O GRANDE MISTÉRIO DO TGV - a jogada de Sócrates
As verdades vêm sempre ao de cima
Numa negociata obscura com a srª Merkle, Sócrates preservaria a sua imagem à custa de uma obra
megalómana que o país hoje não precisa, e que seria adjudicada a uma empresa alemã (Siemens).
Sócrates, desesperado, condena a oposição...porque esta lhe estragou a jogada !


Por isso se justifica o rancor com que Sócrates gritava: “nós não precisamos de nenhuma ajuda
externa” – “eu não governarei com o FMI”
Um contributo para a compreensão de algumas acções.




O GRANDE MISTÉRIO DO TGV – A jogada de Sócrates

Porque será que Sócrates mantém esta insistência obsessiva no TGV?
Quando quase toda a gente, desde o analfabeto ao catedrático, reconhece a impossibilidade financeira
de o construir, e depois de se provar tecnicamente que será uma rede deficitária, porque continua
Sócrates a insistir?


Será que Sócrates é um visionário, e todos nós uns pobres ignorantes?
Ou será que há outras razões, talvez impositivas e condicionadoras, que só Sócrates sabe, e que não
pode confessar a ninguém?


A megalomania das grandes obras tem sido uma obsessão quase permanente de quem passa pelo Poder.
É assim desde a Antiguidade, e é gene que ainda empesta o cromossoma do político actual. A vontade
de deixar para a posteridade, algo de perene que perpetue o seu construtor, é uma vaidade com que os
poderosos sempre tentaram iludir a morte - a inevitabilidade terrível do desaparecimento.


Como os seus antecessores, é por isso natural que Sócrates quisesse deixar obra visível que o
recordasse.


Daí não me espantar que tenha avançado, de uma assentada, com um conjunto de grandes
investimentos, como o TGV, a 3ª travessia do Tejo e um Aeroporto construído em terrenos de M.
Jamais.


Mas desde os dias fulgurantes do estado de graça de Sócrates, até aos dias pedintes de hoje, vai muito
tempo, e muita coisa aconteceu desde então.
Vamos aos factos.


Em Março de 2005, Sócrates é empossado pela primeira vez como Primeiro-Ministro, gozando de uma
maioria absoluta na Assembleia.


O TGV já então fazia parte do programa de Governo, que previa o seu início nessa legislatura, se bem
que entre Porto e Lisboa, ligação que muito mais tarde foi alterada para Poceirão / Caia.


Esta obra era há muito uma bandeira de Sócrates, de tal modo que dela fez propaganda anos antes,
levando-a depois até ao referido programa de Governo.


Sobre a matéria, vejamos o que dizia então o Presidente da Multinacional Alemã Siemens, Sr. Heinrich
von Pierer. Considerava o TGV em Portugal como um "projecto fantástico", afirmando "querer ser
nosso parceiro nesse projecto". Estas declarações foram produzidas em Munique, para um grupo de
jornalistas portugueses (Novembro de 2003).


Entretanto, a coisa ficou por ali.


Contudo, iam-se agravando as condições económicas do país. Sócrates não consegue reduzir um grama
na adiposidade do Estado, e vê as despesas aumentarem. As suas deslocações, juntamente com Teixeira
dos Santos, a Bruxelas, são quase semanais. O facto é que, segundo ele, traz sempre boas notícias e,
permanentemente interrogado sobre o TGV, mantém-se irredutível: é para ir para a frente.
Lembro que, estranhamente, e por motivos ainda muito mal explicados, o Dr.Campos e Cunha
(primeiro ministro das Finanças a ser escolhido por Sócrates), afasta-se logo após ter proferido
declarações onde reconhecia a indisponibilidade financeira da execução de uma obra como o TGV e o
Aeroporto.
Contudo, a velha história das garantias de que grande parte do financiamento vinha da UE, mantiveram
Sócrates com argumentos para prosseguir. Campos e Cunha é que não ficou mais. Ele sabia porquê.


