Portrait of my heart – Patricia Cabot
(Retrato do meu coração)
Seqüência de “A Rosa do Inverno”
Créditos: comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot” http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?
cmm=23073194
Agradecimentos
Meu muito obrigado a Shehira Davezac, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de
Indiana, que me ajudou dando informações sobre a historia da arte que há neste livro.
Também quero agradecer a minha amiga Jennifer Brown, por ler cada palavra; a Jennifer Weis,
minha editora da St. Martin's Press, e mais especialmente a minha agente, Laura Langlie.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Primeira parte
Capítulo 1
Yorkshire, maio de 1871
—Diga-me que não é verdade. —rosnou Edward Rawlings, afundando a cabeça entre as mãos
— De Oxford, não, Jeremy.
O jovem ficou olhando para seu tio com preocupação do outro lado da mesa da taberna. Se
perguntou se devia chamar a garçonete e pedir-lhe um copo de algo mais forte que cerveja;
Edward parecia precisar de um gole de uísque. No entanto, ainda era cedo, e estavam no Goat
and Anvil, uma cantina a poucos quilômetros da mansão de Rawlings, e as pessoas
seguramente desaprovariam se o Duque de Rawlings e seu tio tomassem uísque antes do
meio-dia.
—Também não é para tanto, tio Edward. —respondeu com tom despreocupado— Não vai me
dizer que você já não esperava. Afinal, já tive a honra de ser expulso de Eton e Harrow; não
queria negar-lhe o privilégio a tua alma mater.
Edward não riu; embora, na realidade, o rapaz não esperava que o fizesse. Se pôs a observar,
pensativo, a cabeça inclinada do tio. O havia visto pela última vez no Natal, há seis meses, e lhe
parecia que tinha agora a têmpora mais grisalha. Jeremy não acreditava ser tão importante
para supor que era o único culpado por essa mudança; já que, seu tio era um dos cavalheiros
mais influentes da Câmara do Lordes e, em uma posição de tamanha autoridade, era
compreensível que tivesse alguns fios brancos, que inclusive eram essenciais para reafirmar a
posição de um homem a quem, com pouco mais de quarenta anos, os pares* mais
conservadores podiam considerar jovem demais. No entanto, o duque não gostava de
acrescentar mais preocupações as já causativas responsabilidades de seu tio.
*pares: título de nobreza
—Expulso de Oxford — resmungou Edward enquanto sugava a espuma que derramava da
jarra de cerveja.
Desde que Jeremy tinha deixado escapar casualmente a razão de sua súbita reaparição em
Yorkshire, seu tio não parava de repetir essa mesma frase, e o jovem estava começando a se
arrepender de tê-lo contado.
Se dava conta, quando já era tarde, de que deveria ter esperado para anunciá-la durante o
jantar na mansão, na presença de sua tia Pegeen. Ainda que não houvesse ninguém no mundo
a quem detestasse mais decepcionar, ao menos ela, diferentemente de seu esposo, nunca
perdia a esperança diante das muitas e variadas desgraças de seu sobrinho. Pelo fato de lhe
terem expulsado de Oxford, Pegeen sequer levantaria uma sobrancelha. No entanto, quando
soubesse a verdadeira razão de sua expulsão… isso sim a afligiria e, por isso, antes de voltar
para casa, o rapaz havia decidido contar a seu tio.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Maldito seja! —exclamou Edward, levantando finalmente a cabeça para olhar seu sobrinho
nos olhos, do mesmo tom cinza claro que os seus— Por que tinha que matá-lo, Jerry? Não
podia simplesmente feri-lo?
— Quando um homem assegura que tem intenção de lutar contigo até a morte, se considera
mais sensato despachá-lo para sempre, se possível.—respondeu Jeremy com certo azedume—
Se só o tivesse ferido, quando se recuperasse viria atrás de mim. Não posso passar minha vida
vigiando se há algum louco assassino nas minhas costas.
—E você diz que nunca tocou na menina? —perguntou Edward balançando a cabeça.
Pela primeira vez, Jeremy pareceu incomodado. O garoto havia crescido até alcançar a mesma
altura e corpulência do tio, que, com seu metro e oitenta de altura, se destacava por cima da
maioria dos homens. Por essa razão, os estreitos bancos do Goat and Anvil se mostravam
pequenos, e era preciso colocar os cotovelos sobre a mesa para poder respirar. Entretanto,
naquele momento essa não era a razão de seu incômodo.
—Bem —disse lentamente— Eu nunca disse que não a havia tocado…
—Jeremy —murmurou seu tio com ameaçadora desaprovação.
—Mas te asseguro que nunca tive intenção de me casar com ela. E esse é o problema.
—Jeremy —repetiu Edward com a voz grave que o jovem sabia que utilizava em suas
intervenções no parlamento e para disciplinar seus filhos— Por acaso não te expliquei mil
vezes que há mulheres com as quais um homem pode… se divertir sem que esperem que se
case com elas, e outras com as quais é melhor não se relacionar a menos que suas intenções
sejam…?
— Eu sei —respondeu Jeremy rapidamente. Queria interromper um sermão que sabia de cor,
pois o havia escutado ao menos duas vezes ao mês desde que começou a barbear-se. — E
posso te assegurar que, com os anos, aprendi a diferença. Mas a esta jovem em particular me
apresentaram de propósito, agora entendo, e a pesar de não poder imaginar algo tão sórdido,
foi seu próprio irmão, e o fez de tal modo que qualquer homem teria acreditado que era mais
que uma grosseria não se dispor a vontade. Te asseguro que a menina aceitou o Pinheiro de
imediato. Mas depois, quando o mal estava feito, esse Pierce veio a mim gritando,
escandalizado que eu houvesse manchado a honra de sua irmã. —Jeremy estremeceu ao
recordar— Insistiu que eu devia me casar com aquela desavergonhada ou me entender com a
ponta de sua espada. É surpreendente que depois ele ergueu a espada? —O jovem levantou a
caneca e tomou um gole de cerveja— Pierce teve azar ao erguer a espada— acrescentou,
assombrado— Creio que ele teria se dado melhor com as pistolas.
—Jeremy… —Edward, que nos onze anos desde que o conhecera havia se tornado mais magro
e atraente ao ter abandonado a vida desregrada, adotou uma expressão severa— Você está
consciente de que cometeu assassinato, não está?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Oh, vamos, tio Edward. —o censurou— Foi uma luta justa, inclusive seu próprio padrinho o
disse. Além do mais, devo admitir que apontei para o braço, e não para o coração, mas o
estúpido tentou fazer uma ameaça, e o seguinte que me lembro é que…
—Não aprovo os duelos. —o interrompeu seu tio com tom imperioso — Tentei deixar-lhe bem
claro da última vez que ocorreu. E me lembro perfeitamente de haver te dito que, se queria
lutar, o fizesse no Continente, por Deus santo! Fazer parte da aristocracia não te coloca acima
da lei, e você sabe. Assim, agora não te resta outro remédio a não ser sair do país.
—Eu sei. —respondeu Jeremy revirando os olhos. Aquele sermão também já havia ouvido
dezenas de vezes.
Edward não percebeu o tom de voz cansado de seu sobrinho.
—Suponho que a vila de Portofino será o melhor lugar, ainda que acredite que neste momento
o apartamento de Paris também está desocupado. Como você preferir. Suponho que seis
meses será suficiente. Tem sorte de a universidade não ter tido provas suficientes para
interpor uma ação judicial, pois…
—Sim —o interrompeu o jovem com uma piscadela,—pois agora mesmo estaria atrás das
grades, ao invés de estar desfrutando de um copo de cerveja com meu querido tio Ed.
—Agradeceria se não brincasse sobre isso —lhe repreendeu Edward com severidade—. Você é
um duque, Jerry, e esse fato lhe confere tantos privilégios como responsabilidades, e uma
delas é que deverias tentar não matar os demais cidadãos.
Então foi Jeremy quem se aborreceu. Depois de pousar ruidosamente a jarra de cerveja,
golpeou com força o centro da mesa com o punho tão fechado que os nós dos seus dedos
estavam brancos.
—Por acaso pensa que eu não sei? —explodiu com um tom de voz bastante baixo para não
chamar a atenção dos demais clientes da taberna—. Não lembra que o senhor vem metendo
isso na minha cabeça durante toda a última década? Desde o dia em que o senhor apareceu na
porta de Applesby e informou a Pegeen de que eu era o herdeiro do ducado de Rawlings não
tenho ouvido outra coisa que não seja “Não pode fazer isso, Jerry, lembre-se de que é um
duque”, “Tem que fazer de outro modo, Jerry, pois é duque”. Por Santo Deus, o senhor tem
idéia de que estou farto de que me digam o que devo e o que não devo fazer?
Edward pestanejou, surpreendido diante daquele súbito arrebatamento de cólera.
—Não… mas tenho a impressão de vai me dizer.
—Eu nunca quis ir para outro colégio —continuou o jovem com amargura—. Preferia ter ficado
na escola da vila, aqui, em Rawlingsgate. Mas ainda assim, fui enviado a Eton, e quando me
expulsaram, subornaste os de Harrow, e depois os de Winchester, e logo decidiu que eu
deveria passar os anos seguintes da minha vida na universidade. Eu não tinha nenhum
interesse de ir para Oxford, e o senhor sabia disso, mas continuou insistindo embora soubesse
que manejo muito melhor a espada do que a pena de um tinteiro. Então, agora não fique
surpreso por terem me expulsado de Oxford só por que bati em um colega.
—A quem admites ter assassinado —recapitulou o tio.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—É claro que eu o matei! —Jeremy levantou as mãos com as palmas viradas para cima, num
gesto de impotência—. Pierce era um canalha parasita, e não sou a única pessoa que se alegra
de que ele esteja morto, mas eu não senti mais satisfação acabando com ele do que teria
sentido esmagando um mosquito. E o senhor ainda tem a ousadia de me acusar de brincar
sobre isso. O que quer que eu faça? Até agora, toda a minha vida não tem sido mais do que
isso, uma brincadeira. Não é verdade? —O jovem olhou seu tio do outro lado da mesa—.
Então, não foi sempre assim?
Edward, cujas feições eram tão finamente talhadas e atraentes quanto as de seu sobrinho,
esboçou uma careta cínica.
—Ah, sim —respondeu com sarcasmo—. Sua existência tem sido verdadeiramente trágica.
Nunca recebeu o amor nem carinho de ninguém. Sua tia Pegeen não sacrificou nada por você
durante todos esses anos que cuidou de ti sem ter a mais remota idéia de que serias herdeiro
de um ducado. Nunca se privou de comer para se assegurar de que você desfrutaria de um
bom desjejum …
—Não meta Pegeen nisso —interrompeu Jeremy de imediato—. Não estou falando dela, mas
sim de como, depois de nos trazer a Rawlings e se casar com ela, o senhor…
Pela primeira vez desde que lhe havia sabido da expulsão, Edward parecia se divertir.
—Se o fato de eu ter me casado com sua tia lhe incomoda, Jerry, temo que seja um pouco
tarde para remediar. Não esqueça de que você já tem quatro primos. Seria difícil convencer o
arcebispo anular a nossa união.
O jovem nem riu.
—Veja bem, tio Edward —disse—. Reformularei a pergunta. Por que o senhor investiu tanto
tempo e dinheiro para me encontrar há onze anos atrás, quando poderia ter dito a todo
mundo que seu irmão mais velho não teve herdeiros, de forma que pudesse o senhor mesmo
ficar com o título?
—Porque isso não seria honesto —respondeu o tio, perplexo—. Eu sabia que John havia tido
um filho antes de morrer, e era justo que essa criança herdasse o título de seu pai.
—Não foi isso que o sir Arthur me contou —respondeu Jeremy negando com a cabeça—. Ele
me disse que o senhor não queria carregar a responsabilidade de ser duque, e que faria
qualquer coisa para evitar herdar o título.
—Bem —respondeu Edward, dando de ombros, incomodado a pesar do impecável caimento
do paletó—. Essa não foi a única razão mas não deixa de ser verdade.
—Pois bem, como acha que me sinto? —inquiriu o jovem—. Eu também não queria!
—E por que não, eu posso saber? —perguntou subindo o tom da voz—. Por acaso não possui
uma das maiores fortunas da Inglaterra? Não tens os melhores cavalos? Não és o proprietário
de uma casa em Londres, de uma das maiores mansões de Yorkshire, de um apartamento em
Paris e de uma vila italiana? Tens mais de setecentos criados, o melhor alfaiate da Europa e um
lugar na Câmara dos Lordes que, agora que alcançaste a maioridade, lhe cederei com muito
gosto. Gozas de todos os privilégios, de todas as prerrogativas que alguém de sua posição
merece…
—Menos a liberdade para fazer o que desejo —interrompeu seu sobrinho com a voz baixa.
—Ah, sim, muito bem —disse de novo Edward com sarcasmo—. Tenho que reconhecer de que
é um preço alto. Mas o que deseja exatamente, Jerry? Quero dizer, fora se deitar com a
mulherada e matar as pessoas.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Foi uma sorte para o jovem que, nesse mesmo instante, a garçonete se aproximou da mesa,
pois do contrário, talvez tivesse cometido outro homicídio.
—Posso lhe trazer algo, excelência? —Rosalinda, cujas bochechas e a boca rosada faziam
justiça ao seu nome, sorriu com graça para os dois cavalheiros enquanto se inclinava para
limpar a mesa com um pano úmido, oferecendo a Jeremy uma generosa vista do precioso vale
entre seios generosos—. Outra jarra de cerveja, pode ser?
—Não, obrigado, Rosalinda —respondeu o duque fazendo um esforço para desviar o olhar
para o rosto dela—. E o senhor, tio?
O jovem se deu conta, com desgosto, que se tio nem se apercebeu do modo como havia se
aberto o corpete da moça. Pelo que ele sabia, seu tio jamais havia olhado para outra mulher
que não fosse sua esposa.
—Como vai seu pai, Rosalinda? —perguntou Edward educadamente—. Ouvi dizer que ele não
estava muito bem.
—Ah, já está muito melhor. Obrigada, senhor. Ele tomou o tônico que nos mandou sua esposa
e se recuperou em seguida. —Rosalinda conseguiu responder co cortesia a pergunta sem
afastar seu olhar de Jeremy, quem, sentindo-se incapaz de desviar o olhar do decote dela,
havia virado a cabeça para a janela—. Vai ficar mais tempo por aqui, excelência, ou vai voltar
logo para seu estudos?
—Não tenho certeza —respondeu o jovem—. Suponho que ficarei pelo menos uns dias…
Como evitava a todo custo olhar a garçonete, o jovem não viu que ela sorria, nem capturou o
fulgor naqueles olhos azuis.
—Oh, me alegro muito. E certamente a senhorita Maggie também ficará muito contente.
Outro dia mesmo eu a encontrei no mercado, e quando a perguntei quando voltaria a ver sua
excelência, me respondeu que não sabia, mas que havia passado tanto tempo desde a última
vez que se encontraram que nem se reconheceriam.
Jeremy se limitou a assentir educadamente com a cabeça como resposta, mas, ao que parece,
foi suficiente para que Rosalinda se retirasse como se lhe tivesse crescido asas. Quando a
jovem estava longe o bastante para que não os ouvisse, o jovem afastou o olhar do cavalo em
que fixou seu olhar durante todo o tempo em que a garçonete esteve falando e se virou para
encarar o tio.
—Está vendo? —perguntou—. Entende agora do que me refiro? Nem sequer posso estar
tranqüilo na taberna da vila. Onde quer que eu vá, tenho que impor limites às pessoas que tem
interesse em mim.
—Não creio que Rosalinda Murphy tem interesse em ti, Jerry —replicou Edward com
serenidade—. Me pareceu que ela só estava interessada no seu bem-estar.
—Não se interessa por meu bem-estar —corrigiu o jovem—, mas sim por meu dinheiro.
—Ou por tua pessoa —emendou seu tio com uma gargalhada—. A jovem é bastante prendada,
que há de mal nisso?
Jeremy respondeu com impaciência.
- Mas não me desejam! – insistiu – Só o meu dinheiro, e esse maldito título! Todas as mulheres
que conheço, no preciso instante em que sabem que sou duque, não param de repetir “ sua
excelência isso” e “ sua excelência aquilo”, e só pensam no dia em que podem colocar em seu
nome o título de duquesa de Rawlings. Eu vejo em seus olhos; se imaginam com a tiara no
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
cabelo e uma pele sobre os ombros.
O que vê em seus olhos, Jerry, é desejo, mas não pelo título – respondeu o cavalheiro
tentando, sem conseguir, conter um sorriso - . Olhe você mesmo. Talvez, na verdade, te
considerem o garoto mirrado que era aos dez anos, mas Rosalinda vê alguém totalmente
diferente. Ela vê um jovem alto e robusto, com o cabelo escuro e os olhos claros, com uns
dentes bonitos...
- Duvido que Rosalinda Murphy tenha observado em algum momento meus dentes –
murmurou o jovem, tentando dissimular a vergonha que lhe provocava as palavras de seu tio.
- Talvez não – riu –. Mas segue sendo um homem bonito, e não podes achar que as mulheres
não te observem. E quando façam, não deveria depreciar essas atenções por acreditar ser
fruto de interesse material.
- Desde cedo ser duque não me facilita as coisas – sussurrou Jeremy incômodo, roçando com
os lábios a espuma da cerveja –. Por Deus, mas se nem posso escolher a pessoa com quem
quero me casar! Tem que ser uma mulher que saiba se comportar como uma duquesa.
- Certo. Mas isso não significa que não podes encontrar a felicidade com uma mulher que além
disso seja uma duquesa perfeita. – E, pensativamente, levantou a jarra -, No fim das contas eu
consegui.
- É uma pena que meu pai não fosse tão sensato – comentou o jovem com amargura –, De
duas irmãs, escolheu a que no final fez com que o matassem.
Surpreendido e incomodado, Edward pigarreou com a garganta e deixou a jarra na mesa.
- Sim, em fim. No entanto, creio que quando John conheceu a sua irmã, Pegeen só tinha dez
anos, assim não estava disponível. Prontamente, como se tivesse lembrado de algo, inclinou-se
para frente e, em um tom de voz totalmente distinto, acrescentou -, Por certo, Jerry, não diga
à sua tia por quê foi expulso desta vez.
- Não ia fazê-lo – replicou o jovem com frieza -. A última coisa que quero é que tia Pegeen
saiba. No entanto, estou seguro de que acabará sabendo de todo modo. Inclusive é possível
que saia nos jornais.
- Desde cedo – respondeu seu tio assentindo brevemente com a cabeça-. Mas não é o mesmo
que se você confessasse. Essa seria a única maneira para Pegeen crer que cometeu um
assassinato.
- Tem razão, - continuou Jeremy com um sorriso tão cínico como o de seu tio momentos antes.
Como eu iria fazer algo assim, um garotinho que chorou durante horas depois de sua primeira
caçada porque sentia pena pela raposa.
- Tampouco choraste tanto – replicou Edward se remexendo no assento, ao recordar aquele
infeliz dia-. Mas tem razão. É difícil conciliar o que eras então com o que é agora.
- E o que sou agora? – Perguntou Jeremy, com a mesma expressão sarcástica no rosto.
- Você saberá – respondeu seu tio antes de tomar outro gole de cerveja. Depois perguntou-.
Que tipo de homem quer ser?
-O que seja, menos duque – disse sem pensar duas vezes.
Mas isso é impossível.
O jovem assentiu, como se esperasse aquela resposta e, sem dizer uma palavras mais, se
levantou.
- Onde vais? – perguntou Edward surpreendido.
- Ao inferno. – respondeu o jovem com indiferença.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Ah – assentiu Edward, ficando para trás na mesa. Levantou a jarra de cerveja em direção às
costas de seu sobrinho, como se brindasse solenemente-. Então te esperamos em casa para a
cena.
Capítulo 2
- Oh, Maggie! – exclamou Lady Edward Rawlings depois de retirar o papel de seda que envolvia
um pequeno lenço -. Oh! É magnífico!
De pé atrás da cadeira de Pegeen, Maggie Herbert olhou o quadro e enrugou o nariz com
ceticismo. “Há muito verde – pensou -. Sim, o fundo tem um tom excessivamente verde.”
Enquanto examinava a pintura, uma pétala branca caiu dos ramos que se estendiam por suas
cabeças e, depois de descrever uma espiral, pousou sobre a pintura. A garota pensou que
aquilo melhorava sua obra, mas a dama o retirou em seguida.
- Estou impaciente para mostrá-lo ao meu esposo – adicionou com a vista fixa no quadro -. Vai
encantá-lo. Nenhum dos retratos que temos mandado fazer das crianças os reproduz com
tanta fidelidade...
- Sério? – perguntou a garota com um toque de incredulidade na voz. Inclinou os olhos até ver
confusa a imagem do lenço, mas só conseguiu ver a série de formas e cores que havia pintado
no dia anterior, e não o detalhado retrato que Lady Edward descrevia. Além de que, havia
muito verde.
-Oh sim! – Lhe assegurou -. É como se tivesse conseguido capturar suas jovens almas.
-Oh, não, por favor! – riu Maggie -. Se realmente tivesse conseguido, Lizzie seria
completamente distinta. Assim com está, tem uma expressão muito doce.
- A que você se refere com “demasiado doce”? – Pegeen alcançou a pintura, que media pouco
mais de quinze centímetros de lado, e a manteve no alto com os braços estendidos. Estava tão
emocionada pelo retrato que parecia incapaz de apartar a visão dele -. Lizzie tem um aspecto
adorável, e John também. Oh, e olhe a pose de Mary. E o queixo de Alistair. Você os
reproduziu maravilhosamente! Eu ouvi alguns dizendo que o queixo de Alistair lhe dava a
aparência de teimoso, mas só é firmeza.
Maggie voltou-se para sua mãe, sentada em uma cadeira de jardim de ferro forjado frente a
Pegeen, e trocaram um olhar de cumplicidade. Todos os filhos dos Rawlings tinham um queixo
proeminente, com se, de um modo inconsciente, imitaram a expressão de teimosia de sua
mãe em seus momentos de maior intransigência, e o fato de que a dama se nega a
reconhecer-lo era motivo de zombaria entre seus amigos e vizinhos.
- Oh – suspirou Pegeen, ainda embelezada -. É precioso. Não sei como consegues.
- Eu tampouco – interveio Lady Herbert enquanto se inclinava para servir outra xícara de chá
do jogo de prata colocado na mesinha de centro instalada entre ambas as damas.
Pegeen estava grávida, não tão avançada como a irmã maior de Maggie, Anne, que sentada
em frente a sua mãe sustentava a xícara de chá sobre a volumosa barriga. Por causa do estado
da anfitriã, Lady Herbert havia assumido este papel, mesmo que, de fato, ela e suas filhas eram
convidadas de Pegeen na mansão em que sir Arthur, o pai de Maggie, trabalhava como
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
administrador das propriedades do jovem duque. Os Herbert passavam tanto tempo em
Rawlings que Maggie havia chegado a considerar um segundo lar, e tendia a comportar-se
como se fosse. Esta conduta desgostava a recatada Anne, especialmente quando via a sua irmã
menor deslizar-se pelos corrimões, algo que fazia muito desde o ano anterior.
-Desde cedo, não é um talento que foi herdado por mim – afirmou Lady Herbert enquanto
removia o açúcar que acabou de depositar em sua xícara de chá -. Deve ter vindo por parte de
pai.
- De papai? – Anne pareceu incomodada, algo que ocorria sempre que se mencionava o
talento artístico de sua irmã menor -. Nunca. Ninguém da família do papai pegou uma só vez
em um pincel na vida. Por Deus, mamãe. Como podes sugerir uma coisa assim?
Maggie voltou sua atenção ao pequeno retrato que acabou de presentear e meneou a cabeça.
- Não, o sorriso de Lizzie não está bem – murmurou para si mesma -. Nem de longe consegue
ser tão travessa.
Infelizmente a mãe de Lizzie ouviu
- Travessa? - disse Pegeen pressionando o pano contra o seu peito , como se estivesse com
medo que a menina poderia estender a mão para fazer essas mudanças. - Tolice , minha filha
não é nem um pouco travessa , mas é um anjo , todos os meus filhos são! - uma vez que a
menina não tinha a intenção de exigir o dom (? , a mulher jogou um olhar sobre o retrato e
voltou a se alienar novamente em louvor - Oh Anne , veja como pintou os olhos de John! Tinha
visto algo tão incrível?
A filha caçula de Herbert , que ainda não parecia convencida , desviou seu olhar do quadro
para o jardim ,onde os filhos que Pegeen insistia em chamar de 'anjos' se dedicavam a destruir
um canteiro de rosas. Os filhos de Anne colaboravam nessa tarefa , mas eram bastante menos
'revoltados' do que os Rawlings , e tinham quinze garotos da casa Rawlings para órfãos , que
tinham sido convidados por Pegeen para um piquenique no jardim , para celebrar a festa de
primavera em primeiro de maio. Um fugaz relance na filha mais velha de Edward e Pegeen foi
o suficiente para convencer Maggie , que indubitavelmente , tinha pintado uma expressão
muito doce. Elisabeth Rawlings era uma menina linda mas tão teimosa como o pai e a mãe ,
uma característica que foi ilustrada , ao mesmo tempo que jogava uma bola de barro em seu
irmão porque ele se recusou a obedecer suas ordens.
- Por certo Maggie , você conseguiu convencer o seu pai a deixá-la freqüentar uma academia
de arte parisiense da qual eu lhe falei? - indagou Pegeen
- Não - respondeu a jovem sem esconder o ressentimento em sua voz - ele crê que no
momento que sair da Inglaterra me deixarei seduzir e serei levada para o Marrocos , onde
serei vendida como uma escrava para um príncipe Árabe!
- Maggie! - Anne deixou a xícara bater sobre o pires
- Posso saber do que vocês está falando? - exclamou Lady Herbert com a mesma expressão de
espanto que sua filha mais velha , embora com uma voz mais suave. - Seu pai não acredita
nisso!
- Sim ele pensa - respondeu a menina com um suspiro , enquanto se recostava em um tronco
de cerejeira - Papai está consciente de minhas peculiares inclinações carnais.
- Maggie! - exclamou Anne envergonhada , com as bochechas pintadas de um forte carmim -
Quantas vezes tenho que lhe dizer em público que não usam palavras como ... como... - sua
voz se tornou um sussurro - carnal - e dirigindo - se a Pegeen acrescentou no tom de súplica -
Ah! pare de rir Lady Edward , isso só vai incentivá-la a prosseguir!
- Oh! - exclamou Pegeen sobre as lágrimas que escapavam pelos seus olhos verdes - Oh
querida Maggie , é verdade! não pode dizer essas coisas , vai acabar ganhando uma péssima
reputação!
- Entre quem? - questionou a menina enojada - entre os moradores da cidade? duvido que se
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
importem que eu use a palavra carnal!
- Não , não se trata deles minha filha - fala suavemente Lady Herbert - mas os jovens
cavalheiros
- Quem está falando? - a menina começou a rasgar pedaços de casca do tronco de cerejeira
com uma vara de ponta afiada que encontrou sobre a erva fresca - os únicos jovens que temos
por aqui são pastores , e duvido que eles saibam muito sobre prazeres carnais!
- Maggie! - Anne parecia a ponto de beliscar a irmã menor , No entanto, a sua barriga
proeminente, não lhe permitem mover com agilidade, e sabia, por experiência que tinha que
ser rápido se quisesse repreender sem receber uma bofetada.- Pelo amor de Deus!
A menina deu de ombros - Bom , é a verdade!
- Sim , mas tem quase dezessete anos querida! - respondeu sua irmão com uma serenidade
forçada - no ano que vem comemorará o seus dezoito anos , e tenho certeza que durante sua
primeira temporada em Londres , os jovens não estarão interessados em suas ... inclinações!
- Na realidade - interveio Pegeen pensativa - creio que eles amariam conhecê-las, mas acho
que não deve espalhar isso aos quatro ventos
- Está vendo? - continua a irmã mais velha - tomemos o caso de Lady Edward , este é o mesmo
que vocês diz , se vocês quer encontrar um marido em Londres , têm que começar a se
comportar como uma dama.
- Mas não quero me comportar como uma dama! - sussurrou a menina encarando um buraco
que estava fazendo no tronco da árvore
se agir como uma dama quer dizer , não fazer nada mais o dia todo além de combinar roupas-
sussurrou enquanto arrancava um bom pedaço da casca da árvore com o bastão - e não fazer
nada mais a noite além de escutar conversas insípidas de barões idiotas!
- O que está fazendo com a árvore? - indagou Lady Herbert - venha , sente-se e largue esse
bastão!
Maggie desceu da árvore , mas não se sentou. Ficou de pé na frente do buraco que tinha feito
- não sei porque se sentiu culpada de ferir uma inocente árvore , mas pensou que era um
melhor ataque a árvore do que a sua irmã mais velha!
- Se não quer se comportar como uma dama Margaret o que quer fazer? - perguntou sua mãe
com humor em sua voz
- Eu te disse mãe - suspirou a menina - Pintar é o que eu quero , e aprender com madame
Bonheur.
Lady Herbert levantou a vista para o céu , mas foi Anne que respondeu.
- Já sabe que é impossível freqüentar a Academia de Arte de Madame Bonheur. - mãe , vocês
tem que ser firme e dizer de uma vez , você não pode permitir que ...
- Mas porquê? - Pegeen perguntou com uma certa impaciência
Maggie não podia deixar de sorrir , Lady Edward parecia estar sempre procurando uma causa
para defender , e naquele dia havia tocado nela.- Porque é impossível? É ridículo não usar os
talentos de sua irmã , é mil vezes melhor que o pintor que Edward chamou ano passado para
me fazer um retrato. Olha as cores do retrato dos meninos! - Pegeen levantou o pano para que
pudessem ver bem o misto de modo que cada um se parece com uma verdadeira jóia. Ela
captou a expressão dos meninos com mais habilidade do que um daguerreótipo.
- Eu concordo plenamente com você - afirmou Lady Herbert com tom cansado , - mas ...
- Eu suponho que Sir Arthur não tenha essa idéia ultrapassada de que educar uma menina é
um desperdício de dinheiro , certo? - indagou Pegeen - Porque se for assim eu vou ser feliz em
dizer quatro coisas para Herbert Park
- Não apenas isso - respondeu Anne severamente - O Papai não aprova mulheres que
trabalham fora de casa, muito menos se o trabalho tem a ver com arte ... Jesus Cristo! A
própria idéia coloca-o à beira de um ataque cardíaco. No entanto, devo dizer que concordo
com ele. É escandaloso que muitas meninas que vão a Londres em busca de uma carreira
como enfermeiras, funcionárias, professoras e sabe Deus o que mais.
Mas acho que elas não têm escolha, porque elas precisam trabalhar para sobreviver. Mas
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Maggie? Ela não precisa trabalhar! Só porque você sente que pretende fazê-lo, e isso é
absolutamente ridículo. Toda a gente sabe que a única ocupação para as mulheres é a
maternidade ...
- Sim querida ... - sua mão a interrompeu com um sorriso condescendente - Todos sabemos a
importância que você dá para ser uma mãe, mas acho que a principal
objeção do seu pai Maggie é que vocês é a mais jovem , e a única que ainda vive conosco. Lady
Herbert sorriu carinhosamente pra sua filha mais jovem que estava olhando para as flores de
cereja que estavam por sobre sua cabeça - Ainda não estamos preparados para deixá-la ir
- Mas tem que fazê-lo - respondeu Pegeen - seu aniversário de 18 é na próxima temporada
A dama deixou sair um curto gemido de dor , enquanto mordia um pedaço da torta
- E conhecendo-a ela irá detestar! - suspirou depois de deixarem o titular na chapa , apoiada
no colo Pegeen não riu.
- Tenho certeza. Uma rapariga como ela...
- Uma menina como ela não vai durar um minuto, em Londres - continuou a menina irritada
por falarem sobre ela como se ela não estivesse lá - grande mundo rapidamente deixado para
trás. As outras meninas riem dela porque ele é muito alta, fala forte , e tem sua unhas
pintadas. E os homens, se eles estão conscientes da sua existência, vão se sentir incomodados
porque ela usa palavras como "carnal" em público.
- Oh não Senhora - disse Lady Edward Claro que não. Você é muito bonita, tem um lindo
cabelo castanho e grandes olhos castanhos. Você está mais bonita que a filha mais velha do
Smythe, e você vai ter um bom casamento.
- O que importa que é bom? - sempre que vocês abre a boca , o quarto começa a esvaziar! Fala
com demasiado descaro.
— Não é bem assim — protestou Pegeen—. Ela só diz o que pensa, sempre foi dessa maneira.
— E, voltando-se para Maggie com um sorriso, acrescentou —. Por isso gosto tanto dela.
—Diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça sem pensar nas consequências —continuou Anne,
sem a menor expressão de afeto —. Além do mais, costuma fazê-lo quando ninguém pede sua
opinião.
—Porque é muito honesta. — interveio Lady Herbert, vindo em defesa de sua filha mais nova.
—Mãe, mas não tem o mínimo senso de decoro. Outro dia a encontrei subindo em uma árvore
com a saia do vestido presa no elástico da roupa de baixo.
As três damas se voltaram para Maggie com uma expressão acusadora no olhar.
— Precisava de flores para uma coisa —murmurou, endireitando-se, com toda dignidade que
foi capaz.
—Margaret — sua mãe repreendeu-a —. A verdade é que às vezes você leva as coisas longe
demais. Poderia tê-las pedido ao jardineiro.
—Acho que vou ver o que as crianças estão fazendo. — respondeu a jovem engolindo saliva.
— Melhor assim. — Lady Herbert respondeu com tanta diligência que Maggie logo se deu
conta que queria que se retirasse para falar sobre ela.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Com um suspiro, ela se afastou da árvore e começou a caminhar em direção ao local do qual
vieram os gritos das crianças.
Foi um dia de maio extraordinariamente quente, a primeira coisa que trouxe a primavera e a
jovem tomou todas as manhãs com certo sentimento de letargia. Ela sabia que parte do seu
torpor era devido ao tédio, uma vez que ela havia concluído o retrato dos filhos dos Rawlings,
agora não tinha nada para fazer, ou de qualquer projeto em perspectiva. Ah, tinha pintura que
a velha dama Ashforth tinha solicitado, mas era de dois gatos, mais isto não a entusiasmara. A
pintar pessoas era muito mais interessante e sempre representou um desafio, tinha que captar
exatamente sua expressão, e obter o máximo da pessoa retratada sem deixá-la ofendida... isso
sim era excitante. Pinturas de gatos eram muito fáceis.
Ao se aproximar das crianças, Maggie viu Elisabeth, cuja expressão tinha sido mostrado com
tanta doçura no retrato, tinha imobilizado seu irmão segurando a cabeça dele debaixo do seu
braço. Sua babá e as funcionárias do orfanato não estavam em qualquer lugar. Conhecendo as
crianças, não teria se surpreendido se encontrasse as pobres mulheres amordaçadas e com os
pés e as mãos amarrados no labirinto de arbustos. Com um suspiro, reuniu saia de musselina
do seu vestido branco e correu para salvar o menino, que chorava com desespero, a tirania de
sua irmã.
-Mas ele ta insistindo que o primeiro-ministro - disse Lizzie quando Maggie a interrompeu. E
assume-se que hoje o primeiro-ministro seja eu. A mamãe que falou.
-Garotas não pode ser o primeiro-ministro - insistiu John. –O papai que disse.
Maggie recordou que havia mantido discussões parecidas, com o Duque de Rawlings, há
muitos anos.
- Por que não jogam outra coisa? - O que pensam em jogar um jogo que seu primo Jerry e eu
inventamos quando éramos pequenos?
Lizzie, que teve de esticar o pescoço para olhar para o rosto da jovem, parecia intrigada.
- Você já foi pequena alguma vez? Ela perguntou, incrédula. Mas você é tão alta!
Não sou tanto –sussurrou Maggie,tentando esconder sua irritação.
Sim, sim, você é – interrompeu John. Mais do que o papai.
-Eu não sou maior que o seu pai, - disse Maggie, cada vez mais chateada. Talvez mais do que
sua mãe, mas não maior que seu pai, tenho certeza.
-Sim você é o garoto insistiu.- Certo, Lizzie?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-"Não", -respondeu a jovem Elisabeth olhando a jovem Herbert de cima para baixo. Mesmo
assim, você é muito alta. -E acima de tudo, por ser uma menina.
Margaret sentiu que ficou ruborizada, então ficou zangado com ela mesmo por permitir esta
criança inocente a amolentasse, sabia que era muito vulnerável quando se tratava da sua
altura. Mas o que importância tinha que havia sido sempre a menina mais do colégio? Pelo
menos, tinham finalmente parado de crescer. Com quase um e setenta metros de altura, que
ela tinha alcançado quando ela tinha apenas dez anos, era mais alta do que sua mãe e
quaisquer de suas irmãs, e apenas um pouco menor do que o seu pai.
No entanto, não tinha dúvida que ser alto tinha suas vantagens. Ele sabia que o novo meio, a
crinolina que se tornou moda,que tinha a parte frontal plana e a parte traseira grande, lhe
assentava muito bem, e lhe moldava soberbamente à figura. Ela também poderia alcançar o
que precisasse sobre as prateleiras mais altas, tornando-se uma grande vantagem quando
fazia compras.
-Ouça-me – ela disse para crianças dos Rawlings. Quando seu primo Jerry e eu éramos
crianças, jogávamos um jogo chamado Marajó, que era muito divertido. Um fazia o príncipe o
outro a princesa indiana e o outro intrépido explorador Inglês, a quem o marajá captura e
amarra em uma estaca para queimá-lo vivo como uma homenagem a um deus pagão. Os
demais podem ser os soldados britânicos, e vocês devem tentar resgatá-lo dos selvagens
dançando em torno da pira ardente e que dispararam dardos venenosos nos soldados. É ai
parece bom?
Eu vou ser o marajá - disse Lizzie.
Não - disse John. Quero ser eu.
-Você será o intrépido explorador, - disse à irmã dele calmamente.
John se enfureceu tanto quanto Jeremy, quando Maggie insistia que ele seria o explorador. No
entanto, convencida de que tinha feito o seu dever, a jovem deu meia volta e começo a
caminhar para o grupo de senhoras sentadas à sombra da cerejeira. Antes de chegar ao ponto
em que elas estavam pode ouvir suas melodiosas vozes.
-Não há nada impróprio, que uma dama seja uma pintora de retratos Anne. -disse a voz
inconfundível rouca de Pegeen, com esse ligeiro sotaque escocês nas vogais. Têm havido
muitas ao longo da história ...
-Pergunto-me quantos foram casadas – interrompeu sua amiga indignada. Aposto que foram
poucas. Uma mulher não pode ter ambos, o marido e o trabalho.
Talvez não - disse Pegeen, pensativa. A menos se casar com um homem que a entenda ... E
com uma voz alegre ela acrescentou. - O Melhor de tudo é que com o talento que tem, é
provável que Maggie não precisará se casar. A menos que ela queira, claro. Poderá manter se,
retratando as crianças de boa família.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Ao dar se conta que falavam sobre ela, o jovem sentiu ardiam lhes as bochechas. Ela sabia que
ela deveria fazer sentir a sua presença, mas a tentação de escutar as escondidas era
demasiado forte. Fingindo um súbito interesse por uma platéia de íris, ela aguçou os ouvidos.
Mas isso é o que mais me preocupa Pegeen - disse Anne.
–Você sabe o quão excêntrica que pode ser minha irmã. Imagine se ela apaixona por um
desses poetas franceses mortos de fome e vai viver em um sótão em Montmartre infectado
com um monte de artistas. Estas pessoas não acreditam na instituição do casamento, você
sabe? Dizem que é burguês. Então minha irmã se transforme em uma mulher perdida. O que
as pessoas vão dizer sobre nós, então, hein?
Pegeen inspirou profundamente antes de responder, o que permitiu a Lady Herbert
respondesse antes do que ela.
-A verdade é que eu acho que você é demasiada dura para com a sua irmã. Ela não é uma
menina tola. Duvido que faça algo tão estúpido como se apaixonar por um francês.
Eu tenho certeza que você pode haver coisas piores. -respondeu Anne, que nesse caso, não
concordava com a opinião de sua mãe. Isso você pode ter certeza. Papai e a senhora
permitiram que se tornasse uma garota rebelde. Não tente negá-lo, eu tenho visto com meus
próprios olhos. Vocês a tem estragado. Como você pode explicar isso? Nenhum de nós,
Elisabeth, Fanny, Claire nem eu somos tão teimosas ou obstinadas como ela.
Bem ... "respondeu a Lady, meditando. Nenhuma de vocês tiveram a influência que ela
recebeu...
A voz da senhora morreu, mas Maggie não foi à única que compreendeu o que ela quis dizer.
Pegeen se apresou a sair em defesa de seu sobrinho.
- Oh suponho que se refere a Jerry - disse levianamente. É verdade que eles têm sido
inseparáveis, mas devo dizer-vos que, apesar do fato de que o meu sobrinho era muito maior,
sempre me pareceu que era Margaret que tramava suas travessuras. Por um longo tempo, ela
foi fisicamente superior. Na realidade, uma vez eu a encontrei esfregando o rosto de Jerry na
lama, e ele parecia incapaz de se defender. Ele devia ter uns doze anos, o que significa que sua
filha tinha sete anos, mas mesmo assim, ela era muito mais alta. Imagino que deve ter sido
muito humilhante para ele.
-Eu suponho que não veremos Sua Graça em breve – aventurou Anne com fingido descuido.
Maggie sabia muito bem como a desagradava o duque à sua irmã. – Continua em Oxford,
certo?
-Só ontem à noite, recebemos um telegrama anunciando sua volta hoje mesmo – respondeu a
anfitriã calmamente. De acordo com Lucy disse-me que ela ouviu dizer da cozinheira,
cujo sobrinho tem trabalhado como valete de Jerry e o último trimestre, esta manhã, ele e seu
tio tem uma reunião a ser realizada em segredo, e é por isso que Edward foi ao povoado com a
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
carruagem para esperá-lo a uma hora atrás. Suponho que não querem que eu saiba a razão
para o inesperado retorno do meu sobrinho. Estou curiosa para ver quanto tempo eles
conseguem manter segredo desta vez.
Maggie não ficou para ouvir o resto da conversa. No momento em que ela ouviu o nome de
Jeremy e soube que ele estava a caminho de Rawlings, seus lábios abriram em um grande
sorriso e sentiu que seus pés, como que por vontade própria, começaram a andar em direção a
casa. Sabia que o Duque ia subir ao longo da avenida alinhada com carvalhos, e que passaria
por debaixo de uma das antigas arvores, que ficava perto da estrada, apesar dos esforços dos
jardineiros, que durante anos tentaram sustentar o tronco com suportes metálicos. Os ramos
da copa formaram uma espécie de dossel para pouco mais de dois metros do solo.
Seria divertido fazer uma emboscada, igual ao que faziam quando éramos crianças e
assaltavam os visitantes, uma vez em que entravam no caminho para a mansão. Não, seria
difícil fazer-lo cair do cavalo, era o mínimo que merecia por ter sido expulso novamente, se
caso Pegeen tivesse certa.
Ignorando completamente os apelos de sua irmã para se comportar como uma dama, a
menina levantou a sua saia e começou a correr pela relva em frente da mansão dos Rawlings,
sem perceber que, para além das botas sem saltos, mostrava as brancas e torneadas
panturrilhas. Fazia muito tempo que não via Jeremy, já que suas férias escolares não
coincidiam, e quando sim, um deles estava na cidade ou no estrangeiro, por isso não tinha
certeza que ia reconhecê-lo. Segundo contavam seus tios orgulhosamente, o jovem tinha-se
tornado um verdadeiro cavalheiro: ele era um perito cavaleiro, inigualável esgrimista,
excelente nadador e boxeador. Suas irmãs mais velhas, que haviam encontrado com ele em
alguns bailes em Londres, asseguraram que o Duque era um jovem muito bonito, algo que
Maggie achava difícil de acreditar. E o que era ainda mais ridículo: elas insistiam que era muito
alto. Jerry mais alto que ela? Impossível.
A jovem Herbert escalou a árvore, sem qualquer dificuldade, mas ao fazê-lo, ela rasgou a meia,
rasgou a crinolina e soltou um botão de madrepérola do Jugo, sem que ela repara se. Após
alguns instantes, ela estava sentado confortavelmente nuns dos frondosos ramos que cobriam
a estrada. A partir de sua posição privilegiada, a cerca de dois metros acima do solo, teve uma
visão clara da avenida, no início da qual cavalgava um homem sozinho a meio galope. Com
grande decepção, ela descobriu em seguida que não se tratava do seu amigo, uma vez que o
cavaleiro tinha ombros demasiado grandes e era muito alto. Na realidade, parecia muito com
Lorde Edward, mas o seu cavalo era castanho, e o do homem que chegava era negro como o
carvão ... parecido com Rei, o cavalo de Jeremy.
A jovem inclinou-se para frente até deita-se sobre um grosso ramo, e olhou através da
folhagem espessa e viu com grande surpresa, que na verdade, era rei, o primeiro cavalo do
Duque, que manteve como seu favorito. Jerry não deixava ninguém montar nele, de modo que
significa que ...
Não, não podia ser. Ninguém muda tanto, em tão pouco tempo –rapidamente contou nos
dedos o tempo em que não se viam – cinco anos. Nossa, já haviam se passado 5 anos! Ao
levantar a vista, Maggie viu que o cavaleiro e sua montaria já estavam quase debaixo dela, e
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
não havia menor duvida, que esse jovem era Jeremy.
E suas irmãs não estavam a mentir, tinha-se tornado um jovem muito bonito. Para as mulheres
que gostam desse tipo de homem byroniano e melancólico devia lhes parecer irresistível. Ela,
no entanto, preferia os homens robustos.
De sua posição privilegiada, Maggie viu que os cabelos encaracolados e escuros, do jovem
saiam inquietos sob o elegante chapéu, e cujo prateado dos olhos tinham um olhar penetrante
e uma expressão de ironia que imediatamente reconheceu. O Duque pareceu irritado, ele
estava apertando mandíbula e queixo elevado, como se quisesse ajeitar o lenço usado ao
redor do pescoço. Os longos dedos agarravam as rédeas da montaria que cavalgava com a
mesma naturalidade como se fosse à extensão do seu próprio corpo. A garota observou com
interesse, e percebeu que ele parecia tão magro e forte como os ferreiros, cujo tronco nu tinha
furtivamente admirado quando forjavam a golpes de martelo as ferraduras para os cavalos de
seu pai.
Meu deus, lá estava ela tendo de novo uma de suas fantasias carnais!
"Mas é o Jerry!" Pensou escandalizada. O que estava acontecendo? Não podia pensar nele
dessa maneira. Havia bombardeado esse garoto com bolas de neve e havia esfregado sua cara
na lama mais vezes que podia se lembrar. Jeremy estava passando naquele justo momento por
debaixo dela, tão perto que poderia remover o chapéu da sua cabeça, sem nenhum problema.
Um segundo mais ia partir a toda pressa, estragando a surpresa.
Sem pensar mais, Maggie esticou o braço em uma tentativa de tirar o chapéu, pois se a rir
antecipando sua reação. No entanto, ao ir para frente perdeu o equilíbrio e escorregou do
ramo em que ela estava encostada. Tentou desesperadamente agarra-se a ele em vão. Um
instante depois caia em direção ao ar.
Capítulo 3
A primeira coisa que Jeremy pensou quando ouviu um guincho e sentiu o impacto de um corpo
contra o dele era que, de uma forma ou de outra, Pierce havia retornado dos mortos e queria
vingar-se dele por haver desflorado sua irmã e telo assassinado. Por isso, sua primeira reação
foi virar-se na sela e empurrar o seu adversário, no entanto, o assaltante tinha colocado seus
braços suaves e morenos ao redor do seu pescoço, e precipitando a queda de ambos.
O rapaz nunca soube determinar com precisão em que ponto ele percebeu que seu atacante
tinha cabelos compridos ate à cintura e generosos seios, mas foi provavelmente quando
colidiram contra o chão e rodaram poucos metros na grama, emaranhadas com a crinolina da
saia. Atordoado pelo golpe, o Duque demorou um momento para perceber que ele estava
deitado em cima de uma mulher, e portanto não poderia ser Pierce, a menos que ele tivesse
crescido no peito após a sua morte. De fato, antes de levantar a cabeça, estava recostada
entre os seios, que pareciam ter sido libertado da opressão do espartilho, e enquanto sua dona
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
estava estendida para cima, ainda se situava em direção ao sol.( essa parte ficou meia confusa
para mim)
Ele pelo menos, se sentiu muito confortável nessa posição. Jeremy pensou se ele a havia
deixado sem fôlego, a queda poderia ter deixado a mulher inconsciente, e decidiu se
comportar como um cavalheiro e ir ate ela para ver se podia ajudar.
No entanto, ao alcançá-la encontrou olhos castanhos de expressão sorridente e
estranhamente familiar que o olhavam fixamente.
- Você é um porco! -disse a moça com um tom de zombaria uma voz muito doce e sonora para
pronunciar aquelas palavras.
- Grita como um porco espancado. Eu nunca tinha ouvido nada parecido.
Por alguns momentos, o jovem realmente acreditou que ele tinha na sua frente um fantasma.
Apenas um ser sobrenatural poderia assemelhar tanto a alguém que conhecia, ao mesmo
tempo, parece tão diferente. Parecia que a garota estava deitada sob seu corpo era Maggie
Herbert, que também era a única mulher que ele sabia que podia falar assim. No entanto, não
podia ser ela, pois não era a mesma pessoa que havia lhe atormentado durante a sua infância.
A última vez que viu Maggie Herbert ele conhecia tinha os dentes separados, era magra, usava
os cabelos recolhidos em duas tranças e tinha pernas tão longas que parecia em expansão e
que parecia não saber o que fazer com elas, as quais se assemelham a um potro recém-
nascido, que dá os primeiros passos.
Mas essa mulher via tinha o corpo mais robusto e exuberante que uma cortesã cara, e Jeremy
havia estado com mais de uma, então sabia do que falava. Em nada recordava o potro, e ele
não tinha a menor dúvida de que as pernas em que se recostava não tinha nada de
desajeitadas. Na verdade, as coxas, abertas ao abrigo do seu peso, perfeitamente
harmonizadas com as outras partes de um corpo magro, forte, mas, acima de tudo,
extremamente feminino. Então ele percebeu que a filha caçula de Sir Arthur tinha crescido e
se transformado em uma linda garota, você poderia dizer de seios abundante, mas com os
punhos e tornozelos finos e delgados e a cintura muito estreita. Era a mulher mais linda que
ele tinha conhecido até então, e não parecia perceber a sua recém-adquirida curvas feminina...
ou o efeito que eles possam ter sobre um homem.
Só quando olhou para a cara dela e que percebeu que a menina que conheceu e aquela garota
eram a mesma pessoa. Já não usava tranças, em seu lugar havia um cabelo castanho tão
escuro, contrastando com o verde da grama fresca, parecia quase negro. Também não tinha os
dentes separados, sim bem dispostos e muito brancos. Contudo, ele reconheceu o brilho
daqueles olhos escuros é uma expressão muito gentil para ser mal, mas muito travessa para
parecerem ingênuos. Além disso, a moça fez uma careta com a boca, cujos lábios sempre lhe
haviam parecido demasiados grossos, e agora lhe resultavam sensuais e tentadores, ele se
recordou da pequena Maggie, a menina que o atormentava sem piedade, mas que tinham lhe
avisado que ele não poderia retaliar porque era uma menina.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
E agora, parecia que, pelo simples fato de crescer, Maggie Herbert vencia novamente, porque
Jeremy nunca tinha visto uma mulher tão bela e tão estranha ao seu charme.
- Ah! exclamou a garota, rindo. Que cara você fez. É de morrer de rir!
O duque levantou apoiando-se nos cotovelos, seu rosto a poucos centímetros da aquela jovem
com abundantes seios.
- Você ficou louca? Ele perguntou severamente. Percebendo que a sua única resposta foi um
riso, continuou ele. – Poderia ter me matado.
-Haveria valido a pena - respondeu com entusiasmo. Ria tão forte que o rapaz, ainda deitado
em cima dela, sentia os movimentos espasmódicos dos músculos do estômago sob o
espartilho. Maggie Herbert usava espartilho! Sempre tinha pensado que não viveria para ver
isso.
-Mesmo assim, você não pode andar por aí dando estas pancadas - respondeu sério. Poderia
ter causado muito mais danos.
-Oh, bem. Nunca soubeste encarar uma brincadeira. Já vi que todas estas escolas para crianças
ricas não conseguiram mudar-lo. -Depois de afastar algumas mechas do cabelo escuro para
longe do seu rosto oval, Maggie apoiou-se nos cotovelos. Isso fez com que o corpete do
vestido se abrisse ainda mais e oferecendo ao rapaz uma esplêndida vista do que escondiam o
topo das rendas da camisola. Ao contrário do que aconteceu naquela manhã na taberna, e que
naquele momento era impossível desviar os olhos, e parecia que não podia mover de onde
estava e nem deixar de admirar as curvas daquela pele macia.
Maggie demorou apenas instante em fixar-se nos olhos do duque, que sempre acreditou que
eram de uma cor cinza embasado, mas ao olhar-los naquela posição pareciam mais
expressivos do que recordava, na verdade, a Iris era de uma cor azul clara com reflexos
prateados. Mas seu amigo não olhava-lhe o rosto. Na realidade, parecia enraizado no seu
peito, de repente ela percebeu o botão que havia perdido ao subir a arvore desempenhava
uma função essencial, e que seus exuberantes seios sobressaíam pra fora do decote do vestido
branco.
Imediatamente, Maggie começou a ser debater-se um mar de emoções conflitantes. Por um
lado, mesmo em uma situação tão embaraçosa como essa, a situação parecia realmente
cômica. Estava com os seios desnudos na frente do Duque de Rawlings! Que ia dizer Lady
Herbert? No entanto, por outro lado, a forma como a jovem olhava não era engraçado em
todo. Se tinha alguma duvida de Jeremy havia mudado desde a ultima que o viu a expressão
em seu rosto, nesse momento não deixou margem para dúvidas. Nunca antes tinha visto ele
com um olhar como aquele. Ou pelo menos dirigido para ela.
No entanto, foi o tipo de olhar que atraiu nos últimos meses. Ela tinha visto nos olhos de
alguns desconhecidos, que tinham atravessado na aldeia, era uma expressão de admiração,
mas havia algo mais do que isso, e que só poderia ser descrita como ... desejo.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Desejo?
De Jeremy?
Naquele momento ela percebeu que aquele já não era um jogo infantil. O rapaz que estava
deitado sobre ela já não era uma criança, mas um homem de mais de vinte anos. E ela era uma
mulher, ou quase, por isso é melhor ser separassem antes que alguém passasse por ali ou visse
uma das janelas da mansão.
-Saia de cima de mim- balbuciou Maggie, voltando a deitar-se no chão. Embora tenha sido
obrigada a baixar a cabeça e os ombros, a situação piorou aparentemente permitido melhor
visão do decote do vestido.
“Acho que você perdeu um botão, Mag“, - disse o duque com um certo divertimento,
desfrutando do embaraço da jovem, tanto como da vista oferecida.
-Acho que eu não vi imbecil? Ela respondeu incapaz de olhar o seu amigo no rosto. Seus olhos,
tudo nele tinha mudado, e agora parecia ter um estranho efeito sobre ela, que contribuíram
para seu rubor tanto como haver perdido o botão.
-Tenho a impressão de que precisa de ajuda, - disse o rapaz, que observava seus esforços com
uma sobrancelha arqueada. – Me permites?
Ante essas palavras, o embaraço de Maggie tornou-se imediatamente em indignação. Com
uma mão, mantendo o decote do vestido, o outro lhe deu um forte tapa nas mãos morenas,
encalecidas, muito maior do que as delas.
- Não, não quero! – falou destacando cada palavra com um novo tapa. - Sai de cima de mim
agora!
Se considerarmos que você foi você que pulou em cima de mim, sua raiva é completamente
fora do lugar, Mags - disse Jeremy.
- Levanta-te! –exclamou a garota, olhando em volta dele. Jesus Cristo, alguém pode nos ver.
-Você devia ter pensado nisso antes de me derrubar do cavalo. -Jeremy, decepcionado por ver
que a garota tinha conseguido fechar o decote, e o observava com punhos fechados cenho
franzido. - Além disso, por que fica assim? Eu vi você nua muitas vezes, embora eu deva
admitir que isso foi antes de que você tivesse essa maravilhosa curvas.
- Eu disse pra você se levantar! -Embaraçada, Maggie lhe golpeou a cabeça com o cotovelo do
braço que ainda estava livre. Embora a cotovelada não poderia ter feito muito dano, Jerry
parecia surpreso. A jovem supôs que ao duque de Rawlings não devia acontecer muitas vezes
de que uma mulher lhe bate-se. Que mulher iria querer ofender um duque, que também era
solteiro? Mas, nesse momento, a Miss Herbert não lhe importava de absoluto o que o Duque
de Rawlings, ou qualquer outro Duque, achava dela.
No entanto, talvez tenha sido melhor assim, porque que o rapaz estava pensando era de que
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
ele tinha sido estúpido por passar tanto tempo longe de casa. No entanto, isso não foi o que
ele disse.
-Isso não foi muito simpático da sua parte, - disse ele esfregando a orelha dele e tentando
parecer zangado. Não se tornou em uma dessas garotas tontas que dão bofetadas por tudo,
certo?
-”Oh, santo Deus “, respondeu ela com aspereza. Levanta-te de uma vez. Meu pai poderia ver-
nos.
-”Essa é a única razão sensata que me ocorre para por fim a esse extremamente agradável
interlúdio“, - disse o jovem com veemência.
Pouco a pouco se separou dela, e enquanto ele fazia não se esqueceu de observar à maneira
em que tinha subido a barra do vestido, deixando a mostra às panturrilhas bem torneadas co
tal perfeição, que daria a inveja a qualquer dançarina. E isso não foi tudo o que viu. Uma vez
de pé, ele estendeu a mão para ajudá-la a levantar-se, e isso permitiu-lhe para discernir o
ponto que terminava as meias e começava as ligas, nas coxas brancas e lisas.
Deitado no chão, Maggie estava bem ciente de como Jeremy olhava furtivamente entre as
pernas dela, e, confusa e nervosa, abaixou saia antes de alcançar o seu olhar, desconfiada
diante à mão estendida.
- O que acontece agora? –exclamou o duque ao ver que a garota franzia o cara. – To
estendendo a mão para ajudar-te. Serás tonta... Não me olhe assim, como eu fosse te morder.
Maggie engoliu a saliva. Mordê-la, ou pior era precisamente o que o rapaz parece tentado a
fazer. Seu amigo de infância havia se tornado um homem bonito, e tinha certeza que ele tinha
um monte de garotas que teria oferecido mais do que apenas a mão ... e havia feito muito
mais do que morder.
Jeremy, no entanto,interpretou mal o motivo de sua hesitação.
-Vamos, eu não vou jogar-la na piscina novamente, se é isso que você está pensando – disse
Jeremy. Se esquecer a emboscada que acaba de me dar, creio já somos grandes para continuar
fazendo travessuras.
Percebendo que estava sendo ridícula, Maggie deu-lhe a mão, tendo especial cuidado para não
soltar o decote do vestido que estava segurando com a outra mão. No momento em que
fortes dedos do jovem enlaçaram com os seus, Maggie sabia que estava em apuros, o duque
poderia manter-la sujeita quanto tempo quisesse, e ela não seria capaz de fazer nada sobre
isso.
Mas apesar da força daqueles longos dedos, seu toque foi muito gentil, e nenhum momento
tirou com rudeza como teria feito há muito tempo. Foi sorte que Jerry não a soltara logo,
porque ao se juntar a ele, à garota teve a maior surpresa de todas.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Jeremy era mais alto que ela.
E não só um pouco, era muito maior, pois apenas atingia-lhe aos ombros. Se o jovem não
tivesse a segurado com mais firmeza quando ela tropeçou, Ela teria batido o seu nariz no seu
peito.
- Você está bem? -O Duque a olhava com uma expressão irônica. Você não quebrou nada,
certo?
Atordoada, balançou a cabeça. Jeremy Rawlings era mais alto do que ela! E quase um palmo.
Quando isso teria acontecido? Na última vez em que ela o tinha visto, ela era um palmo mais
alta do que ele, de modo que seu amigo tinha crescido cerca de meio metro em cinco anos.
Santo Deus, mas ele era tão alto como Lorde Edward!
-O que estava a dizer, - observou o rapaz, surpreendido. Maggie Herbert é uma jovem mulher
que bate em homens e desmaia facilmente. Como havia mudado. Ele nunca teria acreditado
que ela ia se tornar uma flor tão delicada.
Isso foi o que tirou a garota do seu estupor.
- Eu não desmaiei, - disse levantando a cabeça para lhe encarar, algo que eu nunca pensou que
teria que fazer ao olhar para os olhos de Jerry. E tão pouco te bati. Eu dei um empurrão, e eu
fiz porque você mereceu. E agora, solta me.
Jeremy sorriu, e desviou rapidamente a vista.
Para jovem parecia que o seu sorriso tinha o mesmo efeito devastador que seu olhar, ambos
aceleravam o coração.
- Apesar de ter desenvolvido estas deliciosas curvas, continua sendo a mesma, - respondeu o
duque, levando a mão da garota aos lábios com sincera admiração.
Horrorizada pela casual referência ao seu corpo e modo a qual o jovem a observava quando
lhe beijava os dedos, Maggie tentou tirar sua mão em seguida, mas foi em vão. Jeremy, com
um sorriso, ele pressionou vigorosamente os dedos e começou a observar as unhas.
Ah, vermelho, magenta e um pouco ... Ah, sim, branco. Vejo que ainda continua pintando.
Como estão os gatos da Madame Ashforth? A essa altura deve ter retratos suficientes para
forrar o vestíbulo.
Me solta - repetiu a garota, tentando manter a voz firme. No entanto, não foi fácil, porque
estava à beira de um colapso nervoso. – Eu to falando serio, Jeremy. – Me solta já.
-Me solta. Eu to falando serio – imitou o duque. Você acha que isso e maneira de
cumprimentar um amigo que você não ver a quase meia década?
Isso a distraiu, deixando-a de tentar tirar a mão com toda a força.
- Amigos? Repetiu a jovem com desdém. Desde quando somos amigos? Inimigo seria mais
preciso.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Era você que abrigava tais sentimentos de animosidade, ele respondeu com um tom de falsa
consternação. Nunca entendi o por que. Fazia da minha vida impossível, mas a única coisa que
eu queria era ...
-A única coisa que eu queria era dar ordens a todos – ela o interrompeu. Depois foi ela quem
imitou ele. Você não pode fazer um capitão pirata, Maggie, sou o Duque, de modo que o
capitão pirata vou ser eu. Não, Maggie, você não pode comer o último Magdalena, Eu sou o
Duque e eu quero para mim. Você tem que fazer o que eu digo porque eu sou ...
- O quê? - replicou Jeremy, aparentando que tudo aquilo não lhe importava. Enfim, nunca fez o
que eu disse.
-Pelo menos, havia alguém que não se intimidava com a sua atitude prepotente, - disse
Maggie. Ou você teria transformado em um canalha, desses que não soltam a mão de uma
jovem quando solicitado.
- Canalha? Então, te pareço um Canalha hein? Ele perguntou com um sorriso, como se o que
Maggie acabara de dizer fosse um elogio. Sem demora, ele soltou sua mão e estava olhar a
garota com uma expressão meditativa. Enquanto se perguntava o que estava pensando, ela
cruzou os braços em atitude defensiva. Então ele gostava de suas curvas, hein? E teve a
coragem de admitir isso na sua cara. Santo Deus! Se a sua irmã Anne tivesse ouvido essa
conversa teria desmaiado.
Mas a irmã Maggie teria feito mais do que apenas desmaiar se soubesse o que o duque estava
pensando naquele exato momento, Jeremy estava repreendendo-se por não ter tentado
seduzi a filha mais nova de Sir Arthur anos atrás. Como era possível que não havia se dado
conta, se perguntava. Por que não tinha previsto que esta menina se tornaria tão deliciosa? A
verdade é que nenhuma das suas irmãs tinha nada de especial, assim naquele sentido não
havia tido nenhuma pista, mas Maggie... Que encontrado! Nunca tinha desfrutado tanto com
uma jovem a quem tivera que pagar. Havia algo nela, que aquela irreprimível impertinência,
que sugeria que mesmo que tivesse ainda acabado de deixar a escola, não era uma garotinha
hipócrita. O jovem pensou que afinal de tudo, talvez sua visita a mansão não seria tão
aborrecida...
A garota, porém, não gostou da virada que haviam tomado os acontecimentos. Ela não gostava
em absoluto. Maggie não estava acostumada a estar perto de pessoas mais altas e corpulentas
do que ela, e Jeremy, a que durante anos havia sido dominado fisicamente por ela, fez a sentir
pequena, o que era extremamente desconfortável. Ou o que era pior, o rapaz era tão grande
que chegava a lhe causar medo. E a Maggie não havia nada lhe desgostava mais do que o
medo. Considerava-se uma pessoa audaz o que diferenciava de suas irmãs, e que não tinha
medo de altura, da água, ratos, insetos, espaços fechados ou do escuro. Não entendia como
ela podia sentir medo de Jeremy Rawlings, mas o sentimento estava lá e ia ter que fazer algo
sobre isso, ou resignar-se a aceitá-lo. No entanto, ainda não tinha certeza se o lhe provocava
esse temor era o duque, ou como ele a fazia sentir.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A jovem olhou furtivamente o rosto de Jerry e viu que ele continuou com os olhos fixos nela
com a mesma expressão pensativa. Santo Deus ele era realmente atraente! Como era possível
que não tivesse se dado conta? De fato, exceto Lord Edward e seu cunhado, Alistair
Cartwright, a Margaret lhe desagradável os homens atraentes, sempre tinha lhe parecido que
eles estavam demasiado apegados a si mesmo. Supôs Jeremy tinha razões para sentir-se
superior, já que havia se tornado um rapaz muito bonito, e tinha mais dinheiro do que a
rainha. No entanto, tanto seu aspecto como seu dinheiro foram dons da fortuna, (essa parte
ficou confusa) e só um idiota poderia ter orgulho do que ele recebeu de Deus.
-Jerry ... - ela começou a olhar para além do ombro do seu amigo de infância.
- O quê? - Ele pergunto com sobrancelhas arqueadas com expectativa.
- Acho que você deveria ir atrás de seu cavalo. Ele escapou.
Surpreendido, Jeremy virou e viu que o Rei tinha começado a correr para os prados ao sul,
onde as éguas pastavam.
-Maldito seja - balbuciou. Fique aqui, ele acrescentou com um gesto semelhante aos que os
pastores de Yorkshire faziam para os seus cães, para que os esperassem. Certo? Volto em
seguida.
Claro, "respondeu a garota, com sinceridade.
Mas no momento em que o rapaz virou as costas, começou a caminhar para a mansão. Não
correu porque ela achou difícil de fazer, mantendo o jugo do vestido, e porque não queria que
Jeremy pensasse que ela estava fugindo dele, mas andava mais rápido que podia. Nestas
circunstâncias, a retirada parecia ser a melhor estratégia. Precisava colocar em ordem algo
mais do que seu vestido... depois de ser bombardeada com tantas sensações novas de uma só
vez, pensamentos rodavam em sua cabeça. Jeremy Rawlings tão masculino e forte quanto os
filhos do ferreiro, que levou um ano admirando a distância? Jeremy Rawlings olhando-a com
desejo com olhos que sempre lhe haviam parecido apagados, mas agora brilhavam como o
serviço de chá de prata e sua mãe? Jeremy Rawlings mais alto do que ela?
O que estava acontecendo?
Tudo aquilo era mais do que uma garota como Maggie poderia assimilar. Estava acostumada a
vida no campo e não sabia como reagir ante ao giro que haviam tomado os acontecimentos.
Precisava de tempo para refletir, recompor-se - tanto no sentido literal como figurativamente,
- e decidir como lidar com esta descoberta perturbadora: Jeremy Rawlings lhe dava medo.
Não teve a oportunidade de fazê-lo. Tinha acabado de deixar pra traz o distribuidor do
labirinto da mansão de três andares quando ouviu uma voz profunda. Sua voz havia mudado
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
muito, a chamava. Maldição! A garota parou em seco, olhou para céu para pedir a Deus que
lhe desse forças e virou lentamente.
- Onde você pensa que vai? - Ele perguntou à jovem. Maggie reconheceu um tom brincalhão
na grave voz. Foi com a mesma inflexão que o rapaz se dirigia a ela, muitas vezes quando seria
vitima de uma de suas travessuras.
- Bem... - respondeu. - A nenhuma parte. A casa. Tenho de encontrar um botão. - “ Brilhante
conversação", reprovou a si mesmo.
Vem comigo, - disse Jerry. Havia alcançado Rei, e ofegava pelo esforço. A Maggie lhe parecia
que era irresistível, ele tinha perdido o chapéu, e os raios de sol davam ao seu cabelo, negro
grafite, reflexos azulado; além disso, usava o lenço levemente desatado, deixando descoberto
alguns cachos de cabelo escuro na base da pescoço
É que.... – começou dizer. A garota, que sempre tinha uma resposta na ponta da língua,
parecia não saber o que dizer. Eu não posso. Sério, eu tenho que ...
-Vamos, me acompanha ate os estábulos para deixar esse animal, - respondeu o rapaz rindo
tão baixo, como se essa renúncia lhe parecesse muito divertida. Logo iremos para dentro e
buscaremos um botão.
-Eu não posso, realmente, Jeremy. Minha mãe ...
-Oh, vá lá, esqueça sua mãe. -O olhos de cor prata acinzentado brilharam com uma expressão
de desafio, e o duque a olhou com um sorriso. O que você tem medo?
- Nada, ela respondeu imediatamente, franzindo o cenho. Parecia que havia recuperado a fala.
-Você não tem medo de mim, não é, Mag? -Os olhos cinzentos piscavam.
- Claro que não!
- Não estar mentindo para mim, Mag?
-Não ...
Os lábios do Duque abriram em um sorriso tão grande que ela podia ver seus dentes brancos e
regulares.
