P.9 JUSTIÇA
10
21
OUT. 2016
António
Figueiredo
Diretor
Nº 758
SEMANÁRIO 6ªF
1€ (IVA INCLUÍDO)
INDEPENDENTE • PLURAL REGIONAL • INOVADOR
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ORELHA_JORNALPRODUÇÃO.pdf 1 19/10/16 13:59
AO CENTRO P.2 / REGIÃO P.4 / ENTREVISTA P.30 / CULTURA P.31 / DESPORTO P.32 / OPINIÃO P.37 / CRÍTICA P.39
P.6 REGIÃO
“VISEUARENA”
NOMULTIUSOS
SÓDENTRO
DEDOISANOS
P.7 VISEU
CASA DAS BOCAS
METE ÁGUA
ENTRE CÂMARA
E SAÚDE
P.31 CULTURA
COMIDA
E FUTEBOL
NO PALCO
DO NACO
P.34 DESPORTO
HÁ DÉRBI
DAS BEIRAS
NO FONTELO
P.19 ESPECIAL
FEIRA DA MAÇÃ
DE ARMAMAR
Denúncia da CDU, na Assembleia Municipal, encaminhada para o Ministério Público
Candidato a juíz social
suspeito de assédio sexual
P.13 LAMEGO
Memórias e relatos de mortes violentas
P.4 INFOGRAFIA
Abortos aumentam
no Hospital de Viseu
Interrupção da gravidez por opção da mulher cresce 10%
Dez anos
de crimes
no distrito
23.OUT
16h00
2
21 OUT
AO CENTRO
AUTÁRQUICAS 2017
Texto Sandra Rodrigues
Os “assaltos” às câmaras
e os jogos de bastidores
Nesta edição, o Jornal do Centro dá a conhecer os cenários que se colocam aos municípios durienses nas Eleições Autárquicas de 2017. A última etapa do dossiê sobre este pro-
cesso eleitoral termina na próxima edição com os candidatos e as escolhas que se vão fazer na região Viseu Dão Lafões
O PS quer repetir a vitória nas
autárquicas de 2017 para man-
ter a presidência da Associação
Nacional de Municípios, mas o
PSD joga tudo por tudo para re-
conquistar alguns dos municí-
pios que já lhe pertenceram. No
distrito de Viseu, nos concelho
que fazem parte do Douro, se
a maioria não deverá mudar
de “figura”, há outros em que
se vai jogar o tudo ou nada. É o
caso de Resende que continua a
ser o concelho em que o PS tem
o “monopólio” mas o PSD quer
ir “ao fruto proibido”. É tam-
bém aqui que a coligação está
tremida. Moimenta da Beira
ainda está em preparação e em
Cinfães há a possibilidade de re-
gressar um “dinossauro”, mas
pelo partido contrário. Com
todo este cenário, Bloco de Es-
querda e CDU querem é conso-
lidar as suas presenças.
No distrito de Viseu, nas pró-
ximas autárquicas três autarcas
do PSD não se podem recan-
didatar. São eles Francisco Lo-
pes (Lamego), Luís Vasconcelos
(Oliveira de Frades) e Alexan-
dre Vaz (Sátão).
O PS detém 11 autarquias, o
PSD as restantes 13, das quais
três em coligação com o CDS-
-PP.
Concelhos analisados
nesta edição
Concelhos a analisar
na próxima edição
Concelhos analisados
na edição anterior
3
21 OUT
AO CENTRO
Em Resende, a coligação que foi
acordada entre o PSD e o CDS há
três anos está em vias de divórcio.
Este é um dos municípios em que
o acordo está em “coma induzido”.
Nas últimas autárquicas, Jaime Al-
ves foi o nome avançado para ten-
tar que o PS não continuasse no
poder, mas os resultados ficaram
muito aquém das expetativas. Ago-
ra, a um ano de um novo processo
eleitoral, não há entendimento nos
lugares que cada partido ocupa na
lista que seria apresentada. “A co-
municação que nos é dada é que o
PSD prevê rever o acordo de coli-
gação mas para pior. A isso nós di-
zemos não. O PSD tem de perce-
ber que os interesses do concelho
estão acima dos interessantes do
militantes. Porque é que os lugares
eram bons há quatro anos e ago-
ra têm de ser revistos? Porque pre-
vê agora que tenha uma vitória e o
PSD quer ter mais lugares?”, ques-
tiona fonte do CDS. Aliás, uma po-
sição que vai ao encontro do que
Hélder Amaral, presidente da Dis-
trital, tem defendido de que não há
“coligações de conforto”. O PSD de-
verá avançar com o nome do pro-
vedor da Santa Casa da Misericór-
dia Jaime Alves.
Este é um dos municípios durien-
ses onde o PS sempre esteve em van-
tagem. Liderado por António Bor-
ges durante três mandatos, Manuel
Garcez Trindade foi quem ficou a
substituir o antigo presidente que
assumiu o lugar de líder da Assem-
bleia Municipal. O nome do atual
deputado e líder da Federação Dis-
trital do PS (que também foi fala-
do para ser candidato em Lamego)
pode voltar a estar em cima da mesa
para não deixar cair o poder socia-
lista, mas tudo dependerá então
do candidato que o PSD apresen-
tar. Por outro lado, António Borges
quererá levar até ao fim a sua fun-
ção na Assembleia da República.
RESENDE
PSD QUER “ASSALTAR” A CÂMARA
MAS CDS NÃO GOSTA DO JOGO
Em Cinfães, quem mandava
era o PS e quem manda ainda
continua a ser o mesmo parti-
do. Mas não se avizinham bons
tempos para os socialistas que
querem manter a autarquia li-
derada por Armando Mourisco.
É que há um antigo conhecido
que poderá querer avançar, mas
pelo partido oposto.
Pereira Pinto foi ex-presiden-
te socialista de Cinfães e quer
muito voltar à autarquia que
deixou por causa da limitação
de mandatos. Não seria tudo
mal (o PS até poderia chegar a
um entendimento quanto ao
candidato a apresentar), não
fosse o facto do ex-autarca co-
locar a hipótese de voltar, mas
com o apoio do PSD coligado
com o CDS. No município que
pertence à região do Tâmega e
Sousa, fala-se de uma eventual
“vingança” por a filha de Pereira
Pinto ter sido afastada da autar-
quia, num processo que envol-
ve alegadas fraudes com fundos
comunitários.
Resta agora saber se o PSD está
disposto a receber de braços
abertos um “inimigo” e se o
anterior candidato, Manuel Pi-
nheiro, deixa de ser o “homem
de combate” dos sociais demo-
cratas.
CINFÃES
O REGRESSO DE
UM “DINOSSAURO
SOCIALISTA”...
PELO PSD
Em Moimenta da Beira, o PSD
antes de escolher um candida-
to para defrontar José Eduardo
Ferreira (PS) tem que conseguir
eleger uma Comissão Política. É
que este órgão partidário já de-
veria ter ido a eleições, mas há
uma “falha” de candidatos ou,
antes, um ainda “não entendi-
mento” sobre os nomes que de-
vem liderar esta secção. José
Governo, que foi chefe de gabi-
nete de José Cesário, ex-secretá-
rio de Estado das Comunidades,
já se mostrou disponível, assim
como ser também o candidato
à Câmara nas eleições de 2017.
Mas, o nome dentro do PSD,
mesmo a nível Distrital, não é
o que recolhe mais “aplausos”.
Outro nome que poderia liderar
a Concelhia e também ser uma
possível escolha para a Câmara
é o de Paulo Figueiredo, técni-
co superior da autarquia. No en-
tanto, fonte do partido adianta
que este militante social demo-
crata, apesar de estar em boa
posição para reconquistar a Câ-
mara socialista, só o deverá fa-
zer quando o atual presidente
não se recandidatar.
À espera de uma decisão do PSD
está o CDS-PP, partidos que con-
correram juntos em 2013. Esta é
uma coligação que será para man-
ter, frisou já o líder da Distrital
centrista.
O PS tem a vida mais facilitada.
José Eduardo Ferreira volta a ser
o candidato, mas é o seu último
mandato. O autarca foi o respon-
sável por em 2009 ter conquistado
uma câmara onde o PSD foi poder
autárquico durante décadas.
MOIMENTA DA BEIRA
HÁ NOMES DISPONÍVEIS MAS CONCELHIA
DO PSD NEM CANDIDATO TEM AINDA
Em Armamar, PSD e CDS são os úni-
cos partidos no executivo. Trata-se de
um município atípico, tendo em con-
ta que desde o 25 de Abril de 1974 é di-
rigido pelo PSD, sem alternância. Nas
eleições autárquicas de 2013, os so-
ciais democratas elegeram quatro ele-
mentos para o executivo (o presidente
é João Paulo Fonseca) e o CDS elegeu
um vereador. Para o próximo ano não
seprevêemalterações.OPSDcontinua
a recandidatar João Paulo Fonseca e o
CDS, até porque é o mais natural, de-
verá avançar novamente com Luís Pai-
va Cardoso Pinto. Pelo PS, o nome em
cimadamesacontinuaaserodeAmé-
ricoTeixeiraMoreira.
Já S. João da Pesqueira foi um dos
municípios no distrito de Viseu (o
outro foi S. Pedro do Sul) onde con-
correram Grupos de Cidadãos. “Pela
Nossa Terra” elegeu dois vereadores
e Manuel Natário Cordeiro deve-
rá voltar a liderar uma candidatura
independente. De resto, José Tulha,
atual presidente da Câmara, assume-
-se como candidato pelo PSD. No PS
e CDS ainda não há nomes assumi-
dos. Em Penedono, o cenário é idên-
tico. Carlos Esteves, eleito pelo PSD,
segue para mais um mandato. Em
Sernancelhe é Carlos Silva Santia-
go (PSD) que continua a ser “o dono
e senhor” do município. Nestes dois
concelhos, caberá aos restantes par-
tidos apresentarem nomes que consi-
gam inverter o cenários das últimas
autárquicas.
Em Tabuaço, fala-se no regresso de
João Ribeiro (PS), numa autarquia
que está a ser governada por Carlos
Carvalho em coligação entre o PSD
eoCDSequedeveráserparamanter.
ARMAMAR, SERNANCELHE, S. JOÃO DA PESQUEIRA, TABUAÇO E PENEDONO
POR OCEANOS MAIS OU MENOS PACÍFICOS
4
21 OUT
REGIÃO
As interrupções da gravidez (IG) aumentaram em
2015 no Centro Hospitalar Tondela Viseu, relativa-
mente ao ano de 2014, de acordo com o relatório
“Registos das Interrupções da Gravidez 2015”, dispo-
nibilizado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). Houve
mais interrupções por opção da mulher, assim como
por grave doença ou malformação do nascituro. Nú-
meros que estão em contracorrente quando compa-
rados com os dados a nível nacional. Em Portugal, as
interrupções da gravidez continuaram a diminuir em
2015, tendo registado o número mais baixo desde
2008. Por opção da mulher diminuíram 1,9% entre
2014 e 2015.
Em 2015 foram realizadas 16454 interrupções de
gravidez. Tal como já aconteceu em anos anteriores,
as interrupções da gravidez por opção da mulher nas
primeiras 10 semanas constituem cerca de 96,5% do
total das interrupções realizadas.
O segundo motivo mais frequente de IG é: “grave
doença ou malformação congénita do nascituro”
com 423 registos (2,6%).
De acordo com o relatório, quando se consideram as
interrupções da gravidez por todos os motivos, verifi-
ca-se que 71,3% das intervenções são realizadas no
Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que correspon-
deu a um aumento de 0,3% relativamente a 2014.
Os relatórios anuais de Interrupção de Gravidez (IG)
são elaborados a partir dos registos efetuados na
base informática sediada na Direção-Geral da Saúde
(DGS).
Interrupções da gravidez
em ViseuTexto Sandra Rodrigues / Infografia Tânia Ferreira
Total de interrupções da gravidez
FEITAS NO HOSPITAL S. TEOTÓNIO EM VISEU
328(em 2014)
362(em 2015)
Interrupção da gravidez por região
NORTE CENTRO LVT (Lisboa e Vale do Tejo) ALENTEJO ALGARVE
56,43%
9458
0,73%
123
6,75%
1132
23,23%
3894
11,54%
1935
57,72%
9497
1,15%
190
6,69%
1100
22,46%
3696
10,81%
1778
Motivo de interrupção da gravidez
NO HOSPITAL DE VISEU
Por opção da mulher
310 em 2014 > 354 em 2015
Grave doença ou malformação congénita do nascituro
15 em 2014 > 7 em 2015
Evitar perigo de morte ou grave e duradoura lesão para a saúde física ou psíquica da grávida
2 em 2014 > 0 em 2015
Único meio de remover perigo de morte ou grave lesão p/ o corpo ou p/ a saúde física ou psíq. da grávida
1 em 2014 > 1 em 2015
2014 2015
PUB
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AF_CUF_VIS_T2_JC_240x324_AP.pdf 1 16:13
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21 OUT
REGIÃO
Os trabalhadores do setor da restau-
ração existente na secular Feira de S.
Mateus de Viseu chegam a estar ao
serviço 12 horas por dia e muitos só
ganham à comissão, o que acontece
normalmente com quem está afeto ao
serviço de mesas. Grande parte das
pessoas empregadas nos restaurantes
instalados no certame não faz qualquer
tipo de desconto para a Segurança
Social por interesse mútuo. Os jovens
fá-lo-ãoparanãoperderemasbolsasde
estudo. Estes casos foram denunciados
ao Jornal do Centro por várias pessoas
que nos últimos anos trabalharam na
feirafranca.
O Sindicato de Hotelaria do Centro
diz ter conhecimento destas situações,
que são admitidas “pelos trabalhadores
pela necessidade que têm de ocupar
o seu tempo naquele período do ano
e pelo rendimento que tiram”. “Não
conseguimos quantificar, mas temos
conhecimento que uma grande parte
dos trabalhadores na feira trabalha so-
bre uma pressão muito grande. Há um
desrespeito muito grande em relação à
contratação coletiva e aos direitos dos
trabalhadores”, refere o sindicalista
AfonsoFigueiredo.
Jorge Loureiro, vice-presidente da As-
sociaçãodaRestauraçãoeSimilaresem
Portugal (ARESP), diz que não chegou
à organização “nenhuma reclamação
ou denúncia” relacionada com a Feira
de S. Mateus, ainda que admita que
possaexistir“umcasoououtrodeuma
situação de excesso de horas” fruto
do afluxo de clientes aos espaços de
restauração. Quanto às remunerações
dos funcionários, sublinha que isso
depende da negociação que é feita por
cadapessoa.
ACTfiscalizoueventoem2015
Contactada pelo Jornal do Centro, a
Autoridade para as Condições do Tra-
balho (ACT) garante que “tem estado
atenta a esta tipologia de eventos”, em
concreto à Feira de S. Mateus onde o
organismo “desenvolveu [uma] ação
inspetiva em 2015 em todos os res-
taurantes, os quais tinham ao serviço
94 trabalhadores, todos com idade
legal para prestar trabalho”. “Esta ação
inspetiva privilegiou a eventual deteção
detrabalhonãodeclarado,organização
dos tempos de trabalho, segurança
e saúde dos trabalhadores. Foram
encontrados dez trabalhadores não
declarados e no tocante à organização
dos tempos de trabalho e segurança e
saúde foram detetadas algumas irre-
gularidades. Contudo, na sequência da
intervenção da ACT, todos os empre-
gadores promoveram a regularização
das situações de infração verificadas”,
adianta a organização. “Apesar de este
ano não ter sido possível desencadear
ação inspetiva na Feira, a ACT cons-
tatou que todas as entidades, objeto de
ação inspetiva em 2015, promoveram
a declaração dos seus trabalhadores”,
acrescenta.
ViseuMarcadesconhececasos
A direção da Viseu Marca, entidade
organizadora da Feira de S. Mateus,
garante desconhecer “o registo de quei-
xas de trabalhadores de empresas de
restauração ou de qualquer outro setor
de atividade a respeito de incumpri-
mentos da legislação laboral” na edição
deste ano do evento. “A Viseu Marca
não tem competências legais para
regular e fiscalizar as relações laborais
das mais de 300 empresas expositoras
na Feira, responsabilidades que cabem
exclusivamente às autoridades públicas
competentes, como a ASAE ou a
Inspeção para as Condições do Tra-
balho. Todavia, a Viseu Marca espera
e reclama das empresas expositoras
o estrito cumprimento da legislação
em vigor nas diversas áreas aplicáveis,
incluindo as laborais. Por esse motivo,
a associação poderá excluir em futuras
edições [do certame] empresas que
comprovadamente tenham incumpri-
do de forma grave a legislação nacional
emvigor”,informa.
Num esclarecimento ao Jornal do Cen-
tro, a direção da entidade dirigida por
João Cotta sublinha ainda ter “sensibi-
lizado os operadores quanto à neces-
sidade de dar estrito cumprimento às
leis do trabalho, a que estão obrigados,
sabendo que a natureza temporária da
Feira acarreta vínculos laborais transi-
tórios e a prática (corrente de resto nos
setores comerciais) de comissões sobre
venda”.–JRF
VISEU
ACT ENCONTROU DEZ TRABALHADORES ILEGAIS NA FEIRA DE S. MATEUS EM 2015
PAVILHÃO MULTIUSOS
VISEU ARENA ENTRA EM OBRAS NO PRÓXIMO ANO
E VAI TER CAPACIDADE PARA QUATRO MIL PESSOAS
COM META PARA ARRANCAR EM 2018, O “NOVO” ESPAÇO PERMITIRÁ A VISEU ENTRAR NO ROTEIRO NACIONAL DOS ESPETÁCULOS,
COM DESTAQUE NO EIXO REGIÃO CENTRO, VILA REAL, SALAMANCA
Atransformação do Pavilhão
Multiusos em “Viseu Arena”
deverá começar no próximo
ano, depois da realização da Feira
de S. Mateus. Até ao final do ano,
o espaço vai continuar a receber os
eventos que já estão para lá progra-
mados. O projeto deverá fcar pronto
em julho de 2017. O protocolo foi
assinado entre a autarquia, a Viseu
Marca e o Arena Pavihão (sociedade
gestora do Meo Arena). A Câmara
fica responsável pela requalificação
do equipamento que englobará um
“upgrade” não só ao nível da infraes-
trutura, como também tecnológico
e de segurança. Já a Arena Atlântico
compromete-se a apresentar uma
programação, enquanto que a Viseu
Marca fica responsável por promo-
ver o Pavilhão e criar um plano de
negócios, até para que o investimen-
to seja autossustentável.
Para o presidente da Câmara de Vi-
seu, Almeida Henriques, a interven-
ção profunda vai permitir qualificar a
sala para quatro mil lugares, “a maior
da região Centro”. Por outro lado,
a presença da sociedade gestora do
Meo Arena vai contribuir para que
Viseu venha a “receber espetáculos
de média e grande dimensão” e
colocar a cidade no “roteiro nacional
de espetáculos”. “Contamos ter entre
15 a 20 eventos a passar anualmente
por Viseu, desde bailado, ópera ou
revista”, anunciou.
O que é a Arena Atlântico
A Arena Atlântico é uma sociedade
que tem como objeto social a gestão,
exploração e manutenção de pavilhões
multiusos, de outros recintos de
espetáculos ou de quaisquer outros
espaços adequados à realização de
eventos de natureza diversa, bem como
a promoção e realização de eventos,
desenvolvendo todas as atividades
acessórias ou conexas com aquelas,
tendo a seu cargo, há mais de 15 anos,
a gestão e a exploração do MEO Arena,
equipamento de grande dimensão com
capacidade de acolhimento de eventos
de natureza diversa, nomeadamente
de âmbito desportivo, cultural e social.
É também detentora da Blueticket ,
empresa que assegura a bilhética e o
controlodeacessosdosgrandeseventos
eespaçosdenorteasuldopaís.
“Uma cidade que se quer assumir
cada vez mais como cidade de
cultura e eventos tem de estar
nestes circuitos”, conclui Almeida
Henriques. – SR
7
21 OUT
REGIÃO
ACâmara Municipal de Viseu
é a dona e a responsável pe-
las obras da Casa das Bocas
(imóvel que será transformado em
Unidade de Saúde Familiar), mas
acabou por ter de assumir também
os encargos de manutenção caso
ocorram infiltrações de água no
edifício. Este foi um “acrescento”
feito ao acordo entre a autarquia
e a Administração Regional de
Saúde (ARS) do Centro e que
inicialmente não estava previsto.
Tudo porque a Câmara de Viseu
optou por defender uma solução
técnica de impermeabilização do
rés-do-chão do imóvel que não
terá sido aceite pelos técnicos da
ARS. O protocolo de cooperação
será agora aprovado na próxima
reunião do executivo.
“Será responsabilidade municipal
a eventual necessidade de correção
dessa solução ou a reposição das suas
condições no caso de ocorrerem in-
filtrações de água nesse mesmo pata-
mar”, explica, em nota, a autarquia.
Edifício “sofre de enormes
patologias”
Uma fonte ligada a este processo
contou ao Jornal do Centro que a
Casa das Bocas é um edifício que
“sofre de enormes patologias” e
que a solução encontrada para a
impermeabilização (no projeto
feito por uma empresa a pedido da
responsável da obra – SRU) “não
foi a mais correta”, razão pela qual
a ARS rejeitou assumir o encargo.
Disse ainda lamentar que a autar-
quia se tenha colocado ao lado de
uma solução “má” e que levou a que
se tivesse criado um “mau estar, até
no seio da própria SRU”. “Acabou
por haver uma guerra muito acesa
entre as duas entidades e reuniões
mais acaloradas”, disse. “O problema
é que os prazos – a obra é candidata
a fundos comunitários – não deixa-
ram que fossem feitas alterações”,
frisou ainda.
Já a autarquia viseense justificou
que no contexto dos projetos de
obra, a “Câmara Municipal de Viseu
optou por uma solução técnica de
impermeabilização do rés-do-chão
do imóvel (dada a localização da
Casa das Bocas), entre várias opções
técnicas estudadas. A análise foi
realizada pelos técnicos responsáveis
pelo projeto e suportada em várias
consultas a especialistas externos,
tendo sido validada nomeadamente
por especialistas ligados à Universi-
dade de Coimbra e à Universidade da
Beira Interior, que apontam para as
vantagens da solução preconizada”.
Também a ARS Centro, que recor-
dou que o protocolo foi celebrado em
30 de junho de 2015, explicou que
o que “efetivamente ocorreu foram
alterações na obra de âmbito técnico,
consensualmente definidas por
técnicos da autarquia e da ARSC”,
entidade a quem caberá a responsa-
bilidade de manutenção do equipa-
mento. “Ou seja, toda a manutenção
e reparação do restante edifício e do
equipamento continuará a cargo da
ARS”, reforça a autarquia viseense.
Unidade de Saúde Familiar para 18
mil utentes
A Casa das Bocas está localizada
na rua João Mendes (conhecida por
rua das Bocas). Vai receber a futura
Unidade de Saúde Familiar, num
investimento superior a 1,8 milhões
de euros. A casa foi adquirida pela
autarquia há cerca de dois anos pelo
valor de 230 mil euros e vai servir 18
mil utentes. “Quer a fachada, quer
as duas escadarias, serão mantidas
e depois todo o resto do edifício será
requalificado”, explicou Almeida
Henriques, presidente da Câmara,
aquando da aprovação do proje-
to de reabilitação que aconteceu
recentemente.
A obra deverá ser adjudicada no
primeiro semestre do próximo ano,
tendo depois um prazo de execução
de um ano e meio.
IMÓVEL QUE VAI SER TRANSFORMADO EM UNIDADE DE SAÚDE FAMILIAR ESTÁ LOCALIZADO NUMA ZONA DE TERRENOS
COM POUCA DRENAGEM DE ÁGUA. TÉCNICOS RECEIAM INFILTRAÇÕES E FALAM EM “MÁ ESCOLHA” DO PROJETO.
AUTARQUIA GARANTE QUE CONSULTOU ESPECIALISTAS EXTERNOS E QUE SOLUÇÃO APRESENTADA É A MAIS VANTAJOSA
EDIFÍCIO NA RUA JOÃO MENDES
Texto Sandra Rodrigues
“ÁGUA”NACASADASBOCASLEVAAUTARQUIADEVISEU
AASSUMIRMANUTENÇÃOEMCASODEINFILTRAÇÕES
8
21 OUT
REGIÃO
Mais do que um “bom balanço”, o
presidente da Câmara de Viseu afir-
ma que nos últimos três anos foram
lançadas “muitas boas sementes à
terra” para a concretização de plano
de desenvolvimento local – Viseu
Primeiro – com o qual o autarca
apresentou-se à autarquia há três
anos. Esta é a mensagem que Al-
meida Henriques deixa no encontro
que a Comissão Política Concelhia
do PSD promove este sábado (22 de
outubro) para assinalar os três anos
de mandato.
“Desde o início que temos como
imagem de marca deste mandato o
estímulo da democracia e, por isso,
criámos, por exemplo, os vários fo-
runs e conselhos estratégicos. É neste
sentido que surge este encontro de
debate e reflexão”, salienta Almeida
Henriques. Aos colegas de partido,
o autarca vai deixar um balanço
virado para o futuro. Destaca as
concretizações e o trabalho conso-
lidado nas várias áreas, entre elas a
captação do investimento. “Dia 8 de
novembro vamos inaugurar o centro
de competências da IBM, este será
um dos momentos mais importantes
de Viseu nos últimos anos. Estamos
a falar de um investimento que nos
coloca numa vertente em que nunca
estivemos. Entramos no domínio
avançado do investimento e da
tecnologia com alto valor acrescen-
tado”, salienta, frisando que em três
anos “criámos, efetivamente, 1200
novos postos de trabalho”. Almeida
Henriques refere ainda o investi-
mento nas freguesias, na ordem
de 22 milhões de euros, ou o salto
qualitativo e de “coesão que se está a
dar no centro histórico”. “Ainda te-
mos muito trabalho pela frente, mas
estamos a trilhar um caminho para
chegarmos a trabalho consolidado”,
conclui o autarca que anunciou já a
sua recandidatura a um novo man-
dato à frente da Câmara de Viseu. SR
ALMEIDA HENRIQUES FAZ
BALANÇO
TRÊS ANOS DE
MANDATO COM
“BOAS SEMENTES
NA TERRA”
CORREÇÃO
Na última edição demos conta que
a melhor nota de ingresso no Insti-
tuto Politécnico de Viseu pertence
a Beatriz Miranda, residente em
Abraveses e por lapso foi referido
que tinha sido aluna da Escola
Secundária Alves Martins. Beatriz
Miranda frequentou a Escola Se-
cundária de Viriato.
POLÍTICA
Texto José Ricardo Ferreira
UM MILHÃO E 700 MIL EUROS PARA OBRAS
NA URGÊNCIA DO HOSPITAL DE VISEU
O ORÇAMENTO DE ESTADO CONTEMPLA UMA VERBA PARA UMA INTERVENÇÃO HÁ MUITO
RECLAMADA PELAS FORÇAS VIVAS DA REGIÃO NO S. TEOTÓNIO. DEPUTADOS DA DIREITA
ANALISAM DOCUMENTO. CONTACTADOS, OS PARLAMENTARES DO PS NÃO ESTIVERAM
DISPONÍVEIS
As obras de requalificação e
ampliação das urgências no
Hospital de S. Teotónio, em
Viseu, têm uma dotação de cerca de
um milhão em 700 mil euros inscrita
no Orçamento de Estado (OE) para
2017, de acordo com fonte do governo.
Esta é uma intervenção há muito
reivindicada na região, mas que
até agora não saiu da gaveta. As
últimas obras realizadas no serviço
de urgência foram há doze anos por
alturadoEuropeudeFutebolde2004.
Segundo responsáveis hospitalares, “o
atual espaço torna-se exíguo para dar
resposta a todas as solicitações tendo
em conta não só o volume de utentes,
mas também a sua tipologia que tem
vindo a aumentar de gravidade. As
urgências do Hospital de Viseu tam-
bém dão resposta a utentes da Guarda
e Cova da Beira”.
Em 2014 o projeto foi apresentado
ao ministro da tutela do executivo
PSD-CDS, mas nunca saiu do papel.
A Liga dos Amigos da unidade hos-
pitalar acusou na altura a Adminis-
tração Regional de Saúde do Centro
de mais uma vez “dizer que não há
dinheiro para as obras nas Urgências
de Viseu”.
O documento
“Este Orçamento de Estado é o pior
que me lembro da minha atividade
política”. A afirmação é do deputado
do CDS-PP eleito pelo distrito de Vi-
seuHélderAmaralenofundoresume
o que a oposição de direita tem a dizer
sobre a proposta que foi apresentada
háprecisamenteumasemanapelogo-
verno socialista chefiado por António
Costa.
Para o parlamentar centrista, este é
o pior orçamento de todos porque a
chamada geringonça o criou tendo
por base pressupostos (acabar com a
austeridade, devolver rendimentos e
crescimento económico) que não vão
ser alcançados.
Hélder Amaral critica o aumento de
impostos no setor imobiliário que vai
penalizar o comércio e a subida dos
combustíveis, medidas que, defende,
vão ser “mortais para o interior”.
Os reparos não se ficam por aqui,
Hélder Amaral lamenta igualmente
que o documento seja “um completo
deserto” no que toca a obras públicas
no distrito. “Do ponto de vista de
melhorar as acessibilidade quer seja
na ferroria, quer seja na rodovia tem
zero este orçamento e portanto o
distrito de Viseu tem razões para
estar desiludido e preocupado porque
este orçamento não tem nenhuma
perspetiva de futuro e não nos traz
nenhuma boa notícia”, diz. De positi-
vo o centrista só destaca a majoração
de 15 por cento para as empresas nos
programas 2020.
Já o deputado do PSD Pedro Alves
considera que o OE para 2017 “vem
demonstrar que o governo mantém
como permanente a austeridade,
contrariando aquilo que foi dito
quando tentou formar governo com
uma maioria de esquerda”. Para
o social-democrata, o documento
reforça também as “desigualda-
des e injustiças sociais”, dando
como exemplo as pensões. “Não
se compreende um governo que se
diz preocupado com os mais desfa-
vorecidos manter ou reforçar esta
desigualdade. Não é mais do que um
orçamento cheio de embustes e de
truques”, argumenta.
Quanto às obras públicas, Pedro
Alves vai esperar para ver qual vai
ser o orçamento do Ministério das
Infraestruturas. O deputado PSD
acalenta a esperança de as obras
de requalificação das urgências do
Hospital de S. Teotónio (entretanto
anunciadas) poderem finalmente sair
do papel por “se encontrar garantido
o investimento através dos fundos
comunitários, via FEDER”. “Deverá
haver a comparticipação nacional
correspondente ao Ministério da Saú-
de para poder concluir a obra. Julgo
que este é o único investimento que
está previsto por este governo social
comunista”, rematou.
O Jornal do Centro tentou em vão
obter uma reação dos deputados do
PS eleitos pelo círculo de Viseu.
9
21 OUT
REGIÃO
Há localidades na região de Viseu cujo nome está associado a acontecimentos que chocaram a sociedade. Crimes que, mesmo cometidos há décadas, não cairam
no esquecimento pelo horror que provocaram e as marcas que deixaram.
Casos que acordaram populações para o “monstro” que pode viver mesmo ao lado. Nos últimos dias, todo o país esteve com os olhos postos no homicida de
Aguiar da Beira, local onde Pedro Dias terá atirado a matar em duas pessoas e deixou outras duas feridas. Aconteceu nos primeiros dias de outubro de 2016 e
a história ficará, de certeza, na memória por muito mais tempo. Foi assim com o “serial killer” de Santa Comba Dão, o “monstro” de S. João da Pesqueira ou o
“carrasco” de Joana Fulgêncio. Mais ou menos mediáticos, a história está repleta de assassinatos que obrigaram autoridades policiais a lidarem com novas formas
de investigação e populações a terem de conviver com a ideia de que pode acontecer em qualquer altura, a qualquer um e na porta ao lado.
Nas páginas seguintes, alguns dos crimes que fizeram manchetes na última década e cujos autores foram dos que maior números de anos de cadeia apanharam
Crimes da
vida real e
com penas
elevadas
na justiçaTexto Sandra Rodrigues
10
21 OUT
REGIÃO
PALITO MATOU DUAS MULHERES E ANDOU FUGIDO
À POLÍCIA EM S. JOÃO DA PESQUEIRA
Foi em abril de 2014. Manuel Baltazar interrompeu uma tarde que
estava destinada à confeção de bolos para a Páscoa. De caça-
deira em punho, matou a ex-sogra e uma tia da ex-mulher.
Tentou ainda terminar com a vida da filha e também da
ex-mulher, embora em julgamento tenha sempre
negado a intenção. Depois de consumados
os atos, desapareceu e esteve 34 dias fugido às autoridades. Foi
“caçado”, julgado e apanhou 25 anos de cadeia. Dois anos depois dos
acontecimentos, filha e mãe ainda vivem com as mazelas (físicas e
psicológicas – vivem em constante desconfiança, por exemplo) deste
crime que uniu mais do que separou uma comunidade em Trevões,
S. João da Pesqueira. Sobre o homem conhecido por “Palito”, a po-
pulação foi unânime em o condenar pelos crimes cometidos, mas a
“perdoar-lhe” a obsessão que tinha pela ex-mulher.
SERIAL KILLER MATOU TRÊS JOVENS
EM SANTA COMBA DÃO
É considerado um dos mais macabros crimes da história de Portugal.
Um ex-cabo da GNR foi o responsável pela morte de três jovens, suas
vizinhas. Matou-as, escondeu os corpos e andou a ajudar a polícia a
tentar resolver o mistério. Foi em junho de 2016, em Santa Comba Dão.
António Costa, que ficou conhecido como o “serial killer” residia em
Cabecinha de Rei, próximo das três jovens assassinadas: Isabel Isidoro,
Joana Oliveira e Mariana Lourenço. Conhecia-as desde crianças e
mantinha um contacto quase diário com as respectivas famílias. A
descoberta de que era o autor do desparecimento e morte das vítimas
provocou uma ‘onda de choque’ e sentimentos de revolta na população
local, incrédula pelas atrocidades atribuídas ao ex-GNR.
Isabel Isidoro terá sido a primeira vítima do antigo militar da GNR: a
jovem desapareceu a 24 de Maio de 2005, mas os pais não comunica-
ram o sucedido às autoridades, por pensarem que tinha emigrado para
França. O cadáver foi encontrado a 31 de Maio de 2005 na praia da
Figueira da Foz.
O corpo de Mariana Lourenço - a segunda jovem a desaparecer,
em Outubro de 2005 - foi encontrado no rio Mondego, na zona
de Penacova: uma parte a 01 de Junho de 2006 e as pernas a 28 do
mesmo mês. Joana Oliveira foi a última das jovens a desaparecer,
alegadamente no percurso entre a escola onde estudava e a sua
residência, a 8 de Maio de 2006, tendo o seu corpo sido encontrado
a 24 de Junho, igualmente no rio Mondego, na barragem da
Aguieira.
Em 2007, o “serial killer” foi condenado a 25 anos de prisão que
está a cumprir no estabelecimento em Santarém. Recentemente,
a família tentou que fosse transferido para Coimbra para o poder
ver com mais frequência, mas a solicitação foi recusada.
França. O cadáver foi encontrado a 31 de Maio de 2005 na praia da
MATOU NAMORADA À MARRETADA E
DEIXOU-A NA BARRAGEM DE FAGILDE
(VISEU)
Inspirou um filme e chamou a atenção para a vio-
lência no namoro, trazendo para o debate público
um problema silencioso. Foi o caso de Joana Fulgên-
cio, a jovem que foi morta em 2009 à marretada pelo
namorado e que a atirou dentro de um carro para
uma ravina da Barragem de Fagilde, em Viseu. O
rapaz, agora a chegar aos 30 anos, tinha 22 quando
cometeu o crime. Em Tribunal admitiu que o
relacionamento que mantinha com Joana Fulgêncio
era conflituoso e com discussões frequentes. A 17
de novembro encontrou-se com a jovem estudante
de Comunicação Social, no centro Comercial ‘Fo-
rum’, em Viseu, com o propósito de “conversarem”
e “fazerem as pazes”, seguindo depois para um
pinhal, em Teivas, que frequentavam para “fazer
amor”. Neste mesmo pinhal e após discutirem, foi à
bagageira do seu carro e pegou numa marreta com
a qual acabou por lhe tirar a vida. Horas depois do
crime, fingiu para as autoridades que tinha sido víti-
ma de carjacking e que não sabia da namorada. Foi
“traído” pelas câmaras de filmar de um bar junto à
Barragem de Fagilde. O assassino, David Saldanha,
foi julgado em 2010 e apanhou 18 anos de cadeia.
Para a família de Joana Fulgêncio está longe de
terminar este caso. A mãe, para quem a “ausência
incomoda e tortura constantemente”, sempre disse
que a história não pode acabar aqui.
11
21 OUT
REGIÃO
DEGOLADA COM FACA DE COZINHA
À FRENTE DOS DOIS FILHOS EM LAMEGO
Lília Monteiro tinha 20 anos quando o ex-compa-
nheiro acabou com a vida desta jovem. Munido de
uma faca, o homem degolou a vítima e nem a presença
dos filhos, um de quatro anos, o outro de três
meses, o impediu de levar avante a sua
intenção. Uma tragédia
“anunciada”. A jovem
mãe tinha saído de casa
por estar farta de “levar
porrada”. Duas semanas
depois, na manhã do 10 de junho de 2011, o assassino
parou a motorizada à frente da casa onde a vítima se
tinha refugiado. Após uma discussão, arrastou-a para
a casa de banho e cortou-lhe o pescoço com uma faca
de cozinha. Em Tribunal, testemunhos confirmaram
que o menino de três anos não parava de gritar que a
mãe deitou muito sangue... O casal era de Vila Verde,
Resende, mas escolheu ir morar para Lamego. Cinco
anos depois, os militares da GNR que ocorreram ao
local ainda se recordam de ter visto o pai com os filhos
à espera que as autoridades chegassem. O homem foi
julgado e apanhou 18 anos de cadeia.
MULHER LEVOU PORRADA, FOI ATINGIDA A
TIRO E ACABOU POR MORRER AFOGADA NA
CUNHA BAIXA
O assassinato de Carla Silva aconteceu em 2007, na Cunha
Baixa, em Mangualde. O autor foi o marido. Apanhou
20 anos de cadeia e o Tribunal deu como provado a
“brutal violência empregue” e “vontade criminosa
muito intensa” no ato cometido. Nos dias de hoje, as
pessoas ainda se sentem revoltadas por nas primeiras
horas terem confortado o assassino que chorava por
não saber da mulher.
Tudo começou quando o corpo da Carla, de 30 anos,
foi encontrado na lagoa da pedreira da Cunha Baixa ao
final da manhã de 14 de Julho de 2007, um sábado, no dia
seguinte a Paulo Silva ter comunicado o seu desapareci-
mento a familiares, vizinhos e até à GNR e a ter partici-
pado nas buscas. O que não se sabia, nessa altura, é que
Paulo Silva foi quem nessa noite discutiu com a mulher,
convenceu-a a acompanhá-lo à pedreira, perto da meia-
-noite, enquanto a filha dormia. Ali atingiu-a com quatro
disparos – primeiro quando a mulher se encontrava ao
volante do carro e depois quando tentava fugir. Depois
bateu-lhe na cabeça, fazendo com que ela mergulhasse
na água da lagoa. No regresso a casa, lançou as luvas
para a mata, quando chegou lavou-se e escondeu a t-shirt
ensanguentada debaixo de uma telha.
Além dos 20 anos de cadeia, Paulo Silva foi obrigado
a pagar à filha, na altura com dois anos, 150 mil euros
pelos danos morais sofridos.
MATOU PAI EM CINFÃES POR
CAUSA DE UMA GARRAFA DE
VINHO
Em 2013, o Tribunal de Cinfães con-
denou um homem de 34 anos a 18
anos e meio de prisão. O indivíduo
foi acusado de matar o pai com uma
roda de uma charrua. Este foi o des-
fecho de uma discussão que come-
çou à mesa por causa de uma garrafa
de vinho. Na aldeia de S. Cristóvão
de Nogueira eram conhecidas as
zaragatas entre pai e filho. Os dois,
alcóolicos, andavam sempre de
“candeias às avessas”. Os berros e as
acusações eram constantes e até ha-
via quem adiantasse que mais cedo
ou mais tarde alguém iria sair ferido.
Não esperavam era que a violência
fosse tão mortal. Em Tribunal, o juíz
chegou a considerar a agressão de
um “crime extremamente grave” em
resultado de uma “descarga de raiva
e de ódio”. Tudo começou quando a
vítima agarrou a garrafa de vinho e
tentou agredir o filho, que se desviou
e empurrou o pai. Já com o pai no
chão, o assassino, na altura com
37 anos, desferiu vários pontapés e
agarrou na roda de charrua com que
bateu na cabeça do pai.
12
21 OUT
REGIÃO
TODOS AJUDAM NA CAÇA AO HOMICIDA DE AGUIAR DA BEIRA
Uma barba e cabelo grisalhos,
uns olhos escuros caídos ou
alguém que se assemelhasse, um
pouco que fosse, ao homem da
fotografia, o mais procurado do
país, eram motivos para que os
telefones dos quartéis tocassem.
Do outro lado um “Estou sim? É
da polícia? Acho que estou a ver
o homicida de Aguiar da Beira”.
Desde que Pedro Dias fugiu, de-
pois de há mais de uma semana
ter atingido mortalmente um mi-
VIOLOU, MATOU E ATIROU IDOSA PARA CAIXOTE DO
LIXO EM MOIMENTA DA BEIRA
Carlos Almeida, de 40 anos, foi condenado pelos crimes de violação (seis
anos e meio de prisão), homicídio qualificado (18 anos de prisão) e ocul-
tação de cadáver (um ano e três meses de prisão), o que resultou na pena
única de 21 anos de prisão. Matou uma mulher de 74 anos em Sarzedo,
Moimenta da Beira, em fevereiro de 2015. Antes de a matar através de
“asfixia mecânica”, esganando-a, obrigou-a ter relações sexuais.
Um saco do lixo de Carlos Almeida que continha os chinelos e toalhe-
tes com vestígios biológicos da idosa e que foi depositado, juntamente
com o cadáver, no contentor situado a poucos metros de casa foram
as provas que rapidamente levaram ao autor do crime. As autoridades
policiais não tiveram dificuldades em encontrar provas para condenar
o homem que, segundo o Tribunal, agiu “com frieza e insensibilidade
perante as consequên- cias da sua conduta”, não confessando
o que tinha feito e “tentando afastar de si qualquer
responsabilidade”.
O CATEQUISTA ASSASSINO
DE TONDELA
Paulo Ferraz, de 38 anos, foi condenado a 25 anos
de prisão por dois crimes de homicídio qualifica-
do. Em julho de 2010 matou o pai e a madrasta
a tiro e com golpes de machado. O homicida,
que era catequista e funcionário administrativo
do Hospital de Tondela, deixou a população de
Póvoa de Baixo, em Tondela, em estado de cho-
que. Primeiro porque ninguém esperava que um
homem da terra pudesse ter tal atitude, embora
as discussões fossem uma constante. Depois por
causa da gravidade do crime. No meio de um
desentendimento com a madrasta, atacou-a com
golpes de machada e a seguir mandou-lhe um tiro
de caçadeira. A seguir matou o pai também com
um tiro.
litar e um civil e ter ferido outros
dois, um deles também militar da
GNR, em Aguiar da Beira, que as
forças de segurança deixaram de
ter mãos a medir. Ora no terreno,
ora nos quartéis onde, de quando
em vez, lá aparecia mais alguém
que dizia ter avistado o duplo
homicida.
Houve quem o tivesse visto em
S. Pedro do Sul, em Espanha,
em Arouca, em Montalegre, em
Vila Real, em Viseu, em Seia e em
tantos outros locais. Ainda esta
semana, em Viseu, um transeunte
alertava a PSP para a possível
presença do “piloto” na cidade.
A testemunha dizia que Pedro
Dias estaria perto do tribunal de
Viseu. Na altura as buscas con-
centravam-se numa localidade de
Vila Real, que fica a praticamente
100 quilómetros de distância, mas
o alerta foi dado. O momento
mandava que não se descurasse
qualquer pista e rapidamente
uma brigada se deslocou ao local.
O homem era parecido mas não
era quem se procurava. Estava
confirmado: mais um falso
alarme.
O medo, a desconfiança e a
vontade em querer ajudar a
capturar um homem con-
siderado perigoso podem
justificar as chamadas “que
foram sendo recebidas em
alguns postos”, como frisou
fonte da PSP. Em Viseu não
foi uma prática recorrente
mas as zonas onde as desconfian-
ças eram maiores, como Arouca
ou Vila Real, os telefones eram
mais estridentes.
O primeiro relato de avistamento
de Pedro Dias foi algumas horas
depois de este ter disparado
contra quatro pessoas em Aguiar
da Beira, no passado dia 11. Uma
testemunha assegurava que tinha
visto o “piloto” a fugir a pé, no
Candal, em S. Pedro do Sul.
Depois disso surgiram relatos em
Montalegre, Salamanca, Arouca
(onde roubou uma viatura, no
passado domingo, dia 16) ou Vila
Real (onde foi encontrada essa
mesma viatura, no dia seguinte).
