RETIRANTES Celso Corrêa de Freitas
Quando lhes tiraram a lavoura, e o sistema se voltou para os pastos, eles partiram deixando para traz, naquelas terras tão somente os rastros. que apontavam para as cidades grandes, gado humano em procissão, brancos escravos e negros servis tangidos para longe do seu chão.
E se a juriti abandonou o campo, com medo do gavião, quem ficou o fez por não ver, vida longe da plantação. Nas cidades cresceram as favelas, e os bois engordaram nas invernadas, as riquezas do País foram ficando, nas mãos de poucos... Concentradas.
Depois vieram as indústrias, como vaga-lumes iluminando o apogeu, mas o País continuou injusto, com a sorte dos filhos seu. que em desatino elegem a esperança, como forma de punir maus governantes, afinal ela trazia na sua pele, as chagas dos retirantes.
E o destino que teceu a trama, daquele que assumiu o seu papel, se pos como um enorme vazio, tal como uma nuvem no céu. E esperando pelo incerto num tempo que está a passar, quando a Asa-Pau se faz ouvir, esse povo se põe a rezar.
E olha que nem seria preciso essas preces levadas a Deus, se no planalto se ouvisse a voz rouca dos votantes ateus. gente de todos os matizes que não encontram a saída, que os faça retornar pela estrada que lhes pareceu ser um caminho de vida.
E se o gado agora geme no curral alguém está sofrendo no cativeiro, o mau feitor no conforto da sua cela com segurança aplica nosso dinheiro. O que pode esperar esse povo? Feito galinha solta no terreiro, cada um com um galo de plantão a lhe fustigar o traseiro.
Como bicho solto na seca busca salvar-se procurando emprego, vive com um pé no ócio e o outro no desapego. Andam cobras pelas esquinas a encantar passarinhos suas bocas quando agarram não soltam e os meninos deixam de ser anjinhos.
Ninguém mais é o mesmo e hoje já não é como antes, somos todos nesse caminho do medo apenas e tão somente...Retirantes! Em busca do melhor da vida quando essa é feita de instantes, falta-nos aquele rancor cívico que sufoca os governantes.
Esses deitados estão, à sombra dos Jequitibás. E pouco sobra dessa espécie Nos campos de que estou falando. Ainda tem gente minha por lá, E para lá estou querendo voltar Já não me vejo mais aqui Pois lá sempre foi o meu lugar.
Será um reencontro com tudo Que passou a florescer, Tão somente nos sonhos De quem cresceu sem esquecer, Quem eu sou, De onde vim, Para onde vou, Esperar o fim.
As margens do grande rio que sempre correu em mim, A sombra das mangueiras que adocicaram o meu jardim. Tem gente minha por cá também querendo voltar. tem gente minha morrendo sem esse sonho realizar.
Preciso me apressar Para que eu não morra também assim, Preciso voltar para a minha terra O melhor lugar de mim. Retirantes é dedicada a Antonio Corrêa Branco – Meu avô Patativa do Assaré (autor) e Luiz Gonzaga (intérprete) dessa maravilhosa página da Música Popular Brasileira, que sempre esteve presente na minha vida.
CELSO CORRÊA DE FREITAS Poeta e Articulista, nascido em Itaperuna-RJ, aos 26 de Agosto de 1954. Presidente (O sexto) da Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande-SP até 2010. Membro dessa Associação desde 26/08/2004 (...Entrei no dia do meu aniversário, foi um presente que me dei...). Reside em Praia Grande, onde ampliou sua família desde Fevereiro de 1996. Colaborador ativo nos jornais e demais meios de comunicação (Blogs e Sites), através dos seus artigos e inserções. Sua classificação honrosa no primeiro concurso de Poesias Fernando Pessoa lhe permitiu participar da Antologia “Poesia e Liberdade” que lhe abriu as portas para sua segunda antologia “Poesia e Amor” e sedimentou a sua posição no cenário poético Nacional com o livro “Poeta-Profissão Homem!”, “Destino em Transição(Livro solo)”, e a antologia “São Paulo-450 anos em Prosa e Verso”. É autor também dos livretos “Sitio do Campo em Cordel”, “Os Portais de Mim”, e colaborou ativamente no projeto educacional da Escola Carlos Roberto Dias que gerou o livreto “OS POETAS DA EJA”. CCF ACESSE:  WWW.OPINIAOCCF.COM.BR  e PORTALPOETICOCCF.BLOGSPOT.COM

Retirantes

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    Quando lhes tirarama lavoura, e o sistema se voltou para os pastos, eles partiram deixando para traz, naquelas terras tão somente os rastros. que apontavam para as cidades grandes, gado humano em procissão, brancos escravos e negros servis tangidos para longe do seu chão.