Não, claro que não. Foi uma brincadeira. Venha. Ele disse virando-se para ela para oferecer o
seu braço que estava livre. Venha comigo. Quero que me conte o que te aconteceu ao longo
destes últimos cinco anos. Obviamente continua a pintar. Mas o que mais tem vindo a fazer?
Maggie estava olhando com languidez a entrada principal da mansão, depois daquela porta
dupla estava a segurança de sua sanidade. Mas ela não podia agüentar covardia, muito menos
em si mesmo, assim com um suspiro, ela atravessou a avenida e agarrou o braço de Jeremy.
-Oh, disse rapidamente. Não muito.
Capítulo 4
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Tinha sido muito fácil. Só tinha que estimular seu orgulho, e ela era dele. Na realidade, ainda
não era totalmente sua ... mas estava seguro que não demoraria a consegui-la. O importante
foi ter descoberto a sua fraqueza, ou talvez devesse dizer redescoberto, porque mais tarde,
recordou que sempre podia instigar Maggie com uma frase: Você tem medo, não é, Mags? “
No momento, a garota disfarçava muito bem o seu medo, ela estava sentada com um fingido
desinteresse sobre um fardo de feno na frente do estábulo do Rei, recostada sobre um poste
de madeira, balançando os pés sobre o chão. Infelizmente, ainda segurava cuidadosamente o
decote, impedindo o jovem de contemplar as preciosas e pálidas curvas. No entanto, Jeremy
estava certo de que não demoraria muito tempo antes do que pudesse fazer algo mais do que
só observar. Já sabia o que dizer para conseguir o que queria, assim poderia se vingar todas as
maldades que ela tinha feito com ele quando eram crianças.
Por enquanto, se contentava com apenas olhar, os raios de sol filtrados pela porta entreaberta
do estábulo e que iluminava as costas e os cabelos soltos e macios.
Ele tinha tido sorte de chegar em casa na hora do chá, pois todos que trabalhavam no estábulo
tinham ido a mansão para desfrutar da famosa torta da cozinheira. Maggie e Jeremy estavam
sozinhos no estábulo com os cavalos é algumas aves que tinham ninho nas vigas do teto, e
gorjeavam ao ver invadida sua intimidade.
Por sua parte, Maggie se sentia mais tranqüila. Jeremy tinha parado olhar para ela com
expressão de luxúria, e a jovem estava começando a pensar que tinha se confundido. Afinal,
ele poderia ter todas as mulheres que quisesse. Por que iria desejar ela? Era apenas uma
vizinha, a filha do seu administrador. Sua irmã tinha casado com o melhor amigo do seu tio e
sua tia e sua mãe eram muito amigas, quando crianças tinham brincado juntos muitas vezes.
Nada mais. Com toda certeza, a amabilidade do rapaz se devia a antiga relação, porque era
inconcebível que ele a visse como algo mais do que apenas uma amiga de infância. Pensar
nisso ajudava a apaziguar sua perturbação.
-Então, - disse a garota, enquanto Jeremy desencilhava Rei, Evers continua aqui, em Rawlings,
e seu filho é o mordomo da casa, em Londres, disseram-me o seu neto está em uma escola de
mordomos, e tem a esperança de que seu avô se aposente logo para tomar o seu lugar. De
acordo com a sua tia, Evers disse que não vai se aposentar até que ele morra, e insiste em
continuar a servir as bebidas, porém, quando algo fica mais pesada do que um caneco, as
mãos tremem muitíssimo.
Jeremy, que tinha tirado o casaco para escovar o cavalo, pensou que era melhor remover
também o lenço do pescoço, tentou fazer isso, naturalmente, e deixou a peça de vestuário de
linho sobre o casaco pendurado na porta.
- Sério? – perguntou enquanto se inclinava para frente escovar a crina do seu cavalo.
- Sim. E Lucy, a camareira da sua tia, teve outra filha, a quarta. A quem diga que já deveria ser
o suficiente, mas ela diz que não vai ser feliz ate dar à luz um filho varão.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Entendo - disse Jeremy, deixou a escova e ficou olhando para a garota sem que ela se desse
conta, pois percebera que era o sol estava em seu rosto, enquanto ele estava de traz pra luz.
-A senhora Praehurst vai fazer sessenta e cinco no próximo outono, continuou, contente de
poder informá-lo de todos os detalhes da vida privada dos seus criados, - e seus tios querem
lhe dar uma viagem para Itália. Mas aparentemente, ela odeia os italianos, disse que uma
cozinha que é tão dependente de tomates não pode ser boa para a digestão, e que alguém
deveria avisá-los ...
-Maggie – Jeremy a interrompeu. Algo em sua voz dava a entender a garota, que ele não a
interrompia para perguntar algo sobre atitude de sua governanta sobre cozinha mediterrânica.
Jerry havia aberto a porta do estábulo, tinha ido para trás dela e estava a um par de passos de
distância do fardo de feno em que se sentava sua amiga de infância. Ela não podia ver a
expressão em seu rosto, mas pelo seu tom de voz parecia que ele estava alterado.
- Sim? – Perguntou com cautela.
Quando ele estava perto o suficiente para que seu rosto saísse da sombra, Maggie esticou o
pescoço e viu que não que não parecia em absoluto nervoso ou desconfortável. De fato, sua
expressão era descaradamente brincalhona.
- Tem me falado sobre todo mundo relacionado, mesmo que remotamente, com a mansão
Rawlings começou enquanto se sentava ao lado dela sobre o fardo de palha, sem sequer pedir
licença, mas você não disse uma palavra sobre você.
O jovem tinha se sentado muito perto, de modo que seus ombros se rosavam, ou melhor, o
ombro dela rosava com o braço dele. Maggie se moveu pro lado para criar um espaço entre
eles.
-Não tenho muito a dizer ", respondeu com rispidez. Eu fui para a escola.
- Claro, - assentiu ele. Havia sido sua imaginação, ou o duque tinha se aproximado o tanto que
ela tinha se afastado para o lado? -. Agora o que você vai fazer?
-"Bem", - respondeu a garota, se afastando um pouco mais, não sei. Eu queria estudar pintura
em Paris, mas o meu pai não me deixa.
- Sério? - Porque ele tinha a soar tão feliz? E como era possível que Maggie estava
repentinamente à beira do fardo de feno, prestes a cair?
- E então, o que vai fazer?
- “Eu não sei”, respondeu a garota olhando para o chão. Começou a ficar nervosa, não só
porque o jovem tinha se sentado tão próxima, mas porque não entendia por que ele tinha
feito. Como não queria acabar sentada no seu colo, pensou que ele se aproximasse um pouco
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
mais seria melhor terminar no chão. No entanto, pensou que talvez se seguisse falando o
manteria distraído. - Suponho que tem que ir a Londres para a temporada. Já sabes...
-Oh, a temporada – repetiu o duque enquanto lhe rodeava os ombros com o braço.
Maggie estava olhando para aquela mão que lhe caia sobre o lado esquerdo e viu com
sobressalto que estava coberta com pelos negros, semelhante ao que se destacava no pescoço
na abertura da sua camisa. Havia algo profundamente masculina na aspereza daquele braço, e
ela sentia que lhe acelerava a pulsação, apenas olhando para ele.
- Você quer ir? - Ele perguntou.
Não muitos, ela respondeu. Então, girou a cabeça até que ficou olhando nos olhos dele, um
gesto que não foi muito difícil, porque seu rosto estava apenas alguns centímetros do seu. No
entanto, ela percebeu que tinha sido um erro, e que seu olhar continuava a ter uma estranha
influência sobre ela. - A verdade é que me sinto muito estúpida – pois se a disser. Novamente
parecia ter esgotado as palavras. - Eu odeio as festas, e eu não gosto de dançar. Então ela viu o
duque baixava a vista. – Jeremy – sussurrou sentindo que novamente lhe ocorria um acesso de
ansiedade. Porque estás a olhar os meus lábios?
O jovem sorriu, e mão esquerda que havia deixado sobre seu ombro a rodeou como se
quisesse abraçá-la.
- Porque eu vou te beijar, Mags - respondeu com uma voz tão doce que parecia uma carícia.
Você gostaria que eu fizesse?
Naquele momento, Maggie sentiu que o coração começava a bater freneticamente.
- Na verdade não - respondeu se colocando para trás , então se deu conta que estava presa ,
como um rato na ratoeira , então estendeu os braços em um gesto defensivo esquecendo do
botão perdido . - Não.
Mas era tarde demais . Ele não era o mesmo rapaz de 5 anos atrás , a quem dominava com
facilidade , era sim um homem muito mais corpulento e forte do que ela , e que não se
importava com a sua opinião sobre a questão . Apesar dos seus protestos , o rapaz caiu em sua
boca.
De repente ela pareceu esquecer a razão dos seus protestos. Era estranho , muito estranho
que Jeremy a beijasse , mas provocava uma sensação muito prazerosa , foi a primeira vez que
um homem a beijava , e a estreitava em seus braços , e nunca esteve tão perto para perceber
que tudo nele era diferente. Tudo . Seu contato era muito diferente do de uma mulher , e lhe
pareceu que suas carícias eram algo bruto o corpo de Jeremy era sólido , onde tocava só sentia
fortes músculos. Nem sequer a pele era suave , Maggie sentiu a aspereza da sua barba mal
feita ao redor de sua boca e o bigode duro como um papel de lixa . Além disso descobriu que
os homens também cheirava, diferente das mulheres , a couro , cavalo e um pouco de tabaco.
Um odor que a desprendera , e ela teria feito de tudo para oculta-lo . No entanto , um homem
lhe parecia agradável , tudo lhe parecia agradável. O braço que lhe rodeava a cintura e a
puxava para mais perto do corpo dele. Incluindo os lábios que exploravam os seus com doçura
e paixão , e a lenta e sedutora exploração da boca onde a língua ... enfim , era agradável.
A única coisa que parecia fora do lugar foi como tudo a fez sentir .Ela sabia que deveria estar
furiosa com Jerry por sua ousadia , e que deveria tentar afastá-lo . Mas ela não podia. Não
sentia nem um pouco de indignação , porque no momento em que começou a beijá-la , ela
sentiu uma deliciosa letargia. O homem a segurava com aqueles fortes braços e a beijava na
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
boca com um ardor que a fazia sentir a menina frágil e delicada que sempre quisera ser , a
mulher que precisava cheirar sais para não desmaiar , e não era muito alta e corpulenta para
que um homem a levantasse facilmente nos braços mas não sentia só isso , sentia uma
estranha sensação em suas partes íntimas . Enquanto o resto do corpo sentia um doce langor ,
entre as pernas sentia uma crescente tensão e uma súbita umidade , para qual a única
explicação , para qual sempre havia temido , SUAS INCLINAÇÕES CARNAIS HAVIAM SE
APODERADO DELA! Se sentia como uma gata no cio , e não podia negar que , assim como
Jeremy pressionava seu corpo contra o dela , ela o fazia contra o dele , até o ponto em que
certas partes chegavam a doer , pois desejavam ser acariciadas.
Mas o jovem que estava acariciando a pele do braço com a mão livre , se aventurou a meter a
mão dentro do decote e acariciar um dos generosos seios . Maggie se colocou tensa e supôs de
imediato que aquilo não estava bem . Mas não parecia desagradável , pois nunca teria podido
imaginar como seria bom ter esses dedos calosos deslizando sobre a sua pele desnuda , muito
pelo contrário , aquela carícia era tão prazerosa que ela supôs que se não o impedisse , não
seria mais capaz de fazê-lo.
- Jerry - ela disse quando ele separou sua boca , para beijar-lhe o colo
- Mmm - o menino tinha metido a mão sob as copas de encaixe da camisola , e acariciava com
doçura a pele acetinada. Maggie procurou ar.
- Jerry - repetiu - Para!
- Porque? - perguntou ele com certa curiosidade , sem tirar as mãos dos seios , com os
mamilos intumescido , ele o cobriu com os dedos e apertava a mama com o resto da mão .
Maggie arqueou e deixou sair um gemido , um gesto que a fez parecer ainda mais uma gata no
cio . A menina sentia que sua roupa de baixo se umedecia cada vez mais.
- Jeremy - ela exclamou com voz forte.
Mas a voz do Duque soou letárgica , como se tivesse bebido -
- O quê Maggs? - perguntou antes de colocar os lábios sobre a curva dos seios .
Maggie o agarrou pelo cabelo , em uma tentativa de impedir que ele abaixasse mais a cabeça
m e se surpreendeu pela suavidade dos cabelos negros.
- Jeremy - insistiu . Resistir ao impulso de se entregar às suas carícias era um verdadeiro
calvário , que chegava a sentir como uma dor física - para , por favor...
- Eu não posso! - respondeu ele com o rosto afundado no vale dos seus seios. A chuva de
beijos se aproximava perigosamente do mamilo coberto com a palma da mão - Oh Maggs ,
quando tudo isto aconteceu? - A menina olhou fixamente para a cabeleira preta.
- Quando aconteceu o que? - perguntou ela confusa.
- Tudo isto! - contestou o Duque enquanto passava a mão de um seio a outro , deixando nu o
mamilo duro que havia sido acariciado. No entanto , antes que a menina pudesse cobri-lo , os
lábios de Jeremy o fizeram por ela. Maggie sentiu uma onda de calor e desejo passarem , e
deixou escapar outro gemido , que soou como irreprimível gemido de desejo.
Aquilo era terrível , muito mais do que tinha imaginado. Aquelas alturas além de querer
continuar , sentia a necessidade física de fazê-lo...
Mas o que aconteceria em seguida? Se apenas acariciando o mamilo com a língua ele
conseguia fazê-la gemer de prazer , o que aconteceria se ele lhe levantasse a saia?
Não. O coração batia tão forte que sentia o retumbar do seu peito. Não , o simples
pensamento que aquilo poderia acontecer a causou um verdadeiro pavor . Pensar nesse
homem , que realmente pouco conhecia nu na frente dela , a idéia de que ele a tocaria em
lugares mais íntimos dos que tocava agora , imaginar como reagiria a sua nudez e ao contato
de suas carícias ... era simplesmente demais pra ela! Jerry ha havia acusado de estar
assustada . Mas ela realmente estava . Estava mais assustada do que já esteve em toda sua
vida. Se sentia muita mais viva , do que já havia se sentido... e por isso mesmo estava
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
assustada
O medo vencia o desejo, e com ele apareceu por fim a indignação. Como se atrevia? Talvez
estivesse acostumado a remodelação em aves quando ele gostava (não ficou muito claro , mas
foi o melhor que eu consegui) mas ele era um homem!
E não um homem qualquer , mas um Duque! Podia ter quantas aventuras quisesse sem pensar
nas conseqüências . Ela porém , nunca havia beijado um homem antes , Como podia se
aproveitar da sua inexperiência? , sua relativa inocência nos assuntos mundanos?
Maggie, que não havia conseguido converter um impulso sexual em uma incontrolável e
exacerbada raiva, agarrou Jeremy pelos cabelos e tentou afastar sua cabeça com todas as suas
forças.
- Solt... Solta-me! Balbuciou apertando os dentes.
Para sua surpresa, o rapaz levantou a cabeça, e a olhou nos olhos e disse com uma voz forte:
- Ah, não. Você se divertiu muito quando era pequenos e jogávamos, mas agora e a minha vez.
E, logo se apressou para alcançar de novo os seus lábios.
Maggie, não pensou duas vezes. Reagiu instintivamente, tal como havia feito momentos antes,
quando tinha aberto a boca ao abrigo do mesmo, mas desta vez foi a fúria, e não a paixão que
a impulsionou. Soltou os cabelos, jogou o braço para trás e fechando o seu punho, golpeou o
Duque com toda sua força no nariz. Ele mesmo havia explicado cinco anos antes que era um
lugar ideal para se dar um murro, porque a cartilagem do nariz é muito sensível, e não
danificaria os dedos.
Infelizmente, devido ao estreito abraço, não conseguiu atingir o alvo, machucou o punho
batendo nos dentes de Jeremy . Mesmo assim, o soco teve o efeito desejado, o jovem a soltou
e Maggie, sacudindo a mão no ar, pode se levantar e sair do alcance dele.
- Mas que diabos...? Jeremy exclamou, levando a mão à boca. Ao baixá-la, viu que tinha uma
gota de sangue, proveniente com certeza, do momento em que o punho tinha esmagado o
lábio superior contra os dentes. Embora o golpe não tenha feito muito dano, ele havia deixado
atordoado. - Mags, o que você esta fazendo? – exclamou atordoado, olhando- a com uma
expressão de descrença.
- Eu te disse para me soltar, - respondeu com irritação ao mesmo tempo olhava seus dedos,
que haviam começado a inchar. Temia ter deslocado um dedo. O que iria fazer agora? Se
tivesse quebrado a mão contra os dentes do Duque de Rawlings. Como poderia explicar isso
para sua mãe?
- Sim, mas... - O jovem olhava para o sangue em sua mão com uma indescritível expressão de
espanto. Você me pegou.
Com o sol iluminando de cima para baixo, Maggie lhe lançou um olhar de exasperação.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Oh,vai - respondeu, tentando soar mais indignada do que estava. Você acha só porque e um
duque, você pode incomodar com impunidade qualquer pessoa? Na próxima vez você pensara
melhor, e será menos convencido. “Eu te disse para me deixar, eu disse a sério”, - respondeu
ao mesmo tempo em que olhava com grande satisfação o fio de sangue que escorria a partir
da comissura da boca. Aliviada, ela percebeu que o coração batia a um ritmo mais tranqüilo, e
a paixão ardente que sentiu pouco antes havia acalmado, pelo menos por agora.
Mas não quis te causar dano... - Objetou Jeremy suavemente. A garota viu no rosto do duque
uma estranha expressão que nunca tinha visto antes em todos os anos em que o conhecia. O
que não sabia era que ninguém tinha visto antes o Duque de Rawlings com um aspecto
semelhante. Essa foi a primeira vez que Jeremy a esboçava. Como era, afinal, a primeira vez
que uma mulher o rejeitava.
- Sei – respondeu Maggie, a sua fúria continuava a arder como uma brasa. - Eu sei exatamente
o que você queria fazer, e te aconselho a pensar duas vezes antes de tentar novamente,
porque eu prometo que voltarei a te bater.
Jeremy não podia acreditar no que ouvia. Tinha na sua frente a mais bela mulher que ele tinha
visto em um longo tempo, a casualidade e que a conhecia desde a infância, e o havia rejeitado!
Nunca em sua longa e variada vida sexual nada semelhante tinha acontecido. Nunca uma
mulher tinha resistido. Nunca. Simplesmente não tinha ocorrido.
Não sabia o que pensar. Ele estava certo de que garota se sentia atraída por ele, pois os seus
beijos tinham sido apaixonados. Não poderia ter entendido mal. Então, por que ela o tinha
parado?
Talvez porque desde pequena haviam lhe ensinado que uma garota deveria ser casada, ou
pelo menos prometida, antes de permitir que um homem fizesse o que Jeremy havia tentado,
sem o beneficio do casamento. Mas esse não foi um obstáculo para muitas senhoras da alta
sociedade que tinha conhecido durante a ultima temporada, em Londres. Por que isso tinha
parado Maggie?
O jovem estava a olhar para ela, iluminada pelo sol, tinha as bochechas coloridas e respirava
entrecortadamente, tentando recuperar o fôlego, que parecia mais uma prova do seu desejo
por ele. Por um instante, não pode evitar admirar a forma com que o decote abria mais com
cada inspiração.
Também foi isso que Edward tinha visto quando chegou ao estábulo um instante mais tarde.
- Jeremy! Vociferou o cavalheiro.
Os pássaros que repousavam sobre as vigas piaram assustados e começaram a voar em bando
ao ouvir a voz grave no silencioso edifício frisado pelos raios de sol. Mas as aves não foram os
únicos que Edward assustou, Maggie soltou um guincho, e com um intenso rubor nas
bochechas, cruzou braços para cobrir os seios semi-desnudos.
- Que diabos está acontecendo aqui? Edward perguntou, irritado.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Santo Deus, - contestou Jeremy arrastando as palavras, desde o fardo de feno que ainda
estava deitado. Por que você tem ser sempre tão inoportuno? Maggie e eu estávamos apenas
nos conhecendo um pouco melhor depois de todo este tempo.
-Margaret. –A garota estremeceu ao perceber severidade na voz de Lord Edward. Ela nunca o
tinha visto com tanta raiva, nem mesmo quando os surpreendeu a por bombas na parte
posterior do coche do vigário. Volta para a sua mãe agora mesmo.
- Sim, senhor, - a jovem não precisou que lhe dissesse maia nada. Sem uma única palavra,
virou-se e correu para a porta. Ou tentou, mais teve que parar em seco ao notar que alguém a
segurava por um dos aros metálicos da crinolina na parte de trás da saia. As fitas que seguram
a crinolina à cintura lhe apertaram o estômago e a garota soltou uma breve exclamação antes
de olhar com expressão acusadora por cima do ombro. Mais Jeremy não olhava para ela, sim
para seu tio.
Não é necessário que a mande para sua mãe, - disse o jovem com tom autoritário. Claro,
pensou Maggie como ele devia estar acostumado dar ordens. - Ela não fez nada de errado. Se
você quiser ficar bravo com alguém, fica comigo. Ela é inocente...
-Oh, não tenho nenhuma dúvida de sua inocência, - disse Lord Edward. O medo de a garota
passou a ver que o cavaleiro começou a tirar o seu casaco. O homem, que nunca tinha visto
com um cabelo fora do lugar, estava tirando a roupa nos estábulos! - É você quem vou
despelar vivo. Mas se você quiser que Maggie esteja presente enquanto eu faço isso, não
tenho qualquer problema.
A garota soltou de uma exclamação de alarme, puxou o aro do crinolina das mãos de Jeremy e
fugiu tão rápido que pôde.
Capítulo 5
- Não precisava assustá-la - reclamou Jeremy franzindo o cenho , olhando Maggie correndo a
luz do sol , pela porta do estábulo.
- Oh , não - repulsou Edward com o olhar fixo nos punhos da camisa dobrada com cuidado -
Você estava se encarregando disso não é?
- Eu? - o menino parecia ofendido - Eu não a assustava .
- Ah , não? - disse seu tio com as mangas puxadas até os cotovelos - Então porque sua boca
está sangrando?
O Duque levou uma das mãos aos lábios , havia esquecido do corte feito pelo soco
- Ah , estou - riu entre dentes - Não vai acreditar , fui eu quem a ensinou este gancho. Nunca
pensei que ela ia usá-lo contra mim
- De verdade? - o cavalheiro continuou olhando - e o que acreditava que ela ia fazer Jerry? Se
derreter em seus braços?
- Bom - contestou - Isto é o que freqüentemente é feito. De verdade , isso é a primeira vez que
me acontece . Eu ainda não entendo porque , mas acho...
- Pois pensa um pouco - o interrompeu seu tio com severidade - Talvez vocês tenha alcançado
a maior idade mas a Maggie ainda é uma menina
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Oh por favor - respondeu o menino indignado - Ela vai fazer dezessete anos. É a idade em que
minha mão me trouxe ao mundo.
Edward surpreendido por Jerry mencionar a sua mãe , de quem falava em poucas ocasiões
apenas disse :
- Maggie Herbert é filha de um cavalheiro. Seu pai é seu assessor financeiro , e meu amigo. -
Jeremy tinha ouvido muitas vezes seu tio queixar-se o quanto enraivecido poderia tornar-se Sir
Arthur. A garota é convidada da minha esposa, e isso significa ficar nesta casa, sob a sua
proteção. Como você pode ser tão sem vergonha, ou melhor, tão estúpido, tentando seduzi-la
nada menos que no estábulo, como se fosse uma camareira qualquer em uma noite de farra?
Isso não é verdade, - respondeu o rapaz com tom de dignidade ferida. Eu nunca tentaria
seduzir uma camareira em um estábulo. Antes de dignar me a deitar com ela, exigiria que no
mínimo me oferecesse um bom quarto com uma boa cama...
Ele viu na hora que golpe veio. No entanto, para a surpresa de Edward, o seu sobrinho não
tentou impedir ou esquivar do soco. Seus dedos se precipitaram com força na mandíbula de
Jeremy, que desabou sobre um monte de fardos de feno.
O cavalheiro sacudiu a mão machucada pela força do impacto, havia muito tempo que não se
envolvia em uma briga corpo a corpo, pois não era bem visto que os membros da Câmara dos
Lordes participassem de brigas de qualquer tipo.
-Lamento ter tido que fazer isso, - disse ele com um tom de indignação. Mas, por bendito
Deus, Jerry...
- Eu sei. - O jovem, com o rebelde cabelo preto cheio de palha, se sentava enquanto acariciava
seu queixo, duplamente penalizados. Eu mereci.
Isso e mais, - respondeu o tio gravemente. Esta noite você irá para Herbert Park e vai pedir
desculpa tanto a Maggie, que duvido que queira ver-te, como aos seus pais. Deixará o
continente, amanhã de manhã na primeira hora. –Aproximando-se do seu sobrinho, Edward
estendeu a mão para ajudá-lo a levantar-se. Quanto mais cedo você for, - disse ele bufando
enquanto puxava Jeremy com força, - mais cedo poderemos esquecer este lamentável
incidente.
Após levantar-se, Jeremy começou a sacudir o calças para que saíssem os pequenos pedaços
de palha.
- Quando se celebrará o casamento? Dentro de seis meses? Acho que vou ter de esperar pelo
menos seis meses antes de regressar, para estar seguro ... Por Pierce, que dizer.
Edward, que tinha sido flexionar seus dedos para verificar que não havia nada quebrado,
permaneceu imóvel, olhando para o seu sobrinho com atitude severa.
- Que casamento? –perguntou com receio.
-O Casamento, - respondeu o rapaz enquanto removia uma lâmina de palha cabelo. Quer
dizer, entre Maggie e eu.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Você pediu que Maggie Herbert se casasse com você?
- Bom, na verdade não, - explicou o sobrinho, não antes de soltar um riso desconfortável. Claro
que não! Nenhum homem quer casar. -O riso terminou com a mesma bruscalidade com que
ele tinha começado, e Jeremy nervoso perguntou. Não vai obrigar-me a casar com ela? Tendo
em conta nos pegou ... Como é que você diria? Em flagrante delicio...
-Estou satisfeito de saber que, durante a sua estadia em Oxford tenha aprendido alguma coisa
de latim, - respondeu o seu tio, devo confessar que não, nem tinha passado por minha cabeça
te forçar a casar com Maggie Herbert.
Para surpresa de Edward, o rapaz parecia desapontada.
- Mas eu a comprometi. – replicou. –pensava que...
-A única coisa que eu vi e que estava com o decote desabotoado –o interrompeu antes de
levantar com gesto ameaçante o dolorido punho. Está me dizendo que você a desonrou?
-Jeremy se pegou mirando punho.
"Bem..." respondeu. Não. Mas se ela não tivesse tentado esmagar o meu nariz. E se você não
tivesse chegado, claro.
-Bem uma razão a mais razão para você ir para França –disse o cavaleiro enquanto abaixava o
braço. - Você poderá seduzir as francesas que desejar. Mas esquece as inglesas, especialmente
Maggie Herbert. E agora, vá arrumasse. Sua tia pergunta por ti, por isso vim te buscar.
Edward se dirigiu para a porta do estábulo, onde ele tinha deixado o casaco e o lenço. Quando
se virou para o seu sobrinho, ele encontrou-o de pé na frente dele, com a mandíbula vermelha
e inchada, e com uma expressão de raiva nos olhos cinzentos.
- Porque não? – Perguntou com tom de voz baixa e grave que o seu tio mal reconheceu.
- O quê? – perguntou o cavaleiro desconcertado.
- Porque não pode ser Maggie? -O rapaz tinha os punhos apertados ao lado do corpo. – Por
que você acha que não seria uma boa duquesa? Pensa que ela não esta a altura, né?
Seu tio começou a sacudir o casaco com tranqüilidade.
-Pelo contrário, - respondeu com uma voz amável, em contraste a severidade das suas
palavras. Maggie seria um grande duquesa; é você, meu filho, que não está a sua altura.
Jeremy tencionou o músculo de sua mandíbula.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Diz isso por minha mãe? - Ele perguntou com rispidez.
- Santo Deus, claro que não, - disse Edward com um riso forçado. Isto não tem nada a ver com
a sua mãe ter sido uma prostituta. Ao ver que Jeremy não mudava ao ouvir falar assim, sentiu
um profundo respeito por ele. No entanto, continuou no mesmo tom. Você não merece a
Maggie, ou qualquer outra mulher decente, é porque você é um libertino.
O Duque pestanejou.
- Eu sou o quê?
-Jerry, estou surpreso Seu tio negou com a cabeça com uma expressão de decepção, mas
sorriu para si mesma. Não sei se você notou, mas sua tia Pegeen tem dedicado de coração e
alma em trabalhar em seu nome, nas instituições de caridade e fundações beneficentes. Neste
preciso momento, há uma dúzia de órfãos, a quem minha esposa convidou para um
piquenique, estão arrasando as rosas do jardim. Edward viu que Jeremy permaneceu
imperturbável. Tem te criado desde que era um bebê, não aprendeu nada que ela tem te
ensinado? Sua tia vive para tornar este mundo um lugar melhor para as crianças, as mulheres
e os pobres. E é isso que você deveria estar fazendo também.
- Quer que eu faça obras de caridade? - perguntou Jeremy com um tom de voz evidenciava
rejeição que a mera idéia lhe causava.
Não é necessário, - respondeu seu tio impacientemente. Mas você deve fazer algo de útil com
a sua vida.
- Por quê? - Indagou o rapaz em um tom beligerante. Sou um Duque.
-É exatamente por isso. Você tem que provar que merece o título. Você não pode gastar vida
batendo em duelo e seduzindo jovens.
- Porque não? Quando você era a minha idade, fez o mesmo.
- Sim, - respondeu Edward levantando o dedo indicador. Não queria parecer pedante, mas não
pode evitá-lo. - Você está certo. Eu era como você. Pensava que a minha única obrigação na
vida era me divertir. Mas quando eu conheci a sua tia, eu percebi que estava muito errado. Se
você quiser conseguir uma mulher decente, não pode limitar a seduzi-la em um estábulo e
esperar seus pais o forçarem a casar com ela.
- Isso não era o que eu pretendia – respondeu o duque ligeiramente ruborizado.
- E você não pode pretender impressionar a nenhuma mulher que vale a pena só porque você
tem um título. Ao menos deveria conseguir te ame por si mesmo... A verdade é que, quando
eu conheci a sua tia, o homem que eu era não valia nada, além das centenas de libras em
notas de alfaiataria, como ela mesmo me fez ver. Mas eu mudei Jerry, e eu tenho feito algo de
útil com a minha vida. Aperfeiçoei uma das minhas habilidades naturais, discutir, e a converti
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
em meu trabalho. Agora discuto, com bons resultados, para melhorar a vida das pessoas, na
Inglaterra, ou pelo menos eu tento. Isso é o que você deve fazer, descubra o que você faz e
dedicar-se a ela. Só então poderia atrair uma garota como Maggie...
- Eu não quero uma garota como Maggie – falou o jovem. - Eu quero ela.
Edward arqueou as sobrancelhas. Não que isso realmente o surpreendia, afinal, Maggie
Herbert foi uma das poucas mulheres que Jeremy conhecia que não tinha o menor interesse
em se tornar uma duquesa. Contudo, ele se deu conta que seu sobrinho não tinha percebido
que era precisamente isso que o atrai nela.
-Não importa. Você tem que fazer alguma coisa...
-A única coisa que sei fazer - respondeu o jovem e lutar.
Seu tio assentiu.
- Não há dúvida que você tem mostrado uma certa aptidão para isso. - Além disso, os estudos
não parecem te interessar em absoluto, e duvido que a política ...
- Só sei lutar - insistiu o rapaz, que parecia ter parado escutar. Virou-se para trás e seu tio deu
alguns passos apressado através do feno. Sou muito hábil com a espada, sei também utilizar a
pistola. Eu também sou um bom cavaleiro.
- É inegável que são qualidades que são dignas de admiração, mas...
Jeremy parou a poucos passos da porta do estábulo de Rei e Edward e viu que colocava seus
ombros para trás e erguia cabeça.
-Já Sei - resolveu, dirigindo-se para seu cavalo, em seguida voltou-se para seu tio. Eu me
alistarei na cavalaria.
Aquilo havia sido uma declaração e não uma pergunta.
-Bem, talvez devêssemos falar sobre isso ...
-Não há nada para falar sobre isso - Jeremy interrompeu em tom peremptório. E depois
continuou ele. - Preciso de um emprego e, o exército é um lugar tão bom como qualquer
outro. Como não é possível pagar, a fim de alcançar a posição de oficial terei que merecê-la.
Na verdade, tanto melhor.
Edward se sentia cada vez mais desgostoso.
- Mas, Jerry, o exercito é para os filhos que não que vão herdar a fortuna da familiar ou o
título, e não quer entrar no seminário. Em geral, os duques não...
- Entrarei na guarda montada - respondeu o rapaz. Seu tio não estava certo se ele havia lhe
escutado, ou se ele fazia caso. O jovem começou a andar novamente, com aparente
entusiasmo. – Pedirei que me mandem para Índia. É o lugar mais perigoso, certo? É uma pena
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
que não estamos em guerra, eu teria gostado de lutar na frente. Talvez eu possa começar uma.
E, sem dizer uma palavra, estava saindo do celeiro.
-Jeremy – chamou seu tio.
- Ele retornou aparentemente surpreendido com o fato de continuar ali.
- O quê?
- Não valou serio, certo? – ele perguntou. - Eu não posso acreditar que você deseja alistasse no
exército...
- Sou um Duque, não é? - Respondeu com um sorriso. Posso fazer o que eu quiser.
Capítulo 6
- O quê disse? - exclamou Pegeen, deixando cair das mãos a escova revestida de prata.
- Na cavalaria, - disse Edward, sentando na beirada da cama com o cotovelo apoiado sobre o
seu joelho, a poucos passos do tocador de sua esposa. Ele tinha uma expressão de profundo
desânimo. - Pelo menos, isso é o que ele disse.
- Mas... Pegeen levantou-se, segurando a escova com um mínimo de forças. O exército? Você
disse que ele queria alistasse no exército?
-Na cavalaria - repetiu com um sorriso de desamparo, olhando para sua esposa, que havia
começado a andar para cima e para baixo no quarto. Havia sido interrompida, enquanto se
arrumava para o jantar, e vestindo apenas uma camisola e calçolas novas de corte francês.
Agarrava a escova com muita força, como se fosse ela que quebrara pacífica existência que
eles tinham levado, até que seu marido havia informado a ela aquela inesperada notícia.
- A cavalaria? - Questionou aumentando a voz que transmitia uma sensação de crescente
pânico. - Meu Deus, o matarão. Não vai durar um minuto. É demasiado sensível...
O cavalheiro se perguntou se devia dizer a ela que seu sensível sobrinho, havia ferido
mortalmente um homem em um duelo, no dia anterior. No entanto, decidiu que seria melhor
esperar ela se acalmar.
- O que vai fazer um cara como Jerry na cavalaria? – se perguntou passando em frente à cama.
Ao dar meia volta seus cabelos longos e escuro flutuaram no ar caindo sobre suas costas e
após uma breve pausa, começou a caminhar na direção oposta. Levará um tiro no primeiro dia.
-Não levará um tiro – tranqüilizou seu marido. A Guarda montada utiliza espadas, não armas.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Não importa que tipo de arma e usada. Ela não será capaz de defender exclamou. Se ele não
pode sequer disparar em um faisão. É incapaz de matar uma pessoa!
- A verdade, Edward começou devagar, na realidade...
- E na Índia! Meu Deus! Contrairá malária e vai morrer sozinho em um país estranho e
tórrido...
- Querida – a interrompeu o cavaleiro enquanto a observava caminhar para cima para baixo
sobre o desenho de rosas do carpete.
-Você tem que impedi-lo, - decidiu Pegeen. Não há outra opção.
-Não podemos fazer isso, - respondeu ele com tom cansado. -Agora é maior de idade, e pode
tomar suas próprias decisões.
- Maior? – Pegeen virou-se para olhar-lo de frente e apontar para o peito dele com a escova
num gesto acusador. - Mas, ele ainda é uma criança! Ainda não atingiu vinte e um, e se não o
determos não completara os vinte e dois.
-Segundo a lei, já e um homem - replicou Edward enquanto tirava suavemente a escova de
suas mãos para que não continuasse brandindo como uma arma. Nós não podemos evitar que
ele faça o que ele quer. Além disso, não creio que o exército é tão má escolha, aprendera
disciplina e o manterá afastado de Maggie.
- Maggie! - Pegeen se lamentou, levando as mãos para as bochechas que ardiam. Oh, meu
Deus. Eu nunca vou me perdoar. Pobre menina.
- Perdoar-se? – O Cavalheiro esticou braços e puxando a sua esposa pelo quadril, fazendo a
sentar no seu colo. O que você tem a ver com o que aconteceu? Não me lembro de ter visto
você nos estábulos.
- Por Deus! - Mortificada, Pegeen afundou o rosto no pescoço de seu marido. Como vou ser
capaz de olhar na cara da Anne? E sua mãe? Como poderei Edward? – Se perguntou,
golpeando suavemente o seu peito com o punho num gesto de impotência. Como ele pode?
Edward negou com a cabeça, mas ele compreendia perfeitamente como o seu sobrinho havia
feito algo tão repreensível... e tentador. Ele havia sido testemunha da evolução dos fatos,
estava tão surpreso quanto Jeremy da bela moça que se tornou o mais jovem filha de Sir
Arthur. Se tivesse vinte e um anos e fosse solteiro, teria feito o mesmo. No entanto, Jeremy
havia se mostrado tão disposto a casar-se com ela, essa era questão que mais lhe
surpreendeu.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Você acha que está apaixonado por ela? – perguntou apoiando o queixo na cabeça de sua
esposa.
- Por Maggie? - indagou Pegeen, com voz parcialmente absorvida pela roupa de Edward. Oh,
eu não creio. A menina foi sempre muito cruel com ele.
Se bem me lembro, você também era muito cruel comigo quando nos conhecemos.
- Isso não é verdade! Ela disse levantando a cabeça.
- Sim, é. - Tentou cortar meu dedo com uma faca de pão.
-Oh - Pegeen voltou a encostar a cabeça no peito do seu marido. - Você mereceu.
Edward arqueou as sobrancelhas, mas preferiu ser prudente e não dizer mais nada.
- Acha que se trata disso? – perguntou Pegeen momentos mais tarde, com uma expressão
pensativa.
- Que se trata de que?
- Você disse que ele havia sido golpeado, certo?
O cavalheiro assentiu.
- Sim, e creio que bateu tão forte como eu. No entanto, errou o golpe e acertou na boca. Não
ficarei surpreso de ver Miss Maggie Herbert com uma tala na mão amanhã.
- Oh, querido exclamou com uma careta. Desejava que você não tivesse feito. Duvido que
fosse necessário atingi-lo.
- Se você o tivesse ouvido, você também teria dado um soco nele, não tenho dúvidas, - disse
com um sorriso.
- Bem, que seja -respondeu a Sra. Rawlings, tentando aparentar uma certa dignidade apesar de
estar sentada no colo do marido e com nada mais do que a roupa intima. Suponho que a
resistência de Maggie a seus...encantos, é o que tem levado a se sentir atraído por ela. Duvido
que qualquer mulher o tem rejeitado antes. Deve ter sido profundamente desconcertante.
- Tanto para querer casar com ela?
-A pessoas que se casam por razões muito mais absurdas. Não sei por que você se admira que
Jeremy queira casar-se com alguém que é o trata como um igual e não como um Deus só
porque tem um título e uma considerável fortuna, como fizeram todos aquelas jovens que ele
conheceu em Londres na última temporada.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Eu não acho que queira casar-se com ela porque ela o rejeitou, mas sim por sua beleza. Você
ficaria surpreso como que um rostinho bonito pode abalar as convicções mais firmes de um
homem. - Edward abaixou a cabeça e beijou suavemente o pescoço de sua esposa. Por
exemplo, só vim para te dizer que seu sobrinho quer alistar-se no exército, mas está tão
sedutora com essas roupas... Pegeen rindo não protestou quando seu marido a reclinou ate
deitá-la sobre a cama - eu acho que nós vamos chegar atrasados para o jantar mais uma vez.
Capítulo 7
A poucos quilômetros de distância dali, a última coisa que Maggie Herbert fazia era rir. Desde
que Jeremy havia saído da biblioteca de Sir Arthur uns vinte minutos mais cedo, seus pais não
tinham parado de brigar com ela.
-Não vou perguntar o que veio contar o Duque é ou não verdade, - começou o cavalheiro
sentado atrás de sua enorme mesa de mogno. Penso que um homem como o duque de
Rawlings não vai sair contando mentiras sobre as filhas de seus vizinhos.
Maggie estava em pé de frente pra mesa com as mãos atrás das costas para evitar que seu pai
visse a bandagem em seu dedo. Olhava nervosamente para sua mãe, enterrado em uma
cadeira de couro a poucos passos de distância dela, que embora um pouco pálida, manteve
sua compostura muito melhor do que ela havia previsto.
-Não há necessidade que olhe para a sua mãe para que saia em sua defesa, - continuou o
cavalheiro com toda a dureza que era capaz. Nunca havia sabido impor muita disciplina e
aquele dia não era uma exceção. Ela estava tão envergonhada como ele pelo que havia feito.
Você desonrou a nossa família, e também comprometeu a casa Rawlings. Tenho a certeza que
Lord Edward compartilha minha decepção com o seu comportamento... Ainda penso que a
culpa recai principalmente sobre você, Margaret.
- A jovem entreabriu os seus lábios, pronto para defender-se dessa injusta acusação, mas se
conteve ao ver que sua mãe negava com a sua cabeça.
- Apesar de ter dito inúmeras vezes que deixasse quieto o jovem duque, - prosseguiu Sir
Arthur, você nunca deixou martirizado-lo, sem levar em conta, que como conseqüência da
equivocada escolha de seu pai em escolher a esposa sua excelência teve uma infância difícil...
A moça havia ouvido essa história tantas vezes que era impossível continuar prestando
atenção. Ainda assim, o seu pai continuou a explicar como John, o irmão mais velho de Lord
Edward, tinha se casado com Katherine, filha de um pastor e irmã mais velha Lady Pegeen, um
erro que acabou por pagar com sua vida. No entanto, ele nunca explicou o que tinha
acontecido com a mãe do duque. Quando era criança, Maggie tinha ouvido fragmentos de
conversas e havia concluído que Katherine não só estava viva, como também vivia em Londres.
No entanto, ela também tinha ouvido que Lord Edward a tinha proibido de aproximar-se do
filho. Aparentemente, o motivo foi que John tinha sido morto em um duelo por culpa dela.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Não tenho nenhuma dúvida de que o incidente de hoje, - procedia impassível o cavalheiro, -
como em muitas outras ocasiões, é conseqüência de sua vontade de incitar sua excelência se
comportar com uma total falta de decoro ...
A jovem bufou com a intenção de começar a defender-se, mas mais uma vez, sua mãe a parou
com um gesto de cabeça. Maggie apertou os dentes e ficou olhando para que seu pai não visse
a expressão de revolta em seus olhos.
-Eu apresentei a Vossa Excelência minhas mais sinceras desculpas por seu comportamento,
ainda que, como um cavalheiro discreto que é, insistiu em que toda a culpa era dele. Amanhã
eu vou pedir desculpas para a Lord e Lady Edward. - O corpulento Sir Arthur apoiou a mãos
gorduchas na mesa e suspirou. Margaret, sua mãe e eu acreditamos que este comportamento
comprometa o seu futuro. Não creio que seja necessário explicar que o seu comportamento
desta tarde estaria totalmente fora de lugar nos salões de Londres. Por outro lado, me
disseram que em algumas ocasiões, você admitiu que se sente controlada por seus... impulsos.
Se isso o que aconteceu hoje é uma indicação de para onde se dirigem estes impulsos, seria
insensato te levar para Londres na próxima temporada.. Temos de ter em conta o alojamento,
depois do que aconteceu hoje duvido que Lord e Lady Edward sejam tão amáveis para permitir
que nos utilizemos sua casa na cidade, como fizeram com suas irmãs. Além disso, também
temos de comprar vestidos, chapéus e todo tipo de futilidade. Não penso que seja razoável
que gastar uma soma considerável de dinheiro em uma apresentação a sociedade de uma
jovem, que muito provavelmente ira nos por em evidencia, caindo nos braços do primeiro
homem que a tirar para dançar...
Maggie levantou a vista e estava olhando para seu pai com uma expressão colérica. No
entanto, o cavalheiro não parecia se dar conta dos dados envenenados que lhe lançavam os
olhos da moça.
-Assim, após longa e cuidadosa análise, sua mãe e eu décimos não te apresentar na próxima
temporada.
A garota sabia que aquilo pretendia ser um castigo, por isso, desobedecendo a seu primeiro
impulso, não expressou qualquer alegria. Em vez disso, olhou para baixo novamente e tentou
suprimir o sorriso que se manifestava nos seus lábios.
- Sim, pai - disse com convincente humildade.
- Neste momento a sua mãe e eu estamos em um dilema. Em minha opinião, devo dizer
também na de Anne, acho que para alguém com o seu temperamento, seria altamente
desejável passar alguns meses em um convento...
Surpreendida, a jovem olhou fixamente para sua mãe, que encolheu os ombros em um gesto
quase imperceptível.
- No entanto, sua mãe não concorda. Ela acredita que parte do seu problema é porque você
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
tem uma alma inquieta de artista - após pronunciar essas palavras, fez uma careta como se
tivesse um gosto ruim na boca, - e como pais, a nossa obrigação, na medida de nossas
possibilidades, e aplacar essa exaltação. Embora eu acredite que o convento seria um bom
lugar para fazê-lo, sua mãe acha que uma pessoa com o seu talento pode se sentir sufocada
neste apertado ambiente, e propôs como melhor solução, te enviar para Academia de Arte de
Paris que nos falaste no mês passado...
Nessa ocasião, Maggie foi incapaz de suprimir os seus sentimentos, e virou-se para olhar para
sua mãe.
- Não pode ser! Exclamou com descrença. Sério? Estás a falar a sério?
Lady Herbert, que era mais hábil em ocultar seus sentimentos, respondeu calmamente, apesar
de seus lábios esboçarem um sorriso de satisfação.
-Sim, querida. Você pode começar no outono...
A garota se jogou no pescoço de sua mãe, com lágrimas de gratidão. Sir Arthur, sentado atrás
da mesa, pigarreou com ênfase para obter a atenção das duas mulheres.
-Isso não é nenhuma recompensa - ele recordou com um tom severo. Você terá que estudar
intensamente, e qualquer relato de Madame Bonheur sobre o seu comportamento...
voluptuoso, resultará em seu imediato retorno.
-Oh, sim papai, - disse ela fungando o nariz, enquanto secava suas lágrimas com um lenço que
sua mãe havia lhe dado. Você não vai se arrepender de ter me oferecido esta oportunidade. Eu
Prometo que de Madame Bonheur vocês só vão receber elogios sobre mim.
-Assim espero. Hill ira contigo para te vigiar. Não imaginava iríamos te enviar para fora da
Inglaterra, sem ninguém a acompanhá-la.
-Claro que não,- respondeu a garota, que estava sentada no braço da cadeira de sua mãe. -Oh,
papai, você não sabe o que isto significa para mim...
Não, tem razão – ele a interrompeu com um tom de voz ligeiramente irritado. Eu não sei. No
meu tempo, as jovenzinhas não acompanhavam os rapazes aos estábulos... e muito menos se
fossem duques solteiros! E naturalmente, tão pouco iriam para uma academia de arte. Eu não
entendo o que acontece com à sua geração, e creio que eu nunca vou entender. O lugar de
uma mulher e em casa e o seu trabalho e cuidar do seu marido e lhe dar um herdeiro. Todas as
suas irmãs parecem ter compreendido, e espero que quando você esquecer essa infernal
vocação para rabiscar, você volte para casa e se case com um homem decente, tal como fez
Anne. Eu não entendo porque você não pode se parecer um pouco mais com ela. Suas irmãs
nunca insistiram para deixá-las estudarem na França, as escolas inglesas foram mais do que
suficiente para elas. E quando terminaram a sua educação, se casaram como uma mulher deve
fazer. Esta nova tendência que as mulheres parecem ter de trabalhar fora de casa será a
ruína...
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Sim, Arthur – interrompeu Lady Herbert enquanto colocava uma mecha de cabelo de sua filha
atrás da orelha. Eu sei. Mas Maggie não é como nossas outras filhas. Ela é especial.
Especialmente problemático – resmungou o cavalheiro. É a única coisa especial vejo nela. E
agora, se tiver acabado de chorar, gostaria de jantar. O que é que tem no dedo, Margaret? Um
curativo? O que aconteceu desta vez?
Depois do jantar, ela se retirou o seu quarto com Hill, a camareira de sua mãe, para começar a
elaboração da lista de coisas que levaria para Paris. Embora ainda faltasse quatro meses para a
partida, Maggie sentia que nunca era demasiado cedo para começar a planejar uma longa
viagem para o estrangeiro. Além disso, precisava remover da mente o que tinha acontecido
naquela tarde, ele sabia que a atividade constante era uma boa maneira de conseguir isso.
Na realidade, e que Maggie não podia deixar de pensar no Duque de Rawlings. Absolutamente.
Entendia perfeitamente o que tinha acontecido entre eles, e se sentiu muito envergonhada e
um pouco irritada. Agora ficou claro como cristal, Jeremy havia aproveitado a oportunidade de
passar o tempo tratando de seduzir uma garota a quem conhecia desde a infância. Ela tinha
certeza que não havia nada mais do que isso, apesar do que teria sido se Lord Edward não os
tivesse surpreendido.
No entanto, ela não podia negar que ela tinha permitido o que se sucedera, mas isso era fácil
de explicar, sempre havia sido uma garota muito impulsiva, e havia se deixado levar pelas
circunstâncias. Felizmente, havia se salvado da desonra, pelo menos por agora, e também
tinha aprendido uma valiosa lição: ela não podia confiar nos homens, e muito menos em si
mesma quando se tratava deles. Evitar uma repetição do incidente como aquele iria ser fácil,
pois tudo que tinha que fazer era nunca mais ficar sozinha com um homem. Isso era tudo.
Problema resolvido.
No entanto, a primeira oportunidade de testar o novo plano seria muito mais cedo do que ela
esperava. Hill estava fazendo inventário do quarda-roupa quando ela ouviu um barulhinho
vindo da porta de vidro do terraço que havia em seu quarto. Quando abriu, pensando que era
o gato que queriam entrar, se surpreendeu ao encontrar o Duque de Rawlings a luz da lua,
com o dedo indicador sobre seus lábios.
- Tenho que falar com você, - sussurrou.
- Você perdeu a cabeça? - Indagado Maggie, com uma mão segurando o trinco e a outra na
batente da porta. De repente, seus lábios tinham se tornado muito pálido. Meu pai está lá em
baixo. Se te encontrar aqui vai te matar.
Ele não fará, - disse o jovem, imperturbável. Trabalha para mim, lembra?
- Ele leva as contas apenas como uma distração - respondeu a garota atirando a cabeça para
trás. Ele não precisa do emprego. Tem a sua própria renda. Agora vá.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Ao tentar fechar, percebeu com irritação que Jeremy havia colocado a bota entre a porta e a
batente e por mais que tentasse, não poderia fechá-la.
- Eu te disse para ir embora, - ela disse finalmente. Eu não quero voltar a falar com você nunca
mais.
A lua era brilhante o suficiente para Maggie ver que o jovem esboçava um sorriso.
- Você pareceu muito convincente. Talvez se você fechasse a boca, poderia parecer real.
- Eu digo serio Jerry – resmungou a garota, furiosa com mandíbula apertada. Hoje você me
colocou numa tremenda confusão...
- Eu que te coloquei em uma confusão? – ele a interrompeu com um riso forçado. Isso é
realmente bom. Pensei que era eu quem tinha dar a cara como se fosse... agitou sua cabeça
em uma maneira significativa.
- E se você fosse o quê? - Ela perguntou em um tom defensivo.
-Como se fosse o cumulo da perfeição, terminou com evidente desgosto. E agora, você vai
deixar entrar ou vou ter que derrubar a porta?
- Não te atrevas! - Maggie exclamou com as bochechas ardendo. O que havia acontecido
naquela tarde só se repetiria por cima de seu cadáver. - Quase me trancam em um convento
por sua causa.
Jeremy inspirou profundamente, como se esforçasse para manter a calma.
- Olha, Mags - disse após um momento. Eu vim pedir desculpas. Me deixa entrar ou vou ter
que esperar até que venha seu pai e me um tiro na cabeça?
A garota sentiu que o seu coração acelerava novamente.
- Eu... - olhou com nervosismo por cima do ombro. No entanto não era Hill que a preocupava,
mas a grande e confortável cama com dossel que havia a alguns passos dela. E que...
O Duque estendeu as suas mãos. Mesmo a luz da lua pareciam ameaçadoramente grandes e
masculinas.
- Se é delas que têm medo, - disse com amabilidade -não as tirarei do bolso. Eu prometo.
Maggie levantou seu queixo.
- Eu não tenho medo, - mentiu com desdém.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Oh, eu sei,- respondeu ele petulante. Tenho algumas contusões para provar isso.
-Mas então, por que não me deixar entrar?
Ele a tinha desafiado, e Maggie não poderia voltar atrás sem perder o pouco de honra que
sobrara.
- Hill? Disse sobre o ombro, olhando com desconfiança Jeremy.
Do fundo do quarto, chegou amortecida a voz da criada.
- Sim, senhorita?
- Importas-te se deixarmos o resto para amanhã? Continuou com os olhos fixos no homem
esperava no terraço. Estou com um pouco de dor de cabeça e vou me deitar.
Na suas costas, uma mulher de meia idade debruçou-se no closet.
- Você ta com dor de cabeça?
A garota percebeu, tarde demais, que não foi uma boa desculpa. Margaret Herbert não havia
estado doente nenhum dia em sua vida, e os criados de Herbert Park sabiam disso.
- Quer que eu diga para sua mãe, ou que vá buscar o Doutor Parks?
-Oh, - Maggie voltou com toda pressa para ficar de costa para a porta de vidro. Não há
necessidade. Eu só preciso dormir um pouco.
- Te trarei um tônico. Vou estar de volta em um momento...
Não, não, disse jovem com um gesto de mão pra tranqüilizar a criada. Você pode ir, muito
obrigado. Terminaremos amanhã.
- Esta bem, senhorita - respondeu Hill com ligeira inclinação de cabeça que expressava certa
desaprovação. Mas se você deseja mais tarde um tônico, por favor, contate-me.
-Está bem, vou fazer - a jovem sorriu agradecida. Muito obrigado.
Na altura em que a empregada deixou o quarto, Jeremy abriu a porta de vidro com tanto
ímpeto que estava ponto de derrubar a garota.
- Bem ... - disse, observando por uns momentos o feminino e branco quarto. - Por fim fui
admitido no quarto da senhorita Maggie Herbert. Devo reconhecer que é uma honra para
mim. Nunca em minha vida havia estado em um ambiente tão virginal.
-Oh, vamos, cala-se - Ruborizada, a jovem foi até a porta do terraço, que o duque havia
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
deixado aberta e a fechou - Se minha virgindade segue intacta não é precisamente graças a
você.
Jeremy arqueou as sobrancelhas diante da noticia que acabara de receber, mas lhe pareceu
melhor não falar do assunto.
- Sim - respondeu enquanto colocava as mãos no bolso, tal como havia prometido - Sinto o
ocorrido. Queriam mesmo te trancar em um convento?
-Sim - a menina nunca havia estado com um homem em seu dormitório, mas somente depois
de deixar o duque entrar que entendeu que era um lugar muito inapropriado para manter uma
conversa com um membro do sexo oposto. Por todo o quarto se via roupas intimas em
desordem; no chão estava a crinolina desgastada, que parecia uma desleixada jaula de
pássaro, e no encosto da cadeira de cetim rosa havia pendurado vários pares de meias,
camisolas e espartilhos. Depois de seu primeiro comentário, o duque se comportou com
descrição, fingindo não se dar conta do que o rodeava, e se aproximou, com as mãos no bolso,
ao cavalete que estava disposto próximo à janela.
-Caramba - comentou depois de examinar um pequeno desenho - é muito bonito. Não sabia
que pintava paisagens.
- As vezes já não sei o que pintar - respondeu Maggie, incomoda - Não vem muita gente pra cá.
-Eu vi o quadro que fez dos meus primos. Me impressionou; parece o trabalho de um
profissional. Não há duvidas que não tem perdido tempo nos últimos anos.
A senhorita Herbert não sabia o que dizer. Era a primeira vez que o duque de Rawlings lhe
fazia um elogio, a menos que levasse em conta os avanços daquela tarde à sua nova figura; e
ela não tinha levado em conta, pois sua figura havia se desenrolado sem nenhum esforço de
sua parte. Seu comentário sobre a pintura, em compensação, lhe pareceu um verdadeiro
elogio e lhe ruborizou mais. Se sentia tão incomoda que o que disse em seguida soou menos
amável do que havia desejado.
-Olhe, Jerry, me sinto muito honrada, mas porque não diz de uma vez porque veio e se vai? Já
me trouxe bastante problemas por hoje.
-Eu sei - de pé, no meio do quarto, com as mãos nos bolsos, o jovem ficou calado, olhando. À
luz da lamparina, Maggie estava tão linda como os raios do sol.Á noite, a cor escura dos seus
cabelos contrastava ainda mais com o tom marfim de sua pele, e lhe dava um ar mais exótico.
Usava outro vestido de musselina, este rosa claro, e parecia ser de outro mundo, como uma
sílfide, ou uma princesa cigana. Se movia com a elegância de uma rainha, e Jeremy a imaginou
facilmente com uma tiara no cabelo e uma capa sobre os ombros.
Se não houvesse sido, por suposto, porque levava um pano branco envolvendo o dedo da mão
direita.
- Dói? - lhe perguntou sinalizando o dedo com um gesto de cabeça.
-Só quando eu pinto - respondeu baixando os olhos - E você?
O duque sorrio.
-Só quando sorrio.
Maggie se aproximou alguns centímetros dele. Se sentia um pouco intimidada por sua altura,
mas levantou a mão e , sujeitando-lhe a barba, lhe envolveu a cabeça para melhor ver os
lábios inchados. Quando o tocou, o jovem fez uma cara de dor, mas não a deteve. Então viu
que ele também tinha um hematoma no maxilar.
-Hmmm -disse com admirável calma - Vejo que Lord Edward lhe deu um belo soco, hein?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Oh - rio Jeremy com ar despreocupado - Sim, ele me bateu com vontade. Não sei qual dos dois
tem um gancho melhor. Porém era menos do que merecia - Ficou admirando e se deu conta
que ainda mordia os lábios enquanto observava algo de perto - Sinto muito pelo que
aconteceu hoje, de verdade.
Decepcionada, Maggie tirou a mão tão depressa como se houvesse se queimado.
-Sim - respondeu ela baixando a vista. As pálidas bochechas se puseram a corar - Bem...
-Se estivesse seguro de que iria me receber, viria te visitar como uma pessoa normal, pela
porta da frente - o duque se apressou a dizer - Mas sabia que diria que estava indisposta, ou
daria qualquer outra desculpa, e eu não suportaria. Provavelmente haveria golpeado o
mordomo, ou haveria dito qualquer outra barbaridade. Por isso entrei pela janela. Necessitava
te ver, Mags.. - Esticou o braço e agarrou a mão intacta. Sentiu nos dedos uma sensação cálida
e vibrante, a mesma que havia sentido em todo o corpo quando a abraçou no estábulo. -
Tenho que lhe perguntar algo.
A jovem se calou, observando suas mãos entrelaçadas.
-E o que houve com sua promessa? - perguntou. Jeremy seguiu a direção de seus olhos, mas só
viu sua enorme mão entrelaçando uma outra, pequena e branca. - Que promessa?
-A de manter as mãos nos bolsos, canalha miserável.
Jeremy a olhou com frieza.
-Tem idéia de como é extraordinariamente difícil - perguntou, apertando os dentes - declara-se
a uma mulher que acaba de lhe chamar de miserável canalha?
Capítulo 8
- Declarar-se? - exclamou Maggie abrindo um pouco mais os grandes olhos. Logo, para
desgosto de Jeremy, começou a rir. - Essa sim é boa! - continuou, divertida - Se declaras a
todas as meninas que beija, Jerry? Ou sou uma menina de sorte?
Mesmo que nunca estando em uma situação parecida, o duque estava convencido de que as
propostas de casamento não costumam ter risadas em resposta. A reação da jovem o
desencorajou.
- Não brinque, Mags, e te agradeceria se parasse de rir - disse com frieza, sem soltar a mão.
Contudo, como ela parecia incapaz de se conter, continuou em voz baixa - Estive pensando e
creio que fomos feitos um para o outro. Tenho que ir para o estrangeiro durante um tempo,
mas estive pensando que, se me acompanhar, poderíamos passar muito bem. Poderíamos
parar em Gretna Green pelo caminho...
Durante essa alegação, Maggie havia recobrado a compostura. Se endireito, secou os olhos
com o dorso da mão livre, e calou-se observando o jovem com desconfiança.
-Deus Santo - disse com uma voz rouca de tanto ir - Estás falando serio!
-Claro que estou falando sério - disse Jeremy, irritado - Não costumo ir por ai me declarando a
primeira que passa, sabe? - Meteu a mão no bolso e tirou um relógio de ouro. Depois de
consultar as horas, continuou - Se sairmos agora, chegaríamos a Gretna Green pela manhã.
Quer que eu te ajude com as malas? Não acho que seja uma boa idéia pedir que a criada a
ajude, seus pais poderiam ficar sabendo...
Maggie retirou a mão e retrocedeu até que deu de costas com a parede,
-Você está louco! - exclamou com uma expressão incrédula nos olhos escuros - Não pode estar
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
falando sério.
-Você se dá conta que não para de dizer isso? - respondeu Jeremy enquanto guardava
tranquilamente o relógio - É evidente que não estou louco, porque estou te falando com
sensatez e sanidade. É você que não para de rir com uma hiena enlouquecida...
A jovem apenas o olhou. Estava tentando assimilar que o duque de Rawlings havia lhe pedido
em casamento. Embora seja curioso, ele não parecia um louco. Porém, é claro que estava. Só
um louco iria querer se casar com uma menina de dezesseis anos que a umas horas atrás havia
partido seus lábios com um soco.
Aproveitando sua confusão, Jeremy cruzou os escassos metros que os separavam. Ao vê-lo
chegar perto dela, a menina abriu ainda mais os olhos e percorreu o quarto com os olhos como
se procurasse algo.. uma arma que a defendesse, pensou ele com sarcasmo. O duque apoiou
as mãos na parede, prendendo-a entre seus braços, de modo que lhe seria impossível escapar.
Então se inclinou até que se aproximou tanto que seu peito quase lhe roçava os seios.
-Maggie, falo sério - disse com uma voz grave e persuasiva com que sempre conseguia o que
queria - Quero que se case comigo agora, esta noite mesmo.
A jovem engoliu a saliva, tentando desesperadamente retroceder e apegar-se o Maximo
possível a parede. Tentava evitar de respirar profundamente, porque cada vez que respirava o
odor masculino lhe assaltava os sentidos, e a curva de seus peitos roçavam no colete de cetim
de Jeremy, "Isso não pode estar acontecendo - pensou - Este é o tipo de coisa que ocorrem a
heroínas de novelas, não a Maggie Herbert."
Jeremy percebeu o desnorteamento em seu rosto e suspirou. Teria preferido não ter que
recorrer aquilo. Queria que ela aceitasse sem ter que se valer de seus encantos físicos. Mas, ao
rachar de rir, a moça havia ferido seu orgulho, e seu comportamento desde então não havia
feito mais do que aumentar seu desespero.
Não a compreendeu. Maggie Herbet não era estúpida; sabia que ele era um dos homens mais
ricos da Inglaterra, como demonstrava seus títulos e suas propriedades. Por uma vez, não se
importava que essa mulher em particular lhe quisesse por seu dinheiro, só queria que ela fosse
sua de algum modo.
Além do mais, apesar do que havia dito a seu tio aquela manhã, sabia perfeitamente que as
mulheres o achavam atrativo por sua aparência, não somente pelo que ele era. E com Maggie,
isso só poderia jogar em seu favor.
Porém, para a jovem tudo aquilo não parecia importante, e o olhava com uma expressão de
ansiedade e até mesmo medo. De fato, parecia tão disposta a aceitar sua proposta de
casamento como descer até a biblioteca do seu pai e despir-se cantando “Deus salve a
Rainha”. [“God save the Queen” (hino do Reino Unido)].
Mas estava decidido a acabar de vez com esse medo, mesmo que levasse toda a noite.
Baixando a cabeça, o duque aproximou seus lábios da boca dela, interrompendo assim o que a
moça iria dizer, que com toda a possibilidade era um "não", uma palavra que utilizava com
uma freqüência inquietante.
Desta vez, Maggie resistiu só um par de segundos. Em seguida pareceu entender que estava
aprisionada e com um suspiro de resignação, relaxou entre seus braços. Apesar de manter as
mãos sobre o peito do duque como um gesto defensivo, não lhe rodeou o pescoço nem fez
nenhum outro gesto que o incitara a continuar, abriu os lábios em contato com os seus. E para
Jeremy aquilo foi o suficiente; deslizou suas mãos ao redor de sua cintura delgada, a
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
aproximou para si até que quase sustentou todo o peso de seu corpo com seus braços fortes, e
mergulhou sua boca na dela.
As batidas do coração golpeavam os ouvidos de Maggie. Não podia acreditar que se
encontrava na mesma situação que à algumas horas atrás... porém dessa vez era pior, porque
nada os interromperiam e havia uma cama a poucos passos deles. Deus! O que estava
acontecendo? Porque nem sequer havia tentado remove-lo de cima? Não havia duvida de que
tinha um problema sério. Ansiava o abraço daquele homem e quando estava em seus braços,
só sentia medo pelo que poderia vir depois.
E ele havia pedido que ela se casasse com ele! Jeremy nem sequer parecia ter bebido, mas lhe
havia pedido em casamento! Não que ele houvesse expressado um grande amor por ela nem
nada parecido; na realidade, sua proposta havia sido pouco romântica.
Mas, Deus Santo, quando a beijava, era tão agradável! Na realidade não era agradável, e sim o
contrário; seus beijos a transtornavam, mas estava descobrindo que aquela era uma sensação
maravilhosa. Em um dado momento, os beijos deram lugar a outras coisas, que Maggie só
havia visto nos pastos dos pastoreios e que delas não queria saber nada. Era natural que os
carneiros o fizessem, mas as ovelhas não pareciam desfrutar muito com ele.... e alguns meses
mais tardes, se via assombrada com um cordeiro saindo por seu traseiro. Ela não estava
disposta a passar o resto da vida como as ovelhas, parindo cordeiros. E muito menos quando
havia convencido seus pais a deixarem ela ir para a França.
Mas, casar-se? Com o duque de Rawlings?
Não. Seu sangue gelou só de pensar. Maggie Herbert, duquesa de Rawling? Jesus Cristo, isso
devia ser algo parecido a suportar uma temporada em Londres todos os dias da sua vida. Em
que estava pensando Jerry? Havia perdido a cabeça? Seria a pior duquesa da história da
Inglaterra! Que duquesa tinha unhas sujas de tinta e passava o tempo caindo de árvores? Nem
sequer todos os beijos e estremecimentos do mundo podiam compensar!
Naquele instante preciso, a jovem sentiu uma pressão sobre a saia de seu espartilho. Não
estava segura, mas lhe parecia que provinha da parte da frente das calças de Jeremy. Movida
pela curiosidade, deslizou, sem pensar, uma mão até aquele objeto rígido, crendo que
encontraria o cabo de uma faca, ou mesmo uma coronha de arma, e então poderia rir do
duque por achar necessário ir até Herbert Park, armado.
O que apalpou, todavia, não foi um cabo de uma faca nem uma coronha de arma, e sim o
membro viril de Jeremy.
Não é necessário dizer que o jovem se surpreendeu com a maneira que a moça tocara sua
pulsante ereção. O certo é que, de prontidão, se sentiu inundado, entre outra coisas, por uma
onda de esperança ao pensar que havia conseguido mudar sua mente. Ainda sim, jamais
imaginou que se comportaria com tanto atrevimento.
Depois, só tinha dezesseis anos, e estava seguro que aquela tarde era a primeira vez que
beijava um homem. Contudo, se queira acariciá-lo, não ia ser ele que iria detê-la.
Quando Maggie retirou bruscamente a mão com se houvesse tocado uma objeto em brasas, o
jovem se deu conta que ela não havia tido a menor idéia do que fazia. De imediato, sentiu que
ela paralisou em seus braços, e então entendeu que, como suas palavras, seus beijos
tampouco haviam convencido ela.
Demônios! O que se passava na cabeça dessa menina? O que mais queria? Que se pusesse de
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
joelhos e lhe jurasse amor eterno?
Ao que lhe pareceu, assim era, porque de imediato Maggie o empurrou com tanta força que o
duque cambaleou, desnorteado. Rápida como um felino, a moça correu a se refugiar detrás da
cadeira de cetim rosa, como se esta pudesse protegê-la da vontade daquele homem.
Embora só falou duas palavras, sua voz soava desoladora.
-Por que?
Perplexo, Jeremy franziu o cenho.
-Por que, o que?
- Por que quer se casar comigo? - perguntou com uma expressão de angustia no rosto.
-Por que? Me perguntaste por que? O jovem estava a ponto de cair na gargalhada. Por acaso,
não é evidente? Nunca antes uma moça havia saltado em cima de mim de um galho de arvore,
havia me beijado com ardente paixão, me dado um soco na boca e tinha pego minha ereção
como se fosse uma raquete de badminton. Que homem não iria querer casar com uma mulher
assim?
- A que se refere?- perguntou, incapaz que conter uma risada.
-Por isso - contestou Maggie, muito seria - Se apenas me conhecesse, Jerry.
