Produção de Plantas Aromáticas - do Viveiro à Infusão!
1º Ciclo de Engenharia Agronómica
Estágio Intercalar em Empresa
Cantinho das Aromáticas, junho de 2016
Fábio Ribeiro, 59824
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Vila Real, 2017
ii
Classificação Final do Relatório: ______________________
Elementos do Júri de Avaliação:
O Presidente do Júri, O Vogal da Comissão de Curso, O Coordenador,
__________________ ______________________ _______________________
Prof.ª Anabela Silva Prof.º José Moutinho Pereira Prof.ª Guilhermina Marques
iii
O Aluno, O Orientador, O Coordenador,
__________________ __________________ __________________
Fábio Ribeiro Eng.º Luís Alves Prof.ª Guilhermina Marques
iv
Aos meus pais, família e amigos.
A toda a equipa do Cantinho das Aromáticas,
em especial ao Ivo Pinto e aos “tios”.
v
Índice
Índice de Figuras...........................................................................................................................vi
Índice de Quadros..........................................................................................................................vi
Resumo...........................................................................................................................................1
1. Introdução............................................................................................................................... 2
2. Revisão Bibliográfica ............................................................................................................. 3
2.1. As Plantas Aromáticas em Portugal e no Mundo.............................................................3
2.1.1.Plantas Aromáticas Mais Produzidas.......................................................................4
2.1.2.Perspetiva Económica..............................................................................................6
2.2. Benefícios das Plantas Aromáticas para a Saúde Humana..............................................7
2.3. Uilizações das Plantas Aromáticas...................................................................................9
2.4. Plantas Aromáticas em Modo de Produção Biológico...................................................12
3. A Empresa, Cantinho das Aromáticas.................................................................................. 13
4. Material e Métodos............................................................................................................... 14
4.1. Plantação....................................................................................................................... 14
4.2. Retanchas...................................................................................................................... 14
4.3. Processos de Rega e Fertirrega ..................................................................................... 14
4.4. Colheita de Diversas Espécies Vegetais ....................................................................... 15
4.5. Acompanhamento do Processo de Secagem................................................................. 17
4.6. Processamento de Ervas................................................................................................ 17
4.7. Outros Trabalhos de Manutenção................................................................................. 18
4.8. Propagação Vegetativa ................................................................................................. 19
4.9. Repicagem .................................................................................................................... 21
4.10. Envasamento ................................................................................................................ 21
5. Conclusão ............................................................................................................................. 23
6. Referências Bibliográficas.................................................................................................... 25
Anexos......................................................................................................................................... 26
vi
Índice de Figuras
Figura 1 - Exemplo de produtos premiados pelo “Great Taste Awards” ....................................................13
Figura 2 – Sistema de rega instalado no solo...............................................................................................14
Figura 3 – Estação meteorológica instalada na propriedade e sistema informático Wisecrop....................15
Figura 4 – Atividade da colheita das Perpétuas por voluntários..................................................................15
Figura 5 – Local escolhido para dispor as plantas de Funcho colhidas em tabuleiros................................16
Figura 6 – Colheita automática do Limonete, utilizando a Ochiai V8-World.............................................16
Figura 7 – Separadora..................................................................................................................................18
Figura 8 – Peneira........................................................................................................................................18
Figura 9 – Cobertura do solo com tela.........................................................................................................19
Figura 10 – Progresso da propagação vegetativa da planta de Limonete. Da esquerda para a direita existe
duas semanas de diferença de desenvolvimento das plantas.........................................................20
Figura 11 – Processo de sementeira automático..........................................................................................21
Figura 12 – Plantas envasadas e prontas para venda...................................................................................22
Índice de Quadros
Quadro 1 - Produtores e áreas de PAM.........................................................................................................3
Quadro 2 - Área das principais espécies para comercialização em verde.....................................................4
Quadro 3 - Área das principais espécies para comercialização em seco.......................................................5
Quadro 4 - Investimento de jovens agricultores de PAM em milhares de Euros..........................................6
Quadro 5 - Teor total de compostos fenólicos em ervas de culinária............................................................8
Quadro 6 - Composição em macronutrientes de quatro plantas aromáticas para utilização em fresco.........9
Quadro 7 - Usos culinários e propriedades medicinais de algumas plantas aromáticas GRAS..................10
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Produção de plantas aromáticas - do viveiro à infusão!
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Resumo
A cultura de plantas aromáticas, condimentares e medicinais tem vindo a crescer
em Portugal e para isso contribui o maior consumo destes produtos em detrimento de
outros mais prejudiciais para a saúde, como o sal. Uma das empresas que se tem destacado
neste ramo, não só pelos prêmios que tem ganho a nível nacional e internacional, mas
também pela grande aceitação do público, é o Cantinho das Aromáticas. Esta é uma
exploração sediada em Vila Nova de Gaia e liderada pelo Eng.º Agrónomo Luís Alves,
que se dedica não apenas à produção e processamento de plantas aromáticas para venda
como infusões ou como suplemento de outros variadíssimos produtos, como sabões ou
mel, como também trabalha em formato de viveiro, ou seja, propaga essas mesmas plantas
em grande escala para venda ao consumidor ou a outros agricultores. Assim, os processos
acompanhados no Cantinho das Aromáticas foram a plantação, as retanchas, a rega e
fertirrega, a colheita, a secagem e processamento, entre outros trabalhos de manutenção,
isto no que diz respeito à produção e processamento de plantas para infusão, mas também
foi seguido o trabalho realizado em viveiro, onde se efetua a propagação, seja por
sementeira ou por estacaria, repicagem e por fim envasamento.
Palavras-chave:
Plantas aromáticas, Produção, Processamento, Propagação.
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1. Introdução
Após a realização do estágio intercalar em empresa, no Cantinho das Aromáticas,
este relatório pretende dar a conhecer um pouco mais as plantas aromáticas e a sua
expressão em Portugal e no Mundo, no que diz respeito a áreas totais de plantação e do
impacto económico que estas têm no mercado. Seguidamente é feita uma breve exposição
das vantagens das plantas aromáticas no seu geral para o consumo humano em detrimento
de outros produtos com efeitos mais prejudicais, e ainda as várias utilizações, para além
do consumo direto por infusão, que podemos dar às plantas aromáticas ou inclusive que
já podemos encontrar no mercado associadas a outros produtos. Neste trabalho será
também feita uma breve exposição da produção de plantas aromáticas em modo de
Produção Biológico.
Na parte seguinte é descrita todas as etapas que foram executadas na empresa assim
como uma abordagem mais científica aos processos aí efetuados. De uma forma muito
breve, o Cantinho das Aromáticas é uma empresa agrícola que se dedica a produção e
transformação de plantas aromáticas, condimentares e medicinais para à venda como
infusões, e ainda trabalha como viveiro, ou seja na propagação em grande escala de
plantas para venda ao consumidor ou a outros agricultores que querem abrir a sua própria
exploração agrícola. Desta forma, os procedimentos que se realizam no Cantinho das
Aromáticas, no que diz respeito à produção de plantas para infusão, são segundo esta
ordem, a plantação, retanchas, rega e fertirega, colheita, secagem e processamento, entre
outros trabalhos de manutenção do terreno. No que diz respeito ao trabalho de viveiro são
efetuadas as seguintes etapas: propagação, seja por sementeira ou por estacaria,
repicagem e por fim envasamento.
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2. Revisão Bibliográfica
2.1. As Plantas Aromáticas em Portugal e no Mundo
Nos últimos anos assistiu-se ao aparecimento de novas explorações dedicadas à
produção de plantas aromáticas, medicinais e condimentares, PAM, em Portugal. Os
resultados obtidos mostram um setor que duplicou o número de produtores, aumentou
substancialmente as áreas em produção e embora com um peso relativamente diminuto
comparado com outros setores agrícolas, apresenta uma dinâmica de crescimento notável,
atraindo para esta atividade novos produtores. Estes produtores de PAM são uma exceção
no panorama do nosso mundo rural. O perfil dominante do produtor de PAM é
essencialmente jovem, 43% tem menos de 40 anos e 79% tem menos de 50 anos. É,
igualmente, uma população com elevado nível de escolaridade, dado que 76% do total
tem formação superior, mas em que a maior parte, 60% é não agrícola (GPP, 2012).
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, no Recenseamento Agrícola de 2009,
foram enumerados 93 produtores com uma área total de 80,32 hectares, distribuídos de
forma heterogénea pelas 5 regiões agrárias de Portugal Continental, como se pode
confirmar pelo quadro 1. A área média por produtor era inferior a 1 hectare. O
Recenseamento aborda apenas os produtores agrícolas que possuam uma exploração
agrícola que respeite os limiares mínimos de dimensão física ou de atividades que se
encontram estipulados.
Quadro 1 - Produtores e áreas de PAM (INE, 2009)
Nº Produtores Área Total (ha) ha/produtor
Norte 17 10,44 0,6
Centro 10 10,35 1,0
Lisboa e Vale do Tejo 38 40,28 1,0
Alentejo 9 15,66 1,7
Algarve 19 03,59 0,2
Total 93 80,32 0,9
Segundo dados obtidos pelo Gabinete de Planeamento, Politicas e Administração
Geral (2012) a soma das áreas para venda em verde e a das áreas para secar, representam
menos de metade (42%) do total das áreas declaradas em produção. Ou seja, muitas das
áreas declaradas ainda não entraram em produção. Esta situação é coerente com a
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“juventude” de muitas das explorações, visto que 80% entraram no setor após 2007 e um
terço iniciou a atividade apenas em 2012.
2.1.1. Plantas Aromáticas Mais Produzidas
Segundo dados obtidos pelo inquérito realizado pelo GPP (2012) havia 27,96
hectares de produção de plantas para a comercialização em verde (Quadro 2). Os Coentros
são a espécie dominante das 21 listadas, e de longe a mais importante em termos de área,
seguida do Aipo e Salsa.
Quadro 2 - Área das principais espécies para comercialização em verde (GPP, 2012).
Espécies Área (ha)
Coriandrum sativum (Coentro) 17,14
Apium graveolens (Aipo) 01,28
Petrosolium sativum (Salsa) 01,03
Ocimum basilicum (Manjericão, basílico) 00,82
Mentha spicata (Hortelã-comum) 00,58
Allium schoenoprasum (Cebolinho) 00,50
Mentha spp. (Hortelãs) 00,43
Anthriscus cerefolium (Cerefólio) 00,41
Lavandula luisieri (Rosmaninho) 00,40
Foeniculum vulgare var. vulgare (Funcho-amargo) 00,34
Allium fistulosum (Cebolinha) 00,25
Thymus vulgaris (Tomilho, tomilho-vulgar) 00,25
Salvia officinalis (Salva) 00,21
Mentha pulegium (Poejo) 00,12
Beta vulgaris (Acelga) 00,10
Melissa officinalis (Erva-cidreira) 00,10
Artemisia dracunculus (Estragão) 00,07
Thymus x citriodorus (Tomilho-limão) 00,07
Rosmarinus officinalis (Alecrim) 00,06
Satureja hortensis (Segurelha) 00,05
Levisticum officinale (Levístico) 00,05
Subtotal 24,26
Outras 03,71
Total 27,96
Relativamente às principais espécies para comercialização em seco (Quadro 3),
estas perfazem um total de 44,52 ha, valor importante para um setor jovem. Algumas
estão duplamente representadas, como a Lúcia-Lima, cujo total é de 11,93 ha, e as várias
espécies de Tomilho, com 8,12 ha no total, sendo estas as mais representativas.
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Quadro 3 - Área das principais espécies para comercialização em seco (GPP, 2012).
Espécies Área (ha)
Aloysia triphylla (Lúcia-lima) 08,49
Mentha x piperita (Hortelã-pimenta) 04,95
Thymus x citriodorus (Tomilho-limão) 03,95
Melissa officinalis (Erva-cidreira) 03,45
Aloysia citriodora Palau (Lúcia-lima) 03,44
Thymus vulgaris (Tomilho, tomilho-vulgar) 02,88
Satureja montana (Segurelha-de-inverno) 02,04
Salvia officinalis (Salva) 01,65
Origanum majorana (Manjerona) 01,36
Artemisia dracunculus (Estragão) 01,30
Thymus mastichina (Tomilho bela-luz) 00,96
Satureja hortensis (Segurelha) 00,86
Origanum vulgare (Orégão, manjerona-selvagem) 00,75
Gomphrena globosa (Perpétua-roxa) 00,63
Cymbopogon citratus (Erva-príncipe) 00,44
Rosmarinus officinalis (Alecrim) 00,39
Mentha spicata (Hortelã-comum) 00,34
Melissa officinalis (Melissa, Erva-cidreira) 00,30
Plectranthus amboinicus (Orégão-francês, Tomilho-espanhol) 00,30
Echinacea purpurea (Equináceas) 00,28
Agastache spp. (Agastache) 00,25
Origanum spp (Orégãos) 00,25
Cynara scolymus (Alcachofra) 00,20
Saponaria officinalis (Saponária) 00,20
Allium schoenoprasum (Cebolinho) 00,17
Agrimonia eupatoria (Agrimónia) 00,15
Echinacea angustifolia (Equináceas) 00,15
Hypericum perforatum (Hipericão) 00,15
Lavandula angustifolia (Alfazema) 00,14
Hypericum androsaemum (Hipericão-do-Gerês) 00,11
Hyssopus officinalis (Hissopo) 00,11
Mentha spp. (Hortelãs) 00,10
Subtotal 40,71
Outros 03,82
Total 44,52
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2.1.2. Perspetiva Económica
De acordo com o ProDer, citado pelo GPP (2012), até ao primeiro trimestre de 2013
tinham sido aprovados níveis de investimento aos jovens agricultores produtores de PAM
no montante global de cerca de 16,5 milhões de Euros (quadro 4).