A fuga de Pedro Dias desde
cedo mobilizou centenas de
meios, desde elementos da
componente territorial e de
trânsito a militares da unidade
de intervenção e da investi-
gação criminal e a eles junta-
ram-se os cidadãos atentos,
desconfiados e em alerta e que
por momentos se tornaram
verdadeiros “experts” na ajuda
à caça ao homem. - MC
13
21 OUT
REGIÃO
PUB
LAMEGO
Texto Iolanda Vilar
DEPUTADODEIXOUASSEMBLEIAMUNICIPALEMPOLVOROSA
AODENUNCIARCASODEALEGADOASSÉDIOSEXUAL
EM CAUSA UM DOS NOMES QUE INTEGRA LISTA PARA JUÍZES SOCIAIS E QUE ESTEVE EM DISCUSSÃO NO ÓRGÃO AUTÁRQUICO.
DEPUTADO DA CDU NÃO QUER REVELAR NOME, MAS DIZ QUE TEM PROVAS
AAssembleia Municipal de La-
mego apresentou uma queixa
no Ministério Público depois
de naquele órgão ter sido levantada a
suspeita de favorecimento ilícito em
troca de favores sexuais. Os atos terão
sido perpetrados por um elemento
que faz parte da lista apresentada
aquele órgão para a escolha de juízes
sociais.
A acusação foi lançada na última As-
sembleia pelo deputado municipal João
PedroMeloque,peranteaapresentação
dos trinta nomes a votação para juízes
sociais, se insurgiu contra a inclusão de
umdeterminadoelemento.Semrelevar
o visado, o representante da CDU
começou por dizer que era “primordial
ter certas cautelas” quando se fazem
A existência de juízes sociais está prevista na
Constituição para questões de trabalho, de in-
fracções contra a saúde pública, pequenos delitos,
execução de penas e outras “em que se justifique
uma especial ponderação dos valores sociais
ofendidos”.
Cabe às Câmaras propor os nomes para depois
serem aprovados pela Assembleia Municipal.
As listas são enviadas ao Conselho Superior da
Magistratura e ao ministro da Justiça, que nomeia
por despacho publicado em Diário da República.
Os mandatos duram dois anos. Pode ser juiz so-
cial quem tenha entre 25 e 65 anos, bastando além
disso saber ler e escrever e nunca ter sido condena-
do nem estar pronunciado por crime doloso.
QUEM SÃO OS JUÍZES SOCIAIS?
escolhas, para logo a seguir afirmar
que “da lista faz parte um nome que,
infelizmente, tem tido práticas pouco
agradáveis na sociedade lamecense,
práticasessasqueutilizamafragilidade
humana de certas pessoas para obter
favores ou benefícios sociais em troca
deemprego”.
As acusações criaram de imediato des-
conforto em todos os membros da As-
sembleia Municipal que exigiram que
o deputado municipal fundamenta-se
a acusação. Da parte dos socialistas,
AgostinhoRibeirocriticouquesetenha
“levantado o labéu em relação a todos
os elementos da lista”, considerando
que ficaram “manchados os nomes de
pessoasilustreseidóneas”.
Por seu turno, Ascensão Amaral,
que assume também as funções de
presidente da Comissão de Proteção de
CriançaseJovensdeLamego,lamentou
que “tenha sido proferida uma acusa-
ção demasiado grave”, não votando
tambémnalistaemquestão.
Francisco Lopes, presidente da
autarquia, disse ter ficado “estupe-
facto” com as acusações” e, perante o
depoimento do deputado comunista,
assumiu que será apresentada ao
Ministério Público uma queixa para
que a questão seja investigada.
A polémica lista foi aprovada em sessão
deCâmaranopassadodia29deagosto,
com três votos a favor, uma abstenção e
umvotoembranco.
Contactado pelo Jornal do Centro,
João Pedro Melo escusou-se a prestar
mais esclarecimentos, Referiu, no
entawnto, estar disponível para
prestar todos os esclarecimentos ao
Ministério Público. “Estou a recolher
provas e depoimentos de pessoas que
podem sustentar as minhas palavras”,
garantiu.
O deputado explicou ainda não
ser “parvo ao ponto de mencionar
um nome” quando não tem toda
a documentação, recordando que
precisa “do aval dessas pessoas, que
por vergonha têm medo de dar a
cara”. Segundo o deputado, a pessoa
em questão, mas da qual não diz o
nome, aproveitou-se da “fragilidade
humana e do facto de serem o único
garante de rendimento familiar para
obter aquilo que bem queria”.
14
21 OUT
REGIÃO
SANTA COMBA DÃO
Texto Clemente António Pereira
MORTES NO IP3: AUTARCAS QUEREM MEDIDAS URGENTES
UMA MOÇÃO APROVADA
POR UNANIMIDADE
NA CÂMARA DE SANTA
COMBA DÃO EXIGE DA
INFRAESTRUTURAS DE
PORTUGAL MEDIDAS
URGENTES E CONCRETAS
PARA REDUZIR A
SINISTRALIDADE NO IP3
Odocumento que reclama
por um IP3 mais seguro foi
apresentado pelo vereador do
PSD, João Onofre, na autarquia de
Santa Comba Dão. Nele, o autarca
demonstra que este itinerário princi-
pal que liga Viseu a Coimbra é, desde
o seu início, uma via remendada,
utilizada diariamente por mais de 18
mil veículos ligeiros e pesados e que
há muito esgotou a sua capacidade de
resposta.
Areferidamoçãoseráagorasubmetida
à Assembleia Municipal. O documen-
to vai ser ainda enviado a vários mu-
nicípios atravessados pelo IP3 “para
os fins que tiverem por convenientes,
designadamente, para uma tomada de
posição conjunta relativamente a este
tema junto do Governo”.
“Merecíamos e merecemos uma
estrada nova. O atual IP3 menos-
preza os interesses e as vidas dos
santacombadenses, mas também dos
penacovenses, dos mortaguenses, dos
De quinze em quinze dias, a carrinha
da Unidade de Saúde Móvel acaba
um pouco com a solidão que atinge
os idosos nas freguesias rurais de
Tabuaço. Com uma população cada
vez mais envelhecida, este concelho
do Douro criou esta unidade para
levar mais alento a homens e mulhe-
res e prestar assim de forma regular
cuidados de saúde primários.
O ponto de encontro, por norma, é
o centro da povoação. Com o cartão
da marcação da visita, idosos e não
idosos, procuram manter atualizada
a sua condição de saúde. Pequenas
coisas que evitam dispendiosas e por
vezes longas deslocações ao centro
de saúde local. Desde 2010 que uma
enfermeira faz a vigilância de rotina.
Segundo fonte da edilidade, “a pres-
tação de cuidados básicos de saúde é
primordial”, frisando que “para além
de uma intervenção mais regular
em pequenas questões de saúde, esta
unidade veio trazer mais alento às po-
pulações, em especial às mais idosas,
que também vêm nesta unidade uma
forma de matarem a solidão”.
Com muitos quilómetros de roda-
gem, a Unidade de Saúde percorre
quatro vezes por mês as 17 fre-
guesias de Tabuaço. Entre vários
atendimentos, pretende manter os
cuidados de enfermagem no âmbito
da hipertensão arterial, diabetes
e enfermagem curativa, gestão de
receituário, avaliando assim as
necessidades mais urgentes quer a
idosos e cuidadores, bem como à
população em geral.
TABUAÇO
UNIDADE DE SAÚDE MÓVEL ACABA COM SOLIDÃO
tondelenses e dos viseenses. Está visto
que não chega. Chegou a hora de dizer
Basta! É preciso uma nova estrada
que sirva os interesses das populações
por ele atualmente atravessado. Uma
estrada que traga vida e não que leve
à morte”, sustentou o vereador do
PSD aquando da apresentação do
documento em reunião do executivo .
Segundo João Onofre, “o Governo não
estaráaafetarasreceitasdaContribui-
ção de Serviço Rodoviário (CSR), para
financiar a rede de estradas a cargo
das Infraestruturas de Portugal, como
deveria ser feito”. “Ora esta situação
não poderá deixar de ser preocupante,
porquanto, o que já está construído
não estará, eventualmente, a ser objeto
de manutenção e reparação. O IP3
possui sinalética queimada pelo sol,
piso irregular, taludes destruídos,
pintura desgastada e sem luminosi-
dade, escoamento de águas pluviais
deficiente, entre outros problemas
conhecidos”, alertou.
Também a Liga dos Bombeiros Por-
tugueses demonstrou grande preo-
cupação face ao número de mortes
verificadonoIP3nodecursodesteano
e exigiu medidas urgentes.
A requalificação e modernização
da Escola Básica de Santa Comba
Dão vai arrancar em julho de 2017
e tem um investimento de 200 mil
euros. Vai ser intervencionada toda
a estrutura exterior do edifício.
O Município de Santa Comba
Dão assinou já um acordo de
cooperação com o Ministério da
Educação. Para o presidente da Câ-
mara Municipal, Leonel Gouveia,
“esta obra representa mais uma
importante etapa na concretização
de um conjunto de investimentos
que o Município tem programado
para o parque escolar do conce-
lho” e vai melhorar as condições
térmicas e de climatização deste
estabelecimento.
O protocolo agora assinado encon-
tra-se integrado no “Pacto para a
Coesão e Desenvolvimento Terri-
torial da CIM Dão Lafões” a execu-
tar no âmbito do Programa Opera-
cional Regional “Centro’2020”.
Nesta intervenção está também
prevista a substituição de portas e
janelas exteriores do edifício, bem
como a substituição da iluminação
convencional por luminárias que
utilizam tecnologia led.
É esperado ainda o reforço desta
verba (200 mil euros) em meio
milhão de euros para recuperar e
melhorar todo o miolo interior do
edifício.
ENSINO
INVESTIMENTO DE 200 MIL EUROS PARA REQUALIFICAR E MODERNIZAR ESCOLA BÁSICA
Uma via remendada,
utilizada diariamente
por mais de 18 mil
veículos ligeiros
e pesados e que há
muito esgotou a sua
capacidade
de resposta
João Onofre
vereador do PSD
PUB
Quinta do Sobral
Tinto Reserva 2013
é a Melhor Compra
UM DOS SEIS VINHOS PORTUGUESES NOS 100 VINHOS SELA-
CIONADOS PELO GUIA DA “WINE & SPIRITS”
Já saiu o 30º Guia Anual de Compras da Norte Americana Wine & Spirits, uma das
mais conceituadas publicações relacionadas com o vinho do mundo.
Nesta publicação os seus crí�cos selecionam 100 vinhos catalogados como sendo as
melhores compras. Desta lista constam 6 vinhos portugueses selecionados pela sua
relação qualidade preço, área em que Portugal se tem vindo a dis�nguir largamente
de outros produtores mundiais, com os entusiastas a descobrirem a qualidade dos
nossos vinhos aliada a preços muito apela�vos.
Nesta lista encontramos um vinho do Dão, o Quinta do Sobral, o que vem atestar
a qualidade dos vinhos que têm vindo a ser produzidos nesta região e que
demonstram que para se beber um bom vinho não é necessário deixarmos metade
do ordenado na Adega.
O Quinta do Sobral Reserva Tinto de 2013 obteve 91 pontos e é um vinho que se
caracteriza pela sua cor rubi concentrada, aroma complexo com frutos silvestres,
especiarias e notas fumadas. É um vinho que apresenta um bom volume, com
taninos polidos e um final longo e envolvente. É ainda caracterizado como tendo um
notável equilíbrio entre a intensidade de frutos vermelhos e o envelhecimento em
madeira, com excelente integraçãoo dos taninos, evidência de notas de azeitonas
pretas e a presença herbácea, �pica do seu “Terroir” de montanha. Segundo os
crí�cos este é um vinho elegante, fresco e suave, sendo ó�ma para acompanhar
carne de porco com molho de ervas finas.
Da lista constam ainda os vinhos Quinta da Aveleda, Quinta Foz de Arouce, Luís
Pato, Vér�ce e Jus�no´s Madeira. O Quinta do Sobral Reserva Tinto 2013 custa cerca
de 7€, como vê um preço perfeitamente acessível!
FICHA TÉCNICA
Quinta do Sobral Reserva Tinto 2013
Cor Rubi concentrada, aroma complexo com frutos silvestres, especiarias e notas fumadas.
Apresenta um bom volume, com taninos polidos e um final longo e envolvente.
CASTAS | Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz
TEOR ALCOÓLICO | 14%
ACIDEZ TOTAL | 5,7 g/L
PH | 3,80
AÇUCAR TOTAIS | 3,1 g/L
ENÓLOGO | Carlos Lucas
16
21 OUT
REGIÃO
Depois de em anos anteriores ter criado
apoios para fixar médicos em Cinfães, a
autarquia leva a cabo mais uma série de me-
didas que visa colmatar a lacuna nos cuidados
de saúde. O apoio, que terá um limite de três
anos, visa dar resposta à falta de clínicos, em
especial no Posto de Saúde de Nespereira.
Com cerca de 20 mil habitantes, o concelho
de Cinfães é um dos que se debate com
graves lacunas a nível de saúde, o que obriga
as populações a deslocarem-se a unidades
no distrito do Porto. Em Nespereira, se-
gundo a autarquia, é urgente acabar com
a falta de médicos e avançar com obras de
conservação no Centro de Saúde local. O au-
tarca recorda que o quadro clínico tem mais
doentes por médico do que seria desejado.
Armando Mourisco refere que já fez chegar
o eco das suas preocupações às entidades
competentes.
Nesse sentido e reconhecendo que, “não sen-
do a contratação de médicos uma competên-
cia das autarquias, estas não se podem alhear
dos problemas que afetam as pessoas. É nossa
obrigação criar todos os mecanismos de
incentivos à melhoria dos cuidados de saúde
no Concelho, sobretudo na área da medicina
familiar e da fixação de médicos de família”,
frisa o edil.
Para incentivar a ida de clínicos para Cin-
fães, além do pagamento do arrendamento
da habitação dos médicos, a nova proposta
agora aprovada pela autarquia propõe o
pagamento de despesas de deslocação desde
o local de residência até ao local de trabalho.
“Decidimos acrescentar ao incentivo já em
vigor desde o final de 2014 - o do apoio ao
arrendamento até um máximo mensal de
500 euros - a alternativa do pagamento das
despesas de deslocação, sejam combustível,
portagens ou transportes públicos até ao limi-
te de 300 euros ”, explica Armando Mourisco,
O pagamento de despesas de deslocação
entrou em vigor no início do ano e abrange os
médicos que se fixem em Cinfães e não pos-
suam residência no concelho. Este incentivo
está disponível para um número máximo de
quatro médicos.
CINFÃES
POSTO DE NESPEREIRA CONTINUA SEM MÉDICOS
TONDELA
Texto Sandra Rodrigues
CONTRATAÇÃO DE ADVOGADA LIGADA AO PSD
CONTESTADA EM MOLELOS
SOCIALISTAS ACUSAM
JUNTA DE FREGUESIA DE
ILEGALIDADE. PRESIDENTE
JUSTIFICA ESCOLHA COM
O FACTO DO GABINETE
SER ESPECIALISTA EM
LEGISLAÇÃO AUTÁRQUICA
Acontratação de uma advo-
gada, dirigente do PSD em
Viseu, pela Junta de Fregue-
sia de Molelos (Tondela) levou os
socialistas a contestarem a escolha
e a acusarem a autarquia de ilegali-
dade. O PS anunciou ainda que vai
participar judicialmente os factos
relacionados com a aquisição do
serviço.
A Comissão Política Concelhia do
PS, em conferência de imprensa, de-
nunciou que a Junta (PSD) contratou
“ilegalmente” a advogada e o seu só-
cio porque prestaram serviços “antes
destes apresentarem um orçamento
e antes da Junta ter deliberado a sua
contratação”. Afirmam que a delibe-
ração para recorrer aos serviços do
escritório da advogada Ana Paula
Santana ocorreu a 4 de março, mas
que antes, a 5 de fevereiro, a Junta
já tinha passado uma procuração ao
escritório de advogados para a repre-
sentar numa ação de contestação na
Entidade Reguladora da Comunica-
ção Social (ERC).
O presidente da Junta de Freguesia
de Molelos, José Dias, sustentou, por
seu lado, que a presença da advogada
na ação de contestação foi feita de
forma “gratuita” e que a Junta aca-
bou por contratar este escritório de
Viseu por os seus elementos estarem
“dentro da legislação autárquica”.
“Foi esse o nosso critério, tal como
temos outro gabinete a prestar-nos
serviço e que é, por exemplo, es-
pecialista em baldios”, explicou o
autarca.
Os serviços de Ana Paula Santana,
que já foi vereadora na autarquia
viseense eleita pelo PSD, foram
requeridos pela Junta por causa
da polémica que opõe este órgão
autárquico ao eleito e membro da
Assembleia de Freguesia, Luís Fi-
gueiredo, e que envolve a filmagem
das reuniões. O também diretor do
jornal Augaciar já foi detido pela
GNR por ter recusado a desligar a
câmara de filmar, um caso que já se
arrasta desde dezembro de 2015 e
que tem obrigado à suspensão, desde
então, das reuniões da Assembleia de
Freguesia.
Socialistas
denunciaram
ilegalidades em
conferência de
imprensa
17
21 OUT
NELAS
Texto Clemente António Pereira
SOCIALISTAS COM REUNIÃO LONGA
MAS POUCO CONCLUSIVA
PLENÁRIO DO PS POUCO
CONSENSUAL EM TORNO
DA CANDIDATURA ÀS
AUTÁRQUICAS 2017. UMA
MOÇÃO A FAVOR DE BORGES
DA SILVA COMO CANDIDATO
E OUTRA A PEDIR A
DEMISSÃO DO PRESIDENTE
DA CONCELHIA FORAM
APRESENTADAS, MAS NÃO
CHEGARAM A SER VOTADAS
Cerca de 70 militantes do PS partici-
param no plenário para clarificar a
candidatura às eleições autárquicas
de 2017 em Nelas. No encontro foram
apresentadas duas moções: uma de
louvor ao trabalho desenvolvido pelo
atual presidente da Câmara, Borges da
Silva, e de apoio à sua recandidatura
e outra a exigir a demissão do presi-
dente da Comissão Política Concelhia,
Adelino Amaral. Nesta última moção,
os signatários repudiam as posições
que dizem ser de oposição ao atual
autarca, e que são assumidas pelos
vereadores do PS, Adelino Amaral e
Alexandre Borges. Acusam-nos de
estarem a fazer uma “coligação ne-
gativa” ao atual executivo, conforme
refere um dos subscritores das duas
moções, António Borges, presidente
da Assembleia Municipal de Nelas,
também eleito pelo PS.
Segundo António Borges, “as mo-
ções acabaram por não ser votadas,
porque o atual líder da Comissão
Política Concelhia do PS de Nelas
manipulou o plenário convocado pelo
Secretariado do PS, ao longo de quase
quatro horas, impedindo que outros
militantes pudessem intervir, adiando
sucessivamente que as moções fossem
lidas e votadas”.
Adelino Amaral, presidente da Con-
celhia do PS Nelas, rejeita as acu-
sações, afirmando não fazerem
“qualquer sentido”. “Sempre que
alguém quis intervir fê-lo livremente,
tantoqueaolongodessasquatrohoras
de plenário registaram-se mais de
uma dezena de intervenções e houve
até militantes que falaram mais do
que uma vez. Alguns deles usaram da
palavra por seis, ou mais vezes”, disse.
A título de exemplo, Adelino Amaral
assegura que registou intervenções
de militantes como Américo Borges,
Pedro Borges, Aires dos Santos, Maia
Rodrigues, Sofia Relvas, Carla Fran-
cisco,BorgesdaSilva,AntónioBorges,
entre muitos outros.
Por sua vez, António Borges acusa
Adelino Amaral de ter estado a falar
“durante mais de três horas e ocupou
a maioria do tempo, como estratégia,
para impedir que as moções fossem
apresentadas e votadas”.
Adelino Amaral rejeitou também
este argumento e alegou que “as duas
moções foram apresentadas tardia-
menteporumgrupodemilitantesque
tinha como principais subscritores
Francisco Cardoso e António Borges,
entre outros.
Perante o impasse criado, dezenas de
militantes acabaram por abandonar a
sede do PS. Alguns demonstraram de
forma clara que se sentiam defrauda-
dosemuitoagastadoscomasituaçãoe
lamentaram ter estado ali ao longo de
“tantas horas, sem qualquer solução”.
Também Adelino Amaral refere que
este plenário “foi uma fantochada” e
adiantaquesetratoude“umamanobra
suja e conspirativa para tomar de
assaltoosdestinosdaConcelhiadoPS”.
“Nós não podemos aceitar e pactuar
com este tipo de comportamentos que
nãofazemqualquersentido”disse.
Alguns militantes do PS dizem ter
presenciado a “mais um capítulo ne-
gronestanovela”.Nareuniãofoiainda
abordada a atual situação financeira
do PS, considerada “difícil, já que não
têm feito transferências de verbas
para as Concelhias”, revelou Adelino
Amaral.
Os presidentes de junta de Penalva
do Castelo aproveitaram as reu-
niões preparativas do Orçamento
Municipal de 2017 para reclamar
melhores infraestruturas rodoviária.
O executivo liderado por Francisco
Carvalho esteve a auscultar os prin-
cipais anseios dos presidentes das 11
Juntas de Freguesia do concelho. O
autarca anunciou que o Orçamento
Municipal para 2017 será de oito
milhões de euros.
A principal preocupação transversal
a todas as freguesias do município de
Penalva do Castelo está relacionada
comamelhoriadasestradasearranjos
de arruamentos.
Segundo o autarca de Penalva do
Castelo, muitas destas reivindicações
já constavam das Grandes Opções do
Plano de 2014 a 2017 e muitas delas
já estão colmatadas. “Agora falta o
restante que está relacionado com
melhores acessibilidades, com inter-
venções a realizar no pavimento de
alguns arruamentos, bermas, passeios
e passadeiras para peões”, frisou.
Francisco Carvalho garantiu que
para completar o que ainda falta fazer
“existe uma dotação de 30 mil euros
para os poucos quilómetros que ainda
estão por concluir”.
Outra das preocupações mencionadas
nas reuniões por parte da generali-
dade das freguesias do concelho esta
relacionada com questões ambientais,
nomeadamente, na reparação da rede
de esgotos e limpeza de fossas.
Em termos globais, o Orçamento de
2017 prevê a distribuição por todas
as 11 freguesias do concelho de uma
dotação orçamental de 400 mil euros,
para assegurar as suas atividades
gerais do dia-a-dia e para pequenas
intervenções locais.
PENALVA DO CASTELO
FREGUESIAS QUEREM MELHORES ESTRADAS E PASSEIOS
No ocaso do Estado Novo e, apesar
da frugalidade e austeridade próprias
de Oliveira Salazar, era vox populi
uma quadra aleivosa: “… Portugal
é País de bananas governado por
bando de sacanas…”. O “Homem das
botas” era integralmente honesto no
que toca às mordomias e às finanças
pessoais, morreu pobre, mas sabia
que o rodeava alguma gente pouco
recomendável, apesar de escolher o
que pensava haver de menos mau.
Que adesão pode haver a este respeito,
quando, no presente Orçamento,
ainda em discussão, se verifica um
aumento das pensões cujo valor ultra-
passa os 264 €/mês?
Nenhuma.
Curiosamente, as pensões de valor
inferior terão indexação simbólica. É
pouco! É gozar com os mais pobres!
As “pensões rurais”. O seu valor
ronda os 201 €/mês, mas não terão(!?)
direito aos 10 € de aumento, pela sim-
ples razão de terem sido aumentadas
pelo Governo de Passos Coelho.
Sabemos que o mundo rural não vive
apenas das “miseráveis pensões” de
201 €, pois junta, com o seu labor, luta
e sacrifício, algo da chamada “agri-
cultura de subsistência”. O vinhito,
algum produtor direto que os capan-
gas de Salazar mandaram erradicar,
sem o conseguir, pois nos lameiros
outra variedade não se dava; as batati-
tas, as hortaliças e, se a ASAE deixar,
o porquito que, os descendentes vêm
buscar nas épocas festivas.
Mesmo com esta economia de sub-
sistência, 201 € é incrivelmente baixo
para comprar os géneros alimentícios
necessários e não produzidos domi-
ciliariamente e, ainda mais ridículos
serão se for preciso recorrer à medici-
na privada, já que o S. N. S. está pelas
ruas da amargura.
Assim, é corrente ver “velhinhas” car-
regadas com um molho de lenha ou
vides à cabeça, pois o gás tem preço
proibitivo.
Entretanto, o País está em festa
permanente e tornou-se um casino
(jogos para todos os gostos).
Pela minha parte, fique o Sr. Costa
com o meu valor da sobretaxa e do
IVA da restauração e, reencaminhe
este valor para um “aumentozinho”
das lamentáveis pensões rurais. Ou
então experimente viver com 201€/
mês, mais os haveres agrícolas.
O que mais me espanta é o aparente
autismo do P.C.P., por quem sempre
nutri o maior respeito, pela razão da
sua história e coerência.
Última hora: o Ministro da S. Social
descobriu que Portugal é “… País
com demasiada pobreza…”! Um
génio!
AMÉRICO NUNES
Classe Média
OPINIÃO
REGIÃO
18
21 OUT
REGIÃO
S. PEDRO DO SUL
Texto José Ricardo Ferreira
PARQUE URBANO E REQUALIFICAÇÃO
DA ANTIGA CADEIA APROVADOS
REQUALIFICAÇÃO URBANA ESTÁ DIVIDIDA EM TRÊS FASES. OBRAS DEVEM IR
PARA O TERRENO MUITO EM BREVE
Acandidatura apresentada
pelo município de S. Pedro
do Sul ao programa Centro
2020 no âmbito do Plano de Ação
de Regeneração Urbana (PARU) foi
aprovada. Com um investimento
total de 1 milhão e 400 mil euros,
o projeto de requalificação urbana
está dividido em três fases. A pri-
meira inclui a reabilitação de todo
o espaço envolvente à antiga cadeia
da cidade, onde será construído um
parque infantil, espaços verdes e
ainda 51 lugares de estacionamento.
Esta intervenção já foi alvo de um
concurso público e em breve deverá
ter início.
A segunda fase, que é das três a mais
emblemática, engloba a construção
do Parque Urbano do Nogueiral na
zona ribeirinha do Lenteiro do Rio.
O terreno onde será edificado um
espaço de lazer e desporto ao ar livre
ainda pertence a privados pelo que a
autarquia vai avançar com a expro-
priação do mesmo. “O novo parque
da cidade vai desde o Centro de
Saúde até ao Lenteiro do Rio, numa
área de cerca de seis hectares. Que-
remos dar outra vida à nossa cidade,
fazer com as pessoas se sentiam
bem, que as crianças possam andar
em liberdade, com muitos espaços
verdes, zonas de lazer, circuitos de
manutenção. Está ainda prevista a
construção de um grande parque
de estacionamento, um parque de
atividades, um bar de apoio, e possi-
velmente a central de camionagem.
Será um novo espaço que ligará a
ponte ao centro da cidade”, adianta o
presidente da edilidade sampedren-
se, Vítor Figueiredo.
A terceira fase da PARU compreen-
de a reabilitação do edifício do
ex-estabelecimento prisional de S.
Pedro do Sul. No imóvel será insta-
lada a futura biblioteca municipal,
um espaço de cultura e de lazer e
ainda os serviços municipais de
cultura, educação e ação social que
neste momento estão espalhados
por alguns edifícios da cidade.
“Não há verbas, não pode haver pro-
jeto”, lamenta José Tulha, presidente
da Câmara de S. João da Pesqueira
perante o recuo na criação de um
passadiço entre as Bateiras e Vargelas.
O investimento que já esteve previsto
em anteriores quadros comunitários
de apoio fica agora na gaveta.
Localizado ao longo da marginal
duriense, na Estrada Nacional 222,
este caminho pedonal pretendia
“proporcionar um local onde se
pudesse apreciar uma das mais su-
blimes paisagens do Douro”, refere
José Tulha.
Em 2005 houve já um estudo para
que os passadiços fossem uma
realidade, sendo que o projeto
tinha uma baliza máximas de meio
milhão de euros.
S. JOÃO DA PESQUEIRA
PASSADIÇOS DO DOURO NA GAVETA
A segunda fase, que é das três a mais emblemática,
engloba a construção do Parque Urbano do Nogueiral
na zona ribeirinha do Lenteiro do Rio
O município de S. Pedro do Sul está
a ponderar reforçar o montante do
orçamentoparticipativonopróximo
ano. Nas duas primeiras edições, a
iniciativa tinha afeta 30 mil euros,
um valor que poderá ser aumentado
em 2017 “para criar mais oportuni-
dade”, avançou o vice-presidente da
autarquia,PedroMouro.
Certo é que em 2017 o orçamento
participativo vai sofrer algumas
alterações ao nível do regulamento.
No próximo ano só poderão votar
munícipes com 18 anos, até agora
podiam participar jovens a partir
dos16anos.Vaiserpossíveltambém
aos cidadãos votarem em mais de
uma proposta, o que até agora era
impossível.
Este ano o orçamento participativo
foi ganho pelo projeto de construção
de um “Parque Intergeracional” em
Carvalhais. A ideia apresentada por
Domingos Marques, com vista à
criação de um espaço para a prática
do desporto e atividades ao ar livre
para todas as idades, recebeu 339
votos. Segundo o promotor, a obra
vai nascer no centro de Carvalhais
e prevê a construção de mesas de
leitura, casas de banho e aparelhos
paraquemcorreecaminha.“Vamos
compor mais um bocadinho aquele
centro que se encontra abandonado.
Espero que corra tudo bem e que a
Câmara nos ajude a fazer o projeto
no próximo ano”, referiu Domingos
Marques.
Das 29 propostas entregues ao orça-
mento participativo, 13 passaram à
fase de votação online e presencial,
um número que deixou satisfeito
Pedro Mouro. “É salutar termos 29
propostas. Já é um sinal claro da
participação dos cidadãos”, subli-
nhou o autarca na sessão pública
de apresentação dos resultados do
projetodedemocraciaparticipativa.
ORÇAMENTO
PARTICIPATIVO
PODERÁ SER
ENGORDADO
EM 2017
PUB
20
21 OUT
especial
Feira da Maçã
de Armamar
MAÇÃDEARMAMAR
É“MAÇÃDEMONTANHA”
O conceito “Maçã de Mon-
tanha” surge em Armamar
pelo facto de se cultivarem
as maçãs, em circunstâncias
muito especiais, com refle-
xos diretos no produto final.
No concelho a cultura da
maçã desenvolve-se a cotas
de altitude que variam en-
tre os 500 e os 800 metros e
isso permite, segundo os es-
pecialistas, obter frutos com
características únicas: “mais
aromáticas, mais crocantes
e mais saborosas que outras,
das mesmas variedades, pro-
duzidas em diferentes re-
giões do país.
Segundos os dados da autar-
quia no concelho de Arma-
mar são produzidas mais de
75 mil toneladas por ano, um
valor que tende a aumentar
por força dos investimen-
tos na plantação de novos
pomares e na requalifica-
ção dos existentes, do apu-
ramento contínuo das técni-
cas e tecnologias aplicadas
ao processo produtivo e da
melhoria das redes de rega
criadas.
Numa estratégia de promo-
ção e colocação nos merca-
dos a marca “Armamar, Ca-
pital da Maçã de Montanha”
já está registada. A Feira da
Maçã, evento anual, orga-
nizado pela câmara munici-
pal em conjunto com a As-
sociação de Fruticultores de
Armamar pretende apoiar
os produtores e promover a
marca e o produto.
20 PRODUTORES,
10 MIL QUILOS DE MAÇÃ
E TRÊS DIAS DE FESTA
M
ais de 10 mil quilos de
maçãs vão estar à ven-
da durante três dias na
feira que se realiza entre os dias
21 e 23 de outubro em Armamar.
São cerca de 20 os produtores
que vão ocupar os mais de 24
metros de expositores. São os
representantes de um concelho
que é responsável de 25 por cen-
to da produção da maçã a nível
nacional.
Para esta edição da Feira, a au-
tarquia de Armamar em con-
junto com a Associação de Fru-
ticultores do concelho lançou
o desafio aos produtores para,
em conjunto, fazerem a venda e
promoção do seu produto. Jorge
Augusto, da Associação, expli-
cou que em vez de cada produ-
tor/armazenista ter o seu stand,
todos os que participam vão ter
a sua maçã a ser vendida pela
Associação que disponibilizou
caixas e preços iguais. “As cai-
xas têm o nome do produtor, o
calibre e a variedade da maçã.
Os preços podem variar entre
os 60 cêntimos e um euro”, disse
o também responsável pela em-
presa Maçã BemBoa.
Esta é uma das inovações des-
te evento onde o visitante pode
ainda conhecer os vinhos Douro,
Porto e Távora Varosa, além da
gastronomia e do artesanato lo-
cal. “Desta forma conseguimos
que mais produtores se juntas-
sem à Feira. Em edições ante-
riores, apenas apareciam pouco
mais de meia dúzia e eram sem-
pre os mesmos”, salientou Jorge
Augusto, satisfeito com a ade-
são. “Gostaram da ideia e isso é
muito bom”, concluiu.
AÍ ESTÁ MAIS UMA EDIÇÃO DA FEIRA DA MAÇÃ DE ARMAMAR.
ORGANIZADA PELA CÂMARA MUNICIPAL E PELA ASSOCIAÇÃO
DE FRUTICULTORES PRETENDE SER MAIS QUE UM CERTAME DE
PROMOÇÃO DA MAÇÃ DO CONCELHO
TRÊS DIAS DE FESTA E PROMOÇÃO
PARA A “MAÇÃ DE MONTANHA”
M
ais de uma centena de ex-
positores vão marcar pre-
sença este ano em mais
uma edição da Feira da Maçã de
Armamar. O certame acontece
este fim de semana, nos dias 21, 22
e 23 de outubro. Durante os três
dias, sexta, sábado e domingo, os
visitantes vão poder tomar con-
tacto com empresas, sobretudo
do setor agrícola, que fazem me-
xer a economia do município.
Na Feira da Maçã há também
um espaço dedicado aos vinhos
do Douro, Porto e Távora Varosa.
São três regiões vinícolas de que
o território do município faz par-
te. As indústrias alimentares liga-
das aos fumeiros e aos laticínios,
com os queijos de cabra, sector
também relevante no concelho,
vão promover e dar a provar os
seus produtos. Empresas ligadas
ao turismo e prestadoras de ser-
viços também têm o seus espaço
no certame.
Durante os três dias da feira as
coletividades culturais, a univer-
sidade sénior e a banda de música
do concelho também se mostram
aos visitantes. Grupos de teatro
de rua desenvolvem programas
específicos dirigidos às crianças.
A autarquia volta a contar com a
parceria da CP Comboios de Por-
tugal com preços especiais para
quem utilizar o comboio como
forma de chegar ao Douro e a Ar-
mamar. As ligações entre a esta-
ção de comboios da Régua e Ar-
mamar são asseguradas pela
Câmara Municipal.
A Feira da Maçã de Armamar sur-
giu em 2009, ano em que a então
designada Feira das Atividades
Económicas dava a conhecer os
frutos do principal setor de ativi-
dade do município, a agricultura.
Na segunda edição, em 2010, mu-
dou de nome, para Feira da Maçã
de Armamar, para afirmar um
produto diferenciador da agricul-
tura Armamarense, no contexto
do Douro Vinhateiro.
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
BEM_BOA_JORNAL_19|10_PRODUÇÃO.pdf 1 19/10/16 14:00
PUB
22
21 OUT
REGIÃO
VOUZELA
Texto José Ricardo Ferreira
FEIRA DA PROTEÇÃO CIVIL JUNTA PROFISSIONAIS
DO SETOR DURANTE TRÊS DIAS
SECRETÁRIO DE ESTADO DA
ADMINISTRAÇÃO INTERNA
INAUGURA PRIMEIRA
EDIÇÃO DO EVENTO. PELO
MENOS 30 EXPOSITORES
ESTARÃO PRESENTES NO
CERTAME
Numa organização da As-
sociação Humanitária de
Bombeiros Voluntários de
Vouzela (AHBVV) e Câmara Mu-
nicipal local, o Pavilhão Multiusos
Municipal vai acolher entre os dias
25 e 27 de novembro a primeira edi-
ção do “Vouzela Protege” - Feira da
Proteção Civil. O certame vai abran-
ger áreas como a Proteção e Combate
a Incêndios, a Segurança de Pessoas
e Bens, o Socorro e Salvamento, a
Segurança e Saúde no Trabalho e a
Segurança na Circulação, nos Trans-
portes e Comunicações. O objetivo é
“dar a conhecer a missão, os meios e
os recursos das entidades envolvidas
na área da proteção civil, possibili-
tando também o contacto direto e a
interação com a população”.
“Este é o primeiro evento do género
no concelho e esperamos que tenha
uma dimensão nacional. Trata-se
de uma iniciativa que pretende
promover a interação entre os
diversos agentes das proteção civil,
divulgando o trabalho que é feito e
os meios existentes”, avançou o pre-
sidente do município vouzelense,
Rui Ladeira.
Já Carlos Lobo, presidente da
Direção da AHBVV, informou
que o evento estava a ser pensado
há vários meses, surgindo de uma
proposta do comando à qual a
direção respondeu positivamente.
A Câmara Municipal de Castro Daire
e a Federação Portuguesa de Natação
(FPN) assinaram o protocolo do
Projeto “Portugal a Nadar” que visa
envolver as comunidades à prática
da modalidade. A cerimónia da assi-
natura realizou-se entre o presidente
da autarquia, Fernando Carneiro, e
o presidente da FPN, António José
Silva, e contou com a presença do
presidente da Associação de Natação
do Centro Norte de Portugal, Manuel
Pereira.
Para a Câmara Municipal de Castro
Daire, a assinatura deste protoloco
“reveste-se de uma mais-valia muito
importante”. “Primeiro, porque
a certificação irá elevar o nível da
qualidade dos serviços à população
e, segundo, porque permite acolher
mais vezes os jovens e realizar mais
provas no Concelho”, afirmou o
presidente da autarquia.
Pedro Pontes, diretor técnico das
Piscinas de Castro Daire, referiu que
a adesão ao projeto Portugal a Nadar
“será certamente uma mais-valia
para as piscinas municipais assim
como para todo o concelho. Ao nível
de infraestruturas é o que falta para
complementar a qualidade reconhe-
cida que já temos um contributo aos
utentes para que possa ter um serviço
melhor e usufruir deste projeto”.
O Projeto “Portugal a Nadar” pre-
tende agregar todas as entidades que
têm escolas de natação ou gestão de
piscinas com o intuito de acrescentar
valor aos serviços prestados por essas
entidades. A FPN assume como prin-
cipais objetivos o desenvolvimento
da natação enquanto modalidade
desportiva, que passam pela “adesão
à Federação Portuguesa de Natação
(Filiação), na criação de oportunida-
des de contacto direto com os par-
ceiros FPN (Cartão FPN), no acesso
à formação profissional certificada
para os seus quadros e colaboradores
e na participação dos seus utentes em
várias iniciativas de cariz lúdico ou
desportivo com a tutela da FPN”.
CASTRO DAIRE
FEDERAÇÃO DE NATAÇÃO ASSINA PROTOCOLO COM AUTARQUIA
“Pensamos que vai ser uma iniciati-
va muito importante para a área da
proteção civil. Durante três dias, é
nossa intenção ter aqui um evento
de grande significado para o conce-
lho de Vouzela, mas também para
toda a região e país”, sublinhou.
O comandante da corporação,
Joaquim Tavares, espera que este
seja um momento “marcante para a
região e principalmente para todos
os bombeiros e agentes de proteção
civil que vão estar envolvidos”. “Es-
peramos que haja receção da parte
dos bombeiros da região, do distrito
e do país. Contamos com a presença
de todas estas entidades ligadas à
proteção civil para que no final seja o
sucesso que a gente pretende”, referiu.
Simulacros marcarão evento
O programa do “Vouzela Protege”
incluiu a realização de um semi-
nário subordinado ao tema: “O
passado, o presente e o futuro da
Proteção Civil” e que contará com
a presença de vários oradores de
referência nacional. Durante a feira
vão decorrer igualmente simulacros
com bombeiros da região e uma
mostra de produtos e entidades, que
estarão espalhados por 30 stands.
A inauguração da primeira edição
da iniciativa vai ser presidida pelo
secretário de Estado da Adminis-
tração Interna, Jorge Gomes.
No distrito de Viseu já decorre um
certame do género, mais concre-
tamente na vila de Sernancelhe. A
Expo-Protec, Feira de Atividades,
Segurança e Proteção Civil aconte-
ce de dois em dois anos.
23
21 OUT
OLIVEIRA DE FRADES
Texto José Ricardo Ferreira
ESGOTOS A CÉU ABERTO EM PINHEIRO
DE LAFÕES
“OS VERDES” QUESTIONAM GOVERNO SOBRE SITUAÇÃO QUE, DIZEM, DECORRE HÁ
MAIS DE DOIS ANOS. JUNTA ASSEGURA QUE O CASO ESTÁ RESOLVIDO.
AJunta de Freguesia de Pi-
nheiro, em Oliveira de Fra-
des, garante que o caso de
esgotos a céu aberto em Pinheiro
de Lafões denunciado pelo Partido
Ecologista “Os Verdes” (PEV) está
resolvido.
Segundo o PEV, esta é uma situação
“que se arrasta há mais de dois
anos” e que compromete não só
a biodiversidade, como a saúde
pública. “Os esgotos de Pinheiro de
Lafões em vez de estarem a ser enca-
minhados para a ETAR de Sequeiró
estão a correr a céu aberto por meio
da vertente abaixo em direção ao
rio Vouga. É uma situação inadmis-
sível por uma questão ambiental
e de saúde pública. Até porque
estes efluentes são encaminhados
diretamente para a albufeira da bar-
ragem de Ribeiradio onde existem
captações de água”, afirmou Miguel
Martins, dos Verdes.
O dirigente visitou o local no dia
30 de setembro após ter sido aler-
tado pela população, que se queixa
deste problema “já perdurar há
bastante tempo” e de ter informado
a Câmara Municipal “há mais de
dois anos para corrigir” a situação.
“O caso tornou-se cada vez mais
visível após ocorrer um incêndio
florestal naquele local e a verdade
é que continua por resolver, o que é
lamentável”, referiu Miguel Marins.
Por causa desta questão, o PEV
decidiu pedir explicações ao Mi-
nistério do Ambiente. Os Verdes
querem saber se o governo tem
conhecimento da situação e “que
medidas irão ser tomadas para que
se proceda ao tratamento adequado
destes efluentes”. “O Ministério
do Ambiente tem monitorizado a
qualidade das águas do Rio Vouga
a montante da barragem de Ribei-
radio? A qualidade da água está
dentro dos padrões aceitáveis?”,
questionam ainda.
Problema solucionado
Apesar das tentativas, o Jornal
do Centro não conseguiu obter
respostas do presidente do muni-
cípio de Oliveira de Frades, Luís
Vasconcelos.
Já o presidente da Junta de
Pinheiro, Carlos Rosa, negou
que esgotos estejam a correr a
céu aberto há dois anos como
afirma o PEV. “Isso é uma
situação que está a ser acompa-
nhada pela Câmara Municipal
e que foi detetada agora porque
é no meio do pinhal. Foi uma
tampa que com a pressão subiu
e assim que se descobriu foi
corrigido. Está tudo resolvido”,
assegurou.
O autarca disse ainda que este
caso “é único” na freguesia e
que por ter sido “de imediato
corrigido” não foi assim “tão
grave”. “Nem tão pouco é perto
das habitações”, acrescentou.
A Câmara de Sernancelhe tem em
marcha uma alteração por adapta-
ção do Plano Diretor Municipal de
Sernancelhe com vista a facilitar a
construção na zona da Barragem
do Vilar. Esta modificação foi
aprovada em Assembleia Municipal
e decorre o período de apresentação
de propostas.
Segundo Carlos Santiago, autarca
sernancelhense, esta modificação
surge com vista à transposição das
normas do Plano de Ordenamento
da Albufeira do Vilar. O edil re-
corda que o seu executivo pretende
ajustar as regras do PDM às norma-
tivas nacionais, com vista a “per-
mitir que o plano existente não seja
demasiado limitativo”, frisando que
por ser “retrógrado seja demasiado
limitativo no que toca à construção
ou possíveis construções na zona
de albufeira”. O edil recorda que
esta medida pretende também
evitar que “haja dois pesos e duas
medidas” no que toca ao PDM do
concelho.
Carlos Santiago lamenta que Ser-
nancelhe, mais especificamente
nas suas zonas de baixa densidade
junto às albufeira, “seja prejudicado
quanto à autorização de constru-
ções, ao contrário do que acontece
noutras zonas do litoral, onde se
constrói de forma quase selvagem”.
No entanto, recorda que possíveis
construções naquele local só podem
ser feitas “de forma ordenada e sem
prejudicar o ecossistema”.
SERNANCELHE
ALTERAÇÃO DO PDM PARA FACILITAR CONSTRUÇÃO
Perante a conjuntura actual de crise, é
comum as empresas com escassos recursos
financeiros optarem por contactarem
potenciais trabalhadores, qualificados ou
não, para exercerem funções durante um
determinado período com a promessa de
celebraçãodeumContratodeTrabalho.
Assim, com essa promessa, o potencial
trabalhador desloca-se diariamente para o
local,quepertenceoudeterminadopelo“fu-
turo” patrão, onde utiliza os equipamentos
ou instrumentos disponíveis para desen-
volver a sua função, cumpre um horário e
recebe ordens de um superior hierárquico,
mas no final do mês, ao invés de receber a
retribuição devida é surpreendido com a sua
dispensa.
