Funcionaria da UBS do Jardim Helena flagrada encaminhandoremedios
para fora do posto de Saude
Especialmente numa crise, quem sempre perde é aquele cujos direitos
são desrespeitados sem ele saber. Nos hospitais, são muitas as formas
pelas quais um paciente pode se sentir desrespeitado. A falta de
remédios ou médicos normalmente pode se dever à ineficiência ou
omissão do poder público. Mas também pode ser resultado de práticas
conhecidas e não corrigidas dos funcionários. Este relato, ao qual o
repórter assistiu inadvertidamente, pode ser um exemplo do segundo
caso.
O repórter foi, na quinta-feira, 28 de abril, por volta das 15h, ao posto de
saúde da UBS “Dra. Maria José de Albuquerque”, no Jardim Helena,
localizada na Avenida Armando Andrade, 741, para fazer uma consulta
pelo clínico geral. Por problemas de documentação, o repórter não pôde
ser atendido, e foi encaminhado a outra unidade. Pelo adiantado da
hora, o repórter preferiu passar uns minutos em frente ao posto,
descansando e comendo umas balinhas. Láestando, havia uma senhora
de uns 35 anos mais ou menos, bem vestida, com uma espécie de
bermuda cinza, cabelo em forma de coque, nariz aquilino, branca mas
com cabeleira preta, cuidando de uma menina de uns 6 anos
aproximadamente, que brincava com ela ou sozinha.
O repórter permanecia háuns 5 minutos no local quando se aproximou
uma funcionária do posto, loira tingida, de compleição forte, com uns 35
anos aproximadamente, e uma tatuagem bem marcada escrito
"Mariana" no braço direito. A funcionária estava sendo esperada pela
moça de cabelo em coque.
Mal chegou, a funcionária começou a retirar remédios de uma bolsa
grande, de vários tipos, que a moça com a criança passou a transferir
para uma bolsa de cor avermelhada e outras sacolas que passou a
retirar dela. O repórter não conseguiu identificar os remédios, de que
tipo eram, nem para que tipo de especialidade.
Enquanto transferiam os remédios, a funcionária conversava com a
outra moça com certa satisfação. Segundo a funcionária, o médico que
lhe autorizou a retirada dos remédios do posto estranhou a quantidade
e a aparente gravidade do suposto paciente a quem eles iriam ser
ministrados. Com um leve tom de zombaria, a funcionária comentou que
disse ao médico que os remédios eram para sua ex-sogra, e que ela
cuidava de toda a família com muita atenção e carinho.
A funcionária ria do que havia dito ao médico enquanto a moça de
cabelo em coque ficava calada e colocava os remédios nas duas
sacolas (a bolsa e uma sacola plástica grande). Num determinado
momento, a moça que embalava os remédios comentou com a
funcionária que na região dela (não se sabe se em Taboão ou outros
municípios) os postos não tinham remédio, e que ela precisava muito
deles.
A funcionaria lhe disse que não tinha problema algum, que ela poderia
sempre aparecer no posto onde elas estavam para pegar outros
remédios, bastava ela trazer as receitas. Não parecia, para o reporter,
existirem indícios de falsificação de receitas por parte da moça que
esperara a funcionária, mas o repórter estranhou o bom nível das
roupas que a moça com a criança estava usando.
A funcionária, por sua vez, explicou para a moça que ela iria ficar este
ano direto naquele posto porque, como era ano de eleição, ela iria fazer
campanha na região. Ao final de elas embalarem os remédios, as duas
moças se despediram brevemente, repetindo varias vezes “Amém”. Tão
logo a funcionária voltou ao posto, a moça com a garotinha passou pelo
repórter (foi quando ele notou a qualidade de suas roupas), que não se
identificou, e seguiu em direção de uma rua perpendicular àquela e que
dána BR-116.
