PELOS BIGODÕES
Número 03 – março/2015 by Sebo Gregos e Troianos – casa de leituras e Sala @escrevendo
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Gregos e Troianos
- casa de leituras -
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A teia
@LFelipeCesar
Luis Felipe Cesar
Sobre Coleiros e
Coelhos
Carta de uma
ex-motorista
Sala @escrevendo
RALPH
HOLZMANN
A Caverna é um Mito
Maria Elisa Elisei
A artesã das
bonecas de pano
Germano Monerat
ESPAÇO
CIÊNCIA & TECNOLOGIA
Diego Linx
SONE
Neto Resende
O fim a seu critério
Prof. Luciano Gonçalves
De má fé e ignorância
Ponto de encontro de olhares e ouvires, ideias e angústias.
Pro-vocações de toda ordem, ainda que caóticas. A princípio, de Resende e Itatiaia.
Mas as coisas nunca se cabem no que as principiam. Limites não são bons definidores do que se faz
‘‘
Jorge Luis Borges
Sempre imaginei que o paraíso
fosse uma espécie de livraria.
Número 03 –março/2015 Página 2
Parceiros de conteúdo e financiamentoEditorial
Chegamos ao nº 3.
Dum modo gostoso. Gostando do
processo. Processando um ou outro tropeço,
típicos de quem aprende fazendo.
As simpatias que nos acolheram são
muito mais importantes do que elas próprias
imaginam. Nosso agradecimento é público.
Tão verdadeiro que quase nos orgulhamos
dele.
No nº 1 tivemos a colaboração de
Washington Lemos, Ton Kneip e Hélder
Câmara. No nº 2, de Rodrigo Prado, Julia
Dile, Daniel Almeida e Pedro Miller. Neste,
de Ralph Holzmann, Diego Linx, Germano
Monerat, Neto Resende e Luis Felipe Cesar. É
ou não um time de colaboradores de dar
orgulho?
Prossigamos, então. Num misto de
babação por este número ao mesmo tempo em
que já estamos curtindo construir o próximo,
que deve sair das rotativas em pleno dia 21 de
abril.
Expediente
CONTATO:
contato@pelosbigodoes.com.br
Custo total das três edições: R$ 2240
[gráfica R$ 1910 / transporte R$ 300/
administração R$ 30]
Verbas recebidas: R$ 670
A diferença de R$ 1570 foi coberta pelas duas
instituições que nos dão suporte.
Parte dos anúncios é de cortesia, por
simpatias, agradecimento ou parcerias de
várias naturezas.
A distribuição das verbas que chegam e das
que saem está à disposição de curiosos de
qualquer natureza: basta contatar-nos.
Reafirmamos nosso compromisso de que ela
busca o
equilíbrio necessário para cobrir os custos de
produção e apoiar os projetos anunciados.
Não mais.
Diagramação amadora: voluntário
João Pedro Gonçalves da Silva,
ao qual agradecemos
Sebo: lugar de gente inteligente
Personal-néticos
Sabe a quem recorremos
para nos ajudar com trâmites
internéticos? Ao Thales Luz e ao
Washington Lemos. Sem eles...
pediríamos ajuda a outros.
Mas eles fizeram com
que isso não fosse necessário.
Mais boa vontade como as deles,
e o mundo seria melhor.
Gregos e Troianos
- casa de leituras -
Livros novos e usados a preços que são ótima
oportunidade.
E você ainda pode usar os seus livros para troca
ou abatimento no valor da compra.
O mesmo vale para gibis, LPs, CDs e DVDs.
Número Página 303 – março/2015
A teia
A situação de escassez de
água que estamos vivendo é uma
ótima oportunidade para buscarmos a
construção e um pensamento mais
integral e articulado sobre o mundo.
Ainda que essa afirmação
possa parecer exagerada, exagero é
pensar que podemos continuar a usar
sem limites todo tipo de recursos que
nosso planeta dispõe.
Mesmo sendo a nossa herança
cultural indutora desse comportamento
de descobrir-conquistar-explorar-
consumir-descartar, a farta divulgação
de estudos sobre os ciclos naturais -
climáticos, ecológicos, hídricos etc. já
não permite a quase ninguém, seja
governante ou governado, continuar
ignorando os fatos e agindo de forma
irresponsável e inconsequente.
Desde Gilgamesh e sua batalha
contra Humbaba, 2.750 aC, as
florestas vêm sendo derrubadas para
suprir recursos para construção,
combustível, transporte e
armamentos, itens essenciais para os
muitos processos de colonização ao
longo da história.
Avançando no tempo e
começando a encontrar alguma
inteligência na relação com o território,
o exemplo da restauração da Floresta
da Tijuca, no Rio de Janeiro, entre
1861 e 1874, pode ser considerado
decisivo para o abastecimento de
água e a amenização do clima
naquela cidade.
O que não se podia imaginar,
naquela época, era a relação entre as
chuvas do sudeste brasileiro, a
Amazônia e o Cerrado. Hoje, as fartas
evidências entre chuvas e florestas
não permitem mais os
posicionamentos equivocados que
ainda são praticados por alguns
governantes. Exemplos clássicos
recentes são as mudanças no Código
Florestal, o enfraquecimento da
legislação ambiental, as novas regras
de acesso à biodiversidade e a
redução do número de brigadistas
para combate a incêndios florestais
em 2015.
Fundado em 1988 pelo inglês
Ramon Arthur Cole, o hotel mantêm
suas tradições, como o chá das 5
(disponível em cada aposento)e o
típico PUB Inglês. Além de contar
com muitas histórias, curiosidades
e uma pequena biblioteca que conta
muito sobre o Reino Unido, o hotel
possui uma piscina com um vasto
deck que vai ao encontro com o Rio
das Pedras, uma grande área verde
e ótimos lugares para se apreciar.
Já em fase de término, em breve
teremos a sauna a seco (origem
Finlandesa), uma piscina aquecida e
uma piscina ecológica, atualmente
muito difundida na Europa mas
pouco conhecida no Brasil.
Um autêntico e peculiar
hotel britânico
no coração de Penedo!
E não é só isso. Florestas
dependem dos animais que ali vivem,
que dependem de outros animais e de
plantas como alimentos, que
dependem do solo, que depende de
microrganismos, que dependem de
nutrientes, que dependem dos restos
de plantas e de animais, que
dependem do clima, que hoje,
segundo a maioria dos cientistas,
depende em boa parte do modo de
vida da humanidade, além de
depender dos grandes ritmos
astronômicos, terrestres e solares.
A teia de relações e
interdependências expressa com
nitidez pela natureza é também, na
devida proporção, aquela que nos
conecta a um cenário muito muito
maior, às vezes vislumbrado em
momentos especiais: numa noite
estrelada, ao por do sol, durante uma
tempestade, na plenitude do amor ou
na magia de um ritual.
Em Resende, a presença
incontestável da montanha facilmente
revela algumas teias, em especial a
teia dos nossos rios. A maioria nasce
na serra da Mantiqueira: Alambari,
Pirapitinga, Preto, das Pedras, Água
Branca... Outro, solitário, tem suas
nascentes na serra da Bocaina:
Sesmaria. Todos deságuam no rio
Paraíba, que não mais pode ser
utilizado diretamente pelos moradores
daqui como era no passado.
O gigante Humbaba, protetor
das florestas de cedro do hoje
desértico Iraque, foi decapitado pelos
conquistadores-saqueadores da época
e não existe mais. Mas quem terá sido
condenado, de fato, pela destruição
daquela mata?
Luis Felipe Cesar
Gestor ambiental,
jornalista, apicultor,
ex-presidente da
Agência do Meio
Ambiente de
Resende. Diretor
da ONG
Crescente Fértil.
Ecopensamento
Número 03 – março/2015 Página 4
Pelos bigodes do poeta
E estão todos convidados a ver aqui
publicadas as suas ousadias em versos e
estrofes. É só entrar em contato (pelo e-mail no
expediente).
Uma provocação do poeta que inspirou
o título deste informativo cultural: Paulo
Leminski
+
ALERTA
NUNCA CONFUNDAM COLEIROS
COM COELHOS: PODE DAR BODE
Tudo tem explicação. Em princípio, né?,
porque com o Botafogo do meu amigo prof.
Carlito acontece cada coisa... Que com
frequência pretendem ser justificativas. Mas
quase nunca o são.
E justamente porque não há justificativas,
não achamos importante dar as explicações. A
questão é que ao publicarmos um pouco do olhar
poético do Gustavo Praça na nossa edição
anterior, cometemos a atrocidade de confundir
coleiros com coelhos. É!, fizemos isso. Óbvio que
com gente do piso frio reproduzindo olhares de
gente que, sendo da cidade também o é do mato,
coisas assim são tendentes.
Pensamos em nos apoiar numa lição do
Paulo Maluf, que defende a proposta de que
nunca devemos nos desculpar. Porque, diz ele,
com os inimigos não adianta, e com os amigos
não é necessário. No entanto, como entendemos
que Maluf deveria é estar preso, e não dando
qualquer tipo de lição, o desconsideramos.
Resta-nos... rir da nossa trapalhada...
fazer graça... publicar novamente o poema,
tentando evitar essas “criatividades”... exercitar a
humildade e pedir, publicamente, perdão.
Ainda bem que foi com o Gustavo Praça, que de
alma tão leve foi o primeiro a rir do nosso ridículo.
Ele que não se sinta tão especial, foi só a
primeira trapalhada das que, por inevitável, nos
arriscamos a cometer a cada número.
De qualquer modo,
prometemos punir(me)
severamente o responsável:
“ele” deverá assistir a duas
horas de SBT e ouvir dois
Cds inteirinhos: um de funk
e outro de gospel.
Castigaaaaço!
PASTORAL
À sombra do bambuzal,
O boi nelore rumina seu espírito.
O bambuzal é à flor da pele:
Impossível a imobilidade,
Mesmo com esse mormaço,
Mesmo com essas três horas da tarde.
Ao pé dele, a estradinha faz uma curva e segue
Tateando sensualidade.
Dois coleiros e um sabiá
(mínima, semínima, colcheia).
Pousam nos fios cambados que,
Em contraponto,
Seguem a melodia da estrada.
Graves, estendendo contida tensão por sobre tudo,
Os grossos fios federais jogam o som
Dos violoncelos por entre os braços dos gigantes.
O motor da moto no lugar da percussão
Do casco da mula é só
Uma dissonância.
O que desafina é a câmara branca,
Ladrilhada,
Que espera,
Em série,
O boi nelore.
Gustavo Praça é uma referência
na cultura da nossa região. Li e
indico seus livros, e o retorno tem
sido ótimo. Seu jornal O PONTE
VELHA há vinte anos narra,
descreve e disserta sobre a nossa
comunidade. Com propriedade.
Um encarte por aproximadamente
um ano foi um ensaio para que
depois o PELOS BIGODÕES
ganhasse vida.
O poema que nos mandou é, para
nós, como uma benção.
Obrigado, Gustavo Praça!
Meu professor de análise sintática era o
tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da
sua vida,
regular como um paradigma da 1ª
conjugação.
Entre uma oração subordinada e um
adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um
jeito
assindético de nos torturar com um
aposto. Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua
bagagem.
A interjeição do bigode declinava
partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo
todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na
cabeça.