O potencial trabalhador dispensado, muitas
vezes, por não ser titular de um Contrato
de Trabalho reduzido a escrito, julga que a
nada tem direito, aceitando ou admitindo a
inexistência de qualquer vínculo com aquele
promitentepatrão.Nãoéassim!
Ora, o “Contrato de Trabalho é aquele pelo
qualumapessoasingularseobriga,median-
te retribuição, a prestar a sua actividade a
outra ou outras pessoas, no âmbito de orga-
nização e sob a autoridade destas”, conforme
estabeleceoart.11.ºdoCódigodeTrabalho.
Assim, quando a relação entre a pessoa que
se propõe a trabalhar e a pessoa de quem
promete ou oferece o emprego em tudo se
assemelha a uma relação laboral como a
acima descrita, mas não reduziram a escrito
esta relação por meio de contrato, desde o
primeiro dia vigora um autêntico Contrato
deTrabalhoSemTermo.
A Lei não impõe a celebração de um ver-
dadeiro contrato escrito para vigorar um
Contrato de Trabalho com a imposição e
descrição das obrigações inerentes às partes,
peloquenocasosupramencionado,apessoa
queexerceuassuasfunçõesequenofinaldo
mês ao invés da retribuição, foi dispensada,
nãopodeficardesprotegida.
In casu, atendendo à descrição da relação en-
treasparteséinequívocoqueestamosperante
umContratodeTrabalhoSemTermo,contu-
do, em caso de dúvida, o art. 12 .º do Código
deTrabalhomencionaascaracterísticasque,a
se verificarem algumas, poderemos presumir
queestamosnaópticadeumarelaçãolaboral.
Assim, decorrido um mês de trabalho ainda
seencontraemvigoroperíodoexperimental,
que para a generalidade dos trabalhadores é
de 90 dias, assistindo o direito a qualquer das
partes de denunciar o contrato (não escrito)
sem aviso prévio, sem a invocação de uma
justa causa, e sem ainda, direito a indemni-
zação. Porém a retribuição pelo seu trabalho,
ou melhor, a contrapartida do trabalhador
pelas funções desenvolvidas durante aquele
período,édevida,nãopodendoobeneficiário
furtar-se ao seu dever, nomeadamente ao
pagamentopontual.
Resumidamente, se o empregador, no final
daquelemês,entenderqueotrabalhadornão
é o mais indicado para a ocupação do cargo
é-lhe perfeitamente lícito dispensá-lo, uma
vez que o período experimental conferido
porleitememvistaessefim.
CONTRATO DE TRABALHO
NELLY BRANCO
Advogada
NELLY BRANCO
CONSULTÓRIO JURÍDICO
REGIÃO
24
21 OUT
MORTÁGUA
Texto Clemente António Pereira
ACADEMIA“SABERMAIS” COM22“CALOIROS”
SÃO MAIS 22 NOVOS ALUNOS
A INSCREVEREM-SE PARA
O NOVO ANO LETIVO DA
ACADEMIA SÉNIOR DE
MORTÁGUA. JUNTAM-
SE AGORA AOS 54 QUE SE
MATRICULARAM EM 2015,
ANO DE ARRANQUE DESTE
PROJETO
Éum novo ano letivo na Aca-
demia “Saber Mais”, escola
que arrancou com mais 22
caras novas. No seu segundo ano de
funcionamento, a Academia conta
agora com 76 alunos. Os que fre-
quentaram o primeiro ano regres-
saram o que é, para os responsáveis,
“um forte indicador de satisfação
para todos os que decidiram voltar
para continuarem adquirir novos
conhecimentos e ajudar a consoli-
dar o projeto e a sua aprendizagem”.
Laurindo Marques, antigo bancário,
que frequenta a valência pelo segun-
do ano, garante que o balanço que
faz “é muito positivo”. “Está a ser
uma experiência nova e muito boa.
Pelas coisas novas que tive oportu-
nidade de aprender, pelo convívio,
pela ocupação do tempo, porque nos
incentiva a sair da cama mais cedo, e
intelectualmente estamos ocupados.
Tem sido muito enriquecedor quer
no aspeto pessoal como intelectual”,
conclui.
Fernanda Meda é uma das novas
inscritas. “Gosto de saber mais
e como agora tenho mais tempo
disponível resolvi vir aprender”.
Maria Odete também é “caloira”
na Academia. “Eu já fazia pintura,
mas achei que aqui podia aprender
algo mais abrangente e então decidi
experimentar. O convívio também
pesou na decisão, já que foi também
um fator que me puxou para cá. Não
podemos ficar parados no tempo,
apesar da idade avançada”, diz.
Autarquia lança desafio
Criado pela Câmara de Mortágua,
a Academia “Saber Mais” pretende
colmatar uma necessidade sentida
pelos seniores, que a partir de uma
certa idade passam a ter mais tempo
disponível para outras atividades. O
projeto surgiu como uma resposta
para essa realidade e ao mesmo
tempo com o objetivo de fomentar
a máxima de que “nunca é tarde
para aprender e saber mais”, ao
promover a partilha do conheci-
mento numa base informal, flexível
e multidisciplinar.
O presidente da autarquia mostrou-se
“sensibilizado e feliz” por ver tão
significativo número de inscritos,
defendendo que este é “um sinal de
que este projeto vale a pena e constitui
umaapostaganha”.JúlioNorteafirma
que “é muito importante mantermo-
-nos ativos e atualizados”, destacando
também “os valores da partilha e do
convívio” e o fato da Academia ser
frequentada por pessoas diferentes,
comvariadasprofissõeseexperiências
de vida e até nacionalidades.
O autarca aproveita para lançar um
desafio à Academia no sentido de
colaborarem no trabalho que o mu-
nicípio está a desenvolver relacio-
nado com a temática das Invasões
Francesas e na perspetiva da criação
do futuro Centro Interpretativo,
pedindo o seu envolvimento nesse
projeto.
“Seria muito interessante e útil
essa colaboração”, diz. Segundo
Júlio Norte, há todo um campo de
estudo, investigação e colaboração
que a Academia pode desenvolver
e que deve ser aproveitado. “É uma
mais-valia colocar o vosso saber e
a vossa colaboração ao serviço da
comunidade, é também uma forma
de valorizarem o fruto do vosso
trabalho”, afirma o autarca.
A Câmara Municipal de Tarouca
está a preparar a criação de uma
área de Acolhimento Empresarial
e Logística. O investimento ainda
não tem data para arrancar mas, se-
gundo fonte da edilidade, já está em
marcha a expropriação do terreno,
na zona de Dalvares.
Numa fase embrionária, o pro-
jeto pretende dar resposta às
necessidades dos empresários
locais, bem como satisfazer os
pedidos de implementação de
empresas e indústrias em Tarou-
ca. De acordo com o vice-presi-
dente, José Damião, o objetivo
estratégico passa por “procurar
dar soluções e responder aos
pedidos de empresários de outros
concelhos e zonas do país que
consideram Tarouca um local
apetecível para promover a sua
fonte de trabalho”.
Recordando a estratégia da edili-
dade para “captar investimento” e
“criar postos de trabalho”, José Da-
mião sublinha que “não podemos
deixar perder esta oportunidade
de desenvolvimento e criação de
riqueza quando tanto se fala em
melhorar as condições de vida das
populações”.
Localizado na freguesia de Dal-
vares, o terreno com 28 500 m2
pretende ser “uma forma de fixar as
populações e gerar rendimentos”.
TAROUCA
ZONA EMPRESARIAL EM CRIAÇÃO
SUN TZU E A LIDERANÇA
AUGUSTO ANTUNES
Doutorado em Gestão
Bancário
Diversos autores sugerem que o
papel dos líderes é serem agentes de
mudança e, portanto, tornam-se cada
vez mais importantes nos níveis mais
altos de gestão já que, nestes estados,
os gestores possuem autonomia cres-
cente para efetuar mudanças sisté-
micas. Em níveis menos elevados nas
organizações, os comportamentos de
liderança ou a aprendizagem através
do treino como um substituto para a
liderança, são elementos fundamen-
tais de melhoria contínua.
Awamleh diz-nos que, ao longo
das últimas décadas, a investigação
da liderança foi rejuvenescida por
uma variedade de novas teorias que
compartilham um reconhecimento
comum de que a liderança é um
fenómeno percetivo, i.e., engloba o
processamento de informações para
avançar num modelo abrangente de
perceções de liderança.
Uma referência histórica para respal-
do da importância desta temática,
leva-nos a citar Sun Tzu e a sua obra
“A Arte da Guerra”, escrita 500 a.c.,
que realça a importância do espírito
de corpo nas tropas, da confiança
recíproca entre o general e o seu
exército, assim como o necessário co-
nhecimento do terreno, da envolvente
e a utilidade de ter sempre em conta a
psicologia do adversário.
Algumas das observações deste autor
mantêm, na sua grande maioria, uma
espantosa atualidade, especialmente
ao nível dos valores da liderança, e
que se passa a citar: “Geralmente,
quem ocupa primeiro o terreno e fica
à espera do inimigo está em posição
de força; quem chega ao local mais
tarde e se precipita no combate já está
enfraquecido”; “O bom general traz
o inimigo para onde quer lutar… e o
exército vitorioso ataca um exército
desmoralizado e derrotado”.
Assim, diversos princípios incluídos
neste livro, são usados modernamen-
te na gestão empresarial.
Entre outros fatores, Sun Tzu, dis-
cutia a relação do soberano com a
ligação ao seu comandante nomeado,
i.e., as qualidades morais, emocionais
e intelectuais de um bom general, a
organização... O comando enquanto
qualidades de sabedoria, sinceridade,
humanidade, coragem e rigor.
Em boa verdade, estes ensinamentos
de antanho remetem-nos para Bennis
(1991:1)
“Gestor é aquele que faz as coisas bem,
líder é o que faz as coisas certas”.
Precisamos de bons líderes no mundo
como do pão para a boca!
76ALUNOS
no segundo ano de
funcionamento
OPINIÃO
REGIÃO
25
21 OUT
REGIÃO
PUB
MANGUALDE
Texto Irene Ferreira
“DA TRADIÇÃO À MODERNIDADE” NA FEIRA DOS SANTOS
NO PRIMEIRO FIM DE SEMANA DE NOVEMBRO, A CIDADE DE MANGUALDE ACOLHE MAIS UMA EDIÇÃO DA SECULAR FEIRA DAS “FEBRAS”. ENTRE
OS DIAS 4 E 6, MILHARES DE PESSOAS SÃO ESPERADAS NO CERTAME PROMOVIDO PELA CÂMARA MUNICIPAL. A CERIMÓNIA DE ABERTURA ESTÁ
AGENDADA PARA DIA 4 DE NOVEMBRO, SEXTA FEIRA, ÀS 19H30, NO MERCADO MUNICIPAL DR. DIAMANTINO FURTADO
AFeira dos Santos decorre uma
vez mais no centro da cidade
sob o lema «Da Tradição à
Modernidade». Já considerado um
marco a nível nacional, o evento
conta com diversas ofertas desde a
gastronomia, através das tradicionais
febras, os enchidos, os frutos secos,
o artesanato, o vinho, os produtos
agrícolas, entre outras. O presidente
da Câmara Municipal de Mangualde,
João Azevedo, considera a feira das
“febras” um momento importante
para a economia local. “Vamos ter
uma Feira dos Santos muito rica em
termos de emoções e de atividades e
continuamos a recriar a tradição no
presente e no futuro”, refere o autarca.
João Azevedo sublinha que o certame
é “o momento mais marcante que
temosduranteoanonoconcelhoeque
já é uma feira que atinge proporções
importantes naquilo que é a visita dos
turistas e até mesmo da diáspora”. O
edildestacaaindaosturistasespanhóis
“quevisitamMangualdenestaaltura”.
João Azevedo adianta que a autarquia
mangualdense tem sido e continua
a ser muito rigorosa nas questões da
segurança. “Existe uma atuação mui-
to forte em termos de segurança para
também dar credibilidade e conforto
a quem nos visita, quer seja a quem
vende, a quem compra ou a quem
pretende apenas divertir-se”.
Cerca de cinquenta e cinco mil euros
foi quanto o município de Mangualde
investiu nas obras de remodelação
da sede da União de Freguesias de
Tavares, que reúne as aldeias de Chãs
de Tavares, Várzea e Travanca. Um
edifício com 42 anos. O remodelado
espaço vai receber a curto prazo um
Espaço do Cidadão para além dos
serviçosjáexistentes,entreelesosCTT,
posto médico, espaço internet e espaço
formação. Para o presidente da União
deFreguesias,“maisdoqueumedifício
é parte da nossa história”. Alexandre
Constantino lembra que desde que
tomou posse em 2013 era sua intenção
avançar para a intervenção. “É com
satisfação que digo que passados três
anos não só realizámos as obras para
asquaistínhamossolicitadoosprojetos
mas fizemos muito mais”, adianta.
Segundo o presidente da União de
Freguesias de Tavares, “todos somos
iguais e todos merecemos as mesmas
oportunidades de ter acesso a bens e
serviços”.
Concurso público para a
requalificação de estrada em Torre
de Tavares
A ligação de Torre de Tavares ao
pontão superior da A25 vai também
ser alvo de obras. Um investimento de
cerca de 200 mil euros que, segundo
João Azevedo, “vai permitir que todo o
eixorodoviáriodaquelazonadoconce-
lho fique restabelecida e requalificada”.
O concurso público é lançado “a curto
prazodentrodoslimitesfinanceirosdo
município mas com organização, com
estratégia e com planeamento”, conclui
oautarcamangualdense.
OBRAS
EDIFÍCIO DA UNIÃO DE FREGUESIAS
DE TAVARES ALVO DE REQUALIFICAÇÃO
Fazermexeroconcelho
Vários setores de atividade são dina-
mizados durante os três dias, com a
realizaçãodaFeiradasFebras,aMostra
das Freguesias, a iniciativa Mangualde
Regional (venda de produtos regionais
do concelho), a Expovinhos e Degusta-
ções, o Mangualde Indústria, também
a AgroMangualde (exposição de má-
quinasealfaiasagrícolas),oMangualde
Motor (exposição de veículos) e a Man-
gualde Transporte (exposição de al-
gumas marcas e modelos de camiões).
As artes também não são esquecidas
através do II Encontro Nacional de
Produções Artesanais certificados, o
Manguald´Arte - XI Mostra de Arte-
sanato Nacional e as atividades de pin-
tura ao ar livre com o Artes & Ofícios.
Durante o fim de semana da Feira dos
Santos é ainda possível visitar o Espaço
Recordação Fotográfico – Eu estou na
FeiradosSantosdeMangualde!
A animação pelas ruas da cidade
promete ser uma constante com a
atuação da Fanfarra dos Bombeiros
Voluntários de Mangualde, a atuação
do Grupo Zés Pereiras “Os Parentes
de Teivas”, também o grupo Mega
Lua, Art & Manhã e grupos de Con-
certinas. O programa da TVI “Somos
Portugal” volta a estar em direto do
Largo Dr. Couto, no domingo, dia 6, a
partir das 14h00.
Segundo João Azevedo, a edição
deste ano da Feira dos Santos “vai ser
um certame muito forte, de grande
qualidade”. “Acredito que quem nos
visitarficarámuitosatisfeitoempassar
por Mangualde nesta altura do ano”,
conclui.
FEIRA DOS
SANTOS À MESA
Durante os três dias do even-
to, os restaurantes voltam a
aderir à iniciativa Feira dos
Santos à mesa. Os espaços de
restauração têm disponível
uma ementa regional dedicada
à feira com enchidos da região,
Rojões à Moda de Mangualde,
Febras à Feira dos Santos, Re-
queijão com doce de abóbora e
Queijo da Serra acompanhado
de Vinho do Dão.
26
21 OUT
REGIÃO
VILA NOVA DE PAIVA
Texto Pedro Pontes
CRIANÇASSEMATLEPAISSEMSOLUÇÕES
ENCERRARAM AS
ATIVIDADE DE TEMPOS
LIVRES (ATL) PARA AS
CRIANÇAS EM VILA NOVA
DE PAIVA. O ATL ERA A
ÚNICA GARANTIA DA
OCUPAÇÃO DAS CRIANÇAS
DURANTE O DIA, QUE
DEIXAVA DESCANSADOS
PAIS E ENCARREGADOS
DE EDUCAÇÃO
DURANTE A JORNADA DE
TRABALHO. NA ORIGEM
DO ENCERRAMENTO,
ESTIVERAM DIFICULDADES
COM INSTALAÇÕES E
TRANSPORTE PARA AS
CRIANÇAS
ACasa do Povo decidiu encer-
rar as atividades de ATL para
as crianças em Vila Nova
de Paiva. Até agora esta valência
funcionava nas instalações do lar da
AssociaçãodeSolidariedadeSocialdo
Alto Paiva (ASSAP), mas as crianças
não podem ali continuar uma vez que
a lei impede que os dois serviços este-
jam juntos. A alternativa era deslocar
a valência para as instalações da Casa
do Povo, mas também aqui o ATL
não pode funcionar porque o edifício
não tem condições para receber esta
valência. São precisas obras de requa-
lificação que por enquanto ficaram
adiadas por falta de verbas.
A juntar a tudo isto, as carrinhas
da instituição que estão autorizadas
para o transporte de crianças só o
podem fazer até ao início do próxi-
mo ano. O tempo útil de vida dos
veículos da Casa do Povo para este
tipo de transporte vai terminar em
janeiro de 2017. Confrontada com a
situação, a Casa do Povo ainda tentou
substituir os antigos veículos por uma
nova carrinha em conformidade. A
Segurança Social disponibilizou-se
em contribuir com 50 por cento para
a aquisição do novo equipamento,
mas, sem dinheiro, a Casa do Povo
solicitou à Camara Municipal de Vila
Nova de Paiva apoio financeiro. No
entanto, a autarquia rejeitou o pedido
e a Casa do Povo perdeu o financia-
mento da Segurança Social, encerrou
o ATL e vai também agora deixar de
poder transportar os jovens atletas
que mantém na estrutura em várias
atividades desportivas.
O presidente da Câmara de Vila Nova
de Paiva, José Morgado, diz que não
rejeitou o pedido de apoio porque
“nunca lhe foi transmitido em concre-
to o valor necessário para a compra
da carrinha”. “A Câmara até poderia
contribuircomumaverbaparaajudar
mas nunca a totalidade da parte que
cabe à Casa do Povo”, sustentou o
autarca. José Morgado lembra que
a autarquia tem um protocolo de
colaboração com a instituição para
subsidiar as refeições e o transporte
das crianças, bem como as atividades
da Casa do Povo. “Por ano eram
transferidos cerca de 50 mil euros.
Com o fim do serviço de apoio às
crianças, o subsídio annual caiu para
os 18 mil. Os apoios vão continuar
para as atividades desenvolvidas”,
explicou José Morgado.
O presidente da direção da Casa do
Povo, Alfredo Afonso, lamentou o en-
cerramento do ATL e está agora preo-
cupado com o transporte dos jovens
e crianças nas atividades desportivas.
Para além das escolinhas, a Casa do
Povo tem inscritos na formação em
futebol equipas de sub 10, sub 11, sub
12, veteranos e uma equipa de sub 19
feminina no Campeonato Nacional
da modalidade. A instituição desen-
volve ainda atividades de dança, BTT
e Trail, entre outras. A primeira Rota
da Truta de Trail, por exemplo, está
marcada para este domingo, dia 23,
e até ao encerramento desta edição já
contava com mais de 250 inscritos.
Os vereadores do partido Social
Democrata (PSD) da Câmara de
Moimenta da Beira consideram que o
atual executivo ainda não conseguiu
resolveroproblemadeendividamento
bancário e lamentam ainda a falta
de investimento no concelho. Para
o autarca José Eduardo Ferreira, as
críticas são infundadas e assume que
conseguiu reduzir em metade a dívida
encontrada há sete anos.
Na última reunião de câmara, os ve-
readores Luís Carlos Silva e Cristiano
Coelho lamentaram que a “dívida
continua pesada e o investimento
praticamente não existe”. Remetendo
todos esclarecimentos para a declara-
ção de voto, Luís Carlos Silva recorda
que “as freguesias continuam a ficar
desertificadas, o investimento parou,
a dívida continua sem grandes altera-
ções e muito do que se faz no concelho
não passa de folclore”.
José Eduardo Ferreira já veio contra-
por estas afirmações e assume que ao
longo do mandato “temos conseguido
reduzir a um nível bastante aceitável a
dívida”. “Há sete anos o endividamen-
to bancário estava na ordem dos 14
milhões de euros”, recorda o autarca,
que diz que a redução foi de metade.
Ainda que reconheçam que a dívida
tenha baixado, os sociais-democratas
lamentam que o atual executivo
esteja “numa encruzilhada” e que “o
investimento por todo o Município
e principalmente nas freguesias seja
uma miragem”. “Os encargos de uma
MOIMENTA DA BEIRA
PSD ACUSA CÂMARA DE ESTAR EM ENCRUZILHADA PARA RESOLVER DÍVIDA
dívida pesada subsistem e o desempre-
go aumenta”, afirmam ainda.
Perante a apresentação dos números
do auditor externo relativo ao 1º
semestre de 2016, os vereadores do
PSD dizem “não vislumbrar um
futuro risonho para o concelho”. Em
primeiro lugar consideram que em
relação “à execução orçamental, do
lado da receita, podemos verificar que
a execução da receita de capital está
com tendência para se situar abaixo
do previsto” e que no cômputo geral “a
execuçãoglobaldareceitaemjunhode
2016 atingia os 38% do valor orçado,
descriminado desta forma: receita
corrente 44% e receita de capital em
20%”. O documento aponta ainda
para um aumento de endividamento
a fornecedores em mais de 17% do que
no final de 2015”.
O edil moimentense acha “intolerável
a desvalorização do esforço” que o
executivo tem feito ao longo dos anos,
sublinhando que “tem valido a pena
o esforço para diminuirmos uma
dívida que foi uma pesada herança
e recordando que “estamos no bom
caminho para resolver este problema e
continuar a investir no concelho”. – IV
“Há sete anos o
endividamento bancário
estava na ordem dos 14
milhões de euros”
PUB
28
21 OUT
PENEDONO
Texto Iolanda Vilar
CAMPEÃO DE HÓQUEI RECONHECIDO
COM MEDALHA DE MÉRITO
O JOVEM ATLETA TEM RAÍZES NA BESELGA. O PAI, TAMBÉM PROFISSIONAL DA MODALIDADE,
AINDA SE RECORDA QUANDO AS BALIZAS ERAM FEITAS COM PINHEIROS PEQUENOS E OS STICKS
DE PAUS DUROS E CURVADOS. OS JOGOS ERAM FEITOS JUNTO À RIBEIRA DA SENHORA
João Rodrigues, atleta da seleção
nacional de hóquei em patins,
vai ser agraciado com a Medalha
de Mérito Municipal da Câmara de
Penedono. Com raízes no concelho,
o hoquista vê esta homenagem “como
umaformamuitoreconfortantedever
reconhecido o nosso trabalho”. Para
o atleta, “com estas ações ainda dá
mais vontade de trabalhar para novas
conquistas”.
A cerimónia pública, que terá lugar
este domingo, dia 23 de outubro,
pelas 15h30, visa reconhecer a sua
conquistadecampeãoeuropeunaquela
modalidade. O jovem atleta, nascido
em Lisboa, tem raízes familiares no
concelho de Penedono, mais concreta-
mente na freguesia da Beselga. Nunca
viveu em Penedono, mas conserva as
boasmemóriasdeinfância passadasna
casadosavós.SegundoJoãoRodrigues,
a paixão e o empenho no hóquei em
patins nasceu por culpa do pai, com o
mesmo nome, e que foi internacional
dehóqueiemcampo.
Aos 25 anos, o hoquista do Sport
Lisboa e Benfica soma no seu currículo
a conquista da Liga Europeia 2015/16 e
o campeonato nacional da 1ª divisão,
a Taça Intercontinental (2011/12) e,
recentemente, ao serviço da seleção
nacional foi campeão da Europa, con-
quista que também alcançou enquanto
juvenil
Como filho de peixe sabe nadar, neste
caso “sticar”, João Rodrigues sempre
acompanhou o pai nas suas incursões
neste desporto. O pai, João Rodrigues,
também foi internacional de hóquei
em campo por Portugal 25 vezes e
alcançou a melhor classificação de
sempre na modalidade um sexto lugar
num europeu. Vestiu a camisola do CF
Belenensesdurante25anos.
O jovem campeão divergiu no que toca
O Prémio Rebelo Moniz home-
nageou 72 alunos do concelho de
Resende pela sua prestação escolar
no ano letivo de 2015/2016. A
homenagem levada a cabo pela
autarquia aconteceu no passado dia
5 de outubro.
Para o presidente da Câmara Muni-
cipal de Resende, Garcez Trindade,
“este prémio representa o reconheci-
mento do desempenho de excelência
destes alunos que se esforçaram ao
longo do ano para obter os melhores
resultados, o que lhes faculta uma
melhor formação, conhecimentos
e preparação para no futuro en-
frentarem o mercado de trabalho,
pelo que é objetivo da autarquia
manter a atribuição desta distinção”.
Os alunos do 2.º e 3.º ciclos foram
distinguidos com um diploma e com
um prémio monetário no valor de
124,79 euros, sendo que no ensino
secundário o aluno com melhor
média final obtida recebeu 149,64
euros. O segundo melhor estudante
recebeu 124,79 euros e o terceiro
melhor 99,76 euros, perfazendo um
total de mais de oito mil euros em
prémios.
RESENDE
MELHORES ALUNOS HOMENAGEADOS
João Rodrigues,
filho, com o pai João
Augusto Rodrigues
MEDICINA ORAL
MIGUEL COSTA
Médico Dentista
Centro Visage Viseu
OPINIÃO
Medicina Oral é a área da
Medicina Dentária que visa
a prevenção, diagnóstico e
tratamento das doenças das
estruturas orais e periorais,
especialmente da mucosa,
e manifestações de doenças
sistémicas na boca.
Muitas alterações observadas
na cavidade oral, erradamente
associadas aos dentes, são cau-
sadas por doenças sistémicas.
Uma simples afta pode não
ser apenas resultante de um
traumatismo, mas ser o sinal
de uma doença sistémica grave
ainda não diagnosticada, e
que simplesmente através da
observação clínica das suas
características pode auxiliar
no estabelecimento de um
diagnóstico.
Dores ou ardores na língua
podem ser devido a Anemia,
a alteração neurológica, ou
simplesmente sinal de uma
condição sem significado
patológico, no entanto devem
ser estudadas para esclarecer a
sua origem. Algumas doenças
como a Diabetes, a Anemia e
doenças auto imunes podem
provocar alterações muito
evidentes na cavidade oral,
mas que podem ser facilmente
resolvidas se detectadas preco-
cemente, permitindo ao doente
uma vida normal sem queixas
ou desconforto.
O diagnóstico precoce do
Cancro Oral é também muito
importante para aumentar o
sucesso de tratamento, per-
mitindo um tratamento mais
conservador que assegure a
qualidade de vida do doente. A
observação clínica por um Mé-
dico Dentista especializado é
essencial na detecção de lesões
potencialmente malignas, que
pode efectuar uma biópsia de
modo a obter um diagnóstico
histológico. Alguns sinais de
alarme, como a persistência
de úlceras, zonas endurecidas,
feridas que não cicatrizam ou
dor não controlada, devem ser
consideradas e observadas na
consulta de Medicina Oral.
ao “tipo” de hóquei muito por influên-
cia da irmã que praticava patinagem
artística. “É preciso muito esforço e
dedicaçãoparaalcançarmososucesso”,
diz João Rodrigues, o filho, que “vê no
desporto uma forma muito salutar de
ocupar os tempos livres e de quem sabe
umdiatornar-seumaprofissão”.
Pai orgulhoso
João Augusto Rodrigues, há muito
afastado das lides do hóquei, não
esconde o “orgulho” pelo filho e vê
“mais com o coração de pai que com
os olhos” as suas conquistas quer a
nível nacional ou internacional. “Peço
desculpa de ser mais o coração a falar,
mas vejo com especial emotividade
este reconhecimento da minha terra
ao meu filho”, assume. O engenheiro
nascido na Beselga passou também à
filha Raquel Rodrigues a paixão pelo
hóquei.
O pai do campeão europeu recorda
ainda os tempos de infância onde
jogava no quintal da Don’Ana, na sua
aldeia da Beselga, e que perante a al-
gazarra da miudagem eram “corridos
pelos proprietários dos terrenos, pró-
ximo da Ribeira da Senhora, com as
balizas feitas com pinheiros pequenos
e os sticks de paus duros e curvados.
REGIÃO
29
21 OUT
REGIÃO
Sátão era, até agora, o único concelho
do distrito de Viseu que ainda não
tinha disponível o SAAS, Serviço de
Acompanhamento e Apoio Social. O
novo programa, que estará instalado
na Casa do Povo de Sátão, entra em
funcionamento na próxima semana e
foi apresentado em reunião do CLAS-
Conselho de Local de Ação Social.
O SAAS é “um serviço que assegura
o atendimento e acompanhamento
de pessoas e famílias em situação de
vulnerabilidade e exclusão social,
bem como de emergência” e que
tem como funções, entre outras,
informar, aconselhar e encaminhar
para respostas, serviços ou prestações
sociais adequados a cada situação;
prevenir situações de pobreza e de
exclusão sociais ou mobilizar os
recursos da comunidade adequados à
progressiva autonomia pessoal, social
e profissional.
Este apoio era feito junto da Segu-
rança Social mas com a criação dos
SAAS passa a ter um espaço próprio,
no caso de Sátão na sede da Casa do
Povo das 8h30 às 13h00 e das 14h00
às 16h30, onde estarão um coordena-
dor e dois técnicos.
O SAAS foi criado no âmbito da rede
Local de Intervenção Social (RLIS).
SÁTÃO
SERVIÇO DE ACOMPANHAMENTO E APOIO SOCIAL NA CASA DO POVO
CARREGAL DO SAL
Texto Clemente António Pereira
CULTIVO DE PINHEIRO MANSO CONVENCE
E SURPREENDE GOVERNANTES
APOSTA NO
DESENVOLVIMENTO DOS
RECURSOS FLORESTAIS
DO CONCELHO COM
ESPECIAL FOCO PARA O
CULTIVO DO PINHEIRO
MANSO DESPERTOU O
INTERESSE DA TUTELA
QUE SE DISPONIBILIZOU A
DIRECIONAR APOIOS PARA
ESTE PRODUTO ENDÓGENO
Aaposta feita no desenvol-
vimento e crescimento da
cultura endógena do Pinhei-
ro Manso no concelho de Carregal
do Sal surpreendeu pela positiva o
PUB
secretário de Estado das Florestas
e do Desenvolvimento Rural. Na
sua última passagem pelo concelho,
Amândio Torres decidiu contactar
de perto com a nova realidade que
resulta da “Centralidade da Cultura
do Pinheiro Manso” assumida pela
Câmara Municipal em parceria
com a Associação de Produto-
res Florestais do Planalto Beirão
(APFPB).
Trata-se de uma aposta recente
e que resultou na criação de um
Centro de Clonagem desta espécie
que tem registado um grande
desenvolvimento e crescimento na
região, tendo sido considerado “um
produto endógeno de referência”
por parte do governante.
Amândio Torres felicitou o mu-
nicípio por apostar fortemente
nesta cultura do Pinheiro Manso
em parceria com APFPB e pediu
para que “não sejam esquecidos os
excelentes recursos florestais que
existem em Carregal do Sal que
reúne as condições de solo, clima e
humidade favoráveis e adequadas
ao desenvolvimento do pinheiro
manso”.
O governante fez ainda votos para
que daqui a 10 anos “o concelho
possa ter pelo menos o dobro da
área florestal ocupada com pinheiro
manso, como fonte de riqueza
para Carregal do Sal e para Por-
tugal” e que “irá gerar mais valor
acrescentado”.
Certo é que já existem linhas de
apoio para esta área de produção
ao abrigo do Programa de Desen-
volvimento Regional 2020 (PDR)
estando abertas as candidaturas
e condições exigidas para a apre-
sentação de projetos e intenção de
investimento a realizar.
Área de pinheiro manso cresceu e já
ocupa 200 hectares
O Parque Clonal de Pinheiro
Manso plantado no concelho de
Carregal do Sal regista um aumento
da área ocupada por esta espécie de
quase 40 por cento. “Estamos a falar
de cerca de uma centena de pro-
dutores, identificados e registados,
mas produtores ainda com pouca
expressividade”, adianta a APFPB.
A área plantada no concelho já re-
presenta cerca de 200 hectares, ex-
cluindo o povoamento de espécies
autóctones. Atualmente a imple-
mentação de um pomar de Pinheiro
Manso (plantação, mais enxertia)
envolve custos que rondam cerca
de dois mil euros. Ao fim de 7 a 8
anos o povoamento estará pronto a
dar fruto (ou seja, pinhões todos os
anos). Em condições normais um
hectare poderá produzir cerca de 15
a 20 toneladas de pinha, estando o
quilo a 0,70 euros em média, o que
corresponde por ano a um rendi-
mento de 10 mil e 500 euros.
Amândio Torres
esteve em Carregal
do Sal
30
21 OUT
ENTREVISTA
DIAMANTINO SANTOS, PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE VISEU
Texto António Figueiredo Fotos Tânia Ferreira
“Sem recursos o nosso trabalho de
proximidade fica comprometido”
Agerir a maior freguesia do
distrito, Diamantino San-
tos considera que é positiva
a união das três Juntas da cidade
de Viseu. Com mais recursos “po-
deria ser feito mais e melhor”
ApóstrêsanosdeUniãodeFreguesias
asjuntasdacidadedeViseudevemcon-
tinuaragregadas?
Faz todo o sentido a agregação. O pro-
blema está na falta de recursos das fre-
guesias em geral. O poder central tem
que perceber que sem os necessários
recursos humanos e financeiros a dele-
gação de competências não faz sentido
eonossotrabalhodeproximidadefica
comprometido.
Quaisasmaioresvantagensdaagregação?
Tratar de uma forma coerente tudo o
que diz respeito ao tecido urbano da
cidade. Os cidadãos ganham com a
possibilidade de tratar todos assuntos
de uma forma uniforme e num mes-
mo local. Muito importante é a maxi-
mização dos recursos existentes.
Ummandatoparajuntartodososser-
viçosdafreguesianumúnicoedifício,
noSolardosPeixotos,comoestádecido,
nãoédemasiadotempo?
O acordo com a Câmara Municipal
de Viseu está assinado há mais de um
ano. Como a Junta não tem as verbas
necessárias para recuperar o edifício,
tem que ser articulado com a Câmara.
OnovasededaJuntadeFreguesiade
Viseuvaiestarprontaestemandato?
Nãomepossocomprometerporqueas
obras a realizar são significativas.
Dequemaisseorgulhanestemandato?
Dos projetos que estamos a realizar
em parceria com as associações cultu-
rais, desportivas e sociais.
Continuaahavermuitagenteapedir
apoiosocialàJunta?
A cidade atrai muitas pessoas que vêm
à procura de uma vida melhor e que
nem sempre é conseguida.
Quepessoasprocuramoapoiosocial
dajuntadefreguesia?
São famílias em dificuldades financei-
ras, novos e idosos, que precisam de
comprar medicamentos, pagar a água,
a luz, a renda, etc. Há de tudo.
Oorçamentoparticipativoéumsuces-
soouumabandeiracompoucosefeitos
práticosnavidadafreguesia?
Embora seja cedo para fazer uma ava-
liação, temos a certeza de que é um
instrumento fundamental para envol-
ver os cidadãos na tomada de decisões.
Oregulamentoparalegalizarosarru-
madoresdeautomóveiséquefoium
fiasco…
Foi feito de acordo com a lei. Os entra-
ves que as seguradoras levantam para
fazer o seguro aos arrumadores é que
não nos diz respeito. Têm que ser ou-
tras entidades a resolver o problema.
Naspróximaseleiçõesautárquicasasua
recandidaturaéumacerteza…
Tenho vontade em fazer um novo
mandato. O partido tomará a decisão
na altura que entender.
Vaiassumiranecessidadedetermais
alguématempointeiroparaalémdo
presidentedajunta?
Pode ser apenas a meio tempo. Vere-
mos isso com racionalidade.
Há municípios com cinco ou seis mil
habitantes que têm vários vereadores
a tempo inteiro. A nossa freguesia tem
27 mil habitantes.
Vaiconvidar,paraasualista,oLuísLo-
pes,doBlocodeEsquerda,umavezque
foieleque,naAssembleiadaFreguesia,
lheviabilizouaatividadedajuntapor-
queoPSDnãotemmaioria?
O Luís Lopes fez uma oposição cons-
trutiva e sem deixar de ser crítico. Gos-
távamos que toda a oposição tivesse
atuado dessa maneira.
Ter dito na Assembleia Municipal de
Viseu que não havia projeto para a
requalificação da Escola da Ribeira
foi um equívoco ou uma forma de se
colocar ao lado de Almeida Henri-
ques contra Fernando Ruas?
Não me quero colocar ao lado de nin-
guém. Tenho muito respeitos pelos an-
teriores autarcas. Reconheço de uma
forma simples e humilde que tive um
excesso de verbalismo. O que importa
é termos uma Escola da Ribeira reno-
vada.
AsestruturasdoPSDdeviamajudara
queFernandoRuaseAlmeidaHenri-
quesfizessemaspazeseaparecessem
juntosnapróximacampanhaeleitoral
autárquica?
Seria saudável que isso fosse possível.
Ganharíamos todos.
AJuntadeFreguesiadeViseuassinalao
terceiroaniversário,hoje21deoutubro,
comdiversasatividades.Oquetemoli-
vroquevãolançar?
Foi um dos projetos vencedores do
primeiro orçamento participativo.
No livro “Histórias Perdidas - vivên-
cias e memórias do viseenses”, fica
para o futuro a memória e as histórias
de muitos cidadãos simples da nossa
cidade.
31
21 OUT
DANÇA
VERA MANTERO
NO TEATRO VIRIATO COM
PERFORMANCE SOBRE
DESERTIFICAÇÃO
OLHAR SOBRE AS PRÁTICAS DE VIDA TRADICIONAIS NUM ESPETÁCULO
DE DANÇA QUE CRUZA OUTRAS DISCIPLINAS ARTÍSTICAS
Vera Mantero regressa este sá-
bado (22 de outubro) ao Tea-
tro Viriato. A peça “Os Ser-
renhos do Caldeirão, exercícios em
antropologia ficcional” debruça-se
sobre a desertificação/desumaniza-
ção da Serra do Caldeirão, no Algar-
ve. Cruzando as suas próprias reco-
lhas vídeo com as recolhas em filme
de Michel Giacometti, sobretudo
aquelas feitas em torno das canções
de trabalho, Vera Mantero lança um
forte olhar sobre práticas de vida tra-
dicionais e rurais em geral, conheci-
mentos das culturas orais de norte a
sul do país e de outros continentes.
Comeste“retratoalargado”dos“Ser-
renhos do Caldeirão”, Vera Mantero
fala-nos de povos que possuem uma
sabedoria que perdemos, uma sabe-
doria na ligação entre corpo e espíri-
to, entre quotidiano e arte. Mas uma
sabedoria que podemos (e devemos,
para nosso bem) reativar.
Vera Mantero é um dos nomes cen-
trais da nova dança portuguesa, ten-
do iniciado a sua carreira coreográfi-
caem1987emostradooseutrabalho
por toda a Europa, Argentina, Brasil,
Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singa-
pura. Desde 2000, dedica-se também
ao trabalho de voz, cantando reper-
tório de vários autores e cocriando
projetosdemúsicaexperimental.Re-
presentou Portugal na 26ª Bienal de
São Paulo 2004, com “Comer o Co-
ração”, criado em parceria com Rui
Chafes. Em 2002 foi-lhe atribuído o
Prémio Almada (Ministério da Cul-
tura Português) e em 2009 o Prémio
Gulbenkian Arte pela sua carreira
como criadora e intérprete.
Os diálogos entre o cineasta An-
tónio-Pedro Vasconcelos e José
Jorge Letria estão agora num li-
vro que é apresentado esta sex-
ta-feira (21 de outubro) no Hotel
Montebelo, em Viseu com a pre-
sença do autor do filme “Amor
Impossível”.
Segundo a sinopse, António-Pe-
dro de Vasconcelos “sempre es-
teve no centro do furacão que é
o cinema português”, recordan-
do tratar-se de “um dos mais jo-
vens fundadores do cinema no-
vo” e que iniciou um movimento
de “rutura e de utopia estética dos
anos 60, que procurou aproximar
das vanguardas estéticas euro-
peias e americanas o cinema por-
tuguês sufocado pela ditadura do
Estado Novo”.
ANTÓNIO-PEDRO
VASCONCELOS
APRESENTA
LIVRO
Espetáculo vai estar no Teatro Viriato
CULTURA
O Instituto Português da Juventu-
de, em Viseu, tem patente uma ex-
posição coletiva de trabalhos cerâ-
micos de autores/professores que
participaram nos cursos de forma-
ção - Materiais Cerâmicos e Cerâ-
mica Criativa. A partir do dia 20
de outubro, e até 30 de novembro,
estará exposto um significativo
conjunto de trabalhos que percor-
re os diferentes processos cerâmi-
cos, que vão desde a chacota, com
ou sem aplicações cromáticas, até à
vidragem.
As obras exibem uma abordagem
criativa que, de algum modo, rom-
pe com carácter utilitário e artesa-
nal normalmente associado às pe-
ças cerâmicas.
Os trabalhos resultaram de con-
ceções gráficas originais e conse-
quente transposição para placas de
pasta cerâmica, através da aplica-
ção de técnicas de modelação, gra-
vura e escultura.
VISEU
EXPOSIÇÃO
NO IPJ
“Bitoques e Campos da Bola” escri-
to por R.M. Ribeiro, é a proposta des-
te fim de semana do festival de teatro
“Palco Para Dois ou Menos”. Organi-
zado pelo Núcleo de Animação Cultu-
raldeOliveirinha(NACO),ainiciativa
entranasduasúltimassemanasdeexi-
bição. O espetáculo, que terá duas ses-
sões,éinspiradonas“matinés”dabola,
noscamposdefutebolenosproblemas
dadesertificaçãodointerior.Tudopara
ser acompanhado por um “bom” jan-
tar de, claro, bitoques. É para ouvir e
saborear nos dias 22 e 23 de outubro.
NasemanaseguinteéavezdePompeu
José mostrar “Em Memória ou a Vida
Inteira dentro de Mim”, uma peça en-
cenada a partir da obra “Até ao Fim”
de Virgílio Ferreira. Trata-se de uma
coprodução entre o grupo de teatro da
VelacomoTrigoLimpoteatroACERT.
É desta forma que o NACO encerra a
décima edição deste Festival que tem
a particularidade de, em palco, apenas
estão uma ou duas pessoas. “O festival
éumdosmomentosaltosdanossapro-
gramação”, realça o presidente do Nú-
cleo, José Figueiredo, para quem, este
evento, pela sua originalidade, já con-
quistou lugar nos festivais nacionais.
FESTIVAL DO NACO
“BITOQUES E CAMPOS DA BOLA” NO PALCO
PARA DOIS OU MENOS
«NO FUNDO, UM PAÍS É SÓ
UMA CIDADE MAIOR
e aquilo que tem sido feito em
Lisboa, no Porto, na Madeira,
nos Açores, no Algarve, que tem
sido feito um pouco por todo o
País, é aquilo que temos de fazer
cada vez em mais locais, para que
tenhamos cada vez mais turistas,
em mais dias do ano, em mais sí-
tios diferentes do País».
A poética talvez não vença o
Nobel, como Bob Dylan, mas
as palavras [citadas] do Pri-
meiro-ministro na III Cimeira
do Turismo Português (Lisboa,
27/09/2016) são de reter. Claro
que como qualquer bom PM, An-
tónio Costa valoriza o que há a
valorizar: os novos fluxos, os au-
mentos, os incrementos. Como
bom PM descreve também a es-
cala do país, perdão, cidade, que
tem a seu cargo: uma enorme fai-
xa litoral pontuada/servida por
três aeroportos internacionais e
dois arquipélagos (idem). A es-
tratégia é essa: da “periferia” ao
centro, quando e se lá chegar.
E, portanto, do anterior fica a
pergunta: o que é que “tem si-
do feito”? O que é que esta cida-
de “maiorzita”, que é o país, tem
feito, que justifique continuar a
fazer o mesmo? Sabemos quais
os investimentos de bandeira que
existem na tal faixa litoral, mas
no restante, o que há? Por exem-
plo, os “Mirós” que vão criar no-
vo polo de atractividade no Porto
não poderiam ter casa na Régua,
ou em Vila Real ou Lamego (e as-
sim o Douro mantinha-se na foto
de família, incrementando tam-
bém o tal turismo de cruzeiros,
ainda que por via fluvial)? Bas-
ta durante um ano não “ceder” a
orçamentos de 8 milhões em Ser-
ralves ou 19 no CCB… isso e bem
gerir, dentro do Estado Central.
Não quando o Estado descen-
traliza a Cultura, dotando mu-
nicípios de competências e ver-
bas que na Proposta de OE 2017
são enquadráveis no subgru-
po “SOBERANIA”. Faz sentido,
a soberania económica já se foi
(internacionalmente), a obriga-
ção patrimonial e cultural vai-se
agora (internamente; também
para privados). Duas parcelas de
soberania em menos de 5 anos.
Já não faltam todas; com tempo
isto vai.
