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Autor: Mauricio Campos
2015
2° Edição
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CAPA DO LIVRO – XILOGRAVURA
Foi a xilogravura que mostrou aos europeus as primeiras imagens do Brasil
A xilogravura utilizada na capa do livro pertence ao livro de Hans Staden,
“Verdadeira história dos selvagens, nus e devoradores de homens,
encontrados no novo mundo, a América. Publicado em 1557, em Marburgo,
Alemanha.
Xilogravura ou xilografia é a técnica de gravura na qual se
utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada
sobre o papel ou outro suporte adequado. É um processo muito parecido com
um carimbo.
É uma técnica em que se entalha na madeira, com ajuda de um instrumento
cortante, a figura ou forma (matriz) que se pretende imprimir. Após este
procedimento, usa-se um rolo de borracha embebida em tinta, tocando só as
partes elevadas do entalhe. O final do processo é a impressão em alto
relevo em papel ou pano especial, que fica impregnado com a tinta, revelando
a figura.
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Mauricio Campos
Bartender desde os 18 anos, teve a oportunidade de morar
em todas as regiões do Brasil, passando pelos estados de São
Paulo (aonde nasceu), Santa Catarina, Paraná, Goiás,
Tocantins e Ceará. Durante 13 anos de viagens pelo País,
passou por 22 estados e mais de 600 cidades.
Hoje é associado do movimento Slow Food e defensor assíduo
da Profissão. Em 2012, assumiu o compromisso de lutar pela
Regularização da Profissão de Bartender, em busca de
melhorias nas condições de trabalho de centenas de
milhares de profissionais do setor.
E como forma de fortalecer o crescimento da profissão, já
apoiou mais de 40 Torneios e 10 Bartenders em competições
em 15 países.
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INDICE
VIAJANTES (RELATOS SOBRE O BRASIL, SÉCULOS XVI A XIX) ........................4
A CONTRIBUIÇÃO ÁRABE PARA O BRASIL ....................................................41
AMAZÔNIA ......................................................................................................46
BIOPIRATARIA ................................................................................................ 65
SLOW FOOD.................................................................................................... 67
ALIMENTOS ORGÂNICOS............................................................................... 81
AGRICULTURA FAMILIAR.............................................................................. 106
TRANSGÊNICOS............................................................................... .............110
BIODIVERSIDADE............................................................................................115
A “ILUSÃO” DA DIVERSIDADE DAS MARCAS.............................................. 126
TECNOLOGIA E COQUETELARIA...................................................................134
SISTEMAS DE FILTRAGEM...............................................................................141
BEBIDAS INDÍGENAS......................................................................................145
ADOÇANTES ALTERNATIVOS.........................................................................195
MANIFESTO PELAS FRUTAS BRASILEIRAS...................................................... 240
BEBIDAS REGIONAIS..................................................................................... 246
INGREDIENTES AMAZÔNICOS...................................................................... 263
MERCADO DO VER O PESO......................................................................... 399
POPULAÇÕES.................................................................................................409
CERRADO.......................................................................................................423
CAATINGA.....................................................................................................457
DECORAÇÃO.................................................................................................580
PRODUTOS ARTESANAIS................................................................................601
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O “UMAMI” BRASILEIRO............................................................................... 623
TRANSTORNO DE DÉFICIT DE NATUREZA.......................................................629
LICORES REGIONAIS.....................................................................................631
CAPETEIROS....................................................................................................638
RASPA – RASPA..............................................................................................640
FLOR DE SAL BRASILEIRO..............................................................................642
CACHAÇA, HISTÓRIA E CURIOSIDADES...................................................... 643
CAIPIRINHA....................................................................................................658
BARES MAIS ANTIGOS EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL..........................755
REFRIGERANTES REGIONAIS..........................................................................761
UVA ISABEL.....................................................................................................773
MENUS DA ÉPOCA DO IMPÉRIO NO BRASIL................................................781
CAFÉ...............................................................................................................788
MANDIOCA....................................................................................................817
MILHO........................................................................................................... 832
BIOFILMES / BIOPOLÍMEROS..........................................................................842
COMO FAZER UMA HORTA.......................................................................... 846
INSETOS..........................................................................................................853
PLANTAS ALIMETÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS ( PANCS)..........................857
ARQUEOLOGIA..............................................................................................862
ARQUEOLOGIA BIOMOLECULAR................................................................. 898
ECONOMIA CRIATIVA...................................................................................918
ECONOMIA DA EXPERIÊNCIA.......................................................................943
PEDAGOGIA HISTÓRICO CRÍTICA............................................................... 945
REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE BARTENDER...................................950
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DICAS DE LIVROS...........................................................................................954
ENDEREÇOS ÚTEIS PARA COMPRAS.............................................................967
CONTATOS PARA AQUISIÇÃO DE ALGUNS INGREDIENTES DO BRASIL..... 968
CENTROS DE PESQUISA..................................................................................970
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Mapa de Viagens
Viajamos por todas as regiões do Brasil
Estivemos em 22 estados e mais de 600 cidades
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Viajantes (relatos sobre o Brasil, séculos XVI a XIX)
Os viajantes foram, portanto, os grandes cronistas da vida brasileira dos
séculos XVI a XIX, descrevendo em suas obras aspectos da terra, da gente,
dos usos e costumes do Brasil. Todas as obras citadas no texto podem ser
consultadas na Biblioteca Central Blanche Knopf da Fundação Joaquim
Nabuco.
A presença de viajantes estrangeiros e seus relatos publicados sobre o
Brasil, datam do século XVI. Existem mais de 260 obras, em várias línguas,
onde os autores falam dos habitantes, vida social, usos e costumes, fauna,
flora e outros aspectos da antiga colônia portuguesa, principalmente durante o
século XIX, depois que Dom João VI decretou abertura dos portos brasileiros,
em 1808. Com abertura dos portos houve um incremento da navegação e o
consequente aumento da presença estrangeira no país.
O primeiro a narrar a história primitiva do país foi Pero Vaz de Caminha,
em carta que enviou a D. Manoel I, Rei de Portugal, quando encontrou a Terra
de Santa Cruz.
Ainda do século XVI são também os relatos de Hans Staden, Viagem ao
Brasil (1557) e o de Jean de Léry, Viagem à terra do Brasil, (1574).
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Genebra - 1586
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Dessa grande quantidade de estrangeiros, viajantes e aventureiros
(ingleses, franceses, alemãs, portugueses), que escreveram suas impressões e
crônicas sobre o Brasil, pode-se destacar alguns que estiveram no Nordeste
Brasileiro e fizeram seus relatos sobre a região.
Uma das melhores narrativas sobre o Nordeste na primeira metade do
século XIX, é a do inglês Henry Koster, que escreveu o livro Travels in Brazil,
publicado em Londres, em 1816. Em 1898, foi traduzido por Antônio C. de A.
Pimenta e publicado na Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e
Geográfico Pernambucano. Porém, sua primeira edição em livro no Brasil é de
1942, com tradução de Luís da Câmara Cascudo sob o título Viagens ao
Nordeste do Brasil.
Como uma complementação ao relato de Koster, o francês Louis
François de Tollenare escreveu, entre 1816 e 1818, um diário onde aborda
aspectos importantes da vida social e política, usos e costumes, festas
populares, escravidão, movimentos políticos e economia da sociedade da
época. As partes referentes aos estados de Pernambuco e da Bahia foram
traduzidas por Alfredo de Carvalho e publicadas sob o título de Notas
dominicais, nas Revistas do Instituto Arqueológico e Geográfico
Pernambucano, em 1904 (v.61), e do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia,
em 1907 (v.14).
Um outro relato importante é o James Henderson, viajante e diplomata
inglês que esteve no Brasil de 1819 a 1821 e escreveu o livro (ainda sem
tradução para o português), A history of Brazil: comprising its geography,
commerce, colonization, aboriginal inhabitants (Uma história do Brasil:
compreendendo sua geografia, comércio, colonização, habitantes aborígenes),
publicado em Londres, em 1821.
O alemão Johan Moritz Rugendas tem uma obra significativa para o
estudo das características físicas, hábitos e costumes da população negra e
índia, assim como dos mulatos e mestiços que formam hoje a chamada raça
brasileira. O livro foi traduzido para a língua portuguesa e publicado, em 1940,
sob o título Viagem pitoresca através do Brasil.
Outro relato importante sobre o Brasil e o Nordeste do século XIX é o da
inglesa Maria Graham, que esteve por três vezes no país e escreveu o Diário
de uma viagem ao Brasil e de uma estada nesse país durante parte dos anos
de 1821, 1822 e 1823 (título em português), publicado na Série Brasiliana, v. 8,
em 1956.
Dois cientistas alemães, Johan Baptist von Spix e Karl Friedrich Philip
von Martius, realizaram uma grande viagem pelo interior do Brasil, entre os
anos de 1817 e 1820, percorrendo várias províncias, seguindo através do rio
São Francisco, por Minas Gerais e Bahia, passando pelo sertão de
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Pernambuco, Piauí e Maranhão, analisando e fazendo anotações sobre as
populações rurais. Suas anotações foram traduzidas para o português e
publicadas pela Imprensa Nacional, sob o título Viagem pelo Brasil, em 1938.
Richard Francis Burton foi um dos maiores viajantes ingleses do século
XIX. Em 1865, foi nomeado cônsul britânico em Santos e, em 1867, conseguiu
permissão para uma viagem pelo Brasil, que durou cinco meses. Visitou o Rio
de Janeiro, Minas Gerais, Paulo Afonso, na Bahia, indo até Penedo, em
Alagoas, seguindo pelo rio São Francisco, que denominou de “Mississipi
brasileiro”. Suas observações foram registradas no livro, Explorations of the
highlands of the Brazil, publicado em Londres, em 1869 e traduzido para o
português com o título Viagens aos planaltos do Brasil (1941).
As narrativas dos viajantes, reunidas em livros, impressos às vezes em
mais de uma edição e em diversas línguas, fizeram muito sucesso na época,
sendo disputados pelo público interessado em descrições de povos e costumes
exóticos.
A viagem que revelou a biodiversidade do Brasil ao Mundo
Durante três anos, de 1817 a 1820, o naturalista alemão Carl von Martius
percorreu 10 mil km no interior do Brasil, de São Paulo ao Amazonas,
realizando um levantamento de plantas jamais superado no país. Após essa
viagem, as descrições das espécies coletadas foram reunidas na Flora
brasiliensis, maior obra sobre a flora de um país da história da botânica. Essa
foi a primeira indicação de que o Brasil apresentava uma das maiores
diversidades de plantas do mundo.
Carl von Martius
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Raimundo Paulo Barros Henriques
Departamento de Ecologia, Universidade de Brasília
O início da viagem que revelaria a incomparável diversidade da flora brasileira
ao mundo não foi nada animador. Logo após sair do Rio de Janeiro, a 8 de
dezembro de 1817, Carl Friedrich Phillipp von Martius (1794-1868) ficou
desolado. Em Santa Cruz, no caminho para São Paulo, as mulas assustaram-
se, deixando para trás pessoas, mantimentos e equipamentos. Reunidos os
animais, o grupo seguiu viagem. Naquele momento, Martius não imaginava as
enormes dificuldades que enfrentaria em sua viagem de três anos pelo interior
do Brasil, nem que seu nome ficaria ligado em definitivo às pesquisas sobre
plantas das regiões tropical e subtropical das Américas.
Viajar pelo Brasil naquele tempo era uma empreitada de alto risco, que podia
até levar à morte, em ataques de grupos indígenas ou de animais estranhos.
