista e introspectiva na nova tur- sem o Kid Abelha, o disco apresenta a faceta mais nê e experimenta uma relação diferente com o público. criativa da artista. Diferente do primeiro álbum “Tenho experimentado a sensação de estar sendo homônimo, que trazia apenas duas composições admirada, avaliada, ouvida, enfim. Um incômodo e próprias, seu mais recente trabalho, que recebeu delicioso desafio”, conta. elogios da crítica e dos fãs, é totalmente autoral. A boa fase não se restringe apenas à sua carrei- Foi durante a fase de preparação para o lan- ra: a beldade está de bem com a vida e mostra mui- çamento de seu primeiro DVD solo que Paula ta maturidade, não só como cantora, mas também Toller conversou com a L’UOMO BRASIL sobre como compositora, mãe e esposa. A loira parece ter esse momento tão importante em sua carreira. alcançado a paz interior, pelo menos temporaria- Veja nessa entrevista exclusiva, que contou so- mente, como ela prefere dizer. bre sua carreira, suas inspirações, sua família, Apesar de tal maturidade, Paula esbanja tanta jo- seu passado e seus desejos. vialidade que tem dificuldade para convencer os in- cautos de que já atingiu os 46 anos (mais da metade O tempo passa e você consegue ficar dos quais dedicados à música popular brasileira). sempre melhor, está mais bonita, elegante Longe de se preocupar com rótulos, ela aceita e incor- e sofisticada do que nunca, continua uma pora devidamente o título de sex symbol, sem que isso ótima cantora e se mostrou uma compo- lhe ofusque o talento para compor, comprovado com sitora talentosa. O que tem feito para ter o mais recente “Sónós”. esta convivência proveitosa com o tempo? Eu faço valer bem o meu tempo. Quando come- cei, isso se manifestava como uma energia juvenil,P intuitiva. Após observar e viver as pancadas que a vida dá, con- cluo que não há outro jeito a não ser viver da melhor maneira possível, realizar o máximo possível, com as pessoas queridas sempre perto e, claro, sempre de olho no impossível. Você aceita o título de sex symbol? Isso te incomo- da hoje? Aceito. Outro dia vivi uma situação bizarra: fui fazer show em Buenos Aires e o oficial da imigração do aeroporto quase me impe- diu de entrar no país porque não acreditou na data de nascimento do meu passaporte e desconfiou que era falso. Não sabia se ficava com raiva pela demora ou lisonjeada pelo espanto dele. aula TollerPara eXCITar a INTelIGÊNCIaPOR JACKSON GUEDES 53
  3. 3. Ao longo dos anos, o que aprendeu em rela- ção à importância das coisas? Sua percepção do que era ou não importante mudou? Antigamente, trabalhava muito para conseguir que as músicas virassem hits. Vivia a cena musical de maneira muito pragmática. Hoje, penso na mi- nha carreira como um todo, não estou tão preocu- pada com o estouro de uma música, mas sim com o entendimento pelo público do que é o meu trabalho e minha atitude como artista e cidadã. Então, nessa nova postura, são mais importantes os shows, discos e entrevistas mais reflexivas. O que te dá mais alegria hoje? Ainda tem sonhos não realizados ou já conquistou o su- ficiente para sua paz interior? Desenvolve al- guma prática espiritual? Paz interior é como trem: vem vindo, fica um tem- pinho na estação, depois sai e você fica esperando o próximo, que, enquanto não vem, você tem um monte Era a fantasia do príncipe encantado, estava sempre esperando de coisas para fazer. Procuro um equilíbrio entre as a inspiração como aquele jovem lindo que vinha em um cavalo relações pessoais e profissionais e as vaidades com o branco para me salvar. Depois de muito suplício criativo, decidi corpo e a mente. Mas é um equilíbrio dentro do dese- que sabia fazer o que fazia e bastava olhar em volta e fazer, sem quilíbrio, sem querer