2
Adilson Motta
Radiografia de Bom Jardim – MA.
História e Geografia
(Contribuindo para uma educação contextual)
1ª edição - 2007
Revisão: Julho de 2021
E-mail para contato e Sugestões: webinformatica62@gmail.com
Bom Jardim-MA
2020
3
Os conteúdos deste documento são de inteira responsabilidade do autor,
portanto, sua reprodução só será permitida, desde que citado o autor. E sua
alteração, mediante assinatura por escrito do mesmo.
MOTTA, Adilson Pires
Radiografia de uma cidade brasileira. E a sua? História e
geografia / Adilson Pires Motta. - Bom Jardim – MA. 2010.
269 p.: il.
1. Bom Jardim - MA – Aspectos geográficos 3. Bom Jardim
– MA. – Aspectos culturais I Título
CDD 900 (UFMA, 2006)
CDU 908 (812-1)
ISBN: 978-65-90156-1-1-81
ORGANIZAÇÃO:
Adilson Motta
DIGITAÇÃO:
Adilson Motta
Colaboração: Luzinete Silva Vieira
Fotografia:
Rogério Matos
Sibimba (fotógrafo)
CARTOGRAFIA: (mapas)
IBGE
Adilson Motta
Antônio dos Santos Júnior
Araão (Ex-secretário de Saúde)
REVISÃO
Adilson Motta
Firmino Viveiros dos Santos
Claudyomilton Santos
Valderlene Gomes e Silva.
Francisco Pires Mota
José Arnaldo da Silva
4
Sobre o autor
Adilson Motta, filho de Luzanira, nascido em Bom Jardim-MA (Região do Vale do Pindaré).
Formado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão em 2005. Já foi comerciante, e
atualmente é professor e escritor. Escreveu o livro “Radiografia de Bom Jardim – Aspectos
históricos, geográficos e culturais”. Sem apoio para publicá-lo, fez uma doação aos
munícipes, o qual se encontra disponível em Rede Social no formato pdf.
Desde cedo, apesar da mãe ser analfabeta, - produto de um contexto social, por não ter podido
estudar, e ter criado sete filhos no árduo labor e dificuldades com a ajuda de seus avós, a mãe
colocou algo precioso nas mãos dos filhos: revistas em quadrinhos e gibis, o que no futuro
despertou para outras leituras, e suas riquezas, tal como os caminhos da pesquisa e produção
textual (como hoby predileto). Além deste trabalho, existe mais oito (08) que estão
disponíveis em sites e lojas virtuais na internet. De 1981 a 1985 morou em Barcelos,
Amazonas. Nos final dos anos 80 retornou a Bom Jardim, onde por um longo tempo exerceu a
atividade de comerciante, (varejista e atacadista). Em 2006, retorna a Bom Jardim-MA, se
restabelecendo.
“É necessário conhecer o passado
para se ter percepção do presente,
e conhecer o presente para
planejar o futuro”.
5
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos estudantes, professores e sociedade em geral que
precisam deste conhecimento. A todos que desejam conhecer o passado e a
realidade desta terra.
Dedico-o também, especialmente, em memória às primeiras famílias que
assentaram as bases para construir a história de Bom Jardim:
Primeiras Famílias Bonjardinenses
Dos anos 59 a 70 * Gerso Meireles
* Nélio (de Dona Maria Estela)-
Comerciante
* Frederico Varão
* Elias Ribeiro* Zé Marinheiro
* Nilo Ribeiro* Zeferino Gomes Pereira
*Chico Milhão* Miguel Milhão
* Bernardo Meireles
* Benjamin Olegório Ribeiro
* Raimundo Fuíca
*Antonio Joaquim (Biribute)
*Chico Cobó * Raimundo Santos
* Bernardo Carvalho
* Antonio de Sales (1ª Farmácia)
* Zé de Sales
* Dico da Vespa (Empresário-Oficina)
* João Sendero
* Ex-vereador Binóca
* Chico Celestino
* Ze Gorim (Dono de Restaurante)
* Chico Vítor * Pedro Carvalho
* Antonio Leandro (Liandra)
* Chico Firme
*Sibimba (Alfaiate/Fotógrafo)
* Joaquim Bezerra (Pai do Biribute)
* Mário Santiago
* Raimundo Varão
* Valdivino Amorim (Comerciante)
* Antonio Curador
* Manoel Matias (Pai do Chico Betel)
* Antonio Surdo(Fundador do Povoado Santa Luz)
*Chico Dentista (Comerciante)
* Dona Toinha (do Comércio)
* Genesão (Comerciante)
*Raimundo Massau
* Miguel Meireles
* Biribute da Calçadeira
* Manoel Pereira Mota
* João Bombom (Da calçadeira)
* Antonio de Santos (Antonio do Dudú)
* Zé Braz (Pai do Chico do Braz)
* Zequinha Joalheiro
* Manoel Chagas
* Raimundo Cícero Gome (Seu Dico)
* José Pedro Vasconcelos
* Binóca Prachedes
*Maneco Sousa
* Manoel Polino
* Sebastião Bispo
*Adroaldo Alves Matos
* Mauzol Miguel
* Corinto (Cabeleireiro)
*Raimundo Danana
* Zé da Joana
*Família Gama
* Pedro Sotero
* João Marruá
* Arlindo Trindade (da Gregória)
* Amador (Irmão de Benedito Bogé)
* Pedro Novo
* Mundico Guimarães (Pai de Boanerges)
* Miguel Gogó
*Joaquim Memória
* João do Rádio
* Romão Cosme do Nascimento
* Simão Lopes
*Antonio Piauí
* Expedito Pereira
*Chico Rumano
* Pacífico Ferreira de Melo
* Joca Soares de Melo
* Raimundo Oleiro
* Zezé (Comerciante)
* Manoel Frota
* Benedito Barbado
* Ozano Bezerra
* Tarzan do Sindicato
* Valquírio Bertoldo
* Valdemar Sapateiro
* Alcides (Sogro do Dionísio)
* Família Venâncio
**********************
* Gildásio Ferreira Brabo(1º prefeito
eleito)
*João Batista Feitosa(1º prefeito por
intervenção)
* Pedro Juvino (Comerciante)
6
SUMÁRIO
HISTÓRIA VERSUS CIDADANIA..................................................................09
1. INTRODUÇÃO (CONSIDERAÇÕES GERAIS)...............................................10
2. GEOGRAFIA BONJARDINENSE................................................................11
2.1 Meio Ambiente (com mapa ambiental de Bom Jardim).............................26
2.2 Meio ambiente bonjardinense..............................................................26
2.3 Medidas corretivas aos problemas ambientais de Bom Jardim..................28
3 UM BREVE HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO NO VALE DO PINDARÉ....................37
3.1 Primeiros escritos da História de Bom Jardim – MA. .......................................42
4. HISTÓRIA DA ORIGEM DE BOM JARDIM...................................................43
4.1 Contexto da política Estadual e Nacional................................................54
4.2 Evolução sócio-político da história de Bom Jardim...................................55
4.3 Biografia dos Prefeitos.........................................................................82
4.4 Vultos bonjardinenses.......................................................................84
5 ASPECTOS SOCIAIS.............................................................................88
6. ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA...........................................93
6.1 Símbolos municipais..........................................................................111
7 CONHECENDO SÃO LUÍS.......................................................................112
8.HISTÓRIA DOS PRINCIPAIS DISTRITOS DE BOM JARDIM-MA (Rosário, Novo Caru,
Vila Bandeirante, Região da Miril, Tirirical e Cassimiro)..............................114
8.1REGIÃO DA MIRIL, VARIG, BREJO SOCIAL, AEROPORTO E ANTONIO
CONSELHEIRO..............................................................................123
8.1 Indício de Colonização na Região Caru................................................143
8.2 Descobrindo nossas origens................................................................146
8.3 Programas sociais, benefícios, emprego...............................................147
9. INSTITUIÇÕES, SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES.......................................147
9.1 INFRAESTRUTURA HABITACIONAL......................................................156
9.2 SETOR DE COMUNICAÇÃO..................................................................135
10 EDUCAÇÃO E CULTURA......................................................................137
10.1 História da educação de Bom Jardim................................................137
10.2 As Primeiras Escolas em Bom Jardim................................................137
10.3 Situação Político-Educacional dos anos 60a 80 em Bom Jardim............144
10.4 Gráficos Situacionais da Educação em Bom Jardim.............................148
10.5 Contexto histórico da EJAI (educação de jovens, adultos e idosos em Bom Jardim – MA.
10.6 Possível Explicação para o Fracasso Escolar .......................................154
11 ASPECTOSCULTURAIS DE BOM JARDIM..........................................159
11.1 Manifestações Folclóricas..................................................................187
11.2 Danças: dança do coco, mangaba, quadrilha, bumba-meu-boi..............187
11.3 O casamento na roça.......................................................................191
11.4 O bumba-meu-boi em Bom Jardim.....................................................194
11.5 O Auto do Bumba-meu-boi/ Interpretação e Histórico...........................198
7
11.6 Festas: Festival do peixe, Carnaval, Festejo de São Francisco de Assis,
Festa do divino, Festas juninas...............................................................199
12 LENDA: PADRE CORDEIRO - A EXCOMUNHÃO......................................205
12.1 CANTORES E ESCRITORES DA TERRA ...............................................206
12.2 Teatro...........................................................................................209
12.3 Artes plásticas...............................................................................210
12.4 Aspectos desportivos..................................................................... 212
12.5A capoeira...................................................................................................213
13 INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS (EVOL. HISTÓRICA)...................................218
13.1 A MAÇONARIA EM BOM JARDIM......................................................230
13.2 AS RELIGIÕES AFRO (MACUMBA, UMBANDA,CANDOMBLÉ).................321
14 POPULAÇÃO INDÍGENA.....................................................................237
14.1 População Indígena Mundial ...........................................................237
14.2 Panorama Maranhense da População Indígena (com mapa das reservas)...........237
14.3 A população Guajajara....................................................................238
14.4 População Indígena de Bom Jardim (Reservas Pindaré e Caru)..............239
14.5 Estrutura da Sociedade Guajajara.....................................................241
14.6 Crendices Indígenas........................................................................245
14.7 Lendas e mitos dos guajajara............................................................246
15 ASPECTOS ECONÔMICOS DE BOM JARDIM-DADOS EVOLUTIVOS..............248
5.1 Agropecuária Bonjardinense..............................................................249
15.2 Extrativismo e Recursos naturais....................................................250
15.3 A DECADÊNCIA AGRÍCOLA NO MUNICÍPIO DE BOM JARDIM................253
15.4 Economia de Bom Jardim – MA.......................................................255
15.5 Infra Estrutura Bancária e Histórico..................................................268
CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................271
REFERÊNCIAS.................................................................................................................................272
8
O Desafio
O presente trabalho, conjugado aos demais foi o maior desafio de minha vida até
hoje; um projeto iniciado com recursos próprios, em fevereiro de 2004 dei início
neste trabalho e outros. Apesar da falta de apoio das autoridades local (Bom Jardim),
jamais desisti e decidi ir até o fim.
Não foi muito fácil, pois, vivemos em um país, onde se fala muito em cultura,
mas na íntegra esta fica em último lugar.
No caso, Radiografia de uma cidade brasileira, tendo como centro e enfoque
maior a cidade de Bom Jardim, é abrangente, propondo-se a resgatar vários aspectos
da história que vai além do município em estudo – contempla várias cidades na
Microrregião do Vale do Pindaré.
As dificuldades surgiam exatamente no fato de haver os que não valorizam o resgate
da história a qual não foi eles que fizeram e argumentam dizendo: “quem gosta de
passado é museu”.
Lamentavelmente, ninguém é eterno! Morrem os desbravadores e junto com
eles a história que ajudaram a construir. É óbvio, um povo sem história é um povo
sem raízes, sem identidade.
Durante as pesquisas foram muitas as situações de impacto; mas não vem ao
caso; corruptos, ignorantes, tentam podar tudo relacionado à cultura, para que o povo
continue a admirá-los, sem saber o quanto são perniciosos.
Tratando-se de desvalorização da cultura, os políticos na maioria são
recordistas. Quando buscava informações para integrar ao corpo deste trabalho,
informações foram negadas, e, percebi que, as evasivas eram por temer, que fosse
descoberto o que buscam manter no anonimato. Informação é poder, e eles sabem
disso; e um povo sem cultura ou desinformado de sua realidade é facilmente
manobrado. Existe dinheiro para tudo, menos para contribuir com o resgate da
história do município, onde se inclui o herói anônimo que depositou seu voto de
confiança elegendo um mau administrador.
As experiências vividas durante o desempenho deste trabalho me fizeram ver
que a maioria dos seres humanos não se dão conta que estamos aqui só de passagem,
além de mostrar claramente, que tudo é possível, basta acreditar e lutar. As
dificuldades foram superadas e aqui está: Radiografia de Bom Jardim – um presente e
doação que faço ao povo de Bom Jardim.
9
História Versus Cidadania
Os dicionários definem que a história se conceitua como Ciência que estuda a vida
humana através dos tempos. É necessário como cidadãos estudarmos história mais do que
nessa simples visão informativa e inteirativa; o essencial é estudá-la como um instrumento de
mudança, que nos permita olharmos para trás e sabermos o que queremos para o futuro que
começa em cada presente. O passado e o presente são inseparáveis, pois somos produtos do
passado e perspectiva de um futuro. O passado histórico, além de ser de extrema importância
para se compreender o presente, as atuais formas de relacionamento entre os homens, as
comunidades e entre os países, pode servir para conscientizar a todos da tarefa de
construirmos um mundo mais justo, mais digno; ajudando então a transformar o país, estado e
municípios para melhor. Conhecer nossa história, a transformação de nossa sociedade e sua
análise (apreender os fatos e compreendê-los diante de outras variáveis) pode ajudar-nos, a
saber, onde estamos e a escolher para onde vamos. E, em outras convergências, é preciso
conhecer a história para corrigir erros e ressaltar acertos. O povo que não conhece seu
passado, a sua história, certamente pode voltar a viver tempos tenebrosos e de triste memória
como tempos idos e não muito distante.
A dialética de Karl Marx aponta que o eixo das transformações históricas são
alimentadas ou produzidas a partir da dinâmica das contradições que permeiam os
acontecimentos sociais e leva a seus opostos. Já outros autores apontam que as ações próprias
do homem – passadas, presentes ou futuras - se lhe aparecem sob o manto da necessidade e
que o indivíduo pode ser uma grande força social de transformação. Principalmente numa
sociedade onde exista pessoas informadas de direitos e deveres, enfim dotadas de espírito
crítico. É nesse sentido que é válida a afirmação de que as particularidades das
personalidades determinam o aspecto individual dos acontecimentos históricos. É dessa
forma que o indivíduo vai cumprir o seu papel na história – enquanto conhecedor e
participante no processo (Plekhanov, 2002, p.110 a 118 e 152).
A história acontece no cenário das lutas “lutadas”, “calada”, “reclamadas”,
“confiadas”, “omissas”, e muitas vezes, sob manobras sociais em formas diversas. E às vezes,
até na atividade ou passividade de cada cidadão.
A política, neste contexto, é o instrumento central onde se desenvolve todo cenário
de acontecimentos que se constitui o fazer histórico. Segundo Creusa Capalbo (apud
SANTOS, 2000, p.98), “a conscientização utilizará uma pedagogia que proporcionará ao
homem condições para descobrir-se, conquistar-se, formar-se como sujeitos de sua própria
história”. Em consonância com o que foi afirmado, veja o que diz Marilena Chauí (1980, p.
114): “ Enquanto não houver um conhecimento da história real, enquanto a teoria não mostrar
o significado da prática imediata dos homens, enquanto a experiência comum de vida for
mantida sem crítica e sem pensamento, a ideologia de dominação se manterá.”
Não é apenas em uma grande cidade, estado e país que a história acontece;
uma pequena comunidade no interior de um município é também um espaço ou cenário onde
acontece história. E nessa relação sociedade&história, veja o que diz a doutora Rita Santos em
(SANTOS, 2000, P. 112):
“Cada sociedade é, pois, um espaço de vida, no qual a sua própria história se vai
escrevendo...”
10
1. Introdução
Considerações Gerais
Foi na percepção da carência de material didático, histórico e geográfico acerca dos
municípios que resolvi desenvolver o presente trabalho. E ao mesmo tempo, atendendo a Lei
Orgânica dos municípios em seu artigo 173, que define como obrigatório à inclusão nos
currículos escolares do ensino da história do Município, da 1ª a 4ª série do 1º grau; e ao que
solicita a LDB 9394/96, que determina que a educação, além de interdisciplinar, seja
contextual. E para que uma educação seja contextual é indispensável arremeter informações e
conhecimento da realidade local onde o aluno está inserido. Grande parte das informações é
de exclusiva importância para o município de Bom Jardim. Entretanto, há um grande número
de informações que, apesar de retratar Bom Jardim, transpõe uma base de estudo bem além
do município em foco. É intenção que a presente obra sirva de convite e modelo, como uma
espécie de livro-projeto para outros municípios brasileiros. É um trabalho científico, pois
resulta de entrevistas e buscas de informações fidedignas em fontes oficiais, precisas e
confiáveis.
Por ser um material histórico e geográfico, necessitará de constantes atualizações e
possíveis revisões. Pois história não é apenas o que passou, envolve também o presente.
O livro “Radiografia de uma cidade brasileira” é fruto de uma ampla pesquisa acerca do
Município de Bom Jardim, no Estado do Maranhão. Sua abordagem vai desde o aspecto
sócio-político, econômico e cultural do município em estudo. É uma obra social, sendo uma
contribuição para a cultura e a informação do povo bonjardinense e outros que dela
precisarem; tendo como objetivo informar os órgãos educacionais, Poder Público, professores,
alunos e sociedade em geral, a história do município abordando: sua origem, demografia,
superfície (geografia), cultura, indicadores sociais, incluindo os símbolos municipais,
bandeira, brasão, hino, aspectos físico e socioeconômico, a história da educação de Bom
Jardim, situação educacional da população escolarizável atendida pelos órgãos competentes
no município, contemplando através do Plano Decenal de Educação de Bom Jardim, os
indicadores educacionais (número de matrículas, aprovação, reprovação, evasão e distorção
idade-série).
Sendo de suma importância para a elaboração de projetos em âmbito municipal pelo
Poder Público e como subsídio na elaboração de Projetos Pedagógicos na área educacional.
É incluído especialmente um capítulo sobre a população indígena; sendo uma
contribuição de Padre Carlo Ubialli, que vivera por muito tempo e em longa relação com os
guajajaras da reserva indígena do Pindaré e Caru. Deixando um rico material histórico e
cultural dessa população, e durante essa vivênciafez um estudo antropológico sobre os
indígenas da região (Pindaré/Bom Jardim), com os quais vivera por longos e pacíficos anos.
Inclui-se também um breve histórico do desenvolvimento no Vale do Pindaré,
microrregião onde o município está localizado.
A história é como um livro sempre aberto, porque está sempre sendo escrita num
presente que caminha para um futuro... O futuro de nossas gerações que continuarão a viver, a
fazer e a retomar os próximos capítulos que continuam...
11
2. A GEOGRAFIA BONJARDINENSE COM MAPAS
O município de Bom Jardim está localizado na mesorregião Oeste do Maranhão, na
microrregião do Vale do Pindaré. Localiza-se em área pertencente à Amazônia Legal e tem
como coordenadas de latitude 4º, 44 min. 30 seg, de longitude 44º, 21 min. 00 seg. e de
Altitude 40,689m. Localizando-se na microrregião do Vale do Pindaré, faz limites com os
lmunicípios de Monção, Açailândia, Tufilândia, Pindaré Mirim, São João do Caru, Newton
Belo, AltoAlegre do Pindaré, Buriticupu, Bom Jesus das Selvas, Centro Novo do Maranhão e
Itinga do Maranhão. O município tem 6.590,48 km³ de área territorial. A área urbana
corresponde a 113 km². A referida área detém 35% da população total, sendo que 65% da
população se concentra na zona rural. A densidade demográfica do município é de 5,93
habitantes por km² .
A distância de Bom Jardim a São Luís é de 275 km. Os principais rios que formam a
hidrografia do município são: rio Pindaré, Caru, rio Azul ou Poranguetê, rio Ubim, os dois
últimos são braços do rio Pindaré, na região da Miril. Existe também os igarapés Água Preta,
Limoeiro, Crumaçu, Arvoredo, Galego e Turizinho. O rio Pindaré, nome que significa “anzol
pequeno”, nasce ao leste da Serra da Cinta e desemboca no rio Mearim, após um curso de
750 km de extensão. É um rio caudaloso, extenso, navegável e rico em peixes.
Bacia Hidrográfica é o conjunto de terras drenadas por um rio principal, seus afluentes
e subafluentes. As bacias hidrográficas dos rios Pindaré e Caru são sub bacias do rio
Mearim, e são tidas por bacias hidrográficas estaduais.
Na Bacia Hidrográfica do Rio Mearim habitam 1,681.307 habitantes, numa área de
99.058,68 km² - abrangendo 85 municípios.
A temperatura média (na região que compreende a área geográfica de Bom Jardim) é de
30º e o clima é quente e úmido como da Amazônia Equatorial. Índice de chuvas por ano:2000
a 2200 mm anuais. Período chuvoso vai de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho.
Período seco: Julho a Dezembro.
A vegetação ou plantas nativas do município é formada de cocais e matas (árvores
grossas e capoeira). As madeiras nativas no município (atualmente escasseando) são: pau-
d´arco, maçaranduba, pequi, jatobá, mirindiba e cedros, ressaltando também os capins Jaraguá
e canarana. Árvores frutíferas mais predominantes são os mangueirais.
No ranking por área territorial, entre as 217 cidades maranhenses, Bom Jardim é o 7º maior
município.
1º: Balsas: 13.141,7 km²
2º: Alto Parnaíba: 11.132,1 km²
3º: Grajaú: 8.830,9 km²
4º: Mirador: 8.450,8 km²
5º: Centro Novo do Maranhão: 8.258,4 km²
6º: Amarante: 7.438,1 km²
7º: Bom Jardim: 6.590,5 km²
8º: Carolina: 6.441,6
9º: Riachão: 6.373,0 km²
10º: Açailândia: 5.806,4 km²
A menor cidade em área territorial no estado do Maranhão é o município de Raposa, com
66,2 km².
12
Fonte: IBGE 2013
Ordenamento Territorial – Zona Urbana
O município apresenta uma área territorial de 6.590,48 km³ e é o 7º maior no ranking
do estado. A área urbana corresponde a 113 km², ou seja, 1,7% da área territorial do
município. A referida área detém 35% da população total, sendo que 65% da população se
concentra na zona rural. A densidade demográfica do município é de 5,93 habitantes por km².
Se focalizarmos a densidade demográfica só na zona urbana, vamos encontrar um número
totalmente diferente: 107 Hab. / KM². Essas informações são de alta importância, pois nos
permitem perceber que existe um alto aglomerado de pessoa por km² na área urbana
merecendo por isso uma atenção especial à questão ambiental (da referida área, sem excluir a
zona rural). A zona urbana possui 10 bairros:
 Bairro Joana Dark
 Bairro Vila Muniz
 Bairro Vila Pedrosa
 Bairro Vila Meireles
 Centro
 Birro Santa Clara
 Vila Nova Esperança
 Alto dos Praxedes
 Bairro Mutirão
 Bairro União (Bairro novo que fica atrás e entre o Bairro Joana Dark e Vila Muniz)
 Vila São Bernardo
 Bairro Nobre
 Bairro Nova Jerusalém
 Bairro Firmino
 Bairro 28 de Julho
 Bairro Portela
 Bairro Davi.
Dos 39.049 habitantes, 41% residem na zona urbana, o equivalente a 16.010 habitantes.
13
Ordenamento Territorial – Zona Rural
O município possui Polos Administrativos que foram criados para fins administrativos,
numa perspectiva da geopolítica local no intuito de promoção e planejamento das políticas
públicas. A criação destes polos serve de “agregação” de povoados adjacentes a outros
maiores para fins de abranger blocos de povoados no sentido de mapeamento de concursados
por blocos regionais; em outro caso, serve como agregação de povoados para fins de apuração
eleitoral (como aconteceu na eleição de 2012) para apuração eleitoral, a qual muito se
especulava temores de que por trás de certa “inovação” – o que dantes não acontecia, fosse
corromper os resultados da disputada eleição dos dois fortalecidos blocos.
 Polo Bela Vista;
 Polo Brejo Social e Antônio Conselheiro;
 Polo Caru, Cassimiro, Vila Bandeirante e Igarapé dos Índios;
 Polo Vila Varig;
 Polo Santa Luz, Tirirical e Oscar;
 Cohab.
O município possui 127 povoados (grandes e pequenos), os principais e maiores são:
Povoado KM 18, Boa Esperança, Oscar, Galego, Barrote, Cassimiro, Rapadurinha,
Escada do Caru, Traíras, Igarapé dos índios, Vila Bandeirantes, São Pedro do Caru, Novo
Caru, Centro do Alfredo, São João do Turi, Três Olhos D Água, Turizinho do Augusto,
Sapucaia, Nascimento, Rapadura Velho, Boa Vista, Barraca Lavada, Jatobá Ferrado, Santa
Luz, Barra do Galego, Rosário, Escada do Caru, Povoado Tirirical, Zé Bueiro, Varig, Vila da
Pimenta, Vila da Palha, Vila Cristalândia, Povoado União, Miril, Vila Jacutinga, Aeroporto,
Vila Bom Jesus, Brejo Social, Povoado Flecha, Terra Livre e Antonio Conselheiro.
O município está num processo contínuo de migração da população do campo a cidade
apresentando uma taxa migratória anual de 1,9%. Dos 39.049 habitantes, 59% residem na
zona rural – o correspondente a 23.039 habitantes.
14
Reserva Biológica – REBIO/Gurupi
Bom Jardim, São João do Caru e Centro Novo do Maranhão
Rebio Gurupi - Criada em 1988, através do Decreto Federal nº 95.614 de 12 de
janeiro de 1988, com uma área de 341.650 ha e é a única Proteção Integral do
Maranhão com uma área de 271.197 há, abrangendo três municípios: Bom Jardim
onde compreende uma área de (35,49%), Centro Novo do Maranhão (59,01%), São
João do Caru (5,5%) no Estado do Maranhão.
Ela (REBIO) está situada na região do Arco do Desmatamento e é estratégica para a
conservação, pois, somada às três terras indígenas que fazem fronteira com ela -
Alto Turiaçu, Awa e Caru - constitui a última fronteira de área contínua amazônica do
Maranhão.
A REBIO Gurupi sofre ameaças ao seu território desde que foi criada. Grupos de
madeireiros e pequenos agricultores, que vivem dentro dos limites da reserva,
destroem a floresta para exploração ilegal de madeira, criação de gado, trabalho
escravo e plantações de maconha. Há também conflitos entre colonos, grileiros,
sem-terra, e povos indígenas aliciados ao garimpo.
Hoje a cobertura florestal da REBIO/Gurupi está reduzida a 65% do original.
Toras arrmazenadas na Rebio do Gurupi. Foto: Nelson Feitosa.
Caminhão apreendido em flagrante e depois liberado por decisão judicial. (Foto 2)
15
Tufilândia
Itinga do Maranhão
Mapa de Bom Jardim
16
Fonte: Edições Michelany, 2006
17
18
Bom Jardim(espaço verde) dentro do Estado do Maranhã
Bom Jardim, região e estradas de acesso
Fonte: IBGE, 2006.
19
TIPOS DE SOLOS NO MUNICÍPIO DE BOM JARDIM – MA
Fonte:Secretaria Municipal
de Agricultura. Plano
Municipal Desenvolvimento
Rural Sustentável de Bom
Jardim-MA. Embrapa Solos.
2015.Vigência 2013-2016.
LEGENDA DE DOMÍNIO DE SOLOS
Latos solos amarelos (LA)
Latos solos vermelho escuro húmico
Latos solo vermelho escuro
Latos solos roxo
Terra roxa estruturada
Podzólico vermelho amarelo
Podzólico acinzentado
Podzólico vermelho amarelo trófico
Plintossolo
Planossolos
Candis solos
Vertissolo
Solos de mangue
Oleissolo
Solo aluviais
Areias quartzosas
Dunas
Solos litólicos
Convenção:
 Sede Municipal
............ Drenagem
______ Estradas
______ Rodovias
Água
Mapa Exploratório Reconhecimento
de solos do Município de Bom
20
Mapa de distância de vários municípios a Bom Jardim
Fonte: Gerência Regional de Negócios de Santa Inês 2004
21
MAPA DAS RUAS E BAIRROS DE BOM JARDIM – MARANHÃO (IBGE, 2002)
Fonte: https://pt.slideshare.net/adilsonmottam/mapa-das-ruas-de-bom-jardim-
ibge?from_action=save
(Para baixar com mais visibilidade e detalhamento, nome ruas, bairros).
22
MAPA DA REGIÃO CARU
23
MAPA REGIÃO MIRIL VARIG, ANTONIO CONSELHEIRO
EDEMAIS COM DISTÂNCIAS
Fonte: SUCAM/FUNASA2014
24
HIDROGRAFIA DO VALE DO PINDARÉ
Fonte: Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos. Perfil da Região do Pindaré 2008 . _São Luís :
IMESC, 2009 ‐
Mapa fornecido pelo professor Júnior
25
O Maranhão possui 640 quilômetros de costa, que corresponde a faixa entre a foz do rio
Gurupi, na divisa com o Pará, e a desembocadura do rio Parnaíba, nos limites com o
Piauí.
Fonte: Atlas do Maranhão, Rio de Janeiro, IBGE, 1984.
26
Fotos por Rogério Matos, in 2005.
Rio Pindaré e Caru – extensos e navegáveis – apresentando praias lacustres ao
longo de seus leitos.
27
2.1 Meio Ambiente
5 de junho – Dia internacional do Meio Ambiente.
O meio ambiente é um complexo ecossistema onde as formas diversas de
vida mutuamente se dependem. O homem tem que viver nesse meio, criar
desenvolvimento, mas na responsabilidade e perspectiva de que ele está
decidindo por ele e outras formas de existência que, em sua totalidade
garantem o equilíbrio e a harmonia do planeta. Não somos auto-suficientes e a
autonomia de nossas decisões tem que corresponder com as outras formas de
vida, que não tiveram esse privilégio que temos: da racionalidade e
inteligência.
A questão ambiental está conjugada a questão “Saúde” pois um meio
ambiente saudável e favorável a saúde daqueles que nele vivem, seja o homem
ou a espécie animal. Conclui-se, portanto, que a qualidade de vida da população
está associada à qualidade do meio em que esta vive.
O homem é um produto do meio assim como o meio é produto do homem.
Se nessa relação perpetuar a forma perniciosa, sem um desenvolvimento
sustentável, e o perdedor for o meio ambiente, com certeza o perdedor seremos
nós, porque será nossa existência que estará em risco. É o que também adverte
o CACIQUE SEATLE in (Emilia Amaral et al. 2000, p.520), quando diz: “ensinem
as suas crianças: que a terra é nossa mãe. Tudo que acontecer a terra,
acontecerá aos filhos da terra. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que
une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá
sobre os filho da terra”.
Aquestão ambiental é um dos grandes problemas em pleno século XXI,
pois se relaciona com a própria existência de toda a forma de vida presente e
futura que habita o planeta. Você já parou pra pensar o que significa a palavra
“progresso”? pois então pense: estradas, usinas, cidades, máquinas, exploração
mineral e muitas outras coisas que ainda estão por vir, principalmente na
Amazônia onde 40% do seu território é área pré-cambriana (área onde estão as
maiores reservas de ferro conhecidas, manganês, etc., sem mencionar-se ouro,
cobre, níquel, pedras preciosas, material de construção, etc. O progresso, da
forma como vem sendo feito, tem acabado com o ambiente ou, em outras
palavras, é nocivo e degrada o planeta terra e a natureza. O atual modelo de
crescimento econômico hoje no mundo gerou enormes desequilíbrios. Se, por um
lado, nunca houve tanta riqueza e fartura, por outro lado, a miséria, a
degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia.
Considerada o pulmão do mundo, a maior floresta tropical do planeta está
ameaçada de extinção, o que será fatal para a humanidade. Segundo cientistas,
o desmatamento e o aquecimento global podem provocar o desaparecimento da
Amazônia. Nos últimos 35 anos a Amazônia perdeu quase 17% de sua cobertura
e advertem:
 Se a floresta perder mais de 40% de sua cobertura, o processo de
destruição será irreversível, pois a mata, segundo pesquisadores,
tem o poder de multiplicar as chuvas.
 O desmatamento e as queimadas na Amazônia são responsáveis por
mais de 75% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.
 A Amazônia abriga 16% de toda água doce do planeta e 73% de
água disponível no Brasil para consumo.
Segundo as Nações Unidas, o Brasil possui 52% das florestas da América
Latina; e que o país perde anualmente de florestas com o
desaparecimento de 3,1 milhões de hectares. A perda anual de florestas em todo
28
o planeta chega a 7,3 milhões de hectares, o equivalente a um país como o
Panamá.
Diante de tudo isso e similares que ocorre em outros países, o clima da
terra assim como fenômenos fora do normal estão dando suas respostas em
vários cantos do planeta. A título de exemplo, vale citar a seca em plena
Amazônia em 2005, que segundo pesquisadores, foi resultado do possível
aquecimento do planeta, que resulta no efeito estufa, consequente das
queimadas, emissões de gases lançados à atmosfera, tornados devastadores nos
Estados Unidos, tsunami na Ásia, redução de calota de gelo no polo norte
consequente da abertura na camada de ozônio, ciclones nos Estados Unidos,
pesados terremotos em várias partes do mundo que dizimam milhares de
pessoas e a desertificação. Diante desta constatação surge a ideia do
desenvolvimento sustentável (DS), buscando conciliar o desenvolvimento
econômico como a preservação ambiental, atendendo as necessidades do
presente sem comprometer a possibilidade de futuro para as futuras gerações.
O que acontecerá com a continuação do desmatamento
Amazônico?
Vale também o alerta da LBA (Biosfera Amazônica de Larga Escala, sigla em
inglês), maior estudo científico sobre ecossistemas tropicais já realizado no
planeta, que envolve 500 pesquisadores de 100 instituições internacionais que
advertem:
“Se o desmatamento da Amazônia continuar no ritmo atual, em 100 anos
algumas regiões da floresta tropical podem se tornar uma árida savana”.
Todos os anos, a proliferação da iniciativa agropecuária e a exploração
ilegal de madeira põem abaixo quase 20 mil quilômetros quadrados de mata. Da
floresta que se estende por seis milhões de quilômetros quadrados, 600 mil já
foram destruídos, o que representa uma área do tamanho da Bélgica. “É possível
que haja um aumento na temperatura e uma diminuição no volume de chuvas, o
que transformaria as áreas sul, leste e norte da Amazônia em savanas no prazo
de um século”, avalia Carlos Nobre, coordenador científico do LBA e do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o representante brasileiro do projeto.
As savanas são o correspondente ao cerrado e têm clima semelhante ao de
Brasília. São regiões muito áridas, onde as chuvas se concentram num único
período do ano. (Isto é, n.1758, p. 78/79, jun.2003).
O desequilíbrio provocado pelo efeito estufa poderá ser o mais catastrófico da história
humana se não buscarmos alternativas e solução ao problema. As empresas não podem
operar em um vácuo político, precisam de liderança firme dos governos e incentivos.
Veja o que disse príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, em junho de 2008:
“(...) milhares de pessoas que moram na região da floresta amazônica “vivem com uma
renda muito baixa. Elas precisam de maneiras para garantir que o esforço de não destruir as
florestas valha a pena. Seria preciso criar algum tipo de pacote em forma de incentivos para
que essas pessoas não degradem as florestas. Não podemos esperar por novas tecnologias.
Não há tempo para isso. Se o desmatamento não diminuir rapidamente, haverá mais seca e
fome em grande escala”. E a previsão, segundo cientistas, é que, em décadas não muito
longe, se perdurar os problemas sem busca concreta de solução, haverá 150 milhões de
refugiados em todo mundo.
O aumento da pecuária na região que transforma a floresta em pastos é responsável por uma
grande parte do desmatamento somado às queimadas.
E cita mais: “Os governos, grandes empresas e consumidores devem se unir em um esforço
conjunto para pôr fim à devastação florestal”.
29
2.2 Meio ambiente bonjardinense
Logo na origem de Bom Jardim nascem também nossos problemas
ambientais. Com as grandes roças sob queimadas e a mudança constante de
agricultores repetindo essa prática em vários locais fazendo desaparecer grande
parte de nossas matas e florestas. Segundo relatos de (-os) primeiros moradores
de Bom Jardim, aqui existia mata fechada com muitos animais como onças,
porcos, queixadas, tatu, paca, macaco, etc…
A forma primitiva de agricultura praticada até hoje no município e em
muitos municípios maranhenses é nociva ao meio ambiente, porque devastam
nossas florestas, nossos cocais e vai extinguindo, consequentemente, a fauna da
região. Nos 5.561 municípios que tem o Brasil, a decadência de nossas matas e
florestas incluindo a redução de nossa fauna está associada à ausência de um
desenvolvimento sustentável e às vezes mal planejado, e quando às vezes
planejado, não seguido, expondo o meio ambiente aos riscos e degradação.
Como o caso das roças sob queimadas, um processo que perdura, gerando
grandes roças e magras safras, em troca de magras florestas que ficam como
resultado. E o que ficará para as futuras gerações?
A prefeitura municipal, através da lei orgânica do município deveria atuar
no sentido de assegurar a todos os cidadãos bonjardinenses o direito ao meio
ambiente ecologicamente saudável e equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à qualidade de vida (lei orgânica e constituição federal ART. 225).
Para assegurar tal direito o município deve articular-se com os órgãos
competentes estaduais, regionais e federais, e ainda quando for o caso, com
outros municípios, objetivando a solução de problemas comuns relativos à
proteção ambiental.
Listagem dos problemas ambientais de Bom Jardim
1. Derrubadas e queimadas de palmeiras;
2. Roças sob queimadas;
3. Lixões a céu aberto, sem aterro sanitário e sem tratamento. A
maioria desses lixões se encontram nos braços dos igarapés (em declive), onde
no inverno, as águas das chuvas que ali caem, levam seus dejetos e
contaminações para esses igarapés que poluem e contaminam seus
ecossistemas. Lembrando que esses igarapés desembocam no rio Pindaré
(AbetelPimentaLimoeiroPindaré). Das atividades da pesca se alimenta
grande número de pessoas que vivem nas regiões ribeirinhas e lacustres. Há
presença de entulhos e focos de lixos dentro de alguns braços de igarapés,
pondo consequentemente em risco seu desaparecimento no futuro.
A partir de um mapa dos igarapés que foi elaborado, recebendo um nome
de “Mapa Ambiental Urbano (ver página 26)”, ficou percebido que esses igarapés
formam uma espécie de “cinturão verde” – numa perspectiva ambiental - que
envolvem e adentram o município (em especial no centro urbano).
4. pesca predatória (realizada antes do crescimento dos peixes ou na fase
de desova).
5- Temos também a questão dos esgotos, para os quais não existe
uma rede de tratamento, encontrando-se a céu aberto, permeando
nosso ambiente social e despejando seus poluentes e
contaminações nos igarapés. O rio Pindaré, que atravessa o
município tendo como afluente na margem esquerda o rio caru, está
em risco de desaparecimento em seu curso devido assoreamento
30
causado pelo desmatamento em suas margens, e uma alta carga de
contaminação que recebe dos esgotos das comunidades e cidades
que se localizam nas regiões ribeirinhas.
6- Diante da grande importância social e do potencial econômico dos
rios Pindaré e Caru para o estado e região do vale do Pindaré – cabe
não só a comunidade através de campanhas de conscientização e
educativas, mas, também ao poder público e o Ministério do meio
ambiente desenvolve projeto de preservação.
7- Ao longo da estrada Bom Jardim/São João do Caru, é visto a
“matança” do curso de muitos igarapés pela não-colocação de
bueiros sobre os mesmos, que perpassam ao longo da estrada que
interliga os dois municípios.
Taxa de Desmatamento (km²) de Bom Jardim e algumas Cidades
Maranhenses entre 1988 e 2009
Os dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélite
(PRODES), evidencia que, no período de 2002 e 2009 alguns municípios no
estado tiveram incremento de desmatamento em áreas de biomas Amazônico
entre 90 e 400 km², o que requer atenção redobrada do sistema de
monitoramento e fiscalização sobre estes territórios.
Tabela 1. Municípios do Maranhão com maior área de desmatamento no bioma
Amazônico, no período entre 2002 e 2009:
Nº Município Área Territorial
do Município
KM²
Área natural
de Floresta
Amazônica.
KM²
Incremento
absoluto de
desmatamento
entre 2002-
2009. Km²
Incremento
relativo de
desmatamento
entre 2002-
2009
%
1 Barra do Corda 8.054 5.551,4 400,5 7,2
2 Bom Jardim 6.647 5.584,9 399,6 7,2
3 Itinga do Maranhão 3.612 3.474,6 381,5 11,0
4 Amarante do
Maranhão
7.737 5.967,7 335,3 5,6
5 Açailândia 5.844 5.812,2 331,6 5,7
6 Centro Novo do
Maranhão
8.366 7.794,8 312,4 4
7 Grajaú 7.480 2.722,2 301,0 11,1
8 Bom Jesus das 2.700 2.617,8 289,6 11,1
31
Selvas
9 Buriticupu 2.567 2.514,5 279,0 11,1
10 São Domingos do
Maranhão
1.321 1.205,2 240,5 20,0
11 Tuntum 3.619 1.644,8 170,1 10,3
12 Santa Luzia 6.193 6.190,7 162,2 2,6
Segundo o relatório, 50% dos municípios listados como maiores desmatadores do bioma
Amazônico (2002-2009) não possuem registros de autorização para supressão vegetal para o
período 2008-2010.
De acordo com os dados da pesquisa, no município de Bom Jardim, de 2002 a 2009 (no
transcorrer de 7 anos) foram devastadas 399,6 km² de floresta natural (amazônica). Superior à
área territorial do município de Santa Inês, que é de 381 km².
18/07/2012
Segundo o documento Indicadores Ambientais do Maranhão (2009), o
município de Bom Jardim apresentou 1.438 focos de queimadas (anual). Já o
índice de desflorestamento global apresentado é de 52%, (significa que 48% das
áreas florestais no município já desapareceram).
Taxa percentual de desflorestamento, Hidrografia, Área de floresta
existente
Município Taxa de desflorestamento
do Município da Amazônia
Legal 2007
Área de Floresta
(%)
Área d a
Floresta (km²)
Hidrografia
%
Hidrografia
(km²)
Bom Jardim 51 32% 2.126 ‐ 7 km²
Fonte: INPE, 2007
Destruição ou desmatamento
em grande escala de
palmeiras - estrada do
povoado Rosário. Em
desconformidade com as leis
ambientais.
32
Igarapés que já desapareceram na área urbana deBom Jardim
Igarapé Abetel (curso cortado)Igarapé do Abetel, ano: 12/2012
Finado Igarapé do Abetel. Por longos anos, era água corrente e servia de banho nos finais de
semana para muitas pessoas no município como lazer. Mataram suas nascentes e seus cursos
construindo estradas e ruas – a chegada nociva do progresso sem conciliar meio ambiente
nem natureza – ou melhor, sem planejamento nem desenvolvimento sustentável. Éste é
apenas um dos defuntos hídricos de nosso ecossistema local.
Crescimento
desordenado e não
acompanhamento dos
órgãos oficiais como
Secretaria de Meio
Ambiente,
infraestrutura e
saneamento básico na
política pública local.
33
2.3 Medidas Corretivas ao Problema Ambiental do
Município
de Bom Jardim
* Reflorestamento nas imediações dos igarapés.
* Fazer aterro sanitário no lixão e procurar lugares estratégicos e distante
dos igarapés e lagos para depositar os futuros lixos.
* Conscientizar e proibir a população de jogar lixos nas imediações ou
braços dos igarapés e rios.
* Dragagem (drenagem) e recanalização do leito do rio Pindaré e Caru
para que eles não venham a desaparecer.
* Reciclagem.
Lembrando que na zona urbana, que corresponde a 1,7% da área
territorial do município é onde se concentra 35,2 % da população total que
corresponde a 12.126 habitantes (IBGE /2000). A densidade demográfica de
todo município é de 5,2 habitantes/km². Em 2010, segundo o IBGE, o número de
habitantes é de 39.049 habitantes. Se focalizarmos a densidade demográfica só
na zona urbana, vamos encontrar um número totalmente diferente: 107 Hab. /
KM². Essas informações são de alta importância, pois nos permitem perceber que
existe um alto aglomerado de pessoa por km² na área urbana merecendo por
isso uma atenção especial à questão ambiental (da referida área, sem excluir a
zona rural).
Todos e cada um de nós estamos diretamente ligados ao meio ambiente, e
dependemos desse meio para sobreviver; é nesse meio onde moram os seres
vivos dos quais também fazemos parte e dependemos; E está situada à escola e
aqueles que a frequentam.
Só a escola poderá não resolver os problemas detectados no meio
ambiente bonjardinense, mas é o caminho viável para acelerar as ações do poder
público com políticas ambientais voltadas para a preservação. É possível conciliar
desenvolvimento e meio ambiente. A questão da preservação não é só uma
iniciativa do poder público. E, não se deve, porém, excluir a participação de
comunidade do processo de preservar. A comunidade deve ser transformada em
parceira essencial do poder público na promoção da ação educativa e na
formação de consciência da sociedade em favor da preservação ambiental para
as presentes e futuras gerações.
“É necessário dentro desse grande país, com uma grande biodiversidade que
temos, construir uma nação com grande consciência ecológica. Já que somos
considerados por todos como o “pulmão do mundo”. E darmos exemplo e lição,
e não sermos vistos como “bárbaros devastadores daquilo que é de todos
inclusive das futuras gerações”.
Por Adão Alves, 2007
Pela ausência de infraestrutura em urbanismo, veja uma das
inundações em uma das ruas de Bom Jardim em junho de 2006.
Saneamento básico é o conjunto de medidas, visando preservar
ou modificar as condições do ambiente com a finalidade de
prevenir doenças e promover saúde. Investir em saneamento,
principalmente no tratamento de esgotos, diminui a incidência
de doenças e internações hospitalares e evita o
comprometimento dos recursos hídricos do município.
34
MAPA AMBIENTAL DE BOM JARDIM
O Mapa Ambiental do município de Bom Jardim visto anteriormente
compreende a circunferência hidrográfica do município onde, no inverno, se
verifica sua integração “arterial” - especialmente no período do inverno. Um
fato verificado, quando na elaboração do presente mapaé que, o mesmo
Autores: Adilson Motta e Sancler (pintor), 2004
35
expressa as “artérias” os igarapés e lagos do município, os quais afluem ao rio
Pindaré.
Outro fato verificado é a existência de grande quantidade de lixos e lixões
nas imediações ou adjacência desses igarapés – que, com seu chorume e
poluentescontaminam os ecossistemas desses mananciais. Contaminando
também, os lençóis freáticos que são reservatórios naturais de água potável que
servem e servirão de consumo à população atual, e as gerações futuras.
Igaarapé do abetel, antes e atualmente (2013).
Igarapé do Betel – Recebe alta carga de contaminações e dejetos do lixão
mostrado abaixo - que fica em terreno declive, propício para as águas das
chuvas durante o inverno. Além do mais, no referido lixão (onde até mesmo lixo
hospitalar é jogado sem o mínimo de critério ou incineração) – muitas crianças,
jovens e adultos caminham por dentre os resíduos encontrados.
Foto tirada por: Natana, 2009.
Não é só o Meio Ambiente que é injustiçado, por muitos anos, os moradores desta casa e outros que se
localizam a menos de 100 metros sofreram (-em) os riscos do impacto das doenças que podem ser
causadas pelo lixo.
Apesar da palavra de ORDEM do atual século ser: “Meio Ambiente & Preservação Ambiental”, em
junho de 2009, a “matança” injustificada de muitas árvores no município, ao longo da BR 316, em
pleno centro da cidade gerou muita polêmica, discussão e insatisfação. Nas rádios locais foram o
objeto de uma semana de especulação e debate e pelos recantos informais da cidade. Frente a
situação, o nome de Bom Jardim até chegou a mudar! Muitos chamaram de “A Cidade do Pau
Pelado” outros: “A Cidade da Cara pelada”. Sem respostas para o ato, muitos se perguntavam: “Será
que a AVENIDA agora vai sair?
36
07/2010
Fonte: Natana, 06/2009
E assim foi um dia... Depois da “pelação”
Por falta de comunicação, conscientização e sintonia com a comunidade, houve o incidente
da “devastação” para alguns, das árvores. Sendo em seguida recomposto com projeto de
arborização.
07/2011
1ª etapa da avenida: a
iluminação – 3 anos.
Logo nos três meses de governo, a
administração Beto/Lidiane Rocha
cumpriram o que prometiam em
palanque: Retirar o lixão do
inadequado local onde se
encontrava, como mostra as fotos ao
lado.
37
Quem não se comunica, se trumbica... Se era a tão “sonhada avenida”ou arborização, porque
o gestor não comunicou o fato com antecedência à comunidade?
Importância das árvores em uma cidade
As ÁRVORES desempenham um importante papel na diminuição da poluição
atmosférica. Uma VEGETAÇÃO densa representa um verdadeiro filtro contra as
bactérias; As folhas das ÁRVORES retêm a poeira;
Os ESPAÇOS VERDES podem ser um refúgio e lazer de sombras para homens,
mulheres e crianças –, um presente da natureza;
As ÁRVORES produzem oxigénio para a nossa respiração;
As ÁRVORES regularizam a umidade atmosférica e a temperatura;
Os ESPAÇOS VERDES atenuam o ruído da cidade;
As ÁRVORES diminuem a poluição causada pelos veículos motorizados;
E retiram gases tóxicos da atmosfera.
Cria uma certa umidade, que reduz a temperatura.
1º Posto de Gasolina de Bom Jardim
O primeiro Posto de Gasolina a funcionar em Bom Jardim foi nos anos 70, e sua localização
era onde hoje se localiza a Usina Natuba (de frente para a Avenida José Pedo) –BR 316.
Funcionava com duas bombas 1 de diesel e 1 para venda de gasolina. O mesmo pertencia ao
Senhor Zé Roseno. Fonte: Marcelino e Décio, 2020.
38
3. UM BREVE HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO
NO VALE DO PINDARÉ
Devido o fato do município de Bom Jardim se
localizar na microrregião do Vale do Pindaré, é de
suma importância fazer uma breve retrospectiva
da referida região. Pois é o contexto onde o
município está inserido.
Falar sobre o desenvolvimento na região do
Vale do Pindaré é imprescindível tocar também na
questão dos engenhos. Ou, sendo mais específico,
o Engenho Central acerca do que
representou aquela fábrica localizada no Vale do Pindaré, a qual foi a alavanca
para o desenvolvimento e colonização na referida região. Subsistindo hoje, como
patrimônio tombado pelo estado.
Engenho central
Fonte: http://historiadesantaines.blogspot.com.br/
A instalação do primeiro engenho em terras maranhenses foi feita em
meados do século XVII, mais precisamente em 1662, às margens do rio
Itapecuru, pelo então provedor da fazenda real, Antonio Munis Barreiros.
Em 1860, no Maranhão haviam 420 engenhos, sendo que 98 destes, era
no Vale do Pindaré. A produção, por essa época, era em torno de 100 mil sacos
de açúcar, mas mesmo assim o Maranhão queria produzir em escala bem maior.
Enfatiza-se no papel dos engenhos as ações políticas promovidas pelo
governo provincial que fomentava o desenvolvimento agroindustrial através da
concessão dos subsídios para empreendimentos fundados em concepções
modernas (era da máquina, da indústria).
Procurava-se através do engenho promover a economia maranhense
investindo no setor industrial, especialmente no fabrico moderno do açúcar de
demais produtos da exploração canavieira, tendo com base a instalação dos
engenhos centrais.
A instalação dos engenhos centrais do Brasil corresponde aos anos de
transição, pelos quais passariam a economia e a sociedade brasileira na segunda
metade do século XIX, representados, fundamentalmente pela crise do trabalho
escravo. O Maranhão entrou em decadência com a abolição dos escravos, cujos
braços sustentavam toda atividade produzida do estado.
A relevância política e social do engenho central São Pedro, na região de
Pindaré-Mirim, pode ser compreendida em relação à posição que as camadas de
proprietários de engenhos, como segmentos da classe produtora escravista,
ocupou na estrutura de poder da sociedade brasileira, durante o século XIX,
membros de setor acreditavam, ser a mecanização altamente sofisticada, do
setor de beneficiamento de cana-de-açúcar a tábula de salvação para os
Pindaré-Mirim
39
problemas que afetavam a economia açucareira na segunda metade do referido
século.
Produzir muito e barato, era a fórmula salvadora realizada por meio dos
engenhos centrais.
Os engenhos, sendo uma grande fábrica altamente equipada, totalmente
importada, das estruturas de ferro a máquinas e parafusos, inteiramente
montados por técnicos franceses e ingleses, seria a solução para os problemas,
que tanto afetaram os senhores de engenhos, representados fundamentalmente,
pelas baixas sucessivas no preço do açúcar no mercado internacional. Bem
como, pela crise do trabalho escravo que ameaçava a produção exatamente no
momento em que se buscava superar as baixas através de um incremento da
produção açucareira.
O imperador do Brasil, D. Pedro II, era um entusiasta das novas
tecnologias e em 1857 foi elaborado um programa de modernização da
produção de açúcar. Assim surgiram os Engenhos Centrais, que deveriam
somente moer a cana-de-açúcar, ficando o cultivo (da cana) por conta dos
fornecedores.
A criação dos engenhos foi produto de meses de discussão no parlamento
e estado; sensibilizados pelos senhores de engenhos, e, em 29 de setembro de
1875, foi promulgado o decreto legislativo nº 2.658, o qual foi autorizado pelo
governo a conceder isenção de direitos de importação para todos os materiais
destinados a construção e exploração de engenhos, por fábricas centrais que
tivesse sido ou fosse contratada pelos governos da província, ou pelo geral,
fixadas previamente a quantidade e qualidade dos materiais favorecidos com
aisenção.
A instalação do engenho central promovido pelo grupo Martins Hoyer,
portanto, deveria introduzir mudanças no cultivo de cana na zona do Pindaré,
onde existiam muitos produtores dessa matéria prima e senhores de engenhos.
Por localizar-se às margens do rio Pindaré com a abundancia de peixes e caças
isso garantia o sustento da maioria dos trabalhadores ligados, formal ou
informalmente, ao engenho central: no eito, na unida fabril, no ramal ferroviário,
nas atividades portuárias nas casas administrativas ou mesmo nas casas de
residências de gerentes e demais funcionários graduados. A energia elétrica
chegou à colônia (São Pedro) em 1883. Tal fato deu a região à classificação
pioneira do Brasil, pois somente em 1892 é que a cidade fluminense de campos
teve sua iluminação elétrica efetivamente inaugurada.
Apesar do município de Santa Inês emancipar-se apenas em dezembro de
1966, já existia como povoado desde 1879; fundada por senhores de escravos.
O primeiro nome do município era Ponta da Linha, passou a ser chamado de
Conceição e por fim Santa Inês em razão de um voto de uma senhora que lhe
deu o nome como padroeira da cidade. Mani Viana e Severino Costa foram os
primeiros moradores do município de Santa Inês.
A estrada de ferro foi inaugurada em 13 de setembro de 1883. A
inauguração do engenho efetuou-se em 6 de agosto de 1884. Do engenho até a
Ponta da Linha, se fixava a estrada de ferro com 12 quilômetros que ia até os
canaviais das quadras.Sobre elas, trilhos rodavam 105 vagões carregando 315
toneladas de cana-de-açúcar, um panorama inédito no Maranhão.
A partir de 1884, o engenho central encontrava-se em declínio, através de
déficit de largas proporções, a empresa continuava a lutar para sobreviver aos
elevados juros que aumentavam assustadoramente o seu débito. A
irregularidade nas estações, com invernos rigorosos trouxe um agravamento
40
maior à crise; além disso, a linha férrea foi danificada. E anos que seguiram, a
seca, para piorar a situação.
O engenho central ficou, nessas condições sem fornecedores de matéria
prima, e, portanto, impedido de funcionar. Sendo vendido para terceiros e
revendido para a Companhia Progresso Agrícola, que também foi à falência e
arrematado em leilões por bancos no valor de 90 contos, e, num processo de
revendas que se seguiam, chegando a 750 contos.
Através da lei estadual nº 800, de 22 de março de 1918 a antiga colônia
onde estava situado o referido engenho (hoje em ruínas), foi elevado à categoria
de vila e posteriormente pela lei nº 1052, de 10 de abril de 1923, essa vila foi
elevada à categoria de cidade conhecida como: São Pedro. Mais tarde, pelo
decreto estadual nº 75, de 22 de abril de 1931, o município foi extinto. Em
seguida restabelecido pelo decreto nº 121, de 12 de junho do mesmo ano. A
partir daí, a cidade não parava de crescer. Na década de 60, o município de São
Pedro teve que ceder mais de 50% de suas terras para criação dos municípios de
Santa Inês e Santa Luzia.
Emerso num contexto maior, Maranhão, é importante frisar que, a partir
da década de 20 o quadro econômico passou por uma pequena alteração
proveniente do fluxo migratório nordestino, decorrente de secas e crises
econômicas, resolvendo-se parcialmente o problema da falta de mão-de-obra.
Conclui-se, pois, que na primeira metade do século XX o Maranhão
continuava com seus aspectos primários de produção sujeita a flutuações do
mercado mundial.
No processo de alteração do quadro econômico, produtos anteriormente
considerados de ponta vão dar lugar ao babaçu e ao arroz. O primeiro como
atividade extrativa, e o segundo, sendo cultivados pelos pequenos lavradores.
É então que surge o babaçu em nossa história econômica, quando da
primeira guerra mundial, e permite um primeiro reequilíbrio nas finanças
estaduais que vinham se alimentando precariamente de empréstimos, e oferecer,
a nosso comércio, com as exportações dessas amêndoas oleaginosa, em desafio
desafogo que cria um clima de recuperação cujo processo de desenvolvimento,
ressente-se da carência de capitais.
A agricultura foi a atividade que congregou homens e mulheres,
constituindo-se na principal fonte da vida e de trabalho nos anos que se seguiam
na região.
O arroz se tornou o responsável em grande parte pela ocupação das
extensas terras livres, pois à medida que ia ocorrendo o desmatamento para
plantio, surgiam pequenos aglomerados rurais que iam se desenvolvendo, e
sendo envolvidos em moldes capitalista de estratificação, e formando-se desse
modo pequenos e grandes núcleos de povoamentos, que resultou no surgimento
de novas cidades em nível de estado e na região do Vale do Pindaré.
O pequeno produtor vai deixando de ser autônomo e se tornar o último
colocado em uma pirâmide que envolve plantio e ocorre para o “auxílio” da
colheita, ficando empenhado na mão de comerciantes. Em troca das compras
(querosene, açúcar, ferramentas, remédios e possíveis empréstimos em
dinheiro). A consequência dessa relação é a dependência do pequeno produtor
que é expropriado, chegando a perder a sua propriedade para os grandes
latifundiários.
Com o declínio da produção açucareira no Vale do Pindaré e
consequentemente dos engenhos, formou-se no transcorrer dos anos que se
seguiram, novas formas de desenvolvimento na referida região, cotado pela
agricultura, pecuária e comercial. Somados a projetos do governo estadual e
federal e não de forma isolada. A título de exemplo, cabe citar projetos como: a
41
abertura de várias rodovias tais como, a estrada BR – 316, a – 222, e a Belém-
Brasília e projetos como SUDENE (superintendência do desenvolvimento do
norte), projetos estaduais como o CEPLAMA. Revendo a construção da BR 222,
vale citar o que diz Asselin (apud Valverde, p.94):
A construção da BR 222, entre Santa Inês e Açailândia abriu
caminho a posseiros, que subiram rapidamente aos vales do
Pindaré e do Zituia. Em contrapartida, vagas sucessivas de
grileiros, poderosos fazendeiros de Minas Gerais, São Paulo,
Paraná e Goiás, apoiados em Imperatriz, desceram com seus
pistoleiros em sentido contrário, expropriando os
camponeses sem títulos legítimos e compelindo os outros,
pelas mais diversas formas, a abandonar suas terras.
Asselin, o referido autor, cita que os camponeses da região
têm sido usados para desbravar as terras e trabalhar para os
latifundiários, sem direito a nada. Isto com a conivência das
autoridades do governo na época, em todos os níveis.
Execução de projetos estaduais do Maranhão, PLANAGRO (Plano de
Colonização e Desenvolvimento Agropecuário) e o projeto Carajás que atravessa
a região, os quais deram o maior impulso no desenvolvimento da região e
estado.
Apesar da cana de açúcar, cujo nome científico é Saccharum officicinarum,
ter entrado em declínio seu cultivo em função do
declínio da fase açucareira e falência dos engenhos,
deixou no entanto, na região a certeza e a
informação de que as terras ali existentes são ricas
para seu cultivo. E isto gera perspectiva no fato da
existência de um novo produto que surge e irá
demandar no mercado nacional e internacional, o
BIOCOMBUSTÍVEL (ou álcool) gerado a partir da
cana-de-açúcar. O qual, além de ser uma alternativa para evitar o uso de
combustível poluente derivados do petróleo, irá gerar emprego e ser um
benefício ambiental.
Fonte da foto: Internet, 2007.
MUNICÍPIO DE SANTA INÊS – VALE DO PINDARÉ
Há uma estação ferroviária Igreja Matriz
42
Fonte: MESQUITA, Wagner.
Raridade histórica da Região do Pindaré. Povoado Santa Inês, 1908.
43
3.1 Primeiros Escritos da História de Bom Jardim
 O primeiro escrito acerca da história de Bom Jardim foi uma monografia
descritiva realizada pela 1ª Secretária de Educação de Bom Jardim, a
Senhora Mirene – como um documento oficial.
 O segundo foi um trabalho acadêmico desenvolvido pela Senhora Irene
Matos em sua formação de pedagoga, que descreve cronologicamente a
narrativa da história de Bom Jardim - seus primeiros gestores,
indicadores da época dos primeiros dias, história da educação, etc.
 O terceiro escrito foi desenvolvido pelo professor Jesus Tavares num
livro intitulado “Meus Versus & Minha Vida”, cujo contexto, no gênero
poético/literário através de poemas, acrósticos e crônicas – nos quais são
pintados a vida pessoal e familiar do autor, e neste contexto, a conjuntura
política de Bom Jardim.
 O quarto e mais completo livro acerca da história de Bom Jardim numa
ampla visão histórico, geográfica, cultural e indicadores sociais – com
atualizações – servindo-se em termos interdisciplinar e intertextos de
outras obras é o livro: “Radiografia de uma Cidade Brasileira”, que
abrange históricos de muitos povoados de Bom jardim (em seus confins),
e cidades que estão interrelacionadas em termos contextuais com a
história de Bom Jardim. Tal trabalho, escrito por Adilson Motta,
mobilizou anos de pesquisas.
44
4 A HISTÓRIA DA ORIGEM DE BOM JARDIM
No início de sua história, essa região hoje chamada Bom Jardim era
pertencente à Monção, uma região longínqua, onde só vinham caçadores residentes
em Águas Boas que caçavam, pescavam e retornavam. No entanto, o Sr. José
Pedro Vasconcelos chegou disposto a ficar, o qual era descendente do Ceará e
residia em Águas Boas. O primeiro contato que o referindo primeiro morador teve
com o lugar foi em 29 de fevereiro de 1959. Porém, a data oficial da fundação se
deu com seu estabelecimento em 4 de outubro de 1959; data em que este aqui
chegou, vindo também um agrupamento de 20 homens, retirantes nordestinos (do
Ceará e Piauí) que aqui também se estabeleceram.
Segundo esses primeiros moradores, o local era uma verdadeira floresta, com
mata fechada, e a existência de uma rica fauna e uma rica flora, os animais
existentes eram: onças, veados, pebas, tatus, porcos caititus, pacas, etc.…
A área atualmente tida como território do município de Bom Jardim desde
tempos memoriais foi habitada por populosas tribos indígenas, destacando os
guajajaras. Quando os pioneiros aqui chegaram encontraram essa população já
existente, os primeiros habitantes dessa terra. Houve rumores de ameaças de
perseguição por parte dos indígenas. José Pedro teve várias vezes que fugir,
temendo ser atacado (pois segundo os mais antigos moradores, era avisado com
ameaças), contudo, retornava. Em verdade, estava produzindo o encontro entre dois
mundos, entre duas culturas que se desconheciam e tinham, portanto, posturas
distintas quanto à convivência recíproca na área: uns porque nela viviam ao logo do
tempo, outro porque nela visavam realizar sonhos impossíveis em seus locais de
origem, como, por exemplo, ter um lugar, um pedaço de terra para produzir sua
subsistência.
A primeira atividade econômica nesses primeiros dias dos primeiros
moradores era na agricultura no manejo de roças, os quais faziam seus limites de
áreas, por serem devolutas, através de veredas. Segundo relatos de primeiros
habitantes, anos depois chegaram muitos poderosos e fazendeiros que, “na marra, e
sob pressão nem respeito cercavam de arame as terras desses agricultores, dantes
demarcadas na vareda” e delas se apossavam.
Com a chegada de outras famílias, migrantes nordestinos, o local passou a
ser denominado centro do Zé Pedro, em virtude da liderança do pioneiro, que a
exercia estimulando a que os demais atuassem na região como um grupo e não
disperso como sugere uma ocupação de terras devolutas. O local se tornou um
pequeno povoado sob a administração de Monção, cujo prefeito era o senhor
Antonilson.
Antonilson, prefeito de Monção na
época da emancipação política de Bom
Jardim também deu a sua colaboração.
45
Monção, 2009.
Cidade de Monção - 250 anos depois de sua fundação (Foto tirada julho de 2006).
A mãe de quase todas as cidades na região do Vale do Pindaré e algumas na região
Turi (Zé Doca, Newton Belo...). Existe a insatisfação por parte de muitos cidadãos
daquele lugar, devido ter dois séculos e meio de existência e apresentar morosidade
e atraso no seu desenvolvimento. Existiu como vila, segundo Joana Matos dos
Santos (professora de Monção) desde 16 de julho de 1757, fundação da 1ª Vila, a
qual foi consumida por um incêndio. A segunda surgiu em 9 de junho de 1959,
tendo sua emancipação política logo em seguida em 26 de novembro de 1959.
Em 2007, a população de Monção era de 27.586 habitantes. Em 2010 esse número
caiu para 24.125 habitantes. Muitas famílias migram em busca de melhoria, já que o
espaço político não está atingindo esta meta para o social.
Muitos municípios na região do Vale do Pindré e Turi apresentam altos índices de
pobreza e subdesenvolvimento e vivem praticamente de repasses constitucionais;
somando-se a isto a corrupção, que é um dos maiores entraves ao desenvolvimento.
Já o povoado Bom Jardim cresceu rapidamente devido às constantes
migrações de lavradores que ali andavam atrás das matas destruindo-as para a
construção de lavouras temporárias. Bom Jardim foi o maior produtor de arroz na
região, “um verdadeiro garimpo” atraindo assim migrantes oriundos do Ceará, Piauí
e outras regiões (fugitivos da seca) e do próprio Maranhão. O povoado recebeu
inicialmente o nome de centro do Zé Pedro, em homenagem ao seu fundador. Em
1960, aproximadamente às 16 horas, um certo número de pessoas da comunidade,
entre elas, Zé Pedro, sua esposa dona Maria, Valdivino (pai de Carmelita), Dona
Neusa e outros, estavam no Barracão do próprio Zé Pedro reunidos para discutir
sobre a mudança do nome do povoado.E, por apresentar grandes quantidades de
pau d´arco e cedro com bastantes flores; razão pela qual os seus moradores
passaram a chamá-lo de Belo Jardim; e em seguida devido o lugar apresentar clima
aprazível, solo fértil e variadas qualidades de frutas nativas, tais como tuturubá,
bacuri, coroatá, (croatá), cacau, manga, etc… Então o Sr. José Pedro, unânime com
os amigos decidiram que o nome do povoado não seria Belo Jardim nem Centro
José Pedro. Como vinha prevalecendo, considerando que o lugar não era só dele, e
sim de todos, mas que o nome seria definitivamente Bom Jardim. O lugar era “bom e
parecia um jardim”. Associaram então as duas palavras surgindo Bom Jardim que é
seu nome atual.
46
Dona Maria e Dona Neusa, co-responsáveis e protagonistas pelo atual nome da cidade de Bom Jardim.
Na época de Bom Jardim povoado, antes mesmo da construção da BR 316, o
baixão que se localiza entre o posto de Nildão e Hospital Municipal existia uma
ponte de pranchas de madeira – por onde os moradores de Bom Jardim transitavam
do alto José Pedro ao alto dos Praxedes.
Pau-d´arco – Árvore predominante nos primeiros dias do povoado Bom Jardim
às margens da BR 316
Na medicina, o Pau d’Arco é considerado como um excelente anti-inflamatório,
antibacteriano, antifúngico e laxativo; além de ser bastante usado para tratar úlceras, infecções
urinárias, psoríase, diabetes e alergias, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como
sífilis, candidíases e cancro, além de problemas gastrointestinais e alergias..
O Sr. José Pedro Vasconcelos é tido como primeiro administrador do
povoado. Isso se deu em função de que todos quantos nele chegavam,
procuravam–no para solicitar-lhe um local para construírem suas residências. Era
ele quem determinava a aberturas das ruas, designando os locais para as
construções de casas, motivo pelo qual foi tornando-se o chefe administrativo do
lugar. Nos anos 60 só se fazia compras em Santa Inês e Pindaré montados a
cavalos e burros.No inverno a dificuldade era maior ainda, pois só iam montados até
a beira do igarapé ou rio, e então atravessavam de canoa e em seguida iam a pés.
Os transportes que facilitavam a passagem dos viajantes indo e voltando de Santa
Inês pertenciam aos índios; eram eles que, sendo pagos, faziam a passagem das
pessoas. Atravessava desse modo, o rio Pindaré com os próprios animais dentro de
canoas.
Existiam outras variantes feitas pela PETROBRAS, quando por aqui
passaram em sondagem a existência de petróleo na região. Estas serviam de
caminhos usados pelos índios Guajajaras da Aldeia Gonçalves Dias às margens do
Rio Pindaré. Outras demarcações com fins de averiguação e pesquisa que se deu
entre Bom Jardim e o povoado Boa Vista – às margens da BR 316.
Para o Sertanejo a floração do Pau-D´arco, colorido
de amarelo, é uma experiência de inverno.
Além de indicar o período chuvoso, o vegetal tem
utilidade no tratamento de diversas doenças virais
47
Nos primórdios do município a situação era difícil, os primeiros moradores
enfrentavam as dificuldades de toda ordem. Segundo Alcides Bezerra, (Um dos 1º
moradores):
No começo era difícil, pois quando precisávamos comprar
mantimentos para o sustento da família, tínhamos que ir para
Santa Inês ou Pindaré a pé ou montados em animais e a
viagem demorava dois dias (ida e volta). Quando adoecíamos,
ficávamos isolados e distantes da cidade, onde existiam
farmácias e hospitais.
As cidades de Santa Inês, Pindaré-Mirim e Monção tiveram um papel
importante no processo de frente de expansão para os pioneiros no
desenvolvimento da região, pois era nesses municípios que acorriam grande número
de pessoas de outros municípios para realizarem suas transações comerciais.
Nos anos 60 a 62, o centro de José Pedro (depois Bom Jardim) continuou
crescendo em ritmo acelerado em face do surgimento cada vez maior de casas
residenciais, casas comerciais, muitas em formas de barracas ou edificações
improvisadas, cujos donos eram migrantes de outros estados e de outras regiões
maranhenses. O certo é que no ano 1962, Bom Jardim, já na categoria de Distrito
município de Monção ganhava seu 1º líder político, o vereador Maneco Souza,
residente no Distrito, juntamente com outros dois vereadores, Afonso Pinto e
Valdivino Amorim.
O primeiro grande salto no desenvolvimento do povoado se deu com a
chegada da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Dois
anos depois, após sua fundação.
o principal objetivo da SUDENE era, pois, promover o
desenvolvimento harmônico de uma região estagnada e reduzir
o grande fosso* que a separava dos centros dinâmicos
nacionais. Eliminando a causa desse desequilíbrio, houve da
SUDENE uma concentração dos investimentos dos projetos
voltados para o fortalecimento da infraestrutura econômica com
vista à elevação da oferta de serviços de transportes, energia,
escola e saneamento básico.
A região era estagnada devido à ausência de infraestrutura como estradas,
eletrificação, escolas, hospitais e etc. sendo isso um fator de subdesenvolvimento.
No entanto, a referida região apresentava uma grande produção agrícola, daí o
sentido de ser tachado como um verdadeiro garimpo agrícola, que por longas
décadas produzia arroz em grande escala para a exportação.
Data desta época a construção do aeroporto que foi um fator importante no
desenvolvimento, facilitando o transporte para outras localidades distantes, pois na
época a então BR – 22 atual BR – 316 era uma estrada vicinal que chegava a ficar
interditada no inverno.
48
Fonte: Américo, Pedro Juvino (por Manin)
A SUDENE instalou também uma unidade de assistência médica no
lugar, uma escola próxima ao aeroporto, a extinta Escola Estadual
Unidade Integrada Bom Jardim, a qual os bonjardinenses chamavam de
“Colégio da Sudene” (por ter sido construída por ela), esforço que ocorreu
também no sistema educacional e nos programas e projetos estratégicos
para o desenvolvimento da região.
No período de três anos após o estabelecimento da SUDENE, houve
uma aceleração no crescimento populacional, cuja população ultrapassou
a da sede da cidade mãe (Monção), elevando-o assim a categoria de
distrito do município de Monção.
Além da SUDENE, houve também o projeto RONDON, que através
de estagiários de universidade, faziam pesquisas no povoado Bom Jardim,
os quais trouxeram remédios e projetos relacionados à saúde. Pois no
momento era grande o número de malária na região.
Por intrigas e indecisões políticas entre situação e oposição que
ocorriam entre Monção e Bom Jardim, a SUDENE aqui se instalou e,
portanto, não permaneceu, indo se estabelecer em Zé Doca, em 1964;
sendo esta a versão dos gestores da época. No entanto existe a versão
popular e de outros políticos, de que a saída da SUDENE de Bom Jardim
para outro município tenha sido porque políticos de situação da época na
região acreditavam que a SUDENE tinha ligação com os comunistas, que,
segundo eles, tentavam dominar o país no momento. (Veja também
Michalany, 1986, p. 361), que confirma o fato da intenção comunista;
exceto que a SUDENE tivesse vínculo algum com eles. O temor era
produto de uma experiência que o país acabara de passar, onde a
democracia brasileira, que estava em perigo e cujo presidente, João
Goulart, era comprometido com os comunistas – fato este, que resultou
em sua cassação e deposição.
O aeroporto por muito tempo
serviu de espaço para a
realização de corrida de cavalos;
evento que atraía grande número
de bonjardinenses como diversão
e lazer.
49
Foto fornecida por Ziraldo
(De Zé Doca)
Primeiro morador de
Zé Doca conhecido por Zé Doca.
Zé Doca em 2007 apresenta 45.064
habitantes e uma área territorial de
2.414 km².
Prainha em Zé Doca
Zé Doca.
A Sudene ia se estabelecer em Governador Newton Belo, no entanto,
segundo relatos, a mesma versão lá correu e arejeitaram. Onde a Sudene se
estabelecesse ia levar progresso e desenvolvimento, pois esse era o objetivo de
sua instituição pelo governo federal.
Município de Zé Doca atualmente/jul./2006
Vila do Bec – Zé Doca
Farol da Educação: O que
era para ser um projeto
implantado em todo estado,
em muitos municípios foi
consumido pela corrupção.
50
Governador Newton Belo - 10 anos depois de sua emancipação política em 10 de
novembro de 1994 ao ser desmembrado do município de Zé Doca. (foto tirada
em julho/2006). Poucas mudanças... Por alguns é conhecida como “a cidade
que parou no tempo” por conta do descaso de administradores.
O primeiro nome do município era Chapéu de Couro em homenagem a Raimundo Coelho
Filho, conhecido Chapéu de Couro. O mesmo era maranhense e descendente da cidade de
Coroatá. Enquanto morava no povoado que levava seu nome, exerceu a atividade de
comerciante. Faleceu em 24 de dezembro de 1991 na cidade de Parauapebas. Sua família,
hoje residente no município de Parauapebas é insatisfeita pela troca do nome do lugar que era
Chapéu de Couro – que era um morador e filho da terra, o qual foi trocado por Governador
Newton Belo, e que se sabe, nunca foi lá.
Foto fornecida por Antonia L.
Governador Newton Belo
Fundação: 11 de novembro de 1994
Microrregião: Pindaré
Mesorregião: Oeste maranhense
Área: 1.160,866 km²
População: 13.119 hab. IBGE: 2006
Densidade: 11,3 hab. por km²
Em 2007 essa população caiu para 11.005 habitantes.
IDH: 0,494 PNU/2000/ IDH 2010: 0,521
Renda percapita: R$ 1.238,92 IBGE/2003.
Índice de exclusão social: 0,276
Expectativa de vida: 55 anos
Renda per capita: R$ 44,00
Mortalidade infantil: 15,96%
Índice de analfabetismo em 2000: 43,6%
Índice de analfabetismo em 2010: 33,21% (IBGE)
Bom Jardim: 31,84% (Dados de 2011, acima de 15 anos)
Governador Newton Belo, segundo o Jornal Pequeno (2007, Edição 21,563), é a 5ª
mais pobre do Maranhão.
Raimundo Coelho Filho, conhecido por
Chapéu de Couro.
51
No transcorrer dos anos 62 a 65, o Distrito de Bom Jardim, já contava com um
acentuado fluxo migratório, tornando-se um verdadeiro canteiro de obras. E mesmo
de maneira desordenada, surgiam muitas casas comerciais, com diversos ramos de
negócio, atendendo em grande parte, as necessidades dos moradores, em número
cada vez maior. As primeiras residências eram construídas de tábua, em sua
maioria, devido à facilidade de madeira e outras de taipas, devido a grande
dificuldade de acesso a cidade de Pindaré-Mirim - cidade que oferecia material de
construção de primeira qualidade. Pindaré era e o celeiro e ponto de convergência
de toda região.
Tendo em vista o excepcional desenvolvimento econômico e demográfico, o
povoado Bom Jardim tornou-se dos Distritos de Monção o mais importante Centro
comercial do município.
Nasceu entre seus moradores um forte desejo de emancipação político-
administrativa. Os comerciantes e o senhor José Pedro Vasconcelos, o seu
fundador, considerados representantes da sociedade bonjardinense e prevalecendo
a opinião geral, sem dissidência, optavam pela emancipação de Bom Jardim.
Iniciaram uma grande luta política pelo objetivo proposto. A partir daí, começou o
movimento político através e um grupo de jovens comerciantes. Os protagonistas
dessa luta foram os senhores Gildásio Ferreira Brabo, João Batista Feitosa, César
Sales, Gaspar Meireles, Zeferino Gomes Pereira e Mauzol Miguel de Souza. Um
nome também, que é relevante ser lembrado nesse processo de emancipação é o
de Arlindo Menezes, que no período era gerente do banco do Estado, no município
de Pindaré. Em homenagem a este, é que existe a rua Arlindo Menezes.
O primeiro morador, José Pedro Vasconcelos faleceu em 2 de outubro de
2002, na cidade de Rio Preto da Eva, Amazonas.
.
Em princípio de 1964, já se destacara a campanha tendo em vista as eleições
para governador que realizou-se em 1965. Concorria para candidato do Maranhão, a
governador o Deputado Federal José Sarney. O qual, devido sua eleição como o 2º
deputado federal mais votado do Estado, lhe rendeu as credenciais necessárias
para que o mesmo pleiteasse a candidatura a governador pelo grupo “Frente de
Oposições Coligadas”. Na ocasião, o grupo de comerciantes que conspirava a
possível passagem do povoado Bom Jardim para município, resolveu convidar o
candidato José Sarney para uma visita ao lugar. O candidato aceitou o convite e no
dia do seu comparecimento em reunião com os representantes bonjardinenses,
estes firmaram o compromisso de apoiá-lo na sua campanha para governador do
Maranhão. Expuseram suas ideias em relação ao povoado e reivindicaram a
emancipação de Bom Jardim, o movimento contou com a adesão do prefeito de
Monção.
Naquele ano de 1966, por imposição do prefeito de Monção. Sr. José Bastos,
deu-se início a uma série de negociações, com referência ao processo de
desmembramento de Bom Jardim, dado o fato daquele Prefeito só concordar com o
1º morador de Bom
Jardim e família
José Pedro Vasconcelos
Foto fornecida por
Srª Antônia
52
desmembramento tão sonhado caso houvesse as renúncias de dois vereadores do
povoado Bom Jardim; com isto, automaticamente cairiam também às posições dos
suplentes de vereador. Não havendo outra solução, tudo ficou concordado e o velho
“cacique”, José Sarney, mais uma vez entra em cena, acertando tudo em nome de
Bom Jardim do Município de Monção.
Assim foi que, no ano de 1966, já com vereadores pelo novo partido a
“ARENA”, assumiria a liderança política de Bom Jardim, o Sr. Gildásio Ferreira
Brabo, que foi determinado na época por José Sarney, como representante do
povoado Bom Jardim na esfera Estadual, tendo a frente das negociações políticas
João Batista Feitosa e como suplentes de vereador, Bernardo Carvalho e José Alves
de Souza. O candidato José Sarney fez um comício na praça que hoje leva seu
nome, em seu discurso deixou explicitado ao povo bonjardinenses que um de seus
primeiros atos quando governador do Maranhão seria a elevação do povoado Bom
Jardim à categoria de cidade. Vale salientar que todas as manobras políticas da
época tinham sempre à atuação de José Sarney, o qual foi eleito como Governador
do Estado em 15 de Novembro de 1965, com expressiva margem de votos. O
deputado José Sarney, que ao assumir o governo tratou logo de cumprir sua
promessa aos bonjardinenses. Foi o Deputado Estadual Newton Serra que entrou
com o projeto de emancipação de Bom Jardim na Assembleia Legislativa do Estado,
no ano de 1967.
Foto tirada pelo 1º fotógrafo de Bom Jardim: Pedro Juvino por (Manin).
Com a promulgação da Lei nº 2735, de 30 de dezembro de 1967,
sete anos após sua fundação, o povoado Bom Jardim passou à categoria
de cidade. Em 14 de março do referido ano, foi realizada sua instalação
pública. A partir desta data, Bom Jardim adquiriu sua autonomia política,
ganhando com isso mais recursos como município criado, Bom Jardim
emancipou com 750 eleitores (segundo Batista Feitosa). Foi com a
coordenação de José Sarney que João Batista Feitosa assumiu o cargo de
Interventor por dois anos; tudo isto, com o compromisso de coordenar e
financiar toda a campanha da candidatura a Prefeito de Gildásio Ferreira
Brabo.
Tomou posse o seu primeiro governante, João Batista Feitosa,
nomeado a interventor do município pelo Governador do Estado, José
Sarney.
A instalação da primeira Prefeitura de Bom Jardim foi em uma das
casas do fundador do lugar, cedida por ele e sua esposa Euzamar Oliveira
Vasconcelos localizada na Avenida José Pedro.
José Sarney e cúpula
política em comício
nos princípios da
emancipação política
de Bom Jardim.
53
Na administração do interventor João Batista Feitosa foram implantadas as
bases político-administrativas do município. Foi instalada a primeira Coletoria
Estadual, foi comprado o prédio próprio da Prefeitura Municipal e iniciada a
construção do Colégio Governador José Sarney. O registro da história de Bom
Jardim, no aspecto administrativo, consta a primeira autoridade policial do município,
na pessoa do Sr. Mário Santiago de Oliveira, como Inspetor de Quarteirão,
autoridade que, na época fazia às vezes de um delegado de polícia, resolvendo
todos os casos de responsabilidade da polícia, inclusive subordinado a Secretaria de
Segurança Pública do Estado, que lhe dava todo o apoio no exercício de suas
funções. Mário Santiago de Oliveira, que chegou neste município no ano de 1961,
desempenhava função de Inspetor de Quarteirão até a chegada do primeiro
Delegado de policia, em 1962, o Sr. Maximiano Costa, que se tornou muito
conhecido e muito temido, pela maneira enérgica como exercia seu cargo, sem
interferência de políticos e ou pessoas influentes.
O 1º Cartório de Bom Jardim, como Município, foi implantado em 1968, tendo
como categoria jurídica, Cartório de Oficio Único e subordinado à Comarca de Santa
Inês, até 29 de Agosto de 1987, quando foi implantado a Comarca Bom Jardim,
passando a contar com os cartórios 1º e 2º Oficio. O primeiro Cartório de Bom
Jardim teve como escrivã a Sra. Esmeraldina Lopes Araújo, que exerce até os dias
atuais. Hoje, é titular do Cartório de 2º Oficio, desde a criação da comarca de Bom
Jardim.
Os meios de transportes e comunicação de Bom Jardim nos anos 60 no verão
era caminhão jardineira (um ônibus com carroceria de madeira e mista) e a empresa
Florência Ferreira. Durante o inverno, eram utilizadas tropas de burros, lanchas e
canoa. Em Bom Jardim surgiu telefone no mandato do Prefeito Adroaldo em 1973. O
primeiro rádio foi do senhor João do rádio, a primeira televisão pertenceu ao senhor
Antonio Joaquim, onde muitas pessoas se reuniam para assistir; o primeiro
proprietário de carro foi o senhor Raimundo Timóteo, o carro era um pick-up azul, e
o senhor Frazão possuiu o primeiro caminhão; as tropas de animais que trafegavam
a serviço da comunidade nos anos 60 –principalmente no inverno - transportando
pessoas e produtos de Bom Jardim para a beira do rio Pindaré e de lá a Santa
pertenciam aos Senhores:Sebastião Bispo, Manuel Chagas, Severino Leite,
Geraldinho e Camilo, - este último, segundo relatos, foi o primeiro tropeiro a fazer
fretes de Bom Jardim a Santa Inês, sua tropa era de 15 burros. A primeira moto a
circular em Bom Jardim pertenceu ao senhor Dico da Vespa, o mesmo já faleceu.
O primeiro magarefe foi o senhor José Vieira dos Santos, conhecido como
Zezé (comerciante).
O primeiro comerciante: Benedito Bogér, seu comércio era numa casa de
taipa onde hoje é o comércio Casa Betel e a primeira casa de telha foi do senhor
Antonio Surdo.
João Batista Feitosa, 1º prefeito por
interventoria de Bom Jardim
Foto fornecida por Batista Feitosa.
54
Empresa de ônibus muito conhecida na época: Florêncio – anos 80. (Foto por
Washinghton Oliveira, 2013).
COMPLEMENTAR
Em 1980, o Governo Federal João Figueiredo, preocupado com as
tensões sociais na região que hoje chamamos de Projeto Ferro Carajás,
resolveu criar o Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins
(GETAT), subordinado ao Conselho de Segurança Nacional.
Ao GETAT foram dadas as mesmas atribuições do INCRA,
restringindo-se porém à sua área específica, a qual abrangia cerca de
450.000 km², sendo 60% no Pará, o Estado de Goiás, 22%; e o
Maranhão com 18%, envolvendo os municípios de: Amarante do
Maranhão, Açailândia, Bom Jardim, Carolina, Carutapera, Estreito,
Imperatriz, João Lisboa, Montes Altos, Porto Franco, Riachão, Santa
Luzia e Sítios Novos.
Em 06 de maio de 1984, ainda povoado de Marabá, Parauapebas foi
invadidopor dois mil garimpeiros. Todas as ruas, desde as correntes da
Portaria da Vale até a saída do povoado ficaram cheias de garimpeiros,
os quais destruíram vários prédios públicos. Revoltados e enfurecidos
(com o fechamento do garimpo Serra Pelada pelo governo federal),
queriam a todo custo invadir a Serra dos Carajás. E do lado de dentro das
correntes estava a polícia, e chegavam aviões cheios de homens do
exército – que impediram o ato.
4.1 CONTEXTO DA POLÍTICA ESTADUAL E NACIONAL
 Presidência de Juscelino Kubitschek (1956 a 1961)
Em 1960, inauguração de Brasília.
Abertura de grandes rodovias como a Estrada Belém/ Brasília.
Construção de grandes usinas hidrelétrica (furnas três Maria em
Minas Gerais). Grande impulso a indústria nacional.
55
 Presidência de Jânio Quadros (de 31/01 de 1961 até 25/08
do mesmo ano). Com sete meses de governo renunciou.
 Presidência de João Goulart: (1961 a 1964)
Ao tentar levar o país para o socialismo ao modelo de Cuba
desencadeou a revolução de 64 (da qual os militares governaram até
1985).
 Presidência: Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco
(primeiro governo revolucionário, 1964 a 1967).
Governador do Estado: Newton Belo (1961 a 1966)
Principais realizações:
Instituiu um Plano de Colonização e Desenvolvimento Agropecuário
(PLANAGRO).
Criou uma Comissão Executiva do Planejamento Educacional do Maranhão
(CEPLAMA), que traçou o plano trianual de Educação. A revolução de 64
poria fim a sua carreira política, foram cassados seus direitos políticos por
dez anos. (Sendo substituído por Alfredo Duailibe até 1966).
Você sabia... Que a estrada que liga Bom Jardim a São João do
Caru foi iniciada na administração de João Batista Feitosa. E que, até o
povoado Barrote foi feito à máquina.Do Barrote até o povoado Gurvia foi
feito em atividade braçal.
4.2 EVOLUÇÃO SÓCIO-POLÍTICO DA HISTÓRIA DE BOM JARDIM.
1º MANDATO (1969-72)
Em 1968 deflagra-se a campanha em prol das eleições para prefeito e
vereadores em todos em todos os Estados do Brasil. Candidatou-se para Prefeito de
Bom Jardim, o senhor Gildásio Ferreira Brabo (ARENA I) e Expedito Ribamar
Pereira (ARENA II – Aliança Renovadora Nacional).
Realizadas as eleições, foram eleitos: Gildásio Ferreira Brabo para Prefeito
municipal e para vice-prefeito, José Alves de Souza. Para a primeira Legislatura do
Município foram eleitos os vereadores: Adroaldo Alves Matos e Bernardo Carvalho
Nunes (ARENA II), Luís Ferreira Lima, Raimundo Nonato Figueiredo, Agostinho
Maranhão Oliveira, Miguel Alves Meireles, João Soares de Melo, José Jesus
Carvalho e Zeferino Gomes Ferreira (ARENAI), Edis que foram a primeira Câmara
Municipal de Bom Jardim instalada através da ata de posse da Câmara Municipal no
dia 06 de Janeiro de 1969. O primeiro presidente da Câmara de vereadores de Bom
Jardim foi Luís Ferreira Lima.
56
Principais obras realizadas:
A instalação do Departamento de educação e Cultura, conforme a
Lei nº. 32 de Março de 1971, término da construção do Hospital Municipal,
implantação do ginásio Bandeirante, já que o estado montava sua rede de
ginásio em cerca de 25% dos municípios maranhenses, percentual que
deveria crescer ano a ano, tanto é que atingiu em 1971, 91 dos 130
municípios do Estado. O ponto mais crítico residia no ensino primário,
principalmente na zona rural; para tentar modificar esta situação foi
concebido o “Projeto João de Barro” pela equipe de assessoramento do
Governador. O objetivo do Projeto “João de Barro” foi assim anunciado
através de um processo de educação integrada em nível elementar,
inserir o homem rural no processo de desenvolvimento socioeconômico
realizado, foi construído um posto médico na sede, e ampliação das
escolas na zona rural.
Contexto da política estadual e nacional (1969/1972)
Presidente
Presidência de Costa e Silva (1967-1969)
Vindo a falecer em 17 de dezembro de 1969, não terminou seu
mandato. Em função de sua morte os Deputados Federais e Senadores
elegem o General Emilio Garrastazu Médice para a presidência
(1969/1974). Obras realizadas: construção da rodovia Transamazônica e
da Rodovia Cuiabá-Santarém
Governador
José Sarney (1966-1970). Pontos relevantes em seu governo:
A criação da Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão
(SUDEMA). A qual caberia traçar e supervisionar o plano de
desenvolvimento do Estado. Criou no programa escolar a escola João de
Barro, para o mais pronto combate ao analfabetismo, e a instituição da
Televisão Educativa, para a maior difusão do ensino médio; e ainda, no
campo da educação a criação das escolas superiores de Agricultura,
Administração e Engenharia, em São Luís e de Educação em Caxias.
Primeiro Prefeito eleito de Bom Jardim
Gildásio Ferreira Brabo.
57
Alargou a rede rodoviária do Governo Federal, e o início da energização
dos municípios, em fase da construção da hidrelétrica de Boa Esperança
pela União; asfaltamento das artérias do centro urbano, a construção da
ponte sobre o rio Anil, construção do porto do Itaqui.
Neiva de Santana (1971 a 1975)
O PROJETO DE COLONIZAÇÃO NO GOVERNO PEDRO NEIVA (1971-1974)
Na década de 1970,0 Brasil vivia sobo regime discricionário implantado pelo golpe
militar de 1964. Naquela época, os governadores estaduais eram indicados pelos
generais-presidentes e depois eleitos pelas respectivas Assembleias Legislativas.
O médico e ex-prefeito de São Luís Pedro Neiva de Santana foi indicado pelo
presidente da República Gal. Emílio Garrastazu Médici ao governo do Maranhão e,
em seguida, eleito pela Assembleia Legislativa. Empossado como governador do
Estado, Pedro Neiva de Santana dispunha-se a desenvolver uma política de
colonização agrária no Estado. Para tanto, contava com o apoio irrestrito do então
presidente da República, que o havia nomeado. O General Emesto Geisel, que
sucedeu a Médici, também apoiava grandemente a iniciativa, de modo que só
restava dar início à elaboração do grande projeto agrícola.
Por outro lado, dada a necessidade de imprimir velocidade e dinamização no
processo de ocupação ordenada das terras devolutas do Maranhão, fazia-se
necessária a criação de uma companhia de colonização. Com esse fim, no dia 6 de
dezembro de 1971, o Projeto de Lei n2 3.230 foi encaminhado à Assembleia
Legislativa, onde foi apreciado e aprovado em caráter de urgência. O ato autorizava
o governador Pedro Neiva de Santana a criar a Companhia Maranhense de
Colonização (COMARCO), estruturada sob a forma de sociedade anônimade
economia mista.
Em seu governo deu ênfase ao sistema rodoviário, a rede de energização e de
saneamento do interior e uma política de colonização e de saneamento do interior e
colonização agrária.No campo da educação instituiu o Conselho Estadual de Cultura
e da Fundação Cultural do Maranhão com vista a uma futura universidade
estadual.No campo econômico, além da política de colonização agrária, a atividade
do banco de desenvolvimento do Maranhão, e a criação da Federação das Escolas
Superiores do Maranhão, a Companhia Progresso do Maranhão; no campo de
segurança, a interiorização da Polícia Militar, com a criação de 5 batalhões, sediados
58
em São Luis, Caxias, Pindaré-Mirim, Imperatriz e Livramento. Terminou a construção
do porto do Itaqui.
 2º MANDATO (1973 a1976)
No ano de 1972 realizaram-se novas eleições no país. Concorriam às eleições Municipais
de Bom Jardim Adroaldo Alves Matos e Augustinho Maranhão; sendo eleito Prefeito
Municipal Adroaldo Alves Matos e Miguel Alves Meireles, vice-prefeito. Os vereadores
foram: José Nilo Ribeiro, Mauzol Miguel de Sousa, Ângelo Jorge Vieira, Aldimar da Silva
Porto, João Soares de Melo, Martinho Gomes de Azevedo, Raimundo Nonato Figueiredo,
Antonio Carvalho e Zeferino Gomes Pereira.
PRINCIPAIS OBRAS REALIZADAS
Implantação da rede distribuidora de energia elétrica, proveniente da Hidrelétrica
de Boa Esperança sob administração da CEMAR. Conclusões dos serviços de
abastecimento de água realizadas pela CAEMA, construção do mercado público
municipal de abastecimento, construção de escolas na zona rural.
CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL E ESTADUAL
PRESIDENTE
 Presidência de Ernesto Geisel (1973 a1976)
Meta prioritária do seu governo:
- Desenvolver o sistema Ferroviário, Fluvial e Marítimo;
- Aumentar as exportações, as pesquisas minerais e o aproveitamento do xisto e
do carvão;
Desenvolver a qualquer preço a tecnologia nacional e ampliar a fronteira Agrícola
em todas as áreas de produção.
Houve o acordo de cooperação nuclear (Brasil//Alemanha) para suprir a crise
energética e petrolífera do país.
 GOVERNADOR: Nunes Freire: (1975 a 1979)
Osvaldo da Costa Nunes Freire concluía um mandato de deputado estadual pela
ARENA (Aliança Renovadora Nacional), quando foi indicado pelo governo federal
a substituir o governador Pedro Neiva. Seu nome, então, foi escolhido pela
Assembleia Legislativa, da mesma forma que seu antecessor. Como se
encontrava doente na data da posse (15 de março de 1975), a faixa de
governador foi recebida por seu vice, o Dr. José Duailibe Murad, que permaneceu
interinamente no cargo até o dia 31 de março do mesmo ano, data em que o
titular se integrou ao seu mandato.
As expectativas por parte dos colonos eram as melhores possíveis. Todos
estavam esperançosos por melhores dias e pela continuidade do Projeto de
Colonização no interior do Estado. Assumia o governo do Estado do Maranhão o
Dr. Nunes Freire. Com um perfil diferente de seu antecessor, o novo governador
tentou mudar radicalmente a política agrária no Estado, dentre outros setores
administrativos.
59
Como ficou o projeto?
Ficou parado! Isso mesmo, durante todo o seu governo, nenhum
investimento foi aplicado no tão sonhado Projeto de Colonização. O
governo se limitou apenas à manutenção do funcionalismo e em inaugurar
algumas obras executadas pelo prof. Pedro Neiva.
 3º MANDATO (1977 a1982)
No ano 1976 novas eleições foram realizadas. Concorriam as eleições
municipais de Bom Jardim Miguel Meireles e João Franco Sousa. Sendo
eleito Miguel Alves Meireles, Prefeito Municipal e Joaquim Servo de
Araújo, vice-prefeito. Para vereadores foram eleitos: Valquírio Bertoldo do
Nascimento, Mauzol Miguel de Sousa, José Nilo Ribeiro, João Sobral, José
Abreu de Oliveira, João Soares de Melo, Hélio Ferreira da Paixão,
Francisco Cândido de Araújo.
PRINCIPAIS OBRAS REALIZADAS
Instalação do primeiro posto de serviço telefônico (TELMA), e a estação
repetidora da Rede Globo por intermédio da TV difusora Maranhão canal
4, construção do Cemitério Publico, Praça Governador José Sarney e São
Francisco de Assis; em Novo Caru, o serviço de eletrificação com motor a
Diesel, ficando ainda implantados os postes para o recebimento da rede
de distribuição de hidrelétrica, sendo que este serviço não foi concluído
pela administração seguinte, em consequência, os postes caíram, mas
atualmente, Novo Caru já está todo iluminado com energia elétrica em
postes de cimento proveniente da hidrelétrica de Boa Esperança.
Construção do colégio Municipal Ney Braga (frente a CAEMA, o qual hoje
funciona como Secretaria de Agricultura); e o Jardim de Infância Topo
Gígio (onde hoje é o Centro Cultural). Construção de escolas na zona
rural. Em Novo Caru foi também construída a praça denominada “Praça
Raimundo Nonato Pinheiro”, em homenagem ao seu primeiro morador.
Realizou-se também abertura de estradas carroçáveis do Centro do
igarapé dos Índios e de São João do Caru, construção de mine-postos de
saúde nos povoados da zona rural.
CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL E ESTADUAL
PRESIDENTE
Presidência de João Batista Figueiredo (5º Presidente Revolucionário)
criou a lei de Anistia (onde todos exilados de 1961 a 1979 retornaram).
Miguel Meireles
60
Fez a abertura democrática. Houve a campanha das “diretas Já” que
expressava a vontade geral do povo. A vontade do povo não foi acolhida quanto
a presidente.
GOVERNADOR
João Castelo Ribeiro Gonçalves (1979 a 1982)
No dia 15 de março de 1979, o ex-diretor do Banco da
Amazônia e ex-deputado federal João Castelo Ribeiro Gonçalves assumia o
governo do Estado. Com sua posse, surgia novamente a expectativa de
melhores dias para o homem do campo. Os colonos esperavam ansiosos
por novos investimentos no Projeto. Eles, apesar de terem sofrido com o
atraso do governo anterior, não desanimaram. Alimentaram-se de
esperanças que, felizmente, foram concretizadas.O novo governador, logo
ao assumir o cargo, tratou imediatamente de atender as reivindicações
dos colonos, inclusive criando a Secretaria do Interior, dentre as quinze já
existentes. João Castelo organizou sua equipe e exigiu — em caráter de
urgência — um levantamento das necessidades do Projeto de Colonização.
Em seguida, iniciou os tão sonhados investimentos.
Reformulou a alta administração que, afora os dois
gabinetes civil e militar, passou a contar com mais 15 secretárias, a
saber: de planejamento e coordenação (SEPLAN), de Agricultura
(SAGRIMA), de Indústria, comércio e turismo (SICT) DE Segurança
Pública (SSP), de(SEAD), de Educação e Cultura (SEC), de Saúde Pública
(SSPI), de Trabalho e Ação Social (STAS) e as recém criadas, Secretaria
de Recursos Naturais, Tecnologia e Meio Ambiente (SERNAT), de Justiça
(SJ) e do Interior, (SI).
FOTOS ANTIGAS DE BOM JARDIM DE 1983
Mercado Municipal de Bom Jardim, 1983.
61
Rua do Comércio ano: 1983
A assembleia de Deus era localizada onde hoje é a
.Prefeitura de Bom Jardim
Hospital Municipal.
A Prefeitura e Câmara Municipal era
localizada na Rua do Comercio.
Fonte: Arquivo pessoal de Pedro Juvino.
62
4º MANDATO (1983 A 1988)
Em 1982 são realizadas novas eleições para governadores, senadores,
deputados, prefeitos e vereadores. Concorriam as eleições Adroaldo
Matos, Joca Soares e Gildásio Ferreira Brabo.
Foram eleitos em Bom Jardim, Adroaldo Alves Matos, prefeito Municipal e
Dr. Muniz Alves, vice-prefeito, para o poder Legislativo foram eleito os
vereadores: Francisco Nascimento, José Abreu de Oliveira, Manoel
Carreiro Varão, Bernardo Luís de Andrade, Benedito Alves de Carvalho,
Apolinário Antonio de Araújo, Joaquim Severo de Araújo, Pedro Costa de
Souza, Salomão da Silva Pereira. Miguel Dias Brasil,Raimundo Alves
Ferreira e Francisco dos Santos Pereira, os quais tomaram posse no dia 1º
de Fevereiro de 1983.
Dr. Muniz. Foto fornecida pelo Sr. Dir .
Bom Jardim/ Anos 80.
Principais obras realizadas
Construção do prédio da Câmara de Vereadores, do Fórum (antes em frente ao
mercado), colégio municipal Ney Braga II, para o ensino de 2º Grau (foi quando iniciou o
63
Ensino Médio em Bom Jardim na escola pública). Em convênio com o programa
EDURURAL, deu continuidade as construções dos Colégios na zona rural. Efetuou o
calçamento com pedras em várias ruas na rede do município. Iniciou o programa de
distribuição de alimentos a gestantes (INAM). Comprou um motor de luz para os povoados:
Rosário, Cassimiro e Tirirical.
Dois prefeitos mortos por pistoleiros
Adroaldo Alves Matos foi assassinado no interior de sua residência
quando este estava em reunião com lideranças comunitárias, na praça
Governador José Sarney (centro da cidade) mais ou menos às 19h do dia
10 de abril de 1987, por pistoleiros até hoje não identificados. Apesar
das mais de 10 testemunhas oculares do assinato brutal, nem matadores
nem mandantes jamais foram identificados pela polícia. O inquérito nem
foi encaminhado à justiça. Está até hoje na Delegacia de Santa Inês,
segundo Alzinete Matos, (apud Jornal Pequeno, 07/10/2007).
Três dias após a morte do prefeito, tomou posse através da Câmara
Municipal o vice-prefeito Dr. Antonio Muniz Alves, que deu
prosseguimento aos trabalhos administrativos do Município. Sendo este,
também assassinado, logo no término de seu mandato, quando se
encontrava no Posto Magnólia.
As principais obras realizadas em seu curto período de governo foram:
Posto Central da Telma (junto ao mercado central), Prefeitura Municipal,
dois quilômetros de asfaltos (na rua do comércio). Foi no governo de Dr.
Muniz, que iniciou o processo de eletrificação rural em Bom jardim,
Alzinete Matos mostra onde o pai
(destaque) caiu, crivado com 29 tiros.
Fonte: Jornal Pequeno, (07/10/2007)
64
através de apoio e parceria com o Deputado Federal Cid Carvalho. Antes
só existia em alguns povoados, através de motor de luz (à Diesel).
CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL E ESTADUAL (1983 A 1988)
PRESIDENTE
José Sarney. Fim dos Governos Revolucionários. Início da nova República. Em
eleição realizada pelo colégio Eleitoral, ganha Tancredo neves, o qual, vindo a
falecer, assumiu o vice José Sarney em 22 de Fevereiro de 1985 a 1990. Sarney
fez a abertura democrática do país, atendendo o apelo às “Diretas Já”.
Consolidando desta forma, o processo de redemocratização do país.
Governador Luís Rocha (1983 -1986)
O PROJETO DE COLONIZAÇÃO NO GOVERNO LUÍS ROCHA (1983- 1986)
Durante o governo de Luís Alves Coelho Rocha, o Projeto sofreria novamente o
descaso. O governador até que freqüentou o Projeto, mas não deu a devida
assistência aos colonos, que padeciam sem as condições necessárias para
continuar a árdua tarefa de lavrar aterra. Foi uma época em que não houve
grandes investimentos. No momento, grande número de homens deixavam suas
famílias, rumo ao Estado do Pará para aventurar a sorte principalmente nos
garimpos da Serra Pelada. Tal fenômeno que durou até meados dos anos oitenta,
causou grandes desilusões e problemas àqueles lavradores &garimpeiros e às
suas respectivas famílias que passavam a ser chefiadas pelas esposas.
 5º MANDATO (1988 A 1992)
Em 15 de novembro de 1988 realizam-se novas eleições no país. Concorriam as
eleições Antonio Soares Pedrosa, Joca Soares, Dr. Carlos Celso, Miguel Meireles e
Agenor da Conceição. Foram eleitos em Bom Jardim, Antonio Soares Pedrosa
(Fogoió), Prefeito Municipal e Adelaide Sales Rios Matos, Vice-Prefeito, os
vereadores foram: Francisco dos Santos Pereira, (Presidente da Câmara) Ozimo
Jansen, Elizeu Alves da Costa, Raimundo Alves Ferreira, Manoel Carreiro Varão,
João Batista Feitosa, Raimundo Pereira Leite, Bernardo Luís de Andrade, José
Rodrigues Neto, Aldery Sebastião Ferreira, Misael Santos Souza, Antonio Feitosa
Primo, Boanerges da Silva Andrade.
Antonio Soares Pedrosa, Fogoió
Fonte: Bomjardimmamemoria/Instagram
65
Principais obras realizadas
Em seu governo foi realizado calçamento na zona urbana, Construção do
ginásio de Esporte Pedrosão, a construção de casas populares na zona
urbana, o terminal Rodoviário com o apoio do Deputado Federal Cid
Carvalho. Na administração de Antonio Soares Pedrosa houve um grande
avanço na eletrificação rural do município. Uma das ações também
importante foi transportar muitas pessoas doentes para Teresina, com
hotel e remédio tudo pago pela prefeitura.
Terminal Rodoviário. No período em Ginásio Poliesportivo Pedrosão.
que foi conseguido – era um sonho.
Contexto da política nacional e estadual
Fernando Color de Melo: (1990 a1992)
Extinção do cruzado novo.
-Bloqueio das cadernetas e contas-corrente, que ultrapassaram 50.000
cruzados novos.
Congelamento de preço e salário.
No dia 26 de agosto de1992, foi realizado o impeachment de Color,
afastado e teve seus direitos políticos suspensos por 8 anos. Assumindo
Itamar Franco (1992 a 1994).
GOVERNADOR
Epitácio Afonso Pereira Cafeteira (1987 a1991)
Em seu governo foi construído o CLA (Centro de Lançamento de
Alcântara). Passou o cargo ao vice João Alberto de Sousa, que completaria
seu governo enquanto iria para o Senado.
6ª MANDATO (1993 a 1996)
Em 1992 realizaram-se novas eleições no país. Concorriam as
eleições Dr. Carlos Celso e Manoel Gralhada. Foram eleitos em Bom
Jardim, Dr. Carlos Celso Ribeiro Vieira, Prefeito Municipal e João Soares de
Melo, vice-prefeito.
Os vereadores foram: Jorge Ângelo Vieira da Silva, Antonio Otávio
Oliveira, Bernardo Luis de Andrade, Boanerges da Silva Andrade, Eliseu
Alves da Costa, Francisco Soares de Melo, José Rodrigues Neto, Misael
Santos Souza, Alciomar Sales Rios, Manoel Carreiro Varão, Marinete dos
Santos de Abreu, Raimundo Alves Ferreira, Raimundo Pereira Leite.
66
Dr. Carlos Celso
Principais obras realizadas:
 Centro Informal;
 Bairrro Santa Clara (Compra e doação dos terrenos).
Contexto da política nacional e estadual
PRESIDENTEItamar Franco (1992 a 1994)
GOVERNADOR
Edson Lobão (1991 a 1994). Renunciou no fim do seu mandato e se candidatou
ao senado, entregando o exercício da governança a seu vice, José Ribamar
Fiquene. (1994 a 1995).
7º MANDATO (1997 a 2000)
Em 1996 realizaram-se novas eleições no país. Concorriam as eleições Manoel
Gralhada, Dr. Roque Portela e Professor Raimundo. Foram eleitos em Bom
Jardim, Manoel Lídio Alves Matos (Manoel Gralhada), Prefeito Municipal e
Chiquinho do Abdon, vice-prefeito.
Os vereadores eleitos foram: Raimundo Pereira Leite, (Presidente da Câmara),
Eliseu Alves da Costa, Antonio Otávio Oliveira, Antonio Lopes Varão, Aldery
Sebastião Ferreira, Pedro Costa Sousa, Francisco Ferreira Lopes, Bernardo Alves
Meireles, Marinete dos Santos de Abreu, Remy Rodrigues Silva, Demétrio Santos
Passos, João Batista Feitosa, Leny Pacheco Silva.
Manoel Gralhada
Principais obras realizadas nos dois mandatos de Manoel
Lídio Alves Matos:
Teve um bom avanço e desempenho na construção de escolas em muitos
povoados da zona rural e na sede. Entre estas a escola Fernanda Sarney, onde
funcionou 4 cursos da UFMA (Unidade Federal do Maranhão) em cursos de nível
superior em Licenciatura Plenas para profissionais na área da educação (cursos
de Letras, Matemática, Pedagogia e História).
67
Construiu também o conjunto habitacional COHAB, fez asfaltamento nas
principais ruas do centro urbano e construção de poços artesianos na zona rural.
Fez eletrificação rural em alguns povoados da zona rural, a construção de um
Centro Cultural e postos de saúde.
Contexto nacional e estadual
PRESIDENTE
Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2000)
Buscou integrar a economia brasileira ao mercado mundial (era da
globalização).
Aproveitando-se da onda de privatizações determinadas pela política
neoliberalinduzida pelo governo americano, FHC privatizou quase todas as
empresas estatais do país alegando gerar divisas e pagar as contas públicas – o
que não aconteceu, ao contrário, no final de seu governo, a dívida pública (interna e
externa) apenas subiu, R$ 1,34 trilhão - deixando ao povo brasileiro e seu sucessor
Lula, o “abacaxi”. Entre as empresas privatizadas, a mais polêmica é a da CVRD
(Companhia Vale do Rio Doce) onde, segundo movimentos sociais, especialistas e
defensores pela reestatização, a empresa gerava enormerendas para o país e era
estratégica para o desenvolvimento do Brasil. A CVRD foi vendida por 3,3 bilhões de
reais em 1997; E, na avaliação de um ex-diretor da empresa, a mesma estaria
valendo em torno de 100 bilhões. Segundo pesquisas particulares, apenas Carajás,
que tinha previsão de exploração por 400 anos (hoje caiu para 200) pelo aumento e
velocidade da exploração como a empresa está atuando, vale mais de R$ 1 trilhão.
Mais de 60% de seus acionistas são estrangeiros. A CVRD explora minério em 14
estados brasileiros e atua em 17 países, comprou a INCO canadense(que explora
níquel) por US$ 18 bilhões, tornando-se a segunda maior mineradora do mundo.
Possui concessões por tempo ilimitado para realizar pesquisas e explorar o subsolo
em 23 milhões de hectares do território brasileiro, uma área correspondente aos
estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Em seu governo foi também criado o programa FUNDEF(Fundo de manutenção e
desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério) através do
qual houve maior valorização ao professor.
Você sabia que...
O lucro da Vale em 2008, R$ 21,279 bilhões. Enquanto isto, a pobreza no Brasil cresce.
Este lucro durante um ano daria para manter o orçamento do estado do Maranhão com seus
217 municípios, cujo orçamento (2007) foi de 6,1 bilhões durante 3,4 anos (três anos e quatro
meses).
Essa enorme riqueza que vai para fora do Brasil é fabulosa, o que fica demonstrado
nos lucros da Vale citado acima. Segundo o INEP, a erradicação do analfabetismo no Brasil
exigiria 200 mil educadores. Esses alfabetizadores ganham apenas (R$ 420,00) como salário.
O gasto de pessoal dos 200 mil educadores por ano (considerando 12 meses) corresponderia a
R$ 1,008 bilhão. Considerando o lucro da Vale em 2007, isto daria para erradicar 21,1 vezes
o analfabetismo do Brasil.
E que, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, (Fiesp),
publicados em reportagem de Cristina Bonfati da Agência Unnb, a corrupção no Brasil
68
“saqueia” dos cofres públicos o equivalente a R$ 27,1 bilhões. O valor corresponde a 81% do
orçamento da educação no país tomando como base 2008.
GOVERNADOR(A):
Roseana Sarney 1º mandato (1995 a 1999), sendo reconduzida a um
segundomandato em 15 de março de 1999 a 2002. Extinguiu as clássicas
Secretarias que eram cópias dos Ministérios Federais, substituindo-as por sete
Gerências (de Administração e Modernização, de Alimentação de Bens Móveis e
Imóveis; de Desenvolvimento Social; de justiça, Segurança Pública e Cidadania;
de Desenvolvimento Humano; da Receita Estadual; e de Qualidade de Vida) que
tinha como função à execução de atividades coordenadas e fiscalizadas em todo
o território do estado, pelas Gerências Regionais.
 8º MANDATO (2001 A 2004)
Em outubro de 2000 foram realizadas novas eleições para Deputados,
Governador, Senador, Prefeitos e Vereadores. Concorriam às eleições
Manoel Gralhada e Dr. Roque Portela. Foram eleitos em Bom Jardim,
Manoel Lídio Alves Matos, Prefeito Municipal e Eliseu Alves da Costa, vice-
prefeito. Os vereadores eleitos foram: Reginaldo Meireles Cunha
(Presidente), Antonio Lopes Varão, Raimundo Pereira Leite, Aldery
Sebastião Ferreira, Alcionildo Sales Rios Matos, Antonia da Silva, Clara
Maria Araújo Maciel, Elberfran Oliveira Costa, Francisco Cruz, Francisco
Ferreira Lopes, Francisco Santos Pereira, Leny Pacheco Silva e José Vieira
Santos Filho.
Manoel Lídio, o “Manoel Gralhada”, chegou a ter seu mandato cassado
pelo juiz da 78ª Zona Eleitoral de Bom Jardim, Júlio César Prazeres, em
maio de 2004, sob acusação de abuso de poder econômico na eleição de
2000, mas deixou a cadeira de prefeito por apenas 50 horas, sendo
diplomado Antonio Roque Portela (provisoriamente). Manoel Gralhada foi
reconduzido ao cargo por uma nova decisão judicial.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) surgiu em 2000, com o objetivo de
regulamentar a gestão fiscal dos entes públicos, estruturando etapas
transparentes para este fim. Como Influência dessas determinações da Política
Fiscal e a passos lentos, o município de Bom Jardim-MA, sob a gestão do
prefeito Manuel Gralhada determinou a elaboração de seu 1º Plano Decenal de
Educação 2003 a 2013 (sob o comando da Secretaria de Educação, um grupo
pioneiro de professores coordenados por Doutor Frazão, professor da UFMA –
sob o risco de perdas de orçamentos na educação Municipal. O plano era um
Gerência Regional da Microrregião
Vale do Pindaré em Santa Inês.
(Extinta no governo de Jackson
Lago).
69
amplo diagnóstico compilado de metas, Programas e um Descritivo da Dinâmica
funcional para se atingir certas metas no intuito de assegurar a lisura e eficiência
no gasto do Orçamento Público. Mas não era apenas esta a Meta prioritária na
legislação então vigente (LRF), exigia-se também que a Folha de Pagamento dos
Municípios – até então feitas em mãos, num filão nas prefeituras – passassem
obrigatoriamente a ser em Instituições Bancárias por meios de contas Físicas ou
Jurídicas, para assegurar o processo de transparência – que era a principal meta
da Nova Lei (LRF).
Frente às exigências então determinadas pela Lei, e ao fato de muitos
assaltos estarem acontecendo em municípios vizinhos – o gestor Manuel
Gralhada, logo no 1º ano de seu segundo mandato, como prevenção e já sendo
também uma exigência da Legislação e um Projeto enviado para a Câmara –
resolveu firmar um convênio com o Banco do Brasil (cujo gerente era o Sr.
Cleuber) – o qual foi aprovado. E a partir daí, as Folhas de Pagamentos do
Funcionalismo Público de Bom Jardim-MA. Contratados e efetivos passaram a
ser via Sistema Bancário direto nas contas diretamente; e não mais em mãos, nos
filões – onde imperava injustiça social de toda sorte, desde descontos
“estranhos” de salários, salários retidos por razões político-partidárias,
arbitrariedades diversas cometidas com o funcionalismo público então
desamparado – que vinham sendo acometidos na trajetória de gestões passadas
(sem exceção de governo).
Os Planos Plurianuais (PPA) com a participação da sociedade/comunidade
passa a ser também um ato de exigência para assegurar a Gestão Democrática
com a participação popular, exigência esta, expressa na Lei de Responsabilidade
Fiscal. O qual é um dos instrumentos de planejamento e gestão pública do
Estado brasileiro e está previsto pelo Artigo 165 da Constituição Federal. No
âmbito municipal, as legislações estabelecem que os prefeitos devem apresentar
ao Poder Legislativo, no primeiro ano de mandato, o projeto de lei do PPA para
os quatro anos subsequentes. O PPA nasceu da necessidade de retomada do
planejamento como ferramenta de gestão pública, no âmbito do Estado
federativo e democrático preconizado pela Constituição de 1988. O primeiro
PPA elaborado no âmbito federal cobriu o período 1991-1995. Desde aquele
momento até hoje, os PPAs têm refletido as diferentes orientações políticas dos
governos que se sucederam.
Contexto nacional e estadual
PRESIDENTE
Fernando Henrique Cardoso (2000 a 2003)
Luís Inácio lula da Silva (2003 / 2007)
GOVERNADOR
José Reinaldo Tavares (2003 a 2007)
70
Seu governo iniciou com bons acenos, porém, houve alegações de que grupos
políticos tradicionais, junto ao “Governo Federal” articularam corte de
recursos que entravam no Estado – principalmente no setor educacional,
que foi o maior prejudicado. Os professore, além de não receberem seus
proventos em dias (estando em acúmulos mais de três meses), tiveram-
no reduzidos a mais da metade. As aulas do ensino Médio foram
interrompidas em pleno funcionamento letivo (em muitos povoados) das
cidades maranhenses, Inclusive Bom Jardim.
Sendo este, um dos grandes impasses político que o estado já teve.
Ficando um questionamento para a sociedade maranhense: Essa crise
teve origem em razão políticas ou econômicas?
Se sua origem é econômica, porquê antes não a conhecíamos?
Se tiver origem política, a sociedade maranhense não está sendo
respeitada. Seja por políticos de situação e de oposição, que na
perspectivas da busca ao poder, tudo “vale” até prejudicar a sociedade no
objetivo de uma melhor cotação política.
 9º MANDATO (2005 A 2008)
Em três de outubro de 2004 ocorreram novas eleições. Concorrem Dr.
Roque Portela e Chiquinho do Abdon. Sendo eleito Dr., Roque e vice-
prefeito Eliseu.
Os vereadores eleitos foram: Alciomar Sales Rios Matos, Francisca Elia de
Mesquita, Antonio Lopes Varão, Lenir Pacheco Silva, José Vieira dos
Santos Filho, Aldery Sebastião Ferreira, Elberfran Oliveira Costa, Francisco
Ferreira Lopes, Márcio Sousa Pereira. Sendo presidente da Câmara:
Aldery Sebastião Ferreira.
 10º MANDATO (2009 A 2012)
Em 5 de outubro de 2008 foram realizadas novas eleições para Prefeitos e
Vereadores em todo país. Concorriam às eleições em Bom Jardim: Manoel
Gralhada (3.572 votos),Antonio Roque Portela (nulos), Eliseu Alves (87 votos),
Beto Rocha (5.386 votos), Alcionildo Matos (2.129 votos) e Nilo Ribeiro (139
votos). Foram eleitos em Bom Jardim, a prefeito: Beto Rocha (segundo colocado
com 5.386 votos, pois o primeiro colocado Antonio Roque Portela teve seus votos
inválidos (nulos: 7.133) - pois concorria na condição de uma 3ª reeleição – por
ter assumido em maio de 2004, quando Manoel Gralhada fora cassado. Para não
ficar na “amarga vitória”, o mesmo recorreu a Brasília, o centro da anuência e
dos jogos de cintura, onde teve o direito concedido de assumir o mandato em
janeiro de 2008. Sua vice-prefeita: Lenir Pacheco Silva.Os vereadores eleitos
Escola Estadual de Ensino
Médio 06/2007. Construída pelo
Governo do Estado; a parceria
do município foi a doação do
terreno.
71
foram: Antonio Cesarino, Silvano Andrade, Zé Filho, Pedrinho, Chico do Braz,
Puaka, Sinego, Seloneide Noronha e Seu Augusto.
Número de eleitores na eleição de 2008: 19.834.
Por Anésio Lopes& Juca in 12/2007
SUFRÁGIO DE 2006
Em 29 de outubro de 2006 houve novas eleições para deputado, senador,
governador e presidente – Sendo reeleito a presidente da República Luiz Inácio Lula
da Silva, do PT, com mais de 58 milhões de votos (60,83% dos votos válidos)
vencendo em segundo turno o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira
(PSDB), Geraldo Alckmin.
A governador do Maranhão, Jackson Lago. Num governo que se estenderá
de 2007 a 2010. O primeiro ato administrativo de seu governo foi à desintegração
das Gerências de Desenvolvimento Humano. E em seus discursos, deixou claro que
a nova via de promoção para o desenvolvimento do estado seria através de um
governo integrado com os municípios para alavancar e resgatar o estado dos piores
indicadores que ostenta para o país.
Em abril de 2009, Lago e seu vice foram acusados e cassados pela
coligação: a “Força do Povo”, por abuso de poder político – de terem sido
favorecidos por um suposto esquema que cooptava ecorrompia lideranças políticas,
articulado pelo ex-governador José Reinaldo (PSB), para eleger o seu sucessor.
ROSEANA SARNEY – O EMPRÉSTIMO DA “SALVAÇÃO” (2013)
Faltando apenas 1 ano e 7 meses para as eleições a governo do estado, um
baixo índice de aceitação e uma oposição fortalecida na pessoa de Flávio Dino,
onde as pesquisas apontavam 62% de intenção de votos. As pesquisas também
mostravam que 83,69% dos entrevistados disseram que o melhor para o futuro do
Maranhão seria eleger um governador que representasse a mudança. E apenas
12,3% achavam que o melhor para o estado seria a continuidade do grupo Sarney
no comando do estado.
Como estratégia para resolver velhos problemas relegados a anos e décadas
– no sentido de promover “obras sociais”, e tentar melhorar a imagem do governo,
ou de seu candidato, Roseana Sarney fez empréstimo politicamente estratégico na
72
ordem de R$ 3,8 bilhões, junto ao BNDES. Do qual, R$ 1 bilhão foi destinado a
aplicação em estradas e hospitais.
Ao todo, 550 km de asfalto para 9 rodovias estaduais.
(Fonte: Gazeta da Ilha, 13/03/2013)
Protesto em São Luis (em 2013) contra a corrupção endêmica instalada no
estado, que a nível nacional tem o título de 1º.
TRECHOS A SEREM PAVIMENTADOS
MA-123 – Coelho Neto – Afonso Cunha
MA-138 – São Pedro dos Crentes – Fortaleza dos Nogueiras
MA-272 – Barra do Corda – Fernando Falcão
MA-278 – Barão de Grajaú – S. Francisco do Maranhão
MA-282 – Lagoa do Mato – Gavião
MA-307 – Presidente Médici – Centro do Guilherme
MA-318 – Bom Jardim – São João do Caru
MA-320 – Santo Amaro – Primeira Cruz
MA-320 – Entroncamento da BR 402 – Santo Amaro
MA-334 – Riachão – Feira Nova
Diante das obras, e em exclamações duvidosas acerca de sua conclusão –
devido experiências passadas vive-se a euforia de que a estrada dos
sonhos se torne realmente uma Estrada Real, cujo valor esteveacima de
118 milhões, conforme Placa abaixo.
12/2013
Diante da situação predita, muitos gestores – seja por conta da
grande extensão territorial, difícil acesso e econômico, distância e ou
73
mesmo por falta de um Planejamento integrado e proposto, cujo
populacional servia-se apenas de possibilidade para a somatória dos
recursos que ali entrava sem terem de volta sua devida retribuição, e nem
tampouco, usufruir os benefícios da zona urbana. O que por longos anos
era a “Estrada dos Sonhos” (interligar Bom Jardim a São João mdo Caru),
até novembro de 2015, está visivelmente tornando-se uma realidade.
A construção da MA-318 contribui para tirar muitos povoados do
isolamento e promoçãodo desenvolvimento na região.
74
O Escândalo dos Ratos que Comem Filé
O “Escândalo dos Ratos no Filé do Povo” foi um escândalo que se deu na Gestão
Roque Portela no ano de 2012, bem próximo a uma campanha eleitoral. Cujo Secretário de
Saúde era Dr. Francisco, que de imediato passara a pasta da Secretaria a Silvano Andrade,
vereador e apoiador incondicional do Governo então dominante no município (no momento
do escândalo).
O vídeo e denúncia, que na época foi bombástica, e em plena proximidade de uma
eleição tido como alta periculosidade à saúde pública, foi “silenciado” pelos órgãos
competentes da esfera municipal e Poder Público (Câmara de Vereadores, Ministério Público
e Vigilância Sanitária). Nem sequer as mídias relevantes da região fizeram menção. Tal
vídeo, devido ter sido comunicado e nada ser feito, e sendo um absurdo a perpetrar, foi
encaminhado e denunciado por Léo, que depois ficou bastante conhecido por Léo do Rato –
cujo nome levou sua candidatura a vereador apoiando Beto Rocha, em cuja denúncia
animava-o a uma pretensa candidatura a prefeito de Bom Jardim pelo PC do B (cuja
especulação não foi tão abraçada pelo grupo que compunha o partido) – como se especulava
no restrito bastidor.
