Intertextualidade
Intertextualidade
 Nenhum texto existe isolado e fechado sobre si; ele pode manter ou constituir
com outros textos relações de ordem semântica ou retórico-estilística.
Texto produzido a
partir de outros ou
acerca de outros
Textos referidos no
hipertexto
hipertexto hipotextos
intertextualidade
Intertextualidade
O hipotexto pode ser:
um texto literário
um texto não-literário
ou um texto não-verbal
Exemplos:
texto icónico
texto musical
Intertextualidade
 A intertextualidade pode ocorrer de diversas formas:
alusão
citação
paródia (ou imitação criativa)
paráfrase
plágio
Intertextualidade
Alusão Citação
 Referência indireta a um texto
preexistente, cujo sentido é inferido pelo
leitor através da análise do contexto e
fazendo apelo à sua memória literária e
cultural.
 Reprodução de um texto ou de um
fragmento de texto noutro texto, assinalada
com referência ao autor e/ou à obra aos quais
aqueles pertencem e graficamente
demarcada com aspas ou com um tipo de
letra diferente.
Paródia/imitação criativa Paráfrase
 Um texto que imita outro texto com
distanciamento crítico, podendo ou não
provocar o riso e sendo muitas vezes visto
como uma arma ideológica.
 Enunciado/texto que reformula e reescreve
outro enunciado/texto, conservando, na
medida do possível, uma equivalência
semântica e formal.
Plágio
 Imitação ilegítima de um texto preexistente.
Intertextualidade
Bailemos nós já todas três, ai amigas,
sô aquestas avelaneiras frolidas,
e quem for velida, como nós, velidas,
se amigo amar,
sô aquestas avelaneiras frolidas
verrá bailar.
Bailemos nós já todas três, ai irmanas,
sô aqueste ramo destas avelanas,
e quem for louçana, como nós, louçanas,
se amigo amar,
sô aqueste ramo destas avelanas
verrá bailar.
Texto 1 (hipotexto)
Por Deus, ai amigas, mentr’al nom fazemos,
sô aqueste ramo frolido bailemos,
e quem bem parecer, como nós parecemos,
se amigo amar,
sô aqueste ramo sol que nós bailemos,
verrá bailar.
Airas Nunes, B 879/V 462,
disponível online in cantigas.fesh.unl.pt.
Exemplo: intertextualidade entre a obra de Natália Correia e uma cantiga de amigo de Airas Nunes.
Intertextualidade
Pelos campos primaveris
Radiosos de aves e ervas
Os soldadinhos gentis
Por quem acendemos velas
Trazem flores em vez de balas
Para libertar as belas.
Ferocidade ou fuzil.
Não nos farão mais querelas
Que os soldadinhos de Abril
Com cravos domando feras
Trazem flores em vez de balas
Para libertar as belas.
Texto 2 (hipertexto)
Natália Correia, O sol nas noites e o luar nos dias,
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1999, p. 629
Amigas, com estes junquilhos
Façamos frescas capelas.
É Abril. E os soldadinhos
Tomando o viço das relvas
Trazem flores em vez de balas
Para libertar as belas.
Por estes campos floridos
Sob os ramos das camélias
Bailemos para os soldadinhos
Que no mês das pastorelas
Trazem flores em vez de balas
Para libertar as belas.
Exemplo: intertextualidade entre a obra de Natália Correia e uma cantiga de amigo de Airas Nunes.
Intertextualidade
Relação intertextual
 Semelhança formal: coplas e refrão.
 Inserção de elementos pertencentes à lírica trovadoresca: existência de um
interlocutor (as amigas); referência ao amigo/soldadinho.
 Temática semelhante: o convite à dança; referência à paixão amorosa/paixão pela
liberdade.
Exemplo: intertextualidade entre a obra de Natália Correia e uma cantiga de amigo de Airas Nunes.
Intertextualidade
Outros exemplos de intertextualidade visíveis em obras da literatura portuguesa.
Hipotexto Hipertexto Relação
“quando, inesperadamente, Carlos
apareceu em Lisboa com um
arquiteto decorador de Londres (…).
Vilaça ressentiu amargamente
esta desconsideração pelo artista
nacional”
Eça de Queirós, Os Maias
“Esta é a cama que veio da
Holanda quando a rainha veio da
Áustria, (…), que em Portugal não
há artífices de tanto primor, e, se
os houvesse, sem dúvida
ganhariam menos.”
José Saramago, Memorial do convento
Alusão
Intertextualidade
Outros exemplos de intertextualidade visíveis em obras da literatura portuguesa.
Hipotexto Hipertexto Relação
"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça”
Luís de Camões, Os Lusíadas
“Ó glória de mandar, ó vã cobiça, ó
rei infame, ó pátria sem justiça”
José Saramago, Memorial do convento
Ironia
“Ulisses é, o que faz a santa casa
À Deusa que lhe dá língua facunda;
Que se lá na Ásia Troia insigne abrasa,
Cá na Europa Lisboa ingente funda.”
Os Lusíadas, canto VIII
“Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.”