Entretanto, e contra tudo e contra todos, a construção do TGV é adjudicado em Dezembro de 2009, ao
consórcio Elos (que engloba a Brisa, Soares das Costa, ACS espanhola, Grupo Lena, Bento Pedroso,
Edifer, Zagrope, Babock e Brow Lda, BCP e CGD).


Com as condições de agravamento da nossa economia, e com os sucessivos falhanços na baixa do
défice, em 2010 a UE começa a mostrar-nos sérios "cartões amarelos" e, preocupada com o destino que
as coisas levam, e, de certo modo, traumatizada com os casos de Irlanda e da Grécia, e com o
"espantalho" de que os problemas se alastrem a Espanha e a Itália (onde a dívida pública já tinha
ultrapassado em muito os 100% do PIB - actualmente está nos 120%), obriga Portugal a tomar sérias
medidas, que haviam de se traduzir no PEC1.
Este PEC1 data de Março de 2010.


Demonstrada a insuficiência dele, em Maio do mesmo ano, avança-se com o PEC2, e quatro meses
mais tarde, com o PEC3.


Sócrates continua a deslocar-se a Bruxelas assiduamente. As visitas e reuniões da praxe, mas as
reuniões com Ângela Merkle são obrigatórias.
Estranha-se que entre ambos exista como que uma cumplicidade, ou algo que leva o nosso Primeiro-
ministro a conversar, preferencialmente, com ela.


E há algo que continua um mistério: apesar das sérias restrições que os PECs impõem, dos aumentos de
impostos, da redução dos benefícios sociais, do aumento do IVA, IRS, e até da suspensão da 3ª
travessia do Tejo e do Aeroporto de Lisboa, o TGV continua intocável!


É que, mesmo adjudicado, a obra poderia ser suspensa (como foi a 3ª travessia do Tejo depois de ser
adjudicada). Mas não! Mantinha-se o TGV.


Assim, o PEC1 tem o aval da UE, 2 meses depois de adjudicarmos o TGV, e os dois PECs seguintes,
também obtêm a aprovação europeia.


A seguir à aprovação do PEC3 (Setembro de 2010), logo em Novembro do mesmo ano, a
Multinacional Siemens volta à carga.
A Multinacional afirma que possui 10 mil milhões de Euros para financiamento de TGVs, através da
sua Siemens Project Adventures (que por sua vez está ligada à Siemens Financy Services), e que iria
propor ao governo português um esquema de financiamento do TGV.


Duas perguntas: que relação existe entre a data de adjudicação do TGV (Dezembro de 2009), e a
apresentação dos PECs1, 2 e 3 (Março, Maio e Setembro de 1010)? Será que a adjudicação terá servido
de garantia para que a Srª Merkle desse o seu aval a esses PECs?
Porque uma coisa é certa: quem manda na UE é Ângela Merkle.


Ela é que manda no dinheiro, ela é a "chanceler do Euro". Durão Barroso, para todos os efeitos, é uma
figura ornamental, quando muito um Chefe de Secretaria da UE, que, como todos os outros, tem que
render vénias à poderosa Srª Merkle. E outra pergunta: qual a razão porque a Siemens veio, de seguida
(Novembro de 2010) anunciar a intenção de financiar a obra?
Entretanto, como sabemos, e com o PEC4 já avalizado por Merkle, o Governo cai. Mas o TGV não cai,
e Sócrates, antes de cair, ainda insiste. E tem razão, porque os 80 mil milhões INTERCALARES,
existiram mesmo (Fundo de Resgate Europeu) !
Seria o dinheiro para "aguentar" Sócrates até que as primeiras tranches do PEC4 chegassem.


Durão Barroso, numa resposta fugidia, disse que desconhecia essa quantia intercalar, e que tal
modalidade não estava prevista nos regulamentos da UE.


Mas o facto é que Sócrates trouxe de lá a promessa dessa garantia!


