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SOCIEDADE INTERAMERICANA DE IMPRENSA
IN MEMORIAM
Este livro e dedicado a memoria dos jornalistas que f
por motivos relacionados ao exercicio de seu officio. Seus
pari defender o direito do publico de ser informado.
cram assassinados nas Americas nas filtimas decadas
nomes simbolizam o preco que o jornalismo ha pagado
Hector Abad Gomez Simeon Leonidas Cabrera Norvey Diaz Humberto Gonzalez Gamarra
Ernesto Acero Cadena Marco Antonio Cacao Munoz Cayetano Dominguez Gustavo Gonzalez Lopez
Javier Ramos Acevedo Osvaldo Calderon Almonacid Fritz Dor Humberto Gonzalez Juarez
Barbara d'Achile Sonia Calderon de Martell Jorge Martin Dorantes Ronay Gonzalez Reyes
Rodrigo Ahumada Luis Roberto Camacho Prada Maria Nilce dos Santos Samuel Gonzalez Romero
Melissa Alfaro Mendez Guillermo Cano Isaza Cornelius Dragan-Dima Francisco Granja
Mario Lucio de Almeida Maria Carlin Fernandez Mauricio Antonio Driotes Carlos Grant
Antonio Ismar Alvarenga Juan Gabriel Caro Montoya Juan Duarte Francisco Gracia
Lucina Alvarez de Barros Jorge Carpio Nicolle Anibal Dubin] Carlos Grullon
Nelson Amaya Barreto Jose Carrasco Tapia Jose Antonio Dumet Acevedo Hector Guerra
Jose Miguel Amaya Espinosa Roberto Eugenio Carri Luis Dummet Eloy Guevara Paiz
Alberto Antoniotti Monge Luis Carrillo Diego Leon Duque Ruiz Jose Guillo Martinez
Juvencio Arenas Gilvez Ruben Dario Carrillo Silvia Duzin Jose Angel Guillan Chador]
Anibal de Jesus Arias Jose Leon Castafieda Raid Echavarria Barrientos Jaime Guzman
Gildardo Ariza Olarte Edgar Rolando Castillo Jessica Elizalde de Leon Donald Harris
Ramiro Ariza Villamil Elias Jaime Castillo Ignacio Ellacuria Rafael Hasbun
Ruperto Armenta Gerardo Carlos Castillo Monterrosa Freddy Elias Bernardo Hernandez
Maria del Rosario Arrazola Ruben Dario Castrillon Fredy Mario Erazo Carrasquilla Eliot Hernandez
Eladio Arredondo Jaime Castro Llerena Jose Wenceslao Espejo Jose Herrera Carias
Jose Arredondo Acevedo Jose Celiallos Luis Espinal Oscar Herrero
Juan Jose Maria Ascone Manuel Cepeda Vargas Jorge Euceda Vladimir Herzog
Jaime Ayala Pedro Joaquin Chamorro Mario Eugenio John Hoagland
Oscar Ayala Pequeno Julio Daniel Chaparro Alvaro Falla Tamaya Arsenio Hoyos
Fernando Bahamon Molina Antonio Huaccachi Chavez Juvenal Farfan Anaya Ezequiel Huerta Acosta
Danilo BariIlas Jesus Chavez Andrade Hector Felix Miranda Octavio Infante
Edwin Barrios Blancas Hernando E. Cifuentes Martinez Valentin Ferrat Rio Adolfo Isuiza Urquia
Oscar Osvaldo Barros Julio Cojon Tecan Renivaldo Sergio Ferraz Jesirs Michael Jacobi
Raildo Barros Eustorgio Colmenares Elliot Fernandez Mazariegos Pancho Jaime
Lides Batalla Alfredo Cordova Solorzano Virgilio Fernandez Ismael Jaimes
Renato Batalla Julia Cesar Coronado Espinoza Joao Alberto Ferreira Souto Alejandro Jaramillo Barbosa
Gerardo Bedoya Borrero Edgar de Jesus Correa Rodriguez Oscar Rolando Figueroa Santiago Jau
Hermelinda Bejarano Dante Espartaco Cortes Irma Flaquer Azurdia Robinson Joseph
William Bendek °hyena Ismael Cortes Ernesto Flores Torrijos Javier Juarez Vazquez
Peter Bertie Jose Domingo Cortes Alaide Foppa Enrique Hey
Juan Bertolo Miguel Angel Cospin Linda Frazier Jacobus Andres Koster
Luis Angel Betancourt Richard Crass Nelson Gabrini Alzate David Kraiselburd
Nicolas Blake Gabriel Cruz Diaz Victor Galeano Rodriguez Jan Kuiper
Henan Blanco Victor Hugo Cruz Guillermo Galvez Hans Ter Laag
David Blundy Gaspar Culam Yatz Amador Garcia Roberto Lafaurie Quintero
Donald Bolles Nyuyen Dam Phong Octavio Infante Garcia Cornell Lagrow
Mario Osvaldo Boning Bernard Darke Felix Gavilin Carlos Lajud Catalan
Marcos Borges Ribeiro Griffith Davis Francisco Gaviria Eric Lamothe
Paulo Brandao Aristeu Guido da Silva Libardo Gil Ceballos Guy Laraque
Jorge Brenes Araya Reinaldo Coutinho da Silva Hector Giraldo Calves Felix Lamy
Richard Brisson Jose de la Espriella Felix Gavilan Erwin Larrave Pozuelos
Robert Brown Eduardo de la Piniella Roberto Giron Lemus Triet Le
Manuel Buendia Nelson de la Rosa Toscano Gerardo Didier Gomez Gil Alberto Lebrun Menem
Manuel Borgueno Orduiio Zaqueu de Oliveira Alvaro Gomez Hurtado Santiago Leguizamon
Fanny Burguera Arada de San Marin Guillermo Gomez Murillo Julio Rene Lemus
Pedro Yauri Bustamante Julian Delgado Ancizar Gomez Zuluaga Bienvenido Lemus Alomania
Hugo Bustios Saavedra Jean Wilfred Destin Cecilia Gonzalez Adolfo Leon Rengifo
lose Luis Cabezas Eifat Antonio Diaz Jose Alfredo Gonzalez Montlouis Lherisse
Sim6n Estanislao Cabrera Luis Diaz Perez Narciso Gonzalez Henry Liu
. 110 hiteritil clu (VIIIrot cuhu
Crimes Sem
Punka°
Contra
Jornalistas
AGRADECIMENTOS
ESTE PROJETO FOI REALIZADO GRACAS AO APOIO FINANCEIRO DA
John S. and James L. Knight Foundation
2
SIP
PRESIDENTE 1996-1997
PRESIDENTE 1995-1996
SUBDIRETOR EXECUTIVO
PRESIDENTE da
Comissao de Liberdade
de Imprensa e de Informacao
DIRETOR EXECUTIVO
SIP, Miami, Florida
VICE-PRESIDENTE da
Comissao de Liberdade
de Imprensa e de
Informacao na Colombia
VICE-PRESIDENTE da
Comissao de Liberdade
de Imprensa e
Informacao na Guatemala
VICE-PRESIDENTE da
Comissao de Liberdade
de Imprensa e de
Informagao no Mexico
Luis Gabriel Cano
El Espectador, Bogota, Colombia
David Lawrence Jr.
The Miami Herald, Florida
Ricardo Trotti
SIP, Miami, FlOrida
Danilo Arbilla
Basqueda, Montevideu, Uruguai
Julio E. Munoz
SIP, Miami, FlOrida
Enrique Santos Caldergn
El Tiempo, Bogota, Colombia
Teresa de Zarco
Prensa Libre, Guatemala
Jose Santiago Healy
El Imparcial, Hermosillo, Mexico
PROJETO
CONSELHO
CONSULTIVO
DIRETOR-GERAL
DIRETOR DO
PROJETO
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GERAL
CONSELHO
CONSULTIVO
CONSELHO
CONSULTIVO
CONSELHO
CONSULTIVO
CONSELHO
CONSULTIVO
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PROJETO E PROMO)
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ARTE
INVESTIGADORES
INVESTIGADORES DE APOIO
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Robertson Adams
Melba Jimenez
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Ana Arana
June Erlick
Harold Maass
Norman Navarro
Jose Navia
Ignacio Gomez
Mario Castro
©1997 Sociedade Interamericana de Imprensa
Agradecimentos especiais ao The Miami Herald e
El Nuevo Herald que tornaram possivel esta publicacao.
Sociedade Interamericana de Imprensa
Crimes Sem
Punka°
Contra
Jornalistas
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Tel: (305) 634-2465 Fax: (305) 635-2272
Correio eletronico: sipiapa@aol.com Internet: www.sipiapa.com
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
PREFACIO
"Que ninguem permaneca
impune por calar, amedrontar
ou assassinar os jornalistas
de nossa America"
Por Jorge G. Castaneda
0
s seis casos de jornalistas assassinados que a
i nvestignao real i zada pela Sociedade
Interamericana de Imprensa documenta e recorda
provocam calafrios c terror a quem, como nos, se dedica
a expressao escrita. Os seis crimes cornetidos na
Colombia, Guatemala e Mexico, considerados ao mesmo
tempo como casos de importancia intrinseca e como sim-
bolos de uma aterradora e conhecida tendencia na
America Latina, enchem-nos de horror e tristeza. Horror
porque isso pode acontecer a qualquer um de nos, e tris-
teza porque sahemos que tern sido a.ssim em nossa regiao
desde tempos imemoriais. Um jornalista é assassinado: as
sociedades latino-americanas, que sofreram este astuto
golpe tantas vezes, percebem corn sensibilidade e
sabedoria a extensao do ultraje a paz, a dignidade e a von-
tade de viver de nossas nacdes. Sao, alma], nossos ver-
dadeiros magnicidios, porque se repetem, porque sim-
bolizam as mortes de muitos outros, e porque, em algum
lugar, tocam em uma fibra terrivelmente frrigil e decisiva
da precaria existencia democratica da America Latina.
Jorge Carpio e Irma Flaquer, na Guatemala; Guillerno
Cano e Carlos Lajud, na ColOmbia; Hector Felix e Victor
Manuel Oropeza, no Mexico, representam, assim, muito
mais do que seis baixas acidcntais na veiha guerra latino-
americana contra a violencia, contra as fissuras socials
que a geram e contra a impunidade que a abriga. Por urn
lado, a humildade se impoe: sao milhares - e ern certas
4 situacoes e em certos paises, dezenas ou centenas de
rnilhares - de cidadaos que perdem a vida devido a vio-
lencia politica, comum ou generalizada. Os jornalistas
Ira° devern nunca se esquecer de que suas vitimas e mar-
tires crigrossam as filciras interminaveis de outros que
tombaram: os desaparecidos c massacrados, os seqUestra-
dos c assassinados, os ofendidos c desterrados, produtos,
todos, da longa noitc latino-americana de violencia. Mas,
por outro lado, os jornalistas fazem bem em enfatizar a
singularidade de sua desgraca: pelo papel que desempe-
nham em nossas democracias em construc5o ou abolidas;
por seu combate insubstituivel a algumas das pragas mais
notorias do hemisferio; pela falta de defesa ern contraste
corn os riscos que correm; e pela impunidade que em tan-
tas ocasides acompanha os crimes que os abatem, os jor-
nalistas na America Latina tern razdo em destacar seu
direito a excepcionalidade. Conviria revisar cada urn
destes fatores da diferenca que define o estatuto singular
do jornalismo na America Latina. 0 primeiro, sem dtivi-
da o mais descrito, e corn uma conotacao historica, reside
na funcalo crucial da imprensa na construcar de tuna
esquiva democracia latino-americana. Explica, em muitas
ocasiOes, tanto a multiplicidade de atentados contra os
jornalistas e contra a libcrdade de expressao quanto a
repercussdo de tais afrontas e abusos em nossos paises e
no mundo inteiro. Os Nurses ao sul do Rio Bravo possuem
todos, em diferentes niveis, uma caracteristica comum:
aqui a chamada sociedade civil é secular e cronicamente
fraca. Desde a remota epoca da colonia tivemos mais
Prefacio
0 escritor mexicano Jorge C. Castaneda durante seu discurso sobre crimes contra jornalistas na 52a
Assembleia Geral da SIP, em outubro de 1996, em Los Angeles.
Estado do que sociedade em todas as nossas patrias; os
partidos, os sindicatos, associacoes civicas e de cidaddos
tern enfrentado constantes e pateticas fraquezas diante do
poder esmagador de Estados nem sempre fortes em si
mesmos, mas nunca em desvantagem diante de
sociedades indefesas.
Neste contexto, a imprensa, os escritores, os defen-
sores da palavra e da denUncia, foram fatalmente chama-
dos a ocupar urn vazio: a se converter, segundo a
expressao consagrada em outros meios, na voz dos sem
voz. Os jornalistas representam, em nossas democracias
incipientes, uma das primeiras frentes de batalha e de
defesa. Sdo, freqtientemente, os primeiros a censurar os
golpes de Estado, as fraudes eleitorais e as recorrentes
interrupcOes da legalidade civil e constitucional que por
desgraca povoam nossa paisagem politica. E uma vez
restaurada ou inaugurada uma democracia insegura,
erguem-se como pilar inicial de resistencia diante dos
embates que esta sofre, ou no estirnulo principal de sua
ampliacao ou consolidacado. Assim, quando urn
jornalista é assassinado na America Latina, morre tam-
bem uma pequena parcela da democracia, do estado de
direito, da liberdade e do desejo de igualdade no conti-
nente. Por isso, em nossas terras mais do que em outran,
sdo indissociaveis as lutas pela democratizacao da vida
politica e pela abolicdo da violencia exercida contra a
imprensa e a expressao.
Um segundo elemento que explica a consternacao
gerada em nossas latitudes pela elirninacao fisica dos
jornalistas - os seis que esta investigaydo destacou, assim
como os demais sacrificados nesta luta: Pedro Joaquin
Chamorro, Manuel Buendia, Jose Carrasco, Manuel de
Dios Unanue, Don Bolles, e tantos outros que
poderiamos recordar -, é o prOprio funcionamento da
democracia nestas nacOes, quando esta chega a imperar.
Isso ndo ocon-e facilmente: as deficiencias, os obstaculos,
as limitacOes e os dilemas da democracia representativa
na America Latina tern sido bastante estudados e
descritos para que seja necessario voltar a eles. E sufi-
ciente assinalar que, em urn ambito especifico, nossos
esforcos para construir espacos de governabilidade
democnitica tern fracassado sistematicamente: continu-
amos em husca de urn sistema de prestacao de contas, da
intraduzivel nocao anglo-saxanica de "accountability". A
separacao de poderes na America Latina sempre foi mais
formal do que outra coisa; assim, a responsabilidade dos
governantes perante a sociedade sempre foi viciada pela
fraqueza das instituicdoes supostamente encarregadas de
fiscalizar, limitar e regular o comportamento das autori-
dades. Contam-se as ocasi -oes na regiao nas quail os tri-
bunais, o poder legislativo ou as instancias autonomas do
executivo designadas para fiscalizar o mesmo, puderam
realmente restringir os abusos, excessos ou patentes deli-
tos de urn presidencialismo calcado no norte-americano,
mas sem os contrapesos ou "checks and balances" que
este requer para seu funcionamento adequado. 5
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
Mais uma vez, é nesse vazio que a imprensa se encon-
tra. Ali, justamente, ve-se convocada a desempenhar
funcOes que em um sentido estrito tido the correspondem,
mas que ninguem mais, por ora, se atreve ou pode desem-
penhar. Na luta contra a corrupcdo, o narcotrafico, o mau
governo, as violacoes dos direitos humanos, o jornalismo
latino-americano exerce urn poder muito superior ao do
"watchdog" ou quarto poder anglo-saxdo. Sem a impren-
sa, em muitos de nossos paises, ninguom denunciaria os
excessos, os roubos, a convivencia corn as drogas, o
dcsprezo constants pelos direitos humanos, as fraudes
eleitorais, e a pura e simples inabilidade do governo. Nao
por acaso que dos seis casos apresentados nesta investi-
gaga° feita pela Sociedade Interamericana de imprensa,
tres ou quatro (Carlos Lajud, Hector Felix, Victor Manuel
Oropeza, e talvez Jorge Carpio Nicole) estao claramente
vinculados a dendncias de corrupyao governamental, e um
ou talvez dois - Guillermo Cano
e Oropeza - tern algum tipo de
relacao corn o narcotrafico.
Nao se deve exagerar as
especificidades latino-ameri-
canas. NA° ha dtivida de que
em todas as democracias repre-
sentativas as instituiciies fiscal-
izadoras ou garantes da
prestacao de contas sao fracas e
insuficientes; em todas as
nacoes modernas, a transpar'en-
cia e a ineerencia da imprensa
ocupam urn lugar privilegiado
na luta contra o abuso e a
irresponsabilidade. Lembremo-
nos dos grandes momentos do
jornalismo norte-americano (os
Pentagon Papers, Watergate,
Iran-Contras) e frances (as
repetidas dentincias por parte
do Le Canard Enchains), entre outros. Mas, em casos nos
quais a "accountability" constitui uma estranha novidade,
e nos quais as instituicoes encarregadas de instals-la e
fortalece-la carecem de recursos, das tradicoes e da
experiencia para impulsions-la, o papel das entidades
substitutas, informais e extra-estatais torna-se crucial.
Em todos os casos de denuncia bem-sucedida da cor-
rupcao em paises corn urn regime democratic° minima-
mente viavel - Collor de Mello, no Brasil; Carlos Andres
Perez, na Venezuela; Jorge Serrano, na Guatemala -, a
imprensa contribuiu de forma relevante no desenlace
desejado: a punicao e a expulsao do poder dos man-
datarios criminosos. A imprensa tambern esteve na van-
guarda desta luta nos casos em que a corrupcao foi repeti-
damente denunciada, mas sem que as revelacoes desem-
bocassetn em sancoes penais ou politicas - Carlos Salinas
de Gotari, no Mexico; Carlos Menem, na Argentina. As
investigacCies de Horacio Verbitsky, em Buenos Aires, e
6
as de Processo e Reforma, no Mexico, sac-) motivo
orgulho para a classe jornalistica.
A situacao é semelhante no que se refere a outra
perene praga latino-americana, a saber, a violacao san-
grenta e continua dos direitos humanos. Os assassinatos
estudados neste volume sao sintomatieos, mas nao uni-
cos: as clenUncias jornalisticas de torturas e desapareei-
mentos, de execuciies sem julgannento e de prisoes arbi-
trarias em toda a regiao, representam alguns dos momen-
tos mais importantes do officio de informar. A imprensa
tem tido um papel exemplar nao apenas na penumbra de
autoritarismo e excessos da America do Sul, mas tambem
durante as infindas guerras da America Central, e a pro-
longada luta mexicana para acabar para sempre corn os
abusos de quase setenta anos de unipartidarismo do PRI.
Sem ela, muitos mais argentinos e chilenos, salvadore-
nhos e chiapanecos, nicaragilenses e colombianos teriam
morrido. E seja na ausencia de partidos politicos e sindi-
catos fortes, seja ern condicoes
de sua proibicao e silencia-
mento, a imprensa tern agido
como dcfcnsor de Ultimo
recurs() diante dos embates
autoritarios nao apenas contra
a liberdade de expressao, mas
contra a liberdade em geral.
0 mau governo, por von-
tade ou incompetencia, é outra
frente tipicamente latino-ame-
ricana na qual a imprensa
desempenha urn papel de
maior relevancia do que em
outros lugares do mundo. Mais
uma vez, nao é que na Europa,
Japao e America do Norte a
separacao de poderes, a alter-
nacao e a ineerencia de uma
sociedade civil mais vigorosa
seja suficiente para evitar os
vicios e habitos de inabilidade governamental. Tarnpouco
Basta para impedir a geracao de conseqUencias nefastas
para amplas camadas da populacao, produto da submis-
sao a interesses particulares, estrangeiros ou ocultos.
Mas, nestes paises, as protecCies institucionais gozam de
urn suporte major do que em nossos sistemas politicos, e
os limites impostos aos en-os que cada governante pode
cometer - ainda que mais amplos do que o desejavel - sao
mais rigidos do que em outras partes do mundo.
Em contrapartida, gracas as tradicifies latino-ameri-
canas de caudilhismo, patrimonialismo estatal e despo-
tism° empedernido, o mau governo, em certas ocasioes,
nao tern medida. A historia da subordinacao a forcas
externas é tao ampla e recente, que persiste a possihili-
dade de que governantes espdrios ou eleitos anteponham
a subordinacao a estas forcas a qualquer outro criterio. E
nossas garantias nao sao sempre tao eficazes quanto as do
mundo industrializado; por vezes, simplesmente nao
existem. Por isso, e particularmente importante a vigilan-
Na luta contra a cor-
rupcao, o narcotrafico, o
mau governo, as violacoes
dos direitos humanos, o
jornalismo latino-ame-
ricano exerce um poder
muito superior ao do
"watchdog" ou quarto
poder anglo-saxao.
Prefacio
cia e a missao de alertar contra erros que corresponde
imprensa em nossas sociedades. Advertir a tempo e
criticar corn veemencia é um atributo particularmente vir-
tuoso da imprensa latino-americana, mesmo que os resul-
tados nao sejam sempre os esperados. Assim, inclusive
sem o exit° que se poderia desejar em casos como os de
Salinas de Gortari, no Mexico - mais uma vez - ou de
Ernesto Samper, na Colombia, os rumos profundamente
equivocados que, por urn motivo ou outro, tais man-
datarios escolheram, foram censurados pela imprensa, na
falta de outras criticas mais institucionais, e que talvez
tivessem conseguido efeitos mais contundentes.
Se se mostram escassas as ocasioes em que a impren-
sa na America Latina pode, Of si so, evitar as calami-
dades administrativas que caracterizam nosso governo,
esta serve, entretanto, de sinal de alerta. Avisa a
sociedade de que algo anda mak e de que é hora de
prestar atencao e de intervir. A
sociedade logo atende ao aviso,
ou nao; conseqiientemente atua,
ou nao. Mas sobre a advertencia
nao ha engano: g,racas a impren-
sa na America Latina, us
cidadaos destes paises podem
contar corn detectores de
fumaca fieis e sensiveis. A eles
cabe saber se onde ha fumaca ha
fogo.
Como é tibvio, desta funcao
de ombudsman de profissao, de
consciencia critica e de deto-
nador de escandalos, deriva eni
grande parte a violencia de que
frequentemente sao vitimas us
jornalistas na America Latina.
Por urn lado, a imprensa limita,
restringe e ilumina. Por outro,
carece da forp, da protecao e
dos recursos que podem
defende-la dos embates que sua
propria atuacao suscita. Dal a extrema vulnerabilidade do
jornalismo latino-americano. Em urn sentido estrito, tern
assumido responsabilidades muito grandes, ja que se
desproveu completamente dos meios - de todos us tipos:
institucionais, financeiros, de seguranca e sociais - para
realizar uma missao em grande parte autodesignada. A
conseqiiencia deste desequilibrio entre meios e lins, entre
recursos e metas, entre exigencias proprias e alheias, e a
possibil.idade real de satisfaze-las, é a violencia e a morte.
Por que morrem mais jornalistas do que politicos na
maioria de nossos paises? A resposta talvez esteja justa-
mente nesta desproporcao entre a responsabilidade que,
tacita ou implicitamente, a sociedade deu a nossa impren-
sa, e nos escassos amparos de que dispoe para resistir aos
ataques que sistematicamente the sao feitos.
0 que surpreende e aterroriza nos seis exemplos, cuja
pesquisa detalhada e objetiva foi realizada pela
Sociedade lnteramericana de Imprensa, é o aviso previo
da morte. Praticamente todos os jornalistas envolvidos
foram ameacados; todos sabiam que suas vidas estavam
em risco; nenhum deles mudou seus habitos, conviccOes
ou atitudes para evitar urn desenlace anunciado.
Certamente alguns episaclios beiram o assustador: quan-
do Carlos Lajud desafia seus adversarios a que o exe-
cutem, e clivulga o itinerario e os horarios fixos de sua
casa ao trabalho, tenta o destino. E ninguem melhor que
o "Gatti' Felix para intuir de que tipo de represalias os
setores mais violentos de Tijuana, entre eles quem sabe
seu amigo Carlos Hank Rhon, eram capazes: desafia-los
signilicava assinar em branco urna sentenca de morte
antecipada. Mas podemos perguntar: por que pessoas
inteligentes e conscientes das profundezas em que nave-
gavam correram esses riscos? Por Pura insolencia e
ostentacao'? Ou estas correspondiam, antes, a uma situ-
acao de extrema fraqueza, de
indefesa radical, e por isso eons-
titulam os mecanismos de pro-
tecao interna diante de urn
dramatic° desequilibrio? No
fundo, a iniqiiidade que impera
entre os jornalistas cujas trage-
dias sao aqui descritas e as
forcas que os abateram permite
apenas uma defesa: o grito, a
publicidade, a luz do dia e a
estridencia. Nao siio arrogancia;
corn a sagacidade intuitiva que
caracteriza a profissao na
America Latina, esses jornalistas
compreenderarn que sua dnica
protecao possivel consistia em
nao ter medo, e em incitar seus
assassinos a desistir de seus
propOsitos ou consuma-los ime-
diatamente.
Enquanto a imprensa latino-
americana continuar sendo
chamada a exercer uma funedo como a que rapidamente
esbocamos, a violencia contra ela persisitira. E enquanto
nao contar corn a forca, a eminencia cultural e os recur-
sos que a protejam desta violencia, continuara
sucumbindo diante das represalias de seus inimigos,
adversarios tambern de toda a sociedade. 0 anico antido-
to reside na sancao penal e social, o custo, se se quer, de
agredir a imprensa. 0 jornalismo na America Latina nao
pode - por ora ou em urn futuro proximo - abdicar de seus
compromissos e atribuicoes; mas tampouco goza dos
meios necessarios para prosseguir sem perigo. A solucao
temporaria, ate que transfira pane de sua responsabili-
dade a outras instituicoes, quern sabe mais aptas para
esses compromissos, consiste inevitavelmente no preco
imposto a seus detratores e algozes: que ninguern per-
maneca impure por calar, amedrontar on assassinar os
jornalistas de nossa America. 7
E enquanto nao contar
com a forca, a
eminencia cultural e os
recursos que a protejam
desta violencia,
continuara sucumbindo
diante das represalias
de seus inimigos,
adversarios tambem
de toda a sociedade.
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
Estamos entao imersos no terra central deste esforyo
louvavel da SIP: a impunidade. Corn excecdo do caso de
Guillermo Cano, cujo assassino foi castigado - mesmo
que scm o processo devido e sem o auxilio institutional
da justica-, todos Os demais crimes estudados neste livro
nao foram expiados legalmente. Pablo Escobar foi criva-
do de balas pelo exercito colombiano; a morte de
Guillermo Cano, juntamente corn a de milhares de
colombianos, foi vingada. Mas isso nao e justica, nem
fico da impunidade, porque todos sabemos que sua exe-
cucAo respondeu a outras exigencias, a outras demandas.