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    E se ajuriti abandonou o campo, com medo do gavião, quem ficou o fez por não ver, vida longe da plantação. Nas cidades cresceram as favelas, e os bois engordaram nas invernadas, as riquezas do País foram ficando, nas mãos de poucos... Concentradas.
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    Depois vieram asindústrias, como vaga-lumes iluminando o apogeu, mas o País continuou injusto, com a sorte dos filhos seu. que em desatino elegem a esperança, como forma de punir maus governantes, afinal ela trazia na sua pele, as chagas dos retirantes.
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    E o destinoque teceu a trama, daquele que assumiu o seu papel, se pos como um enorme vazio, tal como uma nuvem no céu. E esperando pelo incerto num tempo que está a passar, quando a Asa-Pau se faz ouvir, esse povo se põe a rezar.
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    E olha quenem seria preciso essas preces levadas a Deus, se no planalto se ouvisse a voz rouca dos votantes ateus. gente de todos os matizes que não encontram a saída, que os faça retornar pela estrada que lhes pareceu ser um caminho de vida.
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    E se ogado agora geme no curral alguém está sofrendo no cativeiro, o mau feitor no conforto da sua cela com segurança aplica nosso dinheiro. O que pode esperar esse povo? Feito galinha solta no terreiro, cada um com um galo de plantão a lhe fustigar o traseiro.
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    Como bicho soltona seca busca salvar-se procurando emprego, vive com um pé no ócio e o outro no desapego. Andam cobras pelas esquinas a encantar passarinhos suas bocas quando agarram não soltam e os meninos deixam de ser anjinhos.
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    Ninguém mais éo mesmo e hoje já não é como antes, somos todos nesse caminho do medo apenas e tão somente...Retirantes! Em busca do melhor da vida quando essa é feita de instantes, falta-nos aquele rancor cívico que sufoca os governantes.
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    Esses deitados estão,à sombra dos Jequitibás. E pouco sobra dessa espécie Nos campos de que estou falando. Ainda tem gente minha por lá, E para lá estou querendo voltar Já não me vejo mais aqui Pois lá sempre foi o meu lugar.
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    Será um reencontrocom tudo Que passou a florescer, Tão somente nos sonhos De quem cresceu sem esquecer, Quem eu sou, De onde vim, Para onde vou, Esperar o fim.
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    As margens dogrande rio que sempre correu em mim, A sombra das mangueiras que adocicaram o meu jardim. Tem gente minha por cá também querendo voltar. tem gente minha morrendo sem esse sonho realizar.
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    Preciso me apressarPara que eu não morra também assim, Preciso voltar para a minha terra O melhor lugar de mim. Retirantes é dedicada a Antonio Corrêa Branco – Meu avô Patativa do Assaré (autor) e Luiz Gonzaga (intérprete) dessa maravilhosa página da Música Popular Brasileira, que sempre esteve presente na minha vida.
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    CELSO CORRÊA DEFREITAS Poeta e Articulista, nascido em Itaperuna-RJ, aos 26 de Agosto de 1954. Presidente (O sexto) da Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande-SP até 2010. Membro dessa Associação desde 26/08/2004 (...Entrei no dia do meu aniversário, foi um presente que me dei...). Reside em Praia Grande, onde ampliou sua família desde Fevereiro de 1996. Colaborador ativo nos jornais e demais meios de comunicação (Blogs e Sites), através dos seus artigos e inserções. Sua classificação honrosa no primeiro concurso de Poesias Fernando Pessoa lhe permitiu participar da Antologia “Poesia e Liberdade” que lhe abriu as portas para sua segunda antologia “Poesia e Amor” e sedimentou a sua posição no cenário poético Nacional com o livro “Poeta-Profissão Homem!”, “Destino em Transição(Livro solo)”, e a antologia “São Paulo-450 anos em Prosa e Verso”. É autor também dos livretos “Sitio do Campo em Cordel”, “Os Portais de Mim”, e colaborou ativamente no projeto educacional da Escola Carlos Roberto Dias que gerou o livreto “OS POETAS DA EJA”. CCF ACESSE: WWW.OPINIAOCCF.COM.BR e PORTALPOETICOCCF.BLOGSPOT.COM