TERÇA-FEIRA
6
Recife, 14 de maio de 2013 TURISMO FOLHA DE PERNAMBUCO
ILHADOTESOURO
MARIANA LINS
Enviada especial
VITÓRIA (ES) - O que você
sabe sobre o Espírito Santo?
Ofuscados por três grandes
estados (Bahia, Minas Gerais
e Rio de Janeiro) que lhe
“espremem” cultural e geo-
graficamente, os capixabas
preferiram deixar de lado
eventuais disputas iden-
titárias e optaram pela sim-
plicidade de uma existência
sem histerias.
Mas, lá, simples não rima
necessariamente com paca-
to. Bonita, organizada e mo-
derna, a capital Vitória mis-
tura o lifestyle carioca com o
ethos paulistano e a deli-
cadeza mineira. Mix que
talvez explique o fato de ela
ter a maior renda per capita
do Brasil, ao mesmo tempo
em que é considerada uma
das melhores para se viver.
Trabalho duro e qualidade de
vida ocupam o topo da es-
cala de prioridades locais.
Emoldurada por monta-
nhas e belas praias, a paisa-
gem natural capixaba divide
espaço com os inúmeros
navios de carga ancorados
nos portos de Vitória e
Tubarão, alguns dos mais im-
portantes do País. A cidade
é uma das três capitais insu-
lares brasileiras, ao lado de
Florianópolis (SC) e São Luís
(MA). Para todo lado que se
olha, avista-se sempre uma
embarcação em vias de
chegar ou partir.
Uma boa maneira de co-
nhecer a capital do Espírito
Santo, penso, é na compa-
nhia de um capixaba. Nacio-
nalmente conhecidos pela
baixa autoestima - eles nunca
acham que suas atrações
têm capacidade de concorrer
com as de outros estados -,
eles acabam, sem perce-
berem, conduzindo você por
lugares incríveis. E é justa-
mente aí onde residem as
gratas surpresas.
Fui guiada por uma amiga
local que conhece a ilha “de
cabo a rabo”, como dizem os
pernambucanos. Tal qual
seus conterrâneos, ela se per-
guntava o tempo todo se a
tarefa de me ciceronear pela
cidade teria êxito, ou seja, se
haveria pontos turísticos su-
ficientes para me manter en-
tretida durante quatro dias.
Para o espanto dela, havia,
sim.
Começamos o tour capi-
xaba pelo Centro Histórico
de Vitória, também conheci-
do como Cidade Alta - é bom
se preparar para uma paisa-
gem de ladeiras olindenses.
A região fica no centro e
reúne alguns dos principais
monumentos da capital,
como o teatro Carlos Gomes,
a Escadaria Maria Ortiz e a
Catedral Metropolitana, que
encanta os visitantes com sua
extraordinária coleção de vi-
trais e arquitetura neogótica.
Outro prédio de destaque é
o da Capela de Santa Luzia,
uma das menores e mais
antigas do Brasil (data do
século 16), construída sobre
uma rocha, com pedra e cal
de ostra.Para quem gosta de
arte, vale fazer a visita guia-
da ao Palácio Anchieta (sede
do Governo do Estado) e, de
quebra, dar uma olhadinha
nas mostras em cartaz.
Ao final do passeio histórico,
a dica é caminhar pelo agita-
do calçadão das praias do
Canto ou de Camburi (ficam
em bairros vizinhos), onde
sempre há gente bonita
aproveitando a brisa do mar
para pedalar ou fazer mano-
bras em skates e patins. Uma
delícia. Só não são muito re-
comendáveis para o banho,
por causa da poluição. Quem
conhece, aconselha: mergu-
lho seguro mesmo só na Praia
da Costa, em Vila Velha. É
limpa e hypada - garantem.
Dica: deixe-se levar pela vibe
“natureba” do bairro e dê um
pulinho no D’Bem, simpático
restaurante de cardápio orgâni-
co, delicioso, situado numa
charmosa esquina da região.
Vitória, no
Espírito
Santo, é
reduto de
belas
paisagens e
agradáveis
surpresas
NNooiittee ccaappiixxaabbaa éé pprroommiissssoorraa ppaarraa ssoolltteeiirrooss
Se durante o dia a capital
aparenta conservar um certo
ar provinciano, a vida noturna
capixaba já não pode dizer o
mesmo. Há opções de balada
para todos os gostos, sobretu-
do para os que preferem algo
fora do mainstream local. O
roteiro dos descolados, geral-
mente, começa com o “es-
quenta” na famosa rua da
Lama, no bairro de Jardim da
Penha. Lá, é possível ocupar as
mesas espalhadas pela calça-
da ou jogar conversa fora, en-
quanto se “toma uma” senta-
do no largo banco de cimento
conhecido como “sofá da
Hebe”.