O assassino era o escriba
O coleiro, de nome científico
Sporophila caerulescens,também é
conhecido como Coleirinho, Coleirinha,
Papa Capim, Papa Arroz ou Coleiro
Tuí Tuí, e é uma ave do gênero
Sporophila.
Seu habitat são campos
abertos e capinzais, ocorrendo
praticamente em todo Brasil, com
exceção da Região Amazônica e
Nordeste, tornando o Coleiro um
pássaro muito conhecido e criado no
Brasil 1 . Devido ao crescente
desmatamento observa-se o
aparecimento destas aves em regiões
urbanas, sendo avistados nos quintais
das casas e nas ruas das cidades, à
procura de alimento. Alimenta-se
principalmente de pequenas sementes.
Quando criada em cativeiro, sua dieta
baseia-se em alpiste.
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Emberizidae
Gênero: Sporophila
Espécie: S. caerulescens
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo:Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Lagomorpha
Família: Leporidae
Gênero: Pentalagus
Os coelhos são mamíferos1
lagomorfos da família dos leporídeos,
em geral dos gêneros Oryctolagus e
Sylvilagus. Caracterizam-se pela
cauda curta e as orelhas e patas
compridas. Esses pequenos
mamíferos encontram-se facilmente
em muitas regiões do planeta. O termo
é utilizado para referir as espécies de
oito géneros, incluindo o coelho-de-
amami (Pentalagus), os coelhos-
americanos (Sylvilagus) e o coelho-
pigmeu (Brachylagus). Alguns
autores[1] incluem o género
Caprolagus no grupo dos coelhos
(coelho-asiático), mas a maioria
classifica-o como pertencente às
lebres. A espécie mais comum é a
Oryctolagus cuniculus, ou coelho-
europeu.
Número Página 503 – março/2015
Carta de uma
ex-motorista aos
novos donos do seu carro
Descubra por que a paulistana Gabriela Vuolo, de 33 anos,
vendeu seu automóvel para se deslocar de transporte público,
a pé e de bicicleta em São Paulo e veja sua carta aos novos
proprietários do carro. O depoimento foi postado no Facebook e
reproduzido no site ‘‘vadebike.org’’, que aliás, recomendamos.
‘‘Em agosto de 2009, eu comprei um carro. Era a coisa mais cara que
eu já tinha comprado até então e eu lembro bem do frio na barriga. Hoje eu
vendi esse carro. Um pouco porque precisei, um pouco porque escolhi – tava
cansada de dirigir em São Paulo e cheguei à conclusão de que aquele carro já
não me trazia a desejada liberdade e independência.
Nesses 5 anos e meio, eu descobri outros jeitos de me deslocar pela
cidade. E descobri que a liberdade pode estar em tirar um cochilo no busão
(como eu fiz hoje, voltando do cartório); ou então em voltar pedalando pra
casa; ou então eu caminhar distâncias que antes eu julgava enormes (e de
quebra encontrar amigues pelo caminho ♥). Vender o carro me deu um alívio
tremendo, mesmo sentindo um frio na barriga igual ao que senti quando eu
comprei – porque, afinal, viver sem carro será algo completamente novo pra
mim.
Deixei uma cartinha simpática pros novos donos (porque ativista que é
ativista deixa recado até nessa hora, rs). Transcrevo aqui pra quem tiver saco
de ler.
E deixo também um beijo pras pessoas que botaram pilha e que me
inspiram todos os dias, provando que sim, viver sem carro é possível – e talvez
seja bem melhor.
Obrigada. ♥ #
“Queridos Fulano e Fulana,
Antes de mais nada, obrigada por comprarem meu carro! Vocês nem
imaginam como isso será importante neste momento da minha vida…
Agradeço demais, de verdade.
maisamormenosmotor
Como vocês sabem, hoje deixo de ser uma motorista diária e passo a
ser uma pedestre e ciclista. Escolhi outros jeitos de me locomover pela cidade,
e por isso gostaria de deixar quatro pedidos para vocês:
1 - Por favor, deem sempre preferência ao pedestre – mesmo quando ele não
estiver na faixa. Lembrem-se de que aquela pessoa que caminha é um carro a
menos na rua – e portanto, menos trânsito e menos poluição! Nem sempre há
faixas e calçadas decentes por onde o pedestre passa, mas o pedestre é
sempre bem mais frágil do que o carro. Por isso, todo cuidado é pouco.
.
2 - Por favor, tenham cuidado com ciclistas como eu. Nós também somos
bastante frágeis – qualquer deslize ou imprudência recai sobre nossos corpos, e
não sobre a lataria (como acontece com um carro). Ultrapassagens em alta
velocidade podem fazer com que a gente desequilibre e caia, por causa do
deslocamento de ar. Passar muito pertinho também – é por isso inclusive que o
Código de Trânsito diz que os veículos devem manter 1,5m de distância na hora
de ultrapassar bicicletas. É difícil medir 1,5m ali, no meio do trânsito, então, por
garantia,
basta mudar de faixa na hora de ultrapassar. Não custa nada – e, por outro lado,
uma ultrapassagem descuidada pode custar nossa vida. Lembrem-se de que o
ciclista também é um carro a menos na rua – e portanto menos trânsito e menos
poluição.
.
3 - Por favor, deem preferência aos ônibus. Eles transportam muitas pessoas ao
mesmo tempo. Se todas essas pessoas resolvessem ter um carro, teríamos
muitos carros a mais na rua. Mais carros = mais trânsito, mais poluição e mais
stress. Respeitar a faixa de ônibus e dar preferência aos coletivos beneficia todo
mundo – quem anda de carro e quem anda de ônibus.
.
4 - Por último, por favor, sejam gentis. São Paulo tem um trânsito maluco e
muitas vezes a gente esquece que quem está dentro do outro carro são
pessoas, como nós e nossos familiares. Não custa nada ser gentil, dar
passagem, não fechar cruzamentos, não parar sobre a faixa de pedestre, etc.
Tenho certeza que vocês, assim como eu e muita gente, também querem uma
cidade melhor e menos estressante. Mas se a gente não começar fazendo a
nossa parte, isso não vai acontecer nunca.
Eu fui bastante feliz com este carro nos
últimos 5 anos e meio e ele foi muito útil
pra mim. Espero que o mesmo valha pra
vocês!
Boa sorte, e nos vemos nas ruas,”
Número Página 603 – março/2015
Aulas de REDAÇÃO
- particulares ou em grupo, preparatório para Enem e concursos.
Os encontros focam em três tópicos: gramática, técnica dissertativa e abordagem do conteúdo
A cada encontro são passados propostas de textos para serem entregues durante a semana.
A devolutiva é feita no encontro seguinte, com análises e, se for o caso, indicações para que seja
reelaborada. Cada texto é lido junto com o aluno, para apontamento das virtudes, dos progressos, e de
como o texto poderia ter sido melhor desenvolvido.
Variada indicação de fontes para, ao longo do ano, melhorar o entendimento dos assuntos mais
“cotados”.
A cada encontro corresponde farto material de apoio.
REDAÇÃO para alunos da
ESCOLA PÚBLICA > Turma 1
- contato > 2109.0246
Espaço de encontros para aulas de Filosofia e Redação, na sala 817 (8º andar do Bloco B) do Resende Shopping
Sala @escrevendo
Vamos estudar LATIM?
A GREGOS E TROIANOS – casa de leituras está
patrocinando a primeira turma de Redação
para jovens do 3º ano do Ensino
Médio da ESCOLA PÚBLICA.
As candidatas e os candidatos devem
retirar a Ficha de Inscrição
no sebo. Ela deve ser devolvida preenchida
e acompanhada de uma carta de apresentação
de uma professora ou professor.
13 encontros de 2 horas-aula / às segundas: 20h30
Material gratuito. Correção de textos
Estamos cadastrando interessadas e
interessados em compor uma turma de
estudos de latim. A contribuição
financeira
de cada uma/um será baixa, já que
os custos corresponderão apenas ao
material,
ao uso da salae aos honorários do
professor.
Este é o nº 3 do nosso PELOS BIGODÕES.
O que você está achando? Conte para nós.
Críticas e sugestões podem ser enviadas para
contato@pelosbigodoes.com.br
Contato: celular
(24) 99927.0857
facebook.com/mariaelisaelisei
Algumas bonecas podem ser
compradas na Gregos e
Troianos, com 100% dos
valores entregues à artesã.
Maria Elisa Elisei
Bonecas de pano
Número Página 703 – março/2015
“…
Te espero de braços abertos,
Helena.”
Depois de assinar, guardou a carta no envelope e copiou o endereço
dado no Jornal. Talvez ele respondesse dessa vez. O seu amigo
carteiro tocou a campainha mais ou menos às 10:00 com as contas
do mês. Ela lhe passou uma nota e a carta. Pediu que postasse
para ela. Assim, nem saiu de casa. Distraída, em vez de dar os 5
reais que daria ao rapaz, deu 10. Ele não falou nada. Nem ela. Não
fez falta à ninguém.
Enquanto se servia de café, Helena se perguntava se o Martins
responderia dessa vez. Afinal, aquela coluna parecia ter sido escrita
toda para ela.
“Todas as noites parece que me falta alguma coisa.
Ou a mim ou a ti.
Ou aos dois.”
Agora que podia ler com menos paixão, ela podia reconhecer o
porquê da maioria de seus amigos desdenhar aqueles escritos.
Martins era piegas.Todo o mês em sua coluna de fim de caderno ele
se declarava a uma mulher idealizada e delicada. Mas ela o amava
assim mesmo. Afinal, ela mesmo podia ser delicada. Procurou na
caixa bagunçadíssima de recordações e escritos a coluna que ele
escrevera naquele Janeiro antes de terem se conhecido. Riu o riso
da nostalgia, e se sentiu mais à vontade com a consciência da carta
recém-enviada. Não faria mal algum.
Sentou-se na escrivaninha de frente pra janela, respondeu os emails
e parou para ouvir o pássaro na gaiola do andar de cima cantar
alegremente que voar parecia estúpido. Ela riu da afirmação
veemente, engoliu o resto de café (frio) e preparou a casa para
receber a primeira aluna do dia.
——————————————————————————————
Devia ser a milésima carta que essa mulher mandava. Heitor
Martins recebera o massivo pacote de três contas e cinco cartas na
caixa postal naquela manhã de segunda-feira. Subiu as escadas
curioso ao ler o nome da mulher naquela caligrafia horrorosa. Não
abrira as últimas duas porque elas estavam com marcas de batom.
Heitor não abria cartas de amor. Naquela não havia marca alguma,
mas ele não pretendia abri-la mesmo assim.
Aliás, não abriu uma carta sequer antes de pagar as três contas pela
internet e jogar os envelopes no lixo reciclável. Só então sentou-se
na escrivaninha do quarto-escritório iluminado pelo abajur para ler
as correspondências.
Em um dia comum, abriria todas as cinco, passaria os olhos e
colocaria cada uma em sua respectiva caixa. Lia o suficiente para
saber se eram cartas de amor, elogios sérios ou elogios puxa-sacos.
Cartas de amigos ou inimigos. As ameaças de morte ele jogava fora,
porque “essa energia negativa não faz bem”.