Quadro 4 - Investimento de jovens agricultores de PAM em milhares de euros (GPP, 2012).
Norte Centro Lisboa VT Alentejo Algarve Total
2009 95 254 23 34 0 406
2010 2694 106 167 483 0 3451
2011 442 561 247 127 2 1379
2012 3479 505 1782 2173 392 8332
2013 1372 1012 0 393 103 2879
Total 8082 2438 2219 3211 497 16447
Com base no mesmo estudo realizado pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e
Administração Geral (2012), o valor da produção padrão, VPP, que corresponde ao valor
médio do quinquénio obtido durante o período de referência, para a totalidade das PAM
é de 4 666 mil euros. A área declarada para produção de PAM, é de 179,9 ha, que se
espera vir a entrar em produção, o VPP total é de 12 370 mil euros. Constata-se, pois,
uma variação de 165%, ou seja, o valor real de produção do setor está muito aquém do
seu potencial.
Quanto aos destinatários das vendas, verifica-se que o canal de escoamento mais
importante é a venda direta ao consumidor (47%). A seguir vem a exportação para 39%
do total dos produtores. Segue-se o pequeno comércio, importante para um terço dos
produtores. Os intermediários compram a 29% dos produtores, já as grandes superfícies
têm relativamente pouco peso.
Os preços praticados podem apresentar grandes amplitudes, de acordo com a forma
de venda, a granel ou embalado, planta inteira ou apenas a folha, a um intermediário ou
diretamente ao consumidor, para o mercado interno ou para o externo. Algumas formas
de escoamento como o embalamento e venda na exploração podem criar um valor
acrescentado importante para a empresa, mas para tal é necessário ter cliente. O setor
também dá resposta à procura de PAM para ornamentação, ou para a culinária caseira,
normalmente sob a forma de vasos.
Ainda com base no GPP (2012), que teve também como base diferentes estudos, o
mercado mundial de PAM vale cerca de 83 mil milhões de dólares, e apresenta um
crescimento constante, que pode variar entre 3% e 12% ao ano, dependendo do mercado.
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Não sendo fácil separar os diferentes mercados, este mesmo estudo apresenta
alguns valores para os diversos segmentos: para os suplementos alimentares para dieta,
11 000 milhões de dólares, e para os alimentos funcionais à base de plantas, 14 000
milhões de dólares; para o mercado mundial da indústria farmacêutica, calculou 44 000
milhões de dólares, com a indústria da cosmética a absorver os restantes 14 000 milhões
de dólares.
2.2. Benefícios das Plantas Aromáticas para a Saúde Humana
As plantas aromáticas estão a tornar-se uma opção bem-sucedida dentro do mercado
dos vegetais em fresco, principalmente devido ao seu sabor intenso e conveniência. O uso
destas na nutrição humana tem sido descrito durante séculos. Tradicionalmente, as ervas
podem ser usadas frescas, secas, inteiras, picadas ou moídas e são usadas para dar sabor
a alimentos e bebidas, reduzindo a necessidade de sal e condimentos gordurosos (Santos
et al., 2014).
Contudo Opara e Chohan (2014) afirmam algo diferente. Referem que a
contribuição nutricional destas plantas no passado foi considerada insignificante
provavelmente por causa das quantidades relativamente pequenas, apesar do crescente
consumo das mesmas. No entanto, a literatura indica que, na última década, essa visão
está a começar a mudar.
Santos et al. (2014) afirmam que a inclusão de plantas aromáticas frescas como
ingredientes de saladas aparenta ser uma boa escolha, tendo em conta o aumento do valor
nutricional e a diversidade de sabores. Esta é uma estratégia que pode evitar o uso de
molhos na salada, que normalmente contêm elevado teor de sódio, açúcar e gordura para
melhorar o sabor da refeição. Expõem ainda que algumas plantas aromáticas são
consideradas como "plantas medicinais", que fornecem ao organismo compostos
antioxidantes, melhoram a digestão e têm também algumas atividades antibacterianas,
anti-inflamatórias, antivirais e anticancerígenas. Opara e Chohan (2014) voltam a não
apoiar por completo a ideia dos autores anteriores, ao afirmarem que ainda não é claro o
verdadeiro significado destes benefícios, mas afirmam que estes têm uma possível ação
na conferência de proteção contra doenças cardiovasculares, neuro degenerativas, cancro
e diabetes tipo II.
Segundo Opara e Chohan (2014), são encontrados polifenois em vários alimentos
derivados de plantas, incluindo ervas e especiarias, especialmente nas formas secas, que
geralmente contêm níveis relativamente elevados de polifenois (Quadro 5) em
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comparação com outros alimentos ricos em polifenois. Os compostos bioativos mais
presentes nas plantas aromáticas, segundo Santos et al. (2014), com propriedades
funcionais, são os ácidos fenólicos, flavonoides, esteróis e cumarinas.
A capacidade antioxidante dos vegetais é geralmente associada a um alto conteúdo
fenólico, e também de vitamina C, vitamina E e carotenoides. O elevado teor de
compostos fenólicos em ervas aromáticas e as pequenas diferenças na capacidade
antioxidante ao longo do armazenamento indicam que algumas gramas destas ervas numa
refeição representam uma forma de aumentar a capacidade antioxidante da dieta diária,
com possíveis benefícios para a saúde (Santos et al., 2014).
Quadro 5 - Teor total de compostos fenólicos em ervas de culinária (Adaptado de Opara e Chohan, 2014).
Teor Total de Compostos Fenólicos
(mg/100 g Peso Fresco)
Coriandrum sativum (Coentro)
Seco 2260,00
Fresco 158,90
Anethum graveolens (Aneto)
Seco 1250,00
Fresco 208,18
Origanum vulgare (Orégãos)
Seco 6367,00
Fresco 935,34
Petrosolium crispum (Salsa)
Seco 1584,00
Fresco 89,27
Rosmarinus officinalis (Alecrim)
Seco 2518,00
Fresco 1082,43
Salvia officinalis (Salva)
Seco 1919,00
Fresco 185,20
Thymus vulgaris (Tomilho)
Seco 1815,00
Fresco 1173,28
No Quadro 6 apresenta-se a composição global de macronutrientes presentes nas
folhas das plantas aromáticas segundo o estudo realizado por Santos et al. (2014). Em
geral, os macronutrientes presentes permanecem estáveis durante o período de
armazenamento (aproximadamente 10 dias sob condições refrigeradas).
Tendo em conta que um alto teor de fibras, como apresentam as plantas aromáticas
presentes no Quadro 6, nas dietas, tem sido correlacionado com a diminuição dos níveis
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de colesterol e o risco de doenças coronárias, reduzindo a diabetes tipo II e melhorando a
manutenção do peso. Esta parece ser uma das vantagens nutricionais de incluir plantas
aromáticas nas refeições.
Quadro 6 - Composição em macronutrientes de quatro plantas aromáticas para utilização em fresco
(Santos et al., 2014).
Macronutrientes
Cebolinho Coentro Hortelã Salsa
(g/100 g Peso Fresco)
Água 92,7 ± 0,1 90,9 ± 0,2 86,2 ± 0,5 85,2 ± 0,8
Proteínas 2,6 ± 0,1 3,8 ± 0,1 4,4 ± 0,2 4,8 ± 0,4
Gorduras 0,4 ± 0,0 0,3 ± 0,0 0,2 ± 0,0 0,3 ± 0,0
Fibra 2,2 ± 0,1 2,4 ± 0,1 4,1 ± 0,2 5,0 ± 0,8
Cinza 0,8 ± 0,0 1,2 ± 0,0 1,8 ± 0,1 1,1 ± 0,1
Hidratos de Carbono 1,3 ± 0,1 1,4 ± 0,2 3,3 ± 0,5 3,6 ± 1,0
Quanto à composição mineral, as plantas aromáticas podem ser uma boa fonte de
potássio, fósforo e cálcio. A Salsa apresentou um teor de sódio 6 vezes maior que as
outras amostras, enquanto a Hortelã tinha mais ferro e manganês. No entanto, o conteúdo
mineral pode ser afetado por diversos fatores, como a genética, o solo, as condições
climáticas e ainda as práticas agrícolas. Em relação ao conteúdo vitamínico, as plantas
aromáticas apresentaram maiores níveis de vitamina C, vitamina A e pró-vitamina A do
que as outras vitaminas solúveis em água (Santos et al., 2014).
2.3. Utilizações das Plantas Aromáticas
As plantas aromáticas, medicinais e condimentares, são um universo complexo e
vasto, abrangendo uma quantidade de espécies quase ilimitadas, com múltiplas
utilizações. São utilizadas principalmente pela indústria farmacêutica, química, cosmética
ou alimentar, podendo ser utilizadas diretamente ou transformadas, das formas mais
simples às mais elaboradas, como a da extração de substâncias ativas ou óleos essenciais
(GPP, 2012). O que é corroborado por Costa et al. (2015), que afirmam que as plantas
aromáticas são amplamente utilizadas pelas indústrias alimentares, mas as suas
propriedades também justificam a sua aplicação por outras indústrias como cosméticos,
perfumaria e farmacêutica.
A United States Food and Drug Administration (FDA) reconhece mais de 150
plantas que apresentam óleos essenciais, oleorresinas (sem solventes) e extratos naturais
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(incluindo destilados) seguros para o consumo humano sem limitações na sua ingestão.
No Quadro 7 são compilados os usos culinários e as propriedades medicinais de algumas
plantas aromáticas que tem a condição de serem reconhecidas com seguras (GRAS -
“generally recognized as safe”) (Costa et al., 2015).
Quadro 7 - Usos culinários e propriedades medicinais de algumas plantas aromáticas GRAS.
(Costa et al., 2015).
Uso Culinário Propriedades Medicinais
Manjericão
(Ocimum basilicum)
Cozinha mediterrânea como fresco
ou seco em produtos de tomate,
legumes, saladas, molhos, pizzas,
carne, sopas e alimentos marinhos.
Tratamento de dores de cabeça,
tosse, verrugas, constipação,
bronquite, laringite, distúrbios
gastrointestinais e renais.
Louro
(Laurus nobilis)
Folhas secas e óleos essenciais são
usados para temperar produtos de
carne, sopas e peixes.
As folhas são usadas para o
tratamento de níveis elevados de
açúcar no sangue, enxaqueca, dores
de cabeça, infeções bacterianas e
úlceras gástricas. Possui
propriedades anti-inflamatórias e
antioxidantes. O óleo essencial
também é usado para o reumatismo e
dermatite.
Coentro
(Coriandrum sativum)
As folhas jovens são usados para
fazer molhos. As folhas são
consumidas em fresco, em saladas e
como guarnições, devido à sua cor
verde atraente e aroma. A indústria
alimentar produz pó de caril e utiliza-
o para aromatizar sopas e aromatizar
licores e chocolates.
Utilizado para tratar anorexia,
vômitos, indigestão, flatulência e
diarreia.
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Quadro 7 (continuação)
Uso Culinário Propriedades Medicinais
Lavanda
(Lavandula officinalis)
Uma fonte de óleo essencial para a
indústria de perfumaria e como um
condimento, por exemplo, de
bebidas não alcoólicas, gelados,
doces e chicletes.
Utilizado para tratar indigestão,
flatulência ou como calmante leve.
Também é utilizado como
diurético e espasmolítico.
Manjerona
(Origanum majorana)
Usado principalmente como uma
especiaria em salsichas, mas
também em produtos assados,
legumes, ovos, guisados,
condimentos, sopas, lanches e
molhos.
Utilizado para tratar distúrbios
gastrointestinais, cãibras,
depressão, tontura, dores de cabeça
nervosas, enxaqueca, tosse e como
diurético.
Orégãos
(Origanum vulgare)
Usado como condimento para
pizza, outros alimentos feitos com
tomate e em alguns tipos de queijo.
Usado como diaforético,
carminativo, antiespasmódico,
antisséptico e tônico.
Salsa
(Petroselinum crispum)
As folhas frescas, secas e
desidratadas são utilizadas como
condimento, enfeite e ingrediente
aromatizante.
