Tipos de choques
Os choques dinâmicos são uma decorrência de duas espécies de tensões elétricas, a
tensão de toque e a tensão de passo. Ao encostar em um objeto energizado, o
indivíduo estará exposto a uma diferença de potencial elétrico, uma tensão que passa a
circular da extremidade do membro superior que proporcionou o contato até os
membros inferiores. É a tensão de toque. Um defeito no sistema de isolamento de uma
torre de transmissão, por exemplo, pode gerar uma tensão de toque ou no caso de
uma descarga atmosférica percorrer o condutor até o sistema de aterramento.
Se não encostar no objeto energizado, o indivíduo estará submetido, por meio de
seus membros inferiores, à diferença de potencial no momento da passagem da
corrente elétrica pelo solo. É a tensão de passo, resultado da dissipação de uma
descarga atmosférica que atingiu uma torre, por exemplo, de um curto-circuito ou
de um acidente provocado pela queda de um condutor de alta tensão. Se o
indivíduo mantiver os dois pés (juntos ou bem próximos um do outro) na superfície
de potencial, a tensão de passo será nula, não havendo choque elétrico. No entanto,
se a corrente provocar uma contração muscular excessiva e levar o indivíduo à
queda, resultará em uma tensão do toque, com todas as suas consequências mais
graves.
Tipos de choques
EFEITO DO TRAJETO DA CORRENTE ELÉTRICA PELO CORPO
Quanto mais a corrente circula pelo corpo
após um choque elétrico, há maiores riscos
à saúde. Na Figura 3, a Figura 3A mostra a
situação de maior perigo, em que a
corrente circula da cabeça para o pé direito,
atravessando todo o corpo e atingindo
órgãos vitais. Neste caso, a porcentagem de
corrente que circula pelo corpo chega a
9,7%.
Figura 3 - Efeitos do trajeto da corrente elétrica pelo corpo.
Figura 3 - Efeitos do trajeto da corrente elétrica pelo corpo.
Na Figura 3B, em que a corrente entra
pela mão esquerda e atinge o pé
esquerdo, a porcentagem é de 7, 9%.
Figura 3 - Efeitos do trajeto da corrente elétrica pelo corpo.
Nas Figuras 3C e 3D, nas quais a corrente entra
por uma mão e circula até a outra ou entra
pela cabeça saindo por uma das mãos, a
porcentagem decorrente pelo corpo cai para
1,8%, embora também passe por áreas vitais,
como o coração. Mesmo com pouca
probabilidade, a corrente elétrica pode
percorrer o organismo através das veias e
artérias, e chegar ao coração(Figura 3E).
Outros fatores de influência serão relacionados a seguir.
PERFIL DA CORRENTE ELÉTRICA
• Na corrente contínua (CC), presente na maior parte dos circuitos elétricos de
pequeno porte, o sentido dos elétrons que passam pelo condutor nunca é
alterado, circulando sempre do polo positivo para o negativo (sentido
convencional). E o tipo de corrente encontrado em pilhas e baterias. O perigo
de um acidente ventricular só existirá por um curto período vulnerável do ciclo
cardíaco.
• Na corrente alternada (CA), a forma como é gerada a energia faz com que seja
invertida de maneira periódica, mudando o movimento dos elétrons. São
correntes de maior voltagem e, por isso, percorrem longas distâncias, como o
abastecimento de energia entre uma usina e uma cidade. Correntes alternadas
entre 20 e 100 Hz oferecem maior risco, com maior possibilidade de ocorrer
fibrilações ventriculares às vítimas do choque elétrico.
Fatores como a capacidade de o corpo humano resistir à passagem de uma
corrente elétrica definirão a intensidade da corrente que circulará pelo organismo
a partir do contato. A resistência do corpo está baseada quase totalmente na
resistência da pele, em especial se for uma pele seca, espessa, sem cortes ou
outras variações. Nesses casos, a resistência pode variar entre 100 mil e 600 mil
ohms. No caso de pele úmida ou molhada, porém, a capacidade de o corpo resistir
cai a níveis baixíssimos, na ordem de 500 ohms, podendo baixar a 300 ohms, uma
vez que a corrente passará pela camada interna da pele, bem menos resistente.
Essa vulnerabilidade também ocorre nos casos de ferimentos e cortes, mesmo os
superficiais.
Resistência elétrica do corpo
ESPRAIAMENTO DA CORRENTE
Os contrastes da resistência elétrica e das várias
regiões do corpo humano, representado por
seções transversais (como na Figura 4), levam a
corrente elétrica a passar por um processo de
distribuição dentro do organismo; esse é o
fenômeno do espraiamento. Os efeitos térmicos
da corrente, portanto, sucedem de formas
distintas ao longo do corpo, sendo mais fortes
nas áreas de alta densidade, podendo provocar
queimaduras de maior risco, e muitas vezes
inofensivos nas áreas de baixa densidade, com
correntes de calor mais débeis.
Figura 4 - Espraiamento da corrente do choque elétrico.