A mensagem bombástica do vídeo era enfática: “Ratos Comem o Filé Mion e o Povo
Bebe o Caldo e Roe o Osso”, na voz do interlocutor e locutor Zequinha.As cenas gravadas
mostram um cenário que vai desde o matadouro, (local onde proliferava grande quantidade
de urubus – no local onde servia concomitantemente para o abate) que era realizado. No
mercado municipal (cenas ainda piores eram e foram registradas: vários ratos sobre a
carne que seria vendida no dia seguinte para o consumo da população). Tal vídeo
encontra-se em função da eleição que se aproximava em milhares espalhados nas residências
dos cidadãos bonjardinenses.
No entanto, apesar desses e outros escândalos intercalados da mídia local
e regional e sem o título de excelência, e com alta impopularidade, o candidato
do então governo tirou uma somatória de 9.289 votos, num eleitorado que
estimava 22.000 (em todo município) na época. O vídeo termina com uma
ironia: “MÉDICO, PREFEITO! QUE PROMETEU MELHORAR A QUALIDADE DE
VIDA DE SEU POVO!”
Imagens extraídas do vídeo – cada ponto vermelho deste são ratos sobre a carne
e se alimentando do filé. Na segunda imagem, vê-se a proliferação de urubus,
no local onde o gado é abatido e levado para o mercado Municipal, de onde sairá
para o consumo da população.
75
O NOVEMBRO DAS INVASÕES em 2012
O fato das invasões é como um bolo que inchou - de longos anos sem política
habitacional ou frágil política para o setor local que venha a suprir o problema dos
sem-teto. Os números estavam inchados nos recantos da cidade em aluguéis
estampados e casas “inchadas”. Sou a favor que haja política habitacional para
resolver o problema. Mas acontece que o Sr. Gestor (do momento) não promoveu a
devida política, e a coisa explodiu, ou viu na situação de transição de governo a
oportunidade viável as invasões. Dois dos lotes invadidos eram para construir casas
do programa Minha Casa Minha Vida. Acontece que faz um bom tempo que o
governo Roque Portela tinha simplesmente que doar os terrenos para a Caixa
Econômica, e não o fez, se omitiu. Os outros terrenos, localizados dentro do
perímetro urbano - há muito tempo era para já ter sidos adquiridos e loteados aos
sem teto. E por outro lado, os donos desses terrenos não pretendendo abrir mão
(vender ou lotear, como fez a Srª Joana Vieira), e, no entanto, deu no que deu.
Para uns é a força da necessidade que está movendo a ocorrência dessas invasões.
Para outros, é a força da ganância, pois existem pessoas que no momento possuíam
2, 3 lotes invadidos e até residência. E isso foge a regra da necessidade das invasões
frente a ausência de fiscalização, já que o fato é irregular e desordenado. Há de fato
uma necessidade social de que se promova política habitacional no município para os
reais sem-teto, e não para os gananciosos que, se aproveitando da onda dos fatos
invadem para se “apossar do alheio” – o que de fato é crime.
11Invasões em pouco mais de uma Semana
A primeira invasão foi na primeira semana de novembro às casas do Programa
Minha Casa Minha Vida, que foram destinadas aos moradores que residem próximo
ao lixão. Suspeita-se que a ação de invasão tenha vínculo com a política partidária
perniciosa, que há muito tempo opera no município.
A segunda invasão se deu no terreno que equivocadamente muitos
chamam de terreno do Roque, que na verdade, segundo moradores, foi comprado
com dinheiro público para a construção das casas do Programa Minha Casa Minha
Vida, ao qual estava destinada a construção de 300 casas.
A terceira invasão aconteceu no mesmo dia à noite, num terreno logo
adjacente, de propriedade do Sr. Pereira.
A quarta invasão ocorreu também num terreno logo emendado aos
demais invadidos, pertencente à Senhora Maria Raimunda, que há muito tempo,
segundo a comunidade, o gestor tentava comprar, sem resultado.
A quinta invasão, os moradores do Bairro São Bernardo e outros
reuniram-se em mutirão e resolveram invadir o terreno, mais conhecido pelos
próprios moradores deste bairro como Solta do Pedroza. Os integrantes desse
movimento para marcar presença colocaram fogo nas moitas de mato, horas depois
estava vindo tiro que vinha em direção da fazenda do proprietário somente para
amedrontar os invasores, nada resolvido, Chegou a policia Militar que apenas olhou e
nada pode fazer, e assim mais um terreno em Bom Jardim Invadido.
A sexta invasão ocorreu no terreno que era também destinado ao
programa Minha Casa Minha Vida, na Vila Abreu.
76
Para alguns, o fato é como um “bolo’ que “inchou”, resultante do problema
habitacional não suprido nas políticas públicas do município. Para outros, foram
“ordens sugestivas” de cunho político partidário que desencadeou o enredo das
invasões. Frente ao problema instalado, remover os invasores é conflitante e ao
mesmo tempo imprevisível do que venha a acontecer.
Imagens das invasões:
A primeira invasão, onde ttudo começou, o Terreno do Programa Minha Casa Minha Vida.
Projeto já contava com 23 casas onde beneficiaria os moradores do lixão que
de invernoa verão, vivem em condições sub-humanas. De acordo com
informações nenhuma família invasora é uma das contempladas.
7º Terreno - Invasão do terreno da associação do Clube Cresb.
Em 16/11/2012 PM e GOE no local da invasão.PM e Invasores em Dialogo. Foto Gilvana Lopes. Facebook
O 8º terreno invadido, também pertencente à Srª Maria Raimunda – na rua do Mary Sérgio
(beco em frente a torre da Mirante).
O 9º terreno invadido, é localizado antes do lixão (pertencia ao município).
10º terreno invadido fica depois do lixão (uma grande área que foi dividida entre os sem-
tetos. Segundo Gildásio Ferreira Brabo, esta área era pertencente ao município quando ainda
era povoado.
11ª invasão: Atrás do Jesso Meireles, ao lado da pousada (Vila Pedrosa).
77
Terreno do Fogoió invadido. Foto site bom jardim. 11/2012
Ações Executivas Pós Derrota
No final do mandato de Roque Portela, após constatação de sua derrota, e
aproveitando o tempo que lhe restavade aproximadamente dois meses,
resolveu convocar os concursados (fato normal na gestão pública e por
dieito aos concursados), logo em seguida, o prefeito que teve seu
candidato derrotado (e passara 08 (oito) anos brigando com a classe
educadores baixou decreto convocando cerca de 380 excedentes
concedendo suas portarias e a aprovação do Plano de Cargo e Carreira (o
que dobrou o salário dos professores). Antes, o salário dos profissionais
da era cerca de R$ 800,00, e após a aprovação, subiu para cerca de R$
1.600,00.Gerndo assim, um certo impasse entre os dois poderes.
 11º MANDATO: LIDIANE/BETO ROCHA (2012-2016)
Uma eleição muito conturbada, e no entanto diferente da de 2009, que
apresentava muitos grupos de oposições de expressividade. No entanto, a
eleição de 2012 foi polarizada, apesar de quatro candidatos concorrerem
às eleições: Beto Rocha (Vice Malrinete Gralhada), Dr. Francisco (Cujo
Vice era Zé Filho), Rivelino e Zé Lopes – mas na evidência do povo
preponderava Beto Rocha e Dr. Francisco.
As circunstâncias políticas e articulações complexas de “jogadas”
engendraram o tabuleiro político no que gerou o fortalecido grupo Beto
Rocha que derrotou o grupo Roque Portela na pessoa de seu candidato Dr.
Francisco. Não pretendendo correr o risco e entregar o troféu da vitória
nas mãos do adversário, por conta de processo na justiça, Beto Rocha
resolveu então lançar Lidiane Leite – com a nomenclatura Lidiane Rocha -
como candidata substituta – o que no momento, provocou um certo
impasse no grupo da Coligação A Esperança do Povo - quanto a sua
aceitação.
78
Beto Rocha Lidiane Leite
Por outro lado, e por conta da situação, segundo Abigahil (Biga) da região
Miril onde Beto Rocha acreditava ter um alto índice de aceitação, houve
uma alta “derrama” de compra de votos, além de panfletos “mal
intencionados” que espalhavam mensagens de que, devido a substituição
de Beto Rocha por Lidiane, o novo número da candidata substituta a ser
votado não seria 33, e sim o número 10 (do PRB, partido da filiação da
referida candidata) – o que gerou muita dúvida e complicação na cabeça
do eleitorado da região. O número 10 era correto na legenda do PRB da
substituta.No entanto, o que prevalecia era o número 33 com a imagem
do respectivo candidato – Beto Rocha - que renunciara em substituição.
Apesar da situação e o forte desejo por mudanças de uma grande parte
da população desassistida, e como num grito de protesto – isto gerou
consequentemente,um alto índice de aceitação à candidatura
deBeto/Lidiane, na agregação das várias oposições que em torno se
articulavam, o que levou consequentemente a vitóriado grupo opositor
com uma margem mínima de286 votos.
Beto Rocha: 9.575
Dr. Francisco: 9.289
Vereadores Eleitos (2012-2016)
 Adriano Varão: 982 votos
 Ana Cesarina: 862 votos
 Silvano Andrade: 857 votos
 Sandra do Salomão: 798 votos
 Poré: 752 votos
 Hiater: 711 votos
 Chico do Braz: 701 votos
 Manim: 665 votos
 Arão: 549 votos
 Professor Marcony: 519 votos
 Sinego: 493 votos
 Sonia Brandão: 458 votos
 Roberty Meireles: 354 votos.
79
Após a posse, o ato legal e rotineiro que deveria ocorrer – A TRANSIÇÃO DE
GOVERNO – conforme o que determina a lei fiscal, não aconteceu. E, desta forma,
o que possibilitaria a normalidade de um governo, tornou-se uma sucessão de
anomalias administrativas e demoras; por outro lado, o ex-gestor, após constatação
definitiva de sua derrota, havia convocado os concursados aprovados (que por
quase dois anos se arrastavam sem convocação); logo em seguida, baixou também
um decreto dando termo de posse a quase quatrocentos excedentes. Outro fato
também agravante é que, a antiga situação (na pessoa do grupo Portela) cristalizou-
se transformando na nova oposição, na pessoa do então presidente da câmara de
vereadores eleitos, Silvano de Andrade – extensão do ex-gestor.
No impasse político, o lixo.
Reunião polêmica sobre a situação no município.
E na dificuldade de gerir a máquina pública, diante dos fatos, e muitos documentos
haverem sumidos da prefeitura, o que logo em seguida houve a apreensão dos
referidos documentos na casa do Ex-prefeito Roque Portela.
A nova gestão, Beto/Lidiane, inicia o governo sem a composição da
Câmara de Vereadores e num pensamento equivocado de que se governa na
unilateralidade – sem o Poder Legislativo, pelos quais passam a aprovação e
fiscalização do Poder Executivo; e por outro, a ausência de um diálogo que
construísse pontes para a governabilidade. Desta forma, e sendo assim, a nova
gestão governa em circunstâncias de conflito com o Poder Legislativo. Por duas
vezes, durante os dois primeiros anos de governo, conseguiu “ter” maioria na no
Poder Legislativo, com duração provisória por conta da falta de diálogo equilibrado
enquanto grupo político organizado.
Num clima de ameaça de redução do Piso Salarial dos Profissionais do
Magistério, instalou-se greve geral nas escolas, sob o comando do Sindicato dos
Professores da Rede Municipal, que durara estimativamente cerca de um mês de
paralização e, junto a isto, denúncias começaram a estampar nos principais jornais
da região de corrupção e falta de merenda nas escolas – onde por conta da
situação, muitos alunos eram liberados mais cedo das aulas nas escolas.
E, em imitação ao que se condenava, (à gestão anterior) por ausência da
gestora a acompanhar e gerir os problemas municipais, que eram muitos, a mesma
se ausentava, e era muito vista nas redes sociais – em ostentação de luxo, riqueza e
poder.
Diante dessa situação, por três vezes a prefeita Lidiane Leite foi cassada de
seu cargo por improbidade administrativa e má gestão da coisa pública que se
espalhava no caos instalado da gestão municipal.
A gravidade das coisas elevou-se quando a reportagem Bom Dia Brasil na
Globo e Globo News (Internacional) reportaram a situação e os acontecimentos
denunciados pela oposição e a “Operação Eden” que já acontecia em monitoração –
80
e os denunciantes encontravam-se sob pressão pelas gravações feitas
(testemunhos dados), o que levou a Polícia Federal a antecipar os mandados de
prisão a Beto Rocha, Antonio Cesarino (Secretário de Agricultura) e a gestora
Lidiane Leite. Desta forma, Bom Jardim tornou-se sob os holofotes da grande mídia
do país (Bom Dia Brasil, Globo News, Revista Veja, Band, Record, CQC e Jornais
estrangeiros) destaque nacional negativamente como símbolo de corrupção.
Os advogados de defesa de Beto e Lidiane procuraram recurso de Habeas
Corpus nas instâncias de justiça em Brasília o que lhes fora negado.
Devido prefeita não se apresentar no município no tempo previsto, conforme
dita a Lei Orgânica e demora da Câmara Municipal em empossar a vice-prefeita
Malrinete Gralhada a prefeita, a Justiça o fez no dia 28 de agosto de 2015, no Fórum
de Bom Jardim, pelo juiz titular da 2ª Vara da Comarca Cristóvão Sousa Barros. A
cidade estava sem gestor desde que a prefeita Lidiane Leite fugiu. A posse deveria
ter sido realizada pela Câmara de Vereadores, mas o presidente da casa não estava
na cidade. O Ministério Público Estadual do Maranhão solicitou em 04 de setembro
de 2015 o afastamento imediato da prefeita Lidiane por suspeita de fazer uso ilegal
de suas atribuições públicas.
O primeiro ato de Malrinete Gralhada enquanto gestora substituta foi
promover uma auditoria nas contas do município e o recadastramento do quadro de
funcionários da rede municipal. O segundo ato, a convocação de cerca de 370
excedentes “empossados” que haviam por força de um decreto municipal, perdido
os direitos de permanecerem nos cargos.
Em outubro de 2016, já em foco articulações políticas para as novas eleições,
houve a cassação de Malrinete de seu cargo de prefeita.
A decisão foi baseada em uma Ação Civil Pública (ACP) proposta pelo o
Ministério Público do Maranhão (MP-MA) o qual responsabilizava civilmente
Malrinete Gralhada pela prática de atos ilícitos, consolidados em sucessivas
contratações de empresas para prestar serviços públicos com dispensa ou
inelegibilidade de licitação.A ACP (Ação Civil Pública) do órgão ministerial afirma
que “O Município de Bom Jardim, em meados de setembro de 2015, passou a ser
gerido e representado pela prefeita Malrinete Matos, que, na sua condição de
gestora municipal, iniciou sua administração efetuando uma contratação em grande
escala de várias empresas sem efetuar licitação, e com valores contratuais
excessivos e incompatíveis com a realidade do Município, com provável intuito de
desviar recursos públicos e descaso com os recursos municipais”.
Ao determinar o afastamento de Malrinete Matos e a indisponibilidade de
bens, a Justiça impôs ao Presidente em exercício da Câmara Municipal de
Vereadores de Bom Jardim, no prazo de 24h, a convocação de sessão solene
Diante da cassação de Lidiane Leite em setembro de 2015 por
decisão da justiça e da câmara de vereadores, assume o
comando do município, a vice: Malrinete Gralhada.
a mesma encontrou o município num caos instalado, de
natureza e ordem diversas, a quem coube o papel de colocar a
casa em ordem, ainda mais sob a vigília das mídias e holofotes
voltados para a situação no município que se tornou notícia
nacional e internacional como símbolo de corrupção.
81
extraordinária e, posse e exercício provisório de Manoel da Conceição Ferreira Filho
ao cargo de Prefeito de Bom Jardim.
OBRAS REALIZADAS NA GESTÃO LIDIANE LEITE
EMEB. Antonio Carlos Beckman – povoado Tirirical. projeto adquirido no
governo de Lidiane leite. A obra não foi concluída em seu governo (ficou neste
estágio).
Fonte: o bomja.com.br, 2019.
Projeto de cunho Federal adquirido na Gestão de Lidiane Leite, ficou incompleta. EMEB.
Francisca Germana de Brito.
Fonte: https://omunicipalista.com/2020/07/20/bom-jardim-prefeito-dr-francisco-entrega-escola-municipal-no-povoado-santa-luz/. O
municipalista. Correio dos Municípios. 2020.
UBS José Abreu de Oliveira Filho, localizado na Vila Boa Esperança
UBS – José Abreu de Oliveira Filho, localizado na Vila Boa Esperança, adquirido como
recurso Federal na Gestão de Lidiane Leite, concluída e inaugurada na Gestão de Dr.
Francisco em 2020.
82
12º MANDATO: DR. FRANCISCO PSDB (2017-2020)
Em 02 de outubro de 2016 houve novas eleições para Governador, Deputados e
Prefeito. Em Bom Jardim concorriam ao cargo de prefeito Dr. Francisco (PSDB),
Malrinete Gralhada (PMDB), Chiquinho do Abdon (PDT), Lindomar Pescador (PC do
B) e Zé Lopes (PPL).
Foram eleitos Dr. Francisco Prefeito e João Rodrigues, Vice-prefeito. A votação deu o
seguinte resultado:
Dr. Francisco 62,57%
Malrinete Gralhada 28,17%
Chiquinho do Abdon 6,72%
Lindomar da Pesca 1,81%
Zé Lopes 0,73%
TSE, 2016.
Vereadores eleitos para compor a nova legislatura:
Ordem
de
votação
Nome do Vereador eleito Total de votos
1 Duvan Boiadeiro 1.175
2 Manin 1.163
3 Christiane Varão 1.051
4 Homero do Zé Filho 978
5 Lebreu 807
6 Sinego 761
7 Antonio Cesarino 732
8 Dandor 524
9 Markony Mendes 514
10 Filho – Transa Essporte 458
11 Professor Klebson 485
12 Vania 484
13 Sonia 479 TSE, 2016
Fonte: tse, 2017
83
Em outubro de 2017, Dr. Francisco foi afastado do cargo de Prefeito
pelo Ministério Público por atos de improbidade administrativa. A improbidade
administrativa deu-se devido, conforme G1. MA (10/2017), devido desvio de
recursos públicos que ocorreu por meio de contrato de fornecimento de
combustível, celebrado com o Posto Varão. O prefeito escolhia quem deveria
ter acesso aos abastecimentos, por meio de cota aos vereadores da base
aliada. O esquema, segundo a Reportagem, era controlado pelo secretário de
Administração. A Promotoria de Justiça também colheu depoimentos de
funcionários do posto de combustíveis que confirmaram o abastecimento dos
carros particulares dos vereadores e parentes do prefeito. O prefeito teve
afastado do cargo por 05 dias, e retornou por decisão do Tribunal de Justiça
do Maranhão por meio do Desembargador Cleones Cunha.
OBRAS REALIZADAS
Conclusão e inauguração da obra da EMEB. Antonio Carlos Beckman –
povoado Tirirical, projeto adquirido na gestão de lidiane leite.
Fonte foto: https://obomja.com/portal/2020/11/concluida-obras-da-nova-escola-do-povoado-tirirical/ 9 de novembro de 2020.
PRAÇA DA FAMÍLIA – 2020.
Fonte foto: Karlos Geromy 09/10/2020
84
Projeto de cunho Federal adquirido na Gestão de Lidiane Leite, ficou incompleta. EMEB.
Francisca Germana de Brito. Concluída e inaugurada na Gestão Dr. Francisco.
julho/2020.
Fonte: https://omunicipalista.com/2020/07/20/bom-jardim-prefeito-dr-francisco-entrega-escola-municipal-no-povoado-santa-luz/. O
municipalista. Correio dos Municípios. 2020.
UBS José Abreu de Oliveira Filho, localizado na Vila Boa Esperança
Restaurante Popular – Iniciativa do Governo do Estado Inaugurado na Gestão Dr.
Francisco em 14 de Março de 2018.
OBRA DO GOVERNO DO ESTADO FLÁVIO DINO, 2018.
UBS – José Abreu de Oliveira
Filho, localizado na Vila Boa
Esperança, adquirido como recurso
Federal na Gestão de Lidiane Leite,
concluída e inaugurada na Gestão de
Dr. Francisco em 2020.
85
13º MANDATO: CRISTIANE VARÃO PL (2021-2024)
Em 04 de outubro de 2020 houve novas eleições no país para Prefeito. Em Bom Jardim
concorriam ao cargo de prefeito Dr. Francisco (PSDB), Cristiane Varão (PL), Alcionildo
Matos (PDT) e Sandra do Salomão (PT). Num total de 20.040 eleitores, dos quais 7.531
(27,31%) foram abstenções – deixaram de comparecer, mais do que a votação da 1ª colocada.
Foram eleitos Cristiane Varão e Flanekson Gralhada, Vice-prefeito. A votação deu o seguinte
resultado:
Cristiane Varão 6.429 votos 33,41%
Dr. Francisco 6.254 votos 32,50%
Alcionildo Matos 6.201 votos ,72%
Sandra do Salomão 358 votos 1,86%
TSE, 2020.
Vereadores eleitos para compor a nova legislatura:
Ordem
de
votação
Nome do Vereador eleito Total de votos
1 Antonio Cesarino 923
2 Duvan Boiadeiro 681
3 Marcos Caldeiras 681
4 Dandor 634
5 Vânia Alcântara 605
6 Marlley Sampayo 596
7 Manin 579
8 Lindomar Pescador 578
9 Rhony do Igarapé dos índios 490
10 Raidon Braz 474
11 Elisnelson do Novo Caru 456
12 Rubem Silva 425
13 Fred Abdon 396
Fonte: tse, 2020
Erros capitais cometidos na política bonjardinense
1 – Rejeição da Sudene em 1963/64.
2- Não perdão da dívida dos agricultores através do PLANAGRO em 1982.
3 – Rejeição de um posto do INSS para Bom Jardim em 1989.
4- Aprovação de Contas Tecnicamente Rejeitadas pelo Tribunal de Contas do
Estado de Prefeitos corruptos – onde essas contas foram e são aprovadas por um
86
parecer “amigo” e ou “político partidária, ou sob o tilintar da moeda” pela
Câmara de Vereadores. A última aprovada foi em 2017, - onde o Ministério
Público, a exemplo do que acontece em vários estados, pode questionar exigindo
um Parecer Técnico dos Vereadores que “endossam” a aprovação.
Tudo isto foi e é assistido passivamente pela sociedade bonjadinense, inclusive a
Câmara de vereadores, que são os representantes da sociedade como poder
público.
Remédio para o erro do passado:
Bom Jardim/ Jul. /2006 Bom Jardim Janeiro/2010
4.3 BIOGRAFIA DOS PREFEITOS
Gildásio Ferreira Brabo
Nasceu em 8 de dezembro de 1928
Na cidade de Pedreiras /MA
Chegou em Bom Jardim em 1961
Profissão antes de ingressar na política em Bom Jardim:
Comerciante
Adroaldo Alves Matos
Nasceu em 1941
Na cidade de Bacabal/MA
Construção do posto do INSS em Bom
Jardim, que na negligência da gestão
pública – quase dois anos fechados e com
infraestrutura comprometida. No entanto,
no ano de 2017 foi restaurado e acionado
seu funcionamento para atendimento ao
público. Vale lembrar que, por longos
anos muitas pessoas, para terem seus
direitos à aposentadoria reconhecidos
tinham que se deslocar para Santa Inês e,
meio de articulações de especuladores e
advogados, ligados a sindicatos e
independentes tinham que dividir seus
benefícios.
87
Profissão antes de ingressar na política de Bom Jardim: Comerciante
Miguel Alves Meireles
Nasceu em 1941
Na cidade de Luzilândia/Piauí /chegou em Bom Jardim:
Profissão antes de ingressar na política: comerciante.
Dr. Muniz Alves
Formação: Medicina
Antonio Soares Pedrosa (Fogoió)
Nasceu em 1954 Na cidade de independência/Ceará
Chegou em Bom Jardim em 23 de novembro de 1983
Manoel Lídio Alves Matos
Descendente de Bacabal
Profissão antes de entrar na política: Comerciante (empresário)
Dr. AntonioRoque Portela de Araújo
Descendente de Águas Boas - Monção
Profissão antes de entrar na política: Medicina.
Percebe-se ao longo da história do município, assim como muitos
“bonjardins” que a política partidária gera enormes prejuízo sociais.
Quebrando a linha das retomadas de políticas públicas no que diz respeito
ao desenvolvimento. Seguindo-se desse modo, uma situação de
retrocesso, explicação entre outros itens, para o atraso de muitos
municípios, que há quase meio século se arrastam a “passos de tartaruga”
(quanto ao desenvolvimento). No campo educacional é um obstáculo a
garantia do padrão qualidade.
É também fato observado ao longo da trajetória histórica do
município, situação em que, os homens de comando, os responsáveis pelo
seu desenvolvimento geral, preferiram(-em) seguir a alternativa que leva
à imposição dos interesses particulares sobre os coletivos. E as
conseqüências são nefastas e sombrias,indo em contraposição ao bem-
estar, enfim do bem comum da comunidade local. Os mesmos
preocupam(vam)-se tão somente em realizar uma administração
político-partidária e “vingativa” de tal molde que lhe assegure a
manutenção do poder, mesmo que para isso esqueçam suas reais
obrigações frente à comunidade que o constituíra no poder a título de
promessas e frustrações.
Um fato também muito típico nos últimos anos da história política
local é gestores nada fazerem durante os três anos após sua vitória, e,
Antonio Roque Portela
88
poucos meses para as eleições, “arregaçam as mangas” pela metade e
aparecem uns indícios de obras. O mais comum é asfalto...
Você sabia..
Que o metro quadrado do produto asfalto custa entre R$ 8,00 e R$ 10,00
A rua mede 6,4 metros x1000m=1km).
1 km de rua= 6.400 m²
6.400m²x10,00: R$ 64.000,00 (Valor de 1 km de asfalto).
BIBLIOTECA MUNICIPAL
Foi construída na administração Roque Portela.
4.4 VULTOS BONJARDINENSES
1º Interventor de Bom Jardim: João Batista Feitosa
João Batista Feitosa, nascido em Colinas, em 18/11/1940, casado com
Maria do Socorro Alves Feitosa, tiveram 4 filhos, 2 homens e 2 mulheres,
veio morar em Bom Jardim em 1961.
No dia 15/11/1965 realizam-se as eleições. Sendo eleito a governador do
Estado do Maranhão deputado José Sarney, que ao assumir o governo
tratou logo em cumprir sua promessa feita aos bonjadinenses, nomeando
João Batista Feitosa a interventor do município, conforme a lei nº. 2735
de dezembro de 1967.
1º PREFEITO (ELEITO): Gildásio Ferreira Brabo
Gildásio Ferreira Brabo nascido em 08/12/1928, natural de Pedreiras, filho
de Teófilo Ferreira Brabo e Maria Rosa da Conceição. O mesmo afirmou
que morava em bacabal, veio para Bom Jardim por via fluvial trazendo
sua muda em duas lanchas, o qual desembarcou no rio Pindaré no posto
indígena Gonçalves Dias, no dia 01/005/1961 às 10:30 horas, o mesmo
passou 15 dias para transportar sua muda e mercadorias conduzidas em
20 burros.
Biblioteca Municipal próxima ao bairro Joana Vieira, na
rua Floriano Peixoto; foi inaugurada em 23/12/2009.
O progresso chega tão tardio em Bom Jardim que, esta
é a primeira biblioteca pública do município após 43
anos de emancipação política. Abre de segunda a sexta,
das 8h às 12h e das 14h às 18h. Além do acervo de 2.000
livros, a biblioteca também dispõe de acesso à internet
para pesquisas educacionais e sala de audiovisual. O
nome da Biblioteca foi em homenagem a Raimunda
Brezerra, quem implantou a 1ª escola particular em Bom
Jardim.
89
Gildásio afirma que chegou a Bom Jardim como comerciante, sua primeira
residência foi onde hoje é a casa paroquial. O povoado estava em fase de
crescimento e pertencia ao município de Monção, logo conheceu os
políticos José Sarney e o ex-diretor do Banco do Estado do Maranhão
Arlindo Meneses, que lhe incentivaram para iniciar sua carreira política no
partido pela velha ARENA (Aliança Renovadora Nacional). O mesmo
iniciou sua carreira política no mês de junho de 1968, foi eleito em
15/11/1968, afirma mesmo que teve 72%da votação, sendo eleitos com
1.660 votos, e que foi eleito uma Câmara com 9 vereadores. Gildásio e
seus amigos políticos desmembraram Bom Jardim da cidade de Monção
em 30/12/1967.
1º Médico
* Francisco Coelho Dias
**Dr. Benedito
Assim foi o depoimento de Batista Feitosa, que o primeiro médico a pisar
em solo bonjardinense foi *Dr. Francisco Coelho Dias, que prestava
assistência médica uma vez por mês quando o mesmo vinha visitar sua
fazenda que ficava em Igarapé Grande município de Bom Jardim. Estes
fatos ocorreram em Bom Jardim em 1963 a1965.
**Dr. Benedito Alves de Carvalho.
Segundo afirmou Eliseu Alves da Costa que o único médico a vir ficar
definitivamente em Bom Jardim foi Dr Benedito Alves de Carvalho, o qual
permaneceu até sua morte. Nascido em 23/12/1931, natural de Riacho
dos Porcos, salinas Oeiras Piauí, filho de Hermógenes Alves de Carvalho e
Cristiane Felix de Jesus. Chegou em Bom Jardim, em 18/12/1973. Seu
primeiro serviço foi no ambulatório médico rural, no sindicato dos
trabalhadores rurais de Bom Jardim, em 01/03/1974. Só depois veio
prestar serviço médico, Vesparziano Ramos, contratado pelo estado no
mandato do Prefeito Adroaldo Alves Matos.
Foto fornecida por Ricardo.
Dr. Benedito Alves de Carvalho
O primeiro médico a residir definitivamente em
Bom Jardim.
90
1º Delegado
Mário Santiago de Oliveira
Maria de Lourdes Farias Bezerra a qual afirma chegou em Bom Jardim, no
dia 15/08/1960, afirma que o primeiro delegado a desempenhar o seu
papel em Bom Jardim foi Mário Santiago de Oliveira, nascido no dia
02/11/1926, natural de Matinha-MA, filho de Francisco José de Oliveira e
Maria Santiago de Oliveira. Casado com dona Rita Silva de Oliveira e Maria
Santiago de Oliveira. Casado com dona Rita Silva de Oliveira. Chegou em
Bom Jardim em 1960 onde sua primeira profissão foi de padeiro da qual
tiveram 09 filhos.
1º Padre
Padre Cordeiro foi o primeiro padre a chegar em Bom Jardim e dar
assistência religiosa no município.
Como a paróquia foi fundada em 1969, o primeiro pároco a se
estabelecer definitivamente após a sua fundação foi Frei Antonio Sinibaldi.
Frei Antonio Sinibaldi, Missionário Franciscano conventual nasceu na Itália
no dia 26/11/1937. Ordenou-se sacerdote em Roma no ano de 1962.
Chegou ao Brasil em 1968 trabalhando durante três anos na paróquia de
Bom Jardim no interior do Maranhão. A partir de 1971 assumiu a paróquia
de São Francisco em São Luis, acompanhando, passo a passo, a
transformação do Bairro que deixava de ser pequena comunidade de
pescadores, para dar lugar a um Bairro de muito contato e desníveis
sociais e desafios pastorais.
Na manhã do dia 07/09/1971, a embarcação que conduzia Frei
Antonio e mais 16 jovens para Ilha do Medo (localizada na BAÍA de São
Marcos), na praia do Buqueirão virou. Graças à coragem de Frei Antonio,
de um por um, os jovens foram salvos. Diante do esforço físico, não
resistiu e morreu, após salvar todos os jovens.A intenção do frei, além de
conhecer o local, era realizar uma missa ao ar livre.
91
1ª Deputada
Malrinete dos Santos Matos, 35 anos de idade (em 2004), filha de Manoel
Lídio Alves Matos e Raimunda Alves dos Santos, nascida em Bom Jardim,
no Alto dos Prachedes. Aos 9 anos de idade foi para Novo Caru, onde
viveu maior parte de sua infância. A mesma afirma que mudou para
Belém e de lá foi para Manaus onde permaneceu até aos 30 anos.
Retornou para sua terra natal para ajudar seu pai em 1996. Disputou uma
vaga na Assembleia Legislativa, sendo eleita em outubro de 2000.
1ª Escola Particular de Bom Jardim
Escola da Raimunda Bezerra, a qual chegou em Bom Jardim em 8 de agosto de
1961. Maranhense, descendente de Vitorino Freire, a professora Raimunda
Bezerra atuou durante 40 anos na educação do município, a qual funcionava nos
três turnos (matutino, vespertino e noturno) com um total de 80 alunos. Apesar
de sala superlotada, mas com sua forma pedagogicamente tradicional e “linha
dura”, com ela, aluno aprendia mesmo. Era o tempo da régua e da palmatória
como instrumentos de “castigo pedagógico’ à alunos indisciplinados e àqueles
que não faziam suas tarefas nem estudavam as lições. No transcorrer das aulas,
os alunos que não conseguissem assimilar os conteúdos ministrados (os
vocabulários e a tabuada), tinham que assistir aulas no final de semana – aos
sábados – como reforço e recuperação. Essas aulas, segundo alguns alunos da
época, chamavam-se “argumentação” (onde os alunos eram sabatinados de
perguntas e respostas (uma espécie de paredão –grupos de 10 em 10 alunos). Os
alunos que não tivessem decorado para saberem responder levavam bolo da
temida palmatória.” Uma cartilha muito famosa da época era a Cartilha Novo
Nordeste. Pessoas hoje muito conhecidas na cidade que já foram alunos de
Raimunda Bezerra:
Ex-vereador Tadico, Chico do Braz, Alzinete Matos, Drª Edna, Malrinete
Gralhada, etc. A escola funcionava na rua São Raimundo.
Hoje, com 66 anos e aposentada, mora na Vila Pedrosa, na cidade de Bom
Jardim.
Por Adilson Motta, 03/2013
92
5 ASPECTOS SOCIAIS
A população de Bom Jardim conforme pesquisas do censo demográfico de
2010 realizado pelo IBGE é de 39.049habitantes, sendo 35% na sede e 65% na
zona rural; diferentes da média nacional, onde a população rural é de apenas
18,8%. Em 2000 o município, segundo o IBGE, apresentava um índice de 42,5%
de analfabetismo. Em 2010 esse índice caiu para 31,84%.
Taxa de analfabetismo 2011:de 15 anos acima
Brasil: 9,02%
Maranhão: 19,31%
Bom Jardim: 31,84% (Dados de 2011, acima de 15 anos)
Média de analfabetismo da África: 33%
Em 2000, o índice de analfabetismo do município era de 42,5%. Em 2010, caiu para 31,84%.
Ou seja, durante 10 anos, houve uma queda percentual de 10,66%, pouco significativa (1,o6%
ao ano). O analfabetismo do país, assim como do município está concentrado na população
mais velha, e parte dessa população morre a cada ano: por isso a taxa diminuiu pouco a
pouco. Pois, segundo o IBGE (2010), a maior queda na taxa de analfabetismo entre 2000 e
2010 ocorre nas faixas etárias a partir dos 50 anos de idade acima. Isso significa dizer que o
índice de queda do analfabetismo provenientes dos programas de combate existentes no
município não foram tão expressivos no peso de redução.
Esse indicador vai apresentar um impacto social em toda uma conjuntura municipal na vida
do cidadão. Pois, o analfabetismo e o baixo nível de escolaridade do indivíduo não
influenciam apenas em sua linguagem, mas também o distancia da linguagem padrão, que
rege as relações formais no âmbito das relações sociais, havendo consequentemente uma
possível exclusão social do indivíduo, frente às exigências formais de um mercado de trabalho
competitivo e concursivo. Representará também impacto na história político-social e da vida
pessoal das pessoas dentro desse contingente. Repercutirá nas estruturas sociais,
representando um desarme a cidadania e um obstáculo ao desenvolvimento sócio-político,
econômico e cultural; contribuindo deste modo para a formação de uma “sociedade
marginal”, ou que fica à margem do progresso que acontece país afora, com indicadores bem
diferenciados dos daqui.
Representa um déficit ou hiato da política “negada”, ou impotencialmente oferecida para uma
problemática que afeta toda uma conjuntura social no município.
Provavelmente alguns políticos, defensores de seus atos impotenciais ao problema e de suas
“cotações” política repliquem ter trabalhado essa dimensão dentro da política pública de seus
governos – o que é certo, e no entanto, de forma secundária e incompatíveis com as reais
possibilidades de solução ao problema. Não considerar a educação como um dos fatores
chave para o desenvolvimento é deixar o barco à deriva.
Veja o que dizem pesquisas e grandes pensadores sobre o analfabetismo:
“O analfabeto compreende mal o que ouve e responde de maneira bastante imperfeita às
mensagens assim recebidas. O analfabeto precisa até de atenção mais aplicada ao que vê.”(O
GLOBO,27/10/1989)
93
Para Coelho Neto (apud Leandro, 2007), a ignorância é a treva de cegueira. Cada letra do
alfabeto que nela soa é como uma centelha na escuridão.
Já para Sócrates, “Quem ler tem mais chance à cidadania, sabe o que está acontecendo,
avança para novos horizontes e melhora o vocabulário”.
“A pobreza é a mãe do analfabetismo. O analfabetismo é uma porta entreaberta para a
pobreza.” (Roza, 2005, p. 8).
“Os problemas causados pelo analfabetismo são as principais razões do ciclo permanente de
pobreza e subdesenvolvimento em que muitos países se encontram”.(Correio Brasiliense,
7/9/1989).
“O analfabetismo inibe o progresso e a produtividade, impede o avanço cultural e espiritual, e
ajuda a manter a dependência crônica de sociedades inteiras”.(Correio Brasiliense, 7/9/1989).
Evolução da População de Bom Jardim– 2010 a 2015
Ano Total Urbana Urbana
Percentual
Rural Rural
Percentual
2000 34.474 35,17% 64,83%
2010 39.049 hab. 16.386 hab. 41,00% 22.663 59%
2015 Total Geral: 40.660 habitantes.
IBGE 2015
Comparando os indicadores acima observa-se que a população rural de
Bom Jardim está migrando para a zona urbana. Ao verificar opinião de
pessoas que migraram há uma unanimidade em torno da seguinte
afirmação:
 Abandono político;
 Pouco acesso aos benefícios usufruídos pelos moradores da zona
urbana;
 Difícil condição de acesso e um certo índice de isolamento;
 Busca de melhores condições aos filhos – o que não é ofertado em
igual relevância aos moradores do campo.
O número de eleitores nas eleições gerais de 2002 era de 20. 768
eleitores. Em 2004 esse número se elevou para 22.124 eleitores onde,
44,2% desses encontram-se na zona urbana e 55,8% na zona rural. Na
região da Miril são 3.338 eleitores. A população indígena no município
apresenta 326 eleitores.
94
Aspectos Demográficos - Evolução
Ano Nº de Habitantes
1991 40.572 habitantes
1996 46.887
2000 34.474
2006 38.349
2007 37.659
2010 39.093
2013 40.134
2017 41.120
Fonte: IBGE, 2014.
Ao comparar os gráficos do número de habitantes de 1991 a 2013, verifica-se uma
oscilação no índice populacional, o qual não cresce. Duas prováveis migrações acontecem
concomitantemente:
a) A migração do campo para a cidade, ou zona urbana em busca de melhoria de vida e
emprego, que acontece em função da ausência de perspectivas à juventude e muitas
famílias em busca de emprego e melhor qualidade de vida; igualmente da sede para
outros municípios e estados – especialmente no Pará.
Segundo IBGE 2010, o Município de Bom Jardim apresentava ao todos 9.181
domicílios ocupados e contamos com o crescimento populacional de 13,40% na ultima
década, somando ao todo uma população de 39.093 pessoas, sendo 19.202 mulheres. Em Bom
Jardim são 1,04 homens para cada mulher e 0,97 mulheres pra cada homem. Na época a
população rural era de 22.654 pessoas e população urbana de 16.439 pessoas.
De acordo com o IBGE (2010), houve um alto índice migratório do campo para a zona
urbana, e da zona urbana para outras cidades, outros estados. A população urbana conta com
41% do populacional contra 59% na zona rural.
Você sabia...
Que a estrada de Santa Luz nos anos 60 não existia: e que se ia para
aquela localidade pela estrada do Centro João Sebastião? E que a mesma
foi construída no segundo mandato de Adroaldo Alves Matos, no governo
de Luís Rocha?
E que nesse mesmo período a estrada da garrafa não existia; e que se ia
para Monção pela estrada do aeroporto (ou da escola Sudene)
E que nesse tempo, o rio Caru não era trafegado ainda por lancha,
apenas por canoa.
95
DISTRIBUIÇÃO GEOPOLÍTICA DOS ELEITORES DE BOM JARDIM / MA/2014/2020
LOCAL Ano: 2014
Nº eleitores
Ano 2020
nº eleitores
CENTRO
BANDEIRANTES 1.248 1.337
PREFEITURA MUNICIPAL 1.096 1.112
CÂMARA MUNICIPAL 1.189 1.256
NEY BRAGA - ESCOLA 1.293 1.333
ESCOLA M. NOVA
BRASÍLIA
492 581
ESCOLA FREI ANTONIO
SINIBALDI
1.784 1.834
ESCOLA M ANTONIO
FEITOSA PRIMO – ALTO
PRAXEDES
637 649
ESCOLA ADROALDO
ALVES MATOS – VILA
PEDROSA
1.092 1.235
ESCOLA DINARE FEITOSA –
ALTO PRAXEDES
1.823 1.825
CRECHE ADROALDO
ALVES MATOS
473 534
VILA SÃO BERNARDO 323 688
NEWTON SERRA 721 515
VILA ABREU 126 196
TOTAL ELEITORES ZONA URBANA: 12.297 ELEITORES = 46,6%
POVOADO TIRIRICAL 768 832
POVOADO ROSÁRIO 328 529
POVOADO OSCAR 298 279
POVOADO NOVO CARU 1046 1.007
POVOADO CASSIMIRO 499 532
POV. VILA BANDEIRANTES 542 550
POV. IGARAPÉ DOS ÍNDIOS 610 599
POV. SÃO PEDRO DO CARU 253 252
POVOADO SSÃO JOÃO DO TURI 292 277
POVOADO TRÊS OLHOS D´AGUA 243 271
POV. SANTA LUZ 548 544
POVOADO ESCADA DO CARU 103 94
POV. SANTO ANTONIO DO ARVOREDO 254 221
POV. ZÉ BOEIRO 324 353
POV. KM 18 236 291
POV. RAPADURINHA 246 252
CENTRO NASCIMENTO 160 117
POV. BARROTE 159 166
POV. GURVIA 221 243
POV. VILA NOVO JARDIM 259 213
POV. BARRACA LAVADA 162 155
POV. CHAPADA 122 69
POV. SAPUCAIA 156 136
POSTO INDÍGENA RIO PINDARÉ 443 730
96
POV. BARRA DO GALEGO 195 193
POV. BOA VISTA 210 184
POV. SÃO JOÃO DOS CRENTES 63 25
POV. TURIZINHO DO AUGUSTO 172 152
POV. CENTRO DO ALFREDO 51 55
POV. PORTO SEGURO 77 25
POV. BREJO SOCIAL 269 196
POV. CÓRREGO DO AÇAÍ 92 61
POV. VILINHA PIMENTA VARIG 251 241
POVOADO VILINHA VARIG 1.070 819
POV. BREJINHO 72 25
POV. CENTRO DO BASTIÃO 142 140
POV. ASSENTAMENTO ANTONIO
CONSELHEIRO
367 329
POV. RIO UBIM 109 121
POV. BELA VISTA 289 232
POV. ASSENTAMENTO BOA
ESPERANÇA
90 78
POV. AEROPORTO 328 240
POV. NASCENTE DO RIO AZUL 138 155
POV. BOA ESPERANÇA 98 98
POV. BREJÃO 82 58
POV. FERNANDO DO GALEGO 114 127
VILA BOM JESUS 139 100
VILA TRÊS PODERES 51 32
POV. CRISTALÂNDIA 265 293
POV. FLECHA 94 82
ASSENTAMENTO TERRA LIVRE 205 263
POV. VILA NOVA 101 112
POV. RAPADURA VELHO 63 67
POV. PAUSADA 85 1132
97
TOTAL DE ELEITORES ZONA RURAL: 14.090 ELEITORES = 53,4%
TOTAL GERAL DE ELEITORES: 26.387 em 2014
27.516 em 2020
POPULAÇÃO RURAL DE BOM JARDIM EM CONTÍNUO PROCESSO DE
ABANDONO AO CAMPO: ABANDONO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
POPULAÇÃO ANO: URBANA RURAL
1980  13,8%  86,2% TOTAL
........................1991---------26,3%-----------------73,7% ----29.281 habitantes
.........................2000............35,29%.....................64,71%----34.474 habitantes
2007 35,7% 64,83%
2010  41%  59%
Em 30 anos, 27,2% da população de Bom Jardim migrou para a zona urbana. Isso significa
que por ano, a taxa de migração no município chega a 0,91%. E que, daqui a 60 anos, de
acordo com esses indicadores – se assim continuarem, a população rural será de apenas
4,4%.
PRIMEIRAS ESCOLAS DE DATILOGRAFIAS DE BOM JARDIM – MA
A 1ª Escola de Datilografia de Bom Jardim foi administrada pelo Instituto São
Raimundo no ano de 1983. (Fonte: Iderlene).
A 2ª Escola de Datilografia foi fundada em 1986conhecida como: Escola de
Datilografia Rui Barbosa. As fundadoras foram: Irlene Ribeiro Lima (Diretora), e
Iderlene Ribeiro Lima (Orientadora, Supervisora).
53,40%
46,60%
Distribuição Geopolítica dos
Eleitores de Bom Jardim - MA/2014
Zona Rural
Zona Urbana
98
PIRÂMIDE SOCIAL / FAIXAETÁRIA – BOM JARDIM/MA
Fonte: IBGE/2000 (Gráfico.Acima)
NUMÉRO DE HABITANTES POR FAIXA ETÁRIA BOMJARDIM-MA.
0
a
1
1
a
4
5
a
9
10
a
14
15
a
19
20 a
24
25 a
29
30 a
34
35 a
39
40 a
44
45
a
49
50
a
54
55
a
59
60
a
64
65
a
69
70
a
74
75
a
79
+
de
80
841
3.556
4.900
4.373
4.119
3.666 3.068 2.181 1.951 1.746
1.455
1335
1.178
992 770 532 320 353
Fonte: IBGE, 2007
Proporção de idosos na população (60 anos e mais): 7,26% .
Proporção de adolescentes na população de (10 a 19 anos): 25,97%.
Em 1980, a população rural de Bom Jardim representava 86,2% da população total.
E a urbana era apenas 13,8%. Houve uma grande migração de pessoas para a
0/3 anos: 9,5%
4/6 anos: 8,3%
7/14 anos: 23%
15/19 anos: 11,8%
20/34 anos: 20,4%
35/49 anos:13,7%
50/69 anos: 10%
70/79 anos:2%
80/ a mais anos: 1,3%
0/4 anos: 14%
5/9anos: 12%
10/19 anos: 26%
20/29 anos: 15,3%
30/39 anos:
10,2%
50/59 anos: 6,5%
60 a mais: 7,4%
99
área urbana e isto se comprova o fato de que hoje, 2007, a população rural
representa 64,83% e a urbana, 35,17%. Em 2009 a estimativa populacional de Bom
Jardim era de 39.224 habitantes.
ANO RENDA PERCAPITA / ANUAL
Município de Bom Jardim Estado Brasil
2000 R$: 535,47 R$: 1.220,04 R$ 4.958,85
2003 R$: 2.384,06 2.748
2004 R$: 2.821 4.992 R$: 9,729
Fonte: IBGE/2000 e Internet/2006.
Tabela 10:Rede Assistencial de Saúde
Estabelecimento de Saúde Gestão
Hospital Adroaldo Alves Matos Município
Centro de Saúde Raimundo Marçal M
Caps Centro de Apoio Psicossocial de Bom Jardim M
Unidade Básica de Saúde da Varig M
Unidade Básica de Saúde da Vila Bandeirantes M
Unidade Básica de Saúde da Vila Novo Jardim M
Unidade Básica de Saúde Igarapé dos Índios M
Unidade Básica de Saúde Santa Luz M
Unidade Básica de Saúde São Pedro do Caru M
Unidade Básica de Saúde Cassimiro M
Unidade Básica de Saúde Centro do Oscar M
Unidade Básica de Saúde Caru M
Unidade Básica de Saúde Povoado Antônio Conselheiro M
Unidade Básica de Saúde Povoado Brejo Social M
Unidade Básica de Saúde Rosário M
Unidade Básica de Saúde do Tirirical M
Unidade Básica de Vigilância em Saúde de Bom Jardim M
Fonte: Sec. Saúde, 2013.
100
Setores da Economia no PIB1999-2004
Agropecuária 42% 63%
Indústria 6,9% 3%
Serviços (Excetos adm. pública) 22,1% 15,1%
Administração Pública 29% 18,5%
Fonte: IBGE, PIB dos municípios.
Fontes Orçamentárias no Município (Ano: 2015)
 Orçamento 2014 (LOA): R$ 87 milhões.
 Orçamento municipal 2015 (LOA) R$ 90 milhões;
 Pesca Artesanal: r$ 31.816.716,65 (trinta e um milhões...);
 Bolsa Família: r$ 8.025.865,00 (oito milhões...);
 Aposentados e pensionistas...
Fonte: IBGE, 2006
POLÍTICA SALARIAL E ECONOMIA
Em relação a política do emprego/salário o município possui dois tipos de
funcionários: o efetivo e o temporário ou contratado. Nota-se que ambos, amparado pela CLT
e o efetivo assegurado também pelas normas do Estatuto do Servidor Municipal com força de
Lei. Há um contraste dos servidores contratados/temporários em relação aos efetivos
(concursados) – os quais se nota que, até o governo Roque Portela e anteriores, tinham
assegurados direitos a férias e 13º salário. Constata-se que dos governos de Lidiane Rocha
aos atuais, esses direitos não são mais assegurados, ou seja: os mesmos não recebem mais
férias nem 13º salário. E para piorar a situação, verifica-se que o município não vem
honrando nem os compromissos de manter pagamento de seus salários em dias especialmente
em final de ano, ao contrário: os gestores vem mantendo uma relação de calote a esses
funcionários que trabalham sem perceber os seus proventos. Um grande número desses
funcionários ficam sem receber 2, 3 e até 4 meses de salários. A maioria de contratados não
recebem um documento de contrato, para uma certa seguridade de direitos e cláusulas, nem
distratos/rescisão quando são demitidos. De certa forma, pode-se dizer que existe uma certa
ingerência de caráter intencional. Um fato também lamentável é o de que, destes funcionários
são descontados INSS, e impostos correlatos – e muitos, ao recorrerem aos órgãos de
seguridade social (Caixa Econômica, INSS), não constatam certas transferências. Em
20,80%
11,90%
66,50%
0,80%
Economia Bonjardinense:
Agricultura, Pecuária, Serviços e
Pesca
Agricultura
Pecuária
Serviços
Pesca
101
governos bem recentes, os distratos e rescisão chegaram a ocorrer por meio de “Aviso
Verbal”, sem nenhum documento oficial comprobatório no intuito de frustrar estes de
recorrerem de seus direitos e garantias.
Na gestão de Malrinete Gralhada, já perto das eleições de 2016, antes mesmo de sua
cassação, deixou uma grande parte do funcionalismo contratado cerca de 04 meses sem
receber seus proventos. Mas os profissionais da Educação Efetivos (concursados) sempre
recebiam em dias, contraste com aqueles, tidos e tratados como excluídos. Ao ser cassada e
substituída pelo vereador Sinego, o restante do mandato, o mesmo manteve o calote e baixou
um decreto de demissão de todos contratados – sem direitos, nem salários (da era Malrinete
calotados).
Na gestão de Dr. Francisco um fato não muito adequado aconteceu: Foi baixado um
decreto exonerando todo os funcionários contratados já no final de novembro, antes mesmo
do término do ano letivo que encerrou-se em dezembro. Com essa demissão em pleno
funcionamento do ano letivo nas escolas, prejudicou muitas escolas, e o ano letivo. Parece
que não há um planejamento e uma sensibilidade das consequências do problema social.
EVOLUÇÃO DO PIB – BOM JARDIM-MA 1996- 2011
ANO Impostos sobre
produtos
líquidos,subsídios a
preços correntes
PIB
a preços
correntes
(Mil reais)
Posição
Estado
%
P
I
B
Valor
Pecuária
Mil r$
Valor
Indústria
Mil r$
Valor
Serviços
Mil r$
PIB
per
capita
Mil r$
r$
1999 500 mil r$ 36.024 13.457 3.151 18.917
2000 70 mil r$ 39.940 15.401 3.003 20.829
2001 774 mil r$ 46.724 18.582 3.487 23.880
2002 1.114 mil r$ 53.732 21.536 3.683 27.398
2003 1.164 mil r$ 76.337 37.853 4.784 32.535
2004 1.467 r% 107.099 58.589 4.836 42.205
2005 1.848 r$ 175.878 114.41
8
6.028 53.584
2006 2.296 r$ 214.001 0
,
7
5
135.97
1
7.674 68.060
2007 2.555 r$ 238.008 13º 0
,
7
5
154.98
2
7.665 72.806
2008 2.499 r$ 294.893 15º 0
,
7
7
201.72
1
9.175 81.498
2009 2.839 r$ 255.750 19º 0
,
6
4
151.25
6
11.041 90.614
1010 2.882 r$ 190.045 30º 0
,
4
2
84.963 12.642 89.558
2011 3.802 r$ 368.909 233.29 15.418 116.39 9.362,
102
6 2 92
2012
2013
Fonte: OBGE, 2013 & IMESC (Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos, 2012)
Produtos Agrícola (Lavoura Permanente)
Produto Quantidade (mil frutos), ton
Mamão -
Coco da bahia 2.000 unid.
Manga -
Maracujá -
Castanha de caju 360 ton.
Banana 11.000 ton.
Laranja 30 ton.
Fonte: IBGE, 2006
Trabalho e Rendimento em Bom Jardim
Salário Médio e estoque de emprego formal, por atividades, segundo os
municípios - 2006
Indústria de
Transformação
Número de
emprego=
3 Salário
Médio
R$ 395,45
Serviços Industriais de
utilidades
- - - -
Construção civil - - - -
Comércio Número de
emprego=
78 Salário
Médio
395,83
Serviços Número de
emprego=
65 Salário
Médio
606,30
Administração Pública Número de
emprego=
5.522 Salário
Médio
481,85*
Agropecuária Número de
emprego=
208 Salário
Médio
511,28
Fonte: RAIS, 2006.
*Como o mínimo salário é o mínimo, e atualmente, após a aprovação do plano e carreira do
Magistério, esse valor está bem acima.
Distribuição da População Ocupada por Rendimento (Salário Mínimo)- 2000
Até 1 1-2 2-3 3,5 5-10 Mais de 10
42,4% 14,7% 2,8% 2,3% 1,5% 0,7%
O IDH é um critério estabelecido pela ONU (Organização das Nações
Unidas) para avaliar o nível de desenvolvimento econômico e social dos países,
estados e municípios. É publicado anualmente para classificar os países.O IDH
103
leva em consideração três características do processo de desenvolvimento
humano: A expectativa ou esperança devida ao nascer, ou seja, a quantidade de
anos que as pessoas poderão viver, considerando as condições de moradia,
saúde, alimento. Essa característica é denominada longevidade.
A expectativa de vida em Bom Jardim é de 55 anos.
O grau de conhecimento, que considera a taxa de alfabetização de adulto e a
taxa de matrículas nos três níveis de ensino, que no Brasil denominam-se
Fundamental, Médio e Superior.
IDH MUNICIPIO
2000
ESTADO
2000
BRASIL
2000
TOTAL 0,515 0,647 0,757
Renda 0,437 0,558 0,720
Longevidade 0,507 0,644 0,710
Educação 0,600 0,738 0,830
Posição no Brasil 5464º 26º -
Posição no
Estado
203º - -
Taxa bruta de frequência escolar: 0,698
FONTE: IBGE/2000
Considerando o aspecto longevidade, a expectativa de vida em Bom
Jardim em 2007 é de 55 anos.
Maranhão: 66,4 anos.
Brasil: 72,7 anos.
Estados Unidos: 78 anos.
África do Sul: 49,3 anos.
O IDH vai de 0 a 1: quanto mais próximo de 0, pior o desenvolvimento humano; quanto mais
próximo de 1, melhor. O índice considera indicadores de saúde, renda e educação. Bom
Jardim teve os seguintes índices: Renda: 0.519 Longevidade: 0.750 Educação: 0.400
De acordo o gráfico, o desempenho foi arrastado pra baixo bruscamente pela educação, apesar
do índice ter melhorado nos últimos anos.
Veja o Ranking de algumas cidades da Região considerando que são 217 municípios
maranhenses:
175 º Bom Jardim (MA)
211 º São João do Caru (MA) 0.509
De acordo com os dados acima, e comparado com a média nacional, o
povo de Bom Jardim deixa de viver 17,7 anos a menos que a média do
país.
IDH 2010 Bom Jardim
IDH
Geral
Esperança
de Vida
Mortalidade
Infantil
IDH
educação
IDH
longevidade
IDH
renda
0,538 69,98 29,4 0,4 0,75 0,519
Dentre os municípios do Vale do Pindaré, Bom Jardim tem segundo pior IDH,
perdendo apenas para São João do Caru. Sendo de acordo com os dados
104
comparativos, a segunda pior cidade para se viver do Vale do Pindaré e uma das
piores do Maranhão.
Segundo Lemos, da Universidade Federal do Ceará (apud Jornal
Pequeno(07/10/2007), o IDH de Bom Jardim – que em 2000 era 0,515 (15º pior
do Maranhão, conforme Pnud, da ONU) – desabou em 2006 para 0,455.
Conforme a mesma fonte, o número de excluídos sociais vivendo no município,
em 2006, era de mais de 23 mil pessoas (66,20% da população de 35.512
habitantes).
Essas cifras batem com a realidadesocial do município, que tem
saneamento básicoinsuficiente, ruas mal cuidadas, e principalmente bairros
(Fumaça, São Bernardo, Muniz) e povoados (Vila Varig, Córrego da Onça, São
Francisco, Índios) pobres abandonados à própria sorte. E outros como mostra as
fotos abaixo:
Vila-Abreu Povoado Santa Luz
Povoado Galego Povoado Igarapé das Traíras
Povoado Rapadura Povoado Rapadura
Incumbidos por meio do voto de proporcionar uma existência digna aos cidadãos
que representam, muitos gestores (que por aqui passaram) se mostraram
indiferentes em relação às necessidades da população.
105
Bom Jardim, cuja história moldada por uma cultura da corrupção de políticos no
poder, dos seus 8 prefeitos, 6 têm problemas com o Tribunal de Contas do Estado
(TCE). Segundo o Jornal Pequeno (07/10/2007), receberam do Tribunal de Contas
do Estado (TCE) parecer préviopela desaprovação, com trânsito em julgado
(definitivo, ou seja, sem possibilidade de recursos).
Há boatos, entre a população insatisfeita, de que, políticos podados (penalizados)
pela ação da justiça de não se recandidatar(-em) tenha(m) “comprado prestamento
de contas do Legislativo Municipal” para “continuar” concorrendo eleições. Na
verdade, os verdadeiros penalizados é o POVO.
20/07/2009 26/02/2020
Bairro Joana Darc. Um dos mais recentes bairros do município. Um crescimento movido
pela força e iniciativa da comunidade.
Apesar da ausência de uma ação política significativa e planejada que garanta
desenvolvimento e sustentabilidade ao campo e cidade – a influência da política externa de
cunho federal através de programa direto (o caso do bolsa família) que, em 2013 injetou
9.291.594,00 (nove milhões...) e o pescador artesanal (do Ministério da Pesca) que injetou
18,9 milhões na economia de Bom Jardim, aposentados, funcionários municipal e estadual e
outros indiretos através de convênios e ou fontes federais que garantem consequentemente ao
município a melhoria de seus indicadores sociais. É o que revela o Índice Firjan de
Desenvolvimento Municipal (IFDM), criado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro
para acompanhar a evolução dos municípios brasileiro, no qual o município de Bom Jardim
encontra-se no 63º colocado a nível de Estado e o 4.549º a nível nacional. O índice avaliador
considera: Emprego & Renda, Educação e Saúde. Veja quadro a seguir.
Ranking IFDM UF Ranking 2006 IFDM Empreggo e
Renda
Educação Saúde
Nacional Estadual
MA Bom Jardim 0,4877 0,04416 0,4559 0,5655
Fontes:http://agoramaranhão.com/ e Índice Firjan de Desenvolvimento dos Municípios, 2006.
A título de comprovação, veja as várias “torneiras” ou fontes por onde emanam
os recursos públicos destinados a política pública e social de Bom Jardim
repassados no exercício de 2009 (e respectivas fontes):
106
Bom Jardim (MA)
Número de Convênios por Órgãos Concedentes
O gráfico abaixo apresenta os 11 órgãos concedentes com maior número de convênios no
município. Os demais órgãos são apresentados na coluna "Outros". São considerados os
convênios do Portal da Transparência do Governo Federal, registrados a partir de 01 de
janeiro de 1996.
Diagramação: Adriano Motta, 2012
NÚMERO DE CONVÊNIOS POR ÓRGÃOS CONCEDENTES
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 15
MINISTÉRIO DA SAÚDE 9
MINISTÉRIO DAS CIDADES 5
MINIST. DA AGRICUL.,PECUARIA E ABASTECIMENTO 1
MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME 1
MINISTERIO DO DESENVOLVIMENTO AGRARIO 1
Outros 0
Fontes:http://ma.transparencia.gov.br/Bom_Jardim (Recursos federais que entraram em Bom Jardim), 2009.
0
2
4
6
8
10
12
14
Min. Educ.
Min. Saúde
Min. Cidades
Min. Agricultura
MDSCF
MDA
OUTROS
N
ú
m
e
R
o
d
e
C
o
n
v
ê
n
i
o
s
107
INDICADORES DE BAIXA RENDA NO MUNICÍPIO DE BOM JARDIM
O fato de existir um elevado número de beneficiários de Programas como
Bolsa Família e Pesca Artesanal, leva-se a conclusão que o município possui um
elevado contingente de pessoas na linha de pobreza e extrema pobreza, conforme
levantamento abaixo na fonte do MDS (Ministério de Desenvolvimento Social). Até
outubro de 2016, conforme MDS (2016), o município de Bom Jardim possuía um
total de 8.426 famílias cadastradas. E desse total, considerando a renda percebida
do programa, de r$ 0 até r$ 85,00 são 5.813 famílias; e considerando a renda de r$
85,01 até r$ 170,00; de 170 até 1/2 salário mínimo são um total de 909 famílias.
Gráfico 01. Número de famílias conforme valores recebidos do programa PBF.
Fonte: MDS, 2016.
Conforme Relatório de Programas e ações do PBF em Bom Jardim – MA.
em MDS (2016), a estimativa de Famílias com perfil CadÚnico (2010) representava
um total de 7.632 famílias. No entanto, as que recebem benefícios do Programa
Bolsa Família são um total de 5.707 beneficiárias, que representam 59% da
população do município. E o benefício médio mensal (dezembro/2016) é no valor de
r$ 203, 64.
Os mesmos dados do MDS (2016) apontam que até dezembro/2016, o
município tem um total de 19.487 beneficiários do Programa Bolsa Família que se
encontram assim distribuídos, conforme gráfico abaixo:
Gráfico 02. Composição/Distribuição dos Beneficiários do Programa PBF/ Dez. 2016.
5.813
1.007
909
0 2.000 4.000 6.000 8.000
R$ até 85,00
r$ 85,01 até 170,00
de r$ 170,01 até 1/2 salário
mínimo
Número de Famílias conforme Valores
recebidos do Programa PBF
Número de Famílias conforme
Valores recebidos do Programa
PBF
108
Fonte: MDS, 2016.
Nota-se, conforme gráfico a seguir, que o número de beneficiários
de 06 a 15 anos na condicionalidade Educação é elevado, conforme os
dados a seguir (Educação/Julho, 2016):
Segundo MDS (2016), o município de Bom Jardim apresenta um total
estimativo de 7.632 famílias de baixa renda. Já o número de famílias pobres – perfil
Bolsa Família (2010) são de 6.547 família.
Gráfico 04. Número de família baixa renda e pobres.
Fonte: MDS, 2016
5.339
9.597
1.708
96
147
2.600
0 5.000 10.000 15.000
Básico
Variável
Jovem
Nutriz
Gestante
Superação da extrema
Pobreza
Composição dos Beneficiários do PBF em
Bom Jardim - MA.
Composição dos
Beneficiários do
PBF em Bom Jardim
‐ MA.
7.632
6.547
6.000 6.500 7.000 7.500 8.000
Famílias de baixa renda
Famílias pobres
Número de Famílias Baixa-Renda e Pobres em Bom
Jardim - 2010
Número de Famílias Baixa‐
Renda e Pobres em Bom Jardim
‐ 2010
109
Orçamento 2013 (DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DA RECEITA)
Valor: R$ 67.832.952,00 (Sessenta e sete milhões, oitocentos e trinta e
dois mil, novecentos e cinquenta e dois reais) foi o valor do orçamento
municipal, o qual foi distribuído da seguinte forma:
ÓROGÃO VALOR %
Poder Legislativo 1.950.000,00 2,9%
Assistência Social 3.656.552 5,4%
Administração 13.433.100,00 19,8%
Saúde 14.507.100,00 21,5%
Previdência (Bom PREV) 1.186.000,00 1,8%
Educação 25.136.000,00 37%
Cultura 1.517.500,00 2,1%
Obras e Urbanismo 1.437.500,00 2,2%
Habitação 710.000,00 1,1%
Saneamento 1.070.000,00 1,5%
Gestão Ambiental 1.103.300,00 1,6%
Agricultura 1.033.500,00 1,6%
Comunicação 514.000,00 0,9%
Esporte 247.000,00 0,5%
Fonte: wwww.bomjardim.com.br 2013.
6 ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA
A exemplo de todos os municípios brasileiros, Bom Jardim é constituído de
três poderes: poder executivo, Legislativo e Judiciário.
PODER EXECUTIVO
O poder Executivo é exercido pelo prefeito municipal e seus assessores diretos.
Prefeitura Municipal de Bom Jardim,
2015
110
A estrutura do poder Executivo é a seguinte:
- Gabinete do prefeito
- Secretaria de administração e Finanças,
- Secretaria de cultura e esporte,
- Secretaria de educação,
- Secretaria de ação social,
- Secretaria de Infra-Estrutura,
- Secretaria de Agricultura,
- Secretaria de Meio Ambiente,
- Secretaria de Assuntos Extraordinários.
Estrutura Administrativa Municipal
ORGANOGRAMA
ESTRUTURA INTERNA:
A Assessoria de Governo tem por finalidade:
Assessorar o Chefe do Executivo Municipal em suas relações com as
lideranças políticas, órgãos e entidades públicas e privadas;
Articular-se com os Vereadores, lideranças e mesa da Câmara para
apresentação, defesa e aprovação dos projetos de iniciativa do Executivo
Municipal, com a ajuda das Secretarias setoriais e órgãos afins;
Interagir junto aos órgãos municipais para a solução de problemas;
Prestar contas aos cidadãos interessados;
Desempenhar outras atividades afins.
PODER LEGISLATIVO
O Poder Legislativo é exercido pela Câmara Municipal composta de 13
vereadores. A incumbência dos parlamentares é a elaboração de leis e a
fiscalização das atividades do executivo Municipal (quanto às obras e
recursos que entram no Município).
Os vereadores são os representantes do povo no município.
111
Veja Quanto Pagamos pela Nossa Democracia
A Câmara de vereadores de Bom Jardim recebe por ano R$ 1.950.000,00 custa
algo em torno de 6 milhões de reais durante os 4 anos de legislatura. (2013)
Você sabia?
Que 5% do eleitorado de um município pode apresentar um projeto com o
objetivo de transformá-lo em Lei. O qual passará por discussão, votação/
sanção ou veto ou a promulgação, e a publicação. Isso se chama Ação
Popular.
PODER JUDICIÁRIO
Para garantir a ordem e a justiça, toda comunidade tem regras ou leis.
Essas leis determinam os direitos e deveres de cada cidadão. O Poder
Judiciário é o que garante o cumprimento das leis, aplicando a justiça. Em
Bom Jardim é exercida pelo Juiz de Direito, Dr. Júlio César Lima Prazeres
e pelo Ministério Público, através de um Promotor, Dr. Raimundo Nonato
Leite Filho, que asseguram a autoridade máxima no município, cujo
quadro de segurança é representado pelo Grupamento da Polícia Militar
(GPM), conforme quadro seguinte:
SETOR DE SEGURANÇA DO MUNICIPIO
QUANT CARGO FUNÇÃO
01 Juiz de Direito Julgar
01 Promotor Emitir Parecer
01 Delegado Prevenir e autuar
06 Policia Militar Manter a Ordem Pública
01 Policia civil Auxiliar na segurança
16 Guarda Municipal Auxiliar na segurança e proteção dos bens
públicos.
01 Funcionário
Público/Escrivão
Lavrar e redigir documentos
01
Ministério Público
O Ministério Público é responsável perante o
Poder Judiciário, pela defesa da ordem jurídica
e dos interesses da sociedade e pela ffiel
observância da constituição (leis).
01 Defensoria Pública A função social da Defensoria Pública é a
orientação jurídica integral e gratuita em
todos os graus, dos necessitados, na
forma do art. 5º, LXXIV.
Criação e função da guarda municipal Art. 7º Compete ao município:
Câmara de vereadores
de Bom Jardim. Site Para informação dos recursos
que entram nos municípios:
https://www13.bb.com.br/appbb/portal/gov/ep/srv/daf/in
dex.jsp
112
IV - Instituir a guarda Municipal destinada a proteção de seus bens, serviços e
instalações públicas, conforme dispuser a lei. (Lei Orgânica Municipal de Bom Jardim).
O número atual da Guarda Municipal em Bom
Jardim (2005): 24 componentes.
Legislação Municipal Existente
Código de Postura
Lei Orgânica do Município de 5 de Abril de 1990
Código Tributário
Plano Diretor Lei n° 478/2006
Plano de Cargos e Carreira
Código de Obras
Plano de Resíduos Sólidos
LOA: Lei Orçamentária Anual.
6.1 SÍMBOLOS MUNICIPAIS
A bandeira foi idealizada por Francisco Oliveira e Jesus, tendo sido
aprovado pelo Decreto Lei nº 31 de 20 de abril de 1979.
Suas cores e significados são: azul representa o céu, branco a paz, verde,
a floresta, marrom o solo, mãos dadas a união, palmas o babaçu, enxada
o lavrador e o arroz a cultura do município.
O mesmo autor da Bandeira criou também o Brasão aprovado pelo
Decreto Lei nº 31 de abril de 1979.
Suas cores e significados são o mesmo da bandeira do município.
O hino do Município de Bom Jardim é de autoria do Sr. Jesus Tavares
Pinheiro e a música é de Maria de Fátima Queirós e Jesus Tavares
Pinheiro. É o símbolo sonoro do Município. Oficializado desde 1979 pelo
Decreto Lei nº 31 de abril de 1979.
Fórum Municipal de Bom Jardim
113
HINO DE BOM JARDIM
I
OH! BOM JARDIM CIDADE QUERIDA
TERRA ALTANEIRA E DE ENCANTOS MIL
TORRÃO GLORIOSO DO MEU MARANHÃO
TUA RIQUEZA ENOBRECE O BRASIL.
REFRÃO
BOM JARDIM! BOM JARDIM!
BOM JARDIM! TERRA ENCONTROS MIL.
II
QUÃO IMPORTANTE SÃO TEUS AFLUENTES
BANHAM TEU SOLO RIO CARU E PINDARÉ
OS GUAJAJARAS TEUS PRIMEIROS HABITANTES
ECONDUZIRAM AS VERDADES DO SABER.
III
A GRANDEZA DA TUA AGRICULTURA
QUE NOS AJUDA A LUTAR SEM TEMER
SOMOS TEUS FILHOS COM ORGULHO
TE AMAREMOS BRAVAMENTE ATÉ MORRER.
Autor: Jesus Tavares Pinheiro e Maria de Fátima Queiroz Pinheiro
A 1ª ESCOLA DE INFORMÁTICA DE BOM JARDIM – MA.
A 1ª Escola de Informática de Bom Jardim foi instituída em 2002, e se localizava na
Praça do Mercado (em um ponto alugado)- próximo ao mercado e pertencia ao
Senhor Valério.
114
7 CONHECENDO SÃO LUIS
UFMA –Universidade Federal Praça Gonçalves Dias “A praça do Poeta”
do Maranhão
Igreja Nossa Senhora dos Remédios Ponte José Sarney – que liga São
. Francisco ao Centro
Lagoa da Jansen – O mal cheiro da Biblioteca Estadual do Maranhão
Lagoa dá a impressão de esgoto, mas
São os corais que emitem tal odor.
Sua extensão é de 5,2 km.
115
EDIFICIOS EM SÃO FRANCISCOLITONÂNEA: BEIRA-MAR EM SÃO LUÍS
Palácio dos Leões. Sede do Governo Convento das Mercês – Memorial Sarney
Construído em 14 de Março de 1992.
No CentroHistóricosão mais de 3.500 prédios tombados. Entre estes está o Palácio La Ravardière,
construído em 1689. Apesar de fundada pelos franceses, foram os portugueses que deixaram na ilha uma
genuína cidade colonial lusa. O seu Centro Histórico, que guarda os testemunhos dessa época, foi incluído na
Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO por suas características únicas e excepcionais.
Por Adilson Motta 20/02/2008
116
8 HISTÓRICO DOS PRINCIPAIS DISTRITOS DE BOM JARDIM
Povoado Rosário
O povoado do Rosário foi fundado em 1961, dois anos depois da fundação de
Bom Jardim, que se deu em 1959.Seu primeiro habitante foi o Sr. Raimundo
José da Silva, conhecido por Raimundo Caruncha, veja como ele esclarece a
origem do nome do povoado: “o povoado recebeu o nome de Rosário porque o
Rio Pindaré tinha muitas curvas, parecendo com um rosário. Segundo o mesmo,
o nome “Rosário” foi dado ao local por caçadores e pescadores que ali exerciam
tais atividades .
Todos migrantes Nordestinos, inclusive o
Sr. Raimundo Caruncha tem uma
explicação para o motivo de sua vinda
para o Maranhão; entre estes, veja o que
trouxe o referido primeiro morador de
Rosário a se estabelecer no povoado.
“Eu e minha família morávamos no Piauí, próximo ao rio Parnaíba. Devido
ao empobrecimento do solo e a falta de mata, fomos para o Maranhão em
busca de uma vida melhor. Chegando aqui, sai a pés pelas margens do
rio Pindaré até o lugar que se chama hoje Rosário, como havia muitas
terras devolutas e boas para o cultivo e matas propícias para a caça,
resolvi me estabelecer no local”.
Entrevista com antigos moradores revela que eles eram oriundos
do Ceará, Piauí e do próprio Maranhão, com um número reduzido de
representantes de outros estados que vieram a procura de terras para a
lavoura de subsistência. Os mesmo viviam da lavoura, da caça e da pesca.
As suas vindas para o local, se deram através de parente que lhes
formaram da região. Muitos desses primeiros vieram a pés e outros
montados em animais. Entre as muitas dificuldades enfrentadas por esses
pioneiros, citam-se animais ferozes como onça e doenças, como malária e
febre amarela. A região, segundo eles era coberta de extensas matas e
muitos animais. Veja a entrevista a seguir com Raimundo de Jesus da
Silva:
“O local era cheio de matas com muitas caças e apresentava um solo
favorável para o plantio; tinha muitos frutos como: tuturubà, bacuri,
juçara, pequi, buriti e também muitos peixes, que serviam de suprimento
para o sustento de nossas famílias”.
A situação social nos primeiros dias da história do povoado
Rosário era de tempos difíceis. A título de comprovação observe o relato
com o senhor Augustinho Gomes da Silva, um dos antigos moradores:
117
”Era muito difícil porque não tinha estrada, energia elétrica, telefone nem
médicos. Quando alguém ficava doente era preciso levar para Pindaré,
pois era lá que tinha melhores médicos”.
Um dos primeiros moradores também foi o Sr. Cecílio Bispo da
Silva que era maranhense, e que chegou em 1961. O qual era morador de
Juçaral e trabalhava com lavoura. Veio para o povoado Rosário. O
povoado do Rosário já chegou ater 600 casas, atualmente tem cerca de
221 casas. Isto é, já foi um povoado florescente, regredindo nos últimos
anos.
A causa da regressão do povoado, segundo os depoimentos de
antigos moradores foi a expropriação das terras a latifundiários e
fazendeiro e franco amparo de políticas públicas no setor agrícola ao longo
de sucessivos governos.
Atualmente apresenta uma população de 683 habitantes. O
comércio neste povoado já foi muito desenvolvido; tinham lojas de
tecidos, usinas de beneficiamento de arroz, etc.. Hoje apresenta
morosidade no seu desenvolvimento, em consequência das migrações de
muitas famílias que iniciaram o lugar tendo em vista as terras do povoado
já pertencerem a grandes latifundiários, ficando os lavradores privados de
construírem suas roças. O distrito de Rosário já possuiu um cartório, cuja
tabeliã foi Sra. Maria Perpetuo Socorro de Oliveira; o cartório em
referência já foi desativado. O Juiz do Cartório era o Sr. Raimundo
Pinheiro. Existia também uma subdelegacia, cujo delegado era o Sr.
Adroaldo Cecílio.
Já foram eleitos 3 vereadores residentes no povoado Rosário.
Sendo: Adroaldo Alves Matos e Augustinho Maranhão ambos concorreram
às eleições a vereador em 1968, e em 1972, a prefeitura de Bom Jardim
como candidatos a prefeito. Foi eleito também no mesmo ano (72) a
vereador, o senhor Ângelo Vieira.
Atualmente em Rosário existe uma igreja católica e uma igreja
Assembleia de Deus, duas escolas municipais e a implantação de um
Sistema Telemar, através de orelhões.O povoado já é beneficiado com
energia elétrica, água encanada, um posto de saúde, um mercado
municipal. Na área cultural apresenta: Festival do peixe, realizado no mês
de outubro. A festa mais popular da comunidade de Rosário é a da
senhora conhecida por Siriáca, realizada em maio com procissões,
novenas, leilões e danças. A principal atividade econômica é a pesca e a
pecuária com a criação de bovinos e suínos, a quebra do coco babaçu e a
agricultura.
A agricultura é explorada em grande parte, por pequenos produtores
rurais. Sabe-se que, economicamente, a agricultura é muito importante
para o desenvolvimento do município, mais essa não apresenta bons
índices de produtividade nos últimos anos. Alguns moradores e líderes
políticos afirmam que tal fato é resultado da falta de assistência técnica. A
estrutura agrária põe em evidência a preponderância do latifúndio, onde
se percebe que as maiores partes das terras são ocupadas por
latifundiários.
118
Em relação a Rosário, a agricultura é geralmente praticada pela
maioria das famílias em pequenas propriedades, como o cultivo de arroz,
feijão, milho, mandioca, abóbora, quiabo, maxixe, pepino, melancia e
outros. Segundo entrevistas realizadas com antigos moradores, ao longo
da história do povo rosariense houve conflitos agrários.
Acerca desses conflitos veja o que diz Domingos de Sousa
Oliveira:
Houve conflito sim, sendo que por consequência foram
presos Eu, Pedro Pacheco, Riba Guará, Sabino, Castor,
Torcate e outros; (houve um certo caráter político nos
acontecimentos, pois éramos da oposição). O conflito se
deu com o chefe político da época, o qual propôs comprar
as minhas terras; no entanto, eu não a dispus à venda.
Esse fato levou consequentemente às nossas prisões.
Fomos presos quando estávamos em reunião na igreja
católica. No entanto, dois dias depois fomos libertos pelo
deputado estadual na época, José Gerardo de Abreu.
Por outro lado, os conflitos agrários bem como rumores de atrito
com os indígenas no município desapareceram, a partir da intervenção do
governo com a demarcação e legalização das terras, resolvendo os
conflitos agrários através do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária) e a criação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) como
órgão que defende e ampara os indígenas e suas terras. Firmando-se
assim o que diz MARTINS (1996, p 27), a respeito desaparecimento das
fronteiras e diferença que separava ambos os mundos:
A fronteira só deixa de existir quando o conflito
desaparece, quando os tempos se fundem, quando o
outro se torna a parte antagônica do nós. Quando a
história passa a ser nossa a história da nossa diversidade
e pluralidade, e nós já não somos nós mesmos porque
somos o outro que devoramos e nos devorou.
O acesso a Rosário é feito através de uma estrada vicinal e de lancha via
rio Pindaré. A distância do referido povoado a sede do município é de 22 km.
1º morador de Rosário Igreja Católica em Rosário
119
VILA BANDEIRANTE
Em 1970 o lavrador, Antonio Vieira dos Santos conhecido por
Antonhão, fundou a Vila Bandeirante que inicialmente ficou conhecida pelo
nome de Centro do Antonhão. Outros lavradores tomaram conhecimento
das matas e terras devolutas ali existentes e começaram a mudar-se para
o Centro do Antonhão, onde construíram suas residências e roças para o
cultivo do arroz. Seus moradores mudaram o nome do povoado para
Fazenda Nova.
O povoado crescia, tanto populacional como economicamente,
devido ao seu desenvolvimento. Seus habitantes acharam por bem trocá-
lo de nome e cognominaram-no de Vila Bandeirante. Em 30 de abril de
1979 através da Lei nº 26, o aglomerado foi elevado a categoria de
Distrito Administrativo. Tendo inicialmente como administradores: um
subdelegado de polícia, o senhor Antonio Vieira dos Santos (o fundador do
lugar), do delegado do sindicato dos Trabalhadores Rurais, o senhor José
Gomes de Souza, os dirigentes protestantes, um representante político, o
senhor João Evangelista Prado.
As festas populares são as novenas do mês de maio, e os
festejos Santo Antonio, o padroeiro da Vila Bandeirante, que são
realizadas no dia 31 de julho, com ladainhas, danças e leilões. O tambor
de crioula faz parte do folclore do lugar.
Atualmente (2006), o povoado tem apenas uma igreja, a católica.
Economicamente existecinco comércios e seis mine usinas de pilar arroz.
Existindo também três escolas, num total de 306 alunos matriculados. O
ensino médio funciona desde 2004, apenas com o 1º ano.
Apresenta uma infraestrutura com água encanada e eletrificação.
A infraestrutura habitacional povoado Vila Bandeirante em 8/2005 é de
191 casas. Destas, 19 são de tijolos e telha.
Quanto aos meios de comunicação, o povoado é servido por dois
canais de televisão: Globo e SBT; além de rádio comunitárias.
Geograficamente, à distância do povoado a sede do município é
de aproximadamente 54 quilômetros. Os povoados fronteiriços a Vila
Bandeirante são: Escada do Caru, Três Olhos D´água, Igarapé das Traíras
e Rapadurinha.
Antonio Vieira dos Santos, Antonhão, primeiro morador do povoado Vila Bandeirante.
120
Igreja Católica de Vila Bandeirante
NOVO CARU
O povoado Novo Caru foi fundado em 1º de maio de 1963 pelo lavrador
Raimundo Nonato Pinheiro, conhecido pela alcunha de Didico, e recebeu o
nome de Centro do Dico, com a chegada de moradores para o lugar, o
povoado foi crescendo em população.
Sendo o rio o único fluxo para o crescimento do lugar, seus
moradores em homenagem ao rio Caru deram ao povoado o nome de
novo Caru. O povoado faz fronteira com outros povoados como:
Rapadurinha, Barra do Galego e a reserva indígena Caru.
No principio, o povoado seguia em marcha ascendente, no
comércio, na indústria de beneficiamento de arroz, na produção agrícola e
em população. Era lancha chegando quase que diariamente trazendo
migrante do Ceará, Piauí e de vários lugares do próprio Maranhão,
atraídos pela abundancia de matas e terras devolutas ali existentes. Tais
migrantes trouxeram consigo os seus costumes, suas crenças, enfim, suas
cultura. A partir daí, com o passar do tempo, firmou-se a cultura de novo
Caru. Essa cultura baseia-se em danças típicas nordestinas como as
quadrilhas (nas festas juninas), o Bumba-meu-boi e em comidas típicas
como cuxá, tapioca (beiju), cuscuz dentre outras iguarias.
Com o rápido crescimento, foram instaladas várias casas
comerciais, sendo as principais: Casa Branca, Casas Matos, Casa Vera
Cruz (com eletrodoméstico) os quais vendiam todos os artigos de primeira
necessidade e outros como calçados, bebidas, confecções, alumínio, etc.
Nos anos 70 a 73 os comerciantes enriqueceram por especulações. As
mercadorias eram trocadas com os agricultores pelo arroz (no acelerado,
antes da colheita). Em novo Caru o movimento era acelerado, havia
muitos hotéis, bares, boates, dois clubes para recreação e festa: o
Canutão e o Clube Recreativo Boa Vontade (CRB), duas usinas para o
beneficiamento de arroz do Sr. Manoel Vera Cruz e a do Sr. José de Deus.
Atualmente Novo Caru apresenta morosidade no seu desenvolvimento,
existindo ainda, várias casas comerciais.
Em 1976, na administração do Prefeito Miguel Alves Meireles foi
instalada a iluminação elétrica através de um motor a óleo DIESEL. Em 30
de abril 1983, de acordo com a Lei nº 27, Novo Caru foi elevado à
121
categoria de distrito. O povoado Novo Caru apresentava muitos setores
(povoados) aos seus redores que aqueciam e mobilizavam a economia
local. Esses setores, no entanto, desapareceram e o desenvolvimento em
Novo Caru caiu em declínio, devido às terras haverem passados para as
mãos de proprietários e posseiros e também pela inexistência de matas
que foram devoradas pelos lavradores. Muitos moradores mudaram-se do
lugar, e os grandes comerciantes fecharam suas portas mudando-se para
Santa Inês e outras cidades desenvolvidas a fim de instalar seus evoluídos
comércios.
Atualmente no povoado existem três igrejas: Igreja Católica, Assembleia
de Deus e um templo Adventista. As festas tradicionais de Novo Caru são
as novenas do mês de maio, quaresma, festas e rezas com terços e
ladainhas.
A padroeira do lugar é Nossa Senhora da Conceição, cujo festejo é
realizado no dia 8 de Dezembro. Até 2007, a dirigente da Igreja Católica
no povoado foi Maria de Fátima Pires Santos.
O acesso ao referido povoado é feito via estrada vicinal, abertas da
cidade de Bom Jardim a Rapadurinha. Até o povoado Rapadurinha a
estrada é empiçarrada (com constantes falhas). Deste a Novo Caru a
estrada é carroçal. No inverno são maiores as viagens via Rio Caru e
Pindaré. A distância do povoado à zona urbana do município é de 57 km.
A principal atividade econômica do lugar é a agricultura para o
cultivo do arroz, feijão, milho e a mandioca que, depois do abastecimento
do mercado local, o excedente é exportado para a sede do município,
outras principais atividades são a quebra de coco babaçu e a pesca no rio
Caru que se constituiu uma fonte para a sobrevivência dos Novocaruenses
e também a pecuária com pequenas fazendas com criação de bovinos e
suínos.
Grande parte dos agricultores do Povoado dependem de terras
localizadas à outra margem do rio, precisamente na Reserva Indígena do
Caru habitada por índios da etnia guajajara. Os chefes das aldeias
“cedem” parte da terra para os lavradores numa transação chamada
“renda’ que acontece de forma que o lavrador deixa para o chefe um terço
da produção da lavoura”.
Por outro lado, outros lavadores trabalham para grandes
proprietários, recebendo o que lhes é devido em duas situações, a
primeira consiste em diárias no valor que varia entre R$ 7,00 e R$ 10,00.
Em segundo, e a paga com a própria produção em “renda”, ou seja, o
Igreja Católica em Novo Caru
122
lavrador recebe entre um meio e um terço da produção total dependendo
do “acordo” feito entre o proprietário e o lavrador.
Uma relação de dominação e posse. De acordo com isso e sobre o
mito vivenciado nessa relação, cita FREIRE (1983 p. 1983, p. 172):
“Na verdade, estes pactos não são diálogos porque,... está inscrito o interesse
inequívoco da classe dominadora. Os pactos,... são meios para realizar suas
finalidades”.
Há diálogo quando há acordo, e quando ambos os lados são beneficiados
sem prejuízo a nenhuma das partes envolvidas. Ou seja, a classe
detentora dos meios de produção e capital em contraste com aquelas que
possuem apenas a força de trabalho como mercadoria a oferecer,
encontra-se em posição de submissão “espontânea”, frente à situação
ditada pelo capital e a necessidade de “ter que trabalhar” para a
sobrevivência, que no silêncio, abraça o sistema de coisas que está posta,
apesar das amplas conquistas “tão asseguradas nas letras da Magna
Carta”. Pactos estes, fundamentados na desigualdade social e na situação
de pobreza, ausência de terras e capital na mão da maioria, que é a classe
pobre e predominante. (Grifo meu – Adilson Motta)
Na busca pelo “ter as coisas” muitos jovens e adultos abandonam os
estudos para se dedicarem ao trabalho, por entenderem que a escola não
proporciona tais ambições impostas na subjetividade deles de maneira a
se realizarem. Portanto, não entendem que é através da aquisição do
conhecimento, da visão de mundo crítico-coerente que realmente podem
mudar suas percepções de vida e a situação ou realidade.
Daí explica-se que dos 36 alunos do EJA (Educação de Jovens e
Adultos) de 1ª a 4ª série em 2004 no povoado Novo Caru, 44,4%
desistiram e 13,8% evadiram-se. Esses dados são a marca registrada
tanto do pensamento supracitado, quanto do abandono, da ausência de
políticas públicas educacionais e de juventude no sentido de que se
encontrem soluções para essas mazelas. Fato este, processando-se ao
longo de sucessivos governos. Sendo o exposto apenas um retalho do que
ocorre no contexto maior, assim como em nível de Estado e Nordeste.
Sendo filhos do analfabetismo, os mesmos têm direito de acesso e, no
entanto, não têm de sucesso.
Frente à situação difícil em que se encontram, tais jovens não tendo
como conciliar estudo e trabalho, os últimos por ser difícil, terminam
abandonando a escola. Pois não enxergam a educação como saída, e nem
tão pouco têm estímulo e incentivo para continuar. Não percebem que há
uma intenção ideológica “desinteressada” controlando imperceptivelmente
os acontecimentos, que os leva a não enxergar a escola como tal “saída” e
“instrumento de mudanças”. Nesse sentido, veja que diz FREIRE (1983 p.
173):
A manipulação aparece como uma necessidade imperiosa das elites
dominantes, com o fim de, através dela, conseguir um tipo inaltêntico de
“organização”, com que evite o seu contrário, que é a verdadeira
organização das massas populares emersas e emergindo.
123
Dentro dessa perspectiva, eles tendem a deixar o povoado indo para
outros municípios, estados e, até mesmo, outros países, como, por exemplo,
Mato Grosso, Pará, Roraima e Suriname. Nos estados de Matos Grosso e Pará,
eles encontram serviços em madeireiras, fazendas e em serrarias. No Suriname,
trabalham como garimpeiros na extração de ouro. Este é o mais cobiçado dos
trabalhos, pois acreditam conseguir prosperidade em pouco tempo.
Todos querem arriscar a sorte grande, para isso deixam pais, esposa
filhos, acreditando-se “... que todos são livres para trabalhar onde queiram. Se
não lhes agrada o patrão, podem então deixá-lo e procurar outro emprego”.
FREIRE (1983 147). Em muitos casos, por faltas de alternativas, os referidos
trabalhadores se submetem permanecer nas atividades, tudo isso, por conta do
desamparo de políticas de geração de emprego e renda de uma política agrícola
que prenda o homem do campo no campo, e leve as condições e benefícios da
zona urbana para a vida do campo. O exposto é apenas uma pequena amostra
de um contexto maior.
O povoado Novo Caru dispõe hoje (2005) de três escolas municipais num
total de 9 salas de aula. Tem também um posto de saúde, uma praça e uma
subdelegacia de polícia.
No aspecto educacional, as escolas refletem o contexto municipal, de
administrações sucessivas, não dispondo de biblioteca publica, nem de livros
gratuito que cubra toda rede de ensino, o que dificulta o processo ensino-
aprendizagem nesse povoado e aumenta a insatisfação dos moradores que
aspiram melhoria.
A juventude encontra-se dispersa, dividida entre trabalho duro do campo
no período diurno e a ociosidade dos que não estudam no período noturno. Por
falta de opções no que diz respeito à diversão, muitos desses jovens procuram
os bares quase que regularmente, e alguns a se entregar ao alcoolismo.
Povoado Novo Caru –jan./2007
Escola Municipal Raimundo Nonato Pinheiro
Rio Carú – no povoado Novo Carú
Raimundo Nonato Pinheiro,
conhecido por Didico, foi o
primeiro morador do povoado
Novo Caru.
124
Não é muito e custa pouco, mas o sonho maior daquela comunidade é que
os governantes do município façam um cais na beira-rio e empiçarrem a
estrada de Novo Caru ao povoado Rapadura – pois, no inverno, fecham-
se as saídas de acesso, quando o rio não está cheio.
Em fins de 2006, a administração Roque Portela fez uma obra que para
muitos novocaruenses foi de grande importância, segundo a população
carente que foi: empiçarrou todas as ruas do povoado e fez duas pontes
de acesso dentro do povoado. Se o pouco gera satisfação, imaginem o
que seria se fosse feito o que se pode fazer.
8.1 REGIÃO DA MIRIL, VARIG, BREJO SOCIAL,
AEROPORTO E ANTONIO CONSELHEIRO
A parte populacional mais afastada e que muitos bonjardinenses
desconhecem é a região da Miril, Varig, Brejo Social, Aeroporto, Antônio
Conselheiro e outros assentamentos que correspondem a um aglomerado
de cerca de 60 povoados. O populacional da região é estimado em 9.515
habitantes e um eleitorado de 4.321 eleitores. As rendas de despacho da
produção econômicas (agricultura, pecuária e exploração de madeiras)
são escoadas para Buriticupu e Açailândia, gerando renda aos mesmos,
deixando o município de Bom Jardim de arrecadar boa fonte de receita
naquela região, sem que haja aproveitamento na economia municipal.
Esta é, no entanto, uma região muito enxergada em período eleitoral, pois
seu peso eleitoral já definiu muitas vitórias políticas em Bom Jardim a
políticos que só enxergam em período eleitoral.A juventude daquela
região sob a tutela política administrativa de Bom Jardim, encontra-se
entregue ao abandono – quanto ao ensino médio, onde também são
desamparados (pelo Estado). Frente a situação, segundo Francinaldo da
Silva, membro do Comitê Pró-Emancipação da Vila Varig em o Jornal
Agora Santa Inês (2011):
“Nós estamos cansados de tanto abandono e isolamento!”
Subdelegacia de Polícia no
povoado Novo Caru
125
Escola Municipal em Brejo Social. Data: Agosto de 2012.
Sendo em sua maioria áreas de assentamentos, marcadas por histórias de
lutas do homem do campo na busca pelo direito a terra, já que estes direitos não
vêm nas diligências pleiteadas nas políticas públicas por gestores que planejem o
desenvolvimento na região, é produto de conquistas sociais e de lutas isoladas.
Das áreas pertencentes a Bom Jardim que abrange a região da Miril, Varig,
Brejo Social e Aeroporto são as maiores produtoras de arroz e apresenta grande
criatório de gado; exportando muita madeira, além de produzir pimenta (cujo fato
deriva o nome de um povoado - povoado da Pimenta). O povo daquela região
sobrevive da agricultura, pecuária, carvoaria e extração de madeira (esta última,
atualmente encontra-se escasseando). E grande parte de seu território é ocupado
por plantio de eucaliptos de empreendimentos empresariais de porte como o Grupo
Viena, Pindaré, Ferro Gusa e outros.
O grande problema enfrentado é a ausência de estradas para a escoação da
produção como: madeira, cereais, castanha, gados para o abate, queijo, arroz,
feijão, etc. Sabe-se que, as verbas federais também vêm na proporção/população,
ou seja, considerando o coeficiente populacional.E o que se observa, é queo povo
daquela região apenas serve para engordar as contas do cofre público, ou melhor,
sem uma equivalente retribuição. O povo precisa mais do que uma simples ponte, e
um pedaço de estrada raspada e empiçarrada...
Por conta da situação, em toda aquela região, segundo Frei Valadares (que lá muito
frequenta), está ocorrendo certo êxodo – ou seja, muitos proprietários de terras
estão vendendo suas propriedades e migrando para outras regiões onde se oferece
melhores condições.
O acesso até aquela região não é por via direta (por dentro de Bom Jardim);
atravessam-se 7 municípios para atingir os confins mais distantes da região. Como:
Pindaré-Mirim, Santa Inês, Tufilândia, Santa Luzia, Butiticupu, Bom Jesus das
Salvas e Açailândia. Devido a grande distância que separa o município àquela
região, perdura certa dificuldade administrativa para os governantes, ficando assim,
muito a desejar àquela população que também é “povo bonjardinense”, e que sonha
por uma autonomia administrativa através de emancipação política. O fato de ser um
dos povoados mais distante da sede administrativa, torna-se difícil a administração
de rendas, recursos e projetos, e se resolveria com a instalação de uma
subprefeitura para aquela região para trabalhar e gerir o seu desenvolvimento. Tal
projeto foi implantado na administração Gralhada, mas, não foi em frente por razões
político-partidária entre aqueles que representavam o poder público municipal
(Executivo e Legislativo).
126
Nas adjacências da estrada Sunil (empiaçaral), que liga Bom Jardim a
Açailândia, existe uma grande plantação de eucaliptos da empresa Viena, estimada
em 15 km de extensão, para a produção e destinada à fundição em siderurgias da
Companhia Vale do Rio Doce. Existe seis carvoeiras na região.
A difícil situação administrativa por conta da situação geográfica da região permite
criar um certo isolamento social distanciando a comunidade da região dos benefícios
da sede administrativa. A perda econômica se dá através do alto fluxo de madeiras
que é escoada via fronteira de outros municípios, os quais se beneficiam por meio
de suas serrarias via impostos e empregos (diretos e indiretos). Os pontos de
escoação de madeiras na região são:
 Casa Redonda;
 Buriticupu (após 6km);
 Nova Vida (povoado de Buriticupu);
 E Bom Jesus das Selvas.
Há a existência de bauxita da qual se extrai o alumínio na Serra do Tiracambu, que
foi detectada em pesquisas pela Companhia Vale do Rio Doce. A C.V.R.D ou Vale
está se instalando na região, na localidade do Rio da Onça, para exploração do
minério de bauxita. Para que isto aconteça, a CVRD tem que obter a liçença
ambiental e alvará dos municípios onde a Serra do Tiracambu se localiza. Fato que
acarretaria renda e desenvolvimento ao estado e região através dos royalties.
Obrigações Sociais Omissas da Vale com as Comunidades de Bom
Jardim na Região Miril e Caru
Para quem não conhece, a questão da Vale nos limites da política e de suas
obrigações com as comunidades que se localizam nas suas adjacências, não é nada
realmente de interessante. Mas a partir do momento que conhecemos realmente a
Vale e seu potencial, seu processo de privataria ou privatização – ai, o assunto se
torna um problema além de Bom Jardim, e sim um problema nacional. A Vale tem
de fato direitos e obrigações de bancar projetos ao longo das comunidades que se
localizam ao longo da ferrovia em até 15 quilômetros de distância. As comunidades
de Bom Jardim (REGIÃO MIRIL) por onde passam os trilhos da Vale na região,
localizam em menos de um quilômetro de distância (marcados pelos limites do rio
Pindaré naquela região). A VALE tem sim, obrigações sociais com as comunidades
de Bom Jardim – seja infra estruturais (pontes e passarelas), educacionais
(campanhas, construção de escolas, asfaltamento). Quanto mais na Serra do
Tiracambu, onde se localiza uma enorme reserva de bauxita, minério de onde se
extrai o alumínio – que no futuro irá gera royalties a Bom Jardim. A Vale é uma ferida
no coração do Brasil nas flâmulas da corrupção. Afinal, seu processo de privatização
foi na total sombra da corrupção. É tido como o maior caso de corrupção da história
da humanidade. Pois, segundo um de seus últimos diretores (que precedeu Rogger
Agnelli – pós privatizada), a empresa valia R$ 100 bilhões e foi vendida por apenas
3,3 bilhões (para as próprias empresas que a avaliaram (Merrill Lynch – americana -
e Bradesco, que também foram os compradores, onde boa parte dos recursos pelo
qual foi auferida, foi financiado pelo BNDES). Afinal, 68% de seus novos donos são
estrangeiros. Especialistas afirmam que, devido ser 400 anos de exploração mineral
noite e dia (minério diversos, raros e caros), a mesma, que é detentora da lavra em
termos monopolizados esteja valendo algo em torno de 7 trilhões. E os brasileiros a
127
ver navios... A pérola de um povo atirada aos porcos (capitalistas e saqueadores do
patrimônio da nação que se escondem por traz de políticos, bancos privados e
empresas multinacionais). Em 2012, a empresa Vale faturou algo em torno de R$
21 bilhões anual, quase 3 vezes o orçamento de todo estado do Maranhão com seus
217 municípios. Hoje, é uma multinacional e opera nos 5 continentes e 18 países.
Veja o discurso na câmara federal de Chiquinho Escórcio, em que se fundamenta
os direitos das comunidades e deveres da Vale:
“A Vale está deixando muito a desejar no meu
Estado. Os senhores verão que não são apenas os
índios, mas a população está revoltada com todas
aquelas casas rachadas, as pessoas que estão
morrendo nos trilhos, a zoada permanente, tudo
isso é exatamente o rastro de mal-estar que os
senhores estão deixando”, disse.
Carvoeira na região da Miril; sendo por muitos conhecidas por “rabos quentes”, é uma espécie
de iglu, feito de tijolo e barro. Grande extração de carvão vegetal que é revendido para as
siderurgias.
Povoados de Bom Jardim que encontram-se dentro dos limites de 15 quilômetros e que
podem receber projetos de impacto socioambiental da Vale:
a) Cristalândia (Região Miril);
b) Miril;
c) Bela Vista;
d) Povoado Rosário;
e) Povoado Barra do Galego;
f) Chapada;
g) E Santa Luz (em grandes probabilidades).
128
IMAGENS DA REGIÃO MIRIL
Rio Azul Rio Pindaré
Participação da comunidade em ações política e associativismo.
Rio Azul
Povoado aeroporto. Vila Varig
129
VILA VARIG – ATUAL NOVO JARDIM (EM PERSPECTIVA DE EMANCIPAÇÃO)
Fonte: Antonio Castro Leite. Agrimensor Topografia. 2015
130
PRÉDIO DO DAVI – POVOADO ANTONIO CONSELHEIRO
Serra do Tiracambu
Localizada na Amazônia maranhense, a Serra do Tiracambu, que compreende área
territorial de vários municípios do Maranhão e Pará. Entre os municípios que sofrem
influência geológica de seu platô*, estão: Açailândia, Bom Jardim, Imperatriz, Itinga do
Maranhão e Marabá.
 Localiza-se a Oeste Maranhense – Serra do Tiracambu – divisa de Bom Jardim
e Carutapera – Serra do Gurupi – nos municípios de Imperatriz, Açailândia e João
Lisboa. (Fonte: Geografia do Maranhão,2010).
Apresenta grande área florestal dentro do universo e domínio da Unidade de
Conservação (Reserva Biológica do Gurupi – REBIO do Gurupi no Maranhão), e em algumas
terras indígenas – o que lhe serve de proteção à sua biodiversidade. O platô que forma a área
da Serra do Tiracambu ocorre numa região de relevo dissecado (MARÇAL, 1994), cuja
altitude na Serra do Tiracambu varia entre 400 e 600 m. O feixe (de platô), que passa por
imperatriz e Marabá (segundo estudos e pesquisas) com mais de 350 km de extensão impõe
anomalias em cotovelo no baixo curso dos rios Araguaia e Tocantins, além de controlar o
baixo curso do Rio Itacaiúnas (Pará). A área geológica (do Tiracambu compreende uma
extensão de 560 km).
O Rio Gurupi nasce na Serra do Tiracambu, que constitui o principal divisor de águas
desta bacia, estabelecendo limites com as bacias do Pindaré e Turiaçu.
Grande parte florestal da Serra já sofreu exploração seletiva de madeira recente,
havendo também evidência de incêndios florestais comum na região.
131
RIQUEZAS DE ARRECADAÇÃO PERDIDAS DE BOM JARDIM NA REGIÃO
MIRIL, VARIG, ANTONIO CONSELHEIRO E OUTROS
As riquezas de arrecadação perdidas do município de Bom Jardim na região é
enorme, pois são grandes empresas que operam na região – e que não estão
gerando empregos nem impostos para o município de Bom Jardim. São elas,
com os respectivos setores de atuação:
 Empresa Liliane – Trabalha na exploração/produção de soja.
 Fazenda Amazônia – Trabalha com plantio de soja e eucaliptos.
 Empresa Siderúrgica Viena: Trabalha com a produção de eucalipto.
 Fazenda São Jorge: Trabalha com eucalipto e pecuária (grande criatório e
exportador de gado).
 Empresa Suzana – Trabalha com plantação de eucalipto.
Vale lembrar que o eucalipto, além de ser usada na siderurgia, é também na
produção de celulose, a partir do qual se fabrica o papel.
Em função desse “potencial perdido”, há um grande fluxo de carretas em
constante transporte da produção variada da região.
POVOADO TIRIRICAL
O povoado Tirirical foi fundado entre 1950 a 1951, pelo lavrador
Raimundo Bacabal, conhecido por Raimundo Tiririca. O mesmo veio com
mulher e dois filhos. O referido primeiro morador é maranhense, oriundo
da cidade de Bacabal. O povoado recebeu este nome porque tinha muita
tiririca, (tipo de capim cortante). O desenvolvimento do povoado se deu
através da lavoura, principalmente do arroz. Apesar de se localizar bem
próximo à aldeia indígena, não consta ao relato dos antigos moradores a
existência do conflito com os referidos primeiros habitantes daquela terra.
O povoado faz fronteira com outro povoado, Zé Boeiro e a aldeia indígena.
Sempre houve uma relação amistosa do povoado com a população
indígena existente naquelas imediações.
“[...] o relacionamento era muito bom, nós trabalhávamos juntos, e
não tinha nenhum tipo de desavenças” (Eliésio, 12/2004). Veja o que diz
outra entrevista com Francisca Pereira da Conceição “... era um bom
relacionamento, eles se entendiam muito bem, era melhor do que agora”.
(CUNHA, 12/2004).
O princípio da história do povoado Tirirical é marcada com a
presença de caçadores que ali caçavam somente para o consumo;
segundo Eliésio (12/2004), a grande dificuldade no povoado era o acesso,
pois não tinham carros, e as viagens eram feitas a cavalo e a pés.
Não existia delegacia, mas, Raimundo do Tiririca era tido como o
delegado arbitrário do lugar. Veja relato abaixo que comprova o fato:
“Raimundo do Tiririca era quem cumpria essa função, amarrava o
infrator no pé do mourão que era levado para Bom Jardim e entregava
para o delegado de lá” (Eliésio Sotero da Cunha, 66 anos/2004). Há uma
132
explicação para a vinda de cada morador para essa região. Veja o que
trouxe Eliésio Sotero da Cunha para o povoado Tirirical:
“Por causa da seca e não existir condições de trabalho na lavoura
onde morava. No entanto, pela facilidade de terra fértil para a lavoura
aqui existente, vim e me estabeleci”.
O povoado se localiza a leste do município a 12 quilômetros da sede,
com uma área de aproximadamente 1 km2. É servido pela estrada Federal
BR 316, que liga aos municípios de Bom Jardim e Santa Inês.
Segundo pesquisas realizadas, a população residente na
comunidade, em dezembro de 2004 era de 1600 habitantes, integrantes
de 420 famílias. A população de Tirirical enfrenta inúmeros problemas. Um
deles é a falta de terras para o cultivo, levando famílias para os lugares
distantes, para trabalhar. Há falta de alternativas de empregos,
principalmente para a classe juvenil. A infraestrutura habitacional é de
420 casas, onde apenas trinta são de tijolos. As restantes são de taipas,
algumas cobertas de telhas, outras de palha de babaçu.
Atualmente existem 16 pequenos comércios no povoado Tirirical.
Uns vendem secos e molhados e outros vendem bebidas (bares).
Os principais produtos comercializados são: feijão, farinha, açúcar,
café aguardente, sabão, sal, margarina, bolacha, óleo, etc.
A primeira escola ali existente foi num casebre que se chamava
Escola João de Barro, que visava alfabetizar. Por longo tempo a educação
funcionou com professores leigos, devido à carência de profissionais
formados.
Quanto ao aspecto cultural, as festas populares da comunidade de
Tirirical são: São João, Bumba-meu-boi, quadrilha e Candomblé. O
padroeiro do lugar é São João batista.
A primeira igreja a se estabelecer no povoado foi a igreja católica.
As missas eram celebradas nas casas das pessoas
O fundador da Assembleia de Deus foi o senhor Amadeus. Da igreja
católica foi Chico França.
A religiosidade está presente numa parcela significada dos
moradores da região, sendo o catolicismo a religião predominante.
Atualmente em Tirirical existe uma igreja católica e Assembleia de Deus.
A renda da população de Tirirical é de fontes diversas; entre elas, da
quebra de coco, da produção de carvão, do corte de arroz, da pesca, de
benefícios, programa bolsa escola, PETI, e alguns outros benefícios.
Existe um grande número de pessoas, que não possuem qualificação
profissional, dedicam-se tão somente ao trabalho agrícola, mas, como não
têm posse de terra alguma, trabalham como arrendatários, pagando dois
alqueires de arroz aos proprietários e latifundiários.
Atualmente o povoado é beneficiado com escolas, energia elétrica,
água encanada, um posto de saúde, um mercado municipal e vários
orelhões.
133
POVOADO CASSIMIRO
O povoado Cassimiro foi fundado em 13 de outubro de 1967, pelo
lavrador João Cassimiro, que veio com a família. O referido primeiro
morador é maranhense, oriundo da cidade de Pinheiro. O povoado
recebeu este nome em homenagem ao referido primeiro morador. O
princípio da história do povoado Cassimiro é marcada com a presença de
caçadores que ali caçavam somente para o consumo. O acesso ao
município era difícil, pois não circulavam carros, e as viagens eram
realizadas a cavalo e a pés.
O desenvolvimento do povoado se deu através da lavoura,
principalmente do arroz. No entanto, com o transcorrer dos anos,
desenvolveu-se também a pecuária, a qual é hoje uma das maiores
fontes de economia no povoado, assim como no município. O povoado já
possuiu delegacia, cujo delegado era Vicente e Sebastião Alves.
Cassimiro está localizado no município de Bom Jardim, fazendo
limites com os povoados: Gurvia, Centro do Alfredo e Rapadurinha.
Localiza-se a oeste do município, a 42 quilômetros da sede, com
uma área de aproximadamente 6 km de extensão. É servido pela estrada
piçarral Bom Jardim / São João do Caru, e se liga a outras estradas
vicinais que dão acesso a outros povoados fronteiriços.
Sua população, segundo pesquisas realizadas em dezembro de 2004
era de 488 habitantes.
A infraestrutura habitacional é de 122 casas, onde
aproximadamente 50% são de telhas e tijolos; o restante, de taipas e
palhas de coco babaçu. A principal atividade econômica é a agricultura,
pecuária com a criação bovina e a quebra do coco babaçu.
No povoado, desde seus primórdios existiu e ainda existe engenho,
o qual é utilizado para a fabricação de cachaça. A população de Cassimiro
enfrenta inúmeros problemas. Um deles é a falta de terras para o cultivo,
levando famílias a produzirem por arrendamento em terras de
latifundiários e algumas a irem embora para lugares distantes, para
trabalhar. Há falta de alternativa de empregos, principalmente para a
classe juvenil.
Povoado Tirirical, em
28/12/2006
134
Atualmente existem 8 pequenos comércios no povoado Cassimiro.
Uns vendem secos e molhados e outros vendem bebidas (bares),
existindo também uma farmácia.
Os principais produtos comercializados são: arroz, feijão, farinha,
açúcar, café, aguardente, sabão, sal, margarina bolacha, óleo, etc. O
acesso ao povoado no verão se dá através de caminhões, carros
pequenos, motos. Sendo utilizado também animais (burros e jumentos)
para o transporte de cargas, especialmente pelas famílias de baixa renda.
O povoado em estudo usufrui telefones públicos através de orelhões
espalhados pelas ruas. Os referidos canais de televisão assistidos no
município são os mesmo assistidos no povoado Cassimiro. Sendo: TV
Globo e SBT. Quanto ao aspecto cultural, as festas populares da
comunidade de Cassimiro são: São João, Bumba-meu-boi, quadrilha e
candomblé. O padroeiro do lugar é São Raimundo, cujo festejo é realizado
no dia 31 de agosto. A primeira igreja a se estabelecer no povoado foi a
igreja católica. No principio, as missas eram celebradas nas casas das
pessoas.
No povoado Cassimiro funciona escolas de ensino Médio e
Fundamental. As escolas do Estado funcionam escolas como anexo, em
salas emprestadas pelo município.
A renda da população de Cassimiro é de fontes diversas; entre elas,
da quebra de coco, da produção de carvão, do corte de arroz, da pesca,
de benefícios de aposentados, alguns funcionários públicos, programas
bolsa Escola, PETI, e alguns outros benefícios.
Atualmente o povoado é beneficiado com energia elétrica, água
encanada, um mercado municipal, posto de saúde e orelhões.
Igreja Evangélica.
135
Igreja Católica.2020.
Atualmente asfaltado. Povoado Cassimiro, 2020.
Igarapé da Água Preta Povoado Igarapé índios, 2000
136
Igarapé do Galego Povoado Igarapé dos Índios, 2020
Igreja Evangélica, Igarapé dos índios,2020 Igreja Católica, Igarapé dos índios, 2020.
Local das piçarreiras em Bom Jardim: Povoado Barrote: Serrinha; Oscar (com senhor
Marcelino) e outros povoados.
Um dos graves problemas que constitui um empecilho ao desenvolvimento
dosMunicípios de Bom Jardim e São João do Caru reside na questão infraestrutura de suas
estradas. Pois 65,83 da população de Bom Jardim reside na zona rural; e a população rural de
São João do Caru é de 76,6%. Isso demanda a necessidade de se tornar a agricultura um ponto
prioritário na Política Pública desses dois municípios, incluindo-se nessas prioridades, é claro,
Esta é apenas uma das várias piçarreiras que existe ao
longo da estrada Bom Jardim/São João do Carú. O
preço, segundo um dos proprietários, é de R$ 5,00 a
caçambada. A insatisfação maior do povo de São
João do Carú entre outras é o problema das más
condições de estradas, apesar da existência de
recursos para isto. Em Bom Jardim, 65% da
população é rural e dependem dessas estradas para
escoar produção e resolverem seus problemas no
município. Estas estradas muitas vezes cortam no
período do inverno, deixando essas comunidades
isoladas para tudo, inclusive quando pessoas da
comunidade adoecem, que são levadas em redes para
o município (como se não existisse governo nem
recurso para construí-las)
137
boas estradas e transportes para escoação da produção - como projeto municipal de modo que
venha contribuir para que exista possibilidades depreçosacessíveis e competitivos no mercado
local.
Um dos problemas mais crônicos entre esses dois municípios reside justamente no
que toca o indispensável: ESTRADAS E PARCERIA COM O HOMEM DO CAMPO! O
qual vive entregue a sorte das políticas públicas, dependendo único e exclusivamente de
programas ligados ao PRONAFE, que em muitos casos, se torna mais fácil e acessível quando
na sombra de política partidária. O documentário: “Estrada dos Sonhos” desenvolvido por
Paulo Montel (at al/apresentado in julho de 2009), mostra uma região, onde “as riquezas do
ecossistema revelam uma contradição com a pobreza do povo que habita essas matas da pré-
amazônia, ou Amazônia Legal”(Tone Barone) cujo descaso “...aponta para o desinteresse do
Poder Público – que durante décadas submeteu a população ao sofrimento em todas as
estações do ano”. Segundo o documentário, a falta de estradas afeta diretamente a geração de
renda. Afinal, a população rural desses dois municípios depende da agricultura e da pesca
(realizada nos rios Caru e Pindaré e empreendimentos com açudes). Os rios Caru e Pindaré
torna a região, um excelente DELTA de fertilidade.
Belezas naturais - Rios Pindaré e Caru. Fonte: Documentário “Estrada dos sonhos”
Um pedaço do Maranhão com cara de Amazônia. Estes são os rios
que extremam e perpassam os municípios de Bom Jardim e São João do Caru.
Condições das estradas no inverno de 2009 (ver fotos abaixo extraídas do
documentário: “Estrada dos sonhos” que já rendeu muitas eleições a corruptos e
demagogos na história política de Bom Jardim (e São João do Caru). Veja
como era antes o inverno e isolamento sofrido da população rural e de São João
do Caru:
138
Fonte: Documentário, 07/2009 Fonte: Arnobe,07/09 (Antes da construção da BR que liga Bom
Jardim a São João do Caru).
Fonte das fotos: Documentário “Estrada dos sonhos”, 2012.
Segundo o documentário, em 10 de dezembro de 2007, foi estabelecido
um contrato entre a prefeitura Municipal de Bom Jardim e uma determinada
empresa contratada, no valor de R$ 1.076.596,00 (Um milhão, setenta e seis mil,
quinhentos e noventa e seis reais) para melhoramento e revestimento da MA
318. Só em 2008 foi dado início a obra, em perído de inverno e de eleição. O
documentário revela tambémem depoimentos de moradores da região
que,“quando passou a eleição, a firma (empresa) foi embora” retirando suas
máquinas.A política dessa forma, se torna um instrumento de perpetuação de
grupos detentores do poder a quem “interessam” a manutenção da situação de
pobreza, subdesenvolvimento e atraso na região, o que se transforma numa arma
política de políticos comprometidos com o subdesenvolvimento e atraso.
139
Distância Estimativa dos Povoados à Sede Municipal
Cidade de São João do Caru 100 km
Santa Luz 13 km
Centro do Bastião 5 km
Pedra de Areia 7 km
Centro do Bastião a Pedra de Areia 01 km
Boeiro 5 km
Tirirical 11 km
Rosário 22 km
Rapadura Velho 18 km
Centro do Nascimento 20 km
Barra do Galego 38 km
Sapucaia 45 km
São João do Turi 70 km
São João dos Crentes 7 km
Turizinho 50 km
Três Olhos d´A´guas 55 km
Km 18 12 km
Oscar 18 km
Galego 26 km
Cassimiro 35 km
Rapadurinha 40 km
Novo Caru 53 km
Vila Bandeirantes 50 km
Macaca 45 km
Igarapé dos Índios 74 km
Da Sede Municipal à Resina 25 km
Do Igarapé dos índios ao Pov. Canaã 6 km.
Polos Administrativos de Bom Jardim
Os Polos Administrativos foram criados informalmente e independente de Lei
Instituída, não possuindo caráter administrativo, numa perspectiva da
geopolítica local para fins de promoção de planejamento em políticas públicas.
Apenas serve de “agregação” de povoados adjacentes a outros maiores para fins
de abranger blocos de povoados no sentido de mapeamento de concursos por
blocos regionais; em outro caso, serve como agregação de povoados para fins de
apuração eleitoral, como acontecera na eleição de 2012 para apuração eleitoral,
a qual muito se especulava temores de que por trás de certa “inovação” – o que
dantes não acontecia, fosse corromper os resultados da disputada eleição dos
dois fortalecidos blocos.
140
 Polo Bela Vista;
 Polo Brejo Social e Antônio Conselheiro;
 Polo Caru, Cassimiro, Vila Bandeirante e Igarapé dos Índios;
 Polo Vila Varig;
 Polo Santa Luz, Tirirical e Oscar.
De Acordo co levantamento por FUNASA, 2006 - (Bom Jardim- MA), no
município existe um total de:
LOCALIDADES POR CATEGORIA:
POVOADOS: 127
SÍTIOS: 109
FAZENDAS: 75
BAIRROS: 09 e o Centro.
10 Bairros
 Bairro Joana Dark
 Bairro Vila Muniz
 Bairro Vila Pedrosa
 Bairro Vila Meireles
 Centro
 Birro Santa Clara
 Vila nova Esperança
 Alto dos Praxedes
 Bairro Mutirão
 Bairro União (Bairro novo que fica atrás e entre o Bairro Joana Dark e Vila Muniz)
São João do Caru
O município de São João do Caru até o ano de 1994 era povoado de
Bom Jardim, e ganhou sua emancipação política pela Lei Nº 6.125, de 10
de novembro de 1994, sendo o primeiro prefeito eleito,
JamesRibeiro.Atualmente emancipado, possui um número populacional
segundo as estimativas do IBGE de 2007 de 12.796 habitantes. Em 2006
eram 14.845. E apresenta uma área territorial de 616 km². São João do
Caru tem três vias de acesso: Bom Jardim, Governador Newton Belo e a
cidade de Maranata - Pará. A fronteira de São João do Caru com Bom
Jardim se dá na ponte do povoado Joãozinho (pertencente a São João do
Caru).
A cerca de 100 km de Bom Jardim, este município possui o maior
índice de analfabetismo do estado do Maranhão: 50,6% (IBGE 2000)/.
Nos indicadores da ONU, esse índice era de 53%. Em 2010 esse índice de
analfabetismo caiu para 31,06%.
-Renda percapita: 597,00
-Índice de Desenvolvimento Humano: 0,511
- Ranking no Estado – dos 217 municípios - (MA): 205º
Fonte: FUNASA, José Matias Porto, 11/8/2006; e SUS
(Sistema Único de Saúde).
141
Piora nos indicadores de Desenvolvimento Humano
IDH 2.000: 0,511IDH 2010: 0,509
Em 2000 ocupava a 205ª posição no ranking do Estado. Em 2010 despencou para 211ª
posição. Isso significa que a qualidade de vida da população, considerando EDUCAÇÃO,
SAÚDE, LONGEVIDADE E RENDA - Piorou. É o preço da falta de políticas públicas
sérias, planejadas e competentes para o município.
- População Urbana: 23,4% População rural: 76,6%
Sabendo que o índice de analfabetismo da África é de 36% (Segundo
dados do Relatório da ONU/2000), conclui-se que existem verdadeiras
“pequenas áfricas” no interior do Maranhão pelo exposto acima.
Rua do Comércio – Município de São João do
Caru. Segundo a senhora Joana, esposa do 1º morador, a rua do comércio foi o local onde foi plantada
a primeira roça no município.
Centro Educacional Aldenor Leônidas
Siqueira.
Rio Caruem São João do Caru/1/2007
Na região Caru existe grande extração de madeira, que é exportada para
Paragoaminas, no Pará. O escoamento se dá através de estradas vicinais abertas
àquela região, via-Caru.
1º morador de São João do Carú
Aldenor Leônidas Siqueira
142
Obs.: São João do Caru em 1980 possuía apenas 1.346 habitantes.
Comparando o IBGE de 2003 com o de 2007 ficou observado a redução
populacional dos municípios de Bom Jardim, São João do Carú, Governador
Newton Bello e outros municípios maranhenses. Seria o modelo político
comprometido com a exclusão social e subdesenvolvimento que “embala” a
ausência de perspectivas que está “expulsando” esse grande contingente de
pessoas que estão indo embora a outros estados? Ou indicadores distorcidos na
perspectiva do aumento dos recursos e repasses federais?
Segundo o documento Indicadores Ambientais do Maranhão (2009), São
João do Caru apresentou 220 focos anuais de queimadas, e um remanescente de
65% de suas florestas naturais.
8.1 Indício de Colonização na Região Caru
Apesar da região Caru ter sido habitada apenas nos anos 66 do século XX, como é do
conhecimento de todos, há relatos e indícios que levam às evidências de ter existido
povoações na região possivelmente entre o século XVIII a XIX na região. Quando
analisamos os anais da história na região do Vale do Pindaré que ocorreu entre os séculos
XVIII a XIX,um questionamento dedutivo paira no ar:
- Essa colonização na região Pindaré não teria se espalhado pela região Caru,que está em
suas adjacência? Analisei os relatos de pessoas que chegaram em Bom Jardim nos anos de
1959 os quais, como numa aventura de colonizar tiveram os primeiros contatos com uma
região ocultada ou seja, desconhecida da população civilizada da época. Os relatos foram
colhidos de Dionísio Silva Lima, Luiz Xavier Ferreira (popular Luiz da SUCAM) e Manoel P.
Santos, do povoado Siringal, adjacência do relato. Veja o que diz Dionízio:
“No ano de 1953, meu pai veio morarnum povoado por nome Limoeiro do Bento
Moraes, próximo a Águas Boas, município de Monção. Na época não existia Bom Jardim,
tudo era mata.
No ano de 1959, meupai e outros companheiros vieram caçar aqui onde hoje é Bom
Jardim, em cuja localidade estava acontecendo um extenso desmatamento em todo o trajeto
que segue a BR 22, atual 316, eram homens contratados por agentes do governo federal para
desmatar e construir em anos que seguiram, a BR 316. Na ocasião, pararam com a caçada e
empreitaram3 quilômetros para desmatar um espaço entre a Curva e Chapéu de Couro –
provavelmente no Pau D´árco.
Em 1968, eu, meu pai e mais quatro pessoas dafamília saímos tipo uma expedição no
rio Caru que durou três meses. Nósfomos de canoa descendo pelo igarapé Água Preta até o
143
Pindaré e fomos de rio acima até o Caru. Tínhamos levado alguns mantimentos,mas
sobrevivíamos mesmo da farta caça que a floresta oferecia.
Na região Caru tudo era mata fechada e poucas pessoas moravam onde hoje é São
João do Caru, que era a última morada ou seja, que apresentava habitantes. Existia ali entre
15 a 20 barracas de lavradores e caçadores.
O rio Caru era um paraíso cheio de peixes de couro principalmente surubim,
lírio,mandubé e outros. Caça existia até demais de muitas espécies. Porco queixada (porco do
mato) eram em torno de quinhentos.
Depois de alguns dias de aventura subindo pelo riotivemos que recuar quando
chegamos numa ponte feita por índios brabos da tribo Guajá. A madeira da ponte não era
cortada de ferro e sim com pedras que eles fatiavam rodeando até rolar (cortar). Movidos
pelo medo, tivemos que voltar e paramos perto da Barra do Turi, onde passamos muitos dias.
Foi ali que tive uma grande curiosidade por uma cadeia de fatos e antiguidades que muito me
chamou a atenção:
- Ao lado direito do rio, ou seja, entre o Caru e o Pindaré tive a sorte de fazer várias
descobertas. Numa grande área de mais ou menos 15 km encontrei uma grande quantidade de
pedaços delouças, possivelmente do século XVIII aXIX. Tudo bem decorado num
coloridocom grande relevo. Quando se tocava nas peças, elas se desmanchavam – pela ação
de tanto tempo que ali se encontrava exposta (a sol e chuvas). Distante deste local, a cerca de
2 quilômetros, vi o aterro de uma casa que tinha mais ou menos 50 a60 metros. Neste local
tinha pedaços de telhasque media mais de 20 centímetros, e tudo debaixo da mata. Mais
adiante, a uns 9 quilômetros, chegamos num seringal. Com suas gigantescas árvores, fiquei
abismado em ver esta riqueza da Amazônia aqui em Bom Jardim, na região Caru. Vi que
aquelas seringueiras tinham sido exploradas amuitos anos; encontrei logo adiante um
instrumento de ferir as cascas das árvores para tirar o leite (látex) que fabrica a borracha,
achei também mais de duzentos copos de flandres –estes, quando os tocávamos, se
desmanchavam - e um galão de coletar o leite das seringueiras. Já quase desaparecido no
meio daquela mata encontrei o forno de defumar a borracha.