Como infusão é usada como
abortivo, anti anémico e
antidiabético.
Alecrim
(Rosmarinus officinalis)
Usado para aromatizar pratos de
carne em especial aves, assim
como batatas.
A infusão utilizada oralmente
auxilia como digestivo, diurético,
para dores de cabeça, circulação
sanguínea, anti-hipertensivo,
sedativo, protetor hepático,
externamente a infusão pode ser
utilizada como descongestionante
nasal, antisséptico vaginal,
antisséptico e anti-infecioso.
Salva
(Salvia officinalis)
Utilizado para preservar alimentos,
especialmente carnes, sopas,
salsichas e queijos, e como um
tempero para aromatizar.
Usado para cicatrizar feridas, e
aliviar o estômago, fígado e dores
reumáticas. Também é usado para
aliviar a inflamação oral.
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Quadro 7 (continuação)
Uso Culinário Propriedades Medicinais
Hortelã
(Mentha spicata)
Usado para dar sabor a sopas,
molhos, saladas e chicletes.
Dispneia, flatulência, indigestão,
sedativo, tônico do estômago e
repelente de insetos.
Estragão
(Artemisia dracunculus)
Utilizado em saladas, marinadas,
molhos, vinagres e mostardas.
Utilizado para o tratamento de
dores de cabeça, tonturas e
epilepsia.
Tomilho
(Thymus vulgaris)
Usado para temperar peixes, aves,
sopas e legumes e em infusões. É o
principal ingrediente para
guarnecer sopas e ensopados.
Propriedades antissépticas,
antimicrobianas e antioxidantes,
utilizado para lavagens orais.
2.4. Plantas Aromáticas em Modo de Produção Biológico
Segundo Azevedo (2011), a agricultura biológica é um sistema de produção que se
baseia numa série de princípios e objetivos que visam minimizar o impacto do Homem
na natureza e assegurar que o sistema agrícola funcione da forma mais natural possível.
Alguns dos princípios deste modo de produção são a interdição de fertilizantes e
pesticidas químicos de síntese, e como tal aproveitar recursos naturais como fertilizante,
como por exemplo a utilização de estrume dos animais e ainda o uso de técnicas
adequadas para o controlo biológico de pragas e doenças.
Este autor afirma ainda que os produtos provenientes de agricultura biológica são
caracterizados por possuírem maior qualidade nutricional e segurança para o consumidor.
É de salientar que apesar de não haver provas que indiquem que os produtos da agricultura
biológica têm maior valor nutricional ou melhores propriedades organoléticas, é
indiscutível que possuem menor teor de resíduos tóxicos. A agricultura biológica é uma
prática que respeita os ecossistemas. Estas características tornam este modo de produção,
uma mais-valia na proteção ambiental e saúde animal.
Lic. Eng. Agronómica
Produção de plantas aromáticas - do viveiro à infusão!
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3. A Empresa, Cantinho das Aromáticas
O Cantinho das Aromáticas é uma empresa liderada pelo Engenheiro Luís Alves,
com cerca de dois hectares e meio de área, situada no litoral norte de Portugal, mais
precisamente no concelho de Vila Nova de Gaia, onde são produzidos, em modo de
produção biológico, perto de 30 espécies diferentes de plantas aromáticas, medicinais e
condimentares, numa ocupação do terreno que atinge as 9 plantas por metro quadrado.
Tem uma produção aproximada de 6 a 7 toneladas de plantas o que equivale a uma
faturação média de 300.000 euros por ano.
Os seus produtos são de elevada qualidade, como pode ser comprovado, por
exemplo, pelos vários prémios que estes já receberam no “Great Taste Awards” (figura
1) e no “Concurso Nacional de Sal, Ervas Aromáticas e Condimentos”. Isto deve-se a um
conjunto de estratégias pensadas com cuidado para conferir essa tal qualidade. Desde logo
o local onde foi instalada a propriedade, bastante próxima do mar e que, portanto, ainda
é atingida pelos ventos vindos do norte que causam algum stress as plantas, obrigando
assim estas a produzir óleos essenciais. Outra estratégia é o bom sistema de drenagem
instalado na cultura, neste caso em camalhões, o que evita o excesso de água nas plantas,
e por último, uma estratégia que por si só é arriscada, pois origina uma menor quantidade
de matéria, mas induz uma maior produção de óleos essências por parte das plantas, e que
assim originam um produto de maior qualidade, que é cortar a rega antes da colheita,
causando algum stress hídrico nas culturas, e consequente produção de óleos essenciais.
Além da produção de infusões o Cantinho das Aromáticas trabalha também como
viveiro, aliás foi o primeiro formato que a empresa teve, ou seja, na propagação de plantas
para vender ao público em geral ou, em grande escala, a agricultores que querem iniciar
o seu percurso na agricultura.
Figura 1 - Exemplo de produtos premiados pelo “Great Taste Awards”
(Fonte - http://www.vidarural.pt)
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4. Material e Métodos
4.1. Plantação
A plantação é a etapa básica de uma exploração agrícola, onde as plantas já com
um tamanho considerável são transplantadas do tabuleiro onde foram previamente
semeadas para o solo onde vão poder crescer e desenvolver-se mais facilmente. As
plantações ocorrem desde abril até junho e por este motivo não foram acompanhadas
durante o estágio, contudo todo o conhecimento teórico necessário para a elaboração do
relatório foi transmitido.
As plantas são colocadas no solo, anteriormente preparado e coberto com uma tela
com uns orifícios, onde são colocadas as plantas com um tamanho razoável, para evitar
que a planta não tenha carência de energia e passe por uma fase de crise de transplantação.
Dependendo do tipo de planta, a plantação poderá mesmo só acontecer quando as
plantas mais antigas já estiverem em decréscimo de produção, visto que algumas são
perenes, como é o caso do Limonete, contudo algumas são anuais e como tal a plantação
destas terá que ser feita todos os anos, como por exemplo as Perpétuas-Roxas.
4.2. Retanchas
Depois da plantação, as plantas vão atravessar um período de adaptação ao solo, ao
qual muitas plantas poderão não resistir, devido à competição com outras plantas, falta
ou excesso de água, elevadas temperaturas, entre outras razões. Sendo assim, é necessário
a sua substituição por outras plantas sãs. A par desta substituição das plantas que se
encontram mortas, também são removidas do solo as plantas infestantes que competem
pelos nutrientes, água e luz com as plantas do nosso interesse, e como tal devem ser
retiradas do solo.
4.3. Processos de Rega e Fertirega
Relativamente ao processo de rega este é feito
por um sistema de tubos de plástico com pequenos
orifícios, devidamente preparados antes da colocação
das plantas no solo assim como da colocação da tela
(figura 2), e ainda por aspersores canhão móveis
colocados no local e no momento onde é necessário a
rega. O sistema de fertirega utiliza o sistema de
rega. A diferença é que no momento da rega é
Figura 2 – Sistema de rega instalado no solo
(Fotografia do autor)
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ligado ao sistema de rega depósitos onde se encontram os fertilizantes, e que assim se
dispersam na água da rega.
A água utilizada nestes processos é proveniente de dois furos de captação de água
existentes na exploração, e é regularmente analisada.
As necessidades de água por parte das plantas são controladas por uma estação
meteorológica, que através de um sistema informático formatado para o efeito, controla
todas as variáveis climáticas e informa o agricultor qual a quantidade de água que é
necessário fornecer as plantas (Figura 3).
4.4. Colheita de Diversas Espécies Vegetais
A colheita das plantas é realizada por dois processos, à mão ou com recurso a uma
máquina automática adaptada para o efeito. Pelo primeiro modo é feita a colheita de
flores, como é exemplo o das Perpétuas Roxas, que são recolhidas por voluntários que se
reúnem em atividades programadas pelo Cantinho das Aromáticas (Figura 4) ou de
plantas, que pela sua fisiologia, não permitem a utilização da máquina.
Figura 3 – Estação meteorológica instalada na propriedade e sistema informático Wisecrop
(Fonte – Fotografia do autor e https://www.facebook.com/cantinhoaromaticas/photos)
Figura 4 – Atividade da colheita das Perpétuas por voluntários
(Fonte – https://www.facebook.com/cantinhoaromaticas/photos)
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Relativamente a colheita automática, com auxílio da máquina Ochiai V8-World,
proveniente do Japão, onde é utilizada na colheita da planta do chá, é necessário ter alguns
cuidados prévios antes de se iniciar a colheita. Esses cuidados dizem respeito ao modo
como se encontram as plantas, visto que a colheita não deve ser efetuada com as plantas
molhadas, portanto deve-se verificar previamente se as plantas se encontram húmidas.
Também deverá ser feita uma primeira passagem pelos camalhões para verificar a
presença de plantas infestantes, que no caso de não serem retiradas são também elas
colhidas juntamente com as plantas desejadas, pela máquina, pelo que, sempre que sejam
detetadas, deverão ser retiradas do solo. E por último preparar um local próprio para
espalhar as plantas e colocá-las em tabuleiros para serem levadas para o secador. Visto
que este trabalho é feito ainda no campo, este deverá ser à sombra para evitar o
escurecimento das folhas e a fermentação destas pela ação do calor (Figura 5).
Quanto à colheita automática propriamente dita, esta é feita com auxilio de dois
funcionários que suportam a máquina, um de cada lado do camalhão, por onde esta está
a passar (Figura 6). A Ochiai V8-World é composta por duas lâminas que se deslocam
lateralmente, que é o que permite o corte dos ramos das plantas. Por sua vez, uma espécie
de aspirador suga estes ramos para o interior de um saco acoplado ao aparelho.
Figura 5 – Local escolhido para dispor as plantas de Funcho colhidas em tabuleiros
(Fotografia do autor)
Figura 6 – Colheita automática do Limonete, utilizando a Ochiai V8-World
(Fotografia do autor)
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A passagem da máquina de colheita é feita duas vezes por camalhão para um corte
mais perfeito. Em casos onde a Ochiai não consiga abranger toda a largura do camalhão
no final deverá ser feita uma colheita manual, tal como acontece quando não se consegue
cortar muito rente ao solo, como é o caso da colheita do Poejo. Nestes casos, onde tal seja
necessário, deverá proceder-se a uma colheita manual. A altura a que esta deve estar
depende de planta para planta e também ao destino a que esses cortes de planta vão ter,
ou seja, no caso do Limonete, o corte das pontas das plantas destina-se à produção de
infusões para lotes reserva, visto que tem uma maior percentagem de óleos essenciais, o
chamado premium, enquanto as restantes partes da planta se destinam à produção de
saquetas ou embalagens a granel.
4.5. Acompanhamento do Processo de Secagem
Posteriormente a serem colhidas as plantas, como já foi referido anteriormente, são
colocadas em tabuleiros e são levadas para o interior da câmara de secagem, onde vão
permanecer durante aproximadamente três dias, dependendo da planta.
No interior da câmara de secagem a temperatura aumenta gradualmente, para evitar
um choque térmico inicial, até atingir temperaturas entre os 35ºC e os 45ºC variando
também consoante a plantas. As temperaturas a que cada planta deverá estar sujeita foram
determinadas ao longo dos anos pela empresa, que determinou a temperatura mais
adequada para o resultado do produto final que queriam obter. As temperaturas utilizadas
pelo Cantinho das Aromáticas para a secagem poderão não ser as mesmas que uma outra
empresa num outro local distinto do país, visto que as condições climáticas a que as
plantas estão sujeitas são diferentes, e como tal respondem de forma diferente à
temperatura na câmara de secagem. Para além de aquecer o ambiente envolvente às
plantas, a câmara de secagem faz uma renovação do ar tentando mantê-lo o mais
homogéneo possível e ainda retira a humidade excessiva do ar, não a retirando por
completo.
Depois de finalizado o período de secagem, as plantas são retiradas da câmara de
secagem e são colocadas em sacos para serem armazenadas e posteriormente serem
processadas.
4.6. Processamento de Ervas
Consoante as necessidades da empresa, esta vai processando as plantas, quando
estas assim o exigem, para evitar ter muitas embalagens em armazenamento. Ou seja,
este processamento depende da quantidade de embalagens vendidas. Contudo, nem todas
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as plantas necessitam de passar pelo processamento, como é o caso do Limonete para
embalagens a granel.
Esta é uma tarefa realizada por aparelhos concebidos para o efeito, existindo três
máquinas nas instalações da empresa, duas separadoras, uma de grande dimensão e outra
mais pequena, e também uma peneira.
As separadoras (Figura 7) têm como função remover os caules maiores das plantas
e ficar apenas com as folhas que são também elas trituradas e separadas por frações de
tamanho. Em certos casos, também poderá ser necessário uma passagem pela peneira
(Figura 8), para uma melhor separação dos calibres.
