Cabelo ao vento,Valéria avançava no vale, no verde vale , Valéria.
O riacho passou perto dela, correndo de pedra em pedra, e  disse  bom dia. Era um riacho muito bem educado.Valéria respondeu :Bom dia amigo riacho!Quem sujou as tuas águas que eram tão claras quando eu tinha cinco anos e ia pela primeira vez à escola?E o riacho contou que todas as fábricas da região ali deitavam mercúrio, cobre, zinco, chumbo e todas as coisas ruins que  estragavam as suas águas.
Eu sei! Tu estás poluído amigo riacho. Os homens que fizeram isso são ignorantes, a tua água já não vai servir para beber, os teus peixes vão ficar doentes, as plantas e as árvores que tu regas não podem ser felizes!
E os peixes subiram à tona da água do riacho e disseram:E as plantas curvaram as suas cabecitas e disseram:Sim, nós estamos doentes.Nós estamos infelizes!
As árvores agitaram os ramos  e os frutos e disseram a Valéria:Nós também não somos felizes.
E Valéria contou pelos dedos:Por causa do chumbo, do chumbo e do mercúrio,do mercúrio e do zinco,do zinco, do cobre e dos produtos químicos.E dos homens que não sabem o mal que estão a fazer.
Depois do riacho, dos peixes, das plantas e das árvores, foi a vez da chuva que disse a Valéria:Eu também estou poluída. Vim do mar, do grande mar, que está poluído pelo homem. Mil espécies de peixes já desapareceram e quase 20.000 correm o perigo de desaparecerem.
E no fundo do mar, onde antigamente havia lindos recifes de corais, encontra-se chumbo e mercúrio; os peixes não resistem, Valéria. Se os homens não tiverem juízo, o mar pode morrer e os homens não podem viver sem o mar.
O mar, o grande mar está poluído!
Os homens não podem viver sem o mar e também não podem viver sem o ar que devia ser transparente mas também está poluído.
Claro que estou poluído. As chaminés das fábricas, os automóveis e os aviões têm-me poluído de tal maneira que qualquer dia não tenho oxigénio suficiente para a respiração das plantas, dos animais e do próprio homem!
Depois do riacho , dos peixes, das plantas e das árvores e da chuva que falou do mar, e do ar que soprou as suas verdades, foi a vez de um pato, que tinha vindo da Dinamarca, contar:Na nossa terra, há 150.000 caçadores  que têm 150.000 espingardas e enchem a natureza de chumbinhos!…Os meus amigos gansos e os meus irmãos patos engolem os chumbinhos, misturados com pedras pequenas e os chumbinhos vão envenenando as aves.
Os homens não sabem o que fazem!É preciso que todas as crianças do mundo, que serão os homens de amanhã, salvem a Natureza!Salvem os rios, os riachos, os lagos e as lagoas, os peixes e os peixinhos, os corais, os mariscos, todas aquelas coisas vivas e lindas que há na Terra…o mar, o ar, a chuva, os patos, todos os pássaros e todos os homens e meninos do mundo.
Foi então que o solo contou a Valéria:Derrubaram as minhas florestas, queimaram a vegetação, colocaram herbicida nas minhas folhas, mataram os insetos. As vacas comeram a erva e o leite ficou envenenado; as crianças beberam o leite e estão doentes.
E a galinha que estava a debicar umas folhinhas, nas pedras e pedrinhas, disse logo:Assim não podemos continuar! Os meus ovos já não são tão bons como eram e os cereais também não e as verduras também não.
Valéria sabia que nenhum deles mentia, porque a natureza nunca mente.Era preciso  escrever para as crianças do  Brasilque escreveriam para as de Portugal para que escrevessem para as de França,que escreveriam para as da Rússiapara que escrevessem para as da Índia,que escreveriam para as do Japãopara que escrevessem para as da China,que escreveriam para as de Inglaterra, da Itália,da América, de todos os cantos e recantos do mundo.