-Se apenas te conhecesse? - repetiu ele rindo - Te conheço melhor que ninguém. Conheço o
modo como seus olhos brilham quando ri, como abre os olhos quando quer ver algo que se
afasta; a forma como morde os lábios quando olha algo de perto, que inflam suas narinas
quando você mente.... - A jovem abriu a boca para desmentir, mas ao vê-la, o duque rio e
continuou - Como agora. Mags, não há nada em você que eu não sei. Inclusive sei como beija...
Ao ouvir aquilo, Margaret olhou sua boca e de imediato, ao ver o hematoma em sua
mandíbula, entendeu tudo.
Não lhe cabia menor duvida. Isso explicava tudo.
-Foi o Lord Edward, não? - perguntou, receosa, revirando os olhos.
Jeremy piscou.
-Como disse?
-Lord Edward te obrigou - De repente se sentia enfurecida, invadida por uma profunda ira.
Como se atrevia? Como era capaz de entrar em seu quarto daquele modo e exigir que se
casasse com ele? Seu tio havia metido isso em sua cabeça, agora entendia! - Diga a seu tio que
se crê que tenhas que me propor casamento só porque me beijou, ele é um antiquado. Quero
dizer talvez as coisas fossem assim quando ele tinha nossa idade, mas nos já estamos em 1871,
pelo amor de Deus. Acredita de verdade?
-O que? - O duque parecia confuso - Do que está falando?
A moça balançou a cabeça com tanta energia que o laço do cabelo se desfez e seu cabelo
deslizou por diante de seus ombros, emoldurando-lhe o rosto.
- Já pode voltar a Rawling e agradecer o seu tio por se preocupar com minha reputação, mas
diga a ele que não me casaria com você mesmo que houvesse me encontrado nua em sua
cama, nem que fosse o ultimo homem sobre a face da terra!
Essas ultimas palavras deixaram Jeremy estarrecido, mas manteve a compostura. Nem aquela
expressão podia dissuadi-lo do que se havia proposto. Sabia que a raiva era uma forma de
mascara o que sentia, que naquele momento não era mais que medo, simples e plenamente.
Então entendeu que tinha medo, e achava que sabia o porque: Maggie só tinha medo do
desconhecido.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Contudo, estava disposto a aplacar esse medo.
- Meu tio Edward - começou com parcimônia - não me convenceu de nada. Isto foi idéia
minha.
-Acredito que deveria ir - continuou a jovem com se não senti-se ódio.
As bochechas de Maggie tinham uma cor mais que rosada, estavam tingidas de vermelho
escuro.
- Não vou embora - respondeu sem se alterar - até que me diga sim
-Então terá que esperar muito - espetou ela com aspereza - porque não vou me casar com
você, Jerry;
Jerry não se alterou.
-Porque não?
Detrás da cadeira, a jovem Herbert deu um chute no chão com impaciência.
-Como porque não? - perguntou - Porque tenho que te dar satisfação? Vai embora já!
-Não vou - começou Jeremy com serenidade, cruzando os braços - até que me diga porque não
quer se casar comigo.
-Porque é um absurdo! - replicou ela com outro golpe - Somos muito jovens.
-De acordo. Estou disposto a esperar, e você?
-Eu...
Como podia dizer que, mesmo que esperasse os cinco anos, ela continuaria muito assustada
para casar com ele? Maggie nunca havia sido capaz de admitir uma fraqueza como aquela; era
melhor acreditar que não gostava antes de reconhecer que tinha medo.
-Não- respondeu com firmeza - Não o esperarei. Meu pais me deram permissão para estudar
em uma escola em Paris, e é provável que eu me vá durante muito tempo.
-E? - inquiriu o jovem, encolhendo os ombros - Eu vou me alistar no exercito, e também ficarei
fora durante uma longa temporada.
A jovem ficou tão surpreendida que estava a ponto de sair de detrás da cadeira com que se
protegia.
-De verdade? - exclamou entusiasmada - No exercito? Estou certa que ficara lindíssimo de
uniforme. Acredita que o enviaram para a Índia e conhecera um marajá, como no nosso jogo?
-Sim - contestou Jeremy com impaciência - Então, me espera?
O sorriso se apagou do rosto da moça.
- Oh, Jerry, não. Será melhor nos esquecermos. Quem sabe o que pode acontecer durante
esses anos? Além do mais, se posso viver da pintura, talvez não me case nunca. Sua tia crê que
talvez...
-Não se casará nunca? - repetiu Jeremy, incrédulo - Como podia Pegeen ter metido uma idéia
tão absurda em sua cabeça? Mesmo que a suposição de que não se casar era preferível a de se
casar com outro homem, não podia imaginar a sua amiga de infância vivendo no celibato,
como uma monja. Era impossível uma mulher tão linda viver sozinha; iria contra a natureza -
Não diga tonteiras - respondeu - Claro que vai se casar. Diga que será comigo e eu irei embora.
Jerry, por favor, pense sobre o que você está dizendo, Maggie percebeu que alguém tinha de
dizê-lo, se ele não, ela diria. Não seria uma boa duquesa. E depois o meu aspecto não
corresponde a de uma Lady e ademais a única coisa que me interessa é pintar. Não faria bem
qualquer destas coisas de duquesa, você sabe, ir a bailes, inaugurar festivais da colheita, coisas
assim. Sou incapaz de dar sequer o mais breve discurso, e sempre quando eu abro a boca para
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
dizer é inconveniências. Via que Jeremy abria boca para replicar, assim se apressou a seguir
falando, para que ele não a interrompesse. Eu sou uma péssima anfitriã! Nunca sei que vinho
deve ser servido com o pato e uso o garfo de peixe para os legumes. E nem consigo manter o
penteado. Não serviria. É melhor que procures outra.
No entanto, ao pronunciar aquelas últimas palavras, Maggie percebeu que ao imaginar Jeremy
com outra mulher lhe produzia intenso desconforto, como se um cavalo pisasse no seu
estômago.
- Não, - respondeu Jeremy. Não é isso. Atravessou o quarto para ficar na frente da cadeira e
inclinou-se para poder observar o rosto da garota. Você está mentindo novamente, as narinas
do seu nariz estão inflando. Qual é a verdadeira razão para que você não queira se casar
comigo?
- No momento em que o jovem apoiou o cotovelo na almofada da cadeira, Maggie começou a
recuar, mas Jeremy avançou rapidamente e a agarrou pelo pulso para evitar que ela se
afastasse mais. - Maldição! – Praguejou incrédulo ao sentir a rápida pulsação do pulso sob seus
dedos. Tem medo de mim de verdade! Por quê?
A jovem negou com a cabeça.
-Não tenho medo de você, -disse com um riso nervoso. Não seja ridículo.
- Sim, tem medo. E você vai me dizer por que a razão, ou eu vou ficar aqui até que venha Hill
amanhã de manhã. Veremos então o acha Sir Arthur sobre sua ida para Paris.
- Isso é chantagem! - Exclamou a garota após uma forte inalação.
- Não é, - objetou Jeremy. - Trata-se de coação, mas e parecido, por isso é um erro
compreensível. E agora, você vai me contar ou me acomodo nesta bela cadeira para passar a
noite?
Maggie inspirou profundamente.
-E que... - Santo Deus, como iria explicar o que pensava, sem parecer uma estúpida? Ela
pensou que seria mais fácil se não olhasse para ele, assim baixou a vista e continuou com a voz
entrecortada... Quando me tocas, como você faz, tudo o que posso pensar é que você
continue me tocando... em outras partes. E eu sei que esses pensamentos não são próprios de
uma dama. Então, isso me assusta, pensar que não sou uma dama, que não vou ser capaz de
dizer não se as coisas forem muito longe, e por isso acabarei em um convento, que é o que
minha irmã Anne sempre diz, porque tenho uma natureza demasiado carnal...
Aquilo estava tão longe daquilo que Jeremy esperava ouvir que, por alguns momentos, ele
ficou em silencio, absolutamente atordoado. Então ele pegou sua mão machucada e levou-a
aos lábios.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Querida, - não ver? – Murmurou entusiasmado entre beijos. - Isso mostra que você gosta de
mim, mesmo que seja um pouco. Agora tudo que você tem que fazer é se casar comigo...
- Não! Maggie retirou a mão entre seus dedos. Isso não prova coisa alguma! A única coisa que
prova é que, quando um homem me beija eu não consigo resistir. Não sei se e com você ou
qualquer homem, porque...
- Porque eu sou o único quem beijou - terminou o Duque amargamente.
- Bom, - respondeu a garota baixando os ombros, derrotada. - Sim, lamento, mas é assim.
Ele não podia acusá-la por que isso, não era culpa dela. No entanto, não podia evitar de se
sentir desgostoso por muitas coisas: em primeiro lugar, pela sua diferença idade, mas também
porque a tinham protegido tanto. Não era que ele quisesse que ela fosse saindo beijando
outros homens para que se desse conta que eles tinham alguma coisa especial, mas,
aparentemente, a experiência seria necessária. No entanto, ficou claro que não ia ficar ali para
vê-lo, não sem querer torcer o pescoço de todo aquele que a abordasse.
Com um suspiro, Jeremy deixou-se cair na cadeira e levou uma mão a testa. A dor de cabeça
que a jovem tinha fingido para sua criada parecia estar se apoderando dele.
Maggie o olhava dos pés da cama, onde havia ido sentar-se.
-Desculpe, Jerry.
-Isso você já disse.
-Mas é verdade. Desculpe. Você queria saber.
-Eu sei o que queria saber – a interrompeu. - Estou bem ciente do que eu perguntei. De
repente, sentiu que ele precisava de um uísque, assim apoiando o braço na cadeira estofada
em cetim rosa, estava de pé. Ok, você venceu. Estou saindo.
-Oh. - A garota levantou-se, um pouco decepcionada. Não sabia o que havia dito para
desgostá-lo tanto. Aparentemente, não haveria mais beijos e nem propostas de casamento.
Enquanto por um lado se sentia aliviada, por outro estava triste.
Jeremy se dirigiu para a janela, mas antes de sair se voltou para jovem.
- Prometa-me uma coisa, você vai?
Ela atravessou o quarto e ficou ao seu lado, como uma anfitriã que acompanha o hospede ate
a porta depois do chá.
- É claro. – Sempre que seja possível.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Creio que sim. É muito simples. Eu vou sair por um tempo, mas Tia Pegeen sempre saberá
onde me encontrar. Se por acaso descobrir... que só sou eu, ou os homens em geral, você
escreve? Você não precisa ser algo elaborado, um simples "Sim, é você 'ou' Não é você 'será
suficiente. Penso que você pode prometer, ainda que seja só pelos velhos tempos?
Maggie assentiu vacilante.
-Está bem, Jerry.
- Boa menina. -Se inclinou para frente e deu-lhe um beijo fraternal na bochecha antes de sair
para o terraço. Então, adeus.
Foi uma noite quente. A moça estava em pé na porta, olhando Jeremy enquanto ele pulava a
grade e começava a descer agarrando a hera.
- Jerry? -Ela chamou.
- O quê? - Ele perguntou.
- Aonde você vai?
O jovem a olhou com um sorriso ligeiramente torcido.
- Eu não sei. Ao Inferno, eu acho.
-Oh, - respondeu a garota. Bem, dê lembranças ao diabo para mim.
O sorriso desapareceu.
- Eu darei. E depois desapareceu.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
SEGUNDA PARTE
Capítulo 9
Londres, Fevereiro de 1876
O mordomo de uma residência como a do Duque de Rawlings poderia chegar a desempenhar
várias funções. Para começar, as tarefas que estavam estritamente relacionadas com o seu
posto de trabalho, tais como selecionar, despedir e fiscalizar o pessoal de menor categoria. Ele
também tinha de assegurar que a adega estivesse bem abastecida, guardar a prataria usada à
noite, anunciar os visitantes, e inclusive passar o jornal da manhã que chegava com a tinta
pegajosa. Quando o senhor, que nesse caso se tratava de Lord Edward, o tio do Duque, estava
em casa havia sempre mais coisas para fazer, como a obtenção de uma dúzia de rosas em
pleno inverno para colocar junto ao serviço de Lady Edward na mesa de café da manhã, ou
como ocorria algumas vezes, quando tinha sessões do Parlamento, informar ao magistrado
local de uma ameaça de morte.
No entanto, apesar dos desordenados horários de Lord e Lady Edward em plena temporada
Londrina, era escandaloso que o mordomo tinha que sair da cama às cinco da manhã porque
alguém chamava com insistentemente a campainha. Normalmente, isso corresponderia a um
lacaio de baixo calibre para abrir a porta, mas aquela noite, como os senhores ainda não
haviam regressado do campo e os lacaios tinham saído para comemorar um casamento que se
oficiaria em breve, o único homem que tinha na mansão do Rawlings era Evers. E a última
coisa que queria em seus cinqüenta anos mal levados, era levantar-se de sua confortável e
quente cama, e descer quatro lances de escadas e abrir a porta para alguém que nestes
horários só poderia ser o portador de más notícias.
Por um tempo, Evers colocou o travesseiro sobre cabeça, na esperança de que o desconhecido
fosse embora, ao pensar que não havia ninguém em casa. Mas estava claro quem quer que
estivesse à espera na rua, sabia que mais cedo ou mais tarde alguém iria abrir a porta, porque
continuava a insistir. Consciente de que se esperasse um pouco mais as criadas acordariam e
reagiriam com a típica histeria feminina ante as visitas noturnas, Evers acabou levantando o
cobertor quente, e com um arrepio, vestiu o roupão, sapatilhas e o gorro de dormir, e se
lançou tão rapidamente o quanto a sua idade e enfermidades permitiam o longo caminho
desde o quarto andar da casa de cinco andares.
Demorou cerca de dez minutos para chegar à porta, durante o qual a campanhinha não deixou
de tocar. No entanto, quem quer que fosse que chamasse parecia ter transformado em um
jogo: chamado duas vezes, fez uma pausa, para chamar mais uma vez, parou e, em seguida,
quatro vezes mais rápido ... A periodicidade variava, mas a mensagem era muito clara "Abra a
porta, que está frio."
- Já vou – gritou o criado com a voz tremula e sonolenta quando finalmente chegou ao átrio de
mármore.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Talvez na rua fizesse frio, mas na entrada sem aquecimento a temperatura também era gélida.
O mordomo pensou com nostalgia na bolsa de água quente em sua cama, que quando
regressa-se já teria esfriado.
- Já vou. Santo Deus pare de chamar. – Já vou.
Mas depois de destrancar todas as fechaduras, Evers abriu a porta, não encontrou o vigia
noturno, como ele havia esperado, ou o leiteiro, a que havia chamado na porta da frente e não
da de serviço. O homem que esperava na espessa neblina que caiu sobre Londres no inverno,
era um desconhecido, mas com um olhar que era óbvio que este era um cavalheiro de
linhagem. No entanto, cobria-se com um, sobretudo, um gorro de pele, um cachecol de lã e
luvas de couro, não daria para reconhecer sua própria mãe. Na verdade, o criado via apenas
um longo nariz, que no passado tinham sido Aquilino, mas que parecia ter quebrado e operado
mal depois, um par de olhos muito claros e um pouco de pele bronzeada e ligeiramente
amarelada.
- Boa noite, - disse Evers, que tinham começado a tremer ao sentir o gélido ar matutino. -
Posso ajudá-lo, senhor?
- Evers? - Embora a voz, chegasse abafada pelas camadas de roupas, o criado supôs que apesar
da tonalidade amarelada da pele, se tratava de um cavalheiro Inglês.
- Sim, sou eu. - Quem é você?
- Mas não e Samuel Evers - respondeu o homem.
- Claro que não. – Sou Jacob, seu neto. Samuel morreu há quatro anos e trabalhava na mansão
em Yorkshire, cujo posto ocupa agora o meu pai, John. Quem é você, como conhece o meu
avô?
- Você não me reconhece? – Pergunto o cavalheiro em um tom divertido.
Evers abriu bem os olhos e olhou através da neblina. Os Joelhos tremiam por causa do frio
intenso, e começava a ultrapassar o roupão. No entanto, o estranho parecia ser insensível à
temperatura.
-Eu não saberia dizer, - respondeu o mordomo, que batia os dentes. - Mas faz um pouco frio
aqui fora para ficar jogando jogos de adivinhação, senhor.
- Você está certo, - respondeu o homem. Além disso, essas coisas nunca foram boas. E,
levantou o braço e tirou o gorro e deixou descoberto uma desordenada mata de cabelos
negros e encaracolados. Ao ver na mesma pessoa os espessos cabelos e olhos cinzentos, o
criado o reconheceu e soltou um grito...
- Santo Deus - exclamou. – E você excelência?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
O Duque de Rawlings jogou sua cabeça para trás, rindo. As gargalhadas ressonavam na rua
solitária, quebrando sua profunda quietude. Não era o típico riso que se ouvia em Park Lane, e
muito menos às cinco horas da manhã de uma glacial quarta-feira de fevereiro.
- Sim, Evers - confirmou Jeremy em fim, quando deixou de rir. Sou eu. – Recém chegado do
Extremo Oriente, e com promessas de malária. Meu valete chegara daqui a pouco com as
malas, por isso esteja atento. E agora, você pode oferecer uma bebida a um pobre vagabundo
Duque? Temo que eu tenha perdido toda a resistência que eu tinha a este maldito frio da
Inglaterra, e necessito desesperadamente de um uísque.
- Obviamente, excelência. – Evers apressou a abrir a porta para que o duque entrasse em sua
casa. Por favor me perdoe, mas não o esperávamos. Nós não recebemos qualquer
comunicação sobre o seu regresso da Índia.
- Não, porque eu não enviei - respondeu o jovem. Tinha atravessado o amplo lobby e aberto as
portas da sala, e tinha começado a se livrar de várias camadas de roupas, que deixava cair,
peça por peça, sobre uma das chaise longues estofadas em veludo verde. - Saí de Nova Déli, de
repente, e duvido que o hospital tivesse tempo para enviar uma notificação para a minha
família.
O mordomo havia acendido as luzes das lâmpadas a gás, e após alguns momentos, tinha
reacendido a chamas para obter um bom fogo para queimar na lareira de mármore esculpida.
- No hospital, excelência?
-Sim, - disse Jeremy com secura. No hospital militar. Tudo o bom que se pode ter em Nova
Déli, nunca será suficiente. A comida não era ruim, mas havia uma enorme escassez de licor no
país. Gostaria que alguém tivesse me dito antes. -O duque deixou a par de chaise longues de
veludo verde e se aproximou de uma cadeira perto da lareira, onde se deixou cair com um
suspiro. - Deus, Evers - murmurou com os olhos fechados, depois de esticar as suas longas
pernas. Como e bom estar em casa.
- Também e bom ter-lo de volta. No entanto, nos não perdemos as notícias sobre os feitos
heróicos de sua excelência que lemos nos jornais. Estamos muito orgulhosos de sua coragem,
e especialmente, pelo seu desempenho durante aquela rebelião que sufocaram em Jaipur.
-Oh, - disse Jeremy com uma total falta de interesse, os olhos ainda fechados. Então, chegou
aqui as notícias do que aconteceu.
- Noticias? As pessoas não falaram de outra coisa por semanas. Que a rainha deu-lhe a
Medalha de Honra... A voz de Evers refletia um profundo respeito, que foi apagando-se. No
entanto, vendo que o duque não tinha intenção de responder, limpou a garganta e
acrescentou. Que o senhor foi homenageado pelo próprio marajá! Pelo o que eu entendi, a
Estrela de Jaipur é uma das maravilhas do mundo...
Aja-... - murmurou o jovem por qualquer resposta.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Ao ver que não conseguiria fazer o Duque falar, o criado começou a servir o uísque. Havia se
dado conta, não sem algum alívio, que debaixo do sobretudo, e apesar de não ter pisado na
Europa durante quase cinco anos, o recém chegado usava um traje Inglês na ultima moda,
vestindo uma jaqueta preta com camisa branca e um colete, calça apertada, também preta, e
um par de botas brilhante. Além disso, usava um lenço em torno de seu pescoço que tinha o
número exato de nós. Parece que aquele quente e bárbaro país não tinha convertido o seu
valete um desleixado.
No entanto, Evers também observou que o Duque não parecia ter um bom aspecto. O tom
amarelado da pele que tinha visto na rua não foi devido a reflexo da luz da iluminação a gás,
sem dúvida, o jovem sofria de malária. Embora suposto que estava melhor, pois ninguém se
atreveria a arriscar sua vida viajando com uma doença mortal. Mesmo assim, não faria mal
uma visita do Dr. Wallace, assim quando os restos dos empregados levantassem, enviaria uma
empregada para buscá-lo.
Ah, - disse Jeremy abrindo seus olhos, quando o mordomo lhe estendeu um copo de cristal
com dois dedos de líquido âmbar. - Evers, você é um bom homem, um santo, como o seu avô.
-Oh, não, excelência, - respondeu o criado, com modéstia característica da sua família. - Vai
ficar muito tempo em Londres?
- Tanto quanto seja necessário, - murmurou o jovem em tom enigmático, olhando para o copo.
Tomou o puro uísque em um trago e estremeceu de forma involuntária. Em seguida, devolveu
o copo ao mordomo, que voltou a servir-lhe outra dose. Foi nesse momento em que o duque
percebeu de que o criado estava de roupão e chinelos. Por Deus, Evers, que horas são? Eu te
despertei?
- Sim, excelência. - Seu retorno nos pegou desprevenido, - disse. E acrescentou, com
satisfação. – São cinco e vinte da manhã.
- São cinco e vinte? - O Jovem estava tão surpreso que esteve a ponto de deixar cair o copo
que o mordomo tinha acabado de lhe entregar. - Jesus Cristo! Por que você não disse antes? E
eu chamando da maldita porta... Estou surpreso que eu não tenha acordado todo mundo.
- Não se preocupe ninguém esta em casa, além de...
- O quê? -Jeremy olhou o criado, surpreendido. Onde estão os meus tios?
-Lorde e Lady Edward tiveram que ir para Yorkshire este fim de semana para assistir a um
funeral. Quando o jovem o olhou com atenção, Evers continuou. - Sim, uma tragédia. Morreu o
filho pequeno de um dos arrendatários de sua excelência. Mas são esperados nos próximos
dias, continuou com um tom mais jovial. - Você gostaria de se acomodar no quarto que
costumava ocupar, ou prefere outro quarto? -Mais uma vez, com mais sutileza desta vez, ele
tentou voltar à questão da Estrela de Jaipur. - Veio apenas com o seu valete, ou devo preparar
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
mais quartos?
- Mais Quartos? - Disse o duque. Para que diabos iria necessitar de mais quartos?
-Bem, no caso haver trazido para casa... a Estrela de Jaipur.
-Claro que eu trouxe - rapaz disse, impaciente. - Só um idiota não traria, mas não acho que
necessite de um quarto só para ela. Não é tão grande.
Evers tossiu.
- Ah, não, claro que não - respondeu. Então percebeu que era melhor mudar de assunto. Nesse
caso, lhe sugiro o quarto verde. O branco agora está ocupado por Miss Margaret, mas se eu
acender o fogo em seguida...
Um Jeremy se engasgou com o uísque. Preocupado, o criado aproximou dele, mas conteve o
impulso de dar tapinhas na suas costas.
- Excelência? - Ele perguntou, preocupado. Não se encontra bem?
- Mags? Que diabos ela está fazendo aqui? – Gaguejou o Duque sem deixar de tossir.
-Miss Margaret tem acompanhado Lady Edward esta temporada e está conosco desde pouco
depois do Ano Novo. -O criado tomou o copo das mãos do jovem antes que ele deixasse cair,
como parecia que estava ponto de ocorrer, e se aproximou do aparador para preenche-lo uma
terceira vez. Segundo entendi a intenção de Miss Herbert era hospedar-se por pouco tempo
em Park Lane, até encontrar um apartamento. No entanto, acho que não foi fácil para um
jovem estabelecesse em uma grande cidade como Londres, especialmente se você quiser
ganhar a vida em uma profissão tão competitiva... Por sua vez, Evers viu que o Duque tinha se
levantado e cambaleava um pouco, talvez com mais solicitude que seu posto requeria, não
podia evitar em insistir. -Desculpe-me, sua excelência, mas tem certeza de que você está bem?
Parece muito doente...
Jeremy fez um gesto com a mão como resposta.
- E sobre esse prometido sobre que me escreveu minha tia? –Também está hospedado aqui?
- O Senhor dos Veygoux? – Perguntou o mordomo perplexo. Um francês sob este? Claro que
não.
Imaginava, mas fiquei tanto tempo fora.. - o duque olhou com um sorriso forçado - nunca se
sabe o quanto as coisas mudam durante a sua ausência, né? - Após esfregar a jaqueta com ar
decidido, acrescentou - Está no quarto branco, verdade?
-Sim, excelência- respondeu o criado. Logo, ao ver que o duque se encaminhava resulto até a
porta, não pode evitar exclamar - Mas...
O jovem se deteve no limiar e se voltou com uma expressão inquisitiva.
-Sim, Evers?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Não ira excelência... Suponho que não esta pensando em entrar no quarto da senhorita
Margaret - disse Evers sorrindo, nervoso - Já sabe que sua tia proibiria esse comportamento - o
mordomo estava envergonhado; jamais um Evers havia contradito um Rawlings, foi muito
irresponsável seu comportamento. Não o bastante, o criado acrescentou com suavidade - Os
cavaleiros não entram em quartos de jovens, excelência. Estou seguro de que Lady Edward
ficaria muito surpreendida se supuser que havia entrado em casa sem estar devidamente
acompanhado quando a senhorita Margaret se alojava aqui...
O duque sorriu, e Evers deu um passo atrás. Era absurdo e ele sabia, mas por um instante com
aquele negro cabelo, os olhos prateados e esse estranho tom de pele amarelado, pensou que
duque Rawlings lhe aparentava uma notável semelhança com... o diabo.
-Sua preocupação com a reputação da senhorita Maggie é comovedora - respondeu Jeremy
com um riso - De verdade. Contudo, a ultima vez que comprovei, esta casa me pertencia e
portanto tudo que há nela.
Sem uma palavra mais, Jeremy se voltou e dirigiu-se a escadaria de mármore que conduzia ao
segundo piso. A suas costas, Evers, de pé em meio ao vestíbulo com o gorro de dormir e a
bata, levou o copo de uísque aos lábios e bebeu em um trago. Tinha pouco tempo trabalhando
com a família Rawlings, e tinha a esperança de seguir fazê-lo por tanto tempo quanto seu avó.
Porem, lhe parecia que sua carreira ia terminar de forma abrupta, porque se Lady Edward não
o demiti-se por ter permitido que o duque e a senhorita Herbert ficassem sobre o mesmo teto,
o faria o duque por motivo oposto ao dela.
O criado decidiu escrever uma carta a seu pai, necessitava de um conselho. Um conselho e
mesmo que lamentava dizer-lhe, outra taça.
Capítulo 10
Durante sua infância, Jeremy havia passado muito mais tempo em Yorkshire que na casa em
Park Lane, mas se recordava o suficiente para entender porque Maggie havia escolhido o
quarto branco. Todos os demais dormitórios da casa tinham parede de uma cor, alcatifados de
outra e mobiliada por uma terceira; aquela havia sido uma pratica decorativa de sua tia
Pegeen, convencida de que quanto mais cor houvesse no quarto, menos se veriam as
manchas. O certo era que, como naquela casa havia muitas crianças, incluindo o próprio
Jeremy, a idéia havido sido eficaz.
Porem, o quarto branco não era mais que isso, um espaço de paredes brancas e moveis da
mesma cor. Era o único quarto em que não se permitia a entrada das crianças, que sempre
tinham mãos sujas e sapatos cheios de barro. O tipo de quarto que só um pintor, que passava
o dia mesclando cor, podia relaxar.
O duque supunha que essa era precisamente a razão por que Maggie havia o preferido a
qualquer outro dos dez quartos da casa; ao entrar, mesmo com a apagada luz laranjada que
crepitava da lareira de mármore branco, se deu conta de imediato que a moça havia dado ao
quarto seu toque pessoal. Nas paredes distantes da porta havia um cavalete dobrável e uma
caixa de madeira, que se não se enganava, continha pincéis e tubos de tinta. Junto a eles,
ocupava um grande espaço uma grande pasta de couro preto que parecia muito pesada e
devia conter trabalhos feitos ou copias de pinturas para mostrar aos possíveis clientes. Em
cima de uma mesa baixa, junto a um par de cadeiras de cor marfim, podia-se ver algumas
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
ferramentas de trabalho menos habituais, como um enorme pássaro dissecado, um cavalo
mecânico, um barco de papel machê e algumas bonecas de diferentes tamanhos com trajes de
varias cores. O duque não tinha nem a mais remota idéia de para que podiam servir aqueles
brinquedos, a menos que, aos seus vinte anos, a jovem Herbert fosse mais criança do que
deveria.
Porém, ao rapaz lhe pareceu muito mais interessante as roupas que estavam no encosto da
cadeira espalhadas pelo quarto, como um espartilho e um par de calças. As coisas eram tão
sedutoras como sua dona, que jazia na enorme e branca cama com dossel, a poucos passos da
lareira. Jeremy comprovou que Maggie era tão desordenada de noite como de dia; havia
retirado todas as mantas e apesar do frio, dormia tampada apenas por uma colcha de linho.
Infelizmente, o que provavelmente a mantinha aquecida era um grosso camisolão de algodão,
que lhe cobria desde o pescoço até os tornozelos.
Não o bastante, ao se aproximar e observar com mais determinação a moça, Jeremy descobriu
vários detalhes que lhe resultaram interesse; o camisolão havia levantado ligeiramente,
deixando descoberto a delgada curva do tornozelo e a branca panturrilha. Além disso, a jovem
dormia com um braço sobre a cabeça, de modo que a tensão do tecido por cima dos peitos
revelava a curva de um mamilo. Segundo Jeremy pode observar com deleite, seus peitos
continuavam volumosos, sobretudo para uma jovem que não havia desenvolvido nem a mais
ligeira curva durante anos. O cabelo comprido e solto caia desordenadamente sobre o
travesseiro. O rosto, voltado para o brilho que saia da lareira, havia perdido a redondeza
infantil, e as altas e sobressalentes bochechas davam a sua encantadora beleza um ar de
altivez que antes não tinha.
“Deus meu” - pensou o duque enquanto observava a moça de perto - Se converteu em uma
verdadeira beleza as minhas costas.
Aquele pensamento lhe fez sentir-se tão irritado com o fato de que havia prometido.
Mas, o que esperava? Por acaso havia acreditado que seus pais seriam capazes de mantê-la
afastada da atenção dos outros homens para sempre? Que era o único capaz de apreciar sua
natural e selvagem beleza? Que uma moça como Maggie, com aqueles volumosos lábios, lhe
esperaria a vida toda?
Repentinamente, Jeremy se sentiu muito cansado, se sentou na borda da cama e levou uma
mão a frente. Notava o calor na pele. O mais provável é que tinha febre outra vez, mesmo que
isso não fosse nenhuma novidade; levou semanas lutando contra os sintomas tardios da
doença. Os médicos de Nova Deli lhe haviam assegurado que era normal, e um deles lhe havia
explicado que continuaria sofrendo esses sintomas durante pelo menos três ou quatro anos.
Ao ouvi-lo, o duque havia estado a ponto de lhe dar um soco, mas estava fraco demais para
levantar o punho
O jovem distanciou a mão dos olhos e olhou Maggie, que respirava lentamente e
pausadamente. Recordou então que, desde criança, tinha um sono muito profundo e não
acordava nem sequer quando dormia na mesa durante o jantar e tinham que carregá-la para a
cama. Aquele dia não havia despertado quando ele havia batido na porta com insistência e
apesar de estar sentado em sua cama, a moça seguia alheia a sua presença. Podia tê-la violado
de dez formas diferentes e ela continuaria dormindo.
Aquele pensamento lhe foi tentador. O duque olhou o corpo dormindo escondido embaixo do
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
grosso camisolão e recordou aquela tarde, cinco anos atrás. Ao mesmo tempo, quase sem
pensar, aproximou a mão da bainha do camisolão para tocar a branca e desnuda panturrilha.
Todavia, sem saber porque, se deteve. Havia estado tão perto que chegou a sentir o calor de
seu corpo nas pontas dos dedos. Mas algo o havia feito apertar a mão. “O que esta
acontecendo comigo?”, se perguntou. Tinha todo o direito de tocar na moça. Cinco anos atrás
havia ido embora da Inglaterra com a convicção de que, ao voltar, se casaria com Maggie
Herbert.
Ainda assim, tinha que reconhecer que freqüentemente havia buscado consolo nos braços de
outras mulheres. A Jeremy lhe havia parecido que o mínimo que podia fazer era tentar apagar
a recordação dos beijos de Maggie. Ele não era um homem sem desejos; as aventuras sexuais
do tenente coronel Rawlings haviam sido motivo de admiração entre seus homens, e objeto de
piada entre seus iguais, na qual a maioria eram oficiais casados. No geral, o duque fazia
questão de ignorar os comentários e somente debatia quando estava bêbado ou de mal
humor... algo que ocorria bastante ao jovem, porque a Índia era um poço sem fundo de
miséria e doenças, e que fazia um calor insuportável e que nada tinha a ver com o lugar
mágico que ele e sua amiga haviam imaginado em seus jogos infantis.
Entretanto, apesar de que durante quase meia década o jovem oficial havia conquistado
dezenas de mulheres, não havia conhecido ninguém que lhe acelerava o coração como lhe
ocorreu aquele dia no estábulo, nem alguém que o cativasse tanto, emocionalmente e
intelectualmente, por não dizer fisicamente, como Maggie Herbert.
Enquanto aquele descobrimento lhe havia complicado a vida, como por exemplo o incidente
relacionado com a Estrela de Jaipur, também lhe havia sido muito motivador. Lembrando-se
do conselho do tio, o jovem havia posto todo o seu empenho e inteligência para demonstrar
que era merecedor de uma moça como Maggie. Para sua surpresa, aquilo que rendeu um lugar
deslumbrante nas fileiras da cavalaria da sua majestade.O duque realizava com esmero todas
as tarefas que lhe designavam, desde escoltar importantes embaixadores através da selva, ate
sufocar uma ocasional revolta camponesa, qualquer coisa lhe parecia boa, porque com isso
não conseguia pensar demais, algo que tendia a acontecer sempre que estava desocupado.
Mesmo que fosse a ultima coisa que Jeremy havia pretendido, sua inteligência e valentia
acabaram por impressionar seus superiores. Ao se alistar ao exercito, tinha evitado utilizar
seus títulos, de modo que poucos sabiam que o jovem que acabara de começar sua carreira
militar como Jeremy Rawlings era, de fato, um dos homens mais ricos da Inglaterra, um
aristocrata cujo tio gozava de grande influencia nas Câmaras dos Lordes. Para seus
companheiros, o duque era apenas o capitão Rawlings, mesmo que por pouco tempo, pois
logo o elevaram a major e recebeu a Medalha de Honra da rainha por ter sufocado a rebelião
de Jaipur. Quando ao fim sucumbiu, por causa da enfermidade, e não por causa de uma bala
inimiga, Jeremy era considerado um dos homens mais valentes ao serviços da rainha, um
intrépido herói cuja habilidade com a espada não teria comparação. Por isso foi elevado a
tenente coronel e logo ganhou outra estrela dourada, que reluzia no pescoço de sua farda
roxa.
Porem, as ascensões, as medalhas e as honras, incluindo a Estrela de Jaipur, não significavam
nada para ele. Sabia que, pela primeira vez na sua vida, estava fazendo algo em que se dava
bem, e com que, alias, desfrutava. Apesar disso, somente desejava uma coisa: uma carta de
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Maggie em que ela pedisse que ele voltasse para casa.
Acreditou que a esperada carta chegaria em quatro anos, quando sua tia Pegeen lhe escreveu
para contar que Lady Herbert, a mãe de Maggie,havia ficado doente e que apos uma longa
temporada na cama, havia falecido naquela primavera. Mesmo que detestasse escrever cartas,
esta foi a única ocasião durante sua larga ausência em que o fez, e enviou a moça uma carta de
condolência, mas não recebeu reposta.
Doze meses mais tarde, supôs que ela estava comprometida. Então se deu conta de que os
longos anos de espera não haviam servido para nada, pois a mulher que amava ia se casar com
outro homem. Supunha que a jovem nunca havia tomado sua proposta a serio, e que a havia
se esquecido dela tão depressa como outra mulher se esqueceria de comprar ovos no
mercado.
Não havia se enganado, e isso fazia com que se sentisse estúpido; havia passado cinco anos
naquele pais tórrido e incivilizado para nada.
E voltou para casa para vingar-se.
Desde que havia conhecido a traição. Jeremy somente pensava em alguma coisa para
descarregar sua fúria na primeira oportunidade. De fato, havia sido aquele pensamento que
estava o mantendo vivo durante as semanas de delírio e febre. Estava convencido de que essa
sede de vingança havia salvado sua vida. Se morresse, não poderia conseguir que Maggie
Herbert se arrependesse de ter se entregado a outro. Finalmente, esse desejo o havia feito
levantar-se da cama para regressar a Inglaterra, apesar da insistência dos médicos em que
ficasse no hospital ate que recobrasse as forças.
Contudo, quando tinha o objeto de sua vingança ao alcance de suas mãos, não decidiu lhe
infligir um castigo. Ainda não.
Sim, era isso; ainda não. Primeiro jogaria com ela, como havia visto os tigres jogar com sua
presa antes de devorá-la. Seria muito mais satisfatório torturá-la, antes de lhe infligir o golpe
final.
Jeremy levou a mão ao rosto, e acariciando-lhe a barba, ficou observando a moça por uns
momentos. Então, com a mesma mão grande e morena, e com uma considerável força e
barulho, lhe golpeou as nádegas cordiformes, protegida apenas pela camisola de algodão.
Capítulo 11
Maggie gritou tão alto com se alguém houvesse colocado fogo em seu cabelo e se incorporou
ao golpe, com os olhos muito abertos, indignada, buscando ao seu redor o agressor que a
havia despertado tão brutalmente. Quando seu olhar se pôs sobre o homem sentado na borda
da cama, soltou outro grito, desta vez de modéstia ultrajada, e quis cobrir com a colcha seus
pés. Por infortúnio, o desconhecido, que havia começado a rir, estava em cima dos cobertores,
assim, por muito que tentasse, não conseguia puxar o cobertor. Com a respiração
entrecortada, a moça agarrou uma almofada e levou ao peito para tampar o que a camisola
deixava entrever.
-Quem é você? -exclamou, como se as palavras escapassem uma atrás da outra - Saia já do
meu quarto ou chamarei a policia.
Jeremy não podia parar de rir; havia valido a pena suportar aquele maldito calor durante cinco
anos somente para ver a expressão do rosto da jovem. Se lhe prometessem que ele poderia
ver aquela expressão outra vez, cruzaria o Saara a pé.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Ah, Mags - disse um pouco mais calmo, mas não sem deixar de rir - Se pudesse ver sua cara..
Não tem preço!
Naquele preciso instante Maggie pareceu reconhecê-lo. Devido a fraca luz que vinha da lareira,
era difícil saber com certeza, mas a pessoa que estava sentada na borda da cama parecia...
tinha o aspecto de ser...
-Jeremy? - arriscou, arregalando os olhos escuros para olhar na escuridão - É você?
-Eu mesmo - respondeu o duque. De tanto rir, começaram a sair lagrimas dos olhos, assim
enxugou as lagrimas com a manga do casaco. -Deus santo, grite mais baixe. Parecia a senhora
Praehurst no dia em que escondemos uma cobra na balaustrada do vestíbulo.
-Mas que demônios...? - Maggie ainda o observava fixamente, com os olhos abertos como
pratos - o que está fazendo aqui?
O jovem sorriu.
-Vivo aqui. Esta é minha casa, relembra-se? - E fazendo um gesto com a cabeça para assinalar a
camisola, acrescentou - Sempre dorme com uma camisola tão pouco sedutora? Não tem nada
que leve um pouco de renda?
Maggie sabia que tinha as bochechas escarlates. Deus santo, era ele! Havia voltado da Índia e
estava no seu quarto! Aquilo só podia ser um sonho. Deus sabia que havia fantasiado com sua
volta uma infinidade de vezes. Porem.. nenhum de seus sonhos se parecia com este. O Jeremy
com quem ela sonhava nunca lhe havia pegado nas nádegas.
Mas esse Jeremy tampouco havia ido para voltar comprometido com uma princesa da Índia...
-O que faz na Inglaterra? - gaguejou - Eu acreditava que ... tinha entendido que...
-Que o que? Que eu ia apodrecer na Índia? Pois estava enganada.
A jovem Herbert olhou a porta do quarto. Estava fechada. Onde estava a princesa da Índia?
Esperando no palácio?
-Você voltou... sozinho?
-Vê alguém mais? Claro que estou só. O que achou? Já vejo, que desde que me fui, você ficou
um pouco tonta.
O duque esperava que ela se ofende-se, mas, em vez disse, a moça seguiu com o olhar fixo
nele, mordendo os lábios, com uma expressão de preocupação em seus olhos escuros.
Durante alguns momentos, Jeremy se perguntou o que lhe acontecia. Se sentia culpada,
talvez? Sim, devia ser isso. Se sentia profundamente culpada pelo que havia feito. Ele, em
compensação, estava muito satisfeito consigo mesmo, até que a ouviu dizer:
-Tens um aspecto horrível.
E era verdade. Maggie observou o homem sentado em sua cama; não lhe cabia duvida que
parecia seu amigo de infância... ou ao menos o menino que havia visto pela ultima vez descer
pela hidra do terraço de seu quarto em Herbert Park, cinco anos atrás. E o tapa que ele havia
lhe dado era próprio dele; Jerry aproveitaria qualquer oportunidade que lhe aparecesse para
tocar-lhe as nádegas, estava segura.
Contudo, aquele não podia ser Jeremy Rawlings, porque o Jeremy que ela conhecia estava a
milhas de quilômetros dali, empunhando uma espada imperial nas colônias da Índia...
... enquanto, em algum lugar, lhe esperava a Estrela de Jaipur; o premio com que havia sido
distinguido por salvar a cidade da ruína.
A menos que aquele premio estivesse ali, em Londres, pensou a moça horrorizada.
Maggie tragou o mal sabor que inevitavelmente lhe subia pela garganta cada vez que pensava
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
na Estrela de Jaipur. “Talvez não seja ele”, disse para si mesma. O duque de Rawlings era um
homem muito bonito, enquanto que aquele homem pálido e adoentado não lhe houvera
atraído, e nem sequer com o uniforme, conseguiria uma olhada de nenhuma dama distinta.
Jeremy levou a mão ao rosto. Esse não era o recebimento que havia esperado; havia gostado
de presenciar uma reação de consternação feminina, e inclusive ver Maggie derramar algumas
lagrimas, mas a jovem não dava mostras de sentir nenhuma emoção daquela natureza. Parecia
realmente preocupada por sua aparência, o talvez fosse melhor dizer angustiada.
-A que se refere? - se ouvindo dizendo a si mesmo, com uma atitude defensiva - Que quer
dizer com que tenho um aspecto horrível?
-O que aconteceu com seu nariz? - perguntou
O jovem tirou a mão do rosto
-Esta quebrado, de acordo?
-Varias vezes, pelo que parece - respondeu a jovem, soltando ligeiramente a almofada que
apertava contra seu peito. Não lhe cabia duvidas de que aquele era Jeremy. Somente ele era
capaz de responder a suas insolentes perguntas com a mesma grosseria - Por acaso não
utilizam pistolas na Índia? Sempre lutam aos socos?
-Nem sempre - replicou o jovem com serenidade - Mas quando surgia um desacordo com
algum outro oficial, usávamos...
-Saia aos socos uns com os outros? - Maggie levantou a mão e colocou uma mecha do cabelo
detrás do ombro - Que brutos. A julgar pelo aspecto do seu nariz, devia perder com bastante
freqüência.
-Não é verdade - replicou o duque com irritação - De fato, eu...
-E porque tens um tom de pele tão estranho? - perguntou, curiosa.
Jeremy ficou observando-a.
- Havia escutado sobre o bom humor que você tem ao despertar - balbuciou quase para si
mesmo.
-Se não me houvesse acordado como você fez, talvez teria recebido mais amabilidade -
espetou a moça - Mas não creio que mereça que te trate com bons modos. Se o que quer é ser
lisonjeada, veio ao lugar errado.
-Sim - contestou o jovem, um pouco surpreendido. Não havia esperado que se jogassem nos
braços dos outro, bem, talvez no fundo do coração, sim, mas aquela hostilidade era absurda.
Por acaso nunca o havia amado? - Estou vendo.
-Por certo, que horas são? - Maggie se inclinou ate os pés da cama e então puxou o edredom
para se cobrir - Faz muito frio. Poderia jogar outra madeira na lareira?
O duque não haveria se levantado se a moça não tivesse começado a tirar com força o
edredom sobre o qual ele estava sentado. Além do mais, tinha razão, fazia muito frio. E era
mais frio para ele do que para a moça; ela não havia passado os últimos cinco anos embaixo de
um sol equatorial, nem havia contraído malaria.
O jovem se levantou, e quando liberou os cobertores, Maggie perdeu o equilíbrio e caiu para
trás, sobre as almofadas. Aquele brusco movimento despertou um bicho branco e peludo, que
latiu indignado e mexeu as orelhas para frente e para trás provocando um barulho parecido ao
que faziam os cisnes da mansão de Rawlings quando sacudiam a água das asas.
-Deus Santo - exclamou Jeremy, detendo-se junto a lareira com um tronco na mão - o que é
isso?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Maggie havia se sentado na cama e se tampado com o edredom, acondicionada no calor do
cobertor, de modo que se via somente sua cabeça e seu pescoço. O jovem reprovou a si
mesmo por não ter tirado a camisola quando teve a oportunidade.
-Isso? - perguntou olhando a bola de pelo atrás das almofadas - É meu cachorro.
Jeremy piscou e observou ao pequeno animal, de olhos redondos e brilhantes.
-Não parece um cachorro- comentou - Me lembra um esfregão.
A senhorita Herbert não pareceu ofendida.
-É um bichon fris - respondeu, encolhendo os ombros debaixo do edredom.
-E que demônios é este bichon fris? A palavra francesa para esfregão?
-Não, é uma raça de cachorro. A propósito, não respondeu minha pergunta.
O duque afastou os olhos do cachorro que o olhava com uma expressão acusadora e começou
a avivar o fogo.
-Ah, sim? - perguntou enquanto utilizava o atiçador com mais força do que precisava - Que
pergunta?
-Sobre a cor da sua pele - o jovem penso, que, igual ao cachorrinho, Maggie não estava
disposta a soltar aquele osso - Parece doente.
-Isto é porque... - começou o jovem, endireitando-se - tenho estado doente.
-De verdade? - a jovem observou com os olhos entornados, como fez no seu sitio. Era tão alto
como se lembrava, e continuava tendo o peito largo e a cintura e cadeiras estreitas. Por esse
suposto que, fora qual fosse aquela doença de que ele falava, não devia ter-lhe afetado muito.
Aparte a cor de sua pele, parecia tão forte como da ultima vez que o viu...
E Deus sabia que recordava daquele dia com a mesma claridade que se houvesse sido no dia
anterior. De fato, era uma lembrança que nunca se permitia pensar, porque, ao fazê-lo,
sempre reavivava um fogo que preferia manter dormindo.
-Sua tia nunca me disse que esteve enfermo - explicou Maggie que, sem se dar conta, acabava
de revelar algo que preferia ocultar.
Mas o duque o advertiu em seguida, como um falcão que caça um rato em um campo. Voltou
a cama e se sentou com uma sensação se satisfação.
-Você e Pegeen falavam de mim com freqüência?
A moça, humilhada, notou que ruborizava. Deus Santo, fazia anos que não se ruborizava.
Porque tinha que fazer-lo nesse instante.
-Por suposto que não - contestou com desdém - Mas quando Lady Edward começava a falar de
ti, era impossível ir embora. Quando se trata de seu querido sobrinho, não a quem a pare.
-Oh - disse Jeremy, um pouco desmoralizado - É que não disse nada sobre minha doença a tia
Pegeen e ao tio Edward.
-Supus isso - continuou a jovem com o mesmo tom desdenhoso - Nunca lhes escrevia,
verdade? Tudo que sabíamos de ti era através de jornais e do governo...
O duque deu o ombro.
-Não me dou bem ao escrever cartas, e eles sabem. À propósito, como estão? Refiro-me a
meus tios.
- Bem – A jovem Herbert tirou o braço debaixo da colcha e colocou a mão sobre a cabeça do
cão, que com a língua pra fora, ofegava agradecido. Muito bem, aliás. Mas, veras por tu
mesmo. Deve estar de volta hoje, a menos que ...
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- A menos quê? – O rapaz arqueou as sobrancelhas.
- Pegeen não te contou em sua última carta?
O Duque a olhava ansioso. - Então finalmente iria admitir a verdade sobre o seu noivo, pensou.
-Sua tia está nas últimas semanas de gravidez, por isso certamente no próximo mês, terá um
outro primo.
- Oh, Bendito Deus! - Exclamou Jeremy deixando-se cair em cima do colchão. E levando suas
mãos sob sua cabeça, olhava perdidamente para o dossel. Não me diga que ainda estão assim!
Eles são como um par de coelhos, não acha? E na sua idade... é nojento.
-Vamos, Jerry,- repreendeu a garota.
- Quantos são com este? Oito?
- Sete – Ela corrigiu. Venha, mas eles são a sua família.
-Acho que sim.
O jovem deu meia volta ate ficar cabeça pra baixo e olhou para Maggie, embora ela teria
preferido que ele não o fizesse. Era muito estranho que houvesse um homem no quarto dela...
e ainda mais estranho que estivesse em sua cama. No entanto, a última coisa que queria, era
que ele se desse conta. Havia passado cinco anos desde aquele incidente, e ela era mil vezes
mais sofisticada agora. Afinal, ela tinha vivido em Paris e havia visto como era o mundo fora do
Yorkshire. Tinha desenhado e pintado homens nus, embora a principio aquilo a havia chocado,
não era necessário que Jeremy soubesse. Tudo que devia saber era que Maggie Herbert estava
bem familiarizada com o corpo masculino. Que foi somente através da caneta e do pincel era
outra questão. Tivesse superar a timidez e embaraço que provocavam as relações sociais,
havia mantido conversas com pessoas inteligentes e espirituosa, que haviam considerado-a
inteligente e espirituosa também.
E o mais importante, tinha esquecido Jeremy Rawlings.
Ah, não havia sido fácil. Demorou um longo, longo tempo. Mas ela tinha conseguido. Estava
curada. E nada do que ele poderia fazer iria afeta-la. Nada em absoluto.
-Sinto muito sobre sua mãe, Mags, - disse o duque com uma voz tão suave que a pegou de
surpresa.
- Oh, você ficou sabendo? - Acho quem te disse foi sua tia – contestou ela adotando o mesmo
ar de despreocupação que ele, situado ao pé da cama.
Jeremy se incorporou, inclinou sobre os cotovelos, com um intenso brilho nos olhos cinza.
-Claro que eu sabia - respondeu com a mesma voz profunda. Não recebeu a minha carta?
- Que carta? – Maggie piscou várias vezes. Eu nunca recebi qualquer carta sua, - assegurou
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
tentando esconder a tristeza que subitamente a abordou. Era verdade, nunca tinha recebido
nenhuma carta dele, nem após a morte de sua mãe, ou quando os jornais anunciaram sua
vitória em Jaipur. Tampouco havia chegado uma só palavra sobre a recompensa que rumores
falavam que ele tinha recebido...
- Eu te escrevi - explicou o rapaz. Sua voz não era amável, soava indignada. E foi uma bela
carta. Onde demônios foi parar? A enviei para o Herbert Park.
-Não sei, o mais provável e que se tenha extraviado, - respondeu ela um pouco assustada com
a sua veemência. Às vezes isso acontece, eu não me preocuparia com isso. Ainda assim,
obrigado por pensar em mim...
Na luz vermelha das chamas, os olhos cinzentos do jovem cintilavam.
-Santo Deus. Claro que pensei em ti.
A jovem Herbert desviou a vista dos olhos brilhantes do duque, que lembrava a de um animal
durante a noite, iluminado com uma lanterna. Mas não era o seu olhar que a perturbava, não,
isso já havia acabado para ela. O que a tinha transtornado foi à menção a morte de sua mãe.
Tinham falecido fazia quase um ano, mas ainda não podia pensar sobre isso, ou a expressão de
seu pai quando o médico anunciou solenemente que Lady Herbert tinha morrido, sem que
seus olhos se inundassem de lágrimas.
Então ela sentiu um toque quente na mão. Ao baixar a vista pensando que era o cachorro, se
surpreendeu ao ver os longos e bronzeados dedos de Jeremy que capturavam os seus, finos e
brancos, com um gesto tranqüilizador.
- Mags? -Estava sentado muito próximo a ela, com a cabeça e os ombros ocupando todo o seu
campo de visão, e a olhava com uma expressão preocupada. - Você está bem?
A jovem assentiu incapaz de pronunciar palavras.
- Tem certeza?
- Quando Maggie assentiu novamente, ele levantou a sua mão com descuido e começou a
examinar os dedos, como o fazia quando eram crianças.
- Ah, - começou com um tom divertido. Vejo que está pintado com ocre ultimamente. - E o que
é isto? Negro! Espanta-me, minha menina. Não sabia que gostava de preto. Que mais? Ah, azul
celeste.
Azur – ela corrigiu rindo, mas ela sabia que devia ter retirado sua mão em seguida. O que
aconteceria se sua camareira entrasse? Se encontrasse um homem no quarto de sua senhora,
mesmo que fosse o proprietário da casa, cairia como uma pedra. Sabia que de todo modo Hill
a repreenderia por passar a noite sob o mesmo teto que um homem solteiro, para não falar
que ele tinha entrado seu quarto ...
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Azur? -Perguntou o duque, com um olhar desconfiado. Eu suponho que seja um tolo termo
usado na academia de arte. O que há de errado com azul celeste?
- Nada, - respondeu a garota com mais doçura que havia querido. Na verdade, sua voz soou
tão doce, que surpreendido Jeremy levantou a vista para olhar-la.
"Oh, Deus, - pensou a jovem, - irá me beijar. De repente, o coração começou a bater com o
mesmo frenesi que cinco anos atrás ... Eles estavam sozinhos no quarto, e desta vez, não havia
ninguém para detê-los. Maggie não sabia que horas era, mas a julgar pelas escuridão que
reinava no exterior, era muito cedo, nem mesmo Hill deveria ter se levantado. Se Jerry a
beijasse, e ela se entregasse a seu abraço incapaz de deter-lo, o que iria acontecer?
CAPÍTULO 12
Jeremy não a beijou. A idéia passou pela sua cabeça centenas de vezes desde que ela havia
aberto aqueles olhos castanhos, mas algo o reteve, uma voz interior disse-lhe que não era a
hora ainda.
Além disso, havia em ter em conta esse noivo. Embora sentisse curiosidade em ver o seu
aspecto, para o Duque, esse cretino tinha que tomar cuidado. No entanto, sempre que
possível, queria evitar matá-lo. Ao longo dos últimos cinco anos, havia cansado de matar, e
tinha aprendido que, por vezes, resultava menos chato deixar alguém viver do que acabar com
ele. Também lhe importava atirar nesse seu noivo, é claro, mas isso poderia complicar as
coisas, se ela realmente gostasse desse bastardo.
Então, ao invés de beijá-la, soltou-lhe a mão.
Bem - disse como se retornasse à conversa que tinha começado antes. - Então agora você é
uma artista famosa. Pelo menos é isso que me disse à minha tia Pegeen em sua última carta.
Maggie, embora claramente aliviada por ter saído daquela situação, ela estava um pouco
decepcionada de ele não a beijara. O coração ainda batia forte, mas eu sabia que os beijos de
Jerry estavam proibidos, pois pertencia a outro.
- Não sei se sou famosa, - começou lentamente. Tudo em ordem, nem sequer estava tremendo
a voz. Mas eu sou uma artista. Pelo menos eu creio que sim.
- Sério? – Jeremy levantou-se, mas em seguida lamentou ter feito. De repente a cabeça,
começou a dar voltas e tudo parecia girar ao seu redor. Como não queria que a garota
percebesse sua fraqueza sé recompôs como pode, deu um par de passos e se deixou cair em
uma das cadeiras estofadas de brocado perto da lareira. - E a pessoas que pagam por seus
"rabiscos?
- Não são "rabiscos", - respondeu ela, se endireitando. -São retratos, e me pagam muito bem.
- Sério? -O Duque se inclinou para frente e agarrou um pássaro empalhado na mesa de cor de
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
marfim. Como é que te pagam? Com brinquedos para crianças?
- Claro que não - contestou. - Me pagam com libras. Os brinquedos são para entreter as
crianças enquanto eu faça o esboço. Especializei-me em retratos de crianças.
- Crianças? - repetiu Jeremy com uma careta de desgosto. E o que aconteceu com os animais?
Já não pinta bichos?
- Às vezes, - disse Maggie. Que descarado! Ela não podia acreditar, que o jovem estava no
quarto dela dando ar, como se fosse dele. Embora, na realidade era.
Entretanto, isso não lhe dava o direito de mexer em suas coisas. Estava claro que o exercito
não havia conseguido lhe ensinar como se comportar como um cavalheiro. Naquele momento,
a moça tinha muita vontade de se levantar e tira-lhe o pássaro da mão, mas não se atrevia a
passear pelo quarto de camisola, sem cinta para manter os seios. Sabia que tinha muito o que
esconder e que a fina tela de algodão no ocultava - Às vezes não me resta outro remédio, para
pagar as contas.
-Que contas tem para pagar? - Jeremy deixou o pássaro e pegou o cavalo mecânico - Não me
diga que tio Edward e tia Pegeen te cobram por ficar aqui.
-Certamente que não - contestou - mas tenho um pequeno estúdio de aluguel em Chelsea; não
quero que a casa fique fedendo a terebentina. Além do mais, tenho que comprar telas,
molduras e pincéis. Também tenho que pagar o transporte ate a casa dos meus clientes e a
comida quando estou fora e depois tem a Hill...
Jeremy, que estava dando corda ao cavalo, se deteve e ficou a observando como se tivesse
ouvido um absurdo.
-Porque demônios tem que pagar todas estas coisas? - exclamou, perplexo - Suponho que Sir
Arthur te designou o salário que deixou sua mãe...
Maldita seja! estava ruborizada de novo. Maggie sentiu que suas bochechas ardiam.
-Meu pai não aprova que eu pinte - disse olhando o cachorro, com toda a despreocupação que
foi capaz - O único dinheiro que tenho é o ganhei durante os últimos meses. Por isso esta tão
difícil para mim encontrar um apartamento. Seus tios são muito amáveis ao deixar que eu
fique nesta casa enquanto eles estão aqui.
Antes de terminar de falar, o jovem havia se levantado da cadeira dando um respingo.
-O que? - gritou tão forte que o cachorro levantou as peludas e pequenas orelhas - O velho
Herbert te deixou sem nada?
A moça levantou o queixo em sinal defensivo.
-Não sei porque te surpreende tanto. Ganho o suficiente para me manter. Ou ao menos o
farei, depois da exposição.
-Exposição? - o duque tinha deixado o cavalo mecânico, que andava com as patas tensas pela
mesa, fazendo grande barulho - Que exposição?
-Uma exposição de meus quadros - explicou Maggie com cansado. - Do que pintei ate agora, e
que não vendi ainda, naturalmente. É no sábado. É um grande acontecimento. Quanto mais
encomendas receber, mais... Jeremy não deixe que se caia, por favor. Vai se quebrar e eu não
posso comprar outro.
O jovem se inclinou para frente e agarrou o brinquedo que avançava para a borda da mesa.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Não posso crer - disse abanando a cabeça - Herbert te deixou sem nada porque não aprova
que pintes. Grande vigarista! - Então Jeremy entendeu melhor o que havia por detrás das
lagrimas de Maggie pela sua mãe; com sua morte, havia acabado toda a esperança de que seu
pai aprovasse a única coisa que ela gostava de fazer, e que fazia bem. Ele entendia
perfeitamente.
Nesse momento se lembrou de algo.
-E suas irmãs? - perguntou - Se mal me recordo, estão casadas e gozam de uma boa posição.
Porque não pede a elas que te ajudem de vez em quando?
-Deus me livre! - exclamou a moça em voz baixa - Mesmo que pareça mais fácil, não vou
descer tão baixo. Além do mais, todas concordam com meu pai.
Mesmo sem querer, a jovem não pode evitar que sua voz refletisse pouco melancolia.
A desaprovação de suas irmãs era o que mais lhe doía. Uma coisa era decepcionar seu pai, e
outra muito diferente era decepcionar suas cinco irmãs, e em especial, mais velha, a opinião
dela era apoiada incondicionalmente pelas demais. Anne nunca havia aceitado as preferências
de Maggie, desde sua relação com o duque Rawlings até sua decisão de estudar na academia
de arte, mas com a morte de sua mãe, parecia ter perdido toda a paciência. A irmã maior não
podia perdoá-la de preferir pintar a ser mãe, pois essa era a única ocupação que considerava
adequada a uma mulher.
Maggie imaginava porque Anne se sentia daquele modo; sempre havia sido a mais delicada de
todas e fazia pouco tempo que tinha sofrido um aborto, o terceiro durante seus dez anos de
casamento. Em conseqüência de ter perdido os bebês, amava seus quatro filhos mais que
qualquer outra mãe, e tudo lhe reafirmava sua convicção que a única ocupação natural para as
mulheres era a maternidade. A decisão de sua irmã menor de se converter em artista, e o fato
de que a morte de sua mãe não havia alterado sua convicção a aterrorizava. E, como se isso
fosse pouco, seu compromisso de casamento havia enfurecido ao resto da família, para quem,
ao parecer, qualquer esposo era melhor que um francês.
Ao ver a aflição da moça, Jeremy fechou os punhos, e dominado por um sentimento de
impotência, os colocou no bolso da calça.
-Não te angustie, Mags - disse com fingida despreocupação - Sempre pensei que fossem um
bando de tontas. Exceto você, é claro.
A moça o olhou com apenas um sorriso esboçado.
-Obrigado, mas acredito que desta vez tenham razão. “Honrará seu pai e sua mãe”, recorda-
se? Está na bíblia.
-É verdade - assentiu - Mas, não diz também que quem não tem pecado que atire a primeira
pedra? Acredito que suas irmãs deveriam deixar de meter as mãos na massa.
A jovem Herbert não pode evitar de rir.
-Oh, Jerry, acredito que está mesclando a bíblia com os refrões da senhora Praeshurt!
-É provável - concedeu ele, conteve de vê-la rindo - Embora, quando voltar a casa, vou dizer
quatro coisas ao Sir Arthur, pode ter certeza.
-A casa? Quer dizer que... não voltou só de visita? - Maggie se deu conta que sua voz refletia a
crescente sensação de pânico que se apoderava dela - Deixou a guarda montada para sempre?
-Pois... - respondeu Jeremy, que de repente se sentiu incomodado. Não queria falar demais,
fora que não entendia a verdadeira razão para seu inesperado regresso. - Não exatamente.
-Oh - disse a moça - Terá que voltar para que se recupere da doença, verdade? É tão grave? O
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
que você tem? - e com outra risada, acrescentou - Suponho que seja malaria, não? Sua tia
morria de preocupação.
- Não, não é isso - contestou, pensativo - A verdade é que decidir voltar para casa durante
algum tempo para atar alguns cabos soltos.
Lentamente, sua voz foi se apagando e Maggie, que havia esperado ele fazer alguma
referencia ao acontecido em Jaipur, teve que contentar-se com aquela resposta. Como não
ficaria muito lisonjeiro que se referisse a ela como “um cabo solto”, a moça supôs que ele não
se referia a ela. É claro que não! Era evidente que ele a havia abandonado, e pensava nela
somente como uma amiga de infância. O cabo solto podia ser sua tia Pegeen, quem, como
Maggie sabia perfeitamente, levava tempo em suspense desejando que lhe fornecessem a
recompensa por seu heroísmo na liberação do Palácio dos Ventos.
Como não ia ficar? Apesar da expectativa que havia despertado aquele assunto, sua família
não havia escutado uma palavra de Jeremy a respeito. Nem uma.
Ele a observou com cuidado e se perguntou como ela havia reagido por tê-la chamado de “
cabo solto”. Havia esperado uma expressão de culpa, ao menos um suspiro, mas a moça não
se alterou. Só disse “oh” e desviou os olhos para o ridículo cachorrinho de pelo enrolado.
“Nem uma só menção ao seu prometido”, pensou decepcionado. O havia abandonado?
Mesmo estando seguro que aquele cretino não merece recordação, acreditou que Maggie
evitava a questão de propósito.
Com os olhos perdidos nos cristais cobertos de gelo, Jeremy pigarreou. Começava a
amanhecer sobre Hyde Park, mas a troca de cor do céu era quase imperceptível.
-Acredito que deverias descer para ver se Peters já chegou aqui. Lhe disse para trazer minhas
coisas com ele.
“Suas coisas” Maggie se sentiu enjoada. Mesmo sabendo que ia soar como uma esposa
chorosa, não pode deixar de perguntar:
-Entre essas coisas esta a Estrela de Jaipur?
Quando pronunciou a ultima palavra, se arrependeu do que havia dito. Mas mesmo que
desejasse não ter tocado no assunto, necessitava saber. Uma parte dela, mesmo que pequena,
ainda conservava a esperança de que o que havia lido no Times não fosse certo, que aquela
Estrela de Jaipur não existisse, e que como agradecimento por salvar o Palácio dos Ventos, o
marajá houvesse lhe dado de presente um cavalo ou outra coisa do gênero. Mas não era
assim.
O jovem ficou a observando, surpreendido.
-Claro que sim! Não acreditou que eu fosse deixá-la lá, né? Você e Evers, me perguntaram a
mesma coisa, como de costume.
A jovem o olhou sem dizer nada. Não podia acreditar que fosse tão frio. Como podia ter
mudado tanto? Cinco anos era muito tempo e Jeremy os havia passado lutando, matando
gente e destruindo povos. Mas, ainda sim, parecia impossível que um ser humano se tornasse
tão insensível.
“As coisas mudam” pensou. E ela sabia melhor que ninguém.
-Pois será melhor se apressar então, não acha? - disse, sentindo-se cada vez mais enjoada -
Não vai fazer algo tão precioso como a Estrela de Jaipur esperar.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
O duque ficou a observando com curiosidade, mas finalmente se levantou, assentindo.
-Suponho que tenhas razão. Nos vemos no café-da-manhã, não?
-Acredito que não tenha outra forma de evitá-lo - respondeu. Embora, em vez de soar
sarcástica, tal como havia pretendido, sua voz refletiu tristeza.
Jeremy levantou as sobrancelhas, mas decidiu não fazer nenhum comentário. Se dava conta
que aquela moça se sentia incomoda com algo, mas não tinha a mais remota idéia do que
podia ser, pois se alguém tinha razões para estar zangado era ele. Do começo ao fim, ela o
havia deixado plantado.
Ainda assim, tentou que sua voz saísse despreocupada quando se aproximou para acariciar a
cabeça do cachorro.
-Boa noite, vira-lata.
Para a surpresa de sua dona, ao se ver próxima a mão do jovem, o cachorro começou a
grunhir.
-Jerry! - exclamou, repreendendo o mascote antes de pensar no que dizia - Para! Não faça isso!
Não se deu conta que havia dito isso até que levantou os olhos e viu a expressão de
desconcerto no rosto do rapaz. Desviou os olhos em seguida, mas já era muito tarde; suas
bochechas estavam em chama.
-Por Deus santo! -exclamou Jeremy com a voz afogada. Nunca havia se sentido tão perplexo -
Você colocou o meu nome no cachorro, Mags?
Maggie estava ruborizada. Não havia nada que pudesse fazer para acalmá-lo; além do mais,
ele acabaria sabendo de qualquer jeito.
-Eu gosto do nome Jerry - respondeu com tom indignado.
-Ah, sim? - respondeu ele - Esta bem. Pois passe bem.
Tenso, deu meia volta e com a mesma graça do cavalo mecânico, saiu do quarto e fechou a
porta com força atrás dele.
Capítulo 13
“Não foi assim tão terrível, né?” disse para si mesma logo que Jeremy saiu do seu quarto.
Tratando-se de um primeiro encontro, não havia sido tão ruim. Ela havia se comportado com
um mínimo de compostura; não havia desmaiado nem feito nenhuma tonteira. Se sentia
satisfeita por não ter feito ou dito nada que revelava o que ainda sentia por ele.
Exceto pelo nome do cachorro.
Mas isso não era um problema; durante o café-da-manhã teria tempo de explicar-se.
Mesmo que tudo realmente fosse bastante ridículo. Ao chagar em Paris, Maggie havia sentido-
se só. Terrivelmente só. Madame Bonheur era uma artista famosa que havia sido honrada com
uma medalha de rainha Vitoria, mas, apesar disso, mostrou ser uma pessoa excêntrica que
usava colete e calça e fumava charuto. Sua aparência impressionou a moça, que
compreendeu, que seus pais e Anne tivessem conhecido Madame Bonheur, nunca permitiriam
que assistissem uma aula em sua academia
Suas companheiras de classe tampouco lhe facilitaram as coisas, Muito poucas tinham
verdadeiro talento, e delas, menos ainda eram as que realmente queriam melhorar suas
capacidades artísticas. As demais estavam ali porque seus pais não sabiam o que fazer com
elas; eram muito velhas, feias e pobres para que qualquer homem lhe fizessem uma proposta
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
de casamento, assim enviaram as a academia de arte, para que aprendessem algo com que
ganhar a vida, ou simplesmente para tira-las de casa alguns dias da semana.
Por isso, as que tinham talento dominavam as demais; atribuíam criticas, estabeleciam o tom
em cada classe, eram objetos constante de adulação e ninguém as vaiava. Maggie se deu conta
no primeiro dia que a cabeça era uma jovem francesa, rica e atraente chamada Berangére
Jacquard; tinha a mesma idade que ela, mas era exatamente seu oposto em todo o demais.
