LIG 4
Covão
do
Curral
Situado a uma altitude de 1470m, no
Covão do Curral ( figura 88 ) podem
observar-se diversas morfologias de
origem glaciar. A sua forma, de nicho
cavado na montanha, corresponde à de um circo glaciar. Este covão dá continuidade a um vale
que apresenta o característico perfil transversal em forma de U e um perfil longitudinal com ombi-
lics e verrous ( figura 89 ) .
A morfologia glaciária deste covão foi aproveitada
pelo homem que construiu uma pequena barragem na
zona do verrou, armazenando, assim, água para a pro-
dução de energia eléctrica ( f igura 90-A ) .
Nas vertentes do Covão observam-se também mor-
fologias de menor escala resultantes da acção erosiva
do glaciar, tais como,
superfícies polidas ( figura 90-A ) , superfícies estriadas
( f igura 90-B - estrias com direcção N35ºE, localizadas
na vertente Sul do vale indicando o movimento de con-
fluência do gelo para o circo glaciar ) e degraus de gi-
gante ( figura 91 ) . Sobre o verrou observa-se ainda um
grande bloco errático ( figura 90-A ) .
Fig. 90-AFig.90-B
Fig.91
Fig.88
Fig.89
197
LIG 4
Nas vertentes do Covão do Curral
( f igura 92-A ) observam-se, para além
de superfícies lisas e degraus de gigante,
enormes fragões resultantes da intercep-
ção de dois sistemas de fracturas em que
fracturas com direcção N75ºW cortam
fracturas com direcção N30º a 35º E ( figura
92-B e C ) . Nestes fragões distin-
gue-se ainda um diaclasamento
vertical com direcção N80ºE corta-
do por um outro sub-horizontal.
Foram estes sistemas de
fracturas que, em função do movi-
mento do gelo, determinaram nuns
locais fragões e noutros degraus
de gigante e superfícies lisas.
Fig.92-A
Fig.92-B
Fig.92-C
199
LIG 4
Em alguns pontos pode observar-se
que um sistema de fracturas, mais recente,
com direcção N70ºW, ao cortar o sistema com
direcção N30ºE gerou neste último superfícies
curvas (figura 93-A ).
Na figura 93-B esquematiza-se a
relação, que é observável entre estes siste-
mas de fracturas. Assim, as fracturas com
direcção N70ºW apresentam, aparentemente,
movimento esquerdo, evidenciado pelas su-
perfícies curvas das fracturas com direcção
N30ºE e que terão sido induzidas por esse
movimento.
Fig. 93-A
Fig.93-B
Do ponto de vista litológico aflora no Covão
do Curral um granito biotítico, leuco-mesocrático
com grão fino e tendência porfiróide que contacta
bruscamente com o Granito de Seia ( figura 94-
A ) . A quantidade de megacristais neste granito
não é muito abundante e apresentam-se frequente-
mente paralelos aos megacristais do granito de
Seia.
Fig.94-A
201
Na pedreira abandonada do Covão do Curral, junto à es-
trada que vai do Sabugueiro para a Lagoa Comprida)
Sobressai um aspecto que Teixeira et al. (1974) designou
por “brecha” granítica e que, segundo o mesmo, seria resultante
de uma digestão incompleta do granito de grão fino pelo porfirói-
de grosseiro que o envolve, devido a uma segunda implantação
magmática (94-B).
Também, Barros e Santos (1966) esboçam um mecanis-
mo metassomático para estes aspectos brechóides dando parti-
cular destaque à presença de megacristais dispostos a atravessar
o limite brusco entre os dois granitos. Os autores, considerando
delicada a identificação da rocha pré-existente, de que os blocos
seriam os representantes, apontam como prováveis componentes
dessa rocha os grãos sub arredondados de quartzo. Assim, “os
blocos de granito porfiróide biotítico são tomados como encraves
escapados à digestão granitizante” (Barros e Santos, 1966: 71).
Nos dois granitos são ainda observados encraves máficos.