Ao retornar para o rancho na beira do rio,tive mais uma surpresa do lado de São João
do Caru, achei um forno de assar telha e em cima das grelhas tinha uma árvore que media
cerca de 80 centímetros de diâmetros.
Muito curioso e fascinado diante de tudo aquilo,eu queria ao menos saber um pouco
da origem de tudo que se apresentava a vista. Mas graças a Deus, tive a sorte de ver e
144
conhecer um senhorde 76 anos que se identificou pelo nome de Leriano. Vendo minha
preocupação e curiosidade diante de todos aqueles achados, ele me esclareceudizendo:
- Vou te contar um pouco dessa história. Desde pequeno, sou desta região e o meu avô sabia
muito sobre Pindaré;ele falava que na época que situaram o Engenho Central, por volta dos
séculos XVIII a XIX, muita gente subiu às margens do rio Pindaré e Caru. Lá onde você viu
o aterro da casa foi uma feitoria e onde você viu o forno de assartelha, existiu mais de 40
casas. Sóque naquela época, o número de índios era muito grande e todos, além de
selvagens, eram brabos e houve um conflito entre os índios (defendendo suas terras) e o povo
que não resistiram, tiveram que abandonar tudo. A cacaria que você viu era do dono da
feitoria. A história do seringal e seringueira foi dramática. Um homem rico de Pindaré de
influência política mandou homens para explorar o seringal só que o encarregado da
exploração era um homem muito mal e astuto. O mesmo contratava trabalhadores que tinha
mulher para trabalhar e armava cilada. Convidava para caçare lá no mato, matava-os para
ficar com a mulher. Depois de algum tempo, ele chegavaprocurando pelo outro dizendo que
num momento haviam se apartado e dizia não saber o que havia acontecido, se estava perdido
ou algum bicho o havia devorado. Simulando preocupação e chorando, convidava os outros
para ir atrás do “desaparecido”, só que ia para outros lados diferentes, de forma que o mistério
permanecia encoberto. Certo dia, ele saiu com mais um trabalhador, ou melhor “vítima” para
fazer mais uma tragédia. Mascomo tudo tem o tempo certo e fim, houve um vacilo e o
homem escapou e fugiu imediatamente e chegando onde estava a mulher, rapidamente fugiu
pela mata. Depois de muitos dias de viagens e sofrimento pela mata, quase morreram de fome
e doença. Chegaram em Pindaré e denunciaram o que ali acontecia. Segundo o velho,
estefoi o problema do seringal abandonado”.
A foto acima é o Rio Caru no povoado Siringal/ o outro lado desse rio é área indígena onde
morava o senhor Carlos Gomes, o qual morreu entre os anos 65 a 70, onde segundos os
relatos, sua casa era edificada num local próximo a uma feitoria. Atualmente tudo está
coberto de mata.
145
Foto e texto por Adilson Motta, 2011.
8.2 DESCOBRINDO NOSSAS ORIGENS (Bom Jardim)
A amostra abaixo é resultado de uma pesquisa de campo realizada na
zona urbana de Bom Jardim, pelos alunos do Colégio Municipal Ney Braga II,
vespertino na data 27/04/2004. Foram entrevistadas 2.083 pessoas. Professores
empenhados na pesquisa realizada: Adilson Motta, Diwey, Laurecy, Cristiane
Varão, Tatiane e Mágila.
MARANHÃO: 63,03%
CEARÁ: 14,3%
PIAUÍ: 13,68%
PERNAMBUCO: 3,65%
PARÁ: 1,06%
OUTROS (Paraíba, Mato Grosso, Bahia, Rio Grande do Norte): 4,28%
8.3 Programas sociais, benefício e emprego
SAÚDE / EDUCAÇÃO E PROGRAMA S
SOCIAIS
ZONA URBANA E RURAL
ANO-2004 2006 03/2007
Nº APOSENTADOS 4.200
Nº DE FUNCIONÁRIOS / MUNICIPIO 1.250 930 *
PETI-PROG. DE ERRADIAÇÃODO
TRABALHO INFÂNTIL
500
BOLSA ALIMENTAÇÃO 1.682
PROGRAMA GESTANTE 158 FAMILIAS.
FONTE: SECRETARIA DE AÇÃO SOCIAL/BANCO DO BRASIL/INSS/ 12/2004&/2007
* Não fornecido
FAMÍLIAS BENEFICIADAS E CADASTRADAS NO BOLSA FAMÍLIA, 2008 - E 2013
Cidade Estimativa de Famílias
Pobres – Perfil Cadastro
único (IBGE, 2004)
Número de Famílias
Beneficiárias
do Bolsa Família – Set,
2008
2013
Bom Jardim 6.367 5.633 6.750 benefícios
Valor R$ 2013: 8.277.482,00
O Programa Bolsa Família* foi criado em 2003, a partir da unificação dos
programas Bolsa Escola, auxílio-gás, Bolsa Alimentação, Cartão
Alimentação. O Programa Bolsa Família tem por objetivo a inclusão social
Povoado Siringal em São João do Caru
No povoado Siringal há existência de
vegetação típica da Amazônia como:
Castanheira-do-pará e açaí.
146
das famílias em situação de pobreza e extrema pobreza por meio da
transferência direta de renda e da promoção do acesso a serviços sociais
de saúde e educação. O Bolsa Família consiste na concessão de benefícios
mensais às famílias que recebem até R$ 100,00 “per capita” por mês,
segundo os critérios abaixo, em contrapartida ao compromisso dessas
famílias de garantir a freqüência escolar e cuidados com a saúde das
crianças e adolescentes. O objetivo do programa é a universalização do
público alvo.
* A relação nominal dos beneficiários do Bolsa Família está disponível
na Internet
- www.msd.gov.br (Lembrando que, há um código de acesso que apenas
o pessoal ligado à Ação Social possuem).
9 INSTITUIÇÕES, SINDICATOS, ASSOCIAÇÕES E MOVIMENTOS
SOCIAIS EM BOM JARDIM
O QUE É SINDICATO?
A palavra sindicato tem raízes no latim e no grego. No latim, “sindicus”
denominava o “procurador escolhido para defender os direitos de uma
corporação”, no grego, syn-dicos” é aquele que defende a justiça.
O sindicato está sempre associado à noção de defesa com justiça de
uma determinada coletividade. É uma associação estável e permanente
de trabalhadores que se unem a partir da constatação de problemas
comuns. Num sentido mais moderno, podemos dizer que sindicato é a
instituição utilizada para a organização dos trabalhadores na luta por seus
direitos junto aos governos e principalmente em relação aos empresários.
Ao longo dos anos, o movimento sindical teve um papel político
importante e decisivo no contexto das políticas nacionais, no caso do
Brasil, temos um presidente que vem das massas populares, emergido
das forças sindicais que se consolidava na CUT (Central única dos
Trabalhadores): Luiz Inácio Lula da Silva.
SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE BOM JARDIM
Sindicatos dos trabalhadores rurais de Bom Jardim, fundada em
1971, a primeira associação criada em Bom Jardim com a finalidade de
prestar assistência Social aos trabalhadores rurais de Bom Jardim. É
vinculado à FETAEMA (FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES DO ESTADO
DO MARANHÃO), sendo que seus associados (aposentados e não
aposentados pagam uma contribuição de R$ 4,00(1,7%) do salário para
estar em dias e usufruírem do serviço prestado pela entidade, além do
direito à aposentadoria. Seu presidente fundador foi o Sr. Joaquim Alves
de Andrade.
147
SINDICATO DOS ARRUMADORES DE BOM JARDIM
Fundada em 12 de abril de 1968. Objetivo: Assegurar direitos
Previdenciários à classe, mediante taxas pagas pelos associados ao INSS. Sendo
que durante 25 anos de serviço prestado e se encontrando quite, o associado
tem o direito a aposentadoria.
Este são todos presidente desde sua fundação:
 Dioclides Mendes Viera (1968 / 1975)
 Raimundo Ferreira dos Santos (1975 / 1976)
 Aldezílio Cícero Viana (1976 / 1979)
 Domingos da silva (Tarzan) – (1979 até 2010 que vence.)
Sindicato dos Arruadores de Bom Jardim, 2000.
CLUBES DAS MÃES
Foi fundado em 12/01/1973. Objetivo: Servir de creche para crianças de 2
a 6 anos, e alfabetização das mesmas.
Sua primeira presidente fundadora foi a Senhora Adelaide, tendo como
vice: Francisca Germana. A atual presidente (em 2007) é Socorro Barbosa
Pereira. Até dezembro de 2006, o Clube de Mães de Bom Jardim atendia
crianças em situações onde os pais trabalhavam e lá deixavam sob os cuidados
daquela tão necessária instituição. Em dezembro de 2006, a instituição foi
fechada deixando de atender às crianças, pois, segundo a presidente, o Poder
Público se negou renovar (assinar) o convênio que repassava os recursos, por
razões político-partidária.
Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Bom Jardim-MA.
148
COLÔNIA DE PESCADORES DE BOM JARDIM – MA
A colônia de pescadores do município de Bom Jardim foi fundada em
08/12 de 2001. Registrada no Ministério da Pesca, a mesma possui cerca
de 700 associados; tendo como presidente: Gesso Soares da Silva. Com
sede localizada no povoado Santa Luz. Cada associado paga R$ 4,00 para
a associação. Deste valor, 60% é para manutenção da associação e 40%
são repassados para o governo. Do qual seus associados gozarão do
direito à aposentadoria como pescadores. Apesar de ter crescido bastante
o número de açudes para criatórios de peixe como atividade econômica no
município, a produção fluvial e lacustre ainda é superior. (Segundo o
presidente da referida associação).
A Associação de Pescadores pode atuar em duplo objetivo em suas
funções: Lutar pelos interesses da classe pesqueira e defesa do meio
ambiente, amparada pelo IBAMA e órgãos competentes.
O grande problema que a associação enfrenta no município é a
pesca predatória. (realizada antes de crescimento dos peixes ou na fase
da desova). Para isto, o governo federal através do Ministério da Pesca
criou o salário desemprego aos pescadores para o sustento destes durante
o período de proibição à pesca ou desova.
CONSELHO TUTELAR
OBJETIVO: Zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do
adolescente, definidos na Lei Federal nº 8.069/90 do Estatuto da Criança
e do Adolescente.
Nunca é demais lembrar dos direitos daqueles que são o futuro do
nosso país. “Para a lei, considera-se “criança” a pessoa até 12 anos de
idade incompletos, e adolescentes” aquela entre 12 e 18 anos de idade. A
criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais
garantindo, garantindo a eles o desenvolvimento físico, mental, moral,
espiritual e social.
A família, a comunidade, a sociedade em geral e o poder Público
devem, por lei, assegurar que sejam respeitados e aplicados os direitos
dos nossos jovens à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte,
ao lazer, à profissionalização, à cultura, a dignidade, ao respeito, à
liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Clube de Mães em Bom Jardim
149
A nível internacional, quem cuida dos direitos das crianças e
adolescentes é o UNICEF (Fundo da Nações Unidas para a Infância). O
órgão foi criado em 1946 para promover o bem-estar de meninos e
meninas com base em seus direitos sem discriminação de raça, credo,
nacionalidade, condição social ou opinião política.
O Estatuto também prevê punição a qualquer forma de negligencia,
discriminação, exploração, violência crueldade e opressão às crianças e
adolescentes do nosso país.
Referindo-se a essa criança e jovem que será o futuro do país, veja
o que diz o papa João Paulo I (antecessor de João Paulo II).
“Quando olho para uma criança, vejo o futuro homem que será.
Quando olho para um homem, vejo a criança que foi”.
Data de eleição e fundação em Bom jardim:
Foi fundado a partir da Lei Municipal n° 364/2000 de 13 de março
de 2000. A primeira eleição de fundação em Bom Jardim foi realizada em
11/07/2000, sendo eleitas 05 conselheiras e ficando as outras 05 na
função de suplentes.
Membros componentes da 1ª eleição do 1º mandato:
Maria Elieusa Pimentel de Macedo Pedrosa (Presidente)
Osmarina Gomes Soares (Vice-Presidente)
Deuzenir Ribeiro Araújo
Odília Oliveira Coelho
Adneumária Andrade de Oliveira
Os recursos que mantém o órgão correspondem a 1% do FPM (Fundo de
Participação do Município) que são repassados para o FIA (Fundo da Infância e
Adolescência) para desenvolver as políticas do conselho, os componentes do
Conselho Tutelar são remunerados pelo Poder Executivo através da Secretaria de
Ação Social.
SINDICATOS DOS PROFESSORES DE BOM JARDIM - SINPROBEM
Fundado em 2003. Tendo como primeira Presidenta fundadora: Vaneres
Ferreira Pereira Cardoso e Vice, Ângela. Na eleição de 17 de dezembro de 2007 foi
eleito Rivelino que desistiu, assumindo a presidência Ângela Maria Carvalho e como
vice, Rossana. Na terceira eleição Foi eleita Ângela e sua Vice Rossana. Durante
este mandato, em 2010 o sindicato conseguiu a carta sindical e tem advogado para
lutar pela causa dos educadores. Na quarta eleição, foi eleita Rossana presidente e
Elisângela como vice.
Objetivo: Defender os interesses da classe dos professores da rede municipal. É
mantido com a contribuição dos associados e mantém vínculo com a CUT e CNTE
(Conselho Nacional dos Trabalhadores em Educação).
150
O direito de Greve é garantido pelo Supremo Tribunal Federal pela Lei Nº 7.783/89.
Entre suas diretrizes está a de que deve ser descontado 2% do salário de seus
associados.
O sindicato dos professores de Bom Jardim é tido como referência a outros
sindicatos da região em termo de experiência e lutas pela causa dos educadores.
Entre as conquistas auferidas pelo SINPROBEM, estão:
 Aprovação do Plano de Cargo e Carreira;
 O que resultou na elevação do salário em 40%.;
 Conquista do 14% salário – aos educadores que não apresentarem faltas no trabalho.
E como incentivo à formação.
 Conquista do abono (sobra do FUNDEB), direito dantes encobertos que a classe não
recebia. (Direito percebido até antes da aprovação do Piso).
 E, a conquista do tão sonhado Piso Salarial do Magistério, resultado de 08 anos de
brigas e greves na vigência do Governo Roque Portela, cuja aprovação deu-se após
sua derrota para o adversário Beto Rocha em sua indicada Lidiane Leite.
O Sindicato, conforme se verifica nos acontecimentos atuais, tornou-se um
instrumentoinstitucional político que por longos anos não tinha espaço e prestígio tal qual o
adquirido na gestão Malrinete Gralhada. Tornou-se assim, um instrumento de resistência
diante a abusos de poder cometidos por gestores “sem noção” e concentradores de poder.
Junto ao direito da classe, em momento de protestos, o sindicato como forma de
fortalecer sua ação e ter maior impacto – de protesto e greve, acampou situações sociais
precárias envolvendo outros segmentos, o que atinge em cheio, gerando um efeito e impacto
na estrutura política de certos gestores.
GRÊMIO ESTUDANTIL
Movimento Estudantil, uma História de Resistência
A resistência que existe até hoje em nosso país sobre os movimentos
estudantis e que fizeram muitos companheiros tombarem desde a formação da
UNE (União dos Estudantes), vem principalmente da época em que a burguesia
brasileira se instalou mais explicitamente as “suas garras” (Ditadura Militar),
não foi porque simplesmente reivindicam educação pública, democrática e de
qualidade e sim porque a classe dominante sabia e sabe que os estudantes têm
clareza do que é necessário para uma transformação da sociedade.
Muitos jovens, no quotidiano da vida escolar encontram-se “isolados e
aprisionados” por não estarem unidos e usarem a grande arma que têm nas
mãos: a liberdade, a cidadania e o voto. É hora de darem as mãos e romperem
as amarras da acomodação. Afinal, a juventude representa mais de 50% da
sociedade civil.
151
A IMPORTÂNCIA DOS GRÊMIOS ESTUDANTIS
Os Grêmios Estudantis têm um papel fundamental na construção de uma
sociedade mais unida e solidária. Eles são a “célula” do movimento, os espaços
que reúne pessoas, para mostrar seus projetos, debater realidades e possíveis
conquistas.
É importante que os componentes do Grêmio, vencedores de eleição, ocupem
estes espaços, integrem o maior número de pessoas possíveis nas discussões,
tornando-os sujeitos do processo de transformação – que será uma construção
coletiva.
DIREITO É GARANTIDO POR LEI
. A Lei Federal nº 7.398, de 1985, garante a organização de grêmios estudantis como
entidades autônomas para representar os estudantes em qualquer escola pública ou
particular do país, com finalidades educacionais, culturais, cívicas, desportivas e sociais.
Todos os projetos deverão ser aprovados em assembleia geral. A aprovação e a escolha dos
dirigentes serão realizadas pelo voto direto e secreto de cada estudante, observando as
normas da legislação eleitoral e as regras da escola, a qual o grêmio é pertinente. Não apenas
em uma escola, mas em todas as escolas em projetos restritos e comum.
UMESB-UNIÃO MUNICIPAL DOS ESTUDANTES SECUDARISTAS DE BOM
JARDIM
Fundado em 24/07/2003. Primeiro Presidente foi Joaby Nascimento da
conceição.
Objetivo: Representar a classe estudantil do município.
GRÊMIO ESTUDANTIL EDSON LUIS-BANDEIRANTE
Data de fundação: 2002
Primeiro presidente: Dal Adler
Objetivo; Defender ao interesses da classe estudantil.
SINSERP -BJ
O sindicato SINSERP foi fundado em 2008, tendo como primeiro presidente
Jamilson Pereira de Sousa e Vice Isac Manfrine. Atualmente, a estimativa de
associados é de 190 (segundo Edeilson, presidente interino). Seus associados
pagam uma taxa de R$ 10,00. O SINSERP-B.J., diferente do Sindicato dos
Professores (que agrega apenas a classe de educadores), comtempla toda
categoria, desde educadores, gari, vigilantes, etc. sem delimitações.
A função do SINSERP-B.J. é proteger e fazer a representação legal da categoria,
defesa, independência da classe nos termos da lei.
SINSERP-B.J.: sinserp@hotmail.com
152
A importância de uma associação na comunidade
A associação é uma forma de organização da sociedade civil sem fins lucrativos
que, além de captar recursos e projetos sociais em instâncias Municipais,
Estaduais, Federais, ONGs (Organização Não Governamental) e empresas
privadas como a Vale do Rio Doce, e outras, é um meio juridicamente
organizado de representação da comunidade ante os poderes públicos e
privados, por exemplo: através da câmara de vereadores, Secretarias
Administrativas, Assembleia Legislativa de Estado, Câmara Federal dos
Deputados e diversos, onde se possibilita a liberação de recursos para os seus
representados.
A associação é uma porta aberta para recursos e projetos, sendo um
meio de levar desenvolvimento diretamente às comunidades, tirando-as do
“isolamento social” quanto à participação de recursos e projetos que demandam
de órgãos diversos. Livrando-a de representações ideológicas e fontes geradoras
de “currais eleitoreiros”.
O problema existente em muitas associações é a falta de preparação e
capacitação do corpo de associados. Onde perdura a ausência de uma auto-
gestão, ficando desta forma exposta as manobras e “controles de interesses”.
RELAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES FORMAIS DE BOM JARDIM
01. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Santa Maria
02. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Igarapé do Meio
03. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Dezoito
04. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Igarapé da Onça
05. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Centro de Oscar
06. Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado de Centro Oscar
07. Associação dos Produtores Rural do Povoado de Olho D’água do Sulino
08. Associação dos Pequenos Agricultores Rurais do povoado de Galeno
09. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Galego
10. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Brejo Grande
11. Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado de Centro do Cassimiro
12. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Centro do Cassimiro
13. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Rapadurinha
14. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Vila Bandeirante
15. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Centro do Bernardinho
16. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Igarapé dos Índios
17. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Igarapé do Jardim
18. Associação dos produtores Rurais do Povoado de São Pedro do Caru
19. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Nova Canaã
20. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Garrafa
21. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Zé Boeiro
22. Associação dos produtores Rurais do Povoado Tirirical
23. Associação dos Moradores do Tirirical
24. Associação dos Produtores Rurais dos povoados de São João e São Pedro de
Água Preta
25. Associação de Moradores e dos Produtores Rurais do Povoado de Monteiro da
Água Preta.
26. Associação dos Produtores rurais do Povoado de Rosário
27. Associação de Moradores de rosário
28. Associação dos Pescadores da Zona Rural de Santa Luz
29 Sindicato dos Pescadores de de Bom Jardim
153
29.Associação dos produtores rurais do Povoado de Bom Jardim
30. Associação Fé em Deus de Santa Luz
31. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Barra do Galego
32. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Chapada
33. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Novo Caru
34. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Barra de Escada
35. Gurvia-Associação Comunitária Antonio Feitosa Primo
36. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Santo Antonio do
Arvoredo
37. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Novo Progresso
38. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Turizinho
39. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Três Olhos D’Água
40. Associação São Sebastião do Povoado de São Sebastião
41. Associação de Lavradores do Povoado de Vila Santa Clara
42. Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Brejão I
43. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejão II
44. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de
Assentamento Flecha
45. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Córrego do Açaí
46. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejo Social
47. Associação dos Pequenos Produtores Rurais e Moradores do Povoado
de Brejo Social
48. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Novo Brasil
49. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Córrego do
Jenipapo
50. Varig I Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Assentamento Vilinha
51. Varig- Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Vila Pindaré
52. Varig- Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Vila Pimenta
53. Varig- Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Vila Polyana
54. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Córrego da
Inhuma
55. Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado de vila Sapucaia
56. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Água Preta
57. Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado de rio Caru-Anil
58. Associação dos Pequenos Produtores e Agricultores do Povoado de Rio
do Ouro
59. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Vila Santo Antonio
60.Associação de Moradores e Agricultores do Povoado de Vila Itaquary
61.Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Assentamento Rio Ubir
62.Associação dos Produtores Rurais do Povoado da Vila Jardim
63. Associação de Produtores Rurais do Povoado do Povoado de Cristal
64. Associação de Produtores Rurais do Povoado de Pedra Grande
65. Associação de Moradores e Produtores do Setor Aeroporto
66. Associação de Agricultores e Produtores rurais do Povoado de Vila Jacutinga
67. Associação de Pequenos Agricultores Rurais do Povoado de vila Maranhão
68. Associação de Pequenos Agricultores do Povoado de Vila Bom Jesus
69. Associação dos Pequenos Agricultores da Vila Quilombo dos Palmares
70. Associação de Moradores da Vila Canaã II
71. Rio Verde-Associação dos produtores rurais e Moradores Nossa
Senhora Aparecida, Gleba.
72. Associação de Moradores do Povoado de Córrego do Mutum
73. Associação dos pequenos Agricultores do Povoado de Bela vista
74. Associação de Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejo do Tiro
75. Associação de Produtores Rurais, Setor Córrego das Pedras.
154
76. Associação de Pequenos Agricultores do Povoado de Aeroporto
77. Associação dos Trabalhadores do Assentamento Nascente do Rio Azul
Vila boa Esperança
78. Associações de Pequenos Produtoras Rurais do Assentamento da Vila São
Raimundo do Rio dos Bois
79. Associação dos Produtores Rurais do São Gonçalo
80. Associação dos Produtores Rurais do Baixão do Cocal
81. Associação dos Produtores Rurais do Baixão do Inhuma e Sapucaia
82. Associação dos Agricultores do Vale Mutum
83. Associação dos Pequenos Produtores do Vale do Sapucaia
84. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejão
85. Associação dos Produtores rurais do Povoado de Monte Alegre
86. Associação de Moradores e Pequenos Agricultores do Córrego do Mutum
87. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejo do Tiro
88. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Alto bonito
89. Associação Santa Fé dos Produtores Rurais da Vila Bela Vista
90. Associação de Produtores Rurais e Moradores da Comunidade do Povoado
Nossa senhora Aparecida
91. Associação do Taxistas de Bom Jardim
92. Associação dos Moradores e Moradoras da Vila Abreu
93. Associação Bomjardinense de Radiodifusão Comunitária
93- APDFAM-ASSOCIAÇÃO DE PORTADORES DE DEFICIÊNCIA FÍSSICA AUDIVISUAL E
MENTAL LEVE.
94- A.M.B.J. Associação de Moto taxistas de Bom Jardim – MA.
95- Associação Cultural de Capoeira Escravos Brancos
FONTE: Prefeitura Municipal / 2003/2013.
Obs: O problema existente com tão grande número de associações é a
falta de preparação e capacitação do corpo de associados. Onde perdura a
ausência de uma auto-gestão, ficando desta forma expostas a manobras e
controles de interesses políticos.
SINTRAF – Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura
Familiar (de Bom Jardim)
É dirigida por coordenadores que, em Bom Jardim (em 2008):
 Osfernandes;
 Raimundo Solidão;
 E Nilson.
9.1 INFRA – ESTRUTURA HABITACIONAL DE BOM JARDIM
Fonte: FUNASA, CEMAR, 2000.
DOMICÍLIOS
GERAL
ZONA URBANA:
41,15%
ZONA RURAL
TIJOLOS TAIPAS TABUA TIJOLOS TAIPAS TABUA
7256 42,18% 56,84% 0,93% 9,12% 86,47% 4,41%
COM ENERGIA ELÉTRICA: 4,738 ligações
ZONA URBANA 75, 63%
ZONA RURAL 58,03%
ZONA URBANA E RURAL 65,3%
155
SITUAÇÃO DOS DOMICILIOS ZONA URBANA
SITUAÇÃO BOM JARDIM-MA BRASIL
Com água encanada 72,7% 90%
Com esgoto sanitário e fossa
séptica
31,8% 92%
Com coleta de lixo 46,8% 92%
Fonte: IBGE, 2000.
PROPORÇÃO DE MORADORES POR TIPO DE INSTALAÇÃO SANITÁRIA ANO 2010
Instalação Sanitária Domicílios particulares
permanentes (unidades)
Domicílios particulares
permanentes
(percentual)
Total 9.592 residências 100%
Rede geral de esgoto ou pluvial 136 1,42
Fossa séptica 242 2,52
Fossa rudimentar 5.219 54,41
Vala 1.953 20,36
Rio, lago ou mar 25 0,26
Outro tipo 701 7,31
Não tinham 1.316 13,72
Fonte IBGE/Censos Demográficos 2010
9.2 SETOR DE COMUNICAÇÃO
Um dos primeiros meios de comunicação considerada pioneira no
Município foi a Voz Itamarati – propriedade do senhor Pedro Juvino – O tempo
da “preficadora”, como cita o popular, a qual era amarrada ou pregada em um
alto mastro e que espalhava som para toda cidade. Servia para divulgar
propagandas, músicas e informativos. Um dos pioneiros nos meios de
comunicação em Bom Jardim é o Sr. A. Santos que por longos anos trabalhou
em várias
Um dos pioneiros nos meios de comunicação em Bom Jardim é o Sr. A.
Santos que por longos anos trabalhou em várias rádios.
A. Santos
156
De 1989 a 1995 funcionou no município a TV Cidade Cultura, administrada
pelo locutor e apresentador Herbeth Jansen onde eram divulgadas notícias da
região, a cultura local e propagandas comerciais.
Na história da radiodifusão no município já existiram muitas rádios
comunitárias de prestação de serviço à comunidade. Algumas extintas, outras
ainda permanecem ativas. As extintas, devido as constantes fiscalizações da
ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). As pioneiras surgidas a partir
da lei (9.612/98) que regulamenta a difusão de Rádios Comunitárias no Brasil
que entraram no ar foram:
 Digital FM;
 União FM;
 Cultura FM
Vale lembrar que estas emissoras todas possuíam associações através das quais
pleitearam a licença ou outorgas de funcionamento e que, devido demora,
burocracia e indeferimentos, foram extintas.
Outras se estabeleceram de forma clandestina. Foram elas:
 Stúdio FM – pertencente a Tony Barone;
 Rádio Cidade – de Hérbeth Jansen (atualmente Duca Pedras);
 Rádio Stylus FM, 91,5 fundada em 10 de março de 2006 a qual
funciona como rádio comunitária pela associação cultural bumba-boi de
Bom Jardim – do Sr. Paulo Costa;
 Bom Jardim FM, do Sr. Nildão (Fundada em 2001) – Com a mensagem
pano de fundo: “Esta veio para ficar”, e em apenas dois meses fechou.
 Alternativa FM – De Tony Barone – Surgiu após o fechamento da Rádio
Stúdio FM;
 104 FM – De Paulo Costa – Surgiu após o fechamento da Stylus FM;
 Educativa FM – De Francisco Mota (Fechada).
 Mania FM – (de Barone(Surgiu após o fechamento da Alternativa FM;
 Estação FM (De Barone) -surgiu após o fechamento da Mania FM.
Um fato que vale lembrar é que o locutor e radialista A. Santos foi o único que
trabalhou em todas essas rádios.
Todo esse histórico representa a resistência e luta por uma maior
liberdade de expressão e concessão das Rádios Comunitárias.
Outro meio de comunicação existente no município é através dos correios,
que apresenta um eficiente meio de transportes de cartas e encomendas. Os
serviços prestados são: Sedex, cartas registrada e simples, encomenda normal,
telegrama e FAX.
Há escolas de informática particulares e que dispõe de serviços prestados
de internet, que também é um dos meios de comunicação.
O município é servido por dois canais de televisão: SBT e rede globo, além
de recursos particulares como antenas parabólicas e TV por assinaturas via sky
que permite pegar outros canais. Apresenta uma ampla rede telefônica do
sistema Telemar espalhado por todo município através de orelhões e telefones
fixos (particulares) e uma rede de telefonia celular da Operadora VIVO e CLARO.
www.bomjardim.com.br
O site bomjardim.com, é de propriedade de Rafael e foi fundado em
janeiro de 2011. No primeiro mês de fundação, teve um total de 3.000
157
acessos. Hoje, apresenta estimativamente 60.000 acessos mensalEm
novembro de 2013 constava um total de 800.000 acessos (em breve
chegará a marca de 1 milhão de acessos). O site apresenta 800 postagens
e 2 mil seguidores. Atualmente é umas das mídias mais acessadas no
momento em Bom Jardim e região, e de enorme poder de informação
imediata e com precisão com os fatos que acontecem. É o site de maior
circulação regional e que leva notícias e informação para todos que estão
plugados, o que já é um grande número.
O poder de informação que os meios de comunicação tem exerce grande
influência, na atualidade, na história política local e regional. Pois, a
medida que o povo se informa, muda atitudes, “higieniza” a democracia,
renova a cidadania e promove mudanças, não permitindo que grupos
políticos perniciosos e sem compromisso, na sombra da alienação e
ignorância do povo venha perpetuar no poder pela liberdade de opção
proporcionada pelo voto livre. Mesmo que tenha surgido dentro de um
contexto não apartidário, verifica-se que, atualmente o site divulga suas
notícias e informações de modo imparcial, sem compromisso político-
partidário, o que é bom para a democracia local e região.
Jornal Gazeta
Fundado por Paulo Montel em 2006, teve pouco tempo de duração, o qual foi
substituído por outro circulante na região (Jornal Leia Hoje) – sociedade de Paulo
Montel com um colega. Era de caráter apartidário, e mantido com fundos de
propagandas de lojas e circulava no município. Apresentava também utilidade pública
no tocante a assuntos sociais no que condiz as relações sócio-políticas no Município e
divulgação. Sendo um instrumento de comunicação social a serviço da comunidade
bonjardinense. Neste caso, era um instrumento de cidadania e utilidade pública.
O projeto Jornal Leia Hoje fracassou, e, em 2007, Paulo Montel reativou o Gazeta;
decidindo editar a 2ª edição de sua Revista Alfa (protótipo do que era em
Parauapebas). Mas como o nome Gazeta tinha caído no gosto da população,
bonjardinense, o mesmo resolveu deixar o nome GAZETA.
10 EDUCAÇÃO E CULTURA
10.1 História da educação de Bom Jardim
O presente trabalho é resultado de um esforço, na busca de divulgar
para comunidade bonjardinense, no que diz respeito á evolução e história
da educação local. Para esse fim contamos com o apoio de pessoas que
acompanharam o processo educativo do município desde sua fundação,
passando pela sua emancipação que se deu no dia 30 de dezembro de
1967 até os dias atuais.
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO
A educação é responsável pela realização do individuo, permitindo-
lhe explicitar suas realizações, compatibilizar–se com a realidade e nela
158
atuar de forma responsável e eficiente. Desta maneira, todos e cada serão
beneficiados, na medida em que o individuo realiza suas aspirações
pessoais e sociais. O que toca no indivíduo toca no sistema social como
um todo. Porque toca na família, que é célula mãe dessa sociedade, que
toca no município, que toca no estado, que abrange o país.
A educação como processo de desenvolvimento, é também um
instrumento de mudança de comportamento do educando. Tendo em vista
que cultura é o processo pelo qual o homem transforma a natureza, o
meio social e sua existência.
10.2 AS PRIMEIRAS ESCOLAS EM BOM JARDIM
Segundo informações prestadas pelas primeiras professoras de Bom
Jardim, a primeira escola era denominada Escola Costa Fernandes
Sobrinho, quando Bom Jardim ainda era distrito do município de Monção –
MA, no ano de 1966. Esta escola tinha como diretora a senhora Laura
Arrais. Um ano depois veio a professora Mariza Almeida Abreu,
normalistas que assumiu a direção da escola. Trabalhavam também às
professoras Antônia Cavalcante Gonzaga e Maria Almeida Bezerra.
Após dois anos da fundação de Bom Jardim chegava aqui a SUDENE,
que construí uma escola próxima ao aeroporto, a extinta Escola Estadual
Unidade Integrada Bom Jardim, que ainda hoje os bonjardinenses a
chamam de Colégio da Sudene.
Antiga Escola da Sudene abandonada servindo de abrigo para famílias sem-teto.
Em 1968 foi implantado o projeto Bandeirante, objetivando
inicialmente suprir a falta de ginásio (hoje ensino fundamental) em cerca
de 25% dos municípios maranhenses. Mas foi construído em 1970, sendo
denominado Colégio Governador José Sarney, que teve início suas
atividades em 1971, mantido em Convênio com a prefeitura de Bom
Jardim. Passou a fazer parte do Projeto Bandeirante, ou seja, passando
para o Estado em 1977.
Na época, existiam ainda escolas particulares leigas, sendo a mais
conhecida a Escola da professora Raimunda Bezerra, que era a professora
mais tradicional.
O município possuiu escola pelo programa MOBRAL (Movimento
Brasileiro de Alfabetização), cujas escolas tinham como objetivo atender a
população na faixa etária de 15 a 30 anos de idade,. Sendo fundadas
durante o governo militar, a metodologia de alfabetização aplicada era
totalmente desprovida do sentido critico e problematizador.
159
A cidade possuiu em 1983 colégios particulares de 2° Grau. Essas
escolas foram extintas por falta de alunos em condições financeiras para
paragem seus estudos em nível de 2º Grau. Em vista dessa realidade, o
vereador João Franco Souza, levando em consideração o reduzido poder
aquisitivo de maioria das famílias de Bom Jardim, quase sem nenhuma
possibilidade de custearem os estudos de seus filhos nas escolas
particulares de 2º grau existente na sede do município, deu entrada em
Janeiro de 1985 a um requerimento na Câmara Municipal de Vereadores,
solicitando a criação do ensino de 2º Grau mantido pela prefeitura, o qual
foi aprovado por unanimidade e logo encaminhado ao prefeito Municipal
que era Adroaldo Alves Matos. O 2º grau municipal iniciou no dia 04 de
maio de 1985 no prédio da Escola Municipal Ministro Ney Braga, mantido
com os recursos próprios da prefeitura Municipal logo foi reconhecido pelo
conselho Estadual de Educação, através da Resolução nº. 398/85 que
oferecia aos egressos do 1° grau as habilitações: Magistério com
habilitação até a 4ª série do 1º grau e o curso Técnico em Contabilidade.
No ano de 2000 o Estado assumiu o Ensino Médio. Percebe-se que a
cada ano, na zona urbana e rural a demanda populacional pelo ensino
médio cresce numa constante.
Até 2002, o ensino médio era ministrado apenas na zona urbana,
deixando o jovem interiorano (rural) sem perspectiva. No ano de 2003, a
Gerência de Desenvolvimento Humano de Estado ampliou atendendo a
demanda da população rural, sendo instalado o ensino médio através de
anexos nas seguintes localidades: Novo Caru e Rosário. Em 2004 em
outros povoados foi implantado o ensino médio: Novo Caru, Rosário,
Rapadurinha, Cassimiro, Tirirical, Vila Bandeirante e aldeia dos Índios.
Porém, havendo “cortes” no orçamento do governo do Estado, este se
obrigou a extinguir escolas em pleno funcionamento (letivo), e o restante,
baixou os salários dos professores contratados em mais de 60% do valor
antes pago. Dos povoados onde funcionava o ensino médio, só
permaneceram Rosário, Novo Caru, Cassimiro e Vila Bandeirante. Muitos
jovens desta forma ficaram impossibilitados de continuar o ensino médio
por falta de vagas.
Apesar dos avanços e do aumento do atendimento à demanda no
que toca o ensino médio, a escolha e seleção de professores para suprir
as vagas do quadro docente se processa precariamente, devido o
atrelamento e a politização das decisões no que toca o destino da
educação no Maranhão. As escolhas eram realizadas através de
transações artificiosas e políticas pelas quais eram articuladas a educação
a nível Estadual. Tal fato se processa quando o quadro docente por
contrato é escolhido por “acordos” e “negociatas” políticas. Recebendo o
nome que todos os professores já conhecem “QI”; (Quem Indique)
politicamente. Deixando os professores na perspectiva de não acreditarem
em títulos e competências. E sim procurarem “dedo político” que
“Indique”. Professores que tem formação em uma determinada área eram
determinados pelo “Indique” a lecionar disciplinas que não tem formação
ou afinidade. Tal fato vinham a comprometer o padrão qualidade, fazendo
perpetuar os “indicadores sociais”, que vergonhosamente são ostentamos
160
para o Brasil e o mundo. “Alguns” politicamente tiravam proveito com
isto, em prejuízo ao social, porque compromete o padrão qualidade.
A nível municipal, com a criação do Programa FUNDEF (Fundo de
manutenção e desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do
Magistério), houve maior valorização ao professor. E o aumento de
implementos didáticos. Em Bom Jardim podemos citar um grande avanço
na educação com o Convênio da Prefeitura Municipal com a Universidade
Federal do Maranhão, nos termos da Resolução nº. CT-07.003.020/2001,
(na gestão de Manoel Gralhada), sob a influncia e ação da deputada
Malrinete Gralhada, trazendo para Bom Jardim o Programa Especial de
Formação de Professores para a Educação Básica - PROEB, que tem como
principal objetivo à melhoria da educação e a habilitação de professores a
nível superior. Era um curso de Licenciatura Plena. Num Total de 157,
candidatos distribuídos nos 4 cursos: Letras, Matemática, Pedagogia e
História.
A primeira Pedagoga do município foi a senhora Irene Alves Matos
Souza, que começou sua vida na educação do município em 1973, a qual,
até 2004 esteve à frente da coordenação da educação. A primeira
secretária de educação do município foi a senhora Mirene Antonia dos
Anjos. De 2000 a 2004 esteve à frente da educação do município, como
secretária, Cleuma Santos Matos. De 2005 a meados de 2007 foi Antonio
Otávio Oliveira sendo substituído por Rivelino.
Obs.: Em 2003 foi realizado a elaboração e votação do Plano
Decenal de Educação de Bom Jardim (2003/3013). No entanto, ainda não
foi usado na coordenação de política educacional no município. E nem tão
pouco levantado como bandeira de política pública.
Escola Fernanda Sarney onde funcionou o curso da UFMA
(Universidade Federal do Maranhão) de 2001 a 2005 nas áreas de Letras,
Matemática, História e Pedagogia. E serviu de abertura para o PQD
(Programa de Qualificação Docente) em 2006 ministrados pela UEMA
(Universidade Estadual do Maranhão).
Em 2006, a Secretaria de Educação na gestão de Rivelino mandou
um projeto para a câmara municipal o qual foi votado mudando o nome
da escola Fernanda Sarney para Edinare Feitosa – que era realmente de
Bom Jardim e conhecida pelos filhos da terra. E não produto de bajulações
políticas para angariar projeto.
No ano de 2013, com a eleição de Beto/Lidiane Rocha, a Secretaria de
Educação ficou ao encargo da supervisora Rozana. Devido a demora de início
letivo das aulas na zona Rural (por conta do impasse entre Poder Executivo e
Legislativo, sob alegação de não aprovação dos projetos do executivo de
161
contratação tendo em vista os excedentes assegurados em Lei, o que chocaria
direitos), houve um grande número de transferência de alunos para outras
cidades vizinhas, cerca de 2.000 alunos foram transferidos. Um certo desajuste
instalado na casa criou um impasse entre Secretária de Educação e a categoria
Sindicalizada e demais professores (pois a mesma era culpada de perseguir e
tratar mal as pessoas), o que instalou um clima de inimizade, a ponto de o
sindicato mobilizar um abaixo assinado pela maioria dos professores solicitando
a remoção do posto da dita Secretária – que, segundo agentes do sindicato,
criava obstáculo ao diálogo que deveria acontecer entre a categoria e o Poder
Executivo (o que não foi atendido). Na região da Miril, onde falta de tudo, -
apesar de as aulas no município terem começado em fevereiro, muitas
encontravam-se sem professores, o que comprometeu o índice de desempenho e
aprendizagem dos alunos – sob o risco de redução do IDEB municipal que
acontece no respectivo ano. Num clima de insatisfação e mesmo com uma
atitude impopular, a secretária ficou afastada por aproximadamente uma
semana (com foguetaria e tudo mais pela cidade), depois retornou, para o
desagrado de uma grande parte que não a via com bons olhos nem cativação: O
retorno da que não foi, da supervisora Rosana ao cargo de Secretária, aconteceu.
Entretanto, um mês depois, mediantes reclamações, insatisfação e um índice de
rejeição acima de 90% - o que era comprometedor a uma eleição que estava às
portasa acontecer – o Poder Executivo resolveu demití-la sumariamente (antes
que o agravante se tornasse maior, conforme expressava opinião pública) no
comprometimento a imagem política do governo municipal.
Um desajuste que ocorre, segundo se pode verificar, está no contraste
entre professores concursados e contratados: Ambos trabalham a mesma carga
horária (20h/2016) e, enquanto que o concursado recebe uma remuneração de
cerca de 2.000,00 reais (Piso Integral), o professor contratado recebe cerca de
800 reais – menos da metade, e sem direito de 13º salário nem férias, que
segundo a lei, não é só prerrogativa de concursados.
O bom mesmo, para não dizer pior – acontece após o período de
eleições, quando muda de gestor, onde na educação, os professores tem de 3 a 4
meses de férias. Como exemplo vale citar no pós eleição 2016, onde “arrumar a
casa” da nova gestão, levou o ono ano letivo de 2017 a começar as aulas na sede
do município no mês de março. E no “arrumar da casa” da zona rural, onde as
aulas tem início bem depois de quando inicia na sede municipal. Quando muda
de gestor, as “férias são longas”.
2013 - o ano perdido na educação em Bom Jardim
 Mais de 2.000 alunos transferidos por falta de aula/professores, ou
funcionamento das escolas que demoravam, principalmente na zona rural
(onde se localiza o maior contingente de alunos no município);
 Mais de 17 escolas fechadas;
162
 Na região Miril/Novo Jardim/Antonio Conselheiro e outros, onde moram
cerca de 6.000 habitantes, 70% dos alunos ficaram fora de sala de aula –
pelo não início das aulas e falta de professores por inércia da (in-)gestão
sob pretexto de “briga político-partidária”. O significado maior muitos
dizem: incompetência política.
 No dito ano letivo (2013), 70% dos alunos de 1º ao 5º ano, conforme
avaliação/SEMED (2013) da Rede Municipal, não sabem ler nem
escrever.
Apesar dos avanços, o município não possui uma proposta curricular de ensino
clara e definida (grade curricular de conteúdos), ainda não promove formação
continuada (bimestralmente) aos professores, apenas formação inicial (que é
generalista).E por não apresentar uma grade curricular de conteúdos comum e
específica às escolas, os conteúdos são definidos em planejamento na “liberdade
e autonomia” dos educadores, em conformidade com os livros didáticos que
chegam das editoras. Isto leva a existir, muitas vezes, uma prática curricular
muito pobre; que não leva em conta nem a experiência trazida pelo próprio
professor, , nem a trazida pelo aluno, ou mesmo às características da
comunidade em que a escola está inserida. Os órgãos colegiados das escolas
(Conselho escolar, Conselho de Classe e Grêmios Estudantis) não apresentam
muita evidência de atuação; não oferta aula de reforço nas escolas como um
todo, ou uma meta sistemática traçada, mas no entanto, o Programa Mais
Educação é usado para esta finalidade, o qual funciona num certo desajuste. E
por outro, o município não possui um Fórum Municipal de Educação nem de
caráter provisório, nem em caráter permanente e legal que asseguraria viria o
não “engavetamento” do Plano Decenal de Educação – no qual estão traçadas as
metas, estratégias, enfim a vida dinâmica da educação no município.
O DESAFIO DAS ESCOLAS MULTISSERIADAS EM BOM
JARDIM – MA.
Devido a existência de poucos alunos para compor salas em determinados
povoados, o município, assim como muitos municípios brasileiros adotam o multiseriado, que
na visão dos críticos, é o ensino mutilado. Neste, a aula é composta de alunos de todas as
séries do ensino fundamental e o quadro negro é dividido na mesma aula assim como o tempo
para atender os alunos.
Um exemplo claro dessse modelo, segundo professor Antonio, é verificado na
escola do povoado São João do Turi, a 3 quilômetros do povoado Sofia e a 1 quilômetro do
povoado Turi dos Costas onde cada povoado funcionada o multiseriado, ou seja: uma sala de
educação infantil, misturada com alunos de séries diversas – do 1º ao 5º ano, e cada qual sem
163
infraestrutura adequada de escola. Tudo se resolveria se a Secretaria Municipal de Educação
instituisse Escolas Polo que agregasse todas mais distanciadas com poucos alunos. Para isto, é
necessário um sistema de transporte (nucleação) permanente na localidade (povoado) onde
situa esssas escola Polos para o transporte dos referidos alunos. Neste ponto de solução surge
um grande problema: Acessibilidade, cujo problema dar-se no período do inverno, onde as
estradas tornam-se intrafegáveis, sob risco de perda do ano letivo dos alunos do campo.
Acredita-se que a saída seria o município fortalecer e dar prioridade em cuidar da
infraestrutura (empiçarramento) das vicinais que interligam os povoados com orçamento e
projetos preistos em caráter de permanência.
O fato é que muitos males assombram as escolas multisseriadas: falta de
infraestrutura, sobrecarga do professor, falta de material didático-pedagógico (adequado),
professores leigos (no assunto das multisséries e suas metodologias), e muitas vezes, falta de
Formação Continuada para a operacionalização pedagógica do processo.
Em nível de Brasil, nas classes multisseriadas encontram-se cerca de 60% dos
estudantes do campo. Segundo o Censo Escolar 2009, existem 96,6 mil turmas do Ensino
Fundamental nessa situação em todo país.
O Nordeste representa o maior contingente de escolas multisseriadas, com 58%,
seguido pela região Norte, com 24% região Sudeste, com 11%, região Sul, com 5% e região
Centro-Oeste, com 2%, confirmando que essa organização escolar continua sendo uma
realidade em todas as regiões do país e deve ser contemplada com políticas educacionais que
realmente incluam e neguem a educação de qualidade social aos sujeitos do campo.
O Estado do Maranhão, é o segundo com maior número de classes multisseriadas,
num total de 11.038, perdendo apenas para a Bahia, com 14.298 classes. (Fonte:
MEC/INEP/Deed – Censo Escolar, 2012.)
O município de Bom Jardim, dentro desse universo não é diferente, pois o mesmo,
com um total de 103 escolas, das quais 09 encontram-se na zona urbana, e 94 delas localizam-
se na zona rural. Das quais em 88 dessas escolas funcionam sob esta modalidade. O município
possui um total de 10.595 alunos, dos quais, 4.121, que correspondem a 38,9% estão
matriculados em multisséries. Há um consensoentre os coordenadores de que, ao se
trabalhar/aprimorar as multisséries, consequentemente irá resultar na melhoria do IDEB da
Rede Municipal. No entanto, apesar de existir um Programa do Governo Federal Voltado para
atender a esta demanda, o Município até 2015 não encontrava-se aderido, e funcionava sem
parâmetro, ou no estilo “normal” das classes seriadas.
Relatos da primeira pedagoga municipal que acompanhou de 1973
até os dias atuais o processo educativo em Bom Jardim (Irene
Matos)
“Em 1973, ano em que iniciou o segundo mandato de prefeito em Bom
Jardim como eleito Adroaldo Alves Matos havia na sede e no interior poucas
escolas municipais e duas estaduais (Escola da Sudene e Bandeirante). Naquela
época a carência de professores formados em magistério era total. O prefeito
tinha que buscar estes profissionais em São Luís, os quais teriam que trabalhar
dia e noite. Durante o dia no primário a noite dando aulas nas séries do ginásio,
todos com apenas o 3º ano do curso Magistério e alguns com o 4º ano adicional.
Os mesmo sem nenhuma especialidade teriam, que ministrar aulas de
matemática, Português, História , Geografia e os demais componentes
curriculares do curso. Os alunos não tinham livros, as aulas eram ditadas para os
educandos copiarem; a metodologia eram tradicional as avaliações mensais, a
reprovação era bem acentuada assim como as desistências. O tempo foi
164
passando, novas eleições vieram, novos prefeitos eleitos e a educação
continuava do mesmo jeito. Prefeitos só se preocupavam em construir escolas
sem equipamentos necessários, os professores saindo do e entrando a cada
prefeito eleito por causa da política. Saíam os de experiência e entravam sem
experiência, prejudicando assim a aprendizagem do alunado. O que mudou nos
últimos anos foi a construção de novas escolas, o número de alunos cresceu
também. Os professores passaram a receber treinamentos com novas
metodologias. O material didático começou a aparecer nas escolas como lápis,
borrachas, cadernos, papel e livros enviados pelo MEC a todos os alunos da rede
pública. Treinamentos e cursos para formar professores como leigos cuja maioria
era absoluta: treinamentos de PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) que
capacitam para as novas mudanças educacionais. Todas estas mudanças e
melhorias se fundamentam na criação do FUNDEF, a partir de 1996, onde o
governo federal, priorizando a educação, liberava mais recursos para o setor.
Novos colégios foram construídos em Bom Jardim como o 2º grau
municipal que oferecia dois cursos: Magistério e Técnico em Contabilidades que
ajudou muito as famílias de pouca renda que não podiam tirar seus filhos como
concludentes da 8ª série para estudarem fora do município. O município hoje
conta com muitos professores formados a nível superior que a principio só
contava com uma pedagoga habilitada em administração Escolar, professora
Irene Alves Matos Souza que administrava o Ginásio Bandeirante, o atual colégio
Estadual C.E.E.F. Médio José Sarney.
Um avanço também no município foi a Educação de Jovem e Adultos
implantada em 1986 pela professora Irene que era secretária de educação na
época. Atualmente o avanço é ainda maior, devido a implantação do PROEB pela
tão conceituada Universidade Federal (UFMA) aqui em Bom Jardim com a
finalidade de formar a nível superior os professores que trabalham na educação;
também foi implantada as telesalas, existindo um número de salas, sendo 10 na
sede e 3 no interior, Além do programa de cunho do governo Federal, como:
Alfabetização Solidária e o Programa Vamos ler, que visam erradicar o
analfabetismo do município.
Até então (2004), os professores trabalhavam sob a orientação da
pedagoga Irene e alguns supervisores. Processo esse, que deu continuidade no
governo seguinte.
HISTÓRICO DO COLÉGIO BANDEIRANTE
O ginásio Bandeirante foi fundado em 1971 com o primário nos turnos
matutinos e vespertinos. O ginásio no noturno. Tendo como primeira diretora
Sônia, e professoras: Olga, Conceição e Irací. Depois vieram Irene Matos, Maria
Lurdes, Jobenilde; secretário: Professor Eufrásio.
A partir de 1977, (no mandato de Adroaldo), foi realizado sua
inauguração. Passou a funcionar como: Unidade Integrada Gov. José Sarney. Em
2002, o ensino médio, antes mantido pelo município foi integrado a rede
estadual de Ensino Fundamental e Médio Governador José Sarney.
Fonte: Direção Escolar / 2004 (Profº Firmino Viveiros dos Santos)
165
10.3 SITUAÇÃO POLÍTICO-EDUCACIONAL DOS ANOS 60 / 80
(E 2015) EM BOM JARDIM
Os professores municipais eram admitidos através de portarias e
nomeações assinadas pelo prefeito.
Para que um professor fosse nomeado era necessário ser
apresentado através de políticos ou representantes de povoados. O
candidato era submetido a uma prova escrita de Português em nível de 3ª
série do 1º grau, na qual eram consideradas a ortografia do professor,
uma prova de matemática com as 4 operações fundamentais e outra de
conhecimentos gerais. 50% das questões eram sobre a cultura do
município. Este teste só era aplicado para professores leigos da zona
rural. Passando por uma entrevista para observar o desembaraço do
candidato. Ao assumir o professor, o professor não assinava nenhum
termo de compromisso, chegando até às vezes a arrepender-se sem
iniciar os trabalhos tendo em vista os salários não compensarem. O
salário pago aos professores era de acordo com o nível de instrução de
cada classe estabelecida pelo Executivo municipal que compreendia:
- Classe A: professores com instrução de 2ª a 4ª série do 1º grau
completo;
- Classe B: com instrução de 1º grau completo;
-Classe C: professores com magistério. Eram descontados dos seus
salários 8,5% para o INSS.
Em consonância com a situação de pobreza e carência no
município, o professor tinha que usar apenas sua força de vontade, o
quadro de giz e a espoja para a transmissão de suas aulas sem contar
com o apoio de material de didático. Os professores viviam uma realidade
cruciante: sem assistência pedagógica e sem livros para consultas para
subsidiar seus conhecimentos, sem nenhuma reciclagem oferecida pela
secretaria de educação, enfim, sem material didático básico para a
preparação de suas aulas.
O município, além das fontes de Recursos Federais oriundos do FUNDEB
possui também Programas complementares advindos do FNDE como
suporte as demandas educacionais:
Colégio Estadual Bandeirante
-Funciona Ensino Médio e
Fundamental mantido pelo
Estado.
166
 PDDE – Programa Dinheiro Direto na Escola (Recurso a ser
gasto pelos Gestores, Conselhos e Associação de Pais e Mestres das
Escolas da Rede Municipal (Com conta específica de cada escola).
 Mais Educação – ou Educação em Tempo Integral que funciona em
contra-turno dos horários nas escolas.
 PAR – Plano de Ações Articuladas - é um instrumento de planejamento da educação
por um período de quatro anos. É um plano estratégico de caráter plurianual e
multidimensional que possibilita a conversão dos esforços e das ações do Ministério
da Educação, das Secretarias de Estado e Municípios, num SISTEMA NACIONAL
DE EDUCAÇÃO. A elaboração do PAR é requisito necessário para o recebimento de
assistência técnica e financeira do MEC/FNDE, de acordo com a
Resolução/CD/FNDE nº 14 de 08 de junho de 2012.
Relação das Escolas Municipais de Bom Jardim - MA. Ano2013
Escola Localidade
N.º de
Alunos
1 03 de Setembro Antonio Conselheiro 182
2 Adelaide Matos Pedra de Areia 15
3 Adroaldo Alves Matos Sede 355
4
Alexandre Costa Pov. Canaã 36
5 Almirante Barroso Pov. Altº da Sofia 09
6 Antº Carlos Bekman Tirirical 142
7 Antº. Palhano Silva Pov. Igarapé do Jardim 09
8 Antonio M. Gomes Pov. Igarapé Grande 10
9 Belarmino da Mata Faz. Espora de Aço PARALISADA
10 Boa Vista Pov Rio dos Bois PARALISADA
11 Boa Esperança Turi dos Costa 12
12 Bom Jesus Vl. Novo Jardim 83
13 Caminho do Saber Vl. São Francisco 11
14 Castelo Branco Cabeceira Brejão 33
15 Castro Alves Cassimiro 144
16 Cecília Meireles C. do Aristide (Bidulas) 47
17 Cleuma S. de Matos Centro do Alfredo 11
18 Conceição Raposo Pov. Varig II 14
19 Coração de Jesus Pov. Chapada 35
20 Creche Adroaldo Sede 522
21 Danilo Furtado Córrego Genipapo PARALIZADA
22 Dep. Vieira da Silva Rapadura Velha 21
23 Deus é por nós Ass. B. Esperança (42) 59
24 Deus é Tudo Rio da Onça II 14
25 Dom Pedro I Barraca Lavada 42
26 Dom Pedro II Rapadurinha 73
167
27 Dom Valmir Palmeira Comprada 16
28 Dr. Antonio Dino Pov. Oscar 115
29
Dr. Antonio Muniz Alves Sede 257
30 Dr. Benedito A. Carvalho Vila Pimenta 188
31
Dr. J. Cláudio Moreira Igarapé dos Índios 152
32 Dr. Mário H. Simonsen Pov. Novo Caru 168
33 Dr. Nunes Freire Turizinho de Augusto 57
34
Duque de Caxias Igarapé das Trairás 82
35
Edson Lobão Brejo da Iuma
36 Ester de F. Ferraz Pov. Sapucaia 54
37 Eurico Gaspar Dutra Pov. Novo Caru 100
38 Francisca G de Brito Neves Santa Luz 223
39
Francisca Machado VI. Novo Jardim 23
40 Fé em Deus Lagoa da Sambra 14
41 Fernando de Noronha Zé Boeiro 48
42
Ferreira Gulart Vila Maranhão PARALISADA
43
Frei Antonio Sinibalde Sede 593
44 Frei Damião Pov. Galego 48
45 Frei H. de Coimbra Escada do Caru 50
46 Futuro da Vida Brejão Sunil 12
47 Getulio Vargas Três olhos D’água 98
48 Gonçalves Dias Rio Azul 83
49 Infância do Amor Varig Sapucaia 14
50 João Alberto Brejo dos Índios 14
51 José Procópio Pov.Tres Poderes 38
52 João Paulo II Vl. Bom Jesus 108
53 José Bonifácio São Pedro do Caru 97
54 Josué Montelo Centro Zaqueu 17
55 Juscelino Kubschek Córrego do Açaí 23
56 Lago verde Pov. Mutum III 20
57 Leal Cruz Comunidade R. Verde 12
58 Leonel Brisola Vl. Bandeirante 18
59 Luis Rego C. do Nascimento 82
60 Machado de Assis Vl. Bandeirante 93
61 Malrinete Gralhada Pov. Tirirical 117
62 Manoel da Conceição Boa E. Água Preta 18
63 Manoel Lidio A. de Matos Portal Amazônia PARALISADA
64 Maria Socorro O. Oliveira Rio dos Bois 11
65 Mário Guiddi Vila Abreu 115
168
66 Marly André Barragem de Mutum 12
67 Mauzol Miguel de Sousa Pov. Altos Santos 14
68 Men de Sa Pov. Rosário 69
69
Monteiro Lobato Varig Água Preta 18
70 Nagib Haickel Pov. Km. 18 168
71 Ney Braga Sede 1094
72 Nossa Sª. Aparecida Vl. Cristalândia 169
73 Nossa Sª. de Fátima Jatobá Ferrado 16
74 Nossa Sª. dos Anjos Pov. João Bastião 19
75 Rosilda Martins Oliveira Sede 251
76 Novo Horizonte Pov. Bairro Cocal 24
77 Osvaldo Cruz Stº Ant. Arvoredo 96
78
Osvaldo de Andrade Pov. Três Irmãos PARALISADA
79 Otavio Z. de Oliveira Vl. Varig 45
80
Padre José de Anchieta Vl. Bandeirante 66
81 Padre Newton I. Pereira Fazenda Amazônia 12
82 Pedro Costa Sousa Índios dos Machados 08
83
Pedro Neiva de Santana Igarapé dos Índios 39
84 Primavera Faz São Jorge - Mutum I 16
85
Princesa Isabel Pov. Boa Vista 27
86 Profª. Dinare Feitosa Sede 825
87 Raimundo B. Duarte Neves São João do Turi 113
88 Raimundo Meireles Pinto Sede 193
89 Raimundo Nonato Pinheiro Novo Caru 147
90 Raimundo Rosa Pov. 17 de Outubro 05
91 Rosa Castro Brejo Social 70
92 Roseana Sarney Vl. Jacutinga 56
93 Rui Barbosa Pov. Água Branca 15
94 Ruth Cardoso Pov. Gurvia 114
95 Santa Clara Pov. Rosário 162
96 Santa Maria Rio da Onça II 42
97 Santa Maria Bela Vista 136
98 Santa Rita de Cássia Vl. Aeroporto 86
99 Santa Tereza Asset. Rio Ubim 67
100 Santo Antonio Pov 60 33
101 Santo Antonio Pov. Alto Flecha 75
102 São Benedito Barro do Galego 78
103 São Francisco de Assis Vl. Pausada 82
104 São José Três Poderes (Brejinho) 23
105 São José Porto Seguro 32
106 São Miguel Pov. Barrote 55
169
107 São Pedro I Pov. Vl. Varig 404
108 São Raimundo Barraca Comprida 21
109 Tomé de Souza Pov. Poliana PARALISADA
110 Terra Livre Ass. Terra Livre 105
111 Vereador Antº F. Primo Sede 198
112 Vila Nova Ass. Vila Nova 39
113 Zeferino G. Pereira Nova Olinda 41
114 Zeferino G. Pereira Zé Boeiro 38
115 Pedreira Vital Vila União 21
116 Reino da Alegria Brejinho da Água Limpa 15
TOTAL GERAL DE ALUNOS
Ano 2013
10.327 ALUNOS
REGIÃO CARU
REGIÃO MIRIL
REGIÃO CARU E MIRIL 6.068 alunos
ZONA URBANA 4.259 alunos
Fonte: SEMED, 2013
170
10.5 CONTEXTO HISTÓRICO DA EJAI (EDUCAÇÃO DE JOVENS, ADULTOS E
IDOSOS EM BOM JARDIM – MA.
A Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) em Bom Jardim foi
implantada em 1993, no 6º prefeito eleito, Dr. Carlos Celso Ribeiro. Em seu
momento inicial funcionou apenas na sede municipal – ou melhor, Zona Urbana –
deixando a zona rural como sempre, nas condições de excluídos e relegados. A
primeira escola do município onde funcionou o EJA foi a Escola Frei Antonio
Sinibalde. No momento, o município apresentava um índice de analfabetismo
alarmante, cerca de 50%, e em 2000 esse índice caiu para 42%, segundo Nações
Unidas. O índice de analfabetos funcionais era outro indicador perverso e
assustador, que dentro de um universo ou região Nordeste, colocava o município
num elevado índice de pobreza e desigualdade social. Tal realidade ou situação
comprimia, ou melhor, levava o grande número de jovens a abandonarem seus
estudos, muitos destes, por razões socioeconômicas.
De acordo com relatos de professores da época e alunos evadidos, a falta
de emprego e renda foi um dos principais elementos que contribuiu para a evasão, e
outra causa é a busca de trabalho em outras localidades para garantir o sustento da
família. Para VIEIRA (2005), esses problemas devem ser vistos como efeito da má
distribuição de renda e a falta de acesso à escola na idade própria.
Frente a esse grande contingentes de alunos evadidos daqui e outros que
chegavam de outros lugares com situações semelhantes, a gestão que sucedeu
aquela que implantou (no ano de 1997 a 2004 – Gestor Manoel Gralhada) abriu
largas portas ampliando as demandas educacionais nessa modalidade a esse
contingente de desassistidos, entregues a revelia do governo anterior, e algo
semelhante em muitos outros municípios, onde não se via na educação um
instrumento de fazer política pública para fins de desenvolvimento e inclusão social.
Além de funcionar na Escola Frei Antonio Sinibalde, funcionou também na
EMEB. Fernanda Sarney (Hoje Dinare Feitosa), no Ney Braga e escola Nova Brasília
(hoje conhecida Rosilda Martins de Oliveira).
Em levantamentos realizados verificou-se que de 2002 a 2010, muitas
escolas da Modalidade EJA na zona urbana e rural foram fechadas por mero
descaso e “desvalor” a esse segmento de excluídos na visão de gestores que não
viam na educação um dos eixos centrais para a promoção humana, inclusão social e
desenvolvimento local. Em 2011, o município contava com um total de 1080 alunos
do EJA matriculados na Rede Municipal. No ano de 2013 caiu para 707 alunos. No
entanto, no ano de 2014, devido campanhas ou Mutirão de Matrículas promovidos
pela Secretária de Educação Nazaré, esse número de alunos matriculados subiu
para 1.534 alunos.
A maioria das escolas, especificamente da Zona Rural não possui o PPP
(Projeto Político Pedagógico). Percebe-se então, que a gestão da direção de muitas
escolas da Zona Rural em relação à qualidade, bem como sua preocupação é mais
discurso, enquanto que na prática a educação se arrasta. E sua não-abrangência a
zona rural reduz a perspectiva de futuro às famílias de seus jovens – condenados a
um ciclo de pobreza, o que ultimamente está promovendo uma grande migração do
campo para a sede municipal, ou outras cidades.
171
Evolução do Número de Matrículas no EJAI 2011-2014
Etapas Ano 2011 Ano2013 Ano 2014
EJA 1080 707 1534
Fonte: Secretaria Municipal de Educação/SEMED – 2014.
Não sendo diferente do que acontece nas outras regiões brasileiras, a modalidade EJA/EJAI
apresenta um alto índice de abandono, conforme mostra a tabela abaixo.
Taxa de Rendimento Rede Municipal. EJAI -
Fase/Nível Taxa Aprovação Taxa de Reprovação Taxa Abandono
3º ANO
Fundament
al
2007
Urbana Rura
l
Total Urbana Rura
l
Total Urbana Rura
l
Gera
l
34,7 61,2 58,1
%
3,3% 3,6% 3,6 6,2 35,2 38,3
Fonte: Secretaria Municipal da Escola. 2015.
Em 2014, segundo MEC/INEP, o município apresenta um total de 1.543 alunos
matriculados distribuídos num total de 40 escolas e 77 professores. Três destas funcionam na
zona urbana e as demais na zona rural. Do total de alunos matriculados, 35% são da zona
urbana e 65% da zona rural.
Podemos constatar o descaso no investimento econômico e social, pois o problema
tem maior gravidade dando menos oportunidade educacional, apesar de discursos oficiais das
políticas educacionais procurando-se incluir a população jovem e adultos excluídos da escola
ou dela expulsa precocemente.
172
10.6 POSSÍVEL EXPLICAÇÃO PARA O FRACASSO
ESCOLAR
A explicação para o fracasso escolar relacionado à evasão e
reprovação tem suas origens no interior da sociedade e da própria escola.
No interior da sociedade – Observa-se a desestruturação do trabalho
familiar e a violenta expulsão do homem do campo, por parte de posseiros
e fazendeiros.
De outro, o seu acentuado deslocamento em direção à periferia dos
centros urbanos. Consumando-se deste modo, um crescente processo de
exclusão social ocasionada pela expropriação de suas terras por parte
daqueles que vão adquirindo com o poder econômico, e destes que vão
embora por fala de apoio em políticas públicas e condições econômicas de
permanecerem na terra. Indo somar-se àqueles que vão “inchar” os
centros urbanos nas cidades, com igual situação e despreparados para o
mercado formal de trabalho (que requer mão de obra qualificada). No
centro urbano é o problema socioeconômico ou questão do desemprego.
Confirmando com a referida explicação veja o que diz o JMTV, (13 / 7 /
2004): “A falta de renda é a principal causa do abandono precoce nos
estudos”. É o que também afirma o Ipea (2009): “Entre crianças com
renda mais elevada, a taxa de frequência é de 93,6% e as de renda mais
pobre é de 75,2%”.
A maior causa de evasão escolar em muitas instituições são: os
baixos salários, o desemprego, a desmotivação dos pais e baixa
autoestima dos alunos que acham que a escola não resolve o problema
do desemprego. A gravidez precoce também é um dos motivos que
causam a evasão escolar. Cita-se também, que a baixa qualidade do
ensino é um incentivo para a evasão.
Por parte da escola - Percebe-se que a ausência de uma pré-escola
abrangente na rede municipal é um dos fatores que permite perpetuação
de altos índices de evasão e reprovação nas séries iniciais do ensino
fundamental e seguintes, onde se observa que a maioria do alunado
abandona a escola logo no ensino fundamental. Deste modo, os alunos
sem pré-escola entram “cegos” na 1ª série do ensino fundamental. Essa
“deficiência” vai acompanhá-los ao longo de toda sua vida escolar,
gerando reprovações, desistência, distorção idade-série, enfim, o futuro
aluno do EJA ou aqueles que jamais voltam para a escola. A grande
maioria da população estudantil, entretanto, acaba desistindo da escola.
Desestimulada em razão das altas taxas de repetência e pressionada por
fatores socioeconômicos que obrigam boa parte dos alunos ao trabalho
precoce. Deste modo, o fracasso escolar reforça e exclusão social. Onde
as maiores vítimas são as crianças das camadas populares. Sendo,
portanto, poucos os que chagam ao ensino médio. Como no caso do
município de Bom Jardim, onde se ver no gráfico da página 109, em que
apenas 5,5% dos alunos terminam o ensino fundamental e ingressam no
Ensino Médio. Grande parte da evasão está associada à repetência. Em
173
Bom Jardim existe 126 escolas do ensino fundamental e apenas duas do
ensino Médio.
Percebe-se a inexistência de uma política educacional que prenda
o homem do campo no campo, em condições que este lá se desenvolva e
se fixe. Sendo que 64,8% da população do município está localizada na
zona rural, percebe-se nos indicadores, que os filhos do analfabetismo
têm garantia de acesso, e, no entanto, não têm de sucesso. Problemas
estes, ligados também à estrutura social (ou socioeconômico e político), com a
ausência de política de cunho municipal para a questão em sucessivo governo. A
LDB 9394/96, define que “A Educação infantil é de responsabilidade dos
municípios”. Porém o que se percebe em muitos municípios é um total descaso para
essa primeira fase da educação, que será alicerce para a construção do futuro de
ensino fundamental, médio e posteriores formações. Com a criação do FUNDEB
(Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), o financiamentodo ensino público
no país, aumentou de R$ 700,00 para R$ 1.200.00; ampliando atendimento à
demanda a crechese ensino médio. Apesar do FUNDEB prever a criação de
conselhos nos três âmbitos da Federação compostos por governos, trabalhadores,
pais e estudantes, com a responsabilidade de fiscalizar a aplicação dos recursos
do FUNDEB e o censo escolar estadual ou local, cabe, no entanto a sociedade civil
organizada agir para defender o que é de todos. (Já que as casas legislativas de
muitos municípios assim não o fazem, descaracterizando sua função). Se o dinheiro
não for repassado, a autoridade poderá ser denunciada por crime de
responsabilidade. (Diário de Natal, copyright 2006).
A solução, segundo Professor Hamilton Werneck (2002, p.30), é...
Enquanto o ensino fundamental resolve os seus problemas, as prefeituras devem
aumentar os pré-escolares e creches, que, por sua vez, melhoram as crianças para
um futuro fundamental, o que fará, certamente, que elas tenham êxito nas escolas.
E, a capacitação de professores que trará melhoras em todos os sentidos.
Acrescentando-se, é claro, a continuidade nos cursos de formação a nível superior e
melhor remuneração para conservar um quadro docente decente para a qualidade.
Sendo também imprescindível no combate à evasão, a adequação da escola à
comunidade; Principalmente em municípios como Bom Jardim, onde 65% da
população é rural. Quando no período de safras, muitos alunos saem para
trabalhar, e em muitas aulas perdidas... Acabam desistindo. A educação dessa
camada da população representa uma forma de inclusão social. Caso contrário, o
município estará negando a possibilidade de uma vida digna e dias melhores para a
referida classe. E nesta, um grande número de pessoas que foram e são vítimas do
fracasso escolar, que compõe a modalidade EJA, além de outros que nem retornam
à escola.
As propostas para uma educação de qualidade e inclusiva é vista nos PCNs
(2001, p. 13), que impõe a necessidade de investimentos em diferentes frentes,
como a formação inicial e continuada de professores, uma política de salários
dignos, um plano de carreira, a qualidade do livro didático, de recursos e de
multimídia, a disponibilidade de materiais didáticos.
Um problema que afeta o futuro da juventude, produzindo exclusão social
reside no fato de não existir cursos de qualificação técnico-profissional em Bom
Jardim. Ensino médio não é formação, é nível de escolaridade. Existem apenas
cursos que formam para a educação. E as demais áreas sociais? Nem todos
querem ser professor.
174
Um provérbio muito conhecido de todos: “Não dê peixe ao homem, ensine-o
a pescar...”. Ensinar o povo a pescar na pescaria da vida e do mercado de trabalho
– é prepará-lo, é educá-lo, e qualificá-lo para essa jornada da exigência da vida e do
mercado de trabalho.
Um fato nada louvável acontece nos municípios maranhenses em
relação seu quadro profissional na educação que vão se formando - Os
municípios estão perdendo seu quadro docente decente de nível superior
para outros Estados e Municípios. As razões são diversas e entre elas:
 Questão salarial (é um dos maiores motivos);
 A política partidária, que boicota a cidadania e a liberdade de
opção, que gera pressão por parte daqueles que não sabem
diferenciar política partidária de política pública - onde a promessa
eleitoreira de emprego faz demitir bons profissionais em nome do
“acordo” fechado pelo voto.
A saída, como já acontece em muitos municípios por pressão da justiça e não
vontade deliberada de gestores, é a realização de concursos públicos.
ANALFABETISMO VERSUS PROGRAMAS DE ERRADICAÇÃO EM
BOM JARDIM
O analfabetismo em Bom Jardim
Segundo o IBGE de 2000 e o Plano Decenal de Educação de Bom Jardim, temos
uma população de 34.474 habitantes. Nesta, a população acima de 10 anos de idade
é de 25.2226 habitantes. Nesta população acima de 10 anos o município apresenta
uma taxa de analfabetismo de 42,5%. O Maranhão: 28,3%. Sendo a média nacional
13,3%. No censo de 2010, segundo o IBGE, este índice caiu para 31,84%.
Lamentavelmente, de 2014 a 2020 (abrangendo a gestão da prefeita Lidiane
Leite/Beto Riocha, Malrinete a Dr. Francisco, os Programas de erradicação do
analfabetismos no muncípio foram literalmente extintos (fechados), e em descaso,
com este grave problema social, abandonados. Gerando um índice de que a Política
Pública local não tem um compromisso com a cidadania de um alto contingente de
excluídos.
Consequências do Analfabetismo
O analfabetismo é uma porta entreaberta para a pobreza.” (Roza, 2005, p. 8).
“Os problemas causados pelo analfabetismo são as principais razões do ciclo
permanente de pobreza e subdesenvolvimento em que muitos países se
encontram”.(Correio Brasiliense, 7/9/1989).
“O analfabetismo inibe o progresso e a produtividade, impede o avanço cultural e
espiritual, e ajuda a manter a dependência crônica de sociedades inteiras”.(Correio
Brasiliense, 7/9/1989).
175
“O trabalhador maranhense é um dos mais despreparado do Brasil. Somente 2%
conseguem terminar faculdade. A falta de renda é a principal causa do abandono
precoce nos estudos. ”JMTV,(13/7/2004).
Programas de alfabetização implantados no município em 2003
Alfabetização solidária
Total de professores: 37 EM 2001 TOTAL
ANO Z.urb. Z. Rural
2001 174 304 478
2002 598 598
2003 470
Brasil Alfabetizado
Os Programas de erradicação do analfabetismo no município foram extintos
desde a gestão de Lidiane Leite à gestão de Dr. Francisco.
Fonte: Secretaria de Educação Municipal: 2/2003
*Dados da evasão – não fornecidos na Gerêcia de Desenvolvimento Humano.
Alfabetização Solidária: Apresenta um baixo índice de evasão.
O programa é mantido por:
- Bancos Privados e nacional
-Empresas nacionais,
- Caixa Econômica Federal,
- Universidades,
-Empresas Multinacionais,
Empresas de avião,
Indústrias,
Empresas de Televisão (Globo, SBT)
Editoras e revistas.
PROGRAMAS VAMOS LER / OU AVANÇA BRASIL
ATUAL: BRASIL ALFABETIZADO
Apresenta um altíssimo índice de evasão escolar, acima de 50%. Causas:
Problemas de vista (em sua maioria) e sócio econômico.
Ambos os programas estão vinculados ao município, que banca toda
infraestrutura.
A meta do Plano Decenal de Educação municipal é que seja erradicado o
analfabetismo do município até 2010. Cabendo, portanto, ao executivo cumprir
tal meta ou ao legislativo fazer com que se cumpra.
Analisa-se, portanto, que combater o analfabetismo, sem eliminar as
causas geradoras, fará com que o circulo se perpetue.
Vergonhosamente um professor alfabetizador em 2009 ganhava R$ 250,00.
Por ingerência ou falta de compromisso social com o grave problema de
analfabetismo do município, esses programas deixaram de funcionar no
município desde 2013.
176
A UNIVERSIDADE EM BOM JARDIM E CONSIDERAÇÕES AO
PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO
Antes da chegada da Universidade em Bom Jardim através da UFMA com o programa
PROEB, não existiam professores formados a nível superior em toda rede municipal de
ensino. Existia apenas uma pedagoga assumindo o comando administrativo – pedagógico no
município: Irene Alves Matos Souza.
As possibilidades e especulações de vir uma universidade para formar os profissionais
da educação do município eram remotas, que nem se cogitava. Porém, com a criação do
FUNDEF em 1996, isto garantiu mais recursos na educação, permitindo desta forma, em
2001, a firmação do contrato de nº 07.003.020 entre a Prefeitura Municipal de Bom Jardim e
a Universidade Federal do Maranhão no custo de 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil
reais), visando instituir quatro Cursos de nível superior com licenciatura plena do Programa
Especial de Formação de Professores para a Educação Básica (PROEB), nas seguintes áreas:
Letras, Historias, Matemáticas e Pedagogia Magistério. Foram selecionados 157 candidatos
distribuídos nos 4 respectivos cursos. Programa Superior para profissionais da educação.
Em dezembro de 2005, a administração Roque Portela através da UEMA
(Universidade Estadual do Maranhão) assinou um contrato trazendo o PQD (Programa de
Qualificação Docente) com os cursos:Matemática, Biologia e Geografia num total de 128
alunos que estão em fase de qualificação.
Não se pode falarem qualidade de ensino sem incluir a qualificação profissional do
docente. É essa a proposta do PROEB e cursos semelhantes como o PQD visam, tendo como
objetivo a melhoria da educação e a habilitação de professores a nível superior para o ensino
Publico de Bom Jardim. Em 2004, o município apresentava 485 professores cobrindo toda
rede Municipal de ensino. Destes, 30,5% estavam cursando a universidade.
A meta do Plano Decenal de Educação de Bom Jardim estabelece que o Poder
Executivo Municipal deve expandir o PROEB ou cursos Semelhantes e garantir que se atinja
até o final de 2010 a meta de ter 70% do quadro de professores com graduação plena no
mínimo em nível de Licenciatura.
No entanto, se não houver uma política de plano de cargos, carreira e salário que
valorize os profissionais de nível superior (conforme o Estatuto do Magistério da lei nº
368/00 de 03/07/2000), a perspectiva é de que o município venha a perder esses profissionais
e tantos quantos se formem futuramente para outros municípios e estados em vista de
melhores remunerações como já aconteceu após a vigência do curso PROEB. Fazendo com
que grande parte desse recurso investido venha se tornar em vão (com a ida desse professores
para fora), fazendo com que a educação do município retorne aos seus rudimentos no qual
dantes estivera, sem perspectiva de se atingir a meta do plano Decenal de Educação do
município.
Merecendo a consideração e alerta ao que diz a LDB 9394/96, no artigo 87 do
parágrafo 4º que diz: “Até o fim da Década de Educação (2007), somente serão admitidos
professores habilitados em nível superior ou formados por treinamentos em serviços” -
prorrogado.
Nome dos professores que trabalharam na elaboração do Plano Decenal de Educação
de Bom Jardim:
 Adilson Pires Mota
 Alaíde Gomes Silva
 Antonia dos Santos Silva
 Antonio de Brito
 Cheila Gomes Lima
 Clodoaldo Matos da Silva
 Deuzimar Vaz de Carvalho Silva
177
 Eucélia da Silva Chagas
 Francisca da Conceição Miranda
 Janaína Carvalho
 Jocicléia Costa de Araújo
 Lóide Gomes da Silva dos Santos
 Lucineide Costa Teixeira
 Luzinete e Silva Vieira
 Marconi Mendes Souza
 Maria Célia Oliveira Sampaio
 Maria Cleude Memória Silva
 Maria Marlene da Silva Costa
 Rosélia Chagas Silva Costa
 Rosileude Brasil de Araújo
 Tatiana Lima Sousa
 Vilma Soraia Maranaldo
Houve também a participação das pedagogas Irene Alves Matos Souza e Andréa
Dutra Almeida Nascimento.
Apesar da participação de muitos professores em sua elaboração, o Plano, que é de
grande importância para a educação e desenvolvimento do município, foi votado em 2003
sem a participação da sociedade e dos professores numa total ausência de POVO. Para
muitos professores, o objetivo não era a EDUCAÇÃO, e sim assegurar recursos do
FUNDEF, que dependiam de sua elaboração e votação na Câmara de Vereadores. A cada 2
anos o Plano Decenal de Educação deve ser revisado, analisado suas metas e cumprimentos
para reajustamentos; isto aonde há compromisso com a educação.
CONSIDERAÇÃO AO PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO (2003 A 2013)
O primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962, elaborado na vigência da primeira
Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 4.024 de 1961, dentro de uma perspectiva de
reforma à educação Nacional – sendo um conjunto de metas quantitativas e qualitativas a serem
alcançadas num prazo de 8 anos.
Em 2001, o presidente Fernando Henrique Cardoso na Lei nº 10.172, de 09/10/2001 aprova o
plano Nacional de Educação com duração de 10 anos. Devendo os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, com base no Plano Nacional de Educação, elaborar os planos decenais correspondentes.
OBJETIVOS E PRIORIDADES DO PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO
- A elevação global do nível de escolaridade da população;
- A redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e permanência, com
sucesso, na educação pública e, democratização da gestão do ensino público nos estabelecimentos
oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do
projeto pedagógico da escola e participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares
ou equivalentes.
O plano Decenal de educação de Bom Jardim que dá todas essas garantias foi votado no ano
de 2003 com abrangência até 2013. A elaboração do Plano contou com a participação do professor
Ronaldo Martins Frasão, da UFMA, um grupo de professores do município das pedagogas Irene Alves
Matos Souza e Andréia Dutra que coordenaram o seu desenvolvimento. O plano apresenta um total
diagnóstico dos problemas educacionais do Município e plano de metas a serem alcançados a curto,
médio e longo prazo para a solução dos problemas identificados. Adequando-se às políticas públicas
voltadas para educacional do Município.
178
Segundo Plano Decenal de Educação de Bom Jardim – Maranhão
2015 a 2025
Em junho de 2015, o Município de Bom Jardim através da equipe técnica da SEMED
e Sociedade Civil Organizada debatem a elaboração/aprovação do segundo Plano Decenal de
Educação, com vigência de 2015 a 2025, conforme Lei Municipal nº 601/2015, de 24 de
junho de 2015.
Fonte: www.bomjardimma. 06/2015
10 Aspectos Culturais de Bom Jardim
“Desvalorizar a cultura (em especial a alta cultura – clássica e acadêmica) é a forma mais
segura de extinguir a consciência critica, pois é ela que alimenta a reflexão questionadora
e a vontade de transformar o mundo.” (Rouanet)
Os aspectos culturais de Bom Jardim apresentam uma diversidade, compondo-
se de aspectos da cultura nacional e regional que pintam o dia-a-dia nas datas festivas
e comemorativas no município.
Entre os aspectos culturais encontram-se as manifestações Folclóricas (Dança
do coco, mangaba, quadrilha, bumba-meu-boi), e afins são representados também o
tradicional casamento na Roça nas festas Juninas (mês de junho) que também é um
marco na cultura local e regional. O município em sua bagagem cultural apresenta
também a Dança Indígena que é apresentada nos períodos juninos, o Carnaval que é
apresentado com Blocos e Foliões, o Festival do Peixe também tornou-se parte da
cultura Municipal. Como a pecuária é predominante na economia bonjardinense,
acontecem periodicamente Vaquejadas em períodos indeterminados e locais variados –
especialmente na Zona Rural. Traço Cultural também presente na cultura
bonjardinense é a presença da Capoeira, praticada por muitos jovens no Município que
encontra-se institucionalizada por meio de associações representativas.
No campo religioso predomina o catolicismo, seguido de várias outras igrejas
protestantes (Assembleia de Deus, Adventista do 7º Dia e demais que se espalham nos
Bairros do Centro Urbano e Povoados na Zona Rural de Bom Jardim, onde acontecem
festejos religiosos – como A Festa de São Francisco de Assis (da Igreja Católica) que é
uma das de maior evento em Bom Jardim.
No campo das Religiões Afro encontram-se espalhadas pelo município vários
terreiros de umbanda e candomblé.
179
11.1 Manifestações Folclóricas
A palavra FOLCLORE é de origem inglesa sendo composta por
FOLK: Que quer dizer POVO e
LORE: Que significa SABEDORIA.
O conjunto de lendas, contos, mitos, crendices, cantiga, histórias, danças, festas,
conhecimentos etc, que fazem partes da vida e da sabedoria de um povo - conservados pela
tradição popular é chamado de folclore ou cultura popular. Quando estudamos o folclore de
um povo, conhecemos seu modo de pensar, agir e sentir. Dentro do folclore está
contemplando a literatura oral, mãe e origem da literatura letrada.
11.2 DANÇAS: Do Coco, Mangaba, Quadrilha, Bumba-meu-boi
A dança do coco tem sua origem no canto de trabalhadores nos babaçuais do interior
do Maranhão. É uma dança de roda constituindo-se num convite para a “quebra de coco”,
com acompanhamento de pandeiros, ganzás, cuícas e das palmas dos que formam a roda.
A coreografia não apresenta complexidade. Como adereços, os componentes da dança
carregam pequenos cofos e machadinhas, imitando os instrumentos de trabalhos nos
babaçuais.
Afirma o senhor Jaime Arão, de Bom Jardim, que aprendeu a dança na cidade de
Coroatá, e se apaixonou. Quando chegou em Bom Jardim em 1963, anos depois foi o primeiro
a desenvolver a dança no município em estudo.
Apesar de haver afirmação de que tenha origem nos babaçuais maranhenses, afirma-se
que aqui tenha chegado na bagagem dos escravos africanos e que ela seja o produto da raça
negra com o nativo (da região).
Apesar de mais freqüente no litoral, há quem defenda que o “Coco” tenha surgido no
interior de alagoas, provavelmente no Quilombo dos Palmares, onde se misturava escravos
índios com africanos no inicio da vida social brasileira (época colonial). A dança do coco
continua sendo a expressão de desabafo da alma popular, da gente mais sofrida do Nordeste
brasileiro. Muitos estilos da dança do coco caíram em desuso, por causa das influências
culturais urbanas e, a repressão das autoridades. Há um grau de erotismo embutido nas
danças, mas ainda são praticados nas festas juninas. O Coco é um folguedo do ciclo junino,
que é dançado também em outras épocas do ano.
Indumentárias
Homens: Calça listrada, xadrez, ou branca, de boca estreita, camisa de meia, sandálias,
chapéu de palha.
Mulheres: Vestidos de palhas de estampa alegre, mangas fofas, saias bastante rodada,
com babados. Nos pés usam tamancos de madeiras que ajudam a sonorizar o ato da pisada no
chão.
Instrumentos
O Coco é uma dança do povo e os principais instrumentos são as próprias mãos. As
cantigas são acompanhadas pelo bater de palmas com as mãos encovadas, imitando o ruído de
quebrar da casca de um coco, daí o nome da dança, na falta de um instrumento musical.
Celebrada por muitos artistas em letras de músicas como: Gal Costa, Gilberto Gil,
Alceu Valença e Xuxa.
180
DANÇA DA MANGABA
Dança Da Mangaba de Bom Jardim, Coordenação Profº Hélio Capoeira,
2016
Na dança da mangaba, fazem uma parceira com duas duplas, damas e
cavalheiros ao som do tambor, os pares vão se deslocando e trocando de damas,
meio passo com meia volta para a direita, quando entrega a dama para o cavalheiro
que vem atrás de si e seguido outro com uma meia volta para o lado esquerdo,
recebendo a dama do cavalheiro à sua frente.
Maria Gomes Ferreira (Maria Lavina), nascida em 30/10/1932, natural do
Maranhão, em uma entrevista realizada, a mesma afirma que chegou a Bom Jardim
em 20/108/ 1961.
Primeira pessoa a trazer a dança da mangaba a esta cidade no ano de 1973,
por um pequeno grupo de alunos orientados pela mesma, a qual foi uma das
primeiras professoras do MOBRAL.
Dona Lavina mudou-se para Santa Inês em 23/06/1978, onde continua
prestando trabalhos comunitários.
Dança da Mangaba, 2012
FESTAS JUNINAS
O ciclo das festas juninas gira em torno das principais datas abaixo:
 13 de junho, festa de Santo Antonio;
 24 de junho, São João;
 29 de junho, São Pedro.
Durante esse período todas as cidades brasileiras ficam tomadas por festas.
De norte a sul do Brasil comemora-se os santos juninos, com fogueiras e comidas
típicas. É interessante notar que não apenas o dia, propriamente dito, mas todo mês,
181
é considerado como tempo consagrado a estes santos na região e, principalmente,
às vésperas, que é quando se realizam os sortilégios e simpatias, a parte mágica da
festa típica do catolicismo popular, quando se realizam os sortilégios e simpatias, a
parte mágica da festa típica do catolicismo popular.
Inúmeras adivinhações a respeito dos amores e do futuro a respeito dos
amores e do futuro(com quem vai se casar, se é amado ou amada, quantos filhos se
vai ter, se vai morrer jovem ou ganhar dinheiro etc), são festas nas vésperas do dia
santos, em geral de madrugada.
O “São João” (modo pelo qual se referem os nordestinos ao ciclo de festas do
mês de junho) transforma as cidades e o espírito das pessoas, que parecem sentir
uma irresistível atração e afinidade pela festa. A festa adquire importância na vida
social nordestina que não apenas é fonte de preocupação durante todo ano, como
ainda move interesses políticos e econômicos que poucas vezes se imagina.
QUADRILHA
Desenvolvida na cidade de Bom Jardim, como em outras cidades
maranhenses, sendo tipicamente realizada em todos os municípios do Vale do
Pindaré e municípios brasileiros.
Essa contradança foi desenvolvida em Bom Jardim, segundo Rosa Dacir
(Rosa Vitor), que afirma ter participado na época da primeira quadrilha em 1962,
tendo como responsável Dona Marina, esposa do Senhor Expedito que não se
encontram mais na cidade. Com o passar dos anos, surgiram várias outras
quadrilhas como: Coração Cigano, Certo ou Errado, Flor do Sertão, Luar do Sertão,
Nova Geração, etc..
A quadrilha é uma dança francesa que surgiu no final do século XVIII e tem
suas raízes nas antigas contradanças inglesas. Ela foi traduzida ao Brasil no inicio
do século XIX, passando a ser dançada nos salões da corte e da aristocracia.
Com o passar do tempo, a quadrilha passou a integrar o repertório de
cantores e compositores brasileiros e tornou-se uma dança de caráter popular.
Sendo típica das festas juninas, a quadrilha é considerada uma herança do
folclore francês acrescido de manifestações típicas da cultura portuguesa. Ela é
inspirada na contradança francesa e sua origem, no Brasil, está na chegada da corte
real Portuguesa, no começo do século passado. Com D. João VI, que fugia do
avanço das tropas de Napoleão Bonaparte, além de artistas franceses, como Debret
e Rugendas, vieram também modismos da vida européia, dos quais um dos favoritos
era aquadrilha, dirigida por mestres franceses da contradança. Muitas das ordens
desta dança transformaram-se “anarriê” (enarriére, que significas “para trás”) ou
“anava” (em avant, que significa”em frente”), “changedidame” (changer de damé, ou
seja, “troca de dama”), “chemadidame” (chemin de dame, caminho de damas) ou
“otrefua” autre fois”),”outa vez”. A quadrilha foi a grande dança dos palácios do
século XIX e abria os bailes das cortes em qualquer país europeu ou americano,
tendo se popularizado, reinterpretada pelo povo, que lhe acrescentou novas figuras
e comandos constituindo o baile em sua longa e exclusiva execução, composta de
cinco partes ou mais, com movimentos vivos e que terminava sempre por um
galope.
É tradicional nas festas juninas de muitos municípios brasileiros a
apresentação da peça “O casamento na roça”; uma peça burlesca e cômica, onde
revela toda uma linguagem típica do homem do campo, sua cultura, valores e
crenças. Segue abaixo a composição dos personagens da peça:
182
Boi De Orquestra de Arari Dança Indígena de Pio XII
Boi de Matraca de Monção Dança do Carimbó
Dança Indígena Festa Junina – Escola Dinare Feitosa, 2013
Grande parte dessas atrações são importadas de outras cidades da região, como
mostram as legendas acima.
11.3 Casamento na roça
Personagens da peça
Autoridades: (6 personagens)
- Prefeito: Alexandrino Xexéu de Sá
- Primeira Dama: Felomena Fifi de Sá
- Juiz: Dr. Bacuri Pitanga da Fonseca
- Delegado: Dr. Figo Fino Pixaxado de Oliveira Pinto
- Escrivão: Bergamo Quirino de Alcimar Sacre Silva
- Padre: Nicrolando Frieira das Buchechas Maciadas
183
Pessoal do Casamento: (12 personagens)
- Noivo:Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição
- Noiva: Esmingarda da Mata do Ramo Rôxo
- Pai da noiva: Simpiliço da Simpilicidade Símpilis Roxo
- Mãe da noiva: Cricri Prepeta do Ramo Roxo
- Pai do noivo: Martin Aboba Seca
- Mãe do noivo: Quelementina Liodora Seca
- Padrinho da noiva: Escândio Chumbo da Prata
- Madrinha da noiva: Antonia Pereréca Grande da Prata
- Padrinho do noivo: Zé Pipoca da Pitanga Verde
- Madrinha do noivo: Juca verde Pimenta Pereira
- 1ºassistente: Saturnino Tremendo Home
- 2º assistente: Lobata do Maxixe Pôde
Casamento na Roça – Início da peça
Juiz: Pessoal que estão me ouvindo, estão aqui para se casar o Sr.
Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição e a Senhorita dona
Esmingarda da Mata do Ramo Rôxo. Se tiver por aí alguém que saiba
d´algum empedimento pode dizer agora, enquanto é tempo. Tô
esperando, pode falar!
Noiva: Mais num tem impidimento não seu juiz, nós semo mesmo é
livre e disimpidido; num é mêrmo Belxior? (x:ch =som)
Noivo: É pois é Esmingarda, oia o tamanho dessa pregunta do dotô.
Saturnino: (Fala para o pai da noiva): Seu Simpilíço, se eu fosse vós
mim cê, num deixava esse cabra casar cum sua fia não, ele num tem
nem um pedaço de roça, ele é um vagabundo, eu inté sube que´le é
casado e dexô a muié dele no Quixadá cum 10 fios pra criá. Agora sim
eu dava certo pra casar cum sua fia, eu tenho criação de porco, bode,
jabuti, e inté um parmo de roça já prantada de fumo.
Noivo: Num to dizendo mermo! Era só o que me fartava, tu diz isso é
pruquetu quer se casar cum ela, mais ela num te quer, se tu tem tudo
isso que tu dixe é pruque tu roubou, eu não tenho nada mais num sô
ladrão.
Pai da noiva: (Diz para o noivo): Oia home o que tu tá fazendo, bota
logo a carga abaixo, diz se tu tem mermo arguma coisa, minha fia
nunca passô fome, ela come de manhã, meio dia, de tarde e de noite.
O bucho dela sempre tá cheio.
Noivo: Num se procupe seu Simpiliço qui sá fia vai cumê muito piqui
com farinha todo dia e num vai passar má.
184
Juiz: Vamos deixar de cachorreira e vamos jogar esse casamento para
mais longe, porque o que o Senhor Saturnino disse é grave e não
posso fazer o casamento, visto que o homem é casado.
Noiva: Num é casado não seu dotô, eu já dixe, o Belxior nunca mintiu
e cumavera de mintir agora?
Mãe do noivo: Coitado do meu fio, cuma é que se alevanta um farso
dessa moda, meu fio é sorteiro.
Pai do noivo: Meu fio num é casado não seu dotô, posso lhe agaranti:
Taí o padrinho dele o meu cumpade Zé Pipoca da Pitanga Verde qui
diga apois ele cunhece meu fio desde minino, criança, bem pequeno...
Zé Pipoca: É verdade o que meu cumpade Martim dixe, sô inté capaz
de jurar cum a mão na briba cuma meu afiado num é casado.
Pai da noiva: (Fala zangado, puxando da cintura um facão): - Eu
quero é saber mermo se êxe cabra é casado, pruque se for eu quero
logo dá um insino nele e é pra já!!! (puxa pelo facão e risca no chão).
Noiva: - Num é casado não papai, arrenego dexe tal de Saturnino qui
só vei meter gosto ruim no casamento do zôto. Parece mais um bode
do que gente!
Mãe da noiva: Se acarme mia fia qui você vai casar. (E diz para o
marido): - Simpiliço, dexa de afobação, apois tu num sabe que ele é
direito e a famia dele também?
Pai da noiva: Num sei disso não Cricri Prepeta! Eu já tô é aguniado.
Madrinha: Apois é cumpade Simpiliço, tenha carma. (Fala para a
noiva). Num chore não mia afiada. Tudo vai dá certo.
Noiva: Eu só tenho raiva é da tal de Lobata, pruque ela foi quem
inventou qui o Belxior era casado, pruque ela era doida purele. Pragas
de seiscentos diachos!
Lobata: Praga não, miserável! Eu nunca fiz conta dexe cara de bode,
me arrespeite qui é mió, sua engraçadinha.
Noiva: Tu é doida mermo pelo Belxior, mais nem vai vê nem o apito
da lancha, quem vai casar cum ele é eu.
Juiz: (Fala zangado):- Vamos acabar com essa zueira, senão não vai
ter casamento nem nada.
185
Escrivão: Eu já tô quase doido! Tô cum medo é de briga, num posso
nem ficar de pé e nem inscrever, tô todo tremeno.
Pai da noiva; Eu já tou zuado, agora quem vai fazer êxe casamento é
eu, cuma é seu juízo, casa ou num casa os noivo?
Juiz: Eu também tô zuado com tanta zueira, casa sim Senhor
Simpiliço. Vamos seu escrivão, dê cá o livro. (pausa).
Juiz: (Pergunta):- Senhor Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição,
quer receber a senhorita Esmingarda da Mata do Ramo Roxo como sua
legitíma mulher?
Noivo: Quero Nhô sim, se não queresse num tava aqui, isperano tanto
tempo puressa progunta.
Juiz: (2ª pergunta): - A senhorita dona Esmengarda do Ramo Rôxo ,
quer receber o senhor Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição, coma
seu ligítimo homem?
Noiva: Isso num é nem pregunta qui si faça! Tô doida de vontade
qui o dotô mi preguntasse a pregunta. Quero sim, é tudo qui eu mais
quero.
Juiz: - Então, como disseram que querem, eu declaro casados, como
marido e mullher em meu nome. A noiva de hoje em diante passa a se
assinar com o nome de Esmingarda da Mata do Ramo Roxo da
Imaculada Conceição.
Juiz: (Diz para o escrivão):- Escrivão, o casamento no civil acabou,
lavre o termo perante a lei!
Padre: - Pessoal que tão presente, vocês escutaram o juiz fazer as
perguntas e os noivos, maridos e mulher. E abençoo: Em nome do
prato, do frito, do assado e amem-se. Agora as pessoas já podem jogar
arroz nos noivos que é para eles serem felizes. Viva São João e viva
São Pedro meu povo, viva!
Obs.: Na apresentação de peças, no final é recomendado jogar arroz e soltar foguetes logo em seguida.
*Texto fornecido pela 1ª secretária de Educação de Bom Jardim: Mirene Antonia dos Anjos.
186
11.4 O BUMBA-MEU-BOI EM BOM JARDIM
A cultura bonjardinense mantém viva suas tradições e manifestações como
bumba-meu-boi, que hoje constitui um aspecto fundamental na realidade local.
O primeiro Bumba meu boi de Bom Jardim, foi desenvolvido pelo senhor
Edson de Araújo de Oliveira, nascido em 10/05/1938, na cidade de Bacabal, o
mesmo veio morar em Bom Jardim em 1960, e em 1963, juntamente com o seu
irmão Raimundo Justino A. Oliveira confeccionaram o primeiro boi que se
chamava “Pena verde”, o mesmo foi criado em junho e morto em outubro.
Em junho de 1964, levantou o boi “Rei das ondas”, e em outubro, o
matou.
Em 1965, levantou o boi “Barra azul” e o matou. Levantou o boi “Mimoso”.
Em 1999, levantou o boi Mimo de São João.
Em 2001, levantou o boi “Mimo de São José”.
O senhor Edson passou 07 anos brincando por promessa. Seus principais
instrumentos são: tambores, matracas, roncador do boi etc. Seus componentes
são voluntários, convidados pelo mesmo. Afirma Edson, que seu boi está
desativado por falta de recursos.
Apesar das dificuldades, o bumba-meu-boi é visto e apreciado por aqueles
que participam dessas manifestações: cujos membros convivem como uma
verdadeira irmandade, onde vários contribuem para que esta manifestação seja
bem sucedida. Bom Jardim os festejos ocorrem no mês de junho no período das
festas juninas, a maioria dos brincantes têm como devoção esses dias como
pagamento de votos; essas promessas dedicadas aos santos da devoção.
Sabe-se que, atualmente, em Bom Jardim existe uma Associação Cultural
e Folclórica Bumba-meu-boi, tendo como presidente Manoel Messias, com sede
provisória sem fins lucrativos. Em vista dessa realidade, o senhor Moisés,
Messias e Antonio Góis, simpatizantes do bumba-meu-boi, conseguiram formar
essa associação, isto, com apoio de outras pessoas. No bumba-meu-boi do
município em estudo, os representantes costumam, portanto, manter uma dose
de conservação e de inovação, sendo ao mesmo tempo, igual e diferente a cada
ano. Nesse sentido, veja entrevista com Moisés (02/03 2005).
“O nosso boi misterioso apresenta-se em alguns terrenos, alguns pessoas as
vezes se deslocam dos seus lugares mais próximo para brincar e outros para
assistir a boiada. Os brincantes conservam o tradicional, e alguns apresentam
inovações nos trajes e cantigas”.
Devidos a falta de recursos e investimento cultural, o bumba-meu-meu em
Bom Jardim não apresenta grandes estéticas, deixando muito a desejar, levando
às vezes brincantes a desistirem, insatisfação no grupo e reclamação de várias
pessoas que desconhecendo o fato, tacham de “feio”, “fraco”, etc.
“A manifestação do bumba-meu-boi para muitas pessoas até hoje se “arrasta”.
Nosso boi, por exemplo, muitos chamam de“boi da cachaça”, e é visto como
coisa de pobre e bêbado. Além disso, ouve-se falar das reclamações de várias
pessoas que desvalorizam o nosso grupo”. (Moisés, 02/03/2005).
Desse modo, dentro da manifestação do bumba-meu-boi
bonjardinense pode-se perceber através dos depoimentos dos brincantes que
na maioria das vezes essas manifestações não têm incentivos financeiros,
sendo que os gostos para a realização das brincadeiras ficam por conta dos
187
participantes, o que acaba acarretando em um desestímulo a essas
manifestações. Esses fatores como a falta de incentivo financeiro e a falta de
apoio da comunidade na maioria dos casos são visto como uma forma de
desapreço, levando, portanto, uma baixa na valorização da referida cultura
(Bumba-meu-boi) no município. Onde vale lembrar que cada povo tem sua
cultura, de um povo é o que define sua identidade cultural no contexto e sua
existência, no mundo civilizado.
Mesmo com todos fatores desestruturais, o bumba-meu-boi em Bom
Jardim é uma manifestação cultural, que resiste e, comumente é
representado por alguns grupos de brincantes.
“O nosso boi Milagre de são João está com 30 anos de realização; muito
bonito, mas não tem ajuda financeira, apoio de nenhuma associação. Os
gasto e manutenção é. Por nossa conta; somos 20 brincantes, o nosso ritual
costuma ser em homenagem a São João e antes de brincarmos nós rezamos
e saímos com os santos de devoção pelos terreiros, não temos lugar fixo
para nossa diversão, mas nossa turma, mesmo assim, é muito animada,
brincamos até amanhecer o dia. Sabemos que tem pessoas que não gostam
das manifestações. Tendo hora para começar mas não temos hora para
terminar”.
(Pedro Maciel, Bom Jardim 07/01/2005)
O município de Bom Jardim apresenta todo um contexto
favorável para se ter um genuíno folclore de bumba-meu-boi; os dois
principais elementos que caracterizam esse folclore é o boi e o índio. E
isso o município apresenta bastante. Onde temos duas reservas
indígenas e a pecuária (boi) como o elemento número um na economia
municipal. No entanto o bumba-meu-boi que vem divertir a população
é geralmente de fora, até mesmo de municípios que não apresentam
tão favorável contexto quanto o bonjardinense.
Um dos bumbas-meu-boi mais famoso do Brasil conhecido
nacionalmente e televisionado é o Boi-Bumbá de Parintins, Amazonas.
Sendo realizado numa disputa entre os dois grupos de boi-bumbá.
Sendo eles: O caprichoso (boi preto) e o Garantido (boi branco) – os
quais disputam o titulo do Festival Folclórico de Parintins, nome oficial
da festa. O boi de Parintins foi exposto do Maranhão; o qual,
adequando-se ao contexto daquela região, representa as lendas e os
mitos da Amazônia.
Bumba-meu-boi com a dança indígena
exportado de outros municípios para
divertir o povo de Bom Jardim.
E a cultura local de Bom Jardim?
Fotos retiradas de Internet
188
Foto retirada de Internet, Parintins, 2006.
Rivalidade amazônica
Em Parintins, quem não é caprichoso é Garantido. Os
integrantes de um bumba nunca pronunciam o nome do outro (tratado
apenas como “contrário”). Durante a apresentação de um grupo, a
torcida adversária fica em silêncio absoluto, sob pena de perder pontos
na competição. Esse é o colorido Festival Folclórico de Parintins, na ilha
amazônica de Tupinambarana.
11.5 O AUTO DO BUMBA-MEU-BOI
A festa surgiu com o ciclo econômico do gado e sofreu influência
indígena, portuguesa e negra. A brincadeira é aberta a todos, homens
e mulheres, idosos e crianças, e conta a história de pai Francisco e
Catarina, sua mulher, que moravam em uma fazenda onde ele era
vaqueiro e escravo.
Grávida, Catarina desejou comer língua do boi de estimação do
rico fazendeiro e pede a seu marido que satisfaça sua vontade. Mesmo
contrariado, Pai Francisco atende ao pedido da mulher para que o filho
não nascesse com problemas de saúde.
Quando iniciou a matança, ele foi descoberto. O casal fugiu com
o animal, mas, sendo aquele o boi predileto do patrão, iniciou-se uma
busca. Depois de várias tentativas, os índios acharam os fugitivos e o
boi morto. Por esta razão, Pai Francisco é condenado à morte e só é
salvo porque um padre e um pajé ressuscitam o boi de seu amo (estes
personagens podem ser uma feiticeira, uma mãe-de-santo, ou
qualquer outro que tenha o domínio da magia).
Antes disso, Pai Francisco apanhou muito e foi obrigado a ajudar
no trabalho de ressurreição. O animal, então ressuscitou com grande
urro e o casal foi perdoado.
Surgiu uma festa com comidas, cantorias, danças à noite toda.
Os instrumentos específicos da festa são matraca, zabumba e
orquestra. Além desses existe o sotaque de Pindaré, também
conhecido como pandeirões. Esta festa, encenada pelo povo
189
maranhense, é também chamada de matança do boi branco, o negro e
o índio presente no inicio da formação do Brasil.
Para MARQUES, essa ideia de valorização do boi, remete a uma
mitologia em torno desse animal, suscitando um ciclo de rituais – vida,
morte e ressurreição do boi.
O boi como um animal indomável, que ninguém consegue
amansar, mas que acaba sendo vencido e morto pelo mais valente dos
vaqueiros. É assim que para o brasileiro rústico, o boi torna-se a
encanação dos princípios alimentares, da resistência e da fertilidade,
passando a significar tudo o que é necessário à vida.(MARQUES,
1999.P 72)
Na verdade, “[... ] em termos maranhenses, o bumba-meu-boi é
quase uma oração [...] (AZEVEDO,1983.P66), pois, a brincadeira é
realizada na intenção de homenagear São João através da organização
do boi e do cumprimento de promessas feitas a esse santo.
A morte e ressurreição deste animal revela-se numa sátira, onde
o negro e o índio lutam contra a opressão do branco.
Simbolizando a historia de luta do povo brasileiro, ressaltada na
análise das personagens que revelam os traços dos três agentes
étnicos e culturais presentes nas origens do brasileiro: o pai Francisco
encarna o negro africano (dominado), o fazendeiro, dono do boi,
representa o branco português (elemento, dominante), e o indígena,
protagonizado nos índios que perseguem Chico. De acordo com
CARVALHO (apud Barbosa, 2005),nesse confronto de classes, o
elemento ameríndio perde sua identidade ao devolver o bem perdido
(o boi) ao proprietário.
A homenagem do acontecimento pela vida do boi é manifestada
através de músicas e danças, que se tornam fatores de alegria e
descontração na festa do Boi. A recuperação do boi.
Histórico e interpretação do auto do Bumba-meu-boi
O bumba-meu-boi tem suas origens no período colonial
brasileiro, ligado no assunto, estes admitem a origem do bumba-meu-
boi no período colonial brasileiro, ligado ao processo do ciclo do gado.
[...]: O bumba-meu-boi é originado do ciclo econômico do gado no
Brasil, tendo realmente este folguedo a tríplice miscigenação, com
a influência das raças responsáveis pela nossa colonização: o
negro, o índio, e o branco. Os indígenas, como sabemos
alimentam-se da caça e da pesca, por conseguinte não possuíam
animais domésticos,. Supomos que a realização da colonização
brasileira foi iniciada com a expedição de Martim Afonso de Sousa,
tendo sido, pois, com eles, a vinda dos primeiros animais
domésticos. Começa a criação de gado nos idos de 1934, com a
iniciativa da esposa de Martim Afonso de Sousa, Ana Pimentel,
trazendo as primeiras cabeças de gado para a capitania de seu
marido (REIS, Apud Barbosa, 2005).
190
E dessa forma que o boi, ao longo do seu trajeto pelo interior do
Brasil, disseminou e povoou gerações, narrando sua história e
marcando sua importância, nutrindo populações, ajudando no trabalho
duro da lavoura, e através do seu ciclo reprodutivo servindo de renda
familiar. “[...] Mas também aparece como um elemento ativo e sempre
presente passando a ser percebido pelos negros e índios, seus
companheiros de trabalho, como símbolo de força, violência e
resistências, assim como de equilíbrio, calmas e solidez. (MARQUES,
1999.P 72). Foi a partir deste processo simbólico de valorização do
boi, que se originou a brincadeira do Bumba-meu-boi, pois se admitiu
no seu processo de formação e desenvolvimento, a contribuição
secreta dos três elementos étnicos e culturais: e a salvação da vida do
Pai Francisco, é uma represália a tirania dos fazendeiros e senhores
dono de engenhos na época colonial.
Procede-se que muitos aspectos do folclore bonjardinense estão
se reduzindo e sendo pouco praticados. Precisa-se resgatar o nosso
folclore, e avivá-lo antes que desapareça. A escola deve ser
transformada num instrumento de conservação da cultura, conjugada
a um centro cultural que congregue e mantenha viva essas tradições
que são nossa essência, alma e identidade do povo bonjardinense.
Ficou percebido nas pesquisas que o grupo cultural do bumba-
meu-boi segue sua marcha, resistindo apesar do desamparo e descaso
cultural.
191
11.6 Festas: Festival do peixe, Carnaval, Festejo de S.
Francisco de Assis, Festa do divino.
FESTIVAL DO PEIXE
Salomão da silva Pereira, nascido em 10/07/1950, foi o primeiro
a realizar esse evento em Santa Luz – no município de Bom Jardim.
O festival surgiu de uma conversa entre amigos sobre algumas
festas que já tinham visto entre eles “FESTIVAL DO PEIXE”, daí
surgiu então, a ideia de um 1º festival do peixe.
Esse evento teve início em julho de 1985, com duração de 12
horas, com patrocínio de Dr. Muniz para pagar a banda musical “MOÇO
BOSA”.
Salomão levou um saco de farinha, para ser servido com peixe,
10 mulheres para a distribuição da comida, e para a atração de todos,
um campeonato com 12 times de futebol.
O festival do peixe virou cultura, e centro de lazer em Bom
Jardim, e todos os anos, um grande número de pessoas do município e
outras localidades se divertem com três dias de festas realizadas
sempre no último final de semana de julho. O festival, além de
desenvolver o turismo local, gera renda e economia para os pequenos
comerciantes.
Santa Luz.
192
Festival do Peixe, 2013
CARNAVAL DE BOM JARDIM
O carnaval de Bom Jardim se transformou bastante comparado
com o que era antes. Muitas características e tradições
desapareceram. Nosso carnaval antes era brincando com máscaras e
fofões, noutras fases, os homens se maquiavam e saiam vestidos de
mulher e saíam com tambores nas ruas. Hoje o carnaval bonjardinense
ganhou um toque de estética na relação com o carnaval moderno das
grandes cidades, atraindo muitas pessoas de fora quando na disputa
dos blocos de rua.
Surgiram 3 blocos carnavalescos que disputavam o melhor
carnaval de rua em Bom jardim (com estética e ornamentação).
Sendo: Cobra Sem Veneno, Swing da Cor e Tribus da Folia.
Em 2008, novos blocos carnavalescos surgiram, entre eles:
Beber, cair, levantar, Porca que fuça, Gato safado e outros blocos
menores.
Bloco carnavalesco Beber, Cair, Levantar. Bloco carnavalesco Tribus da Folia
VAQUEJADAS EM BOM JARDIM
A agropecuária (agricultura e pecuária) bonjardinense, segundo o IBGE, corresponde a
77,4% da economia Municipal.
A agricultura responde por 21% da economia e a pecuária (criação
bovina), por 56,4%.
Evolução da Pecuária em Bom Jardim
Pecuária 1993 1994 1995 2000 2005 2006 2010 2013
Bovinos: nºde
cabeças/ano
59.716 62.702 65.210 75.133 141.23 144.45
5
169.045
cabeças
155.432
cabeças
Fonte: IBGE/2014.
Observa-se uma evolução crescente na produção bovina do município. Sendo que
nos primeiros dias de sua história, eram insignificantes os indicadores nessa
cultura.Atualmente, acima de 140.000 cabeças de gado, o município de Bom Jardim sempre
193
desenvolveu as famosas VAQUEJADAS com premiações aos ganhadores; e por outro lado,
contribui para o turismo e lazer no município favorecendo a venda de lanches, cervejas,
rendas, etc. ... Veja abaixo DVDs gravados das últimas vaquejadas realizadas em 2009.
1ª Grande Vaquejada no Parque J. Belém a 3 km da sede de Bom Jardim em 2009.
Org.: J. Belém.
1ª Grande Vaquejada realizada no povoado Galego, em Bom Jardim – MA, na Zona Rural.
1ª Grande Vaquejada realizada no Parque Nova Betel na área Urbana de Bom Jardim. Org.:
Josa e Riba.
FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO
O culto ao Divino Espírito Santo, em suas diversas manifestações, é uma das mais
antigas e difundidas práticas do catolicismo popular brasileiro. Sua origem remonta
às celebrações realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira
pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes e distribuição de
esmolas aos pobres.
Ainda na Idade Média teria aparecido em Portugal um monge considerado como um
santo. Depois de longos anos de retiro no deserto, foi-lhe revelada a vinda próxima
de uma nova era de relações entre os homens sobre a Terra: a época do Espírito
Santo. A humanidade teria já ultrapassado a época do Pai (o Antigo Testamento) e,
ao seu tempo, terminava o seu trânsito por sobre a época do Filho (o Novo
Testamento). Estaria para chegar ao mundo a época final, a do Espírito Santo,
marcada pelo advento de uma implantação definitiva da paz, do amor da bondade
entre todos os homens do mundo. [...] O monge voltou às cidades e procurou
difundir a revelação recebida, tida imediatamente como revolucionária pelas
autoridades eclesiásticas do seu tempo. Suas ideias proféticas conquistaram
inúmeros adeptos, logo perseguidos por uma igreja oficial, ao mesmo tempo
medieval e fechada. Segundo a versão, ‘ só em Portugal foram queimadas mais de
400 pessoas por sua crença no Espírito Santo’. Inúmeros adeptos de sua crença
migraram para o Brasil, logo depois de sua colonização e, depois da conquista dos
espaços mediterrâneos, ocuparam prioritariamente, antes as terras de Minas Gerais
e, depois, os espaços de Goiás e, em menor escala, os de Mato Grosso” (Brandão,
1978:65/).
A festa do Divino Espírito Santo realiza-se no Domingo de Pentecostes,
festa móvel católica, que acontece sempre cinqüenta dias depois da Páscoa, em
comemoração à vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo.
Desde um cafezinho até às esmolas propriamente ditas, tudo se pede cantando e
em nome do Divino Espírito Santo. As cantigas são significativas do universo
simbólico envolvido na festa do Divino:
“A bandeira aqui chegou
um favor quer merecer:
uma xícara de café
para os foliões beber”
Enquanto a dona da casa oferece o café, a “Bandeira”, com seus menestréis
adornados de fitas, e chefiados pelos “alferes da bandeira”, canta, por exemplo:
“O divino entra contente
nas casas mais pobrezinhas
194
toda esmola ele recebe
frangos, perus e galinhas”
O Divino é muito rico
Tem brasões e tem riqueza,
Mas quer fazer sua festa
Com esmolas da pobreza”.
A festa do Divino Espírito Santo no Maranhão
Dentre os muitos festejos que fazem parte da cultura popular do Maranhão, a festa
do Divino Espírito Santo se destaca como um dos mais importantes, por sua ampla
difusão e pelo impacto que tem sobre a população. Hoje, existem dezenas de festas
do Divino espalhadas por todo o Estado, levando adiante uma tradição viva e
dinâmica, em que se destaca a beleza do repertório musical.
Toda a festa do Divino gira em torno de um grupo de crianças, chamado império ou
reinado. Essas crianças são vestidas com trajes de nobres e tratadas como tais
durante os dias da festa, com todas as regalias. O império se estrutura de acordo
com uma hierarquia no topo da qual estão o imperador e a imperatriz (ou rei e
rainha), abaixo do qual ficam o mordomo-régio e a mordoma-régia, que por sua vez
estão acima do mordomo-mor e da mordoma-mor.
A cada ano, ao final da festa, imperador e imperatriz repassam seus cargos aos
mordomos que os ocuparão no ano seguinte, recomeçando o ciclo.A festa se
desenrola em um salão chamado tribuna, que representa um palácio real e é
especialmente decorado para este fim. A abertura e o fechamento desse espaço
marcam o começo e o fim do ciclo da festa, durante o qual se desenrolam as
diversas etapas que, em conjunto, constituem um ritual extremamente complexo,
que pode durar até quinze dias: abertura da tribuna, buscamento e levantamento do
mastro, visita dos impérios, missa e cerimônia dos impérios, derrubamento do
mastro, repasse das posses reais, fechamento da tribuna e carimbó de caixeiras.
Entre os elementos mais importantes da festa do Divino estão as caixeiras, senhoras
devotas que cantam e tocam caixa acompanhando todas as etapas da cerimônia. As
caixeiras de São Luís são em geral mulheres negras, com mais de cinqüenta anos,
que moram em bairros periféricos da cidade. É sua responsabilidade não só
conhecer perfeitamente todos os detalhes do ritual e do repertório musical da festa,
que é vasto e variado, mas também possuir o dom do improviso para poder
responder a qualquer situação imprevista. As caixeiras do Divino são portadoras de
uma rica tradição que se expressa nas cantigas que pontuam cada uma das etapas
da festa.
Uma das formas de representação do Espírito Santo é uma pomba branca
O culto ao Divino Espírito Santo no Maranhão provavelmente teve início
com os colonos açorianos e seus descendentes, que desde o início do
século XVIII começaram a habitar a região. Em meados do século XIX, a
tradição da festa do Divino estava firmemente enraizada entre a
população da cidade de Alcântara, de onde teria se espalhado para o resto
do Maranhão, tornando-se muito popular entre as diversas camadas da
sociedade, especialmente as mais pobres. Essa popularidade entre os
195
setores mais humildes da população maranhense, inclusive os escravos,
talvez possa ser explicada pela ênfase não só na fartura, mas também na
fraternidade e na igualdade, que o culto ao Divino costuma apresentar.
Festa do Divino – Popular em Bom Jardim
A Festa do Divino Espírito Santo foi trazida a Bom Jardim no ano
de 1987, por Maria Soares Silva, nascida em 10/12/1932, em uma
entrevista, a mesma afirma que começou a festejar porque logo que
chegou aqui encontrou na casa a ‘pomba’, em cima de uma mesa.
Clodomiro Bezerra da Silva (falecido), seu filho, achou que deveria
festejar justamente pelo fato ocorrido.
A festa do Divino é móvel. Quarenta dias depois do Domingo da
Ressurreição a quinta-feira de ascensão do Senhor (dia da hora), dez
depois é Pentecostes, dia do Divino Espírito Santo.
O Divino tem um significado muito importante que é Deus e
tendo como símbolo a POMBA.
SUPERSTIÇÕES
 Chamar pra vir embora de cemitério (almas
acompanharão).
 Se cair no cemitério (será a próxima vítima).
 Passar por baixo de escada (azar).
 Pisar no rabo de gato (perde o casamento).
 Gato preto em dia de sexta feira (azar).
ARTESENATO
No artesanato de Bom Jardim, encontramos um variado número
de produtos: balaios, artesanato de madeiras, crochês, lembranças,
bordados pontos de cruz e vagonite (em tolha de banho, de mesa,
guardanapo, pano de geladeira e colcha de cama), tapete de linha, de
tecido, pintura e tapete bordado. Esses trabalhos são feitos por
inúmeras pessoas, que sem recursos e apoio para ampliar mercado,
conduzem o artesanato no município. Sendo aproximadamente 70
pessoas que praticam essa atividade, distribuídas em todo município.
Percebe-se a necessidade de exposição ou EXPOEB para exportar e
vencer a produção artesanal que se produz no município.
O município tem possibilidades potenciais humanas que precisam
de fomento e amparo de políticas públicas para que se desenvolva e
exporte o que se produza em artesanato.
196
12 LENDA: PADRE CORDEIRO “A EXCOMUNHÃO”
Muitas pessoas, ao longo da história de Bom Jardim percebendo tragédias
nas vidas de muitos prefeitos que morreram assassinados, e o atraso pelo qual o
município passou e ainda passa, chegam a especular que tudo isso seja resultado
de uma maldição que o padre Cordeiro jogou sobre a cidade em 1964, assim se
pensava.
Maldição de Padre Cordeiro é um fato histórico na questão religiosa no
município de Bom Jardim que aconteceu nos anos 60, quando o município ainda era
povoado de Monção. Neste contexto, Padre Cordeiro era tido como o Padre da
Freguesia, o qual vinha duas vezes por ano celebrar missas.A dita igreja do então
povoado pertencia a Diocese de Penalva.
Nesse tempo as missas funcionavam numa pequena capela, em cujo local é
hoje a Praça Governador José Sarney. Pois bem, o referido Padre convocou a
comunidade para num comum acordo promover ações para arrecadar fundos para
construir a igreja. Para isto, e diante a demora (retorno) ao povoado, constituiu um
representante por nome M. S. o qual ficaria encarregado de receber a captação dos
recursos dos eventos realizados.
Segundo relato do Senhor Sibimba, o “fiel” representante que ficara incumbido
de receber dinheiro dos eventos, tinha uma boa condição (fazenda e cartório), e o
mesmo, pegou o dinheiro da igreja e construiu a casa dele e apenas um abrigo no meio
da praça (onde era pra ser a construção da igreja).
Quando Padre Cordeiro retorna, viu a capelinha do mesmo jeito. Contaram tudo
que havia sucedido... sabe como é povoado! Lugar onde todos conhecem todos e se
dar definição de tudo nos mínimos detalhes.
É quando um padre vira uma onça! E no Sermão à noite, na dita capelinha, - se
referindo ao dito cujo que havia “mal investido” o dinheiro da igreja, e citando nome, E
como se fosse uma anátema sobre o dito moço:
“M. S., tudo que tu tem vai aumentar como a sola do sapato no fogo”. (ironia)
E, de acordo com relato de Senhor Sibimba e outros da época, uma sequência
de coisas ruins aconteceram em seus negócios. Uma onda de acontecimentos
negativos.
E mais uma vez constituiu outro representante para captar o recurso dos
eventos e ações para a construção da igreja, o Senhor Valdivino Amorim. E de modo
correto aconteceu, a igreja foi construída não no mesmo lugar, mas a Igreja Matriz (São
Francisco), a primeira igreja construída no município pela ação e iniciativa da
comunidade.
Dessa forma, fica constatado que a maldição de Padre Cordeiro, ou anátema
não era sobre Bom Jardim, e sim sobre quem “pegou”/desviou o dinheiro da igreja.
Um fato curioso ficou evidenciado nas adjacências onde era a
igreja:Atualmente, a praça José Sarney é conhecida por muitas pessoas como
“praça das viúvas”, pois lá há muitas viúvas. O padre Cordeiro ainda é vivo e reside
na cidade de Viana.
Essa história trata-se de uma lenda, porque, além de ser um fato histórico é
considerada uma tradição popular, que é transmitido de geração em geração. Com o
passar do tempo, essa história vem sendo modificada pela imaginação do povo, ou
seja, cada pessoa que conta, conta de uma maneira diferente.
197
A lenda da “maldição de Padre Cordeiro”, no imaginário popular era tida como a
causa de muitas coisas estranhas que ali se passavam, como: assassinato, suicídio
e assim como toda forma de desordens, inclusive e principalmente o atraso local.
Era tão acreditável a lenda da “maldição”, que a igreja com o aval da comunidade
resolveu consagrar a localidade a uma santa. Porém, ao transcorrer dos anos que
se sucederam, veio a mostrar que os fatos negativos da crença da maldição
continuaram a persistir, a existir, inclusive o atraso.
