APOSTILA DO CONCURSO DO IBGE
CARGO: TÉCNICO EM INFORMAÇÕES
GEOGRÁFICAS E ESTATÍSTICAS
EDITAL 2015.1 da FGV
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 1
A Presidenta da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no uso da competência que
lhe foi outorgada por intermédio do Despacho do Excelentíssimo Senhor Ministro do Planejamento,
Orçamento e Gestão, através da Portaria MP nº 302, de 24 de julho de 2015, publicada no Diário Oficial da
União nº 141, de 27 de julho de 2015, retificada pela Portaria MP nº 573, de 11 de dezembro de 2015,
publicada no Diário Oficial da União nº 238, de 14 de dezembro de 2015, torna pública a abertura das
inscrições e estabelece normas relativas à realização de Concurso Público destinado à seleção de candidatos
ao provimento de 460 (quatrocentas e sessenta) vagas para o cargo de Técnico em Informações Geográficas
e Estatísticas A I, da carreira de Suporte Técnico em Produção e Análise de Informações Geográficas e
Estatísticas, do Plano de Carreiras e Cargos do IBGE, de que trata a Lei nº 11.355, de 19 de outubro de 2006,
mediante as condições estabelecidas neste Edital e observadas as disposições contidas nos diplomas legais
vigentes.
1. DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
1.1 O Concurso Público regido por este Edital, pelos diplomas legais e regulamentares, por seus
anexos e posteriores retificações, caso existam, visa ao preenchimento de 460 (quatrocentas e
sessenta) vagas para o cargo de Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I, conforme
a distribuição constante do Quadro de Vagas disponível no Anexo III desse Edital, respeitando o
percentual mínimo de 5% (cinco por cento) das vagas para candidatos com deficiência, previsto
no artigo 37, inciso VIII, da Constituição da República Federativa do Brasil, na Lei nº 7.853, de 24
de outubro de 1989, e no Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com as alterações
introduzidas pelo Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, e o percentual de 20% (vinte por
cento) das vagas para candidatos negros, previsto na Lei nº 12.990, de 9 de junho de 2014.
1.2 O concurso será executado sob a responsabilidade da Fundação Getulio Vargas, doravante
denominada FGV.
1.3 A inscrição do candidato implicará a concordância plena e integral com os termos deste Edital,
seus anexos, eventuais alterações e legislação vigente.
2. DO PROCESSO DE SELEÇÃO
2.1 A seleção dos candidatos para o cargo de Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I
dar-se-á por meio de uma Prova Objetiva, de caráter eliminatório e classificatório.
2.2 Os resultados serão divulgados na internet, no seguinte endereço eletrônico:
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
2.3 Os candidatos inscritos realizarão as provas no município/UF no qual optaram por concorrer à(s)
vaga(s), de acordo com o especificado no Anexo III deste Edital.
2.4 Todos os horários definidos neste Edital, em seus anexos e em comunicados oficiais têm como
referência o horário oficial da cidade de Brasília-DF.
3. DO CARGO
3.1 A denominação do cargo, os requisitos de escolaridade, o valor da taxa de inscrição, o vencimento
básico, as gratificações, a remuneração total e a carga horária estão estabelecidos na tabela a
seguir:
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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 2
CARGO DE NÍVEL MÉDIO
Requisitos de escolaridade Valor da taxa de inscrição
Conforme o Anexo II (requisitos e atribuições do cargo) R$ 49,00
Cargo
Classe A
Padrão I
Vencimento
Básico
GDIBGE
(80 pontos)
Gratificação de
Qualificação
Remuneração
Total
Carga
Horária
Semanal de
Trabalho
Técnico em
Informações
Geográficas e
Estatísticas A I
Sem GQ
R$ 2.216,45 R$ 882,40
- R$ 3.098,85
40h
GQ I R$ 426,36 R$ 3.525,21
GQ II R$ 810,08 R$ 3.908,93
GQ III R$ 1.539,16 R$ 4.638,01
3.2 A remuneração corresponde ao Vencimento Básico do padrão inicial da classe inicial, constante da
tabela de vencimento do Plano de Carreiras e Cargos do IBGE vigente na data de entrada em
exercício, à Gratificação de Desempenho de Atividade em Pesquisa, Produção e Análise, Gestão e
Infraestrutura de Informações Geográficas e Estatísticas A I (GDIBGE) e, de acordo com os cursos
que possuir, à Gratificação de Qualificação (GQ), conforme a Lei nº 11.355, de 19 de outubro de
2006, e alterações posteriores, e Decreto nº 7.922, de 18 de fevereiro de 2013.
3.3 Será concedido Auxílio-Alimentação, no valor de R$ 373,00 (trezentos e setenta e três reais), de
acordo com o artigo 22 da Lei nº 8.460, de 17 de setembro de 1992, com redação dada pela Lei nº
9.527, de 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 3.887, de 16 de agosto de 2001, e Portaria MP nº
619, de 26 de dezembro de 2012, e Auxílio - Transporte, com base na Medida Provisória nº 2.165-
36, de 23 de agosto de 2001.
3.4 Poderão ser concedidos benefícios a título de Assistência à Saúde (Médica e Odontológica),
opcional, ao servidor e aos seus dependentes, com valores que variam entre R$ 82,83 (oitenta e
dois reais e oitenta e três centavos) e R$ 167,70 (cento e sessenta e sete reais e setenta centavos)
por pessoa, conforme a remuneração e a idade do servidor, de acordo com a Portaria MP nº 625,
de 21 de dezembro de 2012. A Assistência à Saúde somente será concedida mediante
comprovação de custeio de um plano de saúde próprio.
3.5 Para fazer jus à Gratificação de Qualificação-GQ, em nível I, o servidor deverá comprovar a
conclusão de curso(s) de capacitação ou qualificação profissional cujo somatório de cursos
integralize uma carga horária mínima de 180 (cento e oitenta) horas-aula, de acordo com os
critérios vigentes em normatizações internas.
3.6 Para fazer jus à Gratificação de Qualificação-GQ, em nível II, o servidor deverá comprovar a
conclusão de curso(s) de capacitação ou qualificação profissional cujo somatório de cursos
integralize uma carga horária mínima de 250 (duzentas e cinquenta) horas-aula, de acordo com os
critérios vigentes em normatizações internas.
3.7 Para fazer jus à Gratificação de Qualificação-GQ, em nível III, o servidor deverá comprovar a
conclusão de curso(s) de capacitação ou qualificação profissional cujo somatório de cursos
integralize uma carga horária mínima de 360 (trezentas e sessenta) horas-aula; ou de curso de
graduação ou pós-graduação, seja em nível de especialização, mestrado ou doutorado, de acordo
com os critérios vigentes em normatizações internas.
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3.8 GDIBGE - Atualmente a gratificação pode chegar a valer até 100 (cem) pontos - composta por até
80 (oitenta) pontos decorrentes da avaliação de desempenho institucional, e até 20 (vinte) pontos
resultantes da avaliação de desempenho individual. De acordo com a legislação vigente, o cálculo
para aqueles que ingressam no IBGE é feito com base em 80 (oitenta) pontos, permanecendo
assim até a primeira avaliação de desempenho do servidor que venha surtir efeito financeiro,
conforme determina o Artigo 81-C § 2º da Lei nº 11.355, de 19 de outubro de 2006, e alterações
posteriores. Esta gratificação poderá variar para mais ou para menos em função do desempenho
institucional e individual. O valor do ponto é de R$ 11,03 (onze reais e três centavos), conforme
estabelecido no Anexo XLVIII da Lei nº 12.778, de 28 de dezembro de 2012.
3.8.1 A Avaliação de Desempenho individual é um processo que ocorre anualmente em dois
períodos que se consolidam a cada 6 (seis) meses, iniciando-se o 1º período em janeiro e o
2º período em julho. Para ser avaliado, o servidor deverá ter permanecido em exercício de
atividades inerentes ao cargo em unidades do IBGE por, no mínimo, 2/3 (dois terços) de um
período completo de avaliação.
3.9 Após ser processada a primeira avaliação de desempenho individual que venha surtir efeito
financeiro, caso a pontuação máxima da GDIBGE (100 pontos) seja atingida, o total da
remuneração bruta poderá chegar a R$ 3.319,45 (três mil, trezentos e dezenove reais e quarenta e
cinco centavos), para os servidores sem GQ; a R$ 3.745,81(três mil, setecentos e quarenta e cinco
reais e oitenta e um centavos), para os que estejam recebendo a GQ I; a R$ 4.129,53 (quatro mil,
cento e vinte e nove reais e cinquenta e três centavos), para os que estejam recebendo a GQ II e a
R$ 4.858,61(quatro mil, oitocentos e cinquenta e oito reais e sessenta e um centavos), para os que
estejam recebendo a GQ III.
3.9.1 Ressalte-se que, após o ingresso no IBGE, o recém-nomeado deverá solicitar a Gratificação
de Qualificação – GQ, seja em nível I, II ou III. O recém-nomeado será devidamente
orientado a respeito de como proceder para requerer a concessão da GQ.
3.10 O candidato deverá atender, cumulativamente, para investidura no cargo, aos seguintes requisitos:
a) ter sido classificado no Concurso Público na forma estabelecida neste Edital, em seus anexos e
eventuais retificações;
b) ter nacionalidade brasileira e, no caso de nacionalidade portuguesa, estar amparado pelo
Estatuto de igualdade entre brasileiros e portugueses, com reconhecimento do gozo dos
direitos políticos, na forma do disposto no artigo 13 do Decreto nº 70.436, de 18 de abril de
1972;
c) estar quite com as obrigações eleitorais;
d) estar em pleno gozo de seus direitos políticos;
e) estar quite com as obrigações do Serviço Militar, para os candidatos do sexo masculino;
f) não estar incompatibilizado para a nova investidura em cargo público, nos termos dispostos no
artigo 137 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990;
g) ter, no mínimo, 18 anos completos;
h) possuir aptidão física e mental para o exercício das citadas atribuições do cargo;
i) ser aprovado neste Concurso Público e possuir o nível de escolaridade exigido para o exercício
do cargo conforme estabelecido no Anexo II deste Edital;
j) apresentar uma foto 3x4 e os documentos que se fizerem necessários para a nomeação, a
saber: Certidão de Nascimento ou Casamento; Carteira de Identidade; CPF; comprovante de
quitação com as obrigações militares, se do sexo masculino; Título de Eleitor e comprovante de
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quitação com as obrigações eleitorais; comprovante de inscrição no PIS/PASEP (caso já tenha
sido cadastrado); comprovante de residência; comprovante de naturalização (no caso de
brasileiro naturalizado); comprovante de que está amparado pelo Estatuto de igualdade entre
brasileiros e portugueses; com reconhecimento do gozo dos direitos políticos, na forma do
disposto no artigo 13 do Decreto nº 70.436, de 18 de abril de 1972 (no caso de candidato com
nacionalidade portuguesa); cópia assinada da Declaração de Bens e Rendimentos do ano-base
imediatamente anterior apresentada à Secretaria da Receita Federal ou Declaração de Isento;
quando for o caso; comprovante de escolaridade, conforme estabelecido no Anexo II deste
Edital;
k) comprovar que não se encontra na condição de sócio-gerente ou administrador de sociedades
privadas; e
l) cumprir as determinações deste Edital.
3.11 Todos os requisitos especificados no subitem 3.10 deverão ser comprovados mediante a
apresentação de documentos originais.
3.12 Os requisitos e as atribuições do cargo estão definidos no Anexo II deste Edital.
4. DAS INSCRIÇÕES
4.1 As inscrições para o Concurso Público se encontrarão abertas no período de 04 de janeiro de 2016
até 28 de janeiro de 2016.
4.2 Para efetuar sua inscrição, o interessado deverá acessar, via internet, o endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, observando o seguinte:
a) acessar o endereço eletrônico a partir das 14h do dia 04 de janeiro de 2016 até as 23h59 do
dia 28 de janeiro de 2016;
b) preencher o requerimento de inscrição que será exibido e, em seguida, enviá-lo de acordo com
as respectivas instruções;
c) o envio do requerimento de inscrição gerará automaticamente a Guia de Recolhimento da
União (GRU Simples), que deverá ser impressa e paga em espécie em qualquer agência
bancária do Banco do Brasil, ou pelo Internet banking do mesmo banco, sendo de inteira
responsabilidade do candidato a impressão e guarda do comprovante de inscrição;
d) a inscrição feita pela internet somente terá validade após a confirmação do pagamento pela
rede bancária;
e) o pagamento do valor da taxa de inscrição poderá ser efetuado até o primeiro dia útil
subsequente ao último dia do período destinado ao recebimento de inscrição via internet (29
de janeiro de 2016). Os pagamentos efetuados após esse prazo não serão aceitos e o
requerimento de inscrição será cancelado;
f) O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a FGV não se responsabilizarão por
requerimentos de inscrição que não tenham sido recebidos por fatores de ordem técnica dos
computadores, os quais impossibilitem a transferência dos dados e/ou causem falhas de
comunicação ou congestionamento das linhas de transmissão de dados; e
g) após as 23h59 do dia 28 de janeiro de 2016, não será mais possível acessar o formulário de
requerimento de inscrição.
4.3 O candidato somente poderá efetuar o pagamento da taxa de inscrição por meio de Guia de
Recolhimento da União (GRU Simples) emitida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
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que estará disponível no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge e deverá ser
impressa para o pagamento da taxa de inscrição após a conclusão do preenchimento do
requerimento de inscrição.
4.4 Todos os candidatos inscritos no período entre 14h do dia 04 de janeiro de 2016 e 23h59 do dia
28 de janeiro de 2016 poderão reimprimir, caso necessário, a GRU Simples, no máximo até as
23h59 do primeiro dia útil posterior ao encerramento das inscrições (29 de janeiro de 2016),
quando esse recurso será retirado do site da FGV.
4.4.1 O pagamento da taxa de inscrição após o dia 29 de janeiro de 2016, a realização de
qualquer modalidade de pagamento que não seja pela quitação da GRU Simples e/ou o
pagamento de valor distinto do estipulado neste Edital implicam o cancelamento da
inscrição.
4.4.2 Não será aceito, como comprovação de pagamento de taxa de inscrição, comprovante de
agendamento bancário.
4.4.3 Não será aceito pagamento do valor da inscrição por depósito em caixa eletrônico,
transferência ou depósito em conta corrente, DOC, cheque, cartão de crédito, ordens de
pagamento ou qualquer outra forma diferente da prevista neste Edital.
4.4.4 Em caso de feriado ou evento que acarrete o fechamento de agências bancárias na
localidade em que se encontra, o candidato deverá antecipar o pagamento da GRU
Simples ou realizá-lo por outro meio válido, devendo ser respeitado o prazo-limite
determinado neste Edital.
4.5 As inscrições somente serão efetivadas após a comprovação de pagamento da taxa de inscrição ou o
deferimento da solicitação de isenção da taxa de inscrição, nos termos do subitem 5.1 e seguintes
deste Edital.
4.5.1 O Cartão de Confirmação de Inscrição do candidato estará disponível no endereço
eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, a partir de 11 de abril de 2016, sendo
de responsabilidade exclusiva do candidato a obtenção desse documento.
4.5.2 No Cartão de Confirmação de Inscrição serão colocados, além dos principais dados do
candidato, seu número de inscrição, município/UF para o qual deseja concorrer, data,
horário e local de realização da prova.
4.5.3 É obrigação do candidato conferir, no Cartão de Confirmação de Inscrição, os seguintes
dados: nome, número do documento de identidade, sigla do órgão expedidor e estado
emitente, CPF, data de nascimento, sexo, município/UF para o qual deseja concorrer,
cidade de realização da prova, endereço, e, quando for o caso, a informação de tratar-se
de pessoa com deficiência que demande condição diferenciada para a realização da prova
e/ou esteja concorrendo às vagas reservadas para pessoas com deficiência e/ou esteja
concorrendo às vagas reservadas para negros e/ou seja lactante.
4.5.4 Os eventuais erros de digitação no nome, número/órgão expedidor ou Estado emitente do
documento de identidade, data de nascimento, sexo, deverão ser corrigidos no endereço
eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge através do sistema de inscrições online
ou, ainda, na ocasião da realização das provas objetivas, mediante a conferência do
documento original de identidade, quando do ingresso do candidato no local de provas,
pelo fiscal de sala.
4.6 Quando do pagamento da Guia de Recolhimento da União (GRU Simples), o candidato tem o
dever de conferir todos os seus dados cadastrais e da inscrição nela registrados. As inscrições e/ou
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pagamentos que não forem identificados devido a erro na informação de dados pelo candidato na
referida Guia não serão aceitos, não cabendo reclamações posteriores neste sentido.
4.7 O candidato deverá manifestar, no ato da inscrição, sua opção pelo município/UF em que deseja
concorrer, que automaticamente estará vinculado à cidade de realização da prova, conforme
Anexo III deste Edital;
4.8 Não serão aceitas inscrições condicionais ou extemporâneas, nem as requeridas por via postal, via
fax e/ou correio eletrônico.
4.9 É vedada a transferência do valor pago, a título de taxa, para terceiros, para outra inscrição ou
para outro concurso.
4.10 Para efetuar a inscrição é imprescindível o número de Cadastro de Pessoa Física (CPF) do
candidato.
4.11 A inscrição do candidato implica o conhecimento e a tácita aceitação das normas e condições
estabelecidas neste Edital, em relação às quais não poderá alegar desconhecimento, bem como
quanto à realização das provas nos prazos estipulados.
4.12 A qualquer tempo, mesmo após o término das etapas do processo de seleção, poder-se-á anular a
inscrição, as provas e a nomeação do candidato, desde que verificada falsidade em qualquer
declaração e/ou irregularidade nas provas e/ou em informações fornecidas.
4.12.1 O candidato que cometer, no ato de inscrição, erro grosseiro na digitação de seu nome ou
apresentar documento de identificação que não conste na ficha de cadastro do concurso
será eliminado do certame, a qualquer tempo.
4.13 Caso, quando do processamento das inscrições, seja verificada a existência de mais de uma
inscrição efetivada (por meio de pagamento ou isenção da taxa) por um mesmo candidato,
somente será considerada válida e homologada aquela que tiver sido realizada por último, sendo
esta identificada pelo sistema de inscrições online da FGV pela data e hora de envio do
requerimento via Internet. Consequentemente, as demais inscrições do candidato serão
automaticamente canceladas, não cabendo reclamações posteriores nesse sentido, nem mesmo
quanto à restituição do valor pago a título de taxa de inscrição.
4.14 O valor referente ao pagamento da taxa de inscrição não será devolvido em hipótese alguma,
salvo em caso de cancelamento do concurso por conveniência da Administração Pública.
4.15 O comprovante de inscrição e/ou pagamento da taxa de inscrição deverá ser mantido em poder
do candidato e apresentado nos locais de realização das provas ou quando solicitado.
4.16 O candidato, ao realizar sua inscrição, também manifesta ciência quanto à possibilidade de
divulgação de seus dados em listagens e resultados no decorrer do certame, tais como aqueles
relativos à data de nascimento, notas e desempenho na prova, ser pessoa com deficiência (se for o
caso), ser negro (se for o caso), entre outros, tendo em vista que essas informações são essenciais
para o fiel cumprimento da publicidade dos atos atinentes ao Concurso Público. Não caberão
reclamações posteriores nesse sentido, ficando cientes também os candidatos de que,
possivelmente, tais informações poderão ser encontradas na rede mundial de computadores
através dos mecanismos de busca atualmente existentes.
4.17 Antes de efetuar a inscrição, o candidato deverá conhecer o Edital e certificar-se de que preenche
todos os requisitos exigidos.
4.18 Após a homologação da inscrição, não será aceita, em hipótese alguma, solicitação de alteração
dos dados contidos na inscrição, salvo o previsto nos subitens 5.2.1, 6.5.1 e 8.1.1.
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5. DA ISENÇÃO DA TAXA DE INSCRIÇÃO
5.1 Somente haverá isenção da taxa de inscrição para os candidatos que declararem hipossuficiência
de recursos financeiros para pagamento da taxa, nos termos do Decreto Federal nº 6.135, de 26
de junho de 2007, e do Decreto Federal nº 6.593, de 02 de outubro de 2008.
5.2 Fará jus à isenção de pagamento da taxa de inscrição o candidato economicamente
hipossuficiente que estiver inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal
– CadÚnico e for membro de família de baixa renda.
5.2.1 O candidato que requerer a isenção na condição de economicamente hipossuficiente
deverá informar, no ato da inscrição, seus dados pessoais em conformidade com os que
foram originalmente informados ao órgão de Assistência Social de seu Município,
responsável pelo cadastramento de famílias no CadÚnico, mesmo que atualmente estejam
divergentes ou que tenham sido alterados nos últimos 45 (quarenta e cinco) dias, em
virtude do decurso de tempo para atualização do banco de dados do CadÚnico em âmbito
nacional. Após o julgamento do pedido de isenção, o candidato poderá efetuar a atualização
dos seus dados cadastrais com a FGV pelo sistema de inscrições online ou solicitá-la ao fiscal
de aplicação no dia de realização das provas.
5.2.1.1 Mesmo que inscrito no CadÚnico, a inobservância do disposto no subitem anterior
poderá implicar o indeferimento do pedido de isenção do candidato, por
divergência entre os dados cadastrais informados e os constantes no banco de
dados do CadÚnico.
5.2.1.2 A isenção mencionada no subitem 5.1 poderá ser solicitada no período entre 14h
do dia 04 de janeiro de 2016 e 23h59 do dia 28 de janeiro de 2016, por meio de
inscrição no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, devendo
o candidato, obrigatoriamente, indicar o seu Número de Identificação Social – NIS,
atribuído pelo CadÚnico, bem como declarar-se membro de família de baixa renda.
5.2.1.3 A FGV consultará o órgão gestor do CadÚnico a fim de verificar a veracidade das
informações prestadas pelo candidato que requerer a isenção na condição de
hipossuficiente.
5.3 As informações prestadas no requerimento de isenção serão de inteira responsabilidade do
candidato, podendo este responder, a qualquer momento, por crime contra a fé pública, o que
acarretará sua eliminação do concurso, aplicando-se, ainda, o disposto no art. 10, parágrafo único,
do Decreto Federal nº 83.936, de 06 de setembro de 1979.
5.4 O simples preenchimento dos dados necessários para a solicitação da isenção de taxa de inscrição
não garante ao candidato a isenção do pagamento da taxa de inscrição, a qual estará sujeita a
análise e deferimento por parte da FGV.
5.4.1 O fato de o candidato estar participando de algum Programa Social do Governo Federal
(Prouni, Fies, Bolsa Família etc.), assim como o fato de ter obtido a isenção em outros
certames, não garante, por si só, a isenção da taxa de inscrição.
5.5 Não serão aceitos, após a realização do pedido, acréscimos ou alterações das informações
prestadas, ressalvado o subitem 5.2.1.
5.6 Não será deferida a solicitação de isenção de pagamento de taxa de inscrição por fax, correio
eletrônico ou pelos Correios.
5.7 O não cumprimento de uma das etapas fixadas, a falta ou a inconformidade de alguma informação
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ou a solicitação apresentada fora do período fixado implicarão a eliminação automática do
processo de isenção.
5.8 O resultado preliminar da análise dos pedidos de isenção de taxa de inscrição será divulgado no
endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, no dia 12 de fevereiro de 2016.
5.8.1 É responsabilidade do candidato acompanhar a publicação e tomar ciência do seu
conteúdo.
5.8.2 O candidato que tiver a isenção deferida, mas que tenha efetivado o pagamento do boleto
bancário terá sua isenção cancelada.
5.9 O candidato cujo requerimento de isenção de pagamento da taxa de inscrição for indeferido
poderá interpor recurso no prazo de dois dias úteis, a contar do primeiro dia útil subsequente ao
da publicação do resultado da análise dos pedidos, por meio de link disponibilizado no endereço
eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
5.10 A relação dos pedidos de isenção deferidos após recurso será divulgada no endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/mre, no dia 22 de fevereiro de 2016.
5.10.1O candidato que tiver seu pedido de isenção indeferido deverá efetuar o pagamento da
GRU Simples somente após divulgada a relação definitiva dos pedidos de isenção.
5.11 Os candidatos que tiverem seus pedidos de isenção indeferidos poderão acessar o endereço
eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, no período de 22 de fevereiro de 2016 até 24
de fevereiro de 2016, para imprimir a GRU Simples para pagamento até o dia 24 de fevereiro de
2016, conforme procedimentos descritos neste Edital.
5.12 O candidato que tiver seu pedido de isenção indeferido e que não efetuar o pagamento da taxa de
inscrição na forma e no prazo estabelecidos no subitem anterior estará automaticamente excluído
do Concurso Público.
6. DAS VAGAS DESTINADAS ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
6.1 As pessoas com deficiência que se enquadram nas categorias discriminadas no art. 4º do Decreto
Federal nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro
de 1989, no Decreto Federal nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004, na situação prevista no § 1º do
art. 1º da Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012 (Política Nacional de Proteção dos Direitos da
Pessoa com Transtorno do Espectro Autista), e no enunciado da Súmula nº 377 do STJ (“O
portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas
aos deficientes”), observados os dispositivos da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com
Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009
terão assegurado o direito de inscrição no presente Concurso Público, desde que a deficiência seja
compatível com as atribuições da carreira para a qual concorram, conforme o Anexo II deste Edital.
6.1.1 Do total de vagas para o cargo, ficarão reservadas 5% (cinco por cento) para pessoa com
deficiência. Caso a aplicação do percentual resulte em número fracionado igual ou maior a
0,5 (meio décimo), adotar-se-á o número inteiro imediatamente superior, na forma do
Decreto Federal nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999.
6.1.2 Ficarão reservadas 5% (cinco por cento) das vagas aos candidatos que se declararem
pessoas com deficiência, desde que apresentem laudo médico (documento original ou
cópia autenticada em cartório), que deverá obedecer às seguintes exigências:
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a) ter sido expedido há, no máximo, 6 (seis) meses, a contar da data de início do período
de inscrição;
b) descrever a espécie e o grau ou nível de deficiência;
c) apresentar a provável causa da deficiência;
d) apresentar os graus de autonomia;
e) constar referência ao código correspondente da Classificação Internacional de Doenças
(CID) vigente;
f) constar se faz uso de órteses, próteses ou adaptações;
g) no caso de deficiente auditivo, o laudo deverá vir acompanhado de uma audiometria
recente, até 6 (seis) meses a contar da data de início do período de inscrição;
h) no caso de deficiente visual, o laudo deverá vir acompanhado de acuidade em AO
(ambos os olhos), patologia e campo visual;
i) no caso de deficiência mental, no laudo deverá constar a data do início da doença,
áreas de limitação associadas e habilidades adaptadas; e
j) no caso de deficiência múltipla, no laudo deverá constar a associação de duas ou mais
deficiências.
6.1.3 O candidato que desejar concorrer às vagas reservadas a pessoas com deficiência deverá
marcar a opção no link de inscrição e enviar o laudo médico (original ou cópia autenticada
em cartório), conforme subitem 6.1.2, até o dia 29 de janeiro de 2016,
impreterivelmente, via SEDEX ou Carta Registrada, para a FGV – Caixa Postal nº 205 –
Muriaé/MG – CEP: 36880-970, com os seguintes dizeres: CONCURSO INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (Técnico em Informações Geográficas e
Estatísticas A I) – DOCUMENTAÇÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA.
6.1.3.1 O fato de o candidato se inscrever como pessoa com deficiência e enviar laudo
médico não configura participação automática na concorrência para as vagas
reservadas, devendo o laudo passar por uma análise da FGV; no caso de
indeferimento, passará o candidato a concorrer somente às vagas de ampla
concorrência.
6.2 O candidato que se declarar com deficiência concorrerá em igualdade de condições com os
demais candidatos.
6.3 O candidato inscrito na condição de pessoa com deficiência poderá requerer atendimento
especial, conforme estipulado no item 8 deste Edital, indicando as condições de que necessita
para a realização das provas, conforme previsto no art. 40, §§ 1º e 2º, do Decreto Federal nº
3.298, de 20 de dezembro de 1999.
6.4 A relação dos candidatos que tiverem a inscrição deferida para concorrer na condição de pessoas
com deficiência será divulgada no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
6.4.1 O candidato cujo pedido de inscrição na condição de pessoa com deficiência seja
indeferido poderá interpor recurso no prazo de dois dias úteis, a contar do primeiro dia
útil subsequente ao da divulgação do resultado da análise dos pedidos, mediante
requerimento dirigido à FGV pelo endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
6.4.2 A listagem definitiva de candidatos que atenderam à regra estipulada neste Edital quanto
ao envio do laudo médico será divulgada após a análise de eventuais recursos.
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 10
6.5 O candidato que, no ato da inscrição, declarar-se pessoa com deficiência, se aprovado no
Concurso Público, figurará na listagem de classificação de todos os candidatos ao cargo/UF/
município/subdivisão de município e em lista específica de candidatos na condição de pessoas
com deficiência.
6.5.1 O candidato que porventura declarar indevidamente ser pessoa com deficiência, quando
do preenchimento do requerimento de inscrição via Internet, deverá, após tomar
conhecimento da situação da inscrição nessa condição, entrar em contato com a FGV por
meio do e-mail concursoibge@fgv.br ou, ainda, mediante o envio de correspondência para
o endereço constante do subitem 6.1.3 deste Edital, para a correção da informação, por se
tratar apenas de erro material e inconsistência efetivada no ato da inscrição.
6.6. Os laudos médicos dos candidatos com deficiência aprovados serão avaliados, previamente à
divulgação do resultado final, por uma equipe multiprofissional, de acordo com o artigo 43 do
Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999.
6.6.1 A equipe multiprofissional emitirá parecer observando: a) as informações prestadas pelo
candidato no ato da inscrição e seu respectivo laudo médico; b) a natureza das atribuições
e exigências para o desempenho do cargo a que concorre à vaga, descritas no Anexo II
deste Edital; c) a viabilidade das condições de acessibilidade e as adequações do ambiente
de trabalho na execução das tarefas; d) a possibilidade de utilização, pelo candidato, de
equipamentos ou outros meios que habitualmente utilize e e) a CID - Classificação
Internacional de Doenças - apresentada.
6.6.2 O resultado preliminar do parecer da equipe multiprofissional será divulgado na data
prevista de 17 de maio de 2016, no endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, relacionando os candidatos e seus respectivos
resultados, sendo os mesmos enquadrados em uma das seguintes condições:
a) DEFICIÊNCIA CARACTERIZADA E COMPATÍVEL - Deficiência caracterizada de acordo com
a legislação vigente e compatível com a natureza das atribuições e exigências para o
desempenho do cargo a que concorre à vaga, descritas no Anexo II do Edital (o
candidato concorrerá às vagas reservadas aos candidatos com deficiência);
b) DEFICIÊNCIA INCOMPATÍVEL - Deficiência existente, caracterizada ou não dentro da
legislação vigente, mas incompatível com a natureza das atribuições e exigências para o
desempenho do cargo a que concorre à vaga, descritas no Anexo II do Edital (o
candidato será eliminado do Concurso Público);
c) DEFICIÊNCIA NÃO DEFINIDA - Laudo médico em desacordo com os critérios
especificados neste Edital, notadamente os relacionados nos subitens 6.1.2 e 6.1.3, não
sendo possível à equipe multiprofissional emitir parecer, bem como identificar a
deficiência que o candidato possui (o candidato concorrerá exclusivamente às vagas de
ampla concorrência); e,
d) DEFICIÊNCIA NÃO CARACTERIZADA - Laudo médico não caracteriza a deficiência de
acordo com a legislação vigente (o candidato concorrerá exclusivamente às vagas de
ampla concorrência).
6.6.2.1 Caberá recurso contra o resultado preliminar do parecer da equipe
multiprofissional no prazo de dois dias úteis, a contar do primeiro dia útil
subsequente ao da divulgação do resultado, mediante requerimento dirigido à
FGV pelo endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 11
6.6.2.2 O resultado definitivo do parecer da equipe multiprofissional será divulgado na
data prevista de 30 de maio de 2016, no endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
6.6.2.3 O resultado definitivo do parecer da equipe multiprofissional será soberano e
irrecorrível, não existindo, desta forma, recurso contra essa decisão.
6.6.3 Os candidatos que apresentarem DEFICIÊNCIA NÃO DEFINIDA ou DEFICIÊNCIA NÃO
CARACTERIZADA, de acordo com o parecer da equipe multiprofissional, passarão a
disputar apenas as vagas de ampla concorrência.
6.7 Após a investidura do candidato, a deficiência não poderá ser arguida para justificar pedido de
readaptação ou aposentadoria por invalidez, salvo nos casos de agravamentos previstos pela
legislação competente.
7. DAS VAGAS DESTINADAS AOS CANDIDATOS NEGROS
7.1 O percentual destinado à reserva de vagas para negros obedecerá aos critérios dispostos na Lei nº
12.990, de 09 de junho de 2014.
7.2 Para os efeitos da Lei nº 12.990, de 09 de junho de 2014, poderão concorrer às vagas reservadas a
candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no
concurso público, conforme o quesito de cor ou raça utilizado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE.
7.2.1 Aos candidatos que se declararem negros será reservada a cota de 20% (vinte por cento)
das vagas para o cargo, conforme o quantitativo estabelecido neste Edital.
7.2.2 A reserva de vagas será disponibilizada sempre que o número de vagas oferecidas no
concurso for igual ou superior a 3 (três).
7.2.3 Se, da aplicação do percentual de reserva de vagas a candidatos negros, resultar número
decimal igual ou maior que 0,5 (cinco décimos), adotar-se-á o número inteiro
imediatamente superior e, se menor que 0,5 (cinco décimos), o número inteiro
imediatamente inferior.
7.3 Para concorrer às vagas para negros, o candidato deverá manifestar, no formulário de inscrição
online, o desejo de participar do certame nessa condição.
7.3.1 A autodeclaração é facultativa, ficando o candidato submetido às regras gerais
estabelecidas, caso não opte pela reserva de vagas.
7.3.2 A autodeclaração terá validade somente para este concurso público.
7.4 As informações prestadas no momento da inscrição serão de inteira responsabilidade do
candidato, devendo este responder por qualquer falsidade.
7.5 Os candidatos negros concorrerão concomitantemente às vagas reservadas às pessoas com
deficiência, se atenderem a essa condição, e às vagas destinadas à ampla concorrência, de acordo
com a sua classificação no concurso.
7.5.1 Os candidatos negros aprovados para as vagas a eles destinadas e às reservadas às pessoas
com deficiência, convocados concomitantemente por ambas as vias para o provimento da
carreira, deverão manifestar opção por uma delas.
7.5.2 Na hipótese de que trata o parágrafo anterior, caso os candidatos não se manifestem
previamente, serão nomeados dentro das vagas destinadas aos negros.
7.5.3 Na hipótese de o candidato aprovado tanto na condição de negro quanto na de deficiente
ser convocado primeiramente para o provimento de vaga destinada a candidato negro, ou
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 12
optar por esta na hipótese do subitem 7.5.1, fará jus aos mesmos direitos e benefícios
assegurados ao servidor com deficiência.
7.6 Os candidatos negros que tenham optado por concorrer às vagas reservadas participarão do
concurso em igualdade de condições com os demais candidatos, no que tange às fases do
concurso, ao horário de início, ao local de aplicação, ao conteúdo, à correção das provas, aos
critérios de aprovação e a todas as demais normas de regência do concurso.
7.7 Os candidatos negros que tenham optado por concorrer às vagas reservadas e que sejam
aprovados dentro do número de vagas oferecido à ampla concorrência não preencherão as vagas
reservadas a candidatos negros.
7.8 Em caso de desistência de candidato negro aprovado em vaga reservada, a vaga será preenchida
pelo candidato negro posteriormente classificado.
7.9 A relação dos candidatos na condição de negros será divulgada no endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, na data provável de 01 de março de 2016.
7.10 O candidato que, no ato da inscrição, declarar-se negro, se aprovado no Concurso Público, figurará
na listagem de classificação de todos os candidatos ao cargo/UF/município/subdivisão de
município e também em lista específica de candidatos na condição de negros ao
cargo/UF/município/subdivisão de município.
7.11 A nomeação dos candidatos aprovados respeitará os critérios de alternância e de
proporcionalidade, que consideram a relação entre o número total de vagas e o número de vagas
reservadas a candidatos com deficiência e a candidatos negros.
7.12 As vagas reservadas a negros que não forem providas por falta de candidatos ou por reprovação
no concurso serão preenchidas pelos demais candidatos habilitados, com estrita observância à
ordem geral de classificação.
7.13 O servidor ingresso pelas cotas assinará uma declaração na ocasião de sua convocação ao Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística para a apresentação dos documentos citados no subitem 3.10
deste Edital.
7.13.1 De acordo com o art. 2º da Lei nº 12.990, de 9 de junho de 2014, na hipótese de
constatação de declaração falsa, o candidato será eliminado do concurso e, se houver sido
nomeado, ficará sujeito à anulação da sua admissão ao serviço ou emprego público, após
procedimento administrativo em que lhe sejam assegurados o contraditório e a ampla
defesa, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.
7.14 O candidato que tenha realizado sua inscrição e tenha se autodeclarado preto ou pardo poderá
optar por desistir de concorrer às vagas reservadas para negros. Para tanto, deverá entrar em
contato com a FGV por meio do e-mail concursoibge@fgv.br ou, ainda, mediante o envio de
correspondência para o endereço constante do subitem 6.1.3 deste Edital, para a correção da
informação, até a data de 01 de março de 2016.
8. DO ATENDIMENTO AOS CANDIDATOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS
8.1 O candidato que necessitar de atendimento especial para a realização das provas deverá indicar,
no formulário de solicitação de inscrição, os recursos especiais necessários para cada fase do
Concurso e, ainda, enviar correspondência até o dia 29 de janeiro de 2016, impreterivelmente, via
SEDEX ou Carta Registrada, para a FGV– Caixa Postal nº 205 – Muriaé/MG – CEP: 36880-970, com
os seguintes dizeres: CONCURSO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (Técnico
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 13
em Informações Geográficas e Estatísticas A I) – DOCUMENTAÇÃO PARA ATENDIMENTO
ESPECIAL, com laudo médico (original ou cópia autenticada em cartório) que justifique o
atendimento especial solicitado. Para fins de concessão de tempo adicional, serão aceitos laudo
médico ou parecer emitido por profissional de saúde (ambos em via original ou cópia autenticada
em cartório). Após esse período, a solicitação será indeferida, salvo nos casos de força maior. A
solicitação de condições especiais será atendida segundo critérios de viabilidade e de
razoabilidade.
8.1.1 Nos casos de força maior, em que seja necessário solicitar atendimento especial após a
data de 29 de janeiro de 2016, o candidato deverá enviar solicitação de atendimento
especial via correio eletrônico juntamente com cópia digitalizada do laudo médico ou com
parecer, que justifique o pedido, e, posteriormente, encaminhar o documento original ou
uma cópia autenticada em cartório, via SEDEX, para a FGV, no endereço indicado no item
8.1, especificando os recursos especiais necessários.
8.1.2 A concessão de tempo adicional para a realização das provas somente será deferida caso
tal recomendação seja decorrente de orientação médica específica contida no laudo
médico enviado pelo candidato ou em parecer emitido por profissional de saúde. Em
nome da isonomia entre os candidatos, por padrão, será concedida uma hora a mais para
os candidatos nesta situação.
8.1.3 O fornecimento do laudo médico ou do parecer (original ou cópia autenticada), por
qualquer via, é de responsabilidade exclusiva do candidato. O Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística e a FGV não se responsabilizam por qualquer tipo de extravio que
impeça a chegada do laudo à FGV. O laudo médico ou o parecer (original ou cópia
autenticada) terá validade somente para este Concurso e não será devolvido, assim como
não serão fornecidas cópias desse laudo.
8.2 A candidata que tiver necessidade de amamentar durante a realização das provas deve solicitar
atendimento especial para tal fim. A candidata deverá trazer um acompanhante, que ficará em
sala reservada com a criança e será o responsável pela sua guarda.
8.2.1 A candidata que não levar acompanhante adulto não poderá permanecer com a criança
no local de realização das provas.
8.2.2 Não haverá compensação do tempo de amamentação em favor da candidata.
8.2.3 Para garantir a aplicação dos termos e condições deste Edital, a candidata, durante o
período de amamentação, será acompanhada por uma fiscal, sem a presença do
responsável pela guarda da criança.
8.3 O candidato com deficiência auditiva que necessitar utilizar aparelho auricular no dia da prova
deverá enviar laudo médico específico para esse fim, até o prazo estipulado no subitem 8.1. Caso o
candidato não envie o referido laudo, não poderá utilizar o aparelho auricular.
8.4 Será divulgada no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge a relação de
candidatos que tiverem deferidos ou indeferidos os pedidos de atendimento especial para a
realização das provas.
8.4.1 O candidato cujo pedido de atendimento especial for indeferido poderá interpor recurso
no prazo de dois dias úteis, a contar do primeiro dia útil subsequente ao da divulgação do
resultado da análise dos pedidos, mediante requerimento dirigido à FGV pelo endereço
eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
8.5 Portadores de doenças infectocontagiosas que não tiverem comunicado o fato à FGV, por inexistir
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 14
a doença na data-limite referida, deverão fazê-lo via correio eletrônico (concursoibge@fgv.br) tão
logo a condição seja diagnosticada, de acordo com o subitem 8.1.1. Os candidatos nessa situação,
quando da realização das provas, deverão se identificar ao fiscal no portão de entrada, munidos
de laudo médico, tendo direito a atendimento especial.
8.6 Considerando a possibilidade de os candidatos serem submetidos à detecção de metais durante as
provas, aqueles que, por razões de saúde, façam uso de marca-passo, pinos cirúrgicos ou outros
instrumentos metálicos deverão comunicar a situação à FGV previamente, nos moldes do subitem
8.1 deste Edital. Esses candidatos ainda deverão comparecer ao local de provas munidos dos
exames e laudos que comprovem o uso de tais equipamentos.
9. DA PROVA OBJETIVA
9.1 A Prova Objetiva de múltipla escolha, de caráter eliminatório e classificatório, será realizada nas
cidades previstas no Anexo III, no dia 17 de abril de 2016, das 13h às 17h, segundo o horário
oficial da cidade de Brasília-DF.
9.2 Os locais para realização da Prova Objetiva serão divulgados no endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
9.3 É de responsabilidade exclusiva do candidato a identificação correta de seu local de realização das
provas e o comparecimento no horário determinado.
9.4 O candidato deverá comparecer ao local designado para a realização das provas com antecedência
mínima de uma hora do horário fixado para o seu início, observando o horário oficial da cidade de
Brasília-DF, munido de caneta esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material
transparente, do documento de identidade original e do comprovante de inscrição ou do
comprovante de pagamento da taxa de inscrição.
9.5 Serão considerados documentos de identidade: carteiras expedidas pelos Comandos Militares,
pelas Secretarias de Segurança Pública, pelos Institutos de Identificação e pelos Corpos de
Bombeiros Militares; carteiras expedidas pelos órgãos fiscalizadores de exercício profissional
(ordens, conselhos etc.); passaporte brasileiro; certificado de reservista; carteiras funcionais
expedidas por órgão público que, por lei federal, valham como identidade; carteira de trabalho;
carteira nacional de habilitação (somente o modelo com foto).
9.5.1 Não serão aceitos como documentos de identidade: certidões de nascimento, CPF, títulos
eleitorais, carteiras de motorista (modelo sem foto), carteiras de estudante, carteiras
funcionais sem valor de identidade, nem documentos ilegíveis, RANI (Registro
Administrativo de Nascimento Indígena), não identificáveis e/ou danificados.
9.5.2 Não será aceita cópia do documento de identidade, ainda que autenticada, nem protocolo
do documento.
9.6 Por ocasião da realização das provas, o candidato que não apresentar documento de identidade
original na forma definida no subitem 9.5 deste Edital não poderá fazer as provas e será
automaticamente eliminado do Concurso Público.
9.7 Caso o candidato esteja impossibilitado de apresentar, no dia de realização das provas, documento
de identidade original por motivo de perda, roubo ou furto, deverá apresentar documento que
ateste o registro da ocorrência em órgão policial, expedido, no máximo, noventa dias antes. Na
ocasião, será submetido à identificação especial, compreendendo coleta de dados, de assinaturas
e de impressão digital em formulário próprio.
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 15
9.7.1 A identificação especial também será exigida do candidato cujo documento de
identificação suscite dúvidas relativas à fisionomia ou à assinatura do portador.
9.8 Para a segurança dos candidatos e a garantia da lisura do certame, a FGV procederá, como forma
de identificação, à coleta da impressão digital de todos os candidatos no dia de realização das
provas.
9.8.1 A identificação datiloscópica compreenderá a coleta da impressão digital do polegar
direito dos candidatos, mediante a utilização de material específico para esse fim, em
campo específico de seu cartão de respostas (Prova Objetiva).
9.8.2 Caso o candidato esteja fisicamente impedido de permitir a coleta da impressão digital do
polegar direito, deverá ser colhida a digital do polegar esquerdo ou de outro dedo, sendo
registrado o fato na ata de aplicação da respectiva sala.
9.9 Não serão aplicadas provas em local, data ou horário diferentes dos predeterminados em Edital ou
em comunicado oficial.
9.10 O candidato deverá permanecer obrigatoriamente no local de realização das provas por, no
mínimo, duas horas após o seu início.
9.10.1 A inobservância do subitem anterior acarretará a não correção da prova e,
consequentemente, a eliminação do candidato.
9.10.2 O candidato que insistir em sair do recinto de realização da prova, descumprindo o
disposto no subitem 9.10, deverá assinar o Termo de Ocorrência, lavrado pelo
Coordenador Local, declarando sua desistência do concurso.
9.10.3 Os três últimos candidatos a terminarem as provas deverão permanecer juntos no recinto,
sendo liberados somente após os três terem entregado o material utilizado e terem seus
nomes registrados na Ata, além de estabelecidas suas respectivas assinaturas.
9.10.4 A regra do subitem anterior poderá ser relativizada quando se tratar de casos excepcionais
nos quais haja número reduzido de candidatos acomodados em uma determinada sala de
aplicação, como, por exemplo, no caso de candidatos com necessidades especiais que
necessitem de sala em separado para a realização do concurso, oportunidade em que o
lacre da embalagem de segurança será testemunhado pelos membros da equipe de
aplicação, juntamente com o(s) candidato(s) presente(s) na sala de aplicação.
9.11 Iniciada a prova, o candidato não poderá retirar-se da sala sem autorização. Caso o faça, não
poderá retornar em hipótese alguma.
9.12 O candidato somente poderá levar consigo o caderno de questões, ao final da prova, se sua saída
ocorrer nos últimos sessenta minutos anteriores ao horário determinado para o término das
provas.
9.12.1 Ao terminar a prova, o candidato entregará, obrigatoriamente, ao fiscal de sala, o seu
cartão de respostas e o seu caderno de questões, este último ressalvado o disposto no
subitem 9.12.
9.13 Não haverá, por qualquer motivo, prorrogação do tempo previsto para a aplicação das provas em
razão do afastamento de candidato da sala de provas.
9.13.1 Se, por qualquer razão fortuita, o concurso sofrer atraso em seu início ou necessitar de
interrupção, será concedido prazo adicional aos candidatos do local afetado, de modo que
tenham o tempo total previsto neste Edital para a realização das provas, em garantia à
isonomia do certame.
9.13.2 Os candidatos afetados deverão permanecer no local do concurso. Durante o período em
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 16
que estiverem aguardando, para fins de interpretação das regras deste Edital, o tempo
para realização da prova será interrompido.
9.14 Não haverá segunda chamada para a realização das provas. O não comparecimento implicará a
eliminação automática do candidato.
9.15 Não será permitida, durante a realização das provas, a comunicação entre os candidatos ou a
utilização de máquinas calculadoras e/ou similares, livros, anotações, réguas de cálculo, impressos
ou qualquer outro material de consulta, inclusive códigos e/ou legislação.
9.16 Será eliminado do concurso o candidato que, durante a realização das provas, for surpreendido
portando aparelhos eletrônicos, tais como iPod, smartphone, telefone celular, agenda eletrônica,
aparelho MP3, notebook, tablet, palmtop, pendrive, receptor, gravador, máquina de calcular,
máquina fotográfica, controle de alarme de carro etc., bem como relógio de qualquer espécie,
óculos escuros ou protetor auricular (exceto no caso previsto no subitem 8.3) ou quaisquer
acessórios de chapelaria, tais como chapéu, boné, gorro etc. e, ainda, lápis, lapiseira (grafite),
corretor líquido e/ou borracha. O candidato que estiver portando algo definido ou similar ao
disposto neste subitem deverá informar ao fiscal da sala, que determinará o seu recolhimento em
embalagem não reutilizável fornecida pelos fiscais, a qual deverá permanecer lacrada durante
todo o período da prova, sob a guarda do candidato.
9.16.1 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a FGV recomendam que o candidato não
leve nenhum dos objetos citados no subitem anterior no dia de realização das provas.
9.16.2 A FGV não ficará responsável pela guarda de quaisquer dos objetos supracitados.
9.16.3 A FGV não se responsabilizará por perdas ou extravios de objetos ou de equipamentos
eletrônicos ocorridos durante a realização da prova, nem por danos a eles causados.
9.16.4 Para a segurança de todos os envolvidos no Concurso, é vedado que os candidatos portem
arma de fogo no dia de realização das provas. Caso, contudo, se verifique esta situação, o
candidato será encaminhado à Coordenação da unidade, onde deverá entregar a arma
para guarda devidamente identificada, mediante preenchimento de termo de
acautelamento de arma de fogo, em que preencherá os dados relativos ao armamento.
Eventualmente, se o candidato se recusar a entregar a arma de fogo, assinará termo
assumindo a responsabilidade pela situação, devendo desmuniciar a arma quando do
ingresso na sala de aplicação de provas, reservando as munições na embalagem não
reutilizável fornecida pelos fiscais, as quais deverão permanecer lacradas durante todo o
período da prova, juntamente com os demais equipamentos proibidos do examinando
que forem recolhidos.
9.16.5 Quando do ingresso na sala de aplicação de provas, os candidatos deverão recolher todos
os equipamentos eletrônicos e/ou materiais não permitidos, inclusive carteira com
documentos e valores em dinheiro, em envelope de segurança não reutilizável, fornecido
pelo fiscal de aplicação, que deverá permanecer lacrado durante toda a realização das
provas e somente poderá ser aberto após o candidato deixar o local de provas.
9.16.6 A utilização de aparelhos eletrônicos é vedada em qualquer parte do local de provas.
Assim, ainda que o candidato tenha terminado sua prova e esteja se encaminhando para a
saída do local, não poderá utilizar quaisquer aparelhos eletrônicos, sendo recomendável
que a embalagem não reutilizável fornecida para o recolhimento de tais aparelhos
somente seja rompida após a saída do candidato do local de provas.
9.17 Terá sua prova anulada e será automaticamente eliminado do Concurso Público o candidato que,
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 17
durante a sua realização:
a) for surpreendido dando ou recebendo auxílio para a execução das provas;
b) utilizar-se de livros, máquinas de calcular ou equipamento similar, dicionário, notas ou
impressos que não forem expressamente permitidos, ou que se comunicar com outro
candidato;
c) for surpreendido portando aparelhos eletrônicos e quaisquer utensílios descritos no subitem
9.16;
d) faltar com o devido respeito para com qualquer membro da equipe de aplicação das provas,
com as autoridades presentes ou com os demais candidatos;
e) não entregar o material das provas ao término do tempo destinado para a sua realização;
f) afastar-se da sala, a qualquer tempo, sem o acompanhamento de fiscal;
g) ausentar-se da sala, a qualquer tempo, portando o cartão de respostas;
h) descumprir as instruções contidas no caderno de questões e no cartão de respostas;
i) perturbar, de qualquer modo, a ordem dos trabalhos, incorrendo em comportamento
indevido;
j) utilizar-se ou tentar se utilizar de meios fraudulentos ou ilegais para obter aprovação própria
ou de terceiros, em qualquer etapa do Concurso Público;
k) não permitir a coleta de sua assinatura;
l) for surpreendido portando anotações em papéis que não os permitidos;
m) fizer a anotação de informações relativas às suas respostas no Cartão de Confirmação de
Inscrição ou em qualquer outro meio;
n) for surpreendido portando qualquer tipo de arma e/ou se negar a entregar a arma à
Coordenação;
o) não permitir ser submetido ao detector de metal;
p) não permitir a coleta de sua impressão digital no cartão de respostas.
9.18 Com vistas à garantia da isonomia e lisura do certame seletivo em tela, no dia de realização da
Prova Objetiva, os candidatos serão submetidos, durante a realização das provas, ao sistema de
detecção de metais quando do ingresso e da saída dos sanitários.
9.18.1 Não será permitido o uso dos sanitários por candidatos que tenham terminado as provas.
A exclusivo critério da Coordenação do local, poderá ser permitido, caso haja
disponibilidade, o uso de outros sanitários do local que não estejam sendo usados para o
atendimento a candidatos que ainda estejam realizando as provas.
9.18.2 Excepcionalmente, por razões de segurança, caso seja estritamente necessário, novo
procedimento de vistoria descrito no subitem anterior poderá ser realizado em momento
diverso do ingresso e saída de sanitários.
9.19 Não será permitido ao candidato fumar na sala de provas, bem como nas dependências do local
de provas.
9.20 No dia de realização das provas, não serão fornecidas, por qualquer membro da equipe de
aplicação destas e/ou pelas autoridades presentes, informações referentes ao seu conteúdo e/ou
aos critérios de avaliação e de classificação.
9.21 A Prova Objetiva será composta por 60 (sessenta) questões de múltipla escolha, numeradas
sequencialmente, com 05 (cinco) alternativas e apenas uma resposta correta.
9.21.1 Cada questão de múltipla escolha valerá 1 (um) ponto, sendo 60 (sessenta) pontos a
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 18
pontuação máxima obtida na Prova Objetiva.
9.22 As questões da Prova Objetiva serão elaboradas com base nos conteúdos programáticos
constantes do Anexo I deste Edital.
9.23 O quadro a seguir apresenta as disciplinas e o número de questões:
DISCIPLINA QUESTÕES
01. Língua Portuguesa 20
02. Geografia 15
03. Matemática 15
04. Conhecimentos sobre o IBGE 10
TOTAL 60
9.24 Não serão computadas questões não respondidas, questões que contenham mais de uma resposta
(mesmo que uma delas esteja correta) ou questões com emendas ou rasuras, ainda que legíveis.
9.25 O candidato deverá assinalar a resposta da questão objetiva, usando caneta esferográfica de tinta
azul ou preta, fabricada em material transparente, no cartão de respostas, que será o único
documento válido para a correção das provas.
9.26 Os prejuízos advindos do preenchimento indevido do cartão de respostas serão de inteira
responsabilidade do candidato. Em hipótese alguma haverá substituição do cartão de respostas
por erro do candidato.
9.27 O candidato não deverá amassar, molhar, dobrar, rasgar, manchar ou, de qualquer modo, danificar
o seu cartão de respostas, sob pena de arcar com os prejuízos advindos da impossibilidade de
realização da leitura óptica.
9.28 O candidato é responsável pela conferência de seus dados pessoais, em especial seu nome, seu
número de inscrição, sua data de nascimento e o número de seu documento de identidade.
9.29 Todos os candidatos, ao terminarem as provas, deverão, obrigatoriamente, entregar ao fiscal de
aplicação o documento que será utilizado para a correção de sua prova (cartão de respostas). O
candidato que descumprir a regra de entrega desse documento será eliminado do concurso.
9.30 A FGV divulgará a imagem do cartão de respostas dos candidatos que realizarem a Prova Objetiva,
exceto dos eliminados na forma prevista nos subitens 9.16 e 9.17 deste Edital, no endereço
eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, após a data de divulgação do resultado da
Prova Objetiva. A imagem ficará disponível por até 15 (quinze) dias corridos a contar da data de
publicação do resultado final do Concurso Público.
9.31 Após o prazo determinado no subitem anterior, não serão aceitos pedidos de disponibilização da
imagem do cartão de respostas.
9.32 Por motivo de segurança e visando a garantir a lisura e a idoneidade do Concurso, serão adotados
os procedimentos a seguir especificados:
a) após ser identificado, nenhum candidato poderá se retirar da sala sem autorização e
acompanhamento da fiscalização;
b) somente após decorridas duas horas do início da prova, o candidato poderá entregar seu
Caderno de Questões da Prova Objetiva e seu cartão de respostas ao fiscal de sala, e retirar-se
da sala de prova;
c) o candidato que insistir em sair da sala de prova, descumprindo o aqui disposto, deverá assinar
o Termo de Ocorrência, que será lavrado pelo responsável pela aplicação da prova, declarando
sua desistência do Concurso Público;
d) não será permitido, sob hipótese alguma, durante a aplicação da prova, o retorno do candidato
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 19
à sala de prova após ter-se retirado do recinto sem autorização, ainda que por questões de
saúde;
e) o candidato somente poderá levar o Caderno de Questões sessenta minutos antes do horário
previsto para o término da prova; e
f) ao terminar a prova, o candidato entregará ao fiscal de sala, obrigatoriamente, seu cartão de
respostas.
9.33 Será considerado habilitado na Prova Objetiva o candidato que, cumulativamente:
a) acertar, no mínimo, 40% (quarenta por cento) do total da prova; e
b) acertar, no mínimo, 1 (uma) questão de cada disciplina.
9.34 O candidato que não atender aos requisitos do subitem 9.33 será eliminado do concurso.
9.35 Os candidatos não eliminados serão ordenados de acordo com os valores decrescentes das notas
finais na Prova Objetiva.
9.36 A legislação com vigência após a data de publicação deste Edital, bem como as alterações em
dispositivos constitucionais, legais e normativos a ela posteriores, não serão objeto de avaliação
nas provas do Concurso.
9.37 Se, a qualquer tempo, for constatado, por meio eletrônico, estatístico, visual, grafológico ou por
investigação policial, ter o candidato se utilizado de processo ilícito, suas provas serão anuladas e
ele será automaticamente eliminado do concurso.
9.38 O descumprimento de quaisquer das instruções supracitadas implicará a eliminação do candidato,
podendo constituir tentativa de fraude.
10. DA CLASSIFICAÇÃO NO CONCURSO PÚBLICO
10.1 A nota final será a nota obtida na Prova Objetiva.
10.2 A classificação final será obtida, após os critérios de desempate, com base na listagem dos
candidatos remanescentes no concurso.
11. DOS CRITÉRIOS DE DESEMPATE
11.1 Em caso de empate, terá preferência o candidato que, na seguinte ordem:
a) tiver idade igual ou superior a sessenta anos completos até o último dia de inscrição, nos
termos do art. 27, parágrafo único, do Estatuto do Idoso;
b) obtiver a maior nota na disciplina de Língua Portuguesa;
c) obtiver o maior somatório das notas nas disciplinas de Geografia e Matemática;
d) obtiver a maior nota na disciplina de Conhecimentos sobre o IBGE; e
e) persistindo o empate, terá preferência o candidato mais velho.
12. DOS RECURSOS
12.1 O gabarito oficial preliminar da Prova Objetiva será divulgado no endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 20
12.2 O candidato que desejar interpor recurso contra o gabarito oficial preliminar mencionado no
subitem 12.1 disporá de dois dias úteis para fazê-lo, a contar do dia subsequente ao da publicação
destes.
12.3 Para recorrer contra o gabarito oficial preliminar da Prova Objetiva, o candidato deverá usar
formulários próprios, encontrados no endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, respeitando as respectivas instruções.
12.3.1 O candidato deverá ser claro, consistente e objetivo em seu pleito. Recurso inconsistente
ou intempestivo será liminarmente indeferido.
12.3.2 O formulário preenchido de forma incorreta, com campos em branco ou faltando
informações será automaticamente desconsiderado, não sendo sequer encaminhado à
Banca Examinadora da FGV.
12.3.3 Após a análise dos recursos contra o gabarito preliminar da Prova Objetiva, a Banca
Examinadora da FGV poderá manter o gabarito, alterá-lo ou anular a questão.
12.3.4 Se, do exame de recurso, resultar a anulação de questão integrante da Prova Objetiva, a
pontuação correspondente a ela será atribuída a todos os candidatos.
12.3.5 Se houver alteração, por força dos recursos, do gabarito oficial preliminar de questão
integrante de Prova Objetiva, essa alteração valerá para todos os candidatos,
independentemente de terem recorrido.
12.3.6 Todos os recursos serão analisados, e as respostas serão divulgadas no endereço
eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
12.3.7 Não serão aceitos recursos via fax, correio eletrônico ou pelos Correios, assim como fora
do prazo.
12.4 Em nenhuma hipótese será aceito pedido de revisão de recurso ou recurso de gabarito oficial
definitivo, bem como contra o resultado final das provas.
12.5 Será liminarmente indeferido o recurso cujo teor desrespeitar a Banca.
13. DA NOMEAÇÃO E DA LOTAÇÃO
13.1 A homologação do resultado final do Concurso Público será feita considerando-se o disposto no
artigo 16 e no Anexo II do Decreto nº 6.944, de 21 de agosto de 2009, da Presidência da República,
de acordo com o quantitativo de vagas em cada município/subdivisão de município.
13.2 Os candidatos que vierem a ser nomeados e empossados terão exercício no município/UF para o
qual está destinada a vaga a que estão concorrendo.
13.3 Não poderá haver remoção de Unidade da Federação nos primeiros 36 meses da data da
nomeação. A remoção de servidores, para local diverso de sua posse, somente poderá ser
efetuada antes de completado o período de estágio probatório por imperiosa necessidade de
serviço, conforme dispuser em regulamento e a critério do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística.
13.3.1 O candidato nomeado estará sujeito a deslocamentos para executar trabalhos em
diferentes áreas do país.
13.4 Os candidatos aprovados serão nomeados de acordo com a necessidade e a conveniência
administrativa, observado o número de vagas previsto neste Edital, obedecida a ordem de
classificação por município/subdivisão de município.
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 21
13.5 O candidato nomeado apresentar-se-á para posse e exercício às suas expensas.
13.6 Observado o número de vagas existentes, o candidato classificado será convocado para a
nomeação por correspondência obrigando-se a declarar, por escrito, se aceita ou não a vaga para
a qual está sendo convocado.
13.7 Ao tomar posse, o servidor nomeado para o cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio
probatório pelo período de 36 (trinta e seis) meses, durante o qual sua aptidão e capacidade serão
objetos de avaliação para o desempenho do cargo e para adquirir a estabilidade no serviço
público.
13.8 O não pronunciamento do candidato no prazo estipulado na convocação permitirá ao Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística excluí-lo do Concurso Público.
13.9 O candidato deverá manter atualizado seu endereço com a FGV, enquanto estiver participando do
concurso, até a data de divulgação do resultado final, por meio de requerimento a ser enviado à
FGV – Caixa Postal nº 205 – Muriaé/MG – CEP: 36880-970.
13.9.1 Após a homologação do resultado final, as mudanças de endereço dos candidatos
classificados deverão ser comunicadas diretamente ao Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, pelo endereço eletrônico cp2016@ibge.gov.br. Serão de exclusiva
responsabilidade do candidato os prejuízos advindos da não atualização de seu endereço.
13.9.2 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a FGV não se responsabilizam por
eventuais prejuízos ao candidato decorrentes de: a) endereço eletrônico incorreto e/ou
desatualizado; b) endereço residencial desatualizado; c) endereço residencial de difícil
acesso; d) correspondência devolvida pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT) por razões diversas; e e) correspondência recebida por terceiros.
13.10 Na oportunidade da convocação, o candidato que não tiver interesse em assumir o cargo no
momento poderá, mediante termo de desistência temporário, entregue ao IBGE até a data e no
local marcados para a apresentação, optar por nova(s) chamada(s). Caso todos os candidatos
classificados nas posições subsequentes no município/subdivisão de município a que concorre à
vaga tenham sido chamados e não tiveram interesse em assumir a vaga, respeitada sempre a
ordem de classificação, o candidato desistente temporário poderá ser novamente convocado.
13.11 Somente serão empossados os candidatos considerados aptos física e mentalmente em inspeção
de saúde, conforme artigo 14, parágrafo único, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, a ser
realizada por profissionais previamente designados pelo IBGE.
13.12 O candidato deverá providenciar, por seus próprios meios, os exames complementares abaixo
relacionados: Hemograma completo; Glicemia de jejum; Triglicerídeos; Colesterol total; Ureia;
Creatinina; Ácido Úrico e Urina – EAS.
13.12.1 Os exames solicitados devem ter sido expedidos há, no máximo, 60 (sessenta) dias, a
contar da data de convocação do candidato.
13.12.2 Os exames solicitados deverão ser apresentados aos profissionais designados pelo IBGE,
durante a inspeção de saúde, em complementação ao exame clínico.
13.12.3 O não comparecimento para a realização da inspeção de saúde na data e horário
agendados pelo IBGE, e comunicados previamente ao candidato, implicará a sua
eliminação do Concurso Público.
13.12.4 A partir do resultado dos exames clínicos e da avaliação dos exames complementares, o
candidato será considerado apto ou inapto para o exercício do cargo.
13.12.5 Além dos exames complementares rotineiros, poder-se-á exigir a realização de outros
EDITAL N° 02/2015
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exames e/ou pareceres especializados, a critério dos profissionais designados pelo IBGE
para essa finalidade.
13.12.6 Não serão admitidos, em nenhuma hipótese, pedidos de reconsideração ou recurso do
julgamento obtido na inspeção de saúde.
13.13 A posse do candidato somente se dará após ter sido considerado apto na inspeção de saúde de
responsabilidade do IBGE.
13.14 No ato de investidura no cargo, o candidato convocado deverá assinar declaração conforme
modelo constante no Anexo da Portaria Normativa MPOG nº 04, de 08 de julho de 2013 (Seguro-
desemprego).
13.15 A inexatidão de declarações e/ou a irregularidade de documentos, ainda que verificadas
posteriormente, importarão insubsistência de inscrição, nulidade da aprovação ou habilitação e
perda dos direitos decorrentes, sem prejuízo das cominações legais aplicáveis.
13.16 No ato da investidura, fotocópias não autenticadas deverão estar acompanhadas dos originais
para efeito de verificação.
13.17 Não serão fornecidos atestados, certificados ou certidões relativas à classificação ou notas de
candidatos, valendo para tal fim os resultados publicados no Diário Oficial da União.
14. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
14.1 A inscrição do candidato implicará a aceitação das normas contidas neste Edital e em outros que
vierem a ser publicados.
14.2 É de inteira responsabilidade do candidato acompanhar todos os atos, editais e comunicados
oficiais referentes a este Concurso Público divulgados integralmente no endereço eletrônico
www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
14.3 O candidato poderá obter informações referentes ao Concurso Público por meio do telefone
0800-2834628 ou do e-mail concursoibge@fgv.br.
14.4 Qualquer correspondência física referida neste edital deverá ser postada, via SEDEX ou Carta
Registrada, para a FGV – Caixa Postal nº 205 – Muriaé/MG – CEP: 36880-970.
14.5 O candidato que desejar informações ou relatar à FGV fatos ocorridos durante a realização do
concurso deverá fazê-lo usando os meios dispostos no subitem 14.3.
14.6 O prazo de validade do concurso será de um ano, contados a partir da data de homologação do
resultado final, podendo ser prorrogados pelo mesmo período, a critério do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística.
14.7 As despesas decorrentes da participação no Concurso Público, inclusive deslocamento,
hospedagem e alimentação, correrão por conta dos candidatos.
14.8 Os casos omissos serão resolvidos pela FGV em conjunto com a Comissão do Concurso.
14.9 As alterações de legislação com entrada em vigor antes da data de publicação deste Edital serão
objeto de avaliação, ainda que não mencionadas nos conteúdos constantes do Anexo I deste
Edital.
14.9.1 Legislação com entrada em vigor após a data de publicação deste Edital, como eventuais
projetos de lei, bem como alterações em dispositivos legais e normativos a ele posteriores,
não serão objeto de avaliação nas provas do concurso.
14.10 A FGV poderá enviar, quando necessário, comunicação pessoal dirigida ao candidato, por e-mail
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ou pelos Correios, sendo de exclusiva responsabilidade do candidato a manutenção ou a
atualização de seu correio eletrônico e a informação de seu endereço completo e correto na
solicitação de inscrição.
14.11 Quaisquer alterações nas regras fixadas neste Edital somente poderão ser feitas por meio de Edital
de Retificação.
14.12 Fica eleito o foro da Justiça Federal da Seção Judiciária das capitais para dirimir quaisquer dúvidas
ou controvérsias oriundas deste Edital que não puderem ser solucionadas administrativamente.
Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2015.
WASMÁLIA SOCORRO BARATA BIVAR
Presidenta da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE
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ANEXO I – CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
LÍNGUA PORTUGUESA:
Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo,
descritivo e argumentativo); interpretação e organização interna. Semântica: sentido e emprego dos
vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em português. Morfologia:
reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais; processos de formação de palavras; mecanismos
de flexão dos nomes e verbos. Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação
e subordinação; concordância nominal e verbal; transitividade e regência de nomes e verbos; padrões gerais
de colocação pronominal no português; mecanismos de coesão textual. Ortografia. Acentuação gráfica.
Emprego do sinal indicativo de crase. Pontuação. Estilística: figuras de linguagem. Reescrita de frases:
substituição, deslocamento, paralelismo; variação linguística: norma culta. Observação: os itens deste
programa serão considerados sob o ponto de vista textual, ou seja, deverão ser estudados sob o ponto de
vista de sua participação na estruturação significativa dos textos.
GEOGRAFIA:
Noções básicas de cartografia: Orientação: pontos cardeais; Localização: coordenadas geográficas (latitude,
longitude e altitude); Representação: leitura, escala, legendas e convenções. Natureza e meio ambiente no
Brasil: Grandes domínios climáticos; Ecossistemas. As atividades econômicas e a organização do espaço:
Espaço agrário: modernização e conflitos; Espaço urbano: atividades econômicas, emprego e pobreza; A rede
urbana e as Regiões Metropolitanas. Formação Territorial e Divisão Político-Administrativa: Divisão Político-
Administrativa; Organização federativa. Dinâmica da população brasileira (fluxos migratórios, áreas de
crescimento e de perda populacional).
MATEMÁTICA:
Conjuntos: operações e problemas com conjuntos. Conjuntos dos números naturais, inteiros, racionais, reais
e suas operações. Representação na reta. Unidades de medida: distância, massa, tempo, área, volume e
capacidade. Álgebra: produtos notáveis, equações, sistemas e problemas do primeiro grau, inequações,
equação e problemas do segundo grau. Porcentagem e proporcionalidade direta e inversa. Sequências,
reconhecimento de padrões, progressões aritmética e geométrica. Juros e noções de matemática financeira.
Problemas de raciocínio. Geometria plana: distâncias e ângulos, polígonos, circunferência, perímetro e área.
Semelhança e relações métricas no triângulo retângulo. Geometria espacial: poliedros, prismas e pirâmides,
cilindro, cone e esfera, áreas e volumes. Matemática discreta: princípios de contagem, noção de
probabilidade, noções de estatística, gráficos e medidas.
CONHECIMENTOS SOBRE O IBGE:
Conhecimentos específicos sobre o IBGE: informações sobre a Instituição, conceitos básicos para o
desenvolvimento do trabalho na Agência e da atividade do Técnico de Coleta (apostila disponibilizada no
endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge para download).
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ANEXO II – REQUISITOS E ATRIBUIÇÕES DO CARGO
REQUISITOS: Certificado de conclusão do Ensino Médio (antigo 2º grau), expedido por instituição de ensino
devidamente reconhecida pelo MEC. ATRIBUIÇÕES GERAIS: As atribuições para o cargo de Técnico em
Informações Geográficas e Estatísticas A I são voltadas para o suporte e o apoio técnico especializado às
atividades de ensino, pesquisa, produção, análise e disseminação de dados e informações de natureza
estatística, geográfica, cartográfica, geodésica e ambiental; conforme estabelecido no artigo 71, inciso III, da
Lei nº 11.355, de 19 de outubro de 2006. PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES: As principais atribuições do cargo de
Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I são: a) coletar dados em diversas fontes, planejar,
organizar, criticar, corrigir, lançar, tratar e manter os dados garantindo a sua integridade, confidencialidade,
disponibilidade, atualização e fidedignidade; b) realizar entrevistas em domicílios e estabelecimentos
informantes para obtenção de dados conforme metodologia e plano de supervisão da pesquisa; c) realizar
levantamentos topográficos/geográficos/cartográficos com vistas a manter atualizada a base territorial dos
municípios; d) proceder à compilação, montagem e organização dos elementos cartográficos, segundo as
especificações e normas adotadas; e) executar e apoiar as tarefas ligadas à manutenção e atualização da rede
física dos marcos geodésicos do IBGE; f) atuar nas diversas modalidades de disseminação de dados e
informações, prestando suporte e orientações aos usuários; g) executar de acordo com instruções e/ou
orientações, as rotinas administrativas necessárias à manutenção da Unidade de Trabalho, desde o
recebimento, a organização, a guarda e o encaminhamento de documentos institucionais e de interessados,
utilizando os recursos de informática disponibilizados pela Instituição e os sistemas corporativos e federais; h)
operar e utilizar equipamentos de informática necessários à sustentação e apoio à coleta de dados, às áreas
técnica e de suporte administrativo, à cartografia e geodésia e à disseminação de informações; i) realizar
atividades de administração de recursos humanos, materiais, patrimoniais, orçamentários e financeiros
dando suporte à área de jurisdição; j) executar e apoiar atividades de supervisão de pesquisa de campo
referentes à área de jurisdição, acompanhando a distribuição, o controle e o resultado das coletas de dados,
através dos sistemas específicos de acompanhamento e controle das pesquisas; k) supervisionar as equipes
de trabalho nas diversas pesquisas, garantindo a qualidade das informações coletadas em consonância com a
metodologia, critérios, regras conceituais e técnicas, cumprimento de prazos e modus operandi mais
adequado; l) participar dos treinamentos presenciais e a distância e organizá-los, se for o caso, bem como
atuar como instrutor/tutor/facilitador e oferecendo suporte e apoio técnico na organização e realização
destes; e m) executar outras atividades compatíveis com o cargo.
Além das atribuições definidas acima, o Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I poderá ser
solicitado a dirigir veículo próprio do IBGE ou locado pela Instituição, desde que seja necessário para a
realização dos levantamentos sob sua responsabilidade, uma vez que possua habilitação.
EXIGÊNCIAS PARA O DESEMPENHO DAS ATRIBUIÇÕES
As exigências para o desempenho das atribuições são: a) capacidade auditiva e de comunicação verbal para
realizar entrevistas, coletar dados e interagir de diversas formas, com informantes, usuários, parceiros e
outros interlocutores, nas relações voltadas ao cumprimento da missão institucional; b) acuidade visual para
leitura dos questionários, formulários e manuais; c) acuidade visual para interpretar mapas, croquis e suas
descrições; d) capacidade de locomoção para execução de trabalhos de campo, em zonas urbanas e rurais,
em áreas de terreno íngreme e localidades de difícil acesso e áreas de ocupação irregular, bem como para
acesso a prédios e residências com escadarias e sem rampas de acesso ou elevadores; e) capacidade motora
para manusear os instrumentos de coleta (manuais, questionários, formulários, prancheta, lapiseira, borracha
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e equipamentos coletores de dados) durante a realização da atividade, que pode ocorrer em condições
precárias (na rua, na porta do domicílio, no corredor, etc) e preencher os questionários e formulários,
registrando números, palavras e marcas com precisão; f) disponibilidade para viajar para as demais zonas
urbanas e rurais do município onde trabalhar e para outros municípios e Estados, quando necessário, para
realização de trabalhos de natureza técnico-administrativa e para participar de treinamentos e cursos; g)
agilidade para cumprir as tarefas determinadas, nos prazos exigidos nos cronogramas de atividades.
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ANEXO III – QUADRO DE VAGAS
UF
MUNICÍPIO/SUBDIVISÃO DE
MUNICÍPIO
VAGAS VAGAS VAGAS
TOTAL DE
VAGAS
Ampla
Concorrência
Portadores de
Deficiência
Negros
AC Rio Branco 3 1 1 5
SUBTOTAL 1 3 1 1 5
AL Delmiro Gouveia 1 1
AL Maceió 3 1 1 5
AL Porto Calvo 2 2
SUBTOTAL 3 6 1 1 8
AM Manaus 5 1 1 7
SUBTOTAL 1 5 1 1 7
BA Alagoinhas 2 2
BA Cruz das Almas 1 1
BA Euclides da Cunha 1 1
BA Guanambi 1 1
BA Ilhéus 1 1
BA Itabuna 1 1
BA Jacobina 1 1
BA Ribeira do Pombal 1 1
BA Salvador 21 1 5 27
BA Teixeira de Freitas 2 2
BA Vitória da Conquista 1 1
SUBTOTAL 11 33 1 5 39
CE Canindé 2 2
CE Fortaleza 12 1 3 16
CE Jaguaribe 2 2
CE Juazeiro do Norte 2 2
CE Tianguá 2 2
SUBTOTAL 5 20 1 3 24
DF Brasília 9 1 3 13
DF Brasília/Gama 2 2
DF Brasília/Sobradinho 2 2
DF Brasília/Taguatinga 2 1 3
SUBTOTAL 4 15 1 4 20
ES Colatina 1 1
ES Vitória 5 1 2 8
SUBTOTAL 2 6 1 2 9
GO Goiânia 10 1 3 14
GO Inhumas 2 2
GO Pires do Rio 1 1
GO Porangatu 2 2
SUBTOTAL 4 14 1 3 18
MA Bacabal 1 1
MA Balsas 1 1
MA Caxias 1 1
MA Imperatriz 2 2
MA Pedreiras 1 1
MA Pinheiro 1 1
MA Presidente Dutra 1 1
MA São Luís 2 1 1 4
SUBTOTAL 8 10 1 1 12
MG Alfenas 2 2
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UF
MUNICÍPIO/SUBDIVISÃO DE
MUNICÍPIO
VAGAS VAGAS VAGAS
TOTAL DE
VAGAS
Ampla
Concorrência
Portadores de
Deficiência
Negros
MG Araxá 1 1
MG Barbacena 1 1
MG Belo Horizonte 9 1 3 13
MG Betim 1 1
MG Bom Despacho 1 1
MG Cataguases 1 1
MG Caxambu 1 1
MG Conselheiro Lafaiete 2 2
MG Contagem 2 2
MG Diamantina 1 1
MG Divinópolis 2 2
MG Ipatinga 1 1
MG Itabira 1 1
MG Janaúba 1 1
MG Januária 1 1
MG Juiz de Fora 1 1
MG Manhuaçu 2 2
MG Passos 1 1
MG Patos de Minas 1 1
MG Pedro Leopoldo 2 2
MG Poços de Caldas 1 1
MG Pouso Alegre 1 1
MG São João del Rei 1 1
MG São Lourenço 1 1
MG Ubá 1 1
MG Viçosa 1 1
SUBTOTAL 27 42 1 3 46
MS Campo Grande 3 1 1 5
MS Naviraí 1 1
SUBTOTAL 2 4 1 1 6
MT Cuiabá 5 1 2 8
SUBTOTAL 1 5 1 2 8
PA Altamira 1 1
PA Belém 10 1 3 14
PA Capanema 1 1
PA Castanhal 1 1
PA Marabá 1 1
SUBTOTAL 5 14 1 3 18
PB João Pessoa 5 1 1 7
PB Sumé 1 1
SUBTOTAL 2 6 1 1 8
PE Afogados da Ingazeira 1 1
PE Arcoverde 1 1
PE Belo Jardim 2 2
PE Caruaru 2 2
PE Garanhuns 1 1
PE Jaboatão dos Guararapes 2 2
PE Olinda 2 2
PE Ouricuri 2 2
PE Recife 7 1 2 10
PE Timbaúba 2 2
SUBTOTAL 10 22 1 2 25
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UF
MUNICÍPIO/SUBDIVISÃO DE
MUNICÍPIO
VAGAS VAGAS VAGAS
TOTAL DE
VAGAS
Ampla
Concorrência
Portadores de
Deficiência
Negros
PI Barras 1 1
PI Campo Maior 2 2
PI Corrente 2 2
PI Oeiras 2 2
PI Parnaíba 1 1
PI Piripiri 2 2
SUBTOTAL 6 10 0 0 10
PR Apucarana 1 1
PR Arapongas 1 1
PR Cascavel 1 1
PR Cianorte 1 1
PR Colorado 1 1
PR Curitiba 11 1 3 15
PR Irati 1 1
PR Ivaiporã 1 1
PR Laranjeiras do Sul 1 1
PR Londrina 1 1
PR Paranavaí 1 1
PR Pato Branco 1 1
PR Santo Antônio da Platina 1 1
PR São José dos Pinhais 1 1
PR Telêmaco Borba 1 1
PR Toledo 1 1
PR Umuarama 1 1
SUBTOTAL 17 27 1 3 31
RJ Barra do Piraí 2 2
RJ Campos dos Goytacazes 2 1 3
RJ Macaé 2 2
RJ Nova Iguaçu 2 2
RJ Resende 2 2
RJ Rio de Janeiro 17 1 5 23
RJ São Gonçalo 2 2
SUBTOTAL 7 29 1 6 36
RN Açu 1 1
RN Caicó 2 2
RN Natal 2 1 1 4
RN Parnamirim 1 1
SUBTOTAL 4 6 1 1 8
RO Ji-Paraná 1 1
RO Porto Velho 3 1 1 5
SUBTOTAL 2 4 1 1 6
RS Erechim 1 1
RS Novo Hamburgo 2 2
RS Pelotas 1 1
RS Porto Alegre 15 1 4 20
RS Rio Grande 1 1
RS Santa Cruz do Sul 1 1
RS Santa Maria 1 1
RS Santa Rosa 1 1
RS Santo Ângelo 1 1
RS Viamão 1 1
SUBTOTAL 10 25 1 4 30
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 30
UF
MUNICÍPIO/SUBDIVISÃO DE
MUNICÍPIO
VAGAS VAGAS VAGAS
TOTAL DE
VAGAS
Ampla
Concorrência
Portadores de
Deficiência
Negros
SC Blumenau 1 1
SC Florianópolis 9 1 3 13
SC Joinville 1 1
SC Lages 1 1
SC São Miguel do Oeste 1 1
SUBTOTAL 5 13 1 3 17
SE Aracaju 3 1 1 5
SE Estância 1 1
SE Itabaiana 2 2
SUBTOTAL 3 6 1 1 8
SP Araraquara 1 1
SP Avaré 1 1
SP Barretos 1 1
SP Bauru 2 2
SP Botucatu 1 1
SP Catanduva 1 1
SP Guaratinguetá 1 1
SP Itu 1 1
SP Limeira 1 1
SP Lins 1 1
SP Marília 1 1
SP Mauá 1 1
SP Ourinhos 1 1
SP Presidente Venceslau 1 1
SP Registro 1 1
SP Santos 2 2
SP São José do Rio Pardo 1 1
SP São Paulo 24 1 6 31
SP São Sebastião 1 1
SP Sumaré 1 1
SP Suzano 1 1
SP Tatuí 1 1
SP Taubaté 1 1
SP Tupã 1 1
SUBTOTAL 24 49 1 6 56
TO Palmas 3 1 1 5
SUBTOTAL 1 3 1 1 5
TOTAL GERAL 165 377 24 59 460
EDITAL N° 02/2015
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 31
ANEXO IV – CRONOGRAMA PREVISTO
EVENTOS BÁSICOS DATAS
Inscrições 04 a 28/01/2016
Solicitação de inscrição com isenção de taxa de inscrição 04 a 28/01/2016
Resultado preliminar dos pedidos de isenção de taxa de inscrição 11/02/2016
Interposição de recursos contra o resultado preliminar da análise dos pedidos de isenção
da taxa de inscrição
12/02/2016 a
15/02/2016
Publicação do edital com resultado definitivo da análise dos pedidos de isenção da taxa
de inscrição
22/02/2016
Pagamento da taxa de inscrição pelos candidatos que tiveram seu pedido de isenção
indeferido
22 e 24/02/2016
Resultado preliminar de candidatos considerados inscritos como pessoas com deficiência
(não corresponde ao parecer da equipe multiprofissional)
01/03/2016
Resultado preliminar de atendimentos especiais para a realização das provas 01/03/2016
Homologação das inscrições na condição de negros 01/03/2016
Interposição de recursos contra o Resultado preliminar de candidatos considerados
inscritos como pessoas com deficiência e Resultado preliminar de atendimentos especiais
para a realização das provas
02 e 03/03/2016
Resultado definitivo de candidatos considerados inscritos como pessoas com deficiência
(não corresponde ao parecer da equipe multiprofissional)
11/03/2016
Resultado definitivo de atendimentos especiais para a realização das provas 11/03/2016
Divulgação dos locais de prova e Cartão de Confirmação de Inscrição, no endereço
eletrônico (www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge)
11 a 17/04/2016
Aplicação da prova objetiva 17/04/2016
Divulgação dos gabaritos da prova objetiva 19/04/2016
Interposição de recursos quanto às questões formuladas e/ou aos gabaritos divulgados 20 e 22/04/2016
Publicação do Gabarito Definitivo e do Resultado Definitivo da Prova Objetiva 10/05/2016
Divulgação do resultado preliminar do parecer da equipe multiprofissional sobre os
laudos médicos enviados pelas pessoas com deficiência
17/05/2016
Interposição de recurso contra o resultado preliminar do parecer da equipe
multiprofissional sobre os laudos médicos enviados pelas pessoas com deficiência
18 a 19/05/2016
Divulgação do resultado definitivo do parecer da equipe multiprofissional sobre os laudos
médicos enviados pelas pessoas com deficiência
30/05/2016
Divulgação do resultado final 30/05/2016
. 1
IBGE
Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I
Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo,
descritivo e argumentativo); interpretação e organização interna .............................................................1
Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos
verbos em português..............................................................................................................................32
Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais; processos de formação de
palavras; mecanismos de flexão dos nomes e verbos............................................................................49
Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação;
concordância nominal e verbal; transitividade e regência de nomes e verbos; padrões gerais de colocação
pronominal no português; mecanismos de coesão textual ...................................................................117
Ortografia.........................................................................................................................................198
Acentuação gráfica ..........................................................................................................................215
Emprego do sinal indicativo de crase...............................................................................................222
Pontuação .......................................................................................................................................230
Estilística: figuras de linguagem.......................................................................................................237
Reescrita de frases: substituição, deslocamento, paralelismo; variação linguística: norma culta .....246
Candidatos ao Concurso Público,
O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom
desempenho na prova.
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar
em contato, informe:
- Apostila (concurso e cargo);
- Disciplina (matéria);
- Número da página onde se encontra a dúvida; e
- Qual a dúvida.
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la.
Bons estudos!
1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
. 1
Tipos Textuais
Para escrever um texto, necessitamos de técnicas que implicam no domínio de capacidades
linguísticas. Temos dois momentos: o de formular pensamentos (o que se quer dizer) e o de expressá-
los por escrito (o escrever propriamente dito). Fazer um texto, seja ele de que tipo for, não significa apenas
escrever de forma correta, mas sim, organizar ideias sobre determinado assunto.
E para expressarmos por escrito, existem alguns modelos de expressão escrita: Descrição –
Narração – Dissertação.
Descrição
Expõe características dos seres ou das coisas, apresenta uma visão;
É um tipo de texto figurativo;
Retrato de pessoas, ambientes, objetos;
Predomínio de atributos;
Uso de verbos de ligação;
Frequente emprego de metáforas, comparações e outras figuras de linguagem;
Tem como resultado a imagem física ou psicológica.
Narração
Expõe um fato, relaciona mudanças de situação, aponta antes, durante e
depois dos acontecimentos (geralmente);
É um tipo de texto sequencial;
Relato de fatos;
Presença de narrador, personagens, enredo, cenário, tempo;
Apresentação de um conflito;
Uso de verbos de ação;
Geralmente, é mesclada de descrições;
O diálogo direto é frequente.
Dissertação
Expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa;
É um tipo de texto argumentativo.
Defesa de um argumento:
a) apresentação de uma tese que será defendida,
b) desenvolvimento ou argumentação,
c) fechamento;
Predomínio da linguagem objetiva;
Prevalece a denotação.
Carta
Esse é um tipo de texto que se caracteriza por envolver um remetente e um destinatário;
É normalmente escrita em primeira pessoa, e sempre visa um tipo de leitor;
É necessário que se utilize uma linguagem adequada com o tipo de destinatário e que
durante a carta não se perca a visão daquele para quem o texto está sendo escrito.
Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do
texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e
argumentativo); interpretação e organização interna
1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
. 2
Descrição
É a representação com palavras de um objeto, lugar, situação ou coisa, onde procuramos mostrar os
traços mais particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer elemento que seja apreendido
pelos sentidos e transformado, com palavras, em imagens.
Sempre que se expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a alguém, está fazendo
uso da descrição. Não é necessário que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do observador varia
de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma, o que será importante ser analisado para um, não
será para outro.
A vivência de quem descreve também influencia na hora de transmitir a impressão alcançada sobre
determinado objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emoção vivida ou sentimento.
Exemplos:
(I) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redonda. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho.
Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas surpresas entre os cipós. Todo o
jardim triturado pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual estava
rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande demais.”
(extraído de “Amor”, Laços de Família, Clarice Lispector)
(II) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava
duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo
o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso grande medo ao pai. Era uma criança fina,
pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O
mestre era mais severo com ele do que conosco.
(Machado de Assis. "Conto de escola". Contos. 3ed. São Paulo, Ática, 1974, págs. 31-32.)
Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor da escola que o escritor frequentava.
Deve-se notar:
- que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao mesmo tempo que gastava duas horas para
reter aquilo que os outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo tinha grande medo ao pai);
- por isso, não existe uma ocorrência que possa ser considerada cronologicamente anterior a outra do
ponto de vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na escola é cronologicamente anterior a
retirar-se dela; no nível do relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é indiferente: o que o escritor
quer é explicitar uma característica do menino, e não traçar a cronologia de suas ações);
- ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-se), todas elas estão no pretérito imperfeito, que
indica concomitância em relação a um marco temporal instalado no texto (no caso, o ano de 1840, em
que o escritor frequentava a escola da Rua da Costa) e, portanto, não denota nenhuma transformação de
estado;
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não correríamos o risco de alterar nenhuma relação
cronológica - poderíamos mesmo colocar o últímo período em primeiro lugar e ler o texto do fim para o
começo: O mestre era mais severo com ele do que conosco. Entrava na escola depois do pai e retirava-
se antes...
Evidentemente, quando se diz que a ordem dos enunciados pode ser invertida, está-se pensando
apenas na ordem cronológica, pois, como veremos adiante, a ordem em que os elementos são descritos
produz determinados efeitos de sentido.
Quando alteramos a ordem dos enunciados, precisamos fazer certas modificações no texto, pois este
contém anafóricos (palavras que retomam o que foi dito antes, como ele, os, aquele, etc. ou catafóricos
(palavras que anunciam o que vai ser dito, como este, etc.), que podem perder sua função e assim não
ser compreendidos. Se tomarmos uma descrição como As flores manifestavam todo o seu esplendor.
O Sol fazia-as brilhar, ao invertermos a ordem das frases, precisamos fazer algumas alterações, para
que o texto possa ser compreendido: O Sol fazia as flores brilhar. Elas manifestavam todo o seu
esplendor. Como, na versão original, o pronome oblíquo as é um anafórico que retoma flores, se
alterarmos a ordem das frases ele perderá o sentido. Por isso, precisamos mudar a palavra flores para
a primeira frase e retomá-la com o anafórico elas na segunda.
1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
. 3
Por todas essas características, diz-se que o fragmento do conto de Machado é descritivo. Descrição
é o tipo de texto em que se expõem características de seres concretos (pessoas, objetos, situações, etc.)
consideradas fora da relação de anterioridade e de posterioridade.
Características:
- Ao fazer a descrição enumeramos características, comparações e inúmeros elementos sensoriais;
- As personagens podem ser caracterizadas física e psicologicamente, ou pelas ações;
- A descrição pode ser considerada um dos elementos constitutivos da dissertação e da argumentação;
- é impossível separar narração de descrição;
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, mas sim a capacidade de observação que deve
revelar aquele que a realiza;
- Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exemplo: “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos;
parecia mais velha pelo desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda, sanguínea e fogosa, era um
desses exemplares excessivos do sexo que parecem conformados expressamente para esposas da
multidão (...)” (Raul Pompéia – O Ateneu);
- Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, não existe relação de anterioridade e
posterioridade entre seus enunciados;
- Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que se usem então as formas nominais, o
presente e o pretério imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferência aos verbos que indiquem
estado ou fenômeno.
- Todavia deve predominar o emprego das comparações, dos adjetivos e dos advérbios, que conferem
colorido ao texto.
A característica fundamental de um texto descritivo é essa inexistência de progressão temporal.
Pode-se apresentar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que eles sejam sempre
simultâneos, não indicando progressão de uma situação anterior para outra posterior. Tanto é que uma
das marcas linguísticas da descrição é o predomínio de verbos no presente ou no pretérito imperfeito do
indicativo: o primeiro expressa concomitância em relação ao momento da fala; o segundo, em relação a
um marco temporal pretérito instalado no texto.
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria introduzir um enunciado que indicasse a
passagem de um estado anterior para um posterior. No caso do texto II inicial, para transformá-lo em
narração, bastaria dizer: Reunia a isso grande medo do pai. Mais tarde, Iibertou-se desse medo...
Características Linguísticas:
O enunciado narrativo, por ter a representação de um acontecimento, fazer-transformador, é marcado
pela temporalidade, na relação situação inicial e situação final, enquanto que o enunciado descritivo, não
tendo transformação, é atemporal.
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-semânticas encontradas no texto que vão
facilitar a compreensão:
- Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores de propriedades, atitudes, qualidades,
usados principalmente no presente e no imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se, existir, ficar).
- Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é descrito; Exemplo:
"Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado
no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos que
de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto lustroso dava, pelo contraste,
mais brilho à calva; mas não tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito
pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito
despegadas do crânio."
(Eça de Queiroz - O Primo Basílio)
- Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesias). Exemplo:
"Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso
chinês. Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe dava
petulância de rapaz e casava perfeitamente com os olhinhos de azougue."
(José de Alencar - Senhora)
1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
. 4
- Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo:
"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa era assim: na frente, uma grade
de ferro; depois você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco
degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde saíam três portas;
no final do corredor tinha a cozinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha
um galpão, que era o lugar da bagunça..."
(Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ)
Recursos:
- Usar impressões cromáticas (cores) e sensações térmicas. Ex: O dia transcorria amarelo, frio,
ausente do calor alegre do sol.
- Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exatas, concretas. Ex: As criaturas humanas
transpareciam um céu sereno, uma pureza de cristal.
- As sensações de movimento e cor embelezam o poder da natureza e a figura do homem. Ex: Era um
verde transparente que deslumbrava e enlouquecia qualquer um.
- A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez do texto. Ex: Vida simples. Roupa simples. Tudo
simples. O pessoal, muito crente.
A descrição pode ser apresentada sob duas formas:
Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a passagem são apresentadas como realmente
são, concretamente. Ex: "Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70 kg. Aparência atlética, ombros largos, pele
bronzeada. Moreno, olhos negros, cabelos negros e lisos".
Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento. Exemplo: “ A casa velha era enorme, toda em
largura, com porta central que se alcançava por três degraus de pedra e quatro janelas de guilhotina para
cada lado. Era feita de pau-a-pique barreado, dentro de uma estrutura de cantos e apoios de madeira-de-
lei. Telhado de quatro águas. Pintada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora, provavelmente
sede de alguma fazenda que tivesse ficado, capricho da sorte, na linha de passagem da variante do
Caminho Novo que veio a ser a Rua Principal, depois a Rua Direita – sobre a qual ela se punha um pouco
de esguelha e fugindo ligeiramente do alinhamento (...).” (Pedro Nava – Baú de Ossos)
Descrição Subjetiva: quando há maior participação da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a
cena, a paisagem são transfigurados pela emoção de quem escreve, podendo opinar ou expressar seus
sentimentos. Ex: "Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso ao homem. Não só as
condecorações gritavam-lhe no peito como uma couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um
anúncio; os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram de um rei..." ("O Ateneu", Raul Pompéia)
“(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou outra esperança maior: para ele, Joca Ramiro era
único homem, par-de-frança, capaz de tomar conta deste sertão nosso, mandando por lei, de
sobregoverno.”
(Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas)
Os efeitos de sentido criados pela disposição dos elementos descritivos:
Como se disse anteriormente, do ponto de vista da progressão temporal, a ordem dos enunciados na
descrição é indiferente, uma vez que eles indicam propriedades ou características que ocorrem si-
multaneamente. No entanto, ela não é indiferente do ponto de vista dos efeitos de sentido: descrever de
cima para baixo ou vice-versa, do detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos de sentido
distintos.
Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio", de Bocage:
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
bem servido de pés, meão de altura,
triste de facha, o mesmo de figura,
nariz alto no meio, e não pequeno.
Incapaz de assistir num só terreno,
mais propenso ao furor do que à ternura;
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bebendo em níveas mãos por taça escura
de zelos infernais letal veneno.
Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão,
1968, pág. 497.
O poeta descreve-se das características físicas para as características morais. Se fizesse o inverso,
o sentido não seria o mesmo, pois as características físicas perderiam qualquer relevo.
O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a visualizar uma cena. É como traçar com palavras o
retrato de um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas características exteriores, facilmente
identificáveis (descrição objetiva), ou suas características psicológicas e até emocionais (descrição
subjetiva).
Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de adjetivos, também denominado adjetivação. Para
facilitar o aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando, após escrever seu texto, sublinhe
todos os substantivos, acrescentando antes ou depois deste um adjetivo ou uma locução adjetiva.
Descrição de objetos constituídos de uma só parte:
- Introdução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do objeto descrito.
- Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (comparação com figuras geométricas e com objetos
semelhantes); dimensões (largura, comprimento, altura, diâmetro etc.)
- Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso, cor/brilho, textura.
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro comentário que
envolva o objeto como um todo.
Descrição de objetos constituídos por várias partes:
- Introdução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do objeto descrito.
- Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentários das partes que compõem o objeto, associados
à explicação de como as partes se agrupam para formar o todo.
- Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um todo (externamente) - formato, dimensões,
material, peso, textura, cor e brilho.
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro comentário que
envolva o objeto em sua totalidade.
Descrição de ambientes:
- Introdução: comentário de caráter geral.
- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura global do ambiente: paredes, janelas, portas, chão,
teto, luminosidade e aroma (se houver).
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a objetos lá existentes: móveis, eletrodomésticos,
quadros, esculturas ou quaisquer outros objetos.
- Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira no ambiente.
Descrição de paisagens:
- Introdução: comentário sobre sua localização ou qualquer outra referência de caráter geral.
- Desenvolvimento: observação do plano de fundo (explicação do que se vê ao longe).
- Desenvolvimento: observação dos elementos mais próximos do observador - explicação detalhada
dos elementos que compõem a paisagem, de acordo com determinada ordem.
- Conclusão: comentários de caráter geral, concluindo acerca da impressão que a paisagem causa em
quem a contempla.
Descrição de pessoas (I):
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer aspecto de caráter geral.
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso, cor da pele, idade, cabelos, olhos, nariz, boca,
voz, roupas).
- Desenvolvimento: características psicológicas (personalidade, temperamento, caráter, preferências,
inclinações, postura, objetivos).
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- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter geral.
Descrição de pessoas (II):
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer aspecto de caráter geral.
- Desenvolvimento: análise das características físicas, associadas às características psicológicas (1ª
parte).
- Desenvolvimento: análise das características físicas, associadas às características psicológicas (2ª
parte).
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter geral.
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É uma estrutura pictórica, em que os aspectos
sensoriais predominam. Porque toda técnica descritiva implica contemplação e apreensão de algo
objetivo ou subjetivo, o redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de sensibilidade. Assim como o
pintor capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza cenas ou
imagens, conforme o permita sua sensibilidade.
Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser não-literária ou literária. Na descrição não-
literária, há maior preocupação com a exatidão dos detalhes e a precisão vocabular. Por ser objetiva, há
predominância da denotação.
Textos descritivos não-literários: A descrição técnica é um tipo de descrição objetiva: ela recria o
objeto usando uma linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é usado para descrever aparelhos, o
seu funcionamento, as peças que os compõem, para descrever experiências, processos, etc.
Exemplo:
Folheto de propaganda de carro
Conforto interno - É impossível falar de conforto sem incluir o espaço interno. Os seus interiores são
amplos, acomodando tranquilamente passageiros e bagagens. O Passat e o Passat Variant possuem
direção hidráulica e ar condicionado de elevada capacidade, proporcionando a climatização perfeita do
ambiente.
Porta-malas - O compartimento de bagagens possui capacidade de 465 litros, que pode ser ampliada
para até 1500 litros, com o encosto do banco traseiro rebaixado.
Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em plástico reciclável e posicionado entre as rodas
traseiras, para evitar a deformação em caso de colisão.
Textos descritivos literários: Na descrição literária predomina o aspecto subjetivo, com ênfase no
conjunto de associações conotativas que podem ser exploradas a partir de descrições de pessoas;
cenários, paisagens, espaço; ambientes; situações e coisas. Vale lembrar que textos descritivos também
podem ocorrer tanto em prosa como em verso.
Narração
A Narração é um tipo de texto que relata uma história real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários.
O texto narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo e em um espaço, organizados por
uma narração feita por um narrador. É uma série de fatos situados em um espaço e no tempo, tendo
mudança de um estado para outro, segundo relações de sequencialidade e causalidade, e não
simultâneos como na descrição. Expressa as relações entre os indivíduos, os conflitos e as ligações
afetivas entre esses indivíduos e o mundo, utilizando situações que contêm essa vivência.
Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o narrador acaba sempre contando onde,
quando, como e com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração predomina a ação: o texto
narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, a maioria dos verbos que compõem esse tipo de texto
são os verbos de ação. O conjunto de ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história que é
contada nesse tipo de texto recebe o nome de enredo.
As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas personagens, que são justamente as
pessoas envolvidas no episódio que está sendo contado. As personagens são identificadas (nomeadas)
no texto narrativo pelos substantivos próprios.
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo sem querer) ele acaba contando "onde" (em
que lugar) as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar onde ocorre uma ação ou
ações é chamado de espaço, representado no texto pelos advérbios de lugar.
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Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer "quando" ocorreram as ações da história.
Esse elemento da narrativa é o tempo, representado no texto narrativo através dos tempos verbais, mas
principalmente pelos advérbios de tempo. É o tempo que ordena as ações no texto narrativo: é ele que
indica ao leitor "como" o fato narrado aconteceu.
A história contada, por isso, passa por uma introdução (parte inicial da história, também chamada de
prólogo), pelo desenvolvimento do enredo (é a história propriamente dita, o meio, o "miolo" da narrativa,
também chamada de trama) e termina com a conclusão da história (é o final ou epílogo). Aquele que
conta a história é o narrador, que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu) ou impessoal (narra em
3ª pessoa: Ele).
Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de ação, por advérbios de tempo, por
advérbios de lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os agentes do texto, ou
seja, aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma rede: a própria história
contada.
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a história.
Elementos Estruturais (I):
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos.
- Personagens: são seres que se movimentam, se relacionam e dão lugar à trama que se estabelece
na ação. Revelam-se por meio de características físicas ou psicológicas. Os personagens podem ser
lineares (previsíveis), complexos, tipos sociais (trabalhador, estudante, burguês etc.) ou tipos humanos
(o medroso, o tímido, o avarento etc.), heróis ou anti-heróis, protagonistas ou antagonistas.
- Narrador: é quem conta a história.
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico.
- Tempo: época em que se passa a ação. Cronológico: o tempo convencional (horas, dias, meses);
Psicológico: o tempo interior, subjetivo.
Elementos Estruturais (II):
Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista
Acontecimento - O quê? Fato
Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato
Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato
Modo - Como? De que forma ocorreu o fato
Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato
Resultado - previsível ou imprevisível.
Final - Fechado ou Aberto.
Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de tal forma, que não é possível
compreendê-los isoladamente, como simples exemplos de uma narração. Há uma relação de implicação
mútua entre eles, para garantir coerência e verossimilhança à história narrada.
Quanto aos elementos da narrativa, esses não estão, obrigatoriamente sempre presentes no discurso,
exceto as personagens ou o fato a ser narrado.
Exemplo:
Porquinho-da-índia
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índía.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 4ª ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973, pág. 110.
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Observe que, no texto acima, há um conjunto de transformações de situação: ganhar um
porquinho-da-índia é passar da situação de não ter o animalzinho para a de tê-lo; levá-lo para a sala ou
para outros lugares é passar da situação de ele estar debaixo do fogão para a de estar em outros lugares;
ele não gostava: “queria era estar debaixo do fogão” implica a volta à situação anterior; “não fazia caso
nenhum das minhas ternurinhas” dá a entender que o menino passava de uma situação de não ser terno
com o animalzinho para uma situação de ser; no último verso tem-se a passagem da situação de não ter
namorada para a de ter.
Verifica-se, pois, que nesse texto há um grande conjunto de mudanças de situação. É isso que define
o que se chama o componente narrativo do texto, ou seja, narrativa é uma mudança de estado pela ação
de alguma personagem, é uma transformação de situação. Mesmo que essa personagem não apareça
no texto, ela está logicamente implícita. Assim, por exemplo, se o menino ganhou um porquinho-da-índia,
é porque alguém lhe deu o animalzinho.
Assim, há basicamente, dois tipos de mudança: aquele em que alguém recebe alguma coisa (o menino
passou a ter o porquinho-da índia) e aquele alguém perde alguma coisa (o porquinho perdia, a cada vez
que o menino o levava para outro lugar, o espaço confortável de debaixo do fogão). Assim, temos dois
tipos de narrativas: de aquisição e de privação.
Existem três tipos de foco narrativo:
- Narrador-personagem: é aquele que conta a história na qual é participante. Nesse caso ele é
narrador e personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa.
- Narrador-observador: é aquele que conta a história como alguém que observa tudo que acontece
e transmite ao leitor, a história é contada em 3ª pessoa.
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as personagens, revelando seus
pensamentos e sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece misturada
com pensamentos dos personagens (discurso indireto livre).
Estrutura:
- Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados alguns personagens e expostas algumas
circunstâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação se desenvolverá.
- Complicação: é a parte do texto em que se inicia propriamente a ação. Encadeados, os episódios
se sucedem, conduzindo ao clímax.
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu momento crítico, tornando o desfecho
inevitável.
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens.
Tipos de Personagens:
Os personagens têm muita importância na construção de um texto narrativo, são elementos vitais.
Podem ser principais ou secundários, conforme o papel que desempenham no enredo, podem ser
apresentados direta ou indiretamente.
A apresentação direta acontece quando o personagem aparece de forma clara no texto, retratando
suas características físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se dá quando os personagens
aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, ou seja, a
partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do modo como vai fazendo.
- Em 1ª pessoa:
Personagem Principal: há um “eu” participante que conta a história e é o protagonista. Exemplo:
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o coração parecendo querer sair-me pela
boca fora. Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vizinho. Comecei a andar de um lado
para outro, estacando para amparar-me, e andava outra vez e estacava.”
(Machado de Assis. Dom Casmurro)
Observador: é como se dissesse: É verdade, pode acreditar, eu estava lá e vi. Exemplo:
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“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma
maloca de contrabandista que fez cancha nos banhados do Ibirocaí.
Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a cruzar os campos da fronteira; à luz do Sol, no
desmaiado da Lua, na escuridão das noites, na cerração das madrugadas...; ainda que chovesse reiúnos
acolherados ou que ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca perdeu atalho, nunca
desandou cruzada!...
(...)
Aqui há poucos – coitado! – pousei no arranchamento dele. Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não
nos víamos desde muito tempo. (...)
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matança dos leitões e no tiramento dos assados
com couro.”
(J. Simões Lopes Neto – Contrabandista)
- Em 3ª pessoa:
Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira pessoa. Exemplo:
“Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fantasiaram de borboleta. Por isso não pôde
defender-se. E saiu à rua com ar menos carnavalesco deste mundo, morrendo de vergonha da malha de
cetim, das asas e das antenas e, mais ainda, da cara à mostra, sem máscara piedosa para disfarçar o
sentimento impreciso de ridículo.”
(Ilka Laurito. Sal do Lírico)
Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história como sendo vista por uma câmara ou filmadora.
Exemplo:
Festa
Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o crioulão de roupa limpa e remendada,
acompanhado de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro mais novo, mas ambos com menos
de dez anos.
Os três atravessam o salão, cuidadosamente, mas resolutamente, e se dirigem para o cômodo dos
fundos, onde há seis mesas desertas.
O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O homem pergunta em quanto fica uma cerveja,
dois guaranás e dois pãezinhos.
__ Duzentos e vinte.
O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.
__Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz.
__ Como?
__ Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito mais gostoso.
O homem olha para os meninos.
__ O preço é o mesmo – informa o rapaz.
__ Está certo.
Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como se o estivessem fazendo pela primeira
vez na vida.
O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e, em seguida, num pratinho, os dois pães com
meia almôndega cada um. O homem e (mais do que ele) os meninos olham para dentro dos pães,
enquanto o rapaz cúmplice se retira.
Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene o copo de cerveja até a boca, depois cada um
prova o seu guaraná e morde o primeiro bocado do pão.
O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando criteriosamente o menino mais velho e o
menino mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida.
Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois meninos. E permanecem para sempre, humanos
e indestrutíveis, sentados naquela mesa.
(Wander Piroli)
Tipos de Discurso:
Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamente para o personagem, sem a sua interferência.
Exemplo:
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Caso de Desquite
__ Vexame de incomodar o doutor (a mão trêmula na boca). Veja, doutor, este velho caducando.
Bisavô, um neto casado. Agora com mania de mulher. Todo velho é sem-vergonha.
__ Dobre a língua, mulher. O hominho é muito bom. Só não me pise, fico uma jararaca.
__ Se quer sair de casa, doutor, pague uma pensão.
__ Essa aí tem filho emancipado. Criei um por um, está bom? Ela não contribuiu com nada, doutor. Só
deu de mamar no primeiro mês.
__Você desempregado, quem é que fazia roça?
__ Isso naquele tempo. O hominho aqui se espalhava. Fui jogado na estrada, doutor. Desde onze anos
estou no mundo sem ninguém por mim. O céu lá em cima, noite e dia o hominho aqui na carroça. Sempre
o mais sacrificado, está bom?
__ Se ficar doente, Severino, quem é que o atende?
__ O doutor já viu urubu comer defunto? Ninguém morre só. Sempre tem um cristão que enterra o
pobre.
__ Na sua idade, sem os cuidados de uma mulher...
__ Eu arranjo.
__ Só a troco de dinheiro elas querem você. Agora tem dois cavalos. A carroça e os dois cavalos, o
que há de melhor. Vai me deixar sem nada?
__ Você tinha a mula e a potranca. A mula vendeu e a potranca, deixou morrer. Tenho culpa? Só quero
paz, um prato de comida e roupa lavada.
__ Para onde foi a lavadeira?
__ Quem?
__ A mulata.
(...)
(Dalton Trevisan – A guerra Conjugal)
Discurso Indireto: o narrador conta o que o personagem diz, sem lhe passar diretamente a palavra.
Exemplo:
Frio
O menino tinha só dez anos.
Quase meia hora andando. No começo pensou num bonde. Mas lembrou-se do embrulhinho branco e
bem feito que trazia, afastou a idéia como se estivesse fazendo uma coisa errada. (Nos bondes, àquela
hora da noite, poderiam roubá-lo, sem que percebesse; e depois?... Que é que diria a Paraná?)
Andando. Paraná mandara-lhe não ficar observando as vitrines, os prédios, as coisas. Como fazia nos
dias comuns. Ia firme e esforçando-se para não pensar em nada, nem olhar muito para nada.
__ Olho vivo – como dizia Paraná.
Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das ruas. Ele ia pelas beiradas. Quando em quando,
assomava um guarda nas esquinas. O seu coraçãozinho se apertava.
Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma mulher. Sempre ficam mulheres vagabundeando
por ali, à noite. Pelo jardim, pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela lhe deu, ele seguiu. Ignorava a
exatidão de seus cálculos, mas provavelmente faltava mais ou menos uma hora para chegar em casa.
Os bondes passavam.
(João Antônio – Malagueta, Perus e Bacanaço)
Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a fala do personagem e a fala do narrador. É um
recurso relativamente recente. Surgiu com romancistas inovadores do século XX. Exemplo:
A Morte da Porta-Estandarte
Que ninguém o incomode agora. Larguem os seus braços. Rosinha está dormindo. Não acordem
Rosinha. Não é preciso segurá-lo, que ele não está bêbado... O céu baixou, se abriu... Esse temporal
assim é bom, porque Rosinha não sai. Tenham paciência... Largar Rosinha ali, ele não larga não... Não!
E esses tambores? Ui! Que venham... É guerra... ele vai se espalhar... Por que não está malhando em
sua cabeça?... (...) Ele vai tirar Rosinha da cama... Ele está dormindo, Rosinha... Fugir com ela, para o
fundo do País... Abraçá-la no alto de uma colina...
(Aníbal Machado)
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Sequência Narrativa:
Uma narrativa não tem uma única mudança, mas várias: uma coordena-se a outra, uma implica a
outra, uma subordina-se a outra.
A narrativa típica tem quatro mudanças de situação:
- uma em que uma personagem passa a ter um querer ou um dever (um desejo ou uma necessidade
de fazer algo);
- uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma competência para fazer algo);
- uma em que a personagem executa aquilo que queria ou devia fazer (é a mudança principal da
narrativa);
- uma em que se constata que uma transformação se deu e em que se podem atribuir prêmios ou
castigos às personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e os castigos, para os maus).
Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se pressupõem logicamente. Com efeito, quando
se constata a realização de uma mudança é porque ela se verificou, e ela efetua-se porque quem a realiza
pode, sabe, quer ou deve fazê-la. Tomemos, por exemplo, o ato de comprar um apartamento: quando se
assina a escritura, realiza-se o ato de compra; para isso, é necessário poder (ter dinheiro) e querer ou
dever comprar (respectivamente, querer deixar de pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter
sido despejado, por exemplo).
Algumas mudanças são necessárias para que outras se deem. Assim, para apanhar uma fruta, é
necessário apanhar um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um carro, é preciso antes
conseguir o dinheiro.
Narrativa e Narração
Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narratividade é um componente narrativo que pode
existir em textos que não são narrações. A narrativa é a transformação de situações. Por exemplo, quando
se diz “Depois da abolição, incentivou-se a imigração de europeus”, temos um texto dissertativo, que, no
entanto, apresenta um componente narrativo, pois contém uma mudança de situação: do não incentivo
ao incentivo da imigração européia.
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de texto, o que é narração?
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três características:
- é um conjunto de transformações de situação (o texto de Manuel Bandeira – “Porquinho-da-índia”,
como vimos, preenche essa condição);
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e fatos concretos (o texto "Porquinho-da-índia"
preenche também esse requisito);
- as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal que, entre elas, existe sempre uma relação
de anterioridade e posterioridade (no texto "Porquinho-da-índia" o fato de ganhar o animal é anterior ao
de ele estar debaixo do fogão, que por sua vez é anterior ao de o menino levá-lo para a sala, que por seu
turno é anterior ao de o porquinho-da-índia voltar ao fogão).
Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre pertinente num texto narrativo, mesmo que a
sequência linear da temporalidade apareça alterada. Assim, por exemplo, no romance machadiano
Memórias póstumas de Brás Cubas, quando o narrador começa contando sua morte para em seguida
relatar sua vida, a sequência temporal foi modificada. No entanto, o leitor reconstitui, ao longo da leitura,
as relações de anterioridade e de posterioridade.
Resumindo: na narração, as três características explicadas acima (transformação de situações, fi-
guratividade e relações de anterioridade e posterioridade entre os episódios relatados) devem estar
presentes conjuntamente. Um texto que tenha só uma ou duas dessas características não é uma
narração.
Esquema que pode facilitar a elaboração de seu texto narrativo:
- Introdução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o que aconteceu, quando e onde.
- Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos personagens.
- Desenvolvimento: detalhes do fato.
- Conclusão: consequências do fato.
Caracterização Formal:
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Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O aspecto narrativo apresenta, até certo ponto, alguma
subjetividade, porquanto a criação e o colorido do contexto estão em função da individualidade e do estilo
do narrador. Dependendo do enfoque do redator, a narração terá diversas abordagens. Assim é de grande
importância saber se o relato é feito em primeira pessoa ou terceira pessoa. No primeiro caso, há a
participação do narrador; segundo, há uma inferência do último através da onipresença e onisciência.
Quanto à temporalidade, não há rigor na ordenação dos acontecimentos: esses podem oscilar no
tempo, transgredindo o aspecto linear e constituindo o que se denomina “flashback”. O narrador que usa
essa técnica (característica comum no cinema moderno) demonstra maior criatividade e originalidade,
podendo observar as ações ziguezagueando no tempo e no espaço.
Exemplo - Personagens
"Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr. Amâncio não viu a mulher chegar.
- Não quer que se carpa o quintal, moço?
Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face escalavrada. Mas os olhos... (sempre
guardam alguma coisa do passado, os olhos)."
(Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre: Mercado Aberto, p. 5O)
Exemplo - Espaço
Considerarei longamente meu pequeno deserto, a redondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o
leito seco de algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe a insipidez."
(Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto Alegre: Movimento, 1981, p. 51)
Exemplo - Tempo
“Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: a mulher lhe pediu que a chamasse cedo."
(Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. p.4)
Tipologia da Narrativa Ficcional:
- Romance
- Conto
- Crônica
- Fábula
- Lenda
- Parábola
- Anedota
- Poema Épico
Tipologia da Narrativa Não-Ficcional:
- Memorialismo
- Notícias
- Relatos
- História da Civilização
Apresentação da Narrativa:
- visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em quadrinhos) e desenhos.
- auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e discos.
- audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisionadas.
Dissertação
A dissertação é uma exposição, discussão ou interpretação de uma determinada ideia. É, sobretudo,
analisar algum tema. Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica, raciocínio, clareza, coerência,
objetividade na exposição, um planejamento de trabalho e uma habilidade de expressão.
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É em função da capacidade crítica que se questionam pontos da realidade social, histórica e
psicológica do mundo e dos semelhantes. Vemos também, que a dissertação no seu significado diz
respeito a um tipo de texto em que a exposição de uma ideia, através de argumentos, é feita com a
finalidade de desenvolver um conteúdo científico, doutrinário ou artístico.
Exemplo:
Há três métodos pelos quais pode um homem chegar a ser primeiro-ministro. O primeiro é saber, com
prudência, como servir-se de uma pessoa, de uma filha ou de uma irmã; o segundo, como trair ou solapar
os predecessores; e o terceiro, como clamar, com zelo furioso, contra a corrupção da corte. Mas um
príncipe discreto prefere nomear os que se valem do último desses métodos, pois os tais fanáticos sempre
se revelam os mais obsequiosos e subservientes à vontade e às paixões do amo. Tendo à sua disposição
todos os cargos, conservam-se no poder esses ministros subordinando a maioria do senado, ou grande
conselho, e, afinal, por via de um expediente chamado anistia (cuja natureza lhe expliquei), garantem-se
contra futuras prestações de contas e retiram-se da vida pública carregados com os despojos da nação.
Jonathan Swift. Viagens de Gulliver.
São Paulo, Abril Cultural, 1979, p. 234-235.
Esse texto explica os três métodos pelos quais um homem chega a ser primeiro-ministro, aconselha o
príncipe discreto a escolhê-lo entre os que clamam contra a corrupção na corte e justifica esse conselho.
Observe-se que:
- o texto é temático, pois analisa e interpreta a realidade com conceitos abstratos e genéricos (não se
fala de um homem particular e do que faz para chegar a ser primeiro-ministro, mas do homem em geral
e de todos os métodos para atingir o poder);
- existe mudança de situação no texto (por exemplo, a mudança de atitude dos que clamam contra a
corrupção da corte no momento em que se tornam primeiros-ministros);
- a progressão temporal dos enunciados não tem importância, pois o que importa é a relação de
implicação (clamar contra a corrupção da corte implica ser corrupto depois da nomeação para
primeiro-ministro).
Características:
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é temático;
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de situação;
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de anterioridade e de posterioridade dos enunciados
não têm maior importância - o que importa são suas relações lógicas: analogia, pertinência, causalidade,
coexistência, correspondência, implicação, etc.
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos de redação. Já a estrutura, o conteúdo e a
estilística possuem características próprias a cada tipo de texto.
Dissertação Expositiva e Argumentativa:
A dissertação expositiva é voltada para aqueles fatos que estão sendo focados e discutidos pela
grande mídia. É um tipo de acontecimento inquestionável, mesmo porque todos os detalhes já foram
expostos na televisão, rádio e novas mídias.
Já o texto dissertativo argumentativo vai fazer uma reflexão maior sobre os temas. Os pontos de vista
devem ser declarados em terceira pessoa, há interações entre os fatos que se aborda. Tais fatos precisam
ser esclarecidos para que o leitor se sinta convencido por tal escrita. Quem escreve uma dissertação
argumentativa deve saber persuadir a partir de sua crítica de determinado assunto. A linguagem jamais
poderá deixar de ser objetiva, com fatos reais, evidências e concretudes.
São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvimento / Conclusão.
Introdução: em que se apresenta o assunto; se apresenta a ideia principal, sem, no entanto, antecipar
seu desenvolvimento. Tipos:
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem discutidos. Ex: “Cada criatura humana traz duas
almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...”
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um fato presente. Ex: “A crise econômica que
teve início no começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices de inflação que a década colecionou,
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agravou vários dos históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência, principalmente a urbana,
cuja escalada tem sido facilmente identificada pela população brasileira.”
- Proposição: o autor explicita seus objetivos.
- Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma coisa apresentada no texto. Ex: Você quer
estar “na sua”? Quer se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo cano! Faça parte desse
time de vencedores desde a escolha desse momento!
- Contestação: contestar uma ideia ou uma situação. Ex: “É importante que o cidadão saiba que portar
arma de fogo não é a solução no combate à insegurança.”
- Características: caracterização de espaços ou aspectos.
- Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex: “Em 1982, eram 15,8 milhões os domicílios
brasileiros com televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de aparelhos receptores
instalados do mundo). Ao todo, existem no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar programas) e
2.624 repetidoras (que apenas retransmitem sinais recebidos). (...)”
- Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato.
- Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto do texto. Ex: “A principal característica do
déspota encontra-se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das normas e das regras que definem a
vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu poder, escreve Aristóteles, é arbitrário, pois decorre
exclusivamente de sua vontade, de seu prazer e de suas necessidades.”
- Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que compõem o texto.
- Interrogação: questionamento. Ex: “Volta e meia se faz a pergunta de praxe: afinal de contas, todo
esse entusiasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?”
- Suspense: alguma informação que faça aumentar a curiosidade do leitor.
- Comparação: social e geográfica.
- Enumeração: enumerar as informações. Ex: “Ação à distância, velocidade, comunicação, linha de
montagem, triunfo das massas, Holocausto: através das metáforas e das realidades que marcaram esses
100 últimos anos, aparece a verdadeira doença do século...”
- Narração: narrar um fato.
Desenvolvimento: é a argumentação da ideia inicial, de forma organizada e progressiva. É a parte
maior e mais importante do texto. Podem ser desenvolvidos de várias formas:
- Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com este tipo de abordagem.
- Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a ideia principal ao máximo, esclarecendo o
conceito ou a definição.
- Comparação: estabelecer analogias, confrontar situações distintas.
- Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta pontos favoráveis e desfavoráveis.
- Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou descrever uma cena.
- Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados estatísticos.
- Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para prováveis resultados.
- Interrogação: Toda sucessão de interrogações deve apresentar questionamento e reflexão.
- Refutação: questiona-se praticamente tudo: conceitos, valores, juízos.
- Causa e Consequência: estruturar o texto através dos porquês de uma determinada situação.
- Oposição: abordar um assunto de forma dialética.
- Exemplificação: dar exemplos.
Conclusão: é uma avaliação final do assunto, um fechamento integrado de tudo que se argumentou.
Para ela convergem todas as ideias anteriormente desenvolvidas.
- Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese.
- Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um pensamento ou faz uma proposta, incentivando
a reflexão de quem lê.
Exemplo:
Direito de Trabalho
Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um novo modelo econômico: o capitalismo, que até
o século XX agia por meio da inclusão de trabalhadores e hoje passou a agir por meio da exclusão. (A)
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A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo o trabalho automático, devido à evolução
tecnológica e a necessidade de qualificação cada vez maior, o que provoca o desemprego. Outro fator
que também leva ao desemprego de um sem número de trabalhadores é a contenção de despesas, de
gastos. (B)
Segundo a Constituição, “preocupada” com essa crise social que provém dessa automatização e
qualificação, obriga que seja feita uma lei, em que será dada absoluta garantia aos trabalhadores, de que,
mesmo que as empresas sejam automatizadas, não perderão eles seu mercado de trabalho. (C)
Não é uma utopia?!
Um exemplo vivo são os boias-frias que trabalham na colheita da cana de açúcar que devido ao avanço
tecnológico e a lei do governador Geraldo Alkmin, defendendo o meio ambiente, proibindo a queima da
cana de açúcar para a colheita e substituindo-os então pelas máquinas, desemprega milhares deles. (D)
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão cursos de cabelereiro, marcenaria, eletricista, para
não perderem o mercado de trabalho, aumentando, com isso, a classe de trabalhos informais.
Como ficam então aqueles trabalhadores que passaram à vida estudando, se especializando, para se
diferenciarem e ainda estão desempregados? como vimos no último concurso da prefeitura do Rio de
Janeiro para “gari”, havia até advogado na fila de inscrição. (E)
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos têm o direito de trabalho, cabe aos governantes
desse país, que almeja um futuro brilhante, deter, com urgência esse processo de desníveis gritantes e
criar soluções eficazes para combater a crise generalizada (F), pois a uma nação doente, miserável e
desigual, não compete a tão sonhada modernidade. (G)
1º Parágrafo – Introdução
A. Tema: Desemprego no Brasil.
Contextualização: decorrência de um processo histórico problemático.
2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento
B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que remetem a uma análise do tema em questão.
C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro dado da realidade.
D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de quem propõe soluções.
E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição.
7º Parágrafo: Conclusão
F. Uma possível solução é apresentada.
G. O texto conclui que desigualdade não se casa com modernidade.
É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar sobre o que não se conhece. A leitura de
bons textos é um dos recursos que permite uma segurança maior no momento de dissertar sobre algum
assunto. Debater e pesquisar são atitudes que favorecem o senso crítico, essencial no desenvolvimento
de um texto dissertativo.
Ainda temos:
Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o assunto que vai ser abordado.
Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo discutido.
Argumentação: é um conjunto de procedimentos linguísticos com os quais a pessoa que escreve
sustenta suas opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer argumentos, ou seja, razões
a favor ou contra uma determinada tese.
Estes assuntos serão vistos com mais afinco posteriormente.
Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são:
- toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade de pleno domínio do assunto e habilidade
de argumentação;
- em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema;
- a coerência é tida como regra de ouro da dissertação;
- impõem-se sempre o raciocínio lógico;
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- a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na
demonstração do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original, nobre, correta
gramaticalmente. O discurso deve ser impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa).
O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve apresentar: uma frase contendo a ideia principal (frase
nuclear) e uma ou mais frases que explicitem tal ideia.
Exemplo: “A televisão mostra uma realidade idealizada (ideia central) porque oculta os problemas
sociais realmente graves. (ideia secundária)”.
Vejamos:
Ideia central: A poluição atmosférica deve ser combatida urgentemente.
Desenvolvimento: A poluição atmosférica deve ser combatida urgentemente, pois a alta
concentração de elementos tóxicos põe em risco a vida de milhares de pessoas, sobretudo daquelas que
sofrem de problemas respiratórios:
- A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem levado muita gente ao vício.
- A televisão é um dos mais eficazes meios de comunicação criados pelo homem.
- A violência tem aumentado assustadoramente nas cidades e hoje parece claro que esse problema
não pode ser resolvido apenas pela polícia.
- O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise atualmente.
- O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a sociedade brasileira.
O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras:
Enumeração: Caracteriza-se pela exposição de uma série de coisas, uma a uma. Presta-se bem à
indicação de características, funções, processos, situações, sempre oferecendo o complemento
necessário à afirmação estabelecida na frase nuclear. Pode-se enumerar, seguindo-se os critérios de
importância, preferência, classificação ou aleatoriamente.
Exemplo:
1- O adolescente moderno está se tornando obeso por várias causas: alimentação inadequada, falta
de exercícios sistemáticos e demasiada permanência diante de computadores e aparelhos de Televisão.
2- Devido à expansão das igrejas evangélicas, é grande o número de emissoras que dedicam parte
da sua programação à veiculação de programas religiosos de crenças variadas.
3-
- A Santa Missa em seu lar.
- Terço Bizantino.
- Despertar da Fé.
- Palavra de Vida.
- Igreja da Graça no Lar.
4-
- Inúmeras são as dificuldades com que se defronta o governo brasileiro diante de tantos
desmatamentos, desequilíbrios sociológicos e poluição.
- Existem várias razões que levam um homem a enveredar pelos caminhos do crime.
- A gravidez na adolescência é um problema seríssimo, porque pode trazer muitas consequências
indesejáveis.
- O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua sobrevivência no mundo atual e vários são os tipos
de lazer.
- O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas em várias categorias.
Comparação: A frase nuclear pode-se desenvolver através da comparação, que confronta ideias,
fatos, fenômenos e apresenta-lhes a semelhança ou dessemelhança.
Exemplo:
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“A juventude é uma infatigável aspiração de felicidade; a velhice, pelo contrário, é dominada por um
vago e persistente sentimento de dor, porque já estamos nos convencendo de que a felicidade é uma
ilusão, que só o sofrimento é real”.
(Arthur Schopenhauer)
Causa e Consequência: A frase nuclear, muitas vezes, encontra no seu desenvolvimento um
segmento causal (fato motivador) e, em outras situações, um segmento indicando consequências (fatos
decorrentes).
Exemplos:
- O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanidade que abriga em si, porque os seus olhos
teimam apenas em ver as coisas imediatistas e lucrativas que o rodeiam.
- O espírito competitivo foi excessivamente exercido entre nós, de modo que hoje somos obrigados a
viver numa sociedade fria e inamistosa.
Tempo e Espaço: Muitos parágrafos dissertativos marcam temporal e espacialmente a evolução de
ideias, processos.
Exemplos:
Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma lenta evolução. Primeiro, o homem aprendeu
a grunhir. Depois deu um significado a cada grunhido. Muito depois, inventou a escrita e só muitos séculos
mais tarde é que passou à comunicação de massa.
Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas úmidos, os solos são profundos. Existe nessas
regiões uma forte decomposição de rochas, isto é, uma forte transformação da rocha em terra pela
umidade e calor. Nas regiões temperadas e ainda nas mais frias, a camada do solo é pouco profunda.
(Melhem Adas)
Explicitação: Num parágrafo dissertativo pode-se conceituar, exemplificar e aclarar as ideias para
torná-las mais compreensíveis.
Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue proveniente do coração para irrigar os tecidos. Exceto
no cordão umbilical e na ligação entre os pulmões e o coração, todas as artérias contém sangue vermelho-
vivo, recém-oxigenado. Na artéria pulmonar, porém, corre sangue venoso, mais escuro e desoxigenado,
que o coração remete para os pulmões para receber oxigênio e liberar gás carbônico”.
Antes de se iniciar a elaboração de uma dissertação, deve delimitar-se o tema que será desenvolvido
e que poderá ser enfocado sob diversos aspectos. Se, por exemplo, o tema é a questão indígena, ela
poderá ser desenvolvida a partir das seguintes ideias:
- A violência contra os povos indígenas é uma constante na história do Brasil.
- O surgimento de várias entidades de defesa das populações indígenas.
- A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio brasileiro.
- A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena.
Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver, deve fazer a estruturação do texto.
A estrutura do texto dissertativo constitui-se de:
Introdução: deve conter a ideia principal a ser desenvolvida (geralmente um ou dois parágrafos). É a
abertura do texto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar a atenção para dois itens básicos: os
objetivos do texto e o plano do desenvolvimento. Contém a proposição do tema, seus limites, ângulo de
análise e a hipótese ou a tese a ser defendida.
Desenvolvimento: exposição de elementos que vão fundamentar a ideia principal que pode vir
especificada através da argumentação, de pormenores, da ilustração, da causa e da consequência, das
definições, dos dados estatísticos, da ordenação cronológica, da interrogação e da citação. No
desenvolvimento são usados tantos parágrafos quantos forem necessários para a completa exposição da
ideia. E esses parágrafos podem ser estruturados das cinco maneiras expostas acima.
Conclusão: é a retomada da ideia principal, que agora deve aparecer de forma muito mais
convincente, uma vez que já foi fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação (um parágrafo).
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Deve, pois, conter de forma sintética, o objetivo proposto na instrução, a confirmação da hipótese ou da
tese, acrescida da argumentação básica empregada no desenvolvimento.
Questões
01. (SHDIAS – ANALISTA ADMINISTRATIVO JÚNIOR – IMA/2015)
(...) Há um pôr-do-sol de primavera e uma velha
casa abandonada. Está em ruínas.
A velha casa não mais abriga vidas em seu interior.
Tudo é passado. Tudo é lembrança.
Hoje, apenas almas juvenis brincam
despreocupadas e felizes entre suas paredes
trêmulas.
Em seu chão, despido da madeira polida que a
cobriam, brotam ervas daninhas. Entre a vegetação
que busca minimizar as doces recordações do
passado, surge a figura amarela e suave da
margarida, flor-mulher. As nuanças de suas cores
sorriem e denunciam lembranças de seus
ocupantes.
A velha casa está em ruínas. Pássaros saltitam e
gorjeiam nas amuradas que a cercam. Seus trinados
são melodias no altar do tempo à espera de
redentoras orações. Raízes vorazes de grandes
árvores infiltraram-se entre as pedras do alicerce e
abalam suas estruturas.
Agoniza a velha casa. Agora, somente imagens
desfilam, ao longo das noites. As janelas são bocas
escancaradas. A casa velha em ruínas clama por
vozes e movimentos...
(Geraldo M. de Carvalho)
De acordo com a tipologia textual, o texto acima:
(A) é descritivo, com traços dissertativos compondo um ambiente nostálgico.
(B) possui descrição subjetiva apenas no trecho "A velha casa não mais abriga vidas em seu interior.
Tudo é passado. Tudo é lembrança."
(C) ocorre uma descrição objetiva narrativa no trecho todo.
(D) é formado basicamente de descrições subjetivas.
02. (PREFEITURA DE RIO NOVO DO SUL/ES – AGENTE FISCAL – IDECAN/2015)
Como cuidar de seu dinheiro em 2015
Gustavo Cerbasi.
Em 2015, cuidarei bem do meu dinheiro. Organizarei bem os números e as verbas. Esses números
mudarão bastante ao longo do ano. Um monstro chamado inflação ronda o país. Só que, agora, ele usa
um manto da invisibilidade, que ganhou de seu criador, o governo. Quando morder meu bolso, eu nem
saberei de onde terá vindo o ataque, não terei tempo de me defender. Por isso, deixarei boas gorduras
no orçamento para atirar a ele, quando aparecer. Essas gorduras serão chamadas de verba para lazer e
reservas de emergência.
Em 2015, não farei apostas. Já há gente demais apostando em imóveis, ações e outros investimentos
especulativos. Farei escolhas certeiras. Deixarei a maior parte de meu investimento na renda fixa. Ela
está com uma generosidade única no mundo. Enquanto isso, estudo o desespero de especuladores que
aguardarão a improvável recuperação dos imóveis, da Petrobras, da credibilidade dos mercados. Quando
esses especuladores jogarem a toalha, usarei parte de minhas reservas para fazer investimentos bons e
baratos. Mas não na Petrobras.
Muita gente fala que, com a inflação e a recessão, pode perder o emprego ou os clientes. Faltará
renda, faltarão consumidores. O ano de 2015 será, mais uma vez, ruim para quem vende. Será um ano
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bom para quem pensa em comprar. Estarei atento aos bons negócios para quem tem dinheiro na mão.
Se a renda fixa paga bem, a compra à vista tende a me dar descontos maiores. É por esse mesmo motivo
que, em 2015, evitarei as dívidas. Os juros estão altos e isso me convida a poupar, e não a alugar dinheiro
dos bancos. Dívidas de longo prazo são corrigidas pela inflação, também em alta. Por isso, aproveitarei
os ganhos extras de fim de ano para liquidar dívidas e me policiar para não contrair novas.
No ano que começa, também não quero fazer papel de otário e deixar nas mãos do governo mais
impostos do que preciso. Não sonegarei. Mas aproveitarei o fim do ano para organizar meus papéis e
comprovantes, planejar a declaração de Imposto de Renda de março e tentar a maior restituição que
puder, ou o mínimo pagamento necessário. Listarei meus gastos com dependentes, educação e saúde,
doarei para instituições que fazem o bem, aplicarei num PGBL o que for necessário para o máximo
benefício. Entregarei minha declaração quanto antes, no início de março. Quero ver minha restituição na
conta mais cedo, já que 2015 será um ano bom para quem tiver dinheiro na mão.
Para quem lamenta, recomendo cuidado com o monstro e com o governo. Para quem está atento às
oportunidades, desejo boas compras.
(Disponívelem:http://epoca.globo.com/colunas‐e‐blogs/gustavo‐cerbasi/noticia/2015/01/como‐cuidar‐de‐bseu‐dinheirob‐em‐2015.html
Acesso em: 06/02/2015.)
De acordo com a tipologia textual, o objetivo principal do autor é:
(A) narrar.
(B) instruir.
(C) descrever.
(D) argumentar.
03. (UFRJ – Assistente em Administração – PR-4 CONCURSOS /2015)
“Ao final dos anos 80, a Petrobras se encontrava diante do desafio de produzir petróleo em águas
abaixo de 500 metros, feito não conseguido então por nenhuma companhia no mundo. Num gesto de
ousadia, decidiu desenvolver no Brasil a tecnologia necessária para produzir em águas até mil metros. O
sucesso foi total. Menos de uma década depois, a Petrobras dispõe de tecnologia comprovada para
produção de petróleo em águas muito profundas. O último recorde foi obtido em janeiro de 1999 no campo
de Roncador, na bacia de Campos, produzindo a 1.853 metros de profundidade. Mas a escalada não
para. Ao encerrar-se a década, a empresa prepara-se para superar, mais uma vez, seus próprios limites.
A meta, agora, são os 3 mil metros de profundidade, a serem alcançados mediante projetos que aliam a
inovação tecnológica à redução de custos. “
Exposição PETROBRAS em 60 momentos. Agência Petrobras
O tipo textual predominante que caracteriza o texto é a:
(A) narração.
(B) predição
(C) instrução
(D) descrição.
(E) argumentação
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04. (ELETROBRAS – Eletricista/Motorista – IADES /2015)
Por isso foi à luz de uma vela mortiça
Que li, inserto na cama,
O que estava à mão para ler --
(...)
Em torno de mim o sossego excessivo de noite de província
Fazia um grande Barulho ao contrário,
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.
A “Primeira Epístola aos Coríntios” ...
Relia-a à luz de uma vela subitamente antiquíssima,
E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...
Sou nada...
Sou uma ficção...
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
“Se eu não tivesse a caridade.”
E a soberana luz manda, e do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma é livre...
“Se eu não tivesse a caridade...”
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade.
CAMPOS, Álvaro de. (Heterônimo de Fernando Pessoa). Ali não havia eletricidade. In: “Poemas”. Disponível em:< http://
www.citador.pt/poemas/>. Acesso em: 5 jan. 2015, com adaptações.
A respeito da tipologia textual, é correto afirmar que o poema representa uma
(A) narração.
(B) argumentação.
(C) descrição.
(D) caracterização.
(E) dissertação.
Respostas
01. Resposta D
Objetividade – Análise, crítica imparcial, opinar sem interferir no assunto, linguagem
predominantemente dissertativa.
Subjetividade – Analisar um fato, criticar, escrever sobre algo emitindo sua opinião pessoal ou seu
sentimento sobre o assunto em questão, o que vem de dentro do narrador.
02. Resposta D
Argumentar é expressar uma convicção, um ponto de vista, que é desenvolvido e explicado de forma
a persuadir o ouvinte/leitor. Para isso é necessário que apresentemos um raciocínio coerente e
convincente, baseado na verdade, e que influencie o outro, levando-o a agir/pensar em conformidade
com os nossos objetivos.
03. Resposta: A.
Narrar é contar um fato, e como todo fato ocorre em determinado tempo, em toda narração há sempre
um começo um meio e um fim. São requisitos básicos para que a narração esteja completa. (CORRETA)
Predição: Processo de determinação de acontecimentos futuros com base em dados subjetivos.
Instrução é explicação, esclarecimentos dados para uso especial: leiam as instruções da bula, antes
de tomar o remédio.
Descrição: sempre que você expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a alguém,
está fazendo uso da descrição.
Argumentar é a capacidade de relacionar fatos, teses, estudos, opiniões, problemas e possíveis
soluções a fim de embasar determinado pensamento ou ideia.
04. Resposta: A.
É possível perceber no poema uma sutil ideia de sucessão temporal, caracterizando-o, assim, como
narração.
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Interpretação
A literatura é a arte de recriar através da língua escrita. Sendo assim, temos vários tipos de gêneros
textuais, formas de escrita; mas a grande dificuldade encontrada pelas pessoas é a interpretação de
textos. Muitos dizem que não sabem interpretar, ou que é muito difícil. Se você tem pouca leitura,
consequentemente terá pouca argumentação, pouca visão, pouco ponto de vista e um grande medo de
interpretar. A interpretação é o alargamento dos horizontes. E esse alargamento acontece justamente
quando há leitura. Somos fragmentos de nossos escritos, de nossos pensamentos, de nossas histórias,
muitas vezes contadas por outros. Quantas vezes você não leu algo e pensou: “Nossa, ele disse tudo
que eu penso”. Com certeza, várias vezes. Temos aí a identificação de nossos pensamentos com os
pensamentos dos autores, mas para que aconteça, pelo menos não tenha preguiça de pensar, refletir,
formar ideias e escrever quando puder e quiser.
Tornar-se, portanto, alguém que escreve e que lê em nosso país é uma tarefa árdua, mas acredite,
valerá a pena para sua vida futura. Mesmo que você diga que interpretar é difícil, você exercita isso a
todo o momento. Exercita através de sua leitura de mundo. A todo e qualquer tempo, em nossas vidas,
interpretamos, argumentamos, expomos nossos pontos de vista. Mas, basta o(a) professor(a) dizer
“Vamos agora interpretar esse texto” para que as pessoas se calem. Ninguém sabe o que calado quer,
pois ao se calar você perde oportunidades valiosas de interagir e crescer no conhecimento. Perca o medo
de expor suas ideias. Faça isso como um exercício diário e verá que antes que pense, o medo terá ido
embora.
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo
capaz de produzir interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar).
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há certa informação que
a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a
ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as
frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente,
poderá ter um significado diferente daquele inicial.
Intertexto - comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através
de citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto.
Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a identificação de
sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as
argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na prova.
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a:
Identificar - reconhecer os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de uma
época (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).
Comparar - descobrir as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto.
Comentar - relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito.
Resumir - concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só parágrafo.
Parafrasear - reescrever o texto com outras palavras.
Exemplo
Título do Texto Paráfrases
“O Homem Unido”
A integração do mundo.
A integração da humanidade.
A união do homem.
Homem + Homem = Mundo.
A macacada se uniu. (sátira)
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Condições Básicas para Interpretar
Faz-se necessário:
- Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática.
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico. Na semântica (significado
das palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia,
polissemia, figuras de linguagem, entre outros.
- Capacidade de observação e de síntese.
- Capacidade de raciocínio.
Interpretar X Compreender
Interpretar Significa Compreender Significa
Explicar, comentar, julgar, tirar
conclusões, deduzir.
Tipos de enunciados:
- através do texto, infere-se que...
- é possível deduzir que...
- o autor permite concluir que...
- qual é a intenção do autor ao afirmar
que...
Intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
está escrito.
Tipos de enunciados:
- o texto diz que...
- é sugerido pelo autor que...
- de acordo com o texto, é correta ou errada a
afirmação...
- o narrador afirma...
Erros de Interpretação
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes
são:
- Extrapolação (viagem). Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado ideias que não estão no
texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
- Redução. É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esquecendo que um
texto é um conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema
desenvolvido.
- Contradição. Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o tirar
conclusões equivocadas e, consequentemente, errando a questão.
Observação: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas
numa prova de concurso o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada mais.
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacionam palavras, orações, frases e/ou
parágrafos entre si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma
conjunção (nexos), ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o
que já foi dito. São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso do pronome
relativo e do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente.
Não se pode esquecer também de que os pronomes relativos têm cada um valor semântico, por isso a
necessidade de adequação ao antecedente. Os pronomes relativos são muito importantes na
interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sendo, deve-se levar em
consideração que existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, a saber:
Que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente. Mas depende das condições da frase.
Qual (neutro) idem ao anterior.
Quem (pessoa).
Cujo (posse) - antes dele, aparece o possuidor e depois, o objeto possuído.
Como (modo).
Onde (lugar).
Quando (tempo).
Quanto (montante).
Exemplo:
Falou tudo quanto queria (correto).
Falou tudo que queria (errado - antes do que, deveria aparecer o demonstrativo o).
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Vícios de Linguagem – há os vícios de linguagem clássicos (barbarismo, solecismo, cacofonia...); no
dia a dia, porém, existem expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito cometem-se
erros graves como:
- “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de morte.
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome oblíquo átono correto é “o”.
- “No bar: Me vê um café”. Além do erro de posição do pronome, há o mau uso.
Algumas dicas para interpretar um texto:
- O autor escreveu com uma intenção - tentar descobrir qual é, qual é a chave.
- Leia todo o texto uma primeira vez de forma despreocupada - assim você verá apenas os aspectos
superficiais primeiro.
- Na segunda leitura observe os detalhes, visualize em sua mente o cenário, os personagens - Quanto
mais real for a leitura na sua mente, mais fácil será para interpretar o texto.
- Duvide do(a) autor(a), leia as entrelinhas, perceba o que o(a) autor(a) te diz sem escrever no texto.
- Não tenha medo de opinar - Já vi terem medo de dizer o que achavam e a resposta estaria correta
se tivessem dito.
- Visualize vários caminhos, várias opções e interpretações, só não viaje muito na interpretação. Veja
os caminhos apontados pela escrita do(a) autor(a). Apegue-se aos caminhos que lhe são mostrados.
- Identifique as características físicas e psicológicas dos personagens - Se um determinado
personagem tem como característica ser mentiroso, por exemplo, o que ele diz no texto poderá ser
mentira não é mesmo? Analisar e identificar os personagens são pontos necessários para uma boa
interpretação de texto.
- Observe a linguagem, o tempo e espaço, a sequência dos acontecimentos. O feedback conta muito
na hora de interpretar.
- Analise os acontecimentos de acordo com a época do texto, assim, certas contradições ou
estranhamentos vistos por você podem ser apenas a cultura da época sendo demonstrada.
- Leia quantas vezes achar que deve - Não entendeu? Leia de novo. Nem todo dia estamos
concentrados e a rapidez na leitura vem com o hábito.
Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de leitura: Informativa e de reconhecimento;
Interpretativa:
A primeira leitura deve ser feita cuidadosamente por ser o primeiro contato com o texto, extraindo-se
informações e se preparando para a leitura interpretativa. Durante a interpretação grife palavras-chave,
passagens importantes; tente ligar uma palavra à ideia-central de cada parágrafo. A última fase de
interpretação concentra-se nas perguntas e opções de respostas. Marque palavras com não, exceto,
respectivamente, etc, pois fazem diferença na escolha adequada. Retorne ao texto mesmo que pareça
ser perda de tempo. Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global proposto pelo autor.
Organização do Texto e Ideia Central
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos parágrafos
que é composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. Podemos
desenvolver um parágrafo de várias formas:
- Declaração inicial;
- Definição;
- Divisão;
- Alusão histórica.
Serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista os diversos enfoques.
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da margem
esquerda. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central extraída
de maneira clara e resumida. Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, asseguramos um
caminho que nos levará à compreensão do texto.
Os Tipos de Texto
Basicamente existem três tipos de texto:
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- Texto narrativo;
- Texto descritivo;
- Texto dissertativo.
Cada um desses textos possui características próprias de construção, que veremos no tópico seguinte
(Tipologia Textual).
É comum encontrarmos queixas de que não sabem interpretar textos. Muitos têm aversão a exercícios
nessa categoria. Acham monótono, sem graça, e outras vezes dizem: cada um tem o seu próprio
entendimento do texto ou cada um interpreta a sua maneira. No texto literário, essa ideia tem algum
fundamento, tendo em vista a linguagem conotativa, os símbolos criados, mas em texto não literário isso
é um equívoco. Diante desse problema, seguem algumas dicas para você analisar, compreender e
interpretar com mais proficiência.
- Crie o hábito da leitura e o gosto por ela. Quando nós passamos a gostar de algo, compreendemos
melhor seu funcionamento. Nesse caso, as palavras tornam-se familiares a nós mesmos. Não se deixe
levar pela falsa impressão de que ler não faz diferença. Leia tudo que tenha vontade, com o tempo você
se tornará mais seleto e perceberá que algumas leituras foram superficiais e, às vezes, até ridículas.
Porém elas foram o ponto de partida e o estímulo para se chegar a uma leitura mais refinada. Existe
tempo para cada momento de nossas vidas.
- Seja curioso, investigue as palavras que circulam em seu meio.
- Aumente seu vocabulário e sua cultura. Além da leitura, um bom exercício para ampliar o léxico é
fazer palavras cruzadas.
- Faça exercícios de sinônimos e antônimos.
- Leia verdadeiramente.
- Leia algumas vezes o texto, pois a primeira impressão pode ser falsa. É preciso paciência para ler
outras vezes. Antes de responder as questões, retorne ao texto para sanar as dúvidas.
- Atenção ao que se pede. Às vezes a interpretação está voltada a uma linha do texto e por isso você
deve voltar ao parágrafo para localizar o que se afirma. Outras vezes, a questão está voltada à ideia geral
do texto.
- Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do conhecimento, porque algumas perguntas
extrapolam ao que está escrito. Veja um exemplo disso:
Texto:
Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos
latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da
indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado.
Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos
canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-
se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.
(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)
Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:
(A) os portugueses.
(B) os negros.
(C) os índios.
(D) tanto os índios quanto aos negros.
(E) a miscigenação de portugueses e índios.
(Aquino, Renato. Interpretação de textos, 2ª edição. Rio de Janeiro: Impetus, 2003.)
Resposta “C”. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é possível concluir pelas
características apresentadas no texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto.
- Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir:
(1) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
(2) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
(3) Os alunos dedicados passaram no vestibular.
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(4) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular.
(5) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
(6) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
Explicações:
(1) Diego fez sozinho o trabalho de artes.
(2) Apenas o Diego fez o trabalho de artes.
(3) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não dedicados e passaram no vestibular somente os que
se dedicaram, restringindo o grupo de alunos.
(4) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados.
(5) Marcão é chamado para cantar.
(6) Marcão pratica a ação de cantar.
Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele:
“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescentes com hormônios em ebulição e
com o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, a relação
comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor”.
Frase para análise.
Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. E esse é o grande
desafio do professor moderno.
- Não é mencionado que a escola seja da rede privada.
- O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez parte do desafio do magistério. Outra
questão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do desafio, há
também os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério.
- Atenção ao uso da paráfrase (reescrita do texto sem prejuízo do sentido original). Veja o exemplo:
(RECEITA FEDERAL – AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – ESAF/2012 - ADAPTADA)
Texto para a questão:
O último esteio importante da legislação sindical do Estado Novo foi o imposto sindical, criado em
1940.
A despeito das vantagens concedidas aos sindicatos oficiais. muitos deles tinham dificuldade em
sobreviver, por falta de recursos. O imposto sindical veio dar-lhes o dinheiro sem exigir esforço algum de
sua parte. A solução foi muito simples: de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, era descontado
anualmente, na folha de pagamento, o salário de um dia de trabalho. Os empregadores também
contribuíam. Do total arrecadado. 60% ficavam com o sindicato da categoria profissional, 15% iam para
as federações, 5% para as confederações.
(José Murilo de Carvalho, Cidadania no Brasil - o longo caminho. RJ.
Civilização Brasileira, 2004. p. 121. com adaptações)
Assinale a paráfrase correta e adequada do período:
“A solução foi muito simples: de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, era descontado
anualmente, na folha de pagamento, o salário de um dia de trabalho.”
(A) Descontava-se um dia de trabalho do salário, na folha de pagamento anual, dos sindicalizados ou
não, de todos os trabalhadores, como solução fácil para a falta de recursos do imposto sindical.
(B) Para solucionar a escassez de recursos dos sindicatos, a solução se encaminhou no sentido de
serem descontados, de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, da folha anual de pagamento, o
salário de um dia de trabalho.
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(C) Para conseguirem sobreviver, os sindicatos adotaram uma solução simples de todos os
trabalhadores, sindicalizados ou não – o desconto anual, na folha de pagamento, do salário de um dia de
trabalho.
(D) Não foi complicada achar a solução. De todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, descontava-
se um dia de trabalho, anualmente, juntamente com a folha de pagamento.
(E) Foi simples a solução adotada – seria descontado anualmente, na folha de pagamento de todos
os trabalhadores, sindicalizados ou não, o valor equivalente a um dia de trabalho.
Resposta correta: E
Alternativa A: "Descontava-se um dia de trabalho do salário" – a frase está incoerente, o dia de trabalho
era descontado do trabalhador, não do salário.
Alternativa B: "(...) no sentido de serem descontados (...) o salário de um dia" – problemas na
concordância singular/plural. O salário de um dia deve ser descontado e não descontados.
Alternativa C: a alternativa torna-se incorreta pela falta de pontuação, vírgula, veja:
“os sindicatos adotaram uma solução simples de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não(...)” –
incorreta
“os sindicatos adotaram uma solução simples, de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não(...)”
– correta
Alternativa D: "Não foi complicada achar a solução" - Achar é complicado, o correto seria: “Não foi
complicado achar a solução”.
- A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas: substituição de locuções por
palavras; uso de sinônimos; mudança de discurso direto por indireto e vice-versa; converter a voz ativa
para a passiva; emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia; o povo lusitano
= portugueses).
Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases. Exemplos:
- Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores.
- Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores.
- Os alunos determinados pediram ajuda aos professores.
- Determinados alunos pediram ajuda aos professores.
Explicações:
- Certos alunos = qualquer aluno.
- Alunos certos = aluno correto.
- Alunos determinados = alunos decididos.
- Determinados alunos = qualquer aluno.
Questões
01. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC - PM/BA - Soldado da Polícia Militar)
Desde o desenvolvimento da linguagem, há 5.000 anos, a espécie humana passou a ter seu caminho
evolutivo direcionado pela cultura, cujos impulsos foram superando a limitação da biologia e os açoites
da natureza. Foi pela capacidade de pensar e de se comunicar que a humanidade obteve os meios para
escapar da fome e da morte prematura.
O atual empuxo tecnológico se acelerou de tal forma que alguns felizardos com acesso a todos os
recursos disponíveis na vanguarda dos avanços médicos, biológicos, tecnológicos e metabólicos podem
realisticamente pensar em viver em boa saúde mental e física bem mais do que 100 anos. O prolon-
gamento da vida saudável, em razão de uma velhice sem doenças, já foi só um exercício de visionários.
Hoje é um campo de pesquisa dos mais sérios e respeitados.
Robert Fogel, o principal formulador do conceito da evolução tecnofísica, e outros estudiosos estão
projetando os limites dessa fabulosa caminhada cultural na qualidade de vida dos seres humanos.
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Quando se dedicam a essa tarefa, os estudiosos esbarram, em primeiro lugar, nas desigualdades de
renda e de acesso às inovações. Fazem parte das conjecturas dos estudiosos a questão ambiental e a
necessidade urgente de obtenção e popularização de novas formas de energia menos agressivas ao
planeta.
(Adaptado de Revista Veja, 25 de abril de 2012 p 141)
... a espécie humana passou a ter seu caminho evolutivo direcionado pela cultura, cujos impulsos
foram superando a limitação da biologia ... (1º parágrafo)
O sentido do segmento grifado acima está reproduzido com outras palavras, respeitando-se a lógica,
a correção e a clareza, em:
(A) o caminho da evolução da humanidade, apesar das limitações biológicas, passam ainda hoje pelo
desenvolvimento c cultural, que as possibilita.
(B) o desenvolvimento cultural da humanidade permitiu descobrir as causas de problemas que
afetavam a saúde das pessoas, bem como combater as doenças.
(C) os problemas de origem física, como uma doença, nem sempre foi possível resolvê-la, com base
nos problemas resultantes da biologia.
(D) com o desenvolvimento da cultura humana, descobriu-se as leis da biologia e do ambiente que
viviam, permitindo-os evoluir com mais saúde.
(E) as descobertas científicas da biologia veio permitir que a humanidade fosse se tornando mais capaz
de evoluir por um tempo mais longo e com saúde.
02. (IBAM - Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM)
A historieta a seguir deverá ser utilizada para resolver a questão a seguir.
Tendo por base a frase “Venha aqui, seu vagabundo”, analise as afirmações seguintes.
I. Temos na oração, um verbo conjugado no modo imperativo.
II. O vocábulo “seu”, no caso, é um pronome possessivo.
III. A vírgula foi empregada para isolar o vocativo.
É correto o que se afirmou em:
(A) I, apenas.
(B) I e III, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I, II e III.
03. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática - MPE)
Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depois
de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você
gostar do perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira amigo
de todo mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos
latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos fracos
- uma forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções ______ qualquer regra, todos
os estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet são mais fracas, sim, do que aquelas
que nascem e se desenvolvem fora dela.
Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem
ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes
do seu e, por isso, podem lhe apresentar novas pessoas e ampliar seus horizontes - gerando uma
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renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. O problema
é que a maioria das redes na Internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma
pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela. Como é meio
grosseiro dizer “não’ ________ alguém que você conhece, todo mundo acaba adicionando todo mundo.
E isso vai levando ________ banalização do conceito de amizade.
É verdade. Mas, com a chegada de sítios como O Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é uma
rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de “seguidos” de alguém possam
se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter, o sociólogo Nicholas
Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus Amigos tinham começado a se comunicar
entre si Independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o próprio
Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter, eu posso me interessar pelo que você tem a dizer e
começar a te seguir. Nós não nos conhecemos. Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar seu
nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar pelos seus tuítes e
começar a seguir você. Em suma, nós continuaremos não nos
conhecendo, mas as pessoas que estão _______ nossa volta podem virar amigas entre si.
Considere as seguintes afirmações.
I. Através do uso do advérbio sim (L. 8), o autor valida a assertiva de que as redes sociais tendem a
transformar elos latentes (L. 05) em elos fracos (L. 06).
II. Por meio da frase Isso não é inteiramente ruim (L. 09), o autor manifesta-se favorável à afirmação
de que as melhores amizades são aquelas que descobrimos fora das redes sociais.
III. Mediante o emprego do segmento É verdade (L. 17), o autor reitera sua opinião a respeito do caráter
trivial que a concepção de amizade vem assumindo nas redes sociais.
Quais estão corretas, de acordo com o texto?
(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas III.
(D) Apenas II e III.
(E) I, II e III.
04. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) Leia a tira.
No segundo quadrinho, a fala da personagem revela:
(A) hesitação.
(B) indiferença.
(C) contradição.
(D) raiva.
(E) exaltação.
05. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP)
Saber é trabalhar
Geralmente, numa situação de altos índices de desemprego, o trabalhador sente a necessidade de
aprimorar a sua formação para obter um posto de trabalho. As empresas buscam os mais qualificados
em cada categoria e excluem os que não se encaixam no perfil pretendido. Nos últimos anos, essa não
tem sido a lógica vigente no Brasil. Segundo a pesquisa de emprego urbano feita pelo Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e pela Fundação Seade (Sistema
Estadual De Análise de Dados), os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas
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sucessivas de 2005 para cá. O desemprego em nove regiões metropolitanas medido pela pesquisa era
de 17,9% em 2005 e fechou em 11,9% em 2010.
A pesquisa do Dieese é um medidor importante, pois sua metodologia leva em conta não só o
desemprego aberto (quem está procurando trabalho), como também o oculto (pessoas que desistiram de
procurar ou estão em postos precários). Uma das consequências dessa situação é apontada dentro da
própria pesquisa, um aumento médio no nível de rendimentos dos trabalhadores ocupados.
A outra é a dificuldade que as empresas têm de encontrar mão de obra qualificada para os postos de
trabalho que estão abertos. A Fundação Dom Cabral apresentou, em março, a pesquisa Carência de
Profissionais no Brasil. A análise levou em conta profissionais dos níveis técnico, operacional, estratégico
e tático. Do total, 92% das empresas admitiram ter dificuldade para contratar a mão de obra de que
necessitam.
(Língua Portuguesa, outubro de 2011, Adaptado)
De acordo com o texto “Saber é Trabalhar” responda:
O texto revela que, no Brasil,
(A) as empresas estão mais rigorosas para selecionar os mais qualificados.
(B) os índices de desemprego têm se elevado continuamente nas regiões metropolitanas.
(C) os trabalhadores têm investido mais do que o necessário em sua formação profissional.
(D) as pesquisas sobre emprego são pouco consistentes e confiáveis.
(E) as empresas convivem com a carência de mão de obra qualificada.
06. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) A frase inicial do texto –
Geralmente, numa situação… um posto de trabalho. – expressa as condições gerais em uma situação de
altos índices de desemprego. De acordo com essas condições,
(A) o perfil de profissional pretendido nem sempre é bem definido nas empresas.
(B) o desemprego aumenta em decorrência da qualificação profissional.
(C) a formação de um profissional é, via de regra, questão secundária na sua contratação.
(D) a qualificação profissional é um caminho para se conseguir um emprego.
(E) o profissional deve ter qualificação inferior em relação às pretensões da empresa.
07. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) De acordo com o texto
“Saber é Trabalhar” responda:
No contexto em que se insere o período – A outra é a dificuldade que as empresas têm de encontrar
mão de obra qualificada para os postos de trabalho que estão abertos. – (3.º parágrafo), entende-se que
a expressão
“A outra” refere-se a:
(A) consequências.
(B) lógica.
(C) pesquisa.
(D) situação.
(E) metodologia.
08. (Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM)
O velho
Chico Buarque
O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou.
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
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O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar.
Nos versos da música “O velho”, Chico Buarque de Holanda retrata a vida de um homem que:
(A) temia envelhecer.
(B) não soube aproveitar a vida.
(C) foi apaixonado pelo carnaval.
(D) tinha orgulho de suas conquistas.
09. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC)
Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer
Os versos acima, de uma música de Dorival Caymmi, abordam predominantemente,
(A) o trabalho dos pescadores, na busca de sua sobrevivência cotidiana.
(B) o respeito às condições ambientais como garantia da preservação dos recursos da natureza.
(C) a competição acirrada entre os pescadores pelos melhores pontos de pesca,
(D) a religiosidade dos pescadores, em que se misturam elementos de origem africana.
(E) a exploração a que estão sujeitos os trabalhadores que dependem do mar para sobreviver.
10. (IFC - Analista de Tecnologia da Informação - IFC)
Texto 1
O futuro do trabalho
“[...]
Seja como for, é preciso resolver os problemas do desemprego e da informalidade, que são mais
acentuados nos países subdesenvolvidos. O caminho é estabelecer políticas de geração de empregos,
além de garantir melhores condições para os trabalhadores em ocupações precárias.
Uma das saídas é a redução da jornada de trabalho: as pessoas trabalham menos para que se abram
vagas para as desempregadas. Outra estratégia é instituir programas de formação profissional e de
microcrédito para trabalhadores autônomos, desempregados e pequenas empresas.”
Vestibular-Editora Abril, nov., 2002.
Texto 2
Conflito de gerações
“- Marquinhos... Marquinhos! [...]
O filho tentou disfarçar, lá no fundo do quintal, tirando meleca do nariz, mas, quando
a mãe chamava assim, era melhor ir. Na cozinha, a mãe ao lado da geladeira
aberta, com uma garrafa e um saco plástico vazios nas mãos:
- Você comeu toda a salsicha?!
- Não é bem verdade...Eu só usei as salsichas pra acabar com a mostarda. Já
estava até verde! Alguém ia acabar comendo estragado e ficar doente.
[...]
- Você tem resposta pra tudo, não?!
- Não é bem verdade... é a senhora que sempre pergunta.
- Você é uma gentinha! Só uma gentinha, tá entendendo?
O filho ficou olhando praquela mãe batendo com o pé no chão, bem nervosa
mesmo, mais alta que a geladeira e tudo. Aí foi obrigado a dizer:
- É... isso eu acho que é verdade.”
BONASSI, Fernando. In: Folha de São Paulo, 23 nov. 2002.
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. 31
Ao analisar a linguagem e o discurso do texto 1 e do texto 2 respectivamente. Assinale a alternativa
CORRETA:
(A) no texto 1, a linguagem é mais informal, seguindo à norma padrão; utiliza-se ainda o discurso
indireto, envolvendo questões sociais. No texto 2, percebe-se uma linguagem menos informal e um
discurso direto entre mãe e filho.
(B) no texto 1, a linguagem é coloquial, seguindo à norma padrão; tem-se ainda o discurso indireto e
direto, aplicado à interpretação do cotidiano. Já no texto 2, a linguagem é formal, ocorre ainda um diálogo
entre mãe e filho.
(C) no texto 1, a linguagem é mais formal, obedecendo à norma culta; consegue-se ainda identificar
um discurso indireto, aplicado interpretativamente às questões sociais. Já no texto 2, além de uma
linguagem informal, em que se notam repetições e frases, ocorre, também, um diálogo entre mãe e filho.
(D) no texto 1, a linguagem é formal, segundo à norma culta; tem-se ainda a presença do discurso
direto que revela questões da comunidade. Já no texto 2, a linguagem é culta e o discurso é direto.
(E) no texto 1, a linguagem é menos formal, no entanto, segue à norma culta; identifica-se ainda o
discurso indireto, aplicado à análise do cotidiano. No texto 2, a linguagem é coloquial e o discurso é direto
entre mãe e filho.
11. (UEAP – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – CS UFG/2014)
Disponível em: < http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/comportamento/viver-com-menos >
No texto, a repetição do verbo “querer" e a única ocorrência do verbo “precisar" colocam em evidência
(A) a oposição entre a variedade dos desejos dos indivíduos e as suas necessidades mínimas reais.
(B) o significado indistinto entre os dois verbos que se traduz pelo excesso de vontade por algo implícito
na imagem.
(C) o dinamismo do enunciador expresso pelas múltiplas necessidades apresentadas por ele para
atender os diversos setores de sua vida.
(D) a remissão ao gênero textual “bilhete" como forma de evitar que o interlocutor potencial se esqueça
de comprar o produto pedido pelo enunciador.
Respostas
01. Resposta B
“Caminho evolutivo direcionado pela cultura em outras palavras”: o desenvolvimento cultural
02. Resposta B
SEU = pode ser empregado como pronome possessivo ou como pronome de tratamento (forma
utilizada na questão acima).
Observe abaixo um pouco do que diz o dicionário Houaiss sobre a utilização da palavra SEU como
pronome de tratamento:
Seu. senhor ('tratamento respeitoso') (Empregado diante de nome de pessoa, ou de outro axiônimo,
ou de palavra designativa de profissão.) (seu Joaquim) (seu doutor) (seu delegado). GRAM fem.: sinhá,
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sinha, siá, sia, senhora. Uso empregado também com valor afetivo (seu bobinho!), de forma jocosa (p.
ex.: aposto que seu Tiago saberá a resposta - sendo Tiago uma pessoa jovem) ou disfêmica (seu pateta!),
ou, ainda, com matiz interjetivo (tinha coragem de me enfrentar nada, seu!); nestes casos, há no Brasil
os fem. sua, senha, sinha.
03. Resposta D
No número II o autor deixa claro no texto, que as amizades formadas por redes sociais não são
duradoras nem possuem uma base sólida. Já no número III, a concepção de amizade proveniente de
redes sociais, esbarra em um ponto importante, aquela amizade de curtir fotos, comentários mas nada
profundo com sentimento.
04. Resposta B
Sim, o sentimento expresso no segundo quadrinho é de indiferença, visto que ele não se importa se a
grama do vizinho é mais verde ou não.
05. Resposta E
Segundo o texto, cada vez menos os candidatos a uma vaga de emprego se especializam ou possuem
um diferencial na hora de concorrer à uma vaga de emprego.
06. Resposta D
Aqueles que não possuem um diferencial, uma maior qualificação, estão sujeitos a ficar sem emprego,
pois não possuem nada novo para oferecer às empresas.
07. Resposta A
Consequência, pois antes já estava enumerado outros motivos para a falta de qualificação dos
candidatos a um emprego.
08. Resposta B
No trecho que ele diz: “A vida inteira, diz que se guardou do carnaval, da brincadeira que ele não
brincou”... com este trecho é possível chegar a resposta “B” ele não aproveitou a vida.
09. Resposta A
Somente o o trecho: Se Deus quiser quando eu voltar do mar, um peixe bom eu vou traxer”, já é
possível perceber qual é a ideia de sua canção. A volta dos pescadores depois de um período no mar.
10. Resposta C
No texto 1 o autor descreve um problema e apresenta a solução, em uma linguagem mais culta. Já no
texto 2 temos um diálogo entre mãe e filho, o que não é necessário o uso da linguagem formal.
11. Resposta A
A imagem representada por bilhetes contendo mensagens construídas a partir dos verbos “querer” e
“precisar” são colocadas lado a lado para criar o contraste/comparação entre os desejos humanos e suas
reais necessidades.
Semântica
A semântica é o estudo do significado. Incide sobre a relação entre significantes, tais como palavras,
frases, sinais e símbolos, e o que eles representam, a sua denotação. A semântica linguística estuda o
significado usado por seres humanos para se expressar através da linguagem. Outras formas de
semântica incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica formal, e semiótica.
Em sentido largo, pode-se entender semântica como um ramo dos estudos linguísticos que se ocupa
dos significados produzidos pelas diversas formas de uma língua. Dentro dessa definição ampla, pertence
Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos
semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em
português
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ao domínio da semântica tanto a preocupação com determinar o significado dos elementos constituintes
das palavras (prefixo, radical, sufixo) como o das palavras no seu todo e ainda o de frases inteiras.
Segundo o Professor Fabiano Sales, Preposição é uma classe de palavras com o objetivo de ligar
palavras e orações. Nessas ligações, as preposições podem, ou não, acrescentar valor semântico ao
período.
Preposições que são apenas uma exigência do termo antecedente, isto é, que não acrescentam
qualquer valor semântico, são chamadas de relacionais. As preposições relacionais introduzem o objeto
indireto ou o complemento nominal.
Exemplos:
Necessito de chocolate. (de chocolate = objeto indireto)
Ele é essencial para o grupo. (para o grupo = complemento nominal)
Preposições essenciais: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante,
por, sem, sob, sobre, trás.
A
A persistirem os sintomas, o médico deve ser consultado. (condição)
O filho puxou ao pai. (conformidade, semelhança)
Nas férias passadas, viajamos a Roma. (destino)
Candidatos, façam a prova a caneta. (instrumento)
COM
Os moradores perderam tudo o que tinham com as enchentes. (causa)
Amanhã sairei com amigos. (companhia)
No próximo domingo, o Flamengo jogará com o Botafogo. (oposição)
A idosa bateu no ladrão com a bengala. (instrumento)
A moça estava atrasada; caminhava com pressa. (modo)
Com certeza, iremos ao teatro no feriado. (afirmação)
No sistema capitalista, as pessoas somente sobrevivem com recursos. (condição)
DE
Saí de casa. (origem)
Falaram de você. (assunto)
Veio de táxi. (meio)
A menina chorou de raiva. (causa)
Os siris andam de lado. (modo)
Voltemos de noite. (tempo)
Comprei um relógio de ouro. (matéria)
Aquele livro é de Marcelo. (posse)
Ontem, bebemos dois copos de vinho. (conteúdo)
Estou sob a mesa. (lugar)
O bicheiro caminhava de anel no dedo. (companhia)
EM
Hoje à noite, estarei em casa. (lugar)
Formou-se em Direito. (especialidade)
O relógio é feito em ouro. (matéria)
Tenho que apresentar o tema em quinze minutos. (tempo)
PARA
O bombeiro veio para socorrê-lo. (finalidade)
Viajou para a Itália. (destino)
Para João, Flamengo é o melhor time do campeonato. (conformidade)
É proibida a venda de bebidas para menores de dezoito anos. (restrição)
POR
Comprei o livro por cem reais. (preço)
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Distantes, os namorados falavam-se por internet. (meio)
Viajamos por diversas cidades. (lugar)
“Eu sei que vou te amar / por toda a minha vida” (tempo) – Vinícius de Moraes
Conectores: são palavras ou expressões que servem para conectar (ligar, unir) vários segmentos
Linguísticos, como exemplo: as frases no período, os períodos no parágrafo e os parágrafos no texto.
Incluem-se no grupo de conectores as seguintes subclasses gramaticais de palavras:
- conjunções (e; pois...)
- locuções conjuncionais (além disso; no entanto...)
- advérbios (depois; finalmente...)
- locuções adverbiais (em seguida; por último...)
- algumas orações reduzidas – orações sem conjunção e com o verbo numa forma nominal – gerúndio,
infinitivo ou particípio – (concluindo; para terminar; feito isto).
Funções:
Adicionar / Enumerar: e; além disso; não só...mas também; depois; finalmente; seguidamente; em
primeiro lugar; em seguida; por um lado...por outro; adicionalmente; ainda; do mesmo modo; pela mesma
razão; igualmente; também; de novo;...
Sintetizar / Concluir: logo; pois; assim; por isso; por conseguinte; portanto; enfim; em conclusão;
concluindo; em suma;...
Particularizar: especificamente; nomeadamente; por exemplo; em particular;...
Explicar / Exemplificar: pois; porque; porquanto; por causa de; uma vez que; especificamente;
nomeadamente; isto é; ou seja; quer dizer; por exemplo; em particular; como se pode ver; é o caso de; é
o que se passa com;...
Inferir: assim; consequentemente; daí; então; logo; pois; deste modo; portanto; em consequência; por
conseguinte; por esta razão; por isso;...
Substituir / Reformular: mais corretamente; mais precisamente; ou melhor; quer dizer; dito de outro
modo; por outras palavras;...
Contrariar / Opor / Restringir: porém; contrariamente; em vez de; pelo contrário; por oposição; ainda
assim; mesmo assim; apesar de; contudo; no entanto; por outro lado;...
Fim: para; para que; com o intuito de; a fim de; com o objetivo de;...
Dúvida: talvez; é provável; é possível; provavelmente; porventura;...
Certeza: é evidente que; certamente; decerto; com toda a certeza; naturalmente; evidentemente;...
Hipótese / Condição: se; a menos que; supondo que; admitindo que; salvo se; exceto;...
Chamar a atenção: note-se que; atente-se em; repare-se; veja-se; constate-se;...
Enfatizar: efetivamente; com efeito; na verdade; como vimos;...
Opinar: a meu ver; estou em crer que; em nosso entender; parece-me que;...
Reafirmar / Resumir: por outras palavras; ou melhor; ou seja; em resumo; em suma;...
Semelhança: do mesmo modo; tal como; assim como; pela mesma razão;...
Organizadores do discurso: são as expressões que, mais do que conectar ideias, contribuem para
a organização dos planos textuais.
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Organizar no espaço: à direita; atrás; sobre; sob; de um lado; no meio; naquele lugar;...
Organizar no tempo: depois; então; após; de seguida; seguidamente; dias mais tarde; agora; já;
antes; até que; quando;...
Organizar o plano textual:
- Abrir uma série: por um lado; de um lado; primeiramente; em primeiro lugar; para começar;
começando;...
- Acentuar a continuidade: por outro lado; de outro lado; seguidamente; em segundo lugar;...
- Encerrar: por último; concluindo; para terminar; em conclusão; em último lugar; em síntese;
finalizando; recapitulando;...
- Flexão de tempo e de modo – os tempos situam o fato ou a ação verbal dentro de determinado
momento; pode estar em plena ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três possibilidades básicas,
mas não únicas, são: presente, pretérito, futuro.
O modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao fato que enuncia. São três os modos:
- Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza, precisão: o fato é ou foi uma realidade; Apresenta
presente, pretérito perfeito, imperfeito e mais que perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito.
- Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de dúvida, exprime uma possibilidade; O
subjuntivo expressa uma incerteza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta presente, pretérito
imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência, Lourdes; Se tivesse dinheiro compraria um carro zero; Quando
o vir, dê lembranças minhas.
- Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um desejo, uma vontade, uma solicitação. Indica
uma ordem, um pedido, uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e imperativo negativo
Emprego dos Tempos do Indicativo
- Presente do Indicativo: Para enunciar um fato momentâneo. Ex: Estou feliz hoje. Para expressar
um fato que ocorre com frequência. Ex: Eu almoço todos os dias na casa de minha mãe. Na indicação de
ações ou estados permanentes, verdades universais. Ex: A água é incolor, inodora, insípida.
- Pretérito Imperfeito: Para expressar um fato passado, não concluído. Ex: Nós comíamos pastel na
feira; Eu cantava muito bem.
- Pretérito Perfeito: É usado na indicação de um fato passado concluído. Ex: Cantei, dancei, pulei,
chorei, dormi...
- Pretérito Mais-Que-Perfeito: Expressa um fato passado anterior a outro acontecimento passado.
Ex: Nós cantáramos no congresso de música.
- Futuro do Presente: Na indicação de um fato realizado num instante posterior ao que se fala. Ex:
Cantarei domingo no coro da igreja matriz.
- Futuro do Pretérito: Para expressar um acontecimento posterior a um outro acontecimento passado.
Ex: Compraria um carro se tivesse dinheiro
1ª Conjugação: -AR
Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais, dançam.
Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos, dançastes, dançaram.
Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava, dançávamos, dançáveis, dançavam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara, dançáramos, dançáreis,
dançaram.
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Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará, dançaremos, dançareis, dançarão.
Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, dançaríamos, dançaríeis, dançariam.
2ª Conjugação: -ER
Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem.
Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos, comestes, comeram.
Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, comíeis, comiam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, comêramos, comêreis, comeram.
Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, comeremos, comereis, comerão.
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria, comeríamos, comeríeis, comeriam.
3ª Conjugação: -IR
Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem.
Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, partistes, partiram.
Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, partíeis, partiam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira, partíramos, partíreis, partiram.
Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos, partireis, partirão.
Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, partiríamos, partiríeis, partiriam.
Emprego dos Tempos do Subjuntivo
Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à
suposição: Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos políticos.
Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma condição ou hipótese: Se recebesse o prêmio,
voltaria à universidade.
Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético, pode ou não acontecer. Quando/Se você fizer o
trabalho, será generosamente gratificado.
1ª Conjugação –AR
Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que nós dancemos, que vós danceis, que
eles dancem.
Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se ele dançasse, se nós dançássemos, se
vós dançásseis, se eles dançassem.
Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele dançar, quando nós dançarmos,
quando vós dançardes, quando eles dançarem.
2ª Conjugação -ER
Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que nós comamos, que vós comais, que eles
comam.
Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele comesse, se nós comêssemos, se vós
comêsseis, se eles comessem.
Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele comer, quando nós comermos, quando
vós comerdes, quando eles comerem.
3ª conjugação – IR
Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que nós partamos, que vós partais, que eles
partam.
Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele partisse, se nós partíssemos, se vós
partísseis, se eles partissem.
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. 37
Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele partir, quando nós partirmos, quando vós
partirdes, quando eles partirem.
Emprego do Imperativo
Imperativo Afirmativo:
- Não apresenta a primeira pessoa do singular.
- É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do subjuntivo.
- O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”.
- O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo.
Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam.
Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis,
que eles amem.
Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos nós, amai vós, amem vocês.
Imperativo Negativo:
- É formado através do presente do subjuntivo sem a primeira pessoa do singular.
- Não retira os “s” do tu e do vós.
Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis,
que eles amem.
Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não amemos nós, não ameis vós, não amem
vocês.
Além dos três modos citados, os verbos apresentam ainda as formas nominais: infinitivo – impessoal
e pessoal, gerúndio e particípio.
Infinitivo Impessoal: Exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e
função de substantivo. Por exemplo: Viver é lutar. (= vida é luta); É indispensável combater a corrupção.
(= combate à)
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma
composta). Por exemplo: É preciso ler este livro; Era preciso ter lido este livro.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal, isso significa que ele apresenta sentido
genérico ou indefinido, não relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável. Assim, considera-
se apenas o processo verbal. Por exemplo: Amar é sofrer; O infinitivo pessoal, por sua vez, apresenta
desinências de número e pessoa.
Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª pessoas do singular (cujas formas são iguais
às do infinitivo impessoal), elas não deixam de referir-se às respectivas pessoas do discurso (o que será
esclarecido apenas pelo contexto da frase). Por exemplo: Para ler melhor, eu uso estes óculos. (1ª
pessoa); Para ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa)
As regras que orientam o emprego da forma variável ou invariável do infinitivo não são todas
perfeitamente definidas. Por ser o infinitivo impessoal mais genérico e vago, e o infinitivo pessoal mais
preciso e determinado, recomenda-se usar este último sempre que for necessário dar à frase maior
clareza ou ênfase.
O Infinitivo Impessoal é usado:
- Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se referir a um sujeito determinado; Por exemplo:
Querer é poder; Fumar prejudica a saúde; É proibido colar cartazes neste muro.
- Quando tiver o valor de Imperativo; Por exemplo: Soldados, marchar! (= Marchai!)
- Quando é regido de preposição e funciona como complemento de um substantivo, adjetivo ou verbo
da oração anterior; Por exemplo: Eles não têm o direito de gritar assim; As meninas foram impedidas de
participar do jogo; Eu os convenci a aceitar.
No entanto, na voz passiva dos verbos “contentar”, “tomar” e “ouvir”, por exemplo, o Infinitivo (verbo
auxiliar) deve ser flexionado. Por exemplo: Eram pessoas difíceis de serem contentadas; Aqueles
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remédios são ruins de serem tomados; Os CDs que você me emprestou são agradáveis de serem
ouvidos.
Nas locuções verbais; Por exemplo:
- Queremos acordar bem cedo amanhã.
- Eles não podiam reclamar do colégio.
- Vamos pensar no seu caso.
Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da oração anterior; Por exemplo:
- Eles foram condenados a pagar pesadas multas.
- Devemos sorrir ao invés de chorar.
- Tenho ainda alguns livros por (para) publicar.
Quando o infinitivo preposicionado, ou não, preceder ou estiver distante do verbo da oração principal
(verbo regente), pode ser flexionado para melhor clareza do período e também para se enfatizar o sujeito
(agente) da ação verbal. Por exemplo:
- Na esperança de sermos atendidos, muito lhe agradecemos.
- Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem futebol.
- Para estudarmos, estaremos sempre dispostos.
- Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas crianças.
Com os verbos causativos “deixar”, “mandar” e “fazer” e seus sinônimos que não formam locução
verbal com o infinitivo que os segue; Por exemplo: Deixei-os sair cedo hoje.
Com os verbos sensitivos “ver”, “ouvir”, “sentir” e sinônimos, deve-se também deixar o infinitivo sem
flexão. Por exemplo: Vi-os entrar atrasados; Ouvi-as dizer que não iriam à festa.
É inadequado o emprego da preposição “para” antes dos objetos diretos de verbos como “pedir”,
“dizer”, “falar” e sinônimos;
- Pediu para Carlos entrar (errado),
- Pediu para que Carlos entrasse (errado).
- Pediu que Carlos entrasse (correto).
Quando a preposição “para” estiver regendo um verbo, como na oração “Este trabalho é para eu fazer”,
pede-se o emprego do pronome pessoal “eu”, que se revela, neste caso, como sujeito. Outros exemplos:
- Aquele exercício era para eu corrigir.
- Esta salada é para eu comer?
- Ela me deu um relógio para eu consertar.
Em orações como “Esta carta é para mim!”, a preposição está ligada somente ao pronome, que deve
se apresentar oblíquo tônico.
Infinitivo Pessoal: É o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do
singular, não apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se
da seguinte maneira:
2ª pessoa do singular: Radical + ES. Ex.: teres (tu)
1ª pessoa do plural: Radical + mos. Ex.: termos (nós)
2ª pessoa do plural: Radical + dês. Ex.: terdes (vós)
3ª pessoa do plural: Radical + em. Ex.: terem (eles)
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso significa que ele atribui um agente ao
processo verbal, flexionando-se.
O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos:
- Quando o sujeito da oração estiver claramente expresso; Por exemplo: Se tu não perceberes isto...;
Convém vocês irem primeiro; O bom é sempre lembrarmos desta regra (sujeito desinencial, sujeito
implícito = nós).
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- Quando tiver sujeito diferente daquele da oração principal; Por exemplo: O professor deu um prazo
de cinco dias para os alunos estudarem bastante para a prova; Perdoo-te por me traíres; O hotel
preparou tudo para os turistas ficarem à vontade; O guarda fez sinal para os motoristas pararem.
- Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na terceira pessoa do plural); Por exemplo: Faço
isso para não me acharem inútil; Temos de agir assim para nos promoverem; Ela não sai sozinha à
noite a fim de não falarem mal da sua conduta.
- Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade de ação; Por exemplo: Vi os alunos abraçarem-
se alegremente; Fizemos os adversários cumprimentarem-se com gentileza; Mandei as meninas
olharem-se no espelho.
Como se pode observar, a escolha do Infinitivo Flexionado é feita sempre que se quer enfatizar o
agente (sujeito) da ação expressa pelo verbo.
- Se o infinitivo de um verbo for escrito com “j”, esse “j” aparecerá em todas as outras formas. Por
exemplo:
Enferrujar: enferrujou, enferrujaria, enferrujem, enferrujarão, enferrujassem, etc. (Lembre-se, contudo,
que o substantivo ferrugem é grafado com “g”.).
Viajar: viajou, viajaria, viajem (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo, não confundir com o
substantivo viagem) viajarão, viajasses, etc.
- Quando o verbo tem o infinitivo com “g”, como em “dirigir” e “agir” este “g” deverá ser trocado por um
“j” apenas na primeira pessoa do presente do indicativo. Por exemplo: eu dirijo/ eu ajo
- O verbo “parecer” pode relacionar-se de duas maneiras distintas com o infinitivo. Quando “parecer”
é verbo auxiliar de um outro verbo: Elas parecem mentir. Elas parece mentirem. Neste exemplo ocorre,
na verdade, um período composto. “Parece” é o verbo de uma oração principal cujo sujeito é a oração
subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo “elas mentirem”. Como desdobramento dessa
reduzida, podemos ter a oração “Parece que elas mentem.”
Gerúndio: O gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo: Saindo de casa,
encontrei alguns amigos. (Função de advérbio); Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (Função
adjetivo)
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta, uma ação concluída.
Por exemplo: Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o valor do
dinheiro.
Particípio: Quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica
geralmente o resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo:
Terminados os exames, os candidatos saíram. Quando o particípio exprime somente estado, sem
nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo:
Ela foi a aluna escolhida para representar a escola.
1ª Conjugação –AR
Infinitivo Impessoal: dançar.
Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele, dançarmos nós, dançardes vós,
dançarem eles.
Gerúndio: dançando.
Particípio: dançado.
2ª Conjugação –ER
Infinitivo Impessoal: comer.
Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele, comermos nós, comerdes vós,
comerem eles.
Gerúndio: comendo.
Particípio: comido.
3ª Conjugação –IR
Infinitivo Impessoal: partir.
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Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele, partirmos nós, partirdes vós, partirem
eles.
Gerúndio: partindo.
Particípio: partido.
VERBOS AUXILIARES: SER, ESTAR, TER, HAVER
SER
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito
Perfeito
Simples
Pretérito
Perf.
Composto
EU sou era fui tenho sido
TU és eras foste tens sido
ELE é era foi tem sido
NÓS somos éramos fomos temos sido
VÓS sois éreis fostes tendes sido
ELES são eram foram têm sido
Pret. Mais
que Perfeito
Simples
Pret. Mais
que Perfeito
Composto
Futuro do
Pretérito
Simples
Futuro do
Pretérito
Composto
Futuro
do Presente
EU fora tinha sido seria terei sido serei
TU foras tinhas sido serias terias sido serás
ELE fora tinha sido seria teria sido será
NÓS fôramos tínhamos sido seríamos teríamos sido seremos
VÓS fôreis tínheis sido seríeis teríeis sido sereis
ELES foram tinham sido seriam teriam sido serão
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Mais
que Perfeito
Composto
Futuro
Simples
Futuro
Composto
EU
Que eu seja Se eu fosse Se eu tivesse
sido
Quando eu
for
Quando eu tiver
sido
TU
Que tu sejas Se tu fosses Se tu tivesses
sido
Quando tu
fores
Quando tu tiveres
sido
ELE
Que ele seja Se ele fosse Ser ele tivesse
sido
Quando ele
for
Quando ele tiver
sido
NÓS
Que nós
sejamos
Se nós
fôssemos
Se nós
tivéssemos sido
Quando nós
formos
Quando nós
tivermos sido
VÓS
Que vós sejais Se vós fôsseis Se vós tivésseis
sido
Quando vós
fordes
Quando vós
tiverdes sido
ELES
Que eles
sejam
Se eles fossem Se eles
tivessem sido
Quando eles
forem
Quando eles
tiverem sido
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
EU ------ ------ Por ser eu
TU Sê tu Não sejas tu Por seres tu
ELE Seja ele Não sejas ele Por ser ele
NÓS Sejamos nós Não sejamos nós Por sermos nós
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. 41
VÓS Sedes vós Não sejais vós Por serdes vós
ELES Sejam eles Não sejam eles Por serem eles
Formas Nominais
Infinitivo: ser
Gerúndio: sendo
Particípio: sido
ESTAR
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Perf.
Simples
Pretérito Perf.
Composto
EU estou estava estive tenho estado
TU estás estavas estiveste tens estado
ELE está estava esteve tem estado
NÓS estamos estávamos estivemos temos estado
VÓS estais estáveis estivestes tendes estado
ELES estão estavam estiveram têm estado
Pret. Mais
que Perfeito
Simples
Pret. Mais que
Perfeito
Composto
Futuro do
Presente
Simples
Futuro do
Presente
Composto
EU estivera tinha estado estarei terei estado
TU estiveras tinhas estado estarás terás estado
ELE estivera tinha estado estará terá estado
NÓS estivéramos tínhamos estado estaremos teremos estado
VÓS estivéreis tínheis estado estareis tereis estado
ELES estiveram tinham estado estarão terão estado
Futuro do
Pret. Simples
Futuro do Pret.
Composto
EU estaria teria estado
TU estarias terias estado
ELE estaria teria estado
NÓS estaríamos teríamos estado
VÓS estaríeis teríeis estado
ELES estariam teriam estado
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Mais que
Perfeito Composto
Futuro
Simples
Futuro
Composto
EU
Que eu
esteja
Se eu
estivesse
Se eu tivesse
estado
Quando eu
estiver
Quando eu
tiver estado
TU
Que tu
estejas
Se tu
estivesses
Se tu tivesses
estado
Quando tu
estiveres
Quando tu
tiveres estado
ELE
Que ele
esteja
Se ele
estivesse
Ser ele tivesse
estado
Quando ele
estiver
Quando ele
tiver estado
NÓS
Que nós
estejamos
Se nós
estivéssemos
Se nós tivéssemos
estado
Quando nós
estivermos
Quando nós
tivermos
estado
VÓS
Que vós
estejais
Se vós
estivésseis
Se vós tivésseis
estado
Quando vós
estiverdes
Quando vós
tiverdes estado
ELES
Que eles
estejam
Se eles
estivessem
Se eles tivessem
estado
Quando eles
estiverem
Quando eles
tiverem estado
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. 42
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
EU ----- ------ Por estar eu
TU está tu Não estejas tu Por estares tu
ELE esteja ele Não esteja ele Por estar ele
NÓS estejamos nós Não estejamos nós Por estarmos nós
VÓS estai vós Não estejais vós Por estardes vós
ELES estejam eles Não estejam eles Por estarem eles
Formas Nominais
Infinitivo: estar
Gerúndio: estando
Particípio: estado
TER
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito
Perfeito
Simples
Pretérito
Perf.
Composto
EU tenho tinha tive Tenho tido
TU tens tinhas tiveste tens tido
ELE tem tinha teve tem tido
NÓS temos tínhamos tivemos temos tido
VÓS tendes tínheis tivestes tendes tido
ELES têm tinham tiveram têm tido
Pret. Mais
que Perfeito
Simples
Pret. Mais
que Perfeito
Composto
Futuro do
Presente
Simples
EU tivera tinha tido terei
TU tiveras tinhas tido terás
ELE tivera tinha tido terá
NÓS tivéramos tínhamos tido teremos
VÓS tivéreis tínheis tido tereis
ELES tiveram tinham tido terão
Futuro do
Pret. Simples
Futuro do Pret.
Composto
EU teria teria tido
TU terias terias tido
ELE teria teria tido
NÓS teríamos teríamos tido
VÓS teríeis teríeis tido
ELES teriam teriam tido
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Mais
que Perfeito
Composto
Futuro
Simples
Futuro
Composto
EU
Que eu
tenha
Se eu tivesse
Se eu tivesse
tido
Quando eu
tiver
Quando eu
tiver tido
TU
Que tu
tenhas
Se tu tivesses
Se tu tivesses
tido
Quando tu
tiveres
Quando tu
tiveres tido
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. 43
ELE
Que ele
tenha
Se ele tivesse
Ser ele tivesse
tido
Quando ele
tiver
Quando ele
tiver tido
NÓS
Que nós
tenhamos
Se nós
tivéssemos
Se nós
tivéssemos tido
Quando nós
tivermos
Quando nós
tivermos tido
VÓS
Que vós
tenhais
Se vós
tivésseis
Se vós
tivésseis tido
Quando vós
tiverdes
Quando vós
tiverdes tido
ELES
Que eles
tenham
Se eles
tivessem
Se eles
tivessem tido
Quando eles
tiverem
Quando eles
tiverem tido
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
EU ----- ------ Por ter eu
TU tem tu Não tenhas tu Por teres tu
ELE tenha ele Não tenha ele Por ter ele
NÓS tenhamos nós Não tenhamos nós Por termos nós
VÓS tende vós Não tenhais vós Por terdes vós
ELES tenham eles Não tenham eles Por terem eles
Formas Nominais
Infinitivo: ter
Gerúndio: tendo
Particípio: tido
HAVER
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito
Perfeito
Simples
Pretérito
Perf.
Composto
EU hei havia houve tenho havido
TU hás havias houveste tens havido
ELE há havia houve tem havido
NÓS havemos havíamos houvemos temos havido
VÓS haveis havíeis houvestes tendes havido
ELES hão haviam houveram têm havido
Pret. Mais
que Perfeito
Simples
Pret. Mais que
Perfeito
Composto
Futuro do
Presente
Simples
Futuro do
Presente
Composto
EU houvera tinha havido haverei terei havido
TU houveras tinhas havido haverás terás havido
ELE houvera tinha havido haverá terá havido
NÓS houvéramos tínhamos havido haveremos teremos havido
VÓS houvéreis tínheis havido havereis tereis havido
ELES houveram tinham havido haverão terão havido
Futuro do
Pret. Simples
Futuro do Pret.
Composto
EU haveria teria havido
TU haverias terias havido
ELE haveria teria havido
NÓS haveríamos teríamos havido
VÓS haveríeis teríeis havido
ELES haveriam teriam havido
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. 44
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Mais
que Perfeito
Composto
Futuro
Simples
Futuro
Composto
EU
Que eu
haja
Se eu
houvesse
Se eu tivesse
havido
Quando eu
houver
Quando eu
tiver havido
TU
Que tu
hajas
Se tu
houvesses
Se tu tivesses
havido
Quando tu
houveres
Quando tu
tiveres havido
ELE
Que ele
haja
Se ele
houvesse
Ser ele tivesse
havido
Quando ele
houver
Quando ele
tiver havido
NÓS
Que nós
hajamos
Se nós
houvéssemos
Se nós
tivéssemos
havido
Quando nós
houvermos
Quando nós
tivermos
havido
VÓS
Que vós
hajais
Se vós
houvésseis
Se vós
tivésseis havido
Quando vós
houverdes
Quando vós
tiverdes havido
ELES
Que eles
hajam
Se eles
houvessem
Se eles
tivessem havido
Quando eles
houverem
Quando eles
tiverem havido
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
EU ----- ------ Por haver eu
TU há tu Não hajas tu Por haveres tu
ELE haja ele Não haja ele Por haver ele
NÓS hajamos nós Não hajamos nós Por havermos nós
VÓS havei vós Não hajais vós Por haverdes vós
ELES hajam eles Não hajam eles Por haverem eles
Formas Nominais
Infinitivo: haver
Gerúndio: havendo
Particípio: havido
VERBOS REGULARES:
Não sofrem modificação no radical durante toda conjugação (em todos os modos) e as desinências
seguem as do verbo paradigma (verbo modelo)
AMAR: (radical: am) Amo, Amei, Amava, Amara, Amarei, Amaria, Ame, Amasse, Amar.
COMER: (radical: com) Como, Comi, Comia, Comera, Comerei, Comeria, Coma, Comesse, Comer.
PARTIR: (radical: part) Parto, Parti, Partia, Partira, Partirei, Partiria, Parta, Partisse, Partir.
VERBOS IRREGULARES:
São os verbos que sofrem modificações no radical ou em suas desinências.
DAR: dou, dava, dei, dera, darei, daria, dê, desse, der
CABER: caibo, cabia, coube, coubera, caberei, caberia, caiba, coubesse, couber.
AGREDIR: agrido, agredia, agredi, agredira, agredirei, agrediria, agrida, agredisse, agredir.
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ANÔMALOS:
São aqueles que têm uma anomalia no radical. Ser, Ir
IR
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito
Perfeito
Pretérito
Mais que Perfeito
EU vou ia fui fora
TU vais ias foste foras
ELE vai ia foi fora
NÓS vamos íamos fomos fôramos
VÓS ides íeis fostes fôreis
ELES vão iam foram foram
Futuro do
Presente
Futuro do
Pretérito
EU irei iria
TU irás irias
ELE irá iria
NÓS iremos iríamos
VÓS ireis iríeis
ELES irão iriam
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Futuro
EU Que eu vá Se eu fosse Quando eu for
TU Que tu vás Se tu fosses Quando tu fores
ELE Que ele vá Se ele fosse Quando ele for
NÓS Que nós vamos Se nós fôssemos Quando nós formos
VÓS Que vós vades Se vós fôsseis Quando vós fordes
ELES Que eles vão Se eles fossem Quando eles forem
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
EU ----- ------ Para ir eu
TU vai tu Não vás tu Para ires tu
ELE vá ele Não vá ele Para ir ele
NÓS vamos nós Não vamos nós Para irmos nós
VÓS ide vós Não vades vós para irdes vós
ELES vão eles Não vão eles para irem eles
Formas Nominais:
Infinitivo: ir
Gerúndio: indo
Particípio: ido
Questões
01. A preposição DE traduz FINALIDADE no verso:
(A) “Andar e pilotar um pássaro de aço”;
(B) “Todos os turistas são de Belo Horizonte”;
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(C) “Preparamo-nos para os festejos natalinos”;
(D) “Após o terremoto, várias crianças morreram de desnutrição”;
02. Assinale a assertiva em que a preposição COM exprime a mesma ideia que possui em “Surge a
lua cheia para chorar com os poetas”.
(A) O menino machucou-se com a faca.
(B) Ela se afastou com um súbito choro.
(C) Tinha empobrecido com as secas.
(D) Deve-se rir com alguém, não de alguém.
(E) Ele se confundiu com a minha resposta.
03. (UFRN – ADMINISTRADOR – COMPERVE/2015) Considere o trecho:
“O desenvolvimento do cérebro é de natureza biológica e cultural. O cérebro se forma, se desenvolve
e amadurece com base na genética da espécie e pelas experiências de vida de cada um.”
Fonte: www.cartanaescola.com.br
Há, entre os dois períodos, uma relação semântica de:
(A) condição, que poderia ser explicitada pelo conector desde que.
(B) explicação, que poderia ser explicitada pelo conector porque.
(C) oposição, que poderia ser explicitada pelo conector entretanto.
(D) concessão, que poderia ser explicitada pelo conector ainda que.
04. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – PAC/2014 - Adaptada)
Cérebro de adolescente
Quando o adolescente sai escondido para uma festa ou responde a uma pergunta inocente dos pais
com uma explosão emocional, a culpa não é só dos hormônios. Descobertas científicas recente provam
que não apenas o corpo, mas também a mente passa por grandes mudanças na adolescência. Do sexo
sem preservativo à imprudência na direção, os adolescentes assume comportamentos irresponsáveis em
parte porque as estruturas mentais que inibem resposta intempestivas ainda não se consolidaram. As
alterações mais importantes por que passa o cérebro nos últimos anos da adolescência têm lugar no
córtex pré-frontal, área que é responsável pelo planejamento de longo prazo e pelo controle das emoções.
"Antes dessas mudanças, o adolescente nem sempre está pronto para processar todas as informações
que precisa considerar quando toma uma decisão", explica o neurologista americano Paul Thompson, do
Laboratório de Neuromapeamento da Universidade da Califórnia.
Thompson faz parte de uma equipe de cientistas que vem mapeando o cérebro de cerca de 1000
adolescentes com técnicas avançadas de tomografia. As descobertas são surpreendentes,
especialmente se considerarmos que até há alguns anos era consenso científico que o cérebro
completava seu crescimento na infância e não se alterava mais. Hoje se sabe que várias estruturas
cerebrais seguem evoluindo durante a adolescência, embora nem todas cresçam. A idade em que essas
mudanças se processam varia. O cérebro das meninas desenvolve-se cerca de dois anos mais cedo,
mas homens e mulheres costumam emparelhar lá pelos 20 anos. De forma geral, no início da
adolescência ainda está em processo uma mudança que começa entre 7 e 11 anos. É quando crescem
certas regiões cerebrais ligadas à linguagem, como a área de Broca, uma pequena estrutura dentro do
córtex pré-frontal. O processo costuma chegar ao fim antes dos 15 anos. No período de desenvolvimento,
notam-se grandes progressos no uso da escrita – é a idade ideal para aprender novas línguas. A mudança
maior começa pelos 18 anos e pode avançar até os 25. Quando o córtex pré-frontal amadurece,
consolidando o senso de responsabilidade que falta a tanto adolescentes. "O córtex funciona como o
presidente de uma grande empresa, centralizando as decisões. É por isso que às vezes o cérebro
adolescente parece uma empresa sem presidente", brinca Thompson.
A ciência ainda não entendeu completamente essas alterações. O detalhe misterioso é que nem
sempre o desenvolvimento cerebral se dá por crescimento, como acontece com todos os outros órgãos
de nosso corpo. Na verdade, muitas sinapses – ligações entre os neurônios – são simplesmente cortadas
durante a adolescência. Supõe-se que esse processo obedeça a uma certa economia de conexões:
aquelas sinapses que não são usadas simplesmente se perdem. Quem toca um instrumento musical
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desde a infância vai desenvolver certas conexões neurais que se perderão em quem nunca chegou perto
de uma partitura. De qualquer modo, a notícia de que o cérebro adolescente ainda não está "pronto" é
alentadora. "Isso significa que temos mais tempo de aprendizado do que antes pensávamos", diz
Thompson.
A noção semântica que a preposição de opera no título desse texto é a mesma a que ocorre em:
(A) cadeira de ferro
(B) cintura de ovo
(C) pijama de Carlos
(D) caiu de joelhos
(E) burro de carga
05. (PREFEITURA DE CAMAÇARI/BA– FISIOTERAPEUTA – AOCP/2014)
Falência múltipla
Lya Luft
Um jornalista comentou recentemente num programa de televisão que pediu a um médico seu amigo
um diagnóstico do que está ocorrendo no Brasil: infecção, virose? A resposta foi perfeita: “Falência
múltipla dos órgãos”.
Nada mais acertado. Há quase dez anos realizo aqui na coluna minhas passeatas: estas páginas são
minha avenida, as palavras são cartazes. Falo em relações humanas e seus dramas, porém mais
frequentemente nas coisas inaceitáveis na nossa vida pública. Esgotei a paciência dos leitores
reclamando da péssima educação — milhares de alunos sem escola ou abrigados em galpões e salinhas
de fundo de igrejas, para chegarem aos 9, 10 anos sem saber ler nem escrever.
Professores desesperados tentando ensinar sem material básico, sem estrutura, salários vergonhosos,
estímulo nenhum. Universidades cujo nível é seguidamente baixado: em lugar de darem boas escolas a
todas as crianças e jovens para que possam entrar em excelentes universidades por mérito e esforço,
oferecem-lhes favorecimentos prejudiciais.
Tenho clamado contra o horror da saúde pública, mulheres parindo e velhos morrendo em colchonetes
no corredor, consultas para doenças graves marcadas para vários meses depois, médicos exaustos
trabalhando além dos seus limites, tentando salvar vidas e confortar os pacientes, sem condições mínimas
de higiene, sem aparelhamento e com salário humilhante.
Em lugar de importarmos não sei quantos mil médicos estrangeiros, quem sabe vamos ser sensatos
e oferecer condições e salários decentes aos médicos brasileiros que querem cuidar de nós?
Tenho reclamado das condições de transporte, como no recente artigo “Três senhoras sentadas”:
transporte caro para o calamitoso serviço oferecido. “Nos tratam como animais”, reclamou um usuário já
idoso. A segurança inexiste, somos mortos ao acaso em nossas ruas, e se procuramos não sair de casa
à noite somos fuzilados por um bando na frente de casa às 10 da manhã.
E, quando nossa tolerância ou resignação chegou ao limite, brota essa onda humana de busca de
dignidade para todos. Não se trata apenas de centavos em passagens, mas de respeito.
As vozes dizem NÃO: não aos ônibus sujos e estragados, impontuais, motoristas sobrecarregados;
não às escolas fechadas ou em ruínas; não aos professores e médicos impotentes, estradas
intransitáveis, medo dentro e fora de casa. Não a um ensino em que a palavra “excelência” chega a
parecer abuso ou ironia. Não ao mercado persa de favores e cargos em que transformam nossa política,
não aos corruptos às vezes condenados ocupando altos cargos, não ao absurdo número de partidos
confusos.
As reclamações da multidão nas ruas são tão variadas quanto nossas mazelas: por onde começar?
Talvez pelo prático, e imediato, sem planos mirabolantes. Algo há de se poder fazer: não creio que
políticos e governo tenham sido apanhados desprevenidos, por mais que estivessem alienados em torres
de marfim.
Infelizmente todo movimento de massas provoca e abriga sem querer grupos violentos e anárquicos:
que isso não nos prejudique nem invalide nossas reivindicações.
Não sei como isso vai acabar: espero que transformando o Brasil num lugar melhor para viver. Quase
com atraso, a voz das ruas quer lisura, ética, ações, cumprimento de deveres, realização dos mais básicos
conceitos de decência e responsabilidade cívica, que andavam trocados por ganância monetária ou ânsia
eleitoreira.
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Que sobrevenham ordem e paz. Que depois desse chamado à consciência de quem lidera e governa
não se absolvam os mensaleiros, não se deixem pessoas medíocres ou de ética duvidosa em altos
cargos, acabem as gigantescas negociatas meio secretas, e se apliquem decentemente somas que
poderão salvar vidas, educar jovens, abrir horizontes.
Sou totalmente contrária a qualquer violência, mas este povo chegou ao extremo de sua tolerância,
percebeu que tem poder, não quer mais ser enganado e explorado: que não se destrua nada, mas se
abram horizontes reais de melhoria e contentamento.
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tag/lya-luft/
Em “...que isso não nos prejudique nem invalide nossas reivindicações”, as expressões destacadas
estabelecem relação semântica de:
(A) contraste.
(B) negação.
(C) adição.
(D) alternância.
(E) explicação.
06. (PC / PI – ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – UESPI/2014)
A violência não é uma fantasia
A violência nasce conosco. Faz parte da nossa bagagem psíquica, do nosso DNA, assim como a
capacidade de cuidar, de ser solidário e pacífico. Somos esse novelo de dons. O equilíbrio ou
desequilíbrio depende do ambiente familiar, educação, exemplos, tendência pessoal, circunstâncias
concretas, algumas escolhas individuais. Vivemos numa época violenta. Temos medo de sair às ruas,
temos medo de sair à noite, temos medo de ficar em casa sem grades, alarmes e câmeras, ou bons e
treinados porteiros. As notícias da imprensa nos dão medo em geral. Não são medos fantasiosos: são
reais. E, se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A segurança, como
tantas coisas, parece ter fugido ao controle de instituições e autoridades.
Nestes dias começamos a ter medo também dentro dos shoppings, onde, aliás, há mais tempo aqui e
ali vêm ocorrendo furtos, às vezes assaltos, raramente noticiados. O que preocupa são movimentos
adolescentes que reivindicam acesso aos shoppings para seus grupos em geral organizados na internet.
(...)
(Revista Veja. Editora ABRIL. Edição 2358 - ano 47 - nº 5. 29 de janeiro de 2014. Por Lya Luft - p. 20)
se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados.
A relação sintático-semântica que se verifica entre as orações principal e subordinada desse excerto
é de:
(A) causa
(B) condição
(C) conformidade
(D) consequência
(E) explicação
Respostas
01. Resposta C
A) A preposição “DE” indica matéria.
B) A preposição “DE” indica origem.
C) Alternativa Correta: Preparamo-nos com a finalidade de aproveitar as comemorações natalinas.
D) A preposição “DE” indica causa.
02. Resposta D
Na frase citada no enunciado do exercício a preposição “com” indica companhia, o mesmo ocorre na
alternativa “D”: Deve-se rir na companhia de alguém.
03. Resposta B
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A segunda oração estabelece uma relação de explicação com relação a oração anterior, esclarecendo
os motivos de se ter afirmado que o cérebro é de natureza biológica e cultural.
04. Alternativa C
A preposição “DE” presente no título do texto estabelece uma relação de posse, o mesmo ocorre na
alternativa “C”.
05. Resposta C
Os vocábulos “não” e “nem” possuem valor negativo, ao serem colocados na mesma sentença, eles
assumem semanticamente o sentido de adição, assim, não pode acontecer alguma coisa e nem outra.
06. Resposta B
A conjunção “SE” que inicia a sentença tem a função de estabelecer a ideia de condição.
Artigo
Artigo é a palavra que acompanha o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número, determinando-o
ou generalizando-o. Os artigos podem ser:
Definidos: o, a, os, as; determinam os substantivos, trata de um ser já conhecido; denota familiaridade:
“A grande reforma do ensino superior é a reforma do ensino fundamental e do médio.” (Veja – maio de
2005)
Indefinidos: um, uma, uns, umas; estes; trata-se de um ser desconhecido, dá ao substantivo valor
vago: “...foi chegando um caboclinho magro, com uma taquara na mão.” (A. Lima)
Usa-se o artigo definido:
- com a palavra ambos: falou-nos que ambos os culpados foram punidos.
- com nomes próprios geográficos de estado, pais, oceano, montanha, rio, lago: o Brasil, o rio
Amazonas, a Argentina, o oceano Pacífico, a Suíça, o Pará, a Bahia. / Conheço o Canadá mas não
conheço Brasília.
- com nome de cidade se vier qualificada: Fomos à histórica Ouro Preto.
- depois de todos/todas + numeral + substantivo: Todos os vinte atletas participarão do
campeonato.
- com toda a/todo o, a expressão que vale como totalidade, inteira. Toda cidade será enfeitada para
as comemorações de aniversário. Sem o artigo, o pronome todo/toda vale como qualquer. Toda cidade
será enfeitada para as comemorações de aniversário. (Qualquer cidade)
- com o superlativo relativo: Mariane escolheu as mais lindas flores da floricultura.
- com a palavra outro, com sentido determinado: Marcelo tem dois amigos: Rui é alto e lindo, o outro
é atlético e simpático.
- antes dos nomes das quatro estações do ano: Depois da primavera vem o verão.
- com expressões de peso e medida: O álcool custa um real o litro. (=cada litro)
Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes
gramaticais; processos de formação de palavras; mecanismos
de flexão dos nomes e verbos
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Não se usa o artigo definido:
- antes de pronomes de tratamento iniciados por possessivos:
Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Majestade, Vossa Alteza.
Vossa Alteza estará presente ao debate?
“Nosso Senhor tinha o olhar em pranto / Chorava Nossa Senhora.”
- antes de nomes de meses:
O campeonato aconteceu em maio de 2002. Mas: O campeonato aconteceu no
inesquecível maio de 2002.
- alguns nomes de países, como Espanha, França, Inglaterra, Itália podem ser
construídos sem o artigo, principalmente quando regidos de preposição.
“Viveu muito tempo em Espanha.” / “Pelas estradas líricas de França.” Mas: Sônia
Salim, minha amiga, visitou a bela Veneza.
- antes de todos / todas + numeral: Eles são, todos quatro, amigos de João Luís
e Laurinha. Mas: Todos os três irmãos eu vi nascer. (O substantivo está claro)
- antes de palavras que designam matéria de estudo, empregadas com os
verbos: aprender, estudar, cursar, ensinar: Estudo Inglês e Cristiane estuda
Francês.
O uso do artigo é facultativo:
- antes do pronome possessivo: Sua / A sua incompetência é irritante.
- antes de nomes próprios de pessoas: Você já visitou Luciana / a Luciana?
- “Daqui para a frente, tudo vai ser diferente.” (Para a frente: exige a preposição)
Formas combinadas do artigo definido: Preposição + o = ao / de + o, a = do, da / em + o, a = no, na /
por + o, a = pelo, pela.
Usa-se o artigo indefinido:
- para indicar aproximação numérica: Nicole devia ter uns oito anos / Não o vejo há uns meses.
- antes dos nomes de partes do corpo ou de objetos em pares: Usava umas calças largas e umas
botas longas.
- em linguagem coloquial, com valor intensivo: Rafaela é uma meiguice só.
- para comparar alguém com um personagem célebre: Luís August é um Rui Barbosa.
O artigo indefinido não é usado:
- em expressões de quantidade: pessoa, porção, parte, gente, quantidade: Reservou para todos boa
parte do lucro.
- com adjetivos como: escasso, excessivo, suficiente: Não há suficiente espaço para todos.
- com substantivo que denota espécie: Cão que ladra não morde.
Formas combinadas do artigo indefinido: Preposição de e em + um, uma = num, numa, dum, duma.
O artigo (o, a, um, uma) anteposto a qualquer palavra transforma-a em substantivo. O ato literário é
o conjunto do ler e do escrever.
Questões
01. Em que alternativa o termo grifado indica aproximação:
(A) Ao visitar uma cidade desconhecida, vibrava.
(B) Tinha, na época, uns dezoito anos.
(C) Ao aproximar de uma garota bonita, seus olhos brilhavam.
(D) Não havia um só homem corajoso naquela guerra.
(E) Uns diziam que ela sabia tudo, outros que não.
02. (EBSERH – TÉCNICO EM CONTABILIDADE – AOCP/2015).
O fascínio do bom humor O que a obra de Sérgio Rodrigues nos ensina sobre bem viver
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FLÁVIA YURI OSHIMA
O bom humor talvez seja um dos mais democráticos estados de espírito. Ele não exige fatos nem um
ponto de vista determinado para existir. Não é preciso ser otimista, nem mesmo ouvir boas notícias, para
ter bom humor. Claro que coisas boas e um estado de espírito positivo são terreno fértil para ele. Mas o
bom humor é uma entidade independente, que pode ser preservada na adversidade e nos ânimos mais
soturnos. O alemão Arthur Schopenhauer, conhecido como o mais pessimista dos filósofos, dizia que o
bom humor é a única característica divina que o homem possui. Ele não tem relação com ser extrovertido
e não obriga ninguém a dar risadas. Pode residir num espírito sereno, compenetrado. O bom humor está
disponível a todos e em qualquer situação.
Junto com o espanto e a saudade, a partida de uma amiga querida e de um ídolo me fizeram pensar
no bom humor esta semana. Não é preciso mencionar o quanto estar em volta de pessoas bem
humoradas faz bem para o espírito. Quem é vivo e circula entre humanos sabe disso. O filósofo francês
Émile-Auguste Chartier escreveu que o bom humor é um ato de generosidade: dá mais do que recebe.
Discordo dele. Acho que os bem humorados recebem tanto quanto dão, dos outros e deles mesmo. Para
mim, é uma espécie de carinho consigo mesmo. Já tenho tantos pepinos, para que o peso de ter de
aguentar meu próprio mau humor? Estou tão cansada, para que ter de carregar ainda esse espírito
rabugento? A vida é tão curta, as pessoas são tão frágeis, estamos todos no mesmo barco, de que adianta
tanto mau humor? Falar é mais fácil que fazer. Por isso, é tão admirável conhecer pessoas que fazem do
bom humor um jeito de encarar a vida, independentemente de como ela se apresente. É digno de menção.
Giovanna tinha 36 anos. Lutava contra um câncer na cabeça há dois. Era jornalista. Ela nos deixou no
domingo, dia 31 de agosto. Era minha amiga. Sérgio Rodrigues tinha 87 anos. Perdeu a luta contra um
câncer de próstata. Era arquiteto e design. Morreu segunda-feira, dia 1º de setembro. Era um ídolo para
mim. Os dois não se conheciam. Mas o bom humor de ambos os tornava parecidos. Passariam por avô
e neta ou pai e filha, sem estranhamento.
A morte tem o poder de dar salvo conduto até para os mais insuportáveis, que ganham qualidades
variadas depois da partida. Não é o caso desses dois. A gentileza e o bom humor de Giovana sempre
foram um ponto fora da curva entre as dezenas de estudantes de comunicação chatonildos da faculdade
- me incluo entre eles. A obra de Sérgio Rodrigues fala por si. Mesmo que você não goste de seu estilo,
é difícil não esboçar um sorriso ao ver o resultado do seu trabalho. É leve, elegante, criativo e bem
humorado. Sérgio Rodrigues tem peças nos acervos do Museu de Arte Moderna, em Nova York, nos
museus de Estocolmo, na Suécia, e de Munique, na Bavária (Alemanha). É tido como o mestre do design
mobiliário, e tem também casas e brinquedos entre suas obras.
Acho que cultivar o bom humor em situações extremas é uma forma de vitória. Sérgio conseguiu
espalhar pelo mundo seu bom ânimo nas peças que criou, perpetuando-o. Giovana e a medicina não
tinham mais recursos para combater aquela coisa que crescia em seu cérebro, mas ela o venceu, da
maneira que pôde, com seu bom humor até o fm. O céu ficou mais leve com a chegada dos dois. Talvez
até chova.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/Flavia-Yuri-Oshima/noti- cia/2014/09/o-fascinio-do-bbom-humorb.html
Em “Mas o bom humor de ambos os tornava parecidos.", os termos destacados são, respectivamente,
(A) artigo e pronome.
(B) artigo e preposição.
(C) preposição e artigo.
(D) pronome e artigo.
(E) preposição e pronome.
03. (COMLURB – IBFC/2014) Assinale a alternativa correta que indica a classificação da palavra
grifada.
O cinismo é o mal de muitas pessoas
(A) Numeral.
(B) Adjetivo.
(C) Artigo.
(D) Verbo.
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04. (UFC – TÉCNICO EM SEGURANÇA DO TRABALHO – INSTITUTO AOCP/2014)
Três motivos pelos quais você deve comer chocolate
Entre as pesquisas que apontam para efeitos positivos do consumo do chocolate, as mais numerosas
são, de longe, aquelas que associam o alimento a benefícios ao coração. Segundo um estudo publicado
no ano passado no British Medical Journal (BMJ), por exemplo, é possível diminuir o risco de eventos
cardiovasculares comendo chocolate amargo (com pelo menos 60% de cacau) todos os dias. Outro
trabalho, feito na Universidade de Cambridge e divulgado em 2011, mediu o quão benéfico o chocolate
pode ser ao coração: segundo o estudo, o consumo sem excessos do alimento diminui em 37% o risco
de doenças cardíacas e em 29% as chances de acidente vascular cerebral (AVC).
Parte da redução das chances de doenças cardíacas proporcionada pelo chocolate pode ser explicada
pelo fato de ele, antes disso, evitar o surgimento de fatores de risco ao coração, como hipertensão ou
colesterol alto. De acordo com pesquisa australiana publicada em 2010 no periódico BMC Medicine, por
exemplo, o chocolate amargo ajuda a diminuir a pressão arterial de pessoas que sofrem de hipertensão.
Em 2012, um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados
Unidos, quebrou o mito de que chocolate engorda e ainda concluiu, surpreendentemente, que o alimento
pode, na verdade, ajudar uma pessoa a emagrecer. Isso porque, das 1.000 pessoas que participaram da
pesquisa, aquelas que comiam chocolate com maior frequência, embora consumissem mais calorias em
um dia, foram as que apresentaram, em média, um índice de massa corporal (IMC) menor. Essa relação
aconteceu principalmente quando o indivíduo consumia chocolate amargo. Segundo os autores do
estudo, pode ser que as calorias no chocolate sejam ‘neutras’ — ou seja, que pequenas quantidades do
alimento beneficiem o metabolismo, reduzam o acúmulo de gordura no corpo e, assim, compensem as
calorias consumidas. Além disso, os pesquisadores acreditam que as propriedades antioxidantes do
chocolate estejam por trás dos efeitos positivos demonstrados pelo trabalho.
Em uma pesquisa realizada em 2012 na Universidade de Áquila, na Itália, 90 idosos com mais de 70
anos que já apresentavam sinais de comprometimento cognitivo passaram dois meses consumindo
diariamente uma bebida que misturava leite a um achocolatado com alto teor de cacau. A quantidade do
achocolatado variava de acordo com o participante, podendo ser de 990, 520 ou 45 miligramas por dia.
Ao final desse período, os pesquisadores avaliaram os idosos e descobriram que aqueles que
consumiram quantidades alta e média do achocolatado, em comparação com o restante os participantes,
apresentaram uma melhora nos reflexos, na capacidade de realizar mais de uma atividade ao mesmo
tempo, na memória verbal e na de trabalho (ou a curto prazo), além de melhores resultados em testes
que avaliaram o raciocínio. Os autores do estudo atribuíram tais benefícios aos flavonoides, compostos
presentes no cacau que, entre outros efeitos positivos, também são associados a benefícios ao coração
— desde que aliados a uma dieta saudável.
(Adaptado de http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/isabel-clemente/ noticia/2014/03/geracao-de-bpais-avosb.html)
Em “... o chocolate amargo ajuda a diminuir a pressão arterial de pessoas que sofrem de hipertensão.”,
os termos destacados são, respectivamente,
(A) artigo, preposição e artigo.
(B) preposição, artigo e preposição.
(C) artigo, artigo e preposição.
(D) artigo, artigo e artigo.
(E) artigo, preposição e preposição.
05. (EBSERH – ADVOGADO – INSTITUTO AOCP/2015) Assinale a alternativa cujo termo destacado
NÃO exerce função de artigo.
(A) “Os livros de colorir para adultos”
(B) “Os livros de colorir para adultos se tornaram um fenômeno de vendas”
(C) “... lápis de cor, canetinhas, tintas e o que mais a criatividade permitir”.
(D) “...evitando o consumismo exacerbado”.
(E) “Os temas dos desenhos tendem a despertar a vontade de pesquisar.
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06. (EBSERH - Nutricionista – INSTITUTO AOCP/2015)
A lista de desejos
Rosely Sayao
Acabou a graça de dar presentes em situações de comemoração e celebração, não é? Hoje, temos
listas para quase todas as ocasiões: casamento, chá de cozinha e seus similares – e há similares
espantosos, como chá de lingerie –, nascimento de filho e chá de bebê, e agora até para aniversário.
Presente para os filhos? Tudo eles já pediram e apenas mudam, de vez em quando ou frequentemente,
a ordem das suas prioridades. Quem tem filho tem sempre à sua disposição uma lista de pedidos de
presentes feita por ele, que pode crescer diariamente, e que tanto pode ser informal quanto formal.
A filha de uma amiga, por exemplo, tem uma lista na bolsa escrita à mão pelo filho, que tem a liberdade
de sacá-la a qualquer momento para fazer as mudanças que ele julgar necessárias. Ah! E ela funciona
tanto como lista de pedidos como também de “checklist" porque, dessa maneira, o garoto controla o que
já recebeu e o que ainda está por vir. Sim: essas listas são quase uma garantia de conseguir ter o pedido
atendido.
Ninguém mais precisa ter trabalho ao comprar um presente para um conhecido, para um colega de
trabalho, para alguma criança e até amigo. Sabe aquele esforço de pensar na pessoa que vai receber o
presente e de imaginar o que ela gostaria de ganhar, o que tem relação com ela e seu modo de ser e de
viver? Pois é: agora, basta um telefonema ou uma passada rápida nas lojas físicas ou virtuais em que as
listas estão, ou até mesmo pedir para uma outra pessoa realizar tal tarefa, e pronto! Problema resolvido!
Não é preciso mais o investimento pessoal do pensar em algo, de procurar até encontrar, de bater
perna e cabeça até sentir-se satisfeito com a escolha feita que, além de tudo, precisaria estar dentro do
orçamento disponível para tal. Hoje, o presente custa só o gasto financeiro e nem precisa estar dentro do
orçamento porque, para não transgredir a lista, às vezes é preciso parcelar o presente em diversas
prestações...
E, assim que os convites chegam, acompanhados sem discrição alguma das listas, é uma correria dos
convidados para efetuar sem demora sua compra. É que os presentes menos custosos são os primeiros
a serem ticados nas listas, e quem demora para cumprir seu compromisso acaba gastando um pouco
mais do que gostaria.
Se, por um lado, dar presentes deixou de dar trabalho, por outro deixou também totalmente excluído
do ato de presentear o relacionamento entre as pessoas envolvidas. Ganho para o mercado de consumo,
perda para as relações humanas afetivas.
Os presentes se tornaram impessoais, objetos de utilidade ou de luxo desejados. Acabou-se o que era
doce no que já foi, num passado recente, uma demonstração pessoal de carinho.
Sabe, caro leitor, aquela expressão de surpresa gostosa, ou de um pequeno susto que insiste em se
expressar, apesar da vontade de querer que ele passe despercebido, quando recebíamos um mimo? Ou
aquela frase transparente de criança, que nunca deixa por menos: “Eu não quero isso!"? Tudo isso
acabou. Hoje, tudo o que ocorre é uma operação mental dupla. Quem recebe apenas tica algum item da
lista elaborada, e quem presenteia dá-se por satisfeito por ter cumprido seu compromisso.
Que tempos mais chatos. Resta, a quem tiver coragem, a possibilidade de transgredir essas tais listas.
Assim, é possível tornar a vida mais saborosa.
Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/
roselysayao/2014/07/1489356-a-lista-de-desejos.shtml
Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO é um artigo.
(A) “Acabou a graça de dar presentes...”.
(B) “... tem a liberdade de sacá-la a qualquer momento...”.
(C) “A filha de uma amiga...”.
(D) “... é possível tornar a vida mais saborosa.”.
(E) “...para não transgredir a lista...”.
Respostas
01. Resposta B
Alternativa A: UMA – artigo indefinido de cidade
Alternativa B: UNS – aproximação de idade
Alternativa C: UMA – artigo indefinido de garota bonita
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Alternativa D: UM – número
Alternativa E: UNS – artigo indefinido de pessoas
02. Resposta A
O – artigo definido / antecede o substantivo “humor”
OS – pronome / retoma o substantivo “ambos”
03. Resposta C
04. Resposta A
O chocolate– artigo definido do termo “chocolate” ajuda A diminuir – preposição / o verbo “ajudar” é
transitivo indireto no sentido de ajudar alguém a verbo seguido de infinitivo
A pressão arterial – artigo definido de “pressão arterial”
05. Resposta C
Os vocábulos o(s), a (s) quando estiverem antecedendo a palavra “que” e puderem ser substituídos
por aquele(s), aquela(s), aquilo indicam um pronome demonstrativo.
Exemplo:
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
06. Reposta B
Artigo somente antes de nomes, a não ser que a palavra que estiver depois teve seu sentido
modificado para substantivo. EX: O cantar dos pássaros, O correr da lebre ...
Substantivo
Substantivo é a palavra que dá nomes aos seres. Inclui os nomes de pessoas, de lugares, coisas,
entes de natureza espiritual ou mitológica: vegetação, sereia, cidade, anjo, árvore, passarinho, abraço,
quadro, universidade, saudade, amor, respeito, criança.
