Professor doutor
Fábio do Prado
Reitor do Centro
Universitário da FEI
Caros parceiros,
caros leitores,
caros colaboradores
3ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 3
A última edição de nossa revista Domínio FEI foi habilmente introduzida pelas
palavras do presidente de nossa Fundação Mantenedora – FEI, as quais gostaria de
revisitar ao apresentar esta nova edição, comemorativa aos 10 anos de implantação
do primeiro Programa de Pós-graduação Stricto Sensu da Instituição. Em sua conclu-
são, Padre Theodoro Peters enfatiza: “Partilhando estas convicções, a comunidade
acadêmica do Centro Universitário da FEI reafirma sua vocação inovadora desde a sua
origem, ajudando na formação pessoal e profissional da juventude. (...) Inovadores nos
estudos, nas pesquisas, nos laboratórios, projetos, protótipos e nas atitudes pessoais
e profissionais, desenvolvendo as virtudes de atenção aos outros, consciência reta,
cidadania clarividente, liderança perspicaz. Tornando-se facilitadores para o cami-
nho a ser traçado, a pesquisa a ser implantada, a patente de produtos que só a pessoa
formando-se bem é capaz de criar. Renovar a face da terra, transformar a sociedade,
qualificar a vida é a autêntica Inovação, o projeto divino realizando-se pelas mãos e
mentes humanas. Mãos à obra no atelier da Inovação. Mentes em busca das melhores
opções”.
Estas palavras refletem com precisão, embebidas em alegria e poesia, o espírito da
FEI ao celebrar este importante marco de uma rica história de excelência no ensino, de
valorização da extensão como diálogo imprescindível com a sociedade e da certeza­de
que a pesquisa e a pós-graduação, nesta ordem, são irrenunciáveis para a boa formação
e a geração de um conhecimento capaz de transformar social, econômica e tecnolo-
gicamente o País. Esta última década, celebrada por nossa comunidade, representou
um claro posicionamento institucional em favor da valorização de recursos humanos,
da agregação de competências, da priorização de linhas de pesquisa estratégicas à
sociedade, da publicação dos resultados das pesquisas e da transferência deste conhe­
cimento aos diversos setores sociais.
Colhemos, com as estórias aqui contadas e os resultados aqui apresentados, os
frutos de um projeto de desenvolvimento institucional pautado no valor da geração do
conhecimento como elemento fundamental à qualificação do ensino e, consequente-
mente, como um itinerário eficaz e eficiente de formar inovadores e empreendedores,
mentes em busca das melhores opções e verdadeiros artesãos no atelier da inovação.
Ao celebrar o sucesso do caminho trilhado e partilhá-lo com os nossos parceiros, reite­
ramos nosso compromisso social e nossa compreensão de que o futuro sustentável
se fará por meio de um diálogo franco e frutífero entre todos os agentes econômicos,
políticos e sociais, correspondendo à academia a nobre tarefa de favorecer esta articu-
lação em vista da busca de solução para os reais desafios da sociedade e do indivíduo.
Apreciem mais esse capítulo de nossa história, narrada por seus próprios realizadores,
que aponta para um horizonte real de universidade e de inovação. Boa leitura a todos!
Editorial
Revista Domínio FEI
Publicação do Centro
Universitário da FEI
Centro Universitário da FEI
Campus São Bernardo do Campo
Av. Humberto de Alencar Castelo
Branco, 3972 – Bairro Assunção
São Bernardo do Campo – SP – Brasil
CEP 09850-901 ­– Tel: 55 11 4353-2901
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São Paulo – SP – Brasil – CEP 01525-000
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Presidente
Pe. Theodoro Paulo Severino Peters, S.J.
Reitor
Prof. Dr. Fábio do Prado
Vice-reitor de Ensino e Pesquisa
Prof. Dr. Marcelo Pavanello
Vice-reitora de Extensão e
Atividades Comunitárias
Profª. Drª. Rivana Basso
Fabbri Marino
Conselho Editorial desta edição
Professores doutores Ricardo Belchior Tôrres,
Carlos Eduardo Thomaz e Vagner Barbeta
Coordenação geral
Andressa Fonseca
Comunicação e Marketing da FEI
Produção editorial e projeto gráfico
Companhia de Imprensa
Divisão Publicações
Edição e coordenação de redação
Adenilde Bringel (Mtb 16.649)
Reportagem
Adenilde Bringel, Elessandra Asevedo,
Fabrício F. Bomfim (FEI)
Fotos
Arquivo FEI e Leonardo Britos
Editoração eletrônica
Marcelo Moraes Alvares
Milena Bianchesi
expediente
Centro Universitário da FEI
Instituição associada à ABRUC
Tiragem: 18 mil exemplares
www.fei.edu.br
“Grato pelo envio da edição número 22 (Janei-
ro a Março de 2015) da Domínio FEI. Um pre-
sente e um apelo à inovação. Os reitores, com
sua responsabilidade e incumbência do cargo
(páginas 8-9) e os professores (páginas 10-
11), desde o locus da aprendizagem, abordam
o tema da inovação sob ângulos diversos, mas
complementares. A gestão da universidade, por
um lado, e a didática, núcleo duro da Instituição
(aprendizagem e pesquisa), por outro, clamam
por uma reflexão consequente, eficaz e inadiá-
vel. São conceitos de uma instituição medieval
que requerem revisão orgânica e contínua para
que sejam válidos, hoje, em periodicidade cada
vez mais curta. Daí a necessidade de indicado-
res que ajudem a examinar se estamos sendo a
universidade necessária para hoje e logo mais,
em horizonte sempre renovável. Parabéns pela
coragem de abrir os olhos e encabeçar as an-
tecipações imprescindíveis. Desejo-lhes todo
êxito.”
Antônio Gomes Pereira
Administrador de Empresas
“Gostaria de parabenizar a iniciativa e a quali-
dade do conteúdo das entrevistas e reportagens
da revista Domínio FEI, principalmente as rea-
lizadas com ex-alunos atuando no mercado de
trabalho, que tenho lido com frequência. Nestes
meus anos de experiência profissional até aqui,
incluindo minha atual posição na Boeing, tenho
total certeza e reconheço o valor que o curso do
Centro Universitário da FEI me trouxe, com uma
formação acadêmica sensacional, especialmen-
te nas disciplinas de Resistência dos Materiais.”
Haroldo Chacon
Engenharia Mecânica – Turma 2003
“Considero a revista Domínio FEI um veículo ex-
celente para manter toda a família feiana atua-
lizada sobre as atividades que ocorrem ou são
desenvolvidas no domínio desta Instituição (em
todas as suas especialidades) ou no cenário pro-
fissional (pelos destaques de seus ex-alunos).
Parabéns!”
Estebam Rivero
Engenharia Química – Turma 1966
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As matérias publicadas nesta edição poderão ser reproduzidas, total ou parcialmente, desde que citada a fonte.
Solicitamos que as reproduções de matérias sejam comunicadas antecipadamente à redação pelo e-mail
redacao@fei.edu.br.
Espaço do leitor
4 ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
ENTREVISTA
O engenheiro mecânico Luiz
Carlos Cabral fez carreira na
área de ar condicionado e
assumiu, em 2013, a presidência
da unidade da multinacional
japonesa Daikin no Brasil
22
18
DEstaque jovem
•	Ex-aluno de Ciência da Computação é diretor de soluções
	 para Supply Chain na empresa de integração eletrônica Sintel
DEstaques
• Seminatec discute os avanços na área de dispositivos eletrônicos
• Engenharia Elétrica ganha acreditação do sistema ARCU-SUL
• Empresa Júnior FEI comemora 15 anos de existência com festa
• Inova FEI no campus São Paulo premia os melhores trabalhos
• Congresso Brasileiro de Cerâmica reúne especialistas na área
• Portas Abertas apresenta Instituição a estudantes do ensino médio
• Evento discute os caminhos para melhorar a mobilidade urbana
06
16
42
ARTIGO
•	Professor do Centro Universitário da FEI avalia a evolução
	 da pesquisa em robótica, desde o começo dos anos 2000
responsabilidade social
•	Pesquisas desenvolvidas em diferentes cursos de pós-graduação 	
	 stricto sensu da FEI visam atender a diferentes demandas sociais
38
especial
•	Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais (IPEI) desenvolve 		
	 pesquisas básicas e aplicadas às indústrias desde 1975
40
Pós-graduação
Centro Universitário da FEI
comemora 10 anos de seu
Programa de Pós-graduação
Stricto Sensu com resultados
considerados excelentes
5
Sumário
ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
s avanços alcançados nas aplica-
ções de semicondutores, micro
e nanotecnologias já beneficiam
praticamente todas­as áreas do
conhecimento, além de fa­zerem parte do
cotidiano de todas as pessoas por estarem
presentesnoscelulares,nosautomóveis,na
segurança e na saúde, entre muitos outros
setores. Definida como estratégica pelo
governo federal desde 2005, a área reúne
estudos e projetos com semicondutores,
dispositivos optoeletrônicos, sensores,
micro e nanoestruturas, microssistemas,
dispositivos e circuitos integrados.
Para promover as pesquisas no seg-
mento e permitir a interação entre re­pre­­
sentan­tes de indústria, academia, centros
depesquisaedesenvolvimento,estudantes
e pesquisadores, o Centro Universitário
da FEI sediou, em abril, o X Workshop on
Semi­conductors and Micro & Nano Tech-
nology (Seminatec), encontro realizado
pela segunda vez no campus São Bernardo
do Campo da Instituição. Durante o semi-
nárioforamdiscutidososúltimosavanços
no setor, com apresentações de estudos
que envolvem métodos de fabrica­ção e
aspectos­relacionados a materiais e proje-
tos, por meio de apresentação de pôsteres
e palestras.
Segundo o professor doutor Marcelo
Antonio Pavanello, vice-reitor de Ensino
e Pesquisa da FEI e coordenador geral do
evento, o encontro anual permite que as
instituições apresentem os trabalhos que
estão desenvolvendo e favorece a troca de
experiências,colaborandoparaestimularo
desenvolvimentodeestudosconjuntosem
áreas correlatas. “O Semina­tec possibilita,
ainda, que estudantes que participam em
diversosníveisdepesquisaconsigamassis-
tirapalestrasdepesquisa­doresrenomados
do País e do exterior, o que é muito raro
porque, em geral, estes cientistas só se
reúnememcongressosinternacionais.Isso
demonstra a importância deste encontro
na FEI”, enfatiza.
O Centro Universitário se destaca na
áreapelosdiversosestudosjádesenvolvi­dos
ou em desenvolvimento, que apresen­tam
aperfeiçoamentos e inovações­importan-
tes. Parte desses estudos foi apresentada
em forma de pôster no Semi­na­tec, de um
total de 29 artigos de diferentes institui-
ções. O professor doutor Salvador­Pinillos
Gimenez e o doutoran­do em Enge­nharia
Elétrica Leonardo Navarenho­de Souza
Finoapresentaramoestudo‘OCTOLayout
Variations as an Alternative to Mitigate
TID Effects’, que avalia o estilo de leiaute
octogonal de porta, intitulado­de OCTO,
para a implementa­ção­de transistores de
efeitodecampometal-óxido-­semicondutor
(MOSFET) em circui­tos integrados, tanto
analógicos como digitais, robustos aos
efeitos das radiações io­nizantes. “Este pa-
râmetro elétrico es­tá­­atrelado ao consumo
depotênciadodispositivo,principalmente
nacondiçãodestand-by,resultandonaeco-
nomiadabateriaesuportando,inclusive,a
miniatu­rizaçãodosdispositivoseletrônicos
para aplicação em módulos eletrônicos
automotivos, celulares e, principalmente,
equipamentosmédicos,alémdeaplicações
aeroespaciaisesatélitesartificiais”,explica
Leonardo Fino.
Oartigo‘MOS-BipolarPseudo-resistor
Characterization – Circuit and Extraction
Method’, do professor doutor Renato
Gia­­co­mini e do professor doutorando
Pedro Benko, apresenta um novo método
para realizar a mensuração de resistência
ôhmica de uma determinada topologia
de circuito MOS-Bipolar, denominado
pseudo-resistor, que apresenta valores
ôhmicosextremamenteelevadosparauma
faixaespecíficadetensãoaplicadaentreos
seusterminais.Oobjetivofinaldotrabalho
é a implantação de uma nova proposta de
pré-amplificador para pré-­formatar sinais
biopotenciais, ins­talado diretamente nos
eletrodos-eletróli­tos, com um mínimo de
componentes ex­ter­­nos. “Trata-se de um
estudocomapli­caçãoemâmbitocomercial
e social, pois a utilização em desenvol-
vimentos de novos amplificadores para
biopotenciaisdeveauxiliaremdiagnósticos
médicosemonitoramentosclínicoecirúr-
gico”, acen­tua o pesquisador Pedro Benko.
Para melhorar o desempenho e
agregar­funcionalidades aos equipamen­
tos­­­eletrôni­cos sem aumentar a área
necessária é preciso reduzir as dimensões
dos transistores. No entanto, quando há
miniaturização dos transistores, o dispo-
sitivo deixa de apresentar seu comporta-
mento esperado e surgem diversos efeitos
indesejáveis, denomi­nados short channel
effects. O estudo ‘Short Channel Effects
Comparison between Double and Triple
Gate Junctionless Nanowire­Transistors’,
doprofessordoutorMarceloPavanelloeda
Avanços em dispositivos eletrônicos
Centro Universitário sedia
seminário internacional
que reúne palestras e
pôsteres sobre a área
O
Professor doutor Marcelo Antonio Pavanello, da FEI
ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi6
Destaques
Durante o Seminatec houve um workshop do INCT Namitec, projeto fomentado pelo CNPq, que apresentou o balanço sobre os quase
cinco anos de atividades e conquistas do projeto, que vão desde a melhor integração entre os di­versos grupos de pesquisa até resultados
pontuais. Composto por diversas ins­tituições, entre elas o Centro Universitá­rio da FEI, o INCT Namitec é referência na co­­munidade de micro
e nano­eletrônica na­­cional e congregou o País inteiro em um esforço de sucesso na área. O INCT Namitec tem como objetivo fazer avan­
çar a pesquisa e o desenvolvimento de­sis­temas micro, nanoeletrônicos­e nanoeletromecânicos­in­teligentes para utilização em redes de
sen­sores incorporados e sistemas autoajustados, entre outros, com aplica­ções em diferentes segmentos, como agri­cul­tura de precisão e
telecomunicações. O instituto é composto por 124 pes­qui­sadores, sendo 46 contemplados com recursos do CNPq, e por 25 instituições de
ensino espalhadas por 13 estados. O programa possui, ainda, cursos de cur­ta duração e especialização e é responsável pela formação de
250 mestres, 100 doutores e 250 participações em iniciação científica. “Colaboramos com equipes e empresas nacionais e­inter­nacionais
de pesquisa. A tradição de cooperação internacional com empresas lo­cais demonstra o esforço na transferência de conhecimentos e de
apoio para o desenvolvimento industrial do País”, explica o professor doutor Nilton Morimoto, da USP, um dos representantes do INCT.
mestranda em Engenharia Elétrica Bruna
Cardoso Paz faz uma análise quantitativa
dessesefeitos,comparandoduasarquitetu-
ras diferentes (porta dupla e porta tripla,
ambas tridimensionais) de um tipo de
transistor inovador denominado nanofio.
Relevância
Opro­­fessordou­torGustavoDalpian,da
Uni­ver­­sidade Fe­deral do ABC, ministrou a­
palestra ‘Theory of­resistive switching in
memristors’; e o pro­fes­sor doutor Ed­val­
San­tos, da Universi­dade Federal de Per­­
nam­­buco, o estudo ‘Smart sensor techno-
logy for niche applications’. O professor
doutorAntonioPetraglia,daUniversidade
Federal do Rio de Janeiro, abordou o tra-
balho ‘On-­chip­capacitance ratio measure­
ment­usingaswitched-­capacitorfilter’,eo
profes­sor doutor Gilson Inácio Wirth, da
Universi­da­deFe­­deraldoRioGrandedoSul,
o­es­tudo ‘Reliability of MOS Devices and
Cir­cuits’.­ O professor doutor Ed­­­mundo
Gutiérrez Domínguez, do Ins­ti­­­tuto Na-
cional de Astrofísica, Óptica y Elec­trónica,
do México, ministrou a palestra ‘Thermo­
magneticeffectsinnanoscaledFET’s:cha-
racterization, modelling and simulation’.
Tambémforamapresentadostrabalhosda
UniversidadedeSãoPauloedaUniversida-
e semicondutores
O professor doutor Edmundo Gutiérrez, do Ins­ti­­­tuto Nacional de Astrofísica, Óptica y Elec­trónica, do México, ministrou palestra durante o evento
INCT Namitec
de Estadual de Campinas, instituições que
fizeram parte da organização. Na palestra
daTektronix,empresaqueoferecesoluções
de teste e me­dição, os destaques foram
os desafios e as dificulda­des que os pes-
quisadores enfren­tam ao fazer medições
em baixa escala, como alto ampere, e as
interferências­como ruído, temperatura,
cabeamento e am­biente. Também foram
apresentadosequipamentosetécnicaspara
medições. “Como a FEI possui um centro
depesquisacomequipamentosdemedição,
é importante mostrar as aplicações e solu-
ções”, explica Raphael Motta, engenheiro
de aplicação da empresa.
7ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
Entre os melhores do Mercosul
Engenharia Elétrica é o
terceiro curso do Centro
Universitário certificado
pelo Sistema ARCU-SUL
O
Sistema ARCU-SUL tem por
objetivoestabelecerparâ­metros
regionais de qualidade para
cursos de ensino superior, a
fim de garantir a melhoria contínua na
formação universitária por meio da pro-
moção do desenvolvimento educacional,
econômico, social, político e cultural dos
países que integram o Mercado Comum
doSul(Mercosul).Ocursode Engenharia
ElétricacomênfaseemTelecomunicações
do Centro Univer­sitário da FEI é o mais
recente da Instituição a conquistar o selo
do Sistema de Acreditação Regional de
Cursos Superiores dos Estados do Merco-
sul e Estados Associados (Sistema ARCU-­
SUL). Em 2014, os cursos de Engenharia
Mecânica e Engenharia Têxtil já haviam
recebido a certificação, que atesta a qua-
lidade acadêmica também na Argentina,
Bolívia, Colômbia, Venezuela, no Chile,
Paraguai e Uruguai.
O reconhecimento é um parâmetro
importante para a cooperação interna-
cional com outras instituições de ensino
superior, fomentando atividades cola-
borativas e de mobilidade acadêmica de
alunoseprofessorescomosdemaiscursos
acreditadosnocontinente.“Acertificação
será um atrativo para estudantes das
nações do Mercosul que desejam cursar
a graduação no Centro Universitário da
FEI. Além disso, representa o reconhe­
cimento do governo brasileiro quanto à
formação oferecida pelo curso de Enge-
nharia Elétrica da Instituição”, afirma o
professordoutorRenatoGiacomini,chefe
doDepartamentodeEngenhariaElétrica,
ao informar que há interesse de expandir
aobtençãodeacreditaçõesinternacionais
de qualidade para países como Canadá e
Estados Unidos.
Implantado em 2008, o Sistema
ARCU-SUL outorga uma declaração de
qualidade para a formação oferecida pe-
las institui­ções de ensino superior, como
recursoparareconhecimentoecredencia-
mento das mesmas. Em 2009, o Sistema
ARCU-SUL iniciou o primeiro ciclo para
a acreditação dos cursos de Engenharia
ministrados por universidades brasilei-
ras. De adesão voluntária, a proposta
permite a participação de instituições
com, ao mínimo, 10 anos de existência,
que desenvolvem atividades de ensino,
pesquisa e extensão e participam do Sis-
tema Nacional de Avaliação de Educação
Superior (Sinaes), com conceito igual ou
superior a 4.
Oprocessodeacreditaçãocomeçacom
a consideração de bons resultados alcan-
çadosnoExameNacionaldeDesempenho
de Estudantes (ENADE). Depois, o curso
passa por uma avaliação rigorosa que
inclui entrevistas com alunos, ex-alunos,
corpo docente e pessoal técnico-admi-
nistrativo. Além disso, uma comissão do
InstitutoNacionaldeEstudosePesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP), en-
tidade reguladora desse processo no País,
verifica junto a executivos do setor se as
competênciasapresentadaspelosegressos
estavamdeacordocomasnecessidadesdo
mercado de trabalho.
Destaques
o ano 2000, quatro alunos da
FEI tiveram a iniciativa de im-
plantar uma empresa júnior no
Centro Universitário, inspira-
dos por outras instituições de ensino
superior, motivados pela falta de uma
interação maior com empresas durante
a graduação e com objetivo de ter possi-
bilidades de vivência empresarial. A ideia
deu certo e, 15 anos depois, a Júnior FEI
se orgulha de seu crescimento e por ter se
tornado um potencializador de carreiras
que contribui para que jovens universi-
tários adquiram experiência corporativa
antes mesmo de se candidatarem à pri-
meira vagadeemprego.Paracelebraressa
e outras conquistas, membros da atual
Júnior FEI e ex-alunos que fizeram parte
dahistóriadaempresasereuniramnodia
20 de março, no campus São Bernardo do
Campo, para celebrar.
Júnior FEI comemora 15 anos
Celebração de aniversário
envolve retrospectiva, festa
e planejamento para a
nova gestão da empresa
A comemoração também foi marcada
pela cerimônia de troca de gestão, quan-
doosmembrosqueassumiramaempresa
neste ano apresentaram as expectativas
e metas para o biênio 2015/2016. Na
celebração, os 15 anos de história da
Júnior FEI foram contados por diversos
membros e ex-alunos que fizeram parte
da empresa, como o engenheiro civil
Felipe Sigollo, primeiro presidente da
empresa júnior – hoje secretário adjunto
do governo do Estado de São Paulo – que
ficou admirado com a evolução e com os
resultados apresentados ao longo dos
últimos anos. “Os números são impres-
sionantes. Os alunos estão de parabéns
e a FEI, que apoiou esse crescimento,
também. Depois de 15 anos, ver esse
pessoal entusiasmado, cheio de energia e
motivação é muito gratificante”, destaca.
O aluno do 10º ciclo de Engenharia de
Produção,MarcelloDanelli,diretordeRe-
cursos Humanos da Júnior FEI em 2012,
contou como a experiência na empresa
júnior foi determinante para entrar no
mercado de trabalho. O engenheiro lem-
braqueparticipoudeumprocessoseletivo
em que apenas membros de empresas
juniores poderiam se inscrever. “Acredito
que o diferencial tenha sido todos os en-
sinamentos que a Júnior FEI me propor-
cionou ao longo dos dois anos e meio em
que passei na empresa. Pude relatar não
sóuma,masváriasexperiênciasedesafios
profissionaisquevivencieiaquinaJúnior
FEI, o que com certeza me ajudou a con-
seguir a vaga”, acentua.
Presidente da Júnior FEI em 2013 e
2014, Matheus Martin Garcia destacou,
entre as conquistas de sua gestão, o re-
conhecimento e o apoio que a FEI tem
dado à Junior FEI e a seus projetos. “A
confiança que a Instituição deposita em
nós é muito importante. Só o fato de
ceder o nome FEI, que é muito reconhe-
cido, é um diferencial incrível que essa
gestão conseguiu trabalhar bem e que
contribuiu para o sucesso dos nossos
projetos”, enfatiza, ao passar o bastão
ao novo presidente, Luis Felipe Ulian,
que assumiu a função. O jovem lembra
que, independentemente do cargo que
se assume, participar de uma empresa
júnior é um diferencial no currículo,
principalmente pelo fato de que os par-
ticipantes aprendem e se desenvolvem
dentro do perfil empreendedor que as
empresas buscam.
N
9ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
m uma ação inédita no Brasil, o
Centro Universitário da FEI e o
Centro Paula Souza, que pertence
aogovernodoEstadodeSãoPaulo,
se uniram para premiar ideias inovadoras
deprofessoresdeEscolasTécnicas(ETECs)
quetinhamcomofocoainovaçãonaeduca­
ção.DivididonascategoriasEmpreendedo­
rismo, Sustentabilidade e Inovação, o
prê­mio faz parte de um projeto com duas
etapasposteriores,queenvolvemacriação
de plataforma online que reunirá as ideias
maisinovadoraseumcursodecapacitação
para professores pré-selecionados.
A cerimônia de premiação da primeira
etapa do projeto, que é o reconhecimento
pelas ideias inovadoras, foi realizada em
23 de abril no campus São Paulo da FEI. O
reitor do Centro Universitário, professor
doutorFábiodoPrado,destacaaimportân­
cia do prêmio como um divisor de águas
FEI e Centro Paula Souza premiam
Professores de escolas
técnicas foram destaques
em três categorias
E
em termos de parcerias por uma educação
cada vez mais qualificada, que beneficia
nãosóosagentesdaeducação,mas,princi­
palmente, os alunos. “Desejamos que essa
iniciativa seja a primeira de muitas outras
parcerias,equeoprêmiosirvadeestímulo
para muitos outros professores que quei-
ram aplicar inovações no ensino”, afirma.
OpresidentedaFundaçãoEducacional­
Inaciana Padre Sabóia de Medeiros, man-
tenedora do Centro Universitário da FEI,
Padre Theodoro Peters, enfatiza que a
parceria é uma celebração da inteligência
humana,poissãoinstituiçõesquepossuem
uma sinergia inovadora nos estudos, nas
pesquisas, nos laboratórios, projetos e nas
atitudes pessoais e profissionais. “Todos
queremosdaronossotalentoparaajuven-
tude,renovarafacedaterra,transformara
sociedade,qualificaravida–queéaautên-
ticainovação–,eessaparceriaéoprimeiro
passo para essas realizações”, declara.
Um dos idealizadores do prêmio, o
professor doutor Edson Sadao, do Depar-
tamentodeAdministraçãodaFEI–campus
SãoPaulo,acrescentaqueainiciativaésem
igual no País e deverá colaborar para a me-
A ideia de utilizar o Quick Response – QR Code (Código de Res­
posta Rápida) em sala de aula foi o projeto idealizado pelo professor
Alison da Rocha Alves, da ETEC zona sul – Extensão CEU (bairro Vila
Rubi/SP), premiado com o primeiro lugar na categoria Inovação. No
projeto ‘Ensinando com QR CODE’, o código de barras QR Code é
disponibilizado pelo professor para que os alunos, usando aplicativos
gratuitos, escaneiem o código através de aparelhos celulares e tablets.
Após a decodificação, o código é direcionado a um conteúdo (textos,
imagens, vídeos) cadastrado pelo docente. A tecnologia, que come­
çou a ser usada em 2014, proporciona um melhor aproveitamento
do tempo do professor com o aluno, assim como mais interação no
aprendizado.
O idealizador lembra que essa iniciativa vem ressaltar e valorizar
a relevância do papel e do trabalho do professor nos dias atuais, nem
semprevalorizadocomodeveria,emumaépocademuitasmudanças,
rápidas e constantes, e desafios novos, o que exige cada vez mais pes­
soaspreparadas,habilitadasecompetentes.“Essaspessoassetornam
lhoria do ensino técnico no Estado de São
Paulo,pormeiodoreconhecimentoedaca-
pacitaçãodosprofessores.“Precisamoster
professores preparados para dar o melhor
em sala de aula. Este prêmio é apenas um
catalizador para conhecer professores que
já estão aplicando inovação na educação.
Projetos vencedores envolvem diferentes ações
preparadas, habilitadas e competentes com a colaboração de várias
outras ao longo da vida, como familiares e, principalmente, professores.
Agradeço e parabenizo a FEI e o Centro Paula Souza por essa parceria e
iniciativa que valoriza e incentiva os professores a continuarem a fazer a
diferençanavidadeseusalunos,plantandoasementedoconhecimento
para amanhã florir mudança”, enfatiza.
Na categoria Empreendedorismo, o vencedor foi o projeto do pro­
fessor do curso técnico em Administração da ETEC Gildo Marçal Bezerra
Brandão (Perus/SP), Silvio Rodrigo dos Reis Prestar. Em seu projeto inti­
tulado ‘Criação, implantação e administração de empresa júnior’, alunos
doensinomédioprestamserviçosdeconsultoriaadministrativa,contábil
e logística a microempresas da região de Perus, bairro da zona norte de
São Paulo, por meio de uma empresa júnior. “O projeto visa aprimorar
a capacidade e habilidade gerencial, oratória e escrita dos alunos, e pro­
porcionar uma compreensão da vivência profissional, além de melhorar
a gestão interna das empresas e o desenvolvimento econômico do bair­
ro”, explica o docente.
10 ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
Destaques
projetos inovadores
Parabenizamosessesdocentesedesejamos
queesteprêmiosejaoprimeirodemuitos”,
reforçaocoordenadordoInovaPaulaSou­
za,OswaldoMassambani.Oeducadordes-
taca que um dos pontos mais importantes
para o desenvolvimento de um país é o
investimento no capital humano. Por isso,
quando se trata de educação, quanto mais
se investe em professores melhores serão
os alunos. Para a superintendente do Cen-
troPauloSouza,LauraLaganá,ainiciativa
provocada pela FEI é muito importante,
principalmente por estimular os profes-
sores a inovar, além de contribuir para a
formação técnica e a inserção dos alunos
no mercado de trabalho. “Agradecemos à
FEI por essa parceria. Desejamos que esse
projeto seja um estímulo para outras ins-
tituições e professores que acreditam que
a educação é o melhor caminho para uma
sociedade ética”, acentua.
Na categoria Sustentabilidade, o projeto da professora Silvia Helena
Ferreira Pagliarini Zen Gorayeb, da ETEC José Martimiano da Silva, de Ri­
beirãoPreto,interiordeSãoPaulo,foiovencedor.“Aideiaébuscarapar­
ticipação solidária dos alunos na comunidade com a execução de tarefas
deacordocomaáreadeestudo,pormeiodeumacampanhaparaajudar
entidades assistenciais”, explica. Os estudantes do curso de Edificação,
por exemplo, sugerem melhorias físicas, acessibilidade, orientações para
economia de água e energia e plantio de árvores, enquanto os alunos do
curso de Saúde Bucal ficam encarregados de desenvolver palestras para
crianças, adolescentes e idosos.
Os vencedores foram indicados por uma banca examinadora for­
mada por profissionais reconhecidos nas áreas de educação, empreen­
dedorismo, sustentabilidade e inovação: Camila Cheibub Figueiredo,
assessora da presidência da Fundação Educar DPascoal; José Carlos
Barbieri, professor da Escola de Administração de Empresas de São Pau­
lo, mantida pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV); Juliano Seabra,
presidente executivo da empresa Endeavor; Marcus Alexandre Y. Salus­
se, empresário e doutorando em Empreendedorismo na EAESP-FGV;
Maria Amélia Lopes Sampaio, assessora da presidência do Instituto
de Cidadania Empresarial (ICE); Ricardo Voltolini, presidente da em­
presa Ideia Sustentável; e Celso Fonseca, coordenador executivo do
Observatório de Inovação da Universidade de São Paulo (USP).
Próximos passos
Em uma segunda etapa será criada uma plataforma online com
os projetos premiados, que poderão ser compartilhados entre todos
os professores da rede de ETECs em São Paulo. Na terceira etapa se­
rão ministrados cursos de capacitação para 40 professores da Grande
São Paulo, inscritos no projeto e selecionados pelo Centro Universitá­
rio da FEI e pelo Centro Paula Souza, que participarão de 60 horas de
apresentações e discussão das melhores práticas, seminários e work­
shops. “Os professores serão convidados a apresentar, ao final do
curso,projetosdemelhoriaparaseuscolégios,eostrêsmelhoresvão
receber prêmios em dinheiro”, completa o professor Edson Sadao.
Da esq.: Os professores
premiados Alison da
Rocha Alves,Silvia
Helena Ferreira
Pagliarini Zen
Gorayeb (de rosa) e
Silvio Rodrigo dos
Reis Prestar (mais
alto) com o presidente
da FEI, Padre
Theodoro Peters, a
superintendente do
Centro Paula Souza,
Laura Laganá, o reitor
do Centro Universitário
da FEI, professor doutor
Fábio do Prado, e a
vice-reitora Rivana
Basso Fabbri Marino
11ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
CongressoBrasileirodeCerâmi-
ca é o mais antigo e importante
evento do setor no Brasil e reú-
ne representantes de diversos
segmentos, como instituições de ensino
e pesquisa, fabricantes de produtos cerâ-
micosefornecedoresdematérias-primas,
equipamentos e insumos. O encontro
também é destinado à discussão dos úl-
timos avanços na área e visa promover a
interação dos diversos setores cerâmicos
no Brasil. O Centro Universitário da FEI
participadetodasasediçõesdocongresso
com trabalhos de iniciação científica e
dissertações de mestrado e, neste ano,
foi copatrocinador do encontro, o que dá
ainda mais visibilidade para a Instituição
peranteacomunidadeceramistanacional
e internacional.
A59ªediçãofoirealizadaemmaio,em
Sergipe, e abordou temas relacionados
aos diversos segmentos da área, como
cerâmica vermelha e de revestimento,
vidros, refratários, cerâmica técnica,
biocerâmica, nanotecnologia e novos
materiais, entre outros. Também foram
discutidos temas de interesse geral,
entre os quais energia, meio ambiente,
recursos minerais, inovação tecnológica,
qualidade, ensino, recursos humanos e
panoramas setoriais. O encontro reuniu
pesquisadores de todo o Brasil e de vários
países, como Suíça, Espanha, Portugal
e Japão, que participaram de palestras,
sessões orais e apresentação de pôsteres.
Cerca de 50 trabalhos orais e 500 na for-
ma de pôster foram apresentados, assim
comopainéissobreasoportunidadespara
osetorcerâmiconaáreadedefesaesobre
mineração e matérias-primas cerâmicas.
Cerâmica é foco de evento
Centro Universitário participa
como copatrocinador e
apresenta quatro estudos
O
Também foram oferecidos três mini-
cursos e realizadas duas plenárias, que
abordaramostemas‘Biologicallyinspired
compositesandceramicseBiocompatible
and Antibacterial Phosphate Free Glass­
Ceramics for Medical Applications’. A
FEI apresentou os trabalhos ‘Obtenção e
caracterização de SnO2
dopado com Sr2+
via mistura de óxidos’, ‘Determinação do
limite de resistência a flexão e módulo de
Young da cerâmica composta por SnO2
dopado com 0,2% e 0,5% em mol de
manganês’, ‘Avaliação da transformação
mecanoquímica e hidrotérmica em um
pó de alumina moído a úmido por análise
térmicaemicroscopiaeletrônicadetrans-
missão’ e ‘Conformação por gelcasting de
blocosporososemonolíticosdebeta-TCP
sintetizadoporprecipitaçãoviaúmida’,os
dois últimos em parceria com a Universi-
dade Federal do ABC (UFABC).
Os professores doutores do Departa­
mento de Engenharia de Materiais do
Centro Universitário da FEI, Fernando
dosSantosOrtegaeGilbertoJoséPereira,
que atuam diretamente na área de cerâ-
mica, fizeram parte da comissão organi-
zadora.“ComoaEngenhariadeMateriais
é multidisciplinar, envolvendo uma forte
interação com outras áreas, temos coo-
peração de outros departamentos, como
a Engenharia Mecânica e a Química, e
tambémcomoutrasinstituições”,explica
o professor Fernando dos Santos Ortega,
que foi chair do congresso. O docente
destaca que a FEI tem uma excelente
infraestrutura na área de processamento
demateriaiscerâmicosedecaracterização
de propriedades e, naturalmente, essas
característicasacabamresultandoemum
forte trabalho de pesquisa com materiais
cerâmicos.
O professor doutor Fernando dos Santos Ortega foi chair do congresso
Arquivopessoal
12 ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
Destaques
relação da FEI com seus ex-alunos é marcada por orgu­
lho e saudosismo, adjetivos que compõem a história
da Instituição e dos seus mais de 60 mil profissionais
formados. E foi essa relação afetuosa que motivou mais
de50ex-alunosavisitaremoscampiSãoBernardodoCampoeSão
Paulo durante o FEI Portas Abertas, evento realizado anualmente
com objetivo de apresentar o Centro Universitário e seus cursos e
ofereceraopúblicoexternoaoportunidadedeconhecerainfraes-
truturadoscampi,osprojetos,aspesquisaseainovação.Duranteo
FEIPortasAbertas,osmaisde2milvisitantesquecircularampelos
campiconheceramainfraestruturadelaboratóriosesalasdeaula,
eparticiparamdasmaisde80atividadeseexperiênciasnoscursos
deAdministração,CiênciadaComputaçãoeEngenharia.OPortas
Abertas no campus São Bernardo do Campo, que está na sétima
edição, recebeu estudantes do ensino médio de escolas públicas e
particulares, cursinhos e escolas técnicas, muitos acompanhados
dos pais, no dia 16 de maio.