Berangére era loira e ela morena, a francesa era delicada e Maggie corpulenta, e o que ela
tinha de amável sua companheira tinha de cruel. A única coisa que as meninas tinham em
comum, apesar da idade e da posição social, era o talento. A senhorita Jacquard era uma
excelente desenhista, e estampava tudo o que se colocasse adiante com incrível detalhe, até o
ponto que o resultado poderia passar por um daguerreótipo. Somente em seus melhores
sonhos Maggie poderia ter esperança de desenhar tão bem.
Então, Maggie se sentia deprimida; estava só, com exceção de Hill, em um pais estrangeiro,
senti saudade de sua família, e não tinha amigos, e suas companheiras de classe riam dela por
seu sotaque e seus estranhos costumes inglês. Além disso, pela primeira vez em sua vida, não
era a melhor artista, nem sequer entre as meninas da sua classe.
Um dia lhe chegou cedo ao estúdio de pintura, e sentou-se na frente de seu cavalete,
enquanto esperava que a assistente de Madame Bonheur terminasse de preparar a natureza
morta, e colocou-se a pensar se não seria melhor fazer as malas e voltar a Inglaterra.
Momentos depois, entrou a professora e depois de olhar ao redor para ver se todo mundo
estava prestando atenção, deixou cair uma coisa branca e pequena no pedestal que havia na
parte da frente da sala.
- É o último do bando da cadela de minha sobrinha, - disse uma voz rouca, antes de acender
uns dos cigarros marrons que fumava regularmente.
Maggie estava olhando a bola de pêlos que se retorcia no centro de uma natureza morta de
frutas e vegetais, e sentiu que ele lhe despertava uma profunda ternura.
- Não espera que pintemos isso – exclamou Berangére Jacquard, rindo, atrás de sua mesa.
Madame Bonheur exalou um fino fio de fumaça azul.
- E porque não?
- Mas... ele nunca pára se mover!
A professora olhou para o cão.
- Sim, certamente. E o que eu faça mademoiselle Jacquard? Que o mate?
Maggie deixou escapar uma exclamação e a professora virou-se para ela.
-Não se preocupe senhorita Herbert, - disse esboçando um sorriso. Os franceses adoram
animais, tanto quanto os britânicos. E agora, meninas, pararem de reclamar e comecem
pintura.
Maggie começou a trabalhar imediatamente. O cãozinho não parava de se mover: caminhando
para cima e para baixo do pedestal mirando o chão, assustado, latia porque ele não se atrevia
a saltar. Ainda assim, Maggie fez um belo retrato. O resultado foi tão positivo que, no final da
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
aula, quatro horas mais tarde, Madame Bonheur aproximou-se dela, ela estava olhando para a
tela e, sem dizer nada, tirou do cavalete e colocou-o na janela, apoiando no vidro. Depois se
aproximou do cavalete de Berangére, pegou sua pintura e o colocou ao lado da de Maggie. Foi
quando a garota fez uma surpreendente descoberta.
Sua pintura era melhor do que de sua companheira, muito melhor.
Claro que não era perfeito. As uvas tinham um tom demasiado verde, e tinha que trabalhar
mais o fundo, e ademais os pêssegos não tinham ficado bons, pois eram demasiado grandes
para o primeiro plano. Mas tudo aquilo, como apontou a renomada artista, era secundário, o
importante naquela pintura era o cão. A Mademoiselle Herbert não tinha pintado o aspecto do
cachorro, mas o que ele realmente era havia conseguido de traduzir a alma do animal. A
professora explicou que o retrato refletia com perfeição que seu modelo era ligeiramente
bobo, nervoso, mas de bom caráter. Era um cão com personalidade própria, com suas
preferências e aversões, e com qualidades diferentes delas e outros.
Apontando para a tela Berangére, Madame Bonheur comentou que a aparência de que o cão
tinha sido muito bem retratado na pintura. Mas, como explicou à classe, aquele animal
poderia ser qualquer cão não tinha personalidade. Os olhos poderia ter sido de cristal, pois
não expressava qualquer coisa, não havia neles qualquer emoção nem alegria. A artista
afirmou que talvez um estranho pudesse pagar por esse quadro, e colocaria sobre a sua lareira
e sentiria satisfeito de que fazia parte de sua coleção, mas alguém que conhecesse esse cão
iria preferir o de Maggie. No mundo da pintura de retrato, o público encarrega um artista que
desenha um membro da família, seja animal ou humano, e que ele queria era que a pintura
refletisse a sua personalidade, não apenas a sua aparência.
Por essa razão, conclui a professora, mademoiselle Herbert seria uma grande pintora de
retratos, enquanto mademoiselle Jacquard seria apenas mais uma entre uma multidão.
Berangére, indignada disse que se o cão não tivesse estado se movendo o tempo todo, ele
haveria feito melhor, o que madame Bonheur respondeu, que infelizmente, não havia muitas
pessoas que pedissem retratos de cadáveres.
Depois disso, sem dizer mais nada, a professora pegou o cachorro e deixou no colo de Maggie
e saiu da sala de aula. Foi preciso esperar até quatro anos mais tarde, quando a garota tinha se
tornado o melhor aluna da academia e gozava da confiança da ilustre pintora, para lhe
perguntar como sabia que ela queria ficar com o cachorro. Madame Bonheur simplesmente
sorriu e disse, - Querida, qualquer pessoa que olhasse para o quadro saberia que você tinha
ficado fascinada por ele. Eu só te dei o que, no seu coração, já te pertencia.
Aquela resposta tinha parecido a Maggie bastante irônica, tendo em conta que, quase desde o
início, tinham começado a chamar o cão de Jerry. Não era que Jeremy Rawlings lhe recordava
um cão branco e macio. Claro que não. Mas durante os primeiros meses longe de casa não
passava um momento sem pensar nele. Perguntava-se sem parar o que estaria fazendo, como
se sentiria, o que pensava. Estava preocupada com ele. A Índia era muito longe, e sua família
nunca recebia notícias dele. Apenas as relações de Lord Edward com os altos cargos da guarda
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
montada lhe mantinham informado de como estava seu sobrinho. Mas desde que Maggie não
estava em Herbert Park perto da Mansão Rawlings, mas do outro lado do canal, muito pouco
dessa informação chegou a ela. Além disso, seus pais nunca mencionavam o Duque de
Rawlings, uma vez que o assunto tinha se tornado quase um tabu.
Por isso, sozinho com seus pensamentos, não deixa de pensar nas tentações que Jeremy devia
estar rodeado nessa terra distante, as exóticas princesas com uma jóia no umbigo, as atrativas
esposas dos demais oficiais, ou mesmo as camponesas Indianas, com um jarro de água sobre a
cabeça. Quando começam a pensar, por exemplo, não conseguia dormir, algo incomum até
então, e no dia seguinte ficava cansada e irritada.
A menina sabia que sua atitude era ridícula. Eu não tinha direito de estar com ciúmes, porque
ela tinha rejeitado a sua proposta de casamento, assim, perdia qualquer direito que podia ter
sobre ele.
Por isso, sozinha com seus pensamentos, não deixava de pensar nas tentações que Jeremy
devia estar rodeado nessa terra distante, as exóticas princesas com uma jóia no umbigo, as
atrativas esposas dos demais oficiais, ou mesmo as camponesas Indianas, com um jarro de
água sobre a cabeça. Quando começava a pensar, por exemplo, não conseguia dormir, algo
incomum até então, e no dia seguinte ficava cansada e irritada.
A menina sabia que sua atitude era ridícula. Eu não tinha direito de estar com ciúmes, porque
ela tinha rejeitado a sua proposta de casamento, assim perdia qualquer direito que podia ter
sobre ele.
Além disso, era absurdo supor que após a sua recusa, ele permaneceria fiel. Muito absurdo e
pouco realista. O Duque de Rawlings era um homem viril... mais que viril, uma espécie de ser
humano masculino fora do comum. E como todos os homens, tinham as suas necessidades.
Dado que ela tinha recusado o seu direito a satisfazê-las, era claro que outra faria isso.
Era muito infantil supor que Jeremy não esteve com outra mulher... a quem talvez cortejara, a
quem poderia até ter proposto casamento e ela aceitara. Havia muitas possibilidades de ter
regressado da Índia, com uma bela mulher e submissa, e desempenharia com perfeição o
papel de duquesa e que gostaria do tipo de coisas que as aristocratas se interessam, como
roupas, jóias e fofocas. Em vez disso, a única coisa que Maggie teria trazido para o casamento
seria o seu amor pela arte e um conhecimento detalhado dos hábitos de cães.
Às vezes, porém, Maggie se permitia fantasiar sobre o que poderia ter acontecido se ela
tivesse aceitado a proposta de casamento. O que teria acontecido se tivesse ido com ele a
Gretna Green? O que teria sido dela se tivesse feito amor com Jerry naquela noite no seu
quarto?
Poucas vezes se atrevia a pensar nisso, porque quando fazia, sentia como se o ar lhe faltasse,
só a idéia do corpo desnudo de Jeremy junto ao seu, lhe produzia um desejo tão intenso que
muitas vezes acabava por colocar a coleira no cão para dar uma longa caminhada.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A garota pensava que devia haver algo nela que não estava bem, por ter aquele tipo de
pensamento. E, em vez de melhorar com os anos, a sua obsessão só piorou. A medida que suas
habilidades artísticas melhoraram, as aulas começaram a ser mais avançadas, até que havia se
matriculado em cursos de pintura de modelos vivos, que sempre estavam desnudos, e alguns
dos quais eram homens. A capacidade de observar de perto pela primeira vez em sua vida
corpo de um homem aumentou a freqüência de fantasias sobre Jeremy. Por vezes se
surpreendia a si mesmo formulando estranhas perguntas. Teria o peito tão amplo como
Philippe o modelo de posições? Seria tão musculoso como Etienne da classe de anatomia?
Seria os ligamentos inguinais do duque tão bem definidos como os de Gerard? E, claro, se
descobria horrorizada, perguntando-se como seriam as suas genitais, comparado com as dos
homens que pintava, se seriam tão grandes, escuros, com cabelos tão espessos...
Imaginou que ela estava obcecado. Também as outras meninas da academia estavam
obcecadas com os homens, seus amantes, seus noivos, o leiteiro ou o garçom do café da
esquina e falavam neles constantemente. Berangére Jacquard, que, depois das críticas de
Madame Bonheur era muito agradável para ela, não falava de outra coisa. De fato, a jovem
Inglesa era a única que não fazia, em cinco anos, nunca pronunciou o nome de Jeremy. Que
sentido teria em falar dele? Em um momento de temor infantil, por medo de perder o
controle, ela tinha perdido ele para sempre. Maggie considerava que alguém tão covarde, não
merecia uma segunda chance, então não tinha esperanças. Nunca, durante esses cinco anos,
ocorreu que Jeremy havia falado a sério quando ele lhe pediu que enviasse uma carta, se
mudasse de opinião sobre a proposta. Não havia nenhum homem que uma vez rejeitado,
arriscaria o seu coração uma segunda vez com a mesma mulher. Maggie não sabia muito sobre
os homens, mas sabia qual teria sido a sua resposta.
Nunca falar em Jeremy não significava que você não se lembrava dele. Pelo contrário, ela
nunca deixava de pensar nele. De fato, a maioria dos dias no meio da manhã, deixando um
pouco o pincel e dizia para si mesma: 'Meu Deus, são quase onze e eu não pensei em nada
mais do que Jeremy. "E esse pensamento era sempre acompanhado de tristeza e dor que não
a abandonava ate que dormisse.
Quando ela acordou naquela manhã e encontrou o duque sentado na beira de sua cama,
Maggie virou uma pedra. O que mais a surpreendeu foi mudança na no seu aspecto, ainda
mais impressionante, e que ele estava ali. Por que estava sentado em sua cama? Ele a tinha
esquecido, isso não era certo? Ela tinha certeza que não tinha pensado nela um só instante ao
longo do tempo. Por que, então, quando não havia nada entre os dois, tinha reaparecido na
sua vida?
O mais provável era que não supôs que ela estava em sua casa. Com certeza, se soubesse, teria
o tato de evitar-la... especialmente se levasse em conta que estava acompanhado da Estrela de
Jaipur. Mesmo que talvez deseja-se a emoção de estar entre amigos novamente. Sim, era isso.
Eram amigos de infância, e nada mais.
Tinha decidido contar que havia posto o nome do cachorro por aquela mesma razão; porque
era um bom e velho amigo. É claro, não era porque nunca houvesse de parar de pensar nele,
nem porque esse dia, cinco anos atrás, havia ficado gravado em sua memória; tampouco
porque Jeremy Rawlings tivesse se convertido em seu ideal masculino, e não houve nenhum
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
homem, nem sequer seu prometido, que se iguala-se....
Naquele preciso instante, sentada na mesa de café-da-manhã, enquanto esperava Jeremy,
Maggie se deu conta de Augustin.
Por Deus Santo! Seu prometido! Havia se esquecido dele!
Não havia outra explicação; havia perdido o juízo. Já podiam lhe reservar uma cela no
manicômio, porque não tardaria muito chagar. Havia sentado na cama a alta hora da noite
falando com um homem que uma vez lhe havia proposto casamento e se esqueceu
completamente de que estava prometida. Oh, Deus. Era a moça mais ingrata e egoísta do
mundo. Em que estava pensando, sentada de camisola falando com Jeremy enquanto Augustin
dormia muito perto dali?
Entretanto, o fato de que não merecia as atenções de seu prometido não eram tão importante
como que havia se esquecido por completo de mencionar sua existência ao duque. Sabia que
não ia se importar. Claro que não! Ele tinha a Estrela de Jaipur! Mas, ainda sim, deveria ter dito
a ele...
De todos os modos, aquele era um problema com fácil solução. Só teria que comentar-lo na
hora do desjejum, enquanto oferecia uma explicação sobre o nome do cachorro. Sim, era isso.
“Jeremy, pus o seu nome no cachorro porque é um bom amigo de infância e a propósito, sabia
que estou prometida e vou me casar? Me passe a manteiga, por favor?”
Mas o duque não apareceu no desjejum, e as dez, quando faltava somente meia hora para a
primeira hora marcada do dia, Maggie começou a se aborrecer. Queria lhe falar sobre Augustin
enquanto ainda tinha coragem. Onde havia se metido? Perguntou a Evers, cuja resposta foi
mais que insatisfatória: sua excelência ainda estava dormindo. Em seguida tentou tirar dele
onde estava a Estrela de Jaipur, mas foi igualmente inútil. Segundo o mordomo, somente
usava um quarto anexo a sua. A moça estava segura de que Jeremy não havia a acomodado
em um hotel, assim a única explicação era que repartia o quarto com ela. Isso explicaria
porque dormia até tão tarde, pois de seu quarto havia ido direto para....
Só de pensar já se sentia doente.
Então, em vez de dar mais voltas, recolheu suas coisas e pegou o ônibus para o lugar de sua
primeira hora marcada. Era com Lord e Lady Chettenhouse, que queriam encomendar um
retrato de sua filha mais velha, uma senhorita mimada da alta sociedade. Depois de uma hora
já haviam decidido o vestido, a postura e o pagamento, assim, as duas, Maggie estava de volta
em casa.... mas lhe disseram que o duque ainda dormia.
A moça conteve uma expressão de desgosto e almoçou com calma. Se entreteve tanto como
pode em seu quarto, e quando se deu conta de que estava se comportando como uma
estúpida, pegou o ônibus e foi para seu estúdio. Passou cinco horas pintando ali, sem pensar
no homem que a havia visitado naquela noite. Só quando deixou o pincel e notou que o braço
estava dolorido, se perguntou se Jeremy já haveria levantado. Depois de organizar o estúdio,
voltou a casa de Park Lane, e durante o caminho se preparou para um desagradável encontro
com seu proprietário. Usava um vestido de tecido azul, de saia longa e um corpete apertado
que terminava um pouco acima do abdômen. Sabia que não estava muito elegante, mas tinha
certo estilo. Ao menos, seu cabelo ainda estava arrumado; se seus peitos mantiverem se no
lugar durante o encontro, tudo iria bem.
O que a moça não tinha previsto era preparar-se para um encontro com a amante do duque e
contudo, foi ela quem encontrou esperando no vestíbulo, quando entrou pela porta principal.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Capítulo 14
Maggie se deu conta de que a Estrela de Jaipur era tal como seus piores pesadelos haviam a
levado a imaginar: baixa, exótica e bonita. De fato, a seu lado, a moça se sentia como um
ruminante desajeitado.
A princesa índia tinha os maiores e mais escuros olhos que jamais tinha visto e apesar de estar
envolta de uma capa arminho e veludo, tinha um aspecto tão elegante e gracioso que lhe
pareceu que ela poderia se sentar na palma de sua mão. Abaixo da saia do sári rosa
sobressaiam-se uns sapatos com incrustações de pedras preciosas, e nas mãos, que havia
tirado da manga da pele, levava pesados anéis de esmeralda e rubis.
Mas tudo isso era pouco, ao vê-la entrar, a princesa índia lhe sorriu. Aquele sorriso doce e
amável fez com que Maggie se constrangesse mais dentro do vestido, deu um tropeço e esteve
a ponto de quebrar um jarro com rosas que estava no meio de uma pequena mesa de
mármore junto a porta.
“Deus Meu - pensou a moça, consternada, enquanto se apoiava na mesa para recuperar o
equilíbrio - Porque, além de bonita, tinha que ser amável?”
-Desculpa - disse uma melodiosa voz masculina atrás dela, com sotaque, mas um bom inglês -
Está tudo bem?
Maggie inspirou profundamente e disse a si mesma que ia sobreviver aquilo; estava decidida a
não morrer na tentativa. A única coisa que tinha que fazer era cumprimentá-la com educação,
subir as escadas e ...
Fazer as malas. Porque não podia ficar naquela casa nem um minuto mais.
Maggie virou devagar e viu um homem magro, muito alto, com um pequeno chapéu escarlate
e um pendão sobre a coroa. Ia muito bem enfeitado, e tinha uma expressão inteligente no
rosto, que, mesmo não sendo bonito, era muito agradável. Não se atreveu a arriscar sua idade,
mas supôs que era mais jovem do que aparentava.
Sem saber muito bem como, a moça conseguiu esboçar um sorriso.
-Estou bem - respondeu - Foi a surpresa de os encontrar aqui.
-Ah - O homem sorriu, assentindo, e logo se voltou para dizer algo incompreensível a bela
indiana. Falava em um idioma melódico e cantando, sem nenhum som gutural. Ao ouvi-lo,
Maggie acordou do jogo que ela e Jeremy jogavam quando eram pequenos, e do som do vento
que faziam sussurrar as folha naquela tarde de verão, na propriedade Rawlings.
Quando a Estrela de Jaipur respondeu, algo em sua voz doce e aflautada fez com que os pelos
do braço da moça se levanta-se. Quando terminaram de falar, o cavaleiro indiano se dirigiu de
novo a moça.
-Permita-me fazer as apresentações. Está é a princesa Esha Rajput de Rajastan. Eu sou Sanjay,
seu interprete. A princesa quer que você saiba que é bem vinda em sua casa. Quer saber se
você veio vê-la ou ao coronel.
-Em sua... - A voz de Maggie foi se apagando. Por Deus bendito! Aquilo era pior que jamais
imaginou. Jeremy ia se casar com essa... mulher. Havia assumido que tinha a aceitado como
acompanhante, mas era evidente que ele tinha intenção de desposá-la. Ao menos essa era a
impressão que a princesa parecia ter. A menos que...já estivesse casados!
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Hum - gaguejou- De fato a nenhum dos dois. Veja, estou morando aqui...
-Ah - exclamou o homem - Você é do serviço? Perfeito! Porque necessitamos de alguém para
pegar nossos casacos - continuou enquanto assinalava a pesada capa de arminho da bonita
dama e a sua própria, da mesma cor escarlate que o chapéu - O homem que nos abriu a porta
era muito grosseiro. Nos disse para esperar aqui e logo desapareceu. Disse isso a bastante
tempo, mas ate agora não voltou e a princesa esta cansada de esperar e necessita se sentar.
A jovem assentiu; os ouvidos zumbiam como se tivessem colocado uma abelha em sua cabeça
que estivesse tentando sair. Nem em seus piores pesadelos havia imaginado uma situação tão
violenta. Supunha que Evers, ao abrir a porta, havia sentido o mesmo. Se não, como explicava
que os houvesse deixado esperando no vestíbulo? Um mordomo com oficio jamais deixa os
convidados naquela situação; ou os faziam entrar e os acomodavam no sofá ou lhes pediam
para ir embora.
Mas Maggie não o reprovava, pois compreendia seus sentimento perfeitamente. Aquilo era
mais do que um inglês, ou uma inglesa, era capaz de compreender. Que o marajá Rajastan,
poder supremo da província depois da majestade, houvesse oferecido sua sobrinha como
recompensa e que Jeremy lhe aceitou era incompreensível.
Maggie sentiu náuseas, e deu Graças a Deus de que houvessem passados varias horas desde
que havia comido.
Contudo, decidiu comportar-se como haveria feito qualquer cidadão inglês decente.
-Sigam-me, por favor. Lhe mostrarei o salão - disse com tanta elegância como foi capaz,
engolindo o amargo sabor da boca - E claro, dei-me seus casacos. Os guardarei com prazer.
-Obrigado - respondeu Sanjay com um sorriso - Muito obrigado. Viajamos de muito longe, e
estamos cansados. Temo que não estamos acostumados com esse frio, e nos deixa muito
cansados.
A jovem sorrio, mesmo temendo que sua expressão fosse aparentasse ser extremamente
forçada.
-Pedirei que tragam chá em seguida - Então deu meia volta e abriu as portas do salão.
Em alguns minutos a princesa e seu intérprete estavam convenientemente acomodados.
Quando Maggie percebeu que não precisavam de mais nada, exceto o chá, que estava a
caminho, decidiu se retirar. No momento da despedida, a princesa pegou sua mão, e ao
observar o encantador rosto virado para ela, a moça entendeu porque Jeremy não havia
negado o oferecimento do marajá; A Estrela de Jaipur fazia jus a seu nome. Além de grandes e
hipnotizadores olhos, a bela indiana tinha a boca perfeita, a pele cor de avelã, um cabelo
comprido e preto como o ébano e a cintura tão magra e graciosa como a de uma bailarina.
Mesmo estando segura de que não agradaria a Pegeen, pois desaprovava o presente do
marajá por considerá-lo, talvez acertadamente, trafico de seres humanos, não havia duvidas
de que o duque havia encontrado a duquesa perfeita para Rawlings, alguém que saberia levar
com dignidade a pesada tiara de diamantes que correspondia ao titulo.
A princesa reteve a mão entrelaçada a de Maggie por alguns minutos enquanto falava
rapidamente o que Maggie supôs ser indiano. Quando terminou, Sanjay traduziu brevemente
o discurso.
- A princesa Usha quer que você saiba que sua amabilidade não ficara sem recompensa. Pela
generosidade que demonstrou com nos hoje, a partir de agora, será considerada membro do
serviço pessoal de sua alteza. Por isso, quer saber sobre sua experiência com aposentos e se
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
você sabe ler.
A jovem demorou um minuto inteiro para conseguir articular uma resposta, mas, quando o
fez, comprovou com satisfação que podia fazê-lo sem rir... ou vomitar
-Me sinto muito honrada - começou lentamente - mas não sou criada, e sim uma convidada da
casa, e agora tenho que ir; desejo a vocês uma boa tarde.
Sem esperar a resposta da princesa, deu meia volta e se apressou para sair. A única coisa que
queria era trancar-se no seu quarto. Entretanto, momentos depois de entrar, sua criada saiu
detrás do trocador com um traje de seda branco entre as mãos.
-Aqui esta, por fim - exclamou enquanto Maggie estirava dramaticamente na cama, com
vontade de chorar - Chegou tarde. Tem somente alguns momentos para se trocar.
-Me trocar? - respondeu, abatida - Para que?
-Para o baile de Lord e Lady Althorpe -respondeu a criada, sacudindo a cabeça - Realmente,
senhorita Margaret, você esta sempre nas nuvens.
Maggie sufocou um grito
-Oh, Deus, não! Tinha esquecido por completo!
O baile! Que estúpida era! Estava atormentando Augustin durantes semanas com medo de
que Lady Althorpe esquecesse de convidá-la para aquele importante acontecimento social.
Iam assistir a todas as damas da alta sociedade londrina acompanhadas de suas filhas, e
veriam o retrato que acabou de terminar de Cordelia Althorpe, e cuja honra celebram seus
pais naquele baile. Maggie sabia que era uma oportunidade única para se apresentar ao tipo
de pessoa que podiam encomendar um retrato. Se ganhasse a atenção dos ricos e influentes
amigos de Lord e Lady Althorpe, nunca voltaria a lhe faltar dinheiro.
-Felizmente, o senhor Veygoux não esqueceu. Vem apanhá-la em meia hora. Ao menos era o
que dizia a mensagem que deixou a uma da tarde. Vamos, tire isso, temos muito que fazer se
quisermos que esteja linda quando seu prometido chegar.
Com um suspiro, a moça se deixou cair adiante, enterrando a cabeça entre os braços.
-Oh! - exclamou - Você não pode nem imaginar o dia que eu tive hoje.
-O dia que teve? - repetiu a criada tirando o chapéu de sua senhora - Essa sim que é boa! Pois
se prepare, porque o que vou lhe dizer vai ser muito pior.
-Oh, não - se lamentou enquanto se levantava, com uma súbita pressão no peito - Não recebeu
más noticias de Park Herbert, né?
-Por Deus, não - respondeu a servente, enquanto começava a tirar os grampos do cabelo -
Nada disso. É só que... bem, é que...
A única vez que Maggie tinha visto Hill tão perturbada foi na noite em que quisera despedi-la,
pouco depois de que seu pai decidiu deixar de pagar sua pensão. Quando no fim lhe havia
confessado que não tinha dinheiro, a criada simplesmente havia levantado o queixo e
respondido com gravidade: Sua mãe me pediu que cuidasse de você quando tinhas dezesseis
anos. Se ouvisse que ia abandoná-la agora quando mais precisa, se reviraria no túmulo. Não se
preocupe com dinheiro, senhorita. Nos o arrumaremos. Sempre o fizemos.
- Do que se trata, então? - perguntou a jovem, que sentia curiosidade por saber o que poderia
ter alterado aquela mulher de caráter impassível. - Evers fez algo que a chateou? Sei que é
uma pessoa difícil, mas deve tentar se dar bem com ele. Somos hospedes nesta casa.
-Não, senhorita, esta vez não se trata do senhor Evers - A criada pegou a escova da
penteadeira e começou a despentear a espessa e emaranhada cabeleira - é ele.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Maggie franziu o cenho, tanto pelo desconcerto como pelos puxões que a criada dava em seu
cabelo.
-Ele? Quem?
-Senhorita Margaret... - Hill fez uma pausa para dar maior dramaticidade ao que ia dizer, e
continuou - O duque voltou da Índia.
-Oh - respondeu a jovem.
Ao ver que sua senhora não se desfalecia ao ouvir aquela noticia, a criada se deteve para olhá-
la nos olhos.
-Você já sabia! - exclamou depois de analisar a expressão da moça uns momentos - Você sabia
desde o principio!
-Bom - começou devagar.
Hill se endireitou e se envolveu em um novo ataque sem piedade no cabelo da jovem.
-Não posso crer que sabia que ele havia voltado e não me disse nada.
-Ah! - se queixou a senhorita Herbert - Te prometo que descobri por minha conta.
Contudo, a criada não tinha piedade, e lhe fazia girar a cabeça de um lado para o outro com
bruscalidade para desfazer os nós.
-Deveria se envergonhar! O que diria sua mãe se soubesse que estamos sós em uma casa com
um homem solteiro? E não qualquer homem, e sim o duque de Rawlings! Não gostaria nada, e
você sabe.
Maggie suspirou.
-Sim, eu sei. Tens razão.
-Mais que isso - insistiu a servente - Tenho toda a razão - continuou enquanto deixava a escova
e começava a fazer uma trança - Não podemos ficar aqui com um homem que mantém
relações com uma infiel.
Surpreendida, a moça ficou olhando o reflexo de sua criada no grande espelho da penteadeira.
-Uma infiel? A que se refere?
-Eu sei do que falo - murmurou num tom de mistério - Me refiro a aquela que chamam de
Estrela. Estrela! - Hill ofegou - Essa sim que é boa.
-Oh - replicou Maggie com um fio de voz - Entendo. Mas...
-Mas o que? - a criada sustentava os grampos com os dentes, de modo que a frase seguinte
soou um pouco confusa - Não há "mas" que valam. Menos mal que Lord e Lady Edward voltam
esta noite, porque se não, íamos ter que ir embora agora mesmo. Não podemos ficar sós aqui
com ele.
-E para onde iríamos? - perguntou Maggie olhando sua criada - Sabe que não tenho dinheiro
para alugar um apartamento... um lugar decente, em um bairro em que possamos sair e
passear com Jerry a noite sem medo. Suponho que poderia pedir a Berangére..
A criada pareceu horrorizada.
-A francesa que alugou o estúdio de pintura em frente ao seu? -exclamou.
-Vamos, mulher. Mas sim é uma boa amiga minha - respondeu a senhorita Herbert com o
olhar receoso - Estou segura de que se tiver um quarto livre, nos deixaria ficar tanto tempo
quanto...
-Não viverei com uma francesa - declarou com decisão - E você tampouco. Mesmo que tenha
dinheiro, essa mademoiselle Jacquard não é uma dama, assim você não vai compartilhar a casa
com ela. Sei como são as mulheres como ela... essas artistas.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Hill -respondeu Maggie com suavidade - Eu também sou uma artista, lembra-se?
A criada deu patada no chão, furiosa.
-Não iras se comparar com esta senhorita, vai? Conheço outras mulheres como ela, e sei como
vivem. Não são melhores que a infiel com que o duque vai se casar. A propósito, se sua
excelência fosse um verdadeiro cavaleiro, não a teria colocado em situação tão embaraçosa.
Não lhe parece? Vocês dois já não são crianças, e sua relação não pode ser mais como antes.
Agora ele é um homem, e você uma dama, a pesar do que pensam alguns membros da sua
família - Hill, leal a sua senhora, desaprovava profundamente o trato que o seu pai e suas
irmãs lhe dispensavam fazia algum tempo - Já veremos o que Lady Edward dirá disso tudo
quando voltar. Estou segura de que vai dizer quatro coisas ao sobrinho, por mais duque e herói
de guerra que seja. E espero estar lá para ouvir.
Maggie se olhou com tristeza no espelho. Esperava não estar perto quando Pegeen repreender
seu sobrinho. Havia visto a dama de mal humor em outras ocasiões e não era um espetáculo
muito agradável.
“Deus - pensou com um suspiro - Minha vida é um verdadeiro desastre... e tudo por culpa
desse maldito Jeremy!”
Capítulo 15
Até onde Jacob Evers podia se lembrar, sua família sempre havia servido aos duque de
Rawlings. Seu pai, seu avo, inclusive seu bisavô, haviam trabalhado de mordomos, fosse na
casa da cidade ou na mansão de Yorkshire. E durante todo esse tempo, só um conselho havia
se passado de pais para filhos; uma única norma se havia transmitido de geração em geração,
e pelo que Jacob sabia, nunca ninguém havia transgredido. Até esse dia.
O mordomo estava de pé, vacilando, frente a porta do dormitório do duque, o quarto que
somente Lord e Lady Edward ocupavam quando estavam na cidade. Sabia que o castigo pelo
que estava pronto a fazer não iria demorar. A menos não teria que temer uma longa agonia,
mas mesmo assim, não podia evitar perguntasse se o duque simplesmente o jogaria na rua ou
daria ao despedido uma surra. Mesmo que Evers não havia ouvido contar nenhum episódio de
brutalidade sobre o filho de Lord John, se armou de coragem para afrontar um tratamento
cruel. Depois se depois a fazer algo inimaginável:
Despertar um Rawlings.
O criado aproximou os dedos da porta, chamou varias vezes e retrocedeu em seguida, como se
temesse que inclusive a porta fosse lhe dar uma surra.
Depois de um par de minutos, a porta se abriu, deixando entrever um grande quarto, cujas
janelas, cobertas por cortinas, davam para Hyde Park. As paredes estavam pintadas de um
acolhedor verde oliva combinando com um marrom tão claro que parecia violeta.
Contudo, o mordomo se deu conta de imediato, com o coração encolhido, de que não havia
nada de acolhedor na expressão do homem diante de si. Era Peters, o criado de sua excelência,
um jovem que havia lutado sob as ordens do duque, mas que não tinha a menor idéia de como
se devia comportar o criado de um cavaleiro. Além disso, só tinha uma perna, pois havia
perdido a maior parte da outra em uma batalha. O moço havia tirado a perna de madeira que
tinha ao chegar, e havia horrorizado a cozinheira e aterrorizado as criadas.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
No momento, Peters não havia conseguido ganhar o favor dos demais membros do serviço do
números vinte e dois da Park Lane.
-Que? - sussurrou o jovem com expressão de estupefação - O que quer, companheiro? Já sabe
que o coronel esta dormindo...
Antes que Evers pudesse abrir a boca para expressar sua indignação porque lhe havia chamado
de “companheiro”, ouviram uma voz inexpressiva proveniente de um lugar indeterminado do
quarto.
-Fale com propriedade - disse Jeremy - o coronel estava dormindo.
Peters que ficou olhando o mordomo com uma expressão astuta.
-Olha o que armou. Não sabe que jamais deve acordar o coronel? Acaso tem vontade de
morrer?
-O que aconteceu? - perguntou o duque com tom imperioso.
-Não se encontra bem, sabes, companheiro? Necessita dormir - murmurou o criado no portal
da porta.
Jacob pigarreou.
-Não me atreveria a perturbar o sono de sua excelência a não ser por uma circunstancia
extrema.
-Com que circunstancia extrema? - disse Jeremy.
Aliviado, o mordomo acreditou ter percebido na voz de sua excelência um pouco de humor.
Pela primeira vez, desde que a meia hora antes havia aberto a porta para os visitantes, pensou
que talvez, e somente talvez, conseguiria conservar seu emprego depois de comunicar as
terríveis noticias.
-Se as circunstancias são extremas que Evers acreditou necessário me acordar, será melhor
que o deixe passar, Peters.
Mordendo os lábios em desaprovação, o jovem tirou a perna de madeira do meio, pois
impossibilitava a entrada do mordomo e retrocedeu para lhe deixar passar. Jacobs o fez com a
cabeça bem erguida... ate que seus olhos encontraram com o da figura que estava estendida
na grande cama com dossel, a poucos metros dele. E somente graças a seus anos de aplicado
aprendizado, pode dissimular uma expressão de extrema surpresa. Não obstante, não pode
evitar de exclamar:
-Por Deus santo!
-Oh, vamos, Evers - respondeu Jeremy com um sorriso burlão - Estou certo de que já viu coisas
piores.
O criado recobrou a compostura e atravessou rapidamente o quarto na penumbra,
procurando não tropeçar com nenhum dos numerosos objetos espalhados pelo chão, que
havia deixado Peters ao desfazer a bagagem.
-Temo que não, excelência - respondeu com fria formalidade - Lhe rogo que perdoe meu
atrevimento, mas sugiro que me permita mandar buscar o medico. Há um excelente no final
da rua, o doutor Wallace, não tenho duvidas de que estará aqui logo.
O duque pareceu surpreso, ao menos como poderia parecer um homem com febre alta
deitado na cama.
-Morda a língua, Evers - replicou - Os médicos não podem fazer nada mais por mim. Só tenho
que suar um pouco e dentro de meia hora estarei fresco como uma rosa.
-Não se preocupe - Peters havia fechado a porta do quarto e avançava coxeando ate um baú
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
que, ao parecer, estava esvaziando - Ao coronel a febre baixa com a mesma rapidez com que
sobe. Não estranharia que se levante para o jantar.
-Falando em jantar... - Jeremy, com o torso nu, estava apoiado sobre varias almofadas, muitas
da qual estavam amassada como se um par de mãos febris as tivesse retorcido - Que Maggie
vai fazer esta noite?
-A senhorita Margaret, excelência? - perguntou o mordomo, a quem a pergunta havia pego
com extrema surpresa - Sua camareira me disse que ela e monsieur Veygoux assistiram a um
baile que oferece o conde de Althorpe.
Uma expressão de profundo desgosto cruzou o rosto do duque.
-Que? - exclamou, juntando a cama com bruscalidade - Esta me dizendo que esse francezinho
vai ser seu acompanhante?
-Sim, claro, excelência - respondeu - Afinal, é seu prometido. Excelência, me permite sugerir
que ponha uma camisa? Quando se tem febre, é recomendado que...
-Maldita seja - murmurou Jeremy, afastando os cobertores; então, o mordomo comprovou
que o duque dormia nu debaixo das suaves cobertas de linho - Peters - ordenou com tom
autoritário - Meu uniforme, por favor.
-Excelência! - exclamou Evers, desviando os olhos - De verdade acredito que...
-Seu uniforme, coronel? - perguntou o criado enquanto coxeava ate a borda da cama para
ajudar o duque a se levantar, tirando puxando um dos seus musculosos braços.
-O uniforme de gala - resmungou Jeremy enquanto descia da cama alta - Precisarei da espada,
luvas brancas, as condecorações...
-Serio, coronel? - perguntou Peters, que parecia agradavelmente surpreso. - As condecorações
também? Todas?
-Todas. - Nu, Jeremy se ergueu e virou-se por casualidade para o mordomo, que o olhava com
uma expressão próxima ao terror - Obrigado, Evers - disse com amabilidade - Pode se retirar.
-Mas... excelência, não esta pensando em sair, esta? - aventurou Evers com estremecimento.
-Claro que sim - respondeu o duque com um sorriso - De repente, tenho muita vontade de
fazer uma visita ao conde de Althorpe.
-Mas... - Evers negou com a cabeça como um cachorro que sacode a água das orelhas. -
Excelência, devo me opor. É evidente que esta doente e tem febre alta. Seria loucura de sua
parte sair a rua com esse frio.
-Por Deus bendito, velho - resmungou Peters com desgosto, enquanto colocava uma camisa
branca e limpa sobre os largos ombros de seu senhor - Contenha-se. Não sabes com quem esta
falando?
-É claro que sei - respondeu o mordomo, ofendido - Estou falando com o décimo sétimo duque
de Rawlings.
-Não, senhor - murmurou o criado - Esta falando com o tenente coronel Jeremy Rawlings. Um
homem que, como demonstra suas medalhas e condecorações, não tem medo de nada e de
ninguém.
-Ilustrou minhas botas? - perguntou Jeremy enquanto metia um braço pela manga da camisa.
-Sim, senhor. E lhe dei brilho com pano seco - respondeu o moço enquanto desdobrava umas
calças de cor bege - Tal como você gosta.
-Muito bem - Mesmo conseguindo colocar a roupa de baixo sem ajuda, o duque teve que
apoiar uma mão no ombro de seu criado para manter as pernas nos buracos da calça - Evers,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
ordene que preparem minha carruagem para sair imediatamente depois que Maggie tiver ido.
A propósito, ainda temos aquele par de cavalos cinzas que meu tio ganhou do príncipe de
Gales?
-Sim, excelência. Mas...
-Perfeito - disse o duque enquanto colocava o casaco escarlate de elegante corte, com a cauda
até seus joelhos. O criado se apressou para pentear as franjas da ombreira dourada, que
refletiam a luz dos candelabros. O jovem se voltou para examinar seu reflexo no espelho de
corpo inteiro que havia no canto mais distante do quarto e, com um olhar critico, colocou para
trás algumas mechas do cabelo preto que tinha caído na frente - Peters, você conduzira.
- É claro, coronel - respondeu o jovem, contente - Creio que, mesmo que mesmo fazendo
muito tempo que não venho aqui, saberei conduzir pelas ruas de Londres.
Evers não pode mais se conter.
-Excelência! - exclamou - Você está doente. Devo insistir que me permita mandar buscar o
medico. A menos, fique em casa esta noite e descanse. Tem uma aparência horrível, meu
senhor. Verdadeiramente horrível.
Isso fez Jeremy se olhar no espelho com mais determinação.
-Verdade? - perguntou, surpreso. - Isso porque Peters ainda não colocou as condecorações.
Espere e verás. Reluzo como uma dama cheia de jóias.
Intrépido, Evers continuou:
-Seria absolutamente impróprio, excelência, que se apresente no baile dos Althorpe sem ser
convidado.
-Acaso acredita que o conde negaria um copo de ponche ao décimo sétimo duque de
Rawlings? - o jovem sorrio com cinismo ao seu próprio reflexo - Eu acredito que não. Peters,
poderia fazer algo com meu cabelo?
- Certamente, coronel - assentiu o criado, brandindo umas tesouras - Só necessita de um
retoque. Mas antes, deixe-me que ponha uma toalha sobre os ombros para proteger o casaco.
-É uma loucura - murmurou Evers - Uma absoluta loucura - E, com uma voz mais alta,
continuou - Temo, excelência, que não me deixa outra opção. Sua falta de consideração com a
própria saúde me obriga a tomar a decisão de notificar Lord e Lady Edward tão logo quanto
eles cheguem ....
Antes que pudesse terminar a frase, Jeremy havia dado a volta e com um só movimento, havia
agarrado o criado pela solapa e o havia levantado quase um palmo do chão. Jacob, que por fim
parecia ter ficado sem palavras, olhou o chão e depois o rosto irritado do seu senhor, quem,
parecia, não estar tão fraco como ele havia acreditado.
-Pobre de você - balbuciou o duque com uma voz que fez o mordomo estremecer -Se atreva a
dizer uma palavra sobre minha enfermidade e terá que se ver comigo. Entendeu o que estou
dizendo?
O servente, petrificado, e mais convencido do que nunca de que no Extremo Oriente sua
excelência havia se convertido em um demônio, gaguejou:
-Mas, mas... excelência, eles vão se dar conta assim que o virem. Estou certo de que...
-Eu mesmo direi - lhe informou o jovem com aspereza - Mas a minha maneira. Não necessito
que ninguém vá contar a meus tios o que eu faço ou deixo de fazer. Não quero que lhes digam
uma só palavra. Entendido?
O criado tremia ate tal ponto que era incapaz de responder.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Não se preocupe com ele, coronel - disse de maneira cordial o criado, indo para frente
tranquilamente - Se lhe escapar algo, eu me encarregarei. Lhe darei o que merece como
aqueles bengalês de Jaipur... - E, para ilustrar o que queria dizer, passou o dedo pela garganta
enquanto produzia um espantoso ruído sibilante.
-Não direi nada - assegurou Evers engolindo a saliva - Nem uma palavra. Eu juro!
Jeremy observou o rosto do criado, sem saber que sua própria cara havia tomado uma
expressão de tal frieza que ninguém que o tivesse visto criança o reconheceria. Ao duque de
Rawlings ninguém lhe havia negado nada.
Ao menos, até aquele momento.
-Espero que assim seja - resmungou enquanto colocava o mordomo no chão com bastante
suavidade, especialmente levando em conta seu estado de raiva momentos antes.
Evers se apoiou no dossel da cama, aliviado de se salvar de uma surra daqueles imensos
punhos que o havia sustentado inquieto. Seu coração palpitava forte, e tinha a boca seca. Deus
santo! O que ia fazer? Era o empregado de um louco. Nunca, na história de sua família, um
Evers havia recebido semelhante trato de um Rawlings.
E o que esperava? Talvez fosse verdade fosse o que diziam sobre a origem do duque. Desde
logo podia se esperar um comportamento como aquele do filho de uma prostituta.
-E agora - disse Jeremy no fim, enquanto Peters colocava uma toalha sobre os ombros e
começava a corta seu cabelo - o que tinha vindo me dizer?
Deus Santo. Havia se esquecido por completo. Depois de limpar a garganta, o mordomo se
endireitou e disse:
-A Estrela de Jaipur esta lá embaixo, no vestíbulo.
O duque olhou com curiosidade o reflexo do criado no espelho.
-Não esta não. - respondeu
-Como disse, excelência? - respondeu Evers com certa indignação - Não haveria perturbado
seu sono se não estivesse absolutamente certo de que...
-A Estrela de Jaipur esta ali - afirmou o jovem, confuso, voltando o olhar para os baús
apinhados no chão - Bom, em algum desses baús. Onde ela esta, Peters?
-Aqui, coronel - O ajudante se inclinou para frente, e apos se deter sobre uma mala, apareceu
com uma pequena bolsa de veludo na mão.
-Aqui esta - disse o duque - Me alcance ela, ok? - o moço fez o que lhe pedia, e Jeremy pegou a
bolsa com uma mão. Depois a abriu, deu meia volta para que seu conteúdo caísse sobre a
palma da mão e estendeu o braço para o mordomo, que contemplou a pedra preciosa do
tamanho do punho de um bebe e da cor do mar Mediterrâneo - Aqui esta ela, Evers. A Estrela
de Jaipur. Sã e salva.
Confuso, Evers ficou olhando a safira.
-Lhe rogo que me perdoe, excelência... Se isso é a Estrela de Jaipur, quem é a dama indiana
que o espera no vestíbulo?
O medo que havia feito o mordomo temer por sua vida pouco antes não foi nada em
comparação com o que sentiu ao vislumbrar o rosto do duque ao assimilar aquelas palavras.
Capítulo 16
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A filha maior do conde Althorpe não era uma menina que se pudesse considerar bonita. De
fato, com seus dentes de coelho, um pescoço apenas esboçado e uma figura um pouco obesa
por causa da quantidade de doce que ela comia, só se podia qualificar de feia...mesmo que,
claro, Maggie havia procurado não retratá-la como tal. Afinal, tinha tido muita sorte que a
tivessem escolhido para pintar o retrato da honorável senhorita Althorpe. Vários artistas muito
mais prestigiados haviam disputado aquela honra, e as centenas de libras que a
acompanhavam, mas no fim os condes haviam se decidido por ela.
Porque, mesmo que os demais fossem mais celebres, nenhum soube ressaltar, no esboço que
apresentaram, a única característica bonita de Cordelia Althorpe: seus olhos verdes quase
iridescentes, que se assemelhavam a pedras preciosas. Ao observar, a beira do desespero, a
pobre Cordelia em busca de algum atrativo, nenhum desses artistas se haviam fixado em seus
olhos, quase ocultos pelas dobras de gordura.
Maggie, pensava, enquanto bebia champanhe e olhava o retrato com satisfação, que mesmo
aquela moça sorridente e de olhos brilhantes da pintura se parecia muito pouco com a astuta
Cordelia, ao menos seus pais estavam contentes, e lhe haviam entregado o atrativo e bem-
vindo cheque segundo o previsto, da mesma forma que ela tinha terminado o retrato a tempo
para a festa que celebravam em homenagem a sua filha.
-Isto é quase um milagre - disse uma voz, com tom divertido, por trás da jovem.
Maggie virou a cabeça e sorriu para seu prometido.
-Estou de acordo com você - disse com burlona solenidade - O fato de que alguém chegue a
pagar tanto dinheiro por uma tela manchada de tinta é realmente incrível.
-Não me refiro a isso, mademoiselle Herbert - riu entre os dentes Augustin de Veygoux - Falo
de como pintou Cordelia Althorpe; conseguiu que uma jovem pouco atraente passe por bonita
sem cometer perjúrio.
A jovem desviou o olhar, mas não pode conter um sorriso.
-Me ofende, monsieur. Sou uma pintora de retratos. Não embelezo ninguém, simplesmente
pinto o que vejo.
-Então eu gostaria de ver o mundo através de seus olhos - riu ele - pois são os olhos mais
benevolentes que se possam imaginar. Descobrem beleza em qualquer lugar, especialmente
onde não há.
- Vous étes un homme horrible - lhe respondeu a artista, brincando, enquanto lha golpeava o
peito com o leque - A honorável senhorita Althorpe é uma jovem de formação muito
completa; canta e toca de maneira admirável. O que lhe falta em beleza, sobra em talento.
-Em dinheiro, você quer dizer - Augustin olhou ao outro lado da sala de baile, onde a jovem em
questão devorava um grande pedaço de torta holandesa, sem prestar atenção em ninguém - A
única razão para um homem querer casar com ela é por seu dinheiro.
Maggie começou a se abanar. Mesmo estando em pleno fevereiro, o salão, que não era
particularmente grande, começava a esquentar por causa da multidão que havia assistido a
festa.
-Que desagradável. Não faz falta que seja tão cruel.
-Não sou eu quem é cruel, ma chérie, e sim o mundo - respondeu Veygoux com
despreocupação - Sem atrativo nem interessem, as mulheres como Cordelia não podem
esperar casar-se por amor, a menos que encontrem um homem com seus mesmo defeitos.
Mas isso não ocorre com freqüência. Sinto magoá-la, mademoiselle, mas o único encanto da
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
honorável senhorita Althorpe é o dinheiro de seu pai.
A jovem ficou olhando seu prometido.
-Talvez seja verdade, mas não faz falta que o diga tão alto. Não imagina o que agradeço não ter
que me preocupar nunca de ouvir alguém dizer algo assim de mim.
Augustin sorriu.
-Vamos, ma chérie, qualquer homem se casaria com você mesmo que fosse mais pobre que
uma rata.
-E eu sou - lhe recordou a moça - A isso que me refiro. Ninguém se casaria comigo por
dinheiro, porque não o tenho.
-Sim - assentiu o francês - Mas tem algo muito mais interessante.
-Ah, sim? - perguntou Maggie, duvidosa - O que?
O senhor de Veygoux a olhou com um sorriso diabólico.
- Votre silhouette, naturellement - disse, e observou com deleite o rubor que inundava a
bochecha de sua prometida tal como sabia que ia acontecer.
Margaret, consciente de que aquela referencia a sua figura lhe havia feito ruborizar, olhou
nervosa ao seu redor para ver se alguém tinha escutado. Por mais sofisticada que acreditava
ser, os comentários sobre seu aspecto ainda a incomodavam. Poderia pensar que depois de 5
anos em Paris, deveria ter se acostumado a bajulação, que lhe rendia muita chateação;
diferente dos ingleses, os franceses eram muito loquazes ao expressar sua admiração por uma
mulher, mesmo em locais tão formais como os salões de bailes, e Maggie havia recebido
comprimentos ali onde havia ido. Apesar de que o espelho desmentia, a moça continuava
considerando-se uma menina desengonçada e deselegante que havia sido, e desconfiava que
todo mundo que afirmava ver-la de outro modo.
Isso significava que desconfiava de seu prometido. Ao contrario, pensava Maggie enquanto o
olhava através da ponta de renda de seu leque. Apesar de sua tendência a elogiá-la em
excesso, Augustin de Veygoux era o homem mais amável e digno de confiança que conhecia.
Era um jovem alto e carismático, mais de dez anos maior que ela, que costumava visitá-la no
estúdio de madame Bonheur por algo mais que sua generosidade com os excelentes cigarros
que fumava. A família Veygoux era muito respeitada no mundo artístico, tinha grandes galerias
de arte em sete cidades européias, e uma nos Estados Unidos, e diziam que sua coleção
renascentista era uma das mais valiosas do mundo. Augustin estava sempre buscando novos
talentos para promover em seu salão em Paris, e madame Bonheur, que era tão hábil para os
negócios como para a pintura, se preocupou para que ele visse alguns retratos de Maggie. O
jovem comprou o quadro de Jerry antes de conhecer a artista, e pouco depois de a
apresentarem, seu projeto para promovê-la havia dado um giro mais pessoal. A jovem Herbert
não estava segura de quando havia começado seu interesse por ela, mas durante os últimos
anos de sua estada na capital francesa, o jovem passeava com ela todas as tardes.
Maggie não estava apaixonada por ele. Disso não havia duvidas. Quando Augustin se declarou,
duas ou três semanas depois de conhecê-la, a moça começou a rir, pensando que era uma
brincadeira. Contudo, quando, dada a insistência, se deu conta de que era serio, não lhe restou
outro remédio do que dizer a ele que não correspondia seus sentimentos.
Quando Augustin entrava no salão onde ela se encontrava, seu coração não acelerava, quando
a beijava não sentia nada. Ela sabia o que era estar apaixonada... sabia perfeitamente. Por isso,
com freqüência dizia a seu prometido que ele merecia algo melhor. Além disso, podia
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
conseguir a mulher que quisesse, pois era rico e muito atraente, caso não se fixasse demais na
espessa e estridente mata de cabelo ruivo e ondulado.
Mas, ao parecer, Augustin preferia o desafio de corteja a única mulher no mundo que estava
irremediavelmente e irrevogavelmente apaixonada por outro homem, mesmo que Maggie não
estava segura de que seu prometido estivesse ciente sobre ele. A única ocasião em que esteve
a ponto de admitir a existência de outro homem em sua vida foi quando sua mãe faleceu.
Quando Margaret supôs a gravidade da doença de sua mãe e decidiu regressar a Inglaterra,
Augustin insistiu em acompanhá-la; de Veygoux estava ali quando o doutor Parks declarou a
morte da dama, e foi testemunha da terrível reação de sir Arthur. O jovem francês falou com o
padre para preparar o funeral, mandou uma mensagem a Anne, a irmã mais velha de Maggie,
que estava em Londres no nono mês de sua quarta gravidez, e consolou os serventes
enquanto eles cobriam com pano preto os espelhos do salão.
Aquele dia, Augustin encontrou a moça chorando no terraço de seu quarto, apesar do frio de
outono. Mesmo sabendo encontrar as palavras adequadas para a situação, preferiu não dizer
nada, e simplesmente pôs o casaco sobre os ombros da moça e se sentou ao seu lado, olhando
o horizonte como se estivesse no teatro da opera de Paris. Quando decidiu falar, foi para
recordá-la que a senhora de Veygoux ainda vivia, e se ela aceitasse casar-se com ele, seria uma
mãe para ela. Claro que seria só sua sogra, mas, ainda sim, sempre era melhor que não ter
mãe.
Ainda que o inapropriado comentário haveria feito Maggie rir entre lagrimas em qualquer
outra situação, naquela circunstância a envergonhou; pela primeira vez em todo o dia não
chorava pela sua mãe, e sim por ela mesma. A pesar dos esforços de suas irmãs para ocultar,
aquela manhã havia lido uma noticia no Times em que retratava a grande vitoria de Jeremy em
Jaipur; o jovem, sem ajuda, havia derrotado a facção rebelde que queria queimar o Palácio dos
Ventos. E o marajá lhe havia agradecido com uma inusitada recompensa. O Times falava
daquela gratificação como de uma curiosidade, que havia provocado risadas brincalhonas por
toda Londres. E pensar que naqueles tempos ainda se oferecia um ser humano como
recompensa! Os abolicionistas iam dar um grito aos céus!
Mas para Maggie, aquele pequeno detalhe sobre o que haviam oferecido ao duque, e que
parecia que ele tinha aceitado – pois o jornal não dizia que ele havia recusado o presente do
marajá, que consistia em uma princesa indiana -, não era uma simples curiosidade, nem lhe
parecia muito engraçado. Na realidade, ficou desfeita. Haviam se passado quase cinco anos
desde que tinha visto Jeremy pela ultima vez, e em todo esse tempo não havia recebido nem
um só carta sua que lhe indicasse que ele se lembrava dela; Mas, porque iria escrevê-la? Só era
uma moça com quem ele havia tido um devaneio no estábulo,nada mais. Se podia ter uma
princesa indiana, para que iria querer Maggie Herbert?
Mesmo que fosse ridículo chorar por algo tão absurdo no dia do falecimento de sua mãe, isso
era o que fazia quando Augustin lhe propôs casamento pela ultima vez. E foi a ultima vez
porque, quando conseguiu recompor-se, lhe respondeu que sim;
Apesar da tristeza que a apreendia, Maggie se dava conta de tudo o que de Veygoux havia
feito por sua família durante os últimos dias de vida de sua mãe. E o que havia feito Jeremy
Rawlings por ela? Nada! Em todo o tempo longe de casa, não lhe havia escrito uma só vez,
nem lhe havia enviado uma só mensagem através de sua família. Estava claro que o duque não
havia voltado a pensar nela desde o episódio do estábulo. Não podia recusar a proposta de
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
matrimonio de um jovem encantador por outro homem que nem sequer se havia preocupado
em enviá-la uma carta durante anos, e que, além do mais, havia ganho uma princesa indiana.
E Augustin havia feito tanto por ela! O menino que podia fazer era tentar fazê-lo feliz. Maggie
sabia muito bem que nunca amaria outro homem que não fosse o duque de Rawlings, mas ela
e o jovem de Veygoux eram bons amigos, e lhe havia cobrado muito afeto; amizade e afeto era
mais do que tinham muitos matrimônios.
Assim, em vez de recusar sua proposta de novo, como haveria feito se não houvesse lido o
jornal aquela manhã, Margaret a aceitou. Que outra coisa podia fazer?
Sem deixar de se abanar, a moça observou como seu prometido se virava para cumprimentar a
uns conhecidos. Não havia duvidas de que sua mata de cabelo ruivo era algo estridente. Em
uma mulher talvez ficasse exuberante, mas em um homem... distraia, como havia dito
Berangére. E sua mãe! A senhora de Veygoux tinha uma personalidade realmente difícil. Mas,
apesar de tudo, Augustin seria um bom marido.
E ela realmente necessitava de um bom marido. Não podia passar a vida suspirando por um
homem que não havia pensado nela nem um instante durante cinco anos. Cinco anos! Oh,
tinha aquela carta que ele dizia ter escrito. Talvez fosse verdade, mas, o que significava só uma
carta? Nada. Era evidente que ela não significava nada para o duque. Então, ela era inocente e
inexperiente, e havia se apaixonado por ele, mas estava decidida a desapaixonar-se, custasse o
que custasse. Não passaria o resto da vida amando Jeremy Rawlings. Nem pensar.
Tão consumida estava em seus pensamentos que, no primeiro momento, não escutou o
repentino silencio que se fez a seu redor. Apesar de suas afirmações cinco anos antes que um
salão de baile era o ultimo lugar da Terra em que podia sentir-se a vontade, Maggie havia se
acostumado ao barulho, ao calor e a confusão daqueles ambientes. Por isso, não havia nada
em salão que captasse sua atenção antes que uma voz sussurrante. Maggie curvou o leque e
olhou com curiosidade aos interlocutores do seu prometido; reconheceu em seguida Lorde e
Lady Mitchell, cuja coleção de pintura flamenca rivalizava com a da família Veygoux, e com
quem Augustin competia amistosamente em muitos leilões. De costas para ela, os Mitchell e
Augustin observavam a alguém no salão do baile.
-Não tenho nem a mais remota idéia de quem pode ser – disse Lord Mitchell em voz alta. Era
evidente que não lhe importava que o ouvissem – Nem me interessa. Não entendo por que me
trouxe aqui, Letícia. Sabe que não suporto aglomerações.
-Mas tem que ser alguém importante – insistiu sua esposa – Os Althorpe não convidaria a
qualquer pessoa, na apresentação de sua filha.
“Ah – pensou Maggie abrindo o leque – Viram na multidão o rosto de alguém que não
reconhecem isso é tudo”, e sorriu para si mesma. Augustin era curioso; em sua fascinação pelo
grande mundo, se comportava quase como uma mulher.
Pobre Augustin. Nunca havia se dado bem em ocultar seus sentimentos, em especial o
entusiasmo, que às vezes parecia exagerado. À moça havia sido difícil convencê-lo a conter sua
alegria quando aceitou sua proposta de casamento, posto que quisesse espalhar aos quatro
ventos que era o homem mais feliz do mundo. Tinham que manter seu compromisso em
segredo até que tivesse passado um tempo razoável de luto pela sua mãe. Aquele tinha sido
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
um ano difícil para o jovem de Veygoux; além disso, sir Arthur acabou mostrando-se tão
contrário ao compromisso quanto a sua vocação de pintora. Segundo seu pai, a filha mais nova
tinha o dever de cuidar dele. O cavaleiro acreditou que a moça tinha voltado a Herbert Park
para ocupar-se dele, mesmo que suas filhas vivessem relativamente perto de sua casa.
Ao pensar em seu pai, Margaret se abanou com mais energia do que necessário. O que diria
sir Arthur quando se enterrasse de que o duque de Rawlings havia voltado da Índia... E com
uma noiva da realeza? Perguntou-se. Não gostaria; seu pai sentia uma desconfiança por todo
estrangeiro. Não seria fácil ele se inclinar diante de uma duquesa que não falava nem uma só
palavra de inglês. E os tios de Jeremy! Ao ouvir pela primeira vez sobre a Estrela de Jaipur,
Pegeen esteve a ponto de sofrer um infarto. Assim ver a princesa Ushar servir chá no salão
dourado da mansão Rawlings podia ser demais para ela.
Maggie fechou os olhos. Hill tinha razão. Ia ter que encontrar um apartamento logo. Não
podia seguir vivendo embaixo do mesmo teto que essa. Essa mulher.
Para não mencionar o homem.
- Caramba – exclamou Augustin com admiração – Vejam como as mulheres o olham. Até
captou a atenção da honorável senhorita Althorpe. Jamais acreditei que renunciaria a seu bolo
por uma cara bonita.
Lady Mitchell soltou uma breve gargalhada.
-Não acredito que esse cavaleiro possa ser considerado uma cara bonita, monsieur de
Veygoux. Mas, que mulher resistiria a um homem de uniforme? Já sabe o êxito que tem a
guarda montada nos desfiles. Os membros da cavalaria têm algo especial...
-Eu direi o que é – respondeu seu marido com grosseria – O fedor de excremento de cavalo
que os seguem aonde vão.
-Vamos, James. Que você seja muito desajeitado para montar em cavalos brandindo uma
espada não te dá o direito de ser tão grosseiro com os que podem fazê-lo – contestou Lady
Mitchell entornando os olhos – Valha, e esse é realmente alto. E quantas medalhas. Deve ter
sido muito valente em alguma batalha.
-Na Índia, suponho – interveio Augustin – Onde poderia ter adquirido um tom de pele tão
tostado? É moreno como um cigano.
Foi nesse instante quando Maggie, que havia escutado sem prestar muita atenção, sentiu que
o coração dava um pulo. Era impossível. Não podia ser Jeremy, pois nem sequer conhecia ao
conde Althorpe. Talvez seu tio, sim, mas ele? Como ia conhecer ao Lord e Lady Althorpe?
Como os Mitchell e Augustin lhe tapavam a vista, a moça foi se apoiar em uma coluna de onde
podia ver todo o salão.
Naquele momento, o coração parou de palpitar.
A orquestra não deixou de tocar a valsa, nem a sala ficou em silencio. Tampouco os bailes que
dançavam se separaram como o mar Vermelho, para abrir passagem. Contudo, a Margaret lhe
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
pareceu que tudo isso aconteceu, porque, repentinamente, não ouviu nada mais que o
barulho de sua própria respiração entrecortada, e não viu ninguém mais além do cavaleiro alto
e uniformizado ao outro lado do salão. Deus Santo. Era Jeremy.
A ultima vez que tinha o visto havia sido ao amanhecer, na penumbra de seu quarto, ainda
meio sonolenta. A principio havia se assustado de que havia um homem em seu quarto, e logo
de que fosse o duque. Apesar de todos, não havia duvidas de que o jovem que estava de pé a
uns doze metros dela, com uma taça de champanhe em uma mão e desviando com descuido
dos pares que dançavam entre eles, era o duque de Rawlings.
Naquela madrugada lhe havia parecido que tinha uma fisionomia muito mal, com aquele tom
amarelado na pele e com o nariz quebrado, mas havia se engano. Não havia duvida de que já
não era tão aposto como há cinco anos, mas tinha um ar muito mais masculino e, portanto,
muito mais atrativo. Maggie se perguntou por que não estavam todas as mulheres do salão
rendendo-se a seus pés, como temia que fizesse ela. O duque levava um casaco de corte
impecável. As ombreiras realçavam a curva dos largos ombros; tinha o porte orgulhoso de um
almirante, como se o solo da sala de baile fosse à corretora de um dos grandes navios de
guerra de sua majestade, e ele estivesse a ponto de ordenar os canhoneiros que abrissem
fogo.
Seu porte emanava uma sensação de perigo que o fazia parecer um bandoleiro ou um
foragido. Talvez fosse seu cabelo de fios desordeiros, impossíveis de pentear e que, mesmo
recém cortados, lhe caiam no rosto. O talvez fosse seu olhar desdenhoso, com que observava a
todos que o rodeavam. Mas, fosse o que fosse a moça não havia se surpreendido ao ver-lo
com um brinco de ouro na orelha.
O duque se desenvolvia com uma seguridade de si mesmo. Maggie nunca tinha visto a
nenhum homem encher um salão só com a sua presença, e não tinha nem a mais remota idéia
de como ele conseguia. Ela, ao menos, era incapaz de desviar a vista de sua alta e elegante
figura.
Mesmo que, por suposto, ela estava apaixonada dele.
Foi esse pensamento que a devolveu imediatamente a realidade. Por Deus santo! O que estava
fazendo, olhando-o desse modo, como uma simples criada? Era evidente que o jovem buscava
a alguém. “ A mim? – se disse com o coração encolhido – Claro que não.” Para que ia procurá-
la tendo uma mulher como a Estrela de Jaipur? E, afinal, onde estava sua princesinha?
Margaret olhou por todas as partes, mas não consegui localizá-la. Todavia, isso não significava
que não estivesse no baile, e Maggie não estava disposta a ser testemunha de seu reencontro.
Não havia jantado muito aquela noite, mas, ainda sim, um espetáculo como aquele podia fazê-
la devolver tudo o que ela tinha comido.
Entretanto, raciocinou um pouco tarde. Só foi um instante, mas não precisou de mais. Apesar
de que todo mundo se movia para baixo e para cima do salão, o duque detectou seu
movimento e, rapidamente seus olhares se encontraram. A jovem ficou paralisada, impotente,
enquanto Jeremy estudava atentamente seu penteado, a curva desnuda do colo e dos ombros;
abriu um pouco mais os olhos ao pousar a vista no generoso decote e fixou os ao descer pelas
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
curvas da saia branca que terminava em uma longa barra.
Com toda a dignidade que foi capaz de reunir depois daquela insultante olhada, Maggie se
inclinou, levantou a barra do vestido e deu as costas com frialdade ao duque de Rawlings.
Capítulo 17
Jeremy estava a ponto de começar a rir. Sua querida Maggie era de tomar nos braços. Onde
acreditava que ia? Não havia nenhum lugar no mundo onde pudesse escapar dele. A seguiria
até as estranhas do inferno se precisasse.
Mesmo imaginando que não seria necessário chegar a esse extremo.
Maggie só estava ofendida. E que mulher não estaria? Acreditava-se, como parecia pensar o
resto de Londres, que a Estrela de Jaipur era da especial animal, e não mineral, sua chateação
era compreensível. Bom, talvez não de todo, pois a final, ela havia se comprometido com esse
estrangeiro. E ainda tinha a desfaçatez de estar zangada com ele? Pequena hipócrita.
Perguntava-se se ela tinha ficado zangada de ter lido seus pensamentos enquanto ele a olhava
do outro lado do salão. A imagem de Maggie tão bonita com a fria elegância daquele vestido
de noite branco como a neve, com pequenas gotas de cristais como se fosse gelo, e com os
ombros desnudos, lhe haviam deixado estupefato. Mesmo que no salão houvesse mulheres
mais belas, nenhuma lhe acelerava o pulso como ela.
E quando recolheu a barra do vestido, o coração havia começado a palpitar tão de pressa que
lhe pareceu que ia parar. Inclinar-se para frente em um vestido como aquele, e com
semelhante figura, tinha que ser considerado um pecado capital. Seus peitos, que o espartilho
parecia estar a ponto de liberar de sua opressão, haviam ameaçado sair do decote. Jeremy
olhou ao redor com ciúmes, para comprovar que nenhum outro homem tinha visto o que
acreditava ser sua propriedade. Onde estava seu prometido? Como se atrevia a deixá-la
sozinha levando um vestido assim? Mesmo que só fosse por isso, esse tipo merecia uma boa
surra.
Rápido e sigiloso como uma serpente, o duque atravessou a sala, esquivando-se dos pares que
dançavam e sentindo roçar as barras dos vestidos das damas em suas pernas. Havia visto
Maggie desaparecer detrás de uma enorme coluna, mas quando chegou, só havia um cavaleiro
alto e ruivo, e uma parceira bastante ostentosa que o olhava com surpresa.
-O que foi? – lhe perguntou – Nunca viram um membro da guarda montada de sua majestade?
Sem esperar pela resposta, se apressou para o único lugar que a moça poderia ter escapado
uma porta de painéis escondidos na parede. Ao cruzar o portal se encontrou em um quarto na
penumbra, com uma decoração muito masculina, que supôs ser a biblioteca. A sala sem luz
estava iluminada somente por uma luz que passava no par de altas janelas que havia na
parede da frente, mas não era muita, porque a lua era crescente.
Ainda sim, era suficiente para refletir a renda com contas transparentes do vestido de Maggie.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A jovem estava na frente de uma das janelas, com as mãos cerradas em punho ao lado do
corpo.
-Oh, Jerry! – exclamou exasperada, dando uma patada no chão – O que quer? Porque me
segue? – Talvez se equivocasse, mas o duque lhe pareceu que soluçava – Porque não me deixa
em paz?
Imediatamente, Jeremy já não teve vontade de rir. Acabava de perceber que não havia nada
engraçado naquela situação.
-Já o disse – respondeu enquanto fechava com cuidado a porta atrás dele, abafando assim a
musica da orquestra e o riso da platéia. A biblioteca estava em silencio, pois nem sequer havia
fogo crepitando na lareira, e fazia muito frio. Entretanto, e apesar do indecente decote de seu
vestido, Maggie parecia não senti-lo.
Tinha lhe virado as costas, mas aquela vez estava encurralada, e o sabia, por que estava
cruzando os braços em posição defensiva. Ao falar, seu hálito embaçava o vidro da janela.
-O quer dizer? - perguntou com aspereza – O que quer dizer com já o disse?
-O que eu disse – Jeremy era consciente de que, mesmo dissimulando, a moça o olhava pelo
canto do olho, assim colocou as mãos nos bolsos da calça para que não se sentisse ameaçada.
Recordava com perfeição o medo que lhe provocava, como se seu encontro no quarto em
Herbert Park tivesse sido no dia anterior – Queria que eu te deixasse em paz, e eu fiz. Durante
cinco anos, para ser exato.
Maggie engoliu saliva.
