Corpo,corpo:testando!
“Prafazeracrobacia,tem queter
fôlegoecorpoduro”
MariaEduarda,5anos.
Ao acompanharasbrincadeirasdascriançasno
brinquedãobrinquedão – estrutura fixa com barras,
degraus, colchonetes e incontáveis desafios
psicomotores - notamos que algumas delas
tentavam experimentar certas posturas com o
corpo difíceis de realizar:um desejo genuíno
de explorar os limites e sensações de se seus
corpos. A esses gestos e movimentos
brincantebrincantes,demoso nomede“acrobacias”.
A convite das crianças que nos solicitavam a
todo momento: “vem ver minha acrobacia”,
passamos a olhar/escutar cotidiana e
intencionalmente suas brincadeiras,
compreendendo-as como um campo de
investigação capaz de potencializar a
expressividadeeainventividadedascrianças.
AnaAna Luiza,Eva,Maria Clara e Maria Eduarda
(todas com 5 anos) foram as pioneiras nessa
brincadeira que, aos poucos, foi ganhando
forma de projeto.Com rapidez,toda a turma
foienvolvida.Entreosmenores,olivrebrincar
possibilitavao prazerdosgestosemovimentos
espontâneos.Algunsparticipavam inicialmente
comocomoespectadoresedepoiscomoprotagonistas
de alguma postura-acrobacia.E entre os mais
experientes,eradiáriaabuscaporcompreender
eampliarseuslimitesepotencialidades.
Professoras:JulianeMotta
CaolineSaraiva
AngélicaMaia
Direção
Pedagógica:RenataSaraiva
Alunos:AnaLuiza,5anos.
AnaTargueta,5anos.
DanielCordeiro,3anos.
DaviBahia,5anos.
DaviEscobar,4nos.
EvaGentil,5anos.
MariaClara,6anos.
MariaEduarda,5anos.
MarinaLima,4anos.
MiguelVidal,4anos.
RafaelFranco,4anos.
HelenaNomoto,4anos.
HenriqueTuretta,5anos.
João Vitor,5anos.
LauraMichelin,5anos.
LucasPaulino,5anos.
ManuelaCavassan,3anos.
Para dar espaço às brincadeiras e
experimentações, o percurso foi
alimentado com referências do
esporte, das múltiplas linguagens
artísticas e principalmente com o
retorno das crianças: suas
interpretações e criações sempre nos
susurpreendiam.
Asbrincadeirasenarrativascorporais
ganharam centralidade em nossa
rotina e aos poucos foram revelando
as conquistas do corpo no espaço,a
criação deestratégiasparao trabalho
em grupo,aresoluçãodeconflitosea
importantemissão de(re)ligarcorpo
ee mente, o que Loris Malaguzzi,
importante educadoritaliano,em seu
poema“A criançaéfeitadecem”,nos
revela:
A criançatem cem linguagens(edepois,
cem,cem,cem),
Masroubaram-lhenoventaenove.
A escolaeaculturasepararam-lhea
cabeçadocorpo
Dizem-lhe:depensarsem asmãos,de
fazersem acabeça,deescutaredenão
falar.
AnaLuiza
Ao apreciarasimagens,diz:“Já seifazertudo isso”.Dela
surgeaideiadepegarascadeirasdo refeitório pararealizar
seusmovimentosdeextensão eresistência.
MariaClara
Acompanha o desenvolvimento da brincadeira e
sugere uma acrobacia em grupo.Como a tarefa se
mostra difícil, opta por posturas de chão.
João Vitor
FFoge das discussões e prefere trabalhar
sozinho.Maistarde,elege o irmão como parceiro
de exploração.Realiza movimentosdeforça,
equilíbrio eextensão utilizando ascadeirasnas
maisdiversasfunções: encosto,apoio,assento
eesconderijo.
Daniel
OO penetra número 1: Distante,
observa a movimentação do
grupo.Aproxima-se de mansinho
e, sem pedir licença, elege uma
cadeira e brinca no espaço com
movimentosespontâneosde velo-
cidade
Davi
O penetranúmero 2:Davitem os
olhosolhos atentos no irmão. Imita
seus movimentos e postura.Par-
ceiros, negociam as próximas
ações e se orgulham de suas in-
ventividades.