Os substantivos exercem, na frase, as funções de: sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto
indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da passiva, aposto e vocativo.
Os substantivos classificam-se em:
- Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie: menina, piano, estrela, rio, animal, árvore.
- Próprios: referem-se a um ser em particular: Brasil, América do Norte, Deus, Paulo, Lucélia.
- Concretos: são aqueles que têm existência própria; são independentes; reais ou imaginários: mãe,
mar, água, anjo, mulher, alma, Deus, vento, DVD, fada, criança, saci.
- Abstrato: são os que não têm existência própria; depende sempre de um ser para existir: é
necessário alguém ser ou estar triste para a tristeza manifestar-se; é necessário alguém beijar ou abraçar
para que ocorra um beijo ou um abraço; designam qualidades, sentimentos, ações, estados dos seres:
dor, doença, amor, fé, beijo, abraço, juventude, covardia, coragem, justiça. Os substantivos abstratos
podem ser concretizados dependendo do seu significado: Levamos a caça para a cabana. (Caça = ato
de caçar, substantivo abstrato; a caça, neste caso, refere-se ao animal, portanto, concreto).
- Simples: como o nome diz, são aqueles formados por apenas um radical: chuva, tempo, sol, guarda,
pão, raio, água, ló, terra, flor, mar, raio, cabeça.
- Compostos: são os que são formados por mais de dois radicais: guarda-chuva, girassol, água-de-
colônia, pão-de-ló, para-raio, sem-terra, mula-sem-cabeça.
- Primitivos: são os que não derivam de outras palavras; vieram primeiro, deram origem a outras
palavras: ferro, Pedro, mês, queijo, chave, chuva, pão, trovão, casa.
- Derivados: são formados de outra palavra já existente; vieram depois: ferradura, pedreiro, mesada,
requeijão, chaveiro, chuveiro, padeiro, trovoada, casarão, casebre.
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- Coletivos: os substantivos comuns que, mesmo no singular, designam um conjunto de seres de uma
mesma espécie: bando, povo, frota, batalhão, biblioteca, constelação.
Eis alguns substantivos coletivos:
Álbum de fotografias Colmeia de abelhas
Alcateia de lobos Concílio de bispos em assembleia
Antologia de textos escolhidos Conclave de cardeais
Arquipélago ilhas Cordilheira de montanhas
Assembleia pessoas, professores Cortejo acompanhantes em comitiva
Atlas cartas geográficas Hemeroteca de jornais, revistas
Bando de aves, de crianças Iconoteca de imagens
Baixela utensílios de mesa Miríade de muitas estrelas, insetos
Banca de examinadores Nuvem de gafanhotos
Biênio dois anos Panapaná de borboletas em bando
Bimestre dois meses Penca de frutas
Cacho de uva Pinacoteca de quadros
Cáfila camelos Piquete de grevistas
Caravana viajantes Plêiade de pessoas notáveis, sábios
Cambada de vadios, malvados Resma de quinhentas folhas de papel
Cancioneiro de canções Sextilha de seis versos
Cardume de peixes Tropilhas de trabalhadores, alunos
Código de leis Xiloteca de amostras de tipos de madeiras
Reflexão do Substantivo
“Na feira livre do arrabaldezinho
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor
 O melhor divertimento para crianças!
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres,
Fitando com olhos muito redondos os grandes
Balõezinhos muito redondos.” (Manoel Bandeira)
Observe que o poema apresenta vários substantivos e apresentam variações ou flexões de gênero
(masculino/feminino), de número (plural/singular) e de grau (aumentativo/diminutivo).
Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. A regra para a flexão do gênero é a troca
de o por a, ou o acréscimo da vogal a, no final da palavra: mestre, mestra.
Formação do Feminino
O feminino se realiza de três modos:
- Flexionando-se o substantivo masculino: filho, filha / mestre, mestra / leão, leoa;
- Acrescentando-se ao masculino a desinência “a” ou um sufixo feminino: autor, autora / deus, deusa
/ cônsul, consulesa / cantor, cantora / reitor, reitora.
- Utilizando-se uma palavra feminina com radical diferente: pai, mãe / homem, mulher / boi, vaca /
carneiro, ovelha / cavalo, égua.
Observe como são formados os femininos:
parente, parenta
hóspede, hospeda
monge, monja
presidente, presidenta
gigante, giganta
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guardião, guardiã
escrivão, escrivã
papa, papisa
imperador, imperatriz
profeta, profetisa
abade, abadessa
perdigão, perdiz
ateu, ateia
réu, ré
frade, freira
cavaleiro, dama
zangão, abelha
Substantivos Uniformes
Os substantivos uniformes apresentam uma única forma para ambos os gêneros: dentista, vítima. Os
substantivos uniformes dividem-se em:
- Epicenos: designam certos animais e têm um só gênero, quer se refiram ao macho ou à fêmea. –
jacaré macho ou fêmea / a cobra macho ou fêmea / a formiga macho ou fêmea.
- Comuns de dois gêneros: apenas uma forma e designam indivíduos dos dois sexos. São
masculinos ou femininos. A indicação do sexo é feita com uso do artigo masculino ou feminino: o, a
intérprete / o, a colega / o, a médium / o, a personagem / o, a cliente / o, a fã / o, a motorista / o, a estudante
/ o, a artista / o, a repórter / o, a manequim / o, a gerente / o, a imigrante / o, a pianista / o, a rival / o a
jornalista.
- Sobrecomuns: designam pessoas e têm um só gênero para homem ou a mulher: a criança (menino,
menina) / a testemunha (homem, mulher) / a pessoa (homem, mulher) / o cônjuge (marido, mulher) / o
guia (homem, mulher) / o ídolo (homem, mulher).
Substantivos que mudam de sentido, quando se troca o gênero:
o lotação (veículo) - a lotação (efeito de lotar);
o capital (dinheiro) - a capital (cidade);
o cabeça (chefe, líder) - a cabeça (parte do corpo);
o guia (acompanhante) - a guia (documentação);
o moral (ânimo) - a moral (ética);
o grama (peso) - a grama (relva);
o caixa (atendente) - a caixa (objeto);
o rádio (aparelho) - a rádio (emissora);
o crisma (óleo salgado) - a crisma (sacramento);
o coma (perda dos sentidos) - a coma (cabeleira);
o cura (vigário) - a cura; (ato de curar);
o lente (prof. Universitário) - a lente (vidro de aumento);
o língua (intérprete) - a língua (órgão, idioma);
o voga (o remador) - a voga (moda).
Alguns substantivos oferecem dúvida quanto ao gênero. São masculinos: o eclipse, o dó, o dengue
(manha), o champanha, o soprano, o clã, o alvará, o sanduíche, o clarinete, o Hosana, o espécime, o
guaraná, o diabete ou diabetes, o tapa, o lança-perfume, o praça (soldado raso), o pernoite, o formicida,
o herpes, o sósia, o telefonema, o saca-rolha, o plasma, o estigma.
São geralmente masculinos os substantivos de origem grega terminados em – ma: o dilema, o
teorema, o emblema, o trema, o eczema, o edema, o enfisema, o fonema, o anátema, o tracoma, o
hematoma, o glaucoma, o aneurisma, o telefonema, o estratagema.
São femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a aluvião, a análise, a cal, a gênese, a entorse, a faringe,
a cólera (doença), a cataplasma, a pane, a mascote, a libido (desejo sexual), a rês, a sentinela, a sucuri,
a usucapião, a omelete, a hortelã, a fama, a Xerox, a aguardente.
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Plural dos Substantivos
Há várias maneiras de se formar o plural dos substantivos: Acrescentam-se:
- S – aos substantivos terminados em vogal ou ditongo: povo, povos / feira, feiras / série, séries.
- S – aos substantivos terminados em N: líquen, liquens / abdômen, abdomens / hífen, hífens.
Também: líquenes, abdômenes, hífenes.
- ES – aos substantivos terminados em R, S, Z: cartaz, cartazes / motor, motores / mês, meses. Alguns
terminados em R mudam sua sílaba tônica, no plural: júnior, juniores / caráter, caracteres / sênior,
seniores.
- IS – aos substantivos terminados em al, el, ol, ul: jornal, jornais / sol, sóis / túnel, túneis / mel, meles,
méis. Exceções: mal, males / cônsul, cônsules / real, réis (antiga moeda portuguesa).
- ÃO – aos substantivos terminados em ão, acrescenta S: cidadão, cidadãos / irmão, irmãos / mão,
mãos.
TROCAM-SE:
ão por ões: botão, botões / limão, limões / portão, portões / mamão, mamões
ão por ãe: pão, pães / charlatão, charlatães / alemão, alemães / cão, cães
il por is (oxítonas): funil, funis / fuzil, fuzis / canil, canis / pernil, pernis, e por
EIS (Paroxítonas): fóssil, fósseis / réptil, répteis / projétil, projéteis
m por ns: nuvem, nuvens / som, sons / vintém, vinténs / atum, atuns
zito, zinho - 1º coloca-se o substantivo no plural: balão, balões;
2º elimina-se o S + zinhos
Balão – balões – balões + zinhos: balõezinhos;
Papel – papéis – papel + zinhos: papeizinhos;
Cão – cães - cãe + zitos: Cãezitos
Alguns substantivos terminados em X são invariáveis (valor fonético =
cs): os tórax, os tórax / o ônix, os ônix / a fênix, as fênix / uma Xerox,
duas Xerox / um fax, dois fax.
Substantivos terminados em ÃO com mais de uma forma no plural:
aldeão, aldeões, aldeãos;
verão, verões, verãos;
anão, anões, anãos;
guardião, guardiões, guardiães;
corrimão, corrimãos, corrimões;
ancião, anciões, anciães, anciãos;
ermitão, ermitões, ermitães, ermitãos.
A tendência é utilizar a forma em ÕES
Há substantivos que mudam o timbre da vogal tônica, no plural. Chama-se metafonia. Apresentam
o “o” tônica fechado no singular e aberto no plural: caroço (ô), caroços (ó) / imposto (ô), impostos (ó) /
forno (ô), fornos (ó) / miolo (ô), miolos (ó) / poço (ô), poços (ó) / olho (ô), olhos (ó) / povo (ô), povos (ó) /
corvo (ô), corvos (ó). Também são abertos no plural (ó): fogos, ovos, ossos, portos, porcos, postos,
reforços. Tijolos, destroços.
Há substantivos que mudam de sentido quando usados no plural: Fez bem a todos (alegria); Houve
separação de bens. (Patrimônio); Conferiu a féria do dia. (Salário); As férias foram maravilhosas.
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(Descanso); Sua honra foi exaltada. (Dignidade); Recebeu honras na solenidade. (Homenagens); Outros:
bem = virtude, benefício / bens = valores / costa = litoral / costas = dorso / féria = renda diária / férias =
descanso / vencimento = fim / vencimento = salário / letra = símbolo gráfico / letras = literatura.
Substantivos empregados somente no plural: Arredores, belas-artes, bodas (ô), condolências,
cócegas, costas, exéquias, férias, olheiras, fezes, núpcias, óculos, parabéns, pêsames, viveres, idos,
afazeres, algemas.
A forma singular das palavras ciúme e saudade são também usadas no plural, embora a forma singular
seja preferencial, já que a maioria dos substantivos abstratos não se pluralizam. Aceita-se os ciúmes,
nunca o ciúmes.
“Quando você me deixou,
meu bem,
me disse pra eu ser feliz
e passar bem
Quis morrer de ciúme,
quase enlouqueci
mas depois, como era
de costume, obedeci” (gravado por Maria Bethânia)
“Às vezes passo dias inteiros
imaginando e pensando em você
e eu fico com tanta saudade
que até parece que eu posso morrer.
Pode creditar em mim.
Você me olha, eu digo sim...” (Fernanda Abreu)
Termos no singular com valor de plural:
Muito negro ainda sofre com o preconceito social.
Tem morrido muito pobre de fome.
Plural dos Substantivos Compostos
Não é muito fácil a formação do plural dos substantivos compostos.
Somente o segundo (ou último) elemento vai para o plural
- Palavra unida sem hífen: pontapé = pontapés / girassol = girassóis / autopeça = autopeças.
- verbo + substantivo: saca-rolha = saca-rolhas / arranha-céu = arranha-céus / bate-bola = bate-bolas
/ guarda-roupa = guarda-roupas / guarda-sol = guarda-sóis / vale-refeição = vale-refeições.
- elemento invariável + palavra variável: sempre-viva = sempre-vivas / abaixo-assinado = abaixo-
assinados / recém-nascido = recém-nascidos / ex-marido = ex-maridos / auto-escola = auto-escolas.
- palavras repetidas: o reco-reco = os reco-recos / o tico-tico = os tico-ticos / o corre-corre = os corre-
corres.
- substantivo composto de três ou mais elementos não ligados por preposição: o bem-me-quer
= os bem-me-queres / o bem-te-vi = os bem-te-vis / o sem-terra = os sem-terra / o fora-da-lei = os fora-
da-lei / o João-ninguém = os joões-ninguém / o ponto-e-vírgula = os ponto-e-vírgula / o bumba-meu-boi =
os bumba-meu-boi.
- quando o primeiro elemento for: grão, grã (grande), bel: grão-duque = grão-duques / grã-cruz =
grã-cruzes / bel-prazer = bel-prazeres.
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Somente o primeiro elemento vai para o plural
- substantivo + preposição + substantivo: água de colônia = águas-de-colônia / mula-sem-cabeça
= mulas-sem-cabeça / pão-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz.
- quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá ideia de tipo, finalidade: samba-enredo =
sambas-enredos / pombo-correio = pombos-correio / salário-família = salários-família / banana-maçã =
bananas-maçã / vale-refeição = vales-refeição (vale = ter valor de, substantivo+especificador)
A tendência na língua portuguesa atual é pluralizar os dois elementos: bananas-maçãs / couves-flores
/ peixes-bois / saias-balões.
Os dois elementos ficam invariáveis quando houver
- verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o cola-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os
bota-fora
- os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai = os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva-
e-traz / o vai-e-volta = os vai-e-volta.
Os dois elementos, vão para o plural
- substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis / abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó
= tias-avós / tenente-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe = redatores-chefes. Coloque entre dois
elementos a conjunção e, observe se é possível a pessoa ser o redator e chefe ao mesmo tempo /
cirurgião e dentista / tia e avó / decreto e lei / abelha e mestra.
- substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores-perfeitos / capitão-mor = capitães-mores / carro-
forte = carros-fortes / obra-prima = obras-primas / cachorro-quente = cachorros-quentes.
- adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta-metragem = curtas-metragens / má-língua =
más-línguas /
- numeral ordinal + substantivo: segunda-feira = segundas-feiras / quinta-feira = quintas-feiras.
Composto com a palavra guarda só vai para o plural se for pessoa:
guarda-noturno = guardas-noturnos / guarda-florestal = guardas-florestais /
guarda-civil = guardas-civis / guarda-marinha = guardas-marinha.
Plural das palavras de outras classes gramaticais usadas como
substantivo (substantivadas), são flexionadas como substantivos:
Gritavam vivas e morras; Fiz a prova dos noves; Pesei bem os prós e
contras.
Numerais substantivos terminados em s ou z não variam no plural. Este
semestre tirei alguns seis e apenas um dez.
Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas / os Oliveiras / os
Picassos / os Mozarts / os Kennedys / os Silvas.
Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs / DVDs / ONGs /
PMs / Ufirs.
Grau do Substantivo
Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir intensidade, exagero ou diminuição. A essas
modificações é que damos o nome de grau do substantivo. São dois os graus dos substantivos:
aumentativo e diminutivo.
Os graus aumentativos e diminutivos são formados por dois processos:
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- Sintético: com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou diminutivo: peixe – peixão (aumentativo
sintético); peixe-peixinho (diminutivo sintético); sufixo inho ou isinho.
- Analítico: formado com palavras de aumento: grande, enorme, imensa, gigantesca: obra imensa
/ lucro enorme / carro grande / prédio gigantesco; e formado com as palavras de diminuição: diminuto,
pequeno, minúscula, casa pequena, peça minúscula / saia diminuta.
- Sem falar em aumentativo e diminutivo alguns substantivos exprimem também desprezo, crítica,
indiferença em relação a certas pessoas e objetos: gentalha, mulherengo, narigão, gentinha, coisinha,
povinho, livreco.
- Já alguns diminutivos dão ideia de afetividade: filhinho, Toninho, mãezinha.
- Em consequência do dinamismo da língua, alguns substantivos no grau diminutivo e aumentativo
adquiriram um significado novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha (calendário).
- As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica
recebem o sufixo zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão (sílaba nasal) = irmãozinho;
herói (ditongo) = heroizinho; baú (hiato) = bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho.
- As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas consoantes seguidas de vogal recebem o
sufixo inho: país = paisinho; rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza = belezinha.
- Há ainda aumentativos e diminutivos formados por prefixação: minissaia, maxissaia, supermercado,
minicalculadora.
Substantivo caracterizador de adjetivo: os adjetivos referentes a cores podem ser modificados por
um substantivo: verde piscina, azul petróleo, amarelo ouro, roxo batata, verde garrafa.
Questões
01. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”:
(A) vulcão, abaixo-assinado;
(B) irmão, salário-família;
(C) questão, manga-rosa;
(D) bênção, papel-moeda;
(E) razão, guarda-chuva.
02. Assinale a alternativa em que está correta a formação do plural:
(A) cadáver – cadáveis;
(B) gavião – gaviães;
(C) fuzil – fuzíveis;
(D) mal – maus;
(E) atlas – os atlas.
03. A palavra livro é um substantivo
(A) próprio, concreto, primitivo e simples.
(B) comum, abstrato, derivado e composto.
(C) comum, abstrato, primitivo e simples.
(D) comum, concreto, primitivo e simples.
04. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são masculinos:
(A) enigma – idioma – cal;
(B) pianista – presidente – planta;
(C) champanha – dó(pena) – telefonema;
(D) estudante – cal – alface;
(E) edema – diabete – alface.
05. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm um significado; e no feminino têm outro,
diferente. Marque a alternativa em que há um substantivo que não corresponde ao seu significado:
(A) O capital = dinheiro;
A capital = cidade principal;
(B) O grama = unidade de medida;
A grama = vegetação rasteira;
(C) O rádio = aparelho transmissor;
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A rádio = estação geradora;
(D) O cabeça = o chefe;
A cabeça = parte do corpo;
(E) A cura = o médico.
O cura = ato de curar.
06. (EBSERH – Médico – Radiologia e diagnóstico por imagem – INSTITUTO AOCP/2015)
Unesco: mundo precisará mudar consumo para garantir abastecimento de água
20/03/15
Relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mostra
que há no mundo água suficiente para suprir as necessidades de crescimento do consumo, “mas não
sem uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento". Segundo o documento, a crise
global de água é de governança, muito mais do que de disponibilidade do recurso, e um padrão de
consumo mundial sustentável ainda está distante.
De acordo com a organização, nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do
que a população e a estimativa é que a demanda cresça ainda 55% até 2050. Mantendo os atuais padrões
de consumo, em 2030 o mundo enfrentará um déficit no abastecimento de água de 40%. Os dados estão
no Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos 2015 – Água
para um Mundo Sustentável.
O relatório atribui a vários fatores a possível falta de água, entre eles, a intensa urbanização, as
práticas agrícolas inadequadas e a poluição, que prejudica a oferta de água limpa no mundo. A
organização estima que 20% dos aquíferos estejam explorados acima de sua capacidade. Os aquíferos,
que concentram água no subterrâneo e abastecem nascentes e rios, são responsáveis atualmente por
fornecer água potável à metade da população mundial e é de onde provêm 43% da água usada na
irrigação.
Os desafios futuros serão muitos. O crescimento da população está estimado em 80 milhões de
pessoas por ano, com estimativa de chegar a 9,1 bilhões em 2050, sendo 6,3 bilhões em áreas urbanas.
A agricultura deverá produzir 60% a mais no mundo e 100% a mais nos países em desenvolvimento até
2050. A demanda por água na indústria manufatureira deverá quadruplicar no período de 2000 a 2050.
Segundo a oficial de Ciências Naturais da Unesco na Itália, Angela Ortigara, integrante do Programa
Mundial de Avaliação da Água (cuja sigla em inglês é WWAP) e que participou da elaboração do relatório,
a intenção do documento é alertar os governos para que incentivem o consumo sustentável e evitem uma
grave crise de abastecimento no futuro. “Uma das questões que os países já estão se esforçando para
melhorar é a governança da água. É importante melhorar a transparência nas decisões e também tomar
medidas de maneira integrada com os diferentes setores que utilizam a água. A população deve sentir
que faz parte da solução."
Cada país enfrenta uma situação específica. De maneira geral, a Unesco recomenda mudanças na
administração pública, no investimento em infraestrutura e em educação. “Grande parte dos problemas
que os países enfrentam, além de passar por governança e infraestrutura, passa por padrões de
consumo, que só a longo prazo conseguiremos mudar, e a educação é a ferramenta para isso", diz o
coordenador de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão.
No Brasil, a preocupação com a falta de água ganhou destaque com a crise hídrica no Sudeste. Antes
disso, o país já enfrentava problemas de abastecimento, por exemplo no Nordeste. Ary Mergulhão diz
que o Brasil tem reserva de água importante, mas deve investir em um diagnóstico para saber como está
em termos de política de consumo, atenção à população e planejamento. “É um trabalho contínuo. Não
quer dizer que o país que tem mais ou menos recursos pode relaxar. Todos têm que se preocupar com a
situação.
O relatório será mundialmente lançado hoje (20) em Nova Délhi, na Índia, antes do Dia Mundial da
Água (22). O documento foi escrito pelo WWAP e produzido em colaboração com as 31 agências do
sistema das Nações Unidas e 37 parceiros internacionais da ONU-Água. A intenção é que a questão
hídrica seja um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que vêm sendo discutidos desde 2013,
seguindo orientação da Conferência Rio+20 e que deverão nortear as atividades de cooperação
internacional nos próximos 15 anos.
Texto adaptado - Fonte: http://afolhasaocarlos.com.br/noticias/
ver_noticia/5215/controler:noticias
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Assinale a alternativa cuja palavra ou expressão em destaque NÃO tem a função de caracterizar o
termo que o acompanha.
(A) Mudança dramática.
(B) Grave crise.
(C) Últimas décadas.
(D) Água potável.
(E) Crescimento da população.
07. (MSGás – Analista Contábil – MSGás/2015)
O homem que espalhou o deserto
Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores.
Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal
enorme, que parecia uma chácara onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim
ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava seu caminhão
de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a
mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As
árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco,
apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.
Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo
passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola,
não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades
e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-
as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas
tesouras polidas.
A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino
comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como
os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas
exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o
corte das folhas.
Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana
para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta
dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando
concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.
Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha
afugentado os pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se
recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto,
ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.
Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou
dez dias, porque não estava acostumado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida
a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.
Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em
punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava
os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se
importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo
mesmo.
E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que
precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar
uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados,
abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro.
Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira
linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que
houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.
E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o
governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do
deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do
machado ensinava ao filho a sua profissão.
BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. São Paulo: Global, 2002.
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. 63
Analise as afirmativas sobre a flexão nominal e verbal das palavras destacadas no período.
“As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno."
I. O verbo levavam encontra-se no pretérito imperfeito do indicativo e na terceira pessoa do plural.
II. O substantivo menino apresenta gênero masculino e número plural.
III. As palavras imensas e meninos são flexionáveis morfologicamente em gênero e número.
Qual a alternativa correta?
(A) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
(B) Apenas a afirmativa I está correta.
(C) As afirmativas I, II e III estão corretas.
(D) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
08. (MSGás – Analista Contábil – MSGás/2015)
BACTÉRIAS QUE FAZEM O BEM
Monique Oliveira
Um procedimento ________ inusitado começa a ser testado como uma opção de tratamento para
infecção intestinal e obesidade. Trata-se do transporte de bactérias, cujo objetivo é devolver o equilíbrio
________ intestinal, de forma que os problemas sejam corrigidos. No caso da infecção, a técnica já tem
sido adotada em vários países – inclusive no Brasil – para tratar pacientes nos quais outros recursos
foram ineficazes. Recentemente, um estudo sobre o método, publicado na revista científica “The New
England Journal of Medicine", mostrou que, enquanto os remédios mais usados contra o problema
apenas reduzem a frequência das ________ decorrentes das infecções, o transplante promove sua
cura.
Em relação ________, as pesquisas ocorrem em caráter experimental, mas estão deixando evidente
a associação entre o aumento de peso e os ____________.
(Revista Isto É, p. 76, no 2287, 18/9/2013, fragmento)
Releia este período do texto: “No caso da infecção, a técnica já tem sido adotada em vários países
– inclusive no Brasil – para tratar pacientes nos quais outros recursos foram ineficazes."
Com relação às palavras grifadas no período, podemos classificá-las como:
(A) substantivo simples, advérbio de modo, preposição, pronome pessoal.
(B) adjetivo, advérbio de intensidade, pronome indefinido, pronome relativo.
(C) substantivo simples, advérbio de tempo, pronome indefinido, pronome relativo.
(D) adjetivo, advérbio de tempo, pronome definido, pronome possessivo.
09. Marque a alternativa que apresenta os femininos de “Monge”, “Duque”, “Papa” e “Profeta”:
(A) monja – duqueza – papisa – profetisa;
(B) freira – duqueza – papiza – profetisa;
(C) freira – duquesa – papisa – profetisa;
(D) monja – duquesa – papiza – profetiza;
(E) monja – duquesa – papisa – profetisa.
Respostas
01. Resposta C
A palavra “balão” tem seu plural em “ões”.
O plural do vocábulo “caneta-tinteiro” é “canetas-tinteiro”, em que se é pluralizado apenas o primeiro
elemento, já que o segundo determina, indicando a funcionalidade, do primeiro.
Alternativa A: vulcão-vulcões / abaixo-assinado-abaixo-assinados
Alternativa B: irmão irmãos / salário-família salários-família
Alternativa C (correta): questão questões / manga-rosa mangas-rosa
Alternativa D: bênção bênçãos / papel-moeda papéis-moeda
Alternativa E: razão razões / guarda-chuva guarda-chuvas
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02. Resposta E
Alternativa A: cadáver – cadáveres
Alternativa B: gavião - gaviões
Alternativa C: fuzil - fuzis
Alternativa D: mal – males
Alternativa E: correta
03. Resposta D
04. Resposta C
Alternativa A: A cal
Alternativa B: O/A presidente
Alternativa C: correta
Alternativa D: O/A estudante – A cal
Alternativa E: A alface
05. Resposta E
O cura = sacerdote
06. Resposta B
a) Mudança dramática. (dramática é adjetivo, qualifica o substantivo mudança)
b) Grave crise. GABARITO (grave é adjetivo e qualifica o substantivo crise, ESTÁ ERRADO PORQUE
INVERTERAM)
c) Últimas décadas. (últimas é adjetivo e qualifica o substantivo décadas)
d) Água potável. (potável é adjetivo e qualifica o substantivo água)
e) Crescimento da população. (da população é locução adjetiva e qualifica o substantivo crescimento,
pode ser substituído por populacional)
07. Resposta A
I. Pretérito imperfeito = ação interrompida. Eu levava, tu levavas, ele levava, nós levávamos, vós
leváveis, eles levavam. (3° Pe. do Plu)
Pretérito perfeito= ação finalizada. Eu levei, tu levaste, ele levou..
II. Errado. Menino (masculino, singular)
III. Imenso, Imensos, Imensa, Imensas. Menino, Meninos, Menina, Meninas.
08 Resposta C
Infecção: Substantivo simples (só há um único núcleo).
Já: Advérbio de tempo ( hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora, amanhã, cedo, dantes, depois,
ainda, antigamente, antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, amiúde,
breve, constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente,
às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer
momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia)
Vários: Pronome indefinido (palavras que se referem à terceira pessoa do discurso, dando-lhe sentido
vago -impreciso- ou expressando quantidade indeterminada. Podem ser Pronomes Indefinidos
Substantivos: assumem o lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase; e Pronomes
Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade
aproximada. Exemplos: algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), demais, mais, menos,
muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer,
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s),
vários, várias).
Quais: Pronome relativo (Representam nomes já mencionados anteriormente e com os quais se
relacionam. Introduzem as orações subordinadas adjetivas. Ex: o qual, cujo, quanto -váriáveis- e quem,
que, onde -invariáveis)
09. Resposta E
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Adjetivo
Não digas: “o mundo é belo.”
Quando foi que viste o mundo?
Não digas: “o amor é triste.”
Que é que tu conheces do amor?
Não digas: “a vida é rápida.”
Com foi que mediste a vida? (Cecília Meireles)
Os adjetivos belo, triste e rápida expressa uma qualidade dos sujeitos: o mundo, o amor, a vida.
Adjetivo é a palavra variável em gênero, número e grau que modifica um substantivo, atribuindo-lhe
uma qualidade, estado, ou modo de ser: laranjeira florida; céu azul; mau tempo; cavalo baio; comida
saudável; político honesto; professor competente; funcionário consciente; pais responsáveis. Os adjetivos
classificam-se em:
- simples: apresentam um único radical, uma única palavra em sua estrutura: alegre, medroso,
simpático, covarde, jovem, exuberante, teimoso;
- compostos: apresentam mais de um radical, mais de duas palavras em sua estrutura: estrelas azul-
claras; sapatos marrom-escuros; garoto surdo-mudo;
- primitivos: são os que vieram primeiro; dão origem a outras palavras: atual, livre, triste, amarelo,
brando, amável, confortável.
- derivados: são aqueles formados por derivação, vieram depois dos primitivos: amarelado, ilegal,
infeliz, desconfortável, entristecido, atualizado.
- pátrios: indicam procedência ou nacionalidade, referem-se a cidades, estados, países.
Locução Adjetiva: é a expressão que tem o mesmo valor de um adjetivo. A locução adjetiva é formada
por preposição + um substantivo. Vejamos algumas locuções adjetivas:
Angelical de anjo Etário de idade
Abdominal de abdômen Fabril de fábrica
Apícola de abelha Filatélico de selos
Aquilino de águia Urbano da cidade
Argente de prata Gástrica do estômago
Áureo de ouro Hepático do fígado
Auricular da orelha Matutino da manhã
Bucal da boca Vespertino da tarde
Bélico de guerra Inodoro sem cheiro
Cervical do pescoço Insípido sem gosto
Cutâneo de pele Pluvial da chuva
Discente de aluno Humano do homem
Docente de professor Umbilical do umbigo
Estelar de estrela Têxtil de tecido
Algumas locuções adjetivas não possuem adjetivos correspondentes: lata de lixo, sacola de papel,
parede de tijolo, folha de papel, e outros.
Cidade, Estado, País e Adjetivo Pátrio:
Amapá: amapaense;
Amazonas: amazonense ou baré;
Anápolis: anapolino;
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Angra dos Reis: angrense;
Aracajú: aracajuano ou aracajuense;
Bahia: baiano;
Bélgica: belga;
Belo Horizonte: belo-horizontino;
Brasil: brasileiro;
Brasília: brasiliense;
Buenos Aires: buenairense ou portenho;
Cairo: cairota;
Cabo Frio: cabo-friense;
Campo Grande: campo-grandense;
Ceará: cearense;
Curitiba: curitibano;
Distrito Federal: candango ou brasiliense;
Espírito Santo: espírito-santense ou capixaba;
Estados Unidos: estadunidense ou norte americano;
Florianópolis: florianopolitano;
Florença: florentino;
Fortaleza: fortalezense;
Goiânia: goianiense; Goiás: goiano;
Japão: japonês ou nipônico;
João Pessoa: pessoense;
Londres: londrino;
Maceió: maceioense;
Manaus: manauense ou manauara;
Maranhão: maranhense;
Mato Grosso: mato-grossense;
Mato Grosso do Sul: mato-grossense-do-sul;
Minas Gerais: mineiro;
Natal: natalense ou papa-jerimum;
Nova Iorque: nova-iorquino;
Niterói: niteroiense;
Novo Hamburgo: hamburguense;
Palmas: palmense;
Pará: paraense;
Paraíba: paraibano;
Paraná: paranaense;
Pernambuco: pernambucano;
Petrópolis: petropolitano;
Piauí: piauiense;
Porto Alegre: porto-alegrense;
Porto Velho: porto-velhense;
Recife: recifense;
Rio Branco: rio-branquense;
Rio de Janeiro: carioca/ fluminense (estado);
Rio Grande do Norte: rio-grandense-do-norte ou potiguar;
Rio Grande do Sul: rio-grandense ou gaúcho;
Rondônia: rondoniano;
Roraima: roraimense;
Salvador: soteropolitano;
Santa Catarina: catarinense ou barriga-verde;
São Paulo: paulista/paulistano (cidade);
São Luís: são-luisense ou ludovicense;
Sergipe: sergipano;
Teresina: teresinense;
Tocantins: tocantinense;
Três Corações: tricordiano;
Três Rios: trirriense;
Vitória: vitoriano.
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- pode-se utilizar os adjetivos pátrios compostos, como: afro-brasileiro; Anglo-americano, franco-
italiano, sino-japonês (China e Japão); Américo-francês; luso-brasileira; nipo-argentina (Japão e
Argentina); teuto-argentinos (alemão).
- “O professor fez uma simples observação”. O adjetivo, simples, colocado antes do substantivo
observação, equivale à banal.
- “O professor fez uma observação simples”. O adjetivo simples colocado depois do substantivo
observação, equivale à fácil.
Flexões do Adjetivo: O adjetivo, como palavra variável, sofre flexões de: gênero, número e grau.
Gênero do Adjetivo: Quanto ao gênero os adjetivos classificam-se em:
- uniformes: têm forma única para o masculino e o feminino. Funcionário incompetente = funcionária
incompetente.
- biformes: troca-se a vogal o pela vogal a ou com o acréscimo da vogal a no final da palavra: ator
famoso = atriz famosa / jogador brasileiro = jogador brasileira.
Os adjetivos compostos recebem a flexão feminina apenas no segundo elemento: sociedade luso-
brasileira / festa cívico-religiosa / saia verde-escura. Vejamos alguns adjetivos biformes que apresentam
uma flexão especial: ateu – ateia / europeu – europeia / glutão – glutona / hebreu – hebreia / Judeu –
judia / mau – má / plebeu – plebeia / são – sã / vão – vã.
Atenção:
- às vezes, os adjetivos são empregados como substantivos ou como advérbios: Agia como um
ingênuo. (Adjetivo como substantivo: acompanha um artigo).
- A cerveja que desce redondo. (Adjetivo como advérbio: redondamente).
- substantivos que funcionam como adjetivos, num processo de derivação imprópria, isto é, palavra
que tem o valor de outra classe gramatical, que não seja a sua: Alguns brasileiros recebem um salário-
família. (Substantivo com valor de adjetivo).
- substituto do adjetivo: palavras / expressões de outra classe gramatical podem caracterizar o
substantivo, ficando a ele subordinadas na frase.
Semântica e sintaticamente falando, valem por adjetivos.
Vale associar ao substantivo principal outro substantivo em forma de aposto.
O rio Tietê atravessa o estado de São Paulo.
Plural do Adjetivo: o plural dos adjetivos simples flexionam de acordo com o substantivo a que se
referem: menino chorão = meninos chorões / garota sensível = garotas sensíveis / vitamina eficaz =
vitaminas eficazes / exemplo útil = exemplos úteis.
- quando os dois elementos formadores são adjetivos, só o segundo vai para o plural: questões político-
partidárias, olhos castanho-claros, senadores democrata-cristãos com exceção de: surdo-mudo = surdos-
mudos, variam os dois elementos.
- Composto formado de adjetivo + substantivo referindo-se a cores, o adjetivo cor e o substantivo
permanecem invariáveis, não vão para o plural: terno azul-petróleo = ternos azul-petróleo (adjetivo azul,
substantivo petróleo); saia amarelo-canário = saias amarelo-canário (adjetivo, amarelo; substantivo
canário).
- As locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo, ficam invariáveis: papel cor-de-rosa =
papéis cor-de-rosa / olho cor-de-mel = olhos cor-de-mel.
- São invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegrias sem-par, piadas sem-sal.
Grau do Adjetivo
Grau comparativo de: igualdade, superioridade (Analítico e Sintético) e Inferioridade;
Grau superlativo: absoluto (analítico e sintético) ou relativo (superioridade e inferioridade).
O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades dos seres. O adjetivo apresenta duas
variações de grau: comparativo e superlativo.
O grau comparativo é usado para comparar uma qualidade entre dois ou mais seres, ou duas ou
mais qualidades de um mesmo ser. O comparativo pode ser:
- de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou tão alto quão / quanto / como você. (As
duas pessoas têm a mesma altura)
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- de superioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que uma é mais do que a outra: Minha amiga
Manu é mais elegante do que / que eu. (Das duas, a Manu é mais)
O grau comparativo de superioridade possui duas formas:
Analítica: mais bom / mais mau / mais grande / mais pequeno: O salário é mais pequeno do que / que
justo (salário pequeno e justo). Quando comparamos duas qualidades de um mesmo ser, podemos usar
as formas: mais grande, mais mau, mais bom, mais pequeno.
Sintética: bom, melhor / mau, pior / grande, maior / pequeno, menor: Esta sala é melhor do que / que
aquela.
- de inferioridade: um elemento é menor do que outro: Somos menos passivos do que / que
tolerantes.
O grau superlativo: a característica do adjetivo se apresenta intensificada: O superlativo pode ser
absoluto ou relativo.
- Superlativo Absoluto: atribuída a um só ser; de forma absoluta. Pode ser:
Analítico: advérbio de intensidade muito, intensamente, bastante, extremamente, excepcionalmente +
adjetivo: Nicola é extremamente simpático.
Sintético: adjetivo + issimo, imo, ílimo, érrimo: Minha comadre Mariinha é agradabilíssima.
- o sufixo -érrimo é restrito aos adjetivos latinos terminados em r; pauper (pobre) = paupérrimo; macer
(magro) = macérrimo;
- forma popular: radical do adjetivo português + íssimo: pobríssimo;
- adjetivos terminados em vel + bilíssimo: amável = amabilíssimo;
- adjetivos terminados em eio formam o superlativo apenas com i: feio = feíssimo / cheio = cheíssimo.
- os adjetivos terminados em io forma o superlativo em iíssimo: sério = seriíssimo / necessário =
necessariíssimo / frio = friíssimo.
Algumas formas do superlativo absoluto sintético erudito (culto):
ágil = agílimo;
agradável = agradabilíssimo;
agudo = acutíssimo;
amargo = amaríssimo;
amigo = amicíssimo;
antigo = antiquíssimo;
áspero = aspérrimo;
atroz = atrocíssimo;
benévolo = benevolentíssimo;
bom = boníssimo, ótimo;
capaz = capacíssimo;
célebre = celebérrimo;
cruel = crudelíssimo;
difícil = dificílimo;
doce = dulcíssimo;
eficaz = eficacíssimo;
fácil = facílimo;
feliz = felicíssimo;
fiel = fidelíssimo;
frágil = fragílimo;
frio = frigidíssimo, friíssimo;
geral = generalíssimo;
humilde = humílimo;
incrível = incredibilíssimo;
inimigo = inimicíssimo;
jovem = juvenilíssimo;
livre = libérrimo;
magnífico = magnificentíssimo;
magro = macérrimo, magérrimo;
mau = péssimo;
miserável = miserabilíssimo;
negro = nigérrimo, negríssimo;
nobre = nobilíssimo;
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pessoal = personalíssimo;
pobre = paupérrimo, pobríssimo;
sábio = sapientíssimo;
sagrado = sacratíssimo;
simpático = simpaticíssimo;
simples = simplíssimo;
tenro = tenrríssimo;
terrível = terribilíssimo;
veloz = velocíssimo.
Usa-se também, no superlativo:
- prefixos: maxinflação / hipermercado / ultrassonografia / supersimpática.
- expressões: suja à beça / pra lá de sério / duro que nem sola / podre de rico / linda de morrer /
magro de dar pena.
- adjetivos repetidos: fofinho, fofinho (=fofíssimo) / linda, linda (=lindíssima).
- diminutivo ou aumentativo: cheinha / pequenininha / grandalhão / gostosão / bonitão.
- linguagem informa, sufixo érrimo, em fez de íssimo: chiquérrimo, chiquetérrimo, elegantérrimo.
- Superlativo Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre muitos, com a mesma qualidade. Pode
ser:
Superlativo Relativo de Superioridade: Wilma é a mais prendada de todas as suas amigas. (ela é a
mais de todas)
Superlativo Relativo de Inferioridade: Paulo César é o menos tímido dos filhos.
Emprego Adverbial do Adjetivo
O menino dorme tranquilo. / As meninas dormem tranquilas. Em ambas as frases o adjetivo concorda
em gênero e número com o sujeito.
O menino dorme tranquilamente. / As meninas dormem tranquilamente. O adjetivo assume um valor
adverbial, com o acréscimo do sufixo mente, sendo, portanto, invariável, não vai para o plural.
Sorriu amarelo e saiu. / Ficou meio chateada e calou-se. O adjetivo amarelo modificou um verbo,
portanto, assume a função de advérbio; o adjetivo meio + chateada (adjetivo) assume, também, a função
de advérbio.
Questões
01. (EEAR – SARGENTO CONTROLADOR DE TRÁFEGO AÉREO – FAB/2015) Assinale a
alternativa em que não há adjetivo.
(A) “Olhem pelas portas e janelas:
o cata-vento está de pernas para o mar.
São ideias novas que põem o mundo pra rodar."
(B) “O gato Serafim
Foi pra aula de bordado
Pra bordar um belo manto
De céu estrelado."
(C) “Eu vi um passarinho
Entre a folhagem do meu jardim,
Pequeno e gorduchinho
Brincando entre as flores de cetim."
(D) “Numa manhã
Enquanto comia maçã
Vi uma barata
Sair de trás de uma lata."
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02. Ainda sobre os adjetivos gentílicos, diz-se que quem nasce em “Lima”, “Buenos Aires” e
“Jerusalém” é:
(A) Limalho-Portenho-Jerusalense;
(B) Limenho-Bonaerense-Hierosolimita;
(C) Límio-Portenho-Jerusalita
(D) Limenho-Bonaerense-Jerusalita;
(E) Limeiro-Bonaerense-Judeu;
03. No trecho “os jovens estão mais ágeis que seus pais”, temos:
(A) um superlativo relativo de superioridade;
(B) um comparativo de superioridade;
(C) um superlativo absoluto;
(D) um comparativo de igualdade.
(E) um superlativo analítico de ágil.
04. Relacione a 1ª coluna à 2ª:
1 - água de chuva ( ) Fluvial
2 - olho de gato ( ) Angelical
3 - água de rio ( ) Felino
4 - Cara-de-anjo ( ) Pluvial
Assim temos:
(A) 1 – 4 – 2 – 3;
(B) 3 – 2 – 1 – 4;
(C) 3 – 1 – 2 – 4;
(D) 3 – 4 – 2 – 1;
(E) 4 – 3 – 1 – 2.
05. Nas orações “Esse livro é melhor que aquele” e “Este livro é mais lindo que aquele”, Há os graus
comparativos:
(A) de superioridade, respectivamente sintético e analítico;
(B) de superioridade, ambos analíticos;
(C) de superioridade, ambos sintéticos;
(D) relativos;
(E) superlativos.
06. Em que conjunto os adjetivos têm valor afetivo?
(A) Proibido entrada e aviso reles
(B) Aviso reles e pobre cão
(C) Pobre cão e custa canina
(D) Pobre cão e rico dinheirinho
(E) “Nossa Caixa” e aviso reles
07. Sabe-se que a posição do adjetivo, em relação ao substantivo, pode ou não mudar o sentido do
enunciado. Assim, nas frases “Ele é um homem pobre” e “Ele é um pobre homem”.
(A) 1ª fala de um sem recursos materiais; a 2ª fala de um homem infeliz;
(B) a 1ª fala de um homem infeliz; a 2ª fala de um homem sem recursos materiais;
(C) em ambos os casos, o homem é apenas infeliz, sem fazer referência a questões materiais;
(D) em ambos os casos o homem é apenas desprovido de recursos;
(E) o homem é infeliz e desprovido de recursos materiais, em ambas.
08. O item em que a locução adjetiva não corresponde ao adjetivo dado é:
(A) hibernal - de inverno;
(B) filatélico - de folhas;
(C) discente - de alunos;
(D) docente - de professor;
(E) onírico - de sonho.
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09. Assinale a alternativa em que todos os adjetivos têm uma só forma para os dois gêneros:
(A) andaluz, hindu, comum;
(B) europeu, cortês, feliz;
(C) fofo, incolor, cru;
(D) superior, agrícola, namorador;
(E) exemplar, fácil, simples.
Respostas
01. Resposta D
Alternativa A: adjetivo - novas
Alternativa B: adjetivo – belo
Alternativa c: adjetivos: pequeno e gorduchinho
02. Resposta B
03. Resposta B
04. Resposta D
05. Resposta A
06. Resposta D
07. Resposta A
08. Resposta B
Filatélico = hábito de colecionar selos.
09. Resposta E
Numeral
Os numerais exprimem quantidade, posição em uma série, multiplicação e divisão. Daí a sua
classificação, respectivamente, em: cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários.
- Cardinal: indica número, quantidade: um, dois, três, oito, vinte, cem, mil;
- Ordinal: indica ordem ou posição: primeiro, segundo, terceiro, sétimo, centésimo;
- Fracionário: indica uma fração ou divisão: meio, terço, quarto, quinto, um doze avos;
- Multiplicativo: indica a multiplicação de um número: duplo, dobro, triplo, quíntuplo.
Os numerais que indicam conjunto de elementos de quantidade exata são os coletivos:
BIMESTRE: período de dois meses
CENTENÁRIO: período de cem anos
DECÁLOGO: conjunto de dez leis
DECÚRIA: período de dez anos
DEZENA: conjunto de dez coisas
DÍSTICO: dois versos
DÚZIA: conjunto de doze coisas
GROSA: conjunto de doze dúzias
LUSTRO: período de cinco anos
MILÊNIO: período de mil anos
MILHAR: conjunto de mil coisas
NOVENA: período de nove dias
QUARENTENA: período de quarenta dias
QUINQUÊNIO: período de cinco anos
RESMA: quinhentas folhas de papel
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SEMESTRE: período de seis meses
SEPTÊNIO: período de sete meses
SEXÊNIO: período de seis anos
TERNO: conjunto de três coisas
TREZENA: período de treze dias
TRIÊNIO: período de três anos
TRINCA: conjunto de três coisas
Algarismos: Arábicos e Romanos, respectivamente: 1-I, 2-II, 3-III, 4-IV, 5-V, 6-VI, 7-VII, 8-VIII, 9-IX,
10-X, 11-XI, 12-XII, 13-XIII, 14-XIV, 15-XV, 16-XVI, 17-XVII, 18-XVIII, 19-XIX, 20-XX, 30-XXX, 40-XL, 50-
L, 60-LX, 70-LXX, 80-LXXX, 90-XC, 100-C, 200-CC, 300-CCC, 400-CD, 500-D, 600-DC, 700-DCC, 800-
DCCC, 900-CM, 1.000-M.
Numerais Cardinais: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze,
catorze ou quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte..., trinta..., quarenta...,
cinquenta..., sessenta..., setenta..., oitenta..., noventa..., cem..., duzentos..., trezentos..., quatrocentos...,
quinhentos..., seiscentos..., setecentos..., oitocentos..., novecentos..., mil.
Numerais Ordinais: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo,
décimo primeiro, décimo segundo, décimo terceiro, décimo quarto, décimo quinto, décimo sexto, décimo
sétimo, décimo oitavo, décimo nono, vigésimo..., trigésimo..., quadragésimo..., quinquagésimo...,
sexagésimo..., septuagésimo..., octogésimo..., nonagésimo..., centésimo..., ducentésimo...,
trecentésimo..., quadringentésimo..., quingentésimo..., sexcentésimo..., septingentésimo...,
octingentésimo..., nongentésimo..., milésimo.
Numerais Multiplicativos: dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo, nônuplo,
décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo.
Numerais Fracionários: meia, metade, terço, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, onze
avos, doze avos, treze avos, catorze avos, quinze avos, dezesseis avos, dezessete avos, dezoito avos,
dezenove avos, vinte avos..., trinta avos..., quarenta avos..., cinquenta avos..., sessenta avos..., setenta
avos..., oitenta avos..., noventa avos..., centésimo..., ducentésimo..., trecentésimo..., quadringentésimo...,
quingentésimo..., sexcentésimo..., septingentésimo..., octingentésimo..., nongentésimo..., milésimo.
Flexão dos Numerais
Gênero
- os numerais cardinais um, dois e as centenas a partir de duzentos apresentam flexão de gênero:
Um menino e uma menina foram os vencedores. / Comprei duzentos gramas de presunto e duzentas
rosquinhas.
- os numerais ordinais variam em gênero: Marcela foi a nona colocada no vestibular.
- os numerais multiplicativos, quando usados com o valor de substantivos, são variáveis: A minha nota
é o triplo da sua. (Triplo – valor de substantivo)
- quando usados com valor de adjetivo, apresentam flexão de gênero: Eu fiz duas apostas triplas na
lotofácil. (Triplas valor de adjetivo)
- os numerais fracionários concordam com os cardinais que indicam o número das partes: Dois terços
dos alunos foram contemplados.
- o fracionário meio concorda em gênero e número com o substantivo no qual se refere: O início do
concurso será meio-dia e meia. (Hora) / Usou apenas meias palavras.
Número
- os numerais cardinais milhão, bilhão, trilhão, e outros, variam em número: Venderam um milhão de
ingressos para a festa do peão. / Somos 180 milhões de brasileiros.
- os numerais ordinais variam em número: As segundas colocadas disputarão o campeonato.
- os numerais multiplicativos são invariáveis quando usados com valor de substantivo: Minha dívida é
o dobro da sua. (Valor de substantivo – invariável)
- os numerais multiplicativos variam quando usados como adjetivos: Fizemos duas apostas triplas.
(Valor de adjetivo – variável)
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- os numerais fracionários variam em número, concordando com os cardinais que indicam números
das partes.
- Um quarto de litro equivale a 250 ml; três quartos equivalem a 750 ml.
Grau
Na linguagem coloquial é comum a flexão de grau dos numerais: Já lhe disse isso mil vezes. / Aquele
quarentão é um “gato”! / Morri com cincão para a “vaquinha”, lá da escola.
Emprego dos Numerais
- para designar séculos, reis, papas, capítulos, cantos (na poesia épica), empregam-se: os ordinais até
décimo: João Paulo II (segundo). Canto X (décimo) / Luís IV (nono); os cardinais para os demais: Papa
Bento XVI (dezesseis); Século XXI (vinte e um).
- se o numeral vier antes do substantivo, usa-se o ordinal. O XX século foi de descobertas científicas.
(Vigésimo século)
- com referência ao primeiro dia do mês, usa-se o numeral ordinal: O pagamento do pessoal será
sempre no dia primeiro.
- na enumeração de leis, decretos, artigos, circulares, portarias e outros textos oficiais, emprega-se o
numeral ordinal até o nono: O diretor leu pausadamente a portaria 8ª. (portaria oitava)
- emprega-se o numeral cardinal, a partir de dez: O artigo 16 não foi justificado. (Artigo dezesseis)
- enumeração de casa, páginas, folhas, textos, apartamentos, quartos, poltronas, emprega-se o
numeral cardinal: Reservei a poltrona vinte e oito. / O texto quatro está na página sessenta e cinco.
- se o numeral vier antes do substantivo, emprega-se o ordinal. Paulo César é adepto da 7ª Arte.
(Sétima)
- não se usa o numeral um antes de mil: Mil e duzentos reais é muito para mim.
- o artigo e o numeral, antes dos substantivos milhão, milhar e bilhão, devem concordar no masculino:
- Quando o sujeito da oração é milhões + substantivo feminino plural, o particípio ou adjetivo podem
concordar, no masculino, com milhões, ou com o substantivo, no feminino. Dois milhões de notas falsas
serão resgatados ou serão resgatadas (milhões resgatados / notas resgatadas)
- os numerais multiplicativos quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo e óctuplo valem como substantivos para
designar pessoas nascidas do mesmo parto: Os sêxtuplos, nascidos em Lucélia, estão reagindo bem.
- emprega-se, na escrita das horas, o símbolo de cada unidade após o numeral que a indica, sem
espaço ou ponto: 10h20min – dez horas, vinte minutos.
- não se emprega a conjunção e entre os milhares e as centenas: mil oitocentos e noventa e seis. Mas
1.200 – mil e duzentos (o número termina numa centena com dois zeros)
Questões
01. Marque o emprego incorreto do numeral:
(A) século III (três)
(B) página 102 (cento e dois)
(C) 80º (octogésimo)
(D) capítulo XI (onze)
(E) X tomo (décimo)
02. Indique o item em que os numerais estão corretamente empregados:
(A) Ao Papa Paulo seis sucedeu João Paulo primeiro.
(B) após o parágrafo nono, virá o parágrafo dez.
(C) depois do capítulo sexto, li o capítulo décimo primeiro.
(D) antes do artigo décimo vem o artigo nono.
(E) o artigo vigésimo segundo foi revogado.
Respostas
01. Resposta A
O numeral quando for usado para designar Papas, reis, séculos, capítulos etc, usam-se: Os ordinais
de 1 a 10; Os cardinais de 11 em diante.
Logo, a letra A está incorreta por estar grafado século três, quando o correto é século terceiro.
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02. Resposta B
Está corretamente grafado parágrafo nono e parágrafo dez na alternativa B, pois os numerais ordinais
são de 1 a 09. De 10 em diante usamos os cardinais.
Pronome
É a palavra que acompanha ou substitui o nome, relacionando-o a uma das três pessoas do discurso.
As três pessoas do discurso são:
1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou emissor;
2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se fala ou receptor;
3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de quem se fala ou referente.
Dependendo da função de substituir ou acompanhar o nome, o pronome é, respectivamente: pronome
substantivo ou pronome adjetivo.
Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento, possessivos, demonstrativos, indefinidos,
interrogativos e relativos.
Pronomes Pessoais: Os pronomes pessoais dividem-se em:
- retos - exercem a função de sujeito da oração: eu, tu, ele, nós, vós, eles:
- oblíquos - exercem a função de complemento do verbo (objeto direto / objeto indireto) ou as, lhes. -
Ela não vai conosco. (ela-pronome reto / vai-verbo / conosco complemento nominal. São: tônicos com
preposição: mim, comigo, ti, contigo,si, consigo, conosco, convosco; átonos sem preposição: me, te,
se, o, a, lhe, nos, vos, os,-pronome oblíquo) - Eu dou atenção a ela. (eu-pronome reto / dou-verbo /
atenção-nome / ela-pronome oblíquo)
Saiba mais sobre os Pronomes Pessoais
- Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pessoa, apresentam sempre a forma: o, a,
os, as: Eu os vi saindo do teatro.
- As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os pronomes pessoais do caso reto: - Eu vi só ele
ontem.
- Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pessoa apresentam as formas:
o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral: Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente.
o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z, assumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo,
consequentemente, as terminações R, S, Z. Preciso pagar ao verdureiro. = pagá-lo; Fiz os exercícios a
lápis. = Fi-los a lápis.
lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos - Eis a prova do suborno. = Ei-la; O tempo nos dirá.
= no-lo dirá. (eis, nos, vos perdem o S)
no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m, ão, õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos
sobre a mesa.
lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural, terminado em S não modificado: Nós
entregamoS-lhe a cópia do contrato. (o S permanece)
nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural, perde o S: Sentamo-nos à mesa para um café
rápido.
me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos transitivos diretos (TD), têm sentido possessivo,
equivalendo a meu, teu, seu, dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a esperança. (sua, dele, dela
possessivo)
as formas conosco e convosco são substituídas por: com + nós, com + vós. seguidos de: ambos, todos,
próprios, mesmos, outros, numeral: Marianne garantiu que viajaria com nós três.
o pronome oblíquo funciona como sujeito com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar, sentir e
ver+verbo no infinitivo. Deixe-me sentir seu perfume. (Deixe que eu sinta seu perfume me-- sujeito do
verbo deixar - Mandei-o calar. (= Mandei que ele calasse), o= sujeito do verbo mandar.
os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o nome de pronomes recíprocos quando
expressam uma ação mútua ou recíproca: Nós nos encontramos emocionados. (pronome recíproco, nós
mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei. / Eu jà se arrumei; Eu me apavorei. / Eu me arrumei. (certos)
- Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituidos por mim e ti após prepõsição: O segredo
ficará somente entre mim e ti.
- É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu, quando funcionarem como Sujeito: Todos
pediram para eu relatar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no infinitivo). Lembre-se de que
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mim não fala, não escreve, não compra, não anda. Somente o Tarzã e o Capitão Caverna dizem: mim
gosta / mim tem / mim faz. / mim quer.
- As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas como complemento de verbos transitivos
diretos ao passo que as formas lhe, lhes são empregadas como complementos de verbos transitivos
indiretos: Dona Cecília, querida amiga, chamou-a. (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa
comadre, Nircléia, obedeceu-lhe. (verbo transitivo indireto,VTI)
- É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo a gente, substituindo o pronome pessoal
nós: A gente deve fazer caridade com os mais necessitados.
- Os pronomes pessoais retos ele, eles, ela, elas, nós e vós serão pronomes pessoais oblíquos quando
empregados como complementos de um verbo e vierem precedidos de preposição. O conserto da
televisão foi feito por ele. (ele= pronome oblíquo)
- Os pronomes pessoais ele, eles e ela, elas podem se contrair com as preposições de e em: Não vejo
graça nele./ Já frequentei a casa dela.
- Se os pronomes pessoais retos ele, eles, ela, elas estiverem funcionando como sujeito, e houver
uma preposição antes deles, não poderá haver uma contração: Está na hora de ela decidir seu caminho.
(ela -sujeito de decidir; sempre com verbo no infinitivo)
- Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes pessoais que se referem ao sujeito: Eu me
feri com o canivete. (eu - 1ª pessoa- sujeito / me- pronome pessoal reflexivo)
- Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser empregados somente como pronomes
pessoais reflexivos e funcionam como complementos de um verbo na 3ª pessoa, cujo sujeito é também
da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com elegância e levou consigo (com ela própria) todos os olhares.
(Nicole-sujeito, 3ª pessoa/ levantou -verbo 3ª pessoa / se- complemento 3ª pessoa / levou- verbo- 3ª
pessoa / consigo - complemento 3ª pessoa)
- O pronome pessoal oblíquo não funciona como reflexivo se não se referir ao sujeito: Ela me protegeu
do acidente. (ela - sujeito 3ª pessoa me complemento 1ª pessoa)
- Você é segunda ou terceira pessoa? Na estrutura da fala, você é a pessoa a quem se fala e, portanto,
da 2ª pessoa. Por outro lado, você, como os demais pronomes de tratamento - senhor, senhora,
senhorita, dona, pede o verbo na 3ª pessoa, e não na 2ª.
- Os pronomes oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes (formas de objeto indireto, 0I) juntam-se a o, a, os,
as (formas de objeto direto), assim: me+o: mo/+a: ma/+ os: mos/+as: mas: - Recebi a carta e agradeci
aojovem, que ma trouxe. nos +o: no-lo / + a: no-la / + os: no-los / +as: no-las: -Venderíamos a casa, se
no-la exigissem. te+ o: to/+ a: ta/+ os: tos/+ as: tas: -Dei-te os meus melhores dias. Dei-tos. lhe+ o: lho/+
a: lha/+ os: lhos/+ as:lhas: -Ofereci -lhe flores. Ofereci-lhas. vos+ o: vo-lo/+ a: vo-la/+ os: vo-los/+ as:
vo-las: - Pedi-vos conselho. Pedi vo-lo.
No Brasil, quase não se usam essas combinações (mo, to, lho, nolo, vo-lo), são usadas somente em
escritores mais sofisticados.
Pronomes de Tratamento: São usados no trato com as pessoas. Dependendo da pessoa a quem
nos dirigimos, do seu cargo, idade, título, o tratamento será familiar ou cerimonioso: Vossa Alteza-V.A.-
príncipes, duques; Vossa Eminência-V.Ema-cardeais; Vossa Excelência-V.Ex.a-altas autoridades,
presidente, oficiais; Vossa Magnificência-V.Mag.a-reitores de universidades; Vossa Majestade-V.M.-reis,
imperadores; Vossa Santidade-V.S.-Papa; Vossa Senhoria-V.Sa-tratamento cerimonioso.
- São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, a senhorita, dona, você.
- Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Nas comunicações oficiais devem ser
utilizados somente dois fechos:
- Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive para o presidente da República.
- Atenciosamente: para autoridades de mesmahierarquia oude hierarquia inferior.
- A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada quando se fala com a própria pessoa: Vossa
Senhoria não compareceu à reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa)
- A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o
cardeal, viajouparaum Congresso. (falando a respeito do cardeal)
- Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria, Excelência, Eminência, Majestade),
embora indiquem a 2ª pessoa (com quem se fala), exigem que outros pronomes e o verbo sejam usados
na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que seus ministros o apoiarão.
Pronomes Possessivos: São os pronomes que indicam posse em relação às pessoas da fala.
Singular: 1ª pessoa: meu, meus, minha, minhas; 2ª pessoa: teu, teus, tua, tuas; 3ª pessoa: seu, seus,
sua, suas;
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Plural: 1ª pessoa: nosso/os nossa/as, 2ª pessoa: vosso/os vossa/as. 3ª pessoa: seu, seus, sua, suas.
Emprego dos Pronomes Possessivos
- O uso do pronome possessivo da 3ª pessoa pode provocar, às vezes, a ambiguidade da frase. João
Luís disse que Laurinha estava trabalhando em seu consultório.
- O pronome seu toma o sentido ambíguo, pois pode referir - se tanto ao consultório de João Luís
como ao de Laurinha. No caso, usa-se o pronome dele, dela para desfazer a ambiguidade.
- Os possessivos, às vezes, podem indicar aproximações numéricas e não posse: Cláudia e Haroldo
devem ter seus trinta anos.
- Na linguagem popular, o tratamento seu como em: Seu Ricardo, pode entrar!, não tem valor
possessivo, pois é uma alteração fonética da palavra senhor
- Os pronomes possessivos podem ser substantivados: Dê lembranças a todos os seus.
- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
livros e anotações.
- Usam-se elegantemente certos pronomes oblíquos: me, te, lhe, nos, vos, com o valor de possessivos.
Vou seguir-lhe os passos. (os seus passos)
- Deve-se observar as correlações entre os pronomes pessoais e possessivos. “Sendo hoje o dia do
teu aniversário, apresso-me em apresentar-te os meus sinceros parabéns; Peço a Deus pela tua
felicidade; Abraça-te o teu amigo que te preza.”
- Não se emprega o pronome possessivo (seu, sua) quando se trata de parte do corpo. Veja: “Um
cavaleiro todo vestido de negro, com um falcão em seu ombro esquerdo e uma espada em sua, mão”.
(usa-se: no ombro; na mão)
Pronomes Demonstrativos: Indicam a posição dos seres designados em relação às pessoas do
discurso, situando-os no espaço ou no tempo. Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis.
- Em relação ao espaço:
Este (s), esta (s), isto: indicam o ser ou objeto que está próximo da pessoa que fala. Exemplo: Este
é o meu primeiro celular, amigos.
Esse (s), essa (s), isso: designam a pessoa ou a coisa próxima daquela com quem falamos ou para
quem escrevemos. Exemplo: Senhor, quanto custa esse pacote de milho?
Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam o ser ou objeto que está longe de quem fala e da pessoa de
quem se fala (3ª pessoa). Exemplo: Você pode me emprestar aquele livro de matemática?
Observação:
Os pronomes “Aquele(s)”, “Aquela(s)” também podem indicar afastamento temporal. Exemplos:
Aqueles belos tempos que não voltam mais.
Naquela época eram todas unidas.
- Em relação ao tempo:
Este (s), esta (s), isto: indicam o tempo presente em relação ao momento em que se fala. Exemplo:
Este mês termina o prazo das inscrições para o vestibular da FAL.
Esse (s), essa (s), isso: designam tempo no passado ou no futuro. Exemplos: Onde você esteve essa
semana toda? / Sei que serei aprovado e, quando chegar esse momento, serei feliz!
Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam um tempo distante em relação ao momento em que se fala.
Exemplo: Bons tempos aqueles em que brincávamos descalços na rua...
- dependendo do contexto, também são considerados pronomes demonstrativos o, a, os, as, mesmo,
próprio, semelhante, tal, equivalendo a aquele, aquela, aquilo. O próprio homem destrói a natureza;
Depois de muito procurar, achei o que queria; O professor fez a mesma observação; Estranhei
semelhante coincidência; Tal atitude é inexplicável.
- para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e variações) para o elemento que foi referido
em 1º Iugar e este (e variações) para o que foi referido em último lugar. Pais e mães vieram à festa de
encerramento; aqueles, sérios e orgulhosos, estas, elegantes e risonhas.
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- dependendo do contexto os demonstrativos também servem como palavras de função intensificadora
ou depreciativa. Júlia fez o exercício com aquela calma! (=expressão intensificadora). Não se preocupe;
aquilo é uma tranqueira! (=expressão depreciativa)
- as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de então ou nesse momento. A festa estava
desanimada; nisso, a orquestra tocou um samba e todos caíram na dança.
- os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um elemento anteriormente expresso.
Ninguém ligou para o incidente, mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo.
Pronomes Indefinidos: São aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de modo vago indefinido,
impreciso: Alguém disse que Paulo César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são variáveis em
gênero e número; outros são invariáveis.
Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, vários, tanto, quanto, um, bastante,
qualquer.
Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem, nada, cada, mais, menos, demais.
Emprego dos Pronomes Indefinidos
Não sei de pessoa alguma capaz de convencê-lo. (alguma, equivale a nenhum)
- Em frases de sentido negativo, nenhum (e variações) equivale ao pronome indefinido um: Fiquei
sabendo que ele não é nenhum ignorante.
- O indefinido cada deve sempre vir acompanhado de um substantivo ou numeral, nunca sozinho:
Ganharam cem dólares cada um. (inadequado: Ganharam cem dólares cada.)
- Colocados depois do substantivo, os pronomes algum/alguma ganham sentido negativo. Este ano,
funcionário público algum terá aumento digno.
- Colocados antes do substantivo, os pronomes algum/alguma ganham sentido positivo. Devemos
sempre ter alguma esperança.
- Certo, certa, certos, certas, vários, várias, são indefinidos quando colocados antes do substantivo e
adjetivos, quando colocados depois do substantivo: Certo dia perdi o controle da situação. (antes do
substantivo= indefinido); Eles voltarão no dia certo. (depois do substantivo=adjetivo).
- Todo, toda (somente no singular) sem artigo, equivale a qualquer: Todo ser nasce chorando.
(=qualquer ser; indetermina, generaliza).
- Outrem significa outra pessoa: Nunca se sabe o pensamento de outrem.
- Qualquer, plural quaisquer: Fazemos quaisquer negócios.
Locuções Pronominais Indefinidas: São locuções pronominais indefinidas duas ou mais palavras
que equiva em ao pronome indefinido: cada qual / cada um / quem quer que seja / seja quem for / qualquer
um / todo aquele que / um ou outro / tal qual (=certo) / tal e, ou qual /
Pronomes Relativos: São aqueles que representam, numa 2ª oração, alguma palavra que já
apareceu na oração anterior. Essa palavra da oração anterior chama-se antecedente: Comprei um carro
que é movido a álcool e à gasolina. É Flex Power. Percebe-se que o pronome relativo que, substitui na
2ª oração, o carro, por isso a palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por o, a, os, as,
qual / quais.
Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e invariáveis.
Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, cujas, quanto, quantos;
Invariáveis: que, quem, quando, como, onde.
Emprego dos Pronomes Relativos
- O relativo que, por ser o mais usado, é chamado de relativo universal. Ele pode ser empregado com
referência à pessoa ou coisa, no plural ou no singular: Este é o CD novo que acabei de comprar; João
Adolfo é o cara que pedi a Deus.
- O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome demonstrativo o, a, os, as: Não entendi o
que você quis dizer. (o que = aquilo que).
- O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre precedido de preposição: Marco Aurélio é o
advogado a quem eu me referi.
- O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual, de quem e estabelecem relação de posse
entre o antecedente e o termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos)
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- O pronome relativo pode vir sem antecedente claro, explícito; é classificado, portanto, como relativo
indefinido, e não vem precedido de preposição: Quem casa quer casa; Feliz o homem cujo objetivo é a
honestidade; Estas são as pessoas de cujos nomes nunca vou me esquecer.
- Só se usa o relativo cujo quando o conseqüente é diferente do antecedente: O escritor cujo livro te
falei é paulista.
- O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois de si.
- O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a: em que, no qual: Desconheço o lugar onde
vende tudo mais barato. (= lugar em que)
- Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados depois de tudo, todos, tanto: Naquele
momento, a querida comadre Naldete, falou tudo quanto sabia.
Pronomes Interrogativos: São os pronomes em frases ínterrogativas diretas ou indiretas. Os
principais interrogativos são: que, quem, qual, quanto:
- Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? (interrogativa direta, com o ponto de interrogação)
- Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade. (interrogativa indireta, sem a interrogação)
Questões
01. (Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM) Observe as sentenças abaixo.
I. Esta é a professora de cuja aula todos os alunos gostam.
II. Aquela é a garota com cuja atitude discordei - tornamo-nos inimigas desde aquele episódio.
III. A criança cuja a família não compareceu ficou inconsolável.
O pronome ‘cuja’ foi empregado de acordo com a norma culta da língua portuguesa em:
(A) apenas uma das sentenças
(B) apenas duas das sentenças.
(C) nenhuma das sentenças.
(D) todas as sentenças.
02. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática - MPE)
Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depois
de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do
perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira
amigo de todo mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados
elos latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos
fracos – uma forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções _______qualquer
regra, todos os estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet
são mais fracas, sim, do que aquelas que nascem e se desenvolvem fora dela. Isso não é inteiramente
ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e
gostam das mesmas coisas. Os elos fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes do seu e, por isso,
podem lhe apresentar novas pessoas e ampliar seus horizontes – gerando uma renovação de ideias que
faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. O problema é que a maioria das
redes na Internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar
reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela. Como é meio grosseiro dizer "não" ________
alguém que você conhece, todo mundo acaba adicionando todo mundo. E isso vai levando ________
banalização do conceito de amizade.
É verdade. Mas, com a chegada de sítios como o Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é uma rede
social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de "seguidores" e "seguidos" de alguém
possam se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter, o sociólogo
Nicholas Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus amigos tinham começado a se
comunicar entre si independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o
próprio Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter, eu posso me interessar pelo que você tem a
dizer e começar a te seguir. Nós não nos conhecemos.
Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar seu nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus
seguidores também podem se interessar pelos seus tuítes e começar a seguir você. Em suma, nós
continuaremos não nos conhecendo, mas as pessoas que estão ________ nossa volta podem virar
amigas entre si.
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Adaptado de: COSTA, C. C.. Disponível em: <http://super.abril.com.br/cotidiano/como-internet-estamudando-amizade-619645.shtml>.
Acesso em: 1º de outubro de 2012.
Considere as seguintes afirmações sobre a relação que se estabelece entre algumas palavras do texto
e os elementos a que se referem.
I. No segmento que nascem, a palavra que se refere a amizades.
II. O segmento elos fracos retoma o segmento uma forma superficial de amizade.
III. Na frase Nós não nos conhecemos, o pronome Nós refere-se aos pronomes eu e você.
Quais estão corretas?
(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas III.
(D) Apenas I e II.
(E) I, II e III.
03. (CRESS/PR – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – QUADRIX/2015)
Assinale a alternativa em que haja apenas pronomes.
(A) “ver” (1º quadrinho) e “a gente” (3º quadrinho).
(B) “este” (1º quadrinho) e “que” (2º quadrinho).
(C) “de” (1º quadrinho) e “crianças” (2º quadrinho).
(D) “novo” (1º quadrinho) e “quando” (4º quadrinho).
(E) “sempre” (3º quadrinho) e “os” (4º quadrinho).
04. (MSGás – Analista Contábil - MSGás/2015) Leia o fragmento a seguir.
A CADEIRA DE DENTISTA
Fazia dois anos que não ___________ numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem
por todo esse tempo sem reclamar de um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava
a suar frio folheando velhas revistas na antessala e __________ antes de ser atendido. Na única ocasião
em que botei o pé no gabinete do odontólogo – tem uns seis meses -, quando ele __________ o preço
do serviço, a dor ___________ do dente para o bolso.
NOVAES, Carlos Eduardo. A cadeira do dentista e outras crônicas. V.15. São Paulo: Ática, 2001. p.48 (Fragmento)
Com relação à colocação pronominal, a sequência correta para preencher as lacunas é:
(A) me sentava, me escafedia, me informou, transferiu-se.
(B) me sentava, me escafedia, informou-me, se transferiu.
(C) sentava-me, escafedia-me, informou-me, se transferiu.
(D) sentava-me, escafedia-me, informou-me, transferiu-se.
05. TCE-CE - Técnico de Controle Externo-Administração - FCC/2015)
Preconceitos
Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são rótulos prontos e aceitos para serem colados
no que mal conhecemos. São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos, ideias antes de bem
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distinguir o que sejam. São, nessa medida, profundamente injustos, podendo acarretar consequências
dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim, é forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem
alimentar e externar algum preconceito.
São em geral formulados com um alcance genérico: “o povo tal não presta”, “quem nasce ali é assim”,
“música clássica é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensamnos de pensar, de
reconhecer particularidades, de identificar a personalidade própria de cada um. “Detesto filmes
franceses”, me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador. “Quem viu um já viu todos”,
arrematou ele, coroando sua forma preconceituosa de julgar.
Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade que nosso gosto é sempre seletivo, mas ele
escolhe por um critério mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”, dizemos às vezes. Mas o
preconceito tem raízes sociais mais fundas: ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem apelação,
e quando damos por nós estamos repetindo algo que sequer investigamos. Uma das funções da justiça
institucionalizada é evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e objetividade, por meio de leis.
Adotar uma posição racista, por exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que
passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas.
(Bolívar Lacombe, inédito)
Empregam-se corretamente as expressões destacadas em:
(A) O crime racial constitui uma maneira de penalizar aqueles de que se deixam levar por atitudes que
rejeitam um outro a quem se é diferente.
(B) As ações movidas por preconceito, aonde se observa um juízo prévio de um indivíduo de que não
se conhece muito bem, devem ser repreendidas.
(C) A propagação de preconceitos, fenômeno pelo qual todos podemos ser responsáveis, deve ser
abrandada por penalizações rigorosas, às quais os infratores estejam sujeitos.
(D) O preconceito é uma maneira com que os grupos sociais encontraram para excluir aqueles que
são considerados estranhos e de quem não se confia.
(E) As leis são um meio ao qual o preconceito pode ser contido, mas não extinto, pois ele estará
presente mesmo nas culturas às quais o punem com rigor.
06. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC) Texto associado à questão:
A relação do baiano Dorival Caymmi com a música teve início quando, ainda menino, cantava no coro
da igreja com voz de baixo-cantante. Esse pontapé inicial foi o estímulo necessá-rio para a construção,
já em terras cariocas, entre reis e rainhas do rádio, de um estilo inconfundível quase sem seguidores na
música popular brasileira.
No Rio, em 1938, depois de pegar um lia (navios que faziam transporte de passageiros do norte do
país em direção ao sul) em busca de melhores oportunidades de emprego, Dorival Caymmi chegou a
pensar em ser jornalista e ilustrador. No entanto, para felicidade de seu amigo Jorge Amado, acabou
sendo cooptado pelo mar de melodias e poesias que circulava em seu rico processo de criação.
A obra de Caymmi é equilibrada peta qualidade: melodia e letra apresentam um grande poder de
sintetizar o simples, eternizar o regional, declarar em música as tradições de sua amada Bahia, O mar,
Itapoã, as festas do Bonfim e da Conceição da Praia, os fortes em ruínas, tudo sobrevive em Caymmi,
que cresceu ouvindo histórias nas praias da Bahia, junto aos pescadores, convivendo com o drama das
mulheres que esperam seus maridos voltarem (ou não) em saveiros e jangadas.
(André Diniz Almanaque do samba Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed , 2006 p 78)
... tudo sobrevive em Caymmi ... (3º parágrafo)
O pronome grifado acima
(A) indica a presença de alguns temas, sobretudo ligados ás festividades da Bahia, que despertavam
a curiosidade de alguns cantores nessa época.
(B) acentua a importância de Caymmi como um famoso compositor do rádio, o meio de divulgação
mais conhecido no Rio de Janeiro.
(C) demonstra as influências recebidas por Caymmi de cantores famosos no Rio de Janeiro, que
garantiram o sucesso de suas músicas.
(D) refere-se a presença dos diferentes elementos que serviram de inspiração para outros
compositores, que também faziam sucesso no rádio.
(E) sintetiza a sequência, que vinha sido apresentada, dos temas referentes à Bahia abordados por
Caymmi em suas músicas.
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07. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC) Texto associado à questão Ver texto associado à
questão
“Se os cachorros correm livremente, por que eu não posso fazer isso também?”, pergunta Bob Dylan
em “New Morning” . Bob Dylan verbaliza um anseio sentido por todos nós, humanos supersocializados:
o anseio de nos livrarmos de todos os constrangimentos artificiais decorrentes do fato de vivermos em
uma sociedade civilizada em que às vezes nos sentimos presos a uma correia. Um conjunto cultural de
regras tácitas e inibições está sempre governando as nossas interações cotidianas com os outros.
Uma das razões pelas quais os cachorros nos atraem é o fato de eles serem tão desinibidos e livres.
Parece que eles jogam com as suas próprias regras, com a sua própria lógica interna. Eles vivem em um
universo paralelo e diferente do nosso - um universo que lhes concede liberdade de espírito e paixão pela
vida enormemente atraentes para nós. Um cachorro latindo ao vento ou uivando durante a noite faz agitar-
se dentro de nós alguma coisa que também quer se expressar.
Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção as nossas
convenções sociais. Metem o nariz onde não são convidados, pulam para cima do sofá, devoram
alegremente a comida que cai da mesa. Os cachorros raramente se refreiam quando querem fazer
alguma coisa. Eles não compartilham conosco as nossas inibições. Suas emoções estão à flor da pele e
eles as manifestam sempre que as sentem.
(Adaptado de Matt Weistein e Luke Barber. Cão que late não morde. Trad. de Cristina Cupertino. S.Paulo: Francis, 2005. p 250)
A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi
realizada corretamente em:
(A) devoram alegremente a comida = devoram-a alegremente
(B) fazer alguma coisa = fazê-la
(C) metem o nariz = metem-lhe
(D) não compartilham [...] as nossas inibições = não lhes compartilham
(E) verbaliza um anseio = verbalizá-lo
08. (TRT - 3ª Região (MG)- Técnico Judiciário - Área Administrativa - FCC/2015)
Lições dos museus
Os museus, ao contrário do que se imagina, são uma invenção moderna: nasceram durante a
Revolução Francesa, no final do século XVIII. Os parisienses revoltados arrebentaram as casas dos
nobres e se serviram de bens, mobiliário e objetos de arte. O quebra-quebra era um jeito de decretar que
acabara o tempo dos privilégios. A Assembleia Nacional debateu durante meses para chegar à conclusão
de que os restos do luxo dos aristocratas deviam ser considerados patrimônio da nação. Seriam, portanto,
reunidos e instalados em museus que todos visitariam, preservando agradavelmente a lembrança de
tempos anteriores.
A questão em debate era a seguinte: será que fazia sentido preservar o passado, uma vez que estava
começando uma nova era em que os indivíduos não mais seriam julgados por sua origem, mas por sua
capacidade e potencialidades pessoais? Não seria lógico destruir os vestígios de épocas injustas para
começar tudo do zero? Prevaleceu o partido segundo o qual era bom conservar os restos do passado
iníquo e transformá-los em memórias coletivas.
Dessa escolha nasceram os museus e, logo depois, a decisão de preservar os monumentos históricos.
Na mesma época, na Europa inteira, ganhou força o interesse pela História. A justificativa seria: lembrar
para não repetir. Não deu muito certo, ao que tudo indica, pois nunca paramos de repetir o pior. No fundo,
não queremos que o passado decida nosso destino: o que nos importa, em princípio, é sempre o futuro.
(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 330-331)
Está correto o emprego do elemento em negrito na seguinte frase:
(A) Os debates da Assembleia Nacional, à que se refere o autor, foram calorosos.
(B) As casas dos nobres de cujas se lançaram os revoltosos foram saqueadas.
(C) O tempo com que frequentemente nos importamos não é o passado, mas o futuro.
(D) Há no passado muitas lições históricas em cujas podemos aprender.
(E) Os museus e os monumentos são instituições aonde algum aprendizado da história sempre se dá.
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09. (IPHAN - Arqueólogo - CETRO/2015) De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e
em relação às regras de colocação pronominal, assinale a alternativa correta.
(A) Ninguém manifestou-se contra a decisão do juiz.
(B) Não entristecer-me-ia se Mônica não pudesse vir à festa.
(C) Ainda que o torturassem, Felipe não entregaria o amigo.
(D) Esta é uma situação que constrange-me demais.
(E) Deus livre-nos de uma tragédia como essa!
10. TRF/4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Engenharia Elétrica - FCC
Entre 1874 e 1876, apareceu numa revista alemã uma série de artigos sobre a pintura italiana. Eles
vinham assinados por um desconhecido estudioso russo, Ivan Lermolieff, e fora um igualmente
desconhecido Johannes Schwarze que os traduzira para o alemão. Os artigos propunham um novo
método para a atribuição dos quadros antigos, que suscitou entre os historiadores reações contrastantes
e vivas discussões. Somente alguns anos depois, o autor tirou a dupla máscara na qual se escondera.
De fato, tratava-se do italiano Giovanni Morelli. E do “método morelliano” os historiadores da arte falam
correntemente ainda hoje.
Os museus, dizia Morelli, estão cheios de quadros atribuídos de maneira incorreta. Mas devolver cada
quadro ao seu verdadeiro autor é difícil: muitíssimas vezes encontramo- nos frente a obras não assinadas,
talvez repintadas ou num mau estado de conservação. Nessas condições, é indispensável poder distinguir
os originais das cópias. Para tanto, porém, é preciso não se basear, como normalmente se faz, em
características mais vistosas, portanto mais facilmente imitáveis, dos quadros. Pelo contrário, é
necessário examinar os pormenores mais negligenciáveis, e menos influenciados pelas características
da escola a que o pintor pertencia: os lóbulos das orelhas, as unhas, as formas dos dedos das mãos e
dos pés. Com esse método, Morelli propôs dezenas e dezenas de novas atribuições em alguns dos
principais museus da Europa.
Apesar dos resultados obtidos, o método de Morelli foi muito criticado, talvez também pela segurança
quase arrogante com que era proposto. Posteriormente foi julgado mecânico, grosseiramente positivista,
e caiu em descrédito. Por outro lado, é possível que muitos estudiosos que falavam dele com desdém
continuassem a usá-lo tacitamente para as suas atribuições. O renovado interesse pelos trabalhos de
Morelli é mérito de E. Wind, que viu neles um exemplo típico da atitude moderna em relação à obra de
arte - atitude que o leva a apreciar os pormenores, de preferência à obra em seu conjunto. Em Morelli
existiria, segundo Wind, uma exacerbação do culto pela imediaticidade do gênio, assimilado por ele na
juventude, em contato com os círculos românticos berlinenses.
(Adaptado de Carlo Ginzburg. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. Trad. Federico Carotti. S.Paulo: Cia. das Letras, 1989, p.143-5)
A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi
realizada de modo INCORRETO em:
(A) devolver cada quadro ao seu verdadeiro autor = devolver-lhe cada quadro
(B) distinguir os originais das cópias = distinguir-lhes das cópias
(C) que suscitou [...] reações contrastantes = que as suscitou
(D) propunham um novo método = propunham-no
(E) examinar os pormenores = examiná-los
Respostas
01. Resposta B
Não se usa artigo definido entre o pronome ora em discussão (cujo) e o substantivo subsequente. Por
isso o número III está incorreta.
02. Resposta A
não _________ numa cadeira. (não é uma palavra atrativa, regra de próclise, pronome antes do
verbo. "me sentava".)
e __________ antes de ser atendido. (Caso facultativo. Infinitivo não flexionado antecedido de
preposição/palavra atrativa "me escafedia, escafedia-me")
quando ele __________ o preço do serviço. (Regra de próclise. Conjunção subordinativa. "me
informou")
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a dor ___________ do dente . (Também é facultativo. Sujeito(dor) próximo ao verbo. "se
transferiu, transferiu-se")
03. Resposta B
Este - Pronome demonstrativo
Que - Pronome relativo.
04. Resposta B
Mas que eles (sujeito 1) sabem o que fazem isso eles (sujeito 1) sabem
05. Resposta C
a) O crime racial constitui uma maneira de penalizar aqueles que se deixam levar por atitudes que
rejeitam um outro de quem se é diferente.
b) As ações movidas por preconceito, em que se observa um juízo prévio de um indivíduo que não
se conhece muito bem, devem ser repreendidas.
c) CORRETA
d) O preconceito é uma maneira em que os grupos sociais encontraram para excluir aqueles que
são considerados estranhos e em quem não se confia.
e) As leis são um meio pelo qual o preconceito pode ser contido, mas não extinto, pois ele estará
presente mesmo nas culturas às quais o punem com rigor.
06. Resposta E
“Tudo” significa: pronome indefinido. A totalidade, a universalidade de coisas e pessoas: tudo passa
na vida; mulheres e homens, crianças e velhos, tudo resvalou no sorvedouro da eternidade. Dentro do
contexto, o autor utilizou este pronome para sintetizar o assunto que havia falado antes.
07. Resposta B
Fazer Alguma coisa = fazê-la (esta é a afirmativa correta, porque se utiliza "la" após verbos terminados
em "r, s ou z";
08. Resposta C
a) Os debates da Assembleia Nacional, a que / aos quais se refere o autor, foram calorosos.
b) As casas dos nobres onde / em que / nas quais se lançaram os revoltosos foram saqueadas.
c) O tempo com que / com o qual frequentemente nos importamos não é o passado, mas o futuro.
(CORRETO)
d) Há no passado muitas lições históricas que / as quais podemos aprender.
e) Os museus e os monumentos são instituições onde / em que / nos quais algum aprendizado da
história sempre se dá
09. Resposta C
a) Ninguém manifestou-se contra a decisão do juiz.
a) Ninguém SE manifestou contra a decisão do juiz.(Palavra de valor negativo ou advérbio são fatores
de PRÓCLISE)
b) Não entristecer-me-ia se Mônica não pudesse vir à festa.
b) Não ME entristeceria se Mônica não pudesse vir à festa.
(Palavra de valor negativo ou advérbio são fatores de PRÓCLISE, TENTOU CONFUNDIR POIS USA
SE MESÓCLISE NO FUTURO DE PRETÉRITO, MAS A PALAVRA NEGATIVA É MAIS FORTE NESTE
CASO)
c) Ainda que o torturassem, Felipe não entregaria o amigo. CORRETO!
UTILIZA-SE PRÓCLISE DIANTE DE PRONOMES RELATIVOS (que, o qual, a qual cujo (a))
d) Esta é uma situação que constrange-me demais.
d)Esta é uma situação que me constrange demais.
UTILIZA-SE PRÓCLISE DIANTE DE PRONOMES RELATIVOS (que, o qual, a qual cujo (a)).
e) Deus livre-nos de uma tragédia como essa!
e)Deus NOS livre de uma tragédia como essa!
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UTILIZA-SE PRÓCLISE nas orações exclamativas e nas opinativas
10. Resposta B
a) devolver cada quadro ao seu verdadeiro autor = devolver-lhe cada quadro CORRETO. Quando a
substituição do termo sublinhado se adequar a forma " A ELE" o pronome "lhe" estará correto.
b) distinguir os originais das cópias = distinguir-lhes das cópias INCORRETO. O verbo exige como
complemento um OD e em todo verbo transitivo direto terminado em R, S e Z usa-se as formas LO, LA,
LOS, LAS.
c) que suscitou [...] reações contrastantes = que as suscitou CORRETO. O verbo exige como
complemento um OD
d) propunham um novo método = propunham-no CORRETO. Verbo que exige um OD, na forma no,
na, nos, nas
e) examinar os pormenores = examiná-los CORRETO. O verbo exige um OD e que o pronome seja
empregado na forma LO, LA, LOS, LAS, devido a sua terminação.
Verbo
Verbo é a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da natureza, estado, mudança de estado.
Flexiona-se em número (singular e plural), pessoa (primeira, segunda e terceira), modo (indicativo,
subjuntivo e imperativo, formas nominais: gerúndio, infinitivo e particípio), tempo (presente, passado e
futuro) e apresenta voz (ativa, passiva, reflexiva). De acordo com a vogal temática, os verbos estão
agrupados em três conjugações:
1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular.
2ª conjugação – er: beber, correr, entreter.
3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir.
O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor, compor, impor) pertencem a 2ª conjugação devido
à sua origem latina poer.
Elementos Estruturais do Verbo: As formas verbais apresentam três elementos em sua estrutura:
Radical, Vogal Temática e Tema.
Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o significado essencial do verbo. Observe as
formas verbais da 1ª conjugação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses verbos, nota-se que há uma
parte que não muda, e que nela está o significado real do verbo.
cont é o radical do verbo contar;
esper é o radical do verbo esperar;
brinc é o radical do verbo brincar.
Se tiramos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos verbos, teremos o radical desses verbos. Também
podemos antepor prefixos ao radical: des nutr ir / re conduz ir.
Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual conjugação pertence o verbo. Há três vogais
temáticas: 1ª conjugação: a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i.
Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal temática: contar: -cont (radical) + a (vogal
temática) = tema. Se não houver a vogal temática, o tema será apenas o radical: contei = cont ei.
Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou ao tema, para indicar as flexões de modo e
tempo, desinências modo temporais e desinências número pessoais.
Contávamos
Cont = radical
a = vogal temática
va = desinência modo temporal
mos = desinência número pessoal
Flexões Verbais: Flexão de número e de pessoa: o verbo varia para indicar o número e a pessoa.
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- eu estudo – 1ª pessoa do singular;
- nós estudamos – 1ª pessoa do plural;
- tu estudas – 2ª pessoa do singular;
- vós estudais – 2ª pessoa do plural;
- ele estuda – 3ª pessoa do singular;
- eles estudam – 3ª pessoa do plural.
- Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma diferente da fala culta, exigida pela gramática
oficial, ou seja, tu foi, tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens. O pronome vós aparece
somente em textos literários ou bíblicos. Os pronomes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª pessoa, é
o mais usado no Brasil.
VERBOS DEFECTIVOS:
São aqueles que possuem um defeito. Não têm todos os modos, tempos ou pessoas.
Verbo Pronominal: É aquele que é conjugado com o pronome oblíquo. Ex: Eu me despedi de mamãe
e parti sem olhar para o passado.
Verbos Abundantes: “São os verbos que têm duas ou mais formas equivalentes, geralmente de
particípio.” (Sacconi)
Infinitivo: Aceitar, Anexar, Acender, Desenvolver, Emergir, Expelir.
Particípio Regular: Aceitado, Anexado, Acendido, Desenvolvido, Emergido, Expelido.
Particípio Irregular: Aceito, Anexo, Aceso, Desenvolto, Emerso, Expulso.
Tempos Compostos: São formados por locuções verbais que têm como auxiliares os verbos ter e
haver e como principal, qualquer verbo no particípio. São eles:
- Pretérito Perfeito Composto do Indicativo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou
haver no Presente do Indicativo e o principal no particípio, indicando fato que tem ocorrido com frequência
ultimamente. Por exemplo: Eu tenho estudado demais ultimamente.
- Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou
haver no Presente do Subjuntivo e o principal no particípio, indicando desejo de que algo já tenha
ocorrido. Por exemplo: Espero que você tenha estudado o suficiente, para conseguir a aprovação.
- Pretérito Mais-que-Perfeito Composto do Indicativo: É a formação de locução verbal com o
auxiliar ter ou haver no Pretérito Imperfeito do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo
valor que o Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo simples. Por exemplo: Eu já tinha estudado no Maxi,
quando conheci Magali.
- Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Subjuntivo: É a formação de locução verbal com o
auxiliar ter ou haver no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo e o principal no particípio, tendo o mesmo
valor que o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo simples. Por exemplo: Eu teria estudado no Maxi, se não
me tivesse mudado de cidade. Perceba que todas as frases remetem a ação obrigatoriamente para o
passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é completamente diferente de Se eu tivesse estudado,
teria aprendido.
- Futuro do Presente Composto do Indicativo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou
haver no Futuro do Presente simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor
que o Futuro do Presente simples do Indicativo. Por exemplo: Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já
terei partido.
- Futuro do Pretérito Composto do Indicativo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou
haver no Futuro do Pretérito simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor
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que o Futuro do Pretérito simples do Indicativo. Por exemplo: Eu teria estudado no Maxi, se não me
tivesse mudado de cidade.
- Futuro Composto do Subjuntivo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no
Futuro do Subjuntivo simples e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do
Subjuntivo simples. Por exemplo: Quando você tiver terminado sua série de exercícios, eu caminharei 6
Km. Veja os exemplos:
Quando você chegar à minha casa, telefonarei a Manuel.
Quando você chegar à minha casa, já terei telefonado a Manuel.
Perceba que o significado é totalmente diferente em ambas as frases apresentadas. No primeiro caso,
esperarei “você” praticar a sua ação para, depois, praticar a minha; no segundo, primeiro praticarei a
minha. Por isso o uso do advérbio “já”. Assim, observe que o mesmo ocorre nas frases a seguir:
Quando você tiver terminado o trabalho, telefonarei a Manuel.
Quando você tiver terminado o trabalho, já terei telefonado a Manuel.
- Infinitivo Pessoal Composto: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no
Infinitivo Pessoal simples e o principal no particípio, indicando ação passada em relação ao momento
da fala. Por exemplo: Para você ter comprado esse carro, necessitou de muito dinheiro
Questões
01. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – CESGRANRIO/2015) O verbo em destaque
está conjugado de acordo com a norma-padrão em:
(A) Pegue o outro elevador, por favor.
(B) É preciso que você esteje atento a situações de perigo.
(C) Será muito bom se você propor um outro acesso aos passageiros.
(D) Seje sempre bem-humorado com os passageiros.
(E) Gostaríamos de que você vesse esse filme.
02. (TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP)
Que mexer o esqueleto é bom para a saúde já virou até sabedoria popular. Agora, estudo levanta
hipóteses sobre ........................ praticar atividade física..........................benefícios para a totalidade do
corpo. Os resultados podem levar a novas terapias para reabilitar músculos contundidos ou mesmo para
.......................... e restaurar a perda muscular que ocorre com o avanço da idade.
(Ciência Hoje, março de 2012)
As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
(A) porque … trás … previnir
(B) porque … traz … previnir
(C) porquê … tras … previnir
(D) por que … traz … prevenir
(E) por quê … tráz … prevenir
03. (IFC - Auxiliar Administrativo - IFC). Assinale a opção em que o verbo se apresenta no modo
subjuntivo:
(A) A professora leu o livro Machadiano.
(B) Plante as orquídeas.
(C) Se Joaquim plantasse as hortênsias.
(D) Maria assistiu ao programa do Jô ontem.
(E) João plantou as rosas.
04. (IFC - Auxiliar Administrativo - IFC). Assinale a opção em que o verbo está no pretérito
imperfeito:
(A) Já amei o marido da minha melhor amiga.
(B) Miguel amava loucamente a vizinha.
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(C) Amaria ter um mordomo em minha casa.
(D) Amo homens com cabelos loiros.
(E) Amarei você eternamente.
05. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC)
A relação do baiano Dorival Caymmi com a música teve início quando, ainda menino, cantava no coro
da igreja com voz de baixo-cantante. Esse pontapé inicial foi o estímulo necessário para a construção, já
em terras cariocas, entre reis e rainhas do rádio, de um estilo inconfundível quase sem seguidores na
música popular brasileira.
No Rio, em 1938, depois de pegar um lia (navios que faziam transporte de passageiros do norte do
país em direção ao sul) em busca de melhores oportunidades de emprego, Dorival Caymmi chegou a
pensar em ser jornalista e ilustrador. No entanto, para felicidade de seu amigo Jorge Amado, acabou
sendo cooptado pelo mar de melodias e poesias que circulava em seu rico processo de criação.
A obra de Caymmi é equilibrada peta qualidade: melodia e letra apresentam um grande poder de
sintetizar o simples, eternizar o regional, declarar em música as tradições de sua amada Bahia, O mar,
Itapoã, as festas do Bonfim e da Conceição da Praia, os fortes em ruínas, tudo sobrevive em Caymmi,
que cresceu ouvindo histórias nas praias da Bahia, junto aos pescadores, convivendo com o drama das
mulheres que esperam seus maridos voltarem (ou não) em saveiros e jangadas.
(André Diniz Almanaque do samba Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed , 2006 p 78)
... navios que faziam transporte de passageiros ...
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em:
(A) ... Que esperam seus maridos ...
(B) esse pontapé inicial foi o estímulo necessário ...
(C) ... Quando, ainda menino, cantava no coro da igreja ...
(D) ... Melodia e letra apresentam um grande poder ...
(E) ... Tudo sobrevive em Caymmi...
06. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC)
De um início atribulado a uma carreira de sucessos, assim se resume a crônica de Capitães da Areia,
hoje uma das obras mais apreciadas pelos leitores de Jorge Amado, tanto no Brasil como no exterior.
Publicado em 1937, pouco depois de implantado o Estado Novo, o livro teve a primeira edição
apreendida e exemplares queimados em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. Mas,
como nova Fênix, ressurgiu das cinzas quando nova edição, em 1944, marcou época na vida literária
brasileira. A partir de então, sucederam-se as edições, nacionais e em nove idiomas estrangeiros, e as
adaptações para rádio, teatro e cinema.
Comovente documento sobre a vida dos meninos abandonados nas ruas de Salvador, Jorge Amado
a descreve em páginas carregadas de uma beleza, dramaticidade e lirismo poucas vezes igualados na
literatura universal. Dividido em três partes, o livro atinge um clímax inesquecível no capítulo “Canção da
Bahia, Canção da Liberdade”, em que é narrada a emocionante despedida de um dos personagens da
história, que se afasta dos seus queridos Capitães da Areia “na noite misteriosa das macumbas, enquanto
os atabaques ressoam como clarins de guerra".
(Adaptado de: Texto de apresentação. Jorge Amado. Capitães da Areia. 57. ed. Rio de Janeiro: Record, 1983)
Os verbos empregados nos mesmos tempo e modo estão agrupados em:
(A) teve - descreve
(B) marcou - resume
(C) ressoam - teve
(D) ressurgiu - atinge
(E) ressoam - resume
07. (IFC - Assistente Administrativo - IFC). Na frase: “Maria plantou as rosas” o verbo está:
(A) No modo Indicativo
(B) No modo Subjuntivo
(C) No modo Imperativo
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(D) No modo Pretérito
(E) No modo Futuro
08. (IFC - Analista de Tecnologia da Informação - IFC). A canção João e Maria, de Chico Buarque,
usa o tempo linguístico como uma construção da linguagem.
[...] Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Assinale a alternativa CORRETA quanto ao emprego dos tempos verbais:
(A) utiliza-se em lugar do presente o pretérito imperfeito.
(B) tem-se no lugar do presente o pretérito perfeito.
(C) aparece no lugar do presente o pretérito mais que perfeito.
(D) usa-se no lugar do presente o pretérito do subjuntivo.
(E) tem-se no lugar do presente o imperativo negativo.
09. (TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Engenharia Elétrica - FCC)
Entre 1874 e 1876, apareceu numa revista alemã uma série de artigos sobre a pintura italiana. Eles
vinham assinados por um desconhecido estudioso russo, Ivan Lermolieff, e fora um igualmente
desconhecido Johannes Schwarze que os traduzira para o alemão. Os artigos propunham um novo
método para a atribuição dos quadros antigos, que suscitou entre os historiadores reações contrastantes
e vivas discussões. Somente alguns anos depois, o autor tirou a dupla máscara na qual se escondera.
De fato, tratava-se do italiano Giovanni Morelli. E do “método morelliano” os historiadores da arte falam
correntemente ainda hoje.
Os museus, dizia Morelli, estão cheios de quadros atribuídos de maneira incorreta. Mas devolver cada
quadro ao seu verdadeiro autor é difícil: muitíssimas vezes encontramo- nos frente a obras não assinadas,
talvez repintadas ou num mau estado de conservação. Nessas condições, é indispensável poder distinguir
os originais das cópias. Para tanto, porém, é preciso não se basear, como normalmente se faz, em
características mais vistosas, portanto mais facilmente imitáveis, dos quadros. Pelo contrário, é
necessário examinar os pormenores mais negligenciáveis, e menos influenciados pelas características
da escola a que o pintor pertencia: os lóbulos das orelhas, as unhas, as formas dos dedos das mãos e
dos pés. Com esse método, Morelli propôs dezenas e dezenas de novas atribuições em alguns dos
principais museus da Europa.
Apesar dos resultados obtidos, o método de Morelli foi muito criticado, talvez também pela segurança
quase arrogante com que era proposto. Posteriormente foi julgado mecânico, grosseiramente positivista,
e caiu em descrédito. Por outro lado, é possível que muitos estudiosos que falavam dele com desdém
continuassem a usá-lo tacitamente para as suas atribuições. O renovado interesse pelos trabalhos de
Morelli é mérito de E. Wind, que viu neles um exemplo típico da atitude moderna em relação à obra de
arte - atitude que o leva a apreciar os pormenores, de preferência à obra em seu conjunto. Em Morelli
existiria, segundo Wind, uma exacerbação do culto pela imediaticidade do gênio, assimilado por ele na
juventude, em contato com os círculos românticos berlinenses.
(Adaptado de Carlo Ginzburg. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. Trad. Federico Carotti. S.Paulo:
Cia. das Letras, 1989, p.143-5)
...e menos influenciados pelas características da escola a que o pintor pertencia...
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o grifado na frase acima está em:
(A) ...muitíssimas vezes encontramo-nos frente a obras não assinadas...
(B) ...e caiu em descrédito.
(C) ...muitos estudiosos que falavam dele com desdém...
(D) em morelli existiria, segundo wind, uma exacerbação do culto pela imediaticidade do gênio...
(E) ...e fora um igualmente desconhecido johannes schwarze que...
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10. (UFTM - Vestibular - Prova 1 - VUNESP)
Horóscopo
Áries - Não subestime a sua incapacidade
Touro - Fique tranquilo em relação à sua própria infelicidade
Gêmeos - Uma semana vem, outra semana vai
Câncer - Alguém telefonará e você atenderá depois desligará
Leão - A solução dos seus problemas só lhe dará tranquilidade
Virgem - Nem que a tristeza lhe consuma, não morra, não esmoreça, sob hipótese alguma
É ganhando que se ganha
É empatando que se empata
É perdendo que se perde
É nascendo que se nasce
É morrendo que se morre
É vivendo que se “veve”
Libra - A lua em Saturno quer dizer alguma coisa
Escorpião - Não seja impertinente, você terá nas mãos os dez dedos de sempre
Sagitário - Uma pessoa idosa não fará nenhuma diferença
Capricórnio - No entanto, aquele alguém, que goza de saúde, poderá pegar uma doença
Aquário - No mais será tudo igual, pois o período propicia
Peixes - E tudo se encaminha para um fim de semana com apenas dois dias.
(www.vagalume.com.br)
A canção imita o gênero horóscopo, termo que inclusive é o seu título. Desse gênero, uma marca
linguística que nela se encontra é
(A) a inversão sintática, indicando os sentidos dúbios expressos nas estruturas frasais.
(B) a voz passiva, indicando a intencionalidade de se omitir o agente das ações verbais.
(C) a ênfase em verbos e advérbios relativos ao tempo passado, indicando ações concluídas.
(D) a frase nominal, indicando a prevalência de enunciados de estado em relação aos de ação.
(E) o emprego do verbo no imperativo, indicando o sentido de orientação às pessoas.
11. (TJ/PB - Técnico Judiciário - Tecnologia da Informação - FAPERP).
Na tirinha, tem valor correspondente ao de futuro do pretérito do indicativo o tempo verbal da oração:
(A) "sabe de uma coisa".
(B) "se eu desaparecesse amanhã".
(C) "ninguém ia sentir sua falta".
(D) "eu acho que não".
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Respostas
01. Resposta A
Na alternativa “A” temos um interlocutor oculto “você”. A pessoa “você” obedece a conjugação da
terceira pessoa (ele/ela).
Pegue você (imperativo – ordem, pedido)
Correções:
B) esteja
C) propuser
D) seja
E) visse
02. Resposta D
Por que - equivale a "por qual razão";
Traz -na oração o "traz" está no sentido de trazer, portanto com Z sem acento pois acentua-se os
monossílabos tônicos apenas se estes terminarem com A, E, O (s).
Trás - com S apenas se a oração der por entender que o "trás" está em sentido de posição posterior.
03. Resposta C
Leu - modo indicativo, tempo pretérito perfeito.
Plante - modo imperativo, afirmativo.
Plantasse - modo subjuntivo, tempo pretérito imperfeito.
Assistiu - modo indicativo, tempo pretérito perfeito.
Plantou - modo indicativo, tempo pretérito perfeito.
04. Resposta B
O pretérito imperfeito é usado:
1. Para falar de hábito ou acontecimento que ocorria com frequência no passado:
Antigamente ela fazia exercícios todos os dias.
2. Para indicar a continuidade de um acontecimento em relação a outro que ocorreu ao mesmo tempo
no passado.
Quando o marido chegou, ela dormia.
Enquanto ele lia o jornal, ela fazia ioga ao seu lado.
3. Para falar do que era presente em um momento do passado que se está descrevendo.
“Faltava um ponto a meu adversário para ganhar. A mim, faltavam-me não sei quantos: sei só que
eram muitos.” (Álvares de Azevedo, 1965)
05. Resposta C
Faziam - pretérito imperfeito (modo indicativo)
Cantava - pretérito imperfeito (modo indicativo).
06. Resposta E”
Ressoam - Tempo Presente, modo Indicativo
Resume - Tempo Presente, modo Indicativo
Nesse caso não importa a pessoa.
07. Resposta A
eu plantei
tu plantaste
ele plantou
nós plantamos
vós plantastes
eles plantaram
pretérito perfeito do indicativo
08. Resposta A
O verbo SER foi conjugado no pretérito imperfeito.
Pretérito imperfeito (Verbo SER)
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eu era
tu eras
ele/ela era
nós éramos
vós éreis
eles/elas eram
09. Resposta C
A questão pede o Pretérito Imperfeito do Indicativo.
A: Pretérito Perfeito do Indicativo
B: Pretérito Perfeito do Indicativo
C: Pretérito Imperfeito do Indicativo
D: Futuro do Pretérito
E: Pretérito Mais que Perfeito
10. Resposta E
O imperativo é o modo verbal pelo qual se expressa uma ordem, pedido, orientação ou conselho. Este
modo pode ser afirmativo ou negativo.
11. Resposta C
a) sabe = presente do indicativo
b) desaparecesse = imperfeito do subjuntivo
c) ia sentir = sentiria = futuro do pretérito do indicativo
d) acho = presente do indicativo
Advérbio
Advérbio é a palavra invariável que modifica um verbo (Chegou cedo), um outro advérbio (Falou muito
bem), um adjetivo (Estava muito bonita). De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio pode
ser de:
Tempo: ainda, agora, antigamente, antes, amiúde (=sempre), amanhã, breve, brevemente, cedo,
diariamente, depois, depressa, hoje, imediatamente, já, lentamente, logo, novamente, outrora.
Lugar: aqui, acolá, atrás, acima, adiante, ali, abaixo, além, algures (=em algum lugar), aquém, alhures
(= em outro lugar), aquém,dentro, defronte, fora, longe, perto.
Modo: assim, bem, depressa, aliás (= de outro modo ), devagar, mal, melhor pior, e a maior parte dos
advérbios que termina em mente: calmamente, suavemente, rapidamente, tristemente.
Afirmação: certamente, decerto, deveras, efetivamente, realmente, sim, seguramente.
Negação: absolutamente, de modo algum, de jeito nenhum, nem, não, tampouco (=também não).
Intensidade: apenas, assaz bastante bastante, bem, demais,mais, meio, menos, muito, quase,
quanto, tão, tanto, pouco.
Dúvida: acaso, eventuamente, por ventura, quiçá, possivelmente, talvez.
Adverbios Interrogativos: São empregados em orações interrogativas diretas ou indiretas. Podem
exprimir: lugar, tempo, modo, ou causa.
- Onde fica o Clube das Acácias ? (direta)
- Preciso saber onde fica o Clube das Acássias. (indireta)
- Quando minha amiga Delma chegará de Campinas? (direta)
- Gostaria de saber quando minha amiga Delma chegará de Campinas. (indireta)
Locuçoes Adverbiais: São duas ou mais palavras que têm o valor de advérbio: às cegas, às claras,
às toa, às pressas, às escondidas, à noite, à tarde, às vezes, ao acaso, de repente, de chofre, de cor, de
improviso, de propósito, de viva voz, de medo, com certeza, por perto, por um triz, de vez em quando,
sem dúvida, de forma alguma, em vão, por certo, à esquerda, à direta, a pé, a esmo, por ali, a distância.
- De repente o dia se fez noite.
- Por um triz eu não me denunciei.
- Sem dúvida você é o melhor.
Graus dos Advérbios: o advérbio não vai para o plural, são palavras invariáveis, mas alguns admitem
a flexão de grau: comparativo e superlativo.
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Comparativo de:
Igualdade - tão + advérbio + quanto, como: Sou tão feliz quanto / como você.
Superioridade - Analítico: mais do que: Raquel é mais elegante do que eu.
- Sintético: melhor, pior que: Amanhã será melhor do que hoje.
Inferioridade - menos do que: Falei menos do que devia.
Superlativo Absoluto:
Analítico - mais, muito, pouco,menos: O candidato defendeu-se muito mal.
Sintético - íssimo, érrimo: Localizei-o rapídíssimo.
Palavras e Locuções Denotativas: São palavras semelhantes a advérbios e que não possuem
classificação especial. Não se enquadram em nenhuma das dez classes de palavras. São chamadas de
denotativas e exprimem:
Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem: Ainda bem que você veio.
Designação, Indicação: eis: Eis aqui o herói da turma.
Exclusão: exclusive, menos, exceto, fora, salvo, senão, sequer: Não me disse sequer uma palavra de
amor.
Inclusão: inclusive, também, mesmo, ainda, até, além disso, de mais a mais: Também há flores no
céu.
Limitação: só, apenas, somente, unicamente: Só Deus é perfeito.
Realce: cá, lá, é que, sobretudo, mesmo: Sei lá o que ele quis dizer!
Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes: Irei à Bahia na próxima semana, ou melhor, no próximo
mês.
Explicação: por exemplo, a saber: Você, por exemplo, tem bom caráter.
Emprego do Advérbio
- Na linguagem coloquial, familiar, é comum o emprego do sufixo diminutivo dando aos advérbios o
valor de superlativo sintético: agorinha, cedinho, pertinho, devagarinho, depressinha, rapidinho (bem
rápido): Rapidinho chegou a casa; Moro pertinho da universidade.
- Frequenternente empregamos adjetivos com valor de advérbio: A cerveja que desce redondo.
(redondamente)
- Bastante - antes de adjetivo, é advérbio, portanto, não vai para o plural; equivale a muito / a: Aquelas
jovens são bastante simpáticas e gentis.
- Bastante, antes de substantivo, é adjetivo, portanto vai para o plural, equivale a muitos / as: Contei
bastantes estrelas no céu.
- Não confunda mal (advérbio, oposto de bem) com mau (adjetivo, oposto de bom): Mal cheguei a
casa, encontrei- a de mau humor.
- Antes de verbo no particípio, diz-se mais bem, mais mal: Ficamos mais bem informados depois do
noticiário notumo.
- Em frase negativa o advérbio já equivale a mais: Já não se fazem professores como antigamente.
(=não se fazem mais)
- Na locução adverbial a olhos vistos (=claramente), o particípio permanece no masculino plural: Minha
irmã Zuleide emagrecia a olhos vistos.
- Dois ou mais advérbios terminados em mente, apenas no último permanece mente: Educada e
pacientemente, falei a todos.
- A repetição de um mesmo advérbio assume o valor superlativo: Levantei cedo, cedo.
Questões
01. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio:
(A) Só quero meio quilo.
(B) Achei-o meio triste.
(C) Descobri o meio de acertar.
(D) Parou no meio da rua.
(E) Comprou um metro e meio.
02. Só não há advérbio em:
(A) Não o quero.
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(B) Ali está o material.
(C) Tudo está correto.
(D) Talvez ele fale.
(E) Já cheguei.
03. Qual das frases abaixo possui advérbio de modo?
(A) Realmente ela errou.
(B) Antigamente era mais pacato o mundo.
(C) Lá está teu primo.
(D) Ela fala bem.
(E) Estava bem cansado.
04. Classifique a locução adverbial que aparece em "Machucou-se com a lâmina".
(A) modo
(B) instrumento
(C) causa
(D) concessão
(E) fim
05. (EBSERH – Técnico em Citopatogia – INSTITUTO AOCP /2015)
Sobre a Ansiedade
por Karin Hueck
[...]
Processar os dados
[...] se há um fator gerador de ansiedade que seja típico dos nossos tempos, esse é a informação. Sim,
são as coisas que você lê todos os dias nos jornais, recebe por email e aprende na SUPER. Diariamente,
há notícias de novos alimentos que causam câncer, de novos vírus mutantes que atacam o seu
computador, de novos criminosos violentos que estão à solta por aí. É ou não é de enlouquecer?
A velocidade com que a informação viaja o mundo é algo muito recente, com o qual os seres humanos
ainda não sabem lidar – e muito menos aprenderam a filtrar. Já foram cunhados até alguns termos para
definir a ansiedade trazida pelos novos meios de comunicação: technologyrelated anxiety (ansiedade que
surge quando o computador trava, que afeta 50% dos trabalhadores americanos), ringxiety (impressão
de que o seu celular está tocando o tempo todo) e a ansiedade de estar desconectado da internet e não
saber o que acontece no mundo, que já contaminou 68% dos americanos.
[...]
Poucas coisas mudaram tão rapidamente como a troca de informações. Em 1801, a notícia de que
Portugal e Espanha estavam em guerra demorou 3 meses para chegar ao Rio Grande do Sul. Quando
chegou, o capitão de armas do estado declarou guerra aos vizinhos espanhóis, sem saber que a batalha
na Europa já tinha terminado. Em 2004, quando um tsunami devastou o litoral do Sudeste Asiático, os
primeiros blogs já estavam dando detalhes da destruição em menos de duas horas.
Hoje em dia, ficamos sabendo de todos os desastres naturais, todos os ataques terroristas e todos os
acidentes de avião que acontecem ao redor do mundo, e nos sentimos vulneráveis. E, muito mais do que
isso, nos sentimos incapazes se não sabemos palpitar sobre a música da moda, a eleição americana ou
o acelerador de partículas na Suíça. Já que a informação está disponível, por que não sabemos de tudo
um pouco? Essa avalanche de informação também causa outro tipo de neurose.
O tempo todo, as TVs e revistas do mundo exibem corpos esculturais, executivos milionários e atletas
de alto rendimento. Na comparação com essas pessoas, nós, reles mortais, sempre saímos perdendo.
“Claro que nos comparamos com quem é bem sucedido e maravilhoso. Infelizmente, não estamos
preparados para viver com um grupo de comparação tão grande, e o resultado é que ficamos ansiosos e
com baixa autoestima", diz o filósofo Perring. O que ele quer dizer é que o ser humano sempre funciona
na base da comparação. Ou seja, se todo mundo ao seu redor tiver o mesmo número de recursos, você
não vai se sentir pior do que ninguém, mas, se, de repente, uma pessoa do seu lado ficar muito mais rica,
bonita, feliz e bem sucedida, você vai se sentir infeliz. Quer dizer, podemos não sofrer mais com a falta
de comida ou com doenças, mas sofremos porque não somos todos iguais ao Brad Pitt e a Angelina Jolie.
Adaptado de http://super.abril.com.br/saude/ansiedade-447836.shtml
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Em “Diariamente, há notícias de novos alimentos que causam câncer...”, o termo destacado expressa
(A) negação.
(B) tempo.
(C) localização.
(D) intensidade.
(E) afirmação.
06. Ele ficou em casa. A palavra em é:
(A) conjunção
(B) pronome indefinido
(C) artigo definido
(D) advérbio de lugar
(E) preposição
07. (EBSERH – Nutricionista – INSTITUTO AOCP/2015)
A lista de desejos
Rosely Sayao
Acabou a graça de dar presentes em situações de comemoração e celebração, não é? Hoje, temos
listas para quase todas as ocasiões: casamento, chá de cozinha e seus similares – e há similares
espantosos, como chá de lingerie –, nascimento de filho e chá de bebê, e agora até para aniversário.
Presente para os filhos? Tudo eles já pediram e apenas mudam, de vez em quando ou frequentemente,
a ordem das suas prioridades. Quem tem filho tem sempre à sua disposição uma lista de pedidos de
presentes feita por ele, que pode crescer diariamente, e que tanto pode ser informal quanto formal.
A filha de uma amiga, por exemplo, tem uma lista na bolsa escrita à mão pelo filho, que tem a liberdade
de sacá-la a qualquer momento para fazer as mudanças que ele julgar necessárias. Ah! E ela funciona
tanto como lista de pedidos como também de “checklist" porque, dessa maneira, o garoto controla o que
já recebeu e o que ainda está por vir. Sim: essas listas são quase uma garantia de conseguir ter o pedido
atendido.
Ninguém mais precisa ter trabalho ao comprar um presente para um conhecido, para um colega de
trabalho, para alguma criança e até amigo. Sabe aquele esforço de pensar na pessoa que vai receber o
presente e de imaginar o que ela gostaria de ganhar, o que tem relação com ela e seu modo de ser e de
viver? Pois é: agora, basta um telefonema ou uma passada rápida nas lojas físicas ou virtuais em que as
listas estão, ou até mesmo pedir para uma outra pessoa realizar tal tarefa, e pronto! Problema resolvido!
Não é preciso mais o investimento pessoal do pensar em algo, de procurar até encontrar, de bater
perna e cabeça até sentir-se satisfeito com a escolha feita que, além de tudo, precisaria estar dentro do
orçamento disponível para tal. Hoje, o presente custa só o gasto financeiro e nem precisa estar dentro do
orçamento porque, para não transgredir a lista, às vezes é preciso parcelar o presente em diversas
prestações...
E, assim que os convites chegam, acompanhados sem discrição alguma das listas, é uma correria dos
convidados para efetuar sem demora sua compra. É que os presentes menos custosos são os primeiros
a serem ticados nas listas, e quem demora para cumprir seu compromisso acaba gastando um pouco
mais do que gostaria.
Se, por um lado, dar presentes deixou de dar trabalho, por outro deixou também totalmente excluído
do ato de presentear o relacionamento entre as pessoas envolvidas. Ganho para o mercado de consumo,
perda para as relações humanas afetivas.
Os presentes se tornaram impessoais, objetos de utilidade ou de luxo desejados. Acabou-se o que era
doce no que já foi, num passado recente, uma demonstração pessoal de carinho.
Sabe, caro leitor, aquela expressão de surpresa gostosa, ou de um pequeno susto que insiste em se
expressar, apesar da vontade de querer que ele passe despercebido, quando recebíamos um mimo? Ou
aquela frase transparente de criança, que nunca deixa por menos: “Eu não quero isso!"? Tudo isso
acabou. Hoje, tudo o que ocorre é uma operação mental dupla. Quem recebe apenas tica algum item da
lista elaborada, e quem presenteia dá-se por satisfeito por ter cumprido seu compromisso.
Que tempos mais chatos. Resta, a quem tiver coragem, a possibilidade de transgredir essas tais listas.
Assim, é possível tornar a vida mais saborosa.
Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/
roselysayao/2014/07/1489356-a-lista-de-desejos.shtml
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Assinale a alternativa em que a expressão ou termo destacado NÃO expressa tempo.
(A) “às vezes”.
(B) “de vez em quando”
(C) “frequentemente”.
(D) “Hoje”.
(E) “pouco”.
08. Em “Eles fizeram tudo às claras”; a expressão destacada é:
(A) uma locução adjetiva, modificando a palavra tudo.
(B) um advérbio, modificando o verbo fazer.
(C) uma locução adverbial, modificando a palavra tudo.
(D) uma locução adverbial, modificando o verbo fazer.
(E) uma locução adjetiva, modificando o verbo fazer
09. Leia o texto que segue:
“Não há muito tempo atrás
Eu sonhava um dia ter
Esse ordenado enorme
Que mal me dá pra viver.”
(Millôr Fernandes)
“Um dia” e “mal” exprimem, respectivamente, circunstâncias de:
(A) tempo / intensidade.
(B) tempo / modo.
(C) lugar / intensidade.
(D) tempo / causa.
(E) lugar / modo.
Respostas
01. Resposta B
Alternativa A: meio quilo = quantidade
Alternativa B (correta): meio triste = advérbio de intensidade
Alternativa C: descobri o meio = jeito, maneira
Alternativa D: meio da rua = metade
Alternativa E: um metro e meio = quantidade
02. Reposta C
Alternativa A: Não – advérbio de negação
Alternativa B: Ali – advérbio de lugar
Alternativa D:Talvez – advérvio de dúvida
Alternativa E: Já – advérbio de tempo
03. Resposta D
Alternativa A: Realmente – advérbio de afirmação
Alternativa B: Antigamente – advérbio de tempo
Alternativa C: Lá – advérbio de lugar
Alternativa D (correta): Bem – advérbio de modo / modifica a maneiro com que ela fala.
Alternativa E: Bem- advérbio de intensidade
04. Resposta B
“Com a lâmina” = instrumento
05. Resposta B
Diariamente = de modo diário, advérbio de tempo.
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06. Resposta E
07. Resposta E
"pouco" advérbio de intensidade, todas as outras estão relacionadas com tempo.
08. Resposta D
09. Resposta B
Preposição
É a palavra invariável que liga um termo dependente a um termo principal, estabelecendo uma relação
entre ambos. As preposições podem ser: essenciais ou acidentais. As preposições essenciais atuam
exclusivamente como preposições. São: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para,
perante, por, sem, sob, sobre, trás. Exemplos: Não dê atençâo a fofocas; Perante todos disse, sim.
As preposições acidentais são palavras de outras classes que atuam eventualmente como
preposições. São: como (=na qualidade de), conforme (=de acordo com), consoante, exceto, mediante,
salvo, visto, segundo, senão, tirante: Agia conforme sua vontade. (= de acordo com)
- O artigo definido a que vem sempre acompanhado de um substantivo, é flexionado: a casa, as casas,
a árvore, as árvores, a estrela, as estrelas. A preposição a nunca vai para o plural e não estabelece
concordância com o substantivo. Exemplo: Fiz todo o percurso a pé. (não há concordância com o
substantivo masculino pé)
- As preposições essenciais são sempre seguidas dos pronomes pessoais oblíquos: Despediu-se de
mim rapidamente. Não vá sem mim.
Locuções Prepositivas: É o conjunto de duas ou mais palavras que têm o valor de uma preposição.
A última palavra é sempre uma preposição. Veja quais são: abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de,
a respeito de, de acordo com, dentro de, embaixo de, em cima de, em frente a, em redor de, graças a,
junto a, junto de, perto de, por causa de, por cima de, por trás de, a fim de, além de, antes de, a par de,
a partir de, apesar de, através de, defronte de, em favor de, em lugar de, em vez de, (=no lugar de), ao
invés de (=ao contrário de), para com, até a.
- Não confunda locução prepositiva com locução adverbial. Na locução adverbial, nunca há uma
preposição no final, e sim no começo: Vimos de perto o fenômeno do "tsunami". (locução adverbial); O
acidente ocorreu perto de meu atelier. (locução prepositiva)
- Uma preposição ou locução prepositiva pode vir com outra preposição: Abola passou por entre as
pernas do goleiro. Mas é inadequado dizer: Proibido para menores de até 18 anos; Financiamento em
até 24 meses.
Combinações e Contrações
Combinação: ocorre combinação quando não há perda de fonemas: a+o,os= ao, aos / a+onde =
aonde.
Contração: ocorre contração quando a preposição perde fonemas: de+a, o, as, os, esta, este, isto
=da, do, das, dos, desta, deste, disto.
- em+ um, uma, uns, umas,isto, isso, aquilo, aquele, aquela, aqueles, aquelas = num, numa, nuns,
numas, nisto, nisso, naquilo, naquele, naquela, naqueles.
- de+ entre, aquele, aquela, aquilo = dentre, daquele, daquela, daquilo.
- para+ a = pra.
A contração da preposição a com os artigos ou pronomes demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo
recebe o nome de crase e é assinalada na escrita pelo acento grave ficando assim: à, às, àquele, àquela,
àquilo.
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Valores das Preposições
A (movimento=direção): Foram a Lucélia comemorar os Anos Dourados. modo: Partiu às pressas.
tempo: Iremos nos ver ao entardecer. Apreposição a indica deslocamento rápido: Vanios à praia. (ideia
de passear)
Ante (diante de): Parou ante mim sem dizer nada, tanta era a emoção. tempo (substituída por antes
de): Preciso chegarao encontro antes das quatro horas.
Após (depois de): Após alguns momentos desabou num choro arrependido.
Até (aproximação): Correu até mim. tempo: Certamente teremos o resultado do exame até a semana
que vem. Atenção: Se a preposição até equivaler a inclusive, será palavra de inclusão e não preposição.
Os sonhadores amam até quem os despreza. (inclusive)
Com (companhia): Rir de alguém é falta de caridade; deve-se rir com alguém. causa: A cidade foi
destruída com o temporal. instrumento: Feriu-se com as próprias armas. modo: Marfinha, minha
comadre, veste-se sempre com elegância.
Contra (oposição, hostilidade): Revoltou-se contra a decisão do tribunal. direção a um limite: Bateu
contra o muro e caiu.
De (origem): Descendi de pais trabalhadores e honestos. lugar: Os corruptos vieram da capital. causa:
O bebé chorava de fome. posse: Dizem que o dinheiro do povo sumiu. assunto: Falávamos do casamento
da Mariele. matéria: Era uma casa de sapé. A preposição de não deve contrair-se com o artigo, que
precede o sujeito de um verbo. É tempo de os alunos estudarem. (e não: dos alunos estudarem)
Desde (afastamento de um ponto no espaço): Essa neblina vem desde São Paulo. tempo: Desde o
ano passado quero mudar de casa.
Em (lugar): Moramos em Lucélia há alguns anos. matéria: As queridas amigas Nilceia e Nadélgia
moram em Curitiba. especialidade: Minha amiga Cidinha formou-se em Letras. tempo: Tudo aconteceu
em doze horas.
Entre (posição entre dois limites): Convém colocar o vidro entre dois suportes.
Para direção: Não lhe interessava mais ir para a Europa. tempo: Pretendo vê-lo lá para o final da
semana. finalidade: Lute sempre para viver com dignidade. Apreposição para indica de permanência
definitiva. Vou para o litoral. (ideia de morar)
Perante (posição anterior): Permaneceu calado perante todos.
Por (percurso, espaço, lugar): Caminhava por ruas desconhecidas. causa: Por ser muito caro, não
compramos um DVD novo. espaço: Por cima dela havia um raio de luz.
Sem (ausência): Eu vou sem lenço sem documento.
Sob (debaixo de / situação): Prefiro cavalgar sob o luar. Viveu, sob pressão dos pais.
Sobre (em cima de, com contato): Colocou ás taças de cristal sobre a toalha rendada. assunto:
Conversávamos sobre política financeira.
Trás (situação posterior; é preposição fora de uso. É substituída por atrás de, depois de): Por trás
desta carinha vê-se muita falsidade.
Curiosidade: O símbolo @ (arroba) significa AT em Inglês, que em Português significa em. Portanto,
o nome está at, em algum provedor.
Questões
01. (PREFEITURA DE CATOLÉ DO ROCHA – PB - AUXILIAR DE SERVIÇOS GERAIS - COMVEST-
UEPB/2015)
Texto I
Médico só pode piscar os olhos e, ainda assim, dá aulas na UFJF (Universidade Federal de Juiz de
fora).
O médico e professor Vanderlei Corradini Lima, 53 anos, é portador da , com sintomas Esclerose
Lateral Amiotrófica (ELA) diagnosticados em 2010. Mesmo tendo que conviver com as extremas
limitações físicas impostas pela enfermidade, ele reencontrou a felicidade de continuar na profissão ao
ser convidado para ministrar aulas na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), localizada na cidade
de Juiz de Fora a 278 km de Belo Horizonte.
Nos últimos meses, pessoas famosas passaram a encarar o como maneira de atrair atenção para a
"desafio do balde de gelo" enfermidade. Há também o mote de o desafiado fazer uma doação em dinheiro
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. 98
a uma instituição que trata pacientes com a ELA. "A doença me tirou muita coisa, não falo, não ando, não
como, não saio de cima de uma cama, mas não tirou minha capacidade de servir e enfim ser feliz",
descreveu Lima ao UOL em entrevista concedida por e-mail. Ele afirmou ter conseguido trabalhar até
julho de 2011. Atualmente, ele vive com a mulher e dois filhos na cidade de São Sebastião do Paraíso,
cidade no sul de Minas Gerais e distante 400 km da capital mineira.
Há três semestres, o profissional atua como professor convidado, no curso de medicina da
universidade, e no qual interage a distância com alunos do 2º período na disciplina Fisiologia Médica, que
aborda tópicos de neurofisiologia.
Ele dispõe de computador munido de um programa e um leitor infravermelho que captam os
movimentos dos globos oculares, que não foram afetados pela doença. Por meio de um mouse e um
teclado virtual ele consegue interagir com a máquina e utilizá-la normalmente. "Há uma página específica
no site da universidade com uma plataforma virtual de ensino a distância. Cada semana um novo caso
clínico é discutido entre professores, monitores e alunos", disse referindo-se à plataforma utilizada para
ensino a distância (Moodle). Segundo ele, o retorno dado pelos alunos foi considerado positivo.
"Meu intuito sempre foi de agregar à disciplina uma visão prática e humanista, gerando um ensino mais
próximo da realidade que irão enfrentar. O retorno positivo foi confirmado pela participação dos alunos.
Especificamente em relação ao caso clínico da ELA podemos aproveitar ao máximo, já que eles tinham
a visão de um paciente e um médico na discussão", disse.
(...)
Recentemente, ele escreveu um livro, no qual aborda a doença, e se prepara para a confecção de
outro. "Na verdade, o que deu origem ao livro EU E ELAS, foram as várias conversas pelas redes sociais,
onde percebi que esperavam de mim um médico de almas. Assim pude servir e ser útil, minha verdadeira
vocação, escrevendo crônicas", avaliou. O título faz referência a sua experiência com a medicina, a
música e a doença. O próximo livro, segundo ele, terá o título de "O Médico de Pijamas e suas Estórias".
Disponível em:> http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/09/11/medico-com-doenca-do-desafio-balde-de-gelo-ele-so-pode-piscar-os-
olhos-e-ainda-assim-da-aulas-na fjf.htm11/09/201408h00 >Atualizada 11/09/201415h22.<. Data da consulta: 11/09/2011. (Com adaptações).
Na sentença, retirada do texto, “ELE REENCONTROU A FELICIDADE DE CONTINUAR NA
PROFISSÃO AO SER CONVIDADO PARA MINISTRAR AULAS." as palavras sublinhadas são, na
sequência:
(A) Verbo, preposição, substantivo e preposição.
(B) Substantivo, pronome, verbo e preposição.
(C) Pronome, verbo, substantivo e preposição.
(D) Pronome, substantivo, verbo e preposição.
(E) Preposição, pronome, substantivo e preposição.
02. No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque (...) sai à caça do soldado desertor que
realizou assalto ao trem com confederados. O uso da preposição com permite diferentes interpretações
da frase acima.
(A) Reescreva-a de duas maneiras diversas, de modo que haja um sentido diferente em cada uma.
(B) Indique, para cada uma das reações, a noção expressa da preposição com.
03. (CRA-MA - AUXILIAR ADMINISTRATIVO – IDECAN/2014)
Texto
Pregos
Foi de repente. Dois quadros que tenho na parede da sala despencaram juntos. Ninguém os havia
tocado, nenhuma ventania naquele dia, nenhuma obra no prédio, nenhuma rachadura. Simplesmente
caíram, depois de terem permanecido seis anos inertes. Não consegui admitir essa gratuidade, fiquei
procurando uma razão para a queda, haveria de ter uma.
Poucos dias depois, numa dessas coincidências que não se explicam, estava lendo um livro do italiano
Alessandro Baricco, chamado Novecentos, em que ele descrevia exatamente a mesma situação. "No
silêncio mais absoluto, com tudo imóvel ao seu redor, nem sequer uma mosca se movendo, eles, zás.
Não há uma causa. Por que precisamente neste instante? Não se sabe. Zás. O que ocorre a um prego
para que decida que já não pode mais?"
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Alessandro Baricco não procura desvendar esse mistério, apenas diz que assim é. Um belo dia a gente
se olha no espelho e descobre que está velho. A gente acorda de manhã e descobre que não ama mais
uma pessoa. Um avião passa no céu e a gente descobre que não pode ficar parado onde está nem mais
um minuto. Zás. Nossos pregos já não nos seguram.
Nascemos, ficamos em pé, crescemos e a partir daí começamos a sustentar nossas inquietações,
nossos desejos inconfessos, algum sofrimento silencioso e a enormidade da nossa paciência. Nossos
pregos são feitos de material maciço, mas nunca se sabe quanto peso eles podem aguentar. O quanto
podemos conosco? Uma boa definição para felicidade: ser leve para si mesmo.
Sobre os meus quadros: foram recolocados na parede. Estão novamente fixos no mesmo lugar. Até
que eles, ou eu, sejamos definitivamente vencidos pelo cansaço.
(Martha Medeiros. Disponível em: http://www.dihitt.com/barra/pregos-de-martha-medeiros. Adaptado.)
Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO é preposição.
(A) "... ele descrevia exatamente a mesma situação."
(B) "Sobre os meus quadros: foram recolocados na parede."
(C) "No silêncio mais absoluto, com tudo imóvel ao seu redor,..."
(D) "Até que eles, ou eu, sejamos definitivamente vencidos pelo cansaço."
(E) "Simplesmente caíram, depois de terem permanecido seis anos inertes."
04. (CRB 6ª REGIÃO – AUXILIAR ADMINISTRATIVO – QUADRIX/2014)
(http://www.gompy.com.br/tirinhas/a-natureza-i)
Assinale a opção em que apareça, em destaque, uma preposição.
(A) Oh! A natureza!
(B) Oh! A natureza!
(C) Ela nos convida a sentar e admirá-la...
(D) Ela nos convida a sentar e admirá-la...
(E) Ela nos convida a sentar e admirá-la...
05. Assinale a alternativa em que a preposição destacada estabeleça o mesmo tipo de relação que na
frase matriz: Criaram-se a pão e água.
(A) Desejo todo o bem a você.
(B) A julgar por esses dados, tudo está perdido.
(C) Feriram-me a pauladas.
(D) Andou a colher alguns frutos do mar.
(E) Ao entardecer, estarei aí.
06. (Fuvest – SP) O segmento em que a preposição destacada estabelece uma relação de causa é:
(A) A carruagem parou ao pé de uma casa amarelada.
(B) A escada, de degraus gastos, subia ingrememente.
(C) No patamar da sobreloja, uma janela com um gradeadozinho de arame […]
(D) […] uma janela com gradeadozinho de arame, parda do pó acumulado...
(E) […] coava a luz suja do saguão.
07. Assinale a alternativa que indique a definição correta de preposição:
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. 100
(A) Preposição é a palavra invariável que liga duas outras palavras, estabelecendo entre elas
determinadas relações de sentido e de dependência.
(B) Preposição é a palavra invariável que liga duas orações ou duas palavras de mesma função em
uma oração.
(C) Preposição é a palavra ou conjunto de palavras que exprimem sentimentos, emoções e reações
psicológicas.
(D) Preposição é a palavra cuja função principal é indicar o posicionamento, o lugar de um ser,
relativamente à posição ocupada por uma das três pessoas gramaticais.
(E) Preposição é a palavra que exprime uma quantidade definida, exata de seres (pessoas, coisas
etc.), ou a posição que um ser ocupa em determinada sequência.
08. Assinale a alternativa que indica corretamente o valor semântico das preposições em destaque
nas frases:
I. Ele sempre cuidou da família com muita dedicação.
II. Com a doença do pai, ela voltou para a cidade natal.
III. Desde pequenos, os príncipes eram preparados para a liderança.
IV. A pequena casa de madeira foi destruída a machado.
(A) modo – companhia – modo – modo
(B) causa – modo – finalidade – instrumento
(C) modo – modo – causa – causa
(D) modo – causa – finalidade – instrumento
(E) companhia – causa – semelhança – modo
09. Assinale a alternativa em que ocorre combinação de uma preposição com um pronome
demonstrativo:
(A) Estou na mesma situação.
(B) Neste momento, encerramos nossas transmissões.
(C) Daqui não saio.
(D) Ando só pela vida.
(E) Acordei num lugar estranho.
10. Classifique a palavra como nas construções seguintes, numerando, convenientemente, os
parênteses. A seguir, assinale a alternativa correta:
1) Preposição
2) Conjunção Subordinativa Causal
3) Conjunção Subordinativa Conformativa
4) Conjunção Coordenativa Aditiva
5) Advérbio Interrogativo de Modo
( ) Perguntamos como chegaste aqui.
( ) Percorrera as salas como eu mandara.
( ) Tinha-o como amigo.
( ) Como estivesse muito frio, fiquei em casa.
( ) Tanto ele como o irmão são meus amigos.
(A) 2 - 4 - 5 - 3 – 1
(B) 4 -5 - 3 - 1 – 2
(C) 5 - 3 - 1 - 2 – 4
(D) 3 - 1 - 2 - 4 – 5
(E) 1 - 2 - 4 - 5 - 3
Respostas
01. Resposta D
02 - a)
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1. No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque (...) sai à caça do soldado desertor que
realizou assalto ao trem que levava confederados.
2. No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque (...) sai à caça do soldado desertor, que,
com confederados, realizou assalto a trem.
b) Na frase 1, com indica a relação continente-conteúdo, (trem-soldados), como em copo com água.
Na frase 2, com indica “em companhia de”. Em 1, com introduz um adjunto adnominal (de trem); em 2,
introduz um adjunto adverbial de companhia.
03. Resposta A
Alternativa A: “a” é artigo, está ligado ao substantivo “situação”.
04. Resposta D
Alternativa A: Oh - interjeição
Alternativa B: A - artigo
Alternativa C: Ela – pronome pessoal reto
Alternativa D (correta): Convida a sentar - preposição
Alternativa E: admirá-la – pronome oblíquo átono
05. Resposta C
Na frase matriz, a preposição “a” estabelece a ideia de instrumento, ou seja, daquilo que foi usado
para que se praticasse uma ação.
Na alternativa C, a preposição “a” estabelece o mesmo tipo de relação.
06. Resposta D
A preposição “de” é empregada na oração com o valor semântico (sentido da relação) de causa.
07. Resposta A
A preposição é chamada de palavra invariável por não apresentar formas variadas e por ser desprovida
de independência, isto é, não aparece sozinha no discurso.
08. Resposta D
09. Resposta B
10. Resposta C
Interjeição
É a palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito ou apelos: As interjeições
são como que frases resumidas: Ué ! =Eu não esperava essa! São proferidas com entonação especial,
que se representa, na escrita, com o ponto de exclamação(!)
Locução Interjetiva: É o conjunto de duas ou mais palavras com valor de uma interjeição: Muito bem!
Que pena! Quem me dera! Puxa, que legal!
Classificaçao das Interjeições e Locuções Interjetivas
As intejeições e as locuções interjetivas são classificadas,'de acordo com o sentido que elas
expressam em determinado contexto. Assim, uma mesma palavra ou expressão pode exprimir emoções
variadas.
Admiração ou Espanto: Oh!, Caramba!, Oba!, Nossa!, Meu Deus!, Céus!
Advertência: Cuidado!, Atenção!, Alerta!, Calma!, Alto!, Olha lá!
Alegria: Viva!, Oba!, Que bom!, Oh!, Ah!;
Ânimo: Avante!, Ânimo!, Vamos!, Força!, Eia!, Toca!
Aplauso: Bravo!, Parabéns!, Muito bem!
Chamamento: Olá!, Alô!, Psiu!, Psit!
Aversão: Droga!, Raios!, Xi!, Essa não!, lh!
Medo: Cruzes!, Credo!, Ui!, Jesus!, Uh! Uai!
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. 102
Pedido de Silêncio: Quieto!, Bico fechado!, Silêncio!, Chega!, Basta!
Saudação: Oi!, Olá!, Adeus!, Tchau!
Concordância: Claro!, Certo!, Sim!, Sem dúvida!
Desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera!, Queira Deus! Quem me dera!
Observe na relação acima, que as interjeições muitas vezes são formadas por palavras de outras
classes gramaticais: Cuidado! Não beba ao dirigir! (cuidado é substantivo).
Questões
01. Assinale o par de frases em que as palavras destacadas são substantivo e pronome,
respectivamente:
(A) A imigração tornou-se necessária. / É dever cristão praticar o bem.
(B) A Inglaterra é responsável por sua economia. / Havia muito movimento na praça.
(C) Fale sobre tudo o que for preciso. / O consumo de drogas é condenável.
(D) Pessoas inconformadas lutaram pela abolição. / Pesca-se muito em Angra dos Reis.
(E) Os prejudicados não tinham o direito de reclamar. / Não entendi o que você disse.
02. Assinale o item que só contenha preposições:
(A) durante, entre, sobre
(B) com, sob, depois
(C) para, atrás, por
(D) em, caso, após
(E) após, sobre, acima
03. Observe as palavras grifadas da seguinte frase: “Encaminhamos a V. Senhoria cópia autêntica
do Edital nº 19/82.” Elas são, respectivamente:
(A) verbo, substantivo, substantivo
(B) verbo, substantivo, advérbio
(C) verbo, substantivo, adjetivo
(D) pronome, adjetivo, substantivo
(E) pronome, adjetivo, adjetivo
04. Assinale a opção em que a locução grifada tem valor adjetivo:
(A) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a utilizar com receio.”
(B) “Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos.”
(C) “Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.”
(D) “Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras...”
(E) “Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem escrúpulos não se apoderassem do que era delas.”
05. O "que" está com função de preposição na alternativa:
(A) Veja que lindo está o cabelo da nossa amiga!
(B) Diz-me com quem andas, que eu te direi quem és.
(C) João não estudou mais que José, mas entrou na Faculdade.
(D) O Fiscal teve que acompanhar o candidato ao banheiro.
(E) Não chore que eu já volto.
06. “Saberão que nos tempos do passado o doce amor era julgado um crime.”
(A) 1 preposição
(B) 3 adjetivos
(C) 4 verbos
(D) 7 palavras átonas
(E) 4 substantivos
07. As expressões em negrito correspondem a um adjetivo, exceto em:
(A) João Fanhoso anda amanhecendo sem entusiasmo.
(B) Demorava-se de propósito naquele complicado banho.
(C) Os bichos da terra fugiam em desabalada carreira.
(D) Noite fechada sobre aqueles ermos perdidos da caatinga sem fim.
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(E) E ainda me vem com essa conversa de homem da roça.
08. Em “__ como se tivéssemos vivido sempre juntos”, a forma verbal está no:
(A) imperfeito do subjuntivo;
(B) futuro do presente composto;
(C) mais-que-perfeito composto do indicativo;
(D) mais-que-perfeito composto do subjuntivo;
(E) futuro composto do subjuntivo.
09. Assinale a alternativa que completa adequadamente a frase: “___ em ti, mas nem sempre ___ dos
outros”.
(A) creias - duvides;
(B) crê - duvidas;
(C) creais - duvidas;
(D) creia - duvide;
(E) crê - duvides.
10. Se ele ____ (ver) o nosso trabalho _____ (fazer) um elogio.
(A) ver – fará;
(B) visse – fará;
(C) ver – fazerá;
(D) vir – fará;
(E) vir – faria.
Respostas
01. (E) / 02. (A) / 03. (C) / 04. (E) / 05. (D) / 06. (E) / 07. (B) / 08. (D) / 09. (E) / 10. (D)
Estrutura das Palavras
Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores das palavras. Assim, compreendemos melhor
o significado de cada uma delas. As palavras podem ser divididas em unidades menores, a que damos o
nome de elementos mórficos ou morfemas.
Vamos analisar a palavra "cachorrinhas". Nessa palavra observamos facilmente a existência de
quatro elementos. São eles:
cachorr - este é o elemento base da palavra, ou seja, aquele que contém o significado.
inh - indica que a palavra é um diminutivo
a - indica que a palavra é feminina
s - indica que a palavra se encontra no plural
Morfemas: unidades mínimas de caráter significativo. Existem palavras que não comportam divisão
em unidades menores, tais como: mar, sol, lua, etc. São elementos mórficos:
- Raiz, Radical, Tema: elementos básicos e significativos
- Afixos (Prefixos, Sufixos), Desinência, Vogal Temática: elementos modificadores da significação
dos primeiros
- Vogal de Ligação, Consoante de Ligação: elementos de ligação ou eufônicos.
Raiz: É o elemento originário e irredutível em que se concentra a significação das palavras,
consideradas do ângulo histórico. É a raiz que encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma
família etimológica. Exemplo: Raiz noc [Latim nocere = prejudicar] tem a significação geral de causar
dano, e a ela se prendem, pela origem comum, as palavras nocivo, nocividade, inocente, inocentar,
inócuo, etc.
Uma raiz pode sofrer alterações: at-o; at-or; at-ivo; aç-ão; ac-ionar;
Radical:
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. 104
Observe o seguinte grupo de palavras: livr-o; livr-inho; livr-eiro; livr-eco. Você reparou que há um
elemento comum nesse grupo? Você reparou que o elemento livr serve de base para o significado? Esse
elemento é chamado de radical (ou semantema). Elemento básico e significativo das palavras,
consideradas sob o aspecto gramatical e prático. É encontrado através do despojo dos elementos
secundários (quando houver) da palavra. Exemplo: cert-o; cert-eza; in-cert-eza.
Afixos: são elementos secundários (geralmente sem vida autônoma) que se agregam a um radical ou
tema para formar palavras derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema "-mente", por exemplo, cria
uma nova palavra a partir de "certo": certamente, advérbio de modo. De maneira semelhante, o
acréscimo dos morfemas "a-" e "-ar" à forma "cert-" cria o verbo acertar. Observe que a- e -ar são
morfemas capazes de operar mudança de classe gramatical na palavra a que são anexados.
Quando são colocados antes do radical, como acontece com "a-", os afixos recebem o nome de
prefixos. Quando, como "-ar", surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos. Exemplo:
in-at-ivo; em-pobr-ecer; inter-nacion-al.
Desinências: são os elementos terminais indicativos das flexões das palavras. Existem dois tipos:
- Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (masculino e feminino) e de número (singular
e plural) dos nomes. Exemplos: aluno-o / aluno-s; alun-a / aluna-s. Só podemos falar em desinências
nominais de gêneros e de números em palavras que admitem tais flexões, como nos exemplos acima.
Em palavras como mesa, tribo, telefonema, por exemplo, não temos desinência nominal de gênero. Já
em pires, lápis, ônibus não encontramos desinência nominal de número.
- Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pessoa e de modo e tempo dos verbos. A
desinência "-o", presente em "am-o", é uma desinência número-pessoal, pois indica que o verbo está
na primeira pessoa do singular; "-va", de "ama-va", é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma
verbal do pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação.
Vogal Temática: é a vogal que se junta ao radical, preparando-o para receber as desinências. Nos
verbos, distinguem-se três vogais temáticas:
- Caracteriza os verbos da 1ª conjugação: buscar, buscavas, etc.
- Caracteriza os verbos da 2ª conjugação: romper, rompemos, etc.
- Caracteriza os verbos da 3ª conjugação: proibir, proibirá, etc.
Tema: é o grupo formado pelo radical mais vogal temática. Nos verbos citados acima, os temas são:
busca-, rompe-, proibi-
Vogais e Consoantes de Ligação: As vogais e consoantes de ligação são morfemas que surgem por
motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determinada palavra.
Exemplos: parisiense (paris= radical, ense=sufixo, vogal de ligação=i); gas-ô-metro, alv-i-negro, tecn-o-
cracia, pau-l-ada, cafe-t-eira, cha-l-eira, inset-i-cida, pe-z-inho, pobr-e-tão, etc.
Formação das Palavras: existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a
Derivação e a Composição. A diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de
derivação, partimos sempre de um único radical, enquanto no processo de composição sempre haverá
mais de um radical.
Derivação: é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra
já existente, chamada primitiva. Exemplo: Mar (marítimo, marinheiro, marujo); terra (enterrar, terreiro,
aterrar). Observamos que "mar" e "terra" não se formam de nenhuma outra palavra, mas, ao contrário,
possibilitam a formação de outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo. Logo, mar e terra são
palavras primitivas, e as demais, derivadas.
Tipos de Derivação
- Derivação Prefixal ou Prefixação: resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o
seu significado alterado: crer- descrer; ler- reler; capaz- incapaz.
- Derivação Sufixal ou Sufixação: resulta de acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer
alteração de significado ou mudança de classe gramatical: alfabetização. No exemplo, o sufixo -
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ção transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do substantivo
alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar.
A derivação sufixal pode ser:
Nominal, formando substantivos e adjetivos: papel – papelaria; riso – risonho.
Verbal, formando verbos: atual - atualizar.
Adverbial, formando advérbios de modo: feliz – felizmente.
- Derivação Parassintética ou Parassíntese: Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo
simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Por meio da parassíntese formam-se nomes
(substantivos e adjetivos) e verbos. Considere o adjetivo "triste". Do radical "trist-" formamos o verbo
entristecer através da junção simultânea do prefixo "en-" e do sufixo "-ecer". A presença de apenas um
desses afixos não é suficiente para formar uma nova palavra, pois em nossa língua não existem as
palavras "entriste", nem "tristecer". Exemplos:
emudecer
mudo – palavra inicial
e – prefixo
mud – radical
ecer – sufixo
desalmado
alma – palavra inicial
des – prefixo
alm – radical
ado – sufixo
Não devemos confundir derivação parassintética, em que o acréscimo de sufixo e de prefixo é
obrigatoriamente simultâneo, com casos como os das palavras desvalorização e desigualdade. Nessas
palavras, os afixos são acoplados em sequência: desvalorização provém de desvalorizar, que provém de
valorizar, que por sua vez provém de valor.
É impossível fazer o mesmo com palavras formadas por parassíntese: não se pode dizer que
expropriar provém de "propriar" ou de "expróprio", pois tais palavras não existem. Logo, expropriar provém
diretamente de próprio, pelo acréscimo concomitante de prefixo e sufixo.
- Derivação Regressiva: ocorre derivação regressiva quando uma palavra é formada não por
acréscimo, mas por redução: comprar (verbo) - compra (substantivo); beijar (verbo) - beijo (substantivo).
Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou se ocorre o contrário, podemos seguir a
seguinte orientação:
- Se o substantivo denota ação, será palavra derivada, e o verbo palavra primitiva.
- Se o nome denota algum objeto ou substância, verifica-se o contrário.
Vamos observar os exemplos acima: compra e beijo indicam ações, logo, são palavras derivadas. O
mesmo não ocorre, porém, com a palavra âncora, que é um objeto. Neste caso, um substantivo primitivo
que dá origem ao verbo ancorar.
Por derivação regressiva, formam-se basicamente substantivos a partir de verbos. Por isso, recebem
o nome de substantivos deverbais. Note que na linguagem popular, são frequentes os exemplos de
palavras formadas por derivação regressiva. o portuga (de português); o boteco (de botequim); o
comuna (de comunista); agito (de agitar); amasso (de amassar); chego (de chegar)
O processo normal é criar um verbo a partir de um substantivo. Na derivação regressiva, a língua
procede em sentido inverso: forma o substantivo a partir do verbo.
- Derivação Imprópria: A derivação imprópria ocorre quando determinada palavra, sem sofrer
qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical. Neste processo:
Os adjetivos passam a substantivos: Os bons serão contemplados.
Os particípios passam a substantivos ou adjetivos: Aquele garoto alcançou um feito passando no
concurso.
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Os infinitivos passam a substantivos: O andar de Roberta era fascinante; O badalar dos sinos soou na
cidadezinha.
Os substantivos passam a adjetivos: O funcionário fantasma foi despedido; O menino prodígio resolveu
o problema.
Os adjetivos passam a advérbios: Falei baixo para que ninguém escutasse.
Palavras invariáveis passam a substantivos: Não entendo o porquê disso tudo.
Substantivos próprios tornam-se comuns: Aquele coordenador é um caxias! (chefe severo e exigente)
Os processos de derivação vistos anteriormente fazem parte da Morfologia porque implicam alterações
na forma das palavras. No entanto, a derivação imprópria lida basicamente com seu significado, o que
acaba caracterizando um processo semântico. Por essa razão, entendemos o motivo pelo qual é
denominada "imprópria".
Composição: é o processo que forma palavras compostas, a partir da junção de dois ou mais radicais.
Existem dois tipos:
- Composição por Justaposição: ao juntarmos duas ou mais palavras ou radicais, não ocorre
alteração fonética: passatempo, quinta-feira, girassol, couve-flor. Em "girassol" houve uma alteração na
grafia (acréscimo de um "s") justamente para manter inalterada a sonoridade da palavra.
- Composição por Aglutinação: ao unirmos dois ou mais vocábulos ou radicais, ocorre supressão de
um ou mais de seus elementos fonéticos: embora (em boa hora); fidalgo (filho de algo - referindo-se a
família nobre); hidrelétrico (hidro + elétrico); planalto (plano alto). Ao aglutinarem-se, os componentes
subordinam-se a um só acento tônico, o do último componente.
- Redução: algumas palavras apresentam, ao lado de sua forma plena, uma forma reduzida. Observe:
auto - por automóvel; cine - por cinema; micro - por microcomputador; Zé - por José. Como exemplo de
redução ou simplificação de palavras, podem ser citadas também as siglas, muito frequentes na
comunicação atual.
- Hibridismo: ocorre hibridismo na palavra em cuja formação entram elementos de línguas diferentes:
auto (grego) + móvel (latim).
- Onomatopeia: numerosas palavras devem sua origem a uma tendência constante da fala humana
para imitar as vozes e os ruídos da natureza. As onomatopeias são vocábulos que reproduzem
aproximadamente os sons e as vozes dos seres: miau, zunzum, piar, tinir, urrar, chocalhar, cocoricar, etc.
- Prefixos: os prefixos são morfemas que se colocam antes dos radicais basicamente a fim de
modificar-lhes o sentido; raramente esses morfemas produzem mudança de classe gramatical. Os
prefixos ocorrentes em palavras portuguesas se originam do latim e do grego, línguas em que
funcionavam como preposições ou advérbios, logo, como vocábulos autônomos. Alguns prefixos foram
pouco ou nada produtivos em português. Outros, por sua vez, tiveram grande vitalidade na formação de
novas palavras: a- , contra- , des- , em- (ou en-) , es- , entre- re- , sub- , super- , anti-.
Prefixos de Origem Grega
a-, an-: afastamento, privação, negação, insuficiência, carência: anônimo, amoral, ateu, afônico.
ana-: inversão, mudança, repetição: analogia, análise, anagrama, anacrônico.
anfi-: em redor, em torno, de um e outro lado, duplicidade: anfiteatro, anfíbio, anfibologia.
anti-: oposição, ação contrária: antídoto, antipatia, antagonista, antítese.
apo-: afastamento, separação: apoteose, apóstolo, apocalipse, apologia.
arqui-, arce-: superioridade hierárquica, primazia, excesso: arquiduque, arquétipo, arcebispo,
arquimilionário.
cata-: movimento de cima para baixo: cataplasma, catálogo, catarata.
di-: duplicidade: dissílabo, ditongo, dilema.
dia-: movimento através de, afastamento: diálogo, diagonal, diafragma, diagrama.
dis-: dificuldade, privação: dispneia, disenteria, dispepsia, disfasia.
ec-, ex-, exo-, ecto-: movimento para fora: eclipse, êxodo, ectoderma, exorcismo.
en-, em-, e-: posição interior, movimento para dentro: encéfalo, embrião, elipse, entusiasmo.
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endo-: movimento para dentro: endovenoso, endocarpo, endosmose.
epi-: posição superior, movimento para: epiderme, epílogo, epidemia, epitáfio.
eu-: excelência, perfeição, bondade: eufemismo, euforia, eucaristia, eufonia.
hemi-: metade, meio: hemisfério, hemistíquio, hemiplégico.
hiper-: posição superior, excesso: hipertensão, hipérbole, hipertrofia.
hipo-: posição inferior, escassez: hipocrisia, hipótese, hipodérmico.
meta-: mudança, sucessão: metamorfose, metáfora, metacarpo.
para-: proximidade, semelhança, intensidade: paralelo, parasita, paradoxo, paradigma.
peri-: movimento ou posição em torno de: periferia, peripécia, período, periscópio.
pro-: posição em frente, anterioridade: prólogo, prognóstico, profeta, programa.
pros-: adjunção, em adição a: prosélito, prosódia.
proto-: início, começo, anterioridade: proto-história, protótipo, protomártir.
poli-: multiplicidade: polissílabo, polissíndeto, politeísmo.
sin-, sim-: simultaneidade, companhia: síntese, sinfonia, simpatia, sinopse.
tele-: distância, afastamento: televisão, telepatia, telégrafo.
Prefixos de Origem Latina
a-, ab-, abs-: afastamento, separação: aversão, abuso, abstinência, abstração.
a-, ad-: aproximação, movimento para junto: adjunto, advogado, advir, aposto.
ante-: anterioridade, procedência: antebraço, antessala, anteontem, antever.
ambi-: duplicidade: ambidestro, ambiente, ambiguidade, ambivalente.
ben(e)-, bem-: bem, excelência de fato ou ação: benefício, bendito.
bis-, bi-: repetição, duas vezes: bisneto, bimestral, bisavô, biscoito.
circu(m)-: movimento em torno: circunferência, circunscrito, circulação.
cis-: posição aquém: cisalpino, cisplatino, cisandino.
co-, con-, com-: companhia, concomitância: colégio, cooperativa, condutor.
contra-: oposição: contrapeso, contrapor, contradizer.
de-: movimento de cima para baixo, separação, negação: decapitar, decair, depor.
de(s)-, di(s)-: negação, ação contrária, separação: desventura, discórdia, discussão.
e-, es-, ex-: movimento para fora: excêntrico, evasão, exportação, expelir.
en-, em-, in-: movimento para dentro, passagem para um estado ou forma, revestimento: imergir,
enterrar, embeber, injetar, importar.
extra-: posição exterior, excesso: extradição, extraordinário, extraviar.
i-, in-, im-: sentido contrário, privação, negação: ilegal, impossível, improdutivo.
inter-, entre-: posição intermediária: internacional, interplanetário.
intra-: posição interior: intramuscular, intravenoso, intraverbal.
intro-: movimento para dentro: introduzir, introvertido, introspectivo.
justa-: posição ao lado: justapor, justalinear.
ob-, o-: posição em frente, oposição: obstruir, ofuscar, ocupar, obstáculo.
per-: movimento através: percorrer, perplexo, perfurar, perverter.
pos-: posterioridade: pospor, posterior, pós-graduado.
pre-: anterioridade: prefácio, prever, prefixo, preliminar.
pro-: movimento para frente: progresso, promover, prosseguir, projeção.
re-: repetição, reciprocidade: rever, reduzir, rebater, reatar.
retro-: movimento para trás: retrospectiva, retrocesso, retroagir, retrógrado.
so-, sob-, sub-, su-: movimento de baixo para cima, inferioridade: soterrar, sobpor, subestimar.
super-, supra-, sobre-: posição superior, excesso: supercílio, supérfluo.
soto-, sota-: posição inferior: soto-mestre, sota-voga, soto-pôr.
trans-, tras-, tres-, tra-: movimento para além, movimento através: transatlântico, tresnoitar, tradição.
ultra-: posição além do limite, excesso: ultrapassar, ultrarromantismo, ultrassom, ultraleve, ultravioleta.
vice-, vis-: em lugar de: vice-presidente, visconde, vice-almirante.
Sufixos: são elementos (isoladamente insignificativos) que, acrescentados a um radical, formam nova
palavra. Sua principal característica é a mudança de classe gramatical que geralmente opera. Dessa
forma, podemos utilizar o significado de um verbo num contexto em que se deve usar um substantivo, por
exemplo. Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorporadas as desinências que indicam
as flexões das palavras variáveis. Existem dois grupos de sufixos formadores de substantivos
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extremamente importantes para o funcionamento da língua. São os que formam nomes de ação e os que
formam nomes de agente.
Sufixos que formam nomes de ação: -ada – caminhada; -ança – mudança; -ância – abundância; -
ção – emoção; -dão – solidão; -ença – presença; -ez(a) – sensatez, beleza; -ismo – civismo; -mento –
casamento; -são – compreensão; -tude – amplitude; -ura – formatura.
Sufixos que formam nomes de agente: -ário(a) – secretário; -eiro(a) – ferreiro; -ista – manobrista;
-or – lutador; -nte – feirante.
Sufixos que formam nomes de lugar, depositório: -aria – churrascaria; -ário – herbanário; -eiro –
açucareiro; -or – corredor; -tério – cemitério; -tório – dormitório.
Sufixos que formam nomes indicadores de abundância, aglomeração, coleção: -aço – ricaço; -
ada – papelada; -agem – folhagem; -al – capinzal; -ario(a) - casario, infantaria; -edo – arvoredo; -eria –
correria; -io – mulherio; -ume – negrume.
Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência:
-ite - bronquite, hepatite (inflamação), amotite (fósseis).
-oma - mioma, epitelioma, carcinoma (tumores).
-ato, eto, ito - sulfato, cloreto, sulfito (sais), granito (pedra).
-ina - cafeína, codeína (alcaloides, álcalis artificiais).
-ol - fenol, naftol (derivado de hidrocarboneto).
-ema - morfema, fonema, semema, semantema (ciência linguística).
-io - sódio, potássio, selênio (corpos simples).
Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas filosóficas, sistemas políticos: - ismo: budismo,
kantismo, comunismo.
Sufixos Formadores de Adjetivos
- de substantivos: -aco – maníaco; -ado – barbado; -áceo(a) - herbáceo, liláceas; -aico – prosaico;
-al – anual; -ar – escolar; -ário - diário, ordinário; -ático – problemático; -az – mordaz; -engo –
mulherengo; -ento – cruento; -eo – róseo; -esco – pitoresco; -este – agreste; -estre – terrestre; -enho
– ferrenho; -eno – terreno; -ício – alimentício; -ico – geométrico; -il – febril; -ino – cristalino; -ivo –
lucrativo; -onho – tristonho; -oso – bondoso; -udo – barrigudo.
- de verbos:
-(a)(e)(i)nte: ação, qualidade, estado – semelhante, doente, seguinte.
-(á)(í)vel: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação – louvável, perecível, punível.
-io, -(t)ivo: ação referência, modo de ser – tardio, afirmativo, pensativo.
-(d)iço, -(t)ício: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação, referência – movediço, quebradiço,
factício.
-(d)ouro,-(t)ório: ação, pertinência – casadouro, preparatório.
Sufixos Adverbiais: Na Língua Portuguesa, existe apenas um único sufixo adverbial: É o sufixo "-
mente", derivado do substantivo feminino latino mens, mentis que pode significar "a mente, o espírito, o
intento". Este sufixo juntou-se a adjetivos, na forma feminina, para indicar circunstâncias, especialmente
a de modo. Exemplos: altiva-mente, brava-mente, bondosa-mente, nervosa-mente, fraca-mente, pia-
mente. Já os advérbios que se derivam de adjetivos terminados em –ês (burgues-mente, portugues-
mente, etc.) não seguem esta regra, pois esses adjetivos eram outrora uniformes. Exemplos: cabrito
montês / cabrita montês.
Sufixos Verbais: Os sufixos verbais agregam-se, via de regra, ao radical de substantivos e adjetivos
para formar novos verbos. Em geral, os verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo da terminação-
ar. Exemplos: esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar; nivel-ar; (a)fin-ar; telefon-ar; (a)portugues-ar.
Os verbos exprimem, entre outras ideias, a prática de ação.
-ar: cruzar, analisar, limpar
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-ear: guerrear, golear
-entar: afugentar, amamentar
-ficar: dignificar, liquidificar
-izar: finalizar, organizar
Verbo Frequentativo: é aquele que traduz ação repetida.
Verbo Factivo: é aquele que envolve ideia de fazer ou causar.
Verbo Diminutivo: é aquele que exprime ação pouco intensa.
Questões
01. (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PREVIDÊNCIA SOCIAL – CEPERJ/2014) A palavra
“infraestrutura” é formada pelo seguinte processo:
(A) sufixação
(B) prefixação
(C) parassíntese
(D) justaposição
(E) aglutinação
02. A palavra "aguardente" formou-se por:
(A) hibridismo
(B) aglutinação
(C) justaposição
(D) parassíntese
(E) derivação regressiva
03. Que item contém somente palavras formadas por justaposição?
(A) desagradável – complemente
(B) vaga-lume - pé-de-cabra
(C) encruzilhada – estremeceu
(D) supersticiosa – valiosas
(E) desatarraxou – estremeceu
04. (RIOPREVIDÊNCIA – ASSISTENTE PREVIDENCIÁRIO – CEPERJ/2014 - ADAPTADA) Todas
as palavras abaixo têm, em sua formação um prefixo, exceto:
(A) incansáveis
(B) desencadearam
(C) internacionais
(D) hiperconsumo
(E) envolvidas
05. (RIOPREVIDÊNCIA – ASSISTENTE PREVIDENCIÁRIO – CEPERJ/2014 - ADAPTADA) Quanto
à formação das palavras, qual das alternativas a seguir contém composição por aglutinação?
(A) Girassol.
(B) Pontapé.
(C) Petróleo.
(D) Passatempo
06. Indique a palavra que foge ao processo de formação de chape-chape:
(A) zunzum
(B) reco-reco
(C) toque-toque
(D) tlim-tlim
(E) vivido
07. (COBRA TECNOLOGIA S/A – ANALISTA ADMINISTRATIVO – ESPP/2013) Assinale a
alternativa que indica, correta e respectivamente, os processos de formação das palavras “guarda-sol”,
“felizmente” e “quilo”.
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(A) Derivação por sufixação, composição por justaposição e redução.
(B) Composição por justaposição, redução e derivação por sufixação.
(C) Composição por justaposição, derivação por sufixação e redução.
(D) Redução, composição por justaposição e derivação por sufixação.
08. Assinale a palavra que é formada por parassíntese:
(A) entristecer
(B) choro
(C) embora
(D) desfazer
(E) trabalho
09. (FUNCAB - 2011 - Prefeitura de Várzea Grande/MT – Contador – FUNCAB) Em “...externamos
nossos sentimentos para vivê-los mais INTENSAMENTE” e “Os amores silenciosos podem provocar o
CHORO”, as palavras destacadas são formadas, respectivamente, a partir de processos de:
(A) derivação sufixal e composição por justaposição.
(B) composição por justaposição e derivação regressiva.
(C) derivação sufixal e derivação regressiva.
(D) derivação regressiva e derivação parassintética.
(E) derivação parassintética e derivação prefixal.
10. (DPE/RS - Defensor Público – FCC) Das palavras a seguir, a única formada por derivação prefixal
e sufixal é:
(A) destinação.
(B) desocupação.
(C) criminológico.
(D) carcereiro.
Respostas
01. Resposta B
Infra = prefixo + estrutura – temos a junção de um prefixo com um radical, portanto: derivação prefixal
(ou prefixação).
02. Resposta B
Aglutinação: é a composição em que pelo menos um dos elementos têm a pronúncia diferente de
quando estavam separados (água + ardente = aguardente).
03. Resposta B
Justaposição: é a composição em que os elementos juntos têm a mesma pronúncia de quando
estavam separados.
04. Resposta E
A palavra "envolver" vem do latim, involvere, que significa "rolar sobre". Por processo de formação
de palavras através de aglutinação, teríamos in + volvere (rolar), formando envolver.
05. Resposta C
Na composição por aglutinação ocorre a fusão de duas ou mais palavras ou radicais, havendo
alteração de um desses elementos formadores.
Girassol = gira + sol
Pontapé = ponta + pé
Petróleo = preto + óleo
Parapeito = passa + tempo
06. Resposta E
A palavra “chape-chape” é formada pelo processo chamado de onomatopeia, que consiste na
imitação aproximada entre o som de uma palavra e a realidade que a mesma representa. Assim, a palavra
tenta imitar o som natural da coisa significada.
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07. Resposta C
GUARDA-SOL: Na composição por justaposição ocorre a junção de duas ou mais palavras ou
radicais, sem que haja alteração desses elementos formadores, ou seja, mantêm a mesma ortografia e
acentuação que tinham antes da composição, havendo apenas alteração do significado.
FELIZMENTE: feliz + mente (sufixo)
QUILO: redução de quilograma
08. Resposta A
Derivação Parassintética: resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Por
meio da parassíntese formam-se nomes (substantivos e adjetivos) e verbos.
ENTRISTECER = TRISTE – prefixo -en; sufixo ecer
09. Resposta C
A alternativa “C” é a correta porque foi acrescentado um sufixo em “intensa”= intensamente e do verbo
CHORAR houve a regressão em choro.
10. Resposta B
A alternativa “B” é a correta porque “des (prefixo)ocupa (ção) sufixo. Nas outras alternativas só há
sufixação.
Flexão Nominal
Flexão de número
Os nomes (substantivo, adjetivo etc.), de modo geral, admitem a flexão de número: singular e plural:
animal – animais.
Na maioria das vezes, acrescenta-se S: ponte – pontes; bonito – bonitos.
Palavras terminadas em R ou Z: acrescenta-se ES: éter – éteres; avestruz – avestruzes. O pronome
qualquer faz o plural no meio: quaisquer
Palavras oxítonas terminadas em S: acrescenta-se ES: ananás – ananases.
Palavras terminadas em IL:
átono: trocam IL por EIS: fóssil – fósseis.
tônico: trocam L por S: funil – funis.
Palavras terminadas em EL:
átono: plural em EIS: nível – níveis.
tônico: plural em ÉIS: carretel – carretéis.
Palavras terminadas em X são invariáveis: o clímax − os clímax.
Há palavras cuja sílaba tônica avança: júnior − juniores; caráter – caracteres.
A palavra Caracteres é plural tanto de caractere quanto de caráter.
Palavras terminadas em ão fazem o plural em ãos, ães e ões.
Em ões: balões, corações, grilhões, melões, gaviões.
As paroxítonas e as proparoxítonas são invariáveis
Exemplos:
o pires − os pires, o ônibus − os ônibus
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Em ãos: pagãos, cristãos, cidadãos, bênçãos, órgãos. Os paroxítonos, como os dois últimos, sempre
fazem o plural em ãos.
Em ães: escrivães, tabeliães, capelães, capitães, alemães.
Em ões ou ãos: corrimões/corrimãos, verões/verãos, anões/anãos.
Em ões ou ães: charlatões/charlatães, guardiões/guardiães, cirurgiões/cirurgiães.
Em ões, ãos ou ães: anciões/anciãos/anciães, ermitões/ermitãos/ermitães
Plural dos diminutivos com a letra z: Coloca-se a palavra no plural, corta-se o s e acrescenta-se
zinhos (ou zinhas): coraçãozinho – corações – coraçõe – coraçõezinhos.
Plural com metafonia (ô - ó): Algumas palavras, quando vão ao plural, abrem o timbre da vogal “o”,
outras não. Com metafonia singular (ô) plural (ó): coro-coros; corvo-corvos; destroço-destroços. Sem
metafonia singular (ô) plural (ô): adorno-adornos; bolso-bolsos; transtorno-transtornos.
Casos especiais: aval, avales e avaiscal − cales e caiscós − coses e cós – fel, feles e féis – mal e
males – cônsul e cônsules.
Os dois elementos variam: Quando os compostos são formados por substantivo mais palavra
variável (adjetivo, substantivo, numeral, pronome): amor-perfeito − amores-perfeitos; couve-flor − couves-
flores; segunda-feira − segundas-feiras.
Só o primeiro elemento varia:
Quando há preposição no composto, mesmo que oculta: pé-de-moleque − pés-de-moleque; cavalo-
vapor − cavalos-vapor (de ou a vapor).
Quando o segundo substantivo determina o primeiro (fim ou semelhança): banana-maçã − bananas-
maçã (semelhante a maçã); navio-escola − navios-escola (a finalidade é a escola).
Alguns autores admitem a flexão dos dois elementos. É uma situação polêmica: mangas-espada
(preferível) ou mangas-espadas. Quando dizemos (e isso vai ocorrer outras vezes) que é uma situação
polêmica, discutível, convém ter em mente que a questão do concurso deve ser resolvida por eliminação,
ou seja, analisando bem as outras opções.
Apenas o último elemento varia:
Quando os elementos são adjetivos: hispano-americano − hispano-americanos. A exceção é surdo-
mudo, em que os dois adjetivos se flexionam: surdos-mudos.
Nos compostos em que aparecem os adjetivos grão, grã e bel: grão-duque − grão-duques; grã-cruz −
grã-cruzes; bel-prazer − bel-prazeres.
Quando o composto é formado por verbo ou qualquer elemento invariável (advérbio, interjeição,
prefixo etc.) mais substantivo ou adjetivo: arranha-céu − arranha-céus; sempre-viva − sempre-vivas;
super-homem − super-homens.
Quando os elementos são repetidos ou onomatopaicos (representam sons): reco-reco − reco-recos;
pingue-pongue − pingue-pongues; bem-te-vi − bem-te-vis.
Como se vê pelo segundo exemplo, pode haver alguma alteração nos elementos, ou seja, não serem
iguais. Se forem verbos repetidos, admite-se também pôr os dois no plural: pisca-pisca − pisca-piscas ou
piscas-piscas
Nenhum elemento varia:
Quando há verbo mais palavra invariável: O cola-tudo – os cola-tudo.
Quando há dois verbos de sentido oposto: o perde-ganha – os perde-ganha.
Nas frases substantivas (frases que se transformam em substantivos): O maria-vai-com-as-outras −
os maria-vai-com-as-outras.
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São invariáveis: arco-íris, louva-a-deus, sem-vergonha, sem-teto e sem-
terra: Os sem-terra apreciavam os arco-íris.
Admitem mais de um plural: pai-nosso − pais-nossos ou pai-nossos;
padre-nosso − padres-nossos ou padre-nossos; terra-nova − terras-novas
ou terra-novas; salvo-conduto − salvos-condutos ou salvo-condutos; xeque-
mate − xeques-mates ou xeques-mate; fruta-pão − frutas-pães ou frutas-
pão; guarda-marinha − guardas-marinhas ou guardas-marinha. Casos
especiais: palavras que não se encaixam nas regras: o bem-me-quer − os
bem-me-queres; o joão-ninguém − os joões-ninguém; o lugar-tenente − os
lugar-tenentes; o mapa-múndi − os mapas-múndi.
Flexão de Gênero
Os substantivos e as palavras que o acompanham na frase admitem a flexão de gênero: masculino e
feminino: Meu amigo diretor recebeu o primeiro salário. Minha amiga diretora recebeu a primeira
prestação. A flexão de feminino pode ocorrer de duas maneiras.
Com a troca de o ou e por a: lobo – loba; mestre – mestra.
Por meio de diferentes sufixos nominais de gênero: muitas vezes comalterações do radical: ateu
– ateia; bispo – episcopisa; conde – condessa; duque – duquesa; frade – freira; ilhéu – ilhoa; judeu –
judia; marajá – marani; monje – monja; pigmeu – pigmeia; píton – pitonisa; sandeu – sandia; sultão –
sultana.
Alguns substantivos são uniformes quanto ao gênero, ou seja, possuem uma única forma para
masculino e feminino. Podem ser:
Sobrecomuns: admitem apenas um artigo, podendo designar os dois sexos: a pessoa, o cônjuge, a
testemunha.
Comuns de dois gêneros: admitem os dois artigos, podendo então ser masculinos ou femininos: o
estudante − a estudante, o cientista − a cientista, o patriota − a patriota.
Epicenos: admitem apenas um artigo, designando os animais: O jacaré, a cobra, o polvo
O feminino de elefante é elefanta, e não elefoa. Aliás, é correto, mas designa apenas uma espécie de
elefanta.
Mamão, para alguns gramáticos, deve ser considerado epiceno. É algo discutível.
Há substantivos de gênero duvidoso, que as pessoas costumam trocar: champanha, aguardente, dó,
alface, eclipse, calformicida, cataplasma, grama (peso), grafite, milhar libido, plasma, soprano, musse,
suéter, preá, telefonema.
Existem substantivos que admitem os dois gêneros: diabetes (ou diabete), laringe, usucapião etc.
Flexão de Grau
Grau do substantivo
Normal ou Positivo: sem nenhuma alteração.
Aumentativo: Sintético: chapelão. Analítico: chapéu grande, chapéu enorme etc.
Diminutivo: Sintético: chapeuzinho. Analítico: chapéu pequeno, chapéu reduzido etc.
Um grau é sintético quando formado por sufixo; analítico, por meio de outras palavras.
Grau do adjetivo
Normal ou Positivo: João é forte.
Comparativo: de superioridade: João é mais forte que André. (ou do que); de inferioridade: João
é menos forte que André. (ou do que); de igualdade: João é tão forte quanto André. (ou como)
Superlativo: Absoluto: sintético: João é fortíssimo; analítico: João é muito forte (bastante forte, forte
demais etc.); Relativo: de superioridade: João é o mais forte da turma; de inferioridade: João é o menos
forte da turma.
O grau superlativo absoluto corresponde a um aumento do adjetivo. Pode ser expresso por um sufixo
(íssimo, érrimo ou imo) ou uma palavra de apoio, como muito, bastante, demasiadamente, enorme etc.
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As palavras maior, menor, melhor, e pior constituem sempre graus de superioridade: O carro é menor
que o ônibus; menor (mais pequeno): comparativo de superioridade. Ele é o pior do grupo; pior (mais
mau): superlativo relativo de superioridade.
Alguns superlativos absolutos sintéticos que podem apresentar dúvidas: acre – acérrimo, amargo –
amaríssimo; amigo – amicíssimo; antigo – antiqüíssimo; cruel – crudelíssimo; doce – dulcíssimo; fácil –
facílimo; feroz – ferocíssimo; fiel – fidelíssimo; geral – generalíssimo; humilde – humílimo; magro –
macérrimo; negro – nigérrimo; pobre – paupérrimo; sagrado – sacratíssimo; sério – seriíssimo; soberbo –
superbíssimo.
Flexão Verbal
As flexões verbais são expressas por meio dos tempos, modo e pessoa da seguinte forma: O tempo
indica o momento em que ocorre o processo verbal; O modo indica a atitude do falante (dúvida, certeza,
impossibilidade, pedido, imposição, etc.); A pessoa marca na forma do verbo a pessoa gramatical do
sujeito.
Tempos: Há tempos do presente, do passado (pretérito) e do futuro.
Modo
Modo Indicativo: Indica uma certeza relativa do falante com referência ao que o verbo exprime; pode
ocorrer no tempo presente, passado ou futuro:
Presente: Processo simultâneo ao ato da fala, fato corriqueiro, habitual: Compro livros nesta livraria.
Usa-se também o presente com o valor de passado, passado histórico (nos contos, narrativas)
Tempos do Pretérito (passado): Exprimem processos anteriores ao ato da fala. São eles:
- Pretérito Imperfeito: Exprime um processo habitual, ou com duração no tempo:
Naquela época eu cantava como um pássaro.
- Pretérito Perfeito: Exprime uma ação acabada: Paulo quebrou meu violão de estimação.
- Pretérito Mais-que-Perfeito: Exprime um processo anterior a um processo acabado: Embora tivera
deixado a escola, ele nunca deixou de estudar.
Tempos do Futuro: Indicam processos que irão acontecer:
- Futuro do Presente: Exprime um processo que ainda não aconteceu: Farei essa viagem no fim do
ano.
- Futuro do Pretérito: Exprime um processo posterior a um processo que já passou: Eu faria essa
viagem se não tivesse comprado o carro.
Modo Subjuntivo: Expressa incerteza, possibilidade ou dúvida em relação ao processo verbal e não
está ligado com a noção de tempo. Há três tempos: presente, imperfeito e futuro. Quero que voltes para
mim; Não pise na grama; É possível que ele seja honesto; Espero que ele fique contente; Duvido que
ele seja o culpado; Procuro alguém que seja meu companheiro para sempre; Ainda que ele queira, não
lhe será concedida a vaga; Se eu fosse bailarina, estaria na Rússia; Quando eu tiver dinherio, irei para
as praias do nordeste.
Modo Imperativo: Exprime atitude de ordem, pedido ou solicitação: Vai e não voltes mais.
Pessoa: A norma da língua portuguesa estabelece três pessoas: Singular: eu , tu , ele, ela. Plural:
nós, vós, eles, elas. No português brasileiro é comum o uso do pronome de tratamento você (s) em lugar
do tu e vós.
Questões
01. (PGM / RJ – AUXILIAR DE PROCURADPRIA – FJG RIO – 2013) No tocante à concordância,
está correta a flexão verbal na seguinte frase:
(A) Deveriam haver mecanismos mais rigorosos para controle do respeito às leis.
(B) Os peregrinos amanheceram na vigília diante da basílica.
(C) No relógio bateu cinco horas, revelando um dia de sol
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(D) No passado, os Estados Unidos realizou limpeza étnica, dizimando muitos índios.
02. (PREFEITURA DE CANAVIEIRA / PI - AUXILIAR DE SERVIÇOS GERAIS – IMA/2015) Marque
a alternativa onde a flexão do gênero está correto:
(A) Monge – monja.
(B) Judeu – Judéia.
(C) Servidor – servente.
(D) Chorão – chorosa.
03. (COLÉGIO PEDRO II – ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO – 2015)
Uma das frases abaixo contém um desvio quanto à flexão verbal. Qual?
(A) O laudo vai investigar se o piloto freiou ou não o carro.
(B) Se vocês propusessem mudanças, eu as aceitaria.
(C) Se ele cabe no banco da frente, é claro que eu também caibo.
(D) Os candidatos deveriam ter trazido seus documentos originais.
(E) Ninguém mais quereria visitar aquele parque depois do acontecido.
04. Flexão incorreta:
(A) os cidadãos
(B) os açúcares
(C) os cônsules
(D) os tóraxes
(D) os fósseis
05. (DOCAS/RJ – ESPECIALISTA PORTUÁRIO - CONTRATOS, COMPRAS E LICITAÇÕES –
MAKIYAMA – 2014) No que diz respeito à flexão nominal, assinale a alternativa INCORRETA quanto ao
superlativo sintético dos adjetivos dados:
(A) Pobre – pobrérrimo
(B) Magro – macérrimo
(C) Doce – dulcíssimo
(D) Frio – frigidíssimo
(E) Comum – comuníssimo
06. Está mal flexionado o adjetivo na alternativa:
(A) Tecidos verde-olivas
(B) Os raios ultravioleta
(C) Lençois azul-celeste
(D) Ternos azul-marinho
07. (COBRA TECNOLOGIA S/A – ANALISTA DE OPERAÇÕES / NEGÓCIOS –QUADRIX – 2014)
Sobre a forma verbal "comprei" e sua flexão é correto afirmar que:
(A) está flexionada na primeira pessoa do plural.
(B) pertence a um verbo da primeira conjugação.
(C) está no presente do indicativo.
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(D) pertence ao modo subjuntivo.
(E) o verbo de que ela deriva é defectivo e anômalo.
08. Assinale a alternativa em que a flexão do substantivo composto está errada:
(A) os pés-de-chumbo
(B) os corre-corre
(C) as públicas-formas
(D) os cavalos-vapor
(E) os vaivéns
09. Se for passado para o plural o termo grifado, deverá permanecer no singular o verbo que está
em:
(A) "Ainda bem que existe o Parque"...
(B) ...exclama o vaqueiro...
(C) ...onde acontece o surpreendente espetáculo da bioluminiscência...
(D) ...e o processo de desertificação do país continua em crescimento assombroso.
(E) Só haverá esperança para os vastos espaços das Geraes...
10. (MSGÁS – TÉCNICO ADMINISTRATIVO I – MSGÁS – 2015 – ADAPTADO)
Analise as afirmativas sobre a flexão nominal e verbal das palavras destacadas neste trecho:
“E eu sacudo as mãos molhadas de tempo, levando-as até aos olhos – as minhas mãos de hoje,
com que prendo a vida e a verdade desta hora.”
Assinale a afirmativa INCORRETA:
(A) O substantivo olhos apresenta flexão número plural.
(B) O verbo sacudo encontra-se no presente do indicativo e na primeira pessoa do singular.
(C) O substantivo vida não pode ser flexionado em número.
(D) O adjetivo molhadas é flexionável morfologicamente em gênero e número.
Respostas
01. Resposta B
Alternativa A: Quando o verbo “haver” aparece acompanhado de um verbo auxiliar, este assume o
comportamento impessoal, permanecendo no singular. Portanto, “Deveria haver mecanismos mais
rigorosos para controle do respeito às leis”.
Alternativa B: Correta
Alternativa C: “No relógio bateram cinco horas...”
Alternatida D: “No passado, os Estados Unidos realizaram limpeza étnica...”
02. Resposta A
B) Judeu - judia
C) Servidor - servidora
D) Chorão - chorona
03. Resposta A
Conjugação correta do verbo: Modo Indicativo / Pretérito Perfeito: Ele freou
Correção da frase: O laudo vai investigar se o piloto freou ou não o carro.
04. Respiosta D
O plural correto de “o tórax” é “os tórax”.
05. Resposta A
Pobre - Paupérrimo
06. Resposta A
Alternativa A: Tecidos verde-oliva
Os adjetivos compostos formados de substantivo + adjetivo ou adjetivo + substantivo devem
permanecer invariáveis.
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Alternativa B: O vocábulo “ultravioleta” é invariável.
Alternativa C: O vocábulo “azul-celeste” é invariável.
Alternativa D: O vocábulo “azul-marinho” é invariável.
07. Resposta B
Verbo “COMPRAR” – terminação em –AR = primeira conjugação
Verbo “COMER” – terminação em –ER = segunda conjugação
Verbo “SORRIR” – terminação em –IR = terceira conjugação
08. Resposta B
Compostos de verbo+ verbo: Ambos variam ou só o segundo vai para o plural.
corre-corre - corre-corres ou corres-corres
09. Resposta E
Alternativa A: "Ainda bem que existem os Parques" ...
Alternativa B: ...exclamam os vaqueiros...
Alternativa C: ...onde acontecem os surpreendentes espetáculos da bioluminiscência...
Alternativa D: ...e os processos de desertificação do país continuam em crescimento assombroso.
Alternativa E: Só haverá esperanças para os vastos espaços das Geraes... (Quando o verbo "haver""
funciona como "existir", "tempo decorrido" ele é impessoal, não-flexionável, ou seja, fica sempre no
singular.)
10. Resposta C
O substantivo vida aceita flexão de número, singular/plural, veja o exemplo:
Dizem que os gatos possuem sete vidas.
Análise Sintática
A Análise Sintática examina a estrutura do período, divide e classifica as orações que o constituem e
reconhece a função sintática dos termos de cada oração.
Daremos uma ideia do que seja frase, oração, período, termo, função sintática e núcleo de um termo
da oração.
As palavras, tanto na expressão escrita como na oral, são reunidas e ordenadas em frases. Pela frase
é que se alcança o objetivo do discurso, ou seja, da atividade linguística: a comunicação com o ouvinte
ou o leitor.
Frase, Oração e Período são fatores constituintes de qualquer texto escrito em prosa, pois o mesmo
compõe-se de uma sequência lógica de ideias, todas organizadas e dispostas em parágrafos
minuciosamente construídos.
Frase: é todo enunciado capaz de transmitir, a quem nos ouve ou lê, tudo o que pensamos, queremos
ou sentimos. Pode revestir as mais variadas formas, desde a simples palavra até o período mais
complexo, elaborado segundo os padrões sintáticos do idioma. São exemplos de frases:
Socorro!
Muito obrigado!
Que horror!
Sentinela, alerta!
Cada um por si e Deus por todos.
Grande nau, grande tormenta.
Por que agridem a natureza?
“Tudo seco em redor.” (Graciliano Ramos)
Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração;
processos de coordenação e subordinação; concordância
nominal e verbal; transitividade e regência de nomes e
verbos; padrões gerais de colocação pronominal no
português; mecanismos de coesão textual
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“Boa tarde, mãe Margarida!” (Graciliano Ramos)
“Fumaça nas chaminés, o céu tranquilo, limpo o terreiro.” (Adonias Filho)
“As luzes da cidade estavam amortecidas.” (Érico Veríssimo)
“Tropas do exército regular do Sul, ajustadas pelos seus aliados brancos de além mar, tinham sido
levadas em helicópteros para o lugar onde se presumia estivesse o inimigo, mas este se havia sumido
por completo.” (Érico Veríssimo)
As frases são proferidas com entoação e pausas especiais, indicadas na escrita pelos sinais de
pontuação. Muitas frases, principalmente as que se desviam do esquema sujeito + predicado, só podem
ser entendidas dentro do contexto (= o escrito em que figuram) e na situação (= o ambiente, as
circunstâncias) em que o falante se encontra. Chamam-se frases nominais as que se apresentam sem
o verbo. Exemplo: Tudo parado e morto.
Quanto ao sentido, as frases podem ser:
Declarativas: aquela através da qual se enuncia algo, de forma afirmativa ou negativa. Encerram a
declaração ou enunciação de um juízo acerca de alguém ou de alguma coisa:
Paulo parece inteligente. (afirmativa)
A retificação da velha estrada é uma obra inadiável. (afirmativa)
Nunca te esquecerei. (negativa)
Neli não quis montar o cavalo velho, de pêlo ruço. (negativa)
Interrogativas: aquela da qual se pergunta algo, direta (com ponto de interrogação) ou indiretamente
(sem ponto de interrogação). São uma pergunta, uma interrogação:
Por que chegaste tão tarde?
Gostaria de saber que horas são.
“Por que faço eu sempre o que não queria” (Fernando Pessoa)
“Não sabe, ao menos, o nome do pequeno?” (Machado de Assis)
Imperativas: aquela através da qual expressamos uma ordem, pedido ou súplica, de forma afirmativa
ou negativa. Contêm uma ordem, proibição, exortação ou pedido:
“Cale-se! Respeite este templo.” (afirmativa)
Não cometa imprudências. (negativa)
“Vamos, meu filho, ande depressa!” (afirmativa)
“Segue teu rumo e canta em paz.” (afirmativa)
“Não me leves para o mar.” (negativa)
Exclamativas: aquela através da qual externamos uma admiração. Traduzem admiração, surpresa,
arrependimento, etc.:
Como eles são audaciosos!
Não voltaram mais!
“Uma senhora instruída meter-se nestas bibocas!” (Graciliano Ramos)
Optativas: É aquela através da qual se exprime um desejo:
Bons ventos o levem!
Oxalá não sejam vãos tantos sacrifícios!
“E queira Deus que te não enganes, menino!” (Carlos de Laet)
“Quem me dera ser como Casimiro Lopes!” (Graciliano Ramos)
Imprecativas: Encerram uma imprecação (praga, maldição):
“Esta luz me falte, se eu minto, senhor!” (Camilo Castelo Branco)
“Não encontres amor nas mulheres!” (Gonçalves Dias)
“Maldito seja quem arme ciladas no seu caminho!” (Domingos Carvalho da Silva)
Como se vê dos exemplos citados, os diversos tipos de frase podem encerrar uma afirmação ou uma
negação. No primeiro caso, a frase é afirmativa, no segundo, negativa. O que caracteriza e distingue
esses diferentes tipos de frase é a entoação, ora ascendente ora descendente.
Muitas vezes, as frases assumem sentidos que só podem ser integralmente captados se atentarmos
para o contexto em que são empregadas. É o caso, por exemplo, das situações em que se explora a
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ironia. Pense, por exemplo, na frase "Que educação!", usada quando se vê alguém invadindo, com seu
carro, a faixa de pedestres. Nesse caso, ela expressa exatamente o contrário do que aparentemente diz.
A entoação é um elemento muito importante da frase falada, pois nos dá uma ampla possibilidade de
expressão. Dependendo de como é dita, uma frase simples como "É ela." pode indicar constatação,
dúvida, surpresa, indignação, decepção, etc.
A mesma frase pode assumir sentidos diferentes, conforme o tom com que a proferimos. Observe:
Olavo esteve aqui.
Olavo esteve aqui?
Olavo esteve aqui?!
Olavo esteve aqui!
Questões
01. Marque apenas as frases nominais:
(A) Que voz estranha!
(B) A lanterna produzia boa claridade.
(C) As risadas não eram normais.
(D) Luisinho, não!
02. Classifique as frases em declarativa, interrogativa, exclamativa, optativa ou imperativa.
(A) Você está bem?
(B) Não olhe; não olhe, Luisinho!
(C) Que alívio!
(D) Tomara que Luisinho não fique impressionado!
(E) Você se machucou?
(F) A luz jorrou na caverna.
(G) Agora suma, seu monstro!
(H) O túnel ficava cada vez mais escuro.
03. Transforme a frase declarativa em imperativa. Siga o modelo:
Luisinho ficou pra trás. (declarativa)
Lusinho, fique para trás. (imperativa)
(A) Eugênio e Marcelo caminhavam juntos.
(B) Luisinho procurou os fósforos no bolso.
(C) Os meninos olharam à sua volta.
04. Sabemos que frases verbais são aquelas que têm verbos. Assinale, pois, as frases verbais:
(A) Deus te guarde!
(B) As risadas não eram normais.
(C) Que ideia absurda!
(D) O fósforo quebrou – se em três pedacinhos.
(E) Tão preta como o túnel!
(F) Quem bom!
(G) As ovelhas são mansas e pacientes.
(H) Que espírito irônico e livre!
05. Escreva para cada frase o tipo a que pertence: declarativa, interrogativa, imperativa e exclamativa:
(A) Que flores tão aromáticas!
(B) Por que é que não vais ao teatro mais vezes?
(C) Devemos manter a nossa escola limpa.
(D) Respeitem os limites de velocidade.
(E) Já alguma vez foste ao Museu da Ciência?
(F) Atravessem a rua com cuidado.
(G) Como é bom sentir a alegria de um dever cumprido!
(H) Antes de tomar banho no mar, deve-se olhar para a cor da bandeira.
(I) Não te quero ver mais aqui!
(J) Hoje saímos mais cedo.
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Respostas
01. “a” e “d”
02. a) interrogativa; b) imperativa; c) exclamativa; d) optativa; e) interrogativa; f) declarativa; g)
imperativa; h) declarativa
03. a) Eugênio e Marcelo, caminhem juntos!; b) Luisinho, procure os fósforos no bolso!; c) Meninos,
olhem à sua volta!
04. a = guarde / b = eram / d = quebrou / g = são
05. a) exclamativa; b) interrogativa; c) declarativa; d) imperativa; e) interrogativa; f) imperativa; g)
exclamativa; h) declarativa; i) imperativa; j) declarativa
Oração: é todo enunciado linguístico dotado de sentido, porém há, necessariamente, a presença do
verbo. A oração encerra uma frase (ou segmento de frase), várias frases ou um período, completando
um pensamento e concluindo o enunciado através de ponto final, interrogação, exclamação e, em alguns
casos, através de reticências.
Em toda oração há um verbo ou locução verbal (às vezes elípticos). Não têm estrutura sintática,
portanto não são orações, não podem ser analisadas sintaticamente frases como:
Socorro!
Com licença!
Que rapaz impertinente!
Muito riso, pouco siso.
“A bênção, mãe Nácia!” (Raquel de Queirós)
Na oração as palavras estão relacionadas entre si, como partes de um conjunto harmônico: elas
formam os termos ou as unidades sintáticas da oração. Cada termo da oração desempenha uma função
sintática. Geralmente apresentam dois grupos de palavras: um grupo sobre o qual se declara alguma
coisa (o sujeito), e um grupo que apresenta uma declaração (o predicado), e, excepcionalmente, só o
predicado. Exemplo:
A menina banhou-se na cachoeira.
A menina – sujeito
banhou-se na cachoeira – predicado
Choveu durante a noite. (a oração toda predicado)
O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo em número e pessoa. É normalmente o "ser
de quem se declara algo", "o tema do que se vai comunicar".
O predicado é a parte da oração que contém "a informação nova para o ouvinte". Normalmente, ele
se refere ao sujeito, constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito.
Observe: O amor é eterno. O tema, o ser de quem se declara algo, o sujeito, é "O amor". A declaração
referente a "o amor", ou seja, o predicado, é "é eterno".
Já na frase: Os rapazes jogam futebol. O sujeito é "Os rapazes", que identificamos por ser o termo que
concorda em número e pessoa com o verbo "jogam". O predicado é "jogam futebol".
Núcleo de um termo é a palavra principal (geralmente um substantivo, pronome ou verbo), que encerra
a essência de sua significação. Nos exemplos seguintes, as palavras amigo e revestiu são o núcleo do
sujeito e do predicado, respectivamente:
“O amigo retardatário do presidente prepara-se para desembarcar.” (Aníbal Machado)
A avezinha revestiu o interior do ninho com macias plumas.
Os termos da oração da língua portuguesa são classificados em três grandes níveis:
- Termos Essenciais da Oração: Sujeito e Predicado.
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- Termos Integrantes da Oração: Complemento Nominal e Complementos Verbais (Objeto Direto,
Objeto indireto e Agente da Passiva).
- Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial, Aposto e Vocativo.
Termos Essenciais da Oração: São dois os termos essenciais (ou fundamentais) da oração: sujeito
e predicado. Exemplos:
Sujeito Predicado
Pobreza não é vileza.
Os sertanistas capturavam os índios.
Um vento áspero sacudia as árvores.
Sujeito: é equivocado dizer que o sujeito é aquele que pratica uma ação ou é aquele (ou aquilo) do
qual se diz alguma coisa. Ao fazer tal afirmação estamos considerando o aspecto semântico do sujeito
(agente de uma ação) ou o seu aspecto estilístico (o tópico da sentença). Já que o sujeito é depreendido
de uma análise sintática, vamos restringir a definição apenas ao seu papel sintático na sentença: aquele
que estabelece concordância com o núcleo do predicado. Quando se trata de predicado verbal, o núcleo
é sempre um verbo; sendo um predicado nominal, o núcleo é sempre um nome. Então têm por
características básicas:
- estabelecer concordância com o núcleo do predicado;
- apresentar-se como elemento determinante em relação ao predicado;
- constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo ou, ainda, qualquer palavra substantivada.
Exemplos:
A padaria está fechada hoje.
está fechada hoje: predicado nominal
fechada: nome adjetivo = núcleo do predicado
a padaria: sujeito
padaria: núcleo do sujeito - nome feminino singular
Nós mentimos sobre nossa idade para você.
mentimos sobre nossa idade para você: predicado verbal
mentimos: verbo = núcleo do predicado
nós: sujeito
No interior de uma sentença, o sujeito é o termo determinante, ao passo que o predicado é o termo
determinado. Essa posição de determinante do sujeito em relação ao predicado adquire sentido com o
fato de ser possível, na língua portuguesa, uma sentença sem sujeito, mas nunca uma sentença sem
predicado.
Exemplos:
As formigas invadiram minha casa.
as formigas: sujeito = termo determinante
invadiram minha casa: predicado = termo determinado
Há formigas na minha casa.
há formigas na minha casa: predicado = termo determinado
sujeito: inexistente
O sujeito sempre se manifesta em termos de sintagma nominal, isto é, seu núcleo é sempre um nome.
Quando esse nome se refere a objetos das primeira e segunda pessoas, o sujeito é representado por um
pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, etc.). Se o sujeito se refere a um objeto da terceira pessoa,
sua representação pode ser feita através de um substantivo, de um pronome substantivo ou de qualquer
conjunto de palavras, cujo núcleo funcione, na sentença, como um substantivo.
Exemplos:
Eu acompanho você até o guichê.
eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa
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Vocês disseram alguma coisa?
vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda pessoa
Marcos tem um fã-clube no seu bairro.
Marcos: sujeito = substantivo próprio
Ninguém entra na sala agora.
ninguém: sujeito = pronome substantivo
O andar deve ser uma atividade diária.
o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa oração
Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir de uma oração inteira. Nesse caso, a oração
recebe o nome de oração substantiva subjetiva:
É difícil optar por esse ou aquele doce...
É difícil: oração principal
optar por esse ou aquele doce: oração substantiva subjetiva
O sujeito é constituído por um substantivo ou pronome, ou por uma palavra ou expressão
substantivada. Exemplos:
O sino era grande.
Ela tem uma educação fina.
Vossa Excelência agiu com imparcialidade.
Isto não me agrada.
O núcleo (isto é, a palavra base) do sujeito é, pois, um substantivo ou pronome. Em torno do núcleo
podem aparecer palavras secundárias (artigos, adjetivos, locuções adjetivas, etc.).
Exemplo: “Todos os ligeiros rumores da mata tinham uma voz para a selvagem filha do sertão.” (José
de Alencar)
O sujeito pode ser:
Simples: quando tem um só núcleo: As rosas têm espinhos; “Um bando de galinhas-d’angola
atravessa a rua em fila indiana.”
Composto: quando tem mais de um núcleo: “O burro e o cavalo nadavam ao lado da canoa.”
Expresso: quando está explícito, enunciado: Eu viajarei amanhã.
Oculto (ou elíptico): quando está implícito, isto é, quando não está expresso, mas se deduz do
contexto: Viajarei amanhã. (sujeito: eu, que se deduz da desinência do verbo); “Um soldado saltou para
a calçada e aproximou-se.” (o sujeito, soldado, está expresso na primeira oração e elíptico na segunda:
e (ele) aproximou-se.); Crianças, guardem os brinquedos. (sujeito: vocês)
Agente: se faz a ação expressa pelo verbo da voz ativa: O Nilo fertiliza o Egito.
Paciente: quando sofre ou recebe os efeitos da ação expressa pelo verbo passivo: O criminoso é
atormentado pelo remorso; Muitos sertanistas foram mortos pelos índios; Construíram-se açudes. (=
Açudes foram construídos.)
Agente e Paciente: quando o sujeito realiza a ação expressa por um verbo reflexivo e ele mesmo
sofre ou recebe os efeitos dessa ação: O operário feriu-se durante o trabalho; Regina trancou-se no
quarto.
Indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal: Atropelaram uma senhora na esquina.
(Quem atropelou a senhora? Não se diz, não se sabe quem a atropelou.); Come-se bem naquele
restaurante.
Observações:
- Não confundir sujeito indeterminado com sujeito oculto.
- Sujeito formado por pronome indefinido não é indeterminado, mas expresso: Alguém me ensinará o
caminho. Ninguém lhe telefonou.
- Assinala-se a indeterminação do sujeito usando-se o verbo na 3ª pessoa do plural, sem referência a
qualquer agente já expresso nas orações anteriores: Na rua olhavam-no com admiração; “Bateram
palmas no portãozinho da frente.”; “De qualquer modo, foi uma judiação matarem a moça.”
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- Assinala-se a indeterminação do sujeito com um verbo ativo na 3ª pessoa do singular, acompanhado
do pronome se. O pronome se, neste caso, é índice de indeterminação do sujeito. Pode ser omitido junto
de infinitivos.
Aqui vive-se bem.
Devagar se vai ao longe.
Quando se é jovem, a memória é mais vivaz.
Trata-se de fenômenos que nem a ciência sabe explicar.
- Assinala-se a indeterminação do sujeito deixando-se o verbo no infinitivo impessoal: Era penoso
carregar aqueles fardos enormes; É triste assistir a estas cenas repulsivas.
Normalmente, o sujeito antecede o predicado; todavia, a posposição do sujeito ao verbo é fato
corriqueiro em nossa língua.
Exemplos:
É fácil este problema!
Vão-se os anéis, fiquem os dedos.
“Breve desapareceram os dois guerreiros entre as árvores.” (José de Alencar)
“Foi ouvida por Deus a súplica do condenado.” (Ramalho Ortigão)
“Mas terás tu paciência por duas horas?” (Camilo Castelo Branco)
Sem Sujeito: constituem a enunciação pura e absoluta de um fato, através do predicado; o conteúdo
verbal não é atribuído a nenhum ser. São construídas com os verbos impessoais, na 3ª pessoa do
singular: Havia ratos no porão; Choveu durante o jogo.
Observação: São verbos impessoais: Haver (nos sentidos de existir, acontecer, realizar-se, decorrer),
Fazer, passar, ser e estar, com referência ao tempo e Chover, ventar, nevar, gear, relampejar, amanhecer,
anoitecer e outros que exprimem fenômenos meteorológicos.
Predicado: assim como o sujeito, o predicado é um segmento extraído da estrutura interna das
orações ou das frases, sendo, por isso, fruto de uma análise sintática. Nesse sentido, o predicado é
sintaticamente o segmento linguístico que estabelece concordância com outro termo essencial da oração,
o sujeito, sendo este o termo determinante (ou subordinado) e o predicado o termo determinado (ou
principal). Não se trata, portanto, de definir o predicado como "aquilo que se diz do sujeito" como fazem
certas gramáticas da língua portuguesa, mas sim estabelecer a importância do fenômeno da
concordância entre esses dois termos essenciais da oração. Então têm por características básicas:
apresentar-se como elemento determinado em relação ao sujeito; apontar um atributo ou acrescentar
nova informação ao sujeito.
Exemplos:
Carolina conhece os índios da Amazônia.
sujeito: Carolina = termo determinante
predicado: conhece os índios da Amazônia = termo determinado
Todos nós fazemos parte da quadrilha de São João.
sujeito: todos nós = termo determinante
predicado: fazemos parte da quadrilha de São João = termo determinado
Nesses exemplos podemos observar que a concordância é estabelecida entre algumas poucas
palavras dos dois termos essenciais. No primeiro exemplo, entre "Carolina" e "conhece"; no segundo
exemplo, entre "nós" e "fazemos". Isso se dá porque a concordância é centrada nas palavras que são
núcleos, isto é, que são responsáveis pela principal informação naquele segmento. No predicado o núcleo
pode ser de dois tipos: um nome, quase sempre um atributo que se refere ao sujeito da oração, ou um
verbo (ou locução verbal). No primeiro caso, temos um predicado nominal (seu núcleo significativo é um
nome, substantivo, adjetivo, pronome, ligado ao sujeito por um verbo de ligação) e no segundo um
predicado verbal (seu núcleo é um verbo, seguido, ou não, de complemento(s) ou termos acessórios).
Quando, num mesmo segmento o nome e o verbo são de igual importância, ambos constituem o núcleo
do predicado e resultam no tipo de predicado verbo-nominal (tem dois núcleos significativos: um verbo
e um nome). Exemplos:
Minha empregada é desastrada.
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predicado: é desastrada
núcleo do predicado: desastrada = atributo do sujeito
tipo de predicado: nominal
O núcleo do predicado nominal chama-se predicativo do sujeito, porque atribui ao sujeito uma
qualidade ou característica. Os verbos de ligação (ser, estar, parecer, etc.) funcionam como um elo
entre o sujeito e o predicado.
A empreiteira demoliu nosso antigo prédio.
predicado: demoliu nosso antigo prédio
núcleo do predicado: demoliu = nova informação sobre o sujeito
tipo de predicado: verbal
Os manifestantes desciam a rua desesperados.
predicado: desciam a rua desesperados
núcleos do predicado: desciam = nova informação sobre o sujeito; desesperados = atributo do sujeito
tipo de predicado: verbo-nominal
Nos predicados verbais e verbo-nominais o verbo é responsável também por definir os tipos de
elementos que aparecerão no segmento. Em alguns casos o verbo sozinho basta para compor o
predicado (verbo intransitivo). Em outros casos é necessário um complemento que, juntamente com o
verbo, constituem a nova informação sobre o sujeito. De qualquer forma, esses complementos do verbo
não interferem na tipologia do predicado.
Entretanto, é muito comum a elipse (ou omissão) do verbo, quando este puder ser facilmente
subentendido, em geral por estar expresso ou implícito na oração anterior. Exemplos:
“A fraqueza de Pilatos é enorme, a ferocidade dos algozes inexcedível.” (Machado de Assis) (Está
subentendido o verbo é depois de algozes)
“Mas o sal está no Norte, o peixe, no Sul” (Paulo Moreira da Silva) (Subentende-se o verbo está depois
de peixe)
“A cidade parecia mais alegre; o povo, mais contente.” (Povina Cavalcante) (isto é: o povo parecia
mais contente)
Chama-se predicação verbal o modo pelo qual o verbo forma o predicado.
Há verbos que, por natureza, tem sentido completo, podendo, por si mesmos, constituir o predicado:
são os verbos de predicação completa denominados intransitivos. Exemplo:
As flores murcharam.
Os animais correm.
As folhas caem.
“Os inimigos de Moreiras rejubilaram.” (Graciliano Ramos)
Outros verbos há, pelo contrário, que para integrarem o predicado necessitam de outros termos: são
os verbos de predicação incompleta, denominados transitivos. Exemplos:
João puxou a rede.
“Não invejo os ricos, nem aspiro à riqueza.” (Oto Lara Resende)
“Não simpatizava com as pessoas investidas no poder.” (Camilo Castelo Branco)
Observe que, sem os seus complementos, os verbos puxou, invejo, aspiro, etc., não transmitiriam
informações completas: puxou o quê? Não invejo a quem? Não aspiro a quê?
Os verbos de predicação completa denominam-se intransitivos e os de predicação incompleta,
transitivos. Os verbos transitivos subdividem-se em: transitivos diretos, transitivos indiretos e
transitivos diretos e indiretos (bitransitivos).
Além dos verbos transitivos e intransitivos, quem encerram uma noção definida, um conteúdo
significativo, existem os de ligação, verbos que entram na formação do predicado nominal, relacionando
o predicativo com o sujeito.
Quanto à predicação classificam-se, pois os verbos em:
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Intransitivos: são os que não precisam de complemento, pois têm sentido completo.
“Três contos bastavam, insistiu ele.” (Machado de Assis)
“Os guerreiros Tabajaras dormem.” (José de Alencar)
“A pobreza e a preguiça andam sempre em companhia.” (Marquês de Maricá)
Observações: Os verbos intransitivos podem vir acompanhados de um adjunto adverbial e mesmo de
um predicativo (qualidade, características): Fui cedo; Passeamos pela cidade; Cheguei atrasado; Entrei
em casa aborrecido. As orações formadas com verbos intransitivos não podem “transitar” (= passar)
para a voz passiva. Verbos intransitivos passam, ocasionalmente, a transitivos quando construídos com
o objeto direto ou indireto.
- “Inutilmente a minha alma o chora!” (Cabral do Nascimento)
- “Depois me deitei e dormi um sono pesado.” (Luís Jardim)
- “Morrerás morte vil da mão de um forte.” (Gonçalves Dias)
- “Inútil tentativa de viajar o passado, penetrar no mundo que já morreu...” (Ciro dos Anjos)
Alguns verbos essencialmente intransitivos: anoitecer, crescer, brilhar, ir, agir, sair, nascer, latir, rir,
tremer, brincar, chegar, vir, mentir, suar, adoecer, etc.
Transitivos Diretos: são os que pedem um objeto direto, isto é, um complemento sem preposição.
Pertencem a esse grupo: julgar, chamar, nomear, eleger, proclamar, designar, considerar, declarar,
adotar, ter, fazer, etc. Exemplos:
Comprei um terreno e construí a casa.
“Trabalho honesto produz riqueza honrada.” (Marquês de Maricá)
“Então, solenemente Maria acendia a lâmpada de sábado.” (Guedes de Amorim)
Dentre os verbos transitivos diretos merecem destaque os que formam o predicado verbo nominal e
se constrói com o complemento acompanhado de predicativo. Exemplos:
Consideramos o caso extraordinário.
Inês trazia as mãos sempre limpas.
O povo chamava-os de anarquistas.
Julgo Marcelo incapaz disso.
Observações: Os verbos transitivos diretos, em geral, podem ser usados também na voz passiva;
Outra característica desses verbos é a de poderem receber como objeto direto, os pronomes o, a, os, as:
convido-o, encontro-os, incomodo-a, conheço-as; Os verbos transitivos diretos podem ser construídos
acidentalmente com preposição, a qual lhes acrescenta novo matiz semântico: arrancar da espada; puxar
da faca; pegar de uma ferramenta; tomar do lápis; cumprir com o dever; Alguns verbos transitivos diretos:
abençoar, achar, colher, avisar, abraçar, comprar, castigar, contrariar, convidar, desculpar, dizer, estimar,
elogiar, entristecer, encontrar, ferir, imitar, levar, perseguir, prejudicar, receber, saldar, socorrer, ter, unir,
ver, etc.
Transitivos Indiretos: são os que reclamam um complemento regido de preposição, chamado objeto
indireto. Exemplos:
“Ninguém perdoa ao quarentão que se apaixona por uma adolescente.” (Ciro dos Anjos)
“Populares assistiam à cena aparentemente apáticos e neutros.” (Érico Veríssimo)
“Lúcio não atinava com essa mudança instantânea.” (José Américo)
“Do que eu mais gostava era do tempo do retiro espiritual.” (José Geraldo Vieira)
Observações: Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os que se constroem com os
pronomes objetivos lhe, lhes. Em geral são verbos que exigem a preposição a: agradar-lhe, agradeço-
lhe, apraz-lhe, bate-lhe, desagrada-lhe, desobedecem-lhe, etc. Entre os verbos transitivos indiretos
importa distinguir os que não admitem para objeto indireto as formas oblíquas lhe, lhes, construindo-se
com os pronomes retos precedidos de preposição: aludir a ele, anuir a ele, assistir a ela, atentar nele,
depender dele, investir contra ele, não ligar para ele, etc.
Em princípio, verbos transitivos indiretos não comportam a forma passiva. Excetuam-se pagar,
perdoar, obedecer, e pouco mais, usados também como transitivos diretos: João paga (perdoa, obedece)
o médico. O médico é pago (perdoado, obedecido) por João. Há verbos transitivos indiretos, como atirar,
investir, contentar-se, etc., que admitem mais de uma preposição, sem mudança de sentido. Outros
mudam de sentido com a troca da preposição, como nestes exemplos: Trate de sua vida. (tratar=cuidar).
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É desagradável tratar com gente grosseira. (tratar=lidar). Verbos como aspirar, assistir, dispor, servir, etc.,
variam de significação conforme sejam usados como transitivos diretos ou indiretos.
Transitivos Diretos e Indiretos: são os que se usam com dois objetos: um direto, outro indireto,
concomitantemente. Exemplos:
No inverno, Dona Cléia dava roupas aos pobres.
A empresa fornece comida aos trabalhadores.
Oferecemos flores à noiva.
Ceda o lugar aos mais velhos.
De Ligação: Os que ligam ao sujeito uma palavra ou expressão chamada predicativo. Esses verbos,
entram na formação do predicado nominal. Exemplos:
A Terra é móvel.
A água está fria.
O moço anda (=está) triste.
Mário encontra-se doente.
A Lua parecia um disco.
Observações: Os verbos de ligação não servem apenas de anexo, mas exprimem ainda os diversos
aspectos sob os quais se considera a qualidade atribuída ao sujeito. O verbo ser, por exemplo, traduz
aspecto permanente e o verbo estar, aspecto transitório: Ele é doente. (aspecto permanente); Ele está
doente. (aspecto transitório). Muito desses verbos passam à categoria dos intransitivos em frases como:
Era =existia) uma vez uma princesa.; Eu não estava em casa.; Fiquei à sombra.; Anda com dificuldades.;
Parece que vai chover.
Os verbos, relativamente à predicação, não têm classificação fixa, imutável. Conforme a regência e o
sentido que apresentam na frase, podem pertencer ora a um grupo, ora a outro. Exemplos:
O homem anda. (intransitivo)
O homem anda triste. (de ligação)
O cego não vê. (intransitivo)
O cego não vê o obstáculo. (transitivo direto)
Deram 12 horas. (intransitivo)
A terra dá bons frutos. (transitivo direto)
Não dei com a chave do enigma. (transitivo indireto)
Os pais dão conselhos aos filhos. (transitivo direto e indireto)
Predicativo: Há o predicativo do sujeito e o predicativo do objeto.
Predicativo do Sujeito: é o termo que exprime um atributo, um estado ou modo de ser do sujeito, ao
qual se prende por um verbo de ligação, no predicado nominal. Exemplos:
A bandeira é o símbolo da Pátria.
A mesa era de mármore.
O mar estava agitado.
A ilha parecia um monstro.
Além desse tipo de predicativo, outro existe que entra na constituição do predicado verbo-nominal.
Exemplos:
O trem chegou atrasado. (=O trem chegou e estava atrasado.)
O menino abriu a porta ansioso.
Todos partiram alegres.
Marta entrou séria.
Observações: O predicativo subjetivo às vezes está preposicionado; Pode o predicativo preceder o
sujeito e até mesmo ao verbo: São horríveis essas coisas!; Que linda estava Amélia!; Completamente
feliz ninguém é.; Raros são os verdadeiros líderes.; Quem são esses homens?; Lentos e tristes, os
retirantes iam passando.; Novo ainda, eu não entendia certas coisas.; Onde está a criança que fui?
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Predicativo do Objeto: é o termo que se refere ao objeto de um verbo transitivo. Exemplos:
O juiz declarou o réu inocente.
O povo elegeu-o deputado.
As paixões tornam os homens cegos.
Nós julgamos o fato milagroso.
Observações: O predicativo objetivo, como vemos dos exemplos acima, às vezes vem regido de
preposição. Esta, em certos casos, é facultativa; O predicativo objetivo geralmente se refere ao objeto
direto. Excepcionalmente, pode referir-se ao objeto indireto do verbo chamar. Chamavam-lhe poeta;
Podemos antepor o predicativo a seu objeto: O advogado considerava indiscutíveis os direitos da
herdeira.; Julgo inoportuna essa viagem.; “E até embriagado o vi muitas vezes.”; “Tinha estendida a
seus pés uma planta rústica da cidade.”; “Sentia ainda muito abertos os ferimentos que aquele choque
com o mundo me causara.”
Termos Integrantes da Oração
Chamam-se termos integrantes da oração os que completam a significação transitiva dos verbos e
nomes. Integram (inteiram, completam) o sentido da oração, sendo por isso indispensável à compreensão
do enunciado. São os seguintes:
- Complemento Verbais (Objeto Direto e Objeto Indireto);
- Complemento Nominal;
- Agente da Passiva.
Objeto Direto: é o complemento dos verbos de predicação incompleta, não regido, normalmente, de
preposição. Exemplos:
As plantas purificaram o ar.
“Nunca mais ele arpoara um peixe-boi.” (Ferreira Castro)
Procurei o livro, mas não o encontrei.
Ninguém me visitou.
O objeto direto tem as seguintes características:
- Completa a significação dos verbos transitivos diretos;
- Normalmente, não vem regido de preposição;
- Traduz o ser sobre o qual recai a ação expressa por um verbo ativo: Caim matou Abel.
- Torna-se sujeito da oração na voz passiva: Abel foi morto por Caim.
O objeto direto pode ser constituído:
- Por um substantivo ou expressão substantivada: O lavrador cultiva a terra.; Unimos o útil ao
agradável.
- Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos: Espero-o na estação.; Estimo-os muito.;
Sílvia olhou-se ao espelho.; Não me convidas?; Ela nos chama.; Avisamo-lo a tempo.; Procuram-na em
toda parte.; Meu Deus, eu vos amo.; “Marchei resolutamente para a maluca e intimei-a a ficar quieta.”;
“Vós haveis de crescer, perder-vos-ei de vista.”
- Por qualquer pronome substantivo: Não vi ninguém na loja.; A árvore que plantei floresceu. (que:
objeto direto de plantei); Onde foi que você achou isso? Quando vira as folhas do livro, ela o faz com
cuidado.; “Que teria o homem percebido nos meus escritos?”
Frequentemente transitivam-se verbos intransitivos, dando-se-lhes por objeto direto uma palavra
cognata ou da mesma esfera semântica:
“Viveu José Joaquim Alves vida tranquila e patriarcal.” (Vivaldo Coaraci)
“Pela primeira vez chorou o choro da tristeza.” (Aníbal Machado)
“Nenhum de nós pelejou a batalha de Salamina.” (Machado de Assis)
Em tais construções é de rigor que o objeto venha acompanhado de um adjunto.
Objeto Direto Preposicionado: Há casos em que o objeto direto, isto é, o complemento de verbos
transitivos diretos, vem precedido de preposição, geralmente a preposição a. Isto ocorre principalmente:
- Quando o objeto direto é um pronome pessoal tônico: Deste modo, prejudicas a ti e a ela.; “Mas dona
Carolina amava mais a ele do que aos outros filhos.”; “Pareceu-me que Roberto hostilizava antes a mim
do que à ideia.”; “Ricardina lastimava o seu amigo como a si própria.”; “Amava-a tanto como a nós”.
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- Quando o objeto é o pronome relativo quem: “Pedro Severiano tinha um filho a quem idolatrava.”;
“Abraçou a todos; deu um beijo em Adelaide, a quem felicitou pelo desenvolvimento das suas graças.”;
“Agora sabia que podia manobrar com ele, com aquele homem a quem na realidade também temia, como
todos ali”.
- Quando precisamos assegurar a clareza da frase, evitando que o objeto direto seja tomado como
sujeito, impedindo construções ambíguas: Convence, enfim, ao pai o filho amado.; “Vence o mal ao
remédio.”; “Tratava-me sem cerimônia, como a um irmão.”; A qual delas iria homenagear o cavaleiro?
- Em expressões de reciprocidade, para garantir a clareza e a eufonia da frase: “Os tigres despedaçam-
se uns aos outros.”; “As companheiras convidavam-se umas às outras.”; “Era o abraço de duas criaturas
que só tinham uma à outra”.
- Com nomes próprios ou comuns, referentes a pessoas, principalmente na expressão dos sentimentos
ou por amor da eufonia da frase: Judas traiu a Cristo.; Amemos a Deus sobre todas as coisas.
“Provavelmente, enganavam é a Pedro.”; “O estrangeiro foi quem ofendeu a Tupã”.
- Em construções enfáticas, nas quais antecipamos o objeto direto para dar-lhe realce: A você é que
não enganam!; Ao médico, confessor e letrado nunca enganes.; “A este confrade conheço desde os
seus mais tenros anos”.
- Sendo objeto direto o numeral ambos(as): “O aguaceiro caiu, molhou a ambos.”; “Se eu previsse que
os matava a ambos...”.
- Com certos pronomes indefinidos, sobretudo referentes a pessoas: Se todos são teus irmãos, por
que amas a uns e odeias a outros?; Aumente a sua felicidade, tornando felizes também aos outros.; A
quantos a vida ilude!.
- Em certas construções enfáticas, como puxar (ou arrancar) da espada, pegar da pena, cumprir com
o dever, atirar com os livros sobre a mesa, etc.: “Arrancam das espadas de aço fino...”; “Chegou a
costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha e entrou a coser.”;
“Imagina-se a consternação de Itaguaí, quando soube do caso.”
Observações: Nos quatro primeiros casos estudados a preposição é de rigor, nos cinco outros,
facultativa; A substituição do objeto direto preposicionado pelo pronome oblíquo átono, quando possível,
se faz com as formas o(s), a(s) e não lhe, lhes: amar a Deus (amá-lo); convencer ao amigo (convencê-
lo); O objeto direto preposicionado, é obvio, só ocorre com verbo transitivo direto; Podem resumir-se em
três as razões ou finalidades do emprego do objeto direto preposicionado: a clareza da frase; a harmonia
da frase; a ênfase ou a força da expressão.
Objeto Direto Pleonástico: Quando queremos dar destaque ou ênfase à ideia contida no objeto
direto, colocamo-lo no início da frase e depois o repetimos ou reforçamos por meio do pronome oblíquo.
A esse objeto repetido sob forma pronominal chama-se pleonástico, enfático ou redundante. Exemplos:
O dinheiro, Jaime o trazia escondido nas mangas da camisa.
O bem, muitos o louvam, mas poucos o seguem.
“Seus cavalos, ela os montava em pelo.” (Jorge Amado)
Objeto Indireto: É o complemento verbal regido de preposição necessária e sem valor circunstancial.
Representa, ordinariamente, o ser a que se destina ou se refere à ação verbal: “Nunca desobedeci a meu
pai”. O objeto indireto completa a significação dos verbos:
- Transitivos Indiretos: Assisti ao jogo; Assistimos à missa e à festa; Aludiu ao fato; Aspiro a uma
vida calma.
- Transitivos Diretos e Indiretos (na voz ativa ou passiva): Dou graças a Deus; Ceda o lugar aos
mais velhos; Dedicou sua vida aos doentes e aos pobres; Disse-lhe a verdade. (Disse a verdade ao
moço.)
O objeto indireto pode ainda acompanhar verbos de outras categorias, os quais, no caso, são
considerados acidentalmente transitivos indiretos: A bom entendedor meia palavra basta; Sobram-lhe
qualidades e recursos. (lhe=a ele); Isto não lhe convém; A proposta pareceu-lhe aceitável.
Observações: Há verbos que podem construir-se com dois objetos indiretos, regidos de preposições
diferentes: Rogue a Deus por nós.; Ela queixou-se de mim a seu pai.; Pedirei para ti a meu senhor um
rico presente; Não confundir o objeto direto com o complemento nominal nem com o adjunto adverbial;
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Em frases como “Para mim tudo eram alegrias”, “Para ele nada é impossível”, os pronomes em destaque
podem ser considerados adjuntos adverbiais.
O objeto indireto é sempre regido de preposição, expressa ou implícita. A preposição está implícita nos
pronomes objetivos indiretos (átonos) me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. Exemplos: Obedece-me. (=Obedece
a mim.); Isto te pertence. (=Isto pertence a ti.); Rogo-lhe que fique. (=Rogo a você...); Peço-vos isto.
(=Peço isto a vós.). Nos demais casos a preposição é expressa, como característica do objeto indireto:
Recorro a Deus.; Dê isto a (ou para) ele.; Contenta-se com pouco.; Ele só pensa em si.; Esperei por ti.;
Falou contra nós.; Conto com você.; Não preciso disto.; O filme a que assisti agradou ao público.;
Assisti ao desenrolar da luta.; A coisa de que mais gosto é pescar.; A pessoa a quem me refiro você a
conhece.; Os obstáculos contra os quais luto são muitos.; As pessoas com quem conto são poucas.
Como atestam os exemplos acima, o objeto indireto é representado pelos substantivos (ou expressões
substantivas) ou pelos pronomes. As preposições que o ligam ao verbo são: a, com, contra, de, em, para
e por.
Objeto Indireto Pleonástico: à semelhança do objeto direto, o objeto indireto pode vir repetido ou
reforçado, por ênfase. Exemplos: “A mim o que me deu foi pena.”; “Que me importa a mim o destino de
uma mulher tísica...? “E, aos brigões, incapazes de se moverem, basta-lhes xingarem-se a distância.”
Complemento Nominal: é o termo complementar reclamado pela significação transitiva, incompleta,
de certos substantivos, adjetivos e advérbios. Vem sempre regido de preposição. Exemplos: A defesa da
pátria; Assistência às aulas; “O ódio ao mal é amor do bem, e a ira contra o mal, entusiasmo divino.”;
“Ah, não fosse ele surdo à minha voz!”
Observações: O complemento nominal representa o recebedor, o paciente, o alvo da declaração
expressa por um nome: amor a Deus, a condenação da violência, o medo de assaltos, a remessa de
cartas, útil ao homem, compositor de músicas, etc. É regido pelas mesmas preposições usadas no
objeto indireto. Difere deste apenas porque, em vez de complementar verbos, complementa nomes
(substantivos, adjetivos) e alguns advérbios em –mente. Os nomes que requerem complemento nominal
correspondem, geralmente, a verbos de mesmo radical: amor ao próximo, amar o próximo; perdão das
injúrias, perdoar as injúrias; obediente aos pais, obedecer aos pais; regresso à pátria, regressar à
pátria; etc.
Agente da Passiva: é o complemento de um verbo na voz passiva. Representa o ser que pratica a
ação expressa pelo verbo passivo. Vem regido comumente pela preposição por, e menos frequentemente
pela preposição de: Alfredo é estimado pelos colegas; A cidade estava cercada pelo exército romano;
“Era conhecida de todo mundo a fama de suas riquezas.”
O agente da passiva pode ser expresso pelos substantivos ou pelos pronomes:
As flores são umedecidas pelo orvalho.
