OPINIÃO - VIAGENS S/A

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A Copa no Brasil: erros e acertos.
By SIMONE GALIB

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OPINIÃO - VIAGENS S/A

  1. 1. 50 | Edição #29 | opinião • por Simone Galib A Copa do Mundo começa em meio a uma chuvarada de críticas, temores e indignação. Mas precisamos juntar os cacos das nossas desilusões, arejar a casa e receber bem os turistas. Esporte é alegria, é adrenalina, é união. E o mundial, um grande evento. O restante? Decidimos nas urnas! VIRAR O JOGO! É HORA DE 50 | Edição #29 |
  2. 2. 51| www.viagenssa.com | A ndo injuriada com tudo o que vem acontecendo no Brasil e especialmente pela forma com que todos começaram a criticar o país. São tantas notícias ruins em tempo integral, um descaso total com os nossos problemas do dia a dia, que não são poucos, uma inabilidade completa por parte dos governantes, que merecidamente perderam o respeito dos cidadãos, milhares deles seus próprios eleitores, além da onda de greves que me parecem totalmente oportunistas, em- bora as reivindicações das categorias sejam justas. Sem contar com as mídias sociais, que viraram um gigante portal de descontentamento, de desabafos e de piadas. Rimos e debochamos o tempo inteiro da nossa própria desgraça. Falamos mal de nós mesmos. O brasileiro, fa- moso por ser amável e cordial, está amargurado, cansa- do. Para onde caminhamos? Parece que o país está nave- gando em direção a um iceberg, pronto para naufragar, ou se mantém frente a um vulcão, que vai explodir a qualquer momento, com consequências imprevisíveis. A Copa do Mundo, um dos mais poderosos e co- biçados eventos esportivos do planeta, chegou a nossa casa, mas continuamos desconfortáveis, incomodados, irritados. Mostramo-nos receosos em vestir o verde- -amarelo; estamos indignados com tamanho amadoris- mo e indisciplina no país sede. Sentimos vergonha de mostrar ao mundo todas as nossas feridas e do que pos- sa a vir a acontecer no decorrer do campeonato. Muitos chegam ao ponto de torcer para que a seleção brasileira perca o mundial para não favorecer os políticos que, na minha opinião, devem ser julgados e condenados nas urnas –e não nos estádios que, aliás, custaram uma for- tuna! Esporte é alegria, é adrenalina, é união. Não pode ser jogado nesse caldeirão de interesses escusos. O país do futebol sente frio na barriga, insegurança, indignação, revolta, quer vestir luto e até torce para que não venham muitos estrangeiros gastar seus dólares ou euros aqui. Se estamos assim, como devem estar se sen- tindo os estrangeiros que já começam a desembarcar? Fico imaginando o temor que lhes assola diante dessa avalanche de desgraças, de crimes, de violências, da Shutterstock
  3. 3. 52 | Edição #29 | falta de serviços eficientes, das obras inacabadas, vei- culados pela mídia e particularmente pela internet, na velocidade da luz. São aconselhados por suas embaixa- das e pela própria Fifa a tomarem cuidado com abso- lutamente tudo, afinal estarão visitando um país que exala um clima de “guerra” urbana. Essa energia de desalento, de falta de perspectivas e de medo vai tomando conta de tudo. É um baixo astral que contamina. Eu, particularmente, temo pela integri- dade física e moral dos turistas e torcedores. E também torço antecipadamente para que não sejam assaltados, assassinados, violentados e colocados em situações constrangedoras, retornando aos seus países sãos e sal- vos. Explorados eles já serão naturalmente, assim como nós o somos todos os dias, a partir do momento em que saírem do avião, porque estarão pisando o solo do país com os preços e os impostos mais extorsivos do mundo. Não sou a favor da forma como o governo condu- ziu a realização da Copa do Mundo: super faturamen- to, gastos excessivos e abusivos, incompetência para gerenciar, realizar e concluir as obras, além da utiliza- ção de recursos que poderiam ter sido utilizados para resolver os problemas do país, que são milhares, entre outros fatores. Mas, quando foi anunciado, lá atrás, que seríamos a sede houve comoção geral e explosão de alegria. Claro que sabíamos que o quadro que vivemos hoje seria praticamente inevitável. Conhecemos o país, afinal. Mesmo assim, comemoramos, nos alegramos. Tivemos esperanças de dar um salto, de gerar empregos e de transformar o Brasil em uma vitrine para o mundo, de forma positiva. Sonhamos e nos permitimos ser en- ganados, mais uma vez. opinião BONSANFITRIÕES Além disso, a realização dos megaeventos espor- tivos, Copa e Olimpíadas, em 2016, trouxe um fôlego novo. Investidores passaram a olhar para o Brasil com maior interesse, marcas internacionais se apressa- ram em abrir filiais aqui, a rede hoteleira começou a se aquecer, milhares de empresários e profissionais se prepararam e uma infinidade de bons negócios se de- senhou no horizonte. Bem administrada e tratada com profissionalismo, a Copa do Mundo é, sim, um exce- lente negócio. E o Brasil tem belezas e qualidades úni- cas. Por que não explorar o que é bom, o que funciona, o que temos de melhor como fazem os outros países? Por que não sermos anfitriões gentis e civilizados? Não gostamos de nos sentir acolhidos e respeitados quando viajamos ao exterior? Portanto, não adianta esbravejar, queimar a ban- deira, organizar protestos, de quórum inexpressivo, que só tumultuam a vida das pessoas e depredam o patri- mônio público. É uma atitude sem sentido, sem cidada- nia e sem educação, que interessa a poucos e mostra a infantilidade de um povo que detona a sua própria casa na frente das visitas. O que precisamos fazer é juntar os cacos de nossas desilusões, respirar fundo e transfor- mar toda essa energia negativa em alguns momentos de alegria. Podemos comemorar o gol, sim, vibrar, torcer pela seleção brasileira, como sempre fizemos exaustiva e festivamente à distância. O país está precisando de mais alegria, dessa boa vibração. Afinal, todo o dinheiro já foi investido, não será devolvido, a Copa do Mundo é uma realidade e as seleções internacionais e os torcedo- res não têm culpa de nada. Guardemos os nossos gran- des protestos, e toda essa indignação, para outubro, a primavera das eleições, quando legitimamente, e por intermédio das urnas, poderemos mandar de volta para a casa todos esses políticos que nos roubaram a alegria, o orgulho de ser brasileiros e dizer, de peito aberto e num coro cidadão: “Agora chega. O jogo acabou! C M Y CM MY CY CMY K

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