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Artigo 3

  1. 1. 1 DESENVOLVIMENTO DO TURISMO E SEUS IMPACTOS NA APA DO DELTA DO PARNAÍBA SANTIAGO, Cristiane Maria Cordeiro¹ cristianesantiago21@gmail.com OLIVEIRA, Gilmara Alves de² gilmara_alvesdeoliveira@hotmail.com NUNES, Virgínia Ribeiro² ribeironunes2008@hotmail.com MOURA FÉ, Manuella Andressa B. de² manuellaandressa@hotmail.com NETO, Agostinho Ferreira da Costa² agostinhonetoo@hotmail.com¹Bolsista PIBIC, graduanda do curso de Geografia- Universidade Estadual do Piauí UESPI ²Graduandos do curso de Turismo- Universidade Estadual do Piauí – UESPI MOURA, Liége de Souza³ liege.moura@hotmail.com ³Orientadora. Professora do curso de Geografia da UESPI. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente – UFPI.RESUMO: Considerando a importância da Área de Proteção Ambiental (APA) do Delta do Parnaíba para odesenvolvimento do turismo, faz-se necessário compreender o nível de impactos resultantes da atividadeturística, visando propor medidas que amenizem as dificuldades advindas do turismo a fim de caminhar rumoà sustentabilidade. Para tanto, esse trabalho visa analisar o desenvolvimento da atividade turística e osimpactos decorrentes desta na APA do Delta do Parnaíba e, discutir os aspectos teóricos relacionados aturismo em Unidades de Conservação mais precisamente, nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Essetrabalho mostra os resultados preliminares do Projeto de Iniciação Cientifica- PIBIC/UESPI 2010-2011.Nesse sentido, foi realizada pesquisa bibliográfica para discussão dos fundamentos teóricos que norteiam oestudo, considerando o entendimento acerca de Unidades de Conservação, de uma forma geral e, maisespecificamente, referente à APAs, verificando, os impactos positivos e negativos que o turismo pode causarnão só na natureza como também, no meio social, econômico e cultural, discutindo o conceito de turismosustentável e a importância de sua aplicabilidade. Portanto, através da análise dos aspectos teóricos, foipossível ampliar os conhecimentos acerca da atividade turística em Unidades de Conservação e analisar,também, a necessidade e a importância de existir um turismo sustentável, uma vez que, a adoção destaconcepção traria maiores benefícios a todos os envolvidos, principalmente, ao ambiente natural.Palavras-Chave: Impactos do turismo, Unidades de Conservação, SustentabilidadeINTRODUCÃO Dada a relevância da Área de Proteção Ambiental (APA) para o desenvolvimentodo turismo é importante compreender o nível de impactos resultantes da atividade,
  2. 2. 2considerando os aspectos positivos e negativos para posteriores recomendações de medidasque visem a promoção da sustentabilidade. Nesse contexto, a APA do Delta do Parnaíbaconstitui o objeto de estudo dessa pesquisa. Para tanto, a fim de alcançar o objetivo geral que é analisar o desenvolvimento daatividade turística e os impactos decorrentes desta na APA do Delta do Parnaíba, objetiva-se discutir primeiro, neste trabalho, os aspectos teóricos relacionados a turismo emUnidades de Conservação e ao desenvolvimento do turismo em Áreas de ProteçãoAmbiental (APA). Esse trabalho procura mostrar os resultados preliminares do Projeto de IniciaçãoCientifica- PIBIC/UESPI 2010-2011, tendo sido trabalhados conteúdos pertinentes acompreensão dos termos essenciais da pesquisa. Foi realizada pesquisa bibliográfica paradiscussão dos fundamentos teóricos que norteiam o estudo, considerando o entendimentoacerca de Unidades de Conservação, de uma forma geral e, mais especificamente, referenteà APAs, verificando, os impactos positivos e negativos que o turismo pode causar não sóna natureza como também, no meio social, econômico e cultural, discutindo o conceito deturismo sustentável e a importância de sua aplicabilidade. A análise das diversas alterações decorrentes do turismo é essencial para acompreensão das formas de uso e ocupação do espaço em questão. Portanto, através dessaanálise, foi possível ampliar os conhecimentos acerca da atividade turística em Unidadesde Conservação e observar, também, a necessidade e a importância de existir um turismosustentável, uma vez que, a adoção desta concepção traria maiores benefícios a todos osenvolvidos, principalmente, ao ambiente natural.ATIVIDADE TURÍSTICA A atividade turística suscitou um elevado crescimento econômico nas últimasdécadas, trazendo grandes contribuições em vários setores produtivos, uma vez que, essaatividade gera enorme fluxo de pessoas o que condiciona aumento do consumo de ummodo geral. Com isso, há aumento da infra-estrutura e, também surge a necessidade deoutros serviços como transporte, alojamentos e restauração.