Disse-o a todos os portugueses! E disse-o porque Merkle lho havia prometido.
A não ser assim, Sócrates mentiu! Mas Sócrates não mentiu. Porque Merkle arranjaria o dinheiro. Por
isso é que ele insiste que não precisavamos de ajuda externa, porque, na verdade a ajuda da UE já
estava combinada/negociada, secretamente, com a srª Merkle. Só que não teria o rótulo do FMI, que era
aquilo que Sócrates queria evitar, para não ficar claro o seu fracasso, perante a opinião pública.
Entretanto em Portugal Sócrates actua à socapa, não procurando os acordos prévios para aprovação do
Pec, nem dando sequer informação ao Parlamento, Presidente da República e parceiros sociais. Haveria
que ser lesto e discreto para fechar o acordo com a “chanceler do EURO”.


Mas a história não se fica por aqui.


O TGV implica a compra de material, muito material, entre os quais os comboios (locomotivas e
carruagens), nada menos de 22, numa primeira fase.
Mas também a manutenção, a assistência, todo o complicadíssimo sistema hard e softwere
indispensável para o controle da rede, o aluguer de material complementar, etc., etc., etc. Um nunca
mais acabar de encargos eternos.
Para fornecimento do material, dispõem-se, à partida, três empresas capazes de cumprir com o
programa de concurso: Alstom (francesa), a Bombardier (Canadiana) e a Siemens (Alemã).


A quem adjudicar?


A Alstom francesa está metida em sérios problemas judiciais na Suiça, França e Brasil, sob a acusação
de ter subornado políticos para que lhe adjudicassem material.


A canadiana Bombardier, se bem se lembram os portugueses, fechou as fábricas na Amadora em 2004,
deixando centenas de trabalhadores no desemprego.
A Siemens alemã, tem a vantagem de possuir as máquinas mais competitivas do mercado, assentes na
plataforma Velaro, que podem atingir os 350 Km/hora, sendo o comboio mais rápido do mundo.


Esta escolha da empresa fornecedora (como o contrato de financiamento) estava nas mãos de Sócrates.
Perante este cenário, a quem acham que se deveria fazer a adjudicação?
A uma empresa com problemas judiciais, a outra que saiu de Portugal com tão triste fama, ou à alemã
Siemens, que possui uma boa máquina ferroviária e que faz parte da mesma empresa que negociaria
um financiamento com o Governo português para a execução do TGV?


Era evidente a quem adjudicar. E Sócrates tinha o poder para o fazer.
Será que o TGV era a garantia dada por Sócrates à Srª Merkle?


Para que esta avalizasse os empréstimos resultantes de sucessivos PECs, sem que Sócrates sofresse a
humilhação interna de ter que pedir a intervenção do FMI (com que prometera a pés juntos, nunca
governar? E com isso hipotecar em definitivo a sua carreira política?)


São as dúvidas que ficam, mas que um dia serão esclarecidas.


Apenas narrei factos, evidências, estabeleci uma cronologia, e tentei desvendar o complicado algoritmo
da relação entre a política e os interesses financeiros. E depois, sobre eles, como cidadão que se preza
de avisado e que não perdeu a qualidade de inferir, coloquei as minhas dúvidas.


Se isto for verdade, Sócrates seria o elo mais fraco deste acordo que lhe garantia os dinheiros com que
suportava um Estado devorador e excessivo que foi incapaz de meter na linha. Merkle, o elo mais forte
e representante da poderosíssima industria alemã.


Se calhar, Sócrates já há muito que desejaria ver-se livre do "empecilho" do TGV – porque, no fundo,
Portugal não precisa de nenhum TGV. A confirmar-se esta estratégia, aí viria mais uma obra
megalómana que mais não servia que era ajudar interesses de poderosos e fragilizar ainda mais a
debilitadas finanças do país. A confirmar-se esta negociata, cujo interesse maior dos seus dois
protagonistas, era a preservação da sua imagem política, só reconfirma o péssimo governante que tem
sido Sócrates, que sem o mínimo pejo não teria qualquer relutância em procurar a melhoria da sua
imagem política à custa do subalternizar do interesse nacional.
Neste mundo, não há almoços grátis.