Primeirasessão:
Ressignificar
corpo eobjeto.
Transgredir.
Dasbarras
do
à
inventividade
do gesto:
o corpo
protagonista.
Quando as brincadeiras corporais
começaram, Maria pouco se
arriscavaem seusmovimentosepor
muitas vezes era expectadora de
seus colegas. Nas barras do
brinquedão, pouco se
arriscou, evitando os movimentos
“radicais”.“radicais”. Das poucas vezes que
tentou, precisou do suporte da
professora.Eranotávelsuafugaem
algunsmomentos.
Estrategicamente, Maria Clara
escondia-se nas barras para
explorarosmovimentos,e somente
quando sesentiaconfianteesegura
em uma acrobacia, nos chamava
com afinco para observá-la. Aos
poucos, Maria Clara foi
reconhecendoreconhecendo seu corpo e seus
limites e pôde assim,ampliarsuas
potencialidades por meio das
brincadeiras. Ganhou
autoconfiança ,sentiu-se capaz e
agora se arrisca.É ela quem agora
inicia as brincadeiras e nos chama
TTODOS OS DIAS para mostrar,no
brinquedão, novas acrobacias
realizadas.
Maria Clara é uma das criançasmaisexperientesdo grupo,no
entanto,mostrou-se receosa perante as propostas com desafios
corporais.
Recentemente até sentiu-se à vontade para mostraro que sabe:
sambar! Sambou daqui, sambou dali. Pés em movimento,
saltinhospelo chão.
Manuela (3a)olha a
sua foto e começa a
desenhar. Em meio
às suas linhas,
desconfio de sua
intençãoepergunto:
- O que você está
fazendo?fazendo?Ao queela
responde:- Esse é o
meu pulo. Depois,
segura forte na
caneta e reproduz o
movimento no
papel.
Daniel reproduz
seus movimentos no
papel com a mesma
rapidez com que
pulava na imagem;
transcreve a
velocidade de seu
cocorpo e pensamento
na folha em branco.
Termina a produção
em segundosediz:é
uma corrida.Olha os
bambolês!
Mediante corridas, saltos, passos
variados, mãos que tocam, que
acompanham a superfície do arco,
as crianças exploram o espaço
fazendo surgir delas os gestos
inéditos.
infância
“Olha,eufizigualele;entãosou
aLauraCais”
Laura(4a)aoreversuasimagensregistradasduranteumasessãocom objetoscotidianos.
Afim deampliaro repertório depossibilidadescorporaisdascrianças,apresenta-
mosalgumasimagensde obrasdo artista contemporâneo Nino Cais.Interessado
nasrelaçõesentrecorpoematéria,Ninofazusodeumasériedeelementoscomuns
eobjetosdo cotidiano.Talcombinação,corpo eobjeto,marcam o imaginário pre-
senteem suasobras.
Com a aproximação das crianças às obras de Nino,nossa intenção não foia de
imitarereproduzirsuasobras,massim decolocá-lasem processosanálogosaodo
artista.Portanto,suasinterpretaçõesecriaçõessão inéditas,carregadasdesubje-
tividadeeoriginalidade.
^
“Se
inspirar
éfazer
alguma
arteque
combina
com a
ararteque
outro
artista
criou”
MariaClara,6anos.
Lucas
Henrique
DaviBahia
M iguele
Davi
Miguel eDavi iniciam asessãocom
objetos do uso cotidiano. Primeiro
mergulham na brincadeira de faz de
conta(jogosimbólico).Elesjásabem
a função dosutensíliosdecozinha e
os utilizam no preparo da comida e
do “suco delaranja espremida”.
OsOs dois amigos exploram todos os
objetos,dialogam entre sie entram
em acordo portudo.
DeDe repente, as colheres viram
espadas de guerreiros e os objetos
passam a ser investigados em suas
quantidades: contam os furos das
escumadeiras,contam ascolheres,as
xícaras,ospratos...