Ao sentar-se, analisou o nome da remetente e o tom histórico que
“Helena” provocava em seus ouvidos pretensiosos atiçou-o a
curiosidade. Enquanto rasgava o envelope, abriu a gaveta à sua
direita e puxou um controle remoto. Ligou o som, e o disco do Eric
Clapton com o BB King que estava ali há semanas encheu o
escritório. Abriria um whisky, se pudesse. Mas havia parado de
beber. Ao retomar a atenção ao envelope, cortou a mão no papel da
cartinha de amor da tal da Helena. Devia ser um sinal dos deuses.
Iria lê-la por último. As outras duas eram elogios puxa-sacos. Ele
sabia, pois eles escreviam “senhor” para ele, um jovem de 35 anos.
Já era o suficiente. Catalogou-as e abriu cuidadosamente o
envelope da destinatária apaixonada, agora com uma ou duas gotas
de sangue. Ao rever a caligrafia, assustou-se, e quase desistiu. Mas
ao ler as primeiras duas palavras, cedeu:
“Meu bem;
Apesar de você não ter me respondido das últimas vezes, devo tentar
outra vez pois é o que o coração manda. Não sei exatamente porquê
você decidiu me ignorar, mas eu lembro que nos lençóis brancos
daquele hotel fino que você me levou você sabia o meu nome. E eu
sabia o seu, porque eu o gritei várias vezes. Você provavelmente estava
bêbado. Minto, você estava bêbado. Eu lembro, pois o bafo de cigarro e
cerveja ainda me dá arrepios. Eu lembro de você me trazendo num táxi
no dia seguinte. Lembro de dormirmos o dia inteiro nesta mesma cama,
que eu agora agarro e procuro o seu cheiro. Eu cancelei todas as aulas
naquele dia, coisa que eu não fazia nunca. Hoje eu faço quando quero.
Obrigado por isso, aliás. Se esta carta um dia servir de alguma coisa,
que seja por isso. Te agradeço pelo bem causado, e pelo mal eu espero
que você venha corrigir. Correndo, com essa mania que você tem de
correr quando têm as coisas mal-resolvidas.
Te espero de braços abertos,
Helena”.
——————————————————————————————
Helena ouviu a campainha naquela segunda-feira como quem ouve
música. Foi dançando até a porta sem saber porquê. Quando viu o
Martins sem fôlego, perdeu o próprio. Não sabia se voltava a dançar.
Aquela dúvida realmente parecia importante. Vê-lo ali de novo parecia
um bom motivo para dançar.
Não pra ele. Depois de olhá-la brevemente, Heitor pareceu lembrar-se
do que estava fazendo ali. Beijou-a impavidamente e chutou a porta
atrás dele para fechá-la. Puxou as pernas fartas e carregou-as com
pressa (não agressivo, apenas com pressa), para o quarto, que ele,
naturalmente, sabia onde era. Já Helena, depois do beijo, não teve mais
dúvidas. Parecia encarar tudo aquilo com a naturalidade de quem fazia
isso sempre. Ria de sua pressa, e o seduzia calmamente, como se
estocasse os impulsos animalescos de Martins para a hora que mais lhe
fosse conveniente. Transaram apaixonados, almoçaram, ouviram
música e transaram mais apaixonadamente ainda. Passaram o resto do
dia juntos, como amantes que se encontram depois de muito tempo. Ele
releu a carta em voz alta com ela e ambos riram e se divertiram com as
lembranças dos bons momentos que ela citava. Com todas as aulas
canceladas, ela pôde passar a tarde emaranhada em lençóis com ele.
Ambos dormiram, eventualmente, com o cair do Sol.
——————————————————————————————
O alarme da televisão acordou Martins com o volume estridente da
chamada do Jornal matinal. O som parecia um clamor da televisão para
ser desligada. Conseguiu. Ao estender o controle, lembrou-se de que
passara uma tarde inteira vendo TV outra vez. Por essas e por outras,
ele vivia dizendo que “o mal de se trabalhar em casa é a que sucumbir
ao ócio é tão fácil quanto estalar os dedos. E tão voluntário quanto”.
Não havia pensado nisso (nem na antítese entre sucumbir e voluntariar-
se) enquanto se esbaldava de salgadinhos e refrigerantes ou ria de uma
comédia qualquer. No entanto, o remorso, atrasado, sacudiu seus ossos
e acordou-o de vez. Assim, levantou-se, arrumou a cama e abriu as
cortinas do quarto. Sorriu para a janela, pois não chegou a reparar na
vista. Tomou café lendo o jornal, rindo das tirinhas e acenando
positivamente nas colunas de opinião. Às vezes, balançava a cabeça
com as matérias de capa. “Que absurdo é o mundo que vivo”, dizia para
si mesmo.
Meia hora depois, tirou a mesa, lavou a louça e dirigiu-se à mesa
recentemente adicionada ao quarto: “Porque escrever não é trabalho, é
arte”. Parafraseou textos antigos para as colunas bestas dos jornais
menores e depois passou três horas destrinchando a ideia brilhante do
mês pra coluna n'o Globo. Dessa vez iria falar do próprio texto.
Metalinguagens são inteligentes e originais, afinal. Melhor ainda se
conseguisse adicionar um tanto de ironia. Quando finalmente concluiu,
murmurou para si mesmo:
- Perfeito!
Decidiu analisar o correio antes de sair para o almoço. Desceu os dois
lances de escada em disparada. Adorava receber o carinho de quem lia
seus escritos. Duas cartas, nenhuma conta. Subiu as escadas um
pouco mais feliz. Ao sentar-se à escrivaninha do escritório (as cartas,
por inúmeros motivos, eram trabalho), abriu a gaveta à sua direita e
pescou um controle remoto. O disco do Eric Clapton com o BB King que
estava ali há semanas encheu o quarto.
Voltou-se para os envelopes. O primeiro era belíssimo. Revirou-o e
a caligrafia da remetente (Carolina, do Rio Grande do Sul) era
maravilhosa. Não quis rasgar algo feito com tanto esmero. Ao
procurar o estilete, se deparou com uma gotinha de sangue seca
manchando a madeira. Tentou limpá-la com muito esforço, mas
uma ínfima marca permaneceu. Soube então que se incomodaria
com ela para sempre. Justamente porque não sabia explicar de
maneira alguma como aquilo havia surgido ali.
——————————————————————————————
——
Outro pássaro atingiu a janela do quarto de Helena naquela
manhã. Ela acordara com o baque. Eles morriam no parapeito e
ela sofria ao lembrar-se do evento o resto do dia. Ainda meio
sonsa, levantou e deu descarga no sanhaço azul, chorosa.
Enquanto retornava à cama, vislumbrou a carta no criado mudo e
se perguntou ainda chorosa se Martins leria aquela. Helena
precisava que ele lesse. Precisava que ele entendesse que desde
aquela madrugada que acordou sozinha nenhuma madrugada era
mais a mesma. Ela podia lembrar dos olhos cheios de certeza
dele. Podia lembrar da música que soava quando ela abriu a porta.
Podia lembrar da forma como ele imitara seu tom de voz ao ler sua
carta em voz alta. Nesta última memória, considerou a real
possibilidade dele fazer chacota com aqueles escritos também.
Quase os rasgou. Decidiu tomar um banho, no entanto.
Saiu aliviada da suíte e peregrinou até a cozinha. Ajustou a
cafeteira e ligou o computador na sala. Quando retornou com o
café pronto, seu programa de emails notificava-a de todas as
novidades da madrugada. Olhou para todas as notícias nos portais
online com o desdém do “sempre o mesmo”. Riu de sua família
enfurecida e seus amigos paranóicos querendo saber dela. Textos
em caixa alta intercalados com textos apaziguadores e cheios de
ânimo. Nada daquilo fazia sentido. Não via o motivo da
preocupação. “Até parece que me não me vêem faz tempo”. Não
respondeu nenhum, rindo da necessidade recorrente do ser
humano de manter contato. Mal completou tal pensamento e a
campainha tocou. Ela atendeu o carteiro sorrindo com a carta que
escrevera pra Heitor na madrugada anterior. Ele recebeu a carta e
continuou com as mãos abertas. Ela riu amarelo e lhe entregou 10
reais. Notou antes de fechar a porta que não era o valor que tinha
em mente. Parou-o no elevador, corrigiu o erro e voltou ao
apartamento.
Ao fechar a porta, outro pássaro
atingiu a janela, dessa vez bem
à sua frente, na sala. Quando
se aproximou, podia ouvi-lo
moribundo, murmurando baixinho:
“Voar é uma estupidez maravilhosa”.
A Caverna é um Mito
RALPH
HOLZMANN
Artista de várias
possibilidades e ousadias.
Graduando de Psicologia
Professor britânico de inglês
Recém-chegado em Resende,
com 20 anos de experiencia preparando
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viagens, médicos e advogados,
em São Paulo, Brasilia e Rio de Janeiro,
dá aulas individuais e em grupo,
e faz traduções (português > inglês)
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Número Página 803 – março/2015
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Pablo Braz
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Formação:
Engenheiro de Produção Mecânica (UERJ)
Pós Graduado em Mecânica Automobilística (FEI – SBC)
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Número Página 603 – março/2015
No campus de Resende da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro, há mais de 4 anos o projeto Espaço
Ciência & Tecnologia vem sendo desenvolvido.
Coordenado pelo Departamento de Matemática, Física e
Computação, este projeto tem como objetivo despertar nos
jovens o interesse pela Ciência, mostrando que todos
aqueles que são curiosos possuem a condição necessária
para se tornarem Cientístas, se assim desejarem. Assim, o
projeto reúne um conjunto de atividades extensionistas
voltadas para divulgação e popularização de ciência,
visando estimular o gosto por ela em seu público-alvo
(segmentado em alunos universitários da área de ciências
exatas, alunos e professores de Física e Matemática do
ensino médio e alunos do ensino fundamental). O projeto
vem recebendo apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de
Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ)
e desde sua criação, diversas atividades foram
desenvolvidas, dentre elas destacamos: eventos, visitas
técnicas, oficinas para professores, minicursos, palestras e
nos últimos anos iniciamos um conjunto de palestras
voltadas para crianças da educação infantil na faixa dos 5 e
6 anos. O projeto possui uma página na internet, com a
descrição das suas atividades no endereço:
https://sites.google.com/site/espacocienciaetecnologia/home.
O projeto também possui um Canal no youtube.com,
onde estão disponíveis vídeos de palestras, minicursos, e
oficinas, disponível no endereço:
https://www.youtube.com/user/GermanoAmaralMonerat.
Até o momento são mais de 71000 acessos!
Germano Amaral Monerat.
VOCÊ CONHECE O PROJETO
ESPAÇO CIÊNCIA & TECNOLOGIA?
Para os interessados uma descrição mais
detalhada destas atividades pode ser
encontrada no artigo
‘’RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA EM
DIVULGAÇÃO E POPULARIZAÇÃO DE CIÊNCIA’’
Em Extensão, Uberlândia, v. 13, n. 2, p. 79-86, jul.
/ dez. 2014.Este encontra-se disponível no
endereço eletrônico:
http://www.seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/view/
26685/16081
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Tão pertinho!
Tão tranquilo!
Tão bonita!