A carta foi cuidadosamente corrigida por mim.
Muitos já estavam dominados por ele.
O agente da passiva corresponde ao sujeito da oração na voz ativa:
A rainha era chamada pela multidão. (voz passiva)
A multidão aclamava a rainha. (voz ativa)
Ele será acompanhado por ti. (voz passiva)
Tu o acompanharás. (voz ativa)
Observações: Frase de forma passiva analítica sem complemento agente expresso, ao passar para a
ativa, terá sujeito indeterminado e o verbo na 3ª pessoa do plural: Ele foi expulso da cidade.
(Expulsaram-no da cidade.); As florestas são devastadas. (Devastam as florestas.); Na passiva
pronominal não se declara o agente: Nas ruas assobiavam-se as canções dele pelos pedestres. (errado);
Nas ruas eram assobiadas as canções dele pelos pedestres. (certo); Assobiavam-se as canções dele
nas ruas. (certo)
Termos Acessórios da Oração
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Termos acessórios são os que desempenham na oração uma função secundária, qual seja a de
caracterizar um ser, determinar os substantivos, exprimir alguma circunstância. São três os termos
acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto.
Adjunto adnominal: É o termo que caracteriza ou determina os substantivos. Exemplo: Meu irmão
veste roupas vistosas. (Meu determina o substantivo irmão: é um adjunto adnominal – vistosas
caracteriza o substantivo roupas: é também adjunto adnominal).
O adjunto adnominal pode ser expresso: Pelos adjetivos: água fresca, terras férteis, animal feroz;
Pelos artigos: o mundo, as ruas, um rapaz; Pelos pronomes adjetivos: nosso tio, este lugar, pouco sal,
muitas rãs, país cuja história conheço, que rua?; Pelos numerais: dois pés, quinto ano, capítulo sexto;
Pelas locuções ou expressões adjetivas que exprimem qualidade, posse, origem, fim ou outra
especificação:
- presente de rei (=régio): qualidade
- livro do mestre, as mãos dele: posse, pertença
- água da fonte, filho de fazendeiros: origem
- fio de aço, casa de madeira: matéria
- casa de ensino, aulas de inglês: fim, especialidade
- homem sem escrúpulos (=inescrupuloso): qualidade
- criança com febre (=febril): característica
- aviso do diretor: agente
Observações: Não confundir o adjunto adnominal formado por locução adjetiva com complemento
nominal. Este representa o alvo da ação expressa por um nome transitivo: a eleição do presidente, aviso
de perigo, declaração de guerra, empréstimo de dinheiro, plantio de árvores, colheita de trigo,
destruidor de matas, descoberta de petróleo, amor ao próximo, etc. O adjunto adnominal formado por
locução adjetiva representa o agente da ação, ou a origem, pertença, qualidade de alguém ou de alguma
coisa: o discurso do presidente, aviso de amigo, declaração do ministro, empréstimo do banco, a casa
do fazendeiro, folhas de árvores, farinha de trigo, beleza das matas, cheiro de petróleo, amor de mãe.
Adjunto adverbial: É o termo que exprime uma circunstância (de tempo, lugar, modo, etc.) ou, em
outras palavras, que modifica o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio. Exemplo: “Meninas numa
tarde brincavam de roda na praça”. O adjunto adverbial é expresso: Pelos advérbios: Cheguei cedo.;
Ande devagar.; Maria é mais alta.; Não durma ao volante.; Moramos aqui.; Ele fala bem, fala
corretamente.; Volte bem depressa.; Talvez esteja enganado.; Pelas locuções ou expressões
adverbiais: Às vezes viajava de trem.; Compreendo sem esforço.; Saí com meu pai.; Júlio reside em
Niterói.; Errei por distração.; Escureceu de repente.
Observações: Pode ocorrer a elipse da preposição antes de adjuntos adverbiais de tempo e modo:
Aquela noite, não dormi. (=Naquela noite...); Domingo que vem não sairei. (=No domingo...); Ouvidos
atentos, aproximei-me da porta. (=De ouvidos atentos...); Os adjuntos adverbiais classificam-se de
acordo com as circunstâncias que exprimem: adjunto adverbial de lugar, modo, tempo, intensidade,
causa, companhia, meio, assunto, negação, etc. É importante saber distinguir adjunto adverbial de
adjunto adnominal, de objeto indireto e de complemento nominal: sair do mar (ad.adv.); água do mar
(adj.adn.); gosta do mar (obj.indir.); ter medo do mar (compl.nom.).
Aposto: É uma palavra ou expressão que explica ou esclarece, desenvolve ou resume outro termo da
oração. Exemplos:
D. Pedro II, imperador do Brasil, foi um monarca sábio.
“Nicanor, ascensorista, expôs-me seu caso de consciência.” (Carlos Drummond de Andrade)
“No Brasil, região do ouro e dos escravos, encontramos a felicidade.” (Camilo Castelo Branco)
“No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente.” (Mário de Andrade)
O núcleo do aposto é um substantivo ou um pronome substantivo:
Foram os dois, ele e ela.
Só não tenho um retrato: o de minha irmã.
O dia amanheceu chuvoso, o que me obrigou a ficar em casa.
O aposto não pode ser formado por adjetivos. Nas frases seguintes, por exemplo, não há aposto, mas
predicativo do sujeito:
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Audaciosos, os dois surfistas atiraram-se às ondas.
As borboletas, leves e graciosas, esvoaçavam num balé de cores.
Os apostos, em geral, destacam-se por pausas, indicadas, na escrita, por vírgulas, dois pontos ou
travessões. Não havendo pausa, não haverá vírgula, como nestes exemplos:
Minha irmã Beatriz; o escritor João Ribeiro; o romance Tróia; o rio Amazonas; a Rua Osvaldo Cruz;
o Colégio Tiradentes, etc.
“Onde estariam os descendentes de Amaro vaqueiro?” (Graciliano Ramos)
O aposto pode preceder o termo a que se refere, o qual, às vezes, está elíptico. Exemplos:
Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
Mensageira da ideia, a palavra é a mais bela expressão da alma humana.
“Irmão do mar, do espaço, amei as solidões sobre os rochedos ásperos.” (Cabral do Nascimento)
(refere-se ao sujeito oculto eu).
O aposto, às vezes, refere-se a toda uma oração. Exemplos:
Nuvens escuras borravam os espaços silenciosos, sinal de tempestade iminente.
O espaço é incomensurável, fato que me deixa atônito.
Simão era muito espirituoso, o que me levava a preferir sua companhia.
Um aposto pode referir-se a outro aposto:
“Serafim Gonçalves casou-se com Lígia Tavares, filha do velho coronel Tavares, senhor de
engenho.” (Ledo Ivo)
O aposto pode vir precedido das expressões explicativas isto é, a saber, ou da preposição acidental
como:
Dois países sul-americanos, isto é, a Bolívia e o Paraguai, não são banhados pelo mar.
Este escritor, como romancista, nunca foi superado.
O aposto que se refere a objeto indireto, complemento nominal ou adjunto adverbial vem precedido de
preposição:
O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.
“Acho que adoeci disso, de beleza, da intensidade das coisas.” (Raquel Jardim)
De cobras, morcegos, bichos, de tudo ela tinha medo.
Vocativo: (do latim vocare = chamar) é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou interpelar
a pessoa, o animal ou a coisa personificada a que nos dirigimos:
“Elesbão? Ó Elesbão! Venha ajudar-nos, por favor!” (Maria de Lourdes Teixeira)
“A ordem, meus amigos, é a base do governo.” (Machado de Assis)
“Correi, correi, ó lágrimas saudosas!” (Fagundes Varela)
“Ei-lo, o teu defensor, ó Liberdade!” (Mendes Leal)
Observação: Profere-se o vocativo com entoação exclamativa. Na escrita é separado por vírgula(s).
No exemplo inicial, os pontos interrogativo e exclamativo indicam um chamado alto e prolongado. O
vocativo se refere sempre à 2ª pessoa do discurso, que pode ser uma pessoa, um animal, uma coisa real
ou entidade abstrata personificada. Podemos antepor-lhe uma interjeição de apelo (ó, olá, eh!):
“Tem compaixão de nós , ó Cristo!” (Alexandre Herculano)
“Ó Dr. Nogueira, mande-me cá o Padilha, amanhã!” (Graciliano Ramos)
“Esconde-te, ó sol de maio, ó alegria do mundo!” (Camilo Castelo Branco)
O vocativo é um tempo à parte. Não pertence à estrutura da oração, por isso não se anexa ao sujeito
nem ao predicado.
Questões
01. Assinale a alternativa correta: “para todos os males, há dois remédios: o tempo e o silêncio”, os
termos grifados são respectivamente:
(A) sujeito – objeto direto;
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(B) sujeito – aposto;
(C) objeto direto – aposto;
(D) objeto direto – objeto direto;
(E) objeto direto – complemento nominal.
02. (EEAR – Sargento Administração – Aeronáutica/2014). Assinale a alternativa em que o termo
destacado é objeto indireto.
(A) “Quem faz um poema abre uma janela.” (Mário Quintana)
(B) “Toda gente que eu conheço e que fala comigo / Nunca teve um ato ridículo / Nunca sofreu
enxovalho (...)” (Fernando Pessoa)
(C) “Quando Ismália enlouqueceu / Pôs-se na torre a sonhar / Viu uma lua no céu, / Viu uma lua no
mar.” (Alphonsus de Guimarães)
(D) “Mas, quando responderam a Nhô Augusto: ‘– É a jagunçada de seu Joãozinho Bem-Bem, que
está descendo para a Bahia.’ – ele, de alegre, não se pôde conter.” (Guimarães Rosa)
03. “Recebeu o prêmio o jogador que fez o gol”. Nessa frase o sujeito de “fez”?
(A) o prêmio;
(B) o jogador;
(C) que;
(D) o gol;
(E) recebeu.
04. Assinale a alternativa correspondente ao período onde há predicativo do sujeito:
(A) como o povo anda tristonho!
(B) agradou ao chefe o novo funcionário;
(C) ele nos garantiu que viria;
(D) no Rio não faltam diversões;
(E) o aluno ficou sabendo hoje cedo de sua aprovação.
05. (UFAL – Técnico de Laboratório – COPEVE/UFAL/2014)
Numa noite em que voltei para casa muito bêbado de uma de minhas andanças pela cidade, achei que
o gato evitava minha presença.
POE, Edgar Allan. Histórias extraordinárias. São Paulo: Larousse Jovem, 2005.
A oração “que o gato evitava minha presença”, sintaticamente, é
(A) o sujeito do verbo “achar”.
(B) um complemento verbal.
(C) um complemento nominal.
(D) um predicativo.
(E) um aposto.
06. (UNIRIO - Analista de Tecnologia da Informação - Segurança da Informação - UNIRIO)
Texto 1
Escravidão
José Roberto Pinto de Góes
Uma fonte histórica importante no estudo da escravidão no Brasil são os “relatos de viajantes”,
geralmente de europeus que permaneciam algum tempo no Brasil e, depois, escreviam sobre o que
haviam visto (ou entendido) nesses trópicos. Existem em maior número para o século XIX. Todos se
espantaram com a onipresença da escravidão, dos escravos e de uma população livre, mulata e de cor
preta. O reverendo Roberto Walsh, por exemplo, que desembarcou no Rio de Janeiro em finais da década
de 1820, deixou o seguinte testemunho: "Estive apenas algumas horas em terra e pela primeira vez pude
observar um negro africano sob os quatro aspectos da sociedade. Pareceu-me que em cada um deles
seu caráter dependia da situação em que se encontrava e da consideração que tinham com ele. Como
um escravo desprezado era muito inferior aos animais de carga... soldado, o negro era cuidadoso com a
sua higiene pessoal, acessível à disciplina, hábil em seus treinamentos, com o porte e a constituição de
um homem branco na mesma situação. Como cidadão, chamava a atenção pela aparência respeitável...
E como padre... parecia até mais sincero em suas ideias, e mais correto em suas maneiras, do que seus
companheiros brancos”.
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Em apenas algumas horas caminhando pelo Rio de Janeiro, Walsh pôde ver, pela primeira vez
(quantos lugares o reverendo terá visitado?), indivíduos de cor preta desempenhando diversos papéis:
escravo, soldado, cidadão e padre. Isso acontecia porque a alforria era muito mais recorrente aqui do que
em outras áreas escravistas da América, coisa que singularizou em muito a nossa história.
Robert Walsh escreveu que os escravos eram inferiores aos animais de carga. Se quis dizer com isso
que eram tratados e tidos como tal, acertou apenas pela metade. Tratados como animais de carga eram
mesmo, aos olhos do reverendo e aos nossos, de hoje em dia. Mas é muito improvável que tenha sido
esta a percepção dos proprietários de escravos. Não era. Eles sabiam que lidavam com seres humanos
e não com animais. Com animais tudo é fácil. A um cavalo, se o adestra. A outro homem, faz-se
necessário convencê-lo, todo santo dia, a se comportar como escravo. O chicote, o tronco, os ferros, o
pelourinho, a concessão de pequenos privilégios e a esperança de um dia obter uma carta de alforria
ajudaram o domínio senhorial no Brasil. Mas, me valendo mais uma vez de Joaquim Nabuco, o que
contava mesmo, como ele disse, era a habilidade do senhor em infundir o medo, o terror, no espírito do
escravo.
O medo também era um sentimento experimentado pelos senhores, pois a qualquer hora tudo poderia
ir pelos ares, seja pela sabotagem no trabalho (imagine um canavial pegando fogo ou a maquinaria do
engenho quebrada), seja pelo puro e simples assassinato do algoz. Assim, uma espécie de acordo foi o
que ordenou as relações entre senhores e escravos. Desse modo, os escravos puderam estabelecer
limites relativos à proteção de suas famílias, de suas roças e de suas tradições culturais. Quando essas
coisas eram ignoradas pelo proprietário, era problema na certa, que resultava quase sempre na fuga dos
cativos. A contar contra a sorte dos escravos, porém, estava o tráfico transatlântico intermitente, jogando
mais e mais estrangeiros, novatos, na população escrava. O tráfico tornava muito difícil que os limites
estabelecidos pelos escravos à volúpia senhorial criassem raízes e virasse um costume incontestável.
Fonte: GÓES, José Roberto Pinto de. Escravidão. [fragmento]. Biblioteca Nacional, Rede da Memória Virtual Brasileira. Disponível em
http://bndigital.bn.br/redememoria/escravidao.html. Acesso em ago. 2012.
Texto 2
A escrava Isaura
Bernardo Guimarães
Malvina aproximou-se de manso e sem ser pressentida para junto da cantora, colocando-se por detrás
dela esperou que terminasse a última copla.
-- Isaura!... disse ela pousando de leve a delicada mãozinha sobre o ombro da cantora.
-- Ah! é a senhora?! - respondeu Isaura voltando-se sobressaltada.
-- Não sabia que estava aí me escutando.
-- Pois que tem isso?.., continua a cantar... tens a voz tão bonita!... mas eu antes quisera que cantasses
outra coisa; por que é que você gosta tanto dessa cantiga tão triste, que você aprendeu não sei onde?...
-- Gosto dela, porque acho-a bonita e porque... ah! não devo falar...
-- Fala, Isaura. Já não te disse que nada me deves esconder, e nada recear de mim?...
-- Porque me faz lembrar de minha mãe, que eu não conheci, coitada!... Mas se a senhora não gosta
dessa cantiga, não a cantarei mais. Não gosto que a cantes, não, Isaura. Hão de pensar que és
maltratada, que és uma escrava infeliz, vítima de senhores bárbaros e cruéis. Entretanto passas aqui uma
vida que faria inveja a muita gente livre. Gozas da estima de teus senhores. Deram-te uma educação,
como não tiveram muitas ricas e ilustres damas que eu conheço. És formosa, e tens uma cor linda, que
ninguém dirá que gira em tuas veias uma só gota de sangue africano. Bem sabes quanto minha boa sogra
antes de expirar te recomendava a mim e a meu marido. Hei de respeitar sempre as recomendações
daquela santa mulher, e tu bem vês, sou mais tua amiga do que tua senhora. Oh! não; não cabe em tua
boca essa cantiga lastimosa, que tanto gostas de cantar. -- Não quero, -- continuou em tom de branda
repreensão, -- não quero que a cantes mais, ouviste, Isaura?... se não, fecho-te o meu piano.
-- Mas, senhora, apesar de tudo isso, que sou eu mais do que uma simples escrava? Essa educação,
que me deram, e essa beleza, que tanto me gabam, de que me servem?... são trastes de luxo colocados
na senzala do africano. A senzala nem por isso deixa de ser o que é: uma senzala.
-- Queixas-te da tua sorte, Isaura?...
-- Eu não, senhora; não tenho motivo... o que quero dizer com isto é que, apesar de todos esses dotes
e vantagens, que me atribuem, sei conhecer o meu lugar.
Fonte: GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. [1ª ed. 1875]. Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro .
Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000057.pdf. Acesso em ago.2012
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Texto 3
Cotas: continuidade da Abolição
Eloi Ferreira de Araújo
Sancionada em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea foi responsável pela libertação de cerca de um milhão
de escravos ainda existentes no País. Representou a longa campanha abolicionista de mais de 380 anos
de lutas. No entanto, aos ex-cativos não foram assegurados os benefícios dados aos imigrantes, que
tiveram a proteção especial do Estado Imperial e mais tarde da República. Foram mais de 122 anos desde
a abolição, sem que nenhuma política pública propiciasse a inclusão dos negros na sociedade, os quais
são cerca de 52% da população brasileira.
A primeira lei que busca fazer com que o Estado brasileiro inicie a longa caminhada para a construção
da igualdade de oportunidades entre negros e não negros só veio a ser sancionada, em 2010, depois de
dez anos de tramitação. Trata-se do Estatuto da Igualdade Racial, que oferece as possibilidades, através
da incorporação das ações afirmativas ao quadro jurídico nacional, de reparar as desigualdades que
experimentam os pretos e pardos. Este segmento que compõe a nação tem em sua ascendência aqueles
que, com o trabalho escravo, foram responsáveis pela pujança do capitalismo brasileiro, bem como são
contribuintes marcantes da identidade nacional. Ressalte-se que não há correspondência na apropriação
dos bens econômicos e culturais por parte dos descendentes de africanos na proporção de sua
contribuição para o País.
O Supremo Tribunal Federal foi instado a decidir sobre a adoção de cotas para pretos e pardos no
ensino superior público, e também no privado, na medida em que o ProUni foi também levado a
julgamento. A mais alta Corte do país decidiu que estas ações afirmativas são constitucionais.
Estabeleceu assim, uma espécie de artigo 2º na Lei Áurea, para assegurar o ingresso de pretos e pardos
nas universidades públicas brasileiras, e reconheceu a constitucionalidade também do ProUni. (...)
O Brasil tem coragem de olhar para o passado e lançar sem medo as sementes de construção de um
novo futuro. Desta forma, podemos interpretar que tivemos o fim da escravidão como o artigo primeiro do
marco legal. A educação com aprovação das cotas para ingresso no ensino superior como o artigo
segundo. Ainda faltam mais dispositivos que assegurem a terra e o trabalho com funções qualificadas.
Daí então, em poucas décadas, e com a implementação das ações afirmativas, teremos de fato um
Estado verdadeiramente democrático, em que todos, independentemente da cor da sua pele ou da sua
etnia, poderão fruir de bens econômicos e culturais em igualdade de oportunidades.
Fonte: Governo Federal. Fundação Cultural Palmares.
Disponível em http://www.palmares.gov.br/cotas-continuidade-da-abolicao/.
Acesso em ago. 201
O tráfico tornava muito difícil que os limites estabelecidos pelos escravos à volúpia senhorial criassem
raízes e virasse um costume incontestável
[Texto 1]
No período acima, a função sintática do adjetivo grifado é:
(A) Sujeito
(B) Objeto direto
(C) Predicativo do sujeito.
(D) Complemento nominal
(E) Predicativo do objeto direto
07. (EBSERH - Técnico em Citopatogia - INSTITUTO AOCP/2015)
Sobre a Ansiedade
por Karin Hueck
[...]
Processar os dados
[...] se há um fator gerador de ansiedade que seja típico dos nossos tempos, esse é a informação.
Sim, são as coisas que você lê todos os dias nos jornais, recebe por email e aprende na SUPER.
Diariamente, há notícias de novos alimentos que causam câncer, de novos vírus mutantes que atacam o
seu computador, de novos criminosos violentos que estão à solta por aí. É ou não é de enlouquecer?
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A velocidade com que a informação viaja o mundo é algo muito recente, com o qual os seres humanos
ainda não sabem lidar – e muito menos aprenderam a filtrar. Já foram cunhados até alguns termos para
definir a ansiedade trazida pelos novos meios de comunicação: technology related anxiety (ansiedade
que surge quando o computador trava, que afeta 50% dos trabalhadores americanos), ringxiety
(impressão de que o seu celular está tocando o tempo todo) e a ansiedade de estar desconectado da
internet e não saber o que acontece no mundo, que já contaminou 68% dos americanos.
[...]
Poucas coisas mudaram tão rapidamente como a troca de informações. Em 1801, a notícia de que
Portugal e Espanha estavam em guerra demorou 3 meses para chegar ao Rio Grande do Sul. Quando
chegou, o capitão de armas do estado declarou guerra aos vizinhos espanhóis, sem saber que a batalha
na Europa já tinha terminado. Em 2004, quando um tsunami devastou o litoral do Sudeste Asiático, os
primeiros blogs já estavam dando detalhes da destruição em menos de duas horas.
Hoje em dia, ficamos sabendo de todos os desastres naturais, todos os ataques terroristas e todos os
acidentes de avião que acontecem ao redor do mundo, e nos sentimos vulneráveis. E, muito mais do que
isso, nos sentimos incapazes se não sabemos palpitar sobre a música da moda, a eleição americana ou
o acelerador de partículas na Suíça. Já que a informação está disponível, por que não sabemos de tudo
um pouco? Essa avalanche de informação também causa outro tipo de neurose.
O tempo todo, as TVs e revistas do mundo exibem corpos esculturais, executivos milionários e atletas
de alto rendimento. Na comparação com essas pessoas, nós, reles mortais, sempre saímos perdendo.
“Claro que nos comparamos com quem é bem sucedido e maravilhoso. Infelizmente, não estamos
preparados para viver com um grupo de comparação tão grande, e o resultado é que ficamos ansiosos e
com baixa autoestima", diz o filósofo Perring. O que ele quer dizer é que o ser humano sempre funciona
na base da comparação. Ou seja, se todo mundo ao seu redor tiver o mesmo número de recursos, você
não vai se sentir pior do que ninguém, mas, se, de repente, uma pessoa do seu lado ficar muito mais rica,
bonita, feliz e bem sucedida, você vai se sentir infeliz. Quer dizer, podemos não sofrer mais com a falta
de comida ou com doenças, mas sofremos porque não somos todos iguais ao Brad Pitt e a Angelina Jolie.
Adaptado de http://super.abril.com.br/saude/ansiedade-447836.shtml
Em “Poucas coisas mudaram tão rapidamente como a troca de informações.”, a expressão destacada
(A) apresenta um erro de concordância.
(B) é o sujeito simples da oração.
(C) é o objeto direto da oração.
(D) é o sujeito composto da oração.
(E) é o objeto indireto da oração.
Respostas
01. Resposta C
O verbo haver (sentido de existir) é transitivo direto, seu complemento é o objeto direto que na frase
apresenta-se por “dois remédios”.
“O tempo e o silêncio” é o aposto explicativo de dois remédios.
02. Resposta D
O verbo responder é transitivo indireto, responder a alguém ou a alguma coisa, seu completo é o
objeto indireto que nesta frase expressa-se por “a Nhô Augusto”.
03. Resposta: C
Na frase há duas orações:
Oração 1: O jogador recebeu o prêmio.
Oração 2: que fez o gol.
Na primeira oração, o sujeito do verbo “recebeu” é “jogador”.
Na segunda, o sujeito do verbo “fez” ´é o pronome relativo “que” que retorna ao sujeito “jogador” da
primeira oração.
04. Resposta A
O verbo “anda” exprime na frase um estado do sujeito, o estado de “tristonho”, deste modo, o
vocábulo “tristonho” é o predicativo do sujeito.
05. Resposta B
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A oração “que o gato evitava minha presença” completa o sentido do verbo “achei”, portanto, é um
complemento verbal.
06. Resposta E
O predicativo do objeto é o termo da oração que complementa e caracteriza, principalmente, o
objeto direto, atribuindo-lhe uma qualidade. Pode caracterizar também o objeto indireto, sendo contudo
mais raro, apenas utilizado com o verbo chamar. Aparece apenas com o predicado verbo-nominal.
A função de predicativo do objeto pode ser desempenhada:
- Por um adjetivo ou uma locução adjetiva:
Exemplos:
Ele a viu sorridente.
Todos acusaram-no de desmotivado.
- Por um substantivo:
Exemplos:
A direção elegeu-o presidente.
Todos chamam-lhe mãe.
Exemplos de predicativo do objeto direto:
Nós consideramos esta funcionária dispensável.
Ontem vi minha vizinha muito preocupada.
Exemplos de predicativo do objeto indireto:
Eu chamei-lhe de falsa.
Os alunos chamaram-lhe incompetente.
07. Resposta B
O verbo MUDAR é Transitivo, Intransitivo e Pronominal, não é um verbo fácil de se encontrar a regência
certa, temos que analisar bem o contexto da frase. Neste caso ele tem sentido Intransitivo (ao meu ver,
claro), o Sujeito "POUCAS COISAS" está sendo comparado com A TROCA DE INFORMAÇÕES, mas se
isolarmos ele na frase, teríamos: "Poucos coisas mudaram". Ou "Poucas coisas se modificaram". Tente:
"As (poucas) coisas se transformaram". Em todos esses exemplos o sentido do verbo mudar encerra-se
em si mesmo não exigindo transitividade, logo não pode ter Objeto Direto (letra C), nem Objeto Indireto
(letra E), e por ter só um verbo não pode ser Sujeito Composto (letra D), por fim não há nenhum erro do
concordância (letra A), assim resta somente a Letra B.
Período: Toda frase com uma ou mais orações constitui um período, que se encerra com ponto de
exclamação, ponto de interrogação ou com reticências.
O período é simples quando só traz uma oração, chamada absoluta; o período é composto quando
traz mais de uma oração. Exemplo: Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta.); Quero
que você aprenda. (Período composto.)
Existe uma maneira prática de saber quantas orações há num período: é contar os verbos ou locuções
verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele
existentes. Exemplos:
Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração)
Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações)
Está pegando fogo no prédio. (uma locução verbal, uma oração)
Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas locuções verbais, duas orações)
Há três tipos de período composto: por coordenação, por subordinação e por coordenação e
subordinação ao mesmo tempo (também chamada de misto).
Período Composto por Coordenação – Orações Coordenadas
Considere, por exemplo, este período composto:
Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os tempos de infância.
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1ª oração: Passeamos pela praia
2ª oração: brincamos
3ª oração: recordamos os tempos de infância
As três orações que compõem esse período têm sentido próprio e não mantêm entre si nenhuma
dependência sintática: elas são independentes. Há entre elas, é claro, uma relação de sentido, mas, como
já dissemos, uma não depende da outra sintaticamente.
As orações independentes de um período são chamadas de orações coordenadas (OC), e o período
formado só de orações coordenadas é chamado de período composto por coordenação.
As orações coordenadas são classificadas em assindéticas e sindéticas.
- As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando não vêm introduzidas por conjunção.
Exemplo:
Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram.
OCA OCA OCA
“Inclinei-me, apanhei o embrulho e segui.” (Machado de Assis)
“A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta.” (Antônio Olavo Pereira)
“O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra.” (Coelho Neto)
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando vêm introduzidas por conjunção
coordenativa. Exemplo:
O homem saiu do carro / e entrou na casa.
OCA OCS
As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com o sentido expresso pelas
conjunções coordenativas que as introduzem. Pode ser:
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda.
Saí da escola / e fui à lanchonete.
OCA OCS Aditiva
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de acréscimo ou
adição com referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa aditiva.
A doença vem a cavalo e volta a pé.
As pessoas não se mexiam nem falavam.
“Não só findaram as queixas contra o alienista, mas até nenhum ressentimento ficou dos atos que
ele praticara.” (Machado de Assis)
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no
entanto.
Estudei bastante / mas não passei no teste.
OCA OCS Adversativa
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de oposição à oração
anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa adversativa.
A espada vence, mas não convence.
“É dura a vida, mas aceitam-na.” (Cecília Meireles)
Tens razão, contudo não te exaltes.
Havia muito serviço, entretanto ninguém trabalhava.
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por isso, pois, logo.
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão.
OCA OCS Conclusiva
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de conclusão de um
fato enunciado na oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa conclusiva.
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Vives mentindo; logo, não mereces fé.
Ele é teu pai: respeita-lhe, pois, a vontade.
Raimundo é homem são, portanto deve trabalhar.
- Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou,ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer.
Seja mais educado / ou retire-se da reunião!
OCA OCS Alternativa
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que estabelece uma relação de
alternância ou escolha com referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa
alternativa.
Venha agora ou perderá a vez.
“Jacinta não vinha à sala, ou retirava-se logo.” (Machado de Assis)
“Em aviação, tudo precisa ser bem feito ou custará preço muito caro.” (Renato Inácio da Silva)
“A louca ora o acariciava, ora o rasgava freneticamente.” (Luís Jardim)
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, pois, porquanto.
Vamos andar depressa / que estamos atrasados.
OCA OCS Explicativa
Observe que a 2ª oração é introduzida por uma conjunção que expressa ideia de explicação, de
justificativa em relação à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa explicativa.
Leve-lhe uma lembrança, que ela aniversaria amanhã.
“A mim ninguém engana, que não nasci ontem.” (Érico Veríssimo)
“Qualquer que seja a tua infância, conquista-a, que te abençoo.” (Fernando Sabino)
O cavalo estava cansado, pois arfava muito.
Questões
01. Relacione as orações coordenadas por meio de conjunções:
(A) Ouviu-se o som da bateria. Os primeiros foliões surgiram.
(B) Não durma sem cobertor. A noite está fria.
(C) Quero desculpar-me. Não consigo encontrá-los.
02. Em: “... ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas...” a partícula como expressa
uma ideia de:
(A) causa
(B) explicação
(C) conclusão
(D) proporção
(E) comparação
03. “Entrando na faculdade, procurarei emprego”, oração sublinhada pode indicar uma ideia de:
(A) concessão
(B) oposição
(C) condição
(D) lugar
(E) consequência
04. Assinale a sequência de conjunções que estabelecem, entre as orações de cada item, uma correta
relação de sentido.
1. Correu demais, ... caiu.
2. Dormiu mal, ... os sonhos não o deixaram em paz.
3. A matéria perece, ... a alma é imortal.
4. Leu o livro, ... é capaz de descrever as personagens com detalhes.
5. Guarde seus pertences, ... podem servir mais tarde.
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(A) porque, todavia, portanto, logo, entretanto
(B) por isso, porque, mas, portanto, que
(C) logo, porém, pois, porque, mas
(D) porém, pois, logo, todavia, porque
(E) entretanto, que, porque, pois, portanto
05. Reúna as três orações em um período composto por coordenação, usando conjunções adequadas.
Os dias já eram quentes.
A água do mar ainda estava fria.
As praias permaneciam desertas.
06. No período "Penso, logo existo", oração em destaque é:
(A) coordenada sindética conclusiva
(B) coordenada sindética aditiva
(C) coordenada sindética alternativa
(D) coordenada sindética adversativa
(E) n.d.a
07. Por definição, oração coordenada que seja desprovida de conectivo é denominada assindética.
Observando os períodos seguintes:
I- Não caía um galho, não balançava uma folha.
II- O filho chegou, a filha saiu, mas a mãe nem notou.
III- O fiscal deu o sinal, os candidatos entregaram a prova. Acabara o exame.
Nota-se que existe coordenação assindética em:
(A) I apenas
(B) II apenas
(C) III apenas
(D) I e III
(E) nenhum deles
08. "Vivemos mais uma grave crise, repetitiva dentro do ciclo de graves crises que ocupa a energia
desta nação. A frustração cresce e a desesperança não cede. Empresários empurrados à condição de
liderança oficial se reúnem, em eventos como este, para lamentar o estado de coisas. O que dizer sem
resvalar para o pessimismo, a crítica pungente ou a autoabsolvição?
É da história do mundo que as elites nunca introduziram mudanças que favorecessem a sociedade
como um todo. Estaríamos nos enganando se achássemos que estas lideranças empresariais aqui
reunidas teriam motivação para fazer a distribuição de poderes e rendas que uma nação equilibrada
precisa ter. Aliás, é ingenuidade imaginar que a vontade de distribuir renda passe pelo empobrecimento
da elite. É também ocioso pensar que nós, de tal elite, temos riqueza suficiente para distribuir. Faço
sempre, para meu desânimo, a soma do faturamento das nossas mil maiores e melhores empresas, e
chego a um número menor do que o faturamento de apenas duas empresas japonesas. Digamos, a
Mitsubishi e mais um pouquinho. Sejamos francos. Em termos mundiais somos irrelevantes como
potência econômica, mas o mesmo tempo extremamente representativos como população."
("Discurso de Semler aos empresários", Folha de São Paulo)
Dentre os períodos transcritos do texto acima, um é composto por coordenação e contém uma oração
coordenada sindética adversativa. Assinalar a alternativa correspondente a este período:
(A) A frustração cresce e a desesperança não cede.
(B) O que dizer sem resvalar para o pessimismo, a crítica pungente ou a autoabsolvição.
(C) É também ocioso pensar que nós, da tal elite, temos riqueza suficiente para distribuir.
(D) Sejamos francos.
(E) Em termos mundiais somos irrelevantes como potência econômica, mas ao mesmo tempo
extremamente representativos como população.
09. “O tédio, portanto, foi um produto de luxo, e isso até tão recentemente que Baudelaire, para, há
meio século e meio, descrevê-lo, comparou-se ao rei de um país chuvoso [...]” (linhas 33-35)
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O termo destacado apresenta uma ideia de:
(A) causa.
(B) concessão.
(C) conclusão.
(D) consequência.
Respostas
01.
Ouviu-se o som da bateria e os primeiros foliões surgiram.
Não durma sem cobertor, pois a noite está fria.
Quero desculpar-me, mais consigo encontrá-los.
02. Resposta E
A conjunção como exercer a função comparativa. Os amplos bocejos ouvidos são comparados à força
do marulhar das ondas.
03. Resposta C
A condição necessária para procurar emprego é entrar na faculdade.
04. Resposta B
Por isso – conjunção conclusiva.
Porque – conjunção explicativa.
Mas – conjunção adversativa.
Portanto – conjunção conclusiva.
Que – conjunção explicativa.
05. Os dias já eram quentes, mas a água do mar ainda estava fria, por isso as praias permaneciam
desertas.
06. Resposta A
A conjunção “logo” expressa a ideia de conclusão. Desta forma, a frase “logo existo” é a conclusão da
frase inicial “Penso”.
07. Resposta D
Períodos I e III não possuem conectivos
Período II: conectivo “mas”
08. Resposta E
Alternativa A: oração coordenada sindética aditiva: “e”
Alternativa B: oração coordenada sindética alternativa: a crítica pungente ou a autoabsolvição
Alternativa E: oração coordenada sindética adversativa: “mas”
09. Resposta C
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou dois termos de uma mesma oração. Neste
caso a palavra “portanto” nos remete a uma oração coordenada conclusiva, que exprime ideia de
conclusão ou consequência entre as orações. São elas: logo, pois (posposto ao verbo), portanto, assim,
por isso, por conseguinte, então.
Período Composto por Subordinação
Observe os termos destacados em cada uma destas orações:
Vi uma cena triste. (adjunto adnominal)
Todos querem sua participação. (objeto direto)
Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de causa)
Veja, agora, como podemos transformar esses termos em orações com a mesma função sintática:
Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada com função de adjunto adnominal)
Todos querem / que você participe. (oração subordinada com função de objeto direto)
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. 141
Não pude sair / porque estava chovendo. (oração subordinada com função de adjunto adverbial de
causa)
Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma certa função sintática em relação à primeira,
sendo, portanto, subordinada a ela. Quando um período é constituído de pelo menos um conjunto de
duas orações em que uma delas (a subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele é
classificado como período composto por subordinação. As orações subordinadas são classificadas de
acordo com a função que exercem: adverbiais, substantivas e adjetivas.
Orações Subordinadas Adverbiais
As orações subordinadas adverbiais (OSA) são aquelas que exercem a função de adjunto adverbial
da oração principal (OP). São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as introduz:
- Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como
(= porque), pois que, visto que.
Não fui à escola / porque fiquei doente.
OP OSA Causal
O tambor soa porque é oco.
Como não me atendessem, repreendi-os severamente.
Como ele estava armado, ninguém ousou reagir.
“Faltou à reunião, visto que esteve doente.” (Arlindo de Sousa)
- Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a ocorrência do que foi enunciado na principal.
Conjunções: se, contanto que, a menos que, a não ser que, desde que.
Irei à sua casa / se não chover.
OP OSA Condicional
Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos ofensores.
Se o conhecesses, não o condenarias.
“Que diria o pai se soubesse disso?” (Carlos Drummond de Andrade)
A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência tenha êxito.
- Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração principal, sem, no entanto, impedir
sua realização. Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que.
Ela saiu à noite / embora estivesse doente.
OP OSA Concessiva
Admirava-o muito, embora (ou conquanto ou posto que ou se bem que) não o conhecesse
pessoalmente.
Embora não possuísse informações seguras, ainda assim arriscou uma opinião.
Cumpriremos nosso dever, ainda que (ou mesmo quando ou ainda quando ou mesmo que) todos
nos critiquem.
Por mais que gritasse, não me ouviram.
- Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com outro. Conjunções: conforme, como
(=conforme), segundo.
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado.
OP OSA Conformativa
O homem age conforme pensa.
Relatei os fatos como (ou conforme) os ouvi.
Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas.
O jornal, como sabemos, é um grande veículo de informação.
- Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao que foi expresso na oração principal.
Conjunções: quando, assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que).
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. 142
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei.
OP OSA Temporal
Formiga, quando quer se perder, cria asas.
“Lá pelas sete da noite, quando escurecia, as casas se esvaziam.” (Carlos Povina Cavalcânti)
“Quando os tiranos caem, os povos se levantam.” (Marquês de Maricá)
Enquanto foi rico, todos o procuravam.
- Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enunciado na oração principal. Conjunções:
para que, a fim de que, porque (=para que), que.
Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar.
OP OSA Final
“O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.” (Marquês de Maricá)
Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor.
“Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis) (que = para que)
“Instara muito comigo não deixasse de frequentar as recepções da mulher.” (Machado de Assis)
(não deixasse = para que não deixasse)
- Consecutivas: Expressam a consequência do que foi enunciado na oração principal. Conjunções:
porque, que, como (= porque), pois que, visto que.
A chuva foi tão forte / que inundou a cidade.
OP OSA Consecutiva
Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos.
“A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos.” (José J. Veiga)
De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais.
As notícias de casa eram boas, de maneira que pude prolongar minha viagem.
- Comparativas: Expressam ideia de comparação com referência à oração principal. Conjunções:
como, assim como, tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais).
Ela é bonita / como a mãe.
OP OSA Comparativa
A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro.” (Marquês de Maricá)
Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o ferro.
Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram.
Como a flor se abre ao Sol, assim minha alma se abriu à luz daquele olhar.
Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam claramente o verbo, como no exemplo acima,
em que está subentendido o verbo ser (como a mãe é).
- Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona proporcionalmente ao que foi enunciado na
principal. Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos.
Quanto mais reclamava / menos atenção recebia.
OSA Proporcional OP
À medida que se vive, mais se aprende.
À proporção que avançávamos, as casas iam rareando.
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai diminuindo.
Orações Subordinadas Substantivas
As orações subordinadas substantivas (OSS) são aquelas que, num período, exercem funções
sintáticas próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se.
Elas podem ser:
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela que exerce a função de objeto direto
do verbo da oração principal. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto)
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O grupo quer / que você ajude.
OP OSS Objetiva Direta
O mestre exigia que todos estivessem presentes. (= O mestre exigia a presença de todos.)
Mariana esperou que o marido voltasse.
Ninguém pode dizer: Desta água não beberei.
O fiscal verificou se tudo estava em ordem.
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É aquela que exerce a função de objeto
indireto do verbo da oração principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto indireto)
Necessito / de que você me ajude.
OP OSS Objetiva Indireta
Não me oponho a que você viaje. (= Não me oponho à sua viagem.)
Aconselha-o a que trabalhe mais.
Daremos o prêmio a quem o merecer.
Lembre-se de que a vida é breve.
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que exerce a função de sujeito do verbo da
oração principal. Observe: É importante sua colaboração. (sujeito)
É importante / que você colabore.
OP OSS Subjetiva
A oração subjetiva geralmente vem:
- depois de um verbo de ligação + predicativo, em construções do tipo é bom, é útil, é certo, é
conveniente, etc. Ex.: É certo que ele voltará amanhã.
- depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta-se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu
da cidade.
- depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, ocorrer, quando empregados na 3ª pessoa do
singular e seguidos das conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos participem da reunião.
É necessário que você colabore. (= Sua colaboração é necessária.)
Parece que a situação melhorou.
Aconteceu que não o encontrei em casa.
Importa que saibas isso bem.
- Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É aquela que exerce a função de
complemento nominal de um termo da oração principal. Observe: Estou convencido de sua inocência.
(complemento nominal)
Estou convencido / de que ele é inocente.
OP OSS Completiva Nominal
Sou favorável a que o prendam. (= Sou favorável à prisão dele.)
Estava ansioso por que voltasses.
Sê grato a quem te ensina.
“Fabiano tinha a certeza de que não se acabaria tão cedo.” (Graciliano Ramos)
- Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela que exerce a função de predicativo do
sujeito da oração principal, vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O importante é sua felicidade.
(predicativo)
O importante é / que você seja feliz.
OP OSS Predicativa
Seu receio era que chovesse. (Seu receio era a chuva.)
Minha esperança era que ele desistisse.
Meu maior desejo agora é que me deixem em paz.
Não sou quem você pensa.
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- Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela que exerce a função de aposto de um termo
da oração principal. Observe: Ele tinha um sonho: a união de todos em benefício do país. (aposto)
Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício do país.
OP OSS Apositiva
Só desejo uma coisa: que vivam felizes. (Só desejo uma coisa: a sua felicidade)
Só lhe peço isto: honre o nosso nome.
“Talvez o que eu houvesse sentido fosse o presságio disto: de que virias a morrer...” (Osmã Lins)
“Mas diga-me uma cousa, essa proposta traz algum motivo oculto?” (Machado de Assis)
As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de dois-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas,
intercaladas à oração principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho recuperasse a saúde, tornou-se
realidade.
Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as orações substantivas podem ser
introduzidas por outros conectivos, tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos:
Não sei quando ele chegou.
Diga-me como resolver esse problema.
Orações Subordinadas Adjetivas
As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a função de adjunto adnominal de algum termo
da oração principal. Observe como podemos transformar um adjunto adnominal em oração subordinada
adjetiva:
Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal)
Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada adjetiva)
As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por um pronome relativo (que , qual, cujo,
quem, etc.) e podem ser classificadas em:
- Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando restringem ou especificam o sentido
da palavra a que se referem. Exemplo:
O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar.
OP OSA Restritiva
Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica o sentido do substantivo cantor, indicando
que o público não aplaudiu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º lugar.
Pedra que rola não cria limo.
Os animais que se alimentam de carne chamam-se carnívoros.
Rubem Braga é um dos cronistas que mais belas páginas escreveram.
“Há saudades que a gente nunca esquece.” (Olegário Mariano)
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas quando apenas acrescentam uma
qualidade à palavra a que se referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou
especificá-lo. Exemplo:
O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um novo livro.
OP OSA Explicativa OP
Deus, que é nosso pai, nos salvará.
Valério, que nasceu rico, acabou na miséria.
Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho.
Alguém, que passe por ali à noite, poderá ser assaltado.
Orações Reduzidas
Observe que as orações subordinadas eram sempre introduzidas por uma conjunção ou pronome
relativo e apresentavam o verbo numa forma do indicativo ou do subjuntivo. Além desse tipo de orações
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subordinadas há outras que se apresentam com o verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio
e particípio). Exemplos:
- Ao entrar nas escola, encontrei o professor de inglês. (infinitivo)
- Precisando de ajuda, telefone-me. (gerúndio)
- Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. (particípio)
As orações subordinadas que apresentam o verbo numa das formas nominais são chamadas de
reduzidas.
Para classificar a oração que está sob a forma reduzida, devemos procurar desenvolvê-la do seguinte
modo: colocamos a conjunção ou o pronome relativo adequado ao sentido e passamos o verbo para uma
forma do indicativo ou subjuntivo, conforme o caso. A oração reduzida terá a mesma classificação da
oração desenvolvida.
Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês.
Quando entrei na escola, / encontrei o professor de inglês.
OSA Temporal
Ao entrar na escola: oração subordinada adverbial temporal, reduzida de infinitivo.
Precisando de ajuda, telefone-me.
Se precisar de ajuda, / telefone-me.
OSA Condicional
Precisando de ajuda: oração subordinada adverbial condicional, reduzida de gerúndio.
Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário.
Assim que acabou o treino, / os jogadores foram para o vestiário.
OSA Temporal
Acabado o treino: oração subordinada adverbial temporal, reduzida de particípio.
Observações:
- Há orações reduzidas que permitem mais de um tipo de desenvolvimento. Há casos também de
orações reduzidas fixas, isto é, orações reduzidas que não são passíveis de desenvolvimento. Exemplo:
Tenho vontade de visitar essa cidade.
- O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações reduzidas quando fazem parte de uma
locução verbal. Exemplos:
Preciso terminar este exercício.
Ele está jantando na sala.
Essa casa foi construída por meu pai.
- Uma oração coordenada também pode vir sob a forma reduzida. Exemplo:
O homem fechou a porta, saindo depressa de casa.
O homem fechou a porta e saiu depressa de casa. (oração coordenada sindética aditiva)
Saindo depressa de casa: oração coordenada reduzida de gerúndio.
Qual é a diferença entre as orações coordenadas explicativas e as orações subordinadas causais, já
que ambas podem ser iniciadas por que e porque? Às vezes não é fácil estabelecer a diferença entre
explicativas e causais, mas como o próprio nome indica, as causais sempre trazem a causa de algo que
se revela na oração principal, que traz o efeito.
Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a oração explicativa e a precedente e que
esta é, muitas vezes, imperativa, o que não acontece com a oração adverbial causal. Essa noção de
causa e efeito não existe no período composto por coordenação. Exemplo: Rosa chorou porque levou
uma surra. Está claro que a oração iniciada pela conjunção é causal, visto que a surra foi sem dúvida a
causa do choro, que é efeito.
Rosa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. O período agora é composto por coordenação,
pois a oração iniciada pela conjunção traz a explicação daquilo que se revelou na coordena anterior. Não
existe aí relação de causa e efeito: o fato de os olhos de Elisa estarem vermelhos não é causa de ela ter
chorado.
Ela fala / como falaria / se entendesse do assunto.
OP OSA Comparativa OSA Condicional
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Questões
01. (PC-ES – Escrivão de Polícia – VUNESP/2015)
Ficção universitária
Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem elementos para que
tentemos desfazer o mito, que consta da Constituição, de que pesquisa e ensino são indissociáveis. É
claro que universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas, produzir mais
inovação e atrair os alunos mais qualificados, tornando-se assim instituições que se destacam também
no ensino.
O Ranking Universitário mostra essa correlação de forma cristalina: das 20 universidades mais bem
avaliadas em termos de ensino, 15 lideram no quesito pesquisa (e as demais estão relativamente bem
posicionadas). Das 20 que saem à frente em inovação, 15 encabeçam também a pesquisa. Daí não
decorre que só quem pesquisa, atividade estupidamente cara, seja capaz de ensinar.
O gasto médio anual por aluno numa das três universidades estaduais paulistas, aí embutidas todas
as despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa pesquisa, incluindo inativos e aportes de
Fapesp, CNPq e Capes, é de R$ 46 mil (dados de 2008). Ora, um aluno do ProUni custa ao governo algo
em torno de R$ 1.000 por ano em renúncias fiscais.
Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber que o país não dispõe de recursos para colocar
os quase sete milhões de universitários em instituições com o padrão de investimento das estaduais
paulistas. E o Brasil precisa aumentar rapidamente sua população universitária. Nossa taxa bruta de
escolarização no nível superior beira os 30%, contra 59% do Chile e 63% do Uruguai.
Isso para não mencionar países desenvolvidos como EUA (89%) e Finlândia (92%). Em vez de insistir
na ficção constitucional de que todas as universidades do país precisam dedicar-se à pesquisa, faria mais
sentido aceitar o mundo como ele é e distinguir entre instituições de elite voltadas para a produção de
conhecimento e as que se destinam a difundi-lo. O Brasil tem necessidade de ambas.
(Hélio Schwartsman. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br, 10.09.2013. Adaptado)
Considere o seguinte trecho do texto.
Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem elementos para que
tentemos desfazer o mito...
Assinale a alternativa em que os pronomes que substituem as expressões em destaque estão
corretamente empregados, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
(A) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-lhes para que
tentemos desfazer-lhe..
(B) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-lhes para que
tentemos desfazê-lo...
(C) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-nos para que
tentemos desfazê-lo..
(D) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-nos para que
tentemos desfazer-lhe..
(E) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-os para que tentemos
desfazer-no..
02. (CESP – Gari e Operador de Roçadeira– CLIN/2015). Leia o texto abaixo e responda ao que se
pede.
Existe no Oceano Pacífico uma ilha feita de duas montanhas. É como se alguém tivesse colado dois
grandes montes de terra no meio do mar. A maior chama-se Tristeza e a menor, Alegria.
Dizem que há muitos anos atrás a Alegria era maior e mais alta que a Tristeza. Dizem também que,
por causa de um terremoto, parte da Alegria caiu no mar e afundou, deixando a montanha do jeito que
está hoje.
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Ninguém sabe se isso é mesmo verdade. Verdade é que ao pé desses dois cumes, exatamente onde
eles se encontram, moram uma menina chamada Aleteia e sua avó.
Aleteia e a avó são como as montanhas: duas pessoas que estão sempre juntas.
Hoje Aleteia é menor, mais baixa que sua avó; acontece que daqui a algum tempo, ninguém sabe
quando, Aleteia vai acordar e estará mais alta que a avó. Aleteia vai crescer e eu acho que, quando esse
dia chegar, elas ainda estarão juntas. Igual às montanhas da ilha.
Um dia Aleteia perguntou: “Vovó, quem fez o mundo?”, e sua avó respondeu: “Deus”.
- Todo ele?
- Sim, todo.
- Sozinho?
- Sim, sozinho.
Aleteia saiu da sala com aquela conversa na cabeça. Não estava convencida. Pensou muito a respeito
do assunto. Para raciocinar melhor, saiu para caminhar e caminhou muito pela ilha. Pensava sozinha,
pensava em voz alta e começou a dividir seus pensamentos com as coisas que lhe apareciam pelo
caminho: folhas, árvores, pedras, formigas, grilos, etc. Deus tinha criado o mundo sozinho?
(KOMATSU, Henrique. A menina que viu Deus. p.3-6, formato eletrônico, fragmento.)
Na frase “Aleteia e a avó são como as montanhas:”, o pronome que substitui corretamente a
expressão grifada é:
(A) ela.
(B) eles.
(C) nós.
(D) elas.
03. Assinale a alternativa correspondente ao período onde há predicativo do sujeito:
(A) como o povo anda tristonho!
(B) agradou ao chefe o novo funcionário;
(C) ele nos garantiu que viria;
(D) no Rio não faltam diversões;
(E) o aluno ficou sabendo hoje cedo de sua aprovação.
04. (TRE/RR - Técnico Judiciário - Operação de Computadores - FCC/2015)
É indiscutível que no mundo contemporâneo o ambiente do futebol é dos mais intensos do ponto de
vista psicológico. Nos estádios a concentração é total. Vive-se ali situação de incessante dialética entre
o metafórico e o literal, entre o lúdico e o real. O que varia conforme o indivíduo considerado é a passagem
de uma condição a outra. Passagem rápida no caso do torcedor, cuja regressão psíquica do lúdico dura
algumas horas e funciona como escape para as pressões do cotidiano. Passagem lenta no caso do
futebolista profissional, que vive quinze ou vinte anos em ambiente de fantasia, que geralmente torna
difícil a inserção na realidade global quando termina a carreira. A solução para muitos é a reconversão
em técnico, que os mantém sob holofote. Lothar Matthäus, por exemplo, recordista de partidas em Copas
do Mundo, com a seleção alemã, Ballon d’Or de 1990, tornou-se técnico porque “na verdade, para mim,
o futebol é mais importante do que a família”. [...]
Sendo esporte coletivo, o futebol tem implicações e significações psicológicas coletivas, porém
calcadas, pelo menos em parte, nas individualidades que o compõem. O jogo é coletivo, como a vida
social, porém num e noutra a atuação de um só indivíduo pode repercutir sobre o todo. Como em qualquer
sociedade, na do futebol vive-se o tempo inteiro em equilíbrio precário entre o indivíduo e o grupo. O
jogador busca o sucesso pessoal, para o qual depende em grande parte dos companheiros; há um
sentimento de equipe, que depende das qualidades pessoais de seus membros. O torcedor lúcido busca
o prazer do jogo preservando sua individualidade; todavia, a própria condição de torcedor acaba por diluí-
lo na massa.
(JÚNIOR, Hilário Franco. A dança dos deuses: futebol, cultura, sociedade.
São Paulo: Companhia das letras, 2007, p. 303-304, com adaptações)
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*Ballon d’Or 1990 - prêmio de melhor jogador do ano
O jogador busca o sucesso pessoal ...
A mesma relação sintática entre verbo e complemento, sublinhados acima, está em:
(A) É indiscutível que no mundo contemporâneo...
(B) ... o futebol tem implicações e significações psicológicas coletivas ...
(C) ... e funciona como escape para as pressões do cotidiano.
(D) A solução para muitos é a reconversão em técnico ...
(E) ... que depende das qualidades pessoais de seus membros.
05. (MPE/PB - Técnico ministerial - diligências e apoio administrativo - FCC/2015)
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que veem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
(Alberto Caeiro)
E o Tejo entra no mar em Portugal
O elemento que exerce a mesma função sintática que o sublinhado acima encontra-se em
(A) a fortuna. (4a estrofe)
(B) A memória das naus. (2a estrofe)
(C) grandes navios. (2a estrofe)
(D) menos gente. (3a estrofe)
(E) a América. (4a estrofe)
Respostas
01. Resposta C
- Se o verbo terminar em som nasal (am, em, -ão), os pronomes assumem a forma NO, NA, NOS,
NAS.
Exemplo:
Praticam » praticam-nas.
Dispõe » dispõe-nos.
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- Se o verbo terminar em R, S, ou Z, perde essas consoantes e os pronomes assumem a forma LO,
LA, LOS, LAS.
Exemplo:
Compôs » compô-lo.
Perder » perdê-lo.
02. Resposta E
Pronomes pessoais do caso reto são aqueles que substituem os substantivos, assumindo
maioritariamente a função de sujeito da oração. Podem, contudo, assumir também a função de predicativo
do sujeito. Os pronomes pessoais do caso reto indicam ainda as pessoas do discurso, ou seja, quem fala
(eu e nós), com quem se fala (tu e vós) e de quem se fala (ele, ela, eles, elas).
03. Resposta A
O verbo “anda” exprime na frase um estado do sujeito, o estado de “tristonho”, deste modo, o
vocábulo “tristonho” é o predicativo do sujeito.
04. Resposta B
O jogador busca o sucesso pessoal ... SUJEITO - VERBO TRANSITIVO DIRETO - OBJETO DIRETO
a) É indiscutível que no mundo contemporâneo... VERBO DE LIGAÇÃO - PREDICATIVO DO SUJEITO
- SUJEITO ORACIONAL.
-->b) .. o futebol tem implicações e significações psicológicas coletivas ... SUJEITO - VERBO TRANST.
DIRETO - OBJETO DIRETO.
c) e funciona como escape para as pressões do cotidiano. SUJEITO - VERBO TRANS. INDIRETO -
OBJETO INDIRETO
d) A solução para muitos é a reconversão em técnico ... SUJEITO - VERBO DE LIGAÇÃO -
e) que depende das qualidades pessoais de seus membros. SUJEITO - VERBO TRANS. INDIRETO -
OBJ. INDIRETO
05. Resposta B
"O fragmento O TEJO TEM GRANDES NAVIOS E NAVEGA NELE AINDA, PARA AQUELES QUE
VEEM EM TUDO O QUE LÁ NÃO ESTÁ, A MEMÓRIA DAS NAUS está em ordem indireta. Ao inserir A
MEMÓRIA DAS NAUS entre a conjunção E e o verbo NAVEGA, tem-se: O TEJO TEM GRANDES
NAVIOS E A MEMÓRIA DAS NAUS NAVEGA NELE AINDA. Constrói-se, pois, a função sintática de
sujeito."
Concordância Nominal e Verbal
A concordância consiste no mecanismo que leva as palavras a adequarem-se umas às outras
harmonicamente na construção frasal. É o princípio sintático segundo o qual as palavras dependentes se
harmonizam, nas suas flexões, com as palavras de que dependem.
“Concordar” significa “estar de acordo com”. Assim, na concordância, tanto nominal quanto verbal, os
elementos que compõem a frase devem estar em consonância uns com os outros.
Essa concordância poderá ser feita de duas formas: gramatical ou lógica (segue os padrões
gramaticais vigentes); atrativa ou ideológica (dá ênfase a apenas um dos vários elementos, com valor
estilístico).
Concordância Nominal: adequação entre o substantivo e os elementos que a ele se referem (artigo,
pronome, adjetivo).
Concordância Verbal: variação do verbo, conformando-se ao número e à pessoa do sujeito.
Concordância Nominal
Concordância do adjetivo adjunto adnominal: a concordância do adjetivo, com a função de adjunto
adnominal, efetua-se de acordo com as seguintes regras gerais:
O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Exemplo: O alto ipê
cobre-se de flores amarelas.
O adjetivo que se refere a mais de um substantivo de gênero ou número diferentes, quando posposto,
poderá concordar no masculino plural (concordância mais aconselhada), ou com o substantivo mais
próximo. Exemplo:
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- No masculino plural:
“Tinha as espáduas e o colo feitos de encomenda para os vestidos decotados.” (Machado de Assis)
“Os arreios e as bagagens espalhados no chão, em roda.” (Herman Lima)
“Ainda assim, apareci com o rosto e as mãos muito marcados.” (Carlos Povina Cavalcânti)
“...grande número de camareiros e camareiras nativos.” (Érico Veríssimo)
- Com o substantivo mais próximo:
A Marinha e o Exército brasileiro estavam alerta.
Músicos e bailarinas ciganas animavam a festa.
“...toda ela (a casa) cheirando ainda a cal, a tinta e a barro fresco.” (Humberto de Campos)
“Meu primo estava saudoso dos tempos da infância e falava dos irmãos e irmãs falecidas.” (Luís
Henrique Tavares)
- Anteposto aos substantivos, o adjetivo concorda, em geral, com o mais próximo:
“Escolhestes mau lugar e hora...” (Alexandre Herculano)
“...acerca do possível ladrão ou ladrões.” (Antônio Calado)
Velhas revistas e livros enchiam as prateleiras.
Velhos livros e revistas enchiam as prateleiras.
Seguem esta regra os pronomes adjetivos: A sua idade, sexo e profissão.; Seus planos e tentativas.;
Aqueles vícios e ambições.; Por que tanto ódio e perversidade?; “Seu Príncipe e filhos”. Muitas vezes é
facultativa a escolha desta ou daquela concordância, mas em todos os casos deve subordinar-se às
exigências da eufonia, da clareza e do bom gosto.
- Quando dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo substantivo determinado pelo artigo,
ocorrem dois tipos de construção, um e outro legítimos. Exemplos:
Estudo as línguas inglesa e francesa.
Estudo a língua inglesa e a francesa.
Os dedos indicador e médio estavam feridos.
O dedo indicador e o médio estavam feridos.
- Os adjetivos regidos da preposição de, que se referem a pronomes neutros indefinidos (nada,
muito, algo, tanto, que, etc.), normalmente ficam no masculino singular:
Sua vida nada tem de misterioso.
Seus olhos têm algo de sedutor.
Todavia, por atração, podem esses adjetivos concordar com o substantivo (ou pronome) sujeito:
“Elas nada tinham de ingênuas.” (José Gualda Dantas)
Concordância do adjetivo predicativo com o sujeito: a concordância do adjetivo predicativo com o
sujeito realiza-se consoante as seguintes normas:
- O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito simples:
A ciência sem consciência é desastrosa.
Os campos estavam floridos, as colheitas seriam fartas.
É proibida a caça nesta reserva.
- Quando o sujeito é composto e constituído por substantivos do mesmo gênero, o predicativo
deve concordar no plural e no gênero deles:
O mar e o céu estavam serenos.
A ciência e a virtude são necessárias.
“Torvos e ferozes eram o gesto e os meneios destes homens sem disciplina,” (Alexandre Herculano)
- Sendo o sujeito composto e constituído por substantivos de gêneros diversos, o predicativo
concordará no masculino plural:
O vale e a montanha são frescos.
“O céu e as árvores ficariam assombrados.” (Machado de Assis)
Longos eram os dias e as noites para o prisioneiro.
“O César e a irmã são louros.” (Antônio Olinto)
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- Se o sujeito for representado por um pronome de tratamento, a concordância se efetua com o
sexo da pessoa a quem nos referimos:
Vossa Senhoria ficará satisfeito, eu lhe garanto.
“Vossa Excelência está enganado, Doutor Juiz.” (Ariano Suassuna)
Vossas Excelências, senhores Ministros, são merecedores de nossa confiança.
Vossa Alteza foi bondoso. (com referência a um príncipe)
O predicativo aparece às vezes na forma do masculino singular nas estereotipadas locuções é bom, é
necessário, é preciso, etc., embora o sujeito seja substantivo feminino ou plural:
Bebida alcoólica não é bom para o fígado.
“Água de melissa é muito bom.” (Machado de Assis)
“É preciso cautela com semelhantes doutrinas.” (Camilo Castelo Branco)
“Hormônios, às refeições, não é mau.” (Aníbal Machado)
Observe-se que em tais casos o sujeito não vem determinado pelo artigo e a concordância se faz não
com a forma gramatical da palavra, mas com o fato que se tem em mente:
Tomar hormônios às refeições não é mau.
É necessário ter muita fé.
Havendo determinação do sujeito, ou sendo preciso realçar o predicativo, efetua-se a concordância
normalmente:
É necessária a tua presença aqui. (= indispensável)
“Se eram necessárias obras, que se fizessem e largamente.” (Eça de Queirós)
“Seriam precisos outros três homens.” (Aníbal Machado)
“São precisos também os nomes dos admiradores.” (Carlos de Laet)
Concordância do predicativo com o objeto: A concordância do adjetivo predicativo com o objeto
direto ou indireto subordina-se às seguintes regras gerais:
- O adjetivo concorda em gênero e número com o objeto quando este é simples:
Vi ancorados na baía os navios petrolíferos.
“Olhou para suas terras e viu-as incultas e maninhas.” (Carlos de Laet)
O tribunal qualificou de ilegais as nomeações do ex-prefeito.
A noite torna visíveis os astros no céu límpido.
- Quando o objeto é composto e constituído por elementos do mesmo gênero, o adjetivo se
flexiona no plural e no gênero dos elementos:
A justiça declarou criminosos o empresário e seus auxiliares.
Deixe bem fechadas a porta e as janelas.
- Sendo o objeto composto e formado de elementos de gênero diversos, o adjetivo predicativo
concordará no masculino plural:
Tomei emprestados a régua e o compasso.
Achei muito simpáticos o príncipe e sua filha.
“Vi setas e carcás espedaçados”. (Gonçalves Dias)
Encontrei jogados no chão o álbum e as cartas.
- Se anteposto ao objeto, poderá o predicativo, neste caso, concordar com o núcleo mais
próximo:
É preciso que se mantenham limpas as ruas e os jardins.
Segue as mesmas regras o predicativo expresso pelos substantivos variáveis em gênero e número:
Temiam que as tomassem por malfeitoras; Considero autores do crime o comerciante e sua empregada.
Concordância do particípio passivo: Na voz passiva, o particípio concorda em gênero e número
com o sujeito, como os adjetivos:
Foi escolhida a rainha da festa.
Foi feita a entrega dos convites.
Os jogadores tinham sido convocados.
O governo avisa que não serão permitidas invasões de propriedades.
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Quando o núcleo do sujeito é, como no último exemplo, um coletivo numérico, pode-se, em geral,
efetuar a concordância com o substantivo que o acompanha: Centenas de rapazes foram vistos
pedalando nas ruas; Dezenas de soldados foram feridos em combate.
Referindo-se a dois ou mais substantivos de gênero diferentes, o particípio concordará no masculino
plural: Atingidos por mísseis, a corveta e o navio foram a pique; “Mas achei natural que o clube e suas
ilusões fossem leiloados.” (Carlos Drummond de Andrade)
Concordância do pronome com o nome:
- O pronome, quando se flexiona, concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere:
“Martim quebrou um ramo de murta, a folha da tristeza, e deitou-o no jazido de sua esposa”. (José de
Alencar)
“O velho abriu as pálpebras e cerrou-as logo.” (José de Alencar)
- O pronome que se refere a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes, flexiona-se no masculino
plural:
“Salas e coração habita-os a saudade”” (Alberto de Oliveira)
“A generosidade, o esforço e o amor, ensinaste-os tu em toda a sua sublimidade.” (Alexandre
Herculano)
Conheci naquela escola ótimos rapazes e moças, com os quais fiz boas amizades.
“Referi-me à catedral de Notre-Dame e ao Vesúvio familiarmente, como se os tivesse visto.”
(Graciliano Ramos)
Os substantivos sendo sinônimos, o pronome concorda com o mais próximo: “Ó mortais, que cegueira
e desatino é o nosso!” (Manuel Bernardes)
- Os pronomes um... outro, quando se referem a substantivos de gênero diferentes, concordam no
masculino:
Marido e mulher viviam em boa harmonia e ajudavam-se um ao outro.
“Repousavam bem perto um do outro a matéria e o espírito.” (Alexandre Herculano)
Nito e Sônia casaram cedo: um por amor, o outro, por interesse.
A locução um e outro, referida a indivíduos de sexos diferentes, permanece também no masculino: “A
mulher do colchoeiro escovou-lhe o chapéu; e, quando ele [Rubião] saiu, um e outro agradeceram-lhe
muito o benefício da salvação do filho.” (Machado de Assis)
O substantivo que se segue às locuções um e outro e nem outro fica no singular. Exemplos: Um e
outro livro me agradaram; Nem um nem outro livro me agradaram.
Outros casos de concordância nominal: Registramos aqui alguns casos especiais de concordância
nominal:
- Anexo, incluso, leso. Como adjetivos, concordam com o substantivo em gênero e número:
Anexa à presente, vai a relação das mercadorias.
Vão anexos os pareceres das comissões técnicas.
Remeto-lhe, anexas, duas cópias do contrato.
Remeto-lhe, inclusa, uma fotocópia do recibo.
Os crimes de lesa-majestade eram punidos com a morte.
Ajudar esses espiões seria crime de lesa-pátria.
Observação: Evite a locução em anexo.
- A olhos vistos. Locução adverbial invariável. Significa visivelmente.
“Lúcia emagrecia a olhos vistos”. (Coelho Neto)
“Zito envelhecia a olhos vistos.” (Autren Dourado)
- Só. Como adjetivo, só [sozinho, único] concorda em número com o substantivo. Como palavra
denotativa de limitação, equivalente de apenas, somente, é invariável.
Eles estavam sós, na sala iluminada.
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Esses dois livros, por si sós, bastariam para torná-los célebre.
Elas só passeiam de carro.
Só eles estavam na sala.
Forma a locução a sós [=sem mais companhia, sozinho]: Estávamos a sós. Jesus despediu a multidão
e subiu ao monte para orar a sós.
- Possível. Usado em expressões superlativas, este adjetivo ora aparece invariável, ora flexionado:
“A volta, esperava-nos sempre o almoço com os pratos mais requintados possível.” (Maria Helena
Cardoso)
“Estas frutas são as mais saborosas possível.” (Carlos Góis)
“A mania de Alice era colecionar os enfeites de louça mais grotescos possíveis.” (ledo Ivo)
“... e o resultado obtido foi uma apresentação com movimentos os mais espontâneos possíveis.”
(Ronaldo Miranda)
Como se vê dos exemplos citados, há nítida tendência, no português de hoje, para se usar, neste caso,
o adjetivo possível no plural. O singular é de rigor quando a expressão superlativa inicia com a partícula
o (o mais, o menos, o maior, o menor, etc.)
Os prédios devem ficar o mais afastados possível.
Ele trazia sempre as unhas o mais bem aparadas possível.
O médico atendeu o maior número de pacientes possível.
- Adjetivos adverbiados. Certos adjetivos, como sério, claro, caro, barato, alto, raro, etc., quando
usados com a função de advérbios terminados em – mente, ficam invariáveis:
Vamos falar sério. [sério = seriamente]
Penso que falei bem claro, disse a secretária.
Esses produtos passam a custar mais caro. [ou mais barato]
Estas aves voam alto. [ou baixo]
Junto e direto ora funcionam como adjetivos, ora como advérbios:
“Jorge e Dante saltaram juntos do carro.” (José Louzeiro)
“Era como se tivessem estado juntos na véspera.” (Autram Dourado).
“Elas moram junto há algum tempo.” (José Gualda Dantas)
“Foram direto ao galpão do engenheiro-chefe.” (Josué Guimarães)
- Todo. No sentido de inteiramente, completamente, costuma-se flexionar, embora seja advérbio:
Esses índios andam todos nus.
Geou durante a noite e a planície ficou toda (ou todo) branca.
As meninas iam todas de branco.
A casinha ficava sob duas mangueiras, que a cobriam toda.
Mas admite-se também a forma invariável:
Fiquei com os cabelos todo sujos de terá.
Suas mãos estavam todo ensanguentadas.
- Alerta. Pela sua origem, alerta (=atentamente, de prontidão, em estado de vigilância) é advérbio e,
portanto, invariável:
Estamos alerta.
Os soldados ficaram alerta.
“Todos os sentidos alerta funcionam.” (Carlos Drummond de Andrade)
“Os brasileiros não podem deixar de estar sempre alerta.” (Martins de Aguiar)
Contudo, esta palavra é, atualmente, sentida antes como adjetivo, sendo, por isso, flexionada no plural:
Nossos chefes estão alertas. (=vigilantes)
Papa diz aos cristãos que se mantenham alertas.
“Uma sentinela de guarda, olhos abertos e sentidos alertas, esperando pelo desconhecido...” (Assis
Brasil, Os Crocodilos, p. 25)
- Meio. Usada como advérbio, no sentido de um pouco, esta palavra é invariável. Exemplos:
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A porta estava meio aberta.
As meninas ficaram meio nervosas.
Os sapatos eram meio velhos, mas serviam.
- Bastante. Varia quando adjetivo, sinônimo de suficiente:
Não havia provas bastantes para condenar o réu.
Duas malas não eram bastantes para as roupas da atriz.
Fica invariável quando advérbio, caso em que modifica um adjetivo:
As cordas eram bastante fortes para sustentar o peso.
Os emissários voltaram bastante otimistas.
“Levi está inquieto com a economia do Brasil. Vê que se aproximam dias bastante escuros.”
(Austregésilo de Ataíde)
- Menos. É palavra invariável:
Gaste menos água.
À noite, há menos pessoas na praça.
Questões
01. (TJ/SC - Analista Jurídico – TJ/SC) Indique o uso INCORRETO da concordância verbal ou
nominal:
(A) Será descontada em folha sua contribuição sindical.
(B) Na última reunião, ficou acordado que se realizariam encontros semanais com os diversos
interessados no assunto.
(C) Alguma solução é necessária, e logo!
(D) Embora tenha ficado demonstrado cabalmente a ocorrência de simulação na transferência do
imóvel, o pedido não pode prosperar.
(E) A liberdade comercial da colônia, somada ao fato de D. João VI ter também elevado sua colônia
americana à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, possibilitou ao Brasil obter certa autonomia
econômica.
02. (TJ/SC - Analista Jurídico – TJ/SC) Aponte a alternativa em que NÃO ocorre silepse (de gênero,
número ou pessoa):
(A) “A gente é feito daquele tipo de talento capaz de fazer a diferença.”
(B) Todos sabemos que a solução não é fácil.
(C) Essa gente trabalhadora merecia mais, pois acordam às cinco horas para chegar ao trabalho às
oito da manhã.
(D) Todos os brasileiros sabem que esse problema vem de longe...
(E) Senhor diretor, espero que Vossa Senhoria seja mais compreensivo.
03. (CEMIG/TELECOM – Técnico Administrativo - FUMARC) A concordância nominal está
INCORRETA em:
(A) A mídia julgou desnecessária a campanha e o envolvimento da empresa.
(B) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa desnecessária.
(C) A mídia julgou desnecessário o envolvimento da empresa e a campanha.
(D) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa desnecessárias.
04. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos parênteses.
(A) Será que é ____ essa confusão toda? (necessário/ necessária)
(B) Quero que todos fiquem ____. (alerta/ alertas)
(C) Houve ____ razões para eu não voltar lá. (bastante/ bastantes)
(D) Encontrei ____ a sala e os quartos. (vazia/vazios)
(E) A dona do imóvel ficou ____ desiludida com o inquilino. (meio/ meia)
05. (PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO – GUARDA MUNICIPAL – FJG RIOI/2013) Quanto à
concordância nominal, verifica-se ERRO em:
(A) O texto fala de uma época e de um assunto polêmicos.
(B) Tornou-se clara para o leitor a posição do autor sobre o assunto.
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(C) Constata-se hoje a existência de homem, mulher e criança viciadas.
(D) Não será permitido visita de amigos, apenas a de parentes.
06. (AL TO - ASSISTENTE LEGISLATIVO - PROGRAMAÇÃO DE COMPUTADORES –
CESGRANRIO)
Texto I
Conta-se que, certa vez, ligaram para Brasília uns cientistas americanos intrigados com o que viram
em algumas fotos de satélite. Eles queriam saber o que havia na região ao norte do Distrito Federal,
porque as imagens mostravam um brilho intenso naquelas coordenadas, algo muito incomum. Bem, esse
telefonema pode nem ter ocorrido, mas o certo é que a Chapada dos Veadeiros, a 230 quilômetros de
Brasília, está sobre uma das mais generosas jazidas de cristal de que se tem notícia. Os tais cientistas
americanos, caso tenham ligado mesmo, não estavam descobrindo nenhuma América, pois durante longo
tempo a garimpagem do cristal movimentou a Chapada e seus arredores. Esse minério translúcido servia
como matéria-prima para fabricação de componentes eletrônicos e de computador, em vista de sua
altíssima condutividade. Com o tempo, os pesquisadores desenvolveram outros materiais em laboratório
e o cava-cava acabou. Os místicos falam que há uma gigantesca placa de cristal sob toda a região. E
sobre ela, como você pode imaginar, uma gigantesca massa de místicos. Atraídos pela inegável
atmosfera divinal da Chapada, que é um manancial de água e luz (a solar, ok?) e com visuais que chamam
à contemplação, milhares de terapeutas, psicólogos, massagistas e líderes espirituais se mudaram para
lá, o que faz de Alto Paraíso e da vizinha vila de São Jorge um "território alto-astral" de fama internacional.
RODRIGUES, Otávio. Viagem, Edição Especial (Ecoturismo)Ed. Abril - Edição 108-A.
Marque a frase em que a concordância nominal está correta.
(A) Imagens e telefonemas diárias intrigavam os pesquisadores.
(B) A garimpagem é proibido naquela região.
(C) Havia místicos e pesquisadoras interessados no lugar.
(D) Fotos e imagens eram a mesma de sempre.
(E) A cidade crescia rapidamente, a olho vistos.
07. Aponte o erro de concordância nominal.
(A) Andei por longes terras.
(B) Ela chegou toda machucada.
(C) Carla anda meio aborrecida.
(D) Elas não progredirão por si mesmo.
(E) Ela própria nos procurou.
08. Assinale o erro de concordância nominal.
(A) – Muito obrigada, disse ela.
(B) Só as mulheres foram interrogadas.
(C) Eles estavam só.
(D) Já era meio-dia e meia.
(E) Sós, ficaram tristes.
Respostas
01. Resposta D
A alternativa “D” é a correta porque o correto é “...tenha ficado demonstrada cabalmente a
ocorrência...”.
02. Resposta D
A alternativa “D” é a correta porque não houve silepse, pois a concordância foi feita pelas classes
gramaticais. As outras alternativas apresentaram concordância com a ideia, com o significado que as
palavras representam. (podem ser de gênero, número, pessoa).
03. Resposta B
O correto seria: A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa desnecessárias
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O adjetivo concorda com os dois substantivos femininos: campanha e atuação da empresa
04. a) necessária b) alerta c) bastantes d) vazia e) meio
05. Resposta C
SUBSTANTIVO (homem)+ SUBSTANTIVO (mulher)+ SUBSTANTIVO (criança) +ADJETIVO
Caso exista um substantivo masculino, deverá prevalecer o adjetivo no masculino
06. Resposta C
Alternativa A: precisa concordar com o mais próximo – telefonemas é masculino, portanto, “imagens e
telefonemas diários”
Alternativa B: garimpagem é substantivo feminino: “A garimpagem é proibida”
Alternativa C: Místicos: substantivo masculino
Pesquisadoras: substantivo feminino
O adjetivo “interessados” está posposto aos substantivos, portanto, prevalece a forma masculina no
plural.
Alternativa D: “Fotos e imagens eram AS MESMAS de sempre”
Alternativa E: “a OLHOS vistos”
07. Resposta D
“Elas não progredirão por si MESMAS”
08. Resposta C
Na frase, o vocábulo “só” tem função de adjetivo, desta forma, deve concordar com o substantivo
“eles”. Assim: Eles estavam SÓS
Concordância Verbal
O verbo concorda com o sujeito, em harmonia com as seguintes regras gerais:
- O sujeito é simples: O sujeito sendo simples, com ele concordará o verbo em número e pessoa.
Exemplos:
Verbo depois do sujeito:
“As saúvas eram uma praga.” (Carlos Povina Cavalcânti)
“Tu não és inimiga dele, não? (Camilo Castelo Branco)
“Vós fostes chamados à liberdade, irmãos.” (São Paulo)
Verbo antes do sujeito:
Acontecem tantas desgraças neste planeta!
Não faltarão pessoas que nos queiram ajudar.
A quem pertencem essas terras?
- O sujeito é composto e da 3ª pessoa
O sujeito, sendo composto e anteposto ao verbo, leva geralmente este para o plural. Exemplos:
“A esposa e o amigo seguem sua marcha.” (José de Alencar)
“Poti e seus guerreiros o acompanharam.” (José de Alencar)
“Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma fonte perene.” (Machado de Assis)
É licito (mas não obrigatório) deixar o verbo no singular:
- Quando o núcleo dos sujeitos são sinônimos:
“A decência e honestidade ainda reinava.” (Mário Barreto)
“A coragem e afoiteza com que lhe respondi, perturbou-o...” (Camilo Castelo Branco)
“Que barulho, que revolução será capaz de perturbar esta serenidade?” (Graciliano Ramos)
- Quando os núcleos do sujeito formam sequência gradativa:
Uma ânsia, uma aflição, uma angústia repentina começou a me apertar à alma.
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Sendo o sujeito composto e posposto ao verbo, este poderá concordar no plural ou com o substantivo
mais próximo:
“Não fossem o rádio de pilha e as revistas, que seria de Elisa?” (Jorge Amado)
“Enquanto ele não vinha, apareceram um jornal e uma vela.” (Ricardo Ramos)
“Ali estavam o rio e as suas lavadeiras.” (Carlos Povina Cavalcânti)
... casa abençoada onde paravam Deus e o primeiro dos seus ministros.” (Carlos de Laet)
Aconselhamos, nesse caso, usar o verbo no plural.
- O sujeito é composto e de pessoas diferentes
Se o sujeito composto for de pessoas diversas, o verbo se flexiona no plural e na pessoa que tiver
prevalência. (A 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª prevale sobre a 3ª):
“Foi o que fizemos Capitu e eu.” (Machado de Assis) (ela e eu = nós)
“Tu e ele partireis juntos.” (Mário Barreto) (tu e ele = vós)
Você e meu irmão não me compreendem. (você e ele = vocês)
Muitas vezes os escritores quebram a rigidez dessa regra:
- Ora fazendo concordar o verbo com o sujeito mais próximo, quando este se pospõe ao verbo:
“O que resta da felicidade passada és tu e eles.” (Camilo Castelo Branco)
“Faze uma arca de madeira; entra nela tu, tua mulher e teus filhos.” (Machado de Assis)
- Ora preferindo a 3ª pessoa na concorrência tu + ele (tu + ele = vocês em vez de tu + ele = vós):
“...Deus e tu são testemunhas...” (Almeida Garrett)
“Juro que tu e tua mulher me pagam.” (Coelho Neto)
As normas que a seguir traçamos têm, muitas vezes, valor relativo, porquanto a escolha desta ou
daquela concordância depende, frequentemente, do contexto, da situação e do clima emocional que
envolvem o falante ou o escrevente.
- Núcleos do sujeito unidos por ou
Há duas situações a considerar:
- Se a conjunção ou indicar exclusão ou retificação, o verbo concordará com o núcleo do sujeito mais
próximo:
Paulo ou Antônio será o presidente.
O ladrão ou os ladrões não deixaram nenhum vestígio.
Ainda não foi encontrado o autor ou os autores do crime.
- O verbo irá para o plural se a ideia por ele expressa se referir ou puder ser atribuída a todos os
núcleos do sujeito:
“Era tão pequena a cidade, que um grito ou gargalhada forte a atravessavam de ponta a ponta.”
(Aníbal Machado) (Tanto um grito, como uma gargalhada, atravessavam a cidade.)
“Naquela crise, só Deus ou Nossa Senhora podiam acudir-lhe.” (Camilo Castelo Branco)
Há, no entanto, em bons autores, ocorrência de verbo no singular:
“A glória ou a vergonha da estirpe provinha de atos individuais.” (Vivaldo Coaraci)
“Há dessas reminiscências que não descansam antes que a pena ou a língua as publique.” (Machado
de Assis)
“Um príncipe ou uma princesa não casa sem um vultoso dote.” (Viriato Correia)
- Núcleos do sujeito unidos pela preposição com: Usa-se mais frequentemente o verbo no plural
quando se atribui a mesma importância, no processo verbal, aos elementos do sujeito unidos pela
preposição com. Exemplos:
Manuel com seu compadre construíram o barracão.
“Eu com outros romeiros vínhamos de Vigo...” (Camilo Castelo Branco)
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“Ele com mais dois acercaram-se da porta.” (Camilo Castelo Branco)
Pode se usar o verbo no singular quando se deseja dar relevância ao primeiro elemento do sujeito e
também quando o verbo vier antes deste. Exemplos:
O bispo, com dois sacerdotes, iniciou solenemente a missa.
O presidente, com sua comitiva, chegou a Paris às 5h da tarde.
“Já num sublime e público teatro se assenta o rei inglês com toda a corte.” (Luís de Camões)
- Núcleos do sujeito unidos por nem: Quando o sujeito é formado por núcleos no singular unidos
pela conjunção nem, usa-se, comumente, o verbo no plural. Exemplos:
Nem a riqueza nem o poder o livraram de seus inimigos.
Nem eu nem ele o convidamos.
“Nem o mundo, nem Deus teriam força para me constranger a tanto.” (Alexandre Herculano)
“Nem a Bíblia nem a respeitabilidade lhe permitem praguejar alto.” (Eça de Queirós)
É preferível a concordância no singular:
- Quando o verbo precede o sujeito:
“Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes...”
(Machado de Assis)
Não o convidei eu nem minha esposa.
“Na fazenda, atualmente, não se recusa trabalho, nem dinheiro, nem nada a ninguém.” (Guimarães
Rosa)
- Quando há exclusão, isto é, quando o fato só pode ser atribuído a um dos elementos do sujeito:
Nem Berlim nem Moscou sediará a próxima Olimpíada. (Só uma cidade pode sediar a Olimpíada.)
Nem Paulo nem João será eleito governador do Acre. (Só um candidato pode ser eleito governador.)
- Núcleos do sujeito correlacionados: O verbo vai para o plural quando os elementos do sujeito
composto estão ligados por uma das expressões correlativas não só... mas também, não só como
também, tanto...como, etc. Exemplos:
Não só a nação mas também o príncipe estariam pobres.” (Alexandre Herculano)
“Tanto a Igreja como o Estado eram até certo ponto inocentes.” (Alexandre Herculano)
“Tanto Noêmia como Reinaldo só mantinham relações de amizade com um grupo muito reduzido de
pessoas.” (José Condé)
“Tanto a lavoura como a indústria da criação de gado não o demovem do seu objetivo.” (Cassiano
Ricardo)
- Sujeitos resumidos por tudo, nada, ninguém: Quando o sujeito composto vem resumido por um
dos pronomes, tudo, nada, ninguém, etc. o verbo concorda, no singular, com o pronome resumidor.
Exemplos:
Jogos, espetáculos, viagens, diversões, nada pôde satisfazê-lo.
“O entusiasmo, alguns goles de vinho, o gênio imperioso, estouvado, tudo isso me levou a fazer uma
coisa única.” (Machado de Assis)
Jogadores, árbitro, assistentes, ninguém saiu do campo.
- Núcleos do sujeito designando a mesma pessoa ou coisa: O verbo concorda no singular quando
os núcleos do sujeito designam a mesma pessoa ou o mesmo ser. Exemplos:
“Aleluia! O brasileiro comum, o homem do povo, o João-ninguém, agora é cédula de Cr$ 500,00!”
(Carlos Drummond Andrade)
“Embora sabendo que tudo vai continuar como está, fica o registro, o protesto, em nome dos
telespectadores.” (Valério Andrade)
Advogado e membro da instituição afirma que ela é corrupta.
- Núcleos do sujeito são infinitivos: O verbo concordará no plural se os infinitivos forem
determinados pelo artigo ou exprimirem ideias opostas; caso contrário, tanto é lícito usar o verbo no
singular como no plural. Exemplos:
O comer e o beber são necessários.
Rir e chorar fazem parte da vida
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Montar brinquedos e desmontá-los divertiam muito o menino.
“Já tinha ouvido que plantar e colher feijão não dava trabalho.” (Carlos Povina Cavalcânti) (ou davam)
- Sujeito oracional: Concorda no singular o verbo cujo sujeito é uma oração:
Ainda falta / comprar os cartões.
Predicado Sujeito Oracional
Estas são realidades que não adianta esconder.
Sujeito de adianta: esconder que (as realidades)
- Sujeito Coletivo: O verbo concorda no singular com o sujeito coletivo no singular. Exemplos:
A multidão vociferava ameaças.
O exército dos aliados desembarcou no sul da Itália.
Uma junta de bois tirou o automóvel do atoleiro.
Um bloco de foliões animava o centro da cidade.
Se o coletivo vier seguido de substantivo plural que o especifique e anteceder ao verbo, este poderá ir
para o plural, quando se quer salientar não a ação do conjunto, mas a dos indivíduos, efetuando-se uma
concordância não gramatical, mas ideológica:
“Uma grande multidão de crianças, de velhos, de mulheres penetraram na caverna...” (Alexandre
Herculano)
“Uma grande vara de porcos que se afogaram de escantilhão no mar...” (Camilo Castelo Branco)
“Reconheceu que era um par de besouros que zumbiam no ar.” (Machado de Assis)
“Havia na União um grupo de meninos que praticavam esse divertimento com uma pertinácia
admirável.” (Carlos Povina Cavalcânti)
- A maior parte de, grande número de, etc: Sendo o sujeito uma das expressões quantitativas a
maior parte de, parte de, a maioria de, grande número de, etc., seguida de substantivo ou pronome no
plural, o verbo, quando posposto ao sujeito, pode ir para o singular ou para o plural, conforme se queira
efetuar uma concordância estritamente gramatical (com o coletivo singular) ou uma concordância
enfática, expressiva, com a ideia de pluralidade sugerida pelo sujeito. Exemplos:
A maior parte dos indígenas respeitavam os pajés.” (Gilberto Freire)
“A maior parte dos doidos ali metidos estão em seu perfeito juízo.” (Machado de Assis)
“A maior parte das pessoas pedem uma sopa, um prato de carne e um prato de legumes.” (Ramalho
Ortigão)
“A maior parte dos nomes podem ser empregados em sentido definido ou em sentido indefinido.”
(Mário Barreto)
Quando o verbo precede o sujeito, como nos dois últimos exemplos, a concordância se efetua no
singular. Como se vê dos exemplos supracitados, as duas concordâncias são igualmente legítimas,
porque têm tradição na língua. Cabe a quem fala ou escreve escolher a que julgar mais adequada à
situação. Pode-se, portanto, no caso em foco, usar o verbo no plural, efetuando a concordância não com
a forma gramatical das palavras, mas com a ideia de pluralidade que elas encerram e sugerem à nossa
mente. Essa concordância ideológica é bem mais expressiva que a gramatical, como se pode perceber
relendo as frases citadas de Machado de Assis, Ramalho Ortigão, Ondina Ferreira e Aurélio Buarque de
Holanda, e cotejando-as com as dos autores que usaram o verbo no singular.
- Um e outro, nem um nem outro: O sujeito sendo uma dessas expressões, o verbo concorda, de
preferência, no plural. Exemplos:
“Um e outro gênero se destinavam ao conhecimento...” (Hernâni Cidade)
“Um e outro descendiam de velhas famílias do Norte.” (Machado de Assis)
Uma e outra família tinham (ou tinha) parentes no Rio.
“Depois nem um nem outro acharam novo motivo para diálogo.” (Fernando Namora)
- Um ou outro: O verbo concorda no singular com o sujeito um ou outro:
“Respondi-lhe que um ou outro colar lhe ficava bem.” (Machado de Assis)
“Uma ou outra pode dar lugar a dissentimentos.” (Machado de Assis)
“Sempre tem um ou outro que vai dando um vintém.” (Raquel de Queirós)
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- Um dos que, uma das que: Quando, em orações adjetivas restritivas, o pronome que vem
antecedido de um dos ou expressão análoga, o verbo da oração adjetiva flexiona-se, em regra, no plural:
“O príncipe foi um dos que despertaram mais cedo.” (Alexandre Herculano)
“A baronesa era uma das pessoas que mais desconfiavam de nós.” (Machado de Assis)
“Areteu da Capadócia era um dos muitos médicos gregos que viviam em Roma.” (Moacyr Scliar)
Ele é desses charlatães que exploram a crendice humana.
Essa é a concordância lógica, geralmente preferida pelos escritores modernos. Todavia, não é prática
condenável fugir ao rigor da lógica gramatical e usar o verbo da oração adjetiva no singular (fazendo-o
concordar com a palavra um), quando se deseja destacar o indivíduo do grupo, dando-se a entender que
ele sobressaiu ou sobressai aos demais:
Ele é um desses parasitas que vive à custa dos outros.
“Foi um dos poucos do seu tempo que reconheceu a originalidade e importância da literatura
brasileira.” (João Ribeiro)
Há gramáticas que condenam tal concordância. Por coerência, deveriam condenar também a
comumente aceita em construções anormais do tipo: Quais de vós sois isentos de culpa? Quantos de
nós somos completamente felizes? O verbo fica obrigatoriamente no singular quando se aplica apenas
ao indivíduo de que se fala, como no exemplo:
Jairo é um dos meus empregados que não sabe ler. (Jairo é o único empregado que não sabe ler.)
Ressalte-se, porém, que nesse caso é preferível construir a frase de outro modo:
Jairo é um empregado meu que não sabe ler.
Dos meus empregados, só Jairo não sabe ler.
Na linguagem culta formal, ao empregar as expressões em foco, o mais acertado é usar no plural o
verbo da oração adjetiva:
O Japão é um dos países que mais investem em tecnologia.
Gandhi foi um dos que mais lutaram pela paz.
O sertão cearense é uma das áreas que mais sofrem com as secas.
Heráclito foi um dos empresários que conseguiram superar a crise.
Embora o caso seja diferente, é oportuno lembrar que, nas orações adjetivas explicativas, nas quais o
pronome que é separado de seu antecedente por pausa e vírgula, a concordância é determinada pelo
sentido da frase:
Um dos meninos, que estava sentado à porta da casa, foi chamar o pai. (Só um menino estava
sentado.)
Um dos cinco homens, que assistiam àquela cena estupefatos, soltou um grito de protesto. (Todos os
cinco homens assistiam à cena.)
- Mais de um: O verbo concorda, em regra, no singular. O plural será de rigor se o verbo exprimir
reciprocidade, ou se o numeral for superior a um. Exemplos:
Mais de um excursionista já perdeu a vida nesta montanha.
Mais de um dos circunstantes se entreolharam com espanto.
Devem ter fugido mais de vinte presos.
- Quais de vós? Alguns de nós: Sendo o sujeito um dos pronomes interrogativos quais? quantos?
Ou um dos indefinidos alguns, muitos, poucos, etc., seguidos dos pronomes nós ou vós, o verbo
concordará, por atração, com estes últimos, ou, o que é mais lógico, na 3ª pessoa do plural:
“Quantos dentre nós a conhecemos?” (Rogério César Cerqueira)
“Quais de vós sois, como eu, desterrados...?” (Alexandre Herculano)
“...quantos dentre vós estudam conscienciosamente o passado?” (José de Alencar)
Alguns de nós vieram (ou viemos) de longe.
Estando o pronome no singular (3ª pessoa) ficará o verbo:
Qual de vós testemunhou o fato?
Nenhuma de nós a conhece.
Nenhum de vós a viu?
Qual de nós falará primeiro?
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- Pronomes quem, que, como sujeitos: O verbo concordará, em regra, na 3ª pessoa, com os
pronomes quem e que, em frases como estas:
Sou eu quem responde pelos meus atos.
Somos nós quem leva o prejuízo.
Eram elas quem fazia a limpeza da casa.
“Eras tu quem tinha o dom de encantar-me.” (Osmã Lins)
Todavia, a linguagem enfática justifica a concordância com o sujeito da oração principal:
“Sou eu quem prendo aos céus a terra.” (Gonçalves Dias)
“Não sou eu quem faço a perspectiva encolhida.” (Ricardo Ramos)
“És tu quem dás frescor à mansa brisa.” (Gonçalves Dias)
“Nós somos os galegos que levamos a barrica.” (Camilo Castelo Branco)
A concordância do verbo precedido do pronome relativo que far-se-á obrigatoriamente com o sujeito
do verbo (ser) da oração principal, em frases do tipo:
Sou eu que pago.
És tu que vens conosco?
Somos nós que cozinhamos.
Eram eles que mais reclamavam.
Em construções desse tipo, é lícito considerar o verbo ser e a palavra que como elementos expletivos
ou enfatizantes, portanto não necessários ao enunciado. Assim:
Sou eu que pago. (=Eu pago)
Somos nós que cozinhamos. (=Nós cozinhamos)
Foram os bombeiros que a salvaram. (= Os bombeiros a salvaram.)
Seja qual for a interpretação, o importante é saber que, neste caso, tanto o verbo ser como o outro
devem concordar com o pronome ou substantivo que precede a palavra que.
- Concordância com os pronomes de tratamento: Os pronomes de tratamento exigem o verbo na
3ª pessoa, embora se refira à 2ª pessoa do discurso:
Vossa Excelência agiu com moderação.
Vossas Excelências não ficarão surdos à voz do povo.
“Espero que V.Sª. não me faça mal.” (Camilo Castelo Branco)
“Vossa Majestade não pode consentir que os touros lhe matem o tempo e os vassalos.” (Rebelo da
Silva)
- Concordância com certos substantivos próprios no plural: Certos substantivos próprios de forma
plural, como Estados Unidos, Andes, Campinas, Lusíadas, etc., levam o verbo para o plural quando se
usam com o artigo; caso contrário, o verbo concorda no singular.
“Os Estados Unidos são o país mais rico do mundo.” (Eduardo Prado)
Os Andes se estendem da Venezuela à Terra do Fogo.
“Os Lusíadas” imortalizaram Luís de Camões.
Campinas orgulha-se de ter sido o berço de Carlos Gomes.
Tratando-se de títulos de obras, é comum deixar o verbo no singular, sobretudo com o verbo ser
seguido de predicativo no singular:
“As Férias de El-Rei é o título da novela.” (Rebelo da Silva)
“As Valkírias mostra claramente o homem que existe por detrás do mago.” (Paulo Coelho)
“Os Sertões é um ensaio sociológico e histórico...” (Celso Luft)
A concordância, neste caso, não é gramatical, mas ideológica, porque se efetua não com a palavra
(Valkírias, Sertões, Férias de El-Rei), mas com a ideia por ela sugerida (obra ou livro). Ressalte-se, porém,
que é também correto usar o verbo no plural:
As Valkírias mostram claramente o homem...
“Os Sertões são um livro de ciência e de paixão, de análise e de protesto.” (Alfredo Bosi)
- Concordância do verbo passivo: Quando apassivado pelo pronome apassivador se, o verbo
concordará normalmente com o sujeito:
Vende-se a casa e compram-se dois apartamentos.
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Gastaram-se milhões, sem que se vissem resultados concretos.
“Correram-se as cortinas da tribuna real.” (Rebelo da Silva)
“Aperfeiçoavam-se as aspas, cravavam-se pregos necessários à segurança dos postes...” (Camilo
Castelo Branco)
Na literatura moderna há exemplos em contrário, mas que não devem ser seguidos:
“Vendia-se seiscentos convites e aquilo ficava cheio.” (Ricardo Ramos)
“Em Paris há coisas que não se entende bem.” (Rubem Braga)
Nas locuções verbais formadas com os verbos auxiliares poder e dever, na voz passiva sintética, o
verbo auxiliar concordará com o sujeito. Exemplos:
Não se podem cortar essas árvores. (sujeito: árvores; locução verbal: podem cortar)
Devem-se ler bons livros. (=Devem ser lidos bons livros) (sujeito: livros; locução verbal: devem-se ler)
“Nem de outra forma se poderiam imaginar façanhas memoráveis como a do fabuloso Aleixo Garcia.”
(Sérgio Buarque de Holanda)
“Em Santarém há poucas casas particulares que se possam dizer verdadeiramente antigas.” (Almeida
Garrett)
Entretanto, pode-se considerar sujeito do verbo principal a oração iniciada pelo infinitivo e, nesse caso,
não há locução verbal e o verbo auxiliar concordará no singular. Assim:
Não se pode cortar essas árvores. (sujeito: cortar essas árvores; predicado: não se pode)
Deve-se ler bons livros. (sujeito: ler bons livros; predicado: deve-se)
Em síntese: de acordo com a interpretação que se escolher, tanto é lícito usar o verbo auxiliar no
singular como no plural. Portanto:
Não se podem (ou pode) cortar essas árvores.
Devem-se (ou deve-se) ler bons livros.
“Quando se joga, deve-se aceitar as regras.” (Ledo Ivo)
“Concluo que não se devem abolir as loterias.” (Machado de Assis)
- Verbos impessoais: Os verbos haver, fazer (na indicação do tempo), passar de (na indicação de
horas), chover e outros que exprimem fenômenos meteorológicos, quando usados como impessoais,
ficam na 3ª pessoa do singular:
“Não havia ali vizinhos naquele deserto.” (Monteiro Lobato)
“Havia já dois anos que nós não nos víamos.” (Machado de Assis)
“Aqui faz verões terríveis.” (Camilo Castelo Branco)
“Faz hoje ao certo dois meses que morreu na forca o tal malvado...” (Camilo Castelo Branco)
- Também fica invariável na 3ª pessoa do singular o verbo que forma locução com os verbos impessoais
haver ou fazer:
Deverá haver cinco anos que ocorreu o incêndio.
Vai haver grandes festas.
Há de haver, sem dúvida, fortíssimas razões para ele não aceitar o cargo.
Começou a haver abusos na nova administração.
- O verbo chover, no sentido figurado (= cair ou sobrevir em grande quantidade), deixa de ser impessoal e,
portanto concordará com o sujeito:
Choviam pétalas de flores.
“Sou aquele sobre quem mais têm chovido elogios e diatribes.” (Carlos de Laet)
“Choveram comentários e palpites.” (Carlos Drummond de Andrade)
“E nem lá (na Lua) chovem meteoritos, permanentemente.” (Raquel de Queirós)
- Na língua popular brasileira é generalizado o uso de ter, impessoal, por haver, existir. Nem faltam
exemplos em escritores modernos:
“No centro do pátio tem uma figueira velhíssima, com um banco embaixo.” (José Geraldo Vieira)
“Soube que tem um cavalo morto, no quintal.” (Carlos Drummond de Andrade)
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- Existir não é verbo impessoal. Portanto:
Nesta cidade existem (e não existe) bons médicos.
Não deviam (e não devia) existir crianças abandonadas.
- Concordância do verbo ser: O verbo de ligação ser concorda com o predicativo nos seguintes
casos:
- Quando o sujeito é um dos pronomes tudo, o, isto, isso, ou aquilo:
“Tudo eram hipóteses.” (Ledo Ivo)
“Tudo isto eram sintomas graves.” (Machado de Assis)
Na mocidade tudo são esperanças.
“Não, nem tudo são dessemelhanças e contrastes entre Brasil e Estados Unidos.” (Viana Moog)
A concordância com o sujeito, embora menos comum, é também lícita:
“Tudo é flores no presente.” (Gonçalves Dias)
“O que de mim posso oferecer-lhe é espinhos da minha coroa.” (Camilo Castelo Branco)
O verbo ser fica no singular quando o predicativo é formado de dois núcleos no singular:
“Tudo o mais é soledade e silêncio.” (Ferreira de Castro)
- Quando o sujeito é um nome de coisa, no singular, e o predicativo um substantivo plural:
“A cama são umas palhas.” (Camilo Castelo Branco)
“A causa eram os seus projetos.” (Machado de Assis)
“Vida de craque não são rosas.” (Raquel de Queirós)
Sua salvação foram aquelas ervas.
O sujeito sendo nome de pessoa, com ele concordará o verbo ser:
Emília é os encantos de sua avó.
Abílio era só problemas.
Dá-se também a concordância no singular com o sujeito que:
“Ergo-me hoje para escrever mais uma página neste Diário que breve será cinzas como eu.” (Camilo
Castelo Branco)
- Quando o sujeito é uma palavra ou expressão de sentido coletivo ou partitivo, e o predicativo um
substantivo no plural:
“A maioria eram rapazes.” (Aníbal Machado)
A maior parte eram famílias pobres.
O resto (ou o mais) são trastes velhos.
“A maior parte dessa multidão são mendigos.” (Eça de Queirós)
- Quando o predicativo é um pronome pessoal ou um substantivo, e o sujeito não é pronome pessoal
reto:
“O Brasil, senhores, sois vós.” (Rui Barbosa)
“Nas minhas terras o rei sou eu.” (Alexandre Herculano)
“O dono da fazenda serás tu.” (Said Ali)
“...mas a minha riqueza eras tu.” (Camilo Castelo Branco)
Mas: Eu não sou ele. Vós não sois eles. Tu não és ele.
- Quando o predicativo é o pronome demonstrativo o ou a palavra coisa:
Divertimentos é o que não lhe falta.
“Os bastidores é só o que me toca.” (Correia Garção)
“Mentiras, era o que me pediam, sempre mentiras.” ( Fernando Namora)
“Os responsórios e os sinos é coisa importuna em Tibães.” (Camilo Castelo Branco)
- Nas locuções é muito, é pouco, é suficiente, é demais, é mais que (ou do que), é menos que (ou do
que), etc., cujo sujeito exprime quantidade, preço, medida, etc.:
“Seis anos era muito.” (Camilo Castelo Branco)
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Dois mil dólares é pouco.
Cinco mil dólares era quanto bastava para a viagem.
Doze metros de fio é demais.
- Na indicação das horas, datas e distância o verbo ser é impessoal (não tem sujeito) e concordará
com a expressão designativa de hora, data ou distância:
Era uma hora da tarde.
“Era hora e meia, foi pôr o chapéu.” (Eça de Queirós)
“Seriam seis e meia da tarde.” (Raquel de Queirós)
“Eram duas horas da tarde.” (Machado de Assis)
OBSERVAÇÕES:
- Pode-se, entretanto na linguagem espontânea, deixar o verbo no singular,
concordando com a ideia implícita de “dia”:
“Hoje é seis de março.” (J. Matoso Câmara Jr.) (Hoje é dia seis de março.)
“Hoje é dez de janeiro.” (Celso Luft)
- Estando a expressão que designa horas precedida da locução perto de, hesitam os
escritores entre o plural e o singular:
“Eram perto de oito horas.” (Machado de Assis)
“Era perto de duas horas quando saiu da janela.” (Machado de Assis)
“...era perto das cinco quando saí.” (Eça de Queirós)
- O verbo passar, referente a horas, fica na 3ª pessoa do singular, em frases como:
Quando o trem chegou, passava das sete horas.
- Locução de realce é que: O verbo ser permanece invariável na expressão expletiva ou de realce é
que:
Eu é que mantenho a ordem aqui. (= Sou eu que mantenho a ordem aqui.)
Nós é que trabalhávamos. (= Éramos nós que trabalhávamos)
As mães é que devem educá-los. (= São as mães que devem educá-los.)
Os astros é que os guiavam. (= Eram os astros que os guiavam.)
Da mesma forma se diz, com ênfase:
“Vocês são muito é atrevidos.” (Raquel de Queirós)
“Sentia era vontade de ir também sentar-me numa cadeira junto do palco.” (Graciliano Ramos)
“Por que era que ele usava chapéu sem aba?” (Graciliano Ramos)
Observação: O verbo ser é impessoal e invariável em construções enfáticas como:
Era aqui onde se açoitavam os escravos. (= Aqui se açoitavam os escravos.)
Foi então que os dois se desentenderam. (= Então os dois se desentenderam.)
- Era uma vez: Por tradição, mantém-se invariável a expressão inicial de histórias era uma vez, ainda
quando seguida de substantivo plural: Era uma vez dois cavaleiros andantes.
- A não ser: É geralmente considerada locução invariável, equivalente a exceto, salvo, senão.
Exemplos:
Nada restou do edifício, a não ser escombros.
A não ser alguns pescadores, ninguém conhecia aquela praia.
“Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis, a não ser bonecos sem pescoço...” (Carlos
Drummond de Andrade)
Mas não constitui erro usar o verbo ser no plural, fazendo-o concordar com o substantivo seguinte,
convertido em sujeito da oração infinitiva. Exemplos:
“As dissipações não produzem nada, a não serem dívidas e desgostos.” (Machado de Assis)
“A não serem os antigos companheiros de mocidade, ninguém o tratava pelo nome próprio.” (Álvaro
Lins)
“A não serem os críticos e eruditos, pouca gente manuseia hoje... aquela obra.” (Latino Coelho)
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- Haja vista: A expressão correta é haja vista, e não haja visto. Pode ser construída de três modos:
Hajam vista os livros desse autor. (= tenham vista, vejam-se)
Haja vista os livros desse autor. (= por exemplo, veja)
Haja vista aos livros desse autor. (= olhe-se para, atente-se para os livros)
A primeira construção (que é a mais lógica) analisa-se deste modo.
Sujeito: os livros; verbo hajam (=tenham); objeto direto: vista.
A situação é preocupante; hajam vista os incidentes de sábado.
Seguida de substantivo (ou pronome) singular, a expressão, evidentemente, permanece invariável: A
situação é preocupante; haja vista o incidente de sábado.
- Bem haja. Mal haja: Bem haja e mal haja usam-se em frases optativas e imprecativas,
respectivamente. O verbo concordará normalmente com o sujeito, que vem sempre posposto:
“Bem haja Sua Majestade!” (Camilo Castelo Branco)
Bem hajam os promovedores dessa campanha!
“Mal hajam as desgraças da minha vida...” (Camilo Castelo Branco)
- Concordância dos verbos bater, dar e soar: Referindo-se às horas, os três verbos acima
concordam regularmente com o sujeito, que pode ser hora, horas (claro ou oculto), badaladas ou relógio:
“Nisto, deu três horas o relógio da botica.” (Camilo Castelo Branco)
“Bateram quatro da manhã em três torres há um tempo...” (Mário Barreto)
“Tinham batido quatro horas no cartório do tabelião Vaz Nunes.” (Machado de Assis)
“Deu uma e meia.” (Said Ali)
Passar, com referência a horas, no sentido de ser mais de, é verbo impessoal, por isso fica na 3ª
pessoa do singular: Quando chegamos ao aeroporto, passava das 16 horas; Vamos, já passa das oito
horas – disse ela ao filho.
- Concordância do verbo parecer: Em construções com o verbo parecer seguido de infinitivo, pode-
se flexionar o verbo parecer ou o infinitivo que o acompanha:
As paredes pareciam estremecer. (construção corrente)
As paredes parecia estremecerem. (construção literária)
Análise da construção dois: parecia: oração principal; as paredes estremeceram: oração subordinada
substantiva subjetiva.
Outros exemplos:
“Nervos... que pareciam estourar no minuto seguinte.” (Fernando Namora)
“Referiu-me circunstâncias que parece justificarem o procedimento do soberano.” (Latino Coelho)
“As lágrimas e os soluços parecia não a deixarem prosseguir.” (Alexandre Herculano)
“...quando as estrelas, em ritmo moroso, parecia caminharem no céu.” (Graça Aranha)
Usando-se a oração desenvolvida, parecer concordará no singular:
“Mesmo os doentes parece que são mais felizes.” (Cecília Meireles)
“Outros, de aparência acabadiça, parecia que não podiam com a enxada.” (José Américo)
“As notícias parece que têm asas.” (Oto Lara Resende) (Isto é: Parece que as notícias têm asas.)
Essa dualidade de sintaxe verifica-se também com o verbo ver na voz passiva: “Viam-se entrar
mulheres e crianças.” Ou “Via-se entrarem mulheres e crianças.”
- Concordância com o sujeito oracional: O verbo cujo sujeito é uma oração concorda
obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular:
Parecia / que os dois homens estavam bêbedos.
Verbo sujeito (oração subjetiva)
Faltava / dar os últimos retoques.
Verbo sujeito (oração subjetiva)
Outros exemplos, com o sujeito oracional em destaque:
Não me interessa ouvir essas parlendas.
Anotei os livros que faltava adquirir. (faltava adquirir os livros)
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Esses fatos, importa (ou convém) não esquecê-los.
São viáveis as reformas que se intenta implantar?
- Concordância com sujeito indeterminado: O pronome se pode funcionar como índice de
indeterminação do sujeito. Nesse caso, o verbo concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular.
Exemplos;
Em casa, fica-se mais à vontade.
Detesta-se (e não detestam-se) aos indivíduos falsos.
Acabe-se de vez com esses abusos!
Para ir de São Paulo a Curitiba, levava-se doze horas.
- Concordância com os numerais milhão, bilhão e trilhão: Estes substantivos numéricos, quando
seguidos de substantivo no plural, levam, de preferência, o verbo ao plural. Exemplos:
Um milhão de fiéis agruparam-se em procissão.
São gastos ainda um milhão de dólares por ano para a manutenção de cada Ciep.
Meio milhão de refugiados se aproximam da fronteira do Irã.
Meio milhão de pessoas foram às ruas para reverenciar os mártires da resistência.
Milhão, bilhão e milhar são substantivos masculinos. Por isso, devem
concordar no masculino os artigos, numerais e pronomes que os
precedem: os dois milhões de pessoas; os três milhares de plantas;
alguns milhares de telhas; esses bilhões de criaturas, etc.
Se o sujeito da oração for milhões, o particípio ou o adjetivo podem
concordar, no masculino, com milhões, ou, por atração, no feminino,
com o substantivo feminino plural: Dois milhões de sacas de soja estão
ali armazenados (ou armazenadas) no próximo ano. Foram colhidos
três milhões de sacas de trigo. Os dois milhões de árvores plantadas
estão altas e bonitas.
- Concordância com numerais fracionários: De regra, a concordância do verbo efetua-se com o
numerador. Exemplos:
“Mais ou menos um terço dos guerrilheiros ficou atocaiado perto...” (Autran Dourado)
“Um quinto dos bens cabe ao menino.” (José Gualda Dantas)
Dois terços da população vivem da agricultura.
Não nos parece, entretanto, incorreto usar o verbo no plural, quando o número fracionário, seguido de
substantivo no plural, tem o numerador 1, como nos exemplos:
Um terço das mortes violentas no campo acontecem no sul do Pará.
Um quinto dos homens eram de cor escura.
- Concordância com percentuais: O verbo deve concordar com o número expresso na porcentagem:
Só 1% dos eleitores se absteve de votar.
Só 2% dos eleitores se abstiveram de votar.
Foram destruídos 20% da mata.
“Cerca de 40% do território ficam abaixo de 200 metros.” (Antônio Hauaiss)
Em casos como o da última frase, a concordância efetua-se, pela lógica, no feminino (oitenta e duas
entre cem mulheres), ou, seguindo o uso geral, no masculino, por se considerar a porcentagem um
conjunto numérico invariável em gênero.
- Concordância com o pronome nós subentendido: O verbo concorda com o pronome
subentendido nós em frases do tipo:
Todos estávamos preocupados. (= Todos nós estávamos preocupados.)
Os dois vivíamos felizes. (=Nós dois vivíamos felizes.)
“Ficamos por aqui, insatisfeitos, os seus amigos.” (Carlos Drummond de Andrade)
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- Não restam senão ruínas: Em frases negativas em que senão equivale a mais que, a não ser, e
vem seguido de substantivo no plural, costuma-se usar o verbo no plural, fazendo-o concordar com o
sujeito oculto outras coisas. Exemplos:
Do antigo templo grego não restam senão ruínas. (Isto é: não restam outras coisas senão ruínas.)
Da velha casa não sobraram senão escombros.
“Para os lados do sul e poente, não se viam senão edifícios queimados.” (Alexandre Herculano)
“Por toda a parte não se ouviam senão gemidos ou clamores.” (Rebelo da Silva)
Segundo alguns autores, pode-se, em tais frases, efetuar a concordância do verbo no singular com o
sujeito subentendido nada:
Do antigo templo grego não resta senão ruínas. (Ou seja: não resta nada, senão ruínas.)
Ali não se via senão (ou mais que) escombros.
As duas interpretações são boas, mas só a primeira tem tradição na língua.
- Concordância com formas gramaticais: Palavras no plural com sentido gramatical e função de
sujeito exigem o verbo no singular:
“Elas” é um pronome pessoal. (= A palavra elas é um pronome pessoal.)
Na placa estava “veiculos”, sem acento.
“Contudo, mercadores não tem a força de vendilhões.” (Machado de Assis)
- Mais de, menos de: O verbo concorda com o substantivo que se segue a essas expressões:
Mais de cem pessoas perderam suas casas, na enchente.
Sobrou mais de uma cesta de pães.
Gastaram-se menos de dois galões de tinta.
Menos de dez homens fariam a colheita das uvas.
Questões
01. (Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM - 2012)
A concordância realizou-se adequadamente em qual alternativa?
(A) Os Estados Unidos é considerado, hoje, a maior potência econômica do planeta, mas há quem
aposte que a China, em breve, o ultrapassará.
(B) Em razão das fortes chuvas haverão muitos candidatos que chegarão atrasados, tenho certeza
disso.
(C) Naquela barraca vendem-se tapiocas fresquinhas, pode comê-las sem receio!
(D) A multidão gritaram quando a cantora apareceu na janela do hotel!
02. (PM-BA - Soldado da Polícia Militar - FCC/2012)
“Se os cachorros correm livremente, por que eu não posso fazer isso também?”, pergunta Bob Dylan
em “New Morning”. Bob Dylan verbaliza um anseio sentido por todos nós, humanos supersocializados: o
anseio de nos livrarmos de todos os constrangimentos artificiais decorrentes do fato de vivermos em uma
sociedade civilizada em que às vezes nos sentimos presos a uma correia. Um conjunto cultural de regras
tácitas e inibições está sempre governando as nossas interações cotidianas com os outros.
Uma das razões pelas quais os cachorros nos atraem é o fato de eles serem tão desinibidos e livres.
Parece que eles jogam com as suas próprias regras, com a sua própria lógica interna. Eles vivem em um
universo paralelo e diferente do nosso - um universo que lhes concede liberdade de espírito e paixão pela
vida enormemente atraentes para nós. Um cachorro latindo ao vento ou uivando durante a noite faz agitar-
se dentro de nós alguma coisa que também quer se expressar.
Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção as nossas
convenções sociais. Metem o nariz onde não são convidados, pulam para cima do sofá, devoram
alegremente a comida que cai da mesa. Os cachorros raramente se refreiam quando querem fazer
alguma coisa. Eles não compartilham conosco as nossas inibições. Suas emoções estão ã flor da pele e
eles as manifestam sempre que as sentem.
(Adaptado de Matt Weistein e Luke Barber. Cão que late não morde.
Trad. de Cristina Cupertino. S.Paulo: Francis, 2005. p 250)
A frase em que se respeitam as normas de concordância verbal é:
(A) Deve haver muitas razões pelas quais os cachorros nos atraem.
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(B) Várias razões haveriam pelas quais os cachorros nos atraem.
(C) Caberiam notar as muitas razões pelas quais os cachorros nos atraem.
(D) Há de ser diversas as razões pelas quais os cachorros nos atraem.
(E) Existe mesmo muitas razões pelas quais os cachorros nos atraem.
03. (TST - Analista Judiciário - Contabilidade - FCC/2012)
Uma pergunta
Frequentemente cabe aos detentores de cargos de responsabilidade tomar decisões difíceis, de
graves consequências. Haveria algum critério básico, essencial, para amparar tais escolhas? Antonio
Gramsci, notável pensador e político italiano, propôs que se pergunte, antes de tomar a decisão: - Quem
sofrerá?
Para um humanista, a dor humana é sempre prioridade a se considerar.
(Salvador Nicola, inédito)
O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no singular para preencher adequadamente a
lacuna da frase:
(A) A nenhuma de nossas escolhas ...... (poder) deixar de corresponder nossos valores éticos mais
rigorosos.
(B) Não se ...... (poupar) os que governam de refletir sobre o peso de suas mais graves decisões.
(C) Aos governantes mais responsáveis não ...... (ocorrer) tomar decisões sem medir suas
consequências.
(D) A toda decisão tomada precipitadamente ...... (costumar) sobrevir consequências imprevistas e
injustas.
(E) Diante de uma escolha, ...... (ganhar) prioridade, recomenda Gramsci, os critérios que levam em
conta a dor humana.
04. (TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Engenharia Elétrica - FCC/2012)
Em um belo artigo, o físico Marcelo Gleiser, analisando a constatação do satélite Kepler de que existem
muitos planetas com características físicas semelhantes ao nosso, reafirmou sua fé na hipótese da Terra
rara, isto é, a tese de que a vida complexa (animal) é um fenômeno não tão comum no Universo.
Gleiser retoma as ideias de Peter Ward expostas de modo persuasivo em "Terra Rara". Ali, o autor
sugere que a vida microbiana deve ser um fenômeno trivial, podendo pipocar até em mundos inóspitos;
já o surgimento de vida multicelular na Terra dependeu de muitas outras variáveis físicas e históricas, o
que, se não permite estimar o número de civilizações extra terráqueas, ao menos faz com que reduzamos
nossas expectativas.
Uma questão análoga só arranhada por Ward é a da inexorabilidade da inteligência. A evolução de
organismos complexos leva necessariamente à consciência e à inteligência?
Robert Wright diz que sim, mas seu argumento é mais matemático do que biológico: complexidade
engendra complexidade, levando a uma corrida armamentista entre espécies cujo subproduto é a
inteligência.
Stephen J. Gould e Steven Pinker apostam que não. Para eles, é apenas devido a uma sucessão de
pré-adaptações e coincidências que alguns animais transformaram a capacidade de resolver problemas
em estratégia de sobrevivência. Se rebobinássemos o filme da evolução e reencenássemos o processo
mudando alguns detalhes do início, seriam grandes as chances de não chegarmos a nada parecido com
a inteligência.
(Adaptado de Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 28/10/2012)
A frase em que as regras de concordância estão plenamente respeitadas é:
(A) Podem haver estudos que comprovem que, no passado, as formas mais complexas de vida - cujo
habitat eram oceanos ricos em nutrientes - se alimentavam por osmose.
(B) Cada um dos organismos simples que vivem na natureza sobrevivem de forma quase automática,
sem se valerem de criatividade e planejamento.
(C) Desde que observe cuidados básicos, como obter energia por meio de alimentos, os organismos
simples podem preservar a vida ao longo do tempo com relativa facilidade.
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(D) Alguns animais tem de se adaptar a um ambiente cheio de dificuldades para obter a energia
necessária a sua sobrevivência e nesse processo expõe- se a inúmeras ameaças.
(E) A maioria dos organismos mais complexos possui um sistema nervoso muito desenvolvido, capaz
de se adaptar a mudanças ambientais, como alterações na temperatura.
05. (PRODEST/ES – ASSISTENTE ORGANIZACIONAL – VUNESP/2014) De acordo com a norma-
padrão da língua portuguesa, a concordância verbal está correta em:
(A) Ela não pode usar o celular e chamar um taxista, pois acabou os créditos.
(B) Esta empresa mantêm contato com uma rede de táxis que executa diversos serviços para os
clientes.
(C) À porta do aeroporto, havia muitos táxis disponíveis para os passageiros que chegavam à cidade.
(D) Passou anos, mas a atriz não se esqueceu das calorosas lembranças que seu tio lhe deixou.
(E) Deve existir passageiros que aproveitam a corrida de táxi para bater um papo com o motorista.
06. (PREFEITURA DE JOÃO PESSOA/PB – AGENTE EDUCACIONAL – FGV/2014)
Analise a frase a seguir: “30% da população apoiam”.
Uma frase construída por uma porcentagem seguida de um partitivo tanto pode ter sua concordância
verbal realizada com a porcentagem quanto com o partitivo. A esse respeito, assinale a alternativa que
mostra uma concordância inaceitável.
(A) 1,4 dos uruguaios apoiam.
(B) 1,3 da população apoia.
(C) 2,2 da população apoiam.
(D) 3,3 dos uruguaios apoiam.
(E) 1,8 da população uruguaia apoiam.
07. (CPTM - Analista Administrativo Júnior - Makiyama/2012) Assinale a alternativa correta quanto
à concordância.
(A) Tratam-se de questões sociais.
(B) Vendeu-se todos os ingressos.
(C) Comentou-se as suas atitudes
(D) Necessita-se de colaboradores.
(E) Avaliou-se os riscos
08. Texto:
ONU pede ampliação de programas sociais do Brasil SÃO PAULO – Os programas adotados no
governo federal ainda não são suficientes para lidar com problemas de desigualdade, reforma agrária,
moradia, educação e trabalho escravo, informou ontem a Organização das Nações Unidas (ONU). Comitê
da entidade pelos direitos econômicos e sociais pede uma revisão do Bolsa-Família, uma maior eficiência
do programa e sua “universalização”. Por fim, constata: a cultura da violência e da impunidade reina no
País.
A ONU sugere que o Brasil amplie o Bolsa-Família para camadas da população que não recebem os
benefícios, incluindo os indígenas. E cobra a “revisão” dos mecanismos de acompanhamento do
programa para garantir acesso de todas as famílias pobres, aumentando ainda a renda distribuída.
Há duas semanas, o comitê sabatinou membros do governo em Genebra, na Suíça. O documento com
as sugestões é resultado da avaliação dos peritos do comitê que inclui o exame de dados passados pelo
governo e por cinco relatórios alternativos apresentados por organizações não-governamentais (ONGs).
Os peritos reconhecem os avanços no combate à pobreza, mas insistem que a injustiça social
prevalece. Um dos pontos considerados como críticos é a diferença de expectativa de vida e de pobreza
entre brancos e negros. A sugestão da ONU é que o governo tome medidas “mais focadas”. Na visão do
órgão, a exclusão é decorrente da alta proporção de pessoas sem qualquer forma de segurança social,
muitos por estarem no setor informal da economia.
(www.estadao.com.br/nacional/not_nac377078,0.htm. 26.05.2009. Adaptado)
Observe as frases:
I. Reina no País a violência e a impunidade.
II. Fazem duas semanas que o comitê da ONU sabatinou membros do governo em Genebra, na Suíça.
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III. De acordo com o relatório da ONU, cabe às autoridades brasileiras medidas mais austeras no
combate à pobreza.
IV. Não apenas a revisão dos mecanismos de acompanhamento do programa como também o
aumento da renda distribuída são cobrados pela ONU.
Quanto à concordância verbal, está correto apenas o contido em:
(A) I.
(B) IV.
(C) I e III.
(D) I e IV.
(E) II, III e IV.
Respostas
01. Resposta C
O verbo se flexiona para concordar com o seu sujeito, por isso alternativa C é a correta.
02. Resposta A
Quando acompanhado de verbo auxiliar, o verbo impessoal transmite ao auxiliar a sua
impessoalidade.
EX.: Deverá haver feiras de artesanato na praça.
Vai fazer cinco anos que te vi.
03. Resposta C
A questão diz respeito a concordância verbal, logo, nesse tipo de questão, deve-se achar o sujeito pra
analisar se o verbo vai pro plural ou não, dessa forma:
a) A nenhuma de nossas escolhas ...... (poder) deixar de corresponder nossos valores éticos mais
rigorosos.
Colocando na ordem direta: Nossos valores éticos PODEM deixar de corresponder a nenhuma de
nossas escolhas. (Sujeito no plural, verbo no plural!)
b) Não se ...... (poupar) os que governam de refletir sobre o peso de suas mais graves decisões.
Colocando na ordem direta: Não se POUPEM os que governam... (A sentença está na voz passiva,
tendo como sujeito paciente "Os que governam". Dessa forma, sujeito no plural, verbo no plural!!)
c) Aos governantes mais responsáveis não ...... (ocorrer) tomar decisões sem medir suas
consequências.
Colocando na ordem direta: Tomar decisões sem medir suas consequências não OCORRE aos
governantes mais responsáveis. (Sujeito oracional, verbo no singular! Aqui está o nosso gabarito!)
d) A toda decisão tomada precipitadamente ...... (costumar) sobrevir consequências imprevistas e
injustas.
Colocando na ordem direta: Consequências imprevistas e injustas COSTUMAM sobrevir a toda
decisão tomada precipitadamente. (Consequências imprevistas e injustas é o sujeito, portanto, sujeito no
plural, verbo no plural!)
e) Diante de uma escolha, ...... (ganhar) prioridade, recomenda Gramsci, os critérios que levam em
conta a dor humana.
Colocando na ordem direta: Os critérios que levam em conta a dor humana GANHAM prioridade, diante
de uma escolha, recomenda Gramsci. (Os critérios que levam em conta a dor humana é o sujeito,
portanto, sujeito no plural, verbo no plural!)
04. Resposta E
Segue alguns erros apontados:
a) Podem haver estudos que comprovem que, no passado, as formas mais complexas de vida - cujo
habitat eram oceanos ricos em nutrientes - se alimentavam por osmose. ERRADA. Isso porque o "haver"
está no sentido de existir e, portanto impessoal, transferindo a sua impessoalidade para o seu auxiliar.
b) Cada um dos organismos simples que vivem na natureza sobrevivem de forma quase automática,
sem se valerem de criatividade e planejamento. ERRADA. A expressão "Cada um" pede verbo no
singular, o correto seria VIVE
c) Desde que observe cuidados básicos, como obter energia por meio de alimentos, os organismos
simples podem preservar a vida ao longo do tempo com relativa facilidade. ERRADA. Eu acredito que
seja porque quem deve observar cuidados básicos são os organismos simples e portanto o verbo deveria
estar no plural: Desde que observem... É isso?
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d) Alguns animais tem de se adaptar a um ambiente cheio de dificuldades para obter a energia
necessária a sua sobrevivência e nesse processo expõe- se a inúmeras ameaças. ERRADO, o quê ou
quem tem de se adaptar? Alguns animais, portanto deveria ser: Alguns animais têm de se....
e) A maioria dos organismos mais complexos possui um sistema nervoso muito desenvolvido, capaz
de se adaptar a mudanças ambientais, como alterações na temperatura. CERTO. A expressão "a maioria"
seguida de substantivo no plural aceita tanto verbo no plural quanto no singular.
05. Resposta C
(A) Ela não pode usar o celular e chamar um taxista, pois acabou os créditos. = acabaram
(B) Esta empresa mantêm contato com uma rede de táxis que executa diversos serviços para os
clientes. = mantém (singular)
(C) À porta do aeroporto, havia muitos táxis disponíveis para os passageiros que chegavam à cidade.
= correta
(D) Passou anos (passaram-se), mas a atriz não se esqueceu das calorosas lembranças que seu tio
lhe deixou.
(E) Deve (devem) existir passageiros que aproveitam a corrida de táxi para bater um papo com o
motorista.
A mais recente pesquisa, elaborada pelo Instituto..., mostrou que 38%... A PESQUISA MOSTROU
(sujeito "pesquisa" concordando com verbo "mostrar"). Essa é a real justificativa.
06. Resposta E
(A) 1,4 dos uruguaios apoiam.
(B) 1,3 da população apoia.
(C) 2,2 da população apoiam.
(D) 3,3 dos uruguaios apoiam.
(E) 1,8 da população uruguaia apoiam. = apoia (tanto o numeral quanto o substantivo estão no singular)
07. Resposta D
Necessita-se de novos colaboradores
Está correto, pois o verbo necessitar é transitivo indireto seu sujeito é indeterminado e "de novos
colaboradores" é objeto indireto, o qual não concorda com o sujeito.
08. Resposta D
I – Quando o sujeito composto aparece posposto ao verbo, este pode concordar com o núcleo mais
próximo (no caso “violência”)
II – Na indicação de tempo decorrido, o verbo “fazer” é impessoal, devendo, pois, ser conjugado na 3º
pessoa do singular.
III – O verbo “caber” deve concordar com o núcleo do sujeito (medidas), sendo, então, conjugado na
3º pessoa do plural.
IV – A locução verbal foi flexionada para concordar com o sujeito composto, cujos núcleos são “revisão”
e “aumento”.
Regência Nominal e Verbal
Regência Nominal
Regência nominal é a relação de dependência que se estabelece entre o nome (substantivo, adjetivo
ou advérbio) e o termo por ele regido. Certos substantivos e adjetivos admitem mais de uma regência. Na
regência nominal o principal papel é desempenhado pela preposição.
No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vários nomes apresentam exatamente o
mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos,
conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo:
Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela
preposição "a".
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.
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Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem.
Observe-os atentamente e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo
cuja regência você conhece.
Acessível A Este cargo não é acessível a todos
Acesso
A
PARA
O acesso para a região ficou impossível
Acostumado
A
COM
Todos estavam acostumados a ouví-lo
Adaptado A Foi difícil adaptar-me a esse clima
Afável
COM
PARA COM
Tinha um jeito afável para com os turistas
Aflito
COM
POR
Ficaram aflitos com o resultado do teste
Agradável
A
DE
Sua saída não foi agradável à equipe
Alheio
A
DE
Estavam alheios às críticas
Aliado
A
COM
O rústico aliado com o moderno
Alusão A O professor fez alusão à prova final
Amor
A
POR
Ele demonstrava grande amor à namorada
Antipatia
A
POR
Sentia antipatia por ela
Apto
A
PARA
Estava apto para ocupar o cargo
Aversão
A
POR
Sempre tive aversão à política
Certeza
DE
EM
A certeza de encontrá-lo novamente a animou
Coerente COM O projeto está coerente com a proposta
Compatível COM Essa nova versão é compatível com meu aparelho
Equivalente A Um quilo equivale a mil gramas
Favorável A Sou favorável à sua candidatura
Gosto
DE
EM
Tenho muito gosto em participar desta brincadeira
Grato A Grata a todos que me ensinaram a ensinar
Horror
A
DE
Tinha horror a quiabo refogado
Necessárío
A
PARA
A medida foi necessária para acabar com tanta dúvida
Passível DE As regras são passíveis de mudanças
Preferível A Tudo era preferível à sua queixa
Próximo
A
DE
Os vencedores estavam próximos dos fãs
Residente EM Eles residem em minha cidade
Respeito
A
COM
DE
ENTRE
É necessário o respeito às leis
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PARA COM
POR
Satisfeito
COM
DE
EM
POR
Ficaram satisfeitos com o desempenho do jogador
Semelhante A Essa questão é semelhante à outra
Sensível A
Pessoas que sofrem com insônia podem ser mais
sensíveis à dor
Situado EM Minha casa está situada na Avenida Internacional
Suspeito DE O suspeito do furto foi preso
Útil
A
PARA
Esse livro é útil para os estudos
Vazio DE Minha vida está vazia de sonhos
Questões
01. (AEB - CETRO- Assistente em C&T 3-I - Apoio Administrativo / 2014) Assinale a alternativa
em que a preposição “a” não deva ser empregada, de acordo com a regência nominal.
(A) A confiança é necessária ____ qualquer relacionamento.
(B) Os pais de Pâmela estão alheios ____ qualquer decisão.
(C) Sirlene tem horror ____ aves.
(D) O diretor está ávido ____ melhores metas.
(E) É inegável que a tecnologia ficou acessível ____ toda população.
02. Quanto a amigos, prefiro João.....Paulo,.....quem sinto......simpatia.
(A) a, por, menos
(B) do que, por, menos
(C) a, para, menos
(D) do que, com, menos
(E) do que, para, menos
03. Assinale a opção em que todos adjetivos podem ser seguidos pela mesma preposição:
(A) ávido, bom, inconsequente
(B) indigno, odioso, perito
(C) leal, limpo, oneroso
(D) orgulhoso, rico, sedento
(E) oposto, pálido, sábio
04. "As mulheres da noite,......o poeta faz alusão a colorir Aracaju,........coração bate de noite, no
silêncio". A opção que completa corretamente as lacunas da frase acima é:
(A) as quais, de cujo
(B) a que, no qual
(C) de que, o qual
(D) às quais, cujo
(E) que, em cujo
05. (Prefeitura de Ibitinga SP - CONSESP-Escriturário / 2012) Com relação à Regência Nominal,
indique a alternativa em que esta foi corretamente empregada.
(A) A colocação de cartazes na rua foi proibida.
(B) É bom aspirar ao ar puro do campo.
(C) Ele foi na Grécia.
(D) Obedeço o Código de Trânsito.
06. Assinale a alternativa que contém as respostas corretas.
I. Visando apenas os seus próprios interesses, ele, involuntariamente, prejudicou toda uma família.
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II. Como era orgulhoso, preferiu declarar falida a firma a aceitar qualquer ajuda do sogro.
III. Desde criança sempre aspirava a uma posição de destaque, embora fosse tão humilde.
IV. Aspirando o perfume das centenas de flores que enfeitavam a sala, desmaiou.
(A) II, III, IV
(B) I, II, III
(C) I, III, IV
(D) I, III
(E) I, II
07. Assinale o item em que há erro quanto à regência:
(A) São essas as atitudes de que discordo.
(B) Há muito já lhe perdoei.
(C) Ele foi acusadso por roubar aquela maleta.
(D) Costumo obedecer a preceitos éticos.
(E) A enfermeira assistiu irrepreensivelmente o doente.
08. Dentre as frases abaixo, uma apenas apresenta a regência nominal correta. Assinale-a:
(A) Ele não é digno a ser seu amigo.
(B) Baseado laudos médicos, concedeu-lhe a licença.
(C) A atitude do Juiz é isenta de qualquer restrição.
(D) Ele se diz especialista para com computadores eletrônicos.
(E) A equipe foi favorável por sua candidatura.
09. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) Assinale a alternativa em
que o período, adaptado da revista Pesquisa Fapesp de junho de 2012, está correto quanto à regência
nominal e à pontuação.
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente, seu espaço na carreira científica ainda que
o avanço seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em outros.
(B) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente, seu espaço na carreira científica, ainda que,
o avanço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em outros.
(C) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam rapidamente seu espaço na carreira científica; ainda
que o avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um exemplo!, do que em outros.
(D) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam rapidamente seu espaço, na carreira científica, ainda
que o avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um exemplo, do que em outros.
(E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapidamente seu espaço na carreira científica, ainda
que o avanço seja mais notável em alguns países – o Brasil é um exemplo – do que em outros.
Respostas
01. Resposta D
Correção: O diretor está ávido DE melhores metas.
02. Resposta A
O verbo preferir é acompanhado pela preposição “A”.
03. Resposta D
Orgulhoso por
Rico por
Sedento por
04. Resposta D
“Às quais” retoma o termo “as mulheres”.
“Cujo” – pronome utilizado no sentido de posse, fazendo referência ao termo antecedente e ao
substantivo subsequente.
05. Resposta A
Alternativa B: Aspirar, sentido de inalar, sem preposição – aspirar o ar
Alternativa C: Ir a algum lugar
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AAlternativa D: Obedecer a algo / obedecer a alguém
06. Resposta A
Frase incorreta: I. Visando apenas os seus próprios interesses, ele, involuntariamente, prejudicou toda
uma família.
Correção: I. Visando apenas Aos seus próprios interesses, ele, involuntariamente, prejudicou toda uma
família.
07. Resposta C
Correção: Ele foi acusado de roubar aquela maleta.
08. Resposta C
Alternativa A: digno DE
Alternativa B: baseado EM/SOBRE
Alternativa D: especialista EM
Alternativa E: favorável A
09. Resposta E
Quem tem dúvida, tem dúvida "DE" alguma coisa (já elimina a alternativa A e B) as mulheres
ampliam.
Não se separa o sujeito do verbo (elimina a alternativa C e D). Só sobra alternativa E.
Regência Verbal
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os verbos e os termos que os
complementam (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais). O estudo da
regência verbal permite-nos ampliar nossa capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de
conhecermos as diversas significações que um verbo pode assumir com a simples mudança ou retirada
de uma preposição.
A mãe agrada o filho. (agradar significa acariciar, contentar)
A mãe agrada ao filho. (agradar significa "causar agrado ou prazer", satisfazer)
Logo, conclui-se que "agradar alguém" é diferente de "agradar a alguém".
O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos aspectos fundamentais do estudo da
regência verbal (e também nominal). As preposições são capazes de modificar completamente o sentido
do que se está sendo dito.
Cheguei ao metrô.
Cheguei no metrô.
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo caso, é o meio de transporte por mim
utilizado. A oração "Cheguei no metrô", popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se vai, possui,
no padrão culto da língua, sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem divergências entre a regência
coloquial, cotidiana de alguns verbos, e a regência culta.
Abdicar: renunciar ao poder, a um cargo, título desistir. Pode ser intransitivo (VI - não exige
complemento) / transitivo direto (TD) ou transitivo indireto (TI + preposição): D. Pedro abdicou em 1831.
(VI); A vencedora abdicou o seu direto de rainha. (VTD); Nunca abdicarei de meus direitos. (VTI)
Abraçar: emprega-se sem preposição no sentido de apertar nos braços: A mãe abraçou-a com
ternura. (VTD); Abraçou-se a mim, chorando. (VTI)
Agradar: emprega-se com preposição no sentido de contentar, satisfazer.(VTI): A banda Legião
Urbana agrada aos jovens. (VTI); Emprega-se sem preposição no sentido de acariciar, mimar: Márcio
agradou a esposa com um lindo presente. (VTD)
Ajudar: emprega-se sem preposição; objeto direto de pessoa: Eu ajudava-a no serviço de casa. (VTD)
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Aludir: (=fazer alusão, referir-se a alguém), emprega-se com preposição: Na conversa aludiu
vagamente ao seu novo projeto. (VTI)
Ansiar: emprega-se sem preposição no sentido de causar mal-estar, angustiar: A emoção
ansiava-me. (VTD); Emprega-se com preposição no sentido de desejar ardentemente por: Ansiava por
vê-lo novamente. (VTI)
Aspirar: emprega-se sem preposição no sentido de respirar, cheirar: Aspiramos um ar excelente, no
campo. (VTD) Emprega-se com preposição no sentido de querer muito, ter por objetivo: Gincizinho
aspira ao cargo de diretor da Penitenciária. (VTI)
Assistir: emprega-se com preposição no sentido de ver, presenciar: Todos assistíamos à novela
Almas Gêmeas. (VTI) Nesse caso, o verbo não aceita o pronome lhe, mas apenas os pronomes pessoais
retos + preposição: O filme é ótimo. Todos querem assistir a ele. (VTI). Emprega-se sem / com preposição
no sentido de socorrer, ajudar: A professora sempre assiste os alunos com carinho. (VTD); A professora
sempre assiste aos alunos com carinho. (VTI). Emprega-se com preposição no sentido de caber, ter
direito ou razão: O direito de se defender assiste a todos. (VTI). No sentido de morar, residir é intransitivo
e exige a preposição em: Assiste em Manaus por muito tempo. (VI).
Atender: empregado sem preposição no sentido de receber alguém com atenção: O médico atendeu
o cliente pacientemente. (VTD). No sentido de ouvir, conceder: Deus atendeu minhas preces. (VTD);
Atenderemos quaisquer pedido via internet. Emprega-se com preposição no sentido de dar atenção a
alguém: Lamento não poder atender à solicitação de recursos. (VTI). Emprega-se com preposição no
sentido de ouvir com atenção o que alguém diz: Atenda ao telefone, por favor; Atenda o telefone.
(preferência brasileira).
Avisar: avisar alguém de alguma coisa: O chefe avisou os funcionários de que os documentos
estavam prontos. (VTD); Avisaremos os clientes da mudança de endereço. (VTD). Já tem tradição na
língua o uso de avisar como OI de pessoa e OD de coisa; Avisamos aos clientes que vamos atendê-los
em novo endereço.
Bater: emprega-se com preposição no sentido de dar pancadas em alguém: Os irmãos batiam nele
(ou batiam-lhe) à toa; Nervoso, entrou em casa e bateu a porta; (fechou com força); Foi logo batendo à
porta; (bater junto à porta, para alguém abrir); Para que ele pudesse ouvir, era preciso bater na porta de
seu quarto; (dar pancadas).
Casar: Marina casou cedo e pobre. (VI não exige complemento). Você é realmente digno de casar
com minha filha. (VTI com preposição). Ela casou antes dos vinte anos. (VTD sem preposição). O verbo
casar pode vir acompanhado de pronome reflexivo: Ela casou com o seu grande amor; ou Ela casou-se
com seu grande amor.
Chamar: emprega-se sem preposição no sentido de convocar; O juiz chamou o réu à sua presença.
(VTD). Emprega-se com ou sem preposição no sentido de denominar, apelidar, construido com objeto
+ predicativo: Chamou-o covarde. (VTD) / Chamou-o de covarde. (VID); Chamou-lhe covarde. (VTI) /
Chamou-lhe de covarde. (VTI); Chamava por Deus nos momentos dificeis. (VTI).
Chegar: o verbo chegar exige a preposição a quando indica lugar: Chegou ao aeroporto meio
apressada. Como transitivo direto (VTD) e intransitivo (VI) no sentido de aproximar; Cheguei-me a ele.
Contentar-se: emprega-se com as preposições com, de, em: Contentam-se com migalhas. (VTI);
Contento-me em aplaudir daqui.
Custar: é transitivo direto no sentido de ter valor de, ser caro. Este computador custa muito caro.
(VTD). No sentido de ser difícil é TI. É conjugado como verbo reflexivo, na 3ª pessoa do singular, e seu
sujeito é uma oração reduzida de infinitivo: Custou-me pegar um táxi; O carro custou-me todas as
economias. É transitivo direto e indireto (TDI) no sentido de acarretar: A imprudência custou-lhe lágrimas
amargas. (VTDI).
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Ensinar: é intransitivo no sentido de doutrinar, pregar: Minha mãe ensina na FAI. (VTI). É transitivo
direto no sentido de educar: Nem todos ensinam as crianças. (VTD). É transitivo direto e indireto no
sentido de dar ínstrução sobre: Ensino os exercícios mais dificeis aos meus alunos. (VTDI).
Entreter: empregado como divertir-se exige as preposições: a, com, em: Entretínhamo-nos em
recordar o passado.
Esquecer / Lembrar: estes verbos admitem as construções: Esqueci o endereço dele; Lembrei um
caso interessante; Esqueci-me do endereço dele; Lembrei-me de um caso interessante. Esqueceu- me
seu endereço; Lembra-me um caso interessante. Você pode observar que no 1º exemplo tanto o verbo
esquecer como lembrar, não são pronominais, isto é, não exigem os pronomes me, se, lhe, são transitivos
diretos (TD). Nos outros exemplos, ambos os verbos, esquecer e lembrar, exigem o pronome e a
preposição de; são transitivos indiretos e pronominais. No exemplo o verbo esquecer está empregado
no sentido de apagar da memória e o verbo lembrar está empregado no sentido de vir à memória. Na
língua culta, os verbos esquecer e lembrar quando usados com a preposição de, exigem os pronomes.
Implicar: emprega-se com preposição no sentido de ter implicância com alguém: Nunca implico
com meus alunos. (VTI). Emprega-se sem preposição no sentido de acarretar, envolver: A queda do
dólar implica corrida ao over. (VTD); O desestímulo ao álcool combustível implica uma volta ao passado.
(VTD). Emprega-se sem preposição no sentido de embaraçar, comprometer: O vizinho implicou-o
naquele caso de estupro. (VTD). É inadequada a regência do verbo implicar em: - Implicou em confusão.
Informar: o verbo informar possui duas construções, VTD e VTI: Informei-o que sua aposentaria saiu.
(VTD); Informei-lhe que sua aposentaria saiu. (VTI); Informou-se das mudanças logo cedo. (inteirar-se,
verbo pronominal)
Investir: emprega-se com preposição (com ou contra) no sentido de atacar, é TI: O touro Bandido
investiu contra Tião. Empregado como verbo transitivo direto e índireto, no sentido de dar posse: O
prefeito investiu Renata no cargo de assessora. (VTDI). Emprega-se sem preposição no sentido também
de empregar dinheiro, é TD: Nós investimos parte dos lucros em pesquisas científicas. (VTD).
Morar: antes de substantivo rua, avenida, usa-se morar com a preposição em: D. Marina Falcão mora
na Rua Dorival de Barros.
Namorar: a regência correta deste verbo é namorar alguém e NÃO namorar com alguém: Meu filho,
Paulo César, namora Cristiane. Marcelo namora Raquel.
Necessitar: emprega-se com verbo transitivo direto ou indireto, no sentido de precisar:
Necessitávamos o seu apoio; Necessitávamos de seu apoio. (VTDI).
Obedecer / Desobedecer: emprega-se com verbo transitivo direto e indireto no sentido de cumprir
ordens: Obedecia às irmãs e irmãos; Não desobedecia às leis de trânsito.
Pagar: emprega-se sem preposição no sentido de saldar coisa, é VTI: Cida pagou o pão; Paguei a
costura. Emprega-se com preposição no sentido de remunerar pessoa, é VTI: Cida pagou ao padeiro;
Paguei à costureira. Emprega-se como verbo transitivo direto e indireto, pagar alguma coisa a alguém:
Cida pagou a carne ao açougueiro. Por alguma coisa: Quanto pagou pelo carro? Sem complemento:
Assistiu aos jogos sem pagar.
Pedir: somente se usa pedir para, quando, entre pedir e o para, puder colocar a palavra licença.
Caso contrário, díz-se pedir que; A secretária pediu para sair mais cedo. (pediu licença); A direção pediu
que todos os funcionários comparecessem à reunião.
Perdoar: emprega-se sem preposição no sentido de perdoar coisa, é TD: Devemos perdoar as
ofensas. (VTD). Emprega-se com preposição no sentido de conceder o perdão à pessoa, é TI: Perdoemos
aos nossos inimigos. (VTI). Emprega-se como verbo transitivo direto e indireto no sentido de ter
necessidade: A mãe perdoou ao filho a mentira. (VTDI). Admite voz passiva: Todos serão perdoados
pelos pais.
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Permitir: empregado com preposição, exige objeto indireto de pessoa: O médico permitiu ao paciente
que falasse. (VTI). Constrói-se com o pronome lhe e não o: O assistente permitiu-lhe que entrasse. Não
se usa a preposição de antes de oração infinitiva: Os pais não lhe permite ir sozinha à festa do Peão. (e
não de ir sozinha).
Pisar: é verbo transitivo direto VTD: Tinha pisado o continente brasileiro. (não exige a preposição no).
Precisar: emprega-se com preposição no sentido de ter necessidade, é VTI: As crianças carentes
precisam de melhor atendimento médico. (VTI). Quando o verbo precisar vier acompanhado de
infinítivo, pode-se usar a preposição de; a língua moderna tende a dispensá-la: Você é rico, não precisa
trabalhar muito. Usa-se, às vezes na voz passiva, com sujeito indeterminado: Precisa-se de funcionários
competentes. (sujeito indeterminado). Emprega-se sem preposição no sentido de indicar com exatidão:
Perdeu muito dinheiro no jogo, mas não sabe precisar a quantia. (VTD).
Preferir: emprega-se sem preposição no sentido de ter preferência. (sem escolha): Prefiro dias mais
quentes. (VTD). Preferir - VTDI, no sentido de ter preferência, exige a preposição a: Prefiro dançar a
nadar; Prefiro chocolate a doce de leite. Na linguagem formal, culta, é inadequado usar este verbo
reforçado pelas palavras ou expressões: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, do que.
Presidir: emprega-se com objeto direto ou objeto indireto, com a preposição a: O reitor presidiu à
sessão; O reitor presidiu a sessão.
Prevenir: admite as construções: - A paciência previne dissabores; Preveni minha turma; Quero
preveni-los; Prevenimo-nos para o exame final.
Proceder: emprega-se como verbo intransitivo no sentido de ter fundamento: Sua tese não procede.
(VI). Emprega-se com a preposição de no sentido de originar-se, vir de: Muitos males da humanidade
procedem da falta de respeito ao próximo. Emprega-se como transitivo indireto com a preposição a, no
sentido de dar início: Procederemos a uma investigação rigorosa. (VTI)
Querer: emprega-se sem preposição no sentido de desejar: Quero vê-lo ainda hoje. (VTD).
Emprega-se com preposição no sentido de gostar, ter afeto, amar: Quero muito bem às minhas
cunhadas Vera e Ceiça.
Residir: como o verbo morar, o verbo responder, constrói-se com a preposição em: Residimos em
Lucélia, na Avenida Internacional. Residente e residência têm a mesma regencia de residir em.
Responder: emprega-se no sentido de responder alguma coisa a alguém: O senador respondeu ao
jornalista que o projeto do rio São Francisco estava no final. (VTDI). Emprega-se no sentido de responder
a uma carta, a uma pergunta: Enrolou, enrolou e não respondeu à pergunta do professor.
Reverter: emprega-se no sentido de regressar, voltar ao estado primitivo: Depois de aposentar-se
reverteu à ativa. Emprega-se no sentido de voltar para a posse de alguém: As jóias reverterão ao seu
verdadeiro dono. Emprega-se no sentido de destinar-se: A renda da festa será revertida em beneficio da
Casa da Sopa.
Simpatizar / Antipatizar: empregam-se com a preposição com: Sempre simpatizei com pessoas
negras; Antipatizei com ela desde o primeiro momento. Estes verbos não são pronominais, isto é, não
exigem os pronomes me, se, nos, etc: Simpatizei-me com você. (inadequado); Simpatizei com você.
(adequado)
Subir: Subiu ao céu; Subir à cabeça; Subir ao trono; Subir ao poder. Essas expressões exigem a
preposição a.
Suceder: emprega-se com a preposição a no sentido de substituir, vir depois: O descanso sucede
ao trabalho.
Tocar: emprega-se no sentido de pôr a mão, tocar alguém, tocar em alguém: Não deixava tocar o
/ no gato doente. Emprega-se no sentido de comover, sensibilizar, usa-se com OD: O nascimento do
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filho tocou-o profundamente. Emprega-se no sentido de caber por sorte, herança, é OI: Tocou-lhe, por
herança, uma linda fazenda. Emprega-se no sentido de ser da competência de, caber: Ao prefeito é
que toca deferir ou indeferir o projeto.
Visar: emprega-se sem preposição, como VTD, no sentido de apontar ou pôr visto: O garoto visou
o inocente passarinho; O gerente visou a correspondência. Emprega-se com preposição, como VTI, no
sentido de desejar, pretender: Todos visam ao reconhecimento de seus esforços.
Casos Especiais
Dar-se ao trabalho ou dar-se o trabalho? Ambas as construções são corretas. A primeira é mais aceita:
Dava-se ao trabalho de responder tudo em Inglês. O mesmo se dá com: dar-se ao / o incômodo; poupar-
se ao /o trabalho; dar-se ao /o luxo.
Propor-se alguma coisa ou propor-se a alguma coisa? Propor-se, no sentido de ter em vista,
dispor-se a, pode vir com ou sem a preposição a: Ela se propôs levá-lo/ a levá-lo ao circo.
Passar revista a ou passar em revista? Ambas estão corretas, porém a segunda construção é mais
frequente: O presidente passou a tropa em revista.
Em que pese a - expressão concessiva equivalendo a ainda que custe a, apesar de, não obstante:
“Em que pese aos inimigos do paraense, sinceramente confesso que o admiro.” (Graciliano Ramos)
Observações Finais
Os verbos transitivos indiretos (exceção ao verbo obedecer), não admitem voz passiva. Os exemplos
citados abaixo são considerados inadequados.
O filme foi assistido pelos estudantes; O cargo era visado por todos; Os estudantes assistiram ao
filme; Todos visavam ao cargo.
Não se deve dar o mesmo complemento a verbos de regências diferentes, como: Entrou e saiu de
casa; Assisti e gostei da peça. Corrija-se para: Entrou na casa e saiu dela; Assisti à peça e gostei
dela.
As formas oblíquas o, a, os, as funcionam como complemento de verbos transitivos diretos, enquanto
as formas lhe, lhes funcionam como transitivos indiretos que exigem a preposição a. Convidei as amigas.
Convidei-as; Obedeço ao mestre. Obedeço- lhe.
Questões
01. (IFC - Auxiliar Administrativo - IFC). Todas as alternativas estão corretas quanto ao emprego
correto da regência do verbo, EXCETO:
(A) Faço entrega em domicílio.
(B) Eles assistem o espetáculo.
(C) João gosta de frutas.
(D) Ana reside em São Paulo.
(E) Pedro aspira ao cargo de chefe.
02. Assinale a opção em que o verbo chamar é empregado com o mesmo sentido que
apresenta em __ “No dia em que o chamaram de Ubirajara, Quaresma ficou reservado, taciturno e mudo”:
(A) pelos seus feitos, chamaram-lhe o salvador da pátria;
(B) bateram à porta, chamando Rodrigo;
(C) naquele momento difícil, chamou por Deus e pelo Diabo;
(D) o chefe chamou-os para um diálogo franco;
(E) mandou chamar o médico com urgência.
03. (Consórcio Intermunicipal Grande ABC -CAIP-IMES -Procurador / 2015) A regência verbal está
correta na alternativa:
(A) Ela quer namorar com o meu irmão.
(B) Perdi a hora da entrevista porque fui à pé.
(C) Não pude fazer a prova do concurso porque era de menor.
(D) É preferível ir a pé a ir de carro.
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04. Em todas as alternativas, o verbo grifado foi empregado com regência certa, exceto em:
(A) a vista de José Dias lembrou-me o que ele me dissera.
(B) estou deserto e noite, e aspiro sociedade e luz.
(C) custa-me dizer isto, mas antes peque por excesso;
(D) redobrou de intensidade, como se obedecesse a voz do mágico;
(E) quando ela morresse, eu lhe perdoaria os defeitos.
05. (UFES – UFES - Engenheiro Civil / 2015) A regência verbal está INCORRETA em:
(A) Proibiram-no de fumar.
(B) Ana comunicou sua mudança aos parentes mais íntimos.
(C) Prefiro Português a Matemática.
(D) A professora esqueceu da chave de sua casa no carro da amiga.
(E) O jovem aspira à carreira militar.
06. A regência verbal está correta em:
(A) A funcionária aspirava ao cargo de chefia.
(B) Custo a crer que ela ainda volte.
(C) Sua atitude implicará em demissão
(D) Prefiro mais trabalhar que estudar.
07. (Prefeitura de Carlos Barbosa RS – OBJETIVA – Agente Administrativo / 2015) Assinalar a
alternativa em que a regência verbal está INCORRETA:
(A) A prefeitura ainda atendia naquele período outras 16 crianças de cidades da região.
(B) Eles contrataram moradores da região, e nós oferecemos a escola para os filhos destes
funcionários.
(C) A prefeitura decidiu ampliar ainda mais a oferta de vagas comprando e restaurando o antigo prédio
do hospital.
(D) A menina aprendeu à mexer no teclado brincando em casa e aperfeiçoou à técnica na escola.
08. (TRE RS – CONSULPLAN – Analista Judiciário - Administrativa) Assinale a alternativa em que
a regência verbal é INCORRETA:
(A) Os colegas de Antônio implicam com o seu jeito de andar.
(B) José prefere vinho a cerveja.
(C) O policial visou toda a documentação do motorista.
(D) Ela sempre se levanta cedo para aspirar o ar da manhã.
(E) Um advogado assistiu ao motorista que atropelou aquele rapaz.
Respostas
01. Resposta B
A frase correta seria “Eles assistem ao espetáculo”
O verbo “assistir” causa dúvidas porque pode ser transitivo direto ou indireto. No primeiro caso não
admitirá preposição, já no segundo sim. Portanto, quando a pergunta (a quê?) for feita ao verbo, este será
transitivo indireto e quando o complemento do verbo vir de forma direta, será transitivo direto.
Veja:
a) A enfermeira assistiu o paciente. (Assistiu quem? O paciente! Ou seja, a pergunta é respondida
diretamente, sem intermediários, sem preposição)
b) João assistiu ao programa do Jô! (Assistiu a quê? Ao programa! Logo, preposição a + artigo o)
02. Resposta A
No trecho citado no enunciado da questão o verbo “chamar” foi empregado com o sentido de “apelidar
/ intitular”. O mesmo sentido do verbo foi empregado na alternativa A.
03. Resposta D
Correções:
Alternativa: Ela quer namorar o meu irmão.
Alternativa B: Perdi a hora da entrevista porque fui a pé . Não se usa crase pelo fato de pé ser palavra
masculina, e então o ‘a’ fica sendo somente preposição, sem artigo.
Alternativa C: Não pude fazer a prova do concurso porque era menor de idade.
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04. Resposta B
O verbo “apirar” é utilizado no sentido de “querer / ter por objetivo”, assim, ele precisa ser procedido
pela preposição “A”.
05. Resposta D
Regência dos verbos: ESQUECER – LEMBRAR
- Lembrar algo – esquecer algo
- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)
No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja exigem complemento sem preposição.
06. Resposta A
O verbo “aspirar” com o sentido de almejar é transitivo indireto e pede a preposição “A”.
Correções:
Custa-me crer; implicará demissão; prefiro trabalhar a estudar.
07. Resposta D
Não se deve usar crase antes de verbos no infinitivo.
08. Resposta E
O verbo “assistir” no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer: usa-se sem preposição.
Colocação dos Pronomes Oblíquos Átonos
Um dos aspectos da harmonia da frase refere-se à colocação dos pronomes oblíquos átonos. Tais
pronomes situam-se em três posições:
- Antes do verbo (próclise): Não te conheço.
- No meio do verbo (mesóclise): Avisar-te-ei.
- Depois do verbo (ênclise): Sente-se, por favor.
Próclise
Por atração: usa-se a próclise quando o verbo vem precedido das seguintes partículas atrativas:
- Palavras ou expressões negativas: Não te afastes de mim.
- Advérbios: Agora se negam a depor. Se houver pausa (na escrita, vírgula) entre o advérbio e o verbo,
usa-se a ênclise: Agora, negam-se a depor.
- Pronomes Relativos: Apresentaram-se duas pessoas que se identificaram com rapidez.
- Pronomes Indefinidos: Poucos se negaram ao trabalho.
- Conjunções subordinativas: Soube que me dariam a autorização solicitada.
Com certas frases: há casos em que a próclise é motivada pelo próprio tipo de frase em que se
localiza o pronome.
- Frases Interrogativas: Quem se atreveria a isso?
- Frases Exclamativas: Quanto te arriscas com esse procedimento!
- Frases Optativas (exprimem desejo): Deus nos proteja. Se, nas frases optativas, o sujeito vem depois
do verbo, usa-se a ênclise: Proteja-nos Deus.
Com certos verbos: a próclise pode ser motivada também pela forma verbal a que se prende o
pronome.
- Com o gerúndio precedido de preposição ou de negação: Em se ausentando, complicou-se; Não se
satisfazendo com os resultados, mudou de método.
- Com o infinito pessoal precedido de preposição: Por se acharem infalíveis, caíram no ridículo.
Mesóclise
Usa-se a mesóclise tão somente com duas formas verbais, o futuro do presente e o futuro do pretérito,
assim quando não vierem precedidos de palavras atrativas. Exemplos:
Confrontar-se-ão os resultados.
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Confrontar-se-iam os resultados.
Mas:
Não se confrontarão os resultados.
Não se confrontariam os resultados.
Não se usa a ênclise com o futuro do presente ou com o futuro do pretérito sob hipótese alguma. Será
contrária à norma culta escrita, portanto, uma colocação do tipo:
Diria-se que as coisas melhoraram. (errado)
Dir-se-ia que as coisas melhoraram. (correto)
Ênclise
Usa-se a ênclise nos seguintes casos:
- Imperativo Afirmativo: Prezado amigo, informe-se de seus compromissos.
- Gerúndio não precedido da preposição “em” ou de partícula negativa: Falando-se de comércio
exterior, progredimos muito.
Mas
Em se plantando no Brasil, tudo dá.
Não se falando em futebol, ninguém briga.
Ninguém me provocando, fico em paz.
- Infinitivo Impessoal: Não era minha intenção magoar-te. Se o infinitivo vier precedido de palavra
atrativa, ocorre tanto a próclise quanto a ênclise.
Espero com isto não te magoar.
Espero com isto não magoar-te.
- No início de frases ou depois de pausa: Vão-se os anéis, ficam os dedos. Decorre daí a afirmação
de que, na variante culta escrita, não se inicia frase com pronome oblíquo átono. Causou-me surpresa a
tua reação.
O Pronome Oblíquo Átono nas Locuções Verbais
- Com palavras atrativas: quando a locução vem precedida de palavra atrativa, o pronome se coloca
antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Exemplo: Nunca te posso negar isso; Nunca posso
negar-te isso. É possível, nesses casos, o uso da próclise antes do verbo principal. Nesse caso, o
pronome não se liga por hífen ao verbo auxiliar: Nunca posso te negar isso.
- No início da oração ou depois de pausa: quando a locução se situa no início da oração, não se
usa o pronome antes do verbo auxiliar. Exemplo: Posso-lhe dar garantia total; Posso dar-lhe garantia
total. A mesma norma é válida para os casos em que a locução verbal vem precedida de pausa. Exemplo:
Em dias de lua cheia, pode-se ver a estrada mesmo com faróis apagados; Em dias de lua cheia, pode
ver-se a estrada mesmo com os faróis apagados.
- Sem atração nem pausa: quando a locução verbal não vem precedida de palavra atrativa nem de
pausa, admite-se qualquer colocação do pronome.
Exemplos:
A vida lhe pode trazer surpresas.
A vida pode-lhe trazer surpresas.
A vida pode trazer-lhe surpresas.
Observações
- Quando o verbo auxiliar de uma locução verbal estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito,
o pronome pode vir em mesóclise em relação a ele: Ter-nos-ia aconselhado a partir.
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- Nas locuções verbais, jamais se usa pronome oblíquo átono depois do particípio. Não o haviam
convidado. (correto); Não haviam convidado-o. (errado).
- Há uma colocação pronominal, restrita a contextos literários, que deve ser conhecida: Há males que
se não curam com remédios. Quando há duas partículas atraindo o pronome oblíquo átono, este pode
vir entre elas. Poderíamos dizer também: Há males que não se curam com remédios.
- Os pronomes oblíquos átonos combinam-se entre si em casos como estes:
me + o/a = mo/ma
te + o/a = to/ta
lhe + o/a = lho/lha
nos + o/a = no-lo/no-la
vos + o/a = vo-lo/vo-la
Tais combinações podem vir:
- Proclítica: Eu não vo-lo disse?
- Mesoclítica: Dir-vo-lo-ei já.
- Enclítica: A correspondência, entregaram-lha há muito tempo.
Segundo a norma culta, a regra é a ênclise, ou seja, o pronome após o verbo. Isso tem origem em
Portugal, onde essa colocação é mais comum. No Brasil, o uso da próclise é mais frequente, por
apresentar maior informalidade. Mas, como devemos abordar os aspectos formais da língua, a regra será
ênclise, usando próclise em situações excepcionais, que são:
- Palavras invariáveis (advérbios, alguns pronomes, conjunção) atraem o pronome. Por “palavras
invariáveis”, entendemos os advérbios, as conjunções, alguns pronomes que não se flexionam, como
o pronome relativo que, os pronomes indefinidos quanto/como, os pronomes demonstrativos isso,
aquilo, isto. Exemplos: “Ele não se encontrou com a namorada.” – próclise obrigatória por força do
advérbio de negação. “Quando se encontra com a namorada, ele fica muito feliz.” – próclise obrigatória
por força da conjunção;
- Orações exclamativas (“Vou te matar!”) ou que expressam desejo, chamadas de optativas (“Que
Deus o abençoe!”) – próclise obrigatória.
- Orações subordinadas – (“... e é por isso que nele se acentua o pensador político” – uma oração
subordinada causal, como a da questão, exige a próclise.).
Emprego Proibido:
- Iniciar período com pronome (a forma correta é: Dá-me um copo d’água; Permita-me fazer uma
observação.);
- Após verbo no particípio, no futuro do presente e no futuro do pretérito. Com essas formas verbais,
usa-se a próclise (desde que não caia na proibição acima), modifica-se a estrutura (troca o “me” por “a
mim”) ou, no caso dos futuros, emprega-se o pronome em mesóclise. Exemplos: “Concedida a mim a
licença, pude começar a trabalhar.” (Não poderia ser “concedida-me” – após particípio é proibido - nem
“me concedida” – iniciar período com pronome é proibido). “Recolher-me-ei à minha insignificância” (Não
poderia ser “recolherei-me” nem “Me recolherei”).
Questões
01. (ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO/PE – ANALISTA LEGISLATIVO
– ESPECIALIDADE CONTABILIDADE – FCC/2014) Considerada a norma culta escrita, há correta
substituição de estrutura nominal por pronome em:
(A) Agradeço antecipadamente sua Resposta // Agradeço-lhes antecipadamente.
(B) do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. // do verbo fabricar se extraiu-lhe.
(C) não faltam lexicógrafos // não faltam-os.
(D) Gostaria de conhecer suas considerações // Gostaria de conhecê-las.
(E) incluindo a palavra ‘aguardo’ // incluindo ela.
02. (SECRETARIA DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL/DF –
TÉCNICO EM ELETRÔNICA – IADES/2014) Caso fosse necessário substituir o termo destacado em
“Basta apresentar um documento” por um pronome, de acordo com a norma-padrão, a nova redação
deveria ser
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(A) Basta apresenta-lo.
(B) Basta apresentar-lhe.
(C) Basta apresenta-lhe.
(D) Basta apresentá-la.
(E) Basta apresentá-lo.
03. (CEFET/RJ - REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO/2014). Em qual período, o pronome átono
que substitui o sintagma em destaque tem sua colocação de acordo com a norma-padrão?
(A) O porteiro não conhecia o portador do embrulho – conhecia-o
(B) Meu pai tinha encontrado um marinheiro na praça Mauá – tinha encontrado-o.
(C) As pessoas relatarão as suas histórias para o registro no Museu – relatá-las-ão.
(D) Quem explicou às crianças as histórias de seus antepassados? – explicou-lhes.
(E) Vinham perguntando às pessoas se aceitavam a ideia de um museu virtual – Lhes vinham
perguntando.
04. (SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL/DF – ANALISTA –
IADES/2014 - adaptada) De acordo com a norma-padrão e as questões gramaticais que envolvem o
trecho “Frustrei-me por não ver o Escola”, é correto afirmar que
(A) “me” poderia ser deslocado para antes do verbo que acompanha.
(B) “me” deveria obrigatoriamente ser deslocado para antes do verbo que acompanha.
(C) a ênclise em “Frustrei-me” é facultativa.
(D) a inclusão do advérbio Não, no inı́cio da oração “Frustrei-me”, tornaria a próclise obrigatória.
(E) a ênclise em “Frustrei-me” é obrigatória.
05. (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014). A substituição do elemento grifado pelo pronome
correspondente foi realizada de modo INCORRETO em:
(A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu
(B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os
(C) para fazer a dragagem = para fazê-la
(D) que desviava a água = que lhe desviava
(E) supriam a necessidade = supriam-na
06. (PRODEST/ES – ASSISTENTE ORGANIZACIONAL – VUNESP/2014) Para atender à norma-
padrão da língua portuguesa e manter o sentido do texto, o trecho em destaque deve ser corretamente
substituído por pronome como indicado na alternativa:
(A) Eu escutava as conversas, as notícias do rádio, dormia... → Eu escutava-nas, dormia...
(B) ... pouco a pouco, fui pedindo licença a meu amigo taxista para um telefonema aqui... pouco a
pouco, fui pedindo-lhe licença para um telefonema aqui...
(C) ... passei a interromper meu precioso flanar nos táxis... → passei a interromper-lhe...
(D) ... e saio do carro com meu tio balançando a cabeça lá em cima. → e saio do carro com meu tio
balançando-na lá em cima.
(E) Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo os absurdos que falamos ao celular... →
Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo-se ao celular...
07. (EMDEC - ANALISTA DA MOBILIDADE URBANA I – IBFC/2014). Na oração “movendo-nos com
desembaraço”, a posição do pronome átono é enclítica. Assinale a opção em que o pronome também
deveria estar empregado nessa mesma posição.
(A) Nunca me convidam para os grandes eventos.
(B) Embora te encontre, ainda sinto tua falta.
(C) Não encontrei a reposta que me indicaram.
(D) Assim, se resolvem os problemas.
08. (TCE-RS - AUDITOR PÚBLICO EXTERNO - ENGENHARIA CIVIL - CONHECIMENTOS
BÁSICOS – FCC/2014). A educação para a cidadania é um objetivo essencial, mas comprometem essa
educação para a cidadania os que pretendem praticar a educação para a cidadania sem dotar a educação
para a cidadania da visibilidade das atitudes públicas.
Evitam-se as repetições viciosas da frase acima se substituindo os segmentos sublinhados,
respectivamente, por:
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(A) comprometem-lhe - praticá-la - dotar-lhe;
(B) comprometem ela - praticar-lhe - dotá-la;
(C) comprometem-na - praticá-la - dotá-la;
(D) comprometem a mesma - a praticar - lhe dotar;
(E) comprometem a ela - lhe praticar - a dotar;
09. (MINISTÉRIO PÚBLICO/SP – AUXILIAR DE PROMOTORIA – VUNESP/2014). Assinale a
alternativa correta quanto à colocação pronominal.
(A) Certamente delineou-se um cenário infernal com assassinatos brutais.
(B) A frente que se opôs aos hutus foi liderada por Paul Kagame.
(C) Se completam, em 2014, 20 anos do genocídio em Ruanda.
(D) Kagame reconhece que as pessoas não livraram-se do vírus do ódio.
(E) Com Kagame como presidente, têm feito-se mudanças em Ruanda.
10. (TRT-13ª REGIÃO/PB – TÉCNICO JUDICIÁRIO – TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO –
FCC/2014)
Durante toda a era moderna, nossos ancestrais avaliaram a virtude de suas realizações...
... cessem de obedecer à sentença de Steiner.
Esse novo espectro comprova a novidade...
Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos sublinhados acima foram corretamente
substituídos por um pronome, na ordem dada, em:
(A) avaliaram-nas − obedecê-la − comprova-na
(B) avaliaram-na − obedecer-lhe − comprova-a
(C) avaliaram-lhe − a obedecer − lhe comprova
(D) as avaliaram − obedece-a − comprova-lhe
(E) lhes avaliaram − obedece-lhe − a comprova
Respostas
01. Resposta D
(A) Agradeço antecipadamente sua Resposta // Agradeço-lhes = agradeço-a
(B) do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. // do verbo fabricar se extraiu-lhe. = extraiu-o
(C) não faltam lexicógrafos // não faltam-os. = não os faltam
(D) Gostaria de conhecer suas considerações // Gostaria de conhecê-las. = correta
(E) incluindo a palavra ‘aguardo’ // incluindo ela. = incluindo-a
02. Resposta E
Apresentar o quê? O documento = objeto direto, sem preposição – então esqueçamos o “lhe” (para
objeto indireto). Restaram-nos os itens A, D e E. Em D, o pronome está no feminino (la), e o termo a ser
substituído é masculino (um documento). Descartemo-la. A acentuação dos verbos com pronome oblíquo
segue a regra de acentuação normalmente, desconsiderando-se o pronome, claro! = apresentá-lo
(oxítona). Temos, então: “Basta apresentá-lo”.
03. Resposta C
A) O porteiro não conhecia o portador do embrulho – não o conhecia
B) Meu pai tinha encontrado um marinheiro na praça Mauá – tinha o encontrado
C) As pessoas relatarão as suas histórias para o registro no Museu – relatá-las-ão = correta
D) Quem explicou às crianças as histórias de seus antepassados? – explicou-lhes = quem lhes
explicou
E) Vinham perguntando às pessoas se aceitavam a ideia de um museu virtual = Vinham lhes
perguntando.
04. Resposta D
“Frustrei-me por não ver o Escola”
(A) “me” poderia ser deslocado para antes do verbo que acompanha = Me frustrei = incorreta, pois não
se inicia período com pronome oblíquo (é a regra!).
(B) “me” deveria obrigatoriamente ser deslocado para antes do verbo que acompanha = respondi
anteriormente! – na A
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(C) a ênclise em “Frustrei-me” é facultativa. = incorreta. Como não há partícula que justifique a próclise,
utiliza-se ênclise
(D) a inclusão do advérbio Não, no inı́cio da oração “Frustrei-me”, tornaria a próclise obrigatória. = Não
me frustrei = correta (o advérbio de negação “atrairia” o pronome)
(E) a ênclise em “Frustrei-me” é obrigatória. = incorreta (em termos!). Se houvesse partícula que
justificasse a próclise, a ênclise seria descartada – por isso que não está correto afirmar “obrigatória”.
05. Resposta D
(A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu = correta
(B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os = correta
(C) para fazer a dragagem = para fazê-la = correta
(D) que desviava a água = que lhe desviava = que a desviava
(E) supriam a necessidade = supriam-na = correta
06. Resposta B
(A) Eu escutava as conversas, as notícias do rádio, dormia... → Eu escutava-nas, dormia
= eu as escutava
(B) ... pouco a pouco, fui pedindo licença a meu amigo taxista para um telefonema aqui... pouco a
pouco, fui pedindo-lhe licença para um telefonema aqui... = correta
(C) ... passei a interromper meu precioso flanar nos táxis... → passei a interromper-lhe...
= passei a interrompê-lo
(D) ... e saio do carro com meu tio balançando a cabeça lá em cima. → e saio do carro com meu tio
balançando-na lá em cima. = meu tio balançando-a
(E) Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo os absurdos que falamos ao celular...
→ Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo-se ao celular...= ouvindo-os
07. Resposta D
Correções à frente:
(A) Nunca me convidam para os grandes eventos = correta.
(B) Embora te encontre, ainda sinto tua falta = correta.
(C) Não encontrei a reposta que me indicaram = correta.
(D) Assim, se resolvem os problemas = resolvem-se.
08. Resposta C
Lembrando o alfabeto: J - K - L - MN = comprometeM-Na. Eliminaremos, assim, todas as
alternativas, ficando apenas com a correta! A dica, realmente, ajuda! Mas continuarei! Os verbos “praticar”
e “dotar” pedem objeto direto (sem preposição), então não pode ser o “lhe” (que é para objetos indiretos).
Teremos “praticá-la” e “dotá-la”.
09. Resposta
Correções:
(A) Certamente delineou-se = certamente se delineou (advérbio)
(B) A frente que se opôs aos hutus foi liderada por Paul Kagame = correta.
(C) Se completam = completam-se (início de período)
(D) Kagame reconhece que as pessoas não livraram-se = não se livraram (advérbio de negação)
(E) Com Kagame como presidente, têm feito-se = têm-se feito
10. Resposta B
Durante toda a era moderna, nossos ancestrais avaliaram a virtude de suas realizações...
... cessem de obedecer à sentença de Steiner.
Esse novo espectro comprova a novidade...
Coesão
Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de frases é a relação existente
entre os elementos que os constituem. A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre palavras,
expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que servem para estabelecer
vínculos entre os componentes do texto. Observe:
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“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações, que segurava na mão.”
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão entre as duas orações. O iraquiano leu
sua declaração num bloquinho comum de anotações e segurava na mão, retomando na segunda um dos
termos da primeira: bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, e a conexão entre as duas
orações, um fenômeno de coesão. Leia o texto que segue:
Arroz-doce da infância
Ingredientes
1 litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado
1 pitada de sal
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sobremesa) de canela em pó
Preparo
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de sal e mexa sem parar até cozinhar o
arroz. Adicione o açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente, polvilhe a
canela. Sirva.
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.
Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes e modo de preparar. As informações
apresentadas na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primeira vez
na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre outras funções, a de
indicar que o termo determinado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera
menção.
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o açúcar, o artigo citado na primeira parte.
Se dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar, pois se trataria de outro açúcar, diverso daquele
citado no rol dos ingredientes.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras, expressões
ou frases e encadeamento de segmentos.
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical - (pronome, verbos ou
advérbios)
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas
ainda ganham menos do que aqueles em cargos equivalentes.”
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres, enquanto “aqueles”
recupera a palavra homens.
Os termos que servem para retomar outros são denominados anafóricos; os que servem para anunciar,
para antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa abandonar a
faculdade no último ano:
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último ano?”
São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os pronomes relativos, certos advérbios
ou locuções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os pronomes pessoais
de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos:
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade de
São Paulo.”
O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre.
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como um descrente do amor e da amizade.”
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O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o pronome pessoal “o” retoma o nome
Machado de Assis.
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando roupa escura.”
O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado com a fila.”
O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos funcionários do palácio, e o fará para
demonstrar seu apreço aos servidores.”
A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugurar e seu complemento.
- Em princípio, o termo a que “o” anafórico se refere deve estar presente no texto, senão a coesão fica
comprometida, como neste exemplo:
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários meses.”
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico, pois não está retomando nenhuma
das palavras citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudicado: não há
possibilidade de se depreender o sentido desse pronome.
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no
interior do texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve
o texto. É o caso de um exemplo como este:
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava desesperado, porque eram 21 horas e ela não
havia comparecido.”
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se
referindo à palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser pelo atraso
da noiva (representada por “ela” no exemplo citado).
- O artigo indefinido serve geralmente para introduzir informações novas ao texto. Quando elas forem
retomadas, deverão ser precedidas do artigo definido, pois este é que tem a função de indicar que o termo
por ele determinado é idêntico, em termos de valor referencial, a um termo já mencionado.
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira
tinha muito dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.”
- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de
coesão, porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal forma que o
leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico.
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância.”
O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor.
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que trabalha na mesma firma.”
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado. Permutando o
anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.
Retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou verbo)
Uma palavra pode ser retomada, que por uma repetição, quer por uma substituição por sinônimo,
hiperônimo, hipônimo ou antonomásia.
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Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra, ou sentido
bastante aproximado: injúria e afronta, alegre e contente.
Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido;
Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. O
significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma flor,
mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela.
Antonomásia é a substituição de um nome próprio por um nome comum ou de um comum por um
próprio. Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma característica
notória ou quando o nome próprio de uma personagem famosa é usado para designar outras pessoas
que possuam a mesma característica que a distingue:
“O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.”
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê.”
Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América.
“Ele é um Hércules.” (=um homem muito forte).
Referência à força física que caracteriza o herói grego Hércules.
“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. Deve receber
ministros, embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo o momento tomar graves
decisões que afetam a vida de muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e
no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas da
noite.”
A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período e o que vem antes dele.
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros sempre o atraíram.”
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros, que recupera os hipônimos estrelas,
planetas, satélites.
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos
orgânicos) que percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso corpo. Eram
quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram
também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido),
ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores;
entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, pois, se ela não for usada para criar um
efeito de sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo. No trecho transcrito a seguir, por
exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem),
com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária que um provável flamenguista atribui ao
Vasco e ao seu Vice-presidente:
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda.
Faltam-me provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.”
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi-
vice-campeão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, no
Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem.
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 08/03/2000, p. 4-7.
A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode ser facilmente recuperado pelo contexto.
Também constitui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria repetido, e o
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preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamente, que se faça
correlação com outros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que se desenrola a
fala.
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Machado de Assis:
(...)
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imorta, que toda a luz resume!”
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, v.III, p. 151.
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas,
fica subentendido, é omitido por ser facilmente presumível.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que
vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou:
“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no peito e parou.”
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que segue, aquela promoção é
complemento tanto de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo:
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preterido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente
aquela promoção.”
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente, a coesão é
rompida. Por exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos
uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó os
estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo
verbo implicar.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro
verbo, respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acrescentando a
preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos
palpiteiros e os dispenso sem dó).
Coesão por Conexão
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação
entre segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. Por
exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja.
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas
de diversos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Essas relações
exercem função argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser usados
indiscriminadamente.
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcançou a vitória”, por exemplo, o conector
“mas” está adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumentativa contrária.
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resultado seria um paradoxo semântico, pois esse
operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sendo o segmento
introduzido por ele a conclusão do anterior.
- Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa série de argumentos orientados para
uma mesma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais forte de
uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala com argumentos mais
fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito.
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem articulado, conhece bem o assunto de que
fala e é até sedutor.”
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Toda a série de qualidades está orientada no sentido de comprovar que ele é bom conferencista;
dentro dessa série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte.
“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Chegará a ser pelo menos diretor da
empresa.”
Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande
capacidade de trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para comprovar que
ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se
está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor positivo.
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo grau.”
No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender;
supõe que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está usando o
argumento menos forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no máximo e quando muito
estabelecem ligação entre argumentos de valor depreciativo.
- Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja,
ligam um conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também, ainda, nem,
não só... mas também, tanto... como, além de, a par de.
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor da escola, é muito respeitado pelos
funcionários e também é muito querido pelos alunos.”
Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão.
O último deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma direção
argumentativa dos precedentes.
Esses operadores introduzem novos argumentos; não significam, em hipótese nenhuma, a repetição
do que já foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que
representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
continuou seu discurso”, porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria
cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o
assaltaram e escondeu o choro que tomou conta dele”.
- Disjunção Argumentativa: há também operadores que indicam uma disjunção argumentativa, ou
seja, fazem uma conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orientação
argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário.
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a briga, para que ele não apanhasse.”
O argumento introduzido por ao contrário é diametralmente oposto àquele de que o falante teria
agredido alguém.
- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou
mais enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita,
por manifestar uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois
(o pois é conclusivo quando não encabeça a oração).
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por
conseguinte, não é moralmente defensável.”
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período.
- Comparação: outros importantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação
de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão contrária
ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que.
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os
agentes penitenciários.”
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O comparativo de igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga
de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por isso, os
segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do ponto de vista
argumentativo, pois não há igualdade argumentativa proposta, “Tanto maior será a corrupção entre os
agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da fuga de presos”.
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o
seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol:
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time.
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal.”
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, pois ele declara que qualquer atleta das
divisões de base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que estes não
primam exatamente pela excelência em relação aos outros.
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala:
“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.”
Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da promoção, pois ele estaria declarando que
os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base.
- Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem uma explicação ou uma justificativa em
relação ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU, devem arcar sozinhos com
os custos da guerra.”
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam
arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque.
- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção, isto é, que
ligam enunciados com orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversativas (mas,
contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que,
conquanto, ainda que, posto que, se bem que).
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se tanto umas como outras ligam
enunciados com orientação argumentativa contrária?
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção.
“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta mais decidido a vencer.”
Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o
atleta, enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segunda
orientação é a mais forte.
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”.
No primeiro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; no segundo,
que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções adversativas,
introduz-se um argumento com vistas à determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um
argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa que predomina é a do segmento não
introduzido pela conjunção.
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática, trata-se de capacidades diferentes.”
A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber
escrever e saber gramática são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção
argumentativa contrária.
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um
argumento que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com orientação contrária.
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A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare
os seguintes períodos:
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que introduzem um argumento decisivo para
derrubar a argumentação contrária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se fosse
apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso, ademais.
“Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido
na empresa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ganhou uma bolada
na loteria.”
O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período
muito bom da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.
- Generalização ou Amplificação: existem operadores que assinalam uma generalização ou uma
amplificação do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que.
“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração de empregos. De fato, só o crescimento
econômico leva ao aumento de renda da população.”
O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes.
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol.
O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso
futebol são retranqueiros.
- Especificação ou Exemplificação: também há operadores que marcam uma especificação ou uma
exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo, como.
“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da
população. Por exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em toda
sorte de delitos, dos menos aos mais graves.”
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, exemplifica a afirmação de que a violência
não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”.
- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação, uma correção do que foi afirmado
antes: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras.
Exemplo:
“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar a viver junto com minha namorada.”
O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito antes.
Esses operadores servem também para marcar um esclarecimento, um desenvolvimento, uma
redefinição do conteúdo enunciado anteriormente. Exemplo:
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato,
os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”
O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito antes.
Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do conteúdo de verdade de um enunciado.
Exemplo:
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“Quando a atual oposição estava no comando do país, não fez o que exige hoje que o governo faça.
Ao contrário, suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente.
O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito antes.
- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação, uma confirmação, uma ilustração do
que foi afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se processavam as negociações, atacou de
surpresa.”
O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado antes.
Coesão por Justaposição
É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados, marcada ou não com
sequenciadores. Examinemos os principais sequenciadores.
- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterioridade, concomitância ou posterioridade:
dois meses depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predominantemente
nas narrações).
“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio
de planos para o futuro.”
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição relativa no espaço: à esquerda, à direita,
junto de, etc. (são usados principalmente nas descrições).
“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, representando o amor e a castidade, sustentam uma
cúpula oval de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. (...) Do
outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior
força do inverno.”
José de Alencar. Senhora.São Paulo, FTD, 1992, p. 77.
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem dos assuntos numa exposição:
primeiramente, em segunda, a seguir, finalmente, etc.
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, das agruras por que passam as populações
civis; em seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmente, exporei suas
consequências para a economia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do
planeta.”
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conversação principalmente, servem para
introduzir um tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, fazendo
um parêntese, etc.
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pessoas. A propósito, era um homem que sabia
agradar às mulheres.”
- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de
sequenciação, o leitor deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos não
explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados,
na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos.
“A reforma política é indispensável. Sem a existência da fidelidade partidária, cada parlamentar vota
segundo seus interesses e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há bases
governamentais sólidas.”
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Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa de a reforma política ser indispensável.
Portanto o ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque.
A língua tem um grande número de conectores e sequenciadores. Apresentamos os principais e
explicamos sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na
coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra falha
comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do período. Analisemos
este exemplo:
“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de combate à fome que foi lançada pelo
governo federal.”
O período compõe-se de:
- As empresas
- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da primeira oração)
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração subordinada substantiva objetiva direta da
segunda oração)
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada adjetiva restritiva da terceira oração).
Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem escreveu o período começou a encadear
orações subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos longos. No entanto, mesmo quando se
elaboram períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que suas
partes estejam bem conectadas entre si.
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não basta que elas estejam coesas: se não tiverem
unidade de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um amontoado
injustificado. Exemplo:
“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes restaurantes. Ela tem bairros muito
pobres. Também o Rio de Janeiro tem favelas.”
Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o substantivo São Paulo, estabelecendo
uma relação entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra cidade,
vinculando o terceiro ao segundo período. O operador também realiza uma conjunção argumentativa,
relacionando o quarto período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apresenta
unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coesão, portanto, é condição necessária, mas não
suficiente, para produzir um texto.
Questões
01. (TJ/RJ – Analista Judiciário – FGV/2014)
TEXTO 1 – BEM TRATADA, FAZ BEM
Sérgio Magalhães, O Globo
O arquiteto Jaime Lerner cunhou esta frase premonitória: “O carro é o cigarro do futuro.” Quem poderia
imaginar a reversão cultural que se deu no consumo do tabaco?
Talvez o automóvel não seja descartável tão facilmente. Este jornal, em uma série de reportagens,
nestes dias, mostrou o privilégio que os governos dão ao uso do carro e o desprezo ao transporte coletivo.
Surpreendentemente, houve entrevistado que opinou favoravelmente, valorizando Los Angeles – um caso
típico de cidade rodoviária e dispersa.
Ainda nestes dias, a ONU reafirmou o compromisso desta geração com o futuro da humanidade e
contra o aquecimento global – para o qual a emissão de CO2 do rodoviarismo é agente básico. (A USP
acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o trânsito.)
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O transporte também esteve no centro dos protestos de junho de 2013. Lembremos: ele está
interrelacionado com a moradia, o emprego, o lazer. Como se vê, não faltam razões para o debate do
tema.
“Como se vê, não faltam razões para o debate do tema.”
Substituindo o termo em destaque por uma oração desenvolvida, a forma correta e adequada seria:
(A) para que se debatesse o tema;
(B) para se debater o tema;
(C) para que se debata o tema;
(D) para debater-se o tema;
(E) para que o tema fosse debatido.
02. (TJ/RJ – Analista Judiciário – FGV/2014)
“A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o
trânsito”.
A oração em forma desenvolvida que substitui correta e adequadamente o gerúndio “advertindo” é:
(A) com a advertência de;
(B) quando adverte;
(C) em que adverte;
(D) no qual advertia;
(E) para advertir.
03. (PC/RJ – Papilocopista – IBF/2014)
Texto III
Corrida contra o ebola
Já faz seis meses que o atual surto de ebola na África Ocidental despertou a atenção da comunidade
internacional, mas nada sugere que as medidas até agora adotadas para refrear o avanço da doença
tenham sido eficazes.
Ao contrário, quase metade das cerca de 4.000 contaminações registradas neste ano ocorreram nas
últimas três semanas, e as mais de 2.000 mortes atestam a força da enfermidade. A escalada levou o
diretor do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA, Tom Frieden, a afirmar que a
epidemia está fora de controle.
O vírus encontrou ambiente propício para se propagar. De um lado, as condições sanitárias e
econômicas dos países afetados são as piores possíveis. De outro, a Organização Mundial da Saúde foi
incapaz de mobilizar com celeridade um contingente expressivo de profissionais para atuar nessas
localidades afetadas.
Verdade que uma parcela das debilidades da OMS se explica por problemas financeiros. Só 20% dos
recursos da entidade vêm de contribuições compulsórias dos países-membros – o restante é formado por
doações voluntárias.
A crise econômica mundial se fez sentir também nessa área, e a organização perdeu quase US$ 1
bilhão de seu orçamento bianual, hoje de quase US$ 4 bilhões. Para comparação, o CDC dos EUA
contou, somente no ano de 2013, com cerca de US$ 6 bilhões.
Os cortes obrigaram a OMS a fazer escolhas difíceis. A agência passou a dar mais ênfase à luta contra
enfermidades globais crônicas, como doenças coronárias e diabetes. O departamento de respostas a
epidemias e pandemias foi dissolvido e integrado a outros. Muitos profissionais experimentados deixaram
seus cargos.
Pesa contra o órgão da ONU, de todo modo, a demora para reconhecer a gravidade da situação. Seus
esforços iniciais foram limitados e mal liderados.
O surto agora atingiu proporções tais que já não é mais possível enfrentá-lo de Genebra, cidade suíça
sede da OMS. Tornou-se crucial estabelecer um comando central na África Ocidental, com
representantes dos países afetados.
Espera-se também maior comprometimento das potências mundiais, sobretudo Estados Unidos,
Inglaterra e França, que possuem antigos laços com Libéria, Serra Leoa e Guiné, respectivamente.
A comunidade internacional tem diante de si um desafio enorme, mas é ainda maior a necessidade de
agir com rapidez. Nessa batalha global contra o ebola, todo tempo perdido conta a favor da doença.
(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/09/1512104-editorial-corrida-contra-o-ebola.shtml: Acesso em: 08/09/2014)
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Assinale a opção em que se indica, INCORRETAMENTE, o referente do termo em destaque.
(A) “quase US$ 1 bilhão de seu orçamento bianual” (5º§) – organização
(B) “A agência passou a dar mais ênfase” (6º§) – OMS
(C) “Pesa contra o órgão da ONU”(7º§) – OMS
(D) “Seus esforços iniciais foram limitados” (7º§) – gravidade da situação
(E) “A comunidade tem diante de si” (10º§) – comunidade internacional
04. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP-2014)
Leia o texto para responder a questão.
As cotas raciais deram certo porque seus beneficiados são, sim, competentes. Merecem, sim,
frequentar uma universidade pública e de qualidade. No vestibular, que é o princípio de tudo, os cotistas
estão só um pouco atrás. Segundo dados do Sistema de Seleção Unificada, a nota de corte para os
candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos. Para os cotistas, foi de
761,67 pontos. A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de 3%. IstoÉ entrevistou educadores e
todos disseram que essa distância é mais do que razoável. Na verdade, é quase nada. Se em uma
disciplina tão concorrida quanto medicina um coeficiente de apenas 3% separa os privilegiados, que
estudaram em colégios privados, dos negros e pobres, que frequentaram escolas públicas, então é justo
supor que a diferença mínima pode, perfeitamente, ser igualada ou superada no decorrer dos cursos.
Depende só da disposição do aluno. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais
conceituadas do País, os resultados do último vestibular surpreenderam. “A maior diferença entre as
notas de ingresso de cotistas e não cotistas foi observada no curso de economia”, diz Ângela Rocha, pró-
reitora da UFRJ. “Mesmo assim, essa distância foi de 11%, o que, estatisticamente, não é significativo”.
(www.istoe.com.br)
Para responder a questão, considere a passagem – A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de
3%.
O pronome eles tem como referente:
(A) candidatos convencionais e cotistas.
(B) beneficiados.
(C) dados do Sistema de Seleção Unificada.
(D) dados do Sistema de Seleção Unificada e pontos.
(E) pontos.
05. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP-2014)
Leia os quadrinhos para responder a questão.
Um enunciado possível em substituição à fala do terceiro quadrinho, em conformidade com a norma-
padrão da língua portuguesa, é:
(A) Se você ir pelos caminhos da verdade, leve um capacete.
(B) Caso você vá pelos caminhos da verdade, lembra-se de levar um capacete.
(C) Se você se mantiver nos caminhos da verdade, leve um capacete.
(D) Caso você se mantém nos caminhos da verdade, lembre de levar um capacete.
(E) Ainda que você se mantêm nos caminhos da verdade, leva um capacete.
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Respostas
01. (C) - As orações subordinadas desenvolvidas possuem conjunção e verbos conjugados em
modos e tempos verbais.
Na letra "a" o verbo está num tempo diferente da frase.
Na letra "b" o verbo está no infinitivo o que caracteriza como oração reduzida.
Na letra "c" a oração apresenta a conjunção "para que" que exprime finalidade e o verbo está
conjugado no tempo correto da frase.
Na letra "d" não apresenta conjunção.
Na letra "e" o verbo está no particípio caracterizando oração reduzida.
Portanto, a resposta certa é a letra "c".
02. (C) - “A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do
que o trânsito”.
Os verbos acabar e matar contidos na frase estão no presente do indicativo. Logo, o verbo advertir
ficará no presente do indicativo. EX: eu advirto, tu advertes, ele adverte.
03. (D) - Pesa contra o órgão da ONU, de todo modo, a demora para reconhecer a gravidade da
situação. Seus esforços iniciais foram limitados e mal liderados.
De quem foram os esforços? Da ONU, pois estes formam limitados e mal liderados.
04. (A) - "a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de
787,56 pontos. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos"
A DIFERENÇA ENTRE ELES é de 3%.
eles quem ? (os candidatos convencionais e os cotistas) que estão postos em relação a diferença de
NOTA .
05. (C)
(A) Se você ir (for) pelos caminhos da verdade, leve um capacete.
(B) Caso você vá pelos caminhos da verdade, lembra-se (lembre-se) de levar um capacete.
(C) Se você se mantiver nos caminhos da verdade, leve um capacete.
(D) Caso você se mantém (mantenha) nos caminhos da verdade, lembre de levar um capacete.
(D) Ainda que você se mantêm (mantenha) nos caminhos da verdade, leva (leve) um capacete.
A palavra ortografia é formada pelos elementos gregos orto “correto” e grafia “escrita” sendo a escrita
correta das palavras da língua portuguesa, obedecendo a uma combinação de critérios etimológicos
(ligados à origem das palavras) e fonológicos (ligados aos fonemas representados).
Somente a intimidade com a palavra escrita, é que acaba trazendo a memorização da grafia correta.
Deve-se também criar o hábito de consultar constantemente um dicionário.
Alfabeto
O alfabeto passou a ser formado por 26 letras. As letras “k”, “w” e “y” não eram consideradas
integrantes do alfabeto (agora são). Essas letras são usadas em unidades de medida, nomes próprios,
palavras estrangeiras e outras palavras em geral. Exemplos: km, kg, watt, playground, William, Kafka,
kafkiano.
Vogais: a, e, i, o, u, y, w.
Consoantes: b,c,d,f,g,h,j,k,l,m,n,p,q,r,s,t,v,w,x,z.
Alfabeto: a,b,c,d,e,f,g,h,i,j,k,l,m,n,o,p,q,r,s,t,u,v,w,x,y,z.
Observações:
A letra “Y” possui o mesmo som que a letra “I”, portanto, ela é classificada como vogal.
Ortografia
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A letra “K” possui o mesmo som que o “C” e o “QU” nas palavras, assim, é considerada consoante.
Exemplo: Kuait / Kiwi.
Já a letra “W” pode ser considerada vogal ou consoante, dependendo da palavra em questão, veja os
exemplos:
No nome próprio Wagner o “W” possui o som de “V”, logo, é classificado como consoante.
Já no vocábulo “web” o “W” possui o som de “U”, classificando-se, portanto, como vogal.
Emprego da letra H
Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem valor fonético; conservou-se apenas como símbolo,
por força da etimologia e da tradição escrita. Grafa-se, por exemplo, hoje, porque esta palavra vem do
latim hodie.
Emprega-se o H:
- Inicial, quando etimológico: hábito, hélice, herói, hérnia, hesitar, haurir, etc.
- Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh e nh: chave, boliche, telha, flecha, companhia, etc.
- Final e inicial, em certas interjeições: ah!, ih!, hem?, hum!, etc.
- Algumas palavras iniciadas com a letra H: hálito, harmonia, hangar, hábil, hemorragia, hemisfério,
heliporto, hematoma, hífen, hilaridade, hipocondria, hipótese, hipocrisia, homenagear, hera, húmus;
- Sem h, porém, os derivados baianos, baianinha, baião, baianada, etc.
Não se usa H:
- No início de alguns vocábulos em que o h, embora etimológico, foi eliminado por se tratar de palavras
que entraram na língua por via popular, como é o caso de erva, inverno, e Espanha, respectivamente do
latim, herba, hibernus e Hispania. Os derivados eruditos, entretanto, grafam-se com h: herbívoro,
herbicida, hispânico, hibernal, hibernar, etc.
Emprego das letras E, I, O e U
Na língua falada, a distinção entre as vogais átonas /e/ e /i/, /o/ e /u/ nem sempre é nítida. É
principalmente desse fato que nascem as dúvidas quando se escrevem palavras como quase, intitular,
mágoa, bulir, etc., em que ocorrem aquelas vogais.
Escreve-se com a letra E:
- A sílaba final de formas dos verbos terminados em –uar: continue, habitue, pontue, etc.
- A sílaba final de formas dos verbos terminados em –oar: abençoe, magoe, perdoe, etc.
- As palavras formadas com o prefixo ante– (antes, anterior): antebraço, antecipar, antedatar,
antediluviano, antevéspera, etc.
- Os seguintes vocábulos: Arrepiar, Cadeado, Candeeiro, Cemitério, Confete, Creolina, Cumeeira,
Desperdício, Destilar, Disenteria, Empecilho, Encarnar, Indígena, Irrequieto, Lacrimogêneo, Mexerico,
Mimeógrafo, Orquídea, Peru, Quase, Quepe, Senão, Sequer, Seriema, Seringa, Umedecer.
Emprega-se a letra I:
- Na sílaba final de formas dos verbos terminados em –air/–oer /–uir: cai, corrói, diminuir, influi, possui,
retribui, sai, etc.
- Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra): antiaéreo, Anticristo, antitetânico, antiestético, etc.
- Nos seguintes vocábulos: aborígine, açoriano, artifício, artimanha, camoniano, Casimiro, chefiar,
cimento, crânio, criar, criador, criação, crioulo, digladiar, displicente, erisipela, escárnio, feminino, Filipe,
frontispício, Ifigênia, inclinar, incinerar, inigualável, invólucro, lajiano, lampião, pátio, penicilina,
pontiagudo, privilégio, requisito, Sicília (ilha), silvícola, siri, terebintina, Tibiriçá, Virgílio.
Grafam-se com a letra O: abolir, banto, boate, bolacha, boletim, botequim, bússola, chover, cobiça,
concorrência, costume, engolir, goela, mágoa, mocambo, moela, moleque, mosquito, névoa, nódoa,
óbolo, ocorrência, rebotalho, Romênia, tribo.
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Grafam-se com a letra U: bulir, burburinho, camundongo, chuviscar, cumbuca, cúpula, curtume,
cutucar, entupir, íngua, jabuti, jabuticaba, lóbulo, Manuel, mutuca, rebuliço, tábua, tabuada, tonitruante,
trégua, urtiga.
Parônimos: Registramos alguns parônimos que se diferenciam pela oposição das vogais /e/ e /i/, /o/
e /u/. Fixemos a grafia e o significado dos seguintes:
área = superfície
ária = melodia, cantiga
arrear = pôr arreios, enfeitar
arriar = abaixar, pôr no chão, cair
comprido = longo
cumprido = particípio de cumprir
comprimento = extensão
cumprimento = saudação, ato de cumprir
costear = navegar ou passar junto à costa
custear = pagar as custas, financiar
deferir = conceder, atender
diferir = ser diferente, divergir
delatar = denunciar
dilatar = distender, aumentar
descrição = ato de descrever
discrição = qualidade de quem é discreto
emergir = vir à tona
imergir = mergulhar
emigrar = sair do país
imigrar = entrar num país estranho
emigrante = que ou quem emigra
imigrante = que ou quem imigra
eminente = elevado, ilustre
iminente = que ameaça acontecer
recrear = divertir
recriar = criar novamente
soar = emitir som, ecoar, repercutir
suar = expelir suor pelos poros, transpirar
sortir = abastecer
surtir = produzir (efeito ou resultado)
sortido = abastecido, bem provido, variado
surtido = produzido, causado
vadear = atravessar (rio) por onde dá pé, passar a vau
vadiar = viver na vadiagem, vagabundear, levar vida de vadio
Emprego das letras G e J
Para representar o fonema /j/ existem duas letras; g e j. Grafa-se este ou aquele signo não de modo
arbitrário, mas de acordo com a origem da palavra. Exemplos: gesso (do grego gypsos), jeito (do latim
jactu) e jipe (do inglês jeep).
Escrevem-se com G:
- Os substantivos terminados em –agem, -igem, -ugem: garagem, massagem, viagem, origem,
vertigem, ferrugem, lanugem. Exceção: pajem
- As palavras terminadas em –ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio: contágio, estágio, egrégio, prodígio,
relógio, refúgio.
- Palavras derivadas de outras que se grafam com g: massagista (de massagem), vertiginoso (de
vertigem), ferruginoso (de ferrugem), engessar (de gesso), faringite (de faringe), selvageria (de
selvagem), etc.
- Os seguintes vocábulos: algema, angico, apogeu, auge, estrangeiro, gengiva, gesto, gibi, gilete,
ginete, gíria, giz, hegemonia, herege, megera, monge, rabugento, sugestão, tangerina, tigela.
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Escrevem-se com J:
- Palavras derivadas de outras terminadas em –já: laranja (laranjeira), loja (lojista, lojeca), granja
(granjeiro, granjense), gorja (gorjeta, gorjeio), lisonja (lisonjear, lisonjeiro), sarja (sarjeta), cereja
(cerejeira).
- Todas as formas da conjugação dos verbos terminados em –jar ou –jear: arranjar (arranje), despejar
(despejei), gorjear (gorjeia), viajar (viajei, viajem) – (viagem é substantivo).
- Vocábulos cognatos ou derivados de outros que têm j: laje (lajedo), nojo (nojento), jeito (jeitoso,
enjeitar, projeção, rejeitar, sujeito, trajeto, trejeito).
- Palavras de origem ameríndia (principalmente tupi-guarani) ou africana: canjerê, canjica, jenipapo,
jequitibá, jerimum, jiboia, jiló, jirau, pajé, etc.
- As seguintes palavras: alfanje, alforje, berinjela, cafajeste, cerejeira, intrujice, jeca, jegue, Jeremias,
Jericó, Jerônimo, jérsei, jiu-jítsu, majestade, majestoso, manjedoura, manjericão, ojeriza, pegajento,
rijeza, sabujice, sujeira, traje, ultraje, varejista.
- Atenção: Moji, palavra de origem indígena, deve ser escrita com J. Por tradição algumas cidades de
São Paulo adotam a grafia com G, como as cidades de Mogi das Cruzes e Mogi-Mirim.
Representação do fonema /S/
O fonema /s/, conforme o caso, representa-se por:
- C, Ç: acetinado, açafrão, almaço, anoitecer, censura, cimento, dança, dançar, contorção, exceção,
endereço, Iguaçu, maçarico, maçaroca, maço, maciço, miçanga, muçulmano, muçurana, paçoca, pança,
pinça, Suíça, suíço, vicissitude.
- S: ânsia, ansiar, ansioso, ansiedade, cansar, cansado, descansar, descanso, diversão, excursão,
farsa, ganso, hortênsia, pretensão, pretensioso, propensão, remorso, sebo, tenso, utensílio.
- SS: acesso, acessório, acessível, assar, asseio, assinar, carrossel, cassino, concessão, discussão,
escassez, escasso, essencial, expressão, fracasso, impressão, massa, massagista, missão, necessário,
obsessão, opressão, pêssego, procissão, profissão, profissional, ressurreição, sessenta, sossegar,
sossego, submissão, sucessivo.
- SC, SÇ: acréscimo, adolescente, ascensão, consciência, consciente, crescer, cresço, descer, desço,
desça, disciplina, discípulo, discernir, fascinar, florescer, imprescindível, néscio, oscilar, piscina,
ressuscitar, seiscentos, suscetível, suscetibilidade, suscitar, víscera.
- X: aproximar, auxiliar, auxílio, máximo, próximo, proximidade, trouxe, trouxer, trouxeram, etc.
- XC: exceção, excedente, exceder, excelência, excelente, excelso, excêntrico, excepcional, excesso,
excessivo, exceto, excitar, etc.
Homônimos
acento = inflexão da voz, sinal gráfico
assento = lugar para sentar-se
acético = referente ao ácido acético (vinagre)
ascético = referente ao ascetismo, místico
cesta = utensílio de vime ou outro material
sexta = ordinal referente a seis
círio = grande vela de cera
sírio = natural da Síria
cismo = pensão
sismo = terremoto
empoçar = formar poça
empossar = dar posse a
incipiente = principiante
insipiente = ignorante
intercessão = ato de interceder
interseção = ponto em que duas linhas se cruzam
ruço = pardacento
russo = natural da Rússia
Emprego de S com valor de Z
- Adjetivos com os sufixos –oso, -osa: gostoso, gostosa, gracioso, graciosa, teimoso, teimosa, etc.
- Adjetivos pátrios com os sufixos –ês, -esa: português, portuguesa, inglês, inglesa, milanês, milanesa,
etc.
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- Substantivos e adjetivos terminados em –ês, feminino –esa: burguês, burguesa, burgueses,
camponês, camponesa, camponeses, freguês, freguesa, fregueses, etc.
- Verbos derivados de palavras cujo radical termina em –s: analisar (de análise), apresar (de presa),
atrasar (de atrás), extasiar (de êxtase), extravasar (de vaso), alisar (de liso), etc.
- Formas dos verbos pôr e querer e de seus derivados: pus, pusemos, compôs, impuser, quis,
quiseram, etc.
- Os seguintes nomes próprios de pessoas: Avis, Baltasar, Brás, Eliseu, Garcês, Heloísa, Inês, Isabel,
Isaura, Luís, Luísa, Queirós, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás, Valdês.
- Os seguintes vocábulos e seus cognatos: aliás, anis, arnês, ás, ases, através, avisar, besouro,
colisão, convés, cortês, cortesia, defesa, despesa, empresa, esplêndido, espontâneo, evasiva, fase, frase,
freguesia, fusível, gás, Goiás, groselha, heresia, hesitar, manganês, mês, mesada, obséquio, obus,
paisagem, país, paraíso, pêsames, pesquisa, presa, presépio, presídio, querosene, raposa, represa,
requisito, rês, reses, retrós, revés, surpresa, tesoura, tesouro, três, usina, vasilha, vaselina, vigésimo,
visita.
Emprego da letra Z
- Os derivados em –zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita: cafezal, cafezeiro, cafezinho, avezinha,
cãozito, avezita, etc.
- Os derivados de palavras cujo radical termina em –z: cruzeiro (de cruz), enraizar (de raiz), esvaziar
(de vazio), etc.
- Os verbos formados com o sufixo –izar e palavras cognatas: fertilizar, fertilizante, civilizar, civilização,
etc.
- Substantivos abstratos em –eza, derivados de adjetivos e denotando qualidade física ou moral:
pobreza (de pobre), limpeza (de limpo), frieza (de frio), etc.
- As seguintes palavras: azar, azeite, azáfama, azedo, amizade, aprazível, baliza, buzinar, bazar,
chafariz, cicatriz, ojeriza, prezar, prezado, proeza, vazar, vizinho, xadrez.
Sufixo –ÊS e –EZ
- O sufixo –ês (latim –ense) forma adjetivos (às vezes substantivos) derivados de substantivos
concretos: montês (de monte), cortês (de corte), burguês (de burgo), montanhês (de montanha), francês
(de França), chinês (de China), etc.
- O sufixo –ez forma substantivos abstratos femininos derivados de adjetivos: aridez (de árido), acidez
(de ácido), rapidez (de rápido), estupidez (de estúpido), mudez (de mudo) avidez (de ávido) palidez (de
pálido) lucidez (de lúcido), etc.
Sufixo –ESA e –EZA
Usa-se –esa (com s):
- Nos seguintes substantivos cognatos de verbos terminados em –ender: defesa (defender), presa
(prender), despesa (despender), represa (prender), empresa (empreender), surpresa (surpreender), etc.
- Nos substantivos femininos designativos de títulos nobiliárquicos: baronesa, dogesa, duquesa,
marquesa, princesa, consulesa, prioresa, etc.
- Nas formas femininas dos adjetivos terminados em –ês: burguesa (de burguês), francesa (de
francês), camponesa (de camponês), milanesa (de milanês), holandesa (de holandês), etc.
- Nas seguintes palavras femininas: framboesa, indefesa, lesa, mesa, sobremesa, obesa, Teresa, tesa,
toesa, turquesa, etc.
Usa-se –eza (com z):
- Nos substantivos femininos abstratos derivados de adjetivos e denotando qualidade, estado,
condição: beleza (de belo), franqueza (de franco), pobreza (de pobre), leveza (de leve), etc.
Verbos terminados em –ISAR e -IZAR
Escreve-se –isar (com s) quando o radical dos nomes correspondentes termina em –s. Se o radical
não terminar em –s, grafa-se –izar (com z): avisar (aviso + ar), analisar (análise + ar), alisar (a + liso +
ar), bisar (bis + ar), catalisar (catálise + ar), improvisar (improviso + ar), paralisar (paralisia + ar), pesquisar
(pesquisa + ar), pisar, repisar (piso + ar), frisar (friso + ar), grisar (gris + ar), anarquizar (anarquia + izar),
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. 203
civilizar (civil + izar), canalizar (canal + izar), amenizar (ameno + izar), colonizar (colono + izar), vulgarizar
(vulgar + izar), motorizar (motor + izar), escravizar (escravo + izar), cicatrizar (cicatriz + izar), deslizar
(deslize + izar), matizar (matiz + izar).
Emprego do X
- Esta letra representa os seguintes fonemas:
Ch – xarope, enxofre, vexame, etc.
CS – sexo, látex, léxico, tóxico, etc.
Z – exame, exílio, êxodo, etc.
SS – auxílio, máximo, próximo, etc.
S – sexto, texto, expectativa, extensão, etc.
- Não soa nos grupos internos –xce- e –xci-: exceção, exceder, excelente, excelso, excêntrico,
excessivo, excitar, inexcedível, etc.
- Grafam-se com x e não com s: expectativa, experiente, expiar, expirar, expoente, êxtase, extasiado,
extrair, fênix, texto, etc.
- Escreve-se x e não ch: Em geral, depois de ditongo: caixa, baixo, faixa, feixe, frouxo, ameixa, rouxinol,
seixo, etc. Excetuam-se caucho e os derivados cauchal, recauchutar e recauchutagem. Geralmente,
depois da sílaba inicial en-: enxada, enxame, enxamear, enxaguar, enxaqueca, enxergar, enxerto,
enxoval, enxugar, enxurrada, enxuto, etc. Excepcionalmente, grafam-se com ch: encharcar (de charco),
encher e seus derivados (enchente, preencher), enchova, enchumaçar (de chumaço), enfim, toda vez
que se trata do prefixo en- + palavra iniciada por ch. Em vocábulos de origem indígena ou africana:
abacaxi, xavante, caxambu, caxinguelê, orixá, maxixe, etc. Nas seguintes palavras: bexiga, bruxa, coaxar,
faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, mexer, mexerico, puxar, rixa, oxalá, praxe, vexame, xarope, xaxim,
xícara, xale, xingar, xampu.
Emprego do dígrafo CH
Escreve-se com ch, entre outros os seguintes vocábulos: bucha, charque, charrua, chavena,
chimarrão, chuchu, cochilo, fachada, ficha, flecha, mecha, mochila, pechincha, tocha.
Homônimos
Bucho = estômago
Buxo = espécie de arbusto
Cocha = recipiente de madeira
Coxa = capenga, manco
Tacha = mancha, defeito; pequeno prego; prego de cabeça larga e chata, caldeira
Taxa = imposto, preço de serviço público, conta, tarifa
Chá = planta da família das teáceas; infusão de folhas do chá ou de outras plantas
Xá = título do soberano da Pérsia (atual Irã)
Cheque = ordem de pagamento
Xeque = no jogo de xadrez, lance em que o rei é atacado por uma peça adversária
Consoantes dobradas
- Nas palavras portuguesas só se duplicam as consoantes C, R, S.
- Escreve-se com CC ou CÇ quando as duas consoantes soam distintamente: convicção, occipital,
cocção, fricção, friccionar, facção, sucção, etc.
- Duplicam-se o R e o S em dois casos: Quando, intervocálicos, representam os fonemas /r/ forte e /s/
sibilante, respectivamente: carro, ferro, pêssego, missão, etc. Quando a um elemento de composição
terminado em vogal seguir, sem interposição do hífen, palavra começada com /r/ ou /s/: arroxeado,
correlação, pressupor, bissemanal, girassol, minissaia, etc.
CÊ - cedilha
É a letra C que se pôs cedilha. Indica que o Ç passa a ter som de /S/: almaço, ameaça, cobiça, doença,
eleição, exceção, força, frustração, geringonça, justiça, lição, miçanga, preguiça, raça.
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Nos substantivos derivados dos verbos: ter e torcer e seus derivados: ater, atenção; abster, abstenção;
reter, retenção; torcer, torção; contorcer, contorção; distorcer, distorção.
O Ç só é usado antes de A, O, U.
Emprego das iniciais maiúsculas
- A primeira palavra de período ou citação. Diz um provérbio árabe: “A agulha veste os outros e vive
nua”. No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da letra maiúscula.
- Substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes sagrados, mitológicos,
astronômicos): José, Tiradentes, Brasil, Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via-
Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
- Nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas religiosas: Idade Média, Renascença,
Centenário da Independência do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
- Nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República, etc.
- Nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação, Estado, Pátria, União, República, etc.
- Nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações, órgãos públicos, etc: Rua do
Ouvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista,
etc.
- Nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e científicas, títulos de jornais e
revistas: Medicina, Arquitetura, Os Lusíadas, O Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da
Manhã, Manchete, etc.
- Expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente, Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor
Diretor, etc.
- Nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do Oriente, o falar do Norte.
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste.
- Nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas),
etc.
Emprego das iniciais minúsculas
- Nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos, nomes próprios tornados comuns:
maia, bacanais, carnaval, ingleses, ave-maria, um havana, etc.
- Os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando empregados em sentido geral: São Pedro foi
o primeiro papa. Todos amam sua pátria.
- Nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio Amazonas, a baía de Guanabara, o
pico da Neblina, etc.
- Palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta: “Qual deles: o hortelão ou o
advogado?”; “Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso, mirra”.
- No interior dos títulos, as palavras átonas, como: o, a, com, de, em, sem, grafam-se com inicial
minúscula.
Algumas palavras ou expressões costumam apresentar dificuldades colocando em maus lençóis quem
pretende falar ou redigir português culto. Esta é uma oportunidade para você aperfeiçoar seu
desempenho. Preste atenção e tente incorporar tais palavras certas em situações apropriadas.
A anos: a indica tempo futuro: Daqui a um ano iremos à Europa.
Há anos: há indica tempo passado: não o vejo há meses.
“Procure o seu caminho
Eu aprendi a andar sozinho
Isto foi há muito tempo atrás
Mas ainda sei como se faz
Minhas mãos estão cansadas
Não tenho mais onde me agarrar.”
(gravação: Nenhum de Nós)
Atenção: Há muito tempo já indica passado. Não há necessidade de usar atrás, isto é um pleonasmo.
Acerca de: equivale a (a respeito de): Falávamos acerca de uma solução melhor.
Há cerca de: equivale a (faz tempo). Há cerca de dias resolvemos este caso.
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. 205
Ao encontro de: equivale (estar a favor de): Sua atitude vai ao encontro da verdade.
De encontro a: equivale a (oposição, choque): Minhas opiniões vão de encontro às suas.
A fim de: locução prepositiva que indica (finalidade): Vou a fim de visitá-la.
Afim: é um adjetivo e equivale a (igual, semelhante): Somos almas afins.
Ao invés de: equivale (ao contrário de): Ao invés de falar começou a chorar (oposição).
Em vez de: equivale a (no lugar de): Em vez de acompanhar-me, ficou só.
Faça você a sua parte, ao invés de ficar me cobrando!
Quantas vezes usamos “ao invés de” quando queremos dizer “no lugar de”!
Contudo, esse emprego é equivocado, uma vez que “invés” significa “contrário”, “inverso”. Não que
seja absurdamente errado escrever “ao invés de” em frases que expressam sentido de “em lugar de”,
mas é preferível optar por “em vez de”.
Observe: Em vez de conversar, preferiu gritar para a escola inteira ouvir! (em lugar de)
Ele pediu que fosse embora ao invés de ficar e discutir o caso. (ao contrário de)
Use “ao invés de” quando quiser o significado de “ao contrário de”, “em oposição a”, “avesso”, “inverso”.
Use “em vez de” quando quiser um sentido de “no lugar de” ou “em lugar de”. No entanto, pode assumir
o significado de “ao invés de”, sem problemas. Porém, o que ocorre é justamente o contrário, coloca-se
“ao invés de” onde não poderia.
A par: equivale a (bem informado, ciente): Estamos a par das boas notícias.
Ao par: indica relação (de igualdade ou equivalência entre valores financeiros – câmbio): O dólar e o
euro estão ao par.
Aprender: tomar conhecimento de: O menino aprendeu a lição.
Apreender: prender: O fiscal apreendeu a carteirinha do menino.
À toa: é uma locução adverbial de modo, equivale a (inutilmente, sem razão): Andava à toa pela rua.
À toa: é um adjetivo (refere-se a um substantivo), equivale a (inútil, desprezível). Foi uma atitude à toa
e precipitada. (até 01/01/2009 era grafada: à-toa)
Baixar: os preços quando não há objeto direto; os preços funcionam como sujeito: Baixaram os preços
(sujeito) nos supermercados. Vamos comemorar, pessoal!
Abaixar: os preços empregado com objeto direto: Os postos (sujeito) de combustível abaixaram os
preços (objeto direto) da gasolina.
Bebedor: é a pessoa que bebe: Tornei-me um grande bebedor de vinho.
Bebedouro: é o aparelho que fornece água. Este bebedouro está funcionando bem.
Bem-Vindo: é um adjetivo composto: Você é sempre bem vindo aqui, jovem.
Benvindo: é nome próprio: Benvindo é meu colega de classe.
Boêmia/Boemia: são formas variantes (usadas normalmente): Vivia na boêmia/boemia.
Botijão/Bujão de gás: ambas formas corretas: Comprei um botijão/bujão de gás.
Câmara: equivale ao local de trabalho onde se reúnem os vereadores, deputados: Ficaram todos
reunidos na Câmara Municipal.
Câmera: aparelho que fotografa, tira fotos: Comprei uma câmera japonesa.
Champanha/Champanhe (do francês): O champanha/champanhe está bem gelado.
Cessão: equivale ao ato de doar, doação: Foi confirmada a cessão do terreno.
Sessão: equivale ao intervalo de tempo de uma reunião: A sessão do filme durou duas horas.
Seção/Secção: repartição pública, departamento: Visitei hoje a seção de esportes.
Demais: é advérbio de intensidade, equivale a muito, aparece intensificando verbos, adjetivos ou o
próprio advérbio. Vocês falam demais, caras!
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Demais: pode ser usado como substantivo, seguido de artigo, equivale a os outros. Chamaram mais dez
candidatos, os demais devem aguardar.
De mais: é locução prepositiva, opõe-se a de menos, refere-se sempre a um substantivo ou a um
pronome: Não vejo nada de mais em sua decisão.
Dia a dia: é um substantivo, equivale a cotidiano, diário, que faz ou acontece todo dia. Meu dia a dia é
cheio de surpresas. (até 01/01/2009, era grafado dia-a-dia)
Dia a dia: é uma expressão adverbial, equivale a diariamente. O álcool aumenta dia a dia. Pode isso?
Descriminar: equivale a (inocentar, absolver de crime). O réu foi descriminado; pra sorte dele.
Discriminar: equivale a (diferençar, distinguir, separar). Era impossível discriminar os caracteres do
documento. Cumpre discriminar os verdadeiros dos falsos valores. /Os negros ainda são discriminados.
Descrição: ato de descrever: A descrição sobre o jogador foi perfeita.
Discrição: qualidade ou caráter de ser discreto, reservado: Você foi muito discreto.
Entrega em domicílio: equivale a lugar: Fiz a entrega em domicílio.
Entrega a domicílio com verbos de movimento: Enviou as compras a domicílio.
As expressões “entrega em domicílio” e “entrega a domicílio” são muito recorrentes em restaurantes,
na propaganda televisa, no outdoor, no folder, no panfleto, no catálogo, na fala. Convivem juntas sem
problemas maiores porque são entendidas da mesma forma, com um mesmo sentido. No entanto, quando
falamos de gramática normativa, temos que ter cuidado, pois “a domicílio” não é aceita. Por quê? A
regra estabelece que esta última locução adverbial deve ser usada nos casos de verbos que indicam
movimento, como: levar, enviar, trazer, ir, conduzir, dirigir-se.
Portanto, “A loja entregou meu sofá a casa” não está correto. Já a locução adverbial “em domicílio”
é usada com os verbos sem noção de movimento: entregar, dar, cortar, fazer.
A dúvida surge com o verbo “entregar”: não indicaria movimento? De acordo com a gramática purista
não, uma vez que quem entrega, entrega algo em algum lugar.
Porém, há aqueles que afirmam que este verbo indica sim movimento, pois quem entrega se desloca
de um lugar para outro.
Contudo, obedecendo às normas gramaticais, devemos usar “entrega em domicílio”, nos atentando ao
fato de que a finalidade é que vale: a entrega será feita no (em+o) domicílio de uma pessoa.
Espectador: é aquele que vê, assiste: Os espectadores se fartaram da apresentação.
Expectador: é aquele que está na expectativa, que espera alguma coisa: O expectador aguardava o
momento da chamada.
Estada: permanência de pessoa (tempo em algum lugar): A estada dela aqui foi gratificante.
Estadia: prazo concedido para carga e descarga de navios ou veículos: A estadia do carro foi
prolongada por mais algumas semanas.
Fosforescente: adjetivo derivado de fósforo; que brilha no escuro: Este material é fosforescente.
Fluorescente: adjetivo derivado de flúor, elemento químico, refere-se a um determinado tipo de
luminosidade: A luz branca do carro era fluorescente.
Haja - do verbo haver - É preciso que não haja descuido.
Aja - do verbo agir - Aja com cuidado, Carlinhos.
Houve: pretérito perfeito do verbo haver, 3ª pessoa do singular.
Ouve: presente do indicativo do verbo ouvir, 3ª pessoa do singular.
Levantar: é sinônimo de erguer: Ginês, meu estimado cunhado, levantou sozinho a tampa do poço.
Levantar-se: pôr de pé: Luís e Diego levantaram-se cedo e, dirigiram-se ao aeroporto.
Mal: advérbio de modo, equivale a erradamente, é oposto de bem: Dormi mal. (bem). Equivale a nocivo,
prejudicial, enfermidade; pode vir antecedido de artigo, adjetivo ou pronome: A comida fez mal para mim.
Seu mal é crer em tudo. Conjunção subordinativa temporal, equivale a assim que, logo que: Mal chegou
começou a chorar desesperadamente.
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Mau: adjetivo, equivale a ruim, oposto de bom; plural=maus; feminino=má. Você é um mau exemplo
(bom). Substantivo: Os maus nunca vencem.
Mas: conjunção adversativa (ideia contrária), equivale a porém, contudo, entretanto: Telefonei-lhe mas
ela não atendeu.
Mais: pronome ou advérbio de intensidade, opõe-se a menos: Há mais flores perfumadas no campo.
Nem um: equivale a nem um sequer, nem um único; a palavra “um” expressa quantidade: Nem um filho
de Deus apareceu para ajudá-la.
Nenhum: pronome indefinido variável em gênero e número; vem antes de um substantivo, é oposto de
algum: Nenhum jornal divulgou o resultado do concurso.
Obrigada: As mulheres devem dizer: muito obrigada, eu mesma, eu própria.
Obrigado: Os homens devem dizer: muito obrigado, eu mesmo, eu próprio.
Onde: indica o lugar em que se está; refere-se a verbos que exprimem estado, permanência: Onde fica
a farmácia mais próxima?
Aonde: ideia de movimento; equivale (para onde) somente com verbo de movimento desde que indique
deslocamento, ou seja, a+onde. Aonde vão com tanta pressa?
“Pode seguir a tua estrada
o teu brinquedo de estar
fantasiando um segredo
o ponto aonde quer chegar...”
(gravação: Barão Vermelho)
Por ora: equivale a “por este momento”, “por enquanto”: Por ora chega de trabalhar.
Por hora: locução equivale a “cada sessenta minutos”: Você deve cobrar por hora.
Emprego do Porquê
Por Que
Orações
Interrogativas
(pode ser substituído
por: por qual motivo, por
qual razão)
Exemplo:
Por que devemos nos preocupar com o meio
ambiente?
Equivalendo a “pelo
qual”
Exemplo:
Os motivos por que não respondeu são
desconhecidos.
Por Quê
Final de frases e
seguidos de pontuação
Exemplos:
Você ainda tem coragem de perguntar por quê?
Você não vai? Por quê?
Não sei por quê!
Porque
Conjunção que indica
explicação ou causa
Exemplos:
A situação agravou-se porque ninguém reclamou.
Ninguém mais o espera, porque ele sempre se
atrasa.
Conjunção de
Finalidade – equivale a
“para que”, “a fim de
que”.
Exemplos:
Não julgues porque não te julguem.
Porquê
Função de
substantivo – vem
acompanhado de artigo
ou pronome
Exemplos:
Não é fácil encontrar o porquê de toda confusão.
Dê-me um porquê de sua saída.