-Pois parece que cinco anos não foram suficientes.
-Já vi – observou o duque – Sabe Mags? Às vezes põe em provo minha paciência. Tem sorte de
que sou muito compreensivo, porque qualquer outro homem já teria começado a se sentir
depreciado. Sobretudo depois de ter te esperado cinco anos – Lentamente, e com o olhar fixo
na magra figura, foi para frente do sofá de couro.
-Parece que esteve muito entretido enquanto isso – insinuou a moça.
-Ah, sim? - perguntou Jeremy enquanto rodeava uma mesa com tampa de marfim.
-Sim – respondeu Maggie – Teus gestos heróicos no Extremo Oriente que relatavam os jornais
mantinham a todos muito distraídos.
O duque estava então tão perto dela que podia tê-la tocado, mas não tirou as mãos dos
bolsos. Não queria, depois de ter conseguido chegar até esse ponto, que tudo terminasse com
um tapa. Além do mais, se não recordava mal, a moça não dava tapas, e sim socos.
-Sim, fiquei sabendo que o Times informava com regularidade meus movimentos. Porém, há
um par de coisas importantes sobre as quais se enganou.
-Duvido – respondeu Maggie com frieza – O Times é o jornal mais lido no mundo, estou certa
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
de que seus jornalistas o documentam muito bem.
-Há uma historia correta – continuou Jeremy com suavidade – é sobre um fato que eles se
enganaram.
Aquilo captou a atenção de Maggie, que se virou e, surpreendida de que tivesse se aproximado
tanto sem ela se dar conta, retrocedeu até que bateu com as costas desnudas no vidro.
-Diga-o já – disse com voz tenebrosa.
-O que? – Jeremy ficou onde estava, pois lhe pareceu que, se desse outro passo para frente, a
moça iria se atirar pela janela.
-Já sabe a que me refiro – lhe espetou Maggie. O jovem não podia ver seus olhos, mas, pelo
seu tom de voz, supôs que estavam cheios de lagrimas – Sei que a historia é verdade. Anete
reconheceu que trouxe a Estrela de Jaipur, e eu mesma a vi no vestíbulo há menos de duas
horas.
Jeremy levantou a sobrancelha, mas foi o único músculo que se moveu ao responder.
-Você viu a princesa Usha, não a Estrela de Jaipur.
Maggie estava tão zangada que sentiu que ia ter um ataque. Levantou o leque como se
empunhasse uma arma e apontou ao peito do duque.
-Jerry – balbuciou com a mandíbula apertada – a princesa Usha é a Estrela de Jaipur.
-Em sua opinião, talvez – respondeu ele, encolhendo os ombros – De fato, muita gente a
chama assim, incluindo seu tio. É seu apelido. Mas a verdadeira Estrela de Jaipur não é uma
mulher, e sim uma pedra preciosa.
A moça manteve o leque onde estava apontando-o ao coração do duque com uma atitude
ameaçadora.
-O jornal dizia que haviam te oferecido a Estrela de Jaipur como recompensa por salvar o
Palácio dos Ventos. E, segundo o Times, é a sobrinha do marajá.
-De acordo – assentiu com viveza – Há alguma verdade nisso. O marajá quis me presentear
com sua sobrinha. Como compreende, foi uma situação muito embaraçosa, porque, na Índia,
se te oferecem uma sobrinha ou uma filha é considerada uma grande honra. Em especial se é
uma mulher como a princesa, a quem muitos nativos acreditam ser muito bonita para olhá-la
diretamente.
Ao ouvir aquilo, Maggie não pode evitar ofegar, mas o jovem fingiu não ter escutado.
-O que estou tentando dizer – continuou – é que não podia dizer ao marajá muito obrigado,
mas podia ficar com seu presente. Isso teria sido um insulto gravíssimo. Os ingleses não são
muito populares, sabe? E uma coisa assim poderia ter posto a perder qualquer oportunidade
de manter uma relação amistosa com o governo local da província.
A jovem Herbert parecia estar a ponto de cravar o leque no olho dele a qualquer momento.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Falta muito pro final? – perguntou.
Jeremy sorriu. Não havia nenhuma outra mulher na Terra, talvez com exceção de sua tia, que
tinha o costume de ser tão grossa com ele. Talvez por isso a amava.
-Não, já terminei Mags. O que esta claro é que o Times não contou o que aconteceu depois,
seguramente porque não é tão espetacular; a verdade é que voltei ao palácio e disse a sua
alteza que, mesmo me sentindo muito honrado por seu oferecimento, eu já tinha uma moça
me esperando no meu pais – O jovem começou a remexer no bolso – Ele aceitou muito bem, e
em troca me deu isso.
Tirou a mão do bolso, abriu o punho e mostrou a Maggie a Estrela de Jaipur, que resplandecia
mesmo na fraca luz da lua. Tinha um pouco de pelo do tecido da calça, mas ainda sim, era
evidente que se tratava de uma pedra preciosa como não se havia visto jamais.
Entretanto, Maggie não tirou o leque. Que pareceu ao duque uma típica reação sua, a moça
não se alterou nem pareceu impressionada pela beleza e valor da pedra.
-Se o que acaba de me contar é verdade – começou com severidade – o que a princesa Usha
fazia esta tarde no vestíbulo?
-Isso também é um mistério pra mim – respondeu o duque, cerrando o pulso com um suspiro e
metendo no bolso – Como sabe Usha mal fala inglês, mas pelo que pude tirar de seu
interprete, parece que esta louca por mim e que, apesar de minhas negativas, quer se casar
comigo.
Maggie lhe atirou com o leque com toda a sua força. Por sorte, Jeremy havia previsto o ataque
e abaixou a tempo,fazendo com que o leque batesse contra o braço do sofá de pele e caísse no
chão tamborilando. Agachado, o moço levantou a vista com surpresa.
-Eu sabia! – gritou ela – Eu sabia! Jerry, como pode?
-O que? – o duque levantou os braços para proteger-se da jovem, que movia as mãos no ar.
Sua atitude lhe fazia suspeitar que, em sua ausência, havia adquirido o habito de repartir socos
– O que eu fiz agora?
-O que você fez? – repetiu Maggie com a voz rouca – Eu te direi o que você fez, estúpido! Você
fez a princesa Usha se apaixonar por você...
““... como você fez comigo”, terminou para si mesma. Só de pensar ficou tão furiosa que
sentiu vontade de socar algo, e como Jeremy estava na frente dela, piscando e consumido por
uma profunda confusão, lhe pareceu o objeto perfeito para descarregar sua raiva. Contudo, o
duque, adivinhando suas intenções, deteve o punho com o antebraço, mesmo que não pode
conter uma careta de dor.
A moça continuava com um bom gancho. E se levasse em conta que ele era quem lhe havia
ensinado a golpear desse modo, resultava muito humilhante.
Jeremy detestava fazer-lhe danos, mas detestava ainda mais que ela mesma o fizesse, e pelo
modo que se movia e sacudia a mão, parecia que havia voltado a se lastimar tratando de
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
goleá-lo. Assim, mesmo que aquela posição lhe oferecesse uma deliciosa vista do generoso
decote, decidiu por fim aquela briga, e, como um bom militar, o fez com rapidez e decisão.
Talvez agarrar Maggie pela cintura e tombá-la no sofá não fosse à forma mais delicada de
fazer-lo; tampouco deitar-se sobre ela instantes depois para evitar que se levantasse, nem que
prendesse suas mãos ao lado da cabeça. Entretanto, e apesar da súbita palidez da jovem,
aquilo deu um interessante giro na situação.
-Levante-se imediatamente – ofegou Maggie.
-Nem pensar – respondeu Jeremy enquanto admirava o movimento se seus seios no decote,
onde a renda deixava entrever os rosados mamilos. Se seguisse respirando daquele modo,
suposto que não passaria muito tempo antes que o espartilho liberaria algo mais dos preciosos
peitos, assim seria estupidez de sua parte não ficar ali para ver. – Tive que esperar cinco anos
desde a ultima vez que me disse para levantar-me para poder ter você entre meus braços. E,
se aprendi algo no estábulo, querida, é que a oportunidade é tudo, e que a retirada não
conduz a nada.
-Jerry... – começo Maggie. Mas, antes que terminasse, o duque descobriu que tampar a boca
dela com a sua era um bom jeito de fazê-la se calar.
Capítulo 18
-Jerry – disse Maggie quando finalmente o duque a deixou respirar.
-Que? – perguntou o duque enquanto lhe beijava o colo, começando por onde o pulso batia
tão depressa quanto o seu, e subindo até o lóbulo da orelha direita.
-O que acontecera se alguém entrar? – continuou ela com a respiração entrecortada, virando a
cabeça para que Jeremy alcançasse mais facilmente seu objetivo.
-Pedirei para que vá embora – lhe sussurrou no ouvido, enquanto beijava sua orelha.
As sensações que despertou aquele beijo fizeram Maggie ofegar. Não estava segura do que
havia ocorrido, pois um minuto antes estava furiosa com ele e só tinha vontade de matá-lo.
Durante muito tempo havia se preparado mentalmente para seu regresso, pois sabia que ele
voltaria. Tinha ensaiado o que ia lhe diria, como ia se comportar...
Mas nunca, nem em suas fantasias mais descabeladas, chegou a imaginar que vinte quatro
horas depois de sua chegada estariam outra vez em seus braços, deixando-se beijar atrás da
orelha.
E isso não era tudo o que fazia: Jeremy havia soltado seus braços, e com ambas as mãos sobre
seu seio, acariciava uma parte de seu corpo que só ele havia tocado antes. Maggie não podia
evitar levantar as costas ao sentir o contato de seus calorosos dedos sobre sua suave pele,
nem parecia poder controlar o movimento de seus braços, que lhe haviam rodeado o colo para
que aproximar sua cabeça e a beijá-la novamente. O que podia fazer se sua boca sentia
irresistivelmente atraída pela sua? Como conter o suave gemido que lhe havia provocado o
contato de sua língua? Aquele pequeno gemido tinha excitado ainda mais o duque, que
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
apertava ainda mais seu corpo contra os peitos, duro como rochas por causa do desejo e do
frio.
A única coisa em que podia pensar era: “ Este é Jeremy.”
E por alguma razão, aquilo a fazia se sentir bem.
Mas não era como a primeira vez. Não mesmo. Cinco anos atrás ela era uma menina, e não
tinha entendido o que lhe ocorria. Naquela ocasião, em compensação, mesmo continuando
completamente inexperiente, compreendia um pouco melhor as reações de seu corpo. Ao
menos sabia pelo que lhe havia contado Berangére, que aquela tensão entre as pernas era
normal. E quando Jeremy baixou a cabeça para beijar um dos duros peitos, supôs a razão da
conseqüente e repentina umidade que notou entre as pernas. Já não era mais tão ignorante
para acreditar que aquele objeto firme e duro que sentia contra o abdômen dela era o cabo de
uma faca; sabia exatamente o que era, e por um momento se estremeceu ao pensar que
estava assim por causa dela. Tão encantada estava com aquela idéia que não pode evitar
deslizar a mão com vacilação e roçar o membro viril com a gema dos dedos para se assegura
de que era o que pensava... E que era dela.
Jeremy havia ficado sem fôlego ao sentir o primeiro contato de sua mão, e Maggie se viu
surpreendida quando ele decidiu corresponde-la e começou a acariciá-la entre as pernas.
Maggie não tinha nem idéia de como havia conseguido meter a mão por debaixo de sua roupa
interior, mas, pela primeira vez, agradeceu que fosse um homem com experiência. Nunca em
sua vida havia sentido nada tão prazeroso como os dedos de Jeremy, abrindo-se com
suavidade e logo acariciando-la. Tão consumida estava em seu gozo que não se ruborizou
quando ele levantou a cabeça para olhá-la nos olhos enquanto deslizava um dedo na borda do
músculo. Escapou-lhe um gemido inaudível, era uma sensação tão agradável! Nem sequer se
ruborizou quando ele apertou a mão, impregnada de seus fluidos, contra o osso púbico e
começou a massageá-lo, fazendo com que ela levantasse as costas para apertar-se contra ele,
cheia de desejo.
Mesmo que a moça não supôs, com aquela reação acabava de responder a uma pergunta que
atormentava o duque desde que havia recebido a ultima carta de Pegeen, em que o informava
sobre o compromisso de Maggie. Durante meses, tinha se torturado com a idéia de que outro
homem pudesse ter explorado o território que desejava fazer seu há tantos anos. Mas o
gemido da jovem ao sentir suas primeiras caricias em seu cálido sexo não deixava duvidas:
ainda era virgem, estava seguro. Mesmo assim, se entregava com mais paixão que nenhuma
das experimentadas mulheres com quem havia compartilhado a cama.
-Acaricia-me você também – lhe sussurrou com uma voz tremula.
Maggie supôs em seguida a que se referia. E não hesitou em fazê-lo; deslizou a mão até a parte
dianteira de suas calças e, com os dedos trêmulos, desabotoou sem dificuldade.
Imediatamente sentiu o contato de seu membro viril, e se surpreendeu com sua firmeza e o
modo como vibrava contra a palma de sua mão. Então notou que ele pressionava com mais
urgência a mão entre suas pernas, e isso a encheu de desejo e lhe provocou uma sensação de
vazio que só podia ser preenchida com...
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Foi naquele instante preciso que a porta da biblioteca se abriu, e a sobre a musica da
orquestra e das estridentes risadas femininas, ouviram uma voz masculina:
-Marguerethe? Est-ce que vous étes ici?
Maggie reagiu tão depressa que a única coisa que Jeremy viu foi um borrão branco. A moça,
que, abraçava ele, e acariciando-lhe com suavidade e parecia à beira de um orgasmo um
instante antes, imediatamente estava de pé a poucos passos dele, com o vestido no lugar,
mesmo que a respiração ainda estivesse rápida e entrecortada como se acabasse de terminar
uma corrida.
-Ah, olá, Augustin – disse com uma voz que não traia suas emoções – Sim, estou aqui, me
procura?
Jeremy, ainda tombado no sofá, começou a abotoar as calças lentamente, sentindo um
intenso calor no peito. Por infelicidade, se tratava de uma sensação conhecida: a que só
notava antes de matar alguém.
Olhou por cima das costas do sofá o homem que estava no portal da porta, uma silueta negra
contra a brilhante iluminação do salão. A única coisa que o duque podia dizer daquele homem
é que parecia alto. E que não sabia pronunciar o nome de Maggie.
-Porque se escondeu aqui, ma chérie, neste quarto frio e escuro? – perguntou de Veygoux com
um doce tom de desaprovação – Estou com a marquesa de Lynne. Quer encarregar um retrato
de seus netos... - se interrompeu ao ver Jeremy, que acabava de levantar-se – Ah, mas, quem
esta com você, chérie?
A moça olhou alguns momentos por cima do ombro desnudo, como se acabasse de se dar
conta da presença do jovem.
-Se refere a ele? – perguntou tentando ganhar tempo, com a esperança de que tudo aquilo
fosse um pesadelo do qual estivesse a ponto de acordar – É bom.
Ao se dar conta de que a moça ia responder com uma evasiva para evitar apresentá-los, o
duque interveio.
-Me chamo Rawlings – disse rodeando o sofá, consciente do que ia fazer – Sou o tenente
coronel Rawlings, da guarda montada da majestade.
-Sério? – Augustin entrou e fechou a porta atrás dele, abafando o barulho e mergulhou na
escuridão da sala – Que casualidade! Marguerethe, seu pai não é administrador do duque de
Rawlings?
Maggie só pode assentir, pois lhe pareceu que havia perdido a capacidade de falar.
-E, diga-me, coronel – continuou o jovem Frances – É parente do duque? Conheço a seus tios,
mas ainda não tive o prazer de ser apresentada a sua excelência.
-Bom, pois podemos modificar essa situação, não lhe parece? – Quando de Veygoux fechou a
porta, Jeremy se deu conta de que o prometido de Maggie devia ser tão alto quanto ele, e ter
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
a sua idade. Contudo, era ruivo, com intensos reflexos vermelhos. Então percebeu que era o
mesmo homem que tinha ficado olhando-o na sala de baile, tendo assim outra razão para lhe
desagradar – Estou seguro de que podia apresentá-lo.
-Ah, de acordo, que maravilha! – exclamou de Veygoux enquanto dava uns passos adiante com
a mão estendida – Permita me apresentar, coronel. Sou Augustin de Veygoux, prometido de
mademoiselle Herbert...
As coisas não podiam pintar melhor para Jeremy, exceto saber que podia ter desflorado
Maggie no sofá de couro de Lord Althorpe.
Maggie fechou os olhos, com a esperança de que quando voltasse a abri-los estaria em sua
cama em Herbert Park, longe, muito longe de Londres. Contudo, não teve essa sorte, pois,
quando abriu os olhos, os dois homens a olhavam, um confuso e outro aparentemente
enfurecido.
-Jerry – suspirou – Queria te dizer, mas...
-Jerry? – repetiu Augustin interrompendo-la e olhando o duque com receio – Mas esse não é o
nome de seu cachorrinho, ma...?
-Ela não é seu chérie – lhe cortou Jeremy com bruscalidade – Maldito bastardo francês. E, sem
mais nenhuma palavra, apertou o punho e golpeou com todas as suas forças o rosto de
Augustin de Veygoux.
Capítulo 19
-Devo presumir que esse era o duque de Rawlings? – disse Augustin, com a voz abafada pelo
pano de linho empapado de sangue que lhe tampava a boca.
-Claro que era! – exclamou a moça, furiosa, revirando-se no assento do cupê – Quem mais
teria a desfaçatez de ter dar um soco em seu prometido?
O jovem de Veygoux piscou, olhando pela janela da carruagem a rua envolta de neblina e
fracamente iluminada pela luz de gás.
-Não sabia que tua relação com ele fosse de tal natureza que ele se sentisse impelido a golpear
seu prometido – comentou. Ao falar, se deu conta de que com o nariz quebrado podia
pronunciar melhor os sons ingleses que até então era incapaz de articular. – Acredito que você
esqueceu me contar algo.
Incapaz de falar, Maggie negou veementemente com a cabeça, e os brincos de diamante de
sua mãe balançaram com bruscalidade. Sentia lastima por Augustin, pois o pobre tinha o nariz
quebrado por sua culpa, mas estava muito furiosa para falar. Queria deixar seu prometido em
casa e voltar a Park Lane... Onde ia ter uma discussão toa desagradável com Jeremy que talvez
ele também acabasse com o nariz quebrado.
Deus santo, como ele tinha a envergonhado! Primeiro, tinha estado a ponto de desflorá-la na
biblioteca de Lord Althorpe e depois havia golpeado seu acompanhante. Sua violenta reação
não tinha sido conseqüência de nenhuma provocação, e Augustin ficou tão confuso que nem
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
se defendeu. Com somente um soco tinha lhe lançado contra o aparador, onde havia
quebrado varias tampas de vidro que cobriam pássaros dissecados e arranjos florais. Como
não podia ser de outra maneira, o episódio tinha atraído todo mundo, incluindo o anfitrião. E
mesmo que Jeremy tivesse ficado ali de pé, agulhando Augustin para que se levantasse e
lutasse como homem, ninguém havia lhe dito nenhuma palavra de reprovação. Ninguém.
Maggie se enfureceu só de lembrar.
Afinal, ele era duque.
Duque ou não, Maggie gostaria de ter lhe dito quatro coisas, mas não havia se atrevido de
fazê-lo na presença dos demais convidados de Lord e Lady Althorpe, de quem tinha esperança
de conseguir alguma encomenda. Desde logo, podia esquecer disso. Quem ia encomendar um
retrato a uma pintora que podia provocar uma briga e fazer um estropício no aparador se sua
casa? Todos seus esforços daquela noite, as apresentações e os sorrisos não tinham servido
para nada, porque esse vaidoso e sem-vergonha Jeremy Rawlings, filho de uma prostituta, e
sim, era isso que ele era, havia colocado tudo a perder.
E tudo, por quê? Por seu estúpido e abominável orgulho. O duque não a amava; só a desejava
porque ainda não a havia feito sua. Como se atrevia a fingir indignação porque se
comprometeu com outro homem, depois de cinco anos sem receber notícias suas? Acaso
acreditou que ela o esperaria para sempre? Para que? Para convertê-la em sua amante?Nunca
escutou que era costume na Inglaterra tentar seduzir sua futura esposa no sofá da casa de um
completo desconhecido.
Mas se arrependeria. Oh, sim, Maggie ia se assegurar. Seguramente Lord e Lady Althorpe lhe
haviam dado uma palmadinha nas costas antes de oferecê-lo um charuto dizendo-lhe algo
como: “Oh, os jovens, já sabe”, enquanto suas serventes limpavam o sangue e recolhiam os
vidros quebrados. Mas ela não ia permitir que saísse assim. Quando voltasse para casa ia
arremeter contra ele como ninguém nunca havia feito antes; se acreditava que os tigres da
Índia eram ferozes era porque nunca tinha visto Maggie Herbert zangada.
-Suponho que alguma vez houve algo entre vocês. – A voz abafada de Augustin interrompeu
seus pensamentos. Sobressaltada, a moça ficou olhando a fraca luz da lâmpada de óleo do
cupê – Sim – disse Augustin escrutando seu rosto emoldurado por um marco de arminho –
Sim, houve algo, não negue chérie.
-Não – respondeu ela com voz rouca. Antes de continuar, pigarreou – Nunca houve nada entre
nós. Eu tinha dezesseis anos e ele era... Maior que eu. Foi só uma criancice de uma tarde – Ao
ver a expressão do jovem de Veygoux, se apressou em acrescentar – Não aconteceu nada. Ele
foi para o lado dele, e eu para o meu. Isso foi tudo.
Ao terminar, virou a cabeça e ficou observando pela janela. Sabia que seus olhos podiam traí-la
tanto como sua roupa interior, ainda úmida pela excitação provocada pelas caricias de Jeremy.
Entretanto, apesar de seus esforços para ocultar a verdade, seu prometido parecia se dar
conta de que mentia.
-Isso não foi tudo – replicou com a mesma voz carinhosa com a advertia que estava colocando
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
muito gesso numa tela – Talvez foi só isso para você, mas esta claro que não foi para ele.
Marguerethe, não acredito que ninguém rompa o nariz de seu prometido se isso fosse tudo.
Maggie cerrou os punhos dentro do manguito de pele.
-Se engana ele não sente nada por mim. Nada mais. Além disso, agora esta com outra mulher
– acrescentaram procurando não tremer a voz – Estou segura de que leu no jornal. É uma
princesa. Uma princesa indiana.
-Então, porque me bateu?
-Porque é a única coisa que sabe fazer – começou a moça com desgosto – Quando era
pequeno sempre batia em todo mundo. Parece que a única diferença é que na Índia os outros
devolviam os golpes.
-Pois da próxima vez que o vir, chérie, eu também devolverei.
A jovem Herbert se virou para olhá-lo com uma expressão horrorizada.
-Oh, não, por Deus, Augustin! Ele te mataria!
Augustin sorriu com amargura debaixo do pano empapado de sangue que tampava a parte
inferior do rosto, assim ela não pode vê-lo.
-Tem tão pouca fé nas minhas habilidades de boxeador, chérie?
Ao se dar conta do seu erro, a moça reagiu em seguida.
-Não, não é isso. Mas é que...
Justo nesse momento, o cocheiro parou e um dos lacaios do jovem de Veygoux abriu a porta,
impaciente para levar seu senhor a casa, onde o esperava um médico a quem os criados,
avisados por Maggie, já tinham ido buscar. Só havia uma coisa para agradecer, e era que a
senhora de Veygoux ainda estava em Paris. Só Deus sabia o que teria dito se ficasse sabendo
da agressão que seu filho preferido havia sido vitima.
-Se assegure de fazer tudo o que o medico disser – advertiu a jovem ao lacaio enquanto este
ajudava a seu prometido de descer do cupê – Augustin, faça o que o medico disser.
-Não gosto de nada disso – contestou ele da rua. Tinha um aspecto triste, debaixo da neve que
caia um homem alto de chapéu, que sustentava um pano tingido de sangue sobre o nariz –
Não gosto que volte sozinha a aquela casa. O que fará se ele estiver lá, te esperando?
Maggie não teve que perguntar a quem ele se referia.
-Não se preocupe por mim – respondeu com decisão – Lord e Lady Edward já devem ter
chegado de Yorkshire, assim não estarei só. Além do mais, sei cuidar de mim mesma.
Sem esperar que os lacaios o fizessem, a moça fechou a porta do cupê antes de se recostar no
banco forrado de pele. Deus, que noite! E ainda ia ser pior. Ao menos, para alguém.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Mas quando Maggie chegou à casa de Park Lane, Evers lhe informou de que sua excelência
ainda não havia voltado. Maggie não estranhou; com toda a certeza, ainda estaria desfrutando
um dos excelentes charutos de Lord Althorpe enquanto jogavam bilhar, um jogo que Jeremy
sempre foi bom. “ Que país!” - pensou a moça enquanto tirava o casaco – Um homem pode
golpear um convidado e destruir um aparador e ser perdoado imediatamente só porque é do
décimo sétimo duque de Rawlings. É vergonhoso.”
-Evers, quero que me avise quando sua excelência chegar – disse ao mordomo, enquanto lhe
estendia o casaco – Em seguida. Não importa a hora que seja.
-Sim, senhorita – respondeu o criado – Claro.
-Ah, e não você não precisa comentar com Lord e Lady Edward – completou com fingida
despreocupação – Me refiro ao meu desejo de ver o duque esta noite.
-Lord e Lady Edward não regressaram de Yorkshire – respondeu o servente em voz baixa.
Maggie se virou para olhá-lo, com os olhos como pratos.
-Que? Mas eu acreditava que eles chegariam essa tarde!
-E assim era, mas suponho que eles adiaram – Evers sacudiu o casaco antes de dobrá-lo sobre
o braço – Suponho que tenha sido por uma tempestade de neve. Ou talvez chegou o momento
de Lady Edward...
-Oh, céus – Maggie cobriu o rosto com as mãos, incapaz de ocultar sua consternação. – Evers,
se não voltaram... Não posso ficar aqui só com...
-Eu se fosse você não me preocuparia senhorita Margaret – respondeu Evers em um tom
incomum a ele – O mais provável é que sua demora seja conseqüência do mal tempo. Nesta
época do ano, é freqüente que os trens de Yorkshire não cheguem à estação até depois da
meia-noite. Se quiser, lhe avisarei quando chegarem.
Maggie mordeu os lábios. O que ia fazer? Todo o mundo entenderia que ela havia passado a
noite sozinha na casa do duque de Rawlings...Mesmo que, depois daquela cena na festa de
Lord Althorpe, seria difícil imaginar algo que pudesse sujar ainda mais sua reputação.
Imediatamente, ao olhar a porta da sala, lhe ocorreu um pensamento ainda mais funesto.
-Evers – murmurou antes de morder os lábios.
-Sim, senhorita?
-Os visitantes que chegaram esta tarde... – começou, sem saber como abordar o tema.
-Se refere a... A princesa? – perguntou o mordomo encolhendo ligeiramente os ombros.
-Sim. Onde...
-A princesa e o senhor Sanjay se hospedaram no hotel Dorchester, onde haviam reservado
varias suítes.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Oh – disse Maggie, procurando que não se notasse o alivio que sentia – Obrigado, Evers.
-De nada, senhorita.Apesar daquela reconfortante resposta, o longo banho quente e a infusão
calmante que Hill lhe preparou, a moça permaneceu desperta na cama, acariciando
ociosamente as orelhas de Jerry, enquanto esperava ouvir o barulho de uma carruagem.
Quando os minutos se converteram em horas e os sinos da igreja bateram meia noite, e logo
uma Maggie começou a ficar nervosa. Não havia sinais do duque e nem de sua família. Onde
estavam? O atraso de Jeremy era até certo ponto compreensível; supunha que ele devia estar
com medo de voltar para casa, e que se senta muito envergonhado para olhá-la na cara.
Pequeno covarde.
Entretanto, o duque era um herói militar condecorado. Temeria um homem assim uma
confrontação como aquela? Isso supondo que a estivera evitando de propósito, pois também
era possível que estivesse passando a noite em algum outro lugar. Talvez... Estava com a
princesa no hotel! Maggie se levantou totalmente desperta, e consultou à hora no relógio da
mesinha de noite, ao reflexo da mortiça luz das brasas. Eram duas da madrugada. Onde
poderia ter ido, se não lá? Nem sequer em Londres havia muitos lugares abertos há essa hora,
nem sequer para um duque. Não tinha duvidas; estava com a princesa. Em que outro lugar
poderia estar?
E porque não? A princesa não arremessou seu leque nele, não golpeou seu braço, nem se
comprometeu a outro homem. A beleza indiana não tinha gritado como um verdureiro, não
tinha o tratado com desrespeito e sarcasmo nem sido desagradável com ele, nem, em geral,
havia se comportado de uma maneira tão desagradável desde que ele voltou como Maggie.
Que homem não preferia a companhia de outra mulher, qualquer que fosse a da de Maggie,
que tinha sido tão desagradável aquela noite?
Oh, Deus! Tinha que ser isso! Estava com Usha, a bela princesa de olhos amendoados, com
seus sapatos com jóias incrustadas, os pequenos e torneados peitos e aqueles dedos
compridos e morenos...
A suave chamada da porta não a despertou. Fazia um minuto que acreditava que aquela noite
ela não conseguiria dormir.Ao abrir os olhos, piscou deslumbrada pela chama da vela.
Somente instantes depois reconheceu Evers, que não vestia terno preto e lenço engomado
como de costume e sim, um pijama, bata e gorro de dormir de um vermelho brilhante.
-Sinto desperta-la, senhorita – sussurrou o mordomo, quem, a pesar da educada desculpa,
estava visivelmente agitado – Mas em minha opinião esta a borda de suas forças. Alguém tem
que fazê-lo raciocinar.
-A jovem piscou, com os olhos fixos no criado.
-Fazer quem raciocinar? – perguntou ela com a voz rouca, devido à falta de uso – Que horas
são?
-São três e meia. O duque, senhorita. Temo que...
-O duque? – Maggie balançou a cabeça com desconcerto – Ele voltou?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Oh, sim. Mas...
A moça se apressou em procurar a bata de lã.
-Que? – inquiriu enquanto metia os braços pela manga. Então se deteve imediatamente e se
virou para olhar o mordomo – Oh, meu Deus. Não esta doente, Ne?
-Doente, não – Evers engoliu antes de continuar – Apunhalado, temo.
-Apunhalado?
-Sem esperar mais explicações, a jovem passou como uma flecha na frente do criado e se
apressou ao corredor.
Capítulo 20
Jeremy não se enganou.
Sabia e não se importava em admiti-lo. Tinha que ser um homem muito valente para fazê-lo, e
Jeremy era tão valente como um homem poderia ser. Tinha se enganado. Ele tinha estragado
tudo. Havia complicado as coisas.
Dada a situação, só lhe restava pergunta-se como consertá-lo.
Tinha que admitir que pegar o francês não havia sido a decisão mais inteligente de sua vida,
mas tampouco acreditava que pudesse ser responsabilizado pelo que havia feito em um
momento como aquele. Afinal, esteve a uns minuto, ou talvez segundos, de conseguir o que
levou tanto tempo ansiando.
Alguns homens sonham em construir pontes. Outros, com ganhar a guerra. Os que queriam
curar doenças e acabar com a fome, e também tinha a quem só interessava dinheiro. Jeremy
entendia todos aqueles sonhos, e estava preparado para tratar com os homens que as
ansiavam, mas para ele, só tinha uma coisa em que valia investir todo o seu tempo e energia;
um só objetivo, que lhe havia impulsionado durante os últimos cinco anos. E aquele sonho se
chamava Maggie Herbert.
Tinha estado muito perto de consegui-lo. mas suas esperanças tinham sido estragadas por um
francês deselegante e ruivo.
Com uma palmada nas costas, Althorpe havia o despertado de seu sonho.
-Vamos, excelência - lhe disse - Não é para tanto. Esses cristais não devem valer mais de dez
libras. E os objetos que protegiam não eram mais que uns estúpidos pássaros dissecados. Não
faça caso do que disse minha esposa. A verdade é que, da minha parte, me alegro de perde-los
de vista. Vamos, tome outro brandy.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Sentado no mesmo sofá em que um momento antes esteve a ponto de alcançar a dita pela
qual esteve cinco anos suspirando, Jeremy estendeu o copo ao conde para que ele a enchesse
de novo. “Coloquei tudo a perder”, murmurou enquanto o conde o servia. Sabia que estava
pondo muito sentimentalismo, mas não podia evitá-lo. Esteve tão perto... tão perto.-Vamos -
respondeu Lord Althorpe, endireitando-se para examinar o conteúdo do decantador de cristal
que segurava - Nada disso. Compre-lhe um bracelete e ela o perdoara. Sempre perdoam.
-Não - respondeu o duque com um suspiro - Ela não.
-Tonteira. Claro que sim. É uma mulher, não?
-Sim...
-Então perdoará - O conde suspirou enquanto se deixava cair na poltrona. Tinham acendido a
lareira e a biblioteca estava bem iluminada, assim como excessivamente quente, mas Lord
Althorpe não parecia sentir. Jeremy sabia que o anfitrião estava encantado, pois o incidente
lhe havia dado uma desculpa para continuar bebendo com ele depois que os demais
convidados foram embora.
Todavia, ao jovem não era muito reconfortante falar sobre o amor de sua vida com um conde
quarentão completamente bêbado. Mesmo que, por um momento, não lhe restava outro
remédio. Podia voltar para casa também, mas isso só traria mais problemas. Sabia que Maggie
estaria ali, mas que não lhe deixaria tocá-la nem se aproximar dela, furiosa porque ele tinha
batido em seu prometido. A viu depois de quebrar o nariz do frangote, e sua expressão não era
nada indulgente. E aquele frio “ nos veremos em casa” tinha soado mais como uma ameaça do
que como uma promessa de continuar o que de Veygoux havia interrompido.
Não, não havia nada a fazer; tinha colocado tudo a perder.
-De acordo, de acordo - continuou Althorpe, arrastando as palavras - Talvez um bracelete não.
Mas, o que me diz de uma casa na cidade? Uma casinha só pra ela. Não há mulher que possa
resistir a isso. Poderá decorá-la a seu gosto, colocar cortinas de encaixe e essas coisas. Uma
casa na cidade é sempre o melhor, meu amigo. Porque não procura algo em Cardington
Crescent? Minha irmã vive ali e esta encantada.
O duque olhou com pêsame para seu anfitrião; tudo aquilo não lhe resultava nenhuma ajuda.
Contudo, ao menos, o entretinha. De todo o modo, Lord Althorpe parecia incapaz de se dar
conta da magnitude do erro de Jeremy.Porque aquilo não tinha começado ao quebrar o nariz
do frangote, e sim meses antes, na Índia, quando escutou pela primeira vez aquele estúpido
rumor sobre que iam lhe oferecer a mão da sobrinha do marajá. O jovem coronel tinha rido,
sem dar credito ao que ouvia, até que o marajá em pessoa lhe havia feito a proposta.
Mas ate então, lhe havia parecido engraçado, tinha pensado que era simplesmente uma
esplendida piada. Deveria ter notado antes, especialmente quando a princesa começou a
aparecer em atos públicos e a olhá-lo com uma expressão tão sedutora que seus homens se
davam cotoveladas de cumplicidade. Nas recepções privadas a que Jeremy tinha a obrigação
de assistir, Usha tinha lhe parecido uma jovem agradável, mas só haviam trocado algumas
palavras através de seu interprete, e o coronel sempre tinha se mostrado distante. Entretanto,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
quando um funcionário da embaixada levou do lado e lhe advertiu das possíveis conseqüências
de romper o coração de um membro da família real de Rajastan, o moço se deu conta de que o
que havia tomado como um simples gesto por parte do marajá era serio. A princesa acreditava
estar prometida a ele, e a embaixada o via como um risco diplomático.
Uma breve fala em particular com o tio da jovem era todo que necessitava para resolver o
assunto... Pelo menos para o coronel, porque as aspirações da princesa Usha não iam acabar
com quatro palavras, e a aparição dela em sua casa aquela tarde era uma boa mostra disso. O
duque do Rawlings tinha ficado furioso ao encontrá-la na sala... E, pela primeira vez, de que a
imprensa britânica havia convertido o que ele acreditava ser um ameno episódio de suas
aventuras no estrangeiro era um assunto de primeira ordem. Era evidente que a Estrela de
Jaipur não significava o mesmo para ele que para o resto da população de Londres, e muito
menos para Maggie.
Tinha sido então quando Jeremy, com crescente inquietude, começou a suspeitar que a razão
que se escondia atrás do súbito compromisso de Maggie: ela acreditava que ele também
estava comprometido. Conhecendo-o, a moça deveria saber que ele nunca poderia amar outra
mulher, mas com essa nova perspectiva, era muito mais fácil de entender. A partir de então,
ele tinha a tarefa monumental de mostrar para ela que Usha não significava nada para ele.
Contudo, a princesa não ia lhe facilitar as coisas, como havia demonstrado aquela tarde,
quando, ao ver-lo entrar na sala, se atirou em seus braços. Deu graças a Deus que Maggie não
estivesse ali para ver!
-Coronel duque! – tinha exclamado Usha apertando seu ágil corpo contra o dele – Olá!
Pondo os olhos em branco, Jeremy tinha a tirado amavelmente de cima dele enquanto se
dirigia ao seu interprete, um homem decente que se licenciou na mesma universidade que
tinham o expulsado há cinco anos.
-Deus santo, Sanjay. O que esta fazendo aqui? O tio dela sabe que esta aqui?
O interprete negou tristemente com a cabeça, sacudindo de um lado para o outro a borla de
seu gorro de seda.
-Não, excelência. Insistiu em viajar até aqui com nomes falsos. Acredito que era parte da
emoção de... Como se diz? Ah, sim, escapar de casa.
-Mas não podem ficar – respondeu Jeremy – O melhor será que escreva ao marajá, e rápido.
Só me falta que ele acredite que eu raptei a Estrela de Jaipur.
-Eu já o fiz, excelência – contestou Sanjay – Lhe deixei uma carta quando a princesa não
olhava.
-Muito bem – assentiu o duque olhando a bela indiana, que o observava com expressão de
suposta adoração nos olhos negros. Entretanto, tinha em seus lábios um gesto calculador, e
Jeremy desviou a vista, incomodo.
-Escute Sanjay, isto é muito violento. Não podem ficar aqui.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Não se preocupe excelência. Apesar dos protestos da princesa, reservei varias suítes em
Dorchester – disse voltando-se a Usha, que continuava com o olhar fixo no duque – Com a
desaprovação da princesa, é claro. Estava convencida de que ficaria aqui com você.
-Mas já tínhamos conversado sobre isso – começou o jovem, com tom cansado – Eu acreditava
que...
-Tentei fazê-la entender o que nos explicou em Jaipur, que estava comprometido com outra
mulher – lhe interrompeu o interprete constrangido – Mas tem que entender que se não se
casar com ela, sua única alternativa é unir-se ao homem que esta comprometida desde que
nasceu o marajá de uma província afastada de Rajastan.
-Isso não parece tão mal – respondeu Jeremy.
-Mas não é, porque a princesa não seria a primeira esposa, como exige sua condição, e sim a
terceira, o que significaria que teria de obedecer às outras duas. Casar-se com você é a ultima
esperança que lhe resta para manter a qualidade de vida que levava no Palácio dos Ventos.
Por isso sua negativa é assunto tão grave – As palavras de Sanjay não expressavam reprovação;
se limitava a expor os fatos – Esta é uma razão, e a outra é que, como compreende a princesa
não esta acostumada a ser rejeitada. Em nosso país, os rajputas são conhecidos por não
aceitar jamais um não como resposta. É uma tribo guerreira, a estirpe de muitos dos grandes
lideres militares do país e das mais famosas belezas.
A Jeremy aquela triste historia não comoveu.
-E porque não se nega a casar com esse homem que seu tio escolheu?
-Isso seria uma desonra para a família – respondeu Sanjay com gravidade – Expulsariam a
princesa do palácio e a privariam de todas as comodidades a que esta acostumada. As únicas
riquezas que possui são as que seu tio se digna a conceder; se fizer algo que o aborreça, não
terá do que viver.
O interprete se interrompeu quando a princesa, que havia se acomodado a uma
espreguiçadeira com o sári de cores brilhantes estendido ao seu redor, começou a falar,
olhando o duque de relance. Quando terminou, Sanjay suspirou e traduziu com evidente
relutância.
-A princesa quer que saiba que, depois de pensar muito, esta disposta a aceitar que se case
com a outra mulher, se ficar claro que ela, Usha, é a primeira esposa, e que, portanto, a
segunda esposa devera obedecê-la.
Jeremy colocou os olhos em branco de novo.
-Deus. Falou-lhe que a bigamia é ilegal nesse país?
-Claro excelência – respondeu o interprete ofendido – Mas temo que sua alteza seja incapaz
de entender que um herói militar, que ainda é membro da classe governante, não possa ter
duas esposas.
Frustrado, o duque soltou um bufo que soou com um grunhido.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Olha, Sanjay – começou – Isso já foi muito longe. Não me importa como o consiga, mas tem
que fazê-la entender que sob nenhuma circunstancia vou me casar com ela. Jamais. Não é
nada pessoal, mas simplesmente não me interessa. E agora, se me perdoa, tenho um encontro
importante e devo ir...
Mas, quando deu meia volta, a princesa se levantou e tratou de detê-lo rodeando-lhe o
pescoço com os bronzeados braços, negando se a aceitar que seu “coronel duque” se fosse.
Foram necessários os melhores dotes de persuasão de Sanjay, e umas quantas maldições de
Jeremy, para convencê-la de solta-lo, e mesmo então, o duque escapou com a sensação de
que aquilo não ia terminar ali. De certo modo, admirava a tenacidade da princesa.
Aparentemente, quando a Estrela de Jaipur queria algo, não se detinha diante de nada. Nesse
sentido se pareciam bastante, pensou o jovem; a única diferença era que Usha se enganava ao
pensar que Jeremy poderia chegar a se apaixonar por ela, e o duque estava seguro de que
Maggie o amava.
O problema era conseguir que ela admitisse.
Consumido por esses sombrios pensamentos, olhou por casualidade seu anfitrião, e se deu
conta de que finalmente tinha sucumbido a Morfeu ; Lord Althorpe havia dormido sentado na
cadeira, com o queixo apoiado nas sedosas dobras de tecido do pescoço, e a cada poucos
segundos um suave ronco escapava de seus lábios. Com um suspiro, o duque deixou o copo na
mesa e se levantou; por uns momentos, lhe pareceu que o quarto dava voltas ao seu redor.
Perguntou-se se isso seria um dos persistentes sintomas da malaria, ou simplesmente um
excesso de álcool. Fosse o que fosse, decidiu que tinha chegado a hora de voltar para casa.
Todavia, isso era mais fácil de falar do que de fazer. Mesmo que Peters era um excelente
ajudante, não era um bom condutor, e demorou bastante para encontrar Park Lane. Quando
por fim se deteve frente ao numero vinte e dois, eram quase três da madrugada, e Jeremy
tinha mais frio do que jamais havia sentido. Fevereiro era um mês cruel, e pensou que talvez
por isso fosse o mais curto; quem ia agüentar trinta dias inteiros com esse frio que
transpassava o osso? O duque de Rawlings, certamente, que não. Aquele vento gelado o havia
debilitado até o ponto de que não pode descer da carruagem com seus próprios pés, e teve
que pedir ajuda ao seu criado. Peters se apressou ate a porta e ofereceu o ombro ao seu
senhor para que se apoiasse. Entretanto, com a perna de madeira, o jovem não era o suporte
muito estável sobre o chão gelado, e os dois homens avançavam aos tropeções, como se
estivessem completamente bêbados.
Não havia luz nos faróis, e a rua estava completamente escura. Por acaso o faroleiro,
amedrontado pelo frio, tinha desistido de fazer a ronda? Ou alguém tinha apagado a lâmpada
de propósito? Fosse qual fosse a razão, Jeremy não se recordava de ter visto Park Lane tão
escura, nem de ter sentido tanto frio ali, mas como necessitava concentrar toda a sua atenção
em manter se de pé, não parou para pensar. Mais tarde se reprovaria: deveria ter se dado
conta antes que dois homens aparentemente bêbados em uma rua escura a essa hora da
madrugada era muito tentador para os ladrões.
Contudo, o ataque pegou os dois militares desprevenidos. Peters estava ajudando o duque a
subir o primeiro degrau do numero vinte e dois de Park Lane quando uma figura alta, coberta
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
por uma capa negra, saiu das sombras da entrada de serviço, onde parecia estar aguardando-
os, e se lançou sobre eles. Jeremy só teve tempo de levantar a vista e dizer: “Que demônios...”,
antes do atacante afundar em seu ombro um objeto brilhante que agarrava na mão direita.
O criado gritou com a voz quebrada e se pôs na frente de seu senhor para protegê-lo, mas o
agressor se movia com mais rapidez e seguridade; o desconhecido se voltou para a parte de
trás do duque e levantou de novo a arma, mas o jovem coronel previu seu movimento. Mesmo
que o primeiro golpe não tinha doido, Jeremy não is consentir que desferisse outro. Esta vez,
quando viu o braço vir, o deteve com o punho, um movimento que pegou o assaltante de
surpresa. Aquilo deve ter lhe feito bastante dano, pois lhe escapou um forte grito.
Quando o duque se dispôs a arremeter-se contra ele, a figura vestida de negro escapou como
uma aranha que se retira depois de perder uma pata, deixando o coronel e seu criado
ofegando, incrédulos, ao pé da escadaria.
-Deus santo – exclamou Peters, que foi o primeiro a recobrar a voz – Esta bem?
Jeremy tinha se inclinado para frente e apoiado as mãos sobre os joelhos para não perder o
equilíbrio.
-Acredito que sim – assentiu – Roubou sua carteira?
-Não, e a sua?
-Não – respondeu apalpando o bolso do casaco – Nem sequer tentou.
-É um comportamento estranho para um ladrão – observou Peters.
-Sim – admitiu seu senhor – É sim.
-O que poderia querer se não era dinheiro?
O jovem ambientou os olhos e olhou na direção pela qual o assaltante havia desaparecido.
-Não posso imaginar. Londres mudou muito desde que estive aqui pela ultima vez.
-Tem razão, senhor. Quer que vá chamar um lacaio? Talvez deveríamos dizer para avisar a
policia... – O criado se interrompeu, e segurou um grito – Senhor, esta sangrando!
-Que? – o duque olhou seu ajudante – O que disse? Estou bem...
Então se fixou na neve a seus pés, e nas manchas se sangue que, espelhadas como pétalas de
rosas, pareciam gotejar de seu peito.
-Maldita seja – balbuciou enfurecido.
Capítulo 21
- Querem deixar de fazer tanto alvoroço? Já disse que estou bem.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Essas foram as primeiras palavras que Maggie escutou ao cruzar o portal da porta do quarto do
duque, e o tom de irritação em que foram pronunciadas a fez sentir-se imediatamente
aliviada. Se Jeremy podia se queixar desse modo, não devia ser grave.
Todavia, seu aspecto assustava. Estava deitado na cama, recostado sobre umas almofadas,
com o torso desnudo. A moça não podia ver se estava de calça, pois as cobertas lhe cobriam da
cintura para baixo. Estava branco como cera, e tinha uma bandagem no ombro direito.
-Só quero assegurar-me que deixou de sangrar – respondeu, com agressividade, um homem
que Maggie não tinha visto e que parecia ser um criado do duque. O jovem havia subido na
escada que tinha ao lado da enorme cama e estava tentando olhar por debaixo da bandagem.
Entretanto, não estava sendo fácil, e sua tarefa se via obstruída pela resistência de seu senhor
e pelo que a Maggie pareceu ser um pedaço de madeira atada a sua perna direita, debaixo do
joelho. A moça supôs que não devia ser fácil manter-se em equilíbrio com uma só perna em
um degrau de escada.
Ao servente foi mais difícil ainda se manter de pé instantes depois, quando Jeremy levantou os
olhos e viu a moça no portal da porta. Com uma careta de dor, o duque se levantou com
bruscalidade, e o ajudante perdeu completamente o equilíbrio; entretanto, graças a uns
rápidos reflexos, se agarrou as cortinas do dossel e evitou cair.
-Você! – o duque trocou de mão o copo do que parecia ser uísque e sinalizou Evers, que tinha
seguido Maggie com atitude submissa ate o quarto – Esta despedido! Já pode começar a fazer
as malas, porque te quero fora amanhã de manhã.
-Oh, por Deus! – exclamou o mordomo, tenebroso.
Margaret ficou olhando a figura deitada na cama.
-Oh, Jerry, cale-se. Não pode despedir Evers. Avisou-me porque você não queria que
chamassem o medico...
- Ou a Scotland Yard – interveio o criado, queixoso.
-Também te proibi de acordá-la – replicou o duque, carrancudo – Desobedeceu a uma ordem
direta. Evers pode vir buscar seu pagamento na semana que vem. E agora, fora.
-Não, Evers – respondeu a moça ao servente, que se retirava apressadamente – Fique onde
esta.
O mordomo se deteve e olhou por cima do ombro.
-Acredito que será melhor que eu faça o que sugere sua excelência – objetou desculpando-se.
-Besteira – foi a sucinta resposta de Maggie, antes de voltar para a cama – É grave? –
perguntou ao ajudante, que a mirava com a boca aberta desde que havia entrado no quarto.
-Pois... – começou o jovem olhando seu senhor.
-Quero a verdade – disse Maggie cruzando os braços.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Ficara bem logo. A clavícula deteve a faca, só feriu um pouco da carne. Isso teria matado a
qualquer outro homem, mas o coronel é forte como um boi, assim...
-Peters – balbuciou Jeremy com irritação.
-Que? – perguntou o jovem criado, que parecia divertido – Também vai me despedir, coronel?
-Ninguém vai despedir ninguém – assegurou a moça imperiosamente – Que doença acomete o
duque, Peters?
-Malária, é claro – respondeu o servente, encolhendo os ombros.
Isso já foi demais. Que tivessem apunhalado Jeremy, e que dissessem que Jeremy ainda sofria
de malaria, era mais do que Maggie podia suportar. Por sorte, tinha um baú no chão, perto de
onde estava, e se deixou cair sobre ele com bruscalidade, como se seus joelhos houvessem
falhado.
-Malaria – murmurou – Porque não me disse Jerry? Por quê?
-Mags – respondeu o duque, agitando o copo de uísque – Não é o que aprece...
-Não – replicou ela, constrangida, meneando a cabeça – Com você nunca é o que parece, não?
O jovem ficou olhando-a, com os olhos encostados. A única luz que havia no quarto provinha
de uma lamparina junto à cama e do fogo que crepitava da lareira. A jovem não podia ver sua
expressão, mas lhe apareceu que havia um tom de preocupação em sua voz.
-Peters – ordenou ao ajudante – sirva a Maggie um copo. Acho que ela precisa.
-Não, não – respondeu ela, com um fraco gesto de mão – Estou bem.
Mas não era verdade. Apunhalado? Malaria? Apunhalado?
Contudo, antes de poder formular outra pergunta, o criado apareceu ao seu lado com um copo
de liquido âmbar.
-Aqui esta senhorita – disse com amabilidade, enquanto colocava o copo em sua mão – Beba.
E não se preocupe com o coronel. É o homem mais forte que conheci. Vi ele brandir a espada
até com o cotovelo quebrado. Quando os médicos de Nova Deli lhe disseram que a viajem de
volta a Inglaterra poderia matá-lo, começou a rir.
Maggie piscou e olhou Jeremy. Os desejos de matá-lo que tão ardentemente haviam fervido
em seu interior um momento antes haviam desvanecido por completo, convertendo-se em
uma onda de adoração. Que homem mais teimoso! Em que estava pensando para querer
regressar ainda convalescente de uma doença mortal? Era verdade, a viajem poderia te-lo
matado, para não falar na súbita mudança de clima! Não era de se estranhar que houvera
passado o dia inteiro na cama! Não estava na folga como havia pensado, e sim, lutando contra
a febre.
Mas apunhalado?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A jovem levou o copo aos lábios. O copo de uísque lhe ardeu os olhos, depois de fechá-los,
apurou o copo em um só trago, notando que o liquido abrasador lhe descia pela garganta.
Imediatamente, sentiu náuseas e começou a tossir. Peters Le deu uns tapas nas costas,
pensando que tinha se engasgado.
-Não, não – conseguiu dizer por fim – Estou bem.
E era verdade, se sentia melhor. O uísque tinha esquentado o corpo, e parecia haver
recobrado a força nos joelhos. Talvez tudo aquilo não fosse tão grave como tinha acreditado.
-Apunhalado? – repetiu incrédula.
-Vamos – disse Jeremy da cama – Não foi nada. Peters e eu tivemos um pequeno contratempo.
Maggie ofegou.
-Não estranho. Onde estavam até tão tarde? Em Vauxhall? Já sabe que não é um lugar
seguro...
-Oh, não foi em Vauxhall - informou Peters com entusiasmo – Um tipo atacou o coronel aqui
na porta, ao pé da escada.
-Peters – balbuciou o duque com tom de advertência. Mas já era muito tarde. Depois de deixar
o copo de uísque em cima do baú, Maggie se levantou e avançou até a cama.
-Que? – gritou com voz rouca – Alguém te apunhalou aqui mesmo, em Park Lane?
-Não vê senhorita? – interveio Evers, do portal da porta – Já o disse. Tínhamos que ter avisado
a Scotland Yard, mas sua excelência...
-Evers – o interrompeu a jovem, fazendo um esforço para se controlar – Por favor. Continue
Jerry.
-Porque será que as mulheres gastam tanto dinheiro nas roupas que usam fora de casa e tão
pouco nas que põe quando estão na intimidade do lar, que são as que os homens vêem mais
freqüentemente? – se perguntou o duque, depois de observar com detrimento a bata que a
moça usava.
Aos pés da cama, Maggie se olhou de cima abaixo. Era verdade, a bata de quadros escoceses
era um pouco desluzida, mas...
-Não mude de assunto – respondeu com irritação – Quero saber como te apunhalaram.
-Oh, Mags – disse ele deixando-se cair sobre as almofadas, tendo o cuidado de não golpear o
ombro – Não sei. Temos que falar disso agora? Estou certo de que há coisas mais
importantes...
-Pois eu acredito que foi esse Frances – o interrompeu Peters.
-Que? – Maggie ficou com a boca aberta.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Da cama, o duque lançou a seu ajudante uma mirada furiosa.
-Obrigado, Peters. Pode se retirar.
-Está bem – concluiu o criado – Mas se você mesmo o disse não faz nem dez minutos...
-Augustin nunca faria... – exclamou Maggie, horrorizada.
-Sim, sim, Maggie – Jeremy tentou acalmá-la – Nós sabemos. Com certeza foi só um
ladrãozinho que queria roubar minha carteira, mais nada.
Contudo, a moça não pareceu convencida; ficou olhando com os olhos muito abertos,
aferroando-se com uma mão a um poste do dossel. A bandagem não era grande, mas já estava
manchada de sangue, mesmo que não empapado. Não havia duvidas que alguém tinha
tentado causar lhe danos de verdade. Alguns centímetros abaixo, e lhe teria cravado o punhal
no coração. Augustin era capaz de fazer uma coisa assim? Estava que estar muito zangado, isso
era certo, o bastante como para querer se vingar...
Mas de Veygoux não era o tipo de homem que esperava entocado na escuridão, brandindo um
punhal. Nem de longe! Era uma pessoa decente, serena... E Maggie teve que admitir que
também era um pouco lerdo. Aquela idéia era absurda.
Entretanto, quem mais podia guardar rancor? Fora ela, claro.
Jeremy não pode evitar se sentir incômodo ante o inquietante olhar da jovem. Não podia
adivinhar o que estava pensando, mas sua expressão não lhe agradava, não lhe agradava nada.
A pesar de seus protestos, estava decidido a despedir Evers, e Peters também; parecia que
ambos haviam se aliado para humilhá-lo diante dela. Ia mandar os dois para a rua.
Ultimamente parecia impossível encontrar pessoas de serviço decente...
De todo o modo, pensou que podia tirar o melhor daquela penosa situação, assim fechou os
olhos e soltou um gemido.
-Jerry?
O duque entreabriu um olho e viu que Maggie o olhava com expressão preocupada, mordendo
o lábio. Perfeito. Fechou de novo o olho e gemeu, deixando cair à cabeça sobre a almofada.
-Coronel? – A voz do ajudante tinha um tom receoso, não de preocupação – Esta bem?
Jeremy fingiu que as pálpebras lhe pesavam demais para poder abrir os olhos, e piscou varias
vezes com expressão cansada.
-Sim – suspirou – Mas gostaria que me deixassem a sós.
O esperto Peters não pode deixar conter um sorriso.
-oh, entendo – disse – De acordo. O verei pela manhã, então, senhor. – E virou para retirar-se á
cama que havia disposto no vestiário anexo.
-Que? – exclamou Maggie atônita – Vai dormir?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
O criado a olhou com surpresa.
-Sim, senhora. O coronel quer que o deixemos a sós, assim vou me deitar.
-Mas ele esta doente!
O jovem olhou com expressão critica a figura que estava deitada na cama.
-Sim, mas sua excelência não quer mais nada de mim.
-Alguém tem que cuidar dele – insistiu a jovem.
-Talvez sim, mas não vai ser eu que o farei – respondeu o servente assentindo bruscamente –
Talvez a ele não lhe importe que o despida – continuou, sinalizando ao mordomo com um
gesto de cabeça – mas eu não quero lhe dar motivo. Boa noite.
Peters se foi, mancando, deixando Maggie e a Evers olhando-se um ao outro. O criado
pigarreou.
-Até onde minha memória alcança, sempre houve um Evers servindo na casa dos Rawlings...-
começou com dignidade.
-Claro – lhe confortou Maggie – É absurdo que queira te despedir...
Jeremy, alarmado ao ouvir aquilo, levantou a cabeça e olhou ao mordomo com uma expressão
tão envenenada que Evers retrocedeu assustado. A moça, que estava de costas ao duque, não
viu o que aconteceu, e não compreendeu porque o criado procurava a maçaneta da porta com
tanto nervosismo.
-Não gostaria de ser eu quem acabara com esta larga tradição familiar – gaguejou – Se
necessitar de mim, excelência, só tem que chamar á companhia.
E, com uma brusca inclinação de cabeça, abriu a porta e se foi com toda pressa. Quando o
mordomo fechou a porta atrás dele e Maggie se voltou para a cama, viu que o doente tinha os
olhos encostados.
-Jerry – começou com suplica. Mas foi muito tarde. O jovem tirou um braço de dentro das
cobertas, a agarrou pela cintura e puxou-a até que a moça ficou deitada em uma posição
pouco decorosa sobre seu colo.
Então ela descobriu, sem sombras de duvidas, que o duque estava nu debaixo das cobertas.
Capítulo 22
-Jerry! – exclamou Maggie, indignada, falando com dificuldade, com o rosto no colchão – Que
demônios crê estar fazendo?
O duque levantou a saia da bata ate o quadril, e notou com interesse que traves da camisola
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
de algodão se adivinhavam as redondas nádegas em forma de coração.
-Eu? – perguntou em um tom inocente – Continuar de onde paramos mais cedo...
-Deus santo! – A moça tentou escapar, mas ele a segurava firmemente pelo quadril – Jerry, por
favor! – o reprovou por cima do ombro – Acabam de tentar te assassinar! Como pode pensar
em fazer amos em um momento assim?
-Querida Mags – respondeu ele com secura – Se pude pensar em fazer amor com você
enquanto centenas de balas bengalesas zumbiam sobre minha cabeça, não é estranho que
posso pensar nisso em um momento como este – E, inclinando-se para beijar lhe as costas,
acrescentou ao ver que ela abria a boca para replicar – E não me pergunte pelo ombro. Não
dói, nem acredito que fazendo amor a ferida se abra.
A moça capturou o ar.
-Você é um animal – lhe espetou enquanto tratava com relativo êxito de livrar-se de seu
abraço – Como tem a desfaçatez de acreditar que vou me deitar com você depois do que fez?
-O que eu fiz? – perguntou o jovem, levantou a sobrancelha.
Maggie comprovou consternada que o peito nu do duque, cheio de cicatrizes, também estava
coberto de espesso pelo. Os fios negros formavam um denso manto a ser aberto para
descobrir os planos mamilos, e que se estreitava ao descer pelo liso e musculoso abdômen,
desaparecendo debaixo da coberta em uma provocativa forma de flecha. Contudo, Maggie
não ia investigar o que essa flecha assinalava.
Pelo menos, era o que dizia a si mesmo.
-Sabe muito bem o que fez – lhe reprovou, tirando o cabelo do rosto com um gesto altivo –
Você...
E quase sem se dar conta, imediatamente se encontrava debaixo do corpo de Jeremy.
Estendeu os braços para separá-lo dela, em seguida sentiu que ele agarrava com força suas
mãos contra o colchão, como se suspeitasse que ia tentar golpeá-lo, como tinha feito na
biblioteca de Lord Althorpe, para não falar daquele dia no estábulo da mansão Rawlings, cinco
anos atrás. Com todo o peso de seu corpo sobre ela, Maggie apenas podia se mover, mas
qualquer contra-ataque era impensável.
-Me solte imediatamente, idiota – balbuciou com o olhar fixo no rosto do duque, a poucos
centímetros do seu.
Ao jovem, encantado pelo contato desse corpo sedutor, lhe custava um pouco respirar. Era
consciente de que acontecia o mesmo com a moça, pois seus seios, apertados contra seu
peito, se moviam para cima e para baixo com rapidez. Inclusive pareceu sentir as batidas de
seu coração, que faziam seu peito tremer suavemente. Era pela mesmo paixão o invadia, ou
era só por medo? Só tinha uma maneira de saber.
-Tem medo, Mags? – perguntou com indiferença, levantando uma sobrancelha.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Nem nos sonhos... – começou a dizer ela com indignação.
Mas antes que pudesse terminar a frase, o jovem apertou os lábios contra os seus.
Por um momento, o pânico invadiu Maggie e ela fechou os pulsos contra a almofada, tentando
articular um protesto. Não porque queria. Mas aquilo...
Aquilo era serio.
Jeremy não a ouviu protestar ou, se ouviu, não entendeu. A única coisa que sabia é que, por
fim, depois de cinco longos anos, tinha Maggie exatamente onde sempre quis que ela
estivesse: deitada debaixo de seu corpo. E naquela ocasião, tinha se assegurado de que não
haveria interrupções; não teria tios proferindo ameaças, mordomos intrometidos, nem noivos
com pretensões. Somente eles dois, como deveria ter sido sempre, e teria sido se não fosse a
obstinação que ambos tinham demonstrado nesses últimos anos. Pois bem, isso não voltaria a
acontecer, não enquanto ele vivesse. Em fim, ela era sua...
Aquilo compensava todos os deslizes e infortúnios que tinha sofrido para consegui-la. O duque
esteve com muitas mulheres, mas nunca havia apertado uma entre os braços que o fizesse se
sentir tão bem, não havia experimentado as perfeitas complementaridades de seus corpos.
Seu corpo magro, gracioso e de peito generoso era profundamente feminino. O seu, em
compensação, de ombros largos, quadril estreito e músculos duros como pedra pelas longas
horas de cavalgar e empunhar espada, era a personificação da masculinidade. Não havia
duvidas que eram feitos um para o outro.
E se ela não via do mesmo modo, Jeremy se encarregaria de fazê-la entender antes de chegar
à manhã.
Contudo, a julgar pela sua reação, a jovem já parecia estar se dando conta disso; ao primeiro
contato de seus lábios, pareceu fundir-se em seu abraço, e toda a tensão dos braços, que ate
então ele havia mantido imobilizada sobre o colchão, desvaneceu. Maggie separou os lábios
com a mesma naturalidade que aquela tarde no estábulo, com a mesma ânsia que na
biblioteca umas horas atrás, e se entregou ao beijo com um inocente entusiasmo. Todavia,
naquela ocasião, e para o grande deleite do jovem, usava muito menos roupa. Quando soltou
um de seus pulsos para levar a mão onde seu coração batia com mais força, não lhe fez falta
tirar capas e capas de vestido e camisola, só teve que desabrochar um botão de nácar. Onde
pousava os dedos, sentia somente pele nua, suave e acetinada que, apesar do frio no
dormitório e sua relativa nudez, desprendia um intenso calor.
Ao sentir o contato de seus dedos na delicada pele do peito, Maggie deixou escapar um
gemido. E quando a mão do jovem deslizou com impaciência mais abaixo, abriu ainda mais o
decote da bata e deixou descoberto um dos grandes e bem torneados peitos, a moça afastou a
cabeça e ficou olhando Jeremy, assombrada com a miríade de emoções que ele despertava em
seu interior. Imediatamente, se sentia mais viva que nunca durante os últimos cinco anos; o
que havia experimentado na biblioteca, algumas horas antes, não era nada em comparação
com aquilo. Era como se seu corpo, ao que Jeremy havia infundido vida na cavalaria aquele dia
tanto tempo atrás, tivesse permanecido em hibernação até aquele momento, todas as
emoções e sensações que havia sentido então reapareceram com maior intensidade.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Para Jeremy, a expressão de profunda surpresa no rosto da moça teve efeito imediato; de
pronto se deu conta que tinha que ir devagar e com cuidado; não podia se esquecer que,
apesar de sua extraordinária sensualidade, Maggie era virgem. Se não quisesse assustá-la teria
que agir com calma, e deixar que fosse ela quem marcasse o ritmo.
Entretanto, quando seu olhar se encontrou com aqueles grandes e preciosos olhos marrons, e
logo contemplou os úmidos lábios meio aberto, todo o seu autocontrole se desvaneceu. As
mãos sobre as quais sempre acreditou exercer um completo domínio começaram a fazer
coisas que ele não havia lhe ordenado, tentavam desabotoar a bata e subir a camisola. Sentia-
se inundado de desejo, e perdido em sua própria paixão.
Felizmente, Maggie parecia sentir o mesmo. Em vez de retroceder diante de seu desenfreio,
como teria feito qualquer outra jovenzinha inocente, mostrava a mesma avidez, e respondia a
seus ardentes beijos com veemência. Imediatamente, sentiu a vital necessidade de notar o
contato de sua pele desnuda e, enquanto o jovem lhe arrancava o resto dos botões da batam
começou a tirar sua camisola. Momentos depois, o duque, inconsciente da ferida do ombro,
acabou de tirar a bata com bruscalidade, e a lançou longe da cama. Por alguns instantes, seu
torso moreno reluziu cor de bronze devido à luz da lareira, e Maggie pode contemplar, com
olhar de artista, seu espetacular corpo, tão masculino e perfeito como o David de Miguel
Angel.
Entretanto, aquela obra de arte era de carne e osso, e não de mármore frio.
Com uma exclamação de triunfo, Jeremy terminou de desabotoar o ultimo botão que
mantinha abotoada a camisola, descobrindo assim o que havia esperado tanto tempo para
contemplar. A moça sentiu o calor do fogo na terna e branca pele dos seios, em fim livres do
tecido de algodão. Ao notar a respiração entrecortada do duque, Maggie levantou o olhar e se
sentiu desconcertada ao ver que seus lábios esboçavam um sorriso de satisfação; entretanto,
sua expressão a convenceu, mais que seus beijos e a evidente paixão que ele despertava, de
que aquele homem a desejava. E não somente a desejava, e sim necessitava dela. Aquela
certeza provocou o que tinha começado como uma sutil tensão entre as pernas se converter
em um ardor que sabia que somente podia se apagar de uma maneira...
Então o jovem voltou a se deitar sobre seu corpo e deslizou as mãos por ele até rodear com
elas seus brancos seios. A jovem estremeceu ao sentir as calorosas palmas sobre a sensível
pele de seus peitos, mas aquilo foi só o principio de uma doce tortura: um instante depois, as
mãos foram trocadas pela boca, e Maggie teve que segurar um grito diante daquela sensação
desconhecida, produzida pela quente umidade em seu peito ereto. Ao contato da língua, os
dedos que ele tinha afundado instintivamente na espessa cabeleira se fecharam suavemente
entre os escuros cachos, e seu quadril, sem que ela se desse conta, começou um movimento
ondulatório contra o membro viril em ereção.
Entretanto, Jeremy, totalmente consciente daquilo, teve que fazer um esforço para não
abandonar-se a seu prazer naquele momento. Com a mandíbula apertada, levantou o rosto
dos peitos e olhou a moça, quem, com a cabeça afundada entre as almofadas, o longo cabelo
escuro estendido como uma espessa cortina sobre os lençóis e os olhos encostados, respirava
entrecortadamente. Quando Maggie se deu conta de que a olhava, não tentou ocultar sua
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
nudez; era evidente que se senti mais cômoda desnuda do que vestida, um fato incomum,
pelo que sua experiência lhe dizia, nas mulheres de peitos volumosos. O descobrimento foi
prazeroso... Mesmo que não tanto quanto a visão de suas compridas e bem torneadas pernas,
e em especial a parte coberta de pelo que havia entre elas.
O sedoso triangulo era muito mais incitante que o de nenhuma outra mulher que já conheceu.
Sentia uma atração semelhante a que a lua exerce sobre a água. O duque se deitou ate seu
corpo voltar a cobrir por completo o da moça, e procurou seus lábios com a boca... Enquanto
com os dedos se aventurava naquela escura sinuosidade entre as pernas.
O conhecimento da Maggie sobre o ato sexual havia melhorado consideravelmente desde que
deixou o colégio, graças, sobretudo as aulas de desenho e a informação que Berangére lhe
havia proporcionado com suas fofocas. Tinha visto outros homens nus, mesmo que nunca com
um membro viril tão grande como o de Jeremy, e sabia aonde ia cada coisa. Entretanto,
ninguém tinha lhe explicado o que se sentia. A jovem acreditou que ia morrer de prazer ao
notar que ele beijava seus peitos, mas quando o duque introduziu em seu interior primeiro um
dedo, e depois o outro, não estava mesmo preparado para as sensações que aquilo lhe
provocou. Teve que fazer um grande esforço para não agarrar o aveludado sexo masculino que
com tanta prudência havia acariciado na biblioteca de Lord Althorpe e fazê-lo entrar em seu
interior. Mas se seu amante havia se mostrado tão surpreendido então,quando só tinha
roçado, não podia imaginar o que pensaria se fizesse aquilo...