RUI MACÁRIO
Investigador
OPINIÃO
FotoHumbertoAraujo
32
21 OUT
DESPORTO
PUB
Lusitano e Mortágua são os
protagonistas do dérbi distri-
tal deste fim de semana. As
duas equipas defrontam-se no do-
mingo, em jogo da sétima jornada
da série D do Campeonato de Por-
tugal, no Campo da Gandarada, em
Mortágua.
Duas equipas à procura de pontos
e de olhos postos no objetivo de so-
mar nesta primeira fase. O Mortá-
gua, equipa anfitriã, quer aprovei-
tar o fator “casa” para complicar a
vida ao vice-líder Lusitano e se pos-
sível regressar às vitórias, no cam-
peonato, que fogem há duas jorna-
das. A última vez que a formação de
Maná conquistou os três pontos foi
precisamente na Gandarada, frente
à Académica SF (2-0). Depois, uma
derrota com o líder Gafanha (3-2)
e um empate na Pampilhosa (2-2).
Mas em casa o Mortágua já mos-
trou que não é uma equipa fácil de
bater e exemplo disso foi o jogo do
último fim de semana onde compli-
cou o apuramento do Cova da Pie-
dade na Taça de Portugal e onde
valeu à equipa da Segunda Liga um
golo solitário de Irobiso, mas numa
altura em que a formação de Mor-
tágua estava reduzida a 10, por ex-
pulsão de Tagui que é assim baixa
para o jogo com os trambelos.
Já o Lusitano viaja até Mortágua
mais “fresco” uma vez que não jo-
gou para a Taça, competição de
onde já tinha sido afastado.
Os trambelos estão assim focados
no jogo com os mortaguenses e na
vitória. Depois de na última jorna-
da, há duas semanas, o Lusitano ter
falhado o assalto à liderança da série
D, com a derrota frente ao líder Ga-
fanha (2-3), a jornada deste domin-
go é de máxima importância para
que se possa manter na corrida ao
apuramento para a fase de subida, e
não ver aumentar a distância para o
Gafanha. A equipa de Rogério Sousa
estáemsegundolugar,com11pontos,
mas têm por perto Anadia e Gouveia
com menos um ponto.
Moimenta e Cinfães na fuga aos
últimos lugares
Na série C, o Moimenta da Beira re-
cebe o Estarreja e o Cinfães o Sou-
sense. As duas equipas continuam
na fuga aos últimos lugares e per-
der pontos é praticamente proibido.
O Moimenta, equipa orientada por
Rui Cordeiro, não ganha há cinco
jornadas. Venceu na primeira jor-
nada e soma apenas quatro pontos,
mais um que o último, o Cesarense.
OCinfãesvemdeumaderrotafrente
ao Estarreja (2-0) e vai querer apro-
veitar o regresso a casa para regres-
sar às vitórias. A turma de Arlindo
Gomes soma seis pontos e duas vi-
tórias (ambas conseguidas em casa).
SÉRIE D MARCADA POR DÉRBI DISTRITAL ENTRE LUSITANO E MORTÁGUA.
NA SÉRIE C, CINFÃES E MOIMENTA DA BEIRA JOGAM EM CASA
FUTEBOL
GANDARADA RECEBE JOGO ENTRE
“VIZINHOS”
P J V E D
1 SC Salgueiros 18 6 6 0 0
2 Sanjoanense 15 6 5 0 1
3 SC Coimbrões 11 6 3 2 1
4 Sousense 9 6 3 0 3
5 Oliveirense 8 6 2 2 2
6 Estarreja 7 6 2 1 3
7 Cinfães 6 6 2 0 4
8 Gondomar 4 6 1 1 4
9 M. da Beira 4 6 1 1 4
10 Cesarense 3 6 0 3 3
7ª JORNADA
Oliveirense 23/10 – 15h00 Salgueiros
SC Coimbrões 23/10 – 15h00 Gondomar
M. da Beira 23/10 – 15h00 Estarreja
Cinfães 23/10 – 15h00 Sousense
Sanjoanense 23/10 – 15h00 Cesarense
Serie C
P J V E D
1 Gafanha 15 6 5 0 1
2 Lusitano FCV 11 6 3 2 1
3 Anadia 10 6 2 4 0
4 CD Gouveia 10 6 3 1 2
5 Águeda 8 6 2 2 2
6 Pampilhosa 8 6 2 2 2
7 Mortágua 6 6 1 3 2
8 Nogueirense 5 6 1 2 3
9 Tourizense 4 6 1 1 4
10 Académica-SF 4 6 1 1 4
7ª JORNADA
Mortágua 23/10 – 15h00 LusitanoFCV
Gafanha 23/10 – 15h00 Gouveia
Académica 23/10 – 15h00 Nogueirense
Anadia 23/10 – 15h00 Tourizense
Pampilhosa 23/10 – 15h00 Águeda
Serie D
33
21 OUT
DESPORTO
8ª JORNADA
Paços Ferreira 21/10 – 19h00 Nacional
Marítimo 21/10 – 21h00 Boavista
Feirense 22/10 – 16h00 V. Setúbal
Sporting 22/10 – 18h15 Tondela
FC Porto 22/10 – 20h30 Arouca
Moreirense 23/10 – 16h00 Rio Ave
Estoril Praia 23/10 – 18h00 V. Guimarães
Belenenses 23/10 – 20h15 Benfica
Braga 24/10 – 20h00 Chaves
P J V E D
1 Benfica 19 7 6 1 0
2 Sporting 16 7 5 1 1
3 FC Porto 16 7 5 1 1
4 Braga 14 7 4 2 1
5 Chaves 12 7 3 3 1
6 V. Guimarães 11 7 3 2 2
7 Rio Ave 10 7 3 1 3
8 Belenenses 9 7 2 3 2
9 Marítimo 9 7 3 0 4
10 Feirense 9 7 3 0 4
11 Paços Ferreira 8 7 2 2 3
12 Boavista 8 7 2 2 3
13 V. Setúbal 8 7 2 2 3
14 Estoril Praia 7 7 2 1 4
15 Nacional 6 7 2 0 5
16 Arouca 5 7 1 2 4
17 Tondela 5 7 1 2 4
18 Moreirense 4 7 1 1 5
Foi há nove meses que o Clube
Desportivo de Tondela gelou
o Estádio de Alvalade quan-
do, aos 83 minutos, Salva Chamor-
ro saltou do banco para fazer o 2-2
final. Foi a estreia dos auriverdes na
casa dos leões, em janeiro passado,
e que não podia ter corrido melhor
ao Tondela. Na altura os leões eram
líderes isolados, enquanto os auri-
verdes lutavam desesperadamente
para fugir ao último lugar. Spor-
ting era favorito, mas o Tondela não
se deixou vergar perante um “gran-
de” e acabou por roubar pontos em
Alvalade. Episódio que poderá ins-
pirar a turma de Petit para voltar a
repetir a “graçinha” em partida da
oitava jornada, perante um leão fe-
rido no orgulho, após uma derrota
a meio da semana para a Liga dos
Campeões, frente aos alemães do
Borussia Dortmund.
Sporting apostado em fazer o Ton-
dela pagar a fatura da desilusão eu-
ropeia, mas perante uma equipa
que esta temporada já roubou pon-
tos ao Futebol Clube do Porto, com
um empate, sem golos, no Estádio
João Cardoso.
Um leão “ferido” que ainda assim
não deverá facilitar a vida ao Ton-
dela para não se atrasar na corrida
à liderança. Já o Tondela mantém
a fuga aos últimos lugares e Petit
já fez saber que o 11 para Alvalade
será pensado para que no final pos-
sam conseguir um bom resultado.
AURIVERDES JOGAM AMANHÃ EM LISBOA. LEÕES VÃO
APROVEITAR RECEÇÃO AO TONDELA PARA APAGAR DERROTA
NA LIGA DOS CAMPEÕES
PRIMEIRA LIGA
Texto Micaela Costa
TONDELA QUER VOLTAR
A SER FELIZ FELIZ EM ALVALADE
FotoGilPeres
A MOTIVAÇÃO NAS AULAS
DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Importa refletir sobre a importância da
motivação para os alunos  nas aulas de
Educação Física uma vez que é frequente
pensarmos que os alunos gostam das au-
lasdeEducaçãoFísicaetendoemcontaa
relevânciadaactividadefísicanassuasdi-
ferentesvalências.
A motivação para as aulas de educação é
fundamental para fazer com que a práti-
casetornenumhábitosaudávelaolongo
davida.
A concepção de Educação Física como
sinónimo de aptidão física, é um concei-
to limitativo, o ser humano passou a ser
considerado para além da sua dimensão
biológica, mas também numa dimensão
cultural, qualquer intervenção pedagó-
gica deve levar em conta estes aspectos
e a própria dinâmica escolar, passa a ser
vista, também, como uma prática cultu-
ral. A Educação Física deve deixar de ser
vista como uma componente isolada do
currículo, nem meramente técnica, mas
em interligação com as outras discipli-
nas, tendo que ser criadas condições me-
todológicas para trabalhar com todos os
alunos.
 Igualmente, no campo do lazer ou ocu-
pação dos tempos livres, questiona-se so-
brearazãopelaqualaspessoasescolhem
certasmodalidadesparadesenvolverema
sua prática e não outras. Quando deter-
minadaspessoaspraticamdesporto,con-
trariamente a outras que não o fazem, é
devido ao facto, pelo menos em parte, de
esse desporto dar condições que estimu-
lamaspessoasparaasuaprática.
Ambas as situações nos encaminham
para o entendimento de que a motivação
influencia em grande medida as opções
de cada um no momento da escolha da
modalidade.
Cratty (1984: 13) afirma que “a pesquisa
sobre a importância da motivação é, sem
dúvida,umadasáreasdeestudomaisim-
portantes para a Psicologia Desportiva,
fornecendo informações potencialmente
úteisparaoprofessoreoaluno”.
 Segundo Alves, Brito e Serpa (1996), o
professor só consegue executar o seu pa-
pel com uma maior eficácia, nas técnicas
suscetíveis de influência, na persistência
dos indivíduos nas atividades e na inten-
sidadecomoselhesdedicam,quandoco-
nheceosporquês.Assim,énecessárioco-
nhecerquaisosfatoresqueinfluenciamo
individuo/aluno e neste caso o que mo-
tivação os alunos nas aulas de Educação
Física.
 Para Carron (cit. por Alves, Brito e Ser-
pa, 1996), a motivação era o termo usado
para representar as razões que levam as
pessoas a seleccionar diferentes activida-
des,apersistiremnelaseaefectuá-lascom
maisoumenosintensidade.
Deste modo, foi concluído que “não são
as motivações do treinador/Professor de
Educação Física, mas sim os interesses
dos jovens que devem determinar os ob-
jectivosemetodologiadotreinoedasau-
lasdeEducaçãoFísica”(Alves,BritoeSer-
pa,1996:42).
MADALENA NUNES
Professora de Educação Física
O Pavilhão Cidade de Viseu recebe
amanhã, dia 22, a Supertaça de volei-
bol. Frente a frente o campeão nacio-
nal Fonte do Bastardo e o vencedor da
última Taça de Portugal e Supertaça,
Benfica. As duas equipas voltam as-
sim a medir forças depois de, no últi-
mo fim de semana, terem protagoni-
zado a final do Torneio das Vindimas
que acabou por ser ganho pelo Fonte
do Bastardo.
A Supertaça está marcada para as
19h30 e terá transmissão na Sportv.
Esta é uma competição que se reali-
za desde a época 1988/89 e, desde en-
tão, o Benfica e o Castelo da Maia são
as equipas que mais se destacam ao
vencerem o troféu por cinco vezes.
Espinho, Sporting e Leixões foram
outros dos clubes que levantaram a
taça.
VOLEIBOL
FONTE BASTARDO E BENFICA NA SUPERTAÇA EM VISEU
Esta tarde, pelas 18h45, a seleção
nacional feminina A joga uma das
mais importantes partidas da sua
história. A equipa orientada pelo
viseense Francisco Neto disputa a
primeira mão do play-off de apura-
mento para o Campeonato da Euro-
pa, que decorre na Holanda no pró-
ximo ano, frente à Roménia. Este é
o primeiro de dois jogos decisivos
para a equipa das quinas que depois
de jogar esta tarde no Estádio do
Restelo segue para a Roménia onde
se realiza a segunda mão do play-off.
Francisco Neto renova até 2019
O técnico da seleção, natural de
Mortágua, prolongou o víncu-
lo com a Federação Portuguesa de
Futebol até ao final da qualificação
para o Campeonato do Mundo de
2019, que vai ter lugar em França.
Para Francisco Neto, esta renova-
ção é o reconhecimento dos últi-
mos três anos de trabalho, desta-
cando que o “voto de confiança”
surgiu ainda antes de Portugal ter
garantido um lugar no play-off de
qualificação para o Campeonato da
Europa de 2017.
FUTEBOL FEMININO
SELEÇÃO NACIONAL COM JOGO HISTÓRICO
OPINIÃO
34
21 OUT
DESPORTO
DOMINGO, 23 DE OUTUBRO - 16H00
ACOMPANHE O JOGO
ACADÉMICO DE VISEU - ACADÉMICA
11ª Jornada da Segunda Liga (Ledman Pro)
RELATO em 98.8 FM
Rádio Jornal do Centro/ Rede Mundial FM
SÁBADO, 22 DE OUTUBRO - 18H15
ACOMPANHE O JOGO
SPORTING CP - CD TONDELA
8ª Jornada da Primeira Liga (NOS)
RELATO em 98.8 FM
Rádio Jornal do Centro/ Rede Mundial FM
PUB
Em quatro jogos o Viseu 2001 já mar-
cou 33 golos. Números que fazem des-
ta a equipa, de entre todas as que par-
ticipam nas sete séries da competição, a
que mais golos marcou no campeonato
daIIDivisão.Dadosparecidossónasé-
rie F com o Fabril Barreiro, da Associa-
ção de Futebol de Setúbal, que conta já
com 30 golos marcados. O Viseu 2001
é também a equipa com a defesa menos
batida, com apenas dois golos sofridos,
enaúltimajornadafrenteaoPedreles.
Este fim de semana os viseenses, líderes
com 12 pontos, viajam a Belmonte para
defrontaroCariense(oitavocomquatro
pontos). O ABC de Nelas, terceiro com
oito pontos, recebe o Ossela, de Olivei-
ra de Azeméis e o Pedreles, quarto com
seis pontos, vai a casa do Casal Cinza,
equipa da Guarda que ainda não ven-
ceuestaépoca.
RiodeMoinhosjáconheceadversário
daTaça
A equipa açoreana do Posto Santo é o
adversáriodoRiodeMoinhos,deSátão,
narondainauguraldaTaçadePortugal
de futsal. O calendário foi conhecido
no início da semana e ditou a receção à
equipa de Angra do Heroísmo, que mi-
litanaIIDivisão,sérieAçores.
O Rio de Moinhos foi o vencedor na úl-
timaépocadaAssociaçãodeFutebolde
Viseu mas acabou por não rumar aos
nacionaispornãoterequipasdeforma-
ção, fator obrigatório para integrar a II
Divisão Nacional. Acabou por tomar o
seu lugar o Pedreles, vice campeão dis-
tritalnaépocapassada.
Nesta primeira eliminatória, marcada
para o próximo dia 30, participam 24
clubes, oito dos quais apurados da série
Açores. Na próxima fase já entram os
clubes da II Divisão, casos do ABC de
Nelas, Pedreles e Viseu 2001, se não fi-
caremisentos.
FUTSAL
NINGUÉM MARCA
TANTO COMO O
VISEU 2001
Realiza-se este fim de semana, dias
22 e 23, o III Torneio Cidade de Vi-
seu em Ténis de Mesa. A prova, de
classificação nacional “A”, a mais
elevada, decorre no Pavilhão do
Colégio da Via Sacra e vai reunir
385 atletas de 40 clubes de todo o
país. Números que, segundo a or-
ganização, levada a cabo pelo Agru-
pamento de Escolas de Mundão em
conjunto com a sua Associação de
Pais e com o apoio da autarquia de
Viseu, são de recordes para a moda-
lidade no distrito. Para os respon-
sáveis, “esta adesão ao torneio refle-
te a avaliação de excelência feito ao
mesmo nas épocas anteriores por
atletas, treinadores e responsáveis
federativos, o que aumenta a res-
ponsabilidade da organização do
AE Mundão que teve o condão de
nos últimos anos colocar a Cidade
de Viseu no mapa do ténis de mesa
nacional.
TÉNIS DE MESA
TORNEIO CIDADE DE VISEU RECEBE MAIS DE 350 ATLETAS
Académico de Viseu e Aca-
démica de Coimbra jogam
este domingo uma das par-
tidas que suscita maior interesse, e
curiosidade, na 12ª jornada da Se-
gunda Liga. Viseenses e estudantes
são velhos conhecidos e são muitas,
mas antigas, as histórias dos en-
contros entre dois dos grandes em-
blemas da Beira. Há muito que as
duas equipas não se encontravam
na mesma divisão, o que volta a
acontecer esta época depois da des-
promoção da Académica de Coim-
bra à Segunda Liga.
Mas recentemente as duas forma-
ções tiveram oportunidade de revi-
ver momentos antigos num jogo de
treino, ainda que durante a pré-épo-
ca, que terminou com a vitória da
formação de Coimbra. Este a encon-
trar-se desta vez “a sério” e com im-
portantes pontos em jogos. O Aca-
démico quer continuar a somar para
se afastar cada vez mais do fundo da
tabela e a Académica para não au-
mentar a distância para os lugares da
frente, e manter bem vivo o sonho do
regresso à Primeira Liga.
A partida decorre no Fontelo, no re-
gresso a casa dos viseenses depois
de duas jornadas fora, a última nos
Açores, a meio da semana, frente ao
Santa Clara e que terminou em vitó-
ria para o Académico (1-2), quebran-
do assim o jejum de cinco jogos sem
vencer para o campeonato – a última
vez foi a 28 de agosto, em casa, frente
ao Guimarães B.
Espera-se enchente no Fontelo
A Académica prepara uma verdadei-
ra “invasão” ao Fontelo. Por Coim-
bra estão espalhados vários lençóis
onde pode ler-se “Todos a Viseu” e,
ao que foi possível apurar, os estu-
dantes deverão vir em peso e são es-
perados mais de 500 adeptos.
ACADEMISTAS E ESTUDANTES JOGAM ESTE DOMINGO.
REENCONTRO DE VELHOS CONHECIDOS ONDE NINGUÉM
VAI QUERER SAIR A PERDER. ACADÉMICA PREPARA
ENCHENTE EM VISEU
SEGUNDA LIGA
Texto Micaela Costa
DÉRBI DAS BEIRAS
AQUECE JORNADA
P J V E D
1 Portimonense 29 11 9 2 0
2 Santa Clara 23 11 7 2 2
3 Benfica B 21 11 6 3 2
4 Desp. Aves 20 11 5 5 1
5 Penafiel 19 11 5 4 2
6 Cova da Piedade 19 11 5 4 2
7 Vizela 18 11 4 6 1
8 Académica 18 11 5 3 3
9 Gil Vicente 16 12 3 7 2
10 FC Porto B 15 11 4 3 4
11 Fafe 14 11 3 5 3
12 U. Madeira 14 11 3 5 3
13 Sporting B 14 11 4 2 5
14 Braga B 13 11 2 7 2
15 Varzim 12 11 3 3 5
16 Sp. Covilhã 10 11 2 4 5
17 Ac. Viseu 10 11 2 4 5
18 Famalicão 10 11 2 4 5
19 V. Guimarães B 10 11 3 1 7
20 Leixões 9 11 1 6 4
21 Freamunde 8 11 1 5 5
22 Olhanense 1 12 0 1 11
12ª JORNADA
Gil Vicente 2-1 Olhanense
Varzim 23/10 – 11h15 Portimonense
Vizela 23/10 – 15h00 FC Porto B
Desp. Aves 23/10 – 16h00 Freamunde
Benfica B 23/10 – 16h00 Penafiel
Braga B 23/10 – 16h00 Santa Clara
Famalicão 23/10 – 16h00 U. Madeira
Ac. Viseu 23/10 – 16h00 Académica
Fafe 23/10 – 16h00 Sp. Covilhã
Cova da
Piedade
23/10 – 16h00
V.
Guimarães B
Sporting B 23/10 – 16h00 Leixões
Desp. Aves 5/3 - 15h00 Freamunde
35
21 OUT
Centro
Comercial
OCrédito Agrícola Terras
de Viriato premiou três
alunos, entre o 7.º ao 12.º
ano de escolaridade, pelos bons
resultados escolares alcançados
no ano passado. A instituição
anunciou já que o programa “CA
Nota 20” vai continuar neste ano
letivo.
Ricardo José Alves Silva, do Agru-
pamento de Escolas de Canas de Se-
nhorim, foi o 5º melhor aluno do
7.º ano entre os clientes do Crédito
Agrícola. Gabriela Gomes Rodri-
gues, do Agrupamento de Escolas
de Carregal do Sal, foi a 4ª melhor
aluna do 10.º ano. Já José Filipe Fer-
reira Soares de Melo, do Agrupa-
mento de Escolas de Carregal do
Sal, foi o 18º melhor aluno do 12.º
ano.
O programa “CA Nota 20” atri-
bui aos 20 melhores alunos de cada
ano de escolaridade prémios mone-
tários que variam entre os 100 e os
mil euros, num total de 25 mil eu-
ros, para depósito nas respetivas
contas poupança.
Com esta iniciativa, o Crédito Agrí-
cola, segundo os seus responsáveis,
“valoriza o esforço e o desempenho
escolar dos jovens, incitando-os aos
bons resultados escolares e à cultu-
ra de mérito, ao mesmo tempo que
lhes incute hábitos de poupança –
uma das competências básicas face
ao dinheiro e que deve ser trabalha-
da desde cedo”.
INSTITUIÇÃO PROMOVE CULTURA DE MÉRITO
CRÉDITO AGRÍCOLA
TERRAS DE VIRIATO
BONIFICA MELHORES
ALUNOS
Conta “Poupança Futuro”
Para participar na próxima edição
basta abrir uma conta “Poupança
Futuro” até ao dia 18 de Novembro
numa das agências do Crédito Agrí-
cola, ou no caso de já ser titular de
uma “Poupança Futuro” à data de
10 de Outubro de 2016, programar
reforços automáticos mensais com
um montante mínimo de 10 euros
para que, à data de 30 de Junho de
2017, tenha uma variação positiva
mínima de 120 euros no saldo da
respetiva poupança. Até 31 de Julho
de 2017 deve ser entregue na mesma
agência o certificado de habilitações
referente ao ano letivo 2016/2017. O
Crédito Agrícola cuidará de sele-
cionar, com base no cumprimento
dos referidos parâmetros, os alunos
com as médias mais elevadas a nível
nacional para a atribuição dos pré-
mios.
O Crédito Agrícola é a única insti-
tuição financeira cooperativa por-
tuguesa, de capitais exclusivamen-
te nacionais, com a segunda maior
rede de Agências (675) em território
nacional.
36
21 OUT
OFERTAS
DE EMPREGO
INSTITUCIONAL
Podem candidatar-se organiza-
ções com atividade na integração
económica e social dos migrantes,
e/ou na promoção do empreende-
dorismo imigrante e/ou na presta-
ção de serviços de apoio aos em-
presários e futuros empresários;
nomeadamente:
- Autoridades públicas e admi-
nistrações públicas;
- Câmaras de comércio e indús-
tria;
- Associações empresariais e redes
de apoio a empresas;
- Organizações de apoio às em-
presas e incubadoras;
- Organizações Não Governamen-
tais;
- Outras entidades sem fins lucra-
tivos;
- Associações e fundações que
trabalham com os migrantes;
- Entidades públicas e privadas
especializadas na educação e for-
mação.
As propostas devem ser apresen-
tadas em consórcio, composto por
um mínimo de cinco entidades
elegíveis em pelo menos três paí-
ses participantes no COSME.
Esta iniciativa apoia o objetivo
específico COSME relacionado
com a promoção do espírito em-
presarial e cultura empreendedor
e aborda as prioridades da União
Europeia para uma abordagem
abrangente e holística para a mi-
gração.
Poderá aceder à página da COS-
ME de convite para apresentação
de propostas de Promoção do Em-
preendedorismo Migrante (COS-
-MigrantsENT-2016-4-02) e con-
sultar os documentos associados
em http://bit.ly/2enMXYG.
Eventuais questões devem ser co-
locadas à EASME-Agência de
Execução para as Pequenas e Mé-
dias Empresas, Comissão Eu-
ropeia, através do endereço:
EASME-COSME-MIGRANT-
SENT-CALL@ec.europa.eu.
ESPAÇO PME EUROPA
PROMOÇÃO DO
EMPREENDEDORISMO
MIGRANTE: CONVITE
PARA APRESENTAÇÃO
DE PROPOSTAS
DONA LIMPEZA
232 429 154
PUB
No âmbito do COSME – Programa para a Competitividade das Empresas
e das PME, está aberto até ao dia 20 de dezembro de 2016, um convite para
apresentação de propostas que visem promover o empreendedorismo mi-
grante. O orçamento disponível é de 1.500.000 euros com um financiamen-
to máximo de 90% dos custos elegíveis
PUB
37
21 OUT
OPINIÃO
Corre entre moradores e comer-
ciantes do CHV mais um abaixo-
-assinado reclamando o que Al-
meida Henriques prometeu no
“Viseu Viva Plano de Recuperação
do CHV”.
Naquele documento pode ler-se: “...
serão criadas micro bolsas de esta-
cinamento, para residentes e público
em geral”, “O desempenho do CHV
no contexto da cidade dependerá das
acessibilidades”; “Deve orientar-nos
aqui um sentido de equilíbrio”.
Atentemos nos fatos. Quem melhor
garante que o CH continua vivo são
os moradores e comerciantes. Parte
significativa da população residen-
te é idosa, tem direito a condições
mínimas de bem-estar, sossego, se-
gurança e habitabilidade. Aos jo-
vens, ali residindo ou trabalhando,
devem ser dadas condições de se-
gurança para cuidarem de bebés e
crianças, com exigências específi-
cas de transporte. Ir às compras é,
para qualquer morador, uma verda-
deira aventura. Parte significativa
do CH não tem rede de distribuição
de gás o que implica, muitas vezes,
estacionar à porta para transportar
a botija até casa. Ao preço do gás,
o residente deve sempre, preventi-
vamente, acrescentar o preço da
multa de estacionamento. Ao pre-
ço do almoço em casa, acrescen-
tar o preço da multa de estaciona-
mento. Deve planear com visitas ao
facebook do município, o dia e a
hora em que faz compras ou o dia
e a hora em que se desloca para vi-
sitar a mãe idosa que ali reside, não
vá haver mais uma prova desporti-
va domingo pela manhã e ficar blo-
queado no trânsito condicionado e
não publicitado.
Como já foi denunciado na Assem-
bleia Municipal, diariamente, entre
as 13 horas e as 15, a PSP, tem or-
dens da Câmara para multar todos
os carros fora dos estacionamentos
autorizados no CH. Almeida Hen-
riques não desmentiu, assumin-
do assim que esta orientação exis-
te. Sobreviverão os restaurantes?
As lojas mais antigas como as mais
modernas? Os habitantes?
Os subscritores do abaixo-assinado
reclamam protecção para os mo-
radores. Que se criem alternativas
de estacionamento em vez da re-
pressão da multa. É uma questão
de respeito, como a que se tem com
os automobilistas que, ao Domin-
go, vão à Sé cumprir a sua devoção
religiosa.
Será pedir demais?
Todos os anos em Portugal, por vol-
ta de Outubro, começa um pequeno
drama. Trata-se da discussão e apro-
vação dos orçamentos do Estado. Ou-
tubro é o mês em que não há alma que
não seja economista especializada na
sua vertente macro e micro. Ele é a ba-
lança comercial, o PIB, o défice, a dí-
vida, a carga fiscal, o lado da despesa,
o lado da receita, os impostos directos
e indirectos, o diabo.
Transformamo-nos em pequenos teó-
ricos de finanças públicas, tal como,
aos domingos, nos transfiguramos
em treinadores de futebol, ou juristas
quando há um caso intrincado qual-
quer na Justiça, ou médicos quando
vamos ao centro de saúde, etc.
Contudo, tanto quanto tenho conhe-
cimento, nenhuma comoção em Por-
tugal é mais forte do que aquela que
se segue à apresentação da proposta
do orçamento do Estado. Ora, que eu
saiba, isso não acontece em mais ne-
nhum país civilizado, ou ocidental, se
quiserem.
Esta não deixa de ser uma marca do
atraso social, político e económico
de que padecemos enquanto povo. O
orçamento é do Estado. Se é do Es-
tado, porque nos afadigamos tanto
no escrutínio minucioso desse orça-
mento? Pela simples razão de que de-
pendemos dele para lá dos limites do
razoável.
Portugal transformou-se num imen-
so Estado. Os portugueses habitua-
ram-se a ser os filhinhos pedinchões
do Estado.
Esta dependência debilita, entorpece,
infantiliza, desresponsabiliza e limita.
Quanto menos desenvolvida é uma
sociedade, mais ela depende do Esta-
do para sobreviver.
Em Portugal, a espera angustiante
pelo que pode trazer o orçamento do
Estado explica-se por razões que nada
têm a ver com discussão do rumo que
o país deve tomar fazendo uso de ar-
gumentos de ciência e de razão para
criar riqueza e prosperidade colectiva.
Não. Em Portugal, o que angustia
mesmo e torna o orçamento um do-
cumentocentraléanecessidadedesa-
ber quanto nos calha pessoalmente da
magra ração que o Estado, à laia de es-
mola, nos distribui.
Enquanto tivermos necessidade dis-
so, estamos condenados à pobreza e
ao atavismo.
CARTOON
RICARDO FERREIRA
Cartoonista
FILOMENA PIRES
Eleita na Assembleia Municipal de Viseu
CDU
LUGARES PARA
ESTACIONAR EM VEZ DE
MULTAS
CDS/PP
FILHOS DO ESTADO
PAULO DUARTE
Advogado
Militante e dirigente do CDS
Portugal transformou-
se num imenso Estado.
Os portugueses
habituaram-se a ser os
filhinhos pedinchões do
Estado.
38
21 OUT
OPINIÃO
Com a apresentação do OE para
2017, cumpriu-se um dos grandes
objectivos do Governo e de todos
os que o apoiam. Demonstrar que
há alternativa para a muito invoca-
da AUSTERIDADE!!! (apenas para
os mais desfavorecidos, acrescento
eu...) e que essa alternativa é passí-
vel de ser construida e executada.
Contudo, se verificamos uma mu-
dança de paradigma em diversas
áreas, haverá que levar essa mudan-
ça para as também muito faladas
durante os ultimos anos mas, prati-
camente, nunca tocadas... “gorduras
do Estado”.
Nestamatéria,talvezsejainteressan-
te lembrar um exemplo concreto...
No municipio do interior onde vivo
(e o exemplo serve para quase todos
os outros...), o Estado exerce os seus
“poderes” por via dos orgãos da cha-
mada “administração desconcen-
trada”. São os serviços que todos co-
nhecemos, prestados nas áreas da
Saúde, Educação, Justiça, Finanças,
Segurança Social, Polícia, Agricul-
tura e outras.
Ora, se os serviços públicos na área
da Saúde, Educação e Segurança In-
terna, pela sua própria natureza,
têm de ser concretizadas em “esta-
belecimentos” muito específicos,
já todos os outros poderiam per-
feitamente coexistir num mesmo
espaço/edificio.
Contudo, o que se verifica é que
cada um destes serviços utiliza es-
paços independentes e arrendados,
acrescendo ao custo das diversas
rendas e entre outros, o pagamento
da operacionalização de todos eles.
Espantosamente, nesse mesmo mu-
nicípio, o Estado é detentor de uma
das maiores edificações aí existente,
a qual alberga o Tribunal e as Con-
servatórias do Registo Civil e Pre-
dial. Mas esse edifício tem ainda
amplos espaços livres e praticamen-
te preparados para neles poderem
ser instalados todos os outros servi-
ços acima referidos!!! Para além
de tornar bem mais confortavel para
os cidadãos o acesso àqueles servi-
ços, facilmente se percebe quanto o
Estado poderia poupar só nesta pe-
quena área do seu território...
Não está na hora de se fazer este cor-
te na despesa?
António Guterres é o Secretário-
-Geral da ONU. O ex primeiro-mi-
nistro e secretário-geral do PS con-
seguiu ao longo da última década,
como Alto-Comissário para os Re-
fugiados, granjear a estima e o res-
peito do mundo.
A sua aclamação pela Assembleia
Geral, depois de ter sido posto à pro-
va em seis votações secretas, espelha
a unanimidade, o consenso e o re-
conhecimento pelas nações das suas
invulgares capacidades.
A transparência do processo presti-
giou a ONU, ao arrepio da nebulosa
gerada por Merkel e pela Comissão
Europeia numa lamentável e mal su-
cedida jogada de última hora.
Nada poderia ter contribuído mais
para a autoestima dos portugueses
e prestígio de Portugal. Igualmente
importante, foi o facto de António
Guterres ter conseguido unir o país
à volta de uma ambição comum.
Desde as forças políticas, passando
pelo atual e anteriores Chefes de Es-
tado, até ao generalizado sentimen-
to popular, tudo funcionou muito
bem.
Permito-me relevar o papel da di-
plomacia portuguesa e do ministro
Santos Silva, bem como o empenho
máximo do Presidente da República
Marcelo Rebelo de Sousa e do Pri-
meiro-ministro António Costa. To-
dos não foram demais para o suces-
so coletivo. É uma vitória de todos,
mas, em especial, do mérito de An-
tónio Guterres.
Tive o privilégio de, ao longo da mi-
nha vida política, ter pertencido à
equipa restrita que sempre o acom-
panhou no PS (Comissão Perma-
nente e Secretariado Nacional) e ter
partilhado responsabilidades no seu
governo como secretário de estado
da Administração Marítima e Por-
tuária. Conheço-o bem, a sua entre-
ga, integridade e empenho. Sempre
prestigiou a vida pública.
Portugal vive um bom momento e
o PS também. De facto, à eleição de
António Guterres pode somar-se o
bom desempenho, publicamente re-
conhecido, do governo de António
Costa, tal como a vitória do PS Aço-
res e de Vasco Cordeiro nas eleições
regionais deste último domingo. Se
tudo continuar assim, tudo conti-
nuará bem com o PS e com o país.
Há um facto que podemos retirar
da análise do Orçamento de Esta-
do: a austeridade não acabou, ape-
sar do seu anunciado fim há um ano
atrás. A obsessão pelo défice e a preo-
cupação pelo crescimento da econo-
mia foi uma utopia gritada por An-
tónio Costa até 2015. E como todas
as utopias, teve o seu invariável cho-
que com a realidade. O que é real é
o menor crescimento da economia
portuguesa, uma clara falta de estra-
tégia neste orçamento e uma eviden-
te tentativa de sobrevivência política
do governo perante pressões na en-
grenagem da geringonça.
Vejamos: promessa falhada do fim
da sobretaxa do IRS para 2017, que
até tinha lei aprovada pela Assem-
bleia da República em Dezembro
de 2015. A promessa falhada do fim
do pagamento do subsídio de Natal
em duodécimos. O aumento subs-
tancial dos impostos indiretos. A
criação do imposto especial sobre
o património, supostamente sobre
imóveis avaliados em mais de 600
mil euros. Contudo, com a esquer-
da temos sempre que ler as letras pe-
quenas com que nos enganam. Al-
guém reparou que há uma ressalva
para pessoas com dívidas ao fisco?
Ou seja, quem tiver dívidas fiscais e
uma casa avaliada em 100 mil euros
(ou muito menos) é aplicado os 0,3%
do imposto especial sobre imoveis.
Ou seja, os pobres vão pagar como
ricos. Já referi que o este aumento
de pensões não abrange as pensões
mínimas de 200 euros, aumentadas
por Passos Coelho?
Entre subidas e descidas há um nú-
mero incontornável para 2017: os
contribuintes portugueses vão pa-
gar mais 140 milhões de euros em
impostos.
Quem com boca cheia falava no fim
da austeridade, na mudança de rumo
e no encontro de alternativas para
cortar na despesa e aumentar na re-
ceita venha agora explicar este nú-
mero. Mas o PS nunca foi bom aluno
a matemática. E o BE e o PCP? Nem
querem saber…
JOSÉ VASCONCELOS
BE
MUDANÇA DE
PARADIGMA...
PS
UM BOM MOMENTO NO
PAÍS E NO PS
FILIPA MENDES
Presidente da JSD Concelhia de Viseu
PSD
A “BOA” AUSTERIDADE DA
GERINGONÇA…
Este texto está escrito de acordo com a anterior ortografia
JOSÉ JUNQUEIRO
Vereador do PS na Câmara Municipal de Viseu
FICHA TÉCNICA
Diretor António Figueiredo, C.P. n.º 2153 - a.figueiredo@jornaldocentro.pt • Redação (redaccao@jornaldocentro.pt) / Micaela Costa, C.P. n.º 10054 - micaela.costa@jornaldocentro.pt // Sandra Rodrigues, C.P. n.º 4367 - sandra.rodrigues@jornaldocentro.pt •
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Cotta / Francisco Rebelo dos Santos • O Estatuto Editorial do Jornal do Centro está disponível em www.jornaldocentro.pt
Haverá que levar essa
mudança para as
também muito faladas
durante os ultimos anos
mas, praticamente,
nunca tocadas...
“gorduras do Estado”
39
21 OUT
CRÍTICA
“A diferença entre as lembranças falsas e as
verdadeiras é a mesma que existe entre as jóias:
as falsas sempre parecem mais brilhantes e reais.”
Salvador Dali.
Continuando o meu percurso pe-
los filmes de 1996, era inevitável fa-
lar de Crash de David Cronenberg,
uma adaptação do livro homónimo
de J.G. Ballard. Foi o primeiro filme
deste realizador que vi e fiquei petri-
ficado. Não sei se será mesmo essa a
palavra certa. Ver Cronenberg pela
primeira vez assemelhava-se à mi-
nha experiência de ver um quadro de
Salvador Dali. Foi um misto de des-
lumbramento, repugnância, insegu-
rança, desconforto, fascinação, des-
concertante e belo. A partir daí fui
ver todos os filmes de Cronenberg
para trás e tenho acompanhado a sua
carreira, filme após filme, sempre
com a sensação que me vou expor a
uma violência intrínseca e mergu-
lhar na frieza da natureza humana. É
uma violência silenciosa que por ve-
zes explode na nossa cara, mas que
na maior parte das vezes é uma vio-
lência contida, consentida, em nome
de valores de uma comunidade, que
os filmes expõem de uma forma
subcutânea. São espelhos de dese-
jos e emoções escondidas bem lá no
fundo das sociedades industriais e
que Cronenberg explora de formar
maestra, na relação do Homem com
as máquinas e de como elas têm in-
fluenciado o nosso quotidiano. Crash
não é o melhor filme deste realizador
(os meus preferidos são Videodrome,
NakedLunch,M.ButterflyouEastern
Promisses), mas como um quadro de
Dali, através de uma narrativa su-
postamente simples, um acidente de
carro e consequentes mazelas psico-
lógicas, Cronenberg mergulha nos
nossos mais íntimos desejos como
o sexo, a masturbação, a condução
perigosa, a prostituição, o adulté-
rio e os vícios. Muitos críticos acu-
saram o filme de ser pretensioso, de
querer chocar gratuitamente ou de
ser apenas interessante para os jo-
vens que queiram ver cenas escal-
dantes no cinema. Revendo o filme,
penso que são as cenas onde que-
remos olhar para o lado que mere-
cem ser vistas, porque são espelhos
dos nossos desejos mais secretos que
Cronenberg nos quer mostrar e que
poucos tenham tido a coragem de
filmar de forma tão coerente. Este
quase “nojo” que se sente, quer em
Dali, quer em Cronenberg, é a nossa
mente educada a lutar com os nossos
instintos mais básicos.
Crescimento e criação de emprego
são objectivos partilhados da direi-
ta á esquerda. Então seria fácil um
entendimento para criar uma saída.
Porque não acontece? Porque sur-
giu um novo paradoxo que se cha-
ma austeridade, mas curiosamente,
até aí se podia chegar a um princípio
de conversa. O problema só come-
ça quando se pergunta, austeridade
para quem? Uns acham que a auste-
ridade é para os pobres, são muitos,
outros taxar os ricos, que tem de-
mais. O que difere afinal é como dis-
tribuir os sacrifícios e não a riqueza,
mas aí ninguém se candidata.
Porque não há ideias que suportem
esta discussão, a conversa fixa-se
nos cortes, nos impostos e o poder
fragiliza-se. A crise que se segue já
não é uma luta entre partidos polí-
ticos, mas uma disputa de confiança
entre o Estado e os mercados. Como
se tem visto na Europa a que perten-
cemos, as pessoas e os países pare-
ce confiarem mais nos mercados do
que no Estado. Quando se discu-
te a austeridade para crescer, é cer-
to e sabido que nada disso garante
mais emprego. O crescimento que
gera emprego é o da economia real,
produtiva, com mais e melhores em-
presas e não o investimento especu-
lativo. Quando precisamos de inves-
timento, falamos de qual?
É aqui que os governos se sentem
prisioneiros e passam a ter que pres-
tar contas a dois eleitorados. Os ci-
dadãos que votam e os elegem e os
credores que os suportam ou derru-
bam com moções de desconfiança
nos mercados. Mas tal pressão não é
feita apenas sobre o governo actual,
mas também sobre os futuros e no
sentido de lhes refrear as promessas
eleitorais. Já não se discute mais os
grandes objectivos, os grandes nú-
meros, entra-se no detalhe e só com
muita imaginação se conseguem
criar pequenas alternativas.
A discussão do Orçamento de
Estado seria um tempo bom para se
fazer pedagogia, as pessoas preci-
sam compreender o mundo em que
vivem. É preciso que o governo e a
oposição, confessem nos momentos
certos as suas fraquezas…Porque
essa é a realidade.
O António Gonçalves reveste os
seus dias de um sonho. O de viver
somente dos pergaminhos da in-
fância e dos caminhos solitários
do Caramulo. De pouco precisa, de
quase nada se alimenta. Só o preen-
chem o pão, o sol, a água e o recor-
te infinito do horizonte da serra.
Desta pobreza voluntária recolhe o
desprendimento interior de todas as
zangas do mundo. De uma avó re-
corda um dito muitas vezes repetido
a propósito das vaidades e ambições
do mundo: “Andamos tão engana-
dinhos». Pretendia ela significar a
condição elementar, mas tão dia-
riamente esquecida, de sermos se-
res para a morte. Para o meu amigo
há só uma maneira de fazer justiça
a esta filosofia de vida da avó. Viver
plenamente cada instante numa nu-
dez primordial, liberto de todo o
ferro velho da civilização material.
É um homem feliz o meu amigo, da-
quela felicidade que se constrói da
aceitação serena do ser. E lê-me des-
prendidamente um outro poema de
juventude:
Quieto,
a olhar devagar a tarde.
Pelo chão, como uma ferida,
a gordura dos dias espalha-se
numa lenta e inútil geometria.
E é em silêncio,
num incêndio todo interior,
que teimo em viver,
e por entre o vazio das sombras
respiro o esplendor
da insignificância de cada
instante.
Foi ainda no ano passado que C
Duncan, graduado em composição
pelo Conservatório Real da Escócia,
captou a atenção da crítica com
Architect, justificando a nomeação
para o Mercury Prize, galardão que
anualmente honra o melhor álbum
produzido por artistas britânicos e
irlandeses. Conservando o singular
carácter do disco de estreia, ao lar-
gar a influência folk para acomodar
atributos da linhagem ambient pop,
C Duncan enriqueceu as suas can-
ções com uma sonoridade não ape-
nas mais brunida e equilibrada, mas
mais introspectiva também. Ao es-
cutá-las, surgem manifestas afinida-
des ao rumo seguido pelos Coldplay
em Ghost Stories, mas The Midnight
Sun apresenta um trabalho mais at-
mosférico e menos emotivo que o
dos londrinos. Embora produzido
na íntegra, design da capa incluí-
do, no apartamento do artista, pelo
próprio, soa como Edelweiss inter-
pretado por um coro de Hollywood
na década de 50, com orquestrações
subtraídas a alguma compilação re-
unindo suaves clássicos das manhãs
de Ibiza. Um artefacto da cena indie
britânica é certo, mas com veemên-
cia para aspirar à conquista de qual-
quer ouvinte, independentemente
da idade ou preferências musicais.
C DUNCAN
The Midnight Sun [Fat Cat]
CRASH 1996 AS FRAQUEZAS DO PODER“ANDAMOS TÃO
ENGANADINHOS”
VÍTOR COSTA
MÚSICA
CRÍTICA
CINEMA
CRISTÓVÃO CUNHA DAVID BARBOSA
LEITURAS
JORGE MARQUES
Escritor e Consultor de Empresas
OPINIÃO
Ter que prestar contas a
dois eleitorados
Ao trocar Londres por Berlim,
Guy Brewer trocou também o
drum’n’bass que, como elemen-
to dos Commix, produzia para a
mais nobre instituição discográfica
do género, a Metalheadz, pelo tech-
no que inevitavelmente associamos
à cidade alemã. Com o terceiro ál-
bum a solo, o conhecimento adqui-
rido, aplicado no novo estilo, aten-
ta à percepção cerebral ao invés de
estimular a dança, aproximando
Shifted bem mais de experimenta-
listas como Coh ou Ntogn, do que
de dj’s que concorrem pelos clubes
nocturnos.