Melhor do que nada: nos demais casos citados, nem
scquer houve vinganca, muito menos justica. Os autores
intelectuais, e mesmo os assassinos diretos, continuam
ern liberdade: a impunidade assombra c envergonha.
Neste e em tantos outros exemplos em nossos paises,
o grande dilema, a tragedia insuperavel, esta na
impunidade: a sensacao, e a realidade, da falta de castigo
para os crimes, para os abusos,
para os horrores. Os casos aqui
apresentados nos afligem, nao
apenas pela morte de honrados e
valentes colegas, mas porque sua
morte continua sem sancao, por
que seus inimigos continuam
impunes. Se o prey° e o risco do
castigo 6 a dnica defesa, se repre-
sentam o fator dissuasivo mais
poderoso, a impunidade constitui
o perigo mais premente, a
ameaca mais avassaladora para a
liberdade de imprensa: contra ela, nada nem ninguem sai
ganhando.
E verdade que a impunidade dos crimes na America
Latina nao se limita aos assassinatos de jornalistas. 0
assalto devastador da con-ucao, as violacoes notorias c
recon-entes dos direitos humanos, a fraude organizada e a
miseria s'ao ataques a dignidade humana que nao difercm
em nada das execuOes a sangue frio dos integrantes do
mal chamado - por sua fraqueza - de quarto poder. Porem,
mais uma vez, a vulnerabilidade delta camada especifica
da socicdade e Obvia e excepcional. Expoe-se mais do que
as outras, mas tern menos meios de se defender. Isso expli-
ca Unbent a constemacao que desperta a violencia exerci-
da contra os homens e mulheres da pena, da maquina de
escrever e, agora, do monitor. Difunde-se sempre um sen-
timento de desigualdade, de luta injusta: a A/lama nao
companivel ao assassino em forca, maldade ou cinismo.
Que licOes nos trazem esses seis mortos que hoje
recordamos c honramos? Que compromisso devemos
assumir corn eles, e corn tantos outros, que tambem
tombaram enquanto buscavam a verdade e a justica? Para
comecar, a memaria: nada justifica o sacrificio, volun-
tario ou nao, das vitimas como a perseverance na luta por
castigar os cul.pados e por conservar a lembranca de sua
tragedia. 0 esquecimento e o pior destino que poderiam
8
ter Guillermo Cano e Carlos Lajud, Hector Felix e Victor
Manuel Oropeza., Jorge Carpio e Irma Flaquer; sua
melhor contribuica) postuma a sobrevivencia de seus
colegas de hoje é a vig,encia de seu heroism°.
Em seguida, devemos sempre reconhecer que a melhor
maneira de evitar novos martfrios e mediante a luta, nao
o silencio. Nada como uma irnprensa submissa ou calada
para encorajar os assassinos dos colegas aqui lembrados:
nada como jornalistas corruptos ou submissos para
fomentar a cultura da impunidade. Chegard o dia em que
a imprensa latino-americana podera levar uma carga mais
de acordo corn sua forca e capacidade; mas este dia ainda
nao chegou nem esta. proximo.
Para concluir, uma palavra sobre o jornalismo de que
tratamos aqui, o dos meios impressos, investigativo e
critico, independente e vigoroso. A modestia e o realism°
nos obrigam a observar que os meios a que nos referimos
stio cada vez os que menos contain em nossas nag-6es.
Todas as tradicOes que recordamos, todas as belas pagi-
nas que evocamos nestas notas,
pertecern aos meios impressos
c, ern parte., a urn mundo que
acaba. Na America Latina,
como em nenhuma outra regido
do mundo, a televisao, (mica e
triunfante, conquistou as mas-
sas. Foram uma presa
desprovidas como estao nestas
terras do habit° ou aprendizado
da leitura do jornal operario do
seculo XIX, da pagina de
opiniao das classes medias
emergentes europeias entre as duas guerras, do ilustre
jornal das cidades anglo-saxes. 0 verdadeiro desafio dos
meios e da liberdade de express-do na America Latina
reside em romper ou abrir os monopolios televisivos, Citi-
mos e renovados bastiOes da censura, do oficialismo e da
manipulacao na America Iberica. Do jeito que vamos,
corremos o risco de ver cerceadas as virtudes que aqui
exaltamos, reduzidas a se manifestarem em pequenos
espayos sem leitores, sem recursos, sem conseqtiencia.
Esta 6 a proxima batalha, que todos desejamos possa
ocorrer e ser ganha sem martires, mas nao sem combates
nem valor. Se nao a enfrentarmos, perderemos o que
ganhamos, e condenaremos a indiferenca ou ao esqueci-
mento os colegas cujas mortes a .Sociedade Interamericana
de Imprensa resgatou, para orgulho de seus familiares e
amigos, e em honra do jornalismo da America Latina.
Jorge Castaneda nasceu e cresceu na Cidade do
Mexico. Recebeu seu diploma de mestrado pela
Universidade Princeton e de doutorado pela
Universidade de Paris. E professor de economia e
asuntos internacionais na Universidade Nacional
Autonoma do Mexico desde 1978, e escreve uma
coluna amplamente sindicada. Seus livros mais
recentes sao: 0 Choque Mexicano: seu Significado
para os EUA; The Estados Unidos Affair e A Vida
em Vermelho: Uma Biografia de "Che" Guevara.
. . . devemos sempre
reconhecer que a melhor
maneira de evitar novos
martirios é mediante a
luta, nao o
INDICE
I. INTRODUcii0
Prefacio mensagem de Jorge C. Castaneda 4
Mensagem de diretor-geral David Lawrence Jr. 10
Mensagem de diretor do projecto, Ricardo Trotti 16
II. COLOMBIA 18
Guillermo Cano Isaza 20
Carlos Lajud Catalan 34
III. GUATEMALA 44
Jorge Rafael Carpio Nicolle 46
Irma Flaquer Azurdia 58
IV. MEXICO 68
Hector Felix Miranda 70
Victor Manuel Oropeza 80
V. COMPARAPoES 89
Atividade jornalistica das vitimas 90
Descricao dos assassinatos 91
Modus operandi dos assassinos 92
Processo judiciario 93
Irregularidades no processo judiciario 94
VI. RESOLUCOES 95
Reuniao de meio de ano. San Jose, Costa Rica 96
Assembleia Geral, Los Angeles 98
Reuniao de meio de ano, Cidade do Panama, Panama 100
VII. ApoEs 102
Danilo Arbilla 102
Rigoberta Mench0 103
Oscar Arias 104
Relaterio apresentado a Comissao Interamericana
de Direitos Humanos 105
Mexico, Guatemala, Colombia 108
VIII. CONCLUSAO 111
Luis Gabriel Cano 111
IN MEMORIAM Contra capas
9
Crimes Sern Punicao Contra Jornalistas
MENSAGEM DO PRESIDENTE DAVID LAWRENCE JR., 1995-96
O autor foi presidente (1995-1996) da
Sociedade Interamericana de Imprensa é
editor do The Miami Herald
Esta nao e uma estOria que diz respeito a algo distante, mas sim a
algo muito mais proximo de todos nos do que muitos pensam.
Nestes Oltimos sete anos, 160 jornalistas foram assassinados nas
Americas. Mais de 1.000 foram atacados, feridos, ameacados.
Centenas de outros foram intimidados, de formas sutis porem
poderosas.
E verdade que fizemos progressos incriveis neste hemisferio a
caminho da democracia. Atualmente, 34 das 35 nacOes do
hemisferio ocidental — todas, corn excecao de Cuba — possuem urn
regime democratic°. Algumas sao fortes, outras frageis. Todas
correm riscos, porque a democracia esta sempre em risco.
No ano passado, corn fundos de meio milhao de dOlares recebidos
da John S. James L. Knight Foundation, a Sociedade Interamericana
de Impresa realizou urn projeto particularmente vital. Em grande
parte da America Latina e do Caribe, a expressao comum é "crimes
corn impunidade"; nos Estados Unidos, o termo seria "escapar
impune". Sejamos claros: estamos falando do assassinato de
jornalistas no exercicio de suas obrigacOes e da falta de punicao
para os responsaveis.
10
Introduc5o
Focalizamos seis casos em tres paises — ColOmbia, Guatemala e
Mexico — e nosso trabalho ja surtiu efeito. Tivernos reuniaes corn
importantes representantes politicos em cada um dos paises, que
prometeram, todos eles, investigar os casos de forma mais vigorosa.
Alem disso, gragas ao destaque dado pela Imprensa internacional, os
governos da regiao estao mais atentos ao fato de que o mundo fica
realmente alarrnado quando jornalistas sao assassinados.
Sera realizada uma conferencia hemisferica na Cidade da Guatemala,
no final de julho dente ano, Para ilustrar as constatagoes desse pro-
jeto. Nessa oportunidade, estarao reunidos intelectuais, juristas,
defensores dos direitos humanos e jornalistas de todas as Americas,
discutindo formas de minorar o problema. A conferencia unira os
defensores da liberdade de imprensa de todo o mundo, ja que o
problema nao se refere apenas ao Mexico, Guatemala ou ColOmbia,
sendo, na verdade, urn problema de toda a humanidade. Temos a
responsabilidade mutua de agir nessa questa°. Nossa omissao
constituiria um ultraje a democracia.
0 que e apresentado aqui sao os detalhes de seis casos e o ultraje
absoluto de crimes sem punigao, e o que pode ser feito a respeito.
Estas sao as estOrias de seis seres humanos que morreram enquan-
to exerciam sua profissao.
Isto é algo que deve ser considerado importante por todos nos.
David Lawrence Jr.
11
12
Crimes Sem PUIlica0 Contra Jornalistas
Sabemos que o jornalismo e uma das profissoes mais perigosas, e que o assassina-
to de jornalistas nao se restringe a America Latina - acontece em qualquer parte
do mundo. Mas na America Latina existe um fator diferencial: quase 100% dos
casos nao silo solucionados, e os culpados continuam sem punicao. Estes silo
crimes cometidos coin impunidade.
Isto é em parte explicado pelo fato de uma grande porcentagem dos responsaveis
pelos crimes pertencer ao governo on estar diretamente vinculada aos circulos de
poder, gozando, assim, de sua protecao.
— Danilo Arbilla, presidente do Comite de Liberdade de Imprensa e Informacclo.
Trecho de seu discurso no Unesco, Paris, Dia Mundial de Liberdade da Imprensa, 3
de maio de 1996.
Introducao
.
As cruxes marcam o local onde Jorge Carpio
e tres acompanhantes foram assassinados.
13
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
O assassinato de jornalistas se tornou tao coinum que
e agora parte da cultura popular de nosso povo. Os artistas
mexicanos que fazem artesania incluem este terra em suas obras,
como revela esta imager, de artista desconhecido, que presta home-
nagem a varios jornalistas assassinados.
,01511NW
Carlos Victor Irma Gallen)
Buendia Lejud Manuel Callao
Catalan Oropeza Azurdia !saw,
14
Introducao
JORNALISTAS ASSASSINATOS NAS AMERICAS
Actor Jorge
Ao" arpio uis P 01)
tel Nicolle Rojas Zea
15
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
MENSAGEM DO DIRETOR DO PROJETO RICARDO TROTTI
EM .1995, A SOCIEDADE INTERAMERICANA DE IMPRENSA INICIOU UM• projeto de
investigac-ao e analise das circunstancias por detras de assassinatos nao solu-
cionados de. jornalistas em Vas paises da America Latina - Mexico, ColOmbia e •
.GUaternala - como exemplos de um•problema maior.
0.projeto, intitulado Crimes sem Punicao Contra Jornalistas, foi realizado corn o
apoio da John S. and James L. Knight Foundation, e foi liderado pelo presidente da
SIP. David Lawrence Jr.. editor do The Miami Herald.
Ficou claro que o exit° dessa missao nao seria facil. Porem, para a SIP seu obje-
tivo maior e prOduzir urn document° que leve a recomendagOes ou planosde acao
. que ajudem a proteger jornalistas nos tres paises e em qualquer parte.•
• Os resultados da pesquisa realizada durante urn ano estao documentados neste
relatOrio. 0 trabalho foi feito por funcionarios da SIP e urna eqUipe de jornalistas
investigativos que viajaram para as regibes•em quest-ao e.foram auxiliados por
membros do Comite de Liberdade de Imprensa e de Inforrnacao da SIP.
Os seis casos investigados - dois de cada urn dos referidos paises - representam
uma pequena parcela do nUmero total de casos envolvendo o assassinato de
jornalistas. Os casos estudados foram selecionados para mostrar a diversidade•das
circunstancias, modus operandi e motivos dos crimes (con.spiracao politica,
atividade militar e/ou de guerrilha, narcotrafico, e corrupgao publica ou privada),
assim como a formag.ao e as_atividades profissionais doS jornalistas..
Os investigadores descobriram muitas irregularidades que impediram que os
culpadosfossenn levados a justica: entre estas encobrimentos. suborno e cor-
rupcao do jOri. Registrou-se, tarnbem, detectados violencia contra testemunhas,
juizes, promotores publicos e parentes das vitimas:
Este document° final sera a .base da Conferencia Hemisferica da qual
participaracypor urn prestigiado grupo. de intelectuais, juizes. advogados, ativistas
de direitos humanos, editores Ejornalistas representantes das Americas para
condenar a impunidade que cerca os crimes contra jornalistas.
A conferencia, que tera o,forrnato•de urn tribunal, corn juizes, testemunhas e
prornotor publico, tera Vas objetivos: a) Declaracao de Condenacao ao assassinato
:de jornalistaS„ estabelecendo',a•magnitude do delito e seus agravantes;
b) Recomendacoes a governos para que'a perseguicao a esse tipo de crime e sua
impunidade seja mais eficaz; c) Plano de AO° Institucional a ser elaborado pela
SIP e associacees..afins para acompanhar casos de assassinatos de jornalistas em
todo o mundo.
— Ricardo Trotti, Diretor do Projeto
16
Reuniao introdutoria entre o pessoal da SIP e os investigadores antes de iniciar o trabaiho de campo.
Participaram da reuniao, em dezembro de 1995 nas instalacoes do The Miami Herald e El Nuevo Herald em
Miami, o entao presidente da Fundacao Knight, Lee Hills, e o diretor Creed Black.
Uma mesa-redonda com-
posta por membros da
SIP, convidados especi-
ais e investigadores da
SIP apresentou um
relatorio preliminar
sobre as descobertas
nos casos de jornalistas
assassinados em varios
paises, na 52a
Assembleia Geral, em
outubro de 1996, em
Los Angeles. Acima, da
esquerda para a direita,
Ricardo Trotti, diretor
do projeto, e Ana Arana,
June Erlick e Norman
Navarro, jornalistas que
realizaram parte das
investigacoes. Abaixo,
Luis Gabriel Cano, presi-
dente da SIP para 1996-
97; David Lawrence,
presidente da SIP em
1995-96; e o escritor
mexicano Jorge C.
Castarieda.
17
Parte II
Assassinatos de jornalistas na
Colombia
I NTRODUPAO
D
urante os altimos vinte anos, a Colombia se
tornou um dos paises mais perigosos para
jornalistas no hemisferio ocidental. Mais de 100
jornalistas foram mortos. Mais de 95% destes
assassinatos ainda nao foram solucionados.
A maioria dos colombianos, e ate mesmo muitos jor-
nalistas, tem dado pouca atencao ao fato, exceto quando
se trata de assassinatos de
mais destaque. Os assassi-
natos de jornalistas se mis-
turaram ao turbilh5o de vio-
lencia generalizada da
Colombia que, em 1995,
deixou 39.000 pessoas mor-
tas.
A impunidade na maioria
dos crimes (ou seja, a falta
de investigaciio e punie5o)
criou novas vitimas. Varios
jornalistas s5o mortos todos
os anos. Maria Claudia
Pulido, chefe de uma seciio
para direitos humanos do
departamento da procurado-
ria geral, declarou que "a
violencia se alimenta de si
mesina, e crimes n5o solu-
cionados criam mais violen-
cia".
Tudo isso tern criado urn
efeito repressor na liberdade
Regioes inteiras tern se tornado buracos negros de noti-
cias. Poucos jornalistas se aventuram a fazer reportagens
18 nessas areas. A impunidade tem tambem gerado autocen-
sura, especialmente entre os jornalistas provincianos, que
tern sofrido mais nas mhos dos traficantes de drogas,
gangues paramilitares, grupos de guerrilha e politicos
corruptos. Em muitos departamentos colombianos os jor-
nalistas "espertos" s5o os que evitam questoes controver-
sas ao inves de correrem riscos.
Para esta investigacao sobre impunidade, a SIP sele-
cionou dois casos que ilustram os perigos enfrentados
pela midia colombiana. Urn
deles é a contratacao de urn
pistoleiro para assassinar
Guillermo Cano Isaza, edi-
tor do El Espectador; que foi
morto a mando do falecido
Pablo Escobar Gaviria, pes:
soa-chave do comercio de
drogas. 0 assassinato de
Cano foi urn dos mais
revoltantes crimes na
Colombia nos nitimos vinte
anos. Foi urn prelndio de
uma onda de violencia
desencadeada contra o pais
por Escobar e por outros
traficantes de drogas, que
procuraram silenciar
qualquer imprensa critica.
0 segundo caso foi o
assassinato, em 1993, de
Carlos Lajud Catalan,
comentarista de radio que
foi morto enquanto lutava contra a corrupcao local na
cidade costeira de Barranquilla. Seu caso nab possui a
magnitude do caso de Cano, mas é mais representativo do
tipo de violencia enfrentada pelos jornalistas nos depar-
de imprensa da Colombia.
0 assassinato de Cano foi um
dos mais revoltantes crimes
na Colombia nos tiltimos
vinte anos. Foi um preltidio
de uma onda de violencia
desencadeada contra o pais
por Escobar e por outros
traficantes de drogas que
procuraram silenciar
qualquer imprensa critica.
Bogota 0
Peru
Bogota
Guillermo Cano Isaza
Assassinado,
17 de dezembro de 1986
EXPECTATIVA DE VIDA:
69 anos
ANALFABETISMO:
18,3 %
PRESIDENTE:
Ernesto Samper Pizano
PPP..0f10;::
'abffieb..
Equador
19
Colombia
tamentos da Colombia. Lajud usava seu programa
matinal para criticar a corrupcao do governo, para
ironizar os principais funcionarios do governo, e para
manter os moradores de Barranquilla informados sobre a
corrupcAo.
Quando foi morto, em 1993, estava em vias de
revelar informacoes escandalosas envolvendo negocios
escusos que dariam milhoes a funcionarios locals. Ao
inves de continuar o trabalho de Lajud contra a
corrupcao, seus colegas se mantiveram quietos, e muitos
ate chegaram a conclusao de que seu estilo de reportagem
tempestuoso havia contribuldo para seu assassinato.
Desde o assassinato de Lajud, poucos reporteres nessa
cidade adotaram a reportagem critica. Matando Lajud,
seus assassinos finalmente tiveram sucesso em seus
esforcos para calar as oozes independentes.
A impunidade cria um efeito de onda traicoeiro nos
familiares, amigos e colegas da vitima. Na maioria das
vezes, os mesmos assassinos ameayam qualquer urn que
queira investigar o assassinato ou forcar sua solucao. No
assassinato de Cano, virias pessoas envolvidas na
investigacao foram assassinadas, e outras assediadas.
Na investigacao do caso Lajud, a famflia e os amigos
tiveram medo de dar seguimento ao caso.
A 0 200
N Milhas
MAPA
DA'
AREA
ar do„Ca'ribe. menca do,Sul
Barranquilla
Carlos Lajud Catalan
Assassinado,
19 de abril de 1993 Barramqvilla
Colombi
Venezuela
• Medellin
ma
CAPITAL:
Santafe de Bogota
SUPERFICIE:
1.138.914 km2
IDIOMA OFICIAL:
Espanhol
POPULAOAO:
35.886.280
DENSIDADE DE POPULACAO:
29,3 hab./km2
POPULAOAO URBANA:
73%
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
DADOS PESSOAIS: GUILLERMO CANO ISAZA
Assassinato
Guillermo Cano Isaza
(12 de agosto de 1925 — 17 de dezembro de 1986)
"Existem fenomenos que
levam ao desanimo e
desesperanca, mas eu nao
hesito em afirmar que os
colombianos sao capazes
de avancar em direcao a
uma sociedade mais igua-
Maria, mais justa, mais
honesta e mais prospera."
— Guillermo Cano Isaza
em sua coluna Livro de
Apontamentos, publicada
20
no jornal El Espectador
Local de nascimento:
Bogota
Idade ao falecer:
61 anos
Estado civil:
Casado em 1953 corn Ana Maria
Busquets
Filhos: (nomes e idades na
data do falecimento do pai)
Juan Guillermo, 32; Fernando, 30;
Ana Maria, 26; Maria Jose, 23, e
Camillo, 20.
Formacao:
Completou o segundo grau no
Gimnasio Moderno de Bogota
Profissao/cargo:
Jornalista. Diretor do El
Espectador
Experiencia jornalistica:
Aos 17 anos, em 1942, comecou a
escrever sobre touradas no El
Espectador Nesta mesma epoca, tra-
balhou como redator de diversos
temas na seciio "Dia a Dia" do
mesmo jornal. Em 1950, lancou a
revista cultural do El Espectador,
chamada "Magazin Dominica!". Foi
correspondente do jornal na Europa
por varios anos. Assumiu a direcao
do El Espectador em 1952.
Anos de exercicio do jornalismo:
44 anos
Premiaciies:
Premio Nacional de Jornalismo,
cm 1986. Recebeu postumamente,
em 1987, a Medalha "Rodrigo Lara
Bonilla", o premio Maria Moors
Cabot e o International Press
Service, das NacOes Unidas. Em
1988, recebeu o prernio Postobon e a
Medalha da Cruz Vermelha
Internacional.
Foram batizados corn seu nome:
uma represa no departamento de
Antioquia, duas escolas (uma em
Bogota e uma em Medellin), e urn
complexo desportivo.
Outras atividades:
Foi socio do Jockey Club de
Bogota e do Clube de los Lagartos.
Hobbies:
Tinha grande paixdo por literatu-
ra. Quando morreu, sua biblioteca
continha cerca de 5.000 livros, espe-
cialmente de temas historicos como
Guerra Civil Espanhola e a Segunda
Guerra Mundial, assim como
romances e livros de arte. Era
aficcionado por futebol, touradas,
equitacan, c jogava tenis. Destacou-
se coino cronista desses assuntos,
e muitos de seus trabalhos receberam
premios e foram publicados em
livros.
ColOmbia • Guillermo Cano Isaza
CONDIPOES NA
COLOMBIA NA EPOCA DO
ASSASSINATO
PRESIDENTE DA COLOMBIA:
Virgilio Barco Vargas
PARTIDO NO GOVERNO:
Partido Liberal
siTuAcAo POLITICA NO
PAIS OU REGIAO:
Os traficantes de drogas
foram os mandantes,
nessa epoca, do assassi-
nato de mais de 50 juizes,
urn ministro da Justica,
urn juiz do Supremo
Tribunal e o chefe da
Policia Antinarcaticos.
Todas as vitimas tinham
relagao corn as decisoes
legais contra o Cartel de
Medellin, e eram a favor
do pacto de extradigao
corn os Estados Unidos.
Doffs meses depois do
assassinato, o traficante
Carlos Ledher foi extradita-
do para os Estados
Unidos.
Nessa epoca, a Colombia
se recuperava da
catastrofe do vulcao
Nevado de Ruiz, cuja
erupcao causou mais de
25.000 mortes em 1985,
no period() em que o pais
estava tambem se
preparando para a visita
do Papa Joao Paulo II, em
julho de 1986.
Como resultado da crise
que afetou o pais, o gover-
no colombiano suspendeu
o pagamento de sua divida
externa.
A caravana funeraria de Guillermo Cano Ora diante do jornal El
Espectador para urn ultimo adeus.
21
Crimes Sem Punicr5o Contra Jornalistas
FICHA DO CASO: GUILLERMO CANO ISAZA
DATA DO ASSASSINATO:
17 de dezembro de 1986
LOCAL E CIRCUNSTANCIAS
Dois assassinos contratados
esperararam por Cano enquanto ele
fazia um retorno na Avenida del
Espectador, cm Bogota, pouco
depois das 19 horas. Urn deles apro-
ximou-se rapidamente da perua da
familia dirigida por Cano e atirou
oito vezes contra seu peito corn uma
metralhadora. Movendo-se por entre
o trafico pesado de vesperas de
Natal, os assassinos escaparam em
uma motocicleta, cuja placa foi iden-
tificada como FAX 84.
POSSIVEIS MOTIVOS
0 chefe do Cartel de Medellin,
Pablo Escobar, considerava o El
Espectador e Guillermo Cano seus
principals inimigos, devido as cons-
tantes dentincias contra o narcotrafi-
co e a posiyao favoravel do jornal em
relacao a extradicao de traficantes de
22
drogas para os Estados Unidos.
SUSPEITOS
Em outubro de 1995, nove anos
apds o assassinato, Maria Ofelia
Saldarriaga, Pablo Enrique Zamora,
Carlos Martinez Hernandez e Luis
Carlos Molina Yepes foram conside-
rados culpados de conspiracao no
assassinato e foram condenados a 16
anos e 8 meses de prisao. Entretanto,
em outra sentenca de 30 de julho de
1996, o Supremo Tribunal de Bogota
revogou aquela sentenca, absolven-
do-os de acusaceles em crimes corn
excecao de Molina Yepes, que con-
tinua sendo o dnico condenado e
tambem fugitivo. Anteriormente, as
autoridades haviam considerado
como mentores do crime: Pablo
Escobar Gaviria, Evaristo Porras,
Gonzalo Rodriguez Gacha e Luis
Carlos Molina Yepes, que foi o dnico
condenado e recem capturado em 18
de fevereiro de 1997.
CONSEQUENCIAS VIOLENTAS
Varios juizes e funcionarios do
Poder Judiciario foram subornados.
Um juiz, o pai de uma jufza e o advo-
gado da familia Cano foram assassi-
nados. Outro juiz, quatro jornalistas,
e dois filhos de Guillermo Cano
tiveram que abandonar o pais depois
de repetidas ameacas de morte. A
entrega do jornal em Medellin foi
continuamente sabotada. 0 gerente-
geral e o chefe de distribuicao desse
escrit6rio foram assassinados. Uma
bomba destruiu grande parte da sede
central do El Espectador Criminosos
incendiaram a casa de veraneio da
familia Cano, prOxima a cidade de
Cartagena. Foi tambem assassinado
o principal suspeito que atirou contra
Guillermo Cano e outros integrantes
da gangue Los Priscos, contratada
pelo Cartel de Medellin para corneter
o crime.