Um dos ex-alunos presentes era Vinícius Bianchi Soares,
formado em Engenharia Química em 2011 e atual coordenador
e professor do ensino médio e técnico da ETEC de Cubatão. O en-
genheiro fez questão de compartilhar com seus alunos um pouco
de tudo o que viveu na Instituição. Além de apresentar o universo
acadêmico,ViníciusSoarestambémreencontrouprofessorescom
quem teve aulas e conferiu as mudanças no campus. “Assim que
fiquei sabendo do evento inscrevi a escola, porque gostaria muito
que os alunos vivenciassem a experiência do dia a dia de uma fa-
culdadee,principalmente,daFEI,quefoiaInstituiçãoresponsável
pela minha formação profissional. É muito bom retornar a essa
casaquetantomeensinou,reverprofessores,comoLuizNovazzie
MaristhelaMarin,evercomoainfraestruturadaFEItemcrescido
com novos laboratórios e prédios reformados”, destaca.
Amauri Sid Vargas também viu no Portas Abertas a oportuni-
dade de voltar à FEI, 21 anos depois de formado, e compartilhar
comosfilhoseaesposaumpoucodessaexperiência.Formadoem
O bom filho a casa torna
Ex-alunos da FEI aproveitam o Portas Abertas
para reviver bons momentos na Instituição
A
EngenhariaMecânicaAutomobilísticaem1994,oengenheirorela-
ta que, ao andar pelo campus, flashes de memória foram surgindo
e fazendo com que as boas lembranças – como o convívio com os
colegaseprofessores–semisturassemcomasnãotãoboas–como
as temidas P1, P2 e P3. “É interessante ver as mudanças na FEI.
Prédiosreformados,laboratóriosque,naépocaemqueeuestuda-
va, já eram condizentes e que, hoje, são infinitamente melhores.
É um orgulho e uma alegria retornar a esta Instituição”, ressalta.
São Paulo
No dia 9 de maio, foi o campus São Paulo que abriu as portas
para receber aproximadamente 200 visitantes, que participaram
de diversas atividades focadas no curso de Administração. Os
estudantes também visitaram a 17ª Feira de Empreendedorismo,
que tem como objetivo desenvolver o espírito empreendedor e
estimular a prática de negócios pelos alunos de Administração.
Durante o evento, mais de 15 projetos foram apresentados.
O engenheiro Amauri Sid Vargas trouxe a família para conhecer a FEI
13ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 13
PinkBadger/istockphoto.com
Mobilidade com foco nas bicicletas
A inserção de ciclovias é
um tema novo no País
e ainda gera diferentes
opiniões e pontos de vista
O
do consumidor com o comércio de rua. No
entanto, para que a bicicleta seja aceita é
preciso educar a sociedade para o compar-
tilhamentodoespaçoeaconvivênciaentre
ciclistas,pedestresemotoristas”,enfatiza.
São Paulo possui um plano cicloviário
que tem como meta implantar 465 km de
ciclovias até dezembro de 2016 e, em 15
anos,disporde1500km.Hoje,omunicípio
tem282,2km,masbuscaatransformação
paraqueoprogramaalcanceseusobjetivos.
Muitas travessias de rios, como pontes e
viadutos, não foram construídas para pe-
destres e ciclistas, havendo a necessidade
deadequação,porisso,cincojáforamalte-
radas e, até o próximo ano, serão mais 13.
Para áreas que não comportam alteração
serão construídas ciclopassarelas, sendo
quatroaté2016e12até2030.“Oconceito
principal da implantação é a sustentabili-
dade,alémdeatenderademandaexistente
de redução de ruído e poluentes”, explica
Ronaldo Tonobohn, superintendente de
planejamentodaCompanhiadeEngenha-
ria de Tráfego (CET) de São Paulo.
Na esfera da educação, o arquiteto e
urbanista Ricardo Corrêa, sócio fundador
da empresa de planejamento urbano TC
UrbesecriadordamarcaUrbanaBicicletas,
acreditaquesejanecessárioumtrabalhona
mudança da cultura em relação à bicicleta
no Brasil, que demanda um processo de
aprendizado e transformação. Um dos
pontospositivosdestacadoséqueaPolítica
Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU)
agora também tem como foco o ciclista e,
trânsitoéumdosmaioresproble-
mas enfrentados pelas grandes
cidades,quebuscamalternativas
para facilitar o direito de ir e vir
da população. No entanto, por falta de
planejamentoeinvestimentonosmeiosde
transporte público, como trens, metrôs e
ônibus,boapartedosmoradoreséobrigada
a se deslocar de moto e carro que, muitas
vezes,transportamapenasumpassageiro.
Em busca de soluções para essa questão,
algumas metrópoles passaram a enxergar
nabicicletaumaalternativaparadesafogar
o trânsito, a exemplo de São Paulo, que
investiu R$ 29 milhões para a implanta-
ção de 142 km de ciclovias em 2014. Para
debaterarelaçãodousodasbicicletascom
a economia e a saúde, além da cultura do
compartilhamento,oCentroUniversitário
daFEIorganizou,emmaio, nocampusSão
Paulo, o encontro Mobilidade Urbana em
SP: ciclovias em debate.
Oeventoabordouumaquestão­polêmi-
ca e com grande resistência na sociedade,
pois implica alterações e entendimento
sobreaspolíticaspúblicasquepromovem
a inclusão. Para o professor doutor Jac-
quesDema­jorovic,doDepartamentode
Administração da FEI, que organizou
o de­bate, as ciclovias e a bicicleta
não são a solução para a mobilida-
de, mas não é possível melhorar
a mobilidade em São Paulo sem
incluí-las. “Trata-se de um meio
de transporte que, além de tirar
o carro da rua, amplia a relação
A poluição e os acidentes são os fatores que mais interferem na decisão de mui­
tos que resolvem usar a bicicleta como meio de transporte. Por isso, a professora
doutora Thais Mauad, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo (FMUSP), avaliou vantagens e desvantagens do
uso da bicicleta para a saúde. Os acidentes com bicicletas costumam ocorrer
mais frequentemente nas grandes cidades e nos fins de semana, sendo os ho­
mens e idosos as maiores vítimas. O trauma craniano corresponde a 40% das
consequências e, em 2014, foram registrados 47 casos fatais na cidade de São
Paulo. Em relação à poluição, como o ciclista respira mais vezes por minuto
Benefícios comprovados para a saúde
Destaques
Ronaldo Tonobohn, José Roberto de Toledo, Ricardo Corrêa, Thais Mauad e Jacques Demajorovic
com isso, a bicicleta passou a ser relevan-
te nos planos dos governos que querem
acesso aos recursos federais.
Segundooarquiteto,uma‘cidadeci­clá­
vel’ permite ao ciclista ir para todos os lu-
garescomconfortoesegurança.Assim,no
plano cicloviário é necessário ter um pla-
nejamentodeinfraestrutura,deeducação
e informação, orçamentário e de gestão.
“Fatores como clima, relevo, arbo­ri­zação,
história, perfil socioeconômico,­sistema
viárioedensidadedemográficadevemser
levados em consideração. Não existe um
padrão universal e cada espaço precisa de
umcritérioparaaimplantação”,acentua.
O aumento das ciclovias também reflete
em novas oportunidades no mercado de
bicicletas,comoomodelochamadoe-bike,
uma bicicleta elétrica que pode chegar a
25km/h na rua. Com apenas 25 quilos, a
bicicleta suporta até três vezes seu peso
e tem menor geração de carbono do que
qualquer outro veículo de transporte.
Adeptodae-bike,ojornalistaJoséRoberto
deToledo,doportalEstadão,asseguraque
custabemmenosqueumcarro–cercade
U$S500–,tembaixamanutenção,éisen-
tadeIPVAenãonecessitadecombustível,
pois funciona com bateria. “Pelo fato de
ser elétrica, o esforço do ciclista é bem
menor e é possível andar em locais com
ladeiras.Hoje,existem200milhõesdessas
bicicletas na China e o mercado passou a
enxergá-las como uma fonte de renda,
tanto que fabricantes de bicicletas, auto-
peças e automóveis já demonstraram o
interesseeminvestirnonegócio”,afirma.
Novidades
Após o debate, a empresa Base Bike
Storeofereceuumaoficinasobrecuidados
comabicicleta,manutençãopreventivae
importânciadeacessórioseequipamentos
de segurança. Os participantes também
conheceram o aplicativo desenvolvido
porquatroalunosdo3ºciclodeAdminis­
tração, chamado Bora de Bike, que visa
otimizar o uso das ciclovias por meio de
informaçõessobrerotas,grupos,oficinas,
clima,lojasespecializadas,estacionamen-
tos e locais para aluguel. Um ex-aluno de
Administração,apresentouoequipamen-
to es.charger, que aproveita o movimento
das pedaladas para gerar energia para
carregarocelular(ouqualquer­dispositivo
USB)emanterluzesdesegurançaacesas.­
que o motorista, a exposição aos poluentes é maior. No entanto, o risco de mortalidade atri­
buída à poluição para aqueles que pedalam entre 30 e 60 minutos por dia é de apenas 0,05%.
Em contrapartida, o grande benefício do uso constante da bicicleta é a atividade física,
uma vez que pedalar 30 minutos por dia atinge a meta estipulada de exercícios para manter
a qualidade de vida e diminuir os riscos de diabetes, obesidade, osteoporose e depressão.
“Um estudo mostrou que, embora o risco relacionado à poluição tire 21 dias de vida e os aci­
dentes fatais subtraiam sete dias, a atividade física proporcionada pelas pedaladas aumenta
em oito meses a expectativa de vida. Na balança, o uso da bicicleta tem um ganho maior”,
complementa a professora.
O professor do Departamento de Fí­
si­­ca, Arthemio Aurélio Pompeo Ferrara,
começou a dar aulas na antiga Faculdade de
Engenharia Industrial (FEI), em 1º de agosto
de 1964 e, desde então, tem se dedicado
à arte de ensinar. O professor coordenou o
Departamento de Física desde a sua criação,
em 1968, até 1997, quando foi indicado
para coordenar a disciplina Mecânica Geral
II. Desde 2002, coordena a disciplina Dinâ­
mica do Corpo Rígido. Para homenagear
toda a dedicação e o empenho do docente,
o Centro Universitário da FEI concedeu,
em cerimônia no dia 6 de maio, o título de
Professor Emérito, pelos 50 anos de serviços
prestados ao ensino, à pesquisa e à extensão
universitária.
“Em todas as disciplinas, o professor
Arthe­­mio contribuiu para criar o padrão FEI
de excelência, além de ter tido um papel
importante na consolidação dos laborató­
rios de Física como elementos essenciais na
formação em Engenharia”, destaca o coorde­
nador do Departamento de Física, professor
doutor Roberto Baginski. Admirado pelos
alunos e pelos colegas, o professor Arthemio
Ferrara é autor de sete livros, que cobrem
todas as áreas clássicas da Física e foram,
por muitos anos, a bibliografia básica das
disciplinas de Física da FEI.
“A contribuição do professor Arthemio
ajudou no crescimento de qualidade de nos­
sos estudantes, professores, pesquisadores,
bem como dos antigos alunos, hoje profis­
sionais atuando em suas especialidades”,
ressalta o presidente da FEI, Padre Theodoro
Peters S.J. O reitor do Centro Universitário,
professor doutor Fábio do Prado, lembra
que a homenagem atesta o lastro de realiza­
ções em sua carreira de magistério, a larga
contribuição ao Departamento de Física e à
formação de engenheiros.
Dedicação há 51 anos
A
visãomultidisciplinarquesem-
preacompanhouoprofissi­onal
de Ciência da Computação
Wanderlei Renato Rosa foi um
dos requisitos fundamentais para que
chegasse, aos 33 anos de idade, a diretor
de soluções para Supply Chain na Sintel,
maior empresa de integração eletrônica
do setor automotivo na América do Sul.
A organização oferece sistemas e ser-
viços para gerenciar a relação entre as
montadoras de automóveis e as cadeias
produtivas, tem 175 colaboradores e
mais de 600 clientes do setor automotivo
global, atendidos por seus escritórios no
Brasil, nos Estados Unidos, na Argentina
e Bélgica.
Formado em 2003 pelo Centro Uni-
versitáriodaFEI,aamplaatuaçãonaárea
e a abertura para novos conhecimentos e
atribuições foram essenciais para que o
profissional de Ciência da Computação
pudesse acompanhar o desenvolvimento
da empresa e se deslocasse da área tecno-
lógica para a de negócios, ocupando um
cargo de destaque. Em 2001, no começo
do terceiro ciclo do curso de Ciência da
Computação, Wanderlei Rosa enviou
um currículo datilografado, por carta, à
Sintel, após ver um anúncio de estágio
emumjornal.“Foiaúnicaempresaparaa
qualenvieiocurrículoejásepassaram14
anos desde então. Neste período, adquiri
diferentes competências e consegui me
manter constantemente atualizado com
o mercado automotivo local e global”,
explica o executivo.
Profissional de Ciência
da Computação formado
em 2003 acompanha o
crescimento da empresa
De estagiário a diretor
O primeiro cargo ocupado na compa-
nhia foi de estagiário de desenvolvimen-
to de software. Na época, a empresa era
focadanacriaçãodesistemasparaosetor
automotivo e tinha por volta de 35 cola-
boradores. Já no primeiro ano, o então
estudante conseguiu colocar em prática
o que aprendia na FEI e, com base nos es-
tudos, propôs um modelo diferente para
o desenvolvimento de software, agregan-
do inovação à empresa. Esta iniciativa
foi um grande diferencial para o jovem
estagiário e, no ano seguinte, Wanderlei
Rosa foi efetivado como programador
de sistemas. Em 2004, já graduado,
tornou-se analista de sistemas e, em
2007,assumiuocargodecoordenadorde
desenvolvimento
de software. Em
busca da excelên-
cia, fez pós-gra-
duação em Gestão
de Projetos de Tec-
nologia da Infor-
mação e avançou
nos estudos do
segundo idioma,
imprescindível para seu crescimento
profissional.
Neste meio tempo, a empresa come-
çou a adquirir competências voltadas
para consultoria, serviços e operação, e
o profissional de Ciência da Computação
trabalhou para se adaptar e migrar do
desenvolvimento de software para o re-
lacionamentocomocliente,usandomais
o software pela funcionalidade do que
pelo desenvolvimento. Em 2008, a Sintel
iniciou o processo de internacionaliza-
ção para conquistar mercados além das
fronteiras brasileiras, e foi neste período
que Wanderlei Rosa assumiu a posição
de analista de negócios. Em 2012, foi
convidado pela presidência da empresa
para criar uma ‘vertical de negócios’
voltada ao Supply Chain automotivo e,
assim, tornou-se diretor de soluções para
o segmento.
A partir daí, já com foco no desen-
volvimento de negócios, Wanderlei Rosa
passou a trabalhar no desenvolvimento
de novas soluções para o mercado, com
especial atenção para a operação dos
clientes. “Passamos a compreender me-
lhor o ambiente e o desafio de nossos
clientes e vimos que poderíamos ir além
seconectássemosossistemasaosproces-
sos das empresas. Para isso, fizemos um
forte movimento interno para criar esta
nova capacitação à empresa, o que envol-
veu muito estudo e dedicação de todos”,
explica. Ainda na esfera de realizações,
o executivo destaca a
importante conquista
do primeiro cliente
nos Estados Unidos,
em 2012, e na Europa,
em 2013.
Ao longo do tem-
po, a Sintel foi adqui-
rindo mais clientes
e fatias de mercado,
influenciada pelo crescimento do setor
nos últimos anos e, assim como a em-
presa, a carreira do ex-aluno da FEI foi se
deslocando mais para a área de negócios.
“Meu atual cargo é um desafio, pois exige
conexão constante com o mercado auto-
motivo global e capacidade de interlocu-
ção com executivos de diversas partes
do mundo. O grande papel da vertical
de Supply Chain é trabalhar sempre na
criação de valor, levando eficiência ope-
racional para os clientes”, acrescenta.
Por ter a carreira voltada para negócios
globais, o executivo está constantemente
participandodecursoseeventosdeespe-
cialização em Supply Chain Management
enocontextodomercadoautomotivo,no
Brasil e no exterior.
“O ex-aluno
começou na
empresa em 2001”
Destaque Jovem
16 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015
na Sintel
Destaque desde a graduação
Ainda na faculdade, Wanderlei Rosa já buscava
a inovação, tanto que, para a elaboração do traba-
lho de conclusão de curso (TCC), desenvolveu com
seus colegas Claudio Silva, Daniel Sonego e Dou-
glas Navarro um sistema para auxiliar o ingresso
dos portadores de deficiência visual e auditiva no
mundo digital. Por meio da conversão de texto em
voz e voz em texto, o usuário conseguia interagir
enviando comandos e recebendo informações do
computador e, com isso, passava a compartilhar
conhecimentos e informações virtuais. Wanderlei
Rosa destaca a satisfação no desenvolvimento
do projeto, não apenas pelo desafio tecnológico
envolvido, mas sobretudo pela oportunidade que
tiveram de interagir com os deficientes e com-
preender a real importância do projeto. “Fizemos
pesquisas, testes e demonstrações em campo e
pudemos sentir na prática o que é fazer algo com
significado”, acentua.
Por tratar-se de uma tecnologia inovadora fo-
cada em ajudar pessoas e com forte cunho social,
o projeto teve grande repercussão dentro da FEI,
tornando-se referência. O trabalho também foi
eleito o sexto melhor dentre os 18 projetos globais
selecionados na feira International­Consumer
Electronics Show (CES), realizada em Las Vegas,
nosEstadosUnidos,emjaneirode2004.ParaWan-
derlei Rosa, o resultado do projeto de conclusão de
curso demonstra quanto o ensino na FEI vai além
da questão técnica, uma vez que qualifica os alunos
para o mercado de trabalho.
“Por ser uma Instituição que mostra a im-
portância do foco nos estudos e na disciplina, os
alunos têm de conduzir o curso com seriedade
e, em geral, carregam esse princípio para a vida
profissional. A postura dos estudantes é um dos
grandes diferenciais”, enfatiza, ao contar que já
contratou alunos da FEI e é possível notar o foco,
o comprometimento e o profissionalismo que
possuem. O executivo lembra que a escolha pela
Instituição aconteceu porque a FEI era uma refe-
rência na área de Engenharia e, portanto, teria o
mesmo padrão de qualidade no curso de Ciência
da Computação, que era novo na época.
17ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
Entrevista – Luiz Carlos Cabral
mais eficientes. Assim, a Daikin tomou a
decisão de vir para cá em 2011, muito em
funçãodeoBrasilterestadoemevidência
nos últimos anos, devido à Copa do Mun-
do, às Olimpíadas de 2016 e até mesmo
às obras do PAC.
Os acionistas japoneses continuam
acreditando no Brasil?
Sim, acreditam. Na verdade, a Daikin
estava muito consolidada no Japão, onde
é líder isolada com a maioria esmaga-
dora de market share, além de ser líder
na Europa e em todos os países em que
se estabelece. A empresa só não estava
ainda nas Américas do Sul e do Norte. A
Daikin adquiriu a McQuay e a Goodman
e se estabeleceu nos Estados Unidos e,
daí, decidiu vir para o Brasil e entrar em
outros países emergentes, como Índia,
Turquia, Chile e Argentina. Essa estra-
tégia começou de uns cinco anos para cá.
Comofoiqueumengenheirobrasilei-
ro assumiu a presidência apenas dois
anos depois que a empresa japonesa
chegou ao Brasil?
Eu também não sei. O que posso dizer
é que tenho uma experiência de mercado
dearcondicionadomuitogrande.Comecei
minha carreira em 1989 na Carrier, que
hojeéalídernoBrasilemarcondicionado,
efiqueipor22anosnaempresa,ondetive
umacarreiradesucesso.Conheçobastan-
teomercadodearcondicionadoe,quando
a Daikin decidiu se estabelecer no Brasil,
o então presidente, que era um japonês,
meprocurouparaserovice-presidentede
distribuição, o que incluía vendas e mar-
keting. E por que eu? Bem, os japoneses
são bastante minuciosos nesse aspecto
e, antes de entrar aqui, fizeram uma pes-
quisa, visitaram instaladores, usuários
de ar condicionado, enfim, uma série de
pessoas relacionadas ao mercado. Como
engenheiro mecânico Luiz Car-
los Cabral, formado pela Facul-
dade de Engenharia Industrial
(hoje Centro Universitário da
FEI) em 1989, construiu praticamente
toda a carreira em uma única empresa de
ar condicionado. Mas, em 2011, aceitou
um convite para sair da zona de conforto
e assumir a vice-presidência de distribui-
ção da filial brasileira da multinacional
japonesa Daikin, líder no setor na Ásia e
na Europa, e que começava um processo
de expansão de seus negócios para as
Américas do Sul e do Norte. Há dois anos,
o executivo encarou um novo desafio
ao assumir a presidência da subsidiária
japonesa no Brasil. Aos 49 anos de idade,
o engenheiro trabalha para atender as
expectativas dos acionistas japoneses e
buscar a liderança no segmento, baseada
naofertadeprodutoscomaltatecnologia
e eficiência energética.
A Daikin existe desde 1924, mas che-
gouaoBrasilapenasem2011.Porque
a demora em instalar-se por aqui?
A Daikin é líder mundial em ar con-
dicionado, mas é uma empresa japonesa
e, tradicionalmente, por muito tempo o
Japãoestevemuitofechadoesócomeçou
aseabrirdeuns10anosparacá.ADaikin
também era muito focada no mercado
asiático: Japão, China, Tailândia e outros
países, e na Europa, por algumas razões.
Umadelaséserumaempresadeprodutos
de alta tecnologia e muito mais eficientes
e, por isso, o preço é mais alto se compa-
rado com produtos que não usam esse
tipo de tecnologia. Como o Brasil é um
país emergente, esse tipo de produto, um
pouco mais caro por ter mais tecnologia
agregada, não tinha espaço por aqui. Mas
isso está mudando bastante nos últimos
anos, por conta da crise hídrica e da crise
energética, que demandam produtos
O
tenho uma boa reputação nesse mercado
e meu nome sempre vinha à tona – fiquei
sabendo disso depois – eles resolveram
me convidar para assumir o cargo. Fui
contratado como vice-presidente, ligado
aopresidente.Aprincípionãotinhamuito
interesse, mas acabei me interessando
por ser a Daikin, uma empresa muito
respeitada no mundo. Acho que fiz um
bom trabalho de 2011 a 2013 como
vice-presidente, construí o time, porque
opresidentequeestavaaquinãoconhecia
o nosso mercado, e acabei sendo indicado
para ser presidente.
Sua expectativa era alcançar a pre-
sidência da subsidiária brasileira?
Quandofuicontratadoapromessaera
essa, mas eu não acreditei. Na verdade,
pensei que até poderia acontecer, mas em
um futuro meio distante! E, para mim,
foi uma surpresa, porque confiaram em
mim em pouco tempo. Tenho orgulho de
dizer que toda a estrutura foi construída
por mim e pela equipe que eu criei aqui e
achoqueissosooubemparaosjaponeses,
acho que eles começaram a ver que, de
fato, eu tenho um conhecimento muito
grande de mercado. O time que coloquei
aqui é muito respeitado também. Fico
bastante feliz, honrado e admito que não
é comum ter um presidente brasileiro em
uma empresa japonesa. Mas estou aqui
realizando o meu trabalho.
Esse é mais um dos seus desafios à
frente da presidência dos negócios
no Brasil?
Eu diria que não ser japonês é mais
desafiador ainda, sem dúvida. É inegável
que a forma de pensar do japonês é com-
pletamente diferente do brasileiro. Não
estou aqui para dizer quem está certo ou
errado, mas é diferente. Confesso que so-
fri bastante, e ainda sofro para aprender
comomecomunicar.Equandoeufaloem
Em busca da liderança
18 Domínio fEi ABRIL a junho DE 201518
comunicação não estou falando de lin-
guagem, mas na forma de fazer com que
entendamoqueestáacontecendoaqui.O
japonês é bem particular, está envolvido
em tudo e quer saber de tudo, até por
ser bastante nova essa expansão. Hoje, a
Daikin é uma empresa japonesa que tem
uma filial no Brasil, porque ainda não
virou uma empresa de fato internacional.
Estou aprendendo bastante com eles em
como me comunicar e isso é um dos meus
maioresdesafios;comomefazerentender,
como fazer com que eles confiem naquilo
que estamos fazendo, isso é essencial.
Acho que estamos conseguindo.
O Brasil vive um momento de crise
hídrica, crise energética, crise eco-
nômica. A Daikin continua otimista
com o mercado brasileiro?
Muito! Este ano vai ser bem difícil, é
inegável, mas a empresa traçou estraté-
gias de médio e longo prazo. Mesmo que
enfrentemos algum problema neste ano,
acreditamos muito no Brasil. A Daikin é
uma empresa de tecnologia, uma empre-
sa voltada para produtos eficientes e de
baixo consumo de energia, e tudo leva a
crer que o Brasil vai seguir nessa trilha,
até por imposição das circunstâncias. Em
momentosdecrisehídricaecriseelétrica,
quanto mais tivermos produtos de baixo
consumo, melhor. Acreditamos muito
nisso e os sinais de mercado são muito
positivos. Quando entrei na empresa, em
2011,arelaçãodeprodutosInverter–que
são produtos com variador de frequência
e mais eficientes – com os não Inverters,
ou seja, produtos mais consumidores de
energia, era de mais ou menos 5% do
mercado residencial, que são os Split.
Em 2014, esse mercado fechou em 35%
e nossa estimativa é que, neste ano, 50%
do mercado já seja de modelos Inverter.
Em três ou quatro anos não deveremos
em ar condicionado
19ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 19
“Tenho orgulho de dizer que toda
a estrutura foi construída por
mim e pela equipe que eu criei aqui...”
Entrevista – Luiz Carlos Cabral
“Nosso diretor
comercial é feiano
também e o que
temos feito é apostar
muito na formação
de trainnes e
estagiários.”
20 Domínio fEi ABRIL a junho DE 201520
ter mais produtos com compressores
com velocidade fixa, só variável. Como a
Daikinépioneiranessetipodetecnologia,
porque inventou um produto chamado
VRV com variador de frequência, que é
supereficiente, acreditamos muito que
o Brasil seja a bola da vez nessa questão
de uso de produtos mais eficientes e, por
dominarmos essa tecnologia, estamos na
frente e achamos que temos muito que
crescer aqui.
No Brasil ainda não há o hábito de
sistemasderefrigeraçãoemresidên-
cias. Com isso, o mercado é imenso?
Você tem toda razão. A penetração do
ar condicionado no Brasil ainda é muito
baixa, principalmente no mercado resi-
dencial.Hoje,estimamosqueapenetração
seja na ordem de 15%. Se for comparar
comumpaísdesenvolvidoecomclimase-
melhante, como a Austrália, a penetração
éde80%.Portanto,temosumgapenorme
a ser explorado no segmento residencial.
Qual é o tamanho do mercado indus-
trialparaarcondicionadonobrasil?
Essemercadoérelativamentepequeno
no Brasil, se comparado aos Estados Uni-
dosouapaísescomasmesmasdimensões.
Mas é um mercado que cresce ano a ano,
que não está estagnado e cresce sempre
maisdoquequalqueríndicemacroeconô-
mico, por volta de 10% a 15%. Também é
um mercado interessante e, neste caso,
estamos atuando com máquinas impor-
tadas dos Estados Unidos.
Os dois segmentos são importantes?
Sim, no entanto, a Daikin considera
como carro-chefe o VRV, porque é um
produto desenvolvido pela empresa que
usa variador de frequência e volume de
refrigerante variável, é bastante eco-
nômico, principalmente para clientes
que tenham ambientes compartimen-
talizados, onde há muitas salas a serem
climatizadas. O produto é muito inte-
ressante porque dá para instalar apenas
uma unidade externa e várias unidades
internas. Acreditamos bastante no VRV
pelo fato de a Daikin ser líder mundial
e dominar, de fato, essa tecnologia. No
entanto, apesar de termos um carinho
especial pelo VRV, somos uma empresa
de solução em ar condicionado, então,
o que for necessário estamos aqui para
produzir, para vender, para apresentar
solução.
ADaikindesenvolvetecnologiafora
do Japão?
Sim. O centro tecnológico no Japão é
muito mais para VRV, mas os centros de
desenvolvimento para produtos comer-
ciais de grande porte ficam nos Estados
Unidos, em Minneápolis, onde temos
um centro de pesquisas. Apesar de o de-
senvolvimento ser nos Estados Unidos, a
engenhariaéjaponesa.Comoadquirimos
a McQuay, usamos o que a empresa tinha
de bom e incorporamos a engenharia
japonesa. Acho que essa fusão é superin-
teressante, essa mistura de tecnologias
resulta em produtos diferenciados.
Qual é o tamanho da unidade da dai-
kin no Brasil?
Temos cerca de 300 empregados na
fábrica de Manaus e, nas filiais, onde fa-
zemos sódistribuição,aproximadamente
150.Temosmuitosengenheiros,inclusive
na área de vendas, porque são produtos
muito mais ‘engenheirados’, como o VRV,
que necessitam de uma venda técnica.
Qual é o perfil do engenheiro que
a Daikin busca em suas unidades ao
redor do mundo?
Não buscamos o engenheiro de pran-
cheta, mas sim o engenheiro generalista.
Acredito que a formação do engenheiro
abre muito o leque, dá uma visão muito
ampla, e o que buscamos é esse tipo de
engenheiro, que saiba analisar, mas que,
aomesmotempo,tenhaumavisãoampla
de mercado. Nosso engenheiro precisa
ter poder de análise, poder de decisão e
uma visão administrativa muito grande
também.
E tem sido fácil para a empresa en-
contrarengenheiroscomesseperfil
no brasil?
Não, é muito difícil. Nosso diretor
comer­cial é feiano também e o que te-
mos feito é apostar muito na formação
de trainees e estagiários. Temos muita
gente nova na empresa, que buscamos
nas universidades, e tentamos formar
aqui com essa visão de mercado, de ser
mais generalista, de ser analítico, mas, ao
mesmo tempo, administrador. Estamos
criando uma escola dentro da Daikin em
todos os níveis, não só para engenheiros
de venda, mas para técnicos e instalado-
res. Temos uma parceria com o SESI e da-
mos aulas lá, além de fazer treinamentos
constantes. Infelizmente, a mão de obra
no Brasil ainda demanda de certa qualifi-
cação,principalmenteparaprodutosmais
sofisticados como é o nosso, com muita
eletrônica embarcada.
O senhor afirmou em uma entrevista
em 2013 que a Daikin busca a lideran-
ça neste mercado. Como estão esses
planos?
Continuamoscomessametaeanossa
participação está no limiar da liderança
em VRV. Em produtos importados, prin-
cipalmente para a indústria, acredito que
já somos o número dois, incomodando
bastanteonúmeroum.Nãoalcançaremos
a liderança geral em 2015, mas diria que,
em mercados específicos, estamos atuan-
do bem próximos disso.
“Temos de manter
nosso grupo muito
unido, porque é isso
que faz a diferença.”
21ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 21
Comofoiatrajetóriadasuacarreira
até assumir a presidência da Daikin?
SoudaturmadeEngenhariaMecânica
Plenaformadaem1989naFEI.Primeiro,
fui estagiário na antiga Elevadores Villa-
res,hojeAtlas,eem1988entreinaCarrier
como estagiário. Depois de formado fui
efetivado como engenheiro de vendas.
Passei 22 anos na Carrier galgando pos-
tos: comecei como engenheiro de vendas,
depois fui gerente de vendas, gerente de
contas nacionais, diretor comercial, de-
pois diretor comercial e residencial. Saí
da Carrier em 2011 e vim para a Daikin
como vice-presidente.
A Engenharia Mecânica foi uma es-
colha pelo fato de o senhor gostar
de carro?
Na verdade, quando era menino eu
tinhaumsonhodeconstruirmeupróprio
carro. Queria montar meu carro e, com
esse intuito, fui cursar Engenharia Me-
cânica. Só que a vida nos prega algumas
peçase,paramim,foiótimo.NaFEI,uma
das matérias que eu mais tinha dificulda-
de era Termodinâmica. Lembro até hoje
que tivemos de fazer um projeto de um
trocador de calor pela norma NEMA, nas
aulas do professor Lage (Laercio Gomes
Lage), que é o trocador de calor usado até
hoje no equipamento de ar condicionado.
E eu odiava aquilo; para mim era a pior
matéria. E fui trabalhar exatamente na
área de ar condicionado quando entrei na
antiga Springer, que hoje é a Carrier. Veja
como é a vida: comecei a ver trocador de
calor de novo e hoje eu adoro isso.
Essa é uma das suas melhores lem-
branças dos tempos de faculdade?
Diria que essa e as aulas de Mecânica
de Fluidos, que também tem tudo a ver
com ar condicionado e uso até hoje. E
vem à minha cabeça a figura do Alemão
(Raimundo Ferreira Ignacio), que era
meu professor de Mecânica de Fluidos. O
Alemão era um ex-feiano que todo mundo
adorava. Outra boa lembrança que tenho
é o professor Carlos Hein, que dava Ele-
mentos de Máquinas aos sábados. Ele era
muito engraçado. Normalmente, na P1 o
pessoaliamuitomalnamatériadele,aí,na
próximaaulaeledavaumsermãoemtodo
mundo: “Poxa! Eu não acredito que vocês
tiraram 1 nessa prova, enquanto meus
alunos no segundo grau tiram 10! Ainda
étempopessoal;vãofazerAdministração,
vão fazer Economia, pelo amor de Deus!”.
Lembro bastante disso.
A formação humanista, que é tra-
dição da FEI, o ajuda a ser um bom
gestor de pessoas?
Sem dúvida. Essa formação huma-
nista é essencial. Para ser um gestor
temos de ter esse lado humano, que é
tão importante quanto o lado analítico,
a tal da inteligência emocional, isso faz a
diferença. Vemos bons engenheiros que
não conseguem lidar com pessoas, e isso
pode atrapalhar a carreira.
Por que o senhor escolheu estudar
na FEI?
Eu morava na Cidade Ademar, próxi-
mo ao Jardim Cupecê, e a FEI era relati-
vamente próxima. Mas a minha escolha
também é uma história interessante.
Estudei em escola pública e tinha um
professor de Química que era da FEI. Não
lembro seu nome, mas ele sempre dizia
que era da FEI e eu adorava ouvir aquilo,
não sei porque, mas adorava. Eu também
tinha conhecidos que estudavam na FEI e
decidi prestar o vestibular na Instituição.
Até hoje tenho contato com amigos que
fiznaFEI,atéporquealgunseramamigos
dobairro.Umdosmeusmelhoresamigos,
que é o Denis, é ex-feiano e está no seg-
mento de ar condicionado também.
Emmeioatantosdesafios,o que o se-
nhor faz para manter corpo e mente
saudáveis?
Procuroestarmuitocentrado,teruma
inteligência emocional grande. Estamos
apostando muito em produtividade,
porque será um ano difícil, e estamos
focadostambémemqualificaraspessoas,
investindoemtreinamentoequalificação.
Temos de manter nosso grupo muito
unido, porque é isso que faz a diferença, e
estarmuitopresentesnomercadodeuma
forma que nos permita ser diferenciados.
Para manter o corpo e a mente em forma
procuro jogar tênis pela manhã, mesmo
tendo de acordar de madrugada. Gosto
muitodeesportes:futebol,tênis,corrida,
andardebicicleta.Outrohobbyquetenho
éirparaapraiaquasetodofimdesemana.
Comprei uma prancha de stand-up paddle
e estou praticando essa modalidade de
esporte também. Isso alivia o estresse da
semana, é uma delícia. Outro hobby que
tenho é cozinhar. Fazer outras atividades
que nos dão prazer alivia as tensões e nos
faz acordar bem-dispostos e prontos para
enfrentar todos os desafios. A vida fica
mais leve assim.
FEI comemora
10 anos do
Programa de
Pós-graduação
Stricto Sensu
Uma década na fro
O
s investimentos em ciência e tecnologia no Brasil têm ga-
nhado incentivos importantes nas últimas décadas. Dados
publicados na revista Nature em 2014 – uma das mais im-
portantespublicaçõescientíficasdoplaneta–,indicamqueo
investimento anual em pesquisas no País já chegam a R$ 59,4 bilhões
(US$27bilhões),sesomadasasiniciativaspúblicaseprivadas.Segundo
a revista, o Brasil é líder em publicações científicas na América Latina,
commaisde40milem2013,emboraaindaestejalongedosnúmerosde
paísesdesenvolvidos.OPaístambéméoúnicodocontinenteainvestir
1%doPIBempesquisaedesenvolvimento.Osfomentosparapesquisa
são disponibilizados por agências como a Financiadora de Estudos e
Projetos(FINEP),CoordenaçãodeAperfeiçoamentodePessoaldeNível
Superior (CAPES) e Conselho Nacional do Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq).
Háexatamenteumadécada,oCentroUni-
versitário da FEI passou a fazer parte desse
seleto grupo que produz ciência no Brasil.
Desde 2005, quando a CAPES aprovou o
primeiro curso de mestrado em
EngenhariaElétrica,aInstituição
passou a investir fortemente
para tornar-­se uma referência
em pesquisa, nacional e inter-
nacionalmente. A partir da expe-
riência adquirida com o primeiro
mestrado, o Centro Universitário
lançou os stricto sensu de Engenharia
Mecânica e de Administração, em 2007, e
deEngenhariaQuímica,em2013.Paradar
ainda mais oportunidades aos pesquisadores
para irem além da fronteira do conhecimento, a FEI
oferece o doutorado em Administração desde 2011,
e em Engenharia Elétrica desde 2012, e trabalha para
aprovação dos doutorados de Engenharia Mecânica e Química nos
próximos anos.
