FERNANDO RIBEIRO VENÇÃO
TÍTULO/9 – Habitação Multifamiliar Asa Sul,
“A proposta de Brasília mudou a imagem de ‘morar em apartamento’, e isto
porque morar em apartamento na superquadra significa dispor de chão livre e
gramados generosos contíguos à “casa”, numa escala que um lote individual normal
não tem possibilidade de oferecer.” Lucio Costa, em Brasília revisitada, 1985.
O texto fala sobre as novas possibilidades exploradas nas unidades residenciais de
Brasília, que começaram a ser construídos em meados da década de 50 e que receberam
influencias das residências comunitárias do Construtivismo Russo, outras influências foram
as cidades jardins Europeias, além de outras mais, como unidades de vizinhança que foram
implantadas nos Estados Unidos e Inglaterra, onde tudo que o morador precisa, poderia ser
encontrado próximo a sua casa numa simples caminhada, Além de usar preceitos da Carta
de Atenas: habitação, trabalho, lazer e circulação e das ideias de Unidades de habitação de
Le Corbusier. Mas que Lucio Costa Trouxe pra nossa realidade, inicialmente em uma obra
anterior do urbanista, hoje igualmente tombada pelo IPHAN, o Parque Guinle, no Rio de
Janeiro que foi o precursor das unidades habitacionais de Brasília. Mas esta detém uma
característica especial: Na maioria das cidades brasileiras, o espaço público é resultante da
ocupação do território ou de parcelamento de lotes, restando ao uso público apenas o
sistema viário e algumas praças. Em Brasília, essa lógica é invertida: é o espaço público
que condiciona e limita o espaço privado. Nas superquadras os edifícios residenciais são
construídos sobre projeções, onde o pavimento térreo é de uso público.
FIGURA 1: MAPS, Google; VENÇÃO, Fernando. Brasília - DF: Asa Sul.
FERNANDO RIBEIRO VENÇÃO
FIGURA 2 VISTA PANORAMICA - Asa Sul Brasília – DF - 70297-400
“Porém, o primeiro edifício de apartamentos a ficar pronto foi na SQS 306,
construído pela Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC), com
projeto da Divisão de Arquitetura (DAU) então chefiada por Oscar Niemeyer”.
O texto fala sobre os blocos dos apartamentos, tão importantes na concepção do
modelo de moradia proposto nas unidades de vizinhança em Brasília, que é composta por
quatro Superquadras com os Comércios Locais, a Igreja, o Clube, o Cinema, o Posto de
Saúde, a Biblioteca, a Delegacia Policial e os equipamentos educacionais. Os blocos são
apresentados com 6 pavimentos, mais o térreo com área livre, calçada e pilotis, a presença
de circulação vertical e elevadores e nos andares: entrada social e com apartamentos
providos de sala de estar, jantar, 2 dormitórios e uma suíte com closet, banheiro social e um
de serviço, área de serviço e acesso secundário. Para proteger do sol, brises-soleil, além de
toda uma área verde e de lazer e estacionamentos, no entorno aos condomínios. A
construção e a ocupação das superquadras, naturalmente, tiveram diversos outros
arquitetos construindo torres de apartamentos, mas sempre dentro dos mesmos parâmetros
solicitados por Lucio Costa. Sobre os moradores Conta-se que os servidores públicos
tiveram de ser convencidos a embarcar do litoral rumo ao Planalto Central e, como
estratégia, foram oferecidos estímulos financeiros como salários generosos e garantia de
boas moradias. Em média residem 3,7 indivíduos por unidade, sendo que o total de
moradores por edifício fica em torno de 180 pessoas.
REFERÊNCIAS
IPHAN. Superquadra de Brasília: Preservando um lugar de viver. Brasilia: MinistÉrio da
Cultura, 2015. 99 p. Disponível em:
<http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/cartilha_unidade_vizinhanc%CC%A7a_i
phan_df.pdf>. Acesso em: 17 ago. 2019.
ZAPATEL, Juan Antonio. Habitação em Superquadra Avaliação Pós-Ocupação
(APO). 1993. 12 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Fauusp,
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Usp, São Paulo, 1992.

