N‘ 7
                           Ano IX
                           2012




LUIZ GONZAGA:
Um legado de história
Música, cultura, arte, vida são
os destaques comemorativos
do centenário do Rei do Baião



Modelo 2012 FINAL.indd 1            20/09/2012 13:31:55
02


                              Opinião 3                Cultura                                           Expediente
                                Artigo          12 Graffiti, a arte que       Diretor da APEC: Milton Camargo/Reitora: Profa.
                               Crônica                 diverge da pichação    Sâmela Soraya Gomes de Oliveira/Pró-Reitora de
                                                                              Graduação e Ação Comunitária: Profa. Sandra Am-
                                                                              aral de Araújo/Pró-Reitor de Pesquisa, Extensão e
                           Entrevista 4                Especial               Pós-Graduação: Prof. Aarão Lyra/Escola de Comuni-
          O criador de miniaturas              14      Som, ritmo e voz de
                                                                              cação e Artes: Profa. Maria Valéria Pareja Credidio
                  de celebridades                                             Freire Alves/Curso de Jornalismo: Prof. Leonardo
                                                       um matuto mestre
                                                                              Bruno Reis Gamberoni.
                                                                              Orientação Editorial: Profa. Cintia dos Reis Barreto.
                                                                              Alunos da disciplina Revista Impressa: Aline Cristina,


                                                       Bandas de rock
                 Meio Ambiente                                                Anderson Vicente, Bruna Machado, Caroline Caiana,
                                         6             Cultura

                                                       natalenses sonham
            Os perigos de criar um             21                             Ciro Pessoa, Daniel Freire, Danielle Soares, David Ta-


                                                       em ser famosas
                  animal silvestre                                            vares, Débora Reis, Erika Paiva, Felipe Maia, Florence
                                                                              Macedo, Francinaura Almeida, Gerson Sidney, Heitor
                                                                              Clemente, Isabela Moraes, Janielle Borges, Karen Ol-
                                                                              iveira, Laís Fernandes, Karina Correa, Lídia Nascimen-
                               Saúde 8                                        to, Nara Rodrigues, Priscilla Almeida, Raul Barbosa,
             Sintomas comuns que                       Esporte                Rodrigo Loureiro, Thiago Goes, Thiago Damasceno,
                mudam totalmente                22     Esporte de contato que Vivian Mesquita e Walleanny Lima.
                 o ritmo de vida da                    traduz feminilidade e  Redação: Bruna Machado, Caroline Caiana, David
                         população                     superação              Tavares, Daniel Freire, Danielle Soares, Erika Paiva,
                                                                              Felipe Maia, Florence Macedo, Janielle Borges, Lídia
                                                                              Nascimento, Nara Rodrigues, Priscilla Almeida, Rod-
                            Ciência e                  Comportamento          rigo Loureiro, Thiago Damasceno e Vivian Mesquita.
                           Tecnologia          24
                                                       Elas preferem os ogros Diagramação: David Tavares,Priscilla Almeida e Viv-
                                         09
            Educação 2.0 um nova                                              ian Mesquita.
              metodologia para o
                                               26      Tecnologia - um mundo Projeto Gráfico e Fechamento: Prof. Fabian Ubarana,
                          ensino                                              David Tavares, Priscilla Almeida e Vivian Mesquita.
                                                       de distrações
                                                                              Arte Capa: Will de Sousa.
                                                                              Tiragem / Impressão: 1.000
                              Turismo 10                                      Contatos: jornalismo@unp.br/ (84) 3216-8662
                       Natal aos olhos                                        As opiniões e conceitos expressos nesta revista
                           do mundo                                           não refletem necessariamente o ponto de vista da
                                                                              Instituição.

                                         Revista Plural: Prazerosa experiência acadêmica,
                                              um passo para o caminho profissional
                Com o lançamento de seu sétimo              Em destaque a matéria da capa que      heres, será que elas estão preferindo os
            volume, ano IX, a Plural dá mais um pas-    homenageia o rei do baião Luiz Gon-        ogros? Esta resposta só lendo a maté-
            so definitivo rumo ao cumprimento de        zaga. Se estivesse vivo o cantor feste-    ria. Contamos ainda com o destaque
            sua meta de periodicidade. O volume         jaria seu centenário, a matéria aborda a   do esporte que nos explica o que o
            contemplará o primeiro semestre de          obra, talento, autodi¬datismo e aspec-     rugby, e sua conquistando na socie-
            2012, gerando maior reconhecimento          tos de sua vida pública são colocados      dade natalense.
            aos alunos do 7º período de Jornalismo      em evidência atestando o seu legado            Agradecemos a todos aos alunos
            da Universidade Potiguar.                   relevante na música popular brasileira.    do 7º período que enviaram seus tra-
                Novas mudanças na diagramação           Esta edição traz uma entrevista com        balhos que é imprescindível para nossa
            foram incorporadas, mantendo a quali-       o artista plástico Marcus Vinícius que     missão, a professora Cintia Barreto que
            dade da Revista, com o objetivo de con-     conversou com a repórter Janielle          ministra a disciplina de Revista Impres-
            quistar novos leitores. Após produtivas     Borges rodeado com suas bonecas em         sa, que nos apoiou e confiou integral-
            reuniões e diagramação concluída,           seu ateliê.                                mente em nosso trabalho viabilizando
            todo um esforço foi despendido para             Mas os destaques não terminam          os atuais sucessos da Plural, tendo con-
            tornar mais prazerosa à experiência de      por aí, a repórter Carol Caiana foi en-    tribuído, ainda, com a apresentação
            leitura daqueles que nos acompanham.        tender um pouco do universo das mul-       deste número.
                                                                                                                  Danielle Soares
        Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 2                                                                                                              20/09/2012 13:31:55
03

                                                                                                                                                     ARTIGO

                                                                                   BAZAR VIRTUAL
                                          Bazar é uma palavra derivada origi-      vida em comprar coisas usadas e vender       comentar o interesse na foto postada.
                                     nalmente do pahlavi, uma língua falada        para outras pessoas. Tudo pode ser ven-      Você pode comercializar coisas com pes-
                                     por persas entre 224 e 651 d.C. A palavra     dido, desde que esteja em bom estado         soas que nunca viu na vida, por isso tem
                                     original é baha-char, que significa “lugar    de uso. Mas não só coisas usadas são co-     que ter sempre o cuidado de marcar en-
                                     dos preços”. Em bazares podem ser en-         mercializadas, algumas pessoas aprovei-      contros em locais públicos, para garantir
                                     contrados todos os tipos de produtos,         taram a onda para fazer um dinheirinho       a sua segurança.
                                     desde os mais inusitados aos que utiliza-     extra e vender produtos novos e quem             Agora a ideia tem saído da internet
                                     mos no nosso dia-a-dia e tem como ca-         leva essa atividade a sério consegue fa-     e entrado na vida real das pessoas, pois
                                     racterística serem encontrados produtos       turar até dois mil reais utilizando apenas   mensalmente os donos dos grupos de
                                     com preços bem mais baixos do que as          o tempo livre para a venda de produtos.      bazar têm organizado encontros onde
                                     lojas convencionais. Nos países orien-        A vantagem disso é que muitas pessoas        as pessoas podem comercializar seus
          Lídia                      tais, essa prática é bem comum, pois foi      conseguem comprar produtos bon com           produtos e até trocar com outras pesso-
          Nascimento                 lá que o bazar teve origem. No Brasil,        preços bem abaixo do mercado.                as. O bom desses encontros é que eles
                                     até algum tempo, a palavra bazar estava           Para participar é simples, basta ter     têm acelerado as vendas e fazendo com
          Viciada em tecno-
                                     vinculada a objetos, roupas e acessó-         uma conta na rede social Facebook e          que as pessoas não percam tempo mar-
          logia, maquiagem,
                                     rios usados normalmente doados para           procurar por algum grupo que já exista       cando com diversas pessoas em locais
          viagens, shopping e
                                     a venda e arrecadação de dinheiro para        ou se você tiver a sua própria rede de       diferentes, o que economiza também
          livros. Atualmente
                                     entidades que realizam obras de carida-       amigos, pode criar um também. O ide-         dinheiro para quem vai vender. Além
          possuí um bazar
                                     de, mas há algum tempo isto vem mu-           al é entrar em algum que já exista, pois     disso, as pessoas mais velhas, que não
          online em uma rede
                                     dando. As pessoas passaram a vender           como está lá a mais tempo, o número          tem tanta facilidade em manusear o
          social.
                                     o que não utilizam mais e estão tirando       de usuários ligados a rede é bem maior.      computador, podem ir aos encontros
                                     um bom dinheiro extra dessa nova fonte        Não existe restrição e qualquer pessoa       tanto para vender como para comprar,
                                     de renda.                                     pode participar, desde que a mesma           atingindo um número maior de pessoas
                                          Com a virtualização da idéia, a pala-    saiba respeitar o próximo e não venha        que gostam da idéia. Acredito que os ba-
                                     vra bazar passou a ter outro significado      a ferir os bons costumes que praticamos      zares ainda têm muito a crescer e que
                                     entre a população brasileira, pois hoje       em sociedade. Para vender, você pode         essa idéia tem muito a florir ainda, pois
                                     existem vários grupos ligados a redes so-     postar nesses grupos o produto que de-       como é algo novo no Brasil, considero
                                     ciais quem têm como intuito a venda de        sejar, com tamanho, valor e condição de      apenas como um experimento. O que
                                     produtos novos ou usados. Para alguns,        pagamento e aguardar até que alguém          nos resta é aguardar para ver o que vai
                                     a atividade ficou tão séria que levam a       se interesse. Quem quer comprar, é só        acontecer.

              CRÔNICA

                                    A HIPOCRISIA NO COLUNISMO SOCIAL
                	     Quando eu pensei em ser jor-      da sociedade natalense. Há um grande            portante divulgar certos acontecimentos,
           nalista, ainda criança, imaginava um uni-    interesse em mostrar algo, que não se           em sua maioria que faz parte da sua inti-
           verso completamente diferente o qual         sabe ao certo a finalidade social. É como       midade, para se fazer valer prestigiado.
           seja a minha realidade hoje, além da vida    se fosse um tipo de transvestir capas e         	          Vejo pessoas que dizem querer
           corrida e cheia de fatos e novidades a       coroas, de certa forma, se tornar reis e        ser solicitadas para tais eventos, que sua
           todo instante, achava que era um mundo       rainhas a fim de obter uma população            presença fosse algo que fizesse a diferen-
           que só os ‘escolhidos’ teriam acesso, e      inteira com função única de te aplaudir.        ça, mas diferença em que? Se no final das
           de fato é, mas a palavra não é ser a esco-   	          E assim expõe uma persona-           contas é só mais uma pessoa que está ali              Rodrigo
           lha e sim ‘abduzido’. Acalme-se explico,     lidade que não é sua, atitudes inversas         roboticamente para elogiar e fazer indire-            Loureiro
           antes de tudo, amo a minha profissão e       a realidade dos próprios sentimentos,           tamente uma propaganda do evento.
                                                                                                                                                      Colunista do Jornal
           tenho muito orgulho de exercê-la, porém      apenas pelo prazer de se ver rodeado por        	          Há casos de pessoas que ape-
                                                                                                                                                         Gazeta do Oeste,
           na minha própria experiência e nos estu-     pessoas importantes, mas por que esse           nas para não se sentirem excluídos do tal
                                                                                                                                                            editor do blog
           dos agregados ao passar dos anos, somos      desejo, se a fama não será minha, o di-         universo glamorosos aceitam convites
                                                                                                                                                     www.rodrigolourei-
           orientados e ensinados a escrever sem-       nheiro não será meu? Posso até ganhar           de pessoas que não são tão bem-vindas
                                                                                                                                                     ro.com.br, produtor
           pre a verdade, seja ela qual for.            prestígio, mas pelo o que mesmo? Por            em seu ciclo social. Ou seja, até que pon-
                                                                                                                                                      de eventos e asses-
           	          Nos muitos anos de jornalismo     ganhar convites para frequentar bailes e        to vale a pena o autosacrifício para se
                                                                                                                                                         sor de imprensa.
           social, entrei em choque com o que se        festas caríssimas, ver desfiles de grifes in-   mostrar querido e solicitado para pesso-
                                                                                                                                                            Atualmente é
           chama de realidade, afinal, parece que       ternacionais dividas no cartão de crédito       as que muitas vezes nem te conhece de
                                                                                                                                                     proprietário da Mix-
           estamos rodeados de atores e atrizes         em várias parcelas? Ou atualizar as redes       fato? Ao meu ponto de vista, o motivo
                                                                                                                                                       -Assessoria Comu-
           profissionais e cada um segue um script      sociais com fotos do champanhe que é            que as pessoas aceitam tal situação, para
                                                                                                                                                     nicação e Eventos e
           individual, numa luta pelo papel principal   servido e mostrar para meus seguidores          mostrar prestígio, mas no fundo há um
                                                                                                                                                        presta consultoria
           de quem é o mais importante e atrai mais     do instagram?                                   ‘que’ de carência afetiva social, o que
                                                                                                                                                     em eventos sociais,
           flashes.                                     	          Além dos absurdos em futili-         acho que justifica tais atitudes.
                                                                                                                                                       políticos e empre-
           Tudo é voltado para um cenário real,         dades, é curioso pensar no que faz essas
                                                                                                                                                                   sariais.
           massagear o ego de homens e mulheres         pessoas acharem de tão magnifico e im-



                                                                                                                   Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 3                                                                                                                                 20/09/2012 13:31:57
04
                                                             ENTREVISTA

                                    O CRIADOR DE MINIATURAS DE CELEBRIDADES
                                    Cansado de procurar em lojas de brinquedos seus ídolos, hoje ele ‘fabrica’
                                    bonecas personalizadas e possui em casa uma particular calçada da fama.


                             Foto: Janielle Borges
                                                                              E como surgiram os outros bonecos?
                                                                                 Bom, o resultado da Baby do Brasil e
                                                                              Pepeu Gomes foi tão bom, tão satisfa-
                                                                              tório que não quis parar, então come-
                                                                              cei a homenagear meus grandes ídolos.

                                                                            Como começou esse sucesso todo em cima
                                                                            de você? Por que você já ultrapassou a mídia
                                                                            local, sites, famosos e revistas já conhecem e
                                                                            divulgam o seu trabalho.
                                                                               Tudo começou quando eu fiz a boneca da
                                                                            cantora Marina Elali, daqui de Natal também.
                                Entrevistado pela repórter Janielle Bor- Marina elogiou meu trabalho publicamente
                             ges da Revista Plural, Marcus Vinícius da Sil- e então despertou a curiosidade das pessoas
                             va Bernardo, ou apenas Marcus Baby. Na- para saber quem sou, mas o ‘boom’ mesmo
                             talense, artista plástico, designer, blogueiro aconteceu quando estava passando a nove-
                             e técnico em edificações estampa revistas, la ‘Viver a Vida’ de Manoel Carlos e eu fiz a
                             jornais impressos, páginas da web e partici- boneca da personagem Luciana, interpreta-
                             pações em vários programas televisivos na- da por Alinne Morais, muitos sites elogiaram
                             cionais. Rodeado com suas bonecas em seu e divulgaram, principalmente os da Globo.
                             ateliê, Marcus se mostra feliz e animado para
                             a entrevista, com certa ansiedade e esboços Foto: Janielle Borges
                             de sorrisos se prepara para as perguntas.

                             Como começou o seu trabalho de customiza-
                             ção dos bonecos?
         Janielle Borges
                                Começou uma vez quando eu estava assis-
         Riso fácil e so-
                             tindo televisão e vi uma pessoa que fazia co-
         nho alto, sou       leção de vários bonecos da cultura pop, então
         os livros que li,   despertou em mim a vontade de ter os meus bo-
         as viagens que
         fiz, os amigos
                             necos, das pessoas que gosto. Então em 2005,
         que conquistei.     no meu aniversário, pedi para um amigo me
         Estou aqui é        presentear com uma Barbie e um Ken e assim
         pra viver, cair,
         aprender,    le-
                             iniciou a minha carreira voltada para Toy-Art.
         vantar e seguir.                                                     É verdade que a apresentadora Hebe Camar-
         Sou isso hoje...    Qual foi o seu primeiro boneco customizado?      go quis a réplica da sua boneca?
         Amanhã, já me
         reinventei.
                                Foi minha grande ídolo, Baby do Brasil,          Na verdade quem quis foi o apresenta-
                             ou Baby Consuelo, como é mais conhecida          dor Otávio Mesquita, para presenteá-la, me
                             hoje em dia. Aliás, o motivo pelo qual ado-      ofereceu bastante dinheiro, mas recusei.
                             tei como sobrenome ‘baby’, foi por causa         	
                             dela, sempre fui seu grande admirador en-        Por que você não aceita essas propostas?
                             tão a tive como inspiração, ela juntamente       Você poderia ganhar bastante dinheiro com
                             com seu marido Pepeu Gomes (na época).           isso.
        Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 4                                                                                            20/09/2012 13:31:57
ENTREVISTA                                              05

            As pessoas não querem a minha                                                          lhes, fica um trabalho bem bacana.




                                               Foto: Janielle Borges
         arte, querem comprar digamos as-
         sim ‘a minha fama’. Interessam-se                                                      Já que você não vende suas bone-
         pelo meu trabalho, porque saio                                                         cas, nunca pensou em ganhar di-
         na televisão, em grandes portais e                                                     nheiro com arte?
         tenho reconhecimento da maioria                                                           Ah, sim com certeza, de tanto
         das réplicas que fiz. Aqui em Natal                                                    as pessoas elogiarem o meu traba-
         mesmo há muitos artistas plásti-                                                       lho eu resolvi investir em uma área
         cos que fazem esse mesmo traba-                                                        que também gosto muito. Vou lan-
         lho que eu e não vendem também,                                                        çar em breve um livro fotográfico
         não porque não querem, mas por                                                         contanto um pouco da minha his-
         não ter quem compre. Meus bo-                                                          tória e com diversas fotografias de
         necos são feitos para mim ape-                                                         todas as minhas bonecas. Vai ser
         nas, aceito no máximo sugestões.                                                       algo bem legal, porque vai ter uma
                                                                                                repercussão nacional, então eu e
                                                            tica internacional, fiquei chocado,
         A boneca da presidente Dilma fez                                                       todos os envolvidos estamos mui-
                                                            mas ao mesmo tempo muito feliz.
         um grande sucesso internacional,                                                       to animados. O livro virá com um
         como você se sentiu com tanta re-                 “Meus bonecos são feitos CD que vai conter alguns videocli-
         percussão?                                        para mim apenas. Aceito pes e um curta metragem que já
            Foi um susto. Recebi uma li-                   no máximo sugestões”.                estamos filmando e tem previsão
         gação internacional perguntan-                                                         para ficar pronto em dezembro.
         do sobre a boneca, não lembro
                                                                Quem será o próximo homenage-
         de onde era o jornalista, mas ele                                                         Além do lançamento do seu livro,
                                                                ado?
         tinha um sotaque inconfundível                                                            há algum outro projeto?
                                                                   A cantora Gaby Amarantos.
         tentando falar português comi-                                                               Bem, vou participar dos primei-
                                                                Já estou em fase de concluir a
         go. Perguntei onde ele tinha vis-                                                         ros capítulos de um reality show
                                                                boneca, em breve vou divulgar.
         to a boneca da Dilma e ele falou                                                          daqui de Natal sobre tatuadores,
         ‘cara, a mundo inteiro está falan-                                                        por acaso eu estava fazendo uma
                                                                E para quem ficou com vontade
         do da boneca da Dilma’. Depois                                                            tatuagem no estúdio onde come-
                                                                de ter uma doll do Marcus Baby,
         de responder algumas curiosida-                                                           çaram as gravações e pergunta-
                                                                completamente sem chances?
         des dele, fui dar uma pesquisada                                                          ram se eu queria participar, topei
                                                                   Nem insista, sem chances mes-
         na internet e me surpreendi com                                                           na hora. Não sei quando vai ao ar,
                                                                mo, mas adoro sugestões princi-
         o que eu vi, vários países da Eu-                                                         mas será transmitido pela Sim TV e
                                                                palmente do apoio que recebo de
         ropa, Estados Unidos e Argentina,                                                         os episódios estão super engraça-
                                                                várias fã-clubes, eles me incen-
         realmente estavam comentando                                                              dos, vale a pena ver.
                                                                tivam muito, dão ideias de deta-
         até o Paquistão na sessão de polí-                                                                     Foto: Janielle Borges




                                                                                                   Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 5                                                                                                       20/09/2012 13:31:57
06                                                        MEIO AMBIENTE


                                    OS PERIGOS DE CRIAR UM ANIMAL SILVESTRE
                             Especialistas falam dos cuidados que devem ser tomados na hora da compra e do tratamento
                                                                 com estes animais

                                                                                                                Foto: Nara Rodrigues




                            Animais em recuperação, que serão devolvidos ao habitat natural

                                  Ter um animal silvestre em casa ou                há mais de 15 anos cuida de um papagaio
                              conhecer alguém que tenha se tornou normal            “Ele foi um presente do meu filho. Pegamos
                              aqui no Brasil. Segundo pesquisa divulgada            ele bem pequeno e quando ele chegou
                              pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e        não sabíamos o que dá para ele comer.
                              Estatística), cerca de 38 milhões de animais          Buscamos orientação nas lojas de ração pra
                              são retirados da natureza, através do tráfico.        animais. Mas foi só isso. Nunca levamos ele
                              Já o IBAMA (Instituto Brasileiro do meio              ao veterinário”, destaca.
                              Ambiente e dos Recursos Renováveis) avalia               Sobre a criação dos animais silvestres, o
                              que 95% do comércio de animais silvestres             técnico ambiental, Ricardo Luiz explica que
                              brasileiros seja ilegal. Outro fator que muitas       não há nenhuma lei que permita a criação
         Nara                 pessoas desconhecem é o perigo que esses              legal de animais por pessoa comum. A única
         Rodrigues            animais representam para os humanos.                  permissão é para criadores legalizados, junto
                              Espécies como: macacos, araras e papagaios            ao IBAMA, os quais necessitam apresentar
         “Jornalista
         antenada,
                              são os principais transmissores de doenças,           uma estrutura compatível para a criação
         cinéfila,            tal como leptospirose e toxoplasmose.                 da espécie solicitada, além disso, precisa se
         apaixonada pela          Segundo o veterinário, Nailson Batista,           encarregar de promover a procriação dos
         vida, sempre         muitas pessoas criam animais silvestres e             animais em cativeiros e identificar a origem
         com um sorriso       exóticos sem a devida orientação. “Com                dos animais através das anilhas.
         no rosto e o
         celular na mão”.
                              relação às doenças transmitidas por animais              É importante ressaltar que após a comprar
                              silvestres, temos várias doenças, porém as            de um animal de criadouro não legalizado
                              principais são a coccidiose, leptospirose             pelo IBAMA, não há mais como legalizar.
                              e a raiva, essas são doenças transmitidas             “Se denunciado por um vizinho ou coisa
                              diretamente por animais não criados em                parecida o animal é apreendido, [e o dono]
                              cativeiro, ou seja, animais oriundos de vida          recebe uma multa de R$ 500,00 por animal e
                              livre”, explica Nailson. Esse é o caso da             poderá receber pena de 6 meses a 1 ano de


         Revista Plural 7| Ano IX | 2012
                              dona de casa, Maria do Carmo Costa, que               detenção”, acrescenta o veterinário.