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1. Por que (pergunta)
2. Porque (resposta)
3. Por quê (fim de frase: motivo)
4. O Porquê (substantivo)
Emprego de outras palavras
Senão: equivale a “caso contrário”, “a não ser”: Não fazia coisa nenhuma senão criticar.
Se não: equivale a “se por acaso não”, em orações adverbiais condicionais: Se não houver homens
honestos, o país não sairá desta situação crítica.
Tampouco: advérbio, equivale a “também não”: Não compareceu, tampouco apresentou qualquer
justificativa.
Tão pouco: advérbio de intensidade: Encontramo-nos tão pouco esta semana.
Trás ou Atrás = indicam lugar, são advérbios.
Traz - do verbo trazer.
Vultoso: volumoso: Fizemos um trabalho vultoso aqui.
Vultuoso: atacado de congestão no rosto: Sua face está vultuosa e deformada.
Questões
01. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP). Assinale a alternativa em que todas as palavras estão
grafadas segundo a ortografia oficial.
(A) Diante da paralização das atividades dos agentes dos correios, pede-se a compreenção de todos,
pois ouve exceções na distribuição dos processos.
(B) O revesamento dos funcionarios entre o Natal e o Ano Novo será feito mediante sorteio, para que
não ocorra descriminação.
(C) Durante o período de recessão, os chefes serão encumbidos de controlar a imissão de faxes e
copias xerox.
(D) A concessão de férias obedece a critérios legais, o mesmo ocorrendo com os casos de rescisão
contratual.
(E) É certo que os cuidados com o educando devem dobrar durante a adolecencia, para que o jovem
haja sempre de acordo com a lei.
02. (CIAAR - Capelão Militar Católico - CIAAR)
O “gilete” dos tablets
Num mundo capitalista como este em que vivemos, onde as empresas concorrem para posicionar suas
marcas e fixar logotipos e slogans na cabeça dos consumidores, a síndrome do “Gillette” pode ser decisiva
para a perpetuação de um produto. É isso que preocupa a concorrência do iPad, tablet da Apple.
Assim como a marca de lâminas de barbear tornou-se sinônimo de toda a categoria de barbeadores,
eclipsando o nome das marcas que ofereciam produtos similares, o mesmo pode estar acontecendo com
o tablet lançado por Steve Jobs. O maior temor do mercado é que as pessoas passem a se referir aos
tablets como “iPad” em geral, dizendo “iPad da Samsung” ou “iPad da Motorola”, e assim por diante.
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[...] O mesmo se deu com os lenços Kleenex, os curativos Band-aid e as fotocopiadoras Xerox. Resta
saber se os consumidores se habituarão com outros nomes para produto tecnológico.
Disponível em: http//revistalingua.uol.com.br/textos/blog-edgard/o-gilete-dos-tablets-260395-1.asp – Adaptado.
No texto I, a palavra “gilete” (com inicial minúscula e apenas uma letra “L” na segunda sílaba) compõe
o título, ao passo que no primeiro parágrafo tem-se a forma “Gillette” (com inicial maiúscula e duas letras
“L” na segunda sílaba). Julgue as afirmativas a respeito dessa diferença.
I. A diferença de grafia entre as duas formas é fruto de um erro de ortografia.
II. A diferença de grafia se dá devido “gilete”, do título, ser um nome comum e “Gillette”, do primeiro
parágrafo, um nome próprio.
III. Há diferença entre as formas por “Gillette” ser parte do nome de um problema recorrente em
economia chamado síndrome do “Gillette”.
IV. Há diferença entre as formas por “gilete” ser a designação de qualquer lâmina descartável de
barbear e “Gillette”, uma lâmina descartável de uma marca específica.
Estão corretas apenas as afirmativas
(A) I e III.
(B) II e III.
(C) II e IV.
(D) III e IV.
03. (CRF-SC - Operador de Computador - IESES)
Pra que serve um vereador?
por César Cerqueira
Disponível em Http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0
EMI3171-1-PRA+QUE+SERVE+UM+VEREADOR. Html/Acesso em 06 de outubro de 2012.
(...) Mas se o prefeito e seus secretários planejam e coordenam toda a administração da cidade, o que
sobra ao vereador, esse cargo que em 2012 será disputado por 440 mil pessoas? (Há mais candidatos a
vereador do que a soma de budistas e judeus no Brasil segundo o Censo de 2010).
A constituição de 1988 ajudou a defninir a função desses políticos, apontando suas competências
genéricas. Segundo a Carta, as principais são legislar e fiscalizar. As leis que eles redigem e aprovam
não podem contrariar as das esferas superiores (estadual e federal), mas podem regulamentar algumas
coisas importantes, como restrições a fumo em locais e regras para venda de carne moída. Mas outras
nem tanto, como o nome novo daquela rua que você nem sabe que existe. Na área de fiscalização, cabe
a eles acompanhar gastos do município, avaliar ações do prefeito e cobrar trasnparência. Além disso,
eles devem atuar como administradores das próprias Câmaras, e às vezes até como juízes, ao processar
e julgar o prefeito e os próprios colegas em caso de irregularidades. Isso é o que diz a lei.
No dia a dia, porém, a atividade que toma mais tempo dos vereadores é o atendimento de pedidos dos
indivíduos, comunidades e outros grupos de eleições. Sabe aquelas faixas que dizem “Obrigado, vereador
Fulano, por trazer o asfalto à comunidade da Vila Ribeirinha”? Pode ser asfalto, mas também pode ser
emprego, remédios, óculos, dinheiro para pagar contas, material de construção. Ou seja, atender a
demandas específicas e imediatas, sejam individuais ou coletivas. Isso é o que a maioria dos vereadores
tenta fazer – até porque é justamente isso que os eleitores esperam dele.
Uma pesquisa publicada pelo luperj (Instituto Universitário de Pesquisa do rio de Janeiro) em 2009
mostra como um vereador da zona oeste do Rio construiu sua fama a partir da manutenção de “centros
sociais” privados, com 80 funcionários cada um, que ofereciam desde cursos de lambaeróbica até
consultas médicas e jurídicas. O Brasil está cheio de exemplos assim. E como esas atividades não estão
proibidas em lei – ao menos fora do período eleitoral -, é complicado dizer se isso é certo ou errado.
“Medir o clientelismo, a troca de benefícios entre pessoas com diferentes níveis de poder, é muito
difícil. A fronteira ética neste caso é muito borrada, porque, por mais que isso possa ter uma conotação
negativa, o vereador é importante como canal para resolver problemas pontuais da população”, diz Felix
Lopez, cientísta político do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Ele lembra que, afinal, esse
é o representante político mais acessível ao cidadão comum.
“A maioria dos eleitores acha inadequado o vereador dizer: “Meu papel é legislar e fiscalizar e não vou
fazer isso que você está me pedindo”, afirma Lopez, coautor de um estudo que analisou em detalhes a
rotina de vereadores de 12 cidades de Minas Gerais. Quando questionados sobre o que era mais
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importante em seu trabalho, 60% deles responderam que era “atender a pedidos individuais ou coletivos
de eleitores” (...). Não por acaso, 44% deles disseram que essa era a atividade que mais ocupa seu tempo
de trabalho.
No estudo, os autores apontam três fatores que ajudam a explicar esse perfil assistencialista do
vereador. Um deles é a natureza quase amadora da gestão municipal brasileira, baseada em redes de
contato pessoal. Outro seria o tamanho relativamente pequeno dos municípios no país – nos 89% com
menos de 50 mil habitantes, não existe mesmo tanta coisa sobre o que legislar. Inclusive, a maior parte
das câmaras nessas cidades só tem uma ou duas sessões por semana. A última explicação seria o poder
reduzido desses políticos: questões importantes, como a definição do orçamento, acabam na mão dos
prefeitos.
Para compensar e mostrar serviço na Câmara, os vereadores acabam sugerindo e aprovando um
grande volume de leis que pouco ajudam a vida do cidadão (...)
Analise as proposições a seguir e em seguida assinale a alternativa correta:
I. O termo “isso”, destacado no terceiro parágrafo, retoma a expressão “pode ser asfalto, mas também
pode ser emprego, remédio, óculos, dinheiro para pagar contas, material de construção”.
II. No trecho: “Há mais candidatos a vereador do que a soma de budistas” temos a presença de
palavras parônimas.
III. Em: “consultas médicas e jurídicas”, as duas palavras acentuadas recebem acento pelo mesmo
motivo.
IV. O emprego dos parênteses no final do 1º parágrafo tem a função de indicar possibilidade alternativa
de leitura.
(A) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas.
(B) Apenas as assertivas II e III estão corretas.
(C) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
(D) Apenas a assertiva III está correta.
04. (MPE-RS - Técnico em Informática - Sistemas - MPE)
A empresa de segurança móvel LookOut afirmou nesta segunda-feira que algumas redes de
publicidade recolheram secretamente informações pessoais de usuários de aplicativos durante o ano
passado e agora ________ acesso a milhões de smartphones em todo o mundo. Segundo a LookOut,
essas práticas não regulamentadas estão em ________. Por essa razão, urge que desenvolvedores de
aplicativos e anunciantes se unam na busca de soluções para que o consumidor não fique vulnerável a
esse tipo de invasão. A empresa afirma que mais de 80 milhões de aplicativos que foram baixados
carregam uma forma de anúncios invasivos que podem pegar os dados pessoais dos usuários a partir de
telefones ou instalar software sem o conhecimento deles. Algumas redes mais agressivas conseguem
até mesmo coletar endereços de e-mail ou números de telefone sem a permissão do usuário. As redes
de publicidade atuam como intermediárias, ligando um grande número de anunciantes com editores de
mídia. Os casos estão crescendo especialmente a partir da expansão da plataforma Android, do Google,
onde aplicativos como o Angry Birds são distribuídos gratuitamente financiados por meio de anúncios.
As empresas de publicidade estão acompanhando de perto como o setor de anúncios móveis ________
representando uma oportunidade para novos fluxos de receita. Todavia, com consumidores cada vez
mais conscientes das questões de privacidade, algumas dizem que práticas agressivas como essas
poderiam ser ________ para o aumento da comercialização de smartphones. "Estamos vivendo os
primórdios da publicidade móvel, e os modelos são muito similares aos da web, onde as práticas não são
muito respeitosas", disse Anne Bezançon, presidente da Placecast, que fornece serviços baseados em
localização de marketing, mas garante não vender as informações de seus 10 milhões de clientes. ―A
experiência móvel é muito mais íntima e pessoal — um telefone é como se fosse uma extensão da
pessoa. É o equivalente a alguém sussurrar em seu ouvido”, afirma Bezançon.
Adaptado de:< http://oglobo.globo.com/tecnologia/empresa-deseguranca-alerta-para-ameaca-privacidade-em-smartphones-5429137>.
Acesso em: 09 de julho de 2012.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas no texto, nesta ordem.
(A) têm – ascensão – vem – desastrosas
(B) tem – ascenção – vêm – desastrozas
(C) têm – ascensão – vem – desastrozas
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(D) têm – ascenção – veem – desastrozas
(E) tem – ascenção – vêm – dezastrosas
05. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale a opção em que todas as palavras são vocábulos
de sentidos iguais ou aproximados:
(A) Escopo; Intento; Mira; Tronco.
(B) Adiado; Adiantado; Delongado; Moroso.
(C) Dúctil; Madeira; Lenha; Brando.
(D) Branco; Níveo; Cândido; Alvo.
(E) Tangerina; Bergamota; Jambo; Mexerica.
06. (TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP)
Que mexer o esqueleto é bom para a saúde já virou até sabedoria popular. Agora, estudo levanta
hipóteses sobre ........................ praticar atividade física..........................benefícios para a totalidade do
corpo. Os resultados podem levar a novas terapias para reabilitar músculos contundidos ou mesmo para
.......................... e restaurar a perda muscular que ocorre com o avanço da idade.
(Ciência Hoje, março de 2012)
As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
(A) porque … trás … previnir
(B) porque … traz … previnir
(C) porquê … tras … previnir
(D) por que … traz … prevenir
(E) por quê … tráz … prevenir
07. (TJ-MG) Técnico Judiciário - Analista de Recursos Humanos
Como o rei de um país chuvoso
(1) Um espectro ronda o mundo atual: o espectro do tédio. Ele se manifesta de (2) diversas maneiras.
Algumas de suas vítimas invadem o “shopping Center” e, (3) empunhando um cartão de crédito,
comprometem o futuro do marido ou da mulher (4) e dos filhos. A maioria opta por ficar horas diante da
TV, assistindo a “reality (5) shows”, os quais, por razões que me escapam, tornam interessante para seu
(6) público a vida comum de estranhos, ou seja, algo idêntico à própria rotina considerada vazia,
claustrofóbica.
(8) O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, (9) julgávamos
naturalmente imunizadas a seu contágio. Crianças sempre foram (10) capazes de se divertir umas com
as outras ou até sozinhas. Dotadas de cérebros (11) que, como esponjas, tudo absorvem e de um
ambiente, qualquer um, no qual tudo (12) é novo, tudo é infinito, nunca lhes faltam informação e dados a
processar. Elas (13) não precisam ser entretidas pelos adultos, pois o que quer que estes façam ou
deixem de fazer lhes desperta, por definição, a curiosidade natural e aguça seus (15) instintos analíticos.
E, todavia, os pais se veem cada vez mais compelidos a (16) inventar maneiras de distrair seus filhos
durante as horas ociosas destes, um (17) conceito que, na minha infância, não existia. É a ideia de que,
se a família os (18) ocupar com atividades, os filhos terão mais facilidades na vida.
Sendo assim, os pais, simplesmente, não deixam os filhos pararem. (20) Se o mal em si nada tem de
original e, ao que tudo indica, surgiu, assim como (21) o medo, o nojo e a raiva, junto com nossa espécie
ou, quem sabe, antes, também (22) é verdade que, por milênios, somente uma minoria dispunha das
precondições necessárias para sofrer dele. (23) Falamos do homem cujas refeições da semana
dependiam do que (24) conseguiria caçar na segunda-feira, antes de, na terça, estar (25) fraco o bastante
para se converter em caça e de uma mulher que, de sol a sol, (26) trabalhava com a enxada ou o pilão.
Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio, (27) que pressupõe ócio abundante e sistemático para se
manifestar em grande (28) escala. Ninguém lhe oferecia facilidades. Por isso é que, até onde a memória
coletiva alcança, o problema quase sempre se restringia ao topo da pirâmide (30) social, a reis, nobres,
magnatas, aos membros privilegiados de sociedades que, (31) organizadas e avançadas, transformavam
a faina abusiva da maioria no luxo de (32) pouquíssimos eleitos.
(33) O tédio, portanto, foi um produto de luxo, e isso até tão recentemente que (34) Baudelaire, para,
há século e meio, descrevê-lo, comparou-se ao rei de um país (35) chuvoso, como se experimentar
delicadeza tão refinada elevasse socialmente quem não passava de “aristocrata de espírito”.
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(37) Coube à Revolução Industrial a produção em massa daquilo que, (38) previamente, eram
raridades reservadas a uma elite mínima. E, se houve um (39) produto que se difundiu com sucesso
notável pelos mais inesperados andares e (40) recantos do edifício social, esse produto foi o tédio. Nem
se requer uma fartura de (41) Primeiro Mundo para se chegar à sua massificação. Basta, a rigor, que à
(42) satisfação do biologicamente básico se associe o cerceamento de outras (43) possibilidades (como,
inclusive, a da fuga ou da emigração), para que o tempo (44) ocioso ou inútil se encarregue do resto. Foi
assim que, após as emoções (45) fornecidas por Stalin e Hitler, os países socialistas se revelaram exímios
(46) fabricantes de tédio, único bem em cuja produção competiram à altura com seus (47) rivais
capitalistas. O tédio não é piada, nem um problema menor. Ele é central. Se (48) não existisse o tédio,
não haveria, por exemplo, tantas empresas de (49) entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.
Seja como for, nem esta nem (50) soluções tradicionais (a alta cultura, a religião organizada) resolverão
seus (51) impasses. Que fazer com essa novidade histórica, as massas de crianças e jovens
perpetuamente desempregados, funcionários, gente aposentada e cidadãos em geral ameaçados não
pela fome, guerra ou epidemias, mas pelo tédio, algo que ainda ontem afetava apenas alguns monarcas?
ASCHER, Nélson, Folha de S. Paulo, 9 abr. 2007, Ilustrada. (Texto adaptado)
“O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, julgávamos naturalmente
imunizadas a seu contágio.” (linhas 8-9).
A expressão destacada pode ser substituída sem alteração significativa do sentido por:
(A) a uma ou duas gerações.
(B) acerca de duas gerações.
(C) há uma ou duas gerações.
(D) por uma ou duas gerações.
08. Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da frase abaixo: Não sei o _____ ela está
com os olhos vermelhos, talvez seja _____ chorou.
(A) porquê / porque;
(B) por que / porque;
(C) porque / por que;
(D) porquê / por quê;
(E) por que / por quê.
09. (Unimep – SP) “Se você não arrumar o fogão, além de não poder cozinhar as batatas, há o perigo
próximo de uma explosão.”
As palavras destacadas podem ser substituídas por:
(A) concertar – coser – iminente
(B) consertar – cozer – eminente
(C) consertar – cozer – iminente
(D) concertar – coser – iminente
(E) consertar – coser – eminente
10. (PREFEITURA DE SERTANEJA PR – AGENTE ADMINISTRATIVO – UNIUV/2015) Assinale a
alternativa em que a ortografia está incorreta:
(A) Egrégio;
(B) Selvageria;
(C) Fascinante;
(D) Orquídia;
(E) Umedecer.
11. (IF SP – TÉCNICO EM ENFERMAGEM – FUNDEP/2014) Assinale a alternativa em que há ERRO
de ortografia:
(A) Acesso permitido apenas aos funcionários do setor.
(B) A exposição não deve exceder a dois segundos.
(C) O prazo de pagamento expira no último dia útil do mês.
(D) Embalamos refeições para viajem.
12. (CAU SP – ASSISTENTE TÉCNICO CONTÁBIL – MAKIYAMA/2014) Assinale a alternativa cuja
oração NÃO apresenta erros de ortografia.
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(A) Parece até que a garota foi flexada por um cupido...
(B) Preciso providenciar o lisenciamento do meu carro.
(C) A bandeija com trinta ovos custa cinco reais.
(D) O camaleão é um répitil muito exótico.
(E) O botijão de água está com rachaduras.
13. (ELETTROBRAS – LEITURISTA – IADES/2015) Considerando as regras de ortografia, assinale
a alternativa em que a palavra está grafada corretamente.
(A) Dimencionar.
(B) Assosciação.
(C) Capassitores.
(D) Xoque.
(E) Conversão.
14. (MPE SP – ANALISTA DE PROMOTORIA – VUNESP/2015)
Considerando a ortografia e a acentuação da norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas estão,
correta e respectivamente, preenchidas por:
(A) mal ... por que ... intuíto
(B) mau ... por que ... intuito
(C) mau ... porque ... intuíto
(D) mal ... porque ... intuito
(E) mal ... por quê ... intuito
Respostas
01. Resposta D
a) Diante da paralização das atividades dos agentes dos correios, pede-se a compreenção de todos,
pois ouve exceções na distribuição dos processos. (paralisação - compreensão - houve)
b) O revesamento dos funcionarios entre o Natal e o Ano Novo será feito mediante sorteio, para que
não ocorra descriminação. (revezamento - funcionários - discriminação)
c) Durante o período de recessão, os chefes serão encumbidos de controlar a imissão de faxes e
copias xerox. (incumbidos - emissão - cópias)
d) A concessão de férias obedece a critérios legais, o mesmo ocorrendo com os casos de rescisão
contratual.
e) É certo que os cuidados com o educando devem dobrar durante a adolecencia, para que o jovem
haja sempre de acordo com a lei. (adolescência - aja)
02. Resposta C
A palavra “gilete” significa apenas uma lâmina de barbear, já a palavra “Gillette” está diretamente
relacionada a uma marca de lâminas de barbear, escreve-se com letra maiúscula porque trata-se de um
nome próprio.
03. Resposta D
As palavras a e há são HOMÓFONAS (Homo: IGUAIS; Fonas: SOM) ou seja, tem GRAFIAS
DIFERENTES mas possuem o MESMO SOM. O Há descrito no texto vem do verbo Haver, no sentido
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de existir. e o "a" não é considerado uma palavra e sim é um artigo! Por isso a opção 2 está errada.
Parônimos comparam palavras, e não palavras e conjunções, palavras e artigo, etc.
04. Resposta A
têm (ees) – ascensão – vem (ele)– desastrosas (na palavra desastrosas não há a utilização da
consoante z).
05. Resposta D
Nesta alternativa todas as palavras significam algo claro, branco.
06. Resposta D
Por que - equivale a "por qual razão";
Traz - na oração o "traz" está no sentido de trazer, portanto com Z sem acento pois acentua-se os
monossílabos tônicos apenas se estes terminarem com A, E, O (s).
Trás - com S apenas se a oração der por entender que o "trás" está em sentido de posição posterior.
07. Resposta C
A alternativa “a” está incorreta, pois a preposição “a” não remete a tempo, como o verbo haver (existir
e fazer). A alternativa “b” está incorreta, pois “a cerca de” significa “aproximadamente”, “mais ou menos”,
deixando o sentido em dúvida. Quanto à alternativa “d”, a preposição “por” muda o sentido afirmando que
o mal ataca hoje em dia faixas etárias que somente há uma ou duas gerações atrás, julgávamos... não
podendo ter acontecido em outras gerações. Confirmamos então a veracidade da alternativa “c”.
08. Resposta B
A partícula “o” é um pronome demonstrativo, equivalendo a aquilo, e funciona como antecedente do
pronome relativo: “Não sei aquilo pelo qual ela está com os olhos vermelhos”. A primeira impressão é a
de que seria um artigo, mas não faria sentido preenchermos a lacuna com o substantivo “motivo” que é
sinônimo de “porquê”. A segunda lacuna dá claramente a ideia de causa, logo deve ser utilizada a
conjunção “porque”.
09. Resposta C
Consertar – reparo, ato ou efeito de consertar.
Cozer – cozinhar.
Iminente – que ameaça acontecer.
10. Resposta D
E) Apesar do substantivo ser umidade, o adjetivo ser úmido o verbo é umedecer, assim como o seu
particípio umedecido.
Correção: orquídea
11. Resposta D
VIAGEM = SUBSTANTIVO
VIAJAR = VERBO
12. Resposta E
A) palavra certa é FLECHADA
B) palavra certa é LICENCIAMENTO
C) palavra certa é BANDEJA
D) palavra certa é RÉPTIL
E) CORRETA
13. Resposta E
A) Dimensionar
B) Associação
C) Capacitores
D) Choque
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14. Resposta D
- Mal: pode substituir por bem; Mau: pode substituir por bom.
- Porque: quando posso trocar por: pois; já que...
Porquê: é substantivo e tem significado de "o motivo". Vem precedido de um artigo! (Ex: Quero saber
o porquê da discussão).
Por que --> frases interrogativas = por qual razão; por qual motivo. Utiliza-se para perguntas diretas
(Ex: Por que você fez isso?) e indiretas (Ex: Quero saber o por que você fez isso).
Por quê = por qual razão; por qual motivo. A diferença é que vem antes de um ponto, seja final,
interrogativo ou exclamação. (Ex: Você não disse a verdade. Por quê? / 2º Exemplo: Não entendo por
quê.).
- intuito
in.tui.to
(túi) sm (lat intuitu) 1 Escopo, fim. 2 Aquilo que se tem em vista; plano, propósito.
Tonicidade
Num vocábulo de duas ou mais sílabas, há, em geral, uma que se destaca por ser proferida com mais
intensidade que as outras: é a sílaba tônica. Nela recai o acento tônico, também chamado acento de
intensidade ou prosódico. Exemplos: café, janela, médico, estômago, colecionador.
O acento tônico é um fato fonético e não deve ser confundido com o acento gráfico (agudo ou
circunflexo) que às vezes o assinala. A sílaba tônica nem sempre é acentuada graficamente. Exemplo:
cedo, flores, bote, pessoa, senhor, caju, tatus, siri, abacaxis.
As sílabas que não são tônicas chamam-se átonas (=fracas), e podem ser pretônicas ou postônicas,
conforme apareçam antes ou depois da sílaba tônica. Exemplo: montanha, facilmente, heroizinho.
De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos com mais de uma sílaba classificam-se em:
Oxítonos: quando a sílaba tônica é a última: café, rapaz, escritor, maracujá.
Paroxítonos: quando a sílaba tônica é a penúltima: mesa, lápis, montanha, imensidade.
Proparoxítonos: quando a sílaba tônica é a antepenúltima: árvore, quilômetro, México.
Monossílabos são palavras de uma só sílaba, conforme a intensidade com que se proferem, podem
ser tônicos ou átonos.
Monossílabos tônicos são os que têm autonomia fonética, sendo proferidos fortemente na frase em
que aparecem: é, má, si, dó, nó, eu, tu, nós, ré, pôr, etc.
Monossílabos átonos são os que não têm autonomia fonética, sendo proferidos fracamente, como se
fossem sílabas átonas do vocábulo a que se apoiam. São palavras vazias de sentido como artigos,
pronomes oblíquos, elementos de ligação, preposições, conjunções: o, a, os, as, um, uns, me, te, se, lhe,
nos, de, em, e, que.
Acentuação dos Vocábulos Proparoxítonos
Todos os vocábulos proparoxítonos são acentuados na vogal tônica:
- Com acento agudo se a vogal tônica for i, u ou a, e, o abertos: xícara, úmido, queríamos, lágrima,
término, déssemos, lógico, binóculo, colocássemos, inúmeros, polígono, etc.
- Com acento circunflexo se a vogal tônica for fechada ou nasal: lâmpada, pêssego, esplêndido,
pêndulo, lêssemos, estômago, sôfrego, fôssemos, quilômetro, sonâmbulo etc.
Acentuação dos Vocábulos Paroxítonos
Acentuam-se com acento adequado os vocábulos paroxítonos terminados em:
Acentuação gráfica
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- ditongo crescente, seguido, ou não, de s: sábio, róseo, planície, nódua, Márcio, régua, árdua,
espontâneo, etc.
- i, is, us, um, uns: táxi, lápis, bônus, álbum, álbuns, jóquei, vôlei, fáceis, etc.
- l, n, r, x, ons, ps: fácil, hífen, dólar, látex, elétrons, fórceps, etc.
- ã, ãs, ão, ãos, guam, guem: ímã, ímãs, órgão, bênçãos, enxáguam, enxáguem, etc.
Não se acentua um paroxítono só porque sua vogal tônica é aberta ou fechada. Descabido seria o
acento gráfico, por exemplo, em cedo, este, espelho, aparelho, cela, janela, socorro, pessoa, dores, flores,
solo, esforços.
Acentuação dos Vocábulos Oxítonos
Acentuam-se com acento adequado os vocábulos oxítonos terminados em:
- a, e, o, seguidos ou não de s: xará, serás, pajé, freguês, vovô, avós, etc. Seguem esta regra os
infinitivos seguidos de pronome: cortá-los, vendê-los, compô-lo, etc.
- em, ens: ninguém, armazéns, ele contém, tu conténs, ele convém, ele mantém, eles mantêm, ele
intervém, eles intervêm, etc.
Acentuação dos Monossílabos
Acentuam-se os monossílabos tônicos: a, e, o, seguidos ou não de s: há, pá, pé, mês, nó, pôs, etc.
Acentuação dos Ditongos
Acentuam-se a vogal dos ditongos abertos éi, éu, ói, quando tônicos.
Segundo as novas regras os ditongos abertos “éi” e “ói” não são mais acentuados em palavras
paroxítonas: assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, Coréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico,
paranóico, etc. Ficando: Assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, Coreia, boia, paranoia, jiboia, apoio,
heroico, paranoico, etc.
Nos ditongos abertos de palavras oxítonas terminadas em éi, éu e ói e monossílabas o acento
continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis, troféu, céu, chapéu.
Acentuação dos Hiatos
A razão do acento gráfico é indicar hiato, impedir a ditongação. Compare: caí e cai, doído e doido,
fluído e fluido.
- Acentuam-se em regra, o /i/ e o /u/ tônicos em hiato com vogal ou ditongo anterior, formando sílabas
sozinhas ou com s: saída (sa-í-da), saúde (sa-ú-de), faísca, caíra, saíra, egoísta, heroína, caí, Xuí, Luís,
uísque, balaústre, juízo, país, cafeína, baú, baús, Grajaú, saímos, eletroímã, reúne, construía, proíbem,
influí, destruí-lo, instruí-la, etc.
- Não se acentua o /i/ e o /u/ seguidos de nh: rainha, fuinha, moinho, lagoinha, etc; e quando formam
sílaba com letra que não seja s: cair (ca-ir), sairmos, saindo, juiz, ainda, diurno, Raul, ruim, cauim,
amendoim, saiu, contribuiu, instruiu, etc.
De acordo com as novas regras da Língua Portuguesa não se acentua mais o /i/ e /u/ tônicos formando
hiato quando vierem depois de ditongo: baiúca, boiúna, feiúra, feiúme, bocaiúva, etc. Ficaram: baiuca,
boiuna, feiura, feiume, bocaiuva, etc.
Os hiatos “ôo” e “êe” não são mais acentuados: enjôo, vôo, perdôo, abençôo, povôo, crêem, dêem,
lêem, vêem, relêem. Ficaram: enjoo, voo, perdoo, abençoo, povoo, creem, deem, leem, veem, releem.
Acento Diferencial
Emprega-se o acento diferencial como sinal distintivo de vocábulos homógrafos, nos seguintes casos:
- pôr (verbo) - para diferenciar de por (preposição).
- verbo poder (pôde, quando usado no passado)
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- é facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos,
o uso do acento deixa a frase mais clara. Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?
Segundo as novas regras da Língua Portuguesa não existe mais o acento diferencial em palavras
homônimas (grafia igual, som e sentido diferentes) como:
- côa(s) (do verbo coar) - para diferenciar de coa, coas (com + a, com + as);
- pára (3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo parar) - para diferenciar de para
(preposição);
- péla (do verbo pelar) e em péla (jogo) - para diferenciar de pela (combinação da antiga preposição
per com os artigos ou pronomes a, as);
- pêlo (substantivo) e pélo (v. pelar) - para diferenciar de pelo (combinação da antiga preposição per
com os artigos o, os);
- péra (substantivo - pedra) - para diferenciar de pera (forma arcaica de para - preposição) e pêra
(substantivo);
- pólo (substantivo) - para diferenciar de polo (combinação popular regional de por com os artigos o,
os);
- pôlo (substantivo - gavião ou falcão com menos de um ano) - para diferenciar de polo (combinação
popular regional de por com os artigos o, os);
Emprego do Til
O til sobrepõe-se às letras “a” e “o” para indicar vogal nasal. Pode figurar em sílaba:
- tônica: maçã, cãibra, perdão, barões, põe, etc;
- pretônica: ramãzeira, balõezinhos, grã-fino, cristãmente, etc;
- átona: órfãs, órgãos, bênçãos, etc.
Trema (o trema não é acento gráfico)
Desapareceu o trema sobre o /u/ em todas as palavras do português: Linguiça, averiguei, delinquente,
tranquilo, linguístico. Exceto em palavras de línguas estrangeiras: Günter, Gisele Bündchen, müleriano.
Questões
01. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática)
Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depois
de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do
perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira amigo de todo
mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes
(pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos fracos – uma
forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções _______qualquer regra, todos os
estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet são mais fracas, sim, do que aquelas
que nascem e se desenvolvem fora dela. Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito
geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos
fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes do seu e, por isso, podem lhe apresentar novas pessoas
e ampliar seus horizontes – gerando uma renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos,
inclusive às amizades antigas. O problema é que a maioria das redes na Internet é simétrica: se você
quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a
pedir a amizade dela. Como é meio grosseiro dizer "não" ________ alguém que você conhece, todo
mundo acaba adicionando todo mundo. E isso vai levando ________ banalização do conceito de
amizade. É verdade. Mas, com a chegada de sítios como o Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é
uma rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de "seguidores" e "seguidos"
de alguém possam se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter,
o sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus amigos tinham
começado a se comunicar entre si independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em
comum era o próprio Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter, eu posso me interessar pelo que
você tem a dizer e começar a te seguir. Nós não nos conhecemos. Mas você saberá quando eu o retuitar
ou mencionar seu nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar
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pelos seus tuítes e começar a seguir você. Em suma, nós continuaremos não nos conhecendo, mas as
pessoas que estão ________ nossa volta podem virar amigas entre si.
Adaptado de: COSTA, C. C.. Disponível em:
<http://super.abril.com.br/cotidiano/como-internet-estamudando-amizade-619645.shtml>.
Acesso em: 1º de outubro de 2012.
Considere as seguintes afirmações sobre acentuação gráfica.
I. A palavra têm recebe acento gráfico pela mesma regra que prescreve o uso do acento em alguém.
II. A palavra você é acentuada pela mesma regra que determina o uso do acento em saberá.
III. A palavra tuítes, distintamente da palavra fluida, recebe acento gráfico porque apresenta duas
vogais contíguas que pertencem a sílabas diferentes.
Quais estão corretas
(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas III.
(D) Apenas II e III.
(E) I, II e III.
02. (TJ/AC - Analista Judiciário - Conhecimentos Básicos - Cargos 1 e 2 - CESPE)
A água, ingrediente essencial à vida, certamente é o recurso mais precioso de que a humanidade
dispõe. Embora se observe pelo mundo tanta negligência e falta de visão com relação a esse bem vital,
é de se esperar que os seres humanos procurem preservar e manter os reservatórios naturais desse
líquido precioso. De fato, o futuro da espécie humana e de muitas outras espécies pode ficar
comprometido, a menos que haja uma melhora significativa no gerenciamento dos recursos hídricos.
Entre esses fatores que mais têm afetado esse recurso estão o crescimento populacional e a grande
expansão dos setores produtivos, como a agricultura e a indústria. Essa situação, responsável pelo
consumo e também pela poluição da água em escala exponencial, tem conduzido à necessidade de
reformulação do seu gerenciamento. No ambiente agrícola, as perspectivas de mudança decorrem das
alterações do clima, que afetarão sensivelmente não só a disponibilidade de água, mas também a
sobrevivência de diversas espécies de animais e vegetais. O atual estado de conhecimento técnico-
científico nesse âmbito já permite a adoção e implementação de ténicas direcionadas para o equilíbrio
ambiental, porém o desafio está em colocá-las em prática, uma vez que isso implica mudança de
comportamento e de atitude por parte do produtor, aliadas à necessidade de uma política pública que
valorize a adoção dessas medidas.
Marco Antonio Ferreira Gomes e Lauro Charlet Pereira. Água no século XXI: desafios e oportunidade. Internet: www.agsolve.com.br (com
adaptações)
As palavras “negligência”, “reservatórios”, “espécie” e “equilíbrio” apresentam acentuação gráfica em
decorrência da mesma regra gramatical.
Certo ( )
Errado ( )
03. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP) Observe as palavras acentuadas, em destaque no
seguinte texto:
A Itália empreende atualmente uma revolução em sua indústria vinícola, apresentando modernos e
dinâmicos vinhos, não abandonando seu inigualável caráter gastronômico.
Assinale a alternativa cujas palavras são acentuadas, respectivamente, segundo as regras que
determinam a acentuação das palavras destacadas no texto.
(A) Saída; mostrará; hífen.
(B) Comprá-la; político; nível.
(C) Ócio; fenômeno; inútil.
(D) Dá-lo; anônima; estéril.
(E) Eólica; órfã; ninguém.
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04. (ANAC - Técnico Administrativo - CESPE)
A demanda por transporte aéreo doméstico de passageiros cresceu 7,65% em setembro desde ano
em relação ao mês de setembro de 2011. Trata-se do maior nível de demanda para o mês de setembro
desde o início da série de medições, em 2000. De janeiro a setembro de 2012, a demanda acumulada
apresentou crescimento de 7,30% e a oferta ampliou-se em 5,52% em relação ao mesmo período de
2011. Entretanto, a oferta (assentos-quilômetros oferecidos – ASK), no mês de setembro, apresentou
queda de 2,13%, após oito anos consecutivos de crescimento, sendo essa a primeira redução de oferta
para o mês de setembro desde 2003. A taxa de ocupação dos voos domésticos de passageiros alcançou
75,57% em setembro de 2012, enquanto, no mesmo mês, em 2011, essa taxa foi de 68,71%, o que
representou uma melhora de 9,99%. A taxa de ocupação registrada é a mais alta para o mês de setembro
desde o início da série em 2000. De janeira a setembro de 2012, a taxa de ocupação cresceu 1,69%,
passando de 70,81%, em 2011, para 72,01%, em 2012. A taxa de ocupação dos voos internacionais
operados por empresas brasileiras alcançou 82,80% em setembro de 2012, ao passo que, no mesmo
mês, em 2011, a taxa foi de 82,60%, o que representa uma variação positiva de 0,23%. Entretanto, a
demanda do transporte aéreo internacional de passageiros das empresas aéreas brasileiras apresentou
redução de 2,43% em setembro de 2012 em relação ao mesmo mês de 2011.
http://www.anac.gov.br/Noticia.aspx?ttCD_CHAVE=765
Com relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima, julgue os próximos itens.
As palavras “início” e “série” recebem acento gráfico com base em regras gramaticais distintas.
Certo ( )
Errado ( )
05. (TJ/RR - Auxiliar Administrativo - CESPE)
Mídias sociais
O que você está lendo, fazendo, pensando, seguindo, vendo, ouvindo? Onde você está? Quem é você?
Essas são algumas perguntas que sdimentam e configuram aplicativos como Foursquare, Orkut,
Facebook, Twitter, MSN, Skype, blogs e afins, que promovem a expansão das relações interpessoais,
mantendo e ampliando os laços sociais, a visibilidade pessoal e a propagação da informação. O uso
desses aplicativos, que constituem as novas mídias sociais, ou redes sociais digitais, representam um
novo momento para as relações interpessoais, não só por modificar a maneira como as pessoas se veem,
consomem e se comunicam, mas também a forma como se comportam. Visualizar algo divertido ou
curioso já não é suficiente. É preciso compartilhar a informação, contas a novidae para o maior número
possível de amigos. Nesse sentido, as mídias sociais tornam-se Verdadeiras companheiras para quem
deseja consumir Informação em tempo real e, principalmente, dizer ao Mundo tudo aquilo que lhe vier à
cabeça.
Wesley Moura. Mídias Sociais. In: Informativo Folha Verde, Brasília, nº 5, maio de 2012 com adaptações.
Com relação aos sentidos e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens que se seguem.
As palavras “mídias”, “número” e “possível” são acentuadas de acordo com a mesma regra gramatical.
Certo ( )
Errado ( )
06. (TJ/RR - Nível Médio - Conhecimentos Básicos - CESPE)
A dependência do mundo virtual é inevitável, pois grande parte das tarefas do nosso dia a dia são
transferidas para a rede mundial de computadores. A vivência nesse mundo tem consequências jurídicas
e econômicas, assim como ocorre no mundo físico. Uma das questões suscitadas pelo uso da Internet
diz respeito justamente aos efeitos dessa transposição de fatos do mundo real para o mundo virtual,
sobretudo no que se refere à sua interpretação jurídica. Como exemplos de situações problemáticas,
podemos citar a aplicação das normas comerciais e de consumo nas transações realizadas pela Internet,
o recebimento indesejado de mensagens por email (spam), a validade jurídica do documento eletrônico,
o conflito de marcas com os nomes de domínio, a propriedade intelectual e industrial, a privacidade, a
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. 220
responsabilidade dos provedores de acesso, de conteúdo e de terceiras na Web bem como os crimes de
informática.
Renato M. S. Opice Blum. Internet: www.ibpbrasil.com.br (com adaptações)
Os vocábulos “jurídicas”, “econômicas” e “físico” recebem acento gráfico com base em regras
gramaticais diferentes.
Certo ( )
Errado ( )
07. (CRF/SC - Contador - IESES) Assinale a alternativa com ERRO de acentuação.
(A) O ítem do acordo relacionado à acentuação gráfica foi respeitado.
(B) À medida que se distancia, o ímã deixa de atrair o metal.
(C) O advogado redargui com propriedade durante o júri de seu cliente, o réu.
(D) Aquele guri pareceu não entender a rubrica do diretor.
08. (CIAAR - Capelão Militar Católico - CIAAR) Marque a alternativa em que todas as palavras estão
corretamente acentuadas.
(A) Árvore / difícil / país / tabú.
(B) Bônus / café / rúbrica / vírus.
(C) Álbuns / histórico / lápis / órfã.
(D) Hífen / lâmpada / récorde / saída.
09. (EsSA - Sargento - Conhecimentos Gerais -Todas as Áreas - EB/2012)
01 Eu que nasci na Era da Fumaça: - trenzinho
vagaroso com vagarosas
paradas
em cada estaçãozinha pobre
05 para comprar
pastéis
pés-de-moleque
sonhos
- principalmente sonhos!
10 porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar;
elas suspirando maravilhosas viagens
e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando
sempre...Nisto,
o apito da locomotiva
15 e o trem se afastando
e o trem arquejando é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente!
20 ...no entanto
eu gostava era mesmo de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
25 fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
(QUINTANA, Mário. Baú de Espantos. in: MARÇAL, Iguami Antônio T. Antologia Escolar, Vol.1; BIBLIEX; p. 169.)
Assinale a alternativa cujos vocábulos exigem acento gráfico pelo mesmo motivo dos existentes,
respectivamente, nas palavras cosméticos, laboratórios e países (Os acentos gráficos das palavras
abaixo estão omitidos.).
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(A) ilusorio, melancia, raiz
(B) parafrase, arrogancia, saude
(C) rubrica, barbarie,
(D) catastrofe, metonimia, gratuito
(E) misantropo, cranio, ruim
10. (IBAMA - Técnico Administrativo - CESPE)
Poluição
No meio da mata
o monstro soltando
seus uivos de raiva
veneno e poeira.
Em volta, os arbustos
cobertos de cinza,
virando farrapos
sem eira nem beira.
Mais longe, as moradas
com pele do pó,
cadeias do homem,
fazendo-o mais só.
No céu, cabisbaixo,
o sol a dizer:
“as leis do progresso,
quem pode entener?!”
Maria Dinorah. In: Ver de ver. São Paulo: FTD, 1992, p.10.
Em relação aos sentidos e aspectos gramaticais do poema acima, julgue os próximos itens.
As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica.
Certo ( )
Errado ( )
Respostas
01. Resposta D
As afirmativas que compõem a questão acima podem ser respondidas sem que o candidato domine
as “novas regras”.
Na afirmativa I, o verbo TER, na terceira pessoa do plural recebe o acento circunflexo por causa da
concordância; o motivo, portanto, de acentuação dessa forma verbal não é o mesmo que justifica o acento
em ALGUÉM, oxítona terminada em EM com mais de uma sílaba.
Na afirmativa II, VOCÊ e SABERÁ são acentuadas por serem oxítonas terminadas em E e A,
respectivamente. Atendem as exigências da regra das oxítonas.
Na afirmativa III, a palavra TUÍGUES é acentuada porque apresenta um hiato formado pelas vogais U
e I, ao contrário de FLUIDA, que tem um ditongo crescente.
02. Resposta “CERTA”
Essas palavras são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em ditongo oral, seguidas ou não
de "s".
03. Resposta C
terminada em ditongo; (Itália = Ócio)
Proparoxítona; (vinícola = fenômeno)
Paroxítona terminada em L. (inigualável = inútil)
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04. Resposta ”ERRADA”
I-NÍ-CIO = Paroxítona terminada em ditongo;
SÉ-RIE = Paroxítona terminada em ditongo.
Exemplos:
História, ignorância, relógio, sábia, comentário, critério...
05. Resposta “ERRADA”
MÍDIAS = Paroxítona - acentua por ser terminada em ditongo crecente
NÚMERO = proparoxítona - acentuam-se todas
POSSÍVEL = paroxítona - acentua por ser terminada em L
Portanto, são acentuadas por regras gramaticais diversas.
06. Resposta “ERRADA”
Sãos regras iguais , pois as três palavras são PROPAROXÍTONAS .
E A REGRA NOS DIZ QUE TODAS AS PROPAROXÍTONAS DEVEM SER ACENTUADAS !
07. Resposta A
O ítem do acordo relacionado à acentuação gráfica foi respeitado."
Palavras terminadas em "EM" pertencem às regras das OXÍTONAS!
EX: Contém , alguém , provém.
08. Resposta C
Álbuns = Paroxítona terminada em uns
Histórico = Todas as proparoxítonas são acentuadas;
Lápis = Paroxítona terminada em is.
Órfã = paroxítona terminada em ã . (ã tem som de AN, portanto deve ser acentuada).
09. Resposta B
Paráfrase - Proparoxítona
Arrogância - Paroxítona terminada em ditongo crescente
Saúde - Acentuam-se o "i" e "u" tônicos quando formam hiato com a vogal anterior, estando eles
sozinhos na sílaba ou acompanhados apenas de "s", desde que não sejam seguidos por "-nh".
10. Resposta “ERRADA”
As palavras “pó” e “só” pertencem à regra dos monossílabos tônicos e a palavra “céu” dos ditongos
abertos.
Crase é a superposição de dois “a”, geralmente a preposição “a” e o artigo a(s), podendo ser também
a preposição “a” e o pronome demonstrativo a(s) ou a preposição “a” e o “a” inicial dos pronomes
demonstrativos aqueles(s), aquela(s) e aquilo. Essa superposição é marcada por um acento grave (`).
Assim, em vez de escrevermos “entregamos a mercadoria a a vendedora”, “esta blusa é igual a a que
compraste” ou “eles deveriam ter comparecido a aquela festa”, devemos sobrepor os dois “a” e indicar
esse fato com um acento grave: “Entregamos a mercadoria à vendedora”. “Esta blusa é igual à que
compraste”. “Eles deveriam ter comparecido àquela festa.”
O acento grave que aparece sobre o “a” não constitui, pois, a crase, mas é um mero sinal gráfico que
indica ter havido a união de dois “a” (crase).
Para haver crase, é indispensável a presença da preposição “a”, que é um problema de regência. Por
isso, quanto mais conhecer a regência de certos verbos e nomes, mais fácil será para ele ter o domínio
sobre a crase.
Não existe Crase
- Antes de palavra masculina: Chegou a tempo ao trabalho; Vieram a pé; Vende-se a prazo.
Emprego do sinal indicativo de crase
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- Antes de verbo: Ficamos a admirá-los; Ele começou a ter alucinações.
- Antes de artigo indefinido: Levamos a mercadoria a uma firma; Refiro-me a uma pessoa educada.
- Antes de expressão de tratamento introduzida pelos pronomes possessivos Vossa ou Sua ou
ainda da expressão Você, forma reduzida de Vossa Mercê: Enviei dois ofícios a Vossa Senhoria;
Traremos a Sua Majestade, o rei Hubertus, uma mensagem de paz; Eles queriam oferecer flores a você.
- Antes dos pronomes demonstrativos esta e essa: Não me refiro a esta carta; Os críticos não
deram importância a essa obra.
- Antes dos pronomes pessoais: Nada revelei a ela; Dirigiu-se a mim com ironia.
- Antes dos pronomes indefinidos com exceção de outra: Direi isso a qualquer pessoa; A entrada
é vedada a toda pessoa estranha. Com o pronome indefinido outra(s), pode haver crase porque ele, às
vezes, aceita o artigo definido a(s): As cartas estavam colocadas umas às outras (no masculino, ficaria
“os cartões estavam colocados uns aos outros”).
- Quando o “a” estiver no singular e a palavra seguinte estiver no plural: Falei a vendedoras desta
firma; Refiro-me a pessoas curiosas.
- Quando, antes do “a”, existir preposição: Ela compareceu perante a direção da empresa; Os
papéis estavam sob a mesa. Exceção feita, às vezes, para até, por motivo de clareza: A água inundou a
rua até à casa de Maria (= a água chegou perto da casa); se não houvesse o sinal da crase, o sentido
ficaria ambíguo: a água inundou a rua até a casa de Maria (= inundou inclusive a casa). Quando até
significa “perto de”, é preposição; quando significa “inclusive”, é partícula de inclusão.
- Com expressões repetitivas: Tomamos o remédio gota a gota; Enfrentaram-se cara a cara.
- Com expressões tomadas de maneira indeterminada: O doente foi submetido a dieta leve (no
masc. = foi submetido a repouso, a tratamento prolongado, etc.); Prefiro terninho a saia e blusa (no masc.
= prefiro terninho a vestido).
- Antes de pronome interrogativo, não ocorre crase: A que artista te referes?
- Na expressão valer a pena (no sentido de valer o sacrifício, o esforço), não ocorre crase, pois
o “a” é artigo definido: Parodiando Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena...
A Crase é Facultativa
- Antes de nomes próprios feminino: Enviamos um telegrama à Marisa; Enviamos um telegrama a
Marisa. Em português, antes de um nome de pessoa, pode-se ou não empregar o artigo “a” (“A Marisa é
uma boa menina”. Ou “Marisa é uma boa menina”). Por isso, mesmo que a preposição esteja presente,
a crase é facultativa.
Quando o nome próprio feminino vier acompanhado de uma expressão que o determine, haverá crase
porque o artigo definido estará presente. Dedico esta canção à Candinha do Major Quevedo. [A (artigo)
Candinha do Major Quevedo é fanática por seresta.]
- Antes de pronome adjetivo possessivo feminino singular: Pediu informações à minha secretária;
Pediu informações a minha secretária. A explicação é idêntica à do item anterior: o pronome adjetivo
possessivo aceita artigo, mas não o exige (“Minha secretária é exigente.” Ou: “A minha secretária é
exigente”). Portanto, mesmo com a presença da preposição, a crase é facultativa.
- Com o pronome substantivo possessivo feminino singular, o uso de acento indicativo de crase
não é facultativo (conforme o caso será proibido ou obrigatório): A minha cidade é melhor que a tua. O
acento indicativo de crase é proibido porque, no masculino, ficaria assim: O meu sítio é melhor que o teu
(não há preposição, apenas o artigo definido). Esta gravura é semelhante à nossa. O acento indicativo de
crase é obrigatório porque, no masculino, ficaria assim: Este quadro é semelhante ao nosso (presença
de preposição + artigo definido).
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Casos Especiais
- Nomes de localidades: Dentre as localidades, há as que admitem artigo antes de si e as que não o
admitem. Por aí se deduz que, diante das primeiras, desde que comprovada a presença de preposição,
pode ocorrer crase; diante das segundas, não. Para se saber se o nome de uma localidade aceita artigo,
deve-se substituir o verbo da frase pelos verbos estar ou vir. Se ocorrer a combinação “na” com o verbo
estar ou “da” com o verbo vir, haverá crase com o “a” da frase original. Se ocorrer “em” ou “de”, não
haverá crase: Enviou seus representantes à Paraíba (estou na Paraíba; vim da Paraíba); O avião dirigia-
se a Santa Catarina (estou em Santa Catarina; vim de Santa Catarina); Pretendo ir à Europa (estou na
Europa; vim da Europa). Os nomes de localidades que não admitem artigo passarão a admiti-lo, quando
vierem determinados. Porto Alegre indeterminadamente não aceita artigo: Vou a Porto Alegre (estou em
Porto Alegre; vim de Porto Alegre); Mas, acompanhando-se de uma expressão que a determine, passará
a admiti-lo: Vou à grande Porto Alegre (estou na grande Porto Alegre; vim da grande Porto Alegre);
Iríamos a Madri para ficar três dias; Iríamos à Madri das touradas para ficar três dias.
- Pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: quando a preposição “a” surge diante
desses demonstrativos, devemos sobrepor essa preposição à primeira letra dos demonstrativos e indicar
o fenômeno mediante um acento grave: Enviei convites àquela sociedade (= a + aquela); A solução não
se relaciona àqueles problemas (= a + aqueles); Não dei atenção àquilo (= a + aquilo). A simples
interpretação da frase já nos faz concluir se o “a” inicial do demonstrativo é simples ou duplo. Entretanto,
para maior segurança, podemos usar o seguinte artifício: Substituir os demonstrativos aquele(s),
aquela(s), aquilo pelos demonstrativos este(s), esta(s), isto, respectivamente. Se, antes destes últimos,
surgir a preposição “a”, estará comprovada a hipótese do acento de crase sobre o “a” inicial dos pronomes
aquele(s), aquela(s), aquilo. Se não surgir a preposição “a”, estará negada a hipótese de crase. Enviei
cartas àquela empresa./ Enviei cartas a esta empresa; A solução não se relaciona àqueles problemas./
A solução não se relaciona a estes problemas; Não dei atenção àquilo./ Não dei atenção a isto; A solução
era aquela apresentada ontem./ A solução era esta apresentada ontem.
- Palavra “casa”: quando a expressão casa significa “lar”, “domicílio” e não vem acompanhada de
adjetivo ou locução adjetiva, não há crase: Chegamos alegres a casa; Assim que saiu do escritório, dirigiu-
se a casa; Iremos a casa à noitinha. Mas, se a palavra casa estiver modificada por adjetivo ou locução
adjetiva, então haverá crase: Levaram-me à casa de Lúcia; Dirigiram-se à casa das máquinas; Iremos à
encantadora casa de campo da família Sousa.
- Palavra “terra”: Não há crase, quando a palavra terra significa o oposto a “mar”, “ar” ou “bordo”: Os
marinheiros ficaram felizes, pois resolveram ir a terra; Os astronautas desceram a terra na hora prevista.
Há crase, quando a palavra significa “solo”, “planeta” ou “lugar onde a pessoa nasceu”: O colono dedicou
à terra os melhores anos de sua vida; Voltei à terra onde nasci; Viriam à Terra os marcianos?
- Palavra “distância”: Não se usa crase diante da palavra distância, a menos que se trate de distância
determinada: Via-se um monstro marinho à distância de quinhentos metros; Estávamos à distância de
dois quilômetros do sítio, quando aconteceu o acidente. Mas: A distância, via-se um barco pesqueiro;
Olhava-nos a distância.
- Pronome Relativo: Todo pronome relativo tem um substantivo (expresso ou implícito) como
antecedente. Para saber se existe crase ou não diante de um pronome relativo, deve-se substituir esse
antecedente por um substantivo masculino. Se o “a” se transforma em “ao”, há crase diante do relativo.
Mas, se o “a” permanece inalterado ou se transforma em “o”, então não há crase: é preposição pura ou
pronome demonstrativo: A fábrica a que me refiro precisa de empregados. (O escritório a que me refiro
precisa de empregados.); A carreira à qual aspiro é almejada por muitos. (O trabalho ao qual aspiro é
almejado por muitos.). Na passagem do antecedente para o masculino, o pronome relativo não pode ser
substituído, sob pena de falsear o resultado: A festa a que compareci estava linda (no masculino = o baile
a que compareci estava lindo). Como se viu, substituímos festa por baile, mas o pronome relativo que
não foi substituído por nenhum outro (o qual etc.).
A Crase é Obrigatória
- Sempre haverá crase em locuções prepositivas, locuções adverbiais ou locuções conjuntivas
que tenham como núcleo um substantivo feminino: à queima-roupa, à maneira de, às cegas, à noite,
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às tontas, à força de, às vezes, às escuras, à medida que, às pressas, à custa de, à vontade (de), à moda
de, às mil maravilhas, à tarde, às oito horas, às dezesseis horas, etc. É bom não confundir a locução
adverbial às vezes com a expressão fazer as vezes de, em que não há crase porque o “as” é artigo
definido puro: Ele se aborrece às vezes (= ele se aborrece de vez em quando); Quando o maestro falta
ao ensaio, o violinista faz as vezes de regente (= o violinista substitui o maestro).
- Sempre haverá crase em locuções que exprimem hora determinada: Ele saiu às treze horas e
trinta minutos; Chegamos à uma hora. Cuidado para não confundir a, à e há com a expressão uma hora:
Disseram-me que, daqui a uma hora, Teresa telefonará de São Paulo (= faltam 60 minutos para o
telefonema de Teresa); Paula saiu daqui à uma hora; duas horas depois, já tinha mudado todos os seus
planos (= quando ela saiu, o relógio marcava 1 hora); Pedro saiu daqui há uma hora (= faz 60 minutos
que ele saiu).
- Quando a expressão “à moda de” (ou “à maneira de”) estiver subentendida: Nesse caso,
mesmo que a palavra subsequente seja masculina, haverá crase: No banquete, serviram lagosta à
Termidor; Nos anos 60, as mulheres se apaixonavam por homens que tinham olhos à Alain Delon.
- Quando as expressões “rua”, “loja”, “estação de rádio”, etc. estiverem subentendidas: Dirigiu-
se à Marechal Floriano (= dirigiu-se à Rua Marechal Floriano); Fomos à Renner (fomos à loja Renner);
Telefonem à Guaíba (= telefonem à rádio Guaíba).
- Quando está implícita uma palavra feminina: Esta religião é semelhante à dos hindus (= à religião
dos hindus).
- Não confundir devido com dado (a, os, as): a primeira expressão pede preposição “a”, havendo
crase antes de palavra feminina determinada pelo artigo definido. Devido à discussão de ontem, houve
um mal-estar no ambiente (= devido ao barulho de ontem, houve...); A segunda expressão não aceita
preposição “a” (o “a” que aparece é artigo definido, não havendo, pois, crase): Dada a questão primordial
envolvendo tal fato (= dado o problema primordial...); Dadas as respostas, o aluno conferiu a prova (=
dados os resultados...).
Excluída a hipótese de se tratar de qualquer um dos casos anteriores, devemos substituir a palavra
feminina por outra masculina da mesma função sintática. Se ocorrer “ao” no masculino, haverá crase no
“a” do feminino. Se ocorrer “a” ou “o” no masculino, não haverá crase no “a” do feminino. O problema,
para muitos, consiste em descobrir o masculino de certas palavras como “conclusão”, “vezes”, “certeza”,
“morte”, etc. É necessário então frisar que não há necessidade alguma de que a palavra masculina tenha
qualquer relação de sentido com a palavra feminina: deve apenas ter a mesma função sintática: Fomos
à cidade comprar carne. (ao supermercado); Pedimos um favor à diretora. (ao diretor); Muitos são
incensíveis à dor alheia. (ao sofrimento); Os empregados deixam a fábrica. (o escritório); O perfume cheira
a rosa. (a cravo); O professor chamou a aluna. (o aluno).
Questões
01. (PM-BA - Soldado da Polícia Militar - FCC)
“Se os cachorros correm livremente, por que eu não posso fazer isso também?”, pergunta Bob Dylan
em “New Morning” . Bob Dylan verbaliza um anseio sentido por todos nós, humanos supersocializados:
o anseio de nos livrarmos de todos os constrangimentos artificiais decorrentes do fato de vivermos em
uma sociedade civilizada em que às vezes nos sentimos presos a uma correia. Um conjunto cultural de
regras tácitas e inibições está sempre governando as nossas interações cotidianas com os outros.
Uma das razões pelas quais os cachorros nos atraem é o fato de eles serem tão desinibidos e livres.
Parece que eles jogam com as suas próprias regras, com a sua própria lógica interna. Eles vivem em um
universo paralelo e diferente do nosso - um universo que lhes concede liberdade de espírito e paixão pela
vida enormemente atraentes para nós. Um cachorro latindo ao vento ou uivando durante a noite faz agitar-
se dentro de nós alguma coisa que também quer se expressar.
Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção as nossas
convenções sociais. Metem o nariz onde não são convidados, pulam para cima do sofá, devoram
alegremente a comida que cai da mesa. Os cachorros raramente se refreiam quando querem fazer
alguma coisa. Eles não compartilham conosco as nossas inibições. Suas emoções estão ã flor da pele e
eles as manifestam sempre que as sentem.
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(Adaptado de Matt Weistein e Luke Barber. Cão que late não morde.
Trad. de Cristina Cupertino. S.Paulo: Francis, 2005. p 250)
Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção às nossas
convenções sociais.
Sem prejuízo da correção, a crase empregada na frase acima poderá ser mantida caso o segmento
grifado seja substituído por:
(A) obedecem.
(B) aceitam.
(C) conhecem.
(D) acatam.
(E) seguem.
02. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP)
No Brasil, as discussões sobre drogas parecem limitar-se ...................... aspectos jurídicos ou policiais.
É como se suas únicas consequências estivessem em legalismos, tecnicalidades e estatísticas criminais.
Raro ler................. respeito envolvendo questões de saúde pública como programas de esclarecimento
e prevenção, de tratamento para dependentes e de reintegração desses ..................... vida. Quantos de
nós sabemos o nome de um médico ou clínica ............................ quem tentar encaminhar um drogado da
nossa própria família?
(Ruy Castro, Da nossa própria família. Folha de S.Paulo, 17.09.2012. Adaptado)
As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
(A) aos … à … a … a
(B) aos … a … à … a
(C) a … a … a … a
(D) a … a … à … à
(E) à … à … à … à
03. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP/2012)
Observe o trecho a seguir e assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, suas
lacunas.
________ pouco mais de um mês da próxima eleição presidencial dos Estados Unidos, o favoritismo
de Barack Obama sofreu um arranhão. Não________que estranhar a dificuldade de Obama quando tem
de falar de improviso ou exercer________queima-roupa o contraditório. Obama é instado,
agora,______preparar-se muito melhor para os dois outros debates.
(A) Há … há … à … à
(B) Há … à … a … a
(C) À … a … à … à
(D) A … há … à … a
(E) A … a … a … à
04. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática - MPE)
Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depos
de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do
perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira amigo de todo
mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes
(pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos fracos - uma
forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções ______ qualquer regra, todos os
estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet são mais fracas, sim, do que aquelas
que nascem e se desenvolvem fora dela. Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito
geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos
fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes do seu e, por isso, podem lhe apresentar novas pessoas
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e ampliar seus horizontes - gerando uma renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos,
inclusive às amizades antigas. O problema é que a maioria das redes na Internet é simétrica: se você
quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a
pedir a amizade dela. Como é meio grosseiro dizer “não’ ________ alguém que você conhece, todo
mundo acaba adicionando todo mundo. E isso vai levando ________ banalização do conceito de
amizade. É verdade. Mas, com a chegada de sítios como O Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é
uma rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de “seguidos” de alguém
possam se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter, o sociólogo
Nicholas Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus Amigos tinham começado a se
comunicar entre si Independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o
próprio Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter eu posso me interessar pelo que você tem a dizer
e começar a te seguir. Nós não nos conhecemos Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar
seu nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar pelos seus tuítes
e começar a seguir você. Em suma, nós continuaremos não nos conhecendo, mas as pessoas que estão
_______ nossa volta podem virar amigas entre si.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas no texto respectivamente.
(A) a – a – à – à
(B) a – à – a – à
(C) à – a – à – a
(D) à – à – à – a
(E) à – a – a – a
05. (IFC - Assistente Administrativo - IFC)
O trecho a seguir reproduz uma parte de verbete do Michaelis - Moderno Dicionário da Língua
Portuguesa.
As.sis.tir (lat assistere) vti 1 Comparecer, estar presente: Assistir a um ofício divino. Tendo como base
somente a informação gramatical acima, assinale a seguir a única alternativa de acordo com a norma
padrão para a língua escrita.
(A) Eu assisti a queda das torres gêmeas em 2001.
(B) Quando ela gritou eu assisti a cobra subindo.
(C) Ele assistiu o jogo do Brasil ontem.
(D) Ela assistiu à apresentação do balé municipal.
(E) Ele assistiu a criança brincando.
06. (IFC - Analista de Tecnologia da Informação - IFC)
Leia os períodos:
I) Os alunos saíram mais cedo da aula para assistir ao novo episódio de Jornada nas Estrelas.
II) Sou Frankenstein, o terrível, e sempre consigo o que estou a fim.
III) Prefiro rosas, meu amor, à espinhos.
IV) Depois da manifestação na prefeitura, os alunos retornaram à escola.
V) A estrada corre paralelamente a ferrovia e chega a cidadezinha.
Assinale a alternativa CORRETA:
(A) somente a afirmativa I está correta.
(B) somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
(C) somente as afirmativas I, II, IV e V estão corretas.
(D) somente as afirmativas I e IV estão corretas.
(E) somente as afirmativas I e II estão corretas.
07. Leia a frase e assinale a alternativa que contém os termos que preenchem, correta e
respectivamente, as lacunas.
Entre os brasileiros_____ frente de negócios próprios abertos______ menos de quatro anos, a
porcentagem dos que___ de 45___ 54 anos dobrou nesta década – de 7% em 2001 para 15% hoje. (Veja,
15.07.2009)
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(A) à … à … têm … à
(B) a … a … tem … à
(C) à … há … têm … a
(D) a … a … tem … a
(E) a … há … têm … à
08. Assinale a opção em que o uso do acento grave indicativo da crase constituiria erro:
(A) Fez uma proposta a diretora;
(B) Fez uma proposta as diretoras;
(C) Fez uma proposta a nossa diretora;
(D) Fez uma proposta a essa diretora;
(E) Fez uma proposta a competente diretora;
09. TEXTO
1 No estudo da história, tem-se a impressão de que, quanto mais se recua no tempo, mais dura parece
ter sido a vida das crianças do passado — e mais privilegiada parece a da garotada de 4 hoje. Quando
se pensa em como era a infância séculos atrás, uma das primeiras imagens que vêm à cabeça é a de
meninos dando duro em minas ou limpando chaminés. A ideia de que essa fase da vida 7 era
simplesmente ignorada e de que as pessoas passavam de bebês a trabalhadores, do dia para a noite, é
reforçada por inúmeras pinturas antigas retratando crianças sérias, tristemente vestidas como 10 mini
adultos. As fontes de informações medievais, entretanto, quando analisadas de perto, não oferecem
evidência alguma de que as pessoas daquela época tivessem, com relação às crianças, atitudes 13 muito
diferentes das de hoje — com exceção, talvez, apenas do uso em excesso de castigos físicos, que, de
qualquer modo, também eram aplicados em adultos. Apesar de o estilo de vida da época ser 16 muito
diferente do nosso, as crianças medievais cresciam, em muitos aspectos, de maneira semelhante à de
seus “primos” modernos.
Nicholas Orme e Fernanda M. Bem. Pequenos na Idade Média. In: BBC História, ano 1, ed. Nº 4 (com adaptações).
(Instituto Rio Branco - Diplomata - Bolsa-prêmio de vocação para a Diplomacia - Objetiva –
CESPE) Na linha 17, é facultativo o emprego do acento indicativo de crase, dada a possibilidade
contextual de emprego, apenas, da preposição a, exigida pela regência de “semelhante”.
(A) Certo
(B) Errado
Respostas
01. Resposta A
Basta identificar a transitividade do verbo.
A) VTI - exige como complemento um objeto indireto, no caso a preposição (A). QUEM OBEDECE,
OBEDECE A ALGO OU OBEDECE A ALGUÉM. Uma vez que há fusão da preposição(A) + artigo(A),
tem-se a crase
B) VTD - exige um objeto direto como complemento, não necessita de nenhuma preposição. QUEM
ACEITA, ACEITA ALGO OU ACEITA ALGUMA COISA. Portando, não há a crase
C) VTD
D) VTD
E) VTD
02. Resposta B
CASOS EM QUE SE EMPREGA A CRASE NA FRASE:
O que é crase? É a fusão de (a+a = à), portanto o verbo pedirá uma posição junto com uma palavra
feminina.
Ex: Irei à festa de Sabrina. (à = a+a)
Comemos a maçã inteira.
Regra geral: Se der para trocar a palavra feminina por uma masculina e para obter coerência na frase
for preciso usar (ao), haverá crase no A.
Ex: Refiro-me às candidatas do concurso. ( aos candidatos)
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Emprego da Crase:
1) Na indicação de LUGAR:
> Se vou “a” e volto “da”, crase no à. > Se vou “a” e volto “de”, crase pra que ? (a).
Ex: Cheguei a São Paulo.
Fomos à Itália.
2) Na indicação de HORAS: > Se der para trocar as horas por “ao meio-dia” = À
> Se der para trocar as horas por “ o meio-dia” = A
Ex: Voltamos às duas horas da madrugada. (Voltamos ao meio-dia)
Estou aqui desde as cinco da manhã. (Estou aqui desde o meio-dia)
3) Antes das locuções verbais femininas: >Indicam tempo, modo, lugar, dúvida. Ex: Virei à esquerda
da rua. Gosto de andar a pé. > (pronome masculino) Comprei à vista.
4)Nas expressões que indicam “A MODA DE”:
Ex: Fez um gol à Ronaldinho.
Bife à cavalo.
OBS.: Só se usa crase antes da palavra “Casa”, se estiver especificando.
Ex: Volto a casa desanimado.
Fomos à casa de Pedro ontem.
CASOS EM QUE NÃO OCORRE A CRASE NA FRASE:
Antes de verbo:
Ex: Comecei a chorar, quando cheguei.
Voltamos a caminhar, ontem à noite.
Entre palavras repetidas:
Ex: Face a face.
Boca a boca. Dia a dia.
Antes de palavras no plural, mantendo-se no singular. Ex: Adoro assistir a comédias.
(Se o “a” fosse colocado no plural, receberia crase. Ficando assim > “às”)
03. Resposta D
___A_____ pouco mais de um mês → Tempo futuro (a),Tempo passado (há)
Não____há____que estranhar a dificuldade → Verbo haver sentido existir exercer___à_____queima-
oupa → Expressão adverbial feminina ___A___preparar-se muito melhor → Nunca haverá crase antes
de verbo
04. Resposta A
A palavra crase é de origem grega e significa "fusão", "mistura". Na língua portuguesa, é o nome que
se dá à "junção" de duas vogais idênticas. É de grande importância a crase da preposição "a" com o artigo
feminino "a" (s), com o pronome demonstrativo "a" (s), com o "a" inicial dos pronomes aquele (s), aquela
(s), aquilo e com o "a" do relativo a qual (as quais). Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar
a crase. O uso apropriado do acento grave, depende da compreensão da fusão das duas vogais. É
fundamental também, para o entendimento da crase, dominar a regência dos verbos e nomes que exigem
a preposição "a". Aprender a usar a crase, portanto, consiste em aprender a verificar a ocorrência
simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome.
05. Resposta D
Na alternativa D foi usada corretamente a crase por isso é a alternativa correta.
06. Resposta D
II incorreto, a frase certa é: sempre consigo o que quero. III incorreto, a frase certa é: a espinhos (sem
crase) V incorreto, a frase certa é: à cidadezinha (a com crase)
07. Resposta C
À frente – acento grave obrigatório por se tratar de uma locução adverbial feminina.
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Há – ideia de passado.
Têm – no plural, pois concorda com o sujeito (brasileiros), que também está no plural.
A – sem acento grave, pois antes de numerais não há o encontro vocálico, salvo uma regra de exceção,
que aqui não se encaixa. (o número tem de representar ou se referir a uma palavra feminina. Veja um
exemplo em que há crase: "Eu li o texto da página 3 à 12". No exemplo, o número 12 significa "a página
12", portanto há crase.)
08. Resposta D
Antes dos pronomes demonstrativos “este” e “esse” – e suas variantes – nunca haverá crase. A crase
é a fusão de duas letras “a”, logo só existe com a preposição “a” junto à partícula “a” – artigo ou pronome
demonstrativo – ou junto ao demonstrativo “aquele”, ou suas variantes – as, aquela, aqueles, aquelas.
Nas frases das opções “A”, “B” e “E”, a crase é obrigatória. Na frase da opção “C”, a crase é opcional,
pois é opcional a presença do artigo antes de pronomes possessivos em função adjetiva.
09. Resposta B
A alternativa “B” é a correta, pois não é facultativo o uso da crase nesta situação e sim obrigatório,
pois há acento indicativo de crase em: a maneira semelhante à (vida) de seus “primos” modernos.
Para a elaboração de um texto escrito deve-se considerar o uso adequado dos sinais gráficos como:
espaços, pontos, vírgula, ponto e vírgula, dois pontos, travessão, parênteses, reticências, aspas e etc.
Tais sinais têm papéis variados no texto escrito e, se utilizados corretamente, facilitam a compreensão
e entendimento do texto.
Vírgula
1. Aplicação da Vírgula
A vírgula marca uma breve pausa e é obrigatória nos seguintes casos:
1° Inversão de Termos
Exemplo: Ontem, à medida que eles corrigiam as questões, eu me preocupava com o resultado da
prova.
2° Intercalações de Termos
Exemplo: A distância, que tudo apaga, há de me fazer esquecê-lo.
3° Inspeção de Simples Juízo
Exemplo: “Esse homem é suspeito”, dizia a vizinhança.
4° Enumerações
- sem gradação: Coleciono livros, revistas, jornais, discos.1
- com gradação: Não compreendo o ciúme, a saudade, a dor da despedida.2
5° Vocativos, Apostos
- vocativos: Queridos ouvintes, nossa programação passará por pequenas mudanças.
- apostos: É aqui, nesta querida escola, que nos encontramos.
6° Omissões de Termos
- elipse: A praça deserta, ninguém àquela hora na rua. (omitiu-se o verbo “estava” após o vocábulo
“ninguém”, ou seja, ocorreu elipse do verbo estava)
- zeugma: Na classe, alguns alunos são interessados; outros, (são) relapsos. (supressão do verbo
“são” antes do vocábulo “relapsos”)
1
Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488.
2
Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488.
Pontuação
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7° Termos Repetidos
Exemplo: Nada, nada há de me derrotar.
8° Sequência de Adjuntos Adverbiais
Exemplo: Saíram do museu, ontem, por voltas das 17h.
2. Vírgula Proibida
Não se separa por vírgula:
- sujeito de predicado;
- objeto de verbo;
- adjunto adnominal de nome;
- complemento nominal de nome;
- oração principal da subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na
ordem inversa).
Dois Pontos
Usos dos Dois Pontos
- Antes de enumerações.
Exemplo: Compre três frutas hoje: maçã, uva e laranja.
- Iniciando citações.
Exemplo: “Segundo o folclórico Vicente Mateus: ‘Quem está na chuva é para se queimar’”3
.
- Antes de orações que explicam o enunciado anterior
Exemplo: Não foi explicado o que deveríamos fazer: o que nos deixa insatisfeitos.
- Depois de verbos que introduzem a fala.
Exemplo: “(...) e disse: aqui não podemos ficar!”
Ponto e Vírgula
Usos do Ponto e Vírgula
Este sinal gráfico é utilizado para anunciar pausas mais fortes, para separar orações adversativas
(enfatizando o contraste de ideias) e para separar os itens de enunciados.
Exemplos:
Os dois rapazes estavam desesperados por dinheiro; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito. (pausa
longa)
Sonhava em comprar todos os sapatos da loja; comprei, porém, apenas um par. (separação da oração
adversativa na qual a conjunção - porém - aparece no meio da oração)
Enumeração com explicitação - Comprei alguns livros: de matemática, para estudar para o concurso;
um romance, para me distrair nas horas vagas; e um dicionário, para enriquecer meu vocabulário.
Enumeração com ponto e vírgula, mas sem vírgula, para marcar distribuição - Comprei os produtos no
supermercado: farinha para um bolo; tomates para o molho; e pão para o café da manhã.
Parênteses
Usos dos Parênteses
- Isolar datas.
Exemplo: Refiro-me aos soldados da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
3
Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488.
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- Isolar siglas.
Exemplo: A taxa de desemprego subiu para 5,3% da população economicamente ativa (PEA)...
- Isolar explicações ou retificações
Exemplo: Eu expliquei uma vez (ou duas vezes) o motivo de minha preocupação.
Reticências
Aplicação das Reticências
- Indicam a interrupção de uma frase, deixando-a com sentido incompleto.
Exemplo: Não consegui falar com a Laura... Quem sabe se eu ligar mais tarde...
- Sugerem prolongamento de ideias.
Exemplo: “Sua tez, alva e pura como um floco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-
rosa...” (José de Alencar)
- Indicam dúvida ou hesitação.
Exemplo: Não sei... Acho que... Não quero ir hoje.
- Indicam omissão de palavras ou frases no período.
Exemplo: “Se o lindo semblante não se impregnasse constantemente, (...) ninguém veria nela a
verdadeira fisionomia de Aurélia, e sim a máscara de alguma profunda decepção.” (José de Alencar)
Travessão
Usos do Travessão
- Nos diálogos, para marcar a fala das personagens.
Exemplo: As meninas gritaram: - Venham nos buscar!
- No meio de sentenças, para dar ênfase em informações.
Exemplo: O garçom - creio que já lhe falei - está muito bem no novo serviço - é o que ouvi dizer.
Ponto de Exclamação
Usos do Ponto de Exclamação
- Após vocativos.
Exemplo: Vem, Fabiano!
- Após imperativos.
Exemplo: Corram!
- Após interjeição.
Exemplos: Ai! / Ufa!
- Após expressões ou frases de caráter emocional.
Exemplo: Quantas pessoas!
Aspas
Aplicação das Aspas
- Isolam termos distantes da norma culta, como gírias, neologismos, arcaísmos, expressões populares
entre outros.
Exemplo: Eles tocaram “flashback”, “tipo assim” anos 70 e 80. Foi um verdadeiro “show”.
- Delimitam transcrições ou citações textuais
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Exemplo: Segundo Rui Barbosa: “A política afina o espírito.”
- Isolam estrangeirismos.
Exemplo: Os restaurantes “fast food” têm reinado na cidade.
Questões
01. (CLIN – Auxiliar de Enfermagem do Trabalho – COSEAC - 2015).
Primavera
1 A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem
possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata,
essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a
primavera que chega.
2 Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes,
- e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
3 Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de
Jaipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas
borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, - e certamente conversam: mas tão baixinho que
não se entende.
4 Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram
suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
5 Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, - e só os
poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de
flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
6 Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se
enfeita para as festas da sua perpetuação.
7 Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que
desejarem, no momento em que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do
céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, - e os ouvidos que por acaso os
ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora, se entendeu e amou.
8 Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos
novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos
por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os
manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que
desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores
agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
9 Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, - por fidelidade à obscura
semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida - e efêmera.
(MEIRELES, Cecília. "Cecília Meireles - Obra em Prosa?
Vol. 1. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1998, p. 366.)
"...e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam
a preparar sua vida para a primavera que chega" (1º §)
No fragmento acima, as vírgulas foram empregadas para:
(A) marcar termo adverbial intercalado.
(B) isolar oração adjetiva explicativa.
(C) enfatizar o termo sujeito em relação ao predicado.
(D) separar termo em função de aposto.
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02. (PC – CE - Escrivão da Policia Civil de 1ª classe – VUNESP - 2015). Assinale a alternativa
correta quanto ao uso da vírgula, considerando-se a norma-padrão da língua portuguesa.
(A) Os amigos, apesar de terem esquecido de nos avisar, que demoraria tanto, informaram-nos de que
a gravidez, era algo demorado.
(B) Os amigos, apesar de terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que
a gravidez era algo demorado
(C) Os amigos, apesar de terem esquecido, de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que
a gravidez era algo demorado.
(D) Os amigos apesar de terem esquecido de nos avisar que, demoraria tanto, informaram-nos, de que
a gravidez era algo demorado.
(E) Os amigos, apesar de, terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que
a gravidez, era algo demorado.
03. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP) Observe o texto dos quadrinhos.
Considerando a norma-padrão de pontuação e de emprego dos pronomes de tratamento, assinale a
alternativa que expressa com correção a notícia dada pelo repórter, à vista do texto dos quadrinhos.
(A) Em sua entrevista, Sua Senhoria o vereador Formigão declara que: a crise continua e ele, também
– pois são inseparáveis.
(B) Em sua entrevista, Vossa Senhoria o ministro Formigão declara que, a crise continua, e ele
também: pois são inseparáveis.
(C) Em sua entrevista, Vossa Excelência o deputado Formigão, declara que a crise continua e ele,
também; pois são inseparáveis.
(D) Em sua entrevista, Sua Excelência, o senador Formigão, declara que a crise continua, e ele,
também, pois são inseparáveis.
(E) Em sua entrevista Sua Excelência o Diretor-Presidente da empresa Formigão, declara que a crise
continua; e ele também, pois, são inseparáveis.
04. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale dentre as alternativas a frase que apresenta
pontuação adequada:
(A) Mãe, venha até meu quarto.
(B) Curitiba 27 de outubro de 2012.
(C) O menino, sentia-se mal.
(D) Onde estão os nossos: pais, vizinhos.
(E) Assim permite-se roupas, curtas.
05. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale a opção em que o uso da vírgula é utilizado em
uma expressão conclusiva.
(A) O tempo está feio, isto é, choverá ainda esta manhã.
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(B) Daqui a pouco, iremos todos ao mercado.
(C) O tempo está feio, portanto, choverá em breve.
(D) Gabriela, a bonita garota, está cheia de alegria.
(E) Cheios de esperança, os meninos saíram alegres.
06. Indique a opção em que o trecho está incorreto gramaticalmente.
(A) As transformações tecnológicas, já que não existe sociedade civilizada sem lei, apenas tornam
mais complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma
garantia fundamental de desenvolvimento com justiça.
(B) Não existe sociedade civilizada sem lei e as transformações tecnológicas apenas tornam mais
complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma
garantia fundamental de desenvolvimento com justiça.
(C) Não existe sociedade civilizada sem lei, por isso as transformações tecnológicas apenas tornam
mais complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas, no entanto, continuarão
sendo uma garantia fundamental de desenvolvimento com justiça.
(D) Não existe sociedade civilizada sem lei. As transformações tecnológicas apenas tornam mais
complexas as regras que, muitas vezes incomodam e atrapalham, mas que, continuarão sendo garantias
fundamentais de desenvolvimento com justiça.
(E) As transformações tecnológicas apenas tornam mais complexas as regras que, muitas vezes,
incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma garantia fundamental de desenvolvimento
com justiça. Não existe sociedade civilizada sem lei.
07. Uma outra maneira igualmente correta de reescrever-se a frase “Os riscos da inflação podem ser
calculados; e o prejuízo financeiro deles, previsto”, mantendo-se o seu sentido original é:
(A) Podem ser calculados e previstos os riscos da inflação e seu prejuízo financeiro.
(B) Os riscos da inflação e seu prejuízo financeiro podem ser calculados e previstos.
(C) Podem ser calculados os riscos da inflação e pode ser previsto seu prejuízo financeiro.
(D) Podem ser calculados os prejuízos financeiros e calculados seus riscos inflacionários.
(E) Podem ser calculados os prejuízos financeiros advindos dos riscos inflacionários.
08. Está inteiramente adequada a pontuação da seguinte frase:
(A) A LRF permite, entre outras coisas que, a oposição e a população, fiscalizem a administração das
verbas públicas.
(B) Alegam alguns prefeitos, que encontram dificuldades, para fazer frente aos gastos que a
Constituição determina, nas áreas da saúde e da educação.
(C) São graves as penas previstas para quem descumpre, por negligência ou má fé, as normas de
responsabilidade fiscal da lei promulgada em 2000.
(D) Fazem parte da LRF, as instruções que definem os limites para as despesas de pessoal, e as
regras para a criação de dívidas.
(E) Qualquer cidadão pode, graças à promulgação da LRF entrar com ação judicial para fazê-la
cumprir, conforme sua regulamentação.
09. Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das cercanias do Parque Nacional Grande Sertão
Veredas, no norte de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria cabocla: "Pois é, não
sei pra onde a Terra está andando, mas certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e
não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel dos Santos Pereira viveu seus 75 anos
campeando livre entre cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou sujos e campos
cerrados, ecossistemas que constituem a magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque",
exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é plantação de soja e pastagem pra gado."
Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa permanente. Na Serra da Canastra, em São
Roque de Minas, nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduás bandeira, lobos-guarás
e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta,
primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros de queda livre.
No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece um deserto com dunas de até 40 metros de
altura. Mas, ao contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão, nascentes, cachoeiras,
lagoas, serras e chapadões. E uma fauna exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas,
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os habitantes da comunidade quilombola de Mumbuca descobriram o capim-dourado, uma fibra que a
criatividade local transformou em artigo de exportação.
Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o viajante se extasia com a beleza das
cachoeiras e das matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas, dos cânions do Rio
Preto e do Vale da Lua. Perto do município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o Parque
Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de
luz azul esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos cupinzeiros. Pena que todo o entorno do
parque foi drenado para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por avião são levados pelo
vento e contaminam nascentes e rios que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza
provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes do Rio Araguaia, quase cem, com
quilômetros de extensão e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões de toneladas de
sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade.
Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies de plantas locais são utilizadas pela
medicina popular), o Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer. O que percebo,
como testemunha ocular, é que entra governo e sai governo e o processo de desertificação do país
continua em crescimento assombroso.
Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em fazer desertos. Só haverá esperança para os
vastos espaços das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela genialidade de João
Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso conformismo e nossa proverbial omissão.
(Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial
H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações)
Em relação ao emprego de sinais de pontuação no texto, está INCORRETO o que se afirma em:
(A) As aspas em “seo” (1ª linha) registram uma forma coloquial de tratamento.
(B) Os dois-pontos na 4ª linha sinalizam a introdução da fala de um interlocutor no texto.
(C) As aspas em “Ainda bem que existe o Parque” (10ª linha) assinalam o segmento que contém o
assunto central do texto.
(D) Os parênteses, no 5º parágrafo, isolam uma afirmativa empregada como argumento que respalda
a ressalva anterior, referente à beleza e biodiversidade do Cerrado.
(E) A vírgula após a expressão campos cerrados, na 9ª linha, pode ser corretamente substituída por
um travessão, sem prejuízo do sentido original
Respostas
01. Resposta D
O trecho que está entre vírgulas é um aposto explicativo. Ele remete-se ao termo “habitantes da mata”
explicando quem estes são.
02. Resposta B
A frase apresenta um inversão de termos, sua ordem direta seria: Os amigos informaram-nos de que
a gravidez era algo demorado, apesar de terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto.
Deste modo, quando há inversão dos termos de uma frase deve-se separá-lo por vírgulas.
03. Resposta D
O pronome de tratamento Vossa Excelência e Sua Excelência tem uso distinto.
Vossa Excelência = usar para falar com a autoridade. Sua Excelência = usar para falar da autoridade.
Logo, não poderia ser a alternativa “b” ou “c”.
a) O vereador Formigão é aposto explicativo, logo deveria estar entre vírgulas, e não se admite usar
travessão antes do "pois".
d) Correta
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e) Se tiver adjunto adverbial deslocado, a vírgula é obrigatória, exceto se for de curta extensão
(formada por 1 ou 2 palavras)
Portanto, o correto seria: “Em sua entrevista, Sua Excelência...”
04. Resposta A
A vírgula aqui, está corretamente empregada pois trata-se de um Vocativo, um “chamamento” .
05. Resposta C
"Portanto" é uma conjunção coordenada conclusiva. O objetivo dela é trazer duas ideias, fazendo da
segunda uma conclusão da primeira.
Outras do mesmo valor semântico: Logo, por isso, então...
06. Resposta D
A opção “D” apresenta uma falha de pontuação, já que o adjunto adverbial “muitas vezes” interrompe
uma sequência lógica. A gramática normativa até admite o adjunto adverbial deslocado, contendo corpo
pequeno, mas este deve aparecer entre vírgulas.
O fato de aparecer vírgula antes do adjunto adverbial “muitas vezes”, porém não aparecer vírgula após
a ele faz com que a alternativa apresente um erro de pontuação.
07. Resposta C
A segunda vírgula indica a omissão da locução “verbal pode ser”, podendo ser reescrita: “Os riscos
da inflação podem ser calculados, e o prejuízo financeiro deles pode ser previsto”.
08. Resposta C
Usamos a vírgula para isolar orações adjetivas explicativas. As orações subordinadas adjetivas fazem
o papel de um adjetivo, ou seja, restringem ou explicam o sentido de um substantivo ou de um pronome
da oração principal.
09. Resposta B
Os dois pontos na 3ª linha sinalizam um provérbio caboclo, no qual “seo” Samuca presenteia o escritor.
O sinal “dois pontos” introduzem enumerações, sumários, explicações, exemplificações, citações e
afirmações.
Também chamadas Figuras de Estilo, são recursos especiais de que se vale quem fala ou escreve,
para comunicar à expressão mais força e colorido, intensidade e beleza.
Podemos classificá-las em três tipos:
- Figuras de Palavras (ou tropos);
- Figuras de Construção (ou de sintaxe);
- Figuras de Pensamento.
Figuras de Palavra
Compare estes exemplos:
O tigre é uma fera. (fera = animal feroz: sentido próprio, literal, usual)
Pedro era uma fera. (fera = pessoa muito brava: sentido figurado, ocasional)
No segundo exemplo, a palavra fera sofreu um desvio na sua significação própria e diz muito mais do
que a expressão vulgar “pessoa brava”. Semelhantes desvios de significação a que são submetidas as
palavras, quando se deseja atingir um efeito expressivo, denominam-se figuras de palavras ou tropos (do
grego trópos, giro, desvio).
São as seguintes as figuras de palavras:
Estilística: figuras de linguagem
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Metáfora: consiste em atribuir a uma palavra características de outra, em função de uma analogia
estabelecida de forma bem subjetiva.
“Meu verso é sangue” (Manuel Bandeira)
Observe que, ao associar verso a sangue, o poeta estabeleceu uma analogia entre essas duas
palavras, vendo nelas uma relação de semelhança. Todos os significados que a palavra sangue sugere
ao leitor passam também para a palavra verso.
Os poetas são mestres na citação de metáforas surpreendentes, ricas em significados. Exemplo:
“Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus.”
Vinícius de Moraes
A metáfora é uma espécie de comparação sem a presença de conectivos do tipo como, tal como,
assim como etc. Quando esses conectivos aparecem na frase, temos uma comparação e não uma
metáfora. Exemplo:
“A felicidade é como a gota de orvalho
numa pétala de flor.
Brilha tranquila, depois de leve oscila
e cai como uma lágrima de amor.”
Vinícius de Moraes
Comparação: é a comparação entre dois elementos comuns; semelhantes. Normalmente se emprega
uma conjunção comparativa: como, tal qual, assim como.
“Sejamos simples e calmos
Como os regatos e as árvores”
Fernando Pessoa
Metonímia: consiste no emprego de uma palavra por outra com a qual ela se relaciona. Ocorre a
metonímia quando empregamos:
- o autor ou criador pela obra. Exemplo: Gosto de ler Jorge Amado (observe que o nome do autor
está sendo usado no lugar de suas obras).
- o efeito pela causa e vice-versa. Exemplos: Ganho a vida com o suor do meu rosto. (o suor é o
efeito ou resultado e está sendo usado no lugar da causa, ou seja, o “trabalho”); Vivo do meu trabalho. (o
trabalho é causa e está no lugar do efeito ou resultado, ou seja, o “lucro”).
- o continente pelo conteúdo. Exemplo: Ela comeu uma caixa de doces. (a palavra caixa, que designa
o continente ou aquilo que contém, está sendo usada no lugar da palavra doces, que designaria o
conteúdo).
- o abstrato pelo concreto e vice-versa. Exemplos: A velhice deve ser respeitada. (o abstrato velhice
está no lugar do concreto, ou seja, pessoas velhas).Ele tem um grande coração. (o concreto coração está
no lugar do abstrato, ou seja, bondade).
- o instrumento pela pessoa que o utiliza. Exemplo: Ele é bom volante. (o termo volante está sendo
usado no lugar do termo piloto ou motorista).
- o lugar pelo produto. Exemplo: Gosto muito de tomar um Porto. (o produto vinho foi substituído pelo
nome do lugar em que é feito, ou seja, a cidade do Porto).
- o símbolo ou sinal pela coisa significada. Exemplo: Os revolucionários queriam o trono. (a palavra
trono, nesse caso, simboliza o império, o poder).
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- a parte pelo todo. Exemplo: Não há teto para os necessitados. (a parte teto está no lugar do todo,
“a casa”).
- o indivíduo pela classe ou espécie. Exemplo: Ele foi o judas do grupo. (o nome próprio Judas está
sendo usado como substantivo comum, designando a espécie dos homens traidores).
- o singular pelo plural. Exemplo: O homem é um animal racional. (o singular homem está sendo
usado no lugar do plural homens).
- o gênero ou a qualidade pela espécie. Exemplo: Os mortais somos imperfeitos. (a palavra mortais
está no lugar de “seres humanos”).
- a matéria pelo objeto. Exemplo: Ele não tem um níquel. (a matéria níquel é usada no lugar da coisa
fabricada, que é “moeda”).
Observação: Os últimos 5 casos recebem também o nome de Sinédoque.
Perífrase: é a substituição de um nome por uma expressão que facilita a sua identificação. Exemplo:
O país do futebol acredita no seu povo. (país do futebol = Brasil)
Sinestesia: é a mistura de sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.
“O vento frio e cortante balança os trigais dourados e macios que se estendiam pelo campo.” (frio e
cortante = tato / dourados e macios = visão + tato)
Catacrese: consiste em transferir a uma palavra o sentido próprio de outra, utilizando-se formas já
incorporadas aos usos da língua. Se a metáfora surpreende pela originalidade da associação de ideias,
o mesmo não ocorre com a catacrese, que já não chama a atenção por ser tão repetidamente usada.
Exemplo: Ele embarcou no trem das onze. (originariamente, a palavra embarcar pressupõe barco e não
trem).
Antonomásia: ocorre quando substituímos um nome próprio pela qualidade ou característica que o
distingue. Exemplo: O Poeta dos Escravos é baiano. (Poeta dos Escravos está no lugar do nome próprio
Castro Alves, poeta baiano que se distinguiu por escrever poemas em defesa dos escravos).
Figuras de Construção
Compare as duas maneiras de construir esta frase:
Os homens pararam, o medo no coração.
Os homens pararam, com o medo no coração.
Nota-se que a primeira construção é mais concisa e elegante. Desvia-se da norma estritamente
gramatical para atingir um fim expressivo ou estilístico. Foi com esse intuito que assim a redigiu Jorge
Amado.
A essas construções que se afastam das estruturas regulares ou comuns e que visam transmitir à
frase mais concisão, expressividade ou elegância dá-se o nome de figuras de construção ou de sintaxe.
São as mais importantes figuras de construção:
Elipse: consiste na omissão de um termo da frase, o qual, no entanto, pode ser facilmente identificado.
Exemplo: No fim da festa, sobre as mesas, copos e garrafas vazias. (ocorre a omissão do verbo haver:
No fim da festa havia, sobre as mesas, copos e garrafas vazias).
Pleonasmo: consiste no emprego de palavras redundantes para reforçar uma ideia. Exemplo: Ele vive
uma vida feliz.
Observação: Devem ser evitados os pleonasmos viciosos, que não têm valor de reforço, sendo antes
fruto do desconhecimento do sentido das palavras, como por exemplo, as construções “subir para cima”,
“protagonista principal”, “entrar para dentro”, etc.
Polissíndeto: consiste na repetição enfática do conectivo, geralmente o “e”. Exemplo: Felizes, eles
riam, e cantavam, e pulavam de alegria, e dançavam pelas ruas...
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Inversão ou Hipérbato: consiste em alterar a ordem normal dos termos ou orações com o fim de lhes
dar destaque:
“Passarinho, desisti de ter.” (Rubem Braga)
“Justo ela diz que é, mas eu não acho não.” (Carlos Drummond de Andrade)
“Por que brigavam no meu interior esses entes de sonho não sei.” (Graciliano Ramos)
“Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (Mário Quintana)
Observação: o termo que desejamos realçar é colocado, em geral, no início da frase.
Anacoluto: consiste na quebra da estrutura sintática da oração. O tipo de anacoluto mais comum é
aquele em que um termo parece que vai ser o sujeito da oração, mas a construção se modifica e ele
acaba sem função sintática. Essa figura é usada geralmente para pôr em relevo a ideia que consideramos
mais importante, destacando-a do resto. Exemplo: “Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura.”
(Manuel Bandeira) (o pronome eu, enunciado no início, não se liga sintaticamente à oração eis-me
medonha e escura.)
Silepse: ocorre quando a concordância de gênero, número ou pessoa é feita com ideias ou termos
subentendidos na frase e não claramente expressos. A silepse pode ser:
- de gênero. Exemplo: Vossa Majestade parece cansado. (o adjetivo cansado concorda não com o
pronome de tratamento Vossa Majestade, de forma feminina, mas com a pessoa a quem esse pronome
se refere – pessoa do sexo masculino).
- de número. Exemplo: O pessoal ficou apavorado e saíram correndo. (o verbo sair concordou com a
ideia de plural que a palavra pessoal sugere).
- de pessoa. Exemplo: Os brasileiros gostamos de futebol. (o sujeito os brasileiros levaria o verbo
usualmente para a 3ª pessoa do plural, mas a concordância foi feita com a 1ª pessoa do plural, indicando
que a pessoa que fala está incluída em os brasileiros).
Onomatopeia: consiste no aproveitamento de palavras cuja pronúncia imita o som ou a voz natural
dos seres. É um recurso fonêmico ou melódico que a língua proporciona ao escritor.
“Pedrinho, sem mais palavras, deu rédea e, lept! lept! arrancou estrada afora.” (Monteiro Lobato)
“O som, mais longe, retumba, morre.” (Goncalves Dias)
“O longo vestido longo da velhíssima senhora frufrulha no alto da escada.” (Carlos Drummond de
Andrade)
“Tíbios flautins finíssimos gritavam.” (Olavo Bilac)
“Troe e retroe a trompa.” (Raimundo Correia)
“Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” (Cruz e Sousa)
As onomatopeias, como nos três últimos exemplos, podem resultar da Aliteração (repetição de
fonemas nas palavras de uma frase ou de um verso).
Repetição: consiste em reiterar (repetir) palavras ou orações para enfatizar a afirmação ou sugerir
insistência, progressão:
“O surdo pede que repitam, que repitam a última frase.” (Cecília Meireles)
“Tudo, tudo parado: parado e morto.” (Mário Palmério)
“Ia-se pelos perfumistas, escolhia, escolhia, saía toda perfumada.” (José Geraldo Vieira)
“E o ronco das águas crescia, crescia, vinha pra dentro da casona.” (Bernardo Élis)
“O mar foi ficando escuro, escuro, até que a última lâmpada se apagou.” (Inácio de Loyola Brandão)
Zeugma: consiste na omissão de um ou mais termos anteriormente enunciados. Exemplo: A manhã
estava ensolarada; a praia, cheia de gente. (há omissão do verbo estar na segunda oração (...a praia
estava cheia de gente)).
Assíndeto: ocorre quando certas orações ou palavras, que poderiam se ligar por um conectivo, vêm
apenas justapostas. Exemplo: Vim, vi, venci.
Anáfora: consiste na repetição de uma palavra ou de um segmento do texto com o objetivo de enfatizar
uma ideia. É uma figura de construção muito usada em poesia. Exemplo:
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“Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade.”
Paranomásia: palavras com sons semelhantes, mas de significados diferentes, vulgarmente chamada
de trocadilho. Exemplo: Era iminente o fim do eminente político.
Neologismo: criação de palavras novas. Exemplo: O projeto foi considerado imexível.
Figuras de Pensamento
São processos estilísticos que se realizam na esfera do pensamento, no âmbito da frase. Nelas
intervêm fortemente a emoção, o sentimento, a paixão. Eis as principais figuras de pensamento:
Antítese: consiste em realçar uma ideia pela aproximação de palavras de sentidos opostos. Exemplo:
“Morre! Tu viverás nas estradas que abriste!” (Olavo Bilac)
Apóstrofe: consiste na interrupção do texto para se chamar a atenção de alguém ou de coisas
personificadas. Sintaticamente, a apóstrofe corresponde ao vocativo. Exemplo:
“Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade” (Vinícius de Moraes)
Eufemismo: ocorre quando, no lugar das palavras próprias, são empregadas outras com a finalidade
de atenuar ou evitar a expressão direta de uma ideia desagradável ou grosseira. Exemplo: Depois de
muito sofrimento, ele entregou a alma a Deus.
Gradação: ocorre quando se organiza uma sequência de palavras ou frases que exprimem a
intensificação progressiva de uma ideia. Exemplo: “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Monteiro
Lobato)
Hipérbole: ocorre quando, para realçar uma ideia, exageramos na sua representação. Exemplo: Está
muito calor. Os jogadores estão morrendo de sede no campo.
Ironia: é o emprego de palavras que, na frase, têm o sentido oposto ao que querem dizer. É usada
geralmente com sentido sarcástico. Exemplo: Quem foi o inteligente que usou o computador e apagou o
que estava gravado?
Paradoxo: é o encontro de ideias que se opõem; ideias opostas. Exemplo:
“É tão difícil olhar o mundo
e ver o que ainda existe
pois sem você
meu mundo é diferente
minha alegria é triste.” (Roberto Carlos e Erasmo)
(a alegria e a tristeza se opõem, se a alegria é triste, ela tem uma qualidade que é antagônica).
Personificação ou Prosopopéia ou Animismo: consiste em atribuir características humanas a outros
seres. Exemplo:
“Ah! cidade maliciosa
de olhos de ressaca
que das índias guardou a vontade de andar nua.” (Ferreira Gullar)
Reticência: consiste em suspender o pensamento, deixando-o meio velado. Exemplo:
“De todas, porém, a que me cativou logo foi uma... uma... não sei se digo.” (Machado de Assis)
“Quem sabe se o gigante Piaimã, comedor de gente...” (Mário de Andrade)
Retificação: como a palavra diz, consiste em retificar uma afirmação anterior. Exemplos:
É uma joia, ou melhor, uma preciosidade, esse quadro.
O síndico, aliás, uma síndica muito gentil não sabia como resolver o caso.
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“O país andava numa situação política tão complicada quanto a de agora. Não, minto. Tanto não.”
(Raquel de Queiroz)
“Tirou, ou antes, foi-lhe tirado o lenço da mão.” (Machado de Assis)
“Ronaldo tem as maiores notas da classe. Da classe? Do ginásio!” (Geraldo França de Lima)
Questões
01. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR
ESPECIALIZADO EM BIBLIOTECONOMIA – FGV/2014 - adaptada). Ao dizer que os shoppings são
“cidades”, o autor do texto faz uso de um tipo de linguagem figurada denominada
(A) metonímia.
(B) eufemismo.
(C) hipérbole.
(D) metáfora.
(E) catacrese.
02. (PREFEITURA DE ARCOVERDE/PE - ADMINISTRADOR DE RECURSOS HUMANOS –
CONPASS/2014) Identifique a figura de linguagem presente na tira seguinte:
(A) metonímia
(B) prosopopeia
(C) hipérbole
(D) eufemismo
(E) onomatopeia
03. (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE - COPEVE/UFAL/2014)
Está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto.
O dito popular é, na maioria das vezes, uma figura de linguagem. Entre as 14h30min e às 15h desta
terça-feira, horário do dia em que o calor é mais intenso, a temperatura do asfalto, medida com um
termômetro de contato, chegou a 65ºC. Para fritar um ovo, seria preciso que o local alcançasse
aproximadamente 90 ºC.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Acesso em: 22 jan. 2014.
O texto cita que o dito popular “está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto” expressa uma
figura de linguagem. O autor do texto refere-se a qual figura de linguagem?
(A) Eufemismo.
(B) Hipérbole.
(C) Paradoxo.
(D) Metonímia.
(E) Hipérbato.
04. (SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/PI – ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – UESPI/2014).
A linguagem por meio da qual interagimos no nosso dia a dia pode revestir-se de nuances as mais
diversas: pode apresentar-se em sentido literal, figurado, metafórico. A opção em cujo trecho utilizou-se
linguagem metafórica é
(A) O equilíbrio ou desequilíbrio depende do ambiente familiar.
(B) Temos medo de sair às ruas.
(C) Nestes dias começamos a ter medo também dentro dos shoppings.
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(D) Somos esse novelo de dons.
(E) As notícias da imprensa nos dão medo em geral.
05. (SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL/MG – AGENTE DE SEGURANÇA
SOCIOEDUCATIVO – IBFC/2014) No verso “Essa dor doeu mais forte”, pode-se perceber a presença de
uma figura de linguagem denominada:
(A) ironia
(B) pleonasmo
(C) comparação
(D) metonímia
06. (SESAU/RO – ENFERMEIRO - FUNCAB)
Ciência e moralidade
A percepção pública da ciência é, com razão, repleta de conflitos. Alguns acreditam que a ciência seja
a chave para a liberdade do homem, para a melhora das condições de vida de todos, para a cura dos
tantos males que afligem pobres e ricos, desde a fome até as mais variadas doenças. Já outros veem a
ciência com grande desconfiança e até com desprezo, como sendo a responsável pela criação de várias
armas de destruição inventadas através da história, da espada à bomba atômica. Para esse grupo, os
homens não são maduros o suficiente para lidar com o grande poder que resulta de nossas descobertas
científicas.
No início do século 21, a clonagem e a possibilidade de construirmos máquinas inteligentes prometem
até mesmo uma redefinição do que significa ser humano. Na medida em que será possível desenhar
geneticamente um indivíduo ou modificar a sua capacidade mental por meio de implantes eletrônicos,
onde ficará a linha divisória entre homem e máquina, entre o vivo e o robotizado? Entre os vários cenários
que vemos discutidos na mídia, o mais aterrorizador é aquele em que nós nos tornaremos forçosamente
obsoletos, uma vez que clones bioeletrônicos serão muito mais inteligentes e resistentes do que nós. Ou
seja, quando (e se) essas tecnologias estiverem disponíveis, a ciência passará a controlar o processo
evolutivo: a nossa missão final é criar seres “melhores” do que nós, tomando a seleção natural em nossas
próprias mãos. O resultado, claro, é que terminaremos por causar a nossa própria extinção, sendo apenas
mais um elo na longa cadeia evolutiva. O filme“Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg, relata
precisamente esse cenário lúgubre para o nosso futuro, a inventividade humana causando a sua
destruição final.
É difícil saber como lidar com essa possibilidade. Se tomarmos o caso da tecnologia nuclear como
exemplo, vemos que a sua história começou com o assassinato de centenas de milhares de cidadãos
japoneses, justamente pela potência que se rotula o “lado bom”. Esse rótulo, por mais ridículo que seja,
é levado a sério por grande parte da população norte-americana. É o velho argumento maquiavélico de
que os fins justificam os meios: “Se não jogássemos as bombas em Hiroshima e Nagasaki, os japoneses
jamais teriam se rendido e muito mais gente teria morrido em uma invasão por terra”, dizem as
autoridades militares e políticas norte-americanas. Isso não só não é verdade como mostra que são os
fins político-econômicos que definem os usos e abusos da ciência: os americanos queriam manter o seu
domínio no Pacífico, tentando amedrontar os soviéticos que desciam pela Manchúria. As bombas não só
detiveram os soviéticos como redefiniram o equilíbrio de poder no mundo. Ao menos até os soviéticos
desenvolverem a sua bomba, o que deu início à Guerra Fria.
As consequências de um conflito nuclear global são tão horrendas que até mesmo os líderes das
potências nucleares conseguiram resistir à tentação de abusar de seu poder: criamos uma guerra sem
vencedores e, portanto, inútil. Porém, as tecnologias nucleares não são propriedade exclusiva das
potências nucleares. A possibilidade de que um grupo terrorista obtenha ou construa uma pequena
bomba é remota, mas não inexistente. Em casos de extremismo religioso, escolhas morais são
redefinidas de acordo com os preceitos (distorcidos) da religião: isso foi verdade tanto nas Cruzadas como
hoje, nas mãos de suicidas muçulmanos. Eles não hesitariam em usar uma arma atômica, caso
ativessem. E sentiriam suas ações perfeitamente justificadas.
Essa discussão mostra que a ciência não tem uma dimensão moral: somos nós os seres morais, os
que optamos por usar as nossas invenções de modo criativo ou destrutivo. Somos nós que descobrimos
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curas para doenças e gases venenosos. Daí que o futuro da sociedade está em nossas mãos e será
definido pelas escolhas que fizermos daqui para a frente. (...) Não é da ciência que devemos ter medo,
mas de nós mesmos e da nossa imaturidade moral.
(Marcelo Gleiser, in Folha de São Paulo, 7 de julho de 2002)
Em “Essa discussão mostra que a ciência não tem uma dimensão moral: somos nós os seres morais,
os que optamos por usar as nossas invenções de modo criativo ou destrutivo.”, identificamos:
(A) silepse de número;
(B) silepse de pessoa;
(C) silepse de gênero;
(D) pleonasmo;
(E) elipse.
07. (UFRJ – ARQUITETO E URBANISTA – PR4/2012)
TEXTO - PAZ GLOBAL IMPOSSÍVEL
Umberto Eco
Perto do final de dezembro, a Academia Universal das Culturas discutiu em Paris o tema de como se
pode imaginar a paz nos dias de hoje. Não definir ou desejar, mas imaginar. Logo, a paz parece ainda
ser não apenas uma meta distante, mas um objeto desconhecido. Os teólogos a definiram como a
“tranquillita ordinis".
A tranquilidade de que ordem? Somos todos vítimas de um mito original: havia uma condição edênica,
depois essa tranquilidade foi violada pelo primeiro ato de violência. Mas Heráclito nos preveniu de que “a
luta é a regra do mundo, e a guerra é geradora comum e senhora de todas as coisas". No início houve a
guerra, e a evolução implica uma luta pela vida.
As grandes pazes que conhecemos na História, como a paz romana, ou, em nosso tempo, a paz
americana (mas também já houve paz soviética, paz otomana, paz chinesa), foram resultados de uma
conquista e uma pressão militar contínua através das quais se mantinha uma certa ordem e se reduzia o
grau de conflitos no centro, à custa de algumas tantas pequenas, porém sangrentas, guerras periféricas.
A coisa pode agradar a quem está no olho do furacão, mas quem está na periferia sofre a violência que
serve para conservar o equilíbrio do sistema. “Nossa" paz se obtém sempre ao preço da guerra que
sofrem os outros.
Isso deveria nos levar a uma conclusão cínica, porém realista: se queres a paz (para ti), prepara a
guerra (contra os outros). Entretanto, nas últimas décadas, a guerra se transformou em algo tão complexo
que não costuma mais chegar ao fim com uma situação de paz, nem que seja apenas provisória. Ao longo
dos séculos, a finalidade da guerra tem sido a de derrotar o inimigo em seu próprio território, mantendo-
o no desconhecimento quanto a nossos movimentos para poder pegá-lo de surpresa, conseguindo forte
solidariedade na frente interna. Hoje, depois das guerras do Golfo e de Kosovo, temos visto não apenas
jornalistas ocidentais falando das cidades inimigas bombardeadas, como também os representantes dos
países adversários expressando-se livremente em nossas telas de televisão. Os meios de comunicação
informavam ao inimigo sobre as posições e os movimentos dos “nossos", como se Mata Hari tivesse se
transformado em diretora da televisão local. Os chamados do inimigo dentro de nossa própria casa e a
prova visual insuportável da destruição provocada pela guerra levaram a que se dissesse que não se
deveriam assassinar os inimigos (ou mostrar que eram assassinados por engano),e, por outro lado,
parecia insustentável a idéia de que um dos nossos pudesse morrer. Dá para se fazer uma guerra nessas
condições?
“Somos todos vítimas de um mito original”. Nesse segmento do texto temos o que se chama de “silepse
de pessoa”, marcada pelo seguinte traço:
(A) o vocábulo “vítimas” é empregado como masculina e não como feminina;
(B) a concordância da forma verbal (somos) não está de acordo com o sujeito (vítimas);
(C) a concordância nominal entre “todos” e “vítimas” não é gramaticalmente correta;
(D) a forma verbal “somos” deveria ser empregada no passado e não no presente;
(E) o autor se inclui entre as vítimas do mito original citado.
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08. (INSS – ANALISTA LETRAS – FUNRIO/2014)
Esse conhecido provérbio exemplifica o uso de duas figuras de linguagem, a saber:
(A) antítese e onomatopeia.
(B) gradação e comparação.
(C) hipérbato e silepse.
(D) ironia e sinestesia.
(E) metáfora e metonímia.
Respostas
01. Resposta D
A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e transportá-la
para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma
similaridade existente entre as duas.
(Fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/metafora-figura-de-palavra-variacoes-e-exemplos.htm)
02. Resposta D
“Eufemismo = é o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para
comunicar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante”. No caso da tirinha, é utilizada a expressão
“deram suas vidas por nós” no lugar de “que morreram por nós”.
03. Resposta B
A expressão é um exagero! Ela serve apenas para representar o calor excessivo que está fazendo. A
figura que é utilizada “mil vezes” (!) para atingir tal objetivo é a hipérbole.
04. Resposta D
A alternativa que apresenta uma linguagem metafórica (figurada) é a que emprega o termo “novelo”
fora de seu contexto habitual (novelo de lã, por exemplo), representando, aqui, um emaranhado, um
monte, vários dons.
05. Resposta B
Repetição de ideia = pleonasmo (essa dor doeu).
06. Resposta B
A silepse de pessoa identifica-se no verbo “optamos” que se encontra em concordância com o sujeito
da oração “nós”.
07. Resposta E
Ao utilizar a forma verbal “somos”, correspondente da 3ª pessoa do plural – nós, o autor inclui-se dentro
do grupo de pessoas.
08. Resposta C
Hipérbato - consiste na alteração da ordem direta dos termos em uma oração. Em português, a oração
geralmente segue a ordem “sujeito + verbo + complementos + adjuntos”. O hipérbato quebra a ligação
imediata que as palavras têm umas com as outras, a fim de conferir maior ênfase, maior destaque a
determinadas partes da oração.
Todos temos um pouco . Todos ( 3° pessoa ) , temos ( 1° pessoa) = silepse de pessoa .
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Norma Culta
Norma culta ou linguagem culta é uma expressão empregada pelos linguistas brasileiros para designar
o conjunto de variedades linguísticas produzidas pelos falantes classificado como cidadãos nascidos e
criados em zona urbana e com nível de escolaridade elevado. Assim, a norma culta define o uso correto
da Língua Portuguesa com base no que está escrito nos livros de gramática.
Aquisição da Linguagem e o Propósito da Língua
A aprendizagem da língua inicia-se em casa, no contexto familiar, que é o primeiro círculo social para
uma criança. A criança imita o que ouve e aprende, aos poucos, o vocabulário e as leis combinatórias da
língua. Um jovem falante também vai exercitando o aparelho fonador, ou seja, a língua, os lábios, os
dentes, os maxilares, as cordas vocais para produzir sons que se transformam, mais tarde, em palavras,
frases e textos.
Um falante ao entrar em contato com outras pessoas em diferentes ambientes sociais como a rua, a
escola e etc., começa a perceber que nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que falam de forma
diferente por pertencerem a outras cidades ou regiões do país, ou por fazerem parte de outro grupo ou
classe social. Essas diferenças no uso da língua constituem as variedades linguísticas.
A língua é um poderoso instrumento de ação social, ela possibilita transmitir nossas ideias e transmitir
um conjunto de informações sobre nós mesmos. Desta forma, ela pode tanto facilitar quanto dificultar o
nosso relacionamento com as pessoas e com a sociedade no que diz respeito a nossa capacidade de
uso e articulação da língua.
Certas palavras e construções que empregamos acabam denunciando quem somos socialmente, ou
seja, em que região do país nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e, às vezes,
até nossos valores, círculo de amizades e hobbies, como skate, rock, surfe, etc. O uso da língua também
pode informar nossa timidez, sobre nossa capacidade de nos adaptarmos às situações novas e nossa
insegurança.
Variedades Linguísticas
A língua escrita e falada apresenta uma série de variações e transformações ao pasar do tempo. Tais
variações decorrem das diferenças entre as épocas, condições sociais, culturais e regionais dos falantes.
Tomemos como exemplo a transformação ortográfica do vocábulo “farmácia” que antes era grafado com
“ph”, assim, a palavra era escrita “pharmácia”.
Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde que cumpram com eficiência o papel
fundamental da língua, o de permitir e estabelecer a comunicação entre as pessoas. Apesar disso, há
uma entre as variedades que tem maior prestígio social, a norma culta ou norma padrã.
A norma culta é a variedade linguística ensinada nas escolas, contida na maior parte dos livros,
registros escritos, nas mídias televisivas, entre outros. Como variantes da norma padrão aparecem: a
linguagem regional, a gíria, a linguagem específica de grupos ou profissões (policiais, jogadores de
futebol, advogados, surfistas).
O ensino da língua culta na escola não tem a finalidade de condenar ou eliminar a língua que falamos
em nossa família ou em nossa comunidade. Ao contrário, o domínio da língua culta, somado ao domínio
de outras variedades linguísticas, torna-nos mais preparados para nos comunicarmos nos diferentes
contextos lingísticos, já que a linguagem utilizada em reuniões de trabalho não deve ser a mesma utilizada
em uma reunião de amigos no final de semana.
Portanto, saber usar bem uma língua equivale a saber empregá-la de modo adequado às mais
diferentes situações sociais de que participamos.
Graus de Formalismo
São muitos os tipos de registros quanto ao formalismo, tais como: o registro formal, que é uma
linguagem mais cuidada; o coloquial, que não tem um planejamento prévio, caracterizando-se por
construções gramaticais mais livres, repetições frequentes, frases curtas e conectores simples; o informal,
Reescrita de frases: substituição, deslocamento, paralelismo;
variação linguística: norma culta
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que se caracteriza pelo uso de ortografia simplificada e construções simples ( geralmente usado entre
membros de uma mesma família ou entre amigos).
As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente na situação de
comunicação; com o modo de expressão, isto é, se trata de um registro formal ou escrito; com a sintonia
entre interlocutores, que envolve aspectos como graus de cortesia, deferência, tecnicidade (domínio de
um vocabulário específico de algum campo científico, por exemplo).
ATITUDES NÃO RECOMENDADAS
EXPRESSÕES CONDENÁVEIS USO RECOMENDADO
A nível de / Ao nível Em nível, No nível
Face a / Frente a Ante, Diante, Em face de, Em vista de, Perante
Onde (Quando não exprime lugar) Em que, Na qual, Nas quais, No qual, Nos quais
Sob um ponto de vista De um ponto de vista
Sob um prisma Por (ou através de) um prisma
Em função de Em virtude de, Por causa de, Em consequência de, Por,
Em razão de
Expressões não recomendadas
- a partir de (a não ser com valor temporal).
Opção: com base em, tomando-se por base, valendo-se de...
- através de (para exprimir “meio” ou instrumento).
Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, segundo...
- devido a.
Opção: em razão de, em virtude de, graças a, por causa de.
- dito.
Opção: citado, mencionado.
- enquanto.
Opção: ao passo que.
- inclusive (a não ser quando significa incluindo-se).
Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também.
- no sentido de, com vistas a.
Opção: a fim de, para, com a finalidade de, tendo em vista.
- pois (no início da oração).
Opção: já que, porque, uma vez que, visto que.
- principalmente.
Opção: especialmente, sobretudo, em especial, em particular.
Expressões que demandam atenção
- acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se
- aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser e estar, aceito
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- acendido, aceso (formas similares) – idem
- à custa de – e não às custas de
- à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo que, conforme
- na medida em que – tendo em vista que, uma vez que
- a meu ver – e não ao meu ver
- a ponto de – e não ao ponto de
- a posteriori, a priori – não tem valor temporal
- em termos de – modismo; evitar
- enquanto que – o que é redundância
- entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a
- implicar em – a regência é direta (sem em)
- ir de encontro a – chocar-se com
- ir ao encontro de – concordar com
- se não, senão – quando se pode substituir por caso não, separado; quando não se pode, junto
- todo mundo – todos
- todo o mundo – o mundo inteiro
- não pagamento = hífen somente quando o segundo termo for substantivo
- este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar
e a que se está tratando)
- esse e isso – referência longe do falante e perto do ouvinte (tempo futuro, desejo de distância; tempo
passado próximo do presente, ou distante ao já mencionado e a ênfase).
Erros Comuns
- "Hoje ao receber alguns presentes no qual completo vinte anos tenho muitas novidades para contar”.
Uso inadequado do pronome relativo. Ele provoca falta de coesão, pois não consegue perceber a que
antecedente ele se refere, portanto nada conecta e produz relação absurda.
- "Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de
mel. "Tudo começou naquele baile de quinze anos", "... é aos dezoito anos que se começa a procurar o
caminho do amanhã e encontrar as perspectiva que nos acompanham para sempre na estrada da vida”.
Você pode ter conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e, assim, construir um texto sem
erros. Entretanto, se você reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas
pelo uso contínuo. A boa qualidade do texto fica comprometida.
- Tema: Para você, as experiências genéticas de clonagem põem em xeque todos os conceitos
humanos sobre Deus e a vida? "Bem a clonagem não é tudo, mas na vida tudo tem o seu valor e os
homens a todo momento necessitam de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca a todo
instante”.
É de extrema importância seguir o que foi proposto no tema. Antes de começar o texto leia atentamente
todos os elementos que o examinador apresentou. Esquematize as ideias e perceba se não há falta de
correspondência entre o tema proposto e o texto criado.
- "Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu primo (...) mostrou que ele não era maligno”.
Esta frase está ambígua. Não se sabe se o pronome ele refere-se ao fígado ou ao primo. Para se evitar
a ambiguidade, deve-se observar se a relação entre cada palavra do texto está correta.
- "Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas uma criança”.
Problema com o uso do conectivo “mas”. O conectivo mas indica uma circunstância de oposição, de
ideia contrária a. Portanto, a relação adversativa introduzida pelo "mas" no fragmento acima produz uma
ideia absurda.
- "Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tempestade sempre vem a bonança. Após longo
suplício, meu coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que só estaríamos separadas
carnalmente”.
Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles empobrecem a redação e fazem parecer que o autor
não tem criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso frequente.
- "Todos os deputados são corruptos”.
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Evite pensamentos radicais. É recomendável não generalizar e evitar, assim, posições extremistas.
- "Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar
com a decisão que você tomou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas você sabe - todos sabem -
ele pensa diferente. É bom a gente pensar como vai fazer para, enfim, para ele entender a decisão”.
O ato de escrever é diferente do ato de falar. O texto escrito não deve apresentar marcas de oralidade.
- "Mal cheiro", "mau-humorado".
Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado).
Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.
- "Fazem" cinco anos.
Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
- "Houveram" muitos acidentes.
Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve
haver muitos casos iguais.
- Para "mim" fazer.
Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.
- Entre "eu" e você.
Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.
- "Há" dez anos "atrás".
Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.
- "Entrar dentro".
Problema de redundância. O certo seria: entrar em.
Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais,
ganhar grátis, viúva do falecido.
- Vai assistir "o" jogo hoje.
Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão.
Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram
(desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. /
Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.
- Preferia ir "do que" ficar.
Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível
lutar a morrer sem glória.
- Não há regra sem "excessão".
O certo é exceção.
Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente"
(beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinquenta), "zuar"
(zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo),
"ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).
- Comprei "ele" para você.
Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-
os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.
- "Aluga-se" casas.
O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam
acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.
- Chegou "em" São Paulo.
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Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os
filhos ao circo.
- Todos somos "cidadões".
O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães,
tabeliães, gângsteres.
- A última "seção" de cinema.
Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral,
Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.
- Vendeu "uma" grama de ouro.
Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas.
- "Porisso".
Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de
- Não viu "qualquer" risco.
Deve-se usar “nenhum”, e não "qualquer.
Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.
- A feira "inicia" amanhã.
Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.
- O peixe tem muito "espinho".
Peixe tem espinha.
Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo"
(círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).
- Não sabiam "aonde" ele estava.
O certo: Não sabiam onde ele estava.
Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?
- "Obrigado", disse a moça.
Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito
obrigados por tudo.
- Ela era "meia" louca.
Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.
- "Fica" você comigo.
Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra
Caixa você também. / Chegue aqui.
- A questão não tem nada "haver" com você.
A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com
você.
- Vou "emprestar" dele.
Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o
livro (ceder) ao meu irmão.
Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.
- Ele foi um dos que "chegou" antes.
Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram
antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.
- "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com
números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.
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- Tinha "chego" atrasado.
"Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.
- Queria namorar "com" o colega.
O com não existe: Queria namorar o colega.
- O processo deu entrada "junto ao" STF.
Processo dá entrada no STF
- As pessoas "esperavam-o".
Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas:
As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.
- Vocês "fariam-lhe" um favor?
Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do
pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se
imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um
presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me").
- Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos.
Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser
substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador
estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.
- Estávamos "em" quatro à mesa.
O “em” não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.
- Sentou "na" mesa para comer.
Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou
ao piano, à máquina, ao computador.
- Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu.
A locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.
- O time empatou "em" 2 a 2.
A preposição é “por”: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma
forma: empate por.
- Não queria que "receiassem" a sua companhia.
O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam,
ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias,
enfeiam).
- Eles "tem" razão.
No plural, têm é com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e
põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.
- Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-
partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos
social-democratas.
- Andou por "todo" país.
Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a
tripulação inteira) foi demitida.
Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer
nação) tem inimigos.
- "Todos" amigos o elogiavam.
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No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do
texto.
- Ela "mesmo" arrumou a sala.
“Mesmo” é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.
- Chamei-o e "o mesmo" não atendeu.
Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. /
Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não
"dos mesmos").
- Vou sair "essa" noite.
É este que designa o tempo no qual se está o objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em
que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).
- A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero
hora.
- Comeu frango "ao invés de" peixe.
Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe.
Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.
- Se eu "ver" você por aí...
O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir); se eu tiver (de ter); se ele puser
(de pôr); se ele fizer (de fazer); se nós dissermos (de dizer).
- Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode,
explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda",
- Disse o que "quiz".
Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos;
pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.
- O homem "possue" muitos bens.
O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui.
Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.
- A tese "onde".
Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam.
Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em
que ele canta... / Na entrevista em que...
- Já "foi comunicado" da decisão.
Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado
(cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da
decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada
aos empregados.
- A modelo "pousou" o dia todo.
Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc.
- Espero que "viagem" hoje.
Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar).
Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar.
Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).
- O pai "sequer" foi avisado.
Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Partiu sem sequer nos avisar.
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- O fato passou "desapercebido".
Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.
- "Haja visto" seu empenho...
A expressão é “haja vista” e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista
suas críticas.
- A moça "que ele gosta".
Quem gosta, gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta
- É hora "dele" chegar.
Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo:
É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado. / Depois de esses fatos terem ocorrido.
- A festa começa às 8 "hrs.".
As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."),
5 m, 10 kg.
- "Dado" os índices das pesquisas...
A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas
ideias...
- Ficou "sobre" a mira do assaltante.
Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama.
Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E
lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa
e alguém vai para trás.
- "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.
Paralelismo
Conceito básico:
O termo paralelismo corresponde a uma relação de equivalência, por semelhança ou contraste, entre
dois ou mais elementos. É um recurso responsável por uma boa progressão textual. Dizemos que há
paralelismo em uma estrutura quando há uma correspondência rítmica, sintática/gramatical ou semântica
entre as estruturas.
Vejam a tirinha a seguir da famosa personagem Mafalda:
(Quino)
Reparem que, no segundo quadrinho, na fala da mãe da menina, há uma estrutura sintaticamente
equivalente:
“[Para trabalhar,] [para nos amar,] [para fazer deste mundo um mundo melhor]”
Notem que as três orações em destaque obedecem a uma mesma estrutura sintática: iniciam-se com
a preposição “para” e mantêm o verbo no infinitivo. A essa relação de equivalência estrutural, damos o
nome de paralelismo.
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Analisemos o próximo exemplo:
Vejam como o slogan da marca de cosméticos “Nívea” também segue uma estrutura em paralelismo
– “Beleza que se vê, beleza que se sente”. Notem que a repetição é intencional, mantendo uma unidade
gramatical.
O paralelismo é um recurso de coesão textual, ou seja, promove a conexão das ideias, através de
repetições planejadas, trazendo unidade a um texto.
Vejamos o exemplo a seguir:
Ministério da educação prevê [mudar a data do enem] e [melhorias no sistema.]
Reparem que há um desequilíbrio gramatical na frase acima. Para respeitarmos o paralelismo,
poderíamos reescrevê-la das seguintes maneiras:
A) Ministério da educação prevê [mudar a data do enem] e [melhorar o sistema.]
Ou
B) Ministério da educação prevê [mudanças na data do enem] e [melhorias no sistema.]
Vejam que, na primeira reescrita, mantivemos verbos no infinitivo iniciando as orações – “mudar” e
“melhorar”. Já na segunda, mantivemos bases nominais – substantivos – “mudanças” e “melhorias”.
Dessa forma, estabelecemos o paralelismo nas frases.
“Mas como achar o tal do paralelismo?”. Uma dica boa é encontrar os conectivos na frase. Eles são
importantes marcadores textuais para ajudá-los a identificar as estruturas que devem permanecer em
relação de equivalência.
Olhem esse exemplo:
Queremos amor E ter paz.
O verbo querer possui duas ideias que o complementam: “amor” E “ter paz”. O conectivo “e” marca o
paralelismo. As estruturas por ele ligadas estão iguais gramaticalmente?
Não. Uma é um substantivo e a outra uma oração. Para equilibrá-las, podemos reescrever, por
exemplo, das seguintes formas:
a) Queremos [amor] e [paz].
Ou
b) Queremos [ter amor] e [ter paz].
Ou
c) Queremos ter [amor] e [paz].
Exercícios de fixação:
Os períodos a seguir apresentam problemas de paralelismo. Reescreva-os, fazendo as devidas
correções:
a) Trata-se de um ponto de vista importante e que merece respeito.
b) Pensei estar, um dia, como aquele funcionário e que também conseguirei uma promoção.
c) Lamentei não ter feito nada pelo rapaz e que ele saísse tão humilhado.
d) Vi-o entristecer e que queria ajuda.
Sugestões de resposta:
a) Trata-se de um ponto de vista importante e respeitável.
b) Pensei estar, um dia, como aquele funcionário e também conseguir uma promoção.
c) Lamentei que não tivesse feito nada pelo rapaz e que ele saísse tão humilhado.
d) Vi-o entristecer e querer ajuda.
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Paralelismo sintático ou gramatical
É aquele em que se nota uma correlação sintática numa estrutura frasal a partir de termos ou orações
semelhantes morfossintaticamente.
Veja os exemplos a seguir:
Exemplo 1:
O condenado não só [roubou], mas também [é sequestrador].
Corrigindo, temos:
Ele não só roubou, mas também sequestrou.
Reparem que os termos “não só... mas também” estabelecem entre as orações coordenadas uma
relação de equivalência sintática. Dessa forma, é preciso que as orações apresentem a mesma estrutura
gramatical.
Exemplo 2:
O cidadão precisa [de educação], [respeito] e [solidariedade].
Corrigindo, temos:
O cidadão precisa [de educação], [de respeito] e [de solidariedade]. (os três complementos verbais
devem vir preposicionados - encadeamento de funções sintáticas)
Exemplo 3:
[Gosto] e [compro] livros.
Nesse caso, temos um problema na construção. O verbo “gostar” é transitivo indireto, enquanto o verbo
“comprar” é transitivo direto. A frase mostra-se incompleta sintaticamente, uma vez que só há um
complemento verbal (“livros”).
Corrigindo, temos:
Gosto [de livros] e [os] compro.
OI OD
Exemplo 4:
Quero [sua ajuda] e [que você venha].
Nesse caso, o paralelismo foi quebrado, uma vez que os complementos do verbo “querer” têm “pesos
sintáticos” diferentes: “sua ajuda” é um objeto direto “simples” e “que você venha” é um objeto direto
oracional. Repare que os objetos estão ligados pelo conectivo “e”, devendo, portanto, haver uma
equivalência entre eles.
Corrigindo, temos:
Quero [sua ajuda] e [sua vinda].
ou
Quero [que você me ajude] e [que você venha].
Paralelismo semântico
É aquele em que se observa uma correlação de sentido entre as estruturas.
Observem os exemplos a seguir:
“Trocava [de namorada] como trocava [de blusa]”.
“Marcela amou-me durante [quinze meses] e [onze contos de réis]”
(Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Notem que, apesar de haver paralelismo gramatical ou sintático nas frases, não há uma correlação
semântica.
No primeiro caso trocar “de namorada” não equivale a trocar “de blusa”; no segundo, amar “durante
quinze meses” (tempo) não corresponde a amar “durante onze contos de réis”. São relações de
sentido diferentes. Dessa forma, podemos dizer que houve uma “quebra” do paralelismo semântico,
pois é feita uma aproximação entre elementos de “carga significativa” diferente. Entretanto, isso
foi intencional e não deve ser visto como uma falha de construção.
Na maioria das vezes, esse tipo de construção é proposital para trazer a um trecho determinado efeito
de sentido a partir da ironia ou do humor, como nos exemplos acima.
Paralelismo rítmico
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O paralelismo rítmico é um recurso estilístico de grande efeito, do qual alguns autores se servem com
o propósito de dar maior expressividade ao pensamento.
Vejam os exemplos a seguir, retirados do livro “Comunicação em prosa moderna”, de Othon Garcia:
“Se os olhos veem com amor, o corvo é branco; se com ódio, o cisne é negro; se com amor, o demônio
é formoso; se com ódio, o anjo é feio; se com amor, o pigmeu é gigante”.
(“Sermão da quinta quarta-feira”, apud M. Gonçalves Viana, Sermões e lugares seletos, p. 214)
“Nenhum doutor as observou com maior escrúpulo, nem as esquadrinhou com maior estudo, nem as
entendeu com maior propriedade, nem as proferiu com mais verdade, nem as explicou com maior clareza,
nem as recapacitou com mais facilidade, nem as propugnou com maior valentia, nem as pregou e semeou
com maior abundância”.
(M.Bernardes)
Reparem as repetições intencionais, enfáticas, presentes nas construções acima, caracterizando um
paralelismo rítmico.
Teste seus conhecimentos:
1-) (UERJ)
As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(ANDRADE, Carlos Drummond de."Corpo". Rio de Janeiro: Record, 2002.)
Na terceira estrofe do poema, verifica-se um movimento de progressão textual que reitera as razões
para o amor. Essa progressão está caracterizada pela repetição do seguinte procedimento linguístico:
(A) construção frasal em ordem indireta
(B) estrutura sintática em paralelismo
(C) pontuação com efeito retórico
(D) rima como recurso fonológico
Comentário:
Reparem que o próprio enunciado da questão dá dicas sobre a resposta. A expressão “progressão
textual” e a palavra “repetição” induzem a pensarmos exatamente no paralelismo presente no poema. Ao
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. 257
longo do texto, enumeram-se, por meio de estruturas equivalentes sintaticamente, as razões para o amor.
Logo, como se vê, o gabarito da questão é a alternativa “B”.
http://soumaisenem.com.br/portugues/coesao-e-coerencia/paralelismo-parte-02
Variação Linguística
“Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói; se um velho amadurecido ou um jovem
impetuoso na flor da idade; se uma matrona autoritária ou uma dedicada; se um mercador errante ou um
lavrador de pequeno campo fértil (...)”
Todas as pessoas que falam uma determinada língua conhecem as estruturas gerais, básicas, de
funcionamento podem sofrer variações devido à influência de inúmeros fatores. Tais variações, que às
vezes são pouco perceptíveis e outras vezes bastante evidentes, recebem o nome genérico de
variedades ou variações linguísticas.
Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os seus falantes em todos os lugares e em
qualquer situação. Sabe-se que, numa mesma língua, há formas distintas para traduzir o mesmo
significado dentro de um mesmo contexto. Suponham-se, por exemplo, os dois enunciados a seguir:
Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele faz tempo.
Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há anos.
Qualquer falante do português reconhecerá que os dois enunciados pertencem ao seu idioma e têm o
mesmo sentido, mas também que há diferenças. Pode dizer, por exemplo, que o segundo é de uma
pessoa mais “estudada”.
Isso é prova de que, ainda que intuitivamente e sem saber dar grandes explicações, as pessoas têm
noção de que existem muitas maneiras de falar a mesma língua. É o que os teóricos chamam de variações
linguísticas.
As variações que distinguem uma variante de outra se manifestam em quatro planos distintos, a saber:
fônico, morfológico, sintático e lexical.
Variações Fônicas
São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons constituintes da palavra. Os exemplos de variação
fônica são abundantes e, ao lado do vocabulário, constituem os domínios em que se percebe com mais
nitidez a diferença entre uma variante e outra. Entre esses casos, podemos citar:
- a queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem oral no português: falá, vendê, curti (em
vez de curtir), compô.
- o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me alembro, o pássaro avoa, formas comuns
na linguagem clássica, hoje frequentes na fala caipira.
- a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, marelo (amarelo), margoso (amargoso),
características na linguagem oral coloquial.
- a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petrópolis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas
elas formas típicas de pessoas de baixa condição social.
- A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das regiões do Brasil) ou como “l” (em certas
regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): quintau, quintar,
quintal; pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol.
- deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar, estrupo, cardeneta, típicos de pessoas
de baixa condição social.
Variações Morfológicas
São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra. Nesse domínio, as diferenças entre as
variantes não são tão numerosas quanto as de natureza fônica, mas não são desprezíveis. Como
exemplos, podemos citar:
- o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar o superlativo de adjetivos, recurso muito
característico da linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssimo), uma prova
hiperdifícil (em vez de dificílima), um carro hiperpossante (em vez de possantíssimo).
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- a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regulares: ele interviu (interveio), se ele manter
(mantiver), se ele ver (vir) o recado, quando ele repor (repuser).
- a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregulares: vareia (varia), negoceia (negocia).
- uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-versa: duzentas gramas de presunto
(duzentos), a champanha (o champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da cal).
- a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e adjetivos (típicos do falar paulistano): os
amigo e as amiga, os livro indicado, as noite fria, os caso mais comum.
- o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o Brasil reflete (reflita) sobre o que
aconteceu nas últimas eleições; Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível que
ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu.
Variações Sintáticas
Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. No domínio da sintaxe, como no da
morfologia, não são tantas as diferenças entre uma variante e outra. Como exemplo, podemos citar:
- o uso de pronomes do caso reto com outra função que não a de sujeito: encontrei ele (em vez de
encontrei-o) na rua; não irão sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de ti) e ele.
- o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de “o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi
ontem.
- a ausência da preposição adequada antes do pronome relativo em função de complemento verbal:
são pessoas que (em vez de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de a que) eu
assisti; você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais confio.
- a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome “que” no início da frase mais a combinação
da preposição “de” com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a família dele (em vez
de cuja família eu já conhecia).
- a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando se trata de verbos no imperativo: Entra,
que eu quero falar com você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua) voz me irrita.
- ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles chegou tarde (em grupos de baixa extração
social); Faltou naquela semana muitos alunos; Comentou-se os episódios.
Variações Léxicas
É o conjunto de palavras de uma língua. As variantes do plano do léxico, como as do plano fônico, são
muito numerosas e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com outra. Eis alguns, entre
múltiplos exemplos possíveis de citar:
- a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para formar o grau superlativo dos adjetivos,
características da linguagem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil; Esse amigo é
um carinha maior esforçado.
- as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às vezes, tão surpreendentes, que têm
sido objeto de piada de lado a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no Brasil
chamamos de calcinha; o que chamamos de fila no Brasil, em Portugal chamam de bicha; café da manhã
em Portugal se diz pequeno almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de suéter,
malha, camiseta.
Designações das Variantes Lexicais:
- Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso e, por isso, denunciam uma linguagem já
ultrapassada e envelhecida. É o caso de reclame, em vez de anúncio publicitário; na década de 60, o
rapaz chamava a namorada de broto (hoje se diz gatinha ou forma semelhante), e um homem bonito era
um pão; na linguagem antiga, médico era designado pelo nome físico; um bobalhão era chamado de coió
ou bocó; em vez de refrigerante usava-se gasosa; algo muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.
- Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de palavras recém-criadas, muitas das quais mal
ou nem entraram para os dicionários. A moderna linguagem da computação tem vários exemplos, como
escanear, deletar, printar; outros exemplos extraídos da tecnologia moderna são mixar (fazer a
combinação de sons), robotizar, robotização.
- Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras emprestadas de outra língua, que ainda não foram
aportuguesadas, preservando a forma de origem. Nesse caso, há muitas expressões latinas, sobretudo
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. 259
da linguagem jurídica, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas o corpo” ou, mais livremente,
“estejas em liberdade”), ipso facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo”), ipsis litteris (textualmente,
“com as mesmas letras”), grosso modo (“de modo grosseiro”, “impreciso”), sic (“assim, como está
escrito”), data venia (“com sua permissão”).
As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight (compreensão repentina de algo, uma percepção
súbita), feeling (“sensibilidade”, capacidade de percepção), briefing (conjunto de informações básicas),
jingle (mensagem publicitária em forma de música).
Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que ainda não se aportuguesaram, mas há
ocorrências: hors-concours (“fora de concurso”, sem concorrer a prêmios), tête-à-tête (palestra particular
entre duas pessoas), esprit de corps (“espírito de corpo”, corporativismo), menu (cardápio), à la carte
(cardápio “à escolha do freguês”), physique du rôle (aparência adequada à caracterização de um
personagem).
- Jargão: é o vocabulário típico de um campo profissional como a medicina, a engenharia, a
publicidade, o jornalismo. No jargão médico temos uso tópico (para remédios que não devem ser
ingeridos), apneia (interrupção da respiração), AVC ou acidente vascular cerebral (derrame cerebral). No
jargão jornalístico chama-se de gralha, pastel ou caco o erro tipográfico como a troca ou inversão de uma
letra. A palavra lide é o nome que se dá à abertura de uma notícia ou reportagem, onde se apresenta
sucintamente o assunto ou se destaca o fato essencial. Quando o lide é muito prolixo, é chamado de
nariz-de-cera. Furo é notícia dada em primeira mão. Quando o furo se revela falso, foi uma barriga. Entre
os jornalistas é comum o uso do verbo repercutir como transitivo direto: __ Vá lá repercutir a notícia de
renúncia! (esse uso é considerado errado pela gramática normativa).
- Gíria: é o vocabulário especial de um grupo que não deseja ser entendido por outros grupos ou que
pretende marcar sua identidade por meio da linguagem. Existe a gíria de grupos marginalizados, de
grupos jovens e de segmentos sociais de contestação, sobretudo quando falam de atividades proibidas.
A lista de gírias é numerosíssima em qualquer língua: ralado (no sentido de afetado por algum prejuízo
ou má-sorte), ir pro brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-se irremediavelmente), cara ou cabra
(indivíduo, pessoa), bicha (homossexual masculino), levar um lero (conversar).
- Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico excessivamente erudito, muito raro, afetado:
Escoimar (em vez de corrigir); procrastinar (em vez de adiar); discrepar (em vez de discordar); cinesíforo
(em vez de motorista); obnubilar (em vez de obscurecer ou embaçar); conúbio (em vez de casamento);
chufa (em vez de caçoada, troça).
- Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja, o uso de um léxico vulgar, rasteiro, obsceno,
grosseiro. É o caso de quem diz, por exemplo, de saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou (em vez
de se deu mal, arruinou-se), feder (em vez de cheirar mal), ranho (em vez de muco, secreção do nariz).
Tipos de Variação
Não tem sido fácil para os estudiosos encontrar para as variantes linguísticas um sistema de
classificação que seja simples e, ao mesmo tempo, capaz de dar conta de todas as diferenças que
caracterizam os múltiplos modos de falar dentro de uma comunidade linguística. O principal problema é
que os critérios adotados, muitas vezes, se superpõem, em vez de atuarem isoladamente.
As variações mais importantes, para o interesse do concurso público, são os seguintes:
- Sóciocultural: Esse tipo de variação pode ser percebido com certa facilidade. Por exemplo, alguém
diz a seguinte frase:
“Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.” (frase 1)
Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-la, por exemplo, pela sua
profissão: um advogado? Um trabalhador braçal de construção civil? Um médico? Um garimpeiro? Um
repórter de televisão?
E quem usaria a frase abaixo?
“Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os ladrões.” (frase 2)
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Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes pertencentes a grupos sociais economicamente mais
pobres. Pessoas que, muitas vezes, não frequentaram nem a escola primária, ou, quando muito, fizeram-
no em condições não adequadas.
Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes que tiveram possibilidades sócio-econômicas
melhores e puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a leitura, com pessoas
de um nível cultural mais elevado e, dessa forma, “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua.
Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita acima está bastante simplificada, uma vez
que há diversos outros fatores que interferem na maneira como o falante escolhe as palavras e constrói
as frases. Por exemplo, a situação de uso da língua: um advogado, num tribunal de júri, jamais usaria a
expressão “tá na cara”, mas isso não significa que ele não possa usá-la numa situação informal
(conversando com alguns amigos, por exemplo).
Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir que as condições sociais influem no modo de
falar dos indivíduos, gerando, assim, certas variações na maneira de usar uma mesma língua. A elas
damos o nome de variações sócio-culturais.
- Geográfica: é, no Brasil, bastante grande e pode ser facilmente notada. Ela se caracteriza pelo
acento linguístico, que é o conjunto das qualidades fisiológicas do som (altura, timbre, intensidade),
por isso é uma variante cujas marcas se notam principalmente na pronúncia. Ao conjunto das
características da pronúncia de uma determinada região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro,
sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc. A variação geográfica, além de ocorrer na pronúncia, pode
também ser percebida no vocabulário, em certas estruturas de frases e nos sentidos diferentes que
algumas palavras podem assumir em diferentes regiões do país.
Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho abaixo, em que Guimarães Rosa, no conto “São
Marcos”, recria a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas:
“__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado Mangolô!].
__ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço. Não faço, porque não paga a pena... De
primeiro, quando eu era moço, isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui, de noite, foras d’hora,
em cemitério... (...). Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, não,
estou percurando é sossego...”
- Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. Elas se alteram com o passar do tempo e
com o uso. Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o sentido delas. Essas alterações
recebem o nome de variações históricas.
Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de Andrade. Neles, o escritor, meio em tom de
brincadeira, mostra como a língua vai mudando com o tempo. No texto I, ele fala das palavras de
antigamente e, no texto II, fala das palavras de hoje.
Texto I
Antigamente
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e prendadas. Não fazia
anos; completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes
pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levantam tábua, o
remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (...) Os mais idosos, depois da janta,
faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomava cautela de não apanhar sereno. Os mais
jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de alteia. Ou
sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até
em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’agua.
(...) Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário,
e com isso punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa
cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que
seu filho era artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pitar
escondido, atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros cromos, umas teteias.
(...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas; asthma os gatos, os
homens portavam ceroulas, bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos, mas retratistas, e os
cristãos não morriam: descansavam.
Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora.
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Texto II
Entre Palavras
Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – circulamos. A maioria delas não figura nos
dicionários de há trinta anos, ou figura com outras acepções. A todo momento impõe-se tornar
conhecimento de novas palavras e combinações.
Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido,
sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar com seu avô; talvez ele não entenda
o que você diz.
O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet, a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron,
o ditafone, a informática, a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em 1940?
Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, a motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o
módulo lunar, o antibiótico, o enfarte, a acupuntura, a biônica, o acrílico, o ta legal, a apartheid, o som
pop, as estruturas e a infraestrutura.
Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo, a descapitalização, o desenvolvimento,
o unissex, o bandeirinha, o mass media, o Ibope, a renda per capita, a mixagem.
Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o servomecanismo, as algias, a coca-cola, o
superego, a Futurologia, a homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene, o Incra, a Unesco, o
Isop, a Oea, e a ONU.
Estão reclamando, porque não citei a conotação, o conglomerado, a diagramação, o ideologema, o
idioleto, o ICM, a IBM, o falou, as operações triangulares, o zoom, e a guitarra elétrica.
Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra tensora, vela de ignição, engarrafamento,
Detran, poliéster, filhotes de bonificação, letra imobiliária, conservacionismo, carnet da girafa, poluição.
Fundos de investimento, e daí? Também os de incentivos fiscais. Knon-how. Barbeador elétrico de
noventa microrranhuras. Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos super congelados. Viagens pelo
crediário, Circuito fechado de TV Rodoviária. Argh! Pow! Click!
Não havia nada disso no Jornal do tempo de Venceslau Brás, ou mesmo, de Washington Luís. Algumas
coisas começam a aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na esquina, para consumo geral. A
enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre
palavras circulamos, vivemos, morremos, e palavras somos, finalmente, mas com que significado?
(Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa,
Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988)
- De Situação: aquelas que são provocadas pelas alterações das circunstâncias em que se desenrola
o ato de comunicação. Um modo de falar compatível com determinada situação é incompatível com outra:
Ô mano, ta difícil de te entendê.
Esse modo de dizer, que é adequado a um diálogo em situação informal, não tem cabimento se o
interlocutor é o professor em situação de aula.
Assim, um único indivíduo não fala de maneira uniforme em todas as circunstâncias, excetuados
alguns falantes da linguagem culta, que servem invariavelmente de uma linguagem formal, sendo, por
isso mesmo, considerados excessivamente formais ou afetados.
São muitos os fatores de situação que interferem na fala de um indivíduo, tais como o tema sobre o
qual ele discorre (em princípio ninguém fala da morte ou de suas crenças religiosas como falaria de um
jogo de futebol ou de uma briga que tenha presenciado), o ambiente físico em que se dá um diálogo (num
templo não se usa a mesma linguagem que numa sauna), o grau de intimidade entre os falantes (com
um superior, a linguagem é uma, com um colega de mesmo nível, é outra), o grau de comprometimento
que a fala implica para o falante (num depoimento para um juiz no fórum escolhem-se as palavras, num
relato de uma conquista amorosa para um colega fala-se com menos preocupação).
As variações de acordo com a situação costumam ser chamadas de níveis de fala ou, simplesmente,
variações de estilo e são classificadas em duas grandes divisões:
- Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de reflexão sobre o que se diz, bem como o estado de
atenção e vigilância. É na linguagem escrita, em geral, que o grau de formalidade é mais tenso.
- Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala com despreocupação e espontaneidade, em que
o grau de reflexão sobre o que se diz é mínimo. É na linguagem oral íntima e familiar que esse estilo
melhor se manifesta.
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Como exemplo de estilo coloquial vem a seguir um pequeno trecho da gravação de uma conversa
telefônica entre duas universitárias paulistanas de classe média, transcrito do livro Tempos Linguísticos,
de Fernando Tarallo. As reticências indicam as pausas.
Eu não sei tem dia... depende do meu estado de espírito, tem dia que minha voz... mais ta assim,
sabe? taquara rachada? Fica assim aquela voz baixa. Outro dia eu fui lê um artigo, lê?! Um menino lá
que faiz pós-graduação na, na GV, ele me, nóis ficamo até duas hora da manhã ele me explicando toda
a matéria de economia, das nove da noite.
Como se pode notar, não há preocupação com a pronúncia nem com a continuidade das ideias, nem
com a escolha das palavras. Para exemplificar o estilo formal, eis um trecho da gravação de uma aula de
português de uma professora universitária do Rio de Janeiro, transcrito do livro de Dinah Callou. A
linguagem falada culta na cidade do Rio de Janeiro. As pausas são marcadas com reticências.
o que está ocorrendo com nossos alunos é uma fragmentação do ensino... ou seja... ele perde a noção
do todo... e fica com uma série... de aspectos teóricos... isolados... que ele não sabe vincular a realidade
nenhuma de seu idioma... isto é válido também para a faculdade de letras... ou seja... né? há uma série...
de conceitos teóricos... que têm nomes bonitos e sofisticados... mas que... na hora de serem
empregados... deixam muito a desejar...
Nota-se que, por tratar-se de exposição oral, não há o grau de formalidade e planejamento típico do
texto escrito, mas trata-se de um estilo bem mais formal e vigiado que o da menina ao telefone.
Questões
01. (SEDUC/PI – PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA – NUCEPE/2015)
SOTAQUE MINEIRO: É ILEGAL, IMORAL OU ENGORDA?
Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar,
tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de
cada região do Brasil.
Cadê os linguistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada
que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência
e a sonoridade das palavras?
(...)
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las
no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: pó parar. Não dizem: onde eu estou?, dizem:
ôndôtô?). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona.
Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.
(...)
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro —
metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido...
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há
de perguntar pra outra: cê tá boa? Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá
boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.
Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se
for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).(...).
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá
conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: — Aqui, não vou dar conta de
chegar na hora, não, sô.
(...)
Mineiras não dizem apaixonado por. Dizem, sabe-se lá por que, apaixonado com. Soa engraçado aos
ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: Ah, eu apaixonei com ele.... Ou: sou doida com ele (ele, no
caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.
(Texto de Felipe Peixoto Braga Netto - Crônica extraída do livro "As coisas simpáticas da vida", Landy Editora, São Paulo (SP) - 2005, pág.
82. Publicação retirada do site: http://goo.gl/ajNZpc. - Acesso em 14.6.2015).
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Teoricamente, a noção de sotaque aplica-se apenas às variações linguísticas relativas à pronúncia
das palavras. No título do texto, Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?, há uma sinalização de que
o tema variação linguística será tratado levando-se em conta essa dimensão, mas verificam-se
referências a outras dimensões de variação. A opção em que a ideia de sotaque é evidenciada mais
pontualmente é:
(A) " Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de
serviço"
(B) ” Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é
fria, etc)."
(C) " Os mineiros também não gostam do verbo conseguir... Sôcê (se você) acha que não vai chegar
a tempo, você liga e diz: — Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô."
(D) "... Não dizem: onde eu estou?, dizem: ôndôtô?"
(E) " Mineiras não dizem apaixonado por. Dizem, sabe-se lá por que, apaixonado com.... Ouve-se a
toda hora: Ah, eu apaixonei com ele.... Ou: sou doida com ele (...)
02. (SEDUC/PI – PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA – NUCEPE/2015)
Ainda em relação ao texto da questão 01:
Em: "Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh
sina — para analisar, eu fundaria um partido...", é CORRETO afirmar sobre a expressão destacada.
(A) Está empregada de maneira inadequada por tratar-se de uma expressão usada na oralidade, em
um texto escrito.
(B) Não poderia ser usada em um texto que trata teoricamente de variação linguística, por ser tão
informal.
(C) Está adequadamente usada e traduz informalidade e aproximação com o leitor, além de sinalizar
para a leveza com a qual o tema será abordado.
(D) Está adequadamente utilizada por se tratar de um estilo de escrita originariamente revelado no
padrão culto da língua.
(E) Não é usada adequadamente porque seu autor confessa-se pouco conhecedor do tema abordado
no texto.
Respostas
01. Resposta D
A questão pede para que se encontre a alternativa em que o sotaque mineiro esteja em evidência,
assim, a expressão “ôndôtô” é a que mais se destaca oralmente na questão do sotaque típico dessa
região.
02. Resposta C
O texto de Felipe Peixoto não tem por intenção delatar ou criticar as diferentes variações linguísticas,
pelo contrário, o autor trata da variedade regional em questão de forma leve, como um fenômeno natural
da língua oral, que se encontra em constante mutação. Assim, a alternativa “C” é a que se enquadra no
verdadeiro objetivo do autor.
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IBGE
Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I
Noções básicas de cartografia: Orientação: pontos cardeais; Localização: coordenadas geográficas
(latitude, longitude e altitude); Representação: leitura, escala, legendas e convenções. ..........................1
Natureza e meio ambiente no Brasil: Grandes domínios climáticos; Ecossistemas. ..........................14
As atividades econômicas e a organização do espaço: Espaço agrário: modernização e conflitos;
Espaço urbano: atividades econômicas, emprego e pobreza; A rede urbana e as Regiões Metropolitanas.
...............................................................................................................................................................41
Formação Territorial e Divisão Político-Administrativa: Divisão Político Administrativa; Organização
federativa. ..............................................................................................................................................58
Dinâmica da população brasileira (fluxos migratórios, áreas de crescimento e de perda
populacional)..........................................................................................................................................86
Candidatos ao Concurso Público,
O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom
desempenho na prova.
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar
em contato, informe:
- Apostila (concurso e cargo);
- Disciplina (matéria);
- Número da página onde se encontra a dúvida; e
- Qual a dúvida.
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la.
Bons estudos!
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NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA
A Geografia precisa situar com precisão na superfície da Terra aquilo que quer estudar e analisar. A
elaboração de mapas nasceu da necessidade de representar a forma da Terra e dos continentes e medir
as distâncias entre lugares. A cartografia é a ciência e a arte da representação gráfica da superfície
terrestre. O seu produto final é o mapa. Os mapas são fundamentais para a Geografia, pois nada mais
são do que a representação total ou parcial do espaço geográfico.
Desde a Antiguidade há a preocupação de se elaborar vários tipos de mapas. Até a metade do século
XV, os mapas eram representações de descrições de itinerários para viajantes, mas não representavam
fielmente a realidade do espaço terrestre.
No final da Idade Média começaram a ser desenhados os portulanos, verdadeiros mapas em duas
dimensões: indicavam a posição dos portos e o contorno das costas.
A partir do século XVII desenvolveu-se a ciência geodésica, que permitiu calcular com mais correção
a latitude e a longitude de um determinado ponto e a altitude de um lugar em relação ao mar.
Atualmente, os meios mais modernos utilizados pela cartografia são as fotografias aéreas, o
sensoriamento remoto e a informática, que auxilia na precisão dos cálculos. A fotografia aérea, realizada
de aviões, proporciona o material básico para a elaboração de mapas. As fotografias são feitas de maneira
que, sobrepondo-se duas imagens do mesmo lugar, obtém-se a impressão de uma só imagem em relevo.
Graças a elas representam-se os detalhes da superfície do solo. Sobre o terreno, o topógrafo completa o
trabalho, revelando os detalhes pouco visíveis nas fotografias.
Outra técnica cartográfica é o sensoriamento remoto. Consiste na transmissão, a partir de um satélite,
de informações sobre a superfície do planeta ou da atmosfera.
No Brasil utiliza-se o termo mapa, de forma genérica, para identificar vários tipos de representação
cartográfica. Mesmo que, em alguns casos, a representação não passe de uma lista de palavras e
números, ou de um gráfico que mostre como ocorre determinado fenômeno, essa representação recebe
o nome de mapa. Embora o termo esteja popularizado, a grande maioria dos brasileiros possui um
conhecimento muito restrito de cartografia devido ao nível de importância que é dado à alfabetização
cartográfica no ensino formal e à difusão de mapas para uso cotidiano. Porém, os mapas estão em toda
parte, jornais, revistas, canais abertos de televisão – quem não olha o mapa do tempo no jornal diário? -
mapa rodoviário, do metrô, da cidade, e tantos outros que poderiam servir para alguma coisa, mas que
quando existem, desorientam mais do que orientam. Talvez para o usuário não interesse como eles foram
feitos, mas, se servem à necessidade imediata, se cumprem seu objetivo.
Se considerarmos que os mapas servem de orientação e de base para o planejamento e conhecimento
do território, a sociedade acaba sendo consumidora dessas representações cartográficas que são um
meio de comunicação. Porém, na maioria das vezes, esses mapas não têm cumprido o seu papel. A
função de um mapa quando disponível ao público é a de comunicar o conhecimento de poucos para
muitos, por conseguinte ele deve ser elaborado de forma a realmente comunicar. Provavelmente, parte
da responsabilidade pela atual proliferação de mapas pouco eficazes se deve também, ao acesso
irrestrito às ferramentas tecnológicas desenvolvidas para análise de dados espaciais aliadas ao
desconhecimento dos procedimentos inerentes à representação cartográfica.
Do ponto de vista científico, a busca por métodos que dêem conta da representação de processos
complexos da contemporaneidade também provocou o aumento de pesquisas em áreas emergentes
como o geoprocessamento, a informática, o meio ambiente e a saúde pública, para os quais os sistemas
de informação geográfica fornecem ferramentas que ajudam na produção de mapas. Isso certamente
contribui, cada vez mais, para que os mapas sejam concebidos como documentos que revelam o visível
e o invisível na imagem, como, por exemplo, as concepções ideológicas de uma sociedade. No entanto,
independente do objetivo, o mapa como um meio de comunicação exige conhecimentos específicos de
Cartografia, tanto de seu criador como do usuário, leitor e consumidor.
Noções básicas de cartografia: Orientação: pontos cardeais;
Localização: coordenadas geográficas (latitude, longitude e
altitude); Representação: leitura, escala, legendas e
convenções.
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ORIENTAÇÃO: PONTOS CARDEAIS
As coordenadas geográficas são um sistema de linhas sobre o globo ou o mapa. As coordenadas
geográficas são os paralelos e os meridianos.
As coordenadas geográficas são como imensas ruas ou caminhos que se cruzam sob toda a superfície
terrestre, mas diferentes das ruas e avenidas de nossa cidade, as coordenadas não são visíveis. Por isso,
os paralelos e os meridianos são linhas imaginárias, traçadas apenas sobre os mapas e o globo terrestre.
Os paralelos e os meridianos são indicados por graus de circunferências. Um grau (1°) corresponde a
uma das 360 partes iguais em que a circunferência pode ser dividida. Um grau por sua vez divide-se em
60 minutos (60') e cada minuto pode ser divido em 60 segundos (60"). Assim um grau é igual a 59 minutos
e 60 segundos.
É um sistema referencial de localização terrestre baseado em valores angulares expressos em graus,
minutos e segundos de latitude (paralelos) e em graus, minutos e segundos de longitude (meridianos),
sendo que os paralelos correspondem a linhas imaginárias E-W paralelas ao Equador e os meridianos a
linhas imaginárias N-S, passando pelos polos, correspondentes a interseção da superfície terrestre com
planos hipotéticos contendo o eixo de rotação terrestre.
O sistema de paralelos usa o Equador como referencial 0 (zero) e os valores angulares crescem para
o N e para o S até 90 graus, cada grau subdividido em 60 minutos e cada minuto em 60 segundos; para
distinguir as coordenadas ao norte e ao sul devem ser usadas as indicações N e S respectivamente.
O sistema de meridianos usa um meridiano arbitrário que passa em Greenwich, na Grã Bretanha,
como origem referencial 0 (zero) e os valores angulares crescendo para o oeste e para o leste até 180
graus, cada grau subdividido em 60 minutos e cada minuto em 60 segundos; para distinguir as
coordenadas dos hemisférios terrestres ocidental e oriental devem ser usadas as notações internacionais
W e E, respectivamente.
Assim, a localização de um ponto terrestre pode ser expressa pela interseção de latitude com
longitude; exemplos: 20º35'45"N-45º25'00"W; 20º35'45"S-45º25'00"E.
Deve ser observado que 1 grau de intervalo de longitude no Equador corresponde, aproximadamente,
a 112 km e que vai se estreitando para os polos onde viram um ponto (à semelhança de um gomo de
laranja).
Existem pelo menos quatro modos de designar uma localização exata para qualquer ponto no globo
terrestre.
Nos três primeiros sistemas, o globo é dividido em latitudes, que vão de 0 a 90 graus (Norte ou Sul) e
longitudes, que vão de 0 a 180 graus (Leste ou Oeste). Para efeitos práticos, usam-se as siglas
internacionais para os pontos cardeais: N=Norte, S=Sul, E=Leste/Este, W=Oeste.
Fonte: http://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2014/08/pontos-cardeais.jpg
Para as longitudes, o valor de cada unidade é bem definido, pois a metade do grande círculo tem
20.003,93km, dividindo este último por 180, conclui-se que um grau (°) equivale a 111,133km. Dividindo
um grau por 60, toma-se que um minuto (') equivale a 1.852,22m (valor praticamente idêntico ao da milha
náutica). Dividindo um minuto por 60, tem-se que um segundo (") equivale a 30,87m,
Para as latitudes, há um valor específico para cada posição, que aumenta de 0 na Linha do Equador
até aos Polos, onde está o seu valor máximo (90º de amplitude do ângulo).
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LOCALIZAÇÃO: COORDENADAS GEOGRÁFICAS (LATITUDE, LONGITUDE E ALTITUDE)
Linhas imaginárias traçadas em intervalos regulares que permitem a localização de pontos da
superfície terrestre. Todos os pontos se cruzam em duas coordenadas: latitude e longitude. São medidas
em grau, minuto e segundo. As coordenadas geográficas foram determinadas por meio de observações
astronômicas e satélites geodésicos.
Latitude
Latitudes ou paralelos são as linhas paralelas ao Equador e marcam a distância entre os polos. Partem
do Equador (0º) até 90º ao norte e ao sul. Por convenção internacional, servem para determinar as zonas
quentes, temperadas e glaciais da superfície do planeta. Os paralelos mais importantes são o trópico de
Câncer e o círculo polar ártico, ao norte, e o trópico de Capricórnio e o círculo polar antártico, ao sul. No
Brasil, o trópico de Capricórnio passa pelos estados do Paraná e de São Paulo.
Fonte: http://www.geografiaparatodos.com.br/img/Latitude%20e%20longitude.jpg
Longitude
Longitudes ou meridianos são as linhas que partem do meridiano de Greenwich (0º) - desde 1884
adotado por um acordo internacional como meridiano de origem - até 180º a oeste e a leste e convergem
para os polos. A linha imaginária ganha esse nome porque passa pelo antigo observatório da cidade de
Greenwich, situada perto de Londres, no Reino Unido. Os meridianos são usados para determinar os
fusos horários ao longo do globo terrestre. O primeiro fuso encontra-se entre 7º30’ a leste e a oeste de
Greenwich. A cada 15º leste desse intervalo se acrescenta uma hora e a oeste se diminui uma hora.
Fonte: http://www.geografiaparatodos.com.br/img/Latitude%20e%20longitude.jpg
Altitude
A altitude corresponde a distância vertical de um determinado ponto quando comparado ao nível médio
do mar. Essa altitude ainda pode ser dividida em ortométrica, sendo a distância vertical de um ponto sobre
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a superfície da terra em relação a um geoide de referência, e elipsoidal, sendo a distância vertical entre
um elipsoide de referência. As altitudes que são demonstradas em receptores de GPS (Global Positioning
System) são do tipo elipsoidal.
Fonte: http://www.mast.br/multimidia_instrumentos/images/barometro/home_04.jpg
REPRESENTAÇÃO: LEITURA, ESCALA, LEGENDAS E CONVENÇÕES
O mapa é uma imagem reduzida de uma determinada superfície. Essa redução - feita com o uso da
escala - torna possível a manutenção da proporção do espaço representado. É fácil reconhecer um mapa
do Brasil, por exemplo, independentemente do tamanho em que ele é apresentado, pois a sua confecção
obedeceu a determinada escala, que mantém a sua forma. A escala cartográfica estabelece, portanto,
uma relação de proporcionalidade entre as distâncias lineares num desenho (mapa) e as distâncias
correspondentes na realidade.
Um mapa pode possuir níveis distintos de abrangência, de modo que podemos mapear o mundo,
continentes ou partes deles, países, regiões, Estados ou mesmo ruas. Todas as vezes que visualizamos
um mapa, independentemente do seu tema (mapa político, físico, histórico, econômico), podemos saber
a distância real que há entre dois pontos ou o tamanho de uma área. Isso é possível por meio da
verificação da escala disposta nos mapas.
Escala é variação de proporção de uma área a ser mapeada, quem a determina é o responsável pela
elaboração do mapa.
Leitura
Para uma compreensão geral é necessário que o leitor faça uma leitura rápida para captar o que há
de mais relevante para sua necessidade, isto é, obter as informações genéricas do texto. Para buscar as
informações principais do texto se detendo com maior atenção nos pontos principais é necessário que o
leitor observe cada parágrafo e identifique os dados específicos que mais lhe interessam. Para uma leitura
detalhada e, portanto, mais profunda, é requerido mais tempo, pois é exigida a compreensão dos detalhes
do texto.
Existe um outro recurso que pode ser empregado com sucesso no ensino, na aprendizagem, na
avaliação, na análise de conteúdo e na negociação de significados. Trata-se de mapas conceituais, isto
é, grafos ou diagramas que indicam relações entre conceitos, podendo ter duas ou mais dimensões.
Os mapas unidimensionais são listas de conceitos que tendem a apresentar uma organização linear
vertical, sendo mais grosseiros e genéricos. Mapas conceituais bidimensionais beneficiam-se também da
dimensão horizontal, favorecendo uma representação mais completa das relações entre os conceitos.
Mapas conceituais tridimensionais constituem abstrações matemáticas de limitada utilidade para fins
instrucionais.
Desta maneira, procure elaborar um mapa conceitual bidimensional, ou seja, um diagrama
bidimensional mostrando relações hierárquicas entre conceitos. É importante ressaltar que o mapa
conceitual, de acordo com o princípio ausubeliano (David Ausubel), podem ser utilizados como
instrumentos para promover a diferenciação conceitual progressiva bem como a reconciliação integrativa.
Um mapa conceitual pode também ser pensado como uma ferramenta para negociar significados, o
que é feito através de proposições (dois ou mais conceitos ligados por palavras em uma unidade
semântica) que expressam significados atribuídos às relações entre conceitos.
Escala
Escala é variação de proporção de uma área a ser mapeada, quem a determina é o responsável
pela elaboração do mapa.
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Exemplo prático: Quando se tem a intenção de construir um mapa de um espaço, de maneira que
represente fielmente as medidas reais do mesmo, pode-se seguir o seguinte princípio: Se uma sala de
aula possui 5 metros de largura por 5 metros de comprimento, a mesma pode ser representada da
seguinte forma: se estabelece que cada centímetro no papel equivale a 1 metro ou 100 centímetros no
real. Desse modo, a escala produzida é 1:100 (1cm: 100cm) ou 1/100 (1cm/100cm).
As escalas podem ser indicadas de duas maneiras, através de uma representação gráfica ou de uma
representação numérica.
Escala Gráfica
A escala gráfica é representada por um pequeno segmento de reta graduado, sobre o qual está
estabelecida diretamente a relação entre as distâncias no mapa, indicadas a cada trecho deste segmento,
e a distância real de um território. Observe:
A escala representa que cada centímetro no papel corresponde a 3 km na superfície real.
A escala gráfica apresenta a vantagem de estabelecer direta e visualmente a relação de proporção
existente entre as distâncias do mapa e do território. É representada sob a forma de um segmento de
reta, normalmente subdividido em seções e ao longo do qual são registradas as distâncias reais
correspondentes às dimensões do segmento
Ex.: Na escala 1: 100 000 - "1 cm" representa a distância no mapa enquanto que o "100 000 cm"
representa a distância real. Isto significa que 1 cm no mapa corresponde a 100 000 cm na realidade, ou
seja 1 km.
Escala Numérica
A escala numérica é estabelecida através de uma relação matemática, normalmente representada por
uma razão, por exemplo: 1:300 000 (1 por 300 000). A primeira informação que ela fornece é a quantidade
de vezes em que o espaço representado foi reduzido. Neste exemplo, o mapa é 300 000 vezes menor
que o tamanho real da superfície que ele representa.
Na escala numérica as unidades, tanto do numerador como do denominador, são indicadas em cm. O
numerador é sempre 1 e indica o valor de 1cm no mapa. O denominador é a unidade variável e indica o
valor em cm correspondente no território. No caso da escala exemplificada (1: 300 000), 1cm no mapa
representa 300 000 cm no terreno, ou 3 km.
Caso o mapa seja confeccionado na escala 1:300, cada 1cm no mapa representa 300 cm ou 3 m.
Para fazer estas transformações é necessário aplicar a escala métrica decimal:
Escala 1:300 000
3 0 0 0 0 0
km hm dam m dm cm
3 km 0 0 0 0 0
ou
Escala 1:300
3 0 0
km hm dam m dm cm
3 m 0 0
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Legenda
A legenda deverá ser organizada de acordo com a relação existente entre os dados utilizando as
variáveis visuais que representem exatamente as mesmas relações, ou seja, essa relação poderá ser
qualitativa, ordenada ou quantitativa. Na construção da legenda, após identificar a variável visual mais
adequada ao tipo de informação que se quer representar, e seu respectivo modo de implantação,
acontece a transcrição da linguagem escrita para a gráfica. Dessa forma, as relações entre os dados e
sua respectiva representação, são pontos de partida na caracterização da linguagem cartográfica.
O nível de organização dos dados, qualitativos, ordenados ou quantitativos, de um mapa está
diretamente relacionado ao método de mapeamento e a utilização de variáveis visuais adequadas à sua
representação. A combinação dessas variáveis, segundo os métodos padronizados, dará origem aos
diferentes tipos de mapas temáticos, entre os quais os mapas de símbolos pontuais, mapas de isolinhas
e mapas de fluxos; mapas zonais, ou coropléticos, mapas de símbolos proporcionais ou círculos
proporcionais, mapas de pontos ou de nuvem de pontos. Abaixo, abordaremos alguns tipos de mapas
temáticos e suas respectivas legendas.
Fenômenos Qualitativos
Os métodos de mapeamento para os fenômenos qualitativos utilizam as variáveis visuais seletivas
forma, orientação e cor, nos três modos de implantação: pontual, linear e zonal.
A construção de mapa de símbolos pontuais nominais leva em conta os dados absolutos que são
localizados como pontos e utiliza como variável visual a forma, a orientação ou a cor. Também é possível
utilizar símbolo geométrico associado ou não as cores. A disposição dos pontos nesse mapa cria uma
regionalização do espaço formada especificamente pela presença/ausência da informação.
Os mapas de símbolos lineares nominais são indicados para representar feições que se desenvolvem
linearmente no espaço como a rede viária, hidrografia e, por isso, podem ser reduzidos a forma de uma
linha. As variáveis visuais utilizadas são a forma e a cor. Esses mapas também servem para mostrar
deslocamentos no espaço indicando direção ou rota (rotas de transporte aéreo, correntes oceânicas, fluxo
de migrações, direções dos ventos e correntes de ar) sem envolver quantidades. Nesses mapas
qualitativos a espessura da linha permanece a mesma, variando somente sua direção.
Os mapas corocromáticos apresentam dados geográficos e utilizam diferenças de cor na implantação
zonal. Este método deve ser empregado sempre que for preciso mostrar diferenças nominais em dados
qualitativos, sem que haja ordem ou hierarquia. Também é possível o uso das variáveis visuais
granulação e orientação, neste caso, as diferenças são representadas por padrões preto e branco.
Quando do uso de cores, estas devem separar grupos de informações e os padrões diferentes a serem
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aplicados, para fazer a subdivisão dentro dos grupos. Para os usuários, a visualização de fenômenos
qualitativos em mapas corocromáticos, apenas aponta para a existência ou ausência do fenômeno e não
a ordem ou a proporção do fenômeno representado.
Fenômenos Ordenados
Os fenômenos ordenados são representados em classes visualmente ordenadas e utilizam a variável
valor na implantação zonal. Os mapas mais significativos para representar fenômenos ordenados são os
mapas coropléticos.
Os mapas coropléticos são elaborados com dados quantitativos e apresentam sua legenda ordenada
em classes conforme as regras próprias de utilização da variável visual valor por meio de tonalidades de
cores, ou ainda, por uma sequência ordenada de cores que aumentam de intensidade conforme a
sequência de valores apresentados nas classes estabelecidas. Os mapas no modo de implantação zonal,
são os mais adequados para representar distribuições espaciais de dados que se refiram as áreas. São
indicados para expor a distribuição das densidades (habitantes por quilômetro quadrado), rendimentos
(toneladas por hectare), ou índices expressos em percentagens os quais refletem a variação da
densidade de um fenômeno (médicos por habitante, taxa de natalidade, consumo de energia) ou ainda,
outros valores que sejam relacionados a mais de um elemento.
Fenômenos Quantitativos
Os fenômenos quantitativos são representados pela variável visual tamanho e podem ser implantados
em localizações pontuais do mapa ou na implantação zonal, por meio de pontos agregados, como
também, na implantação linear com variação da espessura da linha.
Os mapas de símbolos proporcionais representam melhor os fenômenos quantitativos e constituem-
se num dos métodos mais empregados na construção de mapas com implantação pontual. Esses mapas
são utilizados para representar dados absolutos tais como população em número de habitantes,
produção, renda, em pontos selecionados do mapa. Geralmente utiliza-se o círculo proporcional aos
valores que cada unidade apresenta em relação a uma determinada variável, porém, podem-se utilizar
quadrados ou triângulos. A variação do tamanho do signo depende diretamente da proporção das
quantidades que se pretende representar. Geralmente o número de classes com utilização do tamanho,
deve atingir no máximo cinco classes.
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Mapa de círculos proporcionais com informação quantitativa no modo de implantação pontual
Recomenda-se evitar duas formas de símbolos proporcionais num mesmo mapa (circulo e triângulo),
pois dificultam a comunicação cartográfica. Especialmente, quando é necessário representar duas
informações quantitativas com implantação pontual, pode-se recorrer ao mapa de círculos concêntricos
ou o mapa de semicírculos opostos que permite a comparação de uma mesma variável obtida em
períodos diferentes.
O mapa de círculos concêntricos consiste na representação de dois valores ao mesmo tempo por meio
de dois círculos sobrepostos com cores diferentes. Este tipo de representação é recomendado para a
apresentação de uma mesma informação em períodos distintos, ou para duas informações diferentes
com dados não muito discrepantes.
Para representar quantidades na implantação zonal utilizam-se os mapas de pontos. Esse mapa
possui a vantagem de possibilitar uma leitura muito fácil por meio da contagem dos pontos, dando a
sensação de conhecimento da realidade. No entanto a elaboração desse mapa pressupõe muita
abstração uma vez que a distribuição dos pontos não ocorre segundo a distribuição do fenômeno.
Os mapas de pontos ou de nuvem de pontos expõem dados absolutos (número de tratores de um
município, número de habitantes, totais de produção, etc.) e o número de pontos deve refletir exatamente
1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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o número de ocorrências. Sua construção depende de duas decisões: qual valor será atribuído a cada
ponto e como esses pontos serão distribuídos dentro da área a ser mapeada.
Mapa de nuvem de pontos com informação quantitativa no modo de implantação pontual no qual se
visualiza uma mancha mais clara ou mais escura consoante a ocorrência do fenômeno representado.
Os mapas isopléticos ou de isolinhas são construídos com a união de pontos de mesmo valor e são
aplicáveis a fenômenos geográficos que apresentam continuidade no espaço geográfico. Podem ser
construídos a partir de dados absolutos de altitude do relevo (medida em determinados pontos da
superfície da Terra); temperatura, precipitação, umidade, pressão atmosférica (medidas nas estações
meteorológicas); distância-tempo, ou distância-custo (medidas em certos pontos ao longo de vias de
comunicação) e outros, como volume de água (medida em pontos de captação); também podem ser
construídos a partir de dados relativos como densidades, percentagens ou índices.
Os mapas de fluxo são representações lineares que tentam simular movimentos entre dois pontos ou
duas áreas. Esses movimentos podem ser medidos em certos pontos ao longo das vias de comunicação
ou entre duas áreas, na origem e no destino sem necessariamente especificar a via de comunicação.
Esse tipo de mapa mostra claramente em que direção os valores ou intensidades de um fenômeno
crescem ou decrescem.
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Vários tipos de mapas temáticos podem ser construídos de acordo com os métodos apresentados,
porém, outros fatores, como o modo de expressão, escala e conteúdo dos mapas, são igualmente
importantes e devem ser observados no processo de elaboração e leitura de mapas.
Modo de Expressão
Modo de expressão diz respeito a cada tipo específico de representação cartográfica e está
relacionado ao objetivo da construção e a escala. Os mais comuns são o mapa e a carta.
O mapa resulta de um levantamento preciso e exato, da superfície terrestre, e é apresentado em escala
pequena (escalas inferiores a 1:1.000.000). Os limites do terreno representado coincidem com os limites
político-administrativo, sendo que o título e as informações complementares são colocados no interior do
quadro de representações que circunscreve a área mapeada. São exemplos característicos de mapas, o
mapa mundi, mapa dos continentes, mapas nacionais, estaduais, regionais, municipais, mapas políticos
e administrativos, organizados em atlas de referência, atlas temáticos e escolares, ou em livros didáticos.
A carta é uma representação de parte da superfície terrestre em escala média ou grande, dos aspectos
artificiais e naturais de uma área, subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais - paralelos
e meridianos - com a finalidade de possibilitar a avaliação de detalhes, com grau de precisão compatível
com a escala. Geralmente, essas representações possuem como limites as coordenadas geográficas, e
raramente terminam em limites político-administrativo. As observações e informações tais como título,
escala e fonte, aparecem fora das linhas que fecham o quadro da representação, ou seja, a linha que
circunscreve a área objeto de representação espacial.
Entre os tipos de mapas menos utilizados aparecem o cartograma e a anamorfose cartográfica.
Cartograma ou mapa diagrama é uma das denominações que recebe um mapa que representa dados
quantitativos em forma de gráfico sobre mapas de áreas extensas como estados, países, regiões. Esse
termo se cristalizou no Brasil nas décadas de 1960-1980, como usual para mapas nessas escalas. São
representações que se lidam menos com os limites exatos e precisos como as coordenadas geográficas,
para se preocupar mais, com as informações que serão objeto de distribuição espacial no interior do
mapa, a fim de que o usuário possa visualizar seu comportamento espacial.
Anamorfose é uma figura aparentemente disforme que, por reflexão num determinado sistema óptico
produz uma imagem regular do objeto que representa, a anamorfose cartográfica ou geográfica é uma
figura que expõe o contorno dos espaços representados de forma distorcida para realçar o tema. A área
das unidades espaciais é alterada de forma proporcional ao respectivo valor, mantendo-se as relações
topológicas entre unidades contíguas. Por exemplo, numa carta que represente a distribuição geográfica
da densidade populacional, as áreas dos municípios podem ser ampliadas ou reduzidas de acordo com
o afastamento daquele parâmetro em relação à média. Em outros casos, a distorção do espaço é
realizada de acordo com o valor de certos tipos de relação espacial entre lugares, tais como a distância
medida ao longo das estradas ou o tempo de deslocamento gasto para percorrer essa distância.
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Convenções
Convenções são os sinais ou símbolos, como cores e figuras, usados para representar os fenômenos
desejados no mapa. A maioria das figuras e cores é reconhecida internacionalmente. O conjunto dos
símbolos usados no mapa constitui a sua legenda.
As principais formas de representação do relevo terrestre são os mapas com curvas de nível, os
mapas com gradação de cores, as hachuras e o perfil topográfico. As curvas de nível são linhas que
ligam pontos ou cotas de altitude em intervalos iguais. A partir delas pode-se construir um tipo de gráfico
especial, chamado perfil topográfico. Curvas de nível muito juntas indicam um terreno muito inclinado, e
afastadas significam uma inclinação mais suave. As hachuras e a gradação de cores representam o
terreno com uma informação visual imediata e direta. As hachuras representam o relevo por meio de um
conjunto de linhas paralelas ou próximas umas às outras. Quanto mais intensas, mais inclinado é o
terreno. A gradação de cores faz o mesmo utilizando uma gama de tonalidades em que são atribuídos
valores numéricos aos tons e às cores.
No entanto, para representar os diversos temas é preciso recorrer a uma simbologia específica que,
aplicada aos modos de implantação - pontual, linear ou zonal, aumentam a eficácia no fornecimento da
informação. As regras dessa simbologia pertencem ao domínio da semiologia gráfica.
A semiologia gráfica foi desenvolvida por Bertin (1967) e está ao mesmo tempo ligada às diversas
teorias das formas e de sua representação, e às teorias da informação. Aplicada à cartografia, ela permite
avaliar as vantagens e os limites da percepção empregada na simbologia cartográfica e, portanto,
formular as regras de uma utilização racional da linguagem cartográfica, reconhecida atualmente, como
a gramática da linguagem gráfica, na qual a unidade linguística é o signo.
O signo (símbolo) é constituído pela relação entre o significante (ouvir falar de algo como por exemplo,
papel), o objeto referente (esse papel) e o significado (idéia de papel formada na mente do interlocutor ao
ouvir falar papel, um papel qualquer). No entanto, o signo é constituído por significante (mensagem
acústica: papel) e significado (conceito, idéia de papel). Por exemplo, num mapa do uso das terras, o
signo constituído pelo significante "cor laranja" tem o significado de cultura permanente. Dessa forma, os
signos são construídos basicamente, com a variação visual de forma, tamanho, orientação, cor, valor e
granulação para representar fenômenos qualitativos, ordenados ou quantitativos nos modos de
implantação pontual, linear ou zonal.
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A variável visual tamanho corresponde à variação do tamanho do ponto, de acordo com a informação
quantitativa; a variável visual valor pressupõe a variação da tonalidade ou de uma seqüência
monocromática; a granulação corresponde a variação da repartição do preto no branco onde deve-se
manter a mesma proporção de preto e de branco; a variável visual cor significa a variação das cores do
arco-íris, sem variação de tonalidade, tendo as cores a mesma intensidade. Por exemplo: usar azul,
vermelho e verde é usar a variável visual “cor”. O uso do azul-claro, azul médio e azul escuro corresponde
à variável “valor”. A variável visual orientação corresponde às variações de posição entre o vertical, o
oblíquo e o horizontal e, por fim, a forma, agrupa todas as variações geométricas ou não.
A observação das regras apresentadas no quadro de variáveis visuais permite uma comunicação muito
mais eficaz. Com exceção da variável visual cor (matiz), a utilização correta das demais permite a
representação em preto ou tons de cinza; técnicas muito importantes quando o mapa elaborado precisa
ser impresso com baixo custo, porém, com ótimos resultados.
Para que o processo de comunicação entre o construtor do mapa e o usuário – leitor do mapa se
estabeleça, os seguintes princípios jamais poderão ser ignorados:
- Um fenômeno se traduz por um só sinal. Exemplo: arroz, feijão e milho. Não apresenta quantidade e
nem ordem. A informação nesse caso é qualitativa e a variável visual mais adequada para sua
representação é a forma ou a cor (matiz).
- Uma ordem se traduz somente por uma ordem. Exemplo: densidades, hierarquias e sequências
ordenadas, ou seja, quando a informação quantitativa é ordenada em classes e a variável visual mais
adequada é o valor (monocromia). Nesses casos, não se deve utilizar a variável visual tamanho porque
não é possível diferenciar quanto vale cada ponto dentro da classe estabelecida.
- Variações quantitativas se traduzem somente pela variável visual tamanho.
Além das variáveis visuais, o quadro apresentado, também apresenta os modos de implantação. Esses
são diferenciados de acordo com a extensão do fenômeno na realidade. Dessa forma, distinguem-se três
modos de implantação: implantação pontual, quando a superfície ocupada é insignificante, mas
localizável com precisão; implantação linear, quando sua largura é desprezível em relação ao seu
comprimento, o qual, apesar de tudo, pode ser traçado com exatidão; implantação zonal, quando cobre
no terreno uma superfície suficiente para ser representada sobre o mapa por uma superfície proporcional
homóloga.
As variáveis visuais podem ser percebidas de modo diferente, conforme um conjunto de propriedades
que podem ser: seletivas, associativas, dissociativas, ordenadas e quantitativas. São chamadas variáveis
visuais seletivas, quando permitem separar visualmente as imagens e possibilitam a formação de grupos
de imagens. A cor, a orientação, o valor, a granulação e o tamanho possuem essa propriedade. São
associativas quando permitem agrupar espontaneamente, diversas imagens num mesmo conjunto;
forma, orientação, cor e granulação possuem a propriedade de serem vistos como imagens semelhantes.
Ao contrário, quando as imagens se separam espontaneamente, a variável é dissociativa; este é o
caso do valor e do tamanho. São chamadas variáveis ordenadas quando permitem uma classificação
visual segundo uma variação progressiva. São ordenados o tamanho, valor e a granulação. Finalmente,
são quantitativas quando se relacionam facilmente com um valor numérico.
A única variável visual quantitativa é o tamanho. Isto porque somente as figuras geométricas possuem
uma área e um volume que pode ser visualizado com facilidade, permitindo relacionar imediatamente com
uma unidade de medida e, portanto, com uma quantidade que é visualmente proporcional.
Conhecer e distinguir as características de cada variável visual é importante porque ajuda o cartógrafo
a construir mapas temáticos que atendem aos objetivos de comunicação e a fazer mapas capazes de
transmitir a sensação condizente com as características dos dados, consequentemente, ajuda a fazer
mapas úteis.
QUESTÕES
1. (SEE-SP-CESGRANRIO)
ESTÃO SUJANDO NOSSA MATRIZ ENERGÉTICA
O Brasil, sem lugar a dúvida, é o país que oferece maiores opções para diversificar as suas fontes de
geração, renováveis e limpas. No que se refere à energia eólica, existem empreendimentos que dão um
total de 2.381 MW; para o setor da hidroeletricidade, o total é de 15.693 MW; e quanto às termelétricas,
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poluentes e caras, o total é 19.400 MW. Assim, esperamos que as autoridades, em vez de sujarem a
nossa matriz energética, incentivem cada vez mais, as fontes limpas e renováveis.
Considerando a perspectiva da matéria jornalística e as informações do mapa, o incentivo à produção
de energia eólica deveria voltar-se, fundamentalmente, para os estados da região
(A) Sul.
(B) Norte.
(C) Nordeste.
(D) Sudeste.
(E) Centro-Oeste.
2. (SEE-SP –CESGRANRIO)
Um dos maiores problemas urbanos do Brasil é o déficit habitacional, exigindo políticas públicas que
promovam a moradia digna. Quanto à moradia irregular, no exemplo dos cortiços, o Estado da Federação
que apresenta maior número dos mesmos é:
(A) Rio de Janeiro.
(B) São Paulo.
(C) Maranhão.
(D) Ceará.
(E) Pará.
3. (Policia Civil/SC – 2015 - Adaptado) O objetivo das projeções cartográficas é resolver os
problemas decorrentes da representação da Terra num plano. A projeção acima tem como característica:
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(A) Ser utilizada para a representação cartográfica de áreas de altas latitudes, como a América do
Norte, a Europa Setentrional e a parte norte da Ásia.
(B) Apresentar o inconveniente de deformar as superfícies nas altas latitudes e manter as baixas
latitudes em forma e dimensão mais próximas do real.
(C) Apresentar grandes deformações no ponto de tangência, enquanto que as porções da superfície
mais distantes do centro tangenciado estão mais próximas do seu formato real.
(D) Desenhar os paralelos em círculos; é utilizada geopoliticamente, pois pode realçar o "status" de
um país em relação aos demais.
RESPOSTAS
1. Resposta: C
Analisando o mapa percebe-se a informação na legenda, quando mais escura as áreas destacadas
maior é a velocidade do vento. A Região com maiores ventos é a Nordeste devido a graduação da cor
mais forte e todos os estados dessa região. O Nordeste localiza-se também mais próxima da linha do
Equador, uma zona com maior incidência solar e ventos.
2. Resposta: B
Observando as informações do mapa através da legenda, fica fácil perceber, que o estado com maior
concentração de cortiços é São Paulo. Esse é um mapa quantitativo. Quanto mais escuro a área
destacada maior é o número de cortiços, pois se utilizou uma mesma graduação de cores
3. Resposta: B
As áreas próximas aos polos, altas latitudes ficam deformadas, pois, na projeção cilíndrica é feito um
ajuste no espaçamento dos paralelos para que a escala seja mantida em pontos determinados.
Geralmente, as projeções cilíndricas apresentam um alongamento no sentido Leste-Oeste e o
achatamento no sentido norte-sul, nos países de latitude elevada.
NATUREZA E MEIO AMBIENTE NO BRASIL1
Um dos mais velhos e não resolvidos problemas da ciência geográfica diz respeito à dicotomia entre
geografia física e humana, entre o estudo geográfico da natureza e da sociedade.
Para os clássicos em geral, a geografia seria uma ciência de síntese, de união entre a natureza e o
homem, de estudo das relações do social com o seu meio ambiente. A própria polêmica sobre essa
questão, sempre retomada, indica-nos claramente que essa promessa epistemológica ficou na teoria, que
a diferenciação entre essas duas modalidades da geografia sempre foi enorme, tendendo a se aprofundar
cada vez mais nos dias atuais.
1
Adaptado de: VESENTINI, J. W. Geografia, Natureza e Sociedade.
Natureza e meio ambiente no Brasil: Grandes domínios
climáticos; Ecossistemas.
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Richard Hartshorne (1969), um dos raros clássicos da ciência geográfica que tinha preocupações
filosóficas, (e embasamento para tanto), ocupou-se longamente dessa problemática. Ele argumentou
que existem várias dicotomias na geografia - física versus humana, sistemática versus regional, etc. - e
que não cabe ao geógrafo distinguir entre fatos naturais e humanos porque nossa perspectiva seria outra.
Numa ótica kantiana, seria realizar um estudo espacial ou coreológico (ligado à diferenciação de áreas,
de lugares) e não sistemático ou mesmo histórico (temporal), que seriam outras duas perspectivas
cognitivamente possíveis.
A coerência lógica e a erudição desse velho mestre são indiscutíveis, mas suas respostas nos parecem
ultrapassadas, datadas, próprias de um neokantismo que já vai ficando mais para a história do
conhecimento do que para os seus dilemas e desafios atuais. A pro- posta de ignorar a diferenciação
entre natureza e sociedade sugere al- go como esconder a cabeça para evitar o perigo. A atual "crise
ecológica" nos mostra que há um desequilíbrio nas relações entre sociedade moderna e natureza, e a
inquirição da origem desse fato nos conduz a uma concepção de natureza enquanto recurso, o que
ocorreu na "revolução tecno-científica" dos séculos XVI e XVII. (Acontecimento, é bom ressaltar,
interligado ao desenvolvimento do capitalismo e à ocidentalização de praticamente todo o planeta.)
Essa concepção de natureza nova ou moderna (pois marca o advento da modernidade) - tão bem
sintetizada pela frase de Descartes: "conhecer é nos tornarmos senhores e dominadores da natureza" -,
trouxe consigo uma radical separação entre espírito (exclusivamente humano - o cogito cartesiano) e
matéria ou objeto (ares externa, a coisa sem alma e consciência, cujas "leis" devem ser compreendidas
como forma de instrumentalizá-la), entre o social e o natural. Toda a ciência moderna - inclusive a
geografia, oficialmente nascida mais tarde, no século XIX - acabou reproduzindo essa dicotomia ocidental
e capitalista entre o homem (ser produtor, criador, transformador) e a natureza (domínio a ser
conquistado, explorado, submetido ao ritmo da produção - especialmente industrial, pois a fábrica viria a
ser o protótipo das relações capitalistas). A diferenciação entre uma abordagem sistemática e outra
regional, a nosso ver, não configura uma dicotomia (como a que há entre estudo da natureza e da
sociedade), mas tão-só uma diferenciação metodológica que outras disciplinas "sem dicotomias
estruturais" possuem (como a economia, a sociologia, etc.). E o problema crucial - que realmente
ocasiona dicotomias - de estudar ou pretender estudar o social e o natural ao mesmo tempo, não é
exclusivo da geografia (como muitos geógrafos pensam) e sim de todo ramo do conhecimento científico
que se localize nessa interface. A antropologia, por exemplo, vive igualmente uma separação radical entre
sua parte cultural e sua porção física.
O distanciamento entre o geógrafo físico ou ambientalista e o geógrafo humano ou estudioso do social
(mesmo que se trate do espaço social, construído) sempre foi sensível e nos nossos dias tende cada vez
mais a crescer. Há os especialistas em cartografia, geomorfologia, climatologia, geografia urbana,
geografia política, geografia da população, teoria e história do pensamento geográfico, etc., e a pretensa
unidade ficando apenas uma justificativa acadêmica ou meramente de rótulos. E certo que há análise
ambiental, o estudo do meio ambiente na perspectiva do impacto realizado pelo homem. E certo ainda
que há expansões da análise economicista até a natureza, na questão da produção da segunda natureza
pelo social.
No entanto, tudo isso fica ainda marcado pela especialização do estudioso, e sempre há uma dicotomia
entre natural e social por mais que as informações (sobre indústrias, poluição atmosférica, desmatamento
e erosão das encostas, sobre expansão econômica irracional, desmatamentos de nascentes e
assoreamento de rios com enchentes, etc.) se entrecruzem ou se justaponham. Isso porque há uma lógica
do natural que é diversa da do social. Neste há dialética, contradição e lutas, vencedores e vencidos,
ideologia, projetos políticos e dominação, indeterminação com contingências. As tentativas de se elevar
ao natural a razão dialética, tão fértil na análise do social, sempre fracassaram.
E o inverso também é verdadeiro: a natureza pode ser conhecida através de métodos- como as
hipóteses, a testagem, a aplicabilidade, o princípio da não contradição (isto é, a lógica formal), as variáveis
a serem isoladas e medidas, a matematização, etc. - que no estudo do social moderno geraram apenas
aqueles tipos de aberração conhecidos tatu senso como positivismo. Razão analítica e razão dialética,
para usar uma terminologia de Sartre (mas que pode ser encontrada de forma semelhante, com palavras
diferentes, em outros importantes pensadores do social: Merleau-Ponty, Adorno, Horkheimer, Marcus,
Castoriadis, etc.), parecem ser realmente diferentes e próprias para a compreensão de aspectos diversos
do real. A clivagem que a modernidade implantou no real foi de fato eficaz, operacional e não meramente
ideológica no sentido vulgar do termo.
Existem tentativas de superar essa oposição. Elas inclusive se multiplicam, atualmente, em todos os
campos do saber. É a economia alternativa, que tenta pensar a natureza não como recurso ou como
"externalidades" e sim como limites e condição para a vida (cf., entre outros, Schumacher, 1982). É a
física subatômica e mesmo a astronômica- a "nova física", nos dizeres de Capra, que procura ver o real
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de forma não determinista, com o princípio da indeterminação, com a interpenetração sujeito-objeto, com
a provável característica holística do real (o todo é mais importante que as partes, que em si nada
significam), etc. E a agricultura alternativa ou ecológica, que procura combater as pragas com inimigos
naturais, que evita adubos químicos e agrotóxicos, que condena as monoculturas, etc. E a medicina
alternativa que evita os remédios químicos e propõe uma nova visão de saúde. Isso tudo sem falar na
psicologia alternativa, na pedagogia, na tecnologia branda ou "ecológica".
Um novo "paradigma"
Alguns pensam que disso resultaria um "novo paradigma", diferente daquele cartesiano-newtoniana
típico da "ciência moderna" (cf. Capra, s/d, entre outros), onde não haveria mais uma nítida oposição
homem-natureza. Talvez. Não custa envidar esforços nessa direção, pois estamos sem rumos definidos,
com forte indeterminação e perplexidade. Mas é forçoso reconhecer que as tentativas de sistematizar
esse "conhecimento holístico" (cf. Capra, s/d, e, de forma menos ambiciosa, referindo-se em particular à
geografia, Monteiro, 1984) redundaram pura e simplesmente em especulações semirreligiosas (na linha
do taoísmo, uma mistura de filosofia com religião).
Tais especulações pretendem ver uma "verdade trans-histórica e trans-empírica" nos ensinamentos
do pensamento chinês (Yin e Yang, visão cíclica da história e da natureza, caminhos ou alternativas quase
que já traçados, independentes dos projetos e lutas sociais, etc.), que acaba servindo como elemento
unificador (de forma arbitrária e espúria, diga-se de passagem, pois a crítica da tecnologia "dura", a
esperança na energia solar, os métodos ecológicos na agricultura, etc., nas- ceram e se desenvolvem de
forma independente do taoísmo, do budismo, do hinduísmo ou do zen), como um pretenso cimento que
daria coesão a essas interessantes práticas (ou teorias) ditas alternativas.
Esta visão chega a lembrar até a dialética da natureza na sua versão stalinista (com a necessária
ressalva de que não há um Stalin e um poder estatal para oficializar esse saber). Para comprovar isso,
atente-se para a euforia com que muitos velhos e renitentes marxistas- leninistas recebem essa ideia do
pensamento chinês (que, segundo eles, "é semelhante à dialética") como "essência" do movimento da
realidade (social e natural).
Pensamos que uma compreensão mais eficaz das razões da dicotomia na geografia deve retomar sua
institucionalização no século XIX, intimamente ligada à legitimação dos Estados-nações e à expansão do
sistema escolar. A geografia moderna nasceu na Alemanha, em meados do século passado, a partir de
interesses específicos de conhecimento de territórios (no próprio país e no exterior, na África
especialmente, palco da colonização naquele momento) e de inculcação, via sistema escolar, de uma
ideologia patriótica e nacionalista. Seu paradigma tradicional, "A Terra e o Homem", decorreu
provavelmente da visão da Pátria - do Estado-nação recém-construído e ainda praticando o etnocídio
(homogeneização cultural) para unificar o povo e legitimar o poder estatal. Tal visão era necessária para
fins de inculcação: o "país" se define em especial pelo território, pelo contorno que figura nos mapas, local
onde se corporifica um "espírito nacional" e no qual o homem irá ocupar e se organizar economicamente.
Foi esse paradigma, decorrente de uma necessidade ideológica, que criou a ideia de unidade, de "ciência
de síntese", de "ponte" entre o natural e o social.
Temos de admitir que a preocupação com a unidade, as queixas (e tentativas de resolução) da
dicotomia física-humana, só têm sentido com vistas à legitimação da geografia no sistema escolar.
Somente nesse nível se torna imprescindível unir ou justapor geografia física e humana.
Sociedade moderna e natureza
Serge Moscovitti (1968) fez uma afirmação que nos parece essencial para entendermos a
contemporaneidade: o século XVIII colocou a questão política (da liberdade e da República), o século XIX
a social (socialismo, movimento operário) e o século XX a problemática ambiental-ecológica.
Devemos entender essa afirmativa com reservas. Não como a substituição de um problema por outro,
mas como superposição de questões entrelaçadas, uma delas ganhando ênfase num momento da
história: o século XVIII não resolveu o problema da liberdade, o século XIX não equacionou a questão
social - econômica. Mas as problemáticas se refazem, permanecem dentro de uma nova (mesmo
adquirindo novo sentido), e, por esse motivo, a questão ecológica hoje, igualmente o problema da
liberdade e os reclamos por justiça social.
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A natureza como questão
De fato, não é possível em nossos dias qualquer projeto de reestruturação societária radical que não
leve em conta as relações entre sociedade e natureza. Qualquer utopia ou projeto revolucionário ao estilo
de Rousseau ou Marx, entre outros, deve incorporar a natureza como questão (e não como ideal
romântico, como em Rousseau, ou como recurso instrumental, como em Marx), como dilema a ser pensa-
do em conjunto com o futuro do social, como fator que coloca objetivamente limites ao ideal de progresso
e à própria noção de consumo e necessidades. Uma série de indicadores, em grande parte ausentes até
há poucas décadas (e podendo assim ser ignorados pelos grandes teóricos do social), mostram-nos esse
fato com clareza:
a) O planeta foi completamente unificado e ficou "pequeno" pela primeira vez na história da
humanidade, mostrando-se como sistema fechado (e não mais aberto ou "infinito") e com limites bem
tangíveis. A própria fotografia da Terra vista do espaço possui um significado simbólico enorme, de clara
percepção: ocupamos uma mesma "nave espacial" onde existem condições para a vida e recursos que,
no entanto, podem vir a ser rompidos. Somando-se a isso os elementos complementares de
encadeamento da vida e do ambiente (ecossistemas, biosfera), e da interdependência- acima dos limites
das soberanias nacionais - de fatores planetários como a circulação atmosférica, os oceanos, etc. (cf.
Dubos e Ward, 1973), percebemos como a natureza hoje exige novos conceitos e formas de abordagem
e como o futuro da humanidade liga-se à preservação da biosfera.
b) O sistema produtivo e militar da humanidade pode em nossos dias - e isso também pela primeira
vez na história - destruir ou exterminar toda a vida humana sobre o planeta. A lógica do desenvolvi- mento
econômico que é adotada há alguns séculos - desde, pelo menos, a Revolução Industrial do final do
século XVIII e do século XIX - está centrada numa concepção ultrapassada de natureza enquanto recurso
infinito e inesgotável. Há nela uma ênfase na grande escala (enormes unidades produtivas, usinas
hidrelétricas, metrópoles, etc.; cf. Schumacher, 1982) e na militarização crescente. Aliás, como
mostramos com mais detalhes (Vesentini, 1987), evolução tecnológica e produção bélica são elementos
indissociáveis desde a década de 1930.
A multiplicação das centrais nucleares amplia os riscos de acidentes e contaminações radioativas do
ambiente, sendo um processo explicado somente por fatores geopolíticos (ligações com o armamentismo,
concepção militar de superpotência). Cerca de um trilhão de dólares são gastos atualmente (dados de
1988), em todo o mundo, na produção bélica. Deixando-se de lado a irracionalidade (social) desse
dispêndio improdutivo de recursos- e o tato de que gasto de outra forma ele poderia, talvez eliminar os
problemas de tome e subnutrição-, o que se evidencia é o acúmulo incessante de meios de destruição
com a possibilidade cada vez maior de catástrofes inclusive não desejadas por ninguém. Leia-se, a
propósito, Thompson e outros, 1985; também Gorbachev (1987) chama a atenção para os perigos de
guerras e catástrofes "acidentais" com a multiplicação atual- e o aperfeiçoa- mento contínuo- dos
armamentos.
c) A falência da ideia secular e capitalista (reproduzida igualmente no "socialismo real") de progresso
enquanto produção sempre maior e em grande escala, às custas de uma despreocupação com a
natureza. Uma série de degradações no meio ambiente colocou em pauta a necessidade de se repensar
as bases da economia (que nunca incorporou a natureza, a não ser como "externalidades" ou como
"custos", como demonstram Castoriadis, 1987 e Schumacher, 1982), do desenvolvimento econômico:
- os desmatamentos e os riscos de elevação da temperatura pelo "efeito estufa";
- o aumento no buraco da camada de ozônio;
- o gigantismo urbano e os problemas ambientais (e sociais) a eles interligados;
- a desertificação em certas áreas (por exemplo, ao sul do Saara, onde contribui para agravar as tomes
endêmicas);
- a extinção de inúmeras espécies vegetais e animais;
- a poluição crescente dos oceanos e rios;
- a contaminação de alimentos por agrotóxicos;
- o fracasso de programas de "desenvolvimento"- como a "revolução verde na Índia - em eliminar (ou
sequer em diminuir sensivelmente) a tome e subnutrição de milhões de pessoas no Terceiro Mundo.
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Socialismo e ecologia
As utopias dos séculos XVIII e XIX- especialmente o socialismo e o marxismo- não levaram em
consideração a dimensão ecológica em sua plenitude (e talvez nem pudessem incorporar de fato tal
problemática, que só no nosso século adquiriu contornos mais nítidos). ' A problemática ecológica era
considerada como "contradição secundária", a ser solucionada quase automaticamente após a resolução
da contradição essencial: capital-trabalho, expresso pela "socialização dos meios de produção". Como
sabemos hoje, essa "socialização" (ou melhor, estatização) dos meios de produção não eliminou nem
diminuiu o problema ambiental, nos países que dizem seguir os ensina- mentos do marxismo.
Um dos articuladores do movimento verde na URSS, o estoniano Tiit Made, comentou os inúmeros
problemas ambientais nesse país: desde a poluição nos mares Arai e Báltico até inúmeros casos de
crianças nascidas com cérebro deformado devido à elevada poluição atmosférica em Abovian (Armênia},
ressecamento de solos devido a desvios de cursos de rios (visando facilitar a extração de fosforita) na
Estônia, etc. (in Folha de S. Paulo, de 09/10/88). E o sindicato Solidariedade, (Polônia) colocou em seu
programa muitos itens relativos à melhoria do meio ambiente, mostrando como a industrialização do país
se fez às custas de poluições que muitas vezes ultrapassam os limites máximos toleráveis pela vida
humana. Thompson (1985), com fundamento em ecologistas soviéticos, cita inúmeros problemas
ecológicos na URSS ligados ao gigantismo do é complexo industrial-militar, à experimentação de guerra
química, etc.
Não poucos estudiosos (Gorz e outros, 1980; Pignon e outros, 1976; Foucault, 1979; Castoriadis, 1987)
já assinalaram o fato de que o "socialismo real" não conseguiu produzir uma outra tecnologia diferente da
"ocidental", fato que demonstra seu modelo societário semelhante ao capitalismo. Também na concepção
de natureza podemos dizer que existe algo parecido. A concepção de natureza dessas sociedades (e do
próprio Marx, e principalmente do marxismo posterior) é a mesma engendrada pelo desenvolvimento do
capitalismo (e da civilização ocidental no seu ato de expandir-se e dominar o globo terrestre), em especial
a partir do século XVI.
Gostaríamos de nos deter mais na construção de um conceito instrumental de natureza pelo
pensamento ocidental, conceito esse acriticamente incorporado até mesmo pelos grandes teóricos que
questionavam o modo de produção capitalista e propunham alternativas radicais de reestruturação
societária. Pensamos que retomar essa ideia - esse conceito no seu processo social de construção,
comparando-o inclusive com outras noções de natureza: da Grécia antiga, dos chineses (taoísmo), das
sociedades indígenas, etc.- pode ser de grande valia para uma compreensão mais profunda das razões
do atual desequilíbrio ecológico e da interligação indissociável entre o futuro da humanidade e a
preocupação ambiental.
Tanto a concepção de natureza como a de sociedade que são interligadas, pois uma se define, pelo
menos na nossa civilização, em oposição à outra não são naturais e sim históricas e sociais. A ideia de
natureza, normalmente, possui um duplo significado: a) Uma concepção de mundo (realidade, universo
e, especialmente, meio circundante do homem, excluindo-se os artefatos por ele fabricados); e b)
Relações práticas da sociedade com o seu habitat, nas quais se incluem a produção econômica, a
organização do espaço e até mesmo as relações simbólicas com as coisas e com os deuses.
A civilização ocidental, ao se mundializar e unificar povos de pontos extremos do planeta, processo
iniciado no século XV com a expansão marítimo-comercial, se impôs (mesmo se mesclando com outras
culturas, mas sendo hegemônica) a nível mundial em nome do progresso (identificado ao
desenvolvimento do capitalismo, da produção de mercadorias em grande escala e com base na intensa
divisão do trabalho e na tecnologia a ela associada). Em termos prático-operacionais, pode-se dizer que
a mundialização da civilização ocidental (ou do capitalismo) significou a imposição a outros povos e
regiões dos seguintes imperativos:
1. Trabalho exaustivo e "produtivo" (o que significa trabalho voltado para a produção de mercadorias,
dentro da lógica da acumulação do capital): daí a ideia de que os indígenas, por exemplo, eram
"preguiçosos", já que só um tipo de trabalho é considerado como produtivo nessa lógica;
2. O Esta- do como 'a organização política "normal", que deve existir em toda sociedade "civilizada"
(só os povos com Estado são interlocutores, são reconhecidos); e,
3. Uma concepção de natureza como recurso, como instrumento para o desenvolvimento econômico.
Raízes da concepção pragmática
As raízes dessa organização civilizatória- e especialmente dessa concepção pragmática de natureza
- vêm desde a Grécia antiga. Elas incluem o antropocentrismo, a geometria supervalorizada, a natureza
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- physis - como processo ligado à causalidade do real, etc. e o pensamento judaico-cristão (a dicotomia
corpo/espírito - ou matéria/razão, o homem como criatura privilegiada, a única a ter alma, sendo as outras
criaturas e coisas apenas complementos, que ele pode utilizar à vontade, o enaltecimento do trabalho
exaustivo como finalidade da vida e aprimoramento do espírito e sacrifício, etc.). Mas o impulso decisivo
ocorreu com a revolução Tecnocientífica dos séculos XVI e XVII, ligada ao desenvolvimento do
capitalismo.
Os séculos XVI e XVII conheceram uma verdadeira revolução no pensamento ocidental, com o advento
da chamada “ciência moderna" e suas relações íntimas com uma nova concepção de natureza enquanto
recurso. Inúmeros autores (Koyre, 1979, em especial, embora também Capra, s/d, Moscovitti, 1968,
Collingwood, s/d, e Casini, 1979) já se detiveram nas diversas etapas ou capítulos desse processo, dessa
construção de um saber e uma nova ideia de natureza com Giordano Bruno, Copérnico, Kepler, Galileu
Galilei, Bacon e Descartes. Deixando-se de lado, por ora, as contradições e reviravoltas C:esse rico
processo de engendramento de um novo saber, básico para uma nova tecnologia, o que cabe realçar são
seus resultados teóricos - e até axiológicos - mais significativos. Entre estes certamente que existe uma
nova concepção de saber, ou melhor de conhecimento (sistematizado, científico, pragmático), que passa
a ser definido em termos de dominação da natureza. Como afirmou Descartes, a função da ciência é
permitir que nos assenhoremos da natureza. A vida contemplativa, tradicional dos gregos, por exemplo,
cede lugar à vida ativa: a prática é mais importante que a teoria, a ciência instrumental é mais importante
que a reflexão filosófica. A separação sujeito/objeto se aprofunda, assim como a dicotomia entre fatos e
interpretação.
O universo vai sendo concebido à imagem da máquina, com o abandono do modelo organicista ou
antropomorfo. Do cosmos fechado passamos ao universo infinito, e uma grande mudança ocorre quando
o infinito - que era até então apenas um virtual - invade este mundo, a realidade com que nos
relacionamos:
Uma vez que não há limites para a progressão de nosso poder (e de nossa riqueza); ou, dizendo de
outro modo, os limites, onde quer que se apresentem, têm um valor negativo e devem ser ultrapassados.
Certamente, o que é infinito é inesgotável, de modo que jamais atingiremos, talvez, o conhecimento,
absoluto e o poder absoluto; mas aproximamo-nos deles sem cessar Em suma, o movimento se dirige
para o cada vez mais; mais mercadorias, mais anos de vida, mais casas decimais nos valores numéricos
das constantes universais, mais publicações científicas, mais pessoas com o título de doutor- e o mais é
o bom.
Não cabe "classistizar" esse saber e essa nova concepção de natureza, tornando-o instrumento da
burguesia. Estaríamos assim dentro de uma visão mecanicista que pretendemos ultrapassar, de relações
unívocas de causalidade. Mas é fato que houve uma inter-relação entre o desenvolvimento do
racionalismo ocidental e a ascensão progressiva do capitalismo. Não que um seja o instrumento de outro,
nem causa e efeito. Mas sim que o desenvolvimento do capitalismo - que não é um processo linear
centrado numa lógica econômica transcendente aos conflitos e contradições dos homens, às
contingências afinal - deu-se a partir de lutas, projetos alternativos onde houve vencedores e venci- dos,
contradições e reviravoltas.
E nesse contexto social a "ciência moderna", o saber instrumental e racional engendrado e aprimorado
nesses dois séculos (e melhor sistematizado e matematizado no século seguinte, com Newton), foi básico
para o desenvolvimento da produção capitalista. As ideias capitalistas de trabalho e de natureza, sem
dúvida que muito devem (e se entrelaçam) com a: definição de um conhecimento "objetivo" e "racional"
enquanto instrumento de domínio do homem- do social- sobre o natural, a matéria inerte ou os seres sem
inteligência.
"A história dos esforços humanos para subjugar a natureza é também a história da subjugação do
homem pelo homem", afirmou com propriedade Horkheimer (1976). Existe na realidade uma interligação
estreita entre o novo significado de natureza com a modernidade, com o processo capitalista de criar uma
divisão internacional do trabalho, uma dominação sobre a natureza e, ao mesmo tempo, uma ampliação
do leque das desigualdades sociais.
As desigualdades e a exportação do homem pelo homem não são criações do capitalismo, mas este,
ao gerar enormes potencialidades de enriquecimento, ao erigir o trabalho exaustivo (destinado em grande
parte a modificar a natureza, a humanizá-la) como valor máximo, como critério de progresso, criou um
padrão de vida elevadíssimo por um lado (em classes privilegiadas e minoritárias e em certos países do
chamado Primeiro Mundo) e, também (de forma complementar), gerou uma enorme massa de
superexplorados, de pessoas vivendo com padrões de vida que não possuem antecedentes nem nas
sociedades mais tradicionais. Não é por acaso que a intensa degradação ambiental que vivemos em
nossos dias (e que muitas vezes nos leva até a colocar em dúvida o futuro do social tal como o
conhecemos hoje) seja coeva de um desenvolvimento material ímpar, por um lado (com aviões
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supersônicos, mísseis que podem percorrer 12 mil km em menos de 10 minutos, satélites que dão
informações detalhadas sobre aspectos do planeta, engenharia genética que aprimora plantas e animais,
etc.), e de uma situação crônica de miséria e subnutrição em escala nunca vista anteriormente pela
humanidade, por outro lado.
A concepção moderna de natureza- e de conhecimento científico, que se enleia com essa ideia
instrumental de natureza- dessa forma, representou uma ruptura com noções anteriores: com o
antropocentrismo antigo, com o pensamento mágico, com a natureza organizada e hominizada. A
metáfora com a máquina industrial passou a imperar as partes são vistas separadamente, de forma
analítica, o que importa é a funcionalidade de cada uma delas em relação ao maquinismo geral. Em outras
palavras:
A natureza desqualificada torna-se a matéria caótica para uma simples classificação, e o eu todo
poderoso torna-se o mero ter, a identidade abstrata (...) O homem da ciência conhece as coisas na medida
em que pode fazê-las. E assim que o seu em - si torna-se para - ele. Nessa metamorfose, a essência das
coisas revela-se como sempre a mesma, como substrato da dominação. Essa identidade constitui a
unidade da natureza (...) O animismo havia dotado a coisa de uma alma, o industrialismo coisifica as
almas." (Adorno e Horkheimer, 1985).
Esse coisificar as almas, cabe notar, possui um significado pro- fundo: conhecer na perspectiva do
objetivismo significa apartar-se enquanto sujeito (Razão). O critério para a cientificidade do saber é a sua
eficácia, sua instrumentalidade para prever/reproduzir/dominar o real. A noção de objetividade, portanto,
vincula-se à ideia de poder: conhecer é exercer um poder, é estabelecer as leis do objeto que, como tal,
é oposto ao sujeito e "morto" no sentido de não dotado de "vida", de espírito próprio, de vontade e
consciência. O escopo do saber passa a ser a manipulação do objeto, o seu conhecimento à imagem do
cavalo de Tróia que penetra "nas linhas inimigas" para, de seu interior, conquistar a vitória sobre esse
real
A ciência moderna e o homem
A ciência moderna de uma forma geral - e a geografia em particular- sempre teve dificuldades em tratar
do homem. Por um lado ele é espírito, ser congnoscente, sujeito histórico e do saber, dotado de arbítrio,
de livre vontade; e por outro lado ele é organismo biológico, ser natural submetido a "leis" físico-
químicas... Sempre houve, desde o advento do objetivismo e do pragmatismo no pensamento ocidental,
uma dicotomia no homem: espírito e matéria, alma e corpo, sujeito (mente, inteligência) e objeto (corpo,
organismo).
Sabemos que o desenvolvimento do capitalismo operou uma mudança de valores, de ideologia, afinal,
a crença no trabalho exaustivo e redentor (revalorização do trabalho, desprestigiado na Antiguidade e
mesmo na Idade Média ocidentais), a correlata condenação do ócio, o enaltecimento do progresso, o
individualismo possessivo (a ideia de propriedade definindo os direitos humanos), e a nova percepção
não apenas da natureza mas, em seu interior, também do tempo (que passa a se "gastar'' e não mais ser
vivido, que passa de valor de uso para valor de troca, sendo ipso facto matematizado) e do espaço (que
se torna funcional, geometrizado, lócus da divisão de trabalho a nível territorial). Mas paralela e
complementarmente a essa transformação nas mentalidades, houve igualmente um adestramento do
corpo, uma fabricação de corpos dóceis, nos dizeres de Foucault (1977, 1979). Especialmente no século
XVIII ocorreu a "descoberta" do corpo como objeto e alvo do poder. O corpo que se manipula, se modela,
se treina, obedece, responde, se torna hábil. É a ideia do homem-máquina, que tem seu protótipo inicial
(e fundante) na instituição militar, tão importante para o desenvolvimento (e os rumos) da sociedade
moderna ou capitalista:
Houve, durante a época clássica, a descoberta do corpo (...) em qualquer sociedade o corpo está preso
no interior de poderes muito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas
coisas entretanto são novas nessas técnicas [do final do século XVIII em diante]. A escala, em primeiro
lugar, do controle: não se trata de cuidar do corpo, em massa, grosso modo, como se fosse uma unidade
indissociável mas de trabalhá-lo detalhadamente; de exercer sobre ele uma coerção sem folga, de mantê-
lo ao nível mesmo da mecânica (...) O objeto, em seguida, do controle: não, ou não mais, os elementos
significativos do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficácia dos movimentos,
sua organização interna (...) A disciplina fabrica assim corpos submissos e dóceis. A disciplina aumenta
as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos
políticos de obediência).
O próprio corpo humano, nesses termos, acaba por expressar e subsumir a oposição moderna de
Razão (ou saber científico) versus natureza (ou objeto inerte, a ser instrumentalizado). É por isso que as
diferenças que existem entre percepções alternativas de natureza, por exemplo: entre a nossa, ocidental
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e moderna, com o pensamento tradicional chinês do taoísmo, confucionismo e budismo; ou com relação
à sociedade indígena caiapó, passam também por diferenciadas leituras do corpo, das doenças, das
ideias de saúde, vida e morte. A medicina tradicional chinesa, fundamentada numa ideia de organismo
com a busca da harmonia entre o Yin e o Yang, possui técnicas e for- mas de encarar as doenças que
são bastante diferentes da ocidental e alopática (cf. Capra, s/d). E também a percepção que os indígenas
em geral possuem tanto sobre uma natureza integrada à vida humana (cf. Posey e Anderson, 1987),
como uma noção de saúde, doença e morte onde o ser humano faz parte de uma natureza animista na
qual um tempo mágico e cíclico integra o sentido da vida de cada um e da possível cura dos males por
ervas acompanhadas de rituais destinados a convocar ou exorcizar espíritos (cf. Lévi-Strauss, 1976).
Um importante pensador da modernidade (e, num certo sentido, também seu crítico) percebeu com
muita acuidade esse paralelo entre natureza bruta ou "virgem", de um lado, inspirando (por conter odes-
conhecido) medo e hostilidade, além de um certo fascínio, e humanizada ou organizada (ou dominada)
de outro lado, inspirando - por ser conhecida e (ré) produzida pela ação humana - confiança e senso de
poder e de segurança e consciência ou mente humana, interligada evidentemente ao corpo como um
todo.
Sigmund Freud assinalou que: a criação do domínio mental da fantasia encontra um paralelo no
estabelecimento de reservas ou parques naturais em lugares onde as exigências da agricultura, das
comunicações e da indústria ameaçam ocasionar mudanças na face original da terra que logo a tornarão
irreconhecível. Uma reserva natural conserva o estado original que em todas as outras partes foi, para
nosso pesar, sacrificado à necessidade. Todas as coisas, incluindo o que é inútil ou mesmo nocivo, nela
podem crescer e proliferar livremente.
A industrialização da natureza muda o seu estado original, toma o espaço geográfico um todo cada
vez mais homogêneo, interligado de ponta a ponta, sem "mistérios" ou elementos desconhecidos, sem
"perigos" advindos do medo frente ao não conhecido, ao não dominado e subjugado. Mas o fascínio pelo
"selvagem" permanece, pois ele é não só externo a nós mas parte mesmo de nosso ser (como assinalou
Freud a propósito do inconsciente ou do id). Assim como a modernidade (ré) produz, a natureza, no
sentido industrial do termo ela igualmente fabrica os corpos humanos e até as mentes. Daí a ênfase de
Freud na sublimação, na repressão e no superego como "guardião" das normas sociais interiorizadas.
Assim como a necessidade de "reservas naturais" se coloca como uma forma de evitar e atenuar a
massificação e industrialização da natureza, como forma de permitir e incentivar (mas dentro de certos
limites) a existência das "coisas inúteis" ou "nocivas", também a busca da fantasia e os próprios sonhos
seriam formas individuais de atenuar o predomínio do social, do artificial (que Freud de- fendia, diga-se
de passagem) frente ao "espontâneo" ou "selvagem" do inconsciente, que deve igualmente ter o seu
lugar.
Movimentos alternativos
Iremos agora nos ocupar dos movimentos alternativos da natureza ecológica ou ambientalista,
nascidos a partir das preocupações com a degradação da natureza e suas leituras e perspectivas.
O historiador Keith Thomas (1988) registra que essa preocupação, "ecológica" ou conservacionista
existe no mundo ocidental e capitalista pelo menos desde o século XVIII, tendo surgido na Inglaterra
justamente porque esse país foi pioneiro na industrialização e na degradação ambiental que a
acompanha. Nesse mesmo século os ingleses se orgulhavam de ser o único país europeu a não ter mais
preocupações com os lobos, exterminados pelos caçadores. Paralelamente, porém, à extinção não só do
lobo mas também de inúmeras espécies vegetais e animais, crescia nos centros urbanos - especialmente
em Londres - a preocupação com a poluição crescente. Assinala esse autor que desde o século XIII
existem estatutos, editos e leis de caça destinados a proteger, por uma certa estação, animais como os
cervos, gamos, lontras, lebres, falcões, etc., durante o período de sua procriação, sendo que o próprio
termo conservation surgiu - no final da Idade Média -para designar os "guardiães" (especialmente o
prefeito e os vereadores de Londres) do rio Tâmisa, que já naquele momento conhecia uma poluição e
um progressivo desaparecimento de sua fauna ictiológica. Mas a multiplicação dessas leis, dos reclamos
populares e da imprensa pela questão ambiental, tem seu momento decisivo no final do século XVIII,
justamente o momento em que a Revolução Industrial inglesa se inicia em grande escala.
Todavia, foi somente no nosso século- após a Segunda Guerra Mundial - que a denominada
"consciência ecológica" alcança a sua plenitude. Isso porque a humanidade percebeu, nesse momento,
que pode se autodestruir, que pode afetar seriamente a biosfera e exterminar não somente inúmeras
espécies animais e vegetais (como o século XVIII já começara a perceber) mas também a própria vida
humana, a espécie humana como um todo. A "consciência" ou "crise" ecológica é, assim, contemporânea
da era nuclear, do crescimento dos complexos industriais-militares e da corrida armamentista, da difusão
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da produção industrial a quase que todos os países do globo através das multinacionais, da nova divisão
internacional do trabalho que reloca na “periferia” do capitalismo internacional certa indústrias que antes
eram explosivas dos “centros”. As décadas de 1960 e, principalmente, 1970, forma importantíssimas para
esse crescimento conservacionista em todo o mundo.
Diversidade de atuação e organização
As diversidades de formas de atuação e organização nos movimentos ecológicos são notórias. Existem
as "comunidades alternativas" isoladas, normalmente vivendo no campo, numa propriedade específica
onde os indivíduos tentam implementar um outro modo de vida, uma tecnologia doce ou alternativa
(biogás, agricultura ecológica, educação informal e diferente da escola oficial, artesanato, alimentação
naturalista ou vegetariana, piscicultura, aquecimento de água por energia solar, ausência de plásticos e
detergentes não biodegradáveis, medicina alternativa com ervas, produtos alimentícios naturais, etc.). É
uma estrutura social onde há relações políticas horizontais, com ausência de chefes oficiais, de
autoridades tradicionais, etc., além de uma produção voltada não para o comércio e sim para o
autoconsumo.
O alcance limitado dessas experiências já foi objeto de interessantes análises críticas, e a própria
dificuldade desses grupos de se multiplicarem ou de meramente se reproduzirem mostra seus problemas
enquanto opção política de grande escala. Mas há um elemento positivo nisso, expresso não pelas
comunidades como um "modelo" ou um embrião de uma nova sociedade, e sim por práticas ou
experiências inovadoras em pequena escala, que não salvam todo o conjunto mas oferecem de fato
alternativas a serem repensadas na escala de uma sociedade mais ampla.
Costuma-se denominar "fundamentalistas" a essas comunidades alternativas, essas tendências
ecologistas que se afastam da sociedade industrial ou moderna e propõem uma organização comunitária
à margem, com outros princípios mas recusando trabalhar dentro mesmo desta sociedade no sentido de
transformá-la. Outras correntes dentro dos movimentos ecológicos são aquelas, majoritárias, que
assumem um trabalho de mudanças radicais dentro mesmo do capitalismo (ou do "socialismo real",
considerado igualmente uma variante da sociedade moderna ou industrial), no sentido de torná-lo mais
ecológico e com maior justiça social.
No entanto, a diversidade dentro desta posição também é enorme. Há desde socialdemocratas, que
acreditam numa democratização e ecologização progressivas do Estado capitalista, especialmente no
Primeiro Mundo (e às vezes também no Segundo Mundo), até aqueles que propõem uma nova política
ante estatal e antiplanificação, baseada numa nova ideia de revolução social. Não cabe aqui fazer um
inventário dessas inúmeras nuances dentro do ecologismo de esquerda que evita se marginalizar em
comunidades alternativas. Seria um inventário provisório e problemático ao extremo, pois um mesmo
autor pode assumir posições divergentes de acordo com as circunstâncias. O fundamental, neste
momento, é interrogar o seu papel político nestas últimas décadas, quando o ecologismo cresceu e
passou a ser importante a nível científico, cultural e político.