Por Francisco Gouveia, Eng.º


Outras noticias surgirão, para esclarecer a necessidade de indeminizar por tão elevado montante
solicitado as empresas portuguesas, pela rescisão do contrato.

Tgv sócretino

  • 1.
    O GRANDE MISTÉRIODO TGV - a jogada de Sócrates As verdades vêm sempre ao de cima Numa negociata obscura com a srª Merkle, Sócrates preservaria a sua imagem à custa de uma obra megalómana que o país hoje não precisa, e que seria adjudicada a uma empresa alemã (Siemens). Sócrates, desesperado, condena a oposição...porque esta lhe estragou a jogada ! Por isso se justifica o rancor com que Sócrates gritava: “nós não precisamos de nenhuma ajuda externa” – “eu não governarei com o FMI” Um contributo para a compreensão de algumas acções. O GRANDE MISTÉRIO DO TGV – A jogada de Sócrates Porque será que Sócrates mantém esta insistência obsessiva no TGV? Quando quase toda a gente, desde o analfabeto ao catedrático, reconhece a impossibilidade financeira de o construir, e depois de se provar tecnicamente que será uma rede deficitária, porque continua Sócrates a insistir? Será que Sócrates é um visionário, e todos nós uns pobres ignorantes?
  • 2.
    Ou será quehá outras razões, talvez impositivas e condicionadoras, que só Sócrates sabe, e que não pode confessar a ninguém? A megalomania das grandes obras tem sido uma obsessão quase permanente de quem passa pelo Poder. É assim desde a Antiguidade, e é gene que ainda empesta o cromossoma do político actual. A vontade de deixar para a posteridade, algo de perene que perpetue o seu construtor, é uma vaidade com que os poderosos sempre tentaram iludir a morte - a inevitabilidade terrível do desaparecimento. Como os seus antecessores, é por isso natural que Sócrates quisesse deixar obra visível que o recordasse. Daí não me espantar que tenha avançado, de uma assentada, com um conjunto de grandes investimentos, como o TGV, a 3ª travessia do Tejo e um Aeroporto construído em terrenos de M. Jamais. Mas desde os dias fulgurantes do estado de graça de Sócrates, até aos dias pedintes de hoje, vai muito tempo, e muita coisa aconteceu desde então. Vamos aos factos. Em Março de 2005, Sócrates é empossado pela primeira vez como Primeiro-Ministro, gozando de uma maioria absoluta na Assembleia. O TGV já então fazia parte do programa de Governo, que previa o seu início nessa legislatura, se bem que entre Porto e Lisboa, ligação que muito mais tarde foi alterada para Poceirão / Caia. Esta obra era há muito uma bandeira de Sócrates, de tal modo que dela fez propaganda anos antes, levando-a depois até ao referido programa de Governo. Sobre a matéria, vejamos o que dizia então o Presidente da Multinacional Alemã Siemens, Sr. Heinrich von Pierer. Considerava o TGV em Portugal como um "projecto fantástico", afirmando "querer ser nosso parceiro nesse projecto". Estas declarações foram produzidas em Munique, para um grupo de jornalistas portugueses (Novembro de 2003). Entretanto, a coisa ficou por ali. Contudo, iam-se agravando as condições económicas do país. Sócrates não consegue reduzir um grama na adiposidade do Estado, e vê as despesas aumentarem. As suas deslocações, juntamente com Teixeira dos Santos, a Bruxelas, são quase semanais. O facto é que, segundo ele, traz sempre boas notícias e, permanentemente interrogado sobre o TGV, mantém-se irredutível: é para ir para a frente.
  • 3.