Modelo 2012 FINAL.indd 6                                                                                                     20/09/2012 13:31:57
MEIO AMBIENTE                                                           07

             Através de denúncias e fiscalizações mais de 200 animais,                                 Foto: Nara Rodrigues

         remanescentes de 2011, estão retidos no IBAMA-RN. Segundo
         o técnico, quando o órgão recebe uma denúncia à equipe
         vai verificar se o animal silvestre está em cativeiro, realiza a
         apreensão e leva para o Cetas (Centro de Triagem de Animais
         Silvestres) para fazer a classificação das espécies, colocá-las
         em quarentena e, posteriormente soltá-las. E acrescenta:
         “Quando a entrega dos animais é voluntária, quando se trata
         de um animal, ou dois no máximo, não há restrição. Mas, se
         forem muitas espécies já é considerado infrator e sofrerá uma
         autuação”.
             Uma pesquisa realizada pelo IBGE entre 2000 e 2005
         mostrou que o tráfico de animais silvestres é considerado o
         terceiro maior comércio ilegal do mundo, movimentando cerca
         de US$ 10 bilhões por ano. Apontando ainda o Brasil como um
         dos principais fornecedores de animais, responsável por 10%
         do mercado mundial.
             Já quanto à soltura dos animais apreendidos, Ricardo Luiz,
         explica que são mapeadas as áreas de soltura dentro do Estado
         do Rio Grande do Norte, identificando o local que os animais
         devem ser soltos novamente, mas, muitos animais não fazem
         parte da nossa fauna e precisam ser transportados para outros
         estados. Já no caso dos animais que não conseguem mais voltar
         a conviver no seu habitat natural, o IBAMA, busca zoológicos
                                                                          Arara em recuperação, no IBAMA
         dentro do país que possam receber esses animais.
                               Macacos prego doentes, infectam tratadores do IBAMA

            Desde julho de 2011 que o IBAMA-RN não está mais recebendo novos animais. Em 2008, a professora
         Débora Rochelly, da Universidade Federal Rural de Pernambuco iniciou um trabalho de pesquisa com os
         primatas para avaliar as condições de saúde dos primatas em cativeiro. Em 2010, o estudo constatou que
         os macacos estavam doentes, mesmo assim, outros animais foram colocados no mesmo ambiente. Diante
         do quadro apresentado a pesquisadora resolveu ampliar o campo de estudo e realizou exames com os fun-
         cionários do Cetas.
            Já em 2011, teve início os óbitos dos macacos e a identificação de contaminação de oito funcionários,
         todos com leptospirose e alguns com toxoplasmose. Devido à contaminação, a Sesap (Secretaria Estadual de
         Saúde Pública) interditou o local. Mas, o IBAMA conseguiu através de liminar que os servidores continuassem
         fazendo a alimentação dos animais já retidos, mas cumprindo as exigências de saúde e segurança determi-
         nadas pela Sesap.
            No primeiro semestre de 2012, entre papagaios, araras, macacos e azulões os funcionários ainda se veem
         tratados com descaso. “Muitos funcionários já não apresentam mais contaminação. Mas os exames que de-
         veriam ser feitos trimestralmente em toda a equipe ficou apenas no papel”, afirma Ricardo Luiz. E acrescenta,
         “estamos fazendo exames trimestrais por nossa conta, pois o IBAMA Brasília até a presente data não repas-
         sou a verba para tais exames”.
            A assessoria de Comunicação do IBAMA-RN negou o ocorrido, mesmo as informações tendo sido divulga-
         das por diversos jornais e blogs da época, “As suspeitas foram debeladas; nenhum trabalhador apresentou
         qualquer sintoma de doença transmitida por animais”, afirma o Assessor de Imprensa Airton de Grande.
            Já sobre a desinterdição do Cetas, o assessor acrescenta “O IBAMA-RN aguarda decisão do IBAMA-sede
         para que o CETAS seja desinterditado. Tecnicamente não há obstáculos para a desinterdição e a solicitação


                                                                                       Revista Plural 7| Ano IX | 2012
         formal para reabertura já foi feita. O IBAMA-RN aguarda a desinterdição para muito breve”.



Modelo 2012 FINAL.indd 7                                                                                              20/09/2012 13:31:58
08                                                       SAÚDE

                                   SINTOMAS COMUNS QUE MUDAM TOTALMENTE O
                                         RITMO DE VIDA DA POPULAÇÃO
                                 Como o diagnostico e o tratamento adequado pode melhorar a qualidade de vida.
                                  Dor forte na cabeça, geralmente de um           luminosos fui diagnosticada com enxaqueca.
                              lado só, latejante, acompanhada de náuseas,         Depois de um tempo tentando descobrir a
                              sensibilidade à luz e sons, tontura, cansaço,       causa, meu médico chegou à conclusão que
                              irritabilidade, dor no corpo, dor na cervical,      era hormonal, pois era sempre durante minha
                              dor na nuca e pescoço. Esses são os sintomas        TPM.”, relata a contadora, Ângela Pereira.
                              de uma cefaleia das mais comuns, presente               Os hábitos pessoais estão intimamente
                              de 10 a 20% dos indivíduos, a enxaqueca.            ligados a fatores que são determinantes para
                                  Passou de síndrome a ser considerada            as crises e por isso muitos médicos no intuito
                              doença. Existem vários tipos como a                 de descobrir para evitar os desencadeantes
                              enxaqueca crônica, episódica, menstrual,            e para entender melhor, muitas vezes
                              basilar e a enxaqueca hemiplégica ou ainda          recomenda que o paciente faça um diário,
                              enxaqueca com ou sem aura. O tipo que               anotando a ocorrência das crises e os fatores
                              tem aura é aquele mais comum onde a                 que as provocaram.
                              crise é precedida ou acompanhada por uma                Depois de descobrir a doença o paciente
                              alteração na vista, pontos escuros, perda           muitas vezes tem que mudar hábitos
                              visual, pontos luminosos, linhas em zig zag,        alimentares, começar a praticar exercícios,
                              que duram de 5 a 60 minutos.                        regular o horário do sono e claro nos casos
                                   Hoje em dia já existem tratamentos que         mais graves é realizado o tratamento com
                              levam ao controle da doença e redução de suas       remédios.
                                                                                                                  Foto: Bruna Machado
                              crises. A enxaqueca normalmente tem vários
                              aspectos em sua causa de origem, que pode
                              ser genético, hormonal, comportamental ou
                              emocional.
                                  “A enxaqueca é uma situação delicada,
                              porque recebemos           de pacientes que
                              apresentam sintomas leves até alguns que
                              chegam a tomar remédio controlado, os
                              médicos sempre procuram tratar para que o
                              paciente sinta o alívio o mais rápido possível,já
         Bruna                que os sintomas incomodam bastante. Na
         Machado              enxaqueca, o mais importante é o tratamento
         Bruna Machado,
         22 anos. 7 perío-
                              preventivo, para evitar o uso excessivo de                    Enfermeira Adriana Cristina

         do. Apaixonada
                              analgésicos. “, explica a enfermeira, Adriana
         por jornalismo.
                              Cristina.                                              “A minha começou com dor de cabeça
         Nossa profissão
         tem a responsab-
                                  É uma doença que afeta diretamente as           e vontade de vomitar, mas só passa se eu

         ilidade de fazer o
                              atividades e a qualidade de vida das pessoas        dormir pelo menos 40 minutos no escuro
         bem e esclarecer
                              que possuem a doença. Apesar do grande              total. Acontece com mais frequência quando
         a sociedade.
         Cada dia uma
                              impacto na sociedade, ainda é uma doença            eu passo o dia sem me alimentar direito.”,

         nova experiência,
                              pouco diagnosticada, muitas pessoas são             declara Irleide Tavares, estudante.
         um novo caso a
                              acometidas, mas não sabem.                             Em      estudo     epidemiológico     feito
         expor, isso que
         me fascina.
                                  “No começo eu só tinha dor de cabeça,           recentemente no Brasil foi detectada a
                              depois a frequência dessas dores foram au-          prevalência de 15,2% de enxaqueca no Brasil.
                              mentando e comecei a perceber que só mel-           A enxaqueca é mais comum em pessoas da
                              horava quando eu ficava no escuro.                  raça branca, seguida pela raça negra, e menos


        Revista Plural 7| Ano IX | 2012
                              Após começar a ver varias vezes os pontinhos        comum em orientais.



Modelo 2012 FINAL.indd 8                                                                                                      20/09/2012 13:31:58
CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS                                                          09

                           Educação 2.0 uma nova metodologia para o ensino
            Devido a grande quantidade de dispositivos todos interconectados, a educação 2.0 vem como um
                                novo desafio para as instituições, professores e alunos.
          Por Priscilla Almeida
                                                Foto: Priscilla Almeida
            Numa sociedade que muda                                                          experiências. Cada novo fato ou
        muito rápido e onde, cada vez                                                        experiência é assimilado numa
        mais, as informações assumem                                                         rede viva de compreensão que já
        papel de destaque, desenvolver                                                       existe na mente desse aluno, que
        a capacidade de transformar in-                                                      constrói assim a aprendizagem.
        formações em conhecimento                                                               Para a nova geração de alunos
        através da educação 2.0 é um de-                                                     que se encantam com os jogos 3D
        safio das escolas, dos professores                                                   e vídeos engraçados do youtube,
        e também dos alunos.                                                                 a educação na escola precisa
            Não se trata aqui de utilizar a                                                  tornar-se mais atraente e intera-
        qualquer custo as tecnologias,                                                       tiva, e o professor nesse contexto
                                               Gleber Duarte, especialista mídias digitais
        mas sim de acompanhar con-                                                           deixa de ser o detentor do saber
                                               de 10 anos, mas mesmo assim, a
        sciente e deliberadamente uma                                                        e transmissor de conteúdos, pas-
                                               implantação dessas ideias, se dá
        mudança de civilização que está                                                      sando a ser o facilitador, aquele
                                               de forma muito lenta nas institu-
        questionando       profundamente                                                     que estimula nos alunos a cultura
                                               ições”, Glebe diz ainda que apren-
        as formas institucionais, as men-                                                    de produção e debate de ideias
                                               der a lidar com este novo modelo
        talidades e cultura dos sistemas                                                     e que não apenas ensina, mas
        educativos tradicionais e, notada-     “Ser também um profes-                        aprende.
        mente, os papeis do professor e        sor 2.0, não dá para ir                          Para a estudante de ensino
        aluno.                                 contra, é usar o que ex-                      médio, Yngrid Gleyter, 17, seria
            O fato, porém, é que há algo                                                     muito bom se a metodologia nas
                                               iste de melhor deste novo
        de novo, e não necessariamente                                                       escolas mudasse, já que o mundo
        bom ou ruim, mas certamente                  mundo a favor”                          nos dias de hoje vive tecnologia
        não neutro, na maneira como as                                                       “Hoje o mundo é gerado por tec-
                                               é importante para receber mais
        pessoas se apropriam da tecnolo-                                                     nologia crescemos num mundo
                                               informação, com qualidade e
        gia, e a tecnologia, das pessoas.                                                    tecnológico e sabemos que nesse
                                               melhorar o processo de aprendi-
            Para Glebe Duarte, especialista                                                  meio tudo é mais fácil, se na escola
                                               zagem “Ser também um professor
        em redes sociais e coordenador                                                       os professores trabalhassem mais
                                               2.0, não dá para ir contra, é usar o
        da área de informática do Serviço                                                    com a internet, seria um estimulo
                                               que existe de melhor deste novo
        Nacional de Aprendizagem Com-                                                        para nós”, disse. Alguns profes-
                                               mundo a favor. É um crescimento
        ercial (Senac), as redes e mídias                                                    sores criam grupos de discussão
                                               também para o professor e isso o
        sociais hoje permitem um com-                                                        na internet para poder integrar os
                                               deixará mais próximo do aluno e
        partilhamento maior de conteúdo                                                      alunos “No meu ver, é preciso mais
                                               do processo de aprendizagem do
        “As redes quando bem utilizadas,                                                     que apenas discussão na internet,
                                               mesmo”, disse.
        quando bem filtradas e monta-                                                        é preciso envolver nós estudantes
                                                   A utilização das ferramentas da
        das com um propósito, poderão                                                        nesse mundo que ainda é tão
                                               web 2.0 como recurso pedagógi-
        gerar uma base de conteúdo mui-                                                      novo para nós”, finaliza Yngrid.
                                               co no contexto de sala de aula,
        to interessante no processo de                                                          Para o especialista Glebe, essa
                                               são formas de ensinar e de apren-
        aprendizagem” afirma.                                                                nova aprendizagem de inclusão
                                               der, que estão se consolidando
            Para ele, poucas instituições no                                                 digital, é um caminho sem volta
                                               com o passar do tempo. Para o
        Rio Grande do Norte, estão pre-                                                      “Não vejo um mundo com menos
                                               filósofo Toledo, o aluno aprende
        paradas para lidar com este novo                                                     tecnologia, vejo o contrário, cada
                                               algo novo e incorpora a essa ex-
        formato “É tudo muito novo, mes-                                                     vez mais, elas se tornarão simples
                                               periência toda a sua bagagem de
        mo sendo um conceito com mais                                                        e transparente”, destacou.

                                                                                             Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 9                                                                                                   20/09/2012 13:31:58
10                                                  TURISMO

                                           NATAL AOS OLHOS DO MUNDO
                        Como uma das cidades mais procuradas do Nordeste virou destino de jovens turistas
                          	       Os caprichos da natureza
                          deram a Natal uma geografia di-
                          versificada, perfeita para aqueles
                          que anseiam viver extrema emo-
                          ção. Pela terra, as reservas de
                          Mata Atlântica, falésias, grutas,
                          cavernas e dunas. No mar, belos
                          corais, golfinhos e vida marinha
                          ativa. Um dos destinos mais pro-
                          curados no Nordeste brasileiro, a
                          capital potiguar vem sendo cada
                          vez mais procurada por jovens
                          em busca de belas praias, aven-
                          tura, calor o ano inteiro e badala-
                          ções.
                          	       Visitantes de todos os lu-
                          gares do mundo escolhem Natal
                          para respirar o “ar mais puro” das
                          Américas, visitar o maior cajueiro
                          do mundo e conhecer as mais de
                          20 praias com paisagens paradi-
                          síacas de dunas e mar límpido e
                          tranqüilo. Conhecida como “A Ci-                                                  Foto Google
                          dade do Sol”, possui em sua história o traço
         Florence Melo da colonização holandesa e portuguesa.             ou até mesmo após se formarem. “A viagem

        Formada       em mais turistas jovens de diferente lugares do
         Macêdo           	       A cidade vem recebendo cada vez         abre a cabeça do jovem para possíveis esco-
        moda, graduan-
                                                                          lhas profissionais. Serve como uma espécie
        da em jornalis- Mundo, que chegam à cidade em busca de
        mo. Com um pé praia, sol, esportes radicais e noites regadas
                                                                          de conhecimento de si próprio em uma fase

        no mundo e o à caipirinha. Segundo a psicóloga Fabíola Nu-
                                                                          da vida em que ele precisa tomar decisões se-
        outro também,
                                                                          rias e definitivas”, afirma a médica.
        com a alma gran- nes, que estuda o comportamento de adultos
        de demais para nesta faixa etária, os jovens investem cada vez
                                                                           	      O estudante de arquitetura Manolo

        o corpo que ha- mais em viagens. Muitos anseiam conhecer
                                                                          Rosado, 21, aproveitou o vínculo de sua facul-
        bita. Uma vida
                                                                          dade em Madrid com uma Universidade em
        feita de sucessão o mundo antes de escolher uma faculdade,
        de pequenos mi-
                                                                          Natal para conhecer o Brasil. O espanhol pla-

        lagres, estranhas
                                                                          nejava ficar seis meses na cidade, mas se en-
        coincidências
                             Foto Manolo Rosado
                                                                          volveu tanto com as belezas naturais e o povo
        que resultaram
        de impulsos in-
                                                                          acolhedor que acabou ficando um ano, cur-

        controláveis     e
                                                                          sando arquitetura. “Vim atraído pelas belas
        que deram ori-
                                                                          praias e paisagens naturais, que são muito fa-
        gem a sonhos in-
        compreensíveis.
                                                                          mosas na Espanha. Se eu voltei, foi pelas ami-

        Passei      grande
                                                                          zades que fiz aqui. Os brasileiros são pessoas
        parte da vida
                                                                          muito abertas, que sempre procuram ajudar.
        fingindo que sou
        normal, mas por
                                                                          Esparava mais das praias urbanas, mas me

        baixo da super-
                                                                          encantei com a Praia de Pipa. Um dos luga-
        fície, sei que sou
                                                                          res mais lindos que conheci e com uma noite
        única.

        Revista Plural 7| Ano IX | 2012
                               Estudantes Espanhóis no passeio de Buggy   muito boa”, pontua ele.



Modelo 2012 FINAL.indd 10                                                                                         20/09/2012 13:31:58
TURISMO                                                        11

                           	       Já no caso do holandês John de Heus, 27, sua vin-
                           da a Natal foi ocasional. Ele veio com um grupo de ami-




                                                                                                                                                Foto Lara de Heus
                           gos conhecer o Brasil, e acabaram ficando em Natal só
                           por alguns dias, pois estavam de passagem para Fortale-
                           za, mas parece que foi até coisa do destino. “Viemos pro
                           Brasil num grupo de homens solteiros, sabendo que aqui
                           haviam mulheres bonitas, mas claro que esse não era o
                           motivo principal. Mas eu me apaixonei e hoje sou casa-
                           do com uma brasileira que conheci em Natal numa festa.
                           Essa cidade se tornou muito importante pra mim, e um
                           dia penso em criar meus filhos aí. Quero que eles tenham
                           a simpatia e a alegria de viver dos brasileiros”, afirma ele.
                           	       Alesso Polcaro, italiano, 26, veio pela primeira vez
                           à Natal de férias com os pais para passar 10 dias. Gosta-
                           ram tanto que acabaram alugando uma casa e ficaram
                           em terras potiguares por três meses. “Todos os anos eu
                           venho ao Brasil e fico em Natal. Gosto das praias, do calor
                           o ano inteiro, os esportes que posso praticar, das pessoas
                           e principalmente da comida. Natal é uma cidade que se
                           come muito bem, e os hoteis são muito bons”, sinaliza o
                           empresário de produtos estéticos, que encontrou em Na-
                           tal também uma oportunidade grande de fazer negócios.
                           	       Hoje a capital do Rio Grande do Norte possui um
                           grande número de leitos, seja em hotéis de luxo ou alber-            John de Heus e Lara de Heus
                           gues, que atende às necessidades para todos os bolsos e
                           procuras. Em Ponta Negra existe uma gama de opção de bares e restaurante que funcionam todos os dias,
                           além de boates e agências que vendem pequenos pacotes para passeios pelo litoral potiguar e viagens à Pipa,
                           um dos destinos mais procurados do Estado.
                           	       Por sediar a Copa de 2014, a cidade recebeu fortes investimentos para incrementar a infraestrutura
                           turística e ampliar o tempo de permanência do turista na capital, além de criar condições para que ele retorne
                           em outras oportunidades. Segundo dados da Secretaria de Turismo do RN, entre 2002 a 2007 o fluxo turístico
                           na cidade dobrou, passando de 1.423.886 para 2.096.322. Os vôos internacionais triplicaram passando de
                                                                                                       5 vôos internacionais por semana
                                                                                                       para 23 que chegam da Argentina,
                                                                                                       14 de Portugal, 10 da Espanha, 3
                                                                                                       da Itália e mais vôos da Holanda,
                                                                                                       Alemanha, Suécia, Inglaterra, No-
                                                                                                       ruega, Dinamarca e Finlândia.
                           	                                                                           	      Apesar disso, todos os es-
                                                                                                       trevistados citaram problemas
                                                                                                       como escassez de transportes
                                                                                                       públicos, praias sujas e falta de in-
    Foto Alessio Polcaro




                                                                                                       fraestrutura no aeroporto e rodo-
                                                                                                       viária além da falta de segurança.
                                                                                                       A barreira da língua foi mais uma
                                                                                                       dificuldade enfrentado pela maio-
                                                                                                       ria deles.
                                                                                                       	

                                                                                                        Revista Plural 7| Ano IX | 2012
                                               O italiano Alessio nas Dunas de Genipabu




Modelo 2012 FINAL.indd 11                                                                                                             20/09/2012 13:31:58
12                                                CULTURA
                                                                                                             Kailanny Goms




                                 GRAFFITI, A ARTE QUE DIVERGE DA PICHAÇÃO
                            Arte de rua além da arte: os dois lados da mesma moeda. A pichação, como o grafite
                            é considerada arte de rua, são modalidades diferenciadas, cada uma tem sua
                                                                particularidade




                            N
                                os anos 60, quando começaram a ser        a opressão que a sociedade vive. Levar um pouco
                                realizadas as intervenções em muros,      de arte a quem não tem acesso a nenhum tipo
                                pontes ou trens essa era vista por uma    de cultura, presentear a cidade com uma arte.
                     audiência aleatória. O artista só ganhava fama       A partir do momento que eu faço um graffiti na
                     quando os jornais o noticiavam como vândalo e        rua, vou levar pra mim apenas uma lembrança,
                     criminoso.                                           o registro da arte, mas ela esta ali para a cidade,
          Danielle      Em toda a história, temos diversos                apenas fiz o desenho, em um muro que não sei
           Soares    representantes das mais diversas áreas artísticas    nem de quem é. Vejo o graffiti como uma obra
                     que marcaram época. Atualmente, vivemos              entregue a aos moradores de uma comunidade, a
      Delicada e     um período de completa liberdade artística e         um morador de rua, um advogado, médico, a arte
      paciente com a cada dia vemos novas formas de se expressar          do graffiti é para todos”.
      tudo e todos. artisticamente. Nesse novo milênio, talvez a maior       A pichação, como o grafite é considerada arte
      Assessoria     expressão artística que possuímos é o Grafite.       de rua, são modalidades diferenciadas, cada uma
      organizacional    Com um apelo completamente urbano, o              tem sua particularidade. Vamos conhecer um
      foi uma        Grafite consegue mesclar de maneira perfeita         pouco mais dessas modalidades.
      descoberta e   a pintura com elementos atuais e de protesto            O Grafite é uma arte que apareceu nos anos 70
      hoje em dia é social.                                               tendo início em Nova Iorque, como movimentos
      sua paixão.       Para o artista de rua POK (Kéfren Lima), a arte   culturais das minorias excluídas da cidade. Com
                     do grafite “é uma forma de manifestação artística    a revolução contracultura de 1968, surgiram nos

        Revista Plural 7| Ano IX | 2012
                     em espaços públicos. É a forma de expressar toda     muros de Paris às primeiras manifestações.



Modelo 2012 FINAL.indd 12                                                                                             20/09/2012 13:31:59
CULTURA                                                                     13

          Possui uma preocupação estética             grafite é utilizado para as duas formas         LKS nos conta que já foi pego várias vez-
        e deixa marcas muito bonitas pela             de arte de rua.                               es. “Eles (policiais) batem na gente, tomam
        cidade. É considerada a arte da                 “A pichação é um tipo de protesto,          o material (spray) e depois temos que pin-
        minoria, que tentam divulgar seus             é a escrita feita para determinar             tar o muro que pichamos outras vezes nos
        trabalhos fazendo maravilhosos                territórios, reivindicar algo. Também         leva para a delegacia”, explica
        desenhos nas ruas. Hoje já existem            vejo como arte, o pichador escala                                          Aline Cristina
        lugares em muitas cidades inclusive           prédios, marquises, isso tudo é muito
        São Paulo com obras de Grafite                perigoso. Isso não deixa de ser arte.
        que só acrescentam em beleza e                Cada um com sua idéia”, explica POK.
                                                                                                    Manifestação ambiental
        sensibilidade.                                  As pessoas que escreviam suas
                                               Pok    tags, inscrições em paredes e                    A determinação também proíbe a venda
                                                      vagões de metrôs em Nova York,                de tinta spray para menores de 18 anos,
                                                      no fim dos anos 60 e início de 70, se         e mesmo os maiores de idade deverão
                                                      denominavam escritores. A mídia os            apresentar documento de identidade para
                                                      apelidou de grafiteiros e essas tags,         a compra do produto.
                                                      que se assemelhavam muito ao que                 As latas de tinta em aerosol deverão
                                                      chamamos no Brasil de pichação, com           conter a inscrição “Pichação é crime (Art.
         O grafitti de olho nos problemas sociais     o tempo foram recebendo “enfeites”            65 Da Lei No. 9.605/98). Proibida a venda
                                                      tais como desenhos figurativos e              para menores de 18 anos”. Em caso de
          As Pichações já são consideradas            texturas.                                     descumprimento da lei, o pichador poderá
        vandalismos, hoje o governo                     Com o passar dos anos o termo               ser detido pelo período de três meses a
        tem se voltado contra eles e até              grafite foi visto e revisto para conceituar   um ano e pagamento de multa.
        disponibilizado muros para que estas          expressões artísticas diversas e em              A arte do graffiti está sendo bem aceito
        pichações acabem e quem é pego                diferentes superfícies e locais. Hoje é       pela sociedade nos dias atuais, POK nos
        pichando pode ser penalizado por              difícil dizer o que exatamente significa.     conta como está a situação hoje:“O graf-
        lei. As pichações ainda incomodam a             Para POK, o motivo que o fez buscar         fiti esta sendo aceito sim, mas com aquele
        sociedade.                                    o graffiti foi algumas depressões, “não       pequeno preconceito, mas o graffiti está
          Segundo LKS, é uma forma de                 me sentia muito bem por fazer outra           aparecendo em novelas, programas e está
        expressão, à sociedade tem que se             coisa que não gostava, e quando sai           se inserindo no cotidiano urbano. Lugares
        preocupar, mas com os problemas               pra pintar na rua pela primeira vez,          que só víamos publicidades e placas, agora
        maiores da cidade, educação, melhoria         isso me fez um bem muito bom, você            esta se firmando o graffiti.”
        na saúde. “Acho que o pessoal quando          sentir a rua, sentir o movimento dela,           POK, nos fala sobe sua inspiração com
        vê a gente pichando não tem que               os problemas que ela tem que as               relação aos problemas do cotidiano em
        botar a gente para correr, nem dá na          pessoas têm. Pintar na rua é genial,          suas temáticas: “Utilizo sim os problemas
        gente não, não descriminar. É só uma          só quem esta na rua sabe o que estou          sociais, vai de acordo de como estou me
        liberdade de expressão”, explica o            falando”.                                     sentindo, quando comecei a pintar na rua,
        pichador.                                                                                   não me sentia muito bem pessoalmente,
                                     Aline Cristina   LEI DIFERENCIA PICHAÇÃO E GRAFITE             e nisso eu senti a necessidade de pintar
                                                        Oficial da União do dia 26 de maio          e ali me expor na rua, de atribuir algo a
                                                      de 2011 determina a diferenciação             mais para cidade, ai fazia meus desenhos
                                                      entre duas formas de expressão muito          todos muitos escuros, usava apenas a cor
                                                      comuns nas cidades contemporâneas:            preta, daí as coisas foram mudando. Vi que
                                                      a pichação e o grafite. Pela lei anterior,    a cidade já era muito escura, muito suja
                                                      tanto pichar quanto grafitar eram             e aquele problemas que estava vivendo
         A sociedade cria seus monstros               considerados crimes. Agora o grafite          naquele tempo sumiu, e comecei usar
                                                      é descriminalizado e, quando tem o
         Vale lembrar que a diferenciação                                                           cores mas vivas,e a temática do meu tra-
                                                      objetivo de valorizar o patrimônio
        entre pichação e grafite é encontrada         público ou privado, é considerada
                                                                                                    balho é o caos da cidade,os problemas que
        apenas no Brasil. Em outros países,           “manifestação artística”. A pichação          sempre aumentam e tudo fica complicado
        o mesmo termo correspondente a                                                              como um entrelaçado”.