12.1 CANTORES E ESCRITORES DA TERRA
12.2 CANTORES DA TERRA
No campo da música Bom Jardim apresenta 10 cantores, todos
com lançamentos de CDs. Os cantores da terra e respectivos lançamentos
são:
 Onildo Reis - Nascido em Bom Jardim, em 09/10/1967, filho de
Raimundo dos Reis e Maria de Lourdes Ferreira, também foi artista
plástico, com 17 anos. Lançou seu primeiro CD em 2000, com
músicas evangélicas. Título: “Desperta igreja”. Segundo CD em
2005, cujo título é: “Amigo verdadeiro”.
 Edilonildo Rodrigues da Silva, nome artístico “Hede
Rodrigues”
Nascido em 10/03/1982, filho de Francisco José da Silva e Zeneide
Rodrigues Silva, afirma que começou a cantar em aos oito anos de
idade, além de cantar muito bem, Hede Rodrigues também é
compositor. Seu pontapé inicial foi a partir de um show de calouros
promovido na escola Ney Braga, onde foi destaque e saiu em primeira
colocação.
Lançou seu primeiro CD em 2002. Título: Será se pensa em mim?
 Antonio Feitosa (Tony Feitosa):
Nascido em Anajatuba e criado no Vale do Pindaré. Residente e
domiciliado em Bom Jardim.
1º LP em Manaus em 1994 - Título: Amor profundo.
2º CD em Belém. Título: Moto Honda. Em 1996.
3º CD em Santa Inês em 2000. Título: Tony Feitosa em ritmo de
seresta.
4º CD em São Paulo na Gravadora Gemas/ em 2002. Título: Nos
braços de outro alguém.
5º CD em 2003. Título: As melhores de Tony Feitosa. Gravadora:
Atração.
 Érik Cardoso:
1º CD gravadono início de 2002. Estilo: em ritmo de seresta.
Título: “Vou lhe entregar meu coração”.
 Ribamar Soares: (pedreiro)
198
1º CD EM 2000. Música evangélica. Título: “A essência do amor”.
 Amigo Baiano
1ºCD em 2000. Músicas bregas.
 Jéssica Silva Matos, nascida em 07//09/1990, filha de Francisco
Ataíde André de Matos e Gecilene Machado Silva. Ela sendo
evangélica, começou a cantar aos 03 anos de idade, já se
apresentou em vários eventos, por motivo de situações financeiras,
Jéssica nunca conseguiu gravar seu 1º CD.
 Dino Clemente
Cantor e compositor de todas as suas músicas.
1º CD em 2001. Título: Já quebrei a cama.
2ºCD: - EM 2003. Título: Voltei pra te ver.
Volume 5: Ela me disse adeus.
 Dinamarcos
Cantor do Piragodê. Estilo: dançante humorista.
2 CDs: 1º- Piragodê 2º - Quero comer, mulher! / Taca o pau na cara dele.
 J. Pacheco
1- CD. Título: Nas ondas do brega.
Residente em Novo Caru
 Celso Batista
1 CD EM 2011. Título: “Sempre te amo”. Estilo musical: Músicas bregas.
 Flávia Maranhão
1 CD em 2012. Título: “Em ritmos de Arrocha.”
 Antonio Passarim
Compositor e poeta, tem de cor todas suas músicas, mesmo sem ter gravado,
mas possui mais de 20 músicas.
Sua músicas são em ritmo de brega, foclore e forró.
 Adenilton Santos “O Lobo Solitário”
Bonjardinense, residente no povoado KM18, “Lobo Solitário”, como é conhecido
Adenilton Santos, já gravou 7 CDs. Os ritmos de músicas de seu gênero musical, em
grande parte é brega, e com menor densidade o ritmo arrocha. Título dos CDs
gravados:
1. Amor dividido;
2. Eu sempre joguei;
3. Amor de mãe;
4. Amor carrapicho;
5. Mulher madura;
6. Briga e se ama;
199
7. Amor de primavera.
Atualmente, morando em Povoado KM 18, promove eventos culturais como Shows
de Calouros e eventos de shows pelas comunidades.
 Rei Salomão
O cantor Rei Salomão iniciou sua jornada cultural no mundo da música como
cantor gravando seu primeiro cd em 2009, gravando ao todos quatro cds, e suas
músicas no estilo Bolero ou serestas, os quais foram:
1- Em 2009: Meiga Senhorita;
2- 2010: Boate Azul;
3- 2011: Verônica;
4- 2013: Dama de Vermelho.
OS ESCRITORES DA TERRA
 Jesus Tavares Pinheiro: Nascido em 13/01/1951, cearense, filho de
Joaquim Tavares Pinheiro e Maria de Lourdes Fidélis Pinheiro, cearense.
Afirma ter vindo a Bom Jardim em 1977, a um convite feito por seu
cunhado Miguel Alves Meireles, (prefeito da época), para assumir o cargo
de secretário de Administração, esse convite foi aceito e assim, passou a
morar em Bom Jardim.
Ao chegar, achando que Bom Jardim não tinha como se identificar, teve a
ideia de fazer a letra do hino, inspirada na própria cidade, a música é de autoria
de sua esposa Maria de Fátima Queiroz.
O hino foi oficializado pelo Decreto Lei de 31/04/1979.Jesus também foi
Funcionário Público, professor de história e, em 1988 escreveu seu primeiro livro
“Meus versos - minha vida”.
Em 1992, foi professor de Direito e Legislação. Jesus diz: “Escrever é um dos
meus “hobby” preferido, e mais, seu maior sonho era poder ter cursado a
universidade em 2001 com os alunos do PROEB (não pode fazer por razões
políticas que bloquearam seu acesso).
Ele não para por aqui, continua escrevendo e faz planos para lançar
mais umas de suas obras. Atualmente está trabalhando no município de São
João do Caru.
 Cícero Aguiar Neto: Professor de larga experiência, erradicado na região
do Vale do Pindaré a 10 anos. Casado, tem três filhos.
Obras: Sutilezas da poesia. Ano: 2001.
Não chegou a lançar, por falta de patrocínio e apoio cultural.
 Isías do Maranhão:
Autor dos livros:
-Odisséia da Expiação. (publicada em 1995)
-Setembro da Poesia
- Duzentos quilos de miséria (poesia)
- A navalha do futuro.
 Antonio Siqueira
Formação: Pastor e formado em Psicologia clínica
Autor dos livros:
-O poder da visão
200
-Levando a sério o adolescente
-Quando Deus nos escolhe.
 José Maria da Conceição – conhecido por Zé do Binoca
Escreveu os livros:
- Estudo escatológico – em 2000.
- Namoro, noivado e casamento – em 2001.
- Educando a família à luz da Bíblia – em 2005.
Por falta de apoio e recursos não chegou a publicar.
 Adilson Motta: Formado em Letras pela Universidade Federal do
Maranhão (UFMA em 2005). Autor dos livros:
- Radiografia de Bom Jardim –MA. História e geografia.
(Contribuindo para uma educação contextual). Ano: 2005.
- Linguagem e exclusão social. (Recomendado para todo bom
cidadão)-2005.
- Contextual and Interpersonal English. Bom Jardim – Maranhão -
Ano: 2006.
- É um prazer me conhecer: Parauapebas/Pará (História, Geografia
e Cultura) – Contribuindo para uma educação contextual. Ano:
2006
- Escritos Políticos à Minha Terra. Ano: 2012
- Sintonia: Poemas, Crônicas e Contos; ano; 2010-2012
- Vale: Privatização – A Saída ou o Fundo do Poço?
- História de um comunidade na região Carajás: Vila Sansão
Assim como muitos outros colegas, que não tiveram apoio cultural naquilo que
produziam de cultura, os quatro livros acima , produzidos por mim (Adilson
Motta) não tive apoio cultural para lançamento. O livro de Bom Jardim, como não
tive apoio também, fiz uma doação em CDs em PDF ao povo de Bom Jardim.
 Chico Tupam: Residente em Bom Jardim desde os primórdios de
sua fundação, publicou o livro:
Sete histórias em Cordel - Literatura Maranhense
 Neila Matias de Souza. Em nome de Deus: cavalarias, igreja, pecado e salvação no
Ocidente Medieval (Séc. XIII).
16.1 TEATRO
O Teatro Vida foi uma ideia de Irmã Esperança para tirar as crianças e
jovens da rua. O Projeto Vida desenvolveu atividades como: Culinária,
corte e costura e artes como: Artesanato, crochê, bordado,
lembrancinhas, etc.
Irmã Esperança Dettori, natural da Itália, faz parte da
congregação missionária “Filhas de Jesus Crucificado”.
O teatro deu início no ano de 1993 com 25 componentes, tendo
como primeiro diretor: Marcos Bom Jardim.
O teatro se dividiu e o grupo passou a ser chamado “Teatro
Reviver”, o motivo foi não concordarem com algumas regras.
201
Novamente, em 2004, os dois grupos de teatro se uniram. No entanto, os
grupos foram extintos em 2006. Atualmente o Projeto Vida além de
funcionar como creche, ministra aula de informática e ou computação,
bordados etc.
12.3 ARTES PLÁSTICAS
Como podemos compreender o que são as artes plásticas? A
grande maioria das pessoas sabe que pintura e escultura fazem parte
desta denominação, mas então porque artes “plásticas”? O pintor usa
tinta sobre algum tipo de superfície, o escultor cria formas na madeira ou
na pedra, entre outros materiais. O que tem o plástico a ver com isso?
Para compreender estas denominações precisamos retroceder um
pouco e entender - o que é arte? A arte não finda com as Artes Plásticas,
as Artes Cênicas, a Literatura, a Arquitetura, o Cinema, as Narrativas
Televisivas e as Histórias em Quadrinhos.
Por boa parte da história a terceira das artes representava tudo
aquilo que era belo. A palavra “arte” vem do latim Ars,que significa
habilidade. O artista era o habilidoso executor de uma função específica.
As “Artes Plásticas” não são nada mais que a capacidade de
moldar, modificar, reestruturar, re-significar os mais diversos materiais
na tentativa de conceber e divulgar nossos sentimentos e,
principalmente, nossas ideias.
Em Bom Jardim, as artes plásticas foram desenvolvidas pelos seguintes
nomes abaixo:
 Francisco Oliveira de Jesus (Conhecido pelo nome de Reis):
Nascido em 08/08/1959, filho de Pedro de Jesus e Luiza Oliveira de
Jesus.
Reis afirmou que começou a pintar em 1979, seu primeiro trabalho em
quadro foi “A igreja de Roma”.
 Domingos Mota da Silva: Nascido em 04/08/1974, filho de
Antonio Sutero e Doracir Mota da Silva, desenvolveu seu 1º
trabalho em 1985, com 12 anos de idade (Histórias em
quadrinhos).
 Antonio Vilson Oliveira Silva: nascido em 10/01/1972, filho de
José Oliveira e Anilda Oliveira da Silva.
202
Vilson se destacou como um dos melhores na arte plástica de Bom
Jardim, afirmou sua irmã Marlene. Começou a desenvolver seus
trabalhos artísticos com sete anos de idade, e que até ficou reprovado
(por razões tais).
Atualmente, Vilson vive em São Paulo, nas horas vagas aproveita para
pintar.
Exposição de Obras de arte do artista plástico Reginaldo Pereira, natural de Bom
Jardim – Maranhão. Já apresentou suas obras até fora do país.
Reginaldo Pereira
Obras de Reginaldo Pereira, artista plástico de Bom Jardim Maranhão.
203
12.4 Aspectos desportivos
O esporte principal praticado no município é o futebol de salão e o
de poeira - onde o município apresenta 29 times esportivos. Sendo 12
times da zona urbana e 17 da zona rural. São realizados campeonatos
municipais para selecionar os melhores com premiações e troféus na
definição do campeão dos campeões.
Ainda não participa de campeonatos municipais, ficando um
futebol isolado. Percebe-se, portanto, a necessidade de exportar o futebol
de Bom Jardim, e inserí-lo nos torneios maranhenses. Para que não fique
só na “poeira”.
Nome dos times de futebol de Bom Jardim
Zona Urbana
Boca da Mata
Jovem Pan
SESB
Estrela Vermelha
15 de Novembro
Goiás
Palmeira
América
Satélite
Roma
Filadélfia
São Paulo
Fonte: Secretaria de Esporte/2004.
Zona rural
Nascimento Cassimiro
Novo Caru Vila Bandeirantes
Três Olhos D´água Rosário
Tirirical Santa Luz
Igarapé dos Índios São Pedro do Caru
Canaã Escada do Caru
Galego
Rapadurinha
Oscar
Turizinho
KM 18
Gurvia
Jogadores de Bom Jardim e
Secretário de esporte Luiz do
Zezé.
Estádio Municipal José Moreira de
Araújo (Zezão). Construído na
administração de Dr. Roque Portela.
204
IMAGENS ANTIGAS DA SELEÇÃO BONJARDINENSE DE FUTEBOL
Fonte: Esquerdinha. Acervo pessoal. 2017.
Fonte: Esquerdinha. Acervo pessoal. 2017.
RALLY: BOM JARDIM / SÃO JOÃO
Outro evento desportivo que
a cada ano ganha amplitude e
aumento no número de
participantes e que envolve
os municípios de Bom
Jardim e São João do Caru é
o RALLY, cuja época
favorável para a prática do
esporte é o período chuvoso
como revelam as fotos
abaixo.
205
Fontefoto: www.bomjardimma.com, 2013
Fonte foto: www.bomjardimma.com
12.5 A CAPOEIRA
O município apresenta também desde 1996, um grupo capoeira composto de 28
membros. Tendo por objetivo a prática desportiva, além de ser usada como defesa
pessoal. O grupo não tem um local próprio, reunem-se para o treino dessa prática
em local público com apresentações para divertir o povo em geral. Em 2004 foi
construído um centro cultural cujo objetivo era congregar e fomentar todas as
culturas no município (que, no entanto, se encontra fragilizada).Na gestão de Roque
Portela, o ponto foi solicitado para o CRAS (Centro de Referência de Assistência
Social). A partir de 2000 Hélio da Capoeira, como é conhecido, acampou conquistas
no âmbito da capoeira local, entre elas, o reconhecimento institucional da capoeira
como prática legal e reconhecida na cultura e educação do município. Outros nomes
também deram sua contribuição como: Elissandro, Ricardo Matos e outros. Em
2013, o grupo capoeira de Bom Jardim possui vários praticantes nos povoados e ou
zona rural.O grupo se organiza juridicamente em torno daAssociação Cultural de
Capoeira Escravos Brancos, que é um instrumento de representação política e de
interesses da classe.
História da Capoeira
O Brasil a partir do século XVI foi palco de uma das maiores violências
contra um povo. Mais de dois milhões de negros foram trazidos da África,
pelos colonizadores portugueses, para se tornarem escravos nas lavouras
da cana-de-açúcar. Tribos inteiras foram subjugadas e obrigadas a cruzar
o oceano como animais em grandes galeotas chamadas de navios
negreiros. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os portos finais da
maior parte desse tráfico.Ao contrário do que muitos pensam, os negros
não aceitaram pacificamente o cativeiro.A história brasileira está cheia de
episódios onde os escravos se rebelaram contra a humilhante situação em
que se encontravam. Uma das formas dessa resistência foi o quilombo;
comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil
acesso. Geralmente em pontos altos das matas. O maior desses
206
quilombos estabeleceu-se em Pernambuco no século XVII, numa região
conhecida comoPalmares. Uma espécie de Estado africano foi formado.
Distribuído em pequenas povoações chamadas mocambos e com uma
hierarquia onde no ápice encontrava-se o rei Ganga-Zumbi, Palmares
pode ter sido o berço das primeiras manifestações da Capoeira.
Alguns historiadores defendem que a Capoeira nasceu como luta, com o
objetivo dos negros se defenderem dos Capitães de Mato (homens que
recebiam recompensas para recapiturarem negros fugidos), das diversas
expedições que eram enviadas pelo governo e administradores de
fazendas, para destruir os quilombos (redutos de negros fugidos). O
QUILOMBO era uma verdadeira cidade, que tinha como Rei Zumbí, o
grande guerreiro General das Armas.
Depois de derrotarem quase 30 expedições, o governo contratou
as tropas de Domingos Jorge Velho um exército poderosíssimo, (só 130
anos depois na guerra da independência que se viu um exército maior),
destruiu completamente Palmares, onde os negros só lutaram com
pernadas, braçadas, cabeçadas, armas feitas de madeira e a criatividade
enfrentando canhões e etc....
Em 1890 o governo federal baixou um decreto proibindo a
capoeira, mas, a partir de 1800 já se tinha notícia de pessoas presa por
prática da capoeiragem, qualquer pessoa que fosse vista praticando-a
seria presa e até mesmo deportada para os países dos quaisvieram.
Desenvolvida para ser uma defesa, a Capoeira foi sendo ensinada aos
negros ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos
engenhos. Para não levantar suspeitas, os movimentos da luta foram
sendo adaptados às cantorias e músicas africanas para que parecessem
uma dança. Assim, como no Candomblé, cercada de segredos, a Capoeira
pode se desenvolver como forma de resistência.
Do campo para a cidade a Capoeira ganhou a malícia dos escravos de
'ganho' e dos freqüentadores da zona portuária. Na cidade de Salvador,
capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas
populares e reforçavam o caráter marginal da luta. Durante décadas a
Capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da sua prática deu-se apenas
na década de 30, quando uma variação da Capoeira (mais para o esporte
do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente,
Getúlio Vargas.
A partir da década de 30 deste século, após um enorme período
de marginalização, a Capoeira foi reconhecida então como arte brasileira.
Hoje existem milhares de capoeiristas espalhados pelo mundo,
praticando essa forma de arte, luta e dança surgida no Brasil.
Capoeira como Educação Física: é a atividade física que mais
trabalha o corpo. Desenvolve os domínios PSICOMOTOR, AFETIVO-SOCIAL
O COGNITIVO e todas as qualidades físicas.
207
Principais características da capoeiragem
A capoeiragem é uma luta em que os executantes se valem dos pés,
das mãos e da cabeça para bater no adversário ou derrubá-los. Baseia-se na
utilização do peso do corpo num sistema de alavancas com as pernas e os
braços. A semelhança das lutas japonesas, a destreza e a agilidade importam
mais que a força muscular. É uma luta essencialmente agressiva: o capoeira se
defende atacando. A sua principal vantagem, com relação às outras lutas, é o de
haver possibilidades de o praticante poder se defender de vários atacantes não
mesmo tempo.
Um instrumento de percussão, o berimbau, é usado para auxiliar a
aprendizagem da “ginga”.
Grupo Capoeira em Bom Jardim.
Grupo de capoeiras de Bom Jardim/
MA.
208
13 INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS (Evolução Histórica em Bom
Jardim)
Os indicadores das religiões em Bom Jardim estão assim distribuídos,
conforme IBGE, 2012:
Fonte: IBGE, 2012
IGREJA CATÓLICA
Em Bom Jardim o catolicismo teve início já com os primeiros moradores,
pois os mesmos eram católicos. A igreja católica em Bom Jardim foi
fundada em 1968 pelo Padre Cordeiro e frei Abdias, que ainda não havia
se consagrado Padre, mas a ele competia o papel de evangelizar. A
primeira missa foi celebrada pelo padre Cordeiro que, ainda sem local
apropriado, a missa foi realizada em um salão. A primeira igreja foi
construída na praça Governador José Sarney, mas como na frente da
referida igreja foi construído um abrigo no qual funcionava um bar, o
padre não aceitou a ideia e, com desavenças, resolveu mudar o local da
igreja que passou para a praça São Francisco de Assis. Junto com a
referida igreja, foi também construída a casa paroquial. Os primeiros
padres residentes em Bom Jardim foram: Frei Antonio Sinibalde, Frei
Alexandre e Frei José. Frei Antonio Sinibalde faleceu em um naufrágio em
São Luís, na Ilha do Medo, na praia do Boqueirão, na manhã no dia 07 de
setembro de 1987. Após os referidos freis, aqui residiram Padre Carlos
Ubialli, também Já falecido em acidente no dia 04 de março de 2001,
Frei Eduardo, Frei Mário, Frei Guidi, Frei Carmine de Michelle, Frei
Valadares, Frei Clever Mafra e atualmente, Frei Francisco Conceição
Ribeiro.
Na igreja católica de Bom Jardim já foram (formados) ordenados
três padres: Padre Evangelista, Frei Antonio Cruz e Frei Francisco Sales.
Além da Igreja matriz o município já conta com cinco Capelas
que são:
São Bernardo, Nossa Senhora Aparecida, Santa Madalena, Santa Luzia,
São José e Nossa Senhora Imaculada Conceição. A paróquia promove
várias festividades religiosas, entre as quais destacam-se as seguintes:
 Natal com novena;
 Páscoa e Semana Santa;
76,9
16
7,1
0
20
40
60
80
100
Indicadores das Religiões
em Bom Jardim (%)
209
 Santa Luzia com novena e procissão;
 São João Batista com fogueira e Bumba-meu-boi;
 São Francisco de Assis, Padroeiro da cidade, com procissão e
festejo.

FESTA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS
A festa de São Francisco de Assis é de homenagem a Francisco
de Assis, o padroeiro da cidade, cujos festejos são realizados num
período de duas semanas, e seu encerramento dia 04 de Outubro, dia
consagrado São Francisco de Assis com procissão, missa, ladainhas,
leilões, barraca com comida típicas e festas dançante, onde se faz
presente todo o ano o Parque de Diversões São Francisco.
O festejo de São Francisco de Assis é celebrado aos 4 de
outubro. No decorrer do festejo realizam-se na praça da Matriz: leilões e
especiarias em prolda Matriz.
Fonte: Agora Santa Inês.com.br,2013
A paróquia se ocupa da juventude, pois a finalidade é despertar os
jovens para uma consciência mais crítica da realidade social, política e
econômica da sociedade, tendo como base a fé em Jesus de Nazaré, primeiro
evangelizador e transformador dos homens e mulheres do mundo. Desenvolve
também trabalhos como: conscientização quanto às drogas, prostituição, etc.
O primeiro casamento na paróquia de Bom Jardim foi de José Rosa de Lima com
Maria de Jesus, no dia 14 de janeiro de 1969.
Igreja Católica de Bom Jardim – MA
Festejo e procissão de São
Francisco arrastam uma
multidão de fiéis em Bom
Jardim 2013.
210
Fonte: www.bomjardim.com.br
Nova igreja Matriz inaugurada em 2013.
Prefeito Gildásio Ferreira Brabo, Padre Frei Antonio Sinibalde e Comunidade
fazendo a recepção do Bispo Dom Adalberto no aeroporto de Bom Jardim.
CONGREGAÇÃO MISSIONÁRIA FILHA DE JESUS CRUCIFICADO
A Congregação Missionária das Filhas de Jesus Crucificado foi
fundada em 8 de dezembro de 1925 tendo como fundador o Padre
Salvador Vico.
As missionárias filhas de Jesus crucificado desenvolvem, hoje na
Itália, Brasil e Zaire, uma obra de evangelização e de promoção humana
animadas de uma espiritualidade sacerdotal e operativa.
Esta congregação chegou em Bom Jardim em julho de 1977,
sendo fundador o Padre Frei José. As primeiras irmãs que aqui chegaram
foram irmã Geovana, já falecida, Adélia, superiora, Carla, Eliza, Esperança
e Naíde. A casa da congregação foi dada pela comunidade e sua estrutura
era de taipa.
Já se consagraram nesta cidade, várias irmãs, dentre elas irmã
Célia, Delzenir e Íris.
Para uma missionária se consagrar é preciso no mínimo 04 ou 05
anos, 02 anos de postulado e 02 de noviciado e mais 5 anos de estudos
para a profissão se perpetuar.
211
As irmãs trabalham com a pastoral da criança e formação de
líderes comunitários, são responsáveis pelo Projeto Vida que é mais uma
forma de ajudar os adolescentes a ficarem longe do mundo das drogas e
da prostituição. A forma de ajudar é dando Cursos profissionalizantes,
culinárias, artesanato, bordados, informática, etc. A madre superiora geral
é a irmã Placídia, que reside na Itália.
Grupo Homens do Terço em Bom Jardim
2019.
O Movimento religioso Homens do Terço ligado à Igreja Católica teve o seu início em Bom
Jardim em 02 de Abril de 2008 idealizado pelo senhor Lourival Dias, incentivado pelo contato
de encontros diocesanos em outras cidades maranhenses. O inicio o movimento começou com
a participação de 13 membros, coo-fundadores (Lourival, Bernardo “Nem”, João da Silva
Sales, Bernardo Marreiros, Dionísio Fialho, Max Artur, José Clauster, Antonio Francisco,
Lourisvaldo Pereira, Raimundo Nonato, conhecido “Sibimba”, Manoel da Conceição,
Raimundo Ferreira. Outros membros aderiram, e atualmente conta com um bom número de
participantes no município.
Convento das Freiras
212
PROTESTANTISMO
Essa corrente do Cristianismo surge com a Reforma Protestante
iniciada no século XVI, pelo teólogo alemão Martinho Lutero. Ele rompe
com a Igreja Católica, defende a fé como elemento fundamental para a
salvação do indivíduo e condena a venda de indulgências (absolvição dos
pecados) pela igreja e a degradação moral do clero da época. Os
protestantes abolem o culto às imagens da Virgem Maria e dos santos,
como também, o uso do latim nas celebrações. Aceitam que os religiosos
possam se casar. Mantém apenas dois sacramentos: o batismo e o culto
cristão.
O luteranismo difunde-se na Alemanha e encontra receptividade
em outros países da Europa. Nem todas as teses de Lutero são aceitas.
Em razão disso, o Protestantismo dá origem a diferentes grupos. O
termo “Evangélico”, na América Latina, identifica as religiões cristãs
originadas da Reforma e é usado como sinônimo de protestante. Em
2000, os evangélicos representam 15,4% dos brasileiros, ou 26,1 milhões.
Comparando-se as estatísticas de 1991, nota-se um crescimento de
71,1% na proporção de fiéis.
IGREJA PENTECOSTAL
A igreja Pentecostal Assembleia de Deus tem como fundamento o próprio Cristo;
e toma como ponto sublime o dia de Pentecostes que representou a descida do
Espírito Santo sobre a igreja (os fiéis). Com a quebra da unidade em 1517
através de Lutero e outros como Calvin, gerou novas correntes religiosas que
defendiam uma igreja santa com propostas de reformas, não atendidas.
Difundindo-se no novo continente, conhecido “novo mundo”, os pentecostais
surgem primeiramente como grupo autônomo em Chicago, nos Estados Unidos,
em 1906, de um movimento denominado holiness (santidade). O movimento é,
em grande parte, de origem metodista. O grupo holiness anuncia práticas
originais na relação dos fiéis com o Espírito Santo: O batismo no Espírito, a
glossolalia (dom de falar língua desconhecida) e o dom da cura. O texto de
referência é a narrativa de Pentecostes – daí a denominação Pentecostal. Os
cultos têm uma dinâmica emotiva e teatral, visível nos discursos eloquentes dos
pastores, nos cantos e nas orações coletivas em voz alta e nos rituais de cura
realizados em grandes concentrações públicas.
O movimento Pentecostal chegou ao Brasil em 1910, com a fundação
da Congregação Cristã no Brasil na cidade de São Paulo. Atualmente, existem
centenas de igrejas, e as principais, além da Congregação Cristã no Brasil, são:
Assembleia de Deus (Pará, 1911), Evangelho Quadrangular (São Paulo, 1953),
Brasil para Cristo (São Paulo, 1955) e Deus é Amor (São Paulo, 1962).
(Coleção Almanaque Abril, 2005, p. 12)
ASSEMBLEIA DE DEUS (OU PENTECOSTAL) EM BOM JARDIM
No ano de 1959, as reuniões eram ministradas pelo irmão Manoel
Justino, em casa de taipa no Bairro Betel nesta cidade.
A congregação era no campo do Povoadas Águas Boas, município de
Monção, o primeiro templo foi inaugurado em 1962, e o primeiro pastor foi
Arcanjo de Deus da Silva. Até hoje se passaram 9 pastores: José Arcanjo, Pedro
213
Jack, Alexandre, Joel dos Santos, Dugley Marcones Bezerra, Francisco Pereira de
Moraes e José Cardoso Lindoso, atual.
A igreja realiza durante todo o ano as festas: Círculo de oração da
mocidade, no mês de janeiro, com a finalidade de orar em prol da juventude,
faz visitas constantes a jovens desviados do caminho do senhor.
Círculo de oração “Monte das Oliveiras”, no mês de setembro com a
finalidade de trazer os jovens a casa de Deus através da evangelização em
massa.
Como também confraternização infantil, com o fim de evangelizar os
pequeninos; encontro dos casais por um lar abençoado e a união da família com
o seu criador; campanhas contra as drogas com o fim de libertar os jovens das
drogas através da palavra de Deus. A cruzada evangélica que tem a finalidade
de levar o IDES de Jesus a todas as pessoas até os confins da terra.
Além de evangelizar, a igreja incentiva a Juventude a andar no temor de
Deus, prepara o encontro com Jesus e viver em comunhão com a sociedade,
tendo um crescimento diário bastante elevado. Os missionários treinados fazem
a evangelização indígena.
A igreja teve como sede três templos nesta cidade, o 1º foi na Betel, o
2º na Avenida José Pedro, onde funciona a prefeitura municipal e o 3º
atualmente na 7 de Setembro. Assembleia de Deus quer dizer “agrupamento
das pessoas de Deus”.
Igreja Evangélica em Bom Jardim
ASSEMBLEIA DE DEUS MADUREIRA (do
texto abaixo)
Chegaram em Bom Jardim os
primeiros missionários em julho de 1999,
localizando-se no Bairro Santa Clara.
A igreja realiza durante o ano as festas: Círculo de oração, no mês de
novembro, confraternização da mocidade em dezembro, batismo nas águas
para remissão dos pecados. Além de evangelizar trás os jovens para ensiná-los
as doutrinas bíblicas, as almas para o reino de Deus, se relacionam da melhor
maneira com a comunidade, respeitando-a.
Em 2000, a igreja tinha em média 50 membros. A primeira família
Madureira em Bom Jardim era composta de Paulo César Silva Azevedo e
esposa. O nome Assembleia de Deus da Madureira provém de um bairro de São
Paulo e é uma ramificação da Assembleia de Deus.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
A igreja Testemunhas de Jeová chegou em Bom Jardim em 1º de Agosto
de 1990, com o objetivo de efetuar uma obra bíblica, a saber, proclamar o reino
de Jeová. Os primeiros representantes das testemunhas de Jeová em Bom
Jardim foram: José Antonio da Silva e Eliseu Antonio Malhas Gomes. E são tidos
como “pioneiros” em Bom Jardim.
A história moderna das testemunhas de Jeová assumiu forma há pouco
mais de um século. No começo da década de 1870, iniciou-se um pequeno
214
grupo de estudos bíblicos na cidade de Allegheny, Pensilvânia, EUA, agora parte
de Pittsburgh. Charles Tase Russel foi seu primeiro promotor.
Chamam o nome de Deus de Jeová porque segundo a versão Almeida,
revista e corrigida, da Bíblia no Salmo 83:18, diz: “Para que as pessoas saibam
que tu, a quem só pertence o nome de Jeová, és o altíssimo sobre toda a terra”.
Porque o nome Testemunhas de Jeová? É com base em Isaías 43:10 que diz:
“Vós sois minhas testemunhas”, é a pronunciação de Jeová.
Igreja Universal do Reino de Deus
A igreja Universal do Reino de Deus foi fundada por Edir Macedo no
Brasil no ano de 1977. Antes de se auto proclamar "Bispo", Macedo trabalhou
como caixeiro da loteria no estado do Rio de Janeiro.
Aos 20 anos abandonou o catolicismo e se converteu ao pentecostalismo,
ingressando à denominada Igreja Nova Vida. Permaneceu ali durante 10 anos
antes de abandoná-la - segundo disse- por ser "elitista". Em 1977, junto com
um grupo de amigos abriu um pequeno local em um bairro pobre do Rio de
Janeiro. Declarou se "bispo" e fundou a Igreja Universal do Reino de Deus. Nos
primeiros anos apenas sobrevivia economicamente até que uma crente vendeu
um terreno e lhe doou o dinheiro. Nesse momento comprou 10 minutos por dia
na Rádio Metropolitana. Começou o êxito.
Em 1980 tinha várias horas de rádio e uma hora de televisão no canal
Rio Tupi. Abriu um local na cidade de São Paulo e em 1982 comprou a primeira
emissora de rádio -Rio Copacabana -. Seu carisma falte de limites e o uso de
técnicas de manipulação produziram uma explosão em sua igreja e um
crescimento incomparável.
Em que Acreditam
A Igreja Universal é similar a outros evangélicos pentecostais. Por
exemplo, crêem na deidade de Jesus Cristo, a Trindade, a ressurreição corporal
de Jesus Cristo e a salvação pela graça através da fé.
Entretanto, Macedo incorporou novos elementos a sua doutrina que pouco têm a
ver com o bíblico. Para curar-se vendem "pedras da tumba de Jesus", " a água
benta do rio Jordão", "a rosa milagrosa", "sal abençoado pelo Espírito Santo".
A igreja universal foi fundada em Bom Jardim em 2001. Foi trazida pelo
pastor Abel, com a colaboração da professora Areny. O organizador é o pastor
215
Júnior. Atualmente em Bom Jardim, a igreja universal é coordenada pelo pastor
Marcelino (2005).
2014.
Imagens de Todas Igrejas de Bom Jardim Ano: 2014
Apenas as Igrejas da Sede. Existem também dezenas de igrejas espalhadas na zona rural de
Bom Jardim.
Igreja Matriz Nova de Bom Jardim – MA Igreja Matriz Antiga de Bom
Jardim -MA
Igreja Assembleia de Deus Salão do Reino das Testemunhas de Jeová
216
Igreja Universal do Reino de Deus
Assembleia de Deus Preparando Vidas. CohabPastor Fundador: Pastor Carlos, Bom Jardim
(A da porta verde).
Igreja Adventista do 7º Dia (Rua 7 de Setembro
Igreja Batista Betel - Rua 7 de SetembroIgreja Santa Luzia (Católica) - Alto dos Praxedes
217
Igreja Adventista - 7º Dia (Extensão)Igreja Santa Maria Madalena. Alto dos
Praxeses
Igreja Assembleia de Deus - Alto dos Praxedes (Extensão)
Igreja Assembleias de Deus - Congregação Monte Tabor. Bairro São Bernardo(verde)
Igreja Assembleia de Deus Nova CanaãIgreja Santa Joana Dark. Bairro Joana Dark.
Igreja Católica Nossa Senhora da Conceição. Vila Muniz
Igreja Assembleia de Deus. Vila Muniz. (de Barras azuis)
218
Igreja Mundial do Poder de Deus Igreja Assembleia de Deus - Missões. Rua
Maranhão Sobrinho
Igreja Adventista. Ação Solidária Adventista (Extensão)
Assembleia de Deus Nacional. Bairro Santa Clara.
Igreja Assembleia de Deus (Extensão) Bairro Santa Clara
.Igreja Assembleia de Deus Madereira. Bairro Santa Clara.
219
Igreja Assembleia de Deus C. Betel. Bairro Nova Esperança
Congregação de YAOHUDIM
13.1 A MAÇONARIA EM BOM JARDIM
Em Bom Jardim a maçonaria foi fundada em 15 de abril de 1980. O Venerável
Mestre da Maçonaria no município foi Luiz Bezerra Linhares, conhecido por “Luiz
do Posto”, falecido em 2003. Este é um dos mais altos cargos da maçonaria.
Segundo o venerável mestre, numa entrevista realizada em setembro
de 2001, a Maçonaria é uma sociedade filantrópica sem fins lucrativos, ou seja,
não tem como meta alcançar riqueza com pacto com o demônio como as
pessoas pensam; como toda sociedade, a maçonaria dedica-se a ajudar os que
os procuram através de carta (que é enviada por meio de membros, sem
identificação). Funciona tipo uma irmandade.
Em Bom Jardim, só existiam até 2005, oito adeptos, pois vários já existiram,
mas como deixaram de participar das reuniões que tem como sede Zé Doca,
todas às sextas feiras, estes foram afastados. As mulheres não podem participar
das reuniões porque há segredos que não podem ser revelados. Há um mito de
que a pessoa maçônica teria que dar o filho primogênito para o demônio.
O venerável mestre, como é conhecido o superior maçônico, discordou
dizendo que não existe nenhum acordo deste tipo, pois a sociedade tem como
livro supremo A Bíblia Sagrada.
As festas realizadas na maçonaria são as festas brancas para iniciar
uma pessoa na sociedade e as festas de exaltação para promoção de cargos.
O vocábulo – Maçonaria – derivou do termo francês – maçon, que
traduzido para o português, quer dizer – “pedreiro”. Eis como se justifica o
motivo dos maçons serem conhecidos como “pedreiros livres”. Os antigos
pedreiros de profissão da Europa exerciam seus misteres isoladamente. Com o
passar do tempo, reconheceram as irrefutáveis vantagens de se associarem
para melhor proveito na defesa de seus direitos e interesses. Resolveram,
então formarem-se em sociedade, à qual emprestaram o nome simbólico de
Maçonaria. Uma vez agrupados e constituídos em sociedade, começaram logo a
ser procurados por outros de funções diferentes, tais como arquiteto,
carpinteiros, pintores, etc. Então, estes lhes propuseram uma união na qual se
estruturaria o fortalecimento da Associação.
A Maçonaria proclama, desde a sua origem, a existência de um Princípio Criador,
ao qual, em respeito a todas as religiões, denomina Grande Arquiteto do
Universo.
220
 A Maçonaria constitui-se numa escola, impondo-se o seguinte programa:
a) Obedecer às leis do país;
b) Viver segundo os ditames da honra;
c) Praticar justiça;
d) Amar o próximo;
e) Trabalhar pelo progresso do homem.
 A Maçonaria proíbe discussão político-partidária e religioso-sectária
em seus templos.
 Proclama os seguintes princípios:
a) Amar a Deus, a Pátria, a Família e a Humanidade;
b) Praticar a beneficência, de modo discreto, sem humilhar; exigir de
seus membros boa reputação moral, cívica, social e familiar,
pugnando pelo aperfeiçoamento dos costumes.
Na história da Maçonaria brasileira, os maçons republicanos criaram Gabinetes
de Leitura, que eram pequenas bibliotecas que alugavam livros. Tinham o
objetivo iluminista de esclarecer a população. Os maçons também abriram
escolas para alfabetizar adultos pobres, dentro do ideal ilustrado de “educar para
libertar”. Aproveitavam as aulas para divulgar o ideal republicano.
221
13.2 RELIGIÕES AFRO - MACUMBA, UMBANDA E CANDOMBLÉ
As religiões afro ou oriundas da África foram introduzidas no
Brasil na época da colonização brasileira. Com a trazida de escravos para
o Brasil, vindo também sua cultura, hábitos e costumes religiosos.
É impossível termos uma visão detalhada sobre a Macumba,
Umbanda e o Candomblé, a não ser que partamos no sentido da origem
destes rituais, que se fundamentam na religião Yorubá.
A Religião Yorubá
Esta tem sido a religião de povos que vivem no oeste africano,
mais precisamente na Nigéria e em Benim. Tem-se caracterizado, há
séculos, como um conjunto de práticas e de rituais que visam adorar a
natureza e reverenciar os ancestrais. A religião Yorubá é essencialmente
politeísta, pois adoram e servem a falsos deuses a quem chamam de
Orixás.
Na concepção nigeriana de adoração, prestam cultos a entidades as
quais, segundo acreditam, manifestam-se em uma relação com a
natureza. Tais entidades (espíritos) possuem personalidade, e dentre os
mais conhecidos estão: Ogun, Oxossi, Obatalá, Iemanjá, Xangô, Oxum,
Oiá, Orulá e Babalú Aiê. Muitos religiosos acreditam que os orixás são
demônios.
Os orixás são arquétipos de uma atividade ou função e representam as
forças que controlam a natureza e seus fenômenos, tais como as águas,
o vento, as florestas, os rios, etc. Cada Orixá tem um dia da semana a ele
consagrado.
O panteão africano constitui-se basicamente por sete Orixás Maiores e
ainda por muitos Orixás Menores. Os primeiros são voltados para o lado
mais divino da obra de Deus. Os últimos, são mais ligados à própria
natureza humana.
Os “orixás’, ao presidirem a própria natureza através de seus agentes,
trariam em si características de personalidade que os ligariam a
determinados estados evolutivos da espécie humana. A vibração
provocada pelo tipo de personalidade de um certo indivíduo, vai colocá-lo
sob a influência de determinado “orixá”. Diz-se,então, que ele é oriundo
daquela faixa psíquica, ou como fazem no Candomblé, que ele é “filho de
Santo”.
A origem dos orixás, segundo as lendas do povo africano, é a
fragmentação do pensamento criativo, quando este, por sua vontade, vai
presidir a criação de determinado orbe. Os orixás não estariam sujeitos à
evolução, embora fossem ligados aos Espíritos que o estão, pela afinidade
vibratória que os caracterizam.
Religiões Afro Brasileira
Na última década, o candomblé cresceu e a umbanda encolheu.
Principais religiões africanas trazidas pelos escravos ao Brasil (como citado
222
anteriormente), de acordo como Censo de 2000, elas têm 571,3 mil
praticantes no total, o que corresponde a 0,3% da população.
Um dos principais motivos para a diminuição do número de
umbandistas, segundo estudiosos, seria o avanço pentecostal na mesma
área em que a umbanda atua. Valendo-se do rádio, os pentecostais
ganham simpatizantes em faixas da população que antes freqüentavam
terreiros, além das pregações “picantes” sobre o assunto. A maior
concentração de devotos declarados das religiões afro-brasileiras está no
estado do Rio Grande do Sul, seguido de Rio de Janeiro e Bahia.
Durante décadas, as religiões afro-brasileiras foram um mundo à
parte, fechado, dentro da cultura brasileira. A partir do século XX, elas
ganharam relevância nos livros de escritores de grande popularidade,
como Jorge Amado, e nas canções da bossa nova, cultuadas pela classe
média.
Candomblé – Os escravos vindos da África Ocidental entre os séculos 16
e 19 trouxeram o candomblé para o Brasil. A religião sofreu grande
repressão dos colonizadores portugueses, que a consideravam feitiçaria.
Para sobreviver às perseguições, os adeptos passaram a associar os
orixás aos santos católicos. Esse fenômeno é conhecido como sincretismo
religioso, ou seja, uma mistura de elementos de diferentes crenças.
As cerimônias de candomblé ocorrem em locais de culto
chamados terreiros; sua preparação é fechada e envolve muitas vezes o
sacrifício de pequenos animais. As entidades dessas religiões africanas
são dotadas de sentimentos humanos, como ciúme, raiva e vaidade. A
consulta aos orixás é realizada por meio de jogos de adivinhação, como o
de búzios. No Brasil, a religião cultua apenas 16 dos mais de 200 orixás
existentes na África Ocidental e o deus supremo criador dos orixás,
Olodumaré.
Os seguidores declarados do candomblé eram cerca de 107 mil
em 1991 e quase 140 mil em 2000, o que representa um crescimento de
30,8%.
Umbanda – Religião brasileira nascida no Rio de Janeiro, na década de
1920, a partir da mistura de crenças e rituais africanos e europeus.
Suas raízes se encontram em duas religiões trazidas da África pelos
escravos: a cabula, dos bantos, e o candomblé, da nação nagô. A
umbanda considera o Universo povoado por entidades espirituais, os
guias, que entram em contato com os homens por intermédio de um
(médium), que os incorpora. Tais guias se apresentam por meio de
figuras como o caboclo, o preto-velho e a pomba-gira. Os elementos
africanos misturam-se ao catolicismo, criando a identificação de orixás
com pai de santos. Outras influências são o espiritismo kardecista, os
ritos indígenas e práticas mágicas européias. A umbanda contava com
cerca de 542 mil devotos declarados em 1991, mas teve queda em 2000,
o que equivale a uma perda de 20,2% de seus praticantes.
223
O SINCRETISMO DOS ORIXÁS E OS SANTOS CATÓLICOS NO BRASIL
Orixás Relação com os santos católicos
Oxalá O mais elevado dos
deuses
Iorubás.
Nosso Senhor do Bonfim
Ogum Deus dos guerreiros Santo Antonio, na Bahia
São Jorge, no Rio de Janeiro
Xangô Deus do trovão São Jerônimo
Oxum Deusa das águas
doces, da fecundidade
e do amor
Nossa senhora das candeias, na
Bahia
Nossa senhora dos prazeres,
Recife
Oiá-Iansã Deusa das
tempestades, dos
ventos e dos
relâmpagos
Santa Bárbara
Oxóssi Deus dos caçadores São Jorge, na Bahia
São Sebastião, no Rio de Janeiro
Iemanjá Deusa dos mares e
oceanos
Nossa senhora da Imaculada
Conceição
Obaluaê/Omolu Deus da varíola e das
doenças
São Lázaro e São Roque, na
Bahia
São Sebastião
Oxumaré Deus da chuva e do
arco-íres
São Bartolomeu
Exu Mensageiro e guardião
dos
Templos, das casas e
das pessoas
Diabo
Ossain Divindade das plantas
medicinais e litúrgicas
São Benedito
Obá Deusa dos rios Santa Catarina
Nana Deusa da lama Sant´Ána (Nossa Senhora
Santana)
Logun Edé Deus andrógino
considerado - o
príncipe das matas
Santo Expedito
Ibejis Deuses da alegria, das
brincadeiras e da
infância
São Cosme e Damião
Olodumaré Deus supremo.
Criador dos Orixás
Nenhum culto nem santo
católicolhe é destinado.
Fonte: Orixás, Deuses Iorubas na África e no Novo Mundo, de Pierre Verger – Editora
Corrupio in Coleção Almanaque Abril/2005.
Existe na zona urbana de Bom Jardim cerca de 9 terreiros (ou tendas)
entre umbandas e candomblé. No entanto, a pesquisa foi realizada apenas
com as duas tendas abaixo:
224
TENDA SANTO ANTONIO (em Bom Jardim)
Maria Marques Nascimento, Presidente da União Espírita de
Bom Jardim forneceu dados curiosos a respeito da Umbanda, juntamente
com a irmã Maria dos Reis Nascimento Gomes, que apesar de não serem
gêmeas sentem as mesmas enfermidade, as mesmas dores nos mesmos
lugares. São proprietárias sócias da tenda Santo Antonio, em homenagem
ao pai de ambas. A tenda foi fundada em 29 de setembro de 1971 com
um alvará de funcionamento expedido pelo Juiz Raimundo Trindade; foi o
primeiro salão de Umbanda a funcionar em Bom Jardim.
Segundo Nezinha, a umbanda é uma religião da fé, esperança e
caridade onde seus seguidores têm que seguir na íntegra os dez
mandamentos da lei de Deus, cumprir a missão que cada um trás e
obedecer para poder diminuir os sofrimentos da matéria, pois através da
obediência é que a graça é alcançada; as referidas se caracterizam como
um aparelho para receber mensagens dos orixás e é uma situação
congênita que não pode ser negada, tem que ser vivida para chamar os
guias. Há um ritual com base na oração e muita concentração positiva
que não há tempo determinado. O santo que rege a umbanda é Jeová
Deus e Santo Antonio (CIC). Ao nos referirmos ao tambor, Nezinha
relatou que é um símbolo de manifestações de alegria, mas, que pode
atrair espíritos bons e maus. Os adeptos da umbanda ao desobedecerem
os preceito e religiosos recebem castigos que podem vir de várias formas,
tanto pode ser através de enfermidades, um negócio com prejuízo até
bater as mãos numa pedra que se encontra na Tenda, este castigo é
manifestado nas reuniões quando os orixás se apossam da pessoa.
A responsabilidade da mãe de santo é cuidar das pessoas com
problemas espirituais para que ela possa se desenvolver (fazer a cabeça)
para receber os orixás ou mesmo ficar apenas como guia.
No meio do salão existe uma haste com um círculo de cimento
ao redor chamado GUNA, que representa as forças da água e do fogo –
as quais representam o equilíbrio. Na umbanda existem certas proibições
como: não usar short, e as chamadas roupas devassas, as restrições se
estendem ao cigarro, bebidas alcoólicas e certas comidas como surubim,
jabuti, veado sutinga e etc.; segundo ela, são proibições feitas pelos
orixás. Em Bom Jardim existem aproximadamente 950 membros da
umbanda.
TENDA SÃO RAIMUNDO (em Bom Jardim)
Sendo proprietário o senhor Raimundo Nonato Pereira, nascido
no dia 18 de janeiro de 1955, segue o candomblé, e é filho de Iancã e
Ogum.
A vida espiritual do pai de santo iniciou-se aos sete anos de
idade e o primeiro encontro foi Oxossi Maitá. Pelo fato de não aceitar-se
como aparelho, passou nove anos doente, então foi levado a Tenda Santo
225
Antonio a procura de tratamento, onde a mãe de Santo Nezinha lhe fez
entender que a única saída era trabalhar, ao contrário seria fatal para ele.
A partir de então, Raimundo da Xandoca, como é conhecido, passou a
exercer a função de aparelho, sem local determinado até conseguir uma
Tenda com licença judicial para trabalhar, isto aconteceu no Povoado
Igarapé do Jardim, neste município, onde trabalhou durante onze anos,
depois se mudou para Bom Jardim em 1991, sendo fundador do
candomblé nesta cidade. Segundo Raimundo, o candomblé é uma festa
fetichista afro brasileira, também chamada macumba, tendo como ponto
de origem a Bahia (que a importou da África na bagagem dos negros no
período da escravidão – grifo meu), e foi fundado por mãe Menininha do
Cantuá. A doutrina do candomblé é ditada por vários guias que são eles:
João de Arubatão, que é contramestre, ou seja não é o mestre desta
Tenda, Maria Légua Bugi Trindade, que é filha de Légua Bugi, a Pomba
Gira e o Tranca Rua. De todos esses guias, a Maria Légua é a única da
linha branca e os outros fazem parte da linha negra. O santo que rege o
candomblé (segundo ele - CIC) é o rei soberano e Jesus Cristo que no
Candomblé é Oxalá. Os festejos nesta Tenda são: Santa Bárbara, São
Raimundo, O Sagrado Coração de Maria. Essas festas são indispensáveis
na Tenda São Raimundo.
O ritual usado para chamar os guias é Oração e concentração
com o pensamento voltado para aquele guia que o aparelho quer receber.
Existem imposições feitas pelos guias que, segundo Raimundo,
tem que ser cumprida, uma delas é não comer pimenta e a outra é que
30 dias antes de receber o guia não pode manter relações sexuais para
que estejam com o corpo limpo.
Tenda São José em Bom Jardim
226
14. A POPULAÇÃO INDÍGENA
14.1 População Indígena Mundial
Estima-se que existam hoje no mundo pelo menos 5 mil povos
indígenas,
somando cerca de 350 milhões de pessoas, representando 5% da
população mundial.
A população indígena mundial vive em zonas que contém 60%
dos recursos naturais do planeta”. Não admira, portanto, que surjam
inúmeros conflitos pelo domínio das terras. (...) A exploração de recursos
naturais (petróleo e minas) e o turismo são as principais indústrias que
ameaçam os
territórios indígenas na América”, segundo a OIT (Organização
Internacional do Trabalho).Estudo das Nações Unidas afirmam também
que 80% dos indígenas da América Latina vivem na pobreza.
14.2 Panorama Maranhense da População Indígena
No Maranhão existem 16 áreas indígenas habitadas por
aproximadamente 19.000 pessoas pertencentes a 8 povos. São eles:
Awá Guajá Krikati
Guajajara Ramkokam
Kaápor Apaniekiá
Pukobye Krêpum Katoyê
O total das áreas indígena corresponde a 5,8% da superfície do
Estado do Maranhão.
Das 1.908.389 ha. / desse total, 330.000 ha. estão degradadas,
invadidas e destruídas, essa área corresponde a 17,2% do total das
superfícies das áreas indígenas.
Os índios do Estado do Maranhão falam duas línguas: tupi-guarani
e o macrojê.
A educação indígena é destaque no Maranhão. Atualmente, sete
dos oito povos são atendidos por ações que vão desde a construção de
escolas indígenas e implantação de ensino regular bilíngüe. Ao todas são
226 escolas espalhadas pelas Terras Indígenas presentes no estado,
atendendo 11.338 alunos indígenas, matriculados em 2006.
(Fonte: Jornal Pequeno – redação@jornalpequeno.com.br) in 2006
14.3 A POPULAÇÃO GUAJAJARA
227
Os Guajajara é um povo que, há centenas de anos, batalha
para manter-se vivo, resguardando a essência de sua cultura e
conservando a especificidade que o faz diferente dos outros povos
indígenas e da sociedade nacional. Distribuem-se em 10 localidades
pelo Estado do Maranhão.
As áreas habitadas por Guajajara, são:
1- Área Indígena Caru
2- Área Indígena Pindaré
3- Área Indígena Araribóia
4- Área Indígena Bacurizinho
5- Área Indígena Cana Brava
6- Área Indígena Geralda/ Toco Preto
7- Área Indígena Lagoa Comprida
8- Área Indígena Morro Branco
9- Área Indígena Rodeador
10- Área Indígena Governador
Os Tenetehara/ Guajajara são em sua maioria bilíngüe, falam o tupi-
guarani e o português. Sendo a população indígena do estado em
número de 19.000 habitantes, desse número, os guajajara são
cerca de 14.000 pessoas distribuídas em dez áreas. Sendo de
longe, o povo mais numeroso do Brasil ocupa a região Centro Sul do
Maranhão. É o povo que tem um contato secular com a sociedade
não-indígena. Isto lhe confere uma enorme capacidade de articular,
negociar, reivindicar junto à sociedade como um todo. Tenetehara
significa “gente verdadeira”. Assim se definem os Guajajara do
Maranhão, que habitam as dez áreas, todas regularizadas. Apesar
disso, algumas apresentam graves problemas de invasão.
14.4 A POPULAÇÃO INDÍGENA DE BOM JARDIM
Em Bom Jardim vamos encontrar duas reservas indígenas, a do Rio
Pindaré e a do Caru. É uma população bilíngue em sua maioria,
falando o tupi-guarani e o português.
A população indígena dessas duas reservas é de 1.179
habitantes (2005), correspondendo a 3,42% da população
bonjardinense. Ainda não possuem um vocabulário escrito (mas já
estão trabalhando para este fim). Existem escolas indígenas em
Bom Jardim na aldeia. E as aulas são trabalhadas a base do diálogo.
As duas línguas (português e tupi) prevalecem na prática
pedagógica da educação indígena.
Não sendo diferente do que acontece a nível nacional, a
população guajajara de Bom Jardim também passa pelo processo
de aculturação, ou seja, pelo intercâmbio cultural entre a língua
228
deles e seus costumes na relação com o mundo civilizado através da
televisão dentro das aldeias e os contatos que se processam na
língua portuguesa. Isto, ditado pelas necessidades de relações, que
acontecem em nossa língua e nossos costumes, eles vão
esquecendo seus costumes e sua língua e incorporando os nossos e
a língua do mundo civilizado. E para reforçar essa aculturação,
segundo Alzenira Guajajara, Professora indígena, as aulas são
ministradas com mais frequência na língua portuguesa.
Em 2002, um grupo de índios formandos em magistério de
várias aldeias elaborou o dicionário da língua tupi-guarani (os
guajajara). Pois há muito tempo são tidos por uma população ágrafa
(sem escrita). O dicionário por eles elaborado ainda não saiu sua
publicação. O dicionário conserva a língua, e conservando a língua
conserva a cultura.
Eles têm total assistência médica e os professores são
indígenas.
Área Indígena - Pindaré
Localiza-se no município de Bom Jardim e tem uma extensão de 15.003 ha.
Sendo uma população de 980 habitantes (índios). São compostos por cinco aldeias.
A aldeia corresponde a uma aglomeração de pessoas. Esta reserva foi demarcada
pela firma PLANTEL, foi homologada e, sucessivamente, registrada no cartório de
Bom Jardim em 25/05 de 1982, com a denominação de Área Indígena Rio Pindaré.
Homologada e Registrada pelo Decreto 87.846-24/11/1982.
Esta terra indígena foi talvez a que mais sofreu reduções ao longo do
tempo, até que ocorreu sua demarcação. De acordo com Gomes (1982),
inicialmente esta área compreendia todo o vale do Zutiua. Afluente da margem
direita do Pindaré, que até a década de 50 era exclusivamente habitada por
índios Tenetehara/Guajajara e hoje é ocupada pelo município de Santa Luzia,
dentre outros.
O contato dos Tenetehara/Guajajara com a sociedade brasileira, data do
século XVII, especialmente os que viviam nessa região, onde a colonização
inicial foi mais intensa devido à proximidade com o litoral. Segundo Gomes
(1999), os jesuítas estabeleceram duas missões entre esses índios, uma delas, a
de Maracu, onde localiza-se a atual cidade de Viana, que até 1759 foi
considerada a mais próspera do Maranhão.
Em 1840 foi criada a primeira colônia indígena no Maranhão, a colônia
Pindaré, localizada a cerca de seis léguas acima da freguesia de Monção. Foi
situada em uma terra comprada pela Província do Maranhão e nela viviam
famílias Tenetehara/Guajajara. Na ocasião, a justificativa para tal
empreendimento foi:
229
"... facilitar a navegação do Pindaré que os selvagens tornaram arriscadíssimapela
desabrida guerra que faziam às tripulações dos barcos que nele navegavam,
como também com o intuito de melhorar a segurança da vida e propriedade dos
fazendeiros estabelecidos nas margens do dito rio, e mesmo para dar novo
impulsoà civilização dos índios". (Relatório do Presidente da província, Manoel
Campos Mello, 1862, apud Coelho, GOMES, 1982).
A referida colônia teve momentos de prosperidade econômica com uma
lavoura que produzia com abundância. Produzindo excedentes que eram
enviadosà capital. No entanto, nos anos 50 começou a entrar em decadência
devido à má administração dos seus diretores. Até 1856 há indicações, na
documentação consultada, de que a Colônia ainda era capaz de suprir sua
subsistência. Em 1880 foi comunicado ao presidente da Província que os índios
da Colônia Pindaré haviam fugido. No ano seguinte, foi expedida uma lei
autorizando o aforamento dessas terras para a Companhia do Progresso
Agrícola. (Cf. Lei de19.04.1881)
Ainda durante o regime Imperial, foi criada em 1854, a Colônia Januária, às
margens do Rio Pindaré, na altura em que este conflui com o Rio Caru. Nesse
localjá viviam 80 famílias Tenetehara/Guajajara. É frequente na documentação,
alusãoà mobilidade dos índios, que era denominada de flutuação da população,
tendo emvista, suas idas para a mata. Em 1857, por exemplo, a população da
Colônia Januária oscilava entre 42 e 100 pessoas. Além da extração do óleo de
copaíba, plantavam mandioca, milho, arroz e feijão, e cultivavam cana-de-
açúcar, café, fumo, banana, cará, batata da terra, jerimum e mamona. Em 1862 a
população desta Colônia subiu para 129 índios e há referências ao plantio de
algodão. (Coelho, 1990)
As referências a conflitos entre índios e brasileiros naquela região eram
frequentes desde o Brasil Império, assim constam pesquisas.
Já no Brasil República, com a instauração do Serviço de Proteção ao Índio- SPI,
foi criado o primeiro posto indígena no Maranhão, o PIN Gonçalves Dias. Em
1916, exatamente na Terra Pindaré. Em 1918, esse posto foi atacado pelos
Urubu/Kaapor. Em 1964 esta área foi cortada pela BR 316, que liga Belém a
Recife.Fato que alterou completamente as formas de acesso à região, que antes se
davam,principalmente por meio fluvial.
“Essa área também foi cortada pela rede elétrica da CHESF, que indenizou os
indígenas com a eletrificação de algumas aldeias, incluindo a Aldeia Januaria. O
consumo da energia deveria ser pago em conjunto pelos indígenas.” (TCC-
UEMA/Professora Marivania Leonor Sousa Furtado – 1995)
Principais conflitos
230
Há disputas em torno dos limites da Terra Indígena, pois como eles são
delimitados por uma linha natural, ou seja, um Igarapé que forma o lago, ao
longo do tempo, o limite tem sido modificado seutraçado original, gerando mais
invasões dentro do território.
Esse conflito dura cerca de 40 anos, ou até mais a entender, todo o processode
redução da TI, pelo fato dos não indígenas não respeitarem os limites da TI Rio
Pindaré, quando nossos anciãos e anciãs afirmam, que a Terra Indígena era bem
maior e ultrapassava os 15 mil hectares, em torno de 65 mil ha. As lideranças
indígenas afirmam que é comum o uso da terra indígena pelos fazendeiros, sem
autorização. Para combater as invasões, as lideranças indígenas criaram grupo
de guardiões da floresta que tem feito a vigilância do território. No entanto, os
não indígenas continuam invadindo a área para pescar e caçar, principalmente.
Não acentua a palavra Caru
Não se deve acentuar nunca as oxítonas terminadas em 'u', e é por isso que “caju”,
“urubu”, “paracatu”, “Caru”.
231
LOCALIZAÇÃO E NOME DAS ALDEIAS INDÍGENAS EM BOM
JARDIM
No sentido Bom Jardim Santa Inês, 08/2013
1- Piçarra Preta
2- Aldeia Novo Planeta
3- Aldeia Areal
4- Aldeia Sede: Januária
5- Aldeia Tabocão
Existem também mais duas aldeias menores
(próximas as citadas):
 Aldeia Nova e
 Areinha
Cada aldeia tem um Cacique, que também é um
representante político. Ao todos estima-se um
total de 1.200 índios, na comunidade onde
funciona o ensino médio e há um ônibus que faz
a nucleação e transporte dos mesmos para a
escola sede, na aldeia Januária.
Além destas aldeias, existem outras, como a
Aldeia Maçaranduba (com cerca de 320
habitantes) – que se localiza entre o povoado
Minerim (do Município de Alto Alegre do
Pindaré e o Povoado Novo Caru (Bom Jardim).
Tal como uma pequena população AWÁ
GUAJÁ que se distribui ao longo do rio e região
Caru.
232
ÁREA INDÍGENA – CARU
A área Indígena Caru, limitada pelos rios Pindaré e Caru está
também situada no município de Bom Jardim.
Foi demarcada em 1977, homologada e registrada em 1982, com
uma extensão de 175.000 ha. E hospeda cerca de 199 Guajajaras, que
permanecem sob a jurisdição do Posto Indígena do Carú, sediada na
aldeia Massaranduba, além de cerca de 100 Guajás, que vivem nas
proximidades do Posto Indígena AWÁ, e outros grupos de guajás,
espalhados na mata sem ter algum contato com a sociedade.
14.6 Estrutura da Sociedade Guajajara
A capacidade intrínseca de adaptação a novas situações e a novos
ambientes – essa agilidade cultural – é uma característica comum a todas as cultura
tupi-guarani.
O princípio da organização social tupi-guarani são ao mesmo tempo, ou
antes, princípios metafísicos. (Castro, apud Ubialli, 1997).
Há portanto, na cultura tupi-guarani “excesso de cosmologia sobre a
sociologia. (ibidem p. 95). Aparentemente, a sociedade guajajara apresenta-se
mais como um aglomerado de famílias, distribuídas em várias aldeias ou num
determinado território do que como uma organização social, coesa como instituições
estáveis e diferenciadas. O que realmente se constata na sociedade guajajara é a
ausência de um poder central e de um governo. Isso suscita a impressão de que o
anarquismo seja o específico da sociedade guajajara, caracterizando todo o
complexo de suas relações seja interna ou externa.
São famílias que exercem o poder na aldeia.
Certamente a sociedade guajajara está perpassada por uma ambivalência
que parece ser uma contradição intrínseca no sentido de que é uma sociedade que
se denota pela ausência de uma ordem institucionalizada mas que,
contemporaneamente, sente a exigência da presença de uma “autoridade” para
controlar as “desordens”. É uma sociedade em que coexistem a exigência de uma
ordem e de um comando e a negação de um poder institucionalizado.
É preciso destacar que, em compensação à falta de uma organização social
forte, na sociedade guajajara, há uma produção mitológica muito rica e vasta como
expressão da sua visão cosmológica e religiosa.
Ainda hoje a vida dos guajajara é regida por esses princípios metafísicos. A
interferência do sobrenatural é constante e proeminente em todas as suas atividades
– produtivas e culturais – e relações sociais. A cultura guajajara apresenta a pessoa
como uma unidade composta de um corpo e duas almas. Na cultura guajajara a
pessoa se torna o centro e o objeto das atenções da comunidade desde o
nascimento.
A pessoa é o indivíduo concreto com seu nome, com suas especificidades,
que procura realizar sua felicidade pessoal, dentro do sistema organizativo da
família, através da aquisição dos poderes de Ma´íra, (o criador, grande pajé e
grande guerreiro). O guajajara é constantemente incentivado a amadurecer sua
personalidade e a aperfeiçoar suas qualidades.
O pajé e o cantor são os únicos sujeitos que, dentro da comunidade guajajara,
manifestam certa especialização e cumprem o papel específico de manter vivos os
mitos e os conceitos cosmológicos dos quais eles detêm os conhecimentos.
233
De fato, para poder curar e cantar precisa conhecer tudo a respeito dos
espíritos, da natureza e dos rituais.
No processo de preservação e manutenção da cultura, as mulheres
desenham uma função fundamental porque elas providenciam e preparam tudo o
que é necessário (enfeites, pinturas, cigarros) para a realização dos rituais e das
festas e acompanham as músicas dos cantores. O canto expressa todo ideário
cosmológico, simbólico e religioso do universo guajajara. O canto é importante
porque manifesta as fontes do poder como conhecimento das forças sobrenaturais e
naturais.
Ávida dos guajajara se balança entre o sobrenatural e o natural. Nessa
peleja de poder dominar e controlar as forças sobrenaturais e naturais, sobressai a
importância da pessoa posta no centro dos dois universos. A figura do pajé reflete
a ambivalência e a tensão contraditória da cultura guajajara: ele é necessário
porque cura; é perigoso porque pode virar feiticeiro e prejudicar os membros do seu
grupo.
14.7 O Povo Awá Guajá
Os Awuá Guajás são um povo de língua tupi-guarani presente em três terras indígenas no
estado do Maranhão – TI Caru, TI Awá e TI Alto Turiaçú - , com uma população considerada
de recente contato de mais de 400 pessoas, além de outros grupos que vivem isolados.
Os Awá-Guajá, segundo reportagem do Jornal O Globo (08-08-2013), presentam “uma
história de resistência contra o desmatamento e o extermínio da população conhecida como a
mais ameaçada do planeta”. Historicamente, toda a subsistência deles está na caça e na
coleta. Eles dependem diretamente da floresta para viver” (Uirá Garcia, 2013).
Junto com a Reserva Biológica do Gurupi, o território dos Awá-Guajá forma um
mosaico de áreas protegidas, chamado “Mosaico Gurupi”. Mesmo sendo uma região com alto
nível de proteção ambiental, dentro dessa área também estão grileiros e madeireiros que
derrubam inconsequentemente a floresta, encurralando os índios. “Essa área da Amazônia é
única, porque é a porta de entrada da floresta, e algumas espécies só existem lá”, cita a
reportagem. Eles foram contatados a partir de 1979, e alguns indivíduos permanecem fugindo
do contato com os brancos. Apesar de a sua terra já estar demarcada, homologada e registrada
pela União, eles enfrentam uma ameaça real. Ainda que a justiça já tenha determinado a
retirada dos não-índios de seu território, os Awá temem pela própria sobrevivência.
Foto: Márcio Gomes, 1981.
234
Em 1961, o Presidente Jânio Quadros cria a Reserva Florestal do Gurupi, no estado
do Maranhão, com 1,6 milhão de hectares, por meio de Decreto nº 51.026 de 25/07/1961,
sendo reconhecido o direito de ocupação dos indígenas que nela habitavam.
Em 1992 a Terra Indígena Awá é declarada como de posse permanente dos Awá-
Guajá, para efeito de demarcação, por meio da Portaria nº 373 de 27.07.1992 (DOU 29-7-
1992, P.10.116), com uma superfície aproximada de 118.000 há (cento e dezoito mil
hectares), e perímetro aproximado de 190 km), considerando que a declaração de ocupação
tradicional indígena e definição de limite propostos visavam assegurar a proteção territorial ao
povo indígena Awá-Guajá.
Na década de 1980, a Funai reconheceu as Terras Indígenas Alto Turiaçu e Caru, que
se encontravam no perímetro da Reserva Florestal do Gurupi, e a Reserva foi desmembrada.
Uma área foi interditada para proteção dos Awá-Guajá, que já estavam em número bastante
reduzido à época, e foi criada a Reserva Biológica Gurupi. Embora a TI Awá seja a única das
três destinada à posse exclusiva dos Awá-Guajá, há aldeias desse povo na TI Alto Turiaçu,
coabitada por Ka´apor e na Caru com a presença dos Guajajaras. A contiguidade das terras faz
com que elas formem um complexo de áreas disponíveis para a posse de grupos Awá-Guajá,
que dão condições mínimas para manterem as formas tradicionais de ocupação territorial.
Em 2012, após vários anos de disputa judicial, o Tribunal Regional Federal da 1ª
Região julga todos os recursos improcedentes e confirma a validade da Portaria 373/92 do
Ministério da Justiça, que declarou a Terra Indígena Awá como de uso permanente do povo
Awá-Guajá. A decisão, de março de 2012, confirma ainda a nulidade de todos os efeitos da
sentença e determinando que a Funai/União promova a retirada de todos os ocupantes não
indígenas da TI Awá.
Segundo Miriam Leitão (08/2013), “Ao ficarem tão aferrados, tão vinculados à terra,
esses índios estão na verdade prestando um serviço ambiental a todos os brasileiros. Nós
precisamos da floresta também, nós precisamos que eles estejam lá. Precisamos que eles
sobrevivam. Precisamos dessa sócio diversidade que o Brasil tem. O Brasil precisa da sua
diversidade – de gente e de floresta. Eles ajudam”. Eles vivem, ajudam e protegem.
Existe na região a denúncia de ação ilegal de madeireiros e, para proteger a mata, a
área estaria sendo reivindicada.
www.bomjardimma.com in 08-2013
235
MAPA DA RESERVA INDÍGENA AWÁ GUAJ
Fonte: http://www.funai.gov.br 08/2013
Atualmente, as áreas de ocupação pelos não-índios abriga um total de
1.200 famílias que abrangem geograficamente áreas dos municípios na região de
São João do Caru, o Ibama e a Funai juntamente com o Exército Nacional, a
Polícia Federal e Rodoviária e a Força Nacional articularam-se para tomar uma
grande área de terras onde vivem esse contingente para cedê-las a 400 índios.
A área engloba os municípios de São João do Caru, Governador Newton
Bello, Zé Doca e Centro Novo Com e com a desapropriação mais de 40 mil
pessoas serão afetadas indiretamente. O Presidente da Comissão em Defesa dos
Proprietários e Agricultores, Arnaldo Lacerda, afirma que falta atenção com os
proprietários da região por parte do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo,
já que essa área não foi demarcada como indígena.
14.8As Crendices Indígenas
Existem várias lendas, entre elas o mito de Ma´íra que os índios
acreditam ser o criador dos fenômenos da natureza como a chuva, o fogo
e a água. Os índios tupi guaranis acreditam que Ma´íra, o seu protetor, é
criador dos índios. Para eles, o sol e a lua são fontes de vidas e procuram
sistematizar suas vidas através desses dois astros. A lua é chamada de
Zahy por ter brilho frio, inexplicável e o sol é chamado de Zai Tata que
significa fogo, por ter um brilho quente. Os índios ainda conservam os
rituais como a cura da pajelança que é feita pelo Pajé, onde ele fala com
236
os espíritos para saber se pode ou não tratar a pessoa que está doente;
um índio só sai para buscar assistência médica com autorização do Pajé.
Outro ritual é quando um curumim começa andar, organizam uma
caçada e todas as caças encontradas são usadas em cerimônia para pedir
proteção. Ao curumim pintam-no com líquido retirado do jenipapo verde
que fica de cor preta e com o urucum, após enfeitado com penas da
ararajuba, do pica-pau do tucano e plumagem de socó; da carne das
caças são feito um angu com farinha azeda que é dada ao curumim. A
noite todos cantam ao som do maracá, o Pajé usa uma liturgia para falar
com os antepassados e pedir proteção ao curumim.
Os casamentos indígenas eram feitos através de uma
negociação entre os pais dos noivos, onde as crianças eram separadas
uma para o outro, sendo a criada pelo pai dos noivos, até a primeira
menstruação quando é feita uma grande festa, onde a moça é pintada
todo o corpo e então está pronta para casar. O homem só está pronto
quando muda a voz, após o casamento não pode haver separação. Um
fato curioso é que um homem pode namorar várias mulheres ao mesmo
tempo, convivendo na mesma casa pacificamente.
Anteriormente quando um índio morria era colocado dentro de
um buraco sentado e nunca mais seus familiares passariam por aquele
lugar, pois acreditavam que os espíritos que o matou poderiam matá-los.
Este era o motivo de serem nômades.
Os índios não tiravam fotos, pois acreditavam que a alma das
pessoas fotografadas ficaria presa ao papel, e por este motivo morreriam.
Hoje, a aldeia Januária vive em condições tipicamente normais
como os chamados brancos; ainda conservam muitas lendas e mitos,
porém a maior parte dos valores antigos foram deixados de lado. Já não
são nômades, convivendo assim com seus mortos em suas sepulturas.
14.9Lendas e Mitos dos Guajajara
O Encanto do Ouro
“Havia um casal de índios meus antepassados, que recebeu do
Governo uma fábrica de para fazer dinheiro. Moedas de ouro. Aí os
brancos souberam e começaram a aperrear os índios. Sendo que estava
morrendo muita gente por causa disso, o velho índio, dono da fábrica, e a
mulher dele decidiram acabar com a fábrica e a jogaram num poção
chamado de Mineiro Velho. Quanto ao dinheiro, eles enterraram os dois
baús e dois fornos na boca de um igarapé que fica entre a boca do Caru e
o atual povoado Novo Caru.
Os brancos prenderam o casal e o levaram não sei para onde.
Mas o velho índio e a mulher nunca revelaram o segredo e morreram por
lá. Alguns índios foram atrás da velha índia empregada do grande chefe,
dono da fábrica. Ela também conhecia o segredo. Estes índios, novos,
(novo não é gente), levaram a velha, de canoa, próximo do lugar. A velha
tinha revelado que os caixões estavam com armas carregadas de maneira
237
que quem mexesse morreria. Então precisava uma reza muito forte para
poder desarmar os caixões. A velha foi, rezou, mas escutou os índios,
que esperavam na canoa, dizer que iam matá-la depois de pegar o ouro.
Então a velha castigou os moleques. Pronto, nunca mais.
Eles pegavam o ouro lá numa serra do Caru. Havia uma grande
pedra luminosa que clareava as redondezas. E no chão muitas pedras.
Eram como tantas faíscas. Os índios brincavam com as pedras jogando-as
um contra o outro. Os brancos souberam e foram atrás das pedras dos
índios. Começaram a trocar pedras por facas e outras coisas. Um belo dia
os brancos quiseram olhar a grande pedra luminosa. Alguns índios os
levaram para ver. Mas a serra encantou-se: nunca mais a acharam.
Cipriano Viana Guajajara.
Ma´íra, Criador dos Tenetehara
De acordo com Ubbiali (1997), os Tenetehara se referem aos
sobrenaturais pela designação genérica karowara, porém os distinguem
em menos quatro categorias: criadores ou heróis culturais, a quem
atribuem a criação e transformação do mundo; os “donos” da floresta e
das águas e dos rios; os azang, espíritos errantes dos mortos; espíritos de
animais. Os heróis culturais são sobrenaturais, porém não no sentido de
divindade que seja necessário propiciar e reverenciar - são criadores
cujos efeitos lendários explicam a origem das coisas e do homem. Na
mitologia são descritos como homens dotados de imenso poder
sobrenatural. Viveram algum tempo na terra, que abandonaram pela
residência eterna na “aldeia dos sobrenaturais” (Karowara-nekwawo). Os
heróis culturais criaram o homem, deram-lhe conhecimento das causas e
trouxeram-lhe os alimentos. Hoje, porém, estão demasiado distante e já
não dominam o homem e o mundo em que ele vive.
Ma´íra é o mais importante desses heróis. Segundo a lenda, ele
viajou pela terra em busca da “Terra Bonita” (ywy porang). Onde
encontrou o lugar ideal, aí criou o homem e a mulher. O casal vivia em
condições ideais até que Ywan, o dono da água, atraiu a mulher e
copulou com ela. O homem ignorava o coito até que Ma´íra lhe mandou
ver o que acontecia à mulher.
Ma´íra, após o homem e a mulher terem procriado, falou-lhes:
“de agora em diante, vocês terão um filho e morrerão, o filho de vocês
terá um filho e também morrerá”. Ma´íra ensinou ao homem a plantar
mandioca e a fazer farinha. No princípio a mandioca se levantava por si
mesma e amadurecia em um dia; porém a humanidade duvidou de
Ma´íra e ele, em represália, fez a mandioca amadurecer lentamente. Hoje
os Tenetehara têm que esperar todo o inverno para colher as raízes e,
para seu plantio, é grande o esforço de derrubar a mata e preparar a
roça. Ma´íra trouxe algodão e ensinou como tecer as redes; roubou o fogo
aos urubus e ensinou o homem a assar carne, ao invés de deixa-la secar
ao sol. Cansado de viajar pela terra, Ma´íra retirou-se para Karaowawo
onde ainda hoje vive uma vida de abundância. Antes de Ma´íra, os
238
Tenetehara não sabiam nada, eram bestas” (Galvão e Waglei apud Ubialli
1997).
Pelas façanhas, portanto, Ma´íra foi o maior pajé e o maior
guerreiro da terra pois ele possuía poderes imensuráveis, criando e
dominando os homens e a natureza.
Ma´íra ainda representa, talvez a nível de inconsciente, um certo
ideal para os Tenetehara cuja maior aspiração é transferir os poderes dele
para seu próprio domínio. Na festa do “moqueado”,durante a qual os
rapazes, que celebram a passagem da infância para a idade adulta, são
iniciados a serem pajés e guerreiros, transparece o anseio profundo dos
Guajajaras de adquirir o domínio sobre a natureza e os homens.
Coisa que nunca acontecerá de forma perfeita assim como se
realizou em Ma´íra, porém sempre sobejará como ideal a ser alcançado
pelos Tenetehara.
239
15 ASPECTOS ECONÔMICOS DE BOM JARDIM
(DADOS EVOLUTIVOS)
Até a metade da década de 60, o crescimento econômico de
Bom Jardim era motivado pelas riquezas das matas virgens e terras
devolutas. A fertilidade da terra proporcionava fabulosa produção de
arroz, motivo que levava a expansão da população do povoado. Todos os
dias chegavam famílias de outras localidades do Maranhão e também
cearenses e piauienses que iam estabelecendo-se umas com comércio,
outras com lavouras. Os migrantes construíam seus barracos até a noite
à luz do petromax e a querosene fornecido pelo fundador do lugar.
O comércio desenvolvia-se extraordinariamente, destacando-se
a compra de arroz e babaçu para a exportação.
A maior parte dos agricultores trabalha em terras de
propriedades privadas em forma de aforamento (arrendatários), pagando
dois alqueires de arroz com casca (60 quilos) por linha de roça. Uma
linha de roça é 25 braças, cada braça mede 2,2m.
Os posseiros e os proprietários usam como mão de obra o diarista
e a força familiar. O plantio, em sua maioria, é feito no toco sem emprego
de semente especializada.
Atualmente, destaca-se na produção agrícola: arroz, milho,
feijão, cana de açúcar, mandioca, soja. Sendo os principais frutos:
banana, laranja, abacaxi e melancia. O produto número um na produção
municipal foi e continua sendo o arroz. Bom Jardim já foi um dos maiores
produtores e exportadores de arroz do Maranhão, um verdadeiro “garimpo
agrícola”.
INDICADORES DA ECONOMIA BONJARDINENSE
Agricultura: 21%
Pecuária: 56,4%
Indústria: 0,3%
Serviço: 22,3%
Fonte: IBGE/2000
Vale lembrar que na atualidade a piscicultura também representa peso na
economia municipal no sistema de criatórios em açudes.
Conforme pesquisa realizada com técnicos da Secretaria de Agricultura,
os indicadores de produção agrícola do município fornecidos ao IBGE (pela
Secretaria) passam por uma avaliação técnica, e não é mero resultado de média
aritmética ou ponderada de estimativas numéricas – e sim são determinados por
fatores de contextos interno e externo como: a falta de transporte na Secretaria
para a mobilização e deslocamento de um trabalho mais dinâmico de encontro
com a situação real a se oferecer aos agentes da produção local e
acompanhamento no que diz respeito à Assistência Técnica. Outros fatores
também que influenciam consideravelmente é a distribuição de lotes de
sementes(cujo volume, a nível de estado ocorre de modo desproporcional e sem
240
parâmetros pela SAGRIMA. Do mesmo modo, a distribuição de sementes no
município acontece de modo não muito criterioso. O desamparo no que diz
respeito à escoação da produção agrícola e incentivos. As condições climáticas
(no caso de estiagem), e a falta de uma estrutura permanente que monitore,
implemente e agregue a Agricultura Familiar da compra local (via merenda
escolar), como determina as regras do Sistema Educacional– numa perspectiva
da sustentabilidade do Campo e Cidade.
21.1 AGROPECUÁRIA BONJADINENSE
Os dois elementos de destaque na economia Municipal bonjardinense
atualmente são: Agricultura e Pecuária, que juntos representam 77,4% da
receita Municipal. Fonte: IBGE/2000
Roças sob queimadas
241
Produção Agropecuária de Bom Jardim
GADO PEPINO, MACACHEIRA,PEPINOS ETC.
BANANA ABÓBORA POLPA S
ALFACE LIMÃO AÇAÍ
Fonte: Secretaria de Agricultura/2006
15.8 RECURSOS NATURAIS E EXTRATIVISMO
Recursos naturais - são as riquezas encontradas na natureza, das quais
o homem utiliza para complementar o necessário para a sua
sobrevivência. As riquezas naturais que mais se destacam no município,
são: o extrativismo mineral, vegetal e animal.
O extrativismo é o método que o homem utiliza para extrair do
solo, da floresta e da água os recursos oferecidos pela natureza.
Os recursos minerais encontrados no município são: pedras,
utilizadas nas construções de casas, calçamento, etc..., areia é encontrada
em abundância e utilizadas nas construções e outras localidades, pedra
242
seixo empregada na construção de casas, concretagem, asfalto, várias
piçarreiras, etc.
Os recursos naturais vegetais são encontrados principalmente na
zona rural, os quais são cedro, andiroba, pau d´árco, jatobá, sapucaia,
Angelim (houve grande redução dessas madeiras, em conseqüência de
uma exploração sem preservação ou reflorestamento.
O extrativismo vegetal praticado em grande quantidade é o
babaçu, palmeira nativa e predominante em todo município, o qual é
quebrado e vendido aos quilos para os pequenos e médios comerciantes
locais para o suprimento das necessidades básicas da família do homem
do campo. Do babaçu tudo se aproveita; seus exploradores utilizam o
caule para fazer pontes sobre os igarapés, cerca, e, quando apodrecido, é
utilizado para adubos das plantas. Das amêndoas se faz o óleo. A palha
das palmeiras do coco babaçu serve para cobertura e construções de das
paredes das casas, esteiras para portas e janelas, fazem também o
abano, o cofo que tem várias utilidades, o abano para ativar o fogo do
carvão ou da lenha, etc. O talo da palha, conhecido por “vara do coco” é
também utilizado para a construção de casas em paredes de taipa e cerca.
A casca do coco é transformada em carvão para ser utilizado na cozinha e
em pequenas siderurgias domésticas. A amêndoa, além de produzir por
prensagem, óleo rico em glicerina, láurica, utilizada na fabricação de
gorduras alimentícias, saponáceas, cosméticos, etc. A torta de amêndoa
é excelente matéria-prima para a preparação de mingaus, cremes e
doces de diferentes qualidades, ou para nutrição infantil. A amêndoa, que
é o produto mais importante do coco babaçu, é extraído pelas
quebradeiras de coco, vendido aos quilos para os comerciantes do
povoado, os quais revendem aos exportadores para fabricação de óleo e
os resíduos, são aproveitados para a fabricação de outros produtos.
A babaçu, cujo nome científico é “bygnya Martiana” é a maior
riqueza do extrativismo maranhense, pois se trata do produto de
exportação mais importante do Estado, pois o Maranhão apresenta a
maior produção nacional.
IBGE 2005: Produção anual
Carvão vegetal - quantidade produzida: 94.001 toneladas.
Madeira – lenhas – quantidade produzida: 936 metros cúbicos
Madeira em tora – quantidade produzida: 4.824 metros cúbicos.
Oleaginosos – babaçu amêndoa – quantidade produzida: 1.555
toneladas.
243
Coco babaçu
Bagre do coco babaçuQuebradeira de coco em Bom Jardim/MA.
Bom Jardim tem belezas naturais como rio Pindaré, Caru e rio
Poranguetê (ou Azul) na região da Miril; existindo também muitas praias
lacustres ao longo de seus cursos, rios esses que adentram o município.
 O Vale Fértil do Nilo foi o que possibilitou a vivência e a economia
do Egito em pleno deserto durante milhares de anos.
Nos primeiros dias da história de Bom
Jardim, o buriti era uma fruta muito
comum na lita dos produtos extrativistas.
244
 Os rios que cercam a cidade de Balsas (MA) é que propiciam,
através de uma política agrícola planejada fazer do município de
Balsas, uma referência na agricultura a nível de Estado.
 Bom Jardim é uma enorme área fértil banhada por dois rios e vários
igarapés que adentram e circundam o município, tornando-se
igualmente potencial em termos de fertilidade e terra boa para a
agricultura. Persiste porém, uma forma primitiva e decadente de
agricultura com desamparo para a questão agrícola em larga escala
e de apoio mecanizado. O que está faltando?
Extração Vegetal e Silvicultura
Matéria-Prima Quant. Toneladas Valor Produção
Madeira – Carvão vegetal 248 toneladas 161 mil reais
Madeira – Lenha 437 metros cúbicos 9 mil reais
Madeira em tora 2.633 metros cúbicos 491 mil reais
Produtos da Silvicultura –
Carvão vegetal
108.578 toneladas 23.887 mil
reais
Oleaginosas – babaçu,
amêndoa
782 toneladas 927 mil reais
Fonte: IBGE, 2012
Secretaria de Agricultura de
Bom Jardim
245
16 A DECADÊNCIA AGRÍCOLA EM BOM JARDIM
No capítulo que antecede foram vistos dados da economia
bonjardinense, nos que seguem serão abordados indicadores que revelam
a má distribuição das terras, oriundas de um processo histórico que se
formou ao longo da história municipal, a queda na produtividade e
pesquisas e relatos que explicam a decadência agrícola no município em
estudo. A qual reflete a grande desigualdade social e número de
excluídos existentes no município; inclusive dados evolutivos pesquisados
em fontes oficiais como: IBGE, Prefeitura Municipal de Bom Jardim,
órgãos de Estado como GEPLAN (Gerência de Planejamento). O município
já teve expressiva produtividade de arroz no sistema manual. Apesar
dessa produtividade ter sido através de uma forma tradicional ou
primitiva, assim como noutros municípios maranhenses, tal fato ostentou
ao município um título que informalmente poucos conhecem, de ter sido
o maior produtor de arroz no sistema manual não só a nível de Estado e
Brasil, como também da América Latina. Comprovando o exposto, veja o
que diz o senhor Ozimo Jansen, ex-vereador e ex-funcionário da Fazenda
Estadual na época, que relata uma reportagem que ouvira na Rádio
Nacional de Brasília, em 1982, assim como outras pessoas:
“Em 18 de março de 1982, ouvi na Rádio Nacional de Brasília uma
entrevista com um técnico do Ministério da Agricultura. Quando o repórter
o questiona sobre qual o município do Brasil, naquele momento era tido
como o maior produtor de arroz no sistema manual. A resposta foi:
O município de Bom Jardim, no Estado do Maranhão é
considerado o maior produtor de arroz no sistema manual,
não só do Maranhão e do Brasil, mas também da América
Latina.
Atualmente o município não ostenta mais esse título, devido
uma variante de fatores, entre eles, o desamparo de política agrícola ao
longo de sucessivos governos; a expulsão do homem do campo,
empobrecimento do solo, o uso de técnicas ultrapassadas ou primitivas
(através de roças sob queimadas), expropriação das terras a latifundiários
e fazendeiros que detém grandes extensões improdutivas; e uma baixa
renda familiar, que denota a situação de extrema pobreza. Comprovando
o fato, não é à-toa, que o município detém indicadores sociais
assustadores, comparados com a média nacional. Esse é o Bom Jardim de
40 anos de emancipação que falta emancipar-se daqueles que não têm
compromisso”. Veja os dados abaixo:
IDH: 0,647 (2000)
Posição no rank nacional: 5.464º
Rank no Estado: 203º
Índice de Analfabetismo: 42,5% (IBGE/2000)
Índice de analfabetismo 2010: 31,84%
Renda capita: R$: 535,47 (IBGE/2000)
246
Percebe-se no decurso da história municipal, a ausência de políticas
planejadas e a altura, voltadas para combater o problema que levou a essa
decadência; ou uma política de reversão da situação. Chega-se portanto, à
conclusão que este “círculo vicioso de situação” vá longe, caso persista o referido
desamparo (como acontece).
Observou-se em relatos e informações anteriores, que o município já teve
seu tempo áureo, relacionado à economia agrícola. Ao analisar que Bom Jardim
sofreu decadência econômica relacionada à agricultura, é de suma importância a
busca por explicações no tocante ao fato, que se processou gradual e lentamente,
na dinâmica da contradição “não contrariada”; fatos estes, que se esclarecem
através de relatos de antigos e atuais líderes políticos que acompanharam a
trajetória histórica e econômica do município.
Um fato que também vale ressaltar é que, ao transcorrer dos anos, e com a
expropriação das terras ao latifúndio e fazendeiros, consequentemente houve a
elevação da pecuária, e grande redução na agricultura (produção agrícola). A partir
dos anos de 2000 aos dias atuais, nota-se uma grande elevação da piscicultura.
Muitos pecuaristas estão migrando de cultura, ou seja, da pecuária à piscicultura.
Houve, desta forma, ao longo da história municipal, no que diz respeito à economia,
uma certa transição de economia no município. Como exemplo vale citar que nos
primeiros dias, a vocação era agrícola, e o município apresentava preponderância
na cultura do arroz, entretanto, ao longo dos anos foi substituída de modo bem
preponderante, pela pecuária – e na atualidade, a partir dos anos de 2000, a
piscicultura vem ganhando espaço e preponderância no cenário da economia local,
que que já é auto sustentável e exporta peixe para fora.
Fonte: Motta, 2017.
247
Imagens de açudes.
Fonte: Motta, 2017.
ECONOMIA BONJARDINENSE
Veja gráficos abaixo que comprovam a queda na produção agrícola no
município de Bom Jardim:
Produto Ano: 1993 Ano: 1994 Ano: 1995 Ano: 2000 2006
Arroz 18.826 ton. 34.800 ton. 36.240 ton. 8.044 ton. 8.140 ton.
Feijão 293 ton.
Milho 2.349 ton.
Fonte: Sinopse Estatística do Maranhão/IPES. Prefeitura Municipal e
GEPLAN/2006.
Os indicadores acima não constam dados do “período áureo” da
agricultura no município, que datam da origem aos anos 80. Se
compararmos a tabela da produção agrícola com a pecuária, chegaremos
a conclusão de que houve uma inversão de cultura. Ou seja, a agricultura
foi e continua sendo suplantada pela pecuária a cada ano no município. Os
fazendeiros são na maioria pessoas ricas e de condição média. Os
agricultores, na maioria, pessoas de baixa renda. A grande concentração
de terras, às vezes improdutivas nas mãos de poucos exclui uma grande
248
maioria da possibilidade de viver dignamente e produzir com
sustentabilidade na terra.
Principais Produtos Agrícolas (lavoura temporária), por rendimento médio
e quantidade produzida, segundo os municípios – Maranhão – 2006
Produto Quantidade/ ton.
Arroz 8.140 ton.
Cana-de-açúcar 285 ton.
Feijão 293 ton.
Mandioca 67.500 ton.
Milho 2.349 ton.
Abacaxi 94 ton.
Melancia 242 ton.
Fonte: IBGE, 2006
Pecuária
Pecuária 1993 1994 1995 2000 2005
Bovinos: nºde
cabeças/ano
59.716 62.702 65.210 75.133 141.23
Fonte: IBGE/2005.
Observa-se uma evolução crescente na produção bovina do município.
Sendo que nos primeiros dias de sua história, eram insignificantes os indicadores
nessa cultura.
Comparando os dados da agricultura com os da pecuária conclui-se o
que foi citado anteriormente “substituição de cultura”. Ou seja, houve uma
10,20%
0,36% 0,37%
83,29%
2,95% 0,11% 0,30%
0,00%
10,00%
20,00%
30,00%
40,00%
50,00%
60,00%
70,00%
80,00%
90,00%
Principais Produtos Agrícolas (lavoura temporária), por rendimento médio
e quantidade produzida, segundo os municípios – Maranhão – 2006
Principais Produtos Agrícolas
(lavoura temporária), por
rendimento médio e
quantidade produzida, segundo
os municípios – Maranhão –
2006
249
drástica queda na produção agrícola, porém, em contrapartida, a pecuária se
mantém num constante crescimento.
Apresentando ela um grande peso na receita do município. Veja abaixo dados da
economia municipal distribuída por setores:
Agropecuária 77,4%
Agricultura 56,4%
Indústria 0,3%
Serviços 22,3%
Fonte: IBGE/2005
Acerca dos problemas agrícolas no município como: queda na produção,
elevação na pecuária, e expropriação das terras dos agricultores, veja o que
dizem antigos moradores e líderes políticos, conhecedores dessa realidade e da
política local e sua evolução histórica. Os quais dão possíveis explicações para a
dinâmica de tais acontecimentos em nível de Bom Jardim, que é apenas um
possível retalho do que pode ter acontecido em outros municípios.
Resumo dos relatos que explicam a queda na produção
agrícola nomunicípio de Bom Jardim:
 No princípio, grande número de agricultores apossaram-se das
terras, dantes devolutas. E seguiram na marcha produtiva, num
processo de agricultura primitiva, que ainda hoje se arrasta,
amparado com política agrícola pouco significativa, que fosse (ou
seja) capaz de dar à agricultura seu devido potencial produtivo, que
não só de subsistência, mas de valor comercial para a exportação e
gerar receita para o município. No chamado “tempo áureo” da
economia agrícola no município quanto a grande produção de arroz,
as terras eram do povo, razão essa das grandes safras que o
município já apresentou (mesmo sendo na forma primitiva e com as
grandes roças sob queimadas).
No transcorrer dos anos, com a ausência de políticas públicas
capazes e eficientes no setor agrícola que amparasse o homem do
campo no sentido fixá-lo no campo, levou-os a expropriarem –se de
suas terras, vendendo-as a latifundiários e fazendeiros que iam
comprando com a “situação”.
 Na relação entre lavradores e comerciantes, muitos comerciantes
enriqueceram, pois os lavradores, através de suas necessidades
básicas vendiam na palha sua produção agrícola como arroz, em
troca das compras e produtos de primeira necessidade como:
querosene, açúcar, foice, machado, cotelo, remédio, roupas e
possíveis empréstimos em dinheiro. Fato este, que levou muitos
lavradores a se endividarem, (tendo consequentemente que se
expropriarem de suas terras).
Independente das “situações” houve também casos de pressão por
parte de latifundiários e fazendeiros que, quando os agricultores não
250
queriam vender suas terras por livre “necessidade”, eram
pressionados a vender por livre “pressão”.
Há na educação do campo a ausência de um currículo disciplinar que
eduque os habitantes para a vida e a função no campo. E para isto,
uma ideia que defendo para o problema da educação ruralalém da
implantação de técnicas agrícolas na grade curricular, é a
implantação de EFAs – Escola Família Agrícola –que é realidade em
muitos estados brasileiros e vem dando certo há mais de 40 anos.
É um projeto que se fundamenta na pedagogia da alternância e
embasa projeto político para a comunidade rural a partir do papel
social da escola. Essa pedagogia e ou projeto valoriza a história
local, modelo cultural e padrão de respeito aos direitos do homem
do campo sem excluí-lo dos benefícios da cidade. Não é simples
pedagogia que se apresenta e sim também, uma ação política para
o homem do campo que se integra nesse modelo.
AGRICULTURA
Predomina no município a exploração de subsistência, dentre os quais:
arroz, milho e mandioca. A atividade agrícola contribui com a receita do
município em torno de 21%. (Fonte: IBGE/2000)
A agricultura é explorada, em grande parte, por pequenos
produtores rurais. Sabe-se que economicamente, a agricultura é muito
importante para o desenvolvimento do município, mas esta não apresenta
ultimamente bons índices de produtividade. A estrutura agrária põe em
evidência o latifúndio, onde se percebe, que a maior parte das terras são
ocupadas por latifundiários.
Números da produção agrícola no município de Bom Jardim
Cultura Área colhida (ha) Produção toneladas
Arroz 7.270 8.044
Milho 4.230 2.348
Feijão 310 152
Mandioca 768 7.128
Fonte: Pref. Municipal de Bom Jardim/e GEPLAN/2000.
Na tabela acima percebe-se que o produto número um na
produtividade do município é o arroz, seguido do milho, como segundo
produto mais produzido.
Segundo levantamento realizado no comércio comprador e
exportador de castanha: a produção anual deste produto está em torno
de 20 toneladas por safras. Sendo uma atividade marginal (ou seja,
produzida apenas no regime extrativista). Apesar dessa produção, no
município só é aproveitada a castanha, perdendo-se o caju, com o qual
poderia ser feito suco, doce, etc.
251
Bom Jardim não tem um projeto social de desenvolvimento sustentável integrado;
nem no campo nem na cidade... Desenvolvimento sustentável é quando a
comunidade no município atinge a capacidade da auto sustentabilidade, a
autonomia do desenvolvimento e do crescimento econômico sem depender de
assistencialismo nem o município ter que exportar a maioria de seus bens de
consumo (agrícola) de fora, que gera uma evasão de capital que vai aquecer a
economia e promover emprego e renda em outras cidades.
A zona rural de Bom Jardim, onde se localiza 65% da população municipal e
98,3% das terras do município, era pra ter uma economia agrícola forte e auto
sustentável que abastecesse o mercado local e garantisse a estabilidade do
homem do campo no campo; mas a maioria dos produtos agrícolas consumidos
em Bom Jardim vem de fora. Importamos frutas, verduras, legumes, arroz, feijão
e outros para o sustento da população. Isso significa que não existe uma
agricultura forte. O que existe em Bom Jardim é uma dependência do
empreguismo da prefeitura, de aposentadorias, e de programas assistencialistas
do governo federal como bolsa escola, bolsa família... No entanto, existe um
excelente programa do governo federal – O PRONAF (PROGRAMA NACIONAL DE
AGRICULTURA FAMILIAR, e o programa de estado PRODIM- Programa de
Desenvolvimento Integrado do Maranhão, que é um Projeto de Redução da
Pobreza Rural. Ou seja, temos todo um aparato institucional de programas a
serviço do homem do campo, mas apesar de tudo, o município não apresenta
uma agricultura fortalecida nem auto sustentável.
Você sabia...
Que o maior abacaxi do mundo foi encontrado em Bom Jardim, Maranhão,
em 1997. O abacaxi pesava 9 kg. Foi colhido na fazenda Santa Maria, de
Joaquim Boanerges Ayres Guimarães, que tinha cerca de 1500 pés de
abacaxi. (Fonte: The Guiness Book of Records, in 1998).
PECUÁRIA - A pecuária é uma das atividades de destaque no
município de Bom Jardim. Predomina a criação de bovinos, suínos, cabras
e aves. A atividade pecuária contribui em maior escala para a economia
municipal: 56,4%.
Agricultor de Bom Jardim- MA
252
Espécie Nº cabeças / Ano
2000
Nº cabeças /
Ano:2003
Nº de cabeças/
Ano 2012
Rebanho Cabeças Cabeças Cabeças
Bovinos 76.133 80.652 186.647
Suínos 6.145 3.182 4.030
Aves 84.000 36.082 n.c
Galinhas, galos,
pintos, frangos
18.643
Caprinos 4.450 * 1.855
Ovinos (ovelhas,
carneiros)
3.556 * 1.299
Fonte: Prefeitura Municipal e GEPLA/2000/2003.
Como foi visto em tabelas anteriores, de que a produção bovina
mantém-se em crescente, estes são apenas números estimativos. Porém,
a produção é bem maior, segundo fonte municipal e de censitários.
PRODUÇÃO ANIMAL
Espécie Ano: 2001 Ano: 2003 Ano 2012
Quantidade Idem Idem
Leite de Vaca 1368.000 litros 2.398.000 litros. 2.073.000 litros
Leite de cabra 1000 litros Não consta Não consta
ovos 33.000 dúzias 22.000 dúzias 21.000 dúzias
Fonte: IBGE/GEPLAN-2003
É alta a produção animal em Bom Jardim, como leite e ovos.
Portanto, essa produtividade não é canalizada na fabricação de produtos
secundários, como queijo, doce, etc. Que poderiam ser produzidos e
exportados, gerando renda e emprego no município.
O município tem vocação agrícola, e apresenta condições
geográficas e climática para produzir em larga escala. Este fato se
evidencia nos fundamentos da história do município nos anos 80. Esta
vocação se mostra imprescindívelmente clara ao se analisar que 65% da
população do município vivem em área rural. Mais ainda: 98,3% das
terras do município se localizam na zona rural.
É absurdo quando se vê esses indicadores junto a uma situação
paralela de ausência de política agrícola planejada, “capaz e eficiente” de
suprí-la e transformar o município num potencial em favor da população.
Se isto não acontece, vem a significar, portanto, o “estrangulamento” da
vocação agrícola do referido município. Outro ponto de “estrangulamento”
é a forma primitiva de agricultura que se mantém, a qual, praticada desde
a fundação do município, propicia uma produção mínima e perniciosa ao
meio ambiente (o caso das roças sob queimadas).
Foi observado que houve uma mudança de cultura. Nessa
mudança, a agricultura praticada pela maioria da classe de baixa renda
encaminhou-se para a sua decadência. Ou seja, ao longo do processo
histórico, por necessidades, frutos do desamparo de políticas públicas
para a questão agrária, que prendesse o homem do campo no campo;
Isto fez com que, apesar do tempo “áureo” só explorado e não atualizado
253
com a “modernidade ou era da máquina e do crédito”, levasse esses
agricultores cuja forma de cultura praticada na agricultura era “sofrida” e
de subsistência a abandonarem ou venderem barato suas terras. Você
caro leitor, pode estar se perguntando: “Se 65% da população reside na
zona rural, como não tem terras, se é a maioria? Pois bem, Há uma alta
concentração de terras nas mãos de poucas pessoas. E enorme o número
de habitantes que mal tem onde morar e apenas o fundo do quintal para
ser suprido com a ciente política do governo, através da agricultura
familiar”. Isto fez com que, no transcorrer dos anos que se seguiram, a
economia agrícola passasse a representar pouco na receita municipal, que
já exporta arroz de outros Estados.
Com a mudança da agricultura para a pecuária, um novo
panorama de proprietários se definiu no quadro de relações formadas, a
qual apresenta-se hoje definida, cujos proprietários não são mais a classe
de baixa renda, para não se dizer pobre, e sim é composta de pessoas
ricas e de classe média (fazendeiros e políticos, em sua maioria).
Esta alta concentração de terras em posse de poucos, em
detrimento de muitos é um fato excludente que alimenta a situação de
pobreza e mantém o município na baixa produtividade agrícola. Tudo isto
se comprova quando analisamos que 50% da classe produtora (entre
arrendatários, parceiros, ocupantes, etc.) detêm apenas 1,9% das terras
produtivas ou cultiváveis (veja gráfico abaixo). Fato este, que vem a
manter o status quo (estagnação e atraso) econômico do município e
conservar da situação de pobreza e dependência político-econômica de
grande número de pessoas no referido local do presente trabalho.
Comprometendo com isto a cidadania e a liberdade de opção pelo voto em
troca de “migalhas”, que para muitos políticos corresponde “comprar o
poder”; levando-os ao descompromisso. Isto não é um fato isolado,
existem muitos “bonjardins”.
Programas à Serviço da Agricultura em Bom Jardim
 Programa Fome Zero – Se destina à compra local (da Agricultura
Familiar). Em Bom Jardim existem 67 produtores cadastrados que
fornecem os produtos - que são destinados a complementar a
merenda escolar e saúde.
 PRONAF – (Programa Nacional de Agricultura Familiar) -
Trabalha com a liberação de linha de crédito para agricultores rurais
com taxas de juros mais baixas e prazos especiais de pagamento.
Existem quatro modalidades de PRONAF:
Pronaf A, B,C,D e E. Em Bom Jardim só opera o PRONAF: B, C, D
e E.
B – É liberado a pequenos produtores (mine produção rural) para
criação de pequenos animais e hortas, com juro de 1% ao ano. Neste,
existe bônus de 25% de abatimento do valor total da dívida quando
pago em 1 ou 2 parcelas. O valor do empréstimo é no valor de
1.500,00 reais.
C – Libera recursos para o custeio de mandioca a taxa de juros de 4%
ao ano com valor liberado até R$ 6.000,00 (seis mil reais).
254
D – Libera recursos para investimentos na agropecuária –com juros de
4% ao ano. Libera até R$ 15.000,00 (quinze mil reais).
E – Destina à pecuária (especificamente para infra-estrutura em
propriedades) com juros de 7,25% ao ano.
 PRODIM – Ou Programa de Desenvolvimento Integrado do
Maranhão é um Projeto de Redução da Pobreza Rural,criado desde
2002, e que começou a liberar recursos a partir de 2006. Os
recursos se direcionam ao associativismo através de fundos
perdidos do Banco Mundial em parceria com o Governo do Estado.
A contrapartida é de 15%, e pode ser por meio de material ou
mão de obra da comunidade beneficiada.
Os subprojetos financiados pelo PRODIM são classificados em cinco
tipos: apoio à geração de renda, apoio à saúde e ao saneamento, apoio
à educação, apoio à cultura e à preservação ambiental.
Diante de todos esses serviços e vantagens, a Secretaria de Agricultura
trabalha com uma equipe de técnicos agrícolas, médicos veterinários
e Assistente social auxiliando o homem do campo quando este
necessita.
ASPECTOS INFRA-ESTRUTURAIS
(FUNDIÁRIO, ENERGÉTICO E SISTEMA DE ÁGUA)
ESTRUTURA FUNDIÁRIA
Situação Nº de Estabelecimento Área (ha)
Proprietário 3.485 248.535
Arrendatário 2144 3.195
Ocupante 1.295 1554
Parceiro 37 55
Total 6.961 253.339
Fonte: Prefeitura Municipal e GEPLAN/2000
Observa-se no gráfico acima que, 50% dos proprietários de terras detêm
98,1% das terras cultiváveis ou agricultáveis. Isto significa que, 50% da
população economicamente ativa que vive da lavoura entre arrendatários,
ocupantes e parceiros se encontram ocupando apenas 1,9% de terras
cultiváveis no município.
255
SITUAÇÃO A NÍVEL DE BRASIL
Os estabelecimentos agrícolas no Brasil se dividem nos seguintes
números:
- 4,3 milhões com áreas inferiores a 100 há*
- 470 mil com área de 100 ha a menos de 1.000ha
- 47 mil com área de 1000 ha
- 2,2 mil com áreas a partir de 10.000 ha e o restante sem declaração.
*ha: hectare
Em relação à mão de obra, constatou-se o seguinte:
- Os estabelecimentos com menos de 10 ha absorvem 40,7% da mão de obra;
- Os de 100 ha a 1.000 ha absorvem 39,9% da mão-de-obra;
- Os acima de 1.000 há absorvem 4,2% da mão-de-obra.
A falta de uma política clara em relação aos direitos econômicos, sociais e culturais
reflete também a falta de uma política de reforma agrária no Brasil. A concentração
de terra no Brasil é uma das maiores do mundo. Cerca de 1% dos proprietários
rurais detêm em torno de 46% de todas as terras. Dos aproximadamente 400
milhões de hectares titulados como propriedade privada, apenas 60 milhões de
hectares são utilizados como lavoura. A Constituição brasileira determina que as
terras que não cumprem sua função social devem ser desapropriadas para fins de
reforma agrária. A função social da terra é determinada de acordo com o nível de
produtividade, além de critérios que incluem os direitos trabalhistas e a proteção ao
meio ambiente.
Segundo o Correio Brasiliense, dos cerca de 5,5 milhões de
estabelecimentos rurais estimados no país, apenas 7.042 (0,13%)
estão no cadastro do Incra de imóveis rurais certificados, ou seja, que
foram georreferenciados e estão com toda a documentação em ordem.
Constata-se, portanto, que a realização da reforma agrária no
Brasil é fundamental para resolver problemas econômicos e sociais no
país.
Segundo os dados, existem 100 milhões de hectares de terras ociosas no
Brasil.
Você sabia...
Que o “milagre Alemão” no pós-guerra após o Tratado de Versalhes que isolava o
país de qualquer relação comercial com outros países foi a REFORMA AGRÁRIA.
O povo foi a verdadeira arma de produzir riquezas. No Brasil essas riquezas (terras)
estão nas mãos de uma minoria, inclusive estrangeiros na Amazônia, que possuem
área do tamanho do estado do Rio de Janeiro.
256
ÁREAS DE ASSENTAMENTOS DE BOM JARDIM
Nº
Nome
Setor Área (ha) Famílias
assentadas
Incra Iterma
01 Amazônia X 4.530
02 Flecha/Gleba
Juriti
X 2.160
03 Rio Ubin X 2.489
04 Santa
Antonio/Bela
Vista
X 7.037
05 Varig X 18.799
06 Rosário/ Centro
Batista
X 5.021
07 Santa Lúcia X 385
08 Sambra X 23.010
Fonte: Prefeitura Municipal de Bom Jardim
Não sendo diferente das informações anteriores, observa-se um
acentuado número de assentamentos na região da Miril, e com menos
ocorrência no restante do município, onde também há um grande número
de pessoas que necessitam de terras para plantar e sobreviver. Esses
assentamentos se deram através do INCRA e do ITERMA. Nesse sentido,
o processo de assentamentos e apropriações de terras é uma forma de
inclusão social voltada para o homem do campo. Em Bom Jardim grande
é o número de famílias sem terras para a agricultura, segundo
GISTELINK, (UFGO, 2002) que afirma no gráfico abaixo:
Município Total de famílias que vivem
da lavoura:
Famílias sem terra
para desenvolver a
agricultura
Bom Jardim 7.000 4.900
GISTELINK, UFGO, 2002
O processo de latifúndio nas terras do município é grande e, a cada tempo
que passa, verifica-se sua crescente ação expropriadora. Como
comprovações, o IBGE de 2010 revela um acentuado declínio da
população rural de Bom Jardim, seja por determinado fator, ou o
abandono de políticas capazes para o campo. Por outro lado, ao longo da
trajetória política no município, é notório também gestores que, além de
não resolverem o problema, ou não saberem como lidar, ou não se
importarem compraram grandes áreas de terras, vendo no problema, uma
oportunidade de negócio, contribuindo desta forma, para o latifúndio e
concentração de renda. Não apenas gestores locais, mas também de
outras cidades, assim como grandes fazendeiros vão “adquirindo”,
contribuindo com o minifúndio. Como conseqüência, vários povoados
estão desaparecendo.
257
Infraestrutura Energética
Consumidores
Urbanos/ Rurais
Ano:1993 1994 1995 2002 2004
Total de
Consumidores
2.575 3.315 4.577 4.877 5.248
Consumo total 498.534 kwat
Receita Mensal
(2004)
123.387,35
Fonte: CEMAR/2004.
A CEMAR (Companhia Energética do Maranhão), como parte do Programa Nacional de
Desestatização do governo FHC, foi privatizada em 15 de junho de 2000, vendida para o
grupo americano PPL Global LLC (Pensylvania Power Light por meio de sua controlada
indireta Equatorial. Em 6 de março de 2004, GP Investimentos adquiriu o controle da
Equatorial. Em 6 de março de 2006, 46,25% do capital social ainda restante da Equatorial é
transferido para o PCC Latim American Power Found Ltd. Atualmente a empresa tem 1,5
milhão de consumidores.
Lembrando que a ampliação do sistema energético e rede se deve a Programas Federais –
entre esses, o Programa Luz para Todos.
Nome dos povoados com eletrificação rural
Km 18 Pedra de Areia Boa Esperança
Boa Esperança D´água Preta Galego Zé Boeiro
Oscar Barrote Boa Vista
Rapadura Velha Cassimiro Barraca Lavada
Centro Nascimento Gurvia Centro João Bastião
Barra do Galego Palmeira Comprada
REGIÃO DA MIRIL:
Unicem Escada do Caru Varig
Dois Irmãos Traíras Mutum
São Francisco Igarapé dos Índios Cristalândia
Santa Luz São Pedro do Caru Bela Vista
Rosário Canaã Fazenda Amazônia
Macaca Porto Seguro Sapucaia
Chapada Três Olhos D´água Novo Caru
Rapadurinha Turizinho do Augusto Brejo social
Vila Bandeirante São João do Turi Vila Novo Jardim
SISTEMA DE ÁGUA
Ano 2004
Nº de Consumidores 2.324
Faturamento Mensal R$: 24.125,04
Fonte: CAEMA/ Out. 2004.
258
Atualmente o sistema de água implantado no município ainda na gestão
de Gildásio Ferreira Brabo não apresenta eficiência no atendimento à demanda
de consumo da população total, apresentando constantes faltas de água e a
penalização dos consumidores. Alega-se que é por razões de que a empresa
esteja tendo déficit e ser de alto custo a escavação de novos poços artesianos
para suprir a demanda local assim como em outros. Há especulações de que
poços artesianos cavados com recursos Federais estejam sendo usados pela
empresa (que pretende cobrar taxa/consumo), que é um fato ilícito. Outro fato
ainda mais grave que também vale ressaltar se dá nas informações da entrevista
do ex-prefeito Gildásio Ferreira Brabo nas seguintes palavras:
“A CAEMA foi implantada em Bom Jardim na minha gestão. E no contrato que
assinei com a empresa rezava que, com 20 anos depois de sua implantação, o
sistema de água passaria para o município. E o direito de exploração pelo
contrato se extinguiria. Ou seja: seria municipalizada. Os 20 anos venceram no
governo de Antônio Soares Pedrosa. No entanto, ninguém se importou”.
Ninguém se importou com esse grande benefício que o povo
bonjardinense deixou de usufruir durante 20 anos, inclusive a Câmara de
Vereadores. Segundo o entrevistado, o contrato venceu. E a mais de 20 anos a
empresa explora a água no município sem sua renovação.
Essa é também a realidade em muitos outros municípios maranhenses. A
especulação de muitos políticos “veteranos” é de que se municipalizar a água, a
situação se torne pior, porque vai ser mais gastos dos cofres públicos. No
entanto, pessoas que não são da ala política opinam que a municipalização da
água tem tudo para dar certo. Onde afirmam que o ponto negativo para não ser
bem sucedido, é caso haja negligência e irresponsabilidade política que venha
transformar a empresa numa “vaca leiteira” de voto em período eleitoral. O
ponto positivo para ser bem sucedido, é a implementação de artigo na lei
orgânica do município visando assegurar o patrimônio público como intocável e
culminante de crime contra o mesmo. Quanto a questão econômica, o
município articularia projetos de poços artesianos através de Associações (pois
são mais de 100 em Bom Jardim).
Lembrando que, o que foi colocado acima é Municipalizar e não Privatizar.
Privatizar seria a pior das alternativas, pois, a privatização de empresas públicas – onde se
transfere riquezas sociais para grupos capitalistas privados é a meta essencial da política
neoliberal – que contribui para a concentração de renda; e num estado como o Maranhão, com
os atuais indicadores de pobreza e desigualdade, - seria abrir mais esse abismo entre ricos e
pobres.
Para muitos, a saída seria aparelhar os mecanismos administrativos (como já acontece),
priorizar cargos técnicos comprometidos com o desenvolvimento e crescimento da empresa e
não torná-la cabide de emprego de políticos, o que compromete sua eficiência e qualidade.
CAEMA: Companhia de Água e Esgotos do
Maranhão em Bom Jardim. Reformada em 2009.
259
Em alguns municípios a Caema implantou o Programa de Responsabilidade Social “Caema
na Escola”, de caráter educativo e informativo, que visa conscientizar a comunidade
estudantil sobre as questões ambientais como: A Importância da Água Tratada; Combate ao
Desperdício de Água; Preservação dos Recursos Hídricos; Correta Utilização de Esgotos e
outros.
15.4Infraestrutura Bancária e Histórico
Em 1978 foi fundado em Bom Jardim um posto do Banco do Brasil, cuja
finalidade era apenas para o crédito rural. Os aposentados recebiam seus
benefícios em Santa Inês e lá também os comerciantes realizavam suas transações
bancárias. Em 28 de outubro de 1985 foi fundada a agência bancária em Bom
Jardim, sendo o Banco do Brasil, cujo primeiro gerente foi o senhor Clédio de
Campos. Além do Banco do Brasil existiu também no município outro banco: o
Banorte.
Banco do Brasil de Bom Jardim, 1983.
Entre 1995 a 1996, o Banco do Brasil em Bom Jardim esteve às portas de
fechar. Devido a pouca circulação de moeda no município, repercutindo em poucas
transações e depósitos ali efetuados. Ficou evidente a importância e impacto que a
prefeitura, como um dos maiores empregadores e fonte de renda representa na
economia municipal.
Para salvar a situação os aposentados concordaram em contribuir dos seus
benefícios em favor do banco a título de contribuição. Houve também alguns
empresários que efetuaram depósitos para evitar seu fechamento.
260
Atualmente o município se desenvolveu bastante, vieram muitas lojas,
gerando empregos e aquecendo mais a economia municipal. Diante dessa
realidade, reduziu-se bastante os riscos de fechamento da referida agência.
Lembrando que o que mantém a vida economicamente ativa do município são 4.200
aposentados que todo mês recebem seus benefícios e 1212 funcionários da
prefeitura além de funcionários do Estado (FUNASA e Educação). Em 2016 o
número de funcionários do município é acima de 2000 funcionários. Esses são os
principais fatores em torno dos quais circula a economia bonjardinense, além da
agropecuária que representa 77,4% da receita do município. Bolsa Família em 2016
r$ 4.236.671,00 (Quatro milhões, duzentos e trinta e seis mil, seiscentos e setenta e
um reais). PESCADOR ARTESANAL - em Bom Jardim R$ 37.034.852,65. (trinta e
sete milhões...).
Hoje o Banco do Brasil apresenta uma infra-estrutura moderna com
atendimento eletrônico em terminais através dos quais os clientes realizam suas
transações bancárias como: saques, empréstimos, depósitos e emissão de cheques
e extratos.
O município possuiu também uma agência do banco Banorte,
que foi fundada em julho de 1981, tendo como primeiro gerente o Senhor
Rivaldo Sousa Guerra. É considerada a primeira agência bancária do
município, pois quando esta foi fundada como agência, o Banco do Brasil
já existia não como agência e sim como posto do Banco do Brasil. A
agência Banorte fechou em 1986. Um dos seus últimos gerentes muito
conhecido foi o senhor João Vivaldo Carneiro Macias.
Em 1º de Fevereiro de 2017 a Agência do Banco do Brasil de Bom Jardim
foi assaltada e estourada por uma quadrilha de cerca de 10 homens
fortemente armadfos.
Banco do Brasil em Bom Jardim
261
Fonte: Imirante, 2017.
Dois dias depois (03/02/2017) oito dos assaltantes do Banco foram presos
no município de Vitória do Mearim (O Imparcial, 2017).
Passaram-se vários dias ou mês, e
a população de Bom Jardim iam
realizar suas transações bancárias
e Santa Inês – e corria os rumores
de a Agência fechar. Mas enfim,
foi reformada.
262
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho, retratando Bom Jardim em sua dimensão
histórica, geográfica, cultural e sua problemática, é uma verdadeira
radiografia municipal. Mas os problemas em muitos municípios são
comuns, configurando uma mesma situação que está presente em muitos
“bonjardins”.
É um material informativo de grande importância para
conscientizar os cidadãos bonjardinenses de sua história, geografia e
realidade. Trabalho este, apresentado na sua 1ª edição, também visa
auxiliar nas aulas de História e Geografia do município nas escolas de
ensino Fundamental e Médio. Sendo uma contribuição para uma
educação contextual.
É preciso, pois, conhecer a realidade social, índices e indicadores de
necessidades, ou seja, desmascarar a realidade para que esta possa
revelar os desafios a serem enfrentados no campo das políticas sociais.
Quanto à importância da geografia, que se desdobra em física e
humana, percebe-se que, dentro do fazer histórico fazemos também a
geografia (no campo físico, social e político); abstraindo-se deste modo,
que o poder de interferência e transformação da realidade vem do poder
de informação que se tem da mesma. Desconhecer a realidade arremete
a alienação do indivíduo e planejamentos inconsistentes. “Pois,
desenvolvimento acontece com planejamento que se faz com informação”.
Para termos a capacidade de agirmos sobre a realidade resta-nos
seguirmos a linha filosófica do Positivismo do “conhecer para prever para
prover”. (Augusto Conte in positivismo)
263
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Alfredo Vagner B. Transformações econômicas e sociais no
campo Maranhense. Publicação: 1981.
ABDON, Chiquinho do. Entrevista realizada sobre a realidade do Povoado Vila
Bandeirante. 5/2005.
GONÇALVES, Suely. Amazônia de encantos e desafios. Goiânia, 2006.
ANJOS, Mirene Antonia. Primeira Secretária de Educação. Entrevista sobre seu
desempenho e a educação nos primeiros dias em Bom Jardim. E
fornecimento do texto “Casamento na roça” que sofreu alterações e
adaptações por Adilson Motta.
Apostila Projeto Nordeste, PAPP. p. 3.
Associação Cultural e Folclórica Bumba-meu-boi de Bom Jardim, 2005.
AZEVEDO NETO, Américo. Bumba-meu-boi no Maranhão. São Luís,
Alcântara, 1983.
AZEVEDO, Josiane Silva de. & Washington. Entrevista sobre a Formação
histórica do povoado Cassimiro.
BARBOSA, Maria Socorro Macedo. Monografia apresentada no Curso de História
na UFMA/2005. O Bumba-meu-boi em Bom Jardim.
Bloco de entrevistas com antigos moradores que acompanharam o processo
histórico-político de Bom Jardim,; Valquírio Bertoldo, Biribute, Zezé, Maria
do Alcides e Antuninha.
BRABO, Gildásio Ferreira. Primeiro Prefeito eleito de Bom Jardim (MA). Entrevista
sobre a emancipação do município e sua atuação administrativa.
Caderno da TV Escola “Índios no Brasil”.
CAREPA, Ana Júlia. Discurso no Senado sobre O problema da privatização da
CVRD. In Diário do Senado Federal, 02/2006.
Cartilha Diocese de Zé Doca – Indicadores da Região Turi e Vale do
Pindaré, Indicadores sociais. 2005.
Cartilha do PRODIM – Programa de Desenvolvimento Integrado do
Maranhão. Ano: 2006.
CAVALCANTI, C. Desenvolvimento e natureza: estudos para uma
sociedade sustentável. São Paulo, Cortez, 1995.
Centro de Justiça Global; Comissão Pastoral da Terra e Movimento dos
Trabalhadores Rurais sem terra. A situação agrária brasileira, 12/2006.
264
CIMI (Conselho Missionário Indigenista). Informações sobre os guajajaras e
mapa de reservas, 2004.
COELHO, Antonia Lobo. Esposa do Senhor Chapéu de Couro, atual Newton
Belo. 7/2007.
Coleção Almanaque Abril, Religiões no mundo. 2005 p. 12.
Confederação dos Municípios Brasileiros. Pesquisa sobre o município de Bom
Jardim, MA. 05/2007.
COSTA, Eliseu Alves. Vice Prefeito Municipal. Entrevista sobre a evolução da
economia municipal. /2003.
DIÁRIO DE NATAL, A criação do FUNDEB, Copyright, 2006.
Emília Amaral et al. Novas palavras: português volume único. – São Paulo:
FTD, 2003.
FEITOSA, João Batista. Primeiro Administrador oficial (Interventor).
FILHO, José Pedro Vasconcelos. Entrevista por telefone – sobre o pai 1º
morador. de Bom Jardim/MA. Rio Preto da Eva/Amazonas. 1/01/2005.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 3ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra,
1983.
GISTELINK, Frans. Pequena história territorial do Brasil: sesmaria e terras
devolutas. Goiás: UFGO,2002.
Globo Repórter: Reportagem especial sobre a Amazônia/Pulmão do mundo.
Problema ambiental. 18/11/2005.
GONZAGA, Antonia Cavalcante. Primeira professora municipal de Bom
Jardim. Entrevista sobre a primeira escola e primeiros professores,
Agosto/1987. (Mon. Irene Matos).
GOMES, Mercio Pereira. Terra Indígena Rio Pindaré. Bom Jardim – MA. Mercio Pereira.
1982, p.53.
GUAJAJARA, Daniel e Alzenira. Entrevista e pesquisas sobre a interação do
índio com o branco e seus conseqüentes no processo de aculturação,
2004.
Htt/://adancadococoletra.
Xuxa.letrasdemusicas.com.Br/musica.php?=85981.
http://www.maconaria.net/eg-bin/page-printerpage.pl
http://pt.wilkipedia.org/wiki/Sindicato - O que é sindicato? 2006.
IBGE/Brasil. Levantamento populacional - 2000/2005
265
Jornal do MEC. Brasil indígena. Artigo publicado por Luiz Donisete Benzi
Grupioni.
Jornal Pequeno. 2007, Edição 21,563. Realidade maranhense. Enfoque
Governador Newton Belo. 10/2007.
http://www.jornalpequeno.com.br/2007/5/27pagina56958.htm
http://www.caema.ma.gov.br. Histórico e realidade – CAEMA, 2009.
JÚNIOR, Antonio. Fornecimento do mapa de Bom Jardim/MA e municípios de
fronteiras.
LIMA, Dionísio Silva. Relatos sobre uma história na região Caru no século
XVIII a XIX. 04/12/2006
LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 2006
Lei Orgânica Municipal. Pesquisa sobre a política ambiental proposta para o
município. 2004.
Irmã Adélia. Convento das Freiras. Entrevista sobre conversa que teve com
o 1º morador José Pedro Vasconcelos. 2003.
JANSEN, Ózimo. Entrevista sobre o processo político e econômico do Município de
Bom Jardim/julho de 2004.
Jornal Pequeno, 2007, Edição 21,563. Realidade maranhense. E governador
Newton Belo. E internet 13/10/2007.
LEITE, Raimunda Almeida. Pesquisa realizada em 12/2004. A formação
histórica do povoado Tirirical.
LIMA, Altemar. A explicação da repetência e da evasão pelas vítimas do
fracasso escolar: um estudo realizado no sistema de ensino de Alto
Alegre. São Luís: EDUFMA,2004.
LIMA, Diego Mendes & Daniel Santana Lorenzo Raices. Primeiro registro de
Psophia obscura Pelzen, 1857 e Dendrocincla merula badia Zimmer, 1934 para
a Reserva biológica do Gurupi, Maranhão, Brasil.
LINO, Fabiano Cristino de Sousa. Progresso no Vale. Monografia apresentada
no curso de História, UFMA, 2004.
LINHARES, Luiz Bezerra. Entrevista sobre a Maçonaria em Bom Jardim –2001.
MACIEL, Pedro. Entrevista sobre o Bumba-meu-boi em Bom Jardim. 12/2005.
