FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLISPÓS – ENFERMAGEM DO TRABALHOA IMPORTÂNCIA DA POLITICA DE SAÚDE DOTRABALHADOR PARA PRE...
CAMILA FRANZOTTI ROZZAA IMPORTÂNCIA DA POLITICA DE SAÚDE DOTRABALHADOR PARA PREVENÇÃO DE DOENÇAOCUPACIONAL.Monografia apre...
CAMILA FRANZOTTI ROZZAA IMPORTÂNCIA DA POLITICA DE SAÚDE DOTRABALHADOR PARA PREVENÇÃO DE DOENÇAOCUPACIONAL.Monografia apro...
RESUMOA brucelose é uma doença infecto-contagiosa, sistêmica que acomete os seres humanos eos animais, tendo como agente e...
ABSTRACTBrucellosis is an infectious disease, systemic that affects humans and animals, and bacteriaas the etiologic agent...
SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ...
1. INTRODUÇÃOA brucelose é uma doença infecto-contagiosa, especialmente importante parafêmeas adultas e prenhes, causada p...
Faz-se necessário um entendimento aprofundado acerca do tema em questãovisando o aprimoramento e o conhecimento da brucelo...
2. OBJETIVOS2.1 Objetivo GeralRealizar uma abordagem da importância da política de saúde do trabalhadorpara o setor de saú...
3. METODOLOGIATrata-se de uma revisão da literatura que segundo Vieira e Hossne (2001)mostra a evolução de conhecimentos s...
4. REVISÃO BIBLIOGRAFICA4.1 Definição de bruceloseO gênero Brucella é composto por nove espécies, sendo B. melitensis, B. ...
proteínas de origem animal que são indispensáveis para a saúde e bem estar(SOUZA, 1977).4.2 TransmissãoDas zoonoses que af...
Abastecimento – MAPA (TENÓRIO, 2008,p.416).O período de incubação é muito variável, podendo ser de 5 a 60 dias, atémeses, ...
Em geral, o paciente se recupera, porém pode ficar com incapacidade intensano curso da enfermidade, sendo importante o dia...
refrigeradas; e (d) a água de cisternas e poços contaminados por excrementos deanimais doentes (SOUZA, 1977).O homem pode ...
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), elaborou elançou no Brasil, no início de 2001, o Programa Na...
• Luvas - sempre que houver possibilidade de contato comsangue, secreções e excreções, com mucosas ou com áreasde pele não...
Ter precauções com o material de drenagens e secreções.Realizar a desinfecção concorrente das secreçõespurulentas. Investi...
informal da economia. Também são considerados trabalhadores aqueles queexercem atividades não remuneradas, participando de...
A Saúde do Trabalhador reflete uma resposta institucional aos movimentossociais que, entre a metade dos anos 70 e os anos ...
extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, deprodutos, de máquinas e de equipamentos que...
atualmente são desenvolvidas de modo desigual nos estados e municípios. Talatraso no cumprimento constitucional para as aç...
8.213/91, que dispõe sobre a organização da seguridade social e institui planos decusteio e planos de benefícios da previd...
O texto constitucional define os poderes da União, estabelecendo, também,os poderes remanescentes dos Estados e dos Municí...
Instituir um Plano Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador, pactuadoentre os diversos órgãos de Governo e da sociedad...
5. CONSIDERAÇÕES FINAISA brucelose é uma doença infecciosa, de natureza aguda ou crônica, que afetavárias espécies animais...
consciência dos próprios trabalhadores, as principais vítimas dos problemasocupacionais relacionados ao trabalho.REFERÊNCI...
POESTER, F. et al. Estudos de prevalência da brucelose bovina no âmbito doPrograma Nacional de Controle e Erradicação de B...
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  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLISPÓS – ENFERMAGEM DO TRABALHOA IMPORTÂNCIA DA POLITICA DE SAÚDE DOTRABALHADOR PARA PREVENÇÃO DE DOENÇAOCUPACIONAL.CAMILA FRANZOTTI ROZZAFERNANDÓPOLIS - SP2013
  2. 2. CAMILA FRANZOTTI ROZZAA IMPORTÂNCIA DA POLITICA DE SAÚDE DOTRABALHADOR PARA PREVENÇÃO DE DOENÇAOCUPACIONAL.Monografia apresentada a Fundação Educacionalde Fernandópolis, como requisito para obtençãodo titulo de especialista em Enfermagem doTrabalho, sob a orientação do Prof. Dr. JoséMartins Pinto Neto.FERNANDÓPOLIS - SP2012
  3. 3. CAMILA FRANZOTTI ROZZAA IMPORTÂNCIA DA POLITICA DE SAÚDE DOTRABALHADOR PARA PREVENÇÃO DE DOENÇAOCUPACIONAL.Monografia aprovada em _________ de_____________de 2013, como requisito para aobtenção do título de especialista emEnfermagem do Trabalho do Curso deEspecialização da Fundação Educacional deFernandópolis, como requisito para obtenção dotitulo de especialista em Enfermagem doTrabalho, sob a orientação do Prof. Dr. JoséMartins Pinto Neto.____________________________________________OrientadoraFERNANDÓPOLIS - SP2013
  4. 4. RESUMOA brucelose é uma doença infecto-contagiosa, sistêmica que acomete os seres humanos eos animais, tendo como agente etiológico bactérias do gênero Brucella. É de caráterprofissional, em que estão mais sujeitos a adquirir a doença as pessoas que trabalhamdiretamente com os animais infectados ou aqueles que trabalham com produtos esubprodutos de origem animal, como funcionários de matadouros, laticínios e indústriasalimentícias. Como não se transmite habitualmente de um ser humano a outro, a profilaxiano homem se atem ao combate e à eliminação da doença nos animais. O Ministério daAgricultura, Pecuária e Abastecimento, elaborou em 2001, o Programa Nacional de Controlee Erradicação da Brucelose que tem como objetivo atingir uma elevada cobertura vacinal debezerras entre três e oito meses com vacina B19, de forma a reduzir a prevalência debrucelose para níveis que permitam passar à fase de erradicação. Apesar de a brucelosenão ser doença de notificação obrigatória no território nacional, deve ser notificada navigência de surtos, para que se intensifiquem medidas de controle. Os casos de bruceloserelacionada ao trabalho deve ser comunicado aos órgãos responsáveis pelo controle dosrebanhos, que podem alertar a vigilância sanitária e impedir a distribuição e consumo deprodutos infectados, visando à redução da morbimortalidade da doença. Surgem