O Perfil dos Alunos
desafios pedagógicos
Maria João Horta
(EquipadoPerfil)
DGE/ME
1. Currículo numa sociedade
global
- contexto
- necessidade de mudança
- alguns exemplos
2. Desafios
- à Educação e às Políticas Educativas
- às escolas , aos professores e à gestão curricular
3. Notas finais
1. Currículo numa sociedade
global
- contexto
- necessidade de mudança
- alguns exemplos
A Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) em
1986, teve por base um importante compromisso
que abriu caminho para a expansão do acesso à
educação e para a consolidação da arquitetura do
sistema educativo.
Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências
Essenciais, 2001, revogado em dezembro de 2011.
Doze anos de Escolaridade obrigatória (aprovada
pelo Parlamento em 10 de Julho de 2009; em 2015
terminaram os primeiros jovens essa escolaridade
de 12 anos).
Modelo industrial (disciplinar, uniformizador,
transferência do conhecimento, autoridade, hierarquia,
dependência, quantidade, …) => Uma aprendizagem
compartimentada que prepara para a produção em massa
de mão de obra uniformizada e barata (ouvintes,
seguidores, conservadores, imitadores, dependentes, …)
Modelo social (multidisciplinar, diferenciador,
construção do conhecimento, colaboração, autonomia,
interdependência, qualidade, …) => Uma aprendizagem
orgânica e social, encarada como transformativa e que
prepara para um mundo global que destaca a diferença
(concretizadores, líderes, inovadores, criadores, projetistas,
autónomos, …)
Modelo industrial
Modelo
social
“Num mundo em acelerada mutação,
como deve a escola formar jovens que
são diferentes das gerações anteriores e
de quem se exigirá também algo de
diferente?”
Jornal Expresso: Bernardo Mendonça e Isabel Leiria, dia 8 de abril
de 2017
Algumas reflexões de autores de
referência
Edgar Morin
 “(...) exigência de apontar o inesperado e o incerto como
marcas do nosso tempo; educação para a compreensão
mútua entre as pessoas, de pertenças e culturas
diferentes; e desenvolvimento de uma ética do género
humano, de acordo com uma cidadania inclusiva.”
afirma que diante problemas complexos que as
sociedades contemporâneas hoje enfrentam, apenas
estudos de caráter inter-poli-transdisciplinar podem
resultar em análises satisfatórias de tais complexidades
"Afinal, de que serviriam todos os saberes parciais senão
para formar uma configuração que responda às nossas
expectativas, aos nossos desejos, às nossas interrogações
cognitivas?”
Zygmunt Bauman
Constantly changing conditions
Uncertain future
Collapse of long-term thinking
Focus on short-term goals
Focus on individual responsibility
Risk is to stand still.
Thomas Friedman
 The perceptual shift required for countries,
companies, and individuals to remain competitive
in a global market in which historical and
geographic divisions are becoming increasingly
irrelevant…
Paul Tough
 Competências não cognitivas (“soft
skills”):
 capacidade de autoregulação,
empatia, persistência, curiosidade,
autoconfiança e autoestima,
abertura a novas experiências,
tolerância à incerteza, capacidade
para gerir o insucesso.
Instituições e países com movimentos em
torno da adequação do currículo às
necessidades da sociedade presente e futura
OCDE
Currículo 2030
Fórum
Económico
Mundial
Currículo
Austrália
Currículo
Finlândia
Currículo
Singapura
2. Desafios
- à Educação e às políticas educativas
- às escolas , aos professores e à gestão
curricular
Currículo numa aceção lata: o currículo constitui o
núcleo definidor da existência da escola; um corpo de
aprendizagens que a sociedade considera
necessárias.
(Roldão, 2013)
Atualmente, o currículo é uma manta de retalhos: “Aquilo que temos de
ter é um perfil de saída. Não queremos fazer uma reforma curricular,
não estamos a falar de uma reforma curricular, mas, a partir dos
instrumentos que temos, definir: estamos a formar para quê, qual é o
perfil de saída dos alunos? A partir daí identificar em cada disciplina o
que é essencial para chegar a esse perfil e flexibilizar o resto”, disse o
secretário de Estado, à margem da conferência Currículo para o Século XXI:
competências, conhecimentos e valores, numa escolaridade de 12 anos, na Fundação
Calouste Gulbenkian, em Lisboa. (Abril de 2016)
https://www.publico.pt/2016/04/30/sociedade/noticia/escolas-vao-poder-definir-25-do-curriculo-1730584
Perfil dos Alunos
Flexibilização do currículo
Definição das aprendizagens essenciais
Princípios
Visão
Valores
Áreas de competências
Implicações práticas
Um perfil de base humanista
significa a consideração de uma
sociedade centrada na pessoa e na
dignidade humana como valores
fundamentais.