    Lembro que, estranhamente,e por motivos ainda muito mal explicados, o Dr.Campos e Cunha (primeiro ministro das Finanças a ser escolhido por Sócrates), afasta-se logo após ter proferido declarações onde reconhecia a indisponibilidade financeira da execução de uma obra como o TGV e o Aeroporto. Contudo, a velha história das garantias de que grande parte do financiamento vinha da UE, mantiveram Sócrates com argumentos para prosseguir. Campos e Cunha é que não ficou mais. Ele sabia porquê. Entretanto, e contra tudo e contra todos, a construção do TGV é adjudicado em Dezembro de 2009, ao consórcio Elos (que engloba a Brisa, Soares das Costa, ACS espanhola, Grupo Lena, Bento Pedroso, Edifer, Zagrope, Babock e Brow Lda, BCP e CGD). Com as condições de agravamento da nossa economia, e com os sucessivos falhanços na baixa do défice, em 2010 a UE começa a mostrar-nos sérios "cartões amarelos" e, preocupada com o destino que as coisas levam, e, de certo modo, traumatizada com os casos de Irlanda e da Grécia, e com o "espantalho" de que os problemas se alastrem a Espanha e a Itália (onde a dívida pública já tinha ultrapassado em muito os 100% do PIB - actualmente está nos 120%), obriga Portugal a tomar sérias medidas, que haviam de se traduzir no PEC1. Este PEC1 data de Março de 2010. Demonstrada a insuficiência dele, em Maio do mesmo ano, avança-se com o PEC2, e quatro meses mais tarde, com o PEC3. Sócrates continua a deslocar-se a Bruxelas assiduamente. As visitas e reuniões da praxe, mas as reuniões com Ângela Merkle são obrigatórias. Estranha-se que entre ambos exista como que uma cumplicidade, ou algo que leva o nosso Primeiro- ministro a conversar, preferencialmente, com ela. E há algo que continua um mistério: apesar das sérias restrições que os PECs impõem, dos aumentos de impostos, da redução dos benefícios sociais, do aumento do IVA, IRS, e até da suspensão da 3ª travessia do Tejo e do Aeroporto de Lisboa, o TGV continua intocável! É que, mesmo adjudicado, a obra poderia ser suspensa (como foi a 3ª travessia do Tejo depois de ser adjudicada). Mas não! Mantinha-se o TGV. Assim, o PEC1 tem o aval da UE, 2 meses depois de adjudicarmos o TGV, e os dois PECs seguintes, também obtêm a aprovação europeia. A seguir à aprovação do PEC3 (Setembro de 2010), logo em Novembro do mesmo ano, a Multinacional Siemens volta à carga.
  • 4.
    A Multinacional afirmaque possui 10 mil milhões de Euros para financiamento de TGVs, através da sua Siemens Project Adventures (que por sua vez está ligada à Siemens Financy Services), e que iria propor ao governo português um esquema de financiamento do TGV. Duas perguntas: que relação existe entre a data de adjudicação do TGV (Dezembro de 2009), e a apresentação dos PECs1, 2 e 3 (Março, Maio e Setembro de 1010)? Será que a adjudicação terá servido de garantia para que a Srª Merkle desse o seu aval a esses PECs? Porque uma coisa é certa: quem manda na UE é Ângela Merkle. Ela é que manda no dinheiro, ela é a "chanceler do Euro". Durão Barroso, para todos os efeitos, é uma figura ornamental, quando muito um Chefe de Secretaria da UE, que, como todos os outros, tem que render vénias à poderosa Srª Merkle. E outra pergunta: qual a razão porque a Siemens veio, de seguida (Novembro de 2010) anunciar a intenção de financiar a obra? Entretanto, como sabemos, e com o PEC4 já avalizado por Merkle, o Governo cai. Mas o TGV não cai, e Sócrates, antes de cair, ainda insiste. E tem razão, porque os 80 mil milhões INTERCALARES, existiram mesmo (Fundo de Resgate Europeu) ! Seria o dinheiro para "aguentar" Sócrates até que as primeiras tranches do PEC4 chegassem. Durão Barroso, numa resposta fugidia, disse que desconhecia essa quantia intercalar, e que tal modalidade não estava prevista nos regulamentos da UE. Mas o facto é que Sócrates trouxe de lá a promessa dessa garantia! Disse-o a todos os portugueses! E disse-o porque Merkle lho havia prometido. A não ser assim, Sócrates mentiu! Mas Sócrates não mentiu. Porque Merkle arranjaria o dinheiro. Por isso é que ele insiste que não precisavamos de ajuda externa, porque, na verdade a ajuda da UE já estava combinada/negociada, secretamente, com a srª Merkle. Só que não teria o rótulo do FMI, que