  3. 3. 3 O turismo é um instrumento de desenvolvimento por afetar vários setores daeconomia. E, como ainda não existe uma definição exata, o mesmo é definido de acordocom os interesses de cada área, as quais dão ênfase aos seus aspectos de maior interesse. Oturismo, por muitos anos, foi considerado uma atividade que não provocava danos ao meioambiente. Esta se compara a uma indústria, por transformar atrativos potenciais, que ématéria-prima do turismo, em produtos compostos por uma infraestrutura básica e de apoioe só se diferencia pelo fato de não liberar na atmosfera grande quantidade de gases tóxicos.Devido a esse entendimento, ocorreram e, ainda ocorre o uso indevido, dos recursosnaturais causando impactos no meio ambiente (DIAS, 2003). O turismo depende muito do planejamento e monitoramento do espaço paraperdurar, é preciso esclarecer que, assim como qualquer outra atividade econômica, elepode trazer impacto tanto positivo como negativo. O sistema de monitoria e avaliação leva em consideração os aspectos ambientais,socioculturais, econômicos e políticos. O monitoramento, o qual é essencial para odesenvolvimento turístico sustentável tem a função, segundo Dias (2003, p. 80), de “...realizar avaliações permanentes, auditorias ambientais e o exame contínuo de graus demudança.” Nas intervenções turísticas, esse processo é utilizado para a obtenção daqualidade do local, da comunidade e da experiência do visitante. É importante ressaltar que é crescente a quantidade de turistas que procuramáreas naturais a fim de um descanso em contato com a natureza original. É notório ointeresse de alguns turistas por áreas preservadas, por esses espaços proporcionarem ummaior contato com elementos de uma natureza quase intocada. Por isso, eleva-se asdiscussões acerca dos impactos gerados por este fluxo crescente de pessoas em espaçossensíveis e finitos que podem ser drasticamente alterados pela ação humana se não ocorrerum planejamento adequado por parte dos gestores. As degradações provocadas pelaatividade turística, principalmente em áreas costeiras, são frutos de uma atividade semplanejamento, pois foi erguida e ainda ergue-se, apesar do conhecimento já obtido sobrequestões ambientais, infraestruturas em locais frágeis, que precisam de monitoramentovisando uma melhor qualidade na gestão do espaço, para evitar distorções irreparáveis.
  4. 4. 4 Hoje, a sociedade está cada vez mais exigente em relação à gestão pública, uma vezque a sustentabilidade é uma condição necessária. Discutir os indicadores do turismosustentável vem se consolidando como principal instrumento de controle e monitoramentona busca da sustentabilidade da atividade turística. Há uma crescente conscientização porparte das pessoas, o que tende a beneficiar todas as modalidades turísticas, propiciando aproteção ao meio ambiente, fazendo com que as áreas receptoras busquem meios de mantera qualidade do ambiente a fim de cativar o consumidor do turismo, proporcionando, comisso, a melhoria das paisagens e a conservação dos recursos naturais sem que, para isso, seabra mão do lazer e do bem estar da população local e do turista. Os indicadores de sustentabilidade segundo BRASIL (2007, p. 65), “sãoferramentas utilizadas no sistema de gestão, planos de monitoria e avaliação paradimensionar as mudanças nos aspectos considerados mais importantes da sustentabilidadede uma região.”IMPACTOS DO TURISMO Geralmente, quando se fala em impactos ambientais relacionados ao turismo,costuma-se sempre associá-los de forma negativa, somente na questão natural, contudo,como o turismo abrange e influência todos os elementos do ambiente (sociedade, cultura,economia, meio natural, etc.), os impactos estão presentes em todos eles também. O turismo moderno é altamente consumidor de recursos naturais e não há dúvidaque a expansão turística contribui para o aumento dos problemas ambientais. A busca porambientes naturais levou também a exploração de ambientes frágeis, acelerando adegradação e destruição dos mesmos. É o caso das áreas costeiras, lugares que recebemgrande número de visitantes e que, conseqüentemente, sofrem mais danos. O impacto, Segundo BRASIL (2007, p. 46), ocorre quando “uma ação ou umconjunto de ações incide sobre determinado aspecto no ambiente, originando umatransformação no seu comportamento ao longo do tempo”. Os impactos que o turismopode gerar ao ambiente referem-se ao conjunto de modificações ou seqüência de eventosprovocados pela atividade nas localidades receptoras.