Não era raro os viajantes contraírem graves doenças ainda desconhecidas,
como malária ou febre amarela. Vários naturalistas da época sofreram com
essas e outras doenças em suas expedições pela América do Sul. O francês
Aimé Bonpland (1773-1858), que esteve na América Central e na Amazônia
venezuelana com o barão alemão Alexander von Humboldt (1769-1859),
contraiu malária em 1800. Os viajantes eram pessoas de ambos os sexos, de
classes sociais variadas, profissão e formação intelectual diversificada, que
descreveram aspectos do Brasil, através de crônicas, relatos de viagem,
correspondência, memórias, diários, álbuns de desenhos.
O conjunto de obras deixadas por eles integra a chamada literatura de
viagem e se constitui numa literatura de testemunhos, cujos registros e
observações ajudam a conhecer a realidade do Brasil da época.
Em alguns casos, o isolamento prolongado e o estresse decorrente das duras
condições das viagens levavam a distúrbios mentais, transitórios ou
permanentes, como aconteceu com o diplomata e naturalista russo Georg von
Langsdorff (1774-1852) no final de sua viagem ao Amazonas, entre 1826 e
1828. A viagem de Martius custaria a morte de dois de seus auxiliares. Além
disso, Martius e o zoólogo Johann Baptiste von Spix (1781-1826), que o
acompanhava, tiveram malária e o segundo, debilitado, morreria apenas seis
anos depois de retornar à Alemanha.
Efeito Humboldt
É difícil imaginar hoje, na era do ecoturismo para as mais remotas regiões do
planeta, quanta admiração e atração causaram, nos europeus do início do
século 19, as palestras e livros do barão von Humboldt, que viajou pela
América Central e pelo noroeste da América do Sul entre 1799 e 1804. Essa
viagem, inicialmente planejada para ser no Brasil, não recebeu autorização da
corte portuguesa. A crescente necessidade de conhecimento sobre a América
colonial substituiu o explorador aventureiro pelo profissional de ciência da
época: o naturalista. O assunto ganhou importância, virando questão de
Estado. As cortes da Prússia (parte da atual Alemanha) e da Rússia enviaram
naturalistas ao Brasil, após a viagem de Martius. Às vezes membros da
nobreza europeia participavam pessoalmente das expedições, como o príncipe
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da Renânia (hoje também na Alemanha), Maximilian Wied-Neuwied (1782-
1867), que viajou do Rio de Janeiro à Bahia de 1815 a 1817.
O Brasil atraiu o interesse dos naturalistas europeus por razões políticas. Ao
contrário de alguns países hispano-americanos, o Brasil obteve sua
independência sem conflitos, em parte por ter servido de exílio para a família
real portuguesa, o que tornava a viagem mais segura. Outro motivo de
interesse era o pouco conhecimento da natureza brasileira. Isso pode ser
constatado pela carta enviada, a 12 de fevereiro de 1765, pelo ‘pai’ da moderna
classificação biológica, o sueco Carl von Linné (ou Lineu, 1707-1778), ao
italiano Domenico Vandelli (c.1735-1816), então professor na Universidade de
Coimbra, em Portugal:
“Oxalá possas ir ao Brasil, terra onde nunca ninguém andou, exceto
Marcgrave..., mas em um tempo em que não estava acesa nenhuma luz da
história natural; agora tudo deve ser de novo descrito à luz. Tu estás apto para
isso, és solidíssimo nas coisas da natureza, infatigável na inquirição,
habilíssimo nos belos desenhos.”
Carl Martius nasceu em Erlangen, no reino da Baviera (parte da Alemanha).
Seu pai, Ernst Martius (1756-1849), era farmacêutico, professor da
universidade local e sócio fundador da Sociedade Botânica de Ratisbona. O tio
Heinrich Martius (1781-1831) foi o autor de Prodromus florae mosquensis,
sobre a flora da região de Moscou. A casa de Ernst Martius era freqüentada
pelo botânico e zoólogo Johann Schreber (1739-1810), ex-aluno de Linné, que
talvez tenha influenciado o interesse do jovem Carl pelas plantas. Este
começou a estudar medicina aos 16 anos, na Universidade de Erlangen,
obtendo o grau de doutor em 1814, com uma dissertação sobre as plantas do
Jardim Botânico da cidade.
Nessa ocasião, o rei da Baviera, Maximiliano José I, enviou a Erlangen o
botânico e entomologista Franz von Schrank (1747-1835) e o zoólogo Johann
Baptiste von Spix para comprarem o herbário de Schreber. Spix (que viajaria
com Martius pelo Brasil) e Schrank ficaram tão impressionados com o jovem
Carl que o recomendaram para o Jardim Botânico da Academia de Ciências da
Baviera, em Munique. Assim, ao final do curso, Martius foi para Munique, onde
aperfeiçoou seus estudos botânicos.
Como europeu, Martius certamente tinha grande curiosidade pela América,
devido à leitura dos livros de Humboldt. Este é citado com frequência por Mar -
tius no diário de sua viagem pelo Brasil – antes dessa viagem, as informações
sobre as plantas do Brasil eram escassas. A oportunidade para a vinda à
América do Sul surgiu após a invasão de Portugal pelo exército de Napoleão
Bonaparte e a transferência da família real portuguesa, e de toda a corte, para
o Rio de Janeiro, onde chegaram no início de 1808. Com a sede do império
português no agora reino do Brasil, o regente D. João mudaria de posição
quanto à entrada de estrangeiros. Assim, nas negociações para o casamento
de D. Pedro de Alcântara (depois D. Pedro I) com a arquiduquesa da Áustria,
D. Carolina Josefa Leopoldina, foi incluído o envio, pela Academia Real de
Ciências da Áustria, de uma missão científica e artística ao Brasil. O rei da
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Baviera aproveitou a ocasião para integrar a essa missão tanto Martius, pela
Academia de Ciências da Baviera, quanto Spix, pelo Museu Zoológico de
Munique (ver ‘Missão austríaca alemã’). A comitiva de D. Leopoldina partiu de
Trieste, hoje na Itália, em 10 de abril de 1817. Martius chegou ao Brasil em 15
de julho de 1817 e realizou suas primeiras observações na cidade do Rio de
Janeiro e arredores, em excursões ao Corcovado, ao Pão de Açúcar e à lagoa
Rodrigo de Freitas, com von Langsdorff, cônsul da Rússia. Fez também uma
curta viagem à serra dos Órgãos, a cerca de 90 km do Rio de Janeiro, quando
conheceu as duras condições que teria de enfrentar no país. Seu espanto com
a diversidade tropical está claro no primeiro relatório da viagem ao rei da
Baviera:
“Diante de tanta riqueza de formas, não temos mãos e olhos suficientes para
realizar nosso trabalho. Cada um de nós teria que ser pintor, empalhador,
caçador e herborista para poder representar e reunir toda esta riqueza.”
O interior do Brasil
Martius tinha 23 anos quando iniciou a viagem pelo Brasil, com Spix e o pintor
austríaco Thomas Ender (1793-1875). Partiu com destino a São Paulo, a
cavalo, com três guias e uma tropa de mulas. Após a travessia da mata
atlântica na serra do Mar, eles surpreenderam se, ao chegar a Taubaté, no vale
do rio Paraíba do Sul, na província paulista, com a mudança na aparência da
vegetação. A floresta densa que observavam desde a partida, com árvores
altas, de copa fechada e galhos cobertos de outras plantas, deu lugar a uma
vegetação aberta de campo, com árvores baixas de casca espessa, chamada
de tabuleiro ou cerrado pela população local. O grupo chegou à cidade de São
Paulo no final de dezembro, e dali retornou ao Rio de Janeiro.
Spix e Martius foram para o interior, a 9 de janeiro de 1818, passando por
Sorocaba e cruzando as serras ao norte de Atibaia, em direção à província das
Minas Gerais. Nessa altura, já tinham estabelecido a rotina de trabalho que
seguiriam em toda a viagem. Eles cavalgavam das 6 h às 14 h, quando
paravam em um abrigo de tropeiros ou em uma fazenda, descarregavam as
mulas e faziam sua segunda refeição, com as aves ou mamíferos caçados
durante a marcha do dia (na Amazônia, depois, canoas substituíram os cavalos
e essa refeição era baseada em peixes). Durante a manhã realizavam as
principais observações e coletas de plantas e animais. Após a parada das 14 h,
faziam outras observações e coletas nos arredores do local de repouso,
preparavam e embalavam os espécimes coletados e atualizavam os registros e
as anotações no diário de viagem. Em Minas Gerais seguiram até Ouro Preto e
dali para Diamantina. Cruzaram o rio São Francisco e alcançaram o nordeste
de Goiás, chegando à lagoa Feia, em Formosa, a apenas 70 km de onde hoje
é Brasília. Nesse percurso Martius encontrou de novo a vegetação de cerrado,
só que em muito maior extensão. Depois voltaram ao São Francisco, mas em
Januária, na Bahia. Ali Martius registrou um terceiro tipo de vegetação, a
caatinga, com espécies mais adaptadas a períodos secos.
Na caatinga, em duas ocasiões, a escassez de água traria grandes problemas
para Martius e Spix. Na primeira, no sertão baiano, atravessando a serra de
Sincorá, a forragem para os animais e a água praticamente se esgotaram,
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obrigando-os a beber água acumulada em cacimbas e bromélias. Ambos
ficaram doentes, mas, socorridos por um tropeiro, chegaram a Salvador (BA)
em novembro de 1818. Na segunda, após partirem (em fevereiro de 1819)
rumo ao Piauí, ficaram sem água no centro-oeste da Bahia, entre Coité e Rio
do Peixe. Bebiam o orvalho depositado sobre lajes de pedra e a água salobra
de cacimbas, e adoeceram de novo, juntamente com alguns tropeiros.
Apesar das dificuldades, Martius fez observações e registros em seu diário
sobre a vegetação da caatinga. Reconheceu diferenças na vegetação dentro
da própria caatinga e associou claramente a mudança na vegetação do litoral
para o interior com a redução das chuvas nessa segunda região, em função da
barreira natural que as chapadas, como as de Borborema, Araripe e
Diamantina, representavam para os ventos oceânicos úmidos. Essa relação
entre relevo, clima e vegetação só seria bem compreendida pelos
meteorologistas mais de um século depois.
Após atravessar mais uma vez o São Francisco, na altura de Juazeiro,
seguiram pelo oeste de Pernambuco, em direção ao Piauí. Depois de passar
por Oeiras, antiga capital da província do Piauí, em maio, alcançaram o rio
Parnaíba, mas os dois amigos estavam tão doentes e debilitados que não
conseguiam cavalgar, sendo transportados em redes. Já no Maranhão, a 56
km de Caxias, Spix entrou em coma. Temendo pela vida do amigo, Martius,
mesmo com febre, seguiu na frente da tropa, a cavalo, para buscar ajuda na
cidade. Ao chegar à cidade, entregou ao juiz as autorizações reais para o
trabalho na província e desmaiou, devido ao cansaço e à doença. Depois de
um período de descanso em Caxias, ambos se recuperaram e partiram para
São Luís. Atingiram essa cidade no início de junho e, após algumas excursões
por rios próximos, seguiram de navio para Belém a 20 de julho.
“A meta almejada”. É com essa frase que Martius se refere, em seu diário, à
terceira e última etapa da expedição. Ele desembarcou em Belém a 25 de julho
de 1819 e começou a viagem pelo rio Amazonas quase um mês depois.
O desejo de conhecer a Amazônia era tão grande que, antes de iniciar a subida
do rio, ficou várias noites sem conseguir dormir de ansiedade.
