DESTAQUE




   OPERA DESIGN MATTERS
   PARCERIAS POTENCIAM OPORTUNIDADES
   E EXPANSÃO GLOBAL DA ARQUITECTURA
   A OPERA Design Matters possui escritórios em Lisboa, Luanda e Maputo e delegações
   em S. Paulo e Madrid. Está neste momento a estruturar a sua presença em Singapura
   e em Houston. Este é um entre muitos exemplos de ateliers que se internacionalizam.
   Mas tudo isto só é possível graças à excelência da arquitectura portuguesa,
   mundialmente reconhecida.
   Um texto do arquitecto José Soalheiro.

18 // Maio 12 // Portugalglobal
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                                          ainda bem antes da actual crise, urgiu      Nos dias que correm, 98 por cento da
                                          alargar o âmbito de intervenção territo-    encomenda da Opera é externa. Estão-
                                          rial e reformular a organização do escri-   se a desenvolver projectos de bairros
                                          tório que tinha entretanto crescido para    residenciais, institutos públicos, hotéis,
                                          responder a desafios marcantes como,        universidades, torres de escritórios e
                                          entre muitos outros, a Escola de Ciên-      planos territoriais. Estamos a ajudar a
                                          cias da Saúde e o Hospital de Braga, a      edificar novos países e a desenvolver
                                          Faculdade de Engenharia de Guimarães        regiões. A sublinhar uma vez mais que
                                          ou o Complexo Residencial e de serviços     a diáspora portuguesa é bem maior,
                                          de Campolide Parque em Lisboa.              como sempre foi, que o país de ori-
                                                                                      gem. Maior, mais dinâmica, mais com-
                                          Não é estranho a este processo a influ-     petente e mais eficiente.
                                          ência das várias parcerias com grandes
                                          empresas europeias e americanas que al-     O essencial a reter, contudo, é que para
                                          guns desses projectos obrigaram, dada a     além dos postos de trabalho abertos
                                          sua especificidade, como a SOM, a HOK,      nestas novas localizações, para técni-
                                          a WHR ou a Mossessian and Partners.         cos portugueses e locais, a Opera man-
                                                                                      tém todos os contratados em Portugal
                                          Tornou-se, pois, imperioso transformar o    e está até a admitir mais pessoas, indi-
                                          “atelier” artesanal de conotações tardo-    víduos a quem o trabalho e esta nova
                                          românticas, focado em uma ou duas           realidade da globalização não assusta
                                          pessoas, numa Organização. Mais con-        e se entrega de corpo e alma à ideia
                                          temporânea. Mais eficiente. Mais abran-     de construir uma marca e um nome, de
                                          gente. Mais criativa. Mais democrática.     cujo destino também fazem parte.

                                          Para além dos sócios iniciais, foi aberta   Uma parte significativa do trabalho de
                                          a participação a colaboradores nos vá-      “produção” continua a ser feito em
                                          rios escritórios. Alguns elementos ade-     Portugal. Estamos a exportar conheci-
                                          rentes não portugueses provêm dessas        mento, experiência, qualidade e capa-
                                          empresas internacionais que se reviram      cidade tecnológica.
                                          neste projecto.
                                                                                      Falando em termos meramente mercanti-
                                          O primeiro passo foi a abertura de um       listas, a arquitectura portuguesa é um va-
                                          escritório em Barcelona, dado o “boom”      lor seguro, dos que mais reconhecimento
                                          de construção que então se vivia em Es-     obtém, não só dos seus pares, como dos
                                          panha. Seguiram-se Luanda, onde se          investidores e promotores internacionais.
                                          mantém um corpo muito ágil de técni-        Para além da sempre citada cortiça, do
                                          cos residentes, e, mais recentemente,       futebol e, mais recentemente, do calça-
                                          estabeleceu-se uma empresa em Mapu-         do, a arquitectura atinge este nível super-
                                          to. O mercado brasileiro, pelos contactos   lativo de qualidade e visibilidade, a que o
                                          já efectuados, já faz mais de dois anos,    país no seu todo não corresponde.
                                          mostra-se bastante promissor.
A marca engloba várias empresas, com                                                  É forçoso um olhar atento para esta reali-
parte do corpo societário comum a to-     As parcerias potenciam oportunidades        dade. Até porque, a reboque da arquitec-
das, e surge como a continuidade ló-      e novas expansões: é o caso da relação      tura vem toda uma indústria portuguesa
gica da experiência e reconhecimento      com a Surbana, um gigante das empre-        que beneficia deste patamar de proemi-
nacional, com mais de vinte anos em       sas asiáticas, com quem a Opera está        nência. Estamos a falar de construtoras,
projectos de obras públicas – nome-       a desenvolver o Plano do Cazenga e          cerâmicas, mobiliário, têxteis, metalome-
adamente, universidades, hospitais,       Sambizanga em Luanda, que permea-           cânicas, cimenteiras, produtos pétreos,
hotelaria, edifícios residenciais ou de   biliza a entrada em Singapura.              processamento de madeira e tecnologias
escritórios, centros culturais e de ex-                                               de informação. Também a aposta na
posições – do gabinete de arquitectura    Poderemos também citar o relaciona-         investigação que o país realizou nestes
“José Soalheiro e Teresa Castro”.         mento com a Snohetta (biblioteca de         últimos anos, pode ver frutos desta in-
                                          Alexandria, Ground Zero em Nova Ior-        ternacionalização. Poderemos exemplifi-
Quando o mercado português, nomea-        que, Ópera de Oslo, entre outros). Os       car com a colaboração da Opera com a
damente a nível de concursos públicos,    vários projectos em curso são desen-        Universidade do Minho e com o PIEP-Polo
mas também no sector imobiliário, co-     volvidos em paridade e beneficiam da        de Inovação em Engenharia de Polímeros
meçou a mostrar sinais de contenção,      complementaridade das experiências.         (entidade que faz o interface entre a Uni-