Penetração da consciência ecológica
Uma constatação se impôs: os movimentos ecológicos não lograram "tomar o poder" em lugar nenhum
(e nunca se propuseram a isso, a bem da verdade), mas conseguiram ampliar sensivelmente a tom verde
nos demais partidos políticos ou movimentos sociais. A penetração da "consciência ecológica" na opinião
pública em geral foi marcante, fato que levou quase que todas as tendências políticas a flertarem (com
maior ou menor seriedade, ou às vezes nenhuma, mas a retórica mudou) com as preocupações
ecologistas. A temática ambientalista parece que veio para ficar, confirmando aquela frase de Moscovitti
de que o século XX - a sua segunda metade, na realidade - se caracteriza, a nível político-social, por ter
procurado equacionar o problema das relações do homem com a natureza. É evidente que não houve -
e nem há perspectivas disso no horizonte futuro, pelo menos a curto e médio prazos - esse
equacionamento, mas a problemática ecológica brilhou (e continua brilhando) no firmamento da política
no sentido amplo do termo.
Resta saber qual é o fôlego dessa temática, dessa luta ambientalista. Pois o movimento operário, que
brilhou enormemente no século passado e nas primeiras décadas deste (embora já perdendo força e
mesclando-se com questões étnicas e nacionais), conheceu a partir da Segunda Guerra Mundial um
enorme refluxo. E os movimentos feminista e negro alcançaram inúmeras conquistas mas cedo
encontraram seus limites, suas carências de perspectivas mais radicais: a mulher pode ser empresária,
pode ter um cargo político importante, mas e daí? O mesmo ocorre com o negro em certos países: as
reivindicações por maior justiça étnica, levam somente a uma integração na mesma sociedade alicerçada
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na lógica da mercadoria e na submissão da natureza, sem profundas alterações em suas bases. Os
limites do ecologismo estariam dados pela sua institucionalização, mesmo parcial por enquanto, nos
partidos verdes? Estes tenderiam, uma vez crescendo, a reproduzir a mesma política tradicional que
caracterizou até hoje qual- quer partido político, de esquerda ou de direita (legitimação e fortalecimento
do Estado nacional, ampliação do fosso entre participação direta do cidadão e o poder delegado aos
representantes)? A incorporação de partes da temática ecologista pelos partidos tradicionais, por
agências governamentais e associações financeiras internacionais (como o Banco Mundial), e até por
empresas multinacionais (cerca de 30% dos lucros atuais da GM, por exemplo, vêm da fabricação de
equipamentos antipoluição), não conduzirá a um esgotamento desta, a uma perda de força contestatória?
O momento atual é de dúvidas e indeterminações.
A história, como sabemos, é feita por projetos e ações concretas, que entram em choque com outros,
num processo pleno de contradições e contingências. O futuro da humanidade, como ficou claro, está
ligado a uma busca do equacionamento da questão ecológica. Resta saber se esse equacionamento
ocorrerá a tempo e se será tão radical quanto imaginam os teóricos da ecologia política. Os movimentos
ecológicos tiveram como um de seus grandes méritos o fato de colocarem na ordem do dia o elogio da
criatividade. Mas existe ainda aquela criatividade da década de 70 neste momento de institucionalização
e disputa eleitoral e propagandística?
Homogeneização
A expansão e multiplicação da modernidade - ou, de forma complementar, o desenvolvimento e a
mundialização do capitalismo, nascido da (e ajudando o redirecionamento da) civilização ocidental -, levou
e continua levando ao predomínio da mesmice, à homogeneização de valores, necessidades (embora
satisfeitas desigualmente), formas arquitetônicas e padrões tecnológicos. Os outros vão sendo
exterminados ou incorporados, tanto pela via do genocídio e do terricídio (destruição ambiental), como
pela via do etnocídio e da fabricação de uma segunda natureza. O passado, da mesma forma, vai sendo
permanentemente (re) construído a partir do projeto vencedor no momento presente. A intensa
transformação permanente, baseada na lógica do valor de troca, desenraiza os homens tanto de seu
passado (os valores tradicionais) como de sua terra (que será profundamente modificada). É nesse
contexto que se coloca a luta pelo estabelecimento e pela preservação de patrimônios culturais, históricos
ou ecológicos. É uma tentativa de evitar um extermínio total do passado e da natureza, dos Outros num
certo sentido, daquilo que do ponto de vista da lógica da mercadoria (ou dos interesses classistas
dominantes no presente) não tem utilidade ou valor.
Preservação
Sabemos que não é simples a tarefa de especificar o que deve ou não ser preservado. Afinal, tudo que
nos rodeia - em todo o espaço geográfico mundial - é obra cultural ou ecológica: tanto o Pantanal mato-
grossense é um ecossistema (de amplas dimensões) como também um brejo na periferia de uma cidade
do interior; e um sapato ou uma favela são obras culturais, assim como uma cidade da época colonial
(como Ouro Preto, por exemplo, também, declarada patrimônio histórico). Deve-se preservar tudo?
Logicamente que isso é impraticável: a população mundial cresce, grande parte da humanidade passa
fome ou é subnutrida, e os povos do Terceiro Mundo aspiram igual- mente (embora -isso talvez seja um
mito irrealizável; cf., entre outros, Furtado, 1974) atingir os padrões de vida que vigoram no chamado
Primeiro Mundo. E se tudo fosse patrimônio a ser preservado, a própria ideia de patrimônio não mais teria
sentido: viveríamos sob novos valores, novo sistema produtivo, nova forma de relacionamento com a
natureza e com o passado: a chamada modernidade, neste caso, teria cessado ou atingido seus limites.
Certa vez, na década de 1930, Mário de Andrade propôs, entre outras coisas, que algumas favelas
existentes em morros no Rio de Janeiro, assim como exemplos de mocambos em Recife, fossem
tombados, preservados portanto pelo Estado, considerados como patrimônios da cultura popular. Tal
sugestão evidentemente que não foi seguida, apesar de uma parte das propostas preservacionistas de
Mário de Andrade foram levadas em conta por Getúlio Vargas ao criar o SPHAN.- Serviço do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional.
Progresso Tecnológico e Militarismo
É realmente difícil, em nossos dias, separar o progresso tecnológico - e mesmo uma expansão
econômica duradoura nos moldes vigentes, isto é, tecnocráticos- do militarismo. Não que essa separação
não seja possível (ou até desejável), mas sim que o sentido efetivo embutido na forma de evolução
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tecnológica que vem imperando desde pelo menos a Segunda Guerra Mundial - e isso não somente no
Ocidente mas igualmente no "socialismo real"-- conduz, e interliga-se indissociavelmente, ao militarismo
e ao aperfeiçoamento constante dos meios de destruição. É certo que o capitalismo, desde os seus
primórdios, adotou um tipo de saber e técnica - elementos, aliás, que associou pragmaticamente - que é
desenvolvido exclusivamente como instrumento, enquanto eficácia no domínio sobre a natureza e sobre
o próprio homem (a força de trabalho barata, os povos "não civilizados", os "desajustados socialmente",
etc.).
Daí então não haver grande novidade na intrincada amarração que existe entre tecnologia moderna e
lógica da dominação, que, no: seu grau extremo, chega ao nível do controle pela força bruta e pelo
extermínio.
A tecnologia da produção, especialmente na indústria moderna - a parcelarização do trabalho, a
organização do espaço-tempo no interior da fábrica, a linha de montagem e o taylorismo, etc.-, por
exemplo, não visa tão-somente a produtividade (que até poderia ser maior sob outras condições, com os
trabalhadores possuindo plena autonomia), mas principalmente o controle social, a produção sob a forma
hierarquizada e disciplinada.
Assim sendo, não há nada de estranho no fato de que desde principalmente o século XVI algumas das
principais descobertas tecnológicas da civilização ocidental - ou então aplicações de saberes ou técnicas
criadas anteriormente, inclusive por outras culturas - tenham sido implementadas e aprimoradas tendo-
se em vista a guerra como motivação precípua: o arcabuz, os explosivos, o canhão, a bússola, a ponte
suspensa, a luneta, o telégrafo, a vulcanização da borracha, o rádio e o submarino, o dínamo, a gelatina
explosiva e a dinamite, etc. Mas no nosso século, em especial com as duas grandes guerras, essa
influência militar na inovação tecnológica cresceu enormemente: da energia nuclear ao raio laser, da
construção de moderníssimos submarinos ao computador, dos satélites espaciais à avançada pesquisa
química ou bacteriológica: em todas essas atividades (e em inúmeras outras) existem imperativos bélicos
fundamentais para o ritmo e o sentido do desenvolvimento tecnológico.
Até o início deste século, a produção dos meios de destruição, apesar de importantíssima para o
sistema mundial de dominação capitalista, dependia ainda da "economia civil", do progresso industrial. O
progresso tecnológico dos armamentos sempre esteve ligado, mas numa posição subordinada, ao
progresso industrial em geral, ao desenvolvimento econômico capitalista. O dínamo, por exemplo, apesar
de originalmente criado para dar energia aos primeiros navios de guerra, somente foi aprimorado e
expandido com o intenso uso civil, mesmo que posteriormente tenha voltado ao uso militar com mais
elevado nível de eficiência. De fato, a imbricação e as influências recíprocas entre militarismo e produção
industrial (e pesquisa tecnológica) sempre foram, na história do capitalismo, notórias e facilmente
perceptíveis. Mas o motor dessa economia e dessa sociedade capitalista nunca foi o armamentismo e
sim a produção industrial. Contudo, parece que a partir de um certo momento - que começou talvez com
a Primeira Guerra Mundial, aprimorou-se com a Alemanha nazista e consolidou- se com a Segunda
Guerra Mundial e suas sequelas - há uma inversão na ordem das coisas.
As questões estratégico-militares passaram pouco a pouco a comandar a inovação tecnológica e
mesmo os rumos da "economia civil". Conforme as pertinentes análises de um autor, parece que a
economia política vai sendo substituída pela logística:
Por volta dos anos 70 do século passado surgiu a economia de guerra. Notamos isso na Inglaterra e
depois nos orçamentos franceses com o desenvolvimento da artilharia naval e do navio de guerra. Tudo
isso culmina na surpresa técnica da Primeira Guerra Mundial. Finalmente, temos a grande surpresa (...)
o advento da bomba nuclear. Já não é mais um problema quantitativo que surpreende o staff militar e,
portanto, os Estados; agora é um problema qualitativo: a arma final. A logística assume o controle (...)
Para entender o que é esta revolução logística a nacional, a de Eisenhower, há, em torno de 1945-50,
uma declaração do Pentágono: Logística é o procedimento segundo o qual o potencial de uma nação é
transferido para suas forças armadas, tanto em tempos de paz como de guerra.
Destarte, a influência atual do militarismo sobre as atividades econômicas mais avançadas e até sobre
inúmeros aspectos da vida social é não somente enorme mas também decisiva. Os aviões mais modernos
e sofisticados são sempre os destinados a uso militar; somente depois que se tornarem obsoletos para
fins bélicos é que serão produzidos para uso civil (mesmo que grandes empresas particulares possuíssem
- e algumas possuem - condições de fabricar aviões com velocidades similares aos usados militarmente,
elas não poderiam fazer isso, por imperativos estratégicos militares, até que os aviões militares tivessem
já velocidades muitíssimo superiores). Com a tecnologia e a produção de submarinos, a situação é ainda
pior: existe quase que um monopólio do uso militar. Também na informática e na eletrônica existe uma
supremacia (e um comando) militar. Não apenas a tecnologia é via de regra gerada nesse setor para
depois se propagar na "economia civil", como também existem pesquisas secretas e técnicas já
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implementadas (mesmo que experimentalmente) para fins bélicos e desconhecidas - ou melhor, não
utilizadas - até mesmo nas empresas e instituições de ponta do setor civil.
Se nos países capitalistas há uma imbricação entre grande indústria, pesquisa tecnológica avançada
e interesses militares-estratégicos, algo que configura os chamados complexos industriais-militares, a
situação no "socialismo real", especialmente na União Soviética (e também, em menor escala, na China),
é mais nítida e forte. Como as grandes empresas são todas estatais, e como há uma planificação
centralizada da economia, deixa de haver um complexo industrial-militar (no sentido de ligações,
influências recíprocas, amarração complexa de interesses) para haver um setor militar, evidentemente
estatizado, que é ao mesmo tempo estratégico e produtivo; há uma imensa economia militar, em suma.
Estudos detalhados levados a cabo por especialistas na URSS, mostraram que a militarização desse país
talvez seja a mais extrema do globo. Há uma "economia civil" frágil e tecnologicamente pouco
desenvolvida (e enfrentando problemas de escassez que geram filas, de péssima qualidade dos produtos,
de insuficiência de recursos, etc. cf., inclusive Gorbachev, 1988, pp. 15-64). E, paralela- mente e de forma
bem nítida, há uma "economia militar" extremamente eficiente (com enormes recursos e a "nata" dos
cérebros do país, com tecnologia moderna, com mão-de-obra bem melhor paga, com prioridade total nos
planos quinquenais, etc.).
O Direito das Árvores
Nos dias de hoje juristas dos Estados Unidos e da Inglaterra discutem seriamente se as árvores
possuem direitos. Talvez muitas pessoas caiam na gargalhada ao saberem disso, mas o mesmo ocorreu
já há alguns séculos com os escravos, com as mulheres e até com os jovens. Quem não cairia na
gargalhada, há 400 anos, se alguém afirmasse que as mulheres deveriam ter o direito de participar de
decisões importantes na vida política e econômica, ou que as crianças deveriam ter direitos
(escolarização, ausência de maus tratos, alimentação e vestimentas decentes, etc.) independente da
vontade dos pais? Durante muitos séculos, a expansão (conflituosa, dialética, frequentemente abortada,
em especial no Terceiro Mundo) do espaço democrático foi pouco a pouco (re) definindo o significado de
"homem", de humanidade enquanto agente de direitos. Foi - e ainda é, na maior parte do mundo -
extremamente problemática a inclusão dos trabalhadores braçais, das mulheres, das crianças e,
principalmente, dos "outros" (os "não-civilizados", os "sem Estado", etc.). Num certo sentido, o ecologismo
veio ampliar esse horizonte ao relativizar o antropocentrismo e colocar a Terra, a biosfera em especial,
como parte de nós.
O que os astronautas, e inúmeros homens e mulheres na Terra antes deles, perceberam intuitivamente
está sendo agora confirmado por investigações científicas (...) O planeta está não só palpitante de vida,
mas parece ser ele próprio um ser vivo e independente. Toda a matéria viva da Terra, juntamente com a
atmosfera, os oceanos e o solo, forma um sistema complexo com todas as características de auto-
organização (...) A Terra é, pois, um sistema vivo; ela funciona não apenas como um organismo, mas, na
realidade, parece ser um organismo Gaia, um ser planetário vivo.
Um novo conceito de natureza e uma nova forma - não instrumental - de se relacionar com ela; um
redirecionamento no sentido da tecnologia, desvinculando-a da produção bélica, da ênfase na
produtividade às custas da natureza e do trabalhador; uma profunda alteração nos valores e nas
necessidades das pessoas; uma busca da igualdade nos rendimentos e nos direitos mas sem
homogeneizar, sem massacrar o individual de cada um num "coletivo"; descentralização com implantação
de unidades produtivas de pequena escala, onde não apenas o impacto ambiental fosse reduzido como
também que tornasse possível a democracia direta: eis algumas das propostas que norteiam um novo
conceito de revolução, no qual não se vão realizar as pretensas "leis da história", mas, sim, criar algo
novo a partir da constatação de que o rumo atual das coisas é injusto e talvez até suicida.
Uma verdadeira revolução não se programa. Ela não caminha sobre trilhos prefixados e nem possui
organização apriorística. Ela é necessariamente uma experiência ou uma aventura que desembocará
num caminho desconhecido. Pretender nomeá-la, determiná-la de antemão com um sujeito preconcebido,
com um caminho já estabelecido, etc. (por exemplo: o "socialismo"), nada mais é do que ser atraído pelo
medo ao novo e ao desconhecido, pela busca autoritária de certezas prévias com a consequente negação
da criatividade e das diversidades. E muito menos podemos imaginar que a revolução significa realizar
na prática uma teoria (ou ideal) pré-elaborada na Razão: estaríamos assim num racionalismo cartesiano
dos mais extremados.
São os agentes históricos concretos, as lutas sociais que eles carregam, que nos ensinam o que
repudiamos e o que desejamos. O iluminismo do século XVIII nos legou a aspiração pela liberdade e pela
justiça; os movimentos operários do século XIX nos mostraram cabalmente a importância da luta contra
a exploração do homem pelo homem, além de terem, em muitos casos, retomado formas organizacionais
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(as comunas) que só tiveram precedente na democracia ateniene. E, no nosso século, as lutas feministas,
étnicas e nacionais, especialmente as ecológicas, ensinaram-nos que a ideia de "contradição principal" é
um engodo, que uma sociedade justa e igualitária deverá equacionar simultaneamente a opressão sexual
e étnica, as aspirações por autonomias nacionais, as desigualdades econômicas e a instrumentalização
(e homogeneização, pela destruição) da natureza, tudo isso sem ferir o direito à diversidade (tanto pessoal
como cultural e até ecológica).
- Desmatamento
O desmatamento é um processo de degradação da vegetação nativa de uma região e pode provocar
um processo de desertificação. O mau uso dos recursos naturais, a poluição e a expansão urbana são
alguns fatores que devastam ambientes naturais e reduzem o número de habitats para as espécies. Um
dos principais agentes do desmatamento é o homem.
Nos últimos anos, a atividade humana tem invadido o meio ambiente em diferentes escal
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  • 1.
    APOSTILA DO CONCURSODO IBGE CARGO: TÉCNICO EM INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS E ESTATÍSTICAS
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 1 A Presidenta da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no uso da competência que lhe foi outorgada por intermédio do Despacho do Excelentíssimo Senhor Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, através da Portaria MP nº 302, de 24 de julho de 2015, publicada no Diário Oficial da União nº 141, de 27 de julho de 2015, retificada pela Portaria MP nº 573, de 11 de dezembro de 2015, publicada no Diário Oficial da União nº 238, de 14 de dezembro de 2015, torna pública a abertura das inscrições e estabelece normas relativas à realização de Concurso Público destinado à seleção de candidatos ao provimento de 460 (quatrocentas e sessenta) vagas para o cargo de Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I, da carreira de Suporte Técnico em Produção e Análise de Informações Geográficas e Estatísticas, do Plano de Carreiras e Cargos do IBGE, de que trata a Lei nº 11.355, de 19 de outubro de 2006, mediante as condições estabelecidas neste Edital e observadas as disposições contidas nos diplomas legais vigentes. 1. DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 1.1 O Concurso Público regido por este Edital, pelos diplomas legais e regulamentares, por seus anexos e posteriores retificações, caso existam, visa ao preenchimento de 460 (quatrocentas e sessenta) vagas para o cargo de Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I, conforme a distribuição constante do Quadro de Vagas disponível no Anexo III desse Edital, respeitando o percentual mínimo de 5% (cinco por cento) das vagas para candidatos com deficiência, previsto no artigo 37, inciso VIII, da Constituição da República Federativa do Brasil, na Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, e no Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com as alterações introduzidas pelo Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, e o percentual de 20% (vinte por cento) das vagas para candidatos negros, previsto na Lei nº 12.990, de 9 de junho de 2014. 1.2 O concurso será executado sob a responsabilidade da Fundação Getulio Vargas, doravante denominada FGV. 1.3 A inscrição do candidato implicará a concordância plena e integral com os termos deste Edital, seus anexos, eventuais alterações e legislação vigente. 2. DO PROCESSO DE SELEÇÃO 2.1 A seleção dos candidatos para o cargo de Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I dar-se-á por meio de uma Prova Objetiva, de caráter eliminatório e classificatório. 2.2 Os resultados serão divulgados na internet, no seguinte endereço eletrônico: www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 2.3 Os candidatos inscritos realizarão as provas no município/UF no qual optaram por concorrer à(s) vaga(s), de acordo com o especificado no Anexo III deste Edital. 2.4 Todos os horários definidos neste Edital, em seus anexos e em comunicados oficiais têm como referência o horário oficial da cidade de Brasília-DF. 3. DO CARGO 3.1 A denominação do cargo, os requisitos de escolaridade, o valor da taxa de inscrição, o vencimento básico, as gratificações, a remuneração total e a carga horária estão estabelecidos na tabela a seguir:
  • 4.
    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 2 CARGO DE NÍVEL MÉDIO Requisitos de escolaridade Valor da taxa de inscrição Conforme o Anexo II (requisitos e atribuições do cargo) R$ 49,00 Cargo Classe A Padrão I Vencimento Básico GDIBGE (80 pontos) Gratificação de Qualificação Remuneração Total Carga Horária Semanal de Trabalho Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I Sem GQ R$ 2.216,45 R$ 882,40 - R$ 3.098,85 40h GQ I R$ 426,36 R$ 3.525,21 GQ II R$ 810,08 R$ 3.908,93 GQ III R$ 1.539,16 R$ 4.638,01 3.2 A remuneração corresponde ao Vencimento Básico do padrão inicial da classe inicial, constante da tabela de vencimento do Plano de Carreiras e Cargos do IBGE vigente na data de entrada em exercício, à Gratificação de Desempenho de Atividade em Pesquisa, Produção e Análise, Gestão e Infraestrutura de Informações Geográficas e Estatísticas A I (GDIBGE) e, de acordo com os cursos que possuir, à Gratificação de Qualificação (GQ), conforme a Lei nº 11.355, de 19 de outubro de 2006, e alterações posteriores, e Decreto nº 7.922, de 18 de fevereiro de 2013. 3.3 Será concedido Auxílio-Alimentação, no valor de R$ 373,00 (trezentos e setenta e três reais), de acordo com o artigo 22 da Lei nº 8.460, de 17 de setembro de 1992, com redação dada pela Lei nº 9.527, de 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 3.887, de 16 de agosto de 2001, e Portaria MP nº 619, de 26 de dezembro de 2012, e Auxílio - Transporte, com base na Medida Provisória nº 2.165- 36, de 23 de agosto de 2001. 3.4 Poderão ser concedidos benefícios a título de Assistência à Saúde (Médica e Odontológica), opcional, ao servidor e aos seus dependentes, com valores que variam entre R$ 82,83 (oitenta e dois reais e oitenta e três centavos) e R$ 167,70 (cento e sessenta e sete reais e setenta centavos) por pessoa, conforme a remuneração e a idade do servidor, de acordo com a Portaria MP nº 625, de 21 de dezembro de 2012. A Assistência à Saúde somente será concedida mediante comprovação de custeio de um plano de saúde próprio. 3.5 Para fazer jus à Gratificação de Qualificação-GQ, em nível I, o servidor deverá comprovar a conclusão de curso(s) de capacitação ou qualificação profissional cujo somatório de cursos integralize uma carga horária mínima de 180 (cento e oitenta) horas-aula, de acordo com os critérios vigentes em normatizações internas. 3.6 Para fazer jus à Gratificação de Qualificação-GQ, em nível II, o servidor deverá comprovar a conclusão de curso(s) de capacitação ou qualificação profissional cujo somatório de cursos integralize uma carga horária mínima de 250 (duzentas e cinquenta) horas-aula, de acordo com os critérios vigentes em normatizações internas. 3.7 Para fazer jus à Gratificação de Qualificação-GQ, em nível III, o servidor deverá comprovar a conclusão de curso(s) de capacitação ou qualificação profissional cujo somatório de cursos integralize uma carga horária mínima de 360 (trezentas e sessenta) horas-aula; ou de curso de graduação ou pós-graduação, seja em nível de especialização, mestrado ou doutorado, de acordo com os critérios vigentes em normatizações internas.
  • 5.
    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 3 3.8 GDIBGE - Atualmente a gratificação pode chegar a valer até 100 (cem) pontos - composta por até 80 (oitenta) pontos decorrentes da avaliação de desempenho institucional, e até 20 (vinte) pontos resultantes da avaliação de desempenho individual. De acordo com a legislação vigente, o cálculo para aqueles que ingressam no IBGE é feito com base em 80 (oitenta) pontos, permanecendo assim até a primeira avaliação de desempenho do servidor que venha surtir efeito financeiro, conforme determina o Artigo 81-C § 2º da Lei nº 11.355, de 19 de outubro de 2006, e alterações posteriores. Esta gratificação poderá variar para mais ou para menos em função do desempenho institucional e individual. O valor do ponto é de R$ 11,03 (onze reais e três centavos), conforme estabelecido no Anexo XLVIII da Lei nº 12.778, de 28 de dezembro de 2012. 3.8.1 A Avaliação de Desempenho individual é um processo que ocorre anualmente em dois períodos que se consolidam a cada 6 (seis) meses, iniciando-se o 1º período em janeiro e o 2º período em julho. Para ser avaliado, o servidor deverá ter permanecido em exercício de atividades inerentes ao cargo em unidades do IBGE por, no mínimo, 2/3 (dois terços) de um período completo de avaliação. 3.9 Após ser processada a primeira avaliação de desempenho individual que venha surtir efeito financeiro, caso a pontuação máxima da GDIBGE (100 pontos) seja atingida, o total da remuneração bruta poderá chegar a R$ 3.319,45 (três mil, trezentos e dezenove reais e quarenta e cinco centavos), para os servidores sem GQ; a R$ 3.745,81(três mil, setecentos e quarenta e cinco reais e oitenta e um centavos), para os que estejam recebendo a GQ I; a R$ 4.129,53 (quatro mil, cento e vinte e nove reais e cinquenta e três centavos), para os que estejam recebendo a GQ II e a R$ 4.858,61(quatro mil, oitocentos e cinquenta e oito reais e sessenta e um centavos), para os que estejam recebendo a GQ III. 3.9.1 Ressalte-se que, após o ingresso no IBGE, o recém-nomeado deverá solicitar a Gratificação de Qualificação – GQ, seja em nível I, II ou III. O recém-nomeado será devidamente orientado a respeito de como proceder para requerer a concessão da GQ. 3.10 O candidato deverá atender, cumulativamente, para investidura no cargo, aos seguintes requisitos: a) ter sido classificado no Concurso Público na forma estabelecida neste Edital, em seus anexos e eventuais retificações; b) ter nacionalidade brasileira e, no caso de nacionalidade portuguesa, estar amparado pelo Estatuto de igualdade entre brasileiros e portugueses, com reconhecimento do gozo dos direitos políticos, na forma do disposto no artigo 13 do Decreto nº 70.436, de 18 de abril de 1972; c) estar quite com as obrigações eleitorais; d) estar em pleno gozo de seus direitos políticos; e) estar quite com as obrigações do Serviço Militar, para os candidatos do sexo masculino; f) não estar incompatibilizado para a nova investidura em cargo público, nos termos dispostos no artigo 137 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; g) ter, no mínimo, 18 anos completos; h) possuir aptidão física e mental para o exercício das citadas atribuições do cargo; i) ser aprovado neste Concurso Público e possuir o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo conforme estabelecido no Anexo II deste Edital; j) apresentar uma foto 3x4 e os documentos que se fizerem necessários para a nomeação, a saber: Certidão de Nascimento ou Casamento; Carteira de Identidade; CPF; comprovante de quitação com as obrigações militares, se do sexo masculino; Título de Eleitor e comprovante de
  • 6.
    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 4 quitação com as obrigações eleitorais; comprovante de inscrição no PIS/PASEP (caso já tenha sido cadastrado); comprovante de residência; comprovante de naturalização (no caso de brasileiro naturalizado); comprovante de que está amparado pelo Estatuto de igualdade entre brasileiros e portugueses; com reconhecimento do gozo dos direitos políticos, na forma do disposto no artigo 13 do Decreto nº 70.436, de 18 de abril de 1972 (no caso de candidato com nacionalidade portuguesa); cópia assinada da Declaração de Bens e Rendimentos do ano-base imediatamente anterior apresentada à Secretaria da Receita Federal ou Declaração de Isento; quando for o caso; comprovante de escolaridade, conforme estabelecido no Anexo II deste Edital; k) comprovar que não se encontra na condição de sócio-gerente ou administrador de sociedades privadas; e l) cumprir as determinações deste Edital. 3.11 Todos os requisitos especificados no subitem 3.10 deverão ser comprovados mediante a apresentação de documentos originais. 3.12 Os requisitos e as atribuições do cargo estão definidos no Anexo II deste Edital. 4. DAS INSCRIÇÕES 4.1 As inscrições para o Concurso Público se encontrarão abertas no período de 04 de janeiro de 2016 até 28 de janeiro de 2016. 4.2 Para efetuar sua inscrição, o interessado deverá acessar, via internet, o endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, observando o seguinte: a) acessar o endereço eletrônico a partir das 14h do dia 04 de janeiro de 2016 até as 23h59 do dia 28 de janeiro de 2016; b) preencher o requerimento de inscrição que será exibido e, em seguida, enviá-lo de acordo com as respectivas instruções; c) o envio do requerimento de inscrição gerará automaticamente a Guia de Recolhimento da União (GRU Simples), que deverá ser impressa e paga em espécie em qualquer agência bancária do Banco do Brasil, ou pelo Internet banking do mesmo banco, sendo de inteira responsabilidade do candidato a impressão e guarda do comprovante de inscrição; d) a inscrição feita pela internet somente terá validade após a confirmação do pagamento pela rede bancária; e) o pagamento do valor da taxa de inscrição poderá ser efetuado até o primeiro dia útil subsequente ao último dia do período destinado ao recebimento de inscrição via internet (29 de janeiro de 2016). Os pagamentos efetuados após esse prazo não serão aceitos e o requerimento de inscrição será cancelado; f) O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a FGV não se responsabilizarão por requerimentos de inscrição que não tenham sido recebidos por fatores de ordem técnica dos computadores, os quais impossibilitem a transferência dos dados e/ou causem falhas de comunicação ou congestionamento das linhas de transmissão de dados; e g) após as 23h59 do dia 28 de janeiro de 2016, não será mais possível acessar o formulário de requerimento de inscrição. 4.3 O candidato somente poderá efetuar o pagamento da taxa de inscrição por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU Simples) emitida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 5 que estará disponível no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge e deverá ser impressa para o pagamento da taxa de inscrição após a conclusão do preenchimento do requerimento de inscrição. 4.4 Todos os candidatos inscritos no período entre 14h do dia 04 de janeiro de 2016 e 23h59 do dia 28 de janeiro de 2016 poderão reimprimir, caso necessário, a GRU Simples, no máximo até as 23h59 do primeiro dia útil posterior ao encerramento das inscrições (29 de janeiro de 2016), quando esse recurso será retirado do site da FGV. 4.4.1 O pagamento da taxa de inscrição após o dia 29 de janeiro de 2016, a realização de qualquer modalidade de pagamento que não seja pela quitação da GRU Simples e/ou o pagamento de valor distinto do estipulado neste Edital implicam o cancelamento da inscrição. 4.4.2 Não será aceito, como comprovação de pagamento de taxa de inscrição, comprovante de agendamento bancário. 4.4.3 Não será aceito pagamento do valor da inscrição por depósito em caixa eletrônico, transferência ou depósito em conta corrente, DOC, cheque, cartão de crédito, ordens de pagamento ou qualquer outra forma diferente da prevista neste Edital. 4.4.4 Em caso de feriado ou evento que acarrete o fechamento de agências bancárias na localidade em que se encontra, o candidato deverá antecipar o pagamento da GRU Simples ou realizá-lo por outro meio válido, devendo ser respeitado o prazo-limite determinado neste Edital. 4.5 As inscrições somente serão efetivadas após a comprovação de pagamento da taxa de inscrição ou o deferimento da solicitação de isenção da taxa de inscrição, nos termos do subitem 5.1 e seguintes deste Edital. 4.5.1 O Cartão de Confirmação de Inscrição do candidato estará disponível no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, a partir de 11 de abril de 2016, sendo de responsabilidade exclusiva do candidato a obtenção desse documento. 4.5.2 No Cartão de Confirmação de Inscrição serão colocados, além dos principais dados do candidato, seu número de inscrição, município/UF para o qual deseja concorrer, data, horário e local de realização da prova. 4.5.3 É obrigação do candidato conferir, no Cartão de Confirmação de Inscrição, os seguintes dados: nome, número do documento de identidade, sigla do órgão expedidor e estado emitente, CPF, data de nascimento, sexo, município/UF para o qual deseja concorrer, cidade de realização da prova, endereço, e, quando for o caso, a informação de tratar-se de pessoa com deficiência que demande condição diferenciada para a realização da prova e/ou esteja concorrendo às vagas reservadas para pessoas com deficiência e/ou esteja concorrendo às vagas reservadas para negros e/ou seja lactante. 4.5.4 Os eventuais erros de digitação no nome, número/órgão expedidor ou Estado emitente do documento de identidade, data de nascimento, sexo, deverão ser corrigidos no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge através do sistema de inscrições online ou, ainda, na ocasião da realização das provas objetivas, mediante a conferência do documento original de identidade, quando do ingresso do candidato no local de provas, pelo fiscal de sala. 4.6 Quando do pagamento da Guia de Recolhimento da União (GRU Simples), o candidato tem o dever de conferir todos os seus dados cadastrais e da inscrição nela registrados. As inscrições e/ou
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 6 pagamentos que não forem identificados devido a erro na informação de dados pelo candidato na referida Guia não serão aceitos, não cabendo reclamações posteriores neste sentido. 4.7 O candidato deverá manifestar, no ato da inscrição, sua opção pelo município/UF em que deseja concorrer, que automaticamente estará vinculado à cidade de realização da prova, conforme Anexo III deste Edital; 4.8 Não serão aceitas inscrições condicionais ou extemporâneas, nem as requeridas por via postal, via fax e/ou correio eletrônico. 4.9 É vedada a transferência do valor pago, a título de taxa, para terceiros, para outra inscrição ou para outro concurso. 4.10 Para efetuar a inscrição é imprescindível o número de Cadastro de Pessoa Física (CPF) do candidato. 4.11 A inscrição do candidato implica o conhecimento e a tácita aceitação das normas e condições estabelecidas neste Edital, em relação às quais não poderá alegar desconhecimento, bem como quanto à realização das provas nos prazos estipulados. 4.12 A qualquer tempo, mesmo após o término das etapas do processo de seleção, poder-se-á anular a inscrição, as provas e a nomeação do candidato, desde que verificada falsidade em qualquer declaração e/ou irregularidade nas provas e/ou em informações fornecidas. 4.12.1 O candidato que cometer, no ato de inscrição, erro grosseiro na digitação de seu nome ou apresentar documento de identificação que não conste na ficha de cadastro do concurso será eliminado do certame, a qualquer tempo. 4.13 Caso, quando do processamento das inscrições, seja verificada a existência de mais de uma inscrição efetivada (por meio de pagamento ou isenção da taxa) por um mesmo candidato, somente será considerada válida e homologada aquela que tiver sido realizada por último, sendo esta identificada pelo sistema de inscrições online da FGV pela data e hora de envio do requerimento via Internet. Consequentemente, as demais inscrições do candidato serão automaticamente canceladas, não cabendo reclamações posteriores nesse sentido, nem mesmo quanto à restituição do valor pago a título de taxa de inscrição. 4.14 O valor referente ao pagamento da taxa de inscrição não será devolvido em hipótese alguma, salvo em caso de cancelamento do concurso por conveniência da Administração Pública. 4.15 O comprovante de inscrição e/ou pagamento da taxa de inscrição deverá ser mantido em poder do candidato e apresentado nos locais de realização das provas ou quando solicitado. 4.16 O candidato, ao realizar sua inscrição, também manifesta ciência quanto à possibilidade de divulgação de seus dados em listagens e resultados no decorrer do certame, tais como aqueles relativos à data de nascimento, notas e desempenho na prova, ser pessoa com deficiência (se for o caso), ser negro (se for o caso), entre outros, tendo em vista que essas informações são essenciais para o fiel cumprimento da publicidade dos atos atinentes ao Concurso Público. Não caberão reclamações posteriores nesse sentido, ficando cientes também os candidatos de que, possivelmente, tais informações poderão ser encontradas na rede mundial de computadores através dos mecanismos de busca atualmente existentes. 4.17 Antes de efetuar a inscrição, o candidato deverá conhecer o Edital e certificar-se de que preenche todos os requisitos exigidos. 4.18 Após a homologação da inscrição, não será aceita, em hipótese alguma, solicitação de alteração dos dados contidos na inscrição, salvo o previsto nos subitens 5.2.1, 6.5.1 e 8.1.1.
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 7 5. DA ISENÇÃO DA TAXA DE INSCRIÇÃO 5.1 Somente haverá isenção da taxa de inscrição para os candidatos que declararem hipossuficiência de recursos financeiros para pagamento da taxa, nos termos do Decreto Federal nº 6.135, de 26 de junho de 2007, e do Decreto Federal nº 6.593, de 02 de outubro de 2008. 5.2 Fará jus à isenção de pagamento da taxa de inscrição o candidato economicamente hipossuficiente que estiver inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal – CadÚnico e for membro de família de baixa renda. 5.2.1 O candidato que requerer a isenção na condição de economicamente hipossuficiente deverá informar, no ato da inscrição, seus dados pessoais em conformidade com os que foram originalmente informados ao órgão de Assistência Social de seu Município, responsável pelo cadastramento de famílias no CadÚnico, mesmo que atualmente estejam divergentes ou que tenham sido alterados nos últimos 45 (quarenta e cinco) dias, em virtude do decurso de tempo para atualização do banco de dados do CadÚnico em âmbito nacional. Após o julgamento do pedido de isenção, o candidato poderá efetuar a atualização dos seus dados cadastrais com a FGV pelo sistema de inscrições online ou solicitá-la ao fiscal de aplicação no dia de realização das provas. 5.2.1.1 Mesmo que inscrito no CadÚnico, a inobservância do disposto no subitem anterior poderá implicar o indeferimento do pedido de isenção do candidato, por divergência entre os dados cadastrais informados e os constantes no banco de dados do CadÚnico. 5.2.1.2 A isenção mencionada no subitem 5.1 poderá ser solicitada no período entre 14h do dia 04 de janeiro de 2016 e 23h59 do dia 28 de janeiro de 2016, por meio de inscrição no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, devendo o candidato, obrigatoriamente, indicar o seu Número de Identificação Social – NIS, atribuído pelo CadÚnico, bem como declarar-se membro de família de baixa renda. 5.2.1.3 A FGV consultará o órgão gestor do CadÚnico a fim de verificar a veracidade das informações prestadas pelo candidato que requerer a isenção na condição de hipossuficiente. 5.3 As informações prestadas no requerimento de isenção serão de inteira responsabilidade do candidato, podendo este responder, a qualquer momento, por crime contra a fé pública, o que acarretará sua eliminação do concurso, aplicando-se, ainda, o disposto no art. 10, parágrafo único, do Decreto Federal nº 83.936, de 06 de setembro de 1979. 5.4 O simples preenchimento dos dados necessários para a solicitação da isenção de taxa de inscrição não garante ao candidato a isenção do pagamento da taxa de inscrição, a qual estará sujeita a análise e deferimento por parte da FGV. 5.4.1 O fato de o candidato estar participando de algum Programa Social do Governo Federal (Prouni, Fies, Bolsa Família etc.), assim como o fato de ter obtido a isenção em outros certames, não garante, por si só, a isenção da taxa de inscrição. 5.5 Não serão aceitos, após a realização do pedido, acréscimos ou alterações das informações prestadas, ressalvado o subitem 5.2.1. 5.6 Não será deferida a solicitação de isenção de pagamento de taxa de inscrição por fax, correio eletrônico ou pelos Correios. 5.7 O não cumprimento de uma das etapas fixadas, a falta ou a inconformidade de alguma informação
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 8 ou a solicitação apresentada fora do período fixado implicarão a eliminação automática do processo de isenção. 5.8 O resultado preliminar da análise dos pedidos de isenção de taxa de inscrição será divulgado no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, no dia 12 de fevereiro de 2016. 5.8.1 É responsabilidade do candidato acompanhar a publicação e tomar ciência do seu conteúdo. 5.8.2 O candidato que tiver a isenção deferida, mas que tenha efetivado o pagamento do boleto bancário terá sua isenção cancelada. 5.9 O candidato cujo requerimento de isenção de pagamento da taxa de inscrição for indeferido poderá interpor recurso no prazo de dois dias úteis, a contar do primeiro dia útil subsequente ao da publicação do resultado da análise dos pedidos, por meio de link disponibilizado no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 5.10 A relação dos pedidos de isenção deferidos após recurso será divulgada no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/mre, no dia 22 de fevereiro de 2016. 5.10.1O candidato que tiver seu pedido de isenção indeferido deverá efetuar o pagamento da GRU Simples somente após divulgada a relação definitiva dos pedidos de isenção. 5.11 Os candidatos que tiverem seus pedidos de isenção indeferidos poderão acessar o endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, no período de 22 de fevereiro de 2016 até 24 de fevereiro de 2016, para imprimir a GRU Simples para pagamento até o dia 24 de fevereiro de 2016, conforme procedimentos descritos neste Edital. 5.12 O candidato que tiver seu pedido de isenção indeferido e que não efetuar o pagamento da taxa de inscrição na forma e no prazo estabelecidos no subitem anterior estará automaticamente excluído do Concurso Público. 6. DAS VAGAS DESTINADAS ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA 6.1 As pessoas com deficiência que se enquadram nas categorias discriminadas no art. 4º do Decreto Federal nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, no Decreto Federal nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004, na situação prevista no § 1º do art. 1º da Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012 (Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista), e no enunciado da Súmula nº 377 do STJ (“O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos deficientes”), observados os dispositivos da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009 terão assegurado o direito de inscrição no presente Concurso Público, desde que a deficiência seja compatível com as atribuições da carreira para a qual concorram, conforme o Anexo II deste Edital. 6.1.1 Do total de vagas para o cargo, ficarão reservadas 5% (cinco por cento) para pessoa com deficiência. Caso a aplicação do percentual resulte em número fracionado igual ou maior a 0,5 (meio décimo), adotar-se-á o número inteiro imediatamente superior, na forma do Decreto Federal nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. 6.1.2 Ficarão reservadas 5% (cinco por cento) das vagas aos candidatos que se declararem pessoas com deficiência, desde que apresentem laudo médico (documento original ou cópia autenticada em cartório), que deverá obedecer às seguintes exigências:
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 9 a) ter sido expedido há, no máximo, 6 (seis) meses, a contar da data de início do período de inscrição; b) descrever a espécie e o grau ou nível de deficiência; c) apresentar a provável causa da deficiência; d) apresentar os graus de autonomia; e) constar referência ao código correspondente da Classificação Internacional de Doenças (CID) vigente; f) constar se faz uso de órteses, próteses ou adaptações; g) no caso de deficiente auditivo, o laudo deverá vir acompanhado de uma audiometria recente, até 6 (seis) meses a contar da data de início do período de inscrição; h) no caso de deficiente visual, o laudo deverá vir acompanhado de acuidade em AO (ambos os olhos), patologia e campo visual; i) no caso de deficiência mental, no laudo deverá constar a data do início da doença, áreas de limitação associadas e habilidades adaptadas; e j) no caso de deficiência múltipla, no laudo deverá constar a associação de duas ou mais deficiências. 6.1.3 O candidato que desejar concorrer às vagas reservadas a pessoas com deficiência deverá marcar a opção no link de inscrição e enviar o laudo médico (original ou cópia autenticada em cartório), conforme subitem 6.1.2, até o dia 29 de janeiro de 2016, impreterivelmente, via SEDEX ou Carta Registrada, para a FGV – Caixa Postal nº 205 – Muriaé/MG – CEP: 36880-970, com os seguintes dizeres: CONCURSO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I) – DOCUMENTAÇÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA. 6.1.3.1 O fato de o candidato se inscrever como pessoa com deficiência e enviar laudo médico não configura participação automática na concorrência para as vagas reservadas, devendo o laudo passar por uma análise da FGV; no caso de indeferimento, passará o candidato a concorrer somente às vagas de ampla concorrência. 6.2 O candidato que se declarar com deficiência concorrerá em igualdade de condições com os demais candidatos. 6.3 O candidato inscrito na condição de pessoa com deficiência poderá requerer atendimento especial, conforme estipulado no item 8 deste Edital, indicando as condições de que necessita para a realização das provas, conforme previsto no art. 40, §§ 1º e 2º, do Decreto Federal nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. 6.4 A relação dos candidatos que tiverem a inscrição deferida para concorrer na condição de pessoas com deficiência será divulgada no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 6.4.1 O candidato cujo pedido de inscrição na condição de pessoa com deficiência seja indeferido poderá interpor recurso no prazo de dois dias úteis, a contar do primeiro dia útil subsequente ao da divulgação do resultado da análise dos pedidos, mediante requerimento dirigido à FGV pelo endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 6.4.2 A listagem definitiva de candidatos que atenderam à regra estipulada neste Edital quanto ao envio do laudo médico será divulgada após a análise de eventuais recursos.
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 10 6.5 O candidato que, no ato da inscrição, declarar-se pessoa com deficiência, se aprovado no Concurso Público, figurará na listagem de classificação de todos os candidatos ao cargo/UF/ município/subdivisão de município e em lista específica de candidatos na condição de pessoas com deficiência. 6.5.1 O candidato que porventura declarar indevidamente ser pessoa com deficiência, quando do preenchimento do requerimento de inscrição via Internet, deverá, após tomar conhecimento da situação da inscrição nessa condição, entrar em contato com a FGV por meio do e-mail concursoibge@fgv.br ou, ainda, mediante o envio de correspondência para o endereço constante do subitem 6.1.3 deste Edital, para a correção da informação, por se tratar apenas de erro material e inconsistência efetivada no ato da inscrição. 6.6. Os laudos médicos dos candidatos com deficiência aprovados serão avaliados, previamente à divulgação do resultado final, por uma equipe multiprofissional, de acordo com o artigo 43 do Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. 6.6.1 A equipe multiprofissional emitirá parecer observando: a) as informações prestadas pelo candidato no ato da inscrição e seu respectivo laudo médico; b) a natureza das atribuições e exigências para o desempenho do cargo a que concorre à vaga, descritas no Anexo II deste Edital; c) a viabilidade das condições de acessibilidade e as adequações do ambiente de trabalho na execução das tarefas; d) a possibilidade de utilização, pelo candidato, de equipamentos ou outros meios que habitualmente utilize e e) a CID - Classificação Internacional de Doenças - apresentada. 6.6.2 O resultado preliminar do parecer da equipe multiprofissional será divulgado na data prevista de 17 de maio de 2016, no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, relacionando os candidatos e seus respectivos resultados, sendo os mesmos enquadrados em uma das seguintes condições: a) DEFICIÊNCIA CARACTERIZADA E COMPATÍVEL - Deficiência caracterizada de acordo com a legislação vigente e compatível com a natureza das atribuições e exigências para o desempenho do cargo a que concorre à vaga, descritas no Anexo II do Edital (o candidato concorrerá às vagas reservadas aos candidatos com deficiência); b) DEFICIÊNCIA INCOMPATÍVEL - Deficiência existente, caracterizada ou não dentro da legislação vigente, mas incompatível com a natureza das atribuições e exigências para o desempenho do cargo a que concorre à vaga, descritas no Anexo II do Edital (o candidato será eliminado do Concurso Público); c) DEFICIÊNCIA NÃO DEFINIDA - Laudo médico em desacordo com os critérios especificados neste Edital, notadamente os relacionados nos subitens 6.1.2 e 6.1.3, não sendo possível à equipe multiprofissional emitir parecer, bem como identificar a deficiência que o candidato possui (o candidato concorrerá exclusivamente às vagas de ampla concorrência); e, d) DEFICIÊNCIA NÃO CARACTERIZADA - Laudo médico não caracteriza a deficiência de acordo com a legislação vigente (o candidato concorrerá exclusivamente às vagas de ampla concorrência). 6.6.2.1 Caberá recurso contra o resultado preliminar do parecer da equipe multiprofissional no prazo de dois dias úteis, a contar do primeiro dia útil subsequente ao da divulgação do resultado, mediante requerimento dirigido à FGV pelo endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 11 6.6.2.2 O resultado definitivo do parecer da equipe multiprofissional será divulgado na data prevista de 30 de maio de 2016, no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 6.6.2.3 O resultado definitivo do parecer da equipe multiprofissional será soberano e irrecorrível, não existindo, desta forma, recurso contra essa decisão. 6.6.3 Os candidatos que apresentarem DEFICIÊNCIA NÃO DEFINIDA ou DEFICIÊNCIA NÃO CARACTERIZADA, de acordo com o parecer da equipe multiprofissional, passarão a disputar apenas as vagas de ampla concorrência. 6.7 Após a investidura do candidato, a deficiência não poderá ser arguida para justificar pedido de readaptação ou aposentadoria por invalidez, salvo nos casos de agravamentos previstos pela legislação competente. 7. DAS VAGAS DESTINADAS AOS CANDIDATOS NEGROS 7.1 O percentual destinado à reserva de vagas para negros obedecerá aos critérios dispostos na Lei nº 12.990, de 09 de junho de 2014. 7.2 Para os efeitos da Lei nº 12.990, de 09 de junho de 2014, poderão concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito de cor ou raça utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. 7.2.1 Aos candidatos que se declararem negros será reservada a cota de 20% (vinte por cento) das vagas para o cargo, conforme o quantitativo estabelecido neste Edital. 7.2.2 A reserva de vagas será disponibilizada sempre que o número de vagas oferecidas no concurso for igual ou superior a 3 (três). 7.2.3 Se, da aplicação do percentual de reserva de vagas a candidatos negros, resultar número decimal igual ou maior que 0,5 (cinco décimos), adotar-se-á o número inteiro imediatamente superior e, se menor que 0,5 (cinco décimos), o número inteiro imediatamente inferior. 7.3 Para concorrer às vagas para negros, o candidato deverá manifestar, no formulário de inscrição online, o desejo de participar do certame nessa condição. 7.3.1 A autodeclaração é facultativa, ficando o candidato submetido às regras gerais estabelecidas, caso não opte pela reserva de vagas. 7.3.2 A autodeclaração terá validade somente para este concurso público. 7.4 As informações prestadas no momento da inscrição serão de inteira responsabilidade do candidato, devendo este responder por qualquer falsidade. 7.5 Os candidatos negros concorrerão concomitantemente às vagas reservadas às pessoas com deficiência, se atenderem a essa condição, e às vagas destinadas à ampla concorrência, de acordo com a sua classificação no concurso. 7.5.1 Os candidatos negros aprovados para as vagas a eles destinadas e às reservadas às pessoas com deficiência, convocados concomitantemente por ambas as vias para o provimento da carreira, deverão manifestar opção por uma delas. 7.5.2 Na hipótese de que trata o parágrafo anterior, caso os candidatos não se manifestem previamente, serão nomeados dentro das vagas destinadas aos negros. 7.5.3 Na hipótese de o candidato aprovado tanto na condição de negro quanto na de deficiente ser convocado primeiramente para o provimento de vaga destinada a candidato negro, ou
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 12 optar por esta na hipótese do subitem 7.5.1, fará jus aos mesmos direitos e benefícios assegurados ao servidor com deficiência. 7.6 Os candidatos negros que tenham optado por concorrer às vagas reservadas participarão do concurso em igualdade de condições com os demais candidatos, no que tange às fases do concurso, ao horário de início, ao local de aplicação, ao conteúdo, à correção das provas, aos critérios de aprovação e a todas as demais normas de regência do concurso. 7.7 Os candidatos negros que tenham optado por concorrer às vagas reservadas e que sejam aprovados dentro do número de vagas oferecido à ampla concorrência não preencherão as vagas reservadas a candidatos negros. 7.8 Em caso de desistência de candidato negro aprovado em vaga reservada, a vaga será preenchida pelo candidato negro posteriormente classificado. 7.9 A relação dos candidatos na condição de negros será divulgada no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, na data provável de 01 de março de 2016. 7.10 O candidato que, no ato da inscrição, declarar-se negro, se aprovado no Concurso Público, figurará na listagem de classificação de todos os candidatos ao cargo/UF/município/subdivisão de município e também em lista específica de candidatos na condição de negros ao cargo/UF/município/subdivisão de município. 7.11 A nomeação dos candidatos aprovados respeitará os critérios de alternância e de proporcionalidade, que consideram a relação entre o número total de vagas e o número de vagas reservadas a candidatos com deficiência e a candidatos negros. 7.12 As vagas reservadas a negros que não forem providas por falta de candidatos ou por reprovação no concurso serão preenchidas pelos demais candidatos habilitados, com estrita observância à ordem geral de classificação. 7.13 O servidor ingresso pelas cotas assinará uma declaração na ocasião de sua convocação ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para a apresentação dos documentos citados no subitem 3.10 deste Edital. 7.13.1 De acordo com o art. 2º da Lei nº 12.990, de 9 de junho de 2014, na hipótese de constatação de declaração falsa, o candidato será eliminado do concurso e, se houver sido nomeado, ficará sujeito à anulação da sua admissão ao serviço ou emprego público, após procedimento administrativo em que lhe sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. 7.14 O candidato que tenha realizado sua inscrição e tenha se autodeclarado preto ou pardo poderá optar por desistir de concorrer às vagas reservadas para negros. Para tanto, deverá entrar em contato com a FGV por meio do e-mail concursoibge@fgv.br ou, ainda, mediante o envio de correspondência para o endereço constante do subitem 6.1.3 deste Edital, para a correção da informação, até a data de 01 de março de 2016. 8. DO ATENDIMENTO AOS CANDIDATOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS 8.1 O candidato que necessitar de atendimento especial para a realização das provas deverá indicar, no formulário de solicitação de inscrição, os recursos especiais necessários para cada fase do Concurso e, ainda, enviar correspondência até o dia 29 de janeiro de 2016, impreterivelmente, via SEDEX ou Carta Registrada, para a FGV– Caixa Postal nº 205 – Muriaé/MG – CEP: 36880-970, com os seguintes dizeres: CONCURSO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (Técnico
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 13 em Informações Geográficas e Estatísticas A I) – DOCUMENTAÇÃO PARA ATENDIMENTO ESPECIAL, com laudo médico (original ou cópia autenticada em cartório) que justifique o atendimento especial solicitado. Para fins de concessão de tempo adicional, serão aceitos laudo médico ou parecer emitido por profissional de saúde (ambos em via original ou cópia autenticada em cartório). Após esse período, a solicitação será indeferida, salvo nos casos de força maior. A solicitação de condições especiais será atendida segundo critérios de viabilidade e de razoabilidade. 8.1.1 Nos casos de força maior, em que seja necessário solicitar atendimento especial após a data de 29 de janeiro de 2016, o candidato deverá enviar solicitação de atendimento especial via correio eletrônico juntamente com cópia digitalizada do laudo médico ou com parecer, que justifique o pedido, e, posteriormente, encaminhar o documento original ou uma cópia autenticada em cartório, via SEDEX, para a FGV, no endereço indicado no item 8.1, especificando os recursos especiais necessários. 8.1.2 A concessão de tempo adicional para a realização das provas somente será deferida caso tal recomendação seja decorrente de orientação médica específica contida no laudo médico enviado pelo candidato ou em parecer emitido por profissional de saúde. Em nome da isonomia entre os candidatos, por padrão, será concedida uma hora a mais para os candidatos nesta situação. 8.1.3 O fornecimento do laudo médico ou do parecer (original ou cópia autenticada), por qualquer via, é de responsabilidade exclusiva do candidato. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a FGV não se responsabilizam por qualquer tipo de extravio que impeça a chegada do laudo à FGV. O laudo médico ou o parecer (original ou cópia autenticada) terá validade somente para este Concurso e não será devolvido, assim como não serão fornecidas cópias desse laudo. 8.2 A candidata que tiver necessidade de amamentar durante a realização das provas deve solicitar atendimento especial para tal fim. A candidata deverá trazer um acompanhante, que ficará em sala reservada com a criança e será o responsável pela sua guarda. 8.2.1 A candidata que não levar acompanhante adulto não poderá permanecer com a criança no local de realização das provas. 8.2.2 Não haverá compensação do tempo de amamentação em favor da candidata. 8.2.3 Para garantir a aplicação dos termos e condições deste Edital, a candidata, durante o período de amamentação, será acompanhada por uma fiscal, sem a presença do responsável pela guarda da criança. 8.3 O candidato com deficiência auditiva que necessitar utilizar aparelho auricular no dia da prova deverá enviar laudo médico específico para esse fim, até o prazo estipulado no subitem 8.1. Caso o candidato não envie o referido laudo, não poderá utilizar o aparelho auricular. 8.4 Será divulgada no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge a relação de candidatos que tiverem deferidos ou indeferidos os pedidos de atendimento especial para a realização das provas. 8.4.1 O candidato cujo pedido de atendimento especial for indeferido poderá interpor recurso no prazo de dois dias úteis, a contar do primeiro dia útil subsequente ao da divulgação do resultado da análise dos pedidos, mediante requerimento dirigido à FGV pelo endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 8.5 Portadores de doenças infectocontagiosas que não tiverem comunicado o fato à FGV, por inexistir
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 14 a doença na data-limite referida, deverão fazê-lo via correio eletrônico (concursoibge@fgv.br) tão logo a condição seja diagnosticada, de acordo com o subitem 8.1.1. Os candidatos nessa situação, quando da realização das provas, deverão se identificar ao fiscal no portão de entrada, munidos de laudo médico, tendo direito a atendimento especial. 8.6 Considerando a possibilidade de os candidatos serem submetidos à detecção de metais durante as provas, aqueles que, por razões de saúde, façam uso de marca-passo, pinos cirúrgicos ou outros instrumentos metálicos deverão comunicar a situação à FGV previamente, nos moldes do subitem 8.1 deste Edital. Esses candidatos ainda deverão comparecer ao local de provas munidos dos exames e laudos que comprovem o uso de tais equipamentos. 9. DA PROVA OBJETIVA 9.1 A Prova Objetiva de múltipla escolha, de caráter eliminatório e classificatório, será realizada nas cidades previstas no Anexo III, no dia 17 de abril de 2016, das 13h às 17h, segundo o horário oficial da cidade de Brasília-DF. 9.2 Os locais para realização da Prova Objetiva serão divulgados no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 9.3 É de responsabilidade exclusiva do candidato a identificação correta de seu local de realização das provas e o comparecimento no horário determinado. 9.4 O candidato deverá comparecer ao local designado para a realização das provas com antecedência mínima de uma hora do horário fixado para o seu início, observando o horário oficial da cidade de Brasília-DF, munido de caneta esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material transparente, do documento de identidade original e do comprovante de inscrição ou do comprovante de pagamento da taxa de inscrição. 9.5 Serão considerados documentos de identidade: carteiras expedidas pelos Comandos Militares, pelas Secretarias de Segurança Pública, pelos Institutos de Identificação e pelos Corpos de Bombeiros Militares; carteiras expedidas pelos órgãos fiscalizadores de exercício profissional (ordens, conselhos etc.); passaporte brasileiro; certificado de reservista; carteiras funcionais expedidas por órgão público que, por lei federal, valham como identidade; carteira de trabalho; carteira nacional de habilitação (somente o modelo com foto). 9.5.1 Não serão aceitos como documentos de identidade: certidões de nascimento, CPF, títulos eleitorais, carteiras de motorista (modelo sem foto), carteiras de estudante, carteiras funcionais sem valor de identidade, nem documentos ilegíveis, RANI (Registro Administrativo de Nascimento Indígena), não identificáveis e/ou danificados. 9.5.2 Não será aceita cópia do documento de identidade, ainda que autenticada, nem protocolo do documento. 9.6 Por ocasião da realização das provas, o candidato que não apresentar documento de identidade original na forma definida no subitem 9.5 deste Edital não poderá fazer as provas e será automaticamente eliminado do Concurso Público. 9.7 Caso o candidato esteja impossibilitado de apresentar, no dia de realização das provas, documento de identidade original por motivo de perda, roubo ou furto, deverá apresentar documento que ateste o registro da ocorrência em órgão policial, expedido, no máximo, noventa dias antes. Na ocasião, será submetido à identificação especial, compreendendo coleta de dados, de assinaturas e de impressão digital em formulário próprio.
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 15 9.7.1 A identificação especial também será exigida do candidato cujo documento de identificação suscite dúvidas relativas à fisionomia ou à assinatura do portador. 9.8 Para a segurança dos candidatos e a garantia da lisura do certame, a FGV procederá, como forma de identificação, à coleta da impressão digital de todos os candidatos no dia de realização das provas. 9.8.1 A identificação datiloscópica compreenderá a coleta da impressão digital do polegar direito dos candidatos, mediante a utilização de material específico para esse fim, em campo específico de seu cartão de respostas (Prova Objetiva). 9.8.2 Caso o candidato esteja fisicamente impedido de permitir a coleta da impressão digital do polegar direito, deverá ser colhida a digital do polegar esquerdo ou de outro dedo, sendo registrado o fato na ata de aplicação da respectiva sala. 9.9 Não serão aplicadas provas em local, data ou horário diferentes dos predeterminados em Edital ou em comunicado oficial. 9.10 O candidato deverá permanecer obrigatoriamente no local de realização das provas por, no mínimo, duas horas após o seu início. 9.10.1 A inobservância do subitem anterior acarretará a não correção da prova e, consequentemente, a eliminação do candidato. 9.10.2 O candidato que insistir em sair do recinto de realização da prova, descumprindo o disposto no subitem 9.10, deverá assinar o Termo de Ocorrência, lavrado pelo Coordenador Local, declarando sua desistência do concurso. 9.10.3 Os três últimos candidatos a terminarem as provas deverão permanecer juntos no recinto, sendo liberados somente após os três terem entregado o material utilizado e terem seus nomes registrados na Ata, além de estabelecidas suas respectivas assinaturas. 9.10.4 A regra do subitem anterior poderá ser relativizada quando se tratar de casos excepcionais nos quais haja número reduzido de candidatos acomodados em uma determinada sala de aplicação, como, por exemplo, no caso de candidatos com necessidades especiais que necessitem de sala em separado para a realização do concurso, oportunidade em que o lacre da embalagem de segurança será testemunhado pelos membros da equipe de aplicação, juntamente com o(s) candidato(s) presente(s) na sala de aplicação. 9.11 Iniciada a prova, o candidato não poderá retirar-se da sala sem autorização. Caso o faça, não poderá retornar em hipótese alguma. 9.12 O candidato somente poderá levar consigo o caderno de questões, ao final da prova, se sua saída ocorrer nos últimos sessenta minutos anteriores ao horário determinado para o término das provas. 9.12.1 Ao terminar a prova, o candidato entregará, obrigatoriamente, ao fiscal de sala, o seu cartão de respostas e o seu caderno de questões, este último ressalvado o disposto no subitem 9.12. 9.13 Não haverá, por qualquer motivo, prorrogação do tempo previsto para a aplicação das provas em razão do afastamento de candidato da sala de provas. 9.13.1 Se, por qualquer razão fortuita, o concurso sofrer atraso em seu início ou necessitar de interrupção, será concedido prazo adicional aos candidatos do local afetado, de modo que tenham o tempo total previsto neste Edital para a realização das provas, em garantia à isonomia do certame. 9.13.2 Os candidatos afetados deverão permanecer no local do concurso. Durante o período em
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 16 que estiverem aguardando, para fins de interpretação das regras deste Edital, o tempo para realização da prova será interrompido. 9.14 Não haverá segunda chamada para a realização das provas. O não comparecimento implicará a eliminação automática do candidato. 9.15 Não será permitida, durante a realização das provas, a comunicação entre os candidatos ou a utilização de máquinas calculadoras e/ou similares, livros, anotações, réguas de cálculo, impressos ou qualquer outro material de consulta, inclusive códigos e/ou legislação. 9.16 Será eliminado do concurso o candidato que, durante a realização das provas, for surpreendido portando aparelhos eletrônicos, tais como iPod, smartphone, telefone celular, agenda eletrônica, aparelho MP3, notebook, tablet, palmtop, pendrive, receptor, gravador, máquina de calcular, máquina fotográfica, controle de alarme de carro etc., bem como relógio de qualquer espécie, óculos escuros ou protetor auricular (exceto no caso previsto no subitem 8.3) ou quaisquer acessórios de chapelaria, tais como chapéu, boné, gorro etc. e, ainda, lápis, lapiseira (grafite), corretor líquido e/ou borracha. O candidato que estiver portando algo definido ou similar ao disposto neste subitem deverá informar ao fiscal da sala, que determinará o seu recolhimento em embalagem não reutilizável fornecida pelos fiscais, a qual deverá permanecer lacrada durante todo o período da prova, sob a guarda do candidato. 9.16.1 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a FGV recomendam que o candidato não leve nenhum dos objetos citados no subitem anterior no dia de realização das provas. 9.16.2 A FGV não ficará responsável pela guarda de quaisquer dos objetos supracitados. 9.16.3 A FGV não se responsabilizará por perdas ou extravios de objetos ou de equipamentos eletrônicos ocorridos durante a realização da prova, nem por danos a eles causados. 9.16.4 Para a segurança de todos os envolvidos no Concurso, é vedado que os candidatos portem arma de fogo no dia de realização das provas. Caso, contudo, se verifique esta situação, o candidato será encaminhado à Coordenação da unidade, onde deverá entregar a arma para guarda devidamente identificada, mediante preenchimento de termo de acautelamento de arma de fogo, em que preencherá os dados relativos ao armamento. Eventualmente, se o candidato se recusar a entregar a arma de fogo, assinará termo assumindo a responsabilidade pela situação, devendo desmuniciar a arma quando do ingresso na sala de aplicação de provas, reservando as munições na embalagem não reutilizável fornecida pelos fiscais, as quais deverão permanecer lacradas durante todo o período da prova, juntamente com os demais equipamentos proibidos do examinando que forem recolhidos. 9.16.5 Quando do ingresso na sala de aplicação de provas, os candidatos deverão recolher todos os equipamentos eletrônicos e/ou materiais não permitidos, inclusive carteira com documentos e valores em dinheiro, em envelope de segurança não reutilizável, fornecido pelo fiscal de aplicação, que deverá permanecer lacrado durante toda a realização das provas e somente poderá ser aberto após o candidato deixar o local de provas. 9.16.6 A utilização de aparelhos eletrônicos é vedada em qualquer parte do local de provas. Assim, ainda que o candidato tenha terminado sua prova e esteja se encaminhando para a saída do local, não poderá utilizar quaisquer aparelhos eletrônicos, sendo recomendável que a embalagem não reutilizável fornecida para o recolhimento de tais aparelhos somente seja rompida após a saída do candidato do local de provas. 9.17 Terá sua prova anulada e será automaticamente eliminado do Concurso Público o candidato que,
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 17 durante a sua realização: a) for surpreendido dando ou recebendo auxílio para a execução das provas; b) utilizar-se de livros, máquinas de calcular ou equipamento similar, dicionário, notas ou impressos que não forem expressamente permitidos, ou que se comunicar com outro candidato; c) for surpreendido portando aparelhos eletrônicos e quaisquer utensílios descritos no subitem 9.16; d) faltar com o devido respeito para com qualquer membro da equipe de aplicação das provas, com as autoridades presentes ou com os demais candidatos; e) não entregar o material das provas ao término do tempo destinado para a sua realização; f) afastar-se da sala, a qualquer tempo, sem o acompanhamento de fiscal; g) ausentar-se da sala, a qualquer tempo, portando o cartão de respostas; h) descumprir as instruções contidas no caderno de questões e no cartão de respostas; i) perturbar, de qualquer modo, a ordem dos trabalhos, incorrendo em comportamento indevido; j) utilizar-se ou tentar se utilizar de meios fraudulentos ou ilegais para obter aprovação própria ou de terceiros, em qualquer etapa do Concurso Público; k) não permitir a coleta de sua assinatura; l) for surpreendido portando anotações em papéis que não os permitidos; m) fizer a anotação de informações relativas às suas respostas no Cartão de Confirmação de Inscrição ou em qualquer outro meio; n) for surpreendido portando qualquer tipo de arma e/ou se negar a entregar a arma à Coordenação; o) não permitir ser submetido ao detector de metal; p) não permitir a coleta de sua impressão digital no cartão de respostas. 9.18 Com vistas à garantia da isonomia e lisura do certame seletivo em tela, no dia de realização da Prova Objetiva, os candidatos serão submetidos, durante a realização das provas, ao sistema de detecção de metais quando do ingresso e da saída dos sanitários. 9.18.1 Não será permitido o uso dos sanitários por candidatos que tenham terminado as provas. A exclusivo critério da Coordenação do local, poderá ser permitido, caso haja disponibilidade, o uso de outros sanitários do local que não estejam sendo usados para o atendimento a candidatos que ainda estejam realizando as provas. 9.18.2 Excepcionalmente, por razões de segurança, caso seja estritamente necessário, novo procedimento de vistoria descrito no subitem anterior poderá ser realizado em momento diverso do ingresso e saída de sanitários. 9.19 Não será permitido ao candidato fumar na sala de provas, bem como nas dependências do local de provas. 9.20 No dia de realização das provas, não serão fornecidas, por qualquer membro da equipe de aplicação destas e/ou pelas autoridades presentes, informações referentes ao seu conteúdo e/ou aos critérios de avaliação e de classificação. 9.21 A Prova Objetiva será composta por 60 (sessenta) questões de múltipla escolha, numeradas sequencialmente, com 05 (cinco) alternativas e apenas uma resposta correta. 9.21.1 Cada questão de múltipla escolha valerá 1 (um) ponto, sendo 60 (sessenta) pontos a
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 18 pontuação máxima obtida na Prova Objetiva. 9.22 As questões da Prova Objetiva serão elaboradas com base nos conteúdos programáticos constantes do Anexo I deste Edital. 9.23 O quadro a seguir apresenta as disciplinas e o número de questões: DISCIPLINA QUESTÕES 01. Língua Portuguesa 20 02. Geografia 15 03. Matemática 15 04. Conhecimentos sobre o IBGE 10 TOTAL 60 9.24 Não serão computadas questões não respondidas, questões que contenham mais de uma resposta (mesmo que uma delas esteja correta) ou questões com emendas ou rasuras, ainda que legíveis. 9.25 O candidato deverá assinalar a resposta da questão objetiva, usando caneta esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material transparente, no cartão de respostas, que será o único documento válido para a correção das provas. 9.26 Os prejuízos advindos do preenchimento indevido do cartão de respostas serão de inteira responsabilidade do candidato. Em hipótese alguma haverá substituição do cartão de respostas por erro do candidato. 9.27 O candidato não deverá amassar, molhar, dobrar, rasgar, manchar ou, de qualquer modo, danificar o seu cartão de respostas, sob pena de arcar com os prejuízos advindos da impossibilidade de realização da leitura óptica. 9.28 O candidato é responsável pela conferência de seus dados pessoais, em especial seu nome, seu número de inscrição, sua data de nascimento e o número de seu documento de identidade. 9.29 Todos os candidatos, ao terminarem as provas, deverão, obrigatoriamente, entregar ao fiscal de aplicação o documento que será utilizado para a correção de sua prova (cartão de respostas). O candidato que descumprir a regra de entrega desse documento será eliminado do concurso. 9.30 A FGV divulgará a imagem do cartão de respostas dos candidatos que realizarem a Prova Objetiva, exceto dos eliminados na forma prevista nos subitens 9.16 e 9.17 deste Edital, no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, após a data de divulgação do resultado da Prova Objetiva. A imagem ficará disponível por até 15 (quinze) dias corridos a contar da data de publicação do resultado final do Concurso Público. 9.31 Após o prazo determinado no subitem anterior, não serão aceitos pedidos de disponibilização da imagem do cartão de respostas. 9.32 Por motivo de segurança e visando a garantir a lisura e a idoneidade do Concurso, serão adotados os procedimentos a seguir especificados: a) após ser identificado, nenhum candidato poderá se retirar da sala sem autorização e acompanhamento da fiscalização; b) somente após decorridas duas horas do início da prova, o candidato poderá entregar seu Caderno de Questões da Prova Objetiva e seu cartão de respostas ao fiscal de sala, e retirar-se da sala de prova; c) o candidato que insistir em sair da sala de prova, descumprindo o aqui disposto, deverá assinar o Termo de Ocorrência, que será lavrado pelo responsável pela aplicação da prova, declarando sua desistência do Concurso Público; d) não será permitido, sob hipótese alguma, durante a aplicação da prova, o retorno do candidato
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 19 à sala de prova após ter-se retirado do recinto sem autorização, ainda que por questões de saúde; e) o candidato somente poderá levar o Caderno de Questões sessenta minutos antes do horário previsto para o término da prova; e f) ao terminar a prova, o candidato entregará ao fiscal de sala, obrigatoriamente, seu cartão de respostas. 9.33 Será considerado habilitado na Prova Objetiva o candidato que, cumulativamente: a) acertar, no mínimo, 40% (quarenta por cento) do total da prova; e b) acertar, no mínimo, 1 (uma) questão de cada disciplina. 9.34 O candidato que não atender aos requisitos do subitem 9.33 será eliminado do concurso. 9.35 Os candidatos não eliminados serão ordenados de acordo com os valores decrescentes das notas finais na Prova Objetiva. 9.36 A legislação com vigência após a data de publicação deste Edital, bem como as alterações em dispositivos constitucionais, legais e normativos a ela posteriores, não serão objeto de avaliação nas provas do Concurso. 9.37 Se, a qualquer tempo, for constatado, por meio eletrônico, estatístico, visual, grafológico ou por investigação policial, ter o candidato se utilizado de processo ilícito, suas provas serão anuladas e ele será automaticamente eliminado do concurso. 9.38 O descumprimento de quaisquer das instruções supracitadas implicará a eliminação do candidato, podendo constituir tentativa de fraude. 10. DA CLASSIFICAÇÃO NO CONCURSO PÚBLICO 10.1 A nota final será a nota obtida na Prova Objetiva. 10.2 A classificação final será obtida, após os critérios de desempate, com base na listagem dos candidatos remanescentes no concurso. 11. DOS CRITÉRIOS DE DESEMPATE 11.1 Em caso de empate, terá preferência o candidato que, na seguinte ordem: a) tiver idade igual ou superior a sessenta anos completos até o último dia de inscrição, nos termos do art. 27, parágrafo único, do Estatuto do Idoso; b) obtiver a maior nota na disciplina de Língua Portuguesa; c) obtiver o maior somatório das notas nas disciplinas de Geografia e Matemática; d) obtiver a maior nota na disciplina de Conhecimentos sobre o IBGE; e e) persistindo o empate, terá preferência o candidato mais velho. 12. DOS RECURSOS 12.1 O gabarito oficial preliminar da Prova Objetiva será divulgado no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge.
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 20 12.2 O candidato que desejar interpor recurso contra o gabarito oficial preliminar mencionado no subitem 12.1 disporá de dois dias úteis para fazê-lo, a contar do dia subsequente ao da publicação destes. 12.3 Para recorrer contra o gabarito oficial preliminar da Prova Objetiva, o candidato deverá usar formulários próprios, encontrados no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge, respeitando as respectivas instruções. 12.3.1 O candidato deverá ser claro, consistente e objetivo em seu pleito. Recurso inconsistente ou intempestivo será liminarmente indeferido. 12.3.2 O formulário preenchido de forma incorreta, com campos em branco ou faltando informações será automaticamente desconsiderado, não sendo sequer encaminhado à Banca Examinadora da FGV. 12.3.3 Após a análise dos recursos contra o gabarito preliminar da Prova Objetiva, a Banca Examinadora da FGV poderá manter o gabarito, alterá-lo ou anular a questão. 12.3.4 Se, do exame de recurso, resultar a anulação de questão integrante da Prova Objetiva, a pontuação correspondente a ela será atribuída a todos os candidatos. 12.3.5 Se houver alteração, por força dos recursos, do gabarito oficial preliminar de questão integrante de Prova Objetiva, essa alteração valerá para todos os candidatos, independentemente de terem recorrido. 12.3.6 Todos os recursos serão analisados, e as respostas serão divulgadas no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 12.3.7 Não serão aceitos recursos via fax, correio eletrônico ou pelos Correios, assim como fora do prazo. 12.4 Em nenhuma hipótese será aceito pedido de revisão de recurso ou recurso de gabarito oficial definitivo, bem como contra o resultado final das provas. 12.5 Será liminarmente indeferido o recurso cujo teor desrespeitar a Banca. 13. DA NOMEAÇÃO E DA LOTAÇÃO 13.1 A homologação do resultado final do Concurso Público será feita considerando-se o disposto no artigo 16 e no Anexo II do Decreto nº 6.944, de 21 de agosto de 2009, da Presidência da República, de acordo com o quantitativo de vagas em cada município/subdivisão de município. 13.2 Os candidatos que vierem a ser nomeados e empossados terão exercício no município/UF para o qual está destinada a vaga a que estão concorrendo. 13.3 Não poderá haver remoção de Unidade da Federação nos primeiros 36 meses da data da nomeação. A remoção de servidores, para local diverso de sua posse, somente poderá ser efetuada antes de completado o período de estágio probatório por imperiosa necessidade de serviço, conforme dispuser em regulamento e a critério do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 13.3.1 O candidato nomeado estará sujeito a deslocamentos para executar trabalhos em diferentes áreas do país. 13.4 Os candidatos aprovados serão nomeados de acordo com a necessidade e a conveniência administrativa, observado o número de vagas previsto neste Edital, obedecida a ordem de classificação por município/subdivisão de município.
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 21 13.5 O candidato nomeado apresentar-se-á para posse e exercício às suas expensas. 13.6 Observado o número de vagas existentes, o candidato classificado será convocado para a nomeação por correspondência obrigando-se a declarar, por escrito, se aceita ou não a vaga para a qual está sendo convocado. 13.7 Ao tomar posse, o servidor nomeado para o cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório pelo período de 36 (trinta e seis) meses, durante o qual sua aptidão e capacidade serão objetos de avaliação para o desempenho do cargo e para adquirir a estabilidade no serviço público. 13.8 O não pronunciamento do candidato no prazo estipulado na convocação permitirá ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística excluí-lo do Concurso Público. 13.9 O candidato deverá manter atualizado seu endereço com a FGV, enquanto estiver participando do concurso, até a data de divulgação do resultado final, por meio de requerimento a ser enviado à FGV – Caixa Postal nº 205 – Muriaé/MG – CEP: 36880-970. 13.9.1 Após a homologação do resultado final, as mudanças de endereço dos candidatos classificados deverão ser comunicadas diretamente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pelo endereço eletrônico cp2016@ibge.gov.br. Serão de exclusiva responsabilidade do candidato os prejuízos advindos da não atualização de seu endereço. 13.9.2 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a FGV não se responsabilizam por eventuais prejuízos ao candidato decorrentes de: a) endereço eletrônico incorreto e/ou desatualizado; b) endereço residencial desatualizado; c) endereço residencial de difícil acesso; d) correspondência devolvida pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) por razões diversas; e e) correspondência recebida por terceiros. 13.10 Na oportunidade da convocação, o candidato que não tiver interesse em assumir o cargo no momento poderá, mediante termo de desistência temporário, entregue ao IBGE até a data e no local marcados para a apresentação, optar por nova(s) chamada(s). Caso todos os candidatos classificados nas posições subsequentes no município/subdivisão de município a que concorre à vaga tenham sido chamados e não tiveram interesse em assumir a vaga, respeitada sempre a ordem de classificação, o candidato desistente temporário poderá ser novamente convocado. 13.11 Somente serão empossados os candidatos considerados aptos física e mentalmente em inspeção de saúde, conforme artigo 14, parágrafo único, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, a ser realizada por profissionais previamente designados pelo IBGE. 13.12 O candidato deverá providenciar, por seus próprios meios, os exames complementares abaixo relacionados: Hemograma completo; Glicemia de jejum; Triglicerídeos; Colesterol total; Ureia; Creatinina; Ácido Úrico e Urina – EAS. 13.12.1 Os exames solicitados devem ter sido expedidos há, no máximo, 60 (sessenta) dias, a contar da data de convocação do candidato. 13.12.2 Os exames solicitados deverão ser apresentados aos profissionais designados pelo IBGE, durante a inspeção de saúde, em complementação ao exame clínico. 13.12.3 O não comparecimento para a realização da inspeção de saúde na data e horário agendados pelo IBGE, e comunicados previamente ao candidato, implicará a sua eliminação do Concurso Público. 13.12.4 A partir do resultado dos exames clínicos e da avaliação dos exames complementares, o candidato será considerado apto ou inapto para o exercício do cargo. 13.12.5 Além dos exames complementares rotineiros, poder-se-á exigir a realização de outros
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 22 exames e/ou pareceres especializados, a critério dos profissionais designados pelo IBGE para essa finalidade. 13.12.6 Não serão admitidos, em nenhuma hipótese, pedidos de reconsideração ou recurso do julgamento obtido na inspeção de saúde. 13.13 A posse do candidato somente se dará após ter sido considerado apto na inspeção de saúde de responsabilidade do IBGE. 13.14 No ato de investidura no cargo, o candidato convocado deverá assinar declaração conforme modelo constante no Anexo da Portaria Normativa MPOG nº 04, de 08 de julho de 2013 (Seguro- desemprego). 13.15 A inexatidão de declarações e/ou a irregularidade de documentos, ainda que verificadas posteriormente, importarão insubsistência de inscrição, nulidade da aprovação ou habilitação e perda dos direitos decorrentes, sem prejuízo das cominações legais aplicáveis. 13.16 No ato da investidura, fotocópias não autenticadas deverão estar acompanhadas dos originais para efeito de verificação. 13.17 Não serão fornecidos atestados, certificados ou certidões relativas à classificação ou notas de candidatos, valendo para tal fim os resultados publicados no Diário Oficial da União. 14. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS 14.1 A inscrição do candidato implicará a aceitação das normas contidas neste Edital e em outros que vierem a ser publicados. 14.2 É de inteira responsabilidade do candidato acompanhar todos os atos, editais e comunicados oficiais referentes a este Concurso Público divulgados integralmente no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge. 14.3 O candidato poderá obter informações referentes ao Concurso Público por meio do telefone 0800-2834628 ou do e-mail concursoibge@fgv.br. 14.4 Qualquer correspondência física referida neste edital deverá ser postada, via SEDEX ou Carta Registrada, para a FGV – Caixa Postal nº 205 – Muriaé/MG – CEP: 36880-970. 14.5 O candidato que desejar informações ou relatar à FGV fatos ocorridos durante a realização do concurso deverá fazê-lo usando os meios dispostos no subitem 14.3. 14.6 O prazo de validade do concurso será de um ano, contados a partir da data de homologação do resultado final, podendo ser prorrogados pelo mesmo período, a critério do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 14.7 As despesas decorrentes da participação no Concurso Público, inclusive deslocamento, hospedagem e alimentação, correrão por conta dos candidatos. 14.8 Os casos omissos serão resolvidos pela FGV em conjunto com a Comissão do Concurso. 14.9 As alterações de legislação com entrada em vigor antes da data de publicação deste Edital serão objeto de avaliação, ainda que não mencionadas nos conteúdos constantes do Anexo I deste Edital. 14.9.1 Legislação com entrada em vigor após a data de publicação deste Edital, como eventuais projetos de lei, bem como alterações em dispositivos legais e normativos a ele posteriores, não serão objeto de avaliação nas provas do concurso. 14.10 A FGV poderá enviar, quando necessário, comunicação pessoal dirigida ao candidato, por e-mail
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 23 ou pelos Correios, sendo de exclusiva responsabilidade do candidato a manutenção ou a atualização de seu correio eletrônico e a informação de seu endereço completo e correto na solicitação de inscrição. 14.11 Quaisquer alterações nas regras fixadas neste Edital somente poderão ser feitas por meio de Edital de Retificação. 14.12 Fica eleito o foro da Justiça Federal da Seção Judiciária das capitais para dirimir quaisquer dúvidas ou controvérsias oriundas deste Edital que não puderem ser solucionadas administrativamente. Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2015. WASMÁLIA SOCORRO BARATA BIVAR Presidenta da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 24 ANEXO I – CONTEÚDO PROGRAMÁTICO LÍNGUA PORTUGUESA: Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e argumentativo); interpretação e organização interna. Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em português. Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais; processos de formação de palavras; mecanismos de flexão dos nomes e verbos. Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação; concordância nominal e verbal; transitividade e regência de nomes e verbos; padrões gerais de colocação pronominal no português; mecanismos de coesão textual. Ortografia. Acentuação gráfica. Emprego do sinal indicativo de crase. Pontuação. Estilística: figuras de linguagem. Reescrita de frases: substituição, deslocamento, paralelismo; variação linguística: norma culta. Observação: os itens deste programa serão considerados sob o ponto de vista textual, ou seja, deverão ser estudados sob o ponto de vista de sua participação na estruturação significativa dos textos. GEOGRAFIA: Noções básicas de cartografia: Orientação: pontos cardeais; Localização: coordenadas geográficas (latitude, longitude e altitude); Representação: leitura, escala, legendas e convenções. Natureza e meio ambiente no Brasil: Grandes domínios climáticos; Ecossistemas. As atividades econômicas e a organização do espaço: Espaço agrário: modernização e conflitos; Espaço urbano: atividades econômicas, emprego e pobreza; A rede urbana e as Regiões Metropolitanas. Formação Territorial e Divisão Político-Administrativa: Divisão Político- Administrativa; Organização federativa. Dinâmica da população brasileira (fluxos migratórios, áreas de crescimento e de perda populacional). MATEMÁTICA: Conjuntos: operações e problemas com conjuntos. Conjuntos dos números naturais, inteiros, racionais, reais e suas operações. Representação na reta. Unidades de medida: distância, massa, tempo, área, volume e capacidade. Álgebra: produtos notáveis, equações, sistemas e problemas do primeiro grau, inequações, equação e problemas do segundo grau. Porcentagem e proporcionalidade direta e inversa. Sequências, reconhecimento de padrões, progressões aritmética e geométrica. Juros e noções de matemática financeira. Problemas de raciocínio. Geometria plana: distâncias e ângulos, polígonos, circunferência, perímetro e área. Semelhança e relações métricas no triângulo retângulo. Geometria espacial: poliedros, prismas e pirâmides, cilindro, cone e esfera, áreas e volumes. Matemática discreta: princípios de contagem, noção de probabilidade, noções de estatística, gráficos e medidas. CONHECIMENTOS SOBRE O IBGE: Conhecimentos específicos sobre o IBGE: informações sobre a Instituição, conceitos básicos para o desenvolvimento do trabalho na Agência e da atividade do Técnico de Coleta (apostila disponibilizada no endereço eletrônico www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge para download).
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 25 ANEXO II – REQUISITOS E ATRIBUIÇÕES DO CARGO REQUISITOS: Certificado de conclusão do Ensino Médio (antigo 2º grau), expedido por instituição de ensino devidamente reconhecida pelo MEC. ATRIBUIÇÕES GERAIS: As atribuições para o cargo de Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I são voltadas para o suporte e o apoio técnico especializado às atividades de ensino, pesquisa, produção, análise e disseminação de dados e informações de natureza estatística, geográfica, cartográfica, geodésica e ambiental; conforme estabelecido no artigo 71, inciso III, da Lei nº 11.355, de 19 de outubro de 2006. PRINCIPAIS ATRIBUIÇÕES: As principais atribuições do cargo de Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I são: a) coletar dados em diversas fontes, planejar, organizar, criticar, corrigir, lançar, tratar e manter os dados garantindo a sua integridade, confidencialidade, disponibilidade, atualização e fidedignidade; b) realizar entrevistas em domicílios e estabelecimentos informantes para obtenção de dados conforme metodologia e plano de supervisão da pesquisa; c) realizar levantamentos topográficos/geográficos/cartográficos com vistas a manter atualizada a base territorial dos municípios; d) proceder à compilação, montagem e organização dos elementos cartográficos, segundo as especificações e normas adotadas; e) executar e apoiar as tarefas ligadas à manutenção e atualização da rede física dos marcos geodésicos do IBGE; f) atuar nas diversas modalidades de disseminação de dados e informações, prestando suporte e orientações aos usuários; g) executar de acordo com instruções e/ou orientações, as rotinas administrativas necessárias à manutenção da Unidade de Trabalho, desde o recebimento, a organização, a guarda e o encaminhamento de documentos institucionais e de interessados, utilizando os recursos de informática disponibilizados pela Instituição e os sistemas corporativos e federais; h) operar e utilizar equipamentos de informática necessários à sustentação e apoio à coleta de dados, às áreas técnica e de suporte administrativo, à cartografia e geodésia e à disseminação de informações; i) realizar atividades de administração de recursos humanos, materiais, patrimoniais, orçamentários e financeiros dando suporte à área de jurisdição; j) executar e apoiar atividades de supervisão de pesquisa de campo referentes à área de jurisdição, acompanhando a distribuição, o controle e o resultado das coletas de dados, através dos sistemas específicos de acompanhamento e controle das pesquisas; k) supervisionar as equipes de trabalho nas diversas pesquisas, garantindo a qualidade das informações coletadas em consonância com a metodologia, critérios, regras conceituais e técnicas, cumprimento de prazos e modus operandi mais adequado; l) participar dos treinamentos presenciais e a distância e organizá-los, se for o caso, bem como atuar como instrutor/tutor/facilitador e oferecendo suporte e apoio técnico na organização e realização destes; e m) executar outras atividades compatíveis com o cargo. Além das atribuições definidas acima, o Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas A I poderá ser solicitado a dirigir veículo próprio do IBGE ou locado pela Instituição, desde que seja necessário para a realização dos levantamentos sob sua responsabilidade, uma vez que possua habilitação. EXIGÊNCIAS PARA O DESEMPENHO DAS ATRIBUIÇÕES As exigências para o desempenho das atribuições são: a) capacidade auditiva e de comunicação verbal para realizar entrevistas, coletar dados e interagir de diversas formas, com informantes, usuários, parceiros e outros interlocutores, nas relações voltadas ao cumprimento da missão institucional; b) acuidade visual para leitura dos questionários, formulários e manuais; c) acuidade visual para interpretar mapas, croquis e suas descrições; d) capacidade de locomoção para execução de trabalhos de campo, em zonas urbanas e rurais, em áreas de terreno íngreme e localidades de difícil acesso e áreas de ocupação irregular, bem como para acesso a prédios e residências com escadarias e sem rampas de acesso ou elevadores; e) capacidade motora para manusear os instrumentos de coleta (manuais, questionários, formulários, prancheta, lapiseira, borracha
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 26 e equipamentos coletores de dados) durante a realização da atividade, que pode ocorrer em condições precárias (na rua, na porta do domicílio, no corredor, etc) e preencher os questionários e formulários, registrando números, palavras e marcas com precisão; f) disponibilidade para viajar para as demais zonas urbanas e rurais do município onde trabalhar e para outros municípios e Estados, quando necessário, para realização de trabalhos de natureza técnico-administrativa e para participar de treinamentos e cursos; g) agilidade para cumprir as tarefas determinadas, nos prazos exigidos nos cronogramas de atividades.
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 27 ANEXO III – QUADRO DE VAGAS UF MUNICÍPIO/SUBDIVISÃO DE MUNICÍPIO VAGAS VAGAS VAGAS TOTAL DE VAGAS Ampla Concorrência Portadores de Deficiência Negros AC Rio Branco 3 1 1 5 SUBTOTAL 1 3 1 1 5 AL Delmiro Gouveia 1 1 AL Maceió 3 1 1 5 AL Porto Calvo 2 2 SUBTOTAL 3 6 1 1 8 AM Manaus 5 1 1 7 SUBTOTAL 1 5 1 1 7 BA Alagoinhas 2 2 BA Cruz das Almas 1 1 BA Euclides da Cunha 1 1 BA Guanambi 1 1 BA Ilhéus 1 1 BA Itabuna 1 1 BA Jacobina 1 1 BA Ribeira do Pombal 1 1 BA Salvador 21 1 5 27 BA Teixeira de Freitas 2 2 BA Vitória da Conquista 1 1 SUBTOTAL 11 33 1 5 39 CE Canindé 2 2 CE Fortaleza 12 1 3 16 CE Jaguaribe 2 2 CE Juazeiro do Norte 2 2 CE Tianguá 2 2 SUBTOTAL 5 20 1 3 24 DF Brasília 9 1 3 13 DF Brasília/Gama 2 2 DF Brasília/Sobradinho 2 2 DF Brasília/Taguatinga 2 1 3 SUBTOTAL 4 15 1 4 20 ES Colatina 1 1 ES Vitória 5 1 2 8 SUBTOTAL 2 6 1 2 9 GO Goiânia 10 1 3 14 GO Inhumas 2 2 GO Pires do Rio 1 1 GO Porangatu 2 2 SUBTOTAL 4 14 1 3 18 MA Bacabal 1 1 MA Balsas 1 1 MA Caxias 1 1 MA Imperatriz 2 2 MA Pedreiras 1 1 MA Pinheiro 1 1 MA Presidente Dutra 1 1 MA São Luís 2 1 1 4 SUBTOTAL 8 10 1 1 12 MG Alfenas 2 2
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 28 UF MUNICÍPIO/SUBDIVISÃO DE MUNICÍPIO VAGAS VAGAS VAGAS TOTAL DE VAGAS Ampla Concorrência Portadores de Deficiência Negros MG Araxá 1 1 MG Barbacena 1 1 MG Belo Horizonte 9 1 3 13 MG Betim 1 1 MG Bom Despacho 1 1 MG Cataguases 1 1 MG Caxambu 1 1 MG Conselheiro Lafaiete 2 2 MG Contagem 2 2 MG Diamantina 1 1 MG Divinópolis 2 2 MG Ipatinga 1 1 MG Itabira 1 1 MG Janaúba 1 1 MG Januária 1 1 MG Juiz de Fora 1 1 MG Manhuaçu 2 2 MG Passos 1 1 MG Patos de Minas 1 1 MG Pedro Leopoldo 2 2 MG Poços de Caldas 1 1 MG Pouso Alegre 1 1 MG São João del Rei 1 1 MG São Lourenço 1 1 MG Ubá 1 1 MG Viçosa 1 1 SUBTOTAL 27 42 1 3 46 MS Campo Grande 3 1 1 5 MS Naviraí 1 1 SUBTOTAL 2 4 1 1 6 MT Cuiabá 5 1 2 8 SUBTOTAL 1 5 1 2 8 PA Altamira 1 1 PA Belém 10 1 3 14 PA Capanema 1 1 PA Castanhal 1 1 PA Marabá 1 1 SUBTOTAL 5 14 1 3 18 PB João Pessoa 5 1 1 7 PB Sumé 1 1 SUBTOTAL 2 6 1 1 8 PE Afogados da Ingazeira 1 1 PE Arcoverde 1 1 PE Belo Jardim 2 2 PE Caruaru 2 2 PE Garanhuns 1 1 PE Jaboatão dos Guararapes 2 2 PE Olinda 2 2 PE Ouricuri 2 2 PE Recife 7 1 2 10 PE Timbaúba 2 2 SUBTOTAL 10 22 1 2 25
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 29 UF MUNICÍPIO/SUBDIVISÃO DE MUNICÍPIO VAGAS VAGAS VAGAS TOTAL DE VAGAS Ampla Concorrência Portadores de Deficiência Negros PI Barras 1 1 PI Campo Maior 2 2 PI Corrente 2 2 PI Oeiras 2 2 PI Parnaíba 1 1 PI Piripiri 2 2 SUBTOTAL 6 10 0 0 10 PR Apucarana 1 1 PR Arapongas 1 1 PR Cascavel 1 1 PR Cianorte 1 1 PR Colorado 1 1 PR Curitiba 11 1 3 15 PR Irati 1 1 PR Ivaiporã 1 1 PR Laranjeiras do Sul 1 1 PR Londrina 1 1 PR Paranavaí 1 1 PR Pato Branco 1 1 PR Santo Antônio da Platina 1 1 PR São José dos Pinhais 1 1 PR Telêmaco Borba 1 1 PR Toledo 1 1 PR Umuarama 1 1 SUBTOTAL 17 27 1 3 31 RJ Barra do Piraí 2 2 RJ Campos dos Goytacazes 2 1 3 RJ Macaé 2 2 RJ Nova Iguaçu 2 2 RJ Resende 2 2 RJ Rio de Janeiro 17 1 5 23 RJ São Gonçalo 2 2 SUBTOTAL 7 29 1 6 36 RN Açu 1 1 RN Caicó 2 2 RN Natal 2 1 1 4 RN Parnamirim 1 1 SUBTOTAL 4 6 1 1 8 RO Ji-Paraná 1 1 RO Porto Velho 3 1 1 5 SUBTOTAL 2 4 1 1 6 RS Erechim 1 1 RS Novo Hamburgo 2 2 RS Pelotas 1 1 RS Porto Alegre 15 1 4 20 RS Rio Grande 1 1 RS Santa Cruz do Sul 1 1 RS Santa Maria 1 1 RS Santa Rosa 1 1 RS Santo Ângelo 1 1 RS Viamão 1 1 SUBTOTAL 10 25 1 4 30
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 30 UF MUNICÍPIO/SUBDIVISÃO DE MUNICÍPIO VAGAS VAGAS VAGAS TOTAL DE VAGAS Ampla Concorrência Portadores de Deficiência Negros SC Blumenau 1 1 SC Florianópolis 9 1 3 13 SC Joinville 1 1 SC Lages 1 1 SC São Miguel do Oeste 1 1 SUBTOTAL 5 13 1 3 17 SE Aracaju 3 1 1 5 SE Estância 1 1 SE Itabaiana 2 2 SUBTOTAL 3 6 1 1 8 SP Araraquara 1 1 SP Avaré 1 1 SP Barretos 1 1 SP Bauru 2 2 SP Botucatu 1 1 SP Catanduva 1 1 SP Guaratinguetá 1 1 SP Itu 1 1 SP Limeira 1 1 SP Lins 1 1 SP Marília 1 1 SP Mauá 1 1 SP Ourinhos 1 1 SP Presidente Venceslau 1 1 SP Registro 1 1 SP Santos 2 2 SP São José do Rio Pardo 1 1 SP São Paulo 24 1 6 31 SP São Sebastião 1 1 SP Sumaré 1 1 SP Suzano 1 1 SP Tatuí 1 1 SP Taubaté 1 1 SP Tupã 1 1 SUBTOTAL 24 49 1 6 56 TO Palmas 3 1 1 5 SUBTOTAL 1 3 1 1 5 TOTAL GERAL 165 377 24 59 460
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    EDITAL N° 02/2015 INSTITUTOBRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA | CONCURSO PÚBLICO 31 ANEXO IV – CRONOGRAMA PREVISTO EVENTOS BÁSICOS DATAS Inscrições 04 a 28/01/2016 Solicitação de inscrição com isenção de taxa de inscrição 04 a 28/01/2016 Resultado preliminar dos pedidos de isenção de taxa de inscrição 11/02/2016 Interposição de recursos contra o resultado preliminar da análise dos pedidos de isenção da taxa de inscrição 12/02/2016 a 15/02/2016 Publicação do edital com resultado definitivo da análise dos pedidos de isenção da taxa de inscrição 22/02/2016 Pagamento da taxa de inscrição pelos candidatos que tiveram seu pedido de isenção indeferido 22 e 24/02/2016 Resultado preliminar de candidatos considerados inscritos como pessoas com deficiência (não corresponde ao parecer da equipe multiprofissional) 01/03/2016 Resultado preliminar de atendimentos especiais para a realização das provas 01/03/2016 Homologação das inscrições na condição de negros 01/03/2016 Interposição de recursos contra o Resultado preliminar de candidatos considerados inscritos como pessoas com deficiência e Resultado preliminar de atendimentos especiais para a realização das provas 02 e 03/03/2016 Resultado definitivo de candidatos considerados inscritos como pessoas com deficiência (não corresponde ao parecer da equipe multiprofissional) 11/03/2016 Resultado definitivo de atendimentos especiais para a realização das provas 11/03/2016 Divulgação dos locais de prova e Cartão de Confirmação de Inscrição, no endereço eletrônico (www.fgv.br/fgvprojetos/concursos/ibge) 11 a 17/04/2016 Aplicação da prova objetiva 17/04/2016 Divulgação dos gabaritos da prova objetiva 19/04/2016 Interposição de recursos quanto às questões formuladas e/ou aos gabaritos divulgados 20 e 22/04/2016 Publicação do Gabarito Definitivo e do Resultado Definitivo da Prova Objetiva 10/05/2016 Divulgação do resultado preliminar do parecer da equipe multiprofissional sobre os laudos médicos enviados pelas pessoas com deficiência 17/05/2016 Interposição de recurso contra o resultado preliminar do parecer da equipe multiprofissional sobre os laudos médicos enviados pelas pessoas com deficiência 18 a 19/05/2016 Divulgação do resultado definitivo do parecer da equipe multiprofissional sobre os laudos médicos enviados pelas pessoas com deficiência 30/05/2016 Divulgação do resultado final 30/05/2016
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    . 1 IBGE Técnico emInformações Geográficas e Estatísticas A I Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e argumentativo); interpretação e organização interna .............................................................1 Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em português..............................................................................................................................32 Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais; processos de formação de palavras; mecanismos de flexão dos nomes e verbos............................................................................49 Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação; concordância nominal e verbal; transitividade e regência de nomes e verbos; padrões gerais de colocação pronominal no português; mecanismos de coesão textual ...................................................................117 Ortografia.........................................................................................................................................198 Acentuação gráfica ..........................................................................................................................215 Emprego do sinal indicativo de crase...............................................................................................222 Pontuação .......................................................................................................................................230 Estilística: figuras de linguagem.......................................................................................................237 Reescrita de frases: substituição, deslocamento, paralelismo; variação linguística: norma culta .....246 Candidatos ao Concurso Público, O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom desempenho na prova. As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar em contato, informe: - Apostila (concurso e cargo); - Disciplina (matéria); - Número da página onde se encontra a dúvida; e - Qual a dúvida. Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. Bons estudos! 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 1 Tipos Textuais Paraescrever um texto, necessitamos de técnicas que implicam no domínio de capacidades linguísticas. Temos dois momentos: o de formular pensamentos (o que se quer dizer) e o de expressá- los por escrito (o escrever propriamente dito). Fazer um texto, seja ele de que tipo for, não significa apenas escrever de forma correta, mas sim, organizar ideias sobre determinado assunto. E para expressarmos por escrito, existem alguns modelos de expressão escrita: Descrição – Narração – Dissertação. Descrição Expõe características dos seres ou das coisas, apresenta uma visão; É um tipo de texto figurativo; Retrato de pessoas, ambientes, objetos; Predomínio de atributos; Uso de verbos de ligação; Frequente emprego de metáforas, comparações e outras figuras de linguagem; Tem como resultado a imagem física ou psicológica. Narração Expõe um fato, relaciona mudanças de situação, aponta antes, durante e depois dos acontecimentos (geralmente); É um tipo de texto sequencial; Relato de fatos; Presença de narrador, personagens, enredo, cenário, tempo; Apresentação de um conflito; Uso de verbos de ação; Geralmente, é mesclada de descrições; O diálogo direto é frequente. Dissertação Expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa; É um tipo de texto argumentativo. Defesa de um argumento: a) apresentação de uma tese que será defendida, b) desenvolvimento ou argumentação, c) fechamento; Predomínio da linguagem objetiva; Prevalece a denotação. Carta Esse é um tipo de texto que se caracteriza por envolver um remetente e um destinatário; É normalmente escrita em primeira pessoa, e sempre visa um tipo de leitor; É necessário que se utilize uma linguagem adequada com o tipo de destinatário e que durante a carta não se perca a visão daquele para quem o texto está sendo escrito. Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e argumentativo); interpretação e organização interna 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 2 Descrição É arepresentação com palavras de um objeto, lugar, situação ou coisa, onde procuramos mostrar os traços mais particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer elemento que seja apreendido pelos sentidos e transformado, com palavras, em imagens. Sempre que se expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a alguém, está fazendo uso da descrição. Não é necessário que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do observador varia de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma, o que será importante ser analisado para um, não será para outro. A vivência de quem descreve também influencia na hora de transmitir a impressão alcançada sobre determinado objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emoção vivida ou sentimento. Exemplos: (I) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redonda. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho. Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas surpresas entre os cipós. Todo o jardim triturado pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande demais.” (extraído de “Amor”, Laços de Família, Clarice Lispector) (II) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco. (Machado de Assis. "Conto de escola". Contos. 3ed. São Paulo, Ática, 1974, págs. 31-32.) Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor da escola que o escritor frequentava. Deve-se notar: - que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao mesmo tempo que gastava duas horas para reter aquilo que os outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo tinha grande medo ao pai); - por isso, não existe uma ocorrência que possa ser considerada cronologicamente anterior a outra do ponto de vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na escola é cronologicamente anterior a retirar-se dela; no nível do relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é indiferente: o que o escritor quer é explicitar uma característica do menino, e não traçar a cronologia de suas ações); - ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-se), todas elas estão no pretérito imperfeito, que indica concomitância em relação a um marco temporal instalado no texto (no caso, o ano de 1840, em que o escritor frequentava a escola da Rua da Costa) e, portanto, não denota nenhuma transformação de estado; - se invertêssemos a sequência dos enunciados, não correríamos o risco de alterar nenhuma relação cronológica - poderíamos mesmo colocar o últímo período em primeiro lugar e ler o texto do fim para o começo: O mestre era mais severo com ele do que conosco. Entrava na escola depois do pai e retirava- se antes... Evidentemente, quando se diz que a ordem dos enunciados pode ser invertida, está-se pensando apenas na ordem cronológica, pois, como veremos adiante, a ordem em que os elementos são descritos produz determinados efeitos de sentido. Quando alteramos a ordem dos enunciados, precisamos fazer certas modificações no texto, pois este contém anafóricos (palavras que retomam o que foi dito antes, como ele, os, aquele, etc. ou catafóricos (palavras que anunciam o que vai ser dito, como este, etc.), que podem perder sua função e assim não ser compreendidos. Se tomarmos uma descrição como As flores manifestavam todo o seu esplendor. O Sol fazia-as brilhar, ao invertermos a ordem das frases, precisamos fazer algumas alterações, para que o texto possa ser compreendido: O Sol fazia as flores brilhar. Elas manifestavam todo o seu esplendor. Como, na versão original, o pronome oblíquo as é um anafórico que retoma flores, se alterarmos a ordem das frases ele perderá o sentido. Por isso, precisamos mudar a palavra flores para a primeira frase e retomá-la com o anafórico elas na segunda. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 3 Por todasessas características, diz-se que o fragmento do conto de Machado é descritivo. Descrição é o tipo de texto em que se expõem características de seres concretos (pessoas, objetos, situações, etc.) consideradas fora da relação de anterioridade e de posterioridade. Características: - Ao fazer a descrição enumeramos características, comparações e inúmeros elementos sensoriais; - As personagens podem ser caracterizadas física e psicologicamente, ou pelas ações; - A descrição pode ser considerada um dos elementos constitutivos da dissertação e da argumentação; - é impossível separar narração de descrição; - O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, mas sim a capacidade de observação que deve revelar aquele que a realiza; - Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exemplo: “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos; parecia mais velha pelo desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda, sanguínea e fogosa, era um desses exemplares excessivos do sexo que parecem conformados expressamente para esposas da multidão (...)” (Raul Pompéia – O Ateneu); - Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, não existe relação de anterioridade e posterioridade entre seus enunciados; - Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que se usem então as formas nominais, o presente e o pretério imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferência aos verbos que indiquem estado ou fenômeno. - Todavia deve predominar o emprego das comparações, dos adjetivos e dos advérbios, que conferem colorido ao texto. A característica fundamental de um texto descritivo é essa inexistência de progressão temporal. Pode-se apresentar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que eles sejam sempre simultâneos, não indicando progressão de uma situação anterior para outra posterior. Tanto é que uma das marcas linguísticas da descrição é o predomínio de verbos no presente ou no pretérito imperfeito do indicativo: o primeiro expressa concomitância em relação ao momento da fala; o segundo, em relação a um marco temporal pretérito instalado no texto. Para transformar uma descrição numa narração, bastaria introduzir um enunciado que indicasse a passagem de um estado anterior para um posterior. No caso do texto II inicial, para transformá-lo em narração, bastaria dizer: Reunia a isso grande medo do pai. Mais tarde, Iibertou-se desse medo... Características Linguísticas: O enunciado narrativo, por ter a representação de um acontecimento, fazer-transformador, é marcado pela temporalidade, na relação situação inicial e situação final, enquanto que o enunciado descritivo, não tendo transformação, é atemporal. Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-semânticas encontradas no texto que vão facilitar a compreensão: - Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores de propriedades, atitudes, qualidades, usados principalmente no presente e no imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se, existir, ficar). - Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é descrito; Exemplo: "Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito despegadas do crânio." (Eça de Queiroz - O Primo Basílio) - Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesias). Exemplo: "Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso chinês. Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe dava petulância de rapaz e casava perfeitamente com os olhinhos de azougue." (José de Alencar - Senhora) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 4 - Usode advérbios de localização espacial. Exemplo: "Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa era assim: na frente, uma grade de ferro; depois você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde saíam três portas; no final do corredor tinha a cozinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha um galpão, que era o lugar da bagunça..." (Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ) Recursos: - Usar impressões cromáticas (cores) e sensações térmicas. Ex: O dia transcorria amarelo, frio, ausente do calor alegre do sol. - Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exatas, concretas. Ex: As criaturas humanas transpareciam um céu sereno, uma pureza de cristal. - As sensações de movimento e cor embelezam o poder da natureza e a figura do homem. Ex: Era um verde transparente que deslumbrava e enlouquecia qualquer um. - A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez do texto. Ex: Vida simples. Roupa simples. Tudo simples. O pessoal, muito crente. A descrição pode ser apresentada sob duas formas: Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a passagem são apresentadas como realmente são, concretamente. Ex: "Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70 kg. Aparência atlética, ombros largos, pele bronzeada. Moreno, olhos negros, cabelos negros e lisos". Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento. Exemplo: “ A casa velha era enorme, toda em largura, com porta central que se alcançava por três degraus de pedra e quatro janelas de guilhotina para cada lado. Era feita de pau-a-pique barreado, dentro de uma estrutura de cantos e apoios de madeira-de- lei. Telhado de quatro águas. Pintada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora, provavelmente sede de alguma fazenda que tivesse ficado, capricho da sorte, na linha de passagem da variante do Caminho Novo que veio a ser a Rua Principal, depois a Rua Direita – sobre a qual ela se punha um pouco de esguelha e fugindo ligeiramente do alinhamento (...).” (Pedro Nava – Baú de Ossos) Descrição Subjetiva: quando há maior participação da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a paisagem são transfigurados pela emoção de quem escreve, podendo opinar ou expressar seus sentimentos. Ex: "Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso ao homem. Não só as condecorações gritavam-lhe no peito como uma couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um anúncio; os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram de um rei..." ("O Ateneu", Raul Pompéia) “(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou outra esperança maior: para ele, Joca Ramiro era único homem, par-de-frança, capaz de tomar conta deste sertão nosso, mandando por lei, de sobregoverno.” (Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas) Os efeitos de sentido criados pela disposição dos elementos descritivos: Como se disse anteriormente, do ponto de vista da progressão temporal, a ordem dos enunciados na descrição é indiferente, uma vez que eles indicam propriedades ou características que ocorrem si- multaneamente. No entanto, ela não é indiferente do ponto de vista dos efeitos de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-versa, do detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos de sentido distintos. Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio", de Bocage: Magro, de olhos azuis, carão moreno, bem servido de pés, meão de altura, triste de facha, o mesmo de figura, nariz alto no meio, e não pequeno. Incapaz de assistir num só terreno, mais propenso ao furor do que à ternura; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 5 bebendo emníveas mãos por taça escura de zelos infernais letal veneno. Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão, 1968, pág. 497. O poeta descreve-se das características físicas para as características morais. Se fizesse o inverso, o sentido não seria o mesmo, pois as características físicas perderiam qualquer relevo. O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a visualizar uma cena. É como traçar com palavras o retrato de um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas características exteriores, facilmente identificáveis (descrição objetiva), ou suas características psicológicas e até emocionais (descrição subjetiva). Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de adjetivos, também denominado adjetivação. Para facilitar o aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando, após escrever seu texto, sublinhe todos os substantivos, acrescentando antes ou depois deste um adjetivo ou uma locução adjetiva. Descrição de objetos constituídos de uma só parte: - Introdução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do objeto descrito. - Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (comparação com figuras geométricas e com objetos semelhantes); dimensões (largura, comprimento, altura, diâmetro etc.) - Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso, cor/brilho, textura. - Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto como um todo. Descrição de objetos constituídos por várias partes: - Introdução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do objeto descrito. - Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentários das partes que compõem o objeto, associados à explicação de como as partes se agrupam para formar o todo. - Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um todo (externamente) - formato, dimensões, material, peso, textura, cor e brilho. - Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto em sua totalidade. Descrição de ambientes: - Introdução: comentário de caráter geral. - Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura global do ambiente: paredes, janelas, portas, chão, teto, luminosidade e aroma (se houver). - Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a objetos lá existentes: móveis, eletrodomésticos, quadros, esculturas ou quaisquer outros objetos. - Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira no ambiente. Descrição de paisagens: - Introdução: comentário sobre sua localização ou qualquer outra referência de caráter geral. - Desenvolvimento: observação do plano de fundo (explicação do que se vê ao longe). - Desenvolvimento: observação dos elementos mais próximos do observador - explicação detalhada dos elementos que compõem a paisagem, de acordo com determinada ordem. - Conclusão: comentários de caráter geral, concluindo acerca da impressão que a paisagem causa em quem a contempla. Descrição de pessoas (I): - Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer aspecto de caráter geral. - Desenvolvimento: características físicas (altura, peso, cor da pele, idade, cabelos, olhos, nariz, boca, voz, roupas). - Desenvolvimento: características psicológicas (personalidade, temperamento, caráter, preferências, inclinações, postura, objetivos). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 6 - Conclusão:retomada de qualquer outro aspecto de caráter geral. Descrição de pessoas (II): - Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer aspecto de caráter geral. - Desenvolvimento: análise das características físicas, associadas às características psicológicas (1ª parte). - Desenvolvimento: análise das características físicas, associadas às características psicológicas (2ª parte). - Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter geral. A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É uma estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais predominam. Porque toda técnica descritiva implica contemplação e apreensão de algo objetivo ou subjetivo, o redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de sensibilidade. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade. Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser não-literária ou literária. Na descrição não- literária, há maior preocupação com a exatidão dos detalhes e a precisão vocabular. Por ser objetiva, há predominância da denotação. Textos descritivos não-literários: A descrição técnica é um tipo de descrição objetiva: ela recria o objeto usando uma linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é usado para descrever aparelhos, o seu funcionamento, as peças que os compõem, para descrever experiências, processos, etc. Exemplo: Folheto de propaganda de carro Conforto interno - É impossível falar de conforto sem incluir o espaço interno. Os seus interiores são amplos, acomodando tranquilamente passageiros e bagagens. O Passat e o Passat Variant possuem direção hidráulica e ar condicionado de elevada capacidade, proporcionando a climatização perfeita do ambiente. Porta-malas - O compartimento de bagagens possui capacidade de 465 litros, que pode ser ampliada para até 1500 litros, com o encosto do banco traseiro rebaixado. Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em plástico reciclável e posicionado entre as rodas traseiras, para evitar a deformação em caso de colisão. Textos descritivos literários: Na descrição literária predomina o aspecto subjetivo, com ênfase no conjunto de associações conotativas que podem ser exploradas a partir de descrições de pessoas; cenários, paisagens, espaço; ambientes; situações e coisas. Vale lembrar que textos descritivos também podem ocorrer tanto em prosa como em verso. Narração A Narração é um tipo de texto que relata uma história real, fictícia ou mescla dados reais e imaginários. O texto narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo e em um espaço, organizados por uma narração feita por um narrador. É uma série de fatos situados em um espaço e no tempo, tendo mudança de um estado para outro, segundo relações de sequencialidade e causalidade, e não simultâneos como na descrição. Expressa as relações entre os indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre esses indivíduos e o mundo, utilizando situações que contêm essa vivência. Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o narrador acaba sempre contando onde, quando, como e com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração predomina a ação: o texto narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, a maioria dos verbos que compõem esse tipo de texto são os verbos de ação. O conjunto de ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história que é contada nesse tipo de texto recebe o nome de enredo. As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas personagens, que são justamente as pessoas envolvidas no episódio que está sendo contado. As personagens são identificadas (nomeadas) no texto narrativo pelos substantivos próprios. Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo sem querer) ele acaba contando "onde" (em que lugar) as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar onde ocorre uma ação ou ações é chamado de espaço, representado no texto pelos advérbios de lugar. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 7 Além decontar onde, o narrador também pode esclarecer "quando" ocorreram as ações da história. Esse elemento da narrativa é o tempo, representado no texto narrativo através dos tempos verbais, mas principalmente pelos advérbios de tempo. É o tempo que ordena as ações no texto narrativo: é ele que indica ao leitor "como" o fato narrado aconteceu. A história contada, por isso, passa por uma introdução (parte inicial da história, também chamada de prólogo), pelo desenvolvimento do enredo (é a história propriamente dita, o meio, o "miolo" da narrativa, também chamada de trama) e termina com a conclusão da história (é o final ou epílogo). Aquele que conta a história é o narrador, que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu) ou impessoal (narra em 3ª pessoa: Ele). Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de ação, por advérbios de tempo, por advérbios de lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos verbos, formando uma rede: a própria história contada. Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a história. Elementos Estruturais (I): - Enredo: desenrolar dos acontecimentos. - Personagens: são seres que se movimentam, se relacionam e dão lugar à trama que se estabelece na ação. Revelam-se por meio de características físicas ou psicológicas. Os personagens podem ser lineares (previsíveis), complexos, tipos sociais (trabalhador, estudante, burguês etc.) ou tipos humanos (o medroso, o tímido, o avarento etc.), heróis ou anti-heróis, protagonistas ou antagonistas. - Narrador: é quem conta a história. - Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico. - Tempo: época em que se passa a ação. Cronológico: o tempo convencional (horas, dias, meses); Psicológico: o tempo interior, subjetivo. Elementos Estruturais (II): Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista Acontecimento - O quê? Fato Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato Modo - Como? De que forma ocorreu o fato Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato Resultado - previsível ou imprevisível. Final - Fechado ou Aberto. Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de tal forma, que não é possível compreendê-los isoladamente, como simples exemplos de uma narração. Há uma relação de implicação mútua entre eles, para garantir coerência e verossimilhança à história narrada. Quanto aos elementos da narrativa, esses não estão, obrigatoriamente sempre presentes no discurso, exceto as personagens ou o fato a ser narrado. Exemplo: Porquinho-da-índia Quando eu tinha seis anos Ganhei um porquinho-da-índía. Que dor de coração me dava Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão! Levava ele pra sala Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos Ele não gostava: Queria era estar debaixo do fogão. Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas... - O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada. Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 4ª ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973, pág. 110. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 8 Observe que,no texto acima, há um conjunto de transformações de situação: ganhar um porquinho-da-índia é passar da situação de não ter o animalzinho para a de tê-lo; levá-lo para a sala ou para outros lugares é passar da situação de ele estar debaixo do fogão para a de estar em outros lugares; ele não gostava: “queria era estar debaixo do fogão” implica a volta à situação anterior; “não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas” dá a entender que o menino passava de uma situação de não ser terno com o animalzinho para uma situação de ser; no último verso tem-se a passagem da situação de não ter namorada para a de ter. Verifica-se, pois, que nesse texto há um grande conjunto de mudanças de situação. É isso que define o que se chama o componente narrativo do texto, ou seja, narrativa é uma mudança de estado pela ação de alguma personagem, é uma transformação de situação. Mesmo que essa personagem não apareça no texto, ela está logicamente implícita. Assim, por exemplo, se o menino ganhou um porquinho-da-índia, é porque alguém lhe deu o animalzinho. Assim, há basicamente, dois tipos de mudança: aquele em que alguém recebe alguma coisa (o menino passou a ter o porquinho-da índia) e aquele alguém perde alguma coisa (o porquinho perdia, a cada vez que o menino o levava para outro lugar, o espaço confortável de debaixo do fogão). Assim, temos dois tipos de narrativas: de aquisição e de privação. Existem três tipos de foco narrativo: - Narrador-personagem: é aquele que conta a história na qual é participante. Nesse caso ele é narrador e personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa. - Narrador-observador: é aquele que conta a história como alguém que observa tudo que acontece e transmite ao leitor, a história é contada em 3ª pessoa. - Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as personagens, revelando seus pensamentos e sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece misturada com pensamentos dos personagens (discurso indireto livre). Estrutura: - Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados alguns personagens e expostas algumas circunstâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação se desenvolverá. - Complicação: é a parte do texto em que se inicia propriamente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem, conduzindo ao clímax. - Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu momento crítico, tornando o desfecho inevitável. - Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens. Tipos de Personagens: Os personagens têm muita importância na construção de um texto narrativo, são elementos vitais. Podem ser principais ou secundários, conforme o papel que desempenham no enredo, podem ser apresentados direta ou indiretamente. A apresentação direta acontece quando o personagem aparece de forma clara no texto, retratando suas características físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se dá quando os personagens aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem com o desenrolar do enredo, ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do modo como vai fazendo. - Em 1ª pessoa: Personagem Principal: há um “eu” participante que conta a história e é o protagonista. Exemplo: “Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o coração parecendo querer sair-me pela boca fora. Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vizinho. Comecei a andar de um lado para outro, estacando para amparar-me, e andava outra vez e estacava.” (Machado de Assis. Dom Casmurro) Observador: é como se dissesse: É verdade, pode acreditar, eu estava lá e vi. Exemplo: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 9 “Batia nosnoventa anos o corpo magro, mas sempre teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma maloca de contrabandista que fez cancha nos banhados do Ibirocaí. Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a cruzar os campos da fronteira; à luz do Sol, no desmaiado da Lua, na escuridão das noites, na cerração das madrugadas...; ainda que chovesse reiúnos acolherados ou que ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca perdeu atalho, nunca desandou cruzada!... (...) Aqui há poucos – coitado! – pousei no arranchamento dele. Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não nos víamos desde muito tempo. (...) Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matança dos leitões e no tiramento dos assados com couro.” (J. Simões Lopes Neto – Contrabandista) - Em 3ª pessoa: Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira pessoa. Exemplo: “Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fantasiaram de borboleta. Por isso não pôde defender-se. E saiu à rua com ar menos carnavalesco deste mundo, morrendo de vergonha da malha de cetim, das asas e das antenas e, mais ainda, da cara à mostra, sem máscara piedosa para disfarçar o sentimento impreciso de ridículo.” (Ilka Laurito. Sal do Lírico) Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história como sendo vista por uma câmara ou filmadora. Exemplo: Festa Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o crioulão de roupa limpa e remendada, acompanhado de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro mais novo, mas ambos com menos de dez anos. Os três atravessam o salão, cuidadosamente, mas resolutamente, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde há seis mesas desertas. O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O homem pergunta em quanto fica uma cerveja, dois guaranás e dois pãezinhos. __ Duzentos e vinte. O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido. __Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz. __ Como? __ Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito mais gostoso. O homem olha para os meninos. __ O preço é o mesmo – informa o rapaz. __ Está certo. Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como se o estivessem fazendo pela primeira vez na vida. O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e, em seguida, num pratinho, os dois pães com meia almôndega cada um. O homem e (mais do que ele) os meninos olham para dentro dos pães, enquanto o rapaz cúmplice se retira. Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene o copo de cerveja até a boca, depois cada um prova o seu guaraná e morde o primeiro bocado do pão. O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando criteriosamente o menino mais velho e o menino mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida. Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois meninos. E permanecem para sempre, humanos e indestrutíveis, sentados naquela mesa. (Wander Piroli) Tipos de Discurso: Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamente para o personagem, sem a sua interferência. Exemplo: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 10 Caso deDesquite __ Vexame de incomodar o doutor (a mão trêmula na boca). Veja, doutor, este velho caducando. Bisavô, um neto casado. Agora com mania de mulher. Todo velho é sem-vergonha. __ Dobre a língua, mulher. O hominho é muito bom. Só não me pise, fico uma jararaca. __ Se quer sair de casa, doutor, pague uma pensão. __ Essa aí tem filho emancipado. Criei um por um, está bom? Ela não contribuiu com nada, doutor. Só deu de mamar no primeiro mês. __Você desempregado, quem é que fazia roça? __ Isso naquele tempo. O hominho aqui se espalhava. Fui jogado na estrada, doutor. Desde onze anos estou no mundo sem ninguém por mim. O céu lá em cima, noite e dia o hominho aqui na carroça. Sempre o mais sacrificado, está bom? __ Se ficar doente, Severino, quem é que o atende? __ O doutor já viu urubu comer defunto? Ninguém morre só. Sempre tem um cristão que enterra o pobre. __ Na sua idade, sem os cuidados de uma mulher... __ Eu arranjo. __ Só a troco de dinheiro elas querem você. Agora tem dois cavalos. A carroça e os dois cavalos, o que há de melhor. Vai me deixar sem nada? __ Você tinha a mula e a potranca. A mula vendeu e a potranca, deixou morrer. Tenho culpa? Só quero paz, um prato de comida e roupa lavada. __ Para onde foi a lavadeira? __ Quem? __ A mulata. (...) (Dalton Trevisan – A guerra Conjugal) Discurso Indireto: o narrador conta o que o personagem diz, sem lhe passar diretamente a palavra. Exemplo: Frio O menino tinha só dez anos. Quase meia hora andando. No começo pensou num bonde. Mas lembrou-se do embrulhinho branco e bem feito que trazia, afastou a idéia como se estivesse fazendo uma coisa errada. (Nos bondes, àquela hora da noite, poderiam roubá-lo, sem que percebesse; e depois?... Que é que diria a Paraná?) Andando. Paraná mandara-lhe não ficar observando as vitrines, os prédios, as coisas. Como fazia nos dias comuns. Ia firme e esforçando-se para não pensar em nada, nem olhar muito para nada. __ Olho vivo – como dizia Paraná. Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das ruas. Ele ia pelas beiradas. Quando em quando, assomava um guarda nas esquinas. O seu coraçãozinho se apertava. Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma mulher. Sempre ficam mulheres vagabundeando por ali, à noite. Pelo jardim, pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela lhe deu, ele seguiu. Ignorava a exatidão de seus cálculos, mas provavelmente faltava mais ou menos uma hora para chegar em casa. Os bondes passavam. (João Antônio – Malagueta, Perus e Bacanaço) Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a fala do personagem e a fala do narrador. É um recurso relativamente recente. Surgiu com romancistas inovadores do século XX. Exemplo: A Morte da Porta-Estandarte Que ninguém o incomode agora. Larguem os seus braços. Rosinha está dormindo. Não acordem Rosinha. Não é preciso segurá-lo, que ele não está bêbado... O céu baixou, se abriu... Esse temporal assim é bom, porque Rosinha não sai. Tenham paciência... Largar Rosinha ali, ele não larga não... Não! E esses tambores? Ui! Que venham... É guerra... ele vai se espalhar... Por que não está malhando em sua cabeça?... (...) Ele vai tirar Rosinha da cama... Ele está dormindo, Rosinha... Fugir com ela, para o fundo do País... Abraçá-la no alto de uma colina... (Aníbal Machado) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 11 Sequência Narrativa: Umanarrativa não tem uma única mudança, mas várias: uma coordena-se a outra, uma implica a outra, uma subordina-se a outra. A narrativa típica tem quatro mudanças de situação: - uma em que uma personagem passa a ter um querer ou um dever (um desejo ou uma necessidade de fazer algo); - uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma competência para fazer algo); - uma em que a personagem executa aquilo que queria ou devia fazer (é a mudança principal da narrativa); - uma em que se constata que uma transformação se deu e em que se podem atribuir prêmios ou castigos às personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e os castigos, para os maus). Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se pressupõem logicamente. Com efeito, quando se constata a realização de uma mudança é porque ela se verificou, e ela efetua-se porque quem a realiza pode, sabe, quer ou deve fazê-la. Tomemos, por exemplo, o ato de comprar um apartamento: quando se assina a escritura, realiza-se o ato de compra; para isso, é necessário poder (ter dinheiro) e querer ou dever comprar (respectivamente, querer deixar de pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido despejado, por exemplo). Algumas mudanças são necessárias para que outras se deem. Assim, para apanhar uma fruta, é necessário apanhar um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um carro, é preciso antes conseguir o dinheiro. Narrativa e Narração Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narratividade é um componente narrativo que pode existir em textos que não são narrações. A narrativa é a transformação de situações. Por exemplo, quando se diz “Depois da abolição, incentivou-se a imigração de europeus”, temos um texto dissertativo, que, no entanto, apresenta um componente narrativo, pois contém uma mudança de situação: do não incentivo ao incentivo da imigração européia. Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de texto, o que é narração? A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três características: - é um conjunto de transformações de situação (o texto de Manuel Bandeira – “Porquinho-da-índia”, como vimos, preenche essa condição); - é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e fatos concretos (o texto "Porquinho-da-índia" preenche também esse requisito); - as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal que, entre elas, existe sempre uma relação de anterioridade e posterioridade (no texto "Porquinho-da-índia" o fato de ganhar o animal é anterior ao de ele estar debaixo do fogão, que por sua vez é anterior ao de o menino levá-lo para a sala, que por seu turno é anterior ao de o porquinho-da-índia voltar ao fogão). Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre pertinente num texto narrativo, mesmo que a sequência linear da temporalidade apareça alterada. Assim, por exemplo, no romance machadiano Memórias póstumas de Brás Cubas, quando o narrador começa contando sua morte para em seguida relatar sua vida, a sequência temporal foi modificada. No entanto, o leitor reconstitui, ao longo da leitura, as relações de anterioridade e de posterioridade. Resumindo: na narração, as três características explicadas acima (transformação de situações, fi- guratividade e relações de anterioridade e posterioridade entre os episódios relatados) devem estar presentes conjuntamente. Um texto que tenha só uma ou duas dessas características não é uma narração. Esquema que pode facilitar a elaboração de seu texto narrativo: - Introdução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o que aconteceu, quando e onde. - Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos personagens. - Desenvolvimento: detalhes do fato. - Conclusão: consequências do fato. Caracterização Formal: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 12 Em geral,a narrativa se desenvolve na prosa. O aspecto narrativo apresenta, até certo ponto, alguma subjetividade, porquanto a criação e o colorido do contexto estão em função da individualidade e do estilo do narrador. Dependendo do enfoque do redator, a narração terá diversas abordagens. Assim é de grande importância saber se o relato é feito em primeira pessoa ou terceira pessoa. No primeiro caso, há a participação do narrador; segundo, há uma inferência do último através da onipresença e onisciência. Quanto à temporalidade, não há rigor na ordenação dos acontecimentos: esses podem oscilar no tempo, transgredindo o aspecto linear e constituindo o que se denomina “flashback”. O narrador que usa essa técnica (característica comum no cinema moderno) demonstra maior criatividade e originalidade, podendo observar as ações ziguezagueando no tempo e no espaço. Exemplo - Personagens "Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr. Amâncio não viu a mulher chegar. - Não quer que se carpa o quintal, moço? Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face escalavrada. Mas os olhos... (sempre guardam alguma coisa do passado, os olhos)." (Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre: Mercado Aberto, p. 5O) Exemplo - Espaço Considerarei longamente meu pequeno deserto, a redondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o leito seco de algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe a insipidez." (Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto Alegre: Movimento, 1981, p. 51) Exemplo - Tempo “Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: a mulher lhe pediu que a chamasse cedo." (Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. p.4) Tipologia da Narrativa Ficcional: - Romance - Conto - Crônica - Fábula - Lenda - Parábola - Anedota - Poema Épico Tipologia da Narrativa Não-Ficcional: - Memorialismo - Notícias - Relatos - História da Civilização Apresentação da Narrativa: - visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em quadrinhos) e desenhos. - auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e discos. - audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisionadas. Dissertação A dissertação é uma exposição, discussão ou interpretação de uma determinada ideia. É, sobretudo, analisar algum tema. Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica, raciocínio, clareza, coerência, objetividade na exposição, um planejamento de trabalho e uma habilidade de expressão. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 13 É emfunção da capacidade crítica que se questionam pontos da realidade social, histórica e psicológica do mundo e dos semelhantes. Vemos também, que a dissertação no seu significado diz respeito a um tipo de texto em que a exposição de uma ideia, através de argumentos, é feita com a finalidade de desenvolver um conteúdo científico, doutrinário ou artístico. Exemplo: Há três métodos pelos quais pode um homem chegar a ser primeiro-ministro. O primeiro é saber, com prudência, como servir-se de uma pessoa, de uma filha ou de uma irmã; o segundo, como trair ou solapar os predecessores; e o terceiro, como clamar, com zelo furioso, contra a corrupção da corte. Mas um príncipe discreto prefere nomear os que se valem do último desses métodos, pois os tais fanáticos sempre se revelam os mais obsequiosos e subservientes à vontade e às paixões do amo. Tendo à sua disposição todos os cargos, conservam-se no poder esses ministros subordinando a maioria do senado, ou grande conselho, e, afinal, por via de um expediente chamado anistia (cuja natureza lhe expliquei), garantem-se contra futuras prestações de contas e retiram-se da vida pública carregados com os despojos da nação. Jonathan Swift. Viagens de Gulliver. São Paulo, Abril Cultural, 1979, p. 234-235. Esse texto explica os três métodos pelos quais um homem chega a ser primeiro-ministro, aconselha o príncipe discreto a escolhê-lo entre os que clamam contra a corrupção na corte e justifica esse conselho. Observe-se que: - o texto é temático, pois analisa e interpreta a realidade com conceitos abstratos e genéricos (não se fala de um homem particular e do que faz para chegar a ser primeiro-ministro, mas do homem em geral e de todos os métodos para atingir o poder); - existe mudança de situação no texto (por exemplo, a mudança de atitude dos que clamam contra a corrupção da corte no momento em que se tornam primeiros-ministros); - a progressão temporal dos enunciados não tem importância, pois o que importa é a relação de implicação (clamar contra a corrupção da corte implica ser corrupto depois da nomeação para primeiro-ministro). Características: - ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é temático; - como o texto narrativo, ele mostra mudanças de situação; - ao contrário do texto narrativo, nele as relações de anterioridade e de posterioridade dos enunciados não têm maior importância - o que importa são suas relações lógicas: analogia, pertinência, causalidade, coexistência, correspondência, implicação, etc. - a estética e a gramática são comuns a todos os tipos de redação. Já a estrutura, o conteúdo e a estilística possuem características próprias a cada tipo de texto. Dissertação Expositiva e Argumentativa: A dissertação expositiva é voltada para aqueles fatos que estão sendo focados e discutidos pela grande mídia. É um tipo de acontecimento inquestionável, mesmo porque todos os detalhes já foram expostos na televisão, rádio e novas mídias. Já o texto dissertativo argumentativo vai fazer uma reflexão maior sobre os temas. Os pontos de vista devem ser declarados em terceira pessoa, há interações entre os fatos que se aborda. Tais fatos precisam ser esclarecidos para que o leitor se sinta convencido por tal escrita. Quem escreve uma dissertação argumentativa deve saber persuadir a partir de sua crítica de determinado assunto. A linguagem jamais poderá deixar de ser objetiva, com fatos reais, evidências e concretudes. São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvimento / Conclusão. Introdução: em que se apresenta o assunto; se apresenta a ideia principal, sem, no entanto, antecipar seu desenvolvimento. Tipos: - Divisão: quando há dois ou mais termos a serem discutidos. Ex: “Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...” - Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um fato presente. Ex: “A crise econômica que teve início no começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices de inflação que a década colecionou, 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 14 agravou váriosdos históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência, principalmente a urbana, cuja escalada tem sido facilmente identificada pela população brasileira.” - Proposição: o autor explicita seus objetivos. - Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma coisa apresentada no texto. Ex: Você quer estar “na sua”? Quer se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo cano! Faça parte desse time de vencedores desde a escolha desse momento! - Contestação: contestar uma ideia ou uma situação. Ex: “É importante que o cidadão saiba que portar arma de fogo não é a solução no combate à insegurança.” - Características: caracterização de espaços ou aspectos. - Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex: “Em 1982, eram 15,8 milhões os domicílios brasileiros com televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de aparelhos receptores instalados do mundo). Ao todo, existem no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar programas) e 2.624 repetidoras (que apenas retransmitem sinais recebidos). (...)” - Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato. - Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto do texto. Ex: “A principal característica do déspota encontra-se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das normas e das regras que definem a vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu poder, escreve Aristóteles, é arbitrário, pois decorre exclusivamente de sua vontade, de seu prazer e de suas necessidades.” - Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que compõem o texto. - Interrogação: questionamento. Ex: “Volta e meia se faz a pergunta de praxe: afinal de contas, todo esse entusiasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?” - Suspense: alguma informação que faça aumentar a curiosidade do leitor. - Comparação: social e geográfica. - Enumeração: enumerar as informações. Ex: “Ação à distância, velocidade, comunicação, linha de montagem, triunfo das massas, Holocausto: através das metáforas e das realidades que marcaram esses 100 últimos anos, aparece a verdadeira doença do século...” - Narração: narrar um fato. Desenvolvimento: é a argumentação da ideia inicial, de forma organizada e progressiva. É a parte maior e mais importante do texto. Podem ser desenvolvidos de várias formas: - Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com este tipo de abordagem. - Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a ideia principal ao máximo, esclarecendo o conceito ou a definição. - Comparação: estabelecer analogias, confrontar situações distintas. - Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta pontos favoráveis e desfavoráveis. - Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou descrever uma cena. - Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados estatísticos. - Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para prováveis resultados. - Interrogação: Toda sucessão de interrogações deve apresentar questionamento e reflexão. - Refutação: questiona-se praticamente tudo: conceitos, valores, juízos. - Causa e Consequência: estruturar o texto através dos porquês de uma determinada situação. - Oposição: abordar um assunto de forma dialética. - Exemplificação: dar exemplos. Conclusão: é uma avaliação final do assunto, um fechamento integrado de tudo que se argumentou. Para ela convergem todas as ideias anteriormente desenvolvidas. - Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese. - Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um pensamento ou faz uma proposta, incentivando a reflexão de quem lê. Exemplo: Direito de Trabalho Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um novo modelo econômico: o capitalismo, que até o século XX agia por meio da inclusão de trabalhadores e hoje passou a agir por meio da exclusão. (A) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 15 A tendênciado mundo contemporâneo é tornar todo o trabalho automático, devido à evolução tecnológica e a necessidade de qualificação cada vez maior, o que provoca o desemprego. Outro fator que também leva ao desemprego de um sem número de trabalhadores é a contenção de despesas, de gastos. (B) Segundo a Constituição, “preocupada” com essa crise social que provém dessa automatização e qualificação, obriga que seja feita uma lei, em que será dada absoluta garantia aos trabalhadores, de que, mesmo que as empresas sejam automatizadas, não perderão eles seu mercado de trabalho. (C) Não é uma utopia?! Um exemplo vivo são os boias-frias que trabalham na colheita da cana de açúcar que devido ao avanço tecnológico e a lei do governador Geraldo Alkmin, defendendo o meio ambiente, proibindo a queima da cana de açúcar para a colheita e substituindo-os então pelas máquinas, desemprega milhares deles. (D) Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão cursos de cabelereiro, marcenaria, eletricista, para não perderem o mercado de trabalho, aumentando, com isso, a classe de trabalhos informais. Como ficam então aqueles trabalhadores que passaram à vida estudando, se especializando, para se diferenciarem e ainda estão desempregados? como vimos no último concurso da prefeitura do Rio de Janeiro para “gari”, havia até advogado na fila de inscrição. (E) Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos têm o direito de trabalho, cabe aos governantes desse país, que almeja um futuro brilhante, deter, com urgência esse processo de desníveis gritantes e criar soluções eficazes para combater a crise generalizada (F), pois a uma nação doente, miserável e desigual, não compete a tão sonhada modernidade. (G) 1º Parágrafo – Introdução A. Tema: Desemprego no Brasil. Contextualização: decorrência de um processo histórico problemático. 2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que remetem a uma análise do tema em questão. C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro dado da realidade. D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de quem propõe soluções. E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição. 7º Parágrafo: Conclusão F. Uma possível solução é apresentada. G. O texto conclui que desigualdade não se casa com modernidade. É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar sobre o que não se conhece. A leitura de bons textos é um dos recursos que permite uma segurança maior no momento de dissertar sobre algum assunto. Debater e pesquisar são atitudes que favorecem o senso crítico, essencial no desenvolvimento de um texto dissertativo. Ainda temos: Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o assunto que vai ser abordado. Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo discutido. Argumentação: é um conjunto de procedimentos linguísticos com os quais a pessoa que escreve sustenta suas opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer argumentos, ou seja, razões a favor ou contra uma determinada tese. Estes assuntos serão vistos com mais afinco posteriormente. Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são: - toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade de pleno domínio do assunto e habilidade de argumentação; - em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema; - a coerência é tida como regra de ouro da dissertação; - impõem-se sempre o raciocínio lógico; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 16 - alinguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na demonstração do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original, nobre, correta gramaticalmente. O discurso deve ser impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa). O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve apresentar: uma frase contendo a ideia principal (frase nuclear) e uma ou mais frases que explicitem tal ideia. Exemplo: “A televisão mostra uma realidade idealizada (ideia central) porque oculta os problemas sociais realmente graves. (ideia secundária)”. Vejamos: Ideia central: A poluição atmosférica deve ser combatida urgentemente. Desenvolvimento: A poluição atmosférica deve ser combatida urgentemente, pois a alta concentração de elementos tóxicos põe em risco a vida de milhares de pessoas, sobretudo daquelas que sofrem de problemas respiratórios: - A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem levado muita gente ao vício. - A televisão é um dos mais eficazes meios de comunicação criados pelo homem. - A violência tem aumentado assustadoramente nas cidades e hoje parece claro que esse problema não pode ser resolvido apenas pela polícia. - O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise atualmente. - O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a sociedade brasileira. O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras: Enumeração: Caracteriza-se pela exposição de uma série de coisas, uma a uma. Presta-se bem à indicação de características, funções, processos, situações, sempre oferecendo o complemento necessário à afirmação estabelecida na frase nuclear. Pode-se enumerar, seguindo-se os critérios de importância, preferência, classificação ou aleatoriamente. Exemplo: 1- O adolescente moderno está se tornando obeso por várias causas: alimentação inadequada, falta de exercícios sistemáticos e demasiada permanência diante de computadores e aparelhos de Televisão. 2- Devido à expansão das igrejas evangélicas, é grande o número de emissoras que dedicam parte da sua programação à veiculação de programas religiosos de crenças variadas. 3- - A Santa Missa em seu lar. - Terço Bizantino. - Despertar da Fé. - Palavra de Vida. - Igreja da Graça no Lar. 4- - Inúmeras são as dificuldades com que se defronta o governo brasileiro diante de tantos desmatamentos, desequilíbrios sociológicos e poluição. - Existem várias razões que levam um homem a enveredar pelos caminhos do crime. - A gravidez na adolescência é um problema seríssimo, porque pode trazer muitas consequências indesejáveis. - O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua sobrevivência no mundo atual e vários são os tipos de lazer. - O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas em várias categorias. Comparação: A frase nuclear pode-se desenvolver através da comparação, que confronta ideias, fatos, fenômenos e apresenta-lhes a semelhança ou dessemelhança. Exemplo: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 17 “A juventudeé uma infatigável aspiração de felicidade; a velhice, pelo contrário, é dominada por um vago e persistente sentimento de dor, porque já estamos nos convencendo de que a felicidade é uma ilusão, que só o sofrimento é real”. (Arthur Schopenhauer) Causa e Consequência: A frase nuclear, muitas vezes, encontra no seu desenvolvimento um segmento causal (fato motivador) e, em outras situações, um segmento indicando consequências (fatos decorrentes). Exemplos: - O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanidade que abriga em si, porque os seus olhos teimam apenas em ver as coisas imediatistas e lucrativas que o rodeiam. - O espírito competitivo foi excessivamente exercido entre nós, de modo que hoje somos obrigados a viver numa sociedade fria e inamistosa. Tempo e Espaço: Muitos parágrafos dissertativos marcam temporal e espacialmente a evolução de ideias, processos. Exemplos: Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma lenta evolução. Primeiro, o homem aprendeu a grunhir. Depois deu um significado a cada grunhido. Muito depois, inventou a escrita e só muitos séculos mais tarde é que passou à comunicação de massa. Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas úmidos, os solos são profundos. Existe nessas regiões uma forte decomposição de rochas, isto é, uma forte transformação da rocha em terra pela umidade e calor. Nas regiões temperadas e ainda nas mais frias, a camada do solo é pouco profunda. (Melhem Adas) Explicitação: Num parágrafo dissertativo pode-se conceituar, exemplificar e aclarar as ideias para torná-las mais compreensíveis. Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue proveniente do coração para irrigar os tecidos. Exceto no cordão umbilical e na ligação entre os pulmões e o coração, todas as artérias contém sangue vermelho- vivo, recém-oxigenado. Na artéria pulmonar, porém, corre sangue venoso, mais escuro e desoxigenado, que o coração remete para os pulmões para receber oxigênio e liberar gás carbônico”. Antes de se iniciar a elaboração de uma dissertação, deve delimitar-se o tema que será desenvolvido e que poderá ser enfocado sob diversos aspectos. Se, por exemplo, o tema é a questão indígena, ela poderá ser desenvolvida a partir das seguintes ideias: - A violência contra os povos indígenas é uma constante na história do Brasil. - O surgimento de várias entidades de defesa das populações indígenas. - A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio brasileiro. - A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena. Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver, deve fazer a estruturação do texto. A estrutura do texto dissertativo constitui-se de: Introdução: deve conter a ideia principal a ser desenvolvida (geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura do texto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar a atenção para dois itens básicos: os objetivos do texto e o plano do desenvolvimento. Contém a proposição do tema, seus limites, ângulo de análise e a hipótese ou a tese a ser defendida. Desenvolvimento: exposição de elementos que vão fundamentar a ideia principal que pode vir especificada através da argumentação, de pormenores, da ilustração, da causa e da consequência, das definições, dos dados estatísticos, da ordenação cronológica, da interrogação e da citação. No desenvolvimento são usados tantos parágrafos quantos forem necessários para a completa exposição da ideia. E esses parágrafos podem ser estruturados das cinco maneiras expostas acima. Conclusão: é a retomada da ideia principal, que agora deve aparecer de forma muito mais convincente, uma vez que já foi fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação (um parágrafo). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 18 Deve, pois,conter de forma sintética, o objetivo proposto na instrução, a confirmação da hipótese ou da tese, acrescida da argumentação básica empregada no desenvolvimento. Questões 01. (SHDIAS – ANALISTA ADMINISTRATIVO JÚNIOR – IMA/2015) (...) Há um pôr-do-sol de primavera e uma velha casa abandonada. Está em ruínas. A velha casa não mais abriga vidas em seu interior. Tudo é passado. Tudo é lembrança. Hoje, apenas almas juvenis brincam despreocupadas e felizes entre suas paredes trêmulas. Em seu chão, despido da madeira polida que a cobriam, brotam ervas daninhas. Entre a vegetação que busca minimizar as doces recordações do passado, surge a figura amarela e suave da margarida, flor-mulher. As nuanças de suas cores sorriem e denunciam lembranças de seus ocupantes. A velha casa está em ruínas. Pássaros saltitam e gorjeiam nas amuradas que a cercam. Seus trinados são melodias no altar do tempo à espera de redentoras orações. Raízes vorazes de grandes árvores infiltraram-se entre as pedras do alicerce e abalam suas estruturas. Agoniza a velha casa. Agora, somente imagens desfilam, ao longo das noites. As janelas são bocas escancaradas. A casa velha em ruínas clama por vozes e movimentos... (Geraldo M. de Carvalho) De acordo com a tipologia textual, o texto acima: (A) é descritivo, com traços dissertativos compondo um ambiente nostálgico. (B) possui descrição subjetiva apenas no trecho "A velha casa não mais abriga vidas em seu interior. Tudo é passado. Tudo é lembrança." (C) ocorre uma descrição objetiva narrativa no trecho todo. (D) é formado basicamente de descrições subjetivas. 02. (PREFEITURA DE RIO NOVO DO SUL/ES – AGENTE FISCAL – IDECAN/2015) Como cuidar de seu dinheiro em 2015 Gustavo Cerbasi. Em 2015, cuidarei bem do meu dinheiro. Organizarei bem os números e as verbas. Esses números mudarão bastante ao longo do ano. Um monstro chamado inflação ronda o país. Só que, agora, ele usa um manto da invisibilidade, que ganhou de seu criador, o governo. Quando morder meu bolso, eu nem saberei de onde terá vindo o ataque, não terei tempo de me defender. Por isso, deixarei boas gorduras no orçamento para atirar a ele, quando aparecer. Essas gorduras serão chamadas de verba para lazer e reservas de emergência. Em 2015, não farei apostas. Já há gente demais apostando em imóveis, ações e outros investimentos especulativos. Farei escolhas certeiras. Deixarei a maior parte de meu investimento na renda fixa. Ela está com uma generosidade única no mundo. Enquanto isso, estudo o desespero de especuladores que aguardarão a improvável recuperação dos imóveis, da Petrobras, da credibilidade dos mercados. Quando esses especuladores jogarem a toalha, usarei parte de minhas reservas para fazer investimentos bons e baratos. Mas não na Petrobras. Muita gente fala que, com a inflação e a recessão, pode perder o emprego ou os clientes. Faltará renda, faltarão consumidores. O ano de 2015 será, mais uma vez, ruim para quem vende. Será um ano 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 19 bom paraquem pensa em comprar. Estarei atento aos bons negócios para quem tem dinheiro na mão. Se a renda fixa paga bem, a compra à vista tende a me dar descontos maiores. É por esse mesmo motivo que, em 2015, evitarei as dívidas. Os juros estão altos e isso me convida a poupar, e não a alugar dinheiro dos bancos. Dívidas de longo prazo são corrigidas pela inflação, também em alta. Por isso, aproveitarei os ganhos extras de fim de ano para liquidar dívidas e me policiar para não contrair novas. No ano que começa, também não quero fazer papel de otário e deixar nas mãos do governo mais impostos do que preciso. Não sonegarei. Mas aproveitarei o fim do ano para organizar meus papéis e comprovantes, planejar a declaração de Imposto de Renda de março e tentar a maior restituição que puder, ou o mínimo pagamento necessário. Listarei meus gastos com dependentes, educação e saúde, doarei para instituições que fazem o bem, aplicarei num PGBL o que for necessário para o máximo benefício. Entregarei minha declaração quanto antes, no início de março. Quero ver minha restituição na conta mais cedo, já que 2015 será um ano bom para quem tiver dinheiro na mão. Para quem lamenta, recomendo cuidado com o monstro e com o governo. Para quem está atento às oportunidades, desejo boas compras. (Disponívelem:http://epoca.globo.com/colunas‐e‐blogs/gustavo‐cerbasi/noticia/2015/01/como‐cuidar‐de‐bseu‐dinheirob‐em‐2015.html Acesso em: 06/02/2015.) De acordo com a tipologia textual, o objetivo principal do autor é: (A) narrar. (B) instruir. (C) descrever. (D) argumentar. 03. (UFRJ – Assistente em Administração – PR-4 CONCURSOS /2015) “Ao final dos anos 80, a Petrobras se encontrava diante do desafio de produzir petróleo em águas abaixo de 500 metros, feito não conseguido então por nenhuma companhia no mundo. Num gesto de ousadia, decidiu desenvolver no Brasil a tecnologia necessária para produzir em águas até mil metros. O sucesso foi total. Menos de uma década depois, a Petrobras dispõe de tecnologia comprovada para produção de petróleo em águas muito profundas. O último recorde foi obtido em janeiro de 1999 no campo de Roncador, na bacia de Campos, produzindo a 1.853 metros de profundidade. Mas a escalada não para. Ao encerrar-se a década, a empresa prepara-se para superar, mais uma vez, seus próprios limites. A meta, agora, são os 3 mil metros de profundidade, a serem alcançados mediante projetos que aliam a inovação tecnológica à redução de custos. “ Exposição PETROBRAS em 60 momentos. Agência Petrobras O tipo textual predominante que caracteriza o texto é a: (A) narração. (B) predição (C) instrução (D) descrição. (E) argumentação 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 20 04. (ELETROBRAS– Eletricista/Motorista – IADES /2015) Por isso foi à luz de uma vela mortiça Que li, inserto na cama, O que estava à mão para ler -- (...) Em torno de mim o sossego excessivo de noite de província Fazia um grande Barulho ao contrário, Dava-me uma tendência do choro para a desolação. A “Primeira Epístola aos Coríntios” ... Relia-a à luz de uma vela subitamente antiquíssima, E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim... Sou nada... Sou uma ficção... Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo? “Se eu não tivesse a caridade.” E a soberana luz manda, e do alto dos séculos, A grande mensagem com que a alma é livre... “Se eu não tivesse a caridade...” Meu Deus, e eu que não tenho a caridade. CAMPOS, Álvaro de. (Heterônimo de Fernando Pessoa). Ali não havia eletricidade. In: “Poemas”. Disponível em:< http:// www.citador.pt/poemas/>. Acesso em: 5 jan. 2015, com adaptações. A respeito da tipologia textual, é correto afirmar que o poema representa uma (A) narração. (B) argumentação. (C) descrição. (D) caracterização. (E) dissertação. Respostas 01. Resposta D Objetividade – Análise, crítica imparcial, opinar sem interferir no assunto, linguagem predominantemente dissertativa. Subjetividade – Analisar um fato, criticar, escrever sobre algo emitindo sua opinião pessoal ou seu sentimento sobre o assunto em questão, o que vem de dentro do narrador. 02. Resposta D Argumentar é expressar uma convicção, um ponto de vista, que é desenvolvido e explicado de forma a persuadir o ouvinte/leitor. Para isso é necessário que apresentemos um raciocínio coerente e convincente, baseado na verdade, e que influencie o outro, levando-o a agir/pensar em conformidade com os nossos objetivos. 03. Resposta: A. Narrar é contar um fato, e como todo fato ocorre em determinado tempo, em toda narração há sempre um começo um meio e um fim. São requisitos básicos para que a narração esteja completa. (CORRETA) Predição: Processo de determinação de acontecimentos futuros com base em dados subjetivos. Instrução é explicação, esclarecimentos dados para uso especial: leiam as instruções da bula, antes de tomar o remédio. Descrição: sempre que você expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a alguém, está fazendo uso da descrição. Argumentar é a capacidade de relacionar fatos, teses, estudos, opiniões, problemas e possíveis soluções a fim de embasar determinado pensamento ou ideia. 04. Resposta: A. É possível perceber no poema uma sutil ideia de sucessão temporal, caracterizando-o, assim, como narração. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 21 Interpretação A literaturaé a arte de recriar através da língua escrita. Sendo assim, temos vários tipos de gêneros textuais, formas de escrita; mas a grande dificuldade encontrada pelas pessoas é a interpretação de textos. Muitos dizem que não sabem interpretar, ou que é muito difícil. Se você tem pouca leitura, consequentemente terá pouca argumentação, pouca visão, pouco ponto de vista e um grande medo de interpretar. A interpretação é o alargamento dos horizontes. E esse alargamento acontece justamente quando há leitura. Somos fragmentos de nossos escritos, de nossos pensamentos, de nossas histórias, muitas vezes contadas por outros. Quantas vezes você não leu algo e pensou: “Nossa, ele disse tudo que eu penso”. Com certeza, várias vezes. Temos aí a identificação de nossos pensamentos com os pensamentos dos autores, mas para que aconteça, pelo menos não tenha preguiça de pensar, refletir, formar ideias e escrever quando puder e quiser. Tornar-se, portanto, alguém que escreve e que lê em nosso país é uma tarefa árdua, mas acredite, valerá a pena para sua vida futura. Mesmo que você diga que interpretar é difícil, você exercita isso a todo o momento. Exercita através de sua leitura de mundo. A todo e qualquer tempo, em nossas vidas, interpretamos, argumentamos, expomos nossos pontos de vista. Mas, basta o(a) professor(a) dizer “Vamos agora interpretar esse texto” para que as pessoas se calem. Ninguém sabe o que calado quer, pois ao se calar você perde oportunidades valiosas de interagir e crescer no conhecimento. Perca o medo de expor suas ideias. Faça isso como um exercício diário e verá que antes que pense, o medo terá ido embora. Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz de produzir interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar). Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há certa informação que a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente daquele inicial. Intertexto - comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na prova. Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: Identificar - reconhecer os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo). Comparar - descobrir as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto. Comentar - relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito. Resumir - concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só parágrafo. Parafrasear - reescrever o texto com outras palavras. Exemplo Título do Texto Paráfrases “O Homem Unido” A integração do mundo. A integração da humanidade. A união do homem. Homem + Homem = Mundo. A macacada se uniu. (sátira) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 22 Condições Básicaspara Interpretar Faz-se necessário: - Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática. - Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico. Na semântica (significado das palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre outros. - Capacidade de observação e de síntese. - Capacidade de raciocínio. Interpretar X Compreender Interpretar Significa Compreender Significa Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. Tipos de enunciados: - através do texto, infere-se que... - é possível deduzir que... - o autor permite concluir que... - qual é a intenção do autor ao afirmar que... Intelecção, entendimento, atenção ao que realmente está escrito. Tipos de enunciados: - o texto diz que... - é sugerido pelo autor que... - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação... - o narrador afirma... Erros de Interpretação É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes são: - Extrapolação (viagem). Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela imaginação. - Redução. É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema desenvolvido. - Contradição. Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e, consequentemente, errando a questão. Observação: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada mais. Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacionam palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma conjunção (nexos), ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito. São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer também de que os pronomes relativos têm cada um valor semântico, por isso a necessidade de adequação ao antecedente. Os pronomes relativos são muito importantes na interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que existe um pronome relativo adequado a cada circunstância, a saber: Que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente. Mas depende das condições da frase. Qual (neutro) idem ao anterior. Quem (pessoa). Cujo (posse) - antes dele, aparece o possuidor e depois, o objeto possuído. Como (modo). Onde (lugar). Quando (tempo). Quanto (montante). Exemplo: Falou tudo quanto queria (correto). Falou tudo que queria (errado - antes do que, deveria aparecer o demonstrativo o). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 23 Vícios deLinguagem – há os vícios de linguagem clássicos (barbarismo, solecismo, cacofonia...); no dia a dia, porém, existem expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito cometem-se erros graves como: - “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de morte. - “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome oblíquo átono correto é “o”. - “No bar: Me vê um café”. Além do erro de posição do pronome, há o mau uso. Algumas dicas para interpretar um texto: - O autor escreveu com uma intenção - tentar descobrir qual é, qual é a chave. - Leia todo o texto uma primeira vez de forma despreocupada - assim você verá apenas os aspectos superficiais primeiro. - Na segunda leitura observe os detalhes, visualize em sua mente o cenário, os personagens - Quanto mais real for a leitura na sua mente, mais fácil será para interpretar o texto. - Duvide do(a) autor(a), leia as entrelinhas, perceba o que o(a) autor(a) te diz sem escrever no texto. - Não tenha medo de opinar - Já vi terem medo de dizer o que achavam e a resposta estaria correta se tivessem dito. - Visualize vários caminhos, várias opções e interpretações, só não viaje muito na interpretação. Veja os caminhos apontados pela escrita do(a) autor(a). Apegue-se aos caminhos que lhe são mostrados. - Identifique as características físicas e psicológicas dos personagens - Se um determinado personagem tem como característica ser mentiroso, por exemplo, o que ele diz no texto poderá ser mentira não é mesmo? Analisar e identificar os personagens são pontos necessários para uma boa interpretação de texto. - Observe a linguagem, o tempo e espaço, a sequência dos acontecimentos. O feedback conta muito na hora de interpretar. - Analise os acontecimentos de acordo com a época do texto, assim, certas contradições ou estranhamentos vistos por você podem ser apenas a cultura da época sendo demonstrada. - Leia quantas vezes achar que deve - Não entendeu? Leia de novo. Nem todo dia estamos concentrados e a rapidez na leitura vem com o hábito. Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de leitura: Informativa e de reconhecimento; Interpretativa: A primeira leitura deve ser feita cuidadosamente por ser o primeiro contato com o texto, extraindo-se informações e se preparando para a leitura interpretativa. Durante a interpretação grife palavras-chave, passagens importantes; tente ligar uma palavra à ideia-central de cada parágrafo. A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas e opções de respostas. Marque palavras com não, exceto, respectivamente, etc, pois fazem diferença na escolha adequada. Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global proposto pelo autor. Organização do Texto e Ideia Central Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos parágrafos que é composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. Podemos desenvolver um parágrafo de várias formas: - Declaração inicial; - Definição; - Divisão; - Alusão histórica. Serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista os diversos enfoques. Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da margem esquerda. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira clara e resumida. Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do texto. Os Tipos de Texto Basicamente existem três tipos de texto: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 24 - Textonarrativo; - Texto descritivo; - Texto dissertativo. Cada um desses textos possui características próprias de construção, que veremos no tópico seguinte (Tipologia Textual). É comum encontrarmos queixas de que não sabem interpretar textos. Muitos têm aversão a exercícios nessa categoria. Acham monótono, sem graça, e outras vezes dizem: cada um tem o seu próprio entendimento do texto ou cada um interpreta a sua maneira. No texto literário, essa ideia tem algum fundamento, tendo em vista a linguagem conotativa, os símbolos criados, mas em texto não literário isso é um equívoco. Diante desse problema, seguem algumas dicas para você analisar, compreender e interpretar com mais proficiência. - Crie o hábito da leitura e o gosto por ela. Quando nós passamos a gostar de algo, compreendemos melhor seu funcionamento. Nesse caso, as palavras tornam-se familiares a nós mesmos. Não se deixe levar pela falsa impressão de que ler não faz diferença. Leia tudo que tenha vontade, com o tempo você se tornará mais seleto e perceberá que algumas leituras foram superficiais e, às vezes, até ridículas. Porém elas foram o ponto de partida e o estímulo para se chegar a uma leitura mais refinada. Existe tempo para cada momento de nossas vidas. - Seja curioso, investigue as palavras que circulam em seu meio. - Aumente seu vocabulário e sua cultura. Além da leitura, um bom exercício para ampliar o léxico é fazer palavras cruzadas. - Faça exercícios de sinônimos e antônimos. - Leia verdadeiramente. - Leia algumas vezes o texto, pois a primeira impressão pode ser falsa. É preciso paciência para ler outras vezes. Antes de responder as questões, retorne ao texto para sanar as dúvidas. - Atenção ao que se pede. Às vezes a interpretação está voltada a uma linha do texto e por isso você deve voltar ao parágrafo para localizar o que se afirma. Outras vezes, a questão está voltada à ideia geral do texto. - Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do conhecimento, porque algumas perguntas extrapolam ao que está escrito. Veja um exemplo disso: Texto: Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado. Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer- se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos. (Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes) Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram: (A) os portugueses. (B) os negros. (C) os índios. (D) tanto os índios quanto aos negros. (E) a miscigenação de portugueses e índios. (Aquino, Renato. Interpretação de textos, 2ª edição. Rio de Janeiro: Impetus, 2003.) Resposta “C”. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é possível concluir pelas características apresentadas no texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto. - Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir: (1) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes. (2) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes. (3) Os alunos dedicados passaram no vestibular. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 25 (4) Osalunos, dedicados, passaram no vestibular. (5) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi. (6) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi. Explicações: (1) Diego fez sozinho o trabalho de artes. (2) Apenas o Diego fez o trabalho de artes. (3) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não dedicados e passaram no vestibular somente os que se dedicaram, restringindo o grupo de alunos. (4) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados. (5) Marcão é chamado para cantar. (6) Marcão pratica a ação de cantar. Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele: “Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescentes com hormônios em ebulição e com o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, a relação comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor”. Frase para análise. Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. E esse é o grande desafio do professor moderno. - Não é mencionado que a escola seja da rede privada. - O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez parte do desafio do magistério. Outra questão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do desafio, há também os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério. - Atenção ao uso da paráfrase (reescrita do texto sem prejuízo do sentido original). Veja o exemplo: (RECEITA FEDERAL – AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – ESAF/2012 - ADAPTADA) Texto para a questão: O último esteio importante da legislação sindical do Estado Novo foi o imposto sindical, criado em 1940. A despeito das vantagens concedidas aos sindicatos oficiais. muitos deles tinham dificuldade em sobreviver, por falta de recursos. O imposto sindical veio dar-lhes o dinheiro sem exigir esforço algum de sua parte. A solução foi muito simples: de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, era descontado anualmente, na folha de pagamento, o salário de um dia de trabalho. Os empregadores também contribuíam. Do total arrecadado. 60% ficavam com o sindicato da categoria profissional, 15% iam para as federações, 5% para as confederações. (José Murilo de Carvalho, Cidadania no Brasil - o longo caminho. RJ. Civilização Brasileira, 2004. p. 121. com adaptações) Assinale a paráfrase correta e adequada do período: “A solução foi muito simples: de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, era descontado anualmente, na folha de pagamento, o salário de um dia de trabalho.” (A) Descontava-se um dia de trabalho do salário, na folha de pagamento anual, dos sindicalizados ou não, de todos os trabalhadores, como solução fácil para a falta de recursos do imposto sindical. (B) Para solucionar a escassez de recursos dos sindicatos, a solução se encaminhou no sentido de serem descontados, de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, da folha anual de pagamento, o salário de um dia de trabalho. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 26 (C) Paraconseguirem sobreviver, os sindicatos adotaram uma solução simples de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não – o desconto anual, na folha de pagamento, do salário de um dia de trabalho. (D) Não foi complicada achar a solução. De todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, descontava- se um dia de trabalho, anualmente, juntamente com a folha de pagamento. (E) Foi simples a solução adotada – seria descontado anualmente, na folha de pagamento de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, o valor equivalente a um dia de trabalho. Resposta correta: E Alternativa A: "Descontava-se um dia de trabalho do salário" – a frase está incoerente, o dia de trabalho era descontado do trabalhador, não do salário. Alternativa B: "(...) no sentido de serem descontados (...) o salário de um dia" – problemas na concordância singular/plural. O salário de um dia deve ser descontado e não descontados. Alternativa C: a alternativa torna-se incorreta pela falta de pontuação, vírgula, veja: “os sindicatos adotaram uma solução simples de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não(...)” – incorreta “os sindicatos adotaram uma solução simples, de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não(...)” – correta Alternativa D: "Não foi complicada achar a solução" - Achar é complicado, o correto seria: “Não foi complicado achar a solução”. - A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas: substituição de locuções por palavras; uso de sinônimos; mudança de discurso direto por indireto e vice-versa; converter a voz ativa para a passiva; emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia; o povo lusitano = portugueses). Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases. Exemplos: - Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores. - Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores. - Os alunos determinados pediram ajuda aos professores. - Determinados alunos pediram ajuda aos professores. Explicações: - Certos alunos = qualquer aluno. - Alunos certos = aluno correto. - Alunos determinados = alunos decididos. - Determinados alunos = qualquer aluno. Questões 01. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC - PM/BA - Soldado da Polícia Militar) Desde o desenvolvimento da linguagem, há 5.000 anos, a espécie humana passou a ter seu caminho evolutivo direcionado pela cultura, cujos impulsos foram superando a limitação da biologia e os açoites da natureza. Foi pela capacidade de pensar e de se comunicar que a humanidade obteve os meios para escapar da fome e da morte prematura. O atual empuxo tecnológico se acelerou de tal forma que alguns felizardos com acesso a todos os recursos disponíveis na vanguarda dos avanços médicos, biológicos, tecnológicos e metabólicos podem realisticamente pensar em viver em boa saúde mental e física bem mais do que 100 anos. O prolon- gamento da vida saudável, em razão de uma velhice sem doenças, já foi só um exercício de visionários. Hoje é um campo de pesquisa dos mais sérios e respeitados. Robert Fogel, o principal formulador do conceito da evolução tecnofísica, e outros estudiosos estão projetando os limites dessa fabulosa caminhada cultural na qualidade de vida dos seres humanos. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 27 Quando sededicam a essa tarefa, os estudiosos esbarram, em primeiro lugar, nas desigualdades de renda e de acesso às inovações. Fazem parte das conjecturas dos estudiosos a questão ambiental e a necessidade urgente de obtenção e popularização de novas formas de energia menos agressivas ao planeta. (Adaptado de Revista Veja, 25 de abril de 2012 p 141) ... a espécie humana passou a ter seu caminho evolutivo direcionado pela cultura, cujos impulsos foram superando a limitação da biologia ... (1º parágrafo) O sentido do segmento grifado acima está reproduzido com outras palavras, respeitando-se a lógica, a correção e a clareza, em: (A) o caminho da evolução da humanidade, apesar das limitações biológicas, passam ainda hoje pelo desenvolvimento c cultural, que as possibilita. (B) o desenvolvimento cultural da humanidade permitiu descobrir as causas de problemas que afetavam a saúde das pessoas, bem como combater as doenças. (C) os problemas de origem física, como uma doença, nem sempre foi possível resolvê-la, com base nos problemas resultantes da biologia. (D) com o desenvolvimento da cultura humana, descobriu-se as leis da biologia e do ambiente que viviam, permitindo-os evoluir com mais saúde. (E) as descobertas científicas da biologia veio permitir que a humanidade fosse se tornando mais capaz de evoluir por um tempo mais longo e com saúde. 02. (IBAM - Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM) A historieta a seguir deverá ser utilizada para resolver a questão a seguir. Tendo por base a frase “Venha aqui, seu vagabundo”, analise as afirmações seguintes. I. Temos na oração, um verbo conjugado no modo imperativo. II. O vocábulo “seu”, no caso, é um pronome possessivo. III. A vírgula foi empregada para isolar o vocativo. É correto o que se afirmou em: (A) I, apenas. (B) I e III, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I, II e III. 03. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática - MPE) Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depois de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira amigo de todo mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos fracos - uma forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções ______ qualquer regra, todos os estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet são mais fracas, sim, do que aquelas que nascem e se desenvolvem fora dela. Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes do seu e, por isso, podem lhe apresentar novas pessoas e ampliar seus horizontes - gerando uma 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 28 renovação deideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. O problema é que a maioria das redes na Internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela. Como é meio grosseiro dizer “não’ ________ alguém que você conhece, todo mundo acaba adicionando todo mundo. E isso vai levando ________ banalização do conceito de amizade. É verdade. Mas, com a chegada de sítios como O Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é uma rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de “seguidos” de alguém possam se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter, o sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus Amigos tinham começado a se comunicar entre si Independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o próprio Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter, eu posso me interessar pelo que você tem a dizer e começar a te seguir. Nós não nos conhecemos. Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar seu nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar pelos seus tuítes e começar a seguir você. Em suma, nós continuaremos não nos conhecendo, mas as pessoas que estão _______ nossa volta podem virar amigas entre si. Considere as seguintes afirmações. I. Através do uso do advérbio sim (L. 8), o autor valida a assertiva de que as redes sociais tendem a transformar elos latentes (L. 05) em elos fracos (L. 06). II. Por meio da frase Isso não é inteiramente ruim (L. 09), o autor manifesta-se favorável à afirmação de que as melhores amizades são aquelas que descobrimos fora das redes sociais. III. Mediante o emprego do segmento É verdade (L. 17), o autor reitera sua opinião a respeito do caráter trivial que a concepção de amizade vem assumindo nas redes sociais. Quais estão corretas, de acordo com o texto? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 04. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) Leia a tira. No segundo quadrinho, a fala da personagem revela: (A) hesitação. (B) indiferença. (C) contradição. (D) raiva. (E) exaltação. 05. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) Saber é trabalhar Geralmente, numa situação de altos índices de desemprego, o trabalhador sente a necessidade de aprimorar a sua formação para obter um posto de trabalho. As empresas buscam os mais qualificados em cada categoria e excluem os que não se encaixam no perfil pretendido. Nos últimos anos, essa não tem sido a lógica vigente no Brasil. Segundo a pesquisa de emprego urbano feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e pela Fundação Seade (Sistema Estadual De Análise de Dados), os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 29 sucessivas de2005 para cá. O desemprego em nove regiões metropolitanas medido pela pesquisa era de 17,9% em 2005 e fechou em 11,9% em 2010. A pesquisa do Dieese é um medidor importante, pois sua metodologia leva em conta não só o desemprego aberto (quem está procurando trabalho), como também o oculto (pessoas que desistiram de procurar ou estão em postos precários). Uma das consequências dessa situação é apontada dentro da própria pesquisa, um aumento médio no nível de rendimentos dos trabalhadores ocupados. A outra é a dificuldade que as empresas têm de encontrar mão de obra qualificada para os postos de trabalho que estão abertos. A Fundação Dom Cabral apresentou, em março, a pesquisa Carência de Profissionais no Brasil. A análise levou em conta profissionais dos níveis técnico, operacional, estratégico e tático. Do total, 92% das empresas admitiram ter dificuldade para contratar a mão de obra de que necessitam. (Língua Portuguesa, outubro de 2011, Adaptado) De acordo com o texto “Saber é Trabalhar” responda: O texto revela que, no Brasil, (A) as empresas estão mais rigorosas para selecionar os mais qualificados. (B) os índices de desemprego têm se elevado continuamente nas regiões metropolitanas. (C) os trabalhadores têm investido mais do que o necessário em sua formação profissional. (D) as pesquisas sobre emprego são pouco consistentes e confiáveis. (E) as empresas convivem com a carência de mão de obra qualificada. 06. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) A frase inicial do texto – Geralmente, numa situação… um posto de trabalho. – expressa as condições gerais em uma situação de altos índices de desemprego. De acordo com essas condições, (A) o perfil de profissional pretendido nem sempre é bem definido nas empresas. (B) o desemprego aumenta em decorrência da qualificação profissional. (C) a formação de um profissional é, via de regra, questão secundária na sua contratação. (D) a qualificação profissional é um caminho para se conseguir um emprego. (E) o profissional deve ter qualificação inferior em relação às pretensões da empresa. 07. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) De acordo com o texto “Saber é Trabalhar” responda: No contexto em que se insere o período – A outra é a dificuldade que as empresas têm de encontrar mão de obra qualificada para os postos de trabalho que estão abertos. – (3.º parágrafo), entende-se que a expressão “A outra” refere-se a: (A) consequências. (B) lógica. (C) pesquisa. (D) situação. (E) metodologia. 08. (Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM) O velho Chico Buarque O velho sem conselhos De joelhos De partida Carrega com certeza Todo o peso Da sua vida A vida inteira, diz que se guardou Do carnaval, da brincadeira Que ele não brincou. Me diga agora O que é que eu digo ao povo 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 30 O queé que tem de novo Pra deixar Nada Só a caminhada Longa, pra nenhum lugar. Nos versos da música “O velho”, Chico Buarque de Holanda retrata a vida de um homem que: (A) temia envelhecer. (B) não soube aproveitar a vida. (C) foi apaixonado pelo carnaval. (D) tinha orgulho de suas conquistas. 09. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC) Minha jangada vai sair pro mar Vou trabalhar, meu bem querer Se Deus quiser quando eu voltar do mar Um peixe bom eu vou trazer Meus companheiros também vão voltar E a Deus do céu vamos agradecer Os versos acima, de uma música de Dorival Caymmi, abordam predominantemente, (A) o trabalho dos pescadores, na busca de sua sobrevivência cotidiana. (B) o respeito às condições ambientais como garantia da preservação dos recursos da natureza. (C) a competição acirrada entre os pescadores pelos melhores pontos de pesca, (D) a religiosidade dos pescadores, em que se misturam elementos de origem africana. (E) a exploração a que estão sujeitos os trabalhadores que dependem do mar para sobreviver. 10. (IFC - Analista de Tecnologia da Informação - IFC) Texto 1 O futuro do trabalho “[...] Seja como for, é preciso resolver os problemas do desemprego e da informalidade, que são mais acentuados nos países subdesenvolvidos. O caminho é estabelecer políticas de geração de empregos, além de garantir melhores condições para os trabalhadores em ocupações precárias. Uma das saídas é a redução da jornada de trabalho: as pessoas trabalham menos para que se abram vagas para as desempregadas. Outra estratégia é instituir programas de formação profissional e de microcrédito para trabalhadores autônomos, desempregados e pequenas empresas.” Vestibular-Editora Abril, nov., 2002. Texto 2 Conflito de gerações “- Marquinhos... Marquinhos! [...] O filho tentou disfarçar, lá no fundo do quintal, tirando meleca do nariz, mas, quando a mãe chamava assim, era melhor ir. Na cozinha, a mãe ao lado da geladeira aberta, com uma garrafa e um saco plástico vazios nas mãos: - Você comeu toda a salsicha?! - Não é bem verdade...Eu só usei as salsichas pra acabar com a mostarda. Já estava até verde! Alguém ia acabar comendo estragado e ficar doente. [...] - Você tem resposta pra tudo, não?! - Não é bem verdade... é a senhora que sempre pergunta. - Você é uma gentinha! Só uma gentinha, tá entendendo? O filho ficou olhando praquela mãe batendo com o pé no chão, bem nervosa mesmo, mais alta que a geladeira e tudo. Aí foi obrigado a dizer: - É... isso eu acho que é verdade.” BONASSI, Fernando. In: Folha de São Paulo, 23 nov. 2002. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 31 Ao analisara linguagem e o discurso do texto 1 e do texto 2 respectivamente. Assinale a alternativa CORRETA: (A) no texto 1, a linguagem é mais informal, seguindo à norma padrão; utiliza-se ainda o discurso indireto, envolvendo questões sociais. No texto 2, percebe-se uma linguagem menos informal e um discurso direto entre mãe e filho. (B) no texto 1, a linguagem é coloquial, seguindo à norma padrão; tem-se ainda o discurso indireto e direto, aplicado à interpretação do cotidiano. Já no texto 2, a linguagem é formal, ocorre ainda um diálogo entre mãe e filho. (C) no texto 1, a linguagem é mais formal, obedecendo à norma culta; consegue-se ainda identificar um discurso indireto, aplicado interpretativamente às questões sociais. Já no texto 2, além de uma linguagem informal, em que se notam repetições e frases, ocorre, também, um diálogo entre mãe e filho. (D) no texto 1, a linguagem é formal, segundo à norma culta; tem-se ainda a presença do discurso direto que revela questões da comunidade. Já no texto 2, a linguagem é culta e o discurso é direto. (E) no texto 1, a linguagem é menos formal, no entanto, segue à norma culta; identifica-se ainda o discurso indireto, aplicado à análise do cotidiano. No texto 2, a linguagem é coloquial e o discurso é direto entre mãe e filho. 11. (UEAP – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – CS UFG/2014) Disponível em: < http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/comportamento/viver-com-menos > No texto, a repetição do verbo “querer" e a única ocorrência do verbo “precisar" colocam em evidência (A) a oposição entre a variedade dos desejos dos indivíduos e as suas necessidades mínimas reais. (B) o significado indistinto entre os dois verbos que se traduz pelo excesso de vontade por algo implícito na imagem. (C) o dinamismo do enunciador expresso pelas múltiplas necessidades apresentadas por ele para atender os diversos setores de sua vida. (D) a remissão ao gênero textual “bilhete" como forma de evitar que o interlocutor potencial se esqueça de comprar o produto pedido pelo enunciador. Respostas 01. Resposta B “Caminho evolutivo direcionado pela cultura em outras palavras”: o desenvolvimento cultural 02. Resposta B SEU = pode ser empregado como pronome possessivo ou como pronome de tratamento (forma utilizada na questão acima). Observe abaixo um pouco do que diz o dicionário Houaiss sobre a utilização da palavra SEU como pronome de tratamento: Seu. senhor ('tratamento respeitoso') (Empregado diante de nome de pessoa, ou de outro axiônimo, ou de palavra designativa de profissão.) (seu Joaquim) (seu doutor) (seu delegado). GRAM fem.: sinhá, 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 32 sinha, siá,sia, senhora. Uso empregado também com valor afetivo (seu bobinho!), de forma jocosa (p. ex.: aposto que seu Tiago saberá a resposta - sendo Tiago uma pessoa jovem) ou disfêmica (seu pateta!), ou, ainda, com matiz interjetivo (tinha coragem de me enfrentar nada, seu!); nestes casos, há no Brasil os fem. sua, senha, sinha. 03. Resposta D No número II o autor deixa claro no texto, que as amizades formadas por redes sociais não são duradoras nem possuem uma base sólida. Já no número III, a concepção de amizade proveniente de redes sociais, esbarra em um ponto importante, aquela amizade de curtir fotos, comentários mas nada profundo com sentimento. 04. Resposta B Sim, o sentimento expresso no segundo quadrinho é de indiferença, visto que ele não se importa se a grama do vizinho é mais verde ou não. 05. Resposta E Segundo o texto, cada vez menos os candidatos a uma vaga de emprego se especializam ou possuem um diferencial na hora de concorrer à uma vaga de emprego. 06. Resposta D Aqueles que não possuem um diferencial, uma maior qualificação, estão sujeitos a ficar sem emprego, pois não possuem nada novo para oferecer às empresas. 07. Resposta A Consequência, pois antes já estava enumerado outros motivos para a falta de qualificação dos candidatos a um emprego. 08. Resposta B No trecho que ele diz: “A vida inteira, diz que se guardou do carnaval, da brincadeira que ele não brincou”... com este trecho é possível chegar a resposta “B” ele não aproveitou a vida. 09. Resposta A Somente o o trecho: Se Deus quiser quando eu voltar do mar, um peixe bom eu vou traxer”, já é possível perceber qual é a ideia de sua canção. A volta dos pescadores depois de um período no mar. 10. Resposta C No texto 1 o autor descreve um problema e apresenta a solução, em uma linguagem mais culta. Já no texto 2 temos um diálogo entre mãe e filho, o que não é necessário o uso da linguagem formal. 11. Resposta A A imagem representada por bilhetes contendo mensagens construídas a partir dos verbos “querer” e “precisar” são colocadas lado a lado para criar o contraste/comparação entre os desejos humanos e suas reais necessidades. Semântica A semântica é o estudo do significado. Incide sobre a relação entre significantes, tais como palavras, frases, sinais e símbolos, e o que eles representam, a sua denotação. A semântica linguística estuda o significado usado por seres humanos para se expressar através da linguagem. Outras formas de semântica incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica formal, e semiótica. Em sentido largo, pode-se entender semântica como um ramo dos estudos linguísticos que se ocupa dos significados produzidos pelas diversas formas de uma língua. Dentro dessa definição ampla, pertence Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em português 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 33 ao domínioda semântica tanto a preocupação com determinar o significado dos elementos constituintes das palavras (prefixo, radical, sufixo) como o das palavras no seu todo e ainda o de frases inteiras. Segundo o Professor Fabiano Sales, Preposição é uma classe de palavras com o objetivo de ligar palavras e orações. Nessas ligações, as preposições podem, ou não, acrescentar valor semântico ao período. Preposições que são apenas uma exigência do termo antecedente, isto é, que não acrescentam qualquer valor semântico, são chamadas de relacionais. As preposições relacionais introduzem o objeto indireto ou o complemento nominal. Exemplos: Necessito de chocolate. (de chocolate = objeto indireto) Ele é essencial para o grupo. (para o grupo = complemento nominal) Preposições essenciais: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás. A A persistirem os sintomas, o médico deve ser consultado. (condição) O filho puxou ao pai. (conformidade, semelhança) Nas férias passadas, viajamos a Roma. (destino) Candidatos, façam a prova a caneta. (instrumento) COM Os moradores perderam tudo o que tinham com as enchentes. (causa) Amanhã sairei com amigos. (companhia) No próximo domingo, o Flamengo jogará com o Botafogo. (oposição) A idosa bateu no ladrão com a bengala. (instrumento) A moça estava atrasada; caminhava com pressa. (modo) Com certeza, iremos ao teatro no feriado. (afirmação) No sistema capitalista, as pessoas somente sobrevivem com recursos. (condição) DE Saí de casa. (origem) Falaram de você. (assunto) Veio de táxi. (meio) A menina chorou de raiva. (causa) Os siris andam de lado. (modo) Voltemos de noite. (tempo) Comprei um relógio de ouro. (matéria) Aquele livro é de Marcelo. (posse) Ontem, bebemos dois copos de vinho. (conteúdo) Estou sob a mesa. (lugar) O bicheiro caminhava de anel no dedo. (companhia) EM Hoje à noite, estarei em casa. (lugar) Formou-se em Direito. (especialidade) O relógio é feito em ouro. (matéria) Tenho que apresentar o tema em quinze minutos. (tempo) PARA O bombeiro veio para socorrê-lo. (finalidade) Viajou para a Itália. (destino) Para João, Flamengo é o melhor time do campeonato. (conformidade) É proibida a venda de bebidas para menores de dezoito anos. (restrição) POR Comprei o livro por cem reais. (preço) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 34 Distantes, osnamorados falavam-se por internet. (meio) Viajamos por diversas cidades. (lugar) “Eu sei que vou te amar / por toda a minha vida” (tempo) – Vinícius de Moraes Conectores: são palavras ou expressões que servem para conectar (ligar, unir) vários segmentos Linguísticos, como exemplo: as frases no período, os períodos no parágrafo e os parágrafos no texto. Incluem-se no grupo de conectores as seguintes subclasses gramaticais de palavras: - conjunções (e; pois...) - locuções conjuncionais (além disso; no entanto...) - advérbios (depois; finalmente...) - locuções adverbiais (em seguida; por último...) - algumas orações reduzidas – orações sem conjunção e com o verbo numa forma nominal – gerúndio, infinitivo ou particípio – (concluindo; para terminar; feito isto). Funções: Adicionar / Enumerar: e; além disso; não só...mas também; depois; finalmente; seguidamente; em primeiro lugar; em seguida; por um lado...por outro; adicionalmente; ainda; do mesmo modo; pela mesma razão; igualmente; também; de novo;... Sintetizar / Concluir: logo; pois; assim; por isso; por conseguinte; portanto; enfim; em conclusão; concluindo; em suma;... Particularizar: especificamente; nomeadamente; por exemplo; em particular;... Explicar / Exemplificar: pois; porque; porquanto; por causa de; uma vez que; especificamente; nomeadamente; isto é; ou seja; quer dizer; por exemplo; em particular; como se pode ver; é o caso de; é o que se passa com;... Inferir: assim; consequentemente; daí; então; logo; pois; deste modo; portanto; em consequência; por conseguinte; por esta razão; por isso;... Substituir / Reformular: mais corretamente; mais precisamente; ou melhor; quer dizer; dito de outro modo; por outras palavras;... Contrariar / Opor / Restringir: porém; contrariamente; em vez de; pelo contrário; por oposição; ainda assim; mesmo assim; apesar de; contudo; no entanto; por outro lado;... Fim: para; para que; com o intuito de; a fim de; com o objetivo de;... Dúvida: talvez; é provável; é possível; provavelmente; porventura;... Certeza: é evidente que; certamente; decerto; com toda a certeza; naturalmente; evidentemente;... Hipótese / Condição: se; a menos que; supondo que; admitindo que; salvo se; exceto;... Chamar a atenção: note-se que; atente-se em; repare-se; veja-se; constate-se;... Enfatizar: efetivamente; com efeito; na verdade; como vimos;... Opinar: a meu ver; estou em crer que; em nosso entender; parece-me que;... Reafirmar / Resumir: por outras palavras; ou melhor; ou seja; em resumo; em suma;... Semelhança: do mesmo modo; tal como; assim como; pela mesma razão;... Organizadores do discurso: são as expressões que, mais do que conectar ideias, contribuem para a organização dos planos textuais. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 35 Organizar noespaço: à direita; atrás; sobre; sob; de um lado; no meio; naquele lugar;... Organizar no tempo: depois; então; após; de seguida; seguidamente; dias mais tarde; agora; já; antes; até que; quando;... Organizar o plano textual: - Abrir uma série: por um lado; de um lado; primeiramente; em primeiro lugar; para começar; começando;... - Acentuar a continuidade: por outro lado; de outro lado; seguidamente; em segundo lugar;... - Encerrar: por último; concluindo; para terminar; em conclusão; em último lugar; em síntese; finalizando; recapitulando;... - Flexão de tempo e de modo – os tempos situam o fato ou a ação verbal dentro de determinado momento; pode estar em plena ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três possibilidades básicas, mas não únicas, são: presente, pretérito, futuro. O modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao fato que enuncia. São três os modos: - Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza, precisão: o fato é ou foi uma realidade; Apresenta presente, pretérito perfeito, imperfeito e mais que perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito. - Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de dúvida, exprime uma possibilidade; O subjuntivo expressa uma incerteza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta presente, pretérito imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência, Lourdes; Se tivesse dinheiro compraria um carro zero; Quando o vir, dê lembranças minhas. - Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um desejo, uma vontade, uma solicitação. Indica uma ordem, um pedido, uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e imperativo negativo Emprego dos Tempos do Indicativo - Presente do Indicativo: Para enunciar um fato momentâneo. Ex: Estou feliz hoje. Para expressar um fato que ocorre com frequência. Ex: Eu almoço todos os dias na casa de minha mãe. Na indicação de ações ou estados permanentes, verdades universais. Ex: A água é incolor, inodora, insípida. - Pretérito Imperfeito: Para expressar um fato passado, não concluído. Ex: Nós comíamos pastel na feira; Eu cantava muito bem. - Pretérito Perfeito: É usado na indicação de um fato passado concluído. Ex: Cantei, dancei, pulei, chorei, dormi... - Pretérito Mais-Que-Perfeito: Expressa um fato passado anterior a outro acontecimento passado. Ex: Nós cantáramos no congresso de música. - Futuro do Presente: Na indicação de um fato realizado num instante posterior ao que se fala. Ex: Cantarei domingo no coro da igreja matriz. - Futuro do Pretérito: Para expressar um acontecimento posterior a um outro acontecimento passado. Ex: Compraria um carro se tivesse dinheiro 1ª Conjugação: -AR Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais, dançam. Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos, dançastes, dançaram. Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava, dançávamos, dançáveis, dançavam. Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara, dançáramos, dançáreis, dançaram. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 36 Futuro doPresente: dançarei, dançarás, dançará, dançaremos, dançareis, dançarão. Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, dançaríamos, dançaríeis, dançariam. 2ª Conjugação: -ER Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem. Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos, comestes, comeram. Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, comíeis, comiam. Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, comêramos, comêreis, comeram. Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, comeremos, comereis, comerão. Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria, comeríamos, comeríeis, comeriam. 3ª Conjugação: -IR Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem. Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, partistes, partiram. Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, partíeis, partiam. Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira, partíramos, partíreis, partiram. Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos, partireis, partirão. Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, partiríamos, partiríeis, partiriam. Emprego dos Tempos do Subjuntivo Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à suposição: Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos políticos. Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma condição ou hipótese: Se recebesse o prêmio, voltaria à universidade. Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético, pode ou não acontecer. Quando/Se você fizer o trabalho, será generosamente gratificado. 1ª Conjugação –AR Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que nós dancemos, que vós danceis, que eles dancem. Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se ele dançasse, se nós dançássemos, se vós dançásseis, se eles dançassem. Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele dançar, quando nós dançarmos, quando vós dançardes, quando eles dançarem. 2ª Conjugação -ER Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que nós comamos, que vós comais, que eles comam. Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, se eles comessem. Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele comer, quando nós comermos, quando vós comerdes, quando eles comerem. 3ª conjugação – IR Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que nós partamos, que vós partais, que eles partam. Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se eles partissem. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 37 Futuro: quandoeu partir, quando tu partires, quando ele partir, quando nós partirmos, quando vós partirdes, quando eles partirem. Emprego do Imperativo Imperativo Afirmativo: - Não apresenta a primeira pessoa do singular. - É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do subjuntivo. - O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”. - O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo. Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam. Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem. Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos nós, amai vós, amem vocês. Imperativo Negativo: - É formado através do presente do subjuntivo sem a primeira pessoa do singular. - Não retira os “s” do tu e do vós. Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem. Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não amemos nós, não ameis vós, não amem vocês. Além dos três modos citados, os verbos apresentam ainda as formas nominais: infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio. Infinitivo Impessoal: Exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substantivo. Por exemplo: Viver é lutar. (= vida é luta); É indispensável combater a corrupção. (= combate à) O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo: É preciso ler este livro; Era preciso ter lido este livro. Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal, isso significa que ele apresenta sentido genérico ou indefinido, não relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável. Assim, considera- se apenas o processo verbal. Por exemplo: Amar é sofrer; O infinitivo pessoal, por sua vez, apresenta desinências de número e pessoa. Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª pessoas do singular (cujas formas são iguais às do infinitivo impessoal), elas não deixam de referir-se às respectivas pessoas do discurso (o que será esclarecido apenas pelo contexto da frase). Por exemplo: Para ler melhor, eu uso estes óculos. (1ª pessoa); Para ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa) As regras que orientam o emprego da forma variável ou invariável do infinitivo não são todas perfeitamente definidas. Por ser o infinitivo impessoal mais genérico e vago, e o infinitivo pessoal mais preciso e determinado, recomenda-se usar este último sempre que for necessário dar à frase maior clareza ou ênfase. O Infinitivo Impessoal é usado: - Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se referir a um sujeito determinado; Por exemplo: Querer é poder; Fumar prejudica a saúde; É proibido colar cartazes neste muro. - Quando tiver o valor de Imperativo; Por exemplo: Soldados, marchar! (= Marchai!) - Quando é regido de preposição e funciona como complemento de um substantivo, adjetivo ou verbo da oração anterior; Por exemplo: Eles não têm o direito de gritar assim; As meninas foram impedidas de participar do jogo; Eu os convenci a aceitar. No entanto, na voz passiva dos verbos “contentar”, “tomar” e “ouvir”, por exemplo, o Infinitivo (verbo auxiliar) deve ser flexionado. Por exemplo: Eram pessoas difíceis de serem contentadas; Aqueles 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 38 remédios sãoruins de serem tomados; Os CDs que você me emprestou são agradáveis de serem ouvidos. Nas locuções verbais; Por exemplo: - Queremos acordar bem cedo amanhã. - Eles não podiam reclamar do colégio. - Vamos pensar no seu caso. Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da oração anterior; Por exemplo: - Eles foram condenados a pagar pesadas multas. - Devemos sorrir ao invés de chorar. - Tenho ainda alguns livros por (para) publicar. Quando o infinitivo preposicionado, ou não, preceder ou estiver distante do verbo da oração principal (verbo regente), pode ser flexionado para melhor clareza do período e também para se enfatizar o sujeito (agente) da ação verbal. Por exemplo: - Na esperança de sermos atendidos, muito lhe agradecemos. - Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem futebol. - Para estudarmos, estaremos sempre dispostos. - Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas crianças. Com os verbos causativos “deixar”, “mandar” e “fazer” e seus sinônimos que não formam locução verbal com o infinitivo que os segue; Por exemplo: Deixei-os sair cedo hoje. Com os verbos sensitivos “ver”, “ouvir”, “sentir” e sinônimos, deve-se também deixar o infinitivo sem flexão. Por exemplo: Vi-os entrar atrasados; Ouvi-as dizer que não iriam à festa. É inadequado o emprego da preposição “para” antes dos objetos diretos de verbos como “pedir”, “dizer”, “falar” e sinônimos; - Pediu para Carlos entrar (errado), - Pediu para que Carlos entrasse (errado). - Pediu que Carlos entrasse (correto). Quando a preposição “para” estiver regendo um verbo, como na oração “Este trabalho é para eu fazer”, pede-se o emprego do pronome pessoal “eu”, que se revela, neste caso, como sujeito. Outros exemplos: - Aquele exercício era para eu corrigir. - Esta salada é para eu comer? - Ela me deu um relógio para eu consertar. Em orações como “Esta carta é para mim!”, a preposição está ligada somente ao pronome, que deve se apresentar oblíquo tônico. Infinitivo Pessoal: É o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira: 2ª pessoa do singular: Radical + ES. Ex.: teres (tu) 1ª pessoa do plural: Radical + mos. Ex.: termos (nós) 2ª pessoa do plural: Radical + dês. Ex.: terdes (vós) 3ª pessoa do plural: Radical + em. Ex.: terem (eles) Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação. Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso significa que ele atribui um agente ao processo verbal, flexionando-se. O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos: - Quando o sujeito da oração estiver claramente expresso; Por exemplo: Se tu não perceberes isto...; Convém vocês irem primeiro; O bom é sempre lembrarmos desta regra (sujeito desinencial, sujeito implícito = nós). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 39 - Quandotiver sujeito diferente daquele da oração principal; Por exemplo: O professor deu um prazo de cinco dias para os alunos estudarem bastante para a prova; Perdoo-te por me traíres; O hotel preparou tudo para os turistas ficarem à vontade; O guarda fez sinal para os motoristas pararem. - Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na terceira pessoa do plural); Por exemplo: Faço isso para não me acharem inútil; Temos de agir assim para nos promoverem; Ela não sai sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua conduta. - Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade de ação; Por exemplo: Vi os alunos abraçarem- se alegremente; Fizemos os adversários cumprimentarem-se com gentileza; Mandei as meninas olharem-se no espelho. Como se pode observar, a escolha do Infinitivo Flexionado é feita sempre que se quer enfatizar o agente (sujeito) da ação expressa pelo verbo. - Se o infinitivo de um verbo for escrito com “j”, esse “j” aparecerá em todas as outras formas. Por exemplo: Enferrujar: enferrujou, enferrujaria, enferrujem, enferrujarão, enferrujassem, etc. (Lembre-se, contudo, que o substantivo ferrugem é grafado com “g”.). Viajar: viajou, viajaria, viajem (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo, não confundir com o substantivo viagem) viajarão, viajasses, etc. - Quando o verbo tem o infinitivo com “g”, como em “dirigir” e “agir” este “g” deverá ser trocado por um “j” apenas na primeira pessoa do presente do indicativo. Por exemplo: eu dirijo/ eu ajo - O verbo “parecer” pode relacionar-se de duas maneiras distintas com o infinitivo. Quando “parecer” é verbo auxiliar de um outro verbo: Elas parecem mentir. Elas parece mentirem. Neste exemplo ocorre, na verdade, um período composto. “Parece” é o verbo de uma oração principal cujo sujeito é a oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo “elas mentirem”. Como desdobramento dessa reduzida, podemos ter a oração “Parece que elas mentem.” Gerúndio: O gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo: Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (Função de advérbio); Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (Função adjetivo) Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta, uma ação concluída. Por exemplo: Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro. Particípio: Quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames, os candidatos saíram. Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a aluna escolhida para representar a escola. 1ª Conjugação –AR Infinitivo Impessoal: dançar. Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele, dançarmos nós, dançardes vós, dançarem eles. Gerúndio: dançando. Particípio: dançado. 2ª Conjugação –ER Infinitivo Impessoal: comer. Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele, comermos nós, comerdes vós, comerem eles. Gerúndio: comendo. Particípio: comido. 3ª Conjugação –IR Infinitivo Impessoal: partir. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 40 Infinitivo pessoal:partir eu, partires tu, partir ele, partirmos nós, partirdes vós, partirem eles. Gerúndio: partindo. Particípio: partido. VERBOS AUXILIARES: SER, ESTAR, TER, HAVER SER Modo Indicativo Presente Pretérito Imperfeito Pretérito Perfeito Simples Pretérito Perf. Composto EU sou era fui tenho sido TU és eras foste tens sido ELE é era foi tem sido NÓS somos éramos fomos temos sido VÓS sois éreis fostes tendes sido ELES são eram foram têm sido Pret. Mais que Perfeito Simples Pret. Mais que Perfeito Composto Futuro do Pretérito Simples Futuro do Pretérito Composto Futuro do Presente EU fora tinha sido seria terei sido serei TU foras tinhas sido serias terias sido serás ELE fora tinha sido seria teria sido será NÓS fôramos tínhamos sido seríamos teríamos sido seremos VÓS fôreis tínheis sido seríeis teríeis sido sereis ELES foram tinham sido seriam teriam sido serão Modo Subjuntivo Presente Pretérito Imperfeito Pretérito Mais que Perfeito Composto Futuro Simples Futuro Composto EU Que eu seja Se eu fosse Se eu tivesse sido Quando eu for Quando eu tiver sido TU Que tu sejas Se tu fosses Se tu tivesses sido Quando tu fores Quando tu tiveres sido ELE Que ele seja Se ele fosse Ser ele tivesse sido Quando ele for Quando ele tiver sido NÓS Que nós sejamos Se nós fôssemos Se nós tivéssemos sido Quando nós formos Quando nós tivermos sido VÓS Que vós sejais Se vós fôsseis Se vós tivésseis sido Quando vós fordes Quando vós tiverdes sido ELES Que eles sejam Se eles fossem Se eles tivessem sido Quando eles forem Quando eles tiverem sido Modo Imperativo Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo Infinitivo Pessoal EU ------ ------ Por ser eu TU Sê tu Não sejas tu Por seres tu ELE Seja ele Não sejas ele Por ser ele NÓS Sejamos nós Não sejamos nós Por sermos nós 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 41 VÓS Sedesvós Não sejais vós Por serdes vós ELES Sejam eles Não sejam eles Por serem eles Formas Nominais Infinitivo: ser Gerúndio: sendo Particípio: sido ESTAR Modo Indicativo Presente Pretérito Imperfeito Pretérito Perf. Simples Pretérito Perf. Composto EU estou estava estive tenho estado TU estás estavas estiveste tens estado ELE está estava esteve tem estado NÓS estamos estávamos estivemos temos estado VÓS estais estáveis estivestes tendes estado ELES estão estavam estiveram têm estado Pret. Mais que Perfeito Simples Pret. Mais que Perfeito Composto Futuro do Presente Simples Futuro do Presente Composto EU estivera tinha estado estarei terei estado TU estiveras tinhas estado estarás terás estado ELE estivera tinha estado estará terá estado NÓS estivéramos tínhamos estado estaremos teremos estado VÓS estivéreis tínheis estado estareis tereis estado ELES estiveram tinham estado estarão terão estado Futuro do Pret. Simples Futuro do Pret. Composto EU estaria teria estado TU estarias terias estado ELE estaria teria estado NÓS estaríamos teríamos estado VÓS estaríeis teríeis estado ELES estariam teriam estado Modo Subjuntivo Presente Pretérito Imperfeito Pretérito Mais que Perfeito Composto Futuro Simples Futuro Composto EU Que eu esteja Se eu estivesse Se eu tivesse estado Quando eu estiver Quando eu tiver estado TU Que tu estejas Se tu estivesses Se tu tivesses estado Quando tu estiveres Quando tu tiveres estado ELE Que ele esteja Se ele estivesse Ser ele tivesse estado Quando ele estiver Quando ele tiver estado NÓS Que nós estejamos Se nós estivéssemos Se nós tivéssemos estado Quando nós estivermos Quando nós tivermos estado VÓS Que vós estejais Se vós estivésseis Se vós tivésseis estado Quando vós estiverdes Quando vós tiverdes estado ELES Que eles estejam Se eles estivessem Se eles tivessem estado Quando eles estiverem Quando eles tiverem estado 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 42 Modo Imperativo Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo Infinitivo Pessoal EU----- ------ Por estar eu TU está tu Não estejas tu Por estares tu ELE esteja ele Não esteja ele Por estar ele NÓS estejamos nós Não estejamos nós Por estarmos nós VÓS estai vós Não estejais vós Por estardes vós ELES estejam eles Não estejam eles Por estarem eles Formas Nominais Infinitivo: estar Gerúndio: estando Particípio: estado TER Modo Indicativo Presente Pretérito Imperfeito Pretérito Perfeito Simples Pretérito Perf. Composto EU tenho tinha tive Tenho tido TU tens tinhas tiveste tens tido ELE tem tinha teve tem tido NÓS temos tínhamos tivemos temos tido VÓS tendes tínheis tivestes tendes tido ELES têm tinham tiveram têm tido Pret. Mais que Perfeito Simples Pret. Mais que Perfeito Composto Futuro do Presente Simples EU tivera tinha tido terei TU tiveras tinhas tido terás ELE tivera tinha tido terá NÓS tivéramos tínhamos tido teremos VÓS tivéreis tínheis tido tereis ELES tiveram tinham tido terão Futuro do Pret. Simples Futuro do Pret. Composto EU teria teria tido TU terias terias tido ELE teria teria tido NÓS teríamos teríamos tido VÓS teríeis teríeis tido ELES teriam teriam tido Modo Subjuntivo Presente Pretérito Imperfeito Pretérito Mais que Perfeito Composto Futuro Simples Futuro Composto EU Que eu tenha Se eu tivesse Se eu tivesse tido Quando eu tiver Quando eu tiver tido TU Que tu tenhas Se tu tivesses Se tu tivesses tido Quando tu tiveres Quando tu tiveres tido 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 43 ELE Que ele tenha Seele tivesse Ser ele tivesse tido Quando ele tiver Quando ele tiver tido NÓS Que nós tenhamos Se nós tivéssemos Se nós tivéssemos tido Quando nós tivermos Quando nós tivermos tido VÓS Que vós tenhais Se vós tivésseis Se vós tivésseis tido Quando vós tiverdes Quando vós tiverdes tido ELES Que eles tenham Se eles tivessem Se eles tivessem tido Quando eles tiverem Quando eles tiverem tido Modo Imperativo Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo Infinitivo Pessoal EU ----- ------ Por ter eu TU tem tu Não tenhas tu Por teres tu ELE tenha ele Não tenha ele Por ter ele NÓS tenhamos nós Não tenhamos nós Por termos nós VÓS tende vós Não tenhais vós Por terdes vós ELES tenham eles Não tenham eles Por terem eles Formas Nominais Infinitivo: ter Gerúndio: tendo Particípio: tido HAVER Modo Indicativo Presente Pretérito Imperfeito Pretérito Perfeito Simples Pretérito Perf. Composto EU hei havia houve tenho havido TU hás havias houveste tens havido ELE há havia houve tem havido NÓS havemos havíamos houvemos temos havido VÓS haveis havíeis houvestes tendes havido ELES hão haviam houveram têm havido Pret. Mais que Perfeito Simples Pret. Mais que Perfeito Composto Futuro do Presente Simples Futuro do Presente Composto EU houvera tinha havido haverei terei havido TU houveras tinhas havido haverás terás havido ELE houvera tinha havido haverá terá havido NÓS houvéramos tínhamos havido haveremos teremos havido VÓS houvéreis tínheis havido havereis tereis havido ELES houveram tinham havido haverão terão havido Futuro do Pret. Simples Futuro do Pret. Composto EU haveria teria havido TU haverias terias havido ELE haveria teria havido NÓS haveríamos teríamos havido VÓS haveríeis teríeis havido ELES haveriam teriam havido 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 44 Modo Subjuntivo Presente Pretérito Imperfeito PretéritoMais que Perfeito Composto Futuro Simples Futuro Composto EU Que eu haja Se eu houvesse Se eu tivesse havido Quando eu houver Quando eu tiver havido TU Que tu hajas Se tu houvesses Se tu tivesses havido Quando tu houveres Quando tu tiveres havido ELE Que ele haja Se ele houvesse Ser ele tivesse havido Quando ele houver Quando ele tiver havido NÓS Que nós hajamos Se nós houvéssemos Se nós tivéssemos havido Quando nós houvermos Quando nós tivermos havido VÓS Que vós hajais Se vós houvésseis Se vós tivésseis havido Quando vós houverdes Quando vós tiverdes havido ELES Que eles hajam Se eles houvessem Se eles tivessem havido Quando eles houverem Quando eles tiverem havido Modo Imperativo Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo Infinitivo Pessoal EU ----- ------ Por haver eu TU há tu Não hajas tu Por haveres tu ELE haja ele Não haja ele Por haver ele NÓS hajamos nós Não hajamos nós Por havermos nós VÓS havei vós Não hajais vós Por haverdes vós ELES hajam eles Não hajam eles Por haverem eles Formas Nominais Infinitivo: haver Gerúndio: havendo Particípio: havido VERBOS REGULARES: Não sofrem modificação no radical durante toda conjugação (em todos os modos) e as desinências seguem as do verbo paradigma (verbo modelo) AMAR: (radical: am) Amo, Amei, Amava, Amara, Amarei, Amaria, Ame, Amasse, Amar. COMER: (radical: com) Como, Comi, Comia, Comera, Comerei, Comeria, Coma, Comesse, Comer. PARTIR: (radical: part) Parto, Parti, Partia, Partira, Partirei, Partiria, Parta, Partisse, Partir. VERBOS IRREGULARES: São os verbos que sofrem modificações no radical ou em suas desinências. DAR: dou, dava, dei, dera, darei, daria, dê, desse, der CABER: caibo, cabia, coube, coubera, caberei, caberia, caiba, coubesse, couber. AGREDIR: agrido, agredia, agredi, agredira, agredirei, agrediria, agrida, agredisse, agredir. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 45 ANÔMALOS: São aquelesque têm uma anomalia no radical. Ser, Ir IR Modo Indicativo Presente Pretérito Imperfeito Pretérito Perfeito Pretérito Mais que Perfeito EU vou ia fui fora TU vais ias foste foras ELE vai ia foi fora NÓS vamos íamos fomos fôramos VÓS ides íeis fostes fôreis ELES vão iam foram foram Futuro do Presente Futuro do Pretérito EU irei iria TU irás irias ELE irá iria NÓS iremos iríamos VÓS ireis iríeis ELES irão iriam Modo Subjuntivo Presente Pretérito Imperfeito Futuro EU Que eu vá Se eu fosse Quando eu for TU Que tu vás Se tu fosses Quando tu fores ELE Que ele vá Se ele fosse Quando ele for NÓS Que nós vamos Se nós fôssemos Quando nós formos VÓS Que vós vades Se vós fôsseis Quando vós fordes ELES Que eles vão Se eles fossem Quando eles forem Modo Imperativo Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo Infinitivo Pessoal EU ----- ------ Para ir eu TU vai tu Não vás tu Para ires tu ELE vá ele Não vá ele Para ir ele NÓS vamos nós Não vamos nós Para irmos nós VÓS ide vós Não vades vós para irdes vós ELES vão eles Não vão eles para irem eles Formas Nominais: Infinitivo: ir Gerúndio: indo Particípio: ido Questões 01. A preposição DE traduz FINALIDADE no verso: (A) “Andar e pilotar um pássaro de aço”; (B) “Todos os turistas são de Belo Horizonte”; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 46 (C) “Preparamo-nospara os festejos natalinos”; (D) “Após o terremoto, várias crianças morreram de desnutrição”; 02. Assinale a assertiva em que a preposição COM exprime a mesma ideia que possui em “Surge a lua cheia para chorar com os poetas”. (A) O menino machucou-se com a faca. (B) Ela se afastou com um súbito choro. (C) Tinha empobrecido com as secas. (D) Deve-se rir com alguém, não de alguém. (E) Ele se confundiu com a minha resposta. 