                                                                                                    Revista Plural 7| Ano IX | 2012
                                                      continua na mesma situação lanterior.



Modelo 2012 FINAL.indd 13                                                                                                               20/09/2012 13:32:00
14                                                  ESPECIAL


                                 SOM, RITMO
                                 E VOZ DE
                                 UM MATUTO
                                 MESTRE
                                    No ano de comemoração do centenário
          Daniel Freire          de Luiz Gonzaga, obra, talento, autodi-
          Radialista, obser-     datismo e aspectos de sua vida pública
          vador do mundo,        são colocados em evidência atestando o
          aprendiz sempre        seu legado relevante na música popular
          e, quase jornalis-
                                 brasileira
          ta. Vivendo sob o
          signo da mutação
                                   Histórias de superação, de transposição
          é Socialista por
          convicção. Esse ca-  das barreiras perversas impostas pela socie-
          rioca acredita ser o dade ou por nichos sociais, sempre trazem
          amor, a caridade, a
                               um ar de emotividade. Da tinta metafórica
          amizade, os bons
          pensamentos e as     ofertada pela vida, ou, proveniente de escol-
          boas ações, os ali-  has individuais, traços, linhas, círculos, rep-
          cerces dessa vida.
                               resentações variadas, objetivas e subjetivas,
                               são empregados - conscientes ou inconsci-
                               entes - para alinhar o rumo de cada ser. É
                               certo também que nunca a tela se apresenta
                               somente com cores vivas, claras, suaves e
                               alegres. Por vezes, a sombra, o negro das
                               tristezas e aquela cor turva da ferida que cis-
                               ma em não cicatrizar, se esparrama nas telas
                               da vida. Alegria e tristeza pavimentam a es-
                               trada de cada um. Isto é fato. É sobre este
                               cenário flutuante que se celebra neste ano,
                               2012, o centenário de Luiz Gonzaga do Nas-
                                                                                 mais conhecida como “Santana”, cresceu, se
                               cimento, ou simplesmente, Luiz Gonzaga, o
          Thiago
                                                                                 apaixonou, sofreu, saiu pelo mundo, persis-
                               menestrel nordestino.
          Damasceno                                                              tiu nos objetivos e conquistou um lugar de
                                   Saído do sertão nordestino, precisa-
                                                                                 destaque na galeria da música popular bra-
          Aluno de jornalismo, mente, da cidade de Exu, situada aos pés
          casado e amante da da serra do Araripe, em Pernambuco - 600            sileira.
          Comunicacao. Comu-                                                         Luiz Gonzaga foi um artista que soube
          nicar e servir.      km de Recife, capital pernambucana, e à
                                                                                 como poucos ousar. Não ficou preso a ró-
                               mesma distância da capital cearense, For-
                                                                                 tulos estilísticos e foi adiante. Ousou na so-
                               taleza – esse matuto pode tranquilamente
                                                                                 noridade de sua música. Rompeu a implicân-
                               ser inserido em um contexto de excepcion-
                                                                                 cia dos pseudo-experts que consideravam
                               alidade. Talento manifestado precocemente
                                                                                 sua voz como fora do padrão de “vozeirão”
                               e lapidado pela influência do pai, Januário,
                                                                                 que ditava o mercado na época. Sua música
                               tocador e consertador de sanfona, o garoto,
                                                                                 transcendeu a qualquer limitação de classi-
                               segundo dos nove filhos do casal compos-

           Revista Plural 7| Ano IX | 2012
                                                                                 ficação, era universal. Da fusão de zabum-
                               to pela presença feminina de Ana Batista,



Modelo 2012 FINAL.indd 14                                                                                                20/09/2012 13:32:00
ESPECIAL                                                        15




                                                                                                           Divulgação

         ba, triângulo e sanfona e de sua    sobre a sua obra e momentos de         strumental pareciam uma coisa só.
         voz anasalada, porém, vibrante      apagão. Isso por parte da crítica e       Perto de completar 18 anos,
         e altiva, músicas bastante repre-   da imprensa, porque para o povo,       havia se apaixonado perdidamente
         sentativas do universo do cidadão   principalmente, para o nordestino,     por uma moça chamada Nazarena
         sofredor do campo e do sertão,      o seu valor foi sempre incontes-       e a quem namorava às escondidas
         do cidadão comum de toda e          tável. O casamento com a sanfona       do pai dela. Ao descobrir o namoro
         qualquer cidade, ganharam vida      foi harmônico, feliz e duradouro.      de sua filha com um sujeito que se
         e foram consagradas. Pela vida      Entoando versos, envolvendo a          mostrava sem encaminhamento
         espalhou o seu talento, alcançou    amada de foles em seus braços e a      na vida, o pai de Nazarena proíbe
         sucesso e teve que conviver com     acariciando no ritmado dançar de       o namoro. O jovem Luiz Gonzaga
         uma gangorra inerente ao recon-     seus dedos, uma obra rica se con-      não gostando da atitude do pai da
         hecimento de sua importância        struiu. O enlace foi tão perfeito, a   moça – após ingerir doses de cach-
         musical. Ora, por cima, ora, por    relação por todo tempo irretocáv-      aça para despertar coragem – vai
         baixo. Oscilava períodos de luz     el, que corpo humano e corpo in-

                                                                                    Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 15                                                                                       20/09/2012 13:32:00
16
                                                           ESPECIAL
            tirar satisfações e leva uma sur-   começa a tocar o seu acordeão -       começou a decolar.
         ra colossal. A partir desse acontec-   sanfona para os nordestinos – e as       Em 1941 grava o seu primeiro
         imento, a vida de Gonzaga ganha        pessoas gostam.                       disco como instrumentista. Leva
         novos contornos. Com vergonha              Logo consegue um companhei-       quatro anos para conseguir o que
         da surra que levou, deixa Exu para     ro, o violonista Xavier Pinheiro. O   tanto queria. Além de tocar san-
         trás e decide ir para o Ceará. Em      Rio de Janeiro havia conquistado      fona, queria soltar a sua voz. En-
         Fortaleza, alista-se no exército e     aquele ex-marinheiro. Xavier acol-    tre 1941 e 1945, ficou só nos dis-
         é na caserna que vai passar os         he Gonzaga em sua casa no morro       cos de vertente instrumental. Foi
         próximos nove anos. Em razão de        de São Carlos e essa amizade só se    proibido de gravar cantando em
         transferências, serve em algumas       fortalece ao longo do tempo. Pas-     seus discos. As gravadoras alega-
         cidades brasileiras e se estabelece    sam a tocar em bares do mangue,       vam que ele não possuía uma voz
         por mais tempo em Juiz de Fora,        nas ruas, em gafieiras, em festin-    que se enquadrasse nos padrões
         Minas Gerais. No quartel passa         has de subúrbio, nos cabarés da       da época. Durante esse período fez
         a ser soldado corneteiro e ganha       Lapa, enfim, em qualquer lugar        carreira no rádio carioca e as por-
         o apelido de “bico de aço”. Vale       que tivesse aglomeração de pes-       tas foram se abrindo mais e mais.
         destacar que durante todo o perío-     soas. Tocando fados, mazurcas,           Outro fato marcante em sua
         do de vida militar, o “bico de aço”    polcas, choro, Fox trote, levam os    carreira foi quando, participando
         desenvolveu forte traço de discipli-   seus dias.                            de um programa de auditório na
         na e não se separou em nenhum              A vida era dura. Gonzaga não      Rádio Nacional se deparou com o
         momento do instrumento de fole,        recusava convite algum. Apre-         estilo gaúcho do catarinense Pedro
         exercitando-se em momentos es-         sentando-se em uma casa noturna,      Raimundo, vestido com bomba-
         parsos e esmerando cada vez mais       deparou-se com um grupo de es-        cha, pilcha e botas. Como em um
         a sua técnica.                         tudantes cearenses que foram de-      lampejo surgiu a ideia de se apre-
            Após ser desligado do exército,     cisivos na mudança do estilo musi-    sentar com vestimenta típica do
         desembarcou no Rio de Janeiro,         cal do Gonzagão. Esses estudantes     nordestino sertanejo e tendo como
         em 1939. Lá, iniciou a sua carreira    perguntaram a Gonzaga de que lu-      inspiração, a figura de Lampião.
         profissional depois de muito penar     gar ele era. Ao responder Pernam-     Sim, porque até então Gonzaga se
         pelos mais variados lugares nos        buco, recebeu o contra-ataque. Se     apresentava de terno, gravata e sa-
         quais tentava ganhar dinheiro e        ele era do Nordeste, por que não      pato fino. Decidido que passaria a
         se tornar conhecido. Na verdade,       tocava algo típico da região? Gon-    ter um novo figurino, o de canga-
         a cidade o seduziu e o “pren-          zaga retrucou que na próxima vez      ceiro, e mesmo censurado por um
         deu”. Luiz Gonzaga ao chegar a         em que aparecessem por lá, ele        bom tempo, nada o afetaria em
         então capital federal e tendo que      tocaria algo ligado ao Nordeste.      sua decisão de ter uma indumen-
         aguardar o embarque no navio           Esse compromisso ficou rondando       tária própria tendo como um dos
         que o levaria de volta à Recife, sai   a sua mente. Algum tempo depois       adereços, o chapéu de couro.
         para dar uma volta pela cidade.        quando os rapazes apareceram             Foi entre os anos de 1945 e 1946
         Indicada por pessoas que por ali       novamente, Gonzaga, no final da       que veio a conhecer aqueles que
         circulavam, vai conhecer a zona        apresentação, mandou ver e ex-        se tornariam os seus dois parceiros
         do mangue, reduto conhecido de         ecutou duas músicas que mistura-      mais efetivos, Humberto Teixeira e
         prostituição. Claro, sem desgrudar     vam sons da cultura nordestina.       Zé Dantas. Em 1945 nasce também
         do seu amado acordeão. Ao se de-       Soltou “Pé de Serra” e o chamego,     Gonzaga Júnior, filho de Odaléia
         parar com o movimento frenético        “Vira e mexe”, que sacudiram o        Guedes - uma cantora da noite
         do local, gente tocando e cantando     ambiente e enlouqueceu a todos.       com quem Luiz Gonzaga flertou
         em frente aos bares, mulheres em       Empolgado, decide ir ao programa      e que viria a falecer alguns anos
         fartura e a pulsação daquele am-       de auditório que era o mais bada-     depois vitimada pela tuberculose.
         biente boêmio, com meretrizes,         lado da época. Era o programa do      A paternidade biológica de Gon-
         malandros, marinheiros do mundo        Ari Barroso. Fez enorme sucesso       zaguinha sempre foi um assunto
         inteiro, absorve um sentimento de      também por lá. Levou a nota máx-      incutido em um campo minado,


        Revista Plural 7| Ano IX | 2012
         encanto pelo lugar. Timidamente        ima do exigente Ari e sua carreira    mas está registrado: Luiz Gonzaga



Modelo 2012 FINAL.indd 16                                                                                          20/09/2012 13:32:00
ESPECIAL                                                          17




                                                                                                                 Divulgação

         do Nascimento Júnior. Pai: Luiz          Soube revelar os anseios e todo o      obra poético-musical, tenho essa
         Gonzaga do Nascimento. A relação         sofrimento do homem nordestino         certeza. Isto desde a segunda
         entre os dois sempre conturbada          do campo e deu voz a esse povo         metade da década de 1940, quan-
         teve, alguns anos antes da morte         sofrido dos rincões, tão esquecid-     do lançou o seu gênero musical
         de Luiz Gonzaga – Gonzaguinha            os e massacrados pelo descaso do       mais famoso, o baião, apesar da in-
         viria a falecer em 1991, dois anos       poder público. Foi senão o maior,      vasão cultural dos Estados Unidos”.
         após a morte do pai - durante a          um dos maiores representantes          O jornalista está à frente de alguns
         turnê do show, “Gonzagão e Gon-          da cultura nordestina. Ele não se      projetos culturais de reverência a
         zaguinha, a vida do viajante”, um        resumiu somente aos aspectos           figura de Luiz Gonzaga e trabalha
         momento de acerto de contas.             de amargura do povo nordestino.        incansavelmente na divulgação e
         Passaram toda a relação a limpo e        Cantou amores, desventuras, an-        preservação da obra gonzagueana.
         segundo consta na biografia “Gon-        danças, amizade, encontros, reen-      São três livros, uma enciclopédia
         zaguinha, Gonzagão, uma história         contros. Sua música era uma festa      de 150 obras comentadas, e mais
         brasileira”, da jornalista e escritora   de sonoridade ampla, irrestrita e      duas obras temáticas sobre as in-
         Regina Echeverria, reconhecer-           o seu verbo profundo. Soube mis-       fluências da Paraíba nas músicas
         am que o amor havia construído           turar com maestria gêneros e foi o     DE Luiz Gonzaga. “Quanto mais eu
         um envoltório sólido que os unia         grande expoente do baião.              desço no poço dos estudos do Rei
         como pai e filho sem que houvesse           Para o jornalista potiguar, radi-   do Baião, mas me deslumbro com
         a necessidade de laços biológicos.       cado em Campina Grande, Xico           a magnitude de sua obra, verda-
         Ambos se desculparam pelas fal-          Nóbrega, “Luiz Gonzaga é o maior       deiro patrimônio do canto popu-
         has cometidas entre os dois e os         nome da música popular brasilei-       lar da humanidade”. Além destas
         corações ficaram em paz.                 ra de todos os tempos. Diante do       realizações, Xico Nóbrega trabalha
             A música de Luiz Gonzaga se ex-      imenso carisma, a sua maestria         na sucursal do jornal ‘A União’ de
         pressou como forma consistente           no instrumento (sanfona), o can-       Campina Grande como repórter
         de tornar a cultura do nordeste          tar maravilhoso, a riqueza temáti-     cultural, escrevendo sobre temas


                                                                                         Revista Plural 7| Ano IX | 2012
         conhecida no eixo Sudeste do país.       ca, a quantidade e qualidade da        nordestinos, especialmente, Luiz



Modelo 2012 FINAL.indd 17                                                                                              20/09/2012 13:32:01
18                                                 ESPECIAL
            Gonzaga. É um dos profissionais     como uma marca única e que es-          co e Geográfico do RN – IGHRN,
         da imprensa brasileira mais dedi-      tampam a sua identidade musical,        Kydelmir Dantas, destaca que Gon-
         cados a Luiz Gonzaga, desde 1989,      irrepreensível. Ele foi detentor de     zagão foi uma figura ímpar. “Ele foi
         quando fez a primeira e mais im-       uma esmerada capacidade cria-           um dos maiores divulgadores da
         portante reportagem da vida, jus-      tiva.                                   MPB, com ênfase para o Nordeste.
         tamente a cobertura do sepulta-            Neste ano de comemoração aos        Porém, gravou diversos gêneros
         mento do Rei do Baião. É o editor      seus cem anos, shows tributos e         musicais, antes de enveredar pelo
         do site do Museu Fonográfico Luiz      gravações de CDs e DVDs espocam         ‘caminho da roça’ nordestina.
         Gonzaga de Campina Grande-PB,          de Norte a Sul do Brasil. Artistas e    Gravou valsas, choros, marchas,
         o www.museuluizgonzaga.com.br,         personalidades das mais variadas        rancheiras, toadas, polcas, ma-
         o primeiro da Paraíba do gênero        áreas reafirmam a importância do        racatus, frevos, sambas, maxixes,
         notícia, memória, vida e obra do       rei do baião para a música e cultu-     guarânias”. E Lembra nostalgica-
         Rei do Baião.                          ra popular brasileira. No carnaval      mente o momento em que o rei do
                                                deste ano uma justa homenagem           baião entrou na sua vida. “No final
            Seus versos, melo-                  se fez. A Unidos da Tijuca retratou     da década de 1960, pelas ondas
                                                a vida e obra de Luiz Gonzaga na        sonoras da Rádio Brejuí, de Currais
          dias e harmonias sao                  avenida. O nome do enredo, “O           Novos, RN, comecei a ter contato
             destacados como                    dia em que toda a realeza desem-        com as músicas de Luiz Gonzaga.
                                                barcou na Avenida para coroar           Aquelas melodias, a voz grave, o
            uma marca unica e                   o rei Luiz do Sertão”. Pela força       toque da sanfona... quando chega-
           que estampam a sua                   do tema, dentre outros requisi-         va o mês de junho, os preparativos
                                                tos, conseguiu a escola levantar o      para as festas juninas excitavam o
          identidade musical, ir-               caneco de campeã.                       moleque na expectativa das comi-
               repreensivel                         Ele foi craque em variados rit-     das típicas e nas danças da quadril-
                                                mos regional brasileiro, bem como,      ha; os forrós eram para os adultos,
             Luiz Gonzaga durante toda a        em ritmos de outros países: toada;      depois comecei a participar. Lem-
         sua carreira primou pela excelên-      xote; chamego; xaxado. Passou           bro que a música “Olha pro céu”
         cia em seus discos e shows. Sem-       pela valsa, polca, mazurca, euro-       sempre me fazia levantar a vista,
         pre se cobrava muito. Conquistou       peia; guarânia paraguaia; marchas       e vislumbrar a noite, os balões, os
         a admiração de muitos célebres         juninas do nordeste; lundu, samba       fogos de artifício, num enlevo de
         artistas da música brasileira e das    e choro, carioca; frevo, pernambu-      criança, numa saudade de adulto,
         artes em geral, e teve canções suas    cano; calango mineiro; maracatu         como ainda hoje me ocorre”.
         gravadas por nomes como Gilberto       africano, além é claro de ter ficado        Recife foi o local escolhido pelo
         Gil, Caetano Veloso, Raul Seixas,      marcado como maior represent-           maçom Luiz Gonzaga para morar
         Dominguinhos, Elba Ramalho, Al-        ante do forró e do baião.               em sua fase final de vida. O lua,
         ceu Valença, Hermeto Pascoal,              O filho de Januário foi um via-     como era chamado também - pelo
         Fagner, Elis Regina, Lulu Santos,      jante poeta musical que com seus        formato arredondado de seu ros-
         Maria Bethânia e muito mais gente      baiões, forrós, xotes, toadas, xaxa-    to - entre idas e vindas – sempre
         boa e de destaque.                     dos, estampou tão bem a realidade       anunciava que iria parar – nunca
             Asa branca é uma das músicas       brasileira e, destacadamente, a do      conseguiu ficar por muito tempo
         mais regravadas no Brasil e com        Nordeste. Inseriu um tipo de músi-      longe dos palcos e esteve junto a
         algumas gravações internacionais       ca com cara de Brasil e em uma          ele, se apresentado, até bem antes
         também. É um dos artistas mais         época na qual os olhos e ouvidos        de ser internado em um hospital
         biografados. Possui uma legião de      se voltavam para a música ameri-        de Recife com problema de câncer
         discípulos e fãs que não cansam        cana, elevou o baião ao posto de        de próstata. O ano era 1989. No
         de proteger e difundir a sua obra.     expoente cultural.                      último show em que teve partici-
         Luiz Gonzaga é sinônimo de plu-            O pesquisador e poeta, sócio        pação – tributo a ele realizado no
         ralidade, fineza. Seus versos, melo-   do Instituto Cultural do Oeste Po-      teatro Guararapes, na capital per-


        Revista Plural 7| Ano IX | 2012
         dias e harmonias são destacados        tiguar – ICOP e do Instituto Históri-   nambucana, Luiz Gonzaga, já de-