Todavia, não tinha que se preocupar. A Jeremy não lhe surpreendeu que abrisse as pernas ao
sentir seu contato, nem tampouco que se sexo estivesse úmido e escorregadio; quando, com
um suava gemido, ela levantou seu quadril instintivamente para provocar a fricção da base da
mão contra seu ponto mais sensível, o jovem teve a certeza que estava preparada.
Durante alguns momentos seguiram na mesma posição, com os eretos peitos da moça contra
o peludo peito, respirando entre ofegadas enquanto o jovem apertava com suavidade os
dedos no sexo. O duque estava fascinado pela profundidade dos olhos da jovem, que piscou
diante de sua intensa olhada.
Jeremy abaixou a cabeça e beijou os suaves lábios, e ao mesmo tempo retirou os dedos e os
substituiu pela aquela parte de seu corpo que ansiava entrar nela.
Maggie segurou um grito ao sentir que a penetrava; era uma sensação muito diferente da dos
dedos que com tanta facilidade haviam se deslizado em seu interior. De feto, quando a ponta
do duro membro começou a abrir-se a caminha dela, a moça pensou que aquilo não iria
funcionar que seu sexo era anormalmente pequeno, e o dele demasiadamente grande, por
isso sua união física iria ser impossível. Imediatamente voltou a sentir o mesmo medo que
aquela noite no seu quarto de Herbert Park...
Contudo, quando estava a ponto de protestar e de pedir para que parasse, mesmo sabendo
que depois a acusaria de covarde, sentiu que algo se rasgava em seu interior. Seus dedos, que
estava apoiado sobre o amplo peito em um esforço de ultimo momento para separá-lo dela, se
cravaram na pele desnuda, afundando as unhas, ate que aquele tamanho impossível deslizou
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
por completo em seu interior, e a dor desapareceu milagrosamente.
Jeremy ficou petrificado, dentro dela, consciente de que lhe havia feito algum dano, não
somente porque tinha cravado as unhas, e sim porque havia parado o movimento do quadril.
Por alguns momentos, entrou em pânico. O que ia fazer? A ultima coisa no mundo que queria
fazer era causar-lhe dano. E ele acreditou que ela estava preparada! Não havia duvidas de que
estava muito úmida... Oh, Deus! Porque tinha tido a desgraça de se apaixonar por uma
virgem? Porque não poderia ter se apaixonado por uma prostituta, como o seu pai?
-Maggie – sussurrou – Eu sinto. Eu...
Mas ela não lhe escutava, e uns momentos depois o duque entendeu por que. Seu quadril
começou a ondular de novo, timidamente primeiro, e depois, ao confirmar que a dor havia
desaparecido por completo, com mais confiança. O jovem ficou sem respiração ao notar que a
pele em torno de seu sexo retrocedia ainda mais ao atraí-lo mais para dentro dela. Mas em
seguida o quadril se afastou, liberando a tensão... Para oscilar de novo, instantes depois,
apertando-se de novo junto a seu corpo. Jeremy, quase sentindo, igualou seus movimentos
aos da jovem, que murmurava de prazer embaixo dele, com a cabeça afundada entre as
almofadas.
Aparte a sensação de estar possuindo por fim a Maggie lhe pareceu que aquele era o sexo
mais suave e cálido que jamais tinha sentido. Sentia seu corpo vibrando debaixo do seu, a doce
pressão das coxas malhadas em seu quadril, e os dedos, enroscados em seu cabelo, puxando o
suavemente para que a beijasse de novo. Acariciando-lhe os seios com suavidade, Jeremy a
penetrou profundamente com a língua e o membro cada vez.
E Maggie respondeu com a mesma paixão.
A moça não demorou muito em sentir a tensão que tinha experimentado, especialmente entre
as pernas, se convertia em um intenso impulso que a levava a se aproximar cada vez mais do
sexo de seu amante. Entretanto, não esperava nada parecido à sensação que lhe provocou um
energético avanço, que pareceu que is lançá-la para fora da cama; imediatamente, e mesmo
que fisicamente se abraçou mais forte ao duque do que antes, lhe pareceu que deixava seu
corpo, e flutuava em um mar de cores, dourado, azul, vermelho... Mais de do que nunca tinha
sido capaz de conseguido com sua caixa de tintas, e mais do que, com toda a certeza de artista,
sabia que existiam. As viu reluzir debaixo de sua pálpebras fechadas em uma explosão de luz
que a envolveu como um nuvem de cores brilhantes, e com uma sensação de profunda
felicidade, entendeu os braços para agarrar tudo o que pudesse.
Quando o jovem se deu conta de que Maggie chegava ao clímax, o invadiu um profundo jubilo;
nunca, em toda a sua experiência com as mulheres, esteve tão seguro de que sua parceira
havia alcançado o êxtase, e de que não estava fingindo para satisfazer ele... Ou sua carteira.
Com ela não havia a menor duvida. Tinha lhe satisfeito, ou mais do que, ao julgar sua
expressão de beatifico gozo.
Então, ao contemplar seu rosto e o largo colo branco, com a cabeça jogada para trás, Jeremy
alcançou o clímax também, com tal intensidade que a jovem, que ainda não tinha voltado a si,
temeu durante alguns momentos que a partiria em duas. Ao liberar toda a sua tensão,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
afundou o corpo de Maggie no colchão e soltou um grito de prazer tão forte que a moça teve
certeza de que tinha acordado todo os serviçais.
Momentos depois o duque relaxou sobre ela, apoiando a frente úmida no espaço entre o colo
e o ombro; respirava entrecortadamente, e o coração batia tão forte que por um momento a
jovem se perguntou se havia sofrido uma apoplexia. Porem, não pode evitar de pensar com
orgulho que ela tinha sido a causa de tal reação. Só ela.
Aquela idéia era tão gratificante quanto às sensações provocadas pelo clímax.
Um momento depois, quando Jeremy se separou dela pra deitar ao seu lado, viu que Maggie
fazia um gesto, e ao olhar os lençóis, o duque descobriu por que.
-Deus meu! – exclamou levantando-se com as palmas da mão sobre o colchão, sem ligar para a
pontada de dor que lhe transpassava o ombro – Esta bem, Mags?
Maggie, que não sabia do que ele falava, seguiu a direção de seu olhar.
-Oh, não – disse quando viu a mancha vermelha no branco linho – Como vamos explicar isso?
-Não se preocupe por isso. Esta bem ou não? – perguntou o duque com o cenho franzido.
A moça ficou olhando-o com uma expressão divertida.
-Claro. Um pouco dolorida, mas isso é tudo. Talvez se deixarmos de molho toda a noite...
-Não se preocupe com os malditos lençóis – resmungou ele – Amanhã comprarei outros.
-Oh, tinha me esquecido! – disse ela sorrindo – Deve ser maravilhoso ser rico.
O duque esteve a ponto de lhe dizer que, quando se casarem, ela também seria, mas decidiu
que não era o melhor momento para abordar o assunto. Por fim tinha conseguido possuir seu
corpo, mas ainda tinha que se assegurar de que também era dono de seu coração.
Todavia, enquanto isso ia aproveitar ao Maximo o tempo.
Maggie deve ter entendido o brilho de seus olhos, porque imediatamente disse:
-Oh, Jerry. Outra vez não. Tenho que voltar a meu quarto antes que Hill...
Mas não a deixou terminar, pois lhe pareceu que o que ela tinha a dizer sobre o assunto não ia
lhe agradar.
Capítulo 23
Jeremy estava convencido de que sonhava. Já tinha acontecido antes, e esses sonhos sempre
acabavam iguais: quando acorda, a deliciosa figura que estava deitada ao seu lado entre as
almofadas se desvanecia.
Mas naquela ocasião, tinha ocorrido ao duque uma forma que não tinha lhe ocorrido;
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
simplesmente, não acordaria. Manteria os olhos fechados para sempre, faria falta, mas valeria
à pena, porque poderia se aconchegar contra o calor de Maggie, e isso era tudo o que queria.
Quem necessitava de comida e bebida quando podia abraçar aquela maravilhosa mulher? O
jovem não recordava ter se sentido tão confortável em sua vida. Nem louco ia coloca tudo a
perder abrindo os olhos.
Então lhe ocorreu algo que não lhe havia ocorrido em nenhum sonha; a figura que se apertava
entre seus braços deu meia volta e recostou a cabeça entre seu pescoço e seu ombro.
Por alguns momentos, sentiu uma pontada de dor, e forte. O lugar onde lhe haviam cravado a
navalha na noite passada queimava. Mas quando viu Maggie a seu lado, contemplou a espessa
cabeleira negra estendida sobre a almofada e sentiu o contato de seus seios desnudos contra
seu peito, a dor desapareceu. Fazia muito tempo que não acordava em companhia de uma
mulher. Ter relações sexuais com as mulheres locais era mal visto pelos seus companheiros da
guarda montada, obrigando o coronel a freqüentar casas de prazer, onde não era
recomendável passar a noite.
Se mal se recordava, a melhor maneira de despeitar uma mulher apaixonada, e não tinha
duvida que Maggie fosse, era beijá-la atrás do lóbulo da orelha...
O duque afastou as mechas de cabelo e se inclinou para pousar com suavidade os lábios sobre
o pescoço, onde sentiu um rítmico palpitar de seu coração. A jovem se revirou, e a sensação
debaixo da orelha a fez mexer um pouco o ombro enquanto seus lábios esboçavam um sorriso,
como se tivesse com algo agradável. Aquela reação animou o jovem, que beijou aqueles lábios
sorridentes e ficou encantado ao ver que ela respondia com doçura e com a perfeita inocência
de uma menina.
Mas não era a menina que lhe interessava, e sim a mulher que tinha se tornado.
Ainda sim, queria ir devagar. A inocência de seu beijo era cativante; inclusive sonhando, a
moça beijava como alguém que não esta acostumado, mas que esta com vontade de aprender,
Extasiado, se inclinou para provar de novo o sabor de seus lábios.
Quando voltou a beijá-la, a moça lhe surpreendeu novamente, deixando escapar um suspiro.
Aquela era uma reação muito alentadora, sobretudo porque com esse suspiro, Maggie
entreabriu os lábios, convidando-o a entrar. Jeremy deslizou a língua em sua boca, e a resposta
da jovem lhe pereceu mais sensual do que de qualquer outra mulher que tinha conhecido; no
momento em que suas línguas se tocaram, deixou escapar um rouco gemido e deu meia volta,
desfazendo do beijo. Porem se aproximou mais dele e, como estava de costas, apertou sua
pulsante ereção entre as suaves curvas de suas nádegas.
O duque notou que o coração palpitava depressa, e começou a sentir como se a paixão
inflamasse em seu interior.
Imediatamente, o que tinha começado como um jogo para acordá-la havia se tornado em
desejo, e o jovem se deu conta de que não ia poder se deter mesmo que seus sentimentos ao
despertar não fossem os mesmos que demonstrava durante o sonho.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Por isso, decidiu desfrutar dele enquanto durava, mesmo que a disposição de Maggie se
devesse a seu estado de inconsciência. Só Deus sabia quando poderia voltar a ter aquela
mulher entre seus braços novamente.
Passou o braço por cima da estreita cintura, ate que alcançou com os dedos o suave vale baixo
seu púbis, e ao separar com cuidado as dobras aveludadas entre seus músculos, confirmou o
que suspeitava: estava úmida. Em seguida notou os dedos impregnados de sua essência. Esse
descobrimento o excitou ate o ponto que sabia não ter volta, e sentiu seu membro viril duro
contra a delicada pele de suas nádegas. A umidade e o calor de seu sexo o atraiam
irresistivelmente; a única coisa que tinha que fazer era mover-se um pouco...
Ficou assombrado com a facilidade que seu membro deslizou em seu interior e, uma vez
dentro, se maravilhou de novo com a perfeição que parecia adaptasse a ele, como uma mão.
Com um braço ao redor de sua cintura, apertando suavemente a pequena protuberância por
baixo do osso púbico com a mão, e com a outra acariciando-lhe os seios, começou a entrar e
sair dela lentamente, com seu peito apertado contra as suas costas, e com os olhos fechados,
como ela, se deleitava com sua recompensa entre os braços.
Assim não tinha sido um sonho. Era realidade. Tinha feito amor durante toda a noite ate que,
exausto, haviam caído em um sono profundo. Jeremy sabia muito bem que, freqüentemente,
o que se sussurrava na penumbra perdia o valor na manhã do dia, e não ia permitir que aquilo
ocorresse com Maggie. Desejava que fosse toda sua; não queria ouvi-la dizer que a noite
anterior tinha perdido a cabeça; não permitiria que a noite ocultasse o que o amanhecer
traria.
Quando escutou que sua respiração acelerava, aumentou a pressão dos dedos entre suas
pernas, e o movimento do quadril, que facilitava a penetração por trás, fez com que
aumentasse a pressão contra os dedos calejados.
Com a cabeça afundada entre a perfumada cortina de seus cabelos, o duque a ouviu gemer,
ainda adormecida, e sentiu como seu corpo se abria a ele e respondia a seus avanços. Cada vez
penetrava mais profundamente nela, deleitando-se com sua carinhosa reação, da umidade
que empapava os dedos, das ofegadas irregulares quando ele penetrava em seu corpo...
Imediatamente sentiu que ela se esticava e levantava as costas, apertando a pélvis com avidez
contra sua palma. O sexo, que, quando ele se retirava, apertava seu membro como se não
quisesse deixá-lo escapar, estremeceu e contraiu espasmodicamente. Naquela ocasião, Jeremy
não pode se separar dela; estava preso na armadilha que ele mesmo tinha preparado, e de lá
não desejava escapar. Em vez disso, agarrou o quadril de Maggie e explodiu em seu interior,
inundando-la com seus ardentes fluidos. A moça gemeu de prazer, tremendo depois do clímax.
Somente quando ele se esgotou dentro dela, Maggie abriu os olhos, e o duque pode
contemplar a profundidade daquelas pupilas que conhecia tão bem.
-Bom dia – disse Jeremy com doçura. Porém, por causa do recente orgasmo, sua voz era rouca
e entrecortada, muito diferente da habitual.
Maggie piscou e o olhou. Tinha os lábios avermelhados por causa da barba de Jeremy, e ainda
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
respirava entrecortadamente, como se tentasse recuperar o fôlego.
-Isso foi um engano – disse afônica.
O jovem levantou uma sobrancelha. Ainda enterrado dentro dela, apoiou o cotovelo na cama e
recostou a cabeça sobre a mão.
-O que foi um erro? – perguntou com expressão inocente.
-Sabe muito bem a que me refiro – respondeu ela, que não parecia nada perturbada. E,
dizendo isso, se afastou dele, se virou para cima e começou a se espreguiçar como um gato,
roçando sem querer no ombro vendado de Jeremy. Imediatamente, abriu os olhos bem
abertos e a lembrança os inundou como se fossem lagrimas. O duque, que estava deitado a
um palmo dela, a olhava fascinado quando sua Iris mudou de marrom para preto.
-Jeremy – disse a moça agarrando os lençóis e puxando-os até o queixo com expressão
horrorizada – o que fizemos?
O jovem encolheu os ombros, e o movimento lhe provocou uma pontada de dor.
-Eu não fiz nada – respondeu com fingida indignação, em tom de brincadeira – Estava
dormindo placidamente, e um lascivo me despertou. Defendi-me como pude, mas foi
impossível refrear sua paixão, Mags, e eu temo que no final me deixei levar por suas exigências
luxuriosas.
-Oh, Deus. Como pode brincar sobre isso? – exclamou enquanto se levantava e o cabelo
escorrido lhe resvalava sobre os brancos – Alguém tentou te matar a noite, e nos... E nos...
-Fizemos amor desenfreadamente durante toda a noite? – terminou – Sim, já me dei conta.
Aliás, eu não sabia que você era tão sanguinária. Se soubesse que a única coisa que tinha que
fazer para te seduzir era sangrar, deixaria tentarem me matar muito antes.
-Oh, Jerry! – murmurou Maggie levando as mãos nos joelhos, que tinham se inundado de um
vermelho intenso. Começava a se dar conta da enormidade do que havia ocorrido; fez amor
com o duque da Rawlings, e não uma vez, e sim varias. De fato, ainda sentia a cosquinha de
seu contato na pele. E se isso não fosse prova suficiente, os lençóis estavam manchados com
seu sangue. Deus santo tinha perdido a virgindade! E com um homem que nem era seu
prometido.
No que estava pensando? O que tinha feito?
O duque, absolutamente alheio ao suplicio pelo qual a moça estava passando, entrelaçou as
mãos atrás da cabeça e, feliz, ficou com o olhar perdido no dossel da cama. Aquele gesto lhe
provocou certa desavença com seu ombro, mas como ao fazer amor suas articulações haviam
se soltado, apenas notou a ferida.
-Bem – suspirou – E o que vamos fazer hoje, hein, Mags? Quer pegar o trem e ir a Yorkshire
saudar a família? Ou prefere que fiquemos em Londres e vamos fazer compras ou ver algum
espetáculo? Faz cinco anos que não vou ao teatro. Não me importaria de ver um musical... – E,
enquanto falava, olhou a moça e viu que estava tentando por a camisola cujos botões tinham
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
sido arrancados na noite anterior. – Aonde vai?
-Ao meu quarto, é claro – respondeu – Você viu a minha bata?
-Não seria isso? – perguntou o duque levantando uma sobrancelha, enquanto levantava uma
vestimenta que havia em seus pés – Mags, de verdade, acredito que devia te comprar algo
mais atrevido que uma bata de quadros escoceses. Talvez uma transparente, ou com plumas...
Maggie tirou a bata de suas mãos.
-Vamos, cale-se – balbuciou – como não é você que tem que escapulir pro piso abaixo como se
fosse um criminoso...
-E porque vai fazer uma coisa assim? – perguntou o jovem, tentando não começar a rir diante
sua adorável indignação.
A moça o olhou com irritação.
-Por Hill, obviamente!
-Sua criada? – perguntou o duque, levantando as sobrancelhas.
-É claro, quem mais seria? – disse Maggie enquanto metia os braços pelas mangas da bata –
Espero que ainda não tenha se dado conta de minha ausência.
-E o que te importa o que pensam os criados? Siga meu exemplo; se te disserem alguma
impertinência, a despida.
-Despedi-la? – a moça se virou para olhá-lo, com uma expressão de desgosto nos serenos
olhos – Jerry, caso você não saiba, Hill é o único membro de minha família ou... Bem, a única
pessoa de Herbert Park que me apoiou durante os últimos meses. Não posso despedi-la –
continuou, tirando com bruscalidade da manga – Mesmo que, de todos os modos, o mais
provável é que hoje mesmo vá embora por seus próprios pés.
-Por quê? – perguntou ele com curiosidade.
-Porque nenhuma criada respeitável iria querer alguém com eu – respondeu Maggie com certa
exasperação – Se já não fosse suficiente que me cerque de artistas e boêmio, e que minha
família tenha me renegado, agora arruinei completamente a reputação que eu ainda tinha
passando à noite a sós com o duque de Rawlings...
-Como que a sós? Não estamos sós. Não sabe o que me custou tirar toda essa gente que não
parava de entrar e sair.
-Oh, Jerry, o serviço não conta. Estamos sem a companhia de alguém respeitável. Seus tios
deveriam ter voltado de noite, mas algo deve ter os atrasados...
-Graças a Deus... – murmurou Jeremy.
-E se chegam, a saber, que você e eu ficamos sós na mesma casa...
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Imediatamente, passou pela cabeça do duque uma idéia espantosa, e ficou sobressaltado.
-E se souberem? Que importância tem? Não esta preocupada com o que esse frangote vai
pensar né?
-Estou preocupada com o que todo mundo vai pensar, e em especial seus tios, que devem
estar a ponto de chegar – contestou a moça enquanto fechava a bata – E deixa de chamar
Augustin de Veygoux de frangote.
Jeremy abriu a boca para responder, quando alguém bateu suavemente na porta. Maggie se
virou com expressão assustada, e o jovem a olhou levando o dedo indicador aos lábios. –Shhh
– riu entre os dentes – Não se assunte, é Peters. É o único membro do serviço que se atreveria
a despertar a um Rawlings.
Longe de seguir seu conselho de não se deixar levar pelos nervos, Maggie baixou com
prontidão a escada da cama, se emaranhou com a bata e esteve a ponto de cair. Quando
recuperou o equilíbrio, olhou furioso o duque, a quem seu nervosismo parecia ser engraçado.
-Oh, você não tem nada a que temer – gaguejou – Não tem que se preocupar com a reputação
de ninguém.
-Se engana – contestou ele com fingida gravidade – Sua reputação me preocupa muito; tanto
que vou pedir a Peters que distraia Hill para que possa voltar a seu quarto...
-Não – disse entrecortadamente – não o faça...
Mas já era muito tarde; Jeremy estava chamando a seu ajudante, que entrou mancando e
olhou distraidamente a moça sem nenhuma curiosidade – Bom dia, senhor. Senhorita Herbert
– começou, educado – Como vai o ombro, senhor? Ainda dói?
-Nem o noto – respondeu o jovem com calma – A propósito, viu a criada da senhorita Herbert
esta manhã?
-Sim, senhor – o servente tinha se aproximado da janela e começado a abrir as longas cortinas
de veludo – Tomei a liberdade de armar uma pequena confusão lá em baixo que a senhora Hill
esta limpando agora. Se a senhorita Herbert quiser se retirar para seu quarto, esse é o
momento ideal.
Maggie não hesitou nem um instante; avançando sem fazer barulho no chão de madeira, se
apressou ate a porta. Porém a pegar a maçaneta se virou para olhar o duque. Estava sentado
no meio da grande cama com dossel, os olhos brilhantes e a pele morena contrastava
intensamente com os imaculados lençóis.
-Hum - comentou. Deus santo, aquilo era muito incomodo. Tinha acreditado que ele falaria
sobre matrimonio, ao menos sobre amor. Afinal, ela tinha se entregado completamente
enquanto a maioria das moças esperam até depois do casamento. O duque havia sugerido que
fossem ao teatro, mas não havia dito nenhuma palavra de levá-la ao altar.
Oh, céus! Que presunção de sua parte ter pensado sequer...!
-Sim, sim - sorriu ele - Corra, ratinha, antes que o gato te pegue.
Maggie abaixou a cabeça para que os cabelos cobrissem as bochechas rosadas e saiu do quarto
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
se dizer mais nenhuma palavra.
-Lhe felicito, senhor - comentou Peters com jovialidade, quando a porta se fechou atrás dela -
Vejo que finalmente conseguiu...
-Cuidado com o que diz, moço - lhe interrompeu o duque, se o mais leve tem de malevolência -
esta falando de minha futura esposa.
-Com todo o meu respeito...
-Não se preocupe - Feliz, Jeremy se deixou cair entre as almofadas. Mesmo sendo Fevereiro,
lhe parecia que o sol nunca tinha reluzido tanto, e que os pássaros jamais tinham gorjeado tão
maravilhosamente - Peters, que te sirva de lição; já viu que com um pouco de paciência,
ingenuidade e encanto um homem pode conseguir o que quiser.
-Você é um modelo para todos nós, senhor - respondeu o ajudante enquanto pegava o
decantador de uísque que estava na mesinha auxiliar - Mas temo que a criada da senhorita
Herbert vá ser um verdadeiro problema.
-Isso consertaremos depois. Dentro de uma hora, você e eu iremos ao centro para obter uma
permissão especial. E pela tarde, a senhorita Herbert se tornara a décima sétima duquesa de
Rawlings; assim Hill não poderá dizer nada.
Encolhendo os ombros, Peters serviu uma generosa quantidade de uísque.
-Rogo que me perdoe, coronel, mas acredito que não será nada fácil conseguir essa permissão
especial - E, se aproximando da cama, lhe estendeu o copo. Jeremy ficou olhando com uma
sobrancelha levantada.
-Uísque para o café da manhã? - perguntou com curiosidade - Não podem sertão más noticias.
-São sim senhor - respondeu o moço - E acredito que estará de acordo comigo - Depois de
meter o copo entre os dedos de seu senhor, Peters desdobrou o jornal que levava e baixo do
braço e o estendeu aberto para o duque, na pagina de sociedade, na que com grande letras, se
lia o seguinte titulo: “Herói militar volta a Londres para se casar com uma princesa indiana”
Depois de lê-lo, Jeremy levou o copo de uísque a boca e o bebeu em um só gole.
Capítulo 24
-Eu não sei - declarou a baronesa de Lancaster - O azul é mais bonito, mas creio que branco é
mais apropriado.
-Oh, mamãe! - reclamou Fanny, sua filha de dezesseis anos - Só as meninas pequenas vão de
branco, e eu já sou mais velha. Quero por o azul.
-É que... - titubeou a dama - Não me parece adequado. O que você acha, senhorita Herbert? -
Lady Lancaster sorriu com condescendência; a parecer, a jovem estava sonhando acordada. E
o que esperava de uma artista? Lavinia Michaels havia lhe dito que a moça tinha a tendência a
se ensimesmar. Seguramente tinha passado a noite em branco em alguma festa boemia. Mas
o retrato que havia feito da sobrinha de Lavinia era tão bonito! Tinha pintado a jovem de tal
maneira que apenas se notava a papada - Senhorita Herbert?
Era certo, Maggie tinha passado a noite em branco, mas não em uma festa. De fato, ainda não
podia acreditar no ocorrido; havia feito amor com o duque de Rawlings, e não uma vez, e sim
três, o talvez quatro vezes... havia perdido a conta. Aquela tinha sido a noite mais
emocionante e extraordinária de toda a sua vida.
Porém, quando durante o café da manhã abriu o jornal a pagina da sociedade, que somente lia
para conhecer a seus clientes em potenciais, se deu conta de que também tinha sido a noite
mais humilhante.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Ao menos, então entendeu porque o duque não lhe propôs matrimonio.
-Senhorita Herbert? - A dama ficou olhando através do binóculo a jovem sentada na borda da
chaise longue. Não parecia que se encontrava ma; só estava um pouco pálida, mas isso devia
ser pela falta de sono.Por outro lado, com aquele vestido de lã escura e o chapéu seguro a um
gracioso penteado de cachos, seu aspecto era bastante apresentável. Ainda que, é claro, não
tinha o aspecto de alguém da classe de Lady Lancaster para a preciosa senhorita Eterbert era
suficiente.Então, que lhe acontecia? Levava cinco minutos com o olhar fixo na mesma rosa da
almofada.
-Senhorita Herbert - disse Fanny, dando outra insolente patada o chão, fazendo tocar os sinos
dos pastores de Dresde dispostos na lareira.
Isso chamou a atenção da artista.
-Sim? - perguntou a jovem dando um sobressalto.
“Ah, já voltou em si”, Lady Lancaster disse para si mesma.
Maggie só demorou alguns minutos para convencer Fanny de que o branco era a única cor
apropriada para o vestido de uma jovem de quem pintam seu primeiro retrato.
Esquecido isso, marcaram a hora para a sessão; seria na terça seguinte, ás uma e ponto. Pouco
depois, a jovem pintora pegou seus cadernos e seus lápis de colores, e de despediu da
baronesa e de sua filha.
Ao sair a Grosvernor Square, o frio e o cortante vento lhe devolveram cor as pálidas
bochechas. A jovem inspirou profundamente algumas vezes, na tentativa de que o gélido ar a
despertasse antes de pegar o ônibus para voltar a seu estúdio. Sentia como se tivesse uma
terrível ressaca. Era certo que tinha dormido pouco, mas não era a primeira vez que passava a
noite em branco, e nunca tinha se sentido tão desanimada no dia seguinte. Supôs que
descobrir que o homem com quem acabara de perder a virgindade estava comprometido com
outra mulher não devia ajudar muito a recuperar os ânimos. Pela enésima vez aquela manhã,
disse para si mesma que se sua mãe ainda vivesse, seguramente saberia o que fazer.
Mas, então, não tinha ninguém a quem pedir conselho. Nenhuma de suas irmãs lhe dirigia a
palavra e mesmo que o fizessem, tampouco poderia lhes contar seus problemas, pois ficariam
horrorizadas. Sabia muito bem que Hill, que adorava Augustin por tudo que tinha feito a sua
senhora, lhe diria sobre o assunto. Também sabia que, se acudisse a Pegeen, a tia de Jeremy,
que tinha lhe ajudado incondicionalmente com os problemas de sua família, lhe recomendaria
que não deixasse o duque escapar. Assim não tinha ninguém imparcial a quem pedir conselho.
Mais tarde, de volta a estúdio, Maggie observava com ar taciturno o quadro que estava
terminando para sua exposição de sábado; era o retrato de um par de meninos loiros que
sorriam com doçura, agarrados ao colo de um paciente galgo {raça de cachorro} . Estava tão
absorta que não se deu conta de que alguém abria a porta a suas costas, e levou um bom susto
ao ouvir uma voz rugosa que sussurrava a suas costas.
-O que é isso? A alegre madeoiselle Marguerethe parece triste. C´est impossible!
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A jovem olhou por cima do ombro e forçou um sorris ao ver Berangére Jacquard apoiada no
portal da porta, com os braços cruzados sobre o peito. Como era habitual nela, ia vestida a
ultima moda parisiana, ainda que não tivesse a intenção de sair de seu estúdio, ao outro lado
do vestíbulo.
-O que esta acontecendo? - disse estalando a língua enquanto atravessava com elegância o
luminoso estúdio - Acreditava que as mulheres inglesas nunca se permitiam o luxo de se
mostrar chateadas.
-Não estou chateada - respondeu Maggie com um suspiro - Bom... não muito.
-Ah, não? Então é uma grande atriz, princesse. - Berangére mordeu os lábios ao se fixar na
pintura que estava na frente de sua amiga - Ugh! Que horreur! Suponho que pelo menos
devem ser condes, non?
-Este é o herdeiro de um marquesado - lhe corrigiu - E esse outro bebê é seu irmão.
-Entendo. Seu papa e sua maman devem estar muito orgulhosos de seus filhos . Deveria ter os
ter pintado enquanto metiam o dedo no nariz; estou segura de que fazem isso na maior parte
do tempo.
Encolhendo os ombros, se afastou do quadro e se aproximou do parapeito da janela, de onde
Maggie tinha uma garrafa de vinho tinto para ocasiões como aquela. Depois de servir uma
taça, a jovem francesa se aproximou de um sofá baixo em que se amontoavam varias
almofadas e se deixou cair com um delicado suspiro. Todos seus movimentos recordavam
muito a uma gata, pulcra e travessa, e lhe pareceu que tinha um estilo parecido com o da
princesa Usha. Ela, entretanto, se sentia como um grande cachorro de movimentos
desajeitados e deselegantes.
-Vamos, princesse - começou a jovem parisiana, depois de tomar um gole de vinho- Agora diga
a tante Berangére o que a fez sentir tão malheureuse.
-Oh - respondeu Maggie, abatida- Não saberia por onde começar.
-Ah - respondeu sua amiga, olhando a taça de vinho, na qual flutuava um pedaço de cortiça;
com o longo dedo indicador, a tirou com delicadeza - Suponho que não tenha nada a ver com
o golpe que deram em Augustin em na nez da noite, verdade?
Maggie a olhou com surpresa.
-Como você ficou sabendo?
-Lá, e quem não ficou sabendo? - respondeu Berangére Jacquard com um gesto de mão - As
pessoas não falavam em outra coisa.
Maggie soltou um gemido. O edifício em que se localizavam seus estúdios era velho e estava
se deteriorando; ali tinham outros pintores trabalhando e um par de escultores. As duas
amigas eram as únicas mulheres do bloco, por isso era objeto de constantes especulações
entre os demais artistas, que falavam de suas idas e vindas em seus círculos sociais.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Oh, Berangére - disse a moça tampando o rosto com as mãos - O que vou fazer?
-Fazer? - perguntou sua amiga depois de um gole de vinho - Com o que, princesse?
-Com Jerry, é claro! - Maggie levantou a cabeça e prendeu uma mecha de cabelo que tinha se
soltado do penteado, deixando um raio de cor violeta no branco e suave rosto.
Sua amiga sorriu com condescendência.
-Qual o problema com Jerry? Voltou a urinar atrás do sofá?
-Que? - Apesar da desolação que a apreendia, a jovem começou a rir - Oh, não - exclamou -
Não se trata desse Jerry. Não falo do cachorro, e sim de Jeremy Rawlings.
Berangére franziu o cenho, juntando as sobrancelhas escrupulosamente depiladas.
-Jeremy Rawlings? Mas não é esse soldado que rompeu o nez de Augustin? - Ao ver que sua
amiga assentia, a olhou com cumplicidade - Ah, agora começo a entende-lo. Jeremy Rawlings.
Tenho a impressão de ter ouvido esse nome antes. - Berangére deu uns golpezinhos nos
brancos incisivos com um dos longos dedos de unhas perfeitas - De onde escutei esse nome?
-O leu o jornal desta manhã, com certeza - suspirou Maggie.
-Pardon? - perguntou a jovem francesa arqueando uma fina e loira sobrancelha.
-Hoje, na pagina de sociedade, se anunciava seu compromisso com a princesa Usha de Jaipur.
-Ah - respondeu Berangére com cumplicidade - Sim, agora me lembro. Então ele é o homem
por quem esteve suspirando desde que te conheço? - Margaret assentiu, vacilante; não lhe
agradava admitir que sempre fora apaixonada por Jeremy, e muito menos que suspirava por
ele. Sua amiga continuou - Já vi. Não estranho que esteja tão triste. Voltou da Índia com uma
princesa, quebrou o nariz de seu prometido e agora você não sabe o que fazer.
Maggie assentiu de novo.
-Pfuf! - exclamou Berangére. Sempre que algo lhe parecia incrível, fazia aquele curioso som;
era como uma minúscula explosão dos lábios, que lhe levantava os cachos dourados que caiam
sobre o rosto - Eu sempre tinha acreditado que era muito afetada, princesse, mas nunca havia
imaginado que fosse stupide.
-Não sou estúpida - respondeu Maggie em atitude defensiva - Mas é que não seu o que fazer.
Jamais havia me encontrado em tal situação.
-Nunca dois homens tinham brigado por você? - perguntou, surpresa. - Ma pauvre princesse!
Então nunca viveu de verdade. Não há nada mais delicioso do que dois homens brigando por
uma. Faça caso, tem que tentar prolongar essa situação tanto quanto possa.
-Está louca? - exclamou a moça olhando a amiga - Isto é serio. Alguém... tentou apunhalar
Jerry de noite, e ele suspeita de Augustin.
A jovem francesa levantou, e seus delicados traços adquiriram uma expressão de entusiasmo.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Verdade? Trés romantique!
-Romântico? - Maggie encolheu os ombros - É terrível.
-Terrivelmente romantique!Acredita que foi Augustin? - perguntou, perplexa - Nunca havia
pesado que Augustin pudesse matar alguém. Em um duelo, talvez, mas não assim. Porém, com
aquele cabelo tão ruivo não pode ter certeza de nada...
-Berangére! - A jovem cobriu o rosto com as mãos - Não tem nenhuma graça, nem tampouco é
romântico. Alguém tentou matar Jerry de noite e não posso evitar pensar que...
Mas sua amiga a interrompeu.
-Nom de Dieu - sussurrou. E algo em sua voz rugosa fez Maggie levantar a cabeça para olhá-la,
desconcertada. Berangére tinha a vista fixa nela, com os olhos completamente abertos, e uma
expressão de estupefação - Você e Jerry fizeram amor.
-Berangére!
-Não posso acreditar. Ma petite princesse! Não estranho que Augustin tentar matá-lo - A
jovem aplaudiu, entusiasmada - E como foi? Gostou? Não é maravilhoso?
Maggie ficou olhando-a com os olhos muito abertos, consciente de que não valia a pena negar.
-Como... soube?
-Se nota - contestou, encolhendo o ombro.
-Não é verdade! - exclamou Maggie, horrorizada.
-Sim, princesse. Sinto dizê-lo, mas é sim. Só um estúpido, ou o próprio prometido, não se daria
conta.
-Não pude evitar - gemeu, cobrindo o rosto com as mãos manchadas de tinta - Oh, Deus, não
pude evitar. Eu não queria. Nunca tinha acreditado que algo assim pudesse acontecer. Mas me
disse que não estava comprometido!
A jovem francesa ofegou.
-Isso é o que todos dizem.
-Mas eu acreditei! Me disse que a Estrela de Jaipur não era uma mulher, e sim uma pedra
preciosa.
-Não continue - respondeu sua amiga, incrédula - Acredito que com isso já disse tudo.
-Oh, eu coloquei tudo a perder! - se lamentou, se poder conter um soluço - Sei que o busquei,
e que não mereço a compaixão de ninguém. Mas estava segura... acreditava que queria se
casar comigo. Não entendo o que me aconteceu.
-Eu sim.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Maggie levantou a cabeça, piscando, com os olhos inundados de lagrimas. Para sua surpresa,
sua amiga estava de pé a seu lado, com uma taça de vinho em cada mão.
Lhe estendeu uma, e logo a conduziu com delicadeza até o sofá, onde se sentou junto dela, em
um movimento que era um tanto complicado devido as volumosas anáguas de ambas.
-Sei exatamente o que te aconteceu - prosseguiu Berangére - L´amour. Brindemos a ele, o que
te parece? - E dizendo isso, aproximou sua taça a de sua amiga e logo bebeu quase um terço
de seu conteúdo.
Indecisa, Maggie bebeu um gole; nunca tinha tomado vinho antes da hora do chá. Todavia,
tampouco tinha perdido a virgindade antes, assim supôs que a ocasião merecia. Para sua
surpresa, sentiu que o forte vinho lhe esquentava o corpo e a reanimava, assim tomou outro
gole.
-Então... - perguntou com cautela - não me odeia profundamente?
-Te odiar? - Aquela pergunta surpreendeu Berangére a tal ponto que ela esteve a ponto de
derramar o vinho que ainda tinha na boca com uma careta que sua amiga nunca tinha visto
antes. - Porque iria te odiar?
Maggie sorveu o nariz com expressão triste.
-Se minhas irmãs supuserem... o que eu e Jerry fizemos, não voltariam a me dirigir a palavra.
-Tampouco o fazem agora - lhe recordou Berangére - Igual fizeram a muitas mulheres antes de
nós, seu único crime foi se entregar a vida com o talento que Deus te deu - A jovem sacudiu a
cabeça, fazendo oscilar as mechas douradas - É uma artista! Não há nada de mal nisso. Não é o
mesmo que ser uma... uma... - se interrompeu, enquanto se esforçava em pensar na pior
ocupação que pudesse pensar - uma prostituta!
-Não - admitiu Maggie, triste - Mas suponho que para elas, as pintoras levam uma vida
dissipada e escandalosa. E como vê, agora demonstrei que elas tem razão - E, com um
desconsolado suspiro, acrescentou - Sou uma mulher perdida.
Berangére esboçou um sorriso irônico, enquanto se inclinava para trás para apoiar as costas no
encosto.
-Ma chérie. Se você é uma mulher perdida, me estremeço só de pensar o que devo ser. Me
encantaria conhecer suas irmãs, princesse. Como é possível que crescerá em uma família tão
bourgeois e ainda assim tem tanto talento para a pintura?
-Não acredito que minha família seja bourgeois - contestou Maggie, na defensiva - Ao menos,
não mais do que a media. Simplesmente acredito que estou mal dita por ter uma natureza
mais... carnal do que minhas irmãs. Estou certa de que nenhuma delas fez amor com seu
marido antes de se casar. E Anne, menos ainda; é tão melindrosa. Quando minha mãe ainda
era viva, era muito mais... tolerante, mas agora que já não está. parece como se sentisse a
obrigação de me dizer sempre o que tenho que fazer.
-Mas você não lhe faz caso - respondeu a amiga - É muito... como se diz? Oui, carnal. Eu gosto
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
dessa palavra. Sorte que encontrou um marido que é igualmente carnal.
-Augustin? - Maggie apurou a taça de vinho - Augustin não é em absoluto carnal.
-Augustin, não, imbecile - respondeu Berangére - Esse Jerry de quem você fala.
-Jeremy? - A jovem piscou - Mas não posso me casar com ele.
-Por que não?
-Como por que não? Não escutou o que eu acabei de dizer? Por que está comprometido com
outra mulher!
-Pfut! - Foi a céptica resposta de Berangére.
-A Estrela de Jaipur é uma mulher exótica e muito bonita. Você não a viu. É... - Maggie se
deteve justo antes de dizer “como você”. Em vez disso, terminou - Não poderia imaginar.
-Oui, chérie. Mas com quem Jerry passou toda a noite? Com essa pedra, com essa Estrela de
Jaipur, ou com você?
Maggie balançou a cabeça.
-Você não entende? Se, por algum milagre, Jeremy quiser se casar comigo, não poderia
aceitar...
-Por que não?
-Porque estou comprometida com Augustin! Não posso romper meu compromisso sem mais
nem menos. - Maggie estalou os dedos - Não seria justo, sobretudo tendo em conta como se
comportou bem comigo.
-E o que tem? - Berangére entrelaçou os dedos atrás da cabeça, se recostou nas almofadas e
ficou olhando pela clarabóia o invernal céu cinza - Você não lhe pediu para se comportar bem
com você. O fez porque quis. E não tem que se casar com ele por isso. Simplesmente lhe
agradeça e o deixe.
-Mas isso é muito cruel! Deixei que ele acreditasse que correspondia a seus sentimentos, mas
nunca deixei de amar a outro homem.
Sua amiga pôs os olhos em branco.
-É uma estúpida. Case-se com o soldado e pronto. Se quiser, eu me encarregarei de Augustin.
Mas que conste que eu não suporto homens ruivos - concluiu com um expressivo
encolhimento dos ombros.
-A que se refere com que se encarrega de Augustin? - perguntou Maggie com receio.
-Pois isto.
-Quer dizer... - a moça de endireitou - Quer dizer que você...? - De imediato se interrompeu,
perturbada - Oh, Berangére - murmurou - Não deveria...
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A gargalhada de Berangére ressoou pelo estúdio, batendo na clarabóia e estalando contra o
solo de madeira como se fosse de vidro.
-Ma pauvre princesse - exclamou - Te escandalizei!
-Isso é exatamente sobre o que me refiro - respondeu Maggie com tristeza - Não sou uma
princesa, e nunca serei. Você é a única que pensa assim. E Jerry, o soldado, como você o
chama, não é só isso. É um duque. Assim que se me pedir para casar com ele, não poderia
aceitar, porque teria que me converter em...
-Duchesse? - A jovem Jacquard se levantou e deu uma palmada, entusiasmada com a idéia -
Oh, Marguerethe, c' ést magnifique! Serias uma duchesse encantadora. Assim poderá me
convidar a todos os jantares de gala, e os bailes, e conhecerei muitos homens ricos e bonitos! -
exclamou com os olhos cintilantes - Oh! É maravilhoso! A princesse se converterá em
duchesse.
-Não, Berangére - insistiu Maggie - Só sou princesa a teus olhos. De fato, segundo as normas
da sociedade inglesa, sou um completo desastre. Em troca, essa mulher, a Estrela de Jaipur, é
uma princesa de verdade, será melhor duquesa do que eu jamais poderia ser.
Sua amiga, recostando novamente no apoio do sofá, entrecerrou os olhos como se fosse um
gato que, ao descobrir a presa, se concentra antes de se lançar sobre ela.
-Entendo - começou, pouco a pouco - Assim está disposta a renunciar a ele só porque acredita
que não seria uma boa duquesa.
-Não é só por isso. Já te disse que ele nem sequer pediu.
Berangére tinha deixado a porta do estúdio aberta, e ouviram passos na entrada. Nesse piso, o
ultimo do edifício, só estavam os estúdios das duas amigas, assim quem quer que fosse que se
aproximava ia visitar a uma delas.
-E se te pedir? - insistiu Berangére - O que responderia?
Mas Maggie não pode responder, pois nesse preciso instante Jeremy em pessoa entrou pela
porta do estúdio.
Capítulo 25
Jeremy não estava de muito bom humor. Mesmo que fosse compreensível, pois além do que o
Times ter publicado seu compromisso com alguém que ele não tinha a intenção de se casar,
acabaram de tentar assassiná-lo de novo.
Não que isso o preocupasse muito. A verdade é que apenas havia voltado a pensar no ataque
da noite passada e, com todos os problemas que o assediavam, aquilo parecia insignificante.
Mas, ao sair com toda a pressa do escritório do Times, de onde tinha ido exigir uma retratação
publica, uma carruagem esteve a ponto de atropelá-lo.
Uma coisa era tentar apunhala0lo na metade da noite diante de sua própria casa, pois isso
podia se atribuir ao aumento da criminalidade em Londres, e outra muito distinta era tentar
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
aniquilá-lo em frente a redação do jornal. Enquanto se levantava em meio a neva suja e meio
derretida sobre a qual havia se lançado para evitar o atropelamento, o duque decidiu que
tinha chegado o momento de atuar e ordenou a seu ajudante que seguisse Augustin de
Veygoux para determinar se ele estava detrás das tentativas de assassinato. Não temia por sua
vida, mas era muito cansativo ter que andar pela rua se defendendo, atirando-se no chão,
esquivando-se de apunhaladas e cascos de cavalo. Além do mais, se de Veygoux estava
tentando matá-lo, teria uma desculpa perfeita para acabar com ele. Em um duelo mataria dois
pássaros com um tiro só: se livraria de quem tentava assassiná-lo, e Maggie já não teria um
prometido.
-E pelo que te contei, assegure-se de que Maggie não te veja —advertiu o duque a seu criado
—. A única maneira de convencê-la de que esse tipo é quem tem tentado matar-me é
pegando-o em flagrante. Mas se descobrir que o estamos seguindo, pensará que o estamos
acusando e sentirá pena dele.
— Não tema, coronel! —exclamou Peters, erguendo-se—. Pode contar comigo para levar a
cabo a missão. Não falharei.
Feito isso, o Duque voltou para casa, mudou a roupa estragada, colocou algo mais
apresentável e voltou a sair imediatamente. Sua primeira parada foi Dorchester, onde
encontrou a princesa Usha cercada por chapeleiros e alfaiates. Aparentemente, a Estrela de
Jaipur tinha decidido que os sáris eram antiquados e queria fazer um vestido de noiva ao estilo
ocidental. No entanto, era bastante difícil de fazer as encomendas, devido à ausência de seu
intérprete, que pouco antes havia saído para mandar outra carta ao Marajá. Pela mesma
razão, o Duque achou extremamente difícil fazer compreender os seus sentimentos sobre a
notícia que apareceu no Times esta manhã ... pelo menos para a princesa, porque os alfaiates
o compreenderam com perfeição, a julgar pelos olhares trocados quando Jeremy saiu pela
porta. Fazer um vestido de noiva para um casamento com um namorado tão relutante não era
bom, e todos os presentes sabiam disso, à exceção talvez da princesa.
Tendo falhado ao tentar impressionar a Usha com sua manifestação de repúdio, Jeremy
decidiu concentrar-se na igualmente difícil tarefa de encontrar Maggie e reparar as feridas que
podiam ter sido causadas pela notícia. A esperança de que não tinha lido o jornal naquela
manhã havia desaparecido logo após o café da manhã, quando ele tinha ido para o quarto dele
para dar explicações e Hill abriu a porta.
-"Bom dia, Excelência - lhe disse a criada friamente ao recebê-lo - . Miss Margaret já partiu
para sua primeira entrevista. À propósito, parabéns. Espero que você e a princesa sejam muito
feliz. Tenho a certeza que os seus tios estão encantados ...
Jeremy sabia, sem sombra de dúvida, que os seus tios não estariam encantados, mas muito
pelo contrário. Oh, supunha que se a amasse de verdade, a teriam aceito com prazer ... pelo
menos até a princesa se afastar deles por causa do seu absoluto e total desrespeito para com
os sentimentos dos outros; isso acabaria ofendendo a qualquer um.
O interrogatório a obstinada Hill tinha resultado muito decepcionante. Apenas havia
conseguido saber a direção do estúdio da sua senhora, e para isso havia utilizado todos os seus
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
recursos. Pelo menos era melhor do que nada.
Quando ele chegou lá, o duque ficou petrificado, nunca havia visto um edifício mais arruinado,
com exceção talvez de algumas imitações de arquitetura européia em Mumbai. Aquele era o
único a que Maggie podia permitir-se? Nesse caso, tinha uma outra razão para estar chateado
com Sir Arthur; o seu orgulho obrigou a filha a alugar em um edifício inabitável. Não era de se
estranhar que os apartamentos daquele bloco tivessem sido convertidos em estúdios de
artistas; as únicas pessoas que poderiam habitar um lugar como esse eram pintores e
escultores, que viveram em seu próprio mundo.
O jovem tinha conseguido arrancar da criada a direção do estúdio, mas não o andar nem a
porta, por isso o Duque começou a dar voltas pelos longos e escuros corredores, procurando a
menina. Flutuou no ar um forte cheiro de terebentina, misturado com o cheiro de ópio, que o
duque reconheceu por uma breve incursão feita para a Birmânia. Enquanto vagava pelos halls
e corredores, viu muitos artistas pintando mulheres nuas, com modelos robustas e de aspecto
estranhamente desagradável, que se sentavam em um trono de gesso, e o faziam em posições
bastante grosseiras sobre Divãs sujos. Mesmo assim, alguns quadros eram muito bons. De
repente, ao passar pelo estúdio de um homem que não estava pintando uma mulher, mas um
homem nu, Jeremy, foi atacado por uma idéia perturbadora. Maggie havia pintado algum
homem nu? Nesse caso, talvez ele não teria sido o primeiro a quem a menina tinha visto sem
roupas ...
A imagem de Margaret na companhia de um homem nu que não era ele o fez sentir-se muito
desconfortável, e aumentou o seu desejo de encontrá-la em breve. Momentos mais tarde,
colocou a cabeça pela porta encostada de um estúdio no terceiro piso e perguntou a um jovem
que limpava com paciência os pinceis em uma tigela transbordante de cheia.
- Desculpe-me, você poderia me dizer onde encontrar a Senhorita Herbert?
O pintor deu um respingo, virou-se para olhar o visitante e tirou da boca o cachimbo de ópio.
- Você quer dizer, Maggie? Ele perguntou em uma voz surpreendentemente aguda.
-Eh, sim ", - responde Jeremy. Por acaso a menina era próxima de todos esses homens?
Quando se tornar duquesa de Rawlings teria que pôr fim aquele excesso de confiança. - Qual é
o seu estúdio?
-Sexto-piso, porta esquerda - , foi a resposta lacônica. - Mas não se incomode em pedir-lhe que
pose para você. Nem ela nem essa prostituta francesa, não tiram nem o casaco. Acredite em
mim, eu tentei. Ele levou a canalização para os lábios e aspirou com languidez. - Todos nós
pedimos.
Jeremy pigarreou.
-Está bem. Obrigado, de qualquer forma.
-No entanto, se você quiser ir tomar um pouco de vinho, - acrescentou o jovem, quando o
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Duque estava prestes a sair. - As mulheres que pintam são todas iguais, não tiram a roupa, mas
são generosas com o álcool, continuou ele, olhando com ar carrancudo a tela que descansava
sobre um cavalete no centro da sala. - Claro que elas podem pagá-lo. Todo mundo que lhe
pintem um retrato, mas quase ninguém compra uma pintura dos portões da prisão de
Newgate.
O jovem Rawlings desviou o olhar da pintura deprimente.
-Sim. Boa tarde, disse adeus à pressa antes que o pintor pudesse mostrar outra de suas obras
de arte.
Depois de subir três lances de escadas em ruínas, Jeremy ouvir a doce voz de Maggie no final
do corredor. Não entendia o que dizia, nem tinha certeza de com quem falava, mas o coração
deu uma volta de alegria, e todo o resto perdeu importância. Tinha finalmente encontrado
Maggie.
E, com passo firme, passou pela porta aberta do estudo.
Capítulo 26
Maggie o olhou, incrédula. Tinha deixado o número vinte e dois de Park Lane pensando que, se
algum dia voltasse a ver Jeremy, não seria até o final de um longo tempo. Então, vê-lo entrar
do nada em seu estudo lhe causou uma impressão da qual ia demorar a se recuperar.
Não é que o Duque tivesse mal aspecto. Absolutamente. Ele estava vestindo um traje a rigor,
não um uniforme de gala, mas com um traje de noite na moda. Ele usava um casaco preto
forrado com pele de castor sobre uma jaqueta preta e calças também pretas de corte
impecável, camisa branca e colete, e um lenço na lapela. Usava sapatos lustrados e luvas
brancas, impecáveis. Segurava um chapéu na mão e parecia que ele tinha tentado pentear-se,
porém, ficou claro que nem mesmo a melhor cabeleireira poderia controlar seus cabelos.
Apesar disso, para Maggie parecia incrivelmente bonito.
A menina olhou furtivamente para Berangére, que, a julgar pela expressão de admiração com
que olhava o duque, devia estar pensando a mesma coisa.
-Oh, aí está você, - ele disse com indiferença, como se acabassem de se encontrar na rua. -
Posso entrar?
-Ah, isso, oi - gaguejou Maggie, deslocando o olhar de sua amiga ao duque. - O que aconteceu?
- Presumia-se que estava zangada com ele, muito zangada! Tinha-lhe roubado a virgindade ...
na verdade, não podia negar que ela a havia entregado, mas acreditou que não teriam que
discutir por essas minúcias. Fosse como fosse, ela estava lá, Levantou-se com dificuldade do
sofá e arrumou a saia. Quando percebeu que vestia a bata de pintar sobre o vestido, apressou-
se a desamarrá-lo. Enquanto isso, pensava: 'Este homem te enganou. Te julgou com
premeditação e maldade. Você não deve se mostrar amável com ele. "
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
- Quer uma bebida? gaguejou pondo todo seu empenho em soar indiferente com ele. - Um
pouco de vinho, talvez?
"Eu adoraria, muito obrigado",- respondeu Jeremy. Mas o Duque já não a olhava. Após entrar
no amplo estúdio de teto alto, começou a olhar com curiosidade as inacabadas pinturas que
estavam apoiadas nas paredes, as prateleiras de madeira com obras concluídas, o acolhedor
fogo crepitante na estufa, a tigela para limpar os utensílios cujas bordas estavam manchadas
com tinta, e especialmente para a jovem loira que, com atitude felina, estava recostada no
sofá em frente da janela.
-Olá- se dirigiu a Berangére.
A menina sorriu com uma expressão sedutora.
-Olá. Você deve ser Jerry - respondeu, fazendo vibrar os dois "r" com sensualidade, apesar da
olhada de advertência de sua amiga.
- Isso mesmo? - respondeu o duque. - E você, quem é?
-Se chama Berangére Jacquard- falou Maggie com um tom áspero do que teria gostado, - e
estava prestes a sair. - Tanto Jeremy como Berangére se voltaram para olhar para olhá-la,
piscando, assim não restou outro remédio a não ser proceder as apresentações. - Excelência,
permita-me lhe apresentar a Mademoiselle Jacquard. Mademoiselle Jacquard, sua excelência,
Jeremy, Duque de Rawlings.
A pintora estendeu a delgada mão ao duque.
-Je suis enchantée - sussurrou em um arrulho.
-O prazer é meu ", disse Jeremy enquanto guiava a mão estendida e a levava aos lábios.
Maggie percebeu que, com cavalheiresca galanteria, deu um beijo no ar a poucos centímetros
da mão da menina. No entanto, não a soltou em seguida, mas parecia analisá-la.
- Está posando para um retrato, Mademoiselle Jacquard?
-Moi? - A garota riu com aveludada voz. - Non, non…
-Berangére era uma de minhas colegas de classe na Academia de Paris. - Maggie interveio
imediatamente. - E como eu veio a Londres para tentar a sorte com a pintura de retratos. Tem
um estúdio alugado do outro lado deste vestíbulo. Na verdade, estava prestes a regressar ao
trabalho, não é, Berangére?
Durante todo esse tempo, a jovem Jacquard não havia parado de olhar para o rosto de Jeremy,
e ele não lhe havia soltado a mão.
—Il est superbe, princesse —lhe disse sua amiga. — Un duc diabolique. Vous étes une vraie
imbécile.
Maggie fechou os olhos e agradeceu a Deus por dentro de que seu amante não falava uma
palavra de francês.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
-Perguntei-lhe se estava posando para um retrato, mademoiselle Jacquard, porque não vejo
restos de tinta em seus dedos. -O Duque continuou a considerar a mão da pintora com um ar
pensativo. - Maggie sempre as tem manchadas.
-Ah - exclamou Berangére. - É que, ao contrário Marguerethe, ponho luvas para pintar. As
substâncias com as quais trabalhamos, como a terebentina ou óleo de linhaça, são muito
agressivas para a pele delicada das mulheres, e eu quero manter as mãos o mais suave
possível.
Que estupidez era aquela? Maggie arrancou seu avental pintura. A ela lhe partia o coração, e
esses dois falando sobre a pele das mãos de Berangére! Tinha que acabar com aquela conversa
imediatamente.
- O que te traz por Chelsea, excelência? - Perguntou enquanto enrugava o avental e o jogava
desconsideradamente em um canto, antes de se aproximar da mesa onde guardava o vinho
para servir a Jeremy.
O Duque se endireitou e pegou a taça com uma mão enquanto balançava o chapéu com a
outra.
-Eu pensei que poderia passar por aqui para perguntar-lhe o que vai fazer esta noite. Tenho
duas entradas para o balé, e eu pensei que poderíamos ir jantar ...
- Para o balé? Repetiu Berangére, endireitando-se.
Jeremy olhou sobre o ombro, era evidente que não entendia a mademoiselle Jacquard, nem a
sua amizade com Maggie.
-Sim, - respondeu voltando sua atenção para Maggie. - O balé. E antes ou depois, poderíamos
ir jantar.
A jovem mulher francesa se recostou no sofá de modo que pudesse olhar para o duque sem
que ele a visse.
-Je l'adore! Sussurrou para sua amiga com descaro.
Maggie, consciente de que comparada com ela devia parecer um completo desastre, com as
mãos e o rosto, ainda que não soubesse, manchadas de pintura, e um vestido de lã um tanto
desbotado, decidiu que havia chegado o momento de deixar de fingir o papel de anfitriã.
—Não creio que seja apropriado, excelência, que se deixe ver acompanhado de outra mulher
que não seja sua prometida —ela alfinetou com aspereza.
Jeremy tomou um gole de vinho.
—Oh —contestou com exasperante naturalidade—. Não se preocupe por isso. Já cuidei desse
pequeno detalhe.
—Pequeno detalhe! —repetiu Maggie com incredulidade. Do sofá, Berangére movia a cabeça
de um para outro como se estivesse num teatro—. Jerry, esse pequeno detalhe é a futura
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
duquesa de Rawlings!
—Não —negou o duque—. Não é não.
—Ah, não? —Maggie se sentia a ponto de explodir. Como se atrevia a negar o que ela e todos
os demais leitores do jornal mais famoso do mundo haviam lido aquela manhã?—. Pois será
melhor que diga aos redatores do Times, porque, diferente de mim, eles não acreditaram na
sua ridícula desculpa de que a Estrela de Jaipur não é uma mulher, mas sim uma pedra.
—Me agrada esta parte —comentou Berangére do sofá—. Me refiro a parte da pedra. A
considero muito imaginativa.
—Não é imaginativa —resmungou o jovem—. É a verdade. E não é uma pedra qualquer, é uma
safira. De vinte e quatro quilates, para ser exato.
— O senhor disse vinte e quatro? —exclamou a jovem francesa, endireitando-se—. Vinte e
quatro?
—Vamos, não me venha com historias —alfinetou Maggie com as mãos na cintura—. A Estrela
de Jaipur mede mais ou menos um metro e cinqüenta e pesa uns quarenta e cinco quilos, tem
olhos escuros, pés muito pequenos e um intérprete pessoal, que é sem dúvida de quem eu
necessitaria, pois sem saber muito bem como, me tornei a amante do homem com quem vai
se casar.
—Você não minha amante — resmungou o duque, que fazia evidentes esforços para manter a
calma—. Nem tão pouco vou me casar com ela.
Maggie arregalou os olhos.
—Entendo. Suponho que acontecem tão poucas coisas no mundo que os redatores do Times
não tem mais o que fazer a não ser inventar historias para entreter seus leitores…
—Eu não disse que inventaram — ele a interrompeu—. Só disse que a informação era
incorreta. Ademais, já falei com os responsáveis, e se retratarão do que publicaram na edição
de amanhã.
—Oh, claro que sim —replicou Maggie com sarcasmo—. E também caíram do céu safiras de
vinte e quatro quilates.
—Está vindo alguém —disse Berangére de pronto, endireitando-se no sofá.
Jeremy ignorou seu comentário.
—Acreditas de verdade que tenho a intenção de te transformar em minha amante? —
perguntou com evidente tom ferido, em com a voz mais baixa.
Maggie desviou o olhar de seu rosto. Se alguém lhe tivesse formulado a mesma pergunta meia
hora antes, havia dito que sim. Porém naquele momento, olhando o rosto sério do duque e
sua expressão quase desesperada, se recordou das horas que haviam passado juntos, do modo
em ele a abraçava e não pode evitar pensar que…
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Augustin! —exclamou Berangére em um tom de alvoroço, levantando-se do sofá num salto.
Maggie se virou; de pronto, lhe zumbiam os ouvidos. Não era possível. Aquilo não podia estar
acontecendo.
Mas estava. Augustin estava de pé na porta com o guarda chuva e a bengala em uma mão e
um buquê de rosas brancas na outra. Por estar discutindo com Jeremy, ela não havia ouvido
seus passos no corredor.
—Boa tarde — disse de Veygoux com um tom levemente doído. Não era de estranhar que se
sentira ofendido, pensou Maggie ao desviar a vista do terno de seu prometido, que também
estava bem vestido. Ao olhá-lo no rosto, Maggie apenas pode engolir um grito ao ver os
hematomas ao redor dos olhos, e o inchaço no nariz. Havia algodões manchados de sangue
nos orifícios nasais e depois de subir seis lances de escada, respirava com dificuldade.
E aquele era o homem a quem Jeremy acusava de tentar matá-lo! Era evidente que aquele
jovem quase inválido estava tão dolorido que havia sido incapaz de brandir um punhal ainda
que houvesse querido. Oh, não que culpasse o duque por suspeitar dele, mas a idéia era
absurda. Não era seu prometido quem havia tentado matá-lo, ele não era capaz de algo
semelhante…
Pobre Augustin! Que mal se havia comportado com ele! Então Maggie se deu conta de que
não podia encarar seus olhos. O que iria fazer?
Tão cavalheiro como sempre, de Veygoux entrou no estúdio e, com uma inclinação de cabeça,
estendeu a sua prometida o ramo de rosas.
—Para ti, ma chérie —disse, e a Maggie não lhe passou desapercebida a olhada furtiva que ele
dirigiu ao Jeremy, como se ele o desafiava a contradizê-lo—. Minhas desculpas pelo que
ocorreu ontem a noite. Lamento que tenhamos que interromper a maravilhosa festa por
aquele … desafortunado incidente.
Maggie pegou o precioso ramo e agradeceu para si mesma que a florista se preocupou em
tirar os espinhos dos talos, ainda que soubesse que sua terrível traição merecia castigo pior
que uns espinhos. Oh, Deus, como iria contar a ele o que ocorreu? Sabia que aquilo iria feri-lo
muito.
—Eh —começou, com um arrependimento tão profundo que quase lhe dava náuseas.
Contudo, confiava que ele não notava muito. Ela lhe diria mais tarde, disse para si mesma,
quando estivesse sozinhos—. Muito obrigada. Não precisava fazer isso, sou eu quem devo me
desculpar …
—Não —interveio Jeremy com sua voz grave e calma. Maggie lhe lançou um olhar de
advertência, temendo que repetisse a desastrosa cena da noite anterior. Contudo, o duque
seguiu falando com um tom de extraordinária cortesia—. Sou eu quem deveria pedir
desculpas. Me comportei de forma vergonhosa com o senhor de Veygoux. Quero lhe
apresentar minhas mais sinceras desculpas —terminou enquanto estendia as mãos.
Augustin não foi o único que lhe olhou com incredulidade. Tanto Maggie como Berangére,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
trocaram olhares rápidos, se voltaram também para ele, perplexas. “Que demônios
pretende?”, pensou Maggie, abrumada. Por acaso a malaria lhe havia danificado seus miolos?
Era possível que queria fazer amizade com seu prometido? Mas por que?
De Veygoux foi o primeiro a recobrar-se; se inclinou adiante e apertou a mão do duque.
Nenhum dos homens deixou transparecer seus sentimentos, porém Maggie supôs que
guardavam rancor.
—Aceito suas desculpas, excelência —disse o francês com cordialidade—. Devo lhe dizer que
me alegra que se mostre tão protetor com mademoiselle Marguerethe. Suponho que está
sabendo que ninguém de sua família a apóia, assim é bom saber que ao menor existe alguém
cuidando dela.
—Todavia, acredito que ontem fui longe demais —respondeu Jeremy com aspereza enquanto
soltava as mãos, ruborizado pelas palavras do francês—. Maggie sempre foi... eh.... como um
irmã para mim. E bem, só quero que ela seja feliz.
—Eu também, excelência —assentiu o jovem levando um braço ao redor dos ombros de sua
prometida e dando-lhe um apertão. Olhando-a com adoração, repetiu—. Eu também.
Margaret forçou um sorriso. Oh, Deus, aquilo iria ser terrível.
—E bem? —disse de pronto de Veygoux, com um tom de voz excessivamente alegre em
comparação com o clima que reinava no estúdio—. O que o traz aqui, excelência? Queria ver a
artista trabalhando? Aqui tem coisas maravilhosas. Veio em um bom momento, a manhã
empacotaremos tudo para levarmos a Bond Street. Sabia que no sábado inauguramos uma
exposição com suas obras em minha galeria? Virá a inauguração, verdade?
—É claro — respondeu o duque, olhando Maggie, que lhe fazia sinais com a cabeça
desesperada para que recusasse o convite—. Eu não perderia por nada.
—Ótimo —exclamou o francês—. Não tenho a menor dúvida de que será um sucesso. Não me
surpreenderia que lhe pedisse que expusesse na Academia Real de Artes no próximo mês de
maio. Absolutamente não me surpreenderia. Nem tão pouco que recebesse uma encomenda
do reino. Esta senhorita é excepcional.
—É claro que é —afirmou o duque, sem tirar os olhos de cima de Maggie.
De repente, Augustin pareceu se dar conta da direção do olhar de Jeremy, e que sua
indiscrição havia ruborizado sua prometida.
—Veio ver as pinturas de Marguerethe, verdade, excelência? —perguntou com aspereza.
O coração de Maggie deu um pulo com a expressão de Jeremy, de quase diabólica
complacência. “Ai meu Deus —pensou desesperada—. Ele vai lhe dizer!” Ela desejava que seu
prometido soubesse do que aconteceu, mas não daquele modo.
—De fato —começou o duque—. Vim…
—Sua excelência veio me ver—lhe interrompeu Berangére no meio da frase, que havia
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
levantado imediatamente do sofá—. Ora, porque me olham tão surpresos? —exclamou rindo
ao ver que todos, incluído Jeremy, se voltaram para ela, incrédulos. A jovem balançou a cabeça
as mechas douradas lhe caíram na face; se postou ao lado dele e segurou seu braço com
ambas as mãos. Era tão pequena que, comparada com o duque, tão alto, atlético e corpulento,
parecia uma boneca. Maggie não pode evitar pensar no par que faria com a princesa Usha, e
sentiu como se lhe atravessassem o coração com uma faca—. Ele vai me levar para jantar. Os
duques também comem, sabiam? Igual aos demais mortais.
Augustin sorriu, manifestamente satisfeito com o rumo que haviam tomado os
acontecimentos.
—Que coincidência —exclamou. — Marguerethe e eu também vamos sair para jantar. —E, ao
ver o olhar confuso de sua prometida, acrescentou com tom ofendido—. Não esqueceu, certo?
Nos prometemos ao Lord e Lady Mitchell que jantaríamos com eles. E se não quisermos chegar
tarde, será melhor que te acompanhe a sua casa para que se troque de roupa, chérie. Meu
chofer nos está esperando embaixo. Estás pronta?
Maggie começou a sentir pontadas de dor de cabeça por trás do olho direito.
—Sim, claro —respondeu, evitando o olhar de Jeremy—. Só me deixe pegar o casaco.
“Por favor —começou a rezar para si mesma—. Meu Deus, não no permitas que ele diga nada
a Augustin. Por favor, no deixe que diga nada como "Nos veremos em casa, certo, Mags?".
Quero contar o que houve a Augustin da minha maneira, no momento oportuno”
—Então, boa noite —disse o jovem Rawlings afastando-se para deixá-los passar.
—Bonsoir —respondeu de Veygoux, pegando Maggie pelo braço e conduzindo-a pela porta.
—Boa Noite —murmurou ela, com a voz tão baixa que duvidou se o duque pode ouvi-la.
Quando estavam a ponto de chegar nas escadas e Maggie acreditava que estavam a salvo,
ouviu a voz de Jeremy, que dizia:
—Oh, certamente. — Maggie se paralisou no primeiro degrau. — Nos veremos em casa, certo,
Mags?
CAPÍTULO 27
—Estás fazendo tudo errado —comentou Berangére enquanto comia outro camarão.
Do outro lado da mesa, Jeremy estava sentado com o queixo apoiado na mão, e com o
cotovelo junto da tigela em que a jovem francesa despejava a casca dos crustáceos que
devorava com admirável apetite. No que dizia ao jantar, o duque não conseguiu ingerir nada
mais que duas doses de uísque. Berangére, ao contrário, havia engolido uma dúzia de ostras,
uma terrinha de caviar, e aquela era sua segunda fonte de mariscos.
—Não tenho dúvida de que estou fazendo algo errado —concordou o jovem com amargura—.
Estou sentado em um restaurante que não suporto, com uma mulher que não conheço, e
gastei uma fortuna em um par de entradas para o balé que não vou utilizar. Enquanto isso, a
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
mulher que amo está Deus sabe onde com um homem que está tentando me assassinar. Sim,
tenho a impressão de que estou fazendo algo errado.
