http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Comida/Reportagens/Comida/noticia/2015/05/jovem-e-
delicado-conheca-historia-do-gengibre.html
08/06/2015 - 07H32 - TEXTO JANAINA FIDALGO
JOVEM E DELICADO: CONHEÇAA HISTÓRIA DO
GENGIBRE
Tenro, com casca fina, fresquinho: aproveite a oferta de gengibre novo e conheça a
versão mais suave da raiz que custava uma fortuna no passado
Jovem e delicado (Foto: Elisa Correa/Editora Globo)
Ele demorou a aparecer nas mercearias japonesas da Liberdade, bairro paulistano onde o gengibre novo,
fresco e tenro, primeiro surge quando a safra começa. Culpa da escassez de chuva na região Sudeste,
respondiam os comerciantes a quem procurava pelo ingrediente no final do ano passado. Mas, de meados
de janeiro até abril, a raiz fresca estará bastante presente no comércio. Originário do Sudeste Asiático, o
gengibre (Zingiber officinale) era uma das mais caras especiarias das Índias desde a Era Romana, mas
seu consumo, na Antiguidade, ficava restrito à nobreza militar, que o usava como remédio. Na época das
grandes navegações, o gengibre foi trazido à América com outras especiarias. “No Brasil, chegou menos
de cem anos depois do Descobrimento. Naturalistas que visitaram o país durante o período colonial
acreditavam que se tratava de uma planta nativa, pois era comum encontrá-la em estado silvestre. Era
conhecida entre os indígenas como mangaratiá ou mangarataia”, explica a pesquisadora Eliane Gomes
Fabri, do Centro de Horticultura do IAC (Instituto Agronômico de Campinas).
Há muitas variedades de gengibre no mundo, com diferentes quantidades de fibra, de óleo essencial,
aparência e aroma. A planta vai bem em regiões de climas tropical e subtropical. Por aqui, segundo a
pesquisadora, o tipo mais cultivado é o gigante. “Depois de abril, o gengibre que encontramos no
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delicado-conheca-historia-do-gengibre.html
mercado não está fresco, já foi colhido há alguns meses. Estará com estruturas mais fibrosas, menos água,
corpo mais duro”, diz Eliane.
Essencial na cozinha asiática, o gengibre é daqueles ingredientes aromáticos que têm a capacidade de
combinar com tudo: carnes, peixes, refrescos, bebidas fermentadas. Sem falar nas propriedades
terapêuticas atribuídas a ele, como seu poder bactericida e desintoxicante. Quando está novo e fresquinho,
é muito tenro e de sabor suave. Tem o corpo amarelo-claro e pontas rosadas que se tornam verdes na
direção do caule.Fácil de descascar e mais ainda de ser cortado, por ter poucas fibras, o gengibre de folha
não apresenta resistência à faca. É com ele assim, jovenzinho, que os japoneses gostam de preparar o gari,
a conserva que acompanha os sushis e sashimis – finamente fatiado, ele é curtido numa mistura de
vinagre de arroz, açúcar e sal. Mas o gengibre está presente em muitas outras culturas. Ingleses e
americanos adoram usá-lo em receitas de bolos e biscoitos, como o festivo gingerbread. Para a
reportagem, a pâtissière Daniela Meneghini, da Marie et Marie, fez uma versão de seu bolo de
gengibre, cuja receita original leva gengibre cristalizado (R$ 32), usando gengibre novo e uma pitadinha
de gengibre em pó para dar leve pungência. “Ele é menos ardido, mas seu sabor e aroma são ainda mais
ricos. Combina muito com canela, noz-moscada, cravo moído, pimenta-da-jamaica.”
O bolo de gengibre de Daniela leva melado e especiarias (Foto: Elisa Correa/Editora Globo)
Marie Et Marie R. Azevedo Soares, 2.532, Tatuapé, São Paulo, SP, tel. (11) 2293-
7260,mariemariebakery.com.br.