4.7. Outros Trabalhos de Manutenção
Um dos trabalhos de manutenção que foi realizado durante o estágio no Cantinho
das Aromáticas, foi a colocação de tela no solo. As razões pelas quais, se utiliza a tela
sobre o solo são essencialmente evitar o nascimento de infestantes e diminuir a perda de
água por evaporação. Como esta não é eterna, necessita de ser substituída com alguma
periocidade, visto que começa a romper-se com o tempo.
Antes da colocação da tela, o solo deve ser previamente preparado em camalhões
com sensivelmente 1 metro de largura, e colocar dois tubos de rega, já enunciados
anteriormente. Após estes trabalhos poderá proceder-se à colocação da tela. Então
primeiramente a tela é estendida sobre os camalhões, sendo que o rolo utilizado tem a
largura suficiente para cobrir aproximadamente 3 camalhões. À medida que se desenrola
o rolo vai-se prendendo com ferros a tela ao solo, nos espaços entre os camalhões,
Figura 7 – Separadora
(Fotografia do autor)
Figura 8 – Peneira
(Fotografia do autor)
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tentando esticar ao máximo a tela para evitar que esta fique dobrada. Quando se inicia
outros três camalhões deverá ter-se o cuidado de sobrepor um pouco de tela para não ficar
solo descoberto. Concluído a cobertura do solo com a tela (Figura 9) é ainda necessário
fazer os orifícios para colocar as plantas, mas estes apenas se fazem na altura da plantação.
4.8. Propagação Vegetativa
Para além da produção e transformação de plantas em grande escala, o Cantinho
das Aromáticas também se dedica à propagação de plantas para venda em viveiro. Esta
propagação vegetativa poderá ser efetuada de duas formas distintas, via estacaria,
denominada propagação assexuada e via sementeira, designada propagação sexuada.
Relativamente à propagação por estacaria, foi realizada esta etapa em plantas de
Limonete, mas o modo como esta se realiza é muito semelhante noutras plantas, como o
Absinto, Salva e Poejo que, por não criarem semente no nosso clima, é necessário recorrer
a esta prática. Inicialmente as plantas são colhidas no próprio dia e colocadas em água
para não ficarem secas. Depois cada funcionário tem um trabalho minucioso. Cada caule
de Limonete poderá dar origem a cerca de cinco estacas, sendo que as partes mais jovens
não devem ser utilizadas como propágulos visto que não vão ter tanta resistência, mas
também não deverá ser utilizada a parte mais lenhificada visto que é mais difícil a
multiplicação das raízes. Primeiro são retiradas todas as folhas do primeiro nó e é feito
um corte na horizontal um pouco antes deste, para assim mais facilmente se criar raiz. A
seguir é realizado um corte na diagonal depois do segundo gomo, evitando assim a
acumulação de água. Neste rebento é aconselhável deixar apenas 2 a 3 folhas, e estas
deverão ser cortadas ao meio, para evitar um grande dispêndio de energia por parte da
planta.
Figura 9 – Cobertura do solo com tela
(Fotografia do autor)
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Depois de finalizado as estacas, estas não devem encontrar-se muito tempo fora da
terra visto que secam facilmente, portanto devem-se colocar as estacas nos tabuleiros,
anteriormente preparados com turfa e perlite, o mais rápido possível. As estacas não
necessitam de ser demasiadamente enterradas e a terra junto à planta deve ser bem
aconchegada. De seguida os tabuleiros são levados para a estufa onde permanecem
algumas semanas até estarem prontas para serem vendidas (Figura 10). As partes mais
jovens, ramos e folhas cortadas que não foram utilizados são levados para a secagem.
Quanto à propagação por sementeira, esta poderá ser feita automaticamente com
uma máquina própria para o efeito (Figura 11), que ao mesmo tempo que faz um buraco
no alvéolo, preenchido com turfa e perlite já previamente humedecidas, coloca as
sementes nesse mesmo alvéolo. Contudo, em certas plantas, como a semente é de
reduzido tamanho a máquina não consegue colocar a semente no alvéolo, como é exemplo
a semente do Tomilho, e nestes casos o processo é feito manualmente. Faz-se um pequeno
orifício, não muito profundo, quanto menor for o tamanho da semente menor deverá ser
o orifício e depois colocar umas 3 a 4 sementes. Depois de preenchidos todos os alvéolos
do tabuleiro, este é peneirado com uma pequena camada de solo (Figura 11) e de seguida
os tabuleiros são levados para a estufa onde permanecem o tempo necessário para
germinarem.
Figura 10 – Progresso da propagação vegetativa da planta de Limonete. Da esquerda
para a direita existe duas semanas de diferença de desenvolvimento das plantas
(Fotografias do autor)
Lic. Eng. Agronómica
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4.9. Repicagem
Depois de algum tempo em crescimentos e desenvolvimento nas estufas, nem todas
as plantas vão apresentar o mesmo aspeto, advindo até que alguns tabuleiros apresentem
uma baixa taxa de sucesso de germinação. Nos casos em que tal acontece procede-se à
repicagem, que consiste em retirar dos tabuleiros com baixa percentagem de sucesso as
plantas que se desenvolveram bem e juntá-las todas num só tabuleiro com plantas sãs.
Portanto, com cuidado retira-se a planta sã juntamente com o alvéolo de turfa e
coloca-se novamente num novo tabuleiro, que vai ser preenchido apenas com as plantas
que conseguiram germinar. Após se ter preenchido todo o tabuleiro este é levado de novo
para a estufa. Os restantes alvéolos que não germinaram é-lhes retirado a turfa, que é de
seguida levada para a compostagem para ser reaproveitada.
Ao proceder-se a esta etapa tenta-se também perceber quais foram as razões da tão
alta taxa de insucesso, para que em futuras propagações evite-se tais erros. Nos tabuleiros
que repicados durante o estágio, a baixa taxa de insucesso deveu-se provavelmente ao
excesso de água que os alvéolos possuíam, devido a regas demasiado constantes, e
também a um substrato demasiado compactado, no momento de preencher os tabuleiros
com turfa, situações que dificultam a respiração radicular por parte das plantas.
4.10. Envasamento
Após as plantas já se encontrarem com um tamanho considerável, o espaço no
alvéolo começa a ser reduzido para as suas raízes crescerem e se desenvolverem, então
chega a altura de transplantar as plântulas para vasos de maiores dimensões onde vão
permanecer até serem vendidas.
Figura 11 – Processo de sementeira automático
(Fotografias do autor)
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Assim, primeiro procede-se ao enchimento dos vasos com solo, que é constituído
por turfa e perlite preparado previamente, após estes estarem preenchidos abre-se um
pequeno orifício no solo, onde é colocada de seguida a plântula que se encontra nos
tabuleiros, preparados nas etapas anteriores. Depois é aconchegado um pouco mais o solo
junto à planta, para não haver bolhas de ar no interior do vaso, que poderão levar ao
crescimento de fungos, e se necessário preenche-se o vaso com um pouco mais de solo.
Para terminar, os vasos são colocados em tabuleiros próprios, que são levados para a
estufa, onde são regados e onde vão permanecer até ao momento de serem vendidos
(Figura 12).
Figura 12 – Plantas envasadas e prontas para venda
(Fonte – https://www.facebook.com/cantinhoaromaticas/photos)
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5. Conclusão
Para concluir o relatório, gostava de realçar o quão importante foi este estágio para
a minha formação, uma vez que não tenho qualquer ligação à agricultura este deu-me uma
perspetiva mais real do que acontece no mundo da agricultura. E ainda me ajudou a
complementar a minha formação académica, onde me foram transmitidos,
principalmente, os conhecimentos teóricos, que apesar de bastante importantes nem
sempre são suficientes para resolver algum problema que surja em contexto da vida real,
como tal esta experiência foi importante para colmatar esta lacuna na minha formação. E
também com esta experiencia fiquei a conhecer e perceber um pouco mais sobre o tema
das plantas aromáticas, um ramo da agricultura, que como foi apresentado anteriormente,
esta em expansão em Portugal.
Foi uma experiência diferente, algo dura, visto que trabalhar debaixo de calor não
é uma tarefa fácil, mas bastante compensatória, porque é isto que um Engenheiro
Agrónomo quer fazer, trabalhar ao ar livre em contacto com as plantas, com a Natureza
Quanto as plantas aromáticas enquanto produto de consumo é de destacar o facto
de aumentarem o valor nutricional e a diversidade de sabores, quando adicionadas em
fresco como ingredientes de saladas, que pode evitar o uso de molhos na salada, que
normalmente contêm elevado teor de sódio, açúcar e gordura. São ainda consideradas
como "plantas medicinais", por estudos recentes apontarem que estas fornecem ao
organismo compostos antioxidantes, melhorarem a digestão e terem também algumas
atividades antibacterianas, anti-inflamatórias, antivirais e anticancerígenas. E pelo facto
de terem um alto teor de fibras, o seu consumo está relacionado com a diminuição dos
níveis de colesterol e o risco de doenças coronárias, reduzindo a diabetes tipo II e
melhorando a manutenção do peso.
Relativamente ao Cantinho das Aromáticas, a empresa produz em modo de
produção biológico, perto de 30 espécies diferentes de ervas aromáticas, medicinais e
condimentares, tendo uma produção aproximada de 6 a 7 toneladas de plantas o que
equivale a uma faturação média de 300 mil euros por ano. Além da produção de infusões,
de elevada qualidade, o Cantinho das Aromáticas trabalha também como viveiro, ou seja,
na propagação de plantas para venda. É ainda de realçar a grande estima que o Cantinho
das Aromáticas tem pelos seus clientes, a quem lhes deve o seu sucesso, ao lhes
proporcionar várias iniciativas de cariz lúdico ou mais sério, que para além de servirem
como forma de retribuição pelo seu reconhecimento enquanto empresa de excelência,
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serve para cativar outras pessoas que ainda não estejam envolvidas pelo mundo das
infusões. Dentro destas iniciativas são de destacar os vários workshops dos mais diversos
temas, as oficinas gratuitas sobre as ervas aromáticas, as visitas pela quinta e ainda as
ações de voluntariado que pretendem dar a conhecer um pouco mais sobre agricultura.
Por fim, no que diz respeito as etapas acompanhadas, inicialmente ocorre a
plantação, onde as plantas já com um tamanho considerável são transplantadas do
tabuleiro onde foram previamente semeadas para o solo onde vão poder crescer e se
desenvolver mais facilmente. Após algum tempo deverá se proceder as retanchas, onde
são substituidas as plantas que se encontram mortas e também à remoção das plantas
infestantes que competem pelos nutrientes, água e luz com as plantas do nosso interesse.
Quanto à colheita das plantas, esta é realizada de dois modos, à mão ou com recurso a
uma máquina automática adaptada para o efeito. Posteriormente a serem colhidas as
plantas são colocadas em tabuleiros, e são levadas para o interior da câmara de secagem,
onde vão permanecer durante aproximadamente três dias, dependendo da planta. No
interior da câmara de secagem a temperatura aumenta gradualmente, para evitar um
choque térmico inicial, até atingir temperaturas entre os 35ºC e os 45ºC. Para além de
aquecer o ambiente envolvente às plantas, a câmara de secagem faz uma renovação do ar
e ainda retira alguma humidade excessiva do ar. Depois as plantas são processadas, tarefa
realizada por aparelhos concebidos para o efeito.
Relativamente ao trabalho de viveiro, a propagação vegetativa poderá ser efetuada
de duas formas distintas, via estacaria, onde cada funcionário tem um trabalho minucioso,
de vários cortes de caules e folhas, e via sementeira, esta poderá ser feita automaticamente
com uma máquina própria para o efeito. Após algum tempo em estufa, procede-se à
repicagem, que consiste em retirar dos tabuleiros com baixa percentagem de sucesso as
plantas que se desenvolveram bem e junta-las todas num só tabuleiro com plantas sãs.
Com o passar do tempo o espaço no alvéolo começa a ser reduzido para as suas raízes
crescerem e se desenvolverem, então chega a altura de transplantar as plântulas para vasos
de maiores dimensões, onde permanecem até serem vendidas.
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6. Referências Bibliográficas
Azevedo, A. 2011. Plano de Negócios: Produção de Plantas Aromáticas e
Medicinais. [online] Disponível na Internet via
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/18337/4/disserta%C3%A7%C3%A
3o%20de%20mestrado.pdf. Arquivo consultado a 10 janeiro de 2017
Costa, D.; Costa, H.; Albuquerque, T.; Ramos, F.; Castilho, M. e Sanches-Silva, A.
2015. Advances in phenolic compounds analysis of aromatic plants and their potential
applications. Trends in Food Science & Technology. 45, 336-354.
GPP – Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral. Plantas
Aromáticas, Medicinais e Condimentares – Portugal Continental 2012. [online]
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INE – Instituto Nacional de Estatística. Recenseamento Agrícola 2009 – Análise
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consultado a 10 janeiro de 2017.
Opara, E. e Chohan, M. 2014. Culinary Herbs and Spices: Their Bioactive
Properties, the Contribution of Polyphenols and the Challenges in Deducing Their True
Health Benefits. International Journal of Molecular Sciences. 15, 19183-19202.