As duas formas de espraiamento são:
• O macrochoque, tipo mais corriqueiro de choque, no qual a corrente externa
entra pela pele, percorre o corpo e sai novamente pela pele, sempre sob a
resistência do organismo em todo o trajeto. Qualquer alteração ou
formigamento sentido pelo indivíduo ao encostar em um equipamento
elétrico constitui um macrochoque;
• O microchoque, entretanto, tem origem interna e pode ser gerado, por
exemplo, por um equipamento hospitalar invasivo, utilizado em diagnósticos
e monitoramentos de áreas internas do corpo humano. Como a resistência
nesses casos é bastante baixa, o perigo de choque cresce de forma
acentuada.
QUEIMADURA POR CHOQUE ELÉTRICO
Ao circular pelo corpo humano, a corrente elétrica enfrenta uma resistência que
libera energia térmica, o Efeito Joule, fenômeno gerador de calor e, portanto,
origem das queimaduras. Nessas situações, há eventuais efeitos colaterais em
órgãos próximos aos atingidos pela onda de calor. Nos episódios mais graves, em
choques de alta tensão, as vítimas podem apresentar perda de massa muscular,
ossos danificados, danos na coordenação e cicatrizes nos pontos de entrada e
saída da corrente. Nos episódios de baixa tensão, com poder térmico reduzido, os
riscos são bem menores a menos que a duração do choque se prolongue.
Com o aumento da temperatura das partes do organismo atingidas pelo calor, os
efeitos imediatos do choque são:
• Queimaduras na musculatura do corpo, de 1°, 2º e 3º graus;
• Aquecimento e dilatação do sangue; aquecimento acentuado a ponto de provocar
derretimento de ossos e cartilagens;
• Queima das terminações nervosas nas áreas atingidas; queima das camadas de
gordura depositadas na derme, tornando-as gelatinosas.
As medidas de proteção contra o choque elétrico partem de dois pressupostos:
1. Deve ser vedado acesso do trabalhador às partes vivas das instalações elétricas, como
condutores descobertos e terminais sem proteção.
2. Todas as partes acessíveis de uma rede elétrica não podem oferecer qualquer tipo de
perigo, como é o caso de um curto-circuito, tanto em situações normais quanto na
ocorrência de falhas.
Uma vez que o choque elétrico ocorre apenas no contato com a parte viva de um circuito
energizado, a corrente elétrica somente será atenuada pela resistência do corpo, pela
resistência do calçado e pelo contato do calçado com o solo, pela resistência do calcado
no local de contato com os pés e pelo sistema de aterramento. Assim, as medidas básicas
de proteção devem contemplar um isolamento correto, a utilização de barreiras e a
limitação de tensão.

TIPOS DE CHOQUES, CHOQUES ESTÁTICOS E DINAMICOS.pptx

  • 1.
    Tipos de choques Oschoques dinâmicos são uma decorrência de duas espécies de tensões elétricas, a tensão de toque e a tensão de passo. Ao encostar em um objeto energizado, o indivíduo estará exposto a uma diferença de potencial elétrico, uma tensão que passa a circular da extremidade do membro superior que proporcionou o contato até os membros inferiores. É a tensão de toque. Um defeito no sistema de isolamento de uma torre de transmissão, por exemplo, pode gerar uma tensão de toque ou no caso de uma descarga atmosférica percorrer o condutor até o sistema de aterramento.
  • 2.
    Se não encostarno objeto energizado, o indivíduo estará submetido, por meio de seus membros inferiores, à diferença de potencial no momento da passagem da corrente elétrica pelo solo. É a tensão de passo, resultado da dissipação de uma descarga atmosférica que atingiu uma torre, por exemplo, de um curto-circuito ou de um acidente provocado pela queda de um condutor de alta tensão. Se o indivíduo mantiver os dois pés (juntos ou bem próximos um do outro) na superfície de potencial, a tensão de passo será nula, não havendo choque elétrico. No entanto, se a corrente provocar uma contração muscular excessiva e levar o indivíduo à queda, resultará em uma tensão do toque, com todas as suas consequências mais graves. Tipos de choques
  • 3.
    EFEITO DO TRAJETODA CORRENTE ELÉTRICA PELO CORPO Quanto mais a corrente circula pelo corpo após um choque elétrico, há maiores riscos à saúde. Na Figura 3, a Figura 3A mostra a situação de maior perigo, em que a corrente circula da cabeça para o pé direito, atravessando todo o corpo e atingindo órgãos vitais. Neste caso, a porcentagem de corrente que circula pelo corpo chega a 9,7%. Figura 3 - Efeitos do trajeto da corrente elétrica pelo corpo.
  • 4.
    Figura 3 -Efeitos do trajeto da corrente elétrica pelo corpo. Na Figura 3B, em que a corrente entra pela mão esquerda e atinge o pé esquerdo, a porcentagem é de 7, 9%.
  • 5.
    Figura 3 -Efeitos do trajeto da corrente elétrica pelo corpo. Nas Figuras 3C e 3D, nas quais a corrente entra por uma mão e circula até a outra ou entra pela cabeça saindo por uma das mãos, a porcentagem decorrente pelo corpo cai para 1,8%, embora também passe por áreas vitais, como o coração. Mesmo com pouca probabilidade, a corrente elétrica pode percorrer o organismo através das veias e artérias, e chegar ao coração(Figura 3E). Outros fatores de influência serão relacionados a seguir.