Para quem busca azaração
e drinks mais elaborados na
Lama, o bar Abertura é a pe-
dida. Mas se a ideia é reunir os
amigos,curtirumaboaseleção
musical vintage e beber cerve-
ja gelada acompanhada da
célebre coxinha com queijo
muçarela - “um clássico da
boemia local”, atestam -, nada
melhor que o Cochicho da
Penha, o bar mais antigo da
rua.
Outrodestinocerteiroéoque
os capixabas chamam de
Triângulo das Bermudas. Trata-
se de um complexo gas-
tronômico na Praia do Canto,
que concentra todo tipo de
público, servindo de ponto de
encontro para amigos, antes
de seguirem para as boates.
Por ali, o Jazz Café tem sempre
umline-upbacanaparaanimar
a noite e o Bierdorf, a carta de
cervejas mais variada.
Sedersorteeestiverrolando,
nãodeixedeconferirobatuque
do Regional da Nair, que se au-
tointitula um grupo de samba
free style. Geralmente, o agito
é aberto ao público e acontece
na praia da Curva da Jurema,
à noite. Mas, como os encon-
tros são esporádicos e itiner-
antes, podendo acontecer em
qualquer rua do centro, é bom
se certificar antes.
Só não pense em deixar
Vitória sem conhecer as festas
temáticas do selo Antimofo.
Todo final de semana, a galera
bate ponto em alguma (ou em
todas) das divertidas badala-
ções organizadas pela produ-
tora capixaba. A pista ferve até
altas horas com setlists indie,
rock,pop,nacionaletc,ouseja,
música para todos os gostos.
E, uma dica: também é da-
queles lugares promissores
para a turma solteira. Só fica
sozinho quem quer.
SERVIÇO
Palácio Anchieta
Centro de Vitória
Visitação de terça a sexta, das 09h às
17h, sábado, das 10h às 17h, e domin-
go, das 10h às 16h
Gratuito
Informações: (27) 3636 1210
Convento da Penha
Prainha - Vila Velha
Visitação de segunda a sábado, das 5h15
às 16h45 e domingo, das 4h15 às 16h45
Gratuito
Informações: (27) 3329 0420
Museu Vale
Vila Velha
Visitação de terças a sextas, das 8h às
17h, sábados e domingos, das 10h às
18h
Gratuito
Informações: (27) 3333 2484
FAMOSOS: “sofá da Hebe” é ponto de encontro dos
jovens capixabas na boêmia rua da Lama
VViillaa VVeellhhaa,, aa cciiddaaddee--iirrmmãã
qquuee ccoommpplleettaa VViittóórriiaa
Não dá para desvincular
Vitória da cidade-vizinha Vila
Velha. Separadas pelos 3,3 km
da Terceira Ponte, as duas se
completam em todos os sen-
tidos. Por ser maior que a ca-
pital capixaba, em área e po-
pulação (são 425 mil habi-
tantes contra 328 mil de
Vitória), o município concen-
tra mais da metade da econo-
mia de todo o Espírito Santo.
Os impactos do perfil indus-
trial de Vila Velha são visíveis
por todos os lados: aglome-
ração urbana, altos prédios,
trânsito congestionado, um
crescimento desordenado
que aparentemente destoa de
Vitória.
Mesmo assim, é lá onde
estão os maiores cartões-
postais do estado. É o caso
da bela Praia da Costa, a
preferida dos banhistas capi-
xabas, que ocupa 5 km da
orla, repleta de quiosques e
esportistas se exercitando a
qualquer hora do dia.
Já no bairro da Prainha, fica
o Convento da Penha, um dos
santuários mais antigos do
País, erguido sobre um pe-
nhasco de 154 metros de al-
titude e a 500 metros do nível
do mar. Do alto da igreja, têm-
se as vistas mais deslum-
brantes de Vila Velha e da baía
de Vitória. Já em seu interior,
o altar-mor é revestido com
madeira em cedro e dife-
rentes tipos de mármore.
Como a subida é longa, o
acesso mais fácil é de carro,
mas pode ser feito por meio
de vans também.
O Museu Ferroviário da
Vale é outro lugar que não
deve passar em branco na
visita. Ele foi instalado onde
antes funcionava a Estação
Ferroviária Pedro Nolasco, a
principal ligação entre o
Espírito Santo e Minas Gerais.