Os dois viajantes fizeram uma incursão pelo rio Tocantins e depois subiram o
rio Amazonas, passando por Manaus em outubro e aportando em Tefé (Ega,
na época), no final de novembro. Dali, Spix subiu o rio Solimões até Tabatinga,
na fronteira com Peru e Colômbia, enquanto Martius subiu o rio Japurá até
Araracoara, também na fronteira com a Colômbia. Eles se reencontrariam em
Manaus, em março de 1820. Durante essa viagem Martius fez as primeiras
descrições do uso de produtos vegetais locais, como a extração e o preparo do
látex da seringueira (Hevea brasiliensis), do guaraná (Paullinia cupana) e do
cumaru (Dipterix odorata). Relatou também como os índios usavam, para
pescar, extratos de plantas que entorpecem, como o açaçu (Hura crepitans e
Hura brasiliensis) e o timbó (Paullinia pinnata), além do cultivo e uso de epadu
(Erythroxylum coca), de efeito alucinógeno, pelas tribos do alto Solimões. Tais
descrições, com as informações etnográficas (sobre os hábitos e a cultura dos
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índios) coletadas por Martius, o colocam como um precursor da etnobotânica,
disciplina que surgiria mais de um século depois de sua viagem pelo Brasil.
Percurso da Expedição de 1817 a 1820
Depois da viagem
Os amigos partiram de Belém, na volta à Europa, a 13 de junho de 1820. O
relato da aventura, intitulado Reise in Brasilien (Viagem pelo Brasil), foi
publicado em três volumes, entre 1823 e 1831, com mapas do Brasil (os
melhores da época) indicando as regiões percorridas e 40 estampas baseadas
em desenhos originais de ambos. Esse relato foi um grande sucesso editorial e
deu notoriedade a Martius, nomeado em 1826 professor da Universidade de
Munique e em 1832 diretor do Jardim Botânico de Munique (onde trabalhou até
sua morte). O trabalho realizado por Martius foi extraordinário, mesmo para os
padrões atuais. Quando a viagem terminou, Martius havia percorrido 10 mil km,
de norte a sul e de leste a oeste do Brasil. Começando no Rio de Janeiro, ele
atravessou São Paulo, Minas Gerais, parte de Goiás, Bahia, Pernambuco,
Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas, chegando à fronteira colombiana.
Coletou e registrou milhares de plantas, apontando muitas novas famílias,
gêneros e espécies – dados divulgados em várias publicações, inclusive a
monumental Flora brasiliensis. Martius ainda preparou o primeiro mapa
fitogeográfico do Brasil, que não difere muito do último mapa de biomas do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
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Biodiversidade Brasileira
Ao retornar à Alemanha, Martius levou cerca de 10 mil plantas e, a partir de
1823, começou a publicar seus resultados botânicos sobre os espécimes
coletados na viagem. Seu trabalho inicial foi dedicado especialmente à
descrição de novas famílias, gêneros e espécies. Entre as espécies
descobertas por Martius estão o açaí (Euterpe oleracea), o palmito (Euterpe
edulis) e o babaçu (Orbygnia speciosa). Em seguida, encorajado pelo
príncipe von Metternich, planeja a Flora brasiliensis. O primeiro fascículo dessa
obra gigantesca, publicado em 1840, descreve as unidades fitogeográficas do
Brasil, com ilustrações sobre os diferentes tipos de vegetação, baseadas em
desenhos de Ender e do próprio Martius. A Flora teve apoio financeiro do
imperador da Áustria (Ferdinando José I), do novo rei da Baviera (Ludovico I) e,
a partir de 1850, do imperador brasileiro D. Pedro II. A subvenção brasileira
não foi retirada com a proclamação da República, em 1889, mantendo- se até a
publicação do último volume, em 1906.
A Flora brasiliensis é o maior projeto de catalogação de uma flora da história da
botânica. Foi organizada em 140 fascículos, com 40 partes distintas agrupadas
em 15 volumes. Trabalharam na obra 60 dos maiores botânicos da época.
Nela são descritas 22.767 espécies de plantas, das quais 5.689 eram novas
para a ciência. A publicação completa demorou 67 anos, e só terminou 48
anos após a morte de Martius. A obra foi também a primeira estimativa da
biodiversidade brasileira. O Brasil, hoje, é considerado o país mais rico em
plantas do mundo, com cerca de 35 mil espécies conhecidas, mas
estimativas apontam um número real entre 40 mil e 100 mil espécies
vegetais. Na Flora brasiliensis as 22.767 espécies foram inventariadas em 67
anos, o que corresponde a 340 espécies por ano. Já as espécies
acrescentadas ao inventário da flora brasileira desde o final da publicação da
obra, em 1906, até a última compilação de espécies de plantas do Brasil
(realizada em 2001 pelo botânico Rafaël Govaerts, do Jardim Botânico Real,
em Kew, na Inglaterra) somam 12 mil, em 95 anos – a uma taxa, portanto, de
126 espécies por ano.
Isso indica que o trabalho realizado na Flora brasiliensis – por Martius e outros
autores – foi 2,8 vezes mais eficiente que o feito depois. Mesmo considerando
que o acúmulo histórico de conhecimento sobre a flora torna cada vez mais
difícil encontrar espécies novas, essa eficiência pode ser creditada em grande
parte ao modelo de planejamento, coleta e registro do naturalista alemão,
adequado para inventariar a fauna de regiões tropicais e subtropicais. Apesar
de todos os recursos tecnológicos atuais, como computadores e fotografias
digitais, os botânicos do Brasil e das regiões tropicais ainda têm muito o que
aprender com Martius.
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Frutas Brasileiras por Albert Eckhout
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Mais de um século depois de sua proibição, o livro
Cultura e opulência aguçou a curiosidade de
historiadores. Afinal, quem foi Antonil ?
 Quando o reitor do Colégio dos Jesuítas da Bahia, o padre João António
Andreoni – usando o pseudônimo de “André João Antonil” –, mandou para
Lisboa o manuscrito da obra que havia acabado de escrever, Cultura e
opulência do Brasil por suas drogas e minas, mal podia imaginar o que o
destino lhe reservava. No mesmo mês em que saiu do prelo da Oficina Real
Deslandiana, em março de 1711, a obra foi destruída por ordem real.
Raríssimos exemplares escaparam das chamas. Mas que razões havia por trás
dessa decisão?
Como qualquer outro livro, o de Antonil também havia sido submetido ao
exame dos censores, que deveriam reprová-lo caso seu conteúdo estivesse em
desacordo com a moral, a religião e os costumes vigentes. O curioso é saber o
que poderia haver de tão condenável em uma obra que tratava apenas de
assuntos econômicos, como rezava seu título completo:Cultura e Opulência do
Brasil por suas drogas e minas, com várias notícias curiosas do modo de fazer
o açúcar, plantar e beneficiar o tabaco, tirar ouro das minas e descobrir as da
prata; e dos grandes emolumentos que esta Conquista da América meridional
dá ao Reino de Portugal com estes e outros géneros e contratos reais. E mais:
ela havia sido “oferecida aos que desejam ver glorificado nos altares ao
venerável Padre José de Anchieta, sacerdote da Companhia de Jesus,
missionário apostólico e novo taumaturgo do Brasil”.
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O livro foi submetido às censuras obrigatórias entre 8 de novembro de 1710 e 6
de março de 1711, e acabou sendo aprovado. Os censores do Santo Ofício
declararam que a obra não continha “coisa que seja contra nossa Santa Fé ou
bons costumes” e que era “muito merecedora da licença que pede”. O frade e
censor Paulo de São Boaventura chegou a proferir a seguinte conclusão:
“Porque por este meio saberão os que quiserem passar ao Estado do Brasil o
muito que custam as culturas do açúcar, tabaco e ouro, que são mais doces de
possuir no Reino que de cavar no Brasil. Por isso se pode estampar com letra
de ouro.” O censor do Desembargo do Paço, frade Manuel Guilherme, não teve
a menor dúvida em conceder seu parecer favorável: “Vi o livro que V.
Majestade foi servido remeter-me, seu autor André João Antonil. E sobre não
achar nele coisa que encontre o real serviço de V. Majestade, me parece será
muito útil para o comércio, porque despertará as diligências e incitará a que se
procurem tão fáceis interesses”.
Mas o livro ainda teve que passar por outra verificação que não era habitual: a
do Conselho Ultramarino, cujos membros tinham competência para examinar e
resolver todos os problemas relativos aos domínios do Ultramar. Em 17 de
março de 1711, representaram ao rei o perigo que havia em divulgar, “entre
outras coisas (…) todos os caminhos que há para as minas de ouro
descobertas”, e recomendaram muito “que se não façam públicas nem possam
chegar à notícia das nações estranhas pelos graves prejuízos que disso podem
resultar à conservação daquele Estado, da qual depende em grande parte a
deste Reino e a de toda a Monarquia”. Para isso, era fundamental que o rei
ordenasse “que este livro se recolha logo e se não deixe correr”. Três dias
depois, D. João V assinou a ordem para que se recolhesse o livro.
Durante quase um século, não se falou mais de Cultura e Opulência do
Brasil. Até que, em 1800, frei José Mariano da Conceição Velloso, diretor da
CasaLiteráriadoArcodoCego – criada por D. Rodrigo de Souza Coutinho, então
ministro da Marinha e Domínios Ultramarinos –, encontrou um exemplar do
livro. Ele acabou tomando a iniciativa de publicar a parte da obra dedicada à
cana-de-açúcar, que se integrava perfeitamente no seu programa de edições
pedagógicas – atitude que, efetivamente, revogou o antigo veto.
Muitos anos se passariam até que fossem feitas reedições completas
de Cultura e opulência do Brasil e resolvidos os dois enigmas levantados pela
obra: os motivos de sua destruição e a personalidade do autor que usava o
pseudônimo de Antonil. Os historiadores se debruçaram sobre este assunto a
partir do final do século XIX e ao longo do XX, emitindo hipóteses – umas
sólidas, outras fantasiosas –, até que eu mesma descobrisse nos arquivos
portugueses os dois documentos de março de 1711 que esclareceram
definitivamente os motivos da destruição da obra: a consulta do Conselho
Ultramarino e a ordem dada pelo próprio rei, acima citadas.
O responsável pela descoberta do pseudônimo do autor foi o historiador
brasileiro Capistrano de Abreu (1853-1927), que se deu conta de que “André
João Antonil” era o anagrama quase perfeito de “João António Andreoni”,
jesuíta italiano que havia ocupado cargos importantes na Bahia entre os
séculos XVII e XVIII.
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O padre Serafim Leite (1890-1969), incansável investigador da história dos
jesuítas no Brasil, chegou a levantar dados biográficos sobre o autor de Cultura
e opulência no Brasil. Segundo a pesquisa do religioso, Andreoni nasceu no dia
8 de fevereiro de 1667 em Lucca (Toscana) e se formou em Direito pela
Universidade de Peruggia. Assim que foi admitido na Companhia de Jesus em
Roma, em 20 de maio de 1667, conheceu o padre Antônio Vieira,
relacionamento que incutiu nele o desejo de vir para o Brasil, em janeiro de
1681. Já na Bahia, em agosto de 1683, o padre Andreoni assumiu o ensino de
várias disciplinas no Colégio dos Jesuítas. Foi nomeado Provincial em 1705 e
por duas vezes reitor do Colégio da Bahia. Excelente jurista, foi confessor de
dois governadores gerais – o marquês das Minas e D. João de Lencastre – e
gozou da inteira confiança do arcebispo D. Sebastião Monteiro de Vide. Muito
estimado na Corte de Lisboa, obteve a suspensão de cartas régias que
proibiam os religiosos estrangeiros de desempenhar cargos importantes e
obrigavam os jesuítas italianos concentrados no Colégio da Bahia a serem
dispersados. Morreu na Bahia no dia 13 de março de 1716, aos 67 anos.