IRREGULARIDADES DO
PROCESSO LEGAL
Juizes destituidos por suborn() e
negligencia deliberada durante o
processo preliminar nao foram inves-
tigados. Juizes, funcionarios judiciais
1925 • DON GUILLERMO CANO 1SAZ4 • 1986
EL ESPECTAD
EL ESPECTADOR nabaiora
an teen ce la pan can criledo liberal
y en bier de los {choicer liberates
con Olen° patty:Cm°
FIDEL CANO
ColOmbia • Guillermo Cano Isaza
ASESINADO EL
DIRECTOR DE
EL ESPECTADOREl director de El Espectador. Guillermo Cane Inns. fue
asesirtado anoche par dos sicarios al astir de las instalaciones de
este diaries despues de su jornada habitual de trabajo. El crimen
cause consternation y una inmerisa oleada protestas, asi come
inmediatas medidas pot parte del gobierno pare reprimir is areIdll
de los violent°s.
Cuando se dirigta a su residencia del nurse de Bogota. Don
Guillermo Cana remold tines impactos de alma de fuixo, dis-
parados per un individuo que junto con orro la esperaha terra a la
entrada principal del periMico.
klitainete y quince de lanoche se produjo of crimen, cuando dun
Cuillermd Cano, al Laurin de su veniculo, redujo la velocidad pare
girar,hleia el norte, en el cram de In rarrera 68 con calle 22. Fue
atacadu sorpresivamente por an hombre que Ic estaba esoerando
en el extreme del separator central de la conges:ionada via y
quien dispard sistesivamoute sobre la ventanilla isquierda del
automotor,
REit„."010 NACIONAL.— Los expresidentes de la Re -Mica, Ins
directives politicos de tkdos los seetores y tendencies, la ,crises
!a on altos niandos militates, les gremios, los sin leiltos,
lideres de distintas actividades y coronas de las mss diversas
aerividades nacimales, se pronunciaron eon estupor pant re.
pudiar rl atentado y sedalar que el va dirigido fundamentalmdme
contra la prensa lihre, para tratar de acallarta e impedir que
continue sus implacables denuncias contra el riarcotrafieo.
DECRETO DE HONORES.• Al enterarse de la infausta notieia,
el presidents Virgilin Ramo tenure un Consejo de Ministros que
sesiona hauls las horas de la madrugaila, al termino del coal fue
expetlidu un decreto de honores. El ministrn do Gobierno,
Fernando Cepeda Ullrw, ley6 per Radio Nacional tma declara6On
para condenar el vie asesinato.
EL S'EPEL10.— El cadaver de don Guillermo Cano perms-
necid en la Caja Nacional de PrevisiOn 'oasts despues de que
sracticaron las diligencias le ales y en la madrugada fue bras.
adado a las instalaciones de El Espectador pars su velacion Cr. ta
sate principal. Er este inismc loger se sfectuaran hay las axe.,
gums, a las once de la manna, y posteriormente recibira sc.
pultura en los Jardines del Recuerdo. El peesidente y sus mi.
nistrus cc haran preserses en los funerales.
(Ptl,qinas 9-A, 10-A, II-A, 12-A, I3-A, le-A, I y 2 Smci437,
Bogoti
Bogota, Neves 18 de diciembre de 1986
7B PAGINAS 3 CUADERNILLOS - 1 RE015TA ANO %CI% 20.247 secoo '''''en«....”fr=":"'" 555 "
AFAtO"
Dlt.151A
1IP 11 01 0 el 1 1 •
Acima, manchetes do jornal El Espectador de 18 de dezembro de 1986, nas quais se noticia o assassinato
de Guillermo Cano. Abaixo, a esquerda, veiculo no qual Cano foi assassinado. A direita, Cano em seu
escritorio.
e membros do jiiri foram ameacados.
Vtirios anos se passaram e o caso
passou por diversos tribunais. Novas
pistas nae foram investigadas. Luis
Carlos Molina Yepes, urn dos men-
tores do crime, e condenado, escapou
depots de a policia permitir que
saisse da pristio para comprar cigar-
ros. 0 Cartel de Medellin se infiltrou
no Poder Judiciario, comprando
juizes e apoderando-se de infor-
macao essencial para sua defesa.
23
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
INVESTIGACAO: GUILLERMO CANO ISAZA
O assassinato de
Guillermo Cano Isaza
Por Ana Arana
24
RESUMO
0
assassinato de Guillermo Cano Isaza, editor do
jornal El Espectador, da Colombia, por trafi-
cantes de droeas, em 1986, sacudiu as bases da
sociedade colombiana. Os reis da droga ja haviam assas-
sinado o ministro da Justica, o presidente do Supremo
Tribunal e o chefe da policia nacional, mas o assassinato
de um editor de urn jornal nacional, em urn pais no qual
editores de jornal freqiientemente tern o mesmo peso que
ex-presidentes, quebrou todas as regras.
Pablo Escobar Gaviria e o Cartel de Medellin viam o
El Espectador como seu inimigo flamer() 1. Cano havia
assumido uma posicdo forte contra as drogas e era urn
firme defensor da extradicdo dos traficantes
colombianos. Sentia que as instituicoes
colombianas nao eram fortes o suficiente
para julgar e condenar poderosos reis das
drogas.
Escobar e seus ctimplices davam festas
comemorando sua vitaria em Medellin, base
do cartel, e em Leticia, uma cidade na fron-
teira entre Equador e ColOmbia. Leticia era
urn importante ponto de passagem para a
pasta de coca do Peru e da Bolivia.
A investigacdo do assassinato demorou nove anos. 0
grupo de advogados de Escobar conseguiu que o caso nao
fosse transferido para um sistema judiciario especial
"sem rosto". Essa manobra legal permitiu que Escobar
tivesse acesso as identidades dos juizes. Alguns deles
foram forcados a aceitar suborn° e outros foram mortos
ap6s rejeitarem suborno. Urn juiz exilou-se; uma juiza
teve o pai assassinado ap6s ignorar avisos para que aban-
donasse a investigacdo, e ma terceira pessoa, urn juiz do
Supremo Tribunal de Bogota, foi assassinada momentos
ap6s assinar um mandado de prisdo contra Escobar.
Para o jornal, o assassinato foi apenas o inicio de uma
campanha desleal feita por Escobar e seus homens. Como
o jornal continuava suas reportagens provocadoras e inci-
sivas sobre os traficantes de drogas, as ameacas de tnorte
contra seus reparteres e editores continuavam. Os dois
filhos de Cano, Juan Guillermo e Fernando, que dividiam
os altos cargos editoriais do jornal, receberam varias
ameacas de morte e deixaram o pais por longos periodos
durante os tr8s anos que se seguiram ao assassinato.
Quatro outros reporteres tambem foram forcados a deixar
o pais, ap6s receberem ameacas de morte. A distribuicao
de jornais em Medellin e em outras areas foi sabotada. E
o escriterio de Medellin foi fechado ap6s o diretor de cir-
culacao e o gerente do escritorio serem assassinados.
Entre 1989 e 1990, o jornal foi entregue em Medellin
corn o use de escolta militar. A circulacdo na cidade caiu
quando os distribuidores foram avisados por homens de
Escobar para que nao entregassem 0 jornal. Os
piores golpes vieram em 1989, quando Hector
Giraldo Galvez, o advogado da familia Cano
que estava investigando o assassinato, foi
assassinado friamente. Nesse mesmo ano,
Escobar deu o que pensou ser o Ultimo golpe
contra o jornal: homhardeou suas instalacoes.
Os procedimentos judiciais, que comecaram
em 1991, foram finalmente concluidos em urn
tribunal comum em 22 de agosto de 1995.
Quatro pessoas foram condenadas de homici-
dio qualificado. Tres tiveram sentencas de prisdo. 0 quar-
to crimplice acusado, Luis Carlos Molina Yepes, um
obscuro comerciante e ex-confidente de Escobar que lida-
va corn a conta bancaria usada para pagar os assassinos de
Cano, permaneceu foragido ate ser preso, em 18 de
fevereiro de 1997. Dois traficantes de drogas que foram os
principais mentores, Gonzalo Rodriguez Gacha e Escobar,
foram abatidos em 1989 e 1993, respectivamente. Outros,
como Evaristo Porras, estdo cumprindo pena na prisdo por
enriquecimento ilegal.
A defesa recorreu a decisdo tomada pela corte em
1995. E em 30 de julho de 1996, em uma decisdo ines-
perada, o Supremo Tribunal de Bogota revogou as sen-
tencas e dcclarou que os tres acusados cram inocentes. A
corte confirmou a sentenca contra Molina Yepes.
Colombia • Guillermo Cano Isaza
O CRIME
0 assassinato de Guillermo Cano ocorreu quando a ira
de Escobar contra o jornal colombiano estava prestes a
explodir. Em 1986, o "Cheftio", como Cano o chamava
ironicamente em suas colunas, havia acumulado uma for-
tuna e se tornado um dos mais poderosos traficantes de
drogas do mundo. Seu Cartel de Medellin era reponsavel
por 70% de toda a cocaina importada pelos Estados
Unidos e Europa; seus ganhos eram assombrosos. Havia
criado uma especie de culto em Medellin, onde construira
casas e campos de futebol para Os pobres. Mas seu reina-
do foi ameacado pelo tratado de extradicao entre
Colombia e Estados Unidos.
Escobar achava que a opiniao publica era uma ferra-
menta importante para acabar corn o tratado. Assim, gas-
tou imensas quantias para apresentar o tratado como uma
violacao da soberania nacional da Colombia. Conforme o
cartel continuava sua campanha para eliminar o tratado
de extradicao, Cano golpeava de volta, atacando a
posicao dos traficantes. Semana apps semana, suas colu-
nas criticavam aqueles que queriatn
anular o tratado. Seus pontos de vista
tinham o apoio de artigos escritos
pelos reporteres investigativos do El
Espectador, mostrando o quanta o sis-
tema judiciario na Colombia era vul-
neravel para ser pressionado pelos
traficantes.
Alguns colegas achavam que Cano
estava ohcecado corn o eomercio de
drogas. Mas olhando para tras seus
reporteres e outros jornalistas agora
concordam que ele era um "profeta" e
que via o inicio de urn invasivo corner-
cio de drogas e o perigo que represen-
tava para a democracia colombiana.
"Ele tinha urn incrivel sentido para o
que e noticia", disse Luis de Castro, o
editor de assuntos legais de El
Espectador, que trabalhou corn Cano durante varios
anos. Os repOrteres ainda se lembram das piadas e da
rnemaria fotogrtifica quc o caracterizavam.
LUIS GABRIEL CANO, o irmao mais velho de
Guillermo que assumiu a direcao do jornal apps sua
morte, diz que o irrnao nunca falou nada sabre as
ameacas. "Guillermo continuava sua luta contra os trafi-
cantes a qualquer custo", disse.
Os cahelos brancos de Luis Gabriel e seu jeito calmo
lembram os funciandrios do jornal seu chefe assassinado.
"Guillermo sentia que nao podiamos dete-los, que as
gangues de drogas iriam quercr governar, e e o que esta-
mos enfrentando agora", disse, em seu espacoso
escritario. Este, semi-destruido no bombardeio de 1989,
reflete muito da historia do jornal, que teve sua primeira
edicao em 1887.
Cano iniciou sua guerra contra as gangues no inicio da
decada de 80. Seu prirneiro golpe jornalistico contra
Escobar foi uma estaria publicada em 1983, que
descrevia a prisdo do rei das drogas devido a sua relayao
corn o terra. Na epoca um desconhecido ladrao de carros,
Escobar foi preso em 1976 por esconder cocaina nos
pneus de urn carro roubado. Esse incidente é lembrado
afetuosamente pelo pessoal do jornal coma uma ilus-
tracao da esperteza e do instinto jornalistico de seu ex-
patrao. Cano lemhrou-se do rosto de Escobar quando viu
a rei das drogas em cerimOnia de posse no Congresso. "Ja
vi esse rosto antes", disse a um de seus editores.
Pesquisou pessoalmente na biblioteca do jornal ate achar
a foto. E republicou a estaria e a foto na primeira pagina
do El Espectador. Isso acabou com a ambicao de Escobar
de entrar no Congresso e transformou Cano em urn de
seus piores inimigos.
Em 1986, o El Espectador assumia a lideranca, na
miclia colombiana, nos ataques contra os cartels de dro-
gas. 0 papel do jornal era dissecar, expor, e investigar o
trafico de drogas e seus tentaculos na sociedade colom-
biana. Cano, com 61 anos, atacava
violentamente os reis das drogas no
editorial e nas novas paginas de sua
coluna chamada "Libreta de Apuntes"
(ou Apontamentos). Ganhou o Premio
Nacional de Jornalismo na ColOmbia
em 1986 por suas colunas contra a tra-
fico de drogas e em favor do tratado de
extradiyao. Em 16 de dezembro de
1986, foi entrevistado por urn fun-
cionario do CIrculo de jornalistas de
Bogota sabre os perigos do jornalis-
mo. "0 problema corn nosso negocio
é que a pessoa nunca sabe a noite em
que nao ira voltar para casa", disse.
No dia seguinte na quarta-feira, dia
17 de dezembro de 1986, Cano foi
assassinado.
Naquele dia, Cano deixou o jornal
logo apps as sete da noite. Entrou ern sua perua Subaru
vermelha, que estava no estacionamento do jornal.
Quando pegava a Avenida del Espectador, uma estrada
principal em frente aos escritorios do jornal, o transit° de
vesperas de Natal estava insuportavel. `Onibus liberavam
fumacas de diesel e colavam-se aos para-choques dos
carros. Cano tomou a avenida no sentido sul, e passou
para a pista da esquerda, de onde iria dobrar para a outra
pista, no sentido forte. Quando desacelerava o ean-o para
dobrar, urn dos dois rapazes esperando em uma motoci-
cleta ilegalmente parada no meio da estrada, aproximou-
se a pe do Subaru. Ao aproximar-se, o rapaz abriu urn
estojo preto, retirando uma pequena arma, uma MAC-10,
como a policia determinaria mais tarde. Era a arma
favorita do Cartel de Medellin. Rapidamente alvejou
Cano corn oito tiros no peito. Tentando escapar, Cano,
mortalmente ferido, apertou o acelerador, lancando o
carro no meio do transit°, em direcao a urn poste contra 25
Os traficantes
tambem mataram
varios reporteres
provincianos por
terem escrito
estorias sobre
operackies corn
drogas.
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
o qual o carro se chocou. Testernunhas disseram que os
bandidos escaparam em uma moto corn uma placa bem
nitida: FAX 84.
Ninguem duvidou que a morte de Cano tinha sido
ordenada pelos traficantes de drogas. A lista de mortos ja
era longa: mais de 50 juizes, o ministro da Justica,
Rodrigo Lara Bonilla, o juiz do Supremo Tribunal,
Hernando Baqucro Borda e o chefe da polfcia de
Narcotrafico, Jaime Ramirez Gomez. Todas essas vitimas
tinham sido funcionarios do govern() que tomavam
decisoes judiciais importantes contra o Cartel de
Medellin ou casos legais de extradicao.
Os traficantes tambem mataram varios reporteres
provincianos por terem escrito estorias sobre operacoes
com drogas. Mas o assassinato de Cano abriu uma ferida
muito major na democracia colombiana. Seu assassinato
foi uma mensagem aterradora para a sociedade da
Colombia: "ataque-nos, e iremos retaliar". Este scria o
preltidio de assassinatos de tres
candidatos a presidencia, e de outros
jornalistas que foram alvo do Cartel de
Medellin.
No dia seguinte ao assassinato, uma
procissiio funeraria liderada pelo
presidente Virgilio Barco e formada
por milhares de colombianos
chorosos, acompanhou o corpo de
Cano ao cemiterio Jardines del
Recuerdo, nas proxirnidades de
Bogota. 0 Circulo de Jornalistas de
Bogota pedi u aos meios de
comunicacao para nao informar nesse
dia, configurando a primeira vez que
uma greve de jornais foi feita em
mem6ria de urn jornalista assassinado.
Sua morte estaria na primeira pagina
de todos os jornais colombianos diari-
amente, assim como em jornais estrangeiros.
Respondendo ao assassinato, o presidente Barco
declarou "estado de sftio". Tarnbern introduziu uma lei
que exigia permiss5o especial para donos de motos e
proibfa a venda de motos possantes. Foi uma aceitacao
implicita de que as motos haviam se tornado uma ferra-
menta mortal usada por traficantes de drogas para assas-
sinar colombianos.
Enquanto a maioria da Colombia ainda estava de luto,
Medellin, o centro nao-oficial do cartel, estava eufOrico
corn o assassinato de Cano. A policia relatou comemo-
racOes nas comunas, ou bairros pobres, onde os pis-
toleiros do cartel moravam. Os chefOes tambem estavam
de born-humor. 1nformantes diriam mais tarde a policia
que a reuni5o, na casa de Escobar no luxoso predio El
Monaco, era para celebrar o assassinato de Cano e teve a
presenca de membros do alto escal5o do Cartel de
Medellin. Outra festa foi dada em Leticia, uma cidade de
fronteira a cerca de 700 km ao sul de Bogota, onde
26 Evaristo Ponds e seus comparsas tambour) estavam em
clima de festa. Porras dominava o principal porto de
entrada para contraband() de drogas do Peru e da Bolivia.
Ap6s o assassinato de Cano e de outros incidentes vio-
lentos em 1986, os colombianos pareciam querer csque-
cer que havia urn crescente comercio de drogas. Assim,
1987 e 1988 foram anos dificies para o El Espectador,
que continuou sendo o lider no confronto corn os traii-
cantes. A unidade investigativa do jornal continuou ativa,
mas ameacas de morte a seus funcionarios se multipli-
cavam. Nos tres anos que se seguiram a morte de Cano,
quatro repOrteres foram forcados ao exilio. Os amincios
diminuiram, visto que os traficantes amedrontavam as
companhias quanto a colocacao de publicidade no jornal.
A campanha de desestabilizacao culminou com o
bombardeio dos escritarios do jornal, em 1989. Os 130
quilos de dinamite explodiram bem cedo na manila do
sabado, dia 3 de setembro de 1989. Era pouco mais de
seis e meia da manila e a explos5o ocorreu antes que os
funcionarios chegassem, destruindo o
telhado do predio, a entrada principal
e afetando gravemente a producao do
jornal. A bomba tinha sido escondida
em urn caminhao estacionado em
frente da entrada principal do jornal
minutos antes de explodir. Nesse
mesmo dia, seis homens armados
invadiram uma ilha particular, na area
de Rosario de Cartagena, e
incendiaram a resid'encia de verao da
fatnilia Cano.
A INVESTIGAPAO
A guerra iniciada pelo Cartel de
Medellin e Escobar contra a Colombia
pairava sobre a investigacao do
assassinato de Cano. Os investigadores
eventualmente descobriram que o
crime tinha sido ordenado por Escobar, Evaristo Porras, o
rei das drogas que dominava Leticia, e Rodriguez Gacha,
tambem urn lider no Cartel de Medellin. 0 assassinato foi
executado por Los Priscos, a gangue de assassinos favorita
de Escobar e envolvida em todos os grandes assassinatos e
explosoes ordenados por Escobar entre 1984 e 1990. A
gangue foi dissolvida em 1990.
Os autores materiais eventualmente acusados pelo
assassinato foram Maria Ofelia Saldarriaga, m5e do pis-
toleiro; Pablo Enrique Zamora, que dirigia a moto; Castor
Emilio Montoya Peldez, intermediario na contratacao dos
sicarios; Carlos Martinez, quem vendeu a motocicleta;
Raul Mejla e Luis Carlos Molina Yepes. Uma investi-
gacao posterior provou que Raul Mejia era urn homer
que havia falecido e cujo nome havia sido usado
ilegalmente pelos assassinos. Os outros, corn excec5o de
Molina Yepes e Montoya, cumpriram pena em Medellin
e Bogota. Apesar de as autoridades colombianas
afirmarem nao conhecer o paradeiro de Molina Yepes, e
de haver suspeitas de que este tenha subornado
A guerra iniciada
pelo Cartel de
Medellin e
Escobar contra a
Colombia pairava
sobre a investi-
gaga° do assassi-
nato de Cano.
ColOmbia • Guillermo Cano Isaza
funcionarios dentro do sistema judiciario, a policia
finalmente o capturou em 18 de fevereiro de 1997 em urn
restaurante em Bogota.
Montoya nunca foi preso porque as autoridades nao o
encontraram dentro do period() legal.
ESCOBAR EXERCEU GRANDE INFLUENCIA
na investigacao porque Cano foi assassinado dois anos
antes de a Colombia instituir o sistema judieiario "sem
rosto", que protege as identidades dos juizes, teste-
munhas e investigadores judiciais. Quando o governo
tentou transferir a investigacdo Cano para esse sisterna,
Escobar usou sua equipe de advogados caros para mantC.,-
lo no sistema judiciario usual.
Imediatamente apps o assassinato, a investigacdo foi
enviada ao Tribunal de Instrucao Criminal N. 60, onde
urn juiz nao identificado comecou a receber ameacas de
morte quase imediatamente.
Amedrontado, pediu a seus
superiores que transferissem o
caso e o tirassem de sua juris-
dicao. 0 caso foi entao trans-
ferido para o Tribunal N. 71,
onde o juiz Andres Enrique
Montatiez iniciou corajosa-
mente a investigacao.
Enquanto isso, a policia em
Medellin e .Bogota comecou a
receber uma enxurrada de pistas
e de novas direcOes. Seis meses
atlas o assassinato, em junho de
1987, receberam uma pista que
comecou a desvelar o misterio
do assassinato: uma pista para
investigar a casa de Medellin de
Edison Harvey Hill Munoz, urn
bandido identificado como urn
treinador para os pistoleiros do
cartel. Quando a policia chegou a casa de Hill Munoz,
iniciou-se urn tiroteio. Hill Munoz foi assassinado pela
policia. Uma husca levou a policia a moto corn a placa
FAX 84.
Houve rumores, no submundo colombiano, de que a
policia estava chegando perto dos assassinos de Cano.
Conforme a policia chegava mais perto, os lideres da
gangue assassina decidiam tentar apagar algumas
pegadas. A primeira ordem foi matar Alvaro Garcia
Saldarriaga, o pistoleiro de 23 anos de idade, identificado
por testemunhas para a policia.
Alvaro Garcia foi encontrado morto em uma margem
de rio em 25 de maio de 1987. Seu corpo foi reivindica-
do por sua mae, Maria Ofelia, uma mulher de 50 anos e
analfabeta.
Em seis meses o juiz e os investigadores do
Departamento de Seguranca Administrativa (DAS) deter-
minaram que o assassinato de Cano tinha sido parte de
uma conspiracao executada por Escobar e seus capangas.
0 juiz Montafiez emitiu uma ordem de prisao contra
Escobar; Porras; Gilberto Ignacio Rodriguez, urn ex-gov-
ernador da regido Amazonas; sua namorada, Dulcinea
Cormo Galindo, que vivia em Leticia; urn medico chama-
do Hector Villegas, e varios bandidos da gangue Los
Priscos.
Mas imediatamente apes a decisdo, o juiz Montaliez
deckliu tirar ferias prolongadas. 0 caso foi passado tem-
porariamente para o juiz Eduardo Triana.
Dulcinea Cormo, Villegas y Porras foram desvincula-
dos da investigacao por falta de provas. 0 DAS determi-
nou que Luis Eduardo Osorio Guizado, o "La Guagua",
ou rato almiscarado, era o chefe da gangue.
No final de julho a policia prendeu urn suspeito sur-
presa. Maria Ofelia Saldarriaga, a mae do pistoleiro, foi
identificada como cemplice. Seguindo urn palpite, a poli-
cia havia grampeado seu telefone apes saber que ela
havia depositado US$15.000 (ao
cambio oficial em 1986) em sua
conta bancaria. Uma noite ela
ligou para Pablo Enrique
Zamora Rodriguez, o "El Rolo",
e o homem que executara o
assassinato de seu filho. Disse-
lhe para se livrar da motocicleta.
0 cartel continuava sua
furiosa campanha contra o jornal
El Espectador. No dia 12 de
abril de 1987, bandidos explodi-
ram uma estatua de Cano, que
havia sido recentemente erigida
em urn parque de Medellin. Os
homens do cartel avisaram aos
estabelecimentos comerciais de
Medellin que parassem de
distribuir o jornal, ou seriam
atacados.
Os procedimentos legais con-
tinuaram ate agosto de 1987, quando o terror chegou ao
sistema judicierio. Em 1 de agosto a policia envolveu-se
em urn tiroteio surpresa a dois quarteiroes da casa do juiz
encarregado do caso Cano. Jose Roberto Frisco Lopera, o
mais temido membro da gangue Los Priscos, foi morto
no confronto. Em urn ataque subseqiiente da seu quarto
de hotel no centro da cidade, a policia descobriu
granadas, metralhadoras e mapas da area onde o juiz
Triana morava. A campanha de intimidacao foi tambern
dirigida a pessoas que trabalhavam corn o juiz. As
pessoas que ligavam ofereciam a esses funcionarios
US$20.000 por informacao, ou "Voce ire se arrepender".
Em 2 de agosto, o juiz Triana corajosamente emitiu urn
mandado de prisao para Saldarriaga e El Rolo,
estendendo o period° de prisao. Mas em 5 de agosto,
vencido pelas ameacas, partiu para a Europa.
Em 15 de agosto, o caso tinha sido transferido para o
juiz Montatiez, que havia voltado a Colombia. Ele o
rejeitou, argumentando que havia said° de sua jurisdicao, 27
cartel continuava sua
furiosa campanha contra
o jornal El Espectador.
No dia 12 de abril de
1987, bandidos explodi-
ram uma estatua de
Cano, que havia sido
recentemente erigida em
um parque de Medellin.
Crimes Sem Punic5o Contra Jornalistas
e o enviou ao Supremo Tribunal. Sem que as autoridades
soubessem, emissarios do cartel ja haviam subornado o
juiz Montainez, conforme ficaria claro em subsequentes
decisOes. 0 Supremo Tribunal rejeitou o caso e mandou
que ele o assumisse. Ele se recusou a faze-1o.
0 caso estava agora sem urn tribunal permanente. As
investigacCies continuaram sob varios juizes diferentes.
Ruben Dario -Mena e Alejandro Naranjo Rubian, dois dos
mais conhecidos advogados de Pablo Escobar, entraram
corn uma peticao para tentar a libertacito de Saldarriaga e
El Rolo.
Eventualmente, o juiz Montatiez foi forcado a assumir
o caso de volta. Em dezembro de 1987, dias antes do
primeiro aniversario do assassinato, o juiz indiciou El
Rolo, Maria Ofelia Saldarriaga e varios membros de Los
Priscos. 'lambert] identificou Carlos Martinez Hernandez,
Antonio Ochoa e Raul Mejia como os assinantes das con-
tas banearias utilizadas para pagar os assassinos.
