Claraluz desligou-se do Messenger e deitou em sua cama. Ficou uns 10 minutos
prostrada, olhando fixamente para o teto, como se estivesse em estado de choque. Sua cabeça
parecia um enorme acelerador de partículas em funcionamento. Um filme da sua vida, com
uma velocidade alucinante, invadia sem a sua permissão a sua cabeça, e Mandel habitava este
sonho que Claraluz sonhava acordada.
        – Meu Deus! O que está acontecendo comigo? – pensava Claraluz. – Preciso dar um
jeito em minha vida. Assumir as responsabilidades e trilhar o caminho da minha felicidade a
partir das minhas escolhas. Não posso deixar as coisas acontecerem do jeito que estão
caminhando...
        Depois de refletir profundamente bastante sobre a sua vida, Claraluz pega o celular e
liga para Regina, que atende:
        – Oi Clara, minha querida! Que ventos a trazem? – diz Regina
        – Oi amiga! Estou ligando porque preciso falar muito contigo. Quero tomar uma
atitude decisiva para a minha vida! – responde Claraluz.
        – O que foi Claraluz? Aconteceu algo? Tu me pareces nervosa e agitada...
        – Vou desmarcar meu casamento! Vou aproveitar que o Barretto e eu vamos a um
restaurante daqui a pouco e vou colocar as cartas na mesa! Não quero e não vou me casar, e
depois de pensar muito, resolvi tomar esta decisão! Não vou voltar atrás! – fala Claraluz.
        – Meu Deus! Hoje o céu vai se rasgar ao meio! Acredito que tu já deverias ter tomado
esta decisão. Mas saiba! Irás abalar os alicerces! – exclama Regina, surpresa com a decisão de
Claraluz.
        – Sim! Mas não posso deixar que as coisas aconteçam alheias a minha vontade. Sei que
já deveria ter tomado esta decisão antes! Não deveria nem ter permitido que o casamento
fosse marcado, mas antes tarde do que nunca! Sei da tormenta que me aguarda, mas preciso
enfrentar este terremoto agora!
        – É meu amor! Prepare-se, porque não será fácil! – adverte Regina. – Mas estou ao teu
lado para o que der e vier, e podes acreditar que apoio a sua decisão incondicionalmente!
        – Mas vá com calma! – continua Regina. – Barretto não é teu inimigo, pense nisso! É
alguém que você descobriu que não quer se casar! Trate-o com respeito e dignidade, e deixe
transparecer este sentimento. Faça-o entender que não será possível assumir uma
responsabilidade tão grande, que é para toda a vida!
        – Tá legal, amiga! – concorda Claraluz. – Vou tentar conduzir o assunto com a maior
serenidade possível, mas sei que vou enfrentar a fúria dos leões. As colunas sociais, como tu
sabes muito bem, já anunciaram este casamento infeliz pelos quatro cantos, e a expectativa da
família do Barretto e da minha mãe quanto a este evento é que se ecoe por toda a alta
sociedade carioca! Argh!
       – É colega, bem lembrado! Tem a sua mãe, que irá lhe rogar todas as pragas do mundo
quando souber de sua decisão! E tenho certeza que tentará lhe persuadir a voltar atrás. –
emenda Regina.

Claraluz e o poeta trecho cap 7

  • 1.
    Claraluz desligou-se doMessenger e deitou em sua cama. Ficou uns 10 minutos prostrada, olhando fixamente para o teto, como se estivesse em estado de choque. Sua cabeça parecia um enorme acelerador de partículas em funcionamento. Um filme da sua vida, com uma velocidade alucinante, invadia sem a sua permissão a sua cabeça, e Mandel habitava este sonho que Claraluz sonhava acordada. – Meu Deus! O que está acontecendo comigo? – pensava Claraluz. – Preciso dar um jeito em minha vida. Assumir as responsabilidades e trilhar o caminho da minha felicidade a partir das minhas escolhas. Não posso deixar as coisas acontecerem do jeito que estão caminhando... Depois de refletir profundamente bastante sobre a sua vida, Claraluz pega o celular e liga para Regina, que atende: – Oi Clara, minha querida! Que ventos a trazem? – diz Regina – Oi amiga! Estou ligando porque preciso falar muito contigo. Quero tomar uma atitude decisiva para a minha vida! – responde Claraluz. – O que foi Claraluz? Aconteceu algo? Tu me pareces nervosa e agitada... – Vou desmarcar meu casamento! Vou aproveitar que o Barretto e eu vamos a um restaurante daqui a pouco e vou colocar as cartas na mesa! Não quero e não vou me casar, e depois de pensar muito, resolvi tomar esta decisão! Não vou voltar atrás! – fala Claraluz. – Meu Deus! Hoje o céu vai se rasgar ao meio! Acredito que tu já deverias ter tomado esta decisão. Mas saiba! Irás abalar os alicerces! – exclama Regina, surpresa com a decisão de Claraluz. – Sim! Mas não posso deixar que as coisas aconteçam alheias a minha vontade. Sei que já deveria ter tomado esta decisão antes! Não deveria nem ter permitido que o casamento fosse marcado, mas antes tarde do que nunca! Sei da tormenta que me aguarda, mas preciso enfrentar este terremoto agora! – É meu amor! Prepare-se, porque não será fácil! – adverte Regina. – Mas estou ao teu lado para o que der e vier, e podes acreditar que apoio a sua decisão incondicionalmente! – Mas vá com calma! – continua Regina. – Barretto não é teu inimigo, pense nisso! É alguém que você descobriu que não quer se casar! Trate-o com respeito e dignidade, e deixe transparecer este sentimento. Faça-o entender que não será possível assumir uma responsabilidade tão grande, que é para toda a vida! – Tá legal, amiga! – concorda Claraluz. – Vou tentar conduzir o assunto com a maior serenidade possível, mas sei que vou enfrentar a fúria dos leões. As colunas sociais, como tu sabes muito bem, já anunciaram este casamento infeliz pelos quatro cantos, e a expectativa da
  • 2.
    família do Barrettoe da minha mãe quanto a este evento é que se ecoe por toda a alta sociedade carioca! Argh! – É colega, bem lembrado! Tem a sua mãe, que irá lhe rogar todas as pragas do mundo quando souber de sua decisão! E tenho certeza que tentará lhe persuadir a voltar atrás. – emenda Regina.