sustentabilidade




                                                                                          P
                                                                                                ara onde vai o entulho das obras, aquele que é jogado nas caçambas? Para onde vão os
                                                                                                restos de uma demolição? A resposta mais óbvia é: para os lixões. Uma verdade que
                                                                                                está com os dias contados, uma vez que já é possível reciclar o entulho para reutilizar
                                                                                          na indústria da construção.

                                                                                          Para se ter uma ideia, São Paulo gera mais de 17 mil toneladas de resíduos sólidos por dia,
                                                                                          sendo metade delas composta por resíduos da construção civil. Um assunto sério, que por falta
                                                                                          de políticas públicas, causa forte impacto ambiental, como degradação das áreas de manancial,
                                                                                          assoreamento de rios e córregos e obstrução dos sistemas de drenagem, para citar alguns.

                                                                                          E como não é só de garrafa pet e latinhas de alumínio que se faz reciclagem, esse é o trabalho
                                                                                          feito pela Eco-X – empresa que tem à frente o jovem empreendedor Giuliano Chaddoud –,
                                                                                          uma usina de processamento e reciclagem de resíduos, com capacidade para processar 80
                                                                                          toneladas de entulho por hora, que serão transformados em areia, brita, brita 4, pedregulho e




                          jovem
                                                                                          bica corrida, e reaproveitados pela própria construção civil.

                                                                                          O resultado desse trabalho traz pelo menos três benefícios: garante o destino correto dos




                   empreendedor
                                                                                          resíduos, evita que um grande volume de areia e pedra seja extraído da natureza, ajudando a
                                                                                          preservar o meio ambiente e reduz o custo da obra sem alterar sua qualidade.

                                                                                          Giuliano Chaddoud tem uma trajetória de vida interessante. Moço trabalhador, aos 20 anos
                                                                                          abriu um estacionamento em Moema enquanto cursava Economia na Faap, depois foi fazer
                            Giuliano Chaddoud trouxe para o Brasil um novo                Hotelaria na Fiam, e terminou sua formação acadêmica com extensão em Ciências Políticas
                                                                                          em Harvard. Trabalhou com a família até que, em 2011, decidiu trazer para o Brasil a ideia da
                     conceito de reciclagem: a de resíduos da construção civil
                                                                                          reciclagem de resíduos da construção civil, o maquinário, e fundou a Eco-X.
                                              Por Maiá Mendonça | fotos arquivo pessoal

                                                                                          Engajado em tudo o que faz, Chaddoud foi um dos fundadores, na gestão Paulo Skaf, do
                                                                                          Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE), que hoje é presidido por Sylvio Gomide,
                                                                                          proprietário da escola Mater-Dei.

                                                                                          E o que fazem esses jovens empreendedores?, alguém pode se perguntar. Reuniões com
                                                                                          empresários do calibre de Eike Batista ou Henrique Meirelles, workshops com palestrantes
                                                                                          que apresentam seus trabalhos e dividem suas experiências, rodadas de negócios que reúnem
                                                                                          empreendedores afins, e trabalhos junto à comunidade, em parceria com a Central Única das
                                                                                          Favelas (Cufa). “E como diz MV Bill, um de nossos parceiros, ‘em vez de subirmos muros é
                                                                                          preciso construir pontes’. Nesse caso é a indústria ouvindo a voz do morro”, explica Chaddoud.

                                                                                          Em parceria com a Fundação Educar, o comitê de jovens da Fiesp criou o projeto Anjos do
                                                                                          Brasil, que reuniu cem jovens de baixa renda, sem capital para abrir um negócio, mas com
                                                                                          uma boa ideia na cabeça. Os dez finalistas foram apresentados a uma banca de investidores
                                                                                          “anjos”, que escolheram um projeto vencedor. “Nesse evento, muito comum fora do Brasil, o
                                                                                          vencedor apresentou um projeto na área de saúde que cruzava dados do mundo inteiro, para
                                                                                          ajudar a encontrar soluções para inúmeros problemas.”