ajustar tudo no meio-termo. esperar nada. Então, peguei o príncipe encantado e ordenei: ago- Eu mantenho algumas práticas místicas que vêm ra venha trabalhar para mim! da minha educação religiosa, embora há muito não Você citou em algumas entrevistas seus autores pre- siga mais religião. Gosto, por exemplo, de entrar feridos. De que forma os livros e autores que lê influen- em igrejas vazias e rezar, usar alguns símbolos, mas ciam em seu repertório? O que tem lido ultimamente? não sigo os dogmas, até porque, como boa brasilei- Meus livros são todos rabiscados, sublinhados... Relaciono-me ra, também observo rituais de outras religiões. Para com o objeto sem muito respeito. Leio todos do Michel Houellebe- mim, o mais importante de tudo é que meus amigos cq, do Pedro Juán Gutierrez; agora mergulhei na biografia do André e as pessoas próximas a mim tenham a certeza de Midani (Música, Ídolos e Poder) e em Uma breve história do futu- que estou pronta para ajudar quando precisarem. ro, de Jacques Attali. Também adoro os do Garcia Roza, acompanho igual novela. Às vezes, o livro me impressio- na de tal modo que influencia a minha vida “Peguei o príncipe pessoal e, conseqüentemente, a criação. E em relação à música atual, o que tem ouvido? encantado e ordenei: agora Rufus Wainwright, Amy Winehouse, Pet Sounds, dos Beach Boys, e as quatro venha trabalhar para mim!” sinfonias de Brahms estão no meu carro atualmente. Em casa, quando era criança, era uma mistura danada por causa do gos- to de meu avô, um homem culto: Carmem Em uma auto-análise, o que menos gosta? Miranda, Elis, Beatles, os BBBs (Bach, Beethoven e Brahms) e E o que mais aprecia? Chopin, etc. Eu ficava no meu quarto estudando e ouvia esses Eu sou exigente e minuciosa, o que pode ser defeito clássicos sem saber o que era de quem. Muitos anos depois, já e qualidade a depender da situação. Não sei fazer nada adolescente, aconteceu de eu ouvir um piano e cantarolar de cor, pela metade, vou pregar botão, tenho de pregar muito pensando: conheço isso. Eram as sonatas de Beethoven. Foi uma bem. Dá uma certa dor de cabeça, mas odeio negligen- boa maneira de me ensinar sem impor e sem que eu ficasse com ciar as coisas. O que mais gosto em mim, sem dúvida, um temeroso respeito. Agradeço ao meu avô por isto, inclusive é minha saúde. dediquei meu primeiro disco a ele. Ao olhar para trás, o que fez de errado que “Sónós” é um disco conceitual? Que tema representa hoje se lamenta e não o faria novamente? esse conceito que permeia o disco? Eu teria tido empresários melhores. O resto não Me coloquei como hub (centro), nó, pólo, tanto dos composi- dava para ser diferente do que foi, e foi legal. tores como dos sentimentos mostrados nas canções. Eu toquei Você mudou sua forma de compor? Onde pas- nos pontos sensíveis para mim naquele momento, vida em co- sou a buscar inspiração para suas músicas? mum, maternidade e feminilidade. A inspiração vem do ar que respiro, em todos os O disco, em minha opinião, é bem folk-jazz e chega sentidos. Vem do que penso diante de um aconteci- a lembrar certos momentos de Carole King e Joni Mi- mento, de um livro, um show, um disco de alguém... tchel. Elas foram inspiração direta? Fazem parte de Antes eu sacralizava o tal “momento de inspiração”. suas influências?54