  • 6.
    PERFIL DA CORRENTEELÉTRICA • Na corrente contínua (CC), presente na maior parte dos circuitos elétricos de pequeno porte, o sentido dos elétrons que passam pelo condutor nunca é alterado, circulando sempre do polo positivo para o negativo (sentido convencional). E o tipo de corrente encontrado em pilhas e baterias. O perigo de um acidente ventricular só existirá por um curto período vulnerável do ciclo cardíaco. • Na corrente alternada (CA), a forma como é gerada a energia faz com que seja invertida de maneira periódica, mudando o movimento dos elétrons. São correntes de maior voltagem e, por isso, percorrem longas distâncias, como o abastecimento de energia entre uma usina e uma cidade. Correntes alternadas entre 20 e 100 Hz oferecem maior risco, com maior possibilidade de ocorrer fibrilações ventriculares às vítimas do choque elétrico.
  • 7.
    Fatores como acapacidade de o corpo humano resistir à passagem de uma corrente elétrica definirão a intensidade da corrente que circulará pelo organismo a partir do contato. A resistência do corpo está baseada quase totalmente na resistência da pele, em especial se for uma pele seca, espessa, sem cortes ou outras variações. Nesses casos, a resistência pode variar entre 100 mil e 600 mil ohms. No caso de pele úmida ou molhada, porém, a capacidade de o corpo resistir cai a níveis baixíssimos, na ordem de 500 ohms, podendo baixar a 300 ohms, uma vez que a corrente passará pela camada interna da pele, bem menos resistente. Essa vulnerabilidade também ocorre nos casos de ferimentos e cortes, mesmo os superficiais. Resistência elétrica do corpo
  • 8.
    ESPRAIAMENTO DA CORRENTE Oscontrastes da resistência elétrica e das várias regiões do corpo humano, representado por seções transversais (como na Figura 4), levam a corrente elétrica a passar por um processo de distribuição dentro do organismo; esse é o fenômeno do espraiamento. Os efeitos térmicos da corrente, portanto, sucedem de formas distintas ao longo do corpo, sendo mais fortes nas áreas de alta densidade, podendo provocar queimaduras de maior risco, e muitas vezes inofensivos nas áreas de baixa densidade, com correntes de calor mais débeis. Figura 4 - Espraiamento da corrente do choque elétrico.
  • 9.
    As duas formasde espraiamento são: • O macrochoque, tipo mais corriqueiro de choque, no qual a corrente externa entra pela pele, percorre o corpo e sai novamente pela pele, sempre sob a resistência do organismo em todo o trajeto. Qualquer alteração ou formigamento sentido pelo indivíduo ao encostar em um equipamento elétrico constitui um macrochoque; • O microchoque, entretanto, tem origem interna e pode ser gerado, por exemplo, por um equipamento hospitalar invasivo, utilizado em diagnósticos e monitoramentos de áreas internas do corpo humano. Como a resistência nesses casos é bastante baixa, o perigo de choque cresce de forma acentuada.
  • 10.
    QUEIMADURA POR CHOQUEELÉTRICO Ao circular pelo corpo humano, a corrente elétrica enfrenta uma resistência que libera energia térmica, o Efeito Joule, fenômeno gerador de calor e, portanto, origem das queimaduras. Nessas situações, há eventuais efeitos colaterais em órgãos próximos aos atingidos pela onda de calor. Nos episódios mais graves, em choques de alta tensão, as vítimas podem apresentar perda de massa muscular, ossos danificados, danos na coordenação e cicatrizes nos pontos de entrada e saída da corrente. Nos episódios de baixa tensão, com poder térmico reduzido, os riscos são bem menores a menos que a duração do choque se prolongue.
  • 11.
    Com o aumentoda temperatura das partes do organismo atingidas pelo calor, os efeitos imediatos do choque são: • Queimaduras na musculatura do corpo, de 1°, 2º e 3º graus; • Aquecimento e dilatação do sangue; aquecimento acentuado a ponto de provocar derretimento de ossos e cartilagens; • Queima das terminações nervosas nas áreas atingidas; queima das camadas de gordura depositadas na derme, tornando-as gelatinosas.
  • 12.
    As medidas deproteção contra o choque elétrico partem de dois pressupostos: 1. Deve ser vedado acesso do trabalhador às partes vivas das instalações elétricas, como condutores descobertos e terminais sem proteção. 2. Todas as partes acessíveis de uma rede elétrica não podem oferecer qualquer tipo de perigo, como é o caso de um curto-circuito, tanto em situações normais quanto na ocorrência de falhas. Uma vez que o choque elétrico ocorre apenas no contato com a parte viva de um circuito energizado, a corrente elétrica somente será atenuada pela resistência do corpo, pela resistência do calçado e pelo contato do calçado com o solo, pela resistência do calcado no local de contato com os pés e pelo sistema de aterramento. Assim, as medidas básicas de proteção devem contemplar um isolamento correto, a utilização de barreiras e a limitação de tensão.