Foi justamente Serafim Leite quem colocou o motivo da apreensão do livro na
devida conjuntura histórica,associando-a às disputas pelas minas de ouro no
começo do século XVIII e aos ataques que o Brasil sofreu naquela época por
parte dos espanhóis (ocupação da Colônia do Sacramento, 1705) e dos
franceses (ataque ao Rio de Janeiro por Duguay-Trouin, 1710), justificando os
receios dos membros do Conselho Ultramarino.
Passados trezentos anos da sua primeira edição, Cultura e opulência do
Brasil continua a cativar historiadores e leitores que simplesmente se
interessam pela história e pela literatura do Brasil. Até porque, além de tudo o
que revela, o livro também é uma obra literária, principalmente na parte
dedicada ao açúcar, na qual, em puro estilo barroco, Antonil evoca o martírio
da cana-de-açúcar e as vicissitudes da sua transformação num produto que
“torna por muitas vezes a ser vendido e revendido, preso, confiscado e
arrastado, (…) tão seguro de ser comprado e vendido entre cristãos como
arriscado a ser levado para Argel entre mouros. E ainda assim, sempre doce e
vencedor de amarguras”.
Cultura e opulência do Brasilé uma obra fundamental cuja leitura atenta, nas
linhas e entrelinhas, revela muitos aspectos da vida daqueles homens que
estavam imersos na conjuntura econômica do começo do século XVIII. No seio
de uma sociedade baseada no trabalho escravo, eles contribuíram, à custa do
dinheiro de uns e do suor e do sofrimento de outros, para a riqueza de um
império cobiçado e ameaçado por potências estrangeiras.
Andrée Mansuy-Diniz Silva é professora aposentada da Universidade de
Paris III, autora da versão comentada com estudo crítico de André João
Antonil, Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. (Paris: IHEAL,
1968; EDUSP, 2007).
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Historia Naturalis Brasiliae (em português: História Natural do Brasil),
escrito originalmente em latim, é o primeiro livro médico que trata do Brasil,
publicado em 1648, de autoria do holandês Guilherme Piso em que este se
utiliza, ainda, de observações feitas pelos alemães George Marcgraf e H.
Gralitzio e ainda de João de Laet. A obra foi dedicada ao Conde Maurício de
Nassau.
Embora trate a todo momento do Brasil, os autores em verdade se referem à
faixa litorânea do Nordeste, ocupada pela Companhia das Índias Ocidentais.
Foi editado, como consta de seu frontispício, em: Lugdun. Batavorum : Apud
Franciscum Hackium ; et Amstelodami: Apud Lud. Elzevirium1
- nome latino da
prestigiada editora, ainda existente, Elsevier.
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A obra consta de volume único, medindo no original 40 centímetros de altura e
seu título completo, com subtítulo, é: "Historia naturalis Brasiliae … : in qua non
tantum plantae et animalia, sed et indigenarum morbi, ingenia et mores
describuntur et iconibus supra quingentas illustrantur".
Sobre o trabalho de Piso, registrou o médico e pesquisador brasileiro Juliano
Moreira: "Esta obra, evidentemente magistral, reexaminada com afinco,
evidencia, a cada perquirição, excelências novas e, por isso, ainda é hoje uma
das mais lídimas glórias da literatura médica holandesa. A Pies devemos uma
descrição, exata e minudente, das endemias então reinantes no Brasil e dos
meios de tratá-las. Observou a bouba, o tétano, paralisias várias, a disenteria,
a hemeralopia, o maculo. Descreveu a ipeca e sua qualidade emeto-catártica,
das quais já se utilizavam os aborígenes muito antes do célebre médico
Adriano Helvetius, avô do notável filósofo francês Cláudio Adriano Helvetius
haver recebido de Luís XIV mil luíses de ouro, títulos e honrarias, por haver
descoberto exatamente aquelas mesmas virtudes terapêuticas. De 1688 data o
Tratado de Helvetius intitulado Reméde contre le cours du ventre."
A obra foi vertida para o português, em duas edições separadas pela
Companhia Editora Nacional - ambas prefaciadas por Afonso de E. Taunay -
em 1942 e em 1948. Ficou o primeiro livro para a parte da obra de Georg
Margraf, com tradução feita por José Procópio de Magalhães, e a segunda,
traduzida por Alexandre Correia, dedicada ao trabalho de Guilherme Piso, esta
última dedicada ao cinquentário do Museu Paulista, e coincidente com o
terceiro centenário da primeira publicação.
Missão ao Brasil
Frans Post, paisagem do Brasil Holandês.
Guilherme Piso, filho de um músico que chegou a frequentar o curso médico e
não o concluiu, estudara medicina em Leida (sua cidade natal) e depois em
Caen, onde formou-se aos 22 anos de idade. Mudou-se para Amsterdam em
1633. Não integrava a missão nassoviana ao Brasil - como observou Juliano
Moreira: as atas da Companhia das Índias de 1636 não citam o seu nome; com
Nassau viera o médico Willem Van Milaenen, que morrera logo após a
chegada. Moreira informa ainda que "em carta datada de 25 de agosto de
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1637, o conselho administrativo em Pernambuco pedia lhe fosse enviado, o
mais breve possível, outro médico hábil e experimentado." Foi somente após
isso que Piso saiu da Holanda, numa data que não pode ser precisada -
contando ele com 26 ou 27 anos.
O conde Maurício de Nassau, que trouxe a primeira missão exclusivamente
científica à América.
A pretensão do nobre holandês era levar a termo o conhecimento técnico da
colônia brasileira. A respeito disto Juliano Moreira escreveu: "...não só de
lucros pecuniários para a Companhia das Índias Ocidentais cogitava o conde
João Maurício. A tão magnânimo governador deve o Brasil a vinda às suas
plagas setentrionais de uma plêiade de homens do mais evidente valor." Deste
modo Piso viu-se chefiando a primeira missão exclusivamente científica
europeia no Novo Mundo. Possivelmente viera junto ao botânico Marcgraf e ao
astrônomo Henrique Chalitz (que, porém, morreu durante a viagem, aos 30
anos). De sua permanência no Brasil Holandês colheu Piso as informações
para o De Medicina Brasiliensi, a primeira parte da Historia Naturalis, e
Marcgraf o material do seu Historiæ Rerum Naturalium Brasiliæ, segunda parte
da obra.
O nome de Piso ficaria associado ao de Marcgrave, assim como o de Martius
liga-se ao de Spix. Voltou à Holanda em 1645 junto a Nassau, de quem
continuou amigo - embora algumas versões antigas dessem conta de que o
médico particular do conde com este se desentendera ainda no Brasil (a
exemplo de Frei Manuel do Salvador na obra Valeroso Lucideno). De volta à
pátria tornou a matricular-se no curso médico em Leida, a fim de inteirar-se das
novidades científicas ocorridas durante sua estada brasileira. Marcgraf morrera
em Angola, em 1644, antes da publicação da obra.
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Ainda no Brasil ocorre a dissenção entre Piso e Marcgraf. Este último tornara-
se ligado diretamente a Nassau, em 1641, e não mais um subordinado
daquele. O botânico, então, passa a registrar suas anotações por meio de um
sistema de criptografia particular, cuja chave provavelmente deixou sob a
guarda de Nassau; biógrafos associam este sistema justamente à preocupação
de que Piso usasse indevidamente sua produção intelectual - posto ser Piso
"ainda pior zoólogo do que botânico", como disse Gudger.
A disputa, mesmo após a morte de Marcgraf, resultaria em duas edições da
obra, e acusações de plágio a Piso, como se verá adiante.
Primeiras edições: disputas
A obra teve uma primeira edição na qual não tomou parte Guilherme Piso, e foi
dirigida por João de Laet. Desagradando-se desta, Piso promoveu, dez anos
depois da primeira, uma segunda edição, com novo título, mas que revelou-se
um trabalho inferior ao primeiro.
A disputa entre Marcgraf e Piso restara ainda sem o devido esclarecimento.
Mesmo em enciclopédias posteriores, como a Rees's Cyclopaedia de 1819,
consignava que não estava claro qual deles era o superior, qual o subordinado.
Segundo Alfredo de Carvalho, (em domínio público):
"Piso, sobrecarregado de trabalhos, confiou a empresa de por em ordem
os originais de Marcgrave a João de Laet. Este, por sua vez, entregou
os papeis relativos à astronomia e à geodésia a Golius.
Mas, à organização e classificação dos manuscritos se opunha quase
invencível dificuldade a cifra composta por Marcgrave, precavidamente
em época de tamanha pilhagem de trabalho intelectual.
A grande custo logrou o editor descobrir a chave do sistema criptográfico
e traduzir as notas do cauteloso sábio; estando, porém, escritas em
pequenas folhas de papel, sem numeração, não foi menos penoso o
trabalho de coordená-las.
Conseguindo isto, e havendo também Piso fornecido o seu contingente,
pôde enfim, em 1648, aparecer o livro, em volume in-fólio.
Conquanto no título figurem os nomes de Piso, Marcgrave e Laet, já o
notou Driesen (o biógrafo de Maurício de Nassau) foi Marcgrave sempre
considerado o principal autor e sob o seu nome é citado o livro.
Em 1658, Piso, acusando Laet de precipitação e desleixo, promoveu
segunda edição da obra que, entretanto, no conteúdo e na forma, difere
da primeira a ponto de ser reputada livro novo.
Ambas as publicações encerram, contudo, a súmula, completa e
fidedigna, dos produtos naturais do Brasil, e as sua importância científica
subiu de vulto com o fato de, nos cento e sessenta anos seguintes, não
ter mais aparecido nenhum outro trabalho similar. Igualmente abrangem
a quase totalidade dos estudos de Marcgrave até hoje dados à luz."
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A edição de João de Laet
Informa Taunay que o príncipe João Mauricio de Nassau enviara a João (ou
Johannes) de Laet os originais tanto de Piso quanto de Marcgraf. Antes mesmo
de sua partida, confiara Nassau a Laet e a Alberto Conrado Burg sua intenção
em trazer ao Brasil uma missão de fins científicos.
Carvalho adiciona que "parece duvidoso, por vários motivos, que Piso haja
tomado muita parte no preparo da edição da "História Natural do Brasil", em
1648. Declara Lichtenstein que na ausência dele Piso, acompanhara Laet a
impressão de toda a obra. Haja ou não colaborado em tal trabalho,
descontentou-se Piso, e, muito como sabemos, acusando João de Laet de
fazer obra apressada e descuidada."
De Laet também recebeu manuscritos de Marcgraf que estavam em um seu
baú, além daqueles remetidos por Nassau. Sobre isto, consignou: "Tendo-me
sido entregues assim imperfeitos e desordenados os seus comentários, pelo
ilustre conde João Maurício (com cujo auxílio, favor e gastos isto havia feito),
de modo imediato surgiu não pequena dificuldade pois o autor, temendo que
alguém lhe vindicasse os trabalhos, se por acaso algo lhe sucedesse antes de
poder dá-los à luz pública, escreveu grande parte dos mesmos, e o que era de
mais importância, com certos sinais por ele inventados, que primeiramente
deveriam ser interpretados e transcritos, conforme um alfabeto deixado em
segredo (...)"
Apesar da acusação de descuido feita por Piso, Françozo acentua que a
participação de De Laet foi além do material enviado. Era ele diretor da
Companhia das Índias Ocidentais, e já publicara em 1625 o livro Niuewe Werelt
ofte beschrijvinghe van West-Indien ("O Novo Mundo ou descrição das Índias
Ocidentais"). Seu próprio relato na parte da obra de Marcgraf diz que mandara
produzir desenhos para ilustrar as descrições sem os mesmos, a partir de
exemplares secos contidos no acervo do botânico e, ainda, a partir de
exemplares que mandara providenciar para tal fim.