Finalmente,giram ostecidos,giram
seusseus corpos e realizam uma
dança-brincadeiradefazervento.
Eva,AnaeDaviconversam sobre
as imagens artísticas que veem.
Discutem buscando compreender
o processo do artista. Falam
sobreequilíbrio,quedaegestos.
Davisegura uma das imagens e
diz:
-Eletásentindo.
-Como assim?
-Quando tádeolho fechado,en-
costaprasentir.
E dáparaconhecercoisassentin-
do-as?
Em seguida,otriosaiem pesqui-
sa:mochila,espelho,cano,livro,
extintor, chão e coração. Con-
centradas,ascriançasfecham os
olhose,poralgunssegundos,se
conectam com o mundo a sua
volta.O que o olho não via,o
corpo todo sentia.
-PaulKlee
M arina
eLaura
Estão numa sessão de
exploração e construção com
objetos similares aos
utilizados pelo artista Nino
Cais.
MarinaMarina é curiosa e logo
seleciona uma imagem da obra
de Nino e objetos. Pela
imitação, brinca de
equilibrar-se sobre as canecas
e faz esculturas empilhando
pratosecanecas.
LauraLaura observa e entra na
brincadeira, mas Marina não
aceita suas sugestões. Nesta
socialização,surgem “nãos” e
caras feias.As circunstâncias
aslevam abrincarsozinhas.
OO tempo passa e a construção
de ambas não “dá certo”.
Marinaconclui:
- Prô, eu não consigo
nenhuma!
ÉÉ preciso trabalhar em dupla
para unir objeto, corpo e
equilíbrio.
Ambas aceitam o desafio
decriarumaesculturajuntase,
sob muita negociação e
diálogo,constroem pontes:
-O que-O quevocêquerporaqui?
-Dáprafazerassim,olha!
João Vítorestá numa sessão com objetoscotidianos.Escolheum
prato como coadjuvante de sua narrativa.Fixa o olhare realiza
movimentos performáticos:com os pés firmes no chão,torce e
contorceseutroncodeum ladoparaoutro.Seurostogritaeconta
milhistórias.É que João se olha no espelho e vê a sua imagem
refletida. Vê a si mesmo e mergulha em cada gesto, em cada
expressão. João não é o ator que representa um papel, é o
perfoperformerque “vive o corpo numa situação de liberdade para a
criação”.
PatricePavis,DicionáriodeTeatro

Corpo, corpo: testando!

  • 1.
    Corpo,corpo:testando! “Prafazeracrobacia,tem queter fôlegoecorpoduro” MariaEduarda,5anos. Ao acompanharasbrincadeirasdascriançasno brinquedãobrinquedão– estrutura fixa com barras, degraus, colchonetes e incontáveis desafios psicomotores - notamos que algumas delas tentavam experimentar certas posturas com o corpo difíceis de realizar:um desejo genuíno de explorar os limites e sensações de se seus corpos. A esses gestos e movimentos brincantebrincantes,demoso nomede“acrobacias”. A convite das crianças que nos solicitavam a todo momento: “vem ver minha acrobacia”, passamos a olhar/escutar cotidiana e intencionalmente suas brincadeiras, compreendendo-as como um campo de investigação capaz de potencializar a expressividadeeainventividadedascrianças. AnaAna Luiza,Eva,Maria Clara e Maria Eduarda (todas com 5 anos) foram as pioneiras nessa brincadeira que, aos poucos, foi ganhando forma de projeto.Com rapidez,toda a turma foienvolvida.Entreosmenores,olivrebrincar possibilitavao prazerdosgestosemovimentos espontâneos.Algunsparticipavam inicialmente comocomoespectadoresedepoiscomoprotagonistas de alguma postura-acrobacia.E entre os mais experientes,eradiáriaabuscaporcompreender eampliarseuslimitesepotencialidades. Professoras:JulianeMotta CaolineSaraiva AngélicaMaia Direção Pedagógica:RenataSaraiva Alunos:AnaLuiza,5anos. AnaTargueta,5anos. DanielCordeiro,3anos. DaviBahia,5anos. DaviEscobar,4nos. EvaGentil,5anos. MariaClara,6anos. MariaEduarda,5anos. MarinaLima,4anos. MiguelVidal,4anos. RafaelFranco,4anos. HelenaNomoto,4anos. HenriqueTuretta,5anos. João