Modelo 2012 FINAL.indd 18                                                                                              20/09/2012 13:32:01
ESPECIAL                                                         19

         bilitado em razão dos problemas        paixão de sua última fase, debruça-  mulher macho”.
         de saúde, numa cadeira de rodas,       das sobre o caixão e reverenciando       O livro de Regina é uma das bas-
         proferiu em 06 de junho de 1989        antes de qualquer coisa, o homem,    es do filme que será lançado no fi-
         – quarenta e seis dias antes de sua    Luiz Gonzaga. “Amei Lula sem nada    nal do ano, “Gonzaga – De Pai para
         morte - estas palavras. “Boa Noite     pedir ou esperar, mas sabendo        Filho”, superprodução do diretor
         minha gente! (...) Minha gente,        que me bastava estar diante do       Breno Silveira - 2 filhos de Francis-
         não preciso dizer que estou en-        homem mais extraordinário que        co - que narra a vida do sanfoneiro
         fermo. Venho receber essa hom-         já conheci, que me fez renascer e    através do olhar de Gonzaguinha.
         enagem. Estou feliz, graças a Deus,    me ensinou grandes lições”, afirma   O diretor fala de como lhe veio a
         por ter conseguido chegar aqui. E      Edelzuíta no livro, “Luiz Gonzaga: o ideia de desenvolver o filme. “Re-
         estou até melhor um pouquinho.         matuto que conquistou o mundo”.      solvi voltar a filmar uma biografia
         (...) Quero ser lembrado como o                                             ao receber fitas cassetes em que o
         sanfoneiro que amou e cantou              “Quero ser lembrado filho adotivo entrevista Luiz Gon-
         muito seu povo, o sertão; que can-
         tou as aves, os animais, os padres,
                                                como o sanfoneiro que zagaterexpurga anos de frustração
                                                                                     por
                                                                                           e
                                                                                               sido abandonado em uma
         os cangaceiros, os retirantes, os        amou e cantou muito favela no Rio. Eles eram cão e gato,
         valentes, os covardes, o amor. Este
         sanfoneiro viveu feliz por ver o seu
                                                    seu povo, o sertao; mas, graças a Deus, se perdoaram
                                                                                     no fim dessas gravações em fitas
         nome reconhecido por outros po-           que cantou as aves, e acabam fazendo juntos a turnê
         etas, como Gonzaguinha, Gilberto
         Gil, Caetano Veloso e Alceu Va-
                                                 os animais, os padres, ‘Vida do Viajante’ que marca adois
                                                                                     entre os dois. Logo depois, os
                                                                                                                       paz

         lença. Quero ser lembrado como o            os cangaceiros, os              morrem. É muito louco. Gonzagão
         sanfoneiro que cantou muito o seu
         povo, que foi honesto, que criou
                                                 retirantes, os valentes, é um épico. Luizno Nordeste,um gi-
                                                                                     gante, um mito
                                                                                                       Gonzaga foi
                                                                                                                    e tem
         filhos, que amou a vida, deixando        os covardes, o amor” uma história fantástica, própria
         um exemplo de trabalho, de paz e                                            para grandes públicos”, destaca
         amor”.                                     “Luiz Gonzaga está ao lado dos Silveira.
             Em 02 de agosto, Luiz Gonzaga      grandes compositores e intérpret-        A obra de um artista fala por si
         saiu definitivamente de cena. Quer     es da história de nossa música pop- só. A figura do artista construída a
         dizer deixou para trás o aspecto de    ular. Sua intuição e predisposição partir de traços de sua personali-
         homem e virou mito. Sanfona e          para divulgar o canto do povo hu- dade como pessoa comum ganha
         artista se desligaram. Partiu para     milde do sertão nordestino, não aceitação, devoção, reprovação,
         outros planos, feliz por ter con-      têm parâmetros de comparação críticas, e por aí vai. No entanto,
         struído uma carreira bonita e pelo     (...). Ele levou ao grande público é a obra que atravessa o tempo e
         passar a limpo de sua relação com      as canções alegres ou tristes que deixa registrada na história de um
         o seu filho Gonzaguinha. E como        refletem a alma brasileira”, enal- povo, de uma nação, na história
         ele mesmo cantou: “Minha vida          tece Regina Echeverria, escritora, universal, por que não?, a beleza, o
         é andar por esse país para ver se      jornalista e autora da biografia vigor, a relevância que se debruça
         um dia descanso feliz, guardando       ‘Gonzaguinha & Gonzagão – Uma sobre ela. No caso de Luiz Gonzaga
         as recordações das terras por onde     História Brasileira’. Ela detalha a sua obra assim se apresenta e todo
         passei, andando pelos sertões, e       descoberta de uma particulari- brasileiro tem obrigação de agra-
         dos amigos que lá deixei”, dessa       dade envolvendo a música ‘Paraí- decer a Deus por ter tido uma fig-
         maneira, fez um delineamento que       ba’. Ela que tem o refrão: Paraíba ura humana que soube como pou-
         cabe em sua vida.                      masculina, mulher macho, sim cos contar histórias e deixar para a
             Mulherengo como sempre foi,        senhor. “Sempre acreditei que a le- posteridade uma obra ímpar.
         teve em seu velório as presenças       tra da música se referia a uma mul-      Em Abril, durante a sua turnê
         de Helena Neves Cavalcanti, a sua      her, mas não. A canção foi feita sob pelo Brasil, o ex-beatle, Paul Mc-
         esposa legal – estiveram juntos        encomenda de políticos do Estado Cartney, ao pisar o palco em Recife


                                                                                       Revista Plural 7| Ano IX | 2012
         por 40 anos - e Edelzuíta Rabelo,      da Paraíba, ela sim, a masculina e sentenciou. “Salve a terra de Luiz



Modelo 2012 FINAL.indd 19                                                                                           20/09/2012 13:32:01
20
                                                           ESPECIAL
             Gonzaga”. E um dos melhores
         depoimento sobre o rei do baião
         foi concedido pelo jornalista, escri-
         tor e ex-presidente da Academia
         Brasileira de Letras, Austregésilo
         de Athayde, no encarte do pro-
         jeto comemorativa à obra de Luiz
         Gonzaga, chamado 50 Anos de
         Chão. “As elites... Ah! as elites...
         Com que empáfia torcem o nariz
         para a alma brasileira... Nordeste?
         Coisa de pau-de-arara. E sanfona?
         Coisa de cego de feira... Como ex-
         plicar Gonzagão? No mínimo um
         ‘paraíba’ ridículo, usando aquelas
         roupas de cangaceiro. E tocando
         sanfona, ainda por cima! Quanta
         ousadia. Mas o sertão está em
         todo o lugar. As emoções não po-
         dem ser racionalizadas. Traduzir
         Gonzagão nem chamando Millôr
         Fernandes. O importante é que o
         povo o ama, se entende através de
         sua arte, faz levantar a poeira nos
         forrós de chão batido. Seus dedos
         de mestre traçam canções de tem-
         pos imemoriais. Sei que cada vez
         que abre o fole, a natureza se aqui-
         eta para melhor ouvir a si própria.
         E o Sul? Que se dana! Quem não
         for sensível o suficiente que vá
         construir espigões na beira da
         praia. Que vá tocar fogo no mato.
         Que dê tiros no Saci. Que acue a
         pintada. Gente besta! Faz mal não.
         É até melhor, pois que assim sobra
         mais pra quem o ama”.



         Colaboração de Will de Sou-
                                                                                                                  Google imagens




         sa, aluno do curso de Design
         Gráfico da UnP. Ilustrador e
         designer freelancer, que gen-
         tilmente fez a ilustração da
         capa
         willsousa2.carbonmade.com               Monumento em homenagem a Luiz Gonzaga, na entrada do Centro
                                                 de Tradições Nordestinas, no bairro de São Cristovão, Rio de Janeiro


         Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 20                                                                                        20/09/2012 13:32:01
21
                                                               CULTURA


                        Bandas de rock natalenses sonham em ser famosas
             Músicos norte-rio-grandenses têm carreiras paralelas à música, levando-a apenas como um hobby
                                          devido à incerteza do mundo musical.

         Por Vivian Mesquita
            Nos dias de hoje, viver da mú-            As bandas natalenses “2polos”      gia, eu não sabia o que queria fa-
         sica deixou de ser um sonho que           e “Yanks” são adeptas dessa nova      zer, mas sabia o que não queria:
         possa se realizar com apenas talen-       geração do rock brasileiro, todos     não queria parar de tocar nunca!
         to e atitudes rebeldes para aqueles       os componentes de ambas as ban-       Quando estou tocando sinto como
         que tocam um instrumento ou sa-           das fazem ou já tem curso supe-       se tivesse em mundo paralelo. É o
         bem cantar. A indústria fonográfica       rior, e trabalham em diversas áreas   momento em que eu sou tudo o
         está focada no que está fazendo           para assim poderem se sustentar,      que eu queria ser”, conta Juliana
         sucesso no momento, que é o ‘ar-          mas continuam acreditando que         Gonçalves, vulgo Juju Batera, bate-
         rocha’ e o ‘sertanejo universitário’,     um dia o que lhes traz tanto prazer   rista da banda Yanks.
                                                                                                                  Aurino Neto
         deixando de lado aqueles que fa-          será o seu único trabalho.
         zem e apreciam o verdadeiro rock             O guitarrista da banda 2polos,
         and roll.                                 Alan Trindade, está se formando
            Por isso, os jovens músicos, não       em Arquitetura, e fala: “Pretendo
         são como Mick Jagger, vocalista           exercer a carreira em que estou
         dos Rolling Stones, que largou a fa-      me graduando, mas na primeira
         culdade de economia para cantar,          oportunidade que a banda tiver
         muito menos como Steven Tyler,            de crescer nacionalmente preten-
         vocalista da banda Aerosmith, que         do me dedicar de forma integral a
         nem um ensino superior procurou           ela”.
         fazer, eles não mergulham mais
                                                      “Considero a música
         de cabeça nessa incerteza que é a
         música, procuram fazer uma facul-         um hobbie, mas é um ho- Banda Yanks tocando na festa PECADO,
                                                                                        no Chaplin hall
         dade, ou seja, deixar a música ape-       bbie que levo muito a sé-
                                                   rio, e quem sabe se tor-     O vocalista e fundador da ban-
                                      Divulgação
                                                   ne algo mais. Seria muito da Yanks, Yong Kim, é formado em
                                                   prazeroso se pudésse- Direito e trabalha em uma empre-
                                                                             sa de sua família, para ele a música
                                                   mos viver da música”
                                                                                         é tudo, é onde consegue relaxar e
                                                   Felipe Farias, é baixista e com-      curtir o show com os amigos/fãs.
                                                panheiro de banda do Alan, é                 “Tanto 2polos quanto Yanks,
                                                formado em Publicidade e traba-          tem tudo para dar certo, são es-
                                                lha como diretor de arte em uma          tilos diferentes, que já estão con-
                                                agência publicitária. Ele diz: “Con-     quistando apreciadores por toda a
                                                sidero sim a música um hobbie,           cidade. Todos os integrantes têm
                                                mas é um hobbie que levo muito           os seus trabalhos de segunda à
                                                a sério, e quem sabe se torne algo       sexta, mas quando chega o fim
          Banda 2polos no Centro Cultural DoSol
                                                mais. Seria muito prazeroso se pu-       de semana, eles esquecem toda
                                                déssemos viver da música”.               e qualquer preocupação que tive-
         nas como uma segunda opção, um            “Na verdade a música é a me-          ram e se jogam no rock and roll”,
         hobbie e um sonho, que um dia lhor parte da minha vida! Quando                  disse a produtora das duas bandas,
         poderá se tornar realidade.            terminei a faculdade de Psicolo-         Lanna Ferreira.

                                                                                         Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 21                                                                                             20/09/2012 13:32:02
22                                                  ESPORTE
                                                                                                                Foto: John Willian




                            ESPORTE DE CONTATO QUE TRADUZ FEMINILIDADE E
                                            SUPERAÇÃO
                                 Driblando os preconceitos e ganhando popularidade na cidade, o rugby esta
                                                   conquistando a sociedade natalense.


                               Alguém sabe como se joga Rugby? Aliás,       precisamente em Natal, é outra história. O
                            alguém já ouviu falar de Rugby? Reza a          esporte chegou ao Brasil no século 19, trazido
                            lenda que um jogador teria pegado a bola        por Charles Miller. No ano de 2006, um
         Erika Paiva        de futebol com as mãos e correu até a linha     Frances, Wilian Laborde, fundou o primeiro
                            de fundo adversária. Na tentativa de parar o    time de Rugby do Estado, o Potiguar Rugby
         Apaixonada por
         esportes. Está
                            garoto, os jogadores do outro time tentaram     Clube. Foi quando Maíra Leal incentivada

         sempre por
                            derrubá-lo sem sucesso.                         a praticar o esporte, passou a treinar com
         dentro do que
                               Na realidade, estima-se que desde o          os meninos, e sentindo a necessidade de
         rola no mundo
         da bola.
                            século XVIII os medievais já praticassem        um time feminino fundou o Potiguar Rugby

         Reservada
                            o esporte, que inicialmente era chamado         Clube Feminino.
         e autêntica
                            de football. Com o passar dos anos as              Falando em time feminino, vem o
         exprime através
         das palavras
                            características foram mudando, o esporte        questionamento, Rugby não é um esporte

         suas opiniões de
                            passou a ter suas próprias regras e agora é     só para homens? Há quem diga que sim.
         maneira inova-
                            chamado de Rugby. O esporte é visto por         Mas para Maíra Leal, capitã e fundadora do
         dora, fazendo
         com que os mais
                            muitos como bruto e violento, por ter muito     time feminino de Rugby, é puro preconceito.

         improváveis
                            contato físico. E é muito popular em alguns     “Ainda existe uma barreira muito grande
         leitores se
                            países da Europa, na África do Sul, Austrália   para a mulher praticar esporte. Ou a mulher
         apaixonem pelo
         esporte.
                            e Nova Zelândia.                                joga vôlei ou joga handball, não existe outra
                               Como Rugby veio parar no Brasil e, mais      opção pra mulher.”

        Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 22                                                                                            20/09/2012 13:32:06
ESPORTE                                                             23
llian
                   Chegando ao local de treinamento (campo de             para uma maior mobilização que poderia aumentar o
                futebol, cedido pela UFRN), é perceptível a alegria e a   numero de meninas praticantes!”, disse John Wilian,
                vontade, das meninas, em treinar. A cada treino, uma      enquanto observava o time treinando.
                nova adepta. O time feminino atualmente conta com            O Rugby foi disputado durante as sete primeiras
                12 atletas, que disputam a modalidade “Sevens”- uma       edições dos jogos olímpicos, até ser retirado pelo
                das quatro modalidades do Rugby. A irreverência           COI – Comitê Olímpico Internacional. Em 2009, uma
                e o amor pelo esporte são estímulos fundamentais          nova votação trouxe a modalidade de volta, será nas
                para que o time siga jogando, já que elas não têm         Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. “A expectativa
                patrocínio. Ao ser perguntada como fazem para             é que, com as olimpíadas, a gente consiga mais
                participar das competições, Eliana Jussara, atleta, foi   adeptos e patrocínio. Queremos que o esporte cresça
                direta: “Você acha que a gente recebe patrocínio de       cada vez mais.” disse Maíra Leal.        Foto: John Willian
                alguém? Você já viu alguém patrocinar o Rugby aqui
                no Brasil? Nós é que bancamos tudo.”
                   No Estado o esporte ainda é amador, e para manter
                o time, e continuar jogando, as meninas fazem rifas,
                vendem camisetas, pedem ajuda dos familiares. Para
                Maíra, já que todos os atletas de Rugby sofrem com o
                mesmo problema, a falta de patrocínio, um time ajuda
                o outro. “A comunidade do Rugby é muito unida. Se
                você precisar viajar para outra cidade e não tem onde
                ficar, mas conhece alguém que pratica o esporte pode
                ter certeza que esta pessoa vai te acolher.”
                   Durante o treino não é possível identificar a
                violência da qual tanto se fala. O que se vê é um
                esporte de contato como qualquer outro. Para fazer
                um comparativo, esportes de contato, tidos como não
                violentos, causam tantas contusões quanto o Rugby,
                ou até mais, que é o caso do Futebol de campo e do
                Handball. Algumas pessoas passam e olham o treino,
                tentando entender o esporte. “Acho que é a quebra
                de um paradigma cultural, que felizmente vem sido
                rompido por exemplos como esse, mas o preconceito
                ainda é fator determinante se tornando empecilho          Jogadoras em cobrança de um lateral ou lineout .

                 APARTHEID

                    Ao fim da década de 1940, foi implantada na África do Sul o Apartheid (vidas separadas, em africânder).
                 Movimento de segregação racial que impedia negros de se aproximarem dos brancos, a elite branca usufruía
                 dos melhores bairros, escolas e melhores empregos. Por isso, os Sul-Africanos foram proibidos pela FIFA
                 (Federação Internacional de Futebol) e também pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) de participar de
                 qualquer competição internacional.
                    Em 1990 o então presidente da África do Sul, Frederik de Klerk, aboliu o regime. Quatro anos depois foi
                 realizada a primeira eleição livre e multirracial, com a vitória de Nelson Mandela. No ano de 1995, a África do
                 Sul foi finalmente aceita em uma competição internacional. A Copa do Mundo de Rugby, que foi realizada na
                 própria África do Sul.
                    Nos estádios o clima do Apartheid ainda prevalecia, já que, apenas um negro foi convocado para a seleção
                 Sul-Africana de Rugby. No fim da competição a população, antes dividida, uniu-se para comemorar a conquista
                 da Copa do Mundo, sobre a poderosa seleção da Nova Zelândia. A vitória é um marco na história da África
                 do Sul e do Rugby.

                                                                                                Revista Plural 7| Ano IX | 2012

        Modelo 2012 FINAL.indd 23                                                                                             20/09/2012 13:32:07
24                                                      COMPORTAMENTO

                                                     Elas preferem os ogros
                            As princesas da vida real cansaram do papel de boazinhas e querem um final feliz ao
                            lado do lobo mau
                                 	    Mulheres de todas as cores, idades         rico, que faz mau uso do termo e que, infeliz-
                             e sabores, como diria Martinho da Vila, o           mente, está se proliferando. Eu me sinto meio
                             seguimento feminino é diverso de cara-              isolado neste lado de cá da cerca, os bons
                             cterísticas e cada uma delas possui uma             estão em extinção, sabia?”. Declara Felipe.
                             beleza singular, mas em relação aos homens              	   Mas por qual motivo os ogros andam
                             o assunto anda bem em comum: os ogros!              tendo destaque e preferência no universo
                                	     Muito se fala e palpita na definição de    feminino? Talvez seja justamente seu com-
                             ‘um homem ogro’, mas o seu comportamento            portamento avesso ou seu ‘que’ de rebeldia.
                             em geral se define em não servir de molde so-       As mulheres estão ocupadas demais com
                             cial, um visual rústico, sem medo de chocar e      trabalhos, faculdade e família, para se preo-
                             das possíveis enxurradas de críticas que irão      cupar em manter-se princesa sempre para o
                             receber. Os ‘príncipes’ perceberam essa mu-        seu par, então despojar um pouco, relaxar na
                             dança de foco, e questionam o motivo de tanta      cobrança, sentir-se confortável com alguém
                             atenção voltada para os denominados ogros.         que não irá falar que você precisa ser boneca
                                	    Quem confirma isso é o músico e            e não mulher já é um dos principais motivos.
                             fotógrafo, Ademir Félix, 26. “Primeiramente             	   Para confirmar isso, Lanna Caroline
                             não me considero nenhum pouco ogro, sou            Ferreira, 27, produtora musical acrescenta,
                             romântico, educado, abro a porta, dou flores,      “Por definição o ‘ogro’ seria uma coisa ruim,
                            mas confesso que a concorrência existe. Mul-        porém em contraponto aos ‘príncipes’ que são
                            heres são complicadas por natureza, então,          os moços bonitinhos, arrumadinhos, chatin-
                            não acredito que vão querer um homem que            hos e certinhos. Gosto daquele tipo de homem
                            esteja disposto a fazer tudo por elas ou que es-    que é homem de verdade, que sabe dominar
                            tejam enquadrados em padrões. Mulher gos-           as situações, é seguro, competente, que pro-
                            ta é de dificuldade mesmo”, desabafa Ademir.        teja, dá um frio na barriga e bagunça o coreto.
                                	    Felipe Voigt, jornalista e ogro assu-          A vida merece emoção e um homem
                            mido explica, “É preciso deixar claro que há        sem sal, ou muito perfeito enjoa rápido.
                            dois tipos de ogros: aquele romantizado, de         A maioria das mulheres vai preferir um
                            certa forma, e aquele tosco. Um é gostoso           homem de atitude, que saiba a medida cer-
                            de ter perto, o outro é apenas um chato,            ta entre o carinho e o beliscão.” Entrega.
         Carol Caiana grosso, ignorante e mal educado. Há uma                       	    Para elas, segurar as atitudes, fazer
                            pequena cerca que separa um do outro, mas           a linha ‘politicamente correto’, se conter
         Paulista, são pau-
                            é bem fácil notar: o ogro “do bem” é aquele         em excesso, são fonte segura de decepção,
         lina, 21 anos,
         viciada em inter- que não choca os outros com seus palavrões           pois ao se conter demais, omitir pensamen-
         net e chocolate, e modo de xingar por exemplo. Esse ogro vai           tos, se caracterizam de um personagem
         ruiva que ama
                            beber com você, vai te ouvir e te dar uns ta-       que não é mais atrativo, porque muitas
         rock, mais é fã
         da Wanessa Ca-     pas na cara, metaforicamente falando, claro.        vezes por trás da aparência de bom moço,
         margo, tem como Não há desrespeito, há troca, diálogo franco           se esconde um homem narcisista e egoísta.
         principal    fonte
                            e verdades expostas. Já o “do mal” é ofen-              	    Uma admiradora confessa dos ogros,
         o dicionário, e é
         crítica    consigo sivo, desagradável e repugnante. Perde o            Jéssica Amélia Dias, estudante de Direito,
         mesma.             limite do bom gosto, exagera em questões            complementa, “Tudo é questão de molde
                            escatológicas e realmente consegue ofend-           e de encaixe, príncipe procura por Barbie
                            er. Não tem graça e irrita de um modo ruim.         e estou longe de ser uma mulher pré-fab-
                            Não sabe aplicar força na medida certa, irá se      ricada, sem opinião e atitude, enquanto as
                            exceder em tudo: na bebida, na pegada, na           mulheres de hoje julgam-se princesas deli-
                            cobrança, no descaso. Esse é um ogro gené-          cadas, estou quebrando a minha coroa e

        Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 24                                                                                               20/09/2012 13:32:07
COMPORTAMENTO                                         25

                                                querendo que o príncipe caia do
                                                cavalo. Aliás, gosto mesmo é de
                                                vilão ele é mais gato.” Conclui.
                                                    	   Já para o psicólogo An-
                                                dré Carvalho, a preferência por
                                                esse tipo de homem justifica
                                                porque mulheres em sua maioria
                                                se sentem atraídas por homens
                                                que não se preocupam em seguir
                                                qualquer tipo de padrão de eti-
                                                queta, que ditam sua maneira, não
                                                se submetendo a ser uma mari-
                                                onete social. “Isso reflete em aut-
                                                enticidade e faz com que desperte
                                                o olhar feminino”, justifica André.
                                                    	 O fato de serem transpar-
                                                entes e usarem de sinceridade ao
                                                excesso, faz com que sua fama e
                                                sucesso seja compreensível, afinal
                                                toda mulher gosta de ser respon-
                                                sável por um lado desbravado de
                                                qualquer ogro, de saber que as
                                                fraquezas, dúvidas, receios e fra-
                                                cassos, são aceitas por eles, porque
                                                apesar da subjetividade feminina,
                                                todas concordam em um ponto,
                                                eles sabem ressaltar as qualidades,
                                                a beleza implícita, particulari-
                                                dades femininas, nuances e misté-
                                                rios que envolvem esse universo.
                                                    A maioria das mulheres que
                                                vestem a camisa “eu prefiro os
                                                ogros’ são geralmente aquelas
                                                que passaram diversas vezes por
                                                relações fracassadas e estão cansa-
                                                das de procurar o que todo mundo
                                                determina que seja procurado, re-
                                                gados as mentiras, rostos bonitos
         Foto: Google Imagens
                                                e sorrisos socialmente forçados.
                                                As admiradoras dos ogros querem
         “A vida merece emoção                  alguém para extravasar, poder sair
                                                tranquilamente de jeans e chinelo

         e um homem sem sal,                    e ser tão admirada quanto se es-
                                                tivesse usando tecidos finos. Os
                                                ogros são aqueles tipos de ho-
         ou muito perfeito enjoa                mens que se você quiser gritar,
                                                chorar, xingar, gargalhar, ele não

                 rápido”                        vai mandar você ter postura, mas
                                                fazer tudo isso junto com você.

                                                Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 25                                                     20/09/2012 13:32:07
26                                                      COMPORTAMENTO

                            TECNOLOGIA - UM MUNDO DE DISTRAÇÕES
                            A forte presença de celulares, computadores e gadgets na vida das pessoas, em
                            especial os jovens, tem provocado desatenção e dificuldades de focar numa tarefa.