Santos, J.; Herrero, M.; Mendiola, J.; Oliva-Teles, M.; Ibáñez, E.; Delerue-Matos,
C. e Oliveira, M. 2014. Fresh-cut aromatic herbs: Nutritional quality stability during
shelf-life. LWT - Food Science and Technology. 59, 101-107.
Lic. Eng. Agronómica
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26
Anexos
I. Planta de Funcho
II. Planta de Tomilho Bela-Luz
III. Planta de Limonete
Relatório de Estágio
Relatório de Estágio

Relatório de Estágio

  • 1.
    Produção de PlantasAromáticas - do Viveiro à Infusão! 1º Ciclo de Engenharia Agronómica Estágio Intercalar em Empresa Cantinho das Aromáticas, junho de 2016 Fábio Ribeiro, 59824 Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Vila Real, 2017
  • 2.
    ii Classificação Final doRelatório: ______________________ Elementos do Júri de Avaliação: O Presidente do Júri, O Vogal da Comissão de Curso, O Coordenador, __________________ ______________________ _______________________ Prof.ª Anabela Silva Prof.º José Moutinho Pereira Prof.ª Guilhermina Marques
  • 3.
    iii O Aluno, OOrientador, O Coordenador, __________________ __________________ __________________ Fábio Ribeiro Eng.º Luís Alves Prof.ª Guilhermina Marques
  • 4.
    iv Aos meus pais,família e amigos. A toda a equipa do Cantinho das Aromáticas, em especial ao Ivo Pinto e aos “tios”.
  • 5.
    v Índice Índice de Figuras...........................................................................................................................vi Índicede Quadros..........................................................................................................................vi Resumo...........................................................................................................................................1 1. Introdução............................................................................................................................... 2 2. Revisão Bibliográfica ............................................................................................................. 3 2.1. As Plantas Aromáticas em Portugal e no Mundo.............................................................3 2.1.1.Plantas Aromáticas Mais Produzidas.......................................................................4 2.1.2.Perspetiva Económica..............................................................................................6 2.2. Benefícios das Plantas Aromáticas para a Saúde Humana..............................................7 2.3. Uilizações das Plantas Aromáticas...................................................................................9 2.4. Plantas Aromáticas em Modo de Produção Biológico...................................................12 3. A Empresa, Cantinho das Aromáticas.................................................................................. 13 4. Material e Métodos............................................................................................................... 14 4.1. Plantação....................................................................................................................... 14 4.2. Retanchas...................................................................................................................... 14 4.3. Processos de Rega e Fertirrega ..................................................................................... 14 4.4. Colheita de Diversas Espécies Vegetais ....................................................................... 15 4.5. Acompanhamento do Processo de Secagem................................................................. 17 4.6. Processamento de Ervas................................................................................................ 17 4.7. Outros Trabalhos de Manutenção................................................................................. 18 4.8. Propagação Vegetativa ................................................................................................. 19 4.9. Repicagem .................................................................................................................... 21 4.10. Envasamento ................................................................................................................ 21 5. Conclusão ............................................................................................................................. 23 6. Referências Bibliográficas.................................................................................................... 25 Anexos......................................................................................................................................... 26
  • 6.
    vi Índice de Figuras Figura1 - Exemplo de produtos premiados pelo “Great Taste Awards” ....................................................13 Figura 2 – Sistema de rega instalado no solo...............................................................................................14 Figura 3 – Estação meteorológica instalada na propriedade e sistema informático Wisecrop....................15 Figura 4 – Atividade da colheita das Perpétuas por voluntários..................................................................15 Figura 5 – Local escolhido para dispor as plantas de Funcho colhidas em tabuleiros................................16 Figura 6 – Colheita automática do Limonete, utilizando a Ochiai V8-World.............................................16 Figura 7 – Separadora..................................................................................................................................18 Figura 8 – Peneira........................................................................................................................................18 Figura 9 – Cobertura do solo com tela.........................................................................................................19 Figura 10 – Progresso da propagação vegetativa da planta de Limonete. Da esquerda para a direita existe duas semanas de diferença de desenvolvimento das plantas.........................................................20 Figura 11 – Processo de sementeira automático..........................................................................................21 Figura 12 – Plantas envasadas e prontas para venda...................................................................................22 Índice de Quadros Quadro 1 - Produtores e áreas de PAM.........................................................................................................3 Quadro 2 - Área das principais espécies para comercialização em verde.....................................................4 Quadro 3 - Área das principais espécies para comercialização em seco.......................................................5 Quadro 4 - Investimento de jovens agricultores de PAM em milhares de Euros..........................................6 Quadro 5 - Teor total de compostos fenólicos em ervas de culinária............................................................8 Quadro 6 - Composição em macronutrientes de quatro plantas aromáticas para utilização em fresco.........9 Quadro 7 - Usos culinários e propriedades medicinais de algumas plantas aromáticas GRAS..................10
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 1 Resumo A cultura de plantas aromáticas, condimentares e medicinais tem vindo a crescer em Portugal e para isso contribui o maior consumo destes produtos em detrimento de outros mais prejudiciais para a saúde, como o sal. Uma das empresas que se tem destacado neste ramo, não só pelos prêmios que tem ganho a nível nacional e internacional, mas também pela grande aceitação do público, é o Cantinho das Aromáticas. Esta é uma exploração sediada em Vila Nova de Gaia e liderada pelo Eng.º Agrónomo Luís Alves, que se dedica não apenas à produção e processamento de plantas aromáticas para venda como infusões ou como suplemento de outros variadíssimos produtos, como sabões ou mel, como também trabalha em formato de viveiro, ou seja, propaga essas mesmas plantas em grande escala para venda ao consumidor ou a outros agricultores. Assim, os processos acompanhados no Cantinho das Aromáticas foram a plantação, as retanchas, a rega e fertirrega, a colheita, a secagem e processamento, entre outros trabalhos de manutenção, isto no que diz respeito à produção e processamento de plantas para infusão, mas também foi seguido o trabalho realizado em viveiro, onde se efetua a propagação, seja por sementeira ou por estacaria, repicagem e por fim envasamento. Palavras-chave: Plantas aromáticas, Produção, Processamento, Propagação.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 2 1. Introdução Após a realização do estágio intercalar em empresa, no Cantinho das Aromáticas, este relatório pretende dar a conhecer um pouco mais as plantas aromáticas e a sua expressão em Portugal e no Mundo, no que diz respeito a áreas totais de plantação e do impacto económico que estas têm no mercado. Seguidamente é feita uma breve exposição das vantagens das plantas aromáticas no seu geral para o consumo humano em detrimento de outros produtos com efeitos mais prejudicais, e ainda as várias utilizações, para além do consumo direto por infusão, que podemos dar às plantas aromáticas ou inclusive que já podemos encontrar no mercado associadas a outros produtos. Neste trabalho será também feita uma breve exposição da produção de plantas aromáticas em modo de Produção Biológico. Na parte seguinte é descrita todas as etapas que foram executadas na empresa assim como uma abordagem mais científica aos processos aí efetuados. De uma forma muito breve, o Cantinho das Aromáticas é uma empresa agrícola que se dedica a produção e transformação de plantas aromáticas, condimentares e medicinais para à venda como infusões, e ainda trabalha como viveiro, ou seja na propagação em grande escala de plantas para venda ao consumidor ou a outros agricultores que querem abrir a sua própria exploração agrícola. Desta forma, os procedimentos que se realizam no Cantinho das Aromáticas, no que diz respeito à produção de plantas para infusão, são segundo esta ordem, a plantação, retanchas, rega e fertirega, colheita, secagem e processamento, entre outros trabalhos de manutenção do terreno. No que diz respeito ao trabalho de viveiro são efetuadas as seguintes etapas: propagação, seja por sementeira ou por estacaria, repicagem e por fim envasamento.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 3 2. Revisão Bibliográfica 2.1. As Plantas Aromáticas em Portugal e no Mundo Nos últimos anos assistiu-se ao aparecimento de novas explorações dedicadas à produção de plantas aromáticas, medicinais e condimentares, PAM, em Portugal. Os resultados obtidos mostram um setor que duplicou o número de produtores, aumentou substancialmente as áreas em produção e embora com um peso relativamente diminuto comparado com outros setores agrícolas, apresenta uma dinâmica de crescimento notável, atraindo para esta atividade novos produtores. Estes produtores de PAM são uma exceção no panorama do nosso mundo rural. O perfil dominante do produtor de PAM é essencialmente jovem, 43% tem menos de 40 anos e 79% tem menos de 50 anos. É, igualmente, uma população com elevado nível de escolaridade, dado que 76% do total tem formação superior, mas em que a maior parte, 60% é não agrícola (GPP, 2012). Segundo o Instituto Nacional de Estatística, no Recenseamento Agrícola de 2009, foram enumerados 93 produtores com uma área total de 80,32 hectares, distribuídos de forma heterogénea pelas 5 regiões agrárias de Portugal Continental, como se pode confirmar pelo quadro 1. A área média por produtor era inferior a 1 hectare. O Recenseamento aborda apenas os produtores agrícolas que possuam uma exploração agrícola que respeite os limiares mínimos de dimensão física ou de atividades que se encontram estipulados. Quadro 1 - Produtores e áreas de PAM (INE, 2009) Nº Produtores Área Total (ha) ha/produtor Norte 17 10,44 0,6 Centro 10 10,35 1,0 Lisboa e Vale do Tejo 38 40,28 1,0 Alentejo 9 15,66 1,7 Algarve 19 03,59 0,2 Total 93 80,32 0,9 Segundo dados obtidos pelo Gabinete de Planeamento, Politicas e Administração Geral (2012) a soma das áreas para venda em verde e a das áreas para secar, representam menos de metade (42%) do total das áreas declaradas em produção. Ou seja, muitas das áreas declaradas ainda não entraram em produção. Esta situação é coerente com a