a cada ano500 mil novos casos de brucelose humana. Do ponto de vista da Saúde Pública deve serconsiderada não só como causa de enfermidade, de incapacidade para o trabalho ediminuição do rendimento, mas também como fator nocivo para a produção de alimentos,principalmente de proteínas de origem animal que são indispensáveis para a saúde e bemestar. Com base nos preceitos éticos e legais, o enfermeiro do trabalho, realiza suasatividades diante do controle da doença, administra cursos e palestras voltados à orientaçãodos colaboradores sobre a doença, orientando-os quanto ao uso correto de EPI´s, sempreavaliando os resultados e a qualidade da assistência. A necessidade de implantação demedidas de prevenção, impõe um melhor conhecimento epidemiológico desta patologia, queatinge o homem em circunstâncias especiais, decorrentes das características do seutrabalho.Palavras chave: brucelose, riscos ocupacionais, prevenção.
  5. 5. ABSTRACTBrucellosis is an infectious disease, systemic that affects humans and animals, and bacteriaas the etiologic agent of the genus Brucella. It is professional in nature, they are more likelyto acquire the disease directly to people who work with infected animals or those workingwith products and animal byproducts, such as employees of slaughterhouses, dairy and foodindustries. As usually is not transmitted from one human to another, prophylaxis in humans istimely to combat and eliminate the disease in animals. The Ministry of Agriculture, Livestockand Supply, produced in 2001, the National Programme for Control and Eradication ofBrucellosis which aims to achieve a high coverage of calves between three and eight monthswith B19 vaccine in order to reduce prevalence of brucellosis to levels that can be brought toeradication. Although brucellosis is not notifiable disease in the national territory shall benotified in the duration of outbreaks, in order to intensify control measures. Cases ofbrucellosis-related work should be communicated to the bodies responsible for control oflivestock, which can alert health monitoring and preventing the distribution and consumptionof infected, to reduce morbidity and mortality of the disease. Appear every year 500,000 newcases of human brucellosis. From the standpoint of public health must be viewed not only asa cause of illness, incapacity for work and reduced performance, but also as a factor harmfulto food production, especially of animal proteins that are vital for health and welfare. Basedon the ethical and legal issues, the nurses work, carries out its activities on disease control,runs courses and seminars aimed at orientation of employees about the disease, advisingthem about the correct use of PPE, always evaluating the results and the quality of care. Theneed to implement preventive measures requires a better knowledge of epidemiology of thisdisease, which infects humans in special circumstances arising from the characteristics oftheir work.Keywords: Brucellosis, occupational hazards, prevention.
  6. 6. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 072. OBJETIVOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .092.1 Objetivo Geral. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .092.2 Objetivos Específicos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .093. METODOLOGIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .114.1 Definição de brucelose. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .114.2 Transmissão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .124.3 Manifestações clínicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134.4 Diagnóstico e tratamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144.5 Prevenção e Educação em Saúde. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154.6 A Importância da Política de Saúde do Trabalhador para o Setor de Saúde. 185. CONSIDERAÇÕES FINAIS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 266. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27
  7. 7. 1. INTRODUÇÃOA brucelose é uma doença infecto-contagiosa, especialmente importante parafêmeas adultas e prenhes, causada por bactérias aeróbicas, Gram negativas dogênero Brucella spp que acomete os animais domésticos e o homem (BRASIL,2001).Há vários anos a brucelose é associada a ocupação do homem, atribuindo-sea esta enfermidade um caráter de doença ocupacional de trabalhadores rurais,trabalhadores do setor de limpeza pública, frigoríficos e indústrias alimentícias. Estaenfermidade é de grande importância para a saúde pública, resultando em custosdiretos e indiretos para os trabalhadores e para as respectivas empresas (TENÓRIOet al., 2008).Os fatores de risco, entre os quais exposição constante e direta com carcaçasde animais, seus órgãos e vísceras e distribuição de carnes provenientes deles,geralmente estão presentes no abate de animais para consumo humano. Ações emedidas de vigilância sanitária para tais animais devem ser postas em execução,com o objetivo de prevenir o risco potencial de infecção brucélica zoonótica(FREITAS et. al., 2001).O autor citado acima enfatiza ainda que a confirmação diagnóstica de umadoença causa um grande impacto ao portador que deve receber acolhimento,esclarecimento fornecido por uma equipe previamente capacitada, garantindo assimo direito à saúde, sendo este um momento oportuno para estreitarem seus laçoscriando um elo de confiança entre o paciente e o enfermeiro.Os trabalhadores expostos a riscos ocupacionais devem se conscientizar queestes são prevenidos através de mecanismos de segurança, especialmenteinseridos em um programa abrangente de prevenção, podendo reduzir de formaimportante o risco dessa exposição (BRASIL, 2010).Os casos de brucelose relacionada ao trabalho deve ser comunicado aosórgãos responsáveis pelo controle dos rebanhos, que podem alertar a vigilânciasanitária e impedir a distribuição e consumo de produtos infectados, visando àredução da morbimortalidade da doença (BRASIL, 2001).