Todo o caminho percorrido na última década foi iniciado em
2002, quando a Fundação de Ciências Aplicadas (FCA), mantenedora
dasfaculdadesisoladasEscolaSuperiordeAdministraçãodeNegócios
(ESAN), Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e Faculdade de
Informática (FCI), resolveu unir as três instituições e transformá-las
no Centro Universitário da FEI. “O conceito era simples. O ensino de
graduaçãoserialimitadosenãohouvessegeraçãodeconhecimentoem
nível de pesquisa e pós-graduação, nessa ordem”, resume o professor
doutor Fábio do Prado, reitor do Centro Universitário da FEI e que,
em 2002, era o vice-reitor de Ensino e Pesquisa.
Pós-graduação
2222 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015
alphaspirit/istockphoto.com
onteira do conhecimento
Com os programas de pós-graduação
stricto sensu, a FEI passou a ter docentes e
professorespesquisadorestrabalhandoem
conjunto, o que permite estender o inte-
ressepelapesquisatambémparaosalunos
da graduação, incentivados por meio do
Programa de Iniciação Científica. Para o
reitor, esse ambiente rico de inovação que
envolve a graduação e a pós-graduação
permite que as diferentes modalidades de
pesquisa coabitem de forma harmoniosa.
“Com isso, geramos o bom contágio e
criamos a possibilidade de os estudantes
expandirem os limites do conhecimento”,
reforça.
Para o professor doutor Marcelo An-
tonio Pavanello, vice-reitor de Ensino e
PesquisadoCentroUniversitáriodaFEI,a
Instituiçãocompreendeessaduplafunção
depropagaroconhecimentonagraduação
e gerar conhecimento e inovação para um
conjunto de opções e serviços com grande
impacto social. “O que motiva os novos
pesquisadores a continuar nesse caminho
é acreditar na qualidade da pesquisa que
desenvolvemos na FEI, com impacto
nacional e internacional”, destaca. Com a
maturidadeadquiridanaúltimadécada,o
vice-reitor adianta que a Instituição quer
ir muito mais longe, conquistando outros
doutorados em todos os cursos.
IndicadoreS
Embora seja uma Instituição voltada à
pesquisa em pós-graduação há apenas 10
anos, a FEI já colhe bons resultados em
relação às publicações científicas e à apre-
sentaçãodeestudosemeventosnacionais
e internacionais. A cada semestre, cresce
onúmerodepesquisadoresindicadoscom
bolsasatribuídaspelosórgãosdefomento,
de indicadores de densidade dos estudos
produzidos na Instituição e de trabalhos
de cunho internacional com inserção em
periódicos de alto fator de impacto e com
temas de relevância. O professor Marcelo
Pavanelloressaltaqueacriaçãodenúcleos
de pesquisa e agregação de novos pesqui-
sadores estimula o aumento exponencial
no fomento para os estudos, tanto para
professores pesquisadores que desenvol-
vem seus estudos em tempo integral e
participam de eventos de peso nas áreas
quanto para alunos de pós-graduação.
Além de ter tido sucesso na busca de
recursos com órgãos oficiais de fomen-
to, a FEI também tem recebido verbas
de empresas, inclusive para montagem
de laboratórios com equipamentos de
última geração, a exemplo dos que foram
financiadospelaTelefônicaVivonaáreade
Internet das Coisas, em 2014, e pela Ge-
neral Motors, em 2012, com a instalação
do Partners for the Advancement of Colla-
borativeEngineeringEducation(PACE),um
programa global que tem como objetivo
fornecer treinamento aos estudantes por
meio de software utilizados na criação de
novosprodutosetecnologias.“Petrobrase
Embraertambémsãograndesfomentado-
res nas pesquisas da FEI, nas áreas de pe-
tróleoegásedemotores,respectivamente.
AInstituiçãojánasceucomesseviésparaa
indústriaeprocuramosmanteressecírculo
virtuosoquepermiteapesquisaaplicada”,
afirma o vice-reitor Marcelo Pavanello.
Com a criação, por parte do governo
federal,demecanismoslegaisparaabusca
de fomento, mais empresas privadas têm
procuradoaFEIparadesenvolverparcerias
junto ao Instituto de Estudos e Pesquisas
Industriais(IPEI),queacabadecompletar
40anos(leiamaisnaspáginas40e41).Ape-
sar das parcerias e das verbas de fomento,
a FEI ainda investe parte expressiva de
recursosparapesquisa,poracreditarnesse
caminhoembuscadoconhecimentopleno,
masestá à procura da autossuficiência em
termos de financiamento para pesquisas.
“O mercado e a sociedade já reconhecem
a excelência do Centro Universitário, que
trilhaumcaminhoseguroeresponsávelno
ensino, na pesquisa e na extensão”, acres-
centa o reitor Fábio do Prado, ao lembrar
que todo esse itinerário começou a ser
construído pelo primeiro reitor do Centro
Universitário, o professor doutor Marcio
Rillo,jáfalecido,equeapesquisatornou-se
umcomplementoirrenunciáveldoensino
naFEI,poispermiteaautoalimentaçãode
docentes e alunos.
Professor doutor Fábio do Prado: reitor da FEI
23ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 23
Professor doutor Marcelo Antonio Pavanello
Pós-graduação
Mantenedora incentiva pesquisa
Os investimentos da Fundação Educacional Inaciana Padre
Sabóia de Medeiros (FEI), mantenedora do Centro Universitá-
rio da FEI, nas áreas de pesquisa e extensão – que se somam à
missão fundamental da Instituição, que é o ensino – têm sido
focados na tecnologia e na gestão de ambientes e laboratórios
especializados. O principal objetivo é oferecer os meios para
que as pesquisas sejam realizadas com qualidade e pertinência,
possibilitando que os projetos de mestrado e doutorado sejam
trabalhados em todos os seus detalhes.
“A pesquisa na Instituição consolida-­se pela qualidade das
pessoas e dos projetos elaborados. Há uma sinergia buscando o
ponto de equilíbrio. A qualificação é condição para a consolida-
ção”, afirma o presidente da FEI, Padre Theodoro Peters, S.J., ao
ressaltar que a lógica universitária tende a formar e consolidar
as pessoas na busca do novo continuamente ao longo da vida,
tanto acadêmica como profissional. O gestor acrescenta que a
FEI não se contenta em ser excelente na avaliação interna e,
por isso, busca continuamente a avaliação externa, nacional e
internacional, para situar-se nos patamares desejados.
Nos últimos anos, além de apresentar projetos para finan-
ciamento na própria FEI, os pesquisadores passaram a buscar
financiamento em órgãos de fomento, competindo com outras
instituições de ensino e pesquisa, com crescimento exponencial
dos recursos recebidos, o que demonstra a qualidade das pes-
quisas na Instituição. “Nossos pesquisadores são reconhecidos
além dos muros e estão envolvidos em redes de pesquisa inter­
institucionais”, reforça o Padre Theodoro Peters. Além disso,
os estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado
tambémestãocadastradosemórgãosdefomento,fazendoparte
da grande comunidade nacional e internacional de pesquisa e,
consequentemente, com as melhores condições de oferecer seu
talento ao bem comum das pessoas e da sociedade.
O presidente da mantenedora lembra que a FEI foi criada
com a finalidade de perenizar a missão expressa na denomina-
ção da própria pessoa jurídica: uma fundação educacional para
Padre
Theodoro
Peters,
presidente
da Fundação
Educacional
Inaciana Padre
Sabóia de
Medeiros
2424 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015
Apesquisa aplicada àindústriafazparte
dos objetivos do Centro Universitário da
FEI desde a sua fundação, em 1941, pelo
Padre jesuíta Roberto Saboia de Medeiros.
Considerado um visionário por ter como
ideal atender o processo de industrializa­
ção pelo qual passava o Brasil, a meta do
fundador sempre foi a formação dos alunos
História com foco no mercado
promover a formação de jovens e de adultos que tem como
referência Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus,
ordem religiosa dedicada à formação de recursos humanos
altamente qualificados. “A qualificação universitária articula o
ensino, a pesquisa e a extensão envolvendo professores, pesqui-
sadores, estudantes, corpo técnico especializado, vizinhança,
região. Estimular e induzir a pesquisa para que o conhecimento
transmitido não se limite à assimilação do já conhecido, mas
abra a mente para a descoberta do que ainda não foi assimilado,
permite que os pesquisadores deixem sua contribuição para o
bem comum. Os avanços visam o bem-estar de toda a humani-
dade e tal concepção é parte integrante de uma Instituição de
ensino e pesquisa inspirada na fé cristã”, acentua.
de modo que se tornassem qualificados para
o setor empresarial, com aptidões para a
pesquisa científica e com perfil humanista e
valores éticos.
O campus em São Bernardo do Campo
tambémfoicriadocomobjetivoestratégicode
atender o crescimento do Grande ABC, região
quepassouaabrigarasprimeirasmontadoras
de automóveis instaladas no País. Em 2002,
com a criação do Centro Universitário, a
Instituição ganhou autonomia acadêmica
necessária para o trabalho interdisciplinar
e multidepartamental, o que possibilitou a
elevação dos níveis de graduação e das pes­
quisas por meio da massa crítica científica
de professores e pesquisadores.
25ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 25
D
esde que foi criada, a FEI sempre
deu importância ao ensino além
dasaladeaula,pormeiodocom-
plemento em laboratórios, para
que os profissionais fossem preparados
para as novas demandas tecnológicas. Ao
criar o Centro Universitário da FEI, em
2002, os gestores da Instituição manti-
veram os mesmos princípios do fundador
e, com isso, o caminho natural era dar
continuidade à busca pelo conhecimento
por meio da pós-graduação stricto sensu.
O Departamento de Engenharia Elé­
trica, naquele momento, era o que tinha
as melhores condições para abrigar­o
Engenharia Elétrica
foi a pioneira
Departamento tinha as
melhores condições para
abrigar o primeiro mestrado
primeiro mestrado, uma vez que o cur­so
degraduaçãojápossuíaestruturadeparta-
mentaladequadaelaboratóriosquedavam
suporteaoensinodapós-­graduação.Além
disso,odepartamentojáabrigavadocentes
com mestrado e doutorado que parti-
cipavam de grupos vinculados a outras
instituições de ensino superior e centros
de pesquisa. “Já havia um projeto institu-
cional desenvolvido com muita sabedoria
para o curso de graduação em Engenharia
Elétrica, o que acabou servindo como ali-
cerce para a FEI criar o seu Programa de
Pós-graduação Stricto Sensu nesta e nas
demais áreas”, afirma o vice-­reitor de En-
sino e Pesquisa, professor doutor Marcelo
Antonio Pavanello.
O professor, que participou de todo o
processodesde2003,quandofoicontrata-
docomodocentedetempointegral,conta
queaopçãofoiestruturaromestradocom
áreas multidepartamentais, o que per-
mitia que a estrutura institucional fosse
otimizada em prol de uma grande área
do conhecimento. “O programa também
tinhaalgumasparticularidadesqueforam
aceitas tão logo submetidas à CAPES, que
reconheceu a virtude institucional da FEI
e aprovou o curso”, acentua. Um dos dife-
renciais era o fato de o grupo contratado
para o mestrado também ministrar aulas
para a graduação.
Da esq.: O atual coordenador do curso, Carlos Eduardo Thomaz, representantes da reitoria da FEI em 2005 e primeiros professores doutores do curso
Data de criação: 2005
Artigos publicados em periódicos: 141
Artigos publicados em congressos: 485
Mestres formados: 114
Alunos em formação Mestrado: 40
Alunos em formação Doutorado: 32
Docentes: 14
nabihariahi/istockphoto.com
DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS INTE-
GRADOS – Nesta área são desenvolvidos
estudos em Microeletrônica, com especial
ênfase para projeto de circuitos dedicados,
digitaiseanalógicos,caracterizaçãoelétrica
de dispositivos eletrônicos e modelagem e
simulação de dispositivos eletrônicos.
Caracterização Elétrica de Dispo-
sitivos MOS – Estudo principalmente
dos efeitos das reduções das dimensões e
da modificação de materiais aplicados aos
dispositivoseletrônicosfeitosnatecnologia­
de Metal-Óxido-Semicondutor (MOS),
além da utilização de novas estruturas de
transisto­res MOS.
Simulação e Modelagem de Dispo-
sitivos MOS –Nestalinhadepesquisasão
utilizados simuladores numéricos bidimen­
sionaisetridimensionaisdeprocessosedispo­
sitivos eletrônicos para auxiliar no estudo de
variáveisintrínsecasaosdispositivosMOSeno
desenvolvimento científico de novos modelos
analíticos, capazes de descrever as proprieda­
des elétricas dos componentes.
PROJETO DE Circuitos Integrados De-
dicados – Desenvolvimento de projeto de
circuitos integrados dedicados, digitais e ana­
lógicos, baseados na tecnologia CMOS. Os cir­
cuitos visam o aproveitamento das vantagens
da tecnologia SOI (Silicon-On-Insulator) sobre
a tecnologia MOS tradicional, com melhorias
nodesempenhodoscircuitos,associadasaum
menor gasto de potência.
Inteligência Artificial Aplicada à
Automação –Aáreavisadesenvolvercapa­
citação em novas tecnologias nas áreas de au­
tomaçãointeligente,
comprojetosemau­
tomação residencial
eautomotiva,plane­
jamentoautomático
de atividades, robó­
tica, estudo de inter­
faces homem-máquina
e desenvolvimento de
interfaces adaptativas.
Planejamento e
Aprendizado de
Máquina – Investiga­
ção científica e desen­
volvimento de técnicas
computacionaiscapazes
de promover o planeja­
mento e o aprendizado
de máquinas, com especial atenção para a
Áreas de concentração/Linhas de pesquisa
2626 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015
Coordenador do curso de Engenharia
Elétrica durante 11 anos, o professor
doutor João Antonio Martino foi um dos
responsáveispelainstalaçãodomestrado,
ao lado do então reitor professor doutor
Marcio Rillo. Formados pela FEI, os dois
engenheirostinhammestradoedoutorado
pela Universidade de São Paulo (USP) e,
devido à expertise em Dispositivos Eletrô-
nicos Integrados e Inteligência Artificial
Aplicada à Automação, respectivamente,
ficou definido que estas seriam as duas
áreas de pesquisa iniciais do mestrado.
“A pós-graduação surgiu da necessidade
da FEI em expandir a geração do conheci-
mento. Fico muito satisfeito em ver que a
sementinhadapesquisaempós-graduação
germinounaFEIcomooprofessorMarcio
eeuimaginávamosquepoderiaacontecer.
Esse é o lugar correto da FEI, ou seja, con-
tribuindo não só com a graduação, mas
também com a pós-graduação”, enfatiza
o do­cente João Antonio Martino, que
é professor titular da Escola Politécnica
(POLI) da USP desde 2007. Atualmente,
o Programa de Pós-graduação na FEI é
composto de três áreas: Inteligência Arti-
ficial Aplicada à Automação, Dispositivos
Eletrônicos Integrados e Processamento
de Sinais, esta última incorporada com o
doutorado, em 2012.
Para o professor João Antonio Mar-
tino, a seleção e contratação dos então
jovens doutores que ajudaram a criar o
primeiro mestrado foi acertada, porque
tinham perfil de crescimento na área de
pesquisa,quasetodosaindanaInstituição.
O docente diz que foi uma honra ter par-
ticipado da criação do primeiro mestrado
da FEI e ter sido o primeiro coordenador
(2005-2006), pelo fato de ter estudado
na Instituição e admirar o processo edu-
cacional sério e responsável do Centro
Universitário. “A FEI tem uma especial
atenção com os alunos da graduação e
a experiência adquirida na Instituição
como docente, chefe de departamento e
coordenador de curso me permitiu seguir
a carreira acadêmica. Com apoio do então
vice-diretor da FEI, professor Alessandro
La Neve, e do então reitor, professor Mar-
cioRillo,foipossívelvivenciaremparalelo
também a pesquisa na USP e trazer esta
experiência para dentro da FEI. Torço
que a Instituição cresça cada vez mais,
mantenha as premissas originais de forte
interação com instituições de pesquisa e
ensino no País e no exterior, e consolide
assim todos os mestrados e doutorados
que busca”, enfatiza.
Um dos primeiros doutores a ser con-
tratado para o mestrado de Engenharia
Elétrica,oprofessordoutorCarlosEduardo
Thomaz – atual coordenador do curso –
lembraqueagrandepreocupaçãonaépoca
era com o equilíbrio da carga horária para
os docentes pesquisadores, pois teriam de
dividirotempointegralentreasaladeaula
e as pesquisas. Doutor em Computação
peloImperialCollegeLondon,naInglater-
ra, o docente relata que o grupo era com-
postoporrecém-­doutoresqueacreditaram
no projeto da FEI e chegaram dispostos a
fazerotrabalhoacontecercomohaviasido
planejado.“Operfildosnovosdocentesera
diferentedosdemaisprofessoresnaépoca,
masoprofessorMarcioRillotinhaumavi-
sãoespetaculardoquequeria,alémdeum
grandeotimismo,econseguiuestruturara
Instituição para que chegássemos ao nível
depós-­graduaçãostrictosensuqueestamos
hoje. Fomos presenteados, na verdade,
com a liderança de dois pesquisadores
seniores empreendedores”, acentua.
Ao longo desses 10 anos, a FEI vem
desafiando seus pesquisadores a produzir
maisemelhor,oqueatendeàsexpectativas
Pós-graduação
teoria de complexidade de algoritmos, clas­
sificação de dados por métodos de aprendi­
zagem por reforço, e para o desenvolvimento
de sistemas de raciocínio baseado em casos.
Interface Humano-Computador
Adaptiva –EstudodaaplicaçãodeInteligên­
ciaArtificialnosaspectosdedesenvolvi­mento,
aplicação e testes em IHC. A área também
colaboracompesquisasdeinteraçãoHumano-­
Robô, investigando os aspectos humanos no
processointerativocomsistemasrobotizados.
Navegação de Robôs Móveis – Nesta
linha de pesquisa são investigados e desen­
volvidos métodos e técnicas de Inteligência
Artificial que permitem que robôs atuem de
forma autônoma, com aplicação em áreas
da Engenharia que exigem raciocínio lógico e
conceitos de robótica probabilística.
Processamento de Sinais – Nesta área
de pesquisa são explorados aspectos de pro­
cessamento de sinais aplicados a reconheci­
mento de padrões em estatística, biometria,
processamento de imagens médicas, visão
computacional,identificaçãodesinaissonoros
devozefala,alémdeprocessamentoeanálise
de biopotenciais.
Reconhecimento de Padrões em Esta­
tística – O objetivo desta linha de pesquisa
é investigar e desenvolver métodos multi­
variados lineares e não lineares de redução
de dimensionalidade e reconhecimento de
padrões apropriados, para classificação de
amostras e caracterização de diferenças entre
umgrupodedadosdereferênciaeapopulação
sob investigação.
Processamento Digital de Sinais–Esta
linha de pesquisa visa
desenvolver mecanismos
com aplicação em reconhecimento
de fala, melhoria da inteligibilidade e re­
lação sinal-ruído, e investigar métodos de
processamento e análise de biopotenciais
parareabilitaçãodedeficientespormeiodo
comando de próteses e órteses.
Processamento de Imagens e Vi­são­
Computacional –Nestalinhadepesqui­
sa investigam-se as questões computacio­
nais e algorítmicas associadas à aquisição,
ao processamento e à interpretação de
imagens, por meio do desenvolvimento de
métodos compu­tacionais de normalização
espacial, detecção, segmentação e classifi­
caçãodepadrõesquesuperemadificuldade
de lidar com a alta dimensionalidade das
imagens.
27ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 27
Primeiros
alunos de
mestrado de
Engenharia
Elétrica da FEI,
em 2005
iniciaisdocursoeestimulaospesquisado-
resanãoseacomodarem.OprofessorCar-
los Thomaz informa que um dos grandes
desafioseracriarumambientedepesquisa
onde os próprios envolvidos percebessem
a necessidade de discutir ciência pelos
corredores, em sala de aula, nos laborató-
rios e até nas conversas informais. “A FEI
conseguiu atingir esse objetivo. É muito
comum vermos docentes discutindo ciên-
cia até mesmo no espaço do café. Era isso
que todos desejavam: que o mestrado não
fosse apenas mais um título, mas criasse a
possibilidadedeaprofundarconhecimento
relevante”, acrescenta. O número de pro-
fessores pesquisadores em tempo integral
queiniciouem2005napós-­graduaçãoem
Engenharia Elétrica é hoje 40% maior.
Referência
Embora o grupo de pesquisadores em
Microeletrônica seja considerado relati-
vamente pequeno, já se tornou referência
nacionaleinternacionalnaárea,comgran-
de participação em congressos e com pro-
fessores reconhecidos pela academia. Na
áreadeRobóticaeInteligênciaArtificial,o
grupo da FEI também é forte e se tornou
referêncianoPaís.Ocoordenadororgulha-­
se de a FEI ter conseguido boa visibilidade
nacionalmente e estar ganhando espaço
internacional. “No Brasil, não se fala em
robótica sem citar o grupo da FEI. Na área
de processamento de sinais também já há
pesquisasdonossogrupodegrandevisibi-
lidade acadêmica e tecnológica”, descreve.
vetkit/istockphoto.com
Pós-graduação
2828 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015
Os primeiros mestres em Engenharia
Elétrica começaram a se formar em 2007
e, hoje, o curso possui 40 alunos, tanto
em tempo parcial quanto integral. Nos
últimos 10 anos, a FEI já formou 114
mestres na área. Os mestrandos ficam,
em média, 27 meses no curso, tempo
necessário para participar das aulas e
desenvolver as pesquisas. Em geral, os
alunos são profissionais do mercado que
almejam crescer na carreira, engenheiros
em busca de atuação na área acadêmica
ou mesmo ex­-alunos recém-­graduados
que descobriram o caráter motivador da
pesquisa a partir da iniciação científica,
ainda na graduação.
Da primeira turma de 20 alunos, o
primeiro mestre a se formar foi Luiz An-
tonio Celiberto Junior, que também foi o
primeiroaseinscrevernocurso.Formado
em Engenharia Elétrica com ênfase em
Computação no Centro Universitário da
FEI em 2004, o engenheiro optou pelo
mestradoemInteligênciaArtificialAplica­
da à Automação porque sempre gostou
de projetar, criar e pesquisar e estava
insatisfeito na empresa onde trabalhava
com desenvolvimento de software. O
interesse pelas pesquisas surgiu ainda
na graduação, quando participou do
Programa de Iniciação Científica da FEI
e da primeira turma do vitorioso projeto
Futebol de Robôs.
Depoisdaconclusãodomestrado,com
orientação do professor doutor Reinaldo
Bianchi, o engenheiro fez o doutorado
no Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA) e voltou para a FEI para o pós-dou-
torado.“Comaoportunidadedomestrado
tive o incentivo que precisava para seguir
na carreira acadêmica e continuar me
dedicando às pesquisas”, afirma. Hoje, o
engenheiro é docente concursado da Uni-
versidadeFederaldoABC(UFABC)naárea
de Engenharia de Instrumentação, Auto-
mação e Robótica. O professor também
Mudanças expressivas na carreira
participa de pesquisas sobre Inteligência
Artificial com o grupo da FEI.
Segundooprofessor,apesquisaagrega
valor aos graduandos porque passam a
ter um diferencial, pois um pesquisador
nuncasecontentaeestásempreembusca
derespostasparanovasperguntas.Como
nem tudo está nos livros, os professores
pesquisadoresconseguemagregarumco-
nhecimento a mais para os alunos e, com
isso, quem ganha é o mercado de traba-
lho, que receberá profissionais mais bem
preparados. Embora o Brasil ainda não
tenha uma cultura de absorver mestres e
doutores nas empresas – diferentemente
do que ocorre em países desenvolvidos,
especialmente nos Estados Unidos – o
docente acredita que esse perfil deverá
mudar nos próximos anos, uma vez que o
mercadoglobalprecisadeprofissionaisdi-
ferenciados e mais capacitados, inclusive,
para a gestão de pessoas. “O mestrado da
FEI atendeu a todas as minhas expectati-
vas, com excelentes matérias e docentes
de alto nível na área de pesquisa. Recebi
informações muito valiosas e levo esse
conhecimento aos meus alunos até hoje”,
assegura.
Formado pela FEI em 2003 em En-
genharia Elétrica com ênfase em Eletrô-
nica, Rodrigo Trevisoli Doria também é
da primeira turma de mestrado. A área
de Dispositivos Eletrônicos o fascinava
desde a graduação e o jovem engenheiro
viu, no mestrado, a possibilidade de não
deixar o conhecimento estagnado. Ao ser
contempladocombolsadeestudos,optou
pelomestradoemtempointegrale,depois
deformado,porseguirnaáreaacadêmica.
O engenheiro foi o primeiro a concluir o
mestrado na área de Dispositivos Eletrô-
nicos Integrados com um estudo sobre
Transistores de Múltiplas Portas, com
orientação do professor Marcelo Antonio
Pavanello, e conta que a oportunidade
mudou os rumos de sua vida. “O mestra-
do é a base de tudo na área acadêmica.
Depois de formado fui fazer o doutora-
do na USP, também com orientação do
professor Marcelo Pavanello, segui para
o pós-doutorado em Microeletrônica e
conseguimetornarprofessorcolaborador
doprópriomestradodaFEI”,conta.Coma
carreira acadêmica como objetivo desde o
início,oprofessordizqueconseguepassar
um conhecimento atualizado aos alunos
da graduação, além de incentivá-los no
interesse pela pesquisa.
Luiz Antonio Celiberto Junior: primeiro mestre Rodrigo Trevisoli Doria hoje é docente na FEI
Pós-graduação
esde 2012, o curso de doutorado
em Engenharia Elétrica atrai
a atenção de profissionais que
buscam a carreira acadêmica
e o aprofundamento do conhecimento
científiconomundodaspesquisas.Atual-
mente, 32 alunos estão matriculados no
doutorado nas mesmas áreas de concen-
tração do mestrado. Um desses alunos é a
engenheiraeletricistaCarlaDickdeCastro
Pinho Novo. Formada em 2004 pela FEI,
aprofissionalvoltouparaaInstituiçãoem
2012 para fazer o mestrado e emendou
o doutorado, iniciado em novembro de
2013, depois de sete anos atuando no
setor produtivo.
Carla Pinho Novo conta que começou
a trabalhar no Grupo Votorantim ainda
no último ano da faculdade, após passar
por um processo seletivo. “Eu já gostava
daáreaacadêmica,masquisteressaexpe-
riência na indústria. Depois de passar por
vários setores durante o estágio, escolhi a
áreafinanceiraechegueiagerente”,escla-
Doutorado foi mais uma conquista
rece. Por ter participado do Programa de
Iniciação Científica durante a graduação,
a engenheira afirma que a experiência foi
importante para aprender a trabalhar a
organização e o planejamento de estraté-
gia, o que permitiu já chegar mais pronta
ao mercado de trabalho.
Em2012,decidiuvoltarparaaFEIpara
cursaromestradoe,paraisso,procurouo
professordoutorRenatoGiacomini,chefe
doDepartamentodeEngenhariaElétrica,
quehaviasidoseuorientadornainiciação
científica.Adoutorandaescolheuaáreade
DispositivosEletrônicosegarantequefez
uma escolha consciente pela Instituição.
“EusemprequisfazerodoutoradonaFEI,
emboratenharecebidoconvitesdeoutras
instituições, pois conheço a seriedade da
FEI e dos profissionais envolvidos com o
programadepós-graduação,quesãointer-
nacionalmente reconhecidos no mundo
científico”, reforça.
Para o professor Carlos Eduardo Tho-
maz, o doutorado veio coroar o interesse
e a necessidade de todos os professores
pesquisadores em discutir conhecimento
no mais alto nível, dando oportunidades
aos mestres de seguir nas pesquisas na
Instituição. Para os próximos 10 anos, o
coordenadoresperaqueosresultadosdos
estudosdemestradoedoutoradopossam
contribuir para responder questões rele-
vantes que beneficiem a sociedade como
um todo. Outro objetivo é trazer alunos
estrangeiros, especialmente da América
Latina, para participarem dos cursos. O
docente acredita que essa troca alimenta
o conhecimento. “O doutorado permite
maior tempo de contato entre professor
e aluno e resultados cientificamente
mais relevantes, pois são quatro anos
de dedicação à pesquisa. E é fundamen-
tal que os pesquisadores, em todos os
níveis, percebam que a ciência não tem
fronteiras e a convivência em busca de
conhecimentocientíficoéenriquecedora.
Estamos criando caminhos para mais
essa conquista”, admite.
D
A engenheira
eletricista Carla
Dick de Castro
Pinho Novo
optou pelo
doutorado na
Instituição
29ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 29
3030 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015
Pós-graduação
ois anos depois da implantação
do primeiro mestrado do Centro
Universitário da FEI, em 2007 foi
avezdeaEngenhariaMecânicater
sua pós-graduação stricto sensu aprovada
pela CAPES. Passados oito anos, o curso
já formou 139 mestres e, atualmente, 92
alunos estudam para conquistar o título.
O curso, que começou a ser preparado
em 2006 e envolve professores dos de-
partamentos de Engenharia Mecânica, de
MateriaisedeProduçãodaFEI,temomaior
númerodevagasporqueenvolvetrêsáreas:
Materiais e Processos, Produção e Sistemas
daMobilidade,estaúltimaenglobandotoda
a Engenharia Mecânica.
Segundo o professor doutor Agenor de
Tole­do Fleury, coordenador do Programa
dePós­-gra­duaçãoemEngenhariaMecânica
atémaiode2015,ocursofoiconcebidocom
dois importantes di­ferenciais em relação
aos demais existentes. “Um deles é que a
FEI tem um cuidado com seus alunos que
não é padrão em pro­gramas de mestrado
de outras escolas, per­mitindo um convívio
muito próximo en­
tre alunos e professores e
fornecendoumainfraestruturadiferenciada
de recursos”, justifica. Outro diferencial
é a con­veniência de horários, com parte
das ati­vidades no período noturno, o que
fa­vorece a participação de profissionais do
se­tor produtivo que queiram ampliar seus
conhecimentos.
Prova do sucesso deste modelo de pro­
grama de mestrado se reflete nos nú­meros.
Atualmente, 80% dos alunos atuam no
mercado e buscam aper­fei­çoamento ou a
oportunidadede­entrarnomeioacadêmico.
“Além de cum­prir o papel fundamental de
formar pes­soal de alto nível para as indús-
trias, é­importante destacar que o Brasil
preci­sa muito de bons professores com essa
for­maçãodiferenciadaequeconheçampro­
fundamente o mercado de trabalho”, avalia
o docente.
Os estudos já desenvolvidos e em de­­
senvolvimento no mestrado de Engenharia
Engenharia Mecâ
Programa tem como linhas
de pesquisa as áreas de
Materiais, Produção e
Sistemas da Mobilidade
D
Áreas de concentração/Linhas de pesquisa
Processos de Fabricação – Destaque para estudos de usinabilida­
de­de materiais endurecidos, soldagem por atrito e mistura mecâ­nica
(FSW - Friction Stir Welding), soldagem­a ponto por atrito e mistura me­
cânica (FSSW - Friction Stir Spot Welding), Creep Age Forming, simulação
computacionaletensõesresiduaisinduzidasporprocessosdefabricação
mecânica.
Cerâmicas Técnicas – Desenvolvimento de materiais cerâmicos
(síntese,processamentoesuainfluêncianasinterizaçãoeproprie­dades).
Pesquisascomcerâmicasnanoestruturadas,produçãodecatalisadoreshe­
terogêneoseprocessamentodesistemasparticuladosporrotascoloidais.
Modificação, Reciclagem e Processamento de Polí­me­ros­­­
Estudo das relações entre estrutura-processamento­e propriedades
de materiais poliméricos, compósitos de matriz polimérica, blendas
poliméricas e compósitos de matriz termoplástica com nanopartículas,
compósitos de matriz termoplástica com fibras naturais,
fibras de material reciclado, resíduos e nanopartículas,
reciclagem de polímeros e polímeros biodegradáveis.
Transformação de Fases e Comportamen-
to Mecânico de Materiais Estrutu­rais­
Estudoenvolvetemasrelacionadosatransformações
defaseemaçosinoxidáveisdúplex,microestruturae
comportamento eletroquímico e mecânico de aços
inoxidáveisdúplex,usinabilidadedemateriais
me­tálicos e desempenho de materiais
usados em ferramentas de corte.
Materiais e Processos
Carlo Leopol
doFrancini/istockphoto.com
31ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 31
nica já formou 139
Mecânicaenvolvemparceriascomdiferen-
tes empresas – entre as quais a Scania, na
área de motores, e a Embraer, no desen-
volvimentodenovosprocessosdefabrica-
ção – e incluem até projetos que aten­dem
hospitais,comooInstitutodoCoraçãodo
HospitaldasClínicasdaFaculdadedeMe-
dicinadaUSP(InCor/HC/FMUSP),aUni-
versidadeFederaldeSãoPaulo(Unifesp)e
oHospitaldoCoração(HCor).Oprograma
também está plenamente envolvido na
busca de soluções para um dos maiores
problemas do País, a logística e, por meio
deprojetos,buscaaumentaraparticipação
do modal hidroviário, garantindo maior
eficiência energética e menor impacto ao
meio ambiente.
Parte dos estudos que integram o
programa tem forte vertente para a in-
dústria, mas vários outros são voltados
à sociedade. “Parcerias como essas são
muito importantes, pois o mestrado não
é só para fazer pesquisa, mas também
para formar pessoas capazes de fazê-la,
e o aprendizado adquirido pelos alunos
contribui para que sejam absorvidos
pelas próprias indústrias participantes.
Inovação e Gestão de Operações – Estudos envolvem modelos
dene­gó­­­ciosecompetitividade,organizaçãoindustrialedesenvolvimento
tecnológico,cadeiasprodutivas, sistemasdeproduçãoeclustersregionais.
Logística e Redes de Suprimentos–Desenvolvimentodeestudos
voltados aos aspectos estratégicos, táticos e operacionais.
Modelagem, Otimização e Controle de Processo – Plane­
jamento e controle de produção, logística e distribuição, automação­e
controle de processos, inteligência artificial e mineração de dados.
Qualidade em Instituições de Saúde–Entreoutros,sãodesenvol­
vidosestudoseprojetosdemelhoriadeprocessos­eaplicaçãodaprodução
enxuta (lean production) em instituições de saúde.
Sistemas da MobilidadeProdução
tração e das parcerias entre a FEI, o setor
produtivoeasinstituiçõesdepesquisa.“A
ratificação do papel de protagonistas nas
áreas de pesquisa em que o programa da
FEI se insere, através da participação dos
corpos docente e discente em publicações
científicas e tecnológicas renomadas, é
fundamental para o reconhecimento de
nossas ações como pesquisadores e for-
madores da elite tecnológica necessária
ao desenvolvimento do País. Além disso,
são os índices de produtividade científica
do corpo docente que criam a base para a
proposiçãodoalmejadoprogramadedou-
toradoemEngenhariaMecânica”,relatao
docente.Com23professoresnogrupodo
mestrado, a Engenharia Mecânica da FEI
está se preparando, também, para con-
quistar o doutorado em futuro próximo.
Porisso,dentrodepoucosmesesteremos
novidades em relação a novas parcerias”,
adianta o professor.
Os investimentos também estão rela-
cionados à infraestrutura disponível aos
alunos, como corpo docente altamente
qualificadoelaboratóriosparaapesquisa,
com destaque para o Laboratório de De-
senvolvimento de Materiais Metálicos e
Compósitos,comequipamentosdeponta,
comooimportantemicroscópioeletrônico
de varredura e o difratômetro de raios-X,
disponíveis em poucas instituições de
ensino no Brasil. O amadurecimento do
programa pode ser observado na quanti-
dade de alunos formados que, em média,
são 20 por ano, totalizando 70% do total
de ingressantes. Além disso, há domínio
da tecnologia e importantes publicações.
Nova coordenação
A meta dos próximos anos, segundo
o novo coordenador do Programa de Pós­
graduação Stricto Sensu em Engenharia
Mecânica da FEI, professor doutor Rodri-
goMagnabosco,éaconsolidaçãodospro-
jetosdepesquisadastrêsáreasdeconcen-
DinâmicaeControle–Modelagem,estimação,controleeotimização
aplicados ao projeto de sistemas mecânicos e mecatrônicos em áreas
comosistemasdemovimentaçãodecarga,mobilidadeassistida,sistemas
automotivos,hidrogeração,robóticamóveleinteraçãohomem-máquina.
Energia e Propulsão–Aspectosrelacionados aprojeto,modela­gem­
esimulaçãodesistemasdepropulsãoeconversãodeenergia,einterações
energéticas entre sistemas para aumentar desempenho e eficiência.