Vitor,5anos. LauraMichelin,5anos. LucasPaulino,5anos. ManuelaCavassan,3anos. Para dar espaço às brincadeiras e experimentações, o percurso foi alimentado com referências do esporte, das múltiplas linguagens artísticas e principalmente com o retorno das crianças: suas interpretações e criações sempre nos susurpreendiam. Asbrincadeirasenarrativascorporais ganharam centralidade em nossa rotina e aos poucos foram revelando as conquistas do corpo no espaço,a criação deestratégiasparao trabalho em grupo,aresoluçãodeconflitosea importantemissão de(re)ligarcorpo ee mente, o que Loris Malaguzzi, importante educadoritaliano,em seu poema“A criançaéfeitadecem”,nos revela: A criançatem cem linguagens(edepois, cem,cem,cem), Masroubaram-lhenoventaenove. A escolaeaculturasepararam-lhea cabeçadocorpo Dizem-lhe:depensarsem asmãos,de fazersem acabeça,deescutaredenão falar.
  • 2.
    AnaLuiza Ao apreciarasimagens,diz:“Já seifazertudoisso”.Dela surgeaideiadepegarascadeirasdo refeitório pararealizar seusmovimentosdeextensão eresistência. MariaClara Acompanha o desenvolvimento da brincadeira e sugere uma acrobacia em grupo.Como a tarefa se mostra difícil, opta por posturas de chão. João Vitor FFoge das discussões e prefere trabalhar sozinho.Maistarde,elege o irmão como parceiro de exploração.Realiza movimentosdeforça, equilíbrio eextensão utilizando ascadeirasnas maisdiversasfunções: encosto,apoio,assento eesconderijo. Daniel OO penetra número 1: Distante, observa a movimentação do grupo.Aproxima-se de mansinho e, sem pedir licença, elege uma cadeira e brinca no espaço com movimentosespontâneosde velo- cidade Davi O penetranúmero 2:Davitem os olhosolhos atentos no irmão. Imita seus movimentos e postura.Par- ceiros, negociam as próximas ações e se orgulham de suas in- ventividades. Primeirasessão: Ressignificar corpo eobjeto. Transgredir.
  • 3.
  • 4.
    Quando as brincadeirascorporais começaram, Maria pouco se arriscavaem seusmovimentosepor muitas vezes era expectadora de seus colegas. Nas barras do brinquedão, pouco se arriscou, evitando os movimentos “radicais”.“radicais”. Das poucas vezes que tentou, precisou do suporte da professora.Eranotávelsuafugaem algunsmomentos. Estrategicamente, Maria Clara escondia-se nas barras para explorarosmovimentos,e somente quando sesentiaconfianteesegura em uma acrobacia, nos chamava com afinco para observá-la. Aos poucos, Maria Clara foi reconhecendoreconhecendo seu corpo e seus limites e pôde assim,ampliarsuas potencialidades por meio das brincadeiras. Ganhou autoconfiança ,sentiu-se capaz e agora se arrisca.É ela quem agora inicia as brincadeiras e nos chama TTODOS OS DIAS para mostrar,no brinquedão, novas acrobacias realizadas. Maria Clara é uma das criançasmaisexperientesdo grupo,no entanto,mostrou-se receosa perante as propostas com desafios corporais. Recentemente até sentiu-se à vontade para mostraro que sabe: sambar! Sambou daqui, sambou dali. Pés em movimento, saltinhospelo chão.
  • 5.
    Manuela (3a)olha a suafoto e começa a desenhar. Em meio às suas linhas, desconfio de sua intençãoepergunto: - O que você está fazendo?fazendo?Ao queela responde:- Esse é o meu pulo. Depois, segura forte na caneta e reproduz o movimento no papel. Daniel reproduz seus movimentos no papel com a mesma rapidez com que pulava na imagem; transcreve a velocidade de seu cocorpo e pensamento na folha em branco. Termina a produção em segundosediz:é uma corrida.Olha os bambolês!