  8. 8. Faz-se necessário um entendimento aprofundado acerca do tema em questãovisando o aprimoramento e o conhecimento da brucelose, através de recursosmetodológicos da pesquisa bibliográfica do presente estudo.
  9. 9. 2. OBJETIVOS2.1 Objetivo GeralRealizar uma abordagem da importância da política de saúde do trabalhadorpara o setor de saúde.2.2 Objetivos Específicos Identificar os fatores de risco para a brucelose em trabalhadores expostos àdoença em seu espaço de trabalho; Descrever a Política de Saúde do Trabalhador; e Enfatizar as Políticas de Saúde do Trabalhador no Âmbito Hospitalar.
  10. 10. 3. METODOLOGIATrata-se de uma revisão da literatura que segundo Vieira e Hossne (2001)mostra a evolução de conhecimentos sobre o tema específico, apontando falhas eacertos, fazendo críticas e elogios e desta forma mostra o que é realmenteimportante sobre o tema.Vieira e Hossne (2001) relatam que uma revisão de literatura sobre umdeterminado assunto, mostra a evolução do conhecimento, mostrando falhas eacertos das publicações relacionadas ao mesmo.A leitura consultada, segundo os autores pode incluir livros, artigos científicospublicados em periódicos nacionais, teses dentre outros. Neste tipo de estudo, osautores informam ainda que os pesquisadores utilizam as publicações que lhesparecem mais importantes; não existe aqui a obrigatoriedade de explicação doscritérios de seleção.
  11. 11. 4. REVISÃO BIBLIOGRAFICA4.1 Definição de bruceloseO gênero Brucella é composto por nove espécies, sendo B. melitensis, B. suise B. abortus espécies lisas, altamente patogênicas e responsáveis por doençasgraves, principalmente em caprinos e ovinos, suínos e bovinos, respectivamente,assim como no homem. As duas únicas espécies naturalmente rugosas são B.canis, causadora da brucelose canina e considerada a menos patogênica para ohomem, e B. ovis, que só foi encontrada infectando naturalmente ovinos (POESTERet al., 2009).De acordo com o autor citado acima, as espécies B. neotomae e B. microti,isoladas de roedores silvestres, não são consideradas zoonóticas. B. ceti e B.pinnipedialis, patogênicas para mamíferos marinhos, já foram associadas agranulomas intracerebrais em pacientes com neurobrucelose, osteomielite da colunavertebral e a acidentes laboratoriais.As Brucellas são pequenos bastonetes Gram-negativos, não móveis, nãoformadores de esporos. Eles são aeróbios e carboxifílicos e catalase positivos e nãoproduzem ácidos de carboidratos em meio convencional com peptona. Eles não sãoencontrados vivendo longe de animais e todos são patogênicos, parasitas intra-celulares facultativos com uma predileção pelo sistema retículo endotelial além dotrato reprodutivo e órgãos (TENÓRIO, 2008).Desde a descoberta da Brucella melitensis por Bruce, em 1887, e suaassociação com a doença zoonótica transmitida por alimento, a brucelose continuousendo uma doença cosmopolita, tendo como fatores de risco, a ingestão dealimentos contaminados, o contato com animais e o exercício de atividades queenvolvem o contato com eles (FREITAS et. al., 2001).Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que a cada anosurgem 500 mil novos casos de brucelose humana, afetando principalmentepessoas envolvidas com a bovinocultura (BRASIL, 2001).Do ponto de vista da Saúde Pública deve ser considerada não só comocausa de enfermidade, de incapacidade para o trabalho e diminuição do rendimento,mas também como fator nocivo para a produção de alimentos, principalmente de
  12. 12. proteínas de origem animal que são indispensáveis para a saúde e bem estar(SOUZA, 1977).4.2 TransmissãoDas zoonoses que afetam o homem, a brucelose é uma das maisdisseminadas e pode ser transmitida direta ou indiretamente do animal ao homem.Como não se transmite habitualmente de um ser humano a outro, a profilaxia nohomem se atem ao combate e à eliminação da doença nos animais. Uma vacabrucélica pode eliminar quantidades de Brucellas suficientes para contaminar todo orebanho de uma região através das membranas fetais, dos corrimentos puerperaisou do leite (SOUZA, 1977).O autor acima citado destaca ainda que a transmissão de Brucella aohomem pela ingestão ou manipulação do leite contaminado e seus derivados, estácomprovada e sabe-se que as três espécies principais de Brucella são B. abortus; B.suis e B. melitensis.Em geral, a transmissão da infecção animal épotencializada para as pessoas em decorrênciada inobservância de normas adequadas nomanejo sanitário das criações e de práticasinsalubres das pessoas na lida sistemática como gado bovino. A maior dificuldade deidentificar e caracterizar a dinâmica da infecçãoem humanos é a inexistência de uma técnicaespecífica para esse fim, sendo, por isso,utilizados nos ensaios sorológicos envolvendopessoas, os mesmos testes de referênciaempregados para o diagnóstico da brucelosebovina, contidos no Programa Nacional deControle e Erradicação da Brucelose eTuberculose - PNCEBT, implementado peloMinistério da Agricultura, Pecuária e
  13. 13. Abastecimento – MAPA (TENÓRIO, 2008,p.416).O período de incubação é muito variável, podendo ser de 5 a 60 dias, atémeses, porém o início dos sintomas ocorre de duas a três semanas após aexposição ao agente (BRASIL, 2001).4.3 Manifestações clínicasA doença pode se manifestar por quadros agudos ou crônicos, com síndromefebril, mal-estar, fadiga fácil, artralgia, mialgia, dor lombar e nas panturrilhas,cefaléia, desatenção e depressão. Pode também ser observada linfadenomegaliapouco expressiva e raramente hepatoesplenomegalia. Nas formas agudas, aduração da doença é de até dois meses, e nos crônicos ultrapassa a dois anos.Muitos pacientes podem apresentar alterações limitadas a um órgão e sistema comoossos e articulações, fígado e vesícula biliar, tubo digestivo, aparelhos urinário erespiratório, coração e sistema nervoso (BRASIL, 2001).Quadros sub-clínicos são frequentes, bem como quadroscrônicos de duração de meses e até anos, se não tratados.Devido ao polimorfismo das manifestações e ao seu cursoinsidioso, nem sempre se faz a suspeita diagnóstica. Muitoscasos se enquadram na síndrome de febre de origem obscura(FOO). Essa febre, na fase aguda e subaguda, em 95% doscasos, é superior a 39°C. Complicações osteo-articularespodem estar presentes em cerca de 20 a 60% dos pacientes,sendo a articulação sacroiliaca a mais atingida. Orquite eepididimite tem sido relatadas e, também, pode ocorrerendocardite bacteriana (BRASIL, 2010, P.105).