O prédio abriga um acervo
permanente com 133 itens
que contam a história da
estrada de ferro capixaba,
além de sediar algumas ex-
posições temporárias de arte
contemporânea. Antes de ir
embora, tome pelo menos
um capuccino no clássico
vagão do Café do Museu,
cuja decoração preserva as
características originais dos
trens, levando os clientes a
embarcarem por alguns ins-
tantes numa viagem pela
história.
Tadeu Bianconi/Divulgação
Mariana Lins/Cortesia

Turismo - Ilha do Tesouro

  • 1.
    TERÇA-FEIRA 6 Recife, 14 demaio de 2013 TURISMO FOLHA DE PERNAMBUCO ILHADOTESOURO MARIANA LINS Enviada especial VITÓRIA (ES) - O que você sabe sobre o Espírito Santo? Ofuscados por três grandes estados (Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro) que lhe “espremem” cultural e geo- graficamente, os capixabas preferiram deixar de lado eventuais disputas iden- titárias e optaram pela sim- plicidade de uma existência sem histerias. Mas, lá, simples não rima necessariamente com paca- to. Bonita, organizada e mo- derna, a capital Vitória mis- tura o lifestyle carioca com o ethos paulistano e a deli- cadeza mineira. Mix que talvez explique o fato de ela ter a maior renda per capita do Brasil, ao mesmo tempo em que é considerada uma das melhores para se viver. Trabalho duro e qualidade de vida ocupam o topo da es- cala de prioridades locais. Emoldurada por monta- nhas e belas praias, a paisa- gem natural capixaba divide espaço com os inúmeros navios de carga ancorados nos portos de Vitória e Tubarão, alguns dos mais im- portantes do País. A cidade é uma das três capitais insu- lares brasileiras, ao lado de Florianópolis (SC) e São Luís (MA). Para todo lado que se olha, avista-se sempre uma embarcação em vias de chegar ou partir. Uma boa maneira de co- nhecer a capital do Espírito Santo, penso, é na compa- nhia de um capixaba. Nacio- nalmente conhecidos pela baixa autoestima - eles nunca acham que suas atrações têm capacidade de concorrer com as de outros estados -, eles acabam, sem perce- berem, conduzindo você por lugares incríveis. E é justa- mente aí onde residem as gratas surpresas. Fui guiada por uma amiga local que conhece a ilha “de cabo a rabo”, como dizem os pernambucanos. Tal qual seus conterrâneos, ela se per- guntava o tempo todo se a tarefa de me ciceronear pela cidade teria êxito, ou seja, se haveria pontos turísticos su- ficientes para me manter en- tretida durante quatro dias. Para o espanto dela, havia, sim. Começamos o tour capi- xaba pelo Centro Histórico de Vitória, também conheci- do como Cidade Alta - é bom se preparar para uma paisa- gem de ladeiras olindenses. A região fica no centro e reúne alguns dos principais monumentos da capital, como o teatro Carlos Gomes, a Escadaria Maria Ortiz e a Catedral Metropolitana, que encanta os visitantes com sua extraordinária coleção de vi- trais e arquitetura neogótica. Outro prédio de destaque é o da Capela de Santa Luzia, uma das menores e mais antigas do Brasil (data do século 16), construída sobre uma rocha, com pedra e cal de ostra.Para quem gosta de arte, vale fazer a visita guia- da ao Palácio Anchieta (sede do Governo do Estado) e, de quebra, dar uma olhadinha nas mostras em cartaz. Ao final do passeio histórico, a dica é caminhar pelo agita- do calçadão das praias do Canto ou de Camburi (ficam em bairros vizinhos), onde sempre há gente bonita aproveitando a brisa do mar para pedalar ou fazer mano- bras em skates e patins. Uma delícia. Só não são muito re- comendáveis para o banho, por causa da poluição. Quem conhece, aconselha: mergu- lho seguro mesmo só na Praia da Costa, em Vila Velha. É limpa e hypada - garantem. Dica: deixe-se levar pela vibe “natureba” do bairro e dê um pulinho no D’Bem, simpático restaurante de cardápio orgâni- co, delicioso, situado numa charmosa esquina da região. Vitória, no Espírito Santo, é reduto de belas paisagens e agradáveis surpresas NNooiittee ccaappiixxaabbaa éé pprroommiissssoorraa ppaarraa ssoolltteeiirrooss Se durante o dia a capital aparenta conservar um certo ar provinciano, a vida noturna capixaba já não pode dizer o mesmo. Há opções de balada para todos os gostos, sobretu- do para os que preferem algo fora do mainstream local. O roteiro dos descolados, geral- mente, começa com o “es- quenta” na