  5. 5. 5 Segundo Dias (2003), na atividade turística somente considerava-se seus impactospositivos, e se tinha a idéia de que, com seu desenvolvimento, muito iria interferir naeconomia. Dessa forma, muitos países em desenvolvimento incentivaram o turismo semverificar sua viabilidade. Ocorre que muitos agentes econômicos concebem o turismocomo atividade meramente econômica, cuja rentabilidade tenha retorno a curto prazo,implicando maior preocupação com a rápida ocupação dos recursos para posteriorinvestimento. Os impactos negativos no ambiente podem ser resultantes principalmente, dainfraestrutura, que é indispensável para a atividade; os resíduos gerados, ou mesmo, ogrande número de visitantes presentes em áreas naturais, o que desperta maiorpreocupação. Considerando a área de estudo, a APA do Delta do Parnaíba, torna-se pertinenteenfatizar impactos ocorridos em ambientes naturais. O lixo e resíduos sólidos tornam-seproblemas graves. Depositados nos ambientes naturais, degradam a aparência física alémde muitas vezes causar a morte de algumas espécies, sem falar que, com o passar dotempo, as pessoas deixam de visitar o local, o qual torna- se desvalorizado por conta dapoluição. Infelizmente, a falta de conscientização em relação à má deposição de lixo aindaé muito grande. Além do lixo, existe também o problema da destinação dos esgotos provenientesdas instalações destinadas ao turismo como os hotéis, áreas de lazer, etc., que, por sua vez,também polui esteticamente ou visualmente quando realizados sem planejamento. Nissoinclui ainda, a própria infra-estrutura de suporte, como outdoors colocados em locaisinadequados, e outros. Os impactos políticos- institucionais negativos do turismo trazem a insegurançainstitucional; cultura de desagregação; falta de participação do setor privado e da sociedadecivil (BRASIL, 2007). O turismo agride tanto quanto as indústrias, por conta docrescimento e implantação de infra-estruturas necessárias para seu desenvolvimento, taiscomo, aumento dos transportes aéreos, rodoviários, ou ferroviários. Além disso, provoca econtribui para o aumento da poluição em todas as suas formas, como exemplo, a poluiçãosonora.