  14. 14. Em geral, o paciente se recupera, porém pode ficar com incapacidade intensano curso da enfermidade, sendo importante o diagnóstico e tratamento precoces.Podem ocorrer recidivas, com manifestações parciais do quadro inicial ou com todoo seu cortejo (BRASIL, 2010).4.4 Diagnóstico e tratamentoO diagnóstico laboratorial é realizado através de isolamento da Brucella emcultura de sangue, medula óssea e outras secreções; teste de aglutinação em tuboscom títulos maiores ou iguais a 1/160 ou aumento de 4 vezes dos títulos dasoroaglutinação, 2 a 3 semanas de intervalo entre eles (de 7 a 10 dias após ainfecção, pode ser detectada IgM específica para a Brucella (BRASIL, 2001).O tratamento é feito com doxiciclina ou minociclina (100 mg, VO, 12/12 horas,por 45 dias) associada com rifampicina (600 – 900 mg/dia, VO, uma vez ao dia por45 dias), porém a doxiciclina não deve ser usada em crianças com idade inferior asete anos ou em grávidas após o sexto mês de gestação. O sulfametoxazol (800) de12/12 horas, VO, por seis semanas também poderá ser associado com gentamicina(5mg/kg/dia, IM ou EV, divididas em porções iguais, de 8/8 horas) (BRASIL, 2001).As recidivas devem ser tratadas com o mesmo esquema antibiótico que, emgeral, não se devem à resistência aos antibióticos, mas a seqüestro dos agentes poralgum órgão que impede a efetiva ação da droga (SOUZA, et al, 1977).O trabalho insalubre pode ser conceituado como o desempenho de atividadeslaborais, de natureza física, em ambiente que efetivamente possibilite a ocorrênciade dano à saúde do trabalhador (ARAÚJO JÚNIOR, 2008).De acordo com o autor citado acima, o trabalho em frigoríficos compreendeatividades repetitivas devido ao intenso processo de produção. Trabalhadoresexecutam suas atividades laborais em ambientes inapropriados e insalubres, ondeas dificuldades incluem desde a iluminação, ruídos, poeiras e espaço físico. Issotorna o trabalho exaustivo e perigoso.Os meios de contaminação mais freqüentes para o homem são: (a) produtosalimentícios preparados do leite cru de animais infectados; (b) legumes cruscontaminados por excrementos de animais infectados; (c) as vísceras, medulaespinhal e gânglios linfáticos de carnes infectadas, nas quais a Brucella podepermanecer por mais de um mês após o abate, e mais tempo ainda se congelada ou
  15. 15. refrigeradas; e (d) a água de cisternas e poços contaminados por excrementos deanimais doentes (SOUZA, 1977).O homem pode contrair a doença ainda pelo contato com a carcaça do animal,sangue, urina, secreções vaginais, fetos abortados ou placenta. Também podeocorrer contaminação por meio de acidente em laboratório (BRASIL, 2001).O abate de animais, uma das atividades derisco, tem importante significado natransmissão das espécies de Brucella sp. parao homem, principalmente nas operações queenvolvem contato direto com a fonte deinfecção, representada por carcaças e víscerasde animais abatidos e pela formação deaerossóis conseqüentes às condiçõesambientais reinantes nos estabelecimentos deabate, situações muito comuns nos matadouros(SANCHEZ et al, 1998, apud FREITAS, 2001,p.101).Na prática, as empresas, em razão da necessidade de grandesinvestimentos em tecnologias que reduzam ou eliminem as condições de riscos,preferem eternizar o pagamento do adicional de risco em detrimento da segurança,higiene e saúde do trabalhador (ARAÚJO JÚNIOR, 2008).4.5 Prevenção e Educação em SaúdeEm 1990, a Lei Orgânica da Saúde (Lei Federal 8080/90), em seu artigo 6º,parágrafo 3º, regulamentou os dispositivos constitucionais sobre Saúde doTrabalhador como “um conjunto de atividades” que se destina, através das ações devigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção, assim comovisa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscose agravos advindos das condições de trabalho (BRASIL, 2007).