Mas o juiz Montaiiez tambem retirou todas as
acusacaes contra os autores
intelectuais: Escobar. Porras e
Rodriguez Gacha.
As autoridades ainda nao sus-
peitavam das acOes do juiz.
Entao, no meio de dezembro, ele
decidiu sobre urn outro caso de
destaque. Ignorando regras espe-
ciais, libertou o traficante Jorge
Luis Ochoa, quo estava
cumprindo pena de 36 meses de
pristio por importacao de touros
sem pagamento dos impostos.
Ochoa havia sido extraditado da
Espanha para a Colombia, em
uma rnanobra legal suspeita, apos
os Estados Unidos terern pedido
sua extradicao. Ele era suspeito
de operacOes de contrabando de
drogas atraves da Nicaragua c era
urn possivel suspeito no assassinato de Barry Seal, urn
informante americano morto por traficantes de drogas na
Louisiania, em 1986. 0 governo colombiano estava
sendo pressionado para manter Ochoa na prisao, e qual-
quer decisdo legal a respeito tinha primeiro que ser con-
firmada pela administracao nacional da prisao. Montaiiez
ignorou todos os avisos sobre o caso. Apos sua decisao
ele foi demitido e a policia ernitiu urn mandado de prisao
contra ele. Pagamentos do cartel foram descobertos em
suas contas bancarias. Iniciou-se tambem uma investi-
gacao administrativa do juiz. Mas ele nunca foi preso, e a
investigacao foi interrompida, sem explicacao, logo
depois de ter sido inieiada.
0 caso foi transferido urn mes depois para a juiza
Consuelo Sanchez Duran, chefe do Tribunal Investigativo
N. 87. Ela emitiu imediatamente urn mandado de prisao
contra Molina Yepes, urn comerciante conhecido por seu
28 envolvirnento corn lavagem de dinheiro. Molina Yepes
estava usando suas delicatessens em Medellin e
escritOrios de cambio de moedas coma fachadas para
Escobar. 0 DAS levou Molina para urn centro de
detencOes temporarias, para interrogatorio.
0 tribunal soube, atraves do reit Carlos Martinez.
Hernandez, como Molina Yepes administrava as contas
para pagar os assassinos. Para abrir uma conta, por
exemplo, Martinez Hernandez depositou US$ I milhao
na filial de Medellin do Banco de Credito e Comercio
Internacional (BCCI). 0 norne na conta era o de
Guillermo Martinez, e incluia urn segundo assinante
autorizado, urn tal de Raul Mejia. Investigadores
souberam mais tarde que Martinez e Mejia eram os
nomes de Bois homens, agora mortos, cujas
identidades haviam sido usadas por Molina Yepes para
desviar as investignoes. 0 cheque de Maria Saldarriaga
veio dessa conta.
Mais viradas revoltantes continuavam a ocorrer.
Enquanto estava cm prisao temporaria na sede do DAS,
Molina Yepes teve autorizacao
para sair, desacompanhado, e
comprar cigarros. Molina Yepes
escapou. 0 diretor da sede da
DAS em Medellin foi suspenso e
investigado apOs a fuga. Mas,
urn ano mais tarde, as autori-
dades reintegraram-o ao seu
antigo posto. Nernhuma
acusacao foi feita.
A investigacao Cano era um
dos muitos problemas do sistema
judiciario colombiano. Mais de
200 jufzes e funcionarios judici-
ais foram assassinados, milhares
foram ameacados, e o cartel
penetrou ate o micleo do sistema
judiciario. governo
colombiano estava comecando a
considerar urn novo sistema,
introduzindo metodos que protegeriam seus funcionarios
judiciais. Mais membros do ramo judiciario seriam
mortos antes que um novo sistema surgisse.
Entre marco e agosto de 1989, a juiza Consuelo
Sanchez Duran reconstruiu o caso legal contra os assassi-
nos intelectuais de Cano: Escobar, Rodriguez Gacha,
Porras e Molina Yepes. Sua investigacao da gangue Los
Priscos trouxe mais evidencias incriminatoria.s contra os
autores intelectuais. Ao identificar a gangue como o mais
importante grupo de executores, ela concluiu que tinham
sido tambem responsaveis pelo assassinato, em 1984, do
ministro de Justica, Rodrigo Lara e do crime, em 1985, do
coronet Jaime Ramirez, chefe da policia de narcotrifico.
Foi nessa epoca que o grupo armado do cartel, os
Extraditaveis, comecou a expedir mensagens priblicas a
cada vez que um carro-bomba ou assassinato ocorria.
Tambem colocou em sua mica funcionarios do govern()
que tentaram reprimir as atividades de trafico de drogas.
Escobar nal) se esqueceu
da familia Cano. Um forte
golpe veio em marco,
quando os homens do
cartel assassinaram
Hector Giraldo Galvez, o
advogado da familia Cano
e um colunista bastante
respeitado.
ColOmbia • Guillermo Cano Isaza
A juiza Sanchez Duran recebeu o seguinte aviso: "Voce,
ira se arrepender se implicar Pablo Escobar no assassina-
to de Guillermo Cano". F depois o slogan: "Preferimos a
tumba na Colombia do que a prisilo nos Estados Unidos".
A juiza Sanchez Duran ignorou o aviso, expedindo uma
ordem para que se iniciassem os procedimentos de con-
denacao contra Escobar e outros. 0 julgamento comecou
no segundo aniversario do assassinato de Cano, em 17 de
dezembro de 1988.
Enquanto isso, o presidente Barco declarava "estado
de emergencia", e instituia "la justicia de orden ptiblico",
ou sistema judiciario "sem rosto", acabando corn todos os
julgamentos corn jtiri e mantendo as identidades de hives-
tigadores, juizes, e promotores confidenciais em casos de
terrorism() e drogas.
0 caso Cano continuou, entretanto, no sistema judi-
ciario regular. A juiza Sanchez Duran foi escalada para
comecar o julgamento de Escobar, mas uma suposta
doenca de urn advogado de defesa forcou o adiamento do
julgamento ate janeiro de 1989.
Os eventos de 1989 ofuscaram
quaisquer progressos legais.
Escobar e os Extraditaveis inicia-
ram uma campanha macica de vio-
lencia. Autoridades descobriram
uma relacao de trabalho entre gru-
pos anti-comunistas paramilitares
e o Cartel de Medellin, incluindo
mercenarios israelitas e britanicos
que haviam treinado os pistoleiros
do cartel em use de tecnicas explo-
sivas. Uma onda de carros-bomba
e assassinatos deixaria tres can-
didatos a presidencia e mil colom-
bianos mortos.
Escobar lido se esqueceu da
familia Cano. Urn forte golpe veio
em marco, quando os homens do cartel assassinaram
Hector Giraldo Galvez, o advogado da familia Cano e urn
colunista bastante respeitado. Ele foi mono a tiros proxi-
mo a sua casa, no bairro de classe alta de Chico, cm
Bogota.
A juiza Sanchez Duran tentou iniciar o julgamento em
maio, mas a policia anunciou que havia descoberto
pianos do cartel para aterrorizar o jfiri. 0 julgamento foi
adiado. A equipe de defesa pediu ao tribunal para julgar
Escobar e os outros supostos autores intelectuais sepa-
radamente dos pistoleiros. A juiza Sanchez Duran, recu-
sando o pedido, enviou o pedido ao Supremo Tribunal.
Em 16 de agosto, o juiz do Supremo Tribunal, Carlos
Valencia, manteve a decisdo da juiza Sanchez Duran de
julgar todos os reus em conjunto. Ele assinou a ordem e
recusou todos os recursos da defesa. Logo depois saiu
para it para casa. Os bandidos do cartel o mataram
enquanto esperava urn onibus no centro de Bogota.
Apenas uma pessoa sabia que ele havia assinado a ordem;
de alguma forma, o cartel havia penetrado no sistema.
No dia seguinte, Escobar ordenou o assassinato do
candidato a presidencia Luis Carlos Galan, do Partido
Liberal. Ele foi alvejado em 17 de agosto durante a cam-
panha eleitoral. 0 presidente Barco decidiu-se por mais
movimentos anti-drogas e introduziu urn sistema judi-
ciario mais rigoroso, para proteges a identidade dos
juizes.
A decisao chegou tarde demais para o caso Cano. No
final de 1989, a corte combinou o caso Cano corn o do
juiz do Supremo Tribunal, Hernando Baquero Borda,
lambent assassinado em junho de 1986 por Escobar.
Por mais de urn ano, os procedimentos judiciais nos
dois casos foram interrompidos, enquanto a Colombia
mergulhava em uma seria crise da ordem publica. Urn
Escobar irado havia declarado guerra ao pais.
Finalmente, em 21 de novembro de 1990, a corte
decidiu reiniciar os trabalhos. Ameacas contra o juri
interditaram a decisao. 0 promotor do estado tentou
transferir o caso para os juizes sem
rosto. Mas a equipe de defesa de
Escobar lutou e ganhou a mocao.
O caso foi transferido para o
Supremo Tribunal N. 29.
Nos cinco anos seguintes, o
progresso do caso foi retardado
por recursos e contra-recursos. Em
julho de 1991, Escobar se entre-
gou, e o caso foi transferido para
Medellin. Tres meses depois, o
caso voltou a Bogota, apps o
recem-nomeado procurador-geral
Gustavo de Greiff decidir julgar
todos os casos Escobar em Bogota.
Urn ano depois, em 1992,
Escobar escapou da prisao.
Fugitivo por varios meses, acabou
sendo encontrado por equipes especiais da policia anti-
narcoticos colombiana, corn o auxilio dos agentes da
inteligencia americana. Foi abatido quando tentava
escapar.
Em agosto de I995 o julgamento foi reiniciado. Todos
os autores intelectuais, corn excecao de Molina Yepes,
estavam mortos ou cumprindo longas penas por outros
crimes.
Em 6 de outubro de 1995, o tribunal declarou Maria
Ofelia Saldarriaga, Pablo Enrique Zamora, Luis Carlos
Molina e Carlos Martinez Hernandez culpados de
conspiracao para execticao de um crime. Todos foram
condenados a 16 anos e 8 meses de cadeia.
Urn ano mais tarde, em 30 de julho de 1996, o Supremo
Tribunal de Bogota revogou a sentenca de 1995 e
determinou que Saldarriaga, Zamora e Martinez eram
inocentes. A sentenca contra Molina Yepes foi confirmada.
Os juizes decidiram que Molina Yepes deveria ser julgado
como urn autor intelectual direto do assassinato.
No final de 1989, a
corte combinou o caso
Cano com o do juiz do
Supremo Tribunal,
Hernando Baquero
Borda, tambem
assassinado em junho
de 1986 por Escobar.
29
Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas
CRONOLOGIA: GUILLERMO CANO ISAZA
17 de dezembro de 1986: Guillermo Cano Isaza é
assassinado.
Abril de 1987: 0 caso é enviado ao Tribunal de
Instrucao Criminal N. 60. 0 juiz do caso recebe
ameacas de morte. A investigacao passa para o juiz
Andres Enrique Montafiez, chefe do Tribunal de
Instrucao Criminal N. 71.
12 de abril: Os bandidos do cartel explodem o busto
de Cano erigido em urn parque publico em Medellin.
25 de maio: A policia encontra o corpo de Alvaro
Garcia Saldarriaga, o pistoleiro que matara Cano, na
cidade de Cali.
Junho: Edison Harvey Hill Mufroz, conhecido como
Moquis, é assassinado quando a policia anti-narcoticos
vaseulha sua casa. A policia encontra a motocicleta
usada pelos sicarios para matar Cano. Hill Mufioz é
identificado como o treinador dos pistoleiros.
9 de julho: Primeiras indiciacOes expedidas contra
Pablo Escobar, Gilberto Rodriguez, Evaristo Porras e
varios membros da gangue de drogas Los Priscos. 0
juiz Montariez sai de ferias, e o juiz substituto Eduardo
Triana é nomeado temporariamente para o caso.
27 de julho: Maria Ofelia Saldarriaga, mae do pis-
toleiro, é detida pela policia. Saldariaga havia comprado
a moto utilizada no assassinato de Cano.
30 de julho: Autoridades grampeiam o telefone de
Saldarriaga, escutam-na ligar para o segundo pistoleiro,
Pablo Enrique. Zamora, conhecido como El Rolo. Falam
sobre a motocicleta. Mais tarde, nesse mesmo dia, a
policia prende El Rolo quando ele tenta escapar atraves
da cidade costeira de Barranquilla.
31 de julho: Saldarriaga nega qualquer conexao corn
o crime. A policia a interroga sobre o dinheiro deposita-
do em sua conta bancaria. Ela diz que scu filho Alvaro
Garcia Saldarriaga havia the dado USS15.000 (ao cam-
bio oficial em 1986).
3 de agosto: 0 juiz Triana ordena a prisao de
Saldarriaga e El Rolo.
5 de agosto: 0 juiz Triana parte para a Europa.
15 de agosto: 0 juiz Montatiez, novamente designa-
do para o caso Cano, o rejeita, dizendo que nao pertence
a sua jurisdicao. Envia o caso de volta para o Supremo
Tribunal.
21 de setembro: 0 Supremo Tribunal determina que
nao exitem bases para recurso nas ordens de prisao de
Saldarriaga e El Rolo. 0 juiz Carlos Eduardo Valencia
tambem determina que a decisao de mudanca de juris-
dicao, tomada pelo juiz Montariez, era inadmissivel. 0
caso foi novamente transferido para a corte do juiz
Montatiez, mas o juiz ignora a decisao do Supremo
30 Tribunal. 0 caso continua sem urn tribunal permanente.
25 de setembro: Urn juiz temporario no Tribunal N.
85 expede mandados de prisao contra Carlos Emilio
Montoya, identificado como olheiro no assassinato de
Cano. Montoya e mais tarde absolvido porque as teste-
munhas que inicialrnente o apontaram nao podem se
lembrar dele na epoca do julgamento, nove anon mais
tarde.
Dezembro: 0 juiz Montailez expede uma indiciacao
contra Zamora, ou El Rolo, Montoya, ou Quimilio, e
outros membros da Los Priscos. 0 juiz Montahez sus-
pende o caso contra Escobar, Porras e Rodriguez Gacha.
13 de dezembro: 0 juiz Montafiez, aceitando urn
pedido de habeas-corpus para o reputado traficante de
drogas Jorge Luis Ochoa, ordena sua libertacfro de uma
cadeia de Bogota, onde estava cumprindo pena de 36
mews.
8 de janeiro de 1988: 0 juiz Montariez é demitido
devido a decisao sobre Ochoa. Urn mandado de prisao é
expedido contra o juiz, apos surgimento de informacOes
associando-o a pagamentos recebidos de traficantes de
drogas. 0 Escritorio do Promotor-Geral investiga o juiz,
mas a investigacao é interrompida inexplicavelmente.
27 de fevereiro: 0 caso Cano é transferido para a
jufza Consuelo Sanchez Duran, chefe do Tribunal de
Instrucao Criminal N. 87. Eta emite urn mandado de
prisao contra Molina Yepes.
4 de marco: Molina Yepes escapa.
6 de marco: Urn mandado de prisao é reemitido para
Molina Yepes.
15 de marco: Molina Yepes recorre ao mandado de
prisao.
7 de abril: A juiza Sanchez Duran determina que
Escobar e Rodriguez Gacha, Porras e Molina Yepes
foram os mandantes do assassinato de Cano. A defesa
recorre a decisao da juiza Sanchez Duran.
26 de maio: 0 juiz Valencia confirma a ordem para
que se inicie o julgamento de Escobar, Porras, Gacha e
Molina Yepes.
16 de junho: A juiza Sanchez Duran decide adiar o
julgamento e investigar mais profundamente a Los
Priscos, uma gangue de assassinos do Cartel de
Medellin.
19 de julho: A juiza Sanchez Duran encerra a inves-
tigacao sobre Los Priscos, encontrando mais evidencias
circunstanciais que implicam Escobar, Rodriguez
Gacha, Porras, Hector Villegas e Molina Yepes.
24 de julho: A juiza Sanchez determina que a Los
Priscos era o brag executivo do Cartel de Medellin.
Cita evidencias associando-os a uma lista de assassi-
natos de pessoas influentes, que culminaram com o
assassinato de Cano.
ColOmbia • Guillermo Cano Isaza
30 de julho: Os Extraditriveis, como o bract) militar
do cartel de Medellin se denomina, emitem urn aviso
juiza Sanchez Duran contra a indicirwao de Pablo
Escobar.
24 de agosto: A juiza Sanchez Duran emite a indici-
ayao.
Novembro: 0 presidente Virgilio Barco declara um
estado de emergencia e introduz a justicia de orden
priblico ou "justica de ordem pUblica". Esta acaba corn
o julgamento corn juri e protege as identidades de inves-
tigadores, juizes e promotores. Mas o caso Cano per-
manece no sistema regular de justica porque ja havia
sido iniciado.
16 de dezembro: 0 julgamento deveria ter sido inici-
ado nesta data, o segundo aniversario do assassinato de
Cano. Mas a defesa adia o julgamento por motivos de
doerwa.
29 de marco de 1989: Hector Giraldo Galvez, o
advogado da familia Cano, e assassinado em Bogota.
16 de maio: 0 Supremo Tribunal N. 29, de Bogota,
abre o julgamento, apenas para interrompe-lo quando
dois advogados de defesa nao aparecem.
19 de maio: Em uma carta publica, o diretor do DAS
avisa o promotor federal que o cartel esti' tentando sabo-
tar o julgamento, e que identificou os membros do juri.
A corte adia o julgamento e tenta oferecer maior segu-
rano para o juri. A data do proximo julgamento 6 mar-
cada para 7 de junho.
7 de junho: Comeya o julgamento publico, mas é
suspenso ap6s reclamacoes do juri sobre amerwas de
morte. 0 juiz determina que todos os reus, incluindo os
autores intelectuais e os pistoleiros, devem ser julgados
simultaneamente e nao separadamente, como a defesa
deseja.
16 de agosto: 0 juiz do Supremo Tribunal, Carlos
Valencia, rejeita urn recurso da defesa contra a decisao
da juiza Sanchez Duran. Algumas horas mais tarde, 6
assassinado enquanto espera urn onibus no centro de
Bogota.
Agosto: 0 presidente Virgilio Barco estende o estado
de emergencia. A justica "sem rosto" e introduzida, urn
sistema mais secreto do que a anterior "justica de ordem
ptiblica".
2 de setembro: Urna bomba de 150 quilos explode
do lado de fora da sede do El Especiador; causando
perda de pelo menos urn milhao de Mares. Pablo
Escobar assume a responsabilidade.
7 de setembro: 0 Supremo Tribunal de Bogota corn-
bina os casos de Guillermo Cano e do juiz do Supremo
Tribunal Hernando Baquero Borda. Ambos envolviam
os mesmos acusados. A corte tenta transferir o caso para
a justica sem rosto, mas a defesa objeta.
21 de novembro de 1990: 0 julgamento Cano é
reiniciado. 0 adiamento de 14 meses havia sido causa-
do pela campanha de terror do Cartel de Medellin,
incluindo carros-bomba e assassinatos. 0 julgarnento
mantido no sistema regular corn um juri sob protecao
especial. 0 julgarnento termina sem urn veredito porque
a juiza Sanchez Duran estava preocupada corn a segu-
ranya do juri. A acusacao ganha uma peticao para trans-
ferir o caso para o sistema de justica "sem rosto" (que
funciona sem juri).
Maio de 1991 A defesa recorre e ganha uma mocao
de retornar o caso ao sistema regular. 0 caso volta para
o Supremo Tribunal N.29.
Julho de 1991 Quando Escobar se entrega ao gover-
no colombiano, a comarca de Medellin pede a corte de
Bogota que transfira o caso para sua jurisdiyrio.
22 de agosto de 1995: 0 caso vai finalmente a julga-
mento.
6 de outubro de 1995: Maria Ofelia Saldarriaga,
Pablo Enrique Zamora, Luis Carlos Molinas Yepes e
Carlos Martinez Hernandez sao considerados culpados
de conspirrwao para execucao de urn crime. sao conde-
nados a 16 anos e 8 meses na cadeia. Os advogados
estao recorrendo dos sentencas.
30 de julho de 1996: 0 Supremo Tribunal de Bogota
revogou sentenyas anteriores e ordenou a libertayao de
Saldarriaga, Zamora e Martinez. Sustentou a sentenca
contra Molina Yepes, que permanece como fugitivo.
18 de fevereiro de 1997: Molina Yepes e capturado
pela policia em Bogota, enquanto almoyava.
31
Durante 10 antis p dos mews cojed la justicia hasty qua
lugs ser capturado Luis Carlos Molina ropes. En 1957
alcanza a estar &geoid° par aloesas horns en el DAS.
pests desde endoneck hula de la juilicia bajo la sind ica-
situ de Naber anecledo el di nero que permitio el me-
sinao,don Guillermo Cann Inca.
Crimes Sem Punica-o Contra Jornalistas
CAPTURADO FUGITIVO DO CASO CANO
Textos publicados no El Espectador, Colombia, em 19 de fevereiro de 1997, no dia seguinte a captura de
Luis Carlos Molina Yepes, urn dos autores intelectuais do assassinato de Guillermo Cano. A prisao de
Molina Yepes ocorreu tres semanas apes uma delegacao da Sociedade Interamericana de Imprensa ter
pedido aos poderes publicos da Colombia que realizassem uma investigacao profunda sobre os assassi-
natos de jornalistas no pais, entre eles o de Guillermo Cano.
8-A HURiDICA act
1,1;01_ ES. -EARE1101,19)7
Dobles al estilo Pablo Escobar
Tal parece qua las lecciones de so soda Pablo Escobar, sobre
los metodos para eludir a las autoridades, faeron hien spree-
dicLas por Luis Carlos Molina lopes. la DireceiOn de inch-
gencia de la Policia deseubri6 clue el vapa siempre sc rnovil
zaba con varios hombres quo poselan similares conclicioties
Micas a las sayas. Viajaba con ellos desde Medellin a Bogota
y atraveso maltiples retenes sin clue pudicoui ideal i Bea rlo.
•Memoria intacta de un adalid de la verdad
"La verdadera libertad esta en deeir la verdad mum cads uno
la entiende. Respetando Is verdad de Ins deinas7. Isla maxi-
ma, contenida en la inolvidable columns Libreta de Aputztes ,
de don Guillermo Calm Isaza, exaltada Ili vispera por la Casa
de Narino, recobra vigencia en an memento de alivio pars el
periodis inn eclombiano: al menos el crimen del director de Et
Espectador, no qUedaru en la absolula impunidad.
Cayi pagador de magnicidio sin castigo
Ibis Carlos Molina, autor intelectus I del crimen del
director de EL ESPECTA DOR, don Gail lermo Cann,
ostentaba nueva identidad pars burls r autoridades.
Amigo s s t e Pablo Escobar
a Yeti.. En ombos
videncia que "la an-
de Molina en el
pretexto pa-
v fines de Pa-
expobente se
unqued den,
la ruenta co.
.8 end Barren
h de Medellin.y
Carlos Matti-
nee Hernandez, este stile shod como
leases° del anemic° administra•
dor do la misma: Luis Carlos Molina
Yepcs.
Precisnmente• de la cuenta cried-
da. el 3 de julio de 1986 ralin un che-
quo por valor de 53.500090, que toe
la sun= quo mcibin Alvaro Garcia
Saldarriaga pain consumar el magni-
ocurrido alas ,irit dc la noche
del 17 de diciembre de 1986 Evart a
las instalaciones de El Papectador.
sario no abre cuenta
astasma y sin rastro
to
Fs-
....prende quo Molina y el
criaron juntas en el barrio La
Clima
tale do
onio
a que
a end
re-
elfin
Pax, y qua dude 1980, en la Camara
de Comen.io de Medellin se acredita
quo eras sxios de la urbanimdora
Cam erriat Anvil& Lada.
Porello restrict contundenteel Mi-
ck+ delTrilmnal de Bogota: "an hom-
bre de empress nu lane que Oscar
abriendo rumbas corrientes corm
fantasmas sin, rastro". Pero no habria
nada de endraordinario ii en deco
mese; 'no se hubieran deposi ratio en
In coma dims astronomic. que nut
se conciben en una aetividad y
holiest mama& d cheque para Its
sicarios del magnkidio.
feat Mos RrliAC
ii201,113111DEELESPErrAr101,
4,TArli Dr WW1,
in momentos en que deleitaba el
paladar con on suculento menu -
harm que a la pease cance16 b Poli-
cia, foe cantorado en el restaurante
Banana Road del nude de Santafe de
Bogota. Imo de los autores intdec-
maks del rnwoleirlin de don Coiner.
too guns tsars, el cambia= lads Car.
los Molina Yepes.
Durance diet iliOS Molina Yepes
clothe el arosode las autoridades, pe-
n, &sou& de ser confirmada su sen-
teteciaa lb afros dr prisiOn est Juliode
1996, el director de la Policia. Rosso
rose Serrano, integre no equip° de
investigatiors que derecto su mese,
cia en Bogota, y logrd su aprehension
sin apelar a las arras.
SegUn el director de b Policia, des-
de bane dos manes las pistas conduit,
ron a una persona allegada de ?doh-
tan, sett cfeetuO seguimiento durante
72 horns, y finalmente las autorida-
des dicron cone: paraders, del fugiti-
oo, quiets al momenta de su captors
preseM6 document-is a nombre de
Luis Guillermo Yusti ViPares,
Des& anoche, los ("fiends, a cargo
dd cast, tcnian detectado el lugs r de
habitacien de Molina Woes, avisaron
a Miami al general Serrano Cadena
sabre le novedad, yeste de inmediato
se des.plaze a Bogota. on su ratites exi-
gir una cstrecha vigdancia pare ones-
tar el golpe al prefugo ants del me-
diodia del 18 de febrero.
AMAPA, Pi elan de earnura, los
investigadores ingresaron al restau-
rants como simples comensales, sr
ubicaron en una mesa contigua en
dome platimba Molina ran dm per-
sonas miss y al rnotnento en que d
*irk, se disponia a cancelar
S20.0110 de su alrnutrao, foe aborda-
do por un oficial que In identified ple
inhume de su captura
En Is. proximas haress, Molina se-
ra remit ido a tin petal de Santafk de
Bogota, donde le esperan 16 noes y 8
meses de prisiOn par tm asesineto
que rro gunk, en total in tpunidad.
Un rastro
de dolor y
barbarie
ittlXiA.10^411h liSiitt.13111/
SANTAFE. uE 901:01iA
La captura de Luis Carlos Molina
Woes, una dicada &cosies tkl mug.;
nicidio dr don Guillermo Cano bans.
al menostardiarnente hare justicia en
un expediente ensumbrecido por la'
impunidad y la barbaric.
