DEUS  SONHA Victor Hugo
O dia acorda! Deus por uma fresta  das nuvens a espreitar, ri-se. A floresta,  o campo, o inseto, o ninho sussurrante,  a aldeia, o sol que tinge a serrania...  Tudo isso acorda, quando acorda o dia  no fresco banho de ouro de Levante.
Deus sonha! Vasa os olhos d'água; pica  as artérias da terra; o liz fabrica;  e da matéria sonda o fundo ovário,  pinta as rosas de branco e de vermelho  e faz das asas do escaravelho  a surpresa do mundo planetário.
Homens! As férreas naus de velas largas,  monstros revéis, formidolosas cargas  do bruto oceano arfando às insolências;  extenuados os ventos, e nos flancos  longo enxame a arrastar de flocos brancos  de escuma, e raios, e fosforescências...
Os estandartes de arrogantes pregas;  as batalhas, os choques, as refregas;  náuseas de fogo de canhões sangrentos;  feroz carnificina de ferozes  batalhões - bando negro de albatrozes  de asa espalmada e aberta aos quatro ventos...
Comburentes, flamívomas bombardas,  ígnea selva de canos de espingardas,  estampidos, estrépitos, canglores;  e bêbado de pólvora e fumaça,  Napoleão, que galopando passa,  ao ruflar de frenéticos tambores;
a guerra, o saque, as convulsões, o espanto;  Sebastopol em chamas; de Lepanto  o vau de lanças e clarins repleto...  Homens! Tudo isso, enquanto recolhido  Deus sonha, passa e soa ao seu ouvido,  como o rumor das asas de um inseto!
TRADUÇÃO: Raimundo Correia FORMATAÇÃO: Mima (Wilma) Badan [email_address] MÚSICA: Serenade Interpretação: Zamphir IMAGENS: Regina Hauke (Repasse com os devidos créditos)

Deus sonha - Victor Hugo

  • 1.
    DEUS SONHAVictor Hugo
  • 2.
    O dia acorda!Deus por uma fresta das nuvens a espreitar, ri-se. A floresta, o campo, o inseto, o ninho sussurrante, a aldeia, o sol que tinge a serrania... Tudo isso acorda, quando acorda o dia no fresco banho de ouro de Levante.
  • 3.
    Deus sonha! Vasaos olhos d'água; pica as artérias da terra; o liz fabrica; e da matéria sonda o fundo ovário, pinta as rosas de branco e de vermelho e faz das asas do escaravelho a surpresa do mundo planetário.
  • 4.
    Homens! As férreasnaus de velas largas, monstros revéis, formidolosas cargas do bruto oceano arfando às insolências; extenuados os ventos, e nos flancos longo enxame a arrastar de flocos brancos de escuma, e raios, e fosforescências...
  • 5.
    Os estandartes dearrogantes pregas; as batalhas, os choques, as refregas; náuseas de fogo de canhões sangrentos; feroz carnificina de ferozes batalhões - bando negro de albatrozes de asa espalmada e aberta aos quatro ventos...
  • 6.
    Comburentes, flamívomas bombardas, ígnea selva de canos de espingardas, estampidos, estrépitos, canglores; e bêbado de pólvora e fumaça, Napoleão, que galopando passa, ao ruflar de frenéticos tambores;
  • 7.
    a guerra, osaque, as convulsões, o espanto; Sebastopol em chamas; de Lepanto o vau de lanças e clarins repleto... Homens! Tudo isso, enquanto recolhido Deus sonha, passa e soa ao seu ouvido, como o rumor das asas de um inseto!
  • 8.
    TRADUÇÃO: Raimundo CorreiaFORMATAÇÃO: Mima (Wilma) Badan [email_address] MÚSICA: Serenade Interpretação: Zamphir IMAGENS: Regina Hauke (Repasse com os devidos créditos)