  16. 16. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), elaborou elançou no Brasil, no início de 2001, o Programa Nacional de Controle e Erradicaçãoda Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). Trata-se de um programa harmonizado comas condutas preconizadas pelos organismos internacionais e suficientemente flexívela ponto de permitir a sua implementação nos heterogêneos estados brasileiros(BRASIL, 2006 apud POESTER et al., 2009).O PNCEBT tem como um de seus objetivos atingir uma elevada coberturavacinal de fêmeas, por meio de vacinação de bezerras entre três e oito meses comvacina B19, de forma a reduzir a prevalência de brucelose para níveis que permitampassar à fase de erradicação (AMAKU et al., 2009).Quando se pretende iniciar um programa de controle de brucelose, é deextrema importância conhecer a situação epidemiológica da doença, por duasrazões principais: (1) permitir a escolha das melhores estratégias tendo em vista afrequência e distribuição da doença nas populações estudadas; (2) permitir que sejafeito o acompanhamento do programa com vistas a possíveis correções, para evitardesperdício de tempo e de recursos (POESTER et al., 2009).Apesar de a brucelose não ser doença de notificação obrigatória no territórionacional, deve ser notificada na vigência de surtos, para que se intensifiquemmedidas de controle (BRASIL, 2001).Os cuidadores de animais também devem ser educados quanto aos riscos dadoença e os cuidados para evitar o contato com animais doentes ou potencialmentecontaminados (BRASIL, 2001).As precauções com o material de drenagem e secreções, deve ser realizadacom a desinfecção concorrente das secreções purulentas e a investigação decontatos para tratamento, controle e adoção de medidas de prevenção. Emsituações de epidemia, investigar fontes de contaminação comum, que em geral sãoo leite e os derivados não pasteurizados. Confiscar os alimentos suspeitos até quesejam instituídas as medidas de prevenção definitivas (BRASIL, 2001).No caso de trabalhadores expostos, devem ser observadas as medidas debiossegurança, fornecidos os EPI adequados e facilidades para higiene pessoal. Osequipamentos de proteção individual incluem: luvas, máscaras, gorros, óculos deproteção, aventais e atendem às seguintes indicações:
  17. 17. • Luvas - sempre que houver possibilidade de contato comsangue, secreções e excreções, com mucosas ou com áreasde pele não íntegra (ferimentos, escaras, feridas cirúrgicas eoutros).• Máscaras, gorros e óculos de proteção - durante a realizaçãode procedimentos em que haja possibilidade de respingo desangue e outros fluidos corpóreos nas mucosas da boca, narize olhos do profissional.• Capotes (aventais) - devem ser utilizados durante osprocedimentos com possibilidade de contato com materialbiológico, inclusive em superfícies contaminadas.• Botas - proteção dos pés em locais úmidos ou comquantidade significativa de material infectante (centroscirúrgicos, áreas de necrópsia e outros) (BRASIL, 2010, p. 181-182).Em alguns casos, pode ser necessário o controle da infecção em animais pormeio de provas sorológicas para diagnóstico precoce e, se necessário, sacrifício doanimal infectado. Recomenda-se a verificação da adequação e cumprimento, peloempregador, das medidas de controle dos fatores de risco ocupacionais e promoçãoda saúde identificados no PPRA (NR 9) e no PCMSO (NR 7), além de outrosregulamentos sanitários e ambientais.Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se informarao trabalhador; examinar os expostos, visando a identificar outros casos; notificar ocaso aos sistemas de informação do SUS, à MTE e ao sindicato da categoria;providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT daPrevidência Social, orientar o empregador para que adote os recursos técnicos egerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco (BRASIL,2001).Para maior controle da disseminação da doença, devem ser realizadasalgumas mudanças no setor de trabalho:
  18. 18. Ter precauções com o material de drenagens e secreções.Realizar a desinfecção concorrente das secreçõespurulentas. Investigar os contatos para tratamento econtrole. Investigar as fontes de infecção para adoção demedidas de prevenção. Em situações de epidemia,investigar fontes de contaminação comum, que, em geral,são os produtos de origem animal contaminados,principalmente leite e derivados não pasteurizados,esterilizados ou fervidos. Confiscar os alimentos suspeitosaté que sejam instituídas as medidas de prevençãodefinitivas. Em laboratórios, observar o cumprimento dasnormas de biosseguranca, incluindo o uso correto dosequipamentos de proteção individual (BRASIL, 2010, p.107).A necessidade de implantação de medidas de prevenção, impõe um melhorconhecimento epidemiológico desta patologia, que atinge o homem emcircunstâncias especiais, decorrentes das características do seu trabalho (SPÍNOLA,1972).4.6 A Importância da Política de Saúde do Trabalhador para o Setor deSaúdeA saúde do trabalhador só veio ganhar âmbito depois de muito processo. NoBrasil, até 1988, a Saúde era apenas um benefício previdenciário (restrito aoscontribuintes) ou um serviço comprado na forma de assistência médica ou, por fim,uma ação de misericórdia oferecida aos que não tinham acesso à previdência e nemrecursos para pagar a assistência privada, prestada por hospitais filantrópicos, comoas Santas Casas. (BRASIL,2006)Políticas de saúde são considerados trabalhadores todos os homens emulheres que exercem atividades para sustento próprio e/ou de seus dependentes,qualquer que seja sua forma de inserção no mercado de trabalho, no setor formal ou