SHIFTED
Appropriation Stories
[Hospital Productions]
É um homem feliz o meu
amigo, daquela felicidade
que se constrói da
aceitação serena do ser
Jornal do Centro
OPINIÃO
26 QUA.
16º / 12º
21 SEX.
19º / 11º
22 SÁB.
17º / 12º
24 SEG.
14º / 7º
23 DOM.
11º / 9º
25 TER.
17º / 11º
TEMPO
27 QUI.
18º / 13º
NÚMEROS NETSONDA
(Fonte: Interpol)
1%
Proporção do dinheiro de
origem criminosa que chega
mesmo a ser apreendido (Fonte: UNESCO)
2046
Ano em que será possível afirmar
que todos os portugueses sabem
ler e escrever
(in Motor Authority)
458,66KM/H
Velocidade máxima que o novo Bugatti Chi-
ron atingiria se não viesse com um limitador
que corta aos 420 Km/h
Olho de Gato
JOAQUIM ALEXANDRE RODRIGUES
PATOS SENTADOS
PUB
1. “Lá vamos, que o sonho é lindo! Torres e torres er-
guendo. Rasgões, clareiras, abrindo”, cantava-se assim
no hino da mocidade portuguesa salazarista, uma can-
toria mais tarde aplicada em força à construção civil.
Patos bravos rasgaram clareiras e abriram urbaniza-
ções de torres e torres nos arredores das cidades. Ao
mesmo tempo, nos quarteirões centrais, as rendas
congeladas foram deitando casas abaixo e, no seu lu-
gar, patos taveiras ergueram pós-modernices envidra-
çadas, o metro quadrado sempre upa-upa, um ai-jesus
para ricos, emigrantes bem-sucedidos, angolanos, vis-
tos gold, ultimamente airbnbs, malta com pilim, di-
nheiro da estranja que em Portugal pilim não há desde
o reinado do magnânimo D. João V.
O estado, a mando do divino espírito santo e seus co-
legas, foi ajudando os patos bravos e os patos taveiras
de três modos: matou o mercado do arrendamento ao
manter as rendas congeladas, deu descontos no IRS às
hipotecas e isentou, por prazos generosos, o imposto
sobre o imobiliário.
É claro que os spreads do divino espírito santo e dos
seus colegas que, como se sabe mas convém relembrar,
não tinham pilim, eram spreads de bancos estran-
geiros aplicados em casas que as pessoas tiveram que
comprar porque não havia para arrendar. É por isso
que a dívida privada portuguesa é muito maior que a
dívida pública.
2. De 2012 a 2015, as câmaras do distrito de Viseu pas-
saram de uma receita de IMI de 26,2 milhões de euros
para 38,5 milhões. Um incremento de 47% nos quatro
anos negros que se seguiram ao resgate.
Porquê? A resposta é simples: as casas não têm rodas.
Os seus proprietários são “patos sentados” (os ingle-
ses inventaram a expressão: “sitting ducks”). As nossas
alegres casinhas, tão modestas e longe do mar, agora já
não têm o bem-bom da isenção de IMI e estão à mercê
dos xutos e pontapés de um estado sem pilim nem ver-
gonha na cara, que, em vez de diminuir despesa, todos
os anos aumenta os impostos.
Mais 47% de IMI. Em quatro anos.
NO MUNDO
DO BRASIL PARA ÉVORA
E A SEGUIR PARA VISEU
Rogério Souza com a sua família
Rogério Almeida de Souza chegou a
Portugal há 16 anos. Em Viseu está há
14. Oriundo de Vila Velha, no estado do
Espírito Santo, no Brasil, decidiu dei-
xar o país natal onde tinha dois empre-
gos (nadador salvador e assistente ad-
ministrativo num serviço de urgências)
porque os “rendimentos auferidos” não
lhe “proporcionavam a estabilidade na
saúde, educação e segurança pretendi-
da”. “Reconheci esta estabilidade na vida
de alguns amigos que já residiam em
Portugal e decidi tentar”, explica.
No nosso país começou por viver em
Évora, onde residiu e trabalhou como
comercial durante dois anos e meio. A
projecção profissional que teve propor-
cionou-lhe a oportunidade de vir tra-
balhar para Viseu, onde ainda hoje se
encontra. No Alentejo não teve gran-
des problemas de adaptação, mas estra-
nhou quando veio viver para a cidade de
Viriato pois sentiu algumas dificuldades
na relação com os empresários, já para
não falar do processo de regularização.
“Em Viseu senti muito mais problemas
de adaptação que em Évora, principal-
mente por ser estrangeiro. Enquanto em
Évora usava o meu sotaque como uma
mais-valia na área comercial residencial,
aqui tornou-se um problema. Confesso
que tentei deixar o meu sotaque, mas
não consegui”.
Fruto dessas complicações, deixou de
lado o emprego como comercial e pas-
sou a ser motorista numa empresa de
transporte de aves vivas. Hoje é Pastor
Evangélico, presidente e cofundador
da “Igreja Evangélica Restaurada em
Cristo”, fundada em outubro deste ano
na “Rua das Bocas”. É também presiden-
te da Associação de interculturalidade e
solidariedade social Mundificar.
Rogério Almeida de Souza sente sau-
dades das praias do seu Estado, da gas-
tronomia, dos familiares e amigos com
quem vai falando pela Internet o que
ajuda a encurtar a distância. Garante
que gosta “muito de Portugal”, de
“Viseu em geral, da Saúde, Educação,
Segurança, da parte histórica, do verde
e da calma da cidade”. O que não gosta
em Viseu e no país em geral “é o estigma
que é imposto aos cidadãos brasileiros
devido à escolha de alguns”. “As mulhe-
res têm uma má fama injustamente de-
vido a generalização e os homens tam-
bém acabam por ser estigmatizados”.
Voltar ao Brasil é uma possibilidade,
mas só se se registarem “muitas altera-
ções drásticas”, principalmente na “polí-
tica e segurança pública”.

Jornal do Centro | 758

  • 1.
    P.9 JUSTIÇA 10 21 OUT. 2016 António Figueiredo Diretor Nº758 SEMANÁRIO 6ªF 1€ (IVA INCLUÍDO) INDEPENDENTE • PLURAL REGIONAL • INOVADOR C M Y CM MY CY CMY K ORELHA_JORNALPRODUÇÃO.pdf 1 19/10/16 13:59 AO CENTRO P.2 / REGIÃO P.4 / ENTREVISTA P.30 / CULTURA P.31 / DESPORTO P.32 / OPINIÃO P.37 / CRÍTICA P.39 P.6 REGIÃO “VISEUARENA” NOMULTIUSOS SÓDENTRO DEDOISANOS P.7 VISEU CASA DAS BOCAS METE ÁGUA ENTRE CÂMARA E SAÚDE P.31 CULTURA COMIDA E FUTEBOL NO PALCO DO NACO P.34 DESPORTO HÁ DÉRBI DAS BEIRAS NO FONTELO P.19 ESPECIAL FEIRA DA MAÇÃ DE ARMAMAR Denúncia da CDU, na Assembleia Municipal, encaminhada para o Ministério Público Candidato a juíz social suspeito de assédio sexual P.13 LAMEGO Memórias e relatos de mortes violentas P.4 INFOGRAFIA Abortos aumentam no Hospital de Viseu Interrupção da gravidez por opção da mulher cresce 10% Dez anos de crimes no distrito 23.OUT 16h00
  • 2.
    2 21 OUT AO CENTRO AUTÁRQUICAS2017 Texto Sandra Rodrigues Os “assaltos” às câmaras e os jogos de bastidores Nesta edição, o Jornal do Centro dá a conhecer os cenários que se colocam aos municípios durienses nas Eleições Autárquicas de 2017. A última etapa do dossiê sobre este pro- cesso eleitoral termina na próxima edição com os candidatos e as escolhas que se vão fazer na região Viseu Dão Lafões O PS quer repetir a vitória nas autárquicas de 2017 para man- ter a presidência da Associação Nacional de Municípios, mas o PSD joga tudo por tudo para re- conquistar alguns dos municí- pios que já lhe pertenceram. No distrito de Viseu, nos concelho que fazem parte do Douro, se a maioria não deverá mudar de “figura”, há outros em que se vai jogar o tudo ou nada. É o caso de Resende que continua a ser o concelho em que o PS tem o “monopólio” mas o PSD quer ir “ao fruto proibido”. É tam- bém aqui que a coligação está tremida. Moimenta da Beira ainda está em preparação e em Cinfães há a possibilidade de re- gressar um “dinossauro”, mas pelo partido contrário. Com todo este cenário, Bloco de Es- querda e CDU querem é conso- lidar as suas presenças. No distrito de Viseu, nas pró- ximas autárquicas três autarcas do PSD não se podem recan- didatar. São eles Francisco Lo- pes (Lamego), Luís Vasconcelos (Oliveira de Frades) e Alexan- dre Vaz (Sátão). O PS detém 11 autarquias, o PSD as restantes 13, das quais três em coligação com o CDS- -PP. Concelhos analisados nesta edição Concelhos a analisar na próxima edição Concelhos analisados na edição anterior
  • 3.
    3 21 OUT AO CENTRO EmResende, a coligação que foi acordada entre o PSD e o CDS há três anos está em vias de divórcio. Este é um dos municípios em que o acordo está em “coma induzido”. Nas últimas autárquicas, Jaime Al- ves foi o nome avançado para ten- tar que o PS não continuasse no poder, mas os resultados ficaram muito aquém das expetativas. Ago- ra, a um ano de um novo processo eleitoral, não há entendimento nos lugares que cada partido ocupa na lista que seria apresentada. “A co- municação que nos é dada é que o PSD prevê rever o acordo de coli- gação mas para pior. A isso nós di- zemos não. O PSD tem de perce- ber que os interesses do concelho estão acima dos interessantes do militantes. Porque é que os lugares eram bons há quatro anos e ago- ra têm de ser revistos? Porque pre- vê agora que tenha uma vitória e o PSD quer ter mais lugares?”, ques- tiona fonte do CDS. Aliás, uma po- sição que vai ao encontro do que Hélder Amaral, presidente da Dis- trital, tem defendido de que não há “coligações de conforto”. O PSD de- verá avançar com o nome do pro- vedor da Santa Casa da Misericór- dia Jaime Alves. Este é um dos municípios durien- ses onde o PS sempre esteve em van- tagem. Liderado por António Bor- ges durante três mandatos, Manuel Garcez Trindade foi quem ficou a substituir o antigo presidente que assumiu o lugar de líder da Assem- bleia Municipal. O nome do atual deputado e líder da Federação Dis- trital do PS (que também foi fala- do para ser candidato em Lamego) pode voltar a estar em cima da mesa para não deixar cair o poder socia- lista, mas tudo dependerá então do candidato que o PSD apresen- tar. Por outro lado, António Borges quererá levar até ao fim a sua fun- ção na Assembleia da República. RESENDE PSD QUER “ASSALTAR” A CÂMARA MAS CDS NÃO GOSTA DO JOGO Em Cinfães, quem mandava era o PS e quem manda ainda continua a ser o mesmo parti- do. Mas não se avizinham bons tempos para os socialistas que querem manter a autarquia li- derada por Armando Mourisco. É que há um antigo conhecido que poderá querer avançar, mas pelo partido oposto. Pereira Pinto foi ex-presiden- te socialista de Cinfães e quer muito voltar à autarquia que deixou por causa da limitação de mandatos. Não seria tudo mal (o PS até poderia chegar a um entendimento quanto ao candidato a apresentar), não fosse o facto do ex-autarca co- locar a hipótese de voltar, mas com o apoio do PSD coligado com o CDS. No município que pertence à região do Tâmega e Sousa, fala-se de uma eventual “vingança” por a filha de Pereira Pinto ter sido afastada da autar- quia, num processo que envol- ve alegadas fraudes com fundos comunitários. Resta agora saber se o PSD está disposto a receber de braços abertos um “inimigo” e se o anterior candidato, Manuel Pi- nheiro, deixa de ser o “homem de combate” dos sociais demo- cratas. CINFÃES O REGRESSO DE UM “DINOSSAURO SOCIALISTA”... PELO PSD Em Moimenta da Beira, o PSD antes de escolher um candida- to para defrontar José Eduardo Ferreira (PS) tem que conseguir eleger uma Comissão Política. É que este órgão partidário já de- veria ter ido a eleições, mas há uma “falha” de candidatos ou, antes, um ainda “não entendi- mento” sobre os nomes que de- vem liderar esta secção. José Governo, que foi chefe de gabi- nete de José Cesário, ex-secretá- rio de Estado das Comunidades, já se mostrou disponível, assim como ser também o candidato à Câmara nas eleições de 2017. Mas, o nome dentro do PSD, mesmo a nível Distrital, não é o que recolhe mais “aplausos”. Outro nome que poderia liderar a Concelhia e também ser uma possível escolha para a Câmara é o de Paulo Figueiredo, técni- co superior da autarquia. No en- tanto, fonte do partido adianta que este militante social demo- crata, apesar de estar em boa posição para reconquistar a Câ- mara socialista, só o deverá fa- zer quando o atual presidente não se recandidatar. À espera de uma decisão do PSD está o CDS-PP, partidos que con- correram juntos em 2013. Esta é uma coligação que será para man- ter, frisou já o líder da Distrital centrista. O PS tem a vida mais facilitada. José Eduardo Ferreira volta a ser o candidato, mas é o seu último mandato. O autarca foi o respon- sável por em 2009 ter conquistado uma câmara onde o PSD foi poder autárquico durante décadas. MOIMENTA DA BEIRA HÁ NOMES DISPONÍVEIS MAS CONCELHIA DO PSD NEM CANDIDATO TEM AINDA Em Armamar, PSD e CDS são os úni- cos partidos no executivo. Trata-se de um município atípico, tendo em con- ta que desde o 25 de Abril de 1974 é di- rigido pelo PSD, sem alternância. Nas eleições autárquicas de 2013, os so- ciais democratas elegeram quatro ele- mentos para o executivo (o presidente é João Paulo Fonseca) e o CDS elegeu um vereador. Para o próximo ano não seprevêemalterações.OPSDcontinua a recandidatar João Paulo Fonseca e o CDS, até porque é o mais natural, de- verá avançar novamente com Luís Pai- va Cardoso Pinto. Pelo PS, o nome em cimadamesacontinuaaserodeAmé- ricoTeixeiraMoreira. Já S. João da Pesqueira foi um dos municípios no distrito de Viseu (o outro foi S. Pedro do Sul) onde con- correram Grupos de Cidadãos. “Pela Nossa Terra” elegeu dois vereadores e Manuel Natário Cordeiro deve- rá voltar a liderar uma candidatura independente. De resto, José Tulha, atual presidente da Câmara, assume- -se como candidato pelo PSD. No PS e CDS ainda não há nomes assumi- dos. Em Penedono, o cenário é idên- tico. Carlos Esteves, eleito pelo PSD, segue para mais um mandato. Em Sernancelhe é Carlos Silva Santia- go (PSD) que continua a ser “o dono e senhor” do município. Nestes dois concelhos, caberá aos restantes par- tidos apresentarem nomes que consi- gam inverter o cenários das últimas autárquicas. Em Tabuaço, fala-se no regresso de João Ribeiro (PS), numa autarquia que está a ser governada por Carlos Carvalho em coligação entre o PSD eoCDSequedeveráserparamanter. ARMAMAR, SERNANCELHE, S. JOÃO DA PESQUEIRA, TABUAÇO E PENEDONO POR OCEANOS MAIS OU MENOS PACÍFICOS
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    4 21 OUT REGIÃO As interrupçõesda gravidez (IG) aumentaram em 2015 no Centro Hospitalar Tondela Viseu, relativa- mente ao ano de 2014, de acordo com o relatório “Registos das Interrupções da Gravidez 2015”, dispo- nibilizado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). Houve mais interrupções por opção da mulher, assim como por grave doença ou malformação do nascituro. Nú- meros que estão em contracorrente quando compa- rados com os dados a nível nacional. Em Portugal, as interrupções da gravidez continuaram a diminuir em 2015, tendo registado o número mais baixo desde 2008. Por opção da mulher diminuíram 1,9% entre 2014 e 2015. Em 2015 foram realizadas 16454 interrupções de gravidez. Tal como já aconteceu em anos anteriores, as interrupções da gravidez por opção da mulher nas primeiras 10 semanas constituem cerca de 96,5% do total das interrupções realizadas. O segundo motivo mais frequente de IG é: “grave doença ou malformação congénita do nascituro” com 423 registos (2,6%). De acordo com o relatório, quando se consideram as interrupções da gravidez por todos os motivos, verifi- ca-se que 71,3% das intervenções são realizadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que correspon- deu a um aumento de 0,3% relativamente a 2014. Os relatórios anuais de Interrupção de Gravidez (IG) são elaborados a partir dos registos efetuados na base informática sediada na Direção-Geral da Saúde (DGS). Interrupções da gravidez em ViseuTexto Sandra Rodrigues / Infografia Tânia Ferreira Total de interrupções da gravidez FEITAS NO HOSPITAL S. TEOTÓNIO EM VISEU 328(em 2014) 362(em 2015) Interrupção da gravidez por região NORTE CENTRO LVT (Lisboa e Vale do Tejo) ALENTEJO ALGARVE 56,43% 9458 0,73% 123 6,75% 1132 23,23% 3894 11,54% 1935 57,72% 9497 1,15% 190 6,69% 1100 22,46% 3696 10,81% 1778 Motivo de interrupção da gravidez NO HOSPITAL DE VISEU Por opção da mulher 310 em 2014 > 354 em 2015 Grave doença ou malformação congénita do nascituro 15 em 2014 > 7 em 2015 Evitar perigo de morte ou grave e duradoura lesão para a saúde física ou psíquica da grávida 2 em 2014 > 0 em 2015 Único meio de remover perigo de morte ou grave lesão p/ o corpo ou p/ a saúde física ou psíq. da grávida 1 em 2014 > 1 em 2015 2014 2015
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    6 21 OUT REGIÃO Os trabalhadoresdo setor da restau- ração existente na secular Feira de S. Mateus de Viseu chegam a estar ao serviço 12 horas por dia e muitos só ganham à comissão, o que acontece normalmente com quem está afeto ao serviço de mesas. Grande parte das pessoas empregadas nos restaurantes instalados no certame não faz qualquer tipo de desconto para a Segurança Social por interesse mútuo. Os jovens fá-lo-ãoparanãoperderemasbolsasde estudo. Estes casos foram denunciados ao Jornal do Centro por várias pessoas que nos últimos anos trabalharam na feirafranca. O Sindicato de Hotelaria do Centro diz ter conhecimento destas situações, que são admitidas “pelos trabalhadores pela necessidade que têm de ocupar o seu tempo naquele período do ano e pelo rendimento que tiram”. “Não conseguimos quantificar, mas temos conhecimento que uma grande parte dos trabalhadores na feira trabalha so- bre uma pressão muito grande. Há um desrespeito muito grande em relação à contratação coletiva e aos direitos dos trabalhadores”, refere o sindicalista AfonsoFigueiredo. Jorge Loureiro, vice-presidente da As- sociaçãodaRestauraçãoeSimilaresem Portugal (ARESP), diz que não chegou à organização “nenhuma reclamação ou denúncia” relacionada com a Feira de S. Mateus, ainda que admita que possaexistir“umcasoououtrodeuma situação de excesso de horas” fruto do afluxo de clientes aos espaços de restauração. Quanto às remunerações dos funcionários, sublinha que isso depende da negociação que é feita por cadapessoa. ACTfiscalizoueventoem2015 Contactada pelo Jornal do Centro, a Autoridade para as Condições do Tra- balho (ACT) garante que “tem estado atenta a esta tipologia de eventos”, em concreto à Feira de S. Mateus onde o organismo “desenvolveu [uma] ação inspetiva em 2015 em todos os res- taurantes, os quais tinham ao serviço 94 trabalhadores, todos com idade legal para prestar trabalho”. “Esta ação inspetiva privilegiou a eventual deteção detrabalhonãodeclarado,organização dos tempos de trabalho, segurança e saúde dos trabalhadores. Foram encontrados dez trabalhadores não declarados e no tocante à organização dos tempos de trabalho e segurança e saúde foram detetadas algumas irre- gularidades. Contudo, na sequência da intervenção da ACT, todos os empre- gadores promoveram a regularização das situações de infração verificadas”, adianta a organização. “Apesar de este ano não ter sido possível desencadear ação inspetiva na Feira, a ACT cons- tatou que todas as entidades, objeto de ação inspetiva em 2015, promoveram a declaração dos seus trabalhadores”, acrescenta. ViseuMarcadesconhececasos A direção da Viseu Marca, entidade organizadora da Feira de S. Mateus, garante desconhecer “o registo de quei- xas de trabalhadores de empresas de restauração ou de qualquer outro setor de atividade a respeito de incumpri- mentos da legislação laboral” na edição deste ano do evento. “A Viseu Marca não tem competências legais para regular e fiscalizar as relações laborais das mais de 300 empresas expositoras na Feira, responsabilidades que cabem exclusivamente às autoridades públicas competentes, como a ASAE ou a Inspeção para as Condições do Tra- balho. Todavia, a Viseu Marca espera e reclama das empresas expositoras o estrito cumprimento da legislação em vigor nas diversas áreas aplicáveis, incluindo as laborais. Por esse motivo, a associação poderá excluir em futuras edições [do certame] empresas que comprovadamente tenham incumpri- do de forma grave a legislação nacional emvigor”,informa. Num esclarecimento ao Jornal do Cen- tro, a direção da entidade dirigida por João Cotta sublinha ainda ter “sensibi- lizado os operadores quanto à neces- sidade de dar estrito cumprimento às leis do trabalho, a que estão obrigados, sabendo que a natureza temporária da Feira acarreta vínculos laborais transi- tórios e a prática (corrente de resto nos setores comerciais) de comissões sobre venda”.–JRF VISEU ACT ENCONTROU DEZ TRABALHADORES ILEGAIS NA FEIRA DE S. MATEUS EM 2015 PAVILHÃO MULTIUSOS VISEU ARENA ENTRA EM OBRAS NO PRÓXIMO ANO E VAI TER CAPACIDADE PARA QUATRO MIL PESSOAS COM META PARA ARRANCAR EM 2018, O “NOVO” ESPAÇO PERMITIRÁ A VISEU ENTRAR NO ROTEIRO NACIONAL DOS ESPETÁCULOS, COM DESTAQUE NO EIXO REGIÃO CENTRO, VILA REAL, SALAMANCA Atransformação do Pavilhão Multiusos em “Viseu Arena” deverá começar no próximo ano, depois da realização da Feira de S. Mateus. Até ao final do ano, o espaço vai continuar a receber os eventos que já estão para lá progra- mados. O projeto deverá fcar pronto em julho de 2017. O protocolo foi assinado entre a autarquia, a Viseu Marca e o Arena Pavihão (sociedade gestora do Meo Arena). A Câmara fica responsável pela requalificação do equipamento que englobará um “upgrade” não só ao nível da infraes- trutura, como também tecnológico e de segurança. Já a Arena Atlântico compromete-se a apresentar uma programação, enquanto que a Viseu Marca fica responsável por promo- ver o Pavilhão e criar um plano de negócios, até para que o investimen- to seja autossustentável. Para o presidente da Câmara de Vi- seu, Almeida Henriques, a interven- ção profunda vai permitir qualificar a sala para quatro mil lugares, “a maior da região Centro”. Por outro lado, a presença da sociedade gestora do Meo Arena vai contribuir para que Viseu venha a “receber espetáculos de média e grande dimensão” e colocar a cidade no “roteiro nacional de espetáculos”. “Contamos ter entre 15 a 20 eventos a passar anualmente por Viseu, desde bailado, ópera ou revista”, anunciou. O que é a Arena Atlântico A Arena Atlântico é uma sociedade que tem como objeto social a gestão, exploração e manutenção de pavilhões multiusos, de outros recintos de espetáculos ou de quaisquer outros espaços adequados à realização de eventos de natureza diversa, bem como a promoção e realização de eventos, desenvolvendo todas as atividades acessórias ou conexas com aquelas, tendo a seu cargo, há mais de 15 anos, a gestão e a exploração do MEO Arena, equipamento de grande dimensão com capacidade de acolhimento de eventos de natureza diversa, nomeadamente de âmbito desportivo, cultural e social. É também detentora da Blueticket , empresa que assegura a bilhética e o controlodeacessosdosgrandeseventos eespaçosdenorteasuldopaís. “Uma cidade que se quer assumir cada vez mais como cidade de cultura e eventos tem de estar nestes circuitos”, conclui Almeida Henriques. – SR
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    7 21 OUT REGIÃO ACâmara Municipalde Viseu é a dona e a responsável pe- las obras da Casa das Bocas (imóvel que será transformado em Unidade de Saúde Familiar), mas acabou por ter de assumir também os encargos de manutenção caso ocorram infiltrações de água no edifício. Este foi um “acrescento” feito ao acordo entre a autarquia e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro e que inicialmente não estava previsto. Tudo porque a Câmara de Viseu optou por defender uma solução técnica de impermeabilização do rés-do-chão do imóvel que não terá sido aceite pelos técnicos da ARS. O protocolo de cooperação será agora aprovado na próxima reunião do executivo. “Será responsabilidade municipal a eventual necessidade de correção dessa solução ou a reposição das suas condições no caso de ocorrerem in- filtrações de água nesse mesmo pata- mar”, explica, em nota, a autarquia. Edifício “sofre de enormes patologias” Uma fonte ligada a este processo contou ao Jornal do Centro que a Casa das Bocas é um edifício que “sofre de enormes patologias” e que a solução encontrada para a impermeabilização (no projeto feito por uma empresa a pedido da responsável da obra – SRU) “não foi a mais correta”, razão pela qual a ARS rejeitou assumir o encargo. Disse ainda lamentar que a autar- quia se tenha colocado ao lado de uma solução “má” e que levou a que se tivesse criado um “mau estar, até no seio da própria SRU”. “Acabou por haver uma guerra muito acesa entre as duas entidades e reuniões mais acaloradas”, disse. “O problema é que os prazos – a obra é candidata a fundos comunitários – não deixa- ram que fossem feitas alterações”, frisou ainda. Já a autarquia viseense justificou que no contexto dos projetos de obra, a “Câmara Municipal de Viseu optou por uma solução técnica de impermeabilização do rés-do-chão do imóvel (dada a localização da Casa das Bocas), entre várias opções técnicas estudadas. A análise foi realizada pelos técnicos responsáveis pelo projeto e suportada em várias consultas a especialistas externos, tendo sido validada nomeadamente por especialistas ligados à Universi- dade de Coimbra e à Universidade da Beira Interior, que apontam para as vantagens da solução preconizada”. Também a ARS Centro, que recor- dou que o protocolo foi celebrado em 30 de junho de 2015, explicou que o que “efetivamente ocorreu foram alterações na obra de âmbito técnico, consensualmente definidas por técnicos da autarquia e da ARSC”, entidade a quem caberá a responsa- bilidade de manutenção do equipa- mento. “Ou seja, toda a manutenção e reparação do restante edifício e do equipamento continuará a cargo da ARS”, reforça a autarquia viseense. Unidade de Saúde Familiar para 18 mil utentes A Casa das Bocas está localizada na rua João Mendes (conhecida por rua das Bocas). Vai receber a futura Unidade de Saúde Familiar, num investimento superior a 1,8 milhões de euros. A casa foi adquirida pela autarquia há cerca de dois anos pelo valor de 230 mil euros e vai servir 18 mil utentes. “Quer a fachada, quer as duas escadarias, serão mantidas e depois todo o resto do edifício será requalificado”, explicou Almeida Henriques, presidente da Câmara, aquando da aprovação do proje- to de reabilitação que aconteceu recentemente. A obra deverá ser adjudicada no primeiro semestre do próximo ano, tendo depois um prazo de execução de um ano e meio. IMÓVEL QUE VAI SER TRANSFORMADO EM UNIDADE DE SAÚDE FAMILIAR ESTÁ LOCALIZADO NUMA ZONA DE TERRENOS COM POUCA DRENAGEM DE ÁGUA. TÉCNICOS RECEIAM INFILTRAÇÕES E FALAM EM “MÁ ESCOLHA” DO PROJETO. AUTARQUIA GARANTE QUE CONSULTOU ESPECIALISTAS EXTERNOS E QUE SOLUÇÃO APRESENTADA É A MAIS VANTAJOSA EDIFÍCIO NA RUA JOÃO MENDES Texto Sandra Rodrigues “ÁGUA”NACASADASBOCASLEVAAUTARQUIADEVISEU AASSUMIRMANUTENÇÃOEMCASODEINFILTRAÇÕES
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    8 21 OUT REGIÃO Mais doque um “bom balanço”, o presidente da Câmara de Viseu afir- ma que nos últimos três anos foram lançadas “muitas boas sementes à terra” para a concretização de plano de desenvolvimento local – Viseu Primeiro – com o qual o autarca apresentou-se à autarquia há três anos. Esta é a mensagem que Al- meida Henriques deixa no encontro que a Comissão Política Concelhia do PSD promove este sábado (22 de outubro) para assinalar os três anos de mandato. “Desde o início que temos como imagem de marca deste mandato o estímulo da democracia e, por isso, criámos, por exemplo, os vários fo- runs e conselhos estratégicos. É neste sentido que surge este encontro de debate e reflexão”, salienta Almeida Henriques. Aos colegas de partido, o autarca vai deixar um balanço virado para o futuro. Destaca as concretizações e o trabalho conso- lidado nas várias áreas, entre elas a captação do investimento. “Dia 8 de novembro vamos inaugurar o centro de competências da IBM, este será um dos momentos mais importantes de Viseu nos últimos anos. Estamos a falar de um investimento que nos coloca numa vertente em que nunca estivemos. Entramos no domínio avançado do investimento e da tecnologia com alto valor acrescen- tado”, salienta, frisando que em três anos “criámos, efetivamente, 1200 novos postos de trabalho”. Almeida Henriques refere ainda o investi- mento nas freguesias, na ordem de 22 milhões de euros, ou o salto qualitativo e de “coesão que se está a dar no centro histórico”. “Ainda te- mos muito trabalho pela frente, mas estamos a trilhar um caminho para chegarmos a trabalho consolidado”, conclui o autarca que anunciou já a sua recandidatura a um novo man- dato à frente da Câmara de Viseu. SR ALMEIDA HENRIQUES FAZ BALANÇO TRÊS ANOS DE MANDATO COM “BOAS SEMENTES NA TERRA” CORREÇÃO Na última edição demos conta que a melhor nota de ingresso no Insti- tuto Politécnico de Viseu pertence a Beatriz Miranda, residente em Abraveses e por lapso foi referido que tinha sido aluna da Escola Secundária Alves Martins. Beatriz Miranda frequentou a Escola Se- cundária de Viriato. POLÍTICA Texto José Ricardo Ferreira UM MILHÃO E 700 MIL EUROS PARA OBRAS NA URGÊNCIA DO HOSPITAL DE VISEU O ORÇAMENTO DE ESTADO CONTEMPLA UMA VERBA PARA UMA INTERVENÇÃO HÁ MUITO RECLAMADA PELAS FORÇAS VIVAS DA REGIÃO NO S. TEOTÓNIO. DEPUTADOS DA DIREITA ANALISAM DOCUMENTO. CONTACTADOS, OS PARLAMENTARES DO PS NÃO ESTIVERAM DISPONÍVEIS As obras de requalificação e ampliação das urgências no Hospital de S. Teotónio, em Viseu, têm uma dotação de cerca de um milhão em 700 mil euros inscrita no Orçamento de Estado (OE) para 2017, de acordo com fonte do governo. Esta é uma intervenção há muito reivindicada na região, mas que até agora não saiu da gaveta. As últimas obras realizadas no serviço de urgência foram há doze anos por alturadoEuropeudeFutebolde2004. Segundo responsáveis hospitalares, “o atual espaço torna-se exíguo para dar resposta a todas as solicitações tendo em conta não só o volume de utentes, mas também a sua tipologia que tem vindo a aumentar de gravidade. As urgências do Hospital de Viseu tam- bém dão resposta a utentes da Guarda e Cova da Beira”. Em 2014 o projeto foi apresentado ao ministro da tutela do executivo PSD-CDS, mas nunca saiu do papel. A Liga dos Amigos da unidade hos- pitalar acusou na altura a Adminis- tração Regional de Saúde do Centro de mais uma vez “dizer que não há dinheiro para as obras nas Urgências de Viseu”. O documento “Este Orçamento de Estado é o pior que me lembro da minha atividade política”. A afirmação é do deputado do CDS-PP eleito pelo distrito de Vi- seuHélderAmaralenofundoresume o que a oposição de direita tem a dizer sobre a proposta que foi apresentada háprecisamenteumasemanapelogo- verno socialista chefiado por António Costa. Para o parlamentar centrista, este é o pior orçamento de todos porque a chamada geringonça o criou tendo por base pressupostos (acabar com a austeridade, devolver rendimentos e crescimento económico) que não vão ser alcançados. Hélder Amaral critica o aumento de impostos no setor imobiliário que vai penalizar o comércio e a subida dos combustíveis, medidas que, defende, vão ser “mortais para o interior”. Os reparos não se ficam por aqui, Hélder Amaral lamenta igualmente que o documento seja “um completo deserto” no que toca a obras públicas no distrito. “Do ponto de vista de melhorar as acessibilidade quer seja na ferroria, quer seja na rodovia tem zero este orçamento e portanto o distrito de Viseu tem razões para estar desiludido e preocupado porque este orçamento não tem nenhuma perspetiva de futuro e não nos traz nenhuma boa notícia”, diz. De positi- vo o centrista só destaca a majoração de 15 por cento para as empresas nos programas 2020. Já o deputado do PSD Pedro Alves considera que o OE para 2017 “vem demonstrar que o governo mantém como permanente a austeridade, contrariando aquilo que foi dito quando tentou formar governo com uma maioria de esquerda”. Para o social-democrata, o documento reforça também as “desigualda- des e injustiças sociais”, dando como exemplo as pensões. “Não se compreende um governo que se diz preocupado com os mais desfa- vorecidos manter ou reforçar esta desigualdade. Não é mais do que um orçamento cheio de embustes e de truques”, argumenta. Quanto às obras públicas, Pedro Alves vai esperar para ver qual vai ser o orçamento do Ministério das Infraestruturas. O deputado PSD acalenta a esperança de as obras de requalificação das urgências do Hospital de S. Teotónio (entretanto anunciadas) poderem finalmente sair do papel por “se encontrar garantido o investimento através dos fundos comunitários, via FEDER”. “Deverá haver a comparticipação nacional correspondente ao Ministério da Saú- de para poder concluir a obra. Julgo que este é o único investimento que está previsto por este governo social comunista”, rematou. O Jornal do Centro tentou em vão obter uma reação dos deputados do PS eleitos pelo círculo de Viseu.
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    9 21 OUT REGIÃO Há localidadesna região de Viseu cujo nome está associado a acontecimentos que chocaram a sociedade. Crimes que, mesmo cometidos há décadas, não cairam no esquecimento pelo horror que provocaram e as marcas que deixaram. Casos que acordaram populações para o “monstro” que pode viver mesmo ao lado. Nos últimos dias, todo o país esteve com os olhos postos no homicida de Aguiar da Beira, local onde Pedro Dias terá atirado a matar em duas pessoas e deixou outras duas feridas. Aconteceu nos primeiros dias de outubro de 2016 e a história ficará, de certeza, na memória por muito mais tempo. Foi assim com o “serial killer” de Santa Comba Dão, o “monstro” de S. João da Pesqueira ou o “carrasco” de Joana Fulgêncio. Mais ou menos mediáticos, a história está repleta de assassinatos que obrigaram autoridades policiais a lidarem com novas formas de investigação e populações a terem de conviver com a ideia de que pode acontecer em qualquer altura, a qualquer um e na porta ao lado. Nas páginas seguintes, alguns dos crimes que fizeram manchetes na última década e cujos autores foram dos que maior números de anos de cadeia apanharam Crimes da vida real e com penas elevadas na justiçaTexto Sandra Rodrigues
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    10 21 OUT REGIÃO PALITO MATOUDUAS MULHERES E ANDOU FUGIDO À POLÍCIA EM S. JOÃO DA PESQUEIRA Foi em abril de 2014. Manuel Baltazar interrompeu uma tarde que estava destinada à confeção de bolos para a Páscoa. De caça- deira em punho, matou a ex-sogra e uma tia da ex-mulher. Tentou ainda terminar com a vida da filha e também da ex-mulher, embora em julgamento tenha sempre negado a intenção. Depois de consumados os atos, desapareceu e esteve 34 dias fugido às autoridades. Foi “caçado”, julgado e apanhou 25 anos de cadeia. Dois anos depois dos acontecimentos, filha e mãe ainda vivem com as mazelas (físicas e psicológicas – vivem em constante desconfiança, por exemplo) deste crime que uniu mais do que separou uma comunidade em Trevões, S. João da Pesqueira. Sobre o homem conhecido por “Palito”, a po- pulação foi unânime em o condenar pelos crimes cometidos, mas a “perdoar-lhe” a obsessão que tinha pela ex-mulher. SERIAL KILLER MATOU TRÊS JOVENS EM SANTA COMBA DÃO É considerado um dos mais macabros crimes da história de Portugal. Um ex-cabo da GNR foi o responsável pela morte de três jovens, suas vizinhas. Matou-as, escondeu os corpos e andou a ajudar a polícia a tentar resolver o mistério. Foi em junho de 2016, em Santa Comba Dão. António Costa, que ficou conhecido como o “serial killer” residia em Cabecinha de Rei, próximo das três jovens assassinadas: Isabel Isidoro, Joana Oliveira e Mariana Lourenço. Conhecia-as desde crianças e mantinha um contacto quase diário com as respectivas famílias. A descoberta de que era o autor do desparecimento e morte das vítimas provocou uma ‘onda de choque’ e sentimentos de revolta na população local, incrédula pelas atrocidades atribuídas ao ex-GNR. Isabel Isidoro terá sido a primeira vítima do antigo militar da GNR: a jovem desapareceu a 24 de Maio de 2005, mas os pais não comunica- ram o sucedido às autoridades, por pensarem que tinha emigrado para França. O cadáver foi encontrado a 31 de Maio de 2005 na praia da Figueira da Foz. O corpo de Mariana Lourenço - a segunda jovem a desaparecer, em Outubro de 2005 - foi encontrado no rio Mondego, na zona de Penacova: uma parte a 01 de Junho de 2006 e as pernas a 28 do mesmo mês. Joana Oliveira foi a última das jovens a desaparecer, alegadamente no percurso entre a escola onde estudava e a sua residência, a 8 de Maio de 2006, tendo o seu corpo sido encontrado a 24 de Junho, igualmente no rio Mondego, na barragem da Aguieira. Em 2007, o “serial killer” foi condenado a 25 anos de prisão que está a cumprir no estabelecimento em Santarém. Recentemente, a família tentou que fosse transferido para Coimbra para o poder ver com mais frequência, mas a solicitação foi recusada. França. O cadáver foi encontrado a 31 de Maio de 2005 na praia da MATOU NAMORADA À MARRETADA E DEIXOU-A NA BARRAGEM DE FAGILDE (VISEU) Inspirou um filme e chamou a atenção para a vio- lência no namoro, trazendo para o debate público um problema silencioso. Foi o caso de Joana Fulgên- cio, a jovem que foi morta em 2009 à marretada pelo namorado e que a atirou dentro de um carro para uma ravina da Barragem de Fagilde, em Viseu. O rapaz, agora a chegar aos 30 anos, tinha 22 quando cometeu o crime. Em Tribunal admitiu que o relacionamento que mantinha com Joana Fulgêncio era conflituoso e com discussões frequentes. A 17 de novembro encontrou-se com a jovem estudante de Comunicação Social, no centro Comercial ‘Fo- rum’, em Viseu, com o propósito de “conversarem” e “fazerem as pazes”, seguindo depois para um pinhal, em Teivas, que frequentavam para “fazer amor”. Neste mesmo pinhal e após discutirem, foi à bagageira do seu carro e pegou numa marreta com a qual acabou por lhe tirar a vida. Horas depois do crime, fingiu para as autoridades que tinha sido víti- ma de carjacking e que não sabia da namorada. Foi “traído” pelas câmaras de filmar de um bar junto à Barragem de Fagilde. O assassino, David Saldanha, foi julgado em 2010 e apanhou 18 anos de cadeia. Para a família de Joana Fulgêncio está longe de terminar este caso. A mãe, para quem a “ausência incomoda e tortura constantemente”, sempre disse que a história não pode acabar aqui.
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    11 21 OUT REGIÃO DEGOLADA COMFACA DE COZINHA À FRENTE DOS DOIS FILHOS EM LAMEGO Lília Monteiro tinha 20 anos quando o ex-compa- nheiro acabou com a vida desta jovem. Munido de uma faca, o homem degolou a vítima e nem a presença dos filhos, um de quatro anos, o outro de três meses, o impediu de levar avante a sua intenção. Uma tragédia “anunciada”. A jovem mãe tinha saído de casa por estar farta de “levar porrada”. Duas semanas depois, na manhã do 10 de junho de 2011, o assassino parou a motorizada à frente da casa onde a vítima se tinha refugiado. Após uma discussão, arrastou-a para a casa de banho e cortou-lhe o pescoço com uma faca de cozinha. Em Tribunal, testemunhos confirmaram que o menino de três anos não parava de gritar que a mãe deitou muito sangue... O casal era de Vila Verde, Resende, mas escolheu ir morar para Lamego. Cinco anos depois, os militares da GNR que ocorreram ao local ainda se recordam de ter visto o pai com os filhos à espera que as autoridades chegassem. O homem foi julgado e apanhou 18 anos de cadeia. MULHER LEVOU PORRADA, FOI ATINGIDA A TIRO E ACABOU POR MORRER AFOGADA NA CUNHA BAIXA O assassinato de Carla Silva aconteceu em 2007, na Cunha Baixa, em Mangualde. O autor foi o marido. Apanhou 20 anos de cadeia e o Tribunal deu como provado a “brutal violência empregue” e “vontade criminosa muito intensa” no ato cometido. Nos dias de hoje, as pessoas ainda se sentem revoltadas por nas primeiras horas terem confortado o assassino que chorava por não saber da mulher. Tudo começou quando o corpo da Carla, de 30 anos, foi encontrado na lagoa da pedreira da Cunha Baixa ao final da manhã de 14 de Julho de 2007, um sábado, no dia seguinte a Paulo Silva ter comunicado o seu desapareci- mento a familiares, vizinhos e até à GNR e a ter partici- pado nas buscas. O que não se sabia, nessa altura, é que Paulo Silva foi quem nessa noite discutiu com a mulher, convenceu-a a acompanhá-lo à pedreira, perto da meia- -noite, enquanto a filha dormia. Ali atingiu-a com quatro disparos – primeiro quando a mulher se encontrava ao volante do carro e depois quando tentava fugir. Depois bateu-lhe na cabeça, fazendo com que ela mergulhasse na água da lagoa. No regresso a casa, lançou as luvas para a mata, quando chegou lavou-se e escondeu a t-shirt ensanguentada debaixo de uma telha. Além dos 20 anos de cadeia, Paulo Silva foi obrigado a pagar à filha, na altura com dois anos, 150 mil euros pelos danos morais sofridos. MATOU PAI EM CINFÃES POR CAUSA DE UMA GARRAFA DE VINHO Em 2013, o Tribunal de Cinfães con- denou um homem de 34 anos a 18 anos e meio de prisão. O indivíduo foi acusado de matar o pai com uma roda de uma charrua. Este foi o des- fecho de uma discussão que come- çou à mesa por causa de uma garrafa de vinho. Na aldeia de S. Cristóvão de Nogueira eram conhecidas as zaragatas entre pai e filho. Os dois, alcóolicos, andavam sempre de “candeias às avessas”. Os berros e as acusações eram constantes e até ha- via quem adiantasse que mais cedo ou mais tarde alguém iria sair ferido. Não esperavam era que a violência fosse tão mortal. Em Tribunal, o juíz chegou a considerar a agressão de um “crime extremamente grave” em resultado de uma “descarga de raiva e de ódio”. Tudo começou quando a vítima agarrou a garrafa de vinho e tentou agredir o filho, que se desviou e empurrou o pai. Já com o pai no chão, o assassino, na altura com 37 anos, desferiu vários pontapés e agarrou na roda de charrua com que bateu na cabeça do pai.