Despots del magnicidio del 17 de-
diriembre de 1986, los sicarios que
segaron la vide del director de El Es,
pecador, Alvaro Grad y Luis'
Waardo Osorio, hien, asesinados.;
la juez Consuelo Sanchez que vim
rule al crimen a Pablo Escobar, tom'
que miliarse.
El 29 de Ca ner° de 1989, el aboga;
do Hector Giraldo Ga/vez. que Neva-
ha b parte civil en el expedience. ftt
acribillado en Bogota. sea tomes
dnpu6, ci die gut :volume el auto
do deterkien contra Escobar Gaviria:
per el crimen de don Guillermo Ca:
no, foe asesinado el magist ratio
Ins Valencia Garcia.
El caw pace a Ls justicia do
niblicks, p el 18 de, septiembre
1992., rambien Inc sacrificada la
Myriarp Rode Vtlrz. Cuando el exi",
pediente volvio al Tribunal de Bogota:
cuaum alloy daellds, eic.1.41111alte,
quede un rco anent: Lois Carlos:
&loin. quo ayer foe capturado. •
El moo Higuila
Lin caso,herldirn quo
• L. atenciOn In.s.adoinbiantia •
v clot estm‘Ctelacionae6 con.
•• Luis Carina Yepcs; foe
• la participacien del ccarqucrn:
de Pa seleceinn• Colombia do •
f0but en la libe- • "
rieien de W?: dc hija del ern- '
preurno en Medellin:
Fd futboli,ra fire eaptitrado•
4de juniii de 1993 "or violar
Li ley aq 43sellastrus al Fiala rie •
inre, page US$ 300 Mil por d
nescate de b /lib di Molina Ye-
pis, Teen su re, rege/6 S SO":
„Millenes al deportist.i.
irobrr.5 siete mesa
clespues, el 3 de coon, de 1994, 1.
la libenad de mantra p6visin- :•:
• nal de b cartel Ll Amide, tees
el pagan de.nicaucipn tie side
dilation n?(niuiw que cancd6
el .diAgente deporlivo' Efrain
:NO SC lespeta pinta
doter de b Iblida ge-
neral rfskinlose Serrano, dijo
Papectador que el nary ma
ficante est.:Oa trowencido de
'quo riki Li than a bus.r, pens
rya la innitikien "no resPeta
pinta" I. esta
32
33 Crimes Sem Punição Contra Jornalistas
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33 Crimes Sem Punição Contra Jornalistas

  • 2. IN MEMORIAM Este livro e dedicado a memoria dos jornalistas que f por motivos relacionados ao exercicio de seu officio. Seus pari defender o direito do publico de ser informado. cram assassinados nas Americas nas filtimas decadas nomes simbolizam o preco que o jornalismo ha pagado Hector Abad Gomez Simeon Leonidas Cabrera Norvey Diaz Humberto Gonzalez Gamarra Ernesto Acero Cadena Marco Antonio Cacao Munoz Cayetano Dominguez Gustavo Gonzalez Lopez Javier Ramos Acevedo Osvaldo Calderon Almonacid Fritz Dor Humberto Gonzalez Juarez Barbara d'Achile Sonia Calderon de Martell Jorge Martin Dorantes Ronay Gonzalez Reyes Rodrigo Ahumada Luis Roberto Camacho Prada Maria Nilce dos Santos Samuel Gonzalez Romero Melissa Alfaro Mendez Guillermo Cano Isaza Cornelius Dragan-Dima Francisco Granja Mario Lucio de Almeida Maria Carlin Fernandez Mauricio Antonio Driotes Carlos Grant Antonio Ismar Alvarenga Juan Gabriel Caro Montoya Juan Duarte Francisco Gracia Lucina Alvarez de Barros Jorge Carpio Nicolle Anibal Dubin] Carlos Grullon Nelson Amaya Barreto Jose Carrasco Tapia Jose Antonio Dumet Acevedo Hector Guerra Jose Miguel Amaya Espinosa Roberto Eugenio Carri Luis Dummet Eloy Guevara Paiz Alberto Antoniotti Monge Luis Carrillo Diego Leon Duque Ruiz Jose Guillo Martinez Juvencio Arenas Gilvez Ruben Dario Carrillo Silvia Duzin Jose Angel Guillan Chador] Anibal de Jesus Arias Jose Leon Castafieda Raid Echavarria Barrientos Jaime Guzman Gildardo Ariza Olarte Edgar Rolando Castillo Jessica Elizalde de Leon Donald Harris Ramiro Ariza Villamil Elias Jaime Castillo Ignacio Ellacuria Rafael Hasbun Ruperto Armenta Gerardo Carlos Castillo Monterrosa Freddy Elias Bernardo Hernandez Maria del Rosario Arrazola Ruben Dario Castrillon Fredy Mario Erazo Carrasquilla Eliot Hernandez Eladio Arredondo Jaime Castro Llerena Jose Wenceslao Espejo Jose Herrera Carias Jose Arredondo Acevedo Jose Celiallos Luis Espinal Oscar Herrero Juan Jose Maria Ascone Manuel Cepeda Vargas Jorge Euceda Vladimir Herzog Jaime Ayala Pedro Joaquin Chamorro Mario Eugenio John Hoagland Oscar Ayala Pequeno Julio Daniel Chaparro Alvaro Falla Tamaya Arsenio Hoyos Fernando Bahamon Molina Antonio Huaccachi Chavez Juvenal Farfan Anaya Ezequiel Huerta Acosta Danilo BariIlas Jesus Chavez Andrade Hector Felix Miranda Octavio Infante Edwin Barrios Blancas Hernando E. Cifuentes Martinez Valentin Ferrat Rio Adolfo Isuiza Urquia Oscar Osvaldo Barros Julio Cojon Tecan Renivaldo Sergio Ferraz Jesirs Michael Jacobi Raildo Barros Eustorgio Colmenares Elliot Fernandez Mazariegos Pancho Jaime Lides Batalla Alfredo Cordova Solorzano Virgilio Fernandez Ismael Jaimes Renato Batalla Julia Cesar Coronado Espinoza Joao Alberto Ferreira Souto Alejandro Jaramillo Barbosa Gerardo Bedoya Borrero Edgar de Jesus Correa Rodriguez Oscar Rolando Figueroa Santiago Jau Hermelinda Bejarano Dante Espartaco Cortes Irma Flaquer Azurdia Robinson Joseph William Bendek °hyena Ismael Cortes Ernesto Flores Torrijos Javier Juarez Vazquez Peter Bertie Jose Domingo Cortes Alaide Foppa Enrique Hey Juan Bertolo Miguel Angel Cospin Linda Frazier Jacobus Andres Koster Luis Angel Betancourt Richard Crass Nelson Gabrini Alzate David Kraiselburd Nicolas Blake Gabriel Cruz Diaz Victor Galeano Rodriguez Jan Kuiper Henan Blanco Victor Hugo Cruz Guillermo Galvez Hans Ter Laag David Blundy Gaspar Culam Yatz Amador Garcia Roberto Lafaurie Quintero Donald Bolles Nyuyen Dam Phong Octavio Infante Garcia Cornell Lagrow Mario Osvaldo Boning Bernard Darke Felix Gavilin Carlos Lajud Catalan Marcos Borges Ribeiro Griffith Davis Francisco Gaviria Eric Lamothe Paulo Brandao Aristeu Guido da Silva Libardo Gil Ceballos Guy Laraque Jorge Brenes Araya Reinaldo Coutinho da Silva Hector Giraldo Calves Felix Lamy Richard Brisson Jose de la Espriella Felix Gavilan Erwin Larrave Pozuelos Robert Brown Eduardo de la Piniella Roberto Giron Lemus Triet Le Manuel Buendia Nelson de la Rosa Toscano Gerardo Didier Gomez Gil Alberto Lebrun Menem Manuel Borgueno Orduiio Zaqueu de Oliveira Alvaro Gomez Hurtado Santiago Leguizamon Fanny Burguera Arada de San Marin Guillermo Gomez Murillo Julio Rene Lemus Pedro Yauri Bustamante Julian Delgado Ancizar Gomez Zuluaga Bienvenido Lemus Alomania Hugo Bustios Saavedra Jean Wilfred Destin Cecilia Gonzalez Adolfo Leon Rengifo lose Luis Cabezas Eifat Antonio Diaz Jose Alfredo Gonzalez Montlouis Lherisse Sim6n Estanislao Cabrera Luis Diaz Perez Narciso Gonzalez Henry Liu . 110 hiteritil clu (VIIIrot cuhu
  • 4. AGRADECIMENTOS ESTE PROJETO FOI REALIZADO GRACAS AO APOIO FINANCEIRO DA John S. and James L. Knight Foundation 2 SIP PRESIDENTE 1996-1997 PRESIDENTE 1995-1996 SUBDIRETOR EXECUTIVO PRESIDENTE da Comissao de Liberdade de Imprensa e de Informacao DIRETOR EXECUTIVO SIP, Miami, Florida VICE-PRESIDENTE da Comissao de Liberdade de Imprensa e de Informacao na Colombia VICE-PRESIDENTE da Comissao de Liberdade de Imprensa e Informacao na Guatemala VICE-PRESIDENTE da Comissao de Liberdade de Imprensa e de Informagao no Mexico Luis Gabriel Cano El Espectador, Bogota, Colombia David Lawrence Jr. The Miami Herald, Florida Ricardo Trotti SIP, Miami, FlOrida Danilo Arbilla Basqueda, Montevideu, Uruguai Julio E. Munoz SIP, Miami, FlOrida Enrique Santos Caldergn El Tiempo, Bogota, Colombia Teresa de Zarco Prensa Libre, Guatemala Jose Santiago Healy El Imparcial, Hermosillo, Mexico PROJETO CONSELHO CONSULTIVO DIRETOR-GERAL DIRETOR DO PROJETO SUPERVISOR- GERAL CONSELHO CONSULTIVO CONSELHO CONSULTIVO CONSELHO CONSULTIVO CONSELHO CONSULTIVO EDITOR PROJETO E PROMO) ASSISTENTE DO EDITOR ARTE INVESTIGADORES INVESTIGADORES DE APOIO Ricardo Trotti Robertson Adams Melba Jimenez Earl F. Lam III Ana Arana June Erlick Harold Maass Norman Navarro Jose Navia Ignacio Gomez Mario Castro ©1997 Sociedade Interamericana de Imprensa Agradecimentos especiais ao The Miami Herald e El Nuevo Herald que tornaram possivel esta publicacao.
  • 5. Sociedade Interamericana de Imprensa Crimes Sem Punka° Contra Jornalistas SIP 2911 NW 39th Street. Miami, Florida 33142 Tel: (305) 634-2465 Fax: (305) 635-2272 Correio eletronico: sipiapa@aol.com Internet: www.sipiapa.com
  • 6. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas PREFACIO "Que ninguem permaneca impune por calar, amedrontar ou assassinar os jornalistas de nossa America" Por Jorge G. Castaneda 0 s seis casos de jornalistas assassinados que a i nvestignao real i zada pela Sociedade Interamericana de Imprensa documenta e recorda provocam calafrios c terror a quem, como nos, se dedica a expressao escrita. Os seis crimes cornetidos na Colombia, Guatemala e Mexico, considerados ao mesmo tempo como casos de importancia intrinseca e como sim- bolos de uma aterradora e conhecida tendencia na America Latina, enchem-nos de horror e tristeza. Horror porque isso pode acontecer a qualquer um de nos, e tris- teza porque sahemos que tern sido a.ssim em nossa regiao desde tempos imemoriais. Um jornalista é assassinado: as sociedades latino-americanas, que sofreram este astuto golpe tantas vezes, percebem corn sensibilidade e sabedoria a extensao do ultraje a paz, a dignidade e a von- tade de viver de nossas nacdes. Sao, alma], nossos ver- dadeiros magnicidios, porque se repetem, porque sim- bolizam as mortes de muitos outros, e porque, em algum lugar, tocam em uma fibra terrivelmente frrigil e decisiva da precaria existencia democratica da America Latina. Jorge Carpio e Irma Flaquer, na Guatemala; Guillerno Cano e Carlos Lajud, na ColOmbia; Hector Felix e Victor Manuel Oropeza, no Mexico, representam, assim, muito mais do que seis baixas acidcntais na veiha guerra latino- americana contra a violencia, contra as fissuras socials que a geram e contra a impunidade que a abriga. Por urn lado, a humildade se impoe: sao milhares - e ern certas 4 situacoes e em certos paises, dezenas ou centenas de rnilhares - de cidadaos que perdem a vida devido a vio- lencia politica, comum ou generalizada. Os jornalistas Ira° devern nunca se esquecer de que suas vitimas e mar- tires crigrossam as filciras interminaveis de outros que tombaram: os desaparecidos c massacrados, os seqUestra- dos c assassinados, os ofendidos c desterrados, produtos, todos, da longa noitc latino-americana de violencia. Mas, por outro lado, os jornalistas fazem bem em enfatizar a singularidade de sua desgraca: pelo papel que desempe- nham em nossas democracias em construc5o ou abolidas; por seu combate insubstituivel a algumas das pragas mais notorias do hemisferio; pela falta de defesa ern contraste corn os riscos que correm; e pela impunidade que em tan- tas ocasides acompanha os crimes que os abatem, os jor- nalistas na America Latina tern razdo em destacar seu direito a excepcionalidade. Conviria revisar cada urn destes fatores da diferenca que define o estatuto singular do jornalismo na America Latina. 0 primeiro, sem dtivi- da o mais descrito, e corn uma conotacao historica, reside na funcalo crucial da imprensa na construcar de tuna esquiva democracia latino-americana. Explica, em muitas ocasiOes, tanto a multiplicidade de atentados contra os jornalistas e contra a libcrdade de expressao quanto a repercussdo de tais afrontas e abusos em nossos paises e no mundo inteiro. Os Nurses ao sul do Rio Bravo possuem todos, em diferentes niveis, uma caracteristica comum: aqui a chamada sociedade civil é secular e cronicamente fraca. Desde a remota epoca da colonia tivemos mais
  • 7. Prefacio 0 escritor mexicano Jorge C. Castaneda durante seu discurso sobre crimes contra jornalistas na 52a Assembleia Geral da SIP, em outubro de 1996, em Los Angeles. Estado do que sociedade em todas as nossas patrias; os partidos, os sindicatos, associacoes civicas e de cidaddos tern enfrentado constantes e pateticas fraquezas diante do poder esmagador de Estados nem sempre fortes em si mesmos, mas nunca em desvantagem diante de sociedades indefesas. Neste contexto, a imprensa, os escritores, os defen- sores da palavra e da denUncia, foram fatalmente chama- dos a ocupar urn vazio: a se converter, segundo a expressao consagrada em outros meios, na voz dos sem voz. Os jornalistas representam, em nossas democracias incipientes, uma das primeiras frentes de batalha e de defesa. Sdo, freqtientemente, os primeiros a censurar os golpes de Estado, as fraudes eleitorais e as recorrentes interrupcOes da legalidade civil e constitucional que por desgraca povoam nossa paisagem politica. E uma vez restaurada ou inaugurada uma democracia insegura, erguem-se como pilar inicial de resistencia diante dos embates que esta sofre, ou no estirnulo principal de sua ampliacao ou consolidacado. Assim, quando urn jornalista é assassinado na America Latina, morre tam- bem uma pequena parcela da democracia, do estado de direito, da liberdade e do desejo de igualdade no conti- nente. Por isso, em nossas terras mais do que em outran, sdo indissociaveis as lutas pela democratizacao da vida politica e pela abolicdo da violencia exercida contra a imprensa e a expressao. Um segundo elemento que explica a consternacao gerada em nossas latitudes pela elirninacao fisica dos jornalistas - os seis que esta investigaydo destacou, assim como os demais sacrificados nesta luta: Pedro Joaquin Chamorro, Manuel Buendia, Jose Carrasco, Manuel de Dios Unanue, Don Bolles, e tantos outros que poderiamos recordar -, é o prOprio funcionamento da democracia nestas nacOes, quando esta chega a imperar. Isso ndo ocon-e facilmente: as deficiencias, os obstaculos, as limitacOes e os dilemas da democracia representativa na America Latina tern sido bastante estudados e descritos para que seja necessario voltar a eles. E sufi- ciente assinalar que, em urn ambito especifico, nossos esforcos para construir espacos de governabilidade democnitica tern fracassado sistematicamente: continu- amos em husca de urn sistema de prestacao de contas, da intraduzivel nocao anglo-saxanica de "accountability". A separacao de poderes na America Latina sempre foi mais formal do que outra coisa; assim, a responsabilidade dos governantes perante a sociedade sempre foi viciada pela fraqueza das instituicdoes supostamente encarregadas de fiscalizar, limitar e regular o comportamento das autori- dades. Contam-se as ocasi -oes na regiao nas quail os tri- bunais, o poder legislativo ou as instancias autonomas do executivo designadas para fiscalizar o mesmo, puderam realmente restringir os abusos, excessos ou patentes deli- tos de urn presidencialismo calcado no norte-americano, mas sem os contrapesos ou "checks and balances" que este requer para seu funcionamento adequado. 5
  • 8. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas Mais uma vez, é nesse vazio que a imprensa se encon- tra. Ali, justamente, ve-se convocada a desempenhar funcOes que em um sentido estrito tido the correspondem, mas que ninguem mais, por ora, se atreve ou pode desem- penhar. Na luta contra a corrupcdo, o narcotrafico, o mau governo, as violacoes dos direitos humanos, o jornalismo latino-americano exerce urn poder muito superior ao do "watchdog" ou quarto poder anglo-saxdo. Sem a impren- sa, em muitos de nossos paises, ninguom denunciaria os excessos, os roubos, a convivencia corn as drogas, o dcsprezo constants pelos direitos humanos, as fraudes eleitorais, e a pura e simples inabilidade do governo. Nao por acaso que dos seis casos apresentados nesta investi- gaga° feita pela Sociedade Interamericana de imprensa, tres ou quatro (Carlos Lajud, Hector Felix, Victor Manuel Oropeza, e talvez Jorge Carpio Nicole) estao claramente vinculados a dendncias de corrupyao governamental, e um ou talvez dois - Guillermo Cano e Oropeza - tern algum tipo de relacao corn o narcotrafico. Nao se deve exagerar as especificidades latino-ameri- canas. NA° ha dtivida de que em todas as democracias repre- sentativas as instituiciies fiscal- izadoras ou garantes da prestacao de contas sao fracas e insuficientes; em todas as nacoes modernas, a transpar'en- cia e a ineerencia da imprensa ocupam urn lugar privilegiado na luta contra o abuso e a irresponsabilidade. Lembremo- nos dos grandes momentos do jornalismo norte-americano (os Pentagon Papers, Watergate, Iran-Contras) e frances (as repetidas dentincias por parte do Le Canard Enchains), entre outros. Mas, em casos nos quais a "accountability" constitui uma estranha novidade, e nos quais as instituicoes encarregadas de instals-la e fortalece-la carecem de recursos, das tradicoes e da experiencia para impulsions-la, o papel das entidades substitutas, informais e extra-estatais torna-se crucial. Em todos os casos de denuncia bem-sucedida da cor- rupcao em paises corn urn regime democratic° minima- mente viavel - Collor de Mello, no Brasil; Carlos Andres Perez, na Venezuela; Jorge Serrano, na Guatemala -, a imprensa contribuiu de forma relevante no desenlace desejado: a punicao e a expulsao do poder dos man- datarios criminosos. A imprensa tambern esteve na van- guarda desta luta nos casos em que a corrupcao foi repeti- damente denunciada, mas sem que as revelacoes desem- bocassetn em sancoes penais ou politicas - Carlos Salinas de Gotari, no Mexico; Carlos Menem, na Argentina. As investigacCies de Horacio Verbitsky, em Buenos Aires, e 6 as de Processo e Reforma, no Mexico, sac-) motivo orgulho para a classe jornalistica. A situacao é semelhante no que se refere a outra perene praga latino-americana, a saber, a violacao san- grenta e continua dos direitos humanos. Os assassinatos estudados neste volume sao sintomatieos, mas nao uni- cos: as clenUncias jornalisticas de torturas e desapareei- mentos, de execuciies sem julgannento e de prisoes arbi- trarias em toda a regiao, representam alguns dos momen- tos mais importantes do officio de informar. A imprensa tem tido um papel exemplar nao apenas na penumbra de autoritarismo e excessos da America do Sul, mas tambem durante as infindas guerras da America Central, e a pro- longada luta mexicana para acabar para sempre corn os abusos de quase setenta anos de unipartidarismo do PRI. Sem ela, muitos mais argentinos e chilenos, salvadore- nhos e chiapanecos, nicaragilenses e colombianos teriam morrido. E seja na ausencia de partidos politicos e sindi- catos fortes, seja ern condicoes de sua proibicao e silencia- mento, a imprensa tern agido como dcfcnsor de Ultimo recurs() diante dos embates autoritarios nao apenas contra a liberdade de expressao, mas contra a liberdade em geral. 0 mau governo, por von- tade ou incompetencia, é outra frente tipicamente latino-ame- ricana na qual a imprensa desempenha urn papel de maior relevancia do que em outros lugares do mundo. Mais uma vez, nao é que na Europa, Japao e America do Norte a separacao de poderes, a alter- nacao e a ineerencia de uma sociedade civil mais vigorosa seja suficiente para evitar os vicios e habitos de inabilidade governamental. Tarnpouco Basta para impedir a geracao de conseqUencias nefastas para amplas camadas da populacao, produto da submis- sao a interesses particulares, estrangeiros ou ocultos. Mas, nestes paises, as protecCies institucionais gozam de urn suporte major do que em nossos sistemas politicos, e os limites impostos aos en-os que cada governante pode cometer - ainda que mais amplos do que o desejavel - sao mais rigidos do que em outras partes do mundo. Em contrapartida, gracas as tradicifies latino-ameri- canas de caudilhismo, patrimonialismo estatal e despo- tism° empedernido, o mau governo, em certas ocasioes, nao tern medida. A historia da subordinacao a forcas externas é tao ampla e recente, que persiste a possihili- dade de que governantes espdrios ou eleitos anteponham a subordinacao a estas forcas a qualquer outro criterio. E nossas garantias nao sao sempre tao eficazes quanto as do mundo industrializado; por vezes, simplesmente nao existem. Por isso, e particularmente importante a vigilan- Na luta contra a cor- rupcao, o narcotrafico, o mau governo, as violacoes dos direitos humanos, o jornalismo latino-ame- ricano exerce um poder muito superior ao do "watchdog" ou quarto poder anglo-saxao.
  • 9. Prefacio cia e a missao de alertar contra erros que corresponde imprensa em nossas sociedades. Advertir a tempo e criticar corn veemencia é um atributo particularmente vir- tuoso da imprensa latino-americana, mesmo que os resul- tados nao sejam sempre os esperados. Assim, inclusive sem o exit° que se poderia desejar em casos como os de Salinas de Gortari, no Mexico - mais uma vez - ou de Ernesto Samper, na Colombia, os rumos profundamente equivocados que, por urn motivo ou outro, tais man- datarios escolheram, foram censurados pela imprensa, na falta de outras criticas mais institucionais, e que talvez tivessem conseguido efeitos mais contundentes. Se se mostram escassas as ocasioes em que a impren- sa na America Latina pode, Of si so, evitar as calami- dades administrativas que caracterizam nosso governo, esta serve, entretanto, de sinal de alerta. Avisa a sociedade de que algo anda mak e de que é hora de prestar atencao e de intervir. A sociedade logo atende ao aviso, ou nao; conseqiientemente atua, ou nao. Mas sobre a advertencia nao ha engano: g,racas a impren- sa na America Latina, us cidadaos destes paises podem contar corn detectores de fumaca fieis e sensiveis. A eles cabe saber se onde ha fumaca ha fogo. Como é tibvio, desta funcao de ombudsman de profissao, de consciencia critica e de deto- nador de escandalos, deriva eni grande parte a violencia de que frequentemente sao vitimas us jornalistas na America Latina. Por urn lado, a imprensa limita, restringe e ilumina. Por outro, carece da forp, da protecao e dos recursos que podem defende-la dos embates que sua propria atuacao suscita. Dal a extrema vulnerabilidade do jornalismo latino-americano. Em urn sentido estrito, tern assumido responsabilidades muito grandes, ja que se desproveu completamente dos meios - de todos us tipos: institucionais, financeiros, de seguranca e sociais - para realizar uma missao em grande parte autodesignada. A conseqiiencia deste desequilibrio entre meios e lins, entre recursos e metas, entre exigencias proprias e alheias, e a possibil.idade real de satisfaze-las, é a violencia e a morte. Por que morrem mais jornalistas do que politicos na maioria de nossos paises? A resposta talvez esteja justa- mente nesta desproporcao entre a responsabilidade que, tacita ou implicitamente, a sociedade deu a nossa impren- sa, e nos escassos amparos de que dispoe para resistir aos ataques que sistematicamente the sao feitos. 0 que surpreende e aterroriza nos seis exemplos, cuja pesquisa detalhada e objetiva foi realizada pela Sociedade lnteramericana de Imprensa, é o aviso previo da morte. Praticamente todos os jornalistas envolvidos foram ameacados; todos sabiam que suas vidas estavam em risco; nenhum deles mudou seus habitos, conviccOes ou atitudes para evitar urn desenlace anunciado. Certamente alguns episaclios beiram o assustador: quan- do Carlos Lajud desafia seus adversarios a que o exe- cutem, e clivulga o itinerario e os horarios fixos de sua casa ao trabalho, tenta o destino. E ninguem melhor que o "Gatti' Felix para intuir de que tipo de represalias os setores mais violentos de Tijuana, entre eles quem sabe seu amigo Carlos Hank Rhon, eram capazes: desafia-los signilicava assinar em branco urna sentenca de morte antecipada. Mas podemos perguntar: por que pessoas inteligentes e conscientes das profundezas em que nave- gavam correram esses riscos? Por Pura insolencia e ostentacao'? Ou estas correspondiam, antes, a uma situ- acao de extrema fraqueza, de indefesa radical, e por isso eons- titulam os mecanismos de pro- tecao interna diante de urn dramatic° desequilibrio? No fundo, a iniqiiidade que impera entre os jornalistas cujas trage- dias sao aqui descritas e as forcas que os abateram permite apenas uma defesa: o grito, a publicidade, a luz do dia e a estridencia. Nao siio arrogancia; corn a sagacidade intuitiva que caracteriza a profissao na America Latina, esses jornalistas compreenderarn que sua dnica protecao possivel consistia em nao ter medo, e em incitar seus assassinos a desistir de seus propOsitos ou consuma-los ime- diatamente. Enquanto a imprensa latino- americana continuar sendo chamada a exercer uma funedo como a que rapidamente esbocamos, a violencia contra ela persisitira. E enquanto nao contar corn a forca, a eminencia cultural e os recur- sos que a protejam desta violencia, continuara sucumbindo diante das represalias de seus inimigos, adversarios tambern de toda a sociedade. 0 anico antido- to reside na sancao penal e social, o custo, se se quer, de agredir a imprensa. 0 jornalismo na America Latina nao pode - por ora ou em urn futuro proximo - abdicar de seus compromissos e atribuicoes; mas tampouco goza dos meios necessarios para prosseguir sem perigo. A solucao temporaria, ate que transfira pane de sua responsabili- dade a outras instituicoes, quern sabe mais aptas para esses compromissos, consiste inevitavelmente no preco imposto a seus detratores e algozes: que ninguern per- maneca impure por calar, amedrontar on assassinar os jornalistas de nossa America. 7 E enquanto nao contar com a forca, a eminencia cultural e os recursos que a protejam desta violencia, continuara sucumbindo diante das represalias de seus inimigos, adversarios tambem de toda a sociedade.