  19. 19. informal da economia. Também são considerados trabalhadores aqueles queexercem atividades não remuneradas, participando de atividades econômicas naunidade domiciliar; o aprendiz ou estagiário e aqueles temporária ou definitivamenteafastados do mercado de trabalho por doença, aposentadoria ou desemprego. Esteconceito de trabalhador, ampliado e abrangente, expressa o princípio do SUS deuniversalidade do acesso à atenção. (RIO GRANDE DO NORTE, 2012)Como pode observar a prestação de serviço de saúde era regulado pelaPrevidência Social.“A atenção à saúde era, rigorosamente, um serviço oferecido e regulado pelomercado ou pela Previdência Social, por meio de uma política de Estadocompensatória voltada aos trabalhadores contribuintes, formalmente inseridos nomercado de trabalho”. (BRASIL, 2006)As campanhas não eram repercutidas o quanto deveria ser. Neste caso, aassistência de prevenção deixava de merecer.Campanhas e programas predominantemente de caráter preventivista, comoas campanhas de vacinação e os programas verticais sobre doenças endêmicas,como tuberculose, hanseníase, doença de Chagas, malária, entre outras. (BRASIL,2006)Dissociava as ações individuais das ações coletivas e excluía grande parte dapopulação da atenção à saúde, aliado aos níveis de desigualdade de distribuição dariqueza do país, contribuía incisivamente para perpetuar péssimas condições desaúde e qualidade de vida aos cidadãos. (BRASIL, 2006)Era muito alto o índice de acidente do trabalho, além disso a capacidade dediagnóstico não era satisfatória. Neste texto abaixo enuncia com clareza o contextoexposto.O índices recordistas de acidentes do trabalho, levando a OrganizaçãoInternacional do Trabalho – OIT a pressionar o então governo militar porprovidências em curto prazo; baixíssima capacidade diagnóstica e de registro dasdoenças relacionadas ao trabalho.(BRASIL, 2006)A partir de meados dos anos 70 e durante toda a década de 80, orecrudescimento dos movimentos sociais levou o Brasil ao seu processo deredemocratização. Nesse contexto surge o Movimento de Reforma Sanitária,propondo uma nova concepção de Saúde Pública para o conjunto da sociedadebrasileira, incluindo a Saúde do Trabalhador. (BRASIL, 2006)
  20. 20. A Saúde do Trabalhador reflete uma resposta institucional aos movimentossociais que, entre a metade dos anos 70 e os anos 90, reivindicavam que asquestões de saúde relacionadas ao trabalho fizessem parte do direito universal àsaúde, incluídas no escopo da Saúde Pública. Entre os fatores que contribuírampara a institucionalização da Saúde do Trabalhador no âmbito do Sistema Único deSaúde, temos:- o movimento de Oposição Sindical dos anos 70 e 80;-o Movimento da Reforma Sanitária Brasileira;-o movimento pelas eleições diretas e pela Assembléia Nacional Constituinte e; apromulgação da “Constituição Cidadã” em 1988, com a conquista do direito universalà saúde e o advento do Sistema Único de Saúde.Em 1988 o povo brasileiro conquistou, após quase 500 anos de história, odireito universal à saúde, disposto na Constituição da República Federativa doBrasil, em seu Art.196 como “... um direito de todos e um dever do Estado, garantidomediante políticas sociais e econômicas....”.A Carta Magma traz em seu texto que “... As ações e serviços de saúdeintegram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único...”e, em seu artigo 200, está definido que “... ao Sistema Único de Saúde compete...executar as ações de saúde do trabalhador...”, assim como “... colaborar na proteçãodo meio ambiente, nele compreendido o do trabalho...”.A lei 8080/90 em seu artigo 60parágrafo 30apresenta sobre a constituição aSaúde do Trabalhador, com o seguinte respaldo:“Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto deatividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica evigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim comovisa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscose agravos advindos das condições de trabalho, abrangendo:I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador dedoença profissional e do trabalho;II - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde(SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciaisà saúde existentes no processo de trabalho;III - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde(SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de produção,
  21. 21. extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, deprodutos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde dotrabalhador;IV - avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde;V - informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e àsempresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e dotrabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e examesde saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da éticaprofissional;VI - participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços desaúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas;VII - revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processode trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais; eVIII - a garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgãocompetente a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente detrabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dostrabalhadores.”.Dessa forma, a configuração da Saúde do Trabalhador se dá diretamente noâmbito do direito à saúde, previsto como competência do SUS. Devido àabrangência de seu campo de ação, apresenta caráter intra-setorial (envolvendotodos os níveis de atenção e esferas de governo do SUS) e inter-setorial(envolvendo a Previdência Social, Trabalho, Meio Ambiente, Justiça, educação edemais setores relacionados com as políticas de desenvolvimento), exigindo umaabordagem interdisciplinar e com a gestão participativa dos trabalhadores.Nos últimos dez anos o SUS representou um considerável avanço no quetange ao acesso do cidadão às ações de atenção à saúde e à participação dacomunidade em sua gestão, por meio das instâncias de controle social, legalmentedefinidas. Tal avanço tem se refletido na melhora substancial dos indicadores geraisde saúde, como por exemplo o da mortalidade infantil. Porém, é sabido que, para odireito pleno à saúde, requer ainda que o SUS alcance a melhoria da qualidade e daeqüidade em suas ações, incluindo as ações em Saúde do Trabalhador. (BRASIL,2006)As ações em Saúde do Trabalhador, no âmbito do SUS, têm se desenvolvidode forma isolada e fragmentada das demais ações de saúde. Estas ações