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    12 21 OUT REGIÃO TODOS AJUDAMNA CAÇA AO HOMICIDA DE AGUIAR DA BEIRA Uma barba e cabelo grisalhos, uns olhos escuros caídos ou alguém que se assemelhasse, um pouco que fosse, ao homem da fotografia, o mais procurado do país, eram motivos para que os telefones dos quartéis tocassem. Do outro lado um “Estou sim? É da polícia? Acho que estou a ver o homicida de Aguiar da Beira”. Desde que Pedro Dias fugiu, de- pois de há mais de uma semana ter atingido mortalmente um mi- VIOLOU, MATOU E ATIROU IDOSA PARA CAIXOTE DO LIXO EM MOIMENTA DA BEIRA Carlos Almeida, de 40 anos, foi condenado pelos crimes de violação (seis anos e meio de prisão), homicídio qualificado (18 anos de prisão) e ocul- tação de cadáver (um ano e três meses de prisão), o que resultou na pena única de 21 anos de prisão. Matou uma mulher de 74 anos em Sarzedo, Moimenta da Beira, em fevereiro de 2015. Antes de a matar através de “asfixia mecânica”, esganando-a, obrigou-a ter relações sexuais. Um saco do lixo de Carlos Almeida que continha os chinelos e toalhe- tes com vestígios biológicos da idosa e que foi depositado, juntamente com o cadáver, no contentor situado a poucos metros de casa foram as provas que rapidamente levaram ao autor do crime. As autoridades policiais não tiveram dificuldades em encontrar provas para condenar o homem que, segundo o Tribunal, agiu “com frieza e insensibilidade perante as consequên- cias da sua conduta”, não confessando o que tinha feito e “tentando afastar de si qualquer responsabilidade”. O CATEQUISTA ASSASSINO DE TONDELA Paulo Ferraz, de 38 anos, foi condenado a 25 anos de prisão por dois crimes de homicídio qualifica- do. Em julho de 2010 matou o pai e a madrasta a tiro e com golpes de machado. O homicida, que era catequista e funcionário administrativo do Hospital de Tondela, deixou a população de Póvoa de Baixo, em Tondela, em estado de cho- que. Primeiro porque ninguém esperava que um homem da terra pudesse ter tal atitude, embora as discussões fossem uma constante. Depois por causa da gravidade do crime. No meio de um desentendimento com a madrasta, atacou-a com golpes de machada e a seguir mandou-lhe um tiro de caçadeira. A seguir matou o pai também com um tiro. litar e um civil e ter ferido outros dois, um deles também militar da GNR, em Aguiar da Beira, que as forças de segurança deixaram de ter mãos a medir. Ora no terreno, ora nos quartéis onde, de quando em vez, lá aparecia mais alguém que dizia ter avistado o duplo homicida. Houve quem o tivesse visto em S. Pedro do Sul, em Espanha, em Arouca, em Montalegre, em Vila Real, em Viseu, em Seia e em tantos outros locais. Ainda esta semana, em Viseu, um transeunte alertava a PSP para a possível presença do “piloto” na cidade. A testemunha dizia que Pedro Dias estaria perto do tribunal de Viseu. Na altura as buscas con- centravam-se numa localidade de Vila Real, que fica a praticamente 100 quilómetros de distância, mas o alerta foi dado. O momento mandava que não se descurasse qualquer pista e rapidamente uma brigada se deslocou ao local. O homem era parecido mas não era quem se procurava. Estava confirmado: mais um falso alarme. O medo, a desconfiança e a vontade em querer ajudar a capturar um homem con- siderado perigoso podem justificar as chamadas “que foram sendo recebidas em alguns postos”, como frisou fonte da PSP. Em Viseu não foi uma prática recorrente mas as zonas onde as desconfian- ças eram maiores, como Arouca ou Vila Real, os telefones eram mais estridentes. O primeiro relato de avistamento de Pedro Dias foi algumas horas depois de este ter disparado contra quatro pessoas em Aguiar da Beira, no passado dia 11. Uma testemunha assegurava que tinha visto o “piloto” a fugir a pé, no Candal, em S. Pedro do Sul. Depois disso surgiram relatos em Montalegre, Salamanca, Arouca (onde roubou uma viatura, no passado domingo, dia 16) ou Vila Real (onde foi encontrada essa mesma viatura, no dia seguinte). A fuga de Pedro Dias desde cedo mobilizou centenas de meios, desde elementos da componente territorial e de trânsito a militares da unidade de intervenção e da investi- gação criminal e a eles junta- ram-se os cidadãos atentos, desconfiados e em alerta e que por momentos se tornaram verdadeiros “experts” na ajuda à caça ao homem. - MC
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    13 21 OUT REGIÃO PUB LAMEGO Texto IolandaVilar DEPUTADODEIXOUASSEMBLEIAMUNICIPALEMPOLVOROSA AODENUNCIARCASODEALEGADOASSÉDIOSEXUAL EM CAUSA UM DOS NOMES QUE INTEGRA LISTA PARA JUÍZES SOCIAIS E QUE ESTEVE EM DISCUSSÃO NO ÓRGÃO AUTÁRQUICO. DEPUTADO DA CDU NÃO QUER REVELAR NOME, MAS DIZ QUE TEM PROVAS AAssembleia Municipal de La- mego apresentou uma queixa no Ministério Público depois de naquele órgão ter sido levantada a suspeita de favorecimento ilícito em troca de favores sexuais. Os atos terão sido perpetrados por um elemento que faz parte da lista apresentada aquele órgão para a escolha de juízes sociais. A acusação foi lançada na última As- sembleia pelo deputado municipal João PedroMeloque,peranteaapresentação dos trinta nomes a votação para juízes sociais, se insurgiu contra a inclusão de umdeterminadoelemento.Semrelevar o visado, o representante da CDU começou por dizer que era “primordial ter certas cautelas” quando se fazem A existência de juízes sociais está prevista na Constituição para questões de trabalho, de in- fracções contra a saúde pública, pequenos delitos, execução de penas e outras “em que se justifique uma especial ponderação dos valores sociais ofendidos”. Cabe às Câmaras propor os nomes para depois serem aprovados pela Assembleia Municipal. As listas são enviadas ao Conselho Superior da Magistratura e ao ministro da Justiça, que nomeia por despacho publicado em Diário da República. Os mandatos duram dois anos. Pode ser juiz so- cial quem tenha entre 25 e 65 anos, bastando além disso saber ler e escrever e nunca ter sido condena- do nem estar pronunciado por crime doloso. QUEM SÃO OS JUÍZES SOCIAIS? escolhas, para logo a seguir afirmar que “da lista faz parte um nome que, infelizmente, tem tido práticas pouco agradáveis na sociedade lamecense, práticasessasqueutilizamafragilidade humana de certas pessoas para obter favores ou benefícios sociais em troca deemprego”. As acusações criaram de imediato des- conforto em todos os membros da As- sembleia Municipal que exigiram que o deputado municipal fundamenta-se a acusação. Da parte dos socialistas, AgostinhoRibeirocriticouquesetenha “levantado o labéu em relação a todos os elementos da lista”, considerando que ficaram “manchados os nomes de pessoasilustreseidóneas”. Por seu turno, Ascensão Amaral, que assume também as funções de presidente da Comissão de Proteção de CriançaseJovensdeLamego,lamentou que “tenha sido proferida uma acusa- ção demasiado grave”, não votando tambémnalistaemquestão. Francisco Lopes, presidente da autarquia, disse ter ficado “estupe- facto” com as acusações” e, perante o depoimento do deputado comunista, assumiu que será apresentada ao Ministério Público uma queixa para que a questão seja investigada. A polémica lista foi aprovada em sessão deCâmaranopassadodia29deagosto, com três votos a favor, uma abstenção e umvotoembranco. Contactado pelo Jornal do Centro, João Pedro Melo escusou-se a prestar mais esclarecimentos, Referiu, no entawnto, estar disponível para prestar todos os esclarecimentos ao Ministério Público. “Estou a recolher provas e depoimentos de pessoas que podem sustentar as minhas palavras”, garantiu. O deputado explicou ainda não ser “parvo ao ponto de mencionar um nome” quando não tem toda a documentação, recordando que precisa “do aval dessas pessoas, que por vergonha têm medo de dar a cara”. Segundo o deputado, a pessoa em questão, mas da qual não diz o nome, aproveitou-se da “fragilidade humana e do facto de serem o único garante de rendimento familiar para obter aquilo que bem queria”.
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    14 21 OUT REGIÃO SANTA COMBADÃO Texto Clemente António Pereira MORTES NO IP3: AUTARCAS QUEREM MEDIDAS URGENTES UMA MOÇÃO APROVADA POR UNANIMIDADE NA CÂMARA DE SANTA COMBA DÃO EXIGE DA INFRAESTRUTURAS DE PORTUGAL MEDIDAS URGENTES E CONCRETAS PARA REDUZIR A SINISTRALIDADE NO IP3 Odocumento que reclama por um IP3 mais seguro foi apresentado pelo vereador do PSD, João Onofre, na autarquia de Santa Comba Dão. Nele, o autarca demonstra que este itinerário princi- pal que liga Viseu a Coimbra é, desde o seu início, uma via remendada, utilizada diariamente por mais de 18 mil veículos ligeiros e pesados e que há muito esgotou a sua capacidade de resposta. Areferidamoçãoseráagorasubmetida à Assembleia Municipal. O documen- to vai ser ainda enviado a vários mu- nicípios atravessados pelo IP3 “para os fins que tiverem por convenientes, designadamente, para uma tomada de posição conjunta relativamente a este tema junto do Governo”. “Merecíamos e merecemos uma estrada nova. O atual IP3 menos- preza os interesses e as vidas dos santacombadenses, mas também dos penacovenses, dos mortaguenses, dos De quinze em quinze dias, a carrinha da Unidade de Saúde Móvel acaba um pouco com a solidão que atinge os idosos nas freguesias rurais de Tabuaço. Com uma população cada vez mais envelhecida, este concelho do Douro criou esta unidade para levar mais alento a homens e mulhe- res e prestar assim de forma regular cuidados de saúde primários. O ponto de encontro, por norma, é o centro da povoação. Com o cartão da marcação da visita, idosos e não idosos, procuram manter atualizada a sua condição de saúde. Pequenas coisas que evitam dispendiosas e por vezes longas deslocações ao centro de saúde local. Desde 2010 que uma enfermeira faz a vigilância de rotina. Segundo fonte da edilidade, “a pres- tação de cuidados básicos de saúde é primordial”, frisando que “para além de uma intervenção mais regular em pequenas questões de saúde, esta unidade veio trazer mais alento às po- pulações, em especial às mais idosas, que também vêm nesta unidade uma forma de matarem a solidão”. Com muitos quilómetros de roda- gem, a Unidade de Saúde percorre quatro vezes por mês as 17 fre- guesias de Tabuaço. Entre vários atendimentos, pretende manter os cuidados de enfermagem no âmbito da hipertensão arterial, diabetes e enfermagem curativa, gestão de receituário, avaliando assim as necessidades mais urgentes quer a idosos e cuidadores, bem como à população em geral. TABUAÇO UNIDADE DE SAÚDE MÓVEL ACABA COM SOLIDÃO tondelenses e dos viseenses. Está visto que não chega. Chegou a hora de dizer Basta! É preciso uma nova estrada que sirva os interesses das populações por ele atualmente atravessado. Uma estrada que traga vida e não que leve à morte”, sustentou o vereador do PSD aquando da apresentação do documento em reunião do executivo . Segundo João Onofre, “o Governo não estaráaafetarasreceitasdaContribui- ção de Serviço Rodoviário (CSR), para financiar a rede de estradas a cargo das Infraestruturas de Portugal, como deveria ser feito”. “Ora esta situação não poderá deixar de ser preocupante, porquanto, o que já está construído não estará, eventualmente, a ser objeto de manutenção e reparação. O IP3 possui sinalética queimada pelo sol, piso irregular, taludes destruídos, pintura desgastada e sem luminosi- dade, escoamento de águas pluviais deficiente, entre outros problemas conhecidos”, alertou. Também a Liga dos Bombeiros Por- tugueses demonstrou grande preo- cupação face ao número de mortes verificadonoIP3nodecursodesteano e exigiu medidas urgentes. A requalificação e modernização da Escola Básica de Santa Comba Dão vai arrancar em julho de 2017 e tem um investimento de 200 mil euros. Vai ser intervencionada toda a estrutura exterior do edifício. O Município de Santa Comba Dão assinou já um acordo de cooperação com o Ministério da Educação. Para o presidente da Câ- mara Municipal, Leonel Gouveia, “esta obra representa mais uma importante etapa na concretização de um conjunto de investimentos que o Município tem programado para o parque escolar do conce- lho” e vai melhorar as condições térmicas e de climatização deste estabelecimento. O protocolo agora assinado encon- tra-se integrado no “Pacto para a Coesão e Desenvolvimento Terri- torial da CIM Dão Lafões” a execu- tar no âmbito do Programa Opera- cional Regional “Centro’2020”. Nesta intervenção está também prevista a substituição de portas e janelas exteriores do edifício, bem como a substituição da iluminação convencional por luminárias que utilizam tecnologia led. É esperado ainda o reforço desta verba (200 mil euros) em meio milhão de euros para recuperar e melhorar todo o miolo interior do edifício. ENSINO INVESTIMENTO DE 200 MIL EUROS PARA REQUALIFICAR E MODERNIZAR ESCOLA BÁSICA Uma via remendada, utilizada diariamente por mais de 18 mil veículos ligeiros e pesados e que há muito esgotou a sua capacidade de resposta João Onofre vereador do PSD
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    PUB Quinta do Sobral TintoReserva 2013 é a Melhor Compra UM DOS SEIS VINHOS PORTUGUESES NOS 100 VINHOS SELA- CIONADOS PELO GUIA DA “WINE & SPIRITS” Já saiu o 30º Guia Anual de Compras da Norte Americana Wine & Spirits, uma das mais conceituadas publicações relacionadas com o vinho do mundo. Nesta publicação os seus crí�cos selecionam 100 vinhos catalogados como sendo as melhores compras. Desta lista constam 6 vinhos portugueses selecionados pela sua relação qualidade preço, área em que Portugal se tem vindo a dis�nguir largamente de outros produtores mundiais, com os entusiastas a descobrirem a qualidade dos nossos vinhos aliada a preços muito apela�vos. Nesta lista encontramos um vinho do Dão, o Quinta do Sobral, o que vem atestar a qualidade dos vinhos que têm vindo a ser produzidos nesta região e que demonstram que para se beber um bom vinho não é necessário deixarmos metade do ordenado na Adega. O Quinta do Sobral Reserva Tinto de 2013 obteve 91 pontos e é um vinho que se caracteriza pela sua cor rubi concentrada, aroma complexo com frutos silvestres, especiarias e notas fumadas. É um vinho que apresenta um bom volume, com taninos polidos e um final longo e envolvente. É ainda caracterizado como tendo um notável equilíbrio entre a intensidade de frutos vermelhos e o envelhecimento em madeira, com excelente integraçãoo dos taninos, evidência de notas de azeitonas pretas e a presença herbácea, �pica do seu “Terroir” de montanha. Segundo os crí�cos este é um vinho elegante, fresco e suave, sendo ó�ma para acompanhar carne de porco com molho de ervas finas. Da lista constam ainda os vinhos Quinta da Aveleda, Quinta Foz de Arouce, Luís Pato, Vér�ce e Jus�no´s Madeira. O Quinta do Sobral Reserva Tinto 2013 custa cerca de 7€, como vê um preço perfeitamente acessível! FICHA TÉCNICA Quinta do Sobral Reserva Tinto 2013 Cor Rubi concentrada, aroma complexo com frutos silvestres, especiarias e notas fumadas. Apresenta um bom volume, com taninos polidos e um final longo e envolvente. CASTAS | Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz TEOR ALCOÓLICO | 14% ACIDEZ TOTAL | 5,7 g/L PH | 3,80 AÇUCAR TOTAIS | 3,1 g/L ENÓLOGO | Carlos Lucas
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    16 21 OUT REGIÃO Depois deem anos anteriores ter criado apoios para fixar médicos em Cinfães, a autarquia leva a cabo mais uma série de me- didas que visa colmatar a lacuna nos cuidados de saúde. O apoio, que terá um limite de três anos, visa dar resposta à falta de clínicos, em especial no Posto de Saúde de Nespereira. Com cerca de 20 mil habitantes, o concelho de Cinfães é um dos que se debate com graves lacunas a nível de saúde, o que obriga as populações a deslocarem-se a unidades no distrito do Porto. Em Nespereira, se- gundo a autarquia, é urgente acabar com a falta de médicos e avançar com obras de conservação no Centro de Saúde local. O au- tarca recorda que o quadro clínico tem mais doentes por médico do que seria desejado. Armando Mourisco refere que já fez chegar o eco das suas preocupações às entidades competentes. Nesse sentido e reconhecendo que, “não sen- do a contratação de médicos uma competên- cia das autarquias, estas não se podem alhear dos problemas que afetam as pessoas. É nossa obrigação criar todos os mecanismos de incentivos à melhoria dos cuidados de saúde no Concelho, sobretudo na área da medicina familiar e da fixação de médicos de família”, frisa o edil. Para incentivar a ida de clínicos para Cin- fães, além do pagamento do arrendamento da habitação dos médicos, a nova proposta agora aprovada pela autarquia propõe o pagamento de despesas de deslocação desde o local de residência até ao local de trabalho. “Decidimos acrescentar ao incentivo já em vigor desde o final de 2014 - o do apoio ao arrendamento até um máximo mensal de 500 euros - a alternativa do pagamento das despesas de deslocação, sejam combustível, portagens ou transportes públicos até ao limi- te de 300 euros ”, explica Armando Mourisco, O pagamento de despesas de deslocação entrou em vigor no início do ano e abrange os médicos que se fixem em Cinfães e não pos- suam residência no concelho. Este incentivo está disponível para um número máximo de quatro médicos. CINFÃES POSTO DE NESPEREIRA CONTINUA SEM MÉDICOS TONDELA Texto Sandra Rodrigues CONTRATAÇÃO DE ADVOGADA LIGADA AO PSD CONTESTADA EM MOLELOS SOCIALISTAS ACUSAM JUNTA DE FREGUESIA DE ILEGALIDADE. PRESIDENTE JUSTIFICA ESCOLHA COM O FACTO DO GABINETE SER ESPECIALISTA EM LEGISLAÇÃO AUTÁRQUICA Acontratação de uma advo- gada, dirigente do PSD em Viseu, pela Junta de Fregue- sia de Molelos (Tondela) levou os socialistas a contestarem a escolha e a acusarem a autarquia de ilegali- dade. O PS anunciou ainda que vai participar judicialmente os factos relacionados com a aquisição do serviço. A Comissão Política Concelhia do PS, em conferência de imprensa, de- nunciou que a Junta (PSD) contratou “ilegalmente” a advogada e o seu só- cio porque prestaram serviços “antes destes apresentarem um orçamento e antes da Junta ter deliberado a sua contratação”. Afirmam que a delibe- ração para recorrer aos serviços do escritório da advogada Ana Paula Santana ocorreu a 4 de março, mas que antes, a 5 de fevereiro, a Junta já tinha passado uma procuração ao escritório de advogados para a repre- sentar numa ação de contestação na Entidade Reguladora da Comunica- ção Social (ERC). O presidente da Junta de Freguesia de Molelos, José Dias, sustentou, por seu lado, que a presença da advogada na ação de contestação foi feita de forma “gratuita” e que a Junta aca- bou por contratar este escritório de Viseu por os seus elementos estarem “dentro da legislação autárquica”. “Foi esse o nosso critério, tal como temos outro gabinete a prestar-nos serviço e que é, por exemplo, es- pecialista em baldios”, explicou o autarca. Os serviços de Ana Paula Santana, que já foi vereadora na autarquia viseense eleita pelo PSD, foram requeridos pela Junta por causa da polémica que opõe este órgão autárquico ao eleito e membro da Assembleia de Freguesia, Luís Fi- gueiredo, e que envolve a filmagem das reuniões. O também diretor do jornal Augaciar já foi detido pela GNR por ter recusado a desligar a câmara de filmar, um caso que já se arrasta desde dezembro de 2015 e que tem obrigado à suspensão, desde então, das reuniões da Assembleia de Freguesia. Socialistas denunciaram ilegalidades em conferência de imprensa
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    17 21 OUT NELAS Texto ClementeAntónio Pereira SOCIALISTAS COM REUNIÃO LONGA MAS POUCO CONCLUSIVA PLENÁRIO DO PS POUCO CONSENSUAL EM TORNO DA CANDIDATURA ÀS AUTÁRQUICAS 2017. UMA MOÇÃO A FAVOR DE BORGES DA SILVA COMO CANDIDATO E OUTRA A PEDIR A DEMISSÃO DO PRESIDENTE DA CONCELHIA FORAM APRESENTADAS, MAS NÃO CHEGARAM A SER VOTADAS Cerca de 70 militantes do PS partici- param no plenário para clarificar a candidatura às eleições autárquicas de 2017 em Nelas. No encontro foram apresentadas duas moções: uma de louvor ao trabalho desenvolvido pelo atual presidente da Câmara, Borges da Silva, e de apoio à sua recandidatura e outra a exigir a demissão do presi- dente da Comissão Política Concelhia, Adelino Amaral. Nesta última moção, os signatários repudiam as posições que dizem ser de oposição ao atual autarca, e que são assumidas pelos vereadores do PS, Adelino Amaral e Alexandre Borges. Acusam-nos de estarem a fazer uma “coligação ne- gativa” ao atual executivo, conforme refere um dos subscritores das duas moções, António Borges, presidente da Assembleia Municipal de Nelas, também eleito pelo PS. Segundo António Borges, “as mo- ções acabaram por não ser votadas, porque o atual líder da Comissão Política Concelhia do PS de Nelas manipulou o plenário convocado pelo Secretariado do PS, ao longo de quase quatro horas, impedindo que outros militantes pudessem intervir, adiando sucessivamente que as moções fossem lidas e votadas”. Adelino Amaral, presidente da Con- celhia do PS Nelas, rejeita as acu- sações, afirmando não fazerem “qualquer sentido”. “Sempre que alguém quis intervir fê-lo livremente, tantoqueaolongodessasquatrohoras de plenário registaram-se mais de uma dezena de intervenções e houve até militantes que falaram mais do que uma vez. Alguns deles usaram da palavra por seis, ou mais vezes”, disse. A título de exemplo, Adelino Amaral assegura que registou intervenções de militantes como Américo Borges, Pedro Borges, Aires dos Santos, Maia Rodrigues, Sofia Relvas, Carla Fran- cisco,BorgesdaSilva,AntónioBorges, entre muitos outros. Por sua vez, António Borges acusa Adelino Amaral de ter estado a falar “durante mais de três horas e ocupou a maioria do tempo, como estratégia, para impedir que as moções fossem apresentadas e votadas”. Adelino Amaral rejeitou também este argumento e alegou que “as duas moções foram apresentadas tardia- menteporumgrupodemilitantesque tinha como principais subscritores Francisco Cardoso e António Borges, entre outros. Perante o impasse criado, dezenas de militantes acabaram por abandonar a sede do PS. Alguns demonstraram de forma clara que se sentiam defrauda- dosemuitoagastadoscomasituaçãoe lamentaram ter estado ali ao longo de “tantas horas, sem qualquer solução”. Também Adelino Amaral refere que este plenário “foi uma fantochada” e adiantaquesetratoude“umamanobra suja e conspirativa para tomar de assaltoosdestinosdaConcelhiadoPS”. “Nós não podemos aceitar e pactuar com este tipo de comportamentos que nãofazemqualquersentido”disse. Alguns militantes do PS dizem ter presenciado a “mais um capítulo ne- gronestanovela”.Nareuniãofoiainda abordada a atual situação financeira do PS, considerada “difícil, já que não têm feito transferências de verbas para as Concelhias”, revelou Adelino Amaral. Os presidentes de junta de Penalva do Castelo aproveitaram as reu- niões preparativas do Orçamento Municipal de 2017 para reclamar melhores infraestruturas rodoviária. O executivo liderado por Francisco Carvalho esteve a auscultar os prin- cipais anseios dos presidentes das 11 Juntas de Freguesia do concelho. O autarca anunciou que o Orçamento Municipal para 2017 será de oito milhões de euros. A principal preocupação transversal a todas as freguesias do município de Penalva do Castelo está relacionada comamelhoriadasestradasearranjos de arruamentos. Segundo o autarca de Penalva do Castelo, muitas destas reivindicações já constavam das Grandes Opções do Plano de 2014 a 2017 e muitas delas já estão colmatadas. “Agora falta o restante que está relacionado com melhores acessibilidades, com inter- venções a realizar no pavimento de alguns arruamentos, bermas, passeios e passadeiras para peões”, frisou. Francisco Carvalho garantiu que para completar o que ainda falta fazer “existe uma dotação de 30 mil euros para os poucos quilómetros que ainda estão por concluir”. Outra das preocupações mencionadas nas reuniões por parte da generali- dade das freguesias do concelho esta relacionada com questões ambientais, nomeadamente, na reparação da rede de esgotos e limpeza de fossas. Em termos globais, o Orçamento de 2017 prevê a distribuição por todas as 11 freguesias do concelho de uma dotação orçamental de 400 mil euros, para assegurar as suas atividades gerais do dia-a-dia e para pequenas intervenções locais. PENALVA DO CASTELO FREGUESIAS QUEREM MELHORES ESTRADAS E PASSEIOS No ocaso do Estado Novo e, apesar da frugalidade e austeridade próprias de Oliveira Salazar, era vox populi uma quadra aleivosa: “… Portugal é País de bananas governado por bando de sacanas…”. O “Homem das botas” era integralmente honesto no que toca às mordomias e às finanças pessoais, morreu pobre, mas sabia que o rodeava alguma gente pouco recomendável, apesar de escolher o que pensava haver de menos mau. Que adesão pode haver a este respeito, quando, no presente Orçamento, ainda em discussão, se verifica um aumento das pensões cujo valor ultra- passa os 264 €/mês? Nenhuma. Curiosamente, as pensões de valor inferior terão indexação simbólica. É pouco! É gozar com os mais pobres! As “pensões rurais”. O seu valor ronda os 201 €/mês, mas não terão(!?) direito aos 10 € de aumento, pela sim- ples razão de terem sido aumentadas pelo Governo de Passos Coelho. Sabemos que o mundo rural não vive apenas das “miseráveis pensões” de 201 €, pois junta, com o seu labor, luta e sacrifício, algo da chamada “agri- cultura de subsistência”. O vinhito, algum produtor direto que os capan- gas de Salazar mandaram erradicar, sem o conseguir, pois nos lameiros outra variedade não se dava; as batati- tas, as hortaliças e, se a ASAE deixar, o porquito que, os descendentes vêm buscar nas épocas festivas. Mesmo com esta economia de sub- sistência, 201 € é incrivelmente baixo para comprar os géneros alimentícios necessários e não produzidos domi- ciliariamente e, ainda mais ridículos serão se for preciso recorrer à medici- na privada, já que o S. N. S. está pelas ruas da amargura. Assim, é corrente ver “velhinhas” car- regadas com um molho de lenha ou vides à cabeça, pois o gás tem preço proibitivo. Entretanto, o País está em festa permanente e tornou-se um casino (jogos para todos os gostos). Pela minha parte, fique o Sr. Costa com o meu valor da sobretaxa e do IVA da restauração e, reencaminhe este valor para um “aumentozinho” das lamentáveis pensões rurais. Ou então experimente viver com 201€/ mês, mais os haveres agrícolas. O que mais me espanta é o aparente autismo do P.C.P., por quem sempre nutri o maior respeito, pela razão da sua história e coerência. Última hora: o Ministro da S. Social descobriu que Portugal é “… País com demasiada pobreza…”! Um génio! AMÉRICO NUNES Classe Média OPINIÃO REGIÃO
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    18 21 OUT REGIÃO S. PEDRODO SUL Texto José Ricardo Ferreira PARQUE URBANO E REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CADEIA APROVADOS REQUALIFICAÇÃO URBANA ESTÁ DIVIDIDA EM TRÊS FASES. OBRAS DEVEM IR PARA O TERRENO MUITO EM BREVE Acandidatura apresentada pelo município de S. Pedro do Sul ao programa Centro 2020 no âmbito do Plano de Ação de Regeneração Urbana (PARU) foi aprovada. Com um investimento total de 1 milhão e 400 mil euros, o projeto de requalificação urbana está dividido em três fases. A pri- meira inclui a reabilitação de todo o espaço envolvente à antiga cadeia da cidade, onde será construído um parque infantil, espaços verdes e ainda 51 lugares de estacionamento. Esta intervenção já foi alvo de um concurso público e em breve deverá ter início. A segunda fase, que é das três a mais emblemática, engloba a construção do Parque Urbano do Nogueiral na zona ribeirinha do Lenteiro do Rio. O terreno onde será edificado um espaço de lazer e desporto ao ar livre ainda pertence a privados pelo que a autarquia vai avançar com a expro- priação do mesmo. “O novo parque da cidade vai desde o Centro de Saúde até ao Lenteiro do Rio, numa área de cerca de seis hectares. Que- remos dar outra vida à nossa cidade, fazer com as pessoas se sentiam bem, que as crianças possam andar em liberdade, com muitos espaços verdes, zonas de lazer, circuitos de manutenção. Está ainda prevista a construção de um grande parque de estacionamento, um parque de atividades, um bar de apoio, e possi- velmente a central de camionagem. Será um novo espaço que ligará a ponte ao centro da cidade”, adianta o presidente da edilidade sampedren- se, Vítor Figueiredo. A terceira fase da PARU compreen- de a reabilitação do edifício do ex-estabelecimento prisional de S. Pedro do Sul. No imóvel será insta- lada a futura biblioteca municipal, um espaço de cultura e de lazer e ainda os serviços municipais de cultura, educação e ação social que neste momento estão espalhados por alguns edifícios da cidade. “Não há verbas, não pode haver pro- jeto”, lamenta José Tulha, presidente da Câmara de S. João da Pesqueira perante o recuo na criação de um passadiço entre as Bateiras e Vargelas. O investimento que já esteve previsto em anteriores quadros comunitários de apoio fica agora na gaveta. Localizado ao longo da marginal duriense, na Estrada Nacional 222, este caminho pedonal pretendia “proporcionar um local onde se pudesse apreciar uma das mais su- blimes paisagens do Douro”, refere José Tulha. Em 2005 houve já um estudo para que os passadiços fossem uma realidade, sendo que o projeto tinha uma baliza máximas de meio milhão de euros. S. JOÃO DA PESQUEIRA PASSADIÇOS DO DOURO NA GAVETA A segunda fase, que é das três a mais emblemática, engloba a construção do Parque Urbano do Nogueiral na zona ribeirinha do Lenteiro do Rio O município de S. Pedro do Sul está a ponderar reforçar o montante do orçamentoparticipativonopróximo ano. Nas duas primeiras edições, a iniciativa tinha afeta 30 mil euros, um valor que poderá ser aumentado em 2017 “para criar mais oportuni- dade”, avançou o vice-presidente da autarquia,PedroMouro. Certo é que em 2017 o orçamento participativo vai sofrer algumas alterações ao nível do regulamento. No próximo ano só poderão votar munícipes com 18 anos, até agora podiam participar jovens a partir dos16anos.Vaiserpossíveltambém aos cidadãos votarem em mais de uma proposta, o que até agora era impossível. Este ano o orçamento participativo foi ganho pelo projeto de construção de um “Parque Intergeracional” em Carvalhais. A ideia apresentada por Domingos Marques, com vista à criação de um espaço para a prática do desporto e atividades ao ar livre para todas as idades, recebeu 339 votos. Segundo o promotor, a obra vai nascer no centro de Carvalhais e prevê a construção de mesas de leitura, casas de banho e aparelhos paraquemcorreecaminha.“Vamos compor mais um bocadinho aquele centro que se encontra abandonado. Espero que corra tudo bem e que a Câmara nos ajude a fazer o projeto no próximo ano”, referiu Domingos Marques. Das 29 propostas entregues ao orça- mento participativo, 13 passaram à fase de votação online e presencial, um número que deixou satisfeito Pedro Mouro. “É salutar termos 29 propostas. Já é um sinal claro da participação dos cidadãos”, subli- nhou o autarca na sessão pública de apresentação dos resultados do projetodedemocraciaparticipativa. ORÇAMENTO PARTICIPATIVO PODERÁ SER ENGORDADO EM 2017
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    20 21 OUT especial Feira daMaçã de Armamar MAÇÃDEARMAMAR É“MAÇÃDEMONTANHA” O conceito “Maçã de Mon- tanha” surge em Armamar pelo facto de se cultivarem as maçãs, em circunstâncias muito especiais, com refle- xos diretos no produto final. No concelho a cultura da maçã desenvolve-se a cotas de altitude que variam en- tre os 500 e os 800 metros e isso permite, segundo os es- pecialistas, obter frutos com características únicas: “mais aromáticas, mais crocantes e mais saborosas que outras, das mesmas variedades, pro- duzidas em diferentes re- giões do país. Segundos os dados da autar- quia no concelho de Arma- mar são produzidas mais de 75 mil toneladas por ano, um valor que tende a aumentar por força dos investimen- tos na plantação de novos pomares e na requalifica- ção dos existentes, do apu- ramento contínuo das técni- cas e tecnologias aplicadas ao processo produtivo e da melhoria das redes de rega criadas. Numa estratégia de promo- ção e colocação nos merca- dos a marca “Armamar, Ca- pital da Maçã de Montanha” já está registada. A Feira da Maçã, evento anual, orga- nizado pela câmara munici- pal em conjunto com a As- sociação de Fruticultores de Armamar pretende apoiar os produtores e promover a marca e o produto. 20 PRODUTORES, 10 MIL QUILOS DE MAÇà E TRÊS DIAS DE FESTA M ais de 10 mil quilos de maçãs vão estar à ven- da durante três dias na feira que se realiza entre os dias 21 e 23 de outubro em Armamar. São cerca de 20 os produtores que vão ocupar os mais de 24 metros de expositores. São os representantes de um concelho que é responsável de 25 por cen- to da produção da maçã a nível nacional. Para esta edição da Feira, a au- tarquia de Armamar em con- junto com a Associação de Fru- ticultores do concelho lançou o desafio aos produtores para, em conjunto, fazerem a venda e promoção do seu produto. Jorge Augusto, da Associação, expli- cou que em vez de cada produ- tor/armazenista ter o seu stand, todos os que participam vão ter a sua maçã a ser vendida pela Associação que disponibilizou caixas e preços iguais. “As cai- xas têm o nome do produtor, o calibre e a variedade da maçã. Os preços podem variar entre os 60 cêntimos e um euro”, disse o também responsável pela em- presa Maçã BemBoa. Esta é uma das inovações des- te evento onde o visitante pode ainda conhecer os vinhos Douro, Porto e Távora Varosa, além da gastronomia e do artesanato lo- cal. “Desta forma conseguimos que mais produtores se juntas- sem à Feira. Em edições ante- riores, apenas apareciam pouco mais de meia dúzia e eram sem- pre os mesmos”, salientou Jorge Augusto, satisfeito com a ade- são. “Gostaram da ideia e isso é muito bom”, concluiu. AÍ ESTÁ MAIS UMA EDIÇÃO DA FEIRA DA MAÇà DE ARMAMAR. ORGANIZADA PELA CÂMARA MUNICIPAL E PELA ASSOCIAÇÃO DE FRUTICULTORES PRETENDE SER MAIS QUE UM CERTAME DE PROMOÇÃO DA MAÇà DO CONCELHO TRÊS DIAS DE FESTA E PROMOÇÃO PARA A “MAÇà DE MONTANHA” M ais de uma centena de ex- positores vão marcar pre- sença este ano em mais uma edição da Feira da Maçã de Armamar. O certame acontece este fim de semana, nos dias 21, 22 e 23 de outubro. Durante os três dias, sexta, sábado e domingo, os visitantes vão poder tomar con- tacto com empresas, sobretudo do setor agrícola, que fazem me- xer a economia do município. Na Feira da Maçã há também um espaço dedicado aos vinhos do Douro, Porto e Távora Varosa. São três regiões vinícolas de que o território do município faz par- te. As indústrias alimentares liga- das aos fumeiros e aos laticínios, com os queijos de cabra, sector também relevante no concelho, vão promover e dar a provar os seus produtos. Empresas ligadas ao turismo e prestadoras de ser- viços também têm o seus espaço no certame. Durante os três dias da feira as coletividades culturais, a univer- sidade sénior e a banda de música do concelho também se mostram aos visitantes. Grupos de teatro de rua desenvolvem programas específicos dirigidos às crianças. A autarquia volta a contar com a parceria da CP Comboios de Por- tugal com preços especiais para quem utilizar o comboio como forma de chegar ao Douro e a Ar- mamar. As ligações entre a esta- ção de comboios da Régua e Ar- mamar são asseguradas pela Câmara Municipal. A Feira da Maçã de Armamar sur- giu em 2009, ano em que a então designada Feira das Atividades Económicas dava a conhecer os frutos do principal setor de ativi- dade do município, a agricultura. Na segunda edição, em 2010, mu- dou de nome, para Feira da Maçã de Armamar, para afirmar um produto diferenciador da agricul- tura Armamarense, no contexto do Douro Vinhateiro.
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    22 21 OUT REGIÃO VOUZELA Texto JoséRicardo Ferreira FEIRA DA PROTEÇÃO CIVIL JUNTA PROFISSIONAIS DO SETOR DURANTE TRÊS DIAS SECRETÁRIO DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA INAUGURA PRIMEIRA EDIÇÃO DO EVENTO. PELO MENOS 30 EXPOSITORES ESTARÃO PRESENTES NO CERTAME Numa organização da As- sociação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vouzela (AHBVV) e Câmara Mu- nicipal local, o Pavilhão Multiusos Municipal vai acolher entre os dias 25 e 27 de novembro a primeira edi- ção do “Vouzela Protege” - Feira da Proteção Civil. O certame vai abran- ger áreas como a Proteção e Combate a Incêndios, a Segurança de Pessoas e Bens, o Socorro e Salvamento, a Segurança e Saúde no Trabalho e a Segurança na Circulação, nos Trans- portes e Comunicações. O objetivo é “dar a conhecer a missão, os meios e os recursos das entidades envolvidas na área da proteção civil, possibili- tando também o contacto direto e a interação com a população”. “Este é o primeiro evento do género no concelho e esperamos que tenha uma dimensão nacional. Trata-se de uma iniciativa que pretende promover a interação entre os diversos agentes das proteção civil, divulgando o trabalho que é feito e os meios existentes”, avançou o pre- sidente do município vouzelense, Rui Ladeira. Já Carlos Lobo, presidente da Direção da AHBVV, informou que o evento estava a ser pensado há vários meses, surgindo de uma proposta do comando à qual a direção respondeu positivamente. A Câmara Municipal de Castro Daire e a Federação Portuguesa de Natação (FPN) assinaram o protocolo do Projeto “Portugal a Nadar” que visa envolver as comunidades à prática da modalidade. A cerimónia da assi- natura realizou-se entre o presidente da autarquia, Fernando Carneiro, e o presidente da FPN, António José Silva, e contou com a presença do presidente da Associação de Natação do Centro Norte de Portugal, Manuel Pereira. Para a Câmara Municipal de Castro Daire, a assinatura deste protoloco “reveste-se de uma mais-valia muito importante”. “Primeiro, porque a certificação irá elevar o nível da qualidade dos serviços à população e, segundo, porque permite acolher mais vezes os jovens e realizar mais provas no Concelho”, afirmou o presidente da autarquia. Pedro Pontes, diretor técnico das Piscinas de Castro Daire, referiu que a adesão ao projeto Portugal a Nadar “será certamente uma mais-valia para as piscinas municipais assim como para todo o concelho. Ao nível de infraestruturas é o que falta para complementar a qualidade reconhe- cida que já temos um contributo aos utentes para que possa ter um serviço melhor e usufruir deste projeto”. O Projeto “Portugal a Nadar” pre- tende agregar todas as entidades que têm escolas de natação ou gestão de piscinas com o intuito de acrescentar valor aos serviços prestados por essas entidades. A FPN assume como prin- cipais objetivos o desenvolvimento da natação enquanto modalidade desportiva, que passam pela “adesão à Federação Portuguesa de Natação (Filiação), na criação de oportunida- des de contacto direto com os par- ceiros FPN (Cartão FPN), no acesso à formação profissional certificada para os seus quadros e colaboradores e na participação dos seus utentes em várias iniciativas de cariz lúdico ou desportivo com a tutela da FPN”. CASTRO DAIRE FEDERAÇÃO DE NATAÇÃO ASSINA PROTOCOLO COM AUTARQUIA “Pensamos que vai ser uma iniciati- va muito importante para a área da proteção civil. Durante três dias, é nossa intenção ter aqui um evento de grande significado para o conce- lho de Vouzela, mas também para toda a região e país”, sublinhou. O comandante da corporação, Joaquim Tavares, espera que este seja um momento “marcante para a região e principalmente para todos os bombeiros e agentes de proteção civil que vão estar envolvidos”. “Es- peramos que haja receção da parte dos bombeiros da região, do distrito e do país. Contamos com a presença de todas estas entidades ligadas à proteção civil para que no final seja o sucesso que a gente pretende”, referiu. Simulacros marcarão evento O programa do “Vouzela Protege” incluiu a realização de um semi- nário subordinado ao tema: “O passado, o presente e o futuro da Proteção Civil” e que contará com a presença de vários oradores de referência nacional. Durante a feira vão decorrer igualmente simulacros com bombeiros da região e uma mostra de produtos e entidades, que estarão espalhados por 30 stands. A inauguração da primeira edição da iniciativa vai ser presidida pelo secretário de Estado da Adminis- tração Interna, Jorge Gomes. No distrito de Viseu já decorre um certame do género, mais concre- tamente na vila de Sernancelhe. A Expo-Protec, Feira de Atividades, Segurança e Proteção Civil aconte- ce de dois em dois anos.