Biomecânica –Desenvolvimentodemodelosbiomecânicosdossiste­
mas locomotor, cardiorrespiratório e termorregu­la­dor, aperfeiçoamento
de aparelhos de reabilitação, desenvolvimento de sistemas dinamomé­
tricos aplicados à biomecânica e análise da ergonomia veicular, conforto
ambiental e exercício físico.
Data de criação: 2007
Artigos publicados em periódicos: 137
Artigos publicados em congressos: 524
Mestres formados: 136
Alunos em formação Mestrado: 92
Docentes: 23
Engenharia Química
Os primeiros mestres na
área devem começar a
receber os títulos em 2016
omnovedocentesemregimede
dedicação integral ao Programa
deMestrado,aEngenhariaQuí-
mica foi o quarto curso da FEI a
terumProgramadePós-graduaçãoStricto
SensuaprovadopelaCAPES.Aautorização
foi dada no fim de 2013, com o
início das atividades do pro-
grama em 2014. Com duas
linhasdepesquisa:Petróleo,
Gás e Biocombustíveis, e
Processos Químicos e Bio-
tecnológicos, os estudos
desenvolvidos na Institui-
çãotêmtrazidoimportantes
resultados,principalmenteo
Prêmio Odebrecht Sustenta-
bilidadede2013.OPrograma
de Mestrado em Engenharia
Química da FEI é o único do
Estado de São Paulo que possui
C
uma linha de pesquisa institucionalizada
na área de Petróleo, Gás e Biocombustí-
veis,oqueéumdosdiferenciais.Jáalinha
de Processos Químicos e Biotecnológicos
contempla fundamentos da Engenharia
Química, incluindo nanotecnologia e
bioprocessos. As linhas de pesquisa do
programa alinham-se com as demandas
dasindústriasdoABCPaulistaporconhe-
cimento científico e recursos humanos
em pesquisa aplicada e, nacionalmente,
com as áreas de Biotecnologia e Petróleo,
Gás e Biocombus­tíveis, definidas como
estratégicas pelo governo federal, sendo
também temas prioritários do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) e in-
seridosnaPolíticaIndustrial,Tecnológica
e de Comércio Exterior (PITCE).
Embora seja o caçula no mestrado,
o primeiro projeto de pesquisa do Cen-
tro Universitário da FEI aprovado pela
FAPESP, logo que a Instituição se trans-
formou em Centro Universitário, veio da
Engenharia Química. Intitulado ‘Estudo
Experimental e Modelagem do Efeito da
Hidratação Hidrofóbica e da Interação
Hidrofóbica sobre o Volume molar Ex-
cesso de Soluções Líquidas de
Água-Aminas a Diferentes
Temperaturas e Pressão
Atmos­férica’, o projeto de
autoriadoprofessordoutor
Ricardo Belchior Tôrres, chefe
do Departamento de Engenharia
Química e coordenador do Programa de
Mestrado, foi contemplado em 2005 pelo
programa Jovem Pesquisador FAPESP.
“Na época, eu era professor aulista na FEI
e,comaaprovaçãodoprojeto,fuiconvida-
do a desenvolver as minhas pesquisas no
CentroUniversitário,institucionalizando
uma linha de pesquisa em Termodinâmi­
ca Química no nosso departamento”,
relata o docente, que assumiu a chefia
do Departamento de Engenharia Quími­
bomboman/istockphoto.com
3333
é o mestrado mais novo
ca em 2010. No mesmo ano, um novo
projeto coordenado pelo professor e com
financiamento da FAPESP instituiu uma
linha de pesquisa em Líquidos Iônicos no
departamento.
Atualmente, três projetos estão em
execução com financiamento de órgãos
de fomento. Um deles recebe auxílio fi-
nanceiro da FAPESP e tem como objetivo
o estudo de propriedades interfaciais de
asfaltenos do petróleo na presença de
surfactantes etoxilados convencionais e
álcoois intermediários, coordenado pelo
professor Ronaldo Gonçalves dos Santos.
Osoutrosdoisestudosestãorelacionados
com química verde e a química de orga-
nocatálise, coordenados pelo professor
Áreas de concentração/Linhas de pesquisa
Processos Químicos e Biotecnológicos
Esta linha de pesquisa tem como objetivo a análise, o dimensionamen­
to e a integração de processos químicos e biotecnológicos através de
estudo experimental, modelagem, simulação, otimização e controle
de processos.
Pós-graduação
RodrigoCella,comfinanciamento,respec-
tivamente, da FAPESP e do CNPq.
Assim como os demais programas de
pós-graduaçãostrictosensudaFEI,omes-
trado em Engenharia Química tem ativi-
dadestambémnoperíodonoturno,oque
permiteaparticipaçãodeprofissionaisdo
setor produtivo. Hoje, o mestrado tem 16
alunos e, desses, apenas dois não atuam
na indústria. “Quando a pós-­graduação
consegue atrair profissionais das grandes
indústrias ampliam-se as chances de se
desenvolver projetos inovadores ligados
ao setor produtivo, o que é fundamental
para o desenvolvimento do País”, avalia
o coordenador, ao lembrar que o Brasil
ainda absorve poucos mestres e doutores
no setor produtivo, mas essa realidade
tende a mudar nos próximos anos.
Recentemente,oProgramadeMestra-
do em Engenharia Química ganhou dois
novoslaboratórios–CatáliseeMultiusuá-
rio – com equipamentos de ponta funda-
mentais para os estudos dos projetos em
andamento. “Muitas universidades pú-
blicas brasileiras de renome não possuem
equipamentos e infraestrutura como os
nossos, o que é importante para qualifi-
car a pós-graduação da FEI”, informa, ao
adiantarqueoutroslaboratóriosestãoem
fasedeprojetos.OProgramadeMestrado
em Engenharia Química não é voltado
apenas para enge­nheiros químicos, mas
tambémparaprofissionaisqueatuamem
atividades correlatas, e tem profissionais
com formação em Química e em outras
áreas da Engenharia. Os primeiros mes-
tres em Engenharia Química deverão ser
formados em fevereiro de 2016.
Crescimento
Segundo a Associação Brasileira da
Indústria Química (Abiquim), o Brasil
deverá investir, nos próximos anos,
US$ 120 bilhões para colocar a indústria
química brasileira entre as cinco maiores
no mundo. O Brasil também deverá atin-
gir a soberania na área do petróleo, com
previsão de aumento na produção prove-
niente, principalmente, do pré-sal. Em
2014, a produção brasileira de petróleo
e gás aumentou em mais de 6% e quatro
novasunidadesdeproduçãoentraramem
operação.Ametadeproduçãodepetróleo,
estabelecida pela Petrobras para 2015, é
de 2,1 milhões de barris de óleo por dia.
Outra expectativa é que o Brasil se torne
uma grande referência mundial na área
de bioenergia, sobretudo com a produção
de biocombustíveis. “Ninguém detém a
tecnologia de produção de etanol em es-
cala industrial a partir da cana-de-açúcar
como o Brasil. Grandes investimentos
em pesquisas e desenvolvimento foram
realizadosnessaáreanasúltimasdécadas
no nosso País”, afirma o docente da FEI.
Professor doutor Ricardo Belchior Tôrres
Petróleo, Gás e Biocombustíveis
O objetivo desta linha de pesquisa é a geração de conhecimento técnico­‑­
científico eaformação dere­cursoshumanosemprocessosindustriaisna
áreadepetró­leo,­­gásebiocombustíveis,atravésdeestudoexperimental,
modelagem, simulação, otimização e controle desses processos.
Data de criação: 2013
Alunos em formação: 16
Docentes: 9
ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
Sustentabilidade – Esta linha de pesquisa busca constituir
uma base de conhecimentos e desenvolver modelos sobre
inovação e sustentabilidade, de forma a que as organizações
possamcumprirseusobjetivoseconômicos,sociaiseambientais,
integrando estas variáveis no processo de tomada de decisão.
EstratégiasdeMercadoeCompetitividade–Estalinha
depesquisafocaadinâmicadosmercadosconsumidor,industrial
Linhas de pesquisa na área
História com sucesso na
Publicações científicas
conceituadas colocam o
programa entre os mais
relevantes na área no Brasil
serviram de inspiração dois programas
stricto sensu reconhecidos no mercado:
o da Faculdade de Economia, Adminis-
tração e Contabilidade da Universidade
de São Paulo (FEA/USP) e o da Escola de
Administração de Empresas de São Paulo,
mantida pela Fundação Getúlio Vargas
(EAESP/FGV). “Estes cursos existem há
váriasdécadasesãofortesemnívelnacio-
nal”, complementa. A formação do corpo
docente também foi uma preocupação da
FEI,porissofoidadaprioridadeadoutores
com sólida base acadêmica e inserção in-
ternacional.Comoresultadodapolíticade
excelência adotada, o primeiro mestre em
Administraçãoconcluiuocursoem2008e,
em2010,oprogramapassoupelaprimeira
avaliação trienal feita pela CAPES. E, em
reconhecimento por sua excelência, teve
sua avaliação aumentada da nota 3 para a
nota 4, o que permitiu à Instituição pro-
por o curso de doutorado. A submissão e
aprovação da proposta ocorreram ainda
em2010e,em2011,começouoPrograma
de Doutorado em Administração na FEI.
“A história de sucesso do programa de
stricto sensu é reflexo do apoio que a FEI
concede desde a criação do mestrado, em
2006.Emfevereirodesteanochegamosao
númerode101alunosformados,sendo95
mestrese6doutores”,ressaltaoprofessor
doutorEdmilsonAlvesdeMoraes,coorde-
xcelência foi a palavra-chave que
conduziu o plano de desenvol-
vimento do Programa de Pós­
graduação Stricto Sensu de Admi-
nistração da FEI. A qualidade foi o ponto
inicialdaestrutura,daslinhasdepesquisa,
E
do corpo docente, do trabalho com os
alunosedapesquisaparaqueaInstituição
pudesse oferecer um curso reconhecido
no mercado pela competência na geração
de conhecimento e pesquisadores de alto
nível. A criação do projeto de mestrado e
o envio para aprovação da Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) ocorreu em 2006 e, por
tersidoaprovadonestemesmoano,oiní-
ciodocursoocorreunoprimeirosemestre
de 2007.
O professor doutor Theodoro Agosti-
nho Peters Filho, que foi chefe do Depar-
tamento de Administração e participou
daorganizaçãodoProgramadeMestrado,
afirmaque,porsetratardeumaáreadoco-
nhecimentoqueenvolvemuitasvertentes,
o desenvolvimento recebeu a colaboração
de toda a Instituição. “Tivemos ajuda
principalmente do então reitor do Centro
Universitário, o professor doutor Marcio
Rillo, que colaborou com sua experiência
de pesquisador reconhecido internacio-
nalmente. Houve troca de pensamentos e
ideiasbaseadosemsuaexpertiseetambém
pelofatodeterparticipadoativamenteda
criaçãodocursodemestradoemEngenha-
ria Elétrica”, acentua.
O docente informa que houve refe-
rência básica extraída das diretrizes da
CAPESe,inicialmente,também
Pós-graduação
alex-mit/istockphoto.com
de Gestão da Inovação
e de serviços em três perspectivas: o comportamento de consumidores
e clientes; o processo de entrega de produtos e serviços inovadores e
que gerem valor; a gestão estratégica de mercados. Esses temas são
abordadosnosdiversosmercadosdeconsumo,B2Beserviços.Háainda
interesseporalgunssetoresespecíficoscomoturismo,educaçãoesaúde.
Capacidades Organizacionais – Esta linha busca consolidar uma
base de conhecimentos que integre avanços das diversas escolas de
pensamento em Organizações, Estratégias e Inovação, possibilitando
o alinhamento entre tendências convergentes acerca do aumento da
complexidade ambiental, foco nos processos e nas capacidades de re­
combinação dos recursos internos e externos às organizações, impactos
da configuração de estratégias de inovação sobre o desempenho das
firmas e da importância do aprendizado organizacional de novos papéis
sociais e técnicas para o desenvolvimento de produtos, processos e
serviços competitivos.
O professor doutor Theodoro Agostinho Peters
Filho foi o primeiro chefe do departamento
O professor doutor Edmilson Alves de Moraes
é o coordenador do Programa de Pós-graduação
Administração
nador do Programa de Pós-graduação em
Administração desde 2009 e participante
da criação do projeto do stricto sensu. O
resultado do trabalho se mostra na traje-
tória de sucesso dos alunos, uma vez que
váriostiverampromoçõesimportantesnas
empresas em que trabalham, enquanto
outros migraram para a vida acadêmica,
inclusive sendo aprovados em concursos
paraprofessoresdeuniversidadesfederais.
Além disso, professores e alunos são
incentivadosapublicaremosresultadosde
suas pesquisas em revistas especializadas
ereconhecidasinternacionalmente.Como
resultado, somente no biênio 2013/2014
oprogramateveseistrabalhospublicados
em revistas com categoria Qualis CAPES
A1, o mais alto nível de publicação, o que
coloca a FEI entre os programas mais
relevantes em termos de geração de
conhecimento em Administração. A Ins-
tituição também se destaca pela parceria
com universidades do exterior, como a
Universidad de Alicante, da Espanha. “As
pesquisas realizadas na FEI, juntamente
com pesquisadores renomados, possibili-
tamacessoalocaisrestritoseaconteúdos
atuais e relevantes discutidos pelo mun-
do”, acrescenta o coordenador.
Reconhecimento
Osprofessoresdostrictosensutambém
se destacam pelos prêmios que recebem.
O mais recente foi concedido à professora
doutora Juliana Bonomi Santos, que ven-
ceuoPrêmioEmerald/EFMD2013,quere-
conheceasmelho­res­tesesdedoutoradodo
mundo. “O reconhecimento da qualidade
do programa da FEI também é percebido
pelo número de bolsas concedidas pela
CAPES e de financiamentos para projetos
de pesquisas aprovados por órgãos de fo-
mento como o CNPq e a FAPESP”, reforça­
o professor Edmilson de Moraes.
35ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 35
Data de criação: 2006
Artigos publicados em periódicos: 37
Trabalhos em anais: 42
Mestres formados: 95
Doutores formados: 6
Alunos em formação Mestrado: 36
Alunos em formação Doutorado: 25
Paulo Roberto Vidigal foi o primeiro doutor
O Programa de Pós-graduação Stricto
SensuemAdmi­nistraçãodaFEIpossuitrês
linhasdepesquisa:EstratégiasdeMercado
e Competitividade, Sustentabilidade e
Capacidades Organizacionais. O progra-
ma trata de temas relacionados tanto a
aspectos estratégicos da empresa, como
internacionalização,pesquisa,desenvolvi-
mento e inovação em manufatura e servi-
ços,egestãodacadeiadesuprimentos,até
assuntos relacionados com o impacto das
empresas sobre as pessoas e a sociedade,
entre eles trabalho escravo, segregação,
inclusão e empreendedorismo social. O
mestra­do tem 90% do público formado
por profissionais que atuam no mercado
de trabalho e com cargos elevados nas
empresas. Já o doutorado atrai, em sua
maioria,professoresdeuniversidadesque
visam conquistar o título e galgar vagas
em instituições federais. Este é o caso do
professordoutorRogérioScabimMorano,
Alunos do mercado e da academia
Pós-graduação
Rogério Scabim Morano: segundo doutor de ADM
Paulo Calabria: doutorado contribui com a carreira
docente do Departamento de Ciências
Exatas e da Terra da Universidade Federal
deSãoPaulo(Unifesp),segundodoutorem
Administração formado pela FEI.
Após anos como consultor de em-
presas, o engenheiro decidiu entrar na
vida acadêmica, iniciou o mestrado em
Administração em 2010 e passou a dar
aulas em duas instituições particulares de
ensino superior. Ao finalizar o mestrado,
ingressou no doutorado e, ainda como
aluno, participou do processo seletivo
da Unifesp garantindo o primeiro lugar
e ultrapassando candidatos que já eram
doutores e docentes. “Passei a me dedicar
integralmente à vida acadêmica. Com
o doutorado alcançamos a fronteira do
conhecimento e esse aprofundamento
colabora para uma aula na qual os alunos
aprendemmaisefetivamenteepodemter
contatocomprojetosdepesquisas.Porisso
é importante que as instituições reconhe-
çam e incentivem os professores a terem
o título de doutor”, acredita.
Para o professor doutor Paulo Roberto
Vidigal,primeirodoutorformadopelaFEI,
a especialização abre portas, pois trata-se
de um processo de complementação do
desenvolvimento da formação, do ponto
de vista teórico, com fundamentação
científica. “Com o título passei a dar aulas
de pós-graduação em Logística e Gestão
em Negócios em uma universidade parti-
cular”, explica. De acordo com o terceiro
doutorformadopeloCentroUniversitário,
Paulo Calabria, gerente de programas
sênior da IBM, o doutorado contribuiu
muito com sua carreira, porque passou a
terumpensamentocríticoemaisanalíti-
conodiaadia.“Comoconsequência,tenho
um papel mais ativo na empresa, maior
conhecimentoecapacidadedereso-
luçãodeproblemas.Meufocoagora
é fazer­parte de um dos centros de
pesquisaedesenvolvimentodaem-
presa em que atuo”, adianta.
ArquivopessoalArquivopessoal
E
ducação e Ciência: investimento
ou despesa? Atualmente, há um
grande debate em torno desta
questão, especialmente no Brasil,
que deve se refletir na quantidade de
recursos destinados às pesquisas – sejam
institucionaisouprivadas–nospróximos
20 anos. Atualmente, o País só participa
de 2,7% de toda a produção científica
mundial, indexada na base de dados do
International Statistics Institute (ISI) –
2013. Com uma apresentação sobre este
tema, o Centro Universitário da FEI deu
início às aulas de mestrado e doutorado
desteano,comapresençadeprofessores,
pesquisadores e alunos.
“O Brasil só mudará se entender que
educação e ciência são investimentos que
levam tempo para dar retorno”, desabafa
a professora doutora Helena Bonciani
Nader,presidentedaSociedadeBrasileira
para o Progresso da Ciência (SBPC), que
ministrou a Aula Magna dos cursos de
pós-graduação stricto sensu da FEI, em 1º
Aula Magna aborda educação e ciência
Presidente da SBPC abre
cursos do Programa de
Pós-graduação da FEI
de março de 2015, 10 anos depois da aula
que inaugurou o primeiro mestrado da
Instituição.Paraadocente,seoPaísconti-
nuar olhando para a ciência apenas como
despesa, com uma visão linear, demorará
aindamaisparachegarpróximodeoutros
países em termos de pesquisa científica.
A docente lembra que os órgãos de fo-
mentobrasileirosforamfundadossomen-
teapartirdadécadade1950–oConselho
Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq) foi o primeiro, em
1951, seguido da Fundação de Amparo à
PesquisadoEstadodeSãoPaulo(Fapesp),
em 1962, e da Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep), em 1967 –, e a própria
SBPC, de 1948, é 100 anos mais jovem
quesuacoirmãnorte-americana.“Temos
muito que correr para nos equipararmos
ao resto do mundo e é fundamental que
empresas, instituições de ensino e gover-
nos entendam que ciência e tecnologia
são um instrumento fundamental para a
inclusão social e econômica. Parabenizo
a FEI pela sua história na educação e por
acreditar na ciência e estimular a pesqui-
sa”, enfatiza.
A partir da 4ª Conferência Nacional
da SBPC, que reuniu 4 mil participantes
em 2010, os cientistas brasileiros traça-
ram as metas para os próximos 20 anos.
Entre as ações estão revisão dos manuais
de marcos legais, troca de experiência
com outros países e mudança no sistema
de pregão para compra de insumos para
pesquisas. “Não se pode comprar insu-
mos de ciência, tecnologia e inovação em
pregão eletrônico”, ressalta a docente. As
recomendações abrangem todas as áreas,
até mesmo aquelas nas quais o Brasil se
destaca, como segurança alimentar, ge-
noma humano e petróleo, por exemplo.
Recursos
A presidente da SBPC lamenta que
o Brasil tenha começado a diminuir os
recursos para ciência e tecnologia nos
últimos anos, que culminou com recente
cortede30%nofomentopúblico,eacres-
centa que é preciso mudar o conceito de
que o Estado deve prover tudo. Embora
em São Paulo o investimento privado
seja de 75% em relação ao público para
ciência e tecnologia, nos demais estados
os recursos privados são irrelevantes. “O
número de publicações em periódicos
indexadoseoimpactodessaspublicações
têmaumentado,noentanto,temosmuito
aindaparamelhorar,eseminvestimentos
contínuos aumentam as dificuldades.
O mundo não está parado esperando o
Brasil chegar”, enfatiza.
Professores doutores e alunos dos cursos stricto sensu assistem à palestra da professora doutora Helena Bonciani Nader
37ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 37
Conhecimento em prol
Pesquisadores do Centro Universitário
da FEI também desenvolvem estudos
direcionados ao bem-estar social
D
entro das linhas de pesquisa dos programas de mestra-
do e doutorado do Centro Universitário da FEI, muitos
estudospossuemforteviéssocial.Naáreadasaúde,por
exemplo,osprojetosrefletemapreocupaçãodospesqui-
sadores com o bem-estar dos pacientes por meio de tecnologias
que colaboram com diagnósticos e tratamentos, melhoram o
atendimento médico e, ainda, possibilitam melhor con-
trole de centros cirúrgicos e prontuários. Na área da
mobilidade, estudos visam melhorar o dia a dia de
pessoasquetêmalgumadeficiênciaoudificulda-
de de locomoção. Já a expertise na área de reco-
nhecimento de padrões em imagens permite
à FEI desenvolver tecnologias que colaboram
com o trabalho de órgãos governamentais e
nãogovernamentaisparaidentificarpessoas
desaparecidas.
Com foco na mobilidade, dois projetos coordenados pelo pro-
fessor doutor Marko Ackermann, do mestrado em Engenharia
Mecânica, aliam a tecnologia à qualidade de vida para auxiliar
pessoas com problemas de locomoção. O estudo ‘Modelagem e
Simulações de Marcha Tipo Pendular com Muletas Convencio-
nais e Elásticas’ visa transformar a muleta convencional, que há
décadas não recebe atualização, em um objeto mais confortável,
evitandooriscoaosusuáriosdedesenvolvertrombose,aneurisma
e paralisia por pressionamento de feixes nervosos que passam
pelas axilas. Testes computacionais foram realizados para avaliar
valores apropriados de rigidez e os resultados demonstram que a
adiçãodemolalinearnoequipamentoreduzasforçasdeimpacto
transmitidas aos membros superiores no momento do impacto
com o solo.
Outrapesquisaorientadapelodocenterefere-seàmodelagem
biomecânica do cadeirante e da interação com a cadeira de rodas,
equipamento que também não tem evoluído ao longo dos anos
e tende a ocasionar problemas nos ombros do usuário, devido
à sobrecarga nos braços. Para reduzir o esforço e proporcionar
maior conforto para o uso da cadeira de rodas, uma das propos-
tas é inserir um câmbio no equipamento, nos moldes usados em
bicicletas, para que o cadeirante possa selecionar a marcha ideal
paraaclivesedeclives.Outrapropostaéautilizaçãodepropulsão
assistida em cadeiras de rodas manuais por meio de motores.
Este trabalho insere-se em projeto aprovado pelo Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coorde-
nado pelo professor doutor Agenor de Toledo Fleury, coor-
denadordoProgramadePós-­graduação StrictoSensu em
Engenharia Mecânica da FEI até maio de 2015, com a
participaçãodeváriosprofessoresdosprogramasde
pós-graduação em Engenharia Mecânica e Elétrica.
A aprovação deste projeto originou a formação,
junto ao MCTI, de um Núcleo em Tecnologia
Assistiva na FEI.
Ainda voltado à saúde e ao bem-estar, pesqui-
sadores da FEI desenvolveram um software que
possibilita o atendimento mais ágil e eficiente de
pacientes de um hospital público. O projeto
‘Pesquisa Estatística Baseada no Acervo
Digital de Prontuário Médico do Pa-
ciente em Telemedicina Centrada no
Usuário (PEAD-­PMPT)’ digitalizou
21.124 prontuários científicos,
totalizandoumabasede343.863
kontur-vid/istockphoto.com
Responsabilidade Social
da sociedade
Esperança de voltar para casa
A busca por pessoas desaparecidas é um tema delicado que
envolve diferentes setores da sociedade, e a FEI passou a dar sua
contribuiçãopormeiodaelaboraçãodeumsistemacomputacionalde
modelagemereconhecimentodefaces.Oprojeto‘IntegraçãoTecno­
lógicaeInovaçãoparaIdentificaçãoePrevençãodoDesaparecimento
de Crianças e Adolescentes com Deficiência’ teve como objetivo criar
metodologias computacionais que utilizem a imagem do rosto para
fazer uma busca automática no banco de dados de desaparecidos. O
professor doutor Carlos Eduardo Thomaz, coordenador do Programa
de Pós-graduação Stricto Sensu em Engenharia Elétrica, é um dos
responsáveis pelo trabalho, que foi coordenado pela biomédica Gilka
Gattás,daFaculdadedeMedicinadaUSP(FMUSP),eintegraoprojeto
Caminho de Volta, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo (FAPESP).
AFEIjápesquisavacientificamenteessatecnologiaantesdaparce­
riae,noprojeto,foiresponsávelpelaáreadecomputação,trabalhando
na elaboração de um programa que permite a triagem no processo
de busca de desaparecidos. Para isso, o sistema formata as fotos das
criançasdesaparecidas,quesãocedidasporfamiliares,edaspessoas
encontradasemabrigosounasruas,eremoveosdefeitosencontrados
nas imagens, entre eles rasuras, iluminação e artefatos, como a chu­
peta. Com a imagem pronta,por meio de uma sequência demétodos
deprocessamentoereconhecimentodeimagens,oprogramapermite
a procura, entre as fotos do banco de desaparecidos, das faces que
maisseassemelhamcomasimagensformatadas.Osresultadosdesse
trabalho foram considerados relevantes para a definição das normas
deaquisiçãodefotografiasdigitalizadasdecriançaseadolescentesnas
instituições públicas estaduais de São Paulo, documentada no artigo
4º, parágrafo 1º, item 3, do decreto lei número 58.074, instituído em
2012 pelo governador do Estado de São Paulo.
Todos os estudos citados nesta reportagem foram publicados em detalhes nas edições 6, 13 e 19 da revista Domínio FEI, que estão disponíveis no site www.fei.edu.br.
imagens do Centro de Pesquisas em Pescoço e Cabeça do Com-
plexo Hospitalar Heliópolis, em São Paulo, facilitando o acesso
às informações dos pacientes e à pesquisa do histórico e das
doenças. Para suportar o sistema estão disponíveis 15 terabytes
de espaço de armazenamento e oito servidores, além de backup
para segurança dos dados. O sistema permite inclusão de novos
prontuários digitalizados ou inclusão de prontuários totalmente
digitais, sem a necessidade de arquivos em papel. Com coordena-
ção geral do professor doutor Plinio Thomaz Aquino Junior, do
Departamento de Ciência da Computação, o projeto tem verba
da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e parceria com a
empresa Volans Informática.
Também com objetivo de melhorar a eficiência do sistema
de atendimento a pacientes, o Departamento de Engenharia de
ProduçãodaFEIeoInstitutodoCoraçãodoHospitaldasClínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/
HC/FMUSP) fecharam um convênio de cooperação científica e
tecnológicaparaintercâmbiodeconhecimentotécnico-científico
entreprofessoresdaInstituiçãoepesquisadoresdohospital.Com
coordenação do professor doutor João Chang Junior, o convênio
engloba diferentes estudos que buscam excelência na progra-
mação cirúrgica, melhor ocupação dos leitos e salas, gestão dos
processosparaaprimorarosíndicesdequalidade,deatendimento
emortalidade,edesenvolvimentodemodelosparausoadequado
dosrecursosdisponíveis.Paraapráticadetodososprojetosestão
envolvidos professores e pesquisadores de ambas as instituições,
além de alunos de graduação, iniciação científica, mestrado e
doutorado da FEI.
Da esq.: Entre
as pesquisas de
biomecânica estão
a que trabalha
a evolução da
cadeira de rodas
e um estudo que
visa transformar
a muleta
convencional em
um equipamento
mais ergonômico
39abril a junho DE 2015 Domínio fEi
IPEI desenvolve pesquisas aplicadas
voltadas à indústria desde 1975
A
ntes mesmo de lançar os programas de pós-gradua-
ção stricto sensu, 10 anos atrás, o Centro Universi-
tário da FEI já desenvolvia projetos de pesquisa em
seus cursos de graduação, com registros que datam
de 1952, principalmente na área de Engenharia Química. A
partir da década de 1960, as pesquisas passaram a ter como
foco a aplicação de processos tecnológicos para o desenvol-
vimento de projetos por professores e alunos de diferentes
cursos. Na Engenharia Mecânica, por exemplo, foi construí-
do o carro X1, em 1962, para a primeira edição do Salão do
Automóvel de São Paulo; o Trem Aerodinâmico Leve de Alta
Velocidade (Talav), da década de 1970; e o avião Pégasus, no
início da década de 1990. No entanto, foi em 1975, com a
criaçãodoInstitutodePesquisaseEstudosIndustriais(IPEI),
que a Instituição passou a oferecer um suporte mais formal
à pesquisa, especialmente àquela direcionada às demandas
da indústria.
Hoje,40anosdepois,oIPEItrabalhafortementeparaapro-
ximarosetorprodutivoeaacademiapormeiodatransferência
detecnologia,apoiaopesquisadornoprocessodesubmissão,
contratação de convênio e prestação de contas, além de orga-
nizar palestras para disseminar conhecimentos relacionados
à área de inovação. Segundo o diretor do Instituto, professor
doutorVagnerBernalBarbeta,otipodepesquisadesenvolvida
pela FEI possui um foco diferenciado em relação à pesquisa
realizada no passado pelo IPEI, que traz como preocupação
fundamentalaconstruçãodeconhecimentoaliadaàaplicação.
“Comestamudançanoperfildapesquisaestamoscaminhando
para o chamado Quadrante de Pasteur, representação que se
diferenciaporqueuneoconhecimentocientíficocominteresse
naaplicaçãoprática.Éfundamentalterpesquisapura,quecria
umarcabouçodeconhecimentosqueirãoajudaradesenvolver
as pesquisas aplicadas, mas é necessário ter o equilíbrio para
avançar no conhecimento científico e, junto com isso, trazer
desenvolvimento tecnológico e inovação”, acrescenta.
Os programas de mestrado e doutorado iniciados há 10
anos colaboraram com a qualificação das pesquisas por aliar
o desenvolvimento tecnológico com a construção de conheci-
mento, que é a base dos sistemas de inovação. Além disso, os
grupos de pesquisas passaram a ser criados e geridos dentro
4040 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015
Em busca
Núcleo de Inovação Tecnológica
Com a promulgação da Lei de Inovação Tecnológica passou a ser obrigatória, em todas
as universidades públicas, a criação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), cujo papel é
proteger a propriedade intelectual da instituição de ensino, fomentar a cultura da inovação
e aproximar o setor produtivo da universidade por meio da transferência de tecnologia.
Embora o desenvolvimento deste núcleo seja opcional às instituições particulares, o Cen­
tro Universitário da FEI, por meio do IPEI, já é responsável pela execução de uma série
de atividades atribuídas ao NIT. No fim de 2014, o IPEI teve um projeto selecionado para
receber recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
para criar uma estrutura interna de um Núcleo de Inovação Tecnológica. O projeto, de dois
anos, prevê a concessão de bolsa e de verba de custeio com o compromisso de o Centro
Universitário dar continuidade às atividades após o fim do financiamento pelo órgão de
fomento. “O governo entende que vale a pena investir recurso público para a criação dos
NITs pois, de alguma forma, o que será produzido vai reverter em benefícios à sociedade.
Esperamos ter o NIT formalizado na FEI muito brevemente”, adianta o diretor do IPEI.
O professor doutor Vagner Bernal Barbeta
é diretor do Instituto de Pesquisas da FEI
41ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 41
da inovação há 40 anos
Especial
dos próprios departamentos de ensino e
isso contribuiu com a mudança da estru-
tura do Instituto, que antes contava com
um grupo de pesquisadores próprios nas
áreas de Engenharia Mecânica, Enge-
nharia Elétrica e Engenharia Química.
Agora, o IPEI trabalha para se tornar um
forte elo entre a academia e as empresas,
contribuindo para a inovação e a geração
de conhecimento. “O trabalho feito pelo
Instituto atualmente, na medida em que
se pensa em um projeto em parceria, não
tem como foco somente construir um
equipamento novo ou desenvolver uma
tecnologia, mas também criar um con-
junto de conhecimentos para avançar no
conhecimento científico. É um viés que
agregamuitomaisvaloraoqueestásendo
criado”, afirma o diretor.
Parcerias
Ao aproximar o setor produtivo da
academia, o IPEI colabora com as neces-
sidades das empresas, que não precisam
dispor de um especialista interno para
a solução de problemas tecnológicos e
encontram na FEI um parceiro para seus
projetos.Comessenovoperfil,oInstituto
fechou parcerias de longa duração com
empresas como Embraer, Vale, Scania e
Telefônica Vivo e, somente em 2014, os
trabalhos em conjunto resultaram na en-
trada de valores significativos em termos
de recursos para o desenvolvimento de
pesquisas. No mesmo ano foram realiza-
dos seis projetos de média duração e exe-
cutadasmuitasatividadesdeprestaçãode
serviços tecnológicos. Anualmente, 121
novos cadastros de clientes se somam às
mais de 2 mil empresas que já demanda-
ram serviços do IPEI.
“Este trabalho vai ao encontro da Lei
de Inovação Tecnológica, publicada em
2004, que incentiva as universidades a
atuarem cada vez mais de forma conjun-
ta com o setor produtivo. Hoje, muitos
editais de agências de fomento envolvem
necessariamente uma parceria com em-
presas, o que estimula as instituições de
ensino a realizarem pesquisas com vistas
aodesenvolvimentodenovastecnologias
e de inovação, colaborando para que as
universidades possam cumprir com uma
de suas funções sociais”, acrescenta o
professor Vagner Barbeta. Por meio do
escritório de apoio a projetos do IPEI
o Instituto colabora, ainda, para que o
pesquisador possa ficar mais focado nos
aspectostécnicosdoseuprojeto,enquan-
to a gestão administrativa que envolve
contratos,processosdecomprasepresta-
ção de contas fica sob a responsabilidade
do órgão.
O apoio se dá, também, na etapa
anterior ao início do desenvolvimento
do projeto, com a seleção e divulgação
de editais que possam ser de interesse
dos pesquisadores, assim como o apoio
na execução de questões burocráticas
envolvidas no processo de submissão de
propostaseandamentosnecessáriospara
ofinanciamentopelosórgãosdefomento.
Todo este conjunto de ações contribui
paraqueaculturadainovaçãopossafazer
parte do dia a dia da FEI e de seus grupos
de pesquisa. “Este trabalho de apoio e de
disseminação da cultura da inovação é
complementado por meio do IPEI InFoco,
pelo qual os diferentes atores envolvidos
no processo de inovação são convidados
a apresentarem sua visão sobre questões
relacionadas à pesquisa, ao desenvolvi-
mento e à inovação”, acentua o docente.
início dos estudos da robótica na FEI começaram a ser realizados na década de 1980
sob orientação dos professores Marcio Rillo e Tamio Shimizu, principalmente na área
de automação, robótica e visão industrial. No entanto, a minha contribuição para a
pesquisa em robótica na Instituição teve início no fim dos anos 1990, com a proposta de
construção de um robô móvel para participação na Competição Mundial de Futebol de
Robôs,aRoboCup.ApesardeoprimeirorobômóvelconstruídonaFEI,chamadocarinhosamentede
FEIoso, não ter participado de nenhuma competição, sua construção rendeu em 2001 os primeiros
artigos científicos publicados na área de robótica: um internacional, no RoboCup Symposium, e
um nacional, no III Encontro Nacional de Inteligência Artificial.
Mas a grande revolução na pesquisa em robótica se deu entre 2003 e 2004, por dois fatores.
Primeiro, o início das competições de futebol de robôs patrocinadas pelo IEEE Latin America e
pelaRoboCupFederation. Osegundogrande propulsordas pesquisas foiacriaçãodo curso depós-­
graduaçãoemEngenhariaElétrica,quandoalunosdemestradocomeçaramatrabalharemdiversas
áreas da robótica. Para participar da primeira competição de robôs, em 2003, foi construído um
time de futebol de robôs na categoria IEEE Very Small Size. Dois professores – eu e o Flavio Toni-
dandel–,alunosdemestradoedegraduaçãoemEngenhariaElétricaeEngenhariaMecânicafomos
os responsáveis pela primeira geração de robôs. Participamos de diversas competições nacionais:
Bauru em 2003, Salvador em 2004, São Luís em 2005 e Campo Grande em 2006. Fomos campeões
duas vezes, em 2004 e 2006. Junto com o sucesso nas competições, as publicações aumentaram e
os primeiros alunos do mestrado se formaram.
