Lara e aJoaninha
Lara era uma menina muito curiosa. Gostava de explorar o jardim de casa, onde
flores, folhas e pequenos seres viviam em harmonia. Mas havia uma coisa que ela não
compreendia: porque é que tinha de haver tantos insetos? Uns voavam, outros
rastejavam, e alguns até davam saltos.
— Não gosto nada de insetos! — resmungava ela, sempre que uma abelha passava
a zumbir ao seu lado.
Certo dia de primavera, quando estava a apreciar as flores que tinham
desabrochado, Lara encontrou uma joaninha pousada numa margarida. A pequena
criatura tinha o corpo vermelho com pintinhas pretas e movia-se com calma, como se
estivesse a descansar. A menina inclinou-se, observando-a de perto.
— És tão bonita… O que fazes aqui?
2.
A joaninha, claro,não respondeu. Mas Lara, ao olhar para o jardim à sua volta,
sentiu como se a Natureza lhe sussurrasse ao ouvido: Ela protege as plantas dos
bichinhos que querem comê-las. É amiga das flores!
A menina abriu muito os olhos. Nunca tinha pensado que os insetos podiam ajudar
a Natureza.
— E os outros bichinhos? Também têm um papel importante?
O vento pareceu soprar de leve, como se quisesse dizer que sim. Lara ficou atenta
e começou a ouvir:
As abelhas fazem o mel e ajudam as flores a crescer.
As formigas limpam o chão do bosque.
3.
As borboletas espalhama vida de flor em flor.
E as aranhas? Elas ajudam a controlar os insetos
que se multiplicam demasiado e que poderiam prejudicar as plantas.
4.
A menina dirigiuo olhar para o canto de uma pedra,onde uma pequena aranha tecia
a sua teia. Sempre achara as aranhas assustadoras, mas agora começava a vê-
-las de outra forma.
Nesse momento, lembrou-se de quando tinha esmagado uma aranha por simples
diversão. Sentiu um aperto no peito.
— Fiz mal… Não sabia que elas eram importantes.
O vento soprou suavemente, como se compreendesse:
Cada ser tem o seu lugar no mundo.
Até os mais pequeninos possuem uma função.
Lara voltou a olhar para a joaninha, que, pousada na sua margarida, parecia sorrir.
A partir desse dia, sempre que via um inseto, Lara não resmungava. Observava,
aprendia e respeitava.
Porque cada pequeno ser tinha o seu papel, e todosfaziam do jardim um lugar cheio
de vida.
f
Luzia Jardim
Histórias para Pensar – Crescer no Século XXI