era aquilo que Sócrates queria evitar, para não ficar claro o seu fracasso, perante a opinião pública. Entretanto em Portugal Sócrates actua à socapa, não procurando os acordos prévios para aprovação do Pec, nem dando sequer informação ao Parlamento, Presidente da República e parceiros sociais. Haveria que ser lesto e discreto para fechar o acordo com a “chanceler do EURO”. Mas a história não se fica por aqui. O TGV implica a compra de material, muito material, entre os quais os comboios (locomotivas e carruagens), nada menos de 22, numa primeira fase. Mas também a manutenção, a assistência, todo o complicadíssimo sistema hard e softwere indispensável para o controle da rede, o aluguer de material complementar, etc., etc., etc. Um nunca mais acabar de encargos eternos.
  • 5.
    Para fornecimento domaterial, dispõem-se, à partida, três empresas capazes de cumprir com o programa de concurso: Alstom (francesa), a Bombardier (Canadiana) e a Siemens (Alemã). A quem adjudicar? A Alstom francesa está metida em sérios problemas judiciais na Suiça, França e Brasil, sob a acusação de ter subornado políticos para que lhe adjudicassem material. A canadiana Bombardier, se bem se lembram os portugueses, fechou as fábricas na Amadora em 2004, deixando centenas de trabalhadores no desemprego. A Siemens alemã, tem a vantagem de possuir as máquinas mais competitivas do mercado, assentes na plataforma Velaro, que podem atingir os 350 Km/hora, sendo o comboio mais rápido do mundo. Esta escolha da empresa fornecedora (como o contrato de financiamento) estava nas mãos de Sócrates. Perante este cenário, a quem acham que se deveria fazer a adjudicação? A uma empresa com problemas judiciais, a outra que saiu de Portugal com tão triste fama, ou à alemã Siemens, que possui uma boa máquina ferroviária e que faz parte da mesma empresa que negociaria um financiamento com o Governo português para a execução do TGV? Era evidente a quem adjudicar. E Sócrates tinha o poder para o fazer. Será que o TGV era a garantia dada por Sócrates à Srª Merkle? Para que esta avalizasse os empréstimos resultantes de sucessivos PECs, sem que Sócrates sofresse a humilhação interna de ter que pedir a intervenção do FMI (com que prometera a pés juntos, nunca governar? E com isso hipotecar em definitivo a sua carreira política?) São as dúvidas que ficam, mas que um dia serão esclarecidas. Apenas narrei factos, evidências, estabeleci uma cronologia, e tentei desvendar o complicado algoritmo da relação entre a política e os interesses financeiros. E depois, sobre eles, como cidadão que se preza de avisado e que não perdeu a qualidade de inferir, coloquei as minhas dúvidas. Se isto for verdade, Sócrates seria o elo mais fraco deste acordo que lhe garantia os dinheiros com que suportava um Estado devorador e excessivo que foi incapaz de meter na linha. Merkle, o elo mais forte e representante da poderosíssima industria alemã. Se calhar, Sócrates já há muito que desejaria ver-se livre do "empecilho" do TGV – porque, no fundo,
  • 6.
    Portugal não precisade nenhum TGV. A confirmar-se esta estratégia, aí viria mais uma obra megalómana que mais não servia que era ajudar interesses de poderosos e fragilizar ainda mais a debilitadas finanças do país. A confirmar-se esta negociata, cujo interesse maior dos seus dois protagonistas, era a preservação da sua imagem política, só reconfirma o péssimo governante que tem sido Sócrates, que sem o mínimo pejo não teria qualquer relutância em procurar a melhoria da sua imagem política à custa do subalternizar do interesse nacional. Neste mundo, não há almoços grátis. Por Francisco Gouveia, Eng.º Outras noticias surgirão, para esclarecer a necessidade de indeminizar por tão elevado montante solicitado as empresas portuguesas, pela rescisão do contrato.