Escrevendo uma nova História
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 7 • nº 1402
Junho/2013
Cariús - CE
nome da cidade
Na região centro sul do Ceará, mais precisamente a 16 quilômetros de
Várzea Alegre, vive um povo simples e hospitaleiro, que hoje conta uma
nova história de vida que foi reescrita a partir de 2009 com a chegada
das cisternas-Calçadão.
Esse povo unido forma a conhecida comunidade Riacho do Meio,
onde habitam cerca de 50 famílias, sendo que 10 dessas famílias
foram beneficiadas com 10 cisternas-calçadão do Programa Uma
Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).
A cisterna-calçadão é uma tecnologia que capta água da chuva
através de uma calçada de 200 metros quadrados e armazena em um
reservatório com capacidade de até 52 mil litros de água para produção
de alimentos e para criação de pequenos animais.
Todas as famílias vivem da agricultura orgânica e da pecuária e a
comunidade já é alvo de oficinas e intercâmbios sobre agroecologia
familiar.
Um dos beneficiados do programa é seu Emídio Ferreira Lima, 69
anos, casado com Francisca Ferreira Lima e pai de 6 filhos. Na
propriedade só vivem seu Emídio e Dona Francisca. Os filhos moram
em Várzea Alegre, mas sempre estão visitando os pais.
Seu Francisco conta que nem sempre foi tudo flores como é hoje. Há
alguns anos atrás antes das cisternas, nada era cultivado por ali, pois
a água mal dava para o próprio uso.
Como os efeitos da estiagem são muito intensos na região, tudo que
se plantava morria, assim os moradores aos poucos foram
migrando para outras regiões em busca de
melhores condições de vida. Os jovens
precisaram largar a agricultura e se adaptar à
vida mais urbana. Hoje é tudo diferente. Todos
tiveram a oportunidade de começar uma nova
etapa em suas vidas, agora mais justa e com
mais dignidade e assim registrar a certeza que
sem água a vida não prospera.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas Articulação Semiárido Brasileiro – Ceará
Seu Emídio cultiva o tomate, o coentro, a cebolinha, além
de frutas como laranja, pinha, mamão, graviola, banana,
abacaxi e muitos outros. Ele também cria galinhas de
engorda e de postura. Toda semana cerca de 20 aves são
abatidas e vendidas no comercio da cidade, alem dos ovos
que também são muito procurados.
As verduras são cultivadas em canteiros econômicos e
em canteiros suspensos. “ Aprendi a fazer esses canteiros
com os técnicos do Elo Amigo. Antes eu fazia tudo errado.
Hoje a gente sabe a maneira certa e consegue conviver
com o nosso clima quente e seco. Agora minha família
tem uma alimentação saudável sem nenhum tipo de
veneno, pois tudo que a gente compra no mercado tem
agrotóxico”, conta Seu Emídio.
Seu Emídio também aprendeu a reutilizar a água. Ele
aproveita a água utilizada na cozinha e na lavanderia para
aguar as plantas. Ele fez um sistema de encanação que
leva a água reutilizada até as mudas e plantas em etapa de
crescimento. Nos tempos de chuva seu Emídio também
vende o excedente, gerando assim uma renda extra para
a sua família. “ Tem vez que eu pego um cacho de banana
desse e vendo, aí já pago uma conta de luz”.
Hoje a comunidade Riacho do Meio é sempre uma
indicação para encontros, oficinas e até intercâmbios ,
onde são visitados os
quintais produtivos das
famílias, mostrando aos
visitantes e futuros
beneficiados a idéia da
agroecologia como uma
alternativa viável e que o
Semiárido é um lugar
de potencialidade e de
possibilidades.
Realização Patrocínio

Escrevendo uma nova história

  • 1.
    Escrevendo uma novaHistória Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas Ano 7 • nº 1402 Junho/2013 Cariús - CE nome da cidade Na região centro sul do Ceará, mais precisamente a 16 quilômetros de Várzea Alegre, vive um povo simples e hospitaleiro, que hoje conta uma nova história de vida que foi reescrita a partir de 2009 com a chegada das cisternas-Calçadão. Esse povo unido forma a conhecida comunidade Riacho do Meio, onde habitam cerca de 50 famílias, sendo que 10 dessas famílias foram beneficiadas com 10 cisternas-calçadão do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). A cisterna-calçadão é uma tecnologia que capta água da chuva através de uma calçada de 200 metros quadrados e armazena em um reservatório com capacidade de até 52 mil litros de água para produção de alimentos e para criação de pequenos animais. Todas as famílias vivem da agricultura orgânica e da pecuária e a comunidade já é alvo de oficinas e intercâmbios sobre agroecologia familiar. Um dos beneficiados do programa é seu Emídio Ferreira Lima, 69 anos, casado com Francisca Ferreira Lima e pai de 6 filhos. Na propriedade só vivem seu Emídio e Dona Francisca. Os filhos moram em Várzea Alegre, mas sempre estão visitando os pais. Seu Francisco conta que nem sempre foi tudo flores como é hoje. Há alguns anos atrás antes das cisternas, nada era cultivado por ali, pois a água mal dava para o próprio uso. Como os efeitos da estiagem são muito intensos na região, tudo que se plantava morria, assim os moradores aos poucos foram migrando para outras regiões em busca de melhores condições de vida. Os jovens precisaram largar a agricultura e se adaptar à vida mais urbana. Hoje é tudo diferente. Todos tiveram a oportunidade de começar uma nova etapa em suas vidas, agora mais justa e com mais dignidade e assim registrar a certeza que sem água a vida não prospera.
  • 2.
    Boletim Informativo doPrograma Uma Terra e Duas Águas Articulação Semiárido Brasileiro – Ceará Seu Emídio cultiva o tomate, o coentro, a cebolinha, além de frutas como laranja, pinha, mamão, graviola, banana, abacaxi e muitos outros. Ele também cria galinhas de engorda e de postura. Toda semana cerca de 20 aves são abatidas e vendidas no comercio da cidade, alem dos ovos que também são muito procurados. As verduras são cultivadas em canteiros econômicos e em canteiros suspensos. “ Aprendi a fazer esses canteiros com os técnicos do Elo Amigo. Antes eu fazia tudo errado. Hoje a gente sabe a maneira certa e consegue conviver com o nosso clima quente e seco. Agora minha família tem uma alimentação saudável sem nenhum tipo de veneno, pois tudo que a gente compra no mercado tem agrotóxico”, conta Seu Emídio. Seu Emídio também aprendeu a reutilizar a água. Ele aproveita a água utilizada na cozinha e na lavanderia para aguar as plantas. Ele fez um sistema de encanação que leva a água reutilizada até as mudas e plantas em etapa de crescimento. Nos tempos de chuva seu Emídio também vende o excedente, gerando assim uma renda extra para a sua família. “ Tem vez que eu pego um cacho de banana desse e vendo, aí já pago uma conta de luz”. Hoje a comunidade Riacho do Meio é sempre uma indicação para encontros, oficinas e até intercâmbios , onde são visitados os quintais produtivos das famílias, mostrando aos visitantes e futuros beneficiados a idéia da agroecologia como uma alternativa viável e que o Semiárido é um lugar de potencialidade e de possibilidades. Realização Patrocínio