  • 10. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas Estamos entao imersos no terra central deste esforyo louvavel da SIP: a impunidade. Corn excecdo do caso de Guillermo Cano, cujo assassino foi castigado - mesmo que scm o processo devido e sem o auxilio institutional da justica-, todos Os demais crimes estudados neste livro nao foram expiados legalmente. Pablo Escobar foi criva- do de balas pelo exercito colombiano; a morte de Guillermo Cano, juntamente corn a de milhares de colombianos, foi vingada. Mas isso nao e justica, nem fico da impunidade, porque todos sabemos que sua exe- cucAo respondeu a outras exigencias, a outras demandas. Melhor do que nada: nos demais casos citados, nem scquer houve vinganca, muito menos justica. Os autores intelectuais, e mesmo os assassinos diretos, continuam ern liberdade: a impunidade assombra c envergonha. Neste e em tantos outros exemplos em nossos paises, o grande dilema, a tragedia insuperavel, esta na impunidade: a sensacao, e a realidade, da falta de castigo para os crimes, para os abusos, para os horrores. Os casos aqui apresentados nos afligem, nao apenas pela morte de honrados e valentes colegas, mas porque sua morte continua sem sancao, por que seus inimigos continuam impunes. Se o prey° e o risco do castigo 6 a dnica defesa, se repre- sentam o fator dissuasivo mais poderoso, a impunidade constitui o perigo mais premente, a ameaca mais avassaladora para a liberdade de imprensa: contra ela, nada nem ninguem sai ganhando. E verdade que a impunidade dos crimes na America Latina nao se limita aos assassinatos de jornalistas. 0 assalto devastador da con-ucao, as violacoes notorias c recon-entes dos direitos humanos, a fraude organizada e a miseria s'ao ataques a dignidade humana que nao difercm em nada das execuOes a sangue frio dos integrantes do mal chamado - por sua fraqueza - de quarto poder. Porem, mais uma vez, a vulnerabilidade delta camada especifica da socicdade e Obvia e excepcional. Expoe-se mais do que as outras, mas tern menos meios de se defender. Isso expli- ca Unbent a constemacao que desperta a violencia exerci- da contra os homens e mulheres da pena, da maquina de escrever e, agora, do monitor. Difunde-se sempre um sen- timento de desigualdade, de luta injusta: a A/lama nao companivel ao assassino em forca, maldade ou cinismo. Que licOes nos trazem esses seis mortos que hoje recordamos c honramos? Que compromisso devemos assumir corn eles, e corn tantos outros, que tambem tombaram enquanto buscavam a verdade e a justica? Para comecar, a memaria: nada justifica o sacrificio, volun- tario ou nao, das vitimas como a perseverance na luta por castigar os cul.pados e por conservar a lembranca de sua tragedia. 0 esquecimento e o pior destino que poderiam 8 ter Guillermo Cano e Carlos Lajud, Hector Felix e Victor Manuel Oropeza., Jorge Carpio e Irma Flaquer; sua melhor contribuica) postuma a sobrevivencia de seus colegas de hoje é a vig,encia de seu heroism°. Em seguida, devemos sempre reconhecer que a melhor maneira de evitar novos martfrios e mediante a luta, nao o silencio. Nada como uma irnprensa submissa ou calada para encorajar os assassinos dos colegas aqui lembrados: nada como jornalistas corruptos ou submissos para fomentar a cultura da impunidade. Chegard o dia em que a imprensa latino-americana podera levar uma carga mais de acordo corn sua forca e capacidade; mas este dia ainda nao chegou nem esta. proximo. Para concluir, uma palavra sobre o jornalismo de que tratamos aqui, o dos meios impressos, investigativo e critico, independente e vigoroso. A modestia e o realism° nos obrigam a observar que os meios a que nos referimos stio cada vez os que menos contain em nossas nag-6es. Todas as tradicOes que recordamos, todas as belas pagi- nas que evocamos nestas notas, pertecern aos meios impressos c, ern parte., a urn mundo que acaba. Na America Latina, como em nenhuma outra regido do mundo, a televisao, (mica e triunfante, conquistou as mas- sas. Foram uma presa desprovidas como estao nestas terras do habit° ou aprendizado da leitura do jornal operario do seculo XIX, da pagina de opiniao das classes medias emergentes europeias entre as duas guerras, do ilustre jornal das cidades anglo-saxes. 0 verdadeiro desafio dos meios e da liberdade de express-do na America Latina reside em romper ou abrir os monopolios televisivos, Citi- mos e renovados bastiOes da censura, do oficialismo e da manipulacao na America Iberica. Do jeito que vamos, corremos o risco de ver cerceadas as virtudes que aqui exaltamos, reduzidas a se manifestarem em pequenos espayos sem leitores, sem recursos, sem conseqtiencia. Esta 6 a proxima batalha, que todos desejamos possa ocorrer e ser ganha sem martires, mas nao sem combates nem valor. Se nao a enfrentarmos, perderemos o que ganhamos, e condenaremos a indiferenca ou ao esqueci- mento os colegas cujas mortes a .Sociedade Interamericana de Imprensa resgatou, para orgulho de seus familiares e amigos, e em honra do jornalismo da America Latina. Jorge Castaneda nasceu e cresceu na Cidade do Mexico. Recebeu seu diploma de mestrado pela Universidade Princeton e de doutorado pela Universidade de Paris. E professor de economia e asuntos internacionais na Universidade Nacional Autonoma do Mexico desde 1978, e escreve uma coluna amplamente sindicada. Seus livros mais recentes sao: 0 Choque Mexicano: seu Significado para os EUA; The Estados Unidos Affair e A Vida em Vermelho: Uma Biografia de "Che" Guevara. . . . devemos sempre reconhecer que a melhor maneira de evitar novos martirios é mediante a luta, nao o
  • 11. INDICE I. INTRODUcii0 Prefacio mensagem de Jorge C. Castaneda 4 Mensagem de diretor-geral David Lawrence Jr. 10 Mensagem de diretor do projecto, Ricardo Trotti 16 II. COLOMBIA 18 Guillermo Cano Isaza 20 Carlos Lajud Catalan 34 III. GUATEMALA 44 Jorge Rafael Carpio Nicolle 46 Irma Flaquer Azurdia 58 IV. MEXICO 68 Hector Felix Miranda 70 Victor Manuel Oropeza 80 V. COMPARAPoES 89 Atividade jornalistica das vitimas 90 Descricao dos assassinatos 91 Modus operandi dos assassinos 92 Processo judiciario 93 Irregularidades no processo judiciario 94 VI. RESOLUCOES 95 Reuniao de meio de ano. San Jose, Costa Rica 96 Assembleia Geral, Los Angeles 98 Reuniao de meio de ano, Cidade do Panama, Panama 100 VII. ApoEs 102 Danilo Arbilla 102 Rigoberta Mench0 103 Oscar Arias 104 Relaterio apresentado a Comissao Interamericana de Direitos Humanos 105 Mexico, Guatemala, Colombia 108 VIII. CONCLUSAO 111 Luis Gabriel Cano 111 IN MEMORIAM Contra capas 9
  • 12. Crimes Sern Punicao Contra Jornalistas MENSAGEM DO PRESIDENTE DAVID LAWRENCE JR., 1995-96 O autor foi presidente (1995-1996) da Sociedade Interamericana de Imprensa é editor do The Miami Herald Esta nao e uma estOria que diz respeito a algo distante, mas sim a algo muito mais proximo de todos nos do que muitos pensam. Nestes Oltimos sete anos, 160 jornalistas foram assassinados nas Americas. Mais de 1.000 foram atacados, feridos, ameacados. Centenas de outros foram intimidados, de formas sutis porem poderosas. E verdade que fizemos progressos incriveis neste hemisferio a caminho da democracia. Atualmente, 34 das 35 nacOes do hemisferio ocidental — todas, corn excecao de Cuba — possuem urn regime democratic°. Algumas sao fortes, outras frageis. Todas correm riscos, porque a democracia esta sempre em risco. No ano passado, corn fundos de meio milhao de dOlares recebidos da John S. James L. Knight Foundation, a Sociedade Interamericana de Impresa realizou urn projeto particularmente vital. Em grande parte da America Latina e do Caribe, a expressao comum é "crimes corn impunidade"; nos Estados Unidos, o termo seria "escapar impune". Sejamos claros: estamos falando do assassinato de jornalistas no exercicio de suas obrigacOes e da falta de punicao para os responsaveis. 10
  • 13. Introduc5o Focalizamos seis casos em tres paises — ColOmbia, Guatemala e Mexico — e nosso trabalho ja surtiu efeito. Tivernos reuniaes corn importantes representantes politicos em cada um dos paises, que prometeram, todos eles, investigar os casos de forma mais vigorosa. Alem disso, gragas ao destaque dado pela Imprensa internacional, os governos da regiao estao mais atentos ao fato de que o mundo fica realmente alarrnado quando jornalistas sao assassinados. Sera realizada uma conferencia hemisferica na Cidade da Guatemala, no final de julho dente ano, Para ilustrar as constatagoes desse pro- jeto. Nessa oportunidade, estarao reunidos intelectuais, juristas, defensores dos direitos humanos e jornalistas de todas as Americas, discutindo formas de minorar o problema. A conferencia unira os defensores da liberdade de imprensa de todo o mundo, ja que o problema nao se refere apenas ao Mexico, Guatemala ou ColOmbia, sendo, na verdade, urn problema de toda a humanidade. Temos a responsabilidade mutua de agir nessa questa°. Nossa omissao constituiria um ultraje a democracia. 0 que e apresentado aqui sao os detalhes de seis casos e o ultraje absoluto de crimes sem punigao, e o que pode ser feito a respeito. Estas sao as estOrias de seis seres humanos que morreram enquan- to exerciam sua profissao. Isto é algo que deve ser considerado importante por todos nos. David Lawrence Jr. 11
  • 14. 12 Crimes Sem PUIlica0 Contra Jornalistas Sabemos que o jornalismo e uma das profissoes mais perigosas, e que o assassina- to de jornalistas nao se restringe a America Latina - acontece em qualquer parte do mundo. Mas na America Latina existe um fator diferencial: quase 100% dos casos nao silo solucionados, e os culpados continuam sem punicao. Estes silo crimes cometidos coin impunidade. Isto é em parte explicado pelo fato de uma grande porcentagem dos responsaveis pelos crimes pertencer ao governo on estar diretamente vinculada aos circulos de poder, gozando, assim, de sua protecao. — Danilo Arbilla, presidente do Comite de Liberdade de Imprensa e Informacclo. Trecho de seu discurso no Unesco, Paris, Dia Mundial de Liberdade da Imprensa, 3 de maio de 1996.
  • 15. Introducao . As cruxes marcam o local onde Jorge Carpio e tres acompanhantes foram assassinados. 13
  • 16. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas O assassinato de jornalistas se tornou tao coinum que e agora parte da cultura popular de nosso povo. Os artistas mexicanos que fazem artesania incluem este terra em suas obras, como revela esta imager, de artista desconhecido, que presta home- nagem a varios jornalistas assassinados. ,01511NW Carlos Victor Irma Gallen) Buendia Lejud Manuel Callao Catalan Oropeza Azurdia !saw, 14
  • 17. Introducao JORNALISTAS ASSASSINATOS NAS AMERICAS Actor Jorge Ao" arpio uis P 01) tel Nicolle Rojas Zea 15
  • 18. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas MENSAGEM DO DIRETOR DO PROJETO RICARDO TROTTI EM .1995, A SOCIEDADE INTERAMERICANA DE IMPRENSA INICIOU UM• projeto de investigac-ao e analise das circunstancias por detras de assassinatos nao solu- cionados de. jornalistas em Vas paises da America Latina - Mexico, ColOmbia e • .GUaternala - como exemplos de um•problema maior. 0.projeto, intitulado Crimes sem Punicao Contra Jornalistas, foi realizado corn o apoio da John S. and James L. Knight Foundation, e foi liderado pelo presidente da SIP. David Lawrence Jr.. editor do The Miami Herald. Ficou claro que o exit° dessa missao nao seria facil. Porem, para a SIP seu obje- tivo maior e prOduzir urn document° que leve a recomendagOes ou planosde acao . que ajudem a proteger jornalistas nos tres paises e em qualquer parte.• • Os resultados da pesquisa realizada durante urn ano estao documentados neste relatOrio. 0 trabalho foi feito por funcionarios da SIP e urna eqUipe de jornalistas investigativos que viajaram para as regibes•em quest-ao e.foram auxiliados por membros do Comite de Liberdade de Imprensa e de Inforrnacao da SIP. Os seis casos investigados - dois de cada urn dos referidos paises - representam uma pequena parcela do nUmero total de casos envolvendo o assassinato de jornalistas. Os casos estudados foram selecionados para mostrar a diversidade•das circunstancias, modus operandi e motivos dos crimes (con.spiracao politica, atividade militar e/ou de guerrilha, narcotrafico, e corrupgao publica ou privada), assim como a formag.ao e as_atividades profissionais doS jornalistas.. Os investigadores descobriram muitas irregularidades que impediram que os culpadosfossenn levados a justica: entre estas encobrimentos. suborno e cor- rupcao do jOri. Registrou-se, tarnbem, detectados violencia contra testemunhas, juizes, promotores publicos e parentes das vitimas: Este document° final sera a .base da Conferencia Hemisferica da qual participaracypor urn prestigiado grupo. de intelectuais, juizes. advogados, ativistas de direitos humanos, editores Ejornalistas representantes das Americas para condenar a impunidade que cerca os crimes contra jornalistas. A conferencia, que tera o,forrnato•de urn tribunal, corn juizes, testemunhas e prornotor publico, tera Vas objetivos: a) Declaracao de Condenacao ao assassinato :de jornalistaS„ estabelecendo',a•magnitude do delito e seus agravantes; b) Recomendacoes a governos para que'a perseguicao a esse tipo de crime e sua impunidade seja mais eficaz; c) Plano de AO° Institucional a ser elaborado pela SIP e associacees..afins para acompanhar casos de assassinatos de jornalistas em todo o mundo. — Ricardo Trotti, Diretor do Projeto 16
  • 19. Reuniao introdutoria entre o pessoal da SIP e os investigadores antes de iniciar o trabaiho de campo. Participaram da reuniao, em dezembro de 1995 nas instalacoes do The Miami Herald e El Nuevo Herald em Miami, o entao presidente da Fundacao Knight, Lee Hills, e o diretor Creed Black. Uma mesa-redonda com- posta por membros da SIP, convidados especi- ais e investigadores da SIP apresentou um relatorio preliminar sobre as descobertas nos casos de jornalistas assassinados em varios paises, na 52a Assembleia Geral, em outubro de 1996, em Los Angeles. Acima, da esquerda para a direita, Ricardo Trotti, diretor do projeto, e Ana Arana, June Erlick e Norman Navarro, jornalistas que realizaram parte das investigacoes. Abaixo, Luis Gabriel Cano, presi- dente da SIP para 1996- 97; David Lawrence, presidente da SIP em 1995-96; e o escritor mexicano Jorge C. Castarieda. 17
  • 20. Parte II Assassinatos de jornalistas na Colombia I NTRODUPAO D urante os altimos vinte anos, a Colombia se tornou um dos paises mais perigosos para jornalistas no hemisferio ocidental. Mais de 100 jornalistas foram mortos. Mais de 95% destes assassinatos ainda nao foram solucionados. A maioria dos colombianos, e ate mesmo muitos jor- nalistas, tem dado pouca atencao ao fato, exceto quando se trata de assassinatos de mais destaque. Os assassi- natos de jornalistas se mis- turaram ao turbilh5o de vio- lencia generalizada da Colombia que, em 1995, deixou 39.000 pessoas mor- tas. A impunidade na maioria dos crimes (ou seja, a falta de investigaciio e punie5o) criou novas vitimas. Varios jornalistas s5o mortos todos os anos. Maria Claudia Pulido, chefe de uma seciio para direitos humanos do departamento da procurado- ria geral, declarou que "a violencia se alimenta de si mesina, e crimes n5o solu- cionados criam mais violen- cia". Tudo isso tern criado urn efeito repressor na liberdade Regioes inteiras tern se tornado buracos negros de noti- cias. Poucos jornalistas se aventuram a fazer reportagens 18 nessas areas. A impunidade tem tambem gerado autocen- sura, especialmente entre os jornalistas provincianos, que tern sofrido mais nas mhos dos traficantes de drogas, gangues paramilitares, grupos de guerrilha e politicos corruptos. Em muitos departamentos colombianos os jor- nalistas "espertos" s5o os que evitam questoes controver- sas ao inves de correrem riscos. Para esta investigacao sobre impunidade, a SIP sele- cionou dois casos que ilustram os perigos enfrentados pela midia colombiana. Urn deles é a contratacao de urn pistoleiro para assassinar Guillermo Cano Isaza, edi- tor do El Espectador; que foi morto a mando do falecido Pablo Escobar Gaviria, pes: soa-chave do comercio de drogas. 0 assassinato de Cano foi urn dos mais revoltantes crimes na Colombia nos nitimos vinte anos. Foi urn prelndio de uma onda de violencia desencadeada contra o pais por Escobar e por outros traficantes de drogas, que procuraram silenciar qualquer imprensa critica. 0 segundo caso foi o assassinato, em 1993, de Carlos Lajud Catalan, comentarista de radio que foi morto enquanto lutava contra a corrupcao local na cidade costeira de Barranquilla. Seu caso nab possui a magnitude do caso de Cano, mas é mais representativo do tipo de violencia enfrentada pelos jornalistas nos depar- de imprensa da Colombia. 0 assassinato de Cano foi um dos mais revoltantes crimes na Colombia nos tiltimos vinte anos. Foi um preltidio de uma onda de violencia desencadeada contra o pais por Escobar e por outros traficantes de drogas que procuraram silenciar qualquer imprensa critica.
  • 21. Bogota 0 Peru Bogota Guillermo Cano Isaza Assassinado, 17 de dezembro de 1986 EXPECTATIVA DE VIDA: 69 anos ANALFABETISMO: 18,3 % PRESIDENTE: Ernesto Samper Pizano PPP..0f10;:: 'abffieb.. Equador 19 Colombia tamentos da Colombia. Lajud usava seu programa matinal para criticar a corrupcao do governo, para ironizar os principais funcionarios do governo, e para manter os moradores de Barranquilla informados sobre a corrupcAo. Quando foi morto, em 1993, estava em vias de revelar informacoes escandalosas envolvendo negocios escusos que dariam milhoes a funcionarios locals. Ao inves de continuar o trabalho de Lajud contra a corrupcao, seus colegas se mantiveram quietos, e muitos ate chegaram a conclusao de que seu estilo de reportagem tempestuoso havia contribuldo para seu assassinato. Desde o assassinato de Lajud, poucos reporteres nessa cidade adotaram a reportagem critica. Matando Lajud, seus assassinos finalmente tiveram sucesso em seus esforcos para calar as oozes independentes. A impunidade cria um efeito de onda traicoeiro nos familiares, amigos e colegas da vitima. Na maioria das vezes, os mesmos assassinos ameayam qualquer urn que queira investigar o assassinato ou forcar sua solucao. No assassinato de Cano, virias pessoas envolvidas na investigacao foram assassinadas, e outras assediadas. Na investigacao do caso Lajud, a famflia e os amigos tiveram medo de dar seguimento ao caso. A 0 200 N Milhas MAPA DA' AREA ar do„Ca'ribe. menca do,Sul Barranquilla Carlos Lajud Catalan Assassinado, 19 de abril de 1993 Barramqvilla Colombi Venezuela • Medellin ma CAPITAL: Santafe de Bogota SUPERFICIE: 1.138.914 km2 IDIOMA OFICIAL: Espanhol POPULAOAO: 35.886.280 DENSIDADE DE POPULACAO: 29,3 hab./km2 POPULAOAO URBANA: 73%
  • 22. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas DADOS PESSOAIS: GUILLERMO CANO ISAZA Assassinato Guillermo Cano Isaza (12 de agosto de 1925 — 17 de dezembro de 1986) "Existem fenomenos que levam ao desanimo e desesperanca, mas eu nao hesito em afirmar que os colombianos sao capazes de avancar em direcao a uma sociedade mais igua- Maria, mais justa, mais honesta e mais prospera." — Guillermo Cano Isaza em sua coluna Livro de Apontamentos, publicada 20 no jornal El Espectador Local de nascimento: Bogota Idade ao falecer: 61 anos Estado civil: Casado em 1953 corn Ana Maria Busquets Filhos: (nomes e idades na data do falecimento do pai) Juan Guillermo, 32; Fernando, 30; Ana Maria, 26; Maria Jose, 23, e Camillo, 20. Formacao: Completou o segundo grau no Gimnasio Moderno de Bogota Profissao/cargo: Jornalista. Diretor do El Espectador Experiencia jornalistica: Aos 17 anos, em 1942, comecou a escrever sobre touradas no El Espectador Nesta mesma epoca, tra- balhou como redator de diversos temas na seciio "Dia a Dia" do mesmo jornal. Em 1950, lancou a revista cultural do El Espectador, chamada "Magazin Dominica!". Foi correspondente do jornal na Europa por varios anos. Assumiu a direcao do El Espectador em 1952. Anos de exercicio do jornalismo: 44 anos Premiaciies: Premio Nacional de Jornalismo, cm 1986. Recebeu postumamente, em 1987, a Medalha "Rodrigo Lara Bonilla", o premio Maria Moors Cabot e o International Press Service, das NacOes Unidas. Em 1988, recebeu o prernio Postobon e a Medalha da Cruz Vermelha Internacional. Foram batizados corn seu nome: uma represa no departamento de Antioquia, duas escolas (uma em Bogota e uma em Medellin), e urn complexo desportivo. Outras atividades: Foi socio do Jockey Club de Bogota e do Clube de los Lagartos. Hobbies: Tinha grande paixdo por literatu- ra. Quando morreu, sua biblioteca continha cerca de 5.000 livros, espe- cialmente de temas historicos como Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial, assim como romances e livros de arte. Era aficcionado por futebol, touradas, equitacan, c jogava tenis. Destacou- se coino cronista desses assuntos, e muitos de seus trabalhos receberam premios e foram publicados em livros.