Perfil dos Alunos: prefácio (ME, 2017)
Competências
Competências são combinações complexas de conhecimentos,
capacidades e atitudes que permitem uma efetiva ação humana
em contextos diversificados.
Áreas de Competências
Linguagens e textos
Informação e comunicação
Raciocínio e resolução de problemas
Pensamento crítico e pensamento criativo
Relacionamento interpessoal
Desenvolvimento pessoal e autonomia
Bem-estar, saúde e ambiente
Sensibilidade estética e artística
Saber científico, técnico e tecnológico
Consciência e domínio do corpo
Implicações práticas (1/2)
• Abordar os conteúdos de cada área do saber associando-os a situações e
problemas presentes no quotidiano da vida do aluno ou presentes no
meio sociocultural e geográfico em que se insere, recorrendo a materiais
e recursos diversificados;
• Organizar o ensino prevendo a experimentação de técnicas,
instrumentos
e formas de trabalho diversificados, promovendo intencionalmente,
na sala de aula ou fora dela, atividades de observação, questionamento
da realidade e integração de saberes;
• Organizar e desenvolver atividades cooperativas de aprendizagem,
orientadas
para a integração e troca de saberes, a tomada de consciência de si, dos
outros
e do meio e a realização de projetos intra ou extraescolares;
Implicações práticas (2/2)
• Organizar o ensino prevendo a utilização crítica de fontes de informação
diversas
e das tecnologias da informação e comunicação;
• Promover de modo sistemático e intencional, na sala de aula e fora dela,
atividades que permitam ao aluno fazer escolhas, confrontar pontos de
vista, resolver problemas e tomar decisões com base em valores;
• Criar na escola espaços e tempos para que os alunos intervenham livre
e responsavelmente;
• Valorizar, na avaliação das aprendizagens do aluno, o trabalho de livre
iniciativa, incentivando a intervenção positiva no meio escolar e na
comunidade.
O Perfil dos
alunos exige
práticas
pedagógicas
adequadas
em sala de
aula
Práticas pedagógicas inovadoras:
aquelas que são desenvolvidas em
contexto educativo por professores que
buscam formas diferenciadas de
melhorar e aperfeiçoar continuamente as
suas metodologias de ensino e que
pressupõe como referência um ensino
centrado no aluno.
exigem competência e confiança
dos professores, “fatores decisivos
na implementação da inovação nas
práticas educativas” (Peralta e Costa,
2007, p. 78).
O Perfil dos
alunos exige
práticas
pedagógicas
adequadas
em sala de
aula
O professor dá suporte a aprendizagens
mais profundas através de estratégias e
atividades diversificadas: trabalho de
grupo e trabalho de pares, colaboração
entre pares e aprendizagem por
descoberta (tendo, p.e. como ponto de
partida situações do quotidiano ou
desafios), trabalho de projeto, etc...
Recursos diversificados,
nomeadamente,
às tecnologias de informação e
comunicação.
O Perfil dos
alunos exige
práticas
pedagógicas
adequadas
em sala de
aula
Acabar com a compartimentação de
saberes;
Abrir a sala de aula, fisicamente e
digitalmente;
Envolver os alunos nas tomadas de decisão.
http://www.oecd.org/edu/school/education-2030.htm
3. Notas finais
Que
sustentação
para a
inovação
pedagógica?
Sistema Educativo: um ecossistema social,
resistente à mudança onde os diversos
atores (currículo, professores, sindicatos,
editoras, pais e encarregados de educação,
…avaliação, políticas, manuais, ….) se
reforçam mutuamente em configurações
estáveis, altamente resistentes à mudança.
A inércia do sistema tende a diluir as
inovações.
«Limitar a educação à transmissão de conhecimento académico
é correr o risco de estupidificar os alunos, reduzindo-os à
competição com os computadores, ao invés de focar em
características humanas fundamentais que permitem que a
educação fique à frente
dos progressos tecnológicos e sociais. Pensar sobre a verdade,
domínio do conhecimento humano e da aprendizagem; sobre o
belo, domínio da criatividade, da estética e do design; sobre o
bem, domínio da ética;
o justo, domínio da vida política e cívica; o sustentável, domínio
da saúde da natureza e física. São apenas alguns exemplos. (…)
é preciso reorganizar a aprendizagem, com
“ousadia”.»
Diretor do Departamento da Educação da OCDE, Andreas
Schleicher, 2017
obrigada
Maria João Horta
DGE
maria.joao.horta@dge.mec.pt

Perfil_dos_Alunos_desafios_pedagogicos (1).ppsx

  • 1.