Professor do Departamento de Matemática, Física e
Computação da Faculdade de Tecnologia da UERJ
Doutor em Física pela UFF
Atua em Cosmologia Quântica e Inflacionária, Caos e
Sistemas Dinâmicos e na Divulgação de Ciências
Ps.: Nós, do PELOS BIGODÕES, achamos essa
‘‘atuação’’ muito... estranha.
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Número Página 1003 – março/2015
Cecil, são diversos os motivos que me levaram a deixar
esse bilhete e ir embora, mas acredito que você será capaz de
compreender as adversidades que compõem essa decisão tão
logo que eu lhe conte os eventos da última semana.
Quando eu cheguei aqui, munido apenas das roupas do
corpo e uma maleta de perfumes artesanais, acreditava que
essa seria minha chance de mudar o meu destino e o primeiro
sinal foi te ver atrás desse balcão. Senti que nos conectamos
de uma forma única e pude aos poucos comprovar que
tínhamos uma compatibilidade fora do comum. Eu não tive
coragem de dizer uma palavra sequer sobre isso, não queria
estragar tudo, eu precisava de um plano certeiro. Você, em
momento nenhum, desconfiou que eu fosse um fugitivo. Talvez
até arriscasse um palpite por conta da evidente loucura,
desapego e um contraditório fanatismo, mas a verdade é que
eu fui acusado injustamente por mútiplos crimes em todos os
lugares onde estive e essa era minha última parada antes de
me entregar de vez.
É muito difícil falar sobre a infelicidade de estar na hora
errada, no lugar errado, com todas as circunstâncias jogando
contra mim. Tantos eventos infelizes me fizeram perceber
melhor os detalhes: a arma suja de sangue nas minhas mãos
que discavam o número do socorro, minhas impressões
deixadas nos copos das casas, uma maleta muito semelhante à
minha repleta de drogas e um retrato falado mal feito fizeram
minha ruína nesses últimos anos. Eu custei a entender que
tudo acontecia em determinado prazo. Em cada cidade que eu
visitava eu dispunha de um tempo de bons eventos até que
algo muito ruim acontecesse. Variava muito, mas descobri que
no mínimo eram cinco dias e no máximo, dez.
Eu tenho um primo distante que me deve a vida e
poderia me ajudar a fugir daqui com você para um lugar livre
de eventos trágicos, onde poderíamos começar do zero e
reinventar minha maldição. Infelizmente, não fui capaz de
prever as mudanças nas regras dos acontecimentos, logo
que comecei o plano de fuga, as coisas vieram a desandar.
Até o presente momento, estou sendo perseguido pela polícia
por ser suspeito do sequestro do prefeito, roubo de veículo,
invasão de domicílio e falsidade ideológica (disso eu tive
culpa). Eu tentei por diversas vezes contornar a situação e
provar que não tinha nada a ver com isso, mas era tarde
demais. Algumas impressões permanecem e pequenos
detalhes acabam me colocando em problemas, de maneira
contínua.
Nem tudo é tragédia, querida Cecil, acredito que
finalmente tenha descoberto como isso funciona. Percebi que
há meses não durmo e tudo o que vejo em minha volta é
estanhamente familiar. Você provavelmente tem outro nome e
eu devo ter esbarrado contigo em alguma rua. É difícil
entender isso, mas sinto que tudo já estava armazenado em
minha memória.
Estou encurralado, em breve eles chegarão, mas
dessa vez não vou fugir. Meu corpo parece dormente, sinto
muita sede, meus olhos doem, espere por mim. É com você
que eu quero estar e vou te procurar com todas minhas
forças assim que acordar desse sonho.
SONE
– Educador Social, formado em
Psicologia, músico amador e escritor
ocasional. Morador de Resende há 27
anos, fã de Isaac Asimov e poesia Vogon.
Diego Linx
Sónumsebooslivrostêmhistórias
LPs > Rock, clássicos, trilhas sonoras,
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a saudade ou mesmo para seu fetiche visual.
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de gravuras, para decorar sua
roupa ou mochila, também
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qualquer quantidade.
Número Página 1103 – março/2015
Quadrinhos
gibis, mangás, literatura
em quadrinhos, técnica
de desenho. Venha
conhecer nosso acervo.
Neto Resende é Engenheiro
Agrônomo e já participou de
projetos de pesquisa dedicados ao
estudo da influencia das alterações
climáticas na dinâmica funcional de
bacias hidrográficas. Hoje, um
pouco desiludido com o método
científico. Acredita que contribui
mais desenhando do que fazendo
ciência.
O fim a seu critério
Se você é um brasileiro que aceitou o
aquecimento global, que vem se preocupando com
furacões no Caribe, com enchentes na Indonésia, e
acha que a humanidade vai para o buraco em breve,
sim, isto pode ser uma charge. Mas se você não
acredita em disco voador, mula sem cabeça, no STF
e nem nas alterações climáticas, pra você meu
amigo, isto é um simples e inofensivo cartum. Bom,
deixe eu me explicar... A charge, termo que vem do
francês charger (que significa carregar, exagerar ou
atacar violentamente), nada mais é do que um
desenho que satiriza um fato real, relacionado a
personagens reais, marcadamente contextualizados
aos acontecimentos do nosso cotidiano. Na
essência, as charges utilizam-se de caricaturas, mas
não se excedem tanto na descrição de personagens
quanto os cartuns.
Estes, considerados como anedotas gráficas, são
formas de representação de fatos atemporais, nos
quais não se inserem personagens reais ou fatos
verídicos. Os artifícios gráficos utilizados extrapolam
a realidade, e são carregados de um olhar
fantasioso, surrealista, como no caso de grande
parte das famosas historias em quadrinhos. Então,
se você acredita que o planeta vai sucumbir devido a
tamanha poluição e desmatamento, esse desenho é
sim uma charge, e convém se preparar para receber
futuramente esse tipo de imigrante no nosso pais.
Mas se você é descrente de tudo que cientistas
dizem sobre o aumento do nível do mar, derretimento
de geleiras, e escassez das chuvas, sim, isto é um
cartum - mas não se espante se sua torneira secar
ou se você conseguir fritar (novamente) um ovo no
asfalto no próximo verão.
Assistência Técnica
Venda de Computadores
Suprimentos e Períféricos
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- casa de leituras -
Número Página 1203 – março/2015
Comoajudar?
Doando para a entidade. Você pode se
comprometer com uma pequena quantia mensal ou
mesmocomdoaçõesesporádicas.
Doandoraçãooumaterialdelimpeza.
Participando de bazares que frequentemente
buscamarrecadarfundos.
Você pode vender livros para a GREGOSE
TROIANOS e solicitar que os valores obtidos sejam
destinados à Cãodomínio. Aliás, você mesmo pode,
na hora, fazer o depósito no cofrinho que a
entidademantémnosebo.
Cena 1
Em 2010 o CQC induziu deputados federais a assinar PEC
(Proposta de Emenda Constitucional) de inclusão de cachaça na
cesta básica. A desonestidade do programa estava em omitir que
os assessores caçam essas assinaturas, e que elas são dadas
apenas para que os projetos de lei sejam encaminhados a várias
comissões para serem analisados, e que, por óbvio, tal proposta
não passaria nem pela primeira análise. Lamentável que Marcelo
Tas e Mônica Iozzi se prestem a esses papéis.
Cena 2
Em 2010 o Fantástico denuncia que um analfabeto teria
sido aceito como estudante de Direito na Universidade Estácio de
Sá. A desonestidade do programa estava em omitir que não é
função do vestibular selecionar quem tem condições de freqüentar
a universidade, mas tão somente servir de funil para a relação
candidato/vaga. E que a Estácio, até por ser uma entidade de
direito privado tem o legítimo direito de ter quantos alunos
puderem pagar sua mensalidade. Como qualquer lanchonete ou
curso de inglês. A desonestidade se completa ao omitir que na
matrícula seria exigido o comprovante de conclusão do Ensino
Médio. Lamentável que Pedro Bial e Glória Maria se prestem a
esses papéis.
Cena 3
Em 2011, o lamentável deputado Jair Bolsonaro, ao
responder a uma pergunta de Preta Gil sobre o que faria se um
filho se apaixonasse por uma negra, ele se confundiu, e deu uma
resposta que poderia ser enquadrada no Código Penal. Muitos
viram oportunidade de cassação, num exemplo de oportunismo
barato, porque era evidente que ele se confundiu. Atrapalhou-se
por ser obcecado pela questão do homossexualismo. Nem é
preciso Freud, qualquer novato da Psicologia explicaria isso. Que
essa vergonha para os militares e para qualquer cidadão
compromissado com os direitos humanos e até mesmo com o
Cristianismo seja deputado, é sinal de vitalidade da nossa
democracia, ainda que para desgosto dele. Nossa democracia
permite que até um inimigo dela seja candidato e, se votado
suficientemente, que tome posse.
Finalmente, Cena 4
No Enem de 2012, novos escândalos: redações com a
grafia “enchergar” e “trousse” receberam pontuação 1000; e
outras, com receitas de miojo e trechos do hino do Palmeiras não
foram desclassificadas. Na época escrevi mais
pormenorizadamente no jornal Beira-rio sobre isso. Os erros de
grafia foram tão isolados que o Edital não legitimava que se
operasse o desconto mínimo, que seria de 20% da pontuação. Já
as “do miojo” e “do hino do Palmeiras” receberam a pontuação de
560 e 500, respectivamente. Ou seja, foram consideradas como
muito, muito medíocres. A avaliação havia sido bem feita.
Os cenários apresentados acima têm a pretensão de
demonstrar como é fácil denunciar “escândalos”. E difícil
analisá-los à luz da racionalidade. Resultado: desinformação
sobre o processo legislativo, Estácio de Sá achincalhada, e
eu, logo eu, defendendo Bolsonaro.
No achincalhe da Estácio, o Ministro da Educação da
época, Paulo Renato (PSDB), foi populista: tornou obrigatória
a Redação nos vestibulares. Pronto e resolvido, numa
canetada: analfabetos seriam identificados (como se
houvesse alguma chance de se matricularem).
No entanto, em relação ao Enem, além da
determinação para que as “brincadeiras” desclassificassem
os textos (nada contra, mas não faz muita diferença prática),
temos um efeito colateral muito grave: o medo da pontuação
1000.
No Enem de 2013 apurou-se uma pontuação 1.000
para cada grupo de 10.000 redações. Pior ainda no Enem de
2014, em que se apurou uma pontuação 1.000 para cada
grupo de 23.600 redações. Um absurdo estatístico tão grande
que seria o equivalente a, por exemplo, dando aula em todas
as turmas de todos os três anos do Ensino Médio de uma das
melhores escolas particulares de todo o sul do estado,
aplicando 15 redações para cada estudante, premiarmos uma
única nota 10 a cada... pasmem... nove anos.
Duvido que os melhores professores conseguissem identificar
metade desses textos de pontuação 1000 se eles fossem
apresentados num lote com 5.000 das outras melhores
redações.
Esses são os efeitos de uma mídia que com frequência
se mostra inescrupulosa, vil e covarde, somada a uma platéia
com dificuldades gigantescas de filtrar a informação que
recebe.
Prof. Luciano Gonçalves
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Quando a má fé se
encontra com a ignorância

PelosBigodões3

  • 1.