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A "segunda edição" de Piso
Exemplar da edição De India Utriusque....
Insatisfeito, como se disse, da edição levada a termo por De Laet, Piso prepara
uma segunda, dez anos mais tarde.
Em 1658 publica, assim, o seu De India utriusque re naturali et medica -
objetivando melhorar a obra anterior, anexando ali o Tractatus Topographicus
de Marcgraf e colaboração de Jacobus Bontius , de quem se tornara amigo
ainda durante os anos de estudo na faculdade. Mesclou o trabalho do Historia
Naturalis Brasiliae às suas próprias anotações das ervas medicinais, e
adicionou capítulos sobre uma certa Mantissa aromatica que lhe valeram o
epíteto de "supersticioso", na verdade uma reedição de obra do tio de sua
esposa, sobre a qual Juliano Moreira é taxativo: "Bem dispensável, aliás, seria
a reedição de tal livro..."
E. W. Gudger, biógrafo de Margraf, sobre esta edição, opinou: "Não somente
não se trata da melhoria do trabalho de Marcgraf como ainda, e em vários
pontos, é-lhe incontestavelmente inferior (...) Segundo parece, não conseguiu
ele obter os desenhos originais a serem então descritos, aqueles que haviam
sido a fonte das ilustrações da primeira edição. Assim se apresentam copiados
da edição de 1648, ou inspirados por descrições, mal colocadas no texto, ou
inteiramente omitidas do dizer de Lichtenstein. Em suma, tal edição pouco ou
mesmo nada, acresce ao renome de Piso".
Já alvo de acusações de plagiar o trabalho de Marcgraf, Piso consigna, na
página 107, uma mensagem onde expressa: "Certas figuras e anotações
emprestei-as ao meu ótimo e diligentíssimo companheiro Markgravio,
resultantes de observações feitas em nossas viagens. E isto quero advertir,
não vá algum malévolo murmurar que ilustrei os meus escritos com figuras
alheias furtadas".
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Índice geral da obra, onde se vê as autorias atribuídas a Piso, Marcgraf e
Laet.
A obra é dividida em duas partes principais, e ainda conta com um apêndice
por João De Laet.
A primeira, de nome De Medicina Brasiliensi, foi da autoria de Guilherme Piso.
A subdivisão, em quatro livros, foca os seguintes temas:
1. Do ar, das águas e dos lugares.
2. Das doenças endêmicas.
3. Dos venenos e seus antídotos.
4. Das propriedades dos símplices.
A segunda parte, de nome Historiæ Rerum Naturalium Brasiliæ, é composta
por oito livros, de autoria de George Marcgraf. Os livros abordam os seguintes
temas:
 1º, 2º e 3º - botânica
 4º - peixes
 5º - pássaros
 6º - quadrúpedes e serpentes
 7º - insetos
 8º - região do Nordeste brasileiro e suas gentes
Dedicatória
Embora oferecido a Nassau, é ao príncipe Guilherme de Orange, que autorizou
a publicação, a quem se dedica a obra. A ele Piso dirige-se:
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Vós sois as nossas delícias; guiados pelos vossos maiores, constituímos
aquela Província, para onde o ter navegado já foi grande feito; e aqueles
mares, que só eram ameaças de ferro e morte, assim os navegaremos,
para que não somente nos ela enriqueça com talentos de ouro e
precisíssimas mercadorias, mas ainda forneça uma sólida subsistência à
vida dos nossos corpos.
Nos prolegômenos dirigidos ao leitor Piso remonta aos trabalhos de seu colega
Markgraf, informando que este colaborara extensamente na observação, nas
horas livres, da natureza; Já Gralitzio, matemático, realizara as observações
geográficas, astronômicas e de História Natural - tendo ambos já falecido à
época da publicação. A História Natural, ou Ciências Naturais, que era como
então se chamavam aquelas que têm por objetivo o estudo da natureza em
torno do homem, sendo este incluído apenas na condição de animal natural
(englobando-se aí a física, a química, a astronomia, a geologia e a biologia)
também contou com a colaboração de João de Laet, também falecido.
Piso ressalta:
E para que se consagrassem às cinzas do defunto os prémios devidos,
quis que a sua obra póstuma não se misturasse, mas se acrescentasse
aos meus tratados.
Livro I - Trata dos ares, das águas e dos lugares do Brasil
O Brasil, por certo a prestantíssima parte de toda a América,
considerado de perto, excele principalmente pelo seu agradável e
saudável temperamento, a ponto de contender, em justa competição,
com a Europa e a Ásia, na clemência dos ares e das águas.
Os elogios à saúde da terra atingem por vezes o imaginário europeu de um
ideal que, de outra forma, não justificaria a conquista daquele território e todos
os gastos então empreendidos para sua manutenção - fazendo clara alusão a
propriedades revigorantes e rejuvenescedoras:
…os habitantes atingem cedo a puberdade e envelhecem tarde; por isso
ultrapassam os cem anos, gozando de verde e longeva velhice, não só
os brasis como também os próprios europeus…
Noticia a ausência do outono e do primavera, a ausência de terremotos.
Registra a tentativa frustrada da escravização do elemento indígena, e alguns
dos seus hábitos - totalmente estranhos e diferentes dos demais povos:
São mui dados à dança e à bebida e ignoram tempos determinados para
comer (…)
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O canibalismo é tido como prática corriqueira, e a morte proporcionada aos
doentes foi assim registrada, quando falhas todas as mezinhas:
(…)por consenso unânime, como lhe desesperando da saúde, matam-
no ferozmente com clavas de madeira, congratulando-se todos com ele
e ele consigo mesmo, por lhe ter sido dado morrer virilmente,
subtraindo-se assim a todos os sofrimentos. E disto se jactam contentes,
mesmo no momento da morte. Com aplauso não menor, que contra o
cadáver de um parente, assanham-se contra o do inimigo vencido (…)
Dentre recomendações apropriadas ao clima, como evitar dormir sem antes
forrar o estômago, e a ingestão de frutas cítricas, abundantes na terra, fez
passar "o provérbio: não entra o médico nas casas em cujo vestíbulo se vêem
de manhã numerosas cascas de laranjas.".
Fala dos alimentos, do clima, das águas, peixes e outros alimentos, e de como
proceder para manter a saúde na sua ingestão, nesta região ainda
desconhecida para a maioria dos europeus.
Livro II - Que trata das moléstias endêmicas e comuns no Brasil
Versão da obra com frontispício colorido.
Principia rendendo-se às artes medicinais dos nativos: "pois, como o devemos
confessar, os rudimentos de muitas artes redundaram para nós dos próprios
brutos (aos quais a natureza, bondosa mãe, não quis privar sobretudo da arte
natural de curar doenças)".
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Possui 22 capítulos, que são:
1. Das febres;
2. Das doenças dos olhos;
3. Do espasmo;
4. Do estupor;
5. Dos catarros;
6. Do prolapso da cartilagem mucronada;
7. Das obstruções das vísceras naturais;
8. Da opilação do fígado e do baço;
9. Da hidropisia;
10.Das lombrigas;
11.Dos fluxos do ventre;
12.Do tenesmo;
13.Da cólera;
14.Da disenteria;
15.Do fluxo hepático dos intestinos;
16.Da úlcera e da inflamação do ânus;
17.Das doenças comuns às mulheres e às crianças;
18.Das doenças contagiosas;
19.Do mal venéreo;
20.Das feridas e das úlceras;
21.Das pápulas e da impetigo;
22.Dos males externos.
Cada um desses males são apreciados em sua evolução, reações orgânicas,
tratamentos e efeitos. Cumpre observar que o último dos capítulos trata
precipuamente de um mal até então exclusivamente brasileiro, o bicho-do-pé
(Tunga penetrans), espécie de pulga que ataca "sobretudo e de preferência os
que andam descalços e perambulam por lugares arenosos". Fala, ainda, dos
marimbondos e dos moscites, espécie de mosquitos que o autor registra ter
sido tal feita atacado que "as nossas faces incharam e se encheram de bexigas
e rubor, que não pudemos ser reconhecidos dos amigos".
Livro III - Trata dos venenos e seus antídotos
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Principia a parte ilustrada da obra, com nove figuras. Falando dos venenos,
Piso registra seu uso como meio de eliminar desafetos - algo que ilustra,
curiosamente, como uma das armas com as quais combatia o escravo ao
cativeiro, pelo autocídio:
Os escravos, trazidos da África para aqui, quando não conseguiram
cumprir o horrível voto de pôr termo à vida dos senhores, não podendo
mais padecer o jugo duríssimo da escravidão, da fome e de outros
sofrimentos, recorrem a esta única via para a liberdade, a ninguém
vedada. Com o veneno que se encontra em toda parte, lançam mãos
atrozes contra si próprios, contentes de renunciarem à vida e retribuírem
a vindita a senhores severos mais que de justiça.
Analisa a toxicidade da mandioca e outras plantas, e propõe para que a cada
substância venenosa corresponda um antídoto ou contra-veneno. Registra
ainda que alguns animais são no Brasil tidos por venenosos, ao passo em que
não o eram noutras, como por exemplo os sapos e rãs.
Relaciona diversas espécies de serpentes, de cada uma registrando a
nomenclatura pela qual eram conhecidas entre os portugueses e os indígenas,
preferindo estas àquelas. É assim, por exemplo, que registra, sobre a jararaca:
Curta, esta serpente raro excede o comprimento de meio côvado (…)
Suas picadas venenosas não apresentam menores sintomas que as das
demais serpentes, exceptos os de consumirem a vida lenta e
sorrateiramente. A própria serpe, depois que infligiu a ferida, extirpando-
se-lhe a pele, a cauda, a cabeça e as entranhas, e cozida em água de
de raiz de Iurupeba, com sal, óleo, alho-porro, endro e temperos
semelhantes, é comida pelos que picou, e lhes costuma ser de grande
ajuda. Mas convém mais que tudo o Caatia, chamada com razão Erva
das cobras; ministrada externa e internamente, facilmente cura das
mordidas desta e de outras serpentes(…).
O sapo-cururu, um dos animais mais venenosos, segundo Piso
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Curiosa descrição faz da água-viva ou caravela, que chama pelo nome
indígena Moucicu, de cujas queimaduras registra ter sido vitimado, curando-a
com estrato da castanha de caju.
Dos animais mais venenosos que registra está o do sapo-cururu (imagem),
consignando a crença comum de que o mesmo tem órgãos excretores de
veneno:
Entre os venenos dotados de máxima virtude deletéria está o sapo
Cururu, monstruoso e intumescido (…) e que inficiona de qualquer
modo: ou externamente, pela urina ou pela saliva, o que é muito pior,
ingerindo-se-lhe o sangue e sobretudo o fel.
Segundo ele, deste sapo é extraído poderoso veneno ministrado às ocultas
pelos "perversíssimos bárbaros".
Trata, enfim, de plantas, peixes e insetos venenosos, bem como de seus
possíveis antídotos e tratamentos.
Livro IV - Que trata das faculdades dos símplices
Também ricamente ilustrada, esta seção da obra é dedicada às culturas
propícias às terras brasileiras e, maior riqueza de então, grande destaque dá
ao açúcar.
Hoje aqui se vêem muitos engenhos deste gênero, tanto de portugueses
quanto de holandeses. Nem há outros produtos desta terra que
redundem mais lucros e ganhos para os traficantes. Pois outrora o
açúcar de todo o Brasil atingia a um milhão de arrobas, cada ano levado
para a Europa e vendido com certíssimo proveito.
O engenho moendo a cana-de-açúcar
Descreve largamente o cultivo e preparo do açúcar, a partir do caldo da cana.
Esta a parte mais ampla do livro, contendo ao todo 104 capítulos e 110 figuras.