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 4 “juventude” de muitas das explorações, visto que 80% entraram no setor após 2007 e um terço iniciou a atividade apenas em 2012. 2.1.1. Plantas Aromáticas Mais Produzidas Segundo dados obtidos pelo inquérito realizado pelo GPP (2012) havia 27,96 hectares de produção de plantas para a comercialização em verde (Quadro 2). Os Coentros são a espécie dominante das 21 listadas, e de longe a mais importante em termos de área, seguida do Aipo e Salsa. Quadro 2 - Área das principais espécies para comercialização em verde (GPP, 2012). Espécies Área (ha) Coriandrum sativum (Coentro) 17,14 Apium graveolens (Aipo) 01,28 Petrosolium sativum (Salsa) 01,03 Ocimum basilicum (Manjericão, basílico) 00,82 Mentha spicata (Hortelã-comum) 00,58 Allium schoenoprasum (Cebolinho) 00,50 Mentha spp. (Hortelãs) 00,43 Anthriscus cerefolium (Cerefólio) 00,41 Lavandula luisieri (Rosmaninho) 00,40 Foeniculum vulgare var. vulgare (Funcho-amargo) 00,34 Allium fistulosum (Cebolinha) 00,25 Thymus vulgaris (Tomilho, tomilho-vulgar) 00,25 Salvia officinalis (Salva) 00,21 Mentha pulegium (Poejo) 00,12 Beta vulgaris (Acelga) 00,10 Melissa officinalis (Erva-cidreira) 00,10 Artemisia dracunculus (Estragão) 00,07 Thymus x citriodorus (Tomilho-limão) 00,07 Rosmarinus officinalis (Alecrim) 00,06 Satureja hortensis (Segurelha) 00,05 Levisticum officinale (Levístico) 00,05 Subtotal 24,26 Outras 03,71 Total 27,96 Relativamente às principais espécies para comercialização em seco (Quadro 3), estas perfazem um total de 44,52 ha, valor importante para um setor jovem. Algumas estão duplamente representadas, como a Lúcia-Lima, cujo total é de 11,93 ha, e as várias espécies de Tomilho, com 8,12 ha no total, sendo estas as mais representativas.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 5 Quadro 3 - Área das principais espécies para comercialização em seco (GPP, 2012). Espécies Área (ha) Aloysia triphylla (Lúcia-lima) 08,49 Mentha x piperita (Hortelã-pimenta) 04,95 Thymus x citriodorus (Tomilho-limão) 03,95 Melissa officinalis (Erva-cidreira) 03,45 Aloysia citriodora Palau (Lúcia-lima) 03,44 Thymus vulgaris (Tomilho, tomilho-vulgar) 02,88 Satureja montana (Segurelha-de-inverno) 02,04 Salvia officinalis (Salva) 01,65 Origanum majorana (Manjerona) 01,36 Artemisia dracunculus (Estragão) 01,30 Thymus mastichina (Tomilho bela-luz) 00,96 Satureja hortensis (Segurelha) 00,86 Origanum vulgare (Orégão, manjerona-selvagem) 00,75 Gomphrena globosa (Perpétua-roxa) 00,63 Cymbopogon citratus (Erva-príncipe) 00,44 Rosmarinus officinalis (Alecrim) 00,39 Mentha spicata (Hortelã-comum) 00,34 Melissa officinalis (Melissa, Erva-cidreira) 00,30 Plectranthus amboinicus (Orégão-francês, Tomilho-espanhol) 00,30 Echinacea purpurea (Equináceas) 00,28 Agastache spp. (Agastache) 00,25 Origanum spp (Orégãos) 00,25 Cynara scolymus (Alcachofra) 00,20 Saponaria officinalis (Saponária) 00,20 Allium schoenoprasum (Cebolinho) 00,17 Agrimonia eupatoria (Agrimónia) 00,15 Echinacea angustifolia (Equináceas) 00,15 Hypericum perforatum (Hipericão) 00,15 Lavandula angustifolia (Alfazema) 00,14 Hypericum androsaemum (Hipericão-do-Gerês) 00,11 Hyssopus officinalis (Hissopo) 00,11 Mentha spp. (Hortelãs) 00,10 Subtotal 40,71 Outros 03,82 Total 44,52
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 6 2.1.2. Perspetiva Económica De acordo com o ProDer, citado pelo GPP (2012), até ao primeiro trimestre de 2013 tinham sido aprovados níveis de investimento aos jovens agricultores produtores de PAM no montante global de cerca de 16,5 milhões de Euros (quadro 4). Quadro 4 - Investimento de jovens agricultores de PAM em milhares de euros (GPP, 2012). Norte Centro Lisboa VT Alentejo Algarve Total 2009 95 254 23 34 0 406 2010 2694 106 167 483 0 3451 2011 442 561 247 127 2 1379 2012 3479 505 1782 2173 392 8332 2013 1372 1012 0 393 103 2879 Total 8082 2438 2219 3211 497 16447 Com base no mesmo estudo realizado pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (2012), o valor da produção padrão, VPP, que corresponde ao valor médio do quinquénio obtido durante o período de referência, para a totalidade das PAM é de 4 666 mil euros. A área declarada para produção de PAM, é de 179,9 ha, que se espera vir a entrar em produção, o VPP total é de 12 370 mil euros. Constata-se, pois, uma variação de 165%, ou seja, o valor real de produção do setor está muito aquém do seu potencial. Quanto aos destinatários das vendas, verifica-se que o canal de escoamento mais importante é a venda direta ao consumidor (47%). A seguir vem a exportação para 39% do total dos produtores. Segue-se o pequeno comércio, importante para um terço dos produtores. Os intermediários compram a 29% dos produtores, já as grandes superfícies têm relativamente pouco peso. Os preços praticados podem apresentar grandes amplitudes, de acordo com a forma de venda, a granel ou embalado, planta inteira ou apenas a folha, a um intermediário ou diretamente ao consumidor, para o mercado interno ou para o externo. Algumas formas de escoamento como o embalamento e venda na exploração podem criar um valor acrescentado importante para a empresa, mas para tal é necessário ter cliente. O setor também dá resposta à procura de PAM para ornamentação, ou para a culinária caseira, normalmente sob a forma de vasos. Ainda com base no GPP (2012), que teve também como base diferentes estudos, o mercado mundial de PAM vale cerca de 83 mil milhões de dólares, e apresenta um crescimento constante, que pode variar entre 3% e 12% ao ano, dependendo do mercado.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 7 Não sendo fácil separar os diferentes mercados, este mesmo estudo apresenta alguns valores para os diversos segmentos: para os suplementos alimentares para dieta, 11 000 milhões de dólares, e para os alimentos funcionais à base de plantas, 14 000 milhões de dólares; para o mercado mundial da indústria farmacêutica, calculou 44 000 milhões de dólares, com a indústria da cosmética a absorver os restantes 14 000 milhões de dólares. 2.2. Benefícios das Plantas Aromáticas para a Saúde Humana As plantas aromáticas estão a tornar-se uma opção bem-sucedida dentro do mercado dos vegetais em fresco, principalmente devido ao seu sabor intenso e conveniência. O uso destas na nutrição humana tem sido descrito durante séculos. Tradicionalmente, as ervas podem ser usadas frescas, secas, inteiras, picadas ou moídas e são usadas para dar sabor a alimentos e bebidas, reduzindo a necessidade de sal e condimentos gordurosos (Santos et al., 2014). Contudo Opara e Chohan (2014) afirmam algo diferente. Referem que a contribuição nutricional destas plantas no passado foi considerada insignificante provavelmente por causa das quantidades relativamente pequenas, apesar do crescente consumo das mesmas. No entanto, a literatura indica que, na última década, essa visão está a começar a mudar. Santos et al. (2014) afirmam que a inclusão de plantas aromáticas frescas como ingredientes de saladas aparenta ser uma boa escolha, tendo em conta o aumento do valor nutricional e a diversidade de sabores. Esta é uma estratégia que pode evitar o uso de molhos na salada, que normalmente contêm elevado teor de sódio, açúcar e gordura para melhorar o sabor da refeição. Expõem ainda que algumas plantas aromáticas são consideradas como "plantas medicinais", que fornecem ao organismo compostos antioxidantes, melhoram a digestão e têm também algumas atividades antibacterianas, anti-inflamatórias, antivirais e anticancerígenas. Opara e Chohan (2014) voltam a não apoiar por completo a ideia dos autores anteriores, ao afirmarem que ainda não é claro o verdadeiro significado destes benefícios, mas afirmam que estes têm uma possível ação na conferência de proteção contra doenças cardiovasculares, neuro degenerativas, cancro e diabetes tipo II. Segundo Opara e Chohan (2014), são encontrados polifenois em vários alimentos derivados de plantas, incluindo ervas e especiarias, especialmente nas formas secas, que geralmente contêm níveis relativamente elevados de polifenois (Quadro 5) em
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 8 comparação com outros alimentos ricos em polifenois. Os compostos bioativos mais presentes nas plantas aromáticas, segundo Santos et al. (2014), com propriedades funcionais, são os ácidos fenólicos, flavonoides, esteróis e cumarinas. A capacidade antioxidante dos vegetais é geralmente associada a um alto conteúdo fenólico, e também de vitamina C, vitamina E e carotenoides. O elevado teor de compostos fenólicos em ervas aromáticas e as pequenas diferenças na capacidade antioxidante ao longo do armazenamento indicam que algumas gramas destas ervas numa refeição representam uma forma de aumentar a capacidade antioxidante da dieta diária, com possíveis benefícios para a saúde (Santos et al., 2014). Quadro 5 - Teor total de compostos fenólicos em ervas de culinária (Adaptado de Opara e Chohan, 2014). Teor Total de Compostos Fenólicos (mg/100 g Peso Fresco) Coriandrum sativum (Coentro) Seco 2260,00 Fresco 158,90 Anethum graveolens (Aneto) Seco 1250,00 Fresco 208,18 Origanum vulgare (Orégãos) Seco 6367,00 Fresco 935,34 Petrosolium crispum (Salsa) Seco 1584,00 Fresco 89,27 Rosmarinus officinalis (Alecrim) Seco 2518,00 Fresco 1082,43 Salvia officinalis (Salva) Seco 1919,00 Fresco 185,20 Thymus vulgaris (Tomilho) Seco 1815,00 Fresco 1173,28 No Quadro 6 apresenta-se a composição global de macronutrientes presentes nas folhas das plantas aromáticas segundo o estudo realizado por Santos et al. (2014). Em geral, os macronutrientes presentes permanecem estáveis durante o período de armazenamento (aproximadamente 10 dias sob condições refrigeradas). Tendo em conta que um alto teor de fibras, como apresentam as plantas aromáticas presentes no Quadro 6, nas dietas, tem sido correlacionado com a diminuição dos níveis
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 9 de colesterol e o risco de doenças coronárias, reduzindo a diabetes tipo II e melhorando a manutenção do peso. Esta parece ser uma das vantagens nutricionais de incluir plantas aromáticas nas refeições. Quadro 6 - Composição em macronutrientes de quatro plantas aromáticas para utilização em fresco (Santos et al., 2014). Macronutrientes Cebolinho Coentro Hortelã Salsa (g/100 g Peso Fresco) Água 92,7 ± 0,1 90,9 ± 0,2 86,2 ± 0,5 85,2 ± 0,8 Proteínas 2,6 ± 0,1 3,8 ± 0,1 4,4 ± 0,2 4,8 ± 0,4 Gorduras 0,4 ± 0,0 0,3 ± 0,0 0,2 ± 0,0 0,3 ± 0,0 Fibra 2,2 ± 0,1 2,4 ± 0,1 4,1 ± 0,2 5,0 ± 0,8 Cinza 0,8 ± 0,0 1,2 ± 0,0 1,8 ± 0,1 1,1 ± 0,1 Hidratos de Carbono 1,3 ± 0,1 1,4 ± 0,2 3,3 ± 0,5 3,6 ± 1,0 Quanto à composição mineral, as plantas aromáticas podem ser uma boa fonte de potássio, fósforo e cálcio. A Salsa apresentou um teor de sódio 6 vezes maior que as outras amostras, enquanto a Hortelã tinha mais ferro e manganês. No entanto, o conteúdo mineral pode ser afetado por diversos fatores, como a genética, o solo, as condições climáticas e ainda as práticas agrícolas. Em relação ao conteúdo vitamínico, as plantas aromáticas apresentaram maiores níveis de vitamina C, vitamina A e pró-vitamina A do que as outras vitaminas solúveis em água (Santos et al., 2014). 2.3. Utilizações das Plantas Aromáticas As plantas aromáticas, medicinais e condimentares, são um universo complexo e vasto, abrangendo uma quantidade de espécies quase ilimitadas, com múltiplas utilizações. São utilizadas principalmente pela indústria farmacêutica, química, cosmética ou alimentar, podendo ser utilizadas diretamente ou transformadas, das formas mais simples às mais elaboradas, como a da extração de substâncias ativas ou óleos essenciais (GPP, 2012). O que é corroborado por Costa et al. (2015), que afirmam que as plantas aromáticas são amplamente utilizadas pelas indústrias alimentares, mas as suas propriedades também justificam a sua aplicação por outras indústrias como cosméticos, perfumaria e farmacêutica. A United States Food and Drug Administration (FDA) reconhece mais de 150 plantas que apresentam óleos essenciais, oleorresinas (sem solventes) e extratos naturais
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 10 (incluindo destilados) seguros para o consumo humano sem limitações na sua ingestão. No Quadro 7 são compilados os usos culinários e as propriedades medicinais de algumas plantas aromáticas que tem a condição de serem reconhecidas com seguras (GRAS - “generally recognized as safe”) (Costa et al., 2015). Quadro 7 - Usos culinários e propriedades medicinais de algumas plantas aromáticas GRAS. (Costa et al., 2015). Uso Culinário Propriedades Medicinais Manjericão (Ocimum basilicum) Cozinha mediterrânea como fresco ou seco em produtos de tomate, legumes, saladas, molhos, pizzas, carne, sopas e alimentos marinhos. Tratamento de dores de cabeça, tosse, verrugas, constipação, bronquite, laringite, distúrbios gastrointestinais e renais. Louro (Laurus nobilis) Folhas secas e óleos essenciais são usados para temperar produtos de carne, sopas e peixes. As folhas são usadas para o tratamento de níveis elevados de açúcar no sangue, enxaqueca, dores de cabeça, infeções bacterianas e úlceras gástricas. Possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. O óleo essencial também é usado para o reumatismo e dermatite. Coentro (Coriandrum sativum) As folhas jovens são usados para fazer molhos. As folhas são consumidas em fresco, em saladas e como guarnições, devido à sua cor verde atraente e aroma. A indústria alimentar produz pó de caril e utiliza- o para aromatizar sopas e aromatizar licores e chocolates. Utilizado para tratar anorexia, vômitos, indigestão, flatulência e diarreia.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 11 Quadro 7 (continuação) Uso Culinário Propriedades Medicinais Lavanda (Lavandula officinalis) Uma fonte de óleo essencial para a indústria de perfumaria e como um condimento, por exemplo, de bebidas não alcoólicas, gelados, doces e chicletes. Utilizado para tratar indigestão, flatulência ou como calmante leve. Também é utilizado como diurético e espasmolítico. Manjerona (Origanum majorana) Usado principalmente como uma especiaria em salsichas, mas também em produtos assados, legumes, ovos, guisados, condimentos, sopas, lanches e molhos. Utilizado para tratar distúrbios gastrointestinais, cãibras, depressão, tontura, dores de cabeça nervosas, enxaqueca, tosse e como diurético. Orégãos (Origanum vulgare) Usado como condimento para pizza, outros alimentos feitos com tomate e em alguns tipos de queijo. Usado como diaforético, carminativo, antiespasmódico, antisséptico e tônico. Salsa (Petroselinum crispum) As folhas frescas, secas e desidratadas são utilizadas como condimento, enfeite e ingrediente aromatizante. Como infusão é usada como abortivo, anti anémico e antidiabético. Alecrim (Rosmarinus officinalis) Usado para aromatizar pratos de carne em especial aves, assim como batatas. A infusão utilizada oralmente auxilia como digestivo, diurético, para dores de cabeça, circulação sanguínea, anti-hipertensivo, sedativo, protetor hepático, externamente a infusão pode ser utilizada como descongestionante nasal, antisséptico vaginal, antisséptico e anti-infecioso. Salva (Salvia officinalis) Utilizado para preservar alimentos, especialmente carnes, sopas, salsichas e queijos, e como um tempero para aromatizar. Usado para cicatrizar feridas, e aliviar o estômago, fígado e dores reumáticas. Também é usado para aliviar a inflamação oral.