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    23 21 OUT OLIVEIRA DEFRADES Texto José Ricardo Ferreira ESGOTOS A CÉU ABERTO EM PINHEIRO DE LAFÕES “OS VERDES” QUESTIONAM GOVERNO SOBRE SITUAÇÃO QUE, DIZEM, DECORRE HÁ MAIS DE DOIS ANOS. JUNTA ASSEGURA QUE O CASO ESTÁ RESOLVIDO. AJunta de Freguesia de Pi- nheiro, em Oliveira de Fra- des, garante que o caso de esgotos a céu aberto em Pinheiro de Lafões denunciado pelo Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) está resolvido. Segundo o PEV, esta é uma situação “que se arrasta há mais de dois anos” e que compromete não só a biodiversidade, como a saúde pública. “Os esgotos de Pinheiro de Lafões em vez de estarem a ser enca- minhados para a ETAR de Sequeiró estão a correr a céu aberto por meio da vertente abaixo em direção ao rio Vouga. É uma situação inadmis- sível por uma questão ambiental e de saúde pública. Até porque estes efluentes são encaminhados diretamente para a albufeira da bar- ragem de Ribeiradio onde existem captações de água”, afirmou Miguel Martins, dos Verdes. O dirigente visitou o local no dia 30 de setembro após ter sido aler- tado pela população, que se queixa deste problema “já perdurar há bastante tempo” e de ter informado a Câmara Municipal “há mais de dois anos para corrigir” a situação. “O caso tornou-se cada vez mais visível após ocorrer um incêndio florestal naquele local e a verdade é que continua por resolver, o que é lamentável”, referiu Miguel Marins. Por causa desta questão, o PEV decidiu pedir explicações ao Mi- nistério do Ambiente. Os Verdes querem saber se o governo tem conhecimento da situação e “que medidas irão ser tomadas para que se proceda ao tratamento adequado destes efluentes”. “O Ministério do Ambiente tem monitorizado a qualidade das águas do Rio Vouga a montante da barragem de Ribei- radio? A qualidade da água está dentro dos padrões aceitáveis?”, questionam ainda. Problema solucionado Apesar das tentativas, o Jornal do Centro não conseguiu obter respostas do presidente do muni- cípio de Oliveira de Frades, Luís Vasconcelos. Já o presidente da Junta de Pinheiro, Carlos Rosa, negou que esgotos estejam a correr a céu aberto há dois anos como afirma o PEV. “Isso é uma situação que está a ser acompa- nhada pela Câmara Municipal e que foi detetada agora porque é no meio do pinhal. Foi uma tampa que com a pressão subiu e assim que se descobriu foi corrigido. Está tudo resolvido”, assegurou. O autarca disse ainda que este caso “é único” na freguesia e que por ter sido “de imediato corrigido” não foi assim “tão grave”. “Nem tão pouco é perto das habitações”, acrescentou. A Câmara de Sernancelhe tem em marcha uma alteração por adapta- ção do Plano Diretor Municipal de Sernancelhe com vista a facilitar a construção na zona da Barragem do Vilar. Esta modificação foi aprovada em Assembleia Municipal e decorre o período de apresentação de propostas. Segundo Carlos Santiago, autarca sernancelhense, esta modificação surge com vista à transposição das normas do Plano de Ordenamento da Albufeira do Vilar. O edil re- corda que o seu executivo pretende ajustar as regras do PDM às norma- tivas nacionais, com vista a “per- mitir que o plano existente não seja demasiado limitativo”, frisando que por ser “retrógrado seja demasiado limitativo no que toca à construção ou possíveis construções na zona de albufeira”. O edil recorda que esta medida pretende também evitar que “haja dois pesos e duas medidas” no que toca ao PDM do concelho. Carlos Santiago lamenta que Ser- nancelhe, mais especificamente nas suas zonas de baixa densidade junto às albufeira, “seja prejudicado quanto à autorização de constru- ções, ao contrário do que acontece noutras zonas do litoral, onde se constrói de forma quase selvagem”. No entanto, recorda que possíveis construções naquele local só podem ser feitas “de forma ordenada e sem prejudicar o ecossistema”. SERNANCELHE ALTERAÇÃO DO PDM PARA FACILITAR CONSTRUÇÃO Perante a conjuntura actual de crise, é comum as empresas com escassos recursos financeiros optarem por contactarem potenciais trabalhadores, qualificados ou não, para exercerem funções durante um determinado período com a promessa de celebraçãodeumContratodeTrabalho. Assim, com essa promessa, o potencial trabalhador desloca-se diariamente para o local,quepertenceoudeterminadopelo“fu- turo” patrão, onde utiliza os equipamentos ou instrumentos disponíveis para desen- volver a sua função, cumpre um horário e recebe ordens de um superior hierárquico, mas no final do mês, ao invés de receber a retribuição devida é surpreendido com a sua dispensa. O potencial trabalhador dispensado, muitas vezes, por não ser titular de um Contrato de Trabalho reduzido a escrito, julga que a nada tem direito, aceitando ou admitindo a inexistência de qualquer vínculo com aquele promitentepatrão.Nãoéassim! Ora, o “Contrato de Trabalho é aquele pelo qualumapessoasingularseobriga,median- te retribuição, a prestar a sua actividade a outra ou outras pessoas, no âmbito de orga- nização e sob a autoridade destas”, conforme estabeleceoart.11.ºdoCódigodeTrabalho. Assim, quando a relação entre a pessoa que se propõe a trabalhar e a pessoa de quem promete ou oferece o emprego em tudo se assemelha a uma relação laboral como a acima descrita, mas não reduziram a escrito esta relação por meio de contrato, desde o primeiro dia vigora um autêntico Contrato deTrabalhoSemTermo. A Lei não impõe a celebração de um ver- dadeiro contrato escrito para vigorar um Contrato de Trabalho com a imposição e descrição das obrigações inerentes às partes, peloquenocasosupramencionado,apessoa queexerceuassuasfunçõesequenofinaldo mês ao invés da retribuição, foi dispensada, nãopodeficardesprotegida. In casu, atendendo à descrição da relação en- treasparteséinequívocoqueestamosperante umContratodeTrabalhoSemTermo,contu- do, em caso de dúvida, o art. 12 .º do Código deTrabalhomencionaascaracterísticasque,a se verificarem algumas, poderemos presumir queestamosnaópticadeumarelaçãolaboral. Assim, decorrido um mês de trabalho ainda seencontraemvigoroperíodoexperimental, que para a generalidade dos trabalhadores é de 90 dias, assistindo o direito a qualquer das partes de denunciar o contrato (não escrito) sem aviso prévio, sem a invocação de uma justa causa, e sem ainda, direito a indemni- zação. Porém a retribuição pelo seu trabalho, ou melhor, a contrapartida do trabalhador pelas funções desenvolvidas durante aquele período,édevida,nãopodendoobeneficiário furtar-se ao seu dever, nomeadamente ao pagamentopontual. Resumidamente, se o empregador, no final daquelemês,entenderqueotrabalhadornão é o mais indicado para a ocupação do cargo é-lhe perfeitamente lícito dispensá-lo, uma vez que o período experimental conferido porleitememvistaessefim. CONTRATO DE TRABALHO NELLY BRANCO Advogada NELLY BRANCO CONSULTÓRIO JURÍDICO REGIÃO
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    24 21 OUT MORTÁGUA Texto ClementeAntónio Pereira ACADEMIA“SABERMAIS” COM22“CALOIROS” SÃO MAIS 22 NOVOS ALUNOS A INSCREVEREM-SE PARA O NOVO ANO LETIVO DA ACADEMIA SÉNIOR DE MORTÁGUA. JUNTAM- SE AGORA AOS 54 QUE SE MATRICULARAM EM 2015, ANO DE ARRANQUE DESTE PROJETO Éum novo ano letivo na Aca- demia “Saber Mais”, escola que arrancou com mais 22 caras novas. No seu segundo ano de funcionamento, a Academia conta agora com 76 alunos. Os que fre- quentaram o primeiro ano regres- saram o que é, para os responsáveis, “um forte indicador de satisfação para todos os que decidiram voltar para continuarem adquirir novos conhecimentos e ajudar a consoli- dar o projeto e a sua aprendizagem”. Laurindo Marques, antigo bancário, que frequenta a valência pelo segun- do ano, garante que o balanço que faz “é muito positivo”. “Está a ser uma experiência nova e muito boa. Pelas coisas novas que tive oportu- nidade de aprender, pelo convívio, pela ocupação do tempo, porque nos incentiva a sair da cama mais cedo, e intelectualmente estamos ocupados. Tem sido muito enriquecedor quer no aspeto pessoal como intelectual”, conclui. Fernanda Meda é uma das novas inscritas. “Gosto de saber mais e como agora tenho mais tempo disponível resolvi vir aprender”. Maria Odete também é “caloira” na Academia. “Eu já fazia pintura, mas achei que aqui podia aprender algo mais abrangente e então decidi experimentar. O convívio também pesou na decisão, já que foi também um fator que me puxou para cá. Não podemos ficar parados no tempo, apesar da idade avançada”, diz. Autarquia lança desafio Criado pela Câmara de Mortágua, a Academia “Saber Mais” pretende colmatar uma necessidade sentida pelos seniores, que a partir de uma certa idade passam a ter mais tempo disponível para outras atividades. O projeto surgiu como uma resposta para essa realidade e ao mesmo tempo com o objetivo de fomentar a máxima de que “nunca é tarde para aprender e saber mais”, ao promover a partilha do conheci- mento numa base informal, flexível e multidisciplinar. O presidente da autarquia mostrou-se “sensibilizado e feliz” por ver tão significativo número de inscritos, defendendo que este é “um sinal de que este projeto vale a pena e constitui umaapostaganha”.JúlioNorteafirma que “é muito importante mantermo- -nos ativos e atualizados”, destacando também “os valores da partilha e do convívio” e o fato da Academia ser frequentada por pessoas diferentes, comvariadasprofissõeseexperiências de vida e até nacionalidades. O autarca aproveita para lançar um desafio à Academia no sentido de colaborarem no trabalho que o mu- nicípio está a desenvolver relacio- nado com a temática das Invasões Francesas e na perspetiva da criação do futuro Centro Interpretativo, pedindo o seu envolvimento nesse projeto. “Seria muito interessante e útil essa colaboração”, diz. Segundo Júlio Norte, há todo um campo de estudo, investigação e colaboração que a Academia pode desenvolver e que deve ser aproveitado. “É uma mais-valia colocar o vosso saber e a vossa colaboração ao serviço da comunidade, é também uma forma de valorizarem o fruto do vosso trabalho”, afirma o autarca. A Câmara Municipal de Tarouca está a preparar a criação de uma área de Acolhimento Empresarial e Logística. O investimento ainda não tem data para arrancar mas, se- gundo fonte da edilidade, já está em marcha a expropriação do terreno, na zona de Dalvares. Numa fase embrionária, o pro- jeto pretende dar resposta às necessidades dos empresários locais, bem como satisfazer os pedidos de implementação de empresas e indústrias em Tarou- ca. De acordo com o vice-presi- dente, José Damião, o objetivo estratégico passa por “procurar dar soluções e responder aos pedidos de empresários de outros concelhos e zonas do país que consideram Tarouca um local apetecível para promover a sua fonte de trabalho”. Recordando a estratégia da edili- dade para “captar investimento” e “criar postos de trabalho”, José Da- mião sublinha que “não podemos deixar perder esta oportunidade de desenvolvimento e criação de riqueza quando tanto se fala em melhorar as condições de vida das populações”. Localizado na freguesia de Dal- vares, o terreno com 28 500 m2 pretende ser “uma forma de fixar as populações e gerar rendimentos”. TAROUCA ZONA EMPRESARIAL EM CRIAÇÃO SUN TZU E A LIDERANÇA AUGUSTO ANTUNES Doutorado em Gestão Bancário Diversos autores sugerem que o papel dos líderes é serem agentes de mudança e, portanto, tornam-se cada vez mais importantes nos níveis mais altos de gestão já que, nestes estados, os gestores possuem autonomia cres- cente para efetuar mudanças sisté- micas. Em níveis menos elevados nas organizações, os comportamentos de liderança ou a aprendizagem através do treino como um substituto para a liderança, são elementos fundamen- tais de melhoria contínua. Awamleh diz-nos que, ao longo das últimas décadas, a investigação da liderança foi rejuvenescida por uma variedade de novas teorias que compartilham um reconhecimento comum de que a liderança é um fenómeno percetivo, i.e., engloba o processamento de informações para avançar num modelo abrangente de perceções de liderança. Uma referência histórica para respal- do da importância desta temática, leva-nos a citar Sun Tzu e a sua obra “A Arte da Guerra”, escrita 500 a.c., que realça a importância do espírito de corpo nas tropas, da confiança recíproca entre o general e o seu exército, assim como o necessário co- nhecimento do terreno, da envolvente e a utilidade de ter sempre em conta a psicologia do adversário. Algumas das observações deste autor mantêm, na sua grande maioria, uma espantosa atualidade, especialmente ao nível dos valores da liderança, e que se passa a citar: “Geralmente, quem ocupa primeiro o terreno e fica à espera do inimigo está em posição de força; quem chega ao local mais tarde e se precipita no combate já está enfraquecido”; “O bom general traz o inimigo para onde quer lutar… e o exército vitorioso ataca um exército desmoralizado e derrotado”. Assim, diversos princípios incluídos neste livro, são usados modernamen- te na gestão empresarial. Entre outros fatores, Sun Tzu, dis- cutia a relação do soberano com a ligação ao seu comandante nomeado, i.e., as qualidades morais, emocionais e intelectuais de um bom general, a organização... O comando enquanto qualidades de sabedoria, sinceridade, humanidade, coragem e rigor. Em boa verdade, estes ensinamentos de antanho remetem-nos para Bennis (1991:1) “Gestor é aquele que faz as coisas bem, líder é o que faz as coisas certas”. Precisamos de bons líderes no mundo como do pão para a boca! 76ALUNOS no segundo ano de funcionamento OPINIÃO REGIÃO
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    25 21 OUT REGIÃO PUB MANGUALDE Texto IreneFerreira “DA TRADIÇÃO À MODERNIDADE” NA FEIRA DOS SANTOS NO PRIMEIRO FIM DE SEMANA DE NOVEMBRO, A CIDADE DE MANGUALDE ACOLHE MAIS UMA EDIÇÃO DA SECULAR FEIRA DAS “FEBRAS”. ENTRE OS DIAS 4 E 6, MILHARES DE PESSOAS SÃO ESPERADAS NO CERTAME PROMOVIDO PELA CÂMARA MUNICIPAL. A CERIMÓNIA DE ABERTURA ESTÁ AGENDADA PARA DIA 4 DE NOVEMBRO, SEXTA FEIRA, ÀS 19H30, NO MERCADO MUNICIPAL DR. DIAMANTINO FURTADO AFeira dos Santos decorre uma vez mais no centro da cidade sob o lema «Da Tradição à Modernidade». Já considerado um marco a nível nacional, o evento conta com diversas ofertas desde a gastronomia, através das tradicionais febras, os enchidos, os frutos secos, o artesanato, o vinho, os produtos agrícolas, entre outras. O presidente da Câmara Municipal de Mangualde, João Azevedo, considera a feira das “febras” um momento importante para a economia local. “Vamos ter uma Feira dos Santos muito rica em termos de emoções e de atividades e continuamos a recriar a tradição no presente e no futuro”, refere o autarca. João Azevedo sublinha que o certame é “o momento mais marcante que temosduranteoanonoconcelhoeque já é uma feira que atinge proporções importantes naquilo que é a visita dos turistas e até mesmo da diáspora”. O edildestacaaindaosturistasespanhóis “quevisitamMangualdenestaaltura”. João Azevedo adianta que a autarquia mangualdense tem sido e continua a ser muito rigorosa nas questões da segurança. “Existe uma atuação mui- to forte em termos de segurança para também dar credibilidade e conforto a quem nos visita, quer seja a quem vende, a quem compra ou a quem pretende apenas divertir-se”. Cerca de cinquenta e cinco mil euros foi quanto o município de Mangualde investiu nas obras de remodelação da sede da União de Freguesias de Tavares, que reúne as aldeias de Chãs de Tavares, Várzea e Travanca. Um edifício com 42 anos. O remodelado espaço vai receber a curto prazo um Espaço do Cidadão para além dos serviçosjáexistentes,entreelesosCTT, posto médico, espaço internet e espaço formação. Para o presidente da União deFreguesias,“maisdoqueumedifício é parte da nossa história”. Alexandre Constantino lembra que desde que tomou posse em 2013 era sua intenção avançar para a intervenção. “É com satisfação que digo que passados três anos não só realizámos as obras para asquaistínhamossolicitadoosprojetos mas fizemos muito mais”, adianta. Segundo o presidente da União de Freguesias de Tavares, “todos somos iguais e todos merecemos as mesmas oportunidades de ter acesso a bens e serviços”. Concurso público para a requalificação de estrada em Torre de Tavares A ligação de Torre de Tavares ao pontão superior da A25 vai também ser alvo de obras. Um investimento de cerca de 200 mil euros que, segundo João Azevedo, “vai permitir que todo o eixorodoviáriodaquelazonadoconce- lho fique restabelecida e requalificada”. O concurso público é lançado “a curto prazodentrodoslimitesfinanceirosdo município mas com organização, com estratégia e com planeamento”, conclui oautarcamangualdense. OBRAS EDIFÍCIO DA UNIÃO DE FREGUESIAS DE TAVARES ALVO DE REQUALIFICAÇÃO Fazermexeroconcelho Vários setores de atividade são dina- mizados durante os três dias, com a realizaçãodaFeiradasFebras,aMostra das Freguesias, a iniciativa Mangualde Regional (venda de produtos regionais do concelho), a Expovinhos e Degusta- ções, o Mangualde Indústria, também a AgroMangualde (exposição de má- quinasealfaiasagrícolas),oMangualde Motor (exposição de veículos) e a Man- gualde Transporte (exposição de al- gumas marcas e modelos de camiões). As artes também não são esquecidas através do II Encontro Nacional de Produções Artesanais certificados, o Manguald´Arte - XI Mostra de Arte- sanato Nacional e as atividades de pin- tura ao ar livre com o Artes & Ofícios. Durante o fim de semana da Feira dos Santos é ainda possível visitar o Espaço Recordação Fotográfico – Eu estou na FeiradosSantosdeMangualde! A animação pelas ruas da cidade promete ser uma constante com a atuação da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Mangualde, a atuação do Grupo Zés Pereiras “Os Parentes de Teivas”, também o grupo Mega Lua, Art & Manhã e grupos de Con- certinas. O programa da TVI “Somos Portugal” volta a estar em direto do Largo Dr. Couto, no domingo, dia 6, a partir das 14h00. Segundo João Azevedo, a edição deste ano da Feira dos Santos “vai ser um certame muito forte, de grande qualidade”. “Acredito que quem nos visitarficarámuitosatisfeitoempassar por Mangualde nesta altura do ano”, conclui. FEIRA DOS SANTOS À MESA Durante os três dias do even- to, os restaurantes voltam a aderir à iniciativa Feira dos Santos à mesa. Os espaços de restauração têm disponível uma ementa regional dedicada à feira com enchidos da região, Rojões à Moda de Mangualde, Febras à Feira dos Santos, Re- queijão com doce de abóbora e Queijo da Serra acompanhado de Vinho do Dão.
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    26 21 OUT REGIÃO VILA NOVADE PAIVA Texto Pedro Pontes CRIANÇASSEMATLEPAISSEMSOLUÇÕES ENCERRARAM AS ATIVIDADE DE TEMPOS LIVRES (ATL) PARA AS CRIANÇAS EM VILA NOVA DE PAIVA. O ATL ERA A ÚNICA GARANTIA DA OCUPAÇÃO DAS CRIANÇAS DURANTE O DIA, QUE DEIXAVA DESCANSADOS PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO DURANTE A JORNADA DE TRABALHO. NA ORIGEM DO ENCERRAMENTO, ESTIVERAM DIFICULDADES COM INSTALAÇÕES E TRANSPORTE PARA AS CRIANÇAS ACasa do Povo decidiu encer- rar as atividades de ATL para as crianças em Vila Nova de Paiva. Até agora esta valência funcionava nas instalações do lar da AssociaçãodeSolidariedadeSocialdo Alto Paiva (ASSAP), mas as crianças não podem ali continuar uma vez que a lei impede que os dois serviços este- jam juntos. A alternativa era deslocar a valência para as instalações da Casa do Povo, mas também aqui o ATL não pode funcionar porque o edifício não tem condições para receber esta valência. São precisas obras de requa- lificação que por enquanto ficaram adiadas por falta de verbas. A juntar a tudo isto, as carrinhas da instituição que estão autorizadas para o transporte de crianças só o podem fazer até ao início do próxi- mo ano. O tempo útil de vida dos veículos da Casa do Povo para este tipo de transporte vai terminar em janeiro de 2017. Confrontada com a situação, a Casa do Povo ainda tentou substituir os antigos veículos por uma nova carrinha em conformidade. A Segurança Social disponibilizou-se em contribuir com 50 por cento para a aquisição do novo equipamento, mas, sem dinheiro, a Casa do Povo solicitou à Camara Municipal de Vila Nova de Paiva apoio financeiro. No entanto, a autarquia rejeitou o pedido e a Casa do Povo perdeu o financia- mento da Segurança Social, encerrou o ATL e vai também agora deixar de poder transportar os jovens atletas que mantém na estrutura em várias atividades desportivas. O presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva, José Morgado, diz que não rejeitou o pedido de apoio porque “nunca lhe foi transmitido em concre- to o valor necessário para a compra da carrinha”. “A Câmara até poderia contribuircomumaverbaparaajudar mas nunca a totalidade da parte que cabe à Casa do Povo”, sustentou o autarca. José Morgado lembra que a autarquia tem um protocolo de colaboração com a instituição para subsidiar as refeições e o transporte das crianças, bem como as atividades da Casa do Povo. “Por ano eram transferidos cerca de 50 mil euros. Com o fim do serviço de apoio às crianças, o subsídio annual caiu para os 18 mil. Os apoios vão continuar para as atividades desenvolvidas”, explicou José Morgado. O presidente da direção da Casa do Povo, Alfredo Afonso, lamentou o en- cerramento do ATL e está agora preo- cupado com o transporte dos jovens e crianças nas atividades desportivas. Para além das escolinhas, a Casa do Povo tem inscritos na formação em futebol equipas de sub 10, sub 11, sub 12, veteranos e uma equipa de sub 19 feminina no Campeonato Nacional da modalidade. A instituição desen- volve ainda atividades de dança, BTT e Trail, entre outras. A primeira Rota da Truta de Trail, por exemplo, está marcada para este domingo, dia 23, e até ao encerramento desta edição já contava com mais de 250 inscritos. Os vereadores do partido Social Democrata (PSD) da Câmara de Moimenta da Beira consideram que o atual executivo ainda não conseguiu resolveroproblemadeendividamento bancário e lamentam ainda a falta de investimento no concelho. Para o autarca José Eduardo Ferreira, as críticas são infundadas e assume que conseguiu reduzir em metade a dívida encontrada há sete anos. Na última reunião de câmara, os ve- readores Luís Carlos Silva e Cristiano Coelho lamentaram que a “dívida continua pesada e o investimento praticamente não existe”. Remetendo todos esclarecimentos para a declara- ção de voto, Luís Carlos Silva recorda que “as freguesias continuam a ficar desertificadas, o investimento parou, a dívida continua sem grandes altera- ções e muito do que se faz no concelho não passa de folclore”. José Eduardo Ferreira já veio contra- por estas afirmações e assume que ao longo do mandato “temos conseguido reduzir a um nível bastante aceitável a dívida”. “Há sete anos o endividamen- to bancário estava na ordem dos 14 milhões de euros”, recorda o autarca, que diz que a redução foi de metade. Ainda que reconheçam que a dívida tenha baixado, os sociais-democratas lamentam que o atual executivo esteja “numa encruzilhada” e que “o investimento por todo o Município e principalmente nas freguesias seja uma miragem”. “Os encargos de uma MOIMENTA DA BEIRA PSD ACUSA CÂMARA DE ESTAR EM ENCRUZILHADA PARA RESOLVER DÍVIDA dívida pesada subsistem e o desempre- go aumenta”, afirmam ainda. Perante a apresentação dos números do auditor externo relativo ao 1º semestre de 2016, os vereadores do PSD dizem “não vislumbrar um futuro risonho para o concelho”. Em primeiro lugar consideram que em relação “à execução orçamental, do lado da receita, podemos verificar que a execução da receita de capital está com tendência para se situar abaixo do previsto” e que no cômputo geral “a execuçãoglobaldareceitaemjunhode 2016 atingia os 38% do valor orçado, descriminado desta forma: receita corrente 44% e receita de capital em 20%”. O documento aponta ainda para um aumento de endividamento a fornecedores em mais de 17% do que no final de 2015”. O edil moimentense acha “intolerável a desvalorização do esforço” que o executivo tem feito ao longo dos anos, sublinhando que “tem valido a pena o esforço para diminuirmos uma dívida que foi uma pesada herança e recordando que “estamos no bom caminho para resolver este problema e continuar a investir no concelho”. – IV “Há sete anos o endividamento bancário estava na ordem dos 14 milhões de euros”
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    28 21 OUT PENEDONO Texto IolandaVilar CAMPEÃO DE HÓQUEI RECONHECIDO COM MEDALHA DE MÉRITO O JOVEM ATLETA TEM RAÍZES NA BESELGA. O PAI, TAMBÉM PROFISSIONAL DA MODALIDADE, AINDA SE RECORDA QUANDO AS BALIZAS ERAM FEITAS COM PINHEIROS PEQUENOS E OS STICKS DE PAUS DUROS E CURVADOS. OS JOGOS ERAM FEITOS JUNTO À RIBEIRA DA SENHORA João Rodrigues, atleta da seleção nacional de hóquei em patins, vai ser agraciado com a Medalha de Mérito Municipal da Câmara de Penedono. Com raízes no concelho, o hoquista vê esta homenagem “como umaformamuitoreconfortantedever reconhecido o nosso trabalho”. Para o atleta, “com estas ações ainda dá mais vontade de trabalhar para novas conquistas”. A cerimónia pública, que terá lugar este domingo, dia 23 de outubro, pelas 15h30, visa reconhecer a sua conquistadecampeãoeuropeunaquela modalidade. O jovem atleta, nascido em Lisboa, tem raízes familiares no concelho de Penedono, mais concreta- mente na freguesia da Beselga. Nunca viveu em Penedono, mas conserva as boasmemóriasdeinfância passadasna casadosavós.SegundoJoãoRodrigues, a paixão e o empenho no hóquei em patins nasceu por culpa do pai, com o mesmo nome, e que foi internacional dehóqueiemcampo. Aos 25 anos, o hoquista do Sport Lisboa e Benfica soma no seu currículo a conquista da Liga Europeia 2015/16 e o campeonato nacional da 1ª divisão, a Taça Intercontinental (2011/12) e, recentemente, ao serviço da seleção nacional foi campeão da Europa, con- quista que também alcançou enquanto juvenil Como filho de peixe sabe nadar, neste caso “sticar”, João Rodrigues sempre acompanhou o pai nas suas incursões neste desporto. O pai, João Rodrigues, também foi internacional de hóquei em campo por Portugal 25 vezes e alcançou a melhor classificação de sempre na modalidade um sexto lugar num europeu. Vestiu a camisola do CF Belenensesdurante25anos. O jovem campeão divergiu no que toca O Prémio Rebelo Moniz home- nageou 72 alunos do concelho de Resende pela sua prestação escolar no ano letivo de 2015/2016. A homenagem levada a cabo pela autarquia aconteceu no passado dia 5 de outubro. Para o presidente da Câmara Muni- cipal de Resende, Garcez Trindade, “este prémio representa o reconheci- mento do desempenho de excelência destes alunos que se esforçaram ao longo do ano para obter os melhores resultados, o que lhes faculta uma melhor formação, conhecimentos e preparação para no futuro en- frentarem o mercado de trabalho, pelo que é objetivo da autarquia manter a atribuição desta distinção”. Os alunos do 2.º e 3.º ciclos foram distinguidos com um diploma e com um prémio monetário no valor de 124,79 euros, sendo que no ensino secundário o aluno com melhor média final obtida recebeu 149,64 euros. O segundo melhor estudante recebeu 124,79 euros e o terceiro melhor 99,76 euros, perfazendo um total de mais de oito mil euros em prémios. RESENDE MELHORES ALUNOS HOMENAGEADOS João Rodrigues, filho, com o pai João Augusto Rodrigues MEDICINA ORAL MIGUEL COSTA Médico Dentista Centro Visage Viseu OPINIÃO Medicina Oral é a área da Medicina Dentária que visa a prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças das estruturas orais e periorais, especialmente da mucosa, e manifestações de doenças sistémicas na boca. Muitas alterações observadas na cavidade oral, erradamente associadas aos dentes, são cau- sadas por doenças sistémicas. Uma simples afta pode não ser apenas resultante de um traumatismo, mas ser o sinal de uma doença sistémica grave ainda não diagnosticada, e que simplesmente através da observação clínica das suas características pode auxiliar no estabelecimento de um diagnóstico. Dores ou ardores na língua podem ser devido a Anemia, a alteração neurológica, ou simplesmente sinal de uma condição sem significado patológico, no entanto devem ser estudadas para esclarecer a sua origem. Algumas doenças como a Diabetes, a Anemia e doenças auto imunes podem provocar alterações muito evidentes na cavidade oral, mas que podem ser facilmente resolvidas se detectadas preco- cemente, permitindo ao doente uma vida normal sem queixas ou desconforto. O diagnóstico precoce do Cancro Oral é também muito importante para aumentar o sucesso de tratamento, per- mitindo um tratamento mais conservador que assegure a qualidade de vida do doente. A observação clínica por um Mé- dico Dentista especializado é essencial na detecção de lesões potencialmente malignas, que pode efectuar uma biópsia de modo a obter um diagnóstico histológico. Alguns sinais de alarme, como a persistência de úlceras, zonas endurecidas, feridas que não cicatrizam ou dor não controlada, devem ser consideradas e observadas na consulta de Medicina Oral. ao “tipo” de hóquei muito por influên- cia da irmã que praticava patinagem artística. “É preciso muito esforço e dedicaçãoparaalcançarmososucesso”, diz João Rodrigues, o filho, que “vê no desporto uma forma muito salutar de ocupar os tempos livres e de quem sabe umdiatornar-seumaprofissão”. Pai orgulhoso João Augusto Rodrigues, há muito afastado das lides do hóquei, não esconde o “orgulho” pelo filho e vê “mais com o coração de pai que com os olhos” as suas conquistas quer a nível nacional ou internacional. “Peço desculpa de ser mais o coração a falar, mas vejo com especial emotividade este reconhecimento da minha terra ao meu filho”, assume. O engenheiro nascido na Beselga passou também à filha Raquel Rodrigues a paixão pelo hóquei. O pai do campeão europeu recorda ainda os tempos de infância onde jogava no quintal da Don’Ana, na sua aldeia da Beselga, e que perante a al- gazarra da miudagem eram “corridos pelos proprietários dos terrenos, pró- ximo da Ribeira da Senhora, com as balizas feitas com pinheiros pequenos e os sticks de paus duros e curvados. REGIÃO
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    29 21 OUT REGIÃO Sátão era,até agora, o único concelho do distrito de Viseu que ainda não tinha disponível o SAAS, Serviço de Acompanhamento e Apoio Social. O novo programa, que estará instalado na Casa do Povo de Sátão, entra em funcionamento na próxima semana e foi apresentado em reunião do CLAS- Conselho de Local de Ação Social. O SAAS é “um serviço que assegura o atendimento e acompanhamento de pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade e exclusão social, bem como de emergência” e que tem como funções, entre outras, informar, aconselhar e encaminhar para respostas, serviços ou prestações sociais adequados a cada situação; prevenir situações de pobreza e de exclusão sociais ou mobilizar os recursos da comunidade adequados à progressiva autonomia pessoal, social e profissional. Este apoio era feito junto da Segu- rança Social mas com a criação dos SAAS passa a ter um espaço próprio, no caso de Sátão na sede da Casa do Povo das 8h30 às 13h00 e das 14h00 às 16h30, onde estarão um coordena- dor e dois técnicos. O SAAS foi criado no âmbito da rede Local de Intervenção Social (RLIS). SÁTÃO SERVIÇO DE ACOMPANHAMENTO E APOIO SOCIAL NA CASA DO POVO CARREGAL DO SAL Texto Clemente António Pereira CULTIVO DE PINHEIRO MANSO CONVENCE E SURPREENDE GOVERNANTES APOSTA NO DESENVOLVIMENTO DOS RECURSOS FLORESTAIS DO CONCELHO COM ESPECIAL FOCO PARA O CULTIVO DO PINHEIRO MANSO DESPERTOU O INTERESSE DA TUTELA QUE SE DISPONIBILIZOU A DIRECIONAR APOIOS PARA ESTE PRODUTO ENDÓGENO Aaposta feita no desenvol- vimento e crescimento da cultura endógena do Pinhei- ro Manso no concelho de Carregal do Sal surpreendeu pela positiva o PUB secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural. Na sua última passagem pelo concelho, Amândio Torres decidiu contactar de perto com a nova realidade que resulta da “Centralidade da Cultura do Pinheiro Manso” assumida pela Câmara Municipal em parceria com a Associação de Produto- res Florestais do Planalto Beirão (APFPB). Trata-se de uma aposta recente e que resultou na criação de um Centro de Clonagem desta espécie que tem registado um grande desenvolvimento e crescimento na região, tendo sido considerado “um produto endógeno de referência” por parte do governante. Amândio Torres felicitou o mu- nicípio por apostar fortemente nesta cultura do Pinheiro Manso em parceria com APFPB e pediu para que “não sejam esquecidos os excelentes recursos florestais que existem em Carregal do Sal que reúne as condições de solo, clima e humidade favoráveis e adequadas ao desenvolvimento do pinheiro manso”. O governante fez ainda votos para que daqui a 10 anos “o concelho possa ter pelo menos o dobro da área florestal ocupada com pinheiro manso, como fonte de riqueza para Carregal do Sal e para Por- tugal” e que “irá gerar mais valor acrescentado”. Certo é que já existem linhas de apoio para esta área de produção ao abrigo do Programa de Desen- volvimento Regional 2020 (PDR) estando abertas as candidaturas e condições exigidas para a apre- sentação de projetos e intenção de investimento a realizar. Área de pinheiro manso cresceu e já ocupa 200 hectares O Parque Clonal de Pinheiro Manso plantado no concelho de Carregal do Sal regista um aumento da área ocupada por esta espécie de quase 40 por cento. “Estamos a falar de cerca de uma centena de pro- dutores, identificados e registados, mas produtores ainda com pouca expressividade”, adianta a APFPB. A área plantada no concelho já re- presenta cerca de 200 hectares, ex- cluindo o povoamento de espécies autóctones. Atualmente a imple- mentação de um pomar de Pinheiro Manso (plantação, mais enxertia) envolve custos que rondam cerca de dois mil euros. Ao fim de 7 a 8 anos o povoamento estará pronto a dar fruto (ou seja, pinhões todos os anos). Em condições normais um hectare poderá produzir cerca de 15 a 20 toneladas de pinha, estando o quilo a 0,70 euros em média, o que corresponde por ano a um rendi- mento de 10 mil e 500 euros. Amândio Torres esteve em Carregal do Sal
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    30 21 OUT ENTREVISTA DIAMANTINO SANTOS,PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE VISEU Texto António Figueiredo Fotos Tânia Ferreira “Sem recursos o nosso trabalho de proximidade fica comprometido” Agerir a maior freguesia do distrito, Diamantino San- tos considera que é positiva a união das três Juntas da cidade de Viseu. Com mais recursos “po- deria ser feito mais e melhor” ApóstrêsanosdeUniãodeFreguesias asjuntasdacidadedeViseudevemcon- tinuaragregadas? Faz todo o sentido a agregação. O pro- blema está na falta de recursos das fre- guesias em geral. O poder central tem que perceber que sem os necessários recursos humanos e financeiros a dele- gação de competências não faz sentido eonossotrabalhodeproximidadefica comprometido. Quaisasmaioresvantagensdaagregação? Tratar de uma forma coerente tudo o que diz respeito ao tecido urbano da cidade. Os cidadãos ganham com a possibilidade de tratar todos assuntos de uma forma uniforme e num mes- mo local. Muito importante é a maxi- mização dos recursos existentes. Ummandatoparajuntartodososser- viçosdafreguesianumúnicoedifício, noSolardosPeixotos,comoestádecido, nãoédemasiadotempo? O acordo com a Câmara Municipal de Viseu está assinado há mais de um ano. Como a Junta não tem as verbas necessárias para recuperar o edifício, tem que ser articulado com a Câmara. OnovasededaJuntadeFreguesiade Viseuvaiestarprontaestemandato? Nãomepossocomprometerporqueas obras a realizar são significativas. Dequemaisseorgulhanestemandato? Dos projetos que estamos a realizar em parceria com as associações cultu- rais, desportivas e sociais. Continuaahavermuitagenteapedir apoiosocialàJunta? A cidade atrai muitas pessoas que vêm à procura de uma vida melhor e que nem sempre é conseguida. Quepessoasprocuramoapoiosocial dajuntadefreguesia? São famílias em dificuldades financei- ras, novos e idosos, que precisam de comprar medicamentos, pagar a água, a luz, a renda, etc. Há de tudo. Oorçamentoparticipativoéumsuces- soouumabandeiracompoucosefeitos práticosnavidadafreguesia? Embora seja cedo para fazer uma ava- liação, temos a certeza de que é um instrumento fundamental para envol- ver os cidadãos na tomada de decisões. Oregulamentoparalegalizarosarru- madoresdeautomóveiséquefoium fiasco… Foi feito de acordo com a lei. Os entra- ves que as seguradoras levantam para fazer o seguro aos arrumadores é que não nos diz respeito. Têm que ser ou- tras entidades a resolver o problema. Naspróximaseleiçõesautárquicasasua recandidaturaéumacerteza… Tenho vontade em fazer um novo mandato. O partido tomará a decisão na altura que entender. Vaiassumiranecessidadedetermais alguématempointeiroparaalémdo presidentedajunta? Pode ser apenas a meio tempo. Vere- mos isso com racionalidade. Há municípios com cinco ou seis mil habitantes que têm vários vereadores a tempo inteiro. A nossa freguesia tem 27 mil habitantes. Vaiconvidar,paraasualista,oLuísLo- pes,doBlocodeEsquerda,umavezque foieleque,naAssembleiadaFreguesia, lheviabilizouaatividadedajuntapor- queoPSDnãotemmaioria? O Luís Lopes fez uma oposição cons- trutiva e sem deixar de ser crítico. Gos- távamos que toda a oposição tivesse atuado dessa maneira. Ter dito na Assembleia Municipal de Viseu que não havia projeto para a requalificação da Escola da Ribeira foi um equívoco ou uma forma de se colocar ao lado de Almeida Henri- ques contra Fernando Ruas? Não me quero colocar ao lado de nin- guém. Tenho muito respeitos pelos an- teriores autarcas. Reconheço de uma forma simples e humilde que tive um excesso de verbalismo. O que importa é termos uma Escola da Ribeira reno- vada. AsestruturasdoPSDdeviamajudara queFernandoRuaseAlmeidaHenri- quesfizessemaspazeseaparecessem juntosnapróximacampanhaeleitoral autárquica? Seria saudável que isso fosse possível. Ganharíamos todos. AJuntadeFreguesiadeViseuassinalao terceiroaniversário,hoje21deoutubro, comdiversasatividades.Oquetemoli- vroquevãolançar? Foi um dos projetos vencedores do primeiro orçamento participativo. No livro “Histórias Perdidas - vivên- cias e memórias do viseenses”, fica para o futuro a memória e as histórias de muitos cidadãos simples da nossa cidade.