Com sua graça habitual, Berangére terminou de mastigar, e pegou a taça de champanhe.
—É uma pena que não use as entradas —disse depois de esvaziar o conteúdo da taça—.
Depois do que lhe custou consegui-las. As entradas para este balé se esgotaram faz semanas.
Onde as comprou?
Jeremy encolheu os ombros.
—paguei uma fortuna a uma vendedor ambulante.
A francesa ficou olhando para ele e soltou um carinhoso “imbécile”.
—Como disse? —perguntou o duque, piscando.
—Você ouviu. Gastou uma fortuna com dois ingressos e Marguerethe nem sequer gosta de
balé.
—Ah, não? —inquiriu, céptico—. Eu acreditava que isso encantava todas as mulheres.
—Béte — lhe acusou a jovem francesa enquanto pegava outro camarão. — A Marguerethe,
não. Diz que ver essas mulheres dançar na ponta dos pés a faz sentir como um elefante. —
Meteu os dedos por dentro da casca do camarão e num instante estava com a suave carne
entre seus dedos—. Eu sempre me encanto com a pompe do balé. Creio que poderia ter sido
uma grande bailarina. Sou muito magra e tenho os pés bonitos —disse vaidosa, olhando seu
acompanhante—. Quer eu te mostre, Jerry?
Jeremy a olhou e piscou. Berangére era uma mulher muito charmosa, inclusive mais que
Maggie, ainda que nem tanto como Usha. Tinha o cabelo dourado, a pele de porcelana,
impressionantes olhos azuis e uma boca rosas no forma de um arco do cupido. Aquela noite, a
jovem tinha insistido em que parasse em sua casa para que pudesse se trocar para o jantar, e
ao vê-la sair do toucador com um vestido de noite, o duque se deu conta de que, ainda que
delicada como uma menina, a figura de Berangére não tinha nada de infantil; tinha os peitos
pequenos mas empinados, a cintura fina e nádegas bem definidas cujo tecido rosa de seda as
tornava ainda mais atrativas. Em qualquer outra circunstancia, o duque teria pulado da cadeira
diante do seu convite de olhar os pés de uma mulher como Berangére Jacquard.
Contudo, naquele momento, tinha tanta vontade de fazê-lo como de assistir o balé.
A jovem francesa não se mostrou nem um pouco ofendida por seu desinteresse. De fato,
pareceu encantada.
—Ah —disse mordendo o camarão—. Me parece muito bem.
O duque a olhou com uma expressão triste. A orquestra havia começado a tocar uma polca e,
no cenário, as bailarinas levantaram os calcanhares e agitaram as saias, revelando as meias
pretas.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
No sabia se era por causa do uísque, do barulho, ou pelo fato de que Maggie estava em algum
lugar de Londres com outro homem, mas o jovem começou a sentir dor de cabeça.
—O que disse?
—Que me parece muito bem —repetiu Berangére—. Por Marguerethe.
—Me alegro de que te pareça bem —respondeu o duque rindo com amargura—. O problema
é que Maggie não parece pensar o mesmo.
- Esse não é o problema.
Jeremy ofegou.
— O problema é esse francezinho.
—Não, esse também não é o problema —replicou a jovem com a testa franzida.
—Não irás me dizer agora que o problema é Usha —disse o duque arregalando os olhos.
—Não. O problema é Marguerethe.
—Maggie? —perguntou olhando a jovem francesa com curiosidade—. A que se refere?
Então foi Berangére quem arregalou os olhos.
—Mon Dieu! Pensa um pouco, Jerry.
—Pensar não é meu forte — ele disse com franqueza—. Me dou muito melhor em destruir as
coisas com as mãos.
Ela ficou olhando as mãos grande e bronzeadas que pegavam o copo de uísque e limpou a
garanta, incomodada.
—Sim, já percebi. Mas estamos falando de amor, e não de sufocar uma rebelião. Para seduzir
Marguerethe é preciso finesse, e não socos.
—Me ajudarias a conquistar Maggie? —ele perguntou com receio.
A jovem parecia surpresa.
—Ela é minha amiga —respondeu, indignada.
—De verdade? —inquiriu Jeremy cético—. Mas nem sequer a chama por seu verdadeiro
nome.
—Non —objetou a moça com segurança—. É você que não a chama pelo seu verdadeiro
nome. Ela se chama Marguerethe, e não esse horrível som gutural de Maggie —argumentou,
dando de ombros—. Ah! Nunca vou entender como é possível que os ingleses escolham
nomes tão bonitos para logo arruiná-los…
—Está bem. —O duque a interrompeu antes de que pudesse começar outro discurso acerca da
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
superioridade da cultura francesa sobre a inglesa. Durante aquela noitada já teve que suportar
vários desses sermões—. Concordo. Dizias que Maggie é tua amiga.
—Sim. E eu quero que minhas amigas sejam felizes —começou a francesa dando de ombros
graciosamente—. Especialmente ela. É a moça mais doce e bondosa que já conheci —explicou
enquanto balançava de forma irritante sobre outro camarão—. Sua família a tem tratado de
uma maneira horrível. As vezes entro em seu estúdio e a encontro chorando, chorando!,
diante do cavalete. E por todo o modo em que seu pai e essas suas irmãs sujas, bah!, a
abandonaram, quando podia ser tão fez, agora que tem seu talento reconhecido. —Berangére
fixou os olhos em seu acompanhante—. Gostaria muito de vê-la feliz. E se para isso necessita
de você, farei o que estiver em minhas mãos para que consiga … ainda que isso signifique
conspirar contra ela.
Jeremy se viu piscando de novo, olhando perplexo a jovem francesa. A veemência com que
havia se expressado lhe recordava um pouco sua tia… contudo, sabia que Pegeen nunca se
havia oferecido para lhe mostrar os pés em um restaurante.
—Estou de acordo. O que sugere, então?
A primeira sugestão de Berangére foi pedir outra garrafa de champanhe; pois tinha sua taça
vazia. A seguinte, era que devia convencer a família Herbert para que aceitassem a decisão de
Maggie de que se dedicara profissionalmente a pintura de retratos.
—E, como supõe que devo fazer isso? —inquiriu o jovem, resistente.
A jovem sorriu enquanto o garçom servia o champanhe.
— E eu que sei! —exclamou quando este último se retirou—. És um duque. Não podes
ordenar-lhes que o façam?
—É claro de não —replicou Jeremy. Berangére pareceu surpresa.
—Então, que graça tem ser duque se não podes obrigar as pessoas a fazer o que desejas?
—Nenhuma. Isso é que eu tento fazer as pessoas entenderem. Tudo isso é uma mentira.
—Hum. —A jovem francesa bateu impaciente na sua taça de champanhe—. Pois isso não pode
acontecer. Marguerethe necessita da aprovação deles, entende? Diferente de mim, lhe
importa muito o que suas família pensa dela. O fato de que não falam com ela lhe tem feito
muito dano. Eu acredito que se apega a Augustin porque é a única pessoa que esteve ao seu
lado quando seu pai lhe deu esse … Como se diz? Ah, sim, ultimato. Por isso, se conseguires
fazer-los mudar de opinião, conseguiríamos transferir essa gratidão de Augustin para ti.
—Por quê?
Berangére revirou os olhos.
—Stupide! Porque para que deixe de se sentir em dívida com Augustin, tem que se sentir grata
a outra pessoa. Se conseguir lhe devolver o amor de sua família, se dará conta do grande favor
que você lhe fez e vai querer te oferecer algo em troca.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Certo —assentiu o duque—. Farei isso. —Ainda que não saiba como, porém terei que fazer.
Farei o que for—. Alguma outra idéia?
Berangére baixou a taça na mesa.
—Oui. Tens que pedi-la em casamento. Estou certa de que um moça como Marguerethe
gostaria, sobretudo depois de ter feito amor pela primeira vez. —A francesa olhou o duque
com cumplicidade—. As jovens inglesas são muito antiquadas.
Jeremy arqueou uma sobrancelha. Assim que Maggie a havia contado que tinham feito amor?
Santo Deus, não tinha nem idéia de que as mulheres conversavam sobre essas coisas.
Por acaso não lhe havia pedido em casamento aquela manhã? Depois de refletir um instantes,
se deu conta de que talvez não. Estava difícil de se lembrar. Haviam feito amor meia dúzia de
vezes e logo…
Não, não havia proposto. Que falta de consideração! Não lhe estranhava que estivesse tão
aborrecida.
—Eu farei —disse olhando a francesa—. E agora, posso perguntar algo?
—Claro —respondeu Berangére com uma respeitosa inclinação de cabeça.
— Qual é a verdadeira razão que te move a me ajudar? —disse encarando-a—. Não será
porque assim podias dizer a todo mundo que és amiga da duquesa de Rawlings?
—Mas é claro —sorriu Berangére - é claro que sim.
CAPÍTULO 28
Quando Maggie chegou em Park Lane, estava cansada e com dor de cabeça. Foi um verdadeiro
alivio entrar em seu quanto e fechar a porta, mesmo que tenha estranhado não ter se
encontrado com Jeremy na escada. Não se atreve a perguntar a Evers se sua excelência estava
em casa, pois não queria chamar a atenção para o fato de que provavelmente voltariam a
passar a noite sozinhos na mesma casa.
Todavia, depois da desagradável cena no seu estúdio, era possível que Jeremy tivesse
encontrado outro lugar onde dormir. Com a princesa, por exemplo.
Maggie tentou com todas suas forças deixar de pensar nele; não era assunto seu. Por ela,
podia até dormir no pé da cama de Usha. A único coisa que queria era ir para cama, sozinha.
Porém, antes teria que se livrar de todas esses grampos que Hill lhe havia colocado para tentar
controlar a cabeleira de cachos escuros e pentear o cabelo; seu couro cabeludo doía.
—Hill? —chamou ao entrar em seu quarto. Alguém havia acendido a lareira e preparado a
cama, mas não havia nem rastro de sua criada. Jerry, o cão, saltou dentre as almofadas da
cama e rodeou sua dona latindo com entusiasmo.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Bonsoir, Jerry —disse Maggie enquanto lhe carregava no colo e coçava suas orelhas—. Ça
va? Hill já te levou para passear? —Pelo modo que o cãozinho havia relaxado a cabeça
enquanto lhe acariciava, era evidente que não tinha vontade de sair—. Já vi que sim. E onde
está agora, hein? Aposto que está lá embaixo.
Maggie tocou o sino apenas uma vez. Sentou-se no toucador, pôs Jerry no colo e começou a
tirar as luvas compridas que iam até os cotovelos. Pensou que tal vez fosse melhor tirá-las sem
a criada; no queria ter que suportar outro discurso sobre a situação inapropriada de
permanecer naquela casa sem Lord e Lady Edward. Ao chegar e perguntar a Evers, este lhe
havia confirmado que os senhores ainda estavam em Yorkshire e, a julgar pelo modo em que
havia desviado o olhar ao pegar o casaco da jovem, era evidente que o mordomo desaprovava
aquela situação tanto como Hill.
Outra mancha em seu bom nome; um final digno de horrível dia como aquele.
Maggie franziu o cenho enquanto despejava as luvas e começava a tirar as jóias. Havia sido
uma noitada horrível. O que havia começado como um grande incômodo terminou sendo
simplesmente espantoso. Augustin, decidido a demonstrar-lhe que mesmo que o duque lhe
tivesse arruinado o nariz não lhe havia ferido o ânimo, havia insistido em lhe levar de um local
a outro depois de jantar, sem ter em conta nem sua dificuldade para respirar, devido aos
algodões que lhe tapavam o nariz, nem o cansaço de sua prometida. Maggie nem sequer se
deu ao trabalho de fingir que estava bem, pois parecia que aquilo não importava a de
Veygoux; havia decidido confortá-la, e estava resolvido a fazê-lo. Era como um homem
possuído pelo demônio.
E Maggie sabia muito bem que esse demônio era Jeremy Rawlings.
A jovem entendia Augustin, e não lhe culpava pelo que queria fazer. Compreendia seus
sentimentos… ou ao menos nisso acreditava. Devia ser humilhante para um homem receber
um soco na presença de sua prometida. Ademais, não pôde devolver-lhe o golpe, pois o duque
o havia derrubado de primeira. Como se isso fosse pouco, no dia seguinte Jeremy lhe havia
pedido desculpas, de modo que de Veygoux nem sequer pode desafiá-lo; ainda que jamais
teria sobrevivido ao duelo. Fosse qual fosse a arma que tivesse escolhido, a pistola, a espada
ou o corpo a corpo, o duque de Rawlings teria acabado com ele sem nenhuma dificuldade.
Pobre, pobre Augustin. Nem mesmo sabia que havia sido derrotado em outra arena… e em
momento algum durante toda a noite Maggie teve a intenção de contar-lhe. Ou, talvez aquilo
não foi de todo certo, mas não tinha encontrado o momento oportuno… se é que há um
momento oportuno para confessar ao homem com quem estava prometida que havia perdido
a virgindade com outro.
Aquela noite, o jovem francês parecia estar de muito bom humor, e não cessava de falar com
entusiasmo sobre a exposição de sábado e dos planos do futuro para sua carreira de pintora.
Essa conversa evitou a Maggie ter que responder a perguntas embaraçosas sobre o
comentário de Jeremy quando haviam saído do estúdio. Se a tivesse interrogado, ela decidiu
assegurar-lhe, sem importar se fosse verdade, que a tia do duque havia regressado de
Yorkshire, motivo pelo qual não haveria nenhum inconveniente para que dormisse em Park
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Lane. Contudo, a cegueira de seu prometido ao que ocorria diante de seu nariz quebrado não
deixava de ser estranha. Era possível que de Veygoux não estivesse tão apaixonado dela como
acreditava? Havia alguma possibilidade de que sua relação acabaria em uma boa amizade?
Não, deixar Augustin sem ferir seus sentimentos era pedir demais. Essas coisas não
aconteciam; não choviam safiras de vinte e quatro quilates, os duques não deixavam uma
princesa por uma pintora, e as senhoritas não podiam abandonar seus prometido sem romper-
lhe o coração.
Ao pensar naquilo, lhe ocorreu que Jeremy devia estar coma princesa. O duque não era o tipo
de homem que passa a noite sozinho. Assim que, sem não estava com ela, com quem estava
então? Depois da forma desagradável que o havia tratado no estúdio, como iria querer passar
a noite com ela? Não cabia duvida de que Maggie no havia feito nada para dar-lhe a entender
que seria bem-vindo em sua cama.
E, claro, ele não era. E ela o iria demonstrar. No dia seguinte, pediria um empréstimo a
Augustin que poderia devolver-lhe depois da exposição, e se mudaria para um hotel. Ao
Dorchester não, claro. Certa de que seu prometido poderia dar-lhe a referencia de um hotel
decente; assim não teria que voltar a pensar em armas e princesas. Viveria por sua conta,
como quando estava em Paris. Diria ao duque que, por ela, podia ficar com sua charmosa
princesa. Seria melhor assim. Muito melhor.
A jovem esboçou um sorriso ao recordar a surpresa que foi aquela manhã ao despertar-se nos
braços de Jeremy… ou melhor dizendo, com Jeremy dentro dela! Lhe parecia escandaloso, mas
também maravilhoso. Como seria despertar cada manhã ao seu lado, sentindo sua doce
respiração no seu cabelo? Valeria a pena?, se perguntou enquanto afrouxava o corpete de
cetim rosa. Compensaria despertar cada manhã entre os braços de Jeremy os inconvenientes
de ser duquesa? Não estava segura.
Maggie deixou os brincos na prateleira de cristal da penteadeira e se levantou. Depois de
desabotoar os colchetes das costas, tirou o vestido deixando-o cair no chão e começou a
desatar a cinta da roupa de baixo. Talvez Jeremy tivesse razão. Talvez pudesse ser duquesa e
continuar pintando. No fim das contas, inclusive a rainha fazia isso de vez em quando. Não
organizava exposições, mas sempre encontrava tempo para pintar.
Não que isso mudasse as coisas, pois o duque não a pediu em casamento em nenhuma de suas
conversas, nem antes nem depois de fazer amor com ela, havia mencionado matrimonio. Oh,
tinha assegurado que não se casaria com a Estrela de Jaipur, porém não disse que queria se
casar com ela.
Vestida só com a calça e o corpete, Maggie voltou a se sentar na frente da penteadeira e ficou
olhando sua imagem no espelho, enquanto tirava os grampos do cabelo. Como podia ter se
enganado tanto com ele? Justamente ela que o conhecia tão bem. Havia sucumbido a sua
galanteria? Não tinha dúvida de que, apesar da cor amarelada de sua pele, seqüela da malaria,
e do nariz um pouco torcido, era muito charmoso. Na verdade, ele parecia mais lindo do que
cinco anos antes. Mesmo que cinco anos atrás não teve o privilégio de vê-lo nu. Depois de sua
noite juntos, sua opinião sobre o aspecto do jovem havia melhorado mil vezes. Inclusive
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
enquanto dormia, seus bíceps eram impressionantes, e as linhas do seu abdômen eram
incríveis. Maggie ficou ruborizada só de pensar na esteira de pelos negros que desciam até o
meio de suas pernas.
Não, não havia a menor dúvida, em questão de físico, Jeremy era quase perfeito.
De fato, também era quase perfeito intelectualmente, e compensava o que lhe faltava de
formação com sua vivaz inteligência. Além do mais, era divertido; lhe fazia rir, inclusive quando
estava a ponto de chorar, pois gozava de um agudo sarcasmo e um gênio mordaz. Tampouco
ninguém poderia duvidar de sua valentia, ainda que se pudesse acusá-lo de temerário, já que
se descuidava de sua própria segurança. Na noite anterior lhe haviam cravado uma navalha no
ombro, e tinha dado tão pouca importância que uma hora depois estava fazendo amor com
arrebatamento.
Se existia de verdade o homem perfeito, era Jeremy, apesar de sua tendência para violência.
Maggie não podia culpar a princesa por ter se apaixonado por ele, afinal, ela tinha feito o
mesmo.
Quando Maggie conseguiu tirar o último grampo que sustentava o penteado, a espessa e
brilhante cabeleira lhe caiu sobre os ombros. Com um suspiro, pegou a escova de crina de
cavalo e começou a desembaraçar as mechas, tentando alisar os nós. Não era tarefa fácil, e
logo cansou seu braço. Aquela semana havia estado pintando durante mais de dez horas cada
dia para terminar alguns quadros para a exposição de sábado. Havia momentos em que doíam
tanto as mãos que parecia não poder mais levantar-las, e aquele era um desses momentos.
Apenas havia descansado durante as últimas vinte e quatro horas, e sentia que não teria forças
nem para se pentear. Seria melhor que deixasse Hill fazer isso na manhã seguinte.
Maggie deixou a escova e ficou sentada em frente ao espelho com o olhar perdido em seu
colo. Confiava que a exposição de sábado seria um êxito. Ao menos, assim podia deixar de se
preocupar com seu futuro financeiro a curto prazo.
Enquanto estava ali sentada, percebeu que alguém entrava no seu quarto.
—Oh, Hill. Pode pentear meu cabelo? —disse sem levantar a cabeça, certa de que era a sua
criada—. Esta noite não tenho forças nem para isso.
Então sentiu que lhe levantaram a massa de cabelos e deixou escapar um suspiro de alivio.
Contudo, em vez de sentir a escova na nuca, notou um suave pressão de uns lábios no local.
Com um grito aflito, ergueu a vista ao espelho e se deparou com o sorridente reflexo de
Jeremy.
CAPÍTULO 29
—O que está fazendo aqui? —exclamou Maggie, virando-se na banqueta de veludo.
Jeremy deu de ombros com um amplo sorriso nos lábios.
—Vivo aqui, lembra?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
O duque estava atrás dela, com um copo de uísque pela metade nas mãos; estava sem
jaqueta, suéter ou cachecol, e tinha os três ou quatro primeiros botões da camisa aberto e
parecia completamente indiferente ao estado de cólera de Margaret. Estava arrebatador. A
tênue luz do fogo que crepitava na chaminé lhe iluminava metade do rosto, ainda assim viu a
centelha prateada em seus olhos enquanto a olhava com uma expressão que dizia que ele
havia acabado de se dar conta de que ela só estava com as roupas de baixo. Maggie
vislumbrou o espesso emaranhado de pelos negros que cobria o peito dele através da parte
aberta da camisa.
— O que dizias do seu cabelo?
—Oh! —Maggie se levantou com os punhos apertados ao lado do corpo—. Pensei que era Hill.
O que fez com ela?
—A sua criada? —Jeremy arqueou uma sobrancelha—. Nada. Por que sempre pensas mal de
mim, Mags? é um defeito muito feio.
—Quando se trata de ti, não posso evitar pensar mal —ela alfinetou—. E agora me diz onde
está Hill.
—Ela sofreu um pequeno acidente —respondeu o jovem com expressão sombria.
—Que tipo de acidente? —perguntou Maggie segurando um grito—. Como pode tê-la
machucado, canalha…
—Não, não se trata desse tipo de acidente —se defendeu o duque, arregalando os olhos —.
Acontece que ela tomou por engano uma xícara de chá que era para mim, e agora deve estar
dormindo no seu aposento.
—Oh, entendi. Uma xícara de chá que era para ti. —ela replicou—. E, o que tinha nesse chá,
posso saber?
—Nada que lhe possa causar dano permanente —ele assegurou—. Só um pouco de ópio.
—Ópio! —Maggie se viu de boca aberta, sem acreditar no que ouvia—. Você drogou a minha
criada?
Jeremy fez uma careta e lançou um olhar para a porta do quarto.
—Não lhe causará nenhum dano. E não aumente a voz, sim? Pois não droguei os demais
criados. A menos que queiras que Evers venha e jogue a porta abaixo, sugiro que…
—Assim que admites? —Maggie levou as mãos às bochechas—. Admites tê-la drogado?
—Claro que sim —disse o duque descuidadamente, como se fosse a coisa mais normal do
mundo—. Depois de como ficaste nervosa hoje de manhã pelo que poderia dizer a Hill sobre o
fato de que nós passamos a noite na mesma casa sem acompanhante, me pareceu o mais
sensato. Caso contrário, como poderia ficar sozinho contigo esta noite?
—Ficar sozinhos… —Com um olhar fixo em Jerry, a voz de Maggie foi se apagando. Aquele
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
homem estava louco; a malaria devia ter feito danos no seu cérebro. Estava sozinha em seu
quarto com um lunático, que acima de tudo havia drogado a sua criada—. Jeremy! —exclamou
por fim—. Não podes sair por aí drogando as pessoas!
—Por que não? —O jovem começava a se cansar daquela discussão. Observar Maggie dar
voltas pelo quarto em pleno estado de fúria tinha seus atrativos, sobretudo se levasse em
conta que ela só vestia o corpete e a calça, contudo, havia coisas mais interessantes para fazer,
e decidiu que havia chegado momento de redirecionar a conversa para um fim mais
proveitoso—. Eu consegui o que queria: que você e eu voltássemos a ficar a sós.
E para se assegurar de que seria exatamente assim, o duque atravessou o quarto em três
passos e se deteve diante da porta. Deixou com cuidado o copo uísque, se inclinou e fechou a
porta com chave para que ninguém pudesse entrar. Em seguida, olhando para Maggie com
expressão desafiadora por cima do ombro,o duque tirou a chave da fechadura e a meteu no
bolso da calça. Só então se ergueu e se voltou com um amplo sorriso que a jovem só poderia
descrever como diabólico.
Un duc diabolique. Berangére não estava equivocada.
Margaret o encarava como alguém que havia perdido a cabeça. Por um lado, lhe parecia
gracioso que o duque de Rawlings se trancava no quarto com a filha de seu administrador,
porém, por outro lado, tudo aquilo não tinha uma ponta de engraçado. De fato, só de pensar
que estava trancada com ele em seu dormitório, lhe acelerava o pulso.
Não precisava ser gênio para imaginar o que iria ocorrer depois.
Não obstante, isso não significava que tivesse de aceitar. Ao contrario. Quem ele pensava que
era? Não podia sair por aí drogando as criadas e se trancando no quarto de uma mulher. Como
podia se comportar daquele modo um herói militar? Se o que havia planejado era outra
noitada como a noite anterior, iria ficar surpreso, pois Maggie não tinha a menor intenção de
voltar a se deitar com ele, nem agora nem nunca.
—Muito bem —começou, cruzando os braços, com a esperança de que ele não notasse que
seu coração palpitava a toda velocidade—. Suponho que estás orgulhoso de ti mesmo. Nas
últimas vinte e quatro horas, quebrou o nariz de um homem, sofreu uma tentativa de
assassinato…
—Duas vezes —pontuou Jeremy.
—Duas vezes? — Maggie não pode evitar uma expressão de surpresa.
—Isso mesmo. Alguém tentou me atropelar esta manhã, quando saía do escritório do Times.
—Oh —disse Maggie—. Depois de seduzir a prometida de outro homem, de anunciar teu
compromisso com uma princesa indiana no Times, de drogar uma criada, agora te trancas com
uma mulher que te despreza. Parabéns. Estou segura de que a rainha estaria encantada de
saber como se comportam seus oficiais quando não estão de serviço.
—Você não me despreza —replicou o duque com segurança.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Ah, não? —Margaret arqueou uma sobrancelha, cética—. De verdade? Você se esqueceu de
mim durante cinco anos, te comprometeste com uma princesa indiana, agrediste meu
prometido e me roubaste a virgindade. Sim, Jeremy, creio que tenho boas razões para te
desprezar.
—Eu não roubei a sua virgindade —esclareceu—. Você a me deu.
—Poderias tê-la recusado.
—Eu? —o jovem começou a rir—. Recusar o oferecimento de uma mulher bonita?
Maggie apontou para a porta aborrecida.
—Saia daqui agora mesmo —lhe disse, acompanhando cada palavra com uma batida de pé.
—Vamos, senhorita Herbert —exclamou o duque, encantado, ignorando seu pedido de que
fosse embora—. Estás enciumada!
—Eu! —exclamou Maggie com desdém, como resposta a aquela indigna sugestão—. Nunca.
—Sim —respondeu Jeremy, balançando a cabeça. Enquanto lhe cercava com um sorriso,
Maggie viu como brilhavam seu dentes brancos a luz do fogo. Se deteve a um palmo dela,
estendeu o braço e levou um dedo debaixo de seu queixo obrigando-a a olhá-lo—. Sim —
repetiu com expressão de satisfação—. É evidente, está claro que estás enciumada, Mags. Mas
por que? Suponho que não acreditas que tenha havido algo entre mim e a senhorita Jacquard,
certo? Afinal, creio já ter deixado bem claro que és a única mulher que amei na vida.
Maggie se estremeceu e afastou a cabeça com uma sacudida. A proximidade do corpo
masculino lhe entrecortava a respiração, por si só já dificultada por causa da opressão do
corpete.
—Estavas com Berangére? Então… você e princesa não… —Se calou, pois não tinha sentido
terminar uma pergunta que já sabia a resposta.
O duque negou com a cabeça; já não sorria, e tinha uma expressão de tristeza nos olhos
prateados.
—Meu Deus, Mags. Que tipo de pessoa acha que sou? Não ouviu uma palavra do que tenho
lhe dito? Para mim só existe uma mulher e é você, ainda que não consiga ver isso já que é
teimosa como uma mula. Para que fique sabendo, passei a tarde toda escutando sua amiga
Berangére falar de ti —continuou enquanto he afastava alguns cachos da bochecha—. Ela é
muito melhor amiga sua do que você é consigo mesma.
Oh, Deus. O que ela contou a ele? Berangére era uma fofoqueira nata, e adorava fofocar.
Tanto quanto a pesqueira da esquina. Só Deus sabia o que ela havia dito a Jeremy.
— O que quer dizer com isso? —perguntou Maggie na defensiva.
— Que a senhorita Jacquard está de acordo comigo —contestou. Depois de afastar as mechas
de cabelo, o duque acariciou sua face, percorrendo com o calejado dedo indicador o suave
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
arco do rosto dela, sua mandíbula e seu ombro.
Maggie tentou dissimular o calafrio que lhe percorria o corpo com aquela caricia. Todavia, lhe
resultava mais difícil de ocultar o estremecimento de seus mamilos endurecidos no corpete, e
rezou para que Jeremy não se desse conta.
—Em que ela está de acordo contigo? —perguntou, com intenção de distraí-lo.
—De que, se te casares com Augustin, vais cometer uma estupidez —contestou ele com a voz
mais suave que se poderia imaginar, enquanto percorria com doçura o perfil de sua clavícula.
—E Berangére sabe que desapareceste da minha vida durante cinco anos? —perguntou a
jovem; notava a boca seca só de pensar em que o duque podia fazer ao dar-se conta de que
como suas caricias haviam endurecido seus mamilos—. O que esperava que eu fizesse? Me
sentasse para esperar a sua decisão de regressar? Por acaso eu não teria direito de viver minha
vida enquanto isso?
—A única coisa que tinha de fazer era me mandar uma carta, Mags. —O duque deslizou o
dedo até o lugar em que começava a curva do seio direito, no ponto onde a jovem sentia que
seu coração retumbava com força—. Uma única linha teria bastado para que eu voltasse para
casa de imediato.
—Verdade? —inquiriu Maggie arrastando as palavras, procurando converter sua perturbação
em sarcasmo.
—Sim —respondeu Jeremy. Estava tão perto dela que a jovem percebia o aroma limpo que
emanava de seu corpo. Se estendesse os braços poderia acariciar seu peito cabeludo, que via
através dos botões aberto da camisa—. Esperei durante cinco anos que me escrevesse uma
carta, que me desse alguma pista sobre se me restava alguma esperança, até o dia em que
minha tia me disse que havia te comprometido com outro homem.
—Tua tia? —Maggie pestanejou, confundida—. Lady Edward?
—Me escreveu há alguns meses, informando que havias anunciado teu compromisso —
admitiu o duque. Satisfeito viu que aquilo a deixava de boca aberta—. Antes de eu ir para a
Índia, lhe pedi que me mantivesse informado de todas as suas atividades. Sempre que ouvia
qualquer coisa através de tua mãe ou tuas irmãs, ela me contava em suas cartas. Quando
soube do seu plano de casamento, me escreveu, e eu embarquei no primeiro navio que partia
para Inglaterra.
—Você… —Maggie estava consciente de que não parava de abrir e fechar a boca, como um
peixe fora d’água, mas não podia evitar. Não podia crer no que Jerry acabou de lhe contar.
Tinha voltado para a Inglaterra só porque sua tia lhe contou que estava prometida? Havia
viajado ainda doente de malaria para evitar que se casasse com outro homem?
Isso significava que ele sempre sabia, e que aquela noite no baile estava fingindo não saber só
para se divertir vendo como ela balbuciava uma explicação.
—Então você sabia! —exclamou furiosa, afastando a mão do peito—. Na noite que chegaste
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
em casa e te sentaste na minha cama… E no baile, fingiste… —Sentindo que estava a ponto de
explodir, inspirou profundamente—. Enquanto, eu me martirizava pensando em como iria lhe
explicar. E você foi a festa com a intenção de bater no Augustin, verdade? Querias me
humilhar diante de todo mundo!
—Vamos, Mags —respondeu Jeremy, levantando o dedo indicador como um gesto de
advertência. Contudo, seus prateados olhos revelava uma expressão divertida—. Não perca a
estribeira.
Maggie deixou escapar um grito afogado, e apertou os punhos.
Antes que o duque pudesse argüir mais alguma coisa em sua defesa, a jovem avançou sobre
ele com os punhos fechados na frente. Graças ao seu treinamento militar, o coronel se afastou
a tempo para se esquivar do primeiro soco, dirigido a sua boca. Não obstante, para sua
surpresa, Maggie mudou a direção no último momento e lhe bateu no estômago.
O golpe nem doeu, pois ela não tinha força suficiente no braço e seu abdômen eram duros
como aço, mas lhe deixou estupefato, sobretudo porque foi ele quem ensinou a ela aquele
golpe quando eram crianças.
—Parabéns —exclamou com um sorriso, endireitando-se—. Já vi que andou aperfeiçoando
esse golpe.
—Você! —foi todo que ela podo dizer entre dentes, por causa da dor em sua mão direita.
Quem diria que o estômago de um homem poderia chegar a ser tão duro? Parecia que tinha
golpeado uma parede—. Sai do meu quarto!
—Vamos, Mags —respondeu Jeremy enquanto a olhava dar voltas ao seu redor, buscando um
ponto frágil onde bater—. Isso é ridículo. Você vai se machucar. Por que não conversamos
como adultos? Afinal, acredito que já não somos mais crianças…
Com um grunhido de pura raiva, Maggie avançou de novo sobre ele, mas dessa vez com ambos
os punhos com a intenção de fazer de sua cara um mingau. Mais alarmado pelo estranho
grunhido do que pelo novo ataque, o jovem a segurou pelos pulsos, o que causou uma atrativa
abertura no corpete. Como não queria se render sem lutar, Maggie lhe deu chute na canela,
porém o único resultado foi arrebentar seus dedos contra o osso duro e deixou escapar um
grito de dor.
Então Jeremy perdeu a paciência.
—Está vendo? —a repreendeu enquanto ela se retorcia entre seus braços, tentando se libertar
das fortes mãos que lhe agarravam os pulsos—. Eu disse que ia se machucar e veja o que
aconteceu.
—Me solta! —grunhiu a jovem.
—Não te soltarei até que tenha se acalmado —ele explicou—. És uma ameaça para ti mesma…
Ah! —Essa última exclamação foi provocada por uma mordida de dentes pequenos e afiados
que recebeu nos dedos. Depois de ver com uma rápida olhada que não estava sangrando,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Jeremy ficou olhando Maggie com uma expressão de absoluta perplexidade—. Será…
Maggie não ouviu como termina a frase, porque na segunda sílaba sentiu que o ombro do
duque se fundia no seu estômago, cravando a armação do corpete na sua costela e deixando-a
sem respiração. Um segundo depois, notou que seus pés se ergueram do chão e sua cabeça
caia pendente sobre o amplo corpo do duque, de maneira que toda seu sangue lhe subi até a
raiz do cabelo.
—Que demônios pensas que estás fazendo? —perguntou ofegante, quando conseguiu colher
ar suficiente para falar.
—Algo que passei o dia todo esperando —resmungou ele enquanto lhe passava um braço
pelas nádegas, enquanto com o outro segurava os tornozelos para evitar que lhe desse um
chute enquanto andava.
— Me abaixe, seu bárbaro! —balbuciou a moça. Fora as calças de Jeremy, a única coisa que via
era o chão se mover rapidamente debaixo de sua cabeça. Estava tão enjoada que havia
perdido o sentido de orientação e não tinha idéia de onde a levava. Pensou que andava com
ela pelo corredor e fosse deixá-la na rua, assim que começou a gritar com mais energia—. Me
põe no chão!
—Com muito prazer.
E, como se fosse um saco de batatas, a fez voar pelo ar. Maggie gritou aterrorizada ao sentir
que o quarto começava a dar voltas ao seu redor, mas logo se deteve quando aterrissou no
colchão macio de sua cama. Apoiando-se sobre os cotovelos, com os dedos, os pés e as
costelas doloridas, Maggie afastou o cabelo do rosto e encarou Jeremy, que a observava de pé
ao lado da cama.
—Vai se comportar com sensatez? —ele perguntou com educação. Embora, enquanto
percorria o corpo dela com o olhar, seus olhos prateados brilhavam com uma fúria e paixão
que não tinham nada de educado.
Ela o encarou; tinha o cabelo alvoroçado e o peito coberto de pelo negro que se movia para
cima e para baixo dão de pressa como o seu.
—Não! —ela disse com o mesmo ressentimento com que lhe respondia essa pergunta quando
eram crianças, quando Jeremy lhe dizia que, como ele era o mais velho, era o mais maduro.
Os olhos prateados faiscavam.
—Não? —Os lábios esboçaram um sorrido complacente, e a jovem sentiu que seu coração
dava voltas—. Não sabes como me alegra ouvir isso.
CAPÍTULO 30
Quando viu que Jeremy se lançava encima dela, Maggie deu um grito tão alto que o duque
agradeceu ter drogado a criada. Ela não se deu conta, é claro, de que Jeremy pensava deter
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
sua queda com os braços; a única coisa que sabia era que um homem de uns 90 quilos estava a
ponto de desabar sobre ela. Convencida de que ele queria matá-la, tentou proteger a cabeça
com as mão.
Porém matar Maggie não era o que o duque tinha em mente. De fato, nada mais distante de
suas verdadeiras intenções.
Quando estava encima dela, e apesar de que suportava quase todo o peso de seu corpo com
os braços, conseguiu imobilizá-la pondo uma mão de cada lado. Maggie não se atreveu a olhar
entre os dedos com que havia coberto o rosto a menos de um minuto atrás, quando a cama
havia deixado de quicar. Ao arriscar um rápido olhar, viu que Jeremy a olhava com um sorriso
diabólico.
—Já conseguiu o que querias —disse sentindo o coração palpitando contra o corpete—. Agora
vai embora.
—De fato —começou o duque, sorrindo mais ainda—. Nem sequer comecei a conseguir o que
queria …
Então, Maggie sentiu que uma de suas pernas, que tinha ficado entre as dela, exercia uma
ligeira pressão contra a parte interna da calça. Quando, surpresa, quis protestar, ele inclinou a
cabeça e a silenciou com os lábios.
“Oh, não —lamentou Maggie para si mesma, sentindo as batidas retumbantes do coração em
seu peito—. Outra vez, não.”
No entanto, estava ocorrendo de novo e, como nas demais ocasiões, sentia que não podia,
nem queria, detê-lo. Logo, começou a embaraçar os sentidos, até que a única coisa que existia
em seu mundo era Jeremy. Não se tratava exclusivamente da visão, que só percebia o rosto
bronzeado, a covinha do queixo e o protuberante pomo-de-adão na garganta. Tão pouco era
unicamente o sentido do tato, ainda que ela fosse mais do que consciente do áspero contato
de sua barba sobre a pele suave do rosto, e do calor que parecia irradiar de seu corpo pelo
espaço aberto de sua camisa.
Não, eram sobretudo os demais sentidos, aqueles de que apenas era consciente desde que o
duque havia entrado em seu quarto, os que pareciam revelar-se super sensíveis em sua
presença. Ao ouvir a respiração irregular do jovem, a perturbou profundamente pensar que
ela era a causa daquela alteração. Por que os sons guturais de prazer que emitia Jeremy
quando a beijava a faziam sentir tão debilitada e lânguida? Era como se a só idéia de que o
duque não pudesse controlar aqueles sons, ao ter perdido também o controle, despertava seu
lado mais animal.
Aquele não era, contudo, o único componente instintivo da atração que sentiam um pelo
outro. Se a tivesse deixado de olhos vendados em um quarto com centenas de homens,
Maggie teria reconhecido Jeremy por seu cheiro; um cheiro inconfundível… e excitante.
Quando o sentia, os mamilos da jovem sempre endureciam, mesmo que não pudesse
entender o que havia de excitante em uma mistura de sabonete, uísque, tabaco, e um pouco
de cavalo. Ainda assim, quando cheirava aquela peculiar e masculina fragrância, se sentia
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
invadida por um sentimento de satisfação, como se… Como se cheirasse seu lar.
Inclusive seu sabor parecia devolver lhe o passado; era o sabor de algo bom, de alguma
deliciosa sobremesa. Não era um sabor doce, porém tão pouco azedo. Talvez um pouco
amargo… mas nem um pouco desagradável. Nada desagradável.
Por que? Por que tinha que ser daquele jeito? Por que tinha que ser tão difícil deixar de amá-
lo? Por que ele não podia cheirar a alho, como Augustin, por causa dos pratos que lhe
preparava em sua cozinha francesa? Por que tinha que cheirar tão bem, soar tão bem? Por que
ele lhe atraía tanto?
Por que não lhe havia ocorrido trancar a porta de seu quarto com chave ao chegar em casa?
Então os lábios do duque se deslizaram pelo seu colo, e ela não foi capaz de pensar mais nada.
Arqueando o colo, levantou os seios, com os mamilos duros como seixos debaixo da camisola,
para envolver-lhes o peito peludo de Jeremy, que deixou escapar um gemido. Um instante
depois, o duque meteu as mãos por debaixo do corpete e descobriu os seios para levá-los aos
lábios, primeiro um depois o outro. Quando ela começou sentir a áspera barba na sensível
aureola, que ele acariciava com a língua, afundou os dedos nos ombros largos dele e deixou
escapar um leve gemido.
Aquilo pareceu incitar o duque a fazer caricias de uma natureza mais íntima, e antes de que
pudesse dar-se conta, Jeremy havia desfeito o laço que sustentava a calça e baixou sua roupa
intima até as pernas. Maggie se deu conta de que a peça de algodão estava molhada com seu
próprio desejo. Deus, ela, que estava se esforçando para fingir que era indiferente a ele!
Retirou as mãos de seus ombros e tentou tapar o que ele acabava de deixar descoberto, e o
duque riu entre dentes daquele súbito ataque de decoro.
Em seguida, ele separou os dedos e meteu um no vão úmido, com os olhos semicerrados como
se lhe pesasse as pálpebras e estivesse adormecendo.
Na realidade, Jeremy estava bastante acordado, e observava com atenção as reações de
Maggie as suas caricias, desfrutando de cada ondulação de seus quadris, de cada suspiro.
Como todavia ainda estava de corpete, respirava cada vez com mais dificuldade, mas o duque
decidiu não tirá-lo pois lhe conferiu um ar extraordinariamente feminino; a faixa de seda rosa
entre os seios grandes e os quadris nus que terminava enfaticamente em forma de “v”, justo
na altura do umbigo, como se apontasse para aquela parte de seu corpo que tanto lhe atraía.
Olhar não era o único que atraia o duque para aquele triângulo negro; Jeremy já havia
começado a percorrer com beijos pelo interior de sua pálida coxa. Maggie, com a cabeça
inclinada para trás e olhos fechados, com o longo cabelo estendido sobre as almofadas
brancas, lhe facilitou o acesso abrindo um pouco mais as pernas.
Assim que o duque inclinou a cabeça e, com os rebeldes cachos acariciando lhe as coxas,
começou a explorar o úmido emaranhado de pelos negros, desta vez não com os dedos, mas
sim os lábios e a língua.
Maggie esteve a ponto de levantar da cama. Instintivamente, fechou as nádegas, prendendo a
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
cabeça do duque em uma pose que, ainda que fosse muito erótica, era também um tanto
restritiva.
—O que você está fazendo? —ela perguntou, perplexa, com a respiração entrecortada.
—Se soltar minha cabeça, eu te mostro —respondeu o jovem com a voz afogada.
—Mas não é... não devias…
No entanto, enquanto falava, Maggie começou a relaxar e voltou a se deixar cair sobre as
almofadas. Jeremy aproveitou a ocasião para deslizar as mãos entre suas coxas e separar um
pouco as pernas.
—Mas, Jerry, isso não está certo…
Não obstante, a frase acabou em um suspiro de intenso prazer, quando a língua de duque
afundou entre as aveludadas dobras. Aquilo era algo sobre o qual ela nunca tinha ouvido falar
de nenhuma das alunas da academia de madame Bonheur… porém lhe provocou a sensação
mais prazerosa que jamais havia experimentado, fora a parte de ter Jeremy dentro de seu
corpo. Estendeu os braços e afundou os dedos na espessa cabeleira do duque, guiando-lhe a
cabeça enquanto ele percorria seu sexo com a língua, maravilhada com os tremores de prazer
que aquilo lhe provocava.
Antes do que podia crer ser possível, aqueles tremores se converteram em intensas ondas que,
em vez de quebrarem suavemente, começaram a romper em seu interior cada vez mais forte.
Entretanto, nenhuma dessas ondas parecia apagar o fogo que a consumia e que a fazia ter
cada vez mais calor. Sua respiração irregular deu passo a ofegadas aflitas e a jovem fechou os
punhos agarrando mechas de cabelo como se fosse a crina de um cavalo desgovernado.
Então, quando o duque levou suas mãos por debaixo das nádegas dela para aproximas mais
seus sexo dos lábios, a jovem deu outra sacudida... mas naquela ocasião, de puro prazer.
Porque na hora, Maggie sentiu que uma daquelas ondas de levantava, mais e mais alto, até
que rompeu com ela encima. Aquilo sufocou a chama, umedecendo-a completamente. Ela
gemeu de satisfação; todo seu corpo tremia pela intensidade da experiência, como se tivesse
de verdade caído em um espumoso mar gelado de cor turquesa. Quando todo havia
terminado, se sentia esgotada e sonolenta, com uma sensação parecida com a que
experimentava quando criança, saía dos prados da mansão Rawlings nos quentes dias de
verão.
Contudo, só pode se regozijar em sua letargia durante alguns instantes, antes que o rosto de
Jeremy voltasse a aparecer em seu campo de visão. A olhava com uma expressão de satisfação
e reconheceu em seguida que seus olhos tinha um estranho brilho. Maggie não sabia por qué,
até que o duque se pôs de joelho e com o olhar fixo nela começou a desabotoar sua calça.
Quando seu membro viril em ereção se libertou da prisão opressiva, a jovem ficou
boquiaberta. Percebeu, era óbvio, que aquela estranha expressão era necessidade.
Necessidade dela.
Por isso não se atreveu a perguntar nada quando ele pegava uma almofada e a colocava
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
debaixo do quadril dela. Tão pouco pronunciou uma palavra, quando, sem nem mesmo tirar a
camisa, e com as calças arriadas no meio da perna, Jeremy se estendeu sobre ela apoiando os
braços nos lados. Olhou por um momento o rígido sexo, e pensou que seria tecnicamente
impossível que algo tão grande entrasse em um espaço tão pequeno, apesar de que havia
comprovado o contrário nas últimas vinte e quatro horas.
Quando ele se deslizou para o seu interior, de imediato se deu conta de para que servia a
almofada: lhe levantava os quadris de modo que ele podia penetrá-la profundamente. Lhe
parecia que a ponta do membro de Jeremy chegava a tocar a base da coluna, e não era uma
sensação nem um pouco desagradável. Todavia, aquela não era a única função da almofada;
também empurrava sua púbis contra seu abdômen, e isso produzia uma estimulação parecida
com as caricias de sua língua. Em um instante, a sensação de saciedade se desvaneceu, e ela
voltou a sentir-se impulsionada por uma nova onda de desejo… mas nessa ocasião, Jeremy ia
com ela na crista daquelas incríveis ondas.
Maggie não soube quanto tempo transcorreu antes de que o cristalino mar os arrastou para a
orla. O tempo parecia ter parado… e, enquanto tentava respirar, consumida em outro
embriagador orgasmo, Jeremy soltou um grito estrondoso. Surpresa, ela o olhou e viu que
fazia uma careta como se algo estivesse provocando-lhe uma intensa dor … até que um
segundo depois, a expressão de angustia se converteu em uma de profundo gozo. O duque se
deixou cair sem mirar, com o peito molhado de suor sobre o dela, ofegando junto ao seu
ouvido.
—Agora entendes por que droguei tua criada? —sussurrou com uma voz tão lânguida que
soou como um ronronar.
—Começo a compreendê-lo —ela respondeu com um tom vaidoso, mas igualmente
adormecido.
—Começas a entender? —suspirou—. Já vi que será uma noite muito longa…
CAPÍTULO 31
Maggie se despertou na manhã seguinte porque Jerry, seu cão, ofegava com uma quente
respiração em seu rosto. Ela o afastou com um empurrão mas de nada adiantou porque o
animal voltou a sentar-se diante dela.
Finalmente, Maggie levantou a cabeça para consultar a hora no relógio da cabeceira. Sim era
hora que Jerry se levantava, também seria a que Hill chegava e lhe preparava o banho. Onde
estava Hill? Maggie não podia ver a hora porque um largo ombro desnudo lhe tapava a visão.
Depois de esfregar os olhos sonolentos, se deu conta horrorizada de que havia um homem em
sua cama.
Um homem. Em sua cama.
Então a memória começou a inundá-la de novo, e a invadiu uma sensação de culpa que a fez
ruborizar-se. Santo Deus. Havia passado a noite com Jeremy Rawlings.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Outra vez.
E havia feito algo mais que passar a noite com ele. Quando ela pensou nas coisas que haviam
feito durante a noite, o rubor se intensificou e avermelhou ainda mais. Oh, Deus, como pode
ter permitido?
Uma vez era perdoável; duas, ainda que reprovável, podia entender, tendo em conta o muito
que havia desfrutado na primeira. Mas três… não, quatro. Céus, quantas vezes já fizeram?
Havia perdido a conta, mas eram muitas.
Entretanto, não lhe havia proposto matrimonio. Tão pouco lhe havia dado nenhuma
explicação convincente sobre sua relação com a princesa Usha. Nem sequer um “te quero”.
E ela o havia levado para cama como uma prostituta de bairro sujo.
Outra vez.
Por que havia permitido que isso voltasse a ocorrer? Por quê?
Porém ao olhar Jeremy dormindo ao seu lado, teve de imediato a resposta. Estendido na
cama, junto dela, descoberto até a cintura e com a pele bronzeada em contraste com a
impecável brancura dos lençóis, lhe lembrava um deus grego vencido pelo sono. Mas qual?
Ainda que tivesse a mesma personalidade travessa, era demasiado corpulento para ser Pan.
Era demasiado moreno para ser Apolo, mas inclusive quando descansava, tinha os músculos
igualmente bem formados. Talvez mais se parecia com Vulcano; havia algo excepcionalmente
diabólico nessas espessas e escuras sobrancelhas, que quando estava acordado, sempre
arqueava com expressão cética. Sim, tinha que ser Vulcano…
Maggie voltou a si. Por todos os santos, o que estava acontecendo com ela? Se deixava levar
por seus ilusões de mundos de fantasia, enquanto naquele preciso instante tinha um grave
problema no mundo real. O que ia fazer com aquele homem que estava dormindo em sua
cama?
A julgar pela cinzenta luz que se infiltrava pelas finas e brancas cortinas, deviam de ser ao
menos nove da manhã. Hill iria entrar a qualquer momento… ou ao menos iria tentar. Quando
descobrisse que a porta estava fechada com chave, a criada entraria em pânico, pois sabia que
na casa dos Herbert nunca ninguém trancava seus quartos. Então, assustada, despertaria
Evers, quem sem duvida chamaria os lacaios, e Jeremy teria que abrir para evitar que jogassem
a porta abaixo. E todo o serviço saberia o que eles dois…
Ela se voltou para o lado e sacudiu o amplo ombro.
—Jeremy —sussurrou, assustada—. Jeremy, acorda!
O jovem suspirou e virou o rosto de modo que ficou a poucos centímetros do dela.
—Jeremy —sussurrou de novo—. Estou falando sério. Tens que levantar
Sem abrir os olhos, o duque estendeu um braço para rodear sua cintura nua. Mesmo quando
estava meio dormindo tinha uma força impressionante, e a arrastou como se fosse uma
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
boneca de trapo.
—Bom dia, Mags —murmurou contra seu cabelo.
—Não me dê bom dia —resmungou—. Tem que sair daqui antes de que os criados se venham.
—Hmmm —respondeu ele, afundando a cabeça entre seus cabelos para aproximar os lábios
de seu pescoço—. Você sempre é tão amável pela manhã. É uma das coisas que mais me
encantam em ti; ás muito consistente.
—Estou falando sério —replicou Maggie, fingindo não haver notado o estremecimento que lhe
havia produzido a pequena mordida no lóbulo de sua orelha—. Hill vai chegar a qualquer
momento.
—Oh, não te preocupes com Hill —afirmou o duque enquanto lhe acariciava com parcimônia o
seio esquerdo. Fascinado, observou como o mamilo se endurecia de imediato ao sentir seu
contato.
—O que queres dizer com isso? —Maggie o olhou receosa—. Disseste que a havias drogado.
Porém… —E afogando um grito, perguntou—. Você não a matou, certo?
Jeremy arqueou uma sobrancelha.
—É claro que não. Que tipo de pessoa você pensa que eu sou? Acontece que o ópio que
tomou a noite tem um efeito debilitante no dia seguinte, sobretudo para as pessoas que não
estão acostumadas.
—Quer dizer que…?
—O mais provável é que durma o dia todo — concluiu o duque com um arrependimento
pouco convincente.
—Jerry! —Maggie estava tão horrorizada que nem sequer se deu conta de que, assustado por
aquela exclamação, o cão havia levantado e começado a brinca entre as almofadas, latindo—.
Como pode fazer uma coisa assim?
—Deixe de se preocupar com essa mulher —disse o duque, incomodado que Maggie tenha se
afastado dele—. Não lhe acontecerá nada. Eu darei um aumento no soldo da Hill.
—Aumentar o salário dela? Mas fazem seis meses que nem sequer posso pagá-lo!
O duque pestanejou.
—Oh, então eu pagarei os meses atrasados, e mais um aumento para agradecer sua lealdade.
Erguendo-se, Maggie se recostou sobre as almofadas e ficou olhando o jovem duque com
expressão irritada.
—Creio que a pessoa que drogou a criada tem que levar o cachorro para passear.
Jeremy arqueou uma sobrancelha. Parecia como se estivesse se esforçando para franzir a
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
testa, mas foi incapaz de conter o traiçoeiro sorriso que surgia em seus lábios.
—Assim pensas?
—Sim —ela confirmou, assistindo com a cabeça enquanto se acomodava nas almofadas, com
atitude melindrosa.
O duque deixou de tentar franzir a testa e a olhou com um amplo sorriso, revelando os dentes
brancos e uniformes.
—Concordo —respondeu, dando de ombros—. Vamos, Jerry. Papai vai te levar para passear.
O branco e pequeno animal se levantou num salto e caminhou com dificuldade hasta na borda
da cama, de onde saltou em uma plataforma que sua dona havia colocado para esse fim, e dali
desceu até o chão. Jeremy afastou os cobertores e se levantou, não sem antes alongar suas
articulações. Maggie sabe que não devia olhar aquele corpo nu, mas se sentia incapaz de
desviar a vista. As nádegas do jovem eram de uma redondeza perfeita e tinham uma fenda
côncava de cada lado; contudo, não estavam cobertas de pelo negro como o resto do corpo.
Era uma espécime perfeito de ser humano masculino tanto pela frente como por trás. Quanto
teria gostado a madame Bonheur tê-lo como modelo na classe de anatomia! Acima de tudo
tinha os ligamentos inguinais perfeitamente definidos.
—A coleira está pendurada no gancho atrás da porta do trocador — disse Maggie, e pigarreou
enquanto observava seu amante vestir as calças que havia deixado no chão na noite anterior.
O duque grunhiu para si mesmo e foi descalço para o trocador, onde estava a coleira.
—Vou um instante no meu quarto para me trocar. Creio que daria muito o que falar aos
vezinhos se eu saísse para passear em Park Lane as nove da manhã com traje de noite.
—Como queira —contestou ela com rapidez.
Jeremy se agachou para por a coleira no cão, mas como o animal não parava de se retorcer e
brincar de excitação, lhe custou um bom tempo encontrar a minúscula feixe dourado. Maggie
os observada da cama, divertida. Quando por fim conseguiu atar, o duque se ergueu e ficou
olhando-a.
Sentada na cama, com as escuras madeixas revoltas sobre os ombros e cobrindo-se
recatadamente com os lençóis abaixo das axilas, Maggie tinha exatamente o mesmo aspecto
que havia imaginado que teria depois de fazer amor com desenfreio durante toda a noite.
Tinha os lábios um pouco inchados, e havia em seus olhos um brilho que não lhe havia visto
jamais. O jovem duque estava desejando, mais que qualquer outra coisa, voltar para cama com
ela. Maldito cachorro!
—Nem se dê ao trabalho de se levantar antes de eu voltar —ele a advertiu—. Certo? Você e eu
temos algumas coisas para conversar.
Ao ver a expressão desafiante no olhos prateados, a jovem assentiu sem dizer nada. Não
queria discutir com ele, pois Jerry necessitava que o levasse para passear o quanto antes.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Satisfeito com a resposta, o duque agarrou a maçaneta da porta. Ao perceber que não abria, e
ignorando a bufada desdenhosa de Maggie, meteu a mão no bolso e pegou a chave; tinha se
esquecido de que na noite anterior havia trancado a porta para evitar interrupções. Depois de
um último olhar de advertência a Maggie, abriu, meteu a cabeça para fora para se assegurar
de que não havia ninguém e escapuliu para o corredor com o cachorro saltando de excitação
atrás dele.
Na cama, Maggie sorriu para si. Jeremy tinha deixado a camisa, as meias e os sapatos
esparramados pelo chão, junto com sua própria roupa. Ao que parece, o duque não era a
pessoa mais organizada do mundo, nem ela tampouco. Talvez por isso se davam tão bem.
Augustin, ao contrário, era extremamente organizado, e sempre lhe dava sermões porque
embolava as luvas para enfiar no bolso, ou deixava os pinceis de molho a noite toda.
Logo a jovem se ergueu como se tivesse jogado água fria. Por Deus Santo, Augustin. A
exposição. A inauguração era no dia seguinte. Os transportadores chegariam no estúdio às
onze e só faltava —Maggie olhou o relógio na cabeceira— uma hora e meia!
De um pulo, saltou da cama e tocou a campainha.
No final do corredor, Jeremy chegou a porta de seu quarto, entrou e atravessou o ambiente
com o cachorro brincando entre suas pernas, cravando-lhe a unhas cada vez com mais energia.
—Eu sei —ele disse, mal humorado—. Vou tão depressa como posso.
Abriu a porta do trocador e acordou Peters, que dormia em um colchão debaixo do cabide,
embora lhe tenha oferecido um quarto no último piso, onde se acomodavam o resto dos
serviçais. Contudo, seu criado preferia estar a disposição de seu senhor em todo momento.
—Coronel! —exclamou, contente de vê-lo, enquanto se ergui a esfregava os olhos—. Valha-me
Deus! Já é dia? Onde estava? Lhe esperei acordado até que não pude mais …
—Sim, sim —contestou o duque com aspereza. E estendendo-lhe a coleira, emendou—. Leve-o
para passear, queres?
Peters ficou olhando o excitado cãozinho e o sorriso de seu rosto se desvaneceu.
—Coronel! Não está falando serio. Eu? Passear com isso? Seria motivo de riso...
—Faça isso —lhe interrompeu seu senhor de maneira sucinta—. E agora me conta o que
descobriste à noite, quando seguiste o francês.
O criado franziu o cenho, ainda mais aborrecido.
—Se for ele quem deseja matá-lo, deve ter pago alguém para que o faça. Ele nem saiu de casa,
e a luz de sua janela se apagou meia noite. Nunca vi um homem menos capaz de segurar um
punhal, ou tentar atropelar alguém com um carro.
—Onde está a bata? —perguntou enquanto revirava as roupas penduradas no cabide sobre a
cabeça do criado—. A de seda.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Peters procurou ao seu redor a perna de madeira e a prendeu debaixo das calças com que
havia dormido.
—Aqui, a sua esquerda, coronel. Quer que continue seguindo ele, senhor?
—Sim, é claro. —Jeremy meteu os braços pelas amplas mangas da bata, feita com seda indiana
e coberta de bordados que representavam pavões reais e tigres—. Não temos nenhum outro
suspeito. Tem que ser ele.
—Sem o senhor diz —respondeu o criado.
Jeremy rodeou Peters para pegar a Estrela de Jaipur, que estava numa bolsinha de veludo na
primeira gaveta do trocador. Abriu a bolsa, lhe deu meia volta e a pesada safira caiu na palma
de sua mão, reluzente até mesmo na tênue luz do trocador. Lançou a pedra preciosa no ar, a
agarrou de volta e o enfiou no bolsinho.
—Há algo mais, Peters?
—Só mais isso, senhor —respondeu o criado enquanto tirava uma carta do bolso da calça. Com
o coração encolhido, o duque reconheceu em seguida a esmerada letra de sua tia, apesar de
que parecia escrita a toda pressa. A havia entregado em mãos pois não havia selos, de modo
que o mensageiro devia ter viajado toda a noite desde a mansão Rawlings—.Temo que o
tenham descoberto.
—Malditos jornais —resmungou.
Jeremy abriu e leu a carta. Estava certo, o havia descoberto. E Pegeen estava furiosa. Ao que
parece, não havia podido regressar a Londres depois do funeral por causa de algumas
complicações menores, porém graves o bastante para preocupar o médico. Por isso, Edward
havia ficado com ela. Apesar de estar de cama, a dama soube de seu regresso a Inglaterra. O
jovem se lembrou, tarde demais, de que sua tia tinha uma habilidade especial para tirar todo
tipo de informação dos criados… ainda que estivessem a quilômetros.
A tia exigia que se pusesse imediatamente a caminho da mansão Rawlings, a fim de explicar
tanto seu compromisso como por que ficou tantos dias em Park Lane com Maggie e sem
acompanhante. Se não o fizesse, o ameaçava mandar Edward para buscá-lo.
“E se Edward não estiver aqui para o nascimento de nosso sétimo filho —ela dizia— porque
teve de ir a Londres lhe buscar-te, Jeremy, nunca te perdoarei. Sua tia, Pegeen.”
—Deus —resmungou—. Vamos de mal a pior.
—Já preparei sua mala com o necessário para passar uma noite fora —disse o criado com tom
inexpressivo, ignorando o cachorro que latia ao seu lado—. Presumi que se tratava de uma
emergência.
—Obrigado, Peters. —Ainda que a Estrela de Jaipur não deixasse muito espaço livre, o duque
enfiou a carta no bolso. Talvez uma viajem para Yorkshire não fosse tão mal idéia, disse a si
mesmo. Queria fazer as coisas direito, e sabia que isso significava falar primeiro com o padre. A
idéia de pedir a sir Arthur a mão de sua filha não lhe agradava muito, mas, naquelas
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
circunstancias, seguramente seria melhor. E, como lhe havia recomendado Berangére, não
faria mal, uma vez ali, tentar arrumar as coisas entre Maggie e sua família.
Jeremy calçou um par de sandálias indianas, com a ponta curvada para cima, e passou a dar
ordens como se voltasse a ser um líder militar.
—Leva este animal ao parque, Peters, e cuidado para não o perder. Se fosse você não soltaria
a coleira.
—Certo —assentiu o criado—. É tão pequeno, que talvez acabaria devorado por outro
cachorro maior.
—Exatamente. E as possibilidades de me casar com a mulher que amo diminuiriam
significativamente se meu assistente deixasse morrer seu cachorro em seu passeio matutino.
—Sim, senhor —afirmou o criado energeticamente—. Pode confiar em mim. —Quando Jerry,
excitado, cravou as unhas das patas dianteiras na perna de madeira, em vez de esboçar uma
careta de dor, como havia ocorrido com Jeremy, o criado se rachou de rir—. Eh, tigre —disse
inclinando-se para acariciar as orelhas com afeto—. Calminha. Vou por uma camisa e já vamos.
O duque atou o cinto da bata ao redor da cintura e se apresou a voltar ao quarto branco. Nem
por um momento havia acreditado que Maggie ficaria na cama, como lhe havia ordenado. Ela
nunca lhe obedecia em nada, e isso era parte de seu encanto. Quantas vezes alguém se atrevia
a desobedecer um duque? Tantas como a um coronel, pode-se dizer, muito poucas.
Contudo, o jovem se surpreendeu até que pondo ela o havia desobedecido naquela ocasião.
Ao entrar em seu quarto, ficou atônito ante a mudança que havia sofrido o ambiente durante
sua breve ausência. Havia desaparecido toda evidencia de sua presença… incluindo a roupa. A
cama estava desfeita e a porta do trocador, aberta. Do pequeno quarto anexo ouvia o som de
um vigoroso chapinhar e fuxico nervoso de uma criada. Momentos depois, Maggie apareceu
vestida com a bata de xadrez escocês que havia usado no dia anterior, e o cabelo úmido
penteado em uma trança.
Ela arregalou os olhos ao vê-lo na porta e depois de uma olhada fugaz por cima do ombro para
se certificar de que a criada estava ocupada, resmungou:
—O que fazer aqui tão rápido? Onde está Jerry? O que é isso que está vestindo?
—Minha bata —contestou o jovem ofendido, olhando-se de baixo para cima.
—Não me digas —respondeu ela, enquanto se sentava diante da penteadeira.
—Pois olha quem fala —respondeu o duque—. De onde tiraste essa roupa que estás vestindo?
Do trapeiro?
—Muito engraçado —observou Maggie, enquanto pegava um pouco de creme de um pote e
passava no rosto—. Onde está meu cachorro?
—Peters o levou para passear no parque —respondeu o duque. E depois de olhar para o
trocador, emendou—. Lembro de ter dito a você que…
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Não posso crer que tiveste o descaramento de pedir a um manco para levar meu cachorro
para passar —objetou Maggie, com os olhos marrons bem abertos—. És incrível, Jeremy.
A sua costa, a porta do trocador se abriu num golpe e entrou Pamela, uma jovenzinha, filha de
um dos arrendatários da mansão Rawlings, que haviam contratado para trabalhar na casa de
Londres. Levava um montão de roupa no braço.
—É este o vestido que queria? —perguntou justo antes de tropeçar com Jeremy—. Oh! —Com
os olhos azuis abertos como pratos, a mocinha deixou cair toda roupa que levava e,
envergonhada, fez uma profunda reverencia—. Excelência! peço que me desculpe. Não havia
visto o senhor.
—Não se preocupe —disse Maggie. Terminou de passar o creme e levantou com toda
tranqüilidade para ajudar a criada a recolher a roupa—. O duque já estava de saída, não é
verdade, excelência?
—Logo mais, Pamela —contestou o jovem, antes de se inclinar adiante e agarrar Maggie pelo
braço—. Antes necessito falar um momento em particular com a senhorita Herbert —disse
enquanto a arrastava para o trocador, de onde ainda se viam indícios de um apressado banho.
Fechou a porta e depois repreendeu Maggie—. Acredito ter lhe dito para são sair da cama.
—E eu acredito que havia lhe dito para passear com meu cachorro —replicou.
—Teu cachorro está passeando —esclareceu o jovem—. Eu não descumpri minha parte do
trato.
—E eu não descumpri a minha —ela assegurou, arregalando uma das mangas da bata que
havia dobrado do avesso— se não tivesse combinado com os transportadores chegasse ao
meu estúdio as onze e tenho que estar lá para abrir.
—Os transportadores?
—Sim, para a exposição de amanhã a noite, lembra? Eles tem que levar os quadros para a
galeria de Augustin.
Ao ouvir mencionar o nome do jovem francês, o duque franziu o cenho.
—Escuta —começou apressadamente—. Tenho que falar contigo sobre uma coisa.
—Sinto muito, mas não tenho tempo. Já é muito tarde, e conseguiste transtornar Pamela.
Conversaremos depois…
Maggie começou a caminhar na direção da porta, mas Jeremy a pegou pelo cinto da horrível
bata xadrez. Ela se voltou com um olhar inquisitivo, e aborrecida.
—Tenho que ir embora —disse ele apenas—, de forma que, por favor, guarda isto para mim
enquanto eu estiver fora, certo?
Desesperado como estava por demonstrar lhe o que sentia por ela, e ao ver que não podia
dizer, pegou a Estrela de Jaipur e enfiou no bolso da bata xadrez.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Surpresa, e sem prestar atenção a enorme safira, Maggie ficou olhando as costas de Jeremy.
—Embora? —perguntou sem convicção—. Onde vai? Quando volta?
Porém a única resposta que teve foi o baque seco da porta de seu quarto ao fechar atrás dele.
CAPÍTULO 32
Maggie sabia muito bem que nenhum pintor gostava que alguém, fora ele mesmo, tocasse em
suas criações. Só o artista sabia o duro trabalho que havia por detrás de cada obra, e vendo
como o manejava um homem robusto que parecia não tomar banho há anos e que comentava
com descuido que a pintura não estava mal… Que artista não experimentaria certa
inquietação?
Contudo, para Maggie, o traslado de suas pinturas era a última de suas preocupações. Não
podia deixar de pensar na incômodo cena daquela manhã no seu trocador. Quando foi capaz
de se recompor e ir buscar Jerry, descobriu que ele estava falando sério… havia indo embora!
Tão pouco encontrou o seu criado. Lhe havia devolvido o cachorro, é claro, mas segundo
explicou Evers, indignado, Peters havia desaparecido pela porta segundos mais tarde.
Maggie considerou que não havia tratado com muito tato Jeremy e seu pedido de falar com
ela. Não precisava ter sido tão cortante. Mas estava tão preocupada com a exposição! Ele
tinha que ser compreensivo com uma mulher de negócios, e a perdoar por ter compromisso
mais urgente…
Um compromisso! Essa palavra já a deixava nervosa. O que iria fazer com Augustin? Tinha que
encontrar uma maneira de romper o compromisso naquele mesmo dia. Não podia permitir
que ele continuasse acreditando que … bem, que podia fazer com ele o que estava fazendo
com Jeremy nos últimos dias. Aquilo era, sinceramente, impossível. Não estava em absoluto
segura de que sua relação com Jeremy pudesse funcionar, exceto, talvez, no quarto; na cama
nunca parecia haver nenhum problema, mas fora da cama, sempre ocorria algum desastre.
Todavia, passava o que passasse, sabia que nunca poderia amar mais ninguém. Por mais
agradecida que estivesse com Augustin por tudo o que havia feito por ela, nunca poderia
deixar que ele… Oh, céus, só de pensar já ruborizava!
Todas essas preocupações fizeram com que, o que deveria ser bastante simples, se
transformasse num pesadelo. Maggie parecia incapaz de se concentrar no que estava fazendo.
Chegou meia hora atrasada, e Augustin lhe repreendeu varias vezes por que teria que pagar os
transportadores pelo tempo no qual havia esperado no corredor, sem fazer nada.
—Isso não é típico de ti, Marguerethe —não cessava de dizer—. Dos outros artistas a quem
represento podia esperar algo assim, mas de ti? O que aconteceu?
—Nada, não há nada —murmurou a jovem depois de conter a respiração ao ver um dos
homens levantar boca abaixo o retrato do marquês e seu irmão.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Não quero criticar, mas se sabias que iria chegar tarde, podias ter me deixado a chave e
teríamos começado sem ti.
—Mas eu não sabia que ia chegar tarde. Oh, cuidado! —exclamou apreensiva quando a
moldura de madeira que sustentava a tela se abriu nas mãos do tosco carregador—. O
bastidor!