Com o grupo de pesquisa bem estabelecido e tendo sido campeões da categoria Very Small
e Simulação 2D, em 2008 estávamos prontos para um novo desafio: criar robôs para a categoria
RoboCup Small Size. Esta nova categoria constituiu um novo desafio, pois os robôs usados são
maiores, mais rápidos, exigindo maior coordenação entre os sistemas de controle, tomada de de-
cisão e visão computacional. Em 2009, participamos pela primeira vez do campeonato mundial, a
RoboCup World Soccer Competition, realizada na Áustria. A evolução dos robôs durante os anos
seguintes foi intensa. No início, os robôs eram protótipos quase caseiros, com o controle baseado
em processadores ARM-7 e uma estrutura elétrica simples. O robô existente hoje tem o controle
feito por um FPGA Xilinx Spartan 3, que executa um microcontrolador em software para controlar
a comunicação, os motores e os mecanismos de chute, integrando todas as funções do robô em
um mesmo chip. O resultado desta evolução foi ter vencido cinco vezes seguidas o campeonato
nacional e duas vezes o campeonato latino-americano.
Em2012,comaimplantaçãodocursodedoutoradoemEngenhariaElétricaaprovadopelaCAPES,
aInstituiçãoiniciapesquisaemumnovonível,queexigeodesenvolvimentodetrabalhosinovadores
emnívelmundial.Odesafiodeconstruirumtimederobôshumanoides,completamenteautônomos,
para participar da categoria RoboCup Humanoide, é o domínio perfeito para que os alunos de dou-
torado possam desenvolver seus trabalhos. O desenvolvimento de robôs humanoides se caracteriza
pelagrandeintegraçãoentreossistemasmecânicos,eletrônicos,decontroleeosoftwarepararealizar
desdeoprocessamentodasimagens,quepermiteaorobôverocampo,abolaeosoutrosjogadores,até
oraciocíniodealtonível,quevaidefiniraestratégiadotime.Otimederobôshumanoidesparticipou
pela primeira vez da competição mundial em 2014, tendo ficado entre os 16 melhores do mundo, e
se tornou campeão latino-americano neste mesmo ano. O resultado destes 10 anos de trabalho foi
o reconhecimento mundial da qualidade da pesquisa em robótica na FEI. Como consequência deste
reconhecimento, a FEI foi a principal organizadora do principal evento internacional na área de
competições robóticas: a RoboCup World Cup, em 2014. O futuro? Com quatro doutorandos, cinco
mestrandos e diversos alunos de iniciação científica trabalhando nos times de futebol de robôs da
FEI,esperamosaumentaremmuitoonúmeroeaqualidadedaspublicaçõesemrobóticageradaspelo
Centro Universitário. E, quem sabe, um dia ser campeão do mundo de futebol de robôs!
Professor doutor
Reinaldo Bianchi
Coordenador do
projeto RoboFEI
Centro
Universitário da FEI
A FEI e a evolução da
pesquisa robótica
O
42 Domínio fEi abril a junho DE 2015
Artigo
CADA PESSOA LIDA COM
O DINHEIRO DE UM JEITO.
COMO É O SEU?
Existem vários jeitos de lidar com o dinheiro. Por isso, o Santander,
em parceria com a It’s Noon, lançou o Conta Pra Mim,
um espaço para as pessoas contarem como se relacionam com
o dinheiro. Quem ouve as histórias aprende novas formas de
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ajudar outras pessoas, ainda pode ser remunerado por isso.
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0800-723-5007 (atendimento a pessoas com deficiência auditiva e de fala). SAC: 0800-762-7777;
Ouvidoria: 0800-726-0322 (ambos atendem também pessoas com deficiência auditiva e de fala).
Interview to Dominio FEI - edition no. 23 - Apr-Jun 2015

Interview to Dominio FEI - edition no. 23 - Apr-Jun 2015

  • 3.
    Professor doutor Fábio doPrado Reitor do Centro Universitário da FEI Caros parceiros, caros leitores, caros colaboradores 3ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 3 A última edição de nossa revista Domínio FEI foi habilmente introduzida pelas palavras do presidente de nossa Fundação Mantenedora – FEI, as quais gostaria de revisitar ao apresentar esta nova edição, comemorativa aos 10 anos de implantação do primeiro Programa de Pós-graduação Stricto Sensu da Instituição. Em sua conclu- são, Padre Theodoro Peters enfatiza: “Partilhando estas convicções, a comunidade acadêmica do Centro Universitário da FEI reafirma sua vocação inovadora desde a sua origem, ajudando na formação pessoal e profissional da juventude. (...) Inovadores nos estudos, nas pesquisas, nos laboratórios, projetos, protótipos e nas atitudes pessoais e profissionais, desenvolvendo as virtudes de atenção aos outros, consciência reta, cidadania clarividente, liderança perspicaz. Tornando-se facilitadores para o cami- nho a ser traçado, a pesquisa a ser implantada, a patente de produtos que só a pessoa formando-se bem é capaz de criar. Renovar a face da terra, transformar a sociedade, qualificar a vida é a autêntica Inovação, o projeto divino realizando-se pelas mãos e mentes humanas. Mãos à obra no atelier da Inovação. Mentes em busca das melhores opções”. Estas palavras refletem com precisão, embebidas em alegria e poesia, o espírito da FEI ao celebrar este importante marco de uma rica história de excelência no ensino, de valorização da extensão como diálogo imprescindível com a sociedade e da certeza­de que a pesquisa e a pós-graduação, nesta ordem, são irrenunciáveis para a boa formação e a geração de um conhecimento capaz de transformar social, econômica e tecnolo- gicamente o País. Esta última década, celebrada por nossa comunidade, representou um claro posicionamento institucional em favor da valorização de recursos humanos, da agregação de competências, da priorização de linhas de pesquisa estratégicas à sociedade, da publicação dos resultados das pesquisas e da transferência deste conhe­ cimento aos diversos setores sociais. Colhemos, com as estórias aqui contadas e os resultados aqui apresentados, os frutos de um projeto de desenvolvimento institucional pautado no valor da geração do conhecimento como elemento fundamental à qualificação do ensino e, consequente- mente, como um itinerário eficaz e eficiente de formar inovadores e empreendedores, mentes em busca das melhores opções e verdadeiros artesãos no atelier da inovação. Ao celebrar o sucesso do caminho trilhado e partilhá-lo com os nossos parceiros, reite­ ramos nosso compromisso social e nossa compreensão de que o futuro sustentável se fará por meio de um diálogo franco e frutífero entre todos os agentes econômicos, políticos e sociais, correspondendo à academia a nobre tarefa de favorecer esta articu- lação em vista da busca de solução para os reais desafios da sociedade e do indivíduo. Apreciem mais esse capítulo de nossa história, narrada por seus próprios realizadores, que aponta para um horizonte real de universidade e de inovação. Boa leitura a todos! Editorial
  • 4.
    Revista Domínio FEI Publicaçãodo Centro Universitário da FEI Centro Universitário da FEI Campus São Bernardo do Campo Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, 3972 – Bairro Assunção São Bernardo do Campo – SP – Brasil CEP 09850-901 ­– Tel: 55 11 4353-2901 Telefax: 55 11 4109-5994 Campus São Paulo Rua Tamandaré, 688 – Liberdade São Paulo – SP – Brasil – CEP 01525-000 Telefax: 55 11 3274-5200 Presidente Pe. Theodoro Paulo Severino Peters, S.J. Reitor Prof. Dr. Fábio do Prado Vice-reitor de Ensino e Pesquisa Prof. Dr. Marcelo Pavanello Vice-reitora de Extensão e Atividades Comunitárias Profª. Drª. Rivana Basso Fabbri Marino Conselho Editorial desta edição Professores doutores Ricardo Belchior Tôrres, Carlos Eduardo Thomaz e Vagner Barbeta Coordenação geral Andressa Fonseca Comunicação e Marketing da FEI Produção editorial e projeto gráfico Companhia de Imprensa Divisão Publicações Edição e coordenação de redação Adenilde Bringel (Mtb 16.649) Reportagem Adenilde Bringel, Elessandra Asevedo, Fabrício F. Bomfim (FEI) Fotos Arquivo FEI e Leonardo Britos Editoração eletrônica Marcelo Moraes Alvares Milena Bianchesi expediente Centro Universitário da FEI Instituição associada à ABRUC Tiragem: 18 mil exemplares www.fei.edu.br “Grato pelo envio da edição número 22 (Janei- ro a Março de 2015) da Domínio FEI. Um pre- sente e um apelo à inovação. Os reitores, com sua responsabilidade e incumbência do cargo (páginas 8-9) e os professores (páginas 10- 11), desde o locus da aprendizagem, abordam o tema da inovação sob ângulos diversos, mas complementares. A gestão da universidade, por um lado, e a didática, núcleo duro da Instituição (aprendizagem e pesquisa), por outro, clamam por uma reflexão consequente, eficaz e inadiá- vel. São conceitos de uma instituição medieval que requerem revisão orgânica e contínua para que sejam válidos, hoje, em periodicidade cada vez mais curta. Daí a necessidade de indicado- res que ajudem a examinar se estamos sendo a universidade necessária para hoje e logo mais, em horizonte sempre renovável. Parabéns pela coragem de abrir os olhos e encabeçar as an- tecipações imprescindíveis. Desejo-lhes todo êxito.” Antônio Gomes Pereira Administrador de Empresas “Gostaria de parabenizar a iniciativa e a quali- dade do conteúdo das entrevistas e reportagens da revista Domínio FEI, principalmente as rea- lizadas com ex-alunos atuando no mercado de trabalho, que tenho lido com frequência. Nestes meus anos de experiência profissional até aqui, incluindo minha atual posição na Boeing, tenho total certeza e reconheço o valor que o curso do Centro Universitário da FEI me trouxe, com uma formação acadêmica sensacional, especialmen- te nas disciplinas de Resistência dos Materiais.” Haroldo Chacon Engenharia Mecânica – Turma 2003 “Considero a revista Domínio FEI um veículo ex- celente para manter toda a família feiana atua- lizada sobre as atividades que ocorrem ou são desenvolvidas no domínio desta Instituição (em todas as suas especialidades) ou no cenário pro- fissional (pelos destaques de seus ex-alunos). Parabéns!” Estebam Rivero Engenharia Química – Turma 1966 Fale com a redação A equipe da revista Domínio FEI quer saber a sua opinião sobre a publicação, assim como receber sugestões e comentários. Escreva para Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, 3972, Bairro Assunção - S.B.Campo - SP CEP 09850-901, mande e-mail para redacao@fei.edu.br ou envie fax para o número (11) 4353-2901. Em virtude do espaço, não é possível publicar todas as cartas e e-mails recebidos. No entanto, nossa equipe agradece a atenção de todos os leitores que escreveram para a redação. As matérias publicadas nesta edição poderão ser reproduzidas, total ou parcialmente, desde que citada a fonte. Solicitamos que as reproduções de matérias sejam comunicadas antecipadamente à redação pelo e-mail redacao@fei.edu.br. Espaço do leitor 4 ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
  • 5.
    ENTREVISTA O engenheiro mecânicoLuiz Carlos Cabral fez carreira na área de ar condicionado e assumiu, em 2013, a presidência da unidade da multinacional japonesa Daikin no Brasil 22 18 DEstaque jovem • Ex-aluno de Ciência da Computação é diretor de soluções para Supply Chain na empresa de integração eletrônica Sintel DEstaques • Seminatec discute os avanços na área de dispositivos eletrônicos • Engenharia Elétrica ganha acreditação do sistema ARCU-SUL • Empresa Júnior FEI comemora 15 anos de existência com festa • Inova FEI no campus São Paulo premia os melhores trabalhos • Congresso Brasileiro de Cerâmica reúne especialistas na área • Portas Abertas apresenta Instituição a estudantes do ensino médio • Evento discute os caminhos para melhorar a mobilidade urbana 06 16 42 ARTIGO • Professor do Centro Universitário da FEI avalia a evolução da pesquisa em robótica, desde o começo dos anos 2000 responsabilidade social • Pesquisas desenvolvidas em diferentes cursos de pós-graduação stricto sensu da FEI visam atender a diferentes demandas sociais 38 especial • Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais (IPEI) desenvolve pesquisas básicas e aplicadas às indústrias desde 1975 40 Pós-graduação Centro Universitário da FEI comemora 10 anos de seu Programa de Pós-graduação Stricto Sensu com resultados considerados excelentes 5 Sumário ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
  • 6.
    s avanços alcançadosnas aplica- ções de semicondutores, micro e nanotecnologias já beneficiam praticamente todas­as áreas do conhecimento, além de fa­zerem parte do cotidiano de todas as pessoas por estarem presentesnoscelulares,nosautomóveis,na segurança e na saúde, entre muitos outros setores. Definida como estratégica pelo governo federal desde 2005, a área reúne estudos e projetos com semicondutores, dispositivos optoeletrônicos, sensores, micro e nanoestruturas, microssistemas, dispositivos e circuitos integrados. Para promover as pesquisas no seg- mento e permitir a interação entre re­pre­­ sentan­tes de indústria, academia, centros depesquisaedesenvolvimento,estudantes e pesquisadores, o Centro Universitário da FEI sediou, em abril, o X Workshop on Semi­conductors and Micro & Nano Tech- nology (Seminatec), encontro realizado pela segunda vez no campus São Bernardo do Campo da Instituição. Durante o semi- nárioforamdiscutidososúltimosavanços no setor, com apresentações de estudos que envolvem métodos de fabrica­ção e aspectos­relacionados a materiais e proje- tos, por meio de apresentação de pôsteres e palestras. Segundo o professor doutor Marcelo Antonio Pavanello, vice-reitor de Ensino e Pesquisa da FEI e coordenador geral do evento, o encontro anual permite que as instituições apresentem os trabalhos que estão desenvolvendo e favorece a troca de experiências,colaborandoparaestimularo desenvolvimentodeestudosconjuntosem áreas correlatas. “O Semina­tec possibilita, ainda, que estudantes que participam em diversosníveisdepesquisaconsigamassis- tirapalestrasdepesquisa­doresrenomados do País e do exterior, o que é muito raro porque, em geral, estes cientistas só se reúnememcongressosinternacionais.Isso demonstra a importância deste encontro na FEI”, enfatiza. O Centro Universitário se destaca na áreapelosdiversosestudosjádesenvolvi­dos ou em desenvolvimento, que apresen­tam aperfeiçoamentos e inovações­importan- tes. Parte desses estudos foi apresentada em forma de pôster no Semi­na­tec, de um total de 29 artigos de diferentes institui- ções. O professor doutor Salvador­Pinillos Gimenez e o doutoran­do em Enge­nharia Elétrica Leonardo Navarenho­de Souza Finoapresentaramoestudo‘OCTOLayout Variations as an Alternative to Mitigate TID Effects’, que avalia o estilo de leiaute octogonal de porta, intitulado­de OCTO, para a implementa­ção­de transistores de efeitodecampometal-óxido-­semicondutor (MOSFET) em circui­tos integrados, tanto analógicos como digitais, robustos aos efeitos das radiações io­nizantes. “Este pa- râmetro elétrico es­tá­­atrelado ao consumo depotênciadodispositivo,principalmente nacondiçãodestand-by,resultandonaeco- nomiadabateriaesuportando,inclusive,a miniatu­rizaçãodosdispositivoseletrônicos para aplicação em módulos eletrônicos automotivos, celulares e, principalmente, equipamentosmédicos,alémdeaplicações aeroespaciaisesatélitesartificiais”,explica Leonardo Fino. Oartigo‘MOS-BipolarPseudo-resistor Characterization – Circuit and Extraction Method’, do professor doutor Renato Gia­­co­mini e do professor doutorando Pedro Benko, apresenta um novo método para realizar a mensuração de resistência ôhmica de uma determinada topologia de circuito MOS-Bipolar, denominado pseudo-resistor, que apresenta valores ôhmicosextremamenteelevadosparauma faixaespecíficadetensãoaplicadaentreos seusterminais.Oobjetivofinaldotrabalho é a implantação de uma nova proposta de pré-amplificador para pré-­formatar sinais biopotenciais, ins­talado diretamente nos eletrodos-eletróli­tos, com um mínimo de componentes ex­ter­­nos. “Trata-se de um estudocomapli­caçãoemâmbitocomercial e social, pois a utilização em desenvol- vimentos de novos amplificadores para biopotenciaisdeveauxiliaremdiagnósticos médicosemonitoramentosclínicoecirúr- gico”, acen­tua o pesquisador Pedro Benko. Para melhorar o desempenho e agregar­funcionalidades aos equipamen­ tos­­­eletrôni­cos sem aumentar a área necessária é preciso reduzir as dimensões dos transistores. No entanto, quando há miniaturização dos transistores, o dispo- sitivo deixa de apresentar seu comporta- mento esperado e surgem diversos efeitos indesejáveis, denomi­nados short channel effects. O estudo ‘Short Channel Effects Comparison between Double and Triple Gate Junctionless Nanowire­Transistors’, doprofessordoutorMarceloPavanelloeda Avanços em dispositivos eletrônicos Centro Universitário sedia seminário internacional que reúne palestras e pôsteres sobre a área O Professor doutor Marcelo Antonio Pavanello, da FEI ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi6 Destaques
  • 7.
    Durante o Seminatechouve um workshop do INCT Namitec, projeto fomentado pelo CNPq, que apresentou o balanço sobre os quase cinco anos de atividades e conquistas do projeto, que vão desde a melhor integração entre os di­versos grupos de pesquisa até resultados pontuais. Composto por diversas ins­tituições, entre elas o Centro Universitá­rio da FEI, o INCT Namitec é referência na co­­munidade de micro e nano­eletrônica na­­cional e congregou o País inteiro em um esforço de sucesso na área. O INCT Namitec tem como objetivo fazer avan­ çar a pesquisa e o desenvolvimento de­sis­temas micro, nanoeletrônicos­e nanoeletromecânicos­in­teligentes para utilização em redes de sen­sores incorporados e sistemas autoajustados, entre outros, com aplica­ções em diferentes segmentos, como agri­cul­tura de precisão e telecomunicações. O instituto é composto por 124 pes­qui­sadores, sendo 46 contemplados com recursos do CNPq, e por 25 instituições de ensino espalhadas por 13 estados. O programa possui, ainda, cursos de cur­ta duração e especialização e é responsável pela formação de 250 mestres, 100 doutores e 250 participações em iniciação científica. “Colaboramos com equipes e empresas nacionais e­inter­nacionais de pesquisa. A tradição de cooperação internacional com empresas lo­cais demonstra o esforço na transferência de conhecimentos e de apoio para o desenvolvimento industrial do País”, explica o professor doutor Nilton Morimoto, da USP, um dos representantes do INCT. mestranda em Engenharia Elétrica Bruna Cardoso Paz faz uma análise quantitativa dessesefeitos,comparandoduasarquitetu- ras diferentes (porta dupla e porta tripla, ambas tridimensionais) de um tipo de transistor inovador denominado nanofio. Relevância Opro­­fessordou­torGustavoDalpian,da Uni­ver­­sidade Fe­deral do ABC, ministrou a­ palestra ‘Theory of­resistive switching in memristors’; e o pro­fes­sor doutor Ed­val­ San­tos, da Universi­dade Federal de Per­­ nam­­buco, o estudo ‘Smart sensor techno- logy for niche applications’. O professor doutorAntonioPetraglia,daUniversidade Federal do Rio de Janeiro, abordou o tra- balho ‘On-­chip­capacitance ratio measure­ ment­usingaswitched-­capacitorfilter’,eo profes­sor doutor Gilson Inácio Wirth, da Universi­da­deFe­­deraldoRioGrandedoSul, o­es­tudo ‘Reliability of MOS Devices and Cir­cuits’.­ O professor doutor Ed­­­mundo Gutiérrez Domínguez, do Ins­ti­­­tuto Na- cional de Astrofísica, Óptica y Elec­trónica, do México, ministrou a palestra ‘Thermo­ magneticeffectsinnanoscaledFET’s:cha- racterization, modelling and simulation’. Tambémforamapresentadostrabalhosda UniversidadedeSãoPauloedaUniversida- e semicondutores O professor doutor Edmundo Gutiérrez, do Ins­ti­­­tuto Nacional de Astrofísica, Óptica y Elec­trónica, do México, ministrou palestra durante o evento INCT Namitec de Estadual de Campinas, instituições que fizeram parte da organização. Na palestra daTektronix,empresaqueoferecesoluções de teste e me­dição, os destaques foram os desafios e as dificulda­des que os pes- quisadores enfren­tam ao fazer medições em baixa escala, como alto ampere, e as interferências­como ruído, temperatura, cabeamento e am­biente. Também foram apresentadosequipamentosetécnicaspara medições. “Como a FEI possui um centro depesquisacomequipamentosdemedição, é importante mostrar as aplicações e solu- ções”, explica Raphael Motta, engenheiro de aplicação da empresa. 7ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
  • 8.
    Entre os melhoresdo Mercosul Engenharia Elétrica é o terceiro curso do Centro Universitário certificado pelo Sistema ARCU-SUL O Sistema ARCU-SUL tem por objetivoestabelecerparâ­metros regionais de qualidade para cursos de ensino superior, a fim de garantir a melhoria contínua na formação universitária por meio da pro- moção do desenvolvimento educacional, econômico, social, político e cultural dos países que integram o Mercado Comum doSul(Mercosul).Ocursode Engenharia ElétricacomênfaseemTelecomunicações do Centro Univer­sitário da FEI é o mais recente da Instituição a conquistar o selo do Sistema de Acreditação Regional de Cursos Superiores dos Estados do Merco- sul e Estados Associados (Sistema ARCU-­ SUL). Em 2014, os cursos de Engenharia Mecânica e Engenharia Têxtil já haviam recebido a certificação, que atesta a qua- lidade acadêmica também na Argentina, Bolívia, Colômbia, Venezuela, no Chile, Paraguai e Uruguai. O reconhecimento é um parâmetro importante para a cooperação interna- cional com outras instituições de ensino superior, fomentando atividades cola- borativas e de mobilidade acadêmica de alunoseprofessorescomosdemaiscursos acreditadosnocontinente.“Acertificação será um atrativo para estudantes das nações do Mercosul que desejam cursar a graduação no Centro Universitário da FEI. Além disso, representa o reconhe­ cimento do governo brasileiro quanto à formação oferecida pelo curso de Enge- nharia Elétrica da Instituição”, afirma o professordoutorRenatoGiacomini,chefe doDepartamentodeEngenhariaElétrica, ao informar que há interesse de expandir aobtençãodeacreditaçõesinternacionais de qualidade para países como Canadá e Estados Unidos. Implantado em 2008, o Sistema ARCU-SUL outorga uma declaração de qualidade para a formação oferecida pe- las institui­ções de ensino superior, como recursoparareconhecimentoecredencia- mento das mesmas. Em 2009, o Sistema ARCU-SUL iniciou o primeiro ciclo para a acreditação dos cursos de Engenharia ministrados por universidades brasilei- ras. De adesão voluntária, a proposta permite a participação de instituições com, ao mínimo, 10 anos de existência, que desenvolvem atividades de ensino, pesquisa e extensão e participam do Sis- tema Nacional de Avaliação de Educação Superior (Sinaes), com conceito igual ou superior a 4. Oprocessodeacreditaçãocomeçacom a consideração de bons resultados alcan- çadosnoExameNacionaldeDesempenho de Estudantes (ENADE). Depois, o curso passa por uma avaliação rigorosa que inclui entrevistas com alunos, ex-alunos, corpo docente e pessoal técnico-admi- nistrativo. Além disso, uma comissão do InstitutoNacionaldeEstudosePesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), en- tidade reguladora desse processo no País, verifica junto a executivos do setor se as competênciasapresentadaspelosegressos estavamdeacordocomasnecessidadesdo mercado de trabalho. Destaques
  • 9.
    o ano 2000,quatro alunos da FEI tiveram a iniciativa de im- plantar uma empresa júnior no Centro Universitário, inspira- dos por outras instituições de ensino superior, motivados pela falta de uma interação maior com empresas durante a graduação e com objetivo de ter possi- bilidades de vivência empresarial. A ideia deu certo e, 15 anos depois, a Júnior FEI se orgulha de seu crescimento e por ter se tornado um potencializador de carreiras que contribui para que jovens universi- tários adquiram experiência corporativa antes mesmo de se candidatarem à pri- meira vagadeemprego.Paracelebraressa e outras conquistas, membros da atual Júnior FEI e ex-alunos que fizeram parte dahistóriadaempresasereuniramnodia 20 de março, no campus São Bernardo do Campo, para celebrar. Júnior FEI comemora 15 anos Celebração de aniversário envolve retrospectiva, festa e planejamento para a nova gestão da empresa A comemoração também foi marcada pela cerimônia de troca de gestão, quan- doosmembrosqueassumiramaempresa neste ano apresentaram as expectativas e metas para o biênio 2015/2016. Na celebração, os 15 anos de história da Júnior FEI foram contados por diversos membros e ex-alunos que fizeram parte da empresa, como o engenheiro civil Felipe Sigollo, primeiro presidente da empresa júnior – hoje secretário adjunto do governo do Estado de São Paulo – que ficou admirado com a evolução e com os resultados apresentados ao longo dos últimos anos. “Os números são impres- sionantes. Os alunos estão de parabéns e a FEI, que apoiou esse crescimento, também. Depois de 15 anos, ver esse pessoal entusiasmado, cheio de energia e motivação é muito gratificante”, destaca. O aluno do 10º ciclo de Engenharia de Produção,MarcelloDanelli,diretordeRe- cursos Humanos da Júnior FEI em 2012, contou como a experiência na empresa júnior foi determinante para entrar no mercado de trabalho. O engenheiro lem- braqueparticipoudeumprocessoseletivo em que apenas membros de empresas juniores poderiam se inscrever. “Acredito que o diferencial tenha sido todos os en- sinamentos que a Júnior FEI me propor- cionou ao longo dos dois anos e meio em que passei na empresa. Pude relatar não sóuma,masváriasexperiênciasedesafios profissionaisquevivencieiaquinaJúnior FEI, o que com certeza me ajudou a con- seguir a vaga”, acentua. Presidente da Júnior FEI em 2013 e 2014, Matheus Martin Garcia destacou, entre as conquistas de sua gestão, o re- conhecimento e o apoio que a FEI tem dado à Junior FEI e a seus projetos. “A confiança que a Instituição deposita em nós é muito importante. Só o fato de ceder o nome FEI, que é muito reconhe- cido, é um diferencial incrível que essa gestão conseguiu trabalhar bem e que contribuiu para o sucesso dos nossos projetos”, enfatiza, ao passar o bastão ao novo presidente, Luis Felipe Ulian, que assumiu a função. O jovem lembra que, independentemente do cargo que se assume, participar de uma empresa júnior é um diferencial no currículo, principalmente pelo fato de que os par- ticipantes aprendem e se desenvolvem dentro do perfil empreendedor que as empresas buscam. N 9ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
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    m uma açãoinédita no Brasil, o Centro Universitário da FEI e o Centro Paula Souza, que pertence aogovernodoEstadodeSãoPaulo, se uniram para premiar ideias inovadoras deprofessoresdeEscolasTécnicas(ETECs) quetinhamcomofocoainovaçãonaeduca­ ção.DivididonascategoriasEmpreendedo­ rismo, Sustentabilidade e Inovação, o prê­mio faz parte de um projeto com duas etapasposteriores,queenvolvemacriação de plataforma online que reunirá as ideias maisinovadoraseumcursodecapacitação para professores pré-selecionados. A cerimônia de premiação da primeira etapa do projeto, que é o reconhecimento pelas ideias inovadoras, foi realizada em 23 de abril no campus São Paulo da FEI. O reitor do Centro Universitário, professor doutorFábiodoPrado,destacaaimportân­ cia do prêmio como um divisor de águas FEI e Centro Paula Souza premiam Professores de escolas técnicas foram destaques em três categorias E em termos de parcerias por uma educação cada vez mais qualificada, que beneficia nãosóosagentesdaeducação,mas,princi­ palmente, os alunos. “Desejamos que essa iniciativa seja a primeira de muitas outras parcerias,equeoprêmiosirvadeestímulo para muitos outros professores que quei- ram aplicar inovações no ensino”, afirma. OpresidentedaFundaçãoEducacional­ Inaciana Padre Sabóia de Medeiros, man- tenedora do Centro Universitário da FEI, Padre Theodoro Peters, enfatiza que a parceria é uma celebração da inteligência humana,poissãoinstituiçõesquepossuem uma sinergia inovadora nos estudos, nas pesquisas, nos laboratórios, projetos e nas atitudes pessoais e profissionais. “Todos queremosdaronossotalentoparaajuven- tude,renovarafacedaterra,transformara sociedade,qualificaravida–queéaautên- ticainovação–,eessaparceriaéoprimeiro passo para essas realizações”, declara. Um dos idealizadores do prêmio, o professor doutor Edson Sadao, do Depar- tamentodeAdministraçãodaFEI–campus SãoPaulo,acrescentaqueainiciativaésem igual no País e deverá colaborar para a me- A ideia de utilizar o Quick Response – QR Code (Código de Res­ posta Rápida) em sala de aula foi o projeto idealizado pelo professor Alison da Rocha Alves, da ETEC zona sul – Extensão CEU (bairro Vila Rubi/SP), premiado com o primeiro lugar na categoria Inovação. No projeto ‘Ensinando com QR CODE’, o código de barras QR Code é disponibilizado pelo professor para que os alunos, usando aplicativos gratuitos, escaneiem o código através de aparelhos celulares e tablets. Após a decodificação, o código é direcionado a um conteúdo (textos, imagens, vídeos) cadastrado pelo docente. A tecnologia, que come­ çou a ser usada em 2014, proporciona um melhor aproveitamento do tempo do professor com o aluno, assim como mais interação no aprendizado. O idealizador lembra que essa iniciativa vem ressaltar e valorizar a relevância do papel e do trabalho do professor nos dias atuais, nem semprevalorizadocomodeveria,emumaépocademuitasmudanças, rápidas e constantes, e desafios novos, o que exige cada vez mais pes­ soaspreparadas,habilitadasecompetentes.“Essaspessoassetornam lhoria do ensino técnico no Estado de São Paulo,pormeiodoreconhecimentoedaca- pacitaçãodosprofessores.“Precisamoster professores preparados para dar o melhor em sala de aula. Este prêmio é apenas um catalizador para conhecer professores que já estão aplicando inovação na educação. Projetos vencedores envolvem diferentes ações preparadas, habilitadas e competentes com a colaboração de várias outras ao longo da vida, como familiares e, principalmente, professores. Agradeço e parabenizo a FEI e o Centro Paula Souza por essa parceria e iniciativa que valoriza e incentiva os professores a continuarem a fazer a diferençanavidadeseusalunos,plantandoasementedoconhecimento para amanhã florir mudança”, enfatiza. Na categoria Empreendedorismo, o vencedor foi o projeto do pro­ fessor do curso técnico em Administração da ETEC Gildo Marçal Bezerra Brandão (Perus/SP), Silvio Rodrigo dos Reis Prestar. Em seu projeto inti­ tulado ‘Criação, implantação e administração de empresa júnior’, alunos doensinomédioprestamserviçosdeconsultoriaadministrativa,contábil e logística a microempresas da região de Perus, bairro da zona norte de São Paulo, por meio de uma empresa júnior. “O projeto visa aprimorar a capacidade e habilidade gerencial, oratória e escrita dos alunos, e pro­ porcionar uma compreensão da vivência profissional, além de melhorar a gestão interna das empresas e o desenvolvimento econômico do bair­ ro”, explica o docente. 10 ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi Destaques
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    projetos inovadores Parabenizamosessesdocentesedesejamos queesteprêmiosejaoprimeirodemuitos”, reforçaocoordenadordoInovaPaulaSou­ za,OswaldoMassambani.Oeducadordes- taca queum dos pontos mais importantes para o desenvolvimento de um país é o investimento no capital humano. Por isso, quando se trata de educação, quanto mais se investe em professores melhores serão os alunos. Para a superintendente do Cen- troPauloSouza,LauraLaganá,ainiciativa provocada pela FEI é muito importante, principalmente por estimular os profes- sores a inovar, além de contribuir para a formação técnica e a inserção dos alunos no mercado de trabalho. “Agradecemos à FEI por essa parceria. Desejamos que esse projeto seja um estímulo para outras ins- tituições e professores que acreditam que a educação é o melhor caminho para uma sociedade ética”, acentua. Na categoria Sustentabilidade, o projeto da professora Silvia Helena Ferreira Pagliarini Zen Gorayeb, da ETEC José Martimiano da Silva, de Ri­ beirãoPreto,interiordeSãoPaulo,foiovencedor.“Aideiaébuscarapar­ ticipação solidária dos alunos na comunidade com a execução de tarefas deacordocomaáreadeestudo,pormeiodeumacampanhaparaajudar entidades assistenciais”, explica. Os estudantes do curso de Edificação, por exemplo, sugerem melhorias físicas, acessibilidade, orientações para economia de água e energia e plantio de árvores, enquanto os alunos do curso de Saúde Bucal ficam encarregados de desenvolver palestras para crianças, adolescentes e idosos. Os vencedores foram indicados por uma banca examinadora for­ mada por profissionais reconhecidos nas áreas de educação, empreen­ dedorismo, sustentabilidade e inovação: Camila Cheibub Figueiredo, assessora da presidência da Fundação Educar DPascoal; José Carlos Barbieri, professor da Escola de Administração de Empresas de São Pau­ lo, mantida pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV); Juliano Seabra, presidente executivo da empresa Endeavor; Marcus Alexandre Y. Salus­ se, empresário e doutorando em Empreendedorismo na EAESP-FGV; Maria Amélia Lopes Sampaio, assessora da presidência do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE); Ricardo Voltolini, presidente da em­ presa Ideia Sustentável; e Celso Fonseca, coordenador executivo do Observatório de Inovação da Universidade de São Paulo (USP). Próximos passos Em uma segunda etapa será criada uma plataforma online com os projetos premiados, que poderão ser compartilhados entre todos os professores da rede de ETECs em São Paulo. Na terceira etapa se­ rão ministrados cursos de capacitação para 40 professores da Grande São Paulo, inscritos no projeto e selecionados pelo Centro Universitá­ rio da FEI e pelo Centro Paula Souza, que participarão de 60 horas de apresentações e discussão das melhores práticas, seminários e work­ shops. “Os professores serão convidados a apresentar, ao final do curso,projetosdemelhoriaparaseuscolégios,eostrêsmelhoresvão receber prêmios em dinheiro”, completa o professor Edson Sadao. Da esq.: Os professores premiados Alison da Rocha Alves,Silvia Helena Ferreira Pagliarini Zen Gorayeb (de rosa) e Silvio Rodrigo dos Reis Prestar (mais alto) com o presidente da FEI, Padre Theodoro Peters, a superintendente do Centro Paula Souza, Laura Laganá, o reitor do Centro Universitário da FEI, professor doutor Fábio do Prado, e a vice-reitora Rivana Basso Fabbri Marino 11ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
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    CongressoBrasileirodeCerâmi- ca é omais antigo e importante evento do setor no Brasil e reú- ne representantes de diversos segmentos, como instituições de ensino e pesquisa, fabricantes de produtos cerâ- micosefornecedoresdematérias-primas, equipamentos e insumos. O encontro também é destinado à discussão dos úl- timos avanços na área e visa promover a interação dos diversos setores cerâmicos no Brasil. O Centro Universitário da FEI participadetodasasediçõesdocongresso com trabalhos de iniciação científica e dissertações de mestrado e, neste ano, foi copatrocinador do encontro, o que dá ainda mais visibilidade para a Instituição peranteacomunidadeceramistanacional e internacional. A59ªediçãofoirealizadaemmaio,em Sergipe, e abordou temas relacionados aos diversos segmentos da área, como cerâmica vermelha e de revestimento, vidros, refratários, cerâmica técnica, biocerâmica, nanotecnologia e novos materiais, entre outros. Também foram discutidos temas de interesse geral, entre os quais energia, meio ambiente, recursos minerais, inovação tecnológica, qualidade, ensino, recursos humanos e panoramas setoriais. O encontro reuniu pesquisadores de todo o Brasil e de vários países, como Suíça, Espanha, Portugal e Japão, que participaram de palestras, sessões orais e apresentação de pôsteres. Cerca de 50 trabalhos orais e 500 na for- ma de pôster foram apresentados, assim comopainéissobreasoportunidadespara osetorcerâmiconaáreadedefesaesobre mineração e matérias-primas cerâmicas. Cerâmica é foco de evento Centro Universitário participa como copatrocinador e apresenta quatro estudos O Também foram oferecidos três mini- cursos e realizadas duas plenárias, que abordaramostemas‘Biologicallyinspired compositesandceramicseBiocompatible and Antibacterial Phosphate Free Glass­ Ceramics for Medical Applications’. A FEI apresentou os trabalhos ‘Obtenção e caracterização de SnO2 dopado com Sr2+ via mistura de óxidos’, ‘Determinação do limite de resistência a flexão e módulo de Young da cerâmica composta por SnO2 dopado com 0,2% e 0,5% em mol de manganês’, ‘Avaliação da transformação mecanoquímica e hidrotérmica em um pó de alumina moído a úmido por análise térmicaemicroscopiaeletrônicadetrans- missão’ e ‘Conformação por gelcasting de blocosporososemonolíticosdebeta-TCP sintetizadoporprecipitaçãoviaúmida’,os dois últimos em parceria com a Universi- dade Federal do ABC (UFABC). Os professores doutores do Departa­ mento de Engenharia de Materiais do Centro Universitário da FEI, Fernando dosSantosOrtegaeGilbertoJoséPereira, que atuam diretamente na área de cerâ- mica, fizeram parte da comissão organi- zadora.“ComoaEngenhariadeMateriais é multidisciplinar, envolvendo uma forte interação com outras áreas, temos coo- peração de outros departamentos, como a Engenharia Mecânica e a Química, e tambémcomoutrasinstituições”,explica o professor Fernando dos Santos Ortega, que foi chair do congresso. O docente destaca que a FEI tem uma excelente infraestrutura na área de processamento demateriaiscerâmicosedecaracterização de propriedades e, naturalmente, essas característicasacabamresultandoemum forte trabalho de pesquisa com materiais cerâmicos. O professor doutor Fernando dos Santos Ortega foi chair do congresso Arquivopessoal 12 ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi Destaques