Aprecia todas as principais plantas de uso interessante, algumas com
nomenclatura científica da época ou terminologia em língua indígena (algumas
consignadas de modo errôneo ou com erros tipográficos): mandioca, mel
silvestre (sic), copaíba, cabureíba, acajá, icicariba, ietaíba, palmeiras, aroeira,
urucu, umbu, murici, ananás, etc., estão dentre as espécies apreciadas.
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Sobre o manacá, por exemplo, registrou que suas raízes têm uso medicinal,
embora restrito a pessoas bastante robustas, por seu efeito violento. Mas
aprecia sua função ornamental:
Deita flores pequenas, das quais umas ostentam um lustroso azulado, e
outras, níveo (o que é tanto mais belo quanto mais raro). Vê-se
belamente florida e mui viçosa no mês de janeiro, e, êmula do narciso,
rescende toda a floresta com a sua fragrância.
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Auguste de Saint-Hilaire, viajante exemplar
Lorelai Kury
Pesquisadora e professora da Casa de Oswaldo Cruz e professora
do Departamento de História da UERJ
A historiografia brasileira tem como uma de suas principais fontes a literatura
de viagens do século XIX. Os livros dos inúmeros viajantes que estiveram aqui
no século passado têm sido usados não apenas como manancial de
informações sobre o Brasil de nossos antepassados, mas, por vezes, também
como inspiração para as grandes linhas interpretativas de nossa história.
Muito citados, os textos dos viajantes do século XIX são, no entanto, muito
pouco estudados em seus contextos europeus e mesmo em sua repercussão
no Brasil da época. Seus relatos são apenas genericamente tratados como
fazendo parte de um olhar “de fora”, como se todo estrangeiro fosse igual.
O famoso viajante Auguste de Saint-Hilaire é, na verdade, um desconhecido
entre nós. Poucos detalhes de sua vida e de sua obra foram estudados. Na
França atual, ele é um personagem esquecido, o que não aconteceu em sua
época, quando ocupou posição de prestígio no meio cientifico parisiense e
francês. Saint-Hilaire buscou fazer de sua viagem ao Brasil, realizada entre
1816 e 1822, um modelo no que diz respeito à forma como os cientistas da
Europa civilizada deveriam se relacionar com os demais países do globo. Além
disso, o botânico quis atuar como um viajante-naturalista exemplar e usar suas
credenciais científicas – somadas a suas relações familiares na França da
Restauração - para garantir boa situação quando de retorno à França.
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São conhecidas as mudanças ocorridas nas viagens-científicas desde fins do
século XVIII, quando as ciências tendem a se tornar indispensáveis à
administração dos Estados europeus, além de contribuírem simbolicamente
para sua legitimação. Naturalistas, químicos e físicos são constantemente
consultados sobre a construção de pontes, a qualidade da água e dos
alimentos, a melhor e mais barata maneira de fabricar pólvora, plantas e
animais úteis passíveis de serem naturalizados, etc. Os viajantes naturalistas –
muitas vezes financiados pelo Estado – constituem elos úteis na cadeia que
liga as colônias e os lugares ditos “exóticos” aos museus e jardins botânicos
europeus. A ciência é vista então como um dos principais sinais distintivos dos
povos do estado de civilização. Assim, a ciência é chamada a desempenhar
uma função simbólica e a atuar como agente que torne mais eficaz a
administração de homens e coisas.
Torna-se portanto compreensível a retórica utilitarista que cerca as ciências no
momento mesmo em que ela se especializa e se distancia dos diletantes e dos
amadores. A separação que hoje em dia fazemos entre ciência teórica e
ciência aplicada não era operante no início do século XIX. Saint-Hilaire, por
exemplo, era ao mesmo tempo um homem ligado aos aspectos filosóficos da
história natural e aos aspectos práticos de sua especialidade. Para ele, esses
dois lados da ciência se complementam. A vertente romântica da história
natural, fundada, entre outros, por Humboldt e adotada Saint-Hilaire, é também
uma ciência prática, voltada para a satisfação das necessidades das
populações européias e para o fortalecimento material e simbólico da nação
que representavam.
Talvez a melhor definição da atitude científica desses naturalistas seja a de
“filantropia”, respeitando o significado que o termo tinha na época. Filantropia é
na língua francesa um neologismo do século XVIII para designar uma virtude
que consideravam natural do ser humano, que é o amor por seu próximo. A
filantropia é uma laicização do sentimento da caridade. Quanto à caridade,
trata-se do amor por Deus que leva ao ato de fazer bem aos outros; já a
filantropia diz respeito à “humanidade”. Nesta última, as ações dos indivíduos
em favor da sociedade são consideradas como um sentimento natural, pois a
felicidade pessoal só pode ser assegurada quando reina a prosperidade social.
A filantropia é um valor aos olhos da elite européia de fins do século XVIII e do
século XIX, qualquer que seja sua orientação política. Ela age como um pano
de fundo a justificar as ambições nacionais e pessoais, já que os interesses
privados eram vistos como coletivos. O sentimento filantrópico deveria nortear
as ações do europeu civilizado. É em nome do progresso e do bem da
humanidade que se dá a expansão colonialista do século XIX e não com a
evocação do lucro privado capitalista. Afinal, “a reciprocidade tem sido sempre
a ideologia do capitalismo sobre si mesmo”, como lembra analista atual. Os
viajantes europeus que visitam os países ditos selvagens ou menos civilizados,
como é o caso do Brasil, sentem-se portadores de uma espécie de missão.
Sentem-se como irmãos mais velhos dos outros povos, a quem devem ajudar e
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aconselhar. Para eles, seus interesses são o interesse da humanidade inteira.
A ciência é o instrumento maior que permite o exercício da missão do viajante,
pois permitiria conhecer as leis da natureza e auxiliaria a vida dos homens.
O botânico especializado e bem formado poderia contribuir de diversas
maneiras para o “bem da humanidade” e para o “progresso de sua nação”. Em
primeiro lugar, suas reflexões sobre a distribuição das plantas sobre o planeta
esclarecem a todos sobre a ordem que reina no universo, tenha esta ordem
origem divina ou não. Em seguida, os conhecimentos da botânica e da
agricultura (botânica aplicada) fornecem ao homem a possibilidade de alterar a
ordem planetária, se for de seu interesse. Ele pode tirar plantas de sua terra
natal e naturalizá-las em outro país. Para tanto, é necessário que se conheça o
terreno apropriado para cultivá-la, o clima mais adaptado, a melhor exposição à
luz, etc. Outra possibilidade na qual se acreditava na época era a aclimatação.
Muitas técnicas foram desenvolvidas para tentar aos poucos fazer com que as
plantas pudessem viver em climas muito diferentes de seu país natal. O
botânico também poderia ser útil ao reconhecer em um país estranho as
propriedades de plantas que ele nunca vira antes. Na época da viagem de
Saint-Hilaire, a divisão do reino vegetal em “famílias naturais”, segundo o
método proposto por Jussieu, permitiria reconhecer parentescos morfológicos
em plantas de países diferentes. A família de uma planta é um possível
indicador de suas propriedades. Um exemplo muito citado na época, é o fato
dos naturalistas das grandes expedições marítimas poderem reconhecer
plantas anti-escorbúticas numa ilha totalmente desconhecida. Desse modo,
segundo os padrões da época, o conhecimento universal de um viajante-
naturalista poderia dizer mais sobre as plantas de um país que desconhece do
que os conhecimentos empíricos de seus habitantes.
Desse modo, a viagem científica é, no Iluminismo tardio, uma atividade que
ultrapassa as fronteiras do que qualificamos hoje em dia como “puramente
científico”. A análise das narrativas de viagem de Auguste de Saint-Hilaire e a
documentação relativa a sua estadia no Brasil indicam a adequação de
empreitada aos critérios de cientificidade e de utilidade vigentes nos meios
oficiais e acadêmicos de início do século XIX. Dentre os pontos que podem ser
desenvolvidos a partir de investigações sobre sua viagem, gostaria de chamar
atenção para a vinculação de Saint-Hilaire aos discursos e práticas justificados
pela “filantropia” e a concomitante afirmação de critérios “internos” ao meio
científico para consolidação de sua carreira.
Auguste de Saint-Hilaire nasceu em Orleans em 1779 e morreu na mesma
cidade, em 1853. Oriundo de família nobre, passou alguns anos de sua
juventude na Alemanha, o que permitiu que adquirisse familiaridade com a
língua e a cultura alemãs. De retorno à França, dedicou-se à história natural,
publicando diversos artigos em revistas especializadas.
Em 1816, na ocasião de sua partida para o Brasil, Saint-Hilaire já tinha trinta e
sete anos e possuía conhecimentos botânicos extensos, tendo publicado sobre
a flora francesa, particularmente sobre a anatomia dos frutos. Nessa época,
tinha contatos com Antoine-Laurent de Jussieu, do Museu de história natural de
Paris, era amigo de Karl-Sigismund Kunth, preparador de Humboldt e ligara-se
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ao mesmerista Joseph-Philippe-François Deleuze, ajudante-naturalista e futuro
bibliotecário do Museu. Era correspondente do importante botânico suíço
Augustin-Pyramus de Candolle. Era próximo também de Félix Dunal, de
Montpellier. Enfim, estava integrado ao meio científico europeu.
Seu principal biógrafo e amigo, Alfred Moquin-Tandon atribui às relações com
os sábios de Montpellier a causa do “espírito filosófico” perceptível em seus
últimos escritos. Atualmente, Saint-Hilaire é citado entre os representantes da
“botânica filosófica”, sobretudo por causa de sua Leçons de botanique
comprenant principalement la morphologie végétale..., publicadas em 1840,
onde ele reivindica a influência de Goethe e de Candolle. Ele foi, aliás, um dos
relatores escolhidos pela Academia de Ciências de Paris para analisar a
tradução que Martins fez das obras de história natural de Goethe, em 1837.
Auguste de Saint-Hilaire veio para o Brasil em 1816, acompanhando a missão
extraordinária do duque de Luxemburgo, cujo objetivo era resolver o conflito
que opunha Portugal e França quanto à posse da Guiana, passado o período
napoleônico. Suas demandas para acompanhar a embaixada do diplomata –
amigo de sua família - foram sempre apoiadas por pessoas bem posicionadas
e seguidas de carta de recomendação do chanceler Dambray. Entretanto, o
ministro do Interior – o conde de Vaublanc – apela desde o início ao Museu de
história natural para julgar a importância de sua participação na missão. Os
professores do Museu confirmam a utilidade potencial das investigação de
Saint-Hilaire e informam o ministro quanto a seus conhecimentos de história
natural, sobretudo em botânica.7 Respaldado pelo parecer dos naturalistas da
instituição, o ministro permite que parta na qualidade de viajante naturalista
enviado pelo governo e concede a ele, inicialmente, a soma de três mil francos
por ano, aumentada logo em seguida para seis mil. O botânico, por sua vez,
deveria buscar instruções junto aos professores do Museu e enviar para lá toda
correspondência científica e objetos de história natural que coletasse.
Uma vez no Brasil, Saint-Hilaire procede da maneira indicada pelo ministro,
porém, como se tratava de alguém com conhecimentos reconhecidos em
botânica, ele mesmo decidia em última instância sobre o destino de suas
pesquisas e coletas. Ele enfatiza, aliás, em suas cartas e depois em seus
relatos de viagem que não se limitava a recolher plantas e enviá-las ao Museu
de Paris. Ao contrário, as analisava e tomava suas notas in situ, quando ainda
estavam frescas e não secas em herbários. Por isso, pediu a seu amigo
Deleuze, do Museu, que guardasse os envios de plantas que fazia, pois ele
mesmo era a pessoa mais indicada para analisar as coleções que formara.