03. (UFRN – ADMINISTRADOR – COMPERVE/2015) Considere o trecho: “O desenvolvimento do cérebro é de natureza biológica e cultural. O cérebro se forma, se desenvolve e amadurece com base na genética da espécie e pelas experiências de vida de cada um.” Fonte: www.cartanaescola.com.br Há, entre os dois períodos, uma relação semântica de: (A) condição, que poderia ser explicitada pelo conector desde que. (B) explicação, que poderia ser explicitada pelo conector porque. (C) oposição, que poderia ser explicitada pelo conector entretanto. (D) concessão, que poderia ser explicitada pelo conector ainda que. 04. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – PAC/2014 - Adaptada) Cérebro de adolescente Quando o adolescente sai escondido para uma festa ou responde a uma pergunta inocente dos pais com uma explosão emocional, a culpa não é só dos hormônios. Descobertas científicas recente provam que não apenas o corpo, mas também a mente passa por grandes mudanças na adolescência. Do sexo sem preservativo à imprudência na direção, os adolescentes assume comportamentos irresponsáveis em parte porque as estruturas mentais que inibem resposta intempestivas ainda não se consolidaram. As alterações mais importantes por que passa o cérebro nos últimos anos da adolescência têm lugar no córtex pré-frontal, área que é responsável pelo planejamento de longo prazo e pelo controle das emoções. "Antes dessas mudanças, o adolescente nem sempre está pronto para processar todas as informações que precisa considerar quando toma uma decisão", explica o neurologista americano Paul Thompson, do Laboratório de Neuromapeamento da Universidade da Califórnia. Thompson faz parte de uma equipe de cientistas que vem mapeando o cérebro de cerca de 1000 adolescentes com técnicas avançadas de tomografia. As descobertas são surpreendentes, especialmente se considerarmos que até há alguns anos era consenso científico que o cérebro completava seu crescimento na infância e não se alterava mais. Hoje se sabe que várias estruturas cerebrais seguem evoluindo durante a adolescência, embora nem todas cresçam. A idade em que essas mudanças se processam varia. O cérebro das meninas desenvolve-se cerca de dois anos mais cedo, mas homens e mulheres costumam emparelhar lá pelos 20 anos. De forma geral, no início da adolescência ainda está em processo uma mudança que começa entre 7 e 11 anos. É quando crescem certas regiões cerebrais ligadas à linguagem, como a área de Broca, uma pequena estrutura dentro do córtex pré-frontal. O processo costuma chegar ao fim antes dos 15 anos. No período de desenvolvimento, notam-se grandes progressos no uso da escrita – é a idade ideal para aprender novas línguas. A mudança maior começa pelos 18 anos e pode avançar até os 25. Quando o córtex pré-frontal amadurece, consolidando o senso de responsabilidade que falta a tanto adolescentes. "O córtex funciona como o presidente de uma grande empresa, centralizando as decisões. É por isso que às vezes o cérebro adolescente parece uma empresa sem presidente", brinca Thompson. A ciência ainda não entendeu completamente essas alterações. O detalhe misterioso é que nem sempre o desenvolvimento cerebral se dá por crescimento, como acontece com todos os outros órgãos de nosso corpo. Na verdade, muitas sinapses – ligações entre os neurônios – são simplesmente cortadas durante a adolescência. Supõe-se que esse processo obedeça a uma certa economia de conexões: aquelas sinapses que não são usadas simplesmente se perdem. Quem toca um instrumento musical 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 47 desde ainfância vai desenvolver certas conexões neurais que se perderão em quem nunca chegou perto de uma partitura. De qualquer modo, a notícia de que o cérebro adolescente ainda não está "pronto" é alentadora. "Isso significa que temos mais tempo de aprendizado do que antes pensávamos", diz Thompson. A noção semântica que a preposição de opera no título desse texto é a mesma a que ocorre em: (A) cadeira de ferro (B) cintura de ovo (C) pijama de Carlos (D) caiu de joelhos (E) burro de carga 05. (PREFEITURA DE CAMAÇARI/BA– FISIOTERAPEUTA – AOCP/2014) Falência múltipla Lya Luft Um jornalista comentou recentemente num programa de televisão que pediu a um médico seu amigo um diagnóstico do que está ocorrendo no Brasil: infecção, virose? A resposta foi perfeita: “Falência múltipla dos órgãos”. Nada mais acertado. Há quase dez anos realizo aqui na coluna minhas passeatas: estas páginas são minha avenida, as palavras são cartazes. Falo em relações humanas e seus dramas, porém mais frequentemente nas coisas inaceitáveis na nossa vida pública. Esgotei a paciência dos leitores reclamando da péssima educação — milhares de alunos sem escola ou abrigados em galpões e salinhas de fundo de igrejas, para chegarem aos 9, 10 anos sem saber ler nem escrever. Professores desesperados tentando ensinar sem material básico, sem estrutura, salários vergonhosos, estímulo nenhum. Universidades cujo nível é seguidamente baixado: em lugar de darem boas escolas a todas as crianças e jovens para que possam entrar em excelentes universidades por mérito e esforço, oferecem-lhes favorecimentos prejudiciais. Tenho clamado contra o horror da saúde pública, mulheres parindo e velhos morrendo em colchonetes no corredor, consultas para doenças graves marcadas para vários meses depois, médicos exaustos trabalhando além dos seus limites, tentando salvar vidas e confortar os pacientes, sem condições mínimas de higiene, sem aparelhamento e com salário humilhante. Em lugar de importarmos não sei quantos mil médicos estrangeiros, quem sabe vamos ser sensatos e oferecer condições e salários decentes aos médicos brasileiros que querem cuidar de nós? Tenho reclamado das condições de transporte, como no recente artigo “Três senhoras sentadas”: transporte caro para o calamitoso serviço oferecido. “Nos tratam como animais”, reclamou um usuário já idoso. A segurança inexiste, somos mortos ao acaso em nossas ruas, e se procuramos não sair de casa à noite somos fuzilados por um bando na frente de casa às 10 da manhã. E, quando nossa tolerância ou resignação chegou ao limite, brota essa onda humana de busca de dignidade para todos. Não se trata apenas de centavos em passagens, mas de respeito. As vozes dizem NÃO: não aos ônibus sujos e estragados, impontuais, motoristas sobrecarregados; não às escolas fechadas ou em ruínas; não aos professores e médicos impotentes, estradas intransitáveis, medo dentro e fora de casa. Não a um ensino em que a palavra “excelência” chega a parecer abuso ou ironia. Não ao mercado persa de favores e cargos em que transformam nossa política, não aos corruptos às vezes condenados ocupando altos cargos, não ao absurdo número de partidos confusos. As reclamações da multidão nas ruas são tão variadas quanto nossas mazelas: por onde começar? Talvez pelo prático, e imediato, sem planos mirabolantes. Algo há de se poder fazer: não creio que políticos e governo tenham sido apanhados desprevenidos, por mais que estivessem alienados em torres de marfim. Infelizmente todo movimento de massas provoca e abriga sem querer grupos violentos e anárquicos: que isso não nos prejudique nem invalide nossas reivindicações. Não sei como isso vai acabar: espero que transformando o Brasil num lugar melhor para viver. Quase com atraso, a voz das ruas quer lisura, ética, ações, cumprimento de deveres, realização dos mais básicos conceitos de decência e responsabilidade cívica, que andavam trocados por ganância monetária ou ânsia eleitoreira. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 48 Que sobrevenhamordem e paz. Que depois desse chamado à consciência de quem lidera e governa não se absolvam os mensaleiros, não se deixem pessoas medíocres ou de ética duvidosa em altos cargos, acabem as gigantescas negociatas meio secretas, e se apliquem decentemente somas que poderão salvar vidas, educar jovens, abrir horizontes. Sou totalmente contrária a qualquer violência, mas este povo chegou ao extremo de sua tolerância, percebeu que tem poder, não quer mais ser enganado e explorado: que não se destrua nada, mas se abram horizontes reais de melhoria e contentamento. http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tag/lya-luft/ Em “...que isso não nos prejudique nem invalide nossas reivindicações”, as expressões destacadas estabelecem relação semântica de: (A) contraste. (B) negação. (C) adição. (D) alternância. (E) explicação. 06. (PC / PI – ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – UESPI/2014) A violência não é uma fantasia A violência nasce conosco. Faz parte da nossa bagagem psíquica, do nosso DNA, assim como a capacidade de cuidar, de ser solidário e pacífico. Somos esse novelo de dons. O equilíbrio ou desequilíbrio depende do ambiente familiar, educação, exemplos, tendência pessoal, circunstâncias concretas, algumas escolhas individuais. Vivemos numa época violenta. Temos medo de sair às ruas, temos medo de sair à noite, temos medo de ficar em casa sem grades, alarmes e câmeras, ou bons e treinados porteiros. As notícias da imprensa nos dão medo em geral. Não são medos fantasiosos: são reais. E, se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A segurança, como tantas coisas, parece ter fugido ao controle de instituições e autoridades. Nestes dias começamos a ter medo também dentro dos shoppings, onde, aliás, há mais tempo aqui e ali vêm ocorrendo furtos, às vezes assaltos, raramente noticiados. O que preocupa são movimentos adolescentes que reivindicam acesso aos shoppings para seus grupos em geral organizados na internet. (...) (Revista Veja. Editora ABRIL. Edição 2358 - ano 47 - nº 5. 29 de janeiro de 2014. Por Lya Luft - p. 20) se não tivermos nenhum medo, estaremos sendo perigosamente alienados. A relação sintático-semântica que se verifica entre as orações principal e subordinada desse excerto é de: (A) causa (B) condição (C) conformidade (D) consequência (E) explicação Respostas 01. Resposta C A) A preposição “DE” indica matéria. B) A preposição “DE” indica origem. C) Alternativa Correta: Preparamo-nos com a finalidade de aproveitar as comemorações natalinas. D) A preposição “DE” indica causa. 02. Resposta D Na frase citada no enunciado do exercício a preposição “com” indica companhia, o mesmo ocorre na alternativa “D”: Deve-se rir na companhia de alguém. 03. Resposta B 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 49 A segundaoração estabelece uma relação de explicação com relação a oração anterior, esclarecendo os motivos de se ter afirmado que o cérebro é de natureza biológica e cultural. 04. Alternativa C A preposição “DE” presente no título do texto estabelece uma relação de posse, o mesmo ocorre na alternativa “C”. 05. Resposta C Os vocábulos “não” e “nem” possuem valor negativo, ao serem colocados na mesma sentença, eles assumem semanticamente o sentido de adição, assim, não pode acontecer alguma coisa e nem outra. 06. Resposta B A conjunção “SE” que inicia a sentença tem a função de estabelecer a ideia de condição. Artigo Artigo é a palavra que acompanha o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número, determinando-o ou generalizando-o. Os artigos podem ser: Definidos: o, a, os, as; determinam os substantivos, trata de um ser já conhecido; denota familiaridade: “A grande reforma do ensino superior é a reforma do ensino fundamental e do médio.” (Veja – maio de 2005) Indefinidos: um, uma, uns, umas; estes; trata-se de um ser desconhecido, dá ao substantivo valor vago: “...foi chegando um caboclinho magro, com uma taquara na mão.” (A. Lima) Usa-se o artigo definido: - com a palavra ambos: falou-nos que ambos os culpados foram punidos. - com nomes próprios geográficos de estado, pais, oceano, montanha, rio, lago: o Brasil, o rio Amazonas, a Argentina, o oceano Pacífico, a Suíça, o Pará, a Bahia. / Conheço o Canadá mas não conheço Brasília. - com nome de cidade se vier qualificada: Fomos à histórica Ouro Preto. - depois de todos/todas + numeral + substantivo: Todos os vinte atletas participarão do campeonato. - com toda a/todo o, a expressão que vale como totalidade, inteira. Toda cidade será enfeitada para as comemorações de aniversário. Sem o artigo, o pronome todo/toda vale como qualquer. Toda cidade será enfeitada para as comemorações de aniversário. (Qualquer cidade) - com o superlativo relativo: Mariane escolheu as mais lindas flores da floricultura. - com a palavra outro, com sentido determinado: Marcelo tem dois amigos: Rui é alto e lindo, o outro é atlético e simpático. - antes dos nomes das quatro estações do ano: Depois da primavera vem o verão. - com expressões de peso e medida: O álcool custa um real o litro. (=cada litro) Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais; processos de formação de palavras; mecanismos de flexão dos nomes e verbos 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 50 Não seusa o artigo definido: - antes de pronomes de tratamento iniciados por possessivos: Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Majestade, Vossa Alteza. Vossa Alteza estará presente ao debate? “Nosso Senhor tinha o olhar em pranto / Chorava Nossa Senhora.” - antes de nomes de meses: O campeonato aconteceu em maio de 2002. Mas: O campeonato aconteceu no inesquecível maio de 2002. - alguns nomes de países, como Espanha, França, Inglaterra, Itália podem ser construídos sem o artigo, principalmente quando regidos de preposição. “Viveu muito tempo em Espanha.” / “Pelas estradas líricas de França.” Mas: Sônia Salim, minha amiga, visitou a bela Veneza. - antes de todos / todas + numeral: Eles são, todos quatro, amigos de João Luís e Laurinha. Mas: Todos os três irmãos eu vi nascer. (O substantivo está claro) - antes de palavras que designam matéria de estudo, empregadas com os verbos: aprender, estudar, cursar, ensinar: Estudo Inglês e Cristiane estuda Francês. O uso do artigo é facultativo: - antes do pronome possessivo: Sua / A sua incompetência é irritante. - antes de nomes próprios de pessoas: Você já visitou Luciana / a Luciana? - “Daqui para a frente, tudo vai ser diferente.” (Para a frente: exige a preposição) Formas combinadas do artigo definido: Preposição + o = ao / de + o, a = do, da / em + o, a = no, na / por + o, a = pelo, pela. Usa-se o artigo indefinido: - para indicar aproximação numérica: Nicole devia ter uns oito anos / Não o vejo há uns meses. - antes dos nomes de partes do corpo ou de objetos em pares: Usava umas calças largas e umas botas longas. - em linguagem coloquial, com valor intensivo: Rafaela é uma meiguice só. - para comparar alguém com um personagem célebre: Luís August é um Rui Barbosa. O artigo indefinido não é usado: - em expressões de quantidade: pessoa, porção, parte, gente, quantidade: Reservou para todos boa parte do lucro. - com adjetivos como: escasso, excessivo, suficiente: Não há suficiente espaço para todos. - com substantivo que denota espécie: Cão que ladra não morde. Formas combinadas do artigo indefinido: Preposição de e em + um, uma = num, numa, dum, duma. O artigo (o, a, um, uma) anteposto a qualquer palavra transforma-a em substantivo. O ato literário é o conjunto do ler e do escrever. Questões 01. Em que alternativa o termo grifado indica aproximação: (A) Ao visitar uma cidade desconhecida, vibrava. (B) Tinha, na época, uns dezoito anos. (C) Ao aproximar de uma garota bonita, seus olhos brilhavam. (D) Não havia um só homem corajoso naquela guerra. (E) Uns diziam que ela sabia tudo, outros que não. 02. (EBSERH – TÉCNICO EM CONTABILIDADE – AOCP/2015). O fascínio do bom humor O que a obra de Sérgio Rodrigues nos ensina sobre bem viver 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 51 FLÁVIA YURIOSHIMA O bom humor talvez seja um dos mais democráticos estados de espírito. Ele não exige fatos nem um ponto de vista determinado para existir. Não é preciso ser otimista, nem mesmo ouvir boas notícias, para ter bom humor. Claro que coisas boas e um estado de espírito positivo são terreno fértil para ele. Mas o bom humor é uma entidade independente, que pode ser preservada na adversidade e nos ânimos mais soturnos. O alemão Arthur Schopenhauer, conhecido como o mais pessimista dos filósofos, dizia que o bom humor é a única característica divina que o homem possui. Ele não tem relação com ser extrovertido e não obriga ninguém a dar risadas. Pode residir num espírito sereno, compenetrado. O bom humor está disponível a todos e em qualquer situação. Junto com o espanto e a saudade, a partida de uma amiga querida e de um ídolo me fizeram pensar no bom humor esta semana. Não é preciso mencionar o quanto estar em volta de pessoas bem humoradas faz bem para o espírito. Quem é vivo e circula entre humanos sabe disso. O filósofo francês Émile-Auguste Chartier escreveu que o bom humor é um ato de generosidade: dá mais do que recebe. Discordo dele. Acho que os bem humorados recebem tanto quanto dão, dos outros e deles mesmo. Para mim, é uma espécie de carinho consigo mesmo. Já tenho tantos pepinos, para que o peso de ter de aguentar meu próprio mau humor? Estou tão cansada, para que ter de carregar ainda esse espírito rabugento? A vida é tão curta, as pessoas são tão frágeis, estamos todos no mesmo barco, de que adianta tanto mau humor? Falar é mais fácil que fazer. Por isso, é tão admirável conhecer pessoas que fazem do bom humor um jeito de encarar a vida, independentemente de como ela se apresente. É digno de menção. Giovanna tinha 36 anos. Lutava contra um câncer na cabeça há dois. Era jornalista. Ela nos deixou no domingo, dia 31 de agosto. Era minha amiga. Sérgio Rodrigues tinha 87 anos. Perdeu a luta contra um câncer de próstata. Era arquiteto e design. Morreu segunda-feira, dia 1º de setembro. Era um ídolo para mim. Os dois não se conheciam. Mas o bom humor de ambos os tornava parecidos. Passariam por avô e neta ou pai e filha, sem estranhamento. A morte tem o poder de dar salvo conduto até para os mais insuportáveis, que ganham qualidades variadas depois da partida. Não é o caso desses dois. A gentileza e o bom humor de Giovana sempre foram um ponto fora da curva entre as dezenas de estudantes de comunicação chatonildos da faculdade - me incluo entre eles. A obra de Sérgio Rodrigues fala por si. Mesmo que você não goste de seu estilo, é difícil não esboçar um sorriso ao ver o resultado do seu trabalho. É leve, elegante, criativo e bem humorado. Sérgio Rodrigues tem peças nos acervos do Museu de Arte Moderna, em Nova York, nos museus de Estocolmo, na Suécia, e de Munique, na Bavária (Alemanha). É tido como o mestre do design mobiliário, e tem também casas e brinquedos entre suas obras. Acho que cultivar o bom humor em situações extremas é uma forma de vitória. Sérgio conseguiu espalhar pelo mundo seu bom ânimo nas peças que criou, perpetuando-o. Giovana e a medicina não tinham mais recursos para combater aquela coisa que crescia em seu cérebro, mas ela o venceu, da maneira que pôde, com seu bom humor até o fm. O céu ficou mais leve com a chegada dos dois. Talvez até chova. http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/Flavia-Yuri-Oshima/noti- cia/2014/09/o-fascinio-do-bbom-humorb.html Em “Mas o bom humor de ambos os tornava parecidos.", os termos destacados são, respectivamente, (A) artigo e pronome. (B) artigo e preposição. (C) preposição e artigo. (D) pronome e artigo. (E) preposição e pronome. 03. (COMLURB – IBFC/2014) Assinale a alternativa correta que indica a classificação da palavra grifada. O cinismo é o mal de muitas pessoas (A) Numeral. (B) Adjetivo. (C) Artigo. (D) Verbo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 52 04. (UFC– TÉCNICO EM SEGURANÇA DO TRABALHO – INSTITUTO AOCP/2014) Três motivos pelos quais você deve comer chocolate Entre as pesquisas que apontam para efeitos positivos do consumo do chocolate, as mais numerosas são, de longe, aquelas que associam o alimento a benefícios ao coração. Segundo um estudo publicado no ano passado no British Medical Journal (BMJ), por exemplo, é possível diminuir o risco de eventos cardiovasculares comendo chocolate amargo (com pelo menos 60% de cacau) todos os dias. Outro trabalho, feito na Universidade de Cambridge e divulgado em 2011, mediu o quão benéfico o chocolate pode ser ao coração: segundo o estudo, o consumo sem excessos do alimento diminui em 37% o risco de doenças cardíacas e em 29% as chances de acidente vascular cerebral (AVC). Parte da redução das chances de doenças cardíacas proporcionada pelo chocolate pode ser explicada pelo fato de ele, antes disso, evitar o surgimento de fatores de risco ao coração, como hipertensão ou colesterol alto. De acordo com pesquisa australiana publicada em 2010 no periódico BMC Medicine, por exemplo, o chocolate amargo ajuda a diminuir a pressão arterial de pessoas que sofrem de hipertensão. Em 2012, um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, quebrou o mito de que chocolate engorda e ainda concluiu, surpreendentemente, que o alimento pode, na verdade, ajudar uma pessoa a emagrecer. Isso porque, das 1.000 pessoas que participaram da pesquisa, aquelas que comiam chocolate com maior frequência, embora consumissem mais calorias em um dia, foram as que apresentaram, em média, um índice de massa corporal (IMC) menor. Essa relação aconteceu principalmente quando o indivíduo consumia chocolate amargo. Segundo os autores do estudo, pode ser que as calorias no chocolate sejam ‘neutras’ — ou seja, que pequenas quantidades do alimento beneficiem o metabolismo, reduzam o acúmulo de gordura no corpo e, assim, compensem as calorias consumidas. Além disso, os pesquisadores acreditam que as propriedades antioxidantes do chocolate estejam por trás dos efeitos positivos demonstrados pelo trabalho. Em uma pesquisa realizada em 2012 na Universidade de Áquila, na Itália, 90 idosos com mais de 70 anos que já apresentavam sinais de comprometimento cognitivo passaram dois meses consumindo diariamente uma bebida que misturava leite a um achocolatado com alto teor de cacau. A quantidade do achocolatado variava de acordo com o participante, podendo ser de 990, 520 ou 45 miligramas por dia. Ao final desse período, os pesquisadores avaliaram os idosos e descobriram que aqueles que consumiram quantidades alta e média do achocolatado, em comparação com o restante os participantes, apresentaram uma melhora nos reflexos, na capacidade de realizar mais de uma atividade ao mesmo tempo, na memória verbal e na de trabalho (ou a curto prazo), além de melhores resultados em testes que avaliaram o raciocínio. Os autores do estudo atribuíram tais benefícios aos flavonoides, compostos presentes no cacau que, entre outros efeitos positivos, também são associados a benefícios ao coração — desde que aliados a uma dieta saudável. (Adaptado de http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/isabel-clemente/ noticia/2014/03/geracao-de-bpais-avosb.html) Em “... o chocolate amargo ajuda a diminuir a pressão arterial de pessoas que sofrem de hipertensão.”, os termos destacados são, respectivamente, (A) artigo, preposição e artigo. (B) preposição, artigo e preposição. (C) artigo, artigo e preposição. (D) artigo, artigo e artigo. (E) artigo, preposição e preposição. 05. (EBSERH – ADVOGADO – INSTITUTO AOCP/2015) Assinale a alternativa cujo termo destacado NÃO exerce função de artigo. (A) “Os livros de colorir para adultos” (B) “Os livros de colorir para adultos se tornaram um fenômeno de vendas” (C) “... lápis de cor, canetinhas, tintas e o que mais a criatividade permitir”. (D) “...evitando o consumismo exacerbado”. (E) “Os temas dos desenhos tendem a despertar a vontade de pesquisar. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 53 06. (EBSERH- Nutricionista – INSTITUTO AOCP/2015) A lista de desejos Rosely Sayao Acabou a graça de dar presentes em situações de comemoração e celebração, não é? Hoje, temos listas para quase todas as ocasiões: casamento, chá de cozinha e seus similares – e há similares espantosos, como chá de lingerie –, nascimento de filho e chá de bebê, e agora até para aniversário. Presente para os filhos? Tudo eles já pediram e apenas mudam, de vez em quando ou frequentemente, a ordem das suas prioridades. Quem tem filho tem sempre à sua disposição uma lista de pedidos de presentes feita por ele, que pode crescer diariamente, e que tanto pode ser informal quanto formal. A filha de uma amiga, por exemplo, tem uma lista na bolsa escrita à mão pelo filho, que tem a liberdade de sacá-la a qualquer momento para fazer as mudanças que ele julgar necessárias. Ah! E ela funciona tanto como lista de pedidos como também de “checklist" porque, dessa maneira, o garoto controla o que já recebeu e o que ainda está por vir. Sim: essas listas são quase uma garantia de conseguir ter o pedido atendido. Ninguém mais precisa ter trabalho ao comprar um presente para um conhecido, para um colega de trabalho, para alguma criança e até amigo. Sabe aquele esforço de pensar na pessoa que vai receber o presente e de imaginar o que ela gostaria de ganhar, o que tem relação com ela e seu modo de ser e de viver? Pois é: agora, basta um telefonema ou uma passada rápida nas lojas físicas ou virtuais em que as listas estão, ou até mesmo pedir para uma outra pessoa realizar tal tarefa, e pronto! Problema resolvido! Não é preciso mais o investimento pessoal do pensar em algo, de procurar até encontrar, de bater perna e cabeça até sentir-se satisfeito com a escolha feita que, além de tudo, precisaria estar dentro do orçamento disponível para tal. Hoje, o presente custa só o gasto financeiro e nem precisa estar dentro do orçamento porque, para não transgredir a lista, às vezes é preciso parcelar o presente em diversas prestações... E, assim que os convites chegam, acompanhados sem discrição alguma das listas, é uma correria dos convidados para efetuar sem demora sua compra. É que os presentes menos custosos são os primeiros a serem ticados nas listas, e quem demora para cumprir seu compromisso acaba gastando um pouco mais do que gostaria. Se, por um lado, dar presentes deixou de dar trabalho, por outro deixou também totalmente excluído do ato de presentear o relacionamento entre as pessoas envolvidas. Ganho para o mercado de consumo, perda para as relações humanas afetivas. Os presentes se tornaram impessoais, objetos de utilidade ou de luxo desejados. Acabou-se o que era doce no que já foi, num passado recente, uma demonstração pessoal de carinho. Sabe, caro leitor, aquela expressão de surpresa gostosa, ou de um pequeno susto que insiste em se expressar, apesar da vontade de querer que ele passe despercebido, quando recebíamos um mimo? Ou aquela frase transparente de criança, que nunca deixa por menos: “Eu não quero isso!"? Tudo isso acabou. Hoje, tudo o que ocorre é uma operação mental dupla. Quem recebe apenas tica algum item da lista elaborada, e quem presenteia dá-se por satisfeito por ter cumprido seu compromisso. Que tempos mais chatos. Resta, a quem tiver coragem, a possibilidade de transgredir essas tais listas. Assim, é possível tornar a vida mais saborosa. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ roselysayao/2014/07/1489356-a-lista-de-desejos.shtml Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO é um artigo. (A) “Acabou a graça de dar presentes...”. (B) “... tem a liberdade de sacá-la a qualquer momento...”. (C) “A filha de uma amiga...”. (D) “... é possível tornar a vida mais saborosa.”. (E) “...para não transgredir a lista...”. Respostas 01. Resposta B Alternativa A: UMA – artigo indefinido de cidade Alternativa B: UNS – aproximação de idade Alternativa C: UMA – artigo indefinido de garota bonita 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 54 Alternativa D:UM – número Alternativa E: UNS – artigo indefinido de pessoas 02. Resposta A O – artigo definido / antecede o substantivo “humor” OS – pronome / retoma o substantivo “ambos” 03. Resposta C 04. Resposta A O chocolate– artigo definido do termo “chocolate” ajuda A diminuir – preposição / o verbo “ajudar” é transitivo indireto no sentido de ajudar alguém a verbo seguido de infinitivo A pressão arterial – artigo definido de “pressão arterial” 05. Resposta C Os vocábulos o(s), a (s) quando estiverem antecedendo a palavra “que” e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo indicam um pronome demonstrativo. Exemplo: Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.) 06. Reposta B Artigo somente antes de nomes, a não ser que a palavra que estiver depois teve seu sentido modificado para substantivo. EX: O cantar dos pássaros, O correr da lebre ... Substantivo Substantivo é a palavra que dá nomes aos seres. Inclui os nomes de pessoas, de lugares, coisas, entes de natureza espiritual ou mitológica: vegetação, sereia, cidade, anjo, árvore, passarinho, abraço, quadro, universidade, saudade, amor, respeito, criança. Os substantivos exercem, na frase, as funções de: sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da passiva, aposto e vocativo. Os substantivos classificam-se em: - Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie: menina, piano, estrela, rio, animal, árvore. - Próprios: referem-se a um ser em particular: Brasil, América do Norte, Deus, Paulo, Lucélia. - Concretos: são aqueles que têm existência própria; são independentes; reais ou imaginários: mãe, mar, água, anjo, mulher, alma, Deus, vento, DVD, fada, criança, saci. - Abstrato: são os que não têm existência própria; depende sempre de um ser para existir: é necessário alguém ser ou estar triste para a tristeza manifestar-se; é necessário alguém beijar ou abraçar para que ocorra um beijo ou um abraço; designam qualidades, sentimentos, ações, estados dos seres: dor, doença, amor, fé, beijo, abraço, juventude, covardia, coragem, justiça. Os substantivos abstratos podem ser concretizados dependendo do seu significado: Levamos a caça para a cabana. (Caça = ato de caçar, substantivo abstrato; a caça, neste caso, refere-se ao animal, portanto, concreto). - Simples: como o nome diz, são aqueles formados por apenas um radical: chuva, tempo, sol, guarda, pão, raio, água, ló, terra, flor, mar, raio, cabeça. - Compostos: são os que são formados por mais de dois radicais: guarda-chuva, girassol, água-de- colônia, pão-de-ló, para-raio, sem-terra, mula-sem-cabeça. - Primitivos: são os que não derivam de outras palavras; vieram primeiro, deram origem a outras palavras: ferro, Pedro, mês, queijo, chave, chuva, pão, trovão, casa. - Derivados: são formados de outra palavra já existente; vieram depois: ferradura, pedreiro, mesada, requeijão, chaveiro, chuveiro, padeiro, trovoada, casarão, casebre. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 55 - Coletivos:os substantivos comuns que, mesmo no singular, designam um conjunto de seres de uma mesma espécie: bando, povo, frota, batalhão, biblioteca, constelação. Eis alguns substantivos coletivos: Álbum de fotografias Colmeia de abelhas Alcateia de lobos Concílio de bispos em assembleia Antologia de textos escolhidos Conclave de cardeais Arquipélago ilhas Cordilheira de montanhas Assembleia pessoas, professores Cortejo acompanhantes em comitiva Atlas cartas geográficas Hemeroteca de jornais, revistas Bando de aves, de crianças Iconoteca de imagens Baixela utensílios de mesa Miríade de muitas estrelas, insetos Banca de examinadores Nuvem de gafanhotos Biênio dois anos Panapaná de borboletas em bando Bimestre dois meses Penca de frutas Cacho de uva Pinacoteca de quadros Cáfila camelos Piquete de grevistas Caravana viajantes Plêiade de pessoas notáveis, sábios Cambada de vadios, malvados Resma de quinhentas folhas de papel Cancioneiro de canções Sextilha de seis versos Cardume de peixes Tropilhas de trabalhadores, alunos Código de leis Xiloteca de amostras de tipos de madeiras Reflexão do Substantivo “Na feira livre do arrabaldezinho Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor  O melhor divertimento para crianças! Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres, Fitando com olhos muito redondos os grandes Balõezinhos muito redondos.” (Manoel Bandeira) Observe que o poema apresenta vários substantivos e apresentam variações ou flexões de gênero (masculino/feminino), de número (plural/singular) e de grau (aumentativo/diminutivo). Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. A regra para a flexão do gênero é a troca de o por a, ou o acréscimo da vogal a, no final da palavra: mestre, mestra. Formação do Feminino O feminino se realiza de três modos: - Flexionando-se o substantivo masculino: filho, filha / mestre, mestra / leão, leoa; - Acrescentando-se ao masculino a desinência “a” ou um sufixo feminino: autor, autora / deus, deusa / cônsul, consulesa / cantor, cantora / reitor, reitora. - Utilizando-se uma palavra feminina com radical diferente: pai, mãe / homem, mulher / boi, vaca / carneiro, ovelha / cavalo, égua. Observe como são formados os femininos: parente, parenta hóspede, hospeda monge, monja presidente, presidenta gigante, giganta 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 56 guardião, guardiã escrivão,escrivã papa, papisa imperador, imperatriz profeta, profetisa abade, abadessa perdigão, perdiz ateu, ateia réu, ré frade, freira cavaleiro, dama zangão, abelha Substantivos Uniformes Os substantivos uniformes apresentam uma única forma para ambos os gêneros: dentista, vítima. Os substantivos uniformes dividem-se em: - Epicenos: designam certos animais e têm um só gênero, quer se refiram ao macho ou à fêmea. – jacaré macho ou fêmea / a cobra macho ou fêmea / a formiga macho ou fêmea. - Comuns de dois gêneros: apenas uma forma e designam indivíduos dos dois sexos. São masculinos ou femininos. A indicação do sexo é feita com uso do artigo masculino ou feminino: o, a intérprete / o, a colega / o, a médium / o, a personagem / o, a cliente / o, a fã / o, a motorista / o, a estudante / o, a artista / o, a repórter / o, a manequim / o, a gerente / o, a imigrante / o, a pianista / o, a rival / o a jornalista. - Sobrecomuns: designam pessoas e têm um só gênero para homem ou a mulher: a criança (menino, menina) / a testemunha (homem, mulher) / a pessoa (homem, mulher) / o cônjuge (marido, mulher) / o guia (homem, mulher) / o ídolo (homem, mulher). Substantivos que mudam de sentido, quando se troca o gênero: o lotação (veículo) - a lotação (efeito de lotar); o capital (dinheiro) - a capital (cidade); o cabeça (chefe, líder) - a cabeça (parte do corpo); o guia (acompanhante) - a guia (documentação); o moral (ânimo) - a moral (ética); o grama (peso) - a grama (relva); o caixa (atendente) - a caixa (objeto); o rádio (aparelho) - a rádio (emissora); o crisma (óleo salgado) - a crisma (sacramento); o coma (perda dos sentidos) - a coma (cabeleira); o cura (vigário) - a cura; (ato de curar); o lente (prof. Universitário) - a lente (vidro de aumento); o língua (intérprete) - a língua (órgão, idioma); o voga (o remador) - a voga (moda). Alguns substantivos oferecem dúvida quanto ao gênero. São masculinos: o eclipse, o dó, o dengue (manha), o champanha, o soprano, o clã, o alvará, o sanduíche, o clarinete, o Hosana, o espécime, o guaraná, o diabete ou diabetes, o tapa, o lança-perfume, o praça (soldado raso), o pernoite, o formicida, o herpes, o sósia, o telefonema, o saca-rolha, o plasma, o estigma. São geralmente masculinos os substantivos de origem grega terminados em – ma: o dilema, o teorema, o emblema, o trema, o eczema, o edema, o enfisema, o fonema, o anátema, o tracoma, o hematoma, o glaucoma, o aneurisma, o telefonema, o estratagema. São femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a aluvião, a análise, a cal, a gênese, a entorse, a faringe, a cólera (doença), a cataplasma, a pane, a mascote, a libido (desejo sexual), a rês, a sentinela, a sucuri, a usucapião, a omelete, a hortelã, a fama, a Xerox, a aguardente. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 57 Plural dosSubstantivos Há várias maneiras de se formar o plural dos substantivos: Acrescentam-se: - S – aos substantivos terminados em vogal ou ditongo: povo, povos / feira, feiras / série, séries. - S – aos substantivos terminados em N: líquen, liquens / abdômen, abdomens / hífen, hífens. Também: líquenes, abdômenes, hífenes. - ES – aos substantivos terminados em R, S, Z: cartaz, cartazes / motor, motores / mês, meses. Alguns terminados em R mudam sua sílaba tônica, no plural: júnior, juniores / caráter, caracteres / sênior, seniores. - IS – aos substantivos terminados em al, el, ol, ul: jornal, jornais / sol, sóis / túnel, túneis / mel, meles, méis. Exceções: mal, males / cônsul, cônsules / real, réis (antiga moeda portuguesa). - ÃO – aos substantivos terminados em ão, acrescenta S: cidadão, cidadãos / irmão, irmãos / mão, mãos. TROCAM-SE: ão por ões: botão, botões / limão, limões / portão, portões / mamão, mamões ão por ãe: pão, pães / charlatão, charlatães / alemão, alemães / cão, cães il por is (oxítonas): funil, funis / fuzil, fuzis / canil, canis / pernil, pernis, e por EIS (Paroxítonas): fóssil, fósseis / réptil, répteis / projétil, projéteis m por ns: nuvem, nuvens / som, sons / vintém, vinténs / atum, atuns zito, zinho - 1º coloca-se o substantivo no plural: balão, balões; 2º elimina-se o S + zinhos Balão – balões – balões + zinhos: balõezinhos; Papel – papéis – papel + zinhos: papeizinhos; Cão – cães - cãe + zitos: Cãezitos Alguns substantivos terminados em X são invariáveis (valor fonético = cs): os tórax, os tórax / o ônix, os ônix / a fênix, as fênix / uma Xerox, duas Xerox / um fax, dois fax. Substantivos terminados em ÃO com mais de uma forma no plural: aldeão, aldeões, aldeãos; verão, verões, verãos; anão, anões, anãos; guardião, guardiões, guardiães; corrimão, corrimãos, corrimões; ancião, anciões, anciães, anciãos; ermitão, ermitões, ermitães, ermitãos. A tendência é utilizar a forma em ÕES Há substantivos que mudam o timbre da vogal tônica, no plural. Chama-se metafonia. Apresentam o “o” tônica fechado no singular e aberto no plural: caroço (ô), caroços (ó) / imposto (ô), impostos (ó) / forno (ô), fornos (ó) / miolo (ô), miolos (ó) / poço (ô), poços (ó) / olho (ô), olhos (ó) / povo (ô), povos (ó) / corvo (ô), corvos (ó). Também são abertos no plural (ó): fogos, ovos, ossos, portos, porcos, postos, reforços. Tijolos, destroços. Há substantivos que mudam de sentido quando usados no plural: Fez bem a todos (alegria); Houve separação de bens. (Patrimônio); Conferiu a féria do dia. (Salário); As férias foram maravilhosas. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 58 (Descanso); Suahonra foi exaltada. (Dignidade); Recebeu honras na solenidade. (Homenagens); Outros: bem = virtude, benefício / bens = valores / costa = litoral / costas = dorso / féria = renda diária / férias = descanso / vencimento = fim / vencimento = salário / letra = símbolo gráfico / letras = literatura. Substantivos empregados somente no plural: Arredores, belas-artes, bodas (ô), condolências, cócegas, costas, exéquias, férias, olheiras, fezes, núpcias, óculos, parabéns, pêsames, viveres, idos, afazeres, algemas. A forma singular das palavras ciúme e saudade são também usadas no plural, embora a forma singular seja preferencial, já que a maioria dos substantivos abstratos não se pluralizam. Aceita-se os ciúmes, nunca o ciúmes. “Quando você me deixou, meu bem, me disse pra eu ser feliz e passar bem Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci mas depois, como era de costume, obedeci” (gravado por Maria Bethânia) “Às vezes passo dias inteiros imaginando e pensando em você e eu fico com tanta saudade que até parece que eu posso morrer. Pode creditar em mim. Você me olha, eu digo sim...” (Fernanda Abreu) Termos no singular com valor de plural: Muito negro ainda sofre com o preconceito social. Tem morrido muito pobre de fome. Plural dos Substantivos Compostos Não é muito fácil a formação do plural dos substantivos compostos. Somente o segundo (ou último) elemento vai para o plural - Palavra unida sem hífen: pontapé = pontapés / girassol = girassóis / autopeça = autopeças. - verbo + substantivo: saca-rolha = saca-rolhas / arranha-céu = arranha-céus / bate-bola = bate-bolas / guarda-roupa = guarda-roupas / guarda-sol = guarda-sóis / vale-refeição = vale-refeições. - elemento invariável + palavra variável: sempre-viva = sempre-vivas / abaixo-assinado = abaixo- assinados / recém-nascido = recém-nascidos / ex-marido = ex-maridos / auto-escola = auto-escolas. - palavras repetidas: o reco-reco = os reco-recos / o tico-tico = os tico-ticos / o corre-corre = os corre- corres. - substantivo composto de três ou mais elementos não ligados por preposição: o bem-me-quer = os bem-me-queres / o bem-te-vi = os bem-te-vis / o sem-terra = os sem-terra / o fora-da-lei = os fora- da-lei / o João-ninguém = os joões-ninguém / o ponto-e-vírgula = os ponto-e-vírgula / o bumba-meu-boi = os bumba-meu-boi. - quando o primeiro elemento for: grão, grã (grande), bel: grão-duque = grão-duques / grã-cruz = grã-cruzes / bel-prazer = bel-prazeres. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 59 Somente oprimeiro elemento vai para o plural - substantivo + preposição + substantivo: água de colônia = águas-de-colônia / mula-sem-cabeça = mulas-sem-cabeça / pão-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz. - quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá ideia de tipo, finalidade: samba-enredo = sambas-enredos / pombo-correio = pombos-correio / salário-família = salários-família / banana-maçã = bananas-maçã / vale-refeição = vales-refeição (vale = ter valor de, substantivo+especificador) A tendência na língua portuguesa atual é pluralizar os dois elementos: bananas-maçãs / couves-flores / peixes-bois / saias-balões. Os dois elementos ficam invariáveis quando houver - verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o cola-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os bota-fora - os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai = os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva- e-traz / o vai-e-volta = os vai-e-volta. Os dois elementos, vão para o plural - substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis / abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó = tias-avós / tenente-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe = redatores-chefes. Coloque entre dois elementos a conjunção e, observe se é possível a pessoa ser o redator e chefe ao mesmo tempo / cirurgião e dentista / tia e avó / decreto e lei / abelha e mestra. - substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores-perfeitos / capitão-mor = capitães-mores / carro- forte = carros-fortes / obra-prima = obras-primas / cachorro-quente = cachorros-quentes. - adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta-metragem = curtas-metragens / má-língua = más-línguas / - numeral ordinal + substantivo: segunda-feira = segundas-feiras / quinta-feira = quintas-feiras. Composto com a palavra guarda só vai para o plural se for pessoa: guarda-noturno = guardas-noturnos / guarda-florestal = guardas-florestais / guarda-civil = guardas-civis / guarda-marinha = guardas-marinha. Plural das palavras de outras classes gramaticais usadas como substantivo (substantivadas), são flexionadas como substantivos: Gritavam vivas e morras; Fiz a prova dos noves; Pesei bem os prós e contras. Numerais substantivos terminados em s ou z não variam no plural. Este semestre tirei alguns seis e apenas um dez. Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas / os Oliveiras / os Picassos / os Mozarts / os Kennedys / os Silvas. Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs / DVDs / ONGs / PMs / Ufirs. Grau do Substantivo Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir intensidade, exagero ou diminuição. A essas modificações é que damos o nome de grau do substantivo. São dois os graus dos substantivos: aumentativo e diminutivo. Os graus aumentativos e diminutivos são formados por dois processos: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 60 - Sintético:com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou diminutivo: peixe – peixão (aumentativo sintético); peixe-peixinho (diminutivo sintético); sufixo inho ou isinho. - Analítico: formado com palavras de aumento: grande, enorme, imensa, gigantesca: obra imensa / lucro enorme / carro grande / prédio gigantesco; e formado com as palavras de diminuição: diminuto, pequeno, minúscula, casa pequena, peça minúscula / saia diminuta. - Sem falar em aumentativo e diminutivo alguns substantivos exprimem também desprezo, crítica, indiferença em relação a certas pessoas e objetos: gentalha, mulherengo, narigão, gentinha, coisinha, povinho, livreco. - Já alguns diminutivos dão ideia de afetividade: filhinho, Toninho, mãezinha. - Em consequência do dinamismo da língua, alguns substantivos no grau diminutivo e aumentativo adquiriram um significado novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha (calendário). - As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica recebem o sufixo zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão (sílaba nasal) = irmãozinho; herói (ditongo) = heroizinho; baú (hiato) = bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho. - As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas consoantes seguidas de vogal recebem o sufixo inho: país = paisinho; rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza = belezinha. - Há ainda aumentativos e diminutivos formados por prefixação: minissaia, maxissaia, supermercado, minicalculadora. Substantivo caracterizador de adjetivo: os adjetivos referentes a cores podem ser modificados por um substantivo: verde piscina, azul petróleo, amarelo ouro, roxo batata, verde garrafa. Questões 01. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”: (A) vulcão, abaixo-assinado; (B) irmão, salário-família; (C) questão, manga-rosa; (D) bênção, papel-moeda; (E) razão, guarda-chuva. 02. Assinale a alternativa em que está correta a formação do plural: (A) cadáver – cadáveis; (B) gavião – gaviães; (C) fuzil – fuzíveis; (D) mal – maus; (E) atlas – os atlas. 03. A palavra livro é um substantivo (A) próprio, concreto, primitivo e simples. (B) comum, abstrato, derivado e composto. (C) comum, abstrato, primitivo e simples. (D) comum, concreto, primitivo e simples. 04. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são masculinos: (A) enigma – idioma – cal; (B) pianista – presidente – planta; (C) champanha – dó(pena) – telefonema; (D) estudante – cal – alface; (E) edema – diabete – alface. 05. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm um significado; e no feminino têm outro, diferente. Marque a alternativa em que há um substantivo que não corresponde ao seu significado: (A) O capital = dinheiro; A capital = cidade principal; (B) O grama = unidade de medida; A grama = vegetação rasteira; (C) O rádio = aparelho transmissor; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 61 A rádio= estação geradora; (D) O cabeça = o chefe; A cabeça = parte do corpo; (E) A cura = o médico. O cura = ato de curar. 06. (EBSERH – Médico – Radiologia e diagnóstico por imagem – INSTITUTO AOCP/2015) Unesco: mundo precisará mudar consumo para garantir abastecimento de água 20/03/15 Relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mostra que há no mundo água suficiente para suprir as necessidades de crescimento do consumo, “mas não sem uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento". Segundo o documento, a crise global de água é de governança, muito mais do que de disponibilidade do recurso, e um padrão de consumo mundial sustentável ainda está distante. De acordo com a organização, nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população e a estimativa é que a demanda cresça ainda 55% até 2050. Mantendo os atuais padrões de consumo, em 2030 o mundo enfrentará um déficit no abastecimento de água de 40%. Os dados estão no Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Recursos Hídricos 2015 – Água para um Mundo Sustentável. O relatório atribui a vários fatores a possível falta de água, entre eles, a intensa urbanização, as práticas agrícolas inadequadas e a poluição, que prejudica a oferta de água limpa no mundo. A organização estima que 20% dos aquíferos estejam explorados acima de sua capacidade. Os aquíferos, que concentram água no subterrâneo e abastecem nascentes e rios, são responsáveis atualmente por fornecer água potável à metade da população mundial e é de onde provêm 43% da água usada na irrigação. Os desafios futuros serão muitos. O crescimento da população está estimado em 80 milhões de pessoas por ano, com estimativa de chegar a 9,1 bilhões em 2050, sendo 6,3 bilhões em áreas urbanas. A agricultura deverá produzir 60% a mais no mundo e 100% a mais nos países em desenvolvimento até 2050. A demanda por água na indústria manufatureira deverá quadruplicar no período de 2000 a 2050. Segundo a oficial de Ciências Naturais da Unesco na Itália, Angela Ortigara, integrante do Programa Mundial de Avaliação da Água (cuja sigla em inglês é WWAP) e que participou da elaboração do relatório, a intenção do documento é alertar os governos para que incentivem o consumo sustentável e evitem uma grave crise de abastecimento no futuro. “Uma das questões que os países já estão se esforçando para melhorar é a governança da água. É importante melhorar a transparência nas decisões e também tomar medidas de maneira integrada com os diferentes setores que utilizam a água. A população deve sentir que faz parte da solução." Cada país enfrenta uma situação específica. De maneira geral, a Unesco recomenda mudanças na administração pública, no investimento em infraestrutura e em educação. “Grande parte dos problemas que os países enfrentam, além de passar por governança e infraestrutura, passa por padrões de consumo, que só a longo prazo conseguiremos mudar, e a educação é a ferramenta para isso", diz o coordenador de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão. No Brasil, a preocupação com a falta de água ganhou destaque com a crise hídrica no Sudeste. Antes disso, o país já enfrentava problemas de abastecimento, por exemplo no Nordeste. Ary Mergulhão diz que o Brasil tem reserva de água importante, mas deve investir em um diagnóstico para saber como está em termos de política de consumo, atenção à população e planejamento. “É um trabalho contínuo. Não quer dizer que o país que tem mais ou menos recursos pode relaxar. Todos têm que se preocupar com a situação. O relatório será mundialmente lançado hoje (20) em Nova Délhi, na Índia, antes do Dia Mundial da Água (22). O documento foi escrito pelo WWAP e produzido em colaboração com as 31 agências do sistema das Nações Unidas e 37 parceiros internacionais da ONU-Água. A intenção é que a questão hídrica seja um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que vêm sendo discutidos desde 2013, seguindo orientação da Conferência Rio+20 e que deverão nortear as atividades de cooperação internacional nos próximos 15 anos. Texto adaptado - Fonte: http://afolhasaocarlos.com.br/noticias/ ver_noticia/5215/controler:noticias 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 62 Assinale aalternativa cuja palavra ou expressão em destaque NÃO tem a função de caracterizar o termo que o acompanha. (A) Mudança dramática. (B) Grave crise. (C) Últimas décadas. (D) Água potável. (E) Crescimento da população. 07. (MSGás – Analista Contábil – MSGás/2015) O homem que espalhou o deserto Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite. Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando- as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas. A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas. Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar. Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado os pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado. Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava acostumado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado. Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar. E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho a sua profissão. BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. São Paulo: Global, 2002. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 63 Analise asafirmativas sobre a flexão nominal e verbal das palavras destacadas no período. “As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno." I. O verbo levavam encontra-se no pretérito imperfeito do indicativo e na terceira pessoa do plural. II. O substantivo menino apresenta gênero masculino e número plural. III. As palavras imensas e meninos são flexionáveis morfologicamente em gênero e número. Qual a alternativa correta? (A) Apenas as afirmativas I e III estão corretas. (B) Apenas a afirmativa I está correta. (C) As afirmativas I, II e III estão corretas. (D) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. 08. (MSGás – Analista Contábil – MSGás/2015) BACTÉRIAS QUE FAZEM O BEM Monique Oliveira Um procedimento ________ inusitado começa a ser testado como uma opção de tratamento para infecção intestinal e obesidade. Trata-se do transporte de bactérias, cujo objetivo é devolver o equilíbrio ________ intestinal, de forma que os problemas sejam corrigidos. No caso da infecção, a técnica já tem sido adotada em vários países – inclusive no Brasil – para tratar pacientes nos quais outros recursos foram ineficazes. Recentemente, um estudo sobre o método, publicado na revista científica “The New England Journal of Medicine", mostrou que, enquanto os remédios mais usados contra o problema apenas reduzem a frequência das ________ decorrentes das infecções, o transplante promove sua cura. Em relação ________, as pesquisas ocorrem em caráter experimental, mas estão deixando evidente a associação entre o aumento de peso e os ____________. (Revista Isto É, p. 76, no 2287, 18/9/2013, fragmento) Releia este período do texto: “No caso da infecção, a técnica já tem sido adotada em vários países – inclusive no Brasil – para tratar pacientes nos quais outros recursos foram ineficazes." Com relação às palavras grifadas no período, podemos classificá-las como: (A) substantivo simples, advérbio de modo, preposição, pronome pessoal. (B) adjetivo, advérbio de intensidade, pronome indefinido, pronome relativo. (C) substantivo simples, advérbio de tempo, pronome indefinido, pronome relativo. (D) adjetivo, advérbio de tempo, pronome definido, pronome possessivo. 09. Marque a alternativa que apresenta os femininos de “Monge”, “Duque”, “Papa” e “Profeta”: (A) monja – duqueza – papisa – profetisa; (B) freira – duqueza – papiza – profetisa; (C) freira – duquesa – papisa – profetisa; (D) monja – duquesa – papiza – profetiza; (E) monja – duquesa – papisa – profetisa. Respostas 01. Resposta C A palavra “balão” tem seu plural em “ões”. O plural do vocábulo “caneta-tinteiro” é “canetas-tinteiro”, em que se é pluralizado apenas o primeiro elemento, já que o segundo determina, indicando a funcionalidade, do primeiro. Alternativa A: vulcão-vulcões / abaixo-assinado-abaixo-assinados Alternativa B: irmão irmãos / salário-família salários-família Alternativa C (correta): questão questões / manga-rosa mangas-rosa Alternativa D: bênção bênçãos / papel-moeda papéis-moeda Alternativa E: razão razões / guarda-chuva guarda-chuvas 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 64 02. RespostaE Alternativa A: cadáver – cadáveres Alternativa B: gavião - gaviões Alternativa C: fuzil - fuzis Alternativa D: mal – males Alternativa E: correta 03. Resposta D 04. Resposta C Alternativa A: A cal Alternativa B: O/A presidente Alternativa C: correta Alternativa D: O/A estudante – A cal Alternativa E: A alface 05. Resposta E O cura = sacerdote 06. Resposta B a) Mudança dramática. (dramática é adjetivo, qualifica o substantivo mudança) b) Grave crise. GABARITO (grave é adjetivo e qualifica o substantivo crise, ESTÁ ERRADO PORQUE INVERTERAM) c) Últimas décadas. (últimas é adjetivo e qualifica o substantivo décadas) d) Água potável. (potável é adjetivo e qualifica o substantivo água) e) Crescimento da população. (da população é locução adjetiva e qualifica o substantivo crescimento, pode ser substituído por populacional) 07. Resposta A I. Pretérito imperfeito = ação interrompida. Eu levava, tu levavas, ele levava, nós levávamos, vós leváveis, eles levavam. (3° Pe. do Plu) Pretérito perfeito= ação finalizada. Eu levei, tu levaste, ele levou.. II. Errado. Menino (masculino, singular) III. Imenso, Imensos, Imensa, Imensas. Menino, Meninos, Menina, Meninas. 08 Resposta C Infecção: Substantivo simples (só há um único núcleo). Já: Advérbio de tempo ( hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora, amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia) Vários: Pronome indefinido (palavras que se referem à terceira pessoa do discurso, dando-lhe sentido vago -impreciso- ou expressando quantidade indeterminada. Podem ser Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase; e Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade aproximada. Exemplos: algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias). Quais: Pronome relativo (Representam nomes já mencionados anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem as orações subordinadas adjetivas. Ex: o qual, cujo, quanto -váriáveis- e quem, que, onde -invariáveis) 09. Resposta E 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 65 Adjetivo Não digas:“o mundo é belo.” Quando foi que viste o mundo? Não digas: “o amor é triste.” Que é que tu conheces do amor? Não digas: “a vida é rápida.” Com foi que mediste a vida? (Cecília Meireles) Os adjetivos belo, triste e rápida expressa uma qualidade dos sujeitos: o mundo, o amor, a vida. Adjetivo é a palavra variável em gênero, número e grau que modifica um substantivo, atribuindo-lhe uma qualidade, estado, ou modo de ser: laranjeira florida; céu azul; mau tempo; cavalo baio; comida saudável; político honesto; professor competente; funcionário consciente; pais responsáveis. Os adjetivos classificam-se em: - simples: apresentam um único radical, uma única palavra em sua estrutura: alegre, medroso, simpático, covarde, jovem, exuberante, teimoso; - compostos: apresentam mais de um radical, mais de duas palavras em sua estrutura: estrelas azul- claras; sapatos marrom-escuros; garoto surdo-mudo; - primitivos: são os que vieram primeiro; dão origem a outras palavras: atual, livre, triste, amarelo, brando, amável, confortável. - derivados: são aqueles formados por derivação, vieram depois dos primitivos: amarelado, ilegal, infeliz, desconfortável, entristecido, atualizado. - pátrios: indicam procedência ou nacionalidade, referem-se a cidades, estados, países. Locução Adjetiva: é a expressão que tem o mesmo valor de um adjetivo. A locução adjetiva é formada por preposição + um substantivo. Vejamos algumas locuções adjetivas: Angelical de anjo Etário de idade Abdominal de abdômen Fabril de fábrica Apícola de abelha Filatélico de selos Aquilino de águia Urbano da cidade Argente de prata Gástrica do estômago Áureo de ouro Hepático do fígado Auricular da orelha Matutino da manhã Bucal da boca Vespertino da tarde Bélico de guerra Inodoro sem cheiro Cervical do pescoço Insípido sem gosto Cutâneo de pele Pluvial da chuva Discente de aluno Humano do homem Docente de professor Umbilical do umbigo Estelar de estrela Têxtil de tecido Algumas locuções adjetivas não possuem adjetivos correspondentes: lata de lixo, sacola de papel, parede de tijolo, folha de papel, e outros. Cidade, Estado, País e Adjetivo Pátrio: Amapá: amapaense; Amazonas: amazonense ou baré; Anápolis: anapolino; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 66 Angra dosReis: angrense; Aracajú: aracajuano ou aracajuense; Bahia: baiano; Bélgica: belga; Belo Horizonte: belo-horizontino; Brasil: brasileiro; Brasília: brasiliense; Buenos Aires: buenairense ou portenho; Cairo: cairota; Cabo Frio: cabo-friense; Campo Grande: campo-grandense; Ceará: cearense; Curitiba: curitibano; Distrito Federal: candango ou brasiliense; Espírito Santo: espírito-santense ou capixaba; Estados Unidos: estadunidense ou norte americano; Florianópolis: florianopolitano; Florença: florentino; Fortaleza: fortalezense; Goiânia: goianiense; Goiás: goiano; Japão: japonês ou nipônico; João Pessoa: pessoense; Londres: londrino; Maceió: maceioense; Manaus: manauense ou manauara; Maranhão: maranhense; Mato Grosso: mato-grossense; Mato Grosso do Sul: mato-grossense-do-sul; Minas Gerais: mineiro; Natal: natalense ou papa-jerimum; Nova Iorque: nova-iorquino; Niterói: niteroiense; Novo Hamburgo: hamburguense; Palmas: palmense; Pará: paraense; Paraíba: paraibano; Paraná: paranaense; Pernambuco: pernambucano; Petrópolis: petropolitano; Piauí: piauiense; Porto Alegre: porto-alegrense; Porto Velho: porto-velhense; Recife: recifense; Rio Branco: rio-branquense; Rio de Janeiro: carioca/ fluminense (estado); Rio Grande do Norte: rio-grandense-do-norte ou potiguar; Rio Grande do Sul: rio-grandense ou gaúcho; Rondônia: rondoniano; Roraima: roraimense; Salvador: soteropolitano; Santa Catarina: catarinense ou barriga-verde; São Paulo: paulista/paulistano (cidade); São Luís: são-luisense ou ludovicense; Sergipe: sergipano; Teresina: teresinense; Tocantins: tocantinense; Três Corações: tricordiano; Três Rios: trirriense; Vitória: vitoriano. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 67 - pode-seutilizar os adjetivos pátrios compostos, como: afro-brasileiro; Anglo-americano, franco- italiano, sino-japonês (China e Japão); Américo-francês; luso-brasileira; nipo-argentina (Japão e Argentina); teuto-argentinos (alemão). - “O professor fez uma simples observação”. O adjetivo, simples, colocado antes do substantivo observação, equivale à banal. - “O professor fez uma observação simples”. O adjetivo simples colocado depois do substantivo observação, equivale à fácil. Flexões do Adjetivo: O adjetivo, como palavra variável, sofre flexões de: gênero, número e grau. Gênero do Adjetivo: Quanto ao gênero os adjetivos classificam-se em: - uniformes: têm forma única para o masculino e o feminino. Funcionário incompetente = funcionária incompetente. - biformes: troca-se a vogal o pela vogal a ou com o acréscimo da vogal a no final da palavra: ator famoso = atriz famosa / jogador brasileiro = jogador brasileira. Os adjetivos compostos recebem a flexão feminina apenas no segundo elemento: sociedade luso- brasileira / festa cívico-religiosa / saia verde-escura. Vejamos alguns adjetivos biformes que apresentam uma flexão especial: ateu – ateia / europeu – europeia / glutão – glutona / hebreu – hebreia / Judeu – judia / mau – má / plebeu – plebeia / são – sã / vão – vã. Atenção: - às vezes, os adjetivos são empregados como substantivos ou como advérbios: Agia como um ingênuo. (Adjetivo como substantivo: acompanha um artigo). - A cerveja que desce redondo. (Adjetivo como advérbio: redondamente). - substantivos que funcionam como adjetivos, num processo de derivação imprópria, isto é, palavra que tem o valor de outra classe gramatical, que não seja a sua: Alguns brasileiros recebem um salário- família. (Substantivo com valor de adjetivo). - substituto do adjetivo: palavras / expressões de outra classe gramatical podem caracterizar o substantivo, ficando a ele subordinadas na frase. Semântica e sintaticamente falando, valem por adjetivos. Vale associar ao substantivo principal outro substantivo em forma de aposto. O rio Tietê atravessa o estado de São Paulo. Plural do Adjetivo: o plural dos adjetivos simples flexionam de acordo com o substantivo a que se referem: menino chorão = meninos chorões / garota sensível = garotas sensíveis / vitamina eficaz = vitaminas eficazes / exemplo útil = exemplos úteis. - quando os dois elementos formadores são adjetivos, só o segundo vai para o plural: questões político- partidárias, olhos castanho-claros, senadores democrata-cristãos com exceção de: surdo-mudo = surdos- mudos, variam os dois elementos. - Composto formado de adjetivo + substantivo referindo-se a cores, o adjetivo cor e o substantivo permanecem invariáveis, não vão para o plural: terno azul-petróleo = ternos azul-petróleo (adjetivo azul, substantivo petróleo); saia amarelo-canário = saias amarelo-canário (adjetivo, amarelo; substantivo canário). - As locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo, ficam invariáveis: papel cor-de-rosa = papéis cor-de-rosa / olho cor-de-mel = olhos cor-de-mel. - São invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegrias sem-par, piadas sem-sal. Grau do Adjetivo Grau comparativo de: igualdade, superioridade (Analítico e Sintético) e Inferioridade; Grau superlativo: absoluto (analítico e sintético) ou relativo (superioridade e inferioridade). O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades dos seres. O adjetivo apresenta duas variações de grau: comparativo e superlativo. O grau comparativo é usado para comparar uma qualidade entre dois ou mais seres, ou duas ou mais qualidades de um mesmo ser. O comparativo pode ser: - de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou tão alto quão / quanto / como você. (As duas pessoas têm a mesma altura) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 68 - desuperioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que uma é mais do que a outra: Minha amiga Manu é mais elegante do que / que eu. (Das duas, a Manu é mais) O grau comparativo de superioridade possui duas formas: Analítica: mais bom / mais mau / mais grande / mais pequeno: O salário é mais pequeno do que / que justo (salário pequeno e justo). Quando comparamos duas qualidades de um mesmo ser, podemos usar as formas: mais grande, mais mau, mais bom, mais pequeno. Sintética: bom, melhor / mau, pior / grande, maior / pequeno, menor: Esta sala é melhor do que / que aquela. - de inferioridade: um elemento é menor do que outro: Somos menos passivos do que / que tolerantes. O grau superlativo: a característica do adjetivo se apresenta intensificada: O superlativo pode ser absoluto ou relativo. - Superlativo Absoluto: atribuída a um só ser; de forma absoluta. Pode ser: Analítico: advérbio de intensidade muito, intensamente, bastante, extremamente, excepcionalmente + adjetivo: Nicola é extremamente simpático. Sintético: adjetivo + issimo, imo, ílimo, érrimo: Minha comadre Mariinha é agradabilíssima. - o sufixo -érrimo é restrito aos adjetivos latinos terminados em r; pauper (pobre) = paupérrimo; macer (magro) = macérrimo; - forma popular: radical do adjetivo português + íssimo: pobríssimo; - adjetivos terminados em vel + bilíssimo: amável = amabilíssimo; - adjetivos terminados em eio formam o superlativo apenas com i: feio = feíssimo / cheio = cheíssimo. - os adjetivos terminados em io forma o superlativo em iíssimo: sério = seriíssimo / necessário = necessariíssimo / frio = friíssimo. Algumas formas do superlativo absoluto sintético erudito (culto): ágil = agílimo; agradável = agradabilíssimo; agudo = acutíssimo; amargo = amaríssimo; amigo = amicíssimo; antigo = antiquíssimo; áspero = aspérrimo; atroz = atrocíssimo; benévolo = benevolentíssimo; bom = boníssimo, ótimo; capaz = capacíssimo; célebre = celebérrimo; cruel = crudelíssimo; difícil = dificílimo; doce = dulcíssimo; eficaz = eficacíssimo; fácil = facílimo; feliz = felicíssimo; fiel = fidelíssimo; frágil = fragílimo; frio = frigidíssimo, friíssimo; geral = generalíssimo; humilde = humílimo; incrível = incredibilíssimo; inimigo = inimicíssimo; jovem = juvenilíssimo; livre = libérrimo; magnífico = magnificentíssimo; magro = macérrimo, magérrimo; mau = péssimo; miserável = miserabilíssimo; negro = nigérrimo, negríssimo; nobre = nobilíssimo; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 69 pessoal =personalíssimo; pobre = paupérrimo, pobríssimo; sábio = sapientíssimo; sagrado = sacratíssimo; simpático = simpaticíssimo; simples = simplíssimo; tenro = tenrríssimo; terrível = terribilíssimo; veloz = velocíssimo. Usa-se também, no superlativo: - prefixos: maxinflação / hipermercado / ultrassonografia / supersimpática. - expressões: suja à beça / pra lá de sério / duro que nem sola / podre de rico / linda de morrer / magro de dar pena. - adjetivos repetidos: fofinho, fofinho (=fofíssimo) / linda, linda (=lindíssima). - diminutivo ou aumentativo: cheinha / pequenininha / grandalhão / gostosão / bonitão. - linguagem informa, sufixo érrimo, em fez de íssimo: chiquérrimo, chiquetérrimo, elegantérrimo. - Superlativo Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre muitos, com a mesma qualidade. Pode ser: Superlativo Relativo de Superioridade: Wilma é a mais prendada de todas as suas amigas. (ela é a mais de todas) Superlativo Relativo de Inferioridade: Paulo César é o menos tímido dos filhos. Emprego Adverbial do Adjetivo O menino dorme tranquilo. / As meninas dormem tranquilas. Em ambas as frases o adjetivo concorda em gênero e número com o sujeito. O menino dorme tranquilamente. / As meninas dormem tranquilamente. O adjetivo assume um valor adverbial, com o acréscimo do sufixo mente, sendo, portanto, invariável, não vai para o plural. Sorriu amarelo e saiu. / Ficou meio chateada e calou-se. O adjetivo amarelo modificou um verbo, portanto, assume a função de advérbio; o adjetivo meio + chateada (adjetivo) assume, também, a função de advérbio. Questões 01. (EEAR – SARGENTO CONTROLADOR DE TRÁFEGO AÉREO – FAB/2015) Assinale a alternativa em que não há adjetivo. (A) “Olhem pelas portas e janelas: o cata-vento está de pernas para o mar. São ideias novas que põem o mundo pra rodar." (B) “O gato Serafim Foi pra aula de bordado Pra bordar um belo manto De céu estrelado." (C) “Eu vi um passarinho Entre a folhagem do meu jardim, Pequeno e gorduchinho Brincando entre as flores de cetim." (D) “Numa manhã Enquanto comia maçã Vi uma barata Sair de trás de uma lata." 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 70 02. Aindasobre os adjetivos gentílicos, diz-se que quem nasce em “Lima”, “Buenos Aires” e “Jerusalém” é: (A) Limalho-Portenho-Jerusalense; (B) Limenho-Bonaerense-Hierosolimita; (C) Límio-Portenho-Jerusalita (D) Limenho-Bonaerense-Jerusalita; (E) Limeiro-Bonaerense-Judeu; 03. No trecho “os jovens estão mais ágeis que seus pais”, temos: (A) um superlativo relativo de superioridade; (B) um comparativo de superioridade; (C) um superlativo absoluto; (D) um comparativo de igualdade. (E) um superlativo analítico de ágil. 04. Relacione a 1ª coluna à 2ª: 1 - água de chuva ( ) Fluvial 2 - olho de gato ( ) Angelical 3 - água de rio ( ) Felino 4 - Cara-de-anjo ( ) Pluvial Assim temos: (A) 1 – 4 – 2 – 3; (B) 3 – 2 – 1 – 4; (C) 3 – 1 – 2 – 4; (D) 3 – 4 – 2 – 1; (E) 4 – 3 – 1 – 2. 05. Nas orações “Esse livro é melhor que aquele” e “Este livro é mais lindo que aquele”, Há os graus comparativos: (A) de superioridade, respectivamente sintético e analítico; (B) de superioridade, ambos analíticos; (C) de superioridade, ambos sintéticos; (D) relativos; (E) superlativos. 06. Em que conjunto os adjetivos têm valor afetivo? (A) Proibido entrada e aviso reles (B) Aviso reles e pobre cão (C) Pobre cão e custa canina (D) Pobre cão e rico dinheirinho (E) “Nossa Caixa” e aviso reles 07. Sabe-se que a posição do adjetivo, em relação ao substantivo, pode ou não mudar o sentido do enunciado. Assim, nas frases “Ele é um homem pobre” e “Ele é um pobre homem”. (A) 1ª fala de um sem recursos materiais; a 2ª fala de um homem infeliz; (B) a 1ª fala de um homem infeliz; a 2ª fala de um homem sem recursos materiais; (C) em ambos os casos, o homem é apenas infeliz, sem fazer referência a questões materiais; (D) em ambos os casos o homem é apenas desprovido de recursos; (E) o homem é infeliz e desprovido de recursos materiais, em ambas. 08. O item em que a locução adjetiva não corresponde ao adjetivo dado é: (A) hibernal - de inverno; (B) filatélico - de folhas; (C) discente - de alunos; (D) docente - de professor; (E) onírico - de sonho. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 71 09. Assinalea alternativa em que todos os adjetivos têm uma só forma para os dois gêneros: (A) andaluz, hindu, comum; (B) europeu, cortês, feliz; (C) fofo, incolor, cru; (D) superior, agrícola, namorador; (E) exemplar, fácil, simples. Respostas 01. Resposta D Alternativa A: adjetivo - novas Alternativa B: adjetivo – belo Alternativa c: adjetivos: pequeno e gorduchinho 02. Resposta B 03. Resposta B 04. Resposta D 05. Resposta A 06. Resposta D 07. Resposta A 08. Resposta B Filatélico = hábito de colecionar selos. 09. Resposta E Numeral Os numerais exprimem quantidade, posição em uma série, multiplicação e divisão. Daí a sua classificação, respectivamente, em: cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários. - Cardinal: indica número, quantidade: um, dois, três, oito, vinte, cem, mil; - Ordinal: indica ordem ou posição: primeiro, segundo, terceiro, sétimo, centésimo; - Fracionário: indica uma fração ou divisão: meio, terço, quarto, quinto, um doze avos; - Multiplicativo: indica a multiplicação de um número: duplo, dobro, triplo, quíntuplo. Os numerais que indicam conjunto de elementos de quantidade exata são os coletivos: BIMESTRE: período de dois meses CENTENÁRIO: período de cem anos DECÁLOGO: conjunto de dez leis DECÚRIA: período de dez anos DEZENA: conjunto de dez coisas DÍSTICO: dois versos DÚZIA: conjunto de doze coisas GROSA: conjunto de doze dúzias LUSTRO: período de cinco anos MILÊNIO: período de mil anos MILHAR: conjunto de mil coisas NOVENA: período de nove dias QUARENTENA: período de quarenta dias QUINQUÊNIO: período de cinco anos RESMA: quinhentas folhas de papel 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 72 SEMESTRE: períodode seis meses SEPTÊNIO: período de sete meses SEXÊNIO: período de seis anos TERNO: conjunto de três coisas TREZENA: período de treze dias TRIÊNIO: período de três anos TRINCA: conjunto de três coisas Algarismos: Arábicos e Romanos, respectivamente: 1-I, 2-II, 3-III, 4-IV, 5-V, 6-VI, 7-VII, 8-VIII, 9-IX, 10-X, 11-XI, 12-XII, 13-XIII, 14-XIV, 15-XV, 16-XVI, 17-XVII, 18-XVIII, 19-XIX, 20-XX, 30-XXX, 40-XL, 50- L, 60-LX, 70-LXX, 80-LXXX, 90-XC, 100-C, 200-CC, 300-CCC, 400-CD, 500-D, 600-DC, 700-DCC, 800- DCCC, 900-CM, 1.000-M. Numerais Cardinais: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, catorze ou quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte..., trinta..., quarenta..., cinquenta..., sessenta..., setenta..., oitenta..., noventa..., cem..., duzentos..., trezentos..., quatrocentos..., quinhentos..., seiscentos..., setecentos..., oitocentos..., novecentos..., mil. Numerais Ordinais: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, décimo primeiro, décimo segundo, décimo terceiro, décimo quarto, décimo quinto, décimo sexto, décimo sétimo, décimo oitavo, décimo nono, vigésimo..., trigésimo..., quadragésimo..., quinquagésimo..., sexagésimo..., septuagésimo..., octogésimo..., nonagésimo..., centésimo..., ducentésimo..., trecentésimo..., quadringentésimo..., quingentésimo..., sexcentésimo..., septingentésimo..., octingentésimo..., nongentésimo..., milésimo. Numerais Multiplicativos: dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo, nônuplo, décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo. Numerais Fracionários: meia, metade, terço, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, onze avos, doze avos, treze avos, catorze avos, quinze avos, dezesseis avos, dezessete avos, dezoito avos, dezenove avos, vinte avos..., trinta avos..., quarenta avos..., cinquenta avos..., sessenta avos..., setenta avos..., oitenta avos..., noventa avos..., centésimo..., ducentésimo..., trecentésimo..., quadringentésimo..., quingentésimo..., sexcentésimo..., septingentésimo..., octingentésimo..., nongentésimo..., milésimo. Flexão dos Numerais Gênero - os numerais cardinais um, dois e as centenas a partir de duzentos apresentam flexão de gênero: Um menino e uma menina foram os vencedores. / Comprei duzentos gramas de presunto e duzentas rosquinhas. - os numerais ordinais variam em gênero: Marcela foi a nona colocada no vestibular. - os numerais multiplicativos, quando usados com o valor de substantivos, são variáveis: A minha nota é o triplo da sua. (Triplo – valor de substantivo) - quando usados com valor de adjetivo, apresentam flexão de gênero: Eu fiz duas apostas triplas na lotofácil. (Triplas valor de adjetivo) - os numerais fracionários concordam com os cardinais que indicam o número das partes: Dois terços dos alunos foram contemplados. - o fracionário meio concorda em gênero e número com o substantivo no qual se refere: O início do concurso será meio-dia e meia. (Hora) / Usou apenas meias palavras. Número - os numerais cardinais milhão, bilhão, trilhão, e outros, variam em número: Venderam um milhão de ingressos para a festa do peão. / Somos 180 milhões de brasileiros. - os numerais ordinais variam em número: As segundas colocadas disputarão o campeonato. - os numerais multiplicativos são invariáveis quando usados com valor de substantivo: Minha dívida é o dobro da sua. (Valor de substantivo – invariável) - os numerais multiplicativos variam quando usados como adjetivos: Fizemos duas apostas triplas. (Valor de adjetivo – variável) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 73 - osnumerais fracionários variam em número, concordando com os cardinais que indicam números das partes. - Um quarto de litro equivale a 250 ml; três quartos equivalem a 750 ml. Grau Na linguagem coloquial é comum a flexão de grau dos numerais: Já lhe disse isso mil vezes. / Aquele quarentão é um “gato”! / Morri com cincão para a “vaquinha”, lá da escola. Emprego dos Numerais - para designar séculos, reis, papas, capítulos, cantos (na poesia épica), empregam-se: os ordinais até décimo: João Paulo II (segundo). Canto X (décimo) / Luís IV (nono); os cardinais para os demais: Papa Bento XVI (dezesseis); Século XXI (vinte e um). - se o numeral vier antes do substantivo, usa-se o ordinal. O XX século foi de descobertas científicas. (Vigésimo século) - com referência ao primeiro dia do mês, usa-se o numeral ordinal: O pagamento do pessoal será sempre no dia primeiro. - na enumeração de leis, decretos, artigos, circulares, portarias e outros textos oficiais, emprega-se o numeral ordinal até o nono: O diretor leu pausadamente a portaria 8ª. (portaria oitava) - emprega-se o numeral cardinal, a partir de dez: O artigo 16 não foi justificado. (Artigo dezesseis) - enumeração de casa, páginas, folhas, textos, apartamentos, quartos, poltronas, emprega-se o numeral cardinal: Reservei a poltrona vinte e oito. / O texto quatro está na página sessenta e cinco. - se o numeral vier antes do substantivo, emprega-se o ordinal. Paulo César é adepto da 7ª Arte. (Sétima) - não se usa o numeral um antes de mil: Mil e duzentos reais é muito para mim. - o artigo e o numeral, antes dos substantivos milhão, milhar e bilhão, devem concordar no masculino: - Quando o sujeito da oração é milhões + substantivo feminino plural, o particípio ou adjetivo podem concordar, no masculino, com milhões, ou com o substantivo, no feminino. Dois milhões de notas falsas serão resgatados ou serão resgatadas (milhões resgatados / notas resgatadas) - os numerais multiplicativos quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo e óctuplo valem como substantivos para designar pessoas nascidas do mesmo parto: Os sêxtuplos, nascidos em Lucélia, estão reagindo bem. - emprega-se, na escrita das horas, o símbolo de cada unidade após o numeral que a indica, sem espaço ou ponto: 10h20min – dez horas, vinte minutos. - não se emprega a conjunção e entre os milhares e as centenas: mil oitocentos e noventa e seis. Mas 1.200 – mil e duzentos (o número termina numa centena com dois zeros) Questões 01. Marque o emprego incorreto do numeral: (A) século III (três) (B) página 102 (cento e dois) (C) 80º (octogésimo) (D) capítulo XI (onze) (E) X tomo (décimo) 02. Indique o item em que os numerais estão corretamente empregados: (A) Ao Papa Paulo seis sucedeu João Paulo primeiro. (B) após o parágrafo nono, virá o parágrafo dez. (C) depois do capítulo sexto, li o capítulo décimo primeiro. (D) antes do artigo décimo vem o artigo nono. (E) o artigo vigésimo segundo foi revogado. Respostas 01. Resposta A O numeral quando for usado para designar Papas, reis, séculos, capítulos etc, usam-se: Os ordinais de 1 a 10; Os cardinais de 11 em diante. Logo, a letra A está incorreta por estar grafado século três, quando o correto é século terceiro. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 74 02. RespostaB Está corretamente grafado parágrafo nono e parágrafo dez na alternativa B, pois os numerais ordinais são de 1 a 09. De 10 em diante usamos os cardinais. Pronome É a palavra que acompanha ou substitui o nome, relacionando-o a uma das três pessoas do discurso. As três pessoas do discurso são: 1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou emissor; 2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se fala ou receptor; 3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de quem se fala ou referente. Dependendo da função de substituir ou acompanhar o nome, o pronome é, respectivamente: pronome substantivo ou pronome adjetivo. Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos. Pronomes Pessoais: Os pronomes pessoais dividem-se em: - retos - exercem a função de sujeito da oração: eu, tu, ele, nós, vós, eles: - oblíquos - exercem a função de complemento do verbo (objeto direto / objeto indireto) ou as, lhes. - Ela não vai conosco. (ela-pronome reto / vai-verbo / conosco complemento nominal. São: tônicos com preposição: mim, comigo, ti, contigo,si, consigo, conosco, convosco; átonos sem preposição: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os,-pronome oblíquo) - Eu dou atenção a ela. (eu-pronome reto / dou-verbo / atenção-nome / ela-pronome oblíquo) Saiba mais sobre os Pronomes Pessoais - Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pessoa, apresentam sempre a forma: o, a, os, as: Eu os vi saindo do teatro. - As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os pronomes pessoais do caso reto: - Eu vi só ele ontem. - Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pessoa apresentam as formas: o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral: Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente. o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z, assumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo, consequentemente, as terminações R, S, Z. Preciso pagar ao verdureiro. = pagá-lo; Fiz os exercícios a lápis. = Fi-los a lápis. lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos - Eis a prova do suborno. = Ei-la; O tempo nos dirá. = no-lo dirá. (eis, nos, vos perdem o S) no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m, ão, õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos sobre a mesa. lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural, terminado em S não modificado: Nós entregamoS-lhe a cópia do contrato. (o S permanece) nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural, perde o S: Sentamo-nos à mesa para um café rápido. me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos transitivos diretos (TD), têm sentido possessivo, equivalendo a meu, teu, seu, dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a esperança. (sua, dele, dela possessivo) as formas conosco e convosco são substituídas por: com + nós, com + vós. seguidos de: ambos, todos, próprios, mesmos, outros, numeral: Marianne garantiu que viajaria com nós três. o pronome oblíquo funciona como sujeito com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar, sentir e ver+verbo no infinitivo. Deixe-me sentir seu perfume. (Deixe que eu sinta seu perfume me-- sujeito do verbo deixar - Mandei-o calar. (= Mandei que ele calasse), o= sujeito do verbo mandar. os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o nome de pronomes recíprocos quando expressam uma ação mútua ou recíproca: Nós nos encontramos emocionados. (pronome recíproco, nós mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei. / Eu jà se arrumei; Eu me apavorei. / Eu me arrumei. (certos) - Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituidos por mim e ti após prepõsição: O segredo ficará somente entre mim e ti. - É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu, quando funcionarem como Sujeito: Todos pediram para eu relatar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no infinitivo). Lembre-se de que 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 75 mim nãofala, não escreve, não compra, não anda. Somente o Tarzã e o Capitão Caverna dizem: mim gosta / mim tem / mim faz. / mim quer. - As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas como complemento de verbos transitivos diretos ao passo que as formas lhe, lhes são empregadas como complementos de verbos transitivos indiretos: Dona Cecília, querida amiga, chamou-a. (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa comadre, Nircléia, obedeceu-lhe. (verbo transitivo indireto,VTI) - É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo a gente, substituindo o pronome pessoal nós: A gente deve fazer caridade com os mais necessitados. - Os pronomes pessoais retos ele, eles, ela, elas, nós e vós serão pronomes pessoais oblíquos quando empregados como complementos de um verbo e vierem precedidos de preposição. O conserto da televisão foi feito por ele. (ele= pronome oblíquo) - Os pronomes pessoais ele, eles e ela, elas podem se contrair com as preposições de e em: Não vejo graça nele./ Já frequentei a casa dela. - Se os pronomes pessoais retos ele, eles, ela, elas estiverem funcionando como sujeito, e houver uma preposição antes deles, não poderá haver uma contração: Está na hora de ela decidir seu caminho. (ela -sujeito de decidir; sempre com verbo no infinitivo) - Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes pessoais que se referem ao sujeito: Eu me feri com o canivete. (eu - 1ª pessoa- sujeito / me- pronome pessoal reflexivo) - Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser empregados somente como pronomes pessoais reflexivos e funcionam como complementos de um verbo na 3ª pessoa, cujo sujeito é também da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com elegância e levou consigo (com ela própria) todos os olhares. (Nicole-sujeito, 3ª pessoa/ levantou -verbo 3ª pessoa / se- complemento 3ª pessoa / levou- verbo- 3ª pessoa / consigo - complemento 3ª pessoa) - O pronome pessoal oblíquo não funciona como reflexivo se não se referir ao sujeito: Ela me protegeu do acidente. (ela - sujeito 3ª pessoa me complemento 1ª pessoa) - Você é segunda ou terceira pessoa? Na estrutura da fala, você é a pessoa a quem se fala e, portanto, da 2ª pessoa. Por outro lado, você, como os demais pronomes de tratamento - senhor, senhora, senhorita, dona, pede o verbo na 3ª pessoa, e não na 2ª. - Os pronomes oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes (formas de objeto indireto, 0I) juntam-se a o, a, os, as (formas de objeto direto), assim: me+o: mo/+a: ma/+ os: mos/+as: mas: - Recebi a carta e agradeci aojovem, que ma trouxe. nos +o: no-lo / + a: no-la / + os: no-los / +as: no-las: -Venderíamos a casa, se no-la exigissem. te+ o: to/+ a: ta/+ os: tos/+ as: tas: -Dei-te os meus melhores dias. Dei-tos. lhe+ o: lho/+ a: lha/+ os: lhos/+ as:lhas: -Ofereci -lhe flores. Ofereci-lhas. vos+ o: vo-lo/+ a: vo-la/+ os: vo-los/+ as: vo-las: - Pedi-vos conselho. Pedi vo-lo. No Brasil, quase não se usam essas combinações (mo, to, lho, nolo, vo-lo), são usadas somente em escritores mais sofisticados. Pronomes de Tratamento: São usados no trato com as pessoas. Dependendo da pessoa a quem nos dirigimos, do seu cargo, idade, título, o tratamento será familiar ou cerimonioso: Vossa Alteza-V.A.- príncipes, duques; Vossa Eminência-V.Ema-cardeais; Vossa Excelência-V.Ex.a-altas autoridades, presidente, oficiais; Vossa Magnificência-V.Mag.a-reitores de universidades; Vossa Majestade-V.M.-reis, imperadores; Vossa Santidade-V.S.-Papa; Vossa Senhoria-V.Sa-tratamento cerimonioso. - São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, a senhorita, dona, você. - Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente dois fechos: - Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive para o presidente da República. - Atenciosamente: para autoridades de mesmahierarquia oude hierarquia inferior. - A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada quando se fala com a própria pessoa: Vossa Senhoria não compareceu à reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa) - A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o cardeal, viajouparaum Congresso. (falando a respeito do cardeal) - Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria, Excelência, Eminência, Majestade), embora indiquem a 2ª pessoa (com quem se fala), exigem que outros pronomes e o verbo sejam usados na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que seus ministros o apoiarão. Pronomes Possessivos: São os pronomes que indicam posse em relação às pessoas da fala. Singular: 1ª pessoa: meu, meus, minha, minhas; 2ª pessoa: teu, teus, tua, tuas; 3ª pessoa: seu, seus, sua, suas; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 76 Plural: 1ªpessoa: nosso/os nossa/as, 2ª pessoa: vosso/os vossa/as. 3ª pessoa: seu, seus, sua, suas. Emprego dos Pronomes Possessivos - O uso do pronome possessivo da 3ª pessoa pode provocar, às vezes, a ambiguidade da frase. João Luís disse que Laurinha estava trabalhando em seu consultório. - O pronome seu toma o sentido ambíguo, pois pode referir - se tanto ao consultório de João Luís como ao de Laurinha. No caso, usa-se o pronome dele, dela para desfazer a ambiguidade. - Os possessivos, às vezes, podem indicar aproximações numéricas e não posse: Cláudia e Haroldo devem ter seus trinta anos. - Na linguagem popular, o tratamento seu como em: Seu Ricardo, pode entrar!, não tem valor possessivo, pois é uma alteração fonética da palavra senhor - Os pronomes possessivos podem ser substantivados: Dê lembranças a todos os seus. - Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e anotações. - Usam-se elegantemente certos pronomes oblíquos: me, te, lhe, nos, vos, com o valor de possessivos. Vou seguir-lhe os passos. (os seus passos) - Deve-se observar as correlações entre os pronomes pessoais e possessivos. “Sendo hoje o dia do teu aniversário, apresso-me em apresentar-te os meus sinceros parabéns; Peço a Deus pela tua felicidade; Abraça-te o teu amigo que te preza.” - Não se emprega o pronome possessivo (seu, sua) quando se trata de parte do corpo. Veja: “Um cavaleiro todo vestido de negro, com um falcão em seu ombro esquerdo e uma espada em sua, mão”. (usa-se: no ombro; na mão) Pronomes Demonstrativos: Indicam a posição dos seres designados em relação às pessoas do discurso, situando-os no espaço ou no tempo. Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis. - Em relação ao espaço: Este (s), esta (s), isto: indicam o ser ou objeto que está próximo da pessoa que fala. Exemplo: Este é o meu primeiro celular, amigos. Esse (s), essa (s), isso: designam a pessoa ou a coisa próxima daquela com quem falamos ou para quem escrevemos. Exemplo: Senhor, quanto custa esse pacote de milho? Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam o ser ou objeto que está longe de quem fala e da pessoa de quem se fala (3ª pessoa). Exemplo: Você pode me emprestar aquele livro de matemática? Observação: Os pronomes “Aquele(s)”, “Aquela(s)” também podem indicar afastamento temporal. Exemplos: Aqueles belos tempos que não voltam mais. Naquela época eram todas unidas. - Em relação ao tempo: Este (s), esta (s), isto: indicam o tempo presente em relação ao momento em que se fala. Exemplo: Este mês termina o prazo das inscrições para o vestibular da FAL. Esse (s), essa (s), isso: designam tempo no passado ou no futuro. Exemplos: Onde você esteve essa semana toda? / Sei que serei aprovado e, quando chegar esse momento, serei feliz! Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam um tempo distante em relação ao momento em que se fala. Exemplo: Bons tempos aqueles em que brincávamos descalços na rua... - dependendo do contexto, também são considerados pronomes demonstrativos o, a, os, as, mesmo, próprio, semelhante, tal, equivalendo a aquele, aquela, aquilo. O próprio homem destrói a natureza; Depois de muito procurar, achei o que queria; O professor fez a mesma observação; Estranhei semelhante coincidência; Tal atitude é inexplicável. - para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e variações) para o elemento que foi referido em 1º Iugar e este (e variações) para o que foi referido em último lugar. Pais e mães vieram à festa de encerramento; aqueles, sérios e orgulhosos, estas, elegantes e risonhas. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 77 - dependendodo contexto os demonstrativos também servem como palavras de função intensificadora ou depreciativa. Júlia fez o exercício com aquela calma! (=expressão intensificadora). Não se preocupe; aquilo é uma tranqueira! (=expressão depreciativa) - as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de então ou nesse momento. A festa estava desanimada; nisso, a orquestra tocou um samba e todos caíram na dança. - os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um elemento anteriormente expresso. Ninguém ligou para o incidente, mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo. Pronomes Indefinidos: São aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de modo vago indefinido, impreciso: Alguém disse que Paulo César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são variáveis em gênero e número; outros são invariáveis. Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, vários, tanto, quanto, um, bastante, qualquer. Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem, nada, cada, mais, menos, demais. Emprego dos Pronomes Indefinidos Não sei de pessoa alguma capaz de convencê-lo. (alguma, equivale a nenhum) - Em frases de sentido negativo, nenhum (e variações) equivale ao pronome indefinido um: Fiquei sabendo que ele não é nenhum ignorante. - O indefinido cada deve sempre vir acompanhado de um substantivo ou numeral, nunca sozinho: Ganharam cem dólares cada um. (inadequado: Ganharam cem dólares cada.) - Colocados depois do substantivo, os pronomes algum/alguma ganham sentido negativo. Este ano, funcionário público algum terá aumento digno. - Colocados antes do substantivo, os pronomes algum/alguma ganham sentido positivo. Devemos sempre ter alguma esperança. - Certo, certa, certos, certas, vários, várias, são indefinidos quando colocados antes do substantivo e adjetivos, quando colocados depois do substantivo: Certo dia perdi o controle da situação. (antes do substantivo= indefinido); Eles voltarão no dia certo. (depois do substantivo=adjetivo). - Todo, toda (somente no singular) sem artigo, equivale a qualquer: Todo ser nasce chorando. (=qualquer ser; indetermina, generaliza). - Outrem significa outra pessoa: Nunca se sabe o pensamento de outrem. - Qualquer, plural quaisquer: Fazemos quaisquer negócios. Locuções Pronominais Indefinidas: São locuções pronominais indefinidas duas ou mais palavras que equiva em ao pronome indefinido: cada qual / cada um / quem quer que seja / seja quem for / qualquer um / todo aquele que / um ou outro / tal qual (=certo) / tal e, ou qual / Pronomes Relativos: São aqueles que representam, numa 2ª oração, alguma palavra que já apareceu na oração anterior. Essa palavra da oração anterior chama-se antecedente: Comprei um carro que é movido a álcool e à gasolina. É Flex Power. Percebe-se que o pronome relativo que, substitui na 2ª oração, o carro, por isso a palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por o, a, os, as, qual / quais. Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e invariáveis. Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, cujas, quanto, quantos; Invariáveis: que, quem, quando, como, onde. Emprego dos Pronomes Relativos - O relativo que, por ser o mais usado, é chamado de relativo universal. Ele pode ser empregado com referência à pessoa ou coisa, no plural ou no singular: Este é o CD novo que acabei de comprar; João Adolfo é o cara que pedi a Deus. - O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome demonstrativo o, a, os, as: Não entendi o que você quis dizer. (o que = aquilo que). - O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre precedido de preposição: Marco Aurélio é o advogado a quem eu me referi. - O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual, de quem e estabelecem relação de posse entre o antecedente e o termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 78 - Opronome relativo pode vir sem antecedente claro, explícito; é classificado, portanto, como relativo indefinido, e não vem precedido de preposição: Quem casa quer casa; Feliz o homem cujo objetivo é a honestidade; Estas são as pessoas de cujos nomes nunca vou me esquecer. - Só se usa o relativo cujo quando o conseqüente é diferente do antecedente: O escritor cujo livro te falei é paulista. - O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois de si. - O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a: em que, no qual: Desconheço o lugar onde vende tudo mais barato. (= lugar em que) - Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados depois de tudo, todos, tanto: Naquele momento, a querida comadre Naldete, falou tudo quanto sabia. Pronomes Interrogativos: São os pronomes em frases ínterrogativas diretas ou indiretas. Os principais interrogativos são: que, quem, qual, quanto: - Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? (interrogativa direta, com o ponto de interrogação) - Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade. (interrogativa indireta, sem a interrogação) Questões 01. (Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM) Observe as sentenças abaixo. I. Esta é a professora de cuja aula todos os alunos gostam. II. Aquela é a garota com cuja atitude discordei - tornamo-nos inimigas desde aquele episódio. III. A criança cuja a família não compareceu ficou inconsolável. O pronome ‘cuja’ foi empregado de acordo com a norma culta da língua portuguesa em: (A) apenas uma das sentenças (B) apenas duas das sentenças. (C) nenhuma das sentenças. (D) todas as sentenças. 02. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática - MPE) Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depois de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira amigo de todo mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos fracos – uma forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções _______qualquer regra, todos os estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet são mais fracas, sim, do que aquelas que nascem e se desenvolvem fora dela. Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes do seu e, por isso, podem lhe apresentar novas pessoas e ampliar seus horizontes – gerando uma renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. O problema é que a maioria das redes na Internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela. Como é meio grosseiro dizer "não" ________ alguém que você conhece, todo mundo acaba adicionando todo mundo. E isso vai levando ________ banalização do conceito de amizade. É verdade. Mas, com a chegada de sítios como o Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é uma rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de "seguidores" e "seguidos" de alguém possam se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter, o sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus amigos tinham começado a se comunicar entre si independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o próprio Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter, eu posso me interessar pelo que você tem a dizer e começar a te seguir. Nós não nos conhecemos. Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar seu nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar pelos seus tuítes e começar a seguir você. Em suma, nós continuaremos não nos conhecendo, mas as pessoas que estão ________ nossa volta podem virar amigas entre si. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 79 Adaptado de:COSTA, C. C.. Disponível em: <http://super.abril.com.br/cotidiano/como-internet-estamudando-amizade-619645.shtml>. Acesso em: 1º de outubro de 2012. Considere as seguintes afirmações sobre a relação que se estabelece entre algumas palavras do texto e os elementos a que se referem. I. No segmento que nascem, a palavra que se refere a amizades. II. O segmento elos fracos retoma o segmento uma forma superficial de amizade. III. Na frase Nós não nos conhecemos, o pronome Nós refere-se aos pronomes eu e você. Quais estão corretas? (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas I e II. (E) I, II e III. 03. (CRESS/PR – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – QUADRIX/2015) Assinale a alternativa em que haja apenas pronomes. (A) “ver” (1º quadrinho) e “a gente” (3º quadrinho). (B) “este” (1º quadrinho) e “que” (2º quadrinho). (C) “de” (1º quadrinho) e “crianças” (2º quadrinho). (D) “novo” (1º quadrinho) e “quando” (4º quadrinho). (E) “sempre” (3º quadrinho) e “os” (4º quadrinho). 04. (MSGás – Analista Contábil - MSGás/2015) Leia o fragmento a seguir. A CADEIRA DE DENTISTA Fazia dois anos que não ___________ numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem por todo esse tempo sem reclamar de um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala e __________ antes de ser atendido. Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo – tem uns seis meses -, quando ele __________ o preço do serviço, a dor ___________ do dente para o bolso. NOVAES, Carlos Eduardo. A cadeira do dentista e outras crônicas. V.15. São Paulo: Ática, 2001. p.48 (Fragmento) Com relação à colocação pronominal, a sequência correta para preencher as lacunas é: (A) me sentava, me escafedia, me informou, transferiu-se. (B) me sentava, me escafedia, informou-me, se transferiu. (C) sentava-me, escafedia-me, informou-me, se transferiu. (D) sentava-me, escafedia-me, informou-me, transferiu-se. 05. TCE-CE - Técnico de Controle Externo-Administração - FCC/2015) Preconceitos Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são rótulos prontos e aceitos para serem colados no que mal conhecemos. São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos, ideias antes de bem 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 80 distinguir oque sejam. São, nessa medida, profundamente injustos, podendo acarretar consequências dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim, é forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e externar algum preconceito. São em geral formulados com um alcance genérico: “o povo tal não presta”, “quem nasce ali é assim”, “música clássica é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensamnos de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a personalidade própria de cada um. “Detesto filmes franceses”, me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador. “Quem viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma preconceituosa de julgar. Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade que nosso gosto é sempre seletivo, mas ele escolhe por um critério mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”, dizemos às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas: ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem apelação, e quando damos por nós estamos repetindo algo que sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada é evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e objetividade, por meio de leis. Adotar uma posição racista, por exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas. (Bolívar Lacombe, inédito) Empregam-se corretamente as expressões destacadas em: (A) O crime racial constitui uma maneira de penalizar aqueles de que se deixam levar por atitudes que rejeitam um outro a quem se é diferente. (B) As ações movidas por preconceito, aonde se observa um juízo prévio de um indivíduo de que não se conhece muito bem, devem ser repreendidas. (C) A propagação de preconceitos, fenômeno pelo qual todos podemos ser responsáveis, deve ser abrandada por penalizações rigorosas, às quais os infratores estejam sujeitos. (D) O preconceito é uma maneira com que os grupos sociais encontraram para excluir aqueles que são considerados estranhos e de quem não se confia. (E) As leis são um meio ao qual o preconceito pode ser contido, mas não extinto, pois ele estará presente mesmo nas culturas às quais o punem com rigor. 06. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC) Texto associado à questão: A relação do baiano Dorival Caymmi com a música teve início quando, ainda menino, cantava no coro da igreja com voz de baixo-cantante. Esse pontapé inicial foi o estímulo necessá-rio para a construção, já em terras cariocas, entre reis e rainhas do rádio, de um estilo inconfundível quase sem seguidores na música popular brasileira. No Rio, em 1938, depois de pegar um lia (navios que faziam transporte de passageiros do norte do país em direção ao sul) em busca de melhores oportunidades de emprego, Dorival Caymmi chegou a pensar em ser jornalista e ilustrador. No entanto, para felicidade de seu amigo Jorge Amado, acabou sendo cooptado pelo mar de melodias e poesias que circulava em seu rico processo de criação. A obra de Caymmi é equilibrada peta qualidade: melodia e letra apresentam um grande poder de sintetizar o simples, eternizar o regional, declarar em música as tradições de sua amada Bahia, O mar, Itapoã, as festas do Bonfim e da Conceição da Praia, os fortes em ruínas, tudo sobrevive em Caymmi, que cresceu ouvindo histórias nas praias da Bahia, junto aos pescadores, convivendo com o drama das mulheres que esperam seus maridos voltarem (ou não) em saveiros e jangadas. (André Diniz Almanaque do samba Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed , 2006 p 78) ... tudo sobrevive em Caymmi ... (3º parágrafo) O pronome grifado acima (A) indica a presença de alguns temas, sobretudo ligados ás festividades da Bahia, que despertavam a curiosidade de alguns cantores nessa época. (B) acentua a importância de Caymmi como um famoso compositor do rádio, o meio de divulgação mais conhecido no Rio de Janeiro. (C) demonstra as influências recebidas por Caymmi de cantores famosos no Rio de Janeiro, que garantiram o sucesso de suas músicas. (D) refere-se a presença dos diferentes elementos que serviram de inspiração para outros compositores, que também faziam sucesso no rádio. (E) sintetiza a sequência, que vinha sido apresentada, dos temas referentes à Bahia abordados por Caymmi em suas músicas. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 81 07. (PM/BA- Soldado da Polícia Militar - FCC) Texto associado à questão Ver texto associado à questão “Se os cachorros correm livremente, por que eu não posso fazer isso também?”, pergunta Bob Dylan em “New Morning” . Bob Dylan verbaliza um anseio sentido por todos nós, humanos supersocializados: o anseio de nos livrarmos de todos os constrangimentos artificiais decorrentes do fato de vivermos em uma sociedade civilizada em que às vezes nos sentimos presos a uma correia. Um conjunto cultural de regras tácitas e inibições está sempre governando as nossas interações cotidianas com os outros. Uma das razões pelas quais os cachorros nos atraem é o fato de eles serem tão desinibidos e livres. Parece que eles jogam com as suas próprias regras, com a sua própria lógica interna. Eles vivem em um universo paralelo e diferente do nosso - um universo que lhes concede liberdade de espírito e paixão pela vida enormemente atraentes para nós. Um cachorro latindo ao vento ou uivando durante a noite faz agitar- se dentro de nós alguma coisa que também quer se expressar. Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção as nossas convenções sociais. Metem o nariz onde não são convidados, pulam para cima do sofá, devoram alegremente a comida que cai da mesa. Os cachorros raramente se refreiam quando querem fazer alguma coisa. Eles não compartilham conosco as nossas inibições. Suas emoções estão à flor da pele e eles as manifestam sempre que as sentem. (Adaptado de Matt Weistein e Luke Barber. Cão que late não morde. Trad. de Cristina Cupertino. S.Paulo: Francis, 2005. p 250) A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi realizada corretamente em: (A) devoram alegremente a comida = devoram-a alegremente (B) fazer alguma coisa = fazê-la (C) metem o nariz = metem-lhe (D) não compartilham [...] as nossas inibições = não lhes compartilham (E) verbaliza um anseio = verbalizá-lo 08. (TRT - 3ª Região (MG)- Técnico Judiciário - Área Administrativa - FCC/2015) Lições dos museus Os museus, ao contrário do que se imagina, são uma invenção moderna: nasceram durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII. Os parisienses revoltados arrebentaram as casas dos nobres e se serviram de bens, mobiliário e objetos de arte. O quebra-quebra era um jeito de decretar que acabara o tempo dos privilégios. A Assembleia Nacional debateu durante meses para chegar à conclusão de que os restos do luxo dos aristocratas deviam ser considerados patrimônio da nação. Seriam, portanto, reunidos e instalados em museus que todos visitariam, preservando agradavelmente a lembrança de tempos anteriores. A questão em debate era a seguinte: será que fazia sentido preservar o passado, uma vez que estava começando uma nova era em que os indivíduos não mais seriam julgados por sua origem, mas por sua capacidade e potencialidades pessoais? Não seria lógico destruir os vestígios de épocas injustas para começar tudo do zero? Prevaleceu o partido segundo o qual era bom conservar os restos do passado iníquo e transformá-los em memórias coletivas. Dessa escolha nasceram os museus e, logo depois, a decisão de preservar os monumentos históricos. Na mesma época, na Europa inteira, ganhou força o interesse pela História. A justificativa seria: lembrar para não repetir. Não deu muito certo, ao que tudo indica, pois nunca paramos de repetir o pior. No fundo, não queremos que o passado decida nosso destino: o que nos importa, em princípio, é sempre o futuro. (Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 330-331) Está correto o emprego do elemento em negrito na seguinte frase: (A) Os debates da Assembleia Nacional, à que se refere o autor, foram calorosos. (B) As casas dos nobres de cujas se lançaram os revoltosos foram saqueadas. (C) O tempo com que frequentemente nos importamos não é o passado, mas o futuro. (D) Há no passado muitas lições históricas em cujas podemos aprender. (E) Os museus e os monumentos são instituições aonde algum aprendizado da história sempre se dá. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 82 09. (IPHAN- Arqueólogo - CETRO/2015) De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e em relação às regras de colocação pronominal, assinale a alternativa correta. (A) Ninguém manifestou-se contra a decisão do juiz. (B) Não entristecer-me-ia se Mônica não pudesse vir à festa. (C) Ainda que o torturassem, Felipe não entregaria o amigo. (D) Esta é uma situação que constrange-me demais. (E) Deus livre-nos de uma tragédia como essa! 10. TRF/4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Engenharia Elétrica - FCC Entre 1874 e 1876, apareceu numa revista alemã uma série de artigos sobre a pintura italiana. Eles vinham assinados por um desconhecido estudioso russo, Ivan Lermolieff, e fora um igualmente desconhecido Johannes Schwarze que os traduzira para o alemão. Os artigos propunham um novo método para a atribuição dos quadros antigos, que suscitou entre os historiadores reações contrastantes e vivas discussões. Somente alguns anos depois, o autor tirou a dupla máscara na qual se escondera. De fato, tratava-se do italiano Giovanni Morelli. E do “método morelliano” os historiadores da arte falam correntemente ainda hoje. Os museus, dizia Morelli, estão cheios de quadros atribuídos de maneira incorreta. Mas devolver cada quadro ao seu verdadeiro autor é difícil: muitíssimas vezes encontramo- nos frente a obras não assinadas, talvez repintadas ou num mau estado de conservação. Nessas condições, é indispensável poder distinguir os originais das cópias. Para tanto, porém, é preciso não se basear, como normalmente se faz, em características mais vistosas, portanto mais facilmente imitáveis, dos quadros. Pelo contrário, é necessário examinar os pormenores mais negligenciáveis, e menos influenciados pelas características da escola a que o pintor pertencia: os lóbulos das orelhas, as unhas, as formas dos dedos das mãos e dos pés. Com esse método, Morelli propôs dezenas e dezenas de novas atribuições em alguns dos principais museus da Europa. Apesar dos resultados obtidos, o método de Morelli foi muito criticado, talvez também pela segurança quase arrogante com que era proposto. Posteriormente foi julgado mecânico, grosseiramente positivista, e caiu em descrédito. Por outro lado, é possível que muitos estudiosos que falavam dele com desdém continuassem a usá-lo tacitamente para as suas atribuições. O renovado interesse pelos trabalhos de Morelli é mérito de E. Wind, que viu neles um exemplo típico da atitude moderna em relação à obra de arte - atitude que o leva a apreciar os pormenores, de preferência à obra em seu conjunto. Em Morelli existiria, segundo Wind, uma exacerbação do culto pela imediaticidade do gênio, assimilado por ele na juventude, em contato com os círculos românticos berlinenses. (Adaptado de Carlo Ginzburg. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. Trad. Federico Carotti. S.Paulo: Cia. das Letras, 1989, p.143-5) A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi realizada de modo INCORRETO em: (A) devolver cada quadro ao seu verdadeiro autor = devolver-lhe cada quadro (B) distinguir os originais das cópias = distinguir-lhes das cópias (C) que suscitou [...] reações contrastantes = que as suscitou (D) propunham um novo método = propunham-no (E) examinar os pormenores = examiná-los Respostas 01. Resposta B Não se usa artigo definido entre o pronome ora em discussão (cujo) e o substantivo subsequente. Por isso o número III está incorreta. 02. Resposta A não _________ numa cadeira. (não é uma palavra atrativa, regra de próclise, pronome antes do verbo. "me sentava".) e __________ antes de ser atendido. (Caso facultativo. Infinitivo não flexionado antecedido de preposição/palavra atrativa "me escafedia, escafedia-me") quando ele __________ o preço do serviço. (Regra de próclise. Conjunção subordinativa. "me informou") 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 83 a dor___________ do dente . (Também é facultativo. Sujeito(dor) próximo ao verbo. "se transferiu, transferiu-se") 03. Resposta B Este - Pronome demonstrativo Que - Pronome relativo. 04. Resposta B Mas que eles (sujeito 1) sabem o que fazem isso eles (sujeito 1) sabem 05. Resposta C a) O crime racial constitui uma maneira de penalizar aqueles que se deixam levar por atitudes que rejeitam um outro de quem se é diferente. b) As ações movidas por preconceito, em que se observa um juízo prévio de um indivíduo que não se conhece muito bem, devem ser repreendidas. c) CORRETA d) O preconceito é uma maneira em que os grupos sociais encontraram para excluir aqueles que são considerados estranhos e em quem não se confia. e) As leis são um meio pelo qual o preconceito pode ser contido, mas não extinto, pois ele estará presente mesmo nas culturas às quais o punem com rigor. 06. Resposta E “Tudo” significa: pronome indefinido. A totalidade, a universalidade de coisas e pessoas: tudo passa na vida; mulheres e homens, crianças e velhos, tudo resvalou no sorvedouro da eternidade. Dentro do contexto, o autor utilizou este pronome para sintetizar o assunto que havia falado antes. 07. Resposta B Fazer Alguma coisa = fazê-la (esta é a afirmativa correta, porque se utiliza "la" após verbos terminados em "r, s ou z"; 08. Resposta C a) Os debates da Assembleia Nacional, a que / aos quais se refere o autor, foram calorosos. b) As casas dos nobres onde / em que / nas quais se lançaram os revoltosos foram saqueadas. c) O tempo com que / com o qual frequentemente nos importamos não é o passado, mas o futuro. (CORRETO) d) Há no passado muitas lições históricas que / as quais podemos aprender. e) Os museus e os monumentos são instituições onde / em que / nos quais algum aprendizado da história sempre se dá 09. Resposta C a) Ninguém manifestou-se contra a decisão do juiz. a) Ninguém SE manifestou contra a decisão do juiz.(Palavra de valor negativo ou advérbio são fatores de PRÓCLISE) b) Não entristecer-me-ia se Mônica não pudesse vir à festa. b) Não ME entristeceria se Mônica não pudesse vir à festa. (Palavra de valor negativo ou advérbio são fatores de PRÓCLISE, TENTOU CONFUNDIR POIS USA SE MESÓCLISE NO FUTURO DE PRETÉRITO, MAS A PALAVRA NEGATIVA É MAIS FORTE NESTE CASO) c) Ainda que o torturassem, Felipe não entregaria o amigo. CORRETO! UTILIZA-SE PRÓCLISE DIANTE DE PRONOMES RELATIVOS (que, o qual, a qual cujo (a)) d) Esta é uma situação que constrange-me demais. d)Esta é uma situação que me constrange demais. UTILIZA-SE PRÓCLISE DIANTE DE PRONOMES RELATIVOS (que, o qual, a qual cujo (a)). e) Deus livre-nos de uma tragédia como essa! e)Deus NOS livre de uma tragédia como essa! 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 84 UTILIZA-SE PRÓCLISEnas orações exclamativas e nas opinativas 10. Resposta B a) devolver cada quadro ao seu verdadeiro autor = devolver-lhe cada quadro CORRETO. Quando a substituição do termo sublinhado se adequar a forma " A ELE" o pronome "lhe" estará correto. b) distinguir os originais das cópias = distinguir-lhes das cópias INCORRETO. O verbo exige como complemento um OD e em todo verbo transitivo direto terminado em R, S e Z usa-se as formas LO, LA, LOS, LAS. c) que suscitou [...] reações contrastantes = que as suscitou CORRETO. O verbo exige como complemento um OD d) propunham um novo método = propunham-no CORRETO. Verbo que exige um OD, na forma no, na, nos, nas e) examinar os pormenores = examiná-los CORRETO. O verbo exige um OD e que o pronome seja empregado na forma LO, LA, LOS, LAS, devido a sua terminação. Verbo Verbo é a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da natureza, estado, mudança de estado. Flexiona-se em número (singular e plural), pessoa (primeira, segunda e terceira), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo, formas nominais: gerúndio, infinitivo e particípio), tempo (presente, passado e futuro) e apresenta voz (ativa, passiva, reflexiva). De acordo com a vogal temática, os verbos estão agrupados em três conjugações: 1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular. 2ª conjugação – er: beber, correr, entreter. 3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir. O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor, compor, impor) pertencem a 2ª conjugação devido à sua origem latina poer. Elementos Estruturais do Verbo: As formas verbais apresentam três elementos em sua estrutura: Radical, Vogal Temática e Tema. Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o significado essencial do verbo. Observe as formas verbais da 1ª conjugação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses verbos, nota-se que há uma parte que não muda, e que nela está o significado real do verbo. cont é o radical do verbo contar; esper é o radical do verbo esperar; brinc é o radical do verbo brincar. Se tiramos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos verbos, teremos o radical desses verbos. Também podemos antepor prefixos ao radical: des nutr ir / re conduz ir. Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual conjugação pertence o verbo. Há três vogais temáticas: 1ª conjugação: a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i. Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal temática: contar: -cont (radical) + a (vogal temática) = tema. Se não houver a vogal temática, o tema será apenas o radical: contei = cont ei. Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou ao tema, para indicar as flexões de modo e tempo, desinências modo temporais e desinências número pessoais. Contávamos Cont = radical a = vogal temática va = desinência modo temporal mos = desinência número pessoal Flexões Verbais: Flexão de número e de pessoa: o verbo varia para indicar o número e a pessoa. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 85 - euestudo – 1ª pessoa do singular; - nós estudamos – 1ª pessoa do plural; - tu estudas – 2ª pessoa do singular; - vós estudais – 2ª pessoa do plural; - ele estuda – 3ª pessoa do singular; - eles estudam – 3ª pessoa do plural. - Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma diferente da fala culta, exigida pela gramática oficial, ou seja, tu foi, tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens. O pronome vós aparece somente em textos literários ou bíblicos. Os pronomes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª pessoa, é o mais usado no Brasil. VERBOS DEFECTIVOS: São aqueles que possuem um defeito. Não têm todos os modos, tempos ou pessoas. Verbo Pronominal: É aquele que é conjugado com o pronome oblíquo. Ex: Eu me despedi de mamãe e parti sem olhar para o passado. Verbos Abundantes: “São os verbos que têm duas ou mais formas equivalentes, geralmente de particípio.” (Sacconi) Infinitivo: Aceitar, Anexar, Acender, Desenvolver, Emergir, Expelir. Particípio Regular: Aceitado, Anexado, Acendido, Desenvolvido, Emergido, Expelido. Particípio Irregular: Aceito, Anexo, Aceso, Desenvolto, Emerso, Expulso. Tempos Compostos: São formados por locuções verbais que têm como auxiliares os verbos ter e haver e como principal, qualquer verbo no particípio. São eles: - Pretérito Perfeito Composto do Indicativo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do Indicativo e o principal no particípio, indicando fato que tem ocorrido com frequência ultimamente. Por exemplo: Eu tenho estudado demais ultimamente. - Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do Subjuntivo e o principal no particípio, indicando desejo de que algo já tenha ocorrido. Por exemplo: Espero que você tenha estudado o suficiente, para conseguir a aprovação. - Pretérito Mais-que-Perfeito Composto do Indicativo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Pretérito Imperfeito do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo simples. Por exemplo: Eu já tinha estudado no Maxi, quando conheci Magali. - Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Subjuntivo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo simples. Por exemplo: Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade. Perceba que todas as frases remetem a ação obrigatoriamente para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é completamente diferente de Se eu tivesse estudado, teria aprendido. - Futuro do Presente Composto do Indicativo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Presente simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do Presente simples do Indicativo. Por exemplo: Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já terei partido. - Futuro do Pretérito Composto do Indicativo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Pretérito simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o mesmo valor 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 86 que oFuturo do Pretérito simples do Indicativo. Por exemplo: Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade. - Futuro Composto do Subjuntivo: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Subjuntivo simples e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do Subjuntivo simples. Por exemplo: Quando você tiver terminado sua série de exercícios, eu caminharei 6 Km. Veja os exemplos: Quando você chegar à minha casa, telefonarei a Manuel. Quando você chegar à minha casa, já terei telefonado a Manuel. Perceba que o significado é totalmente diferente em ambas as frases apresentadas. No primeiro caso, esperarei “você” praticar a sua ação para, depois, praticar a minha; no segundo, primeiro praticarei a minha. Por isso o uso do advérbio “já”. Assim, observe que o mesmo ocorre nas frases a seguir: Quando você tiver terminado o trabalho, telefonarei a Manuel. Quando você tiver terminado o trabalho, já terei telefonado a Manuel. - Infinitivo Pessoal Composto: É a formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Infinitivo Pessoal simples e o principal no particípio, indicando ação passada em relação ao momento da fala. Por exemplo: Para você ter comprado esse carro, necessitou de muito dinheiro Questões 01. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – CESGRANRIO/2015) O verbo em destaque está conjugado de acordo com a norma-padrão em: (A) Pegue o outro elevador, por favor. (B) É preciso que você esteje atento a situações de perigo. (C) Será muito bom se você propor um outro acesso aos passageiros. (D) Seje sempre bem-humorado com os passageiros. (E) Gostaríamos de que você vesse esse filme. 02. (TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) Que mexer o esqueleto é bom para a saúde já virou até sabedoria popular. Agora, estudo levanta hipóteses sobre ........................ praticar atividade física..........................benefícios para a totalidade do corpo. Os resultados podem levar a novas terapias para reabilitar músculos contundidos ou mesmo para .......................... e restaurar a perda muscular que ocorre com o avanço da idade. (Ciência Hoje, março de 2012) As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com: (A) porque … trás … previnir (B) porque … traz … previnir (C) porquê … tras … previnir (D) por que … traz … prevenir (E) por quê … tráz … prevenir 03. (IFC - Auxiliar Administrativo - IFC). Assinale a opção em que o verbo se apresenta no modo subjuntivo: (A) A professora leu o livro Machadiano. (B) Plante as orquídeas. (C) Se Joaquim plantasse as hortênsias. (D) Maria assistiu ao programa do Jô ontem. (E) João plantou as rosas. 04. (IFC - Auxiliar Administrativo - IFC). Assinale a opção em que o verbo está no pretérito imperfeito: (A) Já amei o marido da minha melhor amiga. (B) Miguel amava loucamente a vizinha. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 87 (C) Amariater um mordomo em minha casa. (D) Amo homens com cabelos loiros. (E) Amarei você eternamente. 05. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC) A relação do baiano Dorival Caymmi com a música teve início quando, ainda menino, cantava no coro da igreja com voz de baixo-cantante. Esse pontapé inicial foi o estímulo necessário para a construção, já em terras cariocas, entre reis e rainhas do rádio, de um estilo inconfundível quase sem seguidores na música popular brasileira. No Rio, em 1938, depois de pegar um lia (navios que faziam transporte de passageiros do norte do país em direção ao sul) em busca de melhores oportunidades de emprego, Dorival Caymmi chegou a pensar em ser jornalista e ilustrador. No entanto, para felicidade de seu amigo Jorge Amado, acabou sendo cooptado pelo mar de melodias e poesias que circulava em seu rico processo de criação. A obra de Caymmi é equilibrada peta qualidade: melodia e letra apresentam um grande poder de sintetizar o simples, eternizar o regional, declarar em música as tradições de sua amada Bahia, O mar, Itapoã, as festas do Bonfim e da Conceição da Praia, os fortes em ruínas, tudo sobrevive em Caymmi, que cresceu ouvindo histórias nas praias da Bahia, junto aos pescadores, convivendo com o drama das mulheres que esperam seus maridos voltarem (ou não) em saveiros e jangadas. (André Diniz Almanaque do samba Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed , 2006 p 78) ... navios que faziam transporte de passageiros ... O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em: (A) ... Que esperam seus maridos ... (B) esse pontapé inicial foi o estímulo necessário ... (C) ... Quando, ainda menino, cantava no coro da igreja ... (D) ... Melodia e letra apresentam um grande poder ... (E) ... Tudo sobrevive em Caymmi... 06. (PM/BA - Soldado da Polícia Militar - FCC) De um início atribulado a uma carreira de sucessos, assim se resume a crônica de Capitães da Areia, hoje uma das obras mais apreciadas pelos leitores de Jorge Amado, tanto no Brasil como no exterior. Publicado em 1937, pouco depois de implantado o Estado Novo, o livro teve a primeira edição apreendida e exemplares queimados em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. Mas, como nova Fênix, ressurgiu das cinzas quando nova edição, em 1944, marcou época na vida literária brasileira. A partir de então, sucederam-se as edições, nacionais e em nove idiomas estrangeiros, e as adaptações para rádio, teatro e cinema. Comovente documento sobre a vida dos meninos abandonados nas ruas de Salvador, Jorge Amado a descreve em páginas carregadas de uma beleza, dramaticidade e lirismo poucas vezes igualados na literatura universal. Dividido em três partes, o livro atinge um clímax inesquecível no capítulo “Canção da Bahia, Canção da Liberdade”, em que é narrada a emocionante despedida de um dos personagens da história, que se afasta dos seus queridos Capitães da Areia “na noite misteriosa das macumbas, enquanto os atabaques ressoam como clarins de guerra". (Adaptado de: Texto de apresentação. Jorge Amado. Capitães da Areia. 57. ed. Rio de Janeiro: Record, 1983) Os verbos empregados nos mesmos tempo e modo estão agrupados em: (A) teve - descreve (B) marcou - resume (C) ressoam - teve (D) ressurgiu - atinge (E) ressoam - resume 07. (IFC - Assistente Administrativo - IFC). Na frase: “Maria plantou as rosas” o verbo está: (A) No modo Indicativo (B) No modo Subjuntivo (C) No modo Imperativo 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 88 (D) Nomodo Pretérito (E) No modo Futuro 08. (IFC - Analista de Tecnologia da Informação - IFC). A canção João e Maria, de Chico Buarque, usa o tempo linguístico como uma construção da linguagem. [...] Agora eu era o rei Era o bedel e era também juiz E pela minha lei A gente era obrigado a ser feliz E você era a princesa que eu fiz coroar E era tão linda de se admirar Que andava nua pelo meu país Assinale a alternativa CORRETA quanto ao emprego dos tempos verbais: (A) utiliza-se em lugar do presente o pretérito imperfeito. (B) tem-se no lugar do presente o pretérito perfeito. (C) aparece no lugar do presente o pretérito mais que perfeito. (D) usa-se no lugar do presente o pretérito do subjuntivo. (E) tem-se no lugar do presente o imperativo negativo. 09. (TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Engenharia Elétrica - FCC) Entre 1874 e 1876, apareceu numa revista alemã uma série de artigos sobre a pintura italiana. Eles vinham assinados por um desconhecido estudioso russo, Ivan Lermolieff, e fora um igualmente desconhecido Johannes Schwarze que os traduzira para o alemão. Os artigos propunham um novo método para a atribuição dos quadros antigos, que suscitou entre os historiadores reações contrastantes e vivas discussões. Somente alguns anos depois, o autor tirou a dupla máscara na qual se escondera. De fato, tratava-se do italiano Giovanni Morelli. E do “método morelliano” os historiadores da arte falam correntemente ainda hoje. Os museus, dizia Morelli, estão cheios de quadros atribuídos de maneira incorreta. Mas devolver cada quadro ao seu verdadeiro autor é difícil: muitíssimas vezes encontramo- nos frente a obras não assinadas, talvez repintadas ou num mau estado de conservação. Nessas condições, é indispensável poder distinguir os originais das cópias. Para tanto, porém, é preciso não se basear, como normalmente se faz, em características mais vistosas, portanto mais facilmente imitáveis, dos quadros. Pelo contrário, é necessário examinar os pormenores mais negligenciáveis, e menos influenciados pelas características da escola a que o pintor pertencia: os lóbulos das orelhas, as unhas, as formas dos dedos das mãos e dos pés. Com esse método, Morelli propôs dezenas e dezenas de novas atribuições em alguns dos principais museus da Europa. Apesar dos resultados obtidos, o método de Morelli foi muito criticado, talvez também pela segurança quase arrogante com que era proposto. Posteriormente foi julgado mecânico, grosseiramente positivista, e caiu em descrédito. Por outro lado, é possível que muitos estudiosos que falavam dele com desdém continuassem a usá-lo tacitamente para as suas atribuições. O renovado interesse pelos trabalhos de Morelli é mérito de E. Wind, que viu neles um exemplo típico da atitude moderna em relação à obra de arte - atitude que o leva a apreciar os pormenores, de preferência à obra em seu conjunto. Em Morelli existiria, segundo Wind, uma exacerbação do culto pela imediaticidade do gênio, assimilado por ele na juventude, em contato com os círculos românticos berlinenses. (Adaptado de Carlo Ginzburg. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. Trad. Federico Carotti. S.Paulo: Cia. das Letras, 1989, p.143-5) ...e menos influenciados pelas características da escola a que o pintor pertencia... O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o grifado na frase acima está em: (A) ...muitíssimas vezes encontramo-nos frente a obras não assinadas... (B) ...e caiu em descrédito. (C) ...muitos estudiosos que falavam dele com desdém... (D) em morelli existiria, segundo wind, uma exacerbação do culto pela imediaticidade do gênio... (E) ...e fora um igualmente desconhecido johannes schwarze que... 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 89 10. (UFTM- Vestibular - Prova 1 - VUNESP) Horóscopo Áries - Não subestime a sua incapacidade Touro - Fique tranquilo em relação à sua própria infelicidade Gêmeos - Uma semana vem, outra semana vai Câncer - Alguém telefonará e você atenderá depois desligará Leão - A solução dos seus problemas só lhe dará tranquilidade Virgem - Nem que a tristeza lhe consuma, não morra, não esmoreça, sob hipótese alguma É ganhando que se ganha É empatando que se empata É perdendo que se perde É nascendo que se nasce É morrendo que se morre É vivendo que se “veve” Libra - A lua em Saturno quer dizer alguma coisa Escorpião - Não seja impertinente, você terá nas mãos os dez dedos de sempre Sagitário - Uma pessoa idosa não fará nenhuma diferença Capricórnio - No entanto, aquele alguém, que goza de saúde, poderá pegar uma doença Aquário - No mais será tudo igual, pois o período propicia Peixes - E tudo se encaminha para um fim de semana com apenas dois dias. (www.vagalume.com.br) A canção imita o gênero horóscopo, termo que inclusive é o seu título. Desse gênero, uma marca linguística que nela se encontra é (A) a inversão sintática, indicando os sentidos dúbios expressos nas estruturas frasais. (B) a voz passiva, indicando a intencionalidade de se omitir o agente das ações verbais. (C) a ênfase em verbos e advérbios relativos ao tempo passado, indicando ações concluídas. (D) a frase nominal, indicando a prevalência de enunciados de estado em relação aos de ação. (E) o emprego do verbo no imperativo, indicando o sentido de orientação às pessoas. 11. (TJ/PB - Técnico Judiciário - Tecnologia da Informação - FAPERP). Na tirinha, tem valor correspondente ao de futuro do pretérito do indicativo o tempo verbal da oração: (A) "sabe de uma coisa". (B) "se eu desaparecesse amanhã". (C) "ninguém ia sentir sua falta". (D) "eu acho que não". 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 90 Respostas 01. RespostaA Na alternativa “A” temos um interlocutor oculto “você”. A pessoa “você” obedece a conjugação da terceira pessoa (ele/ela). Pegue você (imperativo – ordem, pedido) Correções: B) esteja C) propuser D) seja E) visse 02. Resposta D Por que - equivale a "por qual razão"; Traz -na oração o "traz" está no sentido de trazer, portanto com Z sem acento pois acentua-se os monossílabos tônicos apenas se estes terminarem com A, E, O (s). Trás - com S apenas se a oração der por entender que o "trás" está em sentido de posição posterior. 03. Resposta C Leu - modo indicativo, tempo pretérito perfeito. Plante - modo imperativo, afirmativo. Plantasse - modo subjuntivo, tempo pretérito imperfeito. Assistiu - modo indicativo, tempo pretérito perfeito. Plantou - modo indicativo, tempo pretérito perfeito. 04. Resposta B O pretérito imperfeito é usado: 1. Para falar de hábito ou acontecimento que ocorria com frequência no passado: Antigamente ela fazia exercícios todos os dias. 2. Para indicar a continuidade de um acontecimento em relação a outro que ocorreu ao mesmo tempo no passado. Quando o marido chegou, ela dormia. Enquanto ele lia o jornal, ela fazia ioga ao seu lado. 3. Para falar do que era presente em um momento do passado que se está descrevendo. “Faltava um ponto a meu adversário para ganhar. A mim, faltavam-me não sei quantos: sei só que eram muitos.” (Álvares de Azevedo, 1965) 05. Resposta C Faziam - pretérito imperfeito (modo indicativo) Cantava - pretérito imperfeito (modo indicativo). 06. Resposta E” Ressoam - Tempo Presente, modo Indicativo Resume - Tempo Presente, modo Indicativo Nesse caso não importa a pessoa. 07. Resposta A eu plantei tu plantaste ele plantou nós plantamos vós plantastes eles plantaram pretérito perfeito do indicativo 08. Resposta A O verbo SER foi conjugado no pretérito imperfeito. Pretérito imperfeito (Verbo SER) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 91 eu era tueras ele/ela era nós éramos vós éreis eles/elas eram 09. Resposta C A questão pede o Pretérito Imperfeito do Indicativo. A: Pretérito Perfeito do Indicativo B: Pretérito Perfeito do Indicativo C: Pretérito Imperfeito do Indicativo D: Futuro do Pretérito E: Pretérito Mais que Perfeito 10. Resposta E O imperativo é o modo verbal pelo qual se expressa uma ordem, pedido, orientação ou conselho. Este modo pode ser afirmativo ou negativo. 11. Resposta C a) sabe = presente do indicativo b) desaparecesse = imperfeito do subjuntivo c) ia sentir = sentiria = futuro do pretérito do indicativo d) acho = presente do indicativo Advérbio Advérbio é a palavra invariável que modifica um verbo (Chegou cedo), um outro advérbio (Falou muito bem), um adjetivo (Estava muito bonita). De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio pode ser de: Tempo: ainda, agora, antigamente, antes, amiúde (=sempre), amanhã, breve, brevemente, cedo, diariamente, depois, depressa, hoje, imediatamente, já, lentamente, logo, novamente, outrora. Lugar: aqui, acolá, atrás, acima, adiante, ali, abaixo, além, algures (=em algum lugar), aquém, alhures (= em outro lugar), aquém,dentro, defronte, fora, longe, perto. Modo: assim, bem, depressa, aliás (= de outro modo ), devagar, mal, melhor pior, e a maior parte dos advérbios que termina em mente: calmamente, suavemente, rapidamente, tristemente. Afirmação: certamente, decerto, deveras, efetivamente, realmente, sim, seguramente. Negação: absolutamente, de modo algum, de jeito nenhum, nem, não, tampouco (=também não). Intensidade: apenas, assaz bastante bastante, bem, demais,mais, meio, menos, muito, quase, quanto, tão, tanto, pouco. Dúvida: acaso, eventuamente, por ventura, quiçá, possivelmente, talvez. Adverbios Interrogativos: São empregados em orações interrogativas diretas ou indiretas. Podem exprimir: lugar, tempo, modo, ou causa. - Onde fica o Clube das Acácias ? (direta) - Preciso saber onde fica o Clube das Acássias. (indireta) - Quando minha amiga Delma chegará de Campinas? (direta) - Gostaria de saber quando minha amiga Delma chegará de Campinas. (indireta) Locuçoes Adverbiais: São duas ou mais palavras que têm o valor de advérbio: às cegas, às claras, às toa, às pressas, às escondidas, à noite, à tarde, às vezes, ao acaso, de repente, de chofre, de cor, de improviso, de propósito, de viva voz, de medo, com certeza, por perto, por um triz, de vez em quando, sem dúvida, de forma alguma, em vão, por certo, à esquerda, à direta, a pé, a esmo, por ali, a distância. - De repente o dia se fez noite. - Por um triz eu não me denunciei. - Sem dúvida você é o melhor. Graus dos Advérbios: o advérbio não vai para o plural, são palavras invariáveis, mas alguns admitem a flexão de grau: comparativo e superlativo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 92 Comparativo de: Igualdade- tão + advérbio + quanto, como: Sou tão feliz quanto / como você. Superioridade - Analítico: mais do que: Raquel é mais elegante do que eu. - Sintético: melhor, pior que: Amanhã será melhor do que hoje. Inferioridade - menos do que: Falei menos do que devia. Superlativo Absoluto: Analítico - mais, muito, pouco,menos: O candidato defendeu-se muito mal. Sintético - íssimo, érrimo: Localizei-o rapídíssimo. Palavras e Locuções Denotativas: São palavras semelhantes a advérbios e que não possuem classificação especial. Não se enquadram em nenhuma das dez classes de palavras. São chamadas de denotativas e exprimem: Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem: Ainda bem que você veio. Designação, Indicação: eis: Eis aqui o herói da turma. Exclusão: exclusive, menos, exceto, fora, salvo, senão, sequer: Não me disse sequer uma palavra de amor. Inclusão: inclusive, também, mesmo, ainda, até, além disso, de mais a mais: Também há flores no céu. Limitação: só, apenas, somente, unicamente: Só Deus é perfeito. Realce: cá, lá, é que, sobretudo, mesmo: Sei lá o que ele quis dizer! Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes: Irei à Bahia na próxima semana, ou melhor, no próximo mês. Explicação: por exemplo, a saber: Você, por exemplo, tem bom caráter. Emprego do Advérbio - Na linguagem coloquial, familiar, é comum o emprego do sufixo diminutivo dando aos advérbios o valor de superlativo sintético: agorinha, cedinho, pertinho, devagarinho, depressinha, rapidinho (bem rápido): Rapidinho chegou a casa; Moro pertinho da universidade. - Frequenternente empregamos adjetivos com valor de advérbio: A cerveja que desce redondo. (redondamente) - Bastante - antes de adjetivo, é advérbio, portanto, não vai para o plural; equivale a muito / a: Aquelas jovens são bastante simpáticas e gentis. - Bastante, antes de substantivo, é adjetivo, portanto vai para o plural, equivale a muitos / as: Contei bastantes estrelas no céu. - Não confunda mal (advérbio, oposto de bem) com mau (adjetivo, oposto de bom): Mal cheguei a casa, encontrei- a de mau humor. - Antes de verbo no particípio, diz-se mais bem, mais mal: Ficamos mais bem informados depois do noticiário notumo. - Em frase negativa o advérbio já equivale a mais: Já não se fazem professores como antigamente. (=não se fazem mais) - Na locução adverbial a olhos vistos (=claramente), o particípio permanece no masculino plural: Minha irmã Zuleide emagrecia a olhos vistos. - Dois ou mais advérbios terminados em mente, apenas no último permanece mente: Educada e pacientemente, falei a todos. - A repetição de um mesmo advérbio assume o valor superlativo: Levantei cedo, cedo. Questões 01. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio: (A) Só quero meio quilo. (B) Achei-o meio triste. (C) Descobri o meio de acertar. (D) Parou no meio da rua. (E) Comprou um metro e meio. 02. Só não há advérbio em: (A) Não o quero. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 93 (B) Aliestá o material. (C) Tudo está correto. (D) Talvez ele fale. (E) Já cheguei. 03. Qual das frases abaixo possui advérbio de modo? (A) Realmente ela errou. (B) Antigamente era mais pacato o mundo. (C) Lá está teu primo. (D) Ela fala bem. (E) Estava bem cansado. 04. Classifique a locução adverbial que aparece em "Machucou-se com a lâmina". (A) modo (B) instrumento (C) causa (D) concessão (E) fim 05. (EBSERH – Técnico em Citopatogia – INSTITUTO AOCP /2015) Sobre a Ansiedade por Karin Hueck [...] Processar os dados [...] se há um fator gerador de ansiedade que seja típico dos nossos tempos, esse é a informação. Sim, são as coisas que você lê todos os dias nos jornais, recebe por email e aprende na SUPER. Diariamente, há notícias de novos alimentos que causam câncer, de novos vírus mutantes que atacam o seu computador, de novos criminosos violentos que estão à solta por aí. É ou não é de enlouquecer? A velocidade com que a informação viaja o mundo é algo muito recente, com o qual os seres humanos ainda não sabem lidar – e muito menos aprenderam a filtrar. Já foram cunhados até alguns termos para definir a ansiedade trazida pelos novos meios de comunicação: technologyrelated anxiety (ansiedade que surge quando o computador trava, que afeta 50% dos trabalhadores americanos), ringxiety (impressão de que o seu celular está tocando o tempo todo) e a ansiedade de estar desconectado da internet e não saber o que acontece no mundo, que já contaminou 68% dos americanos. [...] Poucas coisas mudaram tão rapidamente como a troca de informações. Em 1801, a notícia de que Portugal e Espanha estavam em guerra demorou 3 meses para chegar ao Rio Grande do Sul. Quando chegou, o capitão de armas do estado declarou guerra aos vizinhos espanhóis, sem saber que a batalha na Europa já tinha terminado. Em 2004, quando um tsunami devastou o litoral do Sudeste Asiático, os primeiros blogs já estavam dando detalhes da destruição em menos de duas horas. Hoje em dia, ficamos sabendo de todos os desastres naturais, todos os ataques terroristas e todos os acidentes de avião que acontecem ao redor do mundo, e nos sentimos vulneráveis. E, muito mais do que isso, nos sentimos incapazes se não sabemos palpitar sobre a música da moda, a eleição americana ou o acelerador de partículas na Suíça. Já que a informação está disponível, por que não sabemos de tudo um pouco? Essa avalanche de informação também causa outro tipo de neurose. O tempo todo, as TVs e revistas do mundo exibem corpos esculturais, executivos milionários e atletas de alto rendimento. Na comparação com essas pessoas, nós, reles mortais, sempre saímos perdendo. “Claro que nos comparamos com quem é bem sucedido e maravilhoso. Infelizmente, não estamos preparados para viver com um grupo de comparação tão grande, e o resultado é que ficamos ansiosos e com baixa autoestima", diz o filósofo Perring. O que ele quer dizer é que o ser humano sempre funciona na base da comparação. Ou seja, se todo mundo ao seu redor tiver o mesmo número de recursos, você não vai se sentir pior do que ninguém, mas, se, de repente, uma pessoa do seu lado ficar muito mais rica, bonita, feliz e bem sucedida, você vai se sentir infeliz. Quer dizer, podemos não sofrer mais com a falta de comida ou com doenças, mas sofremos porque não somos todos iguais ao Brad Pitt e a Angelina Jolie. Adaptado de http://super.abril.com.br/saude/ansiedade-447836.shtml 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 94 Em “Diariamente,há notícias de novos alimentos que causam câncer...”, o termo destacado expressa (A) negação. (B) tempo. (C) localização. (D) intensidade. (E) afirmação. 06. Ele ficou em casa. A palavra em é: (A) conjunção (B) pronome indefinido (C) artigo definido (D) advérbio de lugar (E) preposição 07. (EBSERH – Nutricionista – INSTITUTO AOCP/2015) A lista de desejos Rosely Sayao Acabou a graça de dar presentes em situações de comemoração e celebração, não é? Hoje, temos listas para quase todas as ocasiões: casamento, chá de cozinha e seus similares – e há similares espantosos, como chá de lingerie –, nascimento de filho e chá de bebê, e agora até para aniversário. Presente para os filhos? Tudo eles já pediram e apenas mudam, de vez em quando ou frequentemente, a ordem das suas prioridades. Quem tem filho tem sempre à sua disposição uma lista de pedidos de presentes feita por ele, que pode crescer diariamente, e que tanto pode ser informal quanto formal. A filha de uma amiga, por exemplo, tem uma lista na bolsa escrita à mão pelo filho, que tem a liberdade de sacá-la a qualquer momento para fazer as mudanças que ele julgar necessárias. Ah! E ela funciona tanto como lista de pedidos como também de “checklist" porque, dessa maneira, o garoto controla o que já recebeu e o que ainda está por vir. Sim: essas listas são quase uma garantia de conseguir ter o pedido atendido. Ninguém mais precisa ter trabalho ao comprar um presente para um conhecido, para um colega de trabalho, para alguma criança e até amigo. Sabe aquele esforço de pensar na pessoa que vai receber o presente e de imaginar o que ela gostaria de ganhar, o que tem relação com ela e seu modo de ser e de viver? Pois é: agora, basta um telefonema ou uma passada rápida nas lojas físicas ou virtuais em que as listas estão, ou até mesmo pedir para uma outra pessoa realizar tal tarefa, e pronto! Problema resolvido! Não é preciso mais o investimento pessoal do pensar em algo, de procurar até encontrar, de bater perna e cabeça até sentir-se satisfeito com a escolha feita que, além de tudo, precisaria estar dentro do orçamento disponível para tal. Hoje, o presente custa só o gasto financeiro e nem precisa estar dentro do orçamento porque, para não transgredir a lista, às vezes é preciso parcelar o presente em diversas prestações... E, assim que os convites chegam, acompanhados sem discrição alguma das listas, é uma correria dos convidados para efetuar sem demora sua compra. É que os presentes menos custosos são os primeiros a serem ticados nas listas, e quem demora para cumprir seu compromisso acaba gastando um pouco mais do que gostaria. Se, por um lado, dar presentes deixou de dar trabalho, por outro deixou também totalmente excluído do ato de presentear o relacionamento entre as pessoas envolvidas. Ganho para o mercado de consumo, perda para as relações humanas afetivas. Os presentes se tornaram impessoais, objetos de utilidade ou de luxo desejados. Acabou-se o que era doce no que já foi, num passado recente, uma demonstração pessoal de carinho. Sabe, caro leitor, aquela expressão de surpresa gostosa, ou de um pequeno susto que insiste em se expressar, apesar da vontade de querer que ele passe despercebido, quando recebíamos um mimo? Ou aquela frase transparente de criança, que nunca deixa por menos: “Eu não quero isso!"? Tudo isso acabou. Hoje, tudo o que ocorre é uma operação mental dupla. Quem recebe apenas tica algum item da lista elaborada, e quem presenteia dá-se por satisfeito por ter cumprido seu compromisso. Que tempos mais chatos. Resta, a quem tiver coragem, a possibilidade de transgredir essas tais listas. Assim, é possível tornar a vida mais saborosa. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ roselysayao/2014/07/1489356-a-lista-de-desejos.shtml 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 95 Assinale aalternativa em que a expressão ou termo destacado NÃO expressa tempo. (A) “às vezes”. (B) “de vez em quando” (C) “frequentemente”. (D) “Hoje”. (E) “pouco”. 08. Em “Eles fizeram tudo às claras”; a expressão destacada é: (A) uma locução adjetiva, modificando a palavra tudo. (B) um advérbio, modificando o verbo fazer. (C) uma locução adverbial, modificando a palavra tudo. (D) uma locução adverbial, modificando o verbo fazer. (E) uma locução adjetiva, modificando o verbo fazer 09. Leia o texto que segue: “Não há muito tempo atrás Eu sonhava um dia ter Esse ordenado enorme Que mal me dá pra viver.” (Millôr Fernandes) “Um dia” e “mal” exprimem, respectivamente, circunstâncias de: (A) tempo / intensidade. (B) tempo / modo. (C) lugar / intensidade. (D) tempo / causa. (E) lugar / modo. Respostas 01. Resposta B Alternativa A: meio quilo = quantidade Alternativa B (correta): meio triste = advérbio de intensidade Alternativa C: descobri o meio = jeito, maneira Alternativa D: meio da rua = metade Alternativa E: um metro e meio = quantidade 02. Reposta C Alternativa A: Não – advérbio de negação Alternativa B: Ali – advérbio de lugar Alternativa D:Talvez – advérvio de dúvida Alternativa E: Já – advérbio de tempo 03. Resposta D Alternativa A: Realmente – advérbio de afirmação Alternativa B: Antigamente – advérbio de tempo Alternativa C: Lá – advérbio de lugar Alternativa D (correta): Bem – advérbio de modo / modifica a maneiro com que ela fala. Alternativa E: Bem- advérbio de intensidade 04. Resposta B “Com a lâmina” = instrumento 05. Resposta B Diariamente = de modo diário, advérbio de tempo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 96 06. RespostaE 07. Resposta E "pouco" advérbio de intensidade, todas as outras estão relacionadas com tempo. 08. Resposta D 09. Resposta B Preposição É a palavra invariável que liga um termo dependente a um termo principal, estabelecendo uma relação entre ambos. As preposições podem ser: essenciais ou acidentais. As preposições essenciais atuam exclusivamente como preposições. São: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Exemplos: Não dê atençâo a fofocas; Perante todos disse, sim. As preposições acidentais são palavras de outras classes que atuam eventualmente como preposições. São: como (=na qualidade de), conforme (=de acordo com), consoante, exceto, mediante, salvo, visto, segundo, senão, tirante: Agia conforme sua vontade. (= de acordo com) - O artigo definido a que vem sempre acompanhado de um substantivo, é flexionado: a casa, as casas, a árvore, as árvores, a estrela, as estrelas. A preposição a nunca vai para o plural e não estabelece concordância com o substantivo. Exemplo: Fiz todo o percurso a pé. (não há concordância com o substantivo masculino pé) - As preposições essenciais são sempre seguidas dos pronomes pessoais oblíquos: Despediu-se de mim rapidamente. Não vá sem mim. Locuções Prepositivas: É o conjunto de duas ou mais palavras que têm o valor de uma preposição. A última palavra é sempre uma preposição. Veja quais são: abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, dentro de, embaixo de, em cima de, em frente a, em redor de, graças a, junto a, junto de, perto de, por causa de, por cima de, por trás de, a fim de, além de, antes de, a par de, a partir de, apesar de, através de, defronte de, em favor de, em lugar de, em vez de, (=no lugar de), ao invés de (=ao contrário de), para com, até a. - Não confunda locução prepositiva com locução adverbial. Na locução adverbial, nunca há uma preposição no final, e sim no começo: Vimos de perto o fenômeno do "tsunami". (locução adverbial); O acidente ocorreu perto de meu atelier. (locução prepositiva) - Uma preposição ou locução prepositiva pode vir com outra preposição: Abola passou por entre as pernas do goleiro. Mas é inadequado dizer: Proibido para menores de até 18 anos; Financiamento em até 24 meses. Combinações e Contrações Combinação: ocorre combinação quando não há perda de fonemas: a+o,os= ao, aos / a+onde = aonde. Contração: ocorre contração quando a preposição perde fonemas: de+a, o, as, os, esta, este, isto =da, do, das, dos, desta, deste, disto. - em+ um, uma, uns, umas,isto, isso, aquilo, aquele, aquela, aqueles, aquelas = num, numa, nuns, numas, nisto, nisso, naquilo, naquele, naquela, naqueles. - de+ entre, aquele, aquela, aquilo = dentre, daquele, daquela, daquilo. - para+ a = pra. A contração da preposição a com os artigos ou pronomes demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo recebe o nome de crase e é assinalada na escrita pelo acento grave ficando assim: à, às, àquele, àquela, àquilo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 97 Valores dasPreposições A (movimento=direção): Foram a Lucélia comemorar os Anos Dourados. modo: Partiu às pressas. tempo: Iremos nos ver ao entardecer. Apreposição a indica deslocamento rápido: Vanios à praia. (ideia de passear) Ante (diante de): Parou ante mim sem dizer nada, tanta era a emoção. tempo (substituída por antes de): Preciso chegarao encontro antes das quatro horas. Após (depois de): Após alguns momentos desabou num choro arrependido. Até (aproximação): Correu até mim. tempo: Certamente teremos o resultado do exame até a semana que vem. Atenção: Se a preposição até equivaler a inclusive, será palavra de inclusão e não preposição. Os sonhadores amam até quem os despreza. (inclusive) Com (companhia): Rir de alguém é falta de caridade; deve-se rir com alguém. causa: A cidade foi destruída com o temporal. instrumento: Feriu-se com as próprias armas. modo: Marfinha, minha comadre, veste-se sempre com elegância. Contra (oposição, hostilidade): Revoltou-se contra a decisão do tribunal. direção a um limite: Bateu contra o muro e caiu. De (origem): Descendi de pais trabalhadores e honestos. lugar: Os corruptos vieram da capital. causa: O bebé chorava de fome. posse: Dizem que o dinheiro do povo sumiu. assunto: Falávamos do casamento da Mariele. matéria: Era uma casa de sapé. A preposição de não deve contrair-se com o artigo, que precede o sujeito de um verbo. É tempo de os alunos estudarem. (e não: dos alunos estudarem) Desde (afastamento de um ponto no espaço): Essa neblina vem desde São Paulo. tempo: Desde o ano passado quero mudar de casa. Em (lugar): Moramos em Lucélia há alguns anos. matéria: As queridas amigas Nilceia e Nadélgia moram em Curitiba. especialidade: Minha amiga Cidinha formou-se em Letras. tempo: Tudo aconteceu em doze horas. Entre (posição entre dois limites): Convém colocar o vidro entre dois suportes. Para direção: Não lhe interessava mais ir para a Europa. tempo: Pretendo vê-lo lá para o final da semana. finalidade: Lute sempre para viver com dignidade. Apreposição para indica de permanência definitiva. Vou para o litoral. (ideia de morar) Perante (posição anterior): Permaneceu calado perante todos. Por (percurso, espaço, lugar): Caminhava por ruas desconhecidas. causa: Por ser muito caro, não compramos um DVD novo. espaço: Por cima dela havia um raio de luz. Sem (ausência): Eu vou sem lenço sem documento. Sob (debaixo de / situação): Prefiro cavalgar sob o luar. Viveu, sob pressão dos pais. Sobre (em cima de, com contato): Colocou ás taças de cristal sobre a toalha rendada. assunto: Conversávamos sobre política financeira. Trás (situação posterior; é preposição fora de uso. É substituída por atrás de, depois de): Por trás desta carinha vê-se muita falsidade. Curiosidade: O símbolo @ (arroba) significa AT em Inglês, que em Português significa em. Portanto, o nome está at, em algum provedor. Questões 01. (PREFEITURA DE CATOLÉ DO ROCHA – PB - AUXILIAR DE SERVIÇOS GERAIS - COMVEST- UEPB/2015) Texto I Médico só pode piscar os olhos e, ainda assim, dá aulas na UFJF (Universidade Federal de Juiz de fora). O médico e professor Vanderlei Corradini Lima, 53 anos, é portador da , com sintomas Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) diagnosticados em 2010. Mesmo tendo que conviver com as extremas limitações físicas impostas pela enfermidade, ele reencontrou a felicidade de continuar na profissão ao ser convidado para ministrar aulas na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), localizada na cidade de Juiz de Fora a 278 km de Belo Horizonte. Nos últimos meses, pessoas famosas passaram a encarar o como maneira de atrair atenção para a "desafio do balde de gelo" enfermidade. Há também o mote de o desafiado fazer uma doação em dinheiro 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 132.
    . 98 a umainstituição que trata pacientes com a ELA. "A doença me tirou muita coisa, não falo, não ando, não como, não saio de cima de uma cama, mas não tirou minha capacidade de servir e enfim ser feliz", descreveu Lima ao UOL em entrevista concedida por e-mail. Ele afirmou ter conseguido trabalhar até julho de 2011. Atualmente, ele vive com a mulher e dois filhos na cidade de São Sebastião do Paraíso, cidade no sul de Minas Gerais e distante 400 km da capital mineira. Há três semestres, o profissional atua como professor convidado, no curso de medicina da universidade, e no qual interage a distância com alunos do 2º período na disciplina Fisiologia Médica, que aborda tópicos de neurofisiologia. Ele dispõe de computador munido de um programa e um leitor infravermelho que captam os movimentos dos globos oculares, que não foram afetados pela doença. Por meio de um mouse e um teclado virtual ele consegue interagir com a máquina e utilizá-la normalmente. "Há uma página específica no site da universidade com uma plataforma virtual de ensino a distância. Cada semana um novo caso clínico é discutido entre professores, monitores e alunos", disse referindo-se à plataforma utilizada para ensino a distância (Moodle). Segundo ele, o retorno dado pelos alunos foi considerado positivo. "Meu intuito sempre foi de agregar à disciplina uma visão prática e humanista, gerando um ensino mais próximo da realidade que irão enfrentar. O retorno positivo foi confirmado pela participação dos alunos. Especificamente em relação ao caso clínico da ELA podemos aproveitar ao máximo, já que eles tinham a visão de um paciente e um médico na discussão", disse. (...) Recentemente, ele escreveu um livro, no qual aborda a doença, e se prepara para a confecção de outro. "Na verdade, o que deu origem ao livro EU E ELAS, foram as várias conversas pelas redes sociais, onde percebi que esperavam de mim um médico de almas. Assim pude servir e ser útil, minha verdadeira vocação, escrevendo crônicas", avaliou. O título faz referência a sua experiência com a medicina, a música e a doença. O próximo livro, segundo ele, terá o título de "O Médico de Pijamas e suas Estórias". Disponível em:> http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/09/11/medico-com-doenca-do-desafio-balde-de-gelo-ele-so-pode-piscar-os- olhos-e-ainda-assim-da-aulas-na fjf.htm11/09/201408h00 >Atualizada 11/09/201415h22.<. Data da consulta: 11/09/2011. (Com adaptações). Na sentença, retirada do texto, “ELE REENCONTROU A FELICIDADE DE CONTINUAR NA PROFISSÃO AO SER CONVIDADO PARA MINISTRAR AULAS." as palavras sublinhadas são, na sequência: (A) Verbo, preposição, substantivo e preposição. (B) Substantivo, pronome, verbo e preposição. (C) Pronome, verbo, substantivo e preposição. (D) Pronome, substantivo, verbo e preposição. (E) Preposição, pronome, substantivo e preposição. 02. No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque (...) sai à caça do soldado desertor que realizou assalto ao trem com confederados. O uso da preposição com permite diferentes interpretações da frase acima. (A) Reescreva-a de duas maneiras diversas, de modo que haja um sentido diferente em cada uma. (B) Indique, para cada uma das reações, a noção expressa da preposição com. 03. (CRA-MA - AUXILIAR ADMINISTRATIVO – IDECAN/2014) Texto Pregos Foi de repente. Dois quadros que tenho na parede da sala despencaram juntos. Ninguém os havia tocado, nenhuma ventania naquele dia, nenhuma obra no prédio, nenhuma rachadura. Simplesmente caíram, depois de terem permanecido seis anos inertes. Não consegui admitir essa gratuidade, fiquei procurando uma razão para a queda, haveria de ter uma. Poucos dias depois, numa dessas coincidências que não se explicam, estava lendo um livro do italiano Alessandro Baricco, chamado Novecentos, em que ele descrevia exatamente a mesma situação. "No silêncio mais absoluto, com tudo imóvel ao seu redor, nem sequer uma mosca se movendo, eles, zás. Não há uma causa. Por que precisamente neste instante? Não se sabe. Zás. O que ocorre a um prego para que decida que já não pode mais?" 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 133.
    . 99 Alessandro Baricconão procura desvendar esse mistério, apenas diz que assim é. Um belo dia a gente se olha no espelho e descobre que está velho. A gente acorda de manhã e descobre que não ama mais uma pessoa. Um avião passa no céu e a gente descobre que não pode ficar parado onde está nem mais um minuto. Zás. Nossos pregos já não nos seguram. Nascemos, ficamos em pé, crescemos e a partir daí começamos a sustentar nossas inquietações, nossos desejos inconfessos, algum sofrimento silencioso e a enormidade da nossa paciência. Nossos pregos são feitos de material maciço, mas nunca se sabe quanto peso eles podem aguentar. O quanto podemos conosco? Uma boa definição para felicidade: ser leve para si mesmo. Sobre os meus quadros: foram recolocados na parede. Estão novamente fixos no mesmo lugar. Até que eles, ou eu, sejamos definitivamente vencidos pelo cansaço. (Martha Medeiros. Disponível em: http://www.dihitt.com/barra/pregos-de-martha-medeiros. Adaptado.) Assinale a alternativa em que o termo destacado NÃO é preposição. (A) "... ele descrevia exatamente a mesma situação." (B) "Sobre os meus quadros: foram recolocados na parede." (C) "No silêncio mais absoluto, com tudo imóvel ao seu redor,..." (D) "Até que eles, ou eu, sejamos definitivamente vencidos pelo cansaço." (E) "Simplesmente caíram, depois de terem permanecido seis anos inertes." 04. (CRB 6ª REGIÃO – AUXILIAR ADMINISTRATIVO – QUADRIX/2014) (http://www.gompy.com.br/tirinhas/a-natureza-i) Assinale a opção em que apareça, em destaque, uma preposição. (A) Oh! A natureza! (B) Oh! A natureza! (C) Ela nos convida a sentar e admirá-la... (D) Ela nos convida a sentar e admirá-la... (E) Ela nos convida a sentar e admirá-la... 05. Assinale a alternativa em que a preposição destacada estabeleça o mesmo tipo de relação que na frase matriz: Criaram-se a pão e água. (A) Desejo todo o bem a você. (B) A julgar por esses dados, tudo está perdido. (C) Feriram-me a pauladas. (D) Andou a colher alguns frutos do mar. (E) Ao entardecer, estarei aí. 06. (Fuvest – SP) O segmento em que a preposição destacada estabelece uma relação de causa é: (A) A carruagem parou ao pé de uma casa amarelada. (B) A escada, de degraus gastos, subia ingrememente. (C) No patamar da sobreloja, uma janela com um gradeadozinho de arame […] (D) […] uma janela com gradeadozinho de arame, parda do pó acumulado... (E) […] coava a luz suja do saguão. 07. Assinale a alternativa que indique a definição correta de preposição: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 100 (A) Preposiçãoé a palavra invariável que liga duas outras palavras, estabelecendo entre elas determinadas relações de sentido e de dependência. (B) Preposição é a palavra invariável que liga duas orações ou duas palavras de mesma função em uma oração. (C) Preposição é a palavra ou conjunto de palavras que exprimem sentimentos, emoções e reações psicológicas. (D) Preposição é a palavra cuja função principal é indicar o posicionamento, o lugar de um ser, relativamente à posição ocupada por uma das três pessoas gramaticais. (E) Preposição é a palavra que exprime uma quantidade definida, exata de seres (pessoas, coisas etc.), ou a posição que um ser ocupa em determinada sequência. 08. Assinale a alternativa que indica corretamente o valor semântico das preposições em destaque nas frases: I. Ele sempre cuidou da família com muita dedicação. II. Com a doença do pai, ela voltou para a cidade natal. III. Desde pequenos, os príncipes eram preparados para a liderança. IV. A pequena casa de madeira foi destruída a machado. (A) modo – companhia – modo – modo (B) causa – modo – finalidade – instrumento (C) modo – modo – causa – causa (D) modo – causa – finalidade – instrumento (E) companhia – causa – semelhança – modo 09. Assinale a alternativa em que ocorre combinação de uma preposição com um pronome demonstrativo: (A) Estou na mesma situação. (B) Neste momento, encerramos nossas transmissões. (C) Daqui não saio. (D) Ando só pela vida. (E) Acordei num lugar estranho. 10. Classifique a palavra como nas construções seguintes, numerando, convenientemente, os parênteses. A seguir, assinale a alternativa correta: 1) Preposição 2) Conjunção Subordinativa Causal 3) Conjunção Subordinativa Conformativa 4) Conjunção Coordenativa Aditiva 5) Advérbio Interrogativo de Modo ( ) Perguntamos como chegaste aqui. ( ) Percorrera as salas como eu mandara. ( ) Tinha-o como amigo. ( ) Como estivesse muito frio, fiquei em casa. ( ) Tanto ele como o irmão são meus amigos. (A) 2 - 4 - 5 - 3 – 1 (B) 4 -5 - 3 - 1 – 2 (C) 5 - 3 - 1 - 2 – 4 (D) 3 - 1 - 2 - 4 – 5 (E) 1 - 2 - 4 - 5 - 3 Respostas 01. Resposta D 02 - a) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 101 1. Nofinal da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque (...) sai à caça do soldado desertor que realizou assalto ao trem que levava confederados. 2. No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque (...) sai à caça do soldado desertor, que, com confederados, realizou assalto a trem. b) Na frase 1, com indica a relação continente-conteúdo, (trem-soldados), como em copo com água. Na frase 2, com indica “em companhia de”. Em 1, com introduz um adjunto adnominal (de trem); em 2, introduz um adjunto adverbial de companhia. 03. Resposta A Alternativa A: “a” é artigo, está ligado ao substantivo “situação”. 04. Resposta D Alternativa A: Oh - interjeição Alternativa B: A - artigo Alternativa C: Ela – pronome pessoal reto Alternativa D (correta): Convida a sentar - preposição Alternativa E: admirá-la – pronome oblíquo átono 05. Resposta C Na frase matriz, a preposição “a” estabelece a ideia de instrumento, ou seja, daquilo que foi usado para que se praticasse uma ação. Na alternativa C, a preposição “a” estabelece o mesmo tipo de relação. 06. Resposta D A preposição “de” é empregada na oração com o valor semântico (sentido da relação) de causa. 07. Resposta A A preposição é chamada de palavra invariável por não apresentar formas variadas e por ser desprovida de independência, isto é, não aparece sozinha no discurso. 08. Resposta D 09. Resposta B 10. Resposta C Interjeição É a palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito ou apelos: As interjeições são como que frases resumidas: Ué ! =Eu não esperava essa! São proferidas com entonação especial, que se representa, na escrita, com o ponto de exclamação(!) Locução Interjetiva: É o conjunto de duas ou mais palavras com valor de uma interjeição: Muito bem! Que pena! Quem me dera! Puxa, que legal! Classificaçao das Interjeições e Locuções Interjetivas As intejeições e as locuções interjetivas são classificadas,'de acordo com o sentido que elas expressam em determinado contexto. Assim, uma mesma palavra ou expressão pode exprimir emoções variadas. Admiração ou Espanto: Oh!, Caramba!, Oba!, Nossa!, Meu Deus!, Céus! Advertência: Cuidado!, Atenção!, Alerta!, Calma!, Alto!, Olha lá! Alegria: Viva!, Oba!, Que bom!, Oh!, Ah!; Ânimo: Avante!, Ânimo!, Vamos!, Força!, Eia!, Toca! Aplauso: Bravo!, Parabéns!, Muito bem! Chamamento: Olá!, Alô!, Psiu!, Psit! Aversão: Droga!, Raios!, Xi!, Essa não!, lh! Medo: Cruzes!, Credo!, Ui!, Jesus!, Uh! Uai! 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 102 Pedido deSilêncio: Quieto!, Bico fechado!, Silêncio!, Chega!, Basta! Saudação: Oi!, Olá!, Adeus!, Tchau! Concordância: Claro!, Certo!, Sim!, Sem dúvida! Desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera!, Queira Deus! Quem me dera! Observe na relação acima, que as interjeições muitas vezes são formadas por palavras de outras classes gramaticais: Cuidado! Não beba ao dirigir! (cuidado é substantivo). Questões 01. Assinale o par de frases em que as palavras destacadas são substantivo e pronome, respectivamente: (A) A imigração tornou-se necessária. / É dever cristão praticar o bem. (B) A Inglaterra é responsável por sua economia. / Havia muito movimento na praça. (C) Fale sobre tudo o que for preciso. / O consumo de drogas é condenável. (D) Pessoas inconformadas lutaram pela abolição. / Pesca-se muito em Angra dos Reis. (E) Os prejudicados não tinham o direito de reclamar. / Não entendi o que você disse. 02. Assinale o item que só contenha preposições: (A) durante, entre, sobre (B) com, sob, depois (C) para, atrás, por (D) em, caso, após (E) após, sobre, acima 03. Observe as palavras grifadas da seguinte frase: “Encaminhamos a V. Senhoria cópia autêntica do Edital nº 19/82.” Elas são, respectivamente: (A) verbo, substantivo, substantivo (B) verbo, substantivo, advérbio (C) verbo, substantivo, adjetivo (D) pronome, adjetivo, substantivo (E) pronome, adjetivo, adjetivo 04. Assinale a opção em que a locução grifada tem valor adjetivo: (A) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a utilizar com receio.” (B) “Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos.” (C) “Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.” (D) “Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras...” (E) “Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem escrúpulos não se apoderassem do que era delas.” 05. O "que" está com função de preposição na alternativa: (A) Veja que lindo está o cabelo da nossa amiga! (B) Diz-me com quem andas, que eu te direi quem és. (C) João não estudou mais que José, mas entrou na Faculdade. (D) O Fiscal teve que acompanhar o candidato ao banheiro. (E) Não chore que eu já volto. 06. “Saberão que nos tempos do passado o doce amor era julgado um crime.” (A) 1 preposição (B) 3 adjetivos (C) 4 verbos (D) 7 palavras átonas (E) 4 substantivos 07. As expressões em negrito correspondem a um adjetivo, exceto em: (A) João Fanhoso anda amanhecendo sem entusiasmo. (B) Demorava-se de propósito naquele complicado banho. (C) Os bichos da terra fugiam em desabalada carreira. (D) Noite fechada sobre aqueles ermos perdidos da caatinga sem fim. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 103 (E) Eainda me vem com essa conversa de homem da roça. 08. Em “__ como se tivéssemos vivido sempre juntos”, a forma verbal está no: (A) imperfeito do subjuntivo; (B) futuro do presente composto; (C) mais-que-perfeito composto do indicativo; (D) mais-que-perfeito composto do subjuntivo; (E) futuro composto do subjuntivo. 09. Assinale a alternativa que completa adequadamente a frase: “___ em ti, mas nem sempre ___ dos outros”. (A) creias - duvides; (B) crê - duvidas; (C) creais - duvidas; (D) creia - duvide; (E) crê - duvides. 10. Se ele ____ (ver) o nosso trabalho _____ (fazer) um elogio. (A) ver – fará; (B) visse – fará; (C) ver – fazerá; (D) vir – fará; (E) vir – faria. Respostas 01. (E) / 02. (A) / 03. (C) / 04. (E) / 05. (D) / 06. (E) / 07. (B) / 08. (D) / 09. (E) / 10. (D) Estrutura das Palavras Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores das palavras. Assim, compreendemos melhor o significado de cada uma delas. As palavras podem ser divididas em unidades menores, a que damos o nome de elementos mórficos ou morfemas. Vamos analisar a palavra "cachorrinhas". Nessa palavra observamos facilmente a existência de quatro elementos. São eles: cachorr - este é o elemento base da palavra, ou seja, aquele que contém o significado. inh - indica que a palavra é um diminutivo a - indica que a palavra é feminina s - indica que a palavra se encontra no plural Morfemas: unidades mínimas de caráter significativo. Existem palavras que não comportam divisão em unidades menores, tais como: mar, sol, lua, etc. São elementos mórficos: - Raiz, Radical, Tema: elementos básicos e significativos - Afixos (Prefixos, Sufixos), Desinência, Vogal Temática: elementos modificadores da significação dos primeiros - Vogal de Ligação, Consoante de Ligação: elementos de ligação ou eufônicos. Raiz: É o elemento originário e irredutível em que se concentra a significação das palavras, consideradas do ângulo histórico. É a raiz que encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma família etimológica. Exemplo: Raiz noc [Latim nocere = prejudicar] tem a significação geral de causar dano, e a ela se prendem, pela origem comum, as palavras nocivo, nocividade, inocente, inocentar, inócuo, etc. Uma raiz pode sofrer alterações: at-o; at-or; at-ivo; aç-ão; ac-ionar; Radical: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 104 Observe oseguinte grupo de palavras: livr-o; livr-inho; livr-eiro; livr-eco. Você reparou que há um elemento comum nesse grupo? Você reparou que o elemento livr serve de base para o significado? Esse elemento é chamado de radical (ou semantema). Elemento básico e significativo das palavras, consideradas sob o aspecto gramatical e prático. É encontrado através do despojo dos elementos secundários (quando houver) da palavra. Exemplo: cert-o; cert-eza; in-cert-eza. Afixos: são elementos secundários (geralmente sem vida autônoma) que se agregam a um radical ou tema para formar palavras derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema "-mente", por exemplo, cria uma nova palavra a partir de "certo": certamente, advérbio de modo. De maneira semelhante, o acréscimo dos morfemas "a-" e "-ar" à forma "cert-" cria o verbo acertar. Observe que a- e -ar são morfemas capazes de operar mudança de classe gramatical na palavra a que são anexados. Quando são colocados antes do radical, como acontece com "a-", os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como "-ar", surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos. Exemplo: in-at-ivo; em-pobr-ecer; inter-nacion-al. Desinências: são os elementos terminais indicativos das flexões das palavras. Existem dois tipos: - Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (masculino e feminino) e de número (singular e plural) dos nomes. Exemplos: aluno-o / aluno-s; alun-a / aluna-s. Só podemos falar em desinências nominais de gêneros e de números em palavras que admitem tais flexões, como nos exemplos acima. Em palavras como mesa, tribo, telefonema, por exemplo, não temos desinência nominal de gênero. Já em pires, lápis, ônibus não encontramos desinência nominal de número. - Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pessoa e de modo e tempo dos verbos. A desinência "-o", presente em "am-o", é uma desinência número-pessoal, pois indica que o verbo está na primeira pessoa do singular; "-va", de "ama-va", é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma verbal do pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação. Vogal Temática: é a vogal que se junta ao radical, preparando-o para receber as desinências. Nos verbos, distinguem-se três vogais temáticas: - Caracteriza os verbos da 1ª conjugação: buscar, buscavas, etc. - Caracteriza os verbos da 2ª conjugação: romper, rompemos, etc. - Caracteriza os verbos da 3ª conjugação: proibir, proibirá, etc. Tema: é o grupo formado pelo radical mais vogal temática. Nos verbos citados acima, os temas são: busca-, rompe-, proibi- Vogais e Consoantes de Ligação: As vogais e consoantes de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determinada palavra. Exemplos: parisiense (paris= radical, ense=sufixo, vogal de ligação=i); gas-ô-metro, alv-i-negro, tecn-o- cracia, pau-l-ada, cafe-t-eira, cha-l-eira, inset-i-cida, pe-z-inho, pobr-e-tão, etc. Formação das Palavras: existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a Derivação e a Composição. A diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de derivação, partimos sempre de um único radical, enquanto no processo de composição sempre haverá mais de um radical. Derivação: é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra já existente, chamada primitiva. Exemplo: Mar (marítimo, marinheiro, marujo); terra (enterrar, terreiro, aterrar). Observamos que "mar" e "terra" não se formam de nenhuma outra palavra, mas, ao contrário, possibilitam a formação de outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo. Logo, mar e terra são palavras primitivas, e as demais, derivadas. Tipos de Derivação - Derivação Prefixal ou Prefixação: resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado alterado: crer- descrer; ler- reler; capaz- incapaz. - Derivação Sufixal ou Sufixação: resulta de acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical: alfabetização. No exemplo, o sufixo - 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 105 ção transformaem substantivo o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do substantivo alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar. A derivação sufixal pode ser: Nominal, formando substantivos e adjetivos: papel – papelaria; riso – risonho. Verbal, formando verbos: atual - atualizar. Adverbial, formando advérbios de modo: feliz – felizmente. - Derivação Parassintética ou Parassíntese: Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Por meio da parassíntese formam-se nomes (substantivos e adjetivos) e verbos. Considere o adjetivo "triste". Do radical "trist-" formamos o verbo entristecer através da junção simultânea do prefixo "en-" e do sufixo "-ecer". A presença de apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova palavra, pois em nossa língua não existem as palavras "entriste", nem "tristecer". Exemplos: emudecer mudo – palavra inicial e – prefixo mud – radical ecer – sufixo desalmado alma – palavra inicial des – prefixo alm – radical ado – sufixo Não devemos confundir derivação parassintética, em que o acréscimo de sufixo e de prefixo é obrigatoriamente simultâneo, com casos como os das palavras desvalorização e desigualdade. Nessas palavras, os afixos são acoplados em sequência: desvalorização provém de desvalorizar, que provém de valorizar, que por sua vez provém de valor. É impossível fazer o mesmo com palavras formadas por parassíntese: não se pode dizer que expropriar provém de "propriar" ou de "expróprio", pois tais palavras não existem. Logo, expropriar provém diretamente de próprio, pelo acréscimo concomitante de prefixo e sufixo. - Derivação Regressiva: ocorre derivação regressiva quando uma palavra é formada não por acréscimo, mas por redução: comprar (verbo) - compra (substantivo); beijar (verbo) - beijo (substantivo). Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou se ocorre o contrário, podemos seguir a seguinte orientação: - Se o substantivo denota ação, será palavra derivada, e o verbo palavra primitiva. - Se o nome denota algum objeto ou substância, verifica-se o contrário. Vamos observar os exemplos acima: compra e beijo indicam ações, logo, são palavras derivadas. O mesmo não ocorre, porém, com a palavra âncora, que é um objeto. Neste caso, um substantivo primitivo que dá origem ao verbo ancorar. Por derivação regressiva, formam-se basicamente substantivos a partir de verbos. Por isso, recebem o nome de substantivos deverbais. Note que na linguagem popular, são frequentes os exemplos de palavras formadas por derivação regressiva. o portuga (de português); o boteco (de botequim); o comuna (de comunista); agito (de agitar); amasso (de amassar); chego (de chegar) O processo normal é criar um verbo a partir de um substantivo. Na derivação regressiva, a língua procede em sentido inverso: forma o substantivo a partir do verbo. - Derivação Imprópria: A derivação imprópria ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical. Neste processo: Os adjetivos passam a substantivos: Os bons serão contemplados. Os particípios passam a substantivos ou adjetivos: Aquele garoto alcançou um feito passando no concurso. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 106 Os infinitivospassam a substantivos: O andar de Roberta era fascinante; O badalar dos sinos soou na cidadezinha. Os substantivos passam a adjetivos: O funcionário fantasma foi despedido; O menino prodígio resolveu o problema. Os adjetivos passam a advérbios: Falei baixo para que ninguém escutasse. Palavras invariáveis passam a substantivos: Não entendo o porquê disso tudo. Substantivos próprios tornam-se comuns: Aquele coordenador é um caxias! (chefe severo e exigente) Os processos de derivação vistos anteriormente fazem parte da Morfologia porque implicam alterações na forma das palavras. No entanto, a derivação imprópria lida basicamente com seu significado, o que acaba caracterizando um processo semântico. Por essa razão, entendemos o motivo pelo qual é denominada "imprópria". Composição: é o processo que forma palavras compostas, a partir da junção de dois ou mais radicais. Existem dois tipos: - Composição por Justaposição: ao juntarmos duas ou mais palavras ou radicais, não ocorre alteração fonética: passatempo, quinta-feira, girassol, couve-flor. Em "girassol" houve uma alteração na grafia (acréscimo de um "s") justamente para manter inalterada a sonoridade da palavra. - Composição por Aglutinação: ao unirmos dois ou mais vocábulos ou radicais, ocorre supressão de um ou mais de seus elementos fonéticos: embora (em boa hora); fidalgo (filho de algo - referindo-se a família nobre); hidrelétrico (hidro + elétrico); planalto (plano alto). Ao aglutinarem-se, os componentes subordinam-se a um só acento tônico, o do último componente. - Redução: algumas palavras apresentam, ao lado de sua forma plena, uma forma reduzida. Observe: auto - por automóvel; cine - por cinema; micro - por microcomputador; Zé - por José. Como exemplo de redução ou simplificação de palavras, podem ser citadas também as siglas, muito frequentes na comunicação atual. - Hibridismo: ocorre hibridismo na palavra em cuja formação entram elementos de línguas diferentes: auto (grego) + móvel (latim). - Onomatopeia: numerosas palavras devem sua origem a uma tendência constante da fala humana para imitar as vozes e os ruídos da natureza. As onomatopeias são vocábulos que reproduzem aproximadamente os sons e as vozes dos seres: miau, zunzum, piar, tinir, urrar, chocalhar, cocoricar, etc. - Prefixos: os prefixos são morfemas que se colocam antes dos radicais basicamente a fim de modificar-lhes o sentido; raramente esses morfemas produzem mudança de classe gramatical. Os prefixos ocorrentes em palavras portuguesas se originam do latim e do grego, línguas em que funcionavam como preposições ou advérbios, logo, como vocábulos autônomos. Alguns prefixos foram pouco ou nada produtivos em português. Outros, por sua vez, tiveram grande vitalidade na formação de novas palavras: a- , contra- , des- , em- (ou en-) , es- , entre- re- , sub- , super- , anti-. Prefixos de Origem Grega a-, an-: afastamento, privação, negação, insuficiência, carência: anônimo, amoral, ateu, afônico. ana-: inversão, mudança, repetição: analogia, análise, anagrama, anacrônico. anfi-: em redor, em torno, de um e outro lado, duplicidade: anfiteatro, anfíbio, anfibologia. anti-: oposição, ação contrária: antídoto, antipatia, antagonista, antítese. apo-: afastamento, separação: apoteose, apóstolo, apocalipse, apologia. arqui-, arce-: superioridade hierárquica, primazia, excesso: arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário. cata-: movimento de cima para baixo: cataplasma, catálogo, catarata. di-: duplicidade: dissílabo, ditongo, dilema. dia-: movimento através de, afastamento: diálogo, diagonal, diafragma, diagrama. dis-: dificuldade, privação: dispneia, disenteria, dispepsia, disfasia. ec-, ex-, exo-, ecto-: movimento para fora: eclipse, êxodo, ectoderma, exorcismo. en-, em-, e-: posição interior, movimento para dentro: encéfalo, embrião, elipse, entusiasmo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 107 endo-: movimentopara dentro: endovenoso, endocarpo, endosmose. epi-: posição superior, movimento para: epiderme, epílogo, epidemia, epitáfio. eu-: excelência, perfeição, bondade: eufemismo, euforia, eucaristia, eufonia. hemi-: metade, meio: hemisfério, hemistíquio, hemiplégico. hiper-: posição superior, excesso: hipertensão, hipérbole, hipertrofia. hipo-: posição inferior, escassez: hipocrisia, hipótese, hipodérmico. meta-: mudança, sucessão: metamorfose, metáfora, metacarpo. para-: proximidade, semelhança, intensidade: paralelo, parasita, paradoxo, paradigma. peri-: movimento ou posição em torno de: periferia, peripécia, período, periscópio. pro-: posição em frente, anterioridade: prólogo, prognóstico, profeta, programa. pros-: adjunção, em adição a: prosélito, prosódia. proto-: início, começo, anterioridade: proto-história, protótipo, protomártir. poli-: multiplicidade: polissílabo, polissíndeto, politeísmo. sin-, sim-: simultaneidade, companhia: síntese, sinfonia, simpatia, sinopse. tele-: distância, afastamento: televisão, telepatia, telégrafo. Prefixos de Origem Latina a-, ab-, abs-: afastamento, separação: aversão, abuso, abstinência, abstração. a-, ad-: aproximação, movimento para junto: adjunto, advogado, advir, aposto. ante-: anterioridade, procedência: antebraço, antessala, anteontem, antever. ambi-: duplicidade: ambidestro, ambiente, ambiguidade, ambivalente. ben(e)-, bem-: bem, excelência de fato ou ação: benefício, bendito. bis-, bi-: repetição, duas vezes: bisneto, bimestral, bisavô, biscoito. circu(m)-: movimento em torno: circunferência, circunscrito, circulação. cis-: posição aquém: cisalpino, cisplatino, cisandino. co-, con-, com-: companhia, concomitância: colégio, cooperativa, condutor. contra-: oposição: contrapeso, contrapor, contradizer. de-: movimento de cima para baixo, separação, negação: decapitar, decair, depor. de(s)-, di(s)-: negação, ação contrária, separação: desventura, discórdia, discussão. e-, es-, ex-: movimento para fora: excêntrico, evasão, exportação, expelir. en-, em-, in-: movimento para dentro, passagem para um estado ou forma, revestimento: imergir, enterrar, embeber, injetar, importar. extra-: posição exterior, excesso: extradição, extraordinário, extraviar. i-, in-, im-: sentido contrário, privação, negação: ilegal, impossível, improdutivo. inter-, entre-: posição intermediária: internacional, interplanetário. intra-: posição interior: intramuscular, intravenoso, intraverbal. intro-: movimento para dentro: introduzir, introvertido, introspectivo. justa-: posição ao lado: justapor, justalinear. ob-, o-: posição em frente, oposição: obstruir, ofuscar, ocupar, obstáculo. per-: movimento através: percorrer, perplexo, perfurar, perverter. pos-: posterioridade: pospor, posterior, pós-graduado. pre-: anterioridade: prefácio, prever, prefixo, preliminar. pro-: movimento para frente: progresso, promover, prosseguir, projeção. re-: repetição, reciprocidade: rever, reduzir, rebater, reatar. retro-: movimento para trás: retrospectiva, retrocesso, retroagir, retrógrado. so-, sob-, sub-, su-: movimento de baixo para cima, inferioridade: soterrar, sobpor, subestimar. super-, supra-, sobre-: posição superior, excesso: supercílio, supérfluo. soto-, sota-: posição inferior: soto-mestre, sota-voga, soto-pôr. trans-, tras-, tres-, tra-: movimento para além, movimento através: transatlântico, tresnoitar, tradição. ultra-: posição além do limite, excesso: ultrapassar, ultrarromantismo, ultrassom, ultraleve, ultravioleta. vice-, vis-: em lugar de: vice-presidente, visconde, vice-almirante. Sufixos: são elementos (isoladamente insignificativos) que, acrescentados a um radical, formam nova palavra. Sua principal característica é a mudança de classe gramatical que geralmente opera. Dessa forma, podemos utilizar o significado de um verbo num contexto em que se deve usar um substantivo, por exemplo. Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorporadas as desinências que indicam as flexões das palavras variáveis. Existem dois grupos de sufixos formadores de substantivos 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 108 extremamente importantespara o funcionamento da língua. São os que formam nomes de ação e os que formam nomes de agente. Sufixos que formam nomes de ação: -ada – caminhada; -ança – mudança; -ância – abundância; - ção – emoção; -dão – solidão; -ença – presença; -ez(a) – sensatez, beleza; -ismo – civismo; -mento – casamento; -são – compreensão; -tude – amplitude; -ura – formatura. Sufixos que formam nomes de agente: -ário(a) – secretário; -eiro(a) – ferreiro; -ista – manobrista; -or – lutador; -nte – feirante. Sufixos que formam nomes de lugar, depositório: -aria – churrascaria; -ário – herbanário; -eiro – açucareiro; -or – corredor; -tério – cemitério; -tório – dormitório. Sufixos que formam nomes indicadores de abundância, aglomeração, coleção: -aço – ricaço; - ada – papelada; -agem – folhagem; -al – capinzal; -ario(a) - casario, infantaria; -edo – arvoredo; -eria – correria; -io – mulherio; -ume – negrume. Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência: -ite - bronquite, hepatite (inflamação), amotite (fósseis). -oma - mioma, epitelioma, carcinoma (tumores). -ato, eto, ito - sulfato, cloreto, sulfito (sais), granito (pedra). -ina - cafeína, codeína (alcaloides, álcalis artificiais). -ol - fenol, naftol (derivado de hidrocarboneto). -ema - morfema, fonema, semema, semantema (ciência linguística). -io - sódio, potássio, selênio (corpos simples). Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas filosóficas, sistemas políticos: - ismo: budismo, kantismo, comunismo. Sufixos Formadores de Adjetivos - de substantivos: -aco – maníaco; -ado – barbado; -áceo(a) - herbáceo, liláceas; -aico – prosaico; -al – anual; -ar – escolar; -ário - diário, ordinário; -ático – problemático; -az – mordaz; -engo – mulherengo; -ento – cruento; -eo – róseo; -esco – pitoresco; -este – agreste; -estre – terrestre; -enho – ferrenho; -eno – terreno; -ício – alimentício; -ico – geométrico; -il – febril; -ino – cristalino; -ivo – lucrativo; -onho – tristonho; -oso – bondoso; -udo – barrigudo. - de verbos: -(a)(e)(i)nte: ação, qualidade, estado – semelhante, doente, seguinte. -(á)(í)vel: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação – louvável, perecível, punível. -io, -(t)ivo: ação referência, modo de ser – tardio, afirmativo, pensativo. -(d)iço, -(t)ício: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação, referência – movediço, quebradiço, factício. -(d)ouro,-(t)ório: ação, pertinência – casadouro, preparatório. Sufixos Adverbiais: Na Língua Portuguesa, existe apenas um único sufixo adverbial: É o sufixo "- mente", derivado do substantivo feminino latino mens, mentis que pode significar "a mente, o espírito, o intento". Este sufixo juntou-se a adjetivos, na forma feminina, para indicar circunstâncias, especialmente a de modo. Exemplos: altiva-mente, brava-mente, bondosa-mente, nervosa-mente, fraca-mente, pia- mente. Já os advérbios que se derivam de adjetivos terminados em –ês (burgues-mente, portugues- mente, etc.) não seguem esta regra, pois esses adjetivos eram outrora uniformes. Exemplos: cabrito montês / cabrita montês. Sufixos Verbais: Os sufixos verbais agregam-se, via de regra, ao radical de substantivos e adjetivos para formar novos verbos. Em geral, os verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo da terminação- ar. Exemplos: esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar; nivel-ar; (a)fin-ar; telefon-ar; (a)portugues-ar. Os verbos exprimem, entre outras ideias, a prática de ação. -ar: cruzar, analisar, limpar 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 109 -ear: guerrear,golear -entar: afugentar, amamentar -ficar: dignificar, liquidificar -izar: finalizar, organizar Verbo Frequentativo: é aquele que traduz ação repetida. Verbo Factivo: é aquele que envolve ideia de fazer ou causar. Verbo Diminutivo: é aquele que exprime ação pouco intensa. Questões 01. (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PREVIDÊNCIA SOCIAL – CEPERJ/2014) A palavra “infraestrutura” é formada pelo seguinte processo: (A) sufixação (B) prefixação (C) parassíntese (D) justaposição (E) aglutinação 02. A palavra "aguardente" formou-se por: (A) hibridismo (B) aglutinação (C) justaposição (D) parassíntese (E) derivação regressiva 03. Que item contém somente palavras formadas por justaposição? (A) desagradável – complemente (B) vaga-lume - pé-de-cabra (C) encruzilhada – estremeceu (D) supersticiosa – valiosas (E) desatarraxou – estremeceu 04. (RIOPREVIDÊNCIA – ASSISTENTE PREVIDENCIÁRIO – CEPERJ/2014 - ADAPTADA) Todas as palavras abaixo têm, em sua formação um prefixo, exceto: (A) incansáveis (B) desencadearam (C) internacionais (D) hiperconsumo (E) envolvidas 05. (RIOPREVIDÊNCIA – ASSISTENTE PREVIDENCIÁRIO – CEPERJ/2014 - ADAPTADA) Quanto à formação das palavras, qual das alternativas a seguir contém composição por aglutinação? (A) Girassol. (B) Pontapé. (C) Petróleo. (D) Passatempo 06. Indique a palavra que foge ao processo de formação de chape-chape: (A) zunzum (B) reco-reco (C) toque-toque (D) tlim-tlim (E) vivido 07. (COBRA TECNOLOGIA S/A – ANALISTA ADMINISTRATIVO – ESPP/2013) Assinale a alternativa que indica, correta e respectivamente, os processos de formação das palavras “guarda-sol”, “felizmente” e “quilo”. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 110 (A) Derivaçãopor sufixação, composição por justaposição e redução. (B) Composição por justaposição, redução e derivação por sufixação. (C) Composição por justaposição, derivação por sufixação e redução. (D) Redução, composição por justaposição e derivação por sufixação. 08. Assinale a palavra que é formada por parassíntese: (A) entristecer (B) choro (C) embora (D) desfazer (E) trabalho 09. (FUNCAB - 2011 - Prefeitura de Várzea Grande/MT – Contador – FUNCAB) Em “...externamos nossos sentimentos para vivê-los mais INTENSAMENTE” e “Os amores silenciosos podem provocar o CHORO”, as palavras destacadas são formadas, respectivamente, a partir de processos de: (A) derivação sufixal e composição por justaposição. (B) composição por justaposição e derivação regressiva. (C) derivação sufixal e derivação regressiva. (D) derivação regressiva e derivação parassintética. (E) derivação parassintética e derivação prefixal. 10. (DPE/RS - Defensor Público – FCC) Das palavras a seguir, a única formada por derivação prefixal e sufixal é: (A) destinação. (B) desocupação. (C) criminológico. (D) carcereiro. Respostas 01. Resposta B Infra = prefixo + estrutura – temos a junção de um prefixo com um radical, portanto: derivação prefixal (ou prefixação). 02. Resposta B Aglutinação: é a composição em que pelo menos um dos elementos têm a pronúncia diferente de quando estavam separados (água + ardente = aguardente). 03. Resposta B Justaposição: é a composição em que os elementos juntos têm a mesma pronúncia de quando estavam separados. 04. Resposta E A palavra "envolver" vem do latim, involvere, que significa "rolar sobre". Por processo de formação de palavras através de aglutinação, teríamos in + volvere (rolar), formando envolver. 05. Resposta C Na composição por aglutinação ocorre a fusão de duas ou mais palavras ou radicais, havendo alteração de um desses elementos formadores. Girassol = gira + sol Pontapé = ponta + pé Petróleo = preto + óleo Parapeito = passa + tempo 06. Resposta E A palavra “chape-chape” é formada pelo processo chamado de onomatopeia, que consiste na imitação aproximada entre o som de uma palavra e a realidade que a mesma representa. Assim, a palavra tenta imitar o som natural da coisa significada. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 111 07. RespostaC GUARDA-SOL: Na composição por justaposição ocorre a junção de duas ou mais palavras ou radicais, sem que haja alteração desses elementos formadores, ou seja, mantêm a mesma ortografia e acentuação que tinham antes da composição, havendo apenas alteração do significado. FELIZMENTE: feliz + mente (sufixo) QUILO: redução de quilograma 08. Resposta A Derivação Parassintética: resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Por meio da parassíntese formam-se nomes (substantivos e adjetivos) e verbos. ENTRISTECER = TRISTE – prefixo -en; sufixo ecer 09. Resposta C A alternativa “C” é a correta porque foi acrescentado um sufixo em “intensa”= intensamente e do verbo CHORAR houve a regressão em choro. 10. Resposta B A alternativa “B” é a correta porque “des (prefixo)ocupa (ção) sufixo. Nas outras alternativas só há sufixação. Flexão Nominal Flexão de número Os nomes (substantivo, adjetivo etc.), de modo geral, admitem a flexão de número: singular e plural: animal – animais. Na maioria das vezes, acrescenta-se S: ponte – pontes; bonito – bonitos. Palavras terminadas em R ou Z: acrescenta-se ES: éter – éteres; avestruz – avestruzes. O pronome qualquer faz o plural no meio: quaisquer Palavras oxítonas terminadas em S: acrescenta-se ES: ananás – ananases. Palavras terminadas em IL: átono: trocam IL por EIS: fóssil – fósseis. tônico: trocam L por S: funil – funis. Palavras terminadas em EL: átono: plural em EIS: nível – níveis. tônico: plural em ÉIS: carretel – carretéis. Palavras terminadas em X são invariáveis: o clímax − os clímax. Há palavras cuja sílaba tônica avança: júnior − juniores; caráter – caracteres. A palavra Caracteres é plural tanto de caractere quanto de caráter. Palavras terminadas em ão fazem o plural em ãos, ães e ões. Em ões: balões, corações, grilhões, melões, gaviões. As paroxítonas e as proparoxítonas são invariáveis Exemplos: o pires − os pires, o ônibus − os ônibus 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 112 Em ãos:pagãos, cristãos, cidadãos, bênçãos, órgãos. Os paroxítonos, como os dois últimos, sempre fazem o plural em ãos. Em ães: escrivães, tabeliães, capelães, capitães, alemães. Em ões ou ãos: corrimões/corrimãos, verões/verãos, anões/anãos. Em ões ou ães: charlatões/charlatães, guardiões/guardiães, cirurgiões/cirurgiães. Em ões, ãos ou ães: anciões/anciãos/anciães, ermitões/ermitãos/ermitães Plural dos diminutivos com a letra z: Coloca-se a palavra no plural, corta-se o s e acrescenta-se zinhos (ou zinhas): coraçãozinho – corações – coraçõe – coraçõezinhos. Plural com metafonia (ô - ó): Algumas palavras, quando vão ao plural, abrem o timbre da vogal “o”, outras não. Com metafonia singular (ô) plural (ó): coro-coros; corvo-corvos; destroço-destroços. Sem metafonia singular (ô) plural (ô): adorno-adornos; bolso-bolsos; transtorno-transtornos. Casos especiais: aval, avales e avaiscal − cales e caiscós − coses e cós – fel, feles e féis – mal e males – cônsul e cônsules. Os dois elementos variam: Quando os compostos são formados por substantivo mais palavra variável (adjetivo, substantivo, numeral, pronome): amor-perfeito − amores-perfeitos; couve-flor − couves- flores; segunda-feira − segundas-feiras. Só o primeiro elemento varia: Quando há preposição no composto, mesmo que oculta: pé-de-moleque − pés-de-moleque; cavalo- vapor − cavalos-vapor (de ou a vapor). Quando o segundo substantivo determina o primeiro (fim ou semelhança): banana-maçã − bananas- maçã (semelhante a maçã); navio-escola − navios-escola (a finalidade é a escola). Alguns autores admitem a flexão dos dois elementos. É uma situação polêmica: mangas-espada (preferível) ou mangas-espadas. Quando dizemos (e isso vai ocorrer outras vezes) que é uma situação polêmica, discutível, convém ter em mente que a questão do concurso deve ser resolvida por eliminação, ou seja, analisando bem as outras opções. Apenas o último elemento varia: Quando os elementos são adjetivos: hispano-americano − hispano-americanos. A exceção é surdo- mudo, em que os dois adjetivos se flexionam: surdos-mudos. Nos compostos em que aparecem os adjetivos grão, grã e bel: grão-duque − grão-duques; grã-cruz − grã-cruzes; bel-prazer − bel-prazeres. Quando o composto é formado por verbo ou qualquer elemento invariável (advérbio, interjeição, prefixo etc.) mais substantivo ou adjetivo: arranha-céu − arranha-céus; sempre-viva − sempre-vivas; super-homem − super-homens. Quando os elementos são repetidos ou onomatopaicos (representam sons): reco-reco − reco-recos; pingue-pongue − pingue-pongues; bem-te-vi − bem-te-vis. Como se vê pelo segundo exemplo, pode haver alguma alteração nos elementos, ou seja, não serem iguais. Se forem verbos repetidos, admite-se também pôr os dois no plural: pisca-pisca − pisca-piscas ou piscas-piscas Nenhum elemento varia: Quando há verbo mais palavra invariável: O cola-tudo – os cola-tudo. Quando há dois verbos de sentido oposto: o perde-ganha – os perde-ganha. Nas frases substantivas (frases que se transformam em substantivos): O maria-vai-com-as-outras − os maria-vai-com-as-outras. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 113 São invariáveis:arco-íris, louva-a-deus, sem-vergonha, sem-teto e sem- terra: Os sem-terra apreciavam os arco-íris. Admitem mais de um plural: pai-nosso − pais-nossos ou pai-nossos; padre-nosso − padres-nossos ou padre-nossos; terra-nova − terras-novas ou terra-novas; salvo-conduto − salvos-condutos ou salvo-condutos; xeque- mate − xeques-mates ou xeques-mate; fruta-pão − frutas-pães ou frutas- pão; guarda-marinha − guardas-marinhas ou guardas-marinha. Casos especiais: palavras que não se encaixam nas regras: o bem-me-quer − os bem-me-queres; o joão-ninguém − os joões-ninguém; o lugar-tenente − os lugar-tenentes; o mapa-múndi − os mapas-múndi. Flexão de Gênero Os substantivos e as palavras que o acompanham na frase admitem a flexão de gênero: masculino e feminino: Meu amigo diretor recebeu o primeiro salário. Minha amiga diretora recebeu a primeira prestação. A flexão de feminino pode ocorrer de duas maneiras. Com a troca de o ou e por a: lobo – loba; mestre – mestra. Por meio de diferentes sufixos nominais de gênero: muitas vezes comalterações do radical: ateu – ateia; bispo – episcopisa; conde – condessa; duque – duquesa; frade – freira; ilhéu – ilhoa; judeu – judia; marajá – marani; monje – monja; pigmeu – pigmeia; píton – pitonisa; sandeu – sandia; sultão – sultana. Alguns substantivos são uniformes quanto ao gênero, ou seja, possuem uma única forma para masculino e feminino. Podem ser: Sobrecomuns: admitem apenas um artigo, podendo designar os dois sexos: a pessoa, o cônjuge, a testemunha. Comuns de dois gêneros: admitem os dois artigos, podendo então ser masculinos ou femininos: o estudante − a estudante, o cientista − a cientista, o patriota − a patriota. Epicenos: admitem apenas um artigo, designando os animais: O jacaré, a cobra, o polvo O feminino de elefante é elefanta, e não elefoa. Aliás, é correto, mas designa apenas uma espécie de elefanta. Mamão, para alguns gramáticos, deve ser considerado epiceno. É algo discutível. Há substantivos de gênero duvidoso, que as pessoas costumam trocar: champanha, aguardente, dó, alface, eclipse, calformicida, cataplasma, grama (peso), grafite, milhar libido, plasma, soprano, musse, suéter, preá, telefonema. Existem substantivos que admitem os dois gêneros: diabetes (ou diabete), laringe, usucapião etc. Flexão de Grau Grau do substantivo Normal ou Positivo: sem nenhuma alteração. Aumentativo: Sintético: chapelão. Analítico: chapéu grande, chapéu enorme etc. Diminutivo: Sintético: chapeuzinho. Analítico: chapéu pequeno, chapéu reduzido etc. Um grau é sintético quando formado por sufixo; analítico, por meio de outras palavras. Grau do adjetivo Normal ou Positivo: João é forte. Comparativo: de superioridade: João é mais forte que André. (ou do que); de inferioridade: João é menos forte que André. (ou do que); de igualdade: João é tão forte quanto André. (ou como) Superlativo: Absoluto: sintético: João é fortíssimo; analítico: João é muito forte (bastante forte, forte demais etc.); Relativo: de superioridade: João é o mais forte da turma; de inferioridade: João é o menos forte da turma. O grau superlativo absoluto corresponde a um aumento do adjetivo. Pode ser expresso por um sufixo (íssimo, érrimo ou imo) ou uma palavra de apoio, como muito, bastante, demasiadamente, enorme etc. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 114 As palavrasmaior, menor, melhor, e pior constituem sempre graus de superioridade: O carro é menor que o ônibus; menor (mais pequeno): comparativo de superioridade. Ele é o pior do grupo; pior (mais mau): superlativo relativo de superioridade. Alguns superlativos absolutos sintéticos que podem apresentar dúvidas: acre – acérrimo, amargo – amaríssimo; amigo – amicíssimo; antigo – antiqüíssimo; cruel – crudelíssimo; doce – dulcíssimo; fácil – facílimo; feroz – ferocíssimo; fiel – fidelíssimo; geral – generalíssimo; humilde – humílimo; magro – macérrimo; negro – nigérrimo; pobre – paupérrimo; sagrado – sacratíssimo; sério – seriíssimo; soberbo – superbíssimo. Flexão Verbal As flexões verbais são expressas por meio dos tempos, modo e pessoa da seguinte forma: O tempo indica o momento em que ocorre o processo verbal; O modo indica a atitude do falante (dúvida, certeza, impossibilidade, pedido, imposição, etc.); A pessoa marca na forma do verbo a pessoa gramatical do sujeito. Tempos: Há tempos do presente, do passado (pretérito) e do futuro. Modo Modo Indicativo: Indica uma certeza relativa do falante com referência ao que o verbo exprime; pode ocorrer no tempo presente, passado ou futuro: Presente: Processo simultâneo ao ato da fala, fato corriqueiro, habitual: Compro livros nesta livraria. Usa-se também o presente com o valor de passado, passado histórico (nos contos, narrativas) Tempos do Pretérito (passado): Exprimem processos anteriores ao ato da fala. São eles: - Pretérito Imperfeito: Exprime um processo habitual, ou com duração no tempo: Naquela época eu cantava como um pássaro. - Pretérito Perfeito: Exprime uma ação acabada: Paulo quebrou meu violão de estimação. - Pretérito Mais-que-Perfeito: Exprime um processo anterior a um processo acabado: Embora tivera deixado a escola, ele nunca deixou de estudar. Tempos do Futuro: Indicam processos que irão acontecer: - Futuro do Presente: Exprime um processo que ainda não aconteceu: Farei essa viagem no fim do ano. - Futuro do Pretérito: Exprime um processo posterior a um processo que já passou: Eu faria essa viagem se não tivesse comprado o carro. Modo Subjuntivo: Expressa incerteza, possibilidade ou dúvida em relação ao processo verbal e não está ligado com a noção de tempo. Há três tempos: presente, imperfeito e futuro. Quero que voltes para mim; Não pise na grama; É possível que ele seja honesto; Espero que ele fique contente; Duvido que ele seja o culpado; Procuro alguém que seja meu companheiro para sempre; Ainda que ele queira, não lhe será concedida a vaga; Se eu fosse bailarina, estaria na Rússia; Quando eu tiver dinherio, irei para as praias do nordeste. Modo Imperativo: Exprime atitude de ordem, pedido ou solicitação: Vai e não voltes mais. Pessoa: A norma da língua portuguesa estabelece três pessoas: Singular: eu , tu , ele, ela. Plural: nós, vós, eles, elas. No português brasileiro é comum o uso do pronome de tratamento você (s) em lugar do tu e vós. Questões 01. (PGM / RJ – AUXILIAR DE PROCURADPRIA – FJG RIO – 2013) No tocante à concordância, está correta a flexão verbal na seguinte frase: (A) Deveriam haver mecanismos mais rigorosos para controle do respeito às leis. (B) Os peregrinos amanheceram na vigília diante da basílica. (C) No relógio bateu cinco horas, revelando um dia de sol 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 115 (D) Nopassado, os Estados Unidos realizou limpeza étnica, dizimando muitos índios. 02. (PREFEITURA DE CANAVIEIRA / PI - AUXILIAR DE SERVIÇOS GERAIS – IMA/2015) Marque a alternativa onde a flexão do gênero está correto: (A) Monge – monja. (B) Judeu – Judéia. (C) Servidor – servente. (D) Chorão – chorosa. 03. (COLÉGIO PEDRO II – ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO – 2015) Uma das frases abaixo contém um desvio quanto à flexão verbal. Qual? (A) O laudo vai investigar se o piloto freiou ou não o carro. (B) Se vocês propusessem mudanças, eu as aceitaria. (C) Se ele cabe no banco da frente, é claro que eu também caibo. (D) Os candidatos deveriam ter trazido seus documentos originais. (E) Ninguém mais quereria visitar aquele parque depois do acontecido. 04. Flexão incorreta: (A) os cidadãos (B) os açúcares (C) os cônsules (D) os tóraxes (D) os fósseis 05. (DOCAS/RJ – ESPECIALISTA PORTUÁRIO - CONTRATOS, COMPRAS E LICITAÇÕES – MAKIYAMA – 2014) No que diz respeito à flexão nominal, assinale a alternativa INCORRETA quanto ao superlativo sintético dos adjetivos dados: (A) Pobre – pobrérrimo (B) Magro – macérrimo (C) Doce – dulcíssimo (D) Frio – frigidíssimo (E) Comum – comuníssimo 06. Está mal flexionado o adjetivo na alternativa: (A) Tecidos verde-olivas (B) Os raios ultravioleta (C) Lençois azul-celeste (D) Ternos azul-marinho 07. (COBRA TECNOLOGIA S/A – ANALISTA DE OPERAÇÕES / NEGÓCIOS –QUADRIX – 2014) Sobre a forma verbal "comprei" e sua flexão é correto afirmar que: (A) está flexionada na primeira pessoa do plural. (B) pertence a um verbo da primeira conjugação. (C) está no presente do indicativo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 116 (D) pertenceao modo subjuntivo. (E) o verbo de que ela deriva é defectivo e anômalo. 08. Assinale a alternativa em que a flexão do substantivo composto está errada: (A) os pés-de-chumbo (B) os corre-corre (C) as públicas-formas (D) os cavalos-vapor (E) os vaivéns 09. Se for passado para o plural o termo grifado, deverá permanecer no singular o verbo que está em: (A) "Ainda bem que existe o Parque"... (B) ...exclama o vaqueiro... (C) ...onde acontece o surpreendente espetáculo da bioluminiscência... (D) ...e o processo de desertificação do país continua em crescimento assombroso. (E) Só haverá esperança para os vastos espaços das Geraes... 10. (MSGÁS – TÉCNICO ADMINISTRATIVO I – MSGÁS – 2015 – ADAPTADO) Analise as afirmativas sobre a flexão nominal e verbal das palavras destacadas neste trecho: “E eu sacudo as mãos molhadas de tempo, levando-as até aos olhos – as minhas mãos de hoje, com que prendo a vida e a verdade desta hora.” Assinale a afirmativa INCORRETA: (A) O substantivo olhos apresenta flexão número plural. (B) O verbo sacudo encontra-se no presente do indicativo e na primeira pessoa do singular. (C) O substantivo vida não pode ser flexionado em número. (D) O adjetivo molhadas é flexionável morfologicamente em gênero e número. Respostas 01. Resposta B Alternativa A: Quando o verbo “haver” aparece acompanhado de um verbo auxiliar, este assume o comportamento impessoal, permanecendo no singular. Portanto, “Deveria haver mecanismos mais rigorosos para controle do respeito às leis”. Alternativa B: Correta Alternativa C: “No relógio bateram cinco horas...” Alternatida D: “No passado, os Estados Unidos realizaram limpeza étnica...” 02. Resposta A B) Judeu - judia C) Servidor - servidora D) Chorão - chorona 03. Resposta A Conjugação correta do verbo: Modo Indicativo / Pretérito Perfeito: Ele freou Correção da frase: O laudo vai investigar se o piloto freou ou não o carro. 04. Respiosta D O plural correto de “o tórax” é “os tórax”. 05. Resposta A Pobre - Paupérrimo 06. Resposta A Alternativa A: Tecidos verde-oliva Os adjetivos compostos formados de substantivo + adjetivo ou adjetivo + substantivo devem permanecer invariáveis. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 117 Alternativa B:O vocábulo “ultravioleta” é invariável. Alternativa C: O vocábulo “azul-celeste” é invariável. Alternativa D: O vocábulo “azul-marinho” é invariável. 07. Resposta B Verbo “COMPRAR” – terminação em –AR = primeira conjugação Verbo “COMER” – terminação em –ER = segunda conjugação Verbo “SORRIR” – terminação em –IR = terceira conjugação 08. Resposta B Compostos de verbo+ verbo: Ambos variam ou só o segundo vai para o plural. corre-corre - corre-corres ou corres-corres 09. Resposta E Alternativa A: "Ainda bem que existem os Parques" ... Alternativa B: ...exclamam os vaqueiros... Alternativa C: ...onde acontecem os surpreendentes espetáculos da bioluminiscência... Alternativa D: ...e os processos de desertificação do país continuam em crescimento assombroso. Alternativa E: Só haverá esperanças para os vastos espaços das Geraes... (Quando o verbo "haver"" funciona como "existir", "tempo decorrido" ele é impessoal, não-flexionável, ou seja, fica sempre no singular.) 10. Resposta C O substantivo vida aceita flexão de número, singular/plural, veja o exemplo: Dizem que os gatos possuem sete vidas. Análise Sintática A Análise Sintática examina a estrutura do período, divide e classifica as orações que o constituem e reconhece a função sintática dos termos de cada oração. Daremos uma ideia do que seja frase, oração, período, termo, função sintática e núcleo de um termo da oração. As palavras, tanto na expressão escrita como na oral, são reunidas e ordenadas em frases. Pela frase é que se alcança o objetivo do discurso, ou seja, da atividade linguística: a comunicação com o ouvinte ou o leitor. Frase, Oração e Período são fatores constituintes de qualquer texto escrito em prosa, pois o mesmo compõe-se de uma sequência lógica de ideias, todas organizadas e dispostas em parágrafos minuciosamente construídos. Frase: é todo enunciado capaz de transmitir, a quem nos ouve ou lê, tudo o que pensamos, queremos ou sentimos. Pode revestir as mais variadas formas, desde a simples palavra até o período mais complexo, elaborado segundo os padrões sintáticos do idioma. São exemplos de frases: Socorro! Muito obrigado! Que horror! Sentinela, alerta! Cada um por si e Deus por todos. Grande nau, grande tormenta. Por que agridem a natureza? “Tudo seco em redor.” (Graciliano Ramos) Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação; concordância nominal e verbal; transitividade e regência de nomes e verbos; padrões gerais de colocação pronominal no português; mecanismos de coesão textual 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 118 “Boa tarde,mãe Margarida!” (Graciliano Ramos) “Fumaça nas chaminés, o céu tranquilo, limpo o terreiro.” (Adonias Filho) “As luzes da cidade estavam amortecidas.” (Érico Veríssimo) “Tropas do exército regular do Sul, ajustadas pelos seus aliados brancos de além mar, tinham sido levadas em helicópteros para o lugar onde se presumia estivesse o inimigo, mas este se havia sumido por completo.” (Érico Veríssimo) As frases são proferidas com entoação e pausas especiais, indicadas na escrita pelos sinais de pontuação. Muitas frases, principalmente as que se desviam do esquema sujeito + predicado, só podem ser entendidas dentro do contexto (= o escrito em que figuram) e na situação (= o ambiente, as circunstâncias) em que o falante se encontra. Chamam-se frases nominais as que se apresentam sem o verbo. Exemplo: Tudo parado e morto. Quanto ao sentido, as frases podem ser: Declarativas: aquela através da qual se enuncia algo, de forma afirmativa ou negativa. Encerram a declaração ou enunciação de um juízo acerca de alguém ou de alguma coisa: Paulo parece inteligente. (afirmativa) A retificação da velha estrada é uma obra inadiável. (afirmativa) Nunca te esquecerei. (negativa) Neli não quis montar o cavalo velho, de pêlo ruço. (negativa) Interrogativas: aquela da qual se pergunta algo, direta (com ponto de interrogação) ou indiretamente (sem ponto de interrogação). São uma pergunta, uma interrogação: Por que chegaste tão tarde? Gostaria de saber que horas são. “Por que faço eu sempre o que não queria” (Fernando Pessoa) “Não sabe, ao menos, o nome do pequeno?” (Machado de Assis) Imperativas: aquela através da qual expressamos uma ordem, pedido ou súplica, de forma afirmativa ou negativa. Contêm uma ordem, proibição, exortação ou pedido: “Cale-se! Respeite este templo.” (afirmativa) Não cometa imprudências. (negativa) “Vamos, meu filho, ande depressa!” (afirmativa) “Segue teu rumo e canta em paz.” (afirmativa) “Não me leves para o mar.” (negativa) Exclamativas: aquela através da qual externamos uma admiração. Traduzem admiração, surpresa, arrependimento, etc.: Como eles são audaciosos! Não voltaram mais! “Uma senhora instruída meter-se nestas bibocas!” (Graciliano Ramos) Optativas: É aquela através da qual se exprime um desejo: Bons ventos o levem! Oxalá não sejam vãos tantos sacrifícios! “E queira Deus que te não enganes, menino!” (Carlos de Laet) “Quem me dera ser como Casimiro Lopes!” (Graciliano Ramos) Imprecativas: Encerram uma imprecação (praga, maldição): “Esta luz me falte, se eu minto, senhor!” (Camilo Castelo Branco) “Não encontres amor nas mulheres!” (Gonçalves Dias) “Maldito seja quem arme ciladas no seu caminho!” (Domingos Carvalho da Silva) Como se vê dos exemplos citados, os diversos tipos de frase podem encerrar uma afirmação ou uma negação. No primeiro caso, a frase é afirmativa, no segundo, negativa. O que caracteriza e distingue esses diferentes tipos de frase é a entoação, ora ascendente ora descendente. Muitas vezes, as frases assumem sentidos que só podem ser integralmente captados se atentarmos para o contexto em que são empregadas. É o caso, por exemplo, das situações em que se explora a 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 119 ironia. Pense,por exemplo, na frase "Que educação!", usada quando se vê alguém invadindo, com seu carro, a faixa de pedestres. Nesse caso, ela expressa exatamente o contrário do que aparentemente diz. A entoação é um elemento muito importante da frase falada, pois nos dá uma ampla possibilidade de expressão. Dependendo de como é dita, uma frase simples como "É ela." pode indicar constatação, dúvida, surpresa, indignação, decepção, etc. A mesma frase pode assumir sentidos diferentes, conforme o tom com que a proferimos. Observe: Olavo esteve aqui. Olavo esteve aqui? Olavo esteve aqui?! Olavo esteve aqui! Questões 01. Marque apenas as frases nominais: (A) Que voz estranha! (B) A lanterna produzia boa claridade. (C) As risadas não eram normais. (D) Luisinho, não! 02. Classifique as frases em declarativa, interrogativa, exclamativa, optativa ou imperativa. (A) Você está bem? (B) Não olhe; não olhe, Luisinho! (C) Que alívio! (D) Tomara que Luisinho não fique impressionado! (E) Você se machucou? (F) A luz jorrou na caverna. (G) Agora suma, seu monstro! (H) O túnel ficava cada vez mais escuro. 03. Transforme a frase declarativa em imperativa. Siga o modelo: Luisinho ficou pra trás. (declarativa) Lusinho, fique para trás. (imperativa) (A) Eugênio e Marcelo caminhavam juntos. (B) Luisinho procurou os fósforos no bolso. (C) Os meninos olharam à sua volta. 04. Sabemos que frases verbais são aquelas que têm verbos. Assinale, pois, as frases verbais: (A) Deus te guarde! (B) As risadas não eram normais. (C) Que ideia absurda! (D) O fósforo quebrou – se em três pedacinhos. (E) Tão preta como o túnel! (F) Quem bom! (G) As ovelhas são mansas e pacientes. (H) Que espírito irônico e livre! 05. Escreva para cada frase o tipo a que pertence: declarativa, interrogativa, imperativa e exclamativa: (A) Que flores tão aromáticas! (B) Por que é que não vais ao teatro mais vezes? (C) Devemos manter a nossa escola limpa. (D) Respeitem os limites de velocidade. (E) Já alguma vez foste ao Museu da Ciência? (F) Atravessem a rua com cuidado. (G) Como é bom sentir a alegria de um dever cumprido! (H) Antes de tomar banho no mar, deve-se olhar para a cor da bandeira. (I) Não te quero ver mais aqui! (J) Hoje saímos mais cedo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 120 Respostas 01. “a”e “d” 02. a) interrogativa; b) imperativa; c) exclamativa; d) optativa; e) interrogativa; f) declarativa; g) imperativa; h) declarativa 03. a) Eugênio e Marcelo, caminhem juntos!; b) Luisinho, procure os fósforos no bolso!; c) Meninos, olhem à sua volta! 04. a = guarde / b = eram / d = quebrou / g = são 05. a) exclamativa; b) interrogativa; c) declarativa; d) imperativa; e) interrogativa; f) imperativa; g) exclamativa; h) declarativa; i) imperativa; j) declarativa Oração: é todo enunciado linguístico dotado de sentido, porém há, necessariamente, a presença do verbo. A oração encerra uma frase (ou segmento de frase), várias frases ou um período, completando um pensamento e concluindo o enunciado através de ponto final, interrogação, exclamação e, em alguns casos, através de reticências. Em toda oração há um verbo ou locução verbal (às vezes elípticos). Não têm estrutura sintática, portanto não são orações, não podem ser analisadas sintaticamente frases como: Socorro! Com licença! Que rapaz impertinente! Muito riso, pouco siso. “A bênção, mãe Nácia!” (Raquel de Queirós) Na oração as palavras estão relacionadas entre si, como partes de um conjunto harmônico: elas formam os termos ou as unidades sintáticas da oração. Cada termo da oração desempenha uma função sintática. Geralmente apresentam dois grupos de palavras: um grupo sobre o qual se declara alguma coisa (o sujeito), e um grupo que apresenta uma declaração (o predicado), e, excepcionalmente, só o predicado. Exemplo: A menina banhou-se na cachoeira. A menina – sujeito banhou-se na cachoeira – predicado Choveu durante a noite. (a oração toda predicado) O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo em número e pessoa. É normalmente o "ser de quem se declara algo", "o tema do que se vai comunicar". O predicado é a parte da oração que contém "a informação nova para o ouvinte". Normalmente, ele se refere ao sujeito, constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito. Observe: O amor é eterno. O tema, o ser de quem se declara algo, o sujeito, é "O amor". A declaração referente a "o amor", ou seja, o predicado, é "é eterno". Já na frase: Os rapazes jogam futebol. O sujeito é "Os rapazes", que identificamos por ser o termo que concorda em número e pessoa com o verbo "jogam". O predicado é "jogam futebol". Núcleo de um termo é a palavra principal (geralmente um substantivo, pronome ou verbo), que encerra a essência de sua significação. Nos exemplos seguintes, as palavras amigo e revestiu são o núcleo do sujeito e do predicado, respectivamente: “O amigo retardatário do presidente prepara-se para desembarcar.” (Aníbal Machado) A avezinha revestiu o interior do ninho com macias plumas. Os termos da oração da língua portuguesa são classificados em três grandes níveis: - Termos Essenciais da Oração: Sujeito e Predicado. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 121 - TermosIntegrantes da Oração: Complemento Nominal e Complementos Verbais (Objeto Direto, Objeto indireto e Agente da Passiva). - Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial, Aposto e Vocativo. Termos Essenciais da Oração: São dois os termos essenciais (ou fundamentais) da oração: sujeito e predicado. Exemplos: Sujeito Predicado Pobreza não é vileza. Os sertanistas capturavam os índios. Um vento áspero sacudia as árvores. Sujeito: é equivocado dizer que o sujeito é aquele que pratica uma ação ou é aquele (ou aquilo) do qual se diz alguma coisa. Ao fazer tal afirmação estamos considerando o aspecto semântico do sujeito (agente de uma ação) ou o seu aspecto estilístico (o tópico da sentença). Já que o sujeito é depreendido de uma análise sintática, vamos restringir a definição apenas ao seu papel sintático na sentença: aquele que estabelece concordância com o núcleo do predicado. Quando se trata de predicado verbal, o núcleo é sempre um verbo; sendo um predicado nominal, o núcleo é sempre um nome. Então têm por características básicas: - estabelecer concordância com o núcleo do predicado; - apresentar-se como elemento determinante em relação ao predicado; - constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo ou, ainda, qualquer palavra substantivada. Exemplos: A padaria está fechada hoje. está fechada hoje: predicado nominal fechada: nome adjetivo = núcleo do predicado a padaria: sujeito padaria: núcleo do sujeito - nome feminino singular Nós mentimos sobre nossa idade para você. mentimos sobre nossa idade para você: predicado verbal mentimos: verbo = núcleo do predicado nós: sujeito No interior de uma sentença, o sujeito é o termo determinante, ao passo que o predicado é o termo determinado. Essa posição de determinante do sujeito em relação ao predicado adquire sentido com o fato de ser possível, na língua portuguesa, uma sentença sem sujeito, mas nunca uma sentença sem predicado. Exemplos: As formigas invadiram minha casa. as formigas: sujeito = termo determinante invadiram minha casa: predicado = termo determinado Há formigas na minha casa. há formigas na minha casa: predicado = termo determinado sujeito: inexistente O sujeito sempre se manifesta em termos de sintagma nominal, isto é, seu núcleo é sempre um nome. Quando esse nome se refere a objetos das primeira e segunda pessoas, o sujeito é representado por um pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, etc.). Se o sujeito se refere a um objeto da terceira pessoa, sua representação pode ser feita através de um substantivo, de um pronome substantivo ou de qualquer conjunto de palavras, cujo núcleo funcione, na sentença, como um substantivo. Exemplos: Eu acompanho você até o guichê. eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 122 Vocês disseramalguma coisa? vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda pessoa Marcos tem um fã-clube no seu bairro. Marcos: sujeito = substantivo próprio Ninguém entra na sala agora. ninguém: sujeito = pronome substantivo O andar deve ser uma atividade diária. o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa oração Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir de uma oração inteira. Nesse caso, a oração recebe o nome de oração substantiva subjetiva: É difícil optar por esse ou aquele doce... É difícil: oração principal optar por esse ou aquele doce: oração substantiva subjetiva O sujeito é constituído por um substantivo ou pronome, ou por uma palavra ou expressão substantivada. Exemplos: O sino era grande. Ela tem uma educação fina. Vossa Excelência agiu com imparcialidade. Isto não me agrada. O núcleo (isto é, a palavra base) do sujeito é, pois, um substantivo ou pronome. Em torno do núcleo podem aparecer palavras secundárias (artigos, adjetivos, locuções adjetivas, etc.). Exemplo: “Todos os ligeiros rumores da mata tinham uma voz para a selvagem filha do sertão.” (José de Alencar) O sujeito pode ser: Simples: quando tem um só núcleo: As rosas têm espinhos; “Um bando de galinhas-d’angola atravessa a rua em fila indiana.” Composto: quando tem mais de um núcleo: “O burro e o cavalo nadavam ao lado da canoa.” Expresso: quando está explícito, enunciado: Eu viajarei amanhã. Oculto (ou elíptico): quando está implícito, isto é, quando não está expresso, mas se deduz do contexto: Viajarei amanhã. (sujeito: eu, que se deduz da desinência do verbo); “Um soldado saltou para a calçada e aproximou-se.” (o sujeito, soldado, está expresso na primeira oração e elíptico na segunda: e (ele) aproximou-se.); Crianças, guardem os brinquedos. (sujeito: vocês) Agente: se faz a ação expressa pelo verbo da voz ativa: O Nilo fertiliza o Egito. Paciente: quando sofre ou recebe os efeitos da ação expressa pelo verbo passivo: O criminoso é atormentado pelo remorso; Muitos sertanistas foram mortos pelos índios; Construíram-se açudes. (= Açudes foram construídos.) Agente e Paciente: quando o sujeito realiza a ação expressa por um verbo reflexivo e ele mesmo sofre ou recebe os efeitos dessa ação: O operário feriu-se durante o trabalho; Regina trancou-se no quarto. Indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal: Atropelaram uma senhora na esquina. (Quem atropelou a senhora? Não se diz, não se sabe quem a atropelou.); Come-se bem naquele restaurante. Observações: - Não confundir sujeito indeterminado com sujeito oculto. - Sujeito formado por pronome indefinido não é indeterminado, mas expresso: Alguém me ensinará o caminho. Ninguém lhe telefonou. - Assinala-se a indeterminação do sujeito usando-se o verbo na 3ª pessoa do plural, sem referência a qualquer agente já expresso nas orações anteriores: Na rua olhavam-no com admiração; “Bateram palmas no portãozinho da frente.”; “De qualquer modo, foi uma judiação matarem a moça.” 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 123 - Assinala-sea indeterminação do sujeito com um verbo ativo na 3ª pessoa do singular, acompanhado do pronome se. O pronome se, neste caso, é índice de indeterminação do sujeito. Pode ser omitido junto de infinitivos. Aqui vive-se bem. Devagar se vai ao longe. Quando se é jovem, a memória é mais vivaz. Trata-se de fenômenos que nem a ciência sabe explicar. - Assinala-se a indeterminação do sujeito deixando-se o verbo no infinitivo impessoal: Era penoso carregar aqueles fardos enormes; É triste assistir a estas cenas repulsivas. Normalmente, o sujeito antecede o predicado; todavia, a posposição do sujeito ao verbo é fato corriqueiro em nossa língua. Exemplos: É fácil este problema! Vão-se os anéis, fiquem os dedos. “Breve desapareceram os dois guerreiros entre as árvores.” (José de Alencar) “Foi ouvida por Deus a súplica do condenado.” (Ramalho Ortigão) “Mas terás tu paciência por duas horas?” (Camilo Castelo Branco) Sem Sujeito: constituem a enunciação pura e absoluta de um fato, através do predicado; o conteúdo verbal não é atribuído a nenhum ser. São construídas com os verbos impessoais, na 3ª pessoa do singular: Havia ratos no porão; Choveu durante o jogo. Observação: São verbos impessoais: Haver (nos sentidos de existir, acontecer, realizar-se, decorrer), Fazer, passar, ser e estar, com referência ao tempo e Chover, ventar, nevar, gear, relampejar, amanhecer, anoitecer e outros que exprimem fenômenos meteorológicos. Predicado: assim como o sujeito, o predicado é um segmento extraído da estrutura interna das orações ou das frases, sendo, por isso, fruto de uma análise sintática. Nesse sentido, o predicado é sintaticamente o segmento linguístico que estabelece concordância com outro termo essencial da oração, o sujeito, sendo este o termo determinante (ou subordinado) e o predicado o termo determinado (ou principal). Não se trata, portanto, de definir o predicado como "aquilo que se diz do sujeito" como fazem certas gramáticas da língua portuguesa, mas sim estabelecer a importância do fenômeno da concordância entre esses dois termos essenciais da oração. Então têm por características básicas: apresentar-se como elemento determinado em relação ao sujeito; apontar um atributo ou acrescentar nova informação ao sujeito. Exemplos: Carolina conhece os índios da Amazônia. sujeito: Carolina = termo determinante predicado: conhece os índios da Amazônia = termo determinado Todos nós fazemos parte da quadrilha de São João. sujeito: todos nós = termo determinante predicado: fazemos parte da quadrilha de São João = termo determinado Nesses exemplos podemos observar que a concordância é estabelecida entre algumas poucas palavras dos dois termos essenciais. No primeiro exemplo, entre "Carolina" e "conhece"; no segundo exemplo, entre "nós" e "fazemos". Isso se dá porque a concordância é centrada nas palavras que são núcleos, isto é, que são responsáveis pela principal informação naquele segmento. No predicado o núcleo pode ser de dois tipos: um nome, quase sempre um atributo que se refere ao sujeito da oração, ou um verbo (ou locução verbal). No primeiro caso, temos um predicado nominal (seu núcleo significativo é um nome, substantivo, adjetivo, pronome, ligado ao sujeito por um verbo de ligação) e no segundo um predicado verbal (seu núcleo é um verbo, seguido, ou não, de complemento(s) ou termos acessórios). Quando, num mesmo segmento o nome e o verbo são de igual importância, ambos constituem o núcleo do predicado e resultam no tipo de predicado verbo-nominal (tem dois núcleos significativos: um verbo e um nome). Exemplos: Minha empregada é desastrada. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 124 predicado: édesastrada núcleo do predicado: desastrada = atributo do sujeito tipo de predicado: nominal O núcleo do predicado nominal chama-se predicativo do sujeito, porque atribui ao sujeito uma qualidade ou característica. Os verbos de ligação (ser, estar, parecer, etc.) funcionam como um elo entre o sujeito e o predicado. A empreiteira demoliu nosso antigo prédio. predicado: demoliu nosso antigo prédio núcleo do predicado: demoliu = nova informação sobre o sujeito tipo de predicado: verbal Os manifestantes desciam a rua desesperados. predicado: desciam a rua desesperados núcleos do predicado: desciam = nova informação sobre o sujeito; desesperados = atributo do sujeito tipo de predicado: verbo-nominal Nos predicados verbais e verbo-nominais o verbo é responsável também por definir os tipos de elementos que aparecerão no segmento. Em alguns casos o verbo sozinho basta para compor o predicado (verbo intransitivo). Em outros casos é necessário um complemento que, juntamente com o verbo, constituem a nova informação sobre o sujeito. De qualquer forma, esses complementos do verbo não interferem na tipologia do predicado. Entretanto, é muito comum a elipse (ou omissão) do verbo, quando este puder ser facilmente subentendido, em geral por estar expresso ou implícito na oração anterior. Exemplos: “A fraqueza de Pilatos é enorme, a ferocidade dos algozes inexcedível.” (Machado de Assis) (Está subentendido o verbo é depois de algozes) “Mas o sal está no Norte, o peixe, no Sul” (Paulo Moreira da Silva) (Subentende-se o verbo está depois de peixe) “A cidade parecia mais alegre; o povo, mais contente.” (Povina Cavalcante) (isto é: o povo parecia mais contente) Chama-se predicação verbal o modo pelo qual o verbo forma o predicado. Há verbos que, por natureza, tem sentido completo, podendo, por si mesmos, constituir o predicado: são os verbos de predicação completa denominados intransitivos. Exemplo: As flores murcharam. Os animais correm. As folhas caem. “Os inimigos de Moreiras rejubilaram.” (Graciliano Ramos) Outros verbos há, pelo contrário, que para integrarem o predicado necessitam de outros termos: são os verbos de predicação incompleta, denominados transitivos. Exemplos: João puxou a rede. “Não invejo os ricos, nem aspiro à riqueza.” (Oto Lara Resende) “Não simpatizava com as pessoas investidas no poder.” (Camilo Castelo Branco) Observe que, sem os seus complementos, os verbos puxou, invejo, aspiro, etc., não transmitiriam informações completas: puxou o quê? Não invejo a quem? Não aspiro a quê? Os verbos de predicação completa denominam-se intransitivos e os de predicação incompleta, transitivos. Os verbos transitivos subdividem-se em: transitivos diretos, transitivos indiretos e transitivos diretos e indiretos (bitransitivos). Além dos verbos transitivos e intransitivos, quem encerram uma noção definida, um conteúdo significativo, existem os de ligação, verbos que entram na formação do predicado nominal, relacionando o predicativo com o sujeito. Quanto à predicação classificam-se, pois os verbos em: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 125 Intransitivos: sãoos que não precisam de complemento, pois têm sentido completo. “Três contos bastavam, insistiu ele.” (Machado de Assis) “Os guerreiros Tabajaras dormem.” (José de Alencar) “A pobreza e a preguiça andam sempre em companhia.” (Marquês de Maricá) Observações: Os verbos intransitivos podem vir acompanhados de um adjunto adverbial e mesmo de um predicativo (qualidade, características): Fui cedo; Passeamos pela cidade; Cheguei atrasado; Entrei em casa aborrecido. As orações formadas com verbos intransitivos não podem “transitar” (= passar) para a voz passiva. Verbos intransitivos passam, ocasionalmente, a transitivos quando construídos com o objeto direto ou indireto. - “Inutilmente a minha alma o chora!” (Cabral do Nascimento) - “Depois me deitei e dormi um sono pesado.” (Luís Jardim) - “Morrerás morte vil da mão de um forte.” (Gonçalves Dias) - “Inútil tentativa de viajar o passado, penetrar no mundo que já morreu...” (Ciro dos Anjos) Alguns verbos essencialmente intransitivos: anoitecer, crescer, brilhar, ir, agir, sair, nascer, latir, rir, tremer, brincar, chegar, vir, mentir, suar, adoecer, etc. Transitivos Diretos: são os que pedem um objeto direto, isto é, um complemento sem preposição. Pertencem a esse grupo: julgar, chamar, nomear, eleger, proclamar, designar, considerar, declarar, adotar, ter, fazer, etc. Exemplos: Comprei um terreno e construí a casa. “Trabalho honesto produz riqueza honrada.” (Marquês de Maricá) “Então, solenemente Maria acendia a lâmpada de sábado.” (Guedes de Amorim) Dentre os verbos transitivos diretos merecem destaque os que formam o predicado verbo nominal e se constrói com o complemento acompanhado de predicativo. Exemplos: Consideramos o caso extraordinário. Inês trazia as mãos sempre limpas. O povo chamava-os de anarquistas. Julgo Marcelo incapaz disso. Observações: Os verbos transitivos diretos, em geral, podem ser usados também na voz passiva; Outra característica desses verbos é a de poderem receber como objeto direto, os pronomes o, a, os, as: convido-o, encontro-os, incomodo-a, conheço-as; Os verbos transitivos diretos podem ser construídos acidentalmente com preposição, a qual lhes acrescenta novo matiz semântico: arrancar da espada; puxar da faca; pegar de uma ferramenta; tomar do lápis; cumprir com o dever; Alguns verbos transitivos diretos: abençoar, achar, colher, avisar, abraçar, comprar, castigar, contrariar, convidar, desculpar, dizer, estimar, elogiar, entristecer, encontrar, ferir, imitar, levar, perseguir, prejudicar, receber, saldar, socorrer, ter, unir, ver, etc. Transitivos Indiretos: são os que reclamam um complemento regido de preposição, chamado objeto indireto. Exemplos: “Ninguém perdoa ao quarentão que se apaixona por uma adolescente.” (Ciro dos Anjos) “Populares assistiam à cena aparentemente apáticos e neutros.” (Érico Veríssimo) “Lúcio não atinava com essa mudança instantânea.” (José Américo) “Do que eu mais gostava era do tempo do retiro espiritual.” (José Geraldo Vieira) Observações: Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os que se constroem com os pronomes objetivos lhe, lhes. Em geral são verbos que exigem a preposição a: agradar-lhe, agradeço- lhe, apraz-lhe, bate-lhe, desagrada-lhe, desobedecem-lhe, etc. Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os que não admitem para objeto indireto as formas oblíquas lhe, lhes, construindo-se com os pronomes retos precedidos de preposição: aludir a ele, anuir a ele, assistir a ela, atentar nele, depender dele, investir contra ele, não ligar para ele, etc. Em princípio, verbos transitivos indiretos não comportam a forma passiva. Excetuam-se pagar, perdoar, obedecer, e pouco mais, usados também como transitivos diretos: João paga (perdoa, obedece) o médico. O médico é pago (perdoado, obedecido) por João. Há verbos transitivos indiretos, como atirar, investir, contentar-se, etc., que admitem mais de uma preposição, sem mudança de sentido. Outros mudam de sentido com a troca da preposição, como nestes exemplos: Trate de sua vida. (tratar=cuidar). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 126 É desagradáveltratar com gente grosseira. (tratar=lidar). Verbos como aspirar, assistir, dispor, servir, etc., variam de significação conforme sejam usados como transitivos diretos ou indiretos. Transitivos Diretos e Indiretos: são os que se usam com dois objetos: um direto, outro indireto, concomitantemente. Exemplos: No inverno, Dona Cléia dava roupas aos pobres. A empresa fornece comida aos trabalhadores. Oferecemos flores à noiva. Ceda o lugar aos mais velhos. De Ligação: Os que ligam ao sujeito uma palavra ou expressão chamada predicativo. Esses verbos, entram na formação do predicado nominal. Exemplos: A Terra é móvel. A água está fria. O moço anda (=está) triste. Mário encontra-se doente. A Lua parecia um disco. Observações: Os verbos de ligação não servem apenas de anexo, mas exprimem ainda os diversos aspectos sob os quais se considera a qualidade atribuída ao sujeito. O verbo ser, por exemplo, traduz aspecto permanente e o verbo estar, aspecto transitório: Ele é doente. (aspecto permanente); Ele está doente. (aspecto transitório). Muito desses verbos passam à categoria dos intransitivos em frases como: Era =existia) uma vez uma princesa.; Eu não estava em casa.; Fiquei à sombra.; Anda com dificuldades.; Parece que vai chover. Os verbos, relativamente à predicação, não têm classificação fixa, imutável. Conforme a regência e o sentido que apresentam na frase, podem pertencer ora a um grupo, ora a outro. Exemplos: O homem anda. (intransitivo) O homem anda triste. (de ligação) O cego não vê. (intransitivo) O cego não vê o obstáculo. (transitivo direto) Deram 12 horas. (intransitivo) A terra dá bons frutos. (transitivo direto) Não dei com a chave do enigma. (transitivo indireto) Os pais dão conselhos aos filhos. (transitivo direto e indireto) Predicativo: Há o predicativo do sujeito e o predicativo do objeto. Predicativo do Sujeito: é o termo que exprime um atributo, um estado ou modo de ser do sujeito, ao qual se prende por um verbo de ligação, no predicado nominal. Exemplos: A bandeira é o símbolo da Pátria. A mesa era de mármore. O mar estava agitado. A ilha parecia um monstro. Além desse tipo de predicativo, outro existe que entra na constituição do predicado verbo-nominal. Exemplos: O trem chegou atrasado. (=O trem chegou e estava atrasado.) O menino abriu a porta ansioso. Todos partiram alegres. Marta entrou séria. Observações: O predicativo subjetivo às vezes está preposicionado; Pode o predicativo preceder o sujeito e até mesmo ao verbo: São horríveis essas coisas!; Que linda estava Amélia!; Completamente feliz ninguém é.; Raros são os verdadeiros líderes.; Quem são esses homens?; Lentos e tristes, os retirantes iam passando.; Novo ainda, eu não entendia certas coisas.; Onde está a criança que fui? 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 127 Predicativo doObjeto: é o termo que se refere ao objeto de um verbo transitivo. Exemplos: O juiz declarou o réu inocente. O povo elegeu-o deputado. As paixões tornam os homens cegos. Nós julgamos o fato milagroso. Observações: O predicativo objetivo, como vemos dos exemplos acima, às vezes vem regido de preposição. Esta, em certos casos, é facultativa; O predicativo objetivo geralmente se refere ao objeto direto. Excepcionalmente, pode referir-se ao objeto indireto do verbo chamar. Chamavam-lhe poeta; Podemos antepor o predicativo a seu objeto: O advogado considerava indiscutíveis os direitos da herdeira.; Julgo inoportuna essa viagem.; “E até embriagado o vi muitas vezes.”; “Tinha estendida a seus pés uma planta rústica da cidade.”; “Sentia ainda muito abertos os ferimentos que aquele choque com o mundo me causara.” Termos Integrantes da Oração Chamam-se termos integrantes da oração os que completam a significação transitiva dos verbos e nomes. Integram (inteiram, completam) o sentido da oração, sendo por isso indispensável à compreensão do enunciado. São os seguintes: - Complemento Verbais (Objeto Direto e Objeto Indireto); - Complemento Nominal; - Agente da Passiva. Objeto Direto: é o complemento dos verbos de predicação incompleta, não regido, normalmente, de preposição. Exemplos: As plantas purificaram o ar. “Nunca mais ele arpoara um peixe-boi.” (Ferreira Castro) Procurei o livro, mas não o encontrei. Ninguém me visitou. O objeto direto tem as seguintes características: - Completa a significação dos verbos transitivos diretos; - Normalmente, não vem regido de preposição; - Traduz o ser sobre o qual recai a ação expressa por um verbo ativo: Caim matou Abel. - Torna-se sujeito da oração na voz passiva: Abel foi morto por Caim. O objeto direto pode ser constituído: - Por um substantivo ou expressão substantivada: O lavrador cultiva a terra.; Unimos o útil ao agradável. - Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos: Espero-o na estação.; Estimo-os muito.; Sílvia olhou-se ao espelho.; Não me convidas?; Ela nos chama.; Avisamo-lo a tempo.; Procuram-na em toda parte.; Meu Deus, eu vos amo.; “Marchei resolutamente para a maluca e intimei-a a ficar quieta.”; “Vós haveis de crescer, perder-vos-ei de vista.” - Por qualquer pronome substantivo: Não vi ninguém na loja.; A árvore que plantei floresceu. (que: objeto direto de plantei); Onde foi que você achou isso? Quando vira as folhas do livro, ela o faz com cuidado.; “Que teria o homem percebido nos meus escritos?” Frequentemente transitivam-se verbos intransitivos, dando-se-lhes por objeto direto uma palavra cognata ou da mesma esfera semântica: “Viveu José Joaquim Alves vida tranquila e patriarcal.” (Vivaldo Coaraci) “Pela primeira vez chorou o choro da tristeza.” (Aníbal Machado) “Nenhum de nós pelejou a batalha de Salamina.” (Machado de Assis) Em tais construções é de rigor que o objeto venha acompanhado de um adjunto. Objeto Direto Preposicionado: Há casos em que o objeto direto, isto é, o complemento de verbos transitivos diretos, vem precedido de preposição, geralmente a preposição a. Isto ocorre principalmente: - Quando o objeto direto é um pronome pessoal tônico: Deste modo, prejudicas a ti e a ela.; “Mas dona Carolina amava mais a ele do que aos outros filhos.”; “Pareceu-me que Roberto hostilizava antes a mim do que à ideia.”; “Ricardina lastimava o seu amigo como a si própria.”; “Amava-a tanto como a nós”. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 128 - Quandoo objeto é o pronome relativo quem: “Pedro Severiano tinha um filho a quem idolatrava.”; “Abraçou a todos; deu um beijo em Adelaide, a quem felicitou pelo desenvolvimento das suas graças.”; “Agora sabia que podia manobrar com ele, com aquele homem a quem na realidade também temia, como todos ali”. - Quando precisamos assegurar a clareza da frase, evitando que o objeto direto seja tomado como sujeito, impedindo construções ambíguas: Convence, enfim, ao pai o filho amado.; “Vence o mal ao remédio.”; “Tratava-me sem cerimônia, como a um irmão.”; A qual delas iria homenagear o cavaleiro? - Em expressões de reciprocidade, para garantir a clareza e a eufonia da frase: “Os tigres despedaçam- se uns aos outros.”; “As companheiras convidavam-se umas às outras.”; “Era o abraço de duas criaturas que só tinham uma à outra”. - Com nomes próprios ou comuns, referentes a pessoas, principalmente na expressão dos sentimentos ou por amor da eufonia da frase: Judas traiu a Cristo.; Amemos a Deus sobre todas as coisas. “Provavelmente, enganavam é a Pedro.”; “O estrangeiro foi quem ofendeu a Tupã”. - Em construções enfáticas, nas quais antecipamos o objeto direto para dar-lhe realce: A você é que não enganam!; Ao médico, confessor e letrado nunca enganes.; “A este confrade conheço desde os seus mais tenros anos”. - Sendo objeto direto o numeral ambos(as): “O aguaceiro caiu, molhou a ambos.”; “Se eu previsse que os matava a ambos...”. - Com certos pronomes indefinidos, sobretudo referentes a pessoas: Se todos são teus irmãos, por que amas a uns e odeias a outros?; Aumente a sua felicidade, tornando felizes também aos outros.; A quantos a vida ilude!. - Em certas construções enfáticas, como puxar (ou arrancar) da espada, pegar da pena, cumprir com o dever, atirar com os livros sobre a mesa, etc.: “Arrancam das espadas de aço fino...”; “Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha e entrou a coser.”; “Imagina-se a consternação de Itaguaí, quando soube do caso.” Observações: Nos quatro primeiros casos estudados a preposição é de rigor, nos cinco outros, facultativa; A substituição do objeto direto preposicionado pelo pronome oblíquo átono, quando possível, se faz com as formas o(s), a(s) e não lhe, lhes: amar a Deus (amá-lo); convencer ao amigo (convencê- lo); O objeto direto preposicionado, é obvio, só ocorre com verbo transitivo direto; Podem resumir-se em três as razões ou finalidades do emprego do objeto direto preposicionado: a clareza da frase; a harmonia da frase; a ênfase ou a força da expressão. Objeto Direto Pleonástico: Quando queremos dar destaque ou ênfase à ideia contida no objeto direto, colocamo-lo no início da frase e depois o repetimos ou reforçamos por meio do pronome oblíquo. A esse objeto repetido sob forma pronominal chama-se pleonástico, enfático ou redundante. Exemplos: O dinheiro, Jaime o trazia escondido nas mangas da camisa. O bem, muitos o louvam, mas poucos o seguem. “Seus cavalos, ela os montava em pelo.” (Jorge Amado) Objeto Indireto: É o complemento verbal regido de preposição necessária e sem valor circunstancial. Representa, ordinariamente, o ser a que se destina ou se refere à ação verbal: “Nunca desobedeci a meu pai”. O objeto indireto completa a significação dos verbos: - Transitivos Indiretos: Assisti ao jogo; Assistimos à missa e à festa; Aludiu ao fato; Aspiro a uma vida calma. - Transitivos Diretos e Indiretos (na voz ativa ou passiva): Dou graças a Deus; Ceda o lugar aos mais velhos; Dedicou sua vida aos doentes e aos pobres; Disse-lhe a verdade. (Disse a verdade ao moço.) O objeto indireto pode ainda acompanhar verbos de outras categorias, os quais, no caso, são considerados acidentalmente transitivos indiretos: A bom entendedor meia palavra basta; Sobram-lhe qualidades e recursos. (lhe=a ele); Isto não lhe convém; A proposta pareceu-lhe aceitável. Observações: Há verbos que podem construir-se com dois objetos indiretos, regidos de preposições diferentes: Rogue a Deus por nós.; Ela queixou-se de mim a seu pai.; Pedirei para ti a meu senhor um rico presente; Não confundir o objeto direto com o complemento nominal nem com o adjunto adverbial; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 129 Em frasescomo “Para mim tudo eram alegrias”, “Para ele nada é impossível”, os pronomes em destaque podem ser considerados adjuntos adverbiais. O objeto indireto é sempre regido de preposição, expressa ou implícita. A preposição está implícita nos pronomes objetivos indiretos (átonos) me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. Exemplos: Obedece-me. (=Obedece a mim.); Isto te pertence. (=Isto pertence a ti.); Rogo-lhe que fique. (=Rogo a você...); Peço-vos isto. (=Peço isto a vós.). Nos demais casos a preposição é expressa, como característica do objeto indireto: Recorro a Deus.; Dê isto a (ou para) ele.; Contenta-se com pouco.; Ele só pensa em si.; Esperei por ti.; Falou contra nós.; Conto com você.; Não preciso disto.; O filme a que assisti agradou ao público.; Assisti ao desenrolar da luta.; A coisa de que mais gosto é pescar.; A pessoa a quem me refiro você a conhece.; Os obstáculos contra os quais luto são muitos.; As pessoas com quem conto são poucas. Como atestam os exemplos acima, o objeto indireto é representado pelos substantivos (ou expressões substantivas) ou pelos pronomes. As preposições que o ligam ao verbo são: a, com, contra, de, em, para e por. Objeto Indireto Pleonástico: à semelhança do objeto direto, o objeto indireto pode vir repetido ou reforçado, por ênfase. Exemplos: “A mim o que me deu foi pena.”; “Que me importa a mim o destino de uma mulher tísica...? “E, aos brigões, incapazes de se moverem, basta-lhes xingarem-se a distância.” Complemento Nominal: é o termo complementar reclamado pela significação transitiva, incompleta, de certos substantivos, adjetivos e advérbios. Vem sempre regido de preposição. Exemplos: A defesa da pátria; Assistência às aulas; “O ódio ao mal é amor do bem, e a ira contra o mal, entusiasmo divino.”; “Ah, não fosse ele surdo à minha voz!” Observações: O complemento nominal representa o recebedor, o paciente, o alvo da declaração expressa por um nome: amor a Deus, a condenação da violência, o medo de assaltos, a remessa de cartas, útil ao homem, compositor de músicas, etc. É regido pelas mesmas preposições usadas no objeto indireto. Difere deste apenas porque, em vez de complementar verbos, complementa nomes (substantivos, adjetivos) e alguns advérbios em –mente. Os nomes que requerem complemento nominal correspondem, geralmente, a verbos de mesmo radical: amor ao próximo, amar o próximo; perdão das injúrias, perdoar as injúrias; obediente aos pais, obedecer aos pais; regresso à pátria, regressar à pátria; etc. Agente da Passiva: é o complemento de um verbo na voz passiva. Representa o ser que pratica a ação expressa pelo verbo passivo. Vem regido comumente pela preposição por, e menos frequentemente pela preposição de: Alfredo é estimado pelos colegas; A cidade estava cercada pelo exército romano; “Era conhecida de todo mundo a fama de suas riquezas.” O agente da passiva pode ser expresso pelos substantivos ou pelos pronomes: As flores são umedecidas pelo orvalho. A carta foi cuidadosamente corrigida por mim. Muitos já estavam dominados por ele. O agente da passiva corresponde ao sujeito da oração na voz ativa: A rainha era chamada pela multidão. (voz passiva) A multidão aclamava a rainha. (voz ativa) Ele será acompanhado por ti. (voz passiva) Tu o acompanharás. (voz ativa) Observações: Frase de forma passiva analítica sem complemento agente expresso, ao passar para a ativa, terá sujeito indeterminado e o verbo na 3ª pessoa do plural: Ele foi expulso da cidade. (Expulsaram-no da cidade.); As florestas são devastadas. (Devastam as florestas.); Na passiva pronominal não se declara o agente: Nas ruas assobiavam-se as canções dele pelos pedestres. (errado); Nas ruas eram assobiadas as canções dele pelos pedestres. (certo); Assobiavam-se as canções dele nas ruas. (certo) Termos Acessórios da Oração 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 130 Termos acessóriossão os que desempenham na oração uma função secundária, qual seja a de caracterizar um ser, determinar os substantivos, exprimir alguma circunstância. São três os termos acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto. Adjunto adnominal: É o termo que caracteriza ou determina os substantivos. Exemplo: Meu irmão veste roupas vistosas. (Meu determina o substantivo irmão: é um adjunto adnominal – vistosas caracteriza o substantivo roupas: é também adjunto adnominal). O adjunto adnominal pode ser expresso: Pelos adjetivos: água fresca, terras férteis, animal feroz; Pelos artigos: o mundo, as ruas, um rapaz; Pelos pronomes adjetivos: nosso tio, este lugar, pouco sal, muitas rãs, país cuja história conheço, que rua?; Pelos numerais: dois pés, quinto ano, capítulo sexto; Pelas locuções ou expressões adjetivas que exprimem qualidade, posse, origem, fim ou outra especificação: - presente de rei (=régio): qualidade - livro do mestre, as mãos dele: posse, pertença - água da fonte, filho de fazendeiros: origem - fio de aço, casa de madeira: matéria - casa de ensino, aulas de inglês: fim, especialidade - homem sem escrúpulos (=inescrupuloso): qualidade - criança com febre (=febril): característica - aviso do diretor: agente Observações: Não confundir o adjunto adnominal formado por locução adjetiva com complemento nominal. Este representa o alvo da ação expressa por um nome transitivo: a eleição do presidente, aviso de perigo, declaração de guerra, empréstimo de dinheiro, plantio de árvores, colheita de trigo, destruidor de matas, descoberta de petróleo, amor ao próximo, etc. O adjunto adnominal formado por locução adjetiva representa o agente da ação, ou a origem, pertença, qualidade de alguém ou de alguma coisa: o discurso do presidente, aviso de amigo, declaração do ministro, empréstimo do banco, a casa do fazendeiro, folhas de árvores, farinha de trigo, beleza das matas, cheiro de petróleo, amor de mãe. Adjunto adverbial: É o termo que exprime uma circunstância (de tempo, lugar, modo, etc.) ou, em outras palavras, que modifica o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio. Exemplo: “Meninas numa tarde brincavam de roda na praça”. O adjunto adverbial é expresso: Pelos advérbios: Cheguei cedo.; Ande devagar.; Maria é mais alta.; Não durma ao volante.; Moramos aqui.; Ele fala bem, fala corretamente.; Volte bem depressa.; Talvez esteja enganado.; Pelas locuções ou expressões adverbiais: Às vezes viajava de trem.; Compreendo sem esforço.; Saí com meu pai.; Júlio reside em Niterói.; Errei por distração.; Escureceu de repente. Observações: Pode ocorrer a elipse da preposição antes de adjuntos adverbiais de tempo e modo: Aquela noite, não dormi. (=Naquela noite...); Domingo que vem não sairei. (=No domingo...); Ouvidos atentos, aproximei-me da porta. (=De ouvidos atentos...); Os adjuntos adverbiais classificam-se de acordo com as circunstâncias que exprimem: adjunto adverbial de lugar, modo, tempo, intensidade, causa, companhia, meio, assunto, negação, etc. É importante saber distinguir adjunto adverbial de adjunto adnominal, de objeto indireto e de complemento nominal: sair do mar (ad.adv.); água do mar (adj.adn.); gosta do mar (obj.indir.); ter medo do mar (compl.nom.). Aposto: É uma palavra ou expressão que explica ou esclarece, desenvolve ou resume outro termo da oração. Exemplos: D. Pedro II, imperador do Brasil, foi um monarca sábio. “Nicanor, ascensorista, expôs-me seu caso de consciência.” (Carlos Drummond de Andrade) “No Brasil, região do ouro e dos escravos, encontramos a felicidade.” (Camilo Castelo Branco) “No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente.” (Mário de Andrade) O núcleo do aposto é um substantivo ou um pronome substantivo: Foram os dois, ele e ela. Só não tenho um retrato: o de minha irmã. O dia amanheceu chuvoso, o que me obrigou a ficar em casa. O aposto não pode ser formado por adjetivos. Nas frases seguintes, por exemplo, não há aposto, mas predicativo do sujeito: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 131 Audaciosos, osdois surfistas atiraram-se às ondas. As borboletas, leves e graciosas, esvoaçavam num balé de cores. Os apostos, em geral, destacam-se por pausas, indicadas, na escrita, por vírgulas, dois pontos ou travessões. Não havendo pausa, não haverá vírgula, como nestes exemplos: Minha irmã Beatriz; o escritor João Ribeiro; o romance Tróia; o rio Amazonas; a Rua Osvaldo Cruz; o Colégio Tiradentes, etc. “Onde estariam os descendentes de Amaro vaqueiro?” (Graciliano Ramos) O aposto pode preceder o termo a que se refere, o qual, às vezes, está elíptico. Exemplos: Rapaz impulsivo, Mário não se conteve. Mensageira da ideia, a palavra é a mais bela expressão da alma humana. “Irmão do mar, do espaço, amei as solidões sobre os rochedos ásperos.” (Cabral do Nascimento) (refere-se ao sujeito oculto eu). O aposto, às vezes, refere-se a toda uma oração. Exemplos: Nuvens escuras borravam os espaços silenciosos, sinal de tempestade iminente. O espaço é incomensurável, fato que me deixa atônito. Simão era muito espirituoso, o que me levava a preferir sua companhia. Um aposto pode referir-se a outro aposto: “Serafim Gonçalves casou-se com Lígia Tavares, filha do velho coronel Tavares, senhor de engenho.” (Ledo Ivo) O aposto pode vir precedido das expressões explicativas isto é, a saber, ou da preposição acidental como: Dois países sul-americanos, isto é, a Bolívia e o Paraguai, não são banhados pelo mar. Este escritor, como romancista, nunca foi superado. O aposto que se refere a objeto indireto, complemento nominal ou adjunto adverbial vem precedido de preposição: O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado. “Acho que adoeci disso, de beleza, da intensidade das coisas.” (Raquel Jardim) De cobras, morcegos, bichos, de tudo ela tinha medo. Vocativo: (do latim vocare = chamar) é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou interpelar a pessoa, o animal ou a coisa personificada a que nos dirigimos: “Elesbão? Ó Elesbão! Venha ajudar-nos, por favor!” (Maria de Lourdes Teixeira) “A ordem, meus amigos, é a base do governo.” (Machado de Assis) “Correi, correi, ó lágrimas saudosas!” (Fagundes Varela) “Ei-lo, o teu defensor, ó Liberdade!” (Mendes Leal) Observação: Profere-se o vocativo com entoação exclamativa. Na escrita é separado por vírgula(s). No exemplo inicial, os pontos interrogativo e exclamativo indicam um chamado alto e prolongado. O vocativo se refere sempre à 2ª pessoa do discurso, que pode ser uma pessoa, um animal, uma coisa real ou entidade abstrata personificada. Podemos antepor-lhe uma interjeição de apelo (ó, olá, eh!): “Tem compaixão de nós , ó Cristo!” (Alexandre Herculano) “Ó Dr. Nogueira, mande-me cá o Padilha, amanhã!” (Graciliano Ramos) “Esconde-te, ó sol de maio, ó alegria do mundo!” (Camilo Castelo Branco) O vocativo é um tempo à parte. Não pertence à estrutura da oração, por isso não se anexa ao sujeito nem ao predicado. Questões 01. Assinale a alternativa correta: “para todos os males, há dois remédios: o tempo e o silêncio”, os termos grifados são respectivamente: (A) sujeito – objeto direto; 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 132 (B) sujeito– aposto; (C) objeto direto – aposto; (D) objeto direto – objeto direto; (E) objeto direto – complemento nominal. 02. (EEAR – Sargento Administração – Aeronáutica/2014). Assinale a alternativa em que o termo destacado é objeto indireto. (A) “Quem faz um poema abre uma janela.” (Mário Quintana) (B) “Toda gente que eu conheço e que fala comigo / Nunca teve um ato ridículo / Nunca sofreu enxovalho (...)” (Fernando Pessoa) (C) “Quando Ismália enlouqueceu / Pôs-se na torre a sonhar / Viu uma lua no céu, / Viu uma lua no mar.” (Alphonsus de Guimarães) (D) “Mas, quando responderam a Nhô Augusto: ‘– É a jagunçada de seu Joãozinho Bem-Bem, que está descendo para a Bahia.’ – ele, de alegre, não se pôde conter.” (Guimarães Rosa) 03. “Recebeu o prêmio o jogador que fez o gol”. Nessa frase o sujeito de “fez”? (A) o prêmio; (B) o jogador; (C) que; (D) o gol; (E) recebeu. 04. Assinale a alternativa correspondente ao período onde há predicativo do sujeito: (A) como o povo anda tristonho! (B) agradou ao chefe o novo funcionário; (C) ele nos garantiu que viria; (D) no Rio não faltam diversões; (E) o aluno ficou sabendo hoje cedo de sua aprovação. 05. (UFAL – Técnico de Laboratório – COPEVE/UFAL/2014) Numa noite em que voltei para casa muito bêbado de uma de minhas andanças pela cidade, achei que o gato evitava minha presença. POE, Edgar Allan. Histórias extraordinárias. São Paulo: Larousse Jovem, 2005. A oração “que o gato evitava minha presença”, sintaticamente, é (A) o sujeito do verbo “achar”. (B) um complemento verbal. (C) um complemento nominal. (D) um predicativo. (E) um aposto. 06. (UNIRIO - Analista de Tecnologia da Informação - Segurança da Informação - UNIRIO) Texto 1 Escravidão José Roberto Pinto de Góes Uma fonte histórica importante no estudo da escravidão no Brasil são os “relatos de viajantes”, geralmente de europeus que permaneciam algum tempo no Brasil e, depois, escreviam sobre o que haviam visto (ou entendido) nesses trópicos. Existem em maior número para o século XIX. Todos se espantaram com a onipresença da escravidão, dos escravos e de uma população livre, mulata e de cor preta. O reverendo Roberto Walsh, por exemplo, que desembarcou no Rio de Janeiro em finais da década de 1820, deixou o seguinte testemunho: "Estive apenas algumas horas em terra e pela primeira vez pude observar um negro africano sob os quatro aspectos da sociedade. Pareceu-me que em cada um deles seu caráter dependia da situação em que se encontrava e da consideração que tinham com ele. Como um escravo desprezado era muito inferior aos animais de carga... soldado, o negro era cuidadoso com a sua higiene pessoal, acessível à disciplina, hábil em seus treinamentos, com o porte e a constituição de um homem branco na mesma situação. Como cidadão, chamava a atenção pela aparência respeitável... E como padre... parecia até mais sincero em suas ideias, e mais correto em suas maneiras, do que seus companheiros brancos”. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 133 Em apenasalgumas horas caminhando pelo Rio de Janeiro, Walsh pôde ver, pela primeira vez (quantos lugares o reverendo terá visitado?), indivíduos de cor preta desempenhando diversos papéis: escravo, soldado, cidadão e padre. Isso acontecia porque a alforria era muito mais recorrente aqui do que em outras áreas escravistas da América, coisa que singularizou em muito a nossa história. Robert Walsh escreveu que os escravos eram inferiores aos animais de carga. Se quis dizer com isso que eram tratados e tidos como tal, acertou apenas pela metade. Tratados como animais de carga eram mesmo, aos olhos do reverendo e aos nossos, de hoje em dia. Mas é muito improvável que tenha sido esta a percepção dos proprietários de escravos. Não era. Eles sabiam que lidavam com seres humanos e não com animais. Com animais tudo é fácil. A um cavalo, se o adestra. A outro homem, faz-se necessário convencê-lo, todo santo dia, a se comportar como escravo. O chicote, o tronco, os ferros, o pelourinho, a concessão de pequenos privilégios e a esperança de um dia obter uma carta de alforria ajudaram o domínio senhorial no Brasil. Mas, me valendo mais uma vez de Joaquim Nabuco, o que contava mesmo, como ele disse, era a habilidade do senhor em infundir o medo, o terror, no espírito do escravo. O medo também era um sentimento experimentado pelos senhores, pois a qualquer hora tudo poderia ir pelos ares, seja pela sabotagem no trabalho (imagine um canavial pegando fogo ou a maquinaria do engenho quebrada), seja pelo puro e simples assassinato do algoz. Assim, uma espécie de acordo foi o que ordenou as relações entre senhores e escravos. Desse modo, os escravos puderam estabelecer limites relativos à proteção de suas famílias, de suas roças e de suas tradições culturais. Quando essas coisas eram ignoradas pelo proprietário, era problema na certa, que resultava quase sempre na fuga dos cativos. A contar contra a sorte dos escravos, porém, estava o tráfico transatlântico intermitente, jogando mais e mais estrangeiros, novatos, na população escrava. O tráfico tornava muito difícil que os limites estabelecidos pelos escravos à volúpia senhorial criassem raízes e virasse um costume incontestável. Fonte: GÓES, José Roberto Pinto de. Escravidão. [fragmento]. Biblioteca Nacional, Rede da Memória Virtual Brasileira. Disponível em http://bndigital.bn.br/redememoria/escravidao.html. Acesso em ago. 2012. Texto 2 A escrava Isaura Bernardo Guimarães Malvina aproximou-se de manso e sem ser pressentida para junto da cantora, colocando-se por detrás dela esperou que terminasse a última copla. -- Isaura!... disse ela pousando de leve a delicada mãozinha sobre o ombro da cantora. -- Ah! é a senhora?! - respondeu Isaura voltando-se sobressaltada. -- Não sabia que estava aí me escutando. -- Pois que tem isso?.., continua a cantar... tens a voz tão bonita!... mas eu antes quisera que cantasses outra coisa; por que é que você gosta tanto dessa cantiga tão triste, que você aprendeu não sei onde?... -- Gosto dela, porque acho-a bonita e porque... ah! não devo falar... -- Fala, Isaura. Já não te disse que nada me deves esconder, e nada recear de mim?... -- Porque me faz lembrar de minha mãe, que eu não conheci, coitada!... Mas se a senhora não gosta dessa cantiga, não a cantarei mais. Não gosto que a cantes, não, Isaura. Hão de pensar que és maltratada, que és uma escrava infeliz, vítima de senhores bárbaros e cruéis. Entretanto passas aqui uma vida que faria inveja a muita gente livre. Gozas da estima de teus senhores. Deram-te uma educação, como não tiveram muitas ricas e ilustres damas que eu conheço. És formosa, e tens uma cor linda, que ninguém dirá que gira em tuas veias uma só gota de sangue africano. Bem sabes quanto minha boa sogra antes de expirar te recomendava a mim e a meu marido. Hei de respeitar sempre as recomendações daquela santa mulher, e tu bem vês, sou mais tua amiga do que tua senhora. Oh! não; não cabe em tua boca essa cantiga lastimosa, que tanto gostas de cantar. -- Não quero, -- continuou em tom de branda repreensão, -- não quero que a cantes mais, ouviste, Isaura?... se não, fecho-te o meu piano. -- Mas, senhora, apesar de tudo isso, que sou eu mais do que uma simples escrava? Essa educação, que me deram, e essa beleza, que tanto me gabam, de que me servem?... são trastes de luxo colocados na senzala do africano. A senzala nem por isso deixa de ser o que é: uma senzala. -- Queixas-te da tua sorte, Isaura?... -- Eu não, senhora; não tenho motivo... o que quero dizer com isto é que, apesar de todos esses dotes e vantagens, que me atribuem, sei conhecer o meu lugar. Fonte: GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. [1ª ed. 1875]. Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro . Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000057.pdf. Acesso em ago.2012 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 134 Texto 3 Cotas:continuidade da Abolição Eloi Ferreira de Araújo Sancionada em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea foi responsável pela libertação de cerca de um milhão de escravos ainda existentes no País. Representou a longa campanha abolicionista de mais de 380 anos de lutas. No entanto, aos ex-cativos não foram assegurados os benefícios dados aos imigrantes, que tiveram a proteção especial do Estado Imperial e mais tarde da República. Foram mais de 122 anos desde a abolição, sem que nenhuma política pública propiciasse a inclusão dos negros na sociedade, os quais são cerca de 52% da população brasileira. A primeira lei que busca fazer com que o Estado brasileiro inicie a longa caminhada para a construção da igualdade de oportunidades entre negros e não negros só veio a ser sancionada, em 2010, depois de dez anos de tramitação. Trata-se do Estatuto da Igualdade Racial, que oferece as possibilidades, através da incorporação das ações afirmativas ao quadro jurídico nacional, de reparar as desigualdades que experimentam os pretos e pardos. Este segmento que compõe a nação tem em sua ascendência aqueles que, com o trabalho escravo, foram responsáveis pela pujança do capitalismo brasileiro, bem como são contribuintes marcantes da identidade nacional. Ressalte-se que não há correspondência na apropriação dos bens econômicos e culturais por parte dos descendentes de africanos na proporção de sua contribuição para o País. O Supremo Tribunal Federal foi instado a decidir sobre a adoção de cotas para pretos e pardos no ensino superior público, e também no privado, na medida em que o ProUni foi também levado a julgamento. A mais alta Corte do país decidiu que estas ações afirmativas são constitucionais. Estabeleceu assim, uma espécie de artigo 2º na Lei Áurea, para assegurar o ingresso de pretos e pardos nas universidades públicas brasileiras, e reconheceu a constitucionalidade também do ProUni. (...) O Brasil tem coragem de olhar para o passado e lançar sem medo as sementes de construção de um novo futuro. Desta forma, podemos interpretar que tivemos o fim da escravidão como o artigo primeiro do marco legal. A educação com aprovação das cotas para ingresso no ensino superior como o artigo segundo. Ainda faltam mais dispositivos que assegurem a terra e o trabalho com funções qualificadas. Daí então, em poucas décadas, e com a implementação das ações afirmativas, teremos de fato um Estado verdadeiramente democrático, em que todos, independentemente da cor da sua pele ou da sua etnia, poderão fruir de bens econômicos e culturais em igualdade de oportunidades. Fonte: Governo Federal. Fundação Cultural Palmares. Disponível em http://www.palmares.gov.br/cotas-continuidade-da-abolicao/. Acesso em ago. 201 O tráfico tornava muito difícil que os limites estabelecidos pelos escravos à volúpia senhorial criassem raízes e virasse um costume incontestável [Texto 1] No período acima, a função sintática do adjetivo grifado é: (A) Sujeito (B) Objeto direto (C) Predicativo do sujeito. (D) Complemento nominal (E) Predicativo do objeto direto 07. (EBSERH - Técnico em Citopatogia - INSTITUTO AOCP/2015) Sobre a Ansiedade por Karin Hueck [...] Processar os dados [...] se há um fator gerador de ansiedade que seja típico dos nossos tempos, esse é a informação. Sim, são as coisas que você lê todos os dias nos jornais, recebe por email e aprende na SUPER. Diariamente, há notícias de novos alimentos que causam câncer, de novos vírus mutantes que atacam o seu computador, de novos criminosos violentos que estão à solta por aí. É ou não é de enlouquecer? 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 135 A velocidadecom que a informação viaja o mundo é algo muito recente, com o qual os seres humanos ainda não sabem lidar – e muito menos aprenderam a filtrar. Já foram cunhados até alguns termos para definir a ansiedade trazida pelos novos meios de comunicação: technology related anxiety (ansiedade que surge quando o computador trava, que afeta 50% dos trabalhadores americanos), ringxiety (impressão de que o seu celular está tocando o tempo todo) e a ansiedade de estar desconectado da internet e não saber o que acontece no mundo, que já contaminou 68% dos americanos. [...] Poucas coisas mudaram tão rapidamente como a troca de informações. Em 1801, a notícia de que Portugal e Espanha estavam em guerra demorou 3 meses para chegar ao Rio Grande do Sul. Quando chegou, o capitão de armas do estado declarou guerra aos vizinhos espanhóis, sem saber que a batalha na Europa já tinha terminado. Em 2004, quando um tsunami devastou o litoral do Sudeste Asiático, os primeiros blogs já estavam dando detalhes da destruição em menos de duas horas. Hoje em dia, ficamos sabendo de todos os desastres naturais, todos os ataques terroristas e todos os acidentes de avião que acontecem ao redor do mundo, e nos sentimos vulneráveis. E, muito mais do que isso, nos sentimos incapazes se não sabemos palpitar sobre a música da moda, a eleição americana ou o acelerador de partículas na Suíça. Já que a informação está disponível, por que não sabemos de tudo um pouco? Essa avalanche de informação também causa outro tipo de neurose. O tempo todo, as TVs e revistas do mundo exibem corpos esculturais, executivos milionários e atletas de alto rendimento. Na comparação com essas pessoas, nós, reles mortais, sempre saímos perdendo. “Claro que nos comparamos com quem é bem sucedido e maravilhoso. Infelizmente, não estamos preparados para viver com um grupo de comparação tão grande, e o resultado é que ficamos ansiosos e com baixa autoestima", diz o filósofo Perring. O que ele quer dizer é que o ser humano sempre funciona na base da comparação. Ou seja, se todo mundo ao seu redor tiver o mesmo número de recursos, você não vai se sentir pior do que ninguém, mas, se, de repente, uma pessoa do seu lado ficar muito mais rica, bonita, feliz e bem sucedida, você vai se sentir infeliz. Quer dizer, podemos não sofrer mais com a falta de comida ou com doenças, mas sofremos porque não somos todos iguais ao Brad Pitt e a Angelina Jolie. Adaptado de http://super.abril.com.br/saude/ansiedade-447836.shtml Em “Poucas coisas mudaram tão rapidamente como a troca de informações.”, a expressão destacada (A) apresenta um erro de concordância. (B) é o sujeito simples da oração. (C) é o objeto direto da oração. (D) é o sujeito composto da oração. (E) é o objeto indireto da oração. Respostas 01. Resposta C O verbo haver (sentido de existir) é transitivo direto, seu complemento é o objeto direto que na frase apresenta-se por “dois remédios”. “O tempo e o silêncio” é o aposto explicativo de dois remédios. 02. Resposta D O verbo responder é transitivo indireto, responder a alguém ou a alguma coisa, seu completo é o objeto indireto que nesta frase expressa-se por “a Nhô Augusto”. 03. Resposta: C Na frase há duas orações: Oração 1: O jogador recebeu o prêmio. Oração 2: que fez o gol. Na primeira oração, o sujeito do verbo “recebeu” é “jogador”. Na segunda, o sujeito do verbo “fez” ´é o pronome relativo “que” que retorna ao sujeito “jogador” da primeira oração. 04. Resposta A O verbo “anda” exprime na frase um estado do sujeito, o estado de “tristonho”, deste modo, o vocábulo “tristonho” é o predicativo do sujeito. 05. Resposta B 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 136 A oração“que o gato evitava minha presença” completa o sentido do verbo “achei”, portanto, é um complemento verbal. 06. Resposta E O predicativo do objeto é o termo da oração que complementa e caracteriza, principalmente, o objeto direto, atribuindo-lhe uma qualidade. Pode caracterizar também o objeto indireto, sendo contudo mais raro, apenas utilizado com o verbo chamar. Aparece apenas com o predicado verbo-nominal. A função de predicativo do objeto pode ser desempenhada: - Por um adjetivo ou uma locução adjetiva: Exemplos: Ele a viu sorridente. Todos acusaram-no de desmotivado. - Por um substantivo: Exemplos: A direção elegeu-o presidente. Todos chamam-lhe mãe. Exemplos de predicativo do objeto direto: Nós consideramos esta funcionária dispensável. Ontem vi minha vizinha muito preocupada. Exemplos de predicativo do objeto indireto: Eu chamei-lhe de falsa. Os alunos chamaram-lhe incompetente. 07. Resposta B O verbo MUDAR é Transitivo, Intransitivo e Pronominal, não é um verbo fácil de se encontrar a regência certa, temos que analisar bem o contexto da frase. Neste caso ele tem sentido Intransitivo (ao meu ver, claro), o Sujeito "POUCAS COISAS" está sendo comparado com A TROCA DE INFORMAÇÕES, mas se isolarmos ele na frase, teríamos: "Poucos coisas mudaram". Ou "Poucas coisas se modificaram". Tente: "As (poucas) coisas se transformaram". Em todos esses exemplos o sentido do verbo mudar encerra-se em si mesmo não exigindo transitividade, logo não pode ter Objeto Direto (letra C), nem Objeto Indireto (letra E), e por ter só um verbo não pode ser Sujeito Composto (letra D), por fim não há nenhum erro do concordância (letra A), assim resta somente a Letra B. Período: Toda frase com uma ou mais orações constitui um período, que se encerra com ponto de exclamação, ponto de interrogação ou com reticências. O período é simples quando só traz uma oração, chamada absoluta; o período é composto quando traz mais de uma oração. Exemplo: Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta.); Quero que você aprenda. (Período composto.) Existe uma maneira prática de saber quantas orações há num período: é contar os verbos ou locuções verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele existentes. Exemplos: Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração) Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações) Está pegando fogo no prédio. (uma locução verbal, uma oração) Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas locuções verbais, duas orações) Há três tipos de período composto: por coordenação, por subordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo tempo (também chamada de misto). Período Composto por Coordenação – Orações Coordenadas Considere, por exemplo, este período composto: Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os tempos de infância. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 137 1ª oração:Passeamos pela praia 2ª oração: brincamos 3ª oração: recordamos os tempos de infância As três orações que compõem esse período têm sentido próprio e não mantêm entre si nenhuma dependência sintática: elas são independentes. Há entre elas, é claro, uma relação de sentido, mas, como já dissemos, uma não depende da outra sintaticamente. As orações independentes de um período são chamadas de orações coordenadas (OC), e o período formado só de orações coordenadas é chamado de período composto por coordenação. As orações coordenadas são classificadas em assindéticas e sindéticas. - As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando não vêm introduzidas por conjunção. Exemplo: Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram. OCA OCA OCA “Inclinei-me, apanhei o embrulho e segui.” (Machado de Assis) “A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta.” (Antônio Olavo Pereira) “O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra.” (Coelho Neto) - As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando vêm introduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo: O homem saiu do carro / e entrou na casa. OCA OCS As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com o sentido expresso pelas conjunções coordenativas que as introduzem. Pode ser: - Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda. Saí da escola / e fui à lanchonete. OCA OCS Aditiva Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição com referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa aditiva. A doença vem a cavalo e volta a pé. As pessoas não se mexiam nem falavam. “Não só findaram as queixas contra o alienista, mas até nenhum ressentimento ficou dos atos que ele praticara.” (Machado de Assis) - Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. Estudei bastante / mas não passei no teste. OCA OCS Adversativa Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de oposição à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa adversativa. A espada vence, mas não convence. “É dura a vida, mas aceitam-na.” (Cecília Meireles) Tens razão, contudo não te exaltes. Havia muito serviço, entretanto ninguém trabalhava. - Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por isso, pois, logo. Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão. OCA OCS Conclusiva Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que expressa ideia de conclusão de um fato enunciado na oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa conclusiva. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 138 Vives mentindo;logo, não mereces fé. Ele é teu pai: respeita-lhe, pois, a vontade. Raimundo é homem são, portanto deve trabalhar. - Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou,ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer. Seja mais educado / ou retire-se da reunião! OCA OCS Alternativa Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que estabelece uma relação de alternância ou escolha com referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa alternativa. Venha agora ou perderá a vez. “Jacinta não vinha à sala, ou retirava-se logo.” (Machado de Assis) “Em aviação, tudo precisa ser bem feito ou custará preço muito caro.” (Renato Inácio da Silva) “A louca ora o acariciava, ora o rasgava freneticamente.” (Luís Jardim) - Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, pois, porquanto. Vamos andar depressa / que estamos atrasados. OCA OCS Explicativa Observe que a 2ª oração é introduzida por uma conjunção que expressa ideia de explicação, de justificativa em relação à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa explicativa. Leve-lhe uma lembrança, que ela aniversaria amanhã. “A mim ninguém engana, que não nasci ontem.” (Érico Veríssimo) “Qualquer que seja a tua infância, conquista-a, que te abençoo.” (Fernando Sabino) O cavalo estava cansado, pois arfava muito. Questões 01. Relacione as orações coordenadas por meio de conjunções: (A) Ouviu-se o som da bateria. Os primeiros foliões surgiram. (B) Não durma sem cobertor. A noite está fria. (C) Quero desculpar-me. Não consigo encontrá-los. 02. Em: “... ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas...” a partícula como expressa uma ideia de: (A) causa (B) explicação (C) conclusão (D) proporção (E) comparação 03. “Entrando na faculdade, procurarei emprego”, oração sublinhada pode indicar uma ideia de: (A) concessão (B) oposição (C) condição (D) lugar (E) consequência 04. Assinale a sequência de conjunções que estabelecem, entre as orações de cada item, uma correta relação de sentido. 1. Correu demais, ... caiu. 2. Dormiu mal, ... os sonhos não o deixaram em paz. 3. A matéria perece, ... a alma é imortal. 4. Leu o livro, ... é capaz de descrever as personagens com detalhes. 5. Guarde seus pertences, ... podem servir mais tarde. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 139 (A) porque,todavia, portanto, logo, entretanto (B) por isso, porque, mas, portanto, que (C) logo, porém, pois, porque, mas (D) porém, pois, logo, todavia, porque (E) entretanto, que, porque, pois, portanto 05. Reúna as três orações em um período composto por coordenação, usando conjunções adequadas. Os dias já eram quentes. A água do mar ainda estava fria. As praias permaneciam desertas. 06. No período "Penso, logo existo", oração em destaque é: (A) coordenada sindética conclusiva (B) coordenada sindética aditiva (C) coordenada sindética alternativa (D) coordenada sindética adversativa (E) n.d.a 07. Por definição, oração coordenada que seja desprovida de conectivo é denominada assindética. Observando os períodos seguintes: I- Não caía um galho, não balançava uma folha. II- O filho chegou, a filha saiu, mas a mãe nem notou. III- O fiscal deu o sinal, os candidatos entregaram a prova. Acabara o exame. Nota-se que existe coordenação assindética em: (A) I apenas (B) II apenas (C) III apenas (D) I e III (E) nenhum deles 08. "Vivemos mais uma grave crise, repetitiva dentro do ciclo de graves crises que ocupa a energia desta nação. A frustração cresce e a desesperança não cede. Empresários empurrados à condição de liderança oficial se reúnem, em eventos como este, para lamentar o estado de coisas. O que dizer sem resvalar para o pessimismo, a crítica pungente ou a autoabsolvição? É da história do mundo que as elites nunca introduziram mudanças que favorecessem a sociedade como um todo. Estaríamos nos enganando se achássemos que estas lideranças empresariais aqui reunidas teriam motivação para fazer a distribuição de poderes e rendas que uma nação equilibrada precisa ter. Aliás, é ingenuidade imaginar que a vontade de distribuir renda passe pelo empobrecimento da elite. É também ocioso pensar que nós, de tal elite, temos riqueza suficiente para distribuir. Faço sempre, para meu desânimo, a soma do faturamento das nossas mil maiores e melhores empresas, e chego a um número menor do que o faturamento de apenas duas empresas japonesas. Digamos, a Mitsubishi e mais um pouquinho. Sejamos francos. Em termos mundiais somos irrelevantes como potência econômica, mas o mesmo tempo extremamente representativos como população." ("Discurso de Semler aos empresários", Folha de São Paulo) Dentre os períodos transcritos do texto acima, um é composto por coordenação e contém uma oração coordenada sindética adversativa. Assinalar a alternativa correspondente a este período: (A) A frustração cresce e a desesperança não cede. (B) O que dizer sem resvalar para o pessimismo, a crítica pungente ou a autoabsolvição. (C) É também ocioso pensar que nós, da tal elite, temos riqueza suficiente para distribuir. (D) Sejamos francos. (E) Em termos mundiais somos irrelevantes como potência econômica, mas ao mesmo tempo extremamente representativos como população. 09. “O tédio, portanto, foi um produto de luxo, e isso até tão recentemente que Baudelaire, para, há meio século e meio, descrevê-lo, comparou-se ao rei de um país chuvoso [...]” (linhas 33-35) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 140 O termodestacado apresenta uma ideia de: (A) causa. (B) concessão. (C) conclusão. (D) consequência. Respostas 01. Ouviu-se o som da bateria e os primeiros foliões surgiram. Não durma sem cobertor, pois a noite está fria. Quero desculpar-me, mais consigo encontrá-los. 02. Resposta E A conjunção como exercer a função comparativa. Os amplos bocejos ouvidos são comparados à força do marulhar das ondas. 03. Resposta C A condição necessária para procurar emprego é entrar na faculdade. 04. Resposta B Por isso – conjunção conclusiva. Porque – conjunção explicativa. Mas – conjunção adversativa. Portanto – conjunção conclusiva. Que – conjunção explicativa. 05. Os dias já eram quentes, mas a água do mar ainda estava fria, por isso as praias permaneciam desertas. 06. Resposta A A conjunção “logo” expressa a ideia de conclusão. Desta forma, a frase “logo existo” é a conclusão da frase inicial “Penso”. 07. Resposta D Períodos I e III não possuem conectivos Período II: conectivo “mas” 08. Resposta E Alternativa A: oração coordenada sindética aditiva: “e” Alternativa B: oração coordenada sindética alternativa: a crítica pungente ou a autoabsolvição Alternativa E: oração coordenada sindética adversativa: “mas” 09. Resposta C Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou dois termos de uma mesma oração. Neste caso a palavra “portanto” nos remete a uma oração coordenada conclusiva, que exprime ideia de conclusão ou consequência entre as orações. São elas: logo, pois (posposto ao verbo), portanto, assim, por isso, por conseguinte, então. Período Composto por Subordinação Observe os termos destacados em cada uma destas orações: Vi uma cena triste. (adjunto adnominal) Todos querem sua participação. (objeto direto) Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de causa) Veja, agora, como podemos transformar esses termos em orações com a mesma função sintática: Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada com função de adjunto adnominal) Todos querem / que você participe. (oração subordinada com função de objeto direto) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 141 Não pudesair / porque estava chovendo. (oração subordinada com função de adjunto adverbial de causa) Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma certa função sintática em relação à primeira, sendo, portanto, subordinada a ela. Quando um período é constituído de pelo menos um conjunto de duas orações em que uma delas (a subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele é classificado como período composto por subordinação. As orações subordinadas são classificadas de acordo com a função que exercem: adverbiais, substantivas e adjetivas. Orações Subordinadas Adverbiais As orações subordinadas adverbiais (OSA) são aquelas que exercem a função de adjunto adverbial da oração principal (OP). São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as introduz: - Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que, visto que. Não fui à escola / porque fiquei doente. OP OSA Causal O tambor soa porque é oco. Como não me atendessem, repreendi-os severamente. Como ele estava armado, ninguém ousou reagir. “Faltou à reunião, visto que esteve doente.” (Arlindo de Sousa) - Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a ocorrência do que foi enunciado na principal. Conjunções: se, contanto que, a menos que, a não ser que, desde que. Irei à sua casa / se não chover. OP OSA Condicional Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos ofensores. Se o conhecesses, não o condenarias. “Que diria o pai se soubesse disso?” (Carlos Drummond de Andrade) A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência tenha êxito. - Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração principal, sem, no entanto, impedir sua realização. Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que. Ela saiu à noite / embora estivesse doente. OP OSA Concessiva Admirava-o muito, embora (ou conquanto ou posto que ou se bem que) não o conhecesse pessoalmente. Embora não possuísse informações seguras, ainda assim arriscou uma opinião. Cumpriremos nosso dever, ainda que (ou mesmo quando ou ainda quando ou mesmo que) todos nos critiquem. Por mais que gritasse, não me ouviram. - Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo. O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado. OP OSA Conformativa O homem age conforme pensa. Relatei os fatos como (ou conforme) os ouvi. Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas. O jornal, como sabemos, é um grande veículo de informação. - Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao que foi expresso na oração principal. Conjunções: quando, assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 142 Ele saiuda sala / assim que eu cheguei. OP OSA Temporal Formiga, quando quer se perder, cria asas. “Lá pelas sete da noite, quando escurecia, as casas se esvaziam.” (Carlos Povina Cavalcânti) “Quando os tiranos caem, os povos se levantam.” (Marquês de Maricá) Enquanto foi rico, todos o procuravam. - Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de que, porque (=para que), que. Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar. OP OSA Final “O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.” (Marquês de Maricá) Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor. “Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis) (que = para que) “Instara muito comigo não deixasse de frequentar as recepções da mulher.” (Machado de Assis) (não deixasse = para que não deixasse) - Consecutivas: Expressam a consequência do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que, visto que. A chuva foi tão forte / que inundou a cidade. OP OSA Consecutiva Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos. “A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos.” (José J. Veiga) De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais. As notícias de casa eram boas, de maneira que pude prolongar minha viagem. - Comparativas: Expressam ideia de comparação com referência à oração principal. Conjunções: como, assim como, tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais). Ela é bonita / como a mãe. OP OSA Comparativa A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro.” (Marquês de Maricá) Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o ferro. Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram. Como a flor se abre ao Sol, assim minha alma se abriu à luz daquele olhar. Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam claramente o verbo, como no exemplo acima, em que está subentendido o verbo ser (como a mãe é). - Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona proporcionalmente ao que foi enunciado na principal. Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos. Quanto mais reclamava / menos atenção recebia. OSA Proporcional OP À medida que se vive, mais se aprende. À proporção que avançávamos, as casas iam rareando. O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai diminuindo. Orações Subordinadas Substantivas As orações subordinadas substantivas (OSS) são aquelas que, num período, exercem funções sintáticas próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se. Elas podem ser: - Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela que exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 143 O grupoquer / que você ajude. OP OSS Objetiva Direta O mestre exigia que todos estivessem presentes. (= O mestre exigia a presença de todos.) Mariana esperou que o marido voltasse. Ninguém pode dizer: Desta água não beberei. O fiscal verificou se tudo estava em ordem. - Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É aquela que exerce a função de objeto indireto do verbo da oração principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto indireto) Necessito / de que você me ajude. OP OSS Objetiva Indireta Não me oponho a que você viaje. (= Não me oponho à sua viagem.) Aconselha-o a que trabalhe mais. Daremos o prêmio a quem o merecer. Lembre-se de que a vida é breve. - Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Observe: É importante sua colaboração. (sujeito) É importante / que você colabore. OP OSS Subjetiva A oração subjetiva geralmente vem: - depois de um verbo de ligação + predicativo, em construções do tipo é bom, é útil, é certo, é conveniente, etc. Ex.: É certo que ele voltará amanhã. - depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta-se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu da cidade. - depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, ocorrer, quando empregados na 3ª pessoa do singular e seguidos das conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos participem da reunião. É necessário que você colabore. (= Sua colaboração é necessária.) Parece que a situação melhorou. Aconteceu que não o encontrei em casa. Importa que saibas isso bem. - Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É aquela que exerce a função de complemento nominal de um termo da oração principal. Observe: Estou convencido de sua inocência. (complemento nominal) Estou convencido / de que ele é inocente. OP OSS Completiva Nominal Sou favorável a que o prendam. (= Sou favorável à prisão dele.) Estava ansioso por que voltasses. Sê grato a quem te ensina. “Fabiano tinha a certeza de que não se acabaria tão cedo.” (Graciliano Ramos) - Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela que exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal, vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O importante é sua felicidade. (predicativo) O importante é / que você seja feliz. OP OSS Predicativa Seu receio era que chovesse. (Seu receio era a chuva.) Minha esperança era que ele desistisse. Meu maior desejo agora é que me deixem em paz. Não sou quem você pensa. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 144 - OraçãoSubordinada Substantiva Apositiva: É aquela que exerce a função de aposto de um termo da oração principal. Observe: Ele tinha um sonho: a união de todos em benefício do país. (aposto) Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício do país. OP OSS Apositiva Só desejo uma coisa: que vivam felizes. (Só desejo uma coisa: a sua felicidade) Só lhe peço isto: honre o nosso nome. “Talvez o que eu houvesse sentido fosse o presságio disto: de que virias a morrer...” (Osmã Lins) “Mas diga-me uma cousa, essa proposta traz algum motivo oculto?” (Machado de Assis) As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de dois-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas, intercaladas à oração principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho recuperasse a saúde, tornou-se realidade. Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as orações substantivas podem ser introduzidas por outros conectivos, tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos: Não sei quando ele chegou. Diga-me como resolver esse problema. Orações Subordinadas Adjetivas As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a função de adjunto adnominal de algum termo da oração principal. Observe como podemos transformar um adjunto adnominal em oração subordinada adjetiva: Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal) Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada adjetiva) As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por um pronome relativo (que , qual, cujo, quem, etc.) e podem ser classificadas em: - Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando restringem ou especificam o sentido da palavra a que se referem. Exemplo: O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar. OP OSA Restritiva Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica o sentido do substantivo cantor, indicando que o público não aplaudiu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º lugar. Pedra que rola não cria limo. Os animais que se alimentam de carne chamam-se carnívoros. Rubem Braga é um dos cronistas que mais belas páginas escreveram. “Há saudades que a gente nunca esquece.” (Olegário Mariano) - Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas quando apenas acrescentam uma qualidade à palavra a que se referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou especificá-lo. Exemplo: O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um novo livro. OP OSA Explicativa OP Deus, que é nosso pai, nos salvará. Valério, que nasceu rico, acabou na miséria. Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho. Alguém, que passe por ali à noite, poderá ser assaltado. Orações Reduzidas Observe que as orações subordinadas eram sempre introduzidas por uma conjunção ou pronome relativo e apresentavam o verbo numa forma do indicativo ou do subjuntivo. Além desse tipo de orações 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 145 subordinadas háoutras que se apresentam com o verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). Exemplos: - Ao entrar nas escola, encontrei o professor de inglês. (infinitivo) - Precisando de ajuda, telefone-me. (gerúndio) - Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. (particípio) As orações subordinadas que apresentam o verbo numa das formas nominais são chamadas de reduzidas. Para classificar a oração que está sob a forma reduzida, devemos procurar desenvolvê-la do seguinte modo: colocamos a conjunção ou o pronome relativo adequado ao sentido e passamos o verbo para uma forma do indicativo ou subjuntivo, conforme o caso. A oração reduzida terá a mesma classificação da oração desenvolvida. Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês. Quando entrei na escola, / encontrei o professor de inglês. OSA Temporal Ao entrar na escola: oração subordinada adverbial temporal, reduzida de infinitivo. Precisando de ajuda, telefone-me. Se precisar de ajuda, / telefone-me. OSA Condicional Precisando de ajuda: oração subordinada adverbial condicional, reduzida de gerúndio. Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. Assim que acabou o treino, / os jogadores foram para o vestiário. OSA Temporal Acabado o treino: oração subordinada adverbial temporal, reduzida de particípio. Observações: - Há orações reduzidas que permitem mais de um tipo de desenvolvimento. Há casos também de orações reduzidas fixas, isto é, orações reduzidas que não são passíveis de desenvolvimento. Exemplo: Tenho vontade de visitar essa cidade. - O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações reduzidas quando fazem parte de uma locução verbal. Exemplos: Preciso terminar este exercício. Ele está jantando na sala. Essa casa foi construída por meu pai. - Uma oração coordenada também pode vir sob a forma reduzida. Exemplo: O homem fechou a porta, saindo depressa de casa. O homem fechou a porta e saiu depressa de casa. (oração coordenada sindética aditiva) Saindo depressa de casa: oração coordenada reduzida de gerúndio. Qual é a diferença entre as orações coordenadas explicativas e as orações subordinadas causais, já que ambas podem ser iniciadas por que e porque? Às vezes não é fácil estabelecer a diferença entre explicativas e causais, mas como o próprio nome indica, as causais sempre trazem a causa de algo que se revela na oração principal, que traz o efeito. Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a oração explicativa e a precedente e que esta é, muitas vezes, imperativa, o que não acontece com a oração adverbial causal. Essa noção de causa e efeito não existe no período composto por coordenação. Exemplo: Rosa chorou porque levou uma surra. Está claro que a oração iniciada pela conjunção é causal, visto que a surra foi sem dúvida a causa do choro, que é efeito. Rosa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. O período agora é composto por coordenação, pois a oração iniciada pela conjunção traz a explicação daquilo que se revelou na coordena anterior. Não existe aí relação de causa e efeito: o fato de os olhos de Elisa estarem vermelhos não é causa de ela ter chorado. Ela fala / como falaria / se entendesse do assunto. OP OSA Comparativa OSA Condicional 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 146 Questões 01. (PC-ES– Escrivão de Polícia – VUNESP/2015) Ficção universitária Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem elementos para que tentemos desfazer o mito, que consta da Constituição, de que pesquisa e ensino são indissociáveis. É claro que universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas, produzir mais inovação e atrair os alunos mais qualificados, tornando-se assim instituições que se destacam também no ensino. O Ranking Universitário mostra essa correlação de forma cristalina: das 20 universidades mais bem avaliadas em termos de ensino, 15 lideram no quesito pesquisa (e as demais estão relativamente bem posicionadas). Das 20 que saem à frente em inovação, 15 encabeçam também a pesquisa. Daí não decorre que só quem pesquisa, atividade estupidamente cara, seja capaz de ensinar. O gasto médio anual por aluno numa das três universidades estaduais paulistas, aí embutidas todas as despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa pesquisa, incluindo inativos e aportes de Fapesp, CNPq e Capes, é de R$ 46 mil (dados de 2008). Ora, um aluno do ProUni custa ao governo algo em torno de R$ 1.000 por ano em renúncias fiscais. Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber que o país não dispõe de recursos para colocar os quase sete milhões de universitários em instituições com o padrão de investimento das estaduais paulistas. E o Brasil precisa aumentar rapidamente sua população universitária. Nossa taxa bruta de escolarização no nível superior beira os 30%, contra 59% do Chile e 63% do Uruguai. Isso para não mencionar países desenvolvidos como EUA (89%) e Finlândia (92%). Em vez de insistir na ficção constitucional de que todas as universidades do país precisam dedicar-se à pesquisa, faria mais sentido aceitar o mundo como ele é e distinguir entre instituições de elite voltadas para a produção de conhecimento e as que se destinam a difundi-lo. O Brasil tem necessidade de ambas. (Hélio Schwartsman. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br, 10.09.2013. Adaptado) Considere o seguinte trecho do texto. Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem elementos para que tentemos desfazer o mito... Assinale a alternativa em que os pronomes que substituem as expressões em destaque estão corretamente empregados, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. (A) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-lhes para que tentemos desfazer-lhe.. (B) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-lhes para que tentemos desfazê-lo... (C) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-nos para que tentemos desfazê-lo.. (D) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-nos para que tentemos desfazer-lhe.. (E) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem-os para que tentemos desfazer-no.. 02. (CESP – Gari e Operador de Roçadeira– CLIN/2015). Leia o texto abaixo e responda ao que se pede. Existe no Oceano Pacífico uma ilha feita de duas montanhas. É como se alguém tivesse colado dois grandes montes de terra no meio do mar. A maior chama-se Tristeza e a menor, Alegria. Dizem que há muitos anos atrás a Alegria era maior e mais alta que a Tristeza. Dizem também que, por causa de um terremoto, parte da Alegria caiu no mar e afundou, deixando a montanha do jeito que está hoje. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 147 Ninguém sabese isso é mesmo verdade. Verdade é que ao pé desses dois cumes, exatamente onde eles se encontram, moram uma menina chamada Aleteia e sua avó. Aleteia e a avó são como as montanhas: duas pessoas que estão sempre juntas. Hoje Aleteia é menor, mais baixa que sua avó; acontece que daqui a algum tempo, ninguém sabe quando, Aleteia vai acordar e estará mais alta que a avó. Aleteia vai crescer e eu acho que, quando esse dia chegar, elas ainda estarão juntas. Igual às montanhas da ilha. Um dia Aleteia perguntou: “Vovó, quem fez o mundo?”, e sua avó respondeu: “Deus”. - Todo ele? - Sim, todo. - Sozinho? - Sim, sozinho. Aleteia saiu da sala com aquela conversa na cabeça. Não estava convencida. Pensou muito a respeito do assunto. Para raciocinar melhor, saiu para caminhar e caminhou muito pela ilha. Pensava sozinha, pensava em voz alta e começou a dividir seus pensamentos com as coisas que lhe apareciam pelo caminho: folhas, árvores, pedras, formigas, grilos, etc. Deus tinha criado o mundo sozinho? (KOMATSU, Henrique. A menina que viu Deus. p.3-6, formato eletrônico, fragmento.) Na frase “Aleteia e a avó são como as montanhas:”, o pronome que substitui corretamente a expressão grifada é: (A) ela. (B) eles. (C) nós. (D) elas. 03. Assinale a alternativa correspondente ao período onde há predicativo do sujeito: (A) como o povo anda tristonho! (B) agradou ao chefe o novo funcionário; (C) ele nos garantiu que viria; (D) no Rio não faltam diversões; (E) o aluno ficou sabendo hoje cedo de sua aprovação. 04. (TRE/RR - Técnico Judiciário - Operação de Computadores - FCC/2015) É indiscutível que no mundo contemporâneo o ambiente do futebol é dos mais intensos do ponto de vista psicológico. Nos estádios a concentração é total. Vive-se ali situação de incessante dialética entre o metafórico e o literal, entre o lúdico e o real. O que varia conforme o indivíduo considerado é a passagem de uma condição a outra. Passagem rápida no caso do torcedor, cuja regressão psíquica do lúdico dura algumas horas e funciona como escape para as pressões do cotidiano. Passagem lenta no caso do futebolista profissional, que vive quinze ou vinte anos em ambiente de fantasia, que geralmente torna difícil a inserção na realidade global quando termina a carreira. A solução para muitos é a reconversão em técnico, que os mantém sob holofote. Lothar Matthäus, por exemplo, recordista de partidas em Copas do Mundo, com a seleção alemã, Ballon d’Or de 1990, tornou-se técnico porque “na verdade, para mim, o futebol é mais importante do que a família”. [...] Sendo esporte coletivo, o futebol tem implicações e significações psicológicas coletivas, porém calcadas, pelo menos em parte, nas individualidades que o compõem. O jogo é coletivo, como a vida social, porém num e noutra a atuação de um só indivíduo pode repercutir sobre o todo. Como em qualquer sociedade, na do futebol vive-se o tempo inteiro em equilíbrio precário entre o indivíduo e o grupo. O jogador busca o sucesso pessoal, para o qual depende em grande parte dos companheiros; há um sentimento de equipe, que depende das qualidades pessoais de seus membros. O torcedor lúcido busca o prazer do jogo preservando sua individualidade; todavia, a própria condição de torcedor acaba por diluí- lo na massa. (JÚNIOR, Hilário Franco. A dança dos deuses: futebol, cultura, sociedade. São Paulo: Companhia das letras, 2007, p. 303-304, com adaptações) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 148 *Ballon d’Or1990 - prêmio de melhor jogador do ano O jogador busca o sucesso pessoal ... A mesma relação sintática entre verbo e complemento, sublinhados acima, está em: (A) É indiscutível que no mundo contemporâneo... (B) ... o futebol tem implicações e significações psicológicas coletivas ... (C) ... e funciona como escape para as pressões do cotidiano. (D) A solução para muitos é a reconversão em técnico ... (E) ... que depende das qualidades pessoais de seus membros. 05. (MPE/PB - Técnico ministerial - diligências e apoio administrativo - FCC/2015) O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. O Tejo tem grandes navios E navega nele ainda, Para aqueles que veem em tudo o que lá não está, A memória das naus. O Tejo desce de Espanha E o Tejo entra no mar em Portugal Toda a gente sabe isso. Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia E para onde ele vai E donde ele vem E por isso, porque pertence a menos gente, É mais livre e maior o rio da minha aldeia. Pelo Tejo vai-se para o Mundo Para além do Tejo há a América E a fortuna daqueles que a encontram Ninguém nunca pensou no que há para além Do rio da minha aldeia. O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele. (Alberto Caeiro) E o Tejo entra no mar em Portugal O elemento que exerce a mesma função sintática que o sublinhado acima encontra-se em (A) a fortuna. (4a estrofe) (B) A memória das naus. (2a estrofe) (C) grandes navios. (2a estrofe) (D) menos gente. (3a estrofe) (E) a América. (4a estrofe) Respostas 01. Resposta C - Se o verbo terminar em som nasal (am, em, -ão), os pronomes assumem a forma NO, NA, NOS, NAS. Exemplo: Praticam » praticam-nas. Dispõe » dispõe-nos. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 149 - Seo verbo terminar em R, S, ou Z, perde essas consoantes e os pronomes assumem a forma LO, LA, LOS, LAS. Exemplo: Compôs » compô-lo. Perder » perdê-lo. 02. Resposta E Pronomes pessoais do caso reto são aqueles que substituem os substantivos, assumindo maioritariamente a função de sujeito da oração. Podem, contudo, assumir também a função de predicativo do sujeito. Os pronomes pessoais do caso reto indicam ainda as pessoas do discurso, ou seja, quem fala (eu e nós), com quem se fala (tu e vós) e de quem se fala (ele, ela, eles, elas). 03. Resposta A O verbo “anda” exprime na frase um estado do sujeito, o estado de “tristonho”, deste modo, o vocábulo “tristonho” é o predicativo do sujeito. 04. Resposta B O jogador busca o sucesso pessoal ... SUJEITO - VERBO TRANSITIVO DIRETO - OBJETO DIRETO a) É indiscutível que no mundo contemporâneo... VERBO DE LIGAÇÃO - PREDICATIVO DO SUJEITO - SUJEITO ORACIONAL. -->b) .. o futebol tem implicações e significações psicológicas coletivas ... SUJEITO - VERBO TRANST. DIRETO - OBJETO DIRETO. c) e funciona como escape para as pressões do cotidiano. SUJEITO - VERBO TRANS. INDIRETO - OBJETO INDIRETO d) A solução para muitos é a reconversão em técnico ... SUJEITO - VERBO DE LIGAÇÃO - e) que depende das qualidades pessoais de seus membros. SUJEITO - VERBO TRANS. INDIRETO - OBJ. INDIRETO 05. Resposta B "O fragmento O TEJO TEM GRANDES NAVIOS E NAVEGA NELE AINDA, PARA AQUELES QUE VEEM EM TUDO O QUE LÁ NÃO ESTÁ, A MEMÓRIA DAS NAUS está em ordem indireta. Ao inserir A MEMÓRIA DAS NAUS entre a conjunção E e o verbo NAVEGA, tem-se: O TEJO TEM GRANDES NAVIOS E A MEMÓRIA DAS NAUS NAVEGA NELE AINDA. Constrói-se, pois, a função sintática de sujeito." Concordância Nominal e Verbal A concordância consiste no mecanismo que leva as palavras a adequarem-se umas às outras harmonicamente na construção frasal. É o princípio sintático segundo o qual as palavras dependentes se harmonizam, nas suas flexões, com as palavras de que dependem. “Concordar” significa “estar de acordo com”. Assim, na concordância, tanto nominal quanto verbal, os elementos que compõem a frase devem estar em consonância uns com os outros. Essa concordância poderá ser feita de duas formas: gramatical ou lógica (segue os padrões gramaticais vigentes); atrativa ou ideológica (dá ênfase a apenas um dos vários elementos, com valor estilístico). Concordância Nominal: adequação entre o substantivo e os elementos que a ele se referem (artigo, pronome, adjetivo). Concordância Verbal: variação do verbo, conformando-se ao número e à pessoa do sujeito. Concordância Nominal Concordância do adjetivo adjunto adnominal: a concordância do adjetivo, com a função de adjunto adnominal, efetua-se de acordo com as seguintes regras gerais: O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Exemplo: O alto ipê cobre-se de flores amarelas. O adjetivo que se refere a mais de um substantivo de gênero ou número diferentes, quando posposto, poderá concordar no masculino plural (concordância mais aconselhada), ou com o substantivo mais próximo. Exemplo: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 150 - Nomasculino plural: “Tinha as espáduas e o colo feitos de encomenda para os vestidos decotados.” (Machado de Assis) “Os arreios e as bagagens espalhados no chão, em roda.” (Herman Lima) “Ainda assim, apareci com o rosto e as mãos muito marcados.” (Carlos Povina Cavalcânti) “...grande número de camareiros e camareiras nativos.” (Érico Veríssimo) - Com o substantivo mais próximo: A Marinha e o Exército brasileiro estavam alerta. Músicos e bailarinas ciganas animavam a festa. “...toda ela (a casa) cheirando ainda a cal, a tinta e a barro fresco.” (Humberto de Campos) “Meu primo estava saudoso dos tempos da infância e falava dos irmãos e irmãs falecidas.” (Luís Henrique Tavares) - Anteposto aos substantivos, o adjetivo concorda, em geral, com o mais próximo: “Escolhestes mau lugar e hora...” (Alexandre Herculano) “...acerca do possível ladrão ou ladrões.” (Antônio Calado) Velhas revistas e livros enchiam as prateleiras. Velhos livros e revistas enchiam as prateleiras. Seguem esta regra os pronomes adjetivos: A sua idade, sexo e profissão.; Seus planos e tentativas.; Aqueles vícios e ambições.; Por que tanto ódio e perversidade?; “Seu Príncipe e filhos”. Muitas vezes é facultativa a escolha desta ou daquela concordância, mas em todos os casos deve subordinar-se às exigências da eufonia, da clareza e do bom gosto. - Quando dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo substantivo determinado pelo artigo, ocorrem dois tipos de construção, um e outro legítimos. Exemplos: Estudo as línguas inglesa e francesa. Estudo a língua inglesa e a francesa. Os dedos indicador e médio estavam feridos. O dedo indicador e o médio estavam feridos. - Os adjetivos regidos da preposição de, que se referem a pronomes neutros indefinidos (nada, muito, algo, tanto, que, etc.), normalmente ficam no masculino singular: Sua vida nada tem de misterioso. Seus olhos têm algo de sedutor. Todavia, por atração, podem esses adjetivos concordar com o substantivo (ou pronome) sujeito: “Elas nada tinham de ingênuas.” (José Gualda Dantas) Concordância do adjetivo predicativo com o sujeito: a concordância do adjetivo predicativo com o sujeito realiza-se consoante as seguintes normas: - O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito simples: A ciência sem consciência é desastrosa. Os campos estavam floridos, as colheitas seriam fartas. É proibida a caça nesta reserva. - Quando o sujeito é composto e constituído por substantivos do mesmo gênero, o predicativo deve concordar no plural e no gênero deles: O mar e o céu estavam serenos. A ciência e a virtude são necessárias. “Torvos e ferozes eram o gesto e os meneios destes homens sem disciplina,” (Alexandre Herculano) - Sendo o sujeito composto e constituído por substantivos de gêneros diversos, o predicativo concordará no masculino plural: O vale e a montanha são frescos. “O céu e as árvores ficariam assombrados.” (Machado de Assis) Longos eram os dias e as noites para o prisioneiro. “O César e a irmã são louros.” (Antônio Olinto) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 151 - Seo sujeito for representado por um pronome de tratamento, a concordância se efetua com o sexo da pessoa a quem nos referimos: Vossa Senhoria ficará satisfeito, eu lhe garanto. “Vossa Excelência está enganado, Doutor Juiz.” (Ariano Suassuna) Vossas Excelências, senhores Ministros, são merecedores de nossa confiança. Vossa Alteza foi bondoso. (com referência a um príncipe) O predicativo aparece às vezes na forma do masculino singular nas estereotipadas locuções é bom, é necessário, é preciso, etc., embora o sujeito seja substantivo feminino ou plural: Bebida alcoólica não é bom para o fígado. “Água de melissa é muito bom.” (Machado de Assis) “É preciso cautela com semelhantes doutrinas.” (Camilo Castelo Branco) “Hormônios, às refeições, não é mau.” (Aníbal Machado) Observe-se que em tais casos o sujeito não vem determinado pelo artigo e a concordância se faz não com a forma gramatical da palavra, mas com o fato que se tem em mente: Tomar hormônios às refeições não é mau. É necessário ter muita fé. Havendo determinação do sujeito, ou sendo preciso realçar o predicativo, efetua-se a concordância normalmente: É necessária a tua presença aqui. (= indispensável) “Se eram necessárias obras, que se fizessem e largamente.” (Eça de Queirós) “Seriam precisos outros três homens.” (Aníbal Machado) “São precisos também os nomes dos admiradores.” (Carlos de Laet) Concordância do predicativo com o objeto: A concordância do adjetivo predicativo com o objeto direto ou indireto subordina-se às seguintes regras gerais: - O adjetivo concorda em gênero e número com o objeto quando este é simples: Vi ancorados na baía os navios petrolíferos. “Olhou para suas terras e viu-as incultas e maninhas.” (Carlos de Laet) O tribunal qualificou de ilegais as nomeações do ex-prefeito. A noite torna visíveis os astros no céu límpido. - Quando o objeto é composto e constituído por elementos do mesmo gênero, o adjetivo se flexiona no plural e no gênero dos elementos: A justiça declarou criminosos o empresário e seus auxiliares. Deixe bem fechadas a porta e as janelas. - Sendo o objeto composto e formado de elementos de gênero diversos, o adjetivo predicativo concordará no masculino plural: Tomei emprestados a régua e o compasso. Achei muito simpáticos o príncipe e sua filha. “Vi setas e carcás espedaçados”. (Gonçalves Dias) Encontrei jogados no chão o álbum e as cartas. - Se anteposto ao objeto, poderá o predicativo, neste caso, concordar com o núcleo mais próximo: É preciso que se mantenham limpas as ruas e os jardins. Segue as mesmas regras o predicativo expresso pelos substantivos variáveis em gênero e número: Temiam que as tomassem por malfeitoras; Considero autores do crime o comerciante e sua empregada. Concordância do particípio passivo: Na voz passiva, o particípio concorda em gênero e número com o sujeito, como os adjetivos: Foi escolhida a rainha da festa. Foi feita a entrega dos convites. Os jogadores tinham sido convocados. O governo avisa que não serão permitidas invasões de propriedades. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 152 Quando onúcleo do sujeito é, como no último exemplo, um coletivo numérico, pode-se, em geral, efetuar a concordância com o substantivo que o acompanha: Centenas de rapazes foram vistos pedalando nas ruas; Dezenas de soldados foram feridos em combate. Referindo-se a dois ou mais substantivos de gênero diferentes, o particípio concordará no masculino plural: Atingidos por mísseis, a corveta e o navio foram a pique; “Mas achei natural que o clube e suas ilusões fossem leiloados.” (Carlos Drummond de Andrade) Concordância do pronome com o nome: - O pronome, quando se flexiona, concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere: “Martim quebrou um ramo de murta, a folha da tristeza, e deitou-o no jazido de sua esposa”. (José de Alencar) “O velho abriu as pálpebras e cerrou-as logo.” (José de Alencar) - O pronome que se refere a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes, flexiona-se no masculino plural: “Salas e coração habita-os a saudade”” (Alberto de Oliveira) “A generosidade, o esforço e o amor, ensinaste-os tu em toda a sua sublimidade.” (Alexandre Herculano) Conheci naquela escola ótimos rapazes e moças, com os quais fiz boas amizades. “Referi-me à catedral de Notre-Dame e ao Vesúvio familiarmente, como se os tivesse visto.” (Graciliano Ramos) Os substantivos sendo sinônimos, o pronome concorda com o mais próximo: “Ó mortais, que cegueira e desatino é o nosso!” (Manuel Bernardes) - Os pronomes um... outro, quando se referem a substantivos de gênero diferentes, concordam no masculino: Marido e mulher viviam em boa harmonia e ajudavam-se um ao outro. “Repousavam bem perto um do outro a matéria e o espírito.” (Alexandre Herculano) Nito e Sônia casaram cedo: um por amor, o outro, por interesse. A locução um e outro, referida a indivíduos de sexos diferentes, permanece também no masculino: “A mulher do colchoeiro escovou-lhe o chapéu; e, quando ele [Rubião] saiu, um e outro agradeceram-lhe muito o benefício da salvação do filho.” (Machado de Assis) O substantivo que se segue às locuções um e outro e nem outro fica no singular. Exemplos: Um e outro livro me agradaram; Nem um nem outro livro me agradaram. Outros casos de concordância nominal: Registramos aqui alguns casos especiais de concordância nominal: - Anexo, incluso, leso. Como adjetivos, concordam com o substantivo em gênero e número: Anexa à presente, vai a relação das mercadorias. Vão anexos os pareceres das comissões técnicas. Remeto-lhe, anexas, duas cópias do contrato. Remeto-lhe, inclusa, uma fotocópia do recibo. Os crimes de lesa-majestade eram punidos com a morte. Ajudar esses espiões seria crime de lesa-pátria. Observação: Evite a locução em anexo. - A olhos vistos. Locução adverbial invariável. Significa visivelmente. “Lúcia emagrecia a olhos vistos”. (Coelho Neto) “Zito envelhecia a olhos vistos.” (Autren Dourado) - Só. Como adjetivo, só [sozinho, único] concorda em número com o substantivo. Como palavra denotativa de limitação, equivalente de apenas, somente, é invariável. Eles estavam sós, na sala iluminada. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 153 Esses doislivros, por si sós, bastariam para torná-los célebre. Elas só passeiam de carro. Só eles estavam na sala. Forma a locução a sós [=sem mais companhia, sozinho]: Estávamos a sós. Jesus despediu a multidão e subiu ao monte para orar a sós. - Possível. Usado em expressões superlativas, este adjetivo ora aparece invariável, ora flexionado: “A volta, esperava-nos sempre o almoço com os pratos mais requintados possível.” (Maria Helena Cardoso) “Estas frutas são as mais saborosas possível.” (Carlos Góis) “A mania de Alice era colecionar os enfeites de louça mais grotescos possíveis.” (ledo Ivo) “... e o resultado obtido foi uma apresentação com movimentos os mais espontâneos possíveis.” (Ronaldo Miranda) Como se vê dos exemplos citados, há nítida tendência, no português de hoje, para se usar, neste caso, o adjetivo possível no plural. O singular é de rigor quando a expressão superlativa inicia com a partícula o (o mais, o menos, o maior, o menor, etc.) Os prédios devem ficar o mais afastados possível. Ele trazia sempre as unhas o mais bem aparadas possível. O médico atendeu o maior número de pacientes possível. - Adjetivos adverbiados. Certos adjetivos, como sério, claro, caro, barato, alto, raro, etc., quando usados com a função de advérbios terminados em – mente, ficam invariáveis: Vamos falar sério. [sério = seriamente] Penso que falei bem claro, disse a secretária. Esses produtos passam a custar mais caro. [ou mais barato] Estas aves voam alto. [ou baixo] Junto e direto ora funcionam como adjetivos, ora como advérbios: “Jorge e Dante saltaram juntos do carro.” (José Louzeiro) “Era como se tivessem estado juntos na véspera.” (Autram Dourado). “Elas moram junto há algum tempo.” (José Gualda Dantas) “Foram direto ao galpão do engenheiro-chefe.” (Josué Guimarães) - Todo. No sentido de inteiramente, completamente, costuma-se flexionar, embora seja advérbio: Esses índios andam todos nus. Geou durante a noite e a planície ficou toda (ou todo) branca. As meninas iam todas de branco. A casinha ficava sob duas mangueiras, que a cobriam toda. Mas admite-se também a forma invariável: Fiquei com os cabelos todo sujos de terá. Suas mãos estavam todo ensanguentadas. - Alerta. Pela sua origem, alerta (=atentamente, de prontidão, em estado de vigilância) é advérbio e, portanto, invariável: Estamos alerta. Os soldados ficaram alerta. “Todos os sentidos alerta funcionam.” (Carlos Drummond de Andrade) “Os brasileiros não podem deixar de estar sempre alerta.” (Martins de Aguiar) Contudo, esta palavra é, atualmente, sentida antes como adjetivo, sendo, por isso, flexionada no plural: Nossos chefes estão alertas. (=vigilantes) Papa diz aos cristãos que se mantenham alertas. “Uma sentinela de guarda, olhos abertos e sentidos alertas, esperando pelo desconhecido...” (Assis Brasil, Os Crocodilos, p. 25) - Meio. Usada como advérbio, no sentido de um pouco, esta palavra é invariável. Exemplos: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 154 A portaestava meio aberta. As meninas ficaram meio nervosas. Os sapatos eram meio velhos, mas serviam. - Bastante. Varia quando adjetivo, sinônimo de suficiente: Não havia provas bastantes para condenar o réu. Duas malas não eram bastantes para as roupas da atriz. Fica invariável quando advérbio, caso em que modifica um adjetivo: As cordas eram bastante fortes para sustentar o peso. Os emissários voltaram bastante otimistas. “Levi está inquieto com a economia do Brasil. Vê que se aproximam dias bastante escuros.” (Austregésilo de Ataíde) - Menos. É palavra invariável: Gaste menos água. À noite, há menos pessoas na praça. Questões 01. (TJ/SC - Analista Jurídico – TJ/SC) Indique o uso INCORRETO da concordância verbal ou nominal: (A) Será descontada em folha sua contribuição sindical. (B) Na última reunião, ficou acordado que se realizariam encontros semanais com os diversos interessados no assunto. (C) Alguma solução é necessária, e logo! (D) Embora tenha ficado demonstrado cabalmente a ocorrência de simulação na transferência do imóvel, o pedido não pode prosperar. (E) A liberdade comercial da colônia, somada ao fato de D. João VI ter também elevado sua colônia americana à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, possibilitou ao Brasil obter certa autonomia econômica. 02. (TJ/SC - Analista Jurídico – TJ/SC) Aponte a alternativa em que NÃO ocorre silepse (de gênero, número ou pessoa): (A) “A gente é feito daquele tipo de talento capaz de fazer a diferença.” (B) Todos sabemos que a solução não é fácil. (C) Essa gente trabalhadora merecia mais, pois acordam às cinco horas para chegar ao trabalho às oito da manhã. (D) Todos os brasileiros sabem que esse problema vem de longe... (E) Senhor diretor, espero que Vossa Senhoria seja mais compreensivo. 03. (CEMIG/TELECOM – Técnico Administrativo - FUMARC) A concordância nominal está INCORRETA em: (A) A mídia julgou desnecessária a campanha e o envolvimento da empresa. (B) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa desnecessária. (C) A mídia julgou desnecessário o envolvimento da empresa e a campanha. (D) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa desnecessárias. 04. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos parênteses. (A) Será que é ____ essa confusão toda? (necessário/ necessária) (B) Quero que todos fiquem ____. (alerta/ alertas) (C) Houve ____ razões para eu não voltar lá. (bastante/ bastantes) (D) Encontrei ____ a sala e os quartos. (vazia/vazios) (E) A dona do imóvel ficou ____ desiludida com o inquilino. (meio/ meia) 05. (PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO – GUARDA MUNICIPAL – FJG RIOI/2013) Quanto à concordância nominal, verifica-se ERRO em: (A) O texto fala de uma época e de um assunto polêmicos. (B) Tornou-se clara para o leitor a posição do autor sobre o assunto. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 155 (C) Constata-sehoje a existência de homem, mulher e criança viciadas. (D) Não será permitido visita de amigos, apenas a de parentes. 06. (AL TO - ASSISTENTE LEGISLATIVO - PROGRAMAÇÃO DE COMPUTADORES – CESGRANRIO) Texto I Conta-se que, certa vez, ligaram para Brasília uns cientistas americanos intrigados com o que viram em algumas fotos de satélite. Eles queriam saber o que havia na região ao norte do Distrito Federal, porque as imagens mostravam um brilho intenso naquelas coordenadas, algo muito incomum. Bem, esse telefonema pode nem ter ocorrido, mas o certo é que a Chapada dos Veadeiros, a 230 quilômetros de Brasília, está sobre uma das mais generosas jazidas de cristal de que se tem notícia. Os tais cientistas americanos, caso tenham ligado mesmo, não estavam descobrindo nenhuma América, pois durante longo tempo a garimpagem do cristal movimentou a Chapada e seus arredores. Esse minério translúcido servia como matéria-prima para fabricação de componentes eletrônicos e de computador, em vista de sua altíssima condutividade. Com o tempo, os pesquisadores desenvolveram outros materiais em laboratório e o cava-cava acabou. Os místicos falam que há uma gigantesca placa de cristal sob toda a região. E sobre ela, como você pode imaginar, uma gigantesca massa de místicos. Atraídos pela inegável atmosfera divinal da Chapada, que é um manancial de água e luz (a solar, ok?) e com visuais que chamam à contemplação, milhares de terapeutas, psicólogos, massagistas e líderes espirituais se mudaram para lá, o que faz de Alto Paraíso e da vizinha vila de São Jorge um "território alto-astral" de fama internacional. RODRIGUES, Otávio. Viagem, Edição Especial (Ecoturismo)Ed. Abril - Edição 108-A. Marque a frase em que a concordância nominal está correta. (A) Imagens e telefonemas diárias intrigavam os pesquisadores. (B) A garimpagem é proibido naquela região. (C) Havia místicos e pesquisadoras interessados no lugar. (D) Fotos e imagens eram a mesma de sempre. (E) A cidade crescia rapidamente, a olho vistos. 07. Aponte o erro de concordância nominal. (A) Andei por longes terras. (B) Ela chegou toda machucada. (C) Carla anda meio aborrecida. (D) Elas não progredirão por si mesmo. (E) Ela própria nos procurou. 08. Assinale o erro de concordância nominal. (A) – Muito obrigada, disse ela. (B) Só as mulheres foram interrogadas. (C) Eles estavam só. (D) Já era meio-dia e meia. (E) Sós, ficaram tristes. Respostas 01. Resposta D A alternativa “D” é a correta porque o correto é “...tenha ficado demonstrada cabalmente a ocorrência...”. 02. Resposta D A alternativa “D” é a correta porque não houve silepse, pois a concordância foi feita pelas classes gramaticais. As outras alternativas apresentaram concordância com a ideia, com o significado que as palavras representam. (podem ser de gênero, número, pessoa). 03. Resposta B O correto seria: A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa desnecessárias 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 156 O adjetivoconcorda com os dois substantivos femininos: campanha e atuação da empresa 04. a) necessária b) alerta c) bastantes d) vazia e) meio 05. Resposta C SUBSTANTIVO (homem)+ SUBSTANTIVO (mulher)+ SUBSTANTIVO (criança) +ADJETIVO Caso exista um substantivo masculino, deverá prevalecer o adjetivo no masculino 06. Resposta C Alternativa A: precisa concordar com o mais próximo – telefonemas é masculino, portanto, “imagens e telefonemas diários” Alternativa B: garimpagem é substantivo feminino: “A garimpagem é proibida” Alternativa C: Místicos: substantivo masculino Pesquisadoras: substantivo feminino O adjetivo “interessados” está posposto aos substantivos, portanto, prevalece a forma masculina no plural. Alternativa D: “Fotos e imagens eram AS MESMAS de sempre” Alternativa E: “a OLHOS vistos” 07. Resposta D “Elas não progredirão por si MESMAS” 08. Resposta C Na frase, o vocábulo “só” tem função de adjetivo, desta forma, deve concordar com o substantivo “eles”. Assim: Eles estavam SÓS Concordância Verbal O verbo concorda com o sujeito, em harmonia com as seguintes regras gerais: - O sujeito é simples: O sujeito sendo simples, com ele concordará o verbo em número e pessoa. Exemplos: Verbo depois do sujeito: “As saúvas eram uma praga.” (Carlos Povina Cavalcânti) “Tu não és inimiga dele, não? (Camilo Castelo Branco) “Vós fostes chamados à liberdade, irmãos.” (São Paulo) Verbo antes do sujeito: Acontecem tantas desgraças neste planeta! Não faltarão pessoas que nos queiram ajudar. A quem pertencem essas terras? - O sujeito é composto e da 3ª pessoa O sujeito, sendo composto e anteposto ao verbo, leva geralmente este para o plural. Exemplos: “A esposa e o amigo seguem sua marcha.” (José de Alencar) “Poti e seus guerreiros o acompanharam.” (José de Alencar) “Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma fonte perene.” (Machado de Assis) É licito (mas não obrigatório) deixar o verbo no singular: - Quando o núcleo dos sujeitos são sinônimos: “A decência e honestidade ainda reinava.” (Mário Barreto) “A coragem e afoiteza com que lhe respondi, perturbou-o...” (Camilo Castelo Branco) “Que barulho, que revolução será capaz de perturbar esta serenidade?” (Graciliano Ramos) - Quando os núcleos do sujeito formam sequência gradativa: Uma ânsia, uma aflição, uma angústia repentina começou a me apertar à alma. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 157 Sendo osujeito composto e posposto ao verbo, este poderá concordar no plural ou com o substantivo mais próximo: “Não fossem o rádio de pilha e as revistas, que seria de Elisa?” (Jorge Amado) “Enquanto ele não vinha, apareceram um jornal e uma vela.” (Ricardo Ramos) “Ali estavam o rio e as suas lavadeiras.” (Carlos Povina Cavalcânti) ... casa abençoada onde paravam Deus e o primeiro dos seus ministros.” (Carlos de Laet) Aconselhamos, nesse caso, usar o verbo no plural. - O sujeito é composto e de pessoas diferentes Se o sujeito composto for de pessoas diversas, o verbo se flexiona no plural e na pessoa que tiver prevalência. (A 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª prevale sobre a 3ª): “Foi o que fizemos Capitu e eu.” (Machado de Assis) (ela e eu = nós) “Tu e ele partireis juntos.” (Mário Barreto) (tu e ele = vós) Você e meu irmão não me compreendem. (você e ele = vocês) Muitas vezes os escritores quebram a rigidez dessa regra: - Ora fazendo concordar o verbo com o sujeito mais próximo, quando este se pospõe ao verbo: “O que resta da felicidade passada és tu e eles.” (Camilo Castelo Branco) “Faze uma arca de madeira; entra nela tu, tua mulher e teus filhos.” (Machado de Assis) - Ora preferindo a 3ª pessoa na concorrência tu + ele (tu + ele = vocês em vez de tu + ele = vós): “...Deus e tu são testemunhas...” (Almeida Garrett) “Juro que tu e tua mulher me pagam.” (Coelho Neto) As normas que a seguir traçamos têm, muitas vezes, valor relativo, porquanto a escolha desta ou daquela concordância depende, frequentemente, do contexto, da situação e do clima emocional que envolvem o falante ou o escrevente. - Núcleos do sujeito unidos por ou Há duas situações a considerar: - Se a conjunção ou indicar exclusão ou retificação, o verbo concordará com o núcleo do sujeito mais próximo: Paulo ou Antônio será o presidente. O ladrão ou os ladrões não deixaram nenhum vestígio. Ainda não foi encontrado o autor ou os autores do crime. - O verbo irá para o plural se a ideia por ele expressa se referir ou puder ser atribuída a todos os núcleos do sujeito: “Era tão pequena a cidade, que um grito ou gargalhada forte a atravessavam de ponta a ponta.” (Aníbal Machado) (Tanto um grito, como uma gargalhada, atravessavam a cidade.) “Naquela crise, só Deus ou Nossa Senhora podiam acudir-lhe.” (Camilo Castelo Branco) Há, no entanto, em bons autores, ocorrência de verbo no singular: “A glória ou a vergonha da estirpe provinha de atos individuais.” (Vivaldo Coaraci) “Há dessas reminiscências que não descansam antes que a pena ou a língua as publique.” (Machado de Assis) “Um príncipe ou uma princesa não casa sem um vultoso dote.” (Viriato Correia) - Núcleos do sujeito unidos pela preposição com: Usa-se mais frequentemente o verbo no plural quando se atribui a mesma importância, no processo verbal, aos elementos do sujeito unidos pela preposição com. Exemplos: Manuel com seu compadre construíram o barracão. “Eu com outros romeiros vínhamos de Vigo...” (Camilo Castelo Branco) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 158 “Ele commais dois acercaram-se da porta.” (Camilo Castelo Branco) Pode se usar o verbo no singular quando se deseja dar relevância ao primeiro elemento do sujeito e também quando o verbo vier antes deste. Exemplos: O bispo, com dois sacerdotes, iniciou solenemente a missa. O presidente, com sua comitiva, chegou a Paris às 5h da tarde. “Já num sublime e público teatro se assenta o rei inglês com toda a corte.” (Luís de Camões) - Núcleos do sujeito unidos por nem: Quando o sujeito é formado por núcleos no singular unidos pela conjunção nem, usa-se, comumente, o verbo no plural. Exemplos: Nem a riqueza nem o poder o livraram de seus inimigos. Nem eu nem ele o convidamos. “Nem o mundo, nem Deus teriam força para me constranger a tanto.” (Alexandre Herculano) “Nem a Bíblia nem a respeitabilidade lhe permitem praguejar alto.” (Eça de Queirós) É preferível a concordância no singular: - Quando o verbo precede o sujeito: “Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes...” (Machado de Assis) Não o convidei eu nem minha esposa. “Na fazenda, atualmente, não se recusa trabalho, nem dinheiro, nem nada a ninguém.” (Guimarães Rosa) - Quando há exclusão, isto é, quando o fato só pode ser atribuído a um dos elementos do sujeito: Nem Berlim nem Moscou sediará a próxima Olimpíada. (Só uma cidade pode sediar a Olimpíada.) Nem Paulo nem João será eleito governador do Acre. (Só um candidato pode ser eleito governador.) - Núcleos do sujeito correlacionados: O verbo vai para o plural quando os elementos do sujeito composto estão ligados por uma das expressões correlativas não só... mas também, não só como também, tanto...como, etc. Exemplos: Não só a nação mas também o príncipe estariam pobres.” (Alexandre Herculano) “Tanto a Igreja como o Estado eram até certo ponto inocentes.” (Alexandre Herculano) “Tanto Noêmia como Reinaldo só mantinham relações de amizade com um grupo muito reduzido de pessoas.” (José Condé) “Tanto a lavoura como a indústria da criação de gado não o demovem do seu objetivo.” (Cassiano Ricardo) - Sujeitos resumidos por tudo, nada, ninguém: Quando o sujeito composto vem resumido por um dos pronomes, tudo, nada, ninguém, etc. o verbo concorda, no singular, com o pronome resumidor. Exemplos: Jogos, espetáculos, viagens, diversões, nada pôde satisfazê-lo. “O entusiasmo, alguns goles de vinho, o gênio imperioso, estouvado, tudo isso me levou a fazer uma coisa única.” (Machado de Assis) Jogadores, árbitro, assistentes, ninguém saiu do campo. - Núcleos do sujeito designando a mesma pessoa ou coisa: O verbo concorda no singular quando os núcleos do sujeito designam a mesma pessoa ou o mesmo ser. Exemplos: “Aleluia! O brasileiro comum, o homem do povo, o João-ninguém, agora é cédula de Cr$ 500,00!” (Carlos Drummond Andrade) “Embora sabendo que tudo vai continuar como está, fica o registro, o protesto, em nome dos telespectadores.” (Valério Andrade) Advogado e membro da instituição afirma que ela é corrupta. - Núcleos do sujeito são infinitivos: O verbo concordará no plural se os infinitivos forem determinados pelo artigo ou exprimirem ideias opostas; caso contrário, tanto é lícito usar o verbo no singular como no plural. Exemplos: O comer e o beber são necessários. Rir e chorar fazem parte da vida 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 159 Montar brinquedose desmontá-los divertiam muito o menino. “Já tinha ouvido que plantar e colher feijão não dava trabalho.” (Carlos Povina Cavalcânti) (ou davam) - Sujeito oracional: Concorda no singular o verbo cujo sujeito é uma oração: Ainda falta / comprar os cartões. Predicado Sujeito Oracional Estas são realidades que não adianta esconder. Sujeito de adianta: esconder que (as realidades) - Sujeito Coletivo: O verbo concorda no singular com o sujeito coletivo no singular. Exemplos: A multidão vociferava ameaças. O exército dos aliados desembarcou no sul da Itália. Uma junta de bois tirou o automóvel do atoleiro. Um bloco de foliões animava o centro da cidade. Se o coletivo vier seguido de substantivo plural que o especifique e anteceder ao verbo, este poderá ir para o plural, quando se quer salientar não a ação do conjunto, mas a dos indivíduos, efetuando-se uma concordância não gramatical, mas ideológica: “Uma grande multidão de crianças, de velhos, de mulheres penetraram na caverna...” (Alexandre Herculano) “Uma grande vara de porcos que se afogaram de escantilhão no mar...” (Camilo Castelo Branco) “Reconheceu que era um par de besouros que zumbiam no ar.” (Machado de Assis) “Havia na União um grupo de meninos que praticavam esse divertimento com uma pertinácia admirável.” (Carlos Povina Cavalcânti) - A maior parte de, grande número de, etc: Sendo o sujeito uma das expressões quantitativas a maior parte de, parte de, a maioria de, grande número de, etc., seguida de substantivo ou pronome no plural, o verbo, quando posposto ao sujeito, pode ir para o singular ou para o plural, conforme se queira efetuar uma concordância estritamente gramatical (com o coletivo singular) ou uma concordância enfática, expressiva, com a ideia de pluralidade sugerida pelo sujeito. Exemplos: A maior parte dos indígenas respeitavam os pajés.” (Gilberto Freire) “A maior parte dos doidos ali metidos estão em seu perfeito juízo.” (Machado de Assis) “A maior parte das pessoas pedem uma sopa, um prato de carne e um prato de legumes.” (Ramalho Ortigão) “A maior parte dos nomes podem ser empregados em sentido definido ou em sentido indefinido.” (Mário Barreto) Quando o verbo precede o sujeito, como nos dois últimos exemplos, a concordância se efetua no singular. Como se vê dos exemplos supracitados, as duas concordâncias são igualmente legítimas, porque têm tradição na língua. Cabe a quem fala ou escreve escolher a que julgar mais adequada à situação. Pode-se, portanto, no caso em foco, usar o verbo no plural, efetuando a concordância não com a forma gramatical das palavras, mas com a ideia de pluralidade que elas encerram e sugerem à nossa mente. Essa concordância ideológica é bem mais expressiva que a gramatical, como se pode perceber relendo as frases citadas de Machado de Assis, Ramalho Ortigão, Ondina Ferreira e Aurélio Buarque de Holanda, e cotejando-as com as dos autores que usaram o verbo no singular. - Um e outro, nem um nem outro: O sujeito sendo uma dessas expressões, o verbo concorda, de preferência, no plural. Exemplos: “Um e outro gênero se destinavam ao conhecimento...” (Hernâni Cidade) “Um e outro descendiam de velhas famílias do Norte.” (Machado de Assis) Uma e outra família tinham (ou tinha) parentes no Rio. “Depois nem um nem outro acharam novo motivo para diálogo.” (Fernando Namora) - Um ou outro: O verbo concorda no singular com o sujeito um ou outro: “Respondi-lhe que um ou outro colar lhe ficava bem.” (Machado de Assis) “Uma ou outra pode dar lugar a dissentimentos.” (Machado de Assis) “Sempre tem um ou outro que vai dando um vintém.” (Raquel de Queirós) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 160 - Umdos que, uma das que: Quando, em orações adjetivas restritivas, o pronome que vem antecedido de um dos ou expressão análoga, o verbo da oração adjetiva flexiona-se, em regra, no plural: “O príncipe foi um dos que despertaram mais cedo.” (Alexandre Herculano) “A baronesa era uma das pessoas que mais desconfiavam de nós.” (Machado de Assis) “Areteu da Capadócia era um dos muitos médicos gregos que viviam em Roma.” (Moacyr Scliar) Ele é desses charlatães que exploram a crendice humana. Essa é a concordância lógica, geralmente preferida pelos escritores modernos. Todavia, não é prática condenável fugir ao rigor da lógica gramatical e usar o verbo da oração adjetiva no singular (fazendo-o concordar com a palavra um), quando se deseja destacar o indivíduo do grupo, dando-se a entender que ele sobressaiu ou sobressai aos demais: Ele é um desses parasitas que vive à custa dos outros. “Foi um dos poucos do seu tempo que reconheceu a originalidade e importância da literatura brasileira.” (João Ribeiro) Há gramáticas que condenam tal concordância. Por coerência, deveriam condenar também a comumente aceita em construções anormais do tipo: Quais de vós sois isentos de culpa? Quantos de nós somos completamente felizes? O verbo fica obrigatoriamente no singular quando se aplica apenas ao indivíduo de que se fala, como no exemplo: Jairo é um dos meus empregados que não sabe ler. (Jairo é o único empregado que não sabe ler.) Ressalte-se, porém, que nesse caso é preferível construir a frase de outro modo: Jairo é um empregado meu que não sabe ler. Dos meus empregados, só Jairo não sabe ler. Na linguagem culta formal, ao empregar as expressões em foco, o mais acertado é usar no plural o verbo da oração adjetiva: O Japão é um dos países que mais investem em tecnologia. Gandhi foi um dos que mais lutaram pela paz. O sertão cearense é uma das áreas que mais sofrem com as secas. Heráclito foi um dos empresários que conseguiram superar a crise. Embora o caso seja diferente, é oportuno lembrar que, nas orações adjetivas explicativas, nas quais o pronome que é separado de seu antecedente por pausa e vírgula, a concordância é determinada pelo sentido da frase: Um dos meninos, que estava sentado à porta da casa, foi chamar o pai. (Só um menino estava sentado.) Um dos cinco homens, que assistiam àquela cena estupefatos, soltou um grito de protesto. (Todos os cinco homens assistiam à cena.) - Mais de um: O verbo concorda, em regra, no singular. O plural será de rigor se o verbo exprimir reciprocidade, ou se o numeral for superior a um. Exemplos: Mais de um excursionista já perdeu a vida nesta montanha. Mais de um dos circunstantes se entreolharam com espanto. Devem ter fugido mais de vinte presos. - Quais de vós? Alguns de nós: Sendo o sujeito um dos pronomes interrogativos quais? quantos? Ou um dos indefinidos alguns, muitos, poucos, etc., seguidos dos pronomes nós ou vós, o verbo concordará, por atração, com estes últimos, ou, o que é mais lógico, na 3ª pessoa do plural: “Quantos dentre nós a conhecemos?” (Rogério César Cerqueira) “Quais de vós sois, como eu, desterrados...?” (Alexandre Herculano) “...quantos dentre vós estudam conscienciosamente o passado?” (José de Alencar) Alguns de nós vieram (ou viemos) de longe. Estando o pronome no singular (3ª pessoa) ficará o verbo: Qual de vós testemunhou o fato? Nenhuma de nós a conhece. Nenhum de vós a viu? Qual de nós falará primeiro? 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 161 - Pronomesquem, que, como sujeitos: O verbo concordará, em regra, na 3ª pessoa, com os pronomes quem e que, em frases como estas: Sou eu quem responde pelos meus atos. Somos nós quem leva o prejuízo. Eram elas quem fazia a limpeza da casa. “Eras tu quem tinha o dom de encantar-me.” (Osmã Lins) Todavia, a linguagem enfática justifica a concordância com o sujeito da oração principal: “Sou eu quem prendo aos céus a terra.” (Gonçalves Dias) “Não sou eu quem faço a perspectiva encolhida.” (Ricardo Ramos) “És tu quem dás frescor à mansa brisa.” (Gonçalves Dias) “Nós somos os galegos que levamos a barrica.” (Camilo Castelo Branco) A concordância do verbo precedido do pronome relativo que far-se-á obrigatoriamente com o sujeito do verbo (ser) da oração principal, em frases do tipo: Sou eu que pago. És tu que vens conosco? Somos nós que cozinhamos. Eram eles que mais reclamavam. Em construções desse tipo, é lícito considerar o verbo ser e a palavra que como elementos expletivos ou enfatizantes, portanto não necessários ao enunciado. Assim: Sou eu que pago. (=Eu pago) Somos nós que cozinhamos. (=Nós cozinhamos) Foram os bombeiros que a salvaram. (= Os bombeiros a salvaram.) Seja qual for a interpretação, o importante é saber que, neste caso, tanto o verbo ser como o outro devem concordar com o pronome ou substantivo que precede a palavra que. - Concordância com os pronomes de tratamento: Os pronomes de tratamento exigem o verbo na 3ª pessoa, embora se refira à 2ª pessoa do discurso: Vossa Excelência agiu com moderação. Vossas Excelências não ficarão surdos à voz do povo. “Espero que V.Sª. não me faça mal.” (Camilo Castelo Branco) “Vossa Majestade não pode consentir que os touros lhe matem o tempo e os vassalos.” (Rebelo da Silva) - Concordância com certos substantivos próprios no plural: Certos substantivos próprios de forma plural, como Estados Unidos, Andes, Campinas, Lusíadas, etc., levam o verbo para o plural quando se usam com o artigo; caso contrário, o verbo concorda no singular. “Os Estados Unidos são o país mais rico do mundo.” (Eduardo Prado) Os Andes se estendem da Venezuela à Terra do Fogo. “Os Lusíadas” imortalizaram Luís de Camões. Campinas orgulha-se de ter sido o berço de Carlos Gomes. Tratando-se de títulos de obras, é comum deixar o verbo no singular, sobretudo com o verbo ser seguido de predicativo no singular: “As Férias de El-Rei é o título da novela.” (Rebelo da Silva) “As Valkírias mostra claramente o homem que existe por detrás do mago.” (Paulo Coelho) “Os Sertões é um ensaio sociológico e histórico...” (Celso Luft) A concordância, neste caso, não é gramatical, mas ideológica, porque se efetua não com a palavra (Valkírias, Sertões, Férias de El-Rei), mas com a ideia por ela sugerida (obra ou livro). Ressalte-se, porém, que é também correto usar o verbo no plural: As Valkírias mostram claramente o homem... “Os Sertões são um livro de ciência e de paixão, de análise e de protesto.” (Alfredo Bosi) - Concordância do verbo passivo: Quando apassivado pelo pronome apassivador se, o verbo concordará normalmente com o sujeito: Vende-se a casa e compram-se dois apartamentos. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 162 Gastaram-se milhões,sem que se vissem resultados concretos. “Correram-se as cortinas da tribuna real.” (Rebelo da Silva) “Aperfeiçoavam-se as aspas, cravavam-se pregos necessários à segurança dos postes...” (Camilo Castelo Branco) Na literatura moderna há exemplos em contrário, mas que não devem ser seguidos: “Vendia-se seiscentos convites e aquilo ficava cheio.” (Ricardo Ramos) “Em Paris há coisas que não se entende bem.” (Rubem Braga) Nas locuções verbais formadas com os verbos auxiliares poder e dever, na voz passiva sintética, o verbo auxiliar concordará com o sujeito. Exemplos: Não se podem cortar essas árvores. (sujeito: árvores; locução verbal: podem cortar) Devem-se ler bons livros. (=Devem ser lidos bons livros) (sujeito: livros; locução verbal: devem-se ler) “Nem de outra forma se poderiam imaginar façanhas memoráveis como a do fabuloso Aleixo Garcia.” (Sérgio Buarque de Holanda) “Em Santarém há poucas casas particulares que se possam dizer verdadeiramente antigas.” (Almeida Garrett) Entretanto, pode-se considerar sujeito do verbo principal a oração iniciada pelo infinitivo e, nesse caso, não há locução verbal e o verbo auxiliar concordará no singular. Assim: Não se pode cortar essas árvores. (sujeito: cortar essas árvores; predicado: não se pode) Deve-se ler bons livros. (sujeito: ler bons livros; predicado: deve-se) Em síntese: de acordo com a interpretação que se escolher, tanto é lícito usar o verbo auxiliar no singular como no plural. Portanto: Não se podem (ou pode) cortar essas árvores. Devem-se (ou deve-se) ler bons livros. “Quando se joga, deve-se aceitar as regras.” (Ledo Ivo) “Concluo que não se devem abolir as loterias.” (Machado de Assis) - Verbos impessoais: Os verbos haver, fazer (na indicação do tempo), passar de (na indicação de horas), chover e outros que exprimem fenômenos meteorológicos, quando usados como impessoais, ficam na 3ª pessoa do singular: “Não havia ali vizinhos naquele deserto.” (Monteiro Lobato) “Havia já dois anos que nós não nos víamos.” (Machado de Assis) “Aqui faz verões terríveis.” (Camilo Castelo Branco) “Faz hoje ao certo dois meses que morreu na forca o tal malvado...” (Camilo Castelo Branco) - Também fica invariável na 3ª pessoa do singular o verbo que forma locução com os verbos impessoais haver ou fazer: Deverá haver cinco anos que ocorreu o incêndio. Vai haver grandes festas. Há de haver, sem dúvida, fortíssimas razões para ele não aceitar o cargo. Começou a haver abusos na nova administração. - O verbo chover, no sentido figurado (= cair ou sobrevir em grande quantidade), deixa de ser impessoal e, portanto concordará com o sujeito: Choviam pétalas de flores. “Sou aquele sobre quem mais têm chovido elogios e diatribes.” (Carlos de Laet) “Choveram comentários e palpites.” (Carlos Drummond de Andrade) “E nem lá (na Lua) chovem meteoritos, permanentemente.” (Raquel de Queirós) - Na língua popular brasileira é generalizado o uso de ter, impessoal, por haver, existir. Nem faltam exemplos em escritores modernos: “No centro do pátio tem uma figueira velhíssima, com um banco embaixo.” (José Geraldo Vieira) “Soube que tem um cavalo morto, no quintal.” (Carlos Drummond de Andrade) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 163 - Existirnão é verbo impessoal. Portanto: Nesta cidade existem (e não existe) bons médicos. Não deviam (e não devia) existir crianças abandonadas. - Concordância do verbo ser: O verbo de ligação ser concorda com o predicativo nos seguintes casos: - Quando o sujeito é um dos pronomes tudo, o, isto, isso, ou aquilo: “Tudo eram hipóteses.” (Ledo Ivo) “Tudo isto eram sintomas graves.” (Machado de Assis) Na mocidade tudo são esperanças. “Não, nem tudo são dessemelhanças e contrastes entre Brasil e Estados Unidos.” (Viana Moog) A concordância com o sujeito, embora menos comum, é também lícita: “Tudo é flores no presente.” (Gonçalves Dias) “O que de mim posso oferecer-lhe é espinhos da minha coroa.” (Camilo Castelo Branco) O verbo ser fica no singular quando o predicativo é formado de dois núcleos no singular: “Tudo o mais é soledade e silêncio.” (Ferreira de Castro) - Quando o sujeito é um nome de coisa, no singular, e o predicativo um substantivo plural: “A cama são umas palhas.” (Camilo Castelo Branco) “A causa eram os seus projetos.” (Machado de Assis) “Vida de craque não são rosas.” (Raquel de Queirós) Sua salvação foram aquelas ervas. O sujeito sendo nome de pessoa, com ele concordará o verbo ser: Emília é os encantos de sua avó. Abílio era só problemas. Dá-se também a concordância no singular com o sujeito que: “Ergo-me hoje para escrever mais uma página neste Diário que breve será cinzas como eu.” (Camilo Castelo Branco) - Quando o sujeito é uma palavra ou expressão de sentido coletivo ou partitivo, e o predicativo um substantivo no plural: “A maioria eram rapazes.” (Aníbal Machado) A maior parte eram famílias pobres. O resto (ou o mais) são trastes velhos. “A maior parte dessa multidão são mendigos.” (Eça de Queirós) - Quando o predicativo é um pronome pessoal ou um substantivo, e o sujeito não é pronome pessoal reto: “O Brasil, senhores, sois vós.” (Rui Barbosa) “Nas minhas terras o rei sou eu.” (Alexandre Herculano) “O dono da fazenda serás tu.” (Said Ali) “...mas a minha riqueza eras tu.” (Camilo Castelo Branco) Mas: Eu não sou ele. Vós não sois eles. Tu não és ele. - Quando o predicativo é o pronome demonstrativo o ou a palavra coisa: Divertimentos é o que não lhe falta. “Os bastidores é só o que me toca.” (Correia Garção) “Mentiras, era o que me pediam, sempre mentiras.” ( Fernando Namora) “Os responsórios e os sinos é coisa importuna em Tibães.” (Camilo Castelo Branco) - Nas locuções é muito, é pouco, é suficiente, é demais, é mais que (ou do que), é menos que (ou do que), etc., cujo sujeito exprime quantidade, preço, medida, etc.: “Seis anos era muito.” (Camilo Castelo Branco) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 164 Dois mildólares é pouco. Cinco mil dólares era quanto bastava para a viagem. Doze metros de fio é demais. - Na indicação das horas, datas e distância o verbo ser é impessoal (não tem sujeito) e concordará com a expressão designativa de hora, data ou distância: Era uma hora da tarde. “Era hora e meia, foi pôr o chapéu.” (Eça de Queirós) “Seriam seis e meia da tarde.” (Raquel de Queirós) “Eram duas horas da tarde.” (Machado de Assis) OBSERVAÇÕES: - Pode-se, entretanto na linguagem espontânea, deixar o verbo no singular, concordando com a ideia implícita de “dia”: “Hoje é seis de março.” (J. Matoso Câmara Jr.) (Hoje é dia seis de março.) “Hoje é dez de janeiro.” (Celso Luft) - Estando a expressão que designa horas precedida da locução perto de, hesitam os escritores entre o plural e o singular: “Eram perto de oito horas.” (Machado de Assis) “Era perto de duas horas quando saiu da janela.” (Machado de Assis) “...era perto das cinco quando saí.” (Eça de Queirós) - O verbo passar, referente a horas, fica na 3ª pessoa do singular, em frases como: Quando o trem chegou, passava das sete horas. - Locução de realce é que: O verbo ser permanece invariável na expressão expletiva ou de realce é que: Eu é que mantenho a ordem aqui. (= Sou eu que mantenho a ordem aqui.) Nós é que trabalhávamos. (= Éramos nós que trabalhávamos) As mães é que devem educá-los. (= São as mães que devem educá-los.) Os astros é que os guiavam. (= Eram os astros que os guiavam.) Da mesma forma se diz, com ênfase: “Vocês são muito é atrevidos.” (Raquel de Queirós) “Sentia era vontade de ir também sentar-me numa cadeira junto do palco.” (Graciliano Ramos) “Por que era que ele usava chapéu sem aba?” (Graciliano Ramos) Observação: O verbo ser é impessoal e invariável em construções enfáticas como: Era aqui onde se açoitavam os escravos. (= Aqui se açoitavam os escravos.) Foi então que os dois se desentenderam. (= Então os dois se desentenderam.) - Era uma vez: Por tradição, mantém-se invariável a expressão inicial de histórias era uma vez, ainda quando seguida de substantivo plural: Era uma vez dois cavaleiros andantes. - A não ser: É geralmente considerada locução invariável, equivalente a exceto, salvo, senão. Exemplos: Nada restou do edifício, a não ser escombros. A não ser alguns pescadores, ninguém conhecia aquela praia. “Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis, a não ser bonecos sem pescoço...” (Carlos Drummond de Andrade) Mas não constitui erro usar o verbo ser no plural, fazendo-o concordar com o substantivo seguinte, convertido em sujeito da oração infinitiva. Exemplos: “As dissipações não produzem nada, a não serem dívidas e desgostos.” (Machado de Assis) “A não serem os antigos companheiros de mocidade, ninguém o tratava pelo nome próprio.” (Álvaro Lins) “A não serem os críticos e eruditos, pouca gente manuseia hoje... aquela obra.” (Latino Coelho) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 165 - Hajavista: A expressão correta é haja vista, e não haja visto. Pode ser construída de três modos: Hajam vista os livros desse autor. (= tenham vista, vejam-se) Haja vista os livros desse autor. (= por exemplo, veja) Haja vista aos livros desse autor. (= olhe-se para, atente-se para os livros) A primeira construção (que é a mais lógica) analisa-se deste modo. Sujeito: os livros; verbo hajam (=tenham); objeto direto: vista. A situação é preocupante; hajam vista os incidentes de sábado. Seguida de substantivo (ou pronome) singular, a expressão, evidentemente, permanece invariável: A situação é preocupante; haja vista o incidente de sábado. - Bem haja. Mal haja: Bem haja e mal haja usam-se em frases optativas e imprecativas, respectivamente. O verbo concordará normalmente com o sujeito, que vem sempre posposto: “Bem haja Sua Majestade!” (Camilo Castelo Branco) Bem hajam os promovedores dessa campanha! “Mal hajam as desgraças da minha vida...” (Camilo Castelo Branco) - Concordância dos verbos bater, dar e soar: Referindo-se às horas, os três verbos acima concordam regularmente com o sujeito, que pode ser hora, horas (claro ou oculto), badaladas ou relógio: “Nisto, deu três horas o relógio da botica.” (Camilo Castelo Branco) “Bateram quatro da manhã em três torres há um tempo...” (Mário Barreto) “Tinham batido quatro horas no cartório do tabelião Vaz Nunes.” (Machado de Assis) “Deu uma e meia.” (Said Ali) Passar, com referência a horas, no sentido de ser mais de, é verbo impessoal, por isso fica na 3ª pessoa do singular: Quando chegamos ao aeroporto, passava das 16 horas; Vamos, já passa das oito horas – disse ela ao filho. - Concordância do verbo parecer: Em construções com o verbo parecer seguido de infinitivo, pode- se flexionar o verbo parecer ou o infinitivo que o acompanha: As paredes pareciam estremecer. (construção corrente) As paredes parecia estremecerem. (construção literária) Análise da construção dois: parecia: oração principal; as paredes estremeceram: oração subordinada substantiva subjetiva. Outros exemplos: “Nervos... que pareciam estourar no minuto seguinte.” (Fernando Namora) “Referiu-me circunstâncias que parece justificarem o procedimento do soberano.” (Latino Coelho) “As lágrimas e os soluços parecia não a deixarem prosseguir.” (Alexandre Herculano) “...quando as estrelas, em ritmo moroso, parecia caminharem no céu.” (Graça Aranha) Usando-se a oração desenvolvida, parecer concordará no singular: “Mesmo os doentes parece que são mais felizes.” (Cecília Meireles) “Outros, de aparência acabadiça, parecia que não podiam com a enxada.” (José Américo) “As notícias parece que têm asas.” (Oto Lara Resende) (Isto é: Parece que as notícias têm asas.) Essa dualidade de sintaxe verifica-se também com o verbo ver na voz passiva: “Viam-se entrar mulheres e crianças.” Ou “Via-se entrarem mulheres e crianças.” - Concordância com o sujeito oracional: O verbo cujo sujeito é uma oração concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular: Parecia / que os dois homens estavam bêbedos. Verbo sujeito (oração subjetiva) Faltava / dar os últimos retoques. Verbo sujeito (oração subjetiva) Outros exemplos, com o sujeito oracional em destaque: Não me interessa ouvir essas parlendas. Anotei os livros que faltava adquirir. (faltava adquirir os livros) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 166 Esses fatos,importa (ou convém) não esquecê-los. São viáveis as reformas que se intenta implantar? - Concordância com sujeito indeterminado: O pronome se pode funcionar como índice de indeterminação do sujeito. Nesse caso, o verbo concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. Exemplos; Em casa, fica-se mais à vontade. Detesta-se (e não detestam-se) aos indivíduos falsos. Acabe-se de vez com esses abusos! Para ir de São Paulo a Curitiba, levava-se doze horas. - Concordância com os numerais milhão, bilhão e trilhão: Estes substantivos numéricos, quando seguidos de substantivo no plural, levam, de preferência, o verbo ao plural. Exemplos: Um milhão de fiéis agruparam-se em procissão. São gastos ainda um milhão de dólares por ano para a manutenção de cada Ciep. Meio milhão de refugiados se aproximam da fronteira do Irã. Meio milhão de pessoas foram às ruas para reverenciar os mártires da resistência. Milhão, bilhão e milhar são substantivos masculinos. Por isso, devem concordar no masculino os artigos, numerais e pronomes que os precedem: os dois milhões de pessoas; os três milhares de plantas; alguns milhares de telhas; esses bilhões de criaturas, etc. Se o sujeito da oração for milhões, o particípio ou o adjetivo podem concordar, no masculino, com milhões, ou, por atração, no feminino, com o substantivo feminino plural: Dois milhões de sacas de soja estão ali armazenados (ou armazenadas) no próximo ano. Foram colhidos três milhões de sacas de trigo. Os dois milhões de árvores plantadas estão altas e bonitas. - Concordância com numerais fracionários: De regra, a concordância do verbo efetua-se com o numerador. Exemplos: “Mais ou menos um terço dos guerrilheiros ficou atocaiado perto...” (Autran Dourado) “Um quinto dos bens cabe ao menino.” (José Gualda Dantas) Dois terços da população vivem da agricultura. Não nos parece, entretanto, incorreto usar o verbo no plural, quando o número fracionário, seguido de substantivo no plural, tem o numerador 1, como nos exemplos: Um terço das mortes violentas no campo acontecem no sul do Pará. Um quinto dos homens eram de cor escura. - Concordância com percentuais: O verbo deve concordar com o número expresso na porcentagem: Só 1% dos eleitores se absteve de votar. Só 2% dos eleitores se abstiveram de votar. Foram destruídos 20% da mata. “Cerca de 40% do território ficam abaixo de 200 metros.” (Antônio Hauaiss) Em casos como o da última frase, a concordância efetua-se, pela lógica, no feminino (oitenta e duas entre cem mulheres), ou, seguindo o uso geral, no masculino, por se considerar a porcentagem um conjunto numérico invariável em gênero. - Concordância com o pronome nós subentendido: O verbo concorda com o pronome subentendido nós em frases do tipo: Todos estávamos preocupados. (= Todos nós estávamos preocupados.) Os dois vivíamos felizes. (=Nós dois vivíamos felizes.) “Ficamos por aqui, insatisfeitos, os seus amigos.” (Carlos Drummond de Andrade) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 167 - Nãorestam senão ruínas: Em frases negativas em que senão equivale a mais que, a não ser, e vem seguido de substantivo no plural, costuma-se usar o verbo no plural, fazendo-o concordar com o sujeito oculto outras coisas. Exemplos: Do antigo templo grego não restam senão ruínas. (Isto é: não restam outras coisas senão ruínas.) Da velha casa não sobraram senão escombros. “Para os lados do sul e poente, não se viam senão edifícios queimados.” (Alexandre Herculano) “Por toda a parte não se ouviam senão gemidos ou clamores.” (Rebelo da Silva) Segundo alguns autores, pode-se, em tais frases, efetuar a concordância do verbo no singular com o sujeito subentendido nada: Do antigo templo grego não resta senão ruínas. (Ou seja: não resta nada, senão ruínas.) Ali não se via senão (ou mais que) escombros. As duas interpretações são boas, mas só a primeira tem tradição na língua. - Concordância com formas gramaticais: Palavras no plural com sentido gramatical e função de sujeito exigem o verbo no singular: “Elas” é um pronome pessoal. (= A palavra elas é um pronome pessoal.) Na placa estava “veiculos”, sem acento. “Contudo, mercadores não tem a força de vendilhões.” (Machado de Assis) - Mais de, menos de: O verbo concorda com o substantivo que se segue a essas expressões: Mais de cem pessoas perderam suas casas, na enchente. Sobrou mais de uma cesta de pães. Gastaram-se menos de dois galões de tinta. Menos de dez homens fariam a colheita das uvas. Questões 01. (Prefeitura de Praia Grande/SP - Agente Administrativo - IBAM - 2012) A concordância realizou-se adequadamente em qual alternativa? (A) Os Estados Unidos é considerado, hoje, a maior potência econômica do planeta, mas há quem aposte que a China, em breve, o ultrapassará. (B) Em razão das fortes chuvas haverão muitos candidatos que chegarão atrasados, tenho certeza disso. (C) Naquela barraca vendem-se tapiocas fresquinhas, pode comê-las sem receio! (D) A multidão gritaram quando a cantora apareceu na janela do hotel! 02. (PM-BA - Soldado da Polícia Militar - FCC/2012) “Se os cachorros correm livremente, por que eu não posso fazer isso também?”, pergunta Bob Dylan em “New Morning”. Bob Dylan verbaliza um anseio sentido por todos nós, humanos supersocializados: o anseio de nos livrarmos de todos os constrangimentos artificiais decorrentes do fato de vivermos em uma sociedade civilizada em que às vezes nos sentimos presos a uma correia. Um conjunto cultural de regras tácitas e inibições está sempre governando as nossas interações cotidianas com os outros. Uma das razões pelas quais os cachorros nos atraem é o fato de eles serem tão desinibidos e livres. Parece que eles jogam com as suas próprias regras, com a sua própria lógica interna. Eles vivem em um universo paralelo e diferente do nosso - um universo que lhes concede liberdade de espírito e paixão pela vida enormemente atraentes para nós. Um cachorro latindo ao vento ou uivando durante a noite faz agitar- se dentro de nós alguma coisa que também quer se expressar. Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção as nossas convenções sociais. Metem o nariz onde não são convidados, pulam para cima do sofá, devoram alegremente a comida que cai da mesa. Os cachorros raramente se refreiam quando querem fazer alguma coisa. Eles não compartilham conosco as nossas inibições. Suas emoções estão ã flor da pele e eles as manifestam sempre que as sentem. (Adaptado de Matt Weistein e Luke Barber. Cão que late não morde. Trad. de Cristina Cupertino. S.Paulo: Francis, 2005. p 250) A frase em que se respeitam as normas de concordância verbal é: (A) Deve haver muitas razões pelas quais os cachorros nos atraem. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 168 (B) Váriasrazões haveriam pelas quais os cachorros nos atraem. (C) Caberiam notar as muitas razões pelas quais os cachorros nos atraem. (D) Há de ser diversas as razões pelas quais os cachorros nos atraem. (E) Existe mesmo muitas razões pelas quais os cachorros nos atraem. 03. (TST - Analista Judiciário - Contabilidade - FCC/2012) Uma pergunta Frequentemente cabe aos detentores de cargos de responsabilidade tomar decisões difíceis, de graves consequências. Haveria algum critério básico, essencial, para amparar tais escolhas? Antonio Gramsci, notável pensador e político italiano, propôs que se pergunte, antes de tomar a decisão: - Quem sofrerá? Para um humanista, a dor humana é sempre prioridade a se considerar. (Salvador Nicola, inédito) O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no singular para preencher adequadamente a lacuna da frase: (A) A nenhuma de nossas escolhas ...... (poder) deixar de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. (B) Não se ...... (poupar) os que governam de refletir sobre o peso de suas mais graves decisões. (C) Aos governantes mais responsáveis não ...... (ocorrer) tomar decisões sem medir suas consequências. (D) A toda decisão tomada precipitadamente ...... (costumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas. (E) Diante de uma escolha, ...... (ganhar) prioridade, recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor humana. 04. (TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Engenharia Elétrica - FCC/2012) Em um belo artigo, o físico Marcelo Gleiser, analisando a constatação do satélite Kepler de que existem muitos planetas com características físicas semelhantes ao nosso, reafirmou sua fé na hipótese da Terra rara, isto é, a tese de que a vida complexa (animal) é um fenômeno não tão comum no Universo. Gleiser retoma as ideias de Peter Ward expostas de modo persuasivo em "Terra Rara". Ali, o autor sugere que a vida microbiana deve ser um fenômeno trivial, podendo pipocar até em mundos inóspitos; já o surgimento de vida multicelular na Terra dependeu de muitas outras variáveis físicas e históricas, o que, se não permite estimar o número de civilizações extra terráqueas, ao menos faz com que reduzamos nossas expectativas. Uma questão análoga só arranhada por Ward é a da inexorabilidade da inteligência. A evolução de organismos complexos leva necessariamente à consciência e à inteligência? Robert Wright diz que sim, mas seu argumento é mais matemático do que biológico: complexidade engendra complexidade, levando a uma corrida armamentista entre espécies cujo subproduto é a inteligência. Stephen J. Gould e Steven Pinker apostam que não. Para eles, é apenas devido a uma sucessão de pré-adaptações e coincidências que alguns animais transformaram a capacidade de resolver problemas em estratégia de sobrevivência. Se rebobinássemos o filme da evolução e reencenássemos o processo mudando alguns detalhes do início, seriam grandes as chances de não chegarmos a nada parecido com a inteligência. (Adaptado de Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 28/10/2012) A frase em que as regras de concordância estão plenamente respeitadas é: (A) Podem haver estudos que comprovem que, no passado, as formas mais complexas de vida - cujo habitat eram oceanos ricos em nutrientes - se alimentavam por osmose. (B) Cada um dos organismos simples que vivem na natureza sobrevivem de forma quase automática, sem se valerem de criatividade e planejamento. (C) Desde que observe cuidados básicos, como obter energia por meio de alimentos, os organismos simples podem preservar a vida ao longo do tempo com relativa facilidade. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 169 (D) Algunsanimais tem de se adaptar a um ambiente cheio de dificuldades para obter a energia necessária a sua sobrevivência e nesse processo expõe- se a inúmeras ameaças. (E) A maioria dos organismos mais complexos possui um sistema nervoso muito desenvolvido, capaz de se adaptar a mudanças ambientais, como alterações na temperatura. 05. (PRODEST/ES – ASSISTENTE ORGANIZACIONAL – VUNESP/2014) De acordo com a norma- padrão da língua portuguesa, a concordância verbal está correta em: (A) Ela não pode usar o celular e chamar um taxista, pois acabou os créditos. (B) Esta empresa mantêm contato com uma rede de táxis que executa diversos serviços para os clientes. (C) À porta do aeroporto, havia muitos táxis disponíveis para os passageiros que chegavam à cidade. (D) Passou anos, mas a atriz não se esqueceu das calorosas lembranças que seu tio lhe deixou. (E) Deve existir passageiros que aproveitam a corrida de táxi para bater um papo com o motorista. 06. (PREFEITURA DE JOÃO PESSOA/PB – AGENTE EDUCACIONAL – FGV/2014) Analise a frase a seguir: “30% da população apoiam”. Uma frase construída por uma porcentagem seguida de um partitivo tanto pode ter sua concordância verbal realizada com a porcentagem quanto com o partitivo. A esse respeito, assinale a alternativa que mostra uma concordância inaceitável. (A) 1,4 dos uruguaios apoiam. (B) 1,3 da população apoia. (C) 2,2 da população apoiam. (D) 3,3 dos uruguaios apoiam. (E) 1,8 da população uruguaia apoiam. 07. (CPTM - Analista Administrativo Júnior - Makiyama/2012) Assinale a alternativa correta quanto à concordância. (A) Tratam-se de questões sociais. (B) Vendeu-se todos os ingressos. (C) Comentou-se as suas atitudes (D) Necessita-se de colaboradores. (E) Avaliou-se os riscos 08. Texto: ONU pede ampliação de programas sociais do Brasil SÃO PAULO – Os programas adotados no governo federal ainda não são suficientes para lidar com problemas de desigualdade, reforma agrária, moradia, educação e trabalho escravo, informou ontem a Organização das Nações Unidas (ONU). Comitê da entidade pelos direitos econômicos e sociais pede uma revisão do Bolsa-Família, uma maior eficiência do programa e sua “universalização”. Por fim, constata: a cultura da violência e da impunidade reina no País. A ONU sugere que o Brasil amplie o Bolsa-Família para camadas da população que não recebem os benefícios, incluindo os indígenas. E cobra a “revisão” dos mecanismos de acompanhamento do programa para garantir acesso de todas as famílias pobres, aumentando ainda a renda distribuída. Há duas semanas, o comitê sabatinou membros do governo em Genebra, na Suíça. O documento com as sugestões é resultado da avaliação dos peritos do comitê que inclui o exame de dados passados pelo governo e por cinco relatórios alternativos apresentados por organizações não-governamentais (ONGs). Os peritos reconhecem os avanços no combate à pobreza, mas insistem que a injustiça social prevalece. Um dos pontos considerados como críticos é a diferença de expectativa de vida e de pobreza entre brancos e negros. A sugestão da ONU é que o governo tome medidas “mais focadas”. Na visão do órgão, a exclusão é decorrente da alta proporção de pessoas sem qualquer forma de segurança social, muitos por estarem no setor informal da economia. (www.estadao.com.br/nacional/not_nac377078,0.htm. 26.05.2009. Adaptado) Observe as frases: I. Reina no País a violência e a impunidade. II. Fazem duas semanas que o comitê da ONU sabatinou membros do governo em Genebra, na Suíça. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 170 III. Deacordo com o relatório da ONU, cabe às autoridades brasileiras medidas mais austeras no combate à pobreza. IV. Não apenas a revisão dos mecanismos de acompanhamento do programa como também o aumento da renda distribuída são cobrados pela ONU. Quanto à concordância verbal, está correto apenas o contido em: (A) I. (B) IV. (C) I e III. (D) I e IV. (E) II, III e IV. Respostas 01. Resposta C O verbo se flexiona para concordar com o seu sujeito, por isso alternativa C é a correta. 02. Resposta A Quando acompanhado de verbo auxiliar, o verbo impessoal transmite ao auxiliar a sua impessoalidade. EX.: Deverá haver feiras de artesanato na praça. Vai fazer cinco anos que te vi. 03. Resposta C A questão diz respeito a concordância verbal, logo, nesse tipo de questão, deve-se achar o sujeito pra analisar se o verbo vai pro plural ou não, dessa forma: a) A nenhuma de nossas escolhas ...... (poder) deixar de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. Colocando na ordem direta: Nossos valores éticos PODEM deixar de corresponder a nenhuma de nossas escolhas. (Sujeito no plural, verbo no plural!) b) Não se ...... (poupar) os que governam de refletir sobre o peso de suas mais graves decisões. Colocando na ordem direta: Não se POUPEM os que governam... (A sentença está na voz passiva, tendo como sujeito paciente "Os que governam". Dessa forma, sujeito no plural, verbo no plural!!) c) Aos governantes mais responsáveis não ...... (ocorrer) tomar decisões sem medir suas consequências. Colocando na ordem direta: Tomar decisões sem medir suas consequências não OCORRE aos governantes mais responsáveis. (Sujeito oracional, verbo no singular! Aqui está o nosso gabarito!) d) A toda decisão tomada precipitadamente ...... (costumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas. Colocando na ordem direta: Consequências imprevistas e injustas COSTUMAM sobrevir a toda decisão tomada precipitadamente. (Consequências imprevistas e injustas é o sujeito, portanto, sujeito no plural, verbo no plural!) e) Diante de uma escolha, ...... (ganhar) prioridade, recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor humana. Colocando na ordem direta: Os critérios que levam em conta a dor humana GANHAM prioridade, diante de uma escolha, recomenda Gramsci. (Os critérios que levam em conta a dor humana é o sujeito, portanto, sujeito no plural, verbo no plural!) 04. Resposta E Segue alguns erros apontados: a) Podem haver estudos que comprovem que, no passado, as formas mais complexas de vida - cujo habitat eram oceanos ricos em nutrientes - se alimentavam por osmose. ERRADA. Isso porque o "haver" está no sentido de existir e, portanto impessoal, transferindo a sua impessoalidade para o seu auxiliar. b) Cada um dos organismos simples que vivem na natureza sobrevivem de forma quase automática, sem se valerem de criatividade e planejamento. ERRADA. A expressão "Cada um" pede verbo no singular, o correto seria VIVE c) Desde que observe cuidados básicos, como obter energia por meio de alimentos, os organismos simples podem preservar a vida ao longo do tempo com relativa facilidade. ERRADA. Eu acredito que seja porque quem deve observar cuidados básicos são os organismos simples e portanto o verbo deveria estar no plural: Desde que observem... É isso? 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 171 d) Algunsanimais tem de se adaptar a um ambiente cheio de dificuldades para obter a energia necessária a sua sobrevivência e nesse processo expõe- se a inúmeras ameaças. ERRADO, o quê ou quem tem de se adaptar? Alguns animais, portanto deveria ser: Alguns animais têm de se.... e) A maioria dos organismos mais complexos possui um sistema nervoso muito desenvolvido, capaz de se adaptar a mudanças ambientais, como alterações na temperatura. CERTO. A expressão "a maioria" seguida de substantivo no plural aceita tanto verbo no plural quanto no singular. 05. Resposta C (A) Ela não pode usar o celular e chamar um taxista, pois acabou os créditos. = acabaram (B) Esta empresa mantêm contato com uma rede de táxis que executa diversos serviços para os clientes. = mantém (singular) (C) À porta do aeroporto, havia muitos táxis disponíveis para os passageiros que chegavam à cidade. = correta (D) Passou anos (passaram-se), mas a atriz não se esqueceu das calorosas lembranças que seu tio lhe deixou. (E) Deve (devem) existir passageiros que aproveitam a corrida de táxi para bater um papo com o motorista. A mais recente pesquisa, elaborada pelo Instituto..., mostrou que 38%... A PESQUISA MOSTROU (sujeito "pesquisa" concordando com verbo "mostrar"). Essa é a real justificativa. 06. Resposta E (A) 1,4 dos uruguaios apoiam. (B) 1,3 da população apoia. (C) 2,2 da população apoiam. (D) 3,3 dos uruguaios apoiam. (E) 1,8 da população uruguaia apoiam. = apoia (tanto o numeral quanto o substantivo estão no singular) 07. Resposta D Necessita-se de novos colaboradores Está correto, pois o verbo necessitar é transitivo indireto seu sujeito é indeterminado e "de novos colaboradores" é objeto indireto, o qual não concorda com o sujeito. 08. Resposta D I – Quando o sujeito composto aparece posposto ao verbo, este pode concordar com o núcleo mais próximo (no caso “violência”) II – Na indicação de tempo decorrido, o verbo “fazer” é impessoal, devendo, pois, ser conjugado na 3º pessoa do singular. III – O verbo “caber” deve concordar com o núcleo do sujeito (medidas), sendo, então, conjugado na 3º pessoa do plural. IV – A locução verbal foi flexionada para concordar com o sujeito composto, cujos núcleos são “revisão” e “aumento”. Regência Nominal e Verbal Regência Nominal Regência nominal é a relação de dependência que se estabelece entre o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e o termo por ele regido. Certos substantivos e adjetivos admitem mais de uma regência. Na regência nominal o principal papel é desempenhado pela preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição "a". Obedecer a algo/ a alguém. Obediente a algo/ a alguém. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 172 Apresentamos aseguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem. Observe-os atentamente e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece. Acessível A Este cargo não é acessível a todos Acesso A PARA O acesso para a região ficou impossível Acostumado A COM Todos estavam acostumados a ouví-lo Adaptado A Foi difícil adaptar-me a esse clima Afável COM PARA COM Tinha um jeito afável para com os turistas Aflito COM POR Ficaram aflitos com o resultado do teste Agradável A DE Sua saída não foi agradável à equipe Alheio A DE Estavam alheios às críticas Aliado A COM O rústico aliado com o moderno Alusão A O professor fez alusão à prova final Amor A POR Ele demonstrava grande amor à namorada Antipatia A POR Sentia antipatia por ela Apto A PARA Estava apto para ocupar o cargo Aversão A POR Sempre tive aversão à política Certeza DE EM A certeza de encontrá-lo novamente a animou Coerente COM O projeto está coerente com a proposta Compatível COM Essa nova versão é compatível com meu aparelho Equivalente A Um quilo equivale a mil gramas Favorável A Sou favorável à sua candidatura Gosto DE EM Tenho muito gosto em participar desta brincadeira Grato A Grata a todos que me ensinaram a ensinar Horror A DE Tinha horror a quiabo refogado Necessárío A PARA A medida foi necessária para acabar com tanta dúvida Passível DE As regras são passíveis de mudanças Preferível A Tudo era preferível à sua queixa Próximo A DE Os vencedores estavam próximos dos fãs Residente EM Eles residem em minha cidade Respeito A COM DE ENTRE É necessário o respeito às leis 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 173 PARA COM POR Satisfeito COM DE EM POR Ficaramsatisfeitos com o desempenho do jogador Semelhante A Essa questão é semelhante à outra Sensível A Pessoas que sofrem com insônia podem ser mais sensíveis à dor Situado EM Minha casa está situada na Avenida Internacional Suspeito DE O suspeito do furto foi preso Útil A PARA Esse livro é útil para os estudos Vazio DE Minha vida está vazia de sonhos Questões 01. (AEB - CETRO- Assistente em C&T 3-I - Apoio Administrativo / 2014) Assinale a alternativa em que a preposição “a” não deva ser empregada, de acordo com a regência nominal. (A) A confiança é necessária ____ qualquer relacionamento. (B) Os pais de Pâmela estão alheios ____ qualquer decisão. (C) Sirlene tem horror ____ aves. (D) O diretor está ávido ____ melhores metas. (E) É inegável que a tecnologia ficou acessível ____ toda população. 02. Quanto a amigos, prefiro João.....Paulo,.....quem sinto......simpatia. (A) a, por, menos (B) do que, por, menos (C) a, para, menos (D) do que, com, menos (E) do que, para, menos 03. Assinale a opção em que todos adjetivos podem ser seguidos pela mesma preposição: (A) ávido, bom, inconsequente (B) indigno, odioso, perito (C) leal, limpo, oneroso (D) orgulhoso, rico, sedento (E) oposto, pálido, sábio 04. "As mulheres da noite,......o poeta faz alusão a colorir Aracaju,........coração bate de noite, no silêncio". A opção que completa corretamente as lacunas da frase acima é: (A) as quais, de cujo (B) a que, no qual (C) de que, o qual (D) às quais, cujo (E) que, em cujo 05. (Prefeitura de Ibitinga SP - CONSESP-Escriturário / 2012) Com relação à Regência Nominal, indique a alternativa em que esta foi corretamente empregada. (A) A colocação de cartazes na rua foi proibida. (B) É bom aspirar ao ar puro do campo. (C) Ele foi na Grécia. (D) Obedeço o Código de Trânsito. 06. Assinale a alternativa que contém as respostas corretas. I. Visando apenas os seus próprios interesses, ele, involuntariamente, prejudicou toda uma família. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 174 II. Comoera orgulhoso, preferiu declarar falida a firma a aceitar qualquer ajuda do sogro. III. Desde criança sempre aspirava a uma posição de destaque, embora fosse tão humilde. IV. Aspirando o perfume das centenas de flores que enfeitavam a sala, desmaiou. (A) II, III, IV (B) I, II, III (C) I, III, IV (D) I, III (E) I, II 07. Assinale o item em que há erro quanto à regência: (A) São essas as atitudes de que discordo. (B) Há muito já lhe perdoei. (C) Ele foi acusadso por roubar aquela maleta. (D) Costumo obedecer a preceitos éticos. (E) A enfermeira assistiu irrepreensivelmente o doente. 08. Dentre as frases abaixo, uma apenas apresenta a regência nominal correta. Assinale-a: (A) Ele não é digno a ser seu amigo. (B) Baseado laudos médicos, concedeu-lhe a licença. (C) A atitude do Juiz é isenta de qualquer restrição. (D) Ele se diz especialista para com computadores eletrônicos. (E) A equipe foi favorável por sua candidatura. 09. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) Assinale a alternativa em que o período, adaptado da revista Pesquisa Fapesp de junho de 2012, está correto quanto à regência nominal e à pontuação. (A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente, seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em outros. (B) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em outros. (C) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam rapidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um exemplo!, do que em outros. (D) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam rapidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um exemplo, do que em outros. (E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapidamente seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço seja mais notável em alguns países – o Brasil é um exemplo – do que em outros. Respostas 01. Resposta D Correção: O diretor está ávido DE melhores metas. 02. Resposta A O verbo preferir é acompanhado pela preposição “A”. 03. Resposta D Orgulhoso por Rico por Sedento por 04. Resposta D “Às quais” retoma o termo “as mulheres”. “Cujo” – pronome utilizado no sentido de posse, fazendo referência ao termo antecedente e ao substantivo subsequente. 05. Resposta A Alternativa B: Aspirar, sentido de inalar, sem preposição – aspirar o ar Alternativa C: Ir a algum lugar 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 175 AAlternativa D:Obedecer a algo / obedecer a alguém 06. Resposta A Frase incorreta: I. Visando apenas os seus próprios interesses, ele, involuntariamente, prejudicou toda uma família. Correção: I. Visando apenas Aos seus próprios interesses, ele, involuntariamente, prejudicou toda uma família. 07. Resposta C Correção: Ele foi acusado de roubar aquela maleta. 08. Resposta C Alternativa A: digno DE Alternativa B: baseado EM/SOBRE Alternativa D: especialista EM Alternativa E: favorável A 09. Resposta E Quem tem dúvida, tem dúvida "DE" alguma coisa (já elimina a alternativa A e B) as mulheres ampliam. Não se separa o sujeito do verbo (elimina a alternativa C e D). Só sobra alternativa E. Regência Verbal A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os verbos e os termos que os complementam (objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais). O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de conhecermos as diversas significações que um verbo pode assumir com a simples mudança ou retirada de uma preposição. A mãe agrada o filho. (agradar significa acariciar, contentar) A mãe agrada ao filho. (agradar significa "causar agrado ou prazer", satisfazer) Logo, conclui-se que "agradar alguém" é diferente de "agradar a alguém". O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e também nominal). As preposições são capazes de modificar completamente o sentido do que se está sendo dito. Cheguei ao metrô. Cheguei no metrô. No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A oração "Cheguei no metrô", popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se vai, possui, no padrão culto da língua, sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem divergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns verbos, e a regência culta. Abdicar: renunciar ao poder, a um cargo, título desistir. Pode ser intransitivo (VI - não exige complemento) / transitivo direto (TD) ou transitivo indireto (TI + preposição): D. Pedro abdicou em 1831. (VI); A vencedora abdicou o seu direto de rainha. (VTD); Nunca abdicarei de meus direitos. (VTI) Abraçar: emprega-se sem preposição no sentido de apertar nos braços: A mãe abraçou-a com ternura. (VTD); Abraçou-se a mim, chorando. (VTI) Agradar: emprega-se com preposição no sentido de contentar, satisfazer.(VTI): A banda Legião Urbana agrada aos jovens. (VTI); Emprega-se sem preposição no sentido de acariciar, mimar: Márcio agradou a esposa com um lindo presente. (VTD) Ajudar: emprega-se sem preposição; objeto direto de pessoa: Eu ajudava-a no serviço de casa. (VTD) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 176 Aludir: (=fazeralusão, referir-se a alguém), emprega-se com preposição: Na conversa aludiu vagamente ao seu novo projeto. (VTI) Ansiar: emprega-se sem preposição no sentido de causar mal-estar, angustiar: A emoção ansiava-me. (VTD); Emprega-se com preposição no sentido de desejar ardentemente por: Ansiava por vê-lo novamente. (VTI) Aspirar: emprega-se sem preposição no sentido de respirar, cheirar: Aspiramos um ar excelente, no campo. (VTD) Emprega-se com preposição no sentido de querer muito, ter por objetivo: Gincizinho aspira ao cargo de diretor da Penitenciária. (VTI) Assistir: emprega-se com preposição no sentido de ver, presenciar: Todos assistíamos à novela Almas Gêmeas. (VTI) Nesse caso, o verbo não aceita o pronome lhe, mas apenas os pronomes pessoais retos + preposição: O filme é ótimo. Todos querem assistir a ele. (VTI). Emprega-se sem / com preposição no sentido de socorrer, ajudar: A professora sempre assiste os alunos com carinho. (VTD); A professora sempre assiste aos alunos com carinho. (VTI). Emprega-se com preposição no sentido de caber, ter direito ou razão: O direito de se defender assiste a todos. (VTI). No sentido de morar, residir é intransitivo e exige a preposição em: Assiste em Manaus por muito tempo. (VI). Atender: empregado sem preposição no sentido de receber alguém com atenção: O médico atendeu o cliente pacientemente. (VTD). No sentido de ouvir, conceder: Deus atendeu minhas preces. (VTD); Atenderemos quaisquer pedido via internet. Emprega-se com preposição no sentido de dar atenção a alguém: Lamento não poder atender à solicitação de recursos. (VTI). Emprega-se com preposição no sentido de ouvir com atenção o que alguém diz: Atenda ao telefone, por favor; Atenda o telefone. (preferência brasileira). Avisar: avisar alguém de alguma coisa: O chefe avisou os funcionários de que os documentos estavam prontos. (VTD); Avisaremos os clientes da mudança de endereço. (VTD). Já tem tradição na língua o uso de avisar como OI de pessoa e OD de coisa; Avisamos aos clientes que vamos atendê-los em novo endereço. Bater: emprega-se com preposição no sentido de dar pancadas em alguém: Os irmãos batiam nele (ou batiam-lhe) à toa; Nervoso, entrou em casa e bateu a porta; (fechou com força); Foi logo batendo à porta; (bater junto à porta, para alguém abrir); Para que ele pudesse ouvir, era preciso bater na porta de seu quarto; (dar pancadas). Casar: Marina casou cedo e pobre. (VI não exige complemento). Você é realmente digno de casar com minha filha. (VTI com preposição). Ela casou antes dos vinte anos. (VTD sem preposição). O verbo casar pode vir acompanhado de pronome reflexivo: Ela casou com o seu grande amor; ou Ela casou-se com seu grande amor. Chamar: emprega-se sem preposição no sentido de convocar; O juiz chamou o réu à sua presença. (VTD). Emprega-se com ou sem preposição no sentido de denominar, apelidar, construido com objeto + predicativo: Chamou-o covarde. (VTD) / Chamou-o de covarde. (VID); Chamou-lhe covarde. (VTI) / Chamou-lhe de covarde. (VTI); Chamava por Deus nos momentos dificeis. (VTI). Chegar: o verbo chegar exige a preposição a quando indica lugar: Chegou ao aeroporto meio apressada. Como transitivo direto (VTD) e intransitivo (VI) no sentido de aproximar; Cheguei-me a ele. Contentar-se: emprega-se com as preposições com, de, em: Contentam-se com migalhas. (VTI); Contento-me em aplaudir daqui. Custar: é transitivo direto no sentido de ter valor de, ser caro. Este computador custa muito caro. (VTD). No sentido de ser difícil é TI. É conjugado como verbo reflexivo, na 3ª pessoa do singular, e seu sujeito é uma oração reduzida de infinitivo: Custou-me pegar um táxi; O carro custou-me todas as economias. É transitivo direto e indireto (TDI) no sentido de acarretar: A imprudência custou-lhe lágrimas amargas. (VTDI). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 177 Ensinar: éintransitivo no sentido de doutrinar, pregar: Minha mãe ensina na FAI. (VTI). É transitivo direto no sentido de educar: Nem todos ensinam as crianças. (VTD). É transitivo direto e indireto no sentido de dar ínstrução sobre: Ensino os exercícios mais dificeis aos meus alunos. (VTDI). Entreter: empregado como divertir-se exige as preposições: a, com, em: Entretínhamo-nos em recordar o passado. Esquecer / Lembrar: estes verbos admitem as construções: Esqueci o endereço dele; Lembrei um caso interessante; Esqueci-me do endereço dele; Lembrei-me de um caso interessante. Esqueceu- me seu endereço; Lembra-me um caso interessante. Você pode observar que no 1º exemplo tanto o verbo esquecer como lembrar, não são pronominais, isto é, não exigem os pronomes me, se, lhe, são transitivos diretos (TD). Nos outros exemplos, ambos os verbos, esquecer e lembrar, exigem o pronome e a preposição de; são transitivos indiretos e pronominais. No exemplo o verbo esquecer está empregado no sentido de apagar da memória e o verbo lembrar está empregado no sentido de vir à memória. Na língua culta, os verbos esquecer e lembrar quando usados com a preposição de, exigem os pronomes. Implicar: emprega-se com preposição no sentido de ter implicância com alguém: Nunca implico com meus alunos. (VTI). Emprega-se sem preposição no sentido de acarretar, envolver: A queda do dólar implica corrida ao over. (VTD); O desestímulo ao álcool combustível implica uma volta ao passado. (VTD). Emprega-se sem preposição no sentido de embaraçar, comprometer: O vizinho implicou-o naquele caso de estupro. (VTD). É inadequada a regência do verbo implicar em: - Implicou em confusão. Informar: o verbo informar possui duas construções, VTD e VTI: Informei-o que sua aposentaria saiu. (VTD); Informei-lhe que sua aposentaria saiu. (VTI); Informou-se das mudanças logo cedo. (inteirar-se, verbo pronominal) Investir: emprega-se com preposição (com ou contra) no sentido de atacar, é TI: O touro Bandido investiu contra Tião. Empregado como verbo transitivo direto e índireto, no sentido de dar posse: O prefeito investiu Renata no cargo de assessora. (VTDI). Emprega-se sem preposição no sentido também de empregar dinheiro, é TD: Nós investimos parte dos lucros em pesquisas científicas. (VTD). Morar: antes de substantivo rua, avenida, usa-se morar com a preposição em: D. Marina Falcão mora na Rua Dorival de Barros. Namorar: a regência correta deste verbo é namorar alguém e NÃO namorar com alguém: Meu filho, Paulo César, namora Cristiane. Marcelo namora Raquel. Necessitar: emprega-se com verbo transitivo direto ou indireto, no sentido de precisar: Necessitávamos o seu apoio; Necessitávamos de seu apoio. (VTDI). Obedecer / Desobedecer: emprega-se com verbo transitivo direto e indireto no sentido de cumprir ordens: Obedecia às irmãs e irmãos; Não desobedecia às leis de trânsito. Pagar: emprega-se sem preposição no sentido de saldar coisa, é VTI: Cida pagou o pão; Paguei a costura. Emprega-se com preposição no sentido de remunerar pessoa, é VTI: Cida pagou ao padeiro; Paguei à costureira. Emprega-se como verbo transitivo direto e indireto, pagar alguma coisa a alguém: Cida pagou a carne ao açougueiro. Por alguma coisa: Quanto pagou pelo carro? Sem complemento: Assistiu aos jogos sem pagar. Pedir: somente se usa pedir para, quando, entre pedir e o para, puder colocar a palavra licença. Caso contrário, díz-se pedir que; A secretária pediu para sair mais cedo. (pediu licença); A direção pediu que todos os funcionários comparecessem à reunião. Perdoar: emprega-se sem preposição no sentido de perdoar coisa, é TD: Devemos perdoar as ofensas. (VTD). Emprega-se com preposição no sentido de conceder o perdão à pessoa, é TI: Perdoemos aos nossos inimigos. (VTI). Emprega-se como verbo transitivo direto e indireto no sentido de ter necessidade: A mãe perdoou ao filho a mentira. (VTDI). Admite voz passiva: Todos serão perdoados pelos pais. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 178 Permitir: empregadocom preposição, exige objeto indireto de pessoa: O médico permitiu ao paciente que falasse. (VTI). Constrói-se com o pronome lhe e não o: O assistente permitiu-lhe que entrasse. Não se usa a preposição de antes de oração infinitiva: Os pais não lhe permite ir sozinha à festa do Peão. (e não de ir sozinha). Pisar: é verbo transitivo direto VTD: Tinha pisado o continente brasileiro. (não exige a preposição no). Precisar: emprega-se com preposição no sentido de ter necessidade, é VTI: As crianças carentes precisam de melhor atendimento médico. (VTI). Quando o verbo precisar vier acompanhado de infinítivo, pode-se usar a preposição de; a língua moderna tende a dispensá-la: Você é rico, não precisa trabalhar muito. Usa-se, às vezes na voz passiva, com sujeito indeterminado: Precisa-se de funcionários competentes. (sujeito indeterminado). Emprega-se sem preposição no sentido de indicar com exatidão: Perdeu muito dinheiro no jogo, mas não sabe precisar a quantia. (VTD). Preferir: emprega-se sem preposição no sentido de ter preferência. (sem escolha): Prefiro dias mais quentes. (VTD). Preferir - VTDI, no sentido de ter preferência, exige a preposição a: Prefiro dançar a nadar; Prefiro chocolate a doce de leite. Na linguagem formal, culta, é inadequado usar este verbo reforçado pelas palavras ou expressões: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, do que. Presidir: emprega-se com objeto direto ou objeto indireto, com a preposição a: O reitor presidiu à sessão; O reitor presidiu a sessão. Prevenir: admite as construções: - A paciência previne dissabores; Preveni minha turma; Quero preveni-los; Prevenimo-nos para o exame final. Proceder: emprega-se como verbo intransitivo no sentido de ter fundamento: Sua tese não procede. (VI). Emprega-se com a preposição de no sentido de originar-se, vir de: Muitos males da humanidade procedem da falta de respeito ao próximo. Emprega-se como transitivo indireto com a preposição a, no sentido de dar início: Procederemos a uma investigação rigorosa. (VTI) Querer: emprega-se sem preposição no sentido de desejar: Quero vê-lo ainda hoje. (VTD). Emprega-se com preposição no sentido de gostar, ter afeto, amar: Quero muito bem às minhas cunhadas Vera e Ceiça. Residir: como o verbo morar, o verbo responder, constrói-se com a preposição em: Residimos em Lucélia, na Avenida Internacional. Residente e residência têm a mesma regencia de residir em. Responder: emprega-se no sentido de responder alguma coisa a alguém: O senador respondeu ao jornalista que o projeto do rio São Francisco estava no final. (VTDI). Emprega-se no sentido de responder a uma carta, a uma pergunta: Enrolou, enrolou e não respondeu à pergunta do professor. Reverter: emprega-se no sentido de regressar, voltar ao estado primitivo: Depois de aposentar-se reverteu à ativa. Emprega-se no sentido de voltar para a posse de alguém: As jóias reverterão ao seu verdadeiro dono. Emprega-se no sentido de destinar-se: A renda da festa será revertida em beneficio da Casa da Sopa. Simpatizar / Antipatizar: empregam-se com a preposição com: Sempre simpatizei com pessoas negras; Antipatizei com ela desde o primeiro momento. Estes verbos não são pronominais, isto é, não exigem os pronomes me, se, nos, etc: Simpatizei-me com você. (inadequado); Simpatizei com você. (adequado) Subir: Subiu ao céu; Subir à cabeça; Subir ao trono; Subir ao poder. Essas expressões exigem a preposição a. Suceder: emprega-se com a preposição a no sentido de substituir, vir depois: O descanso sucede ao trabalho. Tocar: emprega-se no sentido de pôr a mão, tocar alguém, tocar em alguém: Não deixava tocar o / no gato doente. Emprega-se no sentido de comover, sensibilizar, usa-se com OD: O nascimento do 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 179 filho tocou-oprofundamente. Emprega-se no sentido de caber por sorte, herança, é OI: Tocou-lhe, por herança, uma linda fazenda. Emprega-se no sentido de ser da competência de, caber: Ao prefeito é que toca deferir ou indeferir o projeto. Visar: emprega-se sem preposição, como VTD, no sentido de apontar ou pôr visto: O garoto visou o inocente passarinho; O gerente visou a correspondência. Emprega-se com preposição, como VTI, no sentido de desejar, pretender: Todos visam ao reconhecimento de seus esforços. Casos Especiais Dar-se ao trabalho ou dar-se o trabalho? Ambas as construções são corretas. A primeira é mais aceita: Dava-se ao trabalho de responder tudo em Inglês. O mesmo se dá com: dar-se ao / o incômodo; poupar- se ao /o trabalho; dar-se ao /o luxo. Propor-se alguma coisa ou propor-se a alguma coisa? Propor-se, no sentido de ter em vista, dispor-se a, pode vir com ou sem a preposição a: Ela se propôs levá-lo/ a levá-lo ao circo. Passar revista a ou passar em revista? Ambas estão corretas, porém a segunda construção é mais frequente: O presidente passou a tropa em revista. Em que pese a - expressão concessiva equivalendo a ainda que custe a, apesar de, não obstante: “Em que pese aos inimigos do paraense, sinceramente confesso que o admiro.” (Graciliano Ramos) Observações Finais Os verbos transitivos indiretos (exceção ao verbo obedecer), não admitem voz passiva. Os exemplos citados abaixo são considerados inadequados. O filme foi assistido pelos estudantes; O cargo era visado por todos; Os estudantes assistiram ao filme; Todos visavam ao cargo. Não se deve dar o mesmo complemento a verbos de regências diferentes, como: Entrou e saiu de casa; Assisti e gostei da peça. Corrija-se para: Entrou na casa e saiu dela; Assisti à peça e gostei dela. As formas oblíquas o, a, os, as funcionam como complemento de verbos transitivos diretos, enquanto as formas lhe, lhes funcionam como transitivos indiretos que exigem a preposição a. Convidei as amigas. Convidei-as; Obedeço ao mestre. Obedeço- lhe. Questões 01. (IFC - Auxiliar Administrativo - IFC). Todas as alternativas estão corretas quanto ao emprego correto da regência do verbo, EXCETO: (A) Faço entrega em domicílio. (B) Eles assistem o espetáculo. (C) João gosta de frutas. (D) Ana reside em São Paulo. (E) Pedro aspira ao cargo de chefe. 02. Assinale a opção em que o verbo chamar é empregado com o mesmo sentido que apresenta em __ “No dia em que o chamaram de Ubirajara, Quaresma ficou reservado, taciturno e mudo”: (A) pelos seus feitos, chamaram-lhe o salvador da pátria; (B) bateram à porta, chamando Rodrigo; (C) naquele momento difícil, chamou por Deus e pelo Diabo; (D) o chefe chamou-os para um diálogo franco; (E) mandou chamar o médico com urgência. 03. (Consórcio Intermunicipal Grande ABC -CAIP-IMES -Procurador / 2015) A regência verbal está correta na alternativa: (A) Ela quer namorar com o meu irmão. (B) Perdi a hora da entrevista porque fui à pé. (C) Não pude fazer a prova do concurso porque era de menor. (D) É preferível ir a pé a ir de carro. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 180 04. Emtodas as alternativas, o verbo grifado foi empregado com regência certa, exceto em: (A) a vista de José Dias lembrou-me o que ele me dissera. (B) estou deserto e noite, e aspiro sociedade e luz. (C) custa-me dizer isto, mas antes peque por excesso; (D) redobrou de intensidade, como se obedecesse a voz do mágico; (E) quando ela morresse, eu lhe perdoaria os defeitos. 05. (UFES – UFES - Engenheiro Civil / 2015) A regência verbal está INCORRETA em: (A) Proibiram-no de fumar. (B) Ana comunicou sua mudança aos parentes mais íntimos. (C) Prefiro Português a Matemática. (D) A professora esqueceu da chave de sua casa no carro da amiga. (E) O jovem aspira à carreira militar. 06. A regência verbal está correta em: (A) A funcionária aspirava ao cargo de chefia. (B) Custo a crer que ela ainda volte. (C) Sua atitude implicará em demissão (D) Prefiro mais trabalhar que estudar. 07. (Prefeitura de Carlos Barbosa RS – OBJETIVA – Agente Administrativo / 2015) Assinalar a alternativa em que a regência verbal está INCORRETA: (A) A prefeitura ainda atendia naquele período outras 16 crianças de cidades da região. (B) Eles contrataram moradores da região, e nós oferecemos a escola para os filhos destes funcionários. (C) A prefeitura decidiu ampliar ainda mais a oferta de vagas comprando e restaurando o antigo prédio do hospital. (D) A menina aprendeu à mexer no teclado brincando em casa e aperfeiçoou à técnica na escola. 08. (TRE RS – CONSULPLAN – Analista Judiciário - Administrativa) Assinale a alternativa em que a regência verbal é INCORRETA: (A) Os colegas de Antônio implicam com o seu jeito de andar. (B) José prefere vinho a cerveja. (C) O policial visou toda a documentação do motorista. (D) Ela sempre se levanta cedo para aspirar o ar da manhã. (E) Um advogado assistiu ao motorista que atropelou aquele rapaz. Respostas 01. Resposta B A frase correta seria “Eles assistem ao espetáculo” O verbo “assistir” causa dúvidas porque pode ser transitivo direto ou indireto. No primeiro caso não admitirá preposição, já no segundo sim. Portanto, quando a pergunta (a quê?) for feita ao verbo, este será transitivo indireto e quando o complemento do verbo vir de forma direta, será transitivo direto. Veja: a) A enfermeira assistiu o paciente. (Assistiu quem? O paciente! Ou seja, a pergunta é respondida diretamente, sem intermediários, sem preposição) b) João assistiu ao programa do Jô! (Assistiu a quê? Ao programa! Logo, preposição a + artigo o) 02. Resposta A No trecho citado no enunciado da questão o verbo “chamar” foi empregado com o sentido de “apelidar / intitular”. O mesmo sentido do verbo foi empregado na alternativa A. 03. Resposta D Correções: Alternativa: Ela quer namorar o meu irmão. Alternativa B: Perdi a hora da entrevista porque fui a pé . Não se usa crase pelo fato de pé ser palavra masculina, e então o ‘a’ fica sendo somente preposição, sem artigo. Alternativa C: Não pude fazer a prova do concurso porque era menor de idade. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 181 04. RespostaB O verbo “apirar” é utilizado no sentido de “querer / ter por objetivo”, assim, ele precisa ser procedido pela preposição “A”. 05. Resposta D Regência dos verbos: ESQUECER – LEMBRAR - Lembrar algo – esquecer algo - Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal) No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja exigem complemento sem preposição. 06. Resposta A O verbo “aspirar” com o sentido de almejar é transitivo indireto e pede a preposição “A”. Correções: Custa-me crer; implicará demissão; prefiro trabalhar a estudar. 07. Resposta D Não se deve usar crase antes de verbos no infinitivo. 08. Resposta E O verbo “assistir” no sentido de prestar assistência, ajudar, socorrer: usa-se sem preposição. Colocação dos Pronomes Oblíquos Átonos Um dos aspectos da harmonia da frase refere-se à colocação dos pronomes oblíquos átonos. Tais pronomes situam-se em três posições: - Antes do verbo (próclise): Não te conheço. - No meio do verbo (mesóclise): Avisar-te-ei. - Depois do verbo (ênclise): Sente-se, por favor. Próclise Por atração: usa-se a próclise quando o verbo vem precedido das seguintes partículas atrativas: - Palavras ou expressões negativas: Não te afastes de mim. - Advérbios: Agora se negam a depor. Se houver pausa (na escrita, vírgula) entre o advérbio e o verbo, usa-se a ênclise: Agora, negam-se a depor. - Pronomes Relativos: Apresentaram-se duas pessoas que se identificaram com rapidez. - Pronomes Indefinidos: Poucos se negaram ao trabalho. - Conjunções subordinativas: Soube que me dariam a autorização solicitada. Com certas frases: há casos em que a próclise é motivada pelo próprio tipo de frase em que se localiza o pronome. - Frases Interrogativas: Quem se atreveria a isso? - Frases Exclamativas: Quanto te arriscas com esse procedimento! - Frases Optativas (exprimem desejo): Deus nos proteja. Se, nas frases optativas, o sujeito vem depois do verbo, usa-se a ênclise: Proteja-nos Deus. Com certos verbos: a próclise pode ser motivada também pela forma verbal a que se prende o pronome. - Com o gerúndio precedido de preposição ou de negação: Em se ausentando, complicou-se; Não se satisfazendo com os resultados, mudou de método. - Com o infinito pessoal precedido de preposição: Por se acharem infalíveis, caíram no ridículo. Mesóclise Usa-se a mesóclise tão somente com duas formas verbais, o futuro do presente e o futuro do pretérito, assim quando não vierem precedidos de palavras atrativas. Exemplos: Confrontar-se-ão os resultados. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 182 Confrontar-se-iam osresultados. Mas: Não se confrontarão os resultados. Não se confrontariam os resultados. Não se usa a ênclise com o futuro do presente ou com o futuro do pretérito sob hipótese alguma. Será contrária à norma culta escrita, portanto, uma colocação do tipo: Diria-se que as coisas melhoraram. (errado) Dir-se-ia que as coisas melhoraram. (correto) Ênclise Usa-se a ênclise nos seguintes casos: - Imperativo Afirmativo: Prezado amigo, informe-se de seus compromissos. - Gerúndio não precedido da preposição “em” ou de partícula negativa: Falando-se de comércio exterior, progredimos muito. Mas Em se plantando no Brasil, tudo dá. Não se falando em futebol, ninguém briga. Ninguém me provocando, fico em paz. - Infinitivo Impessoal: Não era minha intenção magoar-te. Se o infinitivo vier precedido de palavra atrativa, ocorre tanto a próclise quanto a ênclise. Espero com isto não te magoar. Espero com isto não magoar-te. - No início de frases ou depois de pausa: Vão-se os anéis, ficam os dedos. Decorre daí a afirmação de que, na variante culta escrita, não se inicia frase com pronome oblíquo átono. Causou-me surpresa a tua reação. O Pronome Oblíquo Átono nas Locuções Verbais - Com palavras atrativas: quando a locução vem precedida de palavra atrativa, o pronome se coloca antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Exemplo: Nunca te posso negar isso; Nunca posso negar-te isso. É possível, nesses casos, o uso da próclise antes do verbo principal. Nesse caso, o pronome não se liga por hífen ao verbo auxiliar: Nunca posso te negar isso. - No início da oração ou depois de pausa: quando a locução se situa no início da oração, não se usa o pronome antes do verbo auxiliar. Exemplo: Posso-lhe dar garantia total; Posso dar-lhe garantia total. A mesma norma é válida para os casos em que a locução verbal vem precedida de pausa. Exemplo: Em dias de lua cheia, pode-se ver a estrada mesmo com faróis apagados; Em dias de lua cheia, pode ver-se a estrada mesmo com os faróis apagados. - Sem atração nem pausa: quando a locução verbal não vem precedida de palavra atrativa nem de pausa, admite-se qualquer colocação do pronome. Exemplos: A vida lhe pode trazer surpresas. A vida pode-lhe trazer surpresas. A vida pode trazer-lhe surpresas. Observações - Quando o verbo auxiliar de uma locução verbal estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, o pronome pode vir em mesóclise em relação a ele: Ter-nos-ia aconselhado a partir. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 183 - Naslocuções verbais, jamais se usa pronome oblíquo átono depois do particípio. Não o haviam convidado. (correto); Não haviam convidado-o. (errado). - Há uma colocação pronominal, restrita a contextos literários, que deve ser conhecida: Há males que se não curam com remédios. Quando há duas partículas atraindo o pronome oblíquo átono, este pode vir entre elas. Poderíamos dizer também: Há males que não se curam com remédios. - Os pronomes oblíquos átonos combinam-se entre si em casos como estes: me + o/a = mo/ma te + o/a = to/ta lhe + o/a = lho/lha nos + o/a = no-lo/no-la vos + o/a = vo-lo/vo-la Tais combinações podem vir: - Proclítica: Eu não vo-lo disse? - Mesoclítica: Dir-vo-lo-ei já. - Enclítica: A correspondência, entregaram-lha há muito tempo. Segundo a norma culta, a regra é a ênclise, ou seja, o pronome após o verbo. Isso tem origem em Portugal, onde essa colocação é mais comum. No Brasil, o uso da próclise é mais frequente, por apresentar maior informalidade. Mas, como devemos abordar os aspectos formais da língua, a regra será ênclise, usando próclise em situações excepcionais, que são: - Palavras invariáveis (advérbios, alguns pronomes, conjunção) atraem o pronome. Por “palavras invariáveis”, entendemos os advérbios, as conjunções, alguns pronomes que não se flexionam, como o pronome relativo que, os pronomes indefinidos quanto/como, os pronomes demonstrativos isso, aquilo, isto. Exemplos: “Ele não se encontrou com a namorada.” – próclise obrigatória por força do advérbio de negação. “Quando se encontra com a namorada, ele fica muito feliz.” – próclise obrigatória por força da conjunção; - Orações exclamativas (“Vou te matar!”) ou que expressam desejo, chamadas de optativas (“Que Deus o abençoe!”) – próclise obrigatória. - Orações subordinadas – (“... e é por isso que nele se acentua o pensador político” – uma oração subordinada causal, como a da questão, exige a próclise.). Emprego Proibido: - Iniciar período com pronome (a forma correta é: Dá-me um copo d’água; Permita-me fazer uma observação.); - Após verbo no particípio, no futuro do presente e no futuro do pretérito. Com essas formas verbais, usa-se a próclise (desde que não caia na proibição acima), modifica-se a estrutura (troca o “me” por “a mim”) ou, no caso dos futuros, emprega-se o pronome em mesóclise. Exemplos: “Concedida a mim a licença, pude começar a trabalhar.” (Não poderia ser “concedida-me” – após particípio é proibido - nem “me concedida” – iniciar período com pronome é proibido). “Recolher-me-ei à minha insignificância” (Não poderia ser “recolherei-me” nem “Me recolherei”). Questões 01. (ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO/PE – ANALISTA LEGISLATIVO – ESPECIALIDADE CONTABILIDADE – FCC/2014) Considerada a norma culta escrita, há correta substituição de estrutura nominal por pronome em: (A) Agradeço antecipadamente sua Resposta // Agradeço-lhes antecipadamente. (B) do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. // do verbo fabricar se extraiu-lhe. (C) não faltam lexicógrafos // não faltam-os. (D) Gostaria de conhecer suas considerações // Gostaria de conhecê-las. (E) incluindo a palavra ‘aguardo’ // incluindo ela. 02. (SECRETARIA DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL/DF – TÉCNICO EM ELETRÔNICA – IADES/2014) Caso fosse necessário substituir o termo destacado em “Basta apresentar um documento” por um pronome, de acordo com a norma-padrão, a nova redação deveria ser 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 184 (A) Bastaapresenta-lo. (B) Basta apresentar-lhe. (C) Basta apresenta-lhe. (D) Basta apresentá-la. (E) Basta apresentá-lo. 03. (CEFET/RJ - REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO/2014). Em qual período, o pronome átono que substitui o sintagma em destaque tem sua colocação de acordo com a norma-padrão? (A) O porteiro não conhecia o portador do embrulho – conhecia-o (B) Meu pai tinha encontrado um marinheiro na praça Mauá – tinha encontrado-o. (C) As pessoas relatarão as suas histórias para o registro no Museu – relatá-las-ão. (D) Quem explicou às crianças as histórias de seus antepassados? – explicou-lhes. (E) Vinham perguntando às pessoas se aceitavam a ideia de um museu virtual – Lhes vinham perguntando. 04. (SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO DISTRITO FEDERAL/DF – ANALISTA – IADES/2014 - adaptada) De acordo com a norma-padrão e as questões gramaticais que envolvem o trecho “Frustrei-me por não ver o Escola”, é correto afirmar que (A) “me” poderia ser deslocado para antes do verbo que acompanha. (B) “me” deveria obrigatoriamente ser deslocado para antes do verbo que acompanha. (C) a ênclise em “Frustrei-me” é facultativa. (D) a inclusão do advérbio Não, no inı́cio da oração “Frustrei-me”, tornaria a próclise obrigatória. (E) a ênclise em “Frustrei-me” é obrigatória. 05. (SABESP – TECNÓLOGO – FCC/2014). A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente foi realizada de modo INCORRETO em: (A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu (B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os (C) para fazer a dragagem = para fazê-la (D) que desviava a água = que lhe desviava (E) supriam a necessidade = supriam-na 06. (PRODEST/ES – ASSISTENTE ORGANIZACIONAL – VUNESP/2014) Para atender à norma- padrão da língua portuguesa e manter o sentido do texto, o trecho em destaque deve ser corretamente substituído por pronome como indicado na alternativa: (A) Eu escutava as conversas, as notícias do rádio, dormia... → Eu escutava-nas, dormia... (B) ... pouco a pouco, fui pedindo licença a meu amigo taxista para um telefonema aqui... pouco a pouco, fui pedindo-lhe licença para um telefonema aqui... (C) ... passei a interromper meu precioso flanar nos táxis... → passei a interromper-lhe... (D) ... e saio do carro com meu tio balançando a cabeça lá em cima. → e saio do carro com meu tio balançando-na lá em cima. (E) Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo os absurdos que falamos ao celular... → Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo-se ao celular... 07. (EMDEC - ANALISTA DA MOBILIDADE URBANA I – IBFC/2014). Na oração “movendo-nos com desembaraço”, a posição do pronome átono é enclítica. Assinale a opção em que o pronome também deveria estar empregado nessa mesma posição. (A) Nunca me convidam para os grandes eventos. (B) Embora te encontre, ainda sinto tua falta. (C) Não encontrei a reposta que me indicaram. (D) Assim, se resolvem os problemas. 08. (TCE-RS - AUDITOR PÚBLICO EXTERNO - ENGENHARIA CIVIL - CONHECIMENTOS BÁSICOS – FCC/2014). A educação para a cidadania é um objetivo essencial, mas comprometem essa educação para a cidadania os que pretendem praticar a educação para a cidadania sem dotar a educação para a cidadania da visibilidade das atitudes públicas. Evitam-se as repetições viciosas da frase acima se substituindo os segmentos sublinhados, respectivamente, por: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 185 (A) comprometem-lhe- praticá-la - dotar-lhe; (B) comprometem ela - praticar-lhe - dotá-la; (C) comprometem-na - praticá-la - dotá-la; (D) comprometem a mesma - a praticar - lhe dotar; (E) comprometem a ela - lhe praticar - a dotar; 09. (MINISTÉRIO PÚBLICO/SP – AUXILIAR DE PROMOTORIA – VUNESP/2014). Assinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal. (A) Certamente delineou-se um cenário infernal com assassinatos brutais. (B) A frente que se opôs aos hutus foi liderada por Paul Kagame. (C) Se completam, em 2014, 20 anos do genocídio em Ruanda. (D) Kagame reconhece que as pessoas não livraram-se do vírus do ódio. (E) Com Kagame como presidente, têm feito-se mudanças em Ruanda. 10. (TRT-13ª REGIÃO/PB – TÉCNICO JUDICIÁRIO – TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO – FCC/2014) Durante toda a era moderna, nossos ancestrais avaliaram a virtude de suas realizações... ... cessem de obedecer à sentença de Steiner. Esse novo espectro comprova a novidade... Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos sublinhados acima foram corretamente substituídos por um pronome, na ordem dada, em: (A) avaliaram-nas − obedecê-la − comprova-na (B) avaliaram-na − obedecer-lhe − comprova-a (C) avaliaram-lhe − a obedecer − lhe comprova (D) as avaliaram − obedece-a − comprova-lhe (E) lhes avaliaram − obedece-lhe − a comprova Respostas 01. Resposta D (A) Agradeço antecipadamente sua Resposta // Agradeço-lhes = agradeço-a (B) do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. // do verbo fabricar se extraiu-lhe. = extraiu-o (C) não faltam lexicógrafos // não faltam-os. = não os faltam (D) Gostaria de conhecer suas considerações // Gostaria de conhecê-las. = correta (E) incluindo a palavra ‘aguardo’ // incluindo ela. = incluindo-a 02. Resposta E Apresentar o quê? O documento = objeto direto, sem preposição – então esqueçamos o “lhe” (para objeto indireto). Restaram-nos os itens A, D e E. Em D, o pronome está no feminino (la), e o termo a ser substituído é masculino (um documento). Descartemo-la. A acentuação dos verbos com pronome oblíquo segue a regra de acentuação normalmente, desconsiderando-se o pronome, claro! = apresentá-lo (oxítona). Temos, então: “Basta apresentá-lo”. 03. Resposta C A) O porteiro não conhecia o portador do embrulho – não o conhecia B) Meu pai tinha encontrado um marinheiro na praça Mauá – tinha o encontrado C) As pessoas relatarão as suas histórias para o registro no Museu – relatá-las-ão = correta D) Quem explicou às crianças as histórias de seus antepassados? – explicou-lhes = quem lhes explicou E) Vinham perguntando às pessoas se aceitavam a ideia de um museu virtual = Vinham lhes perguntando. 04. Resposta D “Frustrei-me por não ver o Escola” (A) “me” poderia ser deslocado para antes do verbo que acompanha = Me frustrei = incorreta, pois não se inicia período com pronome oblíquo (é a regra!). (B) “me” deveria obrigatoriamente ser deslocado para antes do verbo que acompanha = respondi anteriormente! – na A 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 186 (C) aênclise em “Frustrei-me” é facultativa. = incorreta. Como não há partícula que justifique a próclise, utiliza-se ênclise (D) a inclusão do advérbio Não, no inı́cio da oração “Frustrei-me”, tornaria a próclise obrigatória. = Não me frustrei = correta (o advérbio de negação “atrairia” o pronome) (E) a ênclise em “Frustrei-me” é obrigatória. = incorreta (em termos!). Se houvesse partícula que justificasse a próclise, a ênclise seria descartada – por isso que não está correto afirmar “obrigatória”. 05. Resposta D (A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu = correta (B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os = correta (C) para fazer a dragagem = para fazê-la = correta (D) que desviava a água = que lhe desviava = que a desviava (E) supriam a necessidade = supriam-na = correta 06. Resposta B (A) Eu escutava as conversas, as notícias do rádio, dormia... → Eu escutava-nas, dormia = eu as escutava (B) ... pouco a pouco, fui pedindo licença a meu amigo taxista para um telefonema aqui... pouco a pouco, fui pedindo-lhe licença para um telefonema aqui... = correta (C) ... passei a interromper meu precioso flanar nos táxis... → passei a interromper-lhe... = passei a interrompê-lo (D) ... e saio do carro com meu tio balançando a cabeça lá em cima. → e saio do carro com meu tio balançando-na lá em cima. = meu tio balançando-a (E) Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo os absurdos que falamos ao celular... → Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo-se ao celular...= ouvindo-os 07. Resposta D Correções à frente: (A) Nunca me convidam para os grandes eventos = correta. (B) Embora te encontre, ainda sinto tua falta = correta. (C) Não encontrei a reposta que me indicaram = correta. (D) Assim, se resolvem os problemas = resolvem-se. 08. Resposta C Lembrando o alfabeto: J - K - L - MN = comprometeM-Na. Eliminaremos, assim, todas as alternativas, ficando apenas com a correta! A dica, realmente, ajuda! Mas continuarei! Os verbos “praticar” e “dotar” pedem objeto direto (sem preposição), então não pode ser o “lhe” (que é para objetos indiretos). Teremos “praticá-la” e “dotá-la”. 09. Resposta Correções: (A) Certamente delineou-se = certamente se delineou (advérbio) (B) A frente que se opôs aos hutus foi liderada por Paul Kagame = correta. (C) Se completam = completam-se (início de período) (D) Kagame reconhece que as pessoas não livraram-se = não se livraram (advérbio de negação) (E) Com Kagame como presidente, têm feito-se = têm-se feito 10. Resposta B Durante toda a era moderna, nossos ancestrais avaliaram a virtude de suas realizações... ... cessem de obedecer à sentença de Steiner. Esse novo espectro comprova a novidade... Coesão Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de frases é a relação existente entre os elementos que os constituem. A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre palavras, expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os componentes do texto. Observe: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 187 “O iraquianoleu sua declaração num bloquinho comum de anotações, que segurava na mão.” Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão entre as duas orações. O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações e segurava na mão, retomando na segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, e a conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão. Leia o texto que segue: Arroz-doce da infância Ingredientes 1 litro de leite desnatado 150g de arroz cru lavado 1 pitada de sal 4 colheres (sopa) de açúcar 1 colher (sobremesa) de canela em pó Preparo Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente, polvilhe a canela. Sirva. Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42. Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes e modo de preparar. As informações apresentadas na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primeira vez na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre outras funções, a de indicar que o termo determinado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera menção. No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar, pois se trataria de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos ingredientes. Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras, expressões ou frases e encadeamento de segmentos. Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical - (pronome, verbos ou advérbios) “No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ganham menos do que aqueles em cargos equivalentes.” Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a palavra homens. Os termos que servem para retomar outros são denominados anafóricos; os que servem para anunciar, para antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa abandonar a faculdade no último ano: “Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último ano?” São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os pronomes relativos, certos advérbios ou locuções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os pronomes pessoais de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos: “Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.” O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre. “As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como um descrente do amor e da amizade.” 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 222.
    . 188 O pronomepessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de Assis. “Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando roupa escura.” O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens. “Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado com a fila.” O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema. “O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos funcionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço aos servidores.” A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugurar e seu complemento. - Em princípio, o termo a que “o” anafórico se refere deve estar presente no texto, senão a coesão fica comprometida, como neste exemplo: “André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários meses.” A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico, pois não está retomando nenhuma das palavras citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudicado: não há possibilidade de se depreender o sentido desse pronome. Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no interior do texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve o texto. É o caso de um exemplo como este: “O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava desesperado, porque eram 21 horas e ela não havia comparecido.” Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se referindo à palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser pelo atraso da noiva (representada por “ela” no exemplo citado). - O artigo indefinido serve geralmente para introduzir informações novas ao texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser precedidas do artigo definido, pois este é que tem a função de indicar que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor referencial, a um termo já mencionado. “O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.” - Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de coesão, porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal forma que o leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico. “Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância.” O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor. “André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que trabalha na mesma firma.” Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita. Retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou verbo) Uma palavra pode ser retomada, que por uma repetição, quer por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, hipônimo ou antonomásia. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 189 Sinônimo éo nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra, ou sentido bastante aproximado: injúria e afronta, alegre e contente. Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido; Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. O significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma flor, mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela. Antonomásia é a substituição de um nome próprio por um nome comum ou de um comum por um próprio. Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma característica notória ou quando o nome próprio de uma personagem famosa é usado para designar outras pessoas que possuam a mesma característica que a distingue: “O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.” “O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê.” Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América. “Ele é um Hércules.” (=um homem muito forte). Referência à força física que caracteriza o herói grego Hércules. “Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. Deve receber ministros, embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo o momento tomar graves decisões que afetam a vida de muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas da noite.” A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período e o que vem antes dele. “Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros sempre o atraíram.” Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros, que recupera os hipônimos estrelas, planetas, satélites. “Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos orgânicos) que percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso corpo. Eram quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido), ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.” Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18. Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores; entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos. É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, pois, se ela não for usada para criar um efeito de sentido de intensificação, constituirá uma falha de estilo. No trecho transcrito a seguir, por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária que um provável flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente: “Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.” Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi- vice-campeão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, no Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem. José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 08/03/2000, p. 4-7. A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode ser facilmente recuperado pelo contexto. Também constitui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria repetido, e o 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 190 preenchimento dovazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamente, que se faça correlação com outros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que se desenrola a fala. Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Machado de Assis: (...) Mas a lua, fitando o sol, com azedume: “Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela Claridade imorta, que toda a luz resume!” Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, v.III, p. 151. Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica subentendido, é omitido por ser facilmente presumível. Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou: “Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no peito e parou.” Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que segue, aquela promoção é complemento tanto de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo: “Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preterido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente aquela promoção.” Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente, a coesão é rompida. Por exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo verbo implicar. Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro verbo, respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acrescentando a preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos palpiteiros e os dispenso sem dó). Coesão por Conexão Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação entre segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. Por exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja. Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas de diversos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Essas relações exercem função argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser usados indiscriminadamente. Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcançou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumentativa contrária. Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resultado seria um paradoxo semântico, pois esse operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sendo o segmento introduzido por ele a conclusão do anterior. - Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa série de argumentos orientados para uma mesma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais forte de uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala com argumentos mais fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito. “Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem articulado, conhece bem o assunto de que fala e é até sedutor.” 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 191 Toda asérie de qualidades está orientada no sentido de comprovar que ele é bom conferencista; dentro dessa série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte. “Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Chegará a ser pelo menos diretor da empresa.” Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para comprovar que ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor positivo. “Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo grau.” No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender; supõe que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está usando o argumento menos forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no máximo e quando muito estabelecem ligação entre argumentos de valor depreciativo. - Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também, ainda, nem, não só... mas também, tanto... como, além de, a par de. “Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor da escola, é muito respeitado pelos funcionários e também é muito querido pelos alunos.” Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. O último deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma direção argumentativa dos precedentes. Esses operadores introduzem novos argumentos; não significam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e continuou seu discurso”, porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e escondeu o choro que tomou conta dele”. - Disjunção Argumentativa: há também operadores que indicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem uma conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orientação argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário. “Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a briga, para que ele não apanhasse.” O argumento introduzido por ao contrário é diametralmente oposto àquele de que o falante teria agredido alguém. - Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou mais enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita, por manifestar uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois (o pois é conclusivo quando não encabeça a oração). “Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, não é moralmente defensável.” Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período. - Comparação: outros importantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão contrária ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que. “Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários.” 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 192 O comparativode igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por isso, os segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do ponto de vista argumentativo, pois não há igualdade argumentativa proposta, “Tanto maior será a corrupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da fuga de presos”. Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol: “__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time. __Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal.” Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, pois ele declara que qualquer atleta das divisões de base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que estes não primam exatamente pela excelência em relação aos outros. Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala: “__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.” Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da promoção, pois ele estaria declarando que os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base. - Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem uma explicação ou uma justificativa em relação ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois. “Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da guerra.” Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque. - Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção, isto é, que ligam enunciados com orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversativas (mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que, conquanto, ainda que, posto que, se bem que). Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se tanto umas como outras ligam enunciados com orientação argumentativa contrária? Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção. “O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta mais decidido a vencer.” Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o atleta, enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segunda orientação é a mais forte. Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primeiro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; no segundo, que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções adversativas, introduz-se um argumento com vistas à determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um argumento decisivo para uma conclusão contrária. Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa que predomina é a do segmento não introduzido pela conjunção. “Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática, trata-se de capacidades diferentes.” A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber escrever e saber gramática são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção argumentativa contrária. Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um argumento que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com orientação contrária. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 193 A diferençaentre as adversativas e as concessivas, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare os seguintes períodos: “Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou- se mais complexa (argumento mais forte).” “O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou- se mais complexa (argumento mais forte).” - Argumento Decisivo: há operadores discursivos que introduzem um argumento decisivo para derrubar a argumentação contrária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se fosse apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso, ademais. “Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empresa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ganhou uma bolada na loteria.” O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período muito bom da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma. - Generalização ou Amplificação: existem operadores que assinalam uma generalização ou uma amplificação do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que. “O problema da erradicação da pobreza passa pela geração de empregos. De fato, só o crescimento econômico leva ao aumento de renda da população.” O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes. “Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol. O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol são retranqueiros. - Especificação ou Exemplificação: também há operadores que marcam uma especificação ou uma exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo, como. “A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da população. Por exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em toda sorte de delitos, dos menos aos mais graves.” Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”. - Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação, uma correção do que foi afirmado antes: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras. Exemplo: “Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar a viver junto com minha namorada.” O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito antes. Esses operadores servem também para marcar um esclarecimento, um desenvolvimento, uma redefinição do conteúdo enunciado anteriormente. Exemplo: “A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.” O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito antes. Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 228.
    . 194 “Quando aatual oposição estava no comando do país, não fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário, suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente. O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito antes. - Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação, uma confirmação, uma ilustração do que foi afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira. “O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se processavam as negociações, atacou de surpresa.” O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado antes. Coesão por Justaposição É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados, marcada ou não com sequenciadores. Examinemos os principais sequenciadores. - Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterioridade, concomitância ou posterioridade: dois meses depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predominantemente nas narrações). “Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos para o futuro.” - Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc. (são usados principalmente nas descrições). “A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, representando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. (...) Do outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior força do inverno.” José de Alencar. Senhora.São Paulo, FTD, 1992, p. 77. - Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem dos assuntos numa exposição: primeiramente, em segunda, a seguir, finalmente, etc. “Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, das agruras por que passam as populações civis; em seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmente, exporei suas consequências para a economia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do planeta.” - Sequenciadores para Introdução: são os que, na conversação principalmente, servem para introduzir um tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, fazendo um parêntese, etc. “Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pessoas. A propósito, era um homem que sabia agradar às mulheres.” - Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de sequenciação, o leitor deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos não explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados, na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos. “A reforma política é indispensável. Sem a existência da fidelidade partidária, cada parlamentar vota segundo seus interesses e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há bases governamentais sólidas.” 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 229.
    . 195 Esse textocontém três períodos. O segundo indica a causa de a reforma política ser indispensável. Portanto o ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque. A língua tem um grande número de conectores e sequenciadores. Apresentamos os principais e explicamos sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra falha comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do período. Analisemos este exemplo: “As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de combate à fome que foi lançada pelo governo federal.” O período compõe-se de: - As empresas - que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da primeira oração) - que apoiariam a campanha de combate à fome (oração subordinada substantiva objetiva direta da segunda oração) - que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada adjetiva restritiva da terceira oração). Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem escreveu o período começou a encadear orações subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal. Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos longos. No entanto, mesmo quando se elaboram períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que suas partes estejam bem conectadas entre si. Para que um conjunto de frases constitua um texto, não basta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um amontoado injustificado. Exemplo: “Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também o Rio de Janeiro tem favelas.” Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra cidade, vinculando o terceiro ao segundo período. O operador também realiza uma conjunção argumentativa, relacionando o quarto período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apresenta unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coesão, portanto, é condição necessária, mas não suficiente, para produzir um texto. Questões 01. (TJ/RJ – Analista Judiciário – FGV/2014) TEXTO 1 – BEM TRATADA, FAZ BEM Sérgio Magalhães, O Globo O arquiteto Jaime Lerner cunhou esta frase premonitória: “O carro é o cigarro do futuro.” Quem poderia imaginar a reversão cultural que se deu no consumo do tabaco? Talvez o automóvel não seja descartável tão facilmente. Este jornal, em uma série de reportagens, nestes dias, mostrou o privilégio que os governos dão ao uso do carro e o desprezo ao transporte coletivo. Surpreendentemente, houve entrevistado que opinou favoravelmente, valorizando Los Angeles – um caso típico de cidade rodoviária e dispersa. Ainda nestes dias, a ONU reafirmou o compromisso desta geração com o futuro da humanidade e contra o aquecimento global – para o qual a emissão de CO2 do rodoviarismo é agente básico. (A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o trânsito.) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 230.
    . 196 O transportetambém esteve no centro dos protestos de junho de 2013. Lembremos: ele está interrelacionado com a moradia, o emprego, o lazer. Como se vê, não faltam razões para o debate do tema. “Como se vê, não faltam razões para o debate do tema.” Substituindo o termo em destaque por uma oração desenvolvida, a forma correta e adequada seria: (A) para que se debatesse o tema; (B) para se debater o tema; (C) para que se debata o tema; (D) para debater-se o tema; (E) para que o tema fosse debatido. 02. (TJ/RJ – Analista Judiciário – FGV/2014) “A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o trânsito”. A oração em forma desenvolvida que substitui correta e adequadamente o gerúndio “advertindo” é: (A) com a advertência de; (B) quando adverte; (C) em que adverte; (D) no qual advertia; (E) para advertir. 03. (PC/RJ – Papilocopista – IBF/2014) Texto III Corrida contra o ebola Já faz seis meses que o atual surto de ebola na África Ocidental despertou a atenção da comunidade internacional, mas nada sugere que as medidas até agora adotadas para refrear o avanço da doença tenham sido eficazes. Ao contrário, quase metade das cerca de 4.000 contaminações registradas neste ano ocorreram nas últimas três semanas, e as mais de 2.000 mortes atestam a força da enfermidade. A escalada levou o diretor do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA, Tom Frieden, a afirmar que a epidemia está fora de controle. O vírus encontrou ambiente propício para se propagar. De um lado, as condições sanitárias e econômicas dos países afetados são as piores possíveis. De outro, a Organização Mundial da Saúde foi incapaz de mobilizar com celeridade um contingente expressivo de profissionais para atuar nessas localidades afetadas. Verdade que uma parcela das debilidades da OMS se explica por problemas financeiros. Só 20% dos recursos da entidade vêm de contribuições compulsórias dos países-membros – o restante é formado por doações voluntárias. A crise econômica mundial se fez sentir também nessa área, e a organização perdeu quase US$ 1 bilhão de seu orçamento bianual, hoje de quase US$ 4 bilhões. Para comparação, o CDC dos EUA contou, somente no ano de 2013, com cerca de US$ 6 bilhões. Os cortes obrigaram a OMS a fazer escolhas difíceis. A agência passou a dar mais ênfase à luta contra enfermidades globais crônicas, como doenças coronárias e diabetes. O departamento de respostas a epidemias e pandemias foi dissolvido e integrado a outros. Muitos profissionais experimentados deixaram seus cargos. Pesa contra o órgão da ONU, de todo modo, a demora para reconhecer a gravidade da situação. Seus esforços iniciais foram limitados e mal liderados. O surto agora atingiu proporções tais que já não é mais possível enfrentá-lo de Genebra, cidade suíça sede da OMS. Tornou-se crucial estabelecer um comando central na África Ocidental, com representantes dos países afetados. Espera-se também maior comprometimento das potências mundiais, sobretudo Estados Unidos, Inglaterra e França, que possuem antigos laços com Libéria, Serra Leoa e Guiné, respectivamente. A comunidade internacional tem diante de si um desafio enorme, mas é ainda maior a necessidade de agir com rapidez. Nessa batalha global contra o ebola, todo tempo perdido conta a favor da doença. (Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/09/1512104-editorial-corrida-contra-o-ebola.shtml: Acesso em: 08/09/2014) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 231.
    . 197 Assinale aopção em que se indica, INCORRETAMENTE, o referente do termo em destaque. (A) “quase US$ 1 bilhão de seu orçamento bianual” (5º§) – organização (B) “A agência passou a dar mais ênfase” (6º§) – OMS (C) “Pesa contra o órgão da ONU”(7º§) – OMS (D) “Seus esforços iniciais foram limitados” (7º§) – gravidade da situação (E) “A comunidade tem diante de si” (10º§) – comunidade internacional 04. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP-2014) Leia o texto para responder a questão. As cotas raciais deram certo porque seus beneficiados são, sim, competentes. Merecem, sim, frequentar uma universidade pública e de qualidade. No vestibular, que é o princípio de tudo, os cotistas estão só um pouco atrás. Segundo dados do Sistema de Seleção Unificada, a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos. A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de 3%. IstoÉ entrevistou educadores e todos disseram que essa distância é mais do que razoável. Na verdade, é quase nada. Se em uma disciplina tão concorrida quanto medicina um coeficiente de apenas 3% separa os privilegiados, que estudaram em colégios privados, dos negros e pobres, que frequentaram escolas públicas, então é justo supor que a diferença mínima pode, perfeitamente, ser igualada ou superada no decorrer dos cursos. Depende só da disposição do aluno. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais conceituadas do País, os resultados do último vestibular surpreenderam. “A maior diferença entre as notas de ingresso de cotistas e não cotistas foi observada no curso de economia”, diz Ângela Rocha, pró- reitora da UFRJ. “Mesmo assim, essa distância foi de 11%, o que, estatisticamente, não é significativo”. (www.istoe.com.br) Para responder a questão, considere a passagem – A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de 3%. O pronome eles tem como referente: (A) candidatos convencionais e cotistas. (B) beneficiados. (C) dados do Sistema de Seleção Unificada. (D) dados do Sistema de Seleção Unificada e pontos. (E) pontos. 05. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP-2014) Leia os quadrinhos para responder a questão. Um enunciado possível em substituição à fala do terceiro quadrinho, em conformidade com a norma- padrão da língua portuguesa, é: (A) Se você ir pelos caminhos da verdade, leve um capacete. (B) Caso você vá pelos caminhos da verdade, lembra-se de levar um capacete. (C) Se você se mantiver nos caminhos da verdade, leve um capacete. (D) Caso você se mantém nos caminhos da verdade, lembre de levar um capacete. (E) Ainda que você se mantêm nos caminhos da verdade, leva um capacete. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 198 Respostas 01. (C)- As orações subordinadas desenvolvidas possuem conjunção e verbos conjugados em modos e tempos verbais. Na letra "a" o verbo está num tempo diferente da frase. Na letra "b" o verbo está no infinitivo o que caracteriza como oração reduzida. Na letra "c" a oração apresenta a conjunção "para que" que exprime finalidade e o verbo está conjugado no tempo correto da frase. Na letra "d" não apresenta conjunção. Na letra "e" o verbo está no particípio caracterizando oração reduzida. Portanto, a resposta certa é a letra "c". 02. (C) - “A USP acaba de divulgar estudo advertindo que a poluição em São Paulo mata o dobro do que o trânsito”. Os verbos acabar e matar contidos na frase estão no presente do indicativo. Logo, o verbo advertir ficará no presente do indicativo. EX: eu advirto, tu advertes, ele adverte. 03. (D) - Pesa contra o órgão da ONU, de todo modo, a demora para reconhecer a gravidade da situação. Seus esforços iniciais foram limitados e mal liderados. De quem foram os esforços? Da ONU, pois estes formam limitados e mal liderados. 04. (A) - "a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos" A DIFERENÇA ENTRE ELES é de 3%. eles quem ? (os candidatos convencionais e os cotistas) que estão postos em relação a diferença de NOTA . 05. (C) (A) Se você ir (for) pelos caminhos da verdade, leve um capacete. (B) Caso você vá pelos caminhos da verdade, lembra-se (lembre-se) de levar um capacete. (C) Se você se mantiver nos caminhos da verdade, leve um capacete. (D) Caso você se mantém (mantenha) nos caminhos da verdade, lembre de levar um capacete. (D) Ainda que você se mantêm (mantenha) nos caminhos da verdade, leva (leve) um capacete. A palavra ortografia é formada pelos elementos gregos orto “correto” e grafia “escrita” sendo a escrita correta das palavras da língua portuguesa, obedecendo a uma combinação de critérios etimológicos (ligados à origem das palavras) e fonológicos (ligados aos fonemas representados). Somente a intimidade com a palavra escrita, é que acaba trazendo a memorização da grafia correta. Deve-se também criar o hábito de consultar constantemente um dicionário. Alfabeto O alfabeto passou a ser formado por 26 letras. As letras “k”, “w” e “y” não eram consideradas integrantes do alfabeto (agora são). Essas letras são usadas em unidades de medida, nomes próprios, palavras estrangeiras e outras palavras em geral. Exemplos: km, kg, watt, playground, William, Kafka, kafkiano. Vogais: a, e, i, o, u, y, w. Consoantes: b,c,d,f,g,h,j,k,l,m,n,p,q,r,s,t,v,w,x,z. Alfabeto: a,b,c,d,e,f,g,h,i,j,k,l,m,n,o,p,q,r,s,t,u,v,w,x,y,z. Observações: A letra “Y” possui o mesmo som que a letra “I”, portanto, ela é classificada como vogal. Ortografia 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 233.
    . 199 A letra“K” possui o mesmo som que o “C” e o “QU” nas palavras, assim, é considerada consoante. Exemplo: Kuait / Kiwi. Já a letra “W” pode ser considerada vogal ou consoante, dependendo da palavra em questão, veja os exemplos: No nome próprio Wagner o “W” possui o som de “V”, logo, é classificado como consoante. Já no vocábulo “web” o “W” possui o som de “U”, classificando-se, portanto, como vogal. Emprego da letra H Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem valor fonético; conservou-se apenas como símbolo, por força da etimologia e da tradição escrita. Grafa-se, por exemplo, hoje, porque esta palavra vem do latim hodie. Emprega-se o H: - Inicial, quando etimológico: hábito, hélice, herói, hérnia, hesitar, haurir, etc. - Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh e nh: chave, boliche, telha, flecha, companhia, etc. - Final e inicial, em certas interjeições: ah!, ih!, hem?, hum!, etc. - Algumas palavras iniciadas com a letra H: hálito, harmonia, hangar, hábil, hemorragia, hemisfério, heliporto, hematoma, hífen, hilaridade, hipocondria, hipótese, hipocrisia, homenagear, hera, húmus; - Sem h, porém, os derivados baianos, baianinha, baião, baianada, etc. Não se usa H: - No início de alguns vocábulos em que o h, embora etimológico, foi eliminado por se tratar de palavras que entraram na língua por via popular, como é o caso de erva, inverno, e Espanha, respectivamente do latim, herba, hibernus e Hispania. Os derivados eruditos, entretanto, grafam-se com h: herbívoro, herbicida, hispânico, hibernal, hibernar, etc. Emprego das letras E, I, O e U Na língua falada, a distinção entre as vogais átonas /e/ e /i/, /o/ e /u/ nem sempre é nítida. É principalmente desse fato que nascem as dúvidas quando se escrevem palavras como quase, intitular, mágoa, bulir, etc., em que ocorrem aquelas vogais. Escreve-se com a letra E: - A sílaba final de formas dos verbos terminados em –uar: continue, habitue, pontue, etc. - A sílaba final de formas dos verbos terminados em –oar: abençoe, magoe, perdoe, etc. - As palavras formadas com o prefixo ante– (antes, anterior): antebraço, antecipar, antedatar, antediluviano, antevéspera, etc. - Os seguintes vocábulos: Arrepiar, Cadeado, Candeeiro, Cemitério, Confete, Creolina, Cumeeira, Desperdício, Destilar, Disenteria, Empecilho, Encarnar, Indígena, Irrequieto, Lacrimogêneo, Mexerico, Mimeógrafo, Orquídea, Peru, Quase, Quepe, Senão, Sequer, Seriema, Seringa, Umedecer. Emprega-se a letra I: - Na sílaba final de formas dos verbos terminados em –air/–oer /–uir: cai, corrói, diminuir, influi, possui, retribui, sai, etc. - Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra): antiaéreo, Anticristo, antitetânico, antiestético, etc. - Nos seguintes vocábulos: aborígine, açoriano, artifício, artimanha, camoniano, Casimiro, chefiar, cimento, crânio, criar, criador, criação, crioulo, digladiar, displicente, erisipela, escárnio, feminino, Filipe, frontispício, Ifigênia, inclinar, incinerar, inigualável, invólucro, lajiano, lampião, pátio, penicilina, pontiagudo, privilégio, requisito, Sicília (ilha), silvícola, siri, terebintina, Tibiriçá, Virgílio. Grafam-se com a letra O: abolir, banto, boate, bolacha, boletim, botequim, bússola, chover, cobiça, concorrência, costume, engolir, goela, mágoa, mocambo, moela, moleque, mosquito, névoa, nódoa, óbolo, ocorrência, rebotalho, Romênia, tribo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 200 Grafam-se coma letra U: bulir, burburinho, camundongo, chuviscar, cumbuca, cúpula, curtume, cutucar, entupir, íngua, jabuti, jabuticaba, lóbulo, Manuel, mutuca, rebuliço, tábua, tabuada, tonitruante, trégua, urtiga. Parônimos: Registramos alguns parônimos que se diferenciam pela oposição das vogais /e/ e /i/, /o/ e /u/. Fixemos a grafia e o significado dos seguintes: área = superfície ária = melodia, cantiga arrear = pôr arreios, enfeitar arriar = abaixar, pôr no chão, cair comprido = longo cumprido = particípio de cumprir comprimento = extensão cumprimento = saudação, ato de cumprir costear = navegar ou passar junto à costa custear = pagar as custas, financiar deferir = conceder, atender diferir = ser diferente, divergir delatar = denunciar dilatar = distender, aumentar descrição = ato de descrever discrição = qualidade de quem é discreto emergir = vir à tona imergir = mergulhar emigrar = sair do país imigrar = entrar num país estranho emigrante = que ou quem emigra imigrante = que ou quem imigra eminente = elevado, ilustre iminente = que ameaça acontecer recrear = divertir recriar = criar novamente soar = emitir som, ecoar, repercutir suar = expelir suor pelos poros, transpirar sortir = abastecer surtir = produzir (efeito ou resultado) sortido = abastecido, bem provido, variado surtido = produzido, causado vadear = atravessar (rio) por onde dá pé, passar a vau vadiar = viver na vadiagem, vagabundear, levar vida de vadio Emprego das letras G e J Para representar o fonema /j/ existem duas letras; g e j. Grafa-se este ou aquele signo não de modo arbitrário, mas de acordo com a origem da palavra. Exemplos: gesso (do grego gypsos), jeito (do latim jactu) e jipe (do inglês jeep). Escrevem-se com G: - Os substantivos terminados em –agem, -igem, -ugem: garagem, massagem, viagem, origem, vertigem, ferrugem, lanugem. Exceção: pajem - As palavras terminadas em –ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio: contágio, estágio, egrégio, prodígio, relógio, refúgio. - Palavras derivadas de outras que se grafam com g: massagista (de massagem), vertiginoso (de vertigem), ferruginoso (de ferrugem), engessar (de gesso), faringite (de faringe), selvageria (de selvagem), etc. - Os seguintes vocábulos: algema, angico, apogeu, auge, estrangeiro, gengiva, gesto, gibi, gilete, ginete, gíria, giz, hegemonia, herege, megera, monge, rabugento, sugestão, tangerina, tigela. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 235.
    . 201 Escrevem-se comJ: - Palavras derivadas de outras terminadas em –já: laranja (laranjeira), loja (lojista, lojeca), granja (granjeiro, granjense), gorja (gorjeta, gorjeio), lisonja (lisonjear, lisonjeiro), sarja (sarjeta), cereja (cerejeira). - Todas as formas da conjugação dos verbos terminados em –jar ou –jear: arranjar (arranje), despejar (despejei), gorjear (gorjeia), viajar (viajei, viajem) – (viagem é substantivo). - Vocábulos cognatos ou derivados de outros que têm j: laje (lajedo), nojo (nojento), jeito (jeitoso, enjeitar, projeção, rejeitar, sujeito, trajeto, trejeito). - Palavras de origem ameríndia (principalmente tupi-guarani) ou africana: canjerê, canjica, jenipapo, jequitibá, jerimum, jiboia, jiló, jirau, pajé, etc. - As seguintes palavras: alfanje, alforje, berinjela, cafajeste, cerejeira, intrujice, jeca, jegue, Jeremias, Jericó, Jerônimo, jérsei, jiu-jítsu, majestade, majestoso, manjedoura, manjericão, ojeriza, pegajento, rijeza, sabujice, sujeira, traje, ultraje, varejista. - Atenção: Moji, palavra de origem indígena, deve ser escrita com J. Por tradição algumas cidades de São Paulo adotam a grafia com G, como as cidades de Mogi das Cruzes e Mogi-Mirim. Representação do fonema /S/ O fonema /s/, conforme o caso, representa-se por: - C, Ç: acetinado, açafrão, almaço, anoitecer, censura, cimento, dança, dançar, contorção, exceção, endereço, Iguaçu, maçarico, maçaroca, maço, maciço, miçanga, muçulmano, muçurana, paçoca, pança, pinça, Suíça, suíço, vicissitude. - S: ânsia, ansiar, ansioso, ansiedade, cansar, cansado, descansar, descanso, diversão, excursão, farsa, ganso, hortênsia, pretensão, pretensioso, propensão, remorso, sebo, tenso, utensílio. - SS: acesso, acessório, acessível, assar, asseio, assinar, carrossel, cassino, concessão, discussão, escassez, escasso, essencial, expressão, fracasso, impressão, massa, massagista, missão, necessário, obsessão, opressão, pêssego, procissão, profissão, profissional, ressurreição, sessenta, sossegar, sossego, submissão, sucessivo. - SC, SÇ: acréscimo, adolescente, ascensão, consciência, consciente, crescer, cresço, descer, desço, desça, disciplina, discípulo, discernir, fascinar, florescer, imprescindível, néscio, oscilar, piscina, ressuscitar, seiscentos, suscetível, suscetibilidade, suscitar, víscera. - X: aproximar, auxiliar, auxílio, máximo, próximo, proximidade, trouxe, trouxer, trouxeram, etc. - XC: exceção, excedente, exceder, excelência, excelente, excelso, excêntrico, excepcional, excesso, excessivo, exceto, excitar, etc. Homônimos acento = inflexão da voz, sinal gráfico assento = lugar para sentar-se acético = referente ao ácido acético (vinagre) ascético = referente ao ascetismo, místico cesta = utensílio de vime ou outro material sexta = ordinal referente a seis círio = grande vela de cera sírio = natural da Síria cismo = pensão sismo = terremoto empoçar = formar poça empossar = dar posse a incipiente = principiante insipiente = ignorante intercessão = ato de interceder interseção = ponto em que duas linhas se cruzam ruço = pardacento russo = natural da Rússia Emprego de S com valor de Z - Adjetivos com os sufixos –oso, -osa: gostoso, gostosa, gracioso, graciosa, teimoso, teimosa, etc. - Adjetivos pátrios com os sufixos –ês, -esa: português, portuguesa, inglês, inglesa, milanês, milanesa, etc. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 236.
    . 202 - Substantivose adjetivos terminados em –ês, feminino –esa: burguês, burguesa, burgueses, camponês, camponesa, camponeses, freguês, freguesa, fregueses, etc. - Verbos derivados de palavras cujo radical termina em –s: analisar (de análise), apresar (de presa), atrasar (de atrás), extasiar (de êxtase), extravasar (de vaso), alisar (de liso), etc. - Formas dos verbos pôr e querer e de seus derivados: pus, pusemos, compôs, impuser, quis, quiseram, etc. - Os seguintes nomes próprios de pessoas: Avis, Baltasar, Brás, Eliseu, Garcês, Heloísa, Inês, Isabel, Isaura, Luís, Luísa, Queirós, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás, Valdês. - Os seguintes vocábulos e seus cognatos: aliás, anis, arnês, ás, ases, através, avisar, besouro, colisão, convés, cortês, cortesia, defesa, despesa, empresa, esplêndido, espontâneo, evasiva, fase, frase, freguesia, fusível, gás, Goiás, groselha, heresia, hesitar, manganês, mês, mesada, obséquio, obus, paisagem, país, paraíso, pêsames, pesquisa, presa, presépio, presídio, querosene, raposa, represa, requisito, rês, reses, retrós, revés, surpresa, tesoura, tesouro, três, usina, vasilha, vaselina, vigésimo, visita. Emprego da letra Z - Os derivados em –zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita: cafezal, cafezeiro, cafezinho, avezinha, cãozito, avezita, etc. - Os derivados de palavras cujo radical termina em –z: cruzeiro (de cruz), enraizar (de raiz), esvaziar (de vazio), etc. - Os verbos formados com o sufixo –izar e palavras cognatas: fertilizar, fertilizante, civilizar, civilização, etc. - Substantivos abstratos em –eza, derivados de adjetivos e denotando qualidade física ou moral: pobreza (de pobre), limpeza (de limpo), frieza (de frio), etc. - As seguintes palavras: azar, azeite, azáfama, azedo, amizade, aprazível, baliza, buzinar, bazar, chafariz, cicatriz, ojeriza, prezar, prezado, proeza, vazar, vizinho, xadrez. Sufixo –ÊS e –EZ - O sufixo –ês (latim –ense) forma adjetivos (às vezes substantivos) derivados de substantivos concretos: montês (de monte), cortês (de corte), burguês (de burgo), montanhês (de montanha), francês (de França), chinês (de China), etc. - O sufixo –ez forma substantivos abstratos femininos derivados de adjetivos: aridez (de árido), acidez (de ácido), rapidez (de rápido), estupidez (de estúpido), mudez (de mudo) avidez (de ávido) palidez (de pálido) lucidez (de lúcido), etc. Sufixo –ESA e –EZA Usa-se –esa (com s): - Nos seguintes substantivos cognatos de verbos terminados em –ender: defesa (defender), presa (prender), despesa (despender), represa (prender), empresa (empreender), surpresa (surpreender), etc. - Nos substantivos femininos designativos de títulos nobiliárquicos: baronesa, dogesa, duquesa, marquesa, princesa, consulesa, prioresa, etc. - Nas formas femininas dos adjetivos terminados em –ês: burguesa (de burguês), francesa (de francês), camponesa (de camponês), milanesa (de milanês), holandesa (de holandês), etc. - Nas seguintes palavras femininas: framboesa, indefesa, lesa, mesa, sobremesa, obesa, Teresa, tesa, toesa, turquesa, etc. Usa-se –eza (com z): - Nos substantivos femininos abstratos derivados de adjetivos e denotando qualidade, estado, condição: beleza (de belo), franqueza (de franco), pobreza (de pobre), leveza (de leve), etc. Verbos terminados em –ISAR e -IZAR Escreve-se –isar (com s) quando o radical dos nomes correspondentes termina em –s. Se o radical não terminar em –s, grafa-se –izar (com z): avisar (aviso + ar), analisar (análise + ar), alisar (a + liso + ar), bisar (bis + ar), catalisar (catálise + ar), improvisar (improviso + ar), paralisar (paralisia + ar), pesquisar (pesquisa + ar), pisar, repisar (piso + ar), frisar (friso + ar), grisar (gris + ar), anarquizar (anarquia + izar), 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 237.