  6. 6. 6 A atividade turística contínua, e as mudanças que ocorrem a médio e longo prazo naeconomia e na ecologia local provocam uma série de conseqüências para todo o meioambiente, através das construções e o desenvolvimento da infra-estrutura, com o uso daterra de forma insustentável e o desflorestamento para as construções e instalações, afirmaDias (2003). No entanto, é bom considerar que o turismo em particular, dependefortemente que o meio ambiente encontre-se em bom estado para que ele possa sedesenvolver e permanecer por muito mais tempo. A perda da biodiversidade assim como, a diminuição da camada de ozônio tambémtem contribuições do turismo, são exemplos de impactos no âmbito global. Por outro lado,as implicações de indústrias ou outras atividades econômicas também afetam o turismo,como a contaminação de rios, campos, são exemplos de ambientes que poderiam estarservindo como local turístico e acaba por perder seu valor quando passa a ser poluído porindústrias, por exemplo. Implica conseqüentemente na perda do potencial turístico, ou seja,o turismo tanto contribui para a degradação ambiental como é afetado por ela. Uma boagestão e planejamento do turismo podem trazer grandes benefícios aos atores envolvidos,prevenindo erros ou evitando danos irreversíveis à natureza. Para facilitar o monitoramento dos impactos, Dias (2003), agrupa os mesmos emtrês áreas principais onde ocorrem impactos ambientais do turismo: relacionados com osrecursos naturais, com a poluição e os impactos físicos de modo geral. Levando em consideração os benefícios trazidos pela atividade turística, de ummodo geral, pode-se ressaltar, e é de acordo entre os autores, que ela contribui muito para acriação de reservas naturais protegidas como as Unidades de Conservação, e, como é ocaso da APA do delta do Parnaíba, permitindo que a fauna e a flora permaneçam em seuslocais de origem, proporcionando bem estar aos visitantes sem agredir tanto ao meioambiente. Pode-se destacar também a geração de renda e benefícios para outros setores daeconomia; destaca-se o turismo na geração de novas ocupações, permanentes e/outemporárias, ampliação na arrecadação de tributos locais, aumento das compras locais; aescolha e uso eficiente de tecnologias ambientalmente saudáveis; melhorias das condições
  7. 7. 7ambientais; também há contribuições no campo sócio - cultural, através da valorização dacultura, dos costumes, tradições e do patrimônio histórico; ele também é fator deaceleração de mudanças sociais positivas e o intercâmbio cultural entre moradores evisitantes. Existe uma série de benefícios que o turismo pode gerar, mas para isso é precisoevidenciar que um bom planejamento e gestão das atividades é primordial para minimizaros impactos negativos no ambiente que podem ser resultantes principalmente, dainfraestrutura que é indispensável para a atividade; os resíduos gerados, ou mesmo, ogrande número de visitantes presentes em áreas naturais, o que desperta maiorpreocupação. O trabalho de Rodrigues (1997) mostra os efeitos que outra atividade econômicapode causar na atividade turística. Trazer uma industrialização em massa para uma zonacosteira implica uma gama de impactos ao meio ambiente tais como: poluição sonora,visual, das águas marinhas provocando a diminuição das espécies, alterando assim oequilíbrio aquático, sem falar na degradação das paisagens cênicas do lugar alterando deforma substancial o fluxo turístico. Cita o exemplo da praia do Pecém no Ceará, que jáhavia o problema da erosão costeira e que acentuou- se com a construção do porto. Na áreade influência direta do porto e do complexo metalmecânico, as atividades turísticas foramfrancamente atrapalhadas pelas atividades industriais. A reflexão deve ser feita na ótica deque os investimentos com turismo devem ter seu retorno assegurado, o que não é certo noPecém. Nota-se, além disso, que a degradação no litoral não se deve somente àindustrialização, mas também à ocupação desenfreada da população nestas zonas, com aconstrução cada vez maior de moradias, sem o devido planejamento e adequação ao meioambiente, e a tendência é de aumentar ainda mais esse desordenamento populacional,tendendo ao aumento de conflitos e disputas que deverão ser regulamentados e dirigidospor programas de gerenciamento costeiro que contemple os anseios populares e acapacidade ambiental de suportar a pressão sobre os diversos elementos que compõem ogeossistemas litorâneo. (RODRIGUES, 1997).