    PELOS BIGODÕES Número 03– março/2015 by Sebo Gregos e Troianos – casa de leituras e Sala @escrevendo pág. 3 pág. 4 pág. 6 pág. 7 pág. 5 pág. 7 pág. 9 pág. 10 pág. 11 pág. 12 Gregos e Troianos - casa de leituras - 3333333 3 3 33333 3333333 333333 3 33 333 3 A teia @LFelipeCesar Luis Felipe Cesar Sobre Coleiros e Coelhos Carta de uma ex-motorista Sala @escrevendo RALPH HOLZMANN A Caverna é um Mito Maria Elisa Elisei A artesã das bonecas de pano Germano Monerat ESPAÇO CIÊNCIA & TECNOLOGIA Diego Linx SONE Neto Resende O fim a seu critério Prof. Luciano Gonçalves De má fé e ignorância Ponto de encontro de olhares e ouvires, ideias e angústias. Pro-vocações de toda ordem, ainda que caóticas. A princípio, de Resende e Itatiaia. Mas as coisas nunca se cabem no que as principiam. Limites não são bons definidores do que se faz ‘‘ Jorge Luis Borges Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.
  • 2.
    Número 03 –março/2015Página 2 Parceiros de conteúdo e financiamentoEditorial Chegamos ao nº 3. Dum modo gostoso. Gostando do processo. Processando um ou outro tropeço, típicos de quem aprende fazendo. As simpatias que nos acolheram são muito mais importantes do que elas próprias imaginam. Nosso agradecimento é público. Tão verdadeiro que quase nos orgulhamos dele. No nº 1 tivemos a colaboração de Washington Lemos, Ton Kneip e Hélder Câmara. No nº 2, de Rodrigo Prado, Julia Dile, Daniel Almeida e Pedro Miller. Neste, de Ralph Holzmann, Diego Linx, Germano Monerat, Neto Resende e Luis Felipe Cesar. É ou não um time de colaboradores de dar orgulho? Prossigamos, então. Num misto de babação por este número ao mesmo tempo em que já estamos curtindo construir o próximo, que deve sair das rotativas em pleno dia 21 de abril. Expediente CONTATO: contato@pelosbigodoes.com.br Custo total das três edições: R$ 2240 [gráfica R$ 1910 / transporte R$ 300/ administração R$ 30] Verbas recebidas: R$ 670 A diferença de R$ 1570 foi coberta pelas duas instituições que nos dão suporte. Parte dos anúncios é de cortesia, por simpatias, agradecimento ou parcerias de várias naturezas. A distribuição das verbas que chegam e das que saem está à disposição de curiosos de qualquer natureza: basta contatar-nos. Reafirmamos nosso compromisso de que ela busca o equilíbrio necessário para cobrir os custos de produção e apoiar os projetos anunciados. Não mais. Diagramação amadora: voluntário João Pedro Gonçalves da Silva, ao qual agradecemos Sebo: lugar de gente inteligente Personal-néticos Sabe a quem recorremos para nos ajudar com trâmites internéticos? Ao Thales Luz e ao Washington Lemos. Sem eles... pediríamos ajuda a outros. Mas eles fizeram com que isso não fosse necessário. Mais boa vontade como as deles, e o mundo seria melhor. Gregos e Troianos - casa de leituras - Livros novos e usados a preços que são ótima oportunidade. E você ainda pode usar os seus livros para troca ou abatimento no valor da compra. O mesmo vale para gibis, LPs, CDs e DVDs.
  • 3.
    Número Página 303– março/2015 A teia A situação de escassez de água que estamos vivendo é uma ótima oportunidade para buscarmos a construção e um pensamento mais integral e articulado sobre o mundo. Ainda que essa afirmação possa parecer exagerada, exagero é pensar que podemos continuar a usar sem limites todo tipo de recursos que nosso planeta dispõe. Mesmo sendo a nossa herança cultural indutora desse comportamento de descobrir-conquistar-explorar- consumir-descartar, a farta divulgação de estudos sobre os ciclos naturais - climáticos, ecológicos, hídricos etc. já não permite a quase ninguém, seja governante ou governado, continuar ignorando os fatos e agindo de forma irresponsável e inconsequente. Desde Gilgamesh e sua batalha contra Humbaba, 2.750 aC, as florestas vêm sendo derrubadas para suprir recursos para construção, combustível, transporte e armamentos, itens essenciais para os muitos processos de colonização ao longo da história. Avançando no tempo e começando a encontrar alguma inteligência na relação com o território, o exemplo da restauração da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, entre 1861 e 1874, pode ser considerado decisivo para o abastecimento de água e a amenização do clima naquela cidade. O que não se podia imaginar, naquela época, era a relação entre as chuvas do sudeste brasileiro, a Amazônia e o Cerrado. Hoje, as fartas evidências entre chuvas e florestas não permitem mais os posicionamentos equivocados que ainda são praticados por alguns governantes. Exemplos clássicos recentes são as mudanças no Código Florestal, o enfraquecimento da legislação ambiental, as novas regras de acesso à biodiversidade e a redução do número de brigadistas para combate a incêndios florestais em 2015. Fundado em 1988 pelo inglês Ramon Arthur Cole, o hotel mantêm suas tradições, como o chá das 5 (disponível em cada aposento)e o típico PUB Inglês. Além de contar com muitas histórias, curiosidades e uma pequena biblioteca que conta muito sobre o Reino Unido, o hotel possui uma piscina com um vasto deck que vai ao encontro com o Rio das Pedras, uma grande área verde e ótimos lugares para se apreciar. Já em fase de término, em breve teremos a sauna a seco (origem Finlandesa), uma piscina aquecida e uma piscina ecológica, atualmente muito difundida na Europa mas pouco conhecida no Brasil. Um autêntico e peculiar hotel britânico no coração de Penedo! E não é só isso. Florestas dependem dos animais que ali vivem, que dependem de outros animais e de plantas como alimentos, que dependem do solo, que depende de microrganismos, que dependem de nutrientes, que dependem dos restos de plantas e de animais, que dependem do clima, que hoje, segundo a maioria dos cientistas, depende em boa parte do modo de vida da humanidade, além de depender dos grandes ritmos astronômicos, terrestres e solares. A teia de relações e interdependências expressa com nitidez pela natureza é também, na devida proporção, aquela que nos conecta a um cenário muito muito maior, às vezes vislumbrado em momentos especiais: numa noite estrelada, ao por do sol, durante uma tempestade, na plenitude do amor ou na magia de um ritual. Em Resende, a presença incontestável da montanha facilmente revela algumas teias, em especial a teia dos nossos rios. A maioria nasce na serra da Mantiqueira: Alambari, Pirapitinga, Preto, das Pedras, Água Branca... Outro, solitário, tem suas nascentes na serra da Bocaina: Sesmaria. Todos deságuam no rio Paraíba, que não mais pode ser utilizado diretamente pelos moradores daqui como era no passado. O gigante Humbaba, protetor das florestas de cedro do hoje desértico Iraque, foi decapitado pelos conquistadores-saqueadores da época e não existe mais. Mas quem terá sido condenado, de fato, pela destruição daquela mata? Luis Felipe Cesar Gestor ambiental, jornalista, apicultor, ex-presidente da Agência do Meio Ambiente de Resende. Diretor da ONG Crescente Fértil. Ecopensamento
  • 4.
    Número 03 –março/2015 Página 4 Pelos bigodes do poeta E estão todos convidados a ver aqui publicadas as suas ousadias em versos e estrofes. É só entrar em contato (pelo e-mail no expediente). Uma provocação do poeta que inspirou o título deste informativo cultural: Paulo Leminski + ALERTA NUNCA CONFUNDAM COLEIROS COM COELHOS: PODE DAR BODE Tudo tem explicação. Em princípio, né?, porque com o Botafogo do meu amigo prof. Carlito acontece cada coisa... Que com frequência pretendem ser justificativas. Mas quase nunca o são. E justamente porque não há justificativas, não achamos importante dar as explicações. A questão é que ao publicarmos um pouco do olhar poético do Gustavo Praça na nossa edição anterior, cometemos a atrocidade de confundir coleiros com coelhos. É!, fizemos isso. Óbvio que com gente do piso frio reproduzindo olhares de gente que, sendo da cidade também o é do mato, coisas assim são tendentes. Pensamos em nos apoiar numa lição do Paulo Maluf, que defende a proposta de que nunca devemos nos desculpar. Porque, diz ele, com os inimigos não adianta, e com os amigos não é necessário. No entanto, como entendemos que Maluf deveria é estar preso, e não dando qualquer tipo de lição, o desconsideramos. Resta-nos... rir da nossa trapalhada... fazer graça... publicar novamente o poema, tentando evitar essas “criatividades”... exercitar a humildade e pedir, publicamente, perdão. Ainda bem que foi com o Gustavo Praça, que de alma tão leve foi o primeiro a rir do nosso ridículo. Ele que não se sinta tão especial, foi só a primeira trapalhada das que, por inevitável, nos arriscamos a cometer a cada número. De qualquer modo, prometemos punir(me) severamente o responsável: “ele” deverá assistir a duas horas de SBT e ouvir dois Cds inteirinhos: um de funk e outro de gospel. Castigaaaaço! PASTORAL À sombra do bambuzal, O boi nelore rumina seu espírito. O bambuzal é à flor da pele: Impossível a imobilidade, Mesmo com esse mormaço, Mesmo com essas três horas da tarde. Ao pé dele, a estradinha faz uma curva e segue Tateando sensualidade. Dois coleiros e um sabiá (mínima, semínima, colcheia). Pousam nos fios cambados que, Em contraponto, Seguem a melodia da estrada. Graves, estendendo contida tensão por sobre tudo, Os grossos fios federais jogam o som Dos violoncelos por entre os braços dos gigantes. O motor da moto no lugar da percussão Do casco da mula é só Uma dissonância. O que desafina é a câmara branca, Ladrilhada, Que espera, Em série, O boi nelore. Gustavo Praça é uma referência na cultura da nossa região. Li e indico seus livros, e o retorno tem sido ótimo. Seu jornal O PONTE VELHA há vinte anos narra, descreve e disserta sobre a nossa comunidade. Com propriedade. Um encarte por aproximadamente um ano foi um ensaio para que depois o PELOS BIGODÕES ganhasse vida. O poema que nos mandou é, para nós, como uma benção. Obrigado, Gustavo Praça! Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente. Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da 1ª conjugação. Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto. Casou com uma regência. Foi infeliz. Era possessivo como um pronome. E ela era bitransitiva. Tentou ir para os EUA. Não deu. Acharam um artigo indefinido em sua bagagem. A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva, o tempo todo. Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça. O assassino era o escriba O coleiro, de nome científico Sporophila caerulescens,também é conhecido como Coleirinho, Coleirinha, Papa Capim, Papa Arroz ou Coleiro Tuí Tuí, e é uma ave do gênero Sporophila. Seu habitat são campos abertos e capinzais, ocorrendo praticamente em todo Brasil, com exceção da Região Amazônica e Nordeste, tornando o Coleiro um pássaro muito conhecido e criado no Brasil 1 . Devido ao crescente desmatamento observa-se o aparecimento destas aves em regiões urbanas, sendo avistados nos quintais das casas e nas ruas das cidades, à procura de alimento. Alimenta-se principalmente de pequenas sementes. Quando criada em cativeiro, sua dieta baseia-se em alpiste. Reino: Animalia Filo: Chordata Classe: Aves Ordem: Passeriformes Família: Emberizidae Gênero: Sporophila Espécie: S. caerulescens Classificação científica Reino: Animalia Filo: Chordata Subfilo:Vertebrata Classe: Mammalia Ordem: Lagomorpha Família: Leporidae Gênero: Pentalagus Os coelhos são mamíferos1 lagomorfos da família dos leporídeos, em geral dos gêneros Oryctolagus e Sylvilagus. Caracterizam-se pela cauda curta e as orelhas e patas compridas. Esses pequenos mamíferos encontram-se facilmente em muitas regiões do planeta. O termo é utilizado para referir as espécies de oito géneros, incluindo o coelho-de- amami (Pentalagus), os coelhos- americanos (Sylvilagus) e o coelho- pigmeu (Brachylagus). Alguns autores[1] incluem o género Caprolagus no grupo dos coelhos (coelho-asiático), mas a maioria classifica-o como pertencente às lebres. A espécie mais comum é a Oryctolagus cuniculus, ou coelho- europeu.