Estado do Maranhão. Plano de Ação para prevenção e controle do
desmatamento e das queimadas no Estado do Maranhão. Abril, 2011.
266
MARQUES, Francisca Ester de Sá. Mídia e experiência estético: o caso do
Bumba-meu-boi. São Luís: Imprensa Universitária.
MARTINS, José de Sousa. O tempo da fronteira. Retorno à controvérsia
sobre tempo histórico da frente de expansão e de frente pioneira.
Tempo social; ver sociol; USP, São Paulo, 1996.
MATOS, Manoel Lídio Alves. Ex-prefeito Municipal. Entrevista realizada sobre
sua administração na área da educação, 2004.
MATOS, Cleuma Santos. Ex-secretária de educação em 2004. Entrevista sobre
a educação no Município. 2004.
MATOS, Rogério. Realizou pesquisas no povoado Rosário em 2004/2005
sobre o histórico e economia.
MICHELANY, Douglas. História do Brasil. Mapas da região
maranhense.Edições Michelany, São Paulo, 1986.
MONTEL, Paulo at al. Documentário: Estrada dos sonhos. 07/2009. Bom Jardim –
Maranhão.
National Geographic Brasil. 09/2008. Potencial Amazônico.
NASCIMENTO, Maria Nadir. Terras das palmeiras: geografia e história do
Maranhão/ Deuris de Deus Moreno Dias Carneiro. São Paulo: FTD, 1996.
OLIVEIRA, Domingos de Sousa. Entrevista sobre os conflitos agrários no
município de Bom Jardim/MA, 2004.
Pedro Juvino. Fornecimentos de fotos antigas do município por Manin, 2006.
PEDROSA, Antonio Soares, Ex-Prefeito municipal. Entrevista sobre vida e
obras realizadas em seu governo. 10/2003.
Pesquisas realizadas pelos alunos do PQD do curso Biologia sobre A qualidade
de vida do povo de Bom Jardim, em julho de 2007.
Pierre Verger, Orixás, Deuses Iorubas na África e no Novo Mundo,– Editora
Corrupio in Coleção Almanaque Abril/2005.
Pinheiro Jesus Tavares. Meus versos minha vida.. Bom Jardim/1988.
Plano de Educação de Bom Jardim – 2003/2013.
PLEKHANOV. O papel do indivíduo na história. Editora Expressão Popular
Ltda, São Paulo.
PQD – Programa de Qualificação Docente. Pesquisa realizada e fornecida por
alunos da UEMA sobre a qualidade de vida da população bonjardinense
em 07/2006.
267
Povos Indígenas do Brasil (Subsite do Instituto Socioambiental – ISA), pesquisa
de Internete realizada em 12/2006. http://www.socioambiental.org/pb/index
htlm.
Raimundo Nonato – conhecido Nonato da Sucam. Secretário de Administração na
Gestão Manuel Gralhada. Entrevista sobre a Folha de Pagamentos da Rede
Municipal nos anos 2001-2004.
Raimundo Santos. Relato sobre a colonização nos primeiros dias em Bom
Jardim, 2011.
Revista da Câmara dos Deputados, Privatização da Vale, Deputada Federal Socorro Gomes,
Brasília, 2006.
REVISTA Leia Hoje, Enciclopédia do Maranhão, 2000. Pesquisa sobre o Vale
do Pindaré e município de Santa Inês.
RODRIGUES, Damião Sales. Pesquisa realizada sobre a qualidade de vida
da população de Bom Jardim na zona urbana e rural - em 05/2004.
SANTOS, Maria Rita. Uma leitura pragmática do jornal do Tímon de João
Francisco Lisboa – São Luís: EDUFMA, 2000.
SANTOS, Firmino Viveiros. Entrevista sobre o histórico do Colégio
Bandeirante. 2004. ---------------- (E Pesquisa sobre os primeiros moradores de
Bom Jardim. Filho de um dos 1º moradores do município: Raimundo Donana.
SANTOS, Francisco Vieira dos. Aurizan, Antonia./ Entrevista sobre o histórico
dos bancos: do Brasil e Banorte no município de BomJardim-MA.
12/2003.
SANTOS, Joana Matos dos. (Professora de Monção). Entrevista sobre o
processo de formação histórica do município de Monção. 1/2006
Secretaria de Agricultura. Fornecimento de fotografias da produção
agrícola e pecuária no município de Bom Jardim in 2005.
SILVA, Gesso Soares. Colônia de Pescadores do município de Bom Jardim.
12/2005.
SILVA, Augustinho Gomes. Entrevista sobre os primeiros dias no povoado
Rosário (apud Rogério in Rosário). 12/2004
SILVA, Raimundo José da. Entrevista sobre o histórico do povoado Rosário.
Em 12/2004.
SILVA, Raimunda de Jesus. Entrevista sobre o meio ambiente do povoado
Rosário no começo de sua história. 1/2005.
Sinopse Estatística do Maranhão./ IPES. Prefeitura Municipal de Bom Jardim /
GEPLAN (Gerência de Planejamento). Dados econômicos do município. 2000.
268
SOUSA, Irene Alves Matos. Entrevista sobre a Evolução da Educação no
Município de 1973 a 2004.
TEIXEIRA, Claudyomilton Santos. Pesquisa realizada no povoado Novo Caru/
Aspectos histórico e educacional. Em 1/2005.
The Guiness Book of Records, in 1998. O maior abacaxi do mundo em Bom
Jardim/MA.
UBBIALI, Carlo. Monografia: O filho de Ma´ira . 1997.
VALVERDE, Orlando. Grande Carajás: Planejamento da destruição. Editora
UnB.
VELOSO, Antonio Santos. Conheça seu município/1ª edição./ Pindaré.
VITOR, Rosa Darcy. Entrevista sobre as festas populares (juninas) em Bom
Jardim- MA /2003.
www.aguaforte.com/antropologia/festaabrasileira/As . Festas juninas.html.
WERNECK, Hamilton.A nota prende, a sabedoria liberta. Rio de Janeiro:
DP&A,2002.
www.ibge.brhome/geociencias/recursosnaturais/diagnosticos_levantamentos/ma
ranhão/mara... Pesquisa sobre a reserva mineral de bauxita na Serra do
Tiracambu . 08/2007.
Wikipédia, a enciclopédia livre. A festa do Divino Espírito Santo/ 2005.
*Incidente em antares: minesérie onde os falecidos retornavam da tumva para viverem as ações
do cotidiano.
269
Nota do autor
Foi pensando em você, caro aluno e cidadãos, que resolvi elaborar a presente obra. A
mesma é de suma importância para a sociedade em geral. Podendo ser considerada a cédula
de identidade histórica, cultural e geográfica do município em estudo, Bom Jardim,
Maranhão.
Além de depreender informações de relevada importância até mesmo para a região do Vale
do Pindaré onde o município está inserido, existem também informações que vão bem além –
que podem servir de suporte e pesquisas em qualquer município brasileiro.
A identidade histórica de um povo é de grande importância para seu
desenvolvimento, para que haja perspectiva de melhoria em seu futuro.
Em parte, por ser produto de uma obra social, a mesma está aberta às críticas e
correções para que seja melhorada numa segunda edição ou atualização.
Ensina-se nas escolas públicas dos municípios a história e geografia do Estado e do
país, e no entanto não se ensina a história e geografia local (desses municípios). Ficando o
alunado alienado e com uma aprendizagem pouco significativa de sua realidade. E as
disciplinas, ensinadas num “vazio e isolamento”. É nessa análise que considero que, este
livro, sendo uma contribuição para uma educação contextual – é o passo inicial para que
outros municípios também o façam. O mesmo vem a suprir o que imprescindivelmente
solicita a LDB 9394/96 nos PCN, quando em suas diretrizes determina que a educação deva
ser interdisciplinar e contextual.
Adilson Motta

LIVRO HIST DE BOM JARDIM-MA.pdf

  • 2.
    2 Adilson Motta Radiografia deBom Jardim – MA. História e Geografia (Contribuindo para uma educação contextual) 1ª edição - 2007 Revisão: Julho de 2021 E-mail para contato e Sugestões: webinformatica62@gmail.com Bom Jardim-MA 2020
  • 3.
    3 Os conteúdos destedocumento são de inteira responsabilidade do autor, portanto, sua reprodução só será permitida, desde que citado o autor. E sua alteração, mediante assinatura por escrito do mesmo. MOTTA, Adilson Pires Radiografia de uma cidade brasileira. E a sua? História e geografia / Adilson Pires Motta. - Bom Jardim – MA. 2010. 269 p.: il. 1. Bom Jardim - MA – Aspectos geográficos 3. Bom Jardim – MA. – Aspectos culturais I Título CDD 900 (UFMA, 2006) CDU 908 (812-1) ISBN: 978-65-90156-1-1-81 ORGANIZAÇÃO: Adilson Motta DIGITAÇÃO: Adilson Motta Colaboração: Luzinete Silva Vieira Fotografia: Rogério Matos Sibimba (fotógrafo) CARTOGRAFIA: (mapas) IBGE Adilson Motta Antônio dos Santos Júnior Araão (Ex-secretário de Saúde) REVISÃO Adilson Motta Firmino Viveiros dos Santos Claudyomilton Santos Valderlene Gomes e Silva. Francisco Pires Mota José Arnaldo da Silva
  • 4.
    4 Sobre o autor AdilsonMotta, filho de Luzanira, nascido em Bom Jardim-MA (Região do Vale do Pindaré). Formado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão em 2005. Já foi comerciante, e atualmente é professor e escritor. Escreveu o livro “Radiografia de Bom Jardim – Aspectos históricos, geográficos e culturais”. Sem apoio para publicá-lo, fez uma doação aos munícipes, o qual se encontra disponível em Rede Social no formato pdf. Desde cedo, apesar da mãe ser analfabeta, - produto de um contexto social, por não ter podido estudar, e ter criado sete filhos no árduo labor e dificuldades com a ajuda de seus avós, a mãe colocou algo precioso nas mãos dos filhos: revistas em quadrinhos e gibis, o que no futuro despertou para outras leituras, e suas riquezas, tal como os caminhos da pesquisa e produção textual (como hoby predileto). Além deste trabalho, existe mais oito (08) que estão disponíveis em sites e lojas virtuais na internet. De 1981 a 1985 morou em Barcelos, Amazonas. Nos final dos anos 80 retornou a Bom Jardim, onde por um longo tempo exerceu a atividade de comerciante, (varejista e atacadista). Em 2006, retorna a Bom Jardim-MA, se restabelecendo. “É necessário conhecer o passado para se ter percepção do presente, e conhecer o presente para planejar o futuro”.
  • 5.
    5 DEDICATÓRIA Dedico este trabalhoaos estudantes, professores e sociedade em geral que precisam deste conhecimento. A todos que desejam conhecer o passado e a realidade desta terra. Dedico-o também, especialmente, em memória às primeiras famílias que assentaram as bases para construir a história de Bom Jardim: Primeiras Famílias Bonjardinenses Dos anos 59 a 70 * Gerso Meireles * Nélio (de Dona Maria Estela)- Comerciante * Frederico Varão * Elias Ribeiro* Zé Marinheiro * Nilo Ribeiro* Zeferino Gomes Pereira *Chico Milhão* Miguel Milhão * Bernardo Meireles * Benjamin Olegório Ribeiro * Raimundo Fuíca *Antonio Joaquim (Biribute) *Chico Cobó * Raimundo Santos * Bernardo Carvalho * Antonio de Sales (1ª Farmácia) * Zé de Sales * Dico da Vespa (Empresário-Oficina) * João Sendero * Ex-vereador Binóca * Chico Celestino * Ze Gorim (Dono de Restaurante) * Chico Vítor * Pedro Carvalho * Antonio Leandro (Liandra) * Chico Firme *Sibimba (Alfaiate/Fotógrafo) * Joaquim Bezerra (Pai do Biribute) * Mário Santiago * Raimundo Varão * Valdivino Amorim (Comerciante) * Antonio Curador * Manoel Matias (Pai do Chico Betel) * Antonio Surdo(Fundador do Povoado Santa Luz) *Chico Dentista (Comerciante) * Dona Toinha (do Comércio) * Genesão (Comerciante) *Raimundo Massau * Miguel Meireles * Biribute da Calçadeira * Manoel Pereira Mota * João Bombom (Da calçadeira) * Antonio de Santos (Antonio do Dudú) * Zé Braz (Pai do Chico do Braz) * Zequinha Joalheiro * Manoel Chagas * Raimundo Cícero Gome (Seu Dico) * José Pedro Vasconcelos * Binóca Prachedes *Maneco Sousa * Manoel Polino * Sebastião Bispo *Adroaldo Alves Matos * Mauzol Miguel * Corinto (Cabeleireiro) *Raimundo Danana * Zé da Joana *Família Gama * Pedro Sotero * João Marruá * Arlindo Trindade (da Gregória) * Amador (Irmão de Benedito Bogé) * Pedro Novo * Mundico Guimarães (Pai de Boanerges) * Miguel Gogó *Joaquim Memória * João do Rádio * Romão Cosme do Nascimento * Simão Lopes *Antonio Piauí * Expedito Pereira *Chico Rumano * Pacífico Ferreira de Melo * Joca Soares de Melo * Raimundo Oleiro * Zezé (Comerciante) * Manoel Frota * Benedito Barbado * Ozano Bezerra * Tarzan do Sindicato * Valquírio Bertoldo * Valdemar Sapateiro * Alcides (Sogro do Dionísio) * Família Venâncio ********************** * Gildásio Ferreira Brabo(1º prefeito eleito) *João Batista Feitosa(1º prefeito por intervenção) * Pedro Juvino (Comerciante)
  • 6.
    6 SUMÁRIO HISTÓRIA VERSUS CIDADANIA..................................................................09 1.INTRODUÇÃO (CONSIDERAÇÕES GERAIS)...............................................10 2. GEOGRAFIA BONJARDINENSE................................................................11 2.1 Meio Ambiente (com mapa ambiental de Bom Jardim).............................26 2.2 Meio ambiente bonjardinense..............................................................26 2.3 Medidas corretivas aos problemas ambientais de Bom Jardim..................28 3 UM BREVE HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO NO VALE DO PINDARÉ....................37 3.1 Primeiros escritos da História de Bom Jardim – MA. .......................................42 4. HISTÓRIA DA ORIGEM DE BOM JARDIM...................................................43 4.1 Contexto da política Estadual e Nacional................................................54 4.2 Evolução sócio-político da história de Bom Jardim...................................55 4.3 Biografia dos Prefeitos.........................................................................82 4.4 Vultos bonjardinenses.......................................................................84 5 ASPECTOS SOCIAIS.............................................................................88 6. ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA...........................................93 6.1 Símbolos municipais..........................................................................111 7 CONHECENDO SÃO LUÍS.......................................................................112 8.HISTÓRIA DOS PRINCIPAIS DISTRITOS DE BOM JARDIM-MA (Rosário, Novo Caru, Vila Bandeirante, Região da Miril, Tirirical e Cassimiro)..............................114 8.1REGIÃO DA MIRIL, VARIG, BREJO SOCIAL, AEROPORTO E ANTONIO CONSELHEIRO..............................................................................123 8.1 Indício de Colonização na Região Caru................................................143 8.2 Descobrindo nossas origens................................................................146 8.3 Programas sociais, benefícios, emprego...............................................147 9. INSTITUIÇÕES, SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES.......................................147 9.1 INFRAESTRUTURA HABITACIONAL......................................................156 9.2 SETOR DE COMUNICAÇÃO..................................................................135 10 EDUCAÇÃO E CULTURA......................................................................137 10.1 História da educação de Bom Jardim................................................137 10.2 As Primeiras Escolas em Bom Jardim................................................137 10.3 Situação Político-Educacional dos anos 60a 80 em Bom Jardim............144 10.4 Gráficos Situacionais da Educação em Bom Jardim.............................148 10.5 Contexto histórico da EJAI (educação de jovens, adultos e idosos em Bom Jardim – MA. 10.6 Possível Explicação para o Fracasso Escolar .......................................154 11 ASPECTOSCULTURAIS DE BOM JARDIM..........................................159 11.1 Manifestações Folclóricas..................................................................187 11.2 Danças: dança do coco, mangaba, quadrilha, bumba-meu-boi..............187 11.3 O casamento na roça.......................................................................191 11.4 O bumba-meu-boi em Bom Jardim.....................................................194 11.5 O Auto do Bumba-meu-boi/ Interpretação e Histórico...........................198
  • 7.
    7 11.6 Festas: Festivaldo peixe, Carnaval, Festejo de São Francisco de Assis, Festa do divino, Festas juninas...............................................................199 12 LENDA: PADRE CORDEIRO - A EXCOMUNHÃO......................................205 12.1 CANTORES E ESCRITORES DA TERRA ...............................................206 12.2 Teatro...........................................................................................209 12.3 Artes plásticas...............................................................................210 12.4 Aspectos desportivos..................................................................... 212 12.5A capoeira...................................................................................................213 13 INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS (EVOL. HISTÓRICA)...................................218 13.1 A MAÇONARIA EM BOM JARDIM......................................................230 13.2 AS RELIGIÕES AFRO (MACUMBA, UMBANDA,CANDOMBLÉ).................321 14 POPULAÇÃO INDÍGENA.....................................................................237 14.1 População Indígena Mundial ...........................................................237 14.2 Panorama Maranhense da População Indígena (com mapa das reservas)...........237 14.3 A população Guajajara....................................................................238 14.4 População Indígena de Bom Jardim (Reservas Pindaré e Caru)..............239 14.5 Estrutura da Sociedade Guajajara.....................................................241 14.6 Crendices Indígenas........................................................................245 14.7 Lendas e mitos dos guajajara............................................................246 15 ASPECTOS ECONÔMICOS DE BOM JARDIM-DADOS EVOLUTIVOS..............248 5.1 Agropecuária Bonjardinense..............................................................249 15.2 Extrativismo e Recursos naturais....................................................250 15.3 A DECADÊNCIA AGRÍCOLA NO MUNICÍPIO DE BOM JARDIM................253 15.4 Economia de Bom Jardim – MA.......................................................255 15.5 Infra Estrutura Bancária e Histórico..................................................268 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................271 REFERÊNCIAS.................................................................................................................................272
  • 8.
    8 O Desafio O presentetrabalho, conjugado aos demais foi o maior desafio de minha vida até hoje; um projeto iniciado com recursos próprios, em fevereiro de 2004 dei início neste trabalho e outros. Apesar da falta de apoio das autoridades local (Bom Jardim), jamais desisti e decidi ir até o fim. Não foi muito fácil, pois, vivemos em um país, onde se fala muito em cultura, mas na íntegra esta fica em último lugar. No caso, Radiografia de uma cidade brasileira, tendo como centro e enfoque maior a cidade de Bom Jardim, é abrangente, propondo-se a resgatar vários aspectos da história que vai além do município em estudo – contempla várias cidades na Microrregião do Vale do Pindaré. As dificuldades surgiam exatamente no fato de haver os que não valorizam o resgate da história a qual não foi eles que fizeram e argumentam dizendo: “quem gosta de passado é museu”. Lamentavelmente, ninguém é eterno! Morrem os desbravadores e junto com eles a história que ajudaram a construir. É óbvio, um povo sem história é um povo sem raízes, sem identidade. Durante as pesquisas foram muitas as situações de impacto; mas não vem ao caso; corruptos, ignorantes, tentam podar tudo relacionado à cultura, para que o povo continue a admirá-los, sem saber o quanto são perniciosos. Tratando-se de desvalorização da cultura, os políticos na maioria são recordistas. Quando buscava informações para integrar ao corpo deste trabalho, informações foram negadas, e, percebi que, as evasivas eram por temer, que fosse descoberto o que buscam manter no anonimato. Informação é poder, e eles sabem disso; e um povo sem cultura ou desinformado de sua realidade é facilmente manobrado. Existe dinheiro para tudo, menos para contribuir com o resgate da história do município, onde se inclui o herói anônimo que depositou seu voto de confiança elegendo um mau administrador. As experiências vividas durante o desempenho deste trabalho me fizeram ver que a maioria dos seres humanos não se dão conta que estamos aqui só de passagem, além de mostrar claramente, que tudo é possível, basta acreditar e lutar. As dificuldades foram superadas e aqui está: Radiografia de Bom Jardim – um presente e doação que faço ao povo de Bom Jardim.
  • 9.
    9 História Versus Cidadania Osdicionários definem que a história se conceitua como Ciência que estuda a vida humana através dos tempos. É necessário como cidadãos estudarmos história mais do que nessa simples visão informativa e inteirativa; o essencial é estudá-la como um instrumento de mudança, que nos permita olharmos para trás e sabermos o que queremos para o futuro que começa em cada presente. O passado e o presente são inseparáveis, pois somos produtos do passado e perspectiva de um futuro. O passado histórico, além de ser de extrema importância para se compreender o presente, as atuais formas de relacionamento entre os homens, as comunidades e entre os países, pode servir para conscientizar a todos da tarefa de construirmos um mundo mais justo, mais digno; ajudando então a transformar o país, estado e municípios para melhor. Conhecer nossa história, a transformação de nossa sociedade e sua análise (apreender os fatos e compreendê-los diante de outras variáveis) pode ajudar-nos, a saber, onde estamos e a escolher para onde vamos. E, em outras convergências, é preciso conhecer a história para corrigir erros e ressaltar acertos. O povo que não conhece seu passado, a sua história, certamente pode voltar a viver tempos tenebrosos e de triste memória como tempos idos e não muito distante. A dialética de Karl Marx aponta que o eixo das transformações históricas são alimentadas ou produzidas a partir da dinâmica das contradições que permeiam os acontecimentos sociais e leva a seus opostos. Já outros autores apontam que as ações próprias do homem – passadas, presentes ou futuras - se lhe aparecem sob o manto da necessidade e que o indivíduo pode ser uma grande força social de transformação. Principalmente numa sociedade onde exista pessoas informadas de direitos e deveres, enfim dotadas de espírito crítico. É nesse sentido que é válida a afirmação de que as particularidades das personalidades determinam o aspecto individual dos acontecimentos históricos. É dessa forma que o indivíduo vai cumprir o seu papel na história – enquanto conhecedor e participante no processo (Plekhanov, 2002, p.110 a 118 e 152). A história acontece no cenário das lutas “lutadas”, “calada”, “reclamadas”, “confiadas”, “omissas”, e muitas vezes, sob manobras sociais em formas diversas. E às vezes, até na atividade ou passividade de cada cidadão. A política, neste contexto, é o instrumento central onde se desenvolve todo cenário de acontecimentos que se constitui o fazer histórico. Segundo Creusa Capalbo (apud SANTOS, 2000, p.98), “a conscientização utilizará uma pedagogia que proporcionará ao homem condições para descobrir-se, conquistar-se, formar-se como sujeitos de sua própria história”. Em consonância com o que foi afirmado, veja o que diz Marilena Chauí (1980, p. 114): “ Enquanto não houver um conhecimento da história real, enquanto a teoria não mostrar o significado da prática imediata dos homens, enquanto a experiência comum de vida for mantida sem crítica e sem pensamento, a ideologia de dominação se manterá.” Não é apenas em uma grande cidade, estado e país que a história acontece; uma pequena comunidade no interior de um município é também um espaço ou cenário onde acontece história. E nessa relação sociedade&história, veja o que diz a doutora Rita Santos em (SANTOS, 2000, P. 112): “Cada sociedade é, pois, um espaço de vida, no qual a sua própria história se vai escrevendo...”
  • 10.
    10 1. Introdução Considerações Gerais Foina percepção da carência de material didático, histórico e geográfico acerca dos municípios que resolvi desenvolver o presente trabalho. E ao mesmo tempo, atendendo a Lei Orgânica dos municípios em seu artigo 173, que define como obrigatório à inclusão nos currículos escolares do ensino da história do Município, da 1ª a 4ª série do 1º grau; e ao que solicita a LDB 9394/96, que determina que a educação, além de interdisciplinar, seja contextual. E para que uma educação seja contextual é indispensável arremeter informações e conhecimento da realidade local onde o aluno está inserido. Grande parte das informações é de exclusiva importância para o município de Bom Jardim. Entretanto, há um grande número de informações que, apesar de retratar Bom Jardim, transpõe uma base de estudo bem além do município em foco. É intenção que a presente obra sirva de convite e modelo, como uma espécie de livro-projeto para outros municípios brasileiros. É um trabalho científico, pois resulta de entrevistas e buscas de informações fidedignas em fontes oficiais, precisas e confiáveis. Por ser um material histórico e geográfico, necessitará de constantes atualizações e possíveis revisões. Pois história não é apenas o que passou, envolve também o presente. O livro “Radiografia de uma cidade brasileira” é fruto de uma ampla pesquisa acerca do Município de Bom Jardim, no Estado do Maranhão. Sua abordagem vai desde o aspecto sócio-político, econômico e cultural do município em estudo. É uma obra social, sendo uma contribuição para a cultura e a informação do povo bonjardinense e outros que dela precisarem; tendo como objetivo informar os órgãos educacionais, Poder Público, professores, alunos e sociedade em geral, a história do município abordando: sua origem, demografia, superfície (geografia), cultura, indicadores sociais, incluindo os símbolos municipais, bandeira, brasão, hino, aspectos físico e socioeconômico, a história da educação de Bom Jardim, situação educacional da população escolarizável atendida pelos órgãos competentes no município, contemplando através do Plano Decenal de Educação de Bom Jardim, os indicadores educacionais (número de matrículas, aprovação, reprovação, evasão e distorção idade-série). Sendo de suma importância para a elaboração de projetos em âmbito municipal pelo Poder Público e como subsídio na elaboração de Projetos Pedagógicos na área educacional. É incluído especialmente um capítulo sobre a população indígena; sendo uma contribuição de Padre Carlo Ubialli, que vivera por muito tempo e em longa relação com os guajajaras da reserva indígena do Pindaré e Caru. Deixando um rico material histórico e cultural dessa população, e durante essa vivênciafez um estudo antropológico sobre os indígenas da região (Pindaré/Bom Jardim), com os quais vivera por longos e pacíficos anos. Inclui-se também um breve histórico do desenvolvimento no Vale do Pindaré, microrregião onde o município está localizado. A história é como um livro sempre aberto, porque está sempre sendo escrita num presente que caminha para um futuro... O futuro de nossas gerações que continuarão a viver, a fazer e a retomar os próximos capítulos que continuam...
  • 11.
    11 2. A GEOGRAFIABONJARDINENSE COM MAPAS O município de Bom Jardim está localizado na mesorregião Oeste do Maranhão, na microrregião do Vale do Pindaré. Localiza-se em área pertencente à Amazônia Legal e tem como coordenadas de latitude 4º, 44 min. 30 seg, de longitude 44º, 21 min. 00 seg. e de Altitude 40,689m. Localizando-se na microrregião do Vale do Pindaré, faz limites com os lmunicípios de Monção, Açailândia, Tufilândia, Pindaré Mirim, São João do Caru, Newton Belo, AltoAlegre do Pindaré, Buriticupu, Bom Jesus das Selvas, Centro Novo do Maranhão e Itinga do Maranhão. O município tem 6.590,48 km³ de área territorial. A área urbana corresponde a 113 km². A referida área detém 35% da população total, sendo que 65% da população se concentra na zona rural. A densidade demográfica do município é de 5,93 habitantes por km² . A distância de Bom Jardim a São Luís é de 275 km. Os principais rios que formam a hidrografia do município são: rio Pindaré, Caru, rio Azul ou Poranguetê, rio Ubim, os dois últimos são braços do rio Pindaré, na região da Miril. Existe também os igarapés Água Preta, Limoeiro, Crumaçu, Arvoredo, Galego e Turizinho. O rio Pindaré, nome que significa “anzol pequeno”, nasce ao leste da Serra da Cinta e desemboca no rio Mearim, após um curso de 750 km de extensão. É um rio caudaloso, extenso, navegável e rico em peixes. Bacia Hidrográfica é o conjunto de terras drenadas por um rio principal, seus afluentes e subafluentes. As bacias hidrográficas dos rios Pindaré e Caru são sub bacias do rio Mearim, e são tidas por bacias hidrográficas estaduais. Na Bacia Hidrográfica do Rio Mearim habitam 1,681.307 habitantes, numa área de 99.058,68 km² - abrangendo 85 municípios. A temperatura média (na região que compreende a área geográfica de Bom Jardim) é de 30º e o clima é quente e úmido como da Amazônia Equatorial. Índice de chuvas por ano:2000 a 2200 mm anuais. Período chuvoso vai de janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho. Período seco: Julho a Dezembro. A vegetação ou plantas nativas do município é formada de cocais e matas (árvores grossas e capoeira). As madeiras nativas no município (atualmente escasseando) são: pau- d´arco, maçaranduba, pequi, jatobá, mirindiba e cedros, ressaltando também os capins Jaraguá e canarana. Árvores frutíferas mais predominantes são os mangueirais. No ranking por área territorial, entre as 217 cidades maranhenses, Bom Jardim é o 7º maior município. 1º: Balsas: 13.141,7 km² 2º: Alto Parnaíba: 11.132,1 km² 3º: Grajaú: 8.830,9 km² 4º: Mirador: 8.450,8 km² 5º: Centro Novo do Maranhão: 8.258,4 km² 6º: Amarante: 7.438,1 km² 7º: Bom Jardim: 6.590,5 km² 8º: Carolina: 6.441,6 9º: Riachão: 6.373,0 km² 10º: Açailândia: 5.806,4 km² A menor cidade em área territorial no estado do Maranhão é o município de Raposa, com 66,2 km².
  • 12.
    12 Fonte: IBGE 2013 OrdenamentoTerritorial – Zona Urbana O município apresenta uma área territorial de 6.590,48 km³ e é o 7º maior no ranking do estado. A área urbana corresponde a 113 km², ou seja, 1,7% da área territorial do município. A referida área detém 35% da população total, sendo que 65% da população se concentra na zona rural. A densidade demográfica do município é de 5,93 habitantes por km². Se focalizarmos a densidade demográfica só na zona urbana, vamos encontrar um número totalmente diferente: 107 Hab. / KM². Essas informações são de alta importância, pois nos permitem perceber que existe um alto aglomerado de pessoa por km² na área urbana merecendo por isso uma atenção especial à questão ambiental (da referida área, sem excluir a zona rural). A zona urbana possui 10 bairros:  Bairro Joana Dark  Bairro Vila Muniz  Bairro Vila Pedrosa  Bairro Vila Meireles  Centro  Birro Santa Clara  Vila Nova Esperança  Alto dos Praxedes  Bairro Mutirão  Bairro União (Bairro novo que fica atrás e entre o Bairro Joana Dark e Vila Muniz)  Vila São Bernardo  Bairro Nobre  Bairro Nova Jerusalém  Bairro Firmino  Bairro 28 de Julho  Bairro Portela  Bairro Davi. Dos 39.049 habitantes, 41% residem na zona urbana, o equivalente a 16.010 habitantes.
  • 13.
    13 Ordenamento Territorial –Zona Rural O município possui Polos Administrativos que foram criados para fins administrativos, numa perspectiva da geopolítica local no intuito de promoção e planejamento das políticas públicas. A criação destes polos serve de “agregação” de povoados adjacentes a outros maiores para fins de abranger blocos de povoados no sentido de mapeamento de concursados por blocos regionais; em outro caso, serve como agregação de povoados para fins de apuração eleitoral (como aconteceu na eleição de 2012) para apuração eleitoral, a qual muito se especulava temores de que por trás de certa “inovação” – o que dantes não acontecia, fosse corromper os resultados da disputada eleição dos dois fortalecidos blocos.  Polo Bela Vista;  Polo Brejo Social e Antônio Conselheiro;  Polo Caru, Cassimiro, Vila Bandeirante e Igarapé dos Índios;  Polo Vila Varig;  Polo Santa Luz, Tirirical e Oscar;  Cohab. O município possui 127 povoados (grandes e pequenos), os principais e maiores são: Povoado KM 18, Boa Esperança, Oscar, Galego, Barrote, Cassimiro, Rapadurinha, Escada do Caru, Traíras, Igarapé dos índios, Vila Bandeirantes, São Pedro do Caru, Novo Caru, Centro do Alfredo, São João do Turi, Três Olhos D Água, Turizinho do Augusto, Sapucaia, Nascimento, Rapadura Velho, Boa Vista, Barraca Lavada, Jatobá Ferrado, Santa Luz, Barra do Galego, Rosário, Escada do Caru, Povoado Tirirical, Zé Bueiro, Varig, Vila da Pimenta, Vila da Palha, Vila Cristalândia, Povoado União, Miril, Vila Jacutinga, Aeroporto, Vila Bom Jesus, Brejo Social, Povoado Flecha, Terra Livre e Antonio Conselheiro. O município está num processo contínuo de migração da população do campo a cidade apresentando uma taxa migratória anual de 1,9%. Dos 39.049 habitantes, 59% residem na zona rural – o correspondente a 23.039 habitantes.
  • 14.
    14 Reserva Biológica –REBIO/Gurupi Bom Jardim, São João do Caru e Centro Novo do Maranhão Rebio Gurupi - Criada em 1988, através do Decreto Federal nº 95.614 de 12 de janeiro de 1988, com uma área de 341.650 ha e é a única Proteção Integral do Maranhão com uma área de 271.197 há, abrangendo três municípios: Bom Jardim onde compreende uma área de (35,49%), Centro Novo do Maranhão (59,01%), São João do Caru (5,5%) no Estado do Maranhão. Ela (REBIO) está situada na região do Arco do Desmatamento e é estratégica para a conservação, pois, somada às três terras indígenas que fazem fronteira com ela - Alto Turiaçu, Awa e Caru - constitui a última fronteira de área contínua amazônica do Maranhão. A REBIO Gurupi sofre ameaças ao seu território desde que foi criada. Grupos de madeireiros e pequenos agricultores, que vivem dentro dos limites da reserva, destroem a floresta para exploração ilegal de madeira, criação de gado, trabalho escravo e plantações de maconha. Há também conflitos entre colonos, grileiros, sem-terra, e povos indígenas aliciados ao garimpo. Hoje a cobertura florestal da REBIO/Gurupi está reduzida a 65% do original. Toras arrmazenadas na Rebio do Gurupi. Foto: Nelson Feitosa. Caminhão apreendido em flagrante e depois liberado por decisão judicial. (Foto 2)
  • 15.
  • 16.
  • 17.
  • 18.
    18 Bom Jardim(espaço verde)dentro do Estado do Maranhã Bom Jardim, região e estradas de acesso Fonte: IBGE, 2006.
  • 19.
    19 TIPOS DE SOLOSNO MUNICÍPIO DE BOM JARDIM – MA Fonte:Secretaria Municipal de Agricultura. Plano Municipal Desenvolvimento Rural Sustentável de Bom Jardim-MA. Embrapa Solos. 2015.Vigência 2013-2016. LEGENDA DE DOMÍNIO DE SOLOS Latos solos amarelos (LA) Latos solos vermelho escuro húmico Latos solo vermelho escuro Latos solos roxo Terra roxa estruturada Podzólico vermelho amarelo Podzólico acinzentado Podzólico vermelho amarelo trófico Plintossolo Planossolos Candis solos Vertissolo Solos de mangue Oleissolo Solo aluviais Areias quartzosas Dunas Solos litólicos Convenção:  Sede Municipal ............ Drenagem ______ Estradas ______ Rodovias Água Mapa Exploratório Reconhecimento de solos do Município de Bom
  • 20.
    20 Mapa de distânciade vários municípios a Bom Jardim Fonte: Gerência Regional de Negócios de Santa Inês 2004
  • 21.
    21 MAPA DAS RUASE BAIRROS DE BOM JARDIM – MARANHÃO (IBGE, 2002) Fonte: https://pt.slideshare.net/adilsonmottam/mapa-das-ruas-de-bom-jardim- ibge?from_action=save (Para baixar com mais visibilidade e detalhamento, nome ruas, bairros).
  • 22.
  • 23.
    23 MAPA REGIÃO MIRILVARIG, ANTONIO CONSELHEIRO EDEMAIS COM DISTÂNCIAS Fonte: SUCAM/FUNASA2014
  • 24.
    24 HIDROGRAFIA DO VALEDO PINDARÉ Fonte: Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos. Perfil da Região do Pindaré 2008 . _São Luís : IMESC, 2009 ‐ Mapa fornecido pelo professor Júnior
  • 25.
    25 O Maranhão possui640 quilômetros de costa, que corresponde a faixa entre a foz do rio Gurupi, na divisa com o Pará, e a desembocadura do rio Parnaíba, nos limites com o Piauí. Fonte: Atlas do Maranhão, Rio de Janeiro, IBGE, 1984.
  • 26.
    26 Fotos por RogérioMatos, in 2005. Rio Pindaré e Caru – extensos e navegáveis – apresentando praias lacustres ao longo de seus leitos.
  • 27.
    27 2.1 Meio Ambiente 5de junho – Dia internacional do Meio Ambiente. O meio ambiente é um complexo ecossistema onde as formas diversas de vida mutuamente se dependem. O homem tem que viver nesse meio, criar desenvolvimento, mas na responsabilidade e perspectiva de que ele está decidindo por ele e outras formas de existência que, em sua totalidade garantem o equilíbrio e a harmonia do planeta. Não somos auto-suficientes e a autonomia de nossas decisões tem que corresponder com as outras formas de vida, que não tiveram esse privilégio que temos: da racionalidade e inteligência. A questão ambiental está conjugada a questão “Saúde” pois um meio ambiente saudável e favorável a saúde daqueles que nele vivem, seja o homem ou a espécie animal. Conclui-se, portanto, que a qualidade de vida da população está associada à qualidade do meio em que esta vive. O homem é um produto do meio assim como o meio é produto do homem. Se nessa relação perpetuar a forma perniciosa, sem um desenvolvimento sustentável, e o perdedor for o meio ambiente, com certeza o perdedor seremos nós, porque será nossa existência que estará em risco. É o que também adverte o CACIQUE SEATLE in (Emilia Amaral et al. 2000, p.520), quando diz: “ensinem as suas crianças: que a terra é nossa mãe. Tudo que acontecer a terra, acontecerá aos filhos da terra. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filho da terra”. Aquestão ambiental é um dos grandes problemas em pleno século XXI, pois se relaciona com a própria existência de toda a forma de vida presente e futura que habita o planeta. Você já parou pra pensar o que significa a palavra “progresso”? pois então pense: estradas, usinas, cidades, máquinas, exploração mineral e muitas outras coisas que ainda estão por vir, principalmente na Amazônia onde 40% do seu território é área pré-cambriana (área onde estão as maiores reservas de ferro conhecidas, manganês, etc., sem mencionar-se ouro, cobre, níquel, pedras preciosas, material de construção, etc. O progresso, da forma como vem sendo feito, tem acabado com o ambiente ou, em outras palavras, é nocivo e degrada o planeta terra e a natureza. O atual modelo de crescimento econômico hoje no mundo gerou enormes desequilíbrios. Se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Considerada o pulmão do mundo, a maior floresta tropical do planeta está ameaçada de extinção, o que será fatal para a humanidade. Segundo cientistas, o desmatamento e o aquecimento global podem provocar o desaparecimento da Amazônia. Nos últimos 35 anos a Amazônia perdeu quase 17% de sua cobertura e advertem:  Se a floresta perder mais de 40% de sua cobertura, o processo de destruição será irreversível, pois a mata, segundo pesquisadores, tem o poder de multiplicar as chuvas.  O desmatamento e as queimadas na Amazônia são responsáveis por mais de 75% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.  A Amazônia abriga 16% de toda água doce do planeta e 73% de água disponível no Brasil para consumo. Segundo as Nações Unidas, o Brasil possui 52% das florestas da América Latina; e que o país perde anualmente de florestas com o desaparecimento de 3,1 milhões de hectares. A perda anual de florestas em todo
  • 28.
    28 o planeta chegaa 7,3 milhões de hectares, o equivalente a um país como o Panamá. Diante de tudo isso e similares que ocorre em outros países, o clima da terra assim como fenômenos fora do normal estão dando suas respostas em vários cantos do planeta. A título de exemplo, vale citar a seca em plena Amazônia em 2005, que segundo pesquisadores, foi resultado do possível aquecimento do planeta, que resulta no efeito estufa, consequente das queimadas, emissões de gases lançados à atmosfera, tornados devastadores nos Estados Unidos, tsunami na Ásia, redução de calota de gelo no polo norte consequente da abertura na camada de ozônio, ciclones nos Estados Unidos, pesados terremotos em várias partes do mundo que dizimam milhares de pessoas e a desertificação. Diante desta constatação surge a ideia do desenvolvimento sustentável (DS), buscando conciliar o desenvolvimento econômico como a preservação ambiental, atendendo as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de futuro para as futuras gerações. O que acontecerá com a continuação do desmatamento Amazônico? Vale também o alerta da LBA (Biosfera Amazônica de Larga Escala, sigla em inglês), maior estudo científico sobre ecossistemas tropicais já realizado no planeta, que envolve 500 pesquisadores de 100 instituições internacionais que advertem: “Se o desmatamento da Amazônia continuar no ritmo atual, em 100 anos algumas regiões da floresta tropical podem se tornar uma árida savana”. Todos os anos, a proliferação da iniciativa agropecuária e a exploração ilegal de madeira põem abaixo quase 20 mil quilômetros quadrados de mata. Da floresta que se estende por seis milhões de quilômetros quadrados, 600 mil já foram destruídos, o que representa uma área do tamanho da Bélgica. “É possível que haja um aumento na temperatura e uma diminuição no volume de chuvas, o que transformaria as áreas sul, leste e norte da Amazônia em savanas no prazo de um século”, avalia Carlos Nobre, coordenador científico do LBA e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o representante brasileiro do projeto. As savanas são o correspondente ao cerrado e têm clima semelhante ao de Brasília. São regiões muito áridas, onde as chuvas se concentram num único período do ano. (Isto é, n.1758, p. 78/79, jun.2003). O desequilíbrio provocado pelo efeito estufa poderá ser o mais catastrófico da história humana se não buscarmos alternativas e solução ao problema. As empresas não podem operar em um vácuo político, precisam de liderança firme dos governos e incentivos. Veja o que disse príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, em junho de 2008: “(...) milhares de pessoas que moram na região da floresta amazônica “vivem com uma renda muito baixa. Elas precisam de maneiras para garantir que o esforço de não destruir as florestas valha a pena. Seria preciso criar algum tipo de pacote em forma de incentivos para que essas pessoas não degradem as florestas. Não podemos esperar por novas tecnologias. Não há tempo para isso. Se o desmatamento não diminuir rapidamente, haverá mais seca e fome em grande escala”. E a previsão, segundo cientistas, é que, em décadas não muito longe, se perdurar os problemas sem busca concreta de solução, haverá 150 milhões de refugiados em todo mundo. O aumento da pecuária na região que transforma a floresta em pastos é responsável por uma grande parte do desmatamento somado às queimadas. E cita mais: “Os governos, grandes empresas e consumidores devem se unir em um esforço conjunto para pôr fim à devastação florestal”.
  • 29.
    29 2.2 Meio ambientebonjardinense Logo na origem de Bom Jardim nascem também nossos problemas ambientais. Com as grandes roças sob queimadas e a mudança constante de agricultores repetindo essa prática em vários locais fazendo desaparecer grande parte de nossas matas e florestas. Segundo relatos de (-os) primeiros moradores de Bom Jardim, aqui existia mata fechada com muitos animais como onças, porcos, queixadas, tatu, paca, macaco, etc… A forma primitiva de agricultura praticada até hoje no município e em muitos municípios maranhenses é nociva ao meio ambiente, porque devastam nossas florestas, nossos cocais e vai extinguindo, consequentemente, a fauna da região. Nos 5.561 municípios que tem o Brasil, a decadência de nossas matas e florestas incluindo a redução de nossa fauna está associada à ausência de um desenvolvimento sustentável e às vezes mal planejado, e quando às vezes planejado, não seguido, expondo o meio ambiente aos riscos e degradação. Como o caso das roças sob queimadas, um processo que perdura, gerando grandes roças e magras safras, em troca de magras florestas que ficam como resultado. E o que ficará para as futuras gerações? A prefeitura municipal, através da lei orgânica do município deveria atuar no sentido de assegurar a todos os cidadãos bonjardinenses o direito ao meio ambiente ecologicamente saudável e equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida (lei orgânica e constituição federal ART. 225). Para assegurar tal direito o município deve articular-se com os órgãos competentes estaduais, regionais e federais, e ainda quando for o caso, com outros municípios, objetivando a solução de problemas comuns relativos à proteção ambiental. Listagem dos problemas ambientais de Bom Jardim 1. Derrubadas e queimadas de palmeiras; 2. Roças sob queimadas; 3. Lixões a céu aberto, sem aterro sanitário e sem tratamento. A maioria desses lixões se encontram nos braços dos igarapés (em declive), onde no inverno, as águas das chuvas que ali caem, levam seus dejetos e contaminações para esses igarapés que poluem e contaminam seus ecossistemas. Lembrando que esses igarapés desembocam no rio Pindaré (AbetelPimentaLimoeiroPindaré). Das atividades da pesca se alimenta grande número de pessoas que vivem nas regiões ribeirinhas e lacustres. Há presença de entulhos e focos de lixos dentro de alguns braços de igarapés, pondo consequentemente em risco seu desaparecimento no futuro. A partir de um mapa dos igarapés que foi elaborado, recebendo um nome de “Mapa Ambiental Urbano (ver página 26)”, ficou percebido que esses igarapés formam uma espécie de “cinturão verde” – numa perspectiva ambiental - que envolvem e adentram o município (em especial no centro urbano). 4. pesca predatória (realizada antes do crescimento dos peixes ou na fase de desova). 5- Temos também a questão dos esgotos, para os quais não existe uma rede de tratamento, encontrando-se a céu aberto, permeando nosso ambiente social e despejando seus poluentes e contaminações nos igarapés. O rio Pindaré, que atravessa o município tendo como afluente na margem esquerda o rio caru, está em risco de desaparecimento em seu curso devido assoreamento
  • 30.
    30 causado pelo desmatamentoem suas margens, e uma alta carga de contaminação que recebe dos esgotos das comunidades e cidades que se localizam nas regiões ribeirinhas. 6- Diante da grande importância social e do potencial econômico dos rios Pindaré e Caru para o estado e região do vale do Pindaré – cabe não só a comunidade através de campanhas de conscientização e educativas, mas, também ao poder público e o Ministério do meio ambiente desenvolve projeto de preservação. 7- Ao longo da estrada Bom Jardim/São João do Caru, é visto a “matança” do curso de muitos igarapés pela não-colocação de bueiros sobre os mesmos, que perpassam ao longo da estrada que interliga os dois municípios. Taxa de Desmatamento (km²) de Bom Jardim e algumas Cidades Maranhenses entre 1988 e 2009 Os dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélite (PRODES), evidencia que, no período de 2002 e 2009 alguns municípios no estado tiveram incremento de desmatamento em áreas de biomas Amazônico entre 90 e 400 km², o que requer atenção redobrada do sistema de monitoramento e fiscalização sobre estes territórios. Tabela 1. Municípios do Maranhão com maior área de desmatamento no bioma Amazônico, no período entre 2002 e 2009: Nº Município Área Territorial do Município KM² Área natural de Floresta Amazônica. KM² Incremento absoluto de desmatamento entre 2002- 2009. Km² Incremento relativo de desmatamento entre 2002- 2009 % 1 Barra do Corda 8.054 5.551,4 400,5 7,2 2 Bom Jardim 6.647 5.584,9 399,6 7,2 3 Itinga do Maranhão 3.612 3.474,6 381,5 11,0 4 Amarante do Maranhão 7.737 5.967,7 335,3 5,6 5 Açailândia 5.844 5.812,2 331,6 5,7 6 Centro Novo do Maranhão 8.366 7.794,8 312,4 4 7 Grajaú 7.480 2.722,2 301,0 11,1 8 Bom Jesus das 2.700 2.617,8 289,6 11,1
  • 31.
    31 Selvas 9 Buriticupu 2.5672.514,5 279,0 11,1 10 São Domingos do Maranhão 1.321 1.205,2 240,5 20,0 11 Tuntum 3.619 1.644,8 170,1 10,3 12 Santa Luzia 6.193 6.190,7 162,2 2,6 Segundo o relatório, 50% dos municípios listados como maiores desmatadores do bioma Amazônico (2002-2009) não possuem registros de autorização para supressão vegetal para o período 2008-2010. De acordo com os dados da pesquisa, no município de Bom Jardim, de 2002 a 2009 (no transcorrer de 7 anos) foram devastadas 399,6 km² de floresta natural (amazônica). Superior à área territorial do município de Santa Inês, que é de 381 km². 18/07/2012 Segundo o documento Indicadores Ambientais do Maranhão (2009), o município de Bom Jardim apresentou 1.438 focos de queimadas (anual). Já o índice de desflorestamento global apresentado é de 52%, (significa que 48% das áreas florestais no município já desapareceram). Taxa percentual de desflorestamento, Hidrografia, Área de floresta existente Município Taxa de desflorestamento do Município da Amazônia Legal 2007 Área de Floresta (%) Área d a Floresta (km²) Hidrografia % Hidrografia (km²) Bom Jardim 51 32% 2.126 ‐ 7 km² Fonte: INPE, 2007 Destruição ou desmatamento em grande escala de palmeiras - estrada do povoado Rosário. Em desconformidade com as leis ambientais.
  • 32.
    32 Igarapés que jádesapareceram na área urbana deBom Jardim Igarapé Abetel (curso cortado)Igarapé do Abetel, ano: 12/2012 Finado Igarapé do Abetel. Por longos anos, era água corrente e servia de banho nos finais de semana para muitas pessoas no município como lazer. Mataram suas nascentes e seus cursos construindo estradas e ruas – a chegada nociva do progresso sem conciliar meio ambiente nem natureza – ou melhor, sem planejamento nem desenvolvimento sustentável. Éste é apenas um dos defuntos hídricos de nosso ecossistema local. Crescimento desordenado e não acompanhamento dos órgãos oficiais como Secretaria de Meio Ambiente, infraestrutura e saneamento básico na política pública local.
  • 33.
    33 2.3 Medidas Corretivasao Problema Ambiental do Município de Bom Jardim * Reflorestamento nas imediações dos igarapés. * Fazer aterro sanitário no lixão e procurar lugares estratégicos e distante dos igarapés e lagos para depositar os futuros lixos. * Conscientizar e proibir a população de jogar lixos nas imediações ou braços dos igarapés e rios. * Dragagem (drenagem) e recanalização do leito do rio Pindaré e Caru para que eles não venham a desaparecer. * Reciclagem. Lembrando que na zona urbana, que corresponde a 1,7% da área territorial do município é onde se concentra 35,2 % da população total que corresponde a 12.126 habitantes (IBGE /2000). A densidade demográfica de todo município é de 5,2 habitantes/km². Em 2010, segundo o IBGE, o número de habitantes é de 39.049 habitantes. Se focalizarmos a densidade demográfica só na zona urbana, vamos encontrar um número totalmente diferente: 107 Hab. / KM². Essas informações são de alta importância, pois nos permitem perceber que existe um alto aglomerado de pessoa por km² na área urbana merecendo por isso uma atenção especial à questão ambiental (da referida área, sem excluir a zona rural). Todos e cada um de nós estamos diretamente ligados ao meio ambiente, e dependemos desse meio para sobreviver; é nesse meio onde moram os seres vivos dos quais também fazemos parte e dependemos; E está situada à escola e aqueles que a frequentam. Só a escola poderá não resolver os problemas detectados no meio ambiente bonjardinense, mas é o caminho viável para acelerar as ações do poder público com políticas ambientais voltadas para a preservação. É possível conciliar desenvolvimento e meio ambiente. A questão da preservação não é só uma iniciativa do poder público. E, não se deve, porém, excluir a participação de comunidade do processo de preservar. A comunidade deve ser transformada em parceira essencial do poder público na promoção da ação educativa e na formação de consciência da sociedade em favor da preservação ambiental para as presentes e futuras gerações. “É necessário dentro desse grande país, com uma grande biodiversidade que temos, construir uma nação com grande consciência ecológica. Já que somos considerados por todos como o “pulmão do mundo”. E darmos exemplo e lição, e não sermos vistos como “bárbaros devastadores daquilo que é de todos inclusive das futuras gerações”. Por Adão Alves, 2007 Pela ausência de infraestrutura em urbanismo, veja uma das inundações em uma das ruas de Bom Jardim em junho de 2006. Saneamento básico é o conjunto de medidas, visando preservar ou modificar as condições do ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover saúde. Investir em saneamento, principalmente no tratamento de esgotos, diminui a incidência de doenças e internações hospitalares e evita o comprometimento dos recursos hídricos do município.
  • 34.
    34 MAPA AMBIENTAL DEBOM JARDIM O Mapa Ambiental do município de Bom Jardim visto anteriormente compreende a circunferência hidrográfica do município onde, no inverno, se verifica sua integração “arterial” - especialmente no período do inverno. Um fato verificado, quando na elaboração do presente mapaé que, o mesmo Autores: Adilson Motta e Sancler (pintor), 2004
  • 35.
    35 expressa as “artérias”os igarapés e lagos do município, os quais afluem ao rio Pindaré. Outro fato verificado é a existência de grande quantidade de lixos e lixões nas imediações ou adjacência desses igarapés – que, com seu chorume e poluentescontaminam os ecossistemas desses mananciais. Contaminando também, os lençóis freáticos que são reservatórios naturais de água potável que servem e servirão de consumo à população atual, e as gerações futuras. Igaarapé do abetel, antes e atualmente (2013). Igarapé do Betel – Recebe alta carga de contaminações e dejetos do lixão mostrado abaixo - que fica em terreno declive, propício para as águas das chuvas durante o inverno. Além do mais, no referido lixão (onde até mesmo lixo hospitalar é jogado sem o mínimo de critério ou incineração) – muitas crianças, jovens e adultos caminham por dentre os resíduos encontrados. Foto tirada por: Natana, 2009. Não é só o Meio Ambiente que é injustiçado, por muitos anos, os moradores desta casa e outros que se localizam a menos de 100 metros sofreram (-em) os riscos do impacto das doenças que podem ser causadas pelo lixo. Apesar da palavra de ORDEM do atual século ser: “Meio Ambiente & Preservação Ambiental”, em junho de 2009, a “matança” injustificada de muitas árvores no município, ao longo da BR 316, em pleno centro da cidade gerou muita polêmica, discussão e insatisfação. Nas rádios locais foram o objeto de uma semana de especulação e debate e pelos recantos informais da cidade. Frente a situação, o nome de Bom Jardim até chegou a mudar! Muitos chamaram de “A Cidade do Pau Pelado” outros: “A Cidade da Cara pelada”. Sem respostas para o ato, muitos se perguntavam: “Será que a AVENIDA agora vai sair?
  • 36.
    36 07/2010 Fonte: Natana, 06/2009 Eassim foi um dia... Depois da “pelação” Por falta de comunicação, conscientização e sintonia com a comunidade, houve o incidente da “devastação” para alguns, das árvores. Sendo em seguida recomposto com projeto de arborização. 07/2011 1ª etapa da avenida: a iluminação – 3 anos. Logo nos três meses de governo, a administração Beto/Lidiane Rocha cumpriram o que prometiam em palanque: Retirar o lixão do inadequado local onde se encontrava, como mostra as fotos ao lado.
  • 37.
    37 Quem não secomunica, se trumbica... Se era a tão “sonhada avenida”ou arborização, porque o gestor não comunicou o fato com antecedência à comunidade? Importância das árvores em uma cidade As ÁRVORES desempenham um importante papel na diminuição da poluição atmosférica. Uma VEGETAÇÃO densa representa um verdadeiro filtro contra as bactérias; As folhas das ÁRVORES retêm a poeira; Os ESPAÇOS VERDES podem ser um refúgio e lazer de sombras para homens, mulheres e crianças –, um presente da natureza; As ÁRVORES produzem oxigénio para a nossa respiração; As ÁRVORES regularizam a umidade atmosférica e a temperatura; Os ESPAÇOS VERDES atenuam o ruído da cidade; As ÁRVORES diminuem a poluição causada pelos veículos motorizados; E retiram gases tóxicos da atmosfera. Cria uma certa umidade, que reduz a temperatura. 1º Posto de Gasolina de Bom Jardim O primeiro Posto de Gasolina a funcionar em Bom Jardim foi nos anos 70, e sua localização era onde hoje se localiza a Usina Natuba (de frente para a Avenida José Pedo) –BR 316. Funcionava com duas bombas 1 de diesel e 1 para venda de gasolina. O mesmo pertencia ao Senhor Zé Roseno. Fonte: Marcelino e Décio, 2020.
  • 38.
    38 3. UM BREVEHISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO NO VALE DO PINDARÉ Devido o fato do município de Bom Jardim se localizar na microrregião do Vale do Pindaré, é de suma importância fazer uma breve retrospectiva da referida região. Pois é o contexto onde o município está inserido. Falar sobre o desenvolvimento na região do Vale do Pindaré é imprescindível tocar também na questão dos engenhos. Ou, sendo mais específico, o Engenho Central acerca do que representou aquela fábrica localizada no Vale do Pindaré, a qual foi a alavanca para o desenvolvimento e colonização na referida região. Subsistindo hoje, como patrimônio tombado pelo estado. Engenho central Fonte: http://historiadesantaines.blogspot.com.br/ A instalação do primeiro engenho em terras maranhenses foi feita em meados do século XVII, mais precisamente em 1662, às margens do rio Itapecuru, pelo então provedor da fazenda real, Antonio Munis Barreiros. Em 1860, no Maranhão haviam 420 engenhos, sendo que 98 destes, era no Vale do Pindaré. A produção, por essa época, era em torno de 100 mil sacos de açúcar, mas mesmo assim o Maranhão queria produzir em escala bem maior. Enfatiza-se no papel dos engenhos as ações políticas promovidas pelo governo provincial que fomentava o desenvolvimento agroindustrial através da concessão dos subsídios para empreendimentos fundados em concepções modernas (era da máquina, da indústria). Procurava-se através do engenho promover a economia maranhense investindo no setor industrial, especialmente no fabrico moderno do açúcar de demais produtos da exploração canavieira, tendo com base a instalação dos engenhos centrais. A instalação dos engenhos centrais do Brasil corresponde aos anos de transição, pelos quais passariam a economia e a sociedade brasileira na segunda metade do século XIX, representados, fundamentalmente pela crise do trabalho escravo. O Maranhão entrou em decadência com a abolição dos escravos, cujos braços sustentavam toda atividade produzida do estado. A relevância política e social do engenho central São Pedro, na região de Pindaré-Mirim, pode ser compreendida em relação à posição que as camadas de proprietários de engenhos, como segmentos da classe produtora escravista, ocupou na estrutura de poder da sociedade brasileira, durante o século XIX, membros de setor acreditavam, ser a mecanização altamente sofisticada, do setor de beneficiamento de cana-de-açúcar a tábula de salvação para os Pindaré-Mirim
  • 39.
    39 problemas que afetavama economia açucareira na segunda metade do referido século. Produzir muito e barato, era a fórmula salvadora realizada por meio dos engenhos centrais. Os engenhos, sendo uma grande fábrica altamente equipada, totalmente importada, das estruturas de ferro a máquinas e parafusos, inteiramente montados por técnicos franceses e ingleses, seria a solução para os problemas, que tanto afetaram os senhores de engenhos, representados fundamentalmente, pelas baixas sucessivas no preço do açúcar no mercado internacional. Bem como, pela crise do trabalho escravo que ameaçava a produção exatamente no momento em que se buscava superar as baixas através de um incremento da produção açucareira. O imperador do Brasil, D. Pedro II, era um entusiasta das novas tecnologias e em 1857 foi elaborado um programa de modernização da produção de açúcar. Assim surgiram os Engenhos Centrais, que deveriam somente moer a cana-de-açúcar, ficando o cultivo (da cana) por conta dos fornecedores. A criação dos engenhos foi produto de meses de discussão no parlamento e estado; sensibilizados pelos senhores de engenhos, e, em 29 de setembro de 1875, foi promulgado o decreto legislativo nº 2.658, o qual foi autorizado pelo governo a conceder isenção de direitos de importação para todos os materiais destinados a construção e exploração de engenhos, por fábricas centrais que tivesse sido ou fosse contratada pelos governos da província, ou pelo geral, fixadas previamente a quantidade e qualidade dos materiais favorecidos com aisenção. A instalação do engenho central promovido pelo grupo Martins Hoyer, portanto, deveria introduzir mudanças no cultivo de cana na zona do Pindaré, onde existiam muitos produtores dessa matéria prima e senhores de engenhos. Por localizar-se às margens do rio Pindaré com a abundancia de peixes e caças isso garantia o sustento da maioria dos trabalhadores ligados, formal ou informalmente, ao engenho central: no eito, na unida fabril, no ramal ferroviário, nas atividades portuárias nas casas administrativas ou mesmo nas casas de residências de gerentes e demais funcionários graduados. A energia elétrica chegou à colônia (São Pedro) em 1883. Tal fato deu a região à classificação pioneira do Brasil, pois somente em 1892 é que a cidade fluminense de campos teve sua iluminação elétrica efetivamente inaugurada. Apesar do município de Santa Inês emancipar-se apenas em dezembro de 1966, já existia como povoado desde 1879; fundada por senhores de escravos. O primeiro nome do município era Ponta da Linha, passou a ser chamado de Conceição e por fim Santa Inês em razão de um voto de uma senhora que lhe deu o nome como padroeira da cidade. Mani Viana e Severino Costa foram os primeiros moradores do município de Santa Inês. A estrada de ferro foi inaugurada em 13 de setembro de 1883. A inauguração do engenho efetuou-se em 6 de agosto de 1884. Do engenho até a Ponta da Linha, se fixava a estrada de ferro com 12 quilômetros que ia até os canaviais das quadras.Sobre elas, trilhos rodavam 105 vagões carregando 315 toneladas de cana-de-açúcar, um panorama inédito no Maranhão. A partir de 1884, o engenho central encontrava-se em declínio, através de déficit de largas proporções, a empresa continuava a lutar para sobreviver aos elevados juros que aumentavam assustadoramente o seu débito. A irregularidade nas estações, com invernos rigorosos trouxe um agravamento
  • 40.
    40 maior à crise;além disso, a linha férrea foi danificada. E anos que seguiram, a seca, para piorar a situação. O engenho central ficou, nessas condições sem fornecedores de matéria prima, e, portanto, impedido de funcionar. Sendo vendido para terceiros e revendido para a Companhia Progresso Agrícola, que também foi à falência e arrematado em leilões por bancos no valor de 90 contos, e, num processo de revendas que se seguiam, chegando a 750 contos. Através da lei estadual nº 800, de 22 de março de 1918 a antiga colônia onde estava situado o referido engenho (hoje em ruínas), foi elevado à categoria de vila e posteriormente pela lei nº 1052, de 10 de abril de 1923, essa vila foi elevada à categoria de cidade conhecida como: São Pedro. Mais tarde, pelo decreto estadual nº 75, de 22 de abril de 1931, o município foi extinto. Em seguida restabelecido pelo decreto nº 121, de 12 de junho do mesmo ano. A partir daí, a cidade não parava de crescer. Na década de 60, o município de São Pedro teve que ceder mais de 50% de suas terras para criação dos municípios de Santa Inês e Santa Luzia. Emerso num contexto maior, Maranhão, é importante frisar que, a partir da década de 20 o quadro econômico passou por uma pequena alteração proveniente do fluxo migratório nordestino, decorrente de secas e crises econômicas, resolvendo-se parcialmente o problema da falta de mão-de-obra. Conclui-se, pois, que na primeira metade do século XX o Maranhão continuava com seus aspectos primários de produção sujeita a flutuações do mercado mundial. No processo de alteração do quadro econômico, produtos anteriormente considerados de ponta vão dar lugar ao babaçu e ao arroz. O primeiro como atividade extrativa, e o segundo, sendo cultivados pelos pequenos lavradores. É então que surge o babaçu em nossa história econômica, quando da primeira guerra mundial, e permite um primeiro reequilíbrio nas finanças estaduais que vinham se alimentando precariamente de empréstimos, e oferecer, a nosso comércio, com as exportações dessas amêndoas oleaginosa, em desafio desafogo que cria um clima de recuperação cujo processo de desenvolvimento, ressente-se da carência de capitais. A agricultura foi a atividade que congregou homens e mulheres, constituindo-se na principal fonte da vida e de trabalho nos anos que se seguiam na região. O arroz se tornou o responsável em grande parte pela ocupação das extensas terras livres, pois à medida que ia ocorrendo o desmatamento para plantio, surgiam pequenos aglomerados rurais que iam se desenvolvendo, e sendo envolvidos em moldes capitalista de estratificação, e formando-se desse modo pequenos e grandes núcleos de povoamentos, que resultou no surgimento de novas cidades em nível de estado e na região do Vale do Pindaré. O pequeno produtor vai deixando de ser autônomo e se tornar o último colocado em uma pirâmide que envolve plantio e ocorre para o “auxílio” da colheita, ficando empenhado na mão de comerciantes. Em troca das compras (querosene, açúcar, ferramentas, remédios e possíveis empréstimos em dinheiro). A consequência dessa relação é a dependência do pequeno produtor que é expropriado, chegando a perder a sua propriedade para os grandes latifundiários. Com o declínio da produção açucareira no Vale do Pindaré e consequentemente dos engenhos, formou-se no transcorrer dos anos que se seguiram, novas formas de desenvolvimento na referida região, cotado pela agricultura, pecuária e comercial. Somados a projetos do governo estadual e federal e não de forma isolada. A título de exemplo, cabe citar projetos como: a
  • 41.
    41 abertura de váriasrodovias tais como, a estrada BR – 316, a – 222, e a Belém- Brasília e projetos como SUDENE (superintendência do desenvolvimento do norte), projetos estaduais como o CEPLAMA. Revendo a construção da BR 222, vale citar o que diz Asselin (apud Valverde, p.94): A construção da BR 222, entre Santa Inês e Açailândia abriu caminho a posseiros, que subiram rapidamente aos vales do Pindaré e do Zituia. Em contrapartida, vagas sucessivas de grileiros, poderosos fazendeiros de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Goiás, apoiados em Imperatriz, desceram com seus pistoleiros em sentido contrário, expropriando os camponeses sem títulos legítimos e compelindo os outros, pelas mais diversas formas, a abandonar suas terras. Asselin, o referido autor, cita que os camponeses da região têm sido usados para desbravar as terras e trabalhar para os latifundiários, sem direito a nada. Isto com a conivência das autoridades do governo na época, em todos os níveis. Execução de projetos estaduais do Maranhão, PLANAGRO (Plano de Colonização e Desenvolvimento Agropecuário) e o projeto Carajás que atravessa a região, os quais deram o maior impulso no desenvolvimento da região e estado. Apesar da cana de açúcar, cujo nome científico é Saccharum officicinarum, ter entrado em declínio seu cultivo em função do declínio da fase açucareira e falência dos engenhos, deixou no entanto, na região a certeza e a informação de que as terras ali existentes são ricas para seu cultivo. E isto gera perspectiva no fato da existência de um novo produto que surge e irá demandar no mercado nacional e internacional, o BIOCOMBUSTÍVEL (ou álcool) gerado a partir da cana-de-açúcar. O qual, além de ser uma alternativa para evitar o uso de combustível poluente derivados do petróleo, irá gerar emprego e ser um benefício ambiental. Fonte da foto: Internet, 2007. MUNICÍPIO DE SANTA INÊS – VALE DO PINDARÉ Há uma estação ferroviária Igreja Matriz
  • 42.
    42 Fonte: MESQUITA, Wagner. Raridadehistórica da Região do Pindaré. Povoado Santa Inês, 1908.
  • 43.
    43 3.1 Primeiros Escritosda História de Bom Jardim  O primeiro escrito acerca da história de Bom Jardim foi uma monografia descritiva realizada pela 1ª Secretária de Educação de Bom Jardim, a Senhora Mirene – como um documento oficial.  O segundo foi um trabalho acadêmico desenvolvido pela Senhora Irene Matos em sua formação de pedagoga, que descreve cronologicamente a narrativa da história de Bom Jardim - seus primeiros gestores, indicadores da época dos primeiros dias, história da educação, etc.  O terceiro escrito foi desenvolvido pelo professor Jesus Tavares num livro intitulado “Meus Versus & Minha Vida”, cujo contexto, no gênero poético/literário através de poemas, acrósticos e crônicas – nos quais são pintados a vida pessoal e familiar do autor, e neste contexto, a conjuntura política de Bom Jardim.  O quarto e mais completo livro acerca da história de Bom Jardim numa ampla visão histórico, geográfica, cultural e indicadores sociais – com atualizações – servindo-se em termos interdisciplinar e intertextos de outras obras é o livro: “Radiografia de uma Cidade Brasileira”, que abrange históricos de muitos povoados de Bom jardim (em seus confins), e cidades que estão interrelacionadas em termos contextuais com a história de Bom Jardim. Tal trabalho, escrito por Adilson Motta, mobilizou anos de pesquisas.
  • 44.
    44 4 A HISTÓRIADA ORIGEM DE BOM JARDIM No início de sua história, essa região hoje chamada Bom Jardim era pertencente à Monção, uma região longínqua, onde só vinham caçadores residentes em Águas Boas que caçavam, pescavam e retornavam. No entanto, o Sr. José Pedro Vasconcelos chegou disposto a ficar, o qual era descendente do Ceará e residia em Águas Boas. O primeiro contato que o referindo primeiro morador teve com o lugar foi em 29 de fevereiro de 1959. Porém, a data oficial da fundação se deu com seu estabelecimento em 4 de outubro de 1959; data em que este aqui chegou, vindo também um agrupamento de 20 homens, retirantes nordestinos (do Ceará e Piauí) que aqui também se estabeleceram. Segundo esses primeiros moradores, o local era uma verdadeira floresta, com mata fechada, e a existência de uma rica fauna e uma rica flora, os animais existentes eram: onças, veados, pebas, tatus, porcos caititus, pacas, etc.… A área atualmente tida como território do município de Bom Jardim desde tempos memoriais foi habitada por populosas tribos indígenas, destacando os guajajaras. Quando os pioneiros aqui chegaram encontraram essa população já existente, os primeiros habitantes dessa terra. Houve rumores de ameaças de perseguição por parte dos indígenas. José Pedro teve várias vezes que fugir, temendo ser atacado (pois segundo os mais antigos moradores, era avisado com ameaças), contudo, retornava. Em verdade, estava produzindo o encontro entre dois mundos, entre duas culturas que se desconheciam e tinham, portanto, posturas distintas quanto à convivência recíproca na área: uns porque nela viviam ao logo do tempo, outro porque nela visavam realizar sonhos impossíveis em seus locais de origem, como, por exemplo, ter um lugar, um pedaço de terra para produzir sua subsistência. A primeira atividade econômica nesses primeiros dias dos primeiros moradores era na agricultura no manejo de roças, os quais faziam seus limites de áreas, por serem devolutas, através de veredas. Segundo relatos de primeiros habitantes, anos depois chegaram muitos poderosos e fazendeiros que, “na marra, e sob pressão nem respeito cercavam de arame as terras desses agricultores, dantes demarcadas na vareda” e delas se apossavam. Com a chegada de outras famílias, migrantes nordestinos, o local passou a ser denominado centro do Zé Pedro, em virtude da liderança do pioneiro, que a exercia estimulando a que os demais atuassem na região como um grupo e não disperso como sugere uma ocupação de terras devolutas. O local se tornou um pequeno povoado sob a administração de Monção, cujo prefeito era o senhor Antonilson. Antonilson, prefeito de Monção na época da emancipação política de Bom Jardim também deu a sua colaboração.
  • 45.
    45 Monção, 2009. Cidade deMonção - 250 anos depois de sua fundação (Foto tirada julho de 2006). A mãe de quase todas as cidades na região do Vale do Pindaré e algumas na região Turi (Zé Doca, Newton Belo...). Existe a insatisfação por parte de muitos cidadãos daquele lugar, devido ter dois séculos e meio de existência e apresentar morosidade e atraso no seu desenvolvimento. Existiu como vila, segundo Joana Matos dos Santos (professora de Monção) desde 16 de julho de 1757, fundação da 1ª Vila, a qual foi consumida por um incêndio. A segunda surgiu em 9 de junho de 1959, tendo sua emancipação política logo em seguida em 26 de novembro de 1959. Em 2007, a população de Monção era de 27.586 habitantes. Em 2010 esse número caiu para 24.125 habitantes. Muitas famílias migram em busca de melhoria, já que o espaço político não está atingindo esta meta para o social. Muitos municípios na região do Vale do Pindré e Turi apresentam altos índices de pobreza e subdesenvolvimento e vivem praticamente de repasses constitucionais; somando-se a isto a corrupção, que é um dos maiores entraves ao desenvolvimento. Já o povoado Bom Jardim cresceu rapidamente devido às constantes migrações de lavradores que ali andavam atrás das matas destruindo-as para a construção de lavouras temporárias. Bom Jardim foi o maior produtor de arroz na região, “um verdadeiro garimpo” atraindo assim migrantes oriundos do Ceará, Piauí e outras regiões (fugitivos da seca) e do próprio Maranhão. O povoado recebeu inicialmente o nome de centro do Zé Pedro, em homenagem ao seu fundador. Em 1960, aproximadamente às 16 horas, um certo número de pessoas da comunidade, entre elas, Zé Pedro, sua esposa dona Maria, Valdivino (pai de Carmelita), Dona Neusa e outros, estavam no Barracão do próprio Zé Pedro reunidos para discutir sobre a mudança do nome do povoado.E, por apresentar grandes quantidades de pau d´arco e cedro com bastantes flores; razão pela qual os seus moradores passaram a chamá-lo de Belo Jardim; e em seguida devido o lugar apresentar clima aprazível, solo fértil e variadas qualidades de frutas nativas, tais como tuturubá, bacuri, coroatá, (croatá), cacau, manga, etc… Então o Sr. José Pedro, unânime com os amigos decidiram que o nome do povoado não seria Belo Jardim nem Centro José Pedro. Como vinha prevalecendo, considerando que o lugar não era só dele, e sim de todos, mas que o nome seria definitivamente Bom Jardim. O lugar era “bom e parecia um jardim”. Associaram então as duas palavras surgindo Bom Jardim que é seu nome atual.
  • 46.
    46 Dona Maria eDona Neusa, co-responsáveis e protagonistas pelo atual nome da cidade de Bom Jardim. Na época de Bom Jardim povoado, antes mesmo da construção da BR 316, o baixão que se localiza entre o posto de Nildão e Hospital Municipal existia uma ponte de pranchas de madeira – por onde os moradores de Bom Jardim transitavam do alto José Pedro ao alto dos Praxedes. Pau-d´arco – Árvore predominante nos primeiros dias do povoado Bom Jardim às margens da BR 316 Na medicina, o Pau d’Arco é considerado como um excelente anti-inflamatório, antibacteriano, antifúngico e laxativo; além de ser bastante usado para tratar úlceras, infecções urinárias, psoríase, diabetes e alergias, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como sífilis, candidíases e cancro, além de problemas gastrointestinais e alergias.. O Sr. José Pedro Vasconcelos é tido como primeiro administrador do povoado. Isso se deu em função de que todos quantos nele chegavam, procuravam–no para solicitar-lhe um local para construírem suas residências. Era ele quem determinava a aberturas das ruas, designando os locais para as construções de casas, motivo pelo qual foi tornando-se o chefe administrativo do lugar. Nos anos 60 só se fazia compras em Santa Inês e Pindaré montados a cavalos e burros.No inverno a dificuldade era maior ainda, pois só iam montados até a beira do igarapé ou rio, e então atravessavam de canoa e em seguida iam a pés. Os transportes que facilitavam a passagem dos viajantes indo e voltando de Santa Inês pertenciam aos índios; eram eles que, sendo pagos, faziam a passagem das pessoas. Atravessava desse modo, o rio Pindaré com os próprios animais dentro de canoas. Existiam outras variantes feitas pela PETROBRAS, quando por aqui passaram em sondagem a existência de petróleo na região. Estas serviam de caminhos usados pelos índios Guajajaras da Aldeia Gonçalves Dias às margens do Rio Pindaré. Outras demarcações com fins de averiguação e pesquisa que se deu entre Bom Jardim e o povoado Boa Vista – às margens da BR 316. Para o Sertanejo a floração do Pau-D´arco, colorido de amarelo, é uma experiência de inverno. Além de indicar o período chuvoso, o vegetal tem utilidade no tratamento de diversas doenças virais
  • 47.
    47 Nos primórdios domunicípio a situação era difícil, os primeiros moradores enfrentavam as dificuldades de toda ordem. Segundo Alcides Bezerra, (Um dos 1º moradores): No começo era difícil, pois quando precisávamos comprar mantimentos para o sustento da família, tínhamos que ir para Santa Inês ou Pindaré a pé ou montados em animais e a viagem demorava dois dias (ida e volta). Quando adoecíamos, ficávamos isolados e distantes da cidade, onde existiam farmácias e hospitais. As cidades de Santa Inês, Pindaré-Mirim e Monção tiveram um papel importante no processo de frente de expansão para os pioneiros no desenvolvimento da região, pois era nesses municípios que acorriam grande número de pessoas de outros municípios para realizarem suas transações comerciais. Nos anos 60 a 62, o centro de José Pedro (depois Bom Jardim) continuou crescendo em ritmo acelerado em face do surgimento cada vez maior de casas residenciais, casas comerciais, muitas em formas de barracas ou edificações improvisadas, cujos donos eram migrantes de outros estados e de outras regiões maranhenses. O certo é que no ano 1962, Bom Jardim, já na categoria de Distrito município de Monção ganhava seu 1º líder político, o vereador Maneco Souza, residente no Distrito, juntamente com outros dois vereadores, Afonso Pinto e Valdivino Amorim. O primeiro grande salto no desenvolvimento do povoado se deu com a chegada da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Dois anos depois, após sua fundação. o principal objetivo da SUDENE era, pois, promover o desenvolvimento harmônico de uma região estagnada e reduzir o grande fosso* que a separava dos centros dinâmicos nacionais. Eliminando a causa desse desequilíbrio, houve da SUDENE uma concentração dos investimentos dos projetos voltados para o fortalecimento da infraestrutura econômica com vista à elevação da oferta de serviços de transportes, energia, escola e saneamento básico. A região era estagnada devido à ausência de infraestrutura como estradas, eletrificação, escolas, hospitais e etc. sendo isso um fator de subdesenvolvimento. No entanto, a referida região apresentava uma grande produção agrícola, daí o sentido de ser tachado como um verdadeiro garimpo agrícola, que por longas décadas produzia arroz em grande escala para a exportação. Data desta época a construção do aeroporto que foi um fator importante no desenvolvimento, facilitando o transporte para outras localidades distantes, pois na época a então BR – 22 atual BR – 316 era uma estrada vicinal que chegava a ficar interditada no inverno.
  • 48.
    48 Fonte: Américo, PedroJuvino (por Manin) A SUDENE instalou também uma unidade de assistência médica no lugar, uma escola próxima ao aeroporto, a extinta Escola Estadual Unidade Integrada Bom Jardim, a qual os bonjardinenses chamavam de “Colégio da Sudene” (por ter sido construída por ela), esforço que ocorreu também no sistema educacional e nos programas e projetos estratégicos para o desenvolvimento da região. No período de três anos após o estabelecimento da SUDENE, houve uma aceleração no crescimento populacional, cuja população ultrapassou a da sede da cidade mãe (Monção), elevando-o assim a categoria de distrito do município de Monção. Além da SUDENE, houve também o projeto RONDON, que através de estagiários de universidade, faziam pesquisas no povoado Bom Jardim, os quais trouxeram remédios e projetos relacionados à saúde. Pois no momento era grande o número de malária na região. Por intrigas e indecisões políticas entre situação e oposição que ocorriam entre Monção e Bom Jardim, a SUDENE aqui se instalou e, portanto, não permaneceu, indo se estabelecer em Zé Doca, em 1964; sendo esta a versão dos gestores da época. No entanto existe a versão popular e de outros políticos, de que a saída da SUDENE de Bom Jardim para outro município tenha sido porque políticos de situação da época na região acreditavam que a SUDENE tinha ligação com os comunistas, que, segundo eles, tentavam dominar o país no momento. (Veja também Michalany, 1986, p. 361), que confirma o fato da intenção comunista; exceto que a SUDENE tivesse vínculo algum com eles. O temor era produto de uma experiência que o país acabara de passar, onde a democracia brasileira, que estava em perigo e cujo presidente, João Goulart, era comprometido com os comunistas – fato este, que resultou em sua cassação e deposição. O aeroporto por muito tempo serviu de espaço para a realização de corrida de cavalos; evento que atraía grande número de bonjardinenses como diversão e lazer.
  • 49.
    49 Foto fornecida porZiraldo (De Zé Doca) Primeiro morador de Zé Doca conhecido por Zé Doca. Zé Doca em 2007 apresenta 45.064 habitantes e uma área territorial de 2.414 km². Prainha em Zé Doca Zé Doca. A Sudene ia se estabelecer em Governador Newton Belo, no entanto, segundo relatos, a mesma versão lá correu e arejeitaram. Onde a Sudene se estabelecesse ia levar progresso e desenvolvimento, pois esse era o objetivo de sua instituição pelo governo federal. Município de Zé Doca atualmente/jul./2006 Vila do Bec – Zé Doca Farol da Educação: O que era para ser um projeto implantado em todo estado, em muitos municípios foi consumido pela corrupção.
  • 50.
    50 Governador Newton Belo- 10 anos depois de sua emancipação política em 10 de novembro de 1994 ao ser desmembrado do município de Zé Doca. (foto tirada em julho/2006). Poucas mudanças... Por alguns é conhecida como “a cidade que parou no tempo” por conta do descaso de administradores. O primeiro nome do município era Chapéu de Couro em homenagem a Raimundo Coelho Filho, conhecido Chapéu de Couro. O mesmo era maranhense e descendente da cidade de Coroatá. Enquanto morava no povoado que levava seu nome, exerceu a atividade de comerciante. Faleceu em 24 de dezembro de 1991 na cidade de Parauapebas. Sua família, hoje residente no município de Parauapebas é insatisfeita pela troca do nome do lugar que era Chapéu de Couro – que era um morador e filho da terra, o qual foi trocado por Governador Newton Belo, e que se sabe, nunca foi lá. Foto fornecida por Antonia L. Governador Newton Belo Fundação: 11 de novembro de 1994 Microrregião: Pindaré Mesorregião: Oeste maranhense Área: 1.160,866 km² População: 13.119 hab. IBGE: 2006 Densidade: 11,3 hab. por km² Em 2007 essa população caiu para 11.005 habitantes. IDH: 0,494 PNU/2000/ IDH 2010: 0,521 Renda percapita: R$ 1.238,92 IBGE/2003. Índice de exclusão social: 0,276 Expectativa de vida: 55 anos Renda per capita: R$ 44,00 Mortalidade infantil: 15,96% Índice de analfabetismo em 2000: 43,6% Índice de analfabetismo em 2010: 33,21% (IBGE) Bom Jardim: 31,84% (Dados de 2011, acima de 15 anos) Governador Newton Belo, segundo o Jornal Pequeno (2007, Edição 21,563), é a 5ª mais pobre do Maranhão. Raimundo Coelho Filho, conhecido por Chapéu de Couro.
  • 51.
    51 No transcorrer dosanos 62 a 65, o Distrito de Bom Jardim, já contava com um acentuado fluxo migratório, tornando-se um verdadeiro canteiro de obras. E mesmo de maneira desordenada, surgiam muitas casas comerciais, com diversos ramos de negócio, atendendo em grande parte, as necessidades dos moradores, em número cada vez maior. As primeiras residências eram construídas de tábua, em sua maioria, devido à facilidade de madeira e outras de taipas, devido a grande dificuldade de acesso a cidade de Pindaré-Mirim - cidade que oferecia material de construção de primeira qualidade. Pindaré era e o celeiro e ponto de convergência de toda região. Tendo em vista o excepcional desenvolvimento econômico e demográfico, o povoado Bom Jardim tornou-se dos Distritos de Monção o mais importante Centro comercial do município. Nasceu entre seus moradores um forte desejo de emancipação político- administrativa. Os comerciantes e o senhor José Pedro Vasconcelos, o seu fundador, considerados representantes da sociedade bonjardinense e prevalecendo a opinião geral, sem dissidência, optavam pela emancipação de Bom Jardim. Iniciaram uma grande luta política pelo objetivo proposto. A partir daí, começou o movimento político através e um grupo de jovens comerciantes. Os protagonistas dessa luta foram os senhores Gildásio Ferreira Brabo, João Batista Feitosa, César Sales, Gaspar Meireles, Zeferino Gomes Pereira e Mauzol Miguel de Souza. Um nome também, que é relevante ser lembrado nesse processo de emancipação é o de Arlindo Menezes, que no período era gerente do banco do Estado, no município de Pindaré. Em homenagem a este, é que existe a rua Arlindo Menezes. O primeiro morador, José Pedro Vasconcelos faleceu em 2 de outubro de 2002, na cidade de Rio Preto da Eva, Amazonas. . Em princípio de 1964, já se destacara a campanha tendo em vista as eleições para governador que realizou-se em 1965. Concorria para candidato do Maranhão, a governador o Deputado Federal José Sarney. O qual, devido sua eleição como o 2º deputado federal mais votado do Estado, lhe rendeu as credenciais necessárias para que o mesmo pleiteasse a candidatura a governador pelo grupo “Frente de Oposições Coligadas”. Na ocasião, o grupo de comerciantes que conspirava a possível passagem do povoado Bom Jardim para município, resolveu convidar o candidato José Sarney para uma visita ao lugar. O candidato aceitou o convite e no dia do seu comparecimento em reunião com os representantes bonjardinenses, estes firmaram o compromisso de apoiá-lo na sua campanha para governador do Maranhão. Expuseram suas ideias em relação ao povoado e reivindicaram a emancipação de Bom Jardim, o movimento contou com a adesão do prefeito de Monção. Naquele ano de 1966, por imposição do prefeito de Monção. Sr. José Bastos, deu-se início a uma série de negociações, com referência ao processo de desmembramento de Bom Jardim, dado o fato daquele Prefeito só concordar com o 1º morador de Bom Jardim e família José Pedro Vasconcelos Foto fornecida por Srª Antônia
  • 52.
    52 desmembramento tão sonhadocaso houvesse as renúncias de dois vereadores do povoado Bom Jardim; com isto, automaticamente cairiam também às posições dos suplentes de vereador. Não havendo outra solução, tudo ficou concordado e o velho “cacique”, José Sarney, mais uma vez entra em cena, acertando tudo em nome de Bom Jardim do Município de Monção. Assim foi que, no ano de 1966, já com vereadores pelo novo partido a “ARENA”, assumiria a liderança política de Bom Jardim, o Sr. Gildásio Ferreira Brabo, que foi determinado na época por José Sarney, como representante do povoado Bom Jardim na esfera Estadual, tendo a frente das negociações políticas João Batista Feitosa e como suplentes de vereador, Bernardo Carvalho e José Alves de Souza. O candidato José Sarney fez um comício na praça que hoje leva seu nome, em seu discurso deixou explicitado ao povo bonjardinenses que um de seus primeiros atos quando governador do Maranhão seria a elevação do povoado Bom Jardim à categoria de cidade. Vale salientar que todas as manobras políticas da época tinham sempre à atuação de José Sarney, o qual foi eleito como Governador do Estado em 15 de Novembro de 1965, com expressiva margem de votos. O deputado José Sarney, que ao assumir o governo tratou logo de cumprir sua promessa aos bonjardinenses. Foi o Deputado Estadual Newton Serra que entrou com o projeto de emancipação de Bom Jardim na Assembleia Legislativa do Estado, no ano de 1967. Foto tirada pelo 1º fotógrafo de Bom Jardim: Pedro Juvino por (Manin). Com a promulgação da Lei nº 2735, de 30 de dezembro de 1967, sete anos após sua fundação, o povoado Bom Jardim passou à categoria de cidade. Em 14 de março do referido ano, foi realizada sua instalação pública. A partir desta data, Bom Jardim adquiriu sua autonomia política, ganhando com isso mais recursos como município criado, Bom Jardim emancipou com 750 eleitores (segundo Batista Feitosa). Foi com a coordenação de José Sarney que João Batista Feitosa assumiu o cargo de Interventor por dois anos; tudo isto, com o compromisso de coordenar e financiar toda a campanha da candidatura a Prefeito de Gildásio Ferreira Brabo. Tomou posse o seu primeiro governante, João Batista Feitosa, nomeado a interventor do município pelo Governador do Estado, José Sarney. A instalação da primeira Prefeitura de Bom Jardim foi em uma das casas do fundador do lugar, cedida por ele e sua esposa Euzamar Oliveira Vasconcelos localizada na Avenida José Pedro. José Sarney e cúpula política em comício nos princípios da emancipação política de Bom Jardim.
  • 53.
    53 Na administração dointerventor João Batista Feitosa foram implantadas as bases político-administrativas do município. Foi instalada a primeira Coletoria Estadual, foi comprado o prédio próprio da Prefeitura Municipal e iniciada a construção do Colégio Governador José Sarney. O registro da história de Bom Jardim, no aspecto administrativo, consta a primeira autoridade policial do município, na pessoa do Sr. Mário Santiago de Oliveira, como Inspetor de Quarteirão, autoridade que, na época fazia às vezes de um delegado de polícia, resolvendo todos os casos de responsabilidade da polícia, inclusive subordinado a Secretaria de Segurança Pública do Estado, que lhe dava todo o apoio no exercício de suas funções. Mário Santiago de Oliveira, que chegou neste município no ano de 1961, desempenhava função de Inspetor de Quarteirão até a chegada do primeiro Delegado de policia, em 1962, o Sr. Maximiano Costa, que se tornou muito conhecido e muito temido, pela maneira enérgica como exercia seu cargo, sem interferência de políticos e ou pessoas influentes. O 1º Cartório de Bom Jardim, como Município, foi implantado em 1968, tendo como categoria jurídica, Cartório de Oficio Único e subordinado à Comarca de Santa Inês, até 29 de Agosto de 1987, quando foi implantado a Comarca Bom Jardim, passando a contar com os cartórios 1º e 2º Oficio. O primeiro Cartório de Bom Jardim teve como escrivã a Sra. Esmeraldina Lopes Araújo, que exerce até os dias atuais. Hoje, é titular do Cartório de 2º Oficio, desde a criação da comarca de Bom Jardim. Os meios de transportes e comunicação de Bom Jardim nos anos 60 no verão era caminhão jardineira (um ônibus com carroceria de madeira e mista) e a empresa Florência Ferreira. Durante o inverno, eram utilizadas tropas de burros, lanchas e canoa. Em Bom Jardim surgiu telefone no mandato do Prefeito Adroaldo em 1973. O primeiro rádio foi do senhor João do rádio, a primeira televisão pertenceu ao senhor Antonio Joaquim, onde muitas pessoas se reuniam para assistir; o primeiro proprietário de carro foi o senhor Raimundo Timóteo, o carro era um pick-up azul, e o senhor Frazão possuiu o primeiro caminhão; as tropas de animais que trafegavam a serviço da comunidade nos anos 60 –principalmente no inverno - transportando pessoas e produtos de Bom Jardim para a beira do rio Pindaré e de lá a Santa pertenciam aos Senhores:Sebastião Bispo, Manuel Chagas, Severino Leite, Geraldinho e Camilo, - este último, segundo relatos, foi o primeiro tropeiro a fazer fretes de Bom Jardim a Santa Inês, sua tropa era de 15 burros. A primeira moto a circular em Bom Jardim pertenceu ao senhor Dico da Vespa, o mesmo já faleceu. O primeiro magarefe foi o senhor José Vieira dos Santos, conhecido como Zezé (comerciante). O primeiro comerciante: Benedito Bogér, seu comércio era numa casa de taipa onde hoje é o comércio Casa Betel e a primeira casa de telha foi do senhor Antonio Surdo. João Batista Feitosa, 1º prefeito por interventoria de Bom Jardim Foto fornecida por Batista Feitosa.
  • 54.
    54 Empresa de ônibusmuito conhecida na época: Florêncio – anos 80. (Foto por Washinghton Oliveira, 2013). COMPLEMENTAR Em 1980, o Governo Federal João Figueiredo, preocupado com as tensões sociais na região que hoje chamamos de Projeto Ferro Carajás, resolveu criar o Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins (GETAT), subordinado ao Conselho de Segurança Nacional. Ao GETAT foram dadas as mesmas atribuições do INCRA, restringindo-se porém à sua área específica, a qual abrangia cerca de 450.000 km², sendo 60% no Pará, o Estado de Goiás, 22%; e o Maranhão com 18%, envolvendo os municípios de: Amarante do Maranhão, Açailândia, Bom Jardim, Carolina, Carutapera, Estreito, Imperatriz, João Lisboa, Montes Altos, Porto Franco, Riachão, Santa Luzia e Sítios Novos. Em 06 de maio de 1984, ainda povoado de Marabá, Parauapebas foi invadidopor dois mil garimpeiros. Todas as ruas, desde as correntes da Portaria da Vale até a saída do povoado ficaram cheias de garimpeiros, os quais destruíram vários prédios públicos. Revoltados e enfurecidos (com o fechamento do garimpo Serra Pelada pelo governo federal), queriam a todo custo invadir a Serra dos Carajás. E do lado de dentro das correntes estava a polícia, e chegavam aviões cheios de homens do exército – que impediram o ato. 4.1 CONTEXTO DA POLÍTICA ESTADUAL E NACIONAL  Presidência de Juscelino Kubitschek (1956 a 1961) Em 1960, inauguração de Brasília. Abertura de grandes rodovias como a Estrada Belém/ Brasília. Construção de grandes usinas hidrelétrica (furnas três Maria em Minas Gerais). Grande impulso a indústria nacional.
  • 55.
    55  Presidência deJânio Quadros (de 31/01 de 1961 até 25/08 do mesmo ano). Com sete meses de governo renunciou.  Presidência de João Goulart: (1961 a 1964) Ao tentar levar o país para o socialismo ao modelo de Cuba desencadeou a revolução de 64 (da qual os militares governaram até 1985).  Presidência: Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco (primeiro governo revolucionário, 1964 a 1967). Governador do Estado: Newton Belo (1961 a 1966) Principais realizações: Instituiu um Plano de Colonização e Desenvolvimento Agropecuário (PLANAGRO). Criou uma Comissão Executiva do Planejamento Educacional do Maranhão (CEPLAMA), que traçou o plano trianual de Educação. A revolução de 64 poria fim a sua carreira política, foram cassados seus direitos políticos por dez anos. (Sendo substituído por Alfredo Duailibe até 1966). Você sabia... Que a estrada que liga Bom Jardim a São João do Caru foi iniciada na administração de João Batista Feitosa. E que, até o povoado Barrote foi feito à máquina.Do Barrote até o povoado Gurvia foi feito em atividade braçal. 4.2 EVOLUÇÃO SÓCIO-POLÍTICO DA HISTÓRIA DE BOM JARDIM. 1º MANDATO (1969-72) Em 1968 deflagra-se a campanha em prol das eleições para prefeito e vereadores em todos em todos os Estados do Brasil. Candidatou-se para Prefeito de Bom Jardim, o senhor Gildásio Ferreira Brabo (ARENA I) e Expedito Ribamar Pereira (ARENA II – Aliança Renovadora Nacional). Realizadas as eleições, foram eleitos: Gildásio Ferreira Brabo para Prefeito municipal e para vice-prefeito, José Alves de Souza. Para a primeira Legislatura do Município foram eleitos os vereadores: Adroaldo Alves Matos e Bernardo Carvalho Nunes (ARENA II), Luís Ferreira Lima, Raimundo Nonato Figueiredo, Agostinho Maranhão Oliveira, Miguel Alves Meireles, João Soares de Melo, José Jesus Carvalho e Zeferino Gomes Ferreira (ARENAI), Edis que foram a primeira Câmara Municipal de Bom Jardim instalada através da ata de posse da Câmara Municipal no dia 06 de Janeiro de 1969. O primeiro presidente da Câmara de vereadores de Bom Jardim foi Luís Ferreira Lima.
  • 56.
    56 Principais obras realizadas: Ainstalação do Departamento de educação e Cultura, conforme a Lei nº. 32 de Março de 1971, término da construção do Hospital Municipal, implantação do ginásio Bandeirante, já que o estado montava sua rede de ginásio em cerca de 25% dos municípios maranhenses, percentual que deveria crescer ano a ano, tanto é que atingiu em 1971, 91 dos 130 municípios do Estado. O ponto mais crítico residia no ensino primário, principalmente na zona rural; para tentar modificar esta situação foi concebido o “Projeto João de Barro” pela equipe de assessoramento do Governador. O objetivo do Projeto “João de Barro” foi assim anunciado através de um processo de educação integrada em nível elementar, inserir o homem rural no processo de desenvolvimento socioeconômico realizado, foi construído um posto médico na sede, e ampliação das escolas na zona rural. Contexto da política estadual e nacional (1969/1972) Presidente Presidência de Costa e Silva (1967-1969) Vindo a falecer em 17 de dezembro de 1969, não terminou seu mandato. Em função de sua morte os Deputados Federais e Senadores elegem o General Emilio Garrastazu Médice para a presidência (1969/1974). Obras realizadas: construção da rodovia Transamazônica e da Rodovia Cuiabá-Santarém Governador José Sarney (1966-1970). Pontos relevantes em seu governo: A criação da Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão (SUDEMA). A qual caberia traçar e supervisionar o plano de desenvolvimento do Estado. Criou no programa escolar a escola João de Barro, para o mais pronto combate ao analfabetismo, e a instituição da Televisão Educativa, para a maior difusão do ensino médio; e ainda, no campo da educação a criação das escolas superiores de Agricultura, Administração e Engenharia, em São Luís e de Educação em Caxias. Primeiro Prefeito eleito de Bom Jardim Gildásio Ferreira Brabo.
  • 57.
    57 Alargou a rederodoviária do Governo Federal, e o início da energização dos municípios, em fase da construção da hidrelétrica de Boa Esperança pela União; asfaltamento das artérias do centro urbano, a construção da ponte sobre o rio Anil, construção do porto do Itaqui. Neiva de Santana (1971 a 1975) O PROJETO DE COLONIZAÇÃO NO GOVERNO PEDRO NEIVA (1971-1974) Na década de 1970,0 Brasil vivia sobo regime discricionário implantado pelo golpe militar de 1964. Naquela época, os governadores estaduais eram indicados pelos generais-presidentes e depois eleitos pelas respectivas Assembleias Legislativas. O médico e ex-prefeito de São Luís Pedro Neiva de Santana foi indicado pelo presidente da República Gal. Emílio Garrastazu Médici ao governo do Maranhão e, em seguida, eleito pela Assembleia Legislativa. Empossado como governador do Estado, Pedro Neiva de Santana dispunha-se a desenvolver uma política de colonização agrária no Estado. Para tanto, contava com o apoio irrestrito do então presidente da República, que o havia nomeado. O General Emesto Geisel, que sucedeu a Médici, também apoiava grandemente a iniciativa, de modo que só restava dar início à elaboração do grande projeto agrícola. Por outro lado, dada a necessidade de imprimir velocidade e dinamização no processo de ocupação ordenada das terras devolutas do Maranhão, fazia-se necessária a criação de uma companhia de colonização. Com esse fim, no dia 6 de dezembro de 1971, o Projeto de Lei n2 3.230 foi encaminhado à Assembleia Legislativa, onde foi apreciado e aprovado em caráter de urgência. O ato autorizava o governador Pedro Neiva de Santana a criar a Companhia Maranhense de Colonização (COMARCO), estruturada sob a forma de sociedade anônimade economia mista. Em seu governo deu ênfase ao sistema rodoviário, a rede de energização e de saneamento do interior e uma política de colonização e de saneamento do interior e colonização agrária.No campo da educação instituiu o Conselho Estadual de Cultura e da Fundação Cultural do Maranhão com vista a uma futura universidade estadual.No campo econômico, além da política de colonização agrária, a atividade do banco de desenvolvimento do Maranhão, e a criação da Federação das Escolas Superiores do Maranhão, a Companhia Progresso do Maranhão; no campo de segurança, a interiorização da Polícia Militar, com a criação de 5 batalhões, sediados
  • 58.
    58 em São Luis,Caxias, Pindaré-Mirim, Imperatriz e Livramento. Terminou a construção do porto do Itaqui.  2º MANDATO (1973 a1976) No ano de 1972 realizaram-se novas eleições no país. Concorriam às eleições Municipais de Bom Jardim Adroaldo Alves Matos e Augustinho Maranhão; sendo eleito Prefeito Municipal Adroaldo Alves Matos e Miguel Alves Meireles, vice-prefeito. Os vereadores foram: José Nilo Ribeiro, Mauzol Miguel de Sousa, Ângelo Jorge Vieira, Aldimar da Silva Porto, João Soares de Melo, Martinho Gomes de Azevedo, Raimundo Nonato Figueiredo, Antonio Carvalho e Zeferino Gomes Pereira. PRINCIPAIS OBRAS REALIZADAS Implantação da rede distribuidora de energia elétrica, proveniente da Hidrelétrica de Boa Esperança sob administração da CEMAR. Conclusões dos serviços de abastecimento de água realizadas pela CAEMA, construção do mercado público municipal de abastecimento, construção de escolas na zona rural. CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL E ESTADUAL PRESIDENTE  Presidência de Ernesto Geisel (1973 a1976) Meta prioritária do seu governo: - Desenvolver o sistema Ferroviário, Fluvial e Marítimo; - Aumentar as exportações, as pesquisas minerais e o aproveitamento do xisto e do carvão; Desenvolver a qualquer preço a tecnologia nacional e ampliar a fronteira Agrícola em todas as áreas de produção. Houve o acordo de cooperação nuclear (Brasil//Alemanha) para suprir a crise energética e petrolífera do país.  GOVERNADOR: Nunes Freire: (1975 a 1979) Osvaldo da Costa Nunes Freire concluía um mandato de deputado estadual pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional), quando foi indicado pelo governo federal a substituir o governador Pedro Neiva. Seu nome, então, foi escolhido pela Assembleia Legislativa, da mesma forma que seu antecessor. Como se encontrava doente na data da posse (15 de março de 1975), a faixa de governador foi recebida por seu vice, o Dr. José Duailibe Murad, que permaneceu interinamente no cargo até o dia 31 de março do mesmo ano, data em que o titular se integrou ao seu mandato. As expectativas por parte dos colonos eram as melhores possíveis. Todos estavam esperançosos por melhores dias e pela continuidade do Projeto de Colonização no interior do Estado. Assumia o governo do Estado do Maranhão o Dr. Nunes Freire. Com um perfil diferente de seu antecessor, o novo governador tentou mudar radicalmente a política agrária no Estado, dentre outros setores administrativos.
  • 59.
    59 Como ficou oprojeto? Ficou parado! Isso mesmo, durante todo o seu governo, nenhum investimento foi aplicado no tão sonhado Projeto de Colonização. O governo se limitou apenas à manutenção do funcionalismo e em inaugurar algumas obras executadas pelo prof. Pedro Neiva.  3º MANDATO (1977 a1982) No ano 1976 novas eleições foram realizadas. Concorriam as eleições municipais de Bom Jardim Miguel Meireles e João Franco Sousa. Sendo eleito Miguel Alves Meireles, Prefeito Municipal e Joaquim Servo de Araújo, vice-prefeito. Para vereadores foram eleitos: Valquírio Bertoldo do Nascimento, Mauzol Miguel de Sousa, José Nilo Ribeiro, João Sobral, José Abreu de Oliveira, João Soares de Melo, Hélio Ferreira da Paixão, Francisco Cândido de Araújo. PRINCIPAIS OBRAS REALIZADAS Instalação do primeiro posto de serviço telefônico (TELMA), e a estação repetidora da Rede Globo por intermédio da TV difusora Maranhão canal 4, construção do Cemitério Publico, Praça Governador José Sarney e São Francisco de Assis; em Novo Caru, o serviço de eletrificação com motor a Diesel, ficando ainda implantados os postes para o recebimento da rede de distribuição de hidrelétrica, sendo que este serviço não foi concluído pela administração seguinte, em consequência, os postes caíram, mas atualmente, Novo Caru já está todo iluminado com energia elétrica em postes de cimento proveniente da hidrelétrica de Boa Esperança. Construção do colégio Municipal Ney Braga (frente a CAEMA, o qual hoje funciona como Secretaria de Agricultura); e o Jardim de Infância Topo Gígio (onde hoje é o Centro Cultural). Construção de escolas na zona rural. Em Novo Caru foi também construída a praça denominada “Praça Raimundo Nonato Pinheiro”, em homenagem ao seu primeiro morador. Realizou-se também abertura de estradas carroçáveis do Centro do igarapé dos Índios e de São João do Caru, construção de mine-postos de saúde nos povoados da zona rural. CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL E ESTADUAL PRESIDENTE Presidência de João Batista Figueiredo (5º Presidente Revolucionário) criou a lei de Anistia (onde todos exilados de 1961 a 1979 retornaram). Miguel Meireles
  • 60.
    60 Fez a aberturademocrática. Houve a campanha das “diretas Já” que expressava a vontade geral do povo. A vontade do povo não foi acolhida quanto a presidente. GOVERNADOR João Castelo Ribeiro Gonçalves (1979 a 1982) No dia 15 de março de 1979, o ex-diretor do Banco da Amazônia e ex-deputado federal João Castelo Ribeiro Gonçalves assumia o governo do Estado. Com sua posse, surgia novamente a expectativa de melhores dias para o homem do campo. Os colonos esperavam ansiosos por novos investimentos no Projeto. Eles, apesar de terem sofrido com o atraso do governo anterior, não desanimaram. Alimentaram-se de esperanças que, felizmente, foram concretizadas.O novo governador, logo ao assumir o cargo, tratou imediatamente de atender as reivindicações dos colonos, inclusive criando a Secretaria do Interior, dentre as quinze já existentes. João Castelo organizou sua equipe e exigiu — em caráter de urgência — um levantamento das necessidades do Projeto de Colonização. Em seguida, iniciou os tão sonhados investimentos. Reformulou a alta administração que, afora os dois gabinetes civil e militar, passou a contar com mais 15 secretárias, a saber: de planejamento e coordenação (SEPLAN), de Agricultura (SAGRIMA), de Indústria, comércio e turismo (SICT) DE Segurança Pública (SSP), de(SEAD), de Educação e Cultura (SEC), de Saúde Pública (SSPI), de Trabalho e Ação Social (STAS) e as recém criadas, Secretaria de Recursos Naturais, Tecnologia e Meio Ambiente (SERNAT), de Justiça (SJ) e do Interior, (SI). FOTOS ANTIGAS DE BOM JARDIM DE 1983 Mercado Municipal de Bom Jardim, 1983.
  • 61.
    61 Rua do Comércioano: 1983 A assembleia de Deus era localizada onde hoje é a .Prefeitura de Bom Jardim Hospital Municipal. A Prefeitura e Câmara Municipal era localizada na Rua do Comercio. Fonte: Arquivo pessoal de Pedro Juvino.
  • 62.
    62 4º MANDATO (1983A 1988) Em 1982 são realizadas novas eleições para governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. Concorriam as eleições Adroaldo Matos, Joca Soares e Gildásio Ferreira Brabo. Foram eleitos em Bom Jardim, Adroaldo Alves Matos, prefeito Municipal e Dr. Muniz Alves, vice-prefeito, para o poder Legislativo foram eleito os vereadores: Francisco Nascimento, José Abreu de Oliveira, Manoel Carreiro Varão, Bernardo Luís de Andrade, Benedito Alves de Carvalho, Apolinário Antonio de Araújo, Joaquim Severo de Araújo, Pedro Costa de Souza, Salomão da Silva Pereira. Miguel Dias Brasil,Raimundo Alves Ferreira e Francisco dos Santos Pereira, os quais tomaram posse no dia 1º de Fevereiro de 1983. Dr. Muniz. Foto fornecida pelo Sr. Dir . Bom Jardim/ Anos 80. Principais obras realizadas Construção do prédio da Câmara de Vereadores, do Fórum (antes em frente ao mercado), colégio municipal Ney Braga II, para o ensino de 2º Grau (foi quando iniciou o
  • 63.
    63 Ensino Médio emBom Jardim na escola pública). Em convênio com o programa EDURURAL, deu continuidade as construções dos Colégios na zona rural. Efetuou o calçamento com pedras em várias ruas na rede do município. Iniciou o programa de distribuição de alimentos a gestantes (INAM). Comprou um motor de luz para os povoados: Rosário, Cassimiro e Tirirical. Dois prefeitos mortos por pistoleiros Adroaldo Alves Matos foi assassinado no interior de sua residência quando este estava em reunião com lideranças comunitárias, na praça Governador José Sarney (centro da cidade) mais ou menos às 19h do dia 10 de abril de 1987, por pistoleiros até hoje não identificados. Apesar das mais de 10 testemunhas oculares do assinato brutal, nem matadores nem mandantes jamais foram identificados pela polícia. O inquérito nem foi encaminhado à justiça. Está até hoje na Delegacia de Santa Inês, segundo Alzinete Matos, (apud Jornal Pequeno, 07/10/2007). Três dias após a morte do prefeito, tomou posse através da Câmara Municipal o vice-prefeito Dr. Antonio Muniz Alves, que deu prosseguimento aos trabalhos administrativos do Município. Sendo este, também assassinado, logo no término de seu mandato, quando se encontrava no Posto Magnólia. As principais obras realizadas em seu curto período de governo foram: Posto Central da Telma (junto ao mercado central), Prefeitura Municipal, dois quilômetros de asfaltos (na rua do comércio). Foi no governo de Dr. Muniz, que iniciou o processo de eletrificação rural em Bom jardim, Alzinete Matos mostra onde o pai (destaque) caiu, crivado com 29 tiros. Fonte: Jornal Pequeno, (07/10/2007)
  • 64.
    64 através de apoioe parceria com o Deputado Federal Cid Carvalho. Antes só existia em alguns povoados, através de motor de luz (à Diesel). CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL E ESTADUAL (1983 A 1988) PRESIDENTE José Sarney. Fim dos Governos Revolucionários. Início da nova República. Em eleição realizada pelo colégio Eleitoral, ganha Tancredo neves, o qual, vindo a falecer, assumiu o vice José Sarney em 22 de Fevereiro de 1985 a 1990. Sarney fez a abertura democrática do país, atendendo o apelo às “Diretas Já”. Consolidando desta forma, o processo de redemocratização do país. Governador Luís Rocha (1983 -1986) O PROJETO DE COLONIZAÇÃO NO GOVERNO LUÍS ROCHA (1983- 1986) Durante o governo de Luís Alves Coelho Rocha, o Projeto sofreria novamente o descaso. O governador até que freqüentou o Projeto, mas não deu a devida assistência aos colonos, que padeciam sem as condições necessárias para continuar a árdua tarefa de lavrar aterra. Foi uma época em que não houve grandes investimentos. No momento, grande número de homens deixavam suas famílias, rumo ao Estado do Pará para aventurar a sorte principalmente nos garimpos da Serra Pelada. Tal fenômeno que durou até meados dos anos oitenta, causou grandes desilusões e problemas àqueles lavradores &garimpeiros e às suas respectivas famílias que passavam a ser chefiadas pelas esposas.  5º MANDATO (1988 A 1992) Em 15 de novembro de 1988 realizam-se novas eleições no país. Concorriam as eleições Antonio Soares Pedrosa, Joca Soares, Dr. Carlos Celso, Miguel Meireles e Agenor da Conceição. Foram eleitos em Bom Jardim, Antonio Soares Pedrosa (Fogoió), Prefeito Municipal e Adelaide Sales Rios Matos, Vice-Prefeito, os vereadores foram: Francisco dos Santos Pereira, (Presidente da Câmara) Ozimo Jansen, Elizeu Alves da Costa, Raimundo Alves Ferreira, Manoel Carreiro Varão, João Batista Feitosa, Raimundo Pereira Leite, Bernardo Luís de Andrade, José Rodrigues Neto, Aldery Sebastião Ferreira, Misael Santos Souza, Antonio Feitosa Primo, Boanerges da Silva Andrade. Antonio Soares Pedrosa, Fogoió Fonte: Bomjardimmamemoria/Instagram
  • 65.
    65 Principais obras realizadas Emseu governo foi realizado calçamento na zona urbana, Construção do ginásio de Esporte Pedrosão, a construção de casas populares na zona urbana, o terminal Rodoviário com o apoio do Deputado Federal Cid Carvalho. Na administração de Antonio Soares Pedrosa houve um grande avanço na eletrificação rural do município. Uma das ações também importante foi transportar muitas pessoas doentes para Teresina, com hotel e remédio tudo pago pela prefeitura. Terminal Rodoviário. No período em Ginásio Poliesportivo Pedrosão. que foi conseguido – era um sonho. Contexto da política nacional e estadual Fernando Color de Melo: (1990 a1992) Extinção do cruzado novo. -Bloqueio das cadernetas e contas-corrente, que ultrapassaram 50.000 cruzados novos. Congelamento de preço e salário. No dia 26 de agosto de1992, foi realizado o impeachment de Color, afastado e teve seus direitos políticos suspensos por 8 anos. Assumindo Itamar Franco (1992 a 1994). GOVERNADOR Epitácio Afonso Pereira Cafeteira (1987 a1991) Em seu governo foi construído o CLA (Centro de Lançamento de Alcântara). Passou o cargo ao vice João Alberto de Sousa, que completaria seu governo enquanto iria para o Senado. 6ª MANDATO (1993 a 1996) Em 1992 realizaram-se novas eleições no país. Concorriam as eleições Dr. Carlos Celso e Manoel Gralhada. Foram eleitos em Bom Jardim, Dr. Carlos Celso Ribeiro Vieira, Prefeito Municipal e João Soares de Melo, vice-prefeito. Os vereadores foram: Jorge Ângelo Vieira da Silva, Antonio Otávio Oliveira, Bernardo Luis de Andrade, Boanerges da Silva Andrade, Eliseu Alves da Costa, Francisco Soares de Melo, José Rodrigues Neto, Misael Santos Souza, Alciomar Sales Rios, Manoel Carreiro Varão, Marinete dos Santos de Abreu, Raimundo Alves Ferreira, Raimundo Pereira Leite.
  • 66.
    66 Dr. Carlos Celso Principaisobras realizadas:  Centro Informal;  Bairrro Santa Clara (Compra e doação dos terrenos). Contexto da política nacional e estadual PRESIDENTEItamar Franco (1992 a 1994) GOVERNADOR Edson Lobão (1991 a 1994). Renunciou no fim do seu mandato e se candidatou ao senado, entregando o exercício da governança a seu vice, José Ribamar Fiquene. (1994 a 1995). 7º MANDATO (1997 a 2000) Em 1996 realizaram-se novas eleições no país. Concorriam as eleições Manoel Gralhada, Dr. Roque Portela e Professor Raimundo. Foram eleitos em Bom Jardim, Manoel Lídio Alves Matos (Manoel Gralhada), Prefeito Municipal e Chiquinho do Abdon, vice-prefeito. Os vereadores eleitos foram: Raimundo Pereira Leite, (Presidente da Câmara), Eliseu Alves da Costa, Antonio Otávio Oliveira, Antonio Lopes Varão, Aldery Sebastião Ferreira, Pedro Costa Sousa, Francisco Ferreira Lopes, Bernardo Alves Meireles, Marinete dos Santos de Abreu, Remy Rodrigues Silva, Demétrio Santos Passos, João Batista Feitosa, Leny Pacheco Silva. Manoel Gralhada Principais obras realizadas nos dois mandatos de Manoel Lídio Alves Matos: Teve um bom avanço e desempenho na construção de escolas em muitos povoados da zona rural e na sede. Entre estas a escola Fernanda Sarney, onde funcionou 4 cursos da UFMA (Unidade Federal do Maranhão) em cursos de nível superior em Licenciatura Plenas para profissionais na área da educação (cursos de Letras, Matemática, Pedagogia e História).
  • 67.
    67 Construiu também oconjunto habitacional COHAB, fez asfaltamento nas principais ruas do centro urbano e construção de poços artesianos na zona rural. Fez eletrificação rural em alguns povoados da zona rural, a construção de um Centro Cultural e postos de saúde. Contexto nacional e estadual PRESIDENTE Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2000) Buscou integrar a economia brasileira ao mercado mundial (era da globalização). Aproveitando-se da onda de privatizações determinadas pela política neoliberalinduzida pelo governo americano, FHC privatizou quase todas as empresas estatais do país alegando gerar divisas e pagar as contas públicas – o que não aconteceu, ao contrário, no final de seu governo, a dívida pública (interna e externa) apenas subiu, R$ 1,34 trilhão - deixando ao povo brasileiro e seu sucessor Lula, o “abacaxi”. Entre as empresas privatizadas, a mais polêmica é a da CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) onde, segundo movimentos sociais, especialistas e defensores pela reestatização, a empresa gerava enormerendas para o país e era estratégica para o desenvolvimento do Brasil. A CVRD foi vendida por 3,3 bilhões de reais em 1997; E, na avaliação de um ex-diretor da empresa, a mesma estaria valendo em torno de 100 bilhões. Segundo pesquisas particulares, apenas Carajás, que tinha previsão de exploração por 400 anos (hoje caiu para 200) pelo aumento e velocidade da exploração como a empresa está atuando, vale mais de R$ 1 trilhão. Mais de 60% de seus acionistas são estrangeiros. A CVRD explora minério em 14 estados brasileiros e atua em 17 países, comprou a INCO canadense(que explora níquel) por US$ 18 bilhões, tornando-se a segunda maior mineradora do mundo. Possui concessões por tempo ilimitado para realizar pesquisas e explorar o subsolo em 23 milhões de hectares do território brasileiro, uma área correspondente aos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte. Em seu governo foi também criado o programa FUNDEF(Fundo de manutenção e desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério) através do qual houve maior valorização ao professor. Você sabia que... O lucro da Vale em 2008, R$ 21,279 bilhões. Enquanto isto, a pobreza no Brasil cresce. Este lucro durante um ano daria para manter o orçamento do estado do Maranhão com seus 217 municípios, cujo orçamento (2007) foi de 6,1 bilhões durante 3,4 anos (três anos e quatro meses). Essa enorme riqueza que vai para fora do Brasil é fabulosa, o que fica demonstrado nos lucros da Vale citado acima. Segundo o INEP, a erradicação do analfabetismo no Brasil exigiria 200 mil educadores. Esses alfabetizadores ganham apenas (R$ 420,00) como salário. O gasto de pessoal dos 200 mil educadores por ano (considerando 12 meses) corresponderia a R$ 1,008 bilhão. Considerando o lucro da Vale em 2007, isto daria para erradicar 21,1 vezes o analfabetismo do Brasil. E que, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, (Fiesp), publicados em reportagem de Cristina Bonfati da Agência Unnb, a corrupção no Brasil
  • 68.
    68 “saqueia” dos cofrespúblicos o equivalente a R$ 27,1 bilhões. O valor corresponde a 81% do orçamento da educação no país tomando como base 2008. GOVERNADOR(A): Roseana Sarney 1º mandato (1995 a 1999), sendo reconduzida a um segundomandato em 15 de março de 1999 a 2002. Extinguiu as clássicas Secretarias que eram cópias dos Ministérios Federais, substituindo-as por sete Gerências (de Administração e Modernização, de Alimentação de Bens Móveis e Imóveis; de Desenvolvimento Social; de justiça, Segurança Pública e Cidadania; de Desenvolvimento Humano; da Receita Estadual; e de Qualidade de Vida) que tinha como função à execução de atividades coordenadas e fiscalizadas em todo o território do estado, pelas Gerências Regionais.  8º MANDATO (2001 A 2004) Em outubro de 2000 foram realizadas novas eleições para Deputados, Governador, Senador, Prefeitos e Vereadores. Concorriam às eleições Manoel Gralhada e Dr. Roque Portela. Foram eleitos em Bom Jardim, Manoel Lídio Alves Matos, Prefeito Municipal e Eliseu Alves da Costa, vice- prefeito. Os vereadores eleitos foram: Reginaldo Meireles Cunha (Presidente), Antonio Lopes Varão, Raimundo Pereira Leite, Aldery Sebastião Ferreira, Alcionildo Sales Rios Matos, Antonia da Silva, Clara Maria Araújo Maciel, Elberfran Oliveira Costa, Francisco Cruz, Francisco Ferreira Lopes, Francisco Santos Pereira, Leny Pacheco Silva e José Vieira Santos Filho. Manoel Lídio, o “Manoel Gralhada”, chegou a ter seu mandato cassado pelo juiz da 78ª Zona Eleitoral de Bom Jardim, Júlio César Prazeres, em maio de 2004, sob acusação de abuso de poder econômico na eleição de 2000, mas deixou a cadeira de prefeito por apenas 50 horas, sendo diplomado Antonio Roque Portela (provisoriamente). Manoel Gralhada foi reconduzido ao cargo por uma nova decisão judicial. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) surgiu em 2000, com o objetivo de regulamentar a gestão fiscal dos entes públicos, estruturando etapas transparentes para este fim. Como Influência dessas determinações da Política Fiscal e a passos lentos, o município de Bom Jardim-MA, sob a gestão do prefeito Manuel Gralhada determinou a elaboração de seu 1º Plano Decenal de Educação 2003 a 2013 (sob o comando da Secretaria de Educação, um grupo pioneiro de professores coordenados por Doutor Frazão, professor da UFMA – sob o risco de perdas de orçamentos na educação Municipal. O plano era um Gerência Regional da Microrregião Vale do Pindaré em Santa Inês. (Extinta no governo de Jackson Lago).
  • 69.
    69 amplo diagnóstico compiladode metas, Programas e um Descritivo da Dinâmica funcional para se atingir certas metas no intuito de assegurar a lisura e eficiência no gasto do Orçamento Público. Mas não era apenas esta a Meta prioritária na legislação então vigente (LRF), exigia-se também que a Folha de Pagamento dos Municípios – até então feitas em mãos, num filão nas prefeituras – passassem obrigatoriamente a ser em Instituições Bancárias por meios de contas Físicas ou Jurídicas, para assegurar o processo de transparência – que era a principal meta da Nova Lei (LRF). Frente às exigências então determinadas pela Lei, e ao fato de muitos assaltos estarem acontecendo em municípios vizinhos – o gestor Manuel Gralhada, logo no 1º ano de seu segundo mandato, como prevenção e já sendo também uma exigência da Legislação e um Projeto enviado para a Câmara – resolveu firmar um convênio com o Banco do Brasil (cujo gerente era o Sr. Cleuber) – o qual foi aprovado. E a partir daí, as Folhas de Pagamentos do Funcionalismo Público de Bom Jardim-MA. Contratados e efetivos passaram a ser via Sistema Bancário direto nas contas diretamente; e não mais em mãos, nos filões – onde imperava injustiça social de toda sorte, desde descontos “estranhos” de salários, salários retidos por razões político-partidárias, arbitrariedades diversas cometidas com o funcionalismo público então desamparado – que vinham sendo acometidos na trajetória de gestões passadas (sem exceção de governo). Os Planos Plurianuais (PPA) com a participação da sociedade/comunidade passa a ser também um ato de exigência para assegurar a Gestão Democrática com a participação popular, exigência esta, expressa na Lei de Responsabilidade Fiscal. O qual é um dos instrumentos de planejamento e gestão pública do Estado brasileiro e está previsto pelo Artigo 165 da Constituição Federal. No âmbito municipal, as legislações estabelecem que os prefeitos devem apresentar ao Poder Legislativo, no primeiro ano de mandato, o projeto de lei do PPA para os quatro anos subsequentes. O PPA nasceu da necessidade de retomada do planejamento como ferramenta de gestão pública, no âmbito do Estado federativo e democrático preconizado pela Constituição de 1988. O primeiro PPA elaborado no âmbito federal cobriu o período 1991-1995. Desde aquele momento até hoje, os PPAs têm refletido as diferentes orientações políticas dos governos que se sucederam. Contexto nacional e estadual PRESIDENTE Fernando Henrique Cardoso (2000 a 2003) Luís Inácio lula da Silva (2003 / 2007) GOVERNADOR José Reinaldo Tavares (2003 a 2007)
  • 70.
    70 Seu governo inicioucom bons acenos, porém, houve alegações de que grupos políticos tradicionais, junto ao “Governo Federal” articularam corte de recursos que entravam no Estado – principalmente no setor educacional, que foi o maior prejudicado. Os professore, além de não receberem seus proventos em dias (estando em acúmulos mais de três meses), tiveram- no reduzidos a mais da metade. As aulas do ensino Médio foram interrompidas em pleno funcionamento letivo (em muitos povoados) das cidades maranhenses, Inclusive Bom Jardim. Sendo este, um dos grandes impasses político que o estado já teve. Ficando um questionamento para a sociedade maranhense: Essa crise teve origem em razão políticas ou econômicas? Se sua origem é econômica, porquê antes não a conhecíamos? Se tiver origem política, a sociedade maranhense não está sendo respeitada. Seja por políticos de situação e de oposição, que na perspectivas da busca ao poder, tudo “vale” até prejudicar a sociedade no objetivo de uma melhor cotação política.  9º MANDATO (2005 A 2008) Em três de outubro de 2004 ocorreram novas eleições. Concorrem Dr. Roque Portela e Chiquinho do Abdon. Sendo eleito Dr., Roque e vice- prefeito Eliseu. Os vereadores eleitos foram: Alciomar Sales Rios Matos, Francisca Elia de Mesquita, Antonio Lopes Varão, Lenir Pacheco Silva, José Vieira dos Santos Filho, Aldery Sebastião Ferreira, Elberfran Oliveira Costa, Francisco Ferreira Lopes, Márcio Sousa Pereira. Sendo presidente da Câmara: Aldery Sebastião Ferreira.  10º MANDATO (2009 A 2012) Em 5 de outubro de 2008 foram realizadas novas eleições para Prefeitos e Vereadores em todo país. Concorriam às eleições em Bom Jardim: Manoel Gralhada (3.572 votos),Antonio Roque Portela (nulos), Eliseu Alves (87 votos), Beto Rocha (5.386 votos), Alcionildo Matos (2.129 votos) e Nilo Ribeiro (139 votos). Foram eleitos em Bom Jardim, a prefeito: Beto Rocha (segundo colocado com 5.386 votos, pois o primeiro colocado Antonio Roque Portela teve seus votos inválidos (nulos: 7.133) - pois concorria na condição de uma 3ª reeleição – por ter assumido em maio de 2004, quando Manoel Gralhada fora cassado. Para não ficar na “amarga vitória”, o mesmo recorreu a Brasília, o centro da anuência e dos jogos de cintura, onde teve o direito concedido de assumir o mandato em janeiro de 2008. Sua vice-prefeita: Lenir Pacheco Silva.Os vereadores eleitos Escola Estadual de Ensino Médio 06/2007. Construída pelo Governo do Estado; a parceria do município foi a doação do terreno.
  • 71.
    71 foram: Antonio Cesarino,Silvano Andrade, Zé Filho, Pedrinho, Chico do Braz, Puaka, Sinego, Seloneide Noronha e Seu Augusto. Número de eleitores na eleição de 2008: 19.834. Por Anésio Lopes& Juca in 12/2007 SUFRÁGIO DE 2006 Em 29 de outubro de 2006 houve novas eleições para deputado, senador, governador e presidente – Sendo reeleito a presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, com mais de 58 milhões de votos (60,83% dos votos válidos) vencendo em segundo turno o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin. A governador do Maranhão, Jackson Lago. Num governo que se estenderá de 2007 a 2010. O primeiro ato administrativo de seu governo foi à desintegração das Gerências de Desenvolvimento Humano. E em seus discursos, deixou claro que a nova via de promoção para o desenvolvimento do estado seria através de um governo integrado com os municípios para alavancar e resgatar o estado dos piores indicadores que ostenta para o país. Em abril de 2009, Lago e seu vice foram acusados e cassados pela coligação: a “Força do Povo”, por abuso de poder político – de terem sido favorecidos por um suposto esquema que cooptava ecorrompia lideranças políticas, articulado pelo ex-governador José Reinaldo (PSB), para eleger o seu sucessor. ROSEANA SARNEY – O EMPRÉSTIMO DA “SALVAÇÃO” (2013) Faltando apenas 1 ano e 7 meses para as eleições a governo do estado, um baixo índice de aceitação e uma oposição fortalecida na pessoa de Flávio Dino, onde as pesquisas apontavam 62% de intenção de votos. As pesquisas também mostravam que 83,69% dos entrevistados disseram que o melhor para o futuro do Maranhão seria eleger um governador que representasse a mudança. E apenas 12,3% achavam que o melhor para o estado seria a continuidade do grupo Sarney no comando do estado. Como estratégia para resolver velhos problemas relegados a anos e décadas – no sentido de promover “obras sociais”, e tentar melhorar a imagem do governo, ou de seu candidato, Roseana Sarney fez empréstimo politicamente estratégico na
  • 72.