  8. 8. 8 Levando em consideração esses impactos do turismo e relacionando-osposteriormente aos impactos na APA do Delta do Parnaíba, pode-se afirmar que a atividadeturística implica em trazer melhorias da qualidade de vida, porém, nesse mesmo contexto,pode gerar conseqüências desfavoráveis, por exemplo, o aumento populacional que vaidemandar mais recursos naturais, gerar mais resíduos, alterar o comportamento dosnativos, enfim, uma série de alterações no ambiente. Desse modo, o turismo pode trazermuitos benefícios, mas, ao mesmo tempo, ocasionar resultados maléficos a todos osenvolvidos.TURISMO SUSTENTÁVEL Segundo a OMT, o que motiva o turista é o crescimento da seletividade ao escolhero destino, sensibilidade ao meio ambiente, cultura local, e a exigência maior à qualidade.Partindo desse ponto se percebe como é de grande importância a sustentabilidade emqualquer área. Desenvolvimento sustentável é, segundo o BRASIL (2007), a atividade queharmoniza o crescimento econômico e social, preservando o patrimônio natural de forma agarantir que gerações futuras também atendam suas necessidades. Turismo sustentável “é aatividade que satisfaz as necessidades dos turistas e as necessidades socioeconômicas dasregiões receptoras, enquanto a integridade cultural, a integridade dos ambientes naturais e adiversidade biológica são mantidas para o futuro.” BRASIL (2007, p. 25) Este novo paradigma é essencial para que o turismo consiga maximizar osbenefícios advindos da atividade, mas para isso é necessário a participação de todos osatores envolvidos, principalmente o poder público. Destacando os princípios da sustentabilidade os quais são: sustentabilidadeambiental, sócio- cultural, econômica, político- institucional, pode-se afirmar que todos serelacionam entre si e que devem ser planejados juntos para alcançar a sustentabilidade,pois todas as implicações do turismo afetam todos esses campos. De acordo com oprograma de Regionalização do Turismo (BRASIL, 2007, p.25) “a sustentabilidade é umafunção complexa que combina de maneira particular cinco variáveis: interdependência,
  9. 9. 9reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade”. E, todos os aspectos, áreas, elementosque envolvem o turismo devem ser trabalhados de forma sustentável. Para tanto, existem meios que se propõem a avaliar os impactos sobre o meioambiente e que auxilia na prevenção ou reversão de danos ao meio ambiente. A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) deve ser compreendida como umconjunto de métodos e procedimentos os quais permitem avaliar as conseqüênciasambientais de um determinado plano, programa, política, aproveitando as conseqüênciasbenéficas e minimizando seus efeitos maléficos do ponto de vista social e ambiental(OLIVEIRA, 1998). Segundo o autor, esses métodos e procedimentos são instrumentosusados pelo empreendimento para auxiliá-lo na execução ou não do empreendimento. Paraisso é primordial que o empresário e as autoridades públicas conheçam as conseqüênciasdo projeto sobre o meio ambiente. O objeto de estudo da Avaliação de Impacto Ambiental é qualquer ação humanasobre o meio ambiente e para a análise dos impactos provocados por obras e atividadessignificativamente degradadoras faz-se um Estudo de Impacto Ambiental prévio (EIA) eRelatórios de Impacto Ambiental (RIMA) que são imprescindíveis ao processo delicenciamento ambiental. O primeiro constitui-se de relatórios técnicos específicos eesclarecedores do processo industrial e o segundo é destinado ao público com umalinguagem adequada ao meio, que através de audiências públicas podem discutir sobre asimplicações provocadas por determinados empreendimentos em seu meio ambiente.(OLIVEIRA, 1998). Qualquer ação humana é objeto de avaliação sobre o impacto no meio ambiente. Àmedida que essas ações aumentam é preciso adotar medidas que procurem obterconhecimento aprofundado da área a ser explorada, em seguida, do empreendimento.UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Levando em consideração que a APA do Delta é uma importante área deConservação é pertinente entender como se deu a criação dessas áreas. A partir do estudo
  10. 10. 10de Costa (2002), é possível compreender melhor como funcionam, quais os objetivos eaplicabilidade. Com o passar dos anos as leis que visavam à proteção de áreas naturais foram seaperfeiçoando e tornou-se como se conhece hoje. As Unidades de Conservação podem sercriadas em nível municipal, estadual e federal, podendo ser vinculada a diferentes órgãosadministrativos, de acordo com sua natureza, objetivo ou estatuto e sua existência se dáapós a adoção de medidas que efetive sua criação como demarcação do terreno, instalaçãode infra-estrutura, colocação de recursos humanos e outros. Conservação é a administração dos recursos de um país de forma planejada, paraimpossibilitar a exploração prejudicial, (COSTA, 2002). No entanto, para se criar umaUnidade de Conservação ainda há muitos obstáculos como se observa na leitura de Costa(2002), o principal seria a falta de recursos para indenizações, além disso, as áreas ondepossuem moradores ou são de interesse político, dificilmente são transformadas emUnidades de Conservação. Para se entender melhor como se organiza as Unidades de Conservação, considera-se que o conjunto delas constitui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC)o qual o define como espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águasjurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituídos pelo podepúblico com objetivos de conservação e limites definidos sob regime especial deadministração, ao qual se aplicam as garantias adequadas de proteção (COSTA, 2002). As Unidades de Conservação dividem-se em dois grupos: Unidades de Proteção Integral (UPI) que é composta pelas Unidades deConservação: estação ecológica; reserva biológica; parque nacional; monumento natural;refugio de vida silvestre. O objetivo da UPI é preservar a natureza, sendo admitido apenaso uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos em lei (COSTA,2002).