                               Às vésperas de uma prova deci-                     Existem ainda os que se utilizam das tec-
                            siva na faculdade, Thales Pinheiro en- nologias apenas para curtir a vida. Bárbara
                            frenta uma escolha difícil em sua mesa Guedes diz que não consegue passar um dia
                            de estudos: livros ou computador? sem postar fotos do que está fazendo no
                               A escolha terminou na informática. seu dia a dia, ou sem realizar um ‘check in’
                               Essa preferência é um reflexo de avanços ao chegar a um local diferente. “Eu já criei
                            do passado. O desenvolvimento tecnológi- essa necessidade. Se eu estou comendo al-
                            co cresceu aceleradamente desde a Seg- guma coisa muito gostosa, eu tiro uma foto
                            unda Guerra Mundial, quando na época, e posto para os meus amigos verem. Se eu
                            a preocupação era expandir a tecnologia, chego na academia, faço um chek in para as
                            na tentativa de aumentar e diversificar a pessoas saberem que eu estou malhando
                            produção de armamentos mais modernos, mesmo. Se a aula está chata, posto foto da
                            que poderiam destruir cidades e descobrir turma dispersa só para ver os comentários
                            informações que eram mantidas em seg-                            Foto: Fillipe Maia depois. Virou um
                            redo. Daí em diante                                                                 vício.”,    comen-
                            começou a servir de                                                                 ta a estudante.
                            interesses políticos e                                                                 Para Roberta
                            econômicos,     geran-                                                              Amorim, psicólo-
                            do grandes transfor-                                                                ga especializada
                            mações na sociedade.                                                                em        trabalhos
         Fillipe Maia          Hoje, a infinita ca-                                                             com o jovem,
                            pacidade tecnológica                                                                é nessa fase da
         Virginiano de
                            e o dilúvio de novos                                                                vida que o ser
         22 anos. Sou
         feito de son-      aplicativos e progra-                                                               humano se con-
         hos e realiza-     mas que facilitam a                                                                 centra menos ao
         ções. Amo via-     vida de qualquer um,                                                                realizar uma ativi-
                                                         Para o estudante Jessé Pereira muitos jovens se
         jar, conhecer      têm levantado uma                   tornaram escravos da tecnologia
                                                                                                               dade. “O jovem,
         novos lugares      questão: Até que ponto                                                             seja ele homem ou
         e culturas.        essas tecnologias interferem na maneira mulher, por sua natureza já encontra di-
         Um natalense       como as pessoas pensam e se comportam? ficuldades de se manter concentrado em
         preparado
                               A constante parceria entre as tec- uma atividade que exija um pouco mais
         para enfren-
         tar desafios.      nologias e os jovens, faz deles de atenção por muito tempo. Esse deses-
         O mundo me         grandes personagens nessa polêmica. pero em estar conectado aos amigos e
         aguarda e eu          Thales, o personagem lá do início, é um ao mundo através de computadores, ce-
         estou pronto e     exemplo disso. O estudante afirma ser de- lulares ou tablets, é fruto da sua fase de
         melhor a cada      pendente severo de computadores, tablets vida. É a necessidade de se autoafirmar a
         dia que passa.     e aparelhos celulares – só os mais moder- todo momento. E isso só complica quan-
         Paz, fé, amor,     nos. “Eu já acordo pegando meu celular ao do o assunto é a concentração nos estu-
         conhecimento
                            lado da cama para conferir minhas redes so- dos, por exemplo”, destaca a psicóloga.
         e otimismo.
         Isso me basta,
                            ciais e meus e-mails.”, revela o rapaz de 22          O estudante de jornalismo Jessé Neto
         o resto eu         anos. Quando perguntado se esse vício por assume que é impossível não estar pre-
         conquisto.         estar sempre conectado, atrapalha de algu- sente nesse mundo tecnológico, porém
                            ma forma sua vida, ele é categórico: Nunca! ele não se considera um ‘escravo da rede’.

        Revista Plural 7| Ano IX | 2012

Modelo 2012 FINAL.indd 26                                                                                                   20/09/2012 13:32:09
COMPORTAMENTO                                                           27

         “Eu acesso todos os dias min-                                    Foto: Fillipe Maia Thales conseguiu ler apenas
         has redes sociais, mas não                                                          43 páginas de um livro, que
         deixo que isso conduza minha                                                        segundo ele “tem uma história
         vida. Eu acho que muita gente                                                       interessantíssima”. Porém, ele
         vive conectada porque sente                                                         normalmente favorece, Fa-
         uma necessidade de mos-                                                             cebook, Twitter, YouTube e a
         trar às pessoas uma vida que                                                        produção de vídeos digitais.
         muitas vezes não é real. É aí                                                           “No YouTube você pode
         que as tecnologias influen-                                                         contar toda uma história em
         ciam no comportamento e na                                                          sete minutos”, explica ele, “Um
         maneira de pensar de muita                                                          livro leva muito tempo, eu pre-
         gente”, revela o estudante.                                                         firo a gratificação imediata”.
            Mesmo na rede mundial                                                                Em entrevista publicada
         de computadores, a popular-            Flávia Pipolo descobriu como usar o          no site da Harvard Medical
         mente conhecida “terra sem          vício em tecnologias na hora do trabalho School, nos Estados Unidos,
         lei”, é preciso se comprometer balho afundados no mundo tec-                        pesquisadores dizem que a
         com as ações realizadas. Não nológico. “A maioria dos jovens atração das tecnologias afeta os
         muito tempo atrás – cerca de 4 que contrato para trabalhar na mais velhos, mas é particular-
         anos – muitas pessoas desco- minha empresa já chegam aqui mente poderosa para os jovens.
         briram como usar a tecnologia sabendo de muita novidade que O risco, dizem eles, é que o de-
         a seu favor, profissionalmente. É as vezes nem eu, que trabalho senvolvimento do cérebro pode
         o caso das famosas ‘blogueiras’ diretamente com vários tipos de ser diferente. Enquanto que os
         que resolveram unir o útil – tra- equipamentos, conheço. A minha adultos são capazes de man-
         balho – ao agradável – paixão preocupação é que eles não per- ter a atenção por mais tempo
         por moda. Um bom exemplo lo- cam o foco do trabalho e acabem em uma atividade, o cérebro
         cal é Flávia Pipolo, a arquiteta de se distraindo com esse aparelhos. do jovem é estimulado a saltar
         31 anos afirma, começou o blog Minha função além de tudo, é di- sempre para o próximo passo.
         como hobby, mas com o tempo recionar essa paixão por tecno-                           Segundo Michael Rich, associ-
         a necessidade falou mais alto. “A logia, para algo produtivo e útil ado da Harvard Medichal School
         ideia do blog começou aos pou- para o trabalho que desenvolve- e diretor executivo do Centro de
         cos, sem muitos acessos, mas mos aqui”, ressalta Gusttavo. Mídia e Saúde de Boston, modi-
         com o tempo as visitas aumenta-          Ainda segundo a psicóloga, ficar a rotina das pessoas hoje e
         ram e hoje, as cerca de sete mil essa é uma área que fascina os fazê-las depender menos das no-
         visitas diárias não deixam eu me jovens por ser também uma das vas tecnologias é praticamente
         separar do celular, Ipad ou com- poucas áreas em que eles têm impossível e se for algo sem lim-
         putador. Não posso deixar de um melhor desempenho, com- ites, pode causar preocupação.
         fazer atualizações diárias, mas parado aos adultos. “Eles são “A preocupação é que estamos
         em respeito ao marido e aos fil- mais corajosos para lidar com criando uma geração na frente
         hos, tenho evitado ficar conecta- o novo e se arriscam a testar de telas, cujos cérebros estão
         da nos finais de semana. E olhe equipamentos ou novidades caminhando a passos largos, para
         que hoje eu assumo, sou viciada que os mais velhos têm receio serem moldados de uma for-
         nisso, não consigo passar um dia de parecerem incapazes ou ul- ma diferente”, relata o médico.
         sem acessar a internet”, conta trapassados”, aponta Roberta.                          Ao que parece, o questiona-
         a blogueira em meio a risadas.           Três meses é um período mento agora passará a ser outro.
            De acordo com o empresário aceitável, para que uma pes- Será que é possível manter-se
         do ramo publicitário Gusttavo soa sem um enorme hábito de atualizado no mundo tecnológi-
         Mendonça, os jovens profissio- leitura consiga terminar de ler co sem acabar com o poder de


                                                                                       Revista Plural 7| Ano IX | 2012
         nais entram no mercado de tra- um livro de proporções médias. concentração do ser humano?



Modelo 2012 FINAL.indd 27                                                                                             20/09/2012 13:32:10
N‘ 7
                                               Ano IX
                                               2012