    72 ordem de R$3,8 bilhões, junto ao BNDES. Do qual, R$ 1 bilhão foi destinado a aplicação em estradas e hospitais. Ao todo, 550 km de asfalto para 9 rodovias estaduais. (Fonte: Gazeta da Ilha, 13/03/2013) Protesto em São Luis (em 2013) contra a corrupção endêmica instalada no estado, que a nível nacional tem o título de 1º. TRECHOS A SEREM PAVIMENTADOS MA-123 – Coelho Neto – Afonso Cunha MA-138 – São Pedro dos Crentes – Fortaleza dos Nogueiras MA-272 – Barra do Corda – Fernando Falcão MA-278 – Barão de Grajaú – S. Francisco do Maranhão MA-282 – Lagoa do Mato – Gavião MA-307 – Presidente Médici – Centro do Guilherme MA-318 – Bom Jardim – São João do Caru MA-320 – Santo Amaro – Primeira Cruz MA-320 – Entroncamento da BR 402 – Santo Amaro MA-334 – Riachão – Feira Nova Diante das obras, e em exclamações duvidosas acerca de sua conclusão – devido experiências passadas vive-se a euforia de que a estrada dos sonhos se torne realmente uma Estrada Real, cujo valor esteveacima de 118 milhões, conforme Placa abaixo. 12/2013 Diante da situação predita, muitos gestores – seja por conta da grande extensão territorial, difícil acesso e econômico, distância e ou
  • 73.
    73 mesmo por faltade um Planejamento integrado e proposto, cujo populacional servia-se apenas de possibilidade para a somatória dos recursos que ali entrava sem terem de volta sua devida retribuição, e nem tampouco, usufruir os benefícios da zona urbana. O que por longos anos era a “Estrada dos Sonhos” (interligar Bom Jardim a São João mdo Caru), até novembro de 2015, está visivelmente tornando-se uma realidade. A construção da MA-318 contribui para tirar muitos povoados do isolamento e promoçãodo desenvolvimento na região.
  • 74.
    74 O Escândalo dosRatos que Comem Filé O “Escândalo dos Ratos no Filé do Povo” foi um escândalo que se deu na Gestão Roque Portela no ano de 2012, bem próximo a uma campanha eleitoral. Cujo Secretário de Saúde era Dr. Francisco, que de imediato passara a pasta da Secretaria a Silvano Andrade, vereador e apoiador incondicional do Governo então dominante no município (no momento do escândalo). O vídeo e denúncia, que na época foi bombástica, e em plena proximidade de uma eleição tido como alta periculosidade à saúde pública, foi “silenciado” pelos órgãos competentes da esfera municipal e Poder Público (Câmara de Vereadores, Ministério Público e Vigilância Sanitária). Nem sequer as mídias relevantes da região fizeram menção. Tal vídeo, devido ter sido comunicado e nada ser feito, e sendo um absurdo a perpetrar, foi encaminhado e denunciado por Léo, que depois ficou bastante conhecido por Léo do Rato – cujo nome levou sua candidatura a vereador apoiando Beto Rocha, em cuja denúncia animava-o a uma pretensa candidatura a prefeito de Bom Jardim pelo PC do B (cuja especulação não foi tão abraçada pelo grupo que compunha o partido) – como se especulava no restrito bastidor. A mensagem bombástica do vídeo era enfática: “Ratos Comem o Filé Mion e o Povo Bebe o Caldo e Roe o Osso”, na voz do interlocutor e locutor Zequinha.As cenas gravadas mostram um cenário que vai desde o matadouro, (local onde proliferava grande quantidade de urubus – no local onde servia concomitantemente para o abate) que era realizado. No mercado municipal (cenas ainda piores eram e foram registradas: vários ratos sobre a carne que seria vendida no dia seguinte para o consumo da população). Tal vídeo encontra-se em função da eleição que se aproximava em milhares espalhados nas residências dos cidadãos bonjardinenses. No entanto, apesar desses e outros escândalos intercalados da mídia local e regional e sem o título de excelência, e com alta impopularidade, o candidato do então governo tirou uma somatória de 9.289 votos, num eleitorado que estimava 22.000 (em todo município) na época. O vídeo termina com uma ironia: “MÉDICO, PREFEITO! QUE PROMETEU MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA DE SEU POVO!” Imagens extraídas do vídeo – cada ponto vermelho deste são ratos sobre a carne e se alimentando do filé. Na segunda imagem, vê-se a proliferação de urubus, no local onde o gado é abatido e levado para o mercado Municipal, de onde sairá para o consumo da população.
  • 75.
    75 O NOVEMBRO DASINVASÕES em 2012 O fato das invasões é como um bolo que inchou - de longos anos sem política habitacional ou frágil política para o setor local que venha a suprir o problema dos sem-teto. Os números estavam inchados nos recantos da cidade em aluguéis estampados e casas “inchadas”. Sou a favor que haja política habitacional para resolver o problema. Mas acontece que o Sr. Gestor (do momento) não promoveu a devida política, e a coisa explodiu, ou viu na situação de transição de governo a oportunidade viável as invasões. Dois dos lotes invadidos eram para construir casas do programa Minha Casa Minha Vida. Acontece que faz um bom tempo que o governo Roque Portela tinha simplesmente que doar os terrenos para a Caixa Econômica, e não o fez, se omitiu. Os outros terrenos, localizados dentro do perímetro urbano - há muito tempo era para já ter sidos adquiridos e loteados aos sem teto. E por outro lado, os donos desses terrenos não pretendendo abrir mão (vender ou lotear, como fez a Srª Joana Vieira), e, no entanto, deu no que deu. Para uns é a força da necessidade que está movendo a ocorrência dessas invasões. Para outros, é a força da ganância, pois existem pessoas que no momento possuíam 2, 3 lotes invadidos e até residência. E isso foge a regra da necessidade das invasões frente a ausência de fiscalização, já que o fato é irregular e desordenado. Há de fato uma necessidade social de que se promova política habitacional no município para os reais sem-teto, e não para os gananciosos que, se aproveitando da onda dos fatos invadem para se “apossar do alheio” – o que de fato é crime. 11Invasões em pouco mais de uma Semana A primeira invasão foi na primeira semana de novembro às casas do Programa Minha Casa Minha Vida, que foram destinadas aos moradores que residem próximo ao lixão. Suspeita-se que a ação de invasão tenha vínculo com a política partidária perniciosa, que há muito tempo opera no município. A segunda invasão se deu no terreno que equivocadamente muitos chamam de terreno do Roque, que na verdade, segundo moradores, foi comprado com dinheiro público para a construção das casas do Programa Minha Casa Minha Vida, ao qual estava destinada a construção de 300 casas. A terceira invasão aconteceu no mesmo dia à noite, num terreno logo adjacente, de propriedade do Sr. Pereira. A quarta invasão ocorreu também num terreno logo emendado aos demais invadidos, pertencente à Senhora Maria Raimunda, que há muito tempo, segundo a comunidade, o gestor tentava comprar, sem resultado. A quinta invasão, os moradores do Bairro São Bernardo e outros reuniram-se em mutirão e resolveram invadir o terreno, mais conhecido pelos próprios moradores deste bairro como Solta do Pedroza. Os integrantes desse movimento para marcar presença colocaram fogo nas moitas de mato, horas depois estava vindo tiro que vinha em direção da fazenda do proprietário somente para amedrontar os invasores, nada resolvido, Chegou a policia Militar que apenas olhou e nada pode fazer, e assim mais um terreno em Bom Jardim Invadido. A sexta invasão ocorreu no terreno que era também destinado ao programa Minha Casa Minha Vida, na Vila Abreu.
  • 76.
    76 Para alguns, ofato é como um “bolo’ que “inchou”, resultante do problema habitacional não suprido nas políticas públicas do município. Para outros, foram “ordens sugestivas” de cunho político partidário que desencadeou o enredo das invasões. Frente ao problema instalado, remover os invasores é conflitante e ao mesmo tempo imprevisível do que venha a acontecer. Imagens das invasões: A primeira invasão, onde ttudo começou, o Terreno do Programa Minha Casa Minha Vida. Projeto já contava com 23 casas onde beneficiaria os moradores do lixão que de invernoa verão, vivem em condições sub-humanas. De acordo com informações nenhuma família invasora é uma das contempladas. 7º Terreno - Invasão do terreno da associação do Clube Cresb. Em 16/11/2012 PM e GOE no local da invasão.PM e Invasores em Dialogo. Foto Gilvana Lopes. Facebook O 8º terreno invadido, também pertencente à Srª Maria Raimunda – na rua do Mary Sérgio (beco em frente a torre da Mirante). O 9º terreno invadido, é localizado antes do lixão (pertencia ao município). 10º terreno invadido fica depois do lixão (uma grande área que foi dividida entre os sem- tetos. Segundo Gildásio Ferreira Brabo, esta área era pertencente ao município quando ainda era povoado. 11ª invasão: Atrás do Jesso Meireles, ao lado da pousada (Vila Pedrosa).
  • 77.
    77 Terreno do Fogoióinvadido. Foto site bom jardim. 11/2012 Ações Executivas Pós Derrota No final do mandato de Roque Portela, após constatação de sua derrota, e aproveitando o tempo que lhe restavade aproximadamente dois meses, resolveu convocar os concursados (fato normal na gestão pública e por dieito aos concursados), logo em seguida, o prefeito que teve seu candidato derrotado (e passara 08 (oito) anos brigando com a classe educadores baixou decreto convocando cerca de 380 excedentes concedendo suas portarias e a aprovação do Plano de Cargo e Carreira (o que dobrou o salário dos professores). Antes, o salário dos profissionais da era cerca de R$ 800,00, e após a aprovação, subiu para cerca de R$ 1.600,00.Gerndo assim, um certo impasse entre os dois poderes.  11º MANDATO: LIDIANE/BETO ROCHA (2012-2016) Uma eleição muito conturbada, e no entanto diferente da de 2009, que apresentava muitos grupos de oposições de expressividade. No entanto, a eleição de 2012 foi polarizada, apesar de quatro candidatos concorrerem às eleições: Beto Rocha (Vice Malrinete Gralhada), Dr. Francisco (Cujo Vice era Zé Filho), Rivelino e Zé Lopes – mas na evidência do povo preponderava Beto Rocha e Dr. Francisco. As circunstâncias políticas e articulações complexas de “jogadas” engendraram o tabuleiro político no que gerou o fortalecido grupo Beto Rocha que derrotou o grupo Roque Portela na pessoa de seu candidato Dr. Francisco. Não pretendendo correr o risco e entregar o troféu da vitória nas mãos do adversário, por conta de processo na justiça, Beto Rocha resolveu então lançar Lidiane Leite – com a nomenclatura Lidiane Rocha - como candidata substituta – o que no momento, provocou um certo impasse no grupo da Coligação A Esperança do Povo - quanto a sua aceitação.
  • 78.
    78 Beto Rocha LidianeLeite Por outro lado, e por conta da situação, segundo Abigahil (Biga) da região Miril onde Beto Rocha acreditava ter um alto índice de aceitação, houve uma alta “derrama” de compra de votos, além de panfletos “mal intencionados” que espalhavam mensagens de que, devido a substituição de Beto Rocha por Lidiane, o novo número da candidata substituta a ser votado não seria 33, e sim o número 10 (do PRB, partido da filiação da referida candidata) – o que gerou muita dúvida e complicação na cabeça do eleitorado da região. O número 10 era correto na legenda do PRB da substituta.No entanto, o que prevalecia era o número 33 com a imagem do respectivo candidato – Beto Rocha - que renunciara em substituição. Apesar da situação e o forte desejo por mudanças de uma grande parte da população desassistida, e como num grito de protesto – isto gerou consequentemente,um alto índice de aceitação à candidatura deBeto/Lidiane, na agregação das várias oposições que em torno se articulavam, o que levou consequentemente a vitóriado grupo opositor com uma margem mínima de286 votos. Beto Rocha: 9.575 Dr. Francisco: 9.289 Vereadores Eleitos (2012-2016)  Adriano Varão: 982 votos  Ana Cesarina: 862 votos  Silvano Andrade: 857 votos  Sandra do Salomão: 798 votos  Poré: 752 votos  Hiater: 711 votos  Chico do Braz: 701 votos  Manim: 665 votos  Arão: 549 votos  Professor Marcony: 519 votos  Sinego: 493 votos  Sonia Brandão: 458 votos  Roberty Meireles: 354 votos.
  • 79.
    79 Após a posse,o ato legal e rotineiro que deveria ocorrer – A TRANSIÇÃO DE GOVERNO – conforme o que determina a lei fiscal, não aconteceu. E, desta forma, o que possibilitaria a normalidade de um governo, tornou-se uma sucessão de anomalias administrativas e demoras; por outro lado, o ex-gestor, após constatação definitiva de sua derrota, havia convocado os concursados aprovados (que por quase dois anos se arrastavam sem convocação); logo em seguida, baixou também um decreto dando termo de posse a quase quatrocentos excedentes. Outro fato também agravante é que, a antiga situação (na pessoa do grupo Portela) cristalizou- se transformando na nova oposição, na pessoa do então presidente da câmara de vereadores eleitos, Silvano de Andrade – extensão do ex-gestor. No impasse político, o lixo. Reunião polêmica sobre a situação no município. E na dificuldade de gerir a máquina pública, diante dos fatos, e muitos documentos haverem sumidos da prefeitura, o que logo em seguida houve a apreensão dos referidos documentos na casa do Ex-prefeito Roque Portela. A nova gestão, Beto/Lidiane, inicia o governo sem a composição da Câmara de Vereadores e num pensamento equivocado de que se governa na unilateralidade – sem o Poder Legislativo, pelos quais passam a aprovação e fiscalização do Poder Executivo; e por outro, a ausência de um diálogo que construísse pontes para a governabilidade. Desta forma, e sendo assim, a nova gestão governa em circunstâncias de conflito com o Poder Legislativo. Por duas vezes, durante os dois primeiros anos de governo, conseguiu “ter” maioria na no Poder Legislativo, com duração provisória por conta da falta de diálogo equilibrado enquanto grupo político organizado. Num clima de ameaça de redução do Piso Salarial dos Profissionais do Magistério, instalou-se greve geral nas escolas, sob o comando do Sindicato dos Professores da Rede Municipal, que durara estimativamente cerca de um mês de paralização e, junto a isto, denúncias começaram a estampar nos principais jornais da região de corrupção e falta de merenda nas escolas – onde por conta da situação, muitos alunos eram liberados mais cedo das aulas nas escolas. E, em imitação ao que se condenava, (à gestão anterior) por ausência da gestora a acompanhar e gerir os problemas municipais, que eram muitos, a mesma se ausentava, e era muito vista nas redes sociais – em ostentação de luxo, riqueza e poder. Diante dessa situação, por três vezes a prefeita Lidiane Leite foi cassada de seu cargo por improbidade administrativa e má gestão da coisa pública que se espalhava no caos instalado da gestão municipal. A gravidade das coisas elevou-se quando a reportagem Bom Dia Brasil na Globo e Globo News (Internacional) reportaram a situação e os acontecimentos denunciados pela oposição e a “Operação Eden” que já acontecia em monitoração –
  • 80.
    80 e os denunciantesencontravam-se sob pressão pelas gravações feitas (testemunhos dados), o que levou a Polícia Federal a antecipar os mandados de prisão a Beto Rocha, Antonio Cesarino (Secretário de Agricultura) e a gestora Lidiane Leite. Desta forma, Bom Jardim tornou-se sob os holofotes da grande mídia do país (Bom Dia Brasil, Globo News, Revista Veja, Band, Record, CQC e Jornais estrangeiros) destaque nacional negativamente como símbolo de corrupção. Os advogados de defesa de Beto e Lidiane procuraram recurso de Habeas Corpus nas instâncias de justiça em Brasília o que lhes fora negado. Devido prefeita não se apresentar no município no tempo previsto, conforme dita a Lei Orgânica e demora da Câmara Municipal em empossar a vice-prefeita Malrinete Gralhada a prefeita, a Justiça o fez no dia 28 de agosto de 2015, no Fórum de Bom Jardim, pelo juiz titular da 2ª Vara da Comarca Cristóvão Sousa Barros. A cidade estava sem gestor desde que a prefeita Lidiane Leite fugiu. A posse deveria ter sido realizada pela Câmara de Vereadores, mas o presidente da casa não estava na cidade. O Ministério Público Estadual do Maranhão solicitou em 04 de setembro de 2015 o afastamento imediato da prefeita Lidiane por suspeita de fazer uso ilegal de suas atribuições públicas. O primeiro ato de Malrinete Gralhada enquanto gestora substituta foi promover uma auditoria nas contas do município e o recadastramento do quadro de funcionários da rede municipal. O segundo ato, a convocação de cerca de 370 excedentes “empossados” que haviam por força de um decreto municipal, perdido os direitos de permanecerem nos cargos. Em outubro de 2016, já em foco articulações políticas para as novas eleições, houve a cassação de Malrinete de seu cargo de prefeita. A decisão foi baseada em uma Ação Civil Pública (ACP) proposta pelo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) o qual responsabilizava civilmente Malrinete Gralhada pela prática de atos ilícitos, consolidados em sucessivas contratações de empresas para prestar serviços públicos com dispensa ou inelegibilidade de licitação.A ACP (Ação Civil Pública) do órgão ministerial afirma que “O Município de Bom Jardim, em meados de setembro de 2015, passou a ser gerido e representado pela prefeita Malrinete Matos, que, na sua condição de gestora municipal, iniciou sua administração efetuando uma contratação em grande escala de várias empresas sem efetuar licitação, e com valores contratuais excessivos e incompatíveis com a realidade do Município, com provável intuito de desviar recursos públicos e descaso com os recursos municipais”. Ao determinar o afastamento de Malrinete Matos e a indisponibilidade de bens, a Justiça impôs ao Presidente em exercício da Câmara Municipal de Vereadores de Bom Jardim, no prazo de 24h, a convocação de sessão solene Diante da cassação de Lidiane Leite em setembro de 2015 por decisão da justiça e da câmara de vereadores, assume o comando do município, a vice: Malrinete Gralhada. a mesma encontrou o município num caos instalado, de natureza e ordem diversas, a quem coube o papel de colocar a casa em ordem, ainda mais sob a vigília das mídias e holofotes voltados para a situação no município que se tornou notícia nacional e internacional como símbolo de corrupção.
  • 81.
    81 extraordinária e, possee exercício provisório de Manoel da Conceição Ferreira Filho ao cargo de Prefeito de Bom Jardim. OBRAS REALIZADAS NA GESTÃO LIDIANE LEITE EMEB. Antonio Carlos Beckman – povoado Tirirical. projeto adquirido no governo de Lidiane leite. A obra não foi concluída em seu governo (ficou neste estágio). Fonte: o bomja.com.br, 2019. Projeto de cunho Federal adquirido na Gestão de Lidiane Leite, ficou incompleta. EMEB. Francisca Germana de Brito. Fonte: https://omunicipalista.com/2020/07/20/bom-jardim-prefeito-dr-francisco-entrega-escola-municipal-no-povoado-santa-luz/. O municipalista. Correio dos Municípios. 2020. UBS José Abreu de Oliveira Filho, localizado na Vila Boa Esperança UBS – José Abreu de Oliveira Filho, localizado na Vila Boa Esperança, adquirido como recurso Federal na Gestão de Lidiane Leite, concluída e inaugurada na Gestão de Dr. Francisco em 2020.
  • 82.
    82 12º MANDATO: DR.FRANCISCO PSDB (2017-2020) Em 02 de outubro de 2016 houve novas eleições para Governador, Deputados e Prefeito. Em Bom Jardim concorriam ao cargo de prefeito Dr. Francisco (PSDB), Malrinete Gralhada (PMDB), Chiquinho do Abdon (PDT), Lindomar Pescador (PC do B) e Zé Lopes (PPL). Foram eleitos Dr. Francisco Prefeito e João Rodrigues, Vice-prefeito. A votação deu o seguinte resultado: Dr. Francisco 62,57% Malrinete Gralhada 28,17% Chiquinho do Abdon 6,72% Lindomar da Pesca 1,81% Zé Lopes 0,73% TSE, 2016. Vereadores eleitos para compor a nova legislatura: Ordem de votação Nome do Vereador eleito Total de votos 1 Duvan Boiadeiro 1.175 2 Manin 1.163 3 Christiane Varão 1.051 4 Homero do Zé Filho 978 5 Lebreu 807 6 Sinego 761 7 Antonio Cesarino 732 8 Dandor 524 9 Markony Mendes 514 10 Filho – Transa Essporte 458 11 Professor Klebson 485 12 Vania 484 13 Sonia 479 TSE, 2016 Fonte: tse, 2017
  • 83.
    83 Em outubro de2017, Dr. Francisco foi afastado do cargo de Prefeito pelo Ministério Público por atos de improbidade administrativa. A improbidade administrativa deu-se devido, conforme G1. MA (10/2017), devido desvio de recursos públicos que ocorreu por meio de contrato de fornecimento de combustível, celebrado com o Posto Varão. O prefeito escolhia quem deveria ter acesso aos abastecimentos, por meio de cota aos vereadores da base aliada. O esquema, segundo a Reportagem, era controlado pelo secretário de Administração. A Promotoria de Justiça também colheu depoimentos de funcionários do posto de combustíveis que confirmaram o abastecimento dos carros particulares dos vereadores e parentes do prefeito. O prefeito teve afastado do cargo por 05 dias, e retornou por decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão por meio do Desembargador Cleones Cunha. OBRAS REALIZADAS Conclusão e inauguração da obra da EMEB. Antonio Carlos Beckman – povoado Tirirical, projeto adquirido na gestão de lidiane leite. Fonte foto: https://obomja.com/portal/2020/11/concluida-obras-da-nova-escola-do-povoado-tirirical/ 9 de novembro de 2020. PRAÇA DA FAMÍLIA – 2020. Fonte foto: Karlos Geromy 09/10/2020
  • 84.
    84 Projeto de cunhoFederal adquirido na Gestão de Lidiane Leite, ficou incompleta. EMEB. Francisca Germana de Brito. Concluída e inaugurada na Gestão Dr. Francisco. julho/2020. Fonte: https://omunicipalista.com/2020/07/20/bom-jardim-prefeito-dr-francisco-entrega-escola-municipal-no-povoado-santa-luz/. O municipalista. Correio dos Municípios. 2020. UBS José Abreu de Oliveira Filho, localizado na Vila Boa Esperança Restaurante Popular – Iniciativa do Governo do Estado Inaugurado na Gestão Dr. Francisco em 14 de Março de 2018. OBRA DO GOVERNO DO ESTADO FLÁVIO DINO, 2018. UBS – José Abreu de Oliveira Filho, localizado na Vila Boa Esperança, adquirido como recurso Federal na Gestão de Lidiane Leite, concluída e inaugurada na Gestão de Dr. Francisco em 2020.
  • 85.
    85 13º MANDATO: CRISTIANEVARÃO PL (2021-2024) Em 04 de outubro de 2020 houve novas eleições no país para Prefeito. Em Bom Jardim concorriam ao cargo de prefeito Dr. Francisco (PSDB), Cristiane Varão (PL), Alcionildo Matos (PDT) e Sandra do Salomão (PT). Num total de 20.040 eleitores, dos quais 7.531 (27,31%) foram abstenções – deixaram de comparecer, mais do que a votação da 1ª colocada. Foram eleitos Cristiane Varão e Flanekson Gralhada, Vice-prefeito. A votação deu o seguinte resultado: Cristiane Varão 6.429 votos 33,41% Dr. Francisco 6.254 votos 32,50% Alcionildo Matos 6.201 votos ,72% Sandra do Salomão 358 votos 1,86% TSE, 2020. Vereadores eleitos para compor a nova legislatura: Ordem de votação Nome do Vereador eleito Total de votos 1 Antonio Cesarino 923 2 Duvan Boiadeiro 681 3 Marcos Caldeiras 681 4 Dandor 634 5 Vânia Alcântara 605 6 Marlley Sampayo 596 7 Manin 579 8 Lindomar Pescador 578 9 Rhony do Igarapé dos índios 490 10 Raidon Braz 474 11 Elisnelson do Novo Caru 456 12 Rubem Silva 425 13 Fred Abdon 396 Fonte: tse, 2020 Erros capitais cometidos na política bonjardinense 1 – Rejeição da Sudene em 1963/64. 2- Não perdão da dívida dos agricultores através do PLANAGRO em 1982. 3 – Rejeição de um posto do INSS para Bom Jardim em 1989. 4- Aprovação de Contas Tecnicamente Rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Prefeitos corruptos – onde essas contas foram e são aprovadas por um
  • 86.
    86 parecer “amigo” eou “político partidária, ou sob o tilintar da moeda” pela Câmara de Vereadores. A última aprovada foi em 2017, - onde o Ministério Público, a exemplo do que acontece em vários estados, pode questionar exigindo um Parecer Técnico dos Vereadores que “endossam” a aprovação. Tudo isto foi e é assistido passivamente pela sociedade bonjadinense, inclusive a Câmara de vereadores, que são os representantes da sociedade como poder público. Remédio para o erro do passado: Bom Jardim/ Jul. /2006 Bom Jardim Janeiro/2010 4.3 BIOGRAFIA DOS PREFEITOS Gildásio Ferreira Brabo Nasceu em 8 de dezembro de 1928 Na cidade de Pedreiras /MA Chegou em Bom Jardim em 1961 Profissão antes de ingressar na política em Bom Jardim: Comerciante Adroaldo Alves Matos Nasceu em 1941 Na cidade de Bacabal/MA Construção do posto do INSS em Bom Jardim, que na negligência da gestão pública – quase dois anos fechados e com infraestrutura comprometida. No entanto, no ano de 2017 foi restaurado e acionado seu funcionamento para atendimento ao público. Vale lembrar que, por longos anos muitas pessoas, para terem seus direitos à aposentadoria reconhecidos tinham que se deslocar para Santa Inês e, meio de articulações de especuladores e advogados, ligados a sindicatos e independentes tinham que dividir seus benefícios.
  • 87.
    87 Profissão antes deingressar na política de Bom Jardim: Comerciante Miguel Alves Meireles Nasceu em 1941 Na cidade de Luzilândia/Piauí /chegou em Bom Jardim: Profissão antes de ingressar na política: comerciante. Dr. Muniz Alves Formação: Medicina Antonio Soares Pedrosa (Fogoió) Nasceu em 1954 Na cidade de independência/Ceará Chegou em Bom Jardim em 23 de novembro de 1983 Manoel Lídio Alves Matos Descendente de Bacabal Profissão antes de entrar na política: Comerciante (empresário) Dr. AntonioRoque Portela de Araújo Descendente de Águas Boas - Monção Profissão antes de entrar na política: Medicina. Percebe-se ao longo da história do município, assim como muitos “bonjardins” que a política partidária gera enormes prejuízo sociais. Quebrando a linha das retomadas de políticas públicas no que diz respeito ao desenvolvimento. Seguindo-se desse modo, uma situação de retrocesso, explicação entre outros itens, para o atraso de muitos municípios, que há quase meio século se arrastam a “passos de tartaruga” (quanto ao desenvolvimento). No campo educacional é um obstáculo a garantia do padrão qualidade. É também fato observado ao longo da trajetória histórica do município, situação em que, os homens de comando, os responsáveis pelo seu desenvolvimento geral, preferiram(-em) seguir a alternativa que leva à imposição dos interesses particulares sobre os coletivos. E as conseqüências são nefastas e sombrias,indo em contraposição ao bem- estar, enfim do bem comum da comunidade local. Os mesmos preocupam(vam)-se tão somente em realizar uma administração político-partidária e “vingativa” de tal molde que lhe assegure a manutenção do poder, mesmo que para isso esqueçam suas reais obrigações frente à comunidade que o constituíra no poder a título de promessas e frustrações. Um fato também muito típico nos últimos anos da história política local é gestores nada fazerem durante os três anos após sua vitória, e, Antonio Roque Portela
  • 88.
    88 poucos meses paraas eleições, “arregaçam as mangas” pela metade e aparecem uns indícios de obras. O mais comum é asfalto... Você sabia.. Que o metro quadrado do produto asfalto custa entre R$ 8,00 e R$ 10,00 A rua mede 6,4 metros x1000m=1km). 1 km de rua= 6.400 m² 6.400m²x10,00: R$ 64.000,00 (Valor de 1 km de asfalto). BIBLIOTECA MUNICIPAL Foi construída na administração Roque Portela. 4.4 VULTOS BONJARDINENSES 1º Interventor de Bom Jardim: João Batista Feitosa João Batista Feitosa, nascido em Colinas, em 18/11/1940, casado com Maria do Socorro Alves Feitosa, tiveram 4 filhos, 2 homens e 2 mulheres, veio morar em Bom Jardim em 1961. No dia 15/11/1965 realizam-se as eleições. Sendo eleito a governador do Estado do Maranhão deputado José Sarney, que ao assumir o governo tratou logo em cumprir sua promessa feita aos bonjadinenses, nomeando João Batista Feitosa a interventor do município, conforme a lei nº. 2735 de dezembro de 1967. 1º PREFEITO (ELEITO): Gildásio Ferreira Brabo Gildásio Ferreira Brabo nascido em 08/12/1928, natural de Pedreiras, filho de Teófilo Ferreira Brabo e Maria Rosa da Conceição. O mesmo afirmou que morava em bacabal, veio para Bom Jardim por via fluvial trazendo sua muda em duas lanchas, o qual desembarcou no rio Pindaré no posto indígena Gonçalves Dias, no dia 01/005/1961 às 10:30 horas, o mesmo passou 15 dias para transportar sua muda e mercadorias conduzidas em 20 burros. Biblioteca Municipal próxima ao bairro Joana Vieira, na rua Floriano Peixoto; foi inaugurada em 23/12/2009. O progresso chega tão tardio em Bom Jardim que, esta é a primeira biblioteca pública do município após 43 anos de emancipação política. Abre de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Além do acervo de 2.000 livros, a biblioteca também dispõe de acesso à internet para pesquisas educacionais e sala de audiovisual. O nome da Biblioteca foi em homenagem a Raimunda Brezerra, quem implantou a 1ª escola particular em Bom Jardim.
  • 89.
    89 Gildásio afirma quechegou a Bom Jardim como comerciante, sua primeira residência foi onde hoje é a casa paroquial. O povoado estava em fase de crescimento e pertencia ao município de Monção, logo conheceu os políticos José Sarney e o ex-diretor do Banco do Estado do Maranhão Arlindo Meneses, que lhe incentivaram para iniciar sua carreira política no partido pela velha ARENA (Aliança Renovadora Nacional). O mesmo iniciou sua carreira política no mês de junho de 1968, foi eleito em 15/11/1968, afirma mesmo que teve 72%da votação, sendo eleitos com 1.660 votos, e que foi eleito uma Câmara com 9 vereadores. Gildásio e seus amigos políticos desmembraram Bom Jardim da cidade de Monção em 30/12/1967. 1º Médico * Francisco Coelho Dias **Dr. Benedito Assim foi o depoimento de Batista Feitosa, que o primeiro médico a pisar em solo bonjardinense foi *Dr. Francisco Coelho Dias, que prestava assistência médica uma vez por mês quando o mesmo vinha visitar sua fazenda que ficava em Igarapé Grande município de Bom Jardim. Estes fatos ocorreram em Bom Jardim em 1963 a1965. **Dr. Benedito Alves de Carvalho. Segundo afirmou Eliseu Alves da Costa que o único médico a vir ficar definitivamente em Bom Jardim foi Dr Benedito Alves de Carvalho, o qual permaneceu até sua morte. Nascido em 23/12/1931, natural de Riacho dos Porcos, salinas Oeiras Piauí, filho de Hermógenes Alves de Carvalho e Cristiane Felix de Jesus. Chegou em Bom Jardim, em 18/12/1973. Seu primeiro serviço foi no ambulatório médico rural, no sindicato dos trabalhadores rurais de Bom Jardim, em 01/03/1974. Só depois veio prestar serviço médico, Vesparziano Ramos, contratado pelo estado no mandato do Prefeito Adroaldo Alves Matos. Foto fornecida por Ricardo. Dr. Benedito Alves de Carvalho O primeiro médico a residir definitivamente em Bom Jardim.
  • 90.
    90 1º Delegado Mário Santiagode Oliveira Maria de Lourdes Farias Bezerra a qual afirma chegou em Bom Jardim, no dia 15/08/1960, afirma que o primeiro delegado a desempenhar o seu papel em Bom Jardim foi Mário Santiago de Oliveira, nascido no dia 02/11/1926, natural de Matinha-MA, filho de Francisco José de Oliveira e Maria Santiago de Oliveira. Casado com dona Rita Silva de Oliveira e Maria Santiago de Oliveira. Casado com dona Rita Silva de Oliveira. Chegou em Bom Jardim em 1960 onde sua primeira profissão foi de padeiro da qual tiveram 09 filhos. 1º Padre Padre Cordeiro foi o primeiro padre a chegar em Bom Jardim e dar assistência religiosa no município. Como a paróquia foi fundada em 1969, o primeiro pároco a se estabelecer definitivamente após a sua fundação foi Frei Antonio Sinibaldi. Frei Antonio Sinibaldi, Missionário Franciscano conventual nasceu na Itália no dia 26/11/1937. Ordenou-se sacerdote em Roma no ano de 1962. Chegou ao Brasil em 1968 trabalhando durante três anos na paróquia de Bom Jardim no interior do Maranhão. A partir de 1971 assumiu a paróquia de São Francisco em São Luis, acompanhando, passo a passo, a transformação do Bairro que deixava de ser pequena comunidade de pescadores, para dar lugar a um Bairro de muito contato e desníveis sociais e desafios pastorais. Na manhã do dia 07/09/1971, a embarcação que conduzia Frei Antonio e mais 16 jovens para Ilha do Medo (localizada na BAÍA de São Marcos), na praia do Buqueirão virou. Graças à coragem de Frei Antonio, de um por um, os jovens foram salvos. Diante do esforço físico, não resistiu e morreu, após salvar todos os jovens.A intenção do frei, além de conhecer o local, era realizar uma missa ao ar livre.
  • 91.
    91 1ª Deputada Malrinete dosSantos Matos, 35 anos de idade (em 2004), filha de Manoel Lídio Alves Matos e Raimunda Alves dos Santos, nascida em Bom Jardim, no Alto dos Prachedes. Aos 9 anos de idade foi para Novo Caru, onde viveu maior parte de sua infância. A mesma afirma que mudou para Belém e de lá foi para Manaus onde permaneceu até aos 30 anos. Retornou para sua terra natal para ajudar seu pai em 1996. Disputou uma vaga na Assembleia Legislativa, sendo eleita em outubro de 2000. 1ª Escola Particular de Bom Jardim Escola da Raimunda Bezerra, a qual chegou em Bom Jardim em 8 de agosto de 1961. Maranhense, descendente de Vitorino Freire, a professora Raimunda Bezerra atuou durante 40 anos na educação do município, a qual funcionava nos três turnos (matutino, vespertino e noturno) com um total de 80 alunos. Apesar de sala superlotada, mas com sua forma pedagogicamente tradicional e “linha dura”, com ela, aluno aprendia mesmo. Era o tempo da régua e da palmatória como instrumentos de “castigo pedagógico’ à alunos indisciplinados e àqueles que não faziam suas tarefas nem estudavam as lições. No transcorrer das aulas, os alunos que não conseguissem assimilar os conteúdos ministrados (os vocabulários e a tabuada), tinham que assistir aulas no final de semana – aos sábados – como reforço e recuperação. Essas aulas, segundo alguns alunos da época, chamavam-se “argumentação” (onde os alunos eram sabatinados de perguntas e respostas (uma espécie de paredão –grupos de 10 em 10 alunos). Os alunos que não tivessem decorado para saberem responder levavam bolo da temida palmatória.” Uma cartilha muito famosa da época era a Cartilha Novo Nordeste. Pessoas hoje muito conhecidas na cidade que já foram alunos de Raimunda Bezerra: Ex-vereador Tadico, Chico do Braz, Alzinete Matos, Drª Edna, Malrinete Gralhada, etc. A escola funcionava na rua São Raimundo. Hoje, com 66 anos e aposentada, mora na Vila Pedrosa, na cidade de Bom Jardim. Por Adilson Motta, 03/2013
  • 92.
    92 5 ASPECTOS SOCIAIS Apopulação de Bom Jardim conforme pesquisas do censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE é de 39.049habitantes, sendo 35% na sede e 65% na zona rural; diferentes da média nacional, onde a população rural é de apenas 18,8%. Em 2000 o município, segundo o IBGE, apresentava um índice de 42,5% de analfabetismo. Em 2010 esse índice caiu para 31,84%. Taxa de analfabetismo 2011:de 15 anos acima Brasil: 9,02% Maranhão: 19,31% Bom Jardim: 31,84% (Dados de 2011, acima de 15 anos) Média de analfabetismo da África: 33% Em 2000, o índice de analfabetismo do município era de 42,5%. Em 2010, caiu para 31,84%. Ou seja, durante 10 anos, houve uma queda percentual de 10,66%, pouco significativa (1,o6% ao ano). O analfabetismo do país, assim como do município está concentrado na população mais velha, e parte dessa população morre a cada ano: por isso a taxa diminuiu pouco a pouco. Pois, segundo o IBGE (2010), a maior queda na taxa de analfabetismo entre 2000 e 2010 ocorre nas faixas etárias a partir dos 50 anos de idade acima. Isso significa dizer que o índice de queda do analfabetismo provenientes dos programas de combate existentes no município não foram tão expressivos no peso de redução. Esse indicador vai apresentar um impacto social em toda uma conjuntura municipal na vida do cidadão. Pois, o analfabetismo e o baixo nível de escolaridade do indivíduo não influenciam apenas em sua linguagem, mas também o distancia da linguagem padrão, que rege as relações formais no âmbito das relações sociais, havendo consequentemente uma possível exclusão social do indivíduo, frente às exigências formais de um mercado de trabalho competitivo e concursivo. Representará também impacto na história político-social e da vida pessoal das pessoas dentro desse contingente. Repercutirá nas estruturas sociais, representando um desarme a cidadania e um obstáculo ao desenvolvimento sócio-político, econômico e cultural; contribuindo deste modo para a formação de uma “sociedade marginal”, ou que fica à margem do progresso que acontece país afora, com indicadores bem diferenciados dos daqui. Representa um déficit ou hiato da política “negada”, ou impotencialmente oferecida para uma problemática que afeta toda uma conjuntura social no município. Provavelmente alguns políticos, defensores de seus atos impotenciais ao problema e de suas “cotações” política repliquem ter trabalhado essa dimensão dentro da política pública de seus governos – o que é certo, e no entanto, de forma secundária e incompatíveis com as reais possibilidades de solução ao problema. Não considerar a educação como um dos fatores chave para o desenvolvimento é deixar o barco à deriva. Veja o que dizem pesquisas e grandes pensadores sobre o analfabetismo: “O analfabeto compreende mal o que ouve e responde de maneira bastante imperfeita às mensagens assim recebidas. O analfabeto precisa até de atenção mais aplicada ao que vê.”(O GLOBO,27/10/1989)
  • 93.
    93 Para Coelho Neto(apud Leandro, 2007), a ignorância é a treva de cegueira. Cada letra do alfabeto que nela soa é como uma centelha na escuridão. Já para Sócrates, “Quem ler tem mais chance à cidadania, sabe o que está acontecendo, avança para novos horizontes e melhora o vocabulário”. “A pobreza é a mãe do analfabetismo. O analfabetismo é uma porta entreaberta para a pobreza.” (Roza, 2005, p. 8). “Os problemas causados pelo analfabetismo são as principais razões do ciclo permanente de pobreza e subdesenvolvimento em que muitos países se encontram”.(Correio Brasiliense, 7/9/1989). “O analfabetismo inibe o progresso e a produtividade, impede o avanço cultural e espiritual, e ajuda a manter a dependência crônica de sociedades inteiras”.(Correio Brasiliense, 7/9/1989). Evolução da População de Bom Jardim– 2010 a 2015 Ano Total Urbana Urbana Percentual Rural Rural Percentual 2000 34.474 35,17% 64,83% 2010 39.049 hab. 16.386 hab. 41,00% 22.663 59% 2015 Total Geral: 40.660 habitantes. IBGE 2015 Comparando os indicadores acima observa-se que a população rural de Bom Jardim está migrando para a zona urbana. Ao verificar opinião de pessoas que migraram há uma unanimidade em torno da seguinte afirmação:  Abandono político;  Pouco acesso aos benefícios usufruídos pelos moradores da zona urbana;  Difícil condição de acesso e um certo índice de isolamento;  Busca de melhores condições aos filhos – o que não é ofertado em igual relevância aos moradores do campo. O número de eleitores nas eleições gerais de 2002 era de 20. 768 eleitores. Em 2004 esse número se elevou para 22.124 eleitores onde, 44,2% desses encontram-se na zona urbana e 55,8% na zona rural. Na região da Miril são 3.338 eleitores. A população indígena no município apresenta 326 eleitores.
  • 94.
    94 Aspectos Demográficos -Evolução Ano Nº de Habitantes 1991 40.572 habitantes 1996 46.887 2000 34.474 2006 38.349 2007 37.659 2010 39.093 2013 40.134 2017 41.120 Fonte: IBGE, 2014. Ao comparar os gráficos do número de habitantes de 1991 a 2013, verifica-se uma oscilação no índice populacional, o qual não cresce. Duas prováveis migrações acontecem concomitantemente: a) A migração do campo para a cidade, ou zona urbana em busca de melhoria de vida e emprego, que acontece em função da ausência de perspectivas à juventude e muitas famílias em busca de emprego e melhor qualidade de vida; igualmente da sede para outros municípios e estados – especialmente no Pará. Segundo IBGE 2010, o Município de Bom Jardim apresentava ao todos 9.181 domicílios ocupados e contamos com o crescimento populacional de 13,40% na ultima década, somando ao todo uma população de 39.093 pessoas, sendo 19.202 mulheres. Em Bom Jardim são 1,04 homens para cada mulher e 0,97 mulheres pra cada homem. Na época a população rural era de 22.654 pessoas e população urbana de 16.439 pessoas. De acordo com o IBGE (2010), houve um alto índice migratório do campo para a zona urbana, e da zona urbana para outras cidades, outros estados. A população urbana conta com 41% do populacional contra 59% na zona rural. Você sabia... Que a estrada de Santa Luz nos anos 60 não existia: e que se ia para aquela localidade pela estrada do Centro João Sebastião? E que a mesma foi construída no segundo mandato de Adroaldo Alves Matos, no governo de Luís Rocha? E que nesse mesmo período a estrada da garrafa não existia; e que se ia para Monção pela estrada do aeroporto (ou da escola Sudene) E que nesse tempo, o rio Caru não era trafegado ainda por lancha, apenas por canoa.
  • 95.
    95 DISTRIBUIÇÃO GEOPOLÍTICA DOSELEITORES DE BOM JARDIM / MA/2014/2020 LOCAL Ano: 2014 Nº eleitores Ano 2020 nº eleitores CENTRO BANDEIRANTES 1.248 1.337 PREFEITURA MUNICIPAL 1.096 1.112 CÂMARA MUNICIPAL 1.189 1.256 NEY BRAGA - ESCOLA 1.293 1.333 ESCOLA M. NOVA BRASÍLIA 492 581 ESCOLA FREI ANTONIO SINIBALDI 1.784 1.834 ESCOLA M ANTONIO FEITOSA PRIMO – ALTO PRAXEDES 637 649 ESCOLA ADROALDO ALVES MATOS – VILA PEDROSA 1.092 1.235 ESCOLA DINARE FEITOSA – ALTO PRAXEDES 1.823 1.825 CRECHE ADROALDO ALVES MATOS 473 534 VILA SÃO BERNARDO 323 688 NEWTON SERRA 721 515 VILA ABREU 126 196 TOTAL ELEITORES ZONA URBANA: 12.297 ELEITORES = 46,6% POVOADO TIRIRICAL 768 832 POVOADO ROSÁRIO 328 529 POVOADO OSCAR 298 279 POVOADO NOVO CARU 1046 1.007 POVOADO CASSIMIRO 499 532 POV. VILA BANDEIRANTES 542 550 POV. IGARAPÉ DOS ÍNDIOS 610 599 POV. SÃO PEDRO DO CARU 253 252 POVOADO SSÃO JOÃO DO TURI 292 277 POVOADO TRÊS OLHOS D´AGUA 243 271 POV. SANTA LUZ 548 544 POVOADO ESCADA DO CARU 103 94 POV. SANTO ANTONIO DO ARVOREDO 254 221 POV. ZÉ BOEIRO 324 353 POV. KM 18 236 291 POV. RAPADURINHA 246 252 CENTRO NASCIMENTO 160 117 POV. BARROTE 159 166 POV. GURVIA 221 243 POV. VILA NOVO JARDIM 259 213 POV. BARRACA LAVADA 162 155 POV. CHAPADA 122 69 POV. SAPUCAIA 156 136 POSTO INDÍGENA RIO PINDARÉ 443 730
  • 96.
    96 POV. BARRA DOGALEGO 195 193 POV. BOA VISTA 210 184 POV. SÃO JOÃO DOS CRENTES 63 25 POV. TURIZINHO DO AUGUSTO 172 152 POV. CENTRO DO ALFREDO 51 55 POV. PORTO SEGURO 77 25 POV. BREJO SOCIAL 269 196 POV. CÓRREGO DO AÇAÍ 92 61 POV. VILINHA PIMENTA VARIG 251 241 POVOADO VILINHA VARIG 1.070 819 POV. BREJINHO 72 25 POV. CENTRO DO BASTIÃO 142 140 POV. ASSENTAMENTO ANTONIO CONSELHEIRO 367 329 POV. RIO UBIM 109 121 POV. BELA VISTA 289 232 POV. ASSENTAMENTO BOA ESPERANÇA 90 78 POV. AEROPORTO 328 240 POV. NASCENTE DO RIO AZUL 138 155 POV. BOA ESPERANÇA 98 98 POV. BREJÃO 82 58 POV. FERNANDO DO GALEGO 114 127 VILA BOM JESUS 139 100 VILA TRÊS PODERES 51 32 POV. CRISTALÂNDIA 265 293 POV. FLECHA 94 82 ASSENTAMENTO TERRA LIVRE 205 263 POV. VILA NOVA 101 112 POV. RAPADURA VELHO 63 67 POV. PAUSADA 85 1132
  • 97.
    97 TOTAL DE ELEITORESZONA RURAL: 14.090 ELEITORES = 53,4% TOTAL GERAL DE ELEITORES: 26.387 em 2014 27.516 em 2020 POPULAÇÃO RURAL DE BOM JARDIM EM CONTÍNUO PROCESSO DE ABANDONO AO CAMPO: ABANDONO DE POLÍTICAS PÚBLICAS POPULAÇÃO ANO: URBANA RURAL 1980 13,8% 86,2% TOTAL ........................1991---------26,3%-----------------73,7% ----29.281 habitantes .........................2000............35,29%.....................64,71%----34.474 habitantes 2007 35,7% 64,83% 2010 41% 59% Em 30 anos, 27,2% da população de Bom Jardim migrou para a zona urbana. Isso significa que por ano, a taxa de migração no município chega a 0,91%. E que, daqui a 60 anos, de acordo com esses indicadores – se assim continuarem, a população rural será de apenas 4,4%. PRIMEIRAS ESCOLAS DE DATILOGRAFIAS DE BOM JARDIM – MA A 1ª Escola de Datilografia de Bom Jardim foi administrada pelo Instituto São Raimundo no ano de 1983. (Fonte: Iderlene). A 2ª Escola de Datilografia foi fundada em 1986conhecida como: Escola de Datilografia Rui Barbosa. As fundadoras foram: Irlene Ribeiro Lima (Diretora), e Iderlene Ribeiro Lima (Orientadora, Supervisora). 53,40% 46,60% Distribuição Geopolítica dos Eleitores de Bom Jardim - MA/2014 Zona Rural Zona Urbana
  • 98.
    98 PIRÂMIDE SOCIAL /FAIXAETÁRIA – BOM JARDIM/MA Fonte: IBGE/2000 (Gráfico.Acima) NUMÉRO DE HABITANTES POR FAIXA ETÁRIA BOMJARDIM-MA. 0 a 1 1 a 4 5 a 9 10 a 14 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 34 35 a 39 40 a 44 45 a 49 50 a 54 55 a 59 60 a 64 65 a 69 70 a 74 75 a 79 + de 80 841 3.556 4.900 4.373 4.119 3.666 3.068 2.181 1.951 1.746 1.455 1335 1.178 992 770 532 320 353 Fonte: IBGE, 2007 Proporção de idosos na população (60 anos e mais): 7,26% . Proporção de adolescentes na população de (10 a 19 anos): 25,97%. Em 1980, a população rural de Bom Jardim representava 86,2% da população total. E a urbana era apenas 13,8%. Houve uma grande migração de pessoas para a 0/3 anos: 9,5% 4/6 anos: 8,3% 7/14 anos: 23% 15/19 anos: 11,8% 20/34 anos: 20,4% 35/49 anos:13,7% 50/69 anos: 10% 70/79 anos:2% 80/ a mais anos: 1,3% 0/4 anos: 14% 5/9anos: 12% 10/19 anos: 26% 20/29 anos: 15,3% 30/39 anos: 10,2% 50/59 anos: 6,5% 60 a mais: 7,4%
  • 99.
    99 área urbana eisto se comprova o fato de que hoje, 2007, a população rural representa 64,83% e a urbana, 35,17%. Em 2009 a estimativa populacional de Bom Jardim era de 39.224 habitantes. ANO RENDA PERCAPITA / ANUAL Município de Bom Jardim Estado Brasil 2000 R$: 535,47 R$: 1.220,04 R$ 4.958,85 2003 R$: 2.384,06 2.748 2004 R$: 2.821 4.992 R$: 9,729 Fonte: IBGE/2000 e Internet/2006. Tabela 10:Rede Assistencial de Saúde Estabelecimento de Saúde Gestão Hospital Adroaldo Alves Matos Município Centro de Saúde Raimundo Marçal M Caps Centro de Apoio Psicossocial de Bom Jardim M Unidade Básica de Saúde da Varig M Unidade Básica de Saúde da Vila Bandeirantes M Unidade Básica de Saúde da Vila Novo Jardim M Unidade Básica de Saúde Igarapé dos Índios M Unidade Básica de Saúde Santa Luz M Unidade Básica de Saúde São Pedro do Caru M Unidade Básica de Saúde Cassimiro M Unidade Básica de Saúde Centro do Oscar M Unidade Básica de Saúde Caru M Unidade Básica de Saúde Povoado Antônio Conselheiro M Unidade Básica de Saúde Povoado Brejo Social M Unidade Básica de Saúde Rosário M Unidade Básica de Saúde do Tirirical M Unidade Básica de Vigilância em Saúde de Bom Jardim M Fonte: Sec. Saúde, 2013.
  • 100.
    100 Setores da Economiano PIB1999-2004 Agropecuária 42% 63% Indústria 6,9% 3% Serviços (Excetos adm. pública) 22,1% 15,1% Administração Pública 29% 18,5% Fonte: IBGE, PIB dos municípios. Fontes Orçamentárias no Município (Ano: 2015)  Orçamento 2014 (LOA): R$ 87 milhões.  Orçamento municipal 2015 (LOA) R$ 90 milhões;  Pesca Artesanal: r$ 31.816.716,65 (trinta e um milhões...);  Bolsa Família: r$ 8.025.865,00 (oito milhões...);  Aposentados e pensionistas... Fonte: IBGE, 2006 POLÍTICA SALARIAL E ECONOMIA Em relação a política do emprego/salário o município possui dois tipos de funcionários: o efetivo e o temporário ou contratado. Nota-se que ambos, amparado pela CLT e o efetivo assegurado também pelas normas do Estatuto do Servidor Municipal com força de Lei. Há um contraste dos servidores contratados/temporários em relação aos efetivos (concursados) – os quais se nota que, até o governo Roque Portela e anteriores, tinham assegurados direitos a férias e 13º salário. Constata-se que dos governos de Lidiane Rocha aos atuais, esses direitos não são mais assegurados, ou seja: os mesmos não recebem mais férias nem 13º salário. E para piorar a situação, verifica-se que o município não vem honrando nem os compromissos de manter pagamento de seus salários em dias especialmente em final de ano, ao contrário: os gestores vem mantendo uma relação de calote a esses funcionários que trabalham sem perceber os seus proventos. Um grande número desses funcionários ficam sem receber 2, 3 e até 4 meses de salários. A maioria de contratados não recebem um documento de contrato, para uma certa seguridade de direitos e cláusulas, nem distratos/rescisão quando são demitidos. De certa forma, pode-se dizer que existe uma certa ingerência de caráter intencional. Um fato também lamentável é o de que, destes funcionários são descontados INSS, e impostos correlatos – e muitos, ao recorrerem aos órgãos de seguridade social (Caixa Econômica, INSS), não constatam certas transferências. Em 20,80% 11,90% 66,50% 0,80% Economia Bonjardinense: Agricultura, Pecuária, Serviços e Pesca Agricultura Pecuária Serviços Pesca
  • 101.
    101 governos bem recentes,os distratos e rescisão chegaram a ocorrer por meio de “Aviso Verbal”, sem nenhum documento oficial comprobatório no intuito de frustrar estes de recorrerem de seus direitos e garantias. Na gestão de Malrinete Gralhada, já perto das eleições de 2016, antes mesmo de sua cassação, deixou uma grande parte do funcionalismo contratado cerca de 04 meses sem receber seus proventos. Mas os profissionais da Educação Efetivos (concursados) sempre recebiam em dias, contraste com aqueles, tidos e tratados como excluídos. Ao ser cassada e substituída pelo vereador Sinego, o restante do mandato, o mesmo manteve o calote e baixou um decreto de demissão de todos contratados – sem direitos, nem salários (da era Malrinete calotados). Na gestão de Dr. Francisco um fato não muito adequado aconteceu: Foi baixado um decreto exonerando todo os funcionários contratados já no final de novembro, antes mesmo do término do ano letivo que encerrou-se em dezembro. Com essa demissão em pleno funcionamento do ano letivo nas escolas, prejudicou muitas escolas, e o ano letivo. Parece que não há um planejamento e uma sensibilidade das consequências do problema social. EVOLUÇÃO DO PIB – BOM JARDIM-MA 1996- 2011 ANO Impostos sobre produtos líquidos,subsídios a preços correntes PIB a preços correntes (Mil reais) Posição Estado % P I B Valor Pecuária Mil r$ Valor Indústria Mil r$ Valor Serviços Mil r$ PIB per capita Mil r$ r$ 1999 500 mil r$ 36.024 13.457 3.151 18.917 2000 70 mil r$ 39.940 15.401 3.003 20.829 2001 774 mil r$ 46.724 18.582 3.487 23.880 2002 1.114 mil r$ 53.732 21.536 3.683 27.398 2003 1.164 mil r$ 76.337 37.853 4.784 32.535 2004 1.467 r% 107.099 58.589 4.836 42.205 2005 1.848 r$ 175.878 114.41 8 6.028 53.584 2006 2.296 r$ 214.001 0 , 7 5 135.97 1 7.674 68.060 2007 2.555 r$ 238.008 13º 0 , 7 5 154.98 2 7.665 72.806 2008 2.499 r$ 294.893 15º 0 , 7 7 201.72 1 9.175 81.498 2009 2.839 r$ 255.750 19º 0 , 6 4 151.25 6 11.041 90.614 1010 2.882 r$ 190.045 30º 0 , 4 2 84.963 12.642 89.558 2011 3.802 r$ 368.909 233.29 15.418 116.39 9.362,
  • 102.
    102 6 2 92 2012 2013 Fonte:OBGE, 2013 & IMESC (Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos, 2012) Produtos Agrícola (Lavoura Permanente) Produto Quantidade (mil frutos), ton Mamão - Coco da bahia 2.000 unid. Manga - Maracujá - Castanha de caju 360 ton. Banana 11.000 ton. Laranja 30 ton. Fonte: IBGE, 2006 Trabalho e Rendimento em Bom Jardim Salário Médio e estoque de emprego formal, por atividades, segundo os municípios - 2006 Indústria de Transformação Número de emprego= 3 Salário Médio R$ 395,45 Serviços Industriais de utilidades - - - - Construção civil - - - - Comércio Número de emprego= 78 Salário Médio 395,83 Serviços Número de emprego= 65 Salário Médio 606,30 Administração Pública Número de emprego= 5.522 Salário Médio 481,85* Agropecuária Número de emprego= 208 Salário Médio 511,28 Fonte: RAIS, 2006. *Como o mínimo salário é o mínimo, e atualmente, após a aprovação do plano e carreira do Magistério, esse valor está bem acima. Distribuição da População Ocupada por Rendimento (Salário Mínimo)- 2000 Até 1 1-2 2-3 3,5 5-10 Mais de 10 42,4% 14,7% 2,8% 2,3% 1,5% 0,7% O IDH é um critério estabelecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) para avaliar o nível de desenvolvimento econômico e social dos países, estados e municípios. É publicado anualmente para classificar os países.O IDH
  • 103.
    103 leva em consideraçãotrês características do processo de desenvolvimento humano: A expectativa ou esperança devida ao nascer, ou seja, a quantidade de anos que as pessoas poderão viver, considerando as condições de moradia, saúde, alimento. Essa característica é denominada longevidade. A expectativa de vida em Bom Jardim é de 55 anos. O grau de conhecimento, que considera a taxa de alfabetização de adulto e a taxa de matrículas nos três níveis de ensino, que no Brasil denominam-se Fundamental, Médio e Superior. IDH MUNICIPIO 2000 ESTADO 2000 BRASIL 2000 TOTAL 0,515 0,647 0,757 Renda 0,437 0,558 0,720 Longevidade 0,507 0,644 0,710 Educação 0,600 0,738 0,830 Posição no Brasil 5464º 26º - Posição no Estado 203º - - Taxa bruta de frequência escolar: 0,698 FONTE: IBGE/2000 Considerando o aspecto longevidade, a expectativa de vida em Bom Jardim em 2007 é de 55 anos. Maranhão: 66,4 anos. Brasil: 72,7 anos. Estados Unidos: 78 anos. África do Sul: 49,3 anos. O IDH vai de 0 a 1: quanto mais próximo de 0, pior o desenvolvimento humano; quanto mais próximo de 1, melhor. O índice considera indicadores de saúde, renda e educação. Bom Jardim teve os seguintes índices: Renda: 0.519 Longevidade: 0.750 Educação: 0.400 De acordo o gráfico, o desempenho foi arrastado pra baixo bruscamente pela educação, apesar do índice ter melhorado nos últimos anos. Veja o Ranking de algumas cidades da Região considerando que são 217 municípios maranhenses: 175 º Bom Jardim (MA) 211 º São João do Caru (MA) 0.509 De acordo com os dados acima, e comparado com a média nacional, o povo de Bom Jardim deixa de viver 17,7 anos a menos que a média do país. IDH 2010 Bom Jardim IDH Geral Esperança de Vida Mortalidade Infantil IDH educação IDH longevidade IDH renda 0,538 69,98 29,4 0,4 0,75 0,519 Dentre os municípios do Vale do Pindaré, Bom Jardim tem segundo pior IDH, perdendo apenas para São João do Caru. Sendo de acordo com os dados
  • 104.
    104 comparativos, a segundapior cidade para se viver do Vale do Pindaré e uma das piores do Maranhão. Segundo Lemos, da Universidade Federal do Ceará (apud Jornal Pequeno(07/10/2007), o IDH de Bom Jardim – que em 2000 era 0,515 (15º pior do Maranhão, conforme Pnud, da ONU) – desabou em 2006 para 0,455. Conforme a mesma fonte, o número de excluídos sociais vivendo no município, em 2006, era de mais de 23 mil pessoas (66,20% da população de 35.512 habitantes). Essas cifras batem com a realidadesocial do município, que tem saneamento básicoinsuficiente, ruas mal cuidadas, e principalmente bairros (Fumaça, São Bernardo, Muniz) e povoados (Vila Varig, Córrego da Onça, São Francisco, Índios) pobres abandonados à própria sorte. E outros como mostra as fotos abaixo: Vila-Abreu Povoado Santa Luz Povoado Galego Povoado Igarapé das Traíras Povoado Rapadura Povoado Rapadura Incumbidos por meio do voto de proporcionar uma existência digna aos cidadãos que representam, muitos gestores (que por aqui passaram) se mostraram indiferentes em relação às necessidades da população.
  • 105.
    105 Bom Jardim, cujahistória moldada por uma cultura da corrupção de políticos no poder, dos seus 8 prefeitos, 6 têm problemas com o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Segundo o Jornal Pequeno (07/10/2007), receberam do Tribunal de Contas do Estado (TCE) parecer préviopela desaprovação, com trânsito em julgado (definitivo, ou seja, sem possibilidade de recursos). Há boatos, entre a população insatisfeita, de que, políticos podados (penalizados) pela ação da justiça de não se recandidatar(-em) tenha(m) “comprado prestamento de contas do Legislativo Municipal” para “continuar” concorrendo eleições. Na verdade, os verdadeiros penalizados é o POVO. 20/07/2009 26/02/2020 Bairro Joana Darc. Um dos mais recentes bairros do município. Um crescimento movido pela força e iniciativa da comunidade. Apesar da ausência de uma ação política significativa e planejada que garanta desenvolvimento e sustentabilidade ao campo e cidade – a influência da política externa de cunho federal através de programa direto (o caso do bolsa família) que, em 2013 injetou 9.291.594,00 (nove milhões...) e o pescador artesanal (do Ministério da Pesca) que injetou 18,9 milhões na economia de Bom Jardim, aposentados, funcionários municipal e estadual e outros indiretos através de convênios e ou fontes federais que garantem consequentemente ao município a melhoria de seus indicadores sociais. É o que revela o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), criado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro para acompanhar a evolução dos municípios brasileiro, no qual o município de Bom Jardim encontra-se no 63º colocado a nível de Estado e o 4.549º a nível nacional. O índice avaliador considera: Emprego & Renda, Educação e Saúde. Veja quadro a seguir. Ranking IFDM UF Ranking 2006 IFDM Empreggo e Renda Educação Saúde Nacional Estadual MA Bom Jardim 0,4877 0,04416 0,4559 0,5655 Fontes:http://agoramaranhão.com/ e Índice Firjan de Desenvolvimento dos Municípios, 2006. A título de comprovação, veja as várias “torneiras” ou fontes por onde emanam os recursos públicos destinados a política pública e social de Bom Jardim repassados no exercício de 2009 (e respectivas fontes):
  • 106.
    106 Bom Jardim (MA) Númerode Convênios por Órgãos Concedentes O gráfico abaixo apresenta os 11 órgãos concedentes com maior número de convênios no município. Os demais órgãos são apresentados na coluna "Outros". São considerados os convênios do Portal da Transparência do Governo Federal, registrados a partir de 01 de janeiro de 1996. Diagramação: Adriano Motta, 2012 NÚMERO DE CONVÊNIOS POR ÓRGÃOS CONCEDENTES MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 15 MINISTÉRIO DA SAÚDE 9 MINISTÉRIO DAS CIDADES 5 MINIST. DA AGRICUL.,PECUARIA E ABASTECIMENTO 1 MINISTERIO DO DESENV. SOCIAL E COMBATE A FOME 1 MINISTERIO DO DESENVOLVIMENTO AGRARIO 1 Outros 0 Fontes:http://ma.transparencia.gov.br/Bom_Jardim (Recursos federais que entraram em Bom Jardim), 2009. 0 2 4 6 8 10 12 14 Min. Educ. Min. Saúde Min. Cidades Min. Agricultura MDSCF MDA OUTROS N ú m e R o d e C o n v ê n i o s
  • 107.
    107 INDICADORES DE BAIXARENDA NO MUNICÍPIO DE BOM JARDIM O fato de existir um elevado número de beneficiários de Programas como Bolsa Família e Pesca Artesanal, leva-se a conclusão que o município possui um elevado contingente de pessoas na linha de pobreza e extrema pobreza, conforme levantamento abaixo na fonte do MDS (Ministério de Desenvolvimento Social). Até outubro de 2016, conforme MDS (2016), o município de Bom Jardim possuía um total de 8.426 famílias cadastradas. E desse total, considerando a renda percebida do programa, de r$ 0 até r$ 85,00 são 5.813 famílias; e considerando a renda de r$ 85,01 até r$ 170,00; de 170 até 1/2 salário mínimo são um total de 909 famílias. Gráfico 01. Número de famílias conforme valores recebidos do programa PBF. Fonte: MDS, 2016. Conforme Relatório de Programas e ações do PBF em Bom Jardim – MA. em MDS (2016), a estimativa de Famílias com perfil CadÚnico (2010) representava um total de 7.632 famílias. No entanto, as que recebem benefícios do Programa Bolsa Família são um total de 5.707 beneficiárias, que representam 59% da população do município. E o benefício médio mensal (dezembro/2016) é no valor de r$ 203, 64. Os mesmos dados do MDS (2016) apontam que até dezembro/2016, o município tem um total de 19.487 beneficiários do Programa Bolsa Família que se encontram assim distribuídos, conforme gráfico abaixo: Gráfico 02. Composição/Distribuição dos Beneficiários do Programa PBF/ Dez. 2016. 5.813 1.007 909 0 2.000 4.000 6.000 8.000 R$ até 85,00 r$ 85,01 até 170,00 de r$ 170,01 até 1/2 salário mínimo Número de Famílias conforme Valores recebidos do Programa PBF Número de Famílias conforme Valores recebidos do Programa PBF
  • 108.
    108 Fonte: MDS, 2016. Nota-se,conforme gráfico a seguir, que o número de beneficiários de 06 a 15 anos na condicionalidade Educação é elevado, conforme os dados a seguir (Educação/Julho, 2016): Segundo MDS (2016), o município de Bom Jardim apresenta um total estimativo de 7.632 famílias de baixa renda. Já o número de famílias pobres – perfil Bolsa Família (2010) são de 6.547 família. Gráfico 04. Número de família baixa renda e pobres. Fonte: MDS, 2016 5.339 9.597 1.708 96 147 2.600 0 5.000 10.000 15.000 Básico Variável Jovem Nutriz Gestante Superação da extrema Pobreza Composição dos Beneficiários do PBF em Bom Jardim - MA. Composição dos Beneficiários do PBF em Bom Jardim ‐ MA. 7.632 6.547 6.000 6.500 7.000 7.500 8.000 Famílias de baixa renda Famílias pobres Número de Famílias Baixa-Renda e Pobres em Bom Jardim - 2010 Número de Famílias Baixa‐ Renda e Pobres em Bom Jardim ‐ 2010
  • 109.
    109 Orçamento 2013 (DISTRIBUIÇÃOPERCENTUAL DA RECEITA) Valor: R$ 67.832.952,00 (Sessenta e sete milhões, oitocentos e trinta e dois mil, novecentos e cinquenta e dois reais) foi o valor do orçamento municipal, o qual foi distribuído da seguinte forma: ÓROGÃO VALOR % Poder Legislativo 1.950.000,00 2,9% Assistência Social 3.656.552 5,4% Administração 13.433.100,00 19,8% Saúde 14.507.100,00 21,5% Previdência (Bom PREV) 1.186.000,00 1,8% Educação 25.136.000,00 37% Cultura 1.517.500,00 2,1% Obras e Urbanismo 1.437.500,00 2,2% Habitação 710.000,00 1,1% Saneamento 1.070.000,00 1,5% Gestão Ambiental 1.103.300,00 1,6% Agricultura 1.033.500,00 1,6% Comunicação 514.000,00 0,9% Esporte 247.000,00 0,5% Fonte: wwww.bomjardim.com.br 2013. 6 ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA A exemplo de todos os municípios brasileiros, Bom Jardim é constituído de três poderes: poder executivo, Legislativo e Judiciário. PODER EXECUTIVO O poder Executivo é exercido pelo prefeito municipal e seus assessores diretos. Prefeitura Municipal de Bom Jardim, 2015
  • 110.
    110 A estrutura dopoder Executivo é a seguinte: - Gabinete do prefeito - Secretaria de administração e Finanças, - Secretaria de cultura e esporte, - Secretaria de educação, - Secretaria de ação social, - Secretaria de Infra-Estrutura, - Secretaria de Agricultura, - Secretaria de Meio Ambiente, - Secretaria de Assuntos Extraordinários. Estrutura Administrativa Municipal ORGANOGRAMA ESTRUTURA INTERNA: A Assessoria de Governo tem por finalidade: Assessorar o Chefe do Executivo Municipal em suas relações com as lideranças políticas, órgãos e entidades públicas e privadas; Articular-se com os Vereadores, lideranças e mesa da Câmara para apresentação, defesa e aprovação dos projetos de iniciativa do Executivo Municipal, com a ajuda das Secretarias setoriais e órgãos afins; Interagir junto aos órgãos municipais para a solução de problemas; Prestar contas aos cidadãos interessados; Desempenhar outras atividades afins. PODER LEGISLATIVO O Poder Legislativo é exercido pela Câmara Municipal composta de 13 vereadores. A incumbência dos parlamentares é a elaboração de leis e a fiscalização das atividades do executivo Municipal (quanto às obras e recursos que entram no Município). Os vereadores são os representantes do povo no município.
  • 111.
    111 Veja Quanto Pagamospela Nossa Democracia A Câmara de vereadores de Bom Jardim recebe por ano R$ 1.950.000,00 custa algo em torno de 6 milhões de reais durante os 4 anos de legislatura. (2013) Você sabia? Que 5% do eleitorado de um município pode apresentar um projeto com o objetivo de transformá-lo em Lei. O qual passará por discussão, votação/ sanção ou veto ou a promulgação, e a publicação. Isso se chama Ação Popular. PODER JUDICIÁRIO Para garantir a ordem e a justiça, toda comunidade tem regras ou leis. Essas leis determinam os direitos e deveres de cada cidadão. O Poder Judiciário é o que garante o cumprimento das leis, aplicando a justiça. Em Bom Jardim é exercida pelo Juiz de Direito, Dr. Júlio César Lima Prazeres e pelo Ministério Público, através de um Promotor, Dr. Raimundo Nonato Leite Filho, que asseguram a autoridade máxima no município, cujo quadro de segurança é representado pelo Grupamento da Polícia Militar (GPM), conforme quadro seguinte: SETOR DE SEGURANÇA DO MUNICIPIO QUANT CARGO FUNÇÃO 01 Juiz de Direito Julgar 01 Promotor Emitir Parecer 01 Delegado Prevenir e autuar 06 Policia Militar Manter a Ordem Pública 01 Policia civil Auxiliar na segurança 16 Guarda Municipal Auxiliar na segurança e proteção dos bens públicos. 01 Funcionário Público/Escrivão Lavrar e redigir documentos 01 Ministério Público O Ministério Público é responsável perante o Poder Judiciário, pela defesa da ordem jurídica e dos interesses da sociedade e pela ffiel observância da constituição (leis). 01 Defensoria Pública A função social da Defensoria Pública é a orientação jurídica integral e gratuita em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV. Criação e função da guarda municipal Art. 7º Compete ao município: Câmara de vereadores de Bom Jardim. Site Para informação dos recursos que entram nos municípios: https://www13.bb.com.br/appbb/portal/gov/ep/srv/daf/in dex.jsp
  • 112.
    112 IV - Instituira guarda Municipal destinada a proteção de seus bens, serviços e instalações públicas, conforme dispuser a lei. (Lei Orgânica Municipal de Bom Jardim). O número atual da Guarda Municipal em Bom Jardim (2005): 24 componentes. Legislação Municipal Existente Código de Postura Lei Orgânica do Município de 5 de Abril de 1990 Código Tributário Plano Diretor Lei n° 478/2006 Plano de Cargos e Carreira Código de Obras Plano de Resíduos Sólidos LOA: Lei Orçamentária Anual. 6.1 SÍMBOLOS MUNICIPAIS A bandeira foi idealizada por Francisco Oliveira e Jesus, tendo sido aprovado pelo Decreto Lei nº 31 de 20 de abril de 1979. Suas cores e significados são: azul representa o céu, branco a paz, verde, a floresta, marrom o solo, mãos dadas a união, palmas o babaçu, enxada o lavrador e o arroz a cultura do município. O mesmo autor da Bandeira criou também o Brasão aprovado pelo Decreto Lei nº 31 de abril de 1979. Suas cores e significados são o mesmo da bandeira do município. O hino do Município de Bom Jardim é de autoria do Sr. Jesus Tavares Pinheiro e a música é de Maria de Fátima Queirós e Jesus Tavares Pinheiro. É o símbolo sonoro do Município. Oficializado desde 1979 pelo Decreto Lei nº 31 de abril de 1979. Fórum Municipal de Bom Jardim
  • 113.
    113 HINO DE BOMJARDIM I OH! BOM JARDIM CIDADE QUERIDA TERRA ALTANEIRA E DE ENCANTOS MIL TORRÃO GLORIOSO DO MEU MARANHÃO TUA RIQUEZA ENOBRECE O BRASIL. REFRÃO BOM JARDIM! BOM JARDIM! BOM JARDIM! TERRA ENCONTROS MIL. II QUÃO IMPORTANTE SÃO TEUS AFLUENTES BANHAM TEU SOLO RIO CARU E PINDARÉ OS GUAJAJARAS TEUS PRIMEIROS HABITANTES ECONDUZIRAM AS VERDADES DO SABER. III A GRANDEZA DA TUA AGRICULTURA QUE NOS AJUDA A LUTAR SEM TEMER SOMOS TEUS FILHOS COM ORGULHO TE AMAREMOS BRAVAMENTE ATÉ MORRER. Autor: Jesus Tavares Pinheiro e Maria de Fátima Queiroz Pinheiro A 1ª ESCOLA DE INFORMÁTICA DE BOM JARDIM – MA. A 1ª Escola de Informática de Bom Jardim foi instituída em 2002, e se localizava na Praça do Mercado (em um ponto alugado)- próximo ao mercado e pertencia ao Senhor Valério.
  • 114.
    114 7 CONHECENDO SÃOLUIS UFMA –Universidade Federal Praça Gonçalves Dias “A praça do Poeta” do Maranhão Igreja Nossa Senhora dos Remédios Ponte José Sarney – que liga São . Francisco ao Centro Lagoa da Jansen – O mal cheiro da Biblioteca Estadual do Maranhão Lagoa dá a impressão de esgoto, mas São os corais que emitem tal odor. Sua extensão é de 5,2 km.
  • 115.
    115 EDIFICIOS EM SÃOFRANCISCOLITONÂNEA: BEIRA-MAR EM SÃO LUÍS Palácio dos Leões. Sede do Governo Convento das Mercês – Memorial Sarney Construído em 14 de Março de 1992. No CentroHistóricosão mais de 3.500 prédios tombados. Entre estes está o Palácio La Ravardière, construído em 1689. Apesar de fundada pelos franceses, foram os portugueses que deixaram na ilha uma genuína cidade colonial lusa. O seu Centro Histórico, que guarda os testemunhos dessa época, foi incluído na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO por suas características únicas e excepcionais. Por Adilson Motta 20/02/2008
  • 116.
    116 8 HISTÓRICO DOSPRINCIPAIS DISTRITOS DE BOM JARDIM Povoado Rosário O povoado do Rosário foi fundado em 1961, dois anos depois da fundação de Bom Jardim, que se deu em 1959.Seu primeiro habitante foi o Sr. Raimundo José da Silva, conhecido por Raimundo Caruncha, veja como ele esclarece a origem do nome do povoado: “o povoado recebeu o nome de Rosário porque o Rio Pindaré tinha muitas curvas, parecendo com um rosário. Segundo o mesmo, o nome “Rosário” foi dado ao local por caçadores e pescadores que ali exerciam tais atividades . Todos migrantes Nordestinos, inclusive o Sr. Raimundo Caruncha tem uma explicação para o motivo de sua vinda para o Maranhão; entre estes, veja o que trouxe o referido primeiro morador de Rosário a se estabelecer no povoado. “Eu e minha família morávamos no Piauí, próximo ao rio Parnaíba. Devido ao empobrecimento do solo e a falta de mata, fomos para o Maranhão em busca de uma vida melhor. Chegando aqui, sai a pés pelas margens do rio Pindaré até o lugar que se chama hoje Rosário, como havia muitas terras devolutas e boas para o cultivo e matas propícias para a caça, resolvi me estabelecer no local”. Entrevista com antigos moradores revela que eles eram oriundos do Ceará, Piauí e do próprio Maranhão, com um número reduzido de representantes de outros estados que vieram a procura de terras para a lavoura de subsistência. Os mesmo viviam da lavoura, da caça e da pesca. As suas vindas para o local, se deram através de parente que lhes formaram da região. Muitos desses primeiros vieram a pés e outros montados em animais. Entre as muitas dificuldades enfrentadas por esses pioneiros, citam-se animais ferozes como onça e doenças, como malária e febre amarela. A região, segundo eles era coberta de extensas matas e muitos animais. Veja a entrevista a seguir com Raimundo de Jesus da Silva: “O local era cheio de matas com muitas caças e apresentava um solo favorável para o plantio; tinha muitos frutos como: tuturubà, bacuri, juçara, pequi, buriti e também muitos peixes, que serviam de suprimento para o sustento de nossas famílias”. A situação social nos primeiros dias da história do povoado Rosário era de tempos difíceis. A título de comprovação observe o relato com o senhor Augustinho Gomes da Silva, um dos antigos moradores:
  • 117.
    117 ”Era muito difícilporque não tinha estrada, energia elétrica, telefone nem médicos. Quando alguém ficava doente era preciso levar para Pindaré, pois era lá que tinha melhores médicos”. Um dos primeiros moradores também foi o Sr. Cecílio Bispo da Silva que era maranhense, e que chegou em 1961. O qual era morador de Juçaral e trabalhava com lavoura. Veio para o povoado Rosário. O povoado do Rosário já chegou ater 600 casas, atualmente tem cerca de 221 casas. Isto é, já foi um povoado florescente, regredindo nos últimos anos. A causa da regressão do povoado, segundo os depoimentos de antigos moradores foi a expropriação das terras a latifundiários e fazendeiro e franco amparo de políticas públicas no setor agrícola ao longo de sucessivos governos. Atualmente apresenta uma população de 683 habitantes. O comércio neste povoado já foi muito desenvolvido; tinham lojas de tecidos, usinas de beneficiamento de arroz, etc.. Hoje apresenta morosidade no seu desenvolvimento, em consequência das migrações de muitas famílias que iniciaram o lugar tendo em vista as terras do povoado já pertencerem a grandes latifundiários, ficando os lavradores privados de construírem suas roças. O distrito de Rosário já possuiu um cartório, cuja tabeliã foi Sra. Maria Perpetuo Socorro de Oliveira; o cartório em referência já foi desativado. O Juiz do Cartório era o Sr. Raimundo Pinheiro. Existia também uma subdelegacia, cujo delegado era o Sr. Adroaldo Cecílio. Já foram eleitos 3 vereadores residentes no povoado Rosário. Sendo: Adroaldo Alves Matos e Augustinho Maranhão ambos concorreram às eleições a vereador em 1968, e em 1972, a prefeitura de Bom Jardim como candidatos a prefeito. Foi eleito também no mesmo ano (72) a vereador, o senhor Ângelo Vieira. Atualmente em Rosário existe uma igreja católica e uma igreja Assembleia de Deus, duas escolas municipais e a implantação de um Sistema Telemar, através de orelhões.O povoado já é beneficiado com energia elétrica, água encanada, um posto de saúde, um mercado municipal. Na área cultural apresenta: Festival do peixe, realizado no mês de outubro. A festa mais popular da comunidade de Rosário é a da senhora conhecida por Siriáca, realizada em maio com procissões, novenas, leilões e danças. A principal atividade econômica é a pesca e a pecuária com a criação de bovinos e suínos, a quebra do coco babaçu e a agricultura. A agricultura é explorada em grande parte, por pequenos produtores rurais. Sabe-se que, economicamente, a agricultura é muito importante para o desenvolvimento do município, mais essa não apresenta bons índices de produtividade nos últimos anos. Alguns moradores e líderes políticos afirmam que tal fato é resultado da falta de assistência técnica. A estrutura agrária põe em evidência a preponderância do latifúndio, onde se percebe que as maiores partes das terras são ocupadas por latifundiários.
  • 118.
    118 Em relação aRosário, a agricultura é geralmente praticada pela maioria das famílias em pequenas propriedades, como o cultivo de arroz, feijão, milho, mandioca, abóbora, quiabo, maxixe, pepino, melancia e outros. Segundo entrevistas realizadas com antigos moradores, ao longo da história do povo rosariense houve conflitos agrários. Acerca desses conflitos veja o que diz Domingos de Sousa Oliveira: Houve conflito sim, sendo que por consequência foram presos Eu, Pedro Pacheco, Riba Guará, Sabino, Castor, Torcate e outros; (houve um certo caráter político nos acontecimentos, pois éramos da oposição). O conflito se deu com o chefe político da época, o qual propôs comprar as minhas terras; no entanto, eu não a dispus à venda. Esse fato levou consequentemente às nossas prisões. Fomos presos quando estávamos em reunião na igreja católica. No entanto, dois dias depois fomos libertos pelo deputado estadual na época, José Gerardo de Abreu. Por outro lado, os conflitos agrários bem como rumores de atrito com os indígenas no município desapareceram, a partir da intervenção do governo com a demarcação e legalização das terras, resolvendo os conflitos agrários através do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e a criação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) como órgão que defende e ampara os indígenas e suas terras. Firmando-se assim o que diz MARTINS (1996, p 27), a respeito desaparecimento das fronteiras e diferença que separava ambos os mundos: A fronteira só deixa de existir quando o conflito desaparece, quando os tempos se fundem, quando o outro se torna a parte antagônica do nós. Quando a história passa a ser nossa a história da nossa diversidade e pluralidade, e nós já não somos nós mesmos porque somos o outro que devoramos e nos devorou. O acesso a Rosário é feito através de uma estrada vicinal e de lancha via rio Pindaré. A distância do referido povoado a sede do município é de 22 km. 1º morador de Rosário Igreja Católica em Rosário
  • 119.
    119 VILA BANDEIRANTE Em 1970o lavrador, Antonio Vieira dos Santos conhecido por Antonhão, fundou a Vila Bandeirante que inicialmente ficou conhecida pelo nome de Centro do Antonhão. Outros lavradores tomaram conhecimento das matas e terras devolutas ali existentes e começaram a mudar-se para o Centro do Antonhão, onde construíram suas residências e roças para o cultivo do arroz. Seus moradores mudaram o nome do povoado para Fazenda Nova. O povoado crescia, tanto populacional como economicamente, devido ao seu desenvolvimento. Seus habitantes acharam por bem trocá- lo de nome e cognominaram-no de Vila Bandeirante. Em 30 de abril de 1979 através da Lei nº 26, o aglomerado foi elevado a categoria de Distrito Administrativo. Tendo inicialmente como administradores: um subdelegado de polícia, o senhor Antonio Vieira dos Santos (o fundador do lugar), do delegado do sindicato dos Trabalhadores Rurais, o senhor José Gomes de Souza, os dirigentes protestantes, um representante político, o senhor João Evangelista Prado. As festas populares são as novenas do mês de maio, e os festejos Santo Antonio, o padroeiro da Vila Bandeirante, que são realizadas no dia 31 de julho, com ladainhas, danças e leilões. O tambor de crioula faz parte do folclore do lugar. Atualmente (2006), o povoado tem apenas uma igreja, a católica. Economicamente existecinco comércios e seis mine usinas de pilar arroz. Existindo também três escolas, num total de 306 alunos matriculados. O ensino médio funciona desde 2004, apenas com o 1º ano. Apresenta uma infraestrutura com água encanada e eletrificação. A infraestrutura habitacional povoado Vila Bandeirante em 8/2005 é de 191 casas. Destas, 19 são de tijolos e telha. Quanto aos meios de comunicação, o povoado é servido por dois canais de televisão: Globo e SBT; além de rádio comunitárias. Geograficamente, à distância do povoado a sede do município é de aproximadamente 54 quilômetros. Os povoados fronteiriços a Vila Bandeirante são: Escada do Caru, Três Olhos D´água, Igarapé das Traíras e Rapadurinha. Antonio Vieira dos Santos, Antonhão, primeiro morador do povoado Vila Bandeirante.
  • 120.
    120 Igreja Católica deVila Bandeirante NOVO CARU O povoado Novo Caru foi fundado em 1º de maio de 1963 pelo lavrador Raimundo Nonato Pinheiro, conhecido pela alcunha de Didico, e recebeu o nome de Centro do Dico, com a chegada de moradores para o lugar, o povoado foi crescendo em população. Sendo o rio o único fluxo para o crescimento do lugar, seus moradores em homenagem ao rio Caru deram ao povoado o nome de novo Caru. O povoado faz fronteira com outros povoados como: Rapadurinha, Barra do Galego e a reserva indígena Caru. No principio, o povoado seguia em marcha ascendente, no comércio, na indústria de beneficiamento de arroz, na produção agrícola e em população. Era lancha chegando quase que diariamente trazendo migrante do Ceará, Piauí e de vários lugares do próprio Maranhão, atraídos pela abundancia de matas e terras devolutas ali existentes. Tais migrantes trouxeram consigo os seus costumes, suas crenças, enfim, suas cultura. A partir daí, com o passar do tempo, firmou-se a cultura de novo Caru. Essa cultura baseia-se em danças típicas nordestinas como as quadrilhas (nas festas juninas), o Bumba-meu-boi e em comidas típicas como cuxá, tapioca (beiju), cuscuz dentre outras iguarias. Com o rápido crescimento, foram instaladas várias casas comerciais, sendo as principais: Casa Branca, Casas Matos, Casa Vera Cruz (com eletrodoméstico) os quais vendiam todos os artigos de primeira necessidade e outros como calçados, bebidas, confecções, alumínio, etc. Nos anos 70 a 73 os comerciantes enriqueceram por especulações. As mercadorias eram trocadas com os agricultores pelo arroz (no acelerado, antes da colheita). Em novo Caru o movimento era acelerado, havia muitos hotéis, bares, boates, dois clubes para recreação e festa: o Canutão e o Clube Recreativo Boa Vontade (CRB), duas usinas para o beneficiamento de arroz do Sr. Manoel Vera Cruz e a do Sr. José de Deus. Atualmente Novo Caru apresenta morosidade no seu desenvolvimento, existindo ainda, várias casas comerciais. Em 1976, na administração do Prefeito Miguel Alves Meireles foi instalada a iluminação elétrica através de um motor a óleo DIESEL. Em 30 de abril 1983, de acordo com a Lei nº 27, Novo Caru foi elevado à
  • 121.
    121 categoria de distrito.O povoado Novo Caru apresentava muitos setores (povoados) aos seus redores que aqueciam e mobilizavam a economia local. Esses setores, no entanto, desapareceram e o desenvolvimento em Novo Caru caiu em declínio, devido às terras haverem passados para as mãos de proprietários e posseiros e também pela inexistência de matas que foram devoradas pelos lavradores. Muitos moradores mudaram-se do lugar, e os grandes comerciantes fecharam suas portas mudando-se para Santa Inês e outras cidades desenvolvidas a fim de instalar seus evoluídos comércios. Atualmente no povoado existem três igrejas: Igreja Católica, Assembleia de Deus e um templo Adventista. As festas tradicionais de Novo Caru são as novenas do mês de maio, quaresma, festas e rezas com terços e ladainhas. A padroeira do lugar é Nossa Senhora da Conceição, cujo festejo é realizado no dia 8 de Dezembro. Até 2007, a dirigente da Igreja Católica no povoado foi Maria de Fátima Pires Santos. O acesso ao referido povoado é feito via estrada vicinal, abertas da cidade de Bom Jardim a Rapadurinha. Até o povoado Rapadurinha a estrada é empiçarrada (com constantes falhas). Deste a Novo Caru a estrada é carroçal. No inverno são maiores as viagens via Rio Caru e Pindaré. A distância do povoado à zona urbana do município é de 57 km. A principal atividade econômica do lugar é a agricultura para o cultivo do arroz, feijão, milho e a mandioca que, depois do abastecimento do mercado local, o excedente é exportado para a sede do município, outras principais atividades são a quebra de coco babaçu e a pesca no rio Caru que se constituiu uma fonte para a sobrevivência dos Novocaruenses e também a pecuária com pequenas fazendas com criação de bovinos e suínos. Grande parte dos agricultores do Povoado dependem de terras localizadas à outra margem do rio, precisamente na Reserva Indígena do Caru habitada por índios da etnia guajajara. Os chefes das aldeias “cedem” parte da terra para os lavradores numa transação chamada “renda’ que acontece de forma que o lavrador deixa para o chefe um terço da produção da lavoura”. Por outro lado, outros lavadores trabalham para grandes proprietários, recebendo o que lhes é devido em duas situações, a primeira consiste em diárias no valor que varia entre R$ 7,00 e R$ 10,00. Em segundo, e a paga com a própria produção em “renda”, ou seja, o Igreja Católica em Novo Caru
  • 122.
    122 lavrador recebe entreum meio e um terço da produção total dependendo do “acordo” feito entre o proprietário e o lavrador. Uma relação de dominação e posse. De acordo com isso e sobre o mito vivenciado nessa relação, cita FREIRE (1983 p. 1983, p. 172): “Na verdade, estes pactos não são diálogos porque,... está inscrito o interesse inequívoco da classe dominadora. Os pactos,... são meios para realizar suas finalidades”. Há diálogo quando há acordo, e quando ambos os lados são beneficiados sem prejuízo a nenhuma das partes envolvidas. Ou seja, a classe detentora dos meios de produção e capital em contraste com aquelas que possuem apenas a força de trabalho como mercadoria a oferecer, encontra-se em posição de submissão “espontânea”, frente à situação ditada pelo capital e a necessidade de “ter que trabalhar” para a sobrevivência, que no silêncio, abraça o sistema de coisas que está posta, apesar das amplas conquistas “tão asseguradas nas letras da Magna Carta”. Pactos estes, fundamentados na desigualdade social e na situação de pobreza, ausência de terras e capital na mão da maioria, que é a classe pobre e predominante. (Grifo meu – Adilson Motta) Na busca pelo “ter as coisas” muitos jovens e adultos abandonam os estudos para se dedicarem ao trabalho, por entenderem que a escola não proporciona tais ambições impostas na subjetividade deles de maneira a se realizarem. Portanto, não entendem que é através da aquisição do conhecimento, da visão de mundo crítico-coerente que realmente podem mudar suas percepções de vida e a situação ou realidade. Daí explica-se que dos 36 alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) de 1ª a 4ª série em 2004 no povoado Novo Caru, 44,4% desistiram e 13,8% evadiram-se. Esses dados são a marca registrada tanto do pensamento supracitado, quanto do abandono, da ausência de políticas públicas educacionais e de juventude no sentido de que se encontrem soluções para essas mazelas. Fato este, processando-se ao longo de sucessivos governos. Sendo o exposto apenas um retalho do que ocorre no contexto maior, assim como em nível de Estado e Nordeste. Sendo filhos do analfabetismo, os mesmos têm direito de acesso e, no entanto, não têm de sucesso. Frente à situação difícil em que se encontram, tais jovens não tendo como conciliar estudo e trabalho, os últimos por ser difícil, terminam abandonando a escola. Pois não enxergam a educação como saída, e nem tão pouco têm estímulo e incentivo para continuar. Não percebem que há uma intenção ideológica “desinteressada” controlando imperceptivelmente os acontecimentos, que os leva a não enxergar a escola como tal “saída” e “instrumento de mudanças”. Nesse sentido, veja que diz FREIRE (1983 p. 173): A manipulação aparece como uma necessidade imperiosa das elites dominantes, com o fim de, através dela, conseguir um tipo inaltêntico de “organização”, com que evite o seu contrário, que é a verdadeira organização das massas populares emersas e emergindo.
  • 123.
    123 Dentro dessa perspectiva,eles tendem a deixar o povoado indo para outros municípios, estados e, até mesmo, outros países, como, por exemplo, Mato Grosso, Pará, Roraima e Suriname. Nos estados de Matos Grosso e Pará, eles encontram serviços em madeireiras, fazendas e em serrarias. No Suriname, trabalham como garimpeiros na extração de ouro. Este é o mais cobiçado dos trabalhos, pois acreditam conseguir prosperidade em pouco tempo. Todos querem arriscar a sorte grande, para isso deixam pais, esposa filhos, acreditando-se “... que todos são livres para trabalhar onde queiram. Se não lhes agrada o patrão, podem então deixá-lo e procurar outro emprego”. FREIRE (1983 147). Em muitos casos, por faltas de alternativas, os referidos trabalhadores se submetem permanecer nas atividades, tudo isso, por conta do desamparo de políticas de geração de emprego e renda de uma política agrícola que prenda o homem do campo no campo, e leve as condições e benefícios da zona urbana para a vida do campo. O exposto é apenas uma pequena amostra de um contexto maior. O povoado Novo Caru dispõe hoje (2005) de três escolas municipais num total de 9 salas de aula. Tem também um posto de saúde, uma praça e uma subdelegacia de polícia. No aspecto educacional, as escolas refletem o contexto municipal, de administrações sucessivas, não dispondo de biblioteca publica, nem de livros gratuito que cubra toda rede de ensino, o que dificulta o processo ensino- aprendizagem nesse povoado e aumenta a insatisfação dos moradores que aspiram melhoria. A juventude encontra-se dispersa, dividida entre trabalho duro do campo no período diurno e a ociosidade dos que não estudam no período noturno. Por falta de opções no que diz respeito à diversão, muitos desses jovens procuram os bares quase que regularmente, e alguns a se entregar ao alcoolismo. Povoado Novo Caru –jan./2007 Escola Municipal Raimundo Nonato Pinheiro Rio Carú – no povoado Novo Carú Raimundo Nonato Pinheiro, conhecido por Didico, foi o primeiro morador do povoado Novo Caru.
  • 124.
    124 Não é muitoe custa pouco, mas o sonho maior daquela comunidade é que os governantes do município façam um cais na beira-rio e empiçarrem a estrada de Novo Caru ao povoado Rapadura – pois, no inverno, fecham- se as saídas de acesso, quando o rio não está cheio. Em fins de 2006, a administração Roque Portela fez uma obra que para muitos novocaruenses foi de grande importância, segundo a população carente que foi: empiçarrou todas as ruas do povoado e fez duas pontes de acesso dentro do povoado. Se o pouco gera satisfação, imaginem o que seria se fosse feito o que se pode fazer. 8.1 REGIÃO DA MIRIL, VARIG, BREJO SOCIAL, AEROPORTO E ANTONIO CONSELHEIRO A parte populacional mais afastada e que muitos bonjardinenses desconhecem é a região da Miril, Varig, Brejo Social, Aeroporto, Antônio Conselheiro e outros assentamentos que correspondem a um aglomerado de cerca de 60 povoados. O populacional da região é estimado em 9.515 habitantes e um eleitorado de 4.321 eleitores. As rendas de despacho da produção econômicas (agricultura, pecuária e exploração de madeiras) são escoadas para Buriticupu e Açailândia, gerando renda aos mesmos, deixando o município de Bom Jardim de arrecadar boa fonte de receita naquela região, sem que haja aproveitamento na economia municipal. Esta é, no entanto, uma região muito enxergada em período eleitoral, pois seu peso eleitoral já definiu muitas vitórias políticas em Bom Jardim a políticos que só enxergam em período eleitoral.A juventude daquela região sob a tutela política administrativa de Bom Jardim, encontra-se entregue ao abandono – quanto ao ensino médio, onde também são desamparados (pelo Estado). Frente a situação, segundo Francinaldo da Silva, membro do Comitê Pró-Emancipação da Vila Varig em o Jornal Agora Santa Inês (2011): “Nós estamos cansados de tanto abandono e isolamento!” Subdelegacia de Polícia no povoado Novo Caru
  • 125.
    125 Escola Municipal emBrejo Social. Data: Agosto de 2012. Sendo em sua maioria áreas de assentamentos, marcadas por histórias de lutas do homem do campo na busca pelo direito a terra, já que estes direitos não vêm nas diligências pleiteadas nas políticas públicas por gestores que planejem o desenvolvimento na região, é produto de conquistas sociais e de lutas isoladas. Das áreas pertencentes a Bom Jardim que abrange a região da Miril, Varig, Brejo Social e Aeroporto são as maiores produtoras de arroz e apresenta grande criatório de gado; exportando muita madeira, além de produzir pimenta (cujo fato deriva o nome de um povoado - povoado da Pimenta). O povo daquela região sobrevive da agricultura, pecuária, carvoaria e extração de madeira (esta última, atualmente encontra-se escasseando). E grande parte de seu território é ocupado por plantio de eucaliptos de empreendimentos empresariais de porte como o Grupo Viena, Pindaré, Ferro Gusa e outros. O grande problema enfrentado é a ausência de estradas para a escoação da produção como: madeira, cereais, castanha, gados para o abate, queijo, arroz, feijão, etc. Sabe-se que, as verbas federais também vêm na proporção/população, ou seja, considerando o coeficiente populacional.E o que se observa, é queo povo daquela região apenas serve para engordar as contas do cofre público, ou melhor, sem uma equivalente retribuição. O povo precisa mais do que uma simples ponte, e um pedaço de estrada raspada e empiçarrada... Por conta da situação, em toda aquela região, segundo Frei Valadares (que lá muito frequenta), está ocorrendo certo êxodo – ou seja, muitos proprietários de terras estão vendendo suas propriedades e migrando para outras regiões onde se oferece melhores condições. O acesso até aquela região não é por via direta (por dentro de Bom Jardim); atravessam-se 7 municípios para atingir os confins mais distantes da região. Como: Pindaré-Mirim, Santa Inês, Tufilândia, Santa Luzia, Butiticupu, Bom Jesus das Salvas e Açailândia. Devido a grande distância que separa o município àquela região, perdura certa dificuldade administrativa para os governantes, ficando assim, muito a desejar àquela população que também é “povo bonjardinense”, e que sonha por uma autonomia administrativa através de emancipação política. O fato de ser um dos povoados mais distante da sede administrativa, torna-se difícil a administração de rendas, recursos e projetos, e se resolveria com a instalação de uma subprefeitura para aquela região para trabalhar e gerir o seu desenvolvimento. Tal projeto foi implantado na administração Gralhada, mas, não foi em frente por razões político-partidária entre aqueles que representavam o poder público municipal (Executivo e Legislativo).
  • 126.
    126 Nas adjacências daestrada Sunil (empiaçaral), que liga Bom Jardim a Açailândia, existe uma grande plantação de eucaliptos da empresa Viena, estimada em 15 km de extensão, para a produção e destinada à fundição em siderurgias da Companhia Vale do Rio Doce. Existe seis carvoeiras na região. A difícil situação administrativa por conta da situação geográfica da região permite criar um certo isolamento social distanciando a comunidade da região dos benefícios da sede administrativa. A perda econômica se dá através do alto fluxo de madeiras que é escoada via fronteira de outros municípios, os quais se beneficiam por meio de suas serrarias via impostos e empregos (diretos e indiretos). Os pontos de escoação de madeiras na região são:  Casa Redonda;  Buriticupu (após 6km);  Nova Vida (povoado de Buriticupu);  E Bom Jesus das Selvas. Há a existência de bauxita da qual se extrai o alumínio na Serra do Tiracambu, que foi detectada em pesquisas pela Companhia Vale do Rio Doce. A C.V.R.D ou Vale está se instalando na região, na localidade do Rio da Onça, para exploração do minério de bauxita. Para que isto aconteça, a CVRD tem que obter a liçença ambiental e alvará dos municípios onde a Serra do Tiracambu se localiza. Fato que acarretaria renda e desenvolvimento ao estado e região através dos royalties. Obrigações Sociais Omissas da Vale com as Comunidades de Bom Jardim na Região Miril e Caru Para quem não conhece, a questão da Vale nos limites da política e de suas obrigações com as comunidades que se localizam nas suas adjacências, não é nada realmente de interessante. Mas a partir do momento que conhecemos realmente a Vale e seu potencial, seu processo de privataria ou privatização – ai, o assunto se torna um problema além de Bom Jardim, e sim um problema nacional. A Vale tem de fato direitos e obrigações de bancar projetos ao longo das comunidades que se localizam ao longo da ferrovia em até 15 quilômetros de distância. As comunidades de Bom Jardim (REGIÃO MIRIL) por onde passam os trilhos da Vale na região, localizam em menos de um quilômetro de distância (marcados pelos limites do rio Pindaré naquela região). A VALE tem sim, obrigações sociais com as comunidades de Bom Jardim – seja infra estruturais (pontes e passarelas), educacionais (campanhas, construção de escolas, asfaltamento). Quanto mais na Serra do Tiracambu, onde se localiza uma enorme reserva de bauxita, minério de onde se extrai o alumínio – que no futuro irá gera royalties a Bom Jardim. A Vale é uma ferida no coração do Brasil nas flâmulas da corrupção. Afinal, seu processo de privatização foi na total sombra da corrupção. É tido como o maior caso de corrupção da história da humanidade. Pois, segundo um de seus últimos diretores (que precedeu Rogger Agnelli – pós privatizada), a empresa valia R$ 100 bilhões e foi vendida por apenas 3,3 bilhões (para as próprias empresas que a avaliaram (Merrill Lynch – americana - e Bradesco, que também foram os compradores, onde boa parte dos recursos pelo qual foi auferida, foi financiado pelo BNDES). Afinal, 68% de seus novos donos são estrangeiros. Especialistas afirmam que, devido ser 400 anos de exploração mineral noite e dia (minério diversos, raros e caros), a mesma, que é detentora da lavra em termos monopolizados esteja valendo algo em torno de 7 trilhões. E os brasileiros a
  • 127.
    127 ver navios... Apérola de um povo atirada aos porcos (capitalistas e saqueadores do patrimônio da nação que se escondem por traz de políticos, bancos privados e empresas multinacionais). Em 2012, a empresa Vale faturou algo em torno de R$ 21 bilhões anual, quase 3 vezes o orçamento de todo estado do Maranhão com seus 217 municípios. Hoje, é uma multinacional e opera nos 5 continentes e 18 países. Veja o discurso na câmara federal de Chiquinho Escórcio, em que se fundamenta os direitos das comunidades e deveres da Vale: “A Vale está deixando muito a desejar no meu Estado. Os senhores verão que não são apenas os índios, mas a população está revoltada com todas aquelas casas rachadas, as pessoas que estão morrendo nos trilhos, a zoada permanente, tudo isso é exatamente o rastro de mal-estar que os senhores estão deixando”, disse. Carvoeira na região da Miril; sendo por muitos conhecidas por “rabos quentes”, é uma espécie de iglu, feito de tijolo e barro. Grande extração de carvão vegetal que é revendido para as siderurgias. Povoados de Bom Jardim que encontram-se dentro dos limites de 15 quilômetros e que podem receber projetos de impacto socioambiental da Vale: a) Cristalândia (Região Miril); b) Miril; c) Bela Vista; d) Povoado Rosário; e) Povoado Barra do Galego; f) Chapada; g) E Santa Luz (em grandes probabilidades).
  • 128.
    128 IMAGENS DA REGIÃOMIRIL Rio Azul Rio Pindaré Participação da comunidade em ações política e associativismo. Rio Azul Povoado aeroporto. Vila Varig
  • 129.
    129 VILA VARIG –ATUAL NOVO JARDIM (EM PERSPECTIVA DE EMANCIPAÇÃO) Fonte: Antonio Castro Leite. Agrimensor Topografia. 2015
  • 130.
    130 PRÉDIO DO DAVI– POVOADO ANTONIO CONSELHEIRO Serra do Tiracambu Localizada na Amazônia maranhense, a Serra do Tiracambu, que compreende área territorial de vários municípios do Maranhão e Pará. Entre os municípios que sofrem influência geológica de seu platô*, estão: Açailândia, Bom Jardim, Imperatriz, Itinga do Maranhão e Marabá.  Localiza-se a Oeste Maranhense – Serra do Tiracambu – divisa de Bom Jardim e Carutapera – Serra do Gurupi – nos municípios de Imperatriz, Açailândia e João Lisboa. (Fonte: Geografia do Maranhão,2010). Apresenta grande área florestal dentro do universo e domínio da Unidade de Conservação (Reserva Biológica do Gurupi – REBIO do Gurupi no Maranhão), e em algumas terras indígenas – o que lhe serve de proteção à sua biodiversidade. O platô que forma a área da Serra do Tiracambu ocorre numa região de relevo dissecado (MARÇAL, 1994), cuja altitude na Serra do Tiracambu varia entre 400 e 600 m. O feixe (de platô), que passa por imperatriz e Marabá (segundo estudos e pesquisas) com mais de 350 km de extensão impõe anomalias em cotovelo no baixo curso dos rios Araguaia e Tocantins, além de controlar o baixo curso do Rio Itacaiúnas (Pará). A área geológica (do Tiracambu compreende uma extensão de 560 km). O Rio Gurupi nasce na Serra do Tiracambu, que constitui o principal divisor de águas desta bacia, estabelecendo limites com as bacias do Pindaré e Turiaçu. Grande parte florestal da Serra já sofreu exploração seletiva de madeira recente, havendo também evidência de incêndios florestais comum na região.
  • 131.
    131 RIQUEZAS DE ARRECADAÇÃOPERDIDAS DE BOM JARDIM NA REGIÃO MIRIL, VARIG, ANTONIO CONSELHEIRO E OUTROS As riquezas de arrecadação perdidas do município de Bom Jardim na região é enorme, pois são grandes empresas que operam na região – e que não estão gerando empregos nem impostos para o município de Bom Jardim. São elas, com os respectivos setores de atuação:  Empresa Liliane – Trabalha na exploração/produção de soja.  Fazenda Amazônia – Trabalha com plantio de soja e eucaliptos.  Empresa Siderúrgica Viena: Trabalha com a produção de eucalipto.  Fazenda São Jorge: Trabalha com eucalipto e pecuária (grande criatório e exportador de gado).  Empresa Suzana – Trabalha com plantação de eucalipto. Vale lembrar que o eucalipto, além de ser usada na siderurgia, é também na produção de celulose, a partir do qual se fabrica o papel. Em função desse “potencial perdido”, há um grande fluxo de carretas em constante transporte da produção variada da região. POVOADO TIRIRICAL O povoado Tirirical foi fundado entre 1950 a 1951, pelo lavrador Raimundo Bacabal, conhecido por Raimundo Tiririca. O mesmo veio com mulher e dois filhos. O referido primeiro morador é maranhense, oriundo da cidade de Bacabal. O povoado recebeu este nome porque tinha muita tiririca, (tipo de capim cortante). O desenvolvimento do povoado se deu através da lavoura, principalmente do arroz. Apesar de se localizar bem próximo à aldeia indígena, não consta ao relato dos antigos moradores a existência do conflito com os referidos primeiros habitantes daquela terra. O povoado faz fronteira com outro povoado, Zé Boeiro e a aldeia indígena. Sempre houve uma relação amistosa do povoado com a população indígena existente naquelas imediações. “[...] o relacionamento era muito bom, nós trabalhávamos juntos, e não tinha nenhum tipo de desavenças” (Eliésio, 12/2004). Veja o que diz outra entrevista com Francisca Pereira da Conceição “... era um bom relacionamento, eles se entendiam muito bem, era melhor do que agora”. (CUNHA, 12/2004). O princípio da história do povoado Tirirical é marcada com a presença de caçadores que ali caçavam somente para o consumo; segundo Eliésio (12/2004), a grande dificuldade no povoado era o acesso, pois não tinham carros, e as viagens eram feitas a cavalo e a pés. Não existia delegacia, mas, Raimundo do Tiririca era tido como o delegado arbitrário do lugar. Veja relato abaixo que comprova o fato: “Raimundo do Tiririca era quem cumpria essa função, amarrava o infrator no pé do mourão que era levado para Bom Jardim e entregava para o delegado de lá” (Eliésio Sotero da Cunha, 66 anos/2004). Há uma
  • 132.
    132 explicação para avinda de cada morador para essa região. Veja o que trouxe Eliésio Sotero da Cunha para o povoado Tirirical: “Por causa da seca e não existir condições de trabalho na lavoura onde morava. No entanto, pela facilidade de terra fértil para a lavoura aqui existente, vim e me estabeleci”. O povoado se localiza a leste do município a 12 quilômetros da sede, com uma área de aproximadamente 1 km2. É servido pela estrada Federal BR 316, que liga aos municípios de Bom Jardim e Santa Inês. Segundo pesquisas realizadas, a população residente na comunidade, em dezembro de 2004 era de 1600 habitantes, integrantes de 420 famílias. A população de Tirirical enfrenta inúmeros problemas. Um deles é a falta de terras para o cultivo, levando famílias para os lugares distantes, para trabalhar. Há falta de alternativas de empregos, principalmente para a classe juvenil. A infraestrutura habitacional é de 420 casas, onde apenas trinta são de tijolos. As restantes são de taipas, algumas cobertas de telhas, outras de palha de babaçu. Atualmente existem 16 pequenos comércios no povoado Tirirical. Uns vendem secos e molhados e outros vendem bebidas (bares). Os principais produtos comercializados são: feijão, farinha, açúcar, café aguardente, sabão, sal, margarina, bolacha, óleo, etc. A primeira escola ali existente foi num casebre que se chamava Escola João de Barro, que visava alfabetizar. Por longo tempo a educação funcionou com professores leigos, devido à carência de profissionais formados. Quanto ao aspecto cultural, as festas populares da comunidade de Tirirical são: São João, Bumba-meu-boi, quadrilha e Candomblé. O padroeiro do lugar é São João batista. A primeira igreja a se estabelecer no povoado foi a igreja católica. As missas eram celebradas nas casas das pessoas O fundador da Assembleia de Deus foi o senhor Amadeus. Da igreja católica foi Chico França. A religiosidade está presente numa parcela significada dos moradores da região, sendo o catolicismo a religião predominante. Atualmente em Tirirical existe uma igreja católica e Assembleia de Deus. A renda da população de Tirirical é de fontes diversas; entre elas, da quebra de coco, da produção de carvão, do corte de arroz, da pesca, de benefícios, programa bolsa escola, PETI, e alguns outros benefícios. Existe um grande número de pessoas, que não possuem qualificação profissional, dedicam-se tão somente ao trabalho agrícola, mas, como não têm posse de terra alguma, trabalham como arrendatários, pagando dois alqueires de arroz aos proprietários e latifundiários. Atualmente o povoado é beneficiado com escolas, energia elétrica, água encanada, um posto de saúde, um mercado municipal e vários orelhões.
  • 133.
    133 POVOADO CASSIMIRO O povoadoCassimiro foi fundado em 13 de outubro de 1967, pelo lavrador João Cassimiro, que veio com a família. O referido primeiro morador é maranhense, oriundo da cidade de Pinheiro. O povoado recebeu este nome em homenagem ao referido primeiro morador. O princípio da história do povoado Cassimiro é marcada com a presença de caçadores que ali caçavam somente para o consumo. O acesso ao município era difícil, pois não circulavam carros, e as viagens eram realizadas a cavalo e a pés. O desenvolvimento do povoado se deu através da lavoura, principalmente do arroz. No entanto, com o transcorrer dos anos, desenvolveu-se também a pecuária, a qual é hoje uma das maiores fontes de economia no povoado, assim como no município. O povoado já possuiu delegacia, cujo delegado era Vicente e Sebastião Alves. Cassimiro está localizado no município de Bom Jardim, fazendo limites com os povoados: Gurvia, Centro do Alfredo e Rapadurinha. Localiza-se a oeste do município, a 42 quilômetros da sede, com uma área de aproximadamente 6 km de extensão. É servido pela estrada piçarral Bom Jardim / São João do Caru, e se liga a outras estradas vicinais que dão acesso a outros povoados fronteiriços. Sua população, segundo pesquisas realizadas em dezembro de 2004 era de 488 habitantes. A infraestrutura habitacional é de 122 casas, onde aproximadamente 50% são de telhas e tijolos; o restante, de taipas e palhas de coco babaçu. A principal atividade econômica é a agricultura, pecuária com a criação bovina e a quebra do coco babaçu. No povoado, desde seus primórdios existiu e ainda existe engenho, o qual é utilizado para a fabricação de cachaça. A população de Cassimiro enfrenta inúmeros problemas. Um deles é a falta de terras para o cultivo, levando famílias a produzirem por arrendamento em terras de latifundiários e algumas a irem embora para lugares distantes, para trabalhar. Há falta de alternativa de empregos, principalmente para a classe juvenil. Povoado Tirirical, em 28/12/2006
  • 134.
    134 Atualmente existem 8pequenos comércios no povoado Cassimiro. Uns vendem secos e molhados e outros vendem bebidas (bares), existindo também uma farmácia. Os principais produtos comercializados são: arroz, feijão, farinha, açúcar, café, aguardente, sabão, sal, margarina bolacha, óleo, etc. O acesso ao povoado no verão se dá através de caminhões, carros pequenos, motos. Sendo utilizado também animais (burros e jumentos) para o transporte de cargas, especialmente pelas famílias de baixa renda. O povoado em estudo usufrui telefones públicos através de orelhões espalhados pelas ruas. Os referidos canais de televisão assistidos no município são os mesmo assistidos no povoado Cassimiro. Sendo: TV Globo e SBT. Quanto ao aspecto cultural, as festas populares da comunidade de Cassimiro são: São João, Bumba-meu-boi, quadrilha e candomblé. O padroeiro do lugar é São Raimundo, cujo festejo é realizado no dia 31 de agosto. A primeira igreja a se estabelecer no povoado foi a igreja católica. No principio, as missas eram celebradas nas casas das pessoas. No povoado Cassimiro funciona escolas de ensino Médio e Fundamental. As escolas do Estado funcionam escolas como anexo, em salas emprestadas pelo município. A renda da população de Cassimiro é de fontes diversas; entre elas, da quebra de coco, da produção de carvão, do corte de arroz, da pesca, de benefícios de aposentados, alguns funcionários públicos, programas bolsa Escola, PETI, e alguns outros benefícios. Atualmente o povoado é beneficiado com energia elétrica, água encanada, um mercado municipal, posto de saúde e orelhões. Igreja Evangélica.
  • 135.
    135 Igreja Católica.2020. Atualmente asfaltado.Povoado Cassimiro, 2020. Igarapé da Água Preta Povoado Igarapé índios, 2000
  • 136.
    136 Igarapé do GalegoPovoado Igarapé dos Índios, 2020 Igreja Evangélica, Igarapé dos índios,2020 Igreja Católica, Igarapé dos índios, 2020. Local das piçarreiras em Bom Jardim: Povoado Barrote: Serrinha; Oscar (com senhor Marcelino) e outros povoados. Um dos graves problemas que constitui um empecilho ao desenvolvimento dosMunicípios de Bom Jardim e São João do Caru reside na questão infraestrutura de suas estradas. Pois 65,83 da população de Bom Jardim reside na zona rural; e a população rural de São João do Caru é de 76,6%. Isso demanda a necessidade de se tornar a agricultura um ponto prioritário na Política Pública desses dois municípios, incluindo-se nessas prioridades, é claro, Esta é apenas uma das várias piçarreiras que existe ao longo da estrada Bom Jardim/São João do Carú. O preço, segundo um dos proprietários, é de R$ 5,00 a caçambada. A insatisfação maior do povo de São João do Carú entre outras é o problema das más condições de estradas, apesar da existência de recursos para isto. Em Bom Jardim, 65% da população é rural e dependem dessas estradas para escoar produção e resolverem seus problemas no município. Estas estradas muitas vezes cortam no período do inverno, deixando essas comunidades isoladas para tudo, inclusive quando pessoas da comunidade adoecem, que são levadas em redes para o município (como se não existisse governo nem recurso para construí-las)
  • 137.
    137 boas estradas etransportes para escoação da produção - como projeto municipal de modo que venha contribuir para que exista possibilidades depreçosacessíveis e competitivos no mercado local. Um dos problemas mais crônicos entre esses dois municípios reside justamente no que toca o indispensável: ESTRADAS E PARCERIA COM O HOMEM DO CAMPO! O qual vive entregue a sorte das políticas públicas, dependendo único e exclusivamente de programas ligados ao PRONAFE, que em muitos casos, se torna mais fácil e acessível quando na sombra de política partidária. O documentário: “Estrada dos Sonhos” desenvolvido por Paulo Montel (at al/apresentado in julho de 2009), mostra uma região, onde “as riquezas do ecossistema revelam uma contradição com a pobreza do povo que habita essas matas da pré- amazônia, ou Amazônia Legal”(Tone Barone) cujo descaso “...aponta para o desinteresse do Poder Público – que durante décadas submeteu a população ao sofrimento em todas as estações do ano”. Segundo o documentário, a falta de estradas afeta diretamente a geração de renda. Afinal, a população rural desses dois municípios depende da agricultura e da pesca (realizada nos rios Caru e Pindaré e empreendimentos com açudes). Os rios Caru e Pindaré torna a região, um excelente DELTA de fertilidade. Belezas naturais - Rios Pindaré e Caru. Fonte: Documentário “Estrada dos sonhos” Um pedaço do Maranhão com cara de Amazônia. Estes são os rios que extremam e perpassam os municípios de Bom Jardim e São João do Caru. Condições das estradas no inverno de 2009 (ver fotos abaixo extraídas do documentário: “Estrada dos sonhos” que já rendeu muitas eleições a corruptos e demagogos na história política de Bom Jardim (e São João do Caru). Veja como era antes o inverno e isolamento sofrido da população rural e de São João do Caru:
  • 138.
    138 Fonte: Documentário, 07/2009Fonte: Arnobe,07/09 (Antes da construção da BR que liga Bom Jardim a São João do Caru). Fonte das fotos: Documentário “Estrada dos sonhos”, 2012. Segundo o documentário, em 10 de dezembro de 2007, foi estabelecido um contrato entre a prefeitura Municipal de Bom Jardim e uma determinada empresa contratada, no valor de R$ 1.076.596,00 (Um milhão, setenta e seis mil, quinhentos e noventa e seis reais) para melhoramento e revestimento da MA 318. Só em 2008 foi dado início a obra, em perído de inverno e de eleição. O documentário revela tambémem depoimentos de moradores da região que,“quando passou a eleição, a firma (empresa) foi embora” retirando suas máquinas.A política dessa forma, se torna um instrumento de perpetuação de grupos detentores do poder a quem “interessam” a manutenção da situação de pobreza, subdesenvolvimento e atraso na região, o que se transforma numa arma política de políticos comprometidos com o subdesenvolvimento e atraso.
  • 139.
    139 Distância Estimativa dosPovoados à Sede Municipal Cidade de São João do Caru 100 km Santa Luz 13 km Centro do Bastião 5 km Pedra de Areia 7 km Centro do Bastião a Pedra de Areia 01 km Boeiro 5 km Tirirical 11 km Rosário 22 km Rapadura Velho 18 km Centro do Nascimento 20 km Barra do Galego 38 km Sapucaia 45 km São João do Turi 70 km São João dos Crentes 7 km Turizinho 50 km Três Olhos d´A´guas 55 km Km 18 12 km Oscar 18 km Galego 26 km Cassimiro 35 km Rapadurinha 40 km Novo Caru 53 km Vila Bandeirantes 50 km Macaca 45 km Igarapé dos Índios 74 km Da Sede Municipal à Resina 25 km Do Igarapé dos índios ao Pov. Canaã 6 km. Polos Administrativos de Bom Jardim Os Polos Administrativos foram criados informalmente e independente de Lei Instituída, não possuindo caráter administrativo, numa perspectiva da geopolítica local para fins de promoção de planejamento em políticas públicas. Apenas serve de “agregação” de povoados adjacentes a outros maiores para fins de abranger blocos de povoados no sentido de mapeamento de concursos por blocos regionais; em outro caso, serve como agregação de povoados para fins de apuração eleitoral, como acontecera na eleição de 2012 para apuração eleitoral, a qual muito se especulava temores de que por trás de certa “inovação” – o que dantes não acontecia, fosse corromper os resultados da disputada eleição dos dois fortalecidos blocos.
  • 140.
    140  Polo BelaVista;  Polo Brejo Social e Antônio Conselheiro;  Polo Caru, Cassimiro, Vila Bandeirante e Igarapé dos Índios;  Polo Vila Varig;  Polo Santa Luz, Tirirical e Oscar. De Acordo co levantamento por FUNASA, 2006 - (Bom Jardim- MA), no município existe um total de: LOCALIDADES POR CATEGORIA: POVOADOS: 127 SÍTIOS: 109 FAZENDAS: 75 BAIRROS: 09 e o Centro. 10 Bairros  Bairro Joana Dark  Bairro Vila Muniz  Bairro Vila Pedrosa  Bairro Vila Meireles  Centro  Birro Santa Clara  Vila nova Esperança  Alto dos Praxedes  Bairro Mutirão  Bairro União (Bairro novo que fica atrás e entre o Bairro Joana Dark e Vila Muniz) São João do Caru O município de São João do Caru até o ano de 1994 era povoado de Bom Jardim, e ganhou sua emancipação política pela Lei Nº 6.125, de 10 de novembro de 1994, sendo o primeiro prefeito eleito, JamesRibeiro.Atualmente emancipado, possui um número populacional segundo as estimativas do IBGE de 2007 de 12.796 habitantes. Em 2006 eram 14.845. E apresenta uma área territorial de 616 km². São João do Caru tem três vias de acesso: Bom Jardim, Governador Newton Belo e a cidade de Maranata - Pará. A fronteira de São João do Caru com Bom Jardim se dá na ponte do povoado Joãozinho (pertencente a São João do Caru). A cerca de 100 km de Bom Jardim, este município possui o maior índice de analfabetismo do estado do Maranhão: 50,6% (IBGE 2000)/. Nos indicadores da ONU, esse índice era de 53%. Em 2010 esse índice de analfabetismo caiu para 31,06%. -Renda percapita: 597,00 -Índice de Desenvolvimento Humano: 0,511 - Ranking no Estado – dos 217 municípios - (MA): 205º Fonte: FUNASA, José Matias Porto, 11/8/2006; e SUS (Sistema Único de Saúde).
  • 141.
    141 Piora nos indicadoresde Desenvolvimento Humano IDH 2.000: 0,511IDH 2010: 0,509 Em 2000 ocupava a 205ª posição no ranking do Estado. Em 2010 despencou para 211ª posição. Isso significa que a qualidade de vida da população, considerando EDUCAÇÃO, SAÚDE, LONGEVIDADE E RENDA - Piorou. É o preço da falta de políticas públicas sérias, planejadas e competentes para o município. - População Urbana: 23,4% População rural: 76,6% Sabendo que o índice de analfabetismo da África é de 36% (Segundo dados do Relatório da ONU/2000), conclui-se que existem verdadeiras “pequenas áfricas” no interior do Maranhão pelo exposto acima. Rua do Comércio – Município de São João do Caru. Segundo a senhora Joana, esposa do 1º morador, a rua do comércio foi o local onde foi plantada a primeira roça no município. Centro Educacional Aldenor Leônidas Siqueira. Rio Caruem São João do Caru/1/2007 Na região Caru existe grande extração de madeira, que é exportada para Paragoaminas, no Pará. O escoamento se dá através de estradas vicinais abertas àquela região, via-Caru. 1º morador de São João do Carú Aldenor Leônidas Siqueira
  • 142.
    142 Obs.: São Joãodo Caru em 1980 possuía apenas 1.346 habitantes. Comparando o IBGE de 2003 com o de 2007 ficou observado a redução populacional dos municípios de Bom Jardim, São João do Carú, Governador Newton Bello e outros municípios maranhenses. Seria o modelo político comprometido com a exclusão social e subdesenvolvimento que “embala” a ausência de perspectivas que está “expulsando” esse grande contingente de pessoas que estão indo embora a outros estados? Ou indicadores distorcidos na perspectiva do aumento dos recursos e repasses federais? Segundo o documento Indicadores Ambientais do Maranhão (2009), São João do Caru apresentou 220 focos anuais de queimadas, e um remanescente de 65% de suas florestas naturais. 8.1 Indício de Colonização na Região Caru Apesar da região Caru ter sido habitada apenas nos anos 66 do século XX, como é do conhecimento de todos, há relatos e indícios que levam às evidências de ter existido povoações na região possivelmente entre o século XVIII a XIX na região. Quando analisamos os anais da história na região do Vale do Pindaré que ocorreu entre os séculos XVIII a XIX,um questionamento dedutivo paira no ar: - Essa colonização na região Pindaré não teria se espalhado pela região Caru,que está em suas adjacência? Analisei os relatos de pessoas que chegaram em Bom Jardim nos anos de 1959 os quais, como numa aventura de colonizar tiveram os primeiros contatos com uma região ocultada ou seja, desconhecida da população civilizada da época. Os relatos foram colhidos de Dionísio Silva Lima, Luiz Xavier Ferreira (popular Luiz da SUCAM) e Manoel P. Santos, do povoado Siringal, adjacência do relato. Veja o que diz Dionízio: “No ano de 1953, meu pai veio morarnum povoado por nome Limoeiro do Bento Moraes, próximo a Águas Boas, município de Monção. Na época não existia Bom Jardim, tudo era mata. No ano de 1959, meupai e outros companheiros vieram caçar aqui onde hoje é Bom Jardim, em cuja localidade estava acontecendo um extenso desmatamento em todo o trajeto que segue a BR 22, atual 316, eram homens contratados por agentes do governo federal para desmatar e construir em anos que seguiram, a BR 316. Na ocasião, pararam com a caçada e empreitaram3 quilômetros para desmatar um espaço entre a Curva e Chapéu de Couro – provavelmente no Pau D´árco. Em 1968, eu, meu pai e mais quatro pessoas dafamília saímos tipo uma expedição no rio Caru que durou três meses. Nósfomos de canoa descendo pelo igarapé Água Preta até o
  • 143.
    143 Pindaré e fomosde rio acima até o Caru. Tínhamos levado alguns mantimentos,mas sobrevivíamos mesmo da farta caça que a floresta oferecia. Na região Caru tudo era mata fechada e poucas pessoas moravam onde hoje é São João do Caru, que era a última morada ou seja, que apresentava habitantes. Existia ali entre 15 a 20 barracas de lavradores e caçadores. O rio Caru era um paraíso cheio de peixes de couro principalmente surubim, lírio,mandubé e outros. Caça existia até demais de muitas espécies. Porco queixada (porco do mato) eram em torno de quinhentos. Depois de alguns dias de aventura subindo pelo riotivemos que recuar quando chegamos numa ponte feita por índios brabos da tribo Guajá. A madeira da ponte não era cortada de ferro e sim com pedras que eles fatiavam rodeando até rolar (cortar). Movidos pelo medo, tivemos que voltar e paramos perto da Barra do Turi, onde passamos muitos dias. Foi ali que tive uma grande curiosidade por uma cadeia de fatos e antiguidades que muito me chamou a atenção: - Ao lado direito do rio, ou seja, entre o Caru e o Pindaré tive a sorte de fazer várias descobertas. Numa grande área de mais ou menos 15 km encontrei uma grande quantidade de pedaços delouças, possivelmente do século XVIII aXIX. Tudo bem decorado num coloridocom grande relevo. Quando se tocava nas peças, elas se desmanchavam – pela ação de tanto tempo que ali se encontrava exposta (a sol e chuvas). Distante deste local, a cerca de 2 quilômetros, vi o aterro de uma casa que tinha mais ou menos 50 a60 metros. Neste local tinha pedaços de telhasque media mais de 20 centímetros, e tudo debaixo da mata. Mais adiante, a uns 9 quilômetros, chegamos num seringal. Com suas gigantescas árvores, fiquei abismado em ver esta riqueza da Amazônia aqui em Bom Jardim, na região Caru. Vi que aquelas seringueiras tinham sido exploradas amuitos anos; encontrei logo adiante um instrumento de ferir as cascas das árvores para tirar o leite (látex) que fabrica a borracha, achei também mais de duzentos copos de flandres –estes, quando os tocávamos, se desmanchavam - e um galão de coletar o leite das seringueiras. Já quase desaparecido no meio daquela mata encontrei o forno de defumar a borracha. Ao retornar para o rancho na beira do rio,tive mais uma surpresa do lado de São João do Caru, achei um forno de assar telha e em cima das grelhas tinha uma árvore que media cerca de 80 centímetros de diâmetros. Muito curioso e fascinado diante de tudo aquilo,eu queria ao menos saber um pouco da origem de tudo que se apresentava a vista. Mas graças a Deus, tive a sorte de ver e
  • 144.