  11. 11. 11 Unidades de Uso Sustentável (UUS) que é composta por área de proteçãoambiental; área de relevante interesse ecológico, floresta nacional, reserva extrativista, defauna, de desenvolvimento sustentável e particular de patrimônio natural. Segundo Costa(2002), ele tem como objetivo compatibilizar a conservação da natureza com o usosustentável de parcelas de seus recursos. Segundo o SNUC (2000), o termo preservação significa o conjunto de métodos eprocedimentos que visem a proteção a longo prazo das espécies, habitat e ecossistemas,além da manutenção dos processos ecológicos, prevenindo a diminuição dos sistemasnaturais. A Área de Proteção Ambiental - APA é tida como uma área de extensão com certograu de ocupação humana, a qual possui características abióticas, bióticas, estéticas ouculturais. Essa reserva visa proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo deocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Sendo assim,qualquer empreendimento poluidor não pode ser instalado nessas áreas. Assim, o que se pretende observar e analisar na APA do Delta é se a atividadeturística existente hoje condiz ou não com o objetivo que se propõe as APAs de modogeral. Sabe-se que a APA do Delta abrange os estados do Piauí, Ceará e Maranhão, foicriada em 1996 e possui uma extensão de 313.800,000km de área. Tendo por base essesconceitos e fundamentos acerca do turismo sustentável é possível visualizar se esteobjetivo está sendo aplicado nesta APA em especial. Verificando a relação entre as categorias de Unidades de Conservação com oturismo destaca-se que as APAs, a RPPN e os Parques Nacionais são as áreas maisimportantes para a instalação do turismo (ecoturismo). Entretanto os investimentos nessasáreas não são suficientes para obter um melhor andamento das atividades, como, aqualidade no atendimento aos visitantes bem como, dificuldades na gestão de turismo,comprometendo a satisfação dessas necessidades, evitando o uso incorreto dos espaçosnaturais.
  12. 12. 12 A ausência da aplicação dos princípios de sustentabilidade, recomendados porBRASIL (2007), a falta de planejamento e os fatores políticos causam pressões enormesnas áreas naturais. Costa (2002) comenta que o uso turístico dos recursos naturais deveenfatizar o ser humano, separando a população e o turista. Essa visão se faz necessária paraque os diferentes aspectos do planejamento e gestão atendam a proposta dedesenvolvimento sustentável, onde todos saem lucrando. O uso turístico em áreas protegidas é condicionado ao número de pessoas que asUnidades de Conservação podem suportar. Para se conhecer essa variável surgiramdiversas metodologias. A capacidade de carga, segundo Costa (2002, p.66), “é um conceito relativo queenvolve diferentes considerações e juízos científicos, apresentando uma variedade devalores as quais devem ser associados aos objetivos de manejo especifico para cada área”. Para Dias (2003, p. 83), o estudo de capacidade de carga turística compreende “aanálise da quantidade de turistas que um espaço pode suportar sem interferir de maneirasignificativa no meio físico, no comportamento da comunidade receptora e na experiênciado visitante.” Porém, há controvérsias, pois existem dificuldades na elaboração do conceitoe operacionalização da capacidade de carga, porque seu ponto pode ser visto de formadiferente e conflitante por diferentes grupos. A perspectiva do turista em relação à capacidade de carga poderá ser totalmentediferente, mas igualmente relevante; em relação às interferências na qualidade de suaexperiência, será difícil determinar a capacidade de carga, pois cada indivíduo possui umgrau de tolerância à quantidade de gente em determinado lugar; os aspectos da capacidadede carga a serem considerados variam de acordo com as características socioeconômicas epsíquicas do turista, aspectos do comportamento turístico e dos padrões do turismo. Dias (2003), discute que há uma série de conceitos sobre capacidade de carga,dentre elas, dois pontos podem ser considerados: primeiro que a capacidade de carga não éo nível após o qual os impactos surgem. Qualquer nível terá seus impactos os quais podemaumentar com o crescimento dos visitantes, ou seja, a menor presença humana em um