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    relação da FEIcom seus ex-alunos é marcada por orgu­ lho e saudosismo, adjetivos que compõem a história da Instituição e dos seus mais de 60 mil profissionais formados. E foi essa relação afetuosa que motivou mais de50ex-alunosavisitaremoscampiSãoBernardodoCampoeSão Paulo durante o FEI Portas Abertas, evento realizado anualmente com objetivo de apresentar o Centro Universitário e seus cursos e ofereceraopúblicoexternoaoportunidadedeconhecerainfraes- truturadoscampi,osprojetos,aspesquisaseainovação.Duranteo FEIPortasAbertas,osmaisde2milvisitantesquecircularampelos campiconheceramainfraestruturadelaboratóriosesalasdeaula, eparticiparamdasmaisde80atividadeseexperiênciasnoscursos deAdministração,CiênciadaComputaçãoeEngenharia.OPortas Abertas no campus São Bernardo do Campo, que está na sétima edição, recebeu estudantes do ensino médio de escolas públicas e particulares, cursinhos e escolas técnicas, muitos acompanhados dos pais, no dia 16 de maio. Um dos ex-alunos presentes era Vinícius Bianchi Soares, formado em Engenharia Química em 2011 e atual coordenador e professor do ensino médio e técnico da ETEC de Cubatão. O en- genheiro fez questão de compartilhar com seus alunos um pouco de tudo o que viveu na Instituição. Além de apresentar o universo acadêmico,ViníciusSoarestambémreencontrouprofessorescom quem teve aulas e conferiu as mudanças no campus. “Assim que fiquei sabendo do evento inscrevi a escola, porque gostaria muito que os alunos vivenciassem a experiência do dia a dia de uma fa- culdadee,principalmente,daFEI,quefoiaInstituiçãoresponsável pela minha formação profissional. É muito bom retornar a essa casaquetantomeensinou,reverprofessores,comoLuizNovazzie MaristhelaMarin,evercomoainfraestruturadaFEItemcrescido com novos laboratórios e prédios reformados”, destaca. Amauri Sid Vargas também viu no Portas Abertas a oportuni- dade de voltar à FEI, 21 anos depois de formado, e compartilhar comosfilhoseaesposaumpoucodessaexperiência.Formadoem O bom filho a casa torna Ex-alunos da FEI aproveitam o Portas Abertas para reviver bons momentos na Instituição A EngenhariaMecânicaAutomobilísticaem1994,oengenheirorela- ta que, ao andar pelo campus, flashes de memória foram surgindo e fazendo com que as boas lembranças – como o convívio com os colegaseprofessores–semisturassemcomasnãotãoboas–como as temidas P1, P2 e P3. “É interessante ver as mudanças na FEI. Prédiosreformados,laboratóriosque,naépocaemqueeuestuda- va, já eram condizentes e que, hoje, são infinitamente melhores. É um orgulho e uma alegria retornar a esta Instituição”, ressalta. São Paulo No dia 9 de maio, foi o campus São Paulo que abriu as portas para receber aproximadamente 200 visitantes, que participaram de diversas atividades focadas no curso de Administração. Os estudantes também visitaram a 17ª Feira de Empreendedorismo, que tem como objetivo desenvolver o espírito empreendedor e estimular a prática de negócios pelos alunos de Administração. Durante o evento, mais de 15 projetos foram apresentados. O engenheiro Amauri Sid Vargas trouxe a família para conhecer a FEI 13ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 13
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    PinkBadger/istockphoto.com Mobilidade com foconas bicicletas A inserção de ciclovias é um tema novo no País e ainda gera diferentes opiniões e pontos de vista O do consumidor com o comércio de rua. No entanto, para que a bicicleta seja aceita é preciso educar a sociedade para o compar- tilhamentodoespaçoeaconvivênciaentre ciclistas,pedestresemotoristas”,enfatiza. São Paulo possui um plano cicloviário que tem como meta implantar 465 km de ciclovias até dezembro de 2016 e, em 15 anos,disporde1500km.Hoje,omunicípio tem282,2km,masbuscaatransformação paraqueoprogramaalcanceseusobjetivos. Muitas travessias de rios, como pontes e viadutos, não foram construídas para pe- destres e ciclistas, havendo a necessidade deadequação,porisso,cincojáforamalte- radas e, até o próximo ano, serão mais 13. Para áreas que não comportam alteração serão construídas ciclopassarelas, sendo quatroaté2016e12até2030.“Oconceito principal da implantação é a sustentabili- dade,alémdeatenderademandaexistente de redução de ruído e poluentes”, explica Ronaldo Tonobohn, superintendente de planejamentodaCompanhiadeEngenha- ria de Tráfego (CET) de São Paulo. Na esfera da educação, o arquiteto e urbanista Ricardo Corrêa, sócio fundador da empresa de planejamento urbano TC UrbesecriadordamarcaUrbanaBicicletas, acreditaquesejanecessárioumtrabalhona mudança da cultura em relação à bicicleta no Brasil, que demanda um processo de aprendizado e transformação. Um dos pontospositivosdestacadoséqueaPolítica Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) agora também tem como foco o ciclista e, trânsitoéumdosmaioresproble- mas enfrentados pelas grandes cidades,quebuscamalternativas para facilitar o direito de ir e vir da população. No entanto, por falta de planejamentoeinvestimentonosmeiosde transporte público, como trens, metrôs e ônibus,boapartedosmoradoreséobrigada a se deslocar de moto e carro que, muitas vezes,transportamapenasumpassageiro. Em busca de soluções para essa questão, algumas metrópoles passaram a enxergar nabicicletaumaalternativaparadesafogar o trânsito, a exemplo de São Paulo, que investiu R$ 29 milhões para a implanta- ção de 142 km de ciclovias em 2014. Para debaterarelaçãodousodasbicicletascom a economia e a saúde, além da cultura do compartilhamento,oCentroUniversitário daFEIorganizou,emmaio, nocampusSão Paulo, o encontro Mobilidade Urbana em SP: ciclovias em debate. Oeventoabordouumaquestão­polêmi- ca e com grande resistência na sociedade, pois implica alterações e entendimento sobreaspolíticaspúblicasquepromovem a inclusão. Para o professor doutor Jac- quesDema­jorovic,doDepartamentode Administração da FEI, que organizou o de­bate, as ciclovias e a bicicleta não são a solução para a mobilida- de, mas não é possível melhorar a mobilidade em São Paulo sem incluí-las. “Trata-se de um meio de transporte que, além de tirar o carro da rua, amplia a relação A poluição e os acidentes são os fatores que mais interferem na decisão de mui­ tos que resolvem usar a bicicleta como meio de transporte. Por isso, a professora doutora Thais Mauad, do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), avaliou vantagens e desvantagens do uso da bicicleta para a saúde. Os acidentes com bicicletas costumam ocorrer mais frequentemente nas grandes cidades e nos fins de semana, sendo os ho­ mens e idosos as maiores vítimas. O trauma craniano corresponde a 40% das consequências e, em 2014, foram registrados 47 casos fatais na cidade de São Paulo. Em relação à poluição, como o ciclista respira mais vezes por minuto Benefícios comprovados para a saúde Destaques
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    Ronaldo Tonobohn, JoséRoberto de Toledo, Ricardo Corrêa, Thais Mauad e Jacques Demajorovic com isso, a bicicleta passou a ser relevan- te nos planos dos governos que querem acesso aos recursos federais. Segundooarquiteto,uma‘cidadeci­clá­ vel’ permite ao ciclista ir para todos os lu- garescomconfortoesegurança.Assim,no plano cicloviário é necessário ter um pla- nejamentodeinfraestrutura,deeducação e informação, orçamentário e de gestão. “Fatores como clima, relevo, arbo­ri­zação, história, perfil socioeconômico,­sistema viárioedensidadedemográficadevemser levados em consideração. Não existe um padrão universal e cada espaço precisa de umcritérioparaaimplantação”,acentua. O aumento das ciclovias também reflete em novas oportunidades no mercado de bicicletas,comoomodelochamadoe-bike, uma bicicleta elétrica que pode chegar a 25km/h na rua. Com apenas 25 quilos, a bicicleta suporta até três vezes seu peso e tem menor geração de carbono do que qualquer outro veículo de transporte. Adeptodae-bike,ojornalistaJoséRoberto deToledo,doportalEstadão,asseguraque custabemmenosqueumcarro–cercade U$S500–,tembaixamanutenção,éisen- tadeIPVAenãonecessitadecombustível, pois funciona com bateria. “Pelo fato de ser elétrica, o esforço do ciclista é bem menor e é possível andar em locais com ladeiras.Hoje,existem200milhõesdessas bicicletas na China e o mercado passou a enxergá-las como uma fonte de renda, tanto que fabricantes de bicicletas, auto- peças e automóveis já demonstraram o interesseeminvestirnonegócio”,afirma. Novidades Após o debate, a empresa Base Bike Storeofereceuumaoficinasobrecuidados comabicicleta,manutençãopreventivae importânciadeacessórioseequipamentos de segurança. Os participantes também conheceram o aplicativo desenvolvido porquatroalunosdo3ºciclodeAdminis­ tração, chamado Bora de Bike, que visa otimizar o uso das ciclovias por meio de informaçõessobrerotas,grupos,oficinas, clima,lojasespecializadas,estacionamen- tos e locais para aluguel. Um ex-aluno de Administração,apresentouoequipamen- to es.charger, que aproveita o movimento das pedaladas para gerar energia para carregarocelular(ouqualquer­dispositivo USB)emanterluzesdesegurançaacesas.­ que o motorista, a exposição aos poluentes é maior. No entanto, o risco de mortalidade atri­ buída à poluição para aqueles que pedalam entre 30 e 60 minutos por dia é de apenas 0,05%. Em contrapartida, o grande benefício do uso constante da bicicleta é a atividade física, uma vez que pedalar 30 minutos por dia atinge a meta estipulada de exercícios para manter a qualidade de vida e diminuir os riscos de diabetes, obesidade, osteoporose e depressão. “Um estudo mostrou que, embora o risco relacionado à poluição tire 21 dias de vida e os aci­ dentes fatais subtraiam sete dias, a atividade física proporcionada pelas pedaladas aumenta em oito meses a expectativa de vida. Na balança, o uso da bicicleta tem um ganho maior”, complementa a professora. O professor do Departamento de Fí­ si­­ca, Arthemio Aurélio Pompeo Ferrara, começou a dar aulas na antiga Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), em 1º de agosto de 1964 e, desde então, tem se dedicado à arte de ensinar. O professor coordenou o Departamento de Física desde a sua criação, em 1968, até 1997, quando foi indicado para coordenar a disciplina Mecânica Geral II. Desde 2002, coordena a disciplina Dinâ­ mica do Corpo Rígido. Para homenagear toda a dedicação e o empenho do docente, o Centro Universitário da FEI concedeu, em cerimônia no dia 6 de maio, o título de Professor Emérito, pelos 50 anos de serviços prestados ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária. “Em todas as disciplinas, o professor Arthe­­mio contribuiu para criar o padrão FEI de excelência, além de ter tido um papel importante na consolidação dos laborató­ rios de Física como elementos essenciais na formação em Engenharia”, destaca o coorde­ nador do Departamento de Física, professor doutor Roberto Baginski. Admirado pelos alunos e pelos colegas, o professor Arthemio Ferrara é autor de sete livros, que cobrem todas as áreas clássicas da Física e foram, por muitos anos, a bibliografia básica das disciplinas de Física da FEI. “A contribuição do professor Arthemio ajudou no crescimento de qualidade de nos­ sos estudantes, professores, pesquisadores, bem como dos antigos alunos, hoje profis­ sionais atuando em suas especialidades”, ressalta o presidente da FEI, Padre Theodoro Peters S.J. O reitor do Centro Universitário, professor doutor Fábio do Prado, lembra que a homenagem atesta o lastro de realiza­ ções em sua carreira de magistério, a larga contribuição ao Departamento de Física e à formação de engenheiros. Dedicação há 51 anos
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    A visãomultidisciplinarquesem- preacompanhouoprofissi­onal de Ciência daComputação Wanderlei Renato Rosa foi um dos requisitos fundamentais para que chegasse, aos 33 anos de idade, a diretor de soluções para Supply Chain na Sintel, maior empresa de integração eletrônica do setor automotivo na América do Sul. A organização oferece sistemas e ser- viços para gerenciar a relação entre as montadoras de automóveis e as cadeias produtivas, tem 175 colaboradores e mais de 600 clientes do setor automotivo global, atendidos por seus escritórios no Brasil, nos Estados Unidos, na Argentina e Bélgica. Formado em 2003 pelo Centro Uni- versitáriodaFEI,aamplaatuaçãonaárea e a abertura para novos conhecimentos e atribuições foram essenciais para que o profissional de Ciência da Computação pudesse acompanhar o desenvolvimento da empresa e se deslocasse da área tecno- lógica para a de negócios, ocupando um cargo de destaque. Em 2001, no começo do terceiro ciclo do curso de Ciência da Computação, Wanderlei Rosa enviou um currículo datilografado, por carta, à Sintel, após ver um anúncio de estágio emumjornal.“Foiaúnicaempresaparaa qualenvieiocurrículoejásepassaram14 anos desde então. Neste período, adquiri diferentes competências e consegui me manter constantemente atualizado com o mercado automotivo local e global”, explica o executivo. Profissional de Ciência da Computação formado em 2003 acompanha o crescimento da empresa De estagiário a diretor O primeiro cargo ocupado na compa- nhia foi de estagiário de desenvolvimen- to de software. Na época, a empresa era focadanacriaçãodesistemasparaosetor automotivo e tinha por volta de 35 cola- boradores. Já no primeiro ano, o então estudante conseguiu colocar em prática o que aprendia na FEI e, com base nos es- tudos, propôs um modelo diferente para o desenvolvimento de software, agregan- do inovação à empresa. Esta iniciativa foi um grande diferencial para o jovem estagiário e, no ano seguinte, Wanderlei Rosa foi efetivado como programador de sistemas. Em 2004, já graduado, tornou-se analista de sistemas e, em 2007,assumiuocargodecoordenadorde desenvolvimento de software. Em busca da excelên- cia, fez pós-gra- duação em Gestão de Projetos de Tec- nologia da Infor- mação e avançou nos estudos do segundo idioma, imprescindível para seu crescimento profissional. Neste meio tempo, a empresa come- çou a adquirir competências voltadas para consultoria, serviços e operação, e o profissional de Ciência da Computação trabalhou para se adaptar e migrar do desenvolvimento de software para o re- lacionamentocomocliente,usandomais o software pela funcionalidade do que pelo desenvolvimento. Em 2008, a Sintel iniciou o processo de internacionaliza- ção para conquistar mercados além das fronteiras brasileiras, e foi neste período que Wanderlei Rosa assumiu a posição de analista de negócios. Em 2012, foi convidado pela presidência da empresa para criar uma ‘vertical de negócios’ voltada ao Supply Chain automotivo e, assim, tornou-se diretor de soluções para o segmento. A partir daí, já com foco no desen- volvimento de negócios, Wanderlei Rosa passou a trabalhar no desenvolvimento de novas soluções para o mercado, com especial atenção para a operação dos clientes. “Passamos a compreender me- lhor o ambiente e o desafio de nossos clientes e vimos que poderíamos ir além seconectássemosossistemasaosproces- sos das empresas. Para isso, fizemos um forte movimento interno para criar esta nova capacitação à empresa, o que envol- veu muito estudo e dedicação de todos”, explica. Ainda na esfera de realizações, o executivo destaca a importante conquista do primeiro cliente nos Estados Unidos, em 2012, e na Europa, em 2013. Ao longo do tem- po, a Sintel foi adqui- rindo mais clientes e fatias de mercado, influenciada pelo crescimento do setor nos últimos anos e, assim como a em- presa, a carreira do ex-aluno da FEI foi se deslocando mais para a área de negócios. “Meu atual cargo é um desafio, pois exige conexão constante com o mercado auto- motivo global e capacidade de interlocu- ção com executivos de diversas partes do mundo. O grande papel da vertical de Supply Chain é trabalhar sempre na criação de valor, levando eficiência ope- racional para os clientes”, acrescenta. Por ter a carreira voltada para negócios globais, o executivo está constantemente participandodecursoseeventosdeespe- cialização em Supply Chain Management enocontextodomercadoautomotivo,no Brasil e no exterior. “O ex-aluno começou na empresa em 2001” Destaque Jovem 16 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015
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    na Sintel Destaque desdea graduação Ainda na faculdade, Wanderlei Rosa já buscava a inovação, tanto que, para a elaboração do traba- lho de conclusão de curso (TCC), desenvolveu com seus colegas Claudio Silva, Daniel Sonego e Dou- glas Navarro um sistema para auxiliar o ingresso dos portadores de deficiência visual e auditiva no mundo digital. Por meio da conversão de texto em voz e voz em texto, o usuário conseguia interagir enviando comandos e recebendo informações do computador e, com isso, passava a compartilhar conhecimentos e informações virtuais. Wanderlei Rosa destaca a satisfação no desenvolvimento do projeto, não apenas pelo desafio tecnológico envolvido, mas sobretudo pela oportunidade que tiveram de interagir com os deficientes e com- preender a real importância do projeto. “Fizemos pesquisas, testes e demonstrações em campo e pudemos sentir na prática o que é fazer algo com significado”, acentua. Por tratar-se de uma tecnologia inovadora fo- cada em ajudar pessoas e com forte cunho social, o projeto teve grande repercussão dentro da FEI, tornando-se referência. O trabalho também foi eleito o sexto melhor dentre os 18 projetos globais selecionados na feira International­Consumer Electronics Show (CES), realizada em Las Vegas, nosEstadosUnidos,emjaneirode2004.ParaWan- derlei Rosa, o resultado do projeto de conclusão de curso demonstra quanto o ensino na FEI vai além da questão técnica, uma vez que qualifica os alunos para o mercado de trabalho. “Por ser uma Instituição que mostra a im- portância do foco nos estudos e na disciplina, os alunos têm de conduzir o curso com seriedade e, em geral, carregam esse princípio para a vida profissional. A postura dos estudantes é um dos grandes diferenciais”, enfatiza, ao contar que já contratou alunos da FEI e é possível notar o foco, o comprometimento e o profissionalismo que possuem. O executivo lembra que a escolha pela Instituição aconteceu porque a FEI era uma refe- rência na área de Engenharia e, portanto, teria o mesmo padrão de qualidade no curso de Ciência da Computação, que era novo na época. 17ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
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    Entrevista – LuizCarlos Cabral mais eficientes. Assim, a Daikin tomou a decisão de vir para cá em 2011, muito em funçãodeoBrasilterestadoemevidência nos últimos anos, devido à Copa do Mun- do, às Olimpíadas de 2016 e até mesmo às obras do PAC. Os acionistas japoneses continuam acreditando no Brasil? Sim, acreditam. Na verdade, a Daikin estava muito consolidada no Japão, onde é líder isolada com a maioria esmaga- dora de market share, além de ser líder na Europa e em todos os países em que se estabelece. A empresa só não estava ainda nas Américas do Sul e do Norte. A Daikin adquiriu a McQuay e a Goodman e se estabeleceu nos Estados Unidos e, daí, decidiu vir para o Brasil e entrar em outros países emergentes, como Índia, Turquia, Chile e Argentina. Essa estra- tégia começou de uns cinco anos para cá. Comofoiqueumengenheirobrasilei- ro assumiu a presidência apenas dois anos depois que a empresa japonesa chegou ao Brasil? Eu também não sei. O que posso dizer é que tenho uma experiência de mercado dearcondicionadomuitogrande.Comecei minha carreira em 1989 na Carrier, que hojeéalídernoBrasilemarcondicionado, efiqueipor22anosnaempresa,ondetive umacarreiradesucesso.Conheçobastan- teomercadodearcondicionadoe,quando a Daikin decidiu se estabelecer no Brasil, o então presidente, que era um japonês, meprocurouparaserovice-presidentede distribuição, o que incluía vendas e mar- keting. E por que eu? Bem, os japoneses são bastante minuciosos nesse aspecto e, antes de entrar aqui, fizeram uma pes- quisa, visitaram instaladores, usuários de ar condicionado, enfim, uma série de pessoas relacionadas ao mercado. Como engenheiro mecânico Luiz Car- los Cabral, formado pela Facul- dade de Engenharia Industrial (hoje Centro Universitário da FEI) em 1989, construiu praticamente toda a carreira em uma única empresa de ar condicionado. Mas, em 2011, aceitou um convite para sair da zona de conforto e assumir a vice-presidência de distribui- ção da filial brasileira da multinacional japonesa Daikin, líder no setor na Ásia e na Europa, e que começava um processo de expansão de seus negócios para as Américas do Sul e do Norte. Há dois anos, o executivo encarou um novo desafio ao assumir a presidência da subsidiária japonesa no Brasil. Aos 49 anos de idade, o engenheiro trabalha para atender as expectativas dos acionistas japoneses e buscar a liderança no segmento, baseada naofertadeprodutoscomaltatecnologia e eficiência energética. A Daikin existe desde 1924, mas che- gouaoBrasilapenasem2011.Porque a demora em instalar-se por aqui? A Daikin é líder mundial em ar con- dicionado, mas é uma empresa japonesa e, tradicionalmente, por muito tempo o Japãoestevemuitofechadoesócomeçou aseabrirdeuns10anosparacá.ADaikin também era muito focada no mercado asiático: Japão, China, Tailândia e outros países, e na Europa, por algumas razões. Umadelaséserumaempresadeprodutos de alta tecnologia e muito mais eficientes e, por isso, o preço é mais alto se compa- rado com produtos que não usam esse tipo de tecnologia. Como o Brasil é um país emergente, esse tipo de produto, um pouco mais caro por ter mais tecnologia agregada, não tinha espaço por aqui. Mas isso está mudando bastante nos últimos anos, por conta da crise hídrica e da crise energética, que demandam produtos O tenho uma boa reputação nesse mercado e meu nome sempre vinha à tona – fiquei sabendo disso depois – eles resolveram me convidar para assumir o cargo. Fui contratado como vice-presidente, ligado aopresidente.Aprincípionãotinhamuito interesse, mas acabei me interessando por ser a Daikin, uma empresa muito respeitada no mundo. Acho que fiz um bom trabalho de 2011 a 2013 como vice-presidente, construí o time, porque opresidentequeestavaaquinãoconhecia o nosso mercado, e acabei sendo indicado para ser presidente. Sua expectativa era alcançar a pre- sidência da subsidiária brasileira? Quandofuicontratadoapromessaera essa, mas eu não acreditei. Na verdade, pensei que até poderia acontecer, mas em um futuro meio distante! E, para mim, foi uma surpresa, porque confiaram em mim em pouco tempo. Tenho orgulho de dizer que toda a estrutura foi construída por mim e pela equipe que eu criei aqui e achoqueissosooubemparaosjaponeses, acho que eles começaram a ver que, de fato, eu tenho um conhecimento muito grande de mercado. O time que coloquei aqui é muito respeitado também. Fico bastante feliz, honrado e admito que não é comum ter um presidente brasileiro em uma empresa japonesa. Mas estou aqui realizando o meu trabalho. Esse é mais um dos seus desafios à frente da presidência dos negócios no Brasil? Eu diria que não ser japonês é mais desafiador ainda, sem dúvida. É inegável que a forma de pensar do japonês é com- pletamente diferente do brasileiro. Não estou aqui para dizer quem está certo ou errado, mas é diferente. Confesso que so- fri bastante, e ainda sofro para aprender comomecomunicar.Equandoeufaloem Em busca da liderança 18 Domínio fEi ABRIL a junho DE 201518
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    comunicação não estoufalando de lin- guagem, mas na forma de fazer com que entendamoqueestáacontecendoaqui.O japonês é bem particular, está envolvido em tudo e quer saber de tudo, até por ser bastante nova essa expansão. Hoje, a Daikin é uma empresa japonesa que tem uma filial no Brasil, porque ainda não virou uma empresa de fato internacional. Estou aprendendo bastante com eles em como me comunicar e isso é um dos meus maioresdesafios;comomefazerentender, como fazer com que eles confiem naquilo que estamos fazendo, isso é essencial. Acho que estamos conseguindo. O Brasil vive um momento de crise hídrica, crise energética, crise eco- nômica. A Daikin continua otimista com o mercado brasileiro? Muito! Este ano vai ser bem difícil, é inegável, mas a empresa traçou estraté- gias de médio e longo prazo. Mesmo que enfrentemos algum problema neste ano, acreditamos muito no Brasil. A Daikin é uma empresa de tecnologia, uma empre- sa voltada para produtos eficientes e de baixo consumo de energia, e tudo leva a crer que o Brasil vai seguir nessa trilha, até por imposição das circunstâncias. Em momentosdecrisehídricaecriseelétrica, quanto mais tivermos produtos de baixo consumo, melhor. Acreditamos muito nisso e os sinais de mercado são muito positivos. Quando entrei na empresa, em 2011,arelaçãodeprodutosInverter–que são produtos com variador de frequência e mais eficientes – com os não Inverters, ou seja, produtos mais consumidores de energia, era de mais ou menos 5% do mercado residencial, que são os Split. Em 2014, esse mercado fechou em 35% e nossa estimativa é que, neste ano, 50% do mercado já seja de modelos Inverter. Em três ou quatro anos não deveremos em ar condicionado 19ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 19 “Tenho orgulho de dizer que toda a estrutura foi construída por mim e pela equipe que eu criei aqui...”
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    Entrevista – LuizCarlos Cabral “Nosso diretor comercial é feiano também e o que temos feito é apostar muito na formação de trainnes e estagiários.” 20 Domínio fEi ABRIL a junho DE 201520 ter mais produtos com compressores com velocidade fixa, só variável. Como a Daikinépioneiranessetipodetecnologia, porque inventou um produto chamado VRV com variador de frequência, que é supereficiente, acreditamos muito que o Brasil seja a bola da vez nessa questão de uso de produtos mais eficientes e, por dominarmos essa tecnologia, estamos na frente e achamos que temos muito que crescer aqui. No Brasil ainda não há o hábito de sistemasderefrigeraçãoemresidên- cias. Com isso, o mercado é imenso? Você tem toda razão. A penetração do ar condicionado no Brasil ainda é muito baixa, principalmente no mercado resi- dencial.Hoje,estimamosqueapenetração seja na ordem de 15%. Se for comparar comumpaísdesenvolvidoecomclimase- melhante, como a Austrália, a penetração éde80%.Portanto,temosumgapenorme a ser explorado no segmento residencial. Qual é o tamanho do mercado indus- trialparaarcondicionadonobrasil? Essemercadoérelativamentepequeno no Brasil, se comparado aos Estados Uni- dosouapaísescomasmesmasdimensões. Mas é um mercado que cresce ano a ano, que não está estagnado e cresce sempre maisdoquequalqueríndicemacroeconô- mico, por volta de 10% a 15%. Também é um mercado interessante e, neste caso, estamos atuando com máquinas impor- tadas dos Estados Unidos. Os dois segmentos são importantes? Sim, no entanto, a Daikin considera como carro-chefe o VRV, porque é um produto desenvolvido pela empresa que usa variador de frequência e volume de refrigerante variável, é bastante eco- nômico, principalmente para clientes que tenham ambientes compartimen- talizados, onde há muitas salas a serem climatizadas. O produto é muito inte- ressante porque dá para instalar apenas uma unidade externa e várias unidades internas. Acreditamos bastante no VRV pelo fato de a Daikin ser líder mundial e dominar, de fato, essa tecnologia. No entanto, apesar de termos um carinho especial pelo VRV, somos uma empresa de solução em ar condicionado, então, o que for necessário estamos aqui para produzir, para vender, para apresentar solução. ADaikindesenvolvetecnologiafora do Japão? Sim. O centro tecnológico no Japão é muito mais para VRV, mas os centros de desenvolvimento para produtos comer- ciais de grande porte ficam nos Estados Unidos, em Minneápolis, onde temos um centro de pesquisas. Apesar de o de- senvolvimento ser nos Estados Unidos, a engenhariaéjaponesa.Comoadquirimos a McQuay, usamos o que a empresa tinha de bom e incorporamos a engenharia japonesa. Acho que essa fusão é superin- teressante, essa mistura de tecnologias resulta em produtos diferenciados. Qual é o tamanho da unidade da dai- kin no Brasil? Temos cerca de 300 empregados na fábrica de Manaus e, nas filiais, onde fa- zemos sódistribuição,aproximadamente 150.Temosmuitosengenheiros,inclusive na área de vendas, porque são produtos muito mais ‘engenheirados’, como o VRV, que necessitam de uma venda técnica. Qual é o perfil do engenheiro que a Daikin busca em suas unidades ao redor do mundo? Não buscamos o engenheiro de pran- cheta, mas sim o engenheiro generalista. Acredito que a formação do engenheiro abre muito o leque, dá uma visão muito ampla, e o que buscamos é esse tipo de engenheiro, que saiba analisar, mas que, aomesmotempo,tenhaumavisãoampla de mercado. Nosso engenheiro precisa ter poder de análise, poder de decisão e uma visão administrativa muito grande também. E tem sido fácil para a empresa en- contrarengenheiroscomesseperfil no brasil? Não, é muito difícil. Nosso diretor comer­cial é feiano também e o que te- mos feito é apostar muito na formação de trainees e estagiários. Temos muita gente nova na empresa, que buscamos nas universidades, e tentamos formar aqui com essa visão de mercado, de ser mais generalista, de ser analítico, mas, ao mesmo tempo, administrador. Estamos criando uma escola dentro da Daikin em todos os níveis, não só para engenheiros de venda, mas para técnicos e instalado- res. Temos uma parceria com o SESI e da- mos aulas lá, além de fazer treinamentos constantes. Infelizmente, a mão de obra no Brasil ainda demanda de certa qualifi- cação,principalmenteparaprodutosmais sofisticados como é o nosso, com muita eletrônica embarcada. O senhor afirmou em uma entrevista em 2013 que a Daikin busca a lideran- ça neste mercado. Como estão esses planos? Continuamoscomessametaeanossa participação está no limiar da liderança em VRV. Em produtos importados, prin- cipalmente para a indústria, acredito que já somos o número dois, incomodando bastanteonúmeroum.Nãoalcançaremos a liderança geral em 2015, mas diria que, em mercados específicos, estamos atuan- do bem próximos disso.
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    “Temos de manter nossogrupo muito unido, porque é isso que faz a diferença.” 21ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 21 Comofoiatrajetóriadasuacarreira até assumir a presidência da Daikin? SoudaturmadeEngenhariaMecânica Plenaformadaem1989naFEI.Primeiro, fui estagiário na antiga Elevadores Villa- res,hojeAtlas,eem1988entreinaCarrier como estagiário. Depois de formado fui efetivado como engenheiro de vendas. Passei 22 anos na Carrier galgando pos- tos: comecei como engenheiro de vendas, depois fui gerente de vendas, gerente de contas nacionais, diretor comercial, de- pois diretor comercial e residencial. Saí da Carrier em 2011 e vim para a Daikin como vice-presidente. A Engenharia Mecânica foi uma es- colha pelo fato de o senhor gostar de carro? Na verdade, quando era menino eu tinhaumsonhodeconstruirmeupróprio carro. Queria montar meu carro e, com esse intuito, fui cursar Engenharia Me- cânica. Só que a vida nos prega algumas peçase,paramim,foiótimo.NaFEI,uma das matérias que eu mais tinha dificulda- de era Termodinâmica. Lembro até hoje que tivemos de fazer um projeto de um trocador de calor pela norma NEMA, nas aulas do professor Lage (Laercio Gomes Lage), que é o trocador de calor usado até hoje no equipamento de ar condicionado. E eu odiava aquilo; para mim era a pior matéria. E fui trabalhar exatamente na área de ar condicionado quando entrei na antiga Springer, que hoje é a Carrier. Veja como é a vida: comecei a ver trocador de calor de novo e hoje eu adoro isso. Essa é uma das suas melhores lem- branças dos tempos de faculdade? Diria que essa e as aulas de Mecânica de Fluidos, que também tem tudo a ver com ar condicionado e uso até hoje. E vem à minha cabeça a figura do Alemão (Raimundo Ferreira Ignacio), que era meu professor de Mecânica de Fluidos. O Alemão era um ex-feiano que todo mundo adorava. Outra boa lembrança que tenho é o professor Carlos Hein, que dava Ele- mentos de Máquinas aos sábados. Ele era muito engraçado. Normalmente, na P1 o pessoaliamuitomalnamatériadele,aí,na próximaaulaeledavaumsermãoemtodo mundo: “Poxa! Eu não acredito que vocês tiraram 1 nessa prova, enquanto meus alunos no segundo grau tiram 10! Ainda étempopessoal;vãofazerAdministração, vão fazer Economia, pelo amor de Deus!”. Lembro bastante disso. A formação humanista, que é tra- dição da FEI, o ajuda a ser um bom gestor de pessoas? Sem dúvida. Essa formação huma- nista é essencial. Para ser um gestor temos de ter esse lado humano, que é tão importante quanto o lado analítico, a tal da inteligência emocional, isso faz a diferença. Vemos bons engenheiros que não conseguem lidar com pessoas, e isso pode atrapalhar a carreira. Por que o senhor escolheu estudar na FEI? Eu morava na Cidade Ademar, próxi- mo ao Jardim Cupecê, e a FEI era relati- vamente próxima. Mas a minha escolha também é uma história interessante. Estudei em escola pública e tinha um professor de Química que era da FEI. Não lembro seu nome, mas ele sempre dizia que era da FEI e eu adorava ouvir aquilo, não sei porque, mas adorava. Eu também tinha conhecidos que estudavam na FEI e decidi prestar o vestibular na Instituição. Até hoje tenho contato com amigos que fiznaFEI,atéporquealgunseramamigos dobairro.Umdosmeusmelhoresamigos, que é o Denis, é ex-feiano e está no seg- mento de ar condicionado também. Emmeioatantosdesafios,o que o se- nhor faz para manter corpo e mente saudáveis? Procuroestarmuitocentrado,teruma inteligência emocional grande. Estamos apostando muito em produtividade, porque será um ano difícil, e estamos focadostambémemqualificaraspessoas, investindoemtreinamentoequalificação. Temos de manter nosso grupo muito unido, porque é isso que faz a diferença, e estarmuitopresentesnomercadodeuma forma que nos permita ser diferenciados. Para manter o corpo e a mente em forma procuro jogar tênis pela manhã, mesmo tendo de acordar de madrugada. Gosto muitodeesportes:futebol,tênis,corrida, andardebicicleta.Outrohobbyquetenho éirparaapraiaquasetodofimdesemana. Comprei uma prancha de stand-up paddle e estou praticando essa modalidade de esporte também. Isso alivia o estresse da semana, é uma delícia. Outro hobby que tenho é cozinhar. Fazer outras atividades que nos dão prazer alivia as tensões e nos faz acordar bem-dispostos e prontos para enfrentar todos os desafios. A vida fica mais leve assim.
