SAUDADES

Olá Pai.
Tenho saudades de falar contigo.
Gostava de te ouvir e de te dizer tanta coisa que o
curto tempo da vida não me deixou manifestar.
Tenho tantas saudades tuas.
Tenho saudades desse teu jeito de ser honesto e
ponderado.
Sinto saudades de ir até o teu atelier e ouvir-te em
conversa serena ou escutar os teus sabedores
silêncios enquanto ouvias as palavras dos outros.
Não tive tempo de te falar de tudo.
Especialmente do quanto te amava. Mas estou
convicta que tu sabias do meu desejo de o fazer.
E …afinal? Porque morreste tão repentinamente?
Bem me podias ter avisado que a louca da morte
rondava a cabeceira da tua cama.
Gostava tanto de falar contigo, Pai!
Quando eu estiver pronta para fazer a viagem, e for
viver para a cidade onde tu agora moras, vamos
falar com o Mestre para nos deixar estar um tempo
juntos, sentados a saborear as conversas que
nunca tivemos.
Então vou-te dizer, calmamente, como te admiro e
amo, coisas que, com receio do exagero do termo,
nunca te confessei.
Vou falar-te da minha admiração por ti e da
felicidade de saber que sempre foste o pai que
qualquer pessoa gostaria de ter.
Ainda vamos ter um tempo de conversa só para
nós.
Para te ouvir na mansidão do tempo e para te
contar coisas do passado e do presente que, por
falta de tempo, de jeito e de oportunidade, nunca
te disse.
Um xi-coração e um beijinho da tua filha que te
adora, admira e ama…
Nanda

Trabalho realizado por: Rosalina Rocha

Olá Pai

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    SAUDADES Olá Pai. Tenho saudadesde falar contigo. Gostava de te ouvir e de te dizer tanta coisa que o curto tempo da vida não me deixou manifestar. Tenho tantas saudades tuas. Tenho saudades desse teu jeito de ser honesto e ponderado. Sinto saudades de ir até o teu atelier e ouvir-te em conversa serena ou escutar os teus sabedores silêncios enquanto ouvias as palavras dos outros. Não tive tempo de te falar de tudo. Especialmente do quanto te amava. Mas estou convicta que tu sabias do meu desejo de o fazer. E …afinal? Porque morreste tão repentinamente? Bem me podias ter avisado que a louca da morte rondava a cabeceira da tua cama. Gostava tanto de falar contigo, Pai! Quando eu estiver pronta para fazer a viagem, e for viver para a cidade onde tu agora moras, vamos falar com o Mestre para nos deixar estar um tempo juntos, sentados a saborear as conversas que nunca tivemos. Então vou-te dizer, calmamente, como te admiro e amo, coisas que, com receio do exagero do termo, nunca te confessei. Vou falar-te da minha admiração por ti e da felicidade de saber que sempre foste o pai que qualquer pessoa gostaria de ter. Ainda vamos ter um tempo de conversa só para nós. Para te ouvir na mansidão do tempo e para te contar coisas do passado e do presente que, por falta de tempo, de jeito e de oportunidade, nunca te disse. Um xi-coração e um beijinho da tua filha que te adora, admira e ama…
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