  • 23. ColOmbia • Guillermo Cano Isaza CONDIPOES NA COLOMBIA NA EPOCA DO ASSASSINATO PRESIDENTE DA COLOMBIA: Virgilio Barco Vargas PARTIDO NO GOVERNO: Partido Liberal siTuAcAo POLITICA NO PAIS OU REGIAO: Os traficantes de drogas foram os mandantes, nessa epoca, do assassi- nato de mais de 50 juizes, urn ministro da Justica, urn juiz do Supremo Tribunal e o chefe da Policia Antinarcaticos. Todas as vitimas tinham relagao corn as decisoes legais contra o Cartel de Medellin, e eram a favor do pacto de extradigao corn os Estados Unidos. Doffs meses depois do assassinato, o traficante Carlos Ledher foi extradita- do para os Estados Unidos. Nessa epoca, a Colombia se recuperava da catastrofe do vulcao Nevado de Ruiz, cuja erupcao causou mais de 25.000 mortes em 1985, no period() em que o pais estava tambem se preparando para a visita do Papa Joao Paulo II, em julho de 1986. Como resultado da crise que afetou o pais, o gover- no colombiano suspendeu o pagamento de sua divida externa. A caravana funeraria de Guillermo Cano Ora diante do jornal El Espectador para urn ultimo adeus. 21
  • 24. Crimes Sem Punicr5o Contra Jornalistas FICHA DO CASO: GUILLERMO CANO ISAZA DATA DO ASSASSINATO: 17 de dezembro de 1986 LOCAL E CIRCUNSTANCIAS Dois assassinos contratados esperararam por Cano enquanto ele fazia um retorno na Avenida del Espectador, cm Bogota, pouco depois das 19 horas. Urn deles apro- ximou-se rapidamente da perua da familia dirigida por Cano e atirou oito vezes contra seu peito corn uma metralhadora. Movendo-se por entre o trafico pesado de vesperas de Natal, os assassinos escaparam em uma motocicleta, cuja placa foi iden- tificada como FAX 84. POSSIVEIS MOTIVOS 0 chefe do Cartel de Medellin, Pablo Escobar, considerava o El Espectador e Guillermo Cano seus principals inimigos, devido as cons- tantes dentincias contra o narcotrafi- co e a posiyao favoravel do jornal em relacao a extradicao de traficantes de 22 drogas para os Estados Unidos. SUSPEITOS Em outubro de 1995, nove anos apds o assassinato, Maria Ofelia Saldarriaga, Pablo Enrique Zamora, Carlos Martinez Hernandez e Luis Carlos Molina Yepes foram conside- rados culpados de conspiracao no assassinato e foram condenados a 16 anos e 8 meses de prisao. Entretanto, em outra sentenca de 30 de julho de 1996, o Supremo Tribunal de Bogota revogou aquela sentenca, absolven- do-os de acusaceles em crimes corn excecao de Molina Yepes, que con- tinua sendo o dnico condenado e tambem fugitivo. Anteriormente, as autoridades haviam considerado como mentores do crime: Pablo Escobar Gaviria, Evaristo Porras, Gonzalo Rodriguez Gacha e Luis Carlos Molina Yepes, que foi o dnico condenado e recem capturado em 18 de fevereiro de 1997. CONSEQUENCIAS VIOLENTAS Varios juizes e funcionarios do Poder Judiciario foram subornados. Um juiz, o pai de uma jufza e o advo- gado da familia Cano foram assassi- nados. Outro juiz, quatro jornalistas, e dois filhos de Guillermo Cano tiveram que abandonar o pais depois de repetidas ameacas de morte. A entrega do jornal em Medellin foi continuamente sabotada. 0 gerente- geral e o chefe de distribuicao desse escrit6rio foram assassinados. Uma bomba destruiu grande parte da sede central do El Espectador Criminosos incendiaram a casa de veraneio da familia Cano, prOxima a cidade de Cartagena. Foi tambem assassinado o principal suspeito que atirou contra Guillermo Cano e outros integrantes da gangue Los Priscos, contratada pelo Cartel de Medellin para corneter o crime. IRREGULARIDADES DO PROCESSO LEGAL Juizes destituidos por suborn() e negligencia deliberada durante o processo preliminar nao foram inves- tigados. Juizes, funcionarios judiciais
  • 25. 1925 • DON GUILLERMO CANO 1SAZ4 • 1986 EL ESPECTAD EL ESPECTADOR nabaiora an teen ce la pan can criledo liberal y en bier de los {choicer liberates con Olen° patty:Cm° FIDEL CANO ColOmbia • Guillermo Cano Isaza ASESINADO EL DIRECTOR DE EL ESPECTADOREl director de El Espectador. Guillermo Cane Inns. fue asesirtado anoche par dos sicarios al astir de las instalaciones de este diaries despues de su jornada habitual de trabajo. El crimen cause consternation y una inmerisa oleada protestas, asi come inmediatas medidas pot parte del gobierno pare reprimir is areIdll de los violent°s. Cuando se dirigta a su residencia del nurse de Bogota. Don Guillermo Cana remold tines impactos de alma de fuixo, dis- parados per un individuo que junto con orro la esperaha terra a la entrada principal del periMico. klitainete y quince de lanoche se produjo of crimen, cuando dun Cuillermd Cano, al Laurin de su veniculo, redujo la velocidad pare girar,hleia el norte, en el cram de In rarrera 68 con calle 22. Fue atacadu sorpresivamente por an hombre que Ic estaba esoerando en el extreme del separator central de la conges:ionada via y quien dispard sistesivamoute sobre la ventanilla isquierda del automotor, REit„."010 NACIONAL.— Los expresidentes de la Re -Mica, Ins directives politicos de tkdos los seetores y tendencies, la ,crises !a on altos niandos militates, les gremios, los sin leiltos, lideres de distintas actividades y coronas de las mss diversas aerividades nacimales, se pronunciaron eon estupor pant re. pudiar rl atentado y sedalar que el va dirigido fundamentalmdme contra la prensa lihre, para tratar de acallarta e impedir que continue sus implacables denuncias contra el riarcotrafieo. DECRETO DE HONORES.• Al enterarse de la infausta notieia, el presidents Virgilin Ramo tenure un Consejo de Ministros que sesiona hauls las horas de la madrugaila, al termino del coal fue expetlidu un decreto de honores. El ministrn do Gobierno, Fernando Cepeda Ullrw, ley6 per Radio Nacional tma declara6On para condenar el vie asesinato. EL S'EPEL10.— El cadaver de don Guillermo Cano perms- necid en la Caja Nacional de PrevisiOn 'oasts despues de que sracticaron las diligencias le ales y en la madrugada fue bras. adado a las instalaciones de El Espectador pars su velacion Cr. ta sate principal. Er este inismc loger se sfectuaran hay las axe., gums, a las once de la manna, y posteriormente recibira sc. pultura en los Jardines del Recuerdo. El peesidente y sus mi. nistrus cc haran preserses en los funerales. (Ptl,qinas 9-A, 10-A, II-A, 12-A, I3-A, le-A, I y 2 Smci437, Bogoti Bogota, Neves 18 de diciembre de 1986 7B PAGINAS 3 CUADERNILLOS - 1 RE015TA ANO %CI% 20.247 secoo '''''en«....”fr=":"'" 555 " AFAtO" Dlt.151A 1IP 11 01 0 el 1 1 • Acima, manchetes do jornal El Espectador de 18 de dezembro de 1986, nas quais se noticia o assassinato de Guillermo Cano. Abaixo, a esquerda, veiculo no qual Cano foi assassinado. A direita, Cano em seu escritorio. e membros do jiiri foram ameacados. Vtirios anos se passaram e o caso passou por diversos tribunais. Novas pistas nae foram investigadas. Luis Carlos Molina Yepes, urn dos men- tores do crime, e condenado, escapou depots de a policia permitir que saisse da pristio para comprar cigar- ros. 0 Cartel de Medellin se infiltrou no Poder Judiciario, comprando juizes e apoderando-se de infor- macao essencial para sua defesa. 23
  • 26. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas INVESTIGACAO: GUILLERMO CANO ISAZA O assassinato de Guillermo Cano Isaza Por Ana Arana 24 RESUMO 0 assassinato de Guillermo Cano Isaza, editor do jornal El Espectador, da Colombia, por trafi- cantes de droeas, em 1986, sacudiu as bases da sociedade colombiana. Os reis da droga ja haviam assas- sinado o ministro da Justica, o presidente do Supremo Tribunal e o chefe da policia nacional, mas o assassinato de um editor de urn jornal nacional, em urn pais no qual editores de jornal freqiientemente tern o mesmo peso que ex-presidentes, quebrou todas as regras. Pablo Escobar Gaviria e o Cartel de Medellin viam o El Espectador como seu inimigo flamer() 1. Cano havia assumido uma posicdo forte contra as drogas e era urn firme defensor da extradicdo dos traficantes colombianos. Sentia que as instituicoes colombianas nao eram fortes o suficiente para julgar e condenar poderosos reis das drogas. Escobar e seus ctimplices davam festas comemorando sua vitaria em Medellin, base do cartel, e em Leticia, uma cidade na fron- teira entre Equador e ColOmbia. Leticia era urn importante ponto de passagem para a pasta de coca do Peru e da Bolivia. A investigacdo do assassinato demorou nove anos. 0 grupo de advogados de Escobar conseguiu que o caso nao fosse transferido para um sistema judiciario especial "sem rosto". Essa manobra legal permitiu que Escobar tivesse acesso as identidades dos juizes. Alguns deles foram forcados a aceitar suborn° e outros foram mortos ap6s rejeitarem suborno. Urn juiz exilou-se; uma juiza teve o pai assassinado ap6s ignorar avisos para que aban- donasse a investigacdo, e ma terceira pessoa, urn juiz do Supremo Tribunal de Bogota, foi assassinada momentos ap6s assinar um mandado de prisdo contra Escobar. Para o jornal, o assassinato foi apenas o inicio de uma campanha desleal feita por Escobar e seus homens. Como o jornal continuava suas reportagens provocadoras e inci- sivas sobre os traficantes de drogas, as ameacas de tnorte contra seus reparteres e editores continuavam. Os dois filhos de Cano, Juan Guillermo e Fernando, que dividiam os altos cargos editoriais do jornal, receberam varias ameacas de morte e deixaram o pais por longos periodos durante os tr8s anos que se seguiram ao assassinato. Quatro outros reporteres tambem foram forcados a deixar o pais, ap6s receberem ameacas de morte. A distribuicao de jornais em Medellin e em outras areas foi sabotada. E o escriterio de Medellin foi fechado ap6s o diretor de cir- culacao e o gerente do escritorio serem assassinados. Entre 1989 e 1990, o jornal foi entregue em Medellin corn o use de escolta militar. A circulacdo na cidade caiu quando os distribuidores foram avisados por homens de Escobar para que nao entregassem 0 jornal. Os piores golpes vieram em 1989, quando Hector Giraldo Galvez, o advogado da familia Cano que estava investigando o assassinato, foi assassinado friamente. Nesse mesmo ano, Escobar deu o que pensou ser o Ultimo golpe contra o jornal: homhardeou suas instalacoes. Os procedimentos judiciais, que comecaram em 1991, foram finalmente concluidos em urn tribunal comum em 22 de agosto de 1995. Quatro pessoas foram condenadas de homici- dio qualificado. Tres tiveram sentencas de prisdo. 0 quar- to crimplice acusado, Luis Carlos Molina Yepes, um obscuro comerciante e ex-confidente de Escobar que lida- va corn a conta bancaria usada para pagar os assassinos de Cano, permaneceu foragido ate ser preso, em 18 de fevereiro de 1997. Dois traficantes de drogas que foram os principais mentores, Gonzalo Rodriguez Gacha e Escobar, foram abatidos em 1989 e 1993, respectivamente. Outros, como Evaristo Porras, estdo cumprindo pena na prisdo por enriquecimento ilegal. A defesa recorreu a decisdo tomada pela corte em 1995. E em 30 de julho de 1996, em uma decisdo ines- perada, o Supremo Tribunal de Bogota revogou as sen- tencas e dcclarou que os tres acusados cram inocentes. A corte confirmou a sentenca contra Molina Yepes.
  • 27. Colombia • Guillermo Cano Isaza O CRIME 0 assassinato de Guillermo Cano ocorreu quando a ira de Escobar contra o jornal colombiano estava prestes a explodir. Em 1986, o "Cheftio", como Cano o chamava ironicamente em suas colunas, havia acumulado uma for- tuna e se tornado um dos mais poderosos traficantes de drogas do mundo. Seu Cartel de Medellin era reponsavel por 70% de toda a cocaina importada pelos Estados Unidos e Europa; seus ganhos eram assombrosos. Havia criado uma especie de culto em Medellin, onde construira casas e campos de futebol para Os pobres. Mas seu reina- do foi ameacado pelo tratado de extradicao entre Colombia e Estados Unidos. Escobar achava que a opiniao publica era uma ferra- menta importante para acabar corn o tratado. Assim, gas- tou imensas quantias para apresentar o tratado como uma violacao da soberania nacional da Colombia. Conforme o cartel continuava sua campanha para eliminar o tratado de extradicao, Cano golpeava de volta, atacando a posicao dos traficantes. Semana apps semana, suas colu- nas criticavam aqueles que queriatn anular o tratado. Seus pontos de vista tinham o apoio de artigos escritos pelos reporteres investigativos do El Espectador, mostrando o quanta o sis- tema judiciario na Colombia era vul- neravel para ser pressionado pelos traficantes. Alguns colegas achavam que Cano estava ohcecado corn o eomercio de drogas. Mas olhando para tras seus reporteres e outros jornalistas agora concordam que ele era um "profeta" e que via o inicio de urn invasivo corner- cio de drogas e o perigo que represen- tava para a democracia colombiana. "Ele tinha urn incrivel sentido para o que e noticia", disse Luis de Castro, o editor de assuntos legais de El Espectador, que trabalhou corn Cano durante varios anos. Os repOrteres ainda se lembram das piadas e da rnemaria fotogrtifica quc o caracterizavam. LUIS GABRIEL CANO, o irmao mais velho de Guillermo que assumiu a direcao do jornal apps sua morte, diz que o irrnao nunca falou nada sabre as ameacas. "Guillermo continuava sua luta contra os trafi- cantes a qualquer custo", disse. Os cahelos brancos de Luis Gabriel e seu jeito calmo lembram os funciandrios do jornal seu chefe assassinado. "Guillermo sentia que nao podiamos dete-los, que as gangues de drogas iriam quercr governar, e e o que esta- mos enfrentando agora", disse, em seu espacoso escritario. Este, semi-destruido no bombardeio de 1989, reflete muito da historia do jornal, que teve sua primeira edicao em 1887. Cano iniciou sua guerra contra as gangues no inicio da decada de 80. Seu prirneiro golpe jornalistico contra Escobar foi uma estaria publicada em 1983, que descrevia a prisdo do rei das drogas devido a sua relayao corn o terra. Na epoca um desconhecido ladrao de carros, Escobar foi preso em 1976 por esconder cocaina nos pneus de urn carro roubado. Esse incidente é lembrado afetuosamente pelo pessoal do jornal coma uma ilus- tracao da esperteza e do instinto jornalistico de seu ex- patrao. Cano lemhrou-se do rosto de Escobar quando viu a rei das drogas em cerimOnia de posse no Congresso. "Ja vi esse rosto antes", disse a um de seus editores. Pesquisou pessoalmente na biblioteca do jornal ate achar a foto. E republicou a estaria e a foto na primeira pagina do El Espectador. Isso acabou com a ambicao de Escobar de entrar no Congresso e transformou Cano em urn de seus piores inimigos. Em 1986, o El Espectador assumia a lideranca, na miclia colombiana, nos ataques contra os cartels de dro- gas. 0 papel do jornal era dissecar, expor, e investigar o trafico de drogas e seus tentaculos na sociedade colom- biana. Cano, com 61 anos, atacava violentamente os reis das drogas no editorial e nas novas paginas de sua coluna chamada "Libreta de Apuntes" (ou Apontamentos). Ganhou o Premio Nacional de Jornalismo na ColOmbia em 1986 por suas colunas contra a tra- fico de drogas e em favor do tratado de extradiyao. Em 16 de dezembro de 1986, foi entrevistado por urn fun- cionario do CIrculo de jornalistas de Bogota sabre os perigos do jornalis- mo. "0 problema corn nosso negocio é que a pessoa nunca sabe a noite em que nao ira voltar para casa", disse. No dia seguinte na quarta-feira, dia 17 de dezembro de 1986, Cano foi assassinado. Naquele dia, Cano deixou o jornal logo apps as sete da noite. Entrou ern sua perua Subaru vermelha, que estava no estacionamento do jornal. Quando pegava a Avenida del Espectador, uma estrada principal em frente aos escritorios do jornal, o transit° de vesperas de Natal estava insuportavel. `Onibus liberavam fumacas de diesel e colavam-se aos para-choques dos carros. Cano tomou a avenida no sentido sul, e passou para a pista da esquerda, de onde iria dobrar para a outra pista, no sentido forte. Quando desacelerava o ean-o para dobrar, urn dos dois rapazes esperando em uma motoci- cleta ilegalmente parada no meio da estrada, aproximou- se a pe do Subaru. Ao aproximar-se, o rapaz abriu urn estojo preto, retirando uma pequena arma, uma MAC-10, como a policia determinaria mais tarde. Era a arma favorita do Cartel de Medellin. Rapidamente alvejou Cano corn oito tiros no peito. Tentando escapar, Cano, mortalmente ferido, apertou o acelerador, lancando o carro no meio do transit°, em direcao a urn poste contra 25 Os traficantes tambem mataram varios reporteres provincianos por terem escrito estorias sobre operackies corn drogas.
  • 28. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas o qual o carro se chocou. Testernunhas disseram que os bandidos escaparam em uma moto corn uma placa bem nitida: FAX 84. Ninguem duvidou que a morte de Cano tinha sido ordenada pelos traficantes de drogas. A lista de mortos ja era longa: mais de 50 juizes, o ministro da Justica, Rodrigo Lara Bonilla, o juiz do Supremo Tribunal, Hernando Baqucro Borda e o chefe da polfcia de Narcotrafico, Jaime Ramirez Gomez. Todas essas vitimas tinham sido funcionarios do govern() que tomavam decisoes judiciais importantes contra o Cartel de Medellin ou casos legais de extradicao. Os traficantes tambem mataram varios reporteres provincianos por terem escrito estorias sobre operacoes com drogas. Mas o assassinato de Cano abriu uma ferida muito major na democracia colombiana. Seu assassinato foi uma mensagem aterradora para a sociedade da Colombia: "ataque-nos, e iremos retaliar". Este scria o preltidio de assassinatos de tres candidatos a presidencia, e de outros jornalistas que foram alvo do Cartel de Medellin. No dia seguinte ao assassinato, uma procissiio funeraria liderada pelo presidente Virgilio Barco e formada por milhares de colombianos chorosos, acompanhou o corpo de Cano ao cemiterio Jardines del Recuerdo, nas proxirnidades de Bogota. 0 Circulo de Jornalistas de Bogota pedi u aos meios de comunicacao para nao informar nesse dia, configurando a primeira vez que uma greve de jornais foi feita em mem6ria de urn jornalista assassinado. Sua morte estaria na primeira pagina de todos os jornais colombianos diari- amente, assim como em jornais estrangeiros. Respondendo ao assassinato, o presidente Barco declarou "estado de sftio". Tarnbern introduziu uma lei que exigia permiss5o especial para donos de motos e proibfa a venda de motos possantes. Foi uma aceitacao implicita de que as motos haviam se tornado uma ferra- menta mortal usada por traficantes de drogas para assas- sinar colombianos. Enquanto a maioria da Colombia ainda estava de luto, Medellin, o centro nao-oficial do cartel, estava eufOrico corn o assassinato de Cano. A policia relatou comemo- racOes nas comunas, ou bairros pobres, onde os pis- toleiros do cartel moravam. Os chefOes tambem estavam de born-humor. 1nformantes diriam mais tarde a policia que a reuni5o, na casa de Escobar no luxoso predio El Monaco, era para celebrar o assassinato de Cano e teve a presenca de membros do alto escal5o do Cartel de Medellin. Outra festa foi dada em Leticia, uma cidade de fronteira a cerca de 700 km ao sul de Bogota, onde 26 Evaristo Ponds e seus comparsas tambour) estavam em clima de festa. Porras dominava o principal porto de entrada para contraband() de drogas do Peru e da Bolivia. Ap6s o assassinato de Cano e de outros incidentes vio- lentos em 1986, os colombianos pareciam querer csque- cer que havia urn crescente comercio de drogas. Assim, 1987 e 1988 foram anos dificies para o El Espectador, que continuou sendo o lider no confronto corn os traii- cantes. A unidade investigativa do jornal continuou ativa, mas ameacas de morte a seus funcionarios se multipli- cavam. Nos tres anos que se seguiram a morte de Cano, quatro repOrteres foram forcados ao exilio. Os amincios diminuiram, visto que os traficantes amedrontavam as companhias quanto a colocacao de publicidade no jornal. A campanha de desestabilizacao culminou com o bombardeio dos escritarios do jornal, em 1989. Os 130 quilos de dinamite explodiram bem cedo na manila do sabado, dia 3 de setembro de 1989. Era pouco mais de seis e meia da manila e a explos5o ocorreu antes que os funcionarios chegassem, destruindo o telhado do predio, a entrada principal e afetando gravemente a producao do jornal. A bomba tinha sido escondida em urn caminhao estacionado em frente da entrada principal do jornal minutos antes de explodir. Nesse mesmo dia, seis homens armados invadiram uma ilha particular, na area de Rosario de Cartagena, e incendiaram a resid'encia de verao da fatnilia Cano. A INVESTIGAPAO A guerra iniciada pelo Cartel de Medellin e Escobar contra a Colombia pairava sobre a investigacao do assassinato de Cano. Os investigadores eventualmente descobriram que o crime tinha sido ordenado por Escobar, Evaristo Porras, o rei das drogas que dominava Leticia, e Rodriguez Gacha, tambem urn lider no Cartel de Medellin. 0 assassinato foi executado por Los Priscos, a gangue de assassinos favorita de Escobar e envolvida em todos os grandes assassinatos e explosoes ordenados por Escobar entre 1984 e 1990. A gangue foi dissolvida em 1990. Os autores materiais eventualmente acusados pelo assassinato foram Maria Ofelia Saldarriaga, m5e do pis- toleiro; Pablo Enrique Zamora, que dirigia a moto; Castor Emilio Montoya Peldez, intermediario na contratacao dos sicarios; Carlos Martinez, quem vendeu a motocicleta; Raul Mejla e Luis Carlos Molina Yepes. Uma investi- gacao posterior provou que Raul Mejia era urn homer que havia falecido e cujo nome havia sido usado ilegalmente pelos assassinos. Os outros, corn excec5o de Molina Yepes e Montoya, cumpriram pena em Medellin e Bogota. Apesar de as autoridades colombianas afirmarem nao conhecer o paradeiro de Molina Yepes, e de haver suspeitas de que este tenha subornado A guerra iniciada pelo Cartel de Medellin e Escobar contra a Colombia pairava sobre a investi- gaga° do assassi- nato de Cano.
  • 29. ColOmbia • Guillermo Cano Isaza funcionarios dentro do sistema judiciario, a policia finalmente o capturou em 18 de fevereiro de 1997 em urn restaurante em Bogota. Montoya nunca foi preso porque as autoridades nao o encontraram dentro do period() legal. ESCOBAR EXERCEU GRANDE INFLUENCIA na investigacao porque Cano foi assassinado dois anos antes de a Colombia instituir o sistema judieiario "sem rosto", que protege as identidades dos juizes, teste- munhas e investigadores judiciais. Quando o governo tentou transferir a investigacdo Cano para esse sisterna, Escobar usou sua equipe de advogados caros para mantC.,- lo no sistema judiciario usual. Imediatamente apps o assassinato, a investigacdo foi enviada ao Tribunal de Instrucao Criminal N. 60, onde urn juiz nao identificado comecou a receber ameacas de morte quase imediatamente. Amedrontado, pediu a seus superiores que transferissem o caso e o tirassem de sua juris- dicao. 0 caso foi entao trans- ferido para o Tribunal N. 71, onde o juiz Andres Enrique Montatiez iniciou corajosa- mente a investigacao. Enquanto isso, a policia em Medellin e .Bogota comecou a receber uma enxurrada de pistas e de novas direcOes. Seis meses atlas o assassinato, em junho de 1987, receberam uma pista que comecou a desvelar o misterio do assassinato: uma pista para investigar a casa de Medellin de Edison Harvey Hill Munoz, urn bandido identificado como urn treinador para os pistoleiros do cartel. Quando a policia chegou a casa de Hill Munoz, iniciou-se urn tiroteio. Hill Munoz foi assassinado pela policia. Uma husca levou a policia a moto corn a placa FAX 84. Houve rumores, no submundo colombiano, de que a policia estava chegando perto dos assassinos de Cano. Conforme a policia chegava mais perto, os lideres da gangue assassina decidiam tentar apagar algumas pegadas. A primeira ordem foi matar Alvaro Garcia Saldarriaga, o pistoleiro de 23 anos de idade, identificado por testemunhas para a policia. Alvaro Garcia foi encontrado morto em uma margem de rio em 25 de maio de 1987. Seu corpo foi reivindica- do por sua mae, Maria Ofelia, uma mulher de 50 anos e analfabeta. Em seis meses o juiz e os investigadores do Departamento de Seguranca Administrativa (DAS) deter- minaram que o assassinato de Cano tinha sido parte de uma conspiracao executada por Escobar e seus capangas. 0 juiz Montafiez emitiu uma ordem de prisao contra Escobar; Porras; Gilberto Ignacio Rodriguez, urn ex-gov- ernador da regido Amazonas; sua namorada, Dulcinea Cormo Galindo, que vivia em Leticia; urn medico chama- do Hector Villegas, e varios bandidos da gangue Los Priscos. Mas imediatamente apes a decisdo, o juiz Montaliez deckliu tirar ferias prolongadas. 0 caso foi passado tem- porariamente para o juiz Eduardo Triana. Dulcinea Cormo, Villegas y Porras foram desvincula- dos da investigacao por falta de provas. 0 DAS determi- nou que Luis Eduardo Osorio Guizado, o "La Guagua", ou rato almiscarado, era o chefe da gangue. No final de julho a policia prendeu urn suspeito sur- presa. Maria Ofelia Saldarriaga, a mae do pistoleiro, foi identificada como cemplice. Seguindo urn palpite, a poli- cia havia grampeado seu telefone apes saber que ela havia depositado US$15.000 (ao cambio oficial em 1986) em sua conta bancaria. Uma noite ela ligou para Pablo Enrique Zamora Rodriguez, o "El Rolo", e o homem que executara o assassinato de seu filho. Disse- lhe para se livrar da motocicleta. 0 cartel continuava sua furiosa campanha contra o jornal El Espectador. No dia 12 de abril de 1987, bandidos explodi- ram uma estatua de Cano, que havia sido recentemente erigida em urn parque de Medellin. Os homens do cartel avisaram aos estabelecimentos comerciais de Medellin que parassem de distribuir o jornal, ou seriam atacados. Os procedimentos legais con- tinuaram ate agosto de 1987, quando o terror chegou ao sistema judicierio. Em 1 de agosto a policia envolveu-se em urn tiroteio surpresa a dois quarteiroes da casa do juiz encarregado do caso Cano. Jose Roberto Frisco Lopera, o mais temido membro da gangue Los Priscos, foi morto no confronto. Em urn ataque subseqiiente da seu quarto de hotel no centro da cidade, a policia descobriu granadas, metralhadoras e mapas da area onde o juiz Triana morava. A campanha de intimidacao foi tambern dirigida a pessoas que trabalhavam corn o juiz. As pessoas que ligavam ofereciam a esses funcionarios US$20.000 por informacao, ou "Voce ire se arrepender". Em 2 de agosto, o juiz Triana corajosamente emitiu urn mandado de prisao para Saldarriaga e El Rolo, estendendo o period° de prisao. Mas em 5 de agosto, vencido pelas ameacas, partiu para a Europa. Em 15 de agosto, o caso tinha sido transferido para o juiz Montatiez, que havia voltado a Colombia. Ele o rejeitou, argumentando que havia said° de sua jurisdicao, 27 cartel continuava sua furiosa campanha contra o jornal El Espectador. No dia 12 de abril de 1987, bandidos explodi- ram uma estatua de Cano, que havia sido recentemente erigida em um parque de Medellin.