Fernando Pessoa , Mensagem
Alusão

Intertextualidade

  • 1.
  • 2.
    Intertextualidade  Nenhum textoexiste isolado e fechado sobre si; ele pode manter ou constituir com outros textos relações de ordem semântica ou retórico-estilística. Texto produzido a partir de outros ou acerca de outros Textos referidos no hipertexto hipertexto hipotextos intertextualidade
  • 3.
    Intertextualidade O hipotexto podeser: um texto literário um texto não-literário ou um texto não-verbal Exemplos: texto icónico texto musical
  • 4.
    Intertextualidade  A intertextualidadepode ocorrer de diversas formas: alusão citação paródia (ou imitação criativa) paráfrase plágio
  • 5.
    Intertextualidade Alusão Citação  Referênciaindireta a um texto preexistente, cujo sentido é inferido pelo leitor através da análise do contexto e fazendo apelo à sua memória literária e cultural.  Reprodução de um texto ou de um fragmento de texto noutro texto, assinalada com referência ao autor e/ou à obra aos quais aqueles pertencem e graficamente demarcada com aspas ou com um tipo de letra diferente. Paródia/imitação criativa Paráfrase  Um texto que imita outro texto com distanciamento crítico, podendo ou não provocar o riso e sendo muitas vezes visto como uma arma ideológica.  Enunciado/texto que reformula e reescreve outro enunciado/texto, conservando, na medida do possível, uma equivalência semântica e formal. Plágio  Imitação ilegítima de um texto preexistente.
  • 6.
    Intertextualidade Bailemos nós játodas três, ai amigas, sô aquestas avelaneiras frolidas, e quem for velida, como nós, velidas, se amigo amar, sô aquestas avelaneiras frolidas verrá bailar. Bailemos nós já todas três, ai irmanas, sô aqueste ramo destas avelanas, e quem for louçana, como nós, louçanas, se amigo amar, sô aqueste ramo destas avelanas verrá bailar. Texto 1 (hipotexto) Por Deus, ai amigas, mentr’al nom fazemos, sô aqueste ramo frolido bailemos, e quem bem parecer, como nós parecemos, se amigo amar, sô aqueste ramo sol que nós bailemos, verrá bailar. Airas Nunes, B 879/V 462, disponível online in cantigas.fesh.unl.pt. Exemplo: intertextualidade entre a obra de Natália Correia e uma cantiga de amigo de Airas Nunes.
  • 7.
    Intertextualidade Pelos campos primaveris Radiososde aves e ervas Os soldadinhos gentis Por quem acendemos velas Trazem flores em vez de balas Para libertar as belas. Ferocidade ou fuzil. Não nos farão mais querelas Que os soldadinhos de Abril Com cravos domando feras Trazem flores em vez de balas Para libertar as belas. Texto 2 (hipertexto) Natália Correia, O sol nas noites e o luar nos dias, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1999, p. 629 Amigas, com estes junquilhos Façamos frescas capelas. É Abril. E os soldadinhos Tomando o viço das relvas Trazem flores em vez de balas Para libertar as belas. Por estes campos floridos Sob os ramos das camélias Bailemos para os soldadinhos Que no mês das pastorelas Trazem flores em vez de balas Para libertar as belas. Exemplo: intertextualidade entre a obra de Natália Correia e uma cantiga de amigo de Airas Nunes.
  • 8.
    Intertextualidade Relação intertextual  Semelhançaformal: coplas e refrão.  Inserção de elementos pertencentes à lírica trovadoresca: existência de um interlocutor (as amigas); referência ao amigo/soldadinho.  Temática semelhante: o convite à dança; referência à paixão amorosa/paixão pela liberdade. Exemplo: intertextualidade entre a obra de Natália Correia e uma cantiga de amigo de Airas Nunes.
  • 9.
    Intertextualidade Outros exemplos deintertextualidade visíveis em obras da literatura portuguesa. Hipotexto Hipertexto Relação “quando, inesperadamente, Carlos apareceu em Lisboa com um arquiteto decorador de Londres (…). Vilaça ressentiu amargamente esta desconsideração pelo artista nacional” Eça de Queirós, Os Maias “Esta é a cama que veio da Holanda quando a rainha veio da Áustria, (…), que em Portugal não há artífices de tanto primor, e, se os houvesse, sem dúvida ganhariam menos.” José Saramago, Memorial do convento Alusão
  • 10.
    Intertextualidade Outros exemplos deintertextualidade visíveis em obras da literatura portuguesa. Hipotexto Hipertexto Relação "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça” Luís de Camões, Os Lusíadas “Ó glória de mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem justiça” José Saramago, Memorial do convento Ironia “Ulisses é, o que faz a santa casa À Deusa que lhe dá língua facunda; Que se lá na Ásia Troia insigne abrasa, Cá na Europa Lisboa ingente funda.” Os Lusíadas, canto VIII “Este, que aqui aportou, Foi por não ser existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo E nos criou.” Fernando Pessoa , Mensagem Alusão