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    Número Página 503– março/2015 Carta de uma ex-motorista aos novos donos do seu carro Descubra por que a paulistana Gabriela Vuolo, de 33 anos, vendeu seu automóvel para se deslocar de transporte público, a pé e de bicicleta em São Paulo e veja sua carta aos novos proprietários do carro. O depoimento foi postado no Facebook e reproduzido no site ‘‘vadebike.org’’, que aliás, recomendamos. ‘‘Em agosto de 2009, eu comprei um carro. Era a coisa mais cara que eu já tinha comprado até então e eu lembro bem do frio na barriga. Hoje eu vendi esse carro. Um pouco porque precisei, um pouco porque escolhi – tava cansada de dirigir em São Paulo e cheguei à conclusão de que aquele carro já não me trazia a desejada liberdade e independência. Nesses 5 anos e meio, eu descobri outros jeitos de me deslocar pela cidade. E descobri que a liberdade pode estar em tirar um cochilo no busão (como eu fiz hoje, voltando do cartório); ou então em voltar pedalando pra casa; ou então eu caminhar distâncias que antes eu julgava enormes (e de quebra encontrar amigues pelo caminho ♥). Vender o carro me deu um alívio tremendo, mesmo sentindo um frio na barriga igual ao que senti quando eu comprei – porque, afinal, viver sem carro será algo completamente novo pra mim. Deixei uma cartinha simpática pros novos donos (porque ativista que é ativista deixa recado até nessa hora, rs). Transcrevo aqui pra quem tiver saco de ler. E deixo também um beijo pras pessoas que botaram pilha e que me inspiram todos os dias, provando que sim, viver sem carro é possível – e talvez seja bem melhor. Obrigada. ♥ # “Queridos Fulano e Fulana, Antes de mais nada, obrigada por comprarem meu carro! Vocês nem imaginam como isso será importante neste momento da minha vida… Agradeço demais, de verdade. maisamormenosmotor Como vocês sabem, hoje deixo de ser uma motorista diária e passo a ser uma pedestre e ciclista. Escolhi outros jeitos de me locomover pela cidade, e por isso gostaria de deixar quatro pedidos para vocês: 1 - Por favor, deem sempre preferência ao pedestre – mesmo quando ele não estiver na faixa. Lembrem-se de que aquela pessoa que caminha é um carro a menos na rua – e portanto, menos trânsito e menos poluição! Nem sempre há faixas e calçadas decentes por onde o pedestre passa, mas o pedestre é sempre bem mais frágil do que o carro. Por isso, todo cuidado é pouco. . 2 - Por favor, tenham cuidado com ciclistas como eu. Nós também somos bastante frágeis – qualquer deslize ou imprudência recai sobre nossos corpos, e não sobre a lataria (como acontece com um carro). Ultrapassagens em alta velocidade podem fazer com que a gente desequilibre e caia, por causa do deslocamento de ar. Passar muito pertinho também – é por isso inclusive que o Código de Trânsito diz que os veículos devem manter 1,5m de distância na hora de ultrapassar bicicletas. É difícil medir 1,5m ali, no meio do trânsito, então, por garantia, basta mudar de faixa na hora de ultrapassar. Não custa nada – e, por outro lado, uma ultrapassagem descuidada pode custar nossa vida. Lembrem-se de que o ciclista também é um carro a menos na rua – e portanto menos trânsito e menos poluição. . 3 - Por favor, deem preferência aos ônibus. Eles transportam muitas pessoas ao mesmo tempo. Se todas essas pessoas resolvessem ter um carro, teríamos muitos carros a mais na rua. Mais carros = mais trânsito, mais poluição e mais stress. Respeitar a faixa de ônibus e dar preferência aos coletivos beneficia todo mundo – quem anda de carro e quem anda de ônibus. . 4 - Por último, por favor, sejam gentis. São Paulo tem um trânsito maluco e muitas vezes a gente esquece que quem está dentro do outro carro são pessoas, como nós e nossos familiares. Não custa nada ser gentil, dar passagem, não fechar cruzamentos, não parar sobre a faixa de pedestre, etc. Tenho certeza que vocês, assim como eu e muita gente, também querem uma cidade melhor e menos estressante. Mas se a gente não começar fazendo a nossa parte, isso não vai acontecer nunca. Eu fui bastante feliz com este carro nos últimos 5 anos e meio e ele foi muito útil pra mim. Espero que o mesmo valha pra vocês! Boa sorte, e nos vemos nas ruas,”
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    Número Página 603– março/2015 Aulas de REDAÇÃO - particulares ou em grupo, preparatório para Enem e concursos. Os encontros focam em três tópicos: gramática, técnica dissertativa e abordagem do conteúdo A cada encontro são passados propostas de textos para serem entregues durante a semana. A devolutiva é feita no encontro seguinte, com análises e, se for o caso, indicações para que seja reelaborada. Cada texto é lido junto com o aluno, para apontamento das virtudes, dos progressos, e de como o texto poderia ter sido melhor desenvolvido. Variada indicação de fontes para, ao longo do ano, melhorar o entendimento dos assuntos mais “cotados”. A cada encontro corresponde farto material de apoio. REDAÇÃO para alunos da ESCOLA PÚBLICA > Turma 1 - contato > 2109.0246 Espaço de encontros para aulas de Filosofia e Redação, na sala 817 (8º andar do Bloco B) do Resende Shopping Sala @escrevendo Vamos estudar LATIM? A GREGOS E TROIANOS – casa de leituras está patrocinando a primeira turma de Redação para jovens do 3º ano do Ensino Médio da ESCOLA PÚBLICA. As candidatas e os candidatos devem retirar a Ficha de Inscrição no sebo. Ela deve ser devolvida preenchida e acompanhada de uma carta de apresentação de uma professora ou professor. 13 encontros de 2 horas-aula / às segundas: 20h30 Material gratuito. Correção de textos Estamos cadastrando interessadas e interessados em compor uma turma de estudos de latim. A contribuição financeira de cada uma/um será baixa, já que os custos corresponderão apenas ao material, ao uso da salae aos honorários do professor. Este é o nº 3 do nosso PELOS BIGODÕES. O que você está achando? Conte para nós. Críticas e sugestões podem ser enviadas para contato@pelosbigodoes.com.br
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    Contato: celular (24) 99927.0857 facebook.com/mariaelisaelisei Algumasbonecas podem ser compradas na Gregos e Troianos, com 100% dos valores entregues à artesã. Maria Elisa Elisei Bonecas de pano Número Página 703 – março/2015 “… Te espero de braços abertos, Helena.” Depois de assinar, guardou a carta no envelope e copiou o endereço dado no Jornal. Talvez ele respondesse dessa vez. O seu amigo carteiro tocou a campainha mais ou menos às 10:00 com as contas do mês. Ela lhe passou uma nota e a carta. Pediu que postasse para ela. Assim, nem saiu de casa. Distraída, em vez de dar os 5 reais que daria ao rapaz, deu 10. Ele não falou nada. Nem ela. Não fez falta à ninguém. Enquanto se servia de café, Helena se perguntava se o Martins responderia dessa vez. Afinal, aquela coluna parecia ter sido escrita toda para ela. “Todas as noites parece que me falta alguma coisa. Ou a mim ou a ti. Ou aos dois.” Agora que podia ler com menos paixão, ela podia reconhecer o porquê da maioria de seus amigos desdenhar aqueles escritos. Martins era piegas.Todo o mês em sua coluna de fim de caderno ele se declarava a uma mulher idealizada e delicada. Mas ela o amava assim mesmo. Afinal, ela mesmo podia ser delicada. Procurou na caixa bagunçadíssima de recordações e escritos a coluna que ele escrevera naquele Janeiro antes de terem se conhecido. Riu o riso da nostalgia, e se sentiu mais à vontade com a consciência da carta recém-enviada. Não faria mal algum. Sentou-se na escrivaninha de frente pra janela, respondeu os emails e parou para ouvir o pássaro na gaiola do andar de cima cantar alegremente que voar parecia estúpido. Ela riu da afirmação veemente, engoliu o resto de café (frio) e preparou a casa para receber a primeira aluna do dia. —————————————————————————————— Devia ser a milésima carta que essa mulher mandava. Heitor Martins recebera o massivo pacote de três contas e cinco cartas na caixa postal naquela manhã de segunda-feira. Subiu as escadas curioso ao ler o nome da mulher naquela caligrafia horrorosa. Não abrira as últimas duas porque elas estavam com marcas de batom. Heitor não abria cartas de amor. Naquela não havia marca alguma, mas ele não pretendia abri-la mesmo assim. Aliás, não abriu uma carta sequer antes de pagar as três contas pela internet e jogar os envelopes no lixo reciclável. Só então sentou-se na escrivaninha do quarto-escritório iluminado pelo abajur para ler as correspondências. Em um dia comum, abriria todas as cinco, passaria os olhos e colocaria cada uma em sua respectiva caixa. Lia o suficiente para saber se eram cartas de amor, elogios sérios ou elogios puxa-sacos. Cartas de amigos ou inimigos. As ameaças de morte ele jogava fora, porque “essa energia negativa não faz bem”. Ao sentar-se, analisou o nome da remetente e o tom histórico que “Helena” provocava em seus ouvidos pretensiosos atiçou-o a curiosidade. Enquanto rasgava o envelope, abriu a gaveta à sua direita e puxou um controle remoto. Ligou o som, e o disco do Eric Clapton com o BB King que estava ali há semanas encheu o escritório. Abriria um whisky, se pudesse. Mas havia parado de beber. Ao retomar a atenção ao envelope, cortou a mão no papel da cartinha de amor da tal da Helena. Devia ser um sinal dos deuses. Iria lê-la por último. As outras duas eram elogios puxa-sacos. Ele sabia, pois eles escreviam “senhor” para ele, um jovem de 35 anos. Já era o suficiente. Catalogou-as e abriu cuidadosamente o envelope da destinatária apaixonada, agora com uma ou duas gotas de sangue. Ao rever a caligrafia, assustou-se, e quase desistiu. Mas ao ler as primeiras duas palavras, cedeu: “Meu bem; Apesar de você não ter me respondido das últimas vezes, devo tentar outra vez pois é o que o coração manda. Não sei exatamente porquê você decidiu me ignorar, mas eu lembro que nos lençóis brancos daquele hotel fino que você me levou você sabia o meu nome. E eu sabia o seu, porque eu o gritei várias vezes. Você provavelmente estava bêbado. Minto, você estava bêbado. Eu lembro, pois o bafo de cigarro e cerveja ainda me dá arrepios. Eu lembro de você me trazendo num táxi no dia seguinte. Lembro de dormirmos o dia inteiro nesta mesma cama, que eu agora agarro e procuro o seu cheiro. Eu cancelei todas as aulas naquele dia, coisa que eu não