Gengibre

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    http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Comida/Reportagens/Comida/noticia/2015/05/jovem-e- delicado-conheca-historia-do-gengibre.html 08/06/2015 - 07H32- TEXTO JANAINA FIDALGO JOVEM E DELICADO: CONHEÇAA HISTÓRIA DO GENGIBRE Tenro, com casca fina, fresquinho: aproveite a oferta de gengibre novo e conheça a versão mais suave da raiz que custava uma fortuna no passado Jovem e delicado (Foto: Elisa Correa/Editora Globo) Ele demorou a aparecer nas mercearias japonesas da Liberdade, bairro paulistano onde o gengibre novo, fresco e tenro, primeiro surge quando a safra começa. Culpa da escassez de chuva na região Sudeste, respondiam os comerciantes a quem procurava pelo ingrediente no final do ano passado. Mas, de meados de janeiro até abril, a raiz fresca estará bastante presente no comércio. Originário do Sudeste Asiático, o gengibre (Zingiber officinale) era uma das mais caras especiarias das Índias desde a Era Romana, mas seu consumo, na Antiguidade, ficava restrito à nobreza militar, que o usava como remédio. Na época das grandes navegações, o gengibre foi trazido à América com outras especiarias. “No Brasil, chegou menos de cem anos depois do Descobrimento. Naturalistas que visitaram o país durante o período colonial acreditavam que se tratava de uma planta nativa, pois era comum encontrá-la em estado silvestre. Era conhecida entre os indígenas como mangaratiá ou mangarataia”, explica a pesquisadora Eliane Gomes Fabri, do Centro de Horticultura do IAC (Instituto Agronômico de Campinas). Há muitas variedades de gengibre no mundo, com diferentes quantidades de fibra, de óleo essencial, aparência e aroma. A planta vai bem em regiões de climas tropical e subtropical. Por aqui, segundo a pesquisadora, o tipo mais cultivado é o gigante. “Depois de abril, o gengibre que encontramos no
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    http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Comida/Reportagens/Comida/noticia/2015/05/jovem-e- delicado-conheca-historia-do-gengibre.html mercado não estáfresco, já foi colhido há alguns meses. Estará com estruturas mais fibrosas, menos água, corpo mais duro”, diz Eliane. Essencial na cozinha asiática, o gengibre é daqueles ingredientes aromáticos que têm a capacidade de combinar com tudo: carnes, peixes, refrescos, bebidas fermentadas. Sem falar nas propriedades terapêuticas atribuídas a ele, como seu poder bactericida e desintoxicante. Quando está novo e fresquinho, é muito tenro e de sabor suave. Tem o corpo amarelo-claro e pontas rosadas que se tornam verdes na direção do caule.Fácil de descascar e mais ainda de ser cortado, por ter poucas fibras, o gengibre de folha não apresenta resistência à faca. É com ele assim, jovenzinho, que os japoneses gostam de preparar o gari, a conserva que acompanha os sushis e sashimis – finamente fatiado, ele é curtido numa mistura de vinagre de arroz, açúcar e sal. Mas o gengibre está presente em muitas outras culturas. Ingleses e americanos adoram usá-lo em receitas de bolos e biscoitos, como o festivo gingerbread. Para a reportagem, a pâtissière Daniela Meneghini, da Marie et Marie, fez uma versão de seu bolo de gengibre, cuja receita original leva gengibre cristalizado (R$ 32), usando gengibre novo e uma pitadinha de gengibre em pó para dar leve pungência. “Ele é menos ardido, mas seu sabor e aroma são ainda mais ricos. Combina muito com canela, noz-moscada, cravo moído, pimenta-da-jamaica.” O bolo de gengibre de Daniela leva melado e especiarias (Foto: Elisa Correa/Editora Globo) Marie Et Marie R. Azevedo Soares, 2.532, Tatuapé, São Paulo, SP, tel. (11) 2293- 7260,mariemariebakery.com.br.