LIG 4
Fig.94-B

Lig 4 covao do vidual 1

  • 1.
    LIG 4 Covão do Curral Situado auma altitude de 1470m, no Covão do Curral ( figura 88 ) podem observar-se diversas morfologias de origem glaciar. A sua forma, de nicho cavado na montanha, corresponde à de um circo glaciar. Este covão dá continuidade a um vale que apresenta o característico perfil transversal em forma de U e um perfil longitudinal com ombi- lics e verrous ( figura 89 ) . A morfologia glaciária deste covão foi aproveitada pelo homem que construiu uma pequena barragem na zona do verrou, armazenando, assim, água para a pro- dução de energia eléctrica ( f igura 90-A ) . Nas vertentes do Covão observam-se também mor- fologias de menor escala resultantes da acção erosiva do glaciar, tais como, superfícies polidas ( figura 90-A ) , superfícies estriadas ( f igura 90-B - estrias com direcção N35ºE, localizadas na vertente Sul do vale indicando o movimento de con- fluência do gelo para o circo glaciar ) e degraus de gi- gante ( figura 91 ) . Sobre o verrou observa-se ainda um grande bloco errático ( figura 90-A ) . Fig. 90-AFig.90-B Fig.91 Fig.88 Fig.89 197
  • 2.
    LIG 4 Nas vertentesdo Covão do Curral ( f igura 92-A ) observam-se, para além de superfícies lisas e degraus de gigante, enormes fragões resultantes da intercep- ção de dois sistemas de fracturas em que fracturas com direcção N75ºW cortam fracturas com direcção N30º a 35º E ( figura 92-B e C ) . Nestes fragões distin- gue-se ainda um diaclasamento vertical com direcção N80ºE corta- do por um outro sub-horizontal. Foram estes sistemas de fracturas que, em função do movi- mento do gelo, determinaram nuns locais fragões e noutros degraus de gigante e superfícies lisas. Fig.92-A Fig.92-B Fig.92-C 199
  • 3.
    LIG 4 Em algunspontos pode observar-se que um sistema de fracturas, mais recente, com direcção N70ºW, ao cortar o sistema com direcção N30ºE gerou neste último superfícies curvas (figura 93-A ). Na figura 93-B esquematiza-se a relação, que é observável entre estes siste- mas de fracturas. Assim, as fracturas com direcção N70ºW apresentam, aparentemente, movimento esquerdo, evidenciado pelas su- perfícies curvas das fracturas com direcção N30ºE e que terão sido induzidas por esse movimento. Fig. 93-A Fig.93-B Do ponto de vista litológico aflora no Covão do Curral um granito biotítico, leuco-mesocrático com grão fino e tendência porfiróide que contacta bruscamente com o Granito de Seia ( figura 94- A ) . A quantidade de megacristais neste granito não é muito abundante e apresentam-se frequente- mente paralelos aos megacristais do granito de Seia. Fig.94-A 201
  • 4.
    Na pedreira abandonadado Covão do Curral, junto à es- trada que vai do Sabugueiro para a Lagoa Comprida) Sobressai um aspecto que Teixeira et al. (1974) designou por “brecha” granítica e que, segundo o mesmo, seria resultante de uma digestão incompleta do granito de grão fino pelo porfirói- de grosseiro que o envolve, devido a uma segunda implantação magmática (94-B). Também, Barros e Santos (1966) esboçam um mecanis- mo metassomático para estes aspectos brechóides dando parti- cular destaque à presença de megacristais dispostos a atravessar o limite brusco entre os dois granitos. Os autores, considerando delicada a identificação da rocha pré-existente, de que os blocos seriam os representantes, apontam como prováveis componentes dessa rocha os grãos sub arredondados de quartzo. Assim, “os blocos de granito porfiróide biotítico são tomados como encraves escapados à digestão granitizante” (Barros e Santos, 1966: 71). Nos dois granitos são ainda observados encraves máficos. LIG 4 Fig.94-B