  • 30. Crimes Sem Punic5o Contra Jornalistas e o enviou ao Supremo Tribunal. Sem que as autoridades soubessem, emissarios do cartel ja haviam subornado o juiz Montainez, conforme ficaria claro em subsequentes decisOes. 0 Supremo Tribunal rejeitou o caso e mandou que ele o assumisse. Ele se recusou a faze-1o. 0 caso estava agora sem urn tribunal permanente. As investigacCies continuaram sob varios juizes diferentes. Ruben Dario -Mena e Alejandro Naranjo Rubian, dois dos mais conhecidos advogados de Pablo Escobar, entraram corn uma peticao para tentar a libertacito de Saldarriaga e El Rolo. Eventualmente, o juiz Montatiez foi forcado a assumir o caso de volta. Em dezembro de 1987, dias antes do primeiro aniversario do assassinato, o juiz indiciou El Rolo, Maria Ofelia Saldarriaga e varios membros de Los Priscos. 'lambert] identificou Carlos Martinez Hernandez, Antonio Ochoa e Raul Mejia como os assinantes das con- tas banearias utilizadas para pagar os assassinos. Mas o juiz Montaiiez tambem retirou todas as acusacaes contra os autores intelectuais: Escobar. Porras e Rodriguez Gacha. As autoridades ainda nao sus- peitavam das acOes do juiz. Entao, no meio de dezembro, ele decidiu sobre urn outro caso de destaque. Ignorando regras espe- ciais, libertou o traficante Jorge Luis Ochoa, quo estava cumprindo pena de 36 meses de pristio por importacao de touros sem pagamento dos impostos. Ochoa havia sido extraditado da Espanha para a Colombia, em uma rnanobra legal suspeita, apos os Estados Unidos terern pedido sua extradicao. Ele era suspeito de operacOes de contrabando de drogas atraves da Nicaragua c era urn possivel suspeito no assassinato de Barry Seal, urn informante americano morto por traficantes de drogas na Louisiania, em 1986. 0 governo colombiano estava sendo pressionado para manter Ochoa na prisao, e qual- quer decisdo legal a respeito tinha primeiro que ser con- firmada pela administracao nacional da prisao. Montaiiez ignorou todos os avisos sobre o caso. Apos sua decisao ele foi demitido e a policia ernitiu urn mandado de prisao contra ele. Pagamentos do cartel foram descobertos em suas contas bancarias. Iniciou-se tambem uma investi- gacao administrativa do juiz. Mas ele nunca foi preso, e a investigacao foi interrompida, sem explicacao, logo depois de ter sido inieiada. 0 caso foi transferido urn mes depois para a juiza Consuelo Sanchez Duran, chefe do Tribunal Investigativo N. 87. Ela emitiu imediatamente urn mandado de prisao contra Molina Yepes, urn comerciante conhecido por seu 28 envolvirnento corn lavagem de dinheiro. Molina Yepes estava usando suas delicatessens em Medellin e escritOrios de cambio de moedas coma fachadas para Escobar. 0 DAS levou Molina para urn centro de detencOes temporarias, para interrogatorio. 0 tribunal soube, atraves do reit Carlos Martinez. Hernandez, como Molina Yepes administrava as contas para pagar os assassinos. Para abrir uma conta, por exemplo, Martinez Hernandez depositou US$ I milhao na filial de Medellin do Banco de Credito e Comercio Internacional (BCCI). 0 norne na conta era o de Guillermo Martinez, e incluia urn segundo assinante autorizado, urn tal de Raul Mejia. Investigadores souberam mais tarde que Martinez e Mejia eram os nomes de Bois homens, agora mortos, cujas identidades haviam sido usadas por Molina Yepes para desviar as investignoes. 0 cheque de Maria Saldarriaga veio dessa conta. Mais viradas revoltantes continuavam a ocorrer. Enquanto estava cm prisao temporaria na sede do DAS, Molina Yepes teve autorizacao para sair, desacompanhado, e comprar cigarros. Molina Yepes escapou. 0 diretor da sede da DAS em Medellin foi suspenso e investigado apOs a fuga. Mas, urn ano mais tarde, as autori- dades reintegraram-o ao seu antigo posto. Nernhuma acusacao foi feita. A investigacao Cano era um dos muitos problemas do sistema judiciario colombiano. Mais de 200 jufzes e funcionarios judici- ais foram assassinados, milhares foram ameacados, e o cartel penetrou ate o micleo do sistema judiciario. governo colombiano estava comecando a considerar urn novo sistema, introduzindo metodos que protegeriam seus funcionarios judiciais. Mais membros do ramo judiciario seriam mortos antes que um novo sistema surgisse. Entre marco e agosto de 1989, a juiza Consuelo Sanchez Duran reconstruiu o caso legal contra os assassi- nos intelectuais de Cano: Escobar, Rodriguez Gacha, Porras e Molina Yepes. Sua investigacao da gangue Los Priscos trouxe mais evidencias incriminatoria.s contra os autores intelectuais. Ao identificar a gangue como o mais importante grupo de executores, ela concluiu que tinham sido tambem responsaveis pelo assassinato, em 1984, do ministro de Justica, Rodrigo Lara e do crime, em 1985, do coronet Jaime Ramirez, chefe da policia de narcotrifico. Foi nessa epoca que o grupo armado do cartel, os Extraditaveis, comecou a expedir mensagens priblicas a cada vez que um carro-bomba ou assassinato ocorria. Tambem colocou em sua mica funcionarios do govern() que tentaram reprimir as atividades de trafico de drogas. Escobar nal) se esqueceu da familia Cano. Um forte golpe veio em marco, quando os homens do cartel assassinaram Hector Giraldo Galvez, o advogado da familia Cano e um colunista bastante respeitado.
  • 31. ColOmbia • Guillermo Cano Isaza A juiza Sanchez Duran recebeu o seguinte aviso: "Voce, ira se arrepender se implicar Pablo Escobar no assassina- to de Guillermo Cano". F depois o slogan: "Preferimos a tumba na Colombia do que a prisilo nos Estados Unidos". A juiza Sanchez Duran ignorou o aviso, expedindo uma ordem para que se iniciassem os procedimentos de con- denacao contra Escobar e outros. 0 julgamento comecou no segundo aniversario do assassinato de Cano, em 17 de dezembro de 1988. Enquanto isso, o presidente Barco declarava "estado de emergencia", e instituia "la justicia de orden ptiblico", ou sistema judiciario "sem rosto", acabando corn todos os julgamentos corn jtiri e mantendo as identidades de hives- tigadores, juizes, e promotores confidenciais em casos de terrorism() e drogas. 0 caso Cano continuou, entretanto, no sistema judi- ciario regular. A juiza Sanchez Duran foi escalada para comecar o julgamento de Escobar, mas uma suposta doenca de urn advogado de defesa forcou o adiamento do julgamento ate janeiro de 1989. Os eventos de 1989 ofuscaram quaisquer progressos legais. Escobar e os Extraditaveis inicia- ram uma campanha macica de vio- lencia. Autoridades descobriram uma relacao de trabalho entre gru- pos anti-comunistas paramilitares e o Cartel de Medellin, incluindo mercenarios israelitas e britanicos que haviam treinado os pistoleiros do cartel em use de tecnicas explo- sivas. Uma onda de carros-bomba e assassinatos deixaria tres can- didatos a presidencia e mil colom- bianos mortos. Escobar lido se esqueceu da familia Cano. Urn forte golpe veio em marco, quando os homens do cartel assassinaram Hector Giraldo Galvez, o advogado da familia Cano e urn colunista bastante respeitado. Ele foi mono a tiros proxi- mo a sua casa, no bairro de classe alta de Chico, cm Bogota. A juiza Sanchez Duran tentou iniciar o julgamento em maio, mas a policia anunciou que havia descoberto pianos do cartel para aterrorizar o jfiri. 0 julgamento foi adiado. A equipe de defesa pediu ao tribunal para julgar Escobar e os outros supostos autores intelectuais sepa- radamente dos pistoleiros. A juiza Sanchez Duran, recu- sando o pedido, enviou o pedido ao Supremo Tribunal. Em 16 de agosto, o juiz do Supremo Tribunal, Carlos Valencia, manteve a decisdo da juiza Sanchez Duran de julgar todos os reus em conjunto. Ele assinou a ordem e recusou todos os recursos da defesa. Logo depois saiu para it para casa. Os bandidos do cartel o mataram enquanto esperava urn onibus no centro de Bogota. Apenas uma pessoa sabia que ele havia assinado a ordem; de alguma forma, o cartel havia penetrado no sistema. No dia seguinte, Escobar ordenou o assassinato do candidato a presidencia Luis Carlos Galan, do Partido Liberal. Ele foi alvejado em 17 de agosto durante a cam- panha eleitoral. 0 presidente Barco decidiu-se por mais movimentos anti-drogas e introduziu urn sistema judi- ciario mais rigoroso, para proteges a identidade dos juizes. A decisao chegou tarde demais para o caso Cano. No final de 1989, a corte combinou o caso Cano corn o do juiz do Supremo Tribunal, Hernando Baquero Borda, lambent assassinado em junho de 1986 por Escobar. Por mais de urn ano, os procedimentos judiciais nos dois casos foram interrompidos, enquanto a Colombia mergulhava em uma seria crise da ordem publica. Urn Escobar irado havia declarado guerra ao pais. Finalmente, em 21 de novembro de 1990, a corte decidiu reiniciar os trabalhos. Ameacas contra o juri interditaram a decisao. 0 promotor do estado tentou transferir o caso para os juizes sem rosto. Mas a equipe de defesa de Escobar lutou e ganhou a mocao. O caso foi transferido para o Supremo Tribunal N. 29. Nos cinco anos seguintes, o progresso do caso foi retardado por recursos e contra-recursos. Em julho de 1991, Escobar se entre- gou, e o caso foi transferido para Medellin. Tres meses depois, o caso voltou a Bogota, apps o recem-nomeado procurador-geral Gustavo de Greiff decidir julgar todos os casos Escobar em Bogota. Urn ano depois, em 1992, Escobar escapou da prisao. Fugitivo por varios meses, acabou sendo encontrado por equipes especiais da policia anti- narcoticos colombiana, corn o auxilio dos agentes da inteligencia americana. Foi abatido quando tentava escapar. Em agosto de I995 o julgamento foi reiniciado. Todos os autores intelectuais, corn excecao de Molina Yepes, estavam mortos ou cumprindo longas penas por outros crimes. Em 6 de outubro de 1995, o tribunal declarou Maria Ofelia Saldarriaga, Pablo Enrique Zamora, Luis Carlos Molina e Carlos Martinez Hernandez culpados de conspiracao para execticao de um crime. Todos foram condenados a 16 anos e 8 meses de cadeia. Urn ano mais tarde, em 30 de julho de 1996, o Supremo Tribunal de Bogota revogou a sentenca de 1995 e determinou que Saldarriaga, Zamora e Martinez eram inocentes. A sentenca contra Molina Yepes foi confirmada. Os juizes decidiram que Molina Yepes deveria ser julgado como urn autor intelectual direto do assassinato. No final de 1989, a corte combinou o caso Cano com o do juiz do Supremo Tribunal, Hernando Baquero Borda, tambem assassinado em junho de 1986 por Escobar. 29
  • 32. Crimes Sem Punicao Contra Jornalistas CRONOLOGIA: GUILLERMO CANO ISAZA 17 de dezembro de 1986: Guillermo Cano Isaza é assassinado. Abril de 1987: 0 caso é enviado ao Tribunal de Instrucao Criminal N. 60. 0 juiz do caso recebe ameacas de morte. A investigacao passa para o juiz Andres Enrique Montafiez, chefe do Tribunal de Instrucao Criminal N. 71. 12 de abril: Os bandidos do cartel explodem o busto de Cano erigido em urn parque publico em Medellin. 25 de maio: A policia encontra o corpo de Alvaro Garcia Saldarriaga, o pistoleiro que matara Cano, na cidade de Cali. Junho: Edison Harvey Hill Mufroz, conhecido como Moquis, é assassinado quando a policia anti-narcoticos vaseulha sua casa. A policia encontra a motocicleta usada pelos sicarios para matar Cano. Hill Mufioz é identificado como o treinador dos pistoleiros. 9 de julho: Primeiras indiciacOes expedidas contra Pablo Escobar, Gilberto Rodriguez, Evaristo Porras e varios membros da gangue de drogas Los Priscos. 0 juiz Montariez sai de ferias, e o juiz substituto Eduardo Triana é nomeado temporariamente para o caso. 27 de julho: Maria Ofelia Saldarriaga, mae do pis- toleiro, é detida pela policia. Saldariaga havia comprado a moto utilizada no assassinato de Cano. 30 de julho: Autoridades grampeiam o telefone de Saldarriaga, escutam-na ligar para o segundo pistoleiro, Pablo Enrique. Zamora, conhecido como El Rolo. Falam sobre a motocicleta. Mais tarde, nesse mesmo dia, a policia prende El Rolo quando ele tenta escapar atraves da cidade costeira de Barranquilla. 31 de julho: Saldarriaga nega qualquer conexao corn o crime. A policia a interroga sobre o dinheiro deposita- do em sua conta bancaria. Ela diz que scu filho Alvaro Garcia Saldarriaga havia the dado USS15.000 (ao cam- bio oficial em 1986). 3 de agosto: 0 juiz Triana ordena a prisao de Saldarriaga e El Rolo. 5 de agosto: 0 juiz Triana parte para a Europa. 15 de agosto: 0 juiz Montatiez, novamente designa- do para o caso Cano, o rejeita, dizendo que nao pertence a sua jurisdicao. Envia o caso de volta para o Supremo Tribunal. 21 de setembro: 0 Supremo Tribunal determina que nao exitem bases para recurso nas ordens de prisao de Saldarriaga e El Rolo. 0 juiz Carlos Eduardo Valencia tambem determina que a decisao de mudanca de juris- dicao, tomada pelo juiz Montariez, era inadmissivel. 0 caso foi novamente transferido para a corte do juiz Montatiez, mas o juiz ignora a decisao do Supremo 30 Tribunal. 0 caso continua sem urn tribunal permanente. 25 de setembro: Urn juiz temporario no Tribunal N. 85 expede mandados de prisao contra Carlos Emilio Montoya, identificado como olheiro no assassinato de Cano. Montoya e mais tarde absolvido porque as teste- munhas que inicialrnente o apontaram nao podem se lembrar dele na epoca do julgamento, nove anon mais tarde. Dezembro: 0 juiz Montailez expede uma indiciacao contra Zamora, ou El Rolo, Montoya, ou Quimilio, e outros membros da Los Priscos. 0 juiz Montahez sus- pende o caso contra Escobar, Porras e Rodriguez Gacha. 13 de dezembro: 0 juiz Montafiez, aceitando urn pedido de habeas-corpus para o reputado traficante de drogas Jorge Luis Ochoa, ordena sua libertacfro de uma cadeia de Bogota, onde estava cumprindo pena de 36 mews. 8 de janeiro de 1988: 0 juiz Montariez é demitido devido a decisao sobre Ochoa. Urn mandado de prisao é expedido contra o juiz, apos surgimento de informacOes associando-o a pagamentos recebidos de traficantes de drogas. 0 Escritorio do Promotor-Geral investiga o juiz, mas a investigacao é interrompida inexplicavelmente. 27 de fevereiro: 0 caso Cano é transferido para a jufza Consuelo Sanchez Duran, chefe do Tribunal de Instrucao Criminal N. 87. Eta emite urn mandado de prisao contra Molina Yepes. 4 de marco: Molina Yepes escapa. 6 de marco: Urn mandado de prisao é reemitido para Molina Yepes. 15 de marco: Molina Yepes recorre ao mandado de prisao. 7 de abril: A juiza Sanchez Duran determina que Escobar e Rodriguez Gacha, Porras e Molina Yepes foram os mandantes do assassinato de Cano. A defesa recorre a decisao da juiza Sanchez Duran. 26 de maio: 0 juiz Valencia confirma a ordem para que se inicie o julgamento de Escobar, Porras, Gacha e Molina Yepes. 16 de junho: A juiza Sanchez Duran decide adiar o julgamento e investigar mais profundamente a Los Priscos, uma gangue de assassinos do Cartel de Medellin. 19 de julho: A juiza Sanchez Duran encerra a inves- tigacao sobre Los Priscos, encontrando mais evidencias circunstanciais que implicam Escobar, Rodriguez Gacha, Porras, Hector Villegas e Molina Yepes. 24 de julho: A juiza Sanchez determina que a Los Priscos era o brag executivo do Cartel de Medellin. Cita evidencias associando-os a uma lista de assassi- natos de pessoas influentes, que culminaram com o assassinato de Cano.
  • 33. ColOmbia • Guillermo Cano Isaza 30 de julho: Os Extraditriveis, como o bract) militar do cartel de Medellin se denomina, emitem urn aviso juiza Sanchez Duran contra a indicirwao de Pablo Escobar. 24 de agosto: A juiza Sanchez Duran emite a indici- ayao. Novembro: 0 presidente Virgilio Barco declara um estado de emergencia e introduz a justicia de orden priblico ou "justica de ordem pUblica". Esta acaba corn o julgamento corn juri e protege as identidades de inves- tigadores, juizes e promotores. Mas o caso Cano per- manece no sistema regular de justica porque ja havia sido iniciado. 16 de dezembro: 0 julgamento deveria ter sido inici- ado nesta data, o segundo aniversario do assassinato de Cano. Mas a defesa adia o julgamento por motivos de doerwa. 29 de marco de 1989: Hector Giraldo Galvez, o advogado da familia Cano, e assassinado em Bogota. 16 de maio: 0 Supremo Tribunal N. 29, de Bogota, abre o julgamento, apenas para interrompe-lo quando dois advogados de defesa nao aparecem. 19 de maio: Em uma carta publica, o diretor do DAS avisa o promotor federal que o cartel esti' tentando sabo- tar o julgamento, e que identificou os membros do juri. A corte adia o julgamento e tenta oferecer maior segu- rano para o juri. A data do proximo julgamento 6 mar- cada para 7 de junho. 7 de junho: Comeya o julgamento publico, mas é suspenso ap6s reclamacoes do juri sobre amerwas de morte. 0 juiz determina que todos os reus, incluindo os autores intelectuais e os pistoleiros, devem ser julgados simultaneamente e nao separadamente, como a defesa deseja. 16 de agosto: 0 juiz do Supremo Tribunal, Carlos Valencia, rejeita urn recurso da defesa contra a decisao da juiza Sanchez Duran. Algumas horas mais tarde, 6 assassinado enquanto espera urn onibus no centro de Bogota. Agosto: 0 presidente Virgilio Barco estende o estado de emergencia. A justica "sem rosto" e introduzida, urn sistema mais secreto do que a anterior "justica de ordem ptiblica". 2 de setembro: Urna bomba de 150 quilos explode do lado de fora da sede do El Especiador; causando perda de pelo menos urn milhao de Mares. Pablo Escobar assume a responsabilidade. 7 de setembro: 0 Supremo Tribunal de Bogota corn- bina os casos de Guillermo Cano e do juiz do Supremo Tribunal Hernando Baquero Borda. Ambos envolviam os mesmos acusados. A corte tenta transferir o caso para a justica sem rosto, mas a defesa objeta. 21 de novembro de 1990: 0 julgamento Cano é reiniciado. 0 adiamento de 14 meses havia sido causa- do pela campanha de terror do Cartel de Medellin, incluindo carros-bomba e assassinatos. 0 julgarnento mantido no sistema regular corn um juri sob protecao especial. 0 julgarnento termina sem urn veredito porque a juiza Sanchez Duran estava preocupada corn a segu- ranya do juri. A acusacao ganha uma peticao para trans- ferir o caso para o sistema de justica "sem rosto" (que funciona sem juri). Maio de 1991 A defesa recorre e ganha uma mocao de retornar o caso ao sistema regular. 0 caso volta para o Supremo Tribunal N.29. Julho de 1991 Quando Escobar se entrega ao gover- no colombiano, a comarca de Medellin pede a corte de Bogota que transfira o caso para sua jurisdiyrio. 22 de agosto de 1995: 0 caso vai finalmente a julga- mento. 6 de outubro de 1995: Maria Ofelia Saldarriaga, Pablo Enrique Zamora, Luis Carlos Molinas Yepes e Carlos Martinez Hernandez sao considerados culpados de conspirrwao para execucao de urn crime. sao conde- nados a 16 anos e 8 meses na cadeia. Os advogados estao recorrendo dos sentencas. 30 de julho de 1996: 0 Supremo Tribunal de Bogota revogou sentenyas anteriores e ordenou a libertayao de Saldarriaga, Zamora e Martinez. Sustentou a sentenca contra Molina Yepes, que permanece como fugitivo. 18 de fevereiro de 1997: Molina Yepes e capturado pela policia em Bogota, enquanto almoyava. 31
  • 34. Durante 10 antis p dos mews cojed la justicia hasty qua lugs ser capturado Luis Carlos Molina ropes. En 1957 alcanza a estar &geoid° par aloesas horns en el DAS. pests desde endoneck hula de la juilicia bajo la sind ica- situ de Naber anecledo el di nero que permitio el me- sinao,don Guillermo Cann Inca. Crimes Sem Punica-o Contra Jornalistas CAPTURADO FUGITIVO DO CASO CANO Textos publicados no El Espectador, Colombia, em 19 de fevereiro de 1997, no dia seguinte a captura de Luis Carlos Molina Yepes, urn dos autores intelectuais do assassinato de Guillermo Cano. A prisao de Molina Yepes ocorreu tres semanas apes uma delegacao da Sociedade Interamericana de Imprensa ter pedido aos poderes publicos da Colombia que realizassem uma investigacao profunda sobre os assassi- natos de jornalistas no pais, entre eles o de Guillermo Cano. 8-A HURiDICA act 1,1;01_ ES. -EARE1101,19)7 Dobles al estilo Pablo Escobar Tal parece qua las lecciones de so soda Pablo Escobar, sobre los metodos para eludir a las autoridades, faeron hien spree- dicLas por Luis Carlos Molina lopes. la DireceiOn de inch- gencia de la Policia deseubri6 clue el vapa siempre sc rnovil zaba con varios hombres quo poselan similares conclicioties Micas a las sayas. Viajaba con ellos desde Medellin a Bogota y atraveso maltiples retenes sin clue pudicoui ideal i Bea rlo. •Memoria intacta de un adalid de la verdad "La verdadera libertad esta en deeir la verdad mum cads uno la entiende. Respetando Is verdad de Ins deinas7. Isla maxi- ma, contenida en la inolvidable columns Libreta de Aputztes , de don Guillermo Calm Isaza, exaltada Ili vispera por la Casa de Narino, recobra vigencia en an memento de alivio pars el periodis inn eclombiano: al menos el crimen del director de Et Espectador, no qUedaru en la absolula impunidad. Cayi pagador de magnicidio sin castigo Ibis Carlos Molina, autor intelectus I del crimen del director de EL ESPECTA DOR, don Gail lermo Cann, ostentaba nueva identidad pars burls r autoridades. Amigo s s t e Pablo Escobar a Yeti.. En ombos videncia que "la an- de Molina en el pretexto pa- v fines de Pa- expobente se unqued den, la ruenta co. .8 end Barren h de Medellin.y Carlos Matti- nee Hernandez, este stile shod como leases° del anemic° administra• dor do la misma: Luis Carlos Molina Yepcs. Precisnmente• de la cuenta cried- da. el 3 de julio de 1986 ralin un che- quo por valor de 53.500090, que toe la sun= quo mcibin Alvaro Garcia Saldarriaga pain consumar el magni- ocurrido alas ,irit dc la noche del 17 de diciembre de 1986 Evart a las instalaciones de El Papectador. sario no abre cuenta astasma y sin rastro to Fs- ....prende quo Molina y el criaron juntas en el barrio La Clima tale do onio a que a end re- elfin Pax, y qua dude 1980, en la Camara de Comen.io de Medellin se acredita quo eras sxios de la urbanimdora Cam erriat Anvil& Lada. Porello restrict contundenteel Mi- ck+ delTrilmnal de Bogota: "an hom- bre de empress nu lane que Oscar abriendo rumbas corrientes corm fantasmas sin, rastro". Pero no habria nada de endraordinario ii en deco mese; 'no se hubieran deposi ratio en In coma dims astronomic. que nut se conciben en una aetividad y holiest mama& d cheque para Its sicarios del magnkidio. feat Mos RrliAC ii201,113111DEELESPErrAr101, 4,TArli Dr WW1, in momentos en que deleitaba el paladar con on suculento menu - harm que a la pease cance16 b Poli- cia, foe cantorado en el restaurante Banana Road del nude de Santafe de Bogota. Imo de los autores intdec- maks del rnwoleirlin de don Coiner. too guns tsars, el cambia= lads Car. los Molina Yepes. Durance diet iliOS Molina Yepes clothe el arosode las autoridades, pe- n, &sou& de ser confirmada su sen- teteciaa lb afros dr prisiOn est Juliode 1996, el director de la Policia. Rosso rose Serrano, integre no equip° de investigatiors que derecto su mese, cia en Bogota, y logrd su aprehension sin apelar a las arras. SegUn el director de b Policia, des- de bane dos manes las pistas conduit, ron a una persona allegada de ?doh- tan, sett cfeetuO seguimiento durante 72 horns, y finalmente las autorida- des dicron cone: paraders, del fugiti- oo, quiets al momenta de su captors preseM6 document-is a nombre de Luis Guillermo Yusti ViPares, Des& anoche, los ("fiends, a cargo dd cast, tcnian detectado el lugs r de habitacien de Molina Woes, avisaron a Miami al general Serrano Cadena sabre le novedad, yeste de inmediato se des.plaze a Bogota. on su ratites exi- gir una cstrecha vigdancia pare ones- tar el golpe al prefugo ants del me- diodia del 18 de febrero. AMAPA, Pi elan de earnura, los investigadores ingresaron al restau- rants como simples comensales, sr ubicaron en una mesa contigua en dome platimba Molina ran dm per- sonas miss y al rnotnento en que d *irk, se disponia a cancelar S20.0110 de su alrnutrao, foe aborda- do por un oficial que In identified ple inhume de su captura En Is. proximas haress, Molina se- ra remit ido a tin petal de Santafk de Bogota, donde le esperan 16 noes y 8 meses de prisiOn par tm asesineto que rro gunk, en total in tpunidad. Un rastro de dolor y barbarie ittlXiA.10^411h liSiitt.13111/ SANTAFE. uE 901:01iA La captura de Luis Carlos Molina Woes, una dicada &cosies tkl mug.; nicidio dr don Guillermo Cano bans. al menostardiarnente hare justicia en un expediente ensumbrecido por la' impunidad y la barbaric. Despots del magnicidio del 17 de- diriembre de 1986, los sicarios que segaron la vide del director de El Es, pecador, Alvaro Grad y Luis' Waardo Osorio, hien, asesinados.; la juez Consuelo Sanchez que vim rule al crimen a Pablo Escobar, tom' que miliarse. El 29 de Ca ner° de 1989, el aboga; do Hector Giraldo Ga/vez. que Neva- ha b parte civil en el expedience. ftt acribillado en Bogota. sea tomes dnpu6, ci die gut :volume el auto do deterkien contra Escobar Gaviria: per el crimen de don Guillermo Ca: no, foe asesinado el magist ratio Ins Valencia Garcia. El caw pace a Ls justicia do niblicks, p el 18 de, septiembre 1992., rambien Inc sacrificada la Myriarp Rode Vtlrz. Cuando el exi", pediente volvio al Tribunal de Bogota: cuaum alloy daellds, eic.1.41111alte, quede un rco anent: Lois Carlos: &loin. quo ayer foe capturado. • El moo Higuila Lin caso,herldirn quo • L. atenciOn In.s.adoinbiantia • v clot estm‘Ctelacionae6 con. •• Luis Carina Yepcs; foe • la participacien del ccarqucrn: de Pa seleceinn• Colombia do • f0but en la libe- • " rieien de W?: dc hija del ern- ' preurno en Medellin: Fd futboli,ra fire eaptitrado• 4de juniii de 1993 "or violar Li ley aq 43sellastrus al Fiala rie • inre, page US$ 300 Mil por d nescate de b /lib di Molina Ye- pis, Teen su re, rege/6 S SO": „Millenes al deportist.i. irobrr.5 siete mesa clespues, el 3 de coon, de 1994, 1. la libenad de mantra p6visin- :•: • nal de b cartel Ll Amide, tees el pagan de.nicaucipn tie side dilation n?(niuiw que cancd6 el .diAgente deporlivo' Efrain :NO SC lespeta pinta doter de b Iblida ge- neral rfskinlose Serrano, dijo Papectador que el nary ma ficante est.:Oa trowencido de 'quo riki Li than a bus.r, pens rya la innitikien "no resPeta pinta" I. esta 32