fazia nunca. Hoje eu faço quando quero. Obrigado por isso, aliás. Se esta carta um dia servir de alguma coisa, que seja por isso. Te agradeço pelo bem causado, e pelo mal eu espero que você venha corrigir. Correndo, com essa mania que você tem de correr quando têm as coisas mal-resolvidas. Te espero de braços abertos, Helena”. —————————————————————————————— Helena ouviu a campainha naquela segunda-feira como quem ouve música. Foi dançando até a porta sem saber porquê. Quando viu o Martins sem fôlego, perdeu o próprio. Não sabia se voltava a dançar. Aquela dúvida realmente parecia importante. Vê-lo ali de novo parecia um bom motivo para dançar. Não pra ele. Depois de olhá-la brevemente, Heitor pareceu lembrar-se do que estava fazendo ali. Beijou-a impavidamente e chutou a porta atrás dele para fechá-la. Puxou as pernas fartas e carregou-as com pressa (não agressivo, apenas com pressa), para o quarto, que ele, naturalmente, sabia onde era. Já Helena, depois do beijo, não teve mais dúvidas. Parecia encarar tudo aquilo com a naturalidade de quem fazia isso sempre. Ria de sua pressa, e o seduzia calmamente, como se estocasse os impulsos animalescos de Martins para a hora que mais lhe fosse conveniente. Transaram apaixonados, almoçaram, ouviram música e transaram mais apaixonadamente ainda. Passaram o resto do dia juntos, como amantes que se encontram depois de muito tempo. Ele releu a carta em voz alta com ela e ambos riram e se divertiram com as lembranças dos bons momentos que ela citava. Com todas as aulas canceladas, ela pôde passar a tarde emaranhada em lençóis com ele. Ambos dormiram, eventualmente, com o cair do Sol. —————————————————————————————— O alarme da televisão acordou Martins com o volume estridente da chamada do Jornal matinal. O som parecia um clamor da televisão para ser desligada. Conseguiu. Ao estender o controle, lembrou-se de que passara uma tarde inteira vendo TV outra vez. Por essas e por outras, ele vivia dizendo que “o mal de se trabalhar em casa é a que sucumbir ao ócio é tão fácil quanto estalar os dedos. E tão voluntário quanto”. Não havia pensado nisso (nem na antítese entre sucumbir e voluntariar- se) enquanto se esbaldava de salgadinhos e refrigerantes ou ria de uma comédia qualquer. No entanto, o remorso, atrasado, sacudiu seus ossos e acordou-o de vez. Assim, levantou-se, arrumou a cama e abriu as cortinas do quarto. Sorriu para a janela, pois não chegou a reparar na vista. Tomou café lendo o jornal, rindo das tirinhas e acenando positivamente nas colunas de opinião. Às vezes, balançava a cabeça com as matérias de capa. “Que absurdo é o mundo que vivo”, dizia para si mesmo. Meia hora depois, tirou a mesa, lavou a louça e dirigiu-se à mesa recentemente adicionada ao quarto: “Porque escrever não é trabalho, é arte”. Parafraseou textos antigos para as colunas bestas dos jornais menores e depois passou três horas destrinchando a ideia brilhante do mês pra coluna n'o Globo. Dessa vez iria falar do próprio texto. Metalinguagens são inteligentes e originais, afinal. Melhor ainda se conseguisse adicionar um tanto de ironia. Quando finalmente concluiu, murmurou para si mesmo: - Perfeito! Decidiu analisar o correio antes de sair para o almoço. Desceu os dois lances de escada em disparada. Adorava receber o carinho de quem lia seus escritos. Duas cartas, nenhuma conta. Subiu as escadas um pouco mais feliz. Ao sentar-se à escrivaninha do escritório (as cartas, por inúmeros motivos, eram trabalho), abriu a gaveta à sua direita e pescou um controle remoto. O disco do Eric Clapton com o BB King que estava ali há semanas encheu o quarto. Voltou-se para os envelopes. O primeiro era belíssimo. Revirou-o e a caligrafia da remetente (Carolina, do Rio Grande do Sul) era maravilhosa. Não quis rasgar algo feito com tanto esmero. Ao procurar o estilete, se deparou com uma gotinha de sangue seca manchando a madeira. Tentou limpá-la com muito esforço, mas uma ínfima marca permaneceu. Soube então que se incomodaria com ela para sempre. Justamente porque não sabia explicar de maneira alguma como aquilo havia surgido ali. —————————————————————————————— —— Outro pássaro atingiu a janela do quarto de Helena naquela manhã. Ela acordara com o baque. Eles morriam no parapeito e ela sofria ao lembrar-se do evento o resto do dia. Ainda meio sonsa, levantou e deu descarga no sanhaço azul, chorosa. Enquanto retornava à cama, vislumbrou a carta no criado mudo e se perguntou ainda chorosa se Martins leria aquela. Helena precisava que ele lesse. Precisava que ele entendesse que desde aquela madrugada que acordou sozinha nenhuma madrugada era mais a mesma. Ela podia lembrar dos olhos cheios de certeza dele. Podia lembrar da música que soava quando ela abriu a porta. Podia lembrar da forma como ele imitara seu tom de voz ao ler sua carta em voz alta. Nesta última memória, considerou a real possibilidade dele fazer chacota com aqueles escritos também. Quase os rasgou. Decidiu tomar um banho, no entanto. Saiu aliviada da suíte e peregrinou até a cozinha. Ajustou a cafeteira e ligou o computador na sala. Quando retornou com o café pronto, seu programa de emails notificava-a de todas as novidades da madrugada. Olhou para todas as notícias nos portais online com o desdém do “sempre o mesmo”. Riu de sua família enfurecida e seus amigos paranóicos querendo saber dela. Textos em caixa alta intercalados com textos apaziguadores e cheios de ânimo. Nada daquilo fazia sentido. Não via o motivo da preocupação. “Até parece que me não me vêem faz tempo”. Não respondeu nenhum, rindo da necessidade recorrente do ser humano de manter contato. Mal completou tal pensamento e a campainha tocou. Ela atendeu o carteiro sorrindo com a carta que escrevera pra Heitor na madrugada anterior. Ele recebeu a carta e continuou com as mãos abertas. Ela riu amarelo e lhe entregou 10 reais. Notou antes de fechar a porta que não era o valor que tinha em mente. Parou-o no elevador, corrigiu o erro e voltou ao apartamento. Ao fechar a porta, outro pássaro atingiu a janela, dessa vez bem à sua frente, na sala. Quando se aproximou, podia ouvi-lo moribundo, murmurando baixinho: “Voar é uma estupidez maravilhosa”. A Caverna é um Mito RALPH HOLZMANN Artista de várias possibilidades e ousadias. Graduando de Psicologia
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    Professor britânico deinglês Recém-chegado em Resende, com 20 anos de experiencia preparando alunos para os exames de FCE, CAE, CPE, TOEFL, IELTS, e conversação, inglês para viagens, médicos e advogados, em São Paulo, Brasilia e Rio de Janeiro, dá aulas individuais e em grupo, e faz traduções (português > inglês) (021) 97224 4008 (024) 99955.1291 Robin Ward CAIO MARCELLO COSSÚ AULAS PARTICULARES: Ensinos Fundamental, Médio e Superior Aulas individuais ou em grupo, conforme combinado! Aulas de matemática, física e química para alunos dos ensinos fundamental e médio. Aulas de cálculo diferencial e integral, química, física teórica, resistência dos materiais, termodinâmica, mecânica dos fluidos, transmissão de calor, entre outras matérias de engenharia, em geral. (024) 992817189 Número Página 803 – março/2015 Professora/Professor anuncie aqui, gratuitamente, suas aulas. Pablo Braz Aula particular de Matemática, “Ensino Fundamental e Médio”. Reforço escolar, dependência, concurso público, Enem. Formação: Engenheiro de Produção Mecânica (UERJ) Pós Graduado em Mecânica Automobilística (FEI – SBC) (24) 99849-3451 pablobraz4@gmail.com
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    Número Página 603– março/2015 No campus de Resende da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, há mais de 4 anos o projeto Espaço Ciência & Tecnologia vem sendo desenvolvido. Coordenado pelo Departamento de Matemática, Física e Computação, este projeto tem como objetivo despertar nos jovens o interesse pela Ciência, mostrando que todos aqueles que são curiosos possuem a condição necessária para se tornarem Cientístas, se assim desejarem. Assim, o projeto reúne um conjunto de atividades extensionistas voltadas para divulgação e popularização de ciência, visando estimular o gosto por ela em seu público-alvo (segmentado em alunos universitários da área de ciências exatas, alunos e professores de Física e Matemática do ensino médio e alunos do ensino fundamental). O projeto vem recebendo apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e desde sua criação, diversas atividades foram desenvolvidas, dentre elas destacamos: eventos, visitas técnicas, oficinas para professores, minicursos, palestras e nos últimos anos iniciamos um conjunto de palestras voltadas para crianças da educação infantil na faixa dos 5 e 6 anos. O projeto possui uma página na internet, com a descrição das suas atividades no endereço: https://sites.google.com/site/espacocienciaetecnologia/home. O projeto também possui um Canal no youtube.com, onde estão disponíveis vídeos de palestras, minicursos, e oficinas, disponível no endereço: https://www.youtube.com/user/GermanoAmaralMonerat. Até o momento são mais de 71000 acessos! Germano Amaral Monerat. VOCÊ CONHECE O PROJETO ESPAÇO CIÊNCIA & TECNOLOGIA? Para os interessados uma descrição mais detalhada destas atividades pode ser encontrada no artigo ‘’RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA EM DIVULGAÇÃO E POPULARIZAÇÃO DE CIÊNCIA’’ Em Extensão, Uberlândia, v. 13, n. 2, p. 79-86, jul. / dez. 2014.Este encontra-se disponível no endereço eletrônico: http://www.seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/view/ 26685/16081 ShangrillaPOUSADA O sossego que você espera de Penedo Pertinho das melhores cachoeiras. Suítes com ar-condicionado, lareira e frente para a mata Alântica. Chalés com hidromassagem, cama box queen, ar-condicionado, lareira, TV com parabólica. Reserve. Você vai adorar. Estrada da Fazendinha, s/nº - Penedo / Itatiaia / RJ Fone (24) 3351.1366 / (24) 7834.9754 / ID 131*4032 e-mail: shangrilla@hotwave.com.br www.pousadashangrilla.com.br Tão pertinho! Tão tranquilo! Tão bonita! Professor do Departamento de Matemática, Física e Computação da Faculdade de Tecnologia da UERJ Doutor em Física pela UFF Atua em Cosmologia Quântica e Inflacionária, Caos e Sistemas Dinâmicos e na Divulgação de Ciências Ps.: Nós, do PELOS BIGODÕES, achamos essa ‘‘atuação’’ muito... estranha.