          Imagem: Equipe Revista Plural 2012




Modelo 2012 FINAL.indd 28                               20/09/2012 13:32:10

Revista Plural UnP

  • 1.
    N‘ 7 Ano IX 2012 LUIZ GONZAGA: Um legado de história Música, cultura, arte, vida são os destaques comemorativos do centenário do Rei do Baião Modelo 2012 FINAL.indd 1 20/09/2012 13:31:55
  • 2.
    02 Opinião 3 Cultura Expediente Artigo 12 Graffiti, a arte que Diretor da APEC: Milton Camargo/Reitora: Profa. Crônica diverge da pichação Sâmela Soraya Gomes de Oliveira/Pró-Reitora de Graduação e Ação Comunitária: Profa. Sandra Am- aral de Araújo/Pró-Reitor de Pesquisa, Extensão e Entrevista 4 Especial Pós-Graduação: Prof. Aarão Lyra/Escola de Comuni- O criador de miniaturas 14 Som, ritmo e voz de cação e Artes: Profa. Maria Valéria Pareja Credidio de celebridades Freire Alves/Curso de Jornalismo: Prof. Leonardo um matuto mestre Bruno Reis Gamberoni. Orientação Editorial: Profa. Cintia dos Reis Barreto. Alunos da disciplina Revista Impressa: Aline Cristina, Bandas de rock Meio Ambiente Anderson Vicente, Bruna Machado, Caroline Caiana, 6 Cultura natalenses sonham Os perigos de criar um 21 Ciro Pessoa, Daniel Freire, Danielle Soares, David Ta- em ser famosas animal silvestre vares, Débora Reis, Erika Paiva, Felipe Maia, Florence Macedo, Francinaura Almeida, Gerson Sidney, Heitor Clemente, Isabela Moraes, Janielle Borges, Karen Ol- iveira, Laís Fernandes, Karina Correa, Lídia Nascimen- Saúde 8 to, Nara Rodrigues, Priscilla Almeida, Raul Barbosa, Sintomas comuns que Esporte Rodrigo Loureiro, Thiago Goes, Thiago Damasceno, mudam totalmente 22 Esporte de contato que Vivian Mesquita e Walleanny Lima. o ritmo de vida da traduz feminilidade e Redação: Bruna Machado, Caroline Caiana, David população superação Tavares, Daniel Freire, Danielle Soares, Erika Paiva, Felipe Maia, Florence Macedo, Janielle Borges, Lídia Nascimento, Nara Rodrigues, Priscilla Almeida, Rod- Ciência e Comportamento rigo Loureiro, Thiago Damasceno e Vivian Mesquita. Tecnologia 24 Elas preferem os ogros Diagramação: David Tavares,Priscilla Almeida e Viv- 09 Educação 2.0 um nova ian Mesquita. metodologia para o 26 Tecnologia - um mundo Projeto Gráfico e Fechamento: Prof. Fabian Ubarana, ensino David Tavares, Priscilla Almeida e Vivian Mesquita. de distrações Arte Capa: Will de Sousa. Tiragem / Impressão: 1.000 Turismo 10 Contatos: jornalismo@unp.br/ (84) 3216-8662 Natal aos olhos As opiniões e conceitos expressos nesta revista do mundo não refletem necessariamente o ponto de vista da Instituição. Revista Plural: Prazerosa experiência acadêmica, um passo para o caminho profissional Com o lançamento de seu sétimo Em destaque a matéria da capa que heres, será que elas estão preferindo os volume, ano IX, a Plural dá mais um pas- homenageia o rei do baião Luiz Gon- ogros? Esta resposta só lendo a maté- so definitivo rumo ao cumprimento de zaga. Se estivesse vivo o cantor feste- ria. Contamos ainda com o destaque sua meta de periodicidade. O volume jaria seu centenário, a matéria aborda a do esporte que nos explica o que o contemplará o primeiro semestre de obra, talento, autodi¬datismo e aspec- rugby, e sua conquistando na socie- 2012, gerando maior reconhecimento tos de sua vida pública são colocados dade natalense. aos alunos do 7º período de Jornalismo em evidência atestando o seu legado Agradecemos a todos aos alunos da Universidade Potiguar. relevante na música popular brasileira. do 7º período que enviaram seus tra- Novas mudanças na diagramação Esta edição traz uma entrevista com balhos que é imprescindível para nossa foram incorporadas, mantendo a quali- o artista plástico Marcus Vinícius que missão, a professora Cintia Barreto que dade da Revista, com o objetivo de con- conversou com a repórter Janielle ministra a disciplina de Revista Impres- quistar novos leitores. Após produtivas Borges rodeado com suas bonecas em sa, que nos apoiou e confiou integral- reuniões e diagramação concluída, seu ateliê. mente em nosso trabalho viabilizando todo um esforço foi despendido para Mas os destaques não terminam os atuais sucessos da Plural, tendo con- tornar mais prazerosa à experiência de por aí, a repórter Carol Caiana foi en- tribuído, ainda, com a apresentação leitura daqueles que nos acompanham. tender um pouco do universo das mul- deste número. Danielle Soares Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 2 20/09/2012 13:31:55
  • 3.
    03 ARTIGO BAZAR VIRTUAL Bazar é uma palavra derivada origi- vida em comprar coisas usadas e vender comentar o interesse na foto postada. nalmente do pahlavi, uma língua falada para outras pessoas. Tudo pode ser ven- Você pode comercializar coisas com pes- por persas entre 224 e 651 d.C. A palavra dido, desde que esteja em bom estado soas que nunca viu na vida, por isso tem original é baha-char, que significa “lugar de uso. Mas não só coisas usadas são co- que ter sempre o cuidado de marcar en- dos preços”. Em bazares podem ser en- mercializadas, algumas pessoas aprovei- contros em locais públicos, para garantir contrados todos os tipos de produtos, taram a onda para fazer um dinheirinho a sua segurança. desde os mais inusitados aos que utiliza- extra e vender produtos novos e quem Agora a ideia tem saído da internet mos no nosso dia-a-dia e tem como ca- leva essa atividade a sério consegue fa- e entrado na vida real das pessoas, pois racterística serem encontrados produtos turar até dois mil reais utilizando apenas mensalmente os donos dos grupos de com preços bem mais baixos do que as o tempo livre para a venda de produtos. bazar têm organizado encontros onde lojas convencionais. Nos países orien- A vantagem disso é que muitas pessoas as pessoas podem comercializar seus Lídia tais, essa prática é bem comum, pois foi conseguem comprar produtos bon com produtos e até trocar com outras pesso- Nascimento lá que o bazar teve origem. No Brasil, preços bem abaixo do mercado. as. O bom desses encontros é que eles até algum tempo, a palavra bazar estava Para participar é simples, basta ter têm acelerado as vendas e fazendo com Viciada em tecno- vinculada a objetos, roupas e acessó- uma conta na rede social Facebook e que as pessoas não percam tempo mar- logia, maquiagem, rios usados normalmente doados para procurar por algum grupo que já exista cando com diversas pessoas em locais viagens, shopping e a venda e arrecadação de dinheiro para ou se você tiver a sua própria rede de diferentes, o que economiza também livros. Atualmente entidades que realizam obras de carida- amigos, pode criar um também. O ide- dinheiro para quem vai vender. Além possuí um bazar de, mas há algum tempo isto vem mu- al é entrar em algum que já exista, pois disso, as pessoas mais velhas, que não online em uma rede dando. As pessoas passaram a vender como está lá a mais tempo, o número tem tanta facilidade em manusear o social. o que não utilizam mais e estão tirando de usuários ligados a rede é bem maior. computador, podem ir aos encontros um bom dinheiro extra dessa nova fonte Não existe restrição e qualquer pessoa tanto para vender como para comprar, de renda. pode participar, desde que a mesma atingindo um número maior de pessoas Com a virtualização da idéia, a pala- saiba respeitar o próximo e não venha que gostam da idéia. Acredito que os ba- vra bazar passou a ter outro significado a ferir os bons costumes que praticamos zares ainda têm muito a crescer e que entre a população brasileira, pois hoje em sociedade. Para vender, você pode essa idéia tem muito a florir ainda, pois existem vários grupos ligados a redes so- postar nesses grupos o produto que de- como é algo novo no Brasil, considero ciais quem têm como intuito a venda de sejar, com tamanho, valor e condição de apenas como um experimento. O que produtos novos ou usados. Para alguns, pagamento e aguardar até que alguém nos resta é aguardar para ver o que vai a atividade ficou tão séria que levam a se interesse. Quem quer comprar, é só acontecer. CRÔNICA A HIPOCRISIA NO COLUNISMO SOCIAL Quando eu pensei em ser jor- da sociedade natalense. Há um grande portante divulgar certos acontecimentos, nalista, ainda criança, imaginava um uni- interesse em mostrar algo, que não se em sua maioria que faz parte da sua inti- verso completamente diferente o qual sabe ao certo a finalidade social. É como midade, para se fazer valer prestigiado. seja a minha realidade hoje, além da vida se fosse um tipo de transvestir capas e Vejo pessoas que dizem querer corrida e cheia de fatos e novidades a coroas, de certa forma, se tornar reis e ser solicitadas para tais eventos, que sua todo instante, achava que era um mundo rainhas a fim de obter uma população presença fosse algo que fizesse a diferen- que só os ‘escolhidos’ teriam acesso, e inteira com função única de te aplaudir. ça, mas diferença em que? Se no final das de fato é, mas a palavra não é ser a esco- E assim expõe uma persona- contas é só mais uma pessoa que está ali Rodrigo lha e sim ‘abduzido’. Acalme-se explico, lidade que não é sua, atitudes inversas roboticamente para elogiar e fazer indire- Loureiro antes de tudo, amo a minha profissão e a realidade dos próprios sentimentos, tamente uma propaganda do evento. Colunista do Jornal tenho muito orgulho de exercê-la, porém apenas pelo prazer de se ver rodeado por Há casos de pessoas que ape- Gazeta do Oeste, na minha própria experiência e nos estu- pessoas importantes, mas por que esse nas para não se sentirem excluídos do tal editor do blog dos agregados ao passar dos anos, somos desejo, se a fama não será minha, o di- universo glamorosos aceitam convites www.rodrigolourei- orientados e ensinados a escrever sem- nheiro não será meu? Posso até ganhar de pessoas que não são tão bem-vindas ro.com.br, produtor pre a verdade, seja ela qual for. prestígio, mas pelo o que mesmo? Por em seu ciclo social. Ou seja, até que pon- de eventos e asses- Nos muitos anos de jornalismo ganhar convites para frequentar bailes e to vale a pena o autosacrifício para se sor de imprensa. social, entrei em choque com o que se festas caríssimas, ver desfiles de grifes in- mostrar querido e solicitado para pesso- Atualmente é chama de realidade, afinal, parece que ternacionais dividas no cartão de crédito as que muitas vezes nem te conhece de proprietário da Mix- estamos rodeados de atores e atrizes em várias parcelas? Ou atualizar as redes fato? Ao meu ponto de vista, o motivo -Assessoria Comu- profissionais e cada um segue um script sociais com fotos do champanhe que é que as pessoas aceitam tal situação, para nicação e Eventos e individual, numa luta pelo papel principal servido e mostrar para meus seguidores mostrar prestígio, mas no fundo há um presta consultoria de quem é o mais importante e atrai mais do instagram? ‘que’ de carência afetiva social, o que em eventos sociais, flashes. Além dos absurdos em futili- acho que justifica tais atitudes. políticos e empre- Tudo é voltado para um cenário real, dades, é curioso pensar no que faz essas sariais. massagear o ego de homens e mulheres pessoas acharem de tão magnifico e im- Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 3 20/09/2012 13:31:57
  • 4.
    04 ENTREVISTA O CRIADOR DE MINIATURAS DE CELEBRIDADES Cansado de procurar em lojas de brinquedos seus ídolos, hoje ele ‘fabrica’ bonecas personalizadas e possui em casa uma particular calçada da fama. Foto: Janielle Borges E como surgiram os outros bonecos? Bom, o resultado da Baby do Brasil e Pepeu Gomes foi tão bom, tão satisfa- tório que não quis parar, então come- cei a homenagear meus grandes ídolos. Como começou esse sucesso todo em cima de você? Por que você já ultrapassou a mídia local, sites, famosos e revistas já conhecem e divulgam o seu trabalho. Tudo começou quando eu fiz a boneca da cantora Marina Elali, daqui de Natal também. Entrevistado pela repórter Janielle Bor- Marina elogiou meu trabalho publicamente ges da Revista Plural, Marcus Vinícius da Sil- e então despertou a curiosidade das pessoas va Bernardo, ou apenas Marcus Baby. Na- para saber quem sou, mas o ‘boom’ mesmo talense, artista plástico, designer, blogueiro aconteceu quando estava passando a nove- e técnico em edificações estampa revistas, la ‘Viver a Vida’ de Manoel Carlos e eu fiz a jornais impressos, páginas da web e partici- boneca da personagem Luciana, interpreta- pações em vários programas televisivos na- da por Alinne Morais, muitos sites elogiaram cionais. Rodeado com suas bonecas em seu e divulgaram, principalmente os da Globo. ateliê, Marcus se mostra feliz e animado para a entrevista, com certa ansiedade e esboços Foto: Janielle Borges de sorrisos se prepara para as perguntas. Como começou o seu trabalho de customiza- ção dos bonecos? Janielle Borges Começou uma vez quando eu estava assis- Riso fácil e so- tindo televisão e vi uma pessoa que fazia co- nho alto, sou leção de vários bonecos da cultura pop, então os livros que li, despertou em mim a vontade de ter os meus bo- as viagens que fiz, os amigos necos, das pessoas que gosto. Então em 2005, que conquistei. no meu aniversário, pedi para um amigo me Estou aqui é presentear com uma Barbie e um Ken e assim pra viver, cair, aprender, le- iniciou a minha carreira voltada para Toy-Art. vantar e seguir. É verdade que a apresentadora Hebe Camar- Sou isso hoje... Qual foi o seu primeiro boneco customizado? go quis a réplica da sua boneca? Amanhã, já me reinventei. Foi minha grande ídolo, Baby do Brasil, Na verdade quem quis foi o apresenta- ou Baby Consuelo, como é mais conhecida dor Otávio Mesquita, para presenteá-la, me hoje em dia. Aliás, o motivo pelo qual ado- ofereceu bastante dinheiro, mas recusei. tei como sobrenome ‘baby’, foi por causa dela, sempre fui seu grande admirador en- Por que você não aceita essas propostas? tão a tive como inspiração, ela juntamente Você poderia ganhar bastante dinheiro com com seu marido Pepeu Gomes (na época). isso. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 4 20/09/2012 13:31:57
  • 5.
    ENTREVISTA 05 As pessoas não querem a minha lhes, fica um trabalho bem bacana. Foto: Janielle Borges arte, querem comprar digamos as- sim ‘a minha fama’. Interessam-se Já que você não vende suas bone- pelo meu trabalho, porque saio cas, nunca pensou em ganhar di- na televisão, em grandes portais e nheiro com arte? tenho reconhecimento da maioria Ah, sim com certeza, de tanto das réplicas que fiz. Aqui em Natal as pessoas elogiarem o meu traba- mesmo há muitos artistas plásti- lho eu resolvi investir em uma área cos que fazem esse mesmo traba- que também gosto muito. Vou lan- lho que eu e não vendem também, çar em breve um livro fotográfico não porque não querem, mas por contanto um pouco da minha his- não ter quem compre. Meus bo- tória e com diversas fotografias de necos são feitos para mim ape- todas as minhas bonecas. Vai ser nas, aceito no máximo sugestões. algo bem legal, porque vai ter uma repercussão nacional, então eu e tica internacional, fiquei chocado, A boneca da presidente Dilma fez todos os envolvidos estamos mui- mas ao mesmo tempo muito feliz. um grande sucesso internacional, to animados. O livro virá com um como você se sentiu com tanta re- “Meus bonecos são feitos CD que vai conter alguns videocli- percussão? para mim apenas. Aceito pes e um curta metragem que já Foi um susto. Recebi uma li- no máximo sugestões”. estamos filmando e tem previsão gação internacional perguntan- para ficar pronto em dezembro. do sobre a boneca, não lembro Quem será o próximo homenage- de onde era o jornalista, mas ele Além do lançamento do seu livro, ado? tinha um sotaque inconfundível há algum outro projeto? A cantora Gaby Amarantos. tentando falar português comi- Bem, vou participar dos primei- Já estou em fase de concluir a go. Perguntei onde ele tinha vis- ros capítulos de um reality show boneca, em breve vou divulgar. to a boneca da Dilma e ele falou daqui de Natal sobre tatuadores, ‘cara, a mundo inteiro está falan- por acaso eu estava fazendo uma E para quem ficou com vontade do da boneca da Dilma’. Depois tatuagem no estúdio onde come- de ter uma doll do Marcus Baby, de responder algumas curiosida- çaram as gravações e pergunta- completamente sem chances? des dele, fui dar uma pesquisada ram se eu queria participar, topei Nem insista, sem chances mes- na internet e me surpreendi com na hora. Não sei quando vai ao ar, mo, mas adoro sugestões princi- o que eu vi, vários países da Eu- mas será transmitido pela Sim TV e palmente do apoio que recebo de ropa, Estados Unidos e Argentina, os episódios estão super engraça- várias fã-clubes, eles me incen- realmente estavam comentando dos, vale a pena ver. tivam muito, dão ideias de deta- até o Paquistão na sessão de polí- Foto: Janielle Borges Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 5 20/09/2012 13:31:57
  • 6.
    06 MEIO AMBIENTE OS PERIGOS DE CRIAR UM ANIMAL SILVESTRE Especialistas falam dos cuidados que devem ser tomados na hora da compra e do tratamento com estes animais Foto: Nara Rodrigues Animais em recuperação, que serão devolvidos ao habitat natural Ter um animal silvestre em casa ou há mais de 15 anos cuida de um papagaio conhecer alguém que tenha se tornou normal “Ele foi um presente do meu filho. Pegamos aqui no Brasil. Segundo pesquisa divulgada ele bem pequeno e quando ele chegou pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e não sabíamos o que dá para ele comer. Estatística), cerca de 38 milhões de animais Buscamos orientação nas lojas de ração pra são retirados da natureza, através do tráfico. animais. Mas foi só isso. Nunca levamos ele Já o IBAMA (Instituto Brasileiro do meio ao veterinário”, destaca. Ambiente e dos Recursos Renováveis) avalia Sobre a criação dos animais silvestres, o que 95% do comércio de animais silvestres técnico ambiental, Ricardo Luiz explica que brasileiros seja ilegal. Outro fator que muitas não há nenhuma lei que permita a criação Nara pessoas desconhecem é o perigo que esses legal de animais por pessoa comum. A única Rodrigues animais representam para os humanos. permissão é para criadores legalizados, junto Espécies como: macacos, araras e papagaios ao IBAMA, os quais necessitam apresentar “Jornalista antenada, são os principais transmissores de doenças, uma estrutura compatível para a criação cinéfila, tal como leptospirose e toxoplasmose. da espécie solicitada, além disso, precisa se apaixonada pela Segundo o veterinário, Nailson Batista, encarregar de promover a procriação dos vida, sempre muitas pessoas criam animais silvestres e animais em cativeiros e identificar a origem com um sorriso exóticos sem a devida orientação. “Com dos animais através das anilhas. no rosto e o celular na mão”. relação às doenças transmitidas por animais É importante ressaltar que após a comprar silvestres, temos várias doenças, porém as de um animal de criadouro não legalizado principais são a coccidiose, leptospirose pelo IBAMA, não há mais como legalizar. e a raiva, essas são doenças transmitidas “Se denunciado por um vizinho ou coisa diretamente por animais não criados em parecida o animal é apreendido, [e o dono] cativeiro, ou seja, animais oriundos de vida recebe uma multa de R$ 500,00 por animal e livre”, explica Nailson. Esse é o caso da poderá receber pena de 6 meses a 1 ano de Revista Plural 7| Ano IX | 2012 dona de casa, Maria do Carmo Costa, que detenção”, acrescenta o veterinário. Modelo 2012 FINAL.indd 6 20/09/2012 13:31:57
  • 7.
    MEIO AMBIENTE 07 Através de denúncias e fiscalizações mais de 200 animais, Foto: Nara Rodrigues remanescentes de 2011, estão retidos no IBAMA-RN. Segundo o técnico, quando o órgão recebe uma denúncia à equipe vai verificar se o animal silvestre está em cativeiro, realiza a apreensão e leva para o Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) para fazer a classificação das espécies, colocá-las em quarentena e, posteriormente soltá-las. E acrescenta: “Quando a entrega dos animais é voluntária, quando se trata de um animal, ou dois no máximo, não há restrição. Mas, se forem muitas espécies já é considerado infrator e sofrerá uma autuação”. Uma pesquisa realizada pelo IBGE entre 2000 e 2005 mostrou que o tráfico de animais silvestres é considerado o terceiro maior comércio ilegal do mundo, movimentando cerca de US$ 10 bilhões por ano. Apontando ainda o Brasil como um dos principais fornecedores de animais, responsável por 10% do mercado mundial. Já quanto à soltura dos animais apreendidos, Ricardo Luiz, explica que são mapeadas as áreas de soltura dentro do Estado do Rio Grande do Norte, identificando o local que os animais devem ser soltos novamente, mas, muitos animais não fazem parte da nossa fauna e precisam ser transportados para outros estados. Já no caso dos animais que não conseguem mais voltar a conviver no seu habitat natural, o IBAMA, busca zoológicos Arara em recuperação, no IBAMA dentro do país que possam receber esses animais. Macacos prego doentes, infectam tratadores do IBAMA Desde julho de 2011 que o IBAMA-RN não está mais recebendo novos animais. Em 2008, a professora Débora Rochelly, da Universidade Federal Rural de Pernambuco iniciou um trabalho de pesquisa com os primatas para avaliar as condições de saúde dos primatas em cativeiro. Em 2010, o estudo constatou que os macacos estavam doentes, mesmo assim, outros animais foram colocados no mesmo ambiente. Diante do quadro apresentado a pesquisadora resolveu ampliar o campo de estudo e realizou exames com os fun- cionários do Cetas. Já em 2011, teve início os óbitos dos macacos e a identificação de contaminação de oito funcionários, todos com leptospirose e alguns com toxoplasmose. Devido à contaminação, a Sesap (Secretaria Estadual de Saúde Pública) interditou o local. Mas, o IBAMA conseguiu através de liminar que os servidores continuassem fazendo a alimentação dos animais já retidos, mas cumprindo as exigências de saúde e segurança determi- nadas pela Sesap. No primeiro semestre de 2012, entre papagaios, araras, macacos e azulões os funcionários ainda se veem tratados com descaso. “Muitos funcionários já não apresentam mais contaminação. Mas os exames que de- veriam ser feitos trimestralmente em toda a equipe ficou apenas no papel”, afirma Ricardo Luiz. E acrescenta, “estamos fazendo exames trimestrais por nossa conta, pois o IBAMA Brasília até a presente data não repas- sou a verba para tais exames”. A assessoria de Comunicação do IBAMA-RN negou o ocorrido, mesmo as informações tendo sido divulga- das por diversos jornais e blogs da época, “As suspeitas foram debeladas; nenhum trabalhador apresentou qualquer sintoma de doença transmitida por animais”, afirma o Assessor de Imprensa Airton de Grande. Já sobre a desinterdição do Cetas, o assessor acrescenta “O IBAMA-RN aguarda decisão do IBAMA-sede para que o CETAS seja desinterditado. Tecnicamente não há obstáculos para a desinterdição e a solicitação Revista Plural 7| Ano IX | 2012 formal para reabertura já foi feita. O IBAMA-RN aguarda a desinterdição para muito breve”. Modelo 2012 FINAL.indd 7 20/09/2012 13:31:58
  • 8.
    08 SAÚDE SINTOMAS COMUNS QUE MUDAM TOTALMENTE O RITMO DE VIDA DA POPULAÇÃO Como o diagnostico e o tratamento adequado pode melhorar a qualidade de vida. Dor forte na cabeça, geralmente de um luminosos fui diagnosticada com enxaqueca. lado só, latejante, acompanhada de náuseas, Depois de um tempo tentando descobrir a sensibilidade à luz e sons, tontura, cansaço, causa, meu médico chegou à conclusão que irritabilidade, dor no corpo, dor na cervical, era hormonal, pois era sempre durante minha dor na nuca e pescoço. Esses são os sintomas TPM.”, relata a contadora, Ângela Pereira. de uma cefaleia das mais comuns, presente Os hábitos pessoais estão intimamente de 10 a 20% dos indivíduos, a enxaqueca. ligados a fatores que são determinantes para Passou de síndrome a ser considerada as crises e por isso muitos médicos no intuito doença. Existem vários tipos como a de descobrir para evitar os desencadeantes enxaqueca crônica, episódica, menstrual, e para entender melhor, muitas vezes basilar e a enxaqueca hemiplégica ou ainda recomenda que o paciente faça um diário, enxaqueca com ou sem aura. O tipo que anotando a ocorrência das crises e os fatores tem aura é aquele mais comum onde a que as provocaram. crise é precedida ou acompanhada por uma Depois de descobrir a doença o paciente alteração na vista, pontos escuros, perda muitas vezes tem que mudar hábitos visual, pontos luminosos, linhas em zig zag, alimentares, começar a praticar exercícios, que duram de 5 a 60 minutos. regular o horário do sono e claro nos casos Hoje em dia já existem tratamentos que mais graves é realizado o tratamento com levam ao controle da doença e redução de suas remédios. Foto: Bruna Machado crises. A enxaqueca normalmente tem vários aspectos em sua causa de origem, que pode ser genético, hormonal, comportamental ou emocional. “A enxaqueca é uma situação delicada, porque recebemos de pacientes que apresentam sintomas leves até alguns que chegam a tomar remédio controlado, os médicos sempre procuram tratar para que o paciente sinta o alívio o mais rápido possível,já Bruna que os sintomas incomodam bastante. Na Machado enxaqueca, o mais importante é o tratamento Bruna Machado, 22 anos. 7 perío- preventivo, para evitar o uso excessivo de Enfermeira Adriana Cristina do. Apaixonada analgésicos. “, explica a enfermeira, Adriana por jornalismo. Cristina. “A minha começou com dor de cabeça Nossa profissão tem a responsab- É uma doença que afeta diretamente as e vontade de vomitar, mas só passa se eu ilidade de fazer o atividades e a qualidade de vida das pessoas dormir pelo menos 40 minutos no escuro bem e esclarecer que possuem a doença. Apesar do grande total. Acontece com mais frequência quando a sociedade. Cada dia uma impacto na sociedade, ainda é uma doença eu passo o dia sem me alimentar direito.”, nova experiência, pouco diagnosticada, muitas pessoas são declara Irleide Tavares, estudante. um novo caso a acometidas, mas não sabem. Em estudo epidemiológico feito expor, isso que me fascina. “No começo eu só tinha dor de cabeça, recentemente no Brasil foi detectada a depois a frequência dessas dores foram au- prevalência de 15,2% de enxaqueca no Brasil. mentando e comecei a perceber que só mel- A enxaqueca é mais comum em pessoas da horava quando eu ficava no escuro. raça branca, seguida pela raça negra, e menos Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Após começar a ver varias vezes os pontinhos comum em orientais. Modelo 2012 FINAL.indd 8 20/09/2012 13:31:58
  • 9.
    CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS 09 Educação 2.0 uma nova metodologia para o ensino Devido a grande quantidade de dispositivos todos interconectados, a educação 2.0 vem como um novo desafio para as instituições, professores e alunos. Por Priscilla Almeida Foto: Priscilla Almeida Numa sociedade que muda experiências. Cada novo fato ou muito rápido e onde, cada vez experiência é assimilado numa mais, as informações assumem rede viva de compreensão que já papel de destaque, desenvolver existe na mente desse aluno, que a capacidade de transformar in- constrói assim a aprendizagem. formações em conhecimento Para a nova geração de alunos através da educação 2.0 é um de- que se encantam com os jogos 3D safio das escolas, dos professores e vídeos engraçados do youtube, e também dos alunos. a educação na escola precisa Não se trata aqui de utilizar a tornar-se mais atraente e intera- qualquer custo as tecnologias, tiva, e o professor nesse contexto Gleber Duarte, especialista mídias digitais mas sim de acompanhar con- deixa de ser o detentor do saber de 10 anos, mas mesmo assim, a sciente e deliberadamente uma e transmissor de conteúdos, pas- implantação dessas ideias, se dá mudança de civilização que está sando a ser o facilitador, aquele de forma muito lenta nas institu- questionando profundamente que estimula nos alunos a cultura ições”, Glebe diz ainda que apren- as formas institucionais, as men- de produção e debate de ideias der a lidar com este novo modelo talidades e cultura dos sistemas e que não apenas ensina, mas educativos tradicionais e, notada- “Ser também um profes- aprende. mente, os papeis do professor e sor 2.0, não dá para ir Para a estudante de ensino aluno. contra, é usar o que ex- médio, Yngrid Gleyter, 17, seria O fato, porém, é que há algo muito bom se a metodologia nas iste de melhor deste novo de novo, e não necessariamente escolas mudasse, já que o mundo bom ou ruim, mas certamente mundo a favor” nos dias de hoje vive tecnologia não neutro, na maneira como as “Hoje o mundo é gerado por tec- é importante para receber mais pessoas se apropriam da tecnolo- nologia crescemos num mundo informação, com qualidade e gia, e a tecnologia, das pessoas. tecnológico e sabemos que nesse melhorar o processo de aprendi- Para Glebe Duarte, especialista meio tudo é mais fácil, se na escola zagem “Ser também um professor em redes sociais e coordenador os professores trabalhassem mais 2.0, não dá para ir contra, é usar o da área de informática do Serviço com a internet, seria um estimulo que existe de melhor deste novo Nacional de Aprendizagem Com- para nós”, disse. Alguns profes- mundo a favor. É um crescimento ercial (Senac), as redes e mídias sores criam grupos de discussão também para o professor e isso o sociais hoje permitem um com- na internet para poder integrar os deixará mais próximo do aluno e partilhamento maior de conteúdo alunos “No meu ver, é preciso mais do processo de aprendizagem do “As redes quando bem utilizadas, que apenas discussão na internet, mesmo”, disse. quando bem filtradas e monta- é preciso envolver nós estudantes A utilização das ferramentas da das com um propósito, poderão nesse mundo que ainda é tão web 2.0 como recurso pedagógi- gerar uma base de conteúdo mui- novo para nós”, finaliza Yngrid. co no contexto de sala de aula, to interessante no processo de Para o especialista Glebe, essa são formas de ensinar e de apren- aprendizagem” afirma. nova aprendizagem de inclusão der, que estão se consolidando Para ele, poucas instituições no digital, é um caminho sem volta com o passar do tempo. Para o Rio Grande do Norte, estão pre- “Não vejo um mundo com menos filósofo Toledo, o aluno aprende paradas para lidar com este novo tecnologia, vejo o contrário, cada algo novo e incorpora a essa ex- formato “É tudo muito novo, mes- vez mais, elas se tornarão simples periência toda a sua bagagem de mo sendo um conceito com mais e transparente”, destacou. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 9 20/09/2012 13:31:58