  13. 13. 13determinado ambiente já apresenta alterações no mesmo podendo aumentar à medida quecresce o número de pessoas. O segundo, que o ponto de capacidade de carga não é o limitede saturação. Ele pode ser o cenário onde a qualidade do meio ambiente pode ser mantida,assim como, o valor da experiência do visitante. Digamos que a capacidade de carga seassemelha ao conceito de sustentabilidade. A capacidade de manejo, segundo Costa, (2002.p. 68) “é a soma de condições que aadministração de uma área protegida necessita para poder cumprir com qualidade suasfunções e objetivos”. Além da capacidade de carga, a metodologia de monitoramento deimpactos de visitantes considera que todo e qualquer tipo de visitação a áreas naturaiscausa impacto. Portanto, há de se preestabelecer impactos indicando níveis mínimos emáximos de ocorrência e aceitabilidade. O limite aceitável de cambio é a metodologiaadequada à realidade do turismo, ela observa as condições desejáveis para uma áreareceber visitantes. Na verdade todas estas metodologias se assemelham na forma de avaliarcontribuindo muito para o planejamento ambiental o qual requer diversos instrumentos demanejo sendo o principal deles o zoneamento ambiental que é uma de suas técnicas.Proporciona o manejo e normas específicas com o propósito de oferecer condições paraque todos os objetivos possam ser cumpridos em uma Unidade de Conservação. Alémdessa técnica, existe o Plano de Ação Emergencial que, segundo Costa (2002), visa aoplanejamento das atividades de uma Unidade de Conservação. Pois, qualquer que seja aUnidade de Conservação, ela necessita de infra-estrutura básica, sede administrativa,postos de vigilância, alojamentos, além de outras voltadas para o atendimento turístico.CONCLUSÃO Ao trabalhar a questão turística e sua influência nos diversos setores da sociedade,incluindo as relações sociais e com a natureza, conclui-se que é cada vez maior aimportância de avaliar as conseqüências de qualquer ação de origem humana a fim deevitar que a atividade turística extinga- se em determinados locais por conta da destruiçãodos recursos. É imprescindível a existência de Unidades de Conservação, seja de ProteçãoIntegral ou de Uso Sustentável, mas, contudo é preciso haver um planejamento e gestão
  14. 14. 14atuantes para que as partes envolvidas- natureza e sociedade - tenham seus limitesrespeitados. Portanto, através da análise dos aspectos teóricos, foi possível ampliar osconhecimentos acerca da atividade turística em Unidades de Conservação e analisar,também, a necessidade e a importância de existir um turismo sustentável, uma vez que, aadoção desta concepção traria maiores benefícios a todos os envolvidos, principalmente, aoambiente natural. Reconhecendo os impactos da atividade turística nas diferentesdimensões, seja ambiental, econômica, sócio cultural e político institucional.REFERÊNCIASBRASIL. Ministério do Turismo. Roteiros do Brasil: Turismo e Sustentabilidade.Brasília: 2007. 126p.COSTA, Patrícia Cortes. Unidades de Conservação. São Paulo: Aleph, 2002.CUNHA, Sandra Baptista; GUERRA, Antônio José Teixeira (Orgs). Avaliação e PeríciaAmbiental. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.DIAS, Reinaldo. Turismo Sustentável e Meio Ambiente. São Paulo: Atlas, 2003.LEMOS, Amália Inês G. de (Org.) Turismo: Impactos Sócio-ambientais. 3 ed. SãoPaulo: Hucitec, 2001.OLIVEIRA, Antônio I. de Assis. Da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). In: OLicenciamento Ambiental. São Paulo: Iglu,1998. p. 143-165.PEREZ, Amparo S. (Org.) Introdução à Metodologia da Pesquisa em Turismo. SãoPaulo: Roca, 2005. 287p.RODRIGUES, Adyr B. Turismo e Ambiente – Reflexões e Propostas. São Paulo:Hucitec, 1997. p.177.

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