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    Está chegando aResende uma nova empresa na área de assistência para celulares e tablets. Nela você contará com grande oferta de acessórios para eletrônicos a preços que prometem surpreender. Número Página 1003 – março/2015 Cecil, são diversos os motivos que me levaram a deixar esse bilhete e ir embora, mas acredito que você será capaz de compreender as adversidades que compõem essa decisão tão logo que eu lhe conte os eventos da última semana. Quando eu cheguei aqui, munido apenas das roupas do corpo e uma maleta de perfumes artesanais, acreditava que essa seria minha chance de mudar o meu destino e o primeiro sinal foi te ver atrás desse balcão. Senti que nos conectamos de uma forma única e pude aos poucos comprovar que tínhamos uma compatibilidade fora do comum. Eu não tive coragem de dizer uma palavra sequer sobre isso, não queria estragar tudo, eu precisava de um plano certeiro. Você, em momento nenhum, desconfiou que eu fosse um fugitivo. Talvez até arriscasse um palpite por conta da evidente loucura, desapego e um contraditório fanatismo, mas a verdade é que eu fui acusado injustamente por mútiplos crimes em todos os lugares onde estive e essa era minha última parada antes de me entregar de vez. É muito difícil falar sobre a infelicidade de estar na hora errada, no lugar errado, com todas as circunstâncias jogando contra mim. Tantos eventos infelizes me fizeram perceber melhor os detalhes: a arma suja de sangue nas minhas mãos que discavam o número do socorro, minhas impressões deixadas nos copos das casas, uma maleta muito semelhante à minha repleta de drogas e um retrato falado mal feito fizeram minha ruína nesses últimos anos. Eu custei a entender que tudo acontecia em determinado prazo. Em cada cidade que eu visitava eu dispunha de um tempo de bons eventos até que algo muito ruim acontecesse. Variava muito, mas descobri que no mínimo eram cinco dias e no máximo, dez. Eu tenho um primo distante que me deve a vida e poderia me ajudar a fugir daqui com você para um lugar livre de eventos trágicos, onde poderíamos começar do zero e reinventar minha maldição. Infelizmente, não fui capaz de prever as mudanças nas regras dos acontecimentos, logo que comecei o plano de fuga, as coisas vieram a desandar. Até o presente momento, estou sendo perseguido pela polícia por ser suspeito do sequestro do prefeito, roubo de veículo, invasão de domicílio e falsidade ideológica (disso eu tive culpa). Eu tentei por diversas vezes contornar a situação e provar que não tinha nada a ver com isso, mas era tarde demais. Algumas impressões permanecem e pequenos detalhes acabam me colocando em problemas, de maneira contínua. Nem tudo é tragédia, querida Cecil, acredito que finalmente tenha descoberto como isso funciona. Percebi que há meses não durmo e tudo o que vejo em minha volta é estanhamente familiar. Você provavelmente tem outro nome e eu devo ter esbarrado contigo em alguma rua. É difícil entender isso, mas sinto que tudo já estava armazenado em minha memória. Estou encurralado, em breve eles chegarão, mas dessa vez não vou fugir. Meu corpo parece dormente, sinto muita sede, meus olhos doem, espere por mim. É com você que eu quero estar e vou te procurar com todas minhas forças assim que acordar desse sonho. SONE – Educador Social, formado em Psicologia, músico amador e escritor ocasional. Morador de Resende há 27 anos, fã de Isaac Asimov e poesia Vogon. Diego Linx
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    Sónumsebooslivrostêmhistórias LPs > Rock,clássicos, trilhas sonoras, MPB. Aqui você encontra os famosos BOLACHÕES para seus ouvidos matarem a saudade ou mesmo para seu fetiche visual. Bottons Além dos mais variados tipos de gravuras, para decorar sua roupa ou mochila, também aceitamos encomendas, em qualquer quantidade. Número Página 1103 – março/2015 Quadrinhos gibis, mangás, literatura em quadrinhos, técnica de desenho. Venha conhecer nosso acervo. Neto Resende é Engenheiro Agrônomo e já participou de projetos de pesquisa dedicados ao estudo da influencia das alterações climáticas na dinâmica funcional de bacias hidrográficas. Hoje, um pouco desiludido com o método científico. Acredita que contribui mais desenhando do que fazendo ciência. O fim a seu critério Se você é um brasileiro que aceitou o aquecimento global, que vem se preocupando com furacões no Caribe, com enchentes na Indonésia, e acha que a humanidade vai para o buraco em breve, sim, isto pode ser uma charge. Mas se você não acredita em disco voador, mula sem cabeça, no STF e nem nas alterações climáticas, pra você meu amigo, isto é um simples e inofensivo cartum. Bom, deixe eu me explicar... A charge, termo que vem do francês charger (que significa carregar, exagerar ou atacar violentamente), nada mais é do que um desenho que satiriza um fato real, relacionado a personagens reais, marcadamente contextualizados aos acontecimentos do nosso cotidiano. Na essência, as charges utilizam-se de caricaturas, mas não se excedem tanto na descrição de personagens quanto os cartuns. Estes, considerados como anedotas gráficas, são formas de representação de fatos atemporais, nos quais não se inserem personagens reais ou fatos verídicos. Os artifícios gráficos utilizados extrapolam a realidade, e são carregados de um olhar fantasioso, surrealista, como no caso de grande parte das famosas historias em quadrinhos. Então, se você acredita que o planeta vai sucumbir devido a tamanha poluição e desmatamento, esse desenho é sim uma charge, e convém se preparar para receber futuramente esse tipo de imigrante no nosso pais. Mas se você é descrente de tudo que cientistas dizem sobre o aumento do nível do mar, derretimento de geleiras, e escassez das chuvas, sim, isto é um cartum - mas não se espante se sua torneira secar ou se você conseguir fritar (novamente) um ovo no asfalto no próximo verão. Assistência Técnica Venda de Computadores Suprimentos e Períféricos gbyteinfo@gmail.com OSMELHORESPREÇOSDAREGIÃO Galeria Chopin - Lj.14 - C. Elíseos Gregos e Troianos - casa de leituras -
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    Número Página 1203– março/2015 Comoajudar? Doando para a entidade. Você pode se comprometer com uma pequena quantia mensal ou mesmocomdoaçõesesporádicas. Doandoraçãooumaterialdelimpeza. Participando de bazares que frequentemente buscamarrecadarfundos. Você pode vender livros para a GREGOSE TROIANOS e solicitar que os valores obtidos sejam destinados à Cãodomínio. Aliás, você mesmo pode, na hora, fazer o depósito no cofrinho que a entidademantémnosebo. Cena 1 Em 2010 o CQC induziu deputados federais a assinar PEC (Proposta de Emenda Constitucional) de inclusão de cachaça na cesta básica. A desonestidade do programa estava em omitir que os assessores caçam essas assinaturas, e que elas são dadas apenas para que os projetos de lei sejam encaminhados a várias comissões para serem analisados, e que, por óbvio, tal proposta não passaria nem pela primeira análise. Lamentável que Marcelo Tas e Mônica Iozzi se prestem a esses papéis. Cena 2 Em 2010 o Fantástico denuncia que um analfabeto teria sido aceito como estudante de Direito na Universidade Estácio de Sá. A desonestidade do programa estava em omitir que não é função do vestibular selecionar quem tem condições de freqüentar a universidade, mas tão somente servir de funil para a relação candidato/vaga. E que a Estácio, até por ser uma entidade de direito privado tem o legítimo direito de ter quantos alunos puderem pagar sua mensalidade. Como qualquer lanchonete ou curso de inglês. A desonestidade se completa ao omitir que na matrícula seria exigido o comprovante de conclusão do Ensino Médio. Lamentável que Pedro Bial e Glória Maria se prestem a esses papéis. Cena 3 Em 2011, o lamentável deputado Jair Bolsonaro, ao responder a uma pergunta de Preta Gil sobre o que faria se um filho se apaixonasse por uma negra, ele se confundiu, e deu uma resposta que poderia ser enquadrada no Código Penal. Muitos viram oportunidade de cassação, num exemplo de oportunismo barato, porque era evidente que ele se confundiu. Atrapalhou-se por ser obcecado pela questão do homossexualismo. Nem é preciso Freud, qualquer novato da Psicologia explicaria isso. Que essa vergonha para os militares e para qualquer cidadão compromissado com os direitos humanos e até mesmo com o Cristianismo seja deputado, é sinal de vitalidade da nossa democracia, ainda que para desgosto dele. Nossa democracia permite que até um inimigo dela seja candidato e, se votado suficientemente, que tome posse. Finalmente, Cena 4 No Enem de 2012, novos escândalos: redações com a grafia “enchergar” e “trousse” receberam pontuação 1000; e outras, com receitas de miojo e trechos do hino do Palmeiras não foram desclassificadas. Na época escrevi mais pormenorizadamente no jornal Beira-rio sobre isso. Os erros de grafia foram tão isolados que o Edital não legitimava que se operasse o desconto mínimo, que seria de 20% da pontuação. Já as “do miojo” e “do hino do Palmeiras” receberam a pontuação de 560 e 500, respectivamente. Ou seja, foram consideradas como muito, muito medíocres. A avaliação havia sido bem feita. Os cenários apresentados acima têm a pretensão de demonstrar como é fácil denunciar “escândalos”. E difícil analisá-los à luz da racionalidade. Resultado: desinformação sobre o processo legislativo, Estácio de Sá achincalhada, e eu, logo eu, defendendo Bolsonaro. No achincalhe da Estácio, o Ministro da Educação da época, Paulo Renato (PSDB), foi populista: tornou obrigatória a Redação nos vestibulares. Pronto e resolvido, numa canetada: analfabetos seriam identificados (como se houvesse alguma chance de se matricularem). No entanto, em relação ao Enem, além da determinação para que as “brincadeiras” desclassificassem os textos (nada contra, mas não faz muita diferença prática), temos um efeito colateral muito grave: o medo da pontuação 1000. No Enem de 2013 apurou-se uma pontuação 1.000 para cada grupo de 10.000 redações. Pior ainda no Enem de 2014, em que se apurou uma pontuação 1.000 para cada grupo de 23.600 redações. Um absurdo estatístico tão grande que seria o equivalente a, por exemplo, dando aula em todas as turmas de todos os três anos do Ensino Médio de uma das melhores escolas particulares de todo o sul do estado, aplicando 15 redações para cada estudante, premiarmos uma única nota 10 a cada... pasmem... nove anos. Duvido que os melhores professores conseguissem identificar metade desses textos de pontuação 1000 se eles fossem apresentados num lote com 5.000 das outras melhores redações. Esses são os efeitos de uma mídia que com frequência se mostra inescrupulosa, vil e covarde, somada a uma platéia com dificuldades gigantescas de filtrar a informação que recebe. Prof. Luciano Gonçalves @escrevendo Sevocêtemumempresa,podeanunciaraquinoPELOSBIGODÕESeencaminhar88% dovalordoanúncioparaaCÃODOMÍNIO. Pode divulgar o trabalho da ONG pelas redes sociais. Afinal, quantos mais conheceremdepertoestetrabalho,maisapoiossurgirão. Podeentraremcontatopelotelefone3359.0145eperguntarsobrecomoserútil. Quando a má fé se encontra com a ignorância