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    31 21 OUT DANÇA VERA MANTERO NOTEATRO VIRIATO COM PERFORMANCE SOBRE DESERTIFICAÇÃO OLHAR SOBRE AS PRÁTICAS DE VIDA TRADICIONAIS NUM ESPETÁCULO DE DANÇA QUE CRUZA OUTRAS DISCIPLINAS ARTÍSTICAS Vera Mantero regressa este sá- bado (22 de outubro) ao Tea- tro Viriato. A peça “Os Ser- renhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional” debruça-se sobre a desertificação/desumaniza- ção da Serra do Caldeirão, no Algar- ve. Cruzando as suas próprias reco- lhas vídeo com as recolhas em filme de Michel Giacometti, sobretudo aquelas feitas em torno das canções de trabalho, Vera Mantero lança um forte olhar sobre práticas de vida tra- dicionais e rurais em geral, conheci- mentos das culturas orais de norte a sul do país e de outros continentes. Comeste“retratoalargado”dos“Ser- renhos do Caldeirão”, Vera Mantero fala-nos de povos que possuem uma sabedoria que perdemos, uma sabe- doria na ligação entre corpo e espíri- to, entre quotidiano e arte. Mas uma sabedoria que podemos (e devemos, para nosso bem) reativar. Vera Mantero é um dos nomes cen- trais da nova dança portuguesa, ten- do iniciado a sua carreira coreográfi- caem1987emostradooseutrabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singa- pura. Desde 2000, dedica-se também ao trabalho de voz, cantando reper- tório de vários autores e cocriando projetosdemúsicaexperimental.Re- presentou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004, com “Comer o Co- ração”, criado em parceria com Rui Chafes. Em 2002 foi-lhe atribuído o Prémio Almada (Ministério da Cul- tura Português) e em 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete. Os diálogos entre o cineasta An- tónio-Pedro Vasconcelos e José Jorge Letria estão agora num li- vro que é apresentado esta sex- ta-feira (21 de outubro) no Hotel Montebelo, em Viseu com a pre- sença do autor do filme “Amor Impossível”. Segundo a sinopse, António-Pe- dro de Vasconcelos “sempre es- teve no centro do furacão que é o cinema português”, recordan- do tratar-se de “um dos mais jo- vens fundadores do cinema no- vo” e que iniciou um movimento de “rutura e de utopia estética dos anos 60, que procurou aproximar das vanguardas estéticas euro- peias e americanas o cinema por- tuguês sufocado pela ditadura do Estado Novo”. ANTÓNIO-PEDRO VASCONCELOS APRESENTA LIVRO Espetáculo vai estar no Teatro Viriato CULTURA O Instituto Português da Juventu- de, em Viseu, tem patente uma ex- posição coletiva de trabalhos cerâ- micos de autores/professores que participaram nos cursos de forma- ção - Materiais Cerâmicos e Cerâ- mica Criativa. A partir do dia 20 de outubro, e até 30 de novembro, estará exposto um significativo conjunto de trabalhos que percor- re os diferentes processos cerâmi- cos, que vão desde a chacota, com ou sem aplicações cromáticas, até à vidragem. As obras exibem uma abordagem criativa que, de algum modo, rom- pe com carácter utilitário e artesa- nal normalmente associado às pe- ças cerâmicas. Os trabalhos resultaram de con- ceções gráficas originais e conse- quente transposição para placas de pasta cerâmica, através da aplica- ção de técnicas de modelação, gra- vura e escultura. VISEU EXPOSIÇÃO NO IPJ “Bitoques e Campos da Bola” escri- to por R.M. Ribeiro, é a proposta des- te fim de semana do festival de teatro “Palco Para Dois ou Menos”. Organi- zado pelo Núcleo de Animação Cultu- raldeOliveirinha(NACO),ainiciativa entranasduasúltimassemanasdeexi- bição. O espetáculo, que terá duas ses- sões,éinspiradonas“matinés”dabola, noscamposdefutebolenosproblemas dadesertificaçãodointerior.Tudopara ser acompanhado por um “bom” jan- tar de, claro, bitoques. É para ouvir e saborear nos dias 22 e 23 de outubro. NasemanaseguinteéavezdePompeu José mostrar “Em Memória ou a Vida Inteira dentro de Mim”, uma peça en- cenada a partir da obra “Até ao Fim” de Virgílio Ferreira. Trata-se de uma coprodução entre o grupo de teatro da VelacomoTrigoLimpoteatroACERT. É desta forma que o NACO encerra a décima edição deste Festival que tem a particularidade de, em palco, apenas estão uma ou duas pessoas. “O festival éumdosmomentosaltosdanossapro- gramação”, realça o presidente do Nú- cleo, José Figueiredo, para quem, este evento, pela sua originalidade, já con- quistou lugar nos festivais nacionais. FESTIVAL DO NACO “BITOQUES E CAMPOS DA BOLA” NO PALCO PARA DOIS OU MENOS «NO FUNDO, UM PAÍS É SÓ UMA CIDADE MAIOR e aquilo que tem sido feito em Lisboa, no Porto, na Madeira, nos Açores, no Algarve, que tem sido feito um pouco por todo o País, é aquilo que temos de fazer cada vez em mais locais, para que tenhamos cada vez mais turistas, em mais dias do ano, em mais sí- tios diferentes do País». A poética talvez não vença o Nobel, como Bob Dylan, mas as palavras [citadas] do Pri- meiro-ministro na III Cimeira do Turismo Português (Lisboa, 27/09/2016) são de reter. Claro que como qualquer bom PM, An- tónio Costa valoriza o que há a valorizar: os novos fluxos, os au- mentos, os incrementos. Como bom PM descreve também a es- cala do país, perdão, cidade, que tem a seu cargo: uma enorme fai- xa litoral pontuada/servida por três aeroportos internacionais e dois arquipélagos (idem). A es- tratégia é essa: da “periferia” ao centro, quando e se lá chegar. E, portanto, do anterior fica a pergunta: o que é que “tem si- do feito”? O que é que esta cida- de “maiorzita”, que é o país, tem feito, que justifique continuar a fazer o mesmo? Sabemos quais os investimentos de bandeira que existem na tal faixa litoral, mas no restante, o que há? Por exem- plo, os “Mirós” que vão criar no- vo polo de atractividade no Porto não poderiam ter casa na Régua, ou em Vila Real ou Lamego (e as- sim o Douro mantinha-se na foto de família, incrementando tam- bém o tal turismo de cruzeiros, ainda que por via fluvial)? Bas- ta durante um ano não “ceder” a orçamentos de 8 milhões em Ser- ralves ou 19 no CCB… isso e bem gerir, dentro do Estado Central. Não quando o Estado descen- traliza a Cultura, dotando mu- nicípios de competências e ver- bas que na Proposta de OE 2017 são enquadráveis no subgru- po “SOBERANIA”. Faz sentido, a soberania económica já se foi (internacionalmente), a obriga- ção patrimonial e cultural vai-se agora (internamente; também para privados). Duas parcelas de soberania em menos de 5 anos. Já não faltam todas; com tempo isto vai. RUI MACÁRIO Investigador OPINIÃO FotoHumbertoAraujo
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    32 21 OUT DESPORTO PUB Lusitano eMortágua são os protagonistas do dérbi distri- tal deste fim de semana. As duas equipas defrontam-se no do- mingo, em jogo da sétima jornada da série D do Campeonato de Por- tugal, no Campo da Gandarada, em Mortágua. Duas equipas à procura de pontos e de olhos postos no objetivo de so- mar nesta primeira fase. O Mortá- gua, equipa anfitriã, quer aprovei- tar o fator “casa” para complicar a vida ao vice-líder Lusitano e se pos- sível regressar às vitórias, no cam- peonato, que fogem há duas jorna- das. A última vez que a formação de Maná conquistou os três pontos foi precisamente na Gandarada, frente à Académica SF (2-0). Depois, uma derrota com o líder Gafanha (3-2) e um empate na Pampilhosa (2-2). Mas em casa o Mortágua já mos- trou que não é uma equipa fácil de bater e exemplo disso foi o jogo do último fim de semana onde compli- cou o apuramento do Cova da Pie- dade na Taça de Portugal e onde valeu à equipa da Segunda Liga um golo solitário de Irobiso, mas numa altura em que a formação de Mor- tágua estava reduzida a 10, por ex- pulsão de Tagui que é assim baixa para o jogo com os trambelos. Já o Lusitano viaja até Mortágua mais “fresco” uma vez que não jo- gou para a Taça, competição de onde já tinha sido afastado. Os trambelos estão assim focados no jogo com os mortaguenses e na vitória. Depois de na última jorna- da, há duas semanas, o Lusitano ter falhado o assalto à liderança da série D, com a derrota frente ao líder Ga- fanha (2-3), a jornada deste domin- go é de máxima importância para que se possa manter na corrida ao apuramento para a fase de subida, e não ver aumentar a distância para o Gafanha. A equipa de Rogério Sousa estáemsegundolugar,com11pontos, mas têm por perto Anadia e Gouveia com menos um ponto. Moimenta e Cinfães na fuga aos últimos lugares Na série C, o Moimenta da Beira re- cebe o Estarreja e o Cinfães o Sou- sense. As duas equipas continuam na fuga aos últimos lugares e per- der pontos é praticamente proibido. O Moimenta, equipa orientada por Rui Cordeiro, não ganha há cinco jornadas. Venceu na primeira jor- nada e soma apenas quatro pontos, mais um que o último, o Cesarense. OCinfãesvemdeumaderrotafrente ao Estarreja (2-0) e vai querer apro- veitar o regresso a casa para regres- sar às vitórias. A turma de Arlindo Gomes soma seis pontos e duas vi- tórias (ambas conseguidas em casa). SÉRIE D MARCADA POR DÉRBI DISTRITAL ENTRE LUSITANO E MORTÁGUA. NA SÉRIE C, CINFÃES E MOIMENTA DA BEIRA JOGAM EM CASA FUTEBOL GANDARADA RECEBE JOGO ENTRE “VIZINHOS” P J V E D 1 SC Salgueiros 18 6 6 0 0 2 Sanjoanense 15 6 5 0 1 3 SC Coimbrões 11 6 3 2 1 4 Sousense 9 6 3 0 3 5 Oliveirense 8 6 2 2 2 6 Estarreja 7 6 2 1 3 7 Cinfães 6 6 2 0 4 8 Gondomar 4 6 1 1 4 9 M. da Beira 4 6 1 1 4 10 Cesarense 3 6 0 3 3 7ª JORNADA Oliveirense 23/10 – 15h00 Salgueiros SC Coimbrões 23/10 – 15h00 Gondomar M. da Beira 23/10 – 15h00 Estarreja Cinfães 23/10 – 15h00 Sousense Sanjoanense 23/10 – 15h00 Cesarense Serie C P J V E D 1 Gafanha 15 6 5 0 1 2 Lusitano FCV 11 6 3 2 1 3 Anadia 10 6 2 4 0 4 CD Gouveia 10 6 3 1 2 5 Águeda 8 6 2 2 2 6 Pampilhosa 8 6 2 2 2 7 Mortágua 6 6 1 3 2 8 Nogueirense 5 6 1 2 3 9 Tourizense 4 6 1 1 4 10 Académica-SF 4 6 1 1 4 7ª JORNADA Mortágua 23/10 – 15h00 LusitanoFCV Gafanha 23/10 – 15h00 Gouveia Académica 23/10 – 15h00 Nogueirense Anadia 23/10 – 15h00 Tourizense Pampilhosa 23/10 – 15h00 Águeda Serie D
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    33 21 OUT DESPORTO 8ª JORNADA PaçosFerreira 21/10 – 19h00 Nacional Marítimo 21/10 – 21h00 Boavista Feirense 22/10 – 16h00 V. Setúbal Sporting 22/10 – 18h15 Tondela FC Porto 22/10 – 20h30 Arouca Moreirense 23/10 – 16h00 Rio Ave Estoril Praia 23/10 – 18h00 V. Guimarães Belenenses 23/10 – 20h15 Benfica Braga 24/10 – 20h00 Chaves P J V E D 1 Benfica 19 7 6 1 0 2 Sporting 16 7 5 1 1 3 FC Porto 16 7 5 1 1 4 Braga 14 7 4 2 1 5 Chaves 12 7 3 3 1 6 V. Guimarães 11 7 3 2 2 7 Rio Ave 10 7 3 1 3 8 Belenenses 9 7 2 3 2 9 Marítimo 9 7 3 0 4 10 Feirense 9 7 3 0 4 11 Paços Ferreira 8 7 2 2 3 12 Boavista 8 7 2 2 3 13 V. Setúbal 8 7 2 2 3 14 Estoril Praia 7 7 2 1 4 15 Nacional 6 7 2 0 5 16 Arouca 5 7 1 2 4 17 Tondela 5 7 1 2 4 18 Moreirense 4 7 1 1 5 Foi há nove meses que o Clube Desportivo de Tondela gelou o Estádio de Alvalade quan- do, aos 83 minutos, Salva Chamor- ro saltou do banco para fazer o 2-2 final. Foi a estreia dos auriverdes na casa dos leões, em janeiro passado, e que não podia ter corrido melhor ao Tondela. Na altura os leões eram líderes isolados, enquanto os auri- verdes lutavam desesperadamente para fugir ao último lugar. Spor- ting era favorito, mas o Tondela não se deixou vergar perante um “gran- de” e acabou por roubar pontos em Alvalade. Episódio que poderá ins- pirar a turma de Petit para voltar a repetir a “graçinha” em partida da oitava jornada, perante um leão fe- rido no orgulho, após uma derrota a meio da semana para a Liga dos Campeões, frente aos alemães do Borussia Dortmund. Sporting apostado em fazer o Ton- dela pagar a fatura da desilusão eu- ropeia, mas perante uma equipa que esta temporada já roubou pon- tos ao Futebol Clube do Porto, com um empate, sem golos, no Estádio João Cardoso. Um leão “ferido” que ainda assim não deverá facilitar a vida ao Ton- dela para não se atrasar na corrida à liderança. Já o Tondela mantém a fuga aos últimos lugares e Petit já fez saber que o 11 para Alvalade será pensado para que no final pos- sam conseguir um bom resultado. AURIVERDES JOGAM AMANHÃ EM LISBOA. LEÕES VÃO APROVEITAR RECEÇÃO AO TONDELA PARA APAGAR DERROTA NA LIGA DOS CAMPEÕES PRIMEIRA LIGA Texto Micaela Costa TONDELA QUER VOLTAR A SER FELIZ FELIZ EM ALVALADE FotoGilPeres A MOTIVAÇÃO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA Importa refletir sobre a importância da motivação para os alunos  nas aulas de Educação Física uma vez que é frequente pensarmos que os alunos gostam das au- lasdeEducaçãoFísicaetendoemcontaa relevânciadaactividadefísicanassuasdi- ferentesvalências. A motivação para as aulas de educação é fundamental para fazer com que a práti- casetornenumhábitosaudávelaolongo davida. A concepção de Educação Física como sinónimo de aptidão física, é um concei- to limitativo, o ser humano passou a ser considerado para além da sua dimensão biológica, mas também numa dimensão cultural, qualquer intervenção pedagó- gica deve levar em conta estes aspectos e a própria dinâmica escolar, passa a ser vista, também, como uma prática cultu- ral. A Educação Física deve deixar de ser vista como uma componente isolada do currículo, nem meramente técnica, mas em interligação com as outras discipli- nas, tendo que ser criadas condições me- todológicas para trabalhar com todos os alunos.  Igualmente, no campo do lazer ou ocu- pação dos tempos livres, questiona-se so- brearazãopelaqualaspessoasescolhem certasmodalidadesparadesenvolverema sua prática e não outras. Quando deter- minadaspessoaspraticamdesporto,con- trariamente a outras que não o fazem, é devido ao facto, pelo menos em parte, de esse desporto dar condições que estimu- lamaspessoasparaasuaprática. Ambas as situações nos encaminham para o entendimento de que a motivação influencia em grande medida as opções de cada um no momento da escolha da modalidade. Cratty (1984: 13) afirma que “a pesquisa sobre a importância da motivação é, sem dúvida,umadasáreasdeestudomaisim- portantes para a Psicologia Desportiva, fornecendo informações potencialmente úteisparaoprofessoreoaluno”.  Segundo Alves, Brito e Serpa (1996), o professor só consegue executar o seu pa- pel com uma maior eficácia, nas técnicas suscetíveis de influência, na persistência dos indivíduos nas atividades e na inten- sidadecomoselhesdedicam,quandoco- nheceosporquês.Assim,énecessárioco- nhecerquaisosfatoresqueinfluenciamo individuo/aluno e neste caso o que mo- tivação os alunos nas aulas de Educação Física.  Para Carron (cit. por Alves, Brito e Ser- pa, 1996), a motivação era o termo usado para representar as razões que levam as pessoas a seleccionar diferentes activida- des,apersistiremnelaseaefectuá-lascom maisoumenosintensidade. Deste modo, foi concluído que “não são as motivações do treinador/Professor de Educação Física, mas sim os interesses dos jovens que devem determinar os ob- jectivosemetodologiadotreinoedasau- lasdeEducaçãoFísica”(Alves,BritoeSer- pa,1996:42). MADALENA NUNES Professora de Educação Física O Pavilhão Cidade de Viseu recebe amanhã, dia 22, a Supertaça de volei- bol. Frente a frente o campeão nacio- nal Fonte do Bastardo e o vencedor da última Taça de Portugal e Supertaça, Benfica. As duas equipas voltam as- sim a medir forças depois de, no últi- mo fim de semana, terem protagoni- zado a final do Torneio das Vindimas que acabou por ser ganho pelo Fonte do Bastardo. A Supertaça está marcada para as 19h30 e terá transmissão na Sportv. Esta é uma competição que se reali- za desde a época 1988/89 e, desde en- tão, o Benfica e o Castelo da Maia são as equipas que mais se destacam ao vencerem o troféu por cinco vezes. Espinho, Sporting e Leixões foram outros dos clubes que levantaram a taça. VOLEIBOL FONTE BASTARDO E BENFICA NA SUPERTAÇA EM VISEU Esta tarde, pelas 18h45, a seleção nacional feminina A joga uma das mais importantes partidas da sua história. A equipa orientada pelo viseense Francisco Neto disputa a primeira mão do play-off de apura- mento para o Campeonato da Euro- pa, que decorre na Holanda no pró- ximo ano, frente à Roménia. Este é o primeiro de dois jogos decisivos para a equipa das quinas que depois de jogar esta tarde no Estádio do Restelo segue para a Roménia onde se realiza a segunda mão do play-off. Francisco Neto renova até 2019 O técnico da seleção, natural de Mortágua, prolongou o víncu- lo com a Federação Portuguesa de Futebol até ao final da qualificação para o Campeonato do Mundo de 2019, que vai ter lugar em França. Para Francisco Neto, esta renova- ção é o reconhecimento dos últi- mos três anos de trabalho, desta- cando que o “voto de confiança” surgiu ainda antes de Portugal ter garantido um lugar no play-off de qualificação para o Campeonato da Europa de 2017. FUTEBOL FEMININO SELEÇÃO NACIONAL COM JOGO HISTÓRICO OPINIÃO
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    34 21 OUT DESPORTO DOMINGO, 23DE OUTUBRO - 16H00 ACOMPANHE O JOGO ACADÉMICO DE VISEU - ACADÉMICA 11ª Jornada da Segunda Liga (Ledman Pro) RELATO em 98.8 FM Rádio Jornal do Centro/ Rede Mundial FM SÁBADO, 22 DE OUTUBRO - 18H15 ACOMPANHE O JOGO SPORTING CP - CD TONDELA 8ª Jornada da Primeira Liga (NOS) RELATO em 98.8 FM Rádio Jornal do Centro/ Rede Mundial FM PUB Em quatro jogos o Viseu 2001 já mar- cou 33 golos. Números que fazem des- ta a equipa, de entre todas as que par- ticipam nas sete séries da competição, a que mais golos marcou no campeonato daIIDivisão.Dadosparecidossónasé- rie F com o Fabril Barreiro, da Associa- ção de Futebol de Setúbal, que conta já com 30 golos marcados. O Viseu 2001 é também a equipa com a defesa menos batida, com apenas dois golos sofridos, enaúltimajornadafrenteaoPedreles. Este fim de semana os viseenses, líderes com 12 pontos, viajam a Belmonte para defrontaroCariense(oitavocomquatro pontos). O ABC de Nelas, terceiro com oito pontos, recebe o Ossela, de Olivei- ra de Azeméis e o Pedreles, quarto com seis pontos, vai a casa do Casal Cinza, equipa da Guarda que ainda não ven- ceuestaépoca. RiodeMoinhosjáconheceadversário daTaça A equipa açoreana do Posto Santo é o adversáriodoRiodeMoinhos,deSátão, narondainauguraldaTaçadePortugal de futsal. O calendário foi conhecido no início da semana e ditou a receção à equipa de Angra do Heroísmo, que mi- litanaIIDivisão,sérieAçores. O Rio de Moinhos foi o vencedor na úl- timaépocadaAssociaçãodeFutebolde Viseu mas acabou por não rumar aos nacionaispornãoterequipasdeforma- ção, fator obrigatório para integrar a II Divisão Nacional. Acabou por tomar o seu lugar o Pedreles, vice campeão dis- tritalnaépocapassada. Nesta primeira eliminatória, marcada para o próximo dia 30, participam 24 clubes, oito dos quais apurados da série Açores. Na próxima fase já entram os clubes da II Divisão, casos do ABC de Nelas, Pedreles e Viseu 2001, se não fi- caremisentos. FUTSAL NINGUÉM MARCA TANTO COMO O VISEU 2001 Realiza-se este fim de semana, dias 22 e 23, o III Torneio Cidade de Vi- seu em Ténis de Mesa. A prova, de classificação nacional “A”, a mais elevada, decorre no Pavilhão do Colégio da Via Sacra e vai reunir 385 atletas de 40 clubes de todo o país. Números que, segundo a or- ganização, levada a cabo pelo Agru- pamento de Escolas de Mundão em conjunto com a sua Associação de Pais e com o apoio da autarquia de Viseu, são de recordes para a moda- lidade no distrito. Para os respon- sáveis, “esta adesão ao torneio refle- te a avaliação de excelência feito ao mesmo nas épocas anteriores por atletas, treinadores e responsáveis federativos, o que aumenta a res- ponsabilidade da organização do AE Mundão que teve o condão de nos últimos anos colocar a Cidade de Viseu no mapa do ténis de mesa nacional. TÉNIS DE MESA TORNEIO CIDADE DE VISEU RECEBE MAIS DE 350 ATLETAS Académico de Viseu e Aca- démica de Coimbra jogam este domingo uma das par- tidas que suscita maior interesse, e curiosidade, na 12ª jornada da Se- gunda Liga. Viseenses e estudantes são velhos conhecidos e são muitas, mas antigas, as histórias dos en- contros entre dois dos grandes em- blemas da Beira. Há muito que as duas equipas não se encontravam na mesma divisão, o que volta a acontecer esta época depois da des- promoção da Académica de Coim- bra à Segunda Liga. Mas recentemente as duas forma- ções tiveram oportunidade de revi- ver momentos antigos num jogo de treino, ainda que durante a pré-épo- ca, que terminou com a vitória da formação de Coimbra. Este a encon- trar-se desta vez “a sério” e com im- portantes pontos em jogos. O Aca- démico quer continuar a somar para se afastar cada vez mais do fundo da tabela e a Académica para não au- mentar a distância para os lugares da frente, e manter bem vivo o sonho do regresso à Primeira Liga. A partida decorre no Fontelo, no re- gresso a casa dos viseenses depois de duas jornadas fora, a última nos Açores, a meio da semana, frente ao Santa Clara e que terminou em vitó- ria para o Académico (1-2), quebran- do assim o jejum de cinco jogos sem vencer para o campeonato – a última vez foi a 28 de agosto, em casa, frente ao Guimarães B. Espera-se enchente no Fontelo A Académica prepara uma verdadei- ra “invasão” ao Fontelo. Por Coim- bra estão espalhados vários lençóis onde pode ler-se “Todos a Viseu” e, ao que foi possível apurar, os estu- dantes deverão vir em peso e são es- perados mais de 500 adeptos. ACADEMISTAS E ESTUDANTES JOGAM ESTE DOMINGO. REENCONTRO DE VELHOS CONHECIDOS ONDE NINGUÉM VAI QUERER SAIR A PERDER. ACADÉMICA PREPARA ENCHENTE EM VISEU SEGUNDA LIGA Texto Micaela Costa DÉRBI DAS BEIRAS AQUECE JORNADA P J V E D 1 Portimonense 29 11 9 2 0 2 Santa Clara 23 11 7 2 2 3 Benfica B 21 11 6 3 2 4 Desp. Aves 20 11 5 5 1 5 Penafiel 19 11 5 4 2 6 Cova da Piedade 19 11 5 4 2 7 Vizela 18 11 4 6 1 8 Académica 18 11 5 3 3 9 Gil Vicente 16 12 3 7 2 10 FC Porto B 15 11 4 3 4 11 Fafe 14 11 3 5 3 12 U. Madeira 14 11 3 5 3 13 Sporting B 14 11 4 2 5 14 Braga B 13 11 2 7 2 15 Varzim 12 11 3 3 5 16 Sp. Covilhã 10 11 2 4 5 17 Ac. Viseu 10 11 2 4 5 18 Famalicão 10 11 2 4 5 19 V. Guimarães B 10 11 3 1 7 20 Leixões 9 11 1 6 4 21 Freamunde 8 11 1 5 5 22 Olhanense 1 12 0 1 11 12ª JORNADA Gil Vicente 2-1 Olhanense Varzim 23/10 – 11h15 Portimonense Vizela 23/10 – 15h00 FC Porto B Desp. Aves 23/10 – 16h00 Freamunde Benfica B 23/10 – 16h00 Penafiel Braga B 23/10 – 16h00 Santa Clara Famalicão 23/10 – 16h00 U. Madeira Ac. Viseu 23/10 – 16h00 Académica Fafe 23/10 – 16h00 Sp. Covilhã Cova da Piedade 23/10 – 16h00 V. Guimarães B Sporting B 23/10 – 16h00 Leixões Desp. Aves 5/3 - 15h00 Freamunde
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    35 21 OUT Centro Comercial OCrédito AgrícolaTerras de Viriato premiou três alunos, entre o 7.º ao 12.º ano de escolaridade, pelos bons resultados escolares alcançados no ano passado. A instituição anunciou já que o programa “CA Nota 20” vai continuar neste ano letivo. Ricardo José Alves Silva, do Agru- pamento de Escolas de Canas de Se- nhorim, foi o 5º melhor aluno do 7.º ano entre os clientes do Crédito Agrícola. Gabriela Gomes Rodri- gues, do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, foi a 4ª melhor aluna do 10.º ano. Já José Filipe Fer- reira Soares de Melo, do Agrupa- mento de Escolas de Carregal do Sal, foi o 18º melhor aluno do 12.º ano. O programa “CA Nota 20” atri- bui aos 20 melhores alunos de cada ano de escolaridade prémios mone- tários que variam entre os 100 e os mil euros, num total de 25 mil eu- ros, para depósito nas respetivas contas poupança. Com esta iniciativa, o Crédito Agrí- cola, segundo os seus responsáveis, “valoriza o esforço e o desempenho escolar dos jovens, incitando-os aos bons resultados escolares e à cultu- ra de mérito, ao mesmo tempo que lhes incute hábitos de poupança – uma das competências básicas face ao dinheiro e que deve ser trabalha- da desde cedo”. INSTITUIÇÃO PROMOVE CULTURA DE MÉRITO CRÉDITO AGRÍCOLA TERRAS DE VIRIATO BONIFICA MELHORES ALUNOS Conta “Poupança Futuro” Para participar na próxima edição basta abrir uma conta “Poupança Futuro” até ao dia 18 de Novembro numa das agências do Crédito Agrí- cola, ou no caso de já ser titular de uma “Poupança Futuro” à data de 10 de Outubro de 2016, programar reforços automáticos mensais com um montante mínimo de 10 euros para que, à data de 30 de Junho de 2017, tenha uma variação positiva mínima de 120 euros no saldo da respetiva poupança. Até 31 de Julho de 2017 deve ser entregue na mesma agência o certificado de habilitações referente ao ano letivo 2016/2017. O Crédito Agrícola cuidará de sele- cionar, com base no cumprimento dos referidos parâmetros, os alunos com as médias mais elevadas a nível nacional para a atribuição dos pré- mios. O Crédito Agrícola é a única insti- tuição financeira cooperativa por- tuguesa, de capitais exclusivamen- te nacionais, com a segunda maior rede de Agências (675) em território nacional.
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    36 21 OUT OFERTAS DE EMPREGO INSTITUCIONAL Podemcandidatar-se organiza- ções com atividade na integração económica e social dos migrantes, e/ou na promoção do empreende- dorismo imigrante e/ou na presta- ção de serviços de apoio aos em- presários e futuros empresários; nomeadamente: - Autoridades públicas e admi- nistrações públicas; - Câmaras de comércio e indús- tria; - Associações empresariais e redes de apoio a empresas; - Organizações de apoio às em- presas e incubadoras; - Organizações Não Governamen- tais; - Outras entidades sem fins lucra- tivos; - Associações e fundações que trabalham com os migrantes; - Entidades públicas e privadas especializadas na educação e for- mação. As propostas devem ser apresen- tadas em consórcio, composto por um mínimo de cinco entidades elegíveis em pelo menos três paí- ses participantes no COSME. Esta iniciativa apoia o objetivo específico COSME relacionado com a promoção do espírito em- presarial e cultura empreendedor e aborda as prioridades da União Europeia para uma abordagem abrangente e holística para a mi- gração. Poderá aceder à página da COS- ME de convite para apresentação de propostas de Promoção do Em- preendedorismo Migrante (COS- -MigrantsENT-2016-4-02) e con- sultar os documentos associados em http://bit.ly/2enMXYG. Eventuais questões devem ser co- locadas à EASME-Agência de Execução para as Pequenas e Mé- dias Empresas, Comissão Eu- ropeia, através do endereço: EASME-COSME-MIGRANT- SENT-CALL@ec.europa.eu. ESPAÇO PME EUROPA PROMOÇÃO DO EMPREENDEDORISMO MIGRANTE: CONVITE PARA APRESENTAÇÃO DE PROPOSTAS DONA LIMPEZA 232 429 154 PUB No âmbito do COSME – Programa para a Competitividade das Empresas e das PME, está aberto até ao dia 20 de dezembro de 2016, um convite para apresentação de propostas que visem promover o empreendedorismo mi- grante. O orçamento disponível é de 1.500.000 euros com um financiamen- to máximo de 90% dos custos elegíveis PUB
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    37 21 OUT OPINIÃO Corre entremoradores e comer- ciantes do CHV mais um abaixo- -assinado reclamando o que Al- meida Henriques prometeu no “Viseu Viva Plano de Recuperação do CHV”. Naquele documento pode ler-se: “... serão criadas micro bolsas de esta- cinamento, para residentes e público em geral”, “O desempenho do CHV no contexto da cidade dependerá das acessibilidades”; “Deve orientar-nos aqui um sentido de equilíbrio”. Atentemos nos fatos. Quem melhor garante que o CH continua vivo são os moradores e comerciantes. Parte significativa da população residen- te é idosa, tem direito a condições mínimas de bem-estar, sossego, se- gurança e habitabilidade. Aos jo- vens, ali residindo ou trabalhando, devem ser dadas condições de se- gurança para cuidarem de bebés e crianças, com exigências específi- cas de transporte. Ir às compras é, para qualquer morador, uma verda- deira aventura. Parte significativa do CH não tem rede de distribuição de gás o que implica, muitas vezes, estacionar à porta para transportar a botija até casa. Ao preço do gás, o residente deve sempre, preventi- vamente, acrescentar o preço da multa de estacionamento. Ao pre- ço do almoço em casa, acrescen- tar o preço da multa de estaciona- mento. Deve planear com visitas ao facebook do município, o dia e a hora em que faz compras ou o dia e a hora em que se desloca para vi- sitar a mãe idosa que ali reside, não vá haver mais uma prova desporti- va domingo pela manhã e ficar blo- queado no trânsito condicionado e não publicitado. Como já foi denunciado na Assem- bleia Municipal, diariamente, entre as 13 horas e as 15, a PSP, tem or- dens da Câmara para multar todos os carros fora dos estacionamentos autorizados no CH. Almeida Hen- riques não desmentiu, assumin- do assim que esta orientação exis- te. Sobreviverão os restaurantes? As lojas mais antigas como as mais modernas? Os habitantes? Os subscritores do abaixo-assinado reclamam protecção para os mo- radores. Que se criem alternativas de estacionamento em vez da re- pressão da multa. É uma questão de respeito, como a que se tem com os automobilistas que, ao Domin- go, vão à Sé cumprir a sua devoção religiosa. Será pedir demais? Todos os anos em Portugal, por vol- ta de Outubro, começa um pequeno drama. Trata-se da discussão e apro- vação dos orçamentos do Estado. Ou- tubro é o mês em que não há alma que não seja economista especializada na sua vertente macro e micro. Ele é a ba- lança comercial, o PIB, o défice, a dí- vida, a carga fiscal, o lado da despesa, o lado da receita, os impostos directos e indirectos, o diabo. Transformamo-nos em pequenos teó- ricos de finanças públicas, tal como, aos domingos, nos transfiguramos em treinadores de futebol, ou juristas quando há um caso intrincado qual- quer na Justiça, ou médicos quando vamos ao centro de saúde, etc. Contudo, tanto quanto tenho conhe- cimento, nenhuma comoção em Por- tugal é mais forte do que aquela que se segue à apresentação da proposta do orçamento do Estado. Ora, que eu saiba, isso não acontece em mais ne- nhum país civilizado, ou ocidental, se quiserem. Esta não deixa de ser uma marca do atraso social, político e económico de que padecemos enquanto povo. O orçamento é do Estado. Se é do Es- tado, porque nos afadigamos tanto no escrutínio minucioso desse orça- mento? Pela simples razão de que de- pendemos dele para lá dos limites do razoável. Portugal transformou-se num imen- so Estado. Os portugueses habitua- ram-se a ser os filhinhos pedinchões do Estado. Esta dependência debilita, entorpece, infantiliza, desresponsabiliza e limita. Quanto menos desenvolvida é uma sociedade, mais ela depende do Esta- do para sobreviver. Em Portugal, a espera angustiante pelo que pode trazer o orçamento do Estado explica-se por razões que nada têm a ver com discussão do rumo que o país deve tomar fazendo uso de ar- gumentos de ciência e de razão para criar riqueza e prosperidade colectiva. Não. Em Portugal, o que angustia mesmo e torna o orçamento um do- cumentocentraléanecessidadedesa- ber quanto nos calha pessoalmente da magra ração que o Estado, à laia de es- mola, nos distribui. Enquanto tivermos necessidade dis- so, estamos condenados à pobreza e ao atavismo. CARTOON RICARDO FERREIRA Cartoonista FILOMENA PIRES Eleita na Assembleia Municipal de Viseu CDU LUGARES PARA ESTACIONAR EM VEZ DE MULTAS CDS/PP FILHOS DO ESTADO PAULO DUARTE Advogado Militante e dirigente do CDS Portugal transformou- se num imenso Estado. Os portugueses habituaram-se a ser os filhinhos pedinchões do Estado.
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    38 21 OUT OPINIÃO Com aapresentação do OE para 2017, cumpriu-se um dos grandes objectivos do Governo e de todos os que o apoiam. Demonstrar que há alternativa para a muito invoca- da AUSTERIDADE!!! (apenas para os mais desfavorecidos, acrescento eu...) e que essa alternativa é passí- vel de ser construida e executada. Contudo, se verificamos uma mu- dança de paradigma em diversas áreas, haverá que levar essa mudan- ça para as também muito faladas durante os ultimos anos mas, prati- camente, nunca tocadas... “gorduras do Estado”. Nestamatéria,talvezsejainteressan- te lembrar um exemplo concreto... No municipio do interior onde vivo (e o exemplo serve para quase todos os outros...), o Estado exerce os seus “poderes” por via dos orgãos da cha- mada “administração desconcen- trada”. São os serviços que todos co- nhecemos, prestados nas áreas da Saúde, Educação, Justiça, Finanças, Segurança Social, Polícia, Agricul- tura e outras. Ora, se os serviços públicos na área da Saúde, Educação e Segurança In- terna, pela sua própria natureza, têm de ser concretizadas em “esta- belecimentos” muito específicos, já todos os outros poderiam per- feitamente coexistir num mesmo espaço/edificio. Contudo, o que se verifica é que cada um destes serviços utiliza es- paços independentes e arrendados, acrescendo ao custo das diversas rendas e entre outros, o pagamento da operacionalização de todos eles. Espantosamente, nesse mesmo mu- nicípio, o Estado é detentor de uma das maiores edificações aí existente, a qual alberga o Tribunal e as Con- servatórias do Registo Civil e Pre- dial. Mas esse edifício tem ainda amplos espaços livres e praticamen- te preparados para neles poderem ser instalados todos os outros servi- ços acima referidos!!! Para além de tornar bem mais confortavel para os cidadãos o acesso àqueles servi- ços, facilmente se percebe quanto o Estado poderia poupar só nesta pe- quena área do seu território... Não está na hora de se fazer este cor- te na despesa? António Guterres é o Secretário- -Geral da ONU. O ex primeiro-mi- nistro e secretário-geral do PS con- seguiu ao longo da última década, como Alto-Comissário para os Re- fugiados, granjear a estima e o res- peito do mundo. A sua aclamação pela Assembleia Geral, depois de ter sido posto à pro- va em seis votações secretas, espelha a unanimidade, o consenso e o re- conhecimento pelas nações das suas invulgares capacidades. A transparência do processo presti- giou a ONU, ao arrepio da nebulosa gerada por Merkel e pela Comissão Europeia numa lamentável e mal su- cedida jogada de última hora. Nada poderia ter contribuído mais para a autoestima dos portugueses e prestígio de Portugal. Igualmente importante, foi o facto de António Guterres ter conseguido unir o país à volta de uma ambição comum. Desde as forças políticas, passando pelo atual e anteriores Chefes de Es- tado, até ao generalizado sentimen- to popular, tudo funcionou muito bem. Permito-me relevar o papel da di- plomacia portuguesa e do ministro Santos Silva, bem como o empenho máximo do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e do Pri- meiro-ministro António Costa. To- dos não foram demais para o suces- so coletivo. É uma vitória de todos, mas, em especial, do mérito de An- tónio Guterres. Tive o privilégio de, ao longo da mi- nha vida política, ter pertencido à equipa restrita que sempre o acom- panhou no PS (Comissão Perma- nente e Secretariado Nacional) e ter partilhado responsabilidades no seu governo como secretário de estado da Administração Marítima e Por- tuária. Conheço-o bem, a sua entre- ga, integridade e empenho. Sempre prestigiou a vida pública. Portugal vive um bom momento e o PS também. De facto, à eleição de António Guterres pode somar-se o bom desempenho, publicamente re- conhecido, do governo de António Costa, tal como a vitória do PS Aço- res e de Vasco Cordeiro nas eleições regionais deste último domingo. Se tudo continuar assim, tudo conti- nuará bem com o PS e com o país. Há um facto que podemos retirar da análise do Orçamento de Esta- do: a austeridade não acabou, ape- sar do seu anunciado fim há um ano atrás. A obsessão pelo défice e a preo- cupação pelo crescimento da econo- mia foi uma utopia gritada por An- tónio Costa até 2015. E como todas as utopias, teve o seu invariável cho- que com a realidade. O que é real é o menor crescimento da economia portuguesa, uma clara falta de estra- tégia neste orçamento e uma eviden- te tentativa de sobrevivência política do governo perante pressões na en- grenagem da geringonça. Vejamos: promessa falhada do fim da sobretaxa do IRS para 2017, que até tinha lei aprovada pela Assem- bleia da República em Dezembro de 2015. A promessa falhada do fim do pagamento do subsídio de Natal em duodécimos. O aumento subs- tancial dos impostos indiretos. A criação do imposto especial sobre o património, supostamente sobre imóveis avaliados em mais de 600 mil euros. Contudo, com a esquer- da temos sempre que ler as letras pe- quenas com que nos enganam. Al- guém reparou que há uma ressalva para pessoas com dívidas ao fisco? Ou seja, quem tiver dívidas fiscais e uma casa avaliada em 100 mil euros (ou muito menos) é aplicado os 0,3% do imposto especial sobre imoveis. Ou seja, os pobres vão pagar como ricos. Já referi que o este aumento de pensões não abrange as pensões mínimas de 200 euros, aumentadas por Passos Coelho? Entre subidas e descidas há um nú- mero incontornável para 2017: os contribuintes portugueses vão pa- gar mais 140 milhões de euros em impostos. Quem com boca cheia falava no fim da austeridade, na mudança de rumo e no encontro de alternativas para cortar na despesa e aumentar na re- ceita venha agora explicar este nú- mero. Mas o PS nunca foi bom aluno a matemática. E o BE e o PCP? Nem querem saber… JOSÉ VASCONCELOS BE MUDANÇA DE PARADIGMA... PS UM BOM MOMENTO NO PAÍS E NO PS FILIPA MENDES Presidente da JSD Concelhia de Viseu PSD A “BOA” AUSTERIDADE DA GERINGONÇA… Este texto está escrito de acordo com a anterior ortografia JOSÉ JUNQUEIRO Vereador do PS na Câmara Municipal de Viseu FICHA TÉCNICA Diretor António Figueiredo, C.P. n.º 2153 - a.figueiredo@jornaldocentro.pt • Redação (redaccao@jornaldocentro.pt) / Micaela Costa, C.P. n.º 10054 - micaela.costa@jornaldocentro.pt // Sandra Rodrigues, C.P. n.º 4367 - sandra.rodrigues@jornaldocentro.pt • Cartoonista Ricardo Ferreira ricardoferreira.cartoon@gmail.com • Correspondentes / Colaboradores José Ricardo Ferreira, C.P. n.º8624 // Pedro Pontes // Clemente António Pereira, C.P. n.º 9053 // Irene Ferreira, C.P. n.º 6350 // Iolanda Vilar iolandavilar. jornalista@gmail.com • Departamento Comercial (publicidade@jornaldocentro.pt) / Luís Duarte l.duarte@jornaldocentro.pt T. 967 475 664 / Daniela Cardoso (daniela.cardoso@jornaldocentro.pt) T. 969 331 055 // • Departamento Gráfico (design@jornaldocento. pt) / Projeto Gráfico DPX Design /Paginação Tânia Ferreira • Impressão Coraze - Oliveira de Azeméis T. 910252676 / 910253116 / geral@coraze.com • Distribuição Vasp • Tiragem 5.300 ex. / edição • Sede e Redação Av. 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    39 21 OUT CRÍTICA “A diferençaentre as lembranças falsas e as verdadeiras é a mesma que existe entre as jóias: as falsas sempre parecem mais brilhantes e reais.” Salvador Dali. Continuando o meu percurso pe- los filmes de 1996, era inevitável fa- lar de Crash de David Cronenberg, uma adaptação do livro homónimo de J.G. Ballard. Foi o primeiro filme deste realizador que vi e fiquei petri- ficado. Não sei se será mesmo essa a palavra certa. Ver Cronenberg pela primeira vez assemelhava-se à mi- nha experiência de ver um quadro de Salvador Dali. Foi um misto de des- lumbramento, repugnância, insegu- rança, desconforto, fascinação, des- concertante e belo. A partir daí fui ver todos os filmes de Cronenberg para trás e tenho acompanhado a sua carreira, filme após filme, sempre com a sensação que me vou expor a uma violência intrínseca e mergu- lhar na frieza da natureza humana. É uma violência silenciosa que por ve- zes explode na nossa cara, mas que na maior parte das vezes é uma vio- lência contida, consentida, em nome de valores de uma comunidade, que os filmes expõem de uma forma subcutânea. São espelhos de dese- jos e emoções escondidas bem lá no fundo das sociedades industriais e que Cronenberg explora de formar maestra, na relação do Homem com as máquinas e de como elas têm in- fluenciado o nosso quotidiano. Crash não é o melhor filme deste realizador (os meus preferidos são Videodrome, NakedLunch,M.ButterflyouEastern Promisses), mas como um quadro de Dali, através de uma narrativa su- postamente simples, um acidente de carro e consequentes mazelas psico- lógicas, Cronenberg mergulha nos nossos mais íntimos desejos como o sexo, a masturbação, a condução perigosa, a prostituição, o adulté- rio e os vícios. Muitos críticos acu- saram o filme de ser pretensioso, de querer chocar gratuitamente ou de ser apenas interessante para os jo- vens que queiram ver cenas escal- dantes no cinema. Revendo o filme, penso que são as cenas onde que- remos olhar para o lado que mere- cem ser vistas, porque são espelhos dos nossos desejos mais secretos que Cronenberg nos quer mostrar e que poucos tenham tido a coragem de filmar de forma tão coerente. Este quase “nojo” que se sente, quer em Dali, quer em Cronenberg, é a nossa mente educada a lutar com os nossos instintos mais básicos. Crescimento e criação de emprego são objectivos partilhados da direi- ta á esquerda. Então seria fácil um entendimento para criar uma saída. Porque não acontece? Porque sur- giu um novo paradoxo que se cha- ma austeridade, mas curiosamente, até aí se podia chegar a um princípio de conversa. O problema só come- ça quando se pergunta, austeridade para quem? Uns acham que a auste- ridade é para os pobres, são muitos, outros taxar os ricos, que tem de- mais. O que difere afinal é como dis- tribuir os sacrifícios e não a riqueza, mas aí ninguém se candidata. Porque não há ideias que suportem esta discussão, a conversa fixa-se nos cortes, nos impostos e o poder fragiliza-se. A crise que se segue já não é uma luta entre partidos polí- ticos, mas uma disputa de confiança entre o Estado e os mercados. Como se tem visto na Europa a que perten- cemos, as pessoas e os países pare- ce confiarem mais nos mercados do que no Estado. Quando se discu- te a austeridade para crescer, é cer- to e sabido que nada disso garante mais emprego. O crescimento que gera emprego é o da economia real, produtiva, com mais e melhores em- presas e não o investimento especu- lativo. Quando precisamos de inves- timento, falamos de qual? É aqui que os governos se sentem prisioneiros e passam a ter que pres- tar contas a dois eleitorados. Os ci- dadãos que votam e os elegem e os credores que os suportam ou derru- bam com moções de desconfiança nos mercados. Mas tal pressão não é feita apenas sobre o governo actual, mas também sobre os futuros e no sentido de lhes refrear as promessas eleitorais. Já não se discute mais os grandes objectivos, os grandes nú- meros, entra-se no detalhe e só com muita imaginação se conseguem criar pequenas alternativas. A discussão do Orçamento de Estado seria um tempo bom para se fazer pedagogia, as pessoas preci- sam compreender o mundo em que vivem. É preciso que o governo e a oposição, confessem nos momentos certos as suas fraquezas…Porque essa é a realidade. O António Gonçalves reveste os seus dias de um sonho. O de viver somente dos pergaminhos da in- fância e dos caminhos solitários do Caramulo. De pouco precisa, de quase nada se alimenta. Só o preen- chem o pão, o sol, a água e o recor- te infinito do horizonte da serra. Desta pobreza voluntária recolhe o desprendimento interior de todas as zangas do mundo. De uma avó re- corda um dito muitas vezes repetido a propósito das vaidades e ambições do mundo: “Andamos tão engana- dinhos». Pretendia ela significar a condição elementar, mas tão dia- riamente esquecida, de sermos se- res para a morte. Para o meu amigo há só uma maneira de fazer justiça a esta filosofia de vida da avó. Viver plenamente cada instante numa nu- dez primordial, liberto de todo o ferro velho da civilização material. É um homem feliz o meu amigo, da- quela felicidade que se constrói da aceitação serena do ser. E lê-me des- prendidamente um outro poema de juventude: Quieto, a olhar devagar a tarde. Pelo chão, como uma ferida, a gordura dos dias espalha-se numa lenta e inútil geometria. E é em silêncio, num incêndio todo interior, que teimo em viver, e por entre o vazio das sombras respiro o esplendor da insignificância de cada instante. Foi ainda no ano passado que C Duncan, graduado em composição pelo Conservatório Real da Escócia, captou a atenção da crítica com Architect, justificando a nomeação para o Mercury Prize, galardão que anualmente honra o melhor álbum produzido por artistas britânicos e irlandeses. Conservando o singular carácter do disco de estreia, ao lar- gar a influência folk para acomodar atributos da linhagem ambient pop, C Duncan enriqueceu as suas can- ções com uma sonoridade não ape- nas mais brunida e equilibrada, mas mais introspectiva também. Ao es- cutá-las, surgem manifestas afinida- des ao rumo seguido pelos Coldplay em Ghost Stories, mas The Midnight Sun apresenta um trabalho mais at- mosférico e menos emotivo que o dos londrinos. Embora produzido na íntegra, design da capa incluí- do, no apartamento do artista, pelo próprio, soa como Edelweiss inter- pretado por um coro de Hollywood na década de 50, com orquestrações subtraídas a alguma compilação re- unindo suaves clássicos das manhãs de Ibiza. Um artefacto da cena indie britânica é certo, mas com veemên- cia para aspirar à conquista de qual- quer ouvinte, independentemente da idade ou preferências musicais. C DUNCAN The Midnight Sun [Fat Cat] CRASH 1996 AS FRAQUEZAS DO PODER“ANDAMOS TÃO ENGANADINHOS” VÍTOR COSTA MÚSICA CRÍTICA CINEMA CRISTÓVÃO CUNHA DAVID BARBOSA LEITURAS JORGE MARQUES Escritor e Consultor de Empresas OPINIÃO Ter que prestar contas a dois eleitorados Ao trocar Londres por Berlim, Guy Brewer trocou também o drum’n’bass que, como elemen- to dos Commix, produzia para a mais nobre instituição discográfica do género, a Metalheadz, pelo tech- no que inevitavelmente associamos à cidade alemã. Com o terceiro ál- bum a solo, o conhecimento adqui- rido, aplicado no novo estilo, aten- ta à percepção cerebral ao invés de estimular a dança, aproximando Shifted bem mais de experimenta- listas como Coh ou Ntogn, do que de dj’s que concorrem pelos clubes nocturnos. SHIFTED Appropriation Stories [Hospital Productions] É um homem feliz o meu amigo, daquela felicidade que se constrói da aceitação serena do ser
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    Jornal do Centro OPINIÃO 26QUA. 16º / 12º 21 SEX. 19º / 11º 22 SÁB. 17º / 12º 24 SEG. 14º / 7º 23 DOM. 11º / 9º 25 TER. 17º / 11º TEMPO 27 QUI. 18º / 13º NÚMEROS NETSONDA (Fonte: Interpol) 1% Proporção do dinheiro de origem criminosa que chega mesmo a ser apreendido (Fonte: UNESCO) 2046 Ano em que será possível afirmar que todos os portugueses sabem ler e escrever (in Motor Authority) 458,66KM/H Velocidade máxima que o novo Bugatti Chi- ron atingiria se não viesse com um limitador que corta aos 420 Km/h Olho de Gato JOAQUIM ALEXANDRE RODRIGUES PATOS SENTADOS PUB 1. “Lá vamos, que o sonho é lindo! Torres e torres er- guendo. Rasgões, clareiras, abrindo”, cantava-se assim no hino da mocidade portuguesa salazarista, uma can- toria mais tarde aplicada em força à construção civil. Patos bravos rasgaram clareiras e abriram urbaniza- ções de torres e torres nos arredores das cidades. Ao mesmo tempo, nos quarteirões centrais, as rendas congeladas foram deitando casas abaixo e, no seu lu- gar, patos taveiras ergueram pós-modernices envidra- çadas, o metro quadrado sempre upa-upa, um ai-jesus para ricos, emigrantes bem-sucedidos, angolanos, vis- tos gold, ultimamente airbnbs, malta com pilim, di- nheiro da estranja que em Portugal pilim não há desde o reinado do magnânimo D. João V. O estado, a mando do divino espírito santo e seus co- legas, foi ajudando os patos bravos e os patos taveiras de três modos: matou o mercado do arrendamento ao manter as rendas congeladas, deu descontos no IRS às hipotecas e isentou, por prazos generosos, o imposto sobre o imobiliário. É claro que os spreads do divino espírito santo e dos seus colegas que, como se sabe mas convém relembrar, não tinham pilim, eram spreads de bancos estran- geiros aplicados em casas que as pessoas tiveram que comprar porque não havia para arrendar. É por isso que a dívida privada portuguesa é muito maior que a dívida pública. 2. De 2012 a 2015, as câmaras do distrito de Viseu pas- saram de uma receita de IMI de 26,2 milhões de euros para 38,5 milhões. Um incremento de 47% nos quatro anos negros que se seguiram ao resgate. Porquê? A resposta é simples: as casas não têm rodas. Os seus proprietários são “patos sentados” (os ingle- ses inventaram a expressão: “sitting ducks”). As nossas alegres casinhas, tão modestas e longe do mar, agora já não têm o bem-bom da isenção de IMI e estão à mercê dos xutos e pontapés de um estado sem pilim nem ver- gonha na cara, que, em vez de diminuir despesa, todos os anos aumenta os impostos. Mais 47% de IMI. Em quatro anos. NO MUNDO DO BRASIL PARA ÉVORA E A SEGUIR PARA VISEU Rogério Souza com a sua família Rogério Almeida de Souza chegou a Portugal há 16 anos. Em Viseu está há 14. Oriundo de Vila Velha, no estado do Espírito Santo, no Brasil, decidiu dei- xar o país natal onde tinha dois empre- gos (nadador salvador e assistente ad- ministrativo num serviço de urgências) porque os “rendimentos auferidos” não lhe “proporcionavam a estabilidade na saúde, educação e segurança pretendi- da”. “Reconheci esta estabilidade na vida de alguns amigos que já residiam em Portugal e decidi tentar”, explica. No nosso país começou por viver em Évora, onde residiu e trabalhou como comercial durante dois anos e meio. A projecção profissional que teve propor- cionou-lhe a oportunidade de vir tra- balhar para Viseu, onde ainda hoje se encontra. No Alentejo não teve gran- des problemas de adaptação, mas estra- nhou quando veio viver para a cidade de Viriato pois sentiu algumas dificuldades na relação com os empresários, já para não falar do processo de regularização. “Em Viseu senti muito mais problemas de adaptação que em Évora, principal- mente por ser estrangeiro. Enquanto em Évora usava o meu sotaque como uma mais-valia na área comercial residencial, aqui tornou-se um problema. Confesso que tentei deixar o meu sotaque, mas não consegui”. Fruto dessas complicações, deixou de lado o emprego como comercial e pas- sou a ser motorista numa empresa de transporte de aves vivas. Hoje é Pastor Evangélico, presidente e cofundador da “Igreja Evangélica Restaurada em Cristo”, fundada em outubro deste ano na “Rua das Bocas”. É também presiden- te da Associação de interculturalidade e solidariedade social Mundificar. Rogério Almeida de Souza sente sau- dades das praias do seu Estado, da gas- tronomia, dos familiares e amigos com quem vai falando pela Internet o que ajuda a encurtar a distância. Garante que gosta “muito de Portugal”, de “Viseu em geral, da Saúde, Educação, Segurança, da parte histórica, do verde e da calma da cidade”. O que não gosta em Viseu e no país em geral “é o estigma que é imposto aos cidadãos brasileiros devido à escolha de alguns”. “As mulhe- res têm uma má fama injustamente de- vido a generalização e os homens tam- bém acabam por ser estigmatizados”. Voltar ao Brasil é uma possibilidade, mas só se se registarem “muitas altera- ções drásticas”, principalmente na “polí- tica e segurança pública”.