Porque era preciso que todos os meninos:meninos brancos,meninos pretos,meninos amarelos(e as meninas também, é claro)soubessem que a vida estava em perigo e era preciso salvar a natureza.
Valéria escreveu cartas e mais cartas, enviadas pelo correio, levadas pelos pássaros que emigravam, pelos peixes que partiam para outros rios e outros mares,sopradas pelo vento,seguindo na boca dos bichos,passadas de mão em mão pelas crianças de todas as raças.
E as crianças de todas as raças  chamaram os pássaros, os peixes, o vento e os bichos e levaram a mensagem de Valéria para que todos soubessem, em todas as partes do mundo, que a vida estava em perigo!
A mensagem de Valéria chegou ao coração de todos os meninos e meninas, que serão os homens de amanhã. Que serão os pais e as mães de novos meninos e meninas.
Todos decidiram salvar a Natureza e todos os bichos e todos os seres humanos que fazem parte da Natureza.Ainda falta esperar para que as crianças sejam adultas e cumpram a palavra  que deram. Mas podemos confiar porque palavra de criança não está poluída.Os pássaros que levaram a mensagem contaram a outros pássaros,os peixes a outros peixes,as ondas a outras ondase o vento soprou a mensagem que correu nas patas dos bichos.
Agora todos sabem o que se passou e o riacho que salta e saltita diz:Obrigado, Valéria!Exatamente como os peixes, as plantas e as árvores que dizem:-Obrigado Valéria!Tal como a chuva, que desce do alto muito fininha para dizer:-Obrigado Valéria!
E a vida que é tudo o que está poluído e maltratado pelos homens, olha a menina que enviou a mensagem e tem confiança na promessa das crianças de  salvarem a Natureza.Valéria sorri e avança  no valeno verde vale,Valéria…
Protege a terra!                                                               Maria Augusta Marques, 2011

Valeria

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    Cabelo ao vento,Valériaavançava no vale, no verde vale , Valéria.
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    O riacho passouperto dela, correndo de pedra em pedra, e disse bom dia. Era um riacho muito bem educado.Valéria respondeu :Bom dia amigo riacho!Quem sujou as tuas águas que eram tão claras quando eu tinha cinco anos e ia pela primeira vez à escola?E o riacho contou que todas as fábricas da região ali deitavam mercúrio, cobre, zinco, chumbo e todas as coisas ruins que estragavam as suas águas.
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    Eu sei! Tuestás poluído amigo riacho. Os homens que fizeram isso são ignorantes, a tua água já não vai servir para beber, os teus peixes vão ficar doentes, as plantas e as árvores que tu regas não podem ser felizes!
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    E os peixessubiram à tona da água do riacho e disseram:E as plantas curvaram as suas cabecitas e disseram:Sim, nós estamos doentes.Nós estamos infelizes!
  • 7.
    As árvores agitaramos ramos e os frutos e disseram a Valéria:Nós também não somos felizes.
  • 8.
    E Valéria contoupelos dedos:Por causa do chumbo, do chumbo e do mercúrio,do mercúrio e do zinco,do zinco, do cobre e dos produtos químicos.E dos homens que não sabem o mal que estão a fazer.
  • 9.
    Depois do riacho,dos peixes, das plantas e das árvores, foi a vez da chuva que disse a Valéria:Eu também estou poluída. Vim do mar, do grande mar, que está poluído pelo homem. Mil espécies de peixes já desapareceram e quase 20.000 correm o perigo de desaparecerem.
  • 10.
    E no fundodo mar, onde antigamente havia lindos recifes de corais, encontra-se chumbo e mercúrio; os peixes não resistem, Valéria. Se os homens não tiverem juízo, o mar pode morrer e os homens não podem viver sem o mar.
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    O mar, ogrande mar está poluído!
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    Os homens nãopodem viver sem o mar e também não podem viver sem o ar que devia ser transparente mas também está poluído.