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    FEI comemora 10 anosdo Programa de Pós-graduação Stricto Sensu Uma década na fro O s investimentos em ciência e tecnologia no Brasil têm ga- nhado incentivos importantes nas últimas décadas. Dados publicados na revista Nature em 2014 – uma das mais im- portantespublicaçõescientíficasdoplaneta–,indicamqueo investimento anual em pesquisas no País já chegam a R$ 59,4 bilhões (US$27bilhões),sesomadasasiniciativaspúblicaseprivadas.Segundo a revista, o Brasil é líder em publicações científicas na América Latina, commaisde40milem2013,emboraaindaestejalongedosnúmerosde paísesdesenvolvidos.OPaístambéméoúnicodocontinenteainvestir 1%doPIBempesquisaedesenvolvimento.Osfomentosparapesquisa são disponibilizados por agências como a Financiadora de Estudos e Projetos(FINEP),CoordenaçãodeAperfeiçoamentodePessoaldeNível Superior (CAPES) e Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Háexatamenteumadécada,oCentroUni- versitário da FEI passou a fazer parte desse seleto grupo que produz ciência no Brasil. Desde 2005, quando a CAPES aprovou o primeiro curso de mestrado em EngenhariaElétrica,aInstituição passou a investir fortemente para tornar-­se uma referência em pesquisa, nacional e inter- nacionalmente. A partir da expe- riência adquirida com o primeiro mestrado, o Centro Universitário lançou os stricto sensu de Engenharia Mecânica e de Administração, em 2007, e deEngenhariaQuímica,em2013.Paradar ainda mais oportunidades aos pesquisadores para irem além da fronteira do conhecimento, a FEI oferece o doutorado em Administração desde 2011, e em Engenharia Elétrica desde 2012, e trabalha para aprovação dos doutorados de Engenharia Mecânica e Química nos próximos anos. Todo o caminho percorrido na última década foi iniciado em 2002, quando a Fundação de Ciências Aplicadas (FCA), mantenedora dasfaculdadesisoladasEscolaSuperiordeAdministraçãodeNegócios (ESAN), Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e Faculdade de Informática (FCI), resolveu unir as três instituições e transformá-las no Centro Universitário da FEI. “O conceito era simples. O ensino de graduaçãoserialimitadosenãohouvessegeraçãodeconhecimentoem nível de pesquisa e pós-graduação, nessa ordem”, resume o professor doutor Fábio do Prado, reitor do Centro Universitário da FEI e que, em 2002, era o vice-reitor de Ensino e Pesquisa. Pós-graduação 2222 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015 alphaspirit/istockphoto.com
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    onteira do conhecimento Comos programas de pós-graduação stricto sensu, a FEI passou a ter docentes e professorespesquisadorestrabalhandoem conjunto, o que permite estender o inte- ressepelapesquisatambémparaosalunos da graduação, incentivados por meio do Programa de Iniciação Científica. Para o reitor, esse ambiente rico de inovação que envolve a graduação e a pós-graduação permite que as diferentes modalidades de pesquisa coabitem de forma harmoniosa. “Com isso, geramos o bom contágio e criamos a possibilidade de os estudantes expandirem os limites do conhecimento”, reforça. Para o professor doutor Marcelo An- tonio Pavanello, vice-reitor de Ensino e PesquisadoCentroUniversitáriodaFEI,a Instituiçãocompreendeessaduplafunção depropagaroconhecimentonagraduação e gerar conhecimento e inovação para um conjunto de opções e serviços com grande impacto social. “O que motiva os novos pesquisadores a continuar nesse caminho é acreditar na qualidade da pesquisa que desenvolvemos na FEI, com impacto nacional e internacional”, destaca. Com a maturidadeadquiridanaúltimadécada,o vice-reitor adianta que a Instituição quer ir muito mais longe, conquistando outros doutorados em todos os cursos. IndicadoreS Embora seja uma Instituição voltada à pesquisa em pós-graduação há apenas 10 anos, a FEI já colhe bons resultados em relação às publicações científicas e à apre- sentaçãodeestudosemeventosnacionais e internacionais. A cada semestre, cresce onúmerodepesquisadoresindicadoscom bolsasatribuídaspelosórgãosdefomento, de indicadores de densidade dos estudos produzidos na Instituição e de trabalhos de cunho internacional com inserção em periódicos de alto fator de impacto e com temas de relevância. O professor Marcelo Pavanelloressaltaqueacriaçãodenúcleos de pesquisa e agregação de novos pesqui- sadores estimula o aumento exponencial no fomento para os estudos, tanto para professores pesquisadores que desenvol- vem seus estudos em tempo integral e participam de eventos de peso nas áreas quanto para alunos de pós-graduação. Além de ter tido sucesso na busca de recursos com órgãos oficiais de fomen- to, a FEI também tem recebido verbas de empresas, inclusive para montagem de laboratórios com equipamentos de última geração, a exemplo dos que foram financiadospelaTelefônicaVivonaáreade Internet das Coisas, em 2014, e pela Ge- neral Motors, em 2012, com a instalação do Partners for the Advancement of Colla- borativeEngineeringEducation(PACE),um programa global que tem como objetivo fornecer treinamento aos estudantes por meio de software utilizados na criação de novosprodutosetecnologias.“Petrobrase Embraertambémsãograndesfomentado- res nas pesquisas da FEI, nas áreas de pe- tróleoegásedemotores,respectivamente. AInstituiçãojánasceucomesseviésparaa indústriaeprocuramosmanteressecírculo virtuosoquepermiteapesquisaaplicada”, afirma o vice-reitor Marcelo Pavanello. Com a criação, por parte do governo federal,demecanismoslegaisparaabusca de fomento, mais empresas privadas têm procuradoaFEIparadesenvolverparcerias junto ao Instituto de Estudos e Pesquisas Industriais(IPEI),queacabadecompletar 40anos(leiamaisnaspáginas40e41).Ape- sar das parcerias e das verbas de fomento, a FEI ainda investe parte expressiva de recursosparapesquisa,poracreditarnesse caminhoembuscadoconhecimentopleno, masestá à procura da autossuficiência em termos de financiamento para pesquisas. “O mercado e a sociedade já reconhecem a excelência do Centro Universitário, que trilhaumcaminhoseguroeresponsávelno ensino, na pesquisa e na extensão”, acres- centa o reitor Fábio do Prado, ao lembrar que todo esse itinerário começou a ser construído pelo primeiro reitor do Centro Universitário, o professor doutor Marcio Rillo,jáfalecido,equeapesquisatornou-se umcomplementoirrenunciáveldoensino naFEI,poispermiteaautoalimentaçãode docentes e alunos. Professor doutor Fábio do Prado: reitor da FEI 23ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 23 Professor doutor Marcelo Antonio Pavanello
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    Pós-graduação Mantenedora incentiva pesquisa Osinvestimentos da Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros (FEI), mantenedora do Centro Universitá- rio da FEI, nas áreas de pesquisa e extensão – que se somam à missão fundamental da Instituição, que é o ensino – têm sido focados na tecnologia e na gestão de ambientes e laboratórios especializados. O principal objetivo é oferecer os meios para que as pesquisas sejam realizadas com qualidade e pertinência, possibilitando que os projetos de mestrado e doutorado sejam trabalhados em todos os seus detalhes. “A pesquisa na Instituição consolida-­se pela qualidade das pessoas e dos projetos elaborados. Há uma sinergia buscando o ponto de equilíbrio. A qualificação é condição para a consolida- ção”, afirma o presidente da FEI, Padre Theodoro Peters, S.J., ao ressaltar que a lógica universitária tende a formar e consolidar as pessoas na busca do novo continuamente ao longo da vida, tanto acadêmica como profissional. O gestor acrescenta que a FEI não se contenta em ser excelente na avaliação interna e, por isso, busca continuamente a avaliação externa, nacional e internacional, para situar-se nos patamares desejados. Nos últimos anos, além de apresentar projetos para finan- ciamento na própria FEI, os pesquisadores passaram a buscar financiamento em órgãos de fomento, competindo com outras instituições de ensino e pesquisa, com crescimento exponencial dos recursos recebidos, o que demonstra a qualidade das pes- quisas na Instituição. “Nossos pesquisadores são reconhecidos além dos muros e estão envolvidos em redes de pesquisa inter­ institucionais”, reforça o Padre Theodoro Peters. Além disso, os estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado tambémestãocadastradosemórgãosdefomento,fazendoparte da grande comunidade nacional e internacional de pesquisa e, consequentemente, com as melhores condições de oferecer seu talento ao bem comum das pessoas e da sociedade. O presidente da mantenedora lembra que a FEI foi criada com a finalidade de perenizar a missão expressa na denomina- ção da própria pessoa jurídica: uma fundação educacional para Padre Theodoro Peters, presidente da Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros 2424 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015 Apesquisa aplicada àindústriafazparte dos objetivos do Centro Universitário da FEI desde a sua fundação, em 1941, pelo Padre jesuíta Roberto Saboia de Medeiros. Considerado um visionário por ter como ideal atender o processo de industrializa­ ção pelo qual passava o Brasil, a meta do fundador sempre foi a formação dos alunos História com foco no mercado promover a formação de jovens e de adultos que tem como referência Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, ordem religiosa dedicada à formação de recursos humanos altamente qualificados. “A qualificação universitária articula o ensino, a pesquisa e a extensão envolvendo professores, pesqui- sadores, estudantes, corpo técnico especializado, vizinhança, região. Estimular e induzir a pesquisa para que o conhecimento transmitido não se limite à assimilação do já conhecido, mas abra a mente para a descoberta do que ainda não foi assimilado, permite que os pesquisadores deixem sua contribuição para o bem comum. Os avanços visam o bem-estar de toda a humani- dade e tal concepção é parte integrante de uma Instituição de ensino e pesquisa inspirada na fé cristã”, acentua. de modo que se tornassem qualificados para o setor empresarial, com aptidões para a pesquisa científica e com perfil humanista e valores éticos. O campus em São Bernardo do Campo tambémfoicriadocomobjetivoestratégicode atender o crescimento do Grande ABC, região quepassouaabrigarasprimeirasmontadoras de automóveis instaladas no País. Em 2002, com a criação do Centro Universitário, a Instituição ganhou autonomia acadêmica necessária para o trabalho interdisciplinar e multidepartamental, o que possibilitou a elevação dos níveis de graduação e das pes­ quisas por meio da massa crítica científica de professores e pesquisadores.
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    25ABRIL a junhoDE 2015 Domínio fEi 25 D esde que foi criada, a FEI sempre deu importância ao ensino além dasaladeaula,pormeiodocom- plemento em laboratórios, para que os profissionais fossem preparados para as novas demandas tecnológicas. Ao criar o Centro Universitário da FEI, em 2002, os gestores da Instituição manti- veram os mesmos princípios do fundador e, com isso, o caminho natural era dar continuidade à busca pelo conhecimento por meio da pós-graduação stricto sensu. O Departamento de Engenharia Elé­ trica, naquele momento, era o que tinha as melhores condições para abrigar­o Engenharia Elétrica foi a pioneira Departamento tinha as melhores condições para abrigar o primeiro mestrado primeiro mestrado, uma vez que o cur­so degraduaçãojápossuíaestruturadeparta- mentaladequadaelaboratóriosquedavam suporteaoensinodapós-­graduação.Além disso,odepartamentojáabrigavadocentes com mestrado e doutorado que parti- cipavam de grupos vinculados a outras instituições de ensino superior e centros de pesquisa. “Já havia um projeto institu- cional desenvolvido com muita sabedoria para o curso de graduação em Engenharia Elétrica, o que acabou servindo como ali- cerce para a FEI criar o seu Programa de Pós-graduação Stricto Sensu nesta e nas demais áreas”, afirma o vice-­reitor de En- sino e Pesquisa, professor doutor Marcelo Antonio Pavanello. O professor, que participou de todo o processodesde2003,quandofoicontrata- docomodocentedetempointegral,conta queaopçãofoiestruturaromestradocom áreas multidepartamentais, o que per- mitia que a estrutura institucional fosse otimizada em prol de uma grande área do conhecimento. “O programa também tinhaalgumasparticularidadesqueforam aceitas tão logo submetidas à CAPES, que reconheceu a virtude institucional da FEI e aprovou o curso”, acentua. Um dos dife- renciais era o fato de o grupo contratado para o mestrado também ministrar aulas para a graduação. Da esq.: O atual coordenador do curso, Carlos Eduardo Thomaz, representantes da reitoria da FEI em 2005 e primeiros professores doutores do curso Data de criação: 2005 Artigos publicados em periódicos: 141 Artigos publicados em congressos: 485 Mestres formados: 114 Alunos em formação Mestrado: 40 Alunos em formação Doutorado: 32 Docentes: 14 nabihariahi/istockphoto.com
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    DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS INTE- GRADOS– Nesta área são desenvolvidos estudos em Microeletrônica, com especial ênfase para projeto de circuitos dedicados, digitaiseanalógicos,caracterizaçãoelétrica de dispositivos eletrônicos e modelagem e simulação de dispositivos eletrônicos. Caracterização Elétrica de Dispo- sitivos MOS – Estudo principalmente dos efeitos das reduções das dimensões e da modificação de materiais aplicados aos dispositivoseletrônicosfeitosnatecnologia­ de Metal-Óxido-Semicondutor (MOS), além da utilização de novas estruturas de transisto­res MOS. Simulação e Modelagem de Dispo- sitivos MOS –Nestalinhadepesquisasão utilizados simuladores numéricos bidimen­ sionaisetridimensionaisdeprocessosedispo­ sitivos eletrônicos para auxiliar no estudo de variáveisintrínsecasaosdispositivosMOSeno desenvolvimento científico de novos modelos analíticos, capazes de descrever as proprieda­ des elétricas dos componentes. PROJETO DE Circuitos Integrados De- dicados – Desenvolvimento de projeto de circuitos integrados dedicados, digitais e ana­ lógicos, baseados na tecnologia CMOS. Os cir­ cuitos visam o aproveitamento das vantagens da tecnologia SOI (Silicon-On-Insulator) sobre a tecnologia MOS tradicional, com melhorias nodesempenhodoscircuitos,associadasaum menor gasto de potência. Inteligência Artificial Aplicada à Automação –Aáreavisadesenvolvercapa­ citação em novas tecnologias nas áreas de au­ tomaçãointeligente, comprojetosemau­ tomação residencial eautomotiva,plane­ jamentoautomático de atividades, robó­ tica, estudo de inter­ faces homem-máquina e desenvolvimento de interfaces adaptativas. Planejamento e Aprendizado de Máquina – Investiga­ ção científica e desen­ volvimento de técnicas computacionaiscapazes de promover o planeja­ mento e o aprendizado de máquinas, com especial atenção para a Áreas de concentração/Linhas de pesquisa 2626 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015 Coordenador do curso de Engenharia Elétrica durante 11 anos, o professor doutor João Antonio Martino foi um dos responsáveispelainstalaçãodomestrado, ao lado do então reitor professor doutor Marcio Rillo. Formados pela FEI, os dois engenheirostinhammestradoedoutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e, devido à expertise em Dispositivos Eletrô- nicos Integrados e Inteligência Artificial Aplicada à Automação, respectivamente, ficou definido que estas seriam as duas áreas de pesquisa iniciais do mestrado. “A pós-graduação surgiu da necessidade da FEI em expandir a geração do conheci- mento. Fico muito satisfeito em ver que a sementinhadapesquisaempós-graduação germinounaFEIcomooprofessorMarcio eeuimaginávamosquepoderiaacontecer. Esse é o lugar correto da FEI, ou seja, con- tribuindo não só com a graduação, mas também com a pós-graduação”, enfatiza o do­cente João Antonio Martino, que é professor titular da Escola Politécnica (POLI) da USP desde 2007. Atualmente, o Programa de Pós-graduação na FEI é composto de três áreas: Inteligência Arti- ficial Aplicada à Automação, Dispositivos Eletrônicos Integrados e Processamento de Sinais, esta última incorporada com o doutorado, em 2012. Para o professor João Antonio Mar- tino, a seleção e contratação dos então jovens doutores que ajudaram a criar o primeiro mestrado foi acertada, porque tinham perfil de crescimento na área de pesquisa,quasetodosaindanaInstituição. O docente diz que foi uma honra ter par- ticipado da criação do primeiro mestrado da FEI e ter sido o primeiro coordenador (2005-2006), pelo fato de ter estudado na Instituição e admirar o processo edu- cacional sério e responsável do Centro Universitário. “A FEI tem uma especial atenção com os alunos da graduação e a experiência adquirida na Instituição como docente, chefe de departamento e coordenador de curso me permitiu seguir a carreira acadêmica. Com apoio do então vice-diretor da FEI, professor Alessandro La Neve, e do então reitor, professor Mar- cioRillo,foipossívelvivenciaremparalelo também a pesquisa na USP e trazer esta experiência para dentro da FEI. Torço que a Instituição cresça cada vez mais, mantenha as premissas originais de forte interação com instituições de pesquisa e ensino no País e no exterior, e consolide assim todos os mestrados e doutorados que busca”, enfatiza. Um dos primeiros doutores a ser con- tratado para o mestrado de Engenharia Elétrica,oprofessordoutorCarlosEduardo Thomaz – atual coordenador do curso – lembraqueagrandepreocupaçãonaépoca era com o equilíbrio da carga horária para os docentes pesquisadores, pois teriam de dividirotempointegralentreasaladeaula e as pesquisas. Doutor em Computação peloImperialCollegeLondon,naInglater- ra, o docente relata que o grupo era com- postoporrecém-­doutoresqueacreditaram no projeto da FEI e chegaram dispostos a fazerotrabalhoacontecercomohaviasido planejado.“Operfildosnovosdocentesera diferentedosdemaisprofessoresnaépoca, masoprofessorMarcioRillotinhaumavi- sãoespetaculardoquequeria,alémdeum grandeotimismo,econseguiuestruturara Instituição para que chegássemos ao nível depós-­graduaçãostrictosensuqueestamos hoje. Fomos presenteados, na verdade, com a liderança de dois pesquisadores seniores empreendedores”, acentua. Ao longo desses 10 anos, a FEI vem desafiando seus pesquisadores a produzir maisemelhor,oqueatendeàsexpectativas Pós-graduação
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    teoria de complexidadede algoritmos, clas­ sificação de dados por métodos de aprendi­ zagem por reforço, e para o desenvolvimento de sistemas de raciocínio baseado em casos. Interface Humano-Computador Adaptiva –EstudodaaplicaçãodeInteligên­ ciaArtificialnosaspectosdedesenvolvi­mento, aplicação e testes em IHC. A área também colaboracompesquisasdeinteraçãoHumano-­ Robô, investigando os aspectos humanos no processointerativocomsistemasrobotizados. Navegação de Robôs Móveis – Nesta linha de pesquisa são investigados e desen­ volvidos métodos e técnicas de Inteligência Artificial que permitem que robôs atuem de forma autônoma, com aplicação em áreas da Engenharia que exigem raciocínio lógico e conceitos de robótica probabilística. Processamento de Sinais – Nesta área de pesquisa são explorados aspectos de pro­ cessamento de sinais aplicados a reconheci­ mento de padrões em estatística, biometria, processamento de imagens médicas, visão computacional,identificaçãodesinaissonoros devozefala,alémdeprocessamentoeanálise de biopotenciais. Reconhecimento de Padrões em Esta­ tística – O objetivo desta linha de pesquisa é investigar e desenvolver métodos multi­ variados lineares e não lineares de redução de dimensionalidade e reconhecimento de padrões apropriados, para classificação de amostras e caracterização de diferenças entre umgrupodedadosdereferênciaeapopulação sob investigação. Processamento Digital de Sinais–Esta linha de pesquisa visa desenvolver mecanismos com aplicação em reconhecimento de fala, melhoria da inteligibilidade e re­ lação sinal-ruído, e investigar métodos de processamento e análise de biopotenciais parareabilitaçãodedeficientespormeiodo comando de próteses e órteses. Processamento de Imagens e Vi­são­ Computacional –Nestalinhadepesqui­ sa investigam-se as questões computacio­ nais e algorítmicas associadas à aquisição, ao processamento e à interpretação de imagens, por meio do desenvolvimento de métodos compu­tacionais de normalização espacial, detecção, segmentação e classifi­ caçãodepadrõesquesuperemadificuldade de lidar com a alta dimensionalidade das imagens. 27ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 27 Primeiros alunos de mestrado de Engenharia Elétrica da FEI, em 2005 iniciaisdocursoeestimulaospesquisado- resanãoseacomodarem.OprofessorCar- los Thomaz informa que um dos grandes desafioseracriarumambientedepesquisa onde os próprios envolvidos percebessem a necessidade de discutir ciência pelos corredores, em sala de aula, nos laborató- rios e até nas conversas informais. “A FEI conseguiu atingir esse objetivo. É muito comum vermos docentes discutindo ciên- cia até mesmo no espaço do café. Era isso que todos desejavam: que o mestrado não fosse apenas mais um título, mas criasse a possibilidadedeaprofundarconhecimento relevante”, acrescenta. O número de pro- fessores pesquisadores em tempo integral queiniciouem2005napós-­graduaçãoem Engenharia Elétrica é hoje 40% maior. Referência Embora o grupo de pesquisadores em Microeletrônica seja considerado relati- vamente pequeno, já se tornou referência nacionaleinternacionalnaárea,comgran- de participação em congressos e com pro- fessores reconhecidos pela academia. Na áreadeRobóticaeInteligênciaArtificial,o grupo da FEI também é forte e se tornou referêncianoPaís.Ocoordenadororgulha-­ se de a FEI ter conseguido boa visibilidade nacionalmente e estar ganhando espaço internacional. “No Brasil, não se fala em robótica sem citar o grupo da FEI. Na área de processamento de sinais também já há pesquisasdonossogrupodegrandevisibi- lidade acadêmica e tecnológica”, descreve. vetkit/istockphoto.com
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    Pós-graduação 2828 Domínio fEiABRIL a junho DE 2015 Os primeiros mestres em Engenharia Elétrica começaram a se formar em 2007 e, hoje, o curso possui 40 alunos, tanto em tempo parcial quanto integral. Nos últimos 10 anos, a FEI já formou 114 mestres na área. Os mestrandos ficam, em média, 27 meses no curso, tempo necessário para participar das aulas e desenvolver as pesquisas. Em geral, os alunos são profissionais do mercado que almejam crescer na carreira, engenheiros em busca de atuação na área acadêmica ou mesmo ex­-alunos recém-­graduados que descobriram o caráter motivador da pesquisa a partir da iniciação científica, ainda na graduação. Da primeira turma de 20 alunos, o primeiro mestre a se formar foi Luiz An- tonio Celiberto Junior, que também foi o primeiroaseinscrevernocurso.Formado em Engenharia Elétrica com ênfase em Computação no Centro Universitário da FEI em 2004, o engenheiro optou pelo mestradoemInteligênciaArtificialAplica­ da à Automação porque sempre gostou de projetar, criar e pesquisar e estava insatisfeito na empresa onde trabalhava com desenvolvimento de software. O interesse pelas pesquisas surgiu ainda na graduação, quando participou do Programa de Iniciação Científica da FEI e da primeira turma do vitorioso projeto Futebol de Robôs. Depoisdaconclusãodomestrado,com orientação do professor doutor Reinaldo Bianchi, o engenheiro fez o doutorado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e voltou para a FEI para o pós-dou- torado.“Comaoportunidadedomestrado tive o incentivo que precisava para seguir na carreira acadêmica e continuar me dedicando às pesquisas”, afirma. Hoje, o engenheiro é docente concursado da Uni- versidadeFederaldoABC(UFABC)naárea de Engenharia de Instrumentação, Auto- mação e Robótica. O professor também Mudanças expressivas na carreira participa de pesquisas sobre Inteligência Artificial com o grupo da FEI. Segundooprofessor,apesquisaagrega valor aos graduandos porque passam a ter um diferencial, pois um pesquisador nuncasecontentaeestásempreembusca derespostasparanovasperguntas.Como nem tudo está nos livros, os professores pesquisadoresconseguemagregarumco- nhecimento a mais para os alunos e, com isso, quem ganha é o mercado de traba- lho, que receberá profissionais mais bem preparados. Embora o Brasil ainda não tenha uma cultura de absorver mestres e doutores nas empresas – diferentemente do que ocorre em países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos – o docente acredita que esse perfil deverá mudar nos próximos anos, uma vez que o mercadoglobalprecisadeprofissionaisdi- ferenciados e mais capacitados, inclusive, para a gestão de pessoas. “O mestrado da FEI atendeu a todas as minhas expectati- vas, com excelentes matérias e docentes de alto nível na área de pesquisa. Recebi informações muito valiosas e levo esse conhecimento aos meus alunos até hoje”, assegura. Formado pela FEI em 2003 em En- genharia Elétrica com ênfase em Eletrô- nica, Rodrigo Trevisoli Doria também é da primeira turma de mestrado. A área de Dispositivos Eletrônicos o fascinava desde a graduação e o jovem engenheiro viu, no mestrado, a possibilidade de não deixar o conhecimento estagnado. Ao ser contempladocombolsadeestudos,optou pelomestradoemtempointegrale,depois deformado,porseguirnaáreaacadêmica. O engenheiro foi o primeiro a concluir o mestrado na área de Dispositivos Eletrô- nicos Integrados com um estudo sobre Transistores de Múltiplas Portas, com orientação do professor Marcelo Antonio Pavanello, e conta que a oportunidade mudou os rumos de sua vida. “O mestra- do é a base de tudo na área acadêmica. Depois de formado fui fazer o doutora- do na USP, também com orientação do professor Marcelo Pavanello, segui para o pós-doutorado em Microeletrônica e conseguimetornarprofessorcolaborador doprópriomestradodaFEI”,conta.Coma carreira acadêmica como objetivo desde o início,oprofessordizqueconseguepassar um conhecimento atualizado aos alunos da graduação, além de incentivá-los no interesse pela pesquisa. Luiz Antonio Celiberto Junior: primeiro mestre Rodrigo Trevisoli Doria hoje é docente na FEI Pós-graduação
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    esde 2012, ocurso de doutorado em Engenharia Elétrica atrai a atenção de profissionais que buscam a carreira acadêmica e o aprofundamento do conhecimento científiconomundodaspesquisas.Atual- mente, 32 alunos estão matriculados no doutorado nas mesmas áreas de concen- tração do mestrado. Um desses alunos é a engenheiraeletricistaCarlaDickdeCastro Pinho Novo. Formada em 2004 pela FEI, aprofissionalvoltouparaaInstituiçãoem 2012 para fazer o mestrado e emendou o doutorado, iniciado em novembro de 2013, depois de sete anos atuando no setor produtivo. Carla Pinho Novo conta que começou a trabalhar no Grupo Votorantim ainda no último ano da faculdade, após passar por um processo seletivo. “Eu já gostava daáreaacadêmica,masquisteressaexpe- riência na indústria. Depois de passar por vários setores durante o estágio, escolhi a áreafinanceiraechegueiagerente”,escla- Doutorado foi mais uma conquista rece. Por ter participado do Programa de Iniciação Científica durante a graduação, a engenheira afirma que a experiência foi importante para aprender a trabalhar a organização e o planejamento de estraté- gia, o que permitiu já chegar mais pronta ao mercado de trabalho. Em2012,decidiuvoltarparaaFEIpara cursaromestradoe,paraisso,procurouo professordoutorRenatoGiacomini,chefe doDepartamentodeEngenhariaElétrica, quehaviasidoseuorientadornainiciação científica.Adoutorandaescolheuaáreade DispositivosEletrônicosegarantequefez uma escolha consciente pela Instituição. “EusemprequisfazerodoutoradonaFEI, emboratenharecebidoconvitesdeoutras instituições, pois conheço a seriedade da FEI e dos profissionais envolvidos com o programadepós-graduação,quesãointer- nacionalmente reconhecidos no mundo científico”, reforça. Para o professor Carlos Eduardo Tho- maz, o doutorado veio coroar o interesse e a necessidade de todos os professores pesquisadores em discutir conhecimento no mais alto nível, dando oportunidades aos mestres de seguir nas pesquisas na Instituição. Para os próximos 10 anos, o coordenadoresperaqueosresultadosdos estudosdemestradoedoutoradopossam contribuir para responder questões rele- vantes que beneficiem a sociedade como um todo. Outro objetivo é trazer alunos estrangeiros, especialmente da América Latina, para participarem dos cursos. O docente acredita que essa troca alimenta o conhecimento. “O doutorado permite maior tempo de contato entre professor e aluno e resultados cientificamente mais relevantes, pois são quatro anos de dedicação à pesquisa. E é fundamen- tal que os pesquisadores, em todos os níveis, percebam que a ciência não tem fronteiras e a convivência em busca de conhecimentocientíficoéenriquecedora. Estamos criando caminhos para mais essa conquista”, admite. D A engenheira eletricista Carla Dick de Castro Pinho Novo optou pelo doutorado na Instituição 29ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 29
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    3030 Domínio fEiABRIL a junho DE 2015 Pós-graduação ois anos depois da implantação do primeiro mestrado do Centro Universitário da FEI, em 2007 foi avezdeaEngenhariaMecânicater sua pós-graduação stricto sensu aprovada pela CAPES. Passados oito anos, o curso já formou 139 mestres e, atualmente, 92 alunos estudam para conquistar o título. O curso, que começou a ser preparado em 2006 e envolve professores dos de- partamentos de Engenharia Mecânica, de MateriaisedeProduçãodaFEI,temomaior númerodevagasporqueenvolvetrêsáreas: Materiais e Processos, Produção e Sistemas daMobilidade,estaúltimaenglobandotoda a Engenharia Mecânica. Segundo o professor doutor Agenor de Tole­do Fleury, coordenador do Programa dePós­-gra­duaçãoemEngenhariaMecânica atémaiode2015,ocursofoiconcebidocom dois importantes di­ferenciais em relação aos demais existentes. “Um deles é que a FEI tem um cuidado com seus alunos que não é padrão em pro­gramas de mestrado de outras escolas, per­mitindo um convívio muito próximo en­ tre alunos e professores e fornecendoumainfraestruturadiferenciada de recursos”, justifica. Outro diferencial é a con­veniência de horários, com parte das ati­vidades no período noturno, o que fa­vorece a participação de profissionais do se­tor produtivo que queiram ampliar seus conhecimentos. Prova do sucesso deste modelo de pro­ grama de mestrado se reflete nos nú­meros. Atualmente, 80% dos alunos atuam no mercado e buscam aper­fei­çoamento ou a oportunidadede­entrarnomeioacadêmico. “Além de cum­prir o papel fundamental de formar pes­soal de alto nível para as indús- trias, é­importante destacar que o Brasil preci­sa muito de bons professores com essa for­maçãodiferenciadaequeconheçampro­ fundamente o mercado de trabalho”, avalia o docente. Os estudos já desenvolvidos e em de­­ senvolvimento no mestrado de Engenharia Engenharia Mecâ Programa tem como linhas de pesquisa as áreas de Materiais, Produção e Sistemas da Mobilidade D Áreas de concentração/Linhas de pesquisa Processos de Fabricação – Destaque para estudos de usinabilida­ de­de materiais endurecidos, soldagem por atrito e mistura mecâ­nica (FSW - Friction Stir Welding), soldagem­a ponto por atrito e mistura me­ cânica (FSSW - Friction Stir Spot Welding), Creep Age Forming, simulação computacionaletensõesresiduaisinduzidasporprocessosdefabricação mecânica. Cerâmicas Técnicas – Desenvolvimento de materiais cerâmicos (síntese,processamentoesuainfluêncianasinterizaçãoeproprie­dades). Pesquisascomcerâmicasnanoestruturadas,produçãodecatalisadoreshe­ terogêneoseprocessamentodesistemasparticuladosporrotascoloidais. Modificação, Reciclagem e Processamento de Polí­me­ros­­­ Estudo das relações entre estrutura-processamento­e propriedades de materiais poliméricos, compósitos de matriz polimérica, blendas poliméricas e compósitos de matriz termoplástica com nanopartículas, compósitos de matriz termoplástica com fibras naturais, fibras de material reciclado, resíduos e nanopartículas, reciclagem de polímeros e polímeros biodegradáveis. Transformação de Fases e Comportamen- to Mecânico de Materiais Estrutu­rais­ Estudoenvolvetemasrelacionadosatransformações defaseemaçosinoxidáveisdúplex,microestruturae comportamento eletroquímico e mecânico de aços inoxidáveisdúplex,usinabilidadedemateriais me­tálicos e desempenho de materiais usados em ferramentas de corte. Materiais e Processos Carlo Leopol doFrancini/istockphoto.com
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    31ABRIL a junhoDE 2015 Domínio fEi 31 nica já formou 139 Mecânicaenvolvemparceriascomdiferen- tes empresas – entre as quais a Scania, na área de motores, e a Embraer, no desen- volvimentodenovosprocessosdefabrica- ção – e incluem até projetos que aten­dem hospitais,comooInstitutodoCoraçãodo HospitaldasClínicasdaFaculdadedeMe- dicinadaUSP(InCor/HC/FMUSP),aUni- versidadeFederaldeSãoPaulo(Unifesp)e oHospitaldoCoração(HCor).Oprograma também está plenamente envolvido na busca de soluções para um dos maiores problemas do País, a logística e, por meio deprojetos,buscaaumentaraparticipação do modal hidroviário, garantindo maior eficiência energética e menor impacto ao meio ambiente. Parte dos estudos que integram o programa tem forte vertente para a in- dústria, mas vários outros são voltados à sociedade. “Parcerias como essas são muito importantes, pois o mestrado não é só para fazer pesquisa, mas também para formar pessoas capazes de fazê-la, e o aprendizado adquirido pelos alunos contribui para que sejam absorvidos pelas próprias indústrias participantes. Inovação e Gestão de Operações – Estudos envolvem modelos dene­gó­­­ciosecompetitividade,organizaçãoindustrialedesenvolvimento tecnológico,cadeiasprodutivas, sistemasdeproduçãoeclustersregionais. Logística e Redes de Suprimentos–Desenvolvimentodeestudos voltados aos aspectos estratégicos, táticos e operacionais. Modelagem, Otimização e Controle de Processo – Plane­ jamento e controle de produção, logística e distribuição, automação­e controle de processos, inteligência artificial e mineração de dados. Qualidade em Instituições de Saúde–Entreoutros,sãodesenvol­ vidosestudoseprojetosdemelhoriadeprocessos­eaplicaçãodaprodução enxuta (lean production) em instituições de saúde. Sistemas da MobilidadeProdução tração e das parcerias entre a FEI, o setor produtivoeasinstituiçõesdepesquisa.“A ratificação do papel de protagonistas nas áreas de pesquisa em que o programa da FEI se insere, através da participação dos corpos docente e discente em publicações científicas e tecnológicas renomadas, é fundamental para o reconhecimento de nossas ações como pesquisadores e for- madores da elite tecnológica necessária ao desenvolvimento do País. Além disso, são os índices de produtividade científica do corpo docente que criam a base para a proposiçãodoalmejadoprogramadedou- toradoemEngenhariaMecânica”,relatao docente.Com23professoresnogrupodo mestrado, a Engenharia Mecânica da FEI está se preparando, também, para con- quistar o doutorado em futuro próximo. Porisso,dentrodepoucosmesesteremos novidades em relação a novas parcerias”, adianta o professor. Os investimentos também estão rela- cionados à infraestrutura disponível aos alunos, como corpo docente altamente qualificadoelaboratóriosparaapesquisa, com destaque para o Laboratório de De- senvolvimento de Materiais Metálicos e Compósitos,comequipamentosdeponta, comooimportantemicroscópioeletrônico de varredura e o difratômetro de raios-X, disponíveis em poucas instituições de ensino no Brasil. O amadurecimento do programa pode ser observado na quanti- dade de alunos formados que, em média, são 20 por ano, totalizando 70% do total de ingressantes. Além disso, há domínio da tecnologia e importantes publicações. Nova coordenação A meta dos próximos anos, segundo o novo coordenador do Programa de Pós­ graduação Stricto Sensu em Engenharia Mecânica da FEI, professor doutor Rodri- goMagnabosco,éaconsolidaçãodospro- jetosdepesquisadastrêsáreasdeconcen- DinâmicaeControle–Modelagem,estimação,controleeotimização aplicados ao projeto de sistemas mecânicos e mecatrônicos em áreas comosistemasdemovimentaçãodecarga,mobilidadeassistida,sistemas automotivos,hidrogeração,robóticamóveleinteraçãohomem-máquina. Energia e Propulsão–Aspectosrelacionados aprojeto,modela­gem­ esimulaçãodesistemasdepropulsãoeconversãodeenergia,einterações energéticas entre sistemas para aumentar desempenho e eficiência. Biomecânica –Desenvolvimentodemodelosbiomecânicosdossiste­ mas locomotor, cardiorrespiratório e termorregu­la­dor, aperfeiçoamento de aparelhos de reabilitação, desenvolvimento de sistemas dinamomé­ tricos aplicados à biomecânica e análise da ergonomia veicular, conforto ambiental e exercício físico. Data de criação: 2007 Artigos publicados em periódicos: 137 Artigos publicados em congressos: 524 Mestres formados: 136 Alunos em formação Mestrado: 92 Docentes: 23