    . 203 civilizar (civil+ izar), canalizar (canal + izar), amenizar (ameno + izar), colonizar (colono + izar), vulgarizar (vulgar + izar), motorizar (motor + izar), escravizar (escravo + izar), cicatrizar (cicatriz + izar), deslizar (deslize + izar), matizar (matiz + izar). Emprego do X - Esta letra representa os seguintes fonemas: Ch – xarope, enxofre, vexame, etc. CS – sexo, látex, léxico, tóxico, etc. Z – exame, exílio, êxodo, etc. SS – auxílio, máximo, próximo, etc. S – sexto, texto, expectativa, extensão, etc. - Não soa nos grupos internos –xce- e –xci-: exceção, exceder, excelente, excelso, excêntrico, excessivo, excitar, inexcedível, etc. - Grafam-se com x e não com s: expectativa, experiente, expiar, expirar, expoente, êxtase, extasiado, extrair, fênix, texto, etc. - Escreve-se x e não ch: Em geral, depois de ditongo: caixa, baixo, faixa, feixe, frouxo, ameixa, rouxinol, seixo, etc. Excetuam-se caucho e os derivados cauchal, recauchutar e recauchutagem. Geralmente, depois da sílaba inicial en-: enxada, enxame, enxamear, enxaguar, enxaqueca, enxergar, enxerto, enxoval, enxugar, enxurrada, enxuto, etc. Excepcionalmente, grafam-se com ch: encharcar (de charco), encher e seus derivados (enchente, preencher), enchova, enchumaçar (de chumaço), enfim, toda vez que se trata do prefixo en- + palavra iniciada por ch. Em vocábulos de origem indígena ou africana: abacaxi, xavante, caxambu, caxinguelê, orixá, maxixe, etc. Nas seguintes palavras: bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, mexer, mexerico, puxar, rixa, oxalá, praxe, vexame, xarope, xaxim, xícara, xale, xingar, xampu. Emprego do dígrafo CH Escreve-se com ch, entre outros os seguintes vocábulos: bucha, charque, charrua, chavena, chimarrão, chuchu, cochilo, fachada, ficha, flecha, mecha, mochila, pechincha, tocha. Homônimos Bucho = estômago Buxo = espécie de arbusto Cocha = recipiente de madeira Coxa = capenga, manco Tacha = mancha, defeito; pequeno prego; prego de cabeça larga e chata, caldeira Taxa = imposto, preço de serviço público, conta, tarifa Chá = planta da família das teáceas; infusão de folhas do chá ou de outras plantas Xá = título do soberano da Pérsia (atual Irã) Cheque = ordem de pagamento Xeque = no jogo de xadrez, lance em que o rei é atacado por uma peça adversária Consoantes dobradas - Nas palavras portuguesas só se duplicam as consoantes C, R, S. - Escreve-se com CC ou CÇ quando as duas consoantes soam distintamente: convicção, occipital, cocção, fricção, friccionar, facção, sucção, etc. - Duplicam-se o R e o S em dois casos: Quando, intervocálicos, representam os fonemas /r/ forte e /s/ sibilante, respectivamente: carro, ferro, pêssego, missão, etc. Quando a um elemento de composição terminado em vogal seguir, sem interposição do hífen, palavra começada com /r/ ou /s/: arroxeado, correlação, pressupor, bissemanal, girassol, minissaia, etc. CÊ - cedilha É a letra C que se pôs cedilha. Indica que o Ç passa a ter som de /S/: almaço, ameaça, cobiça, doença, eleição, exceção, força, frustração, geringonça, justiça, lição, miçanga, preguiça, raça. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 204 Nos substantivosderivados dos verbos: ter e torcer e seus derivados: ater, atenção; abster, abstenção; reter, retenção; torcer, torção; contorcer, contorção; distorcer, distorção. O Ç só é usado antes de A, O, U. Emprego das iniciais maiúsculas - A primeira palavra de período ou citação. Diz um provérbio árabe: “A agulha veste os outros e vive nua”. No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da letra maiúscula. - Substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil, Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via- Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc. - Nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc. - Nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República, etc. - Nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação, Estado, Pátria, União, República, etc. - Nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações, órgãos públicos, etc: Rua do Ouvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc. - Nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, Os Lusíadas, O Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da Manhã, Manchete, etc. - Expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente, Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc. - Nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do Oriente, o falar do Norte. Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste. - Nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc. Emprego das iniciais minúsculas - Nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos, nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval, ingleses, ave-maria, um havana, etc. - Os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando empregados em sentido geral: São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria. - Nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc. - Palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta: “Qual deles: o hortelão ou o advogado?”; “Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso, mirra”. - No interior dos títulos, as palavras átonas, como: o, a, com, de, em, sem, grafam-se com inicial minúscula. Algumas palavras ou expressões costumam apresentar dificuldades colocando em maus lençóis quem pretende falar ou redigir português culto. Esta é uma oportunidade para você aperfeiçoar seu desempenho. Preste atenção e tente incorporar tais palavras certas em situações apropriadas. A anos: a indica tempo futuro: Daqui a um ano iremos à Europa. Há anos: há indica tempo passado: não o vejo há meses. “Procure o seu caminho Eu aprendi a andar sozinho Isto foi há muito tempo atrás Mas ainda sei como se faz Minhas mãos estão cansadas Não tenho mais onde me agarrar.” (gravação: Nenhum de Nós) Atenção: Há muito tempo já indica passado. Não há necessidade de usar atrás, isto é um pleonasmo. Acerca de: equivale a (a respeito de): Falávamos acerca de uma solução melhor. Há cerca de: equivale a (faz tempo). Há cerca de dias resolvemos este caso. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 205 Ao encontrode: equivale (estar a favor de): Sua atitude vai ao encontro da verdade. De encontro a: equivale a (oposição, choque): Minhas opiniões vão de encontro às suas. A fim de: locução prepositiva que indica (finalidade): Vou a fim de visitá-la. Afim: é um adjetivo e equivale a (igual, semelhante): Somos almas afins. Ao invés de: equivale (ao contrário de): Ao invés de falar começou a chorar (oposição). Em vez de: equivale a (no lugar de): Em vez de acompanhar-me, ficou só. Faça você a sua parte, ao invés de ficar me cobrando! Quantas vezes usamos “ao invés de” quando queremos dizer “no lugar de”! Contudo, esse emprego é equivocado, uma vez que “invés” significa “contrário”, “inverso”. Não que seja absurdamente errado escrever “ao invés de” em frases que expressam sentido de “em lugar de”, mas é preferível optar por “em vez de”. Observe: Em vez de conversar, preferiu gritar para a escola inteira ouvir! (em lugar de) Ele pediu que fosse embora ao invés de ficar e discutir o caso. (ao contrário de) Use “ao invés de” quando quiser o significado de “ao contrário de”, “em oposição a”, “avesso”, “inverso”. Use “em vez de” quando quiser um sentido de “no lugar de” ou “em lugar de”. No entanto, pode assumir o significado de “ao invés de”, sem problemas. Porém, o que ocorre é justamente o contrário, coloca-se “ao invés de” onde não poderia. A par: equivale a (bem informado, ciente): Estamos a par das boas notícias. Ao par: indica relação (de igualdade ou equivalência entre valores financeiros – câmbio): O dólar e o euro estão ao par. Aprender: tomar conhecimento de: O menino aprendeu a lição. Apreender: prender: O fiscal apreendeu a carteirinha do menino. À toa: é uma locução adverbial de modo, equivale a (inutilmente, sem razão): Andava à toa pela rua. À toa: é um adjetivo (refere-se a um substantivo), equivale a (inútil, desprezível). Foi uma atitude à toa e precipitada. (até 01/01/2009 era grafada: à-toa) Baixar: os preços quando não há objeto direto; os preços funcionam como sujeito: Baixaram os preços (sujeito) nos supermercados. Vamos comemorar, pessoal! Abaixar: os preços empregado com objeto direto: Os postos (sujeito) de combustível abaixaram os preços (objeto direto) da gasolina. Bebedor: é a pessoa que bebe: Tornei-me um grande bebedor de vinho. Bebedouro: é o aparelho que fornece água. Este bebedouro está funcionando bem. Bem-Vindo: é um adjetivo composto: Você é sempre bem vindo aqui, jovem. Benvindo: é nome próprio: Benvindo é meu colega de classe. Boêmia/Boemia: são formas variantes (usadas normalmente): Vivia na boêmia/boemia. Botijão/Bujão de gás: ambas formas corretas: Comprei um botijão/bujão de gás. Câmara: equivale ao local de trabalho onde se reúnem os vereadores, deputados: Ficaram todos reunidos na Câmara Municipal. Câmera: aparelho que fotografa, tira fotos: Comprei uma câmera japonesa. Champanha/Champanhe (do francês): O champanha/champanhe está bem gelado. Cessão: equivale ao ato de doar, doação: Foi confirmada a cessão do terreno. Sessão: equivale ao intervalo de tempo de uma reunião: A sessão do filme durou duas horas. Seção/Secção: repartição pública, departamento: Visitei hoje a seção de esportes. Demais: é advérbio de intensidade, equivale a muito, aparece intensificando verbos, adjetivos ou o próprio advérbio. Vocês falam demais, caras! 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 206 Demais: podeser usado como substantivo, seguido de artigo, equivale a os outros. Chamaram mais dez candidatos, os demais devem aguardar. De mais: é locução prepositiva, opõe-se a de menos, refere-se sempre a um substantivo ou a um pronome: Não vejo nada de mais em sua decisão. Dia a dia: é um substantivo, equivale a cotidiano, diário, que faz ou acontece todo dia. Meu dia a dia é cheio de surpresas. (até 01/01/2009, era grafado dia-a-dia) Dia a dia: é uma expressão adverbial, equivale a diariamente. O álcool aumenta dia a dia. Pode isso? Descriminar: equivale a (inocentar, absolver de crime). O réu foi descriminado; pra sorte dele. Discriminar: equivale a (diferençar, distinguir, separar). Era impossível discriminar os caracteres do documento. Cumpre discriminar os verdadeiros dos falsos valores. /Os negros ainda são discriminados. Descrição: ato de descrever: A descrição sobre o jogador foi perfeita. Discrição: qualidade ou caráter de ser discreto, reservado: Você foi muito discreto. Entrega em domicílio: equivale a lugar: Fiz a entrega em domicílio. Entrega a domicílio com verbos de movimento: Enviou as compras a domicílio. As expressões “entrega em domicílio” e “entrega a domicílio” são muito recorrentes em restaurantes, na propaganda televisa, no outdoor, no folder, no panfleto, no catálogo, na fala. Convivem juntas sem problemas maiores porque são entendidas da mesma forma, com um mesmo sentido. No entanto, quando falamos de gramática normativa, temos que ter cuidado, pois “a domicílio” não é aceita. Por quê? A regra estabelece que esta última locução adverbial deve ser usada nos casos de verbos que indicam movimento, como: levar, enviar, trazer, ir, conduzir, dirigir-se. Portanto, “A loja entregou meu sofá a casa” não está correto. Já a locução adverbial “em domicílio” é usada com os verbos sem noção de movimento: entregar, dar, cortar, fazer. A dúvida surge com o verbo “entregar”: não indicaria movimento? De acordo com a gramática purista não, uma vez que quem entrega, entrega algo em algum lugar. Porém, há aqueles que afirmam que este verbo indica sim movimento, pois quem entrega se desloca de um lugar para outro. Contudo, obedecendo às normas gramaticais, devemos usar “entrega em domicílio”, nos atentando ao fato de que a finalidade é que vale: a entrega será feita no (em+o) domicílio de uma pessoa. Espectador: é aquele que vê, assiste: Os espectadores se fartaram da apresentação. Expectador: é aquele que está na expectativa, que espera alguma coisa: O expectador aguardava o momento da chamada. Estada: permanência de pessoa (tempo em algum lugar): A estada dela aqui foi gratificante. Estadia: prazo concedido para carga e descarga de navios ou veículos: A estadia do carro foi prolongada por mais algumas semanas. Fosforescente: adjetivo derivado de fósforo; que brilha no escuro: Este material é fosforescente. Fluorescente: adjetivo derivado de flúor, elemento químico, refere-se a um determinado tipo de luminosidade: A luz branca do carro era fluorescente. Haja - do verbo haver - É preciso que não haja descuido. Aja - do verbo agir - Aja com cuidado, Carlinhos. Houve: pretérito perfeito do verbo haver, 3ª pessoa do singular. Ouve: presente do indicativo do verbo ouvir, 3ª pessoa do singular. Levantar: é sinônimo de erguer: Ginês, meu estimado cunhado, levantou sozinho a tampa do poço. Levantar-se: pôr de pé: Luís e Diego levantaram-se cedo e, dirigiram-se ao aeroporto. Mal: advérbio de modo, equivale a erradamente, é oposto de bem: Dormi mal. (bem). Equivale a nocivo, prejudicial, enfermidade; pode vir antecedido de artigo, adjetivo ou pronome: A comida fez mal para mim. Seu mal é crer em tudo. Conjunção subordinativa temporal, equivale a assim que, logo que: Mal chegou começou a chorar desesperadamente. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 207 Mau: adjetivo,equivale a ruim, oposto de bom; plural=maus; feminino=má. Você é um mau exemplo (bom). Substantivo: Os maus nunca vencem. Mas: conjunção adversativa (ideia contrária), equivale a porém, contudo, entretanto: Telefonei-lhe mas ela não atendeu. Mais: pronome ou advérbio de intensidade, opõe-se a menos: Há mais flores perfumadas no campo. Nem um: equivale a nem um sequer, nem um único; a palavra “um” expressa quantidade: Nem um filho de Deus apareceu para ajudá-la. Nenhum: pronome indefinido variável em gênero e número; vem antes de um substantivo, é oposto de algum: Nenhum jornal divulgou o resultado do concurso. Obrigada: As mulheres devem dizer: muito obrigada, eu mesma, eu própria. Obrigado: Os homens devem dizer: muito obrigado, eu mesmo, eu próprio. Onde: indica o lugar em que se está; refere-se a verbos que exprimem estado, permanência: Onde fica a farmácia mais próxima? Aonde: ideia de movimento; equivale (para onde) somente com verbo de movimento desde que indique deslocamento, ou seja, a+onde. Aonde vão com tanta pressa? “Pode seguir a tua estrada o teu brinquedo de estar fantasiando um segredo o ponto aonde quer chegar...” (gravação: Barão Vermelho) Por ora: equivale a “por este momento”, “por enquanto”: Por ora chega de trabalhar. Por hora: locução equivale a “cada sessenta minutos”: Você deve cobrar por hora. Emprego do Porquê Por Que Orações Interrogativas (pode ser substituído por: por qual motivo, por qual razão) Exemplo: Por que devemos nos preocupar com o meio ambiente? Equivalendo a “pelo qual” Exemplo: Os motivos por que não respondeu são desconhecidos. Por Quê Final de frases e seguidos de pontuação Exemplos: Você ainda tem coragem de perguntar por quê? Você não vai? Por quê? Não sei por quê! Porque Conjunção que indica explicação ou causa Exemplos: A situação agravou-se porque ninguém reclamou. Ninguém mais o espera, porque ele sempre se atrasa. Conjunção de Finalidade – equivale a “para que”, “a fim de que”. Exemplos: Não julgues porque não te julguem. Porquê Função de substantivo – vem acompanhado de artigo ou pronome Exemplos: Não é fácil encontrar o porquê de toda confusão. Dê-me um porquê de sua saída. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 208 1. Porque (pergunta) 2. Porque (resposta) 3. Por quê (fim de frase: motivo) 4. O Porquê (substantivo) Emprego de outras palavras Senão: equivale a “caso contrário”, “a não ser”: Não fazia coisa nenhuma senão criticar. Se não: equivale a “se por acaso não”, em orações adverbiais condicionais: Se não houver homens honestos, o país não sairá desta situação crítica. Tampouco: advérbio, equivale a “também não”: Não compareceu, tampouco apresentou qualquer justificativa. Tão pouco: advérbio de intensidade: Encontramo-nos tão pouco esta semana. Trás ou Atrás = indicam lugar, são advérbios. Traz - do verbo trazer. Vultoso: volumoso: Fizemos um trabalho vultoso aqui. Vultuoso: atacado de congestão no rosto: Sua face está vultuosa e deformada. Questões 01. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP). Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas segundo a ortografia oficial. (A) Diante da paralização das atividades dos agentes dos correios, pede-se a compreenção de todos, pois ouve exceções na distribuição dos processos. (B) O revesamento dos funcionarios entre o Natal e o Ano Novo será feito mediante sorteio, para que não ocorra descriminação. (C) Durante o período de recessão, os chefes serão encumbidos de controlar a imissão de faxes e copias xerox. (D) A concessão de férias obedece a critérios legais, o mesmo ocorrendo com os casos de rescisão contratual. (E) É certo que os cuidados com o educando devem dobrar durante a adolecencia, para que o jovem haja sempre de acordo com a lei. 02. (CIAAR - Capelão Militar Católico - CIAAR) O “gilete” dos tablets Num mundo capitalista como este em que vivemos, onde as empresas concorrem para posicionar suas marcas e fixar logotipos e slogans na cabeça dos consumidores, a síndrome do “Gillette” pode ser decisiva para a perpetuação de um produto. É isso que preocupa a concorrência do iPad, tablet da Apple. Assim como a marca de lâminas de barbear tornou-se sinônimo de toda a categoria de barbeadores, eclipsando o nome das marcas que ofereciam produtos similares, o mesmo pode estar acontecendo com o tablet lançado por Steve Jobs. O maior temor do mercado é que as pessoas passem a se referir aos tablets como “iPad” em geral, dizendo “iPad da Samsung” ou “iPad da Motorola”, e assim por diante. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 209 [...] Omesmo se deu com os lenços Kleenex, os curativos Band-aid e as fotocopiadoras Xerox. Resta saber se os consumidores se habituarão com outros nomes para produto tecnológico. Disponível em: http//revistalingua.uol.com.br/textos/blog-edgard/o-gilete-dos-tablets-260395-1.asp – Adaptado. No texto I, a palavra “gilete” (com inicial minúscula e apenas uma letra “L” na segunda sílaba) compõe o título, ao passo que no primeiro parágrafo tem-se a forma “Gillette” (com inicial maiúscula e duas letras “L” na segunda sílaba). Julgue as afirmativas a respeito dessa diferença. I. A diferença de grafia entre as duas formas é fruto de um erro de ortografia. II. A diferença de grafia se dá devido “gilete”, do título, ser um nome comum e “Gillette”, do primeiro parágrafo, um nome próprio. III. Há diferença entre as formas por “Gillette” ser parte do nome de um problema recorrente em economia chamado síndrome do “Gillette”. IV. Há diferença entre as formas por “gilete” ser a designação de qualquer lâmina descartável de barbear e “Gillette”, uma lâmina descartável de uma marca específica. Estão corretas apenas as afirmativas (A) I e III. (B) II e III. (C) II e IV. (D) III e IV. 03. (CRF-SC - Operador de Computador - IESES) Pra que serve um vereador? por César Cerqueira Disponível em Http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0 EMI3171-1-PRA+QUE+SERVE+UM+VEREADOR. Html/Acesso em 06 de outubro de 2012. (...) Mas se o prefeito e seus secretários planejam e coordenam toda a administração da cidade, o que sobra ao vereador, esse cargo que em 2012 será disputado por 440 mil pessoas? (Há mais candidatos a vereador do que a soma de budistas e judeus no Brasil segundo o Censo de 2010). A constituição de 1988 ajudou a defninir a função desses políticos, apontando suas competências genéricas. Segundo a Carta, as principais são legislar e fiscalizar. As leis que eles redigem e aprovam não podem contrariar as das esferas superiores (estadual e federal), mas podem regulamentar algumas coisas importantes, como restrições a fumo em locais e regras para venda de carne moída. Mas outras nem tanto, como o nome novo daquela rua que você nem sabe que existe. Na área de fiscalização, cabe a eles acompanhar gastos do município, avaliar ações do prefeito e cobrar trasnparência. Além disso, eles devem atuar como administradores das próprias Câmaras, e às vezes até como juízes, ao processar e julgar o prefeito e os próprios colegas em caso de irregularidades. Isso é o que diz a lei. No dia a dia, porém, a atividade que toma mais tempo dos vereadores é o atendimento de pedidos dos indivíduos, comunidades e outros grupos de eleições. Sabe aquelas faixas que dizem “Obrigado, vereador Fulano, por trazer o asfalto à comunidade da Vila Ribeirinha”? Pode ser asfalto, mas também pode ser emprego, remédios, óculos, dinheiro para pagar contas, material de construção. Ou seja, atender a demandas específicas e imediatas, sejam individuais ou coletivas. Isso é o que a maioria dos vereadores tenta fazer – até porque é justamente isso que os eleitores esperam dele. Uma pesquisa publicada pelo luperj (Instituto Universitário de Pesquisa do rio de Janeiro) em 2009 mostra como um vereador da zona oeste do Rio construiu sua fama a partir da manutenção de “centros sociais” privados, com 80 funcionários cada um, que ofereciam desde cursos de lambaeróbica até consultas médicas e jurídicas. O Brasil está cheio de exemplos assim. E como esas atividades não estão proibidas em lei – ao menos fora do período eleitoral -, é complicado dizer se isso é certo ou errado. “Medir o clientelismo, a troca de benefícios entre pessoas com diferentes níveis de poder, é muito difícil. A fronteira ética neste caso é muito borrada, porque, por mais que isso possa ter uma conotação negativa, o vereador é importante como canal para resolver problemas pontuais da população”, diz Felix Lopez, cientísta político do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Ele lembra que, afinal, esse é o representante político mais acessível ao cidadão comum. “A maioria dos eleitores acha inadequado o vereador dizer: “Meu papel é legislar e fiscalizar e não vou fazer isso que você está me pedindo”, afirma Lopez, coautor de um estudo que analisou em detalhes a rotina de vereadores de 12 cidades de Minas Gerais. Quando questionados sobre o que era mais 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 210 importante emseu trabalho, 60% deles responderam que era “atender a pedidos individuais ou coletivos de eleitores” (...). Não por acaso, 44% deles disseram que essa era a atividade que mais ocupa seu tempo de trabalho. No estudo, os autores apontam três fatores que ajudam a explicar esse perfil assistencialista do vereador. Um deles é a natureza quase amadora da gestão municipal brasileira, baseada em redes de contato pessoal. Outro seria o tamanho relativamente pequeno dos municípios no país – nos 89% com menos de 50 mil habitantes, não existe mesmo tanta coisa sobre o que legislar. Inclusive, a maior parte das câmaras nessas cidades só tem uma ou duas sessões por semana. A última explicação seria o poder reduzido desses políticos: questões importantes, como a definição do orçamento, acabam na mão dos prefeitos. Para compensar e mostrar serviço na Câmara, os vereadores acabam sugerindo e aprovando um grande volume de leis que pouco ajudam a vida do cidadão (...) Analise as proposições a seguir e em seguida assinale a alternativa correta: I. O termo “isso”, destacado no terceiro parágrafo, retoma a expressão “pode ser asfalto, mas também pode ser emprego, remédio, óculos, dinheiro para pagar contas, material de construção”. II. No trecho: “Há mais candidatos a vereador do que a soma de budistas” temos a presença de palavras parônimas. III. Em: “consultas médicas e jurídicas”, as duas palavras acentuadas recebem acento pelo mesmo motivo. IV. O emprego dos parênteses no final do 1º parágrafo tem a função de indicar possibilidade alternativa de leitura. (A) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas. (B) Apenas as assertivas II e III estão corretas. (C) Apenas as assertivas I e IV estão corretas. (D) Apenas a assertiva III está correta. 04. (MPE-RS - Técnico em Informática - Sistemas - MPE) A empresa de segurança móvel LookOut afirmou nesta segunda-feira que algumas redes de publicidade recolheram secretamente informações pessoais de usuários de aplicativos durante o ano passado e agora ________ acesso a milhões de smartphones em todo o mundo. Segundo a LookOut, essas práticas não regulamentadas estão em ________. Por essa razão, urge que desenvolvedores de aplicativos e anunciantes se unam na busca de soluções para que o consumidor não fique vulnerável a esse tipo de invasão. A empresa afirma que mais de 80 milhões de aplicativos que foram baixados carregam uma forma de anúncios invasivos que podem pegar os dados pessoais dos usuários a partir de telefones ou instalar software sem o conhecimento deles. Algumas redes mais agressivas conseguem até mesmo coletar endereços de e-mail ou números de telefone sem a permissão do usuário. As redes de publicidade atuam como intermediárias, ligando um grande número de anunciantes com editores de mídia. Os casos estão crescendo especialmente a partir da expansão da plataforma Android, do Google, onde aplicativos como o Angry Birds são distribuídos gratuitamente financiados por meio de anúncios. As empresas de publicidade estão acompanhando de perto como o setor de anúncios móveis ________ representando uma oportunidade para novos fluxos de receita. Todavia, com consumidores cada vez mais conscientes das questões de privacidade, algumas dizem que práticas agressivas como essas poderiam ser ________ para o aumento da comercialização de smartphones. "Estamos vivendo os primórdios da publicidade móvel, e os modelos são muito similares aos da web, onde as práticas não são muito respeitosas", disse Anne Bezançon, presidente da Placecast, que fornece serviços baseados em localização de marketing, mas garante não vender as informações de seus 10 milhões de clientes. ―A experiência móvel é muito mais íntima e pessoal — um telefone é como se fosse uma extensão da pessoa. É o equivalente a alguém sussurrar em seu ouvido”, afirma Bezançon. Adaptado de:< http://oglobo.globo.com/tecnologia/empresa-deseguranca-alerta-para-ameaca-privacidade-em-smartphones-5429137>. Acesso em: 09 de julho de 2012. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas no texto, nesta ordem. (A) têm – ascensão – vem – desastrosas (B) tem – ascenção – vêm – desastrozas (C) têm – ascensão – vem – desastrozas 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 211 (D) têm– ascenção – veem – desastrozas (E) tem – ascenção – vêm – dezastrosas 05. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale a opção em que todas as palavras são vocábulos de sentidos iguais ou aproximados: (A) Escopo; Intento; Mira; Tronco. (B) Adiado; Adiantado; Delongado; Moroso. (C) Dúctil; Madeira; Lenha; Brando. (D) Branco; Níveo; Cândido; Alvo. (E) Tangerina; Bergamota; Jambo; Mexerica. 06. (TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) Que mexer o esqueleto é bom para a saúde já virou até sabedoria popular. Agora, estudo levanta hipóteses sobre ........................ praticar atividade física..........................benefícios para a totalidade do corpo. Os resultados podem levar a novas terapias para reabilitar músculos contundidos ou mesmo para .......................... e restaurar a perda muscular que ocorre com o avanço da idade. (Ciência Hoje, março de 2012) As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com: (A) porque … trás … previnir (B) porque … traz … previnir (C) porquê … tras … previnir (D) por que … traz … prevenir (E) por quê … tráz … prevenir 07. (TJ-MG) Técnico Judiciário - Analista de Recursos Humanos Como o rei de um país chuvoso (1) Um espectro ronda o mundo atual: o espectro do tédio. Ele se manifesta de (2) diversas maneiras. Algumas de suas vítimas invadem o “shopping Center” e, (3) empunhando um cartão de crédito, comprometem o futuro do marido ou da mulher (4) e dos filhos. A maioria opta por ficar horas diante da TV, assistindo a “reality (5) shows”, os quais, por razões que me escapam, tornam interessante para seu (6) público a vida comum de estranhos, ou seja, algo idêntico à própria rotina considerada vazia, claustrofóbica. (8) O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, (9) julgávamos naturalmente imunizadas a seu contágio. Crianças sempre foram (10) capazes de se divertir umas com as outras ou até sozinhas. Dotadas de cérebros (11) que, como esponjas, tudo absorvem e de um ambiente, qualquer um, no qual tudo (12) é novo, tudo é infinito, nunca lhes faltam informação e dados a processar. Elas (13) não precisam ser entretidas pelos adultos, pois o que quer que estes façam ou deixem de fazer lhes desperta, por definição, a curiosidade natural e aguça seus (15) instintos analíticos. E, todavia, os pais se veem cada vez mais compelidos a (16) inventar maneiras de distrair seus filhos durante as horas ociosas destes, um (17) conceito que, na minha infância, não existia. É a ideia de que, se a família os (18) ocupar com atividades, os filhos terão mais facilidades na vida. Sendo assim, os pais, simplesmente, não deixam os filhos pararem. (20) Se o mal em si nada tem de original e, ao que tudo indica, surgiu, assim como (21) o medo, o nojo e a raiva, junto com nossa espécie ou, quem sabe, antes, também (22) é verdade que, por milênios, somente uma minoria dispunha das precondições necessárias para sofrer dele. (23) Falamos do homem cujas refeições da semana dependiam do que (24) conseguiria caçar na segunda-feira, antes de, na terça, estar (25) fraco o bastante para se converter em caça e de uma mulher que, de sol a sol, (26) trabalhava com a enxada ou o pilão. Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio, (27) que pressupõe ócio abundante e sistemático para se manifestar em grande (28) escala. Ninguém lhe oferecia facilidades. Por isso é que, até onde a memória coletiva alcança, o problema quase sempre se restringia ao topo da pirâmide (30) social, a reis, nobres, magnatas, aos membros privilegiados de sociedades que, (31) organizadas e avançadas, transformavam a faina abusiva da maioria no luxo de (32) pouquíssimos eleitos. (33) O tédio, portanto, foi um produto de luxo, e isso até tão recentemente que (34) Baudelaire, para, há século e meio, descrevê-lo, comparou-se ao rei de um país (35) chuvoso, como se experimentar delicadeza tão refinada elevasse socialmente quem não passava de “aristocrata de espírito”. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 212 (37) Coubeà Revolução Industrial a produção em massa daquilo que, (38) previamente, eram raridades reservadas a uma elite mínima. E, se houve um (39) produto que se difundiu com sucesso notável pelos mais inesperados andares e (40) recantos do edifício social, esse produto foi o tédio. Nem se requer uma fartura de (41) Primeiro Mundo para se chegar à sua massificação. Basta, a rigor, que à (42) satisfação do biologicamente básico se associe o cerceamento de outras (43) possibilidades (como, inclusive, a da fuga ou da emigração), para que o tempo (44) ocioso ou inútil se encarregue do resto. Foi assim que, após as emoções (45) fornecidas por Stalin e Hitler, os países socialistas se revelaram exímios (46) fabricantes de tédio, único bem em cuja produção competiram à altura com seus (47) rivais capitalistas. O tédio não é piada, nem um problema menor. Ele é central. Se (48) não existisse o tédio, não haveria, por exemplo, tantas empresas de (49) entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas. Seja como for, nem esta nem (50) soluções tradicionais (a alta cultura, a religião organizada) resolverão seus (51) impasses. Que fazer com essa novidade histórica, as massas de crianças e jovens perpetuamente desempregados, funcionários, gente aposentada e cidadãos em geral ameaçados não pela fome, guerra ou epidemias, mas pelo tédio, algo que ainda ontem afetava apenas alguns monarcas? ASCHER, Nélson, Folha de S. Paulo, 9 abr. 2007, Ilustrada. (Texto adaptado) “O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, julgávamos naturalmente imunizadas a seu contágio.” (linhas 8-9). A expressão destacada pode ser substituída sem alteração significativa do sentido por: (A) a uma ou duas gerações. (B) acerca de duas gerações. (C) há uma ou duas gerações. (D) por uma ou duas gerações. 08. Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da frase abaixo: Não sei o _____ ela está com os olhos vermelhos, talvez seja _____ chorou. (A) porquê / porque; (B) por que / porque; (C) porque / por que; (D) porquê / por quê; (E) por que / por quê. 09. (Unimep – SP) “Se você não arrumar o fogão, além de não poder cozinhar as batatas, há o perigo próximo de uma explosão.” As palavras destacadas podem ser substituídas por: (A) concertar – coser – iminente (B) consertar – cozer – eminente (C) consertar – cozer – iminente (D) concertar – coser – iminente (E) consertar – coser – eminente 10. (PREFEITURA DE SERTANEJA PR – AGENTE ADMINISTRATIVO – UNIUV/2015) Assinale a alternativa em que a ortografia está incorreta: (A) Egrégio; (B) Selvageria; (C) Fascinante; (D) Orquídia; (E) Umedecer. 11. (IF SP – TÉCNICO EM ENFERMAGEM – FUNDEP/2014) Assinale a alternativa em que há ERRO de ortografia: (A) Acesso permitido apenas aos funcionários do setor. (B) A exposição não deve exceder a dois segundos. (C) O prazo de pagamento expira no último dia útil do mês. (D) Embalamos refeições para viajem. 12. (CAU SP – ASSISTENTE TÉCNICO CONTÁBIL – MAKIYAMA/2014) Assinale a alternativa cuja oração NÃO apresenta erros de ortografia. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 213 (A) Pareceaté que a garota foi flexada por um cupido... (B) Preciso providenciar o lisenciamento do meu carro. (C) A bandeija com trinta ovos custa cinco reais. (D) O camaleão é um répitil muito exótico. (E) O botijão de água está com rachaduras. 13. (ELETTROBRAS – LEITURISTA – IADES/2015) Considerando as regras de ortografia, assinale a alternativa em que a palavra está grafada corretamente. (A) Dimencionar. (B) Assosciação. (C) Capassitores. (D) Xoque. (E) Conversão. 14. (MPE SP – ANALISTA DE PROMOTORIA – VUNESP/2015) Considerando a ortografia e a acentuação da norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas estão, correta e respectivamente, preenchidas por: (A) mal ... por que ... intuíto (B) mau ... por que ... intuito (C) mau ... porque ... intuíto (D) mal ... porque ... intuito (E) mal ... por quê ... intuito Respostas 01. Resposta D a) Diante da paralização das atividades dos agentes dos correios, pede-se a compreenção de todos, pois ouve exceções na distribuição dos processos. (paralisação - compreensão - houve) b) O revesamento dos funcionarios entre o Natal e o Ano Novo será feito mediante sorteio, para que não ocorra descriminação. (revezamento - funcionários - discriminação) c) Durante o período de recessão, os chefes serão encumbidos de controlar a imissão de faxes e copias xerox. (incumbidos - emissão - cópias) d) A concessão de férias obedece a critérios legais, o mesmo ocorrendo com os casos de rescisão contratual. e) É certo que os cuidados com o educando devem dobrar durante a adolecencia, para que o jovem haja sempre de acordo com a lei. (adolescência - aja) 02. Resposta C A palavra “gilete” significa apenas uma lâmina de barbear, já a palavra “Gillette” está diretamente relacionada a uma marca de lâminas de barbear, escreve-se com letra maiúscula porque trata-se de um nome próprio. 03. Resposta D As palavras a e há são HOMÓFONAS (Homo: IGUAIS; Fonas: SOM) ou seja, tem GRAFIAS DIFERENTES mas possuem o MESMO SOM. O Há descrito no texto vem do verbo Haver, no sentido 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 214 de existir.e o "a" não é considerado uma palavra e sim é um artigo! Por isso a opção 2 está errada. Parônimos comparam palavras, e não palavras e conjunções, palavras e artigo, etc. 04. Resposta A têm (ees) – ascensão – vem (ele)– desastrosas (na palavra desastrosas não há a utilização da consoante z). 05. Resposta D Nesta alternativa todas as palavras significam algo claro, branco. 06. Resposta D Por que - equivale a "por qual razão"; Traz - na oração o "traz" está no sentido de trazer, portanto com Z sem acento pois acentua-se os monossílabos tônicos apenas se estes terminarem com A, E, O (s). Trás - com S apenas se a oração der por entender que o "trás" está em sentido de posição posterior. 07. Resposta C A alternativa “a” está incorreta, pois a preposição “a” não remete a tempo, como o verbo haver (existir e fazer). A alternativa “b” está incorreta, pois “a cerca de” significa “aproximadamente”, “mais ou menos”, deixando o sentido em dúvida. Quanto à alternativa “d”, a preposição “por” muda o sentido afirmando que o mal ataca hoje em dia faixas etárias que somente há uma ou duas gerações atrás, julgávamos... não podendo ter acontecido em outras gerações. Confirmamos então a veracidade da alternativa “c”. 08. Resposta B A partícula “o” é um pronome demonstrativo, equivalendo a aquilo, e funciona como antecedente do pronome relativo: “Não sei aquilo pelo qual ela está com os olhos vermelhos”. A primeira impressão é a de que seria um artigo, mas não faria sentido preenchermos a lacuna com o substantivo “motivo” que é sinônimo de “porquê”. A segunda lacuna dá claramente a ideia de causa, logo deve ser utilizada a conjunção “porque”. 09. Resposta C Consertar – reparo, ato ou efeito de consertar. Cozer – cozinhar. Iminente – que ameaça acontecer. 10. Resposta D E) Apesar do substantivo ser umidade, o adjetivo ser úmido o verbo é umedecer, assim como o seu particípio umedecido. Correção: orquídea 11. Resposta D VIAGEM = SUBSTANTIVO VIAJAR = VERBO 12. Resposta E A) palavra certa é FLECHADA B) palavra certa é LICENCIAMENTO C) palavra certa é BANDEJA D) palavra certa é RÉPTIL E) CORRETA 13. Resposta E A) Dimensionar B) Associação C) Capacitores D) Choque 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 215 14. RespostaD - Mal: pode substituir por bem; Mau: pode substituir por bom. - Porque: quando posso trocar por: pois; já que... Porquê: é substantivo e tem significado de "o motivo". Vem precedido de um artigo! (Ex: Quero saber o porquê da discussão). Por que --> frases interrogativas = por qual razão; por qual motivo. Utiliza-se para perguntas diretas (Ex: Por que você fez isso?) e indiretas (Ex: Quero saber o por que você fez isso). Por quê = por qual razão; por qual motivo. A diferença é que vem antes de um ponto, seja final, interrogativo ou exclamação. (Ex: Você não disse a verdade. Por quê? / 2º Exemplo: Não entendo por quê.). - intuito in.tui.to (túi) sm (lat intuitu) 1 Escopo, fim. 2 Aquilo que se tem em vista; plano, propósito. Tonicidade Num vocábulo de duas ou mais sílabas, há, em geral, uma que se destaca por ser proferida com mais intensidade que as outras: é a sílaba tônica. Nela recai o acento tônico, também chamado acento de intensidade ou prosódico. Exemplos: café, janela, médico, estômago, colecionador. O acento tônico é um fato fonético e não deve ser confundido com o acento gráfico (agudo ou circunflexo) que às vezes o assinala. A sílaba tônica nem sempre é acentuada graficamente. Exemplo: cedo, flores, bote, pessoa, senhor, caju, tatus, siri, abacaxis. As sílabas que não são tônicas chamam-se átonas (=fracas), e podem ser pretônicas ou postônicas, conforme apareçam antes ou depois da sílaba tônica. Exemplo: montanha, facilmente, heroizinho. De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos com mais de uma sílaba classificam-se em: Oxítonos: quando a sílaba tônica é a última: café, rapaz, escritor, maracujá. Paroxítonos: quando a sílaba tônica é a penúltima: mesa, lápis, montanha, imensidade. Proparoxítonos: quando a sílaba tônica é a antepenúltima: árvore, quilômetro, México. Monossílabos são palavras de uma só sílaba, conforme a intensidade com que se proferem, podem ser tônicos ou átonos. Monossílabos tônicos são os que têm autonomia fonética, sendo proferidos fortemente na frase em que aparecem: é, má, si, dó, nó, eu, tu, nós, ré, pôr, etc. Monossílabos átonos são os que não têm autonomia fonética, sendo proferidos fracamente, como se fossem sílabas átonas do vocábulo a que se apoiam. São palavras vazias de sentido como artigos, pronomes oblíquos, elementos de ligação, preposições, conjunções: o, a, os, as, um, uns, me, te, se, lhe, nos, de, em, e, que. Acentuação dos Vocábulos Proparoxítonos Todos os vocábulos proparoxítonos são acentuados na vogal tônica: - Com acento agudo se a vogal tônica for i, u ou a, e, o abertos: xícara, úmido, queríamos, lágrima, término, déssemos, lógico, binóculo, colocássemos, inúmeros, polígono, etc. - Com acento circunflexo se a vogal tônica for fechada ou nasal: lâmpada, pêssego, esplêndido, pêndulo, lêssemos, estômago, sôfrego, fôssemos, quilômetro, sonâmbulo etc. Acentuação dos Vocábulos Paroxítonos Acentuam-se com acento adequado os vocábulos paroxítonos terminados em: Acentuação gráfica 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 216 - ditongocrescente, seguido, ou não, de s: sábio, róseo, planície, nódua, Márcio, régua, árdua, espontâneo, etc. - i, is, us, um, uns: táxi, lápis, bônus, álbum, álbuns, jóquei, vôlei, fáceis, etc. - l, n, r, x, ons, ps: fácil, hífen, dólar, látex, elétrons, fórceps, etc. - ã, ãs, ão, ãos, guam, guem: ímã, ímãs, órgão, bênçãos, enxáguam, enxáguem, etc. Não se acentua um paroxítono só porque sua vogal tônica é aberta ou fechada. Descabido seria o acento gráfico, por exemplo, em cedo, este, espelho, aparelho, cela, janela, socorro, pessoa, dores, flores, solo, esforços. Acentuação dos Vocábulos Oxítonos Acentuam-se com acento adequado os vocábulos oxítonos terminados em: - a, e, o, seguidos ou não de s: xará, serás, pajé, freguês, vovô, avós, etc. Seguem esta regra os infinitivos seguidos de pronome: cortá-los, vendê-los, compô-lo, etc. - em, ens: ninguém, armazéns, ele contém, tu conténs, ele convém, ele mantém, eles mantêm, ele intervém, eles intervêm, etc. Acentuação dos Monossílabos Acentuam-se os monossílabos tônicos: a, e, o, seguidos ou não de s: há, pá, pé, mês, nó, pôs, etc. Acentuação dos Ditongos Acentuam-se a vogal dos ditongos abertos éi, éu, ói, quando tônicos. Segundo as novas regras os ditongos abertos “éi” e “ói” não são mais acentuados em palavras paroxítonas: assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, Coréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico, etc. Ficando: Assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, Coreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico, etc. Nos ditongos abertos de palavras oxítonas terminadas em éi, éu e ói e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis, troféu, céu, chapéu. Acentuação dos Hiatos A razão do acento gráfico é indicar hiato, impedir a ditongação. Compare: caí e cai, doído e doido, fluído e fluido. - Acentuam-se em regra, o /i/ e o /u/ tônicos em hiato com vogal ou ditongo anterior, formando sílabas sozinhas ou com s: saída (sa-í-da), saúde (sa-ú-de), faísca, caíra, saíra, egoísta, heroína, caí, Xuí, Luís, uísque, balaústre, juízo, país, cafeína, baú, baús, Grajaú, saímos, eletroímã, reúne, construía, proíbem, influí, destruí-lo, instruí-la, etc. - Não se acentua o /i/ e o /u/ seguidos de nh: rainha, fuinha, moinho, lagoinha, etc; e quando formam sílaba com letra que não seja s: cair (ca-ir), sairmos, saindo, juiz, ainda, diurno, Raul, ruim, cauim, amendoim, saiu, contribuiu, instruiu, etc. De acordo com as novas regras da Língua Portuguesa não se acentua mais o /i/ e /u/ tônicos formando hiato quando vierem depois de ditongo: baiúca, boiúna, feiúra, feiúme, bocaiúva, etc. Ficaram: baiuca, boiuna, feiura, feiume, bocaiuva, etc. Os hiatos “ôo” e “êe” não são mais acentuados: enjôo, vôo, perdôo, abençôo, povôo, crêem, dêem, lêem, vêem, relêem. Ficaram: enjoo, voo, perdoo, abençoo, povoo, creem, deem, leem, veem, releem. Acento Diferencial Emprega-se o acento diferencial como sinal distintivo de vocábulos homógrafos, nos seguintes casos: - pôr (verbo) - para diferenciar de por (preposição). - verbo poder (pôde, quando usado no passado) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 217 - éfacultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo? Segundo as novas regras da Língua Portuguesa não existe mais o acento diferencial em palavras homônimas (grafia igual, som e sentido diferentes) como: - côa(s) (do verbo coar) - para diferenciar de coa, coas (com + a, com + as); - pára (3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo parar) - para diferenciar de para (preposição); - péla (do verbo pelar) e em péla (jogo) - para diferenciar de pela (combinação da antiga preposição per com os artigos ou pronomes a, as); - pêlo (substantivo) e pélo (v. pelar) - para diferenciar de pelo (combinação da antiga preposição per com os artigos o, os); - péra (substantivo - pedra) - para diferenciar de pera (forma arcaica de para - preposição) e pêra (substantivo); - pólo (substantivo) - para diferenciar de polo (combinação popular regional de por com os artigos o, os); - pôlo (substantivo - gavião ou falcão com menos de um ano) - para diferenciar de polo (combinação popular regional de por com os artigos o, os); Emprego do Til O til sobrepõe-se às letras “a” e “o” para indicar vogal nasal. Pode figurar em sílaba: - tônica: maçã, cãibra, perdão, barões, põe, etc; - pretônica: ramãzeira, balõezinhos, grã-fino, cristãmente, etc; - átona: órfãs, órgãos, bênçãos, etc. Trema (o trema não é acento gráfico) Desapareceu o trema sobre o /u/ em todas as palavras do português: Linguiça, averiguei, delinquente, tranquilo, linguístico. Exceto em palavras de línguas estrangeiras: Günter, Gisele Bündchen, müleriano. Questões 01. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática) Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depois de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira amigo de todo mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos fracos – uma forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções _______qualquer regra, todos os estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet são mais fracas, sim, do que aquelas que nascem e se desenvolvem fora dela. Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes do seu e, por isso, podem lhe apresentar novas pessoas e ampliar seus horizontes – gerando uma renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. O problema é que a maioria das redes na Internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela. Como é meio grosseiro dizer "não" ________ alguém que você conhece, todo mundo acaba adicionando todo mundo. E isso vai levando ________ banalização do conceito de amizade. É verdade. Mas, com a chegada de sítios como o Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é uma rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de "seguidores" e "seguidos" de alguém possam se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter, o sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus amigos tinham começado a se comunicar entre si independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o próprio Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter, eu posso me interessar pelo que você tem a dizer e começar a te seguir. Nós não nos conhecemos. Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar seu nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 218 pelos seustuítes e começar a seguir você. Em suma, nós continuaremos não nos conhecendo, mas as pessoas que estão ________ nossa volta podem virar amigas entre si. Adaptado de: COSTA, C. C.. Disponível em: <http://super.abril.com.br/cotidiano/como-internet-estamudando-amizade-619645.shtml>. Acesso em: 1º de outubro de 2012. Considere as seguintes afirmações sobre acentuação gráfica. I. A palavra têm recebe acento gráfico pela mesma regra que prescreve o uso do acento em alguém. II. A palavra você é acentuada pela mesma regra que determina o uso do acento em saberá. III. A palavra tuítes, distintamente da palavra fluida, recebe acento gráfico porque apresenta duas vogais contíguas que pertencem a sílabas diferentes. Quais estão corretas (A) Apenas I. (B) Apenas II. (C) Apenas III. (D) Apenas II e III. (E) I, II e III. 02. (TJ/AC - Analista Judiciário - Conhecimentos Básicos - Cargos 1 e 2 - CESPE) A água, ingrediente essencial à vida, certamente é o recurso mais precioso de que a humanidade dispõe. Embora se observe pelo mundo tanta negligência e falta de visão com relação a esse bem vital, é de se esperar que os seres humanos procurem preservar e manter os reservatórios naturais desse líquido precioso. De fato, o futuro da espécie humana e de muitas outras espécies pode ficar comprometido, a menos que haja uma melhora significativa no gerenciamento dos recursos hídricos. Entre esses fatores que mais têm afetado esse recurso estão o crescimento populacional e a grande expansão dos setores produtivos, como a agricultura e a indústria. Essa situação, responsável pelo consumo e também pela poluição da água em escala exponencial, tem conduzido à necessidade de reformulação do seu gerenciamento. No ambiente agrícola, as perspectivas de mudança decorrem das alterações do clima, que afetarão sensivelmente não só a disponibilidade de água, mas também a sobrevivência de diversas espécies de animais e vegetais. O atual estado de conhecimento técnico- científico nesse âmbito já permite a adoção e implementação de ténicas direcionadas para o equilíbrio ambiental, porém o desafio está em colocá-las em prática, uma vez que isso implica mudança de comportamento e de atitude por parte do produtor, aliadas à necessidade de uma política pública que valorize a adoção dessas medidas. Marco Antonio Ferreira Gomes e Lauro Charlet Pereira. Água no século XXI: desafios e oportunidade. Internet: www.agsolve.com.br (com adaptações) As palavras “negligência”, “reservatórios”, “espécie” e “equilíbrio” apresentam acentuação gráfica em decorrência da mesma regra gramatical. Certo ( ) Errado ( ) 03. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP) Observe as palavras acentuadas, em destaque no seguinte texto: A Itália empreende atualmente uma revolução em sua indústria vinícola, apresentando modernos e dinâmicos vinhos, não abandonando seu inigualável caráter gastronômico. Assinale a alternativa cujas palavras são acentuadas, respectivamente, segundo as regras que determinam a acentuação das palavras destacadas no texto. (A) Saída; mostrará; hífen. (B) Comprá-la; político; nível. (C) Ócio; fenômeno; inútil. (D) Dá-lo; anônima; estéril. (E) Eólica; órfã; ninguém. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 219 04. (ANAC- Técnico Administrativo - CESPE) A demanda por transporte aéreo doméstico de passageiros cresceu 7,65% em setembro desde ano em relação ao mês de setembro de 2011. Trata-se do maior nível de demanda para o mês de setembro desde o início da série de medições, em 2000. De janeiro a setembro de 2012, a demanda acumulada apresentou crescimento de 7,30% e a oferta ampliou-se em 5,52% em relação ao mesmo período de 2011. Entretanto, a oferta (assentos-quilômetros oferecidos – ASK), no mês de setembro, apresentou queda de 2,13%, após oito anos consecutivos de crescimento, sendo essa a primeira redução de oferta para o mês de setembro desde 2003. A taxa de ocupação dos voos domésticos de passageiros alcançou 75,57% em setembro de 2012, enquanto, no mesmo mês, em 2011, essa taxa foi de 68,71%, o que representou uma melhora de 9,99%. A taxa de ocupação registrada é a mais alta para o mês de setembro desde o início da série em 2000. De janeira a setembro de 2012, a taxa de ocupação cresceu 1,69%, passando de 70,81%, em 2011, para 72,01%, em 2012. A taxa de ocupação dos voos internacionais operados por empresas brasileiras alcançou 82,80% em setembro de 2012, ao passo que, no mesmo mês, em 2011, a taxa foi de 82,60%, o que representa uma variação positiva de 0,23%. Entretanto, a demanda do transporte aéreo internacional de passageiros das empresas aéreas brasileiras apresentou redução de 2,43% em setembro de 2012 em relação ao mesmo mês de 2011. http://www.anac.gov.br/Noticia.aspx?ttCD_CHAVE=765 Com relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto acima, julgue os próximos itens. As palavras “início” e “série” recebem acento gráfico com base em regras gramaticais distintas. Certo ( ) Errado ( ) 05. (TJ/RR - Auxiliar Administrativo - CESPE) Mídias sociais O que você está lendo, fazendo, pensando, seguindo, vendo, ouvindo? Onde você está? Quem é você? Essas são algumas perguntas que sdimentam e configuram aplicativos como Foursquare, Orkut, Facebook, Twitter, MSN, Skype, blogs e afins, que promovem a expansão das relações interpessoais, mantendo e ampliando os laços sociais, a visibilidade pessoal e a propagação da informação. O uso desses aplicativos, que constituem as novas mídias sociais, ou redes sociais digitais, representam um novo momento para as relações interpessoais, não só por modificar a maneira como as pessoas se veem, consomem e se comunicam, mas também a forma como se comportam. Visualizar algo divertido ou curioso já não é suficiente. É preciso compartilhar a informação, contas a novidae para o maior número possível de amigos. Nesse sentido, as mídias sociais tornam-se Verdadeiras companheiras para quem deseja consumir Informação em tempo real e, principalmente, dizer ao Mundo tudo aquilo que lhe vier à cabeça. Wesley Moura. Mídias Sociais. In: Informativo Folha Verde, Brasília, nº 5, maio de 2012 com adaptações. Com relação aos sentidos e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens que se seguem. As palavras “mídias”, “número” e “possível” são acentuadas de acordo com a mesma regra gramatical. Certo ( ) Errado ( ) 06. (TJ/RR - Nível Médio - Conhecimentos Básicos - CESPE) A dependência do mundo virtual é inevitável, pois grande parte das tarefas do nosso dia a dia são transferidas para a rede mundial de computadores. A vivência nesse mundo tem consequências jurídicas e econômicas, assim como ocorre no mundo físico. Uma das questões suscitadas pelo uso da Internet diz respeito justamente aos efeitos dessa transposição de fatos do mundo real para o mundo virtual, sobretudo no que se refere à sua interpretação jurídica. Como exemplos de situações problemáticas, podemos citar a aplicação das normas comerciais e de consumo nas transações realizadas pela Internet, o recebimento indesejado de mensagens por email (spam), a validade jurídica do documento eletrônico, o conflito de marcas com os nomes de domínio, a propriedade intelectual e industrial, a privacidade, a 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 220 responsabilidade dosprovedores de acesso, de conteúdo e de terceiras na Web bem como os crimes de informática. Renato M. S. Opice Blum. Internet: www.ibpbrasil.com.br (com adaptações) Os vocábulos “jurídicas”, “econômicas” e “físico” recebem acento gráfico com base em regras gramaticais diferentes. Certo ( ) Errado ( ) 07. (CRF/SC - Contador - IESES) Assinale a alternativa com ERRO de acentuação. (A) O ítem do acordo relacionado à acentuação gráfica foi respeitado. (B) À medida que se distancia, o ímã deixa de atrair o metal. (C) O advogado redargui com propriedade durante o júri de seu cliente, o réu. (D) Aquele guri pareceu não entender a rubrica do diretor. 08. (CIAAR - Capelão Militar Católico - CIAAR) Marque a alternativa em que todas as palavras estão corretamente acentuadas. (A) Árvore / difícil / país / tabú. (B) Bônus / café / rúbrica / vírus. (C) Álbuns / histórico / lápis / órfã. (D) Hífen / lâmpada / récorde / saída. 09. (EsSA - Sargento - Conhecimentos Gerais -Todas as Áreas - EB/2012) 01 Eu que nasci na Era da Fumaça: - trenzinho vagaroso com vagarosas paradas em cada estaçãozinha pobre 05 para comprar pastéis pés-de-moleque sonhos - principalmente sonhos! 10 porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar; elas suspirando maravilhosas viagens e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando sempre...Nisto, o apito da locomotiva 15 e o trem se afastando e o trem arquejando é preciso partir é preciso chegar é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente! 20 ...no entanto eu gostava era mesmo de partir... e - até hoje - quando acaso embarco para alguma parte acomodo-me no meu lugar 25 fecho os olhos e sonho: viajar, viajar mas para parte nenhuma... viajar indefinidamente... como uma nave espacial perdida entre as estrelas. (QUINTANA, Mário. Baú de Espantos. in: MARÇAL, Iguami Antônio T. Antologia Escolar, Vol.1; BIBLIEX; p. 169.) Assinale a alternativa cujos vocábulos exigem acento gráfico pelo mesmo motivo dos existentes, respectivamente, nas palavras cosméticos, laboratórios e países (Os acentos gráficos das palavras abaixo estão omitidos.). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 221 (A) ilusorio,melancia, raiz (B) parafrase, arrogancia, saude (C) rubrica, barbarie, (D) catastrofe, metonimia, gratuito (E) misantropo, cranio, ruim 10. (IBAMA - Técnico Administrativo - CESPE) Poluição No meio da mata o monstro soltando seus uivos de raiva veneno e poeira. Em volta, os arbustos cobertos de cinza, virando farrapos sem eira nem beira. Mais longe, as moradas com pele do pó, cadeias do homem, fazendo-o mais só. No céu, cabisbaixo, o sol a dizer: “as leis do progresso, quem pode entener?!” Maria Dinorah. In: Ver de ver. São Paulo: FTD, 1992, p.10. Em relação aos sentidos e aspectos gramaticais do poema acima, julgue os próximos itens. As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação gráfica. Certo ( ) Errado ( ) Respostas 01. Resposta D As afirmativas que compõem a questão acima podem ser respondidas sem que o candidato domine as “novas regras”. Na afirmativa I, o verbo TER, na terceira pessoa do plural recebe o acento circunflexo por causa da concordância; o motivo, portanto, de acentuação dessa forma verbal não é o mesmo que justifica o acento em ALGUÉM, oxítona terminada em EM com mais de uma sílaba. Na afirmativa II, VOCÊ e SABERÁ são acentuadas por serem oxítonas terminadas em E e A, respectivamente. Atendem as exigências da regra das oxítonas. Na afirmativa III, a palavra TUÍGUES é acentuada porque apresenta um hiato formado pelas vogais U e I, ao contrário de FLUIDA, que tem um ditongo crescente. 02. Resposta “CERTA” Essas palavras são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em ditongo oral, seguidas ou não de "s". 03. Resposta C terminada em ditongo; (Itália = Ócio) Proparoxítona; (vinícola = fenômeno) Paroxítona terminada em L. (inigualável = inútil) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 222 04. Resposta”ERRADA” I-NÍ-CIO = Paroxítona terminada em ditongo; SÉ-RIE = Paroxítona terminada em ditongo. Exemplos: História, ignorância, relógio, sábia, comentário, critério... 05. Resposta “ERRADA” MÍDIAS = Paroxítona - acentua por ser terminada em ditongo crecente NÚMERO = proparoxítona - acentuam-se todas POSSÍVEL = paroxítona - acentua por ser terminada em L Portanto, são acentuadas por regras gramaticais diversas. 06. Resposta “ERRADA” Sãos regras iguais , pois as três palavras são PROPAROXÍTONAS . E A REGRA NOS DIZ QUE TODAS AS PROPAROXÍTONAS DEVEM SER ACENTUADAS ! 07. Resposta A O ítem do acordo relacionado à acentuação gráfica foi respeitado." Palavras terminadas em "EM" pertencem às regras das OXÍTONAS! EX: Contém , alguém , provém. 08. Resposta C Álbuns = Paroxítona terminada em uns Histórico = Todas as proparoxítonas são acentuadas; Lápis = Paroxítona terminada em is. Órfã = paroxítona terminada em ã . (ã tem som de AN, portanto deve ser acentuada). 09. Resposta B Paráfrase - Proparoxítona Arrogância - Paroxítona terminada em ditongo crescente Saúde - Acentuam-se o "i" e "u" tônicos quando formam hiato com a vogal anterior, estando eles sozinhos na sílaba ou acompanhados apenas de "s", desde que não sejam seguidos por "-nh". 10. Resposta “ERRADA” As palavras “pó” e “só” pertencem à regra dos monossílabos tônicos e a palavra “céu” dos ditongos abertos. Crase é a superposição de dois “a”, geralmente a preposição “a” e o artigo a(s), podendo ser também a preposição “a” e o pronome demonstrativo a(s) ou a preposição “a” e o “a” inicial dos pronomes demonstrativos aqueles(s), aquela(s) e aquilo. Essa superposição é marcada por um acento grave (`). Assim, em vez de escrevermos “entregamos a mercadoria a a vendedora”, “esta blusa é igual a a que compraste” ou “eles deveriam ter comparecido a aquela festa”, devemos sobrepor os dois “a” e indicar esse fato com um acento grave: “Entregamos a mercadoria à vendedora”. “Esta blusa é igual à que compraste”. “Eles deveriam ter comparecido àquela festa.” O acento grave que aparece sobre o “a” não constitui, pois, a crase, mas é um mero sinal gráfico que indica ter havido a união de dois “a” (crase). Para haver crase, é indispensável a presença da preposição “a”, que é um problema de regência. Por isso, quanto mais conhecer a regência de certos verbos e nomes, mais fácil será para ele ter o domínio sobre a crase. Não existe Crase - Antes de palavra masculina: Chegou a tempo ao trabalho; Vieram a pé; Vende-se a prazo. Emprego do sinal indicativo de crase 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 223 - Antesde verbo: Ficamos a admirá-los; Ele começou a ter alucinações. - Antes de artigo indefinido: Levamos a mercadoria a uma firma; Refiro-me a uma pessoa educada. - Antes de expressão de tratamento introduzida pelos pronomes possessivos Vossa ou Sua ou ainda da expressão Você, forma reduzida de Vossa Mercê: Enviei dois ofícios a Vossa Senhoria; Traremos a Sua Majestade, o rei Hubertus, uma mensagem de paz; Eles queriam oferecer flores a você. - Antes dos pronomes demonstrativos esta e essa: Não me refiro a esta carta; Os críticos não deram importância a essa obra. - Antes dos pronomes pessoais: Nada revelei a ela; Dirigiu-se a mim com ironia. - Antes dos pronomes indefinidos com exceção de outra: Direi isso a qualquer pessoa; A entrada é vedada a toda pessoa estranha. Com o pronome indefinido outra(s), pode haver crase porque ele, às vezes, aceita o artigo definido a(s): As cartas estavam colocadas umas às outras (no masculino, ficaria “os cartões estavam colocados uns aos outros”). - Quando o “a” estiver no singular e a palavra seguinte estiver no plural: Falei a vendedoras desta firma; Refiro-me a pessoas curiosas. - Quando, antes do “a”, existir preposição: Ela compareceu perante a direção da empresa; Os papéis estavam sob a mesa. Exceção feita, às vezes, para até, por motivo de clareza: A água inundou a rua até à casa de Maria (= a água chegou perto da casa); se não houvesse o sinal da crase, o sentido ficaria ambíguo: a água inundou a rua até a casa de Maria (= inundou inclusive a casa). Quando até significa “perto de”, é preposição; quando significa “inclusive”, é partícula de inclusão. - Com expressões repetitivas: Tomamos o remédio gota a gota; Enfrentaram-se cara a cara. - Com expressões tomadas de maneira indeterminada: O doente foi submetido a dieta leve (no masc. = foi submetido a repouso, a tratamento prolongado, etc.); Prefiro terninho a saia e blusa (no masc. = prefiro terninho a vestido). - Antes de pronome interrogativo, não ocorre crase: A que artista te referes? - Na expressão valer a pena (no sentido de valer o sacrifício, o esforço), não ocorre crase, pois o “a” é artigo definido: Parodiando Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena... A Crase é Facultativa - Antes de nomes próprios feminino: Enviamos um telegrama à Marisa; Enviamos um telegrama a Marisa. Em português, antes de um nome de pessoa, pode-se ou não empregar o artigo “a” (“A Marisa é uma boa menina”. Ou “Marisa é uma boa menina”). Por isso, mesmo que a preposição esteja presente, a crase é facultativa. Quando o nome próprio feminino vier acompanhado de uma expressão que o determine, haverá crase porque o artigo definido estará presente. Dedico esta canção à Candinha do Major Quevedo. [A (artigo) Candinha do Major Quevedo é fanática por seresta.] - Antes de pronome adjetivo possessivo feminino singular: Pediu informações à minha secretária; Pediu informações a minha secretária. A explicação é idêntica à do item anterior: o pronome adjetivo possessivo aceita artigo, mas não o exige (“Minha secretária é exigente.” Ou: “A minha secretária é exigente”). Portanto, mesmo com a presença da preposição, a crase é facultativa. - Com o pronome substantivo possessivo feminino singular, o uso de acento indicativo de crase não é facultativo (conforme o caso será proibido ou obrigatório): A minha cidade é melhor que a tua. O acento indicativo de crase é proibido porque, no masculino, ficaria assim: O meu sítio é melhor que o teu (não há preposição, apenas o artigo definido). Esta gravura é semelhante à nossa. O acento indicativo de crase é obrigatório porque, no masculino, ficaria assim: Este quadro é semelhante ao nosso (presença de preposição + artigo definido). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 224 Casos Especiais -Nomes de localidades: Dentre as localidades, há as que admitem artigo antes de si e as que não o admitem. Por aí se deduz que, diante das primeiras, desde que comprovada a presença de preposição, pode ocorrer crase; diante das segundas, não. Para se saber se o nome de uma localidade aceita artigo, deve-se substituir o verbo da frase pelos verbos estar ou vir. Se ocorrer a combinação “na” com o verbo estar ou “da” com o verbo vir, haverá crase com o “a” da frase original. Se ocorrer “em” ou “de”, não haverá crase: Enviou seus representantes à Paraíba (estou na Paraíba; vim da Paraíba); O avião dirigia- se a Santa Catarina (estou em Santa Catarina; vim de Santa Catarina); Pretendo ir à Europa (estou na Europa; vim da Europa). Os nomes de localidades que não admitem artigo passarão a admiti-lo, quando vierem determinados. Porto Alegre indeterminadamente não aceita artigo: Vou a Porto Alegre (estou em Porto Alegre; vim de Porto Alegre); Mas, acompanhando-se de uma expressão que a determine, passará a admiti-lo: Vou à grande Porto Alegre (estou na grande Porto Alegre; vim da grande Porto Alegre); Iríamos a Madri para ficar três dias; Iríamos à Madri das touradas para ficar três dias. - Pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: quando a preposição “a” surge diante desses demonstrativos, devemos sobrepor essa preposição à primeira letra dos demonstrativos e indicar o fenômeno mediante um acento grave: Enviei convites àquela sociedade (= a + aquela); A solução não se relaciona àqueles problemas (= a + aqueles); Não dei atenção àquilo (= a + aquilo). A simples interpretação da frase já nos faz concluir se o “a” inicial do demonstrativo é simples ou duplo. Entretanto, para maior segurança, podemos usar o seguinte artifício: Substituir os demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo pelos demonstrativos este(s), esta(s), isto, respectivamente. Se, antes destes últimos, surgir a preposição “a”, estará comprovada a hipótese do acento de crase sobre o “a” inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo. Se não surgir a preposição “a”, estará negada a hipótese de crase. Enviei cartas àquela empresa./ Enviei cartas a esta empresa; A solução não se relaciona àqueles problemas./ A solução não se relaciona a estes problemas; Não dei atenção àquilo./ Não dei atenção a isto; A solução era aquela apresentada ontem./ A solução era esta apresentada ontem. - Palavra “casa”: quando a expressão casa significa “lar”, “domicílio” e não vem acompanhada de adjetivo ou locução adjetiva, não há crase: Chegamos alegres a casa; Assim que saiu do escritório, dirigiu- se a casa; Iremos a casa à noitinha. Mas, se a palavra casa estiver modificada por adjetivo ou locução adjetiva, então haverá crase: Levaram-me à casa de Lúcia; Dirigiram-se à casa das máquinas; Iremos à encantadora casa de campo da família Sousa. - Palavra “terra”: Não há crase, quando a palavra terra significa o oposto a “mar”, “ar” ou “bordo”: Os marinheiros ficaram felizes, pois resolveram ir a terra; Os astronautas desceram a terra na hora prevista. Há crase, quando a palavra significa “solo”, “planeta” ou “lugar onde a pessoa nasceu”: O colono dedicou à terra os melhores anos de sua vida; Voltei à terra onde nasci; Viriam à Terra os marcianos? - Palavra “distância”: Não se usa crase diante da palavra distância, a menos que se trate de distância determinada: Via-se um monstro marinho à distância de quinhentos metros; Estávamos à distância de dois quilômetros do sítio, quando aconteceu o acidente. Mas: A distância, via-se um barco pesqueiro; Olhava-nos a distância. - Pronome Relativo: Todo pronome relativo tem um substantivo (expresso ou implícito) como antecedente. Para saber se existe crase ou não diante de um pronome relativo, deve-se substituir esse antecedente por um substantivo masculino. Se o “a” se transforma em “ao”, há crase diante do relativo. Mas, se o “a” permanece inalterado ou se transforma em “o”, então não há crase: é preposição pura ou pronome demonstrativo: A fábrica a que me refiro precisa de empregados. (O escritório a que me refiro precisa de empregados.); A carreira à qual aspiro é almejada por muitos. (O trabalho ao qual aspiro é almejado por muitos.). Na passagem do antecedente para o masculino, o pronome relativo não pode ser substituído, sob pena de falsear o resultado: A festa a que compareci estava linda (no masculino = o baile a que compareci estava lindo). Como se viu, substituímos festa por baile, mas o pronome relativo que não foi substituído por nenhum outro (o qual etc.). A Crase é Obrigatória - Sempre haverá crase em locuções prepositivas, locuções adverbiais ou locuções conjuntivas que tenham como núcleo um substantivo feminino: à queima-roupa, à maneira de, às cegas, à noite, 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 225 às tontas,à força de, às vezes, às escuras, à medida que, às pressas, à custa de, à vontade (de), à moda de, às mil maravilhas, à tarde, às oito horas, às dezesseis horas, etc. É bom não confundir a locução adverbial às vezes com a expressão fazer as vezes de, em que não há crase porque o “as” é artigo definido puro: Ele se aborrece às vezes (= ele se aborrece de vez em quando); Quando o maestro falta ao ensaio, o violinista faz as vezes de regente (= o violinista substitui o maestro). - Sempre haverá crase em locuções que exprimem hora determinada: Ele saiu às treze horas e trinta minutos; Chegamos à uma hora. Cuidado para não confundir a, à e há com a expressão uma hora: Disseram-me que, daqui a uma hora, Teresa telefonará de São Paulo (= faltam 60 minutos para o telefonema de Teresa); Paula saiu daqui à uma hora; duas horas depois, já tinha mudado todos os seus planos (= quando ela saiu, o relógio marcava 1 hora); Pedro saiu daqui há uma hora (= faz 60 minutos que ele saiu). - Quando a expressão “à moda de” (ou “à maneira de”) estiver subentendida: Nesse caso, mesmo que a palavra subsequente seja masculina, haverá crase: No banquete, serviram lagosta à Termidor; Nos anos 60, as mulheres se apaixonavam por homens que tinham olhos à Alain Delon. - Quando as expressões “rua”, “loja”, “estação de rádio”, etc. estiverem subentendidas: Dirigiu- se à Marechal Floriano (= dirigiu-se à Rua Marechal Floriano); Fomos à Renner (fomos à loja Renner); Telefonem à Guaíba (= telefonem à rádio Guaíba). - Quando está implícita uma palavra feminina: Esta religião é semelhante à dos hindus (= à religião dos hindus). - Não confundir devido com dado (a, os, as): a primeira expressão pede preposição “a”, havendo crase antes de palavra feminina determinada pelo artigo definido. Devido à discussão de ontem, houve um mal-estar no ambiente (= devido ao barulho de ontem, houve...); A segunda expressão não aceita preposição “a” (o “a” que aparece é artigo definido, não havendo, pois, crase): Dada a questão primordial envolvendo tal fato (= dado o problema primordial...); Dadas as respostas, o aluno conferiu a prova (= dados os resultados...). Excluída a hipótese de se tratar de qualquer um dos casos anteriores, devemos substituir a palavra feminina por outra masculina da mesma função sintática. Se ocorrer “ao” no masculino, haverá crase no “a” do feminino. Se ocorrer “a” ou “o” no masculino, não haverá crase no “a” do feminino. O problema, para muitos, consiste em descobrir o masculino de certas palavras como “conclusão”, “vezes”, “certeza”, “morte”, etc. É necessário então frisar que não há necessidade alguma de que a palavra masculina tenha qualquer relação de sentido com a palavra feminina: deve apenas ter a mesma função sintática: Fomos à cidade comprar carne. (ao supermercado); Pedimos um favor à diretora. (ao diretor); Muitos são incensíveis à dor alheia. (ao sofrimento); Os empregados deixam a fábrica. (o escritório); O perfume cheira a rosa. (a cravo); O professor chamou a aluna. (o aluno). Questões 01. (PM-BA - Soldado da Polícia Militar - FCC) “Se os cachorros correm livremente, por que eu não posso fazer isso também?”, pergunta Bob Dylan em “New Morning” . Bob Dylan verbaliza um anseio sentido por todos nós, humanos supersocializados: o anseio de nos livrarmos de todos os constrangimentos artificiais decorrentes do fato de vivermos em uma sociedade civilizada em que às vezes nos sentimos presos a uma correia. Um conjunto cultural de regras tácitas e inibições está sempre governando as nossas interações cotidianas com os outros. Uma das razões pelas quais os cachorros nos atraem é o fato de eles serem tão desinibidos e livres. Parece que eles jogam com as suas próprias regras, com a sua própria lógica interna. Eles vivem em um universo paralelo e diferente do nosso - um universo que lhes concede liberdade de espírito e paixão pela vida enormemente atraentes para nós. Um cachorro latindo ao vento ou uivando durante a noite faz agitar- se dentro de nós alguma coisa que também quer se expressar. Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção as nossas convenções sociais. Metem o nariz onde não são convidados, pulam para cima do sofá, devoram alegremente a comida que cai da mesa. Os cachorros raramente se refreiam quando querem fazer alguma coisa. Eles não compartilham conosco as nossas inibições. Suas emoções estão ã flor da pele e eles as manifestam sempre que as sentem. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 226 (Adaptado deMatt Weistein e Luke Barber. Cão que late não morde. Trad. de Cristina Cupertino. S.Paulo: Francis, 2005. p 250) Os cachorros são uma constante fonte de diversão para nós porque não prestam atenção às nossas convenções sociais. Sem prejuízo da correção, a crase empregada na frase acima poderá ser mantida caso o segmento grifado seja substituído por: (A) obedecem. (B) aceitam. (C) conhecem. (D) acatam. (E) seguem. 02. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - Prova versão 1 - VUNESP) No Brasil, as discussões sobre drogas parecem limitar-se ...................... aspectos jurídicos ou policiais. É como se suas únicas consequências estivessem em legalismos, tecnicalidades e estatísticas criminais. Raro ler................. respeito envolvendo questões de saúde pública como programas de esclarecimento e prevenção, de tratamento para dependentes e de reintegração desses ..................... vida. Quantos de nós sabemos o nome de um médico ou clínica ............................ quem tentar encaminhar um drogado da nossa própria família? (Ruy Castro, Da nossa própria família. Folha de S.Paulo, 17.09.2012. Adaptado) As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com: (A) aos … à … a … a (B) aos … a … à … a (C) a … a … a … a (D) a … a … à … à (E) à … à … à … à 03. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP/2012) Observe o trecho a seguir e assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, suas lacunas. ________ pouco mais de um mês da próxima eleição presidencial dos Estados Unidos, o favoritismo de Barack Obama sofreu um arranhão. Não________que estranhar a dificuldade de Obama quando tem de falar de improviso ou exercer________queima-roupa o contraditório. Obama é instado, agora,______preparar-se muito melhor para os dois outros debates. (A) Há … há … à … à (B) Há … à … a … a (C) À … a … à … à (D) A … há … à … a (E) A … a … a … à 04. (MPE/RS - Técnico Superior de Informática - MPE) Um estudo feito pela Universidade de Michigan constatou que o que mais se faz no Facebook, depos de interagir com amigos, é olhar os perfis de pessoas que acabamos de conhecer. Se você gostar do perfil, adicionará aquela pessoa, e estará formado um vínculo. No final, todo mundo vira amigo de todo mundo. Mas, não é bem assim. As redes sociais têm o poder de transformar os chamados elos latentes (pessoas que frequentam o mesmo ambiente social, mas não são suas amigas) em elos fracos - uma forma superficial de amizade. Pois é, por mais que existam exceções ______ qualquer regra, todos os estudos mostram que amizades geradas com a ajuda da Internet são mais fracas, sim, do que aquelas que nascem e se desenvolvem fora dela. Isso não é inteiramente ruim. Os seus amigos do peito geralmente são parecidos com você: pertencem ao mesmo mundo e gostam das mesmas coisas. Os elos fracos, não. Eles transitam por grupos diferentes do seu e, por isso, podem lhe apresentar novas pessoas 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 227 e ampliarseus horizontes - gerando uma renovação de ideias que faz bem a todos os relacionamentos, inclusive às amizades antigas. O problema é que a maioria das redes na Internet é simétrica: se você quiser ter acesso às informações de uma pessoa ou mesmo falar reservadamente com ela, é obrigado a pedir a amizade dela. Como é meio grosseiro dizer “não’ ________ alguém que você conhece, todo mundo acaba adicionando todo mundo. E isso vai levando ________ banalização do conceito de amizade. É verdade. Mas, com a chegada de sítios como O Twitter, ficou diferente. Esse tipo de sítio é uma rede social completamente assimétrica. E isso faz com que as redes de “seguidos” de alguém possam se comunicar de maneira muito mais fluida. Ao estudar a sua própria rede no Twitter, o sociólogo Nicholas Christakis, da Universidade de Harvard, percebeu que seus Amigos tinham começado a se comunicar entre si Independentemente da mediação dele. Pessoas cujo único ponto em comum era o próprio Christakis acabaram ficando amigas. No Twitter eu posso me interessar pelo que você tem a dizer e começar a te seguir. Nós não nos conhecemos Mas você saberá quando eu o retuitar ou mencionar seu nome no sítio, e poderá falar comigo. Meus seguidores também podem se interessar pelos seus tuítes e começar a seguir você. Em suma, nós continuaremos não nos conhecendo, mas as pessoas que estão _______ nossa volta podem virar amigas entre si. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas no texto respectivamente. (A) a – a – à – à (B) a – à – a – à (C) à – a – à – a (D) à – à – à – a (E) à – a – a – a 05. (IFC - Assistente Administrativo - IFC) O trecho a seguir reproduz uma parte de verbete do Michaelis - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. As.sis.tir (lat assistere) vti 1 Comparecer, estar presente: Assistir a um ofício divino. Tendo como base somente a informação gramatical acima, assinale a seguir a única alternativa de acordo com a norma padrão para a língua escrita. (A) Eu assisti a queda das torres gêmeas em 2001. (B) Quando ela gritou eu assisti a cobra subindo. (C) Ele assistiu o jogo do Brasil ontem. (D) Ela assistiu à apresentação do balé municipal. (E) Ele assistiu a criança brincando. 06. (IFC - Analista de Tecnologia da Informação - IFC) Leia os períodos: I) Os alunos saíram mais cedo da aula para assistir ao novo episódio de Jornada nas Estrelas. II) Sou Frankenstein, o terrível, e sempre consigo o que estou a fim. III) Prefiro rosas, meu amor, à espinhos. IV) Depois da manifestação na prefeitura, os alunos retornaram à escola. V) A estrada corre paralelamente a ferrovia e chega a cidadezinha. Assinale a alternativa CORRETA: (A) somente a afirmativa I está correta. (B) somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. (C) somente as afirmativas I, II, IV e V estão corretas. (D) somente as afirmativas I e IV estão corretas. (E) somente as afirmativas I e II estão corretas. 07. Leia a frase e assinale a alternativa que contém os termos que preenchem, correta e respectivamente, as lacunas. Entre os brasileiros_____ frente de negócios próprios abertos______ menos de quatro anos, a porcentagem dos que___ de 45___ 54 anos dobrou nesta década – de 7% em 2001 para 15% hoje. (Veja, 15.07.2009) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 228 (A) à… à … têm … à (B) a … a … tem … à (C) à … há … têm … a (D) a … a … tem … a (E) a … há … têm … à 08. Assinale a opção em que o uso do acento grave indicativo da crase constituiria erro: (A) Fez uma proposta a diretora; (B) Fez uma proposta as diretoras; (C) Fez uma proposta a nossa diretora; (D) Fez uma proposta a essa diretora; (E) Fez uma proposta a competente diretora; 09. TEXTO 1 No estudo da história, tem-se a impressão de que, quanto mais se recua no tempo, mais dura parece ter sido a vida das crianças do passado — e mais privilegiada parece a da garotada de 4 hoje. Quando se pensa em como era a infância séculos atrás, uma das primeiras imagens que vêm à cabeça é a de meninos dando duro em minas ou limpando chaminés. A ideia de que essa fase da vida 7 era simplesmente ignorada e de que as pessoas passavam de bebês a trabalhadores, do dia para a noite, é reforçada por inúmeras pinturas antigas retratando crianças sérias, tristemente vestidas como 10 mini adultos. As fontes de informações medievais, entretanto, quando analisadas de perto, não oferecem evidência alguma de que as pessoas daquela época tivessem, com relação às crianças, atitudes 13 muito diferentes das de hoje — com exceção, talvez, apenas do uso em excesso de castigos físicos, que, de qualquer modo, também eram aplicados em adultos. Apesar de o estilo de vida da época ser 16 muito diferente do nosso, as crianças medievais cresciam, em muitos aspectos, de maneira semelhante à de seus “primos” modernos. Nicholas Orme e Fernanda M. Bem. Pequenos na Idade Média. In: BBC História, ano 1, ed. Nº 4 (com adaptações). (Instituto Rio Branco - Diplomata - Bolsa-prêmio de vocação para a Diplomacia - Objetiva – CESPE) Na linha 17, é facultativo o emprego do acento indicativo de crase, dada a possibilidade contextual de emprego, apenas, da preposição a, exigida pela regência de “semelhante”. (A) Certo (B) Errado Respostas 01. Resposta A Basta identificar a transitividade do verbo. A) VTI - exige como complemento um objeto indireto, no caso a preposição (A). QUEM OBEDECE, OBEDECE A ALGO OU OBEDECE A ALGUÉM. Uma vez que há fusão da preposição(A) + artigo(A), tem-se a crase B) VTD - exige um objeto direto como complemento, não necessita de nenhuma preposição. QUEM ACEITA, ACEITA ALGO OU ACEITA ALGUMA COISA. Portando, não há a crase C) VTD D) VTD E) VTD 02. Resposta B CASOS EM QUE SE EMPREGA A CRASE NA FRASE: O que é crase? É a fusão de (a+a = à), portanto o verbo pedirá uma posição junto com uma palavra feminina. Ex: Irei à festa de Sabrina. (à = a+a) Comemos a maçã inteira. Regra geral: Se der para trocar a palavra feminina por uma masculina e para obter coerência na frase for preciso usar (ao), haverá crase no A. Ex: Refiro-me às candidatas do concurso. ( aos candidatos) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 229 Emprego daCrase: 1) Na indicação de LUGAR: > Se vou “a” e volto “da”, crase no à. > Se vou “a” e volto “de”, crase pra que ? (a). Ex: Cheguei a São Paulo. Fomos à Itália. 2) Na indicação de HORAS: > Se der para trocar as horas por “ao meio-dia” = À > Se der para trocar as horas por “ o meio-dia” = A Ex: Voltamos às duas horas da madrugada. (Voltamos ao meio-dia) Estou aqui desde as cinco da manhã. (Estou aqui desde o meio-dia) 3) Antes das locuções verbais femininas: >Indicam tempo, modo, lugar, dúvida. Ex: Virei à esquerda da rua. Gosto de andar a pé. > (pronome masculino) Comprei à vista. 4)Nas expressões que indicam “A MODA DE”: Ex: Fez um gol à Ronaldinho. Bife à cavalo. OBS.: Só se usa crase antes da palavra “Casa”, se estiver especificando. Ex: Volto a casa desanimado. Fomos à casa de Pedro ontem. CASOS EM QUE NÃO OCORRE A CRASE NA FRASE: Antes de verbo: Ex: Comecei a chorar, quando cheguei. Voltamos a caminhar, ontem à noite. Entre palavras repetidas: Ex: Face a face. Boca a boca. Dia a dia. Antes de palavras no plural, mantendo-se no singular. Ex: Adoro assistir a comédias. (Se o “a” fosse colocado no plural, receberia crase. Ficando assim > “às”) 03. Resposta D ___A_____ pouco mais de um mês → Tempo futuro (a),Tempo passado (há) Não____há____que estranhar a dificuldade → Verbo haver sentido existir exercer___à_____queima- oupa → Expressão adverbial feminina ___A___preparar-se muito melhor → Nunca haverá crase antes de verbo 04. Resposta A A palavra crase é de origem grega e significa "fusão", "mistura". Na língua portuguesa, é o nome que se dá à "junção" de duas vogais idênticas. É de grande importância a crase da preposição "a" com o artigo feminino "a" (s), com o pronome demonstrativo "a" (s), com o "a" inicial dos pronomes aquele (s), aquela (s), aquilo e com o "a" do relativo a qual (as quais). Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a crase. O uso apropriado do acento grave, depende da compreensão da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o entendimento da crase, dominar a regência dos verbos e nomes que exigem a preposição "a". Aprender a usar a crase, portanto, consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome. 05. Resposta D Na alternativa D foi usada corretamente a crase por isso é a alternativa correta. 06. Resposta D II incorreto, a frase certa é: sempre consigo o que quero. III incorreto, a frase certa é: a espinhos (sem crase) V incorreto, a frase certa é: à cidadezinha (a com crase) 07. Resposta C À frente – acento grave obrigatório por se tratar de uma locução adverbial feminina. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 230 Há –ideia de passado. Têm – no plural, pois concorda com o sujeito (brasileiros), que também está no plural. A – sem acento grave, pois antes de numerais não há o encontro vocálico, salvo uma regra de exceção, que aqui não se encaixa. (o número tem de representar ou se referir a uma palavra feminina. Veja um exemplo em que há crase: "Eu li o texto da página 3 à 12". No exemplo, o número 12 significa "a página 12", portanto há crase.) 08. Resposta D Antes dos pronomes demonstrativos “este” e “esse” – e suas variantes – nunca haverá crase. A crase é a fusão de duas letras “a”, logo só existe com a preposição “a” junto à partícula “a” – artigo ou pronome demonstrativo – ou junto ao demonstrativo “aquele”, ou suas variantes – as, aquela, aqueles, aquelas. Nas frases das opções “A”, “B” e “E”, a crase é obrigatória. Na frase da opção “C”, a crase é opcional, pois é opcional a presença do artigo antes de pronomes possessivos em função adjetiva. 09. Resposta B A alternativa “B” é a correta, pois não é facultativo o uso da crase nesta situação e sim obrigatório, pois há acento indicativo de crase em: a maneira semelhante à (vida) de seus “primos” modernos. Para a elaboração de um texto escrito deve-se considerar o uso adequado dos sinais gráficos como: espaços, pontos, vírgula, ponto e vírgula, dois pontos, travessão, parênteses, reticências, aspas e etc. Tais sinais têm papéis variados no texto escrito e, se utilizados corretamente, facilitam a compreensão e entendimento do texto. Vírgula 1. Aplicação da Vírgula A vírgula marca uma breve pausa e é obrigatória nos seguintes casos: 1° Inversão de Termos Exemplo: Ontem, à medida que eles corrigiam as questões, eu me preocupava com o resultado da prova. 2° Intercalações de Termos Exemplo: A distância, que tudo apaga, há de me fazer esquecê-lo. 3° Inspeção de Simples Juízo Exemplo: “Esse homem é suspeito”, dizia a vizinhança. 4° Enumerações - sem gradação: Coleciono livros, revistas, jornais, discos.1 - com gradação: Não compreendo o ciúme, a saudade, a dor da despedida.2 5° Vocativos, Apostos - vocativos: Queridos ouvintes, nossa programação passará por pequenas mudanças. - apostos: É aqui, nesta querida escola, que nos encontramos. 6° Omissões de Termos - elipse: A praça deserta, ninguém àquela hora na rua. (omitiu-se o verbo “estava” após o vocábulo “ninguém”, ou seja, ocorreu elipse do verbo estava) - zeugma: Na classe, alguns alunos são interessados; outros, (são) relapsos. (supressão do verbo “são” antes do vocábulo “relapsos”) 1 Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488. 2 Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488. Pontuação 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 231 7° TermosRepetidos Exemplo: Nada, nada há de me derrotar. 8° Sequência de Adjuntos Adverbiais Exemplo: Saíram do museu, ontem, por voltas das 17h. 2. Vírgula Proibida Não se separa por vírgula: - sujeito de predicado; - objeto de verbo; - adjunto adnominal de nome; - complemento nominal de nome; - oração principal da subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na ordem inversa). Dois Pontos Usos dos Dois Pontos - Antes de enumerações. Exemplo: Compre três frutas hoje: maçã, uva e laranja. - Iniciando citações. Exemplo: “Segundo o folclórico Vicente Mateus: ‘Quem está na chuva é para se queimar’”3 . - Antes de orações que explicam o enunciado anterior Exemplo: Não foi explicado o que deveríamos fazer: o que nos deixa insatisfeitos. - Depois de verbos que introduzem a fala. Exemplo: “(...) e disse: aqui não podemos ficar!” Ponto e Vírgula Usos do Ponto e Vírgula Este sinal gráfico é utilizado para anunciar pausas mais fortes, para separar orações adversativas (enfatizando o contraste de ideias) e para separar os itens de enunciados. Exemplos: Os dois rapazes estavam desesperados por dinheiro; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito. (pausa longa) Sonhava em comprar todos os sapatos da loja; comprei, porém, apenas um par. (separação da oração adversativa na qual a conjunção - porém - aparece no meio da oração) Enumeração com explicitação - Comprei alguns livros: de matemática, para estudar para o concurso; um romance, para me distrair nas horas vagas; e um dicionário, para enriquecer meu vocabulário. Enumeração com ponto e vírgula, mas sem vírgula, para marcar distribuição - Comprei os produtos no supermercado: farinha para um bolo; tomates para o molho; e pão para o café da manhã. Parênteses Usos dos Parênteses - Isolar datas. Exemplo: Refiro-me aos soldados da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 3 Retirado de: SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 232 - Isolarsiglas. Exemplo: A taxa de desemprego subiu para 5,3% da população economicamente ativa (PEA)... - Isolar explicações ou retificações Exemplo: Eu expliquei uma vez (ou duas vezes) o motivo de minha preocupação. Reticências Aplicação das Reticências - Indicam a interrupção de uma frase, deixando-a com sentido incompleto. Exemplo: Não consegui falar com a Laura... Quem sabe se eu ligar mais tarde... - Sugerem prolongamento de ideias. Exemplo: “Sua tez, alva e pura como um floco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de- rosa...” (José de Alencar) - Indicam dúvida ou hesitação. Exemplo: Não sei... Acho que... Não quero ir hoje. - Indicam omissão de palavras ou frases no período. Exemplo: “Se o lindo semblante não se impregnasse constantemente, (...) ninguém veria nela a verdadeira fisionomia de Aurélia, e sim a máscara de alguma profunda decepção.” (José de Alencar) Travessão Usos do Travessão - Nos diálogos, para marcar a fala das personagens. Exemplo: As meninas gritaram: - Venham nos buscar! - No meio de sentenças, para dar ênfase em informações. Exemplo: O garçom - creio que já lhe falei - está muito bem no novo serviço - é o que ouvi dizer. Ponto de Exclamação Usos do Ponto de Exclamação - Após vocativos. Exemplo: Vem, Fabiano! - Após imperativos. Exemplo: Corram! - Após interjeição. Exemplos: Ai! / Ufa! - Após expressões ou frases de caráter emocional. Exemplo: Quantas pessoas! Aspas Aplicação das Aspas - Isolam termos distantes da norma culta, como gírias, neologismos, arcaísmos, expressões populares entre outros. Exemplo: Eles tocaram “flashback”, “tipo assim” anos 70 e 80. Foi um verdadeiro “show”. - Delimitam transcrições ou citações textuais 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 233 Exemplo: SegundoRui Barbosa: “A política afina o espírito.” - Isolam estrangeirismos. Exemplo: Os restaurantes “fast food” têm reinado na cidade. Questões 01. (CLIN – Auxiliar de Enfermagem do Trabalho – COSEAC - 2015). Primavera 1 A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega. 2 Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, - e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores. 3 Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jaipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, - e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende. 4 Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol. 5 Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, - e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz. 6 Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação. 7 Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento em que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, - e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora, se entendeu e amou. 8 Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor. 9 Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, - por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida - e efêmera. (MEIRELES, Cecília. "Cecília Meireles - Obra em Prosa? Vol. 1. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1998, p. 366.) "...e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega" (1º §) No fragmento acima, as vírgulas foram empregadas para: (A) marcar termo adverbial intercalado. (B) isolar oração adjetiva explicativa. (C) enfatizar o termo sujeito em relação ao predicado. (D) separar termo em função de aposto. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 234 02. (PC– CE - Escrivão da Policia Civil de 1ª classe – VUNESP - 2015). Assinale a alternativa correta quanto ao uso da vírgula, considerando-se a norma-padrão da língua portuguesa. (A) Os amigos, apesar de terem esquecido de nos avisar, que demoraria tanto, informaram-nos de que a gravidez, era algo demorado. (B) Os amigos, apesar de terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que a gravidez era algo demorado (C) Os amigos, apesar de terem esquecido, de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que a gravidez era algo demorado. (D) Os amigos apesar de terem esquecido de nos avisar que, demoraria tanto, informaram-nos, de que a gravidez era algo demorado. (E) Os amigos, apesar de, terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto, informaram-nos de que a gravidez, era algo demorado. 03. (TJ/SP - Assistente Social - VUNESP) Observe o texto dos quadrinhos. Considerando a norma-padrão de pontuação e de emprego dos pronomes de tratamento, assinale a alternativa que expressa com correção a notícia dada pelo repórter, à vista do texto dos quadrinhos. (A) Em sua entrevista, Sua Senhoria o vereador Formigão declara que: a crise continua e ele, também – pois são inseparáveis. (B) Em sua entrevista, Vossa Senhoria o ministro Formigão declara que, a crise continua, e ele também: pois são inseparáveis. (C) Em sua entrevista, Vossa Excelência o deputado Formigão, declara que a crise continua e ele, também; pois são inseparáveis. (D) Em sua entrevista, Sua Excelência, o senador Formigão, declara que a crise continua, e ele, também, pois são inseparáveis. (E) Em sua entrevista Sua Excelência o Diretor-Presidente da empresa Formigão, declara que a crise continua; e ele também, pois, são inseparáveis. 04. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale dentre as alternativas a frase que apresenta pontuação adequada: (A) Mãe, venha até meu quarto. (B) Curitiba 27 de outubro de 2012. (C) O menino, sentia-se mal. (D) Onde estão os nossos: pais, vizinhos. (E) Assim permite-se roupas, curtas. 05. (IFC - Auxiliar administrativo - IFC). Assinale a opção em que o uso da vírgula é utilizado em uma expressão conclusiva. (A) O tempo está feio, isto é, choverá ainda esta manhã. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 235 (B) Daquia pouco, iremos todos ao mercado. (C) O tempo está feio, portanto, choverá em breve. (D) Gabriela, a bonita garota, está cheia de alegria. (E) Cheios de esperança, os meninos saíram alegres. 06. Indique a opção em que o trecho está incorreto gramaticalmente. (A) As transformações tecnológicas, já que não existe sociedade civilizada sem lei, apenas tornam mais complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma garantia fundamental de desenvolvimento com justiça. (B) Não existe sociedade civilizada sem lei e as transformações tecnológicas apenas tornam mais complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma garantia fundamental de desenvolvimento com justiça. (C) Não existe sociedade civilizada sem lei, por isso as transformações tecnológicas apenas tornam mais complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas, no entanto, continuarão sendo uma garantia fundamental de desenvolvimento com justiça. (D) Não existe sociedade civilizada sem lei. As transformações tecnológicas apenas tornam mais complexas as regras que, muitas vezes incomodam e atrapalham, mas que, continuarão sendo garantias fundamentais de desenvolvimento com justiça. (E) As transformações tecnológicas apenas tornam mais complexas as regras que, muitas vezes, incomodam e atrapalham, mas que continuarão sendo uma garantia fundamental de desenvolvimento com justiça. Não existe sociedade civilizada sem lei. 07. Uma outra maneira igualmente correta de reescrever-se a frase “Os riscos da inflação podem ser calculados; e o prejuízo financeiro deles, previsto”, mantendo-se o seu sentido original é: (A) Podem ser calculados e previstos os riscos da inflação e seu prejuízo financeiro. (B) Os riscos da inflação e seu prejuízo financeiro podem ser calculados e previstos. (C) Podem ser calculados os riscos da inflação e pode ser previsto seu prejuízo financeiro. (D) Podem ser calculados os prejuízos financeiros e calculados seus riscos inflacionários. (E) Podem ser calculados os prejuízos financeiros advindos dos riscos inflacionários. 08. Está inteiramente adequada a pontuação da seguinte frase: (A) A LRF permite, entre outras coisas que, a oposição e a população, fiscalizem a administração das verbas públicas. (B) Alegam alguns prefeitos, que encontram dificuldades, para fazer frente aos gastos que a Constituição determina, nas áreas da saúde e da educação. (C) São graves as penas previstas para quem descumpre, por negligência ou má fé, as normas de responsabilidade fiscal da lei promulgada em 2000. (D) Fazem parte da LRF, as instruções que definem os limites para as despesas de pessoal, e as regras para a criação de dívidas. (E) Qualquer cidadão pode, graças à promulgação da LRF entrar com ação judicial para fazê-la cumprir, conforme sua regulamentação. 09. Entre uma prosa e outra, "seo" Samuca, morador das cercanias do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, no norte de Minas Gerais, me presenteia com um achado da sabedoria cabocla: "Pois é, não sei pra onde a Terra está andando, mas certamente pra bom lugar não é. Só sei que donde só se tira e não se põe, um dia tudo o mais tem que se acabar." Samuel dos Santos Pereira viveu seus 75 anos campeando livre entre cerradões, matas de galeria, matas secas, campos limpos ou sujos e campos cerrados, ecossistemas que constituem a magnífica savana brasileira. "Ainda bem que existe o Parque", exclama o vaqueiro, "porque hoje tudo em volta de mim é plantação de soja e pastagem pra gado." Viajar pelo Cerrado do Centro-Oeste é viver a surpresa permanente. Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas, nascente do Rio São Francisco, podem-se avistar tamanduás bandeira, lobos-guarás e, com sorte, o pato-mergulhão, ameaçado de extinção. Lá está também a maravilhosa Casca D'Anta, primeira e mais alta cachoeira do Velho Chico, com 186 metros de queda livre. No Jalapão, no Tocantins, o Cerrado é diferente, parece um deserto com dunas de até 40 metros de altura. Mas, ao contrário dos Lençóis Maranhenses, tem água em profusão, nascentes, cachoeiras, lagoas, serras e chapadões. E uma fauna exuberante, com 440 espécies de vertebrados. Nas veredas, 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 236 os habitantesda comunidade quilombola de Mumbuca descobriram o capim-dourado, uma fibra que a criatividade local transformou em artigo de exportação. Em Goiás, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o viajante se extasia com a beleza das cachoeiras e das matas de galeria, das piscinas naturais, das formações rochosas, dos cânions do Rio Preto e do Vale da Lua. Perto do município de Chapadão do Céu, também em Goiás, fica o Parque Nacional das Emas, onde acontece o surpreendente espetáculo da bioluminescência, uma irradiação de luz azul esverdeada produzida pelas larvas de vaga-lumes nos cupinzeiros. Pena que todo o entorno do parque foi drenado para permitir a plantação de soja. Agrotóxicos despejados por avião são levados pelo vento e contaminam nascentes e rios que atravessam essa unidade de conservação. Outra tristeza provocada pela ganância humana são as voçorocas das nascentes do Rio Araguaia, quase cem, com quilômetros de extensão e dezenas de metros de profundidade. Elas jogam milhões de toneladas de sedimentos no rio, inviabilizando sua navegabilidade. Apesar de tanta beleza e biodiversidade (mais de 300 espécies de plantas locais são utilizadas pela medicina popular), o Cerrado do "seo" Samuca está minguando e tende a desaparecer. O que percebo, como testemunha ocular, é que entra governo e sai governo e o processo de desertificação do país continua em crescimento assombroso. Como disse Euclides da Cunha, somos especialistas em fazer desertos. Só haverá esperança para os vastos espaços das Geraes, esse sertão do tamanho do mundo, celebrado pela genialidade de João Guimarães Rosa, se abandonarmos nosso conformismo e nossa proverbial omissão. (Araquém Alcântara, fotógrafo. O Estado de S. Paulo, Especial H 4-5, 27 de setembro de 2009, com adaptações) Em relação ao emprego de sinais de pontuação no texto, está INCORRETO o que se afirma em: (A) As aspas em “seo” (1ª linha) registram uma forma coloquial de tratamento. (B) Os dois-pontos na 4ª linha sinalizam a introdução da fala de um interlocutor no texto. (C) As aspas em “Ainda bem que existe o Parque” (10ª linha) assinalam o segmento que contém o assunto central do texto. (D) Os parênteses, no 5º parágrafo, isolam uma afirmativa empregada como argumento que respalda a ressalva anterior, referente à beleza e biodiversidade do Cerrado. (E) A vírgula após a expressão campos cerrados, na 9ª linha, pode ser corretamente substituída por um travessão, sem prejuízo do sentido original Respostas 01. Resposta D O trecho que está entre vírgulas é um aposto explicativo. Ele remete-se ao termo “habitantes da mata” explicando quem estes são. 02. Resposta B A frase apresenta um inversão de termos, sua ordem direta seria: Os amigos informaram-nos de que a gravidez era algo demorado, apesar de terem esquecido de nos avisar que demoraria tanto. Deste modo, quando há inversão dos termos de uma frase deve-se separá-lo por vírgulas. 03. Resposta D O pronome de tratamento Vossa Excelência e Sua Excelência tem uso distinto. Vossa Excelência = usar para falar com a autoridade. Sua Excelência = usar para falar da autoridade. Logo, não poderia ser a alternativa “b” ou “c”. a) O vereador Formigão é aposto explicativo, logo deveria estar entre vírgulas, e não se admite usar travessão antes do "pois". d) Correta 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 237 e) Setiver adjunto adverbial deslocado, a vírgula é obrigatória, exceto se for de curta extensão (formada por 1 ou 2 palavras) Portanto, o correto seria: “Em sua entrevista, Sua Excelência...” 04. Resposta A A vírgula aqui, está corretamente empregada pois trata-se de um Vocativo, um “chamamento” . 05. Resposta C "Portanto" é uma conjunção coordenada conclusiva. O objetivo dela é trazer duas ideias, fazendo da segunda uma conclusão da primeira. Outras do mesmo valor semântico: Logo, por isso, então... 06. Resposta D A opção “D” apresenta uma falha de pontuação, já que o adjunto adverbial “muitas vezes” interrompe uma sequência lógica. A gramática normativa até admite o adjunto adverbial deslocado, contendo corpo pequeno, mas este deve aparecer entre vírgulas. O fato de aparecer vírgula antes do adjunto adverbial “muitas vezes”, porém não aparecer vírgula após a ele faz com que a alternativa apresente um erro de pontuação. 07. Resposta C A segunda vírgula indica a omissão da locução “verbal pode ser”, podendo ser reescrita: “Os riscos da inflação podem ser calculados, e o prejuízo financeiro deles pode ser previsto”. 08. Resposta C Usamos a vírgula para isolar orações adjetivas explicativas. As orações subordinadas adjetivas fazem o papel de um adjetivo, ou seja, restringem ou explicam o sentido de um substantivo ou de um pronome da oração principal. 09. Resposta B Os dois pontos na 3ª linha sinalizam um provérbio caboclo, no qual “seo” Samuca presenteia o escritor. O sinal “dois pontos” introduzem enumerações, sumários, explicações, exemplificações, citações e afirmações. Também chamadas Figuras de Estilo, são recursos especiais de que se vale quem fala ou escreve, para comunicar à expressão mais força e colorido, intensidade e beleza. Podemos classificá-las em três tipos: - Figuras de Palavras (ou tropos); - Figuras de Construção (ou de sintaxe); - Figuras de Pensamento. Figuras de Palavra Compare estes exemplos: O tigre é uma fera. (fera = animal feroz: sentido próprio, literal, usual) Pedro era uma fera. (fera = pessoa muito brava: sentido figurado, ocasional) No segundo exemplo, a palavra fera sofreu um desvio na sua significação própria e diz muito mais do que a expressão vulgar “pessoa brava”. Semelhantes desvios de significação a que são submetidas as palavras, quando se deseja atingir um efeito expressivo, denominam-se figuras de palavras ou tropos (do grego trópos, giro, desvio). São as seguintes as figuras de palavras: Estilística: figuras de linguagem 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 238 Metáfora: consisteem atribuir a uma palavra características de outra, em função de uma analogia estabelecida de forma bem subjetiva. “Meu verso é sangue” (Manuel Bandeira) Observe que, ao associar verso a sangue, o poeta estabeleceu uma analogia entre essas duas palavras, vendo nelas uma relação de semelhança. Todos os significados que a palavra sangue sugere ao leitor passam também para a palavra verso. Os poetas são mestres na citação de metáforas surpreendentes, ricas em significados. Exemplo: “Ó minha amada Que olhos os teus São cais noturnos Cheios de adeus.” Vinícius de Moraes A metáfora é uma espécie de comparação sem a presença de conectivos do tipo como, tal como, assim como etc. Quando esses conectivos aparecem na frase, temos uma comparação e não uma metáfora. Exemplo: “A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor. Brilha tranquila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor.” Vinícius de Moraes Comparação: é a comparação entre dois elementos comuns; semelhantes. Normalmente se emprega uma conjunção comparativa: como, tal qual, assim como. “Sejamos simples e calmos Como os regatos e as árvores” Fernando Pessoa Metonímia: consiste no emprego de uma palavra por outra com a qual ela se relaciona. Ocorre a metonímia quando empregamos: - o autor ou criador pela obra. Exemplo: Gosto de ler Jorge Amado (observe que o nome do autor está sendo usado no lugar de suas obras). - o efeito pela causa e vice-versa. Exemplos: Ganho a vida com o suor do meu rosto. (o suor é o efeito ou resultado e está sendo usado no lugar da causa, ou seja, o “trabalho”); Vivo do meu trabalho. (o trabalho é causa e está no lugar do efeito ou resultado, ou seja, o “lucro”). - o continente pelo conteúdo. Exemplo: Ela comeu uma caixa de doces. (a palavra caixa, que designa o continente ou aquilo que contém, está sendo usada no lugar da palavra doces, que designaria o conteúdo). - o abstrato pelo concreto e vice-versa. Exemplos: A velhice deve ser respeitada. (o abstrato velhice está no lugar do concreto, ou seja, pessoas velhas).Ele tem um grande coração. (o concreto coração está no lugar do abstrato, ou seja, bondade). - o instrumento pela pessoa que o utiliza. Exemplo: Ele é bom volante. (o termo volante está sendo usado no lugar do termo piloto ou motorista). - o lugar pelo produto. Exemplo: Gosto muito de tomar um Porto. (o produto vinho foi substituído pelo nome do lugar em que é feito, ou seja, a cidade do Porto). - o símbolo ou sinal pela coisa significada. Exemplo: Os revolucionários queriam o trono. (a palavra trono, nesse caso, simboliza o império, o poder). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 239 - aparte pelo todo. Exemplo: Não há teto para os necessitados. (a parte teto está no lugar do todo, “a casa”). - o indivíduo pela classe ou espécie. Exemplo: Ele foi o judas do grupo. (o nome próprio Judas está sendo usado como substantivo comum, designando a espécie dos homens traidores). - o singular pelo plural. Exemplo: O homem é um animal racional. (o singular homem está sendo usado no lugar do plural homens). - o gênero ou a qualidade pela espécie. Exemplo: Os mortais somos imperfeitos. (a palavra mortais está no lugar de “seres humanos”). - a matéria pelo objeto. Exemplo: Ele não tem um níquel. (a matéria níquel é usada no lugar da coisa fabricada, que é “moeda”). Observação: Os últimos 5 casos recebem também o nome de Sinédoque. Perífrase: é a substituição de um nome por uma expressão que facilita a sua identificação. Exemplo: O país do futebol acredita no seu povo. (país do futebol = Brasil) Sinestesia: é a mistura de sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido. “O vento frio e cortante balança os trigais dourados e macios que se estendiam pelo campo.” (frio e cortante = tato / dourados e macios = visão + tato) Catacrese: consiste em transferir a uma palavra o sentido próprio de outra, utilizando-se formas já incorporadas aos usos da língua. Se a metáfora surpreende pela originalidade da associação de ideias, o mesmo não ocorre com a catacrese, que já não chama a atenção por ser tão repetidamente usada. Exemplo: Ele embarcou no trem das onze. (originariamente, a palavra embarcar pressupõe barco e não trem). Antonomásia: ocorre quando substituímos um nome próprio pela qualidade ou característica que o distingue. Exemplo: O Poeta dos Escravos é baiano. (Poeta dos Escravos está no lugar do nome próprio Castro Alves, poeta baiano que se distinguiu por escrever poemas em defesa dos escravos). Figuras de Construção Compare as duas maneiras de construir esta frase: Os homens pararam, o medo no coração. Os homens pararam, com o medo no coração. Nota-se que a primeira construção é mais concisa e elegante. Desvia-se da norma estritamente gramatical para atingir um fim expressivo ou estilístico. Foi com esse intuito que assim a redigiu Jorge Amado. A essas construções que se afastam das estruturas regulares ou comuns e que visam transmitir à frase mais concisão, expressividade ou elegância dá-se o nome de figuras de construção ou de sintaxe. São as mais importantes figuras de construção: Elipse: consiste na omissão de um termo da frase, o qual, no entanto, pode ser facilmente identificado. Exemplo: No fim da festa, sobre as mesas, copos e garrafas vazias. (ocorre a omissão do verbo haver: No fim da festa havia, sobre as mesas, copos e garrafas vazias). Pleonasmo: consiste no emprego de palavras redundantes para reforçar uma ideia. Exemplo: Ele vive uma vida feliz. Observação: Devem ser evitados os pleonasmos viciosos, que não têm valor de reforço, sendo antes fruto do desconhecimento do sentido das palavras, como por exemplo, as construções “subir para cima”, “protagonista principal”, “entrar para dentro”, etc. Polissíndeto: consiste na repetição enfática do conectivo, geralmente o “e”. Exemplo: Felizes, eles riam, e cantavam, e pulavam de alegria, e dançavam pelas ruas... 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 240 Inversão ouHipérbato: consiste em alterar a ordem normal dos termos ou orações com o fim de lhes dar destaque: “Passarinho, desisti de ter.” (Rubem Braga) “Justo ela diz que é, mas eu não acho não.” (Carlos Drummond de Andrade) “Por que brigavam no meu interior esses entes de sonho não sei.” (Graciliano Ramos) “Tão leve estou que já nem sombra tenho.” (Mário Quintana) Observação: o termo que desejamos realçar é colocado, em geral, no início da frase. Anacoluto: consiste na quebra da estrutura sintática da oração. O tipo de anacoluto mais comum é aquele em que um termo parece que vai ser o sujeito da oração, mas a construção se modifica e ele acaba sem função sintática. Essa figura é usada geralmente para pôr em relevo a ideia que consideramos mais importante, destacando-a do resto. Exemplo: “Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura.” (Manuel Bandeira) (o pronome eu, enunciado no início, não se liga sintaticamente à oração eis-me medonha e escura.) Silepse: ocorre quando a concordância de gênero, número ou pessoa é feita com ideias ou termos subentendidos na frase e não claramente expressos. A silepse pode ser: - de gênero. Exemplo: Vossa Majestade parece cansado. (o adjetivo cansado concorda não com o pronome de tratamento Vossa Majestade, de forma feminina, mas com a pessoa a quem esse pronome se refere – pessoa do sexo masculino). - de número. Exemplo: O pessoal ficou apavorado e saíram correndo. (o verbo sair concordou com a ideia de plural que a palavra pessoal sugere). - de pessoa. Exemplo: Os brasileiros gostamos de futebol. (o sujeito os brasileiros levaria o verbo usualmente para a 3ª pessoa do plural, mas a concordância foi feita com a 1ª pessoa do plural, indicando que a pessoa que fala está incluída em os brasileiros). Onomatopeia: consiste no aproveitamento de palavras cuja pronúncia imita o som ou a voz natural dos seres. É um recurso fonêmico ou melódico que a língua proporciona ao escritor. “Pedrinho, sem mais palavras, deu rédea e, lept! lept! arrancou estrada afora.” (Monteiro Lobato) “O som, mais longe, retumba, morre.” (Goncalves Dias) “O longo vestido longo da velhíssima senhora frufrulha no alto da escada.” (Carlos Drummond de Andrade) “Tíbios flautins finíssimos gritavam.” (Olavo Bilac) “Troe e retroe a trompa.” (Raimundo Correia) “Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vagam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” (Cruz e Sousa) As onomatopeias, como nos três últimos exemplos, podem resultar da Aliteração (repetição de fonemas nas palavras de uma frase ou de um verso). Repetição: consiste em reiterar (repetir) palavras ou orações para enfatizar a afirmação ou sugerir insistência, progressão: “O surdo pede que repitam, que repitam a última frase.” (Cecília Meireles) “Tudo, tudo parado: parado e morto.” (Mário Palmério) “Ia-se pelos perfumistas, escolhia, escolhia, saía toda perfumada.” (José Geraldo Vieira) “E o ronco das águas crescia, crescia, vinha pra dentro da casona.” (Bernardo Élis) “O mar foi ficando escuro, escuro, até que a última lâmpada se apagou.” (Inácio de Loyola Brandão) Zeugma: consiste na omissão de um ou mais termos anteriormente enunciados. Exemplo: A manhã estava ensolarada; a praia, cheia de gente. (há omissão do verbo estar na segunda oração (...a praia estava cheia de gente)). Assíndeto: ocorre quando certas orações ou palavras, que poderiam se ligar por um conectivo, vêm apenas justapostas. Exemplo: Vim, vi, venci. Anáfora: consiste na repetição de uma palavra ou de um segmento do texto com o objetivo de enfatizar uma ideia. É uma figura de construção muito usada em poesia. Exemplo: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 241 “Tende piedade,Senhor, de todas as mulheres Que ninguém mais merece tanto amor e amizade Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade.” Paranomásia: palavras com sons semelhantes, mas de significados diferentes, vulgarmente chamada de trocadilho. Exemplo: Era iminente o fim do eminente político. Neologismo: criação de palavras novas. Exemplo: O projeto foi considerado imexível. Figuras de Pensamento São processos estilísticos que se realizam na esfera do pensamento, no âmbito da frase. Nelas intervêm fortemente a emoção, o sentimento, a paixão. Eis as principais figuras de pensamento: Antítese: consiste em realçar uma ideia pela aproximação de palavras de sentidos opostos. Exemplo: “Morre! Tu viverás nas estradas que abriste!” (Olavo Bilac) Apóstrofe: consiste na interrupção do texto para se chamar a atenção de alguém ou de coisas personificadas. Sintaticamente, a apóstrofe corresponde ao vocativo. Exemplo: “Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres Que ninguém mais merece tanto amor e amizade” (Vinícius de Moraes) Eufemismo: ocorre quando, no lugar das palavras próprias, são empregadas outras com a finalidade de atenuar ou evitar a expressão direta de uma ideia desagradável ou grosseira. Exemplo: Depois de muito sofrimento, ele entregou a alma a Deus. Gradação: ocorre quando se organiza uma sequência de palavras ou frases que exprimem a intensificação progressiva de uma ideia. Exemplo: “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Monteiro Lobato) Hipérbole: ocorre quando, para realçar uma ideia, exageramos na sua representação. Exemplo: Está muito calor. Os jogadores estão morrendo de sede no campo. Ironia: é o emprego de palavras que, na frase, têm o sentido oposto ao que querem dizer. É usada geralmente com sentido sarcástico. Exemplo: Quem foi o inteligente que usou o computador e apagou o que estava gravado? Paradoxo: é o encontro de ideias que se opõem; ideias opostas. Exemplo: “É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe pois sem você meu mundo é diferente minha alegria é triste.” (Roberto Carlos e Erasmo) (a alegria e a tristeza se opõem, se a alegria é triste, ela tem uma qualidade que é antagônica). Personificação ou Prosopopéia ou Animismo: consiste em atribuir características humanas a outros seres. Exemplo: “Ah! cidade maliciosa de olhos de ressaca que das índias guardou a vontade de andar nua.” (Ferreira Gullar) Reticência: consiste em suspender o pensamento, deixando-o meio velado. Exemplo: “De todas, porém, a que me cativou logo foi uma... uma... não sei se digo.” (Machado de Assis) “Quem sabe se o gigante Piaimã, comedor de gente...” (Mário de Andrade) Retificação: como a palavra diz, consiste em retificar uma afirmação anterior. Exemplos: É uma joia, ou melhor, uma preciosidade, esse quadro. O síndico, aliás, uma síndica muito gentil não sabia como resolver o caso. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 242 “O paísandava numa situação política tão complicada quanto a de agora. Não, minto. Tanto não.” (Raquel de Queiroz) “Tirou, ou antes, foi-lhe tirado o lenço da mão.” (Machado de Assis) “Ronaldo tem as maiores notas da classe. Da classe? Do ginásio!” (Geraldo França de Lima) Questões 01. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIOTECONOMIA – FGV/2014 - adaptada). Ao dizer que os shoppings são “cidades”, o autor do texto faz uso de um tipo de linguagem figurada denominada (A) metonímia. (B) eufemismo. (C) hipérbole. (D) metáfora. (E) catacrese. 02. (PREFEITURA DE ARCOVERDE/PE - ADMINISTRADOR DE RECURSOS HUMANOS – CONPASS/2014) Identifique a figura de linguagem presente na tira seguinte: (A) metonímia (B) prosopopeia (C) hipérbole (D) eufemismo (E) onomatopeia 03. (CASAL/AL - ADMINISTRADOR DE REDE - COPEVE/UFAL/2014) Está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto. O dito popular é, na maioria das vezes, uma figura de linguagem. Entre as 14h30min e às 15h desta terça-feira, horário do dia em que o calor é mais intenso, a temperatura do asfalto, medida com um termômetro de contato, chegou a 65ºC. Para fritar um ovo, seria preciso que o local alcançasse aproximadamente 90 ºC. Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Acesso em: 22 jan. 2014. O texto cita que o dito popular “está tão quente que dá para fritar um ovo no asfalto” expressa uma figura de linguagem. O autor do texto refere-se a qual figura de linguagem? (A) Eufemismo. (B) Hipérbole. (C) Paradoxo. (D) Metonímia. (E) Hipérbato. 04. (SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA/PI – ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL – UESPI/2014). A linguagem por meio da qual interagimos no nosso dia a dia pode revestir-se de nuances as mais diversas: pode apresentar-se em sentido literal, figurado, metafórico. A opção em cujo trecho utilizou-se linguagem metafórica é (A) O equilíbrio ou desequilíbrio depende do ambiente familiar. (B) Temos medo de sair às ruas. (C) Nestes dias começamos a ter medo também dentro dos shoppings. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 243 (D) Somosesse novelo de dons. (E) As notícias da imprensa nos dão medo em geral. 05. (SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL/MG – AGENTE DE SEGURANÇA SOCIOEDUCATIVO – IBFC/2014) No verso “Essa dor doeu mais forte”, pode-se perceber a presença de uma figura de linguagem denominada: (A) ironia (B) pleonasmo (C) comparação (D) metonímia 06. (SESAU/RO – ENFERMEIRO - FUNCAB) Ciência e moralidade A percepção pública da ciência é, com razão, repleta de conflitos. Alguns acreditam que a ciência seja a chave para a liberdade do homem, para a melhora das condições de vida de todos, para a cura dos tantos males que afligem pobres e ricos, desde a fome até as mais variadas doenças. Já outros veem a ciência com grande desconfiança e até com desprezo, como sendo a responsável pela criação de várias armas de destruição inventadas através da história, da espada à bomba atômica. Para esse grupo, os homens não são maduros o suficiente para lidar com o grande poder que resulta de nossas descobertas científicas. No início do século 21, a clonagem e a possibilidade de construirmos máquinas inteligentes prometem até mesmo uma redefinição do que significa ser humano. Na medida em que será possível desenhar geneticamente um indivíduo ou modificar a sua capacidade mental por meio de implantes eletrônicos, onde ficará a linha divisória entre homem e máquina, entre o vivo e o robotizado? Entre os vários cenários que vemos discutidos na mídia, o mais aterrorizador é aquele em que nós nos tornaremos forçosamente obsoletos, uma vez que clones bioeletrônicos serão muito mais inteligentes e resistentes do que nós. Ou seja, quando (e se) essas tecnologias estiverem disponíveis, a ciência passará a controlar o processo evolutivo: a nossa missão final é criar seres “melhores” do que nós, tomando a seleção natural em nossas próprias mãos. O resultado, claro, é que terminaremos por causar a nossa própria extinção, sendo apenas mais um elo na longa cadeia evolutiva. O filme“Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg, relata precisamente esse cenário lúgubre para o nosso futuro, a inventividade humana causando a sua destruição final. É difícil saber como lidar com essa possibilidade. Se tomarmos o caso da tecnologia nuclear como exemplo, vemos que a sua história começou com o assassinato de centenas de milhares de cidadãos japoneses, justamente pela potência que se rotula o “lado bom”. Esse rótulo, por mais ridículo que seja, é levado a sério por grande parte da população norte-americana. É o velho argumento maquiavélico de que os fins justificam os meios: “Se não jogássemos as bombas em Hiroshima e Nagasaki, os japoneses jamais teriam se rendido e muito mais gente teria morrido em uma invasão por terra”, dizem as autoridades militares e políticas norte-americanas. Isso não só não é verdade como mostra que são os fins político-econômicos que definem os usos e abusos da ciência: os americanos queriam manter o seu domínio no Pacífico, tentando amedrontar os soviéticos que desciam pela Manchúria. As bombas não só detiveram os soviéticos como redefiniram o equilíbrio de poder no mundo. Ao menos até os soviéticos desenvolverem a sua bomba, o que deu início à Guerra Fria. As consequências de um conflito nuclear global são tão horrendas que até mesmo os líderes das potências nucleares conseguiram resistir à tentação de abusar de seu poder: criamos uma guerra sem vencedores e, portanto, inútil. Porém, as tecnologias nucleares não são propriedade exclusiva das potências nucleares. A possibilidade de que um grupo terrorista obtenha ou construa uma pequena bomba é remota, mas não inexistente. Em casos de extremismo religioso, escolhas morais são redefinidas de acordo com os preceitos (distorcidos) da religião: isso foi verdade tanto nas Cruzadas como hoje, nas mãos de suicidas muçulmanos. Eles não hesitariam em usar uma arma atômica, caso ativessem. E sentiriam suas ações perfeitamente justificadas. Essa discussão mostra que a ciência não tem uma dimensão moral: somos nós os seres morais, os que optamos por usar as nossas invenções de modo criativo ou destrutivo. Somos nós que descobrimos 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 244 curas paradoenças e gases venenosos. Daí que o futuro da sociedade está em nossas mãos e será definido pelas escolhas que fizermos daqui para a frente. (...) Não é da ciência que devemos ter medo, mas de nós mesmos e da nossa imaturidade moral. (Marcelo Gleiser, in Folha de São Paulo, 7 de julho de 2002) Em “Essa discussão mostra que a ciência não tem uma dimensão moral: somos nós os seres morais, os que optamos por usar as nossas invenções de modo criativo ou destrutivo.”, identificamos: (A) silepse de número; (B) silepse de pessoa; (C) silepse de gênero; (D) pleonasmo; (E) elipse. 07. (UFRJ – ARQUITETO E URBANISTA – PR4/2012) TEXTO - PAZ GLOBAL IMPOSSÍVEL Umberto Eco Perto do final de dezembro, a Academia Universal das Culturas discutiu em Paris o tema de como se pode imaginar a paz nos dias de hoje. Não definir ou desejar, mas imaginar. Logo, a paz parece ainda ser não apenas uma meta distante, mas um objeto desconhecido. Os teólogos a definiram como a “tranquillita ordinis". A tranquilidade de que ordem? Somos todos vítimas de um mito original: havia uma condição edênica, depois essa tranquilidade foi violada pelo primeiro ato de violência. Mas Heráclito nos preveniu de que “a luta é a regra do mundo, e a guerra é geradora comum e senhora de todas as coisas". No início houve a guerra, e a evolução implica uma luta pela vida. As grandes pazes que conhecemos na História, como a paz romana, ou, em nosso tempo, a paz americana (mas também já houve paz soviética, paz otomana, paz chinesa), foram resultados de uma conquista e uma pressão militar contínua através das quais se mantinha uma certa ordem e se reduzia o grau de conflitos no centro, à custa de algumas tantas pequenas, porém sangrentas, guerras periféricas. A coisa pode agradar a quem está no olho do furacão, mas quem está na periferia sofre a violência que serve para conservar o equilíbrio do sistema. “Nossa" paz se obtém sempre ao preço da guerra que sofrem os outros. Isso deveria nos levar a uma conclusão cínica, porém realista: se queres a paz (para ti), prepara a guerra (contra os outros). Entretanto, nas últimas décadas, a guerra se transformou em algo tão complexo que não costuma mais chegar ao fim com uma situação de paz, nem que seja apenas provisória. Ao longo dos séculos, a finalidade da guerra tem sido a de derrotar o inimigo em seu próprio território, mantendo- o no desconhecimento quanto a nossos movimentos para poder pegá-lo de surpresa, conseguindo forte solidariedade na frente interna. Hoje, depois das guerras do Golfo e de Kosovo, temos visto não apenas jornalistas ocidentais falando das cidades inimigas bombardeadas, como também os representantes dos países adversários expressando-se livremente em nossas telas de televisão. Os meios de comunicação informavam ao inimigo sobre as posições e os movimentos dos “nossos", como se Mata Hari tivesse se transformado em diretora da televisão local. Os chamados do inimigo dentro de nossa própria casa e a prova visual insuportável da destruição provocada pela guerra levaram a que se dissesse que não se deveriam assassinar os inimigos (ou mostrar que eram assassinados por engano),e, por outro lado, parecia insustentável a idéia de que um dos nossos pudesse morrer. Dá para se fazer uma guerra nessas condições? “Somos todos vítimas de um mito original”. Nesse segmento do texto temos o que se chama de “silepse de pessoa”, marcada pelo seguinte traço: (A) o vocábulo “vítimas” é empregado como masculina e não como feminina; (B) a concordância da forma verbal (somos) não está de acordo com o sujeito (vítimas); (C) a concordância nominal entre “todos” e “vítimas” não é gramaticalmente correta; (D) a forma verbal “somos” deveria ser empregada no passado e não no presente; (E) o autor se inclui entre as vítimas do mito original citado. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 245 08. (INSS– ANALISTA LETRAS – FUNRIO/2014) Esse conhecido provérbio exemplifica o uso de duas figuras de linguagem, a saber: (A) antítese e onomatopeia. (B) gradação e comparação. (C) hipérbato e silepse. (D) ironia e sinestesia. (E) metáfora e metonímia. Respostas 01. Resposta D A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e transportá-la para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma similaridade existente entre as duas. (Fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/metafora-figura-de-palavra-variacoes-e-exemplos.htm) 02. Resposta D “Eufemismo = é o emprego de uma expressão mais suave, mais nobre ou menos agressiva, para comunicar alguma coisa áspera, desagradável ou chocante”. No caso da tirinha, é utilizada a expressão “deram suas vidas por nós” no lugar de “que morreram por nós”. 03. Resposta B A expressão é um exagero! Ela serve apenas para representar o calor excessivo que está fazendo. A figura que é utilizada “mil vezes” (!) para atingir tal objetivo é a hipérbole. 04. Resposta D A alternativa que apresenta uma linguagem metafórica (figurada) é a que emprega o termo “novelo” fora de seu contexto habitual (novelo de lã, por exemplo), representando, aqui, um emaranhado, um monte, vários dons. 05. Resposta B Repetição de ideia = pleonasmo (essa dor doeu). 06. Resposta B A silepse de pessoa identifica-se no verbo “optamos” que se encontra em concordância com o sujeito da oração “nós”. 07. Resposta E Ao utilizar a forma verbal “somos”, correspondente da 3ª pessoa do plural – nós, o autor inclui-se dentro do grupo de pessoas. 08. Resposta C Hipérbato - consiste na alteração da ordem direta dos termos em uma oração. Em português, a oração geralmente segue a ordem “sujeito + verbo + complementos + adjuntos”. O hipérbato quebra a ligação imediata que as palavras têm umas com as outras, a fim de conferir maior ênfase, maior destaque a determinadas partes da oração. Todos temos um pouco . Todos ( 3° pessoa ) , temos ( 1° pessoa) = silepse de pessoa . 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 246 Norma Culta Normaculta ou linguagem culta é uma expressão empregada pelos linguistas brasileiros para designar o conjunto de variedades linguísticas produzidas pelos falantes classificado como cidadãos nascidos e criados em zona urbana e com nível de escolaridade elevado. Assim, a norma culta define o uso correto da Língua Portuguesa com base no que está escrito nos livros de gramática. Aquisição da Linguagem e o Propósito da Língua A aprendizagem da língua inicia-se em casa, no contexto familiar, que é o primeiro círculo social para uma criança. A criança imita o que ouve e aprende, aos poucos, o vocabulário e as leis combinatórias da língua. Um jovem falante também vai exercitando o aparelho fonador, ou seja, a língua, os lábios, os dentes, os maxilares, as cordas vocais para produzir sons que se transformam, mais tarde, em palavras, frases e textos. Um falante ao entrar em contato com outras pessoas em diferentes ambientes sociais como a rua, a escola e etc., começa a perceber que nem todos falam da mesma forma. Há pessoas que falam de forma diferente por pertencerem a outras cidades ou regiões do país, ou por fazerem parte de outro grupo ou classe social. Essas diferenças no uso da língua constituem as variedades linguísticas. A língua é um poderoso instrumento de ação social, ela possibilita transmitir nossas ideias e transmitir um conjunto de informações sobre nós mesmos. Desta forma, ela pode tanto facilitar quanto dificultar o nosso relacionamento com as pessoas e com a sociedade no que diz respeito a nossa capacidade de uso e articulação da língua. Certas palavras e construções que empregamos acabam denunciando quem somos socialmente, ou seja, em que região do país nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e, às vezes, até nossos valores, círculo de amizades e hobbies, como skate, rock, surfe, etc. O uso da língua também pode informar nossa timidez, sobre nossa capacidade de nos adaptarmos às situações novas e nossa insegurança. Variedades Linguísticas A língua escrita e falada apresenta uma série de variações e transformações ao pasar do tempo. Tais variações decorrem das diferenças entre as épocas, condições sociais, culturais e regionais dos falantes. Tomemos como exemplo a transformação ortográfica do vocábulo “farmácia” que antes era grafado com “ph”, assim, a palavra era escrita “pharmácia”. Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde que cumpram com eficiência o papel fundamental da língua, o de permitir e estabelecer a comunicação entre as pessoas. Apesar disso, há uma entre as variedades que tem maior prestígio social, a norma culta ou norma padrã. A norma culta é a variedade linguística ensinada nas escolas, contida na maior parte dos livros, registros escritos, nas mídias televisivas, entre outros. Como variantes da norma padrão aparecem: a linguagem regional, a gíria, a linguagem específica de grupos ou profissões (policiais, jogadores de futebol, advogados, surfistas). O ensino da língua culta na escola não tem a finalidade de condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa família ou em nossa comunidade. Ao contrário, o domínio da língua culta, somado ao domínio de outras variedades linguísticas, torna-nos mais preparados para nos comunicarmos nos diferentes contextos lingísticos, já que a linguagem utilizada em reuniões de trabalho não deve ser a mesma utilizada em uma reunião de amigos no final de semana. Portanto, saber usar bem uma língua equivale a saber empregá-la de modo adequado às mais diferentes situações sociais de que participamos. Graus de Formalismo São muitos os tipos de registros quanto ao formalismo, tais como: o registro formal, que é uma linguagem mais cuidada; o coloquial, que não tem um planejamento prévio, caracterizando-se por construções gramaticais mais livres, repetições frequentes, frases curtas e conectores simples; o informal, Reescrita de frases: substituição, deslocamento, paralelismo; variação linguística: norma culta 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 247 que secaracteriza pelo uso de ortografia simplificada e construções simples ( geralmente usado entre membros de uma mesma família ou entre amigos). As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente na situação de comunicação; com o modo de expressão, isto é, se trata de um registro formal ou escrito; com a sintonia entre interlocutores, que envolve aspectos como graus de cortesia, deferência, tecnicidade (domínio de um vocabulário específico de algum campo científico, por exemplo). ATITUDES NÃO RECOMENDADAS EXPRESSÕES CONDENÁVEIS USO RECOMENDADO A nível de / Ao nível Em nível, No nível Face a / Frente a Ante, Diante, Em face de, Em vista de, Perante Onde (Quando não exprime lugar) Em que, Na qual, Nas quais, No qual, Nos quais Sob um ponto de vista De um ponto de vista Sob um prisma Por (ou através de) um prisma Em função de Em virtude de, Por causa de, Em consequência de, Por, Em razão de Expressões não recomendadas - a partir de (a não ser com valor temporal). Opção: com base em, tomando-se por base, valendo-se de... - através de (para exprimir “meio” ou instrumento). Opção: por, mediante, por meio de, por intermédio de, segundo... - devido a. Opção: em razão de, em virtude de, graças a, por causa de. - dito. Opção: citado, mencionado. - enquanto. Opção: ao passo que. - inclusive (a não ser quando significa incluindo-se). Opção: até, ainda, igualmente, mesmo, também. - no sentido de, com vistas a. Opção: a fim de, para, com a finalidade de, tendo em vista. - pois (no início da oração). Opção: já que, porque, uma vez que, visto que. - principalmente. Opção: especialmente, sobretudo, em especial, em particular. Expressões que demandam atenção - acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se - aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser e estar, aceito 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 248 - acendido,aceso (formas similares) – idem - à custa de – e não às custas de - à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo que, conforme - na medida em que – tendo em vista que, uma vez que - a meu ver – e não ao meu ver - a ponto de – e não ao ponto de - a posteriori, a priori – não tem valor temporal - em termos de – modismo; evitar - enquanto que – o que é redundância - entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a - implicar em – a regência é direta (sem em) - ir de encontro a – chocar-se com - ir ao encontro de – concordar com - se não, senão – quando se pode substituir por caso não, separado; quando não se pode, junto - todo mundo – todos - todo o mundo – o mundo inteiro - não pagamento = hífen somente quando o segundo termo for substantivo - este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a tempo presente; a futuro próximo; ao anunciar e a que se está tratando) - esse e isso – referência longe do falante e perto do ouvinte (tempo futuro, desejo de distância; tempo passado próximo do presente, ou distante ao já mencionado e a ênfase). Erros Comuns - "Hoje ao receber alguns presentes no qual completo vinte anos tenho muitas novidades para contar”. Uso inadequado do pronome relativo. Ele provoca falta de coesão, pois não consegue perceber a que antecedente ele se refere, portanto nada conecta e produz relação absurda. - "Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto de cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de mel. "Tudo começou naquele baile de quinze anos", "... é aos dezoito anos que se começa a procurar o caminho do amanhã e encontrar as perspectiva que nos acompanham para sempre na estrada da vida”. Você pode ter conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e, assim, construir um texto sem erros. Entretanto, se você reproduz sem nenhuma crítica ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas pelo uso contínuo. A boa qualidade do texto fica comprometida. - Tema: Para você, as experiências genéticas de clonagem põem em xeque todos os conceitos humanos sobre Deus e a vida? "Bem a clonagem não é tudo, mas na vida tudo tem o seu valor e os homens a todo momento necessitam de descobrir todos os mistérios da vida que nos cerca a todo instante”. É de extrema importância seguir o que foi proposto no tema. Antes de começar o texto leia atentamente todos os elementos que o examinador apresentou. Esquematize as ideias e perceba se não há falta de correspondência entre o tema proposto e o texto criado. - "Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu primo (...) mostrou que ele não era maligno”. Esta frase está ambígua. Não se sabe se o pronome ele refere-se ao fígado ou ao primo. Para se evitar a ambiguidade, deve-se observar se a relação entre cada palavra do texto está correta. - "Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas uma criança”. Problema com o uso do conectivo “mas”. O conectivo mas indica uma circunstância de oposição, de ideia contrária a. Portanto, a relação adversativa introduzida pelo "mas" no fragmento acima produz uma ideia absurda. - "Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tempestade sempre vem a bonança. Após longo suplício, meu coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que só estaríamos separadas carnalmente”. Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles empobrecem a redação e fazem parecer que o autor não tem criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso frequente. - "Todos os deputados são corruptos”. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 249 Evite pensamentosradicais. É recomendável não generalizar e evitar, assim, posições extremistas. - "Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas coisas. Olhe, acho que ele não vai concordar com a decisão que você tomou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas você sabe - todos sabem - ele pensa diferente. É bom a gente pensar como vai fazer para, enfim, para ele entender a decisão”. O ato de escrever é diferente do ato de falar. O texto escrito não deve apresentar marcas de oralidade. - "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar. - "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias. - "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais. - Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer. - Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti. - "Há" dez anos "atrás". Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás. - "Entrar dentro". Problema de redundância. O certo seria: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido. - Vai assistir "o" jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes. - Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória. - Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente" (beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinquenta), "zuar" (zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo), "ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro). - Comprei "ele" para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe- os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me. - "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados. - Chegou "em" São Paulo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 250 Verbos demovimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo. - Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres. - A última "seção" de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso. - Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. - "Porisso". Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de - Não viu "qualquer" risco. Deve-se usar “nenhum”, e não "qualquer. Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão. - A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã. - O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho). - Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos? - "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo. - Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga. - "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui. - A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você. - Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas. - Ele foi um dos que "chegou" antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória. - "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 251 - Tinha"chego" atrasado. "Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado. - Queria namorar "com" o colega. O com não existe: Queria namorar o colega. - O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo dá entrada no STF - As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos. - Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me"). - Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias. - Estávamos "em" quatro à mesa. O “em” não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala. - Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador. - Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu. A locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu. - O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é “por”: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por. - Não queria que "receiassem" a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam). - Eles "tem" razão. No plural, têm é com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem. - Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político- partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas. - Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos. - "Todos" amigos o elogiavam. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 252 No plural,todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto. - Ela "mesmo" arrumou a sala. “Mesmo” é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia. - Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não "dos mesmos"). - Vou sair "essa" noite. É este que designa o tempo no qual se está o objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20). - A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora. - Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu. - Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir); se eu tiver (de ter); se ele puser (de pôr); se ele fizer (de fazer); se nós dissermos (de dizer). - Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda", - Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos. - O homem "possue" muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue. - A tese "onde". Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que... - Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados. - A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. - Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar). Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado). - O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Partiu sem sequer nos avisar. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 253 - Ofato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido. - "Haja visto" seu empenho... A expressão é “haja vista” e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas. - A moça "que ele gosta". Quem gosta, gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta - É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado. / Depois de esses fatos terem ocorrido. - A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg. - "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas ideias... - Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás. - "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver. Paralelismo Conceito básico: O termo paralelismo corresponde a uma relação de equivalência, por semelhança ou contraste, entre dois ou mais elementos. É um recurso responsável por uma boa progressão textual. Dizemos que há paralelismo em uma estrutura quando há uma correspondência rítmica, sintática/gramatical ou semântica entre as estruturas. Vejam a tirinha a seguir da famosa personagem Mafalda: (Quino) Reparem que, no segundo quadrinho, na fala da mãe da menina, há uma estrutura sintaticamente equivalente: “[Para trabalhar,] [para nos amar,] [para fazer deste mundo um mundo melhor]” Notem que as três orações em destaque obedecem a uma mesma estrutura sintática: iniciam-se com a preposição “para” e mantêm o verbo no infinitivo. A essa relação de equivalência estrutural, damos o nome de paralelismo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 254 Analisemos opróximo exemplo: Vejam como o slogan da marca de cosméticos “Nívea” também segue uma estrutura em paralelismo – “Beleza que se vê, beleza que se sente”. Notem que a repetição é intencional, mantendo uma unidade gramatical. O paralelismo é um recurso de coesão textual, ou seja, promove a conexão das ideias, através de repetições planejadas, trazendo unidade a um texto. Vejamos o exemplo a seguir: Ministério da educação prevê [mudar a data do enem] e [melhorias no sistema.] Reparem que há um desequilíbrio gramatical na frase acima. Para respeitarmos o paralelismo, poderíamos reescrevê-la das seguintes maneiras: A) Ministério da educação prevê [mudar a data do enem] e [melhorar o sistema.] Ou B) Ministério da educação prevê [mudanças na data do enem] e [melhorias no sistema.] Vejam que, na primeira reescrita, mantivemos verbos no infinitivo iniciando as orações – “mudar” e “melhorar”. Já na segunda, mantivemos bases nominais – substantivos – “mudanças” e “melhorias”. Dessa forma, estabelecemos o paralelismo nas frases. “Mas como achar o tal do paralelismo?”. Uma dica boa é encontrar os conectivos na frase. Eles são importantes marcadores textuais para ajudá-los a identificar as estruturas que devem permanecer em relação de equivalência. Olhem esse exemplo: Queremos amor E ter paz. O verbo querer possui duas ideias que o complementam: “amor” E “ter paz”. O conectivo “e” marca o paralelismo. As estruturas por ele ligadas estão iguais gramaticalmente? Não. Uma é um substantivo e a outra uma oração. Para equilibrá-las, podemos reescrever, por exemplo, das seguintes formas: a) Queremos [amor] e [paz]. Ou b) Queremos [ter amor] e [ter paz]. Ou c) Queremos ter [amor] e [paz]. Exercícios de fixação: Os períodos a seguir apresentam problemas de paralelismo. Reescreva-os, fazendo as devidas correções: a) Trata-se de um ponto de vista importante e que merece respeito. b) Pensei estar, um dia, como aquele funcionário e que também conseguirei uma promoção. c) Lamentei não ter feito nada pelo rapaz e que ele saísse tão humilhado. d) Vi-o entristecer e que queria ajuda. Sugestões de resposta: a) Trata-se de um ponto de vista importante e respeitável. b) Pensei estar, um dia, como aquele funcionário e também conseguir uma promoção. c) Lamentei que não tivesse feito nada pelo rapaz e que ele saísse tão humilhado. d) Vi-o entristecer e querer ajuda. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 255 Paralelismo sintáticoou gramatical É aquele em que se nota uma correlação sintática numa estrutura frasal a partir de termos ou orações semelhantes morfossintaticamente. Veja os exemplos a seguir: Exemplo 1: O condenado não só [roubou], mas também [é sequestrador]. Corrigindo, temos: Ele não só roubou, mas também sequestrou. Reparem que os termos “não só... mas também” estabelecem entre as orações coordenadas uma relação de equivalência sintática. Dessa forma, é preciso que as orações apresentem a mesma estrutura gramatical. Exemplo 2: O cidadão precisa [de educação], [respeito] e [solidariedade]. Corrigindo, temos: O cidadão precisa [de educação], [de respeito] e [de solidariedade]. (os três complementos verbais devem vir preposicionados - encadeamento de funções sintáticas) Exemplo 3: [Gosto] e [compro] livros. Nesse caso, temos um problema na construção. O verbo “gostar” é transitivo indireto, enquanto o verbo “comprar” é transitivo direto. A frase mostra-se incompleta sintaticamente, uma vez que só há um complemento verbal (“livros”). Corrigindo, temos: Gosto [de livros] e [os] compro. OI OD Exemplo 4: Quero [sua ajuda] e [que você venha]. Nesse caso, o paralelismo foi quebrado, uma vez que os complementos do verbo “querer” têm “pesos sintáticos” diferentes: “sua ajuda” é um objeto direto “simples” e “que você venha” é um objeto direto oracional. Repare que os objetos estão ligados pelo conectivo “e”, devendo, portanto, haver uma equivalência entre eles. Corrigindo, temos: Quero [sua ajuda] e [sua vinda]. ou Quero [que você me ajude] e [que você venha]. Paralelismo semântico É aquele em que se observa uma correlação de sentido entre as estruturas. Observem os exemplos a seguir: “Trocava [de namorada] como trocava [de blusa]”. “Marcela amou-me durante [quinze meses] e [onze contos de réis]” (Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas) Notem que, apesar de haver paralelismo gramatical ou sintático nas frases, não há uma correlação semântica. No primeiro caso trocar “de namorada” não equivale a trocar “de blusa”; no segundo, amar “durante quinze meses” (tempo) não corresponde a amar “durante onze contos de réis”. São relações de sentido diferentes. Dessa forma, podemos dizer que houve uma “quebra” do paralelismo semântico, pois é feita uma aproximação entre elementos de “carga significativa” diferente. Entretanto, isso foi intencional e não deve ser visto como uma falha de construção. Na maioria das vezes, esse tipo de construção é proposital para trazer a um trecho determinado efeito de sentido a partir da ironia ou do humor, como nos exemplos acima. Paralelismo rítmico 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 256 O paralelismorítmico é um recurso estilístico de grande efeito, do qual alguns autores se servem com o propósito de dar maior expressividade ao pensamento. Vejam os exemplos a seguir, retirados do livro “Comunicação em prosa moderna”, de Othon Garcia: “Se os olhos veem com amor, o corvo é branco; se com ódio, o cisne é negro; se com amor, o demônio é formoso; se com ódio, o anjo é feio; se com amor, o pigmeu é gigante”. (“Sermão da quinta quarta-feira”, apud M. Gonçalves Viana, Sermões e lugares seletos, p. 214) “Nenhum doutor as observou com maior escrúpulo, nem as esquadrinhou com maior estudo, nem as entendeu com maior propriedade, nem as proferiu com mais verdade, nem as explicou com maior clareza, nem as recapacitou com mais facilidade, nem as propugnou com maior valentia, nem as pregou e semeou com maior abundância”. (M.Bernardes) Reparem as repetições intencionais, enfáticas, presentes nas construções acima, caracterizando um paralelismo rítmico. Teste seus conhecimentos: 1-) (UERJ) As sem-razões do amor Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga. Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários. Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo. Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor. (ANDRADE, Carlos Drummond de."Corpo". Rio de Janeiro: Record, 2002.) Na terceira estrofe do poema, verifica-se um movimento de progressão textual que reitera as razões para o amor. Essa progressão está caracterizada pela repetição do seguinte procedimento linguístico: (A) construção frasal em ordem indireta (B) estrutura sintática em paralelismo (C) pontuação com efeito retórico (D) rima como recurso fonológico Comentário: Reparem que o próprio enunciado da questão dá dicas sobre a resposta. A expressão “progressão textual” e a palavra “repetição” induzem a pensarmos exatamente no paralelismo presente no poema. Ao 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 257 longo dotexto, enumeram-se, por meio de estruturas equivalentes sintaticamente, as razões para o amor. Logo, como se vê, o gabarito da questão é a alternativa “B”. http://soumaisenem.com.br/portugues/coesao-e-coerencia/paralelismo-parte-02 Variação Linguística “Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói; se um velho amadurecido ou um jovem impetuoso na flor da idade; se uma matrona autoritária ou uma dedicada; se um mercador errante ou um lavrador de pequeno campo fértil (...)” Todas as pessoas que falam uma determinada língua conhecem as estruturas gerais, básicas, de funcionamento podem sofrer variações devido à influência de inúmeros fatores. Tais variações, que às vezes são pouco perceptíveis e outras vezes bastante evidentes, recebem o nome genérico de variedades ou variações linguísticas. Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os seus falantes em todos os lugares e em qualquer situação. Sabe-se que, numa mesma língua, há formas distintas para traduzir o mesmo significado dentro de um mesmo contexto. Suponham-se, por exemplo, os dois enunciados a seguir: Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele faz tempo. Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há anos. Qualquer falante do português reconhecerá que os dois enunciados pertencem ao seu idioma e têm o mesmo sentido, mas também que há diferenças. Pode dizer, por exemplo, que o segundo é de uma pessoa mais “estudada”. Isso é prova de que, ainda que intuitivamente e sem saber dar grandes explicações, as pessoas têm noção de que existem muitas maneiras de falar a mesma língua. É o que os teóricos chamam de variações linguísticas. As variações que distinguem uma variante de outra se manifestam em quatro planos distintos, a saber: fônico, morfológico, sintático e lexical. Variações Fônicas São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons constituintes da palavra. Os exemplos de variação fônica são abundantes e, ao lado do vocabulário, constituem os domínios em que se percebe com mais nitidez a diferença entre uma variante e outra. Entre esses casos, podemos citar: - a queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem oral no português: falá, vendê, curti (em vez de curtir), compô. - o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me alembro, o pássaro avoa, formas comuns na linguagem clássica, hoje frequentes na fala caipira. - a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, marelo (amarelo), margoso (amargoso), características na linguagem oral coloquial. - a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petrópolis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas formas típicas de pessoas de baixa condição social. - A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): quintau, quintar, quintal; pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol. - deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar, estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de baixa condição social. Variações Morfológicas São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra. Nesse domínio, as diferenças entre as variantes não são tão numerosas quanto as de natureza fônica, mas não são desprezíveis. Como exemplos, podemos citar: - o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar o superlativo de adjetivos, recurso muito característico da linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssimo), uma prova hiperdifícil (em vez de dificílima), um carro hiperpossante (em vez de possantíssimo). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 258 - aconjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regulares: ele interviu (interveio), se ele manter (mantiver), se ele ver (vir) o recado, quando ele repor (repuser). - a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregulares: vareia (varia), negoceia (negocia). - uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-versa: duzentas gramas de presunto (duzentos), a champanha (o champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da cal). - a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e adjetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as amiga, os livro indicado, as noite fria, os caso mais comum. - o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas últimas eleições; Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível que ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu. Variações Sintáticas Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. No domínio da sintaxe, como no da morfologia, não são tantas as diferenças entre uma variante e outra. Como exemplo, podemos citar: - o uso de pronomes do caso reto com outra função que não a de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) na rua; não irão sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de ti) e ele. - o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de “o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem. - a ausência da preposição adequada antes do pronome relativo em função de complemento verbal: são pessoas que (em vez de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de a que) eu assisti; você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais confio. - a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome “que” no início da frase mais a combinação da preposição “de” com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a família dele (em vez de cuja família eu já conhecia). - a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu quero falar com você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua) voz me irrita. - ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles chegou tarde (em grupos de baixa extração social); Faltou naquela semana muitos alunos; Comentou-se os episódios. Variações Léxicas É o conjunto de palavras de uma língua. As variantes do plano do léxico, como as do plano fônico, são muito numerosas e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com outra. Eis alguns, entre múltiplos exemplos possíveis de citar: - a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para formar o grau superlativo dos adjetivos, características da linguagem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil; Esse amigo é um carinha maior esforçado. - as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às vezes, tão surpreendentes, que têm sido objeto de piada de lado a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no Brasil chamamos de calcinha; o que chamamos de fila no Brasil, em Portugal chamam de bicha; café da manhã em Portugal se diz pequeno almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que chamamos de suéter, malha, camiseta. Designações das Variantes Lexicais: - Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso e, por isso, denunciam uma linguagem já ultrapassada e envelhecida. É o caso de reclame, em vez de anúncio publicitário; na década de 60, o rapaz chamava a namorada de broto (hoje se diz gatinha ou forma semelhante), e um homem bonito era um pão; na linguagem antiga, médico era designado pelo nome físico; um bobalhão era chamado de coió ou bocó; em vez de refrigerante usava-se gasosa; algo muito bom, de qualidade excelente, era supimpa. - Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de palavras recém-criadas, muitas das quais mal ou nem entraram para os dicionários. A moderna linguagem da computação tem vários exemplos, como escanear, deletar, printar; outros exemplos extraídos da tecnologia moderna são mixar (fazer a combinação de sons), robotizar, robotização. - Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras emprestadas de outra língua, que ainda não foram aportuguesadas, preservando a forma de origem. Nesse caso, há muitas expressões latinas, sobretudo 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 259 da linguagemjurídica, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas o corpo” ou, mais livremente, “estejas em liberdade”), ipso facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo”), ipsis litteris (textualmente, “com as mesmas letras”), grosso modo (“de modo grosseiro”, “impreciso”), sic (“assim, como está escrito”), data venia (“com sua permissão”). As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight (compreensão repentina de algo, uma percepção súbita), feeling (“sensibilidade”, capacidade de percepção), briefing (conjunto de informações básicas), jingle (mensagem publicitária em forma de música). Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que ainda não se aportuguesaram, mas há ocorrências: hors-concours (“fora de concurso”, sem concorrer a prêmios), tête-à-tête (palestra particular entre duas pessoas), esprit de corps (“espírito de corpo”, corporativismo), menu (cardápio), à la carte (cardápio “à escolha do freguês”), physique du rôle (aparência adequada à caracterização de um personagem). - Jargão: é o vocabulário típico de um campo profissional como a medicina, a engenharia, a publicidade, o jornalismo. No jargão médico temos uso tópico (para remédios que não devem ser ingeridos), apneia (interrupção da respiração), AVC ou acidente vascular cerebral (derrame cerebral). No jargão jornalístico chama-se de gralha, pastel ou caco o erro tipográfico como a troca ou inversão de uma letra. A palavra lide é o nome que se dá à abertura de uma notícia ou reportagem, onde se apresenta sucintamente o assunto ou se destaca o fato essencial. Quando o lide é muito prolixo, é chamado de nariz-de-cera. Furo é notícia dada em primeira mão. Quando o furo se revela falso, foi uma barriga. Entre os jornalistas é comum o uso do verbo repercutir como transitivo direto: __ Vá lá repercutir a notícia de renúncia! (esse uso é considerado errado pela gramática normativa). - Gíria: é o vocabulário especial de um grupo que não deseja ser entendido por outros grupos ou que pretende marcar sua identidade por meio da linguagem. Existe a gíria de grupos marginalizados, de grupos jovens e de segmentos sociais de contestação, sobretudo quando falam de atividades proibidas. A lista de gírias é numerosíssima em qualquer língua: ralado (no sentido de afetado por algum prejuízo ou má-sorte), ir pro brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-se irremediavelmente), cara ou cabra (indivíduo, pessoa), bicha (homossexual masculino), levar um lero (conversar). - Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico excessivamente erudito, muito raro, afetado: Escoimar (em vez de corrigir); procrastinar (em vez de adiar); discrepar (em vez de discordar); cinesíforo (em vez de motorista); obnubilar (em vez de obscurecer ou embaçar); conúbio (em vez de casamento); chufa (em vez de caçoada, troça). - Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja, o uso de um léxico vulgar, rasteiro, obsceno, grosseiro. É o caso de quem diz, por exemplo, de saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou (em vez de se deu mal, arruinou-se), feder (em vez de cheirar mal), ranho (em vez de muco, secreção do nariz). Tipos de Variação Não tem sido fácil para os estudiosos encontrar para as variantes linguísticas um sistema de classificação que seja simples e, ao mesmo tempo, capaz de dar conta de todas as diferenças que caracterizam os múltiplos modos de falar dentro de uma comunidade linguística. O principal problema é que os critérios adotados, muitas vezes, se superpõem, em vez de atuarem isoladamente. As variações mais importantes, para o interesse do concurso público, são os seguintes: - Sóciocultural: Esse tipo de variação pode ser percebido com certa facilidade. Por exemplo, alguém diz a seguinte frase: “Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.” (frase 1) Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos caracterizá-la, por exemplo, pela sua profissão: um advogado? Um trabalhador braçal de construção civil? Um médico? Um garimpeiro? Um repórter de televisão? E quem usaria a frase abaixo? “Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os ladrões.” (frase 2) 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
  • 294.
    . 260 Sem dúvida,associamos à frase 1 os falantes pertencentes a grupos sociais economicamente mais pobres. Pessoas que, muitas vezes, não frequentaram nem a escola primária, ou, quando muito, fizeram- no em condições não adequadas. Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes que tiveram possibilidades sócio-econômicas melhores e puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a leitura, com pessoas de um nível cultural mais elevado e, dessa forma, “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua. Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita acima está bastante simplificada, uma vez que há diversos outros fatores que interferem na maneira como o falante escolhe as palavras e constrói as frases. Por exemplo, a situação de uso da língua: um advogado, num tribunal de júri, jamais usaria a expressão “tá na cara”, mas isso não significa que ele não possa usá-la numa situação informal (conversando com alguns amigos, por exemplo). Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir que as condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos, gerando, assim, certas variações na maneira de usar uma mesma língua. A elas damos o nome de variações sócio-culturais. - Geográfica: é, no Brasil, bastante grande e pode ser facilmente notada. Ela se caracteriza pelo acento linguístico, que é o conjunto das qualidades fisiológicas do som (altura, timbre, intensidade), por isso é uma variante cujas marcas se notam principalmente na pronúncia. Ao conjunto das características da pronúncia de uma determinada região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro, sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc. A variação geográfica, além de ocorrer na pronúncia, pode também ser percebida no vocabulário, em certas estruturas de frases e nos sentidos diferentes que algumas palavras podem assumir em diferentes regiões do país. Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho abaixo, em que Guimarães Rosa, no conto “São Marcos”, recria a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas: “__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado Mangolô!]. __ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço. Não faço, porque não paga a pena... De primeiro, quando eu era moço, isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui, de noite, foras d’hora, em cemitério... (...). Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, não, estou percurando é sossego...” - Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. Elas se alteram com o passar do tempo e com o uso. Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o sentido delas. Essas alterações recebem o nome de variações históricas. Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de Andrade. Neles, o escritor, meio em tom de brincadeira, mostra como a língua vai mudando com o tempo. No texto I, ele fala das palavras de antigamente e, no texto II, fala das palavras de hoje. Texto I Antigamente Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e prendadas. Não fazia anos; completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levantam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (...) Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomava cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’agua. (...) Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que seu filho era artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pitar escondido, atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros cromos, umas teteias. (...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas; asthma os gatos, os homens portavam ceroulas, bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos, mas retratistas, e os cristãos não morriam: descansavam. Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 261 Texto II EntrePalavras Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – circulamos. A maioria delas não figura nos dicionários de há trinta anos, ou figura com outras acepções. A todo momento impõe-se tornar conhecimento de novas palavras e combinações. Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Amanhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar com seu avô; talvez ele não entenda o que você diz. O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet, a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron, o ditafone, a informática, a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em 1940? Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, a motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o módulo lunar, o antibiótico, o enfarte, a acupuntura, a biônica, o acrílico, o ta legal, a apartheid, o som pop, as estruturas e a infraestrutura. Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo, a descapitalização, o desenvolvimento, o unissex, o bandeirinha, o mass media, o Ibope, a renda per capita, a mixagem. Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o servomecanismo, as algias, a coca-cola, o superego, a Futurologia, a homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene, o Incra, a Unesco, o Isop, a Oea, e a ONU. Estão reclamando, porque não citei a conotação, o conglomerado, a diagramação, o ideologema, o idioleto, o ICM, a IBM, o falou, as operações triangulares, o zoom, e a guitarra elétrica. Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra tensora, vela de ignição, engarrafamento, Detran, poliéster, filhotes de bonificação, letra imobiliária, conservacionismo, carnet da girafa, poluição. Fundos de investimento, e daí? Também os de incentivos fiscais. Knon-how. Barbeador elétrico de noventa microrranhuras. Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos super congelados. Viagens pelo crediário, Circuito fechado de TV Rodoviária. Argh! Pow! Click! Não havia nada disso no Jornal do tempo de Venceslau Brás, ou mesmo, de Washington Luís. Algumas coisas começam a aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na esquina, para consumo geral. A enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre palavras circulamos, vivemos, morremos, e palavras somos, finalmente, mas com que significado? (Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa, Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988) - De Situação: aquelas que são provocadas pelas alterações das circunstâncias em que se desenrola o ato de comunicação. Um modo de falar compatível com determinada situação é incompatível com outra: Ô mano, ta difícil de te entendê. Esse modo de dizer, que é adequado a um diálogo em situação informal, não tem cabimento se o interlocutor é o professor em situação de aula. Assim, um único indivíduo não fala de maneira uniforme em todas as circunstâncias, excetuados alguns falantes da linguagem culta, que servem invariavelmente de uma linguagem formal, sendo, por isso mesmo, considerados excessivamente formais ou afetados. São muitos os fatores de situação que interferem na fala de um indivíduo, tais como o tema sobre o qual ele discorre (em princípio ninguém fala da morte ou de suas crenças religiosas como falaria de um jogo de futebol ou de uma briga que tenha presenciado), o ambiente físico em que se dá um diálogo (num templo não se usa a mesma linguagem que numa sauna), o grau de intimidade entre os falantes (com um superior, a linguagem é uma, com um colega de mesmo nível, é outra), o grau de comprometimento que a fala implica para o falante (num depoimento para um juiz no fórum escolhem-se as palavras, num relato de uma conquista amorosa para um colega fala-se com menos preocupação). As variações de acordo com a situação costumam ser chamadas de níveis de fala ou, simplesmente, variações de estilo e são classificadas em duas grandes divisões: - Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de reflexão sobre o que se diz, bem como o estado de atenção e vigilância. É na linguagem escrita, em geral, que o grau de formalidade é mais tenso. - Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala com despreocupação e espontaneidade, em que o grau de reflexão sobre o que se diz é mínimo. É na linguagem oral íntima e familiar que esse estilo melhor se manifesta. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 262 Como exemplode estilo coloquial vem a seguir um pequeno trecho da gravação de uma conversa telefônica entre duas universitárias paulistanas de classe média, transcrito do livro Tempos Linguísticos, de Fernando Tarallo. As reticências indicam as pausas. Eu não sei tem dia... depende do meu estado de espírito, tem dia que minha voz... mais ta assim, sabe? taquara rachada? Fica assim aquela voz baixa. Outro dia eu fui lê um artigo, lê?! Um menino lá que faiz pós-graduação na, na GV, ele me, nóis ficamo até duas hora da manhã ele me explicando toda a matéria de economia, das nove da noite. Como se pode notar, não há preocupação com a pronúncia nem com a continuidade das ideias, nem com a escolha das palavras. Para exemplificar o estilo formal, eis um trecho da gravação de uma aula de português de uma professora universitária do Rio de Janeiro, transcrito do livro de Dinah Callou. A linguagem falada culta na cidade do Rio de Janeiro. As pausas são marcadas com reticências. o que está ocorrendo com nossos alunos é uma fragmentação do ensino... ou seja... ele perde a noção do todo... e fica com uma série... de aspectos teóricos... isolados... que ele não sabe vincular a realidade nenhuma de seu idioma... isto é válido também para a faculdade de letras... ou seja... né? há uma série... de conceitos teóricos... que têm nomes bonitos e sofisticados... mas que... na hora de serem empregados... deixam muito a desejar... Nota-se que, por tratar-se de exposição oral, não há o grau de formalidade e planejamento típico do texto escrito, mas trata-se de um estilo bem mais formal e vigiado que o da menina ao telefone. Questões 01. (SEDUC/PI – PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA – NUCEPE/2015) SOTAQUE MINEIRO: É ILEGAL, IMORAL OU ENGORDA? Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil. Cadê os linguistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras? (...) Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: pó parar. Não dizem: onde eu estou?, dizem: ôndôtô?). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho. (...) Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro — metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido... Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: cê tá boa? Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário. Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).(...). Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: — Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô. (...) Mineiras não dizem apaixonado por. Dizem, sabe-se lá por que, apaixonado com. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: Ah, eu apaixonei com ele.... Ou: sou doida com ele (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa. (Texto de Felipe Peixoto Braga Netto - Crônica extraída do livro "As coisas simpáticas da vida", Landy Editora, São Paulo (SP) - 2005, pág. 82. Publicação retirada do site: http://goo.gl/ajNZpc. - Acesso em 14.6.2015). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 263 Teoricamente, anoção de sotaque aplica-se apenas às variações linguísticas relativas à pronúncia das palavras. No título do texto, Sotaque mineiro: é ilegal, imoral ou engorda?, há uma sinalização de que o tema variação linguística será tratado levando-se em conta essa dimensão, mas verificam-se referências a outras dimensões de variação. A opção em que a ideia de sotaque é evidenciada mais pontualmente é: (A) " Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço" (B) ” Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc)." (C) " Os mineiros também não gostam do verbo conseguir... Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: — Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô." (D) "... Não dizem: onde eu estou?, dizem: ôndôtô?" (E) " Mineiras não dizem apaixonado por. Dizem, sabe-se lá por que, apaixonado com.... Ouve-se a toda hora: Ah, eu apaixonei com ele.... Ou: sou doida com ele (...) 02. (SEDUC/PI – PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA – NUCEPE/2015) Ainda em relação ao texto da questão 01: Em: "Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido...", é CORRETO afirmar sobre a expressão destacada. (A) Está empregada de maneira inadequada por tratar-se de uma expressão usada na oralidade, em um texto escrito. (B) Não poderia ser usada em um texto que trata teoricamente de variação linguística, por ser tão informal. (C) Está adequadamente usada e traduz informalidade e aproximação com o leitor, além de sinalizar para a leveza com a qual o tema será abordado. (D) Está adequadamente utilizada por se tratar de um estilo de escrita originariamente revelado no padrão culto da língua. (E) Não é usada adequadamente porque seu autor confessa-se pouco conhecedor do tema abordado no texto. Respostas 01. Resposta D A questão pede para que se encontre a alternativa em que o sotaque mineiro esteja em evidência, assim, a expressão “ôndôtô” é a que mais se destaca oralmente na questão do sotaque típico dessa região. 02. Resposta C O texto de Felipe Peixoto não tem por intenção delatar ou criticar as diferentes variações linguísticas, pelo contrário, o autor trata da variedade regional em questão de forma leve, como um fenômeno natural da língua oral, que se encontra em constante mutação. Assim, a alternativa “C” é a que se enquadra no verdadeiro objetivo do autor. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 1 IBGE Técnico emInformações Geográficas e Estatísticas A I Noções básicas de cartografia: Orientação: pontos cardeais; Localização: coordenadas geográficas (latitude, longitude e altitude); Representação: leitura, escala, legendas e convenções. ..........................1 Natureza e meio ambiente no Brasil: Grandes domínios climáticos; Ecossistemas. ..........................14 As atividades econômicas e a organização do espaço: Espaço agrário: modernização e conflitos; Espaço urbano: atividades econômicas, emprego e pobreza; A rede urbana e as Regiões Metropolitanas. ...............................................................................................................................................................41 Formação Territorial e Divisão Político-Administrativa: Divisão Político Administrativa; Organização federativa. ..............................................................................................................................................58 Dinâmica da população brasileira (fluxos migratórios, áreas de crescimento e de perda populacional)..........................................................................................................................................86 Candidatos ao Concurso Público, O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom desempenho na prova. As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar em contato, informe: - Apostila (concurso e cargo); - Disciplina (matéria); - Número da página onde se encontra a dúvida; e - Qual a dúvida. Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. Bons estudos! 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 1 NOÇÕES BÁSICASDE CARTOGRAFIA A Geografia precisa situar com precisão na superfície da Terra aquilo que quer estudar e analisar. A elaboração de mapas nasceu da necessidade de representar a forma da Terra e dos continentes e medir as distâncias entre lugares. A cartografia é a ciência e a arte da representação gráfica da superfície terrestre. O seu produto final é o mapa. Os mapas são fundamentais para a Geografia, pois nada mais são do que a representação total ou parcial do espaço geográfico. Desde a Antiguidade há a preocupação de se elaborar vários tipos de mapas. Até a metade do século XV, os mapas eram representações de descrições de itinerários para viajantes, mas não representavam fielmente a realidade do espaço terrestre. No final da Idade Média começaram a ser desenhados os portulanos, verdadeiros mapas em duas dimensões: indicavam a posição dos portos e o contorno das costas. A partir do século XVII desenvolveu-se a ciência geodésica, que permitiu calcular com mais correção a latitude e a longitude de um determinado ponto e a altitude de um lugar em relação ao mar. Atualmente, os meios mais modernos utilizados pela cartografia são as fotografias aéreas, o sensoriamento remoto e a informática, que auxilia na precisão dos cálculos. A fotografia aérea, realizada de aviões, proporciona o material básico para a elaboração de mapas. As fotografias são feitas de maneira que, sobrepondo-se duas imagens do mesmo lugar, obtém-se a impressão de uma só imagem em relevo. Graças a elas representam-se os detalhes da superfície do solo. Sobre o terreno, o topógrafo completa o trabalho, revelando os detalhes pouco visíveis nas fotografias. Outra técnica cartográfica é o sensoriamento remoto. Consiste na transmissão, a partir de um satélite, de informações sobre a superfície do planeta ou da atmosfera. No Brasil utiliza-se o termo mapa, de forma genérica, para identificar vários tipos de representação cartográfica. Mesmo que, em alguns casos, a representação não passe de uma lista de palavras e números, ou de um gráfico que mostre como ocorre determinado fenômeno, essa representação recebe o nome de mapa. Embora o termo esteja popularizado, a grande maioria dos brasileiros possui um conhecimento muito restrito de cartografia devido ao nível de importância que é dado à alfabetização cartográfica no ensino formal e à difusão de mapas para uso cotidiano. Porém, os mapas estão em toda parte, jornais, revistas, canais abertos de televisão – quem não olha o mapa do tempo no jornal diário? - mapa rodoviário, do metrô, da cidade, e tantos outros que poderiam servir para alguma coisa, mas que quando existem, desorientam mais do que orientam. Talvez para o usuário não interesse como eles foram feitos, mas, se servem à necessidade imediata, se cumprem seu objetivo. Se considerarmos que os mapas servem de orientação e de base para o planejamento e conhecimento do território, a sociedade acaba sendo consumidora dessas representações cartográficas que são um meio de comunicação. Porém, na maioria das vezes, esses mapas não têm cumprido o seu papel. A função de um mapa quando disponível ao público é a de comunicar o conhecimento de poucos para muitos, por conseguinte ele deve ser elaborado de forma a realmente comunicar. Provavelmente, parte da responsabilidade pela atual proliferação de mapas pouco eficazes se deve também, ao acesso irrestrito às ferramentas tecnológicas desenvolvidas para análise de dados espaciais aliadas ao desconhecimento dos procedimentos inerentes à representação cartográfica. Do ponto de vista científico, a busca por métodos que dêem conta da representação de processos complexos da contemporaneidade também provocou o aumento de pesquisas em áreas emergentes como o geoprocessamento, a informática, o meio ambiente e a saúde pública, para os quais os sistemas de informação geográfica fornecem ferramentas que ajudam na produção de mapas. Isso certamente contribui, cada vez mais, para que os mapas sejam concebidos como documentos que revelam o visível e o invisível na imagem, como, por exemplo, as concepções ideológicas de uma sociedade. No entanto, independente do objetivo, o mapa como um meio de comunicação exige conhecimentos específicos de Cartografia, tanto de seu criador como do usuário, leitor e consumidor. Noções básicas de cartografia: Orientação: pontos cardeais; Localização: coordenadas geográficas (latitude, longitude e altitude); Representação: leitura, escala, legendas e convenções. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 2 ORIENTAÇÃO: PONTOSCARDEAIS As coordenadas geográficas são um sistema de linhas sobre o globo ou o mapa. As coordenadas geográficas são os paralelos e os meridianos. As coordenadas geográficas são como imensas ruas ou caminhos que se cruzam sob toda a superfície terrestre, mas diferentes das ruas e avenidas de nossa cidade, as coordenadas não são visíveis. Por isso, os paralelos e os meridianos são linhas imaginárias, traçadas apenas sobre os mapas e o globo terrestre. Os paralelos e os meridianos são indicados por graus de circunferências. Um grau (1°) corresponde a uma das 360 partes iguais em que a circunferência pode ser dividida. Um grau por sua vez divide-se em 60 minutos (60') e cada minuto pode ser divido em 60 segundos (60"). Assim um grau é igual a 59 minutos e 60 segundos. É um sistema referencial de localização terrestre baseado em valores angulares expressos em graus, minutos e segundos de latitude (paralelos) e em graus, minutos e segundos de longitude (meridianos), sendo que os paralelos correspondem a linhas imaginárias E-W paralelas ao Equador e os meridianos a linhas imaginárias N-S, passando pelos polos, correspondentes a interseção da superfície terrestre com planos hipotéticos contendo o eixo de rotação terrestre. O sistema de paralelos usa o Equador como referencial 0 (zero) e os valores angulares crescem para o N e para o S até 90 graus, cada grau subdividido em 60 minutos e cada minuto em 60 segundos; para distinguir as coordenadas ao norte e ao sul devem ser usadas as indicações N e S respectivamente. O sistema de meridianos usa um meridiano arbitrário que passa em Greenwich, na Grã Bretanha, como origem referencial 0 (zero) e os valores angulares crescendo para o oeste e para o leste até 180 graus, cada grau subdividido em 60 minutos e cada minuto em 60 segundos; para distinguir as coordenadas dos hemisférios terrestres ocidental e oriental devem ser usadas as notações internacionais W e E, respectivamente. Assim, a localização de um ponto terrestre pode ser expressa pela interseção de latitude com longitude; exemplos: 20º35'45"N-45º25'00"W; 20º35'45"S-45º25'00"E. Deve ser observado que 1 grau de intervalo de longitude no Equador corresponde, aproximadamente, a 112 km e que vai se estreitando para os polos onde viram um ponto (à semelhança de um gomo de laranja). Existem pelo menos quatro modos de designar uma localização exata para qualquer ponto no globo terrestre. Nos três primeiros sistemas, o globo é dividido em latitudes, que vão de 0 a 90 graus (Norte ou Sul) e longitudes, que vão de 0 a 180 graus (Leste ou Oeste). Para efeitos práticos, usam-se as siglas internacionais para os pontos cardeais: N=Norte, S=Sul, E=Leste/Este, W=Oeste. Fonte: http://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2014/08/pontos-cardeais.jpg Para as longitudes, o valor de cada unidade é bem definido, pois a metade do grande círculo tem 20.003,93km, dividindo este último por 180, conclui-se que um grau (°) equivale a 111,133km. Dividindo um grau por 60, toma-se que um minuto (') equivale a 1.852,22m (valor praticamente idêntico ao da milha náutica). Dividindo um minuto por 60, tem-se que um segundo (") equivale a 30,87m, Para as latitudes, há um valor específico para cada posição, que aumenta de 0 na Linha do Equador até aos Polos, onde está o seu valor máximo (90º de amplitude do ângulo). 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 3 LOCALIZAÇÃO: COORDENADASGEOGRÁFICAS (LATITUDE, LONGITUDE E ALTITUDE) Linhas imaginárias traçadas em intervalos regulares que permitem a localização de pontos da superfície terrestre. Todos os pontos se cruzam em duas coordenadas: latitude e longitude. São medidas em grau, minuto e segundo. As coordenadas geográficas foram determinadas por meio de observações astronômicas e satélites geodésicos. Latitude Latitudes ou paralelos são as linhas paralelas ao Equador e marcam a distância entre os polos. Partem do Equador (0º) até 90º ao norte e ao sul. Por convenção internacional, servem para determinar as zonas quentes, temperadas e glaciais da superfície do planeta. Os paralelos mais importantes são o trópico de Câncer e o círculo polar ártico, ao norte, e o trópico de Capricórnio e o círculo polar antártico, ao sul. No Brasil, o trópico de Capricórnio passa pelos estados do Paraná e de São Paulo. Fonte: http://www.geografiaparatodos.com.br/img/Latitude%20e%20longitude.jpg Longitude Longitudes ou meridianos são as linhas que partem do meridiano de Greenwich (0º) - desde 1884 adotado por um acordo internacional como meridiano de origem - até 180º a oeste e a leste e convergem para os polos. A linha imaginária ganha esse nome porque passa pelo antigo observatório da cidade de Greenwich, situada perto de Londres, no Reino Unido. Os meridianos são usados para determinar os fusos horários ao longo do globo terrestre. O primeiro fuso encontra-se entre 7º30’ a leste e a oeste de Greenwich. A cada 15º leste desse intervalo se acrescenta uma hora e a oeste se diminui uma hora. Fonte: http://www.geografiaparatodos.com.br/img/Latitude%20e%20longitude.jpg Altitude A altitude corresponde a distância vertical de um determinado ponto quando comparado ao nível médio do mar. Essa altitude ainda pode ser dividida em ortométrica, sendo a distância vertical de um ponto sobre 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 4 a superfícieda terra em relação a um geoide de referência, e elipsoidal, sendo a distância vertical entre um elipsoide de referência. As altitudes que são demonstradas em receptores de GPS (Global Positioning System) são do tipo elipsoidal. Fonte: http://www.mast.br/multimidia_instrumentos/images/barometro/home_04.jpg REPRESENTAÇÃO: LEITURA, ESCALA, LEGENDAS E CONVENÇÕES O mapa é uma imagem reduzida de uma determinada superfície. Essa redução - feita com o uso da escala - torna possível a manutenção da proporção do espaço representado. É fácil reconhecer um mapa do Brasil, por exemplo, independentemente do tamanho em que ele é apresentado, pois a sua confecção obedeceu a determinada escala, que mantém a sua forma. A escala cartográfica estabelece, portanto, uma relação de proporcionalidade entre as distâncias lineares num desenho (mapa) e as distâncias correspondentes na realidade. Um mapa pode possuir níveis distintos de abrangência, de modo que podemos mapear o mundo, continentes ou partes deles, países, regiões, Estados ou mesmo ruas. Todas as vezes que visualizamos um mapa, independentemente do seu tema (mapa político, físico, histórico, econômico), podemos saber a distância real que há entre dois pontos ou o tamanho de uma área. Isso é possível por meio da verificação da escala disposta nos mapas. Escala é variação de proporção de uma área a ser mapeada, quem a determina é o responsável pela elaboração do mapa. Leitura Para uma compreensão geral é necessário que o leitor faça uma leitura rápida para captar o que há de mais relevante para sua necessidade, isto é, obter as informações genéricas do texto. Para buscar as informações principais do texto se detendo com maior atenção nos pontos principais é necessário que o leitor observe cada parágrafo e identifique os dados específicos que mais lhe interessam. Para uma leitura detalhada e, portanto, mais profunda, é requerido mais tempo, pois é exigida a compreensão dos detalhes do texto. Existe um outro recurso que pode ser empregado com sucesso no ensino, na aprendizagem, na avaliação, na análise de conteúdo e na negociação de significados. Trata-se de mapas conceituais, isto é, grafos ou diagramas que indicam relações entre conceitos, podendo ter duas ou mais dimensões. Os mapas unidimensionais são listas de conceitos que tendem a apresentar uma organização linear vertical, sendo mais grosseiros e genéricos. Mapas conceituais bidimensionais beneficiam-se também da dimensão horizontal, favorecendo uma representação mais completa das relações entre os conceitos. Mapas conceituais tridimensionais constituem abstrações matemáticas de limitada utilidade para fins instrucionais. Desta maneira, procure elaborar um mapa conceitual bidimensional, ou seja, um diagrama bidimensional mostrando relações hierárquicas entre conceitos. É importante ressaltar que o mapa conceitual, de acordo com o princípio ausubeliano (David Ausubel), podem ser utilizados como instrumentos para promover a diferenciação conceitual progressiva bem como a reconciliação integrativa. Um mapa conceitual pode também ser pensado como uma ferramenta para negociar significados, o que é feito através de proposições (dois ou mais conceitos ligados por palavras em uma unidade semântica) que expressam significados atribuídos às relações entre conceitos. Escala Escala é variação de proporção de uma área a ser mapeada, quem a determina é o responsável pela elaboração do mapa. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 5 Exemplo prático:Quando se tem a intenção de construir um mapa de um espaço, de maneira que represente fielmente as medidas reais do mesmo, pode-se seguir o seguinte princípio: Se uma sala de aula possui 5 metros de largura por 5 metros de comprimento, a mesma pode ser representada da seguinte forma: se estabelece que cada centímetro no papel equivale a 1 metro ou 100 centímetros no real. Desse modo, a escala produzida é 1:100 (1cm: 100cm) ou 1/100 (1cm/100cm). As escalas podem ser indicadas de duas maneiras, através de uma representação gráfica ou de uma representação numérica. Escala Gráfica A escala gráfica é representada por um pequeno segmento de reta graduado, sobre o qual está estabelecida diretamente a relação entre as distâncias no mapa, indicadas a cada trecho deste segmento, e a distância real de um território. Observe: A escala representa que cada centímetro no papel corresponde a 3 km na superfície real. A escala gráfica apresenta a vantagem de estabelecer direta e visualmente a relação de proporção existente entre as distâncias do mapa e do território. É representada sob a forma de um segmento de reta, normalmente subdividido em seções e ao longo do qual são registradas as distâncias reais correspondentes às dimensões do segmento Ex.: Na escala 1: 100 000 - "1 cm" representa a distância no mapa enquanto que o "100 000 cm" representa a distância real. Isto significa que 1 cm no mapa corresponde a 100 000 cm na realidade, ou seja 1 km. Escala Numérica A escala numérica é estabelecida através de uma relação matemática, normalmente representada por uma razão, por exemplo: 1:300 000 (1 por 300 000). A primeira informação que ela fornece é a quantidade de vezes em que o espaço representado foi reduzido. Neste exemplo, o mapa é 300 000 vezes menor que o tamanho real da superfície que ele representa. Na escala numérica as unidades, tanto do numerador como do denominador, são indicadas em cm. O numerador é sempre 1 e indica o valor de 1cm no mapa. O denominador é a unidade variável e indica o valor em cm correspondente no território. No caso da escala exemplificada (1: 300 000), 1cm no mapa representa 300 000 cm no terreno, ou 3 km. Caso o mapa seja confeccionado na escala 1:300, cada 1cm no mapa representa 300 cm ou 3 m. Para fazer estas transformações é necessário aplicar a escala métrica decimal: Escala 1:300 000 3 0 0 0 0 0 km hm dam m dm cm 3 km 0 0 0 0 0 ou Escala 1:300 3 0 0 km hm dam m dm cm 3 m 0 0 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 6 Legenda A legendadeverá ser organizada de acordo com a relação existente entre os dados utilizando as variáveis visuais que representem exatamente as mesmas relações, ou seja, essa relação poderá ser qualitativa, ordenada ou quantitativa. Na construção da legenda, após identificar a variável visual mais adequada ao tipo de informação que se quer representar, e seu respectivo modo de implantação, acontece a transcrição da linguagem escrita para a gráfica. Dessa forma, as relações entre os dados e sua respectiva representação, são pontos de partida na caracterização da linguagem cartográfica. O nível de organização dos dados, qualitativos, ordenados ou quantitativos, de um mapa está diretamente relacionado ao método de mapeamento e a utilização de variáveis visuais adequadas à sua representação. A combinação dessas variáveis, segundo os métodos padronizados, dará origem aos diferentes tipos de mapas temáticos, entre os quais os mapas de símbolos pontuais, mapas de isolinhas e mapas de fluxos; mapas zonais, ou coropléticos, mapas de símbolos proporcionais ou círculos proporcionais, mapas de pontos ou de nuvem de pontos. Abaixo, abordaremos alguns tipos de mapas temáticos e suas respectivas legendas. Fenômenos Qualitativos Os métodos de mapeamento para os fenômenos qualitativos utilizam as variáveis visuais seletivas forma, orientação e cor, nos três modos de implantação: pontual, linear e zonal. A construção de mapa de símbolos pontuais nominais leva em conta os dados absolutos que são localizados como pontos e utiliza como variável visual a forma, a orientação ou a cor. Também é possível utilizar símbolo geométrico associado ou não as cores. A disposição dos pontos nesse mapa cria uma regionalização do espaço formada especificamente pela presença/ausência da informação. Os mapas de símbolos lineares nominais são indicados para representar feições que se desenvolvem linearmente no espaço como a rede viária, hidrografia e, por isso, podem ser reduzidos a forma de uma linha. As variáveis visuais utilizadas são a forma e a cor. Esses mapas também servem para mostrar deslocamentos no espaço indicando direção ou rota (rotas de transporte aéreo, correntes oceânicas, fluxo de migrações, direções dos ventos e correntes de ar) sem envolver quantidades. Nesses mapas qualitativos a espessura da linha permanece a mesma, variando somente sua direção. Os mapas corocromáticos apresentam dados geográficos e utilizam diferenças de cor na implantação zonal. Este método deve ser empregado sempre que for preciso mostrar diferenças nominais em dados qualitativos, sem que haja ordem ou hierarquia. Também é possível o uso das variáveis visuais granulação e orientação, neste caso, as diferenças são representadas por padrões preto e branco. Quando do uso de cores, estas devem separar grupos de informações e os padrões diferentes a serem 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 7 aplicados, parafazer a subdivisão dentro dos grupos. Para os usuários, a visualização de fenômenos qualitativos em mapas corocromáticos, apenas aponta para a existência ou ausência do fenômeno e não a ordem ou a proporção do fenômeno representado. Fenômenos Ordenados Os fenômenos ordenados são representados em classes visualmente ordenadas e utilizam a variável valor na implantação zonal. Os mapas mais significativos para representar fenômenos ordenados são os mapas coropléticos. Os mapas coropléticos são elaborados com dados quantitativos e apresentam sua legenda ordenada em classes conforme as regras próprias de utilização da variável visual valor por meio de tonalidades de cores, ou ainda, por uma sequência ordenada de cores que aumentam de intensidade conforme a sequência de valores apresentados nas classes estabelecidas. Os mapas no modo de implantação zonal, são os mais adequados para representar distribuições espaciais de dados que se refiram as áreas. São indicados para expor a distribuição das densidades (habitantes por quilômetro quadrado), rendimentos (toneladas por hectare), ou índices expressos em percentagens os quais refletem a variação da densidade de um fenômeno (médicos por habitante, taxa de natalidade, consumo de energia) ou ainda, outros valores que sejam relacionados a mais de um elemento. Fenômenos Quantitativos Os fenômenos quantitativos são representados pela variável visual tamanho e podem ser implantados em localizações pontuais do mapa ou na implantação zonal, por meio de pontos agregados, como também, na implantação linear com variação da espessura da linha. Os mapas de símbolos proporcionais representam melhor os fenômenos quantitativos e constituem- se num dos métodos mais empregados na construção de mapas com implantação pontual. Esses mapas são utilizados para representar dados absolutos tais como população em número de habitantes, produção, renda, em pontos selecionados do mapa. Geralmente utiliza-se o círculo proporcional aos valores que cada unidade apresenta em relação a uma determinada variável, porém, podem-se utilizar quadrados ou triângulos. A variação do tamanho do signo depende diretamente da proporção das quantidades que se pretende representar. Geralmente o número de classes com utilização do tamanho, deve atingir no máximo cinco classes. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 8 Mapa decírculos proporcionais com informação quantitativa no modo de implantação pontual Recomenda-se evitar duas formas de símbolos proporcionais num mesmo mapa (circulo e triângulo), pois dificultam a comunicação cartográfica. Especialmente, quando é necessário representar duas informações quantitativas com implantação pontual, pode-se recorrer ao mapa de círculos concêntricos ou o mapa de semicírculos opostos que permite a comparação de uma mesma variável obtida em períodos diferentes. O mapa de círculos concêntricos consiste na representação de dois valores ao mesmo tempo por meio de dois círculos sobrepostos com cores diferentes. Este tipo de representação é recomendado para a apresentação de uma mesma informação em períodos distintos, ou para duas informações diferentes com dados não muito discrepantes. Para representar quantidades na implantação zonal utilizam-se os mapas de pontos. Esse mapa possui a vantagem de possibilitar uma leitura muito fácil por meio da contagem dos pontos, dando a sensação de conhecimento da realidade. No entanto a elaboração desse mapa pressupõe muita abstração uma vez que a distribuição dos pontos não ocorre segundo a distribuição do fenômeno. Os mapas de pontos ou de nuvem de pontos expõem dados absolutos (número de tratores de um município, número de habitantes, totais de produção, etc.) e o número de pontos deve refletir exatamente 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 9 o númerode ocorrências. Sua construção depende de duas decisões: qual valor será atribuído a cada ponto e como esses pontos serão distribuídos dentro da área a ser mapeada. Mapa de nuvem de pontos com informação quantitativa no modo de implantação pontual no qual se visualiza uma mancha mais clara ou mais escura consoante a ocorrência do fenômeno representado. Os mapas isopléticos ou de isolinhas são construídos com a união de pontos de mesmo valor e são aplicáveis a fenômenos geográficos que apresentam continuidade no espaço geográfico. Podem ser construídos a partir de dados absolutos de altitude do relevo (medida em determinados pontos da superfície da Terra); temperatura, precipitação, umidade, pressão atmosférica (medidas nas estações meteorológicas); distância-tempo, ou distância-custo (medidas em certos pontos ao longo de vias de comunicação) e outros, como volume de água (medida em pontos de captação); também podem ser construídos a partir de dados relativos como densidades, percentagens ou índices. Os mapas de fluxo são representações lineares que tentam simular movimentos entre dois pontos ou duas áreas. Esses movimentos podem ser medidos em certos pontos ao longo das vias de comunicação ou entre duas áreas, na origem e no destino sem necessariamente especificar a via de comunicação. Esse tipo de mapa mostra claramente em que direção os valores ou intensidades de um fenômeno crescem ou decrescem. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 10 Vários tiposde mapas temáticos podem ser construídos de acordo com os métodos apresentados, porém, outros fatores, como o modo de expressão, escala e conteúdo dos mapas, são igualmente importantes e devem ser observados no processo de elaboração e leitura de mapas. Modo de Expressão Modo de expressão diz respeito a cada tipo específico de representação cartográfica e está relacionado ao objetivo da construção e a escala. Os mais comuns são o mapa e a carta. O mapa resulta de um levantamento preciso e exato, da superfície terrestre, e é apresentado em escala pequena (escalas inferiores a 1:1.000.000). Os limites do terreno representado coincidem com os limites político-administrativo, sendo que o título e as informações complementares são colocados no interior do quadro de representações que circunscreve a área mapeada. São exemplos característicos de mapas, o mapa mundi, mapa dos continentes, mapas nacionais, estaduais, regionais, municipais, mapas políticos e administrativos, organizados em atlas de referência, atlas temáticos e escolares, ou em livros didáticos. A carta é uma representação de parte da superfície terrestre em escala média ou grande, dos aspectos artificiais e naturais de uma área, subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais - paralelos e meridianos - com a finalidade de possibilitar a avaliação de detalhes, com grau de precisão compatível com a escala. Geralmente, essas representações possuem como limites as coordenadas geográficas, e raramente terminam em limites político-administrativo. As observações e informações tais como título, escala e fonte, aparecem fora das linhas que fecham o quadro da representação, ou seja, a linha que circunscreve a área objeto de representação espacial. Entre os tipos de mapas menos utilizados aparecem o cartograma e a anamorfose cartográfica. Cartograma ou mapa diagrama é uma das denominações que recebe um mapa que representa dados quantitativos em forma de gráfico sobre mapas de áreas extensas como estados, países, regiões. Esse termo se cristalizou no Brasil nas décadas de 1960-1980, como usual para mapas nessas escalas. São representações que se lidam menos com os limites exatos e precisos como as coordenadas geográficas, para se preocupar mais, com as informações que serão objeto de distribuição espacial no interior do mapa, a fim de que o usuário possa visualizar seu comportamento espacial. Anamorfose é uma figura aparentemente disforme que, por reflexão num determinado sistema óptico produz uma imagem regular do objeto que representa, a anamorfose cartográfica ou geográfica é uma figura que expõe o contorno dos espaços representados de forma distorcida para realçar o tema. A área das unidades espaciais é alterada de forma proporcional ao respectivo valor, mantendo-se as relações topológicas entre unidades contíguas. Por exemplo, numa carta que represente a distribuição geográfica da densidade populacional, as áreas dos municípios podem ser ampliadas ou reduzidas de acordo com o afastamento daquele parâmetro em relação à média. Em outros casos, a distorção do espaço é realizada de acordo com o valor de certos tipos de relação espacial entre lugares, tais como a distância medida ao longo das estradas ou o tempo de deslocamento gasto para percorrer essa distância. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 11 Convenções Convenções sãoos sinais ou símbolos, como cores e figuras, usados para representar os fenômenos desejados no mapa. A maioria das figuras e cores é reconhecida internacionalmente. O conjunto dos símbolos usados no mapa constitui a sua legenda. As principais formas de representação do relevo terrestre são os mapas com curvas de nível, os mapas com gradação de cores, as hachuras e o perfil topográfico. As curvas de nível são linhas que ligam pontos ou cotas de altitude em intervalos iguais. A partir delas pode-se construir um tipo de gráfico especial, chamado perfil topográfico. Curvas de nível muito juntas indicam um terreno muito inclinado, e afastadas significam uma inclinação mais suave. As hachuras e a gradação de cores representam o terreno com uma informação visual imediata e direta. As hachuras representam o relevo por meio de um conjunto de linhas paralelas ou próximas umas às outras. Quanto mais intensas, mais inclinado é o terreno. A gradação de cores faz o mesmo utilizando uma gama de tonalidades em que são atribuídos valores numéricos aos tons e às cores. No entanto, para representar os diversos temas é preciso recorrer a uma simbologia específica que, aplicada aos modos de implantação - pontual, linear ou zonal, aumentam a eficácia no fornecimento da informação. As regras dessa simbologia pertencem ao domínio da semiologia gráfica. A semiologia gráfica foi desenvolvida por Bertin (1967) e está ao mesmo tempo ligada às diversas teorias das formas e de sua representação, e às teorias da informação. Aplicada à cartografia, ela permite avaliar as vantagens e os limites da percepção empregada na simbologia cartográfica e, portanto, formular as regras de uma utilização racional da linguagem cartográfica, reconhecida atualmente, como a gramática da linguagem gráfica, na qual a unidade linguística é o signo. O signo (símbolo) é constituído pela relação entre o significante (ouvir falar de algo como por exemplo, papel), o objeto referente (esse papel) e o significado (idéia de papel formada na mente do interlocutor ao ouvir falar papel, um papel qualquer). No entanto, o signo é constituído por significante (mensagem acústica: papel) e significado (conceito, idéia de papel). Por exemplo, num mapa do uso das terras, o signo constituído pelo significante "cor laranja" tem o significado de cultura permanente. Dessa forma, os signos são construídos basicamente, com a variação visual de forma, tamanho, orientação, cor, valor e granulação para representar fenômenos qualitativos, ordenados ou quantitativos nos modos de implantação pontual, linear ou zonal. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 12 A variávelvisual tamanho corresponde à variação do tamanho do ponto, de acordo com a informação quantitativa; a variável visual valor pressupõe a variação da tonalidade ou de uma seqüência monocromática; a granulação corresponde a variação da repartição do preto no branco onde deve-se manter a mesma proporção de preto e de branco; a variável visual cor significa a variação das cores do arco-íris, sem variação de tonalidade, tendo as cores a mesma intensidade. Por exemplo: usar azul, vermelho e verde é usar a variável visual “cor”. O uso do azul-claro, azul médio e azul escuro corresponde à variável “valor”. A variável visual orientação corresponde às variações de posição entre o vertical, o oblíquo e o horizontal e, por fim, a forma, agrupa todas as variações geométricas ou não. A observação das regras apresentadas no quadro de variáveis visuais permite uma comunicação muito mais eficaz. Com exceção da variável visual cor (matiz), a utilização correta das demais permite a representação em preto ou tons de cinza; técnicas muito importantes quando o mapa elaborado precisa ser impresso com baixo custo, porém, com ótimos resultados. Para que o processo de comunicação entre o construtor do mapa e o usuário – leitor do mapa se estabeleça, os seguintes princípios jamais poderão ser ignorados: - Um fenômeno se traduz por um só sinal. Exemplo: arroz, feijão e milho. Não apresenta quantidade e nem ordem. A informação nesse caso é qualitativa e a variável visual mais adequada para sua representação é a forma ou a cor (matiz). - Uma ordem se traduz somente por uma ordem. Exemplo: densidades, hierarquias e sequências ordenadas, ou seja, quando a informação quantitativa é ordenada em classes e a variável visual mais adequada é o valor (monocromia). Nesses casos, não se deve utilizar a variável visual tamanho porque não é possível diferenciar quanto vale cada ponto dentro da classe estabelecida. - Variações quantitativas se traduzem somente pela variável visual tamanho. Além das variáveis visuais, o quadro apresentado, também apresenta os modos de implantação. Esses são diferenciados de acordo com a extensão do fenômeno na realidade. Dessa forma, distinguem-se três modos de implantação: implantação pontual, quando a superfície ocupada é insignificante, mas localizável com precisão; implantação linear, quando sua largura é desprezível em relação ao seu comprimento, o qual, apesar de tudo, pode ser traçado com exatidão; implantação zonal, quando cobre no terreno uma superfície suficiente para ser representada sobre o mapa por uma superfície proporcional homóloga. As variáveis visuais podem ser percebidas de modo diferente, conforme um conjunto de propriedades que podem ser: seletivas, associativas, dissociativas, ordenadas e quantitativas. São chamadas variáveis visuais seletivas, quando permitem separar visualmente as imagens e possibilitam a formação de grupos de imagens. A cor, a orientação, o valor, a granulação e o tamanho possuem essa propriedade. São associativas quando permitem agrupar espontaneamente, diversas imagens num mesmo conjunto; forma, orientação, cor e granulação possuem a propriedade de serem vistos como imagens semelhantes. Ao contrário, quando as imagens se separam espontaneamente, a variável é dissociativa; este é o caso do valor e do tamanho. São chamadas variáveis ordenadas quando permitem uma classificação visual segundo uma variação progressiva. São ordenados o tamanho, valor e a granulação. Finalmente, são quantitativas quando se relacionam facilmente com um valor numérico. A única variável visual quantitativa é o tamanho. Isto porque somente as figuras geométricas possuem uma área e um volume que pode ser visualizado com facilidade, permitindo relacionar imediatamente com uma unidade de medida e, portanto, com uma quantidade que é visualmente proporcional. Conhecer e distinguir as características de cada variável visual é importante porque ajuda o cartógrafo a construir mapas temáticos que atendem aos objetivos de comunicação e a fazer mapas capazes de transmitir a sensação condizente com as características dos dados, consequentemente, ajuda a fazer mapas úteis. QUESTÕES 1. (SEE-SP-CESGRANRIO) ESTÃO SUJANDO NOSSA MATRIZ ENERGÉTICA O Brasil, sem lugar a dúvida, é o país que oferece maiores opções para diversificar as suas fontes de geração, renováveis e limpas. No que se refere à energia eólica, existem empreendimentos que dão um total de 2.381 MW; para o setor da hidroeletricidade, o total é de 15.693 MW; e quanto às termelétricas, 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 13 poluentes ecaras, o total é 19.400 MW. Assim, esperamos que as autoridades, em vez de sujarem a nossa matriz energética, incentivem cada vez mais, as fontes limpas e renováveis. Considerando a perspectiva da matéria jornalística e as informações do mapa, o incentivo à produção de energia eólica deveria voltar-se, fundamentalmente, para os estados da região (A) Sul. (B) Norte. (C) Nordeste. (D) Sudeste. (E) Centro-Oeste. 2. (SEE-SP –CESGRANRIO) Um dos maiores problemas urbanos do Brasil é o déficit habitacional, exigindo políticas públicas que promovam a moradia digna. Quanto à moradia irregular, no exemplo dos cortiços, o Estado da Federação que apresenta maior número dos mesmos é: (A) Rio de Janeiro. (B) São Paulo. (C) Maranhão. (D) Ceará. (E) Pará. 3. (Policia Civil/SC – 2015 - Adaptado) O objetivo das projeções cartográficas é resolver os problemas decorrentes da representação da Terra num plano. A projeção acima tem como característica: 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 14 (A) Serutilizada para a representação cartográfica de áreas de altas latitudes, como a América do Norte, a Europa Setentrional e a parte norte da Ásia. (B) Apresentar o inconveniente de deformar as superfícies nas altas latitudes e manter as baixas latitudes em forma e dimensão mais próximas do real. (C) Apresentar grandes deformações no ponto de tangência, enquanto que as porções da superfície mais distantes do centro tangenciado estão mais próximas do seu formato real. (D) Desenhar os paralelos em círculos; é utilizada geopoliticamente, pois pode realçar o "status" de um país em relação aos demais. RESPOSTAS 1. Resposta: C Analisando o mapa percebe-se a informação na legenda, quando mais escura as áreas destacadas maior é a velocidade do vento. A Região com maiores ventos é a Nordeste devido a graduação da cor mais forte e todos os estados dessa região. O Nordeste localiza-se também mais próxima da linha do Equador, uma zona com maior incidência solar e ventos. 2. Resposta: B Observando as informações do mapa através da legenda, fica fácil perceber, que o estado com maior concentração de cortiços é São Paulo. Esse é um mapa quantitativo. Quanto mais escuro a área destacada maior é o número de cortiços, pois se utilizou uma mesma graduação de cores 3. Resposta: B As áreas próximas aos polos, altas latitudes ficam deformadas, pois, na projeção cilíndrica é feito um ajuste no espaçamento dos paralelos para que a escala seja mantida em pontos determinados. Geralmente, as projeções cilíndricas apresentam um alongamento no sentido Leste-Oeste e o achatamento no sentido norte-sul, nos países de latitude elevada. NATUREZA E MEIO AMBIENTE NO BRASIL1 Um dos mais velhos e não resolvidos problemas da ciência geográfica diz respeito à dicotomia entre geografia física e humana, entre o estudo geográfico da natureza e da sociedade. Para os clássicos em geral, a geografia seria uma ciência de síntese, de união entre a natureza e o homem, de estudo das relações do social com o seu meio ambiente. A própria polêmica sobre essa questão, sempre retomada, indica-nos claramente que essa promessa epistemológica ficou na teoria, que a diferenciação entre essas duas modalidades da geografia sempre foi enorme, tendendo a se aprofundar cada vez mais nos dias atuais. 1 Adaptado de: VESENTINI, J. W. Geografia, Natureza e Sociedade. Natureza e meio ambiente no Brasil: Grandes domínios climáticos; Ecossistemas. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 15 Richard Hartshorne(1969), um dos raros clássicos da ciência geográfica que tinha preocupações filosóficas, (e embasamento para tanto), ocupou-se longamente dessa problemática. Ele argumentou que existem várias dicotomias na geografia - física versus humana, sistemática versus regional, etc. - e que não cabe ao geógrafo distinguir entre fatos naturais e humanos porque nossa perspectiva seria outra. Numa ótica kantiana, seria realizar um estudo espacial ou coreológico (ligado à diferenciação de áreas, de lugares) e não sistemático ou mesmo histórico (temporal), que seriam outras duas perspectivas cognitivamente possíveis. A coerência lógica e a erudição desse velho mestre são indiscutíveis, mas suas respostas nos parecem ultrapassadas, datadas, próprias de um neokantismo que já vai ficando mais para a história do conhecimento do que para os seus dilemas e desafios atuais. A pro- posta de ignorar a diferenciação entre natureza e sociedade sugere al- go como esconder a cabeça para evitar o perigo. A atual "crise ecológica" nos mostra que há um desequilíbrio nas relações entre sociedade moderna e natureza, e a inquirição da origem desse fato nos conduz a uma concepção de natureza enquanto recurso, o que ocorreu na "revolução tecno-científica" dos séculos XVI e XVII. (Acontecimento, é bom ressaltar, interligado ao desenvolvimento do capitalismo e à ocidentalização de praticamente todo o planeta.) Essa concepção de natureza nova ou moderna (pois marca o advento da modernidade) - tão bem sintetizada pela frase de Descartes: "conhecer é nos tornarmos senhores e dominadores da natureza" -, trouxe consigo uma radical separação entre espírito (exclusivamente humano - o cogito cartesiano) e matéria ou objeto (ares externa, a coisa sem alma e consciência, cujas "leis" devem ser compreendidas como forma de instrumentalizá-la), entre o social e o natural. Toda a ciência moderna - inclusive a geografia, oficialmente nascida mais tarde, no século XIX - acabou reproduzindo essa dicotomia ocidental e capitalista entre o homem (ser produtor, criador, transformador) e a natureza (domínio a ser conquistado, explorado, submetido ao ritmo da produção - especialmente industrial, pois a fábrica viria a ser o protótipo das relações capitalistas). A diferenciação entre uma abordagem sistemática e outra regional, a nosso ver, não configura uma dicotomia (como a que há entre estudo da natureza e da sociedade), mas tão-só uma diferenciação metodológica que outras disciplinas "sem dicotomias estruturais" possuem (como a economia, a sociologia, etc.). E o problema crucial - que realmente ocasiona dicotomias - de estudar ou pretender estudar o social e o natural ao mesmo tempo, não é exclusivo da geografia (como muitos geógrafos pensam) e sim de todo ramo do conhecimento científico que se localize nessa interface. A antropologia, por exemplo, vive igualmente uma separação radical entre sua parte cultural e sua porção física. O distanciamento entre o geógrafo físico ou ambientalista e o geógrafo humano ou estudioso do social (mesmo que se trate do espaço social, construído) sempre foi sensível e nos nossos dias tende cada vez mais a crescer. Há os especialistas em cartografia, geomorfologia, climatologia, geografia urbana, geografia política, geografia da população, teoria e história do pensamento geográfico, etc., e a pretensa unidade ficando apenas uma justificativa acadêmica ou meramente de rótulos. E certo que há análise ambiental, o estudo do meio ambiente na perspectiva do impacto realizado pelo homem. E certo ainda que há expansões da análise economicista até a natureza, na questão da produção da segunda natureza pelo social. No entanto, tudo isso fica ainda marcado pela especialização do estudioso, e sempre há uma dicotomia entre natural e social por mais que as informações (sobre indústrias, poluição atmosférica, desmatamento e erosão das encostas, sobre expansão econômica irracional, desmatamentos de nascentes e assoreamento de rios com enchentes, etc.) se entrecruzem ou se justaponham. Isso porque há uma lógica do natural que é diversa da do social. Neste há dialética, contradição e lutas, vencedores e vencidos, ideologia, projetos políticos e dominação, indeterminação com contingências. As tentativas de se elevar ao natural a razão dialética, tão fértil na análise do social, sempre fracassaram. E o inverso também é verdadeiro: a natureza pode ser conhecida através de métodos- como as hipóteses, a testagem, a aplicabilidade, o princípio da não contradição (isto é, a lógica formal), as variáveis a serem isoladas e medidas, a matematização, etc. - que no estudo do social moderno geraram apenas aqueles tipos de aberração conhecidos tatu senso como positivismo. Razão analítica e razão dialética, para usar uma terminologia de Sartre (mas que pode ser encontrada de forma semelhante, com palavras diferentes, em outros importantes pensadores do social: Merleau-Ponty, Adorno, Horkheimer, Marcus, Castoriadis, etc.), parecem ser realmente diferentes e próprias para a compreensão de aspectos diversos do real. A clivagem que a modernidade implantou no real foi de fato eficaz, operacional e não meramente ideológica no sentido vulgar do termo. Existem tentativas de superar essa oposição. Elas inclusive se multiplicam, atualmente, em todos os campos do saber. É a economia alternativa, que tenta pensar a natureza não como recurso ou como "externalidades" e sim como limites e condição para a vida (cf., entre outros, Schumacher, 1982). É a física subatômica e mesmo a astronômica- a "nova física", nos dizeres de Capra, que procura ver o real 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 16 de formanão determinista, com o princípio da indeterminação, com a interpenetração sujeito-objeto, com a provável característica holística do real (o todo é mais importante que as partes, que em si nada significam), etc. E a agricultura alternativa ou ecológica, que procura combater as pragas com inimigos naturais, que evita adubos químicos e agrotóxicos, que condena as monoculturas, etc. E a medicina alternativa que evita os remédios químicos e propõe uma nova visão de saúde. Isso tudo sem falar na psicologia alternativa, na pedagogia, na tecnologia branda ou "ecológica". Um novo "paradigma" Alguns pensam que disso resultaria um "novo paradigma", diferente daquele cartesiano-newtoniana típico da "ciência moderna" (cf. Capra, s/d, entre outros), onde não haveria mais uma nítida oposição homem-natureza. Talvez. Não custa envidar esforços nessa direção, pois estamos sem rumos definidos, com forte indeterminação e perplexidade. Mas é forçoso reconhecer que as tentativas de sistematizar esse "conhecimento holístico" (cf. Capra, s/d, e, de forma menos ambiciosa, referindo-se em particular à geografia, Monteiro, 1984) redundaram pura e simplesmente em especulações semirreligiosas (na linha do taoísmo, uma mistura de filosofia com religião). Tais especulações pretendem ver uma "verdade trans-histórica e trans-empírica" nos ensinamentos do pensamento chinês (Yin e Yang, visão cíclica da história e da natureza, caminhos ou alternativas quase que já traçados, independentes dos projetos e lutas sociais, etc.), que acaba servindo como elemento unificador (de forma arbitrária e espúria, diga-se de passagem, pois a crítica da tecnologia "dura", a esperança na energia solar, os métodos ecológicos na agricultura, etc., nas- ceram e se desenvolvem de forma independente do taoísmo, do budismo, do hinduísmo ou do zen), como um pretenso cimento que daria coesão a essas interessantes práticas (ou teorias) ditas alternativas. Esta visão chega a lembrar até a dialética da natureza na sua versão stalinista (com a necessária ressalva de que não há um Stalin e um poder estatal para oficializar esse saber). Para comprovar isso, atente-se para a euforia com que muitos velhos e renitentes marxistas- leninistas recebem essa ideia do pensamento chinês (que, segundo eles, "é semelhante à dialética") como "essência" do movimento da realidade (social e natural). Pensamos que uma compreensão mais eficaz das razões da dicotomia na geografia deve retomar sua institucionalização no século XIX, intimamente ligada à legitimação dos Estados-nações e à expansão do sistema escolar. A geografia moderna nasceu na Alemanha, em meados do século passado, a partir de interesses específicos de conhecimento de territórios (no próprio país e no exterior, na África especialmente, palco da colonização naquele momento) e de inculcação, via sistema escolar, de uma ideologia patriótica e nacionalista. Seu paradigma tradicional, "A Terra e o Homem", decorreu provavelmente da visão da Pátria - do Estado-nação recém-construído e ainda praticando o etnocídio (homogeneização cultural) para unificar o povo e legitimar o poder estatal. Tal visão era necessária para fins de inculcação: o "país" se define em especial pelo território, pelo contorno que figura nos mapas, local onde se corporifica um "espírito nacional" e no qual o homem irá ocupar e se organizar economicamente. Foi esse paradigma, decorrente de uma necessidade ideológica, que criou a ideia de unidade, de "ciência de síntese", de "ponte" entre o natural e o social. Temos de admitir que a preocupação com a unidade, as queixas (e tentativas de resolução) da dicotomia física-humana, só têm sentido com vistas à legitimação da geografia no sistema escolar. Somente nesse nível se torna imprescindível unir ou justapor geografia física e humana. Sociedade moderna e natureza Serge Moscovitti (1968) fez uma afirmação que nos parece essencial para entendermos a contemporaneidade: o século XVIII colocou a questão política (da liberdade e da República), o século XIX a social (socialismo, movimento operário) e o século XX a problemática ambiental-ecológica. Devemos entender essa afirmativa com reservas. Não como a substituição de um problema por outro, mas como superposição de questões entrelaçadas, uma delas ganhando ênfase num momento da história: o século XVIII não resolveu o problema da liberdade, o século XIX não equacionou a questão social - econômica. Mas as problemáticas se refazem, permanecem dentro de uma nova (mesmo adquirindo novo sentido), e, por esse motivo, a questão ecológica hoje, igualmente o problema da liberdade e os reclamos por justiça social. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 17 A naturezacomo questão De fato, não é possível em nossos dias qualquer projeto de reestruturação societária radical que não leve em conta as relações entre sociedade e natureza. Qualquer utopia ou projeto revolucionário ao estilo de Rousseau ou Marx, entre outros, deve incorporar a natureza como questão (e não como ideal romântico, como em Rousseau, ou como recurso instrumental, como em Marx), como dilema a ser pensa- do em conjunto com o futuro do social, como fator que coloca objetivamente limites ao ideal de progresso e à própria noção de consumo e necessidades. Uma série de indicadores, em grande parte ausentes até há poucas décadas (e podendo assim ser ignorados pelos grandes teóricos do social), mostram-nos esse fato com clareza: a) O planeta foi completamente unificado e ficou "pequeno" pela primeira vez na história da humanidade, mostrando-se como sistema fechado (e não mais aberto ou "infinito") e com limites bem tangíveis. A própria fotografia da Terra vista do espaço possui um significado simbólico enorme, de clara percepção: ocupamos uma mesma "nave espacial" onde existem condições para a vida e recursos que, no entanto, podem vir a ser rompidos. Somando-se a isso os elementos complementares de encadeamento da vida e do ambiente (ecossistemas, biosfera), e da interdependência- acima dos limites das soberanias nacionais - de fatores planetários como a circulação atmosférica, os oceanos, etc. (cf. Dubos e Ward, 1973), percebemos como a natureza hoje exige novos conceitos e formas de abordagem e como o futuro da humanidade liga-se à preservação da biosfera. b) O sistema produtivo e militar da humanidade pode em nossos dias - e isso também pela primeira vez na história - destruir ou exterminar toda a vida humana sobre o planeta. A lógica do desenvolvi- mento econômico que é adotada há alguns séculos - desde, pelo menos, a Revolução Industrial do final do século XVIII e do século XIX - está centrada numa concepção ultrapassada de natureza enquanto recurso infinito e inesgotável. Há nela uma ênfase na grande escala (enormes unidades produtivas, usinas hidrelétricas, metrópoles, etc.; cf. Schumacher, 1982) e na militarização crescente. Aliás, como mostramos com mais detalhes (Vesentini, 1987), evolução tecnológica e produção bélica são elementos indissociáveis desde a década de 1930. A multiplicação das centrais nucleares amplia os riscos de acidentes e contaminações radioativas do ambiente, sendo um processo explicado somente por fatores geopolíticos (ligações com o armamentismo, concepção militar de superpotência). Cerca de um trilhão de dólares são gastos atualmente (dados de 1988), em todo o mundo, na produção bélica. Deixando-se de lado a irracionalidade (social) desse dispêndio improdutivo de recursos- e o tato de que gasto de outra forma ele poderia, talvez eliminar os problemas de tome e subnutrição-, o que se evidencia é o acúmulo incessante de meios de destruição com a possibilidade cada vez maior de catástrofes inclusive não desejadas por ninguém. Leia-se, a propósito, Thompson e outros, 1985; também Gorbachev (1987) chama a atenção para os perigos de guerras e catástrofes "acidentais" com a multiplicação atual- e o aperfeiçoa- mento contínuo- dos armamentos. c) A falência da ideia secular e capitalista (reproduzida igualmente no "socialismo real") de progresso enquanto produção sempre maior e em grande escala, às custas de uma despreocupação com a natureza. Uma série de degradações no meio ambiente colocou em pauta a necessidade de se repensar as bases da economia (que nunca incorporou a natureza, a não ser como "externalidades" ou como "custos", como demonstram Castoriadis, 1987 e Schumacher, 1982), do desenvolvimento econômico: - os desmatamentos e os riscos de elevação da temperatura pelo "efeito estufa"; - o aumento no buraco da camada de ozônio; - o gigantismo urbano e os problemas ambientais (e sociais) a eles interligados; - a desertificação em certas áreas (por exemplo, ao sul do Saara, onde contribui para agravar as tomes endêmicas); - a extinção de inúmeras espécies vegetais e animais; - a poluição crescente dos oceanos e rios; - a contaminação de alimentos por agrotóxicos; - o fracasso de programas de "desenvolvimento"- como a "revolução verde na Índia - em eliminar (ou sequer em diminuir sensivelmente) a tome e subnutrição de milhões de pessoas no Terceiro Mundo. 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 18 Socialismo eecologia As utopias dos séculos XVIII e XIX- especialmente o socialismo e o marxismo- não levaram em consideração a dimensão ecológica em sua plenitude (e talvez nem pudessem incorporar de fato tal problemática, que só no nosso século adquiriu contornos mais nítidos). ' A problemática ecológica era considerada como "contradição secundária", a ser solucionada quase automaticamente após a resolução da contradição essencial: capital-trabalho, expresso pela "socialização dos meios de produção". Como sabemos hoje, essa "socialização" (ou melhor, estatização) dos meios de produção não eliminou nem diminuiu o problema ambiental, nos países que dizem seguir os ensina- mentos do marxismo. Um dos articuladores do movimento verde na URSS, o estoniano Tiit Made, comentou os inúmeros problemas ambientais nesse país: desde a poluição nos mares Arai e Báltico até inúmeros casos de crianças nascidas com cérebro deformado devido à elevada poluição atmosférica em Abovian (Armênia}, ressecamento de solos devido a desvios de cursos de rios (visando facilitar a extração de fosforita) na Estônia, etc. (in Folha de S. Paulo, de 09/10/88). E o sindicato Solidariedade, (Polônia) colocou em seu programa muitos itens relativos à melhoria do meio ambiente, mostrando como a industrialização do país se fez às custas de poluições que muitas vezes ultrapassam os limites máximos toleráveis pela vida humana. Thompson (1985), com fundamento em ecologistas soviéticos, cita inúmeros problemas ecológicos na URSS ligados ao gigantismo do é complexo industrial-militar, à experimentação de guerra química, etc. Não poucos estudiosos (Gorz e outros, 1980; Pignon e outros, 1976; Foucault, 1979; Castoriadis, 1987) já assinalaram o fato de que o "socialismo real" não conseguiu produzir uma outra tecnologia diferente da "ocidental", fato que demonstra seu modelo societário semelhante ao capitalismo. Também na concepção de natureza podemos dizer que existe algo parecido. A concepção de natureza dessas sociedades (e do próprio Marx, e principalmente do marxismo posterior) é a mesma engendrada pelo desenvolvimento do capitalismo (e da civilização ocidental no seu ato de expandir-se e dominar o globo terrestre), em especial a partir do século XVI. Gostaríamos de nos deter mais na construção de um conceito instrumental de natureza pelo pensamento ocidental, conceito esse acriticamente incorporado até mesmo pelos grandes teóricos que questionavam o modo de produção capitalista e propunham alternativas radicais de reestruturação societária. Pensamos que retomar essa ideia - esse conceito no seu processo social de construção, comparando-o inclusive com outras noções de natureza: da Grécia antiga, dos chineses (taoísmo), das sociedades indígenas, etc.- pode ser de grande valia para uma compreensão mais profunda das razões do atual desequilíbrio ecológico e da interligação indissociável entre o futuro da humanidade e a preocupação ambiental. Tanto a concepção de natureza como a de sociedade que são interligadas, pois uma se define, pelo menos na nossa civilização, em oposição à outra não são naturais e sim históricas e sociais. A ideia de natureza, normalmente, possui um duplo significado: a) Uma concepção de mundo (realidade, universo e, especialmente, meio circundante do homem, excluindo-se os artefatos por ele fabricados); e b) Relações práticas da sociedade com o seu habitat, nas quais se incluem a produção econômica, a organização do espaço e até mesmo as relações simbólicas com as coisas e com os deuses. A civilização ocidental, ao se mundializar e unificar povos de pontos extremos do planeta, processo iniciado no século XV com a expansão marítimo-comercial, se impôs (mesmo se mesclando com outras culturas, mas sendo hegemônica) a nível mundial em nome do progresso (identificado ao desenvolvimento do capitalismo, da produção de mercadorias em grande escala e com base na intensa divisão do trabalho e na tecnologia a ela associada). Em termos prático-operacionais, pode-se dizer que a mundialização da civilização ocidental (ou do capitalismo) significou a imposição a outros povos e regiões dos seguintes imperativos: 1. Trabalho exaustivo e "produtivo" (o que significa trabalho voltado para a produção de mercadorias, dentro da lógica da acumulação do capital): daí a ideia de que os indígenas, por exemplo, eram "preguiçosos", já que só um tipo de trabalho é considerado como produtivo nessa lógica; 2. O Esta- do como 'a organização política "normal", que deve existir em toda sociedade "civilizada" (só os povos com Estado são interlocutores, são reconhecidos); e, 3. Uma concepção de natureza como recurso, como instrumento para o desenvolvimento econômico. Raízes da concepção pragmática As raízes dessa organização civilizatória- e especialmente dessa concepção pragmática de natureza - vêm desde a Grécia antiga. Elas incluem o antropocentrismo, a geometria supervalorizada, a natureza 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 19 - physis- como processo ligado à causalidade do real, etc. e o pensamento judaico-cristão (a dicotomia corpo/espírito - ou matéria/razão, o homem como criatura privilegiada, a única a ter alma, sendo as outras criaturas e coisas apenas complementos, que ele pode utilizar à vontade, o enaltecimento do trabalho exaustivo como finalidade da vida e aprimoramento do espírito e sacrifício, etc.). Mas o impulso decisivo ocorreu com a revolução Tecnocientífica dos séculos XVI e XVII, ligada ao desenvolvimento do capitalismo. Os séculos XVI e XVII conheceram uma verdadeira revolução no pensamento ocidental, com o advento da chamada “ciência moderna" e suas relações íntimas com uma nova concepção de natureza enquanto recurso. Inúmeros autores (Koyre, 1979, em especial, embora também Capra, s/d, Moscovitti, 1968, Collingwood, s/d, e Casini, 1979) já se detiveram nas diversas etapas ou capítulos desse processo, dessa construção de um saber e uma nova ideia de natureza com Giordano Bruno, Copérnico, Kepler, Galileu Galilei, Bacon e Descartes. Deixando-se de lado, por ora, as contradições e reviravoltas C:esse rico processo de engendramento de um novo saber, básico para uma nova tecnologia, o que cabe realçar são seus resultados teóricos - e até axiológicos - mais significativos. Entre estes certamente que existe uma nova concepção de saber, ou melhor de conhecimento (sistematizado, científico, pragmático), que passa a ser definido em termos de dominação da natureza. Como afirmou Descartes, a função da ciência é permitir que nos assenhoremos da natureza. A vida contemplativa, tradicional dos gregos, por exemplo, cede lugar à vida ativa: a prática é mais importante que a teoria, a ciência instrumental é mais importante que a reflexão filosófica. A separação sujeito/objeto se aprofunda, assim como a dicotomia entre fatos e interpretação. O universo vai sendo concebido à imagem da máquina, com o abandono do modelo organicista ou antropomorfo. Do cosmos fechado passamos ao universo infinito, e uma grande mudança ocorre quando o infinito - que era até então apenas um virtual - invade este mundo, a realidade com que nos relacionamos: Uma vez que não há limites para a progressão de nosso poder (e de nossa riqueza); ou, dizendo de outro modo, os limites, onde quer que se apresentem, têm um valor negativo e devem ser ultrapassados. Certamente, o que é infinito é inesgotável, de modo que jamais atingiremos, talvez, o conhecimento, absoluto e o poder absoluto; mas aproximamo-nos deles sem cessar Em suma, o movimento se dirige para o cada vez mais; mais mercadorias, mais anos de vida, mais casas decimais nos valores numéricos das constantes universais, mais publicações científicas, mais pessoas com o título de doutor- e o mais é o bom. Não cabe "classistizar" esse saber e essa nova concepção de natureza, tornando-o instrumento da burguesia. Estaríamos assim dentro de uma visão mecanicista que pretendemos ultrapassar, de relações unívocas de causalidade. Mas é fato que houve uma inter-relação entre o desenvolvimento do racionalismo ocidental e a ascensão progressiva do capitalismo. Não que um seja o instrumento de outro, nem causa e efeito. Mas sim que o desenvolvimento do capitalismo - que não é um processo linear centrado numa lógica econômica transcendente aos conflitos e contradições dos homens, às contingências afinal - deu-se a partir de lutas, projetos alternativos onde houve vencedores e venci- dos, contradições e reviravoltas. E nesse contexto social a "ciência moderna", o saber instrumental e racional engendrado e aprimorado nesses dois séculos (e melhor sistematizado e matematizado no século seguinte, com Newton), foi básico para o desenvolvimento da produção capitalista. As ideias capitalistas de trabalho e de natureza, sem dúvida que muito devem (e se entrelaçam) com a: definição de um conhecimento "objetivo" e "racional" enquanto instrumento de domínio do homem- do social- sobre o natural, a matéria inerte ou os seres sem inteligência. "A história dos esforços humanos para subjugar a natureza é também a história da subjugação do homem pelo homem", afirmou com propriedade Horkheimer (1976). Existe na realidade uma interligação estreita entre o novo significado de natureza com a modernidade, com o processo capitalista de criar uma divisão internacional do trabalho, uma dominação sobre a natureza e, ao mesmo tempo, uma ampliação do leque das desigualdades sociais. As desigualdades e a exportação do homem pelo homem não são criações do capitalismo, mas este, ao gerar enormes potencialidades de enriquecimento, ao erigir o trabalho exaustivo (destinado em grande parte a modificar a natureza, a humanizá-la) como valor máximo, como critério de progresso, criou um padrão de vida elevadíssimo por um lado (em classes privilegiadas e minoritárias e em certos países do chamado Primeiro Mundo) e, também (de forma complementar), gerou uma enorme massa de superexplorados, de pessoas vivendo com padrões de vida que não possuem antecedentes nem nas sociedades mais tradicionais. Não é por acaso que a intensa degradação ambiental que vivemos em nossos dias (e que muitas vezes nos leva até a colocar em dúvida o futuro do social tal como o conhecemos hoje) seja coeva de um desenvolvimento material ímpar, por um lado (com aviões 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 20 supersônicos, mísseisque podem percorrer 12 mil km em menos de 10 minutos, satélites que dão informações detalhadas sobre aspectos do planeta, engenharia genética que aprimora plantas e animais, etc.), e de uma situação crônica de miséria e subnutrição em escala nunca vista anteriormente pela humanidade, por outro lado. A concepção moderna de natureza- e de conhecimento científico, que se enleia com essa ideia instrumental de natureza- dessa forma, representou uma ruptura com noções anteriores: com o antropocentrismo antigo, com o pensamento mágico, com a natureza organizada e hominizada. A metáfora com a máquina industrial passou a imperar as partes são vistas separadamente, de forma analítica, o que importa é a funcionalidade de cada uma delas em relação ao maquinismo geral. Em outras palavras: A natureza desqualificada torna-se a matéria caótica para uma simples classificação, e o eu todo poderoso torna-se o mero ter, a identidade abstrata (...) O homem da ciência conhece as coisas na medida em que pode fazê-las. E assim que o seu em - si torna-se para - ele. Nessa metamorfose, a essência das coisas revela-se como sempre a mesma, como substrato da dominação. Essa identidade constitui a unidade da natureza (...) O animismo havia dotado a coisa de uma alma, o industrialismo coisifica as almas." (Adorno e Horkheimer, 1985). Esse coisificar as almas, cabe notar, possui um significado pro- fundo: conhecer na perspectiva do objetivismo significa apartar-se enquanto sujeito (Razão). O critério para a cientificidade do saber é a sua eficácia, sua instrumentalidade para prever/reproduzir/dominar o real. A noção de objetividade, portanto, vincula-se à ideia de poder: conhecer é exercer um poder, é estabelecer as leis do objeto que, como tal, é oposto ao sujeito e "morto" no sentido de não dotado de "vida", de espírito próprio, de vontade e consciência. O escopo do saber passa a ser a manipulação do objeto, o seu conhecimento à imagem do cavalo de Tróia que penetra "nas linhas inimigas" para, de seu interior, conquistar a vitória sobre esse real A ciência moderna e o homem A ciência moderna de uma forma geral - e a geografia em particular- sempre teve dificuldades em tratar do homem. Por um lado ele é espírito, ser congnoscente, sujeito histórico e do saber, dotado de arbítrio, de livre vontade; e por outro lado ele é organismo biológico, ser natural submetido a "leis" físico- químicas... Sempre houve, desde o advento do objetivismo e do pragmatismo no pensamento ocidental, uma dicotomia no homem: espírito e matéria, alma e corpo, sujeito (mente, inteligência) e objeto (corpo, organismo). Sabemos que o desenvolvimento do capitalismo operou uma mudança de valores, de ideologia, afinal, a crença no trabalho exaustivo e redentor (revalorização do trabalho, desprestigiado na Antiguidade e mesmo na Idade Média ocidentais), a correlata condenação do ócio, o enaltecimento do progresso, o individualismo possessivo (a ideia de propriedade definindo os direitos humanos), e a nova percepção não apenas da natureza mas, em seu interior, também do tempo (que passa a se "gastar'' e não mais ser vivido, que passa de valor de uso para valor de troca, sendo ipso facto matematizado) e do espaço (que se torna funcional, geometrizado, lócus da divisão de trabalho a nível territorial). Mas paralela e complementarmente a essa transformação nas mentalidades, houve igualmente um adestramento do corpo, uma fabricação de corpos dóceis, nos dizeres de Foucault (1977, 1979). Especialmente no século XVIII ocorreu a "descoberta" do corpo como objeto e alvo do poder. O corpo que se manipula, se modela, se treina, obedece, responde, se torna hábil. É a ideia do homem-máquina, que tem seu protótipo inicial (e fundante) na instituição militar, tão importante para o desenvolvimento (e os rumos) da sociedade moderna ou capitalista: Houve, durante a época clássica, a descoberta do corpo (...) em qualquer sociedade o corpo está preso no interior de poderes muito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações. Muitas coisas entretanto são novas nessas técnicas [do final do século XVIII em diante]. A escala, em primeiro lugar, do controle: não se trata de cuidar do corpo, em massa, grosso modo, como se fosse uma unidade indissociável mas de trabalhá-lo detalhadamente; de exercer sobre ele uma coerção sem folga, de mantê- lo ao nível mesmo da mecânica (...) O objeto, em seguida, do controle: não, ou não mais, os elementos significativos do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficácia dos movimentos, sua organização interna (...) A disciplina fabrica assim corpos submissos e dóceis. A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência). O próprio corpo humano, nesses termos, acaba por expressar e subsumir a oposição moderna de Razão (ou saber científico) versus natureza (ou objeto inerte, a ser instrumentalizado). É por isso que as diferenças que existem entre percepções alternativas de natureza, por exemplo: entre a nossa, ocidental 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 21 e moderna,com o pensamento tradicional chinês do taoísmo, confucionismo e budismo; ou com relação à sociedade indígena caiapó, passam também por diferenciadas leituras do corpo, das doenças, das ideias de saúde, vida e morte. A medicina tradicional chinesa, fundamentada numa ideia de organismo com a busca da harmonia entre o Yin e o Yang, possui técnicas e for- mas de encarar as doenças que são bastante diferentes da ocidental e alopática (cf. Capra, s/d). E também a percepção que os indígenas em geral possuem tanto sobre uma natureza integrada à vida humana (cf. Posey e Anderson, 1987), como uma noção de saúde, doença e morte onde o ser humano faz parte de uma natureza animista na qual um tempo mágico e cíclico integra o sentido da vida de cada um e da possível cura dos males por ervas acompanhadas de rituais destinados a convocar ou exorcizar espíritos (cf. Lévi-Strauss, 1976). Um importante pensador da modernidade (e, num certo sentido, também seu crítico) percebeu com muita acuidade esse paralelo entre natureza bruta ou "virgem", de um lado, inspirando (por conter odes- conhecido) medo e hostilidade, além de um certo fascínio, e humanizada ou organizada (ou dominada) de outro lado, inspirando - por ser conhecida e (ré) produzida pela ação humana - confiança e senso de poder e de segurança e consciência ou mente humana, interligada evidentemente ao corpo como um todo. Sigmund Freud assinalou que: a criação do domínio mental da fantasia encontra um paralelo no estabelecimento de reservas ou parques naturais em lugares onde as exigências da agricultura, das comunicações e da indústria ameaçam ocasionar mudanças na face original da terra que logo a tornarão irreconhecível. Uma reserva natural conserva o estado original que em todas as outras partes foi, para nosso pesar, sacrificado à necessidade. Todas as coisas, incluindo o que é inútil ou mesmo nocivo, nela podem crescer e proliferar livremente. A industrialização da natureza muda o seu estado original, toma o espaço geográfico um todo cada vez mais homogêneo, interligado de ponta a ponta, sem "mistérios" ou elementos desconhecidos, sem "perigos" advindos do medo frente ao não conhecido, ao não dominado e subjugado. Mas o fascínio pelo "selvagem" permanece, pois ele é não só externo a nós mas parte mesmo de nosso ser (como assinalou Freud a propósito do inconsciente ou do id). Assim como a modernidade (ré) produz, a natureza, no sentido industrial do termo ela igualmente fabrica os corpos humanos e até as mentes. Daí a ênfase de Freud na sublimação, na repressão e no superego como "guardião" das normas sociais interiorizadas. Assim como a necessidade de "reservas naturais" se coloca como uma forma de evitar e atenuar a massificação e industrialização da natureza, como forma de permitir e incentivar (mas dentro de certos limites) a existência das "coisas inúteis" ou "nocivas", também a busca da fantasia e os próprios sonhos seriam formas individuais de atenuar o predomínio do social, do artificial (que Freud de- fendia, diga-se de passagem) frente ao "espontâneo" ou "selvagem" do inconsciente, que deve igualmente ter o seu lugar. Movimentos alternativos Iremos agora nos ocupar dos movimentos alternativos da natureza ecológica ou ambientalista, nascidos a partir das preocupações com a degradação da natureza e suas leituras e perspectivas. O historiador Keith Thomas (1988) registra que essa preocupação, "ecológica" ou conservacionista existe no mundo ocidental e capitalista pelo menos desde o século XVIII, tendo surgido na Inglaterra justamente porque esse país foi pioneiro na industrialização e na degradação ambiental que a acompanha. Nesse mesmo século os ingleses se orgulhavam de ser o único país europeu a não ter mais preocupações com os lobos, exterminados pelos caçadores. Paralelamente, porém, à extinção não só do lobo mas também de inúmeras espécies vegetais e animais, crescia nos centros urbanos - especialmente em Londres - a preocupação com a poluição crescente. Assinala esse autor que desde o século XIII existem estatutos, editos e leis de caça destinados a proteger, por uma certa estação, animais como os cervos, gamos, lontras, lebres, falcões, etc., durante o período de sua procriação, sendo que o próprio termo conservation surgiu - no final da Idade Média -para designar os "guardiães" (especialmente o prefeito e os vereadores de Londres) do rio Tâmisa, que já naquele momento conhecia uma poluição e um progressivo desaparecimento de sua fauna ictiológica. Mas a multiplicação dessas leis, dos reclamos populares e da imprensa pela questão ambiental, tem seu momento decisivo no final do século XVIII, justamente o momento em que a Revolução Industrial inglesa se inicia em grande escala. Todavia, foi somente no nosso século- após a Segunda Guerra Mundial - que a denominada "consciência ecológica" alcança a sua plenitude. Isso porque a humanidade percebeu, nesse momento, que pode se autodestruir, que pode afetar seriamente a biosfera e exterminar não somente inúmeras espécies animais e vegetais (como o século XVIII já começara a perceber) mas também a própria vida humana, a espécie humana como um todo. A "consciência" ou "crise" ecológica é, assim, contemporânea da era nuclear, do crescimento dos complexos industriais-militares e da corrida armamentista, da difusão 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 22 da produçãoindustrial a quase que todos os países do globo através das multinacionais, da nova divisão internacional do trabalho que reloca na “periferia” do capitalismo internacional certa indústrias que antes eram explosivas dos “centros”. As décadas de 1960 e, principalmente, 1970, forma importantíssimas para esse crescimento conservacionista em todo o mundo. Diversidade de atuação e organização As diversidades de formas de atuação e organização nos movimentos ecológicos são notórias. Existem as "comunidades alternativas" isoladas, normalmente vivendo no campo, numa propriedade específica onde os indivíduos tentam implementar um outro modo de vida, uma tecnologia doce ou alternativa (biogás, agricultura ecológica, educação informal e diferente da escola oficial, artesanato, alimentação naturalista ou vegetariana, piscicultura, aquecimento de água por energia solar, ausência de plásticos e detergentes não biodegradáveis, medicina alternativa com ervas, produtos alimentícios naturais, etc.). É uma estrutura social onde há relações políticas horizontais, com ausência de chefes oficiais, de autoridades tradicionais, etc., além de uma produção voltada não para o comércio e sim para o autoconsumo. O alcance limitado dessas experiências já foi objeto de interessantes análises críticas, e a própria dificuldade desses grupos de se multiplicarem ou de meramente se reproduzirem mostra seus problemas enquanto opção política de grande escala. Mas há um elemento positivo nisso, expresso não pelas comunidades como um "modelo" ou um embrião de uma nova sociedade, e sim por práticas ou experiências inovadoras em pequena escala, que não salvam todo o conjunto mas oferecem de fato alternativas a serem repensadas na escala de uma sociedade mais ampla. Costuma-se denominar "fundamentalistas" a essas comunidades alternativas, essas tendências ecologistas que se afastam da sociedade industrial ou moderna e propõem uma organização comunitária à margem, com outros princípios mas recusando trabalhar dentro mesmo desta sociedade no sentido de transformá-la. Outras correntes dentro dos movimentos ecológicos são aquelas, majoritárias, que assumem um trabalho de mudanças radicais dentro mesmo do capitalismo (ou do "socialismo real", considerado igualmente uma variante da sociedade moderna ou industrial), no sentido de torná-lo mais ecológico e com maior justiça social. No entanto, a diversidade dentro desta posição também é enorme. Há desde socialdemocratas, que acreditam numa democratização e ecologização progressivas do Estado capitalista, especialmente no Primeiro Mundo (e às vezes também no Segundo Mundo), até aqueles que propõem uma nova política ante estatal e antiplanificação, baseada numa nova ideia de revolução social. Não cabe aqui fazer um inventário dessas inúmeras nuances dentro do ecologismo de esquerda que evita se marginalizar em comunidades alternativas. Seria um inventário provisório e problemático ao extremo, pois um mesmo autor pode assumir posições divergentes de acordo com as circunstâncias. O fundamental, neste momento, é interrogar o seu papel político nestas últimas décadas, quando o ecologismo cresceu e passou a ser importante a nível científico, cultural e político. Penetração da consciência ecológica Uma constatação se impôs: os movimentos ecológicos não lograram "tomar o poder" em lugar nenhum (e nunca se propuseram a isso, a bem da verdade), mas conseguiram ampliar sensivelmente a tom verde nos demais partidos políticos ou movimentos sociais. A penetração da "consciência ecológica" na opinião pública em geral foi marcante, fato que levou quase que todas as tendências políticas a flertarem (com maior ou menor seriedade, ou às vezes nenhuma, mas a retórica mudou) com as preocupações ecologistas. A temática ambientalista parece que veio para ficar, confirmando aquela frase de Moscovitti de que o século XX - a sua segunda metade, na realidade - se caracteriza, a nível político-social, por ter procurado equacionar o problema das relações do homem com a natureza. É evidente que não houve - e nem há perspectivas disso no horizonte futuro, pelo menos a curto e médio prazos - esse equacionamento, mas a problemática ecológica brilhou (e continua brilhando) no firmamento da política no sentido amplo do termo. Resta saber qual é o fôlego dessa temática, dessa luta ambientalista. Pois o movimento operário, que brilhou enormemente no século passado e nas primeiras décadas deste (embora já perdendo força e mesclando-se com questões étnicas e nacionais), conheceu a partir da Segunda Guerra Mundial um enorme refluxo. E os movimentos feminista e negro alcançaram inúmeras conquistas mas cedo encontraram seus limites, suas carências de perspectivas mais radicais: a mulher pode ser empresária, pode ter um cargo político importante, mas e daí? O mesmo ocorre com o negro em certos países: as reivindicações por maior justiça étnica, levam somente a uma integração na mesma sociedade alicerçada 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 23 na lógicada mercadoria e na submissão da natureza, sem profundas alterações em suas bases. Os limites do ecologismo estariam dados pela sua institucionalização, mesmo parcial por enquanto, nos partidos verdes? Estes tenderiam, uma vez crescendo, a reproduzir a mesma política tradicional que caracterizou até hoje qual- quer partido político, de esquerda ou de direita (legitimação e fortalecimento do Estado nacional, ampliação do fosso entre participação direta do cidadão e o poder delegado aos representantes)? A incorporação de partes da temática ecologista pelos partidos tradicionais, por agências governamentais e associações financeiras internacionais (como o Banco Mundial), e até por empresas multinacionais (cerca de 30% dos lucros atuais da GM, por exemplo, vêm da fabricação de equipamentos antipoluição), não conduzirá a um esgotamento desta, a uma perda de força contestatória? O momento atual é de dúvidas e indeterminações. A história, como sabemos, é feita por projetos e ações concretas, que entram em choque com outros, num processo pleno de contradições e contingências. O futuro da humanidade, como ficou claro, está ligado a uma busca do equacionamento da questão ecológica. Resta saber se esse equacionamento ocorrerá a tempo e se será tão radical quanto imaginam os teóricos da ecologia política. Os movimentos ecológicos tiveram como um de seus grandes méritos o fato de colocarem na ordem do dia o elogio da criatividade. Mas existe ainda aquela criatividade da década de 70 neste momento de institucionalização e disputa eleitoral e propagandística? Homogeneização A expansão e multiplicação da modernidade - ou, de forma complementar, o desenvolvimento e a mundialização do capitalismo, nascido da (e ajudando o redirecionamento da) civilização ocidental -, levou e continua levando ao predomínio da mesmice, à homogeneização de valores, necessidades (embora satisfeitas desigualmente), formas arquitetônicas e padrões tecnológicos. Os outros vão sendo exterminados ou incorporados, tanto pela via do genocídio e do terricídio (destruição ambiental), como pela via do etnocídio e da fabricação de uma segunda natureza. O passado, da mesma forma, vai sendo permanentemente (re) construído a partir do projeto vencedor no momento presente. A intensa transformação permanente, baseada na lógica do valor de troca, desenraiza os homens tanto de seu passado (os valores tradicionais) como de sua terra (que será profundamente modificada). É nesse contexto que se coloca a luta pelo estabelecimento e pela preservação de patrimônios culturais, históricos ou ecológicos. É uma tentativa de evitar um extermínio total do passado e da natureza, dos Outros num certo sentido, daquilo que do ponto de vista da lógica da mercadoria (ou dos interesses classistas dominantes no presente) não tem utilidade ou valor. Preservação Sabemos que não é simples a tarefa de especificar o que deve ou não ser preservado. Afinal, tudo que nos rodeia - em todo o espaço geográfico mundial - é obra cultural ou ecológica: tanto o Pantanal mato- grossense é um ecossistema (de amplas dimensões) como também um brejo na periferia de uma cidade do interior; e um sapato ou uma favela são obras culturais, assim como uma cidade da época colonial (como Ouro Preto, por exemplo, também, declarada patrimônio histórico). Deve-se preservar tudo? Logicamente que isso é impraticável: a população mundial cresce, grande parte da humanidade passa fome ou é subnutrida, e os povos do Terceiro Mundo aspiram igual- mente (embora -isso talvez seja um mito irrealizável; cf., entre outros, Furtado, 1974) atingir os padrões de vida que vigoram no chamado Primeiro Mundo. E se tudo fosse patrimônio a ser preservado, a própria ideia de patrimônio não mais teria sentido: viveríamos sob novos valores, novo sistema produtivo, nova forma de relacionamento com a natureza e com o passado: a chamada modernidade, neste caso, teria cessado ou atingido seus limites. Certa vez, na década de 1930, Mário de Andrade propôs, entre outras coisas, que algumas favelas existentes em morros no Rio de Janeiro, assim como exemplos de mocambos em Recife, fossem tombados, preservados portanto pelo Estado, considerados como patrimônios da cultura popular. Tal sugestão evidentemente que não foi seguida, apesar de uma parte das propostas preservacionistas de Mário de Andrade foram levadas em conta por Getúlio Vargas ao criar o SPHAN.- Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Progresso Tecnológico e Militarismo É realmente difícil, em nossos dias, separar o progresso tecnológico - e mesmo uma expansão econômica duradoura nos moldes vigentes, isto é, tecnocráticos- do militarismo. Não que essa separação não seja possível (ou até desejável), mas sim que o sentido efetivo embutido na forma de evolução 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 24 tecnológica quevem imperando desde pelo menos a Segunda Guerra Mundial - e isso não somente no Ocidente mas igualmente no "socialismo real"-- conduz, e interliga-se indissociavelmente, ao militarismo e ao aperfeiçoamento constante dos meios de destruição. É certo que o capitalismo, desde os seus primórdios, adotou um tipo de saber e técnica - elementos, aliás, que associou pragmaticamente - que é desenvolvido exclusivamente como instrumento, enquanto eficácia no domínio sobre a natureza e sobre o próprio homem (a força de trabalho barata, os povos "não civilizados", os "desajustados socialmente", etc.). Daí então não haver grande novidade na intrincada amarração que existe entre tecnologia moderna e lógica da dominação, que, no: seu grau extremo, chega ao nível do controle pela força bruta e pelo extermínio. A tecnologia da produção, especialmente na indústria moderna - a parcelarização do trabalho, a organização do espaço-tempo no interior da fábrica, a linha de montagem e o taylorismo, etc.-, por exemplo, não visa tão-somente a produtividade (que até poderia ser maior sob outras condições, com os trabalhadores possuindo plena autonomia), mas principalmente o controle social, a produção sob a forma hierarquizada e disciplinada. Assim sendo, não há nada de estranho no fato de que desde principalmente o século XVI algumas das principais descobertas tecnológicas da civilização ocidental - ou então aplicações de saberes ou técnicas criadas anteriormente, inclusive por outras culturas - tenham sido implementadas e aprimoradas tendo- se em vista a guerra como motivação precípua: o arcabuz, os explosivos, o canhão, a bússola, a ponte suspensa, a luneta, o telégrafo, a vulcanização da borracha, o rádio e o submarino, o dínamo, a gelatina explosiva e a dinamite, etc. Mas no nosso século, em especial com as duas grandes guerras, essa influência militar na inovação tecnológica cresceu enormemente: da energia nuclear ao raio laser, da construção de moderníssimos submarinos ao computador, dos satélites espaciais à avançada pesquisa química ou bacteriológica: em todas essas atividades (e em inúmeras outras) existem imperativos bélicos fundamentais para o ritmo e o sentido do desenvolvimento tecnológico. Até o início deste século, a produção dos meios de destruição, apesar de importantíssima para o sistema mundial de dominação capitalista, dependia ainda da "economia civil", do progresso industrial. O progresso tecnológico dos armamentos sempre esteve ligado, mas numa posição subordinada, ao progresso industrial em geral, ao desenvolvimento econômico capitalista. O dínamo, por exemplo, apesar de originalmente criado para dar energia aos primeiros navios de guerra, somente foi aprimorado e expandido com o intenso uso civil, mesmo que posteriormente tenha voltado ao uso militar com mais elevado nível de eficiência. De fato, a imbricação e as influências recíprocas entre militarismo e produção industrial (e pesquisa tecnológica) sempre foram, na história do capitalismo, notórias e facilmente perceptíveis. Mas o motor dessa economia e dessa sociedade capitalista nunca foi o armamentismo e sim a produção industrial. Contudo, parece que a partir de um certo momento - que começou talvez com a Primeira Guerra Mundial, aprimorou-se com a Alemanha nazista e consolidou- se com a Segunda Guerra Mundial e suas sequelas - há uma inversão na ordem das coisas. As questões estratégico-militares passaram pouco a pouco a comandar a inovação tecnológica e mesmo os rumos da "economia civil". Conforme as pertinentes análises de um autor, parece que a economia política vai sendo substituída pela logística: Por volta dos anos 70 do século passado surgiu a economia de guerra. Notamos isso na Inglaterra e depois nos orçamentos franceses com o desenvolvimento da artilharia naval e do navio de guerra. Tudo isso culmina na surpresa técnica da Primeira Guerra Mundial. Finalmente, temos a grande surpresa (...) o advento da bomba nuclear. Já não é mais um problema quantitativo que surpreende o staff militar e, portanto, os Estados; agora é um problema qualitativo: a arma final. A logística assume o controle (...) Para entender o que é esta revolução logística a nacional, a de Eisenhower, há, em torno de 1945-50, uma declaração do Pentágono: Logística é o procedimento segundo o qual o potencial de uma nação é transferido para suas forças armadas, tanto em tempos de paz como de guerra. Destarte, a influência atual do militarismo sobre as atividades econômicas mais avançadas e até sobre inúmeros aspectos da vida social é não somente enorme mas também decisiva. Os aviões mais modernos e sofisticados são sempre os destinados a uso militar; somente depois que se tornarem obsoletos para fins bélicos é que serão produzidos para uso civil (mesmo que grandes empresas particulares possuíssem - e algumas possuem - condições de fabricar aviões com velocidades similares aos usados militarmente, elas não poderiam fazer isso, por imperativos estratégicos militares, até que os aviões militares tivessem já velocidades muitíssimo superiores). Com a tecnologia e a produção de submarinos, a situação é ainda pior: existe quase que um monopólio do uso militar. Também na informática e na eletrônica existe uma supremacia (e um comando) militar. Não apenas a tecnologia é via de regra gerada nesse setor para depois se propagar na "economia civil", como também existem pesquisas secretas e técnicas já 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 25 implementadas (mesmoque experimentalmente) para fins bélicos e desconhecidas - ou melhor, não utilizadas - até mesmo nas empresas e instituições de ponta do setor civil. Se nos países capitalistas há uma imbricação entre grande indústria, pesquisa tecnológica avançada e interesses militares-estratégicos, algo que configura os chamados complexos industriais-militares, a situação no "socialismo real", especialmente na União Soviética (e também, em menor escala, na China), é mais nítida e forte. Como as grandes empresas são todas estatais, e como há uma planificação centralizada da economia, deixa de haver um complexo industrial-militar (no sentido de ligações, influências recíprocas, amarração complexa de interesses) para haver um setor militar, evidentemente estatizado, que é ao mesmo tempo estratégico e produtivo; há uma imensa economia militar, em suma. Estudos detalhados levados a cabo por especialistas na URSS, mostraram que a militarização desse país talvez seja a mais extrema do globo. Há uma "economia civil" frágil e tecnologicamente pouco desenvolvida (e enfrentando problemas de escassez que geram filas, de péssima qualidade dos produtos, de insuficiência de recursos, etc. cf., inclusive Gorbachev, 1988, pp. 15-64). E, paralela- mente e de forma bem nítida, há uma "economia militar" extremamente eficiente (com enormes recursos e a "nata" dos cérebros do país, com tecnologia moderna, com mão-de-obra bem melhor paga, com prioridade total nos planos quinquenais, etc.). O Direito das Árvores Nos dias de hoje juristas dos Estados Unidos e da Inglaterra discutem seriamente se as árvores possuem direitos. Talvez muitas pessoas caiam na gargalhada ao saberem disso, mas o mesmo ocorreu já há alguns séculos com os escravos, com as mulheres e até com os jovens. Quem não cairia na gargalhada, há 400 anos, se alguém afirmasse que as mulheres deveriam ter o direito de participar de decisões importantes na vida política e econômica, ou que as crianças deveriam ter direitos (escolarização, ausência de maus tratos, alimentação e vestimentas decentes, etc.) independente da vontade dos pais? Durante muitos séculos, a expansão (conflituosa, dialética, frequentemente abortada, em especial no Terceiro Mundo) do espaço democrático foi pouco a pouco (re) definindo o significado de "homem", de humanidade enquanto agente de direitos. Foi - e ainda é, na maior parte do mundo - extremamente problemática a inclusão dos trabalhadores braçais, das mulheres, das crianças e, principalmente, dos "outros" (os "não-civilizados", os "sem Estado", etc.). Num certo sentido, o ecologismo veio ampliar esse horizonte ao relativizar o antropocentrismo e colocar a Terra, a biosfera em especial, como parte de nós. O que os astronautas, e inúmeros homens e mulheres na Terra antes deles, perceberam intuitivamente está sendo agora confirmado por investigações científicas (...) O planeta está não só palpitante de vida, mas parece ser ele próprio um ser vivo e independente. Toda a matéria viva da Terra, juntamente com a atmosfera, os oceanos e o solo, forma um sistema complexo com todas as características de auto- organização (...) A Terra é, pois, um sistema vivo; ela funciona não apenas como um organismo, mas, na realidade, parece ser um organismo Gaia, um ser planetário vivo. Um novo conceito de natureza e uma nova forma - não instrumental - de se relacionar com ela; um redirecionamento no sentido da tecnologia, desvinculando-a da produção bélica, da ênfase na produtividade às custas da natureza e do trabalhador; uma profunda alteração nos valores e nas necessidades das pessoas; uma busca da igualdade nos rendimentos e nos direitos mas sem homogeneizar, sem massacrar o individual de cada um num "coletivo"; descentralização com implantação de unidades produtivas de pequena escala, onde não apenas o impacto ambiental fosse reduzido como também que tornasse possível a democracia direta: eis algumas das propostas que norteiam um novo conceito de revolução, no qual não se vão realizar as pretensas "leis da história", mas, sim, criar algo novo a partir da constatação de que o rumo atual das coisas é injusto e talvez até suicida. Uma verdadeira revolução não se programa. Ela não caminha sobre trilhos prefixados e nem possui organização apriorística. Ela é necessariamente uma experiência ou uma aventura que desembocará num caminho desconhecido. Pretender nomeá-la, determiná-la de antemão com um sujeito preconcebido, com um caminho já estabelecido, etc. (por exemplo: o "socialismo"), nada mais é do que ser atraído pelo medo ao novo e ao desconhecido, pela busca autoritária de certezas prévias com a consequente negação da criatividade e das diversidades. E muito menos podemos imaginar que a revolução significa realizar na prática uma teoria (ou ideal) pré-elaborada na Razão: estaríamos assim num racionalismo cartesiano dos mais extremados. São os agentes históricos concretos, as lutas sociais que eles carregam, que nos ensinam o que repudiamos e o que desejamos. O iluminismo do século XVIII nos legou a aspiração pela liberdade e pela justiça; os movimentos operários do século XIX nos mostraram cabalmente a importância da luta contra a exploração do homem pelo homem, além de terem, em muitos casos, retomado formas organizacionais 1165766 E-book gerado especialmente para JOAB CARDOSO MAGALHAES
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    . 26 (as comunas)que só tiveram precedente na democracia ateniene. E, no nosso século, as lutas feministas, étnicas e nacionais, especialmente as ecológicas, ensinaram-nos que a ideia de "contradição principal" é um engodo, que uma sociedade justa e igualitária deverá equacionar simultaneamente a opressão sexual e étnica, as aspirações por autonomias nacionais, as desigualdades econômicas e a instrumentalização (e homogeneização, pela destruição) da natureza, tudo isso sem ferir o direito à diversidade (tanto pessoal como cultural e até ecológica). - Desmatamento O desmatamento é um processo de degradação da vegetação nativa de uma região e pode provocar um processo de desertificação. O mau uso dos recursos naturais, a poluição e a expansão urbana são alguns fatores que devastam ambientes naturais e reduzem o número de habitats para as espécies. Um dos principais agentes do desmatamento é o homem. Nos últimos anos, a atividade humana tem invadido o meio ambiente em diferentes escal