famosa rua da Lama, no bairro de Jardim da Penha. Lá, é possível ocupar as mesas espalhadas pela calça- da ou jogar conversa fora, en- quanto se “toma uma” senta- do no largo banco de cimento conhecido como “sofá da Hebe”. Para quem busca azaração e drinks mais elaborados na Lama, o bar Abertura é a pe- dida. Mas se a ideia é reunir os amigos,curtirumaboaseleção musical vintage e beber cerve- ja gelada acompanhada da célebre coxinha com queijo muçarela - “um clássico da boemia local”, atestam -, nada melhor que o Cochicho da Penha, o bar mais antigo da rua. Outrodestinocerteiroéoque os capixabas chamam de Triângulo das Bermudas. Trata- se de um complexo gas- tronômico na Praia do Canto, que concentra todo tipo de público, servindo de ponto de encontro para amigos, antes de seguirem para as boates. Por ali, o Jazz Café tem sempre umline-upbacanaparaanimar a noite e o Bierdorf, a carta de cervejas mais variada. Sedersorteeestiverrolando, nãodeixedeconferirobatuque do Regional da Nair, que se au- tointitula um grupo de samba free style. Geralmente, o agito é aberto ao público e acontece na praia da Curva da Jurema, à noite. Mas, como os encon- tros são esporádicos e itiner- antes, podendo acontecer em qualquer rua do centro, é bom se certificar antes. Só não pense em deixar Vitória sem conhecer as festas temáticas do selo Antimofo. Todo final de semana, a galera bate ponto em alguma (ou em todas) das divertidas badala- ções organizadas pela produ- tora capixaba. A pista ferve até altas horas com setlists indie, rock,pop,nacionaletc,ouseja, música para todos os gostos. E, uma dica: também é da- queles lugares promissores para a turma solteira. Só fica sozinho quem quer. SERVIÇO Palácio Anchieta Centro de Vitória Visitação de terça a sexta, das 09h às 17h, sábado, das 10h às 17h, e domin- go, das 10h às 16h Gratuito Informações: (27) 3636 1210 Convento da Penha Prainha - Vila Velha Visitação de segunda a sábado, das 5h15 às 16h45 e domingo, das 4h15 às 16h45 Gratuito Informações: (27) 3329 0420 Museu Vale Vila Velha Visitação de terças a sextas, das 8h às 17h, sábados e domingos, das 10h às 18h Gratuito Informações: (27) 3333 2484 FAMOSOS: “sofá da Hebe” é ponto de encontro dos jovens capixabas na boêmia rua da Lama VViillaa VVeellhhaa,, aa cciiddaaddee--iirrmmãã qquuee ccoommpplleettaa VViittóórriiaa Não dá para desvincular Vitória da cidade-vizinha Vila Velha. Separadas pelos 3,3 km da Terceira Ponte, as duas se completam em todos os sen- tidos. Por ser maior que a ca- pital capixaba, em área e po- pulação (são 425 mil habi- tantes contra 328 mil de Vitória), o município concen- tra mais da metade da econo- mia de todo o Espírito Santo. Os impactos do perfil indus- trial de Vila Velha são visíveis por todos os lados: aglome- ração urbana, altos prédios, trânsito congestionado, um crescimento desordenado que aparentemente destoa de Vitória. Mesmo assim, é lá onde estão os maiores cartões- postais do estado. É o caso da bela Praia da Costa, a preferida dos banhistas capi- xabas, que ocupa 5 km da orla, repleta de quiosques e esportistas se exercitando a qualquer hora do dia. Já no bairro da Prainha, fica o Convento da Penha, um dos santuários mais antigos do País, erguido sobre um pe- nhasco de 154 metros de al- titude e a 500 metros do nível do mar. Do alto da igreja, têm- se as vistas mais deslum- brantes de Vila Velha e da baía de Vitória. Já em seu interior, o altar-mor é revestido com madeira em cedro e dife- rentes tipos de mármore. Como a subida é longa, o acesso mais fácil é de carro, mas pode ser feito por meio de vans também. O Museu Ferroviário da Vale é outro lugar que não deve passar em branco na visita. Ele foi instalado onde antes funcionava a Estação Ferroviária Pedro Nolasco, a principal ligação entre o Espírito Santo e Minas Gerais. O prédio abriga um acervo permanente com 133 itens que contam a história da estrada de ferro capixaba, além de sediar algumas ex- posições temporárias de arte contemporânea. Antes de ir embora, tome pelo menos um capuccino no clássico vagão do Café do Museu, cuja decoração preserva as características originais dos trens, levando os clientes a embarcarem por alguns ins- tantes numa viagem pela história. Tadeu Bianconi/Divulgação Mariana Lins/Cortesia