1. O termorecife de coral muitas vezes não faz justiça à
complexidade recifes de coral. Alguns sugerem que o termo “recife
biótico” – recife criado por processos biológicos – seria um termo
mais ilustrativo e preciso para descrever os recifes de coral?
a. Os pólipos de coral são animais que formam colônias. Em aguas
tropicais rasas, estes corais constroem recifes secretando uma
estrutura esquelética rígida composta de carbonato de cálcio. A
maioria dos corais que constrói recifes possui relação simbiótica com
algas chamadas zooxantelas que vivem dentro de tecidos de corais.
Em troca de abrigo, as algas fornecem energia aos corais atraves da
fotossíntese e consomem os produtos da excreção dos corais.
b. Os recifes de coral são algumas das comunidades marinhas de
aguas rasas mais extensas no planeta e estima-se que cubram cerca
de 284 300 quilômetros quadrados ao redor do mundo. Ainda assim,
isto é aproximadamente 0.1% do total do leito marinho,
correspondente a uma área do tamanho do Equador ou do estado de
Nevada, nos Estados Unidos.
POR QUE O TERMO “RECIFE BIÓTICO” SERIA MAIS ADEQUADO PARA
DESCREVER UM RECIFE DE CORAL?
RECIFES DE CORAIS
2.
Vários milhões célulasmicroscópicas de algas vivem em um único centímetro cubico de tecido coral;
Estas algas usam a energia da luz solar para transformação de CO2 para O2 e carboidratos (açúcares) que
servem de alimento para o coral;
Este processo requer uma grande quantidade de luz e é por isso que colônias de corais são encontrados
apenas em águas rasas claras;
Corais são altamente dependentes de zooxantelas e não sobrevivem por muito tempo sem elas.
3.
Os ambientes marinhoscosteiros estão entre os sistemas mais produtivos do planeta, incluídos neles os recifes de coral. Os recifes ocupam
aproximadamente 0,02% da área global dos oceanos, abrigando cerca de ¼ de todas as espécies marinhas. Eles suportam, assim, uma grande
diversidade de vida, oferecendo locais de refúgio, desova, criação, alimentação e reprodução para muitas espécies, além de serem uma
importante fonte de alimento e de recursos econômicos para a sobrevivência das populações costeiras.
Os processos de vida nos recifes de coral são extremamente complexos devido ao alto grau de interdependência entre seus organismos, e esta
relação entre os vários componentes do ecossistema torna-o muito frágil e suscetível aos impactos que afetam o ambiente, sobretudo a ação
sinérgica das mudanças globais e da depredação dos recursos naturais pelo homem, entre outros, a sobrepesca, a poluição marinha e o uso
desordenado das zonas costeiras.
Calcula-se que atualmente 20% dos recifes já estejam severamente danificados e outros 20%, que estão seriamente ameaçados, venham a
desaparecer nos próximos 20 a 40 anos.
Um aumento relativamente pequeno da temperatura das águas dos oceanos pode provocar a ocorrência do branqueamento nos corais, que é
um processo relacionado à perda, pelos corais, das suas algas fotossintetizantes – as zooxantelas, que estão presentes no seu tecido e que
participam de uma cooperação vital que beneficia ambos os organismos. Esse processo faz com que o coral perca a sua cor exibindo o
esqueleto calcário branco, dai o nome branqueamento. As zooxantelas, além de darem a cor ao coral, produzem componentes orgânicos que
lhes servem de alimento e, em contrapartida, o coral lhes provê abrigo e fornece elementos químicos necessários à sua sobrevivência.
Distúrbios ambientais podem interromper esta delicada simbiose, causando dissociação entre as algas e os corais, provocando mudanças na
estrutura das comunidades coralinas, sobretudo na diminuição do crescimento linear e na redução da taxa de calcificação do esqueleto dos
corais e, consequentemente, na manutenção e no desenvolvimento da estrutura recifal. No Brasil registros de eventos de branqueamento datam
a partir do verão de 1993/1994 com ocorrências nos recifes localizados desde a costa nordeste até comunidades de corais presentes na costa
do estado de São Paulo, e todos estes registros indicam que a ocorrência de branqueamento está relacionada a um aumento anormal da
temperatura das águas oceânicas. Os efeitos das mudanças climáticas globais têm afetado as regiões costeiras em todo o mundo e,
particularmente na América Latina e o Brasil não é exceção, há, ainda, proporcionalmente, pouca pesquisa sendo realizada para entender seus
impactos futuros.
Há um consenso mundial quanto à necessidade de se promover o manejo e a conservação dos recifes de coral. No Brasil, as unidades de
conservação dos recifes estão distribuídas ao longo de todo o litoral e abrange, também, as ilhas oceânicas, apresentando um sistema amplo,
com diferentes categorias de manejo nos três níveis de governo, federal, estadual e municipal, e estas diferentes categorias surgem de acordo
com estudos e demandas comunitárias conforme as características e as alternativas locais para a conservação dos recursos naturais do
ecossistema. Essas áreas protegidas são consideradas, assim, como a mais poderosa ferramenta para a conservação dos recifes de coral.