  22. 22. atualmente são desenvolvidas de modo desigual nos estados e municípios. Talatraso no cumprimento constitucional para as ações em Saúde do Trabalhador noSUS, tem se refletido em alguns indicadores de mortalidade e gravidade elevados.(BRASIL, 2004)O Relatório Brasileiro sobre Direitos Humanos Econômicos, Sociais eCulturais de 2003, apresentado em abril na Conferência Mundial de DireitosHumanos (Genebra - 2003) e, posteriormente, na Conferência Nacional de DireitosHumanos (Brasília – 2003), denuncia casos de violação de direitos humanos,inclusive no que diz respeito à Saúde do Trabalhado (Relatório Brasileiro sobreDireitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais, 2003).Assim, o direito à saúde e à vida, passa pela transformação do processo deprodução, que de fonte de agravos e de morte deve ser um fator de proteção e depromoção da vida. Neste contexto, o Sistema Único de Saúde tem um papelfundamental, sendo racional e adequado que a rede de serviços públicos de saúdese qualifique e estruture para atender as demandas de saúde do trabalhador deforma integral (BRASIL, 2006).Política esta entendida como o instrumento orientador da atuação do setorsaúde no campo da saúde dos trabalhadores, com o objetivo de: promover eproteger a saúde dos trabalhadores por meio de ações de promoção, vigilância eassistência; explicitar as atribuições do setor saúde no que se refere às questões deSaúde do Trabalhador de modo a dar visibilidade à questão e viabilizar a pactuaçãointra e inter-setorial; fomentar a participação e o controle social. (BRASIL, 2006)4.7 Políticas de Saúde do Trabalhador no Âmbito HospitalarFoi a partir de 1987, que as principais normas legais davam ênfase aosacidentes de trabalho e as características especificas do trabalho propriamente dito,pois as leis foram elaboradas pelo Ministério do Trabalho.A assistência do cuidar da segurança e da saúde do trabalhador por meiodas ações e da Saúde, atribuições regulamentadas na Consolidação das Leis doTrabalho (Capítulo V, do Título II, Lei n. 6.229/75), na Lei n. 8.212/91 e
  23. 23. 8.213/91, que dispõe sobre a organização da seguridade social e institui planos decusteio e planos de benefícios da previdência social e na lei Orgânica da Saúde, Lein. 8080/90. (BRASIL,2006)Apenas a partir da Constituição Federal de 1988 e sua regulamentação, coma Lei Orgânica da Saúde (Lei 8080 de 1990), o Sistema de Único de Saúde – SUSpassa a ter competência e atribuição legal sobre o processo saúde-doençarelacionado ao trabalho. Desde então, o Ministério da Saúde, por meio da ÁreaTécnica de Saúde do Trabalhador - COSAT, tem buscado formular uma PolíticaNacional de Saúde do Trabalhador - PNST. Entre 1998 e 2000 foi desenvolvido umprocesso participativo para a elaboração de uma proposta para a PNST, jamaisimplementada (BRASIL,2006)Os artigos 196 aos 200 da CF atribuem ao Sistema Único de Saúde as açõesde Saúde do Trabalhador, por meio de políticas sociais e econômicas que visem àredução do risco de doenças e de outros agravos, além de serviços e ações quepossam promover proteger e recuperar a saúde.Estão incluídas no campo de atuação do Sistema Único de Saúde - SUS(art.200), nos distintos níveis: a) - a execução de ações de saúde do trabalhador;b) a colaboração na proteção do meio ambiente, nele compreendido o dotrabalho. A alínea I, do artigo 22, da CF define como prerrogativa exclusiva da Uniãolegislar sobre o Direito do Trabalho e a obrigação de organizar, manter e executar ainspeção do trabalho.A alínea XXII, do artigo 7o, da CF, inclui como direito dos trabalhadores a “...redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene esegurança”. (BRASIL,2006)A competência privativa da União para legislar sobre Direito do Trabalho nãose sobrepõe nem entra em conflito com a competência dos Estados e dosMunicípios em editar, de forma suplementar, normas de proteção e defesa dasaúde, em especial do trabalhador, por se situarem em campos distintos,autônomos, ainda que conexos pelo bem jurídico que se pretende proteger.(BRASIL,2006)Os trabalhadores têm o direito ao trabalho em condições seguras e saudáveisnão condicionados à existência de vínculo trabalhista, ao caráter e natureza dotrabalho. (BRASIL,2006)
  24. 24. O texto constitucional define os poderes da União, estabelecendo, também,os poderes remanescentes dos Estados e dos Municípios. A União organiza,mantém e executa a inspeção do trabalho, com exclusividade (BRASIL,2006).(V) e legisla, privativamente, sobre direito do trabalho (art. 22, I). A União,os Estados, o Distrito Federal e os Municípios cuidam da saúde e assistênciapública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência (art. 23,II). A União, os Estados e o Distrito Federal legislam concorrentemente sobre.previdência social, proteção e defesa da saúde (art. 24, XII).A elaboração e adoção da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (ListaA e Lista B) pelo Ministério da Saúde (Portaria MS N.º 1.339 de 18 de novembro de1999), em cumprimento do Art. 6o, §3o, inciso VII, da Lei 8.080/90, representa umsubsídio valioso para o diagnóstico, tratamento, vigilância e o estabelecimento darelação da doença com o trabalho e outras providências decorrentes.A politica de saúde do trabalhador ela tem por finalidade a saúde e qualidadede vida do trabalhador. É com a ajuda do governo que entra como articulador dasações politicas nos ramos de produção, consumo, ambiente e saúde.Para que o plano de ação seja executado deve se submeter a diretrizes eestratégias, o qual é a ferramenta de trabalho que auxilia na aplicação. As diretrizese estratégias implicarão o desencadeamento da politica qual deve ser aplicada aostrabalhadores.