  4. 4. “eu tenho experimentado a Joni Mitchell eu admiro demais, mas não sou íntima, agoraquanto a Carole King, você foi na mosca. Quando recebi as demosdo Jesse Harris, ouvi a Carole que há nele, na voz e na compo-sição. Foi impressionante! Na hora de cantar “If you won’t” eumantive esse “perfume”. sensação de estar Em seu site, diz que só vê graça em escrever tocan-do nos pontos que doem. Pode-se dizer que “Sónós” sendo admirada, avaliada e ouvida.é um disco intimista e confessional? Você se expõebastante nas letras. Me exponho e não vejo como se possa ser artista sem fazê-lo. Os próprios shows têm sido mais intimistas doque os feitos com o Kid Abelha, certo? Como tem sido um incômodo eessa experiência? Eu tenho experimentado a sensação de estar sendo admira-da, avaliada e ouvida. Um incômodo e delicioso desafio. Mas há delicioso desafio”.compensações, como os aplausos em cena aberta, que estou ex-perimentando pela primeira vez. E também posso chegar maisperto das pessoas e interagir, você vê isso nas cenas do DVD emque canto na platéia. Como foi o processo de criação do disco? Pode falarum pouco sobre as parcerias? Uma versão que gosteimuito foi a de Vicious World do Rufus Wanwright. Eusoube que ele gostou bastante do resultado. Você che-gou a participar dos shows com ele? Como conseguiuaproximar o universo dele, tão peculiar, com referên-cias próprias suas como a citação à Maysa? Ainda não cantei com Rufus; vai ser difícil com aquele montede cantoras na família dele (risos). Tenho certeza que ele ado-raria Maysa, o ar aristocrático deprimido, a voz rouca. Usei ascitações porque conheço bem as letras dele e ele abusa delas. “Sónós” traz composições suas em inglês. Comporem outro idioma lhe permite dar abordagem a temasque não conseguiria tratar em português? Eu consegui usar essa palavra que adoro – predation –, queé meio esquisita em português: predação. E a música ficavamelhor mesmo em inglês, pois a acentuação da melodia nãocombinava com português. Até fiz uma versão, mas não pas-sou no “controle de qualidade”. Já gravou duas músicas para seu filho, outra parao marido, além de ter trabalhado diretamente comele na gravação do DVD. Qual a importância da suafamília hoje? Eu e Lui trabalhamos muito bem juntos. Contamos com aopinião e ajuda um do outro e sabemos quase sempre a hora de Em um momento em que vários movimentosdesligar a chave “trabalho” e ligar a chave “casal”. A minha pe- musicais estão sendo relembrados e homenagea-quena família me suporta emocionalmente para tudo. Gostamos dos como a Tropicália e a Bossa-Nova, acha quede ficar juntos, damos risada juntos, mas somos independentes, sua geração será celebrada da mesma forma?sem chantagens emocionais. Qual a importância de ter liderado a mais signifi- Como foi a gravação do DVD? O que achou do re- cante banda pop dos anos 1980?sultado? Como foi a experiência de gravar de forma Não há como comparar com as gerações anteriores,independente? pois o regime militar criou um hiato e impediu a ligação O cenário diz tudo na dureza dos nós da madeira, na transpa- do pessoal anterior conosco. Essa troca só aconteceu de-rência do vidro, na brincadeira de reflexão dos espelhos distor- pois que já fazíamos sucesso. Minha geração tinha umcidos. Foi uma louca maratona. Ficou lindo, honesto, moderno nível alto em se tratando de música pop. No começo,e misturado. Na parte artística, sempre trabalhei com indepen- deixávamos a desejar tecnicamente, mas tínhamos ex-dência, em 27 anos nenhuma gravadora jamais me impôs músi- celentes idéias, éramos carismáticos e tínhamos vozesca, estilo, capa de disco, participação em programas de TV, nada com personalidade. Nenhum conjunto (era o termodisso. Então, isso é parecido, mas agora serei dona do master. que a gente usava) se parecia com os outros. ConvémTive uma boa proposta de uma excelente distribuidora, que era lembrar que chegamos a pessoas de todas as classes, emum problema antigo para os independentes. Já que entrei nessa todo o Brasil. Até hoje, sou igualmente bem recebidacorrente de novas estréias, por que não mais uma? nos subúrbios e lugares da alta burguesia. 55

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