Com esse tipo de prática, a funcionária daquele posto que foi flagrada
retirando remédios sem que as receitas fossem de pacientes daquele
posto e sem a garantia de corresponderem a pacientes reais, apropriou-
se, para fins pessoais, de patrimônio público controlado e fazendo com
que pacientes daquele posto tenham menos remédios para seus males

materia sobre roubo de remedios

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    Funcionaria da UBSdo Jardim Helena flagrada encaminhandoremedios para fora do posto de Saude Especialmente numa crise, quem sempre perde é aquele cujos direitos são desrespeitados sem ele saber. Nos hospitais, são muitas as formas pelas quais um paciente pode se sentir desrespeitado. A falta de remédios ou médicos normalmente pode se dever à ineficiência ou omissão do poder público. Mas também pode ser resultado de práticas conhecidas e não corrigidas dos funcionários. Este relato, ao qual o repórter assistiu inadvertidamente, pode ser um exemplo do segundo caso. O repórter foi, na quinta-feira, 28 de abril, por volta das 15h, ao posto de saúde da UBS “Dra. Maria José de Albuquerque”, no Jardim Helena, localizada na Avenida Armando Andrade, 741, para fazer uma consulta pelo clínico geral. Por problemas de documentação, o repórter não pôde ser atendido, e foi encaminhado a outra unidade. Pelo adiantado da hora, o repórter preferiu passar uns minutos em frente ao posto, descansando e comendo umas balinhas. Láestando, havia uma senhora de uns 35 anos mais ou menos, bem vestida, com uma espécie de bermuda cinza, cabelo em forma de coque, nariz aquilino, branca mas com cabeleira preta, cuidando de uma menina de uns 6 anos aproximadamente, que brincava com ela ou sozinha. O repórter permanecia háuns 5 minutos no local quando se aproximou uma funcionária do posto, loira tingida, de compleição forte, com uns 35 anos aproximadamente, e uma tatuagem bem marcada escrito "Mariana" no braço direito. A funcionária estava sendo esperada pela moça de cabelo em coque. Mal chegou, a funcionária começou a retirar remédios de uma bolsa grande, de vários tipos, que a moça com a criança passou a transferir para uma bolsa de cor avermelhada e outras sacolas que passou a retirar dela. O repórter não conseguiu identificar os remédios, de que tipo eram, nem para que tipo de especialidade. Enquanto transferiam os remédios, a funcionária conversava com a outra moça com certa satisfação. Segundo a funcionária, o médico que lhe autorizou a retirada dos remédios do posto estranhou a quantidade e a aparente gravidade do suposto paciente a quem eles iriam ser ministrados. Com um leve tom de zombaria, a funcionária comentou que
  • 2.
    disse ao médicoque os remédios eram para sua ex-sogra, e que ela cuidava de toda a família com muita atenção e carinho. A funcionária ria do que havia dito ao médico enquanto a moça de cabelo em coque ficava calada e colocava os remédios nas duas sacolas (a bolsa e uma sacola plástica grande). Num determinado momento, a moça que embalava os remédios comentou com a funcionária que na região dela (não se sabe se em Taboão ou outros municípios) os postos não tinham remédio, e que ela precisava muito deles. A funcionaria lhe disse que não tinha problema algum, que ela poderia sempre aparecer no posto onde elas estavam para pegar outros remédios, bastava ela trazer as receitas. Não parecia, para o reporter, existirem indícios de falsificação de receitas por parte da moça que esperara a funcionária, mas o repórter estranhou o bom nível das roupas que a moça com a criança estava usando. A funcionária, por sua vez, explicou para a moça que ela iria ficar este ano direto naquele posto porque, como era ano de eleição, ela iria fazer campanha na região. Ao final de elas embalarem os remédios, as duas moças se despediram brevemente, repetindo varias vezes “Amém”. Tão logo a funcionária voltou ao posto, a moça com a garotinha passou pelo repórter (foi quando ele notou a qualidade de suas roupas), que não se identificou, e seguiu em direção de uma rua perpendicular àquela e que dána BR-116. Com esse tipo de prática, a funcionária daquele posto que foi flagrada retirando remédios sem que as receitas fossem de pacientes daquele posto e sem a garantia de corresponderem a pacientes reais, apropriou- se, para fins pessoais, de patrimônio público controlado e fazendo com que pacientes daquele posto tenham menos remédios para seus males