                                                                                             Portugalglobal // Maio 12 // 19
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       versidade e a Indústria), para o desenvol-    mais: não apenas na organização de ex-
       vimento de polímeros para a construção,       posições, colóquios e conferências que
       um processo em curso nalguns projectos.       difundam a arquitectura portuguesa (ou
                                                     feita por portugueses), mas também na
       Esta visibilidade, produto do talento e       acção directa junto dos agentes institu-
       esforço isolado dos arquitectos portu-        cionais e empresariais dos vários países.
       gueses, carece de apoio institucional         Nas missões comerciais que diferentes
       para ser explorada em toda a sua di-
                                                     governos têm organizado a distintos paí-
       mensão. Há que fazer um esforço de
                                                     ses ou zonas económicas, quantos arqui-
       marketing externo das mais prestigiadas
                                                     tectos têm sido incluídos?
       universidades portuguesas (à semelhan-
       ça do que fazem as americanas) e colo-
       car delegações em todo o espaço lusó-           OPERA
       fono. A matriz académica portuguesa,            Design Matters
       que ainda é o referencial das várias elites
                                                       Urbanização da Matinha, Rua Projectada à
       políticas e económicas, está a ser substi-      Rua 3, Edifício A, 3ºA
       tuída pela anglo-saxónica para as gera-         1900-796 Lisboa, Portugal
       ções seguintes. É um processo em que            Tel.: +351 218 621 110
                                                       Fax. +351 218 621 119
       houve desatenção dos vários governos
       em Portugal e que urge inverter.                jose.soalheiro@opera-projects.com

                                                       lisboa@opera-projects.com
       Das embaixadas, consulados, delegações          www.opera-projects.com
       comerciais e culturais também se exige