    144 conhecer um senhorde76 anos que se identificou pelo nome de Leriano. Vendo minha preocupação e curiosidade diante de todos aqueles achados, ele me esclareceudizendo: - Vou te contar um pouco dessa história. Desde pequeno, sou desta região e o meu avô sabia muito sobre Pindaré;ele falava que na época que situaram o Engenho Central, por volta dos séculos XVIII a XIX, muita gente subiu às margens do rio Pindaré e Caru. Lá onde você viu o aterro da casa foi uma feitoria e onde você viu o forno de assartelha, existiu mais de 40 casas. Sóque naquela época, o número de índios era muito grande e todos, além de selvagens, eram brabos e houve um conflito entre os índios (defendendo suas terras) e o povo que não resistiram, tiveram que abandonar tudo. A cacaria que você viu era do dono da feitoria. A história do seringal e seringueira foi dramática. Um homem rico de Pindaré de influência política mandou homens para explorar o seringal só que o encarregado da exploração era um homem muito mal e astuto. O mesmo contratava trabalhadores que tinha mulher para trabalhar e armava cilada. Convidava para caçare lá no mato, matava-os para ficar com a mulher. Depois de algum tempo, ele chegavaprocurando pelo outro dizendo que num momento haviam se apartado e dizia não saber o que havia acontecido, se estava perdido ou algum bicho o havia devorado. Simulando preocupação e chorando, convidava os outros para ir atrás do “desaparecido”, só que ia para outros lados diferentes, de forma que o mistério permanecia encoberto. Certo dia, ele saiu com mais um trabalhador, ou melhor “vítima” para fazer mais uma tragédia. Mascomo tudo tem o tempo certo e fim, houve um vacilo e o homem escapou e fugiu imediatamente e chegando onde estava a mulher, rapidamente fugiu pela mata. Depois de muitos dias de viagens e sofrimento pela mata, quase morreram de fome e doença. Chegaram em Pindaré e denunciaram o que ali acontecia. Segundo o velho, estefoi o problema do seringal abandonado”. A foto acima é o Rio Caru no povoado Siringal/ o outro lado desse rio é área indígena onde morava o senhor Carlos Gomes, o qual morreu entre os anos 65 a 70, onde segundos os relatos, sua casa era edificada num local próximo a uma feitoria. Atualmente tudo está coberto de mata.
  • 145.
    145 Foto e textopor Adilson Motta, 2011. 8.2 DESCOBRINDO NOSSAS ORIGENS (Bom Jardim) A amostra abaixo é resultado de uma pesquisa de campo realizada na zona urbana de Bom Jardim, pelos alunos do Colégio Municipal Ney Braga II, vespertino na data 27/04/2004. Foram entrevistadas 2.083 pessoas. Professores empenhados na pesquisa realizada: Adilson Motta, Diwey, Laurecy, Cristiane Varão, Tatiane e Mágila. MARANHÃO: 63,03% CEARÁ: 14,3% PIAUÍ: 13,68% PERNAMBUCO: 3,65% PARÁ: 1,06% OUTROS (Paraíba, Mato Grosso, Bahia, Rio Grande do Norte): 4,28% 8.3 Programas sociais, benefício e emprego SAÚDE / EDUCAÇÃO E PROGRAMA S SOCIAIS ZONA URBANA E RURAL ANO-2004 2006 03/2007 Nº APOSENTADOS 4.200 Nº DE FUNCIONÁRIOS / MUNICIPIO 1.250 930 * PETI-PROG. DE ERRADIAÇÃODO TRABALHO INFÂNTIL 500 BOLSA ALIMENTAÇÃO 1.682 PROGRAMA GESTANTE 158 FAMILIAS. FONTE: SECRETARIA DE AÇÃO SOCIAL/BANCO DO BRASIL/INSS/ 12/2004&/2007 * Não fornecido FAMÍLIAS BENEFICIADAS E CADASTRADAS NO BOLSA FAMÍLIA, 2008 - E 2013 Cidade Estimativa de Famílias Pobres – Perfil Cadastro único (IBGE, 2004) Número de Famílias Beneficiárias do Bolsa Família – Set, 2008 2013 Bom Jardim 6.367 5.633 6.750 benefícios Valor R$ 2013: 8.277.482,00 O Programa Bolsa Família* foi criado em 2003, a partir da unificação dos programas Bolsa Escola, auxílio-gás, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação. O Programa Bolsa Família tem por objetivo a inclusão social Povoado Siringal em São João do Caru No povoado Siringal há existência de vegetação típica da Amazônia como: Castanheira-do-pará e açaí.
  • 146.
    146 das famílias emsituação de pobreza e extrema pobreza por meio da transferência direta de renda e da promoção do acesso a serviços sociais de saúde e educação. O Bolsa Família consiste na concessão de benefícios mensais às famílias que recebem até R$ 100,00 “per capita” por mês, segundo os critérios abaixo, em contrapartida ao compromisso dessas famílias de garantir a freqüência escolar e cuidados com a saúde das crianças e adolescentes. O objetivo do programa é a universalização do público alvo. * A relação nominal dos beneficiários do Bolsa Família está disponível na Internet - www.msd.gov.br (Lembrando que, há um código de acesso que apenas o pessoal ligado à Ação Social possuem). 9 INSTITUIÇÕES, SINDICATOS, ASSOCIAÇÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS EM BOM JARDIM O QUE É SINDICATO? A palavra sindicato tem raízes no latim e no grego. No latim, “sindicus” denominava o “procurador escolhido para defender os direitos de uma corporação”, no grego, syn-dicos” é aquele que defende a justiça. O sindicato está sempre associado à noção de defesa com justiça de uma determinada coletividade. É uma associação estável e permanente de trabalhadores que se unem a partir da constatação de problemas comuns. Num sentido mais moderno, podemos dizer que sindicato é a instituição utilizada para a organização dos trabalhadores na luta por seus direitos junto aos governos e principalmente em relação aos empresários. Ao longo dos anos, o movimento sindical teve um papel político importante e decisivo no contexto das políticas nacionais, no caso do Brasil, temos um presidente que vem das massas populares, emergido das forças sindicais que se consolidava na CUT (Central única dos Trabalhadores): Luiz Inácio Lula da Silva. SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE BOM JARDIM Sindicatos dos trabalhadores rurais de Bom Jardim, fundada em 1971, a primeira associação criada em Bom Jardim com a finalidade de prestar assistência Social aos trabalhadores rurais de Bom Jardim. É vinculado à FETAEMA (FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES DO ESTADO DO MARANHÃO), sendo que seus associados (aposentados e não aposentados pagam uma contribuição de R$ 4,00(1,7%) do salário para estar em dias e usufruírem do serviço prestado pela entidade, além do direito à aposentadoria. Seu presidente fundador foi o Sr. Joaquim Alves de Andrade.
  • 147.
    147 SINDICATO DOS ARRUMADORESDE BOM JARDIM Fundada em 12 de abril de 1968. Objetivo: Assegurar direitos Previdenciários à classe, mediante taxas pagas pelos associados ao INSS. Sendo que durante 25 anos de serviço prestado e se encontrando quite, o associado tem o direito a aposentadoria. Este são todos presidente desde sua fundação:  Dioclides Mendes Viera (1968 / 1975)  Raimundo Ferreira dos Santos (1975 / 1976)  Aldezílio Cícero Viana (1976 / 1979)  Domingos da silva (Tarzan) – (1979 até 2010 que vence.) Sindicato dos Arruadores de Bom Jardim, 2000. CLUBES DAS MÃES Foi fundado em 12/01/1973. Objetivo: Servir de creche para crianças de 2 a 6 anos, e alfabetização das mesmas. Sua primeira presidente fundadora foi a Senhora Adelaide, tendo como vice: Francisca Germana. A atual presidente (em 2007) é Socorro Barbosa Pereira. Até dezembro de 2006, o Clube de Mães de Bom Jardim atendia crianças em situações onde os pais trabalhavam e lá deixavam sob os cuidados daquela tão necessária instituição. Em dezembro de 2006, a instituição foi fechada deixando de atender às crianças, pois, segundo a presidente, o Poder Público se negou renovar (assinar) o convênio que repassava os recursos, por razões político-partidária. Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bom Jardim-MA.
  • 148.
    148 COLÔNIA DE PESCADORESDE BOM JARDIM – MA A colônia de pescadores do município de Bom Jardim foi fundada em 08/12 de 2001. Registrada no Ministério da Pesca, a mesma possui cerca de 700 associados; tendo como presidente: Gesso Soares da Silva. Com sede localizada no povoado Santa Luz. Cada associado paga R$ 4,00 para a associação. Deste valor, 60% é para manutenção da associação e 40% são repassados para o governo. Do qual seus associados gozarão do direito à aposentadoria como pescadores. Apesar de ter crescido bastante o número de açudes para criatórios de peixe como atividade econômica no município, a produção fluvial e lacustre ainda é superior. (Segundo o presidente da referida associação). A Associação de Pescadores pode atuar em duplo objetivo em suas funções: Lutar pelos interesses da classe pesqueira e defesa do meio ambiente, amparada pelo IBAMA e órgãos competentes. O grande problema que a associação enfrenta no município é a pesca predatória. (realizada antes de crescimento dos peixes ou na fase da desova). Para isto, o governo federal através do Ministério da Pesca criou o salário desemprego aos pescadores para o sustento destes durante o período de proibição à pesca ou desova. CONSELHO TUTELAR OBJETIVO: Zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos na Lei Federal nº 8.069/90 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Nunca é demais lembrar dos direitos daqueles que são o futuro do nosso país. “Para a lei, considera-se “criança” a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e adolescentes” aquela entre 12 e 18 anos de idade. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais garantindo, garantindo a eles o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social. A família, a comunidade, a sociedade em geral e o poder Público devem, por lei, assegurar que sejam respeitados e aplicados os direitos dos nossos jovens à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, a dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Clube de Mães em Bom Jardim
  • 149.
    149 A nível internacional,quem cuida dos direitos das crianças e adolescentes é o UNICEF (Fundo da Nações Unidas para a Infância). O órgão foi criado em 1946 para promover o bem-estar de meninos e meninas com base em seus direitos sem discriminação de raça, credo, nacionalidade, condição social ou opinião política. O Estatuto também prevê punição a qualquer forma de negligencia, discriminação, exploração, violência crueldade e opressão às crianças e adolescentes do nosso país. Referindo-se a essa criança e jovem que será o futuro do país, veja o que diz o papa João Paulo I (antecessor de João Paulo II). “Quando olho para uma criança, vejo o futuro homem que será. Quando olho para um homem, vejo a criança que foi”. Data de eleição e fundação em Bom jardim: Foi fundado a partir da Lei Municipal n° 364/2000 de 13 de março de 2000. A primeira eleição de fundação em Bom Jardim foi realizada em 11/07/2000, sendo eleitas 05 conselheiras e ficando as outras 05 na função de suplentes. Membros componentes da 1ª eleição do 1º mandato: Maria Elieusa Pimentel de Macedo Pedrosa (Presidente) Osmarina Gomes Soares (Vice-Presidente) Deuzenir Ribeiro Araújo Odília Oliveira Coelho Adneumária Andrade de Oliveira Os recursos que mantém o órgão correspondem a 1% do FPM (Fundo de Participação do Município) que são repassados para o FIA (Fundo da Infância e Adolescência) para desenvolver as políticas do conselho, os componentes do Conselho Tutelar são remunerados pelo Poder Executivo através da Secretaria de Ação Social. SINDICATOS DOS PROFESSORES DE BOM JARDIM - SINPROBEM Fundado em 2003. Tendo como primeira Presidenta fundadora: Vaneres Ferreira Pereira Cardoso e Vice, Ângela. Na eleição de 17 de dezembro de 2007 foi eleito Rivelino que desistiu, assumindo a presidência Ângela Maria Carvalho e como vice, Rossana. Na terceira eleição Foi eleita Ângela e sua Vice Rossana. Durante este mandato, em 2010 o sindicato conseguiu a carta sindical e tem advogado para lutar pela causa dos educadores. Na quarta eleição, foi eleita Rossana presidente e Elisângela como vice. Objetivo: Defender os interesses da classe dos professores da rede municipal. É mantido com a contribuição dos associados e mantém vínculo com a CUT e CNTE (Conselho Nacional dos Trabalhadores em Educação).
  • 150.
    150 O direito deGreve é garantido pelo Supremo Tribunal Federal pela Lei Nº 7.783/89. Entre suas diretrizes está a de que deve ser descontado 2% do salário de seus associados. O sindicato dos professores de Bom Jardim é tido como referência a outros sindicatos da região em termo de experiência e lutas pela causa dos educadores. Entre as conquistas auferidas pelo SINPROBEM, estão:  Aprovação do Plano de Cargo e Carreira;  O que resultou na elevação do salário em 40%.;  Conquista do 14% salário – aos educadores que não apresentarem faltas no trabalho. E como incentivo à formação.  Conquista do abono (sobra do FUNDEB), direito dantes encobertos que a classe não recebia. (Direito percebido até antes da aprovação do Piso).  E, a conquista do tão sonhado Piso Salarial do Magistério, resultado de 08 anos de brigas e greves na vigência do Governo Roque Portela, cuja aprovação deu-se após sua derrota para o adversário Beto Rocha em sua indicada Lidiane Leite. O Sindicato, conforme se verifica nos acontecimentos atuais, tornou-se um instrumentoinstitucional político que por longos anos não tinha espaço e prestígio tal qual o adquirido na gestão Malrinete Gralhada. Tornou-se assim, um instrumento de resistência diante a abusos de poder cometidos por gestores “sem noção” e concentradores de poder. Junto ao direito da classe, em momento de protestos, o sindicato como forma de fortalecer sua ação e ter maior impacto – de protesto e greve, acampou situações sociais precárias envolvendo outros segmentos, o que atinge em cheio, gerando um efeito e impacto na estrutura política de certos gestores. GRÊMIO ESTUDANTIL Movimento Estudantil, uma História de Resistência A resistência que existe até hoje em nosso país sobre os movimentos estudantis e que fizeram muitos companheiros tombarem desde a formação da UNE (União dos Estudantes), vem principalmente da época em que a burguesia brasileira se instalou mais explicitamente as “suas garras” (Ditadura Militar), não foi porque simplesmente reivindicam educação pública, democrática e de qualidade e sim porque a classe dominante sabia e sabe que os estudantes têm clareza do que é necessário para uma transformação da sociedade. Muitos jovens, no quotidiano da vida escolar encontram-se “isolados e aprisionados” por não estarem unidos e usarem a grande arma que têm nas mãos: a liberdade, a cidadania e o voto. É hora de darem as mãos e romperem as amarras da acomodação. Afinal, a juventude representa mais de 50% da sociedade civil.
  • 151.
    151 A IMPORTÂNCIA DOSGRÊMIOS ESTUDANTIS Os Grêmios Estudantis têm um papel fundamental na construção de uma sociedade mais unida e solidária. Eles são a “célula” do movimento, os espaços que reúne pessoas, para mostrar seus projetos, debater realidades e possíveis conquistas. É importante que os componentes do Grêmio, vencedores de eleição, ocupem estes espaços, integrem o maior número de pessoas possíveis nas discussões, tornando-os sujeitos do processo de transformação – que será uma construção coletiva. DIREITO É GARANTIDO POR LEI . A Lei Federal nº 7.398, de 1985, garante a organização de grêmios estudantis como entidades autônomas para representar os estudantes em qualquer escola pública ou particular do país, com finalidades educacionais, culturais, cívicas, desportivas e sociais. Todos os projetos deverão ser aprovados em assembleia geral. A aprovação e a escolha dos dirigentes serão realizadas pelo voto direto e secreto de cada estudante, observando as normas da legislação eleitoral e as regras da escola, a qual o grêmio é pertinente. Não apenas em uma escola, mas em todas as escolas em projetos restritos e comum. UMESB-UNIÃO MUNICIPAL DOS ESTUDANTES SECUDARISTAS DE BOM JARDIM Fundado em 24/07/2003. Primeiro Presidente foi Joaby Nascimento da conceição. Objetivo: Representar a classe estudantil do município. GRÊMIO ESTUDANTIL EDSON LUIS-BANDEIRANTE Data de fundação: 2002 Primeiro presidente: Dal Adler Objetivo; Defender ao interesses da classe estudantil. SINSERP -BJ O sindicato SINSERP foi fundado em 2008, tendo como primeiro presidente Jamilson Pereira de Sousa e Vice Isac Manfrine. Atualmente, a estimativa de associados é de 190 (segundo Edeilson, presidente interino). Seus associados pagam uma taxa de R$ 10,00. O SINSERP-B.J., diferente do Sindicato dos Professores (que agrega apenas a classe de educadores), comtempla toda categoria, desde educadores, gari, vigilantes, etc. sem delimitações. A função do SINSERP-B.J. é proteger e fazer a representação legal da categoria, defesa, independência da classe nos termos da lei. SINSERP-B.J.: sinserp@hotmail.com
  • 152.
    152 A importância deuma associação na comunidade A associação é uma forma de organização da sociedade civil sem fins lucrativos que, além de captar recursos e projetos sociais em instâncias Municipais, Estaduais, Federais, ONGs (Organização Não Governamental) e empresas privadas como a Vale do Rio Doce, e outras, é um meio juridicamente organizado de representação da comunidade ante os poderes públicos e privados, por exemplo: através da câmara de vereadores, Secretarias Administrativas, Assembleia Legislativa de Estado, Câmara Federal dos Deputados e diversos, onde se possibilita a liberação de recursos para os seus representados. A associação é uma porta aberta para recursos e projetos, sendo um meio de levar desenvolvimento diretamente às comunidades, tirando-as do “isolamento social” quanto à participação de recursos e projetos que demandam de órgãos diversos. Livrando-a de representações ideológicas e fontes geradoras de “currais eleitoreiros”. O problema existente em muitas associações é a falta de preparação e capacitação do corpo de associados. Onde perdura a ausência de uma auto- gestão, ficando desta forma exposta as manobras e “controles de interesses”. RELAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES FORMAIS DE BOM JARDIM 01. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Santa Maria 02. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Igarapé do Meio 03. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Dezoito 04. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Igarapé da Onça 05. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Centro de Oscar 06. Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado de Centro Oscar 07. Associação dos Produtores Rural do Povoado de Olho D’água do Sulino 08. Associação dos Pequenos Agricultores Rurais do povoado de Galeno 09. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Galego 10. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Brejo Grande 11. Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado de Centro do Cassimiro 12. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Centro do Cassimiro 13. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Rapadurinha 14. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Vila Bandeirante 15. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Centro do Bernardinho 16. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Igarapé dos Índios 17. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Igarapé do Jardim 18. Associação dos produtores Rurais do Povoado de São Pedro do Caru 19. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Nova Canaã 20. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Garrafa 21. Associação dos produtores Rurais do Povoado de Zé Boeiro 22. Associação dos produtores Rurais do Povoado Tirirical 23. Associação dos Moradores do Tirirical 24. Associação dos Produtores Rurais dos povoados de São João e São Pedro de Água Preta 25. Associação de Moradores e dos Produtores Rurais do Povoado de Monteiro da Água Preta. 26. Associação dos Produtores rurais do Povoado de Rosário 27. Associação de Moradores de rosário 28. Associação dos Pescadores da Zona Rural de Santa Luz 29 Sindicato dos Pescadores de de Bom Jardim
  • 153.
    153 29.Associação dos produtoresrurais do Povoado de Bom Jardim 30. Associação Fé em Deus de Santa Luz 31. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Barra do Galego 32. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Chapada 33. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Novo Caru 34. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Barra de Escada 35. Gurvia-Associação Comunitária Antonio Feitosa Primo 36. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Santo Antonio do Arvoredo 37. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Novo Progresso 38. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Turizinho 39. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Três Olhos D’Água 40. Associação São Sebastião do Povoado de São Sebastião 41. Associação de Lavradores do Povoado de Vila Santa Clara 42. Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Brejão I 43. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejão II 44. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Assentamento Flecha 45. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Córrego do Açaí 46. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejo Social 47. Associação dos Pequenos Produtores Rurais e Moradores do Povoado de Brejo Social 48. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Novo Brasil 49. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Córrego do Jenipapo 50. Varig I Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Assentamento Vilinha 51. Varig- Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Vila Pindaré 52. Varig- Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Vila Pimenta 53. Varig- Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Vila Polyana 54. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Córrego da Inhuma 55. Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado de vila Sapucaia 56. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Água Preta 57. Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado de rio Caru-Anil 58. Associação dos Pequenos Produtores e Agricultores do Povoado de Rio do Ouro 59. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Vila Santo Antonio 60.Associação de Moradores e Agricultores do Povoado de Vila Itaquary 61.Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Assentamento Rio Ubir 62.Associação dos Produtores Rurais do Povoado da Vila Jardim 63. Associação de Produtores Rurais do Povoado do Povoado de Cristal 64. Associação de Produtores Rurais do Povoado de Pedra Grande 65. Associação de Moradores e Produtores do Setor Aeroporto 66. Associação de Agricultores e Produtores rurais do Povoado de Vila Jacutinga 67. Associação de Pequenos Agricultores Rurais do Povoado de vila Maranhão 68. Associação de Pequenos Agricultores do Povoado de Vila Bom Jesus 69. Associação dos Pequenos Agricultores da Vila Quilombo dos Palmares 70. Associação de Moradores da Vila Canaã II 71. Rio Verde-Associação dos produtores rurais e Moradores Nossa Senhora Aparecida, Gleba. 72. Associação de Moradores do Povoado de Córrego do Mutum 73. Associação dos pequenos Agricultores do Povoado de Bela vista 74. Associação de Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejo do Tiro 75. Associação de Produtores Rurais, Setor Córrego das Pedras.
  • 154.
    154 76. Associação dePequenos Agricultores do Povoado de Aeroporto 77. Associação dos Trabalhadores do Assentamento Nascente do Rio Azul Vila boa Esperança 78. Associações de Pequenos Produtoras Rurais do Assentamento da Vila São Raimundo do Rio dos Bois 79. Associação dos Produtores Rurais do São Gonçalo 80. Associação dos Produtores Rurais do Baixão do Cocal 81. Associação dos Produtores Rurais do Baixão do Inhuma e Sapucaia 82. Associação dos Agricultores do Vale Mutum 83. Associação dos Pequenos Produtores do Vale do Sapucaia 84. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejão 85. Associação dos Produtores rurais do Povoado de Monte Alegre 86. Associação de Moradores e Pequenos Agricultores do Córrego do Mutum 87. Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Povoado de Brejo do Tiro 88. Associação dos Produtores Rurais do Povoado de Alto bonito 89. Associação Santa Fé dos Produtores Rurais da Vila Bela Vista 90. Associação de Produtores Rurais e Moradores da Comunidade do Povoado Nossa senhora Aparecida 91. Associação do Taxistas de Bom Jardim 92. Associação dos Moradores e Moradoras da Vila Abreu 93. Associação Bomjardinense de Radiodifusão Comunitária 93- APDFAM-ASSOCIAÇÃO DE PORTADORES DE DEFICIÊNCIA FÍSSICA AUDIVISUAL E MENTAL LEVE. 94- A.M.B.J. Associação de Moto taxistas de Bom Jardim – MA. 95- Associação Cultural de Capoeira Escravos Brancos FONTE: Prefeitura Municipal / 2003/2013. Obs: O problema existente com tão grande número de associações é a falta de preparação e capacitação do corpo de associados. Onde perdura a ausência de uma auto-gestão, ficando desta forma expostas a manobras e controles de interesses políticos. SINTRAF – Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (de Bom Jardim) É dirigida por coordenadores que, em Bom Jardim (em 2008):  Osfernandes;  Raimundo Solidão;  E Nilson. 9.1 INFRA – ESTRUTURA HABITACIONAL DE BOM JARDIM Fonte: FUNASA, CEMAR, 2000. DOMICÍLIOS GERAL ZONA URBANA: 41,15% ZONA RURAL TIJOLOS TAIPAS TABUA TIJOLOS TAIPAS TABUA 7256 42,18% 56,84% 0,93% 9,12% 86,47% 4,41% COM ENERGIA ELÉTRICA: 4,738 ligações ZONA URBANA 75, 63% ZONA RURAL 58,03% ZONA URBANA E RURAL 65,3%
  • 155.
    155 SITUAÇÃO DOS DOMICILIOSZONA URBANA SITUAÇÃO BOM JARDIM-MA BRASIL Com água encanada 72,7% 90% Com esgoto sanitário e fossa séptica 31,8% 92% Com coleta de lixo 46,8% 92% Fonte: IBGE, 2000. PROPORÇÃO DE MORADORES POR TIPO DE INSTALAÇÃO SANITÁRIA ANO 2010 Instalação Sanitária Domicílios particulares permanentes (unidades) Domicílios particulares permanentes (percentual) Total 9.592 residências 100% Rede geral de esgoto ou pluvial 136 1,42 Fossa séptica 242 2,52 Fossa rudimentar 5.219 54,41 Vala 1.953 20,36 Rio, lago ou mar 25 0,26 Outro tipo 701 7,31 Não tinham 1.316 13,72 Fonte IBGE/Censos Demográficos 2010 9.2 SETOR DE COMUNICAÇÃO Um dos primeiros meios de comunicação considerada pioneira no Município foi a Voz Itamarati – propriedade do senhor Pedro Juvino – O tempo da “preficadora”, como cita o popular, a qual era amarrada ou pregada em um alto mastro e que espalhava som para toda cidade. Servia para divulgar propagandas, músicas e informativos. Um dos pioneiros nos meios de comunicação em Bom Jardim é o Sr. A. Santos que por longos anos trabalhou em várias Um dos pioneiros nos meios de comunicação em Bom Jardim é o Sr. A. Santos que por longos anos trabalhou em várias rádios. A. Santos
  • 156.
    156 De 1989 a1995 funcionou no município a TV Cidade Cultura, administrada pelo locutor e apresentador Herbeth Jansen onde eram divulgadas notícias da região, a cultura local e propagandas comerciais. Na história da radiodifusão no município já existiram muitas rádios comunitárias de prestação de serviço à comunidade. Algumas extintas, outras ainda permanecem ativas. As extintas, devido as constantes fiscalizações da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). As pioneiras surgidas a partir da lei (9.612/98) que regulamenta a difusão de Rádios Comunitárias no Brasil que entraram no ar foram:  Digital FM;  União FM;  Cultura FM Vale lembrar que estas emissoras todas possuíam associações através das quais pleitearam a licença ou outorgas de funcionamento e que, devido demora, burocracia e indeferimentos, foram extintas. Outras se estabeleceram de forma clandestina. Foram elas:  Stúdio FM – pertencente a Tony Barone;  Rádio Cidade – de Hérbeth Jansen (atualmente Duca Pedras);  Rádio Stylus FM, 91,5 fundada em 10 de março de 2006 a qual funciona como rádio comunitária pela associação cultural bumba-boi de Bom Jardim – do Sr. Paulo Costa;  Bom Jardim FM, do Sr. Nildão (Fundada em 2001) – Com a mensagem pano de fundo: “Esta veio para ficar”, e em apenas dois meses fechou.  Alternativa FM – De Tony Barone – Surgiu após o fechamento da Rádio Stúdio FM;  104 FM – De Paulo Costa – Surgiu após o fechamento da Stylus FM;  Educativa FM – De Francisco Mota (Fechada).  Mania FM – (de Barone(Surgiu após o fechamento da Alternativa FM;  Estação FM (De Barone) -surgiu após o fechamento da Mania FM. Um fato que vale lembrar é que o locutor e radialista A. Santos foi o único que trabalhou em todas essas rádios. Todo esse histórico representa a resistência e luta por uma maior liberdade de expressão e concessão das Rádios Comunitárias. Outro meio de comunicação existente no município é através dos correios, que apresenta um eficiente meio de transportes de cartas e encomendas. Os serviços prestados são: Sedex, cartas registrada e simples, encomenda normal, telegrama e FAX. Há escolas de informática particulares e que dispõe de serviços prestados de internet, que também é um dos meios de comunicação. O município é servido por dois canais de televisão: SBT e rede globo, além de recursos particulares como antenas parabólicas e TV por assinaturas via sky que permite pegar outros canais. Apresenta uma ampla rede telefônica do sistema Telemar espalhado por todo município através de orelhões e telefones fixos (particulares) e uma rede de telefonia celular da Operadora VIVO e CLARO. www.bomjardim.com.br O site bomjardim.com, é de propriedade de Rafael e foi fundado em janeiro de 2011. No primeiro mês de fundação, teve um total de 3.000
  • 157.
    157 acessos. Hoje, apresentaestimativamente 60.000 acessos mensalEm novembro de 2013 constava um total de 800.000 acessos (em breve chegará a marca de 1 milhão de acessos). O site apresenta 800 postagens e 2 mil seguidores. Atualmente é umas das mídias mais acessadas no momento em Bom Jardim e região, e de enorme poder de informação imediata e com precisão com os fatos que acontecem. É o site de maior circulação regional e que leva notícias e informação para todos que estão plugados, o que já é um grande número. O poder de informação que os meios de comunicação tem exerce grande influência, na atualidade, na história política local e regional. Pois, a medida que o povo se informa, muda atitudes, “higieniza” a democracia, renova a cidadania e promove mudanças, não permitindo que grupos políticos perniciosos e sem compromisso, na sombra da alienação e ignorância do povo venha perpetuar no poder pela liberdade de opção proporcionada pelo voto livre. Mesmo que tenha surgido dentro de um contexto não apartidário, verifica-se que, atualmente o site divulga suas notícias e informações de modo imparcial, sem compromisso político- partidário, o que é bom para a democracia local e região. Jornal Gazeta Fundado por Paulo Montel em 2006, teve pouco tempo de duração, o qual foi substituído por outro circulante na região (Jornal Leia Hoje) – sociedade de Paulo Montel com um colega. Era de caráter apartidário, e mantido com fundos de propagandas de lojas e circulava no município. Apresentava também utilidade pública no tocante a assuntos sociais no que condiz as relações sócio-políticas no Município e divulgação. Sendo um instrumento de comunicação social a serviço da comunidade bonjardinense. Neste caso, era um instrumento de cidadania e utilidade pública. O projeto Jornal Leia Hoje fracassou, e, em 2007, Paulo Montel reativou o Gazeta; decidindo editar a 2ª edição de sua Revista Alfa (protótipo do que era em Parauapebas). Mas como o nome Gazeta tinha caído no gosto da população, bonjardinense, o mesmo resolveu deixar o nome GAZETA. 10 EDUCAÇÃO E CULTURA 10.1 História da educação de Bom Jardim O presente trabalho é resultado de um esforço, na busca de divulgar para comunidade bonjardinense, no que diz respeito á evolução e história da educação local. Para esse fim contamos com o apoio de pessoas que acompanharam o processo educativo do município desde sua fundação, passando pela sua emancipação que se deu no dia 30 de dezembro de 1967 até os dias atuais. A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO A educação é responsável pela realização do individuo, permitindo- lhe explicitar suas realizações, compatibilizar–se com a realidade e nela
  • 158.
    158 atuar de formaresponsável e eficiente. Desta maneira, todos e cada serão beneficiados, na medida em que o individuo realiza suas aspirações pessoais e sociais. O que toca no indivíduo toca no sistema social como um todo. Porque toca na família, que é célula mãe dessa sociedade, que toca no município, que toca no estado, que abrange o país. A educação como processo de desenvolvimento, é também um instrumento de mudança de comportamento do educando. Tendo em vista que cultura é o processo pelo qual o homem transforma a natureza, o meio social e sua existência. 10.2 AS PRIMEIRAS ESCOLAS EM BOM JARDIM Segundo informações prestadas pelas primeiras professoras de Bom Jardim, a primeira escola era denominada Escola Costa Fernandes Sobrinho, quando Bom Jardim ainda era distrito do município de Monção – MA, no ano de 1966. Esta escola tinha como diretora a senhora Laura Arrais. Um ano depois veio a professora Mariza Almeida Abreu, normalistas que assumiu a direção da escola. Trabalhavam também às professoras Antônia Cavalcante Gonzaga e Maria Almeida Bezerra. Após dois anos da fundação de Bom Jardim chegava aqui a SUDENE, que construí uma escola próxima ao aeroporto, a extinta Escola Estadual Unidade Integrada Bom Jardim, que ainda hoje os bonjardinenses a chamam de Colégio da Sudene. Antiga Escola da Sudene abandonada servindo de abrigo para famílias sem-teto. Em 1968 foi implantado o projeto Bandeirante, objetivando inicialmente suprir a falta de ginásio (hoje ensino fundamental) em cerca de 25% dos municípios maranhenses. Mas foi construído em 1970, sendo denominado Colégio Governador José Sarney, que teve início suas atividades em 1971, mantido em Convênio com a prefeitura de Bom Jardim. Passou a fazer parte do Projeto Bandeirante, ou seja, passando para o Estado em 1977. Na época, existiam ainda escolas particulares leigas, sendo a mais conhecida a Escola da professora Raimunda Bezerra, que era a professora mais tradicional. O município possuiu escola pelo programa MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização), cujas escolas tinham como objetivo atender a população na faixa etária de 15 a 30 anos de idade,. Sendo fundadas durante o governo militar, a metodologia de alfabetização aplicada era totalmente desprovida do sentido critico e problematizador.
  • 159.
    159 A cidade possuiuem 1983 colégios particulares de 2° Grau. Essas escolas foram extintas por falta de alunos em condições financeiras para paragem seus estudos em nível de 2º Grau. Em vista dessa realidade, o vereador João Franco Souza, levando em consideração o reduzido poder aquisitivo de maioria das famílias de Bom Jardim, quase sem nenhuma possibilidade de custearem os estudos de seus filhos nas escolas particulares de 2º grau existente na sede do município, deu entrada em Janeiro de 1985 a um requerimento na Câmara Municipal de Vereadores, solicitando a criação do ensino de 2º Grau mantido pela prefeitura, o qual foi aprovado por unanimidade e logo encaminhado ao prefeito Municipal que era Adroaldo Alves Matos. O 2º grau municipal iniciou no dia 04 de maio de 1985 no prédio da Escola Municipal Ministro Ney Braga, mantido com os recursos próprios da prefeitura Municipal logo foi reconhecido pelo conselho Estadual de Educação, através da Resolução nº. 398/85 que oferecia aos egressos do 1° grau as habilitações: Magistério com habilitação até a 4ª série do 1º grau e o curso Técnico em Contabilidade. No ano de 2000 o Estado assumiu o Ensino Médio. Percebe-se que a cada ano, na zona urbana e rural a demanda populacional pelo ensino médio cresce numa constante. Até 2002, o ensino médio era ministrado apenas na zona urbana, deixando o jovem interiorano (rural) sem perspectiva. No ano de 2003, a Gerência de Desenvolvimento Humano de Estado ampliou atendendo a demanda da população rural, sendo instalado o ensino médio através de anexos nas seguintes localidades: Novo Caru e Rosário. Em 2004 em outros povoados foi implantado o ensino médio: Novo Caru, Rosário, Rapadurinha, Cassimiro, Tirirical, Vila Bandeirante e aldeia dos Índios. Porém, havendo “cortes” no orçamento do governo do Estado, este se obrigou a extinguir escolas em pleno funcionamento (letivo), e o restante, baixou os salários dos professores contratados em mais de 60% do valor antes pago. Dos povoados onde funcionava o ensino médio, só permaneceram Rosário, Novo Caru, Cassimiro e Vila Bandeirante. Muitos jovens desta forma ficaram impossibilitados de continuar o ensino médio por falta de vagas. Apesar dos avanços e do aumento do atendimento à demanda no que toca o ensino médio, a escolha e seleção de professores para suprir as vagas do quadro docente se processa precariamente, devido o atrelamento e a politização das decisões no que toca o destino da educação no Maranhão. As escolhas eram realizadas através de transações artificiosas e políticas pelas quais eram articuladas a educação a nível Estadual. Tal fato se processa quando o quadro docente por contrato é escolhido por “acordos” e “negociatas” políticas. Recebendo o nome que todos os professores já conhecem “QI”; (Quem Indique) politicamente. Deixando os professores na perspectiva de não acreditarem em títulos e competências. E sim procurarem “dedo político” que “Indique”. Professores que tem formação em uma determinada área eram determinados pelo “Indique” a lecionar disciplinas que não tem formação ou afinidade. Tal fato vinham a comprometer o padrão qualidade, fazendo perpetuar os “indicadores sociais”, que vergonhosamente são ostentamos
  • 160.
    160 para o Brasile o mundo. “Alguns” politicamente tiravam proveito com isto, em prejuízo ao social, porque compromete o padrão qualidade. A nível municipal, com a criação do Programa FUNDEF (Fundo de manutenção e desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério), houve maior valorização ao professor. E o aumento de implementos didáticos. Em Bom Jardim podemos citar um grande avanço na educação com o Convênio da Prefeitura Municipal com a Universidade Federal do Maranhão, nos termos da Resolução nº. CT-07.003.020/2001, (na gestão de Manoel Gralhada), sob a influncia e ação da deputada Malrinete Gralhada, trazendo para Bom Jardim o Programa Especial de Formação de Professores para a Educação Básica - PROEB, que tem como principal objetivo à melhoria da educação e a habilitação de professores a nível superior. Era um curso de Licenciatura Plena. Num Total de 157, candidatos distribuídos nos 4 cursos: Letras, Matemática, Pedagogia e História. A primeira Pedagoga do município foi a senhora Irene Alves Matos Souza, que começou sua vida na educação do município em 1973, a qual, até 2004 esteve à frente da coordenação da educação. A primeira secretária de educação do município foi a senhora Mirene Antonia dos Anjos. De 2000 a 2004 esteve à frente da educação do município, como secretária, Cleuma Santos Matos. De 2005 a meados de 2007 foi Antonio Otávio Oliveira sendo substituído por Rivelino. Obs.: Em 2003 foi realizado a elaboração e votação do Plano Decenal de Educação de Bom Jardim (2003/3013). No entanto, ainda não foi usado na coordenação de política educacional no município. E nem tão pouco levantado como bandeira de política pública. Escola Fernanda Sarney onde funcionou o curso da UFMA (Universidade Federal do Maranhão) de 2001 a 2005 nas áreas de Letras, Matemática, História e Pedagogia. E serviu de abertura para o PQD (Programa de Qualificação Docente) em 2006 ministrados pela UEMA (Universidade Estadual do Maranhão). Em 2006, a Secretaria de Educação na gestão de Rivelino mandou um projeto para a câmara municipal o qual foi votado mudando o nome da escola Fernanda Sarney para Edinare Feitosa – que era realmente de Bom Jardim e conhecida pelos filhos da terra. E não produto de bajulações políticas para angariar projeto. No ano de 2013, com a eleição de Beto/Lidiane Rocha, a Secretaria de Educação ficou ao encargo da supervisora Rozana. Devido a demora de início letivo das aulas na zona Rural (por conta do impasse entre Poder Executivo e Legislativo, sob alegação de não aprovação dos projetos do executivo de
  • 161.
    161 contratação tendo emvista os excedentes assegurados em Lei, o que chocaria direitos), houve um grande número de transferência de alunos para outras cidades vizinhas, cerca de 2.000 alunos foram transferidos. Um certo desajuste instalado na casa criou um impasse entre Secretária de Educação e a categoria Sindicalizada e demais professores (pois a mesma era culpada de perseguir e tratar mal as pessoas), o que instalou um clima de inimizade, a ponto de o sindicato mobilizar um abaixo assinado pela maioria dos professores solicitando a remoção do posto da dita Secretária – que, segundo agentes do sindicato, criava obstáculo ao diálogo que deveria acontecer entre a categoria e o Poder Executivo (o que não foi atendido). Na região da Miril, onde falta de tudo, - apesar de as aulas no município terem começado em fevereiro, muitas encontravam-se sem professores, o que comprometeu o índice de desempenho e aprendizagem dos alunos – sob o risco de redução do IDEB municipal que acontece no respectivo ano. Num clima de insatisfação e mesmo com uma atitude impopular, a secretária ficou afastada por aproximadamente uma semana (com foguetaria e tudo mais pela cidade), depois retornou, para o desagrado de uma grande parte que não a via com bons olhos nem cativação: O retorno da que não foi, da supervisora Rosana ao cargo de Secretária, aconteceu. Entretanto, um mês depois, mediantes reclamações, insatisfação e um índice de rejeição acima de 90% - o que era comprometedor a uma eleição que estava às portasa acontecer – o Poder Executivo resolveu demití-la sumariamente (antes que o agravante se tornasse maior, conforme expressava opinião pública) no comprometimento a imagem política do governo municipal. Um desajuste que ocorre, segundo se pode verificar, está no contraste entre professores concursados e contratados: Ambos trabalham a mesma carga horária (20h/2016) e, enquanto que o concursado recebe uma remuneração de cerca de 2.000,00 reais (Piso Integral), o professor contratado recebe cerca de 800 reais – menos da metade, e sem direito de 13º salário nem férias, que segundo a lei, não é só prerrogativa de concursados. O bom mesmo, para não dizer pior – acontece após o período de eleições, quando muda de gestor, onde na educação, os professores tem de 3 a 4 meses de férias. Como exemplo vale citar no pós eleição 2016, onde “arrumar a casa” da nova gestão, levou o ono ano letivo de 2017 a começar as aulas na sede do município no mês de março. E no “arrumar da casa” da zona rural, onde as aulas tem início bem depois de quando inicia na sede municipal. Quando muda de gestor, as “férias são longas”. 2013 - o ano perdido na educação em Bom Jardim  Mais de 2.000 alunos transferidos por falta de aula/professores, ou funcionamento das escolas que demoravam, principalmente na zona rural (onde se localiza o maior contingente de alunos no município);  Mais de 17 escolas fechadas;
  • 162.
    162  Na regiãoMiril/Novo Jardim/Antonio Conselheiro e outros, onde moram cerca de 6.000 habitantes, 70% dos alunos ficaram fora de sala de aula – pelo não início das aulas e falta de professores por inércia da (in-)gestão sob pretexto de “briga político-partidária”. O significado maior muitos dizem: incompetência política.  No dito ano letivo (2013), 70% dos alunos de 1º ao 5º ano, conforme avaliação/SEMED (2013) da Rede Municipal, não sabem ler nem escrever. Apesar dos avanços, o município não possui uma proposta curricular de ensino clara e definida (grade curricular de conteúdos), ainda não promove formação continuada (bimestralmente) aos professores, apenas formação inicial (que é generalista).E por não apresentar uma grade curricular de conteúdos comum e específica às escolas, os conteúdos são definidos em planejamento na “liberdade e autonomia” dos educadores, em conformidade com os livros didáticos que chegam das editoras. Isto leva a existir, muitas vezes, uma prática curricular muito pobre; que não leva em conta nem a experiência trazida pelo próprio professor, , nem a trazida pelo aluno, ou mesmo às características da comunidade em que a escola está inserida. Os órgãos colegiados das escolas (Conselho escolar, Conselho de Classe e Grêmios Estudantis) não apresentam muita evidência de atuação; não oferta aula de reforço nas escolas como um todo, ou uma meta sistemática traçada, mas no entanto, o Programa Mais Educação é usado para esta finalidade, o qual funciona num certo desajuste. E por outro, o município não possui um Fórum Municipal de Educação nem de caráter provisório, nem em caráter permanente e legal que asseguraria viria o não “engavetamento” do Plano Decenal de Educação – no qual estão traçadas as metas, estratégias, enfim a vida dinâmica da educação no município. O DESAFIO DAS ESCOLAS MULTISSERIADAS EM BOM JARDIM – MA. Devido a existência de poucos alunos para compor salas em determinados povoados, o município, assim como muitos municípios brasileiros adotam o multiseriado, que na visão dos críticos, é o ensino mutilado. Neste, a aula é composta de alunos de todas as séries do ensino fundamental e o quadro negro é dividido na mesma aula assim como o tempo para atender os alunos. Um exemplo claro dessse modelo, segundo professor Antonio, é verificado na escola do povoado São João do Turi, a 3 quilômetros do povoado Sofia e a 1 quilômetro do povoado Turi dos Costas onde cada povoado funcionada o multiseriado, ou seja: uma sala de educação infantil, misturada com alunos de séries diversas – do 1º ao 5º ano, e cada qual sem
  • 163.
    163 infraestrutura adequada deescola. Tudo se resolveria se a Secretaria Municipal de Educação instituisse Escolas Polo que agregasse todas mais distanciadas com poucos alunos. Para isto, é necessário um sistema de transporte (nucleação) permanente na localidade (povoado) onde situa esssas escola Polos para o transporte dos referidos alunos. Neste ponto de solução surge um grande problema: Acessibilidade, cujo problema dar-se no período do inverno, onde as estradas tornam-se intrafegáveis, sob risco de perda do ano letivo dos alunos do campo. Acredita-se que a saída seria o município fortalecer e dar prioridade em cuidar da infraestrutura (empiçarramento) das vicinais que interligam os povoados com orçamento e projetos preistos em caráter de permanência. O fato é que muitos males assombram as escolas multisseriadas: falta de infraestrutura, sobrecarga do professor, falta de material didático-pedagógico (adequado), professores leigos (no assunto das multisséries e suas metodologias), e muitas vezes, falta de Formação Continuada para a operacionalização pedagógica do processo. Em nível de Brasil, nas classes multisseriadas encontram-se cerca de 60% dos estudantes do campo. Segundo o Censo Escolar 2009, existem 96,6 mil turmas do Ensino Fundamental nessa situação em todo país. O Nordeste representa o maior contingente de escolas multisseriadas, com 58%, seguido pela região Norte, com 24% região Sudeste, com 11%, região Sul, com 5% e região Centro-Oeste, com 2%, confirmando que essa organização escolar continua sendo uma realidade em todas as regiões do país e deve ser contemplada com políticas educacionais que realmente incluam e neguem a educação de qualidade social aos sujeitos do campo. O Estado do Maranhão, é o segundo com maior número de classes multisseriadas, num total de 11.038, perdendo apenas para a Bahia, com 14.298 classes. (Fonte: MEC/INEP/Deed – Censo Escolar, 2012.) O município de Bom Jardim, dentro desse universo não é diferente, pois o mesmo, com um total de 103 escolas, das quais 09 encontram-se na zona urbana, e 94 delas localizam- se na zona rural. Das quais em 88 dessas escolas funcionam sob esta modalidade. O município possui um total de 10.595 alunos, dos quais, 4.121, que correspondem a 38,9% estão matriculados em multisséries. Há um consensoentre os coordenadores de que, ao se trabalhar/aprimorar as multisséries, consequentemente irá resultar na melhoria do IDEB da Rede Municipal. No entanto, apesar de existir um Programa do Governo Federal Voltado para atender a esta demanda, o Município até 2015 não encontrava-se aderido, e funcionava sem parâmetro, ou no estilo “normal” das classes seriadas. Relatos da primeira pedagoga municipal que acompanhou de 1973 até os dias atuais o processo educativo em Bom Jardim (Irene Matos) “Em 1973, ano em que iniciou o segundo mandato de prefeito em Bom Jardim como eleito Adroaldo Alves Matos havia na sede e no interior poucas escolas municipais e duas estaduais (Escola da Sudene e Bandeirante). Naquela época a carência de professores formados em magistério era total. O prefeito tinha que buscar estes profissionais em São Luís, os quais teriam que trabalhar dia e noite. Durante o dia no primário a noite dando aulas nas séries do ginásio, todos com apenas o 3º ano do curso Magistério e alguns com o 4º ano adicional. Os mesmo sem nenhuma especialidade teriam, que ministrar aulas de matemática, Português, História , Geografia e os demais componentes curriculares do curso. Os alunos não tinham livros, as aulas eram ditadas para os educandos copiarem; a metodologia eram tradicional as avaliações mensais, a reprovação era bem acentuada assim como as desistências. O tempo foi
  • 164.
    164 passando, novas eleiçõesvieram, novos prefeitos eleitos e a educação continuava do mesmo jeito. Prefeitos só se preocupavam em construir escolas sem equipamentos necessários, os professores saindo do e entrando a cada prefeito eleito por causa da política. Saíam os de experiência e entravam sem experiência, prejudicando assim a aprendizagem do alunado. O que mudou nos últimos anos foi a construção de novas escolas, o número de alunos cresceu também. Os professores passaram a receber treinamentos com novas metodologias. O material didático começou a aparecer nas escolas como lápis, borrachas, cadernos, papel e livros enviados pelo MEC a todos os alunos da rede pública. Treinamentos e cursos para formar professores como leigos cuja maioria era absoluta: treinamentos de PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) que capacitam para as novas mudanças educacionais. Todas estas mudanças e melhorias se fundamentam na criação do FUNDEF, a partir de 1996, onde o governo federal, priorizando a educação, liberava mais recursos para o setor. Novos colégios foram construídos em Bom Jardim como o 2º grau municipal que oferecia dois cursos: Magistério e Técnico em Contabilidades que ajudou muito as famílias de pouca renda que não podiam tirar seus filhos como concludentes da 8ª série para estudarem fora do município. O município hoje conta com muitos professores formados a nível superior que a principio só contava com uma pedagoga habilitada em administração Escolar, professora Irene Alves Matos Souza que administrava o Ginásio Bandeirante, o atual colégio Estadual C.E.E.F. Médio José Sarney. Um avanço também no município foi a Educação de Jovem e Adultos implantada em 1986 pela professora Irene que era secretária de educação na época. Atualmente o avanço é ainda maior, devido a implantação do PROEB pela tão conceituada Universidade Federal (UFMA) aqui em Bom Jardim com a finalidade de formar a nível superior os professores que trabalham na educação; também foi implantada as telesalas, existindo um número de salas, sendo 10 na sede e 3 no interior, Além do programa de cunho do governo Federal, como: Alfabetização Solidária e o Programa Vamos ler, que visam erradicar o analfabetismo do município. Até então (2004), os professores trabalhavam sob a orientação da pedagoga Irene e alguns supervisores. Processo esse, que deu continuidade no governo seguinte. HISTÓRICO DO COLÉGIO BANDEIRANTE O ginásio Bandeirante foi fundado em 1971 com o primário nos turnos matutinos e vespertinos. O ginásio no noturno. Tendo como primeira diretora Sônia, e professoras: Olga, Conceição e Irací. Depois vieram Irene Matos, Maria Lurdes, Jobenilde; secretário: Professor Eufrásio. A partir de 1977, (no mandato de Adroaldo), foi realizado sua inauguração. Passou a funcionar como: Unidade Integrada Gov. José Sarney. Em 2002, o ensino médio, antes mantido pelo município foi integrado a rede estadual de Ensino Fundamental e Médio Governador José Sarney. Fonte: Direção Escolar / 2004 (Profº Firmino Viveiros dos Santos)
  • 165.
    165 10.3 SITUAÇÃO POLÍTICO-EDUCACIONALDOS ANOS 60 / 80 (E 2015) EM BOM JARDIM Os professores municipais eram admitidos através de portarias e nomeações assinadas pelo prefeito. Para que um professor fosse nomeado era necessário ser apresentado através de políticos ou representantes de povoados. O candidato era submetido a uma prova escrita de Português em nível de 3ª série do 1º grau, na qual eram consideradas a ortografia do professor, uma prova de matemática com as 4 operações fundamentais e outra de conhecimentos gerais. 50% das questões eram sobre a cultura do município. Este teste só era aplicado para professores leigos da zona rural. Passando por uma entrevista para observar o desembaraço do candidato. Ao assumir o professor, o professor não assinava nenhum termo de compromisso, chegando até às vezes a arrepender-se sem iniciar os trabalhos tendo em vista os salários não compensarem. O salário pago aos professores era de acordo com o nível de instrução de cada classe estabelecida pelo Executivo municipal que compreendia: - Classe A: professores com instrução de 2ª a 4ª série do 1º grau completo; - Classe B: com instrução de 1º grau completo; -Classe C: professores com magistério. Eram descontados dos seus salários 8,5% para o INSS. Em consonância com a situação de pobreza e carência no município, o professor tinha que usar apenas sua força de vontade, o quadro de giz e a espoja para a transmissão de suas aulas sem contar com o apoio de material de didático. Os professores viviam uma realidade cruciante: sem assistência pedagógica e sem livros para consultas para subsidiar seus conhecimentos, sem nenhuma reciclagem oferecida pela secretaria de educação, enfim, sem material didático básico para a preparação de suas aulas. O município, além das fontes de Recursos Federais oriundos do FUNDEB possui também Programas complementares advindos do FNDE como suporte as demandas educacionais: Colégio Estadual Bandeirante -Funciona Ensino Médio e Fundamental mantido pelo Estado.
  • 166.
    166  PDDE –Programa Dinheiro Direto na Escola (Recurso a ser gasto pelos Gestores, Conselhos e Associação de Pais e Mestres das Escolas da Rede Municipal (Com conta específica de cada escola).  Mais Educação – ou Educação em Tempo Integral que funciona em contra-turno dos horários nas escolas.  PAR – Plano de Ações Articuladas - é um instrumento de planejamento da educação por um período de quatro anos. É um plano estratégico de caráter plurianual e multidimensional que possibilita a conversão dos esforços e das ações do Ministério da Educação, das Secretarias de Estado e Municípios, num SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO. A elaboração do PAR é requisito necessário para o recebimento de assistência técnica e financeira do MEC/FNDE, de acordo com a Resolução/CD/FNDE nº 14 de 08 de junho de 2012. Relação das Escolas Municipais de Bom Jardim - MA. Ano2013 Escola Localidade N.º de Alunos 1 03 de Setembro Antonio Conselheiro 182 2 Adelaide Matos Pedra de Areia 15 3 Adroaldo Alves Matos Sede 355 4 Alexandre Costa Pov. Canaã 36 5 Almirante Barroso Pov. Altº da Sofia 09 6 Antº Carlos Bekman Tirirical 142 7 Antº. Palhano Silva Pov. Igarapé do Jardim 09 8 Antonio M. Gomes Pov. Igarapé Grande 10 9 Belarmino da Mata Faz. Espora de Aço PARALISADA 10 Boa Vista Pov Rio dos Bois PARALISADA 11 Boa Esperança Turi dos Costa 12 12 Bom Jesus Vl. Novo Jardim 83 13 Caminho do Saber Vl. São Francisco 11 14 Castelo Branco Cabeceira Brejão 33 15 Castro Alves Cassimiro 144 16 Cecília Meireles C. do Aristide (Bidulas) 47 17 Cleuma S. de Matos Centro do Alfredo 11 18 Conceição Raposo Pov. Varig II 14 19 Coração de Jesus Pov. Chapada 35 20 Creche Adroaldo Sede 522 21 Danilo Furtado Córrego Genipapo PARALIZADA 22 Dep. Vieira da Silva Rapadura Velha 21 23 Deus é por nós Ass. B. Esperança (42) 59 24 Deus é Tudo Rio da Onça II 14 25 Dom Pedro I Barraca Lavada 42 26 Dom Pedro II Rapadurinha 73
  • 167.
    167 27 Dom ValmirPalmeira Comprada 16 28 Dr. Antonio Dino Pov. Oscar 115 29 Dr. Antonio Muniz Alves Sede 257 30 Dr. Benedito A. Carvalho Vila Pimenta 188 31 Dr. J. Cláudio Moreira Igarapé dos Índios 152 32 Dr. Mário H. Simonsen Pov. Novo Caru 168 33 Dr. Nunes Freire Turizinho de Augusto 57 34 Duque de Caxias Igarapé das Trairás 82 35 Edson Lobão Brejo da Iuma 36 Ester de F. Ferraz Pov. Sapucaia 54 37 Eurico Gaspar Dutra Pov. Novo Caru 100 38 Francisca G de Brito Neves Santa Luz 223 39 Francisca Machado VI. Novo Jardim 23 40 Fé em Deus Lagoa da Sambra 14 41 Fernando de Noronha Zé Boeiro 48 42 Ferreira Gulart Vila Maranhão PARALISADA 43 Frei Antonio Sinibalde Sede 593 44 Frei Damião Pov. Galego 48 45 Frei H. de Coimbra Escada do Caru 50 46 Futuro da Vida Brejão Sunil 12 47 Getulio Vargas Três olhos D’água 98 48 Gonçalves Dias Rio Azul 83 49 Infância do Amor Varig Sapucaia 14 50 João Alberto Brejo dos Índios 14 51 José Procópio Pov.Tres Poderes 38 52 João Paulo II Vl. Bom Jesus 108 53 José Bonifácio São Pedro do Caru 97 54 Josué Montelo Centro Zaqueu 17 55 Juscelino Kubschek Córrego do Açaí 23 56 Lago verde Pov. Mutum III 20 57 Leal Cruz Comunidade R. Verde 12 58 Leonel Brisola Vl. Bandeirante 18 59 Luis Rego C. do Nascimento 82 60 Machado de Assis Vl. Bandeirante 93 61 Malrinete Gralhada Pov. Tirirical 117 62 Manoel da Conceição Boa E. Água Preta 18 63 Manoel Lidio A. de Matos Portal Amazônia PARALISADA 64 Maria Socorro O. Oliveira Rio dos Bois 11 65 Mário Guiddi Vila Abreu 115
  • 168.
    168 66 Marly AndréBarragem de Mutum 12 67 Mauzol Miguel de Sousa Pov. Altos Santos 14 68 Men de Sa Pov. Rosário 69 69 Monteiro Lobato Varig Água Preta 18 70 Nagib Haickel Pov. Km. 18 168 71 Ney Braga Sede 1094 72 Nossa Sª. Aparecida Vl. Cristalândia 169 73 Nossa Sª. de Fátima Jatobá Ferrado 16 74 Nossa Sª. dos Anjos Pov. João Bastião 19 75 Rosilda Martins Oliveira Sede 251 76 Novo Horizonte Pov. Bairro Cocal 24 77 Osvaldo Cruz Stº Ant. Arvoredo 96 78 Osvaldo de Andrade Pov. Três Irmãos PARALISADA 79 Otavio Z. de Oliveira Vl. Varig 45 80 Padre José de Anchieta Vl. Bandeirante 66 81 Padre Newton I. Pereira Fazenda Amazônia 12 82 Pedro Costa Sousa Índios dos Machados 08 83 Pedro Neiva de Santana Igarapé dos Índios 39 84 Primavera Faz São Jorge - Mutum I 16 85 Princesa Isabel Pov. Boa Vista 27 86 Profª. Dinare Feitosa Sede 825 87 Raimundo B. Duarte Neves São João do Turi 113 88 Raimundo Meireles Pinto Sede 193 89 Raimundo Nonato Pinheiro Novo Caru 147 90 Raimundo Rosa Pov. 17 de Outubro 05 91 Rosa Castro Brejo Social 70 92 Roseana Sarney Vl. Jacutinga 56 93 Rui Barbosa Pov. Água Branca 15 94 Ruth Cardoso Pov. Gurvia 114 95 Santa Clara Pov. Rosário 162 96 Santa Maria Rio da Onça II 42 97 Santa Maria Bela Vista 136 98 Santa Rita de Cássia Vl. Aeroporto 86 99 Santa Tereza Asset. Rio Ubim 67 100 Santo Antonio Pov 60 33 101 Santo Antonio Pov. Alto Flecha 75 102 São Benedito Barro do Galego 78 103 São Francisco de Assis Vl. Pausada 82 104 São José Três Poderes (Brejinho) 23 105 São José Porto Seguro 32 106 São Miguel Pov. Barrote 55
  • 169.
    169 107 São PedroI Pov. Vl. Varig 404 108 São Raimundo Barraca Comprida 21 109 Tomé de Souza Pov. Poliana PARALISADA 110 Terra Livre Ass. Terra Livre 105 111 Vereador Antº F. Primo Sede 198 112 Vila Nova Ass. Vila Nova 39 113 Zeferino G. Pereira Nova Olinda 41 114 Zeferino G. Pereira Zé Boeiro 38 115 Pedreira Vital Vila União 21 116 Reino da Alegria Brejinho da Água Limpa 15 TOTAL GERAL DE ALUNOS Ano 2013 10.327 ALUNOS REGIÃO CARU REGIÃO MIRIL REGIÃO CARU E MIRIL 6.068 alunos ZONA URBANA 4.259 alunos Fonte: SEMED, 2013
  • 170.
    170 10.5 CONTEXTO HISTÓRICODA EJAI (EDUCAÇÃO DE JOVENS, ADULTOS E IDOSOS EM BOM JARDIM – MA. A Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) em Bom Jardim foi implantada em 1993, no 6º prefeito eleito, Dr. Carlos Celso Ribeiro. Em seu momento inicial funcionou apenas na sede municipal – ou melhor, Zona Urbana – deixando a zona rural como sempre, nas condições de excluídos e relegados. A primeira escola do município onde funcionou o EJA foi a Escola Frei Antonio Sinibalde. No momento, o município apresentava um índice de analfabetismo alarmante, cerca de 50%, e em 2000 esse índice caiu para 42%, segundo Nações Unidas. O índice de analfabetos funcionais era outro indicador perverso e assustador, que dentro de um universo ou região Nordeste, colocava o município num elevado índice de pobreza e desigualdade social. Tal realidade ou situação comprimia, ou melhor, levava o grande número de jovens a abandonarem seus estudos, muitos destes, por razões socioeconômicas. De acordo com relatos de professores da época e alunos evadidos, a falta de emprego e renda foi um dos principais elementos que contribuiu para a evasão, e outra causa é a busca de trabalho em outras localidades para garantir o sustento da família. Para VIEIRA (2005), esses problemas devem ser vistos como efeito da má distribuição de renda e a falta de acesso à escola na idade própria. Frente a esse grande contingentes de alunos evadidos daqui e outros que chegavam de outros lugares com situações semelhantes, a gestão que sucedeu aquela que implantou (no ano de 1997 a 2004 – Gestor Manoel Gralhada) abriu largas portas ampliando as demandas educacionais nessa modalidade a esse contingente de desassistidos, entregues a revelia do governo anterior, e algo semelhante em muitos outros municípios, onde não se via na educação um instrumento de fazer política pública para fins de desenvolvimento e inclusão social. Além de funcionar na Escola Frei Antonio Sinibalde, funcionou também na EMEB. Fernanda Sarney (Hoje Dinare Feitosa), no Ney Braga e escola Nova Brasília (hoje conhecida Rosilda Martins de Oliveira). Em levantamentos realizados verificou-se que de 2002 a 2010, muitas escolas da Modalidade EJA na zona urbana e rural foram fechadas por mero descaso e “desvalor” a esse segmento de excluídos na visão de gestores que não viam na educação um dos eixos centrais para a promoção humana, inclusão social e desenvolvimento local. Em 2011, o município contava com um total de 1080 alunos do EJA matriculados na Rede Municipal. No ano de 2013 caiu para 707 alunos. No entanto, no ano de 2014, devido campanhas ou Mutirão de Matrículas promovidos pela Secretária de Educação Nazaré, esse número de alunos matriculados subiu para 1.534 alunos. A maioria das escolas, especificamente da Zona Rural não possui o PPP (Projeto Político Pedagógico). Percebe-se então, que a gestão da direção de muitas escolas da Zona Rural em relação à qualidade, bem como sua preocupação é mais discurso, enquanto que na prática a educação se arrasta. E sua não-abrangência a zona rural reduz a perspectiva de futuro às famílias de seus jovens – condenados a um ciclo de pobreza, o que ultimamente está promovendo uma grande migração do campo para a sede municipal, ou outras cidades.
  • 171.
    171 Evolução do Númerode Matrículas no EJAI 2011-2014 Etapas Ano 2011 Ano2013 Ano 2014 EJA 1080 707 1534 Fonte: Secretaria Municipal de Educação/SEMED – 2014. Não sendo diferente do que acontece nas outras regiões brasileiras, a modalidade EJA/EJAI apresenta um alto índice de abandono, conforme mostra a tabela abaixo. Taxa de Rendimento Rede Municipal. EJAI - Fase/Nível Taxa Aprovação Taxa de Reprovação Taxa Abandono 3º ANO Fundament al 2007 Urbana Rura l Total Urbana Rura l Total Urbana Rura l Gera l 34,7 61,2 58,1 % 3,3% 3,6% 3,6 6,2 35,2 38,3 Fonte: Secretaria Municipal da Escola. 2015. Em 2014, segundo MEC/INEP, o município apresenta um total de 1.543 alunos matriculados distribuídos num total de 40 escolas e 77 professores. Três destas funcionam na zona urbana e as demais na zona rural. Do total de alunos matriculados, 35% são da zona urbana e 65% da zona rural. Podemos constatar o descaso no investimento econômico e social, pois o problema tem maior gravidade dando menos oportunidade educacional, apesar de discursos oficiais das políticas educacionais procurando-se incluir a população jovem e adultos excluídos da escola ou dela expulsa precocemente.
  • 172.
    172 10.6 POSSÍVEL EXPLICAÇÃOPARA O FRACASSO ESCOLAR A explicação para o fracasso escolar relacionado à evasão e reprovação tem suas origens no interior da sociedade e da própria escola. No interior da sociedade – Observa-se a desestruturação do trabalho familiar e a violenta expulsão do homem do campo, por parte de posseiros e fazendeiros. De outro, o seu acentuado deslocamento em direção à periferia dos centros urbanos. Consumando-se deste modo, um crescente processo de exclusão social ocasionada pela expropriação de suas terras por parte daqueles que vão adquirindo com o poder econômico, e destes que vão embora por fala de apoio em políticas públicas e condições econômicas de permanecerem na terra. Indo somar-se àqueles que vão “inchar” os centros urbanos nas cidades, com igual situação e despreparados para o mercado formal de trabalho (que requer mão de obra qualificada). No centro urbano é o problema socioeconômico ou questão do desemprego. Confirmando com a referida explicação veja o que diz o JMTV, (13 / 7 / 2004): “A falta de renda é a principal causa do abandono precoce nos estudos”. É o que também afirma o Ipea (2009): “Entre crianças com renda mais elevada, a taxa de frequência é de 93,6% e as de renda mais pobre é de 75,2%”. A maior causa de evasão escolar em muitas instituições são: os baixos salários, o desemprego, a desmotivação dos pais e baixa autoestima dos alunos que acham que a escola não resolve o problema do desemprego. A gravidez precoce também é um dos motivos que causam a evasão escolar. Cita-se também, que a baixa qualidade do ensino é um incentivo para a evasão. Por parte da escola - Percebe-se que a ausência de uma pré-escola abrangente na rede municipal é um dos fatores que permite perpetuação de altos índices de evasão e reprovação nas séries iniciais do ensino fundamental e seguintes, onde se observa que a maioria do alunado abandona a escola logo no ensino fundamental. Deste modo, os alunos sem pré-escola entram “cegos” na 1ª série do ensino fundamental. Essa “deficiência” vai acompanhá-los ao longo de toda sua vida escolar, gerando reprovações, desistência, distorção idade-série, enfim, o futuro aluno do EJA ou aqueles que jamais voltam para a escola. A grande maioria da população estudantil, entretanto, acaba desistindo da escola. Desestimulada em razão das altas taxas de repetência e pressionada por fatores socioeconômicos que obrigam boa parte dos alunos ao trabalho precoce. Deste modo, o fracasso escolar reforça e exclusão social. Onde as maiores vítimas são as crianças das camadas populares. Sendo, portanto, poucos os que chagam ao ensino médio. Como no caso do município de Bom Jardim, onde se ver no gráfico da página 109, em que apenas 5,5% dos alunos terminam o ensino fundamental e ingressam no Ensino Médio. Grande parte da evasão está associada à repetência. Em
  • 173.
    173 Bom Jardim existe126 escolas do ensino fundamental e apenas duas do ensino Médio. Percebe-se a inexistência de uma política educacional que prenda o homem do campo no campo, em condições que este lá se desenvolva e se fixe. Sendo que 64,8% da população do município está localizada na zona rural, percebe-se nos indicadores, que os filhos do analfabetismo têm garantia de acesso, e, no entanto, não têm de sucesso. Problemas estes, ligados também à estrutura social (ou socioeconômico e político), com a ausência de política de cunho municipal para a questão em sucessivo governo. A LDB 9394/96, define que “A Educação infantil é de responsabilidade dos municípios”. Porém o que se percebe em muitos municípios é um total descaso para essa primeira fase da educação, que será alicerce para a construção do futuro de ensino fundamental, médio e posteriores formações. Com a criação do FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), o financiamentodo ensino público no país, aumentou de R$ 700,00 para R$ 1.200.00; ampliando atendimento à demanda a crechese ensino médio. Apesar do FUNDEB prever a criação de conselhos nos três âmbitos da Federação compostos por governos, trabalhadores, pais e estudantes, com a responsabilidade de fiscalizar a aplicação dos recursos do FUNDEB e o censo escolar estadual ou local, cabe, no entanto a sociedade civil organizada agir para defender o que é de todos. (Já que as casas legislativas de muitos municípios assim não o fazem, descaracterizando sua função). Se o dinheiro não for repassado, a autoridade poderá ser denunciada por crime de responsabilidade. (Diário de Natal, copyright 2006). A solução, segundo Professor Hamilton Werneck (2002, p.30), é... Enquanto o ensino fundamental resolve os seus problemas, as prefeituras devem aumentar os pré-escolares e creches, que, por sua vez, melhoram as crianças para um futuro fundamental, o que fará, certamente, que elas tenham êxito nas escolas. E, a capacitação de professores que trará melhoras em todos os sentidos. Acrescentando-se, é claro, a continuidade nos cursos de formação a nível superior e melhor remuneração para conservar um quadro docente decente para a qualidade. Sendo também imprescindível no combate à evasão, a adequação da escola à comunidade; Principalmente em municípios como Bom Jardim, onde 65% da população é rural. Quando no período de safras, muitos alunos saem para trabalhar, e em muitas aulas perdidas... Acabam desistindo. A educação dessa camada da população representa uma forma de inclusão social. Caso contrário, o município estará negando a possibilidade de uma vida digna e dias melhores para a referida classe. E nesta, um grande número de pessoas que foram e são vítimas do fracasso escolar, que compõe a modalidade EJA, além de outros que nem retornam à escola. As propostas para uma educação de qualidade e inclusiva é vista nos PCNs (2001, p. 13), que impõe a necessidade de investimentos em diferentes frentes, como a formação inicial e continuada de professores, uma política de salários dignos, um plano de carreira, a qualidade do livro didático, de recursos e de multimídia, a disponibilidade de materiais didáticos. Um problema que afeta o futuro da juventude, produzindo exclusão social reside no fato de não existir cursos de qualificação técnico-profissional em Bom Jardim. Ensino médio não é formação, é nível de escolaridade. Existem apenas cursos que formam para a educação. E as demais áreas sociais? Nem todos querem ser professor.
  • 174.
    174 Um provérbio muitoconhecido de todos: “Não dê peixe ao homem, ensine-o a pescar...”. Ensinar o povo a pescar na pescaria da vida e do mercado de trabalho – é prepará-lo, é educá-lo, e qualificá-lo para essa jornada da exigência da vida e do mercado de trabalho. Um fato nada louvável acontece nos municípios maranhenses em relação seu quadro profissional na educação que vão se formando - Os municípios estão perdendo seu quadro docente decente de nível superior para outros Estados e Municípios. As razões são diversas e entre elas:  Questão salarial (é um dos maiores motivos);  A política partidária, que boicota a cidadania e a liberdade de opção, que gera pressão por parte daqueles que não sabem diferenciar política partidária de política pública - onde a promessa eleitoreira de emprego faz demitir bons profissionais em nome do “acordo” fechado pelo voto. A saída, como já acontece em muitos municípios por pressão da justiça e não vontade deliberada de gestores, é a realização de concursos públicos. ANALFABETISMO VERSUS PROGRAMAS DE ERRADICAÇÃO EM BOM JARDIM O analfabetismo em Bom Jardim Segundo o IBGE de 2000 e o Plano Decenal de Educação de Bom Jardim, temos uma população de 34.474 habitantes. Nesta, a população acima de 10 anos de idade é de 25.2226 habitantes. Nesta população acima de 10 anos o município apresenta uma taxa de analfabetismo de 42,5%. O Maranhão: 28,3%. Sendo a média nacional 13,3%. No censo de 2010, segundo o IBGE, este índice caiu para 31,84%. Lamentavelmente, de 2014 a 2020 (abrangendo a gestão da prefeita Lidiane Leite/Beto Riocha, Malrinete a Dr. Francisco, os Programas de erradicação do analfabetismos no muncípio foram literalmente extintos (fechados), e em descaso, com este grave problema social, abandonados. Gerando um índice de que a Política Pública local não tem um compromisso com a cidadania de um alto contingente de excluídos. Consequências do Analfabetismo O analfabetismo é uma porta entreaberta para a pobreza.” (Roza, 2005, p. 8). “Os problemas causados pelo analfabetismo são as principais razões do ciclo permanente de pobreza e subdesenvolvimento em que muitos países se encontram”.(Correio Brasiliense, 7/9/1989). “O analfabetismo inibe o progresso e a produtividade, impede o avanço cultural e espiritual, e ajuda a manter a dependência crônica de sociedades inteiras”.(Correio Brasiliense, 7/9/1989).
  • 175.
    175 “O trabalhador maranhenseé um dos mais despreparado do Brasil. Somente 2% conseguem terminar faculdade. A falta de renda é a principal causa do abandono precoce nos estudos. ”JMTV,(13/7/2004). Programas de alfabetização implantados no município em 2003 Alfabetização solidária Total de professores: 37 EM 2001 TOTAL ANO Z.urb. Z. Rural 2001 174 304 478 2002 598 598 2003 470 Brasil Alfabetizado Os Programas de erradicação do analfabetismo no município foram extintos desde a gestão de Lidiane Leite à gestão de Dr. Francisco. Fonte: Secretaria de Educação Municipal: 2/2003 *Dados da evasão – não fornecidos na Gerêcia de Desenvolvimento Humano. Alfabetização Solidária: Apresenta um baixo índice de evasão. O programa é mantido por: - Bancos Privados e nacional -Empresas nacionais, - Caixa Econômica Federal, - Universidades, -Empresas Multinacionais, Empresas de avião, Indústrias, Empresas de Televisão (Globo, SBT) Editoras e revistas. PROGRAMAS VAMOS LER / OU AVANÇA BRASIL ATUAL: BRASIL ALFABETIZADO Apresenta um altíssimo índice de evasão escolar, acima de 50%. Causas: Problemas de vista (em sua maioria) e sócio econômico. Ambos os programas estão vinculados ao município, que banca toda infraestrutura. A meta do Plano Decenal de Educação municipal é que seja erradicado o analfabetismo do município até 2010. Cabendo, portanto, ao executivo cumprir tal meta ou ao legislativo fazer com que se cumpra. Analisa-se, portanto, que combater o analfabetismo, sem eliminar as causas geradoras, fará com que o circulo se perpetue. Vergonhosamente um professor alfabetizador em 2009 ganhava R$ 250,00. Por ingerência ou falta de compromisso social com o grave problema de analfabetismo do município, esses programas deixaram de funcionar no município desde 2013.
  • 176.
    176 A UNIVERSIDADE EMBOM JARDIM E CONSIDERAÇÕES AO PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO Antes da chegada da Universidade em Bom Jardim através da UFMA com o programa PROEB, não existiam professores formados a nível superior em toda rede municipal de ensino. Existia apenas uma pedagoga assumindo o comando administrativo – pedagógico no município: Irene Alves Matos Souza. As possibilidades e especulações de vir uma universidade para formar os profissionais da educação do município eram remotas, que nem se cogitava. Porém, com a criação do FUNDEF em 1996, isto garantiu mais recursos na educação, permitindo desta forma, em 2001, a firmação do contrato de nº 07.003.020 entre a Prefeitura Municipal de Bom Jardim e a Universidade Federal do Maranhão no custo de 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais), visando instituir quatro Cursos de nível superior com licenciatura plena do Programa Especial de Formação de Professores para a Educação Básica (PROEB), nas seguintes áreas: Letras, Historias, Matemáticas e Pedagogia Magistério. Foram selecionados 157 candidatos distribuídos nos 4 respectivos cursos. Programa Superior para profissionais da educação. Em dezembro de 2005, a administração Roque Portela através da UEMA (Universidade Estadual do Maranhão) assinou um contrato trazendo o PQD (Programa de Qualificação Docente) com os cursos:Matemática, Biologia e Geografia num total de 128 alunos que estão em fase de qualificação. Não se pode falarem qualidade de ensino sem incluir a qualificação profissional do docente. É essa a proposta do PROEB e cursos semelhantes como o PQD visam, tendo como objetivo a melhoria da educação e a habilitação de professores a nível superior para o ensino Publico de Bom Jardim. Em 2004, o município apresentava 485 professores cobrindo toda rede Municipal de ensino. Destes, 30,5% estavam cursando a universidade. A meta do Plano Decenal de Educação de Bom Jardim estabelece que o Poder Executivo Municipal deve expandir o PROEB ou cursos Semelhantes e garantir que se atinja até o final de 2010 a meta de ter 70% do quadro de professores com graduação plena no mínimo em nível de Licenciatura. No entanto, se não houver uma política de plano de cargos, carreira e salário que valorize os profissionais de nível superior (conforme o Estatuto do Magistério da lei nº 368/00 de 03/07/2000), a perspectiva é de que o município venha a perder esses profissionais e tantos quantos se formem futuramente para outros municípios e estados em vista de melhores remunerações como já aconteceu após a vigência do curso PROEB. Fazendo com que grande parte desse recurso investido venha se tornar em vão (com a ida desse professores para fora), fazendo com que a educação do município retorne aos seus rudimentos no qual dantes estivera, sem perspectiva de se atingir a meta do plano Decenal de Educação do município. Merecendo a consideração e alerta ao que diz a LDB 9394/96, no artigo 87 do parágrafo 4º que diz: “Até o fim da Década de Educação (2007), somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamentos em serviços” - prorrogado. Nome dos professores que trabalharam na elaboração do Plano Decenal de Educação de Bom Jardim:  Adilson Pires Mota  Alaíde Gomes Silva  Antonia dos Santos Silva  Antonio de Brito  Cheila Gomes Lima  Clodoaldo Matos da Silva  Deuzimar Vaz de Carvalho Silva
  • 177.
    177  Eucélia daSilva Chagas  Francisca da Conceição Miranda  Janaína Carvalho  Jocicléia Costa de Araújo  Lóide Gomes da Silva dos Santos  Lucineide Costa Teixeira  Luzinete e Silva Vieira  Marconi Mendes Souza  Maria Célia Oliveira Sampaio  Maria Cleude Memória Silva  Maria Marlene da Silva Costa  Rosélia Chagas Silva Costa  Rosileude Brasil de Araújo  Tatiana Lima Sousa  Vilma Soraia Maranaldo Houve também a participação das pedagogas Irene Alves Matos Souza e Andréa Dutra Almeida Nascimento. Apesar da participação de muitos professores em sua elaboração, o Plano, que é de grande importância para a educação e desenvolvimento do município, foi votado em 2003 sem a participação da sociedade e dos professores numa total ausência de POVO. Para muitos professores, o objetivo não era a EDUCAÇÃO, e sim assegurar recursos do FUNDEF, que dependiam de sua elaboração e votação na Câmara de Vereadores. A cada 2 anos o Plano Decenal de Educação deve ser revisado, analisado suas metas e cumprimentos para reajustamentos; isto aonde há compromisso com a educação. CONSIDERAÇÃO AO PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO (2003 A 2013) O primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962, elaborado na vigência da primeira Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 4.024 de 1961, dentro de uma perspectiva de reforma à educação Nacional – sendo um conjunto de metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas num prazo de 8 anos. Em 2001, o presidente Fernando Henrique Cardoso na Lei nº 10.172, de 09/10/2001 aprova o plano Nacional de Educação com duração de 10 anos. Devendo os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, com base no Plano Nacional de Educação, elaborar os planos decenais correspondentes. OBJETIVOS E PRIORIDADES DO PLANO DECENAL DE EDUCAÇÃO - A elevação global do nível de escolaridade da população; - A redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e permanência, com sucesso, na educação pública e, democratização da gestão do ensino público nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. O plano Decenal de educação de Bom Jardim que dá todas essas garantias foi votado no ano de 2003 com abrangência até 2013. A elaboração do Plano contou com a participação do professor Ronaldo Martins Frasão, da UFMA, um grupo de professores do município das pedagogas Irene Alves Matos Souza e Andréia Dutra que coordenaram o seu desenvolvimento. O plano apresenta um total diagnóstico dos problemas educacionais do Município e plano de metas a serem alcançados a curto, médio e longo prazo para a solução dos problemas identificados. Adequando-se às políticas públicas voltadas para educacional do Município.
  • 178.
    178 Segundo Plano Decenalde Educação de Bom Jardim – Maranhão 2015 a 2025 Em junho de 2015, o Município de Bom Jardim através da equipe técnica da SEMED e Sociedade Civil Organizada debatem a elaboração/aprovação do segundo Plano Decenal de Educação, com vigência de 2015 a 2025, conforme Lei Municipal nº 601/2015, de 24 de junho de 2015. Fonte: www.bomjardimma. 06/2015 10 Aspectos Culturais de Bom Jardim “Desvalorizar a cultura (em especial a alta cultura – clássica e acadêmica) é a forma mais segura de extinguir a consciência critica, pois é ela que alimenta a reflexão questionadora e a vontade de transformar o mundo.” (Rouanet) Os aspectos culturais de Bom Jardim apresentam uma diversidade, compondo- se de aspectos da cultura nacional e regional que pintam o dia-a-dia nas datas festivas e comemorativas no município. Entre os aspectos culturais encontram-se as manifestações Folclóricas (Dança do coco, mangaba, quadrilha, bumba-meu-boi), e afins são representados também o tradicional casamento na Roça nas festas Juninas (mês de junho) que também é um marco na cultura local e regional. O município em sua bagagem cultural apresenta também a Dança Indígena que é apresentada nos períodos juninos, o Carnaval que é apresentado com Blocos e Foliões, o Festival do Peixe também tornou-se parte da cultura Municipal. Como a pecuária é predominante na economia bonjardinense, acontecem periodicamente Vaquejadas em períodos indeterminados e locais variados – especialmente na Zona Rural. Traço Cultural também presente na cultura bonjardinense é a presença da Capoeira, praticada por muitos jovens no Município que encontra-se institucionalizada por meio de associações representativas. No campo religioso predomina o catolicismo, seguido de várias outras igrejas protestantes (Assembleia de Deus, Adventista do 7º Dia e demais que se espalham nos Bairros do Centro Urbano e Povoados na Zona Rural de Bom Jardim, onde acontecem festejos religiosos – como A Festa de São Francisco de Assis (da Igreja Católica) que é uma das de maior evento em Bom Jardim. No campo das Religiões Afro encontram-se espalhadas pelo município vários terreiros de umbanda e candomblé.
  • 179.
    179 11.1 Manifestações Folclóricas Apalavra FOLCLORE é de origem inglesa sendo composta por FOLK: Que quer dizer POVO e LORE: Que significa SABEDORIA. O conjunto de lendas, contos, mitos, crendices, cantiga, histórias, danças, festas, conhecimentos etc, que fazem partes da vida e da sabedoria de um povo - conservados pela tradição popular é chamado de folclore ou cultura popular. Quando estudamos o folclore de um povo, conhecemos seu modo de pensar, agir e sentir. Dentro do folclore está contemplando a literatura oral, mãe e origem da literatura letrada. 11.2 DANÇAS: Do Coco, Mangaba, Quadrilha, Bumba-meu-boi A dança do coco tem sua origem no canto de trabalhadores nos babaçuais do interior do Maranhão. É uma dança de roda constituindo-se num convite para a “quebra de coco”, com acompanhamento de pandeiros, ganzás, cuícas e das palmas dos que formam a roda. A coreografia não apresenta complexidade. Como adereços, os componentes da dança carregam pequenos cofos e machadinhas, imitando os instrumentos de trabalhos nos babaçuais. Afirma o senhor Jaime Arão, de Bom Jardim, que aprendeu a dança na cidade de Coroatá, e se apaixonou. Quando chegou em Bom Jardim em 1963, anos depois foi o primeiro a desenvolver a dança no município em estudo. Apesar de haver afirmação de que tenha origem nos babaçuais maranhenses, afirma-se que aqui tenha chegado na bagagem dos escravos africanos e que ela seja o produto da raça negra com o nativo (da região). Apesar de mais freqüente no litoral, há quem defenda que o “Coco” tenha surgido no interior de alagoas, provavelmente no Quilombo dos Palmares, onde se misturava escravos índios com africanos no inicio da vida social brasileira (época colonial). A dança do coco continua sendo a expressão de desabafo da alma popular, da gente mais sofrida do Nordeste brasileiro. Muitos estilos da dança do coco caíram em desuso, por causa das influências culturais urbanas e, a repressão das autoridades. Há um grau de erotismo embutido nas danças, mas ainda são praticados nas festas juninas. O Coco é um folguedo do ciclo junino, que é dançado também em outras épocas do ano. Indumentárias Homens: Calça listrada, xadrez, ou branca, de boca estreita, camisa de meia, sandálias, chapéu de palha. Mulheres: Vestidos de palhas de estampa alegre, mangas fofas, saias bastante rodada, com babados. Nos pés usam tamancos de madeiras que ajudam a sonorizar o ato da pisada no chão. Instrumentos O Coco é uma dança do povo e os principais instrumentos são as próprias mãos. As cantigas são acompanhadas pelo bater de palmas com as mãos encovadas, imitando o ruído de quebrar da casca de um coco, daí o nome da dança, na falta de um instrumento musical. Celebrada por muitos artistas em letras de músicas como: Gal Costa, Gilberto Gil, Alceu Valença e Xuxa.
  • 180.
    180 DANÇA DA MANGABA DançaDa Mangaba de Bom Jardim, Coordenação Profº Hélio Capoeira, 2016 Na dança da mangaba, fazem uma parceira com duas duplas, damas e cavalheiros ao som do tambor, os pares vão se deslocando e trocando de damas, meio passo com meia volta para a direita, quando entrega a dama para o cavalheiro que vem atrás de si e seguido outro com uma meia volta para o lado esquerdo, recebendo a dama do cavalheiro à sua frente. Maria Gomes Ferreira (Maria Lavina), nascida em 30/10/1932, natural do Maranhão, em uma entrevista realizada, a mesma afirma que chegou a Bom Jardim em 20/108/ 1961. Primeira pessoa a trazer a dança da mangaba a esta cidade no ano de 1973, por um pequeno grupo de alunos orientados pela mesma, a qual foi uma das primeiras professoras do MOBRAL. Dona Lavina mudou-se para Santa Inês em 23/06/1978, onde continua prestando trabalhos comunitários. Dança da Mangaba, 2012 FESTAS JUNINAS O ciclo das festas juninas gira em torno das principais datas abaixo:  13 de junho, festa de Santo Antonio;  24 de junho, São João;  29 de junho, São Pedro. Durante esse período todas as cidades brasileiras ficam tomadas por festas. De norte a sul do Brasil comemora-se os santos juninos, com fogueiras e comidas típicas. É interessante notar que não apenas o dia, propriamente dito, mas todo mês,
  • 181.
    181 é considerado comotempo consagrado a estes santos na região e, principalmente, às vésperas, que é quando se realizam os sortilégios e simpatias, a parte mágica da festa típica do catolicismo popular, quando se realizam os sortilégios e simpatias, a parte mágica da festa típica do catolicismo popular. Inúmeras adivinhações a respeito dos amores e do futuro a respeito dos amores e do futuro(com quem vai se casar, se é amado ou amada, quantos filhos se vai ter, se vai morrer jovem ou ganhar dinheiro etc), são festas nas vésperas do dia santos, em geral de madrugada. O “São João” (modo pelo qual se referem os nordestinos ao ciclo de festas do mês de junho) transforma as cidades e o espírito das pessoas, que parecem sentir uma irresistível atração e afinidade pela festa. A festa adquire importância na vida social nordestina que não apenas é fonte de preocupação durante todo ano, como ainda move interesses políticos e econômicos que poucas vezes se imagina. QUADRILHA Desenvolvida na cidade de Bom Jardim, como em outras cidades maranhenses, sendo tipicamente realizada em todos os municípios do Vale do Pindaré e municípios brasileiros. Essa contradança foi desenvolvida em Bom Jardim, segundo Rosa Dacir (Rosa Vitor), que afirma ter participado na época da primeira quadrilha em 1962, tendo como responsável Dona Marina, esposa do Senhor Expedito que não se encontram mais na cidade. Com o passar dos anos, surgiram várias outras quadrilhas como: Coração Cigano, Certo ou Errado, Flor do Sertão, Luar do Sertão, Nova Geração, etc.. A quadrilha é uma dança francesa que surgiu no final do século XVIII e tem suas raízes nas antigas contradanças inglesas. Ela foi traduzida ao Brasil no inicio do século XIX, passando a ser dançada nos salões da corte e da aristocracia. Com o passar do tempo, a quadrilha passou a integrar o repertório de cantores e compositores brasileiros e tornou-se uma dança de caráter popular. Sendo típica das festas juninas, a quadrilha é considerada uma herança do folclore francês acrescido de manifestações típicas da cultura portuguesa. Ela é inspirada na contradança francesa e sua origem, no Brasil, está na chegada da corte real Portuguesa, no começo do século passado. Com D. João VI, que fugia do avanço das tropas de Napoleão Bonaparte, além de artistas franceses, como Debret e Rugendas, vieram também modismos da vida européia, dos quais um dos favoritos era aquadrilha, dirigida por mestres franceses da contradança. Muitas das ordens desta dança transformaram-se “anarriê” (enarriére, que significas “para trás”) ou “anava” (em avant, que significa”em frente”), “changedidame” (changer de damé, ou seja, “troca de dama”), “chemadidame” (chemin de dame, caminho de damas) ou “otrefua” autre fois”),”outa vez”. A quadrilha foi a grande dança dos palácios do século XIX e abria os bailes das cortes em qualquer país europeu ou americano, tendo se popularizado, reinterpretada pelo povo, que lhe acrescentou novas figuras e comandos constituindo o baile em sua longa e exclusiva execução, composta de cinco partes ou mais, com movimentos vivos e que terminava sempre por um galope. É tradicional nas festas juninas de muitos municípios brasileiros a apresentação da peça “O casamento na roça”; uma peça burlesca e cômica, onde revela toda uma linguagem típica do homem do campo, sua cultura, valores e crenças. Segue abaixo a composição dos personagens da peça:
  • 182.
    182 Boi De Orquestrade Arari Dança Indígena de Pio XII Boi de Matraca de Monção Dança do Carimbó Dança Indígena Festa Junina – Escola Dinare Feitosa, 2013 Grande parte dessas atrações são importadas de outras cidades da região, como mostram as legendas acima. 11.3 Casamento na roça Personagens da peça Autoridades: (6 personagens) - Prefeito: Alexandrino Xexéu de Sá - Primeira Dama: Felomena Fifi de Sá - Juiz: Dr. Bacuri Pitanga da Fonseca - Delegado: Dr. Figo Fino Pixaxado de Oliveira Pinto - Escrivão: Bergamo Quirino de Alcimar Sacre Silva - Padre: Nicrolando Frieira das Buchechas Maciadas
  • 183.
    183 Pessoal do Casamento:(12 personagens) - Noivo:Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição - Noiva: Esmingarda da Mata do Ramo Rôxo - Pai da noiva: Simpiliço da Simpilicidade Símpilis Roxo - Mãe da noiva: Cricri Prepeta do Ramo Roxo - Pai do noivo: Martin Aboba Seca - Mãe do noivo: Quelementina Liodora Seca - Padrinho da noiva: Escândio Chumbo da Prata - Madrinha da noiva: Antonia Pereréca Grande da Prata - Padrinho do noivo: Zé Pipoca da Pitanga Verde - Madrinha do noivo: Juca verde Pimenta Pereira - 1ºassistente: Saturnino Tremendo Home - 2º assistente: Lobata do Maxixe Pôde Casamento na Roça – Início da peça Juiz: Pessoal que estão me ouvindo, estão aqui para se casar o Sr. Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição e a Senhorita dona Esmingarda da Mata do Ramo Rôxo. Se tiver por aí alguém que saiba d´algum empedimento pode dizer agora, enquanto é tempo. Tô esperando, pode falar! Noiva: Mais num tem impidimento não seu juiz, nós semo mesmo é livre e disimpidido; num é mêrmo Belxior? (x:ch =som) Noivo: É pois é Esmingarda, oia o tamanho dessa pregunta do dotô. Saturnino: (Fala para o pai da noiva): Seu Simpilíço, se eu fosse vós mim cê, num deixava esse cabra casar cum sua fia não, ele num tem nem um pedaço de roça, ele é um vagabundo, eu inté sube que´le é casado e dexô a muié dele no Quixadá cum 10 fios pra criá. Agora sim eu dava certo pra casar cum sua fia, eu tenho criação de porco, bode, jabuti, e inté um parmo de roça já prantada de fumo. Noivo: Num to dizendo mermo! Era só o que me fartava, tu diz isso é pruquetu quer se casar cum ela, mais ela num te quer, se tu tem tudo isso que tu dixe é pruque tu roubou, eu não tenho nada mais num sô ladrão. Pai da noiva: (Diz para o noivo): Oia home o que tu tá fazendo, bota logo a carga abaixo, diz se tu tem mermo arguma coisa, minha fia nunca passô fome, ela come de manhã, meio dia, de tarde e de noite. O bucho dela sempre tá cheio. Noivo: Num se procupe seu Simpiliço qui sá fia vai cumê muito piqui com farinha todo dia e num vai passar má.
  • 184.
    184 Juiz: Vamos deixarde cachorreira e vamos jogar esse casamento para mais longe, porque o que o Senhor Saturnino disse é grave e não posso fazer o casamento, visto que o homem é casado. Noiva: Num é casado não seu dotô, eu já dixe, o Belxior nunca mintiu e cumavera de mintir agora? Mãe do noivo: Coitado do meu fio, cuma é que se alevanta um farso dessa moda, meu fio é sorteiro. Pai do noivo: Meu fio num é casado não seu dotô, posso lhe agaranti: Taí o padrinho dele o meu cumpade Zé Pipoca da Pitanga Verde qui diga apois ele cunhece meu fio desde minino, criança, bem pequeno... Zé Pipoca: É verdade o que meu cumpade Martim dixe, sô inté capaz de jurar cum a mão na briba cuma meu afiado num é casado. Pai da noiva: (Fala zangado, puxando da cintura um facão): - Eu quero é saber mermo se êxe cabra é casado, pruque se for eu quero logo dá um insino nele e é pra já!!! (puxa pelo facão e risca no chão). Noiva: - Num é casado não papai, arrenego dexe tal de Saturnino qui só vei meter gosto ruim no casamento do zôto. Parece mais um bode do que gente! Mãe da noiva: Se acarme mia fia qui você vai casar. (E diz para o marido): - Simpiliço, dexa de afobação, apois tu num sabe que ele é direito e a famia dele também? Pai da noiva: Num sei disso não Cricri Prepeta! Eu já tô é aguniado. Madrinha: Apois é cumpade Simpiliço, tenha carma. (Fala para a noiva). Num chore não mia afiada. Tudo vai dá certo. Noiva: Eu só tenho raiva é da tal de Lobata, pruque ela foi quem inventou qui o Belxior era casado, pruque ela era doida purele. Pragas de seiscentos diachos! Lobata: Praga não, miserável! Eu nunca fiz conta dexe cara de bode, me arrespeite qui é mió, sua engraçadinha. Noiva: Tu é doida mermo pelo Belxior, mais nem vai vê nem o apito da lancha, quem vai casar cum ele é eu. Juiz: (Fala zangado):- Vamos acabar com essa zueira, senão não vai ter casamento nem nada.
  • 185.
    185 Escrivão: Eu játô quase doido! Tô cum medo é de briga, num posso nem ficar de pé e nem inscrever, tô todo tremeno. Pai da noiva; Eu já tou zuado, agora quem vai fazer êxe casamento é eu, cuma é seu juízo, casa ou num casa os noivo? Juiz: Eu também tô zuado com tanta zueira, casa sim Senhor Simpiliço. Vamos seu escrivão, dê cá o livro. (pausa). Juiz: (Pergunta):- Senhor Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição, quer receber a senhorita Esmingarda da Mata do Ramo Roxo como sua legitíma mulher? Noivo: Quero Nhô sim, se não queresse num tava aqui, isperano tanto tempo puressa progunta. Juiz: (2ª pergunta): - A senhorita dona Esmengarda do Ramo Rôxo , quer receber o senhor Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição, coma seu ligítimo homem? Noiva: Isso num é nem pregunta qui si faça! Tô doida de vontade qui o dotô mi preguntasse a pregunta. Quero sim, é tudo qui eu mais quero. Juiz: - Então, como disseram que querem, eu declaro casados, como marido e mullher em meu nome. A noiva de hoje em diante passa a se assinar com o nome de Esmingarda da Mata do Ramo Roxo da Imaculada Conceição. Juiz: (Diz para o escrivão):- Escrivão, o casamento no civil acabou, lavre o termo perante a lei! Padre: - Pessoal que tão presente, vocês escutaram o juiz fazer as perguntas e os noivos, maridos e mulher. E abençoo: Em nome do prato, do frito, do assado e amem-se. Agora as pessoas já podem jogar arroz nos noivos que é para eles serem felizes. Viva São João e viva São Pedro meu povo, viva! Obs.: Na apresentação de peças, no final é recomendado jogar arroz e soltar foguetes logo em seguida. *Texto fornecido pela 1ª secretária de Educação de Bom Jardim: Mirene Antonia dos Anjos.
  • 186.
    186 11.4 O BUMBA-MEU-BOIEM BOM JARDIM A cultura bonjardinense mantém viva suas tradições e manifestações como bumba-meu-boi, que hoje constitui um aspecto fundamental na realidade local. O primeiro Bumba meu boi de Bom Jardim, foi desenvolvido pelo senhor Edson de Araújo de Oliveira, nascido em 10/05/1938, na cidade de Bacabal, o mesmo veio morar em Bom Jardim em 1960, e em 1963, juntamente com o seu irmão Raimundo Justino A. Oliveira confeccionaram o primeiro boi que se chamava “Pena verde”, o mesmo foi criado em junho e morto em outubro. Em junho de 1964, levantou o boi “Rei das ondas”, e em outubro, o matou. Em 1965, levantou o boi “Barra azul” e o matou. Levantou o boi “Mimoso”. Em 1999, levantou o boi Mimo de São João. Em 2001, levantou o boi “Mimo de São José”. O senhor Edson passou 07 anos brincando por promessa. Seus principais instrumentos são: tambores, matracas, roncador do boi etc. Seus componentes são voluntários, convidados pelo mesmo. Afirma Edson, que seu boi está desativado por falta de recursos. Apesar das dificuldades, o bumba-meu-boi é visto e apreciado por aqueles que participam dessas manifestações: cujos membros convivem como uma verdadeira irmandade, onde vários contribuem para que esta manifestação seja bem sucedida. Bom Jardim os festejos ocorrem no mês de junho no período das festas juninas, a maioria dos brincantes têm como devoção esses dias como pagamento de votos; essas promessas dedicadas aos santos da devoção. Sabe-se que, atualmente, em Bom Jardim existe uma Associação Cultural e Folclórica Bumba-meu-boi, tendo como presidente Manoel Messias, com sede provisória sem fins lucrativos. Em vista dessa realidade, o senhor Moisés, Messias e Antonio Góis, simpatizantes do bumba-meu-boi, conseguiram formar essa associação, isto, com apoio de outras pessoas. No bumba-meu-boi do município em estudo, os representantes costumam, portanto, manter uma dose de conservação e de inovação, sendo ao mesmo tempo, igual e diferente a cada ano. Nesse sentido, veja entrevista com Moisés (02/03 2005). “O nosso boi misterioso apresenta-se em alguns terrenos, alguns pessoas as vezes se deslocam dos seus lugares mais próximo para brincar e outros para assistir a boiada. Os brincantes conservam o tradicional, e alguns apresentam inovações nos trajes e cantigas”. Devidos a falta de recursos e investimento cultural, o bumba-meu-meu em Bom Jardim não apresenta grandes estéticas, deixando muito a desejar, levando às vezes brincantes a desistirem, insatisfação no grupo e reclamação de várias pessoas que desconhecendo o fato, tacham de “feio”, “fraco”, etc. “A manifestação do bumba-meu-boi para muitas pessoas até hoje se “arrasta”. Nosso boi, por exemplo, muitos chamam de“boi da cachaça”, e é visto como coisa de pobre e bêbado. Além disso, ouve-se falar das reclamações de várias pessoas que desvalorizam o nosso grupo”. (Moisés, 02/03/2005). Desse modo, dentro da manifestação do bumba-meu-boi bonjardinense pode-se perceber através dos depoimentos dos brincantes que na maioria das vezes essas manifestações não têm incentivos financeiros, sendo que os gostos para a realização das brincadeiras ficam por conta dos
  • 187.
    187 participantes, o queacaba acarretando em um desestímulo a essas manifestações. Esses fatores como a falta de incentivo financeiro e a falta de apoio da comunidade na maioria dos casos são visto como uma forma de desapreço, levando, portanto, uma baixa na valorização da referida cultura (Bumba-meu-boi) no município. Onde vale lembrar que cada povo tem sua cultura, de um povo é o que define sua identidade cultural no contexto e sua existência, no mundo civilizado. Mesmo com todos fatores desestruturais, o bumba-meu-boi em Bom Jardim é uma manifestação cultural, que resiste e, comumente é representado por alguns grupos de brincantes. “O nosso boi Milagre de são João está com 30 anos de realização; muito bonito, mas não tem ajuda financeira, apoio de nenhuma associação. Os gasto e manutenção é. Por nossa conta; somos 20 brincantes, o nosso ritual costuma ser em homenagem a São João e antes de brincarmos nós rezamos e saímos com os santos de devoção pelos terreiros, não temos lugar fixo para nossa diversão, mas nossa turma, mesmo assim, é muito animada, brincamos até amanhecer o dia. Sabemos que tem pessoas que não gostam das manifestações. Tendo hora para começar mas não temos hora para terminar”. (Pedro Maciel, Bom Jardim 07/01/2005) O município de Bom Jardim apresenta todo um contexto favorável para se ter um genuíno folclore de bumba-meu-boi; os dois principais elementos que caracterizam esse folclore é o boi e o índio. E isso o município apresenta bastante. Onde temos duas reservas indígenas e a pecuária (boi) como o elemento número um na economia municipal. No entanto o bumba-meu-boi que vem divertir a população é geralmente de fora, até mesmo de municípios que não apresentam tão favorável contexto quanto o bonjardinense. Um dos bumbas-meu-boi mais famoso do Brasil conhecido nacionalmente e televisionado é o Boi-Bumbá de Parintins, Amazonas. Sendo realizado numa disputa entre os dois grupos de boi-bumbá. Sendo eles: O caprichoso (boi preto) e o Garantido (boi branco) – os quais disputam o titulo do Festival Folclórico de Parintins, nome oficial da festa. O boi de Parintins foi exposto do Maranhão; o qual, adequando-se ao contexto daquela região, representa as lendas e os mitos da Amazônia. Bumba-meu-boi com a dança indígena exportado de outros municípios para divertir o povo de Bom Jardim. E a cultura local de Bom Jardim? Fotos retiradas de Internet
  • 188.
    188 Foto retirada deInternet, Parintins, 2006. Rivalidade amazônica Em Parintins, quem não é caprichoso é Garantido. Os integrantes de um bumba nunca pronunciam o nome do outro (tratado apenas como “contrário”). Durante a apresentação de um grupo, a torcida adversária fica em silêncio absoluto, sob pena de perder pontos na competição. Esse é o colorido Festival Folclórico de Parintins, na ilha amazônica de Tupinambarana. 11.5 O AUTO DO BUMBA-MEU-BOI A festa surgiu com o ciclo econômico do gado e sofreu influência indígena, portuguesa e negra. A brincadeira é aberta a todos, homens e mulheres, idosos e crianças, e conta a história de pai Francisco e Catarina, sua mulher, que moravam em uma fazenda onde ele era vaqueiro e escravo. Grávida, Catarina desejou comer língua do boi de estimação do rico fazendeiro e pede a seu marido que satisfaça sua vontade. Mesmo contrariado, Pai Francisco atende ao pedido da mulher para que o filho não nascesse com problemas de saúde. Quando iniciou a matança, ele foi descoberto. O casal fugiu com o animal, mas, sendo aquele o boi predileto do patrão, iniciou-se uma busca. Depois de várias tentativas, os índios acharam os fugitivos e o boi morto. Por esta razão, Pai Francisco é condenado à morte e só é salvo porque um padre e um pajé ressuscitam o boi de seu amo (estes personagens podem ser uma feiticeira, uma mãe-de-santo, ou qualquer outro que tenha o domínio da magia). Antes disso, Pai Francisco apanhou muito e foi obrigado a ajudar no trabalho de ressurreição. O animal, então ressuscitou com grande urro e o casal foi perdoado. Surgiu uma festa com comidas, cantorias, danças à noite toda. Os instrumentos específicos da festa são matraca, zabumba e orquestra. Além desses existe o sotaque de Pindaré, também conhecido como pandeirões. Esta festa, encenada pelo povo
  • 189.
    189 maranhense, é tambémchamada de matança do boi branco, o negro e o índio presente no inicio da formação do Brasil. Para MARQUES, essa ideia de valorização do boi, remete a uma mitologia em torno desse animal, suscitando um ciclo de rituais – vida, morte e ressurreição do boi. O boi como um animal indomável, que ninguém consegue amansar, mas que acaba sendo vencido e morto pelo mais valente dos vaqueiros. É assim que para o brasileiro rústico, o boi torna-se a encanação dos princípios alimentares, da resistência e da fertilidade, passando a significar tudo o que é necessário à vida.(MARQUES, 1999.P 72) Na verdade, “[... ] em termos maranhenses, o bumba-meu-boi é quase uma oração [...] (AZEVEDO,1983.P66), pois, a brincadeira é realizada na intenção de homenagear São João através da organização do boi e do cumprimento de promessas feitas a esse santo. A morte e ressurreição deste animal revela-se numa sátira, onde o negro e o índio lutam contra a opressão do branco. Simbolizando a historia de luta do povo brasileiro, ressaltada na análise das personagens que revelam os traços dos três agentes étnicos e culturais presentes nas origens do brasileiro: o pai Francisco encarna o negro africano (dominado), o fazendeiro, dono do boi, representa o branco português (elemento, dominante), e o indígena, protagonizado nos índios que perseguem Chico. De acordo com CARVALHO (apud Barbosa, 2005),nesse confronto de classes, o elemento ameríndio perde sua identidade ao devolver o bem perdido (o boi) ao proprietário. A homenagem do acontecimento pela vida do boi é manifestada através de músicas e danças, que se tornam fatores de alegria e descontração na festa do Boi. A recuperação do boi. Histórico e interpretação do auto do Bumba-meu-boi O bumba-meu-boi tem suas origens no período colonial brasileiro, ligado no assunto, estes admitem a origem do bumba-meu- boi no período colonial brasileiro, ligado ao processo do ciclo do gado. [...]: O bumba-meu-boi é originado do ciclo econômico do gado no Brasil, tendo realmente este folguedo a tríplice miscigenação, com a influência das raças responsáveis pela nossa colonização: o negro, o índio, e o branco. Os indígenas, como sabemos alimentam-se da caça e da pesca, por conseguinte não possuíam animais domésticos,. Supomos que a realização da colonização brasileira foi iniciada com a expedição de Martim Afonso de Sousa, tendo sido, pois, com eles, a vinda dos primeiros animais domésticos. Começa a criação de gado nos idos de 1934, com a iniciativa da esposa de Martim Afonso de Sousa, Ana Pimentel, trazendo as primeiras cabeças de gado para a capitania de seu marido (REIS, Apud Barbosa, 2005).
  • 190.
    190 E dessa formaque o boi, ao longo do seu trajeto pelo interior do Brasil, disseminou e povoou gerações, narrando sua história e marcando sua importância, nutrindo populações, ajudando no trabalho duro da lavoura, e através do seu ciclo reprodutivo servindo de renda familiar. “[...] Mas também aparece como um elemento ativo e sempre presente passando a ser percebido pelos negros e índios, seus companheiros de trabalho, como símbolo de força, violência e resistências, assim como de equilíbrio, calmas e solidez. (MARQUES, 1999.P 72). Foi a partir deste processo simbólico de valorização do boi, que se originou a brincadeira do Bumba-meu-boi, pois se admitiu no seu processo de formação e desenvolvimento, a contribuição secreta dos três elementos étnicos e culturais: e a salvação da vida do Pai Francisco, é uma represália a tirania dos fazendeiros e senhores dono de engenhos na época colonial. Procede-se que muitos aspectos do folclore bonjardinense estão se reduzindo e sendo pouco praticados. Precisa-se resgatar o nosso folclore, e avivá-lo antes que desapareça. A escola deve ser transformada num instrumento de conservação da cultura, conjugada a um centro cultural que congregue e mantenha viva essas tradições que são nossa essência, alma e identidade do povo bonjardinense. Ficou percebido nas pesquisas que o grupo cultural do bumba- meu-boi segue sua marcha, resistindo apesar do desamparo e descaso cultural.
  • 191.
    191 11.6 Festas: Festivaldo peixe, Carnaval, Festejo de S. Francisco de Assis, Festa do divino. FESTIVAL DO PEIXE Salomão da silva Pereira, nascido em 10/07/1950, foi o primeiro a realizar esse evento em Santa Luz – no município de Bom Jardim. O festival surgiu de uma conversa entre amigos sobre algumas festas que já tinham visto entre eles “FESTIVAL DO PEIXE”, daí surgiu então, a ideia de um 1º festival do peixe. Esse evento teve início em julho de 1985, com duração de 12 horas, com patrocínio de Dr. Muniz para pagar a banda musical “MOÇO BOSA”. Salomão levou um saco de farinha, para ser servido com peixe, 10 mulheres para a distribuição da comida, e para a atração de todos, um campeonato com 12 times de futebol. O festival do peixe virou cultura, e centro de lazer em Bom Jardim, e todos os anos, um grande número de pessoas do município e outras localidades se divertem com três dias de festas realizadas sempre no último final de semana de julho. O festival, além de desenvolver o turismo local, gera renda e economia para os pequenos comerciantes. Santa Luz.
  • 192.
    192 Festival do Peixe,2013 CARNAVAL DE BOM JARDIM O carnaval de Bom Jardim se transformou bastante comparado com o que era antes. Muitas características e tradições desapareceram. Nosso carnaval antes era brincando com máscaras e fofões, noutras fases, os homens se maquiavam e saiam vestidos de mulher e saíam com tambores nas ruas. Hoje o carnaval bonjardinense ganhou um toque de estética na relação com o carnaval moderno das grandes cidades, atraindo muitas pessoas de fora quando na disputa dos blocos de rua. Surgiram 3 blocos carnavalescos que disputavam o melhor carnaval de rua em Bom jardim (com estética e ornamentação). Sendo: Cobra Sem Veneno, Swing da Cor e Tribus da Folia. Em 2008, novos blocos carnavalescos surgiram, entre eles: Beber, cair, levantar, Porca que fuça, Gato safado e outros blocos menores. Bloco carnavalesco Beber, Cair, Levantar. Bloco carnavalesco Tribus da Folia VAQUEJADAS EM BOM JARDIM A agropecuária (agricultura e pecuária) bonjardinense, segundo o IBGE, corresponde a 77,4% da economia Municipal. A agricultura responde por 21% da economia e a pecuária (criação bovina), por 56,4%. Evolução da Pecuária em Bom Jardim Pecuária 1993 1994 1995 2000 2005 2006 2010 2013 Bovinos: nºde cabeças/ano 59.716 62.702 65.210 75.133 141.23 144.45 5 169.045 cabeças 155.432 cabeças Fonte: IBGE/2014. Observa-se uma evolução crescente na produção bovina do município. Sendo que nos primeiros dias de sua história, eram insignificantes os indicadores nessa cultura.Atualmente, acima de 140.000 cabeças de gado, o município de Bom Jardim sempre
  • 193.
    193 desenvolveu as famosasVAQUEJADAS com premiações aos ganhadores; e por outro lado, contribui para o turismo e lazer no município favorecendo a venda de lanches, cervejas, rendas, etc. ... Veja abaixo DVDs gravados das últimas vaquejadas realizadas em 2009. 1ª Grande Vaquejada no Parque J. Belém a 3 km da sede de Bom Jardim em 2009. Org.: J. Belém. 1ª Grande Vaquejada realizada no povoado Galego, em Bom Jardim – MA, na Zona Rural. 1ª Grande Vaquejada realizada no Parque Nova Betel na área Urbana de Bom Jardim. Org.: Josa e Riba. FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO O culto ao Divino Espírito Santo, em suas diversas manifestações, é uma das mais antigas e difundidas práticas do catolicismo popular brasileiro. Sua origem remonta às celebrações realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes e distribuição de esmolas aos pobres. Ainda na Idade Média teria aparecido em Portugal um monge considerado como um santo. Depois de longos anos de retiro no deserto, foi-lhe revelada a vinda próxima de uma nova era de relações entre os homens sobre a Terra: a época do Espírito Santo. A humanidade teria já ultrapassado a época do Pai (o Antigo Testamento) e, ao seu tempo, terminava o seu trânsito por sobre a época do Filho (o Novo Testamento). Estaria para chegar ao mundo a época final, a do Espírito Santo, marcada pelo advento de uma implantação definitiva da paz, do amor da bondade entre todos os homens do mundo. [...] O monge voltou às cidades e procurou difundir a revelação recebida, tida imediatamente como revolucionária pelas autoridades eclesiásticas do seu tempo. Suas ideias proféticas conquistaram inúmeros adeptos, logo perseguidos por uma igreja oficial, ao mesmo tempo medieval e fechada. Segundo a versão, ‘ só em Portugal foram queimadas mais de 400 pessoas por sua crença no Espírito Santo’. Inúmeros adeptos de sua crença migraram para o Brasil, logo depois de sua colonização e, depois da conquista dos espaços mediterrâneos, ocuparam prioritariamente, antes as terras de Minas Gerais e, depois, os espaços de Goiás e, em menor escala, os de Mato Grosso” (Brandão, 1978:65/). A festa do Divino Espírito Santo realiza-se no Domingo de Pentecostes, festa móvel católica, que acontece sempre cinqüenta dias depois da Páscoa, em comemoração à vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo. Desde um cafezinho até às esmolas propriamente ditas, tudo se pede cantando e em nome do Divino Espírito Santo. As cantigas são significativas do universo simbólico envolvido na festa do Divino: “A bandeira aqui chegou um favor quer merecer: uma xícara de café para os foliões beber” Enquanto a dona da casa oferece o café, a “Bandeira”, com seus menestréis adornados de fitas, e chefiados pelos “alferes da bandeira”, canta, por exemplo: “O divino entra contente nas casas mais pobrezinhas
  • 194.
    194 toda esmola elerecebe frangos, perus e galinhas” O Divino é muito rico Tem brasões e tem riqueza, Mas quer fazer sua festa Com esmolas da pobreza”. A festa do Divino Espírito Santo no Maranhão Dentre os muitos festejos que fazem parte da cultura popular do Maranhão, a festa do Divino Espírito Santo se destaca como um dos mais importantes, por sua ampla difusão e pelo impacto que tem sobre a população. Hoje, existem dezenas de festas do Divino espalhadas por todo o Estado, levando adiante uma tradição viva e dinâmica, em que se destaca a beleza do repertório musical. Toda a festa do Divino gira em torno de um grupo de crianças, chamado império ou reinado. Essas crianças são vestidas com trajes de nobres e tratadas como tais durante os dias da festa, com todas as regalias. O império se estrutura de acordo com uma hierarquia no topo da qual estão o imperador e a imperatriz (ou rei e rainha), abaixo do qual ficam o mordomo-régio e a mordoma-régia, que por sua vez estão acima do mordomo-mor e da mordoma-mor. A cada ano, ao final da festa, imperador e imperatriz repassam seus cargos aos mordomos que os ocuparão no ano seguinte, recomeçando o ciclo.A festa se desenrola em um salão chamado tribuna, que representa um palácio real e é especialmente decorado para este fim. A abertura e o fechamento desse espaço marcam o começo e o fim do ciclo da festa, durante o qual se desenrolam as diversas etapas que, em conjunto, constituem um ritual extremamente complexo, que pode durar até quinze dias: abertura da tribuna, buscamento e levantamento do mastro, visita dos impérios, missa e cerimônia dos impérios, derrubamento do mastro, repasse das posses reais, fechamento da tribuna e carimbó de caixeiras. Entre os elementos mais importantes da festa do Divino estão as caixeiras, senhoras devotas que cantam e tocam caixa acompanhando todas as etapas da cerimônia. As caixeiras de São Luís são em geral mulheres negras, com mais de cinqüenta anos, que moram em bairros periféricos da cidade. É sua responsabilidade não só conhecer perfeitamente todos os detalhes do ritual e do repertório musical da festa, que é vasto e variado, mas também possuir o dom do improviso para poder responder a qualquer situação imprevista. As caixeiras do Divino são portadoras de uma rica tradição que se expressa nas cantigas que pontuam cada uma das etapas da festa. Uma das formas de representação do Espírito Santo é uma pomba branca O culto ao Divino Espírito Santo no Maranhão provavelmente teve início com os colonos açorianos e seus descendentes, que desde o início do século XVIII começaram a habitar a região. Em meados do século XIX, a tradição da festa do Divino estava firmemente enraizada entre a população da cidade de Alcântara, de onde teria se espalhado para o resto do Maranhão, tornando-se muito popular entre as diversas camadas da sociedade, especialmente as mais pobres. Essa popularidade entre os
  • 195.
    195 setores mais humildesda população maranhense, inclusive os escravos, talvez possa ser explicada pela ênfase não só na fartura, mas também na fraternidade e na igualdade, que o culto ao Divino costuma apresentar. Festa do Divino – Popular em Bom Jardim A Festa do Divino Espírito Santo foi trazida a Bom Jardim no ano de 1987, por Maria Soares Silva, nascida em 10/12/1932, em uma entrevista, a mesma afirma que começou a festejar porque logo que chegou aqui encontrou na casa a ‘pomba’, em cima de uma mesa. Clodomiro Bezerra da Silva (falecido), seu filho, achou que deveria festejar justamente pelo fato ocorrido. A festa do Divino é móvel. Quarenta dias depois do Domingo da Ressurreição a quinta-feira de ascensão do Senhor (dia da hora), dez depois é Pentecostes, dia do Divino Espírito Santo. O Divino tem um significado muito importante que é Deus e tendo como símbolo a POMBA. SUPERSTIÇÕES  Chamar pra vir embora de cemitério (almas acompanharão).  Se cair no cemitério (será a próxima vítima).  Passar por baixo de escada (azar).  Pisar no rabo de gato (perde o casamento).  Gato preto em dia de sexta feira (azar). ARTESENATO No artesanato de Bom Jardim, encontramos um variado número de produtos: balaios, artesanato de madeiras, crochês, lembranças, bordados pontos de cruz e vagonite (em tolha de banho, de mesa, guardanapo, pano de geladeira e colcha de cama), tapete de linha, de tecido, pintura e tapete bordado. Esses trabalhos são feitos por inúmeras pessoas, que sem recursos e apoio para ampliar mercado, conduzem o artesanato no município. Sendo aproximadamente 70 pessoas que praticam essa atividade, distribuídas em todo município. Percebe-se a necessidade de exposição ou EXPOEB para exportar e vencer a produção artesanal que se produz no município. O município tem possibilidades potenciais humanas que precisam de fomento e amparo de políticas públicas para que se desenvolva e exporte o que se produza em artesanato.
  • 196.
    196 12 LENDA: PADRECORDEIRO “A EXCOMUNHÃO” Muitas pessoas, ao longo da história de Bom Jardim percebendo tragédias nas vidas de muitos prefeitos que morreram assassinados, e o atraso pelo qual o município passou e ainda passa, chegam a especular que tudo isso seja resultado de uma maldição que o padre Cordeiro jogou sobre a cidade em 1964, assim se pensava. Maldição de Padre Cordeiro é um fato histórico na questão religiosa no município de Bom Jardim que aconteceu nos anos 60, quando o município ainda era povoado de Monção. Neste contexto, Padre Cordeiro era tido como o Padre da Freguesia, o qual vinha duas vezes por ano celebrar missas.A dita igreja do então povoado pertencia a Diocese de Penalva. Nesse tempo as missas funcionavam numa pequena capela, em cujo local é hoje a Praça Governador José Sarney. Pois bem, o referido Padre convocou a comunidade para num comum acordo promover ações para arrecadar fundos para construir a igreja. Para isto, e diante a demora (retorno) ao povoado, constituiu um representante por nome M. S. o qual ficaria encarregado de receber a captação dos recursos dos eventos realizados. Segundo relato do Senhor Sibimba, o “fiel” representante que ficara incumbido de receber dinheiro dos eventos, tinha uma boa condição (fazenda e cartório), e o mesmo, pegou o dinheiro da igreja e construiu a casa dele e apenas um abrigo no meio da praça (onde era pra ser a construção da igreja). Quando Padre Cordeiro retorna, viu a capelinha do mesmo jeito. Contaram tudo que havia sucedido... sabe como é povoado! Lugar onde todos conhecem todos e se dar definição de tudo nos mínimos detalhes. É quando um padre vira uma onça! E no Sermão à noite, na dita capelinha, - se referindo ao dito cujo que havia “mal investido” o dinheiro da igreja, e citando nome, E como se fosse uma anátema sobre o dito moço: “M. S., tudo que tu tem vai aumentar como a sola do sapato no fogo”. (ironia) E, de acordo com relato de Senhor Sibimba e outros da época, uma sequência de coisas ruins aconteceram em seus negócios. Uma onda de acontecimentos negativos. E mais uma vez constituiu outro representante para captar o recurso dos eventos e ações para a construção da igreja, o Senhor Valdivino Amorim. E de modo correto aconteceu, a igreja foi construída não no mesmo lugar, mas a Igreja Matriz (São Francisco), a primeira igreja construída no município pela ação e iniciativa da comunidade. Dessa forma, fica constatado que a maldição de Padre Cordeiro, ou anátema não era sobre Bom Jardim, e sim sobre quem “pegou”/desviou o dinheiro da igreja. Um fato curioso ficou evidenciado nas adjacências onde era a igreja:Atualmente, a praça José Sarney é conhecida por muitas pessoas como “praça das viúvas”, pois lá há muitas viúvas. O padre Cordeiro ainda é vivo e reside na cidade de Viana. Essa história trata-se de uma lenda, porque, além de ser um fato histórico é considerada uma tradição popular, que é transmitido de geração em geração. Com o passar do tempo, essa história vem sendo modificada pela imaginação do povo, ou seja, cada pessoa que conta, conta de uma maneira diferente.
  • 197.
    197 A lenda da“maldição de Padre Cordeiro”, no imaginário popular era tida como a causa de muitas coisas estranhas que ali se passavam, como: assassinato, suicídio e assim como toda forma de desordens, inclusive e principalmente o atraso local. Era tão acreditável a lenda da “maldição”, que a igreja com o aval da comunidade resolveu consagrar a localidade a uma santa. Porém, ao transcorrer dos anos que se sucederam, veio a mostrar que os fatos negativos da crença da maldição continuaram a persistir, a existir, inclusive o atraso. 12.1 CANTORES E ESCRITORES DA TERRA 12.2 CANTORES DA TERRA No campo da música Bom Jardim apresenta 10 cantores, todos com lançamentos de CDs. Os cantores da terra e respectivos lançamentos são:  Onildo Reis - Nascido em Bom Jardim, em 09/10/1967, filho de Raimundo dos Reis e Maria de Lourdes Ferreira, também foi artista plástico, com 17 anos. Lançou seu primeiro CD em 2000, com músicas evangélicas. Título: “Desperta igreja”. Segundo CD em 2005, cujo título é: “Amigo verdadeiro”.  Edilonildo Rodrigues da Silva, nome artístico “Hede Rodrigues” Nascido em 10/03/1982, filho de Francisco José da Silva e Zeneide Rodrigues Silva, afirma que começou a cantar em aos oito anos de idade, além de cantar muito bem, Hede Rodrigues também é compositor. Seu pontapé inicial foi a partir de um show de calouros promovido na escola Ney Braga, onde foi destaque e saiu em primeira colocação. Lançou seu primeiro CD em 2002. Título: Será se pensa em mim?  Antonio Feitosa (Tony Feitosa): Nascido em Anajatuba e criado no Vale do Pindaré. Residente e domiciliado em Bom Jardim. 1º LP em Manaus em 1994 - Título: Amor profundo. 2º CD em Belém. Título: Moto Honda. Em 1996. 3º CD em Santa Inês em 2000. Título: Tony Feitosa em ritmo de seresta. 4º CD em São Paulo na Gravadora Gemas/ em 2002. Título: Nos braços de outro alguém. 5º CD em 2003. Título: As melhores de Tony Feitosa. Gravadora: Atração.  Érik Cardoso: 1º CD gravadono início de 2002. Estilo: em ritmo de seresta. Título: “Vou lhe entregar meu coração”.  Ribamar Soares: (pedreiro)
  • 198.
    198 1º CD EM2000. Música evangélica. Título: “A essência do amor”.  Amigo Baiano 1ºCD em 2000. Músicas bregas.  Jéssica Silva Matos, nascida em 07//09/1990, filha de Francisco Ataíde André de Matos e Gecilene Machado Silva. Ela sendo evangélica, começou a cantar aos 03 anos de idade, já se apresentou em vários eventos, por motivo de situações financeiras, Jéssica nunca conseguiu gravar seu 1º CD.  Dino Clemente Cantor e compositor de todas as suas músicas. 1º CD em 2001. Título: Já quebrei a cama. 2ºCD: - EM 2003. Título: Voltei pra te ver. Volume 5: Ela me disse adeus.  Dinamarcos Cantor do Piragodê. Estilo: dançante humorista. 2 CDs: 1º- Piragodê 2º - Quero comer, mulher! / Taca o pau na cara dele.  J. Pacheco 1- CD. Título: Nas ondas do brega. Residente em Novo Caru  Celso Batista 1 CD EM 2011. Título: “Sempre te amo”. Estilo musical: Músicas bregas.  Flávia Maranhão 1 CD em 2012. Título: “Em ritmos de Arrocha.”  Antonio Passarim Compositor e poeta, tem de cor todas suas músicas, mesmo sem ter gravado, mas possui mais de 20 músicas. Sua músicas são em ritmo de brega, foclore e forró.  Adenilton Santos “O Lobo Solitário” Bonjardinense, residente no povoado KM18, “Lobo Solitário”, como é conhecido Adenilton Santos, já gravou 7 CDs. Os ritmos de músicas de seu gênero musical, em grande parte é brega, e com menor densidade o ritmo arrocha. Título dos CDs gravados: 1. Amor dividido; 2. Eu sempre joguei; 3. Amor de mãe; 4. Amor carrapicho; 5. Mulher madura; 6. Briga e se ama;
  • 199.