“Tais políticas têm dimensões sociais e técnicas indissociáveis. A dimensãotécnica pressupõe a utilização dos conhecimentos e tecnologias mais adequados, afim de dar respostas eficazes aos problemas e assegurar a credibilidade dostrabalhadores. Na sua dimensão social, as demandas por saúde são reivindicadasdiretamente pelo trabalhador no serviço de saúde, aonde somam-se as açõespreventivas e/ou curativas. Nesse sentido, o serviço de saúde configura-se como ummicro espaço de luta política e de produção de informação e conhecimento,relacionando interesses com projetos distintos, que necessitam ser considerados nomodelo de atenção adotado”.(BRASIL,2006)Promoção, proteção e reparação da saúde do trabalhadorPara realizar a promoção a proteção e a reparação da saúde do trabalhador,deve se ter alguns planos de ação.Como por exemplos,
  25. 25. Instituir um Plano Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador, pactuadoentre os diversos órgãos de Governo e da sociedade civil, atualizado.Periodicamente. (BRASIL,2006)Normatizar, de forma interministerial, os assuntos referentes à Segurança eSaúde do Trabalhador, em matérias que requeiram ações integradas ou apresenteminterfaces entre os diversos órgãos de governo; adotar regras comuns de Segurançae saúde do Trabalhador para todos os trabalhadores, observando o principio daequidade; atuar nas negociações da reforma trabalhista, integrado com os demaisatores sociais envolvidos, garantido a manutenção do direito a um trabalho seguro esaudável e de representação de trabalhadores nos locais de trabalho, democrática eindependente, específica de SST; participar ativamente das negociações tripartitesnacionais e internacionais, especialmente no âmbito do Mercosul e dos paíseslatino-americanos, de modo a garantir uma atuação brasileira articulada naConferência Internacional do Trabalho de 2005 da OIT, que elaborará a “EstratégiaGlobal de Segurança e Saúde no Trabalho”. (BRASIL,2006)Reorganizar os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança eMedicina do Trabalho – SESMT, de modo à adequá-los aos objetivos da PNSST;articular e integrar as ações de interdição nos locais de trabalho.” (BRASIL,2006)
  26. 26. 5. CONSIDERAÇÕES FINAISA brucelose é uma doença infecciosa, de natureza aguda ou crônica, que afetavárias espécies animais, inclusive o homem.Um ponto relevante que não posso deixar de salientar é a qualidade de vidadesses portadores que apresentam um importante impacto em todas as dimensõesrelacionada à saúde, reforçando a necessidade de uma equipe interdisciplinar noacompanhamento do paciente. Percebo que tais portadores apresentamcomprometimento na função física e também psicológica, sendo necessário oacompanhamento de um profissional capacitado. Mas, apesar disso as pessoas combrucelose podem levar uma vida ativa e adotar uma atitude positiva em relação aela.Dos riscos ocupacionais encontrados na literatura revisada, os principaisestão relacionados ao contato direto com manipulação de produtos de origemanimal. As publicações referentes à proteção dos trabalhadores em indústriasalimentícias e frigoríficos, principalmente em relação aos riscos ocupacionais queesses enfrentam evidenciou a necessidade de intervenção nessa realidade,tornando-se necessário o estabelecimento de um plano de ação, baseado nodiagnóstico das condições de trabalho que oportunizam a prevenção de acidentes.No entanto, a higiene pessoal e o saneamento ambiental são os meios maiscomuns de prevenção à brucelose humana. É recomendado o uso de luvas deborracha, máscaras cirúrgicas e proteção para os olhos, para trabalhadores deabatedouros e para todos aqueles que correm o risco de exposição à bactéria.Outras medidas importantes são os cuidados de higiene, para limitar os riscos deexposição de algumas atividades ocupacionais.Pelo exposto, acredito ter atendido aos objetivos iniciais a que me propus,trazendo uma reflexão sobre a brucelose e sobre as implicações da enfermagem aser entendida como tal, despertando a atenção do enfermeiro do trabalho para acondição de sofrimento humano do portador de brucelose, apontando formaspossíveis de atuação profissional no alívio desse sofrimento.Mais pesquisas sobre essa temática poderiam ser realizadas, com o intuito deaumentar o conhecimento existente sobre a mesma, facilitando-se a tomada de
  27. 27. consciência dos próprios trabalhadores, as principais vítimas dos problemasocupacionais relacionados ao trabalho.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAMAKU, M. et al., F. Modelagem matemática do controle de brucelose bovina porvacinação. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.61, n.1, p.135-141, 2009.ARAÚJO JÚNIOR, F, M. A monetização do trabalho, antinomia constitucional e abase de cálculo do adicional insalubre. Revista do Tribunal Regional do Trabalhoda 8ª Região: Belém, v.41, n.81, p. 65-78, jul./dez. 2008.BRASIL. Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil.Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços desaúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.BRASIL. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica deSaúde do (a) Trabalhador (a) – COSAT. Ministério da Saúde. POLÍTICA NACIONALDE SAÚDE DO (a) TRABALHADOR (a). Brasília, 2004.BRASIL. Cosat – Coordenação Técnica de Saúde dos Trabalhadores – Ministério daSaúde. Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador. Manual deGestão e Gerenciamento. 2006.BRASIL. Lei Orgânica da Saúde nº 8080, publicada em 19 de setembro de 1990.BRASIL. Ministério da Saúde. A saúde do trabalhador, 2007. Disponível em:<http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualizar_texto.cfm?idtxt=24377&janela=1>.FREITAS, J. de A. et al. Risco de brucelose zoonótica associado a suínos de abateclandestino. Rev Saúde Pública, v.35, n.1, p.101-102, 2001.
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