    O Perfil dosAlunos desafios pedagógicos Maria João Horta (EquipadoPerfil) DGE/ME
  • 2.
    1. Currículo numasociedade global - contexto - necessidade de mudança - alguns exemplos 2. Desafios - à Educação e às Políticas Educativas - às escolas , aos professores e à gestão curricular 3. Notas finais
  • 3.
    1. Currículo numasociedade global - contexto - necessidade de mudança - alguns exemplos
  • 5.
    A Lei deBases do Sistema Educativo (LBSE) em 1986, teve por base um importante compromisso que abriu caminho para a expansão do acesso à educação e para a consolidação da arquitetura do sistema educativo. Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais, 2001, revogado em dezembro de 2011. Doze anos de Escolaridade obrigatória (aprovada pelo Parlamento em 10 de Julho de 2009; em 2015 terminaram os primeiros jovens essa escolaridade de 12 anos).
  • 6.
    Modelo industrial (disciplinar,uniformizador, transferência do conhecimento, autoridade, hierarquia, dependência, quantidade, …) => Uma aprendizagem compartimentada que prepara para a produção em massa de mão de obra uniformizada e barata (ouvintes, seguidores, conservadores, imitadores, dependentes, …) Modelo social (multidisciplinar, diferenciador, construção do conhecimento, colaboração, autonomia, interdependência, qualidade, …) => Uma aprendizagem orgânica e social, encarada como transformativa e que prepara para um mundo global que destaca a diferença (concretizadores, líderes, inovadores, criadores, projetistas, autónomos, …) Modelo industrial Modelo social
  • 7.
    “Num mundo emacelerada mutação, como deve a escola formar jovens que são diferentes das gerações anteriores e de quem se exigirá também algo de diferente?” Jornal Expresso: Bernardo Mendonça e Isabel Leiria, dia 8 de abril de 2017
  • 8.
    Algumas reflexões deautores de referência
  • 9.
    Edgar Morin  “(...)exigência de apontar o inesperado e o incerto como marcas do nosso tempo; educação para a compreensão mútua entre as pessoas, de pertenças e culturas diferentes; e desenvolvimento de uma ética do género humano, de acordo com uma cidadania inclusiva.” afirma que diante problemas complexos que as sociedades contemporâneas hoje enfrentam, apenas estudos de caráter inter-poli-transdisciplinar podem resultar em análises satisfatórias de tais complexidades "Afinal, de que serviriam todos os saberes parciais senão para formar uma configuração que responda às nossas expectativas, aos nossos desejos, às nossas interrogações cognitivas?”
  • 10.
    Zygmunt Bauman Constantly changingconditions Uncertain future Collapse of long-term thinking Focus on short-term goals Focus on individual responsibility Risk is to stand still.
  • 11.
    Thomas Friedman  Theperceptual shift required for countries, companies, and individuals to remain competitive in a global market in which historical and geographic divisions are becoming increasingly irrelevant…
  • 12.
    Paul Tough  Competênciasnão cognitivas (“soft skills”):  capacidade de autoregulação, empatia, persistência, curiosidade, autoconfiança e autoestima, abertura a novas experiências, tolerância à incerteza, capacidade para gerir o insucesso.
  • 13.
    Instituições e paísescom movimentos em torno da adequação do currículo às necessidades da sociedade presente e futura
  • 14.
  • 15.
  • 16.
  • 17.
  • 18.
  • 19.
    2. Desafios - àEducação e às políticas educativas - às escolas , aos professores e à gestão curricular
  • 20.
    Currículo numa aceçãolata: o currículo constitui o núcleo definidor da existência da escola; um corpo de aprendizagens que a sociedade considera necessárias. (Roldão, 2013)
  • 21.
    Atualmente, o currículoé uma manta de retalhos: “Aquilo que temos de ter é um perfil de saída. Não queremos fazer uma reforma curricular, não estamos a falar de uma reforma curricular, mas, a partir dos instrumentos que temos, definir: estamos a formar para quê, qual é o perfil de saída dos alunos? A partir daí identificar em cada disciplina o que é essencial para chegar a esse perfil e flexibilizar o resto”, disse o secretário de Estado, à margem da conferência Currículo para o Século XXI: competências, conhecimentos e valores, numa escolaridade de 12 anos, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. (Abril de 2016) https://www.publico.pt/2016/04/30/sociedade/noticia/escolas-vao-poder-definir-25-do-curriculo-1730584
  • 22.
    Perfil dos Alunos Flexibilizaçãodo currículo Definição das aprendizagens essenciais
  • 23.
  • 24.