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    Claro que estoupoluído. As chaminés das fábricas, os automóveis e os aviões têm-me poluído de tal maneira que qualquer dia não tenho oxigénio suficiente para a respiração das plantas, dos animais e do próprio homem!
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    Depois do riacho, dos peixes, das plantas e das árvores e da chuva que falou do mar, e do ar que soprou as suas verdades, foi a vez de um pato, que tinha vindo da Dinamarca, contar:Na nossa terra, há 150.000 caçadores que têm 150.000 espingardas e enchem a natureza de chumbinhos!…Os meus amigos gansos e os meus irmãos patos engolem os chumbinhos, misturados com pedras pequenas e os chumbinhos vão envenenando as aves.
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    Os homens nãosabem o que fazem!É preciso que todas as crianças do mundo, que serão os homens de amanhã, salvem a Natureza!Salvem os rios, os riachos, os lagos e as lagoas, os peixes e os peixinhos, os corais, os mariscos, todas aquelas coisas vivas e lindas que há na Terra…o mar, o ar, a chuva, os patos, todos os pássaros e todos os homens e meninos do mundo.
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    Foi então queo solo contou a Valéria:Derrubaram as minhas florestas, queimaram a vegetação, colocaram herbicida nas minhas folhas, mataram os insetos. As vacas comeram a erva e o leite ficou envenenado; as crianças beberam o leite e estão doentes.
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    E a galinhaque estava a debicar umas folhinhas, nas pedras e pedrinhas, disse logo:Assim não podemos continuar! Os meus ovos já não são tão bons como eram e os cereais também não e as verduras também não.
  • 18.
    Valéria sabia quenenhum deles mentia, porque a natureza nunca mente.Era preciso escrever para as crianças do Brasilque escreveriam para as de Portugal para que escrevessem para as de França,que escreveriam para as da Rússiapara que escrevessem para as da Índia,que escreveriam para as do Japãopara que escrevessem para as da China,que escreveriam para as de Inglaterra, da Itália,da América, de todos os cantos e recantos do mundo.
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    Porque era precisoque todos os meninos:meninos brancos,meninos pretos,meninos amarelos(e as meninas também, é claro)soubessem que a vida estava em perigo e era preciso salvar a natureza.
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    Valéria escreveu cartase mais cartas, enviadas pelo correio, levadas pelos pássaros que emigravam, pelos peixes que partiam para outros rios e outros mares,sopradas pelo vento,seguindo na boca dos bichos,passadas de mão em mão pelas crianças de todas as raças.
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    E as criançasde todas as raças chamaram os pássaros, os peixes, o vento e os bichos e levaram a mensagem de Valéria para que todos soubessem, em todas as partes do mundo, que a vida estava em perigo!
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    A mensagem deValéria chegou ao coração de todos os meninos e meninas, que serão os homens de amanhã. Que serão os pais e as mães de novos meninos e meninas.
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    Todos decidiram salvara Natureza e todos os bichos e todos os seres humanos que fazem parte da Natureza.Ainda falta esperar para que as crianças sejam adultas e cumpram a palavra que deram. Mas podemos confiar porque palavra de criança não está poluída.Os pássaros que levaram a mensagem contaram a outros pássaros,os peixes a outros peixes,as ondas a outras ondase o vento soprou a mensagem que correu nas patas dos bichos.
  • 24.
    Agora todos sabemo que se passou e o riacho que salta e saltita diz:Obrigado, Valéria!Exatamente como os peixes, as plantas e as árvores que dizem:-Obrigado Valéria!Tal como a chuva, que desce do alto muito fininha para dizer:-Obrigado Valéria!
  • 25.
    E a vidaque é tudo o que está poluído e maltratado pelos homens, olha a menina que enviou a mensagem e tem confiança na promessa das crianças de salvarem a Natureza.Valéria sorri e avança no valeno verde vale,Valéria…
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    Protege a terra! Maria Augusta Marques, 2011