Quanto ao resto – animais, minerais e sementes – estavam à disposição dos
naturalistas da instituição.
O Museu de história natural de Paris seguia de perto as viagens em curso. Os
relatórios e notícias sobre os objetos recebidos ocupavam uma parte
importante do tempo das assembléias dos professores. A Instruction pour les
voyageurs, publicada diversas vezes pela instituição a partir de 1818,
organizada provavelmente por André Thouin, informa sobre os viajantes em
missão e é atualizada a cada edição. Nessa publicação a referência quanto à
viagem de Saint-Hilaire ao Brasil, em 1818, é otimista: ele enviará para o
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Museu “uma multidão de objetos novos”. Já no texto de 1824 – Saint-Hilaire
retornara em 1822 – está indicada a “riquíssima coleção” que o viajante
acabara de levar para Paris.
A viagem de Saint-Hilaire também foi objeto de comentário na Academia de
Ciências de Paris. O ilustre Antoine-Laurent de Jussieu foi o relator, que tratou
dos resultados da expedição como a realização precisa e competente de um
trabalho científico:
“Uma estadia de seis anos no Brasil, uma grande extensão de terreno
percorrida, em diversos sentidos e sob diversos climas, numerosas coleções
em animais, vegetais e minerais, descrições exatas feitas nos próprios lugares,
observações gerais sobre os climas, os lugares, os costumes dos habitantes,
as produções naturais de cada localidade, a natureza dos terrenos e o tipo de
cultura apropriada a cada um; tais são os resultados da viagem do Sr. Saint-
Hilaire.”
Ainda no mesmo relatório, Jussieu sublinha o fato do botânico redigido um
diário “exato” de seus trabalhos e recomenda a publicação de suas
observações botânicas, pois o viajante “tem nesta ciência conhecimentos
positivos e extensos.”
No ano seguinte, Saint-Hilaire publica o livro Plantes usuelles des Brasiliens
(sic) e foi o célebre Alexander von Humboldt quem leu um relatório verbal na
Academia de Ciências de Paris. Aqui igualmente há insistência na qualidade da
formação do viajante. Depois de louvar as valiosas coleções que ele levara
para a França, Humboldt acrescenta:
“Mas, o que concede verdadeiro valor a objetos tão numerosos, o que distingue
o viajante cientista do simples coletor, são as observações preciosas que ele
fez nos próprios sítios, para fazer avançar o estudo das famílias naturais, a
geografia das plantas e dos animais, o conhecimento das
variedades se solo e o estado de seu cultivo.”
Deste modo, o viajante Saint-Hilaire parece corresponder ao novo perfil
viajantenaturalista idealizado no meio científico parisiense: pesquisa in loco,
especialização, capacidade de produzir informações balizadas, publicação dos
resultados. A qualidade da formação científica do viajante é uma condição
prévia para que ele realize que o se espera dele: fazer com que sua missão
seja útil. Nada deveria ser mais distante do aristocrático diletante do grand tour
do que esses filantropos – muitos dos quais aristocratas – que não acreditavam
viajar para si, mas em nome do progresso da ciência, do bem-estar da
humanidade e da glória da nação. Um conhecido texto de fins do século XVIII
classifica em quatro categorias os objetos que devem merecer a atenção do
viajante, de acordo com seu grau de utilidade. Em primeiro lugar, aquilo que
concerne imediatamente ao bem-estar da espécie humana e tende, assim,
para a felicidade geral. Em seguida, os objetos cujo conhecimento pode
aumentar a prosperidade de seu próprio país e, em conseqüência, se
relacionam parcialmente com o bem da humanidade. Em terceiro lugar, os
objetos que podem levar a um aperfeiçoamento de si mesmo, e, por último, os
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conhecimentos de ornamento, que se podem adquirir sem negligenciar o
estudo daquilo que é realmente importante.
Em 1811, antes, portanto, de sua viagem, Saint-Hilaire já havia refletido sobre
as relações da botânica com a sociedade, em artigo intitulado Réponse aux
reproches que les gens du monde font à l’étude de la botanique (Resposta às
críticas que a sociedade faz ao estudo da botânica). A primeira das críticas as
quais ele responde é a acusação de que a botânica seria apenas uma ciência
de palavras. Segundo ele, alguns homens que ficaram para a posteridade
livraram o estudo dos vegetais da barbárie em que se encontrava, envolto em
uma nomenclatura confusa e condenado a ser um apêndice da medicina. A
botânica, então, começara a ser cultivada por si mesma e ganhou a moda.
Muitas das pessoas que passaram a se dedicar a este estudo restringiram-se à
nomenclatura, embora esta ciência, afirma, é muito mais do que isto para um
“espírito filosófico”. A nomenclatura, escreve, é necessária para o
reconhecimento dos objetos dos quais falamos, mas o verdadeiro sábio pode
ter a memória fraca e localizar perfeitamente as plantas na “cadeia dos seres”.
Um botânico, continua, pode desconhecer o nome de cada parte de uma planta
e, porém, descrever com exatidão os fenômenos da vegetação e a vida das
plantas da germinação à reprodução.
Saint-Hilaire evoca os maiores viajantes como exemplos do que seria para ele
o verdadeiro botânico. Ele pergunta: “É possível acreditar que os Commerson,
os Dombey, os Desfontaines deixassem sua pátria, renunciassem ao que
tinham de mais amado, que tenham penetrado nos contos mais selvagens e
enfrentado todos os perigos para obter a satisfação pueril de acrescentar novos
nomes a algumas listas áridas?”
A resposta a esta pergunta retórica é, evidentemente, negativa. Para ele, as
viagens são indispensáveis para encontrar-se o plano segundo o qual o Criador
semeara os animais e as plantas no mundo. Se há uma ordem, uma espécie
de rede dos seres “cujos nós mais afastados ainda têm algum ponto de
contato”, a natureza, por não amar a uniformidade, teria colocado
simetricamente as famílias das plantas nas diversas partes do globo.
Entretanto, as plantas são “tal como dois irmãos que se amam ternamente e
são afastados um do outro, mas continuam sempre unidos, apesar de sua
separação, pelos laços da mais doce simpatia.” O viajante-naturalista teria por
missão reconhecer as afinidades que unem os vegetais.
A segunda crítica contra a botânica respondida por Saint-Hilaire é a da
inutilidade. O naturalista argumenta em favor da importância da botânica para a
medicina, para a agricultura e as artes em geral. Retomando idéias
desenvolvidas antes por Augustin-Pyramus de Candolle14, ele afirma que o
naturalista pode ajudar o médico porque sabe que os vegetais organizados de
forma semelhante possuem frequentemente as mesmas propriedades; em
caso de falta de uma espécie conhecida, ele pode indicar uma substituta. Para
a agricultura, igualmente, a pesquisa da organização das plantas e de suas
relações pode ajudar na busca de novos métodos de cultivo ou um vegetal
apropriado a um terreno ingrato.
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Mais uma vez as viagens e a diversidade dos seres no planeta aparecem como
argumentos centrais no texto. Ao falar do trabalho do botânico, diz: “Se após
ter longamente estudado as plantas de seu país ele percorrer lugares
longínquos, a analogia o conduzirá a descobrir os vegetais úteis que crescerão
bem em sua pátria e, ao mesmo tempo, vai inspirá-lo com felizes idéias quanto
aos meios de cultivá-los e de os aclimatar.”
Este texto de 1811, que reproduz alguns lugares comuns em meio aos
naturalistas franceses, importa aqui pois atribui grande importância às viagens
e avança questões que serão tratadas por ele novamente, anos depois. Sua
viagem parece ter sido desejada com ardor, pois já em 1811 dizia:
“Quais não devem ser os transportes de um botânico, quando chega a uma
dessas localidades situadas nos trópicos, onde a natureza parece ter
concentrado suas forças para exibir tudo o que a vegetação possui de mais rico
e variado.”
Sua viagem ao Brasil foi, efetivamente, de tal forma expressiva em sua vida
que grande maioria de suas publicações é resultado dela. Seu périplo tropical
serve também de argumento na demanda de votos para sua admissão na
Academia de Ciências de Paris, para onde foi eleito em 1830. Em carta
endereçada a Blainville, datada de janeiro de 1830, ele apresenta sua carreira
de seguinte maneira:
“Vinte e cinco anos consagrados à botânica, duas grandes obras começadas;
uma longa seqüência de memórias, das quais muitas submetidas à Academia;
seis anos de viagens no Brasil, na República Cisplatina e nas missões, os dois
primeiro volumes dessas viagens atualmente no prelo: estes são, Sr., meus
títulos à cadeira vaga.”
Durante o ano de 1828, Saint-Hilaire já evocara sua viagem quando pediu ao
ministério do Interior que lhe concedesse uma pensão por “serviços prestados
à ciência”. O ministério concede de início uma soma de 300 francos por ano,
montante que o viajante acha insuficiente. Em seguida, com algumas cartas de
apoio redigidas por pessoas influentes, dentre as quais o duque de
Luxemburgo, Saint-Hilaire recebe do governo 1000 francos por ano. os
argumentos avançados dizem respeito a sua longa viagem e aos problemas de
saúde ocasionados por sua estadia no Brasil, o que o tinha impedido de
dedicar aos negócios necessários à administração de sua fortuna. Assim, a
imagem que o botânico dá de si mesmo é a de um mártir que teria
comprometido sua saúde em nome da ciência e da pátria.
Ser útil à pátria e à ciência é o objetivo auto-proclamado de sua viagem. Como
foi sublinhado acima, as competências científicas de Saint-Hilaire foram
condições préviaspara sua participação na missão diplomática que viria ao
Brasil. Faltava ainda justificar a importância das pesquisas específicas a serem
feitos nessa parte da América do Sul. Os professores do Museu de história
natural e também o próprio viajante falam sobretudo da relativa ignorância do
que chamavam de “as produções brasileiras”, e evocavam a possibilidade de
transplantar e aclimatar as plantas desse país na França e em suas colônias.
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Em carta ao ministro, enviada pelos professores, os argumentos são os
seguintes:
“Sabemos que ele [o Brasil] produz, entre outros, um grande número de plantas
próprias para tintura, mas é importante para as artes e o comércio que elas
sejam melhor conhecidas. A facilidade com que as árvores européias se
aclimataram na parte meridional do Brasil dá o direito de esperar que lá
encontraremos vegetais úteis fáceis de introduzir em nossas províncias.”
Em carta enviada a um amigo influente, provavelmente um familiar, Saint-
Hilaire avança mais argumentos quanto à utilidade imediata de suas possíveis
pesquisas no Brasil:
“Sabes, por exemplo, que nossos colonos da Guiana vendem seu algodão aos
portugueses, que estes o tingem na província do Pará, e que em seguida o
revendem a nós. As plantas do Pará encontrar-se-iam provavelmente na
Guiana, que é sua vizinha, ou, ao menos, é de se esperar que aí poderiam ser
introduzidas sem esforço. [...] Não sou presunçoso a ponto de prometer
arrancar-lhes este segredo tão bem guardado até o presente, mas ao menos
farei o que depender de mim.”
A correspondência e os textos de Saint-Hilaire que ele tinha grande liberdade
de ação e que, em princípio, sua missão era de forma geral “formar coleções
de plantas”. Ele insistia, entretanto, no fato de não ser um mero coletor e de
analisar as plantas recém-colhidas. Além disso, ele sempre buscou dar relevo
ao aspecto utilitário da viagem, afirmando, certa vez: “Dediquei-me
principalmente às espécies que são utilizadas pelos habitantes.”