  • 10.
    10 TURISMO NATAL AOS OLHOS DO MUNDO Como uma das cidades mais procuradas do Nordeste virou destino de jovens turistas Os caprichos da natureza deram a Natal uma geografia di- versificada, perfeita para aqueles que anseiam viver extrema emo- ção. Pela terra, as reservas de Mata Atlântica, falésias, grutas, cavernas e dunas. No mar, belos corais, golfinhos e vida marinha ativa. Um dos destinos mais pro- curados no Nordeste brasileiro, a capital potiguar vem sendo cada vez mais procurada por jovens em busca de belas praias, aven- tura, calor o ano inteiro e badala- ções. Visitantes de todos os lu- gares do mundo escolhem Natal para respirar o “ar mais puro” das Américas, visitar o maior cajueiro do mundo e conhecer as mais de 20 praias com paisagens paradi- síacas de dunas e mar límpido e tranqüilo. Conhecida como “A Ci- Foto Google dade do Sol”, possui em sua história o traço Florence Melo da colonização holandesa e portuguesa. ou até mesmo após se formarem. “A viagem Formada em mais turistas jovens de diferente lugares do Macêdo A cidade vem recebendo cada vez abre a cabeça do jovem para possíveis esco- moda, graduan- lhas profissionais. Serve como uma espécie da em jornalis- Mundo, que chegam à cidade em busca de mo. Com um pé praia, sol, esportes radicais e noites regadas de conhecimento de si próprio em uma fase no mundo e o à caipirinha. Segundo a psicóloga Fabíola Nu- da vida em que ele precisa tomar decisões se- outro também, rias e definitivas”, afirma a médica. com a alma gran- nes, que estuda o comportamento de adultos de demais para nesta faixa etária, os jovens investem cada vez O estudante de arquitetura Manolo o corpo que ha- mais em viagens. Muitos anseiam conhecer Rosado, 21, aproveitou o vínculo de sua facul- bita. Uma vida dade em Madrid com uma Universidade em feita de sucessão o mundo antes de escolher uma faculdade, de pequenos mi- Natal para conhecer o Brasil. O espanhol pla- lagres, estranhas nejava ficar seis meses na cidade, mas se en- coincidências Foto Manolo Rosado volveu tanto com as belezas naturais e o povo que resultaram de impulsos in- acolhedor que acabou ficando um ano, cur- controláveis e sando arquitetura. “Vim atraído pelas belas que deram ori- praias e paisagens naturais, que são muito fa- gem a sonhos in- compreensíveis. mosas na Espanha. Se eu voltei, foi pelas ami- Passei grande zades que fiz aqui. Os brasileiros são pessoas parte da vida muito abertas, que sempre procuram ajudar. fingindo que sou normal, mas por Esparava mais das praias urbanas, mas me baixo da super- encantei com a Praia de Pipa. Um dos luga- fície, sei que sou res mais lindos que conheci e com uma noite única. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Estudantes Espanhóis no passeio de Buggy muito boa”, pontua ele. Modelo 2012 FINAL.indd 10 20/09/2012 13:31:58
  • 11.
    TURISMO 11 Já no caso do holandês John de Heus, 27, sua vin- da a Natal foi ocasional. Ele veio com um grupo de ami- Foto Lara de Heus gos conhecer o Brasil, e acabaram ficando em Natal só por alguns dias, pois estavam de passagem para Fortale- za, mas parece que foi até coisa do destino. “Viemos pro Brasil num grupo de homens solteiros, sabendo que aqui haviam mulheres bonitas, mas claro que esse não era o motivo principal. Mas eu me apaixonei e hoje sou casa- do com uma brasileira que conheci em Natal numa festa. Essa cidade se tornou muito importante pra mim, e um dia penso em criar meus filhos aí. Quero que eles tenham a simpatia e a alegria de viver dos brasileiros”, afirma ele. Alesso Polcaro, italiano, 26, veio pela primeira vez à Natal de férias com os pais para passar 10 dias. Gosta- ram tanto que acabaram alugando uma casa e ficaram em terras potiguares por três meses. “Todos os anos eu venho ao Brasil e fico em Natal. Gosto das praias, do calor o ano inteiro, os esportes que posso praticar, das pessoas e principalmente da comida. Natal é uma cidade que se come muito bem, e os hoteis são muito bons”, sinaliza o empresário de produtos estéticos, que encontrou em Na- tal também uma oportunidade grande de fazer negócios. Hoje a capital do Rio Grande do Norte possui um grande número de leitos, seja em hotéis de luxo ou alber- John de Heus e Lara de Heus gues, que atende às necessidades para todos os bolsos e procuras. Em Ponta Negra existe uma gama de opção de bares e restaurante que funcionam todos os dias, além de boates e agências que vendem pequenos pacotes para passeios pelo litoral potiguar e viagens à Pipa, um dos destinos mais procurados do Estado. Por sediar a Copa de 2014, a cidade recebeu fortes investimentos para incrementar a infraestrutura turística e ampliar o tempo de permanência do turista na capital, além de criar condições para que ele retorne em outras oportunidades. Segundo dados da Secretaria de Turismo do RN, entre 2002 a 2007 o fluxo turístico na cidade dobrou, passando de 1.423.886 para 2.096.322. Os vôos internacionais triplicaram passando de 5 vôos internacionais por semana para 23 que chegam da Argentina, 14 de Portugal, 10 da Espanha, 3 da Itália e mais vôos da Holanda, Alemanha, Suécia, Inglaterra, No- ruega, Dinamarca e Finlândia. Apesar disso, todos os es- trevistados citaram problemas como escassez de transportes públicos, praias sujas e falta de in- Foto Alessio Polcaro fraestrutura no aeroporto e rodo- viária além da falta de segurança. A barreira da língua foi mais uma dificuldade enfrentado pela maio- ria deles. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 O italiano Alessio nas Dunas de Genipabu Modelo 2012 FINAL.indd 11 20/09/2012 13:31:58
  • 12.
    12 CULTURA Kailanny Goms GRAFFITI, A ARTE QUE DIVERGE DA PICHAÇÃO Arte de rua além da arte: os dois lados da mesma moeda. A pichação, como o grafite é considerada arte de rua, são modalidades diferenciadas, cada uma tem sua particularidade N os anos 60, quando começaram a ser a opressão que a sociedade vive. Levar um pouco realizadas as intervenções em muros, de arte a quem não tem acesso a nenhum tipo pontes ou trens essa era vista por uma de cultura, presentear a cidade com uma arte. audiência aleatória. O artista só ganhava fama A partir do momento que eu faço um graffiti na quando os jornais o noticiavam como vândalo e rua, vou levar pra mim apenas uma lembrança, criminoso. o registro da arte, mas ela esta ali para a cidade, Danielle Em toda a história, temos diversos apenas fiz o desenho, em um muro que não sei Soares representantes das mais diversas áreas artísticas nem de quem é. Vejo o graffiti como uma obra que marcaram época. Atualmente, vivemos entregue a aos moradores de uma comunidade, a Delicada e um período de completa liberdade artística e um morador de rua, um advogado, médico, a arte paciente com a cada dia vemos novas formas de se expressar do graffiti é para todos”. tudo e todos. artisticamente. Nesse novo milênio, talvez a maior A pichação, como o grafite é considerada arte Assessoria expressão artística que possuímos é o Grafite. de rua, são modalidades diferenciadas, cada uma organizacional Com um apelo completamente urbano, o tem sua particularidade. Vamos conhecer um foi uma Grafite consegue mesclar de maneira perfeita pouco mais dessas modalidades. descoberta e a pintura com elementos atuais e de protesto O Grafite é uma arte que apareceu nos anos 70 hoje em dia é social. tendo início em Nova Iorque, como movimentos sua paixão. Para o artista de rua POK (Kéfren Lima), a arte culturais das minorias excluídas da cidade. Com do grafite “é uma forma de manifestação artística a revolução contracultura de 1968, surgiram nos Revista Plural 7| Ano IX | 2012 em espaços públicos. É a forma de expressar toda muros de Paris às primeiras manifestações. Modelo 2012 FINAL.indd 12 20/09/2012 13:31:59
  • 13.
    CULTURA 13 Possui uma preocupação estética grafite é utilizado para as duas formas LKS nos conta que já foi pego várias vez- e deixa marcas muito bonitas pela de arte de rua. es. “Eles (policiais) batem na gente, tomam cidade. É considerada a arte da “A pichação é um tipo de protesto, o material (spray) e depois temos que pin- minoria, que tentam divulgar seus é a escrita feita para determinar tar o muro que pichamos outras vezes nos trabalhos fazendo maravilhosos territórios, reivindicar algo. Também leva para a delegacia”, explica desenhos nas ruas. Hoje já existem vejo como arte, o pichador escala Aline Cristina lugares em muitas cidades inclusive prédios, marquises, isso tudo é muito São Paulo com obras de Grafite perigoso. Isso não deixa de ser arte. que só acrescentam em beleza e Cada um com sua idéia”, explica POK. Manifestação ambiental sensibilidade. As pessoas que escreviam suas Pok tags, inscrições em paredes e A determinação também proíbe a venda vagões de metrôs em Nova York, de tinta spray para menores de 18 anos, no fim dos anos 60 e início de 70, se e mesmo os maiores de idade deverão denominavam escritores. A mídia os apresentar documento de identidade para apelidou de grafiteiros e essas tags, a compra do produto. que se assemelhavam muito ao que As latas de tinta em aerosol deverão chamamos no Brasil de pichação, com conter a inscrição “Pichação é crime (Art. O grafitti de olho nos problemas sociais o tempo foram recebendo “enfeites” 65 Da Lei No. 9.605/98). Proibida a venda tais como desenhos figurativos e para menores de 18 anos”. Em caso de As Pichações já são consideradas texturas. descumprimento da lei, o pichador poderá vandalismos, hoje o governo Com o passar dos anos o termo ser detido pelo período de três meses a tem se voltado contra eles e até grafite foi visto e revisto para conceituar um ano e pagamento de multa. disponibilizado muros para que estas expressões artísticas diversas e em A arte do graffiti está sendo bem aceito pichações acabem e quem é pego diferentes superfícies e locais. Hoje é pela sociedade nos dias atuais, POK nos pichando pode ser penalizado por difícil dizer o que exatamente significa. conta como está a situação hoje:“O graf- lei. As pichações ainda incomodam a Para POK, o motivo que o fez buscar fiti esta sendo aceito sim, mas com aquele sociedade. o graffiti foi algumas depressões, “não pequeno preconceito, mas o graffiti está Segundo LKS, é uma forma de me sentia muito bem por fazer outra aparecendo em novelas, programas e está expressão, à sociedade tem que se coisa que não gostava, e quando sai se inserindo no cotidiano urbano. Lugares preocupar, mas com os problemas pra pintar na rua pela primeira vez, que só víamos publicidades e placas, agora maiores da cidade, educação, melhoria isso me fez um bem muito bom, você esta se firmando o graffiti.” na saúde. “Acho que o pessoal quando sentir a rua, sentir o movimento dela, POK, nos fala sobe sua inspiração com vê a gente pichando não tem que os problemas que ela tem que as relação aos problemas do cotidiano em botar a gente para correr, nem dá na pessoas têm. Pintar na rua é genial, suas temáticas: “Utilizo sim os problemas gente não, não descriminar. É só uma só quem esta na rua sabe o que estou sociais, vai de acordo de como estou me liberdade de expressão”, explica o falando”. sentindo, quando comecei a pintar na rua, pichador. não me sentia muito bem pessoalmente, Aline Cristina LEI DIFERENCIA PICHAÇÃO E GRAFITE e nisso eu senti a necessidade de pintar Oficial da União do dia 26 de maio e ali me expor na rua, de atribuir algo a de 2011 determina a diferenciação mais para cidade, ai fazia meus desenhos entre duas formas de expressão muito todos muitos escuros, usava apenas a cor comuns nas cidades contemporâneas: preta, daí as coisas foram mudando. Vi que a pichação e o grafite. Pela lei anterior, a cidade já era muito escura, muito suja tanto pichar quanto grafitar eram e aquele problemas que estava vivendo A sociedade cria seus monstros considerados crimes. Agora o grafite naquele tempo sumiu, e comecei usar é descriminalizado e, quando tem o Vale lembrar que a diferenciação cores mas vivas,e a temática do meu tra- objetivo de valorizar o patrimônio entre pichação e grafite é encontrada público ou privado, é considerada balho é o caos da cidade,os problemas que apenas no Brasil. Em outros países, “manifestação artística”. A pichação sempre aumentam e tudo fica complicado o mesmo termo correspondente a como um entrelaçado”. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 continua na mesma situação lanterior. Modelo 2012 FINAL.indd 13 20/09/2012 13:32:00
  • 14.
    14 ESPECIAL SOM, RITMO E VOZ DE UM MATUTO MESTRE No ano de comemoração do centenário Daniel Freire de Luiz Gonzaga, obra, talento, autodi- Radialista, obser- datismo e aspectos de sua vida pública vador do mundo, são colocados em evidência atestando o aprendiz sempre seu legado relevante na música popular e, quase jornalis- brasileira ta. Vivendo sob o signo da mutação Histórias de superação, de transposição é Socialista por convicção. Esse ca- das barreiras perversas impostas pela socie- rioca acredita ser o dade ou por nichos sociais, sempre trazem amor, a caridade, a um ar de emotividade. Da tinta metafórica amizade, os bons pensamentos e as ofertada pela vida, ou, proveniente de escol- boas ações, os ali- has individuais, traços, linhas, círculos, rep- cerces dessa vida. resentações variadas, objetivas e subjetivas, são empregados - conscientes ou inconsci- entes - para alinhar o rumo de cada ser. É certo também que nunca a tela se apresenta somente com cores vivas, claras, suaves e alegres. Por vezes, a sombra, o negro das tristezas e aquela cor turva da ferida que cis- ma em não cicatrizar, se esparrama nas telas da vida. Alegria e tristeza pavimentam a es- trada de cada um. Isto é fato. É sobre este cenário flutuante que se celebra neste ano, 2012, o centenário de Luiz Gonzaga do Nas- mais conhecida como “Santana”, cresceu, se cimento, ou simplesmente, Luiz Gonzaga, o Thiago apaixonou, sofreu, saiu pelo mundo, persis- menestrel nordestino. Damasceno tiu nos objetivos e conquistou um lugar de Saído do sertão nordestino, precisa- destaque na galeria da música popular bra- Aluno de jornalismo, mente, da cidade de Exu, situada aos pés casado e amante da da serra do Araripe, em Pernambuco - 600 sileira. Comunicacao. Comu- Luiz Gonzaga foi um artista que soube nicar e servir. km de Recife, capital pernambucana, e à como poucos ousar. Não ficou preso a ró- mesma distância da capital cearense, For- tulos estilísticos e foi adiante. Ousou na so- taleza – esse matuto pode tranquilamente noridade de sua música. Rompeu a implicân- ser inserido em um contexto de excepcion- cia dos pseudo-experts que consideravam alidade. Talento manifestado precocemente sua voz como fora do padrão de “vozeirão” e lapidado pela influência do pai, Januário, que ditava o mercado na época. Sua música tocador e consertador de sanfona, o garoto, transcendeu a qualquer limitação de classi- segundo dos nove filhos do casal compos- Revista Plural 7| Ano IX | 2012 ficação, era universal. Da fusão de zabum- to pela presença feminina de Ana Batista, Modelo 2012 FINAL.indd 14 20/09/2012 13:32:00
  • 15.
    ESPECIAL 15 Divulgação ba, triângulo e sanfona e de sua sobre a sua obra e momentos de strumental pareciam uma coisa só. voz anasalada, porém, vibrante apagão. Isso por parte da crítica e Perto de completar 18 anos, e altiva, músicas bastante repre- da imprensa, porque para o povo, havia se apaixonado perdidamente sentativas do universo do cidadão principalmente, para o nordestino, por uma moça chamada Nazarena sofredor do campo e do sertão, o seu valor foi sempre incontes- e a quem namorava às escondidas do cidadão comum de toda e tável. O casamento com a sanfona do pai dela. Ao descobrir o namoro qualquer cidade, ganharam vida foi harmônico, feliz e duradouro. de sua filha com um sujeito que se e foram consagradas. Pela vida Entoando versos, envolvendo a mostrava sem encaminhamento espalhou o seu talento, alcançou amada de foles em seus braços e a na vida, o pai de Nazarena proíbe sucesso e teve que conviver com acariciando no ritmado dançar de o namoro. O jovem Luiz Gonzaga uma gangorra inerente ao recon- seus dedos, uma obra rica se con- não gostando da atitude do pai da hecimento de sua importância struiu. O enlace foi tão perfeito, a moça – após ingerir doses de cach- musical. Ora, por cima, ora, por relação por todo tempo irretocáv- aça para despertar coragem – vai baixo. Oscilava períodos de luz el, que corpo humano e corpo in- Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 15 20/09/2012 13:32:00
  • 16.
    16 ESPECIAL tirar satisfações e leva uma sur- começa a tocar o seu acordeão - começou a decolar. ra colossal. A partir desse acontec- sanfona para os nordestinos – e as Em 1941 grava o seu primeiro imento, a vida de Gonzaga ganha pessoas gostam. disco como instrumentista. Leva novos contornos. Com vergonha Logo consegue um companhei- quatro anos para conseguir o que da surra que levou, deixa Exu para ro, o violonista Xavier Pinheiro. O tanto queria. Além de tocar san- trás e decide ir para o Ceará. Em Rio de Janeiro havia conquistado fona, queria soltar a sua voz. En- Fortaleza, alista-se no exército e aquele ex-marinheiro. Xavier acol- tre 1941 e 1945, ficou só nos dis- é na caserna que vai passar os he Gonzaga em sua casa no morro cos de vertente instrumental. Foi próximos nove anos. Em razão de de São Carlos e essa amizade só se proibido de gravar cantando em transferências, serve em algumas fortalece ao longo do tempo. Pas- seus discos. As gravadoras alega- cidades brasileiras e se estabelece sam a tocar em bares do mangue, vam que ele não possuía uma voz por mais tempo em Juiz de Fora, nas ruas, em gafieiras, em festin- que se enquadrasse nos padrões Minas Gerais. No quartel passa has de subúrbio, nos cabarés da da época. Durante esse período fez a ser soldado corneteiro e ganha Lapa, enfim, em qualquer lugar carreira no rádio carioca e as por- o apelido de “bico de aço”. Vale que tivesse aglomeração de pes- tas foram se abrindo mais e mais. destacar que durante todo o perío- soas. Tocando fados, mazurcas, Outro fato marcante em sua do de vida militar, o “bico de aço” polcas, choro, Fox trote, levam os carreira foi quando, participando desenvolveu forte traço de discipli- seus dias. de um programa de auditório na na e não se separou em nenhum A vida era dura. Gonzaga não Rádio Nacional se deparou com o momento do instrumento de fole, recusava convite algum. Apre- estilo gaúcho do catarinense Pedro exercitando-se em momentos es- sentando-se em uma casa noturna, Raimundo, vestido com bomba- parsos e esmerando cada vez mais deparou-se com um grupo de es- cha, pilcha e botas. Como em um a sua técnica. tudantes cearenses que foram de- lampejo surgiu a ideia de se apre- Após ser desligado do exército, cisivos na mudança do estilo musi- sentar com vestimenta típica do desembarcou no Rio de Janeiro, cal do Gonzagão. Esses estudantes nordestino sertanejo e tendo como em 1939. Lá, iniciou a sua carreira perguntaram a Gonzaga de que lu- inspiração, a figura de Lampião. profissional depois de muito penar gar ele era. Ao responder Pernam- Sim, porque até então Gonzaga se pelos mais variados lugares nos buco, recebeu o contra-ataque. Se apresentava de terno, gravata e sa- quais tentava ganhar dinheiro e ele era do Nordeste, por que não pato fino. Decidido que passaria a se tornar conhecido. Na verdade, tocava algo típico da região? Gon- ter um novo figurino, o de canga- a cidade o seduziu e o “pren- zaga retrucou que na próxima vez ceiro, e mesmo censurado por um deu”. Luiz Gonzaga ao chegar a em que aparecessem por lá, ele bom tempo, nada o afetaria em então capital federal e tendo que tocaria algo ligado ao Nordeste. sua decisão de ter uma indumen- aguardar o embarque no navio Esse compromisso ficou rondando tária própria tendo como um dos que o levaria de volta à Recife, sai a sua mente. Algum tempo depois adereços, o chapéu de couro. para dar uma volta pela cidade. quando os rapazes apareceram Foi entre os anos de 1945 e 1946 Indicada por pessoas que por ali novamente, Gonzaga, no final da que veio a conhecer aqueles que circulavam, vai conhecer a zona apresentação, mandou ver e ex- se tornariam os seus dois parceiros do mangue, reduto conhecido de ecutou duas músicas que mistura- mais efetivos, Humberto Teixeira e prostituição. Claro, sem desgrudar vam sons da cultura nordestina. Zé Dantas. Em 1945 nasce também do seu amado acordeão. Ao se de- Soltou “Pé de Serra” e o chamego, Gonzaga Júnior, filho de Odaléia parar com o movimento frenético “Vira e mexe”, que sacudiram o Guedes - uma cantora da noite do local, gente tocando e cantando ambiente e enlouqueceu a todos. com quem Luiz Gonzaga flertou em frente aos bares, mulheres em Empolgado, decide ir ao programa e que viria a falecer alguns anos fartura e a pulsação daquele am- de auditório que era o mais bada- depois vitimada pela tuberculose. biente boêmio, com meretrizes, lado da época. Era o programa do A paternidade biológica de Gon- malandros, marinheiros do mundo Ari Barroso. Fez enorme sucesso zaguinha sempre foi um assunto inteiro, absorve um sentimento de também por lá. Levou a nota máx- incutido em um campo minado, Revista Plural 7| Ano IX | 2012 encanto pelo lugar. Timidamente ima do exigente Ari e sua carreira mas está registrado: Luiz Gonzaga Modelo 2012 FINAL.indd 16 20/09/2012 13:32:00
  • 17.
    ESPECIAL 17 Divulgação do Nascimento Júnior. Pai: Luiz Soube revelar os anseios e todo o obra poético-musical, tenho essa Gonzaga do Nascimento. A relação sofrimento do homem nordestino certeza. Isto desde a segunda entre os dois sempre conturbada do campo e deu voz a esse povo metade da década de 1940, quan- teve, alguns anos antes da morte sofrido dos rincões, tão esquecid- do lançou o seu gênero musical de Luiz Gonzaga – Gonzaguinha os e massacrados pelo descaso do mais famoso, o baião, apesar da in- viria a falecer em 1991, dois anos poder público. Foi senão o maior, vasão cultural dos Estados Unidos”. após a morte do pai - durante a um dos maiores representantes O jornalista está à frente de alguns turnê do show, “Gonzagão e Gon- da cultura nordestina. Ele não se projetos culturais de reverência a zaguinha, a vida do viajante”, um resumiu somente aos aspectos figura de Luiz Gonzaga e trabalha momento de acerto de contas. de amargura do povo nordestino. incansavelmente na divulgação e Passaram toda a relação a limpo e Cantou amores, desventuras, an- preservação da obra gonzagueana. segundo consta na biografia “Gon- danças, amizade, encontros, reen- São três livros, uma enciclopédia zaguinha, Gonzagão, uma história contros. Sua música era uma festa de 150 obras comentadas, e mais brasileira”, da jornalista e escritora de sonoridade ampla, irrestrita e duas obras temáticas sobre as in- Regina Echeverria, reconhecer- o seu verbo profundo. Soube mis- fluências da Paraíba nas músicas am que o amor havia construído turar com maestria gêneros e foi o DE Luiz Gonzaga. “Quanto mais eu um envoltório sólido que os unia grande expoente do baião. desço no poço dos estudos do Rei como pai e filho sem que houvesse Para o jornalista potiguar, radi- do Baião, mas me deslumbro com a necessidade de laços biológicos. cado em Campina Grande, Xico a magnitude de sua obra, verda- Ambos se desculparam pelas fal- Nóbrega, “Luiz Gonzaga é o maior deiro patrimônio do canto popu- has cometidas entre os dois e os nome da música popular brasilei- lar da humanidade”. Além destas corações ficaram em paz. ra de todos os tempos. Diante do realizações, Xico Nóbrega trabalha A música de Luiz Gonzaga se ex- imenso carisma, a sua maestria na sucursal do jornal ‘A União’ de pressou como forma consistente no instrumento (sanfona), o can- Campina Grande como repórter de tornar a cultura do nordeste tar maravilhoso, a riqueza temáti- cultural, escrevendo sobre temas Revista Plural 7| Ano IX | 2012 conhecida no eixo Sudeste do país. ca, a quantidade e qualidade da nordestinos, especialmente, Luiz Modelo 2012 FINAL.indd 17 20/09/2012 13:32:01
  • 18.
    18 ESPECIAL Gonzaga. É um dos profissionais como uma marca única e que es- co e Geográfico do RN – IGHRN, da imprensa brasileira mais dedi- tampam a sua identidade musical, Kydelmir Dantas, destaca que Gon- cados a Luiz Gonzaga, desde 1989, irrepreensível. Ele foi detentor de zagão foi uma figura ímpar. “Ele foi quando fez a primeira e mais im- uma esmerada capacidade cria- um dos maiores divulgadores da portante reportagem da vida, jus- tiva. MPB, com ênfase para o Nordeste. tamente a cobertura do sepulta- Neste ano de comemoração aos Porém, gravou diversos gêneros mento do Rei do Baião. É o editor seus cem anos, shows tributos e musicais, antes de enveredar pelo do site do Museu Fonográfico Luiz gravações de CDs e DVDs espocam ‘caminho da roça’ nordestina. Gonzaga de Campina Grande-PB, de Norte a Sul do Brasil. Artistas e Gravou valsas, choros, marchas, o www.museuluizgonzaga.com.br, personalidades das mais variadas rancheiras, toadas, polcas, ma- o primeiro da Paraíba do gênero áreas reafirmam a importância do racatus, frevos, sambas, maxixes, notícia, memória, vida e obra do rei do baião para a música e cultu- guarânias”. E Lembra nostalgica- Rei do Baião. ra popular brasileira. No carnaval mente o momento em que o rei do deste ano uma justa homenagem baião entrou na sua vida. “No final Seus versos, melo- se fez. A Unidos da Tijuca retratou da década de 1960, pelas ondas a vida e obra de Luiz Gonzaga na sonoras da Rádio Brejuí, de Currais dias e harmonias sao avenida. O nome do enredo, “O Novos, RN, comecei a ter contato destacados como dia em que toda a realeza desem- com as músicas de Luiz Gonzaga. barcou na Avenida para coroar Aquelas melodias, a voz grave, o uma marca unica e o rei Luiz do Sertão”. Pela força toque da sanfona... quando chega- que estampam a sua do tema, dentre outros requisi- va o mês de junho, os preparativos tos, conseguiu a escola levantar o para as festas juninas excitavam o identidade musical, ir- caneco de campeã. moleque na expectativa das comi- repreensivel Ele foi craque em variados rit- das típicas e nas danças da quadril- mos regional brasileiro, bem como, ha; os forrós eram para os adultos, Luiz Gonzaga durante toda a em ritmos de outros países: toada; depois comecei a participar. Lem- sua carreira primou pela excelên- xote; chamego; xaxado. Passou bro que a música “Olha pro céu” cia em seus discos e shows. Sem- pela valsa, polca, mazurca, euro- sempre me fazia levantar a vista, pre se cobrava muito. Conquistou peia; guarânia paraguaia; marchas e vislumbrar a noite, os balões, os a admiração de muitos célebres juninas do nordeste; lundu, samba fogos de artifício, num enlevo de artistas da música brasileira e das e choro, carioca; frevo, pernambu- criança, numa saudade de adulto, artes em geral, e teve canções suas cano; calango mineiro; maracatu como ainda hoje me ocorre”. gravadas por nomes como Gilberto africano, além é claro de ter ficado Recife foi o local escolhido pelo Gil, Caetano Veloso, Raul Seixas, marcado como maior represent- maçom Luiz Gonzaga para morar Dominguinhos, Elba Ramalho, Al- ante do forró e do baião. em sua fase final de vida. O lua, ceu Valença, Hermeto Pascoal, O filho de Januário foi um via- como era chamado também - pelo Fagner, Elis Regina, Lulu Santos, jante poeta musical que com seus formato arredondado de seu ros- Maria Bethânia e muito mais gente baiões, forrós, xotes, toadas, xaxa- to - entre idas e vindas – sempre boa e de destaque. dos, estampou tão bem a realidade anunciava que iria parar – nunca Asa branca é uma das músicas brasileira e, destacadamente, a do conseguiu ficar por muito tempo mais regravadas no Brasil e com Nordeste. Inseriu um tipo de músi- longe dos palcos e esteve junto a algumas gravações internacionais ca com cara de Brasil e em uma ele, se apresentado, até bem antes também. É um dos artistas mais época na qual os olhos e ouvidos de ser internado em um hospital biografados. Possui uma legião de se voltavam para a música ameri- de Recife com problema de câncer discípulos e fãs que não cansam cana, elevou o baião ao posto de de próstata. O ano era 1989. No de proteger e difundir a sua obra. expoente cultural. último show em que teve partici- Luiz Gonzaga é sinônimo de plu- O pesquisador e poeta, sócio pação – tributo a ele realizado no ralidade, fineza. Seus versos, melo- do Instituto Cultural do Oeste Po- teatro Guararapes, na capital per- Revista Plural 7| Ano IX | 2012 dias e harmonias são destacados tiguar – ICOP e do Instituto Históri- nambucana, Luiz Gonzaga, já de- Modelo 2012 FINAL.indd 18 20/09/2012 13:32:01