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 12 Quadro 7 (continuação) Uso Culinário Propriedades Medicinais Hortelã (Mentha spicata) Usado para dar sabor a sopas, molhos, saladas e chicletes. Dispneia, flatulência, indigestão, sedativo, tônico do estômago e repelente de insetos. Estragão (Artemisia dracunculus) Utilizado em saladas, marinadas, molhos, vinagres e mostardas. Utilizado para o tratamento de dores de cabeça, tonturas e epilepsia. Tomilho (Thymus vulgaris) Usado para temperar peixes, aves, sopas e legumes e em infusões. É o principal ingrediente para guarnecer sopas e ensopados. Propriedades antissépticas, antimicrobianas e antioxidantes, utilizado para lavagens orais. 2.4. Plantas Aromáticas em Modo de Produção Biológico Segundo Azevedo (2011), a agricultura biológica é um sistema de produção que se baseia numa série de princípios e objetivos que visam minimizar o impacto do Homem na natureza e assegurar que o sistema agrícola funcione da forma mais natural possível. Alguns dos princípios deste modo de produção são a interdição de fertilizantes e pesticidas químicos de síntese, e como tal aproveitar recursos naturais como fertilizante, como por exemplo a utilização de estrume dos animais e ainda o uso de técnicas adequadas para o controlo biológico de pragas e doenças. Este autor afirma ainda que os produtos provenientes de agricultura biológica são caracterizados por possuírem maior qualidade nutricional e segurança para o consumidor. É de salientar que apesar de não haver provas que indiquem que os produtos da agricultura biológica têm maior valor nutricional ou melhores propriedades organoléticas, é indiscutível que possuem menor teor de resíduos tóxicos. A agricultura biológica é uma prática que respeita os ecossistemas. Estas características tornam este modo de produção, uma mais-valia na proteção ambiental e saúde animal.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 13 3. A Empresa, Cantinho das Aromáticas O Cantinho das Aromáticas é uma empresa liderada pelo Engenheiro Luís Alves, com cerca de dois hectares e meio de área, situada no litoral norte de Portugal, mais precisamente no concelho de Vila Nova de Gaia, onde são produzidos, em modo de produção biológico, perto de 30 espécies diferentes de plantas aromáticas, medicinais e condimentares, numa ocupação do terreno que atinge as 9 plantas por metro quadrado. Tem uma produção aproximada de 6 a 7 toneladas de plantas o que equivale a uma faturação média de 300.000 euros por ano. Os seus produtos são de elevada qualidade, como pode ser comprovado, por exemplo, pelos vários prémios que estes já receberam no “Great Taste Awards” (figura 1) e no “Concurso Nacional de Sal, Ervas Aromáticas e Condimentos”. Isto deve-se a um conjunto de estratégias pensadas com cuidado para conferir essa tal qualidade. Desde logo o local onde foi instalada a propriedade, bastante próxima do mar e que, portanto, ainda é atingida pelos ventos vindos do norte que causam algum stress as plantas, obrigando assim estas a produzir óleos essenciais. Outra estratégia é o bom sistema de drenagem instalado na cultura, neste caso em camalhões, o que evita o excesso de água nas plantas, e por último, uma estratégia que por si só é arriscada, pois origina uma menor quantidade de matéria, mas induz uma maior produção de óleos essências por parte das plantas, e que assim originam um produto de maior qualidade, que é cortar a rega antes da colheita, causando algum stress hídrico nas culturas, e consequente produção de óleos essenciais. Além da produção de infusões o Cantinho das Aromáticas trabalha também como viveiro, aliás foi o primeiro formato que a empresa teve, ou seja, na propagação de plantas para vender ao público em geral ou, em grande escala, a agricultores que querem iniciar o seu percurso na agricultura. Figura 1 - Exemplo de produtos premiados pelo “Great Taste Awards” (Fonte - http://www.vidarural.pt)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 14 4. Material e Métodos 4.1. Plantação A plantação é a etapa básica de uma exploração agrícola, onde as plantas já com um tamanho considerável são transplantadas do tabuleiro onde foram previamente semeadas para o solo onde vão poder crescer e desenvolver-se mais facilmente. As plantações ocorrem desde abril até junho e por este motivo não foram acompanhadas durante o estágio, contudo todo o conhecimento teórico necessário para a elaboração do relatório foi transmitido. As plantas são colocadas no solo, anteriormente preparado e coberto com uma tela com uns orifícios, onde são colocadas as plantas com um tamanho razoável, para evitar que a planta não tenha carência de energia e passe por uma fase de crise de transplantação. Dependendo do tipo de planta, a plantação poderá mesmo só acontecer quando as plantas mais antigas já estiverem em decréscimo de produção, visto que algumas são perenes, como é o caso do Limonete, contudo algumas são anuais e como tal a plantação destas terá que ser feita todos os anos, como por exemplo as Perpétuas-Roxas. 4.2. Retanchas Depois da plantação, as plantas vão atravessar um período de adaptação ao solo, ao qual muitas plantas poderão não resistir, devido à competição com outras plantas, falta ou excesso de água, elevadas temperaturas, entre outras razões. Sendo assim, é necessário a sua substituição por outras plantas sãs. A par desta substituição das plantas que se encontram mortas, também são removidas do solo as plantas infestantes que competem pelos nutrientes, água e luz com as plantas do nosso interesse, e como tal devem ser retiradas do solo. 4.3. Processos de Rega e Fertirega Relativamente ao processo de rega este é feito por um sistema de tubos de plástico com pequenos orifícios, devidamente preparados antes da colocação das plantas no solo assim como da colocação da tela (figura 2), e ainda por aspersores canhão móveis colocados no local e no momento onde é necessário a rega. O sistema de fertirega utiliza o sistema de rega. A diferença é que no momento da rega é Figura 2 – Sistema de rega instalado no solo (Fotografia do autor)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 15 ligado ao sistema de rega depósitos onde se encontram os fertilizantes, e que assim se dispersam na água da rega. A água utilizada nestes processos é proveniente de dois furos de captação de água existentes na exploração, e é regularmente analisada. As necessidades de água por parte das plantas são controladas por uma estação meteorológica, que através de um sistema informático formatado para o efeito, controla todas as variáveis climáticas e informa o agricultor qual a quantidade de água que é necessário fornecer as plantas (Figura 3). 4.4. Colheita de Diversas Espécies Vegetais A colheita das plantas é realizada por dois processos, à mão ou com recurso a uma máquina automática adaptada para o efeito. Pelo primeiro modo é feita a colheita de flores, como é exemplo o das Perpétuas Roxas, que são recolhidas por voluntários que se reúnem em atividades programadas pelo Cantinho das Aromáticas (Figura 4) ou de plantas, que pela sua fisiologia, não permitem a utilização da máquina. Figura 3 – Estação meteorológica instalada na propriedade e sistema informático Wisecrop (Fonte – Fotografia do autor e https://www.facebook.com/cantinhoaromaticas/photos) Figura 4 – Atividade da colheita das Perpétuas por voluntários (Fonte – https://www.facebook.com/cantinhoaromaticas/photos)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 16 Relativamente a colheita automática, com auxílio da máquina Ochiai V8-World, proveniente do Japão, onde é utilizada na colheita da planta do chá, é necessário ter alguns cuidados prévios antes de se iniciar a colheita. Esses cuidados dizem respeito ao modo como se encontram as plantas, visto que a colheita não deve ser efetuada com as plantas molhadas, portanto deve-se verificar previamente se as plantas se encontram húmidas. Também deverá ser feita uma primeira passagem pelos camalhões para verificar a presença de plantas infestantes, que no caso de não serem retiradas são também elas colhidas juntamente com as plantas desejadas, pela máquina, pelo que, sempre que sejam detetadas, deverão ser retiradas do solo. E por último preparar um local próprio para espalhar as plantas e colocá-las em tabuleiros para serem levadas para o secador. Visto que este trabalho é feito ainda no campo, este deverá ser à sombra para evitar o escurecimento das folhas e a fermentação destas pela ação do calor (Figura 5). Quanto à colheita automática propriamente dita, esta é feita com auxilio de dois funcionários que suportam a máquina, um de cada lado do camalhão, por onde esta está a passar (Figura 6). A Ochiai V8-World é composta por duas lâminas que se deslocam lateralmente, que é o que permite o corte dos ramos das plantas. Por sua vez, uma espécie de aspirador suga estes ramos para o interior de um saco acoplado ao aparelho. Figura 5 – Local escolhido para dispor as plantas de Funcho colhidas em tabuleiros (Fotografia do autor) Figura 6 – Colheita automática do Limonete, utilizando a Ochiai V8-World (Fotografia do autor)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 17 A passagem da máquina de colheita é feita duas vezes por camalhão para um corte mais perfeito. Em casos onde a Ochiai não consiga abranger toda a largura do camalhão no final deverá ser feita uma colheita manual, tal como acontece quando não se consegue cortar muito rente ao solo, como é o caso da colheita do Poejo. Nestes casos, onde tal seja necessário, deverá proceder-se a uma colheita manual. A altura a que esta deve estar depende de planta para planta e também ao destino a que esses cortes de planta vão ter, ou seja, no caso do Limonete, o corte das pontas das plantas destina-se à produção de infusões para lotes reserva, visto que tem uma maior percentagem de óleos essenciais, o chamado premium, enquanto as restantes partes da planta se destinam à produção de saquetas ou embalagens a granel. 4.5. Acompanhamento do Processo de Secagem Posteriormente a serem colhidas as plantas, como já foi referido anteriormente, são colocadas em tabuleiros e são levadas para o interior da câmara de secagem, onde vão permanecer durante aproximadamente três dias, dependendo da planta. No interior da câmara de secagem a temperatura aumenta gradualmente, para evitar um choque térmico inicial, até atingir temperaturas entre os 35ºC e os 45ºC variando também consoante a plantas. As temperaturas a que cada planta deverá estar sujeita foram determinadas ao longo dos anos pela empresa, que determinou a temperatura mais adequada para o resultado do produto final que queriam obter. As temperaturas utilizadas pelo Cantinho das Aromáticas para a secagem poderão não ser as mesmas que uma outra empresa num outro local distinto do país, visto que as condições climáticas a que as plantas estão sujeitas são diferentes, e como tal respondem de forma diferente à temperatura na câmara de secagem. Para além de aquecer o ambiente envolvente às plantas, a câmara de secagem faz uma renovação do ar tentando mantê-lo o mais homogéneo possível e ainda retira a humidade excessiva do ar, não a retirando por completo. Depois de finalizado o período de secagem, as plantas são retiradas da câmara de secagem e são colocadas em sacos para serem armazenadas e posteriormente serem processadas. 4.6. Processamento de Ervas Consoante as necessidades da empresa, esta vai processando as plantas, quando estas assim o exigem, para evitar ter muitas embalagens em armazenamento. Ou seja, este processamento depende da quantidade de embalagens vendidas. Contudo, nem todas