Saint-Hilaire realiza de modo particular as aspirações utilitárias comuns à sua
época. Ele insiste com freqüência, como no texto de 1811 acima citado, na
idéia de que a botânica é uma ciência útil ao espírito. Em seu livro sobre as
plantas do Brasil e do Paraguai, de 1824, por exemplo, ele define da seguinte
maneira os objetivos de sua viagem:
“Todas as espécies que coletei foram analisadas nos lugares da coleta; coligi
informações que poderiam esclarecer sua história, e dediquei-me sobretudo ao
estudo das relações que elevam a botânica ao nível das ciências as mais
filosóficas.”
A análise das atividades que Saint-Hilaire realizou no Brasil faz crer que o
naturalista buscou tornar sua viagem ao mesmo tempo “filosófica” e “útil à
França e àhumanidade”, de acordo com as crenças e com o vocabulário da
época. Na realidade, não há contradição entre os dois objetivos, eles são
compatíveis e mesmo complementares.
Os sentimentos patrióticos do botânico manifestam-se diversas vezes. Ele
estabeleceu, por exemplo, contato com o consul francês no Brasil, Sr. Maller, e
o ajuda a enviar plantas para a Martinica. Ele participa igualmente do envio que
Frei Leandro do Sacramento faz para a Martinica e para Caiena. Assim, são 21
caixas de plantas vivas originárias dos arredores do Rio de Janeiro que
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seguem para as colônias francesas. Sempre pensando na França, ele fica
contente quando percorre as regiões do Sul, de clima mais temperado. Ele
reconhece algumas plantas de seu país e encontra alguns vegetais que
poderiam ser aclimatados na França, como é o caso da araucária. Ele faz
diversos envios de sementes desta árvore para o Museu de Paris, para estar
seguro que um deles chegaria a seu destino. Impossível não pensar em
algumas linhas escritas por ele anos antes. Tudo leva a crer que Saint-Hilaire
não teve surpresas durante sua estadia no Brasil: ele conhecia os relatos dos
viajantes que percorreram o mundo todo, inclusive a América do Sul, e se
apega ao savoir-faire estabelecido. Em passagem redigida em 1811, ele
descreve sentimentos que poderiam ser seus cinco anos mais tarde:
“Penetrando nas florestas antigas da América setentrional, os dois Michaux só
pensavam na França e se expunham a todos os perigos para conseguir-lhe
novas riquezas.”
Seus relatos de viagem, publicados a partir de 1830, também transmitem a
sensação de que sua formação anterior o teria capacitado a agir com frieza e
objetividade, sem se ater aos detalhes supérfluos e sem perder as boas
oportunidades que surgiam. Da tradição dos viajantes o botânico reteve
também outra característica: a crença na permuta filantrópica. A “biopirataria”
exercida pelo viajante francês é vista por ele mesmo como algo plenamente
justificável, já que se trata de uma troca e não de um roubo. Do Brasil ele
levaria para a França sementes, vegetais úteis, um herbário, animais,
informações sobre a geografia e a história do país, etc. Mas, sendo útil aos
franceses, ele estaria ao mesmo tempo sendo útil aos brasileiros.
Conhecimentos apenas empíricos passariam a fazer parte do universo da
ciência. É com esse objetivo que ele publica os livros Histoire des plantes les
plus remarquables du Brésil e du Paraguay (1824) e Plantes usuelles des
Brasiliens (sic) (1824-1828). Em obra posterior, de 1840, ele faz um balanço de
sua vida, e afirma:
“Talvez eu não tenha sido inútil aos meus semelhantes, quando submeti aos
princípios rigorosos da ciência o exame das plantas que os brasileiros
empregam para o alívio de seus males.”
Desse modo, o sentimento de filantropia que permeava as atividades dos
viajantes-naturalistas parte de uma distinção inicial básica: países civilizados
com ciência e países não totalmente civilizados com práticas empíricas
tradicionais. Emnome da transformação da natureza em objeto científico, as
fronteiras nacionais deviam ser abolidas. A ciência torna-se universal. Seu
desenvolvimento é considerado útil à humanidade como um todo e não apenas
à pátria de cada cientista. Argumento semelhante fora usado anos antes por
um homônimo do viajante que veio ao Brasil, Étienne Geoffroy Saint-Hilaire, em
missão científica a Portugal, durante a invasão francesa. Sobre os ricos
herbários que encontrou no Museu d’Ajuda, afirma:
“Todos são virgens; não se deram ao trabalho de abri-los: não resultaram em
nenhuma planta, em nenhuma idéia botânica”. Classificados e estudados na
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França esses herbários que eram inúteis em Portugal poderiam ser úteis aos
próprios naturalistas portugueses. Estes passariam a ter uma “propriedade
científica, quando anteriormente possuíam apenas ervas”.
É no sentido dessa troca filantrópica que podemos compreender a atitude dos
naturalistas diante dos saberes das populações dos locais que visitavam. Por
onde passava, Auguste de Saint-Hilaire recolhia informações sobre o uso de
plantas na medicina, na alimentação e na indústria. Não havia, no entanto, uma
adoção imediata dos produtos considerados úteis. As plantas e seu emprego
deveriam ser cuidadosamente observados e analisados, se preciso com a
ajuda de químicos e médicos. Assim, a França participaria dessa troca
internacional com a ciência e o Brasil com a natureza e as práticas empíricas
tradicionais. Além disso, a França forneceria produtos que poderiam ser
aclimatados aqui. Graças a seus domínios coloniais e às trocas que os museus
e jardins botânicos franceses realizam com o mundo inteiro, Saint-Hilaire podia
dispor de produtos úteis, que cresciam naturalmente em lugares de clima
semelhante ao do Brasil.
Nos relatos de suas viagens e em sua correspondência, o naturalista narra
diversos episódios que demonstram os serviços que acredita ter prestado aos
brasileiros. Conta, por exemplo, que conquistou a amizade do conde da Barca,
ao descobrir uma planta (que ele não diz qual é) que poderia ser
comercializada pelo Brasil. Ele estudou outras plantas, como a quina brasileira,
que, embora não fosse a verdadeira quina do Peru, poderia ser empregada
utilmente na medicina. Conta também que foi chamado a opinar sobre a razão
da diferença de gosto entre o mate do Paraguai e o mate do Brasil. Concluiu
que se tratava da mesma espécie vegetal. O gosto da bebida variava, portanto,
de acordo com a maneira de prepará-la.27 Além disso, Saint-Hilaire escreve do
Brasil ao Museu de história natural de Paris e pede que enviem de lá sementes
de vegetais úteis – principalmente legumes, frutas e plantas de ornamento –
que poderiam ser aclimatados no Brasil.
As referências de Saint-Hilaire à humanidade não devem ser tomadas somente
como recursos de retórica. A filantropia se organizou em grupos e sociedades
espalhados pela Europa e pelo Brasil, dos quais diversos cientistas, nobres,
burgueses e políticos fizeram parte. Saint-Hilaire era próximo de Deleuze,
bibliotecário do Museu de Paris, mesmerista e ativo militante da Sociedade
Filantrópica. O botânico deCandolle, seu correspondente, também era
filantropo militante, assim como o duque de Luxemburgo, amigo de sua família.
O homem a ser ajudado pela filantropia tanto pode ser o pobre das ruas de
Paris, o escravo africano, o índio americano ou aqueles que buscavam
construir uma nação civilizada nos trópicos.
Se para Saint-Hilaire a botânica deveria ser cultivada por ela mesma, não
deixava de ser uma ciência estreitamente vinculada ao bem-estar material das
sociedades. A importância que cada nação atribui às ciências naturais já é,
segundo ele, um indicador de seu nível de civilização. A estadia do naturalista
no Brasil foi importante para suas aspirações filosóficas. A aplicação do método
natural, com a finalidade de descobrir o plano do Criador exigia dos botânicos o
conhecimento de todas as plantas disseminadas pelo planeta. Daí o desejo do
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viajante de que logo “até a menor gramínea desse país imenso” fosse descrita.
As viagens incluíam também a realização de atividades práticas, tornadas
possíveis graças ao conhecimento da forma dos vegetais e da relação de
parentesco existente entre as espécies. Desse modo, Saint-Hilaire realizou de
forma clara o que já se tornava uma tradição. Todas essa características fazem
parte de mesma arte – a de viajar – e dizem respeito ao mesmo personagem: o
viajante-naturalista.
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A CONTRIBUIÇÃO ÁRABE PARA O BRASIL
Um esboço acerca da influência árabe no Brasil Colônia
Rafael Saraiva Lapuente
Dentre várias contribuições de povos diferentes para a formação cultural do
Brasil, um deles, embora muito presente, muitas vezes acaba passando
despercebido: os atributos árabes no Brasil colonial. Desde aspectos
relacionados à arquitetura, passando pelos engenhos açucareiros, culinária,
vocabulário e até na religião os árabes estiveram presentes na construção da
identidade brasileira. Assim sendo, o presente trabalho se embasará em
explanar as características mouras presentes no Brasil Colônia e que, de uma
maneira geral, ainda permanecem presentes na sociedade brasileira. A partir
da leitura e pesquisa de historiadores, sociólogos e antropólogos relacionados
a essa temática, revelou-se que a contribuição dos árabes foi extremamente
proeminente para o Brasil, sendo determinantes para firmar aspectos que hoje
são ponderados como peculiares do país. Por fim, percebe-se que escassos
são os estudos que focalizam essa questão de maneira aprofundada, fato que
contribui para a solidificação do pensamento de que a constituição étnica e
cultural brasileira se embasa apenas no tripé Português cristão, indígena nativo
e africano da diáspora, ficando de fora uma cultura tão rica, duradoura e aguda
para a composição do Brasil enquanto povo e nação.
A história da cultura brasileira tem como marco a miscigenação cultural e
étnica. Nativos, portugueses e escravos africanos caracterizaram uma
verdadeira mistura durante o período colonial. Um dos povos que contribuiu
para a criação de uma identidade nacional não só para o Brasil, como também
para Portugal, foram os mouros, povo de origem árabe que ocupou a Península
Ibérica.
Os mouros eram um povo de origem árabe que desde o século VIII ocuparam a
Península Ibérica. De acordo com A. do Carmo Reis (apud PORTUGAL, 2011,
p.6) “foi uma crise políticoreligiosa da monarquia visigoda que proporcionou a
conquista muçulmana da Ibéria. Aconteceu que, após a morte do rei Vitiza, o
Concílio elegeu o cavaleiro Rodrigo para a sucessão ao trono, escolha que não
foi acatada pelos filhos do monarca defunto (...) que (...) solicitaram a ajuda
árabe” Através dessa ajuda solicitada aos árabes, que “no início do século VIII,
um exército árabe chefiado pelo general Tarik invadiu a Península Ibérica e,
rapidamente, se apoderou de quase todo o território, vencendo Rodrigo na
Batalha de Guadalete” (PORTUGAL, 2011, p.6)
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A dominação árabe na Península Ibérica vai durar oito séculos.
A Reconquista da Península Ibérica só foi consolidada em 1492 com a
tomada do reino de Granada. No final do século XV, os cristãos uniram forças e
encurralaram os muçulmanos no território da Península Ibérica. Os Reis
Católicos formaram uma aliança de grande capacidade e que conseguiu
alcançar um objetivo de longa data para o Cristianismo. Ainda assim, os
cristãos concederam aos muçulmanos alguns privilégios para conseguir reaver
todo o território que antes possuíam. O processo de Reconquista culminou com
a retomada da Península Ibérica e também forneceu as condições necessárias
para a unificação da Espanha como Estado Nacional no mesmo ano de 1492.
(JÚNIOR, 2011, grifos do autor).
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No meio da guerra de reconquista, surge o condado portucalense, no
século XI.
Ainda no século XII, o condado torna-se independente de Leão e Castela.
A expulsão dos árabes se completa em 1492, como demonstra a imagem
abaixo:
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