4.
Os recifes decoral são, provavelmente, as comunidades mais ricas e complexas dos oceanos.
Formaram-se ao longo de milhões de anos, a partir da deposição do carbonato de cálcio proveniente dos esqueletos de corais, e estão entre as comunidades marinhas mais antigas que se
conhece - a sua história remonta há 500 milhões de anos atrás.
Em termos de biodiversidade, só são ultrapassados pelas florestas tropicais húmidas em terra - estima-se que um único recife de coral pode albergar, pelo menos, 3.000 espécies de animais.
Apesar de ocuparem menos de um por cento da área total dos oceanos, 25 por cento de todas as espécies de peixes existentes só se encontram nos recifes de coral!
Aqui, também se encontram representados quase todos os filos e classes conhecidos. A abundância de vida e o grande número de espécies, devem-se às condições únicas de protecção e
alimento que os recifes lhes proporcionam.
Corais e zooxantelas
Os corais responsáveis pela formação dos recifes vivem em simbiose com microalgas, presentes nos seus tecidos e denominadas zooxantelas. Esta relação é benéfica para ambos os
organismos.
Os corais obtêm substâncias nutritivas produzidas pelas zooxantelas, que também contribuem para a deposição de carbonato de cálcio no seu esqueleto. Os pigmentos coloridos das algas
fornecem, também, protecção contra os raios ultra-violeta!
As algas obtêm protecção e utilizam produtos de excreção (dióxido de carbono, amónia, nitratos, fosfatos) dos seus hospedeiros, para realizarem fotossíntese e outros processos metabólicos.
Desta forma, as zooxantelas são importantes para o crescimento dos recifes de coral, pois são responsáveis pela nutrição, remoção de sub-produtos do metabolismo e pela formação dos
esqueletos dos corais.
Assim, a luz torna-se um factor extremamente essencial à sobrevivência e crescimento destes corais.Comparativamente, os corais que possuem zooxantelas crescem mais depressa do que os
que não as possuem.
Alimentação
De uma maneira geral, os corais podem alimentar-se de matéria orgânica dissolvida na água, microorganismos e plâncton. Este último caso observa-se em espécies com pólipos de grandes
dimensões e, principalmente, nas que não têm zooxantelas.
Em defesa do seu território. Apesar de não se deslocarem, os corais desenvolveram mecanismos eficazes de defesa e de competição pelo espaço. Para se defenderem de
agressores, incluindo outros corais, libertam substâncias tóxicas para água ou utilizam os nematocistos.
A competição pelo espaço depende em grande parte da velocidade a que o coral cresce - quanto mais depressa crescer, mais sucesso poderá ter na conquista de espaço.
Notas do Editor
#1 Uma associação extremamente importante para os recifes-de-coral é a simbiose que ocorre entre as espécies de corais e microalgas conhecidas como zooxantelas. Essas algas vivem no interior dos tecidos dos corais construtores dos recifes, realizando fotossíntese e liberando para os corais compostos orgânicos nutritivos. Por sua vez, as zooxantelas sobrevivem e crescem utilizando os produtos gerados pelo metabolismo do coral, como gás carbônico, compostos nitrogenados e fósforo. As necessidades nutricionais dos corais são em grande parte supridas pelas zooxantelas. Elas estão também envolvidas na secreção de cálcio e formação do esqueleto do coral. Apesar de espécies de corais serem encontradas praticamente em todos os oceanos e latitudes, as espécies construtoras de recifes (corais hermatípicos) estão restritas às regiões tropicais e subtropicais. Os recifes necessitam, geralmente, de águas quentes (25 – 30 o C) e claras, longe da influência de água doce. A poluição (esgoto doméstico, vazamento de petróleo etc.) e sedimentação (sedimentos terrígenos levados para o mar devido ao desmatamento e movimentações de terra) põem em risco muitos recifes de corais, incluindo os inúmeros outros organismos que deles dependem (inclusive comunidades humanas que vivem da pesca e coleta de animais marinhos recifais).
#2 Estes dinoflagelados são algas unicelulares que vivem e crescem dentro do tecido coral. Vários milhões destas células de algas vivem em um único centímetro quadrado de tecido coral. Estas algas microscópicas usam a energia da luz solar para fazer o alimento para o coral através da fotossíntese. Isto é conseguido através da conversão de dióxido de carbono para oxigénio e carboidratos (açúcares). Este processo requer uma grande quantidade de luz e é por isso que colônias de corais são encontrados apenas em águas rasas claras. Corais são altamente dependentes de zooxantelas e não sobrevivem por muito tempo sem elas.