  • 19.
    ESPECIAL 19 bilitado em razão dos problemas paixão de sua última fase, debruça- mulher macho”. de saúde, numa cadeira de rodas, das sobre o caixão e reverenciando O livro de Regina é uma das bas- proferiu em 06 de junho de 1989 antes de qualquer coisa, o homem, es do filme que será lançado no fi- – quarenta e seis dias antes de sua Luiz Gonzaga. “Amei Lula sem nada nal do ano, “Gonzaga – De Pai para morte - estas palavras. “Boa Noite pedir ou esperar, mas sabendo Filho”, superprodução do diretor minha gente! (...) Minha gente, que me bastava estar diante do Breno Silveira - 2 filhos de Francis- não preciso dizer que estou en- homem mais extraordinário que co - que narra a vida do sanfoneiro fermo. Venho receber essa hom- já conheci, que me fez renascer e através do olhar de Gonzaguinha. enagem. Estou feliz, graças a Deus, me ensinou grandes lições”, afirma O diretor fala de como lhe veio a por ter conseguido chegar aqui. E Edelzuíta no livro, “Luiz Gonzaga: o ideia de desenvolver o filme. “Re- estou até melhor um pouquinho. matuto que conquistou o mundo”. solvi voltar a filmar uma biografia (...) Quero ser lembrado como o ao receber fitas cassetes em que o sanfoneiro que amou e cantou “Quero ser lembrado filho adotivo entrevista Luiz Gon- muito seu povo, o sertão; que can- tou as aves, os animais, os padres, como o sanfoneiro que zagaterexpurga anos de frustração por e sido abandonado em uma os cangaceiros, os retirantes, os amou e cantou muito favela no Rio. Eles eram cão e gato, valentes, os covardes, o amor. Este sanfoneiro viveu feliz por ver o seu seu povo, o sertao; mas, graças a Deus, se perdoaram no fim dessas gravações em fitas nome reconhecido por outros po- que cantou as aves, e acabam fazendo juntos a turnê etas, como Gonzaguinha, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Alceu Va- os animais, os padres, ‘Vida do Viajante’ que marca adois entre os dois. Logo depois, os paz lença. Quero ser lembrado como o os cangaceiros, os morrem. É muito louco. Gonzagão sanfoneiro que cantou muito o seu povo, que foi honesto, que criou retirantes, os valentes, é um épico. Luizno Nordeste,um gi- gante, um mito Gonzaga foi e tem filhos, que amou a vida, deixando os covardes, o amor” uma história fantástica, própria um exemplo de trabalho, de paz e para grandes públicos”, destaca amor”. “Luiz Gonzaga está ao lado dos Silveira. Em 02 de agosto, Luiz Gonzaga grandes compositores e intérpret- A obra de um artista fala por si saiu definitivamente de cena. Quer es da história de nossa música pop- só. A figura do artista construída a dizer deixou para trás o aspecto de ular. Sua intuição e predisposição partir de traços de sua personali- homem e virou mito. Sanfona e para divulgar o canto do povo hu- dade como pessoa comum ganha artista se desligaram. Partiu para milde do sertão nordestino, não aceitação, devoção, reprovação, outros planos, feliz por ter con- têm parâmetros de comparação críticas, e por aí vai. No entanto, struído uma carreira bonita e pelo (...). Ele levou ao grande público é a obra que atravessa o tempo e passar a limpo de sua relação com as canções alegres ou tristes que deixa registrada na história de um o seu filho Gonzaguinha. E como refletem a alma brasileira”, enal- povo, de uma nação, na história ele mesmo cantou: “Minha vida tece Regina Echeverria, escritora, universal, por que não?, a beleza, o é andar por esse país para ver se jornalista e autora da biografia vigor, a relevância que se debruça um dia descanso feliz, guardando ‘Gonzaguinha & Gonzagão – Uma sobre ela. No caso de Luiz Gonzaga as recordações das terras por onde História Brasileira’. Ela detalha a sua obra assim se apresenta e todo passei, andando pelos sertões, e descoberta de uma particulari- brasileiro tem obrigação de agra- dos amigos que lá deixei”, dessa dade envolvendo a música ‘Paraí- decer a Deus por ter tido uma fig- maneira, fez um delineamento que ba’. Ela que tem o refrão: Paraíba ura humana que soube como pou- cabe em sua vida. masculina, mulher macho, sim cos contar histórias e deixar para a Mulherengo como sempre foi, senhor. “Sempre acreditei que a le- posteridade uma obra ímpar. teve em seu velório as presenças tra da música se referia a uma mul- Em Abril, durante a sua turnê de Helena Neves Cavalcanti, a sua her, mas não. A canção foi feita sob pelo Brasil, o ex-beatle, Paul Mc- esposa legal – estiveram juntos encomenda de políticos do Estado Cartney, ao pisar o palco em Recife Revista Plural 7| Ano IX | 2012 por 40 anos - e Edelzuíta Rabelo, da Paraíba, ela sim, a masculina e sentenciou. “Salve a terra de Luiz Modelo 2012 FINAL.indd 19 20/09/2012 13:32:01
  • 20.
    20 ESPECIAL Gonzaga”. E um dos melhores depoimento sobre o rei do baião foi concedido pelo jornalista, escri- tor e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Austregésilo de Athayde, no encarte do pro- jeto comemorativa à obra de Luiz Gonzaga, chamado 50 Anos de Chão. “As elites... Ah! as elites... Com que empáfia torcem o nariz para a alma brasileira... Nordeste? Coisa de pau-de-arara. E sanfona? Coisa de cego de feira... Como ex- plicar Gonzagão? No mínimo um ‘paraíba’ ridículo, usando aquelas roupas de cangaceiro. E tocando sanfona, ainda por cima! Quanta ousadia. Mas o sertão está em todo o lugar. As emoções não po- dem ser racionalizadas. Traduzir Gonzagão nem chamando Millôr Fernandes. O importante é que o povo o ama, se entende através de sua arte, faz levantar a poeira nos forrós de chão batido. Seus dedos de mestre traçam canções de tem- pos imemoriais. Sei que cada vez que abre o fole, a natureza se aqui- eta para melhor ouvir a si própria. E o Sul? Que se dana! Quem não for sensível o suficiente que vá construir espigões na beira da praia. Que vá tocar fogo no mato. Que dê tiros no Saci. Que acue a pintada. Gente besta! Faz mal não. É até melhor, pois que assim sobra mais pra quem o ama”. Colaboração de Will de Sou- Google imagens sa, aluno do curso de Design Gráfico da UnP. Ilustrador e designer freelancer, que gen- tilmente fez a ilustração da capa willsousa2.carbonmade.com Monumento em homenagem a Luiz Gonzaga, na entrada do Centro de Tradições Nordestinas, no bairro de São Cristovão, Rio de Janeiro Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 20 20/09/2012 13:32:01
  • 21.
    21 CULTURA Bandas de rock natalenses sonham em ser famosas Músicos norte-rio-grandenses têm carreiras paralelas à música, levando-a apenas como um hobby devido à incerteza do mundo musical. Por Vivian Mesquita Nos dias de hoje, viver da mú- As bandas natalenses “2polos” gia, eu não sabia o que queria fa- sica deixou de ser um sonho que e “Yanks” são adeptas dessa nova zer, mas sabia o que não queria: possa se realizar com apenas talen- geração do rock brasileiro, todos não queria parar de tocar nunca! to e atitudes rebeldes para aqueles os componentes de ambas as ban- Quando estou tocando sinto como que tocam um instrumento ou sa- das fazem ou já tem curso supe- se tivesse em mundo paralelo. É o bem cantar. A indústria fonográfica rior, e trabalham em diversas áreas momento em que eu sou tudo o está focada no que está fazendo para assim poderem se sustentar, que eu queria ser”, conta Juliana sucesso no momento, que é o ‘ar- mas continuam acreditando que Gonçalves, vulgo Juju Batera, bate- rocha’ e o ‘sertanejo universitário’, um dia o que lhes traz tanto prazer rista da banda Yanks. Aurino Neto deixando de lado aqueles que fa- será o seu único trabalho. zem e apreciam o verdadeiro rock O guitarrista da banda 2polos, and roll. Alan Trindade, está se formando Por isso, os jovens músicos, não em Arquitetura, e fala: “Pretendo são como Mick Jagger, vocalista exercer a carreira em que estou dos Rolling Stones, que largou a fa- me graduando, mas na primeira culdade de economia para cantar, oportunidade que a banda tiver muito menos como Steven Tyler, de crescer nacionalmente preten- vocalista da banda Aerosmith, que do me dedicar de forma integral a nem um ensino superior procurou ela”. fazer, eles não mergulham mais “Considero a música de cabeça nessa incerteza que é a música, procuram fazer uma facul- um hobbie, mas é um ho- Banda Yanks tocando na festa PECADO, no Chaplin hall dade, ou seja, deixar a música ape- bbie que levo muito a sé- rio, e quem sabe se tor- O vocalista e fundador da ban- Divulgação ne algo mais. Seria muito da Yanks, Yong Kim, é formado em prazeroso se pudésse- Direito e trabalha em uma empre- sa de sua família, para ele a música mos viver da música” é tudo, é onde consegue relaxar e Felipe Farias, é baixista e com- curtir o show com os amigos/fãs. panheiro de banda do Alan, é “Tanto 2polos quanto Yanks, formado em Publicidade e traba- tem tudo para dar certo, são es- lha como diretor de arte em uma tilos diferentes, que já estão con- agência publicitária. Ele diz: “Con- quistando apreciadores por toda a sidero sim a música um hobbie, cidade. Todos os integrantes têm mas é um hobbie que levo muito os seus trabalhos de segunda à a sério, e quem sabe se torne algo sexta, mas quando chega o fim Banda 2polos no Centro Cultural DoSol mais. Seria muito prazeroso se pu- de semana, eles esquecem toda déssemos viver da música”. e qualquer preocupação que tive- nas como uma segunda opção, um “Na verdade a música é a me- ram e se jogam no rock and roll”, hobbie e um sonho, que um dia lhor parte da minha vida! Quando disse a produtora das duas bandas, poderá se tornar realidade. terminei a faculdade de Psicolo- Lanna Ferreira. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 21 20/09/2012 13:32:02
  • 22.
    22 ESPORTE Foto: John Willian ESPORTE DE CONTATO QUE TRADUZ FEMINILIDADE E SUPERAÇÃO Driblando os preconceitos e ganhando popularidade na cidade, o rugby esta conquistando a sociedade natalense. Alguém sabe como se joga Rugby? Aliás, precisamente em Natal, é outra história. O alguém já ouviu falar de Rugby? Reza a esporte chegou ao Brasil no século 19, trazido lenda que um jogador teria pegado a bola por Charles Miller. No ano de 2006, um Erika Paiva de futebol com as mãos e correu até a linha Frances, Wilian Laborde, fundou o primeiro de fundo adversária. Na tentativa de parar o time de Rugby do Estado, o Potiguar Rugby Apaixonada por esportes. Está garoto, os jogadores do outro time tentaram Clube. Foi quando Maíra Leal incentivada sempre por derrubá-lo sem sucesso. a praticar o esporte, passou a treinar com dentro do que Na realidade, estima-se que desde o os meninos, e sentindo a necessidade de rola no mundo da bola. século XVIII os medievais já praticassem um time feminino fundou o Potiguar Rugby Reservada o esporte, que inicialmente era chamado Clube Feminino. e autêntica de football. Com o passar dos anos as Falando em time feminino, vem o exprime através das palavras características foram mudando, o esporte questionamento, Rugby não é um esporte suas opiniões de passou a ter suas próprias regras e agora é só para homens? Há quem diga que sim. maneira inova- chamado de Rugby. O esporte é visto por Mas para Maíra Leal, capitã e fundadora do dora, fazendo com que os mais muitos como bruto e violento, por ter muito time feminino de Rugby, é puro preconceito. improváveis contato físico. E é muito popular em alguns “Ainda existe uma barreira muito grande leitores se países da Europa, na África do Sul, Austrália para a mulher praticar esporte. Ou a mulher apaixonem pelo esporte. e Nova Zelândia. joga vôlei ou joga handball, não existe outra Como Rugby veio parar no Brasil e, mais opção pra mulher.” Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 22 20/09/2012 13:32:06
  • 23.
    ESPORTE 23 llian Chegando ao local de treinamento (campo de para uma maior mobilização que poderia aumentar o futebol, cedido pela UFRN), é perceptível a alegria e a numero de meninas praticantes!”, disse John Wilian, vontade, das meninas, em treinar. A cada treino, uma enquanto observava o time treinando. nova adepta. O time feminino atualmente conta com O Rugby foi disputado durante as sete primeiras 12 atletas, que disputam a modalidade “Sevens”- uma edições dos jogos olímpicos, até ser retirado pelo das quatro modalidades do Rugby. A irreverência COI – Comitê Olímpico Internacional. Em 2009, uma e o amor pelo esporte são estímulos fundamentais nova votação trouxe a modalidade de volta, será nas para que o time siga jogando, já que elas não têm Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. “A expectativa patrocínio. Ao ser perguntada como fazem para é que, com as olimpíadas, a gente consiga mais participar das competições, Eliana Jussara, atleta, foi adeptos e patrocínio. Queremos que o esporte cresça direta: “Você acha que a gente recebe patrocínio de cada vez mais.” disse Maíra Leal. Foto: John Willian alguém? Você já viu alguém patrocinar o Rugby aqui no Brasil? Nós é que bancamos tudo.” No Estado o esporte ainda é amador, e para manter o time, e continuar jogando, as meninas fazem rifas, vendem camisetas, pedem ajuda dos familiares. Para Maíra, já que todos os atletas de Rugby sofrem com o mesmo problema, a falta de patrocínio, um time ajuda o outro. “A comunidade do Rugby é muito unida. Se você precisar viajar para outra cidade e não tem onde ficar, mas conhece alguém que pratica o esporte pode ter certeza que esta pessoa vai te acolher.” Durante o treino não é possível identificar a violência da qual tanto se fala. O que se vê é um esporte de contato como qualquer outro. Para fazer um comparativo, esportes de contato, tidos como não violentos, causam tantas contusões quanto o Rugby, ou até mais, que é o caso do Futebol de campo e do Handball. Algumas pessoas passam e olham o treino, tentando entender o esporte. “Acho que é a quebra de um paradigma cultural, que felizmente vem sido rompido por exemplos como esse, mas o preconceito ainda é fator determinante se tornando empecilho Jogadoras em cobrança de um lateral ou lineout . APARTHEID Ao fim da década de 1940, foi implantada na África do Sul o Apartheid (vidas separadas, em africânder). Movimento de segregação racial que impedia negros de se aproximarem dos brancos, a elite branca usufruía dos melhores bairros, escolas e melhores empregos. Por isso, os Sul-Africanos foram proibidos pela FIFA (Federação Internacional de Futebol) e também pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) de participar de qualquer competição internacional. Em 1990 o então presidente da África do Sul, Frederik de Klerk, aboliu o regime. Quatro anos depois foi realizada a primeira eleição livre e multirracial, com a vitória de Nelson Mandela. No ano de 1995, a África do Sul foi finalmente aceita em uma competição internacional. A Copa do Mundo de Rugby, que foi realizada na própria África do Sul. Nos estádios o clima do Apartheid ainda prevalecia, já que, apenas um negro foi convocado para a seleção Sul-Africana de Rugby. No fim da competição a população, antes dividida, uniu-se para comemorar a conquista da Copa do Mundo, sobre a poderosa seleção da Nova Zelândia. A vitória é um marco na história da África do Sul e do Rugby. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 23 20/09/2012 13:32:07
  • 24.
    24 COMPORTAMENTO Elas preferem os ogros As princesas da vida real cansaram do papel de boazinhas e querem um final feliz ao lado do lobo mau Mulheres de todas as cores, idades rico, que faz mau uso do termo e que, infeliz- e sabores, como diria Martinho da Vila, o mente, está se proliferando. Eu me sinto meio seguimento feminino é diverso de cara- isolado neste lado de cá da cerca, os bons cterísticas e cada uma delas possui uma estão em extinção, sabia?”. Declara Felipe. beleza singular, mas em relação aos homens Mas por qual motivo os ogros andam o assunto anda bem em comum: os ogros! tendo destaque e preferência no universo Muito se fala e palpita na definição de feminino? Talvez seja justamente seu com- ‘um homem ogro’, mas o seu comportamento portamento avesso ou seu ‘que’ de rebeldia. em geral se define em não servir de molde so- As mulheres estão ocupadas demais com cial, um visual rústico, sem medo de chocar e trabalhos, faculdade e família, para se preo- das possíveis enxurradas de críticas que irão cupar em manter-se princesa sempre para o receber. Os ‘príncipes’ perceberam essa mu- seu par, então despojar um pouco, relaxar na dança de foco, e questionam o motivo de tanta cobrança, sentir-se confortável com alguém atenção voltada para os denominados ogros. que não irá falar que você precisa ser boneca Quem confirma isso é o músico e e não mulher já é um dos principais motivos. fotógrafo, Ademir Félix, 26. “Primeiramente Para confirmar isso, Lanna Caroline não me considero nenhum pouco ogro, sou Ferreira, 27, produtora musical acrescenta, romântico, educado, abro a porta, dou flores, “Por definição o ‘ogro’ seria uma coisa ruim, mas confesso que a concorrência existe. Mul- porém em contraponto aos ‘príncipes’ que são heres são complicadas por natureza, então, os moços bonitinhos, arrumadinhos, chatin- não acredito que vão querer um homem que hos e certinhos. Gosto daquele tipo de homem esteja disposto a fazer tudo por elas ou que es- que é homem de verdade, que sabe dominar tejam enquadrados em padrões. Mulher gos- as situações, é seguro, competente, que pro- ta é de dificuldade mesmo”, desabafa Ademir. teja, dá um frio na barriga e bagunça o coreto. Felipe Voigt, jornalista e ogro assu- A vida merece emoção e um homem mido explica, “É preciso deixar claro que há sem sal, ou muito perfeito enjoa rápido. dois tipos de ogros: aquele romantizado, de A maioria das mulheres vai preferir um certa forma, e aquele tosco. Um é gostoso homem de atitude, que saiba a medida cer- de ter perto, o outro é apenas um chato, ta entre o carinho e o beliscão.” Entrega. Carol Caiana grosso, ignorante e mal educado. Há uma Para elas, segurar as atitudes, fazer pequena cerca que separa um do outro, mas a linha ‘politicamente correto’, se conter Paulista, são pau- é bem fácil notar: o ogro “do bem” é aquele em excesso, são fonte segura de decepção, lina, 21 anos, viciada em inter- que não choca os outros com seus palavrões pois ao se conter demais, omitir pensamen- net e chocolate, e modo de xingar por exemplo. Esse ogro vai tos, se caracterizam de um personagem ruiva que ama beber com você, vai te ouvir e te dar uns ta- que não é mais atrativo, porque muitas rock, mais é fã da Wanessa Ca- pas na cara, metaforicamente falando, claro. vezes por trás da aparência de bom moço, margo, tem como Não há desrespeito, há troca, diálogo franco se esconde um homem narcisista e egoísta. principal fonte e verdades expostas. Já o “do mal” é ofen- Uma admiradora confessa dos ogros, o dicionário, e é crítica consigo sivo, desagradável e repugnante. Perde o Jéssica Amélia Dias, estudante de Direito, mesma. limite do bom gosto, exagera em questões complementa, “Tudo é questão de molde escatológicas e realmente consegue ofend- e de encaixe, príncipe procura por Barbie er. Não tem graça e irrita de um modo ruim. e estou longe de ser uma mulher pré-fab- Não sabe aplicar força na medida certa, irá se ricada, sem opinião e atitude, enquanto as exceder em tudo: na bebida, na pegada, na mulheres de hoje julgam-se princesas deli- cobrança, no descaso. Esse é um ogro gené- cadas, estou quebrando a minha coroa e Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 24 20/09/2012 13:32:07
  • 25.
    COMPORTAMENTO 25 querendo que o príncipe caia do cavalo. Aliás, gosto mesmo é de vilão ele é mais gato.” Conclui. Já para o psicólogo An- dré Carvalho, a preferência por esse tipo de homem justifica porque mulheres em sua maioria se sentem atraídas por homens que não se preocupam em seguir qualquer tipo de padrão de eti- queta, que ditam sua maneira, não se submetendo a ser uma mari- onete social. “Isso reflete em aut- enticidade e faz com que desperte o olhar feminino”, justifica André. O fato de serem transpar- entes e usarem de sinceridade ao excesso, faz com que sua fama e sucesso seja compreensível, afinal toda mulher gosta de ser respon- sável por um lado desbravado de qualquer ogro, de saber que as fraquezas, dúvidas, receios e fra- cassos, são aceitas por eles, porque apesar da subjetividade feminina, todas concordam em um ponto, eles sabem ressaltar as qualidades, a beleza implícita, particulari- dades femininas, nuances e misté- rios que envolvem esse universo. A maioria das mulheres que vestem a camisa “eu prefiro os ogros’ são geralmente aquelas que passaram diversas vezes por relações fracassadas e estão cansa- das de procurar o que todo mundo determina que seja procurado, re- gados as mentiras, rostos bonitos Foto: Google Imagens e sorrisos socialmente forçados. As admiradoras dos ogros querem “A vida merece emoção alguém para extravasar, poder sair tranquilamente de jeans e chinelo e um homem sem sal, e ser tão admirada quanto se es- tivesse usando tecidos finos. Os ogros são aqueles tipos de ho- ou muito perfeito enjoa mens que se você quiser gritar, chorar, xingar, gargalhar, ele não rápido” vai mandar você ter postura, mas fazer tudo isso junto com você. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 25 20/09/2012 13:32:07
  • 26.
    26 COMPORTAMENTO TECNOLOGIA - UM MUNDO DE DISTRAÇÕES A forte presença de celulares, computadores e gadgets na vida das pessoas, em especial os jovens, tem provocado desatenção e dificuldades de focar numa tarefa. Às vésperas de uma prova deci- Existem ainda os que se utilizam das tec- siva na faculdade, Thales Pinheiro en- nologias apenas para curtir a vida. Bárbara frenta uma escolha difícil em sua mesa Guedes diz que não consegue passar um dia de estudos: livros ou computador? sem postar fotos do que está fazendo no A escolha terminou na informática. seu dia a dia, ou sem realizar um ‘check in’ Essa preferência é um reflexo de avanços ao chegar a um local diferente. “Eu já criei do passado. O desenvolvimento tecnológi- essa necessidade. Se eu estou comendo al- co cresceu aceleradamente desde a Seg- guma coisa muito gostosa, eu tiro uma foto unda Guerra Mundial, quando na época, e posto para os meus amigos verem. Se eu a preocupação era expandir a tecnologia, chego na academia, faço um chek in para as na tentativa de aumentar e diversificar a pessoas saberem que eu estou malhando produção de armamentos mais modernos, mesmo. Se a aula está chata, posto foto da que poderiam destruir cidades e descobrir turma dispersa só para ver os comentários informações que eram mantidas em seg- Foto: Fillipe Maia depois. Virou um redo. Daí em diante vício.”, comen- começou a servir de ta a estudante. interesses políticos e Para Roberta econômicos, geran- Amorim, psicólo- do grandes transfor- ga especializada mações na sociedade. em trabalhos Fillipe Maia Hoje, a infinita ca- com o jovem, pacidade tecnológica é nessa fase da Virginiano de e o dilúvio de novos vida que o ser 22 anos. Sou feito de son- aplicativos e progra- humano se con- hos e realiza- mas que facilitam a centra menos ao ções. Amo via- vida de qualquer um, realizar uma ativi- Para o estudante Jessé Pereira muitos jovens se jar, conhecer têm levantado uma tornaram escravos da tecnologia dade. “O jovem, novos lugares questão: Até que ponto seja ele homem ou e culturas. essas tecnologias interferem na maneira mulher, por sua natureza já encontra di- Um natalense como as pessoas pensam e se comportam? ficuldades de se manter concentrado em preparado A constante parceria entre as tec- uma atividade que exija um pouco mais para enfren- tar desafios. nologias e os jovens, faz deles de atenção por muito tempo. Esse deses- O mundo me grandes personagens nessa polêmica. pero em estar conectado aos amigos e aguarda e eu Thales, o personagem lá do início, é um ao mundo através de computadores, ce- estou pronto e exemplo disso. O estudante afirma ser de- lulares ou tablets, é fruto da sua fase de melhor a cada pendente severo de computadores, tablets vida. É a necessidade de se autoafirmar a dia que passa. e aparelhos celulares – só os mais moder- todo momento. E isso só complica quan- Paz, fé, amor, nos. “Eu já acordo pegando meu celular ao do o assunto é a concentração nos estu- conhecimento lado da cama para conferir minhas redes so- dos, por exemplo”, destaca a psicóloga. e otimismo. Isso me basta, ciais e meus e-mails.”, revela o rapaz de 22 O estudante de jornalismo Jessé Neto o resto eu anos. Quando perguntado se esse vício por assume que é impossível não estar pre- conquisto. estar sempre conectado, atrapalha de algu- sente nesse mundo tecnológico, porém ma forma sua vida, ele é categórico: Nunca! ele não se considera um ‘escravo da rede’. Revista Plural 7| Ano IX | 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 26 20/09/2012 13:32:09
  • 27.
    COMPORTAMENTO 27 “Eu acesso todos os dias min- Foto: Fillipe Maia Thales conseguiu ler apenas has redes sociais, mas não 43 páginas de um livro, que deixo que isso conduza minha segundo ele “tem uma história vida. Eu acho que muita gente interessantíssima”. Porém, ele vive conectada porque sente normalmente favorece, Fa- uma necessidade de mos- cebook, Twitter, YouTube e a trar às pessoas uma vida que produção de vídeos digitais. muitas vezes não é real. É aí “No YouTube você pode que as tecnologias influen- contar toda uma história em ciam no comportamento e na sete minutos”, explica ele, “Um maneira de pensar de muita livro leva muito tempo, eu pre- gente”, revela o estudante. firo a gratificação imediata”. Mesmo na rede mundial Em entrevista publicada de computadores, a popular- Flávia Pipolo descobriu como usar o no site da Harvard Medical mente conhecida “terra sem vício em tecnologias na hora do trabalho School, nos Estados Unidos, lei”, é preciso se comprometer balho afundados no mundo tec- pesquisadores dizem que a com as ações realizadas. Não nológico. “A maioria dos jovens atração das tecnologias afeta os muito tempo atrás – cerca de 4 que contrato para trabalhar na mais velhos, mas é particular- anos – muitas pessoas desco- minha empresa já chegam aqui mente poderosa para os jovens. briram como usar a tecnologia sabendo de muita novidade que O risco, dizem eles, é que o de- a seu favor, profissionalmente. É as vezes nem eu, que trabalho senvolvimento do cérebro pode o caso das famosas ‘blogueiras’ diretamente com vários tipos de ser diferente. Enquanto que os que resolveram unir o útil – tra- equipamentos, conheço. A minha adultos são capazes de man- balho – ao agradável – paixão preocupação é que eles não per- ter a atenção por mais tempo por moda. Um bom exemplo lo- cam o foco do trabalho e acabem em uma atividade, o cérebro cal é Flávia Pipolo, a arquiteta de se distraindo com esse aparelhos. do jovem é estimulado a saltar 31 anos afirma, começou o blog Minha função além de tudo, é di- sempre para o próximo passo. como hobby, mas com o tempo recionar essa paixão por tecno- Segundo Michael Rich, associ- a necessidade falou mais alto. “A logia, para algo produtivo e útil ado da Harvard Medichal School ideia do blog começou aos pou- para o trabalho que desenvolve- e diretor executivo do Centro de cos, sem muitos acessos, mas mos aqui”, ressalta Gusttavo. Mídia e Saúde de Boston, modi- com o tempo as visitas aumenta- Ainda segundo a psicóloga, ficar a rotina das pessoas hoje e ram e hoje, as cerca de sete mil essa é uma área que fascina os fazê-las depender menos das no- visitas diárias não deixam eu me jovens por ser também uma das vas tecnologias é praticamente separar do celular, Ipad ou com- poucas áreas em que eles têm impossível e se for algo sem lim- putador. Não posso deixar de um melhor desempenho, com- ites, pode causar preocupação. fazer atualizações diárias, mas parado aos adultos. “Eles são “A preocupação é que estamos em respeito ao marido e aos fil- mais corajosos para lidar com criando uma geração na frente hos, tenho evitado ficar conecta- o novo e se arriscam a testar de telas, cujos cérebros estão da nos finais de semana. E olhe equipamentos ou novidades caminhando a passos largos, para que hoje eu assumo, sou viciada que os mais velhos têm receio serem moldados de uma for- nisso, não consigo passar um dia de parecerem incapazes ou ul- ma diferente”, relata o médico. sem acessar a internet”, conta trapassados”, aponta Roberta. Ao que parece, o questiona- a blogueira em meio a risadas. Três meses é um período mento agora passará a ser outro. De acordo com o empresário aceitável, para que uma pes- Será que é possível manter-se do ramo publicitário Gusttavo soa sem um enorme hábito de atualizado no mundo tecnológi- Mendonça, os jovens profissio- leitura consiga terminar de ler co sem acabar com o poder de Revista Plural 7| Ano IX | 2012 nais entram no mercado de tra- um livro de proporções médias. concentração do ser humano? Modelo 2012 FINAL.indd 27 20/09/2012 13:32:10
  • 28.
    N‘ 7 Ano IX 2012 Imagem: Equipe Revista Plural 2012 Modelo 2012 FINAL.indd 28 20/09/2012 13:32:10