    199 7. Amor deprimavera. Atualmente, morando em Povoado KM 18, promove eventos culturais como Shows de Calouros e eventos de shows pelas comunidades.  Rei Salomão O cantor Rei Salomão iniciou sua jornada cultural no mundo da música como cantor gravando seu primeiro cd em 2009, gravando ao todos quatro cds, e suas músicas no estilo Bolero ou serestas, os quais foram: 1- Em 2009: Meiga Senhorita; 2- 2010: Boate Azul; 3- 2011: Verônica; 4- 2013: Dama de Vermelho. OS ESCRITORES DA TERRA  Jesus Tavares Pinheiro: Nascido em 13/01/1951, cearense, filho de Joaquim Tavares Pinheiro e Maria de Lourdes Fidélis Pinheiro, cearense. Afirma ter vindo a Bom Jardim em 1977, a um convite feito por seu cunhado Miguel Alves Meireles, (prefeito da época), para assumir o cargo de secretário de Administração, esse convite foi aceito e assim, passou a morar em Bom Jardim. Ao chegar, achando que Bom Jardim não tinha como se identificar, teve a ideia de fazer a letra do hino, inspirada na própria cidade, a música é de autoria de sua esposa Maria de Fátima Queiroz. O hino foi oficializado pelo Decreto Lei de 31/04/1979.Jesus também foi Funcionário Público, professor de história e, em 1988 escreveu seu primeiro livro “Meus versos - minha vida”. Em 1992, foi professor de Direito e Legislação. Jesus diz: “Escrever é um dos meus “hobby” preferido, e mais, seu maior sonho era poder ter cursado a universidade em 2001 com os alunos do PROEB (não pode fazer por razões políticas que bloquearam seu acesso). Ele não para por aqui, continua escrevendo e faz planos para lançar mais umas de suas obras. Atualmente está trabalhando no município de São João do Caru.  Cícero Aguiar Neto: Professor de larga experiência, erradicado na região do Vale do Pindaré a 10 anos. Casado, tem três filhos. Obras: Sutilezas da poesia. Ano: 2001. Não chegou a lançar, por falta de patrocínio e apoio cultural.  Isías do Maranhão: Autor dos livros: -Odisséia da Expiação. (publicada em 1995) -Setembro da Poesia - Duzentos quilos de miséria (poesia) - A navalha do futuro.  Antonio Siqueira Formação: Pastor e formado em Psicologia clínica Autor dos livros: -O poder da visão
  • 200.
    200 -Levando a sérioo adolescente -Quando Deus nos escolhe.  José Maria da Conceição – conhecido por Zé do Binoca Escreveu os livros: - Estudo escatológico – em 2000. - Namoro, noivado e casamento – em 2001. - Educando a família à luz da Bíblia – em 2005. Por falta de apoio e recursos não chegou a publicar.  Adilson Motta: Formado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA em 2005). Autor dos livros: - Radiografia de Bom Jardim –MA. História e geografia. (Contribuindo para uma educação contextual). Ano: 2005. - Linguagem e exclusão social. (Recomendado para todo bom cidadão)-2005. - Contextual and Interpersonal English. Bom Jardim – Maranhão - Ano: 2006. - É um prazer me conhecer: Parauapebas/Pará (História, Geografia e Cultura) – Contribuindo para uma educação contextual. Ano: 2006 - Escritos Políticos à Minha Terra. Ano: 2012 - Sintonia: Poemas, Crônicas e Contos; ano; 2010-2012 - Vale: Privatização – A Saída ou o Fundo do Poço? - História de um comunidade na região Carajás: Vila Sansão Assim como muitos outros colegas, que não tiveram apoio cultural naquilo que produziam de cultura, os quatro livros acima , produzidos por mim (Adilson Motta) não tive apoio cultural para lançamento. O livro de Bom Jardim, como não tive apoio também, fiz uma doação em CDs em PDF ao povo de Bom Jardim.  Chico Tupam: Residente em Bom Jardim desde os primórdios de sua fundação, publicou o livro: Sete histórias em Cordel - Literatura Maranhense  Neila Matias de Souza. Em nome de Deus: cavalarias, igreja, pecado e salvação no Ocidente Medieval (Séc. XIII). 16.1 TEATRO O Teatro Vida foi uma ideia de Irmã Esperança para tirar as crianças e jovens da rua. O Projeto Vida desenvolveu atividades como: Culinária, corte e costura e artes como: Artesanato, crochê, bordado, lembrancinhas, etc. Irmã Esperança Dettori, natural da Itália, faz parte da congregação missionária “Filhas de Jesus Crucificado”. O teatro deu início no ano de 1993 com 25 componentes, tendo como primeiro diretor: Marcos Bom Jardim. O teatro se dividiu e o grupo passou a ser chamado “Teatro Reviver”, o motivo foi não concordarem com algumas regras.
  • 201.
    201 Novamente, em 2004,os dois grupos de teatro se uniram. No entanto, os grupos foram extintos em 2006. Atualmente o Projeto Vida além de funcionar como creche, ministra aula de informática e ou computação, bordados etc. 12.3 ARTES PLÁSTICAS Como podemos compreender o que são as artes plásticas? A grande maioria das pessoas sabe que pintura e escultura fazem parte desta denominação, mas então porque artes “plásticas”? O pintor usa tinta sobre algum tipo de superfície, o escultor cria formas na madeira ou na pedra, entre outros materiais. O que tem o plástico a ver com isso? Para compreender estas denominações precisamos retroceder um pouco e entender - o que é arte? A arte não finda com as Artes Plásticas, as Artes Cênicas, a Literatura, a Arquitetura, o Cinema, as Narrativas Televisivas e as Histórias em Quadrinhos. Por boa parte da história a terceira das artes representava tudo aquilo que era belo. A palavra “arte” vem do latim Ars,que significa habilidade. O artista era o habilidoso executor de uma função específica. As “Artes Plásticas” não são nada mais que a capacidade de moldar, modificar, reestruturar, re-significar os mais diversos materiais na tentativa de conceber e divulgar nossos sentimentos e, principalmente, nossas ideias. Em Bom Jardim, as artes plásticas foram desenvolvidas pelos seguintes nomes abaixo:  Francisco Oliveira de Jesus (Conhecido pelo nome de Reis): Nascido em 08/08/1959, filho de Pedro de Jesus e Luiza Oliveira de Jesus. Reis afirmou que começou a pintar em 1979, seu primeiro trabalho em quadro foi “A igreja de Roma”.  Domingos Mota da Silva: Nascido em 04/08/1974, filho de Antonio Sutero e Doracir Mota da Silva, desenvolveu seu 1º trabalho em 1985, com 12 anos de idade (Histórias em quadrinhos).  Antonio Vilson Oliveira Silva: nascido em 10/01/1972, filho de José Oliveira e Anilda Oliveira da Silva.
  • 202.
    202 Vilson se destacoucomo um dos melhores na arte plástica de Bom Jardim, afirmou sua irmã Marlene. Começou a desenvolver seus trabalhos artísticos com sete anos de idade, e que até ficou reprovado (por razões tais). Atualmente, Vilson vive em São Paulo, nas horas vagas aproveita para pintar. Exposição de Obras de arte do artista plástico Reginaldo Pereira, natural de Bom Jardim – Maranhão. Já apresentou suas obras até fora do país. Reginaldo Pereira Obras de Reginaldo Pereira, artista plástico de Bom Jardim Maranhão.
  • 203.
    203 12.4 Aspectos desportivos Oesporte principal praticado no município é o futebol de salão e o de poeira - onde o município apresenta 29 times esportivos. Sendo 12 times da zona urbana e 17 da zona rural. São realizados campeonatos municipais para selecionar os melhores com premiações e troféus na definição do campeão dos campeões. Ainda não participa de campeonatos municipais, ficando um futebol isolado. Percebe-se, portanto, a necessidade de exportar o futebol de Bom Jardim, e inserí-lo nos torneios maranhenses. Para que não fique só na “poeira”. Nome dos times de futebol de Bom Jardim Zona Urbana Boca da Mata Jovem Pan SESB Estrela Vermelha 15 de Novembro Goiás Palmeira América Satélite Roma Filadélfia São Paulo Fonte: Secretaria de Esporte/2004. Zona rural Nascimento Cassimiro Novo Caru Vila Bandeirantes Três Olhos D´água Rosário Tirirical Santa Luz Igarapé dos Índios São Pedro do Caru Canaã Escada do Caru Galego Rapadurinha Oscar Turizinho KM 18 Gurvia Jogadores de Bom Jardim e Secretário de esporte Luiz do Zezé. Estádio Municipal José Moreira de Araújo (Zezão). Construído na administração de Dr. Roque Portela.
  • 204.
    204 IMAGENS ANTIGAS DASELEÇÃO BONJARDINENSE DE FUTEBOL Fonte: Esquerdinha. Acervo pessoal. 2017. Fonte: Esquerdinha. Acervo pessoal. 2017. RALLY: BOM JARDIM / SÃO JOÃO Outro evento desportivo que a cada ano ganha amplitude e aumento no número de participantes e que envolve os municípios de Bom Jardim e São João do Caru é o RALLY, cuja época favorável para a prática do esporte é o período chuvoso como revelam as fotos abaixo.
  • 205.
    205 Fontefoto: www.bomjardimma.com, 2013 Fontefoto: www.bomjardimma.com 12.5 A CAPOEIRA O município apresenta também desde 1996, um grupo capoeira composto de 28 membros. Tendo por objetivo a prática desportiva, além de ser usada como defesa pessoal. O grupo não tem um local próprio, reunem-se para o treino dessa prática em local público com apresentações para divertir o povo em geral. Em 2004 foi construído um centro cultural cujo objetivo era congregar e fomentar todas as culturas no município (que, no entanto, se encontra fragilizada).Na gestão de Roque Portela, o ponto foi solicitado para o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). A partir de 2000 Hélio da Capoeira, como é conhecido, acampou conquistas no âmbito da capoeira local, entre elas, o reconhecimento institucional da capoeira como prática legal e reconhecida na cultura e educação do município. Outros nomes também deram sua contribuição como: Elissandro, Ricardo Matos e outros. Em 2013, o grupo capoeira de Bom Jardim possui vários praticantes nos povoados e ou zona rural.O grupo se organiza juridicamente em torno daAssociação Cultural de Capoeira Escravos Brancos, que é um instrumento de representação política e de interesses da classe. História da Capoeira O Brasil a partir do século XVI foi palco de uma das maiores violências contra um povo. Mais de dois milhões de negros foram trazidos da África, pelos colonizadores portugueses, para se tornarem escravos nas lavouras da cana-de-açúcar. Tribos inteiras foram subjugadas e obrigadas a cruzar o oceano como animais em grandes galeotas chamadas de navios negreiros. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os portos finais da maior parte desse tráfico.Ao contrário do que muitos pensam, os negros não aceitaram pacificamente o cativeiro.A história brasileira está cheia de episódios onde os escravos se rebelaram contra a humilhante situação em que se encontravam. Uma das formas dessa resistência foi o quilombo; comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil acesso. Geralmente em pontos altos das matas. O maior desses
  • 206.
    206 quilombos estabeleceu-se emPernambuco no século XVII, numa região conhecida comoPalmares. Uma espécie de Estado africano foi formado. Distribuído em pequenas povoações chamadas mocambos e com uma hierarquia onde no ápice encontrava-se o rei Ganga-Zumbi, Palmares pode ter sido o berço das primeiras manifestações da Capoeira. Alguns historiadores defendem que a Capoeira nasceu como luta, com o objetivo dos negros se defenderem dos Capitães de Mato (homens que recebiam recompensas para recapiturarem negros fugidos), das diversas expedições que eram enviadas pelo governo e administradores de fazendas, para destruir os quilombos (redutos de negros fugidos). O QUILOMBO era uma verdadeira cidade, que tinha como Rei Zumbí, o grande guerreiro General das Armas. Depois de derrotarem quase 30 expedições, o governo contratou as tropas de Domingos Jorge Velho um exército poderosíssimo, (só 130 anos depois na guerra da independência que se viu um exército maior), destruiu completamente Palmares, onde os negros só lutaram com pernadas, braçadas, cabeçadas, armas feitas de madeira e a criatividade enfrentando canhões e etc.... Em 1890 o governo federal baixou um decreto proibindo a capoeira, mas, a partir de 1800 já se tinha notícia de pessoas presa por prática da capoeiragem, qualquer pessoa que fosse vista praticando-a seria presa e até mesmo deportada para os países dos quaisvieram. Desenvolvida para ser uma defesa, a Capoeira foi sendo ensinada aos negros ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos. Para não levantar suspeitas, os movimentos da luta foram sendo adaptados às cantorias e músicas africanas para que parecessem uma dança. Assim, como no Candomblé, cercada de segredos, a Capoeira pode se desenvolver como forma de resistência. Do campo para a cidade a Capoeira ganhou a malícia dos escravos de 'ganho' e dos freqüentadores da zona portuária. Na cidade de Salvador, capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçavam o caráter marginal da luta. Durante décadas a Capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da sua prática deu-se apenas na década de 30, quando uma variação da Capoeira (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente, Getúlio Vargas. A partir da década de 30 deste século, após um enorme período de marginalização, a Capoeira foi reconhecida então como arte brasileira. Hoje existem milhares de capoeiristas espalhados pelo mundo, praticando essa forma de arte, luta e dança surgida no Brasil. Capoeira como Educação Física: é a atividade física que mais trabalha o corpo. Desenvolve os domínios PSICOMOTOR, AFETIVO-SOCIAL O COGNITIVO e todas as qualidades físicas.
  • 207.
    207 Principais características dacapoeiragem A capoeiragem é uma luta em que os executantes se valem dos pés, das mãos e da cabeça para bater no adversário ou derrubá-los. Baseia-se na utilização do peso do corpo num sistema de alavancas com as pernas e os braços. A semelhança das lutas japonesas, a destreza e a agilidade importam mais que a força muscular. É uma luta essencialmente agressiva: o capoeira se defende atacando. A sua principal vantagem, com relação às outras lutas, é o de haver possibilidades de o praticante poder se defender de vários atacantes não mesmo tempo. Um instrumento de percussão, o berimbau, é usado para auxiliar a aprendizagem da “ginga”. Grupo Capoeira em Bom Jardim. Grupo de capoeiras de Bom Jardim/ MA.
  • 208.
    208 13 INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS(Evolução Histórica em Bom Jardim) Os indicadores das religiões em Bom Jardim estão assim distribuídos, conforme IBGE, 2012: Fonte: IBGE, 2012 IGREJA CATÓLICA Em Bom Jardim o catolicismo teve início já com os primeiros moradores, pois os mesmos eram católicos. A igreja católica em Bom Jardim foi fundada em 1968 pelo Padre Cordeiro e frei Abdias, que ainda não havia se consagrado Padre, mas a ele competia o papel de evangelizar. A primeira missa foi celebrada pelo padre Cordeiro que, ainda sem local apropriado, a missa foi realizada em um salão. A primeira igreja foi construída na praça Governador José Sarney, mas como na frente da referida igreja foi construído um abrigo no qual funcionava um bar, o padre não aceitou a ideia e, com desavenças, resolveu mudar o local da igreja que passou para a praça São Francisco de Assis. Junto com a referida igreja, foi também construída a casa paroquial. Os primeiros padres residentes em Bom Jardim foram: Frei Antonio Sinibalde, Frei Alexandre e Frei José. Frei Antonio Sinibalde faleceu em um naufrágio em São Luís, na Ilha do Medo, na praia do Boqueirão, na manhã no dia 07 de setembro de 1987. Após os referidos freis, aqui residiram Padre Carlos Ubialli, também Já falecido em acidente no dia 04 de março de 2001, Frei Eduardo, Frei Mário, Frei Guidi, Frei Carmine de Michelle, Frei Valadares, Frei Clever Mafra e atualmente, Frei Francisco Conceição Ribeiro. Na igreja católica de Bom Jardim já foram (formados) ordenados três padres: Padre Evangelista, Frei Antonio Cruz e Frei Francisco Sales. Além da Igreja matriz o município já conta com cinco Capelas que são: São Bernardo, Nossa Senhora Aparecida, Santa Madalena, Santa Luzia, São José e Nossa Senhora Imaculada Conceição. A paróquia promove várias festividades religiosas, entre as quais destacam-se as seguintes:  Natal com novena;  Páscoa e Semana Santa; 76,9 16 7,1 0 20 40 60 80 100 Indicadores das Religiões em Bom Jardim (%)
  • 209.
    209  Santa Luziacom novena e procissão;  São João Batista com fogueira e Bumba-meu-boi;  São Francisco de Assis, Padroeiro da cidade, com procissão e festejo.  FESTA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS A festa de São Francisco de Assis é de homenagem a Francisco de Assis, o padroeiro da cidade, cujos festejos são realizados num período de duas semanas, e seu encerramento dia 04 de Outubro, dia consagrado São Francisco de Assis com procissão, missa, ladainhas, leilões, barraca com comida típicas e festas dançante, onde se faz presente todo o ano o Parque de Diversões São Francisco. O festejo de São Francisco de Assis é celebrado aos 4 de outubro. No decorrer do festejo realizam-se na praça da Matriz: leilões e especiarias em prolda Matriz. Fonte: Agora Santa Inês.com.br,2013 A paróquia se ocupa da juventude, pois a finalidade é despertar os jovens para uma consciência mais crítica da realidade social, política e econômica da sociedade, tendo como base a fé em Jesus de Nazaré, primeiro evangelizador e transformador dos homens e mulheres do mundo. Desenvolve também trabalhos como: conscientização quanto às drogas, prostituição, etc. O primeiro casamento na paróquia de Bom Jardim foi de José Rosa de Lima com Maria de Jesus, no dia 14 de janeiro de 1969. Igreja Católica de Bom Jardim – MA Festejo e procissão de São Francisco arrastam uma multidão de fiéis em Bom Jardim 2013.
  • 210.
    210 Fonte: www.bomjardim.com.br Nova igrejaMatriz inaugurada em 2013. Prefeito Gildásio Ferreira Brabo, Padre Frei Antonio Sinibalde e Comunidade fazendo a recepção do Bispo Dom Adalberto no aeroporto de Bom Jardim. CONGREGAÇÃO MISSIONÁRIA FILHA DE JESUS CRUCIFICADO A Congregação Missionária das Filhas de Jesus Crucificado foi fundada em 8 de dezembro de 1925 tendo como fundador o Padre Salvador Vico. As missionárias filhas de Jesus crucificado desenvolvem, hoje na Itália, Brasil e Zaire, uma obra de evangelização e de promoção humana animadas de uma espiritualidade sacerdotal e operativa. Esta congregação chegou em Bom Jardim em julho de 1977, sendo fundador o Padre Frei José. As primeiras irmãs que aqui chegaram foram irmã Geovana, já falecida, Adélia, superiora, Carla, Eliza, Esperança e Naíde. A casa da congregação foi dada pela comunidade e sua estrutura era de taipa. Já se consagraram nesta cidade, várias irmãs, dentre elas irmã Célia, Delzenir e Íris. Para uma missionária se consagrar é preciso no mínimo 04 ou 05 anos, 02 anos de postulado e 02 de noviciado e mais 5 anos de estudos para a profissão se perpetuar.
  • 211.
    211 As irmãs trabalhamcom a pastoral da criança e formação de líderes comunitários, são responsáveis pelo Projeto Vida que é mais uma forma de ajudar os adolescentes a ficarem longe do mundo das drogas e da prostituição. A forma de ajudar é dando Cursos profissionalizantes, culinárias, artesanato, bordados, informática, etc. A madre superiora geral é a irmã Placídia, que reside na Itália. Grupo Homens do Terço em Bom Jardim 2019. O Movimento religioso Homens do Terço ligado à Igreja Católica teve o seu início em Bom Jardim em 02 de Abril de 2008 idealizado pelo senhor Lourival Dias, incentivado pelo contato de encontros diocesanos em outras cidades maranhenses. O inicio o movimento começou com a participação de 13 membros, coo-fundadores (Lourival, Bernardo “Nem”, João da Silva Sales, Bernardo Marreiros, Dionísio Fialho, Max Artur, José Clauster, Antonio Francisco, Lourisvaldo Pereira, Raimundo Nonato, conhecido “Sibimba”, Manoel da Conceição, Raimundo Ferreira. Outros membros aderiram, e atualmente conta com um bom número de participantes no município. Convento das Freiras
  • 212.
    212 PROTESTANTISMO Essa corrente doCristianismo surge com a Reforma Protestante iniciada no século XVI, pelo teólogo alemão Martinho Lutero. Ele rompe com a Igreja Católica, defende a fé como elemento fundamental para a salvação do indivíduo e condena a venda de indulgências (absolvição dos pecados) pela igreja e a degradação moral do clero da época. Os protestantes abolem o culto às imagens da Virgem Maria e dos santos, como também, o uso do latim nas celebrações. Aceitam que os religiosos possam se casar. Mantém apenas dois sacramentos: o batismo e o culto cristão. O luteranismo difunde-se na Alemanha e encontra receptividade em outros países da Europa. Nem todas as teses de Lutero são aceitas. Em razão disso, o Protestantismo dá origem a diferentes grupos. O termo “Evangélico”, na América Latina, identifica as religiões cristãs originadas da Reforma e é usado como sinônimo de protestante. Em 2000, os evangélicos representam 15,4% dos brasileiros, ou 26,1 milhões. Comparando-se as estatísticas de 1991, nota-se um crescimento de 71,1% na proporção de fiéis. IGREJA PENTECOSTAL A igreja Pentecostal Assembleia de Deus tem como fundamento o próprio Cristo; e toma como ponto sublime o dia de Pentecostes que representou a descida do Espírito Santo sobre a igreja (os fiéis). Com a quebra da unidade em 1517 através de Lutero e outros como Calvin, gerou novas correntes religiosas que defendiam uma igreja santa com propostas de reformas, não atendidas. Difundindo-se no novo continente, conhecido “novo mundo”, os pentecostais surgem primeiramente como grupo autônomo em Chicago, nos Estados Unidos, em 1906, de um movimento denominado holiness (santidade). O movimento é, em grande parte, de origem metodista. O grupo holiness anuncia práticas originais na relação dos fiéis com o Espírito Santo: O batismo no Espírito, a glossolalia (dom de falar língua desconhecida) e o dom da cura. O texto de referência é a narrativa de Pentecostes – daí a denominação Pentecostal. Os cultos têm uma dinâmica emotiva e teatral, visível nos discursos eloquentes dos pastores, nos cantos e nas orações coletivas em voz alta e nos rituais de cura realizados em grandes concentrações públicas. O movimento Pentecostal chegou ao Brasil em 1910, com a fundação da Congregação Cristã no Brasil na cidade de São Paulo. Atualmente, existem centenas de igrejas, e as principais, além da Congregação Cristã no Brasil, são: Assembleia de Deus (Pará, 1911), Evangelho Quadrangular (São Paulo, 1953), Brasil para Cristo (São Paulo, 1955) e Deus é Amor (São Paulo, 1962). (Coleção Almanaque Abril, 2005, p. 12) ASSEMBLEIA DE DEUS (OU PENTECOSTAL) EM BOM JARDIM No ano de 1959, as reuniões eram ministradas pelo irmão Manoel Justino, em casa de taipa no Bairro Betel nesta cidade. A congregação era no campo do Povoadas Águas Boas, município de Monção, o primeiro templo foi inaugurado em 1962, e o primeiro pastor foi Arcanjo de Deus da Silva. Até hoje se passaram 9 pastores: José Arcanjo, Pedro
  • 213.
    213 Jack, Alexandre, Joeldos Santos, Dugley Marcones Bezerra, Francisco Pereira de Moraes e José Cardoso Lindoso, atual. A igreja realiza durante todo o ano as festas: Círculo de oração da mocidade, no mês de janeiro, com a finalidade de orar em prol da juventude, faz visitas constantes a jovens desviados do caminho do senhor. Círculo de oração “Monte das Oliveiras”, no mês de setembro com a finalidade de trazer os jovens a casa de Deus através da evangelização em massa. Como também confraternização infantil, com o fim de evangelizar os pequeninos; encontro dos casais por um lar abençoado e a união da família com o seu criador; campanhas contra as drogas com o fim de libertar os jovens das drogas através da palavra de Deus. A cruzada evangélica que tem a finalidade de levar o IDES de Jesus a todas as pessoas até os confins da terra. Além de evangelizar, a igreja incentiva a Juventude a andar no temor de Deus, prepara o encontro com Jesus e viver em comunhão com a sociedade, tendo um crescimento diário bastante elevado. Os missionários treinados fazem a evangelização indígena. A igreja teve como sede três templos nesta cidade, o 1º foi na Betel, o 2º na Avenida José Pedro, onde funciona a prefeitura municipal e o 3º atualmente na 7 de Setembro. Assembleia de Deus quer dizer “agrupamento das pessoas de Deus”. Igreja Evangélica em Bom Jardim ASSEMBLEIA DE DEUS MADUREIRA (do texto abaixo) Chegaram em Bom Jardim os primeiros missionários em julho de 1999, localizando-se no Bairro Santa Clara. A igreja realiza durante o ano as festas: Círculo de oração, no mês de novembro, confraternização da mocidade em dezembro, batismo nas águas para remissão dos pecados. Além de evangelizar trás os jovens para ensiná-los as doutrinas bíblicas, as almas para o reino de Deus, se relacionam da melhor maneira com a comunidade, respeitando-a. Em 2000, a igreja tinha em média 50 membros. A primeira família Madureira em Bom Jardim era composta de Paulo César Silva Azevedo e esposa. O nome Assembleia de Deus da Madureira provém de um bairro de São Paulo e é uma ramificação da Assembleia de Deus. TESTEMUNHAS DE JEOVÁ A igreja Testemunhas de Jeová chegou em Bom Jardim em 1º de Agosto de 1990, com o objetivo de efetuar uma obra bíblica, a saber, proclamar o reino de Jeová. Os primeiros representantes das testemunhas de Jeová em Bom Jardim foram: José Antonio da Silva e Eliseu Antonio Malhas Gomes. E são tidos como “pioneiros” em Bom Jardim. A história moderna das testemunhas de Jeová assumiu forma há pouco mais de um século. No começo da década de 1870, iniciou-se um pequeno
  • 214.
    214 grupo de estudosbíblicos na cidade de Allegheny, Pensilvânia, EUA, agora parte de Pittsburgh. Charles Tase Russel foi seu primeiro promotor. Chamam o nome de Deus de Jeová porque segundo a versão Almeida, revista e corrigida, da Bíblia no Salmo 83:18, diz: “Para que as pessoas saibam que tu, a quem só pertence o nome de Jeová, és o altíssimo sobre toda a terra”. Porque o nome Testemunhas de Jeová? É com base em Isaías 43:10 que diz: “Vós sois minhas testemunhas”, é a pronunciação de Jeová. Igreja Universal do Reino de Deus A igreja Universal do Reino de Deus foi fundada por Edir Macedo no Brasil no ano de 1977. Antes de se auto proclamar "Bispo", Macedo trabalhou como caixeiro da loteria no estado do Rio de Janeiro. Aos 20 anos abandonou o catolicismo e se converteu ao pentecostalismo, ingressando à denominada Igreja Nova Vida. Permaneceu ali durante 10 anos antes de abandoná-la - segundo disse- por ser "elitista". Em 1977, junto com um grupo de amigos abriu um pequeno local em um bairro pobre do Rio de Janeiro. Declarou se "bispo" e fundou a Igreja Universal do Reino de Deus. Nos primeiros anos apenas sobrevivia economicamente até que uma crente vendeu um terreno e lhe doou o dinheiro. Nesse momento comprou 10 minutos por dia na Rádio Metropolitana. Começou o êxito. Em 1980 tinha várias horas de rádio e uma hora de televisão no canal Rio Tupi. Abriu um local na cidade de São Paulo e em 1982 comprou a primeira emissora de rádio -Rio Copacabana -. Seu carisma falte de limites e o uso de técnicas de manipulação produziram uma explosão em sua igreja e um crescimento incomparável. Em que Acreditam A Igreja Universal é similar a outros evangélicos pentecostais. Por exemplo, crêem na deidade de Jesus Cristo, a Trindade, a ressurreição corporal de Jesus Cristo e a salvação pela graça através da fé. Entretanto, Macedo incorporou novos elementos a sua doutrina que pouco têm a ver com o bíblico. Para curar-se vendem "pedras da tumba de Jesus", " a água benta do rio Jordão", "a rosa milagrosa", "sal abençoado pelo Espírito Santo". A igreja universal foi fundada em Bom Jardim em 2001. Foi trazida pelo pastor Abel, com a colaboração da professora Areny. O organizador é o pastor
  • 215.
    215 Júnior. Atualmente emBom Jardim, a igreja universal é coordenada pelo pastor Marcelino (2005). 2014. Imagens de Todas Igrejas de Bom Jardim Ano: 2014 Apenas as Igrejas da Sede. Existem também dezenas de igrejas espalhadas na zona rural de Bom Jardim. Igreja Matriz Nova de Bom Jardim – MA Igreja Matriz Antiga de Bom Jardim -MA Igreja Assembleia de Deus Salão do Reino das Testemunhas de Jeová
  • 216.
    216 Igreja Universal doReino de Deus Assembleia de Deus Preparando Vidas. CohabPastor Fundador: Pastor Carlos, Bom Jardim (A da porta verde). Igreja Adventista do 7º Dia (Rua 7 de Setembro Igreja Batista Betel - Rua 7 de SetembroIgreja Santa Luzia (Católica) - Alto dos Praxedes
  • 217.
    217 Igreja Adventista -7º Dia (Extensão)Igreja Santa Maria Madalena. Alto dos Praxeses Igreja Assembleia de Deus - Alto dos Praxedes (Extensão) Igreja Assembleias de Deus - Congregação Monte Tabor. Bairro São Bernardo(verde) Igreja Assembleia de Deus Nova CanaãIgreja Santa Joana Dark. Bairro Joana Dark. Igreja Católica Nossa Senhora da Conceição. Vila Muniz Igreja Assembleia de Deus. Vila Muniz. (de Barras azuis)
  • 218.
    218 Igreja Mundial doPoder de Deus Igreja Assembleia de Deus - Missões. Rua Maranhão Sobrinho Igreja Adventista. Ação Solidária Adventista (Extensão) Assembleia de Deus Nacional. Bairro Santa Clara. Igreja Assembleia de Deus (Extensão) Bairro Santa Clara .Igreja Assembleia de Deus Madereira. Bairro Santa Clara.
  • 219.
    219 Igreja Assembleia deDeus C. Betel. Bairro Nova Esperança Congregação de YAOHUDIM 13.1 A MAÇONARIA EM BOM JARDIM Em Bom Jardim a maçonaria foi fundada em 15 de abril de 1980. O Venerável Mestre da Maçonaria no município foi Luiz Bezerra Linhares, conhecido por “Luiz do Posto”, falecido em 2003. Este é um dos mais altos cargos da maçonaria. Segundo o venerável mestre, numa entrevista realizada em setembro de 2001, a Maçonaria é uma sociedade filantrópica sem fins lucrativos, ou seja, não tem como meta alcançar riqueza com pacto com o demônio como as pessoas pensam; como toda sociedade, a maçonaria dedica-se a ajudar os que os procuram através de carta (que é enviada por meio de membros, sem identificação). Funciona tipo uma irmandade. Em Bom Jardim, só existiam até 2005, oito adeptos, pois vários já existiram, mas como deixaram de participar das reuniões que tem como sede Zé Doca, todas às sextas feiras, estes foram afastados. As mulheres não podem participar das reuniões porque há segredos que não podem ser revelados. Há um mito de que a pessoa maçônica teria que dar o filho primogênito para o demônio. O venerável mestre, como é conhecido o superior maçônico, discordou dizendo que não existe nenhum acordo deste tipo, pois a sociedade tem como livro supremo A Bíblia Sagrada. As festas realizadas na maçonaria são as festas brancas para iniciar uma pessoa na sociedade e as festas de exaltação para promoção de cargos. O vocábulo – Maçonaria – derivou do termo francês – maçon, que traduzido para o português, quer dizer – “pedreiro”. Eis como se justifica o motivo dos maçons serem conhecidos como “pedreiros livres”. Os antigos pedreiros de profissão da Europa exerciam seus misteres isoladamente. Com o passar do tempo, reconheceram as irrefutáveis vantagens de se associarem para melhor proveito na defesa de seus direitos e interesses. Resolveram, então formarem-se em sociedade, à qual emprestaram o nome simbólico de Maçonaria. Uma vez agrupados e constituídos em sociedade, começaram logo a ser procurados por outros de funções diferentes, tais como arquiteto, carpinteiros, pintores, etc. Então, estes lhes propuseram uma união na qual se estruturaria o fortalecimento da Associação. A Maçonaria proclama, desde a sua origem, a existência de um Princípio Criador, ao qual, em respeito a todas as religiões, denomina Grande Arquiteto do Universo.
  • 220.
    220  A Maçonariaconstitui-se numa escola, impondo-se o seguinte programa: a) Obedecer às leis do país; b) Viver segundo os ditames da honra; c) Praticar justiça; d) Amar o próximo; e) Trabalhar pelo progresso do homem.  A Maçonaria proíbe discussão político-partidária e religioso-sectária em seus templos.  Proclama os seguintes princípios: a) Amar a Deus, a Pátria, a Família e a Humanidade; b) Praticar a beneficência, de modo discreto, sem humilhar; exigir de seus membros boa reputação moral, cívica, social e familiar, pugnando pelo aperfeiçoamento dos costumes. Na história da Maçonaria brasileira, os maçons republicanos criaram Gabinetes de Leitura, que eram pequenas bibliotecas que alugavam livros. Tinham o objetivo iluminista de esclarecer a população. Os maçons também abriram escolas para alfabetizar adultos pobres, dentro do ideal ilustrado de “educar para libertar”. Aproveitavam as aulas para divulgar o ideal republicano.
  • 221.
    221 13.2 RELIGIÕES AFRO- MACUMBA, UMBANDA E CANDOMBLÉ As religiões afro ou oriundas da África foram introduzidas no Brasil na época da colonização brasileira. Com a trazida de escravos para o Brasil, vindo também sua cultura, hábitos e costumes religiosos. É impossível termos uma visão detalhada sobre a Macumba, Umbanda e o Candomblé, a não ser que partamos no sentido da origem destes rituais, que se fundamentam na religião Yorubá. A Religião Yorubá Esta tem sido a religião de povos que vivem no oeste africano, mais precisamente na Nigéria e em Benim. Tem-se caracterizado, há séculos, como um conjunto de práticas e de rituais que visam adorar a natureza e reverenciar os ancestrais. A religião Yorubá é essencialmente politeísta, pois adoram e servem a falsos deuses a quem chamam de Orixás. Na concepção nigeriana de adoração, prestam cultos a entidades as quais, segundo acreditam, manifestam-se em uma relação com a natureza. Tais entidades (espíritos) possuem personalidade, e dentre os mais conhecidos estão: Ogun, Oxossi, Obatalá, Iemanjá, Xangô, Oxum, Oiá, Orulá e Babalú Aiê. Muitos religiosos acreditam que os orixás são demônios. Os orixás são arquétipos de uma atividade ou função e representam as forças que controlam a natureza e seus fenômenos, tais como as águas, o vento, as florestas, os rios, etc. Cada Orixá tem um dia da semana a ele consagrado. O panteão africano constitui-se basicamente por sete Orixás Maiores e ainda por muitos Orixás Menores. Os primeiros são voltados para o lado mais divino da obra de Deus. Os últimos, são mais ligados à própria natureza humana. Os “orixás’, ao presidirem a própria natureza através de seus agentes, trariam em si características de personalidade que os ligariam a determinados estados evolutivos da espécie humana. A vibração provocada pelo tipo de personalidade de um certo indivíduo, vai colocá-lo sob a influência de determinado “orixá”. Diz-se,então, que ele é oriundo daquela faixa psíquica, ou como fazem no Candomblé, que ele é “filho de Santo”. A origem dos orixás, segundo as lendas do povo africano, é a fragmentação do pensamento criativo, quando este, por sua vontade, vai presidir a criação de determinado orbe. Os orixás não estariam sujeitos à evolução, embora fossem ligados aos Espíritos que o estão, pela afinidade vibratória que os caracterizam. Religiões Afro Brasileira Na última década, o candomblé cresceu e a umbanda encolheu. Principais religiões africanas trazidas pelos escravos ao Brasil (como citado
  • 222.
    222 anteriormente), de acordocomo Censo de 2000, elas têm 571,3 mil praticantes no total, o que corresponde a 0,3% da população. Um dos principais motivos para a diminuição do número de umbandistas, segundo estudiosos, seria o avanço pentecostal na mesma área em que a umbanda atua. Valendo-se do rádio, os pentecostais ganham simpatizantes em faixas da população que antes freqüentavam terreiros, além das pregações “picantes” sobre o assunto. A maior concentração de devotos declarados das religiões afro-brasileiras está no estado do Rio Grande do Sul, seguido de Rio de Janeiro e Bahia. Durante décadas, as religiões afro-brasileiras foram um mundo à parte, fechado, dentro da cultura brasileira. A partir do século XX, elas ganharam relevância nos livros de escritores de grande popularidade, como Jorge Amado, e nas canções da bossa nova, cultuadas pela classe média. Candomblé – Os escravos vindos da África Ocidental entre os séculos 16 e 19 trouxeram o candomblé para o Brasil. A religião sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses, que a consideravam feitiçaria. Para sobreviver às perseguições, os adeptos passaram a associar os orixás aos santos católicos. Esse fenômeno é conhecido como sincretismo religioso, ou seja, uma mistura de elementos de diferentes crenças. As cerimônias de candomblé ocorrem em locais de culto chamados terreiros; sua preparação é fechada e envolve muitas vezes o sacrifício de pequenos animais. As entidades dessas religiões africanas são dotadas de sentimentos humanos, como ciúme, raiva e vaidade. A consulta aos orixás é realizada por meio de jogos de adivinhação, como o de búzios. No Brasil, a religião cultua apenas 16 dos mais de 200 orixás existentes na África Ocidental e o deus supremo criador dos orixás, Olodumaré. Os seguidores declarados do candomblé eram cerca de 107 mil em 1991 e quase 140 mil em 2000, o que representa um crescimento de 30,8%. Umbanda – Religião brasileira nascida no Rio de Janeiro, na década de 1920, a partir da mistura de crenças e rituais africanos e europeus. Suas raízes se encontram em duas religiões trazidas da África pelos escravos: a cabula, dos bantos, e o candomblé, da nação nagô. A umbanda considera o Universo povoado por entidades espirituais, os guias, que entram em contato com os homens por intermédio de um (médium), que os incorpora. Tais guias se apresentam por meio de figuras como o caboclo, o preto-velho e a pomba-gira. Os elementos africanos misturam-se ao catolicismo, criando a identificação de orixás com pai de santos. Outras influências são o espiritismo kardecista, os ritos indígenas e práticas mágicas européias. A umbanda contava com cerca de 542 mil devotos declarados em 1991, mas teve queda em 2000, o que equivale a uma perda de 20,2% de seus praticantes.
  • 223.
    223 O SINCRETISMO DOSORIXÁS E OS SANTOS CATÓLICOS NO BRASIL Orixás Relação com os santos católicos Oxalá O mais elevado dos deuses Iorubás. Nosso Senhor do Bonfim Ogum Deus dos guerreiros Santo Antonio, na Bahia São Jorge, no Rio de Janeiro Xangô Deus do trovão São Jerônimo Oxum Deusa das águas doces, da fecundidade e do amor Nossa senhora das candeias, na Bahia Nossa senhora dos prazeres, Recife Oiá-Iansã Deusa das tempestades, dos ventos e dos relâmpagos Santa Bárbara Oxóssi Deus dos caçadores São Jorge, na Bahia São Sebastião, no Rio de Janeiro Iemanjá Deusa dos mares e oceanos Nossa senhora da Imaculada Conceição Obaluaê/Omolu Deus da varíola e das doenças São Lázaro e São Roque, na Bahia São Sebastião Oxumaré Deus da chuva e do arco-íres São Bartolomeu Exu Mensageiro e guardião dos Templos, das casas e das pessoas Diabo Ossain Divindade das plantas medicinais e litúrgicas São Benedito Obá Deusa dos rios Santa Catarina Nana Deusa da lama Sant´Ána (Nossa Senhora Santana) Logun Edé Deus andrógino considerado - o príncipe das matas Santo Expedito Ibejis Deuses da alegria, das brincadeiras e da infância São Cosme e Damião Olodumaré Deus supremo. Criador dos Orixás Nenhum culto nem santo católicolhe é destinado. Fonte: Orixás, Deuses Iorubas na África e no Novo Mundo, de Pierre Verger – Editora Corrupio in Coleção Almanaque Abril/2005. Existe na zona urbana de Bom Jardim cerca de 9 terreiros (ou tendas) entre umbandas e candomblé. No entanto, a pesquisa foi realizada apenas com as duas tendas abaixo:
  • 224.
    224 TENDA SANTO ANTONIO(em Bom Jardim) Maria Marques Nascimento, Presidente da União Espírita de Bom Jardim forneceu dados curiosos a respeito da Umbanda, juntamente com a irmã Maria dos Reis Nascimento Gomes, que apesar de não serem gêmeas sentem as mesmas enfermidade, as mesmas dores nos mesmos lugares. São proprietárias sócias da tenda Santo Antonio, em homenagem ao pai de ambas. A tenda foi fundada em 29 de setembro de 1971 com um alvará de funcionamento expedido pelo Juiz Raimundo Trindade; foi o primeiro salão de Umbanda a funcionar em Bom Jardim. Segundo Nezinha, a umbanda é uma religião da fé, esperança e caridade onde seus seguidores têm que seguir na íntegra os dez mandamentos da lei de Deus, cumprir a missão que cada um trás e obedecer para poder diminuir os sofrimentos da matéria, pois através da obediência é que a graça é alcançada; as referidas se caracterizam como um aparelho para receber mensagens dos orixás e é uma situação congênita que não pode ser negada, tem que ser vivida para chamar os guias. Há um ritual com base na oração e muita concentração positiva que não há tempo determinado. O santo que rege a umbanda é Jeová Deus e Santo Antonio (CIC). Ao nos referirmos ao tambor, Nezinha relatou que é um símbolo de manifestações de alegria, mas, que pode atrair espíritos bons e maus. Os adeptos da umbanda ao desobedecerem os preceito e religiosos recebem castigos que podem vir de várias formas, tanto pode ser através de enfermidades, um negócio com prejuízo até bater as mãos numa pedra que se encontra na Tenda, este castigo é manifestado nas reuniões quando os orixás se apossam da pessoa. A responsabilidade da mãe de santo é cuidar das pessoas com problemas espirituais para que ela possa se desenvolver (fazer a cabeça) para receber os orixás ou mesmo ficar apenas como guia. No meio do salão existe uma haste com um círculo de cimento ao redor chamado GUNA, que representa as forças da água e do fogo – as quais representam o equilíbrio. Na umbanda existem certas proibições como: não usar short, e as chamadas roupas devassas, as restrições se estendem ao cigarro, bebidas alcoólicas e certas comidas como surubim, jabuti, veado sutinga e etc.; segundo ela, são proibições feitas pelos orixás. Em Bom Jardim existem aproximadamente 950 membros da umbanda. TENDA SÃO RAIMUNDO (em Bom Jardim) Sendo proprietário o senhor Raimundo Nonato Pereira, nascido no dia 18 de janeiro de 1955, segue o candomblé, e é filho de Iancã e Ogum. A vida espiritual do pai de santo iniciou-se aos sete anos de idade e o primeiro encontro foi Oxossi Maitá. Pelo fato de não aceitar-se como aparelho, passou nove anos doente, então foi levado a Tenda Santo
  • 225.
    225 Antonio a procurade tratamento, onde a mãe de Santo Nezinha lhe fez entender que a única saída era trabalhar, ao contrário seria fatal para ele. A partir de então, Raimundo da Xandoca, como é conhecido, passou a exercer a função de aparelho, sem local determinado até conseguir uma Tenda com licença judicial para trabalhar, isto aconteceu no Povoado Igarapé do Jardim, neste município, onde trabalhou durante onze anos, depois se mudou para Bom Jardim em 1991, sendo fundador do candomblé nesta cidade. Segundo Raimundo, o candomblé é uma festa fetichista afro brasileira, também chamada macumba, tendo como ponto de origem a Bahia (que a importou da África na bagagem dos negros no período da escravidão – grifo meu), e foi fundado por mãe Menininha do Cantuá. A doutrina do candomblé é ditada por vários guias que são eles: João de Arubatão, que é contramestre, ou seja não é o mestre desta Tenda, Maria Légua Bugi Trindade, que é filha de Légua Bugi, a Pomba Gira e o Tranca Rua. De todos esses guias, a Maria Légua é a única da linha branca e os outros fazem parte da linha negra. O santo que rege o candomblé (segundo ele - CIC) é o rei soberano e Jesus Cristo que no Candomblé é Oxalá. Os festejos nesta Tenda são: Santa Bárbara, São Raimundo, O Sagrado Coração de Maria. Essas festas são indispensáveis na Tenda São Raimundo. O ritual usado para chamar os guias é Oração e concentração com o pensamento voltado para aquele guia que o aparelho quer receber. Existem imposições feitas pelos guias que, segundo Raimundo, tem que ser cumprida, uma delas é não comer pimenta e a outra é que 30 dias antes de receber o guia não pode manter relações sexuais para que estejam com o corpo limpo. Tenda São José em Bom Jardim
  • 226.
    226 14. A POPULAÇÃOINDÍGENA 14.1 População Indígena Mundial Estima-se que existam hoje no mundo pelo menos 5 mil povos indígenas, somando cerca de 350 milhões de pessoas, representando 5% da população mundial. A população indígena mundial vive em zonas que contém 60% dos recursos naturais do planeta”. Não admira, portanto, que surjam inúmeros conflitos pelo domínio das terras. (...) A exploração de recursos naturais (petróleo e minas) e o turismo são as principais indústrias que ameaçam os territórios indígenas na América”, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho).Estudo das Nações Unidas afirmam também que 80% dos indígenas da América Latina vivem na pobreza. 14.2 Panorama Maranhense da População Indígena No Maranhão existem 16 áreas indígenas habitadas por aproximadamente 19.000 pessoas pertencentes a 8 povos. São eles: Awá Guajá Krikati Guajajara Ramkokam Kaápor Apaniekiá Pukobye Krêpum Katoyê O total das áreas indígena corresponde a 5,8% da superfície do Estado do Maranhão. Das 1.908.389 ha. / desse total, 330.000 ha. estão degradadas, invadidas e destruídas, essa área corresponde a 17,2% do total das superfícies das áreas indígenas. Os índios do Estado do Maranhão falam duas línguas: tupi-guarani e o macrojê. A educação indígena é destaque no Maranhão. Atualmente, sete dos oito povos são atendidos por ações que vão desde a construção de escolas indígenas e implantação de ensino regular bilíngüe. Ao todas são 226 escolas espalhadas pelas Terras Indígenas presentes no estado, atendendo 11.338 alunos indígenas, matriculados em 2006. (Fonte: Jornal Pequeno – redação@jornalpequeno.com.br) in 2006 14.3 A POPULAÇÃO GUAJAJARA
  • 227.
    227 Os Guajajara éum povo que, há centenas de anos, batalha para manter-se vivo, resguardando a essência de sua cultura e conservando a especificidade que o faz diferente dos outros povos indígenas e da sociedade nacional. Distribuem-se em 10 localidades pelo Estado do Maranhão. As áreas habitadas por Guajajara, são: 1- Área Indígena Caru 2- Área Indígena Pindaré 3- Área Indígena Araribóia 4- Área Indígena Bacurizinho 5- Área Indígena Cana Brava 6- Área Indígena Geralda/ Toco Preto 7- Área Indígena Lagoa Comprida 8- Área Indígena Morro Branco 9- Área Indígena Rodeador 10- Área Indígena Governador Os Tenetehara/ Guajajara são em sua maioria bilíngüe, falam o tupi- guarani e o português. Sendo a população indígena do estado em número de 19.000 habitantes, desse número, os guajajara são cerca de 14.000 pessoas distribuídas em dez áreas. Sendo de longe, o povo mais numeroso do Brasil ocupa a região Centro Sul do Maranhão. É o povo que tem um contato secular com a sociedade não-indígena. Isto lhe confere uma enorme capacidade de articular, negociar, reivindicar junto à sociedade como um todo. Tenetehara significa “gente verdadeira”. Assim se definem os Guajajara do Maranhão, que habitam as dez áreas, todas regularizadas. Apesar disso, algumas apresentam graves problemas de invasão. 14.4 A POPULAÇÃO INDÍGENA DE BOM JARDIM Em Bom Jardim vamos encontrar duas reservas indígenas, a do Rio Pindaré e a do Caru. É uma população bilíngue em sua maioria, falando o tupi-guarani e o português. A população indígena dessas duas reservas é de 1.179 habitantes (2005), correspondendo a 3,42% da população bonjardinense. Ainda não possuem um vocabulário escrito (mas já estão trabalhando para este fim). Existem escolas indígenas em Bom Jardim na aldeia. E as aulas são trabalhadas a base do diálogo. As duas línguas (português e tupi) prevalecem na prática pedagógica da educação indígena. Não sendo diferente do que acontece a nível nacional, a população guajajara de Bom Jardim também passa pelo processo de aculturação, ou seja, pelo intercâmbio cultural entre a língua
  • 228.
    228 deles e seuscostumes na relação com o mundo civilizado através da televisão dentro das aldeias e os contatos que se processam na língua portuguesa. Isto, ditado pelas necessidades de relações, que acontecem em nossa língua e nossos costumes, eles vão esquecendo seus costumes e sua língua e incorporando os nossos e a língua do mundo civilizado. E para reforçar essa aculturação, segundo Alzenira Guajajara, Professora indígena, as aulas são ministradas com mais frequência na língua portuguesa. Em 2002, um grupo de índios formandos em magistério de várias aldeias elaborou o dicionário da língua tupi-guarani (os guajajara). Pois há muito tempo são tidos por uma população ágrafa (sem escrita). O dicionário por eles elaborado ainda não saiu sua publicação. O dicionário conserva a língua, e conservando a língua conserva a cultura. Eles têm total assistência médica e os professores são indígenas. Área Indígena - Pindaré Localiza-se no município de Bom Jardim e tem uma extensão de 15.003 ha. Sendo uma população de 980 habitantes (índios). São compostos por cinco aldeias. A aldeia corresponde a uma aglomeração de pessoas. Esta reserva foi demarcada pela firma PLANTEL, foi homologada e, sucessivamente, registrada no cartório de Bom Jardim em 25/05 de 1982, com a denominação de Área Indígena Rio Pindaré. Homologada e Registrada pelo Decreto 87.846-24/11/1982. Esta terra indígena foi talvez a que mais sofreu reduções ao longo do tempo, até que ocorreu sua demarcação. De acordo com Gomes (1982), inicialmente esta área compreendia todo o vale do Zutiua. Afluente da margem direita do Pindaré, que até a década de 50 era exclusivamente habitada por índios Tenetehara/Guajajara e hoje é ocupada pelo município de Santa Luzia, dentre outros. O contato dos Tenetehara/Guajajara com a sociedade brasileira, data do século XVII, especialmente os que viviam nessa região, onde a colonização inicial foi mais intensa devido à proximidade com o litoral. Segundo Gomes (1999), os jesuítas estabeleceram duas missões entre esses índios, uma delas, a de Maracu, onde localiza-se a atual cidade de Viana, que até 1759 foi considerada a mais próspera do Maranhão. Em 1840 foi criada a primeira colônia indígena no Maranhão, a colônia Pindaré, localizada a cerca de seis léguas acima da freguesia de Monção. Foi situada em uma terra comprada pela Província do Maranhão e nela viviam famílias Tenetehara/Guajajara. Na ocasião, a justificativa para tal empreendimento foi:
  • 229.
    229 "... facilitar anavegação do Pindaré que os selvagens tornaram arriscadíssimapela desabrida guerra que faziam às tripulações dos barcos que nele navegavam, como também com o intuito de melhorar a segurança da vida e propriedade dos fazendeiros estabelecidos nas margens do dito rio, e mesmo para dar novo impulsoà civilização dos índios". (Relatório do Presidente da província, Manoel Campos Mello, 1862, apud Coelho, GOMES, 1982). A referida colônia teve momentos de prosperidade econômica com uma lavoura que produzia com abundância. Produzindo excedentes que eram enviadosà capital. No entanto, nos anos 50 começou a entrar em decadência devido à má administração dos seus diretores. Até 1856 há indicações, na documentação consultada, de que a Colônia ainda era capaz de suprir sua subsistência. Em 1880 foi comunicado ao presidente da Província que os índios da Colônia Pindaré haviam fugido. No ano seguinte, foi expedida uma lei autorizando o aforamento dessas terras para a Companhia do Progresso Agrícola. (Cf. Lei de19.04.1881) Ainda durante o regime Imperial, foi criada em 1854, a Colônia Januária, às margens do Rio Pindaré, na altura em que este conflui com o Rio Caru. Nesse localjá viviam 80 famílias Tenetehara/Guajajara. É frequente na documentação, alusãoà mobilidade dos índios, que era denominada de flutuação da população, tendo emvista, suas idas para a mata. Em 1857, por exemplo, a população da Colônia Januária oscilava entre 42 e 100 pessoas. Além da extração do óleo de copaíba, plantavam mandioca, milho, arroz e feijão, e cultivavam cana-de- açúcar, café, fumo, banana, cará, batata da terra, jerimum e mamona. Em 1862 a população desta Colônia subiu para 129 índios e há referências ao plantio de algodão. (Coelho, 1990) As referências a conflitos entre índios e brasileiros naquela região eram frequentes desde o Brasil Império, assim constam pesquisas. Já no Brasil República, com a instauração do Serviço de Proteção ao Índio- SPI, foi criado o primeiro posto indígena no Maranhão, o PIN Gonçalves Dias. Em 1916, exatamente na Terra Pindaré. Em 1918, esse posto foi atacado pelos Urubu/Kaapor. Em 1964 esta área foi cortada pela BR 316, que liga Belém a Recife.Fato que alterou completamente as formas de acesso à região, que antes se davam,principalmente por meio fluvial. “Essa área também foi cortada pela rede elétrica da CHESF, que indenizou os indígenas com a eletrificação de algumas aldeias, incluindo a Aldeia Januaria. O consumo da energia deveria ser pago em conjunto pelos indígenas.” (TCC- UEMA/Professora Marivania Leonor Sousa Furtado – 1995) Principais conflitos
  • 230.
    230 Há disputas emtorno dos limites da Terra Indígena, pois como eles são delimitados por uma linha natural, ou seja, um Igarapé que forma o lago, ao longo do tempo, o limite tem sido modificado seutraçado original, gerando mais invasões dentro do território. Esse conflito dura cerca de 40 anos, ou até mais a entender, todo o processode redução da TI, pelo fato dos não indígenas não respeitarem os limites da TI Rio Pindaré, quando nossos anciãos e anciãs afirmam, que a Terra Indígena era bem maior e ultrapassava os 15 mil hectares, em torno de 65 mil ha. As lideranças indígenas afirmam que é comum o uso da terra indígena pelos fazendeiros, sem autorização. Para combater as invasões, as lideranças indígenas criaram grupo de guardiões da floresta que tem feito a vigilância do território. No entanto, os não indígenas continuam invadindo a área para pescar e caçar, principalmente. Não acentua a palavra Caru Não se deve acentuar nunca as oxítonas terminadas em 'u', e é por isso que “caju”, “urubu”, “paracatu”, “Caru”.
  • 231.
    231 LOCALIZAÇÃO E NOMEDAS ALDEIAS INDÍGENAS EM BOM JARDIM No sentido Bom Jardim Santa Inês, 08/2013 1- Piçarra Preta 2- Aldeia Novo Planeta 3- Aldeia Areal 4- Aldeia Sede: Januária 5- Aldeia Tabocão Existem também mais duas aldeias menores (próximas as citadas):  Aldeia Nova e  Areinha Cada aldeia tem um Cacique, que também é um representante político. Ao todos estima-se um total de 1.200 índios, na comunidade onde funciona o ensino médio e há um ônibus que faz a nucleação e transporte dos mesmos para a escola sede, na aldeia Januária. Além destas aldeias, existem outras, como a Aldeia Maçaranduba (com cerca de 320 habitantes) – que se localiza entre o povoado Minerim (do Município de Alto Alegre do Pindaré e o Povoado Novo Caru (Bom Jardim). Tal como uma pequena população AWÁ GUAJÁ que se distribui ao longo do rio e região Caru.
  • 232.
    232 ÁREA INDÍGENA –CARU A área Indígena Caru, limitada pelos rios Pindaré e Caru está também situada no município de Bom Jardim. Foi demarcada em 1977, homologada e registrada em 1982, com uma extensão de 175.000 ha. E hospeda cerca de 199 Guajajaras, que permanecem sob a jurisdição do Posto Indígena do Carú, sediada na aldeia Massaranduba, além de cerca de 100 Guajás, que vivem nas proximidades do Posto Indígena AWÁ, e outros grupos de guajás, espalhados na mata sem ter algum contato com a sociedade. 14.6 Estrutura da Sociedade Guajajara A capacidade intrínseca de adaptação a novas situações e a novos ambientes – essa agilidade cultural – é uma característica comum a todas as cultura tupi-guarani. O princípio da organização social tupi-guarani são ao mesmo tempo, ou antes, princípios metafísicos. (Castro, apud Ubialli, 1997). Há portanto, na cultura tupi-guarani “excesso de cosmologia sobre a sociologia. (ibidem p. 95). Aparentemente, a sociedade guajajara apresenta-se mais como um aglomerado de famílias, distribuídas em várias aldeias ou num determinado território do que como uma organização social, coesa como instituições estáveis e diferenciadas. O que realmente se constata na sociedade guajajara é a ausência de um poder central e de um governo. Isso suscita a impressão de que o anarquismo seja o específico da sociedade guajajara, caracterizando todo o complexo de suas relações seja interna ou externa. São famílias que exercem o poder na aldeia. Certamente a sociedade guajajara está perpassada por uma ambivalência que parece ser uma contradição intrínseca no sentido de que é uma sociedade que se denota pela ausência de uma ordem institucionalizada mas que, contemporaneamente, sente a exigência da presença de uma “autoridade” para controlar as “desordens”. É uma sociedade em que coexistem a exigência de uma ordem e de um comando e a negação de um poder institucionalizado. É preciso destacar que, em compensação à falta de uma organização social forte, na sociedade guajajara, há uma produção mitológica muito rica e vasta como expressão da sua visão cosmológica e religiosa. Ainda hoje a vida dos guajajara é regida por esses princípios metafísicos. A interferência do sobrenatural é constante e proeminente em todas as suas atividades – produtivas e culturais – e relações sociais. A cultura guajajara apresenta a pessoa como uma unidade composta de um corpo e duas almas. Na cultura guajajara a pessoa se torna o centro e o objeto das atenções da comunidade desde o nascimento. A pessoa é o indivíduo concreto com seu nome, com suas especificidades, que procura realizar sua felicidade pessoal, dentro do sistema organizativo da família, através da aquisição dos poderes de Ma´íra, (o criador, grande pajé e grande guerreiro). O guajajara é constantemente incentivado a amadurecer sua personalidade e a aperfeiçoar suas qualidades. O pajé e o cantor são os únicos sujeitos que, dentro da comunidade guajajara, manifestam certa especialização e cumprem o papel específico de manter vivos os mitos e os conceitos cosmológicos dos quais eles detêm os conhecimentos.
  • 233.
    233 De fato, parapoder curar e cantar precisa conhecer tudo a respeito dos espíritos, da natureza e dos rituais. No processo de preservação e manutenção da cultura, as mulheres desenham uma função fundamental porque elas providenciam e preparam tudo o que é necessário (enfeites, pinturas, cigarros) para a realização dos rituais e das festas e acompanham as músicas dos cantores. O canto expressa todo ideário cosmológico, simbólico e religioso do universo guajajara. O canto é importante porque manifesta as fontes do poder como conhecimento das forças sobrenaturais e naturais. Ávida dos guajajara se balança entre o sobrenatural e o natural. Nessa peleja de poder dominar e controlar as forças sobrenaturais e naturais, sobressai a importância da pessoa posta no centro dos dois universos. A figura do pajé reflete a ambivalência e a tensão contraditória da cultura guajajara: ele é necessário porque cura; é perigoso porque pode virar feiticeiro e prejudicar os membros do seu grupo. 14.7 O Povo Awá Guajá Os Awuá Guajás são um povo de língua tupi-guarani presente em três terras indígenas no estado do Maranhão – TI Caru, TI Awá e TI Alto Turiaçú - , com uma população considerada de recente contato de mais de 400 pessoas, além de outros grupos que vivem isolados. Os Awá-Guajá, segundo reportagem do Jornal O Globo (08-08-2013), presentam “uma história de resistência contra o desmatamento e o extermínio da população conhecida como a mais ameaçada do planeta”. Historicamente, toda a subsistência deles está na caça e na coleta. Eles dependem diretamente da floresta para viver” (Uirá Garcia, 2013). Junto com a Reserva Biológica do Gurupi, o território dos Awá-Guajá forma um mosaico de áreas protegidas, chamado “Mosaico Gurupi”. Mesmo sendo uma região com alto nível de proteção ambiental, dentro dessa área também estão grileiros e madeireiros que derrubam inconsequentemente a floresta, encurralando os índios. “Essa área da Amazônia é única, porque é a porta de entrada da floresta, e algumas espécies só existem lá”, cita a reportagem. Eles foram contatados a partir de 1979, e alguns indivíduos permanecem fugindo do contato com os brancos. Apesar de a sua terra já estar demarcada, homologada e registrada pela União, eles enfrentam uma ameaça real. Ainda que a justiça já tenha determinado a retirada dos não-índios de seu território, os Awá temem pela própria sobrevivência. Foto: Márcio Gomes, 1981.
  • 234.
    234 Em 1961, oPresidente Jânio Quadros cria a Reserva Florestal do Gurupi, no estado do Maranhão, com 1,6 milhão de hectares, por meio de Decreto nº 51.026 de 25/07/1961, sendo reconhecido o direito de ocupação dos indígenas que nela habitavam. Em 1992 a Terra Indígena Awá é declarada como de posse permanente dos Awá- Guajá, para efeito de demarcação, por meio da Portaria nº 373 de 27.07.1992 (DOU 29-7- 1992, P.10.116), com uma superfície aproximada de 118.000 há (cento e dezoito mil hectares), e perímetro aproximado de 190 km), considerando que a declaração de ocupação tradicional indígena e definição de limite propostos visavam assegurar a proteção territorial ao povo indígena Awá-Guajá. Na década de 1980, a Funai reconheceu as Terras Indígenas Alto Turiaçu e Caru, que se encontravam no perímetro da Reserva Florestal do Gurupi, e a Reserva foi desmembrada. Uma área foi interditada para proteção dos Awá-Guajá, que já estavam em número bastante reduzido à época, e foi criada a Reserva Biológica Gurupi. Embora a TI Awá seja a única das três destinada à posse exclusiva dos Awá-Guajá, há aldeias desse povo na TI Alto Turiaçu, coabitada por Ka´apor e na Caru com a presença dos Guajajaras. A contiguidade das terras faz com que elas formem um complexo de áreas disponíveis para a posse de grupos Awá-Guajá, que dão condições mínimas para manterem as formas tradicionais de ocupação territorial. Em 2012, após vários anos de disputa judicial, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região julga todos os recursos improcedentes e confirma a validade da Portaria 373/92 do Ministério da Justiça, que declarou a Terra Indígena Awá como de uso permanente do povo Awá-Guajá. A decisão, de março de 2012, confirma ainda a nulidade de todos os efeitos da sentença e determinando que a Funai/União promova a retirada de todos os ocupantes não indígenas da TI Awá. Segundo Miriam Leitão (08/2013), “Ao ficarem tão aferrados, tão vinculados à terra, esses índios estão na verdade prestando um serviço ambiental a todos os brasileiros. Nós precisamos da floresta também, nós precisamos que eles estejam lá. Precisamos que eles sobrevivam. Precisamos dessa sócio diversidade que o Brasil tem. O Brasil precisa da sua diversidade – de gente e de floresta. Eles ajudam”. Eles vivem, ajudam e protegem. Existe na região a denúncia de ação ilegal de madeireiros e, para proteger a mata, a área estaria sendo reivindicada. www.bomjardimma.com in 08-2013
  • 235.
    235 MAPA DA RESERVAINDÍGENA AWÁ GUAJ Fonte: http://www.funai.gov.br 08/2013 Atualmente, as áreas de ocupação pelos não-índios abriga um total de 1.200 famílias que abrangem geograficamente áreas dos municípios na região de São João do Caru, o Ibama e a Funai juntamente com o Exército Nacional, a Polícia Federal e Rodoviária e a Força Nacional articularam-se para tomar uma grande área de terras onde vivem esse contingente para cedê-las a 400 índios. A área engloba os municípios de São João do Caru, Governador Newton Bello, Zé Doca e Centro Novo Com e com a desapropriação mais de 40 mil pessoas serão afetadas indiretamente. O Presidente da Comissão em Defesa dos Proprietários e Agricultores, Arnaldo Lacerda, afirma que falta atenção com os proprietários da região por parte do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já que essa área não foi demarcada como indígena. 14.8As Crendices Indígenas Existem várias lendas, entre elas o mito de Ma´íra que os índios acreditam ser o criador dos fenômenos da natureza como a chuva, o fogo e a água. Os índios tupi guaranis acreditam que Ma´íra, o seu protetor, é criador dos índios. Para eles, o sol e a lua são fontes de vidas e procuram sistematizar suas vidas através desses dois astros. A lua é chamada de Zahy por ter brilho frio, inexplicável e o sol é chamado de Zai Tata que significa fogo, por ter um brilho quente. Os índios ainda conservam os rituais como a cura da pajelança que é feita pelo Pajé, onde ele fala com
  • 236.
    236 os espíritos parasaber se pode ou não tratar a pessoa que está doente; um índio só sai para buscar assistência médica com autorização do Pajé. Outro ritual é quando um curumim começa andar, organizam uma caçada e todas as caças encontradas são usadas em cerimônia para pedir proteção. Ao curumim pintam-no com líquido retirado do jenipapo verde que fica de cor preta e com o urucum, após enfeitado com penas da ararajuba, do pica-pau do tucano e plumagem de socó; da carne das caças são feito um angu com farinha azeda que é dada ao curumim. A noite todos cantam ao som do maracá, o Pajé usa uma liturgia para falar com os antepassados e pedir proteção ao curumim. Os casamentos indígenas eram feitos através de uma negociação entre os pais dos noivos, onde as crianças eram separadas uma para o outro, sendo a criada pelo pai dos noivos, até a primeira menstruação quando é feita uma grande festa, onde a moça é pintada todo o corpo e então está pronta para casar. O homem só está pronto quando muda a voz, após o casamento não pode haver separação. Um fato curioso é que um homem pode namorar várias mulheres ao mesmo tempo, convivendo na mesma casa pacificamente. Anteriormente quando um índio morria era colocado dentro de um buraco sentado e nunca mais seus familiares passariam por aquele lugar, pois acreditavam que os espíritos que o matou poderiam matá-los. Este era o motivo de serem nômades. Os índios não tiravam fotos, pois acreditavam que a alma das pessoas fotografadas ficaria presa ao papel, e por este motivo morreriam. Hoje, a aldeia Januária vive em condições tipicamente normais como os chamados brancos; ainda conservam muitas lendas e mitos, porém a maior parte dos valores antigos foram deixados de lado. Já não são nômades, convivendo assim com seus mortos em suas sepulturas. 14.9Lendas e Mitos dos Guajajara O Encanto do Ouro “Havia um casal de índios meus antepassados, que recebeu do Governo uma fábrica de para fazer dinheiro. Moedas de ouro. Aí os brancos souberam e começaram a aperrear os índios. Sendo que estava morrendo muita gente por causa disso, o velho índio, dono da fábrica, e a mulher dele decidiram acabar com a fábrica e a jogaram num poção chamado de Mineiro Velho. Quanto ao dinheiro, eles enterraram os dois baús e dois fornos na boca de um igarapé que fica entre a boca do Caru e o atual povoado Novo Caru. Os brancos prenderam o casal e o levaram não sei para onde. Mas o velho índio e a mulher nunca revelaram o segredo e morreram por lá. Alguns índios foram atrás da velha índia empregada do grande chefe, dono da fábrica. Ela também conhecia o segredo. Estes índios, novos, (novo não é gente), levaram a velha, de canoa, próximo do lugar. A velha tinha revelado que os caixões estavam com armas carregadas de maneira
  • 237.
    237 que quem mexessemorreria. Então precisava uma reza muito forte para poder desarmar os caixões. A velha foi, rezou, mas escutou os índios, que esperavam na canoa, dizer que iam matá-la depois de pegar o ouro. Então a velha castigou os moleques. Pronto, nunca mais. Eles pegavam o ouro lá numa serra do Caru. Havia uma grande pedra luminosa que clareava as redondezas. E no chão muitas pedras. Eram como tantas faíscas. Os índios brincavam com as pedras jogando-as um contra o outro. Os brancos souberam e foram atrás das pedras dos índios. Começaram a trocar pedras por facas e outras coisas. Um belo dia os brancos quiseram olhar a grande pedra luminosa. Alguns índios os levaram para ver. Mas a serra encantou-se: nunca mais a acharam. Cipriano Viana Guajajara. Ma´íra, Criador dos Tenetehara De acordo com Ubbiali (1997), os Tenetehara se referem aos sobrenaturais pela designação genérica karowara, porém os distinguem em menos quatro categorias: criadores ou heróis culturais, a quem atribuem a criação e transformação do mundo; os “donos” da floresta e das águas e dos rios; os azang, espíritos errantes dos mortos; espíritos de animais. Os heróis culturais são sobrenaturais, porém não no sentido de divindade que seja necessário propiciar e reverenciar - são criadores cujos efeitos lendários explicam a origem das coisas e do homem. Na mitologia são descritos como homens dotados de imenso poder sobrenatural. Viveram algum tempo na terra, que abandonaram pela residência eterna na “aldeia dos sobrenaturais” (Karowara-nekwawo). Os heróis culturais criaram o homem, deram-lhe conhecimento das causas e trouxeram-lhe os alimentos. Hoje, porém, estão demasiado distante e já não dominam o homem e o mundo em que ele vive. Ma´íra é o mais importante desses heróis. Segundo a lenda, ele viajou pela terra em busca da “Terra Bonita” (ywy porang). Onde encontrou o lugar ideal, aí criou o homem e a mulher. O casal vivia em condições ideais até que Ywan, o dono da água, atraiu a mulher e copulou com ela. O homem ignorava o coito até que Ma´íra lhe mandou ver o que acontecia à mulher. Ma´íra, após o homem e a mulher terem procriado, falou-lhes: “de agora em diante, vocês terão um filho e morrerão, o filho de vocês terá um filho e também morrerá”. Ma´íra ensinou ao homem a plantar mandioca e a fazer farinha. No princípio a mandioca se levantava por si mesma e amadurecia em um dia; porém a humanidade duvidou de Ma´íra e ele, em represália, fez a mandioca amadurecer lentamente. Hoje os Tenetehara têm que esperar todo o inverno para colher as raízes e, para seu plantio, é grande o esforço de derrubar a mata e preparar a roça. Ma´íra trouxe algodão e ensinou como tecer as redes; roubou o fogo aos urubus e ensinou o homem a assar carne, ao invés de deixa-la secar ao sol. Cansado de viajar pela terra, Ma´íra retirou-se para Karaowawo onde ainda hoje vive uma vida de abundância. Antes de Ma´íra, os
  • 238.
    238 Tenetehara não sabiamnada, eram bestas” (Galvão e Waglei apud Ubialli 1997). Pelas façanhas, portanto, Ma´íra foi o maior pajé e o maior guerreiro da terra pois ele possuía poderes imensuráveis, criando e dominando os homens e a natureza. Ma´íra ainda representa, talvez a nível de inconsciente, um certo ideal para os Tenetehara cuja maior aspiração é transferir os poderes dele para seu próprio domínio. Na festa do “moqueado”,durante a qual os rapazes, que celebram a passagem da infância para a idade adulta, são iniciados a serem pajés e guerreiros, transparece o anseio profundo dos Guajajaras de adquirir o domínio sobre a natureza e os homens. Coisa que nunca acontecerá de forma perfeita assim como se realizou em Ma´íra, porém sempre sobejará como ideal a ser alcançado pelos Tenetehara.
  • 239.
    239 15 ASPECTOS ECONÔMICOSDE BOM JARDIM (DADOS EVOLUTIVOS) Até a metade da década de 60, o crescimento econômico de Bom Jardim era motivado pelas riquezas das matas virgens e terras devolutas. A fertilidade da terra proporcionava fabulosa produção de arroz, motivo que levava a expansão da população do povoado. Todos os dias chegavam famílias de outras localidades do Maranhão e também cearenses e piauienses que iam estabelecendo-se umas com comércio, outras com lavouras. Os migrantes construíam seus barracos até a noite à luz do petromax e a querosene fornecido pelo fundador do lugar. O comércio desenvolvia-se extraordinariamente, destacando-se a compra de arroz e babaçu para a exportação. A maior parte dos agricultores trabalha em terras de propriedades privadas em forma de aforamento (arrendatários), pagando dois alqueires de arroz com casca (60 quilos) por linha de roça. Uma linha de roça é 25 braças, cada braça mede 2,2m. Os posseiros e os proprietários usam como mão de obra o diarista e a força familiar. O plantio, em sua maioria, é feito no toco sem emprego de semente especializada. Atualmente, destaca-se na produção agrícola: arroz, milho, feijão, cana de açúcar, mandioca, soja. Sendo os principais frutos: banana, laranja, abacaxi e melancia. O produto número um na produção municipal foi e continua sendo o arroz. Bom Jardim já foi um dos maiores produtores e exportadores de arroz do Maranhão, um verdadeiro “garimpo agrícola”. INDICADORES DA ECONOMIA BONJARDINENSE Agricultura: 21% Pecuária: 56,4% Indústria: 0,3% Serviço: 22,3% Fonte: IBGE/2000 Vale lembrar que na atualidade a piscicultura também representa peso na economia municipal no sistema de criatórios em açudes. Conforme pesquisa realizada com técnicos da Secretaria de Agricultura, os indicadores de produção agrícola do município fornecidos ao IBGE (pela Secretaria) passam por uma avaliação técnica, e não é mero resultado de média aritmética ou ponderada de estimativas numéricas – e sim são determinados por fatores de contextos interno e externo como: a falta de transporte na Secretaria para a mobilização e deslocamento de um trabalho mais dinâmico de encontro com a situação real a se oferecer aos agentes da produção local e acompanhamento no que diz respeito à Assistência Técnica. Outros fatores também que influenciam consideravelmente é a distribuição de lotes de sementes(cujo volume, a nível de estado ocorre de modo desproporcional e sem
  • 240.
    240 parâmetros pela SAGRIMA.Do mesmo modo, a distribuição de sementes no município acontece de modo não muito criterioso. O desamparo no que diz respeito à escoação da produção agrícola e incentivos. As condições climáticas (no caso de estiagem), e a falta de uma estrutura permanente que monitore, implemente e agregue a Agricultura Familiar da compra local (via merenda escolar), como determina as regras do Sistema Educacional– numa perspectiva da sustentabilidade do Campo e Cidade. 21.1 AGROPECUÁRIA BONJADINENSE Os dois elementos de destaque na economia Municipal bonjardinense atualmente são: Agricultura e Pecuária, que juntos representam 77,4% da receita Municipal. Fonte: IBGE/2000 Roças sob queimadas
  • 241.
    241 Produção Agropecuária deBom Jardim GADO PEPINO, MACACHEIRA,PEPINOS ETC. BANANA ABÓBORA POLPA S ALFACE LIMÃO AÇAÍ Fonte: Secretaria de Agricultura/2006 15.8 RECURSOS NATURAIS E EXTRATIVISMO Recursos naturais - são as riquezas encontradas na natureza, das quais o homem utiliza para complementar o necessário para a sua sobrevivência. As riquezas naturais que mais se destacam no município, são: o extrativismo mineral, vegetal e animal. O extrativismo é o método que o homem utiliza para extrair do solo, da floresta e da água os recursos oferecidos pela natureza. Os recursos minerais encontrados no município são: pedras, utilizadas nas construções de casas, calçamento, etc..., areia é encontrada em abundância e utilizadas nas construções e outras localidades, pedra
  • 242.
    242 seixo empregada naconstrução de casas, concretagem, asfalto, várias piçarreiras, etc. Os recursos naturais vegetais são encontrados principalmente na zona rural, os quais são cedro, andiroba, pau d´árco, jatobá, sapucaia, Angelim (houve grande redução dessas madeiras, em conseqüência de uma exploração sem preservação ou reflorestamento. O extrativismo vegetal praticado em grande quantidade é o babaçu, palmeira nativa e predominante em todo município, o qual é quebrado e vendido aos quilos para os pequenos e médios comerciantes locais para o suprimento das necessidades básicas da família do homem do campo. Do babaçu tudo se aproveita; seus exploradores utilizam o caule para fazer pontes sobre os igarapés, cerca, e, quando apodrecido, é utilizado para adubos das plantas. Das amêndoas se faz o óleo. A palha das palmeiras do coco babaçu serve para cobertura e construções de das paredes das casas, esteiras para portas e janelas, fazem também o abano, o cofo que tem várias utilidades, o abano para ativar o fogo do carvão ou da lenha, etc. O talo da palha, conhecido por “vara do coco” é também utilizado para a construção de casas em paredes de taipa e cerca. A casca do coco é transformada em carvão para ser utilizado na cozinha e em pequenas siderurgias domésticas. A amêndoa, além de produzir por prensagem, óleo rico em glicerina, láurica, utilizada na fabricação de gorduras alimentícias, saponáceas, cosméticos, etc. A torta de amêndoa é excelente matéria-prima para a preparação de mingaus, cremes e doces de diferentes qualidades, ou para nutrição infantil. A amêndoa, que é o produto mais importante do coco babaçu, é extraído pelas quebradeiras de coco, vendido aos quilos para os comerciantes do povoado, os quais revendem aos exportadores para fabricação de óleo e os resíduos, são aproveitados para a fabricação de outros produtos. A babaçu, cujo nome científico é “bygnya Martiana” é a maior riqueza do extrativismo maranhense, pois se trata do produto de exportação mais importante do Estado, pois o Maranhão apresenta a maior produção nacional. IBGE 2005: Produção anual Carvão vegetal - quantidade produzida: 94.001 toneladas. Madeira – lenhas – quantidade produzida: 936 metros cúbicos Madeira em tora – quantidade produzida: 4.824 metros cúbicos. Oleaginosos – babaçu amêndoa – quantidade produzida: 1.555 toneladas.
  • 243.
    243 Coco babaçu Bagre dococo babaçuQuebradeira de coco em Bom Jardim/MA. Bom Jardim tem belezas naturais como rio Pindaré, Caru e rio Poranguetê (ou Azul) na região da Miril; existindo também muitas praias lacustres ao longo de seus cursos, rios esses que adentram o município.  O Vale Fértil do Nilo foi o que possibilitou a vivência e a economia do Egito em pleno deserto durante milhares de anos. Nos primeiros dias da história de Bom Jardim, o buriti era uma fruta muito comum na lita dos produtos extrativistas.
  • 244.
    244  Os riosque cercam a cidade de Balsas (MA) é que propiciam, através de uma política agrícola planejada fazer do município de Balsas, uma referência na agricultura a nível de Estado.  Bom Jardim é uma enorme área fértil banhada por dois rios e vários igarapés que adentram e circundam o município, tornando-se igualmente potencial em termos de fertilidade e terra boa para a agricultura. Persiste porém, uma forma primitiva e decadente de agricultura com desamparo para a questão agrícola em larga escala e de apoio mecanizado. O que está faltando? Extração Vegetal e Silvicultura Matéria-Prima Quant. Toneladas Valor Produção Madeira – Carvão vegetal 248 toneladas 161 mil reais Madeira – Lenha 437 metros cúbicos 9 mil reais Madeira em tora 2.633 metros cúbicos 491 mil reais Produtos da Silvicultura – Carvão vegetal 108.578 toneladas 23.887 mil reais Oleaginosas – babaçu, amêndoa 782 toneladas 927 mil reais Fonte: IBGE, 2012 Secretaria de Agricultura de Bom Jardim
  • 245.
    245 16 A DECADÊNCIAAGRÍCOLA EM BOM JARDIM No capítulo que antecede foram vistos dados da economia bonjardinense, nos que seguem serão abordados indicadores que revelam a má distribuição das terras, oriundas de um processo histórico que se formou ao longo da história municipal, a queda na produtividade e pesquisas e relatos que explicam a decadência agrícola no município em estudo. A qual reflete a grande desigualdade social e número de excluídos existentes no município; inclusive dados evolutivos pesquisados em fontes oficiais como: IBGE, Prefeitura Municipal de Bom Jardim, órgãos de Estado como GEPLAN (Gerência de Planejamento). O município já teve expressiva produtividade de arroz no sistema manual. Apesar dessa produtividade ter sido através de uma forma tradicional ou primitiva, assim como noutros municípios maranhenses, tal fato ostentou ao município um título que informalmente poucos conhecem, de ter sido o maior produtor de arroz no sistema manual não só a nível de Estado e Brasil, como também da América Latina. Comprovando o exposto, veja o que diz o senhor Ozimo Jansen, ex-vereador e ex-funcionário da Fazenda Estadual na época, que relata uma reportagem que ouvira na Rádio Nacional de Brasília, em 1982, assim como outras pessoas: “Em 18 de março de 1982, ouvi na Rádio Nacional de Brasília uma entrevista com um técnico do Ministério da Agricultura. Quando o repórter o questiona sobre qual o município do Brasil, naquele momento era tido como o maior produtor de arroz no sistema manual. A resposta foi: O município de Bom Jardim, no Estado do Maranhão é considerado o maior produtor de arroz no sistema manual, não só do Maranhão e do Brasil, mas também da América Latina. Atualmente o município não ostenta mais esse título, devido uma variante de fatores, entre eles, o desamparo de política agrícola ao longo de sucessivos governos; a expulsão do homem do campo, empobrecimento do solo, o uso de técnicas ultrapassadas ou primitivas (através de roças sob queimadas), expropriação das terras a latifundiários e fazendeiros que detém grandes extensões improdutivas; e uma baixa renda familiar, que denota a situação de extrema pobreza. Comprovando o fato, não é à-toa, que o município detém indicadores sociais assustadores, comparados com a média nacional. Esse é o Bom Jardim de 40 anos de emancipação que falta emancipar-se daqueles que não têm compromisso”. Veja os dados abaixo: IDH: 0,647 (2000) Posição no rank nacional: 5.464º Rank no Estado: 203º Índice de Analfabetismo: 42,5% (IBGE/2000) Índice de analfabetismo 2010: 31,84% Renda capita: R$: 535,47 (IBGE/2000)
  • 246.
    246 Percebe-se no decursoda história municipal, a ausência de políticas planejadas e a altura, voltadas para combater o problema que levou a essa decadência; ou uma política de reversão da situação. Chega-se portanto, à conclusão que este “círculo vicioso de situação” vá longe, caso persista o referido desamparo (como acontece). Observou-se em relatos e informações anteriores, que o município já teve seu tempo áureo, relacionado à economia agrícola. Ao analisar que Bom Jardim sofreu decadência econômica relacionada à agricultura, é de suma importância a busca por explicações no tocante ao fato, que se processou gradual e lentamente, na dinâmica da contradição “não contrariada”; fatos estes, que se esclarecem através de relatos de antigos e atuais líderes políticos que acompanharam a trajetória histórica e econômica do município. Um fato que também vale ressaltar é que, ao transcorrer dos anos, e com a expropriação das terras ao latifúndio e fazendeiros, consequentemente houve a elevação da pecuária, e grande redução na agricultura (produção agrícola). A partir dos anos de 2000 aos dias atuais, nota-se uma grande elevação da piscicultura. Muitos pecuaristas estão migrando de cultura, ou seja, da pecuária à piscicultura. Houve, desta forma, ao longo da história municipal, no que diz respeito à economia, uma certa transição de economia no município. Como exemplo vale citar que nos primeiros dias, a vocação era agrícola, e o município apresentava preponderância na cultura do arroz, entretanto, ao longo dos anos foi substituída de modo bem preponderante, pela pecuária – e na atualidade, a partir dos anos de 2000, a piscicultura vem ganhando espaço e preponderância no cenário da economia local, que que já é auto sustentável e exporta peixe para fora. Fonte: Motta, 2017.
  • 247.
    247 Imagens de açudes. Fonte:Motta, 2017. ECONOMIA BONJARDINENSE Veja gráficos abaixo que comprovam a queda na produção agrícola no município de Bom Jardim: Produto Ano: 1993 Ano: 1994 Ano: 1995 Ano: 2000 2006 Arroz 18.826 ton. 34.800 ton. 36.240 ton. 8.044 ton. 8.140 ton. Feijão 293 ton. Milho 2.349 ton. Fonte: Sinopse Estatística do Maranhão/IPES. Prefeitura Municipal e GEPLAN/2006. Os indicadores acima não constam dados do “período áureo” da agricultura no município, que datam da origem aos anos 80. Se compararmos a tabela da produção agrícola com a pecuária, chegaremos a conclusão de que houve uma inversão de cultura. Ou seja, a agricultura foi e continua sendo suplantada pela pecuária a cada ano no município. Os fazendeiros são na maioria pessoas ricas e de condição média. Os agricultores, na maioria, pessoas de baixa renda. A grande concentração de terras, às vezes improdutivas nas mãos de poucos exclui uma grande
  • 248.
    248 maioria da possibilidadede viver dignamente e produzir com sustentabilidade na terra. Principais Produtos Agrícolas (lavoura temporária), por rendimento médio e quantidade produzida, segundo os municípios – Maranhão – 2006 Produto Quantidade/ ton. Arroz 8.140 ton. Cana-de-açúcar 285 ton. Feijão 293 ton. Mandioca 67.500 ton. Milho 2.349 ton. Abacaxi 94 ton. Melancia 242 ton. Fonte: IBGE, 2006 Pecuária Pecuária 1993 1994 1995 2000 2005 Bovinos: nºde cabeças/ano 59.716 62.702 65.210 75.133 141.23 Fonte: IBGE/2005. Observa-se uma evolução crescente na produção bovina do município. Sendo que nos primeiros dias de sua história, eram insignificantes os indicadores nessa cultura. Comparando os dados da agricultura com os da pecuária conclui-se o que foi citado anteriormente “substituição de cultura”. Ou seja, houve uma 10,20% 0,36% 0,37% 83,29% 2,95% 0,11% 0,30% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% Principais Produtos Agrícolas (lavoura temporária), por rendimento médio e quantidade produzida, segundo os municípios – Maranhão – 2006 Principais Produtos Agrícolas (lavoura temporária), por rendimento médio e quantidade produzida, segundo os municípios – Maranhão – 2006
  • 249.
    249 drástica queda naprodução agrícola, porém, em contrapartida, a pecuária se mantém num constante crescimento. Apresentando ela um grande peso na receita do município. Veja abaixo dados da economia municipal distribuída por setores: Agropecuária 77,4% Agricultura 56,4% Indústria 0,3% Serviços 22,3% Fonte: IBGE/2005 Acerca dos problemas agrícolas no município como: queda na produção, elevação na pecuária, e expropriação das terras dos agricultores, veja o que dizem antigos moradores e líderes políticos, conhecedores dessa realidade e da política local e sua evolução histórica. Os quais dão possíveis explicações para a dinâmica de tais acontecimentos em nível de Bom Jardim, que é apenas um possível retalho do que pode ter acontecido em outros municípios. Resumo dos relatos que explicam a queda na produção agrícola nomunicípio de Bom Jardim:  No princípio, grande número de agricultores apossaram-se das terras, dantes devolutas. E seguiram na marcha produtiva, num processo de agricultura primitiva, que ainda hoje se arrasta, amparado com política agrícola pouco significativa, que fosse (ou seja) capaz de dar à agricultura seu devido potencial produtivo, que não só de subsistência, mas de valor comercial para a exportação e gerar receita para o município. No chamado “tempo áureo” da economia agrícola no município quanto a grande produção de arroz, as terras eram do povo, razão essa das grandes safras que o município já apresentou (mesmo sendo na forma primitiva e com as grandes roças sob queimadas). No transcorrer dos anos, com a ausência de políticas públicas capazes e eficientes no setor agrícola que amparasse o homem do campo no sentido fixá-lo no campo, levou-os a expropriarem –se de suas terras, vendendo-as a latifundiários e fazendeiros que iam comprando com a “situação”.  Na relação entre lavradores e comerciantes, muitos comerciantes enriqueceram, pois os lavradores, através de suas necessidades básicas vendiam na palha sua produção agrícola como arroz, em troca das compras e produtos de primeira necessidade como: querosene, açúcar, foice, machado, cotelo, remédio, roupas e possíveis empréstimos em dinheiro. Fato este, que levou muitos lavradores a se endividarem, (tendo consequentemente que se expropriarem de suas terras). Independente das “situações” houve também casos de pressão por parte de latifundiários e fazendeiros que, quando os agricultores não
  • 250.
    250 queriam vender suasterras por livre “necessidade”, eram pressionados a vender por livre “pressão”. Há na educação do campo a ausência de um currículo disciplinar que eduque os habitantes para a vida e a função no campo. E para isto, uma ideia que defendo para o problema da educação ruralalém da implantação de técnicas agrícolas na grade curricular, é a implantação de EFAs – Escola Família Agrícola –que é realidade em muitos estados brasileiros e vem dando certo há mais de 40 anos. É um projeto que se fundamenta na pedagogia da alternância e embasa projeto político para a comunidade rural a partir do papel social da escola. Essa pedagogia e ou projeto valoriza a história local, modelo cultural e padrão de respeito aos direitos do homem do campo sem excluí-lo dos benefícios da cidade. Não é simples pedagogia que se apresenta e sim também, uma ação política para o homem do campo que se integra nesse modelo. AGRICULTURA Predomina no município a exploração de subsistência, dentre os quais: arroz, milho e mandioca. A atividade agrícola contribui com a receita do município em torno de 21%. (Fonte: IBGE/2000) A agricultura é explorada, em grande parte, por pequenos produtores rurais. Sabe-se que economicamente, a agricultura é muito importante para o desenvolvimento do município, mas esta não apresenta ultimamente bons índices de produtividade. A estrutura agrária põe em evidência o latifúndio, onde se percebe, que a maior parte das terras são ocupadas por latifundiários. Números da produção agrícola no município de Bom Jardim Cultura Área colhida (ha) Produção toneladas Arroz 7.270 8.044 Milho 4.230 2.348 Feijão 310 152 Mandioca 768 7.128 Fonte: Pref. Municipal de Bom Jardim/e GEPLAN/2000. Na tabela acima percebe-se que o produto número um na produtividade do município é o arroz, seguido do milho, como segundo produto mais produzido. Segundo levantamento realizado no comércio comprador e exportador de castanha: a produção anual deste produto está em torno de 20 toneladas por safras. Sendo uma atividade marginal (ou seja, produzida apenas no regime extrativista). Apesar dessa produção, no município só é aproveitada a castanha, perdendo-se o caju, com o qual poderia ser feito suco, doce, etc.
  • 251.
    251 Bom Jardim nãotem um projeto social de desenvolvimento sustentável integrado; nem no campo nem na cidade... Desenvolvimento sustentável é quando a comunidade no município atinge a capacidade da auto sustentabilidade, a autonomia do desenvolvimento e do crescimento econômico sem depender de assistencialismo nem o município ter que exportar a maioria de seus bens de consumo (agrícola) de fora, que gera uma evasão de capital que vai aquecer a economia e promover emprego e renda em outras cidades. A zona rural de Bom Jardim, onde se localiza 65% da população municipal e 98,3% das terras do município, era pra ter uma economia agrícola forte e auto sustentável que abastecesse o mercado local e garantisse a estabilidade do homem do campo no campo; mas a maioria dos produtos agrícolas consumidos em Bom Jardim vem de fora. Importamos frutas, verduras, legumes, arroz, feijão e outros para o sustento da população. Isso significa que não existe uma agricultura forte. O que existe em Bom Jardim é uma dependência do empreguismo da prefeitura, de aposentadorias, e de programas assistencialistas do governo federal como bolsa escola, bolsa família... No entanto, existe um excelente programa do governo federal – O PRONAF (PROGRAMA NACIONAL DE AGRICULTURA FAMILIAR, e o programa de estado PRODIM- Programa de Desenvolvimento Integrado do Maranhão, que é um Projeto de Redução da Pobreza Rural. Ou seja, temos todo um aparato institucional de programas a serviço do homem do campo, mas apesar de tudo, o município não apresenta uma agricultura fortalecida nem auto sustentável. Você sabia... Que o maior abacaxi do mundo foi encontrado em Bom Jardim, Maranhão, em 1997. O abacaxi pesava 9 kg. Foi colhido na fazenda Santa Maria, de Joaquim Boanerges Ayres Guimarães, que tinha cerca de 1500 pés de abacaxi. (Fonte: The Guiness Book of Records, in 1998). PECUÁRIA - A pecuária é uma das atividades de destaque no município de Bom Jardim. Predomina a criação de bovinos, suínos, cabras e aves. A atividade pecuária contribui em maior escala para a economia municipal: 56,4%. Agricultor de Bom Jardim- MA
  • 252.
    252 Espécie Nº cabeças/ Ano 2000 Nº cabeças / Ano:2003 Nº de cabeças/ Ano 2012 Rebanho Cabeças Cabeças Cabeças Bovinos 76.133 80.652 186.647 Suínos 6.145 3.182 4.030 Aves 84.000 36.082 n.c Galinhas, galos, pintos, frangos 18.643 Caprinos 4.450 * 1.855 Ovinos (ovelhas, carneiros) 3.556 * 1.299 Fonte: Prefeitura Municipal e GEPLA/2000/2003. Como foi visto em tabelas anteriores, de que a produção bovina mantém-se em crescente, estes são apenas números estimativos. Porém, a produção é bem maior, segundo fonte municipal e de censitários. PRODUÇÃO ANIMAL Espécie Ano: 2001 Ano: 2003 Ano 2012 Quantidade Idem Idem Leite de Vaca 1368.000 litros 2.398.000 litros. 2.073.000 litros Leite de cabra 1000 litros Não consta Não consta ovos 33.000 dúzias 22.000 dúzias 21.000 dúzias Fonte: IBGE/GEPLAN-2003 É alta a produção animal em Bom Jardim, como leite e ovos. Portanto, essa produtividade não é canalizada na fabricação de produtos secundários, como queijo, doce, etc. Que poderiam ser produzidos e exportados, gerando renda e emprego no município. O município tem vocação agrícola, e apresenta condições geográficas e climática para produzir em larga escala. Este fato se evidencia nos fundamentos da história do município nos anos 80. Esta vocação se mostra imprescindívelmente clara ao se analisar que 65% da população do município vivem em área rural. Mais ainda: 98,3% das terras do município se localizam na zona rural. É absurdo quando se vê esses indicadores junto a uma situação paralela de ausência de política agrícola planejada, “capaz e eficiente” de suprí-la e transformar o município num potencial em favor da população. Se isto não acontece, vem a significar, portanto, o “estrangulamento” da vocação agrícola do referido município. Outro ponto de “estrangulamento” é a forma primitiva de agricultura que se mantém, a qual, praticada desde a fundação do município, propicia uma produção mínima e perniciosa ao meio ambiente (o caso das roças sob queimadas). Foi observado que houve uma mudança de cultura. Nessa mudança, a agricultura praticada pela maioria da classe de baixa renda encaminhou-se para a sua decadência. Ou seja, ao longo do processo histórico, por necessidades, frutos do desamparo de políticas públicas para a questão agrária, que prendesse o homem do campo no campo; Isto fez com que, apesar do tempo “áureo” só explorado e não atualizado
  • 253.
    253 com a “modernidadeou era da máquina e do crédito”, levasse esses agricultores cuja forma de cultura praticada na agricultura era “sofrida” e de subsistência a abandonarem ou venderem barato suas terras. Você caro leitor, pode estar se perguntando: “Se 65% da população reside na zona rural, como não tem terras, se é a maioria? Pois bem, Há uma alta concentração de terras nas mãos de poucas pessoas. E enorme o número de habitantes que mal tem onde morar e apenas o fundo do quintal para ser suprido com a ciente política do governo, através da agricultura familiar”. Isto fez com que, no transcorrer dos anos que se seguiram, a economia agrícola passasse a representar pouco na receita municipal, que já exporta arroz de outros Estados. Com a mudança da agricultura para a pecuária, um novo panorama de proprietários se definiu no quadro de relações formadas, a qual apresenta-se hoje definida, cujos proprietários não são mais a classe de baixa renda, para não se dizer pobre, e sim é composta de pessoas ricas e de classe média (fazendeiros e políticos, em sua maioria). Esta alta concentração de terras em posse de poucos, em detrimento de muitos é um fato excludente que alimenta a situação de pobreza e mantém o município na baixa produtividade agrícola. Tudo isto se comprova quando analisamos que 50% da classe produtora (entre arrendatários, parceiros, ocupantes, etc.) detêm apenas 1,9% das terras produtivas ou cultiváveis (veja gráfico abaixo). Fato este, que vem a manter o status quo (estagnação e atraso) econômico do município e conservar da situação de pobreza e dependência político-econômica de grande número de pessoas no referido local do presente trabalho. Comprometendo com isto a cidadania e a liberdade de opção pelo voto em troca de “migalhas”, que para muitos políticos corresponde “comprar o poder”; levando-os ao descompromisso. Isto não é um fato isolado, existem muitos “bonjardins”. Programas à Serviço da Agricultura em Bom Jardim  Programa Fome Zero – Se destina à compra local (da Agricultura Familiar). Em Bom Jardim existem 67 produtores cadastrados que fornecem os produtos - que são destinados a complementar a merenda escolar e saúde.  PRONAF – (Programa Nacional de Agricultura Familiar) - Trabalha com a liberação de linha de crédito para agricultores rurais com taxas de juros mais baixas e prazos especiais de pagamento. Existem quatro modalidades de PRONAF: Pronaf A, B,C,D e E. Em Bom Jardim só opera o PRONAF: B, C, D e E. B – É liberado a pequenos produtores (mine produção rural) para criação de pequenos animais e hortas, com juro de 1% ao ano. Neste, existe bônus de 25% de abatimento do valor total da dívida quando pago em 1 ou 2 parcelas. O valor do empréstimo é no valor de 1.500,00 reais. C – Libera recursos para o custeio de mandioca a taxa de juros de 4% ao ano com valor liberado até R$ 6.000,00 (seis mil reais).
  • 254.
    254 D – Liberarecursos para investimentos na agropecuária –com juros de 4% ao ano. Libera até R$ 15.000,00 (quinze mil reais). E – Destina à pecuária (especificamente para infra-estrutura em propriedades) com juros de 7,25% ao ano.  PRODIM – Ou Programa de Desenvolvimento Integrado do Maranhão é um Projeto de Redução da Pobreza Rural,criado desde 2002, e que começou a liberar recursos a partir de 2006. Os recursos se direcionam ao associativismo através de fundos perdidos do Banco Mundial em parceria com o Governo do Estado. A contrapartida é de 15%, e pode ser por meio de material ou mão de obra da comunidade beneficiada. Os subprojetos financiados pelo PRODIM são classificados em cinco tipos: apoio à geração de renda, apoio à saúde e ao saneamento, apoio à educação, apoio à cultura e à preservação ambiental. Diante de todos esses serviços e vantagens, a Secretaria de Agricultura trabalha com uma equipe de técnicos agrícolas, médicos veterinários e Assistente social auxiliando o homem do campo quando este necessita. ASPECTOS INFRA-ESTRUTURAIS (FUNDIÁRIO, ENERGÉTICO E SISTEMA DE ÁGUA) ESTRUTURA FUNDIÁRIA Situação Nº de Estabelecimento Área (ha) Proprietário 3.485 248.535 Arrendatário 2144 3.195 Ocupante 1.295 1554 Parceiro 37 55 Total 6.961 253.339 Fonte: Prefeitura Municipal e GEPLAN/2000 Observa-se no gráfico acima que, 50% dos proprietários de terras detêm 98,1% das terras cultiváveis ou agricultáveis. Isto significa que, 50% da população economicamente ativa que vive da lavoura entre arrendatários, ocupantes e parceiros se encontram ocupando apenas 1,9% de terras cultiváveis no município.
  • 255.
    255 SITUAÇÃO A NÍVELDE BRASIL Os estabelecimentos agrícolas no Brasil se dividem nos seguintes números: - 4,3 milhões com áreas inferiores a 100 há* - 470 mil com área de 100 ha a menos de 1.000ha - 47 mil com área de 1000 ha - 2,2 mil com áreas a partir de 10.000 ha e o restante sem declaração. *ha: hectare Em relação à mão de obra, constatou-se o seguinte: - Os estabelecimentos com menos de 10 ha absorvem 40,7% da mão de obra; - Os de 100 ha a 1.000 ha absorvem 39,9% da mão-de-obra; - Os acima de 1.000 há absorvem 4,2% da mão-de-obra. A falta de uma política clara em relação aos direitos econômicos, sociais e culturais reflete também a falta de uma política de reforma agrária no Brasil. A concentração de terra no Brasil é uma das maiores do mundo. Cerca de 1% dos proprietários rurais detêm em torno de 46% de todas as terras. Dos aproximadamente 400 milhões de hectares titulados como propriedade privada, apenas 60 milhões de hectares são utilizados como lavoura. A Constituição brasileira determina que as terras que não cumprem sua função social devem ser desapropriadas para fins de reforma agrária. A função social da terra é determinada de acordo com o nível de produtividade, além de critérios que incluem os direitos trabalhistas e a proteção ao meio ambiente. Segundo o Correio Brasiliense, dos cerca de 5,5 milhões de estabelecimentos rurais estimados no país, apenas 7.042 (0,13%) estão no cadastro do Incra de imóveis rurais certificados, ou seja, que foram georreferenciados e estão com toda a documentação em ordem. Constata-se, portanto, que a realização da reforma agrária no Brasil é fundamental para resolver problemas econômicos e sociais no país. Segundo os dados, existem 100 milhões de hectares de terras ociosas no Brasil. Você sabia... Que o “milagre Alemão” no pós-guerra após o Tratado de Versalhes que isolava o país de qualquer relação comercial com outros países foi a REFORMA AGRÁRIA. O povo foi a verdadeira arma de produzir riquezas. No Brasil essas riquezas (terras) estão nas mãos de uma minoria, inclusive estrangeiros na Amazônia, que possuem área do tamanho do estado do Rio de Janeiro.
  • 256.
    256 ÁREAS DE ASSENTAMENTOSDE BOM JARDIM Nº Nome Setor Área (ha) Famílias assentadas Incra Iterma 01 Amazônia X 4.530 02 Flecha/Gleba Juriti X 2.160 03 Rio Ubin X 2.489 04 Santa Antonio/Bela Vista X 7.037 05 Varig X 18.799 06 Rosário/ Centro Batista X 5.021 07 Santa Lúcia X 385 08 Sambra X 23.010 Fonte: Prefeitura Municipal de Bom Jardim Não sendo diferente das informações anteriores, observa-se um acentuado número de assentamentos na região da Miril, e com menos ocorrência no restante do município, onde também há um grande número de pessoas que necessitam de terras para plantar e sobreviver. Esses assentamentos se deram através do INCRA e do ITERMA. Nesse sentido, o processo de assentamentos e apropriações de terras é uma forma de inclusão social voltada para o homem do campo. Em Bom Jardim grande é o número de famílias sem terras para a agricultura, segundo GISTELINK, (UFGO, 2002) que afirma no gráfico abaixo: Município Total de famílias que vivem da lavoura: Famílias sem terra para desenvolver a agricultura Bom Jardim 7.000 4.900 GISTELINK, UFGO, 2002 O processo de latifúndio nas terras do município é grande e, a cada tempo que passa, verifica-se sua crescente ação expropriadora. Como comprovações, o IBGE de 2010 revela um acentuado declínio da população rural de Bom Jardim, seja por determinado fator, ou o abandono de políticas capazes para o campo. Por outro lado, ao longo da trajetória política no município, é notório também gestores que, além de não resolverem o problema, ou não saberem como lidar, ou não se importarem compraram grandes áreas de terras, vendo no problema, uma oportunidade de negócio, contribuindo desta forma, para o latifúndio e concentração de renda. Não apenas gestores locais, mas também de outras cidades, assim como grandes fazendeiros vão “adquirindo”, contribuindo com o minifúndio. Como conseqüência, vários povoados estão desaparecendo.
  • 257.
    257 Infraestrutura Energética Consumidores Urbanos/ Rurais Ano:19931994 1995 2002 2004 Total de Consumidores 2.575 3.315 4.577 4.877 5.248 Consumo total 498.534 kwat Receita Mensal (2004) 123.387,35 Fonte: CEMAR/2004. A CEMAR (Companhia Energética do Maranhão), como parte do Programa Nacional de Desestatização do governo FHC, foi privatizada em 15 de junho de 2000, vendida para o grupo americano PPL Global LLC (Pensylvania Power Light por meio de sua controlada indireta Equatorial. Em 6 de março de 2004, GP Investimentos adquiriu o controle da Equatorial. Em 6 de março de 2006, 46,25% do capital social ainda restante da Equatorial é transferido para o PCC Latim American Power Found Ltd. Atualmente a empresa tem 1,5 milhão de consumidores. Lembrando que a ampliação do sistema energético e rede se deve a Programas Federais – entre esses, o Programa Luz para Todos. Nome dos povoados com eletrificação rural Km 18 Pedra de Areia Boa Esperança Boa Esperança D´água Preta Galego Zé Boeiro Oscar Barrote Boa Vista Rapadura Velha Cassimiro Barraca Lavada Centro Nascimento Gurvia Centro João Bastião Barra do Galego Palmeira Comprada REGIÃO DA MIRIL: Unicem Escada do Caru Varig Dois Irmãos Traíras Mutum São Francisco Igarapé dos Índios Cristalândia Santa Luz São Pedro do Caru Bela Vista Rosário Canaã Fazenda Amazônia Macaca Porto Seguro Sapucaia Chapada Três Olhos D´água Novo Caru Rapadurinha Turizinho do Augusto Brejo social Vila Bandeirante São João do Turi Vila Novo Jardim SISTEMA DE ÁGUA Ano 2004 Nº de Consumidores 2.324 Faturamento Mensal R$: 24.125,04 Fonte: CAEMA/ Out. 2004.
  • 258.
    258 Atualmente o sistemade água implantado no município ainda na gestão de Gildásio Ferreira Brabo não apresenta eficiência no atendimento à demanda de consumo da população total, apresentando constantes faltas de água e a penalização dos consumidores. Alega-se que é por razões de que a empresa esteja tendo déficit e ser de alto custo a escavação de novos poços artesianos para suprir a demanda local assim como em outros. Há especulações de que poços artesianos cavados com recursos Federais estejam sendo usados pela empresa (que pretende cobrar taxa/consumo), que é um fato ilícito. Outro fato ainda mais grave que também vale ressaltar se dá nas informações da entrevista do ex-prefeito Gildásio Ferreira Brabo nas seguintes palavras: “A CAEMA foi implantada em Bom Jardim na minha gestão. E no contrato que assinei com a empresa rezava que, com 20 anos depois de sua implantação, o sistema de água passaria para o município. E o direito de exploração pelo contrato se extinguiria. Ou seja: seria municipalizada. Os 20 anos venceram no governo de Antônio Soares Pedrosa. No entanto, ninguém se importou”. Ninguém se importou com esse grande benefício que o povo bonjardinense deixou de usufruir durante 20 anos, inclusive a Câmara de Vereadores. Segundo o entrevistado, o contrato venceu. E a mais de 20 anos a empresa explora a água no município sem sua renovação. Essa é também a realidade em muitos outros municípios maranhenses. A especulação de muitos políticos “veteranos” é de que se municipalizar a água, a situação se torne pior, porque vai ser mais gastos dos cofres públicos. No entanto, pessoas que não são da ala política opinam que a municipalização da água tem tudo para dar certo. Onde afirmam que o ponto negativo para não ser bem sucedido, é caso haja negligência e irresponsabilidade política que venha transformar a empresa numa “vaca leiteira” de voto em período eleitoral. O ponto positivo para ser bem sucedido, é a implementação de artigo na lei orgânica do município visando assegurar o patrimônio público como intocável e culminante de crime contra o mesmo. Quanto a questão econômica, o município articularia projetos de poços artesianos através de Associações (pois são mais de 100 em Bom Jardim). Lembrando que, o que foi colocado acima é Municipalizar e não Privatizar. Privatizar seria a pior das alternativas, pois, a privatização de empresas públicas – onde se transfere riquezas sociais para grupos capitalistas privados é a meta essencial da política neoliberal – que contribui para a concentração de renda; e num estado como o Maranhão, com os atuais indicadores de pobreza e desigualdade, - seria abrir mais esse abismo entre ricos e pobres. Para muitos, a saída seria aparelhar os mecanismos administrativos (como já acontece), priorizar cargos técnicos comprometidos com o desenvolvimento e crescimento da empresa e não torná-la cabide de emprego de políticos, o que compromete sua eficiência e qualidade. CAEMA: Companhia de Água e Esgotos do Maranhão em Bom Jardim. Reformada em 2009.
  • 259.
    259 Em alguns municípiosa Caema implantou o Programa de Responsabilidade Social “Caema na Escola”, de caráter educativo e informativo, que visa conscientizar a comunidade estudantil sobre as questões ambientais como: A Importância da Água Tratada; Combate ao Desperdício de Água; Preservação dos Recursos Hídricos; Correta Utilização de Esgotos e outros. 15.4Infraestrutura Bancária e Histórico Em 1978 foi fundado em Bom Jardim um posto do Banco do Brasil, cuja finalidade era apenas para o crédito rural. Os aposentados recebiam seus benefícios em Santa Inês e lá também os comerciantes realizavam suas transações bancárias. Em 28 de outubro de 1985 foi fundada a agência bancária em Bom Jardim, sendo o Banco do Brasil, cujo primeiro gerente foi o senhor Clédio de Campos. Além do Banco do Brasil existiu também no município outro banco: o Banorte. Banco do Brasil de Bom Jardim, 1983. Entre 1995 a 1996, o Banco do Brasil em Bom Jardim esteve às portas de fechar. Devido a pouca circulação de moeda no município, repercutindo em poucas transações e depósitos ali efetuados. Ficou evidente a importância e impacto que a prefeitura, como um dos maiores empregadores e fonte de renda representa na economia municipal. Para salvar a situação os aposentados concordaram em contribuir dos seus benefícios em favor do banco a título de contribuição. Houve também alguns empresários que efetuaram depósitos para evitar seu fechamento.
  • 260.
    260 Atualmente o municípiose desenvolveu bastante, vieram muitas lojas, gerando empregos e aquecendo mais a economia municipal. Diante dessa realidade, reduziu-se bastante os riscos de fechamento da referida agência. Lembrando que o que mantém a vida economicamente ativa do município são 4.200 aposentados que todo mês recebem seus benefícios e 1212 funcionários da prefeitura além de funcionários do Estado (FUNASA e Educação). Em 2016 o número de funcionários do município é acima de 2000 funcionários. Esses são os principais fatores em torno dos quais circula a economia bonjardinense, além da agropecuária que representa 77,4% da receita do município. Bolsa Família em 2016 r$ 4.236.671,00 (Quatro milhões, duzentos e trinta e seis mil, seiscentos e setenta e um reais). PESCADOR ARTESANAL - em Bom Jardim R$ 37.034.852,65. (trinta e sete milhões...). Hoje o Banco do Brasil apresenta uma infra-estrutura moderna com atendimento eletrônico em terminais através dos quais os clientes realizam suas transações bancárias como: saques, empréstimos, depósitos e emissão de cheques e extratos. O município possuiu também uma agência do banco Banorte, que foi fundada em julho de 1981, tendo como primeiro gerente o Senhor Rivaldo Sousa Guerra. É considerada a primeira agência bancária do município, pois quando esta foi fundada como agência, o Banco do Brasil já existia não como agência e sim como posto do Banco do Brasil. A agência Banorte fechou em 1986. Um dos seus últimos gerentes muito conhecido foi o senhor João Vivaldo Carneiro Macias. Em 1º de Fevereiro de 2017 a Agência do Banco do Brasil de Bom Jardim foi assaltada e estourada por uma quadrilha de cerca de 10 homens fortemente armadfos. Banco do Brasil em Bom Jardim
  • 261.
    261 Fonte: Imirante, 2017. Doisdias depois (03/02/2017) oito dos assaltantes do Banco foram presos no município de Vitória do Mearim (O Imparcial, 2017). Passaram-se vários dias ou mês, e a população de Bom Jardim iam realizar suas transações bancárias e Santa Inês – e corria os rumores de a Agência fechar. Mas enfim, foi reformada.
  • 262.
    262 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presentetrabalho, retratando Bom Jardim em sua dimensão histórica, geográfica, cultural e sua problemática, é uma verdadeira radiografia municipal. Mas os problemas em muitos municípios são comuns, configurando uma mesma situação que está presente em muitos “bonjardins”. É um material informativo de grande importância para conscientizar os cidadãos bonjardinenses de sua história, geografia e realidade. Trabalho este, apresentado na sua 1ª edição, também visa auxiliar nas aulas de História e Geografia do município nas escolas de ensino Fundamental e Médio. Sendo uma contribuição para uma educação contextual. É preciso, pois, conhecer a realidade social, índices e indicadores de necessidades, ou seja, desmascarar a realidade para que esta possa revelar os desafios a serem enfrentados no campo das políticas sociais. Quanto à importância da geografia, que se desdobra em física e humana, percebe-se que, dentro do fazer histórico fazemos também a geografia (no campo físico, social e político); abstraindo-se deste modo, que o poder de interferência e transformação da realidade vem do poder de informação que se tem da mesma. Desconhecer a realidade arremete a alienação do indivíduo e planejamentos inconsistentes. “Pois, desenvolvimento acontece com planejamento que se faz com informação”. Para termos a capacidade de agirmos sobre a realidade resta-nos seguirmos a linha filosófica do Positivismo do “conhecer para prever para prover”. (Augusto Conte in positivismo)
  • 263.
    263 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Alfredo VagnerB. Transformações econômicas e sociais no campo Maranhense. Publicação: 1981. ABDON, Chiquinho do. Entrevista realizada sobre a realidade do Povoado Vila Bandeirante. 5/2005. GONÇALVES, Suely. Amazônia de encantos e desafios. Goiânia, 2006. ANJOS, Mirene Antonia. Primeira Secretária de Educação. Entrevista sobre seu desempenho e a educação nos primeiros dias em Bom Jardim. E fornecimento do texto “Casamento na roça” que sofreu alterações e adaptações por Adilson Motta. Apostila Projeto Nordeste, PAPP. p. 3. Associação Cultural e Folclórica Bumba-meu-boi de Bom Jardim, 2005. AZEVEDO NETO, Américo. Bumba-meu-boi no Maranhão. São Luís, Alcântara, 1983. AZEVEDO, Josiane Silva de. & Washington. Entrevista sobre a Formação histórica do povoado Cassimiro. BARBOSA, Maria Socorro Macedo. Monografia apresentada no Curso de História na UFMA/2005. O Bumba-meu-boi em Bom Jardim. Bloco de entrevistas com antigos moradores que acompanharam o processo histórico-político de Bom Jardim,; Valquírio Bertoldo, Biribute, Zezé, Maria do Alcides e Antuninha. BRABO, Gildásio Ferreira. Primeiro Prefeito eleito de Bom Jardim (MA). Entrevista sobre a emancipação do município e sua atuação administrativa. Caderno da TV Escola “Índios no Brasil”. CAREPA, Ana Júlia. Discurso no Senado sobre O problema da privatização da CVRD. In Diário do Senado Federal, 02/2006. Cartilha Diocese de Zé Doca – Indicadores da Região Turi e Vale do Pindaré, Indicadores sociais. 2005. Cartilha do PRODIM – Programa de Desenvolvimento Integrado do Maranhão. Ano: 2006. CAVALCANTI, C. Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável. São Paulo, Cortez, 1995. Centro de Justiça Global; Comissão Pastoral da Terra e Movimento dos Trabalhadores Rurais sem terra. A situação agrária brasileira, 12/2006.
  • 264.
    264 CIMI (Conselho MissionárioIndigenista). Informações sobre os guajajaras e mapa de reservas, 2004. COELHO, Antonia Lobo. Esposa do Senhor Chapéu de Couro, atual Newton Belo. 7/2007. Coleção Almanaque Abril, Religiões no mundo. 2005 p. 12. Confederação dos Municípios Brasileiros. Pesquisa sobre o município de Bom Jardim, MA. 05/2007. COSTA, Eliseu Alves. Vice Prefeito Municipal. Entrevista sobre a evolução da economia municipal. /2003. DIÁRIO DE NATAL, A criação do FUNDEB, Copyright, 2006. Emília Amaral et al. Novas palavras: português volume único. – São Paulo: FTD, 2003. FEITOSA, João Batista. Primeiro Administrador oficial (Interventor). FILHO, José Pedro Vasconcelos. Entrevista por telefone – sobre o pai 1º morador. de Bom Jardim/MA. Rio Preto da Eva/Amazonas. 1/01/2005. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 3ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1983. GISTELINK, Frans. Pequena história territorial do Brasil: sesmaria e terras devolutas. Goiás: UFGO,2002. Globo Repórter: Reportagem especial sobre a Amazônia/Pulmão do mundo. Problema ambiental. 18/11/2005. GONZAGA, Antonia Cavalcante. Primeira professora municipal de Bom Jardim. Entrevista sobre a primeira escola e primeiros professores, Agosto/1987. (Mon. Irene Matos). GOMES, Mercio Pereira. Terra Indígena Rio Pindaré. Bom Jardim – MA. Mercio Pereira. 1982, p.53. GUAJAJARA, Daniel e Alzenira. Entrevista e pesquisas sobre a interação do índio com o branco e seus conseqüentes no processo de aculturação, 2004. Htt/://adancadococoletra. Xuxa.letrasdemusicas.com.Br/musica.php?=85981. http://www.maconaria.net/eg-bin/page-printerpage.pl http://pt.wilkipedia.org/wiki/Sindicato - O que é sindicato? 2006. IBGE/Brasil. Levantamento populacional - 2000/2005
  • 265.
    265 Jornal do MEC.Brasil indígena. Artigo publicado por Luiz Donisete Benzi Grupioni. Jornal Pequeno. 2007, Edição 21,563. Realidade maranhense. Enfoque Governador Newton Belo. 10/2007. http://www.jornalpequeno.com.br/2007/5/27pagina56958.htm http://www.caema.ma.gov.br. Histórico e realidade – CAEMA, 2009. JÚNIOR, Antonio. Fornecimento do mapa de Bom Jardim/MA e municípios de fronteiras. LIMA, Dionísio Silva. Relatos sobre uma história na região Caru no século XVIII a XIX. 04/12/2006 LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 2006 Lei Orgânica Municipal. Pesquisa sobre a política ambiental proposta para o município. 2004. Irmã Adélia. Convento das Freiras. Entrevista sobre conversa que teve com o 1º morador José Pedro Vasconcelos. 2003. JANSEN, Ózimo. Entrevista sobre o processo político e econômico do Município de Bom Jardim/julho de 2004. Jornal Pequeno, 2007, Edição 21,563. Realidade maranhense. E governador Newton Belo. E internet 13/10/2007. LEITE, Raimunda Almeida. Pesquisa realizada em 12/2004. A formação histórica do povoado Tirirical. LIMA, Altemar. A explicação da repetência e da evasão pelas vítimas do fracasso escolar: um estudo realizado no sistema de ensino de Alto Alegre. São Luís: EDUFMA,2004. LIMA, Diego Mendes & Daniel Santana Lorenzo Raices. Primeiro registro de Psophia obscura Pelzen, 1857 e Dendrocincla merula badia Zimmer, 1934 para a Reserva biológica do Gurupi, Maranhão, Brasil. LINO, Fabiano Cristino de Sousa. Progresso no Vale. Monografia apresentada no curso de História, UFMA, 2004. LINHARES, Luiz Bezerra. Entrevista sobre a Maçonaria em Bom Jardim –2001. MACIEL, Pedro. Entrevista sobre o Bumba-meu-boi em Bom Jardim. 12/2005. Estado do Maranhão. Plano de Ação para prevenção e controle do desmatamento e das queimadas no Estado do Maranhão. Abril, 2011.
  • 266.
    266 MARQUES, Francisca Esterde Sá. Mídia e experiência estético: o caso do Bumba-meu-boi. São Luís: Imprensa Universitária. MARTINS, José de Sousa. O tempo da fronteira. Retorno à controvérsia sobre tempo histórico da frente de expansão e de frente pioneira. Tempo social; ver sociol; USP, São Paulo, 1996. MATOS, Manoel Lídio Alves. Ex-prefeito Municipal. Entrevista realizada sobre sua administração na área da educação, 2004. MATOS, Cleuma Santos. Ex-secretária de educação em 2004. Entrevista sobre a educação no Município. 2004. MATOS, Rogério. Realizou pesquisas no povoado Rosário em 2004/2005 sobre o histórico e economia. MICHELANY, Douglas. História do Brasil. Mapas da região maranhense.Edições Michelany, São Paulo, 1986. MONTEL, Paulo at al. Documentário: Estrada dos sonhos. 07/2009. Bom Jardim – Maranhão. National Geographic Brasil. 09/2008. Potencial Amazônico. NASCIMENTO, Maria Nadir. Terras das palmeiras: geografia e história do Maranhão/ Deuris de Deus Moreno Dias Carneiro. São Paulo: FTD, 1996. OLIVEIRA, Domingos de Sousa. Entrevista sobre os conflitos agrários no município de Bom Jardim/MA, 2004. Pedro Juvino. Fornecimentos de fotos antigas do município por Manin, 2006. PEDROSA, Antonio Soares, Ex-Prefeito municipal. Entrevista sobre vida e obras realizadas em seu governo. 10/2003. Pesquisas realizadas pelos alunos do PQD do curso Biologia sobre A qualidade de vida do povo de Bom Jardim, em julho de 2007. Pierre Verger, Orixás, Deuses Iorubas na África e no Novo Mundo,– Editora Corrupio in Coleção Almanaque Abril/2005. Pinheiro Jesus Tavares. Meus versos minha vida.. Bom Jardim/1988. Plano de Educação de Bom Jardim – 2003/2013. PLEKHANOV. O papel do indivíduo na história. Editora Expressão Popular Ltda, São Paulo. PQD – Programa de Qualificação Docente. Pesquisa realizada e fornecida por alunos da UEMA sobre a qualidade de vida da população bonjardinense em 07/2006.
  • 267.
    267 Povos Indígenas doBrasil (Subsite do Instituto Socioambiental – ISA), pesquisa de Internete realizada em 12/2006. http://www.socioambiental.org/pb/index htlm. Raimundo Nonato – conhecido Nonato da Sucam. Secretário de Administração na Gestão Manuel Gralhada. Entrevista sobre a Folha de Pagamentos da Rede Municipal nos anos 2001-2004. Raimundo Santos. Relato sobre a colonização nos primeiros dias em Bom Jardim, 2011. Revista da Câmara dos Deputados, Privatização da Vale, Deputada Federal Socorro Gomes, Brasília, 2006. REVISTA Leia Hoje, Enciclopédia do Maranhão, 2000. Pesquisa sobre o Vale do Pindaré e município de Santa Inês. RODRIGUES, Damião Sales. Pesquisa realizada sobre a qualidade de vida da população de Bom Jardim na zona urbana e rural - em 05/2004. SANTOS, Maria Rita. Uma leitura pragmática do jornal do Tímon de João Francisco Lisboa – São Luís: EDUFMA, 2000. SANTOS, Firmino Viveiros. Entrevista sobre o histórico do Colégio Bandeirante. 2004. ---------------- (E Pesquisa sobre os primeiros moradores de Bom Jardim. Filho de um dos 1º moradores do município: Raimundo Donana. SANTOS, Francisco Vieira dos. Aurizan, Antonia./ Entrevista sobre o histórico dos bancos: do Brasil e Banorte no município de BomJardim-MA. 12/2003. SANTOS, Joana Matos dos. (Professora de Monção). Entrevista sobre o processo de formação histórica do município de Monção. 1/2006 Secretaria de Agricultura. Fornecimento de fotografias da produção agrícola e pecuária no município de Bom Jardim in 2005. SILVA, Gesso Soares. Colônia de Pescadores do município de Bom Jardim. 12/2005. SILVA, Augustinho Gomes. Entrevista sobre os primeiros dias no povoado Rosário (apud Rogério in Rosário). 12/2004 SILVA, Raimundo José da. Entrevista sobre o histórico do povoado Rosário. Em 12/2004. SILVA, Raimunda de Jesus. Entrevista sobre o meio ambiente do povoado Rosário no começo de sua história. 1/2005. Sinopse Estatística do Maranhão./ IPES. Prefeitura Municipal de Bom Jardim / GEPLAN (Gerência de Planejamento). Dados econômicos do município. 2000.
  • 268.
    268 SOUSA, Irene AlvesMatos. Entrevista sobre a Evolução da Educação no Município de 1973 a 2004. TEIXEIRA, Claudyomilton Santos. Pesquisa realizada no povoado Novo Caru/ Aspectos histórico e educacional. Em 1/2005. The Guiness Book of Records, in 1998. O maior abacaxi do mundo em Bom Jardim/MA. UBBIALI, Carlo. Monografia: O filho de Ma´ira . 1997. VALVERDE, Orlando. Grande Carajás: Planejamento da destruição. Editora UnB. VELOSO, Antonio Santos. Conheça seu município/1ª edição./ Pindaré. VITOR, Rosa Darcy. Entrevista sobre as festas populares (juninas) em Bom Jardim- MA /2003. www.aguaforte.com/antropologia/festaabrasileira/As . Festas juninas.html. WERNECK, Hamilton.A nota prende, a sabedoria liberta. Rio de Janeiro: DP&A,2002. www.ibge.brhome/geociencias/recursosnaturais/diagnosticos_levantamentos/ma ranhão/mara... Pesquisa sobre a reserva mineral de bauxita na Serra do Tiracambu . 08/2007. Wikipédia, a enciclopédia livre. A festa do Divino Espírito Santo/ 2005. *Incidente em antares: minesérie onde os falecidos retornavam da tumva para viverem as ações do cotidiano.
  • 269.
    269 Nota do autor Foipensando em você, caro aluno e cidadãos, que resolvi elaborar a presente obra. A mesma é de suma importância para a sociedade em geral. Podendo ser considerada a cédula de identidade histórica, cultural e geográfica do município em estudo, Bom Jardim, Maranhão. Além de depreender informações de relevada importância até mesmo para a região do Vale do Pindaré onde o município está inserido, existem também informações que vão bem além – que podem servir de suporte e pesquisas em qualquer município brasileiro. A identidade histórica de um povo é de grande importância para seu desenvolvimento, para que haja perspectiva de melhoria em seu futuro. Em parte, por ser produto de uma obra social, a mesma está aberta às críticas e correções para que seja melhorada numa segunda edição ou atualização. Ensina-se nas escolas públicas dos municípios a história e geografia do Estado e do país, e no entanto não se ensina a história e geografia local (desses municípios). Ficando o alunado alienado e com uma aprendizagem pouco significativa de sua realidade. E as disciplinas, ensinadas num “vazio e isolamento”. É nessa análise que considero que, este livro, sendo uma contribuição para uma educação contextual – é o passo inicial para que outros municípios também o façam. O mesmo vem a suprir o que imprescindivelmente solicita a LDB 9394/96 nos PCN, quando em suas diretrizes determina que a educação deva ser interdisciplinar e contextual. Adilson Motta