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 18 as plantas necessitam de passar pelo processamento, como é o caso do Limonete para embalagens a granel. Esta é uma tarefa realizada por aparelhos concebidos para o efeito, existindo três máquinas nas instalações da empresa, duas separadoras, uma de grande dimensão e outra mais pequena, e também uma peneira. As separadoras (Figura 7) têm como função remover os caules maiores das plantas e ficar apenas com as folhas que são também elas trituradas e separadas por frações de tamanho. Em certos casos, também poderá ser necessário uma passagem pela peneira (Figura 8), para uma melhor separação dos calibres. 4.7. Outros Trabalhos de Manutenção Um dos trabalhos de manutenção que foi realizado durante o estágio no Cantinho das Aromáticas, foi a colocação de tela no solo. As razões pelas quais, se utiliza a tela sobre o solo são essencialmente evitar o nascimento de infestantes e diminuir a perda de água por evaporação. Como esta não é eterna, necessita de ser substituída com alguma periocidade, visto que começa a romper-se com o tempo. Antes da colocação da tela, o solo deve ser previamente preparado em camalhões com sensivelmente 1 metro de largura, e colocar dois tubos de rega, já enunciados anteriormente. Após estes trabalhos poderá proceder-se à colocação da tela. Então primeiramente a tela é estendida sobre os camalhões, sendo que o rolo utilizado tem a largura suficiente para cobrir aproximadamente 3 camalhões. À medida que se desenrola o rolo vai-se prendendo com ferros a tela ao solo, nos espaços entre os camalhões, Figura 7 – Separadora (Fotografia do autor) Figura 8 – Peneira (Fotografia do autor)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 19 tentando esticar ao máximo a tela para evitar que esta fique dobrada. Quando se inicia outros três camalhões deverá ter-se o cuidado de sobrepor um pouco de tela para não ficar solo descoberto. Concluído a cobertura do solo com a tela (Figura 9) é ainda necessário fazer os orifícios para colocar as plantas, mas estes apenas se fazem na altura da plantação. 4.8. Propagação Vegetativa Para além da produção e transformação de plantas em grande escala, o Cantinho das Aromáticas também se dedica à propagação de plantas para venda em viveiro. Esta propagação vegetativa poderá ser efetuada de duas formas distintas, via estacaria, denominada propagação assexuada e via sementeira, designada propagação sexuada. Relativamente à propagação por estacaria, foi realizada esta etapa em plantas de Limonete, mas o modo como esta se realiza é muito semelhante noutras plantas, como o Absinto, Salva e Poejo que, por não criarem semente no nosso clima, é necessário recorrer a esta prática. Inicialmente as plantas são colhidas no próprio dia e colocadas em água para não ficarem secas. Depois cada funcionário tem um trabalho minucioso. Cada caule de Limonete poderá dar origem a cerca de cinco estacas, sendo que as partes mais jovens não devem ser utilizadas como propágulos visto que não vão ter tanta resistência, mas também não deverá ser utilizada a parte mais lenhificada visto que é mais difícil a multiplicação das raízes. Primeiro são retiradas todas as folhas do primeiro nó e é feito um corte na horizontal um pouco antes deste, para assim mais facilmente se criar raiz. A seguir é realizado um corte na diagonal depois do segundo gomo, evitando assim a acumulação de água. Neste rebento é aconselhável deixar apenas 2 a 3 folhas, e estas deverão ser cortadas ao meio, para evitar um grande dispêndio de energia por parte da planta. Figura 9 – Cobertura do solo com tela (Fotografia do autor)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 20 Depois de finalizado as estacas, estas não devem encontrar-se muito tempo fora da terra visto que secam facilmente, portanto devem-se colocar as estacas nos tabuleiros, anteriormente preparados com turfa e perlite, o mais rápido possível. As estacas não necessitam de ser demasiadamente enterradas e a terra junto à planta deve ser bem aconchegada. De seguida os tabuleiros são levados para a estufa onde permanecem algumas semanas até estarem prontas para serem vendidas (Figura 10). As partes mais jovens, ramos e folhas cortadas que não foram utilizados são levados para a secagem. Quanto à propagação por sementeira, esta poderá ser feita automaticamente com uma máquina própria para o efeito (Figura 11), que ao mesmo tempo que faz um buraco no alvéolo, preenchido com turfa e perlite já previamente humedecidas, coloca as sementes nesse mesmo alvéolo. Contudo, em certas plantas, como a semente é de reduzido tamanho a máquina não consegue colocar a semente no alvéolo, como é exemplo a semente do Tomilho, e nestes casos o processo é feito manualmente. Faz-se um pequeno orifício, não muito profundo, quanto menor for o tamanho da semente menor deverá ser o orifício e depois colocar umas 3 a 4 sementes. Depois de preenchidos todos os alvéolos do tabuleiro, este é peneirado com uma pequena camada de solo (Figura 11) e de seguida os tabuleiros são levados para a estufa onde permanecem o tempo necessário para germinarem. Figura 10 – Progresso da propagação vegetativa da planta de Limonete. Da esquerda para a direita existe duas semanas de diferença de desenvolvimento das plantas (Fotografias do autor)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 21 4.9. Repicagem Depois de algum tempo em crescimentos e desenvolvimento nas estufas, nem todas as plantas vão apresentar o mesmo aspeto, advindo até que alguns tabuleiros apresentem uma baixa taxa de sucesso de germinação. Nos casos em que tal acontece procede-se à repicagem, que consiste em retirar dos tabuleiros com baixa percentagem de sucesso as plantas que se desenvolveram bem e juntá-las todas num só tabuleiro com plantas sãs. Portanto, com cuidado retira-se a planta sã juntamente com o alvéolo de turfa e coloca-se novamente num novo tabuleiro, que vai ser preenchido apenas com as plantas que conseguiram germinar. Após se ter preenchido todo o tabuleiro este é levado de novo para a estufa. Os restantes alvéolos que não germinaram é-lhes retirado a turfa, que é de seguida levada para a compostagem para ser reaproveitada. Ao proceder-se a esta etapa tenta-se também perceber quais foram as razões da tão alta taxa de insucesso, para que em futuras propagações evite-se tais erros. Nos tabuleiros que repicados durante o estágio, a baixa taxa de insucesso deveu-se provavelmente ao excesso de água que os alvéolos possuíam, devido a regas demasiado constantes, e também a um substrato demasiado compactado, no momento de preencher os tabuleiros com turfa, situações que dificultam a respiração radicular por parte das plantas. 4.10. Envasamento Após as plantas já se encontrarem com um tamanho considerável, o espaço no alvéolo começa a ser reduzido para as suas raízes crescerem e se desenvolverem, então chega a altura de transplantar as plântulas para vasos de maiores dimensões onde vão permanecer até serem vendidas. Figura 11 – Processo de sementeira automático (Fotografias do autor)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 22 Assim, primeiro procede-se ao enchimento dos vasos com solo, que é constituído por turfa e perlite preparado previamente, após estes estarem preenchidos abre-se um pequeno orifício no solo, onde é colocada de seguida a plântula que se encontra nos tabuleiros, preparados nas etapas anteriores. Depois é aconchegado um pouco mais o solo junto à planta, para não haver bolhas de ar no interior do vaso, que poderão levar ao crescimento de fungos, e se necessário preenche-se o vaso com um pouco mais de solo. Para terminar, os vasos são colocados em tabuleiros próprios, que são levados para a estufa, onde são regados e onde vão permanecer até ao momento de serem vendidos (Figura 12). Figura 12 – Plantas envasadas e prontas para venda (Fonte – https://www.facebook.com/cantinhoaromaticas/photos)
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 23 5. Conclusão Para concluir o relatório, gostava de realçar o quão importante foi este estágio para a minha formação, uma vez que não tenho qualquer ligação à agricultura este deu-me uma perspetiva mais real do que acontece no mundo da agricultura. E ainda me ajudou a complementar a minha formação académica, onde me foram transmitidos, principalmente, os conhecimentos teóricos, que apesar de bastante importantes nem sempre são suficientes para resolver algum problema que surja em contexto da vida real, como tal esta experiência foi importante para colmatar esta lacuna na minha formação. E também com esta experiencia fiquei a conhecer e perceber um pouco mais sobre o tema das plantas aromáticas, um ramo da agricultura, que como foi apresentado anteriormente, esta em expansão em Portugal. Foi uma experiência diferente, algo dura, visto que trabalhar debaixo de calor não é uma tarefa fácil, mas bastante compensatória, porque é isto que um Engenheiro Agrónomo quer fazer, trabalhar ao ar livre em contacto com as plantas, com a Natureza Quanto as plantas aromáticas enquanto produto de consumo é de destacar o facto de aumentarem o valor nutricional e a diversidade de sabores, quando adicionadas em fresco como ingredientes de saladas, que pode evitar o uso de molhos na salada, que normalmente contêm elevado teor de sódio, açúcar e gordura. São ainda consideradas como "plantas medicinais", por estudos recentes apontarem que estas fornecem ao organismo compostos antioxidantes, melhorarem a digestão e terem também algumas atividades antibacterianas, anti-inflamatórias, antivirais e anticancerígenas. E pelo facto de terem um alto teor de fibras, o seu consumo está relacionado com a diminuição dos níveis de colesterol e o risco de doenças coronárias, reduzindo a diabetes tipo II e melhorando a manutenção do peso. Relativamente ao Cantinho das Aromáticas, a empresa produz em modo de produção biológico, perto de 30 espécies diferentes de ervas aromáticas, medicinais e condimentares, tendo uma produção aproximada de 6 a 7 toneladas de plantas o que equivale a uma faturação média de 300 mil euros por ano. Além da produção de infusões, de elevada qualidade, o Cantinho das Aromáticas trabalha também como viveiro, ou seja, na propagação de plantas para venda. É ainda de realçar a grande estima que o Cantinho das Aromáticas tem pelos seus clientes, a quem lhes deve o seu sucesso, ao lhes proporcionar várias iniciativas de cariz lúdico ou mais sério, que para além de servirem como forma de retribuição pelo seu reconhecimento enquanto empresa de excelência,
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 24 serve para cativar outras pessoas que ainda não estejam envolvidas pelo mundo das infusões. Dentro destas iniciativas são de destacar os vários workshops dos mais diversos temas, as oficinas gratuitas sobre as ervas aromáticas, as visitas pela quinta e ainda as ações de voluntariado que pretendem dar a conhecer um pouco mais sobre agricultura. Por fim, no que diz respeito as etapas acompanhadas, inicialmente ocorre a plantação, onde as plantas já com um tamanho considerável são transplantadas do tabuleiro onde foram previamente semeadas para o solo onde vão poder crescer e se desenvolver mais facilmente. Após algum tempo deverá se proceder as retanchas, onde são substituidas as plantas que se encontram mortas e também à remoção das plantas infestantes que competem pelos nutrientes, água e luz com as plantas do nosso interesse. Quanto à colheita das plantas, esta é realizada de dois modos, à mão ou com recurso a uma máquina automática adaptada para o efeito. Posteriormente a serem colhidas as plantas são colocadas em tabuleiros, e são levadas para o interior da câmara de secagem, onde vão permanecer durante aproximadamente três dias, dependendo da planta. No interior da câmara de secagem a temperatura aumenta gradualmente, para evitar um choque térmico inicial, até atingir temperaturas entre os 35ºC e os 45ºC. Para além de aquecer o ambiente envolvente às plantas, a câmara de secagem faz uma renovação do ar e ainda retira alguma humidade excessiva do ar. Depois as plantas são processadas, tarefa realizada por aparelhos concebidos para o efeito. Relativamente ao trabalho de viveiro, a propagação vegetativa poderá ser efetuada de duas formas distintas, via estacaria, onde cada funcionário tem um trabalho minucioso, de vários cortes de caules e folhas, e via sementeira, esta poderá ser feita automaticamente com uma máquina própria para o efeito. Após algum tempo em estufa, procede-se à repicagem, que consiste em retirar dos tabuleiros com baixa percentagem de sucesso as plantas que se desenvolveram bem e junta-las todas num só tabuleiro com plantas sãs. Com o passar do tempo o espaço no alvéolo começa a ser reduzido para as suas raízes crescerem e se desenvolverem, então chega a altura de transplantar as plântulas para vasos de maiores dimensões, onde permanecem até serem vendidas.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 25 6. Referências Bibliográficas Azevedo, A. 2011. Plano de Negócios: Produção de Plantas Aromáticas e Medicinais. [online] Disponível na Internet via https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/18337/4/disserta%C3%A7%C3%A 3o%20de%20mestrado.pdf. Arquivo consultado a 10 janeiro de 2017 Costa, D.; Costa, H.; Albuquerque, T.; Ramos, F.; Castilho, M. e Sanches-Silva, A. 2015. Advances in phenolic compounds analysis of aromatic plants and their potential applications. Trends in Food Science & Technology. 45, 336-354. GPP – Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral. Plantas Aromáticas, Medicinais e Condimentares – Portugal Continental 2012. [online] Disponível na Internet via http://www.gpp.pt/index.php/estudos/plantas-aromaticas- medicinais-e-condimentares-pam. Arquivo consultado a 10 janeiro de 2017. INE – Instituto Nacional de Estatística. Recenseamento Agrícola 2009 – Análise dos Principais Resultados. [online] Disponível na Internet via http://ra09.ine.pt/xportal/xmain?xpid=RA2009&xpgid=ine_ra_publicacoes. Arquivo consultado a 10 janeiro de 2017. Opara, E. e Chohan, M. 2014. Culinary Herbs and Spices: Their Bioactive Properties, the Contribution of Polyphenols and the Challenges in Deducing Their True Health Benefits. International Journal of Molecular Sciences. 15, 19183-19202. Santos, J.; Herrero, M.; Mendiola, J.; Oliva-Teles, M.; Ibáñez, E.; Delerue-Matos, C. e Oliveira, M. 2014. Fresh-cut aromatic herbs: Nutritional quality stability during shelf-life. LWT - Food Science and Technology. 59, 101-107.
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    Lic. Eng. Agronómica Produçãode plantas aromáticas - do viveiro à infusão! 26 Anexos
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    II. Planta deTomilho Bela-Luz
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