  • 6.
    Mediante corridas, saltos,passos variados, mãos que tocam, que acompanham a superfície do arco, as crianças exploram o espaço fazendo surgir delas os gestos inéditos.
  • 7.
    infância “Olha,eufizigualele;entãosou aLauraCais” Laura(4a)aoreversuasimagensregistradasduranteumasessãocom objetoscotidianos. Afim deampliarorepertório depossibilidadescorporaisdascrianças,apresenta- mosalgumasimagensde obrasdo artista contemporâneo Nino Cais.Interessado nasrelaçõesentrecorpoematéria,Ninofazusodeumasériedeelementoscomuns eobjetosdo cotidiano.Talcombinação,corpo eobjeto,marcam o imaginário pre- senteem suasobras. Com a aproximação das crianças às obras de Nino,nossa intenção não foia de imitarereproduzirsuasobras,massim decolocá-lasem processosanálogosaodo artista.Portanto,suasinterpretaçõesecriaçõessão inéditas,carregadasdesubje- tividadeeoriginalidade. ^
  • 8.
  • 9.
  • 10.
    M iguele Davi Miguel eDaviiniciam asessãocom objetos do uso cotidiano. Primeiro mergulham na brincadeira de faz de conta(jogosimbólico).Elesjásabem a função dosutensíliosdecozinha e os utilizam no preparo da comida e do “suco delaranja espremida”. OsOs dois amigos exploram todos os objetos,dialogam entre sie entram em acordo portudo. DeDe repente, as colheres viram espadas de guerreiros e os objetos passam a ser investigados em suas quantidades: contam os furos das escumadeiras,contam ascolheres,as xícaras,ospratos... Finalmente,giram ostecidos,giram seusseus corpos e realizam uma dança-brincadeiradefazervento.
  • 11.
    Eva,AnaeDaviconversam sobre as imagensartísticas que veem. Discutem buscando compreender o processo do artista. Falam sobreequilíbrio,quedaegestos. Davisegura uma das imagens e diz: -Eletásentindo. -Como assim? -Quando tádeolho fechado,en- costaprasentir. E dáparaconhecercoisassentin- do-as? Em seguida,otriosaiem pesqui- sa:mochila,espelho,cano,livro, extintor, chão e coração. Con- centradas,ascriançasfecham os olhose,poralgunssegundos,se conectam com o mundo a sua volta.O que o olho não via,o corpo todo sentia. -PaulKlee
  • 13.
    M arina eLaura Estão numasessão de exploração e construção com objetos similares aos utilizados pelo artista Nino Cais. MarinaMarina é curiosa e logo seleciona uma imagem da obra de Nino e objetos. Pela imitação, brinca de equilibrar-se sobre as canecas e faz esculturas empilhando pratosecanecas. LauraLaura observa e entra na brincadeira, mas Marina não aceita suas sugestões. Nesta socialização,surgem “nãos” e caras feias.As circunstâncias aslevam abrincarsozinhas. OO tempo passa e a construção de ambas não “dá certo”. Marinaconclui: - Prô, eu não consigo nenhuma! ÉÉ preciso trabalhar em dupla para unir objeto, corpo e equilíbrio. Ambas aceitam o desafio decriarumaesculturajuntase, sob muita negociação e diálogo,constroem pontes: -O que-O quevocêquerporaqui? -Dáprafazerassim,olha!
  • 14.
    João Vítorestá numasessão com objetoscotidianos.Escolheum prato como coadjuvante de sua narrativa.Fixa o olhare realiza movimentos performáticos:com os pés firmes no chão,torce e contorceseutroncodeum ladoparaoutro.Seurostogritaeconta milhistórias.É que João se olha no espelho e vê a sua imagem refletida. Vê a si mesmo e mergulha em cada gesto, em cada expressão. João não é o ator que representa um papel, é o perfoperformerque “vive o corpo numa situação de liberdade para a criação”. PatricePavis,DicionáriodeTeatro