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    Engenharia Química Os primeirosmestres na área devem começar a receber os títulos em 2016 omnovedocentesemregimede dedicação integral ao Programa deMestrado,aEngenhariaQuí- mica foi o quarto curso da FEI a terumProgramadePós-graduaçãoStricto SensuaprovadopelaCAPES.Aautorização foi dada no fim de 2013, com o início das atividades do pro- grama em 2014. Com duas linhasdepesquisa:Petróleo, Gás e Biocombustíveis, e Processos Químicos e Bio- tecnológicos, os estudos desenvolvidos na Institui- çãotêmtrazidoimportantes resultados,principalmenteo Prêmio Odebrecht Sustenta- bilidadede2013.OPrograma de Mestrado em Engenharia Química da FEI é o único do Estado de São Paulo que possui C uma linha de pesquisa institucionalizada na área de Petróleo, Gás e Biocombustí- veis,oqueéumdosdiferenciais.Jáalinha de Processos Químicos e Biotecnológicos contempla fundamentos da Engenharia Química, incluindo nanotecnologia e bioprocessos. As linhas de pesquisa do programa alinham-se com as demandas dasindústriasdoABCPaulistaporconhe- cimento científico e recursos humanos em pesquisa aplicada e, nacionalmente, com as áreas de Biotecnologia e Petróleo, Gás e Biocombus­tíveis, definidas como estratégicas pelo governo federal, sendo também temas prioritários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e in- seridosnaPolíticaIndustrial,Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE). Embora seja o caçula no mestrado, o primeiro projeto de pesquisa do Cen- tro Universitário da FEI aprovado pela FAPESP, logo que a Instituição se trans- formou em Centro Universitário, veio da Engenharia Química. Intitulado ‘Estudo Experimental e Modelagem do Efeito da Hidratação Hidrofóbica e da Interação Hidrofóbica sobre o Volume molar Ex- cesso de Soluções Líquidas de Água-Aminas a Diferentes Temperaturas e Pressão Atmos­férica’, o projeto de autoriadoprofessordoutor Ricardo Belchior Tôrres, chefe do Departamento de Engenharia Química e coordenador do Programa de Mestrado, foi contemplado em 2005 pelo programa Jovem Pesquisador FAPESP. “Na época, eu era professor aulista na FEI e,comaaprovaçãodoprojeto,fuiconvida- do a desenvolver as minhas pesquisas no CentroUniversitário,institucionalizando uma linha de pesquisa em Termodinâmi­ ca Química no nosso departamento”, relata o docente, que assumiu a chefia do Departamento de Engenharia Quími­ bomboman/istockphoto.com
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    3333 é o mestradomais novo ca em 2010. No mesmo ano, um novo projeto coordenado pelo professor e com financiamento da FAPESP instituiu uma linha de pesquisa em Líquidos Iônicos no departamento. Atualmente, três projetos estão em execução com financiamento de órgãos de fomento. Um deles recebe auxílio fi- nanceiro da FAPESP e tem como objetivo o estudo de propriedades interfaciais de asfaltenos do petróleo na presença de surfactantes etoxilados convencionais e álcoois intermediários, coordenado pelo professor Ronaldo Gonçalves dos Santos. Osoutrosdoisestudosestãorelacionados com química verde e a química de orga- nocatálise, coordenados pelo professor Áreas de concentração/Linhas de pesquisa Processos Químicos e Biotecnológicos Esta linha de pesquisa tem como objetivo a análise, o dimensionamen­ to e a integração de processos químicos e biotecnológicos através de estudo experimental, modelagem, simulação, otimização e controle de processos. Pós-graduação RodrigoCella,comfinanciamento,respec- tivamente, da FAPESP e do CNPq. Assim como os demais programas de pós-graduaçãostrictosensudaFEI,omes- trado em Engenharia Química tem ativi- dadestambémnoperíodonoturno,oque permiteaparticipaçãodeprofissionaisdo setor produtivo. Hoje, o mestrado tem 16 alunos e, desses, apenas dois não atuam na indústria. “Quando a pós-­graduação consegue atrair profissionais das grandes indústrias ampliam-se as chances de se desenvolver projetos inovadores ligados ao setor produtivo, o que é fundamental para o desenvolvimento do País”, avalia o coordenador, ao lembrar que o Brasil ainda absorve poucos mestres e doutores no setor produtivo, mas essa realidade tende a mudar nos próximos anos. Recentemente,oProgramadeMestra- do em Engenharia Química ganhou dois novoslaboratórios–CatáliseeMultiusuá- rio – com equipamentos de ponta funda- mentais para os estudos dos projetos em andamento. “Muitas universidades pú- blicas brasileiras de renome não possuem equipamentos e infraestrutura como os nossos, o que é importante para qualifi- car a pós-graduação da FEI”, informa, ao adiantarqueoutroslaboratóriosestãoem fasedeprojetos.OProgramadeMestrado em Engenharia Química não é voltado apenas para enge­nheiros químicos, mas tambémparaprofissionaisqueatuamem atividades correlatas, e tem profissionais com formação em Química e em outras áreas da Engenharia. Os primeiros mes- tres em Engenharia Química deverão ser formados em fevereiro de 2016. Crescimento Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o Brasil deverá investir, nos próximos anos, US$ 120 bilhões para colocar a indústria química brasileira entre as cinco maiores no mundo. O Brasil também deverá atin- gir a soberania na área do petróleo, com previsão de aumento na produção prove- niente, principalmente, do pré-sal. Em 2014, a produção brasileira de petróleo e gás aumentou em mais de 6% e quatro novasunidadesdeproduçãoentraramem operação.Ametadeproduçãodepetróleo, estabelecida pela Petrobras para 2015, é de 2,1 milhões de barris de óleo por dia. Outra expectativa é que o Brasil se torne uma grande referência mundial na área de bioenergia, sobretudo com a produção de biocombustíveis. “Ninguém detém a tecnologia de produção de etanol em es- cala industrial a partir da cana-de-açúcar como o Brasil. Grandes investimentos em pesquisas e desenvolvimento foram realizadosnessaáreanasúltimasdécadas no nosso País”, afirma o docente da FEI. Professor doutor Ricardo Belchior Tôrres Petróleo, Gás e Biocombustíveis O objetivo desta linha de pesquisa é a geração de conhecimento técnico­‑­ científico eaformação dere­cursoshumanosemprocessosindustriaisna áreadepetró­leo,­­gásebiocombustíveis,atravésdeestudoexperimental, modelagem, simulação, otimização e controle desses processos. Data de criação: 2013 Alunos em formação: 16 Docentes: 9 ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi
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    Sustentabilidade – Estalinha de pesquisa busca constituir uma base de conhecimentos e desenvolver modelos sobre inovação e sustentabilidade, de forma a que as organizações possamcumprirseusobjetivoseconômicos,sociaiseambientais, integrando estas variáveis no processo de tomada de decisão. EstratégiasdeMercadoeCompetitividade–Estalinha depesquisafocaadinâmicadosmercadosconsumidor,industrial Linhas de pesquisa na área História com sucesso na Publicações científicas conceituadas colocam o programa entre os mais relevantes na área no Brasil serviram de inspiração dois programas stricto sensu reconhecidos no mercado: o da Faculdade de Economia, Adminis- tração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e o da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, mantida pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV). “Estes cursos existem há váriasdécadasesãofortesemnívelnacio- nal”, complementa. A formação do corpo docente também foi uma preocupação da FEI,porissofoidadaprioridadeadoutores com sólida base acadêmica e inserção in- ternacional.Comoresultadodapolíticade excelência adotada, o primeiro mestre em Administraçãoconcluiuocursoem2008e, em2010,oprogramapassoupelaprimeira avaliação trienal feita pela CAPES. E, em reconhecimento por sua excelência, teve sua avaliação aumentada da nota 3 para a nota 4, o que permitiu à Instituição pro- por o curso de doutorado. A submissão e aprovação da proposta ocorreram ainda em2010e,em2011,começouoPrograma de Doutorado em Administração na FEI. “A história de sucesso do programa de stricto sensu é reflexo do apoio que a FEI concede desde a criação do mestrado, em 2006.Emfevereirodesteanochegamosao númerode101alunosformados,sendo95 mestrese6doutores”,ressaltaoprofessor doutorEdmilsonAlvesdeMoraes,coorde- xcelência foi a palavra-chave que conduziu o plano de desenvol- vimento do Programa de Pós­ graduação Stricto Sensu de Admi- nistração da FEI. A qualidade foi o ponto inicialdaestrutura,daslinhasdepesquisa, E do corpo docente, do trabalho com os alunosedapesquisaparaqueaInstituição pudesse oferecer um curso reconhecido no mercado pela competência na geração de conhecimento e pesquisadores de alto nível. A criação do projeto de mestrado e o envio para aprovação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) ocorreu em 2006 e, por tersidoaprovadonestemesmoano,oiní- ciodocursoocorreunoprimeirosemestre de 2007. O professor doutor Theodoro Agosti- nho Peters Filho, que foi chefe do Depar- tamento de Administração e participou daorganizaçãodoProgramadeMestrado, afirmaque,porsetratardeumaáreadoco- nhecimentoqueenvolvemuitasvertentes, o desenvolvimento recebeu a colaboração de toda a Instituição. “Tivemos ajuda principalmente do então reitor do Centro Universitário, o professor doutor Marcio Rillo, que colaborou com sua experiência de pesquisador reconhecido internacio- nalmente. Houve troca de pensamentos e ideiasbaseadosemsuaexpertiseetambém pelofatodeterparticipadoativamenteda criaçãodocursodemestradoemEngenha- ria Elétrica”, acentua. O docente informa que houve refe- rência básica extraída das diretrizes da CAPESe,inicialmente,também Pós-graduação alex-mit/istockphoto.com
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    de Gestão daInovação e de serviços em três perspectivas: o comportamento de consumidores e clientes; o processo de entrega de produtos e serviços inovadores e que gerem valor; a gestão estratégica de mercados. Esses temas são abordadosnosdiversosmercadosdeconsumo,B2Beserviços.Háainda interesseporalgunssetoresespecíficoscomoturismo,educaçãoesaúde. Capacidades Organizacionais – Esta linha busca consolidar uma base de conhecimentos que integre avanços das diversas escolas de pensamento em Organizações, Estratégias e Inovação, possibilitando o alinhamento entre tendências convergentes acerca do aumento da complexidade ambiental, foco nos processos e nas capacidades de re­ combinação dos recursos internos e externos às organizações, impactos da configuração de estratégias de inovação sobre o desempenho das firmas e da importância do aprendizado organizacional de novos papéis sociais e técnicas para o desenvolvimento de produtos, processos e serviços competitivos. O professor doutor Theodoro Agostinho Peters Filho foi o primeiro chefe do departamento O professor doutor Edmilson Alves de Moraes é o coordenador do Programa de Pós-graduação Administração nador do Programa de Pós-graduação em Administração desde 2009 e participante da criação do projeto do stricto sensu. O resultado do trabalho se mostra na traje- tória de sucesso dos alunos, uma vez que váriostiverampromoçõesimportantesnas empresas em que trabalham, enquanto outros migraram para a vida acadêmica, inclusive sendo aprovados em concursos paraprofessoresdeuniversidadesfederais. Além disso, professores e alunos são incentivadosapublicaremosresultadosde suas pesquisas em revistas especializadas ereconhecidasinternacionalmente.Como resultado, somente no biênio 2013/2014 oprogramateveseistrabalhospublicados em revistas com categoria Qualis CAPES A1, o mais alto nível de publicação, o que coloca a FEI entre os programas mais relevantes em termos de geração de conhecimento em Administração. A Ins- tituição também se destaca pela parceria com universidades do exterior, como a Universidad de Alicante, da Espanha. “As pesquisas realizadas na FEI, juntamente com pesquisadores renomados, possibili- tamacessoalocaisrestritoseaconteúdos atuais e relevantes discutidos pelo mun- do”, acrescenta o coordenador. Reconhecimento Osprofessoresdostrictosensutambém se destacam pelos prêmios que recebem. O mais recente foi concedido à professora doutora Juliana Bonomi Santos, que ven- ceuoPrêmioEmerald/EFMD2013,quere- conheceasmelho­res­tesesdedoutoradodo mundo. “O reconhecimento da qualidade do programa da FEI também é percebido pelo número de bolsas concedidas pela CAPES e de financiamentos para projetos de pesquisas aprovados por órgãos de fo- mento como o CNPq e a FAPESP”, reforça­ o professor Edmilson de Moraes. 35ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 35 Data de criação: 2006 Artigos publicados em periódicos: 37 Trabalhos em anais: 42 Mestres formados: 95 Doutores formados: 6 Alunos em formação Mestrado: 36 Alunos em formação Doutorado: 25
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    Paulo Roberto Vidigalfoi o primeiro doutor O Programa de Pós-graduação Stricto SensuemAdmi­nistraçãodaFEIpossuitrês linhasdepesquisa:EstratégiasdeMercado e Competitividade, Sustentabilidade e Capacidades Organizacionais. O progra- ma trata de temas relacionados tanto a aspectos estratégicos da empresa, como internacionalização,pesquisa,desenvolvi- mento e inovação em manufatura e servi- ços,egestãodacadeiadesuprimentos,até assuntos relacionados com o impacto das empresas sobre as pessoas e a sociedade, entre eles trabalho escravo, segregação, inclusão e empreendedorismo social. O mestra­do tem 90% do público formado por profissionais que atuam no mercado de trabalho e com cargos elevados nas empresas. Já o doutorado atrai, em sua maioria,professoresdeuniversidadesque visam conquistar o título e galgar vagas em instituições federais. Este é o caso do professordoutorRogérioScabimMorano, Alunos do mercado e da academia Pós-graduação Rogério Scabim Morano: segundo doutor de ADM Paulo Calabria: doutorado contribui com a carreira docente do Departamento de Ciências Exatas e da Terra da Universidade Federal deSãoPaulo(Unifesp),segundodoutorem Administração formado pela FEI. Após anos como consultor de em- presas, o engenheiro decidiu entrar na vida acadêmica, iniciou o mestrado em Administração em 2010 e passou a dar aulas em duas instituições particulares de ensino superior. Ao finalizar o mestrado, ingressou no doutorado e, ainda como aluno, participou do processo seletivo da Unifesp garantindo o primeiro lugar e ultrapassando candidatos que já eram doutores e docentes. “Passei a me dedicar integralmente à vida acadêmica. Com o doutorado alcançamos a fronteira do conhecimento e esse aprofundamento colabora para uma aula na qual os alunos aprendemmaisefetivamenteepodemter contatocomprojetosdepesquisas.Porisso é importante que as instituições reconhe- çam e incentivem os professores a terem o título de doutor”, acredita. Para o professor doutor Paulo Roberto Vidigal,primeirodoutorformadopelaFEI, a especialização abre portas, pois trata-se de um processo de complementação do desenvolvimento da formação, do ponto de vista teórico, com fundamentação científica. “Com o título passei a dar aulas de pós-graduação em Logística e Gestão em Negócios em uma universidade parti- cular”, explica. De acordo com o terceiro doutorformadopeloCentroUniversitário, Paulo Calabria, gerente de programas sênior da IBM, o doutorado contribuiu muito com sua carreira, porque passou a terumpensamentocríticoemaisanalíti- conodiaadia.“Comoconsequência,tenho um papel mais ativo na empresa, maior conhecimentoecapacidadedereso- luçãodeproblemas.Meufocoagora é fazer­parte de um dos centros de pesquisaedesenvolvimentodaem- presa em que atuo”, adianta. ArquivopessoalArquivopessoal
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    E ducação e Ciência:investimento ou despesa? Atualmente, há um grande debate em torno desta questão, especialmente no Brasil, que deve se refletir na quantidade de recursos destinados às pesquisas – sejam institucionaisouprivadas–nospróximos 20 anos. Atualmente, o País só participa de 2,7% de toda a produção científica mundial, indexada na base de dados do International Statistics Institute (ISI) – 2013. Com uma apresentação sobre este tema, o Centro Universitário da FEI deu início às aulas de mestrado e doutorado desteano,comapresençadeprofessores, pesquisadores e alunos. “O Brasil só mudará se entender que educação e ciência são investimentos que levam tempo para dar retorno”, desabafa a professora doutora Helena Bonciani Nader,presidentedaSociedadeBrasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ministrou a Aula Magna dos cursos de pós-graduação stricto sensu da FEI, em 1º Aula Magna aborda educação e ciência Presidente da SBPC abre cursos do Programa de Pós-graduação da FEI de março de 2015, 10 anos depois da aula que inaugurou o primeiro mestrado da Instituição.Paraadocente,seoPaísconti- nuar olhando para a ciência apenas como despesa, com uma visão linear, demorará aindamaisparachegarpróximodeoutros países em termos de pesquisa científica. A docente lembra que os órgãos de fo- mentobrasileirosforamfundadossomen- teapartirdadécadade1950–oConselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foi o primeiro, em 1951, seguido da Fundação de Amparo à PesquisadoEstadodeSãoPaulo(Fapesp), em 1962, e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em 1967 –, e a própria SBPC, de 1948, é 100 anos mais jovem quesuacoirmãnorte-americana.“Temos muito que correr para nos equipararmos ao resto do mundo e é fundamental que empresas, instituições de ensino e gover- nos entendam que ciência e tecnologia são um instrumento fundamental para a inclusão social e econômica. Parabenizo a FEI pela sua história na educação e por acreditar na ciência e estimular a pesqui- sa”, enfatiza. A partir da 4ª Conferência Nacional da SBPC, que reuniu 4 mil participantes em 2010, os cientistas brasileiros traça- ram as metas para os próximos 20 anos. Entre as ações estão revisão dos manuais de marcos legais, troca de experiência com outros países e mudança no sistema de pregão para compra de insumos para pesquisas. “Não se pode comprar insu- mos de ciência, tecnologia e inovação em pregão eletrônico”, ressalta a docente. As recomendações abrangem todas as áreas, até mesmo aquelas nas quais o Brasil se destaca, como segurança alimentar, ge- noma humano e petróleo, por exemplo. Recursos A presidente da SBPC lamenta que o Brasil tenha começado a diminuir os recursos para ciência e tecnologia nos últimos anos, que culminou com recente cortede30%nofomentopúblico,eacres- centa que é preciso mudar o conceito de que o Estado deve prover tudo. Embora em São Paulo o investimento privado seja de 75% em relação ao público para ciência e tecnologia, nos demais estados os recursos privados são irrelevantes. “O número de publicações em periódicos indexadoseoimpactodessaspublicações têmaumentado,noentanto,temosmuito aindaparamelhorar,eseminvestimentos contínuos aumentam as dificuldades. O mundo não está parado esperando o Brasil chegar”, enfatiza. Professores doutores e alunos dos cursos stricto sensu assistem à palestra da professora doutora Helena Bonciani Nader 37ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 37
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    Conhecimento em prol Pesquisadoresdo Centro Universitário da FEI também desenvolvem estudos direcionados ao bem-estar social D entro das linhas de pesquisa dos programas de mestra- do e doutorado do Centro Universitário da FEI, muitos estudospossuemforteviéssocial.Naáreadasaúde,por exemplo,osprojetosrefletemapreocupaçãodospesqui- sadores com o bem-estar dos pacientes por meio de tecnologias que colaboram com diagnósticos e tratamentos, melhoram o atendimento médico e, ainda, possibilitam melhor con- trole de centros cirúrgicos e prontuários. Na área da mobilidade, estudos visam melhorar o dia a dia de pessoasquetêmalgumadeficiênciaoudificulda- de de locomoção. Já a expertise na área de reco- nhecimento de padrões em imagens permite à FEI desenvolver tecnologias que colaboram com o trabalho de órgãos governamentais e nãogovernamentaisparaidentificarpessoas desaparecidas. Com foco na mobilidade, dois projetos coordenados pelo pro- fessor doutor Marko Ackermann, do mestrado em Engenharia Mecânica, aliam a tecnologia à qualidade de vida para auxiliar pessoas com problemas de locomoção. O estudo ‘Modelagem e Simulações de Marcha Tipo Pendular com Muletas Convencio- nais e Elásticas’ visa transformar a muleta convencional, que há décadas não recebe atualização, em um objeto mais confortável, evitandooriscoaosusuáriosdedesenvolvertrombose,aneurisma e paralisia por pressionamento de feixes nervosos que passam pelas axilas. Testes computacionais foram realizados para avaliar valores apropriados de rigidez e os resultados demonstram que a adiçãodemolalinearnoequipamentoreduzasforçasdeimpacto transmitidas aos membros superiores no momento do impacto com o solo. Outrapesquisaorientadapelodocenterefere-seàmodelagem biomecânica do cadeirante e da interação com a cadeira de rodas, equipamento que também não tem evoluído ao longo dos anos e tende a ocasionar problemas nos ombros do usuário, devido à sobrecarga nos braços. Para reduzir o esforço e proporcionar maior conforto para o uso da cadeira de rodas, uma das propos- tas é inserir um câmbio no equipamento, nos moldes usados em bicicletas, para que o cadeirante possa selecionar a marcha ideal paraaclivesedeclives.Outrapropostaéautilizaçãodepropulsão assistida em cadeiras de rodas manuais por meio de motores. Este trabalho insere-se em projeto aprovado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coorde- nado pelo professor doutor Agenor de Toledo Fleury, coor- denadordoProgramadePós-­graduação StrictoSensu em Engenharia Mecânica da FEI até maio de 2015, com a participaçãodeváriosprofessoresdosprogramasde pós-graduação em Engenharia Mecânica e Elétrica. A aprovação deste projeto originou a formação, junto ao MCTI, de um Núcleo em Tecnologia Assistiva na FEI. Ainda voltado à saúde e ao bem-estar, pesqui- sadores da FEI desenvolveram um software que possibilita o atendimento mais ágil e eficiente de pacientes de um hospital público. O projeto ‘Pesquisa Estatística Baseada no Acervo Digital de Prontuário Médico do Pa- ciente em Telemedicina Centrada no Usuário (PEAD-­PMPT)’ digitalizou 21.124 prontuários científicos, totalizandoumabasede343.863 kontur-vid/istockphoto.com Responsabilidade Social
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    da sociedade Esperança devoltar para casa A busca por pessoas desaparecidas é um tema delicado que envolve diferentes setores da sociedade, e a FEI passou a dar sua contribuiçãopormeiodaelaboraçãodeumsistemacomputacionalde modelagemereconhecimentodefaces.Oprojeto‘IntegraçãoTecno­ lógicaeInovaçãoparaIdentificaçãoePrevençãodoDesaparecimento de Crianças e Adolescentes com Deficiência’ teve como objetivo criar metodologias computacionais que utilizem a imagem do rosto para fazer uma busca automática no banco de dados de desaparecidos. O professor doutor Carlos Eduardo Thomaz, coordenador do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Engenharia Elétrica, é um dos responsáveis pelo trabalho, que foi coordenado pela biomédica Gilka Gattás,daFaculdadedeMedicinadaUSP(FMUSP),eintegraoprojeto Caminho de Volta, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). AFEIjápesquisavacientificamenteessatecnologiaantesdaparce­ riae,noprojeto,foiresponsávelpelaáreadecomputação,trabalhando na elaboração de um programa que permite a triagem no processo de busca de desaparecidos. Para isso, o sistema formata as fotos das criançasdesaparecidas,quesãocedidasporfamiliares,edaspessoas encontradasemabrigosounasruas,eremoveosdefeitosencontrados nas imagens, entre eles rasuras, iluminação e artefatos, como a chu­ peta. Com a imagem pronta,por meio de uma sequência demétodos deprocessamentoereconhecimentodeimagens,oprogramapermite a procura, entre as fotos do banco de desaparecidos, das faces que maisseassemelhamcomasimagensformatadas.Osresultadosdesse trabalho foram considerados relevantes para a definição das normas deaquisiçãodefotografiasdigitalizadasdecriançaseadolescentesnas instituições públicas estaduais de São Paulo, documentada no artigo 4º, parágrafo 1º, item 3, do decreto lei número 58.074, instituído em 2012 pelo governador do Estado de São Paulo. Todos os estudos citados nesta reportagem foram publicados em detalhes nas edições 6, 13 e 19 da revista Domínio FEI, que estão disponíveis no site www.fei.edu.br. imagens do Centro de Pesquisas em Pescoço e Cabeça do Com- plexo Hospitalar Heliópolis, em São Paulo, facilitando o acesso às informações dos pacientes e à pesquisa do histórico e das doenças. Para suportar o sistema estão disponíveis 15 terabytes de espaço de armazenamento e oito servidores, além de backup para segurança dos dados. O sistema permite inclusão de novos prontuários digitalizados ou inclusão de prontuários totalmente digitais, sem a necessidade de arquivos em papel. Com coordena- ção geral do professor doutor Plinio Thomaz Aquino Junior, do Departamento de Ciência da Computação, o projeto tem verba da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e parceria com a empresa Volans Informática. Também com objetivo de melhorar a eficiência do sistema de atendimento a pacientes, o Departamento de Engenharia de ProduçãodaFEIeoInstitutodoCoraçãodoHospitaldasClínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/ HC/FMUSP) fecharam um convênio de cooperação científica e tecnológicaparaintercâmbiodeconhecimentotécnico-científico entreprofessoresdaInstituiçãoepesquisadoresdohospital.Com coordenação do professor doutor João Chang Junior, o convênio engloba diferentes estudos que buscam excelência na progra- mação cirúrgica, melhor ocupação dos leitos e salas, gestão dos processosparaaprimorarosíndicesdequalidade,deatendimento emortalidade,edesenvolvimentodemodelosparausoadequado dosrecursosdisponíveis.Paraapráticadetodososprojetosestão envolvidos professores e pesquisadores de ambas as instituições, além de alunos de graduação, iniciação científica, mestrado e doutorado da FEI. Da esq.: Entre as pesquisas de biomecânica estão a que trabalha a evolução da cadeira de rodas e um estudo que visa transformar a muleta convencional em um equipamento mais ergonômico 39abril a junho DE 2015 Domínio fEi
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    IPEI desenvolve pesquisasaplicadas voltadas à indústria desde 1975 A ntes mesmo de lançar os programas de pós-gradua- ção stricto sensu, 10 anos atrás, o Centro Universi- tário da FEI já desenvolvia projetos de pesquisa em seus cursos de graduação, com registros que datam de 1952, principalmente na área de Engenharia Química. A partir da década de 1960, as pesquisas passaram a ter como foco a aplicação de processos tecnológicos para o desenvol- vimento de projetos por professores e alunos de diferentes cursos. Na Engenharia Mecânica, por exemplo, foi construí- do o carro X1, em 1962, para a primeira edição do Salão do Automóvel de São Paulo; o Trem Aerodinâmico Leve de Alta Velocidade (Talav), da década de 1970; e o avião Pégasus, no início da década de 1990. No entanto, foi em 1975, com a criaçãodoInstitutodePesquisaseEstudosIndustriais(IPEI), que a Instituição passou a oferecer um suporte mais formal à pesquisa, especialmente àquela direcionada às demandas da indústria. Hoje,40anosdepois,oIPEItrabalhafortementeparaapro- ximarosetorprodutivoeaacademiapormeiodatransferência detecnologia,apoiaopesquisadornoprocessodesubmissão, contratação de convênio e prestação de contas, além de orga- nizar palestras para disseminar conhecimentos relacionados à área de inovação. Segundo o diretor do Instituto, professor doutorVagnerBernalBarbeta,otipodepesquisadesenvolvida pela FEI possui um foco diferenciado em relação à pesquisa realizada no passado pelo IPEI, que traz como preocupação fundamentalaconstruçãodeconhecimentoaliadaàaplicação. “Comestamudançanoperfildapesquisaestamoscaminhando para o chamado Quadrante de Pasteur, representação que se diferenciaporqueuneoconhecimentocientíficocominteresse naaplicaçãoprática.Éfundamentalterpesquisapura,quecria umarcabouçodeconhecimentosqueirãoajudaradesenvolver as pesquisas aplicadas, mas é necessário ter o equilíbrio para avançar no conhecimento científico e, junto com isso, trazer desenvolvimento tecnológico e inovação”, acrescenta. Os programas de mestrado e doutorado iniciados há 10 anos colaboraram com a qualificação das pesquisas por aliar o desenvolvimento tecnológico com a construção de conheci- mento, que é a base dos sistemas de inovação. Além disso, os grupos de pesquisas passaram a ser criados e geridos dentro 4040 Domínio fEi ABRIL a junho DE 2015 Em busca
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    Núcleo de InovaçãoTecnológica Com a promulgação da Lei de Inovação Tecnológica passou a ser obrigatória, em todas as universidades públicas, a criação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), cujo papel é proteger a propriedade intelectual da instituição de ensino, fomentar a cultura da inovação e aproximar o setor produtivo da universidade por meio da transferência de tecnologia. Embora o desenvolvimento deste núcleo seja opcional às instituições particulares, o Cen­ tro Universitário da FEI, por meio do IPEI, já é responsável pela execução de uma série de atividades atribuídas ao NIT. No fim de 2014, o IPEI teve um projeto selecionado para receber recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para criar uma estrutura interna de um Núcleo de Inovação Tecnológica. O projeto, de dois anos, prevê a concessão de bolsa e de verba de custeio com o compromisso de o Centro Universitário dar continuidade às atividades após o fim do financiamento pelo órgão de fomento. “O governo entende que vale a pena investir recurso público para a criação dos NITs pois, de alguma forma, o que será produzido vai reverter em benefícios à sociedade. Esperamos ter o NIT formalizado na FEI muito brevemente”, adianta o diretor do IPEI. O professor doutor Vagner Bernal Barbeta é diretor do Instituto de Pesquisas da FEI 41ABRIL a junho DE 2015 Domínio fEi 41 da inovação há 40 anos Especial dos próprios departamentos de ensino e isso contribuiu com a mudança da estru- tura do Instituto, que antes contava com um grupo de pesquisadores próprios nas áreas de Engenharia Mecânica, Enge- nharia Elétrica e Engenharia Química. Agora, o IPEI trabalha para se tornar um forte elo entre a academia e as empresas, contribuindo para a inovação e a geração de conhecimento. “O trabalho feito pelo Instituto atualmente, na medida em que se pensa em um projeto em parceria, não tem como foco somente construir um equipamento novo ou desenvolver uma tecnologia, mas também criar um con- junto de conhecimentos para avançar no conhecimento científico. É um viés que agregamuitomaisvaloraoqueestásendo criado”, afirma o diretor. Parcerias Ao aproximar o setor produtivo da academia, o IPEI colabora com as neces- sidades das empresas, que não precisam dispor de um especialista interno para a solução de problemas tecnológicos e encontram na FEI um parceiro para seus projetos.Comessenovoperfil,oInstituto fechou parcerias de longa duração com empresas como Embraer, Vale, Scania e Telefônica Vivo e, somente em 2014, os trabalhos em conjunto resultaram na en- trada de valores significativos em termos de recursos para o desenvolvimento de pesquisas. No mesmo ano foram realiza- dos seis projetos de média duração e exe- cutadasmuitasatividadesdeprestaçãode serviços tecnológicos. Anualmente, 121 novos cadastros de clientes se somam às mais de 2 mil empresas que já demanda- ram serviços do IPEI. “Este trabalho vai ao encontro da Lei de Inovação Tecnológica, publicada em 2004, que incentiva as universidades a atuarem cada vez mais de forma conjun- ta com o setor produtivo. Hoje, muitos editais de agências de fomento envolvem necessariamente uma parceria com em- presas, o que estimula as instituições de ensino a realizarem pesquisas com vistas aodesenvolvimentodenovastecnologias e de inovação, colaborando para que as universidades possam cumprir com uma de suas funções sociais”, acrescenta o professor Vagner Barbeta. Por meio do escritório de apoio a projetos do IPEI o Instituto colabora, ainda, para que o pesquisador possa ficar mais focado nos aspectostécnicosdoseuprojeto,enquan- to a gestão administrativa que envolve contratos,processosdecomprasepresta- ção de contas fica sob a responsabilidade do órgão. O apoio se dá, também, na etapa anterior ao início do desenvolvimento do projeto, com a seleção e divulgação de editais que possam ser de interesse dos pesquisadores, assim como o apoio na execução de questões burocráticas envolvidas no processo de submissão de propostaseandamentosnecessáriospara ofinanciamentopelosórgãosdefomento. Todo este conjunto de ações contribui paraqueaculturadainovaçãopossafazer parte do dia a dia da FEI e de seus grupos de pesquisa. “Este trabalho de apoio e de disseminação da cultura da inovação é complementado por meio do IPEI InFoco, pelo qual os diferentes atores envolvidos no processo de inovação são convidados a apresentarem sua visão sobre questões relacionadas à pesquisa, ao desenvolvi- mento e à inovação”, acentua o docente.
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    início dos estudosda robótica na FEI começaram a ser realizados na década de 1980 sob orientação dos professores Marcio Rillo e Tamio Shimizu, principalmente na área de automação, robótica e visão industrial. No entanto, a minha contribuição para a pesquisa em robótica na Instituição teve início no fim dos anos 1990, com a proposta de construção de um robô móvel para participação na Competição Mundial de Futebol de Robôs,aRoboCup.ApesardeoprimeirorobômóvelconstruídonaFEI,chamadocarinhosamentede FEIoso, não ter participado de nenhuma competição, sua construção rendeu em 2001 os primeiros artigos científicos publicados na área de robótica: um internacional, no RoboCup Symposium, e um nacional, no III Encontro Nacional de Inteligência Artificial. Mas a grande revolução na pesquisa em robótica se deu entre 2003 e 2004, por dois fatores. Primeiro, o início das competições de futebol de robôs patrocinadas pelo IEEE Latin America e pelaRoboCupFederation. Osegundogrande propulsordas pesquisas foiacriaçãodo curso depós-­ graduaçãoemEngenhariaElétrica,quandoalunosdemestradocomeçaramatrabalharemdiversas áreas da robótica. Para participar da primeira competição de robôs, em 2003, foi construído um time de futebol de robôs na categoria IEEE Very Small Size. Dois professores – eu e o Flavio Toni- dandel–,alunosdemestradoedegraduaçãoemEngenhariaElétricaeEngenhariaMecânicafomos os responsáveis pela primeira geração de robôs. Participamos de diversas competições nacionais: Bauru em 2003, Salvador em 2004, São Luís em 2005 e Campo Grande em 2006. Fomos campeões duas vezes, em 2004 e 2006. Junto com o sucesso nas competições, as publicações aumentaram e os primeiros alunos do mestrado se formaram. Com o grupo de pesquisa bem estabelecido e tendo sido campeões da categoria Very Small e Simulação 2D, em 2008 estávamos prontos para um novo desafio: criar robôs para a categoria RoboCup Small Size. Esta nova categoria constituiu um novo desafio, pois os robôs usados são maiores, mais rápidos, exigindo maior coordenação entre os sistemas de controle, tomada de de- cisão e visão computacional. Em 2009, participamos pela primeira vez do campeonato mundial, a RoboCup World Soccer Competition, realizada na Áustria. A evolução dos robôs durante os anos seguintes foi intensa. No início, os robôs eram protótipos quase caseiros, com o controle baseado em processadores ARM-7 e uma estrutura elétrica simples. O robô existente hoje tem o controle feito por um FPGA Xilinx Spartan 3, que executa um microcontrolador em software para controlar a comunicação, os motores e os mecanismos de chute, integrando todas as funções do robô em um mesmo chip. O resultado desta evolução foi ter vencido cinco vezes seguidas o campeonato nacional e duas vezes o campeonato latino-americano. Em2012,comaimplantaçãodocursodedoutoradoemEngenhariaElétricaaprovadopelaCAPES, aInstituiçãoiniciapesquisaemumnovonível,queexigeodesenvolvimentodetrabalhosinovadores emnívelmundial.Odesafiodeconstruirumtimederobôshumanoides,completamenteautônomos, para participar da categoria RoboCup Humanoide, é o domínio perfeito para que os alunos de dou- torado possam desenvolver seus trabalhos. O desenvolvimento de robôs humanoides se caracteriza pelagrandeintegraçãoentreossistemasmecânicos,eletrônicos,decontroleeosoftwarepararealizar desdeoprocessamentodasimagens,quepermiteaorobôverocampo,abolaeosoutrosjogadores,até oraciocíniodealtonível,quevaidefiniraestratégiadotime.Otimederobôshumanoidesparticipou pela primeira vez da competição mundial em 2014, tendo ficado entre os 16 melhores do mundo, e se tornou campeão latino-americano neste mesmo ano. O resultado destes 10 anos de trabalho foi o reconhecimento mundial da qualidade da pesquisa em robótica na FEI. Como consequência deste reconhecimento, a FEI foi a principal organizadora do principal evento internacional na área de competições robóticas: a RoboCup World Cup, em 2014. O futuro? Com quatro doutorandos, cinco mestrandos e diversos alunos de iniciação científica trabalhando nos times de futebol de robôs da FEI,esperamosaumentaremmuitoonúmeroeaqualidadedaspublicaçõesemrobóticageradaspelo Centro Universitário. E, quem sabe, um dia ser campeão do mundo de futebol de robôs! Professor doutor Reinaldo Bianchi Coordenador do projeto RoboFEI Centro Universitário da FEI A FEI e a evolução da pesquisa robótica O 42 Domínio fEi abril a junho DE 2015 Artigo
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    CADA PESSOA LIDACOM O DINHEIRO DE UM JEITO. COMO É O SEU? Existem vários jeitos de lidar com o dinheiro. Por isso, o Santander, em parceria com a It’s Noon, lançou o Conta Pra Mim, um espaço para as pessoas contarem como se relacionam com o dinheiro. Quem ouve as histórias aprende novas formas de realizar seus objetivos. Quem conta, além de usar sua vivência para ajudar outras pessoas, ainda pode ser remunerado por isso. Participe: acesse contapramim.com.br, entre na página Missões e grave seu vídeo. Sua história pode render muito. # contapramim.com.br Central de Atendimento Santander: 4004-3535 (regiões metropolitanas); 0800-702-3535 (demais localidades); 0800-723-5007 (atendimento a pessoas com deficiência auditiva e de fala). SAC: 0800-762-7777; Ouvidoria: 0800-726-0322 (ambos atendem também pessoas com deficiência auditiva e de fala).