    20 // Maio 12 // Portugalglobal

3 portugal global maio2012_opera - design matters

  • 1.
    DESTAQUE OPERA DESIGN MATTERS PARCERIAS POTENCIAM OPORTUNIDADES E EXPANSÃO GLOBAL DA ARQUITECTURA A OPERA Design Matters possui escritórios em Lisboa, Luanda e Maputo e delegações em S. Paulo e Madrid. Está neste momento a estruturar a sua presença em Singapura e em Houston. Este é um entre muitos exemplos de ateliers que se internacionalizam. Mas tudo isto só é possível graças à excelência da arquitectura portuguesa, mundialmente reconhecida. Um texto do arquitecto José Soalheiro. 18 // Maio 12 // Portugalglobal
  • 2.
    DESTAQUE ainda bem antes da actual crise, urgiu Nos dias que correm, 98 por cento da alargar o âmbito de intervenção territo- encomenda da Opera é externa. Estão- rial e reformular a organização do escri- se a desenvolver projectos de bairros tório que tinha entretanto crescido para residenciais, institutos públicos, hotéis, responder a desafios marcantes como, universidades, torres de escritórios e entre muitos outros, a Escola de Ciên- planos territoriais. Estamos a ajudar a cias da Saúde e o Hospital de Braga, a edificar novos países e a desenvolver Faculdade de Engenharia de Guimarães regiões. A sublinhar uma vez mais que ou o Complexo Residencial e de serviços a diáspora portuguesa é bem maior, de Campolide Parque em Lisboa. como sempre foi, que o país de ori- gem. Maior, mais dinâmica, mais com- Não é estranho a este processo a influ- petente e mais eficiente. ência das várias parcerias com grandes empresas europeias e americanas que al- O essencial a reter, contudo, é que para guns desses projectos obrigaram, dada a além dos postos de trabalho abertos sua especificidade, como a SOM, a HOK, nestas novas localizações, para técni- a WHR ou a Mossessian and Partners. cos portugueses e locais, a Opera man- tém todos os contratados em Portugal Tornou-se, pois, imperioso transformar o e está até a admitir mais pessoas, indi- “atelier” artesanal de conotações tardo- víduos a quem o trabalho e esta nova românticas, focado em uma ou duas realidade da globalização não assusta pessoas, numa Organização. Mais con- e se entrega de corpo e alma à ideia temporânea. Mais eficiente. Mais abran- de construir uma marca e um nome, de gente. Mais criativa. Mais democrática. cujo destino também fazem parte. Para além dos sócios iniciais, foi aberta Uma parte significativa do trabalho de a participação a colaboradores nos vá- “produção” continua a ser feito em rios escritórios. Alguns elementos ade- Portugal. Estamos a exportar conheci- rentes não portugueses provêm dessas mento, experiência, qualidade e capa- empresas internacionais que se reviram cidade tecnológica. neste projecto. Falando em termos meramente mercanti- O primeiro passo foi a abertura de um listas, a arquitectura portuguesa é um va- escritório em Barcelona, dado o “boom” lor seguro, dos que mais reconhecimento de construção que então se vivia em Es- obtém, não só dos seus pares, como dos panha. Seguiram-se Luanda, onde se investidores e promotores internacionais. mantém um corpo muito ágil de técni- Para além da sempre citada cortiça, do cos residentes, e, mais recentemente, futebol e, mais recentemente, do calça- estabeleceu-se uma empresa em Mapu- do, a arquitectura atinge este nível super- to. O mercado brasileiro, pelos contactos lativo de qualidade e visibilidade, a que o já efectuados, já faz mais de dois anos, país no seu todo não corresponde. mostra-se bastante promissor. A marca engloba várias empresas, com É forçoso um olhar atento para esta reali- parte do corpo societário comum a to- As parcerias potenciam oportunidades dade. Até porque, a reboque da arquitec- das, e surge como a continuidade ló- e novas expansões: é o caso da relação tura vem toda uma indústria portuguesa gica da experiência e reconhecimento com a Surbana, um gigante das empre- que beneficia deste patamar de proemi- nacional, com mais de vinte anos em sas asiáticas, com quem a Opera está nência. Estamos a falar de construtoras, projectos de obras públicas – nome- a desenvolver o Plano do Cazenga e cerâmicas, mobiliário, têxteis, metalome- adamente, universidades, hospitais, Sambizanga em Luanda, que permea- cânicas, cimenteiras, produtos pétreos, hotelaria, edifícios residenciais ou de biliza a entrada em Singapura. processamento de madeira e tecnologias escritórios, centros culturais e de ex- de informação. Também a aposta na posições – do gabinete de arquitectura Poderemos também citar o relaciona- investigação que o país realizou nestes “José Soalheiro e Teresa Castro”. mento com a Snohetta (biblioteca de últimos anos, pode ver frutos desta in- Alexandria, Ground Zero em Nova Ior- ternacionalização. Poderemos exemplifi- Quando o mercado português, nomea- que, Ópera de Oslo, entre outros). Os car com a colaboração da Opera com a damente a nível de concursos públicos, vários projectos em curso são desen- Universidade do Minho e com o PIEP-Polo mas também no sector imobiliário, co- volvidos em paridade e beneficiam da de Inovação em Engenharia de Polímeros meçou a mostrar sinais de contenção, complementaridade das experiências. (entidade que faz o interface entre a Uni- Portugalglobal // Maio 12 // 19
  • 3.
    DESTAQUE versidade e a Indústria), para o desenvol- mais: não apenas na organização de ex- vimento de polímeros para a construção, posições, colóquios e conferências que um processo em curso nalguns projectos. difundam a arquitectura portuguesa (ou feita por portugueses), mas também na Esta visibilidade, produto do talento e acção directa junto dos agentes institu- esforço isolado dos arquitectos portu- cionais e empresariais dos vários países. gueses, carece de apoio institucional Nas missões comerciais que diferentes para ser explorada em toda a sua di- governos têm organizado a distintos paí- mensão. Há que fazer um esforço de ses ou zonas económicas, quantos arqui- marketing externo das mais prestigiadas tectos têm sido incluídos? universidades portuguesas (à semelhan- ça do que fazem as americanas) e colo- car delegações em todo o espaço lusó- OPERA fono. A matriz académica portuguesa, Design Matters que ainda é o referencial das várias elites Urbanização da Matinha, Rua Projectada à políticas e económicas, está a ser substi- Rua 3, Edifício A, 3ºA tuída pela anglo-saxónica para as gera- 1900-796 Lisboa, Portugal ções seguintes. É um processo em que Tel.: +351 218 621 110 Fax. +351 218 621 119 houve desatenção dos vários governos em Portugal e que urge inverter. jose.soalheiro@opera-projects.com lisboa@opera-projects.com Das embaixadas, consulados, delegações www.opera-projects.com comerciais e culturais também se exige 20 // Maio 12 // Portugalglobal