BRASÍLIA - Arquivo Formatado 2019-1.pdf

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    FERNANDO RIBEIRO VENÇÃO TÍTULO/9– Habitação Multifamiliar Asa Sul, “A proposta de Brasília mudou a imagem de ‘morar em apartamento’, e isto porque morar em apartamento na superquadra significa dispor de chão livre e gramados generosos contíguos à “casa”, numa escala que um lote individual normal não tem possibilidade de oferecer.” Lucio Costa, em Brasília revisitada, 1985. O texto fala sobre as novas possibilidades exploradas nas unidades residenciais de Brasília, que começaram a ser construídos em meados da década de 50 e que receberam influencias das residências comunitárias do Construtivismo Russo, outras influências foram as cidades jardins Europeias, além de outras mais, como unidades de vizinhança que foram implantadas nos Estados Unidos e Inglaterra, onde tudo que o morador precisa, poderia ser encontrado próximo a sua casa numa simples caminhada, Além de usar preceitos da Carta de Atenas: habitação, trabalho, lazer e circulação e das ideias de Unidades de habitação de Le Corbusier. Mas que Lucio Costa Trouxe pra nossa realidade, inicialmente em uma obra anterior do urbanista, hoje igualmente tombada pelo IPHAN, o Parque Guinle, no Rio de Janeiro que foi o precursor das unidades habitacionais de Brasília. Mas esta detém uma característica especial: Na maioria das cidades brasileiras, o espaço público é resultante da ocupação do território ou de parcelamento de lotes, restando ao uso público apenas o sistema viário e algumas praças. Em Brasília, essa lógica é invertida: é o espaço público que condiciona e limita o espaço privado. Nas superquadras os edifícios residenciais são construídos sobre projeções, onde o pavimento térreo é de uso público. FIGURA 1: MAPS, Google; VENÇÃO, Fernando. Brasília - DF: Asa Sul.
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    FERNANDO RIBEIRO VENÇÃO FIGURA2 VISTA PANORAMICA - Asa Sul Brasília – DF - 70297-400 “Porém, o primeiro edifício de apartamentos a ficar pronto foi na SQS 306, construído pela Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC), com projeto da Divisão de Arquitetura (DAU) então chefiada por Oscar Niemeyer”. O texto fala sobre os blocos dos apartamentos, tão importantes na concepção do modelo de moradia proposto nas unidades de vizinhança em Brasília, que é composta por quatro Superquadras com os Comércios Locais, a Igreja, o Clube, o Cinema, o Posto de Saúde, a Biblioteca, a Delegacia Policial e os equipamentos educacionais. Os blocos são apresentados com 6 pavimentos, mais o térreo com área livre, calçada e pilotis, a presença de circulação vertical e elevadores e nos andares: entrada social e com apartamentos providos de sala de estar, jantar, 2 dormitórios e uma suíte com closet, banheiro social e um de serviço, área de serviço e acesso secundário. Para proteger do sol, brises-soleil, além de toda uma área verde e de lazer e estacionamentos, no entorno aos condomínios. A construção e a ocupação das superquadras, naturalmente, tiveram diversos outros arquitetos construindo torres de apartamentos, mas sempre dentro dos mesmos parâmetros solicitados por Lucio Costa. Sobre os moradores Conta-se que os servidores públicos tiveram de ser convencidos a embarcar do litoral rumo ao Planalto Central e, como estratégia, foram oferecidos estímulos financeiros como salários generosos e garantia de boas moradias. Em média residem 3,7 indivíduos por unidade, sendo que o total de moradores por edifício fica em torno de 180 pessoas. REFERÊNCIAS IPHAN. Superquadra de Brasília: Preservando um lugar de viver. Brasilia: MinistÉrio da Cultura, 2015. 99 p. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/cartilha_unidade_vizinhanc%CC%A7a_i phan_df.pdf>. Acesso em: 17 ago. 2019. ZAPATEL, Juan Antonio. Habitação em Superquadra Avaliação Pós-Ocupação (APO). 1993. 12 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Fauusp, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Usp, São Paulo, 1992.