O homem pestanejou, com a moldura se desfazendo nas mãos.
—Não foi culpa minha —exclamou enquanto Augustin começava a maldizer exasperadamente
em francês.
—Oh, céus —Maggie se aproximou para examinar a tela. Por sorte, a pintura no estava de
todo seca, e não rachou—. Talvez possa reparar. Pega essas paisagens ali, certo? —disse com
um gesto de mãos—. Deixe este comigo.
Todavia, a pintura de “essas paisagens ali” não estava seca, como assinalou o marchand
quando já era tarde demais; o resultado foram quatro telas com grandes manchas de sujeira
nas bordas. Consciente de que não podia vender os quadros nesse estado, a jovem os colocou
em vários cavaletes para repará-los; no entanto, não demorou para perceber que não se
lembrava como se faziam para mesclar as sombras para dissimular os defeitos.
No final, os carregadores, confusos por suas nervosas ordens e incomodados pelos
impropérios em francês de Augustin, deixaram no estúdio a metade dos quadros. Maggie e seu
prometido tiveram que ir atrás deles, descendo com pressa com seis lances de escada;
divertidos, os demais artistas do edifício colocaram a cabeça pela porta de seus estúdios para
rir da correria daqueles dois.
As treze horas, os carregadores acabaram de carregar todo o material. Entretanto, estavam de
mal humor, pois achavam que o dono da galeria lhe pagaria logo.
—Oh, no, mes garçons —foi a seca resposta do jovem francês—. O pagamento será feito no
momento da entrega.
Aquilo fez com os carregadores resmungassem baixo todas as desgraças que poderiam ocorrer
com as pinturas dela pelas enlameadas ruas que levavam a Bond Street. Ao ouvi-los, Maggie
sentiu que lhe faltavam as pernas e se deixou cair no sofá junto a janela.
—Oh, Augustin —sussurrou—. Vá com eles, por favor.
Ao dar-se conta da palidez do rosto de sua prometida, de Veygoux no pode conter outra
ladainha repleta de maldições.
—Concordo, irei com eles para me assegurar de que não vão arrastar seus quadros pelo bairro
—resmungou finalmente com toda a dignidade de que foi capaz, enquanto pegava o chapéu
—. Fique aqui e conserta aqueles quadros que foram danificados, certo?
Maggie assentiu, aturdida.
—Me encontre a tarde galeria, para que, quando tivermos emoldurado os quadros, possamos
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
arrumá-los de acordo com suas especificações.
Maggie assentiu de novo, ainda que não estivesse tão entusiasmada com a disposição dos
quadros como havia estado com o traslado.
Augustin foi embora, tão angustiado como ela, mesmo que por distintas razões. Todavia lhe
doía o nariz, e estava nervoso e preocupado com a apresentação de uma nova pintora em sua
galeria no dia seguinte. Mas isso seria pouco, se não fosse pelo fato da artista estar de tão mal
humor que nem podia contar com sua cooperação.
Maggie sabia que devia estar profundamente agradecida por todas as coisas maravilhosas que
seu prometido fazia por ela, e por ser tão paciente e tolerante.
Por que não podia amá-lo? As coisas seriam muito mais simples!
No entanto, sabia que aquilo era impossível. E lhe diria isso naquela mesma noite. Tinha que
fazê-lo.
Maggie demorou o dia todo para reparar os quadros de paisagens, e chegou a Bond Street as
cinco da tarde. Havia pego frio na viajem de coche, carregada com as telas, e depois de ter
bebido até a última gota de vinho que havia no estúdio, estava sedenta. Acreditava que o
vinho lhe daria coragem para repetir a Augustin as palavras que levou o dia todo ensaiando:
“Augustin —lhe diria—. Eu sinto muito, mas não posso me casar contigo. A verdade é que
estou apaixonada por outro homem, e seria injusto que tu…”
Sim, assim mesmo. Não era necessário mencionar que já havia se deitado com esse outro
homem.
No entanto, no momento em que entrou pela porta, se deu conta de que não teria nenhuma
oportunidade de fazer aquela confissão. De Veygoux gritava furioso com de seus ajudantes,
que parece ter atravessado a parede com um martelo, que havia ido parar no mostruário de
luvas da loja ao lado. Também viu os outros ajudantes correndo para cima e para baixo com
suas pinturas em baixo do braço, demais assustados por aquele ataque de cólera de seu chefe
para aventurar-se a pendurá-las.
Com uma careta de desgosto, Maggie passou diante deles, resolvida a entregar as pinturas,
ainda frescas, ao carpinteiro que devia emoldurá-las, e que estava trabalhando nos fundos da
galeria, onde estavam guardadas as obras que não havia sido expostas. Porém aquele homem,
um artesão italiano que, ao que parece, pensou que Maggie era uma empregada qualquer ou
algo do tipo, entregou as pinturas e, quando ela quis ver como estavam ficando suas criações,
ele lhe pediu que saísse com um gesto de mãos.
Sem Augustin para traduzir, era impossível fazer o carpinteiro entender que ela era a artista e
que, portanto, estava no seu direito de olhar como emoldurava suas telas. Mesmo apontando
para si mesmo e depois sinalizando os quadros, gesticulando como se pintava, o italiano a
ficou olhando e soltou uma ladainha de palavras estrangeiras malsonantes, de modo que não
restou outra alternativa a não ser retirar-se.
Na galeria, viu que seu prometido havia agarrado seu ajudante pelas orelhas; aquilo era mais
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
do que a jovem artista podia suportar, então foi embora sem que ninguém a visse.
Abatida, vagou pela gélida rua, deixando-se arrastar entre os distintos londrinos que faziam
compras naquela sexta-feira a tarde nas caras e elegantes lojas da Bond Street. Como podia
ser tão covarde?, se perguntou. Com todo o vinho que havia tomado e não havia sido capaz de
acabar com aquilo. Era horrível.
Presumiu não havia mais remédio a não se retornar para Park Lane. Esse mero pensamento lhe
provocou um profundo suspiro, que se materializou em uma espessa nuvem de vapor que saiu
de sua boca. Jeremy estaria ali, e pensou que não teria valor para enfrentar ele; cada vez que
se encontravam, acabavam na cama, e isso não resolvia nada. Tinha muitas dúvidas, muitas
preocupações sobre sua relação. Varias vezes nesse dia, se havia perguntado por que lhe havia
metido a Estrela de Jaipur no seu bolso. Naquele mesmo instante notava seu peso no fundo do
bolso. Não acreditava que tinha sido uma boa idéia levar a preciosa pedra consigo o dia todo,
mas havia decidido não deixá-la em casa.
Só Deus sabia o que poderia ocorrer. Confiava plenamente em Hill e em Evers, mas não nos
demais criados.
Não, era melhor levá-la consigo. Mas porque Jeremy lhe confiou a pedra? Era um gesto
estranho para com a pessoa com quem havia passado a noite. A menos que fosse… uma
mostra de afeto. Outros homens presenteavam com um anel de compromisso, e Jeremy
Rawlings, com uma safira do tamanho de uma ameixa.
Talvez, pensou, sentada no ônibus que tamborilava pelas ruas de Londres, havia sido uma
forma de lhe propor matrimonio. Mas não, aquilo era absurdo. O duque já havia se declarado
uma vez, e ela o havia recusado, de modo que ele não voltaria a tentar. Ademais, a safira não
tinha sido nenhum presente; ele somente pediu que ela a guardasse. Devia considerar que
alguém estava tentando matá-lo. Era um objeto de grande beleza; Maggie a havia tirado uma
única vez do bolso, quando o sol da tarde entrava pela clarabóia de seu estúdio, e a havia
observado por todos os lados. Valia a pena matar por aquilo, sem dúvida, mas não acreditava
que esse fosse o motivo porque estavam tentando assassinar Jeremy. Estava segura de que, se
ele suspeitasse de que aquela era a razão, não teria entregado a pedra a ela.
Quando o visse, lhe perguntaria por que lhe havia dado a pedra preciosa. Porém, isso não era
tudo o que lhe perguntaria. Também queria saber por que havia desaparecido, e porque tinha
tanta vontade de falar com ele naquela manhã.
E também quais eram exatamente suas pretensões no que se referia ao relacionamento deles.
No entanto, quando chegou a Park Lane, Evers lhe informou, enquanto pegava tranquilamente
seu casaco, de que sua excelência não estava em casa. Não havia aparecido para comer, e tão
pouco havia avisado se iria jantar. A Maggie aquilo lhe pareceu muito estranho. Onde
demônios podia estar? Com a princesa?
Não, isso não era possível, porque a princesa também o estava procurando.
Claro que Maggie nada soube até que entrou no seu quarto e encontrou Hill, que acabara de
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
passear com Jerry. A jovem ficou tão surpresa de vê-los que esteve a ponto de desmaiar.
—Hill! —exclamou envergonhada de que seus problemas lhe haviam feito esquecer da criada
e de seu cachorro—. Como estás? Me deixaste preocupada.
A criada não tinha um bom aspecto, mas pelo menos estava viva.
—Oh, senhorita —começou enquanto de desabotoava o vestido e Jerry brincava nos seus
tornozelos—. Não imagina a noite que passei! Evers insiste que devo ter comido algo ruim,
mas a cozinheira disse que não pode ser, pois todos jantamos a mesma refeição e ninguém
mais passou mal. Mas que noite! —se queixou Hill, enquanto caminhava para cima e para
baixo no quarto—. Me parece que nunca havia tido tantas náuseas em toda minha vida. Deixe-
me dizer ainda que nunca tive semelhantes sonhos também. Eram uns sonhos maravilhosos.
Oxalá me lembro de todos os detalhes.
Maggie, atormentada pelo remorso de saber que era a causa direta de sua enfermidade, lhe
pediu que se sentasse para descansara, mas criada se negou. Tinha muita vontade de falar e
fofocar, enquanto a jovem, em troca, estava arrasada.
—E que me diz do duque, hein? —lhe perguntou enquanto afofava as almofadas.
—O que? —perguntou a jovem, nervosa. Hill olhou sua senhora com expressão de reprovação.
—Não me diga que não sabe.
—O quê?
—O que noticiou o Times desta manhã.
—Oh —respondeu a jovem, aliviada—. Não. Por quê?
—Está na segunda página. O senhor Evers me mostrou esta manhã. Se eu não tivesse visto
com meus próprios olhos, jamais teria acreditado. —A criada disse com uma pausa carregada
de dramatismo—. Uma retratação!
—Uma retratação? —repetiu Maggie debilmente.
—Sim, senhorita. Se retrataram da notícia publicada na edição de ontem, onde se dizia que sua
excelência ia se casar com aquela desavergonhada princesa infiel.
Santo Deus! Ele estava falando a verdade! Era verdade, não tinha qualquer intenção de se
casar com a princesa Usha. Apesar da escuridão que reinava no seu quarto, logo parecia que o
sol resplandecia para Maggie.
—Essa mulher não me agrada nem um pouco —ia dizendo a criada—. Desde o momento em
que a tinha visto entrar pela porta percebeu que ela tinha um olhar esquivo, e não podia
confiar nos infiéis de olhar esquivo.
—Hill —perguntou Maggie com curiosidade—. Quanto tempo faz que viste a princesa?
—Faz meia hora que ela e aquele interprete sujo vieram aqui.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Maggie deu um sobressalto, e se levantou da poltrona colocada junto a lareira, tirando Jerry
de seu colo.
—Quê? —exclamou—. A princesa veio aqui? A princesa Usha veio procurá-lo?
—Santo Céu, já disse que sim —contestou a criada, surpresa—. Por que reage assim? Quer que
toda a vizinhança ouça?
— Jeremy sabe disse? —inquiriu—. o que ele disse?
—Como iríamos dizê-lo? O duque viajou de trem para Yorkshire faz horas.
—Yorkshire? —exclamou Maggie—. Jerry foi para Yorkshire? Estás certa disso, Hill?
—É claro que tenho certeza —disse Hill irritada.
—Para quê? —exclamou de novo Maggie—. Ele disse, Jer… quero dizer, sua excelência, por
que foi a Yorkshire? Há mal noticias da mansão Rawlings?
—O senhor Evers me contou que trouxeram carta para o duque esta manhã. Creio que era de
Lady Edward. Suponho que soube de seu regresso, e de que vocês dois estavam dormindo na
mesma casa sem acompanhante.
Maggie ficou olhando sua criada.
—Me pergunto como eles souberam —disse, incomodada.
—Não tenho nem idéia —respondeu Hill com inocência—. Pelo senhor Evers, suponho. Não
me estranharia que ele tenha contado. De todo modo, por que lhe assusta tanto que sua
excelência vá visitar a seus tios? —A criada foi para a poltrona que Maggie havia deixado vazia
—. Na verdade, já era hora de ir visitá-los. Se meu sobrinho tivesse se alistado no exército,
ficado fora durante cinco anos e se comprometido com uma infiel que quisesse levar seus
budas de sete cabeças para o vigário…
—Hill —interrompeu Margaret—. Por favor. Não é uma infiel. Ela simplesmente tem uma
religião diferente da nossa…
—Mas se você a tivesse visto! —declarou a criada com firmeza—. É uma infiel! O que estou
dizendo é que se estivesse no lugar de Lord e Lady Edward, me desgostaria muito que meu
sobrinho não viesse me ver no tão logo tivesse regressado a Inglaterra.
—Sim —murmurou a jovem—. Suponho que sim. Mas me parece tão estranho. Eu o vi esta
manhã e ele não me disse nada… —Sua voz foi se apagando. Talvez, sua decisão de ir a
Yorkshire havia sido fruto de sua conversa, durante a qual ela se mostrou bastante
desagradável.
Por outro lado, durante a noite tinha sido mais que amável … isso também contava! Todavia,
talvez ele não enxergasse desse modo. Era possível que tivesse interpretado mal seus
comentários sarcásticos e burlões, e tivesse acreditado que falava séria, quando, na realidade,
ela só queria dissimular sua inquietação. Talvez havia partido a Yorkshire convencido de que
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
ela não sentia nada por ele. Afinal, estava comprometida com outro homem. Porém, era certo
que havia se entregado a ele…
Oh, Deus, pensou com um estremecimento. Que homem ia querer se casar com uma mulher
como ela? Oh, estava claro que o duque havia desfrutado fazendo amor com ela. Ela o ouviu
gemer de prazer na noite anterior, quando chegou ao clímax. Aquilo não havia sido o grito de
um homem entediado, mas sim de alguém que se sente libertado depois de um período
interminável de encarceramento.
No entanto, logo partiu para longe.
Por que insistir? O amava, e já era hora de admitir isso. Se tivesse que se converter em
duquesa e deixar de pintar para estar com ele, ela o faria. Oh, Deus, o que estava acontecendo
com ela? Nunca em sua vida havia querido fazer outra coisa além de pintar, e então…
Então queria Jeremy.
Justo quando ele não parecia ter mais o mínimo interesse nela. Ao olhar a cama em que na
noite passada tinha alcançado a felicidade, Maggie começou a soluçar. Foi um som quase
imperceptível mas, por azar, Hill ouviu.
—Valha-me Deus! —exclamou enquanto saia do closet, onde estava preparando-lhe um banho
quente—. O que te ocorre? Se sou eu que tenho a cabeça a ponto de estourar. Por que chora?
—Por nada —murmurou Maggie, tapando o rosto com as mãos.
—Tem algo acontecendo com você. Do que se trata? Aposto que é porque não tem recebido
nenhuma carta do teu prometido. Entretanto, já lhe disse inúmeras vezes que um
compromisso de casamento não se rompe porque o noivo não escreve um dia. Nem que
fossem dois dias. Talvez se fossem três dias, e fosse o caso de que ele não estivesse fora do
país, podia começar a se preocupar. Mas um dia só …
—Não é isso, Hill —lhe assegurou a jovem enquanto levantava a cabeça, fungando o nariz. O
que estava fazendo? Chorava porque o homem com quem havia feito amor na noite anterior
tinha viajado para Yorkshire? Estava ficando louca? Não era uma professorinha perdidamente
apaixonada, nem uma leiteira, era uma artista! E com certeza faria amor com dezenas de
homens durante toda sua vida! Não podia rachar de chorar cada vez que um decidisse pegar o
trem para visitar sua família no dia seguinte. Só tinha de se espelhar em Berangére; nunca a
havia visto chorar, jamais, e já teve dezenas de amantes, alguns dos quais ela nem mesmo se
lembrava uma semana depois de sua aventura. Maggie teria que se endurecer e fazer como
Berangére, isso era tudo.
No entanto, por dentro, a jovem sabia que, por mais que tentasse, nunca seria como sua
amiga. Ela não queria dezenas de amantes. Nem sequer podia se imaginar fazendo amor com
outro homem que não fosse Jeremy. Ficava horrorizada só de pensar. Queria uma só pessoa,
que estava num trem a caminho de Yorkshire, e além do mais, era provável que retornara a
Índia.
Alguém bateu na porta, e Hill, murmurando para si, foi abrir. Maggie, que tentava se
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
recompor, ouviu uns murmúrios, tendo depois a criada fechado a porta e se aproximado da
cama.
—Parece que esta noite a senhorita está muito solicitada —disse com voz doce—. Creio que
lhe interessará saber que, segundo me disse Evers, o senhor de Veygoux está lá embaixo e
quer vê-la.
Na hora Maggie sentiu náuseas.
—Pode dizer a ele para ir embora, por favor? Esta noite não estou de humor para recebê-lo.
—Não estou disposta a fazer uma coisa dessas —respondeu a criada, indignada—. É seu noivo,
e não posso dispensá-lo como um pretendente qualquer.
—Oh —disse Maggie, rompendo-se de novo em soluços.
A criada olhou sua senhora e saiu apressadamente do quarto. Quando regressou, momentos
mais tarde, viu que a jovem secava o rosto banhado em lágrimas com a costa da mão.
Preocupada, Hill começou a enxugar a bochecha com seu lenço.
—Vamos, senhorita —ela sussurrou—. Não se preocupe. Ele já foi embora. Ficou muito
penalizado quando lhe disse que a senhorita não se encontrava bem. Está com o nariz inchado
e os olhos tão vermelhos que parece impossível ver algo. Pobre homem. Ele lhe trouxe mais
rosas —disse sinalizando para um ramo que tinha deixado em cima da cama—. Ponho na água,
com as demais?
Maggie olhou o jarro repleto de flores, na mesa de cabeceira.
—Sim, creio que sim —disse abatida—. Nunca deixa de me trazer rosas. Deve ter gasto uma
fortuna na floricultura.
—Me pediu para lhe trazer suas desculpas pelo que houve essa tarde na galeria. Estava muito
entristecido; disse que não entende como aquilo pode ter acontecido. Ele roga que o perdoe
se a chateou. —A criada começou a colocar as flores no jarro, junto com as do dia anterior—. E
que os retoques das paisagens… Eram paisagens, certo? Sim… que ficaram perfeitos, e que a
espera amanhã às dez em ponto para pendurar os quadros. Falando em amanhã, suponho que
vai querer o vestido branco para a inauguração; eu vou passá-lo cedo. O problema é que falta
um botão em uma das luvas, não entendo como pode ser tão pouco cuidadosa. Terei que ir ao
armarinho comprar outro que sirva. Veja —disse enquanto dava um passo para traz e
contemplava o arranjo floral—. Ficou divino, não foi? E cheiram tão bem! É maravilhoso ver
um pouco de cor no inverno.
Maggie olhou as rosas semi-abertas.
—Sim —disse, mas não pensava nas flores, sim em Jeremy—. É verdade.
CAPÍTULO 33
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Jeremy praguejava baixo enquanto abria com uma batida violenta na pesava porta dupla da
mansão Rawlings. O vento gélido e cortante que soprava nos campo tinha alcançado a força de
um vendaval nas duas horas que havia demorado o duque para chegar na casa desde a estação
de trem. Havia esquecido como podia chegar a ser Yorkshire em pleno inverno. Teve que
alugar uma carruagem pelo triplo do preço, e logo, a maldita berlinda estava a ponto de voar
para Post Road. A neve era tão ofuscante que o cocheiro tinha se negado a continuar, assim o
jovem teve que lhe oferecer mais cinco libras e a metade do conteúdo de sua garrafa de
uísque para convencê-lo a prosseguir.
No vestíbulo, com os ombros e botas jorrando de neve, Jeremy resmungou outra maldição,
essa vez por ter chegado tarde demais para que alguém o recebesse. Deviam ser mais de dez
horas, e no campo, a essa hora todo mundo já tinha se retirado, ou estava bêbados, pois beber
era uma das poucas distrações de que dispunham durante as noites de inverno. Deus, não
havia nada que lhe servisse de abrigo!
Cruzou o vestíbulo ladrilhado com passo firme, comprovando com desgosto que a maioria dos
candelabros que pendiam do teto estavam apagados, e de deteve em frente a uma cadeira,
sobre a qual começou a amontoar seus casacos empapados. Tremia da cabeça aos pés, e
desejava encontrar uma lareira acesa para que aquecer; no entanto, presumia que não
encontraria nem uma chama acesa no térreo. Tinha que encontrar Evers, John Evers, recordou,
para lhe pedir que mandasse alguém acender a lareira de seu quarto. Grande acolhida. Devia
ter pedido a Peters que o acompanhasse. Ou talvez deveria ter ido diretamente a Herbert
Park, para por os pingos nos “is” com sir Arthur sem mais demoras. Sem dúvida, estava com
um humor de cão ideal para a ocasião.
Ou talvez não. Estava tão fora do sério que podia atirar no pobre homem, e isso só pioraria as
coisas. Nunca poderia convencer Maggie para se casar com ele depois de assassinar seu pai.
Quando se livrou do cachecol, viu o vislumbre da chama de uma vela que se aproximava dele,
atravessando a escuridão que reinava no vestíbulo. Quando a lamparina estava bastante perto
para iluminar seu portador, o duque se deu conta de que não a conhecia; era uma menina de
uns quatorze anos, com uma emaranhada madeixa de cachos loiros que emolduravam seu
rosto gracioso e vagamente familiar. Levava uma bata de cor azul céu, demais suntuosa para
uma criada, e umas sapatilhas rebordadas com pele de coelho. Jeremy pensou de deveria falar
com seu tio sobre o salário dos serviçais.
Porém quando a menina se dirigiu para ele, percebeu que não poderia ser um membro do
serviço, pois sua tia nunca teria contratado alguém tão grosseiro.
—Quem é você? —perguntou com um tom de receio.
O jovem a ficou olhando; tinha os olhos de um azul tão claro como sua bata.
—Ia lhe perguntar o mesmo —respondeu.
—Sou Elisabeth Rawlings —se apresentou a menina, melindrosa—. E moro aqui.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Pois eu sou teu primo Jerry —esclareceu o duque depois de se recompor da surpresa. A
última vez que havia visto Lizzie lhe chegava na cintura, e nesse momento a cabeça de cabelo
anelado estava na altura de seus ombros—. Eu também moro aqui. De fato, esta casa é minha.
—Mentira —ela alfinetou, piscando—. Meu primo Jerry está na Índia.
—Não, não está—respondeu ele—. O tens diante de ti. Além disso, o que fazer de pé? A sua
mãe sabe que tens o costume de rondar a casa às escuras? Acredito que já tenha te proibido
aos dez anos quando te descobriu meia-noite na cozinha, devorando os restos de bolo do
aniversário do seu irmão.
Lizzie arregalou os olhos e olhou o jovem, boquiaberta.
—Primo Jerry? —exclamou entrecortadamente—. É você!
—É claro que sim —contestou ele, deixando o cachecol na cadeira—. Onde está todo mundo?
Esta casa parece um cemitério.
—Mamãe está na cama —começou a menina, que não podia tirar os olhos dele—. O doutor
Parks lhe disse que não deve se levantar até que nasça o bebê, mas ela não para de ir para
cima e para baixo. E suponho que papai está lendo na biblioteca. Minhas irmãs estão
dormindo, e meus irmãos não sei. Por que tens uma cor de pele tão diferente?
—Estou moreno. Isso acontece quando se passa um tempo perto da linha do equador —ele
explicou—. Que fazes levantada?
—Não fale comigo se fosse uma criança —respondeu Lizzie, indignada—. Tenho quinze anos, e
posso estar levantada até a hora que quiser.
Jeremy ofegou.
—Acredito que ia te encontrar com um rapaz. De quem se trata? Um dos lacaios? O despedirei
amanhã mesmo. —O duque agarrou sua prima pelo braço e se dirigiu para a escada que se
estendia até a galeria que cercava o vestíbulo por três de seus lados—. E não penses que não
vou dizer para seu pai, sem dúvida.
A jovem deu um puxão no braço, com uma força surpreendente para uma menina tão delgada.
—Me solta, palhaço atrevido—exigiu—. Só desci para buscar o livro que estou lendo.
—Oh, claro —replicou ele com ironia—. E como se chama? Guia para jovenzinhas em suas
primeiras aventuras amorosas?
—Pois, apenas para que saiba, estou lendo Escritos sobre educação —resmungou a jovem—. É
um tratado sobre os direitos das mulheres, de Catherine McCauley, contemporânea de Mary
Wollstonecraft, admirada atualmente pelos oito volumes de sua obra Historia da Inglaterra. —
E, com a última palavra, Lizzie conseguiu se libertar, já que Jeremy estava demais surpreso e a
soltou sem se dar conta.
—Meu Deus! —exclamou—. E por que estás lendo isso?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A jovem Rawlings arrumou a manga de sua bata com afetação.
—Porque me interessa o tema, ignorante —disse com tom desdenhoso.
Jeremy deixou escapar um suspiro. Apesar de seu cabelo loiro, aquela menina era igual a mãe,
sem dúvida. Não lembrava de uma única vez em que havia visto a tia sem um livro de
características similares nas mãos. Se perguntou como seria aquela menina dentro de uns
anos; uma intelectual atrelada em um corpo de bailarina, e sentiu pena dos homens que
sofresse a desgraça de se apaixonar por ela.
—Que demônios está acontecendo aí embaixo? —retumbou uma grave voz desde a galeria,
por cima de suas cabeças.
O duque levantou os olhos e viu a alta silhueta de seu tio no alto da escada.
—Ah, oi, tio Edward —disse com indiferença—. Sinto ter lhe incomodado.
—Jeremy? —perguntou o cavalheiro enquanto tirava os óculos da ponta do nariz.
“Deus santo!”, esteve a ponto de exclamar o jovem. Edward Rawlings com a vista cansada?
Que outras calamidades haviam sucedido enquanto estava fora?
—Sim, tio —respondeu Jerry com jovialidade—. Sou eu. Estava tentando disciplinar a tua filha
mais velha, mas parece que ela acredita que sou eu quem necessita de uma lição.
—Jeremy! —Ainda que Edward tivesse envelhecido durante a ausência de seu sobrinho, era
um homem atlético, e desceu a escadaria com rapidez para dar um abraço no recém chegado.
—Meu Deus! —exclamou Jeremy, em situação incômoda, com a voz abafada pelo roupão de
veludo de seu tio—. Se soubesse que este era a recepção que me esperava, nunca teria saído
de Nova Déli.
Surpreso com sua própria demonstração de emoção, Edward soltou o sobrinho de súbito, mas
deixou uma mão apoiada no ombro dele.
—Bem vindo ao lar —disse bruscamente—. Sentimos saudades. —E, olhando-o com os olhos
baixos, adicionou—. Tens um aspecto horrível. Vamos tomar um uísque?
—Excelente idéia —contestou Jeremy enquanto os dois homens começaram a subir a
escadaria. Edward se deteve de súbito, se virou e olhou severamente para sua filha, que
escapulia para a sala de jantar, situada entre as duas escadarias.
—E a senhorita onde pensa que vai? —inquiriu.
Sem se deter, Lizzie o olhou com expressão ofendida por cima do ombro.
—Buscar meu livro, claro. Eu o esqueci na mesa depois do jantar.
—Está bem —respondeu seu pai, pigarreando com desaprovação—. Anda, vai logo buscar e
volte para cama. E não deixe sua mãe saber que a permito ler na mesa, ou ela arrancará minha
pele em tiras.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Sim, papai —assentiu a jovem com um suspiro de resignação.
Virando-se de novo para seu sobrinho, Edward o olhou com um sorriso de desculpa.
—Se tornam um pouco desobedientes quando a mãe não está. Pegeen está na cama há dois
dias, e creio que durante esse tempo não tem visto nenhum deles.
—E o sétimo resiste a sair, hein? —perguntou o duque com um sorriso.
—Um pouco, mas acredito não vai demorar —contestou seu tio, com uma expressão risonha,
enquanto subiam para o segundo piso—. Creio que quando ela ver você, sua tia ficará tão
surpreendida que dará a luz subitamente.
—Estou tão mal assim? —perguntou Jeremy lavando a mão a mandíbula, coberta de áspero
pelo escuro—. Lizzie não me reconheceu, mesmo que a recíproca seja verdadeira.
—É o bronzeado —disse depois de observá-lo um momento—. E o nariz, é claro. Por fim
conseguiste alguém que o quebrasse, hein? Bom trabalho. Sabia que estavas desejando se
desfazer dessas linhas tão retas que herdaste. —Quando chegaram no alto da escada e estava
a ponto de dobrar no corredor, Edward se deteve e o olhou com uma sobrancelha arqueada—.
A verdade é que eu havia pensado em quebrá-lo eu mesmo quando você tivesse o
descaramento de aparecer por aqui.
Jeremy deu um passo para trás, ao lembrar da força com que golpeava seu tio.
—Se está falando da Estrela de Jaipur, posso explicar.
—Verdade? —perguntou Edward com um tom ligeiramente irônico—. Certamente será
interessante. Eu li a retratação esta manhã no Times, então suponho que não teremos uma
nova duquesa de Rawlings tão cedo como esperávamos.
—Eu não disse isso —respondeu o duque—. Mas, ela não será da Índia. De fato, ela é das
redondezas.
A Edward Rawlings podiam atribuir-se muitos defeitos, mas sem dúvida, ninguém podia negar
que sempre fora perspicaz.
—Assim que está certo —disse, sacudindo a cabeça—. Pegeen me disse que votarias para casa
tão logo soubesse que Maggie havia noivado, mas eu não acreditei muito nela.
—Espero que não tenha apostado nada —sorriu.
—Temo que sim. Maldita seja! Agora lhe devo cem libras ao Lar Rawlings para órfãos. —
Negando com a cabeça, fingindo estar desgostoso, o cavalheiro se dirigiu para a porta da
biblioteca—. Santo Deus, Jerry. Já se passaram cinco anos. Não podes deixar a coitada em paz?
Na hora, o sorrido do duque se desvaneceu.
—Não, não posso —respondeu com frieza—. E, ao que parece, você tão pouco pode deixar
minha tia em paz.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Então foi Edward quem sorriu.
—Touché! —assentiu com a mão na maçaneta da porta.
Na biblioteca, Jeremy viu com grande alivio uma grande chama acesa na lareira, e o
decantador de uísque, destampado, sobre uma mesa auxiliar. Se aproximou do fogo e
estendeu as mãos para se aquecer, enquanto seu tio fechava a porta e servia dois generosos
copos.
—Aqui —disse, entregando um dos copos—. Por teu regresso.
—Obrigado. —Jeremy bebeu quase todo o uísque de um gole, e sentiu como o liquido
abrasador passou a aquecer as extremidades congeladas. Todavia não estava suficientemente
recuperado de uma noite de tórrido romance e um dia inteiro viajando em diferentes meios de
transporte que os deixaram exausto. Ao pensar que ainda teria que lidar com sua tia, para não
falar que ainda teria que convencer a família de Maggie, se sentiu invadido por um profundo
cansaço.
Seu tio pegou amavelmente o copo vazio de suas mãos e o encheu pela segunda vez.
—Bem —começou Edward com um suspiro, enquanto se deixava cair no sofá de couro. Ao que
parece, minutos antes estava lendo o jornal, pois havia um exemplar do Times mal dobrado no
chão, a seus pés—. Deixa eu ver se entendi direito. Te alistaste na guarda montada e
embarcaste para a Índia, mataste um monte de rebeldes bengalês, conseguiste ser promovido,
salvaste o embaixador da Rainha em Bombaim de um disparo de bala, te promoveram de
novo, evitaste o saque e destruição do Palácio dos Ventos de Jaipur, e te recompensaram com
a Estrela de Jaipur… Me diga se esqueci de alguma coisa…
—Nadinha —contestou Jeremy, impressionado para seu pesar—. Parece que tens seguido
minha carreira militar até os mínimos detalhes. Entretanto, quero esclarecer que a Estrela de
Jaipur é uma safira, e não uma princesa.
Seu tio pareceu aceitar aquilo com toda naturalidade.
—Ah, e o artigo de ontem do Times?
—A princesa parece ter certas dificuldades para aceitar minha decisão de preferir uma safira
em seu lugar —contestou, dando de ombros como se quisesse dizer: “Que quer que faça um
pobre tipo como eu?”
—Entendo —pigarreou o cavalheiro—. Devo admitir que conseguiste impressionar muitos
Lordes com tua valentia. Ouvi falar que pensam em enviá-lo para lutar contra os zulus, em
Isandhlwana, para acabar de vez com os rumores sobre uma rebelião. Tenho feito o que posso
para tirar-lhe essa idéia da cabeça. Na minha opinião, creio que serias muito mais útil aqui, na
Inglaterra, como consultor em Whitehall.
—Whitehall? —inquiriu Jeremy enquanto se sentava em frente a lareira para que o calor
penetrasse até os ossos congelados—. Vamos, tio Ed, não creio que isso me agradaria nem um
pouco. Não é para que os almirantes na reserva revivam suas velhas glorias?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Sem dúvida que não —contestou Edward com indignação—. Em Whitehall estão os
escritórios centrais das Forças Armadas de Sua Majestade. Será melhor que aceite se
chegarem a lhe propor; nenhum oficial vivo deixaria passar uma oportunidade assim.
—Suponho que Whitehall será melhor que Nova Déli —concordou o duque, dando de ombros
—. Estou farto da Índia; não há uísque e os mosquitos são do tamanho de uma mão.
—E ao que parece, não há mulheres —respondeu o cavalheiro com aspereza—. Fora a
princesa, quero dizer.
—Hã, o que disse? Há muitas mulheres —replicou Jeremy com um olhar desconcertado.
—Mas ainda assim, continuas querendo se casar com Maggie? —inquiriu, cético.
—Claro que sim —argumentou o jovem, um pouco na defensiva—. Creio que no fim a mereço.
Edward levantou as sobrancelhas.
—Do que estás falando?
—Não se lembra de nossa conversa depois que... nos flagrou no estábulo? Me acusou de ser
um libertino, e me disse que eu não merecia uma moça como Maggie porque não havia feito
nada de proveitoso na vida. —Jeremy se inclinou para frente para apoiar o cotovelo na
poltrona, com o copo de uísque nas mãos—. Bem, creio que estarás de acordo comigo que
agora a fiz por merecer, certo? Arrisquei minha vida centenas de vezes a serviço do país.
—Não me digas… —Seu tio deixou o uísque, que apenas havia tocado, na mesa auxiliar—.
Jerry, não me digas que fizeste tudo isso para demonstrar que mereces Maggie.
—Por um acaso acreditas que ela não valha a pena? —perguntou com rapidez, na defensiva. O
cavalheiro pestanejou.
—Se acredito que...? Mas, por Deus, Jerry, não tem nada a ver. Estou surpreso, isso é tudo. Eu
acreditava que a essa altura tinhas te esquecido completamente dela.
—Por quê? —perguntou o duque com rispidez—. Faz cinco anos que me disseste que ela seria
uma excelente duquesa. Não pode ter mudado de opinião agora? Ou por acaso sir Arthur lhe
convenceu de que pintar retratos não é adequado para uma mulher?
—Não é nada disso —riu—. Só me referia a que cinco anos é um tempo relativamente longo
para que um jovem como você.... se mantenha naturalmente... fiel a uma mulher. E em
especial, uma mulher que, segundo entendi, anunciou seu compromisso com outro homem.
—Por que diabos acreditas que eu voltei, então? —inquiriu o jovem duque, que se levantou de
súbito e começou a andar para cima e para baixo no aposento.
—Santo Deus —exclamou Edward, olhando seu sobrinho dar voltas pela sala—. Não tinha me
dado conta antes, porém és pior que Pegeen. Quando se mete uma idéia na cabeça, não há
quem os faça mudar de opinião.
—E que mal tem isso?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Nada. Me faz rir, só isso. Então, você vai matar o noivo dela?
—Não. Ainda que seja tentador. No entanto, acho que seria melhor planejar de outro modo.
Por isso estou aqui, de fato.
—Verdade? —perguntou Edward, interessado—. Pois não diga isso a Pegeen. Se não ela vai
pensar que vocês fez pouco caso dela.
Jeremy sorriu.
—Recebi sua carta, e me deixa alegre saber que estão todos bem …
—Vamos —lhe interrompeu seu tio, com tom cético—. Nunca foste um bom puxa-saco, Jerry.
Aliás, como foi mesmo que conseguiste chegar tão longe no exército? Bem, deixe prá lá.
Melhor me contar a verdade sobre o que te traz a Yorkshire quando o amor de tua vida e seu
noivo estão em Londres.
—Sua família —respondeu o jovem de forma sucinta.
—Sua família? —Edward pareceu confuso—. O que tem a ver a família dela com todo isso?
—Tudo. Quero fazer-lhes reencontrar a razão, e que se dêem conta de que sua desaprovação
sobre a pintura de Maggie é absurda. Além disso, quero que aceitem que eu me case com ela,
no lugar desse francezinho. —Jeremy se deteve e se virou para o tio para olhá-lo de frente—.
Alguma objeção?
Edward pegou o copo de uísque que tinha deixado na mesa.
—E se eu tiver? —perguntou com um sorriso.
Seu sobrinho também sorriu, mas não havia nenhuma pitada de humor em sua expressão.
—Então não me restaria outro remédio a não ser lhe convencer na base do soco.
—Nesse caso —respondeu Edward com fingida seriedade—, não tenho nenhuma objeção.
O duque relaxou os punhos, surpreso.
—Está falando sério, tio Ed? De verdade lhe parece certo?
—De verdade —respondeu Edward, dando de ombros—. Maggie Herbert me agrada. Não
suporta os cretinos, nem mesmo de sua própria família, e não posso evitar admira-la por isso.
Não obstante, não sei como vai conseguir convencer a sua irmã Anne. Sua tia disse que desde
seu último aborto não está nada bem, e não me refiro fisicamente. Ao que parece, está
convencida de que as mulheres que estão em idade de conceber e não o fazer vivem contra a
natureza. Suponho que Anne gostaria de ter muito mais filhos, mas não pode, e não suporta
que outra mulher, podendo, não os tenha.
Jeremy, quem especialmente não gostava muito das crianças, pois sempre lhe parecia que
estavam com as mãos sujas e nunca paravam de gritar, assentiu com uma fingida expressão
compreensiva.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Edward continuou:
—Anne nunca concordou que seus pais permitissem que Maggie fosse estudar em Paris, mas
suponho que, tratando-se dela, uma academia de arte era… —olhou seu sobrinho com
severidade e emendou— …um mal menor.
O duque arqueou uma sobrancelha diante daquela insinuação sobre ele ser um mal maior,
mas como seu tio havia chamado de coisas muito piores o seu passado, deixou passar sem
comentários.
—Quando Maggie anunciou sua intenção de viver da arte, Pegeen me disse que Anne perdeu
as estribeiras —continuou Edward—. Não só era uma de suas irmãs que desafiava a ordem
natural das coisas, como também, ao fazê-lo, manchava o bom nome da família Herbert.
—Entendo —assentiu o jovem—. Então esse é o problema que vou enfrentar?
—Ah, isso não é tudo —lhe assegurou seu tio, divertido—. Não esqueça sir Arthur. Anne tem
alimentado seu rancor contra sua filha caçula. Nunca o havia visto tão inflexível sobre nada. Ele
queria que Maggie voltasse para casa para cuidar dele, e não quer ouvir falar de que ela viva
em Londres pintando os filhos dos nobres. Além disso, estou certo de não lhe agradará nada
que interfira em seus assuntos familiares, nem que queiras se casar com sua filha. Já sabes que
tem idéias firmes sobre ambas as coisas.
—Eu sei —disse o jovem com expressão sombria—. Por isso mesmo eu trouxe a pistola.
Edward arqueou uma sobrancelha.
—Ah —disse—. Compreendo. Bom, isso muda tudo, não?
Então foi a vez do duque sorrir.
—Assim espero.
CAPÍTULO 34
Maggie, no meio da Galeria de Veygoux, mordia o lábio. Eram quase onze horas da manhã e
Augustin todavia não havia chegado. Não era típico dele chegar tarde. Absolutamente não.
Não que ela se incomodasse; não tinha nenhuma vontade de vê-lo. Sabia que naquele dia não
teria nenhuma desculpa; nem uma dor de cabeça, nem carregadores estabanados, nem um
desafortunado acidente de um ajudante nem, talvez o mais importante de tudo, Jeremy.
Naquele dia tinha que romper seu compromisso.
Por sorte, os ajudantes de Augustin estavam n a galeria quando ela chegou; se não fosse
assim, teria congelado esperando na rua. Era um típico dia de fevereiro, frio e ventoso, com
uma fina cortina de água e neve cobrindo tudo. Um dia ideal para inaugurar uma exposição,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
pensou a jovem, desgostosa. Certa de que as pessoas estavam desejando sair na rua com
aquele frio para ver umas pinturas, em vez de ficar bem acomodado em casa junto da lareira.
Maggie sabia perfeitamente que ninguém assistiria a inauguração de sua exposição. E não se
importava.
Augustin tomaria uma decepção, é claro. Mas, para ela, seria um alivio. Com os altos e baixos
emocionais pelos quais estava passando, não se sentia capaz de sorrir e escutar
cumprimentos, ou críticas, das pessoas sobre seu trabalho. Pela primeira vez na vida, não se
preocupava com que pudessem falar ou pensar sobre seus quadros. Que importância teriam
um monte de telas quando se estava partindo seu coração? Estava convencida de que era
certo; estaria partindo o seu coração. Mas merecia isso, pois era a mulher mais infame sobre a
face da terra. Uma mulher que fazia amor com um homem quando estava comprometida com
outro… no só merecia que se lhe partisse o coração, como também que os jornais de domingo
publicassem críticas ferozes sobre sua exposição. Isso era o que de verdade merecia, e
confiava que o Times não a decepcionaria.
Um dos ajudantes de Augustin, o mesmo que seu noivo havia arrancado as orelhas no dia
anterior, parecia preocupado por ela; devia ter um aspecto horrível, no centro da sala, com o
guarda-chuva gotejando sobre o reluzente piso de madeira. O jovem se aproximou com
timidez e lhe deu uma xícara de chá. Surpresa, Maggie aceitou, e apenas se deu conta de que o
rapaz lhe pegava o guarda-chuva do braço e o levava para guardá-lo. Depois se desculpou pelo
atraso de seu chefe, lhe perguntou se não gostaria de dar uma volta para comprovar se os
quadros estavam pendurados a seu gosto.
Maggie não pode dissimular sua surpresa; acreditava que a razão por que havia ido a galeria
aquela manhã era para decidir onde e como dispor as obras.
O jovem se ruborizou, e olhando-a com expressão de culpa, lhe respondeu que tinha razão,
mas que ele e seus companheiros haviam adiantado o trabalho na tarde anterior. Maggie pode
ler seus pensamentos, e compreendeu que o ajudante havia se sentido tão culpado por ter
atravessado a parede com o martelo no dia anterior, que havia trabalhado até tarde para
impressionar o seu chefe com sua diligencia e iniciativa.
Porém seu chefe ainda não teve a delicadeza de aparecer.
E aquilo não era próprio dele. Nada próprio de Augustin.
Maggie, comovida pela nervosa solicitude do rapaz, passou a se sentir incomodada com a falta
de consideração de seu prometido. Respondeu que ficaria encantada de dar uma volta, e o
senhor Corman, que assim se chamava o jovem, quis acompanhá-la para explicar tudo.
As molduras eram preciosas; de fato, em alguns casos Maggie as achou muito melhores que a
pintura. Além disso, era evidente que os haviam colocado com muito cuidado, de maneira que
os maiores não ofuscavam os menores, e as paisagens se intercalavam entre os retratos, para
que a vista não se cansasse de tanto verde ou azul.
Enquanto tomava o chá, a jovem não deixava de elogiar o senhor Corman e seus
companheiros, ainda que na realidade apenas podia prestar atenção ao lhe diziam. Não
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
deixava de se perguntar onde estaria Augustin; ele nunca chegava tarde.
Logo lhe ocorreu algo horrível. E se Jeremy tivesse razão, e era seu prometido quem havia
tentado matá-lo em frente ao número vinte e dois de Park Lane e no dia seguinte no escritório
do Times? Se esse fosse o caso, talvez Augustin o havia seguido até Yorkshire, para terminar
seu trabalho.
Não, isso era ridículo. Augustin nunca tentaria matar alguém. Era incapaz de uma coisa assim.
Chegara tarde, isso era tudo. E Jeremy estava perfeitamente a salvo. Ao que tudo indica, a
havia usado, e logo abandonado, mas pelo menos estava a salvo.
Com esses pensamentos na cabeça, a jovem seguiu o senhor Corman, que virou uma esquina
para lhe mostrar, o lugar de honra, embaixo de uma lâmpada a óleo, um enorme retrato de
Jeremy. Maggie ficou tão surpresa que a xícara e o pires estavam a ponto de cair de suas mãos.
—De onde o senhor tirou isso? —perguntou, horrorizada, com os olhos arregalados.
O ajudante pareceu confuso por aquela pergunta, pois, como lhe esclareceu em seguida, ela
mesma o havia mandado de seu estúdio, junto com os demais quadros.
—Ah, não —exclamou—. Deve ter sido um erro. Este não é parte da exposição. Os
carregadores que contratou Augu… quero dizer, o senhor de Veygoux, devem ter levado por
engano. Esse quadro não estava destinado a ser exposto para ninguém!
—Peço que me desculpe, senhorita —respondeu o senhor Corman, com uma expressão
preocupada no pálido rosto—. Permita-me que lhe diga que esta é uma das melhores pinturas
de sua coleção. Não pode nos pedir para tirá-la daí; nós a transformamos no centro da
exposição.
Nesse momento, Maggie se deu conta de que, se não deixasse a xícara de chá segura num
lugar firme, acabaria aos pedaços no chão. A pousou com cuidado em cima de um pedestal e
se deixou cair num sofá de veludo azul colocado diante do retrato de Jeremy, como se
estivesse prevendo que as mulheres se desvaneciam ao vê-lo.
De fato, a artista não se surpreenderia se isso ocorresse. O retrato, pintado há anos,
representava o duque com o aspecto que tinha naquela noite no terraço de Herbert Park,
quando, ao lhe perguntar Maggie aonde iria, ele lhe respondeu: “Ao inferno.” Tinha a mesma
expressão, meio irônica, meio enfadada, uma das sobrancelhas arqueadas num gesto céptico,
e um meio sorriso nos lábios. O jovem estava retratado com um só pé na balaustrada, e com o
corpo meio voltado para o espectador; levava o chapéu em uma mão e apoiava o punho
fechado da outra mão em cima da perna levantada. A distancia se via a mansão Rawlings, tal
como a jovem se lembrava de havê-la visto esse dia anos atrás. Jeremy ia vestido com roupa
de montaria, que realçava os músculos definidos do seu corpo masculino. Maggie se ruborizou
só de olhá-lo. Em que devia estar pensando quando o pintou?
Em fim, isso era evidente.
Ainda que fosse impossível alguém adivinhar, havia pintado o retrato totalmente de memória.
Todas as linhas e os detalhes eram precisos, como si se fosse uma fotografia. Contudo, a
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
diferença de uma fotografia, o retrato plasmava o duque em todas as suas facetas; não só seu
aspecto, mas também sua essência, seu humor sarcástico, sua aguda inteligência… e,
sobretudo, sua sensualidade, tão evidente que para ela parecia que seu amante ia sair da tela,
envolvê-la e beijá-la ali mesmo.
Graças a Deus que estava no sofá, porque lhe faltavam equilíbrio nas pernas e seria impossível
manter-se em pé.
Havia pintado aquele retrato fazia quase dois anos, em apenas quatro dias; haviam sido quatro
dias de trabalho febril, durante os quais não havia permitido que ninguém visse o que estava
fazendo, nem mesmo Berangére ou madame Bonheur. Fazia pouco tempo que havia
conhecido Augustin, e Maggie acreditava que se pintasse Jeremy, conseguiria tirá-lo de sua
mente e da sua vida.
Porém, não havia funcionado. Nunca havia sido capaz de olhar a pintura terminada sem uma
inexplicável sensação de opressão no peito. Por isso a havia guardado, resolvida a não olhá-la
nunca mais. E assim tinha sido.
Até então.
—Tenho que discordar —disse debilmente.
O senhor Corman, que havia trabalhado com muitos artistas e conhecia seu caráter
temperamental, tentou acalmá-la.
—Entendo que deve estar nervosa pela inauguração desta tarde, porém insisto que este é seu
melhor trabalho. Seria um crime não incluí-lo na exposição. Veja como cai bem com essas
paisagens aos lados. Não há nenhum outro quadro da mesma medida para colocar em seu
lugar.
—Já vi que o senhor não entende —começou a jovem—. Estou dizendo que deve tirá-lo. Esta
tela faz parte de minha coleção pessoal. Não está a venda, nem está destinada a que alguém a
veja. Nem mesmo o modelo, que… tão pouco virá a inauguração.
Aquilo era algo em que Maggie apenas se atrevia a pensar. Não tinha nem idéia de por que
Jeremy havia ido para Yorkshire, mas, mesmo sabendo que era uma estupidez, tinha a
esperança de que estivesse ali no dia mais importante de sua vida.
Pela primeira vez, o jovem pareceu compreender.
—Ah, entendo. Ainda assim, senhorita Herbert, não creio que o cavalheiro se sentiria
insultado. Estou seguro de que está favorecido neste retrato. —E, com os claros olhos voltados
para a pintura, completou—. Nenhum homem poderia não gostar de que alguém os pintasse
tão… masculino.
Com um gemido, a jovem afundou o rosto entre as mãos. Estava naquela mesma posição
quando a sobressaltou uma voz em suas costas.
—Marguerethe?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
A jovem se endireitou imediatamente, como se alguém tivesse tirado de um fio que levava
preso na cabeça. Horrorizada, se virou e viu Augustin entrar apressadamente na galeria,
tirando o casaco.
Então não havia ido a Yorkshire para matar Jeremy.
—Oh, céus —murmurou com uma última olhadela para a pintura. Por sorte, o senhor Corman
pareceu entender sua angustia e se pôs diante do retrato para tapá-lo.
—Marguerethe? —a chamou de novo Augustin. Havia algo estranho em sua voz, mas Maggie
não pode determinar de que se tratava.
A jovem se levantou do sofá e atravessou a galeria com surpreendente compostura, tendo em
conta como estava alterada momentos antes. Contudo, não tinha se aproximado nem três
metros de seu prometido quando se deu conta de que ele estava mais descomposto que ela.
De fato, tinha um aspecto horrível. Mas o mau aspecto não se devia aos hematomas; na
realidade estavam desaparecendo bastante rápido, pois as marcas de debaixo dos olhos já
tinham uma cor amarelada, e o nariz estava muito menos inchado. Não, era outra coisa, mas
ela não sabia exatamente o que. Era algo diferente… estranho.
—Oh, Marguerethe —exclamou de Veygoux, com um sorriso nervoso, enquanto se inclinava
para lhe dar um beijo no rosto—. Sinto muito chegar, chérie. Não sei o que me aconteceu.
Nunca em minha vida havia dormido até tão tarde.
—Você ficou dormindo até tarde? —perguntou Maggie franzindo o cenho. Lhe custava
acreditar. Augustin sempre se levantava cedo; não obstante, era evidente que dizia a verdade,
pois ainda tinha os olhos sonolentos. A jovem sorriu—. Augustin —disse com tom reprovador
—. Não sente vergonha! Aposto que saiu ontem a noite depois de me levar aquele precioso
ramo de rosas.
O jovem francês se virou para dar o casaco para um de seus ajudantes.
—Não, que isso —respondeu. Porém disse com tanto entusiasmo que Maggie supôs que
mentia. Se perguntou que demônios estava tentando esconder—. Suponho que estou ficando
resfriado.
—Ah, claro —respondeu ela—. Um resfriado. Espero que não esteja se descuidando de sua
saúde.
—Não, nem um pouco —disse Augustin, que parecia ter a cabeça em outra coisa—. O que
houve? —perguntou, percorrendo a galeria com o olhar—. Já está tudo pronto? Que
trabalhadora, chérie.
Maggie ficou olhando para ele. Alguma coisa estava acontecendo com seu noivo, tinha certeza.
Mas, o que? Não conseguia adivinhar.
—Não fui eu —respondeu com franqueza—. Foram o senhor Corman e seus companheiros.
Colocaram os quadros ontem pela tarde, para que estivesse tudo pronto quando eu chegasse.
A verdade é que estou muito contente com o resultado. —Maggie mordeu o lábio. Dava graças
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
a Deus de que Augustin não tivesse visto o retrato de Jeremy… ainda que não soubesse como
faria para evitar que isso acontecesse. A pintura parecia atrair a atenção de todo mundo, igual
como ocorria a seu modelo.
Enquanto falava, Maggie se deu conta de que os ajudantes do marchand se mexiam, nervosos,
esperando a reação de seu chefe sobre sua iniciativa. Ao ver suas expressões de assombro
momentos depois, quando seu prometido os parabenizou, supôs que aquilo não ocorria muito,
e que de Veygoux só elogiava seus empregados quando realmente o mereciam.
—Superbe —disse olhando os quadros pendurados nas paredes—. Estou encantado. E você,
Marguerethe? Gostou?
Maggie assentiu, e então percebeu por que achava estranho Augustin: evitava olhá-la nos
olhos. Era isso! “Que estranho”, pensou. Lhe pareceu que seu prometido se sentia culpado por
algo. “Sou eu quem devia se sentir culpada, e ao contrário dele, sou capaz de manter o olhar.”
Se perguntava o que devia ter sucedido para que se sentisse assim. Será que ele havia
realmente feito algo contra Jeremy? Mas não, isso não era possível. Se alguém o tivesse
machucado, ela saberia. Ou não?
Ou não?
Enquanto Maggie pensava na questão, Augustin começou a falar com o mesmo tom de falso
entusiasmo, sem encará-la nos olhos.
—Agora, espero que esteja preparada para uma grande noticia, chérie —disse enquanto
ajustava o lenço—. É uma excelente noticia. Quando me disseram, não acreditava, mas esta
manhã recebi uma nota de confirmação do primeiro ministro. Estás preparada?
Maggie não se sentia com ânimos para nada… exceto para se sentar de novo em frente ao
quadro de Jeremy.
—Sim, creio que sim —respondeu com sinceridade.
—Sua alteza real, o príncipe de Gales em pessoa, vem assistir a inauguração esta noite —
anunciou de Veygoux, com tanta satisfação que ela não pode evitar sorrir, mas não pela visita
do príncipe, mas sim pela emoção que parecia embargar seu noivo. Para falar a verdade,
estava um pouco decepcionada. Por um momento havia se agarrado a esperança de que ele
anunciaria a presença de seu pai, ou algo assim.
Porém é claro de devia estar contente.
—Que maravilha!
—Vraiment! Mas não me pareces entusiasmada! —exclamou de Veygoux—. Creio que não
tenha entendido o que acabo de lhe dizer. O príncipe de…
—Sim, eu o entendi —ela o interrompeu com um sorriso forçado—. E estou encantada.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Marguerethe… —Parecia que Maggie havia conseguido atrair toda sua atenção—. É isso que
não entende? A Rainha quer encomendar um retrato de seus netos, e o fato de que envie o
príncipe de Gales a sua exposição quer dizer que está considerando a possibilidade de que seja
você a artista encarregada.
A pesar de seu mal humor, aquilo a impressionou. Uma encomenda da Rainha? Era a maior
honra que podia aspirar um artista.
Augustin forçou um sorriso, mas entre o nariz torto e o fingimento, acabou em uma careta.
—O Que me diz, mademoiselle, vamos comer juntos no café da frente para celebrar? Assim
podemos falar de como devemos receber o príncipe de Gales.
Porém aquilo não era o único assunto sobre o qual iriam conversar. Um salão de chá não era o
lugar ideal para romper um compromisso, mas não havia mais remédio. Havia feito o que
fosse, absolutamente o que fosse, para evitar que visse o retrato.
Ainda que, pensando bem, talvez estivesse se comportando como uma tonta. Que mal podia
fazer um pequeno quadro?
CAPÍTULO 35
—Como você pode?
Jeremy abriu um olho. Lhe pareceu que aquela frase, pronunciada muito próxima de seu
ouvido, vinha de alguém que se encontrava bem ao seu lado. Sem se lembrar onde estava,
estendeu os braços para abraçar Maggie, pensando que a encontraria enrolada ao seu lado.
Em vez disso, apalpou objeto redondo e firme. Ao abrir o outro olho, o duque descobriu
consternado que se tratava da proeminente barriga de sua tia.
O jovem afastou a mão e se ergueu, confuso.
—Tia Pegeen!
Porém a dama não parecia dividir a surpresa de seu sobrinho.
—Como você pode? —perguntou de novo, de pé junto da borda da cama—. Não tens
vergonha, Jerry!
Jeremy olhou sua tia apreensivo. Apesar de seu avançado estado de gravidez, tinha
exatamente o mesmo aspecto que da última vez que a tinha visto, cinco anos antes, exceto por
algumas finas rugas ao redor dos lábios e dos olhos verdes, e uns poucos fios brancos nas
madeixas escuras que caiam soltas sobre seus ombros. Era evidente que acabara de se
levantar da cama, e estava vestida com uma volumosa bata de veludo verde, atada abaixo dos
seios com um cinto dourado.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Não tinha nem a mais remota idéia a que ela se referia com aquela pergunta; Queria saber
como podia ter se comprometido com uma princesa indiana?, ou como pode ter ficado tanto
tempo fora sem lhe escrever?
—Acreditava que o doutor Parks recomendou que a senhora ficasse de cama —disse para
mudar de assunto e evitar que sua tia seguisse por esse caminho.
—Que ficasse na cama! —ela gritou—. Como posse ficar de repouso na cama quando acabo de
saber que meu sobrinho apareceu depois de cinco anos de ausência? E que, ainda por cima,
está doente de malaria? —Pegeen balançou a cabeça em reprovação—. Como pode? Por que
não nos escreveste para nos contar? Se eu soubesse, nunca teria lhe contado sobre a Maggie.
—Pois foi por isso mesmo que não lhe contei —murmurou o jovem.
—Mas malaria! —Pegeen voltou a negar com a cabeça—. Você tem um aspecto horrível.
—Já me disseram isso. —Jeremy pensou que talvez deveria se levantar, mas então se lembrou
de que não vestia nada por baixo dos lençóis; não podia retirar os cobertores e ficar pelado
diante de sua tia. Em vez disso, se aquietou—. Quem lhe deu permissão entrar, afinal?
—Não, ninguém —contestou Pegeen. E, para seu aborrecimento, viu que sua tia se sentava na
beira da cama—. E não dê uma de espertinho. O fato de ser tenente coronel não significa que
possa ser grosseiro com as mais velhos.
O duque bufou.
—Tio Edward sabe que a senhora levantou? Tenho certeza que quando ele souber não vai
gostar nada …
—Mas ele nem mesmo sabe por onde andam seus filhos, quem dirá sua esposa —disse
Pegeen, fazendo um gesto no ar com as mãos—. E agora me conte o que tem se passado entre
você e Maggie. Foi muita desconsideração da sua parte passar tantos dias na casa de Park Lane
com ela, sem nenhum acompanhante. O pobre Evers estava a beira de um infarto. A única
coisa que pude fazer para evitar que ele fosse embora logo no primeiro dia foi lhe oferecer
uma aumento. Além disso, lhe asseguramos que tinha a intenção de se casar com ela. Então, o
que ela lhe respondeu?
—Quem respondeu o quê?? —perguntou Jeremy, sem saber exatamente a quem nem a que se
referia.
—Maggie, é óbvio! O que ela disse quando você lhe propôs casamento?
—Se quer que eu lhe diga a verdade, ainda não disse nada, porque sequer pude planejar a
questão … —Ao ver que sua tia engolia ar para protestar, o duque arregalou os olhos e
emendou—. Escuta, tia Pegeen, estou muito feliz em lhe ver e quando tudo isso terminar, vou
lhe fazer uma visita como Deus manda. Contudo, tenho coisas importantes fazer nesse
instante. E me parece que a senhora também.
—Ainda vou estar em trabalho de parto nas próximas horas —contestou ela com outro aceno
de mão—. O que você quer realmente dizer com que não pode ainda expor a questão? Não
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
me diga que deixaste a pobre moça em Londres sem ter a menor idéia de quais são suas
intenções. Acredito que Edward tenha lhe advertido…
—A senhora está em trabalho de parto? —a interrompeu seu sobrinho, quando em fim
entendeu o que ela acabara de dizer—. Está de trabalho de parto nesse minuto?
A dama o olhou, pestanejando.
—Bom, só desde que amanheceu. Passaram pelo menos duas horas antes de que…
—Pegeen! —O estrondoso som chegou até eles acompanhado de um barulho de algo se
rompendo.
Lady Edward deu um suspiro e virou para ver qual seria a causa daquela comoção.
—Tinha entendido de que devia ficar quieta na cama —disse seu marido debaixo da porta com
um olhar furioso. Aquela frase foi pronunciada com tanta cólera contida que Jeremy sentiu
seus pelos da nuca se eriçarem em sinal de advertência.
A dama inclinou a cabeça para trás.
—Isso é o que você, meu marido, e o doutor Parks entendem, mas eu não compartilho dessa
opinião.
—Pegeen. —O cavalheiro parecia estar se controlando para não arrebentar a primeira coisa
que se pusesse no seu caminho—. Volte para cama agora mesmo.
—Não pode estar falando sério, Jeremy —continuou ela como se nada tivesse interrompido,
virando-se para seu sobrinho—. Alistair e Anne Cartwright estão lá embaixo no salão dourado
com sir Arthur. Segundo me disse Edward, queres falar com eles. Espero que os faça
reencontrar a razão. Eles tem se comportado de uma maneira horrível com Maggie desde
que… Oh!
Esta última exclamação foi proferida quando Edward, depois de se aproximar de sua esposa,
lhe carregou nos braços sem esforço aparente.
—Me ponha no chão agora mesmo! —gritou, raivosa—. Ficou louco?
—Eu não —contestou ele com aspereza, enquanto se dirigia para a porta—. Mas é evidente
que você sim.
—Isso não passa de uma vingança. Ao longo da historia, e segundo a época, os homens
trataram com indiferença a fragilidade das mulheres grávidas. —A voz começou a se afastar, a
medida que Edward levava a dama pelo corredor—. Consideravam que a mulher grávida era
um ser irracional. Contudo, quero que saiba que meu intelecto funciona perfeitamente.
—Assim é como você, minha esposa, entende, mas eu não compartilho dessa opinião.
O duque se estremeceu ao imaginar a reação de sua tia ao ouvir que seu marido lhe devolvia
suas próprias palavras. Por azar, já estavam bem longe para ouvir a resposta de Pegeen a
provocação de seu marido. Era melhor assim; Jeremy tinha coisas muito mais importantes para
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
fazer que ficar escutando a discussão de seus tios. Afastou os cobertores e se vestiu a toda
pressa, mas cuidadosamente; no fim das contas, quem lhe esperava lá embaixo não eram
quaisquer pessoas, mas sim sua futura família política, e queria lhes causar boa impressão.
Dez minutos depois, vestido e barbeado, o duque desceu a escadaria que conduzia ao grande
vestíbulo, enquanto terminava de arrumar o lenço do colarinho. Maldição! Devia ter trazido
Peters consigo. Tão concentrado estava o jovem com o lenço que quase se chocou com um
criado que se dirigia ao salão com uma bandeja de taças de xerez nas mãos. No último
segundo, o mordomo viu o duque e se desviou do choque.
—Desculpe, excelência —disse surpreso, e Jeremy levantou a vista.
—Evers? —perguntou, estreitando os olhos—. É você mesmo?
—É claro, excelência. Meu filho tem a honra de lhe servir em Londres, e meu pai foi o
mordomo desta casa durante muitos anos.
Ao jovem duque parecia que não havia nenhuma diferença aparente entre aquele homem que
servia em Park Lane, exceto por aquele ser mais jovem e ter um pouco mais de cabelo
penteado sobre a incipiente careca.
—Me alegro de voltar a vê-lo —disse o duque—. Como está este último nó?
—Muito bom, senhor —assentiu Evers depois de observar o lenço com atenção.
—Ótimo. —E apontando a bandeja com a cabeça, acrescentou—. Um pouco cedo para tomar
xerez, não lhe parece?
—Sem dúvida, excelência. No entanto, sir Arthur pegou muito frio no caminho desde Herbert
Park, e pensei que…
O duque suspirou.
—Entendo. Está bem, me dê isso. —E, diante do olhar perplexo do criado, esclareceu—. Minha
tia está em trabalho de parto. Estou seguro de que necessitam de seus serviços em outra
parte. Vá levar um pouco de água.
Evers pareceu ofendido.
—Isso seria me incumbir das tarefas da cozinheira.
—Então vá servir um brandy para meu tio. Tenho a impressão de que ele vai precisar de uma
taça logo logo.
O mordomo inclinou a cabeça, mas era evidente que desaprovava a decisão de Jeremy de
servir os seus próprios convidados.
—Como queira, excelência —murmurou. Seu filho já havia lhe informado de que o novo duque
tinha um gênio difícil, mas não havia imaginado que pudesse chegar a tal extremo. Teria que
falar sobre isso com Lord Edward. Aquele tipo de coisa era inconcebível na mansão Rawlings;
afinal, o duque tinha que preservar sua reputação.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Jeremy se deteve em frente a porta do salão dourado e usou a mão livre para tirar o lenço do
paletó. No salão se ouvia um murmúrio de vozes, a conhecida voz de barítono de Alistair em
contraste com o nervoso tom de soprano de sua esposa, sufocadas pelo irritante baixo de seu
pai.
—Gostaria de saber por que me fizeram sai de casa, do conforto em que estava —ouvir o que
dizia sir Arthur com aparente ar ofendido—, para vir a casa de um homem que sequer pode
nos receber como é devido.
—Sem dúvida —interveio Anne—. Não creio que seja um bom momento para vir a Rawlings,
com a senhora indisposta e Lord Edward tão ocupado.
Jeremy não esperou para escutar a resposta de seu pai; abriu a porta dupla e perguntou com
indiferença:
—Alguém aceita um pouco de xerez?
Sir Arthur, que estava sentado em um dos sofás de veludo dourado escuro, com as mãos
redondas estendidas até a chama, se levantou de súbito com uma rapidez surpreendente para
um homem tão corpulento.
—Santo Deus —exclamou, com a papada rosada trêmula. É possível que seja…?
—Sem dúvida —lhe assegurou o duque enquanto deixava a bandeja na mesa, junto com a filha
mais velha do cavalheiro, que o olhava estupefata—. Como vai, senhora Cartwright? —
perguntou enquanto pegava com galanteria uma das mãos enluvadas e a aproximava dos
lábios—. Faz muito tempo que não nos víamos, não é mesmo? Tempo demais, eu diria. Está
um pouco pálida. Quer uma taça de xerez?
Anne, uma mulher atraente, estava vestida de luto. Jeremy supôs que não era por sua mãe,
que havia falecido há mais de ano, mas sim pelo filho que Edward lhe havia contado que
perdera. Havia mudado pouco desde a última vez que a tinha visto, exceto talvez, que sempre
tivera uma cor bonita, e nesse momento havia perdido a cor. Contudo, não estava seguro se
essa mudança se devia ao choque de vê-lo ou a algum desgosto recente.
—Eu, eu… —Anne mordeu o pálido lábio—. Oh, céus —murmurou—. Não sabia que tinha
retornado, Jeremy.
—Excelência, querida —lhe corrigiu sir Arthur rapidamente—. Ao duque deve chamar de
excelência. Já é maior de idade —O cavalheiro se afastou da lareira e se aproximou do jovem
com a mão estendida—. Não sabíamos que havia regressado, excelência. É uma enorme
surpresa!
—Espero que seja uma surpresa agradável —sorriu Jeremy enquanto apertava a mão do pai de
Maggie.
—Oh, sem dúvida, sem dúvida! —Apesar de suas expressões de entusiasmo ao ver o duque de
Rawlings, o cavalheiro parecia nervoso—. Mas o senhor está bem? Espero que não tenha
voltado por causa de alguma doença.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Sim, mas não é nada grave —disse Jeremy sem dar importância—. Nada comparado com o
que os senhores passaram durante este último ano.
Sir Arthur ficou olhando os fios de cor esmeralda e dourado do tapete.
—Ah —disse com tristeza—. Então soube de nossa terrível perda.
—Uma terrível perda, sem dúvida —repetiu Jeremy enquanto, com gesto consolador, colocava
um mão sobre o corpulento ombro do administrador. Não estava listo para estrangular o pai
de Maggie. Por enquanto, ainda não—. A noticia sobre o falecimento de Lady Herbert me
entristeceu muito. Creio que não seria um exagero afirmar que sua esposa era uma dama
muito querida por todos.
—É muito amável de sua parte, excelência —consegui dizer sir Arthur, e o duque viu com
preocupação que o cavalheiro tinha os olhos inundados de lágrimas.
Arqueando as sobrancelhas, Jeremy se virou para Alistair para lhe pedir ajuda com o olhar. O
marido de Anne havia se levantado ao vê-lo entrar, mas tinha sentado novamente na poltrona,
e algumas mechas de pelo loiro havia caído sobre o rosto. Jeremy observou que, fora uns
poucos fios brancos, o senhor Cartwright estava exatamente igual a sempre. Alistair também
era rico por herança, mas não tinha nenhum título de nobreza, não ocupava nenhuma cadeira
na Câmara dos Lordes. Em conseqüência, havia envelhecido bem menos que seu amigo, a
quem se referia como o “feliz reformado”, Edward Rawlings.
Ao se dar conta de que Jeremy o olhava, o senhor Cartwright