    Um perfil debase humanista significa a consideração de uma sociedade centrada na pessoa e na dignidade humana como valores fundamentais. Perfil dos Alunos: prefácio (ME, 2017)
  • 26.
    Competências Competências são combinaçõescomplexas de conhecimentos, capacidades e atitudes que permitem uma efetiva ação humana em contextos diversificados.
  • 27.
    Áreas de Competências Linguagense textos Informação e comunicação Raciocínio e resolução de problemas Pensamento crítico e pensamento criativo Relacionamento interpessoal Desenvolvimento pessoal e autonomia Bem-estar, saúde e ambiente Sensibilidade estética e artística Saber científico, técnico e tecnológico Consciência e domínio do corpo
  • 28.
    Implicações práticas (1/2) •Abordar os conteúdos de cada área do saber associando-os a situações e problemas presentes no quotidiano da vida do aluno ou presentes no meio sociocultural e geográfico em que se insere, recorrendo a materiais e recursos diversificados; • Organizar o ensino prevendo a experimentação de técnicas, instrumentos e formas de trabalho diversificados, promovendo intencionalmente, na sala de aula ou fora dela, atividades de observação, questionamento da realidade e integração de saberes; • Organizar e desenvolver atividades cooperativas de aprendizagem, orientadas para a integração e troca de saberes, a tomada de consciência de si, dos outros e do meio e a realização de projetos intra ou extraescolares;
  • 29.
    Implicações práticas (2/2) •Organizar o ensino prevendo a utilização crítica de fontes de informação diversas e das tecnologias da informação e comunicação; • Promover de modo sistemático e intencional, na sala de aula e fora dela, atividades que permitam ao aluno fazer escolhas, confrontar pontos de vista, resolver problemas e tomar decisões com base em valores; • Criar na escola espaços e tempos para que os alunos intervenham livre e responsavelmente; • Valorizar, na avaliação das aprendizagens do aluno, o trabalho de livre iniciativa, incentivando a intervenção positiva no meio escolar e na comunidade.
  • 30.
    O Perfil dos alunosexige práticas pedagógicas adequadas em sala de aula Práticas pedagógicas inovadoras: aquelas que são desenvolvidas em contexto educativo por professores que buscam formas diferenciadas de melhorar e aperfeiçoar continuamente as suas metodologias de ensino e que pressupõe como referência um ensino centrado no aluno. exigem competência e confiança dos professores, “fatores decisivos na implementação da inovação nas práticas educativas” (Peralta e Costa, 2007, p. 78).
  • 31.
    O Perfil dos alunosexige práticas pedagógicas adequadas em sala de aula O professor dá suporte a aprendizagens mais profundas através de estratégias e atividades diversificadas: trabalho de grupo e trabalho de pares, colaboração entre pares e aprendizagem por descoberta (tendo, p.e. como ponto de partida situações do quotidiano ou desafios), trabalho de projeto, etc... Recursos diversificados, nomeadamente, às tecnologias de informação e comunicação.
  • 32.
    O Perfil dos alunosexige práticas pedagógicas adequadas em sala de aula Acabar com a compartimentação de saberes; Abrir a sala de aula, fisicamente e digitalmente; Envolver os alunos nas tomadas de decisão. http://www.oecd.org/edu/school/education-2030.htm
  • 33.
  • 34.
    Que sustentação para a inovação pedagógica? Sistema Educativo:um ecossistema social, resistente à mudança onde os diversos atores (currículo, professores, sindicatos, editoras, pais e encarregados de educação, …avaliação, políticas, manuais, ….) se reforçam mutuamente em configurações estáveis, altamente resistentes à mudança. A inércia do sistema tende a diluir as inovações.
  • 35.
    «Limitar a educaçãoà transmissão de conhecimento académico é correr o risco de estupidificar os alunos, reduzindo-os à competição com os computadores, ao invés de focar em características humanas fundamentais que permitem que a educação fique à frente dos progressos tecnológicos e sociais. Pensar sobre a verdade, domínio do conhecimento humano e da aprendizagem; sobre o belo, domínio da criatividade, da estética e do design; sobre o bem, domínio da ética; o justo, domínio da vida política e cívica; o sustentável, domínio da saúde da natureza e física. São apenas alguns exemplos. (…) é preciso reorganizar a aprendizagem, com “ousadia”.» Diretor do Departamento da Educação da OCDE, Andreas Schleicher, 2017
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Notas do Editor

  • #10 Uma reflexão profunda sobre a insegurança, sobretudo nas grandes cidades. Terrorismo, desemprego, solidão - fenómenos típicos de uma era na qual, para Bauman, a exclusão e a desintegração da solidariedade expõem o homem aos seus temores mais graves.