                                                                                          Com a Ong Instituto Rukha esses jovens, que deixam o CJE aos 36 anos, fizeram o projeto
                                                                                          piloto Muda Mundo para atender a população em situação de risco na região do Capão Re-
                                                                                          dondo, prestando assistência nas áreas de saúde e educação, entre outras. E estão formando
     92




                                                                                          um grupo, do qual a Fiesp é grande incentivadora, para acompanhar a Rio + 20. Aos 35 anos,
     Lindenberg




                                                                                          solteiro, Giuliano Chaddoud se divide entre a paixão pelo futebol, as novas mídias, o trabalho
                                                                                          e a Fiesp. E, no que depender dele, as próximas gerações terão melhores condições de vida,
                                                                                          educação, saúde e oportunidades do que a atual.

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    sustentabilidade P ara onde vai o entulho das obras, aquele que é jogado nas caçambas? Para onde vão os restos de uma demolição? A resposta mais óbvia é: para os lixões. Uma verdade que está com os dias contados, uma vez que já é possível reciclar o entulho para reutilizar na indústria da construção. Para se ter uma ideia, São Paulo gera mais de 17 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, sendo metade delas composta por resíduos da construção civil. Um assunto sério, que por falta de políticas públicas, causa forte impacto ambiental, como degradação das áreas de manancial, assoreamento de rios e córregos e obstrução dos sistemas de drenagem, para citar alguns. E como não é só de garrafa pet e latinhas de alumínio que se faz reciclagem, esse é o trabalho feito pela Eco-X – empresa que tem à frente o jovem empreendedor Giuliano Chaddoud –, uma usina de processamento e reciclagem de resíduos, com capacidade para processar 80 toneladas de entulho por hora, que serão transformados em areia, brita, brita 4, pedregulho e jovem bica corrida, e reaproveitados pela própria construção civil. O resultado desse trabalho traz pelo menos três benefícios: garante o destino correto dos empreendedor resíduos, evita que um grande volume de areia e pedra seja extraído da natureza, ajudando a preservar o meio ambiente e reduz o custo da obra sem alterar sua qualidade. Giuliano Chaddoud tem uma trajetória de vida interessante. Moço trabalhador, aos 20 anos abriu um estacionamento em Moema enquanto cursava Economia na Faap, depois foi fazer Giuliano Chaddoud trouxe para o Brasil um novo Hotelaria na Fiam, e terminou sua formação acadêmica com extensão em Ciências Políticas em Harvard. Trabalhou com a família até que, em 2011, decidiu trazer para o Brasil a ideia da conceito de reciclagem: a de resíduos da construção civil reciclagem de resíduos da construção civil, o maquinário, e fundou a Eco-X. Por Maiá Mendonça | fotos arquivo pessoal Engajado em tudo o que faz, Chaddoud foi um dos fundadores, na gestão Paulo Skaf, do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE), que hoje é presidido por Sylvio Gomide, proprietário da escola Mater-Dei. E o que fazem esses jovens empreendedores?, alguém pode se perguntar. Reuniões com empresários do calibre de Eike Batista ou Henrique Meirelles, workshops com palestrantes que apresentam seus trabalhos e dividem suas experiências, rodadas de negócios que reúnem empreendedores afins, e trabalhos junto à comunidade, em parceria com a Central Única das Favelas (Cufa). “E como diz MV Bill, um de nossos parceiros, ‘em vez de subirmos muros é preciso construir pontes’. Nesse caso é a indústria ouvindo a voz do morro”, explica Chaddoud. Em parceria com a Fundação Educar, o comitê de jovens da Fiesp criou o projeto Anjos do Brasil, que reuniu cem jovens de baixa renda, sem capital para abrir um negócio, mas com uma boa ideia na cabeça. Os dez finalistas foram apresentados a uma banca de investidores “anjos”, que escolheram um projeto vencedor. “Nesse evento, muito comum fora do Brasil, o vencedor apresentou um projeto na área de saúde que cruzava dados do mundo inteiro, para ajudar a encontrar soluções para inúmeros problemas.” Com a Ong Instituto Rukha esses jovens, que deixam o CJE aos 36 anos, fizeram o projeto piloto Muda Mundo para atender a população em situação de risco na região do Capão Re- dondo, prestando assistência nas áreas de saúde e educação, entre outras. E estão formando 92 um grupo, do qual a Fiesp é grande incentivadora, para acompanhar a Rio + 20. Aos 35 anos, Lindenberg solteiro, Giuliano Chaddoud se divide entre a paixão pelo futebol, as novas mídias, o trabalho e a Fiesp. E, no que depender dele, as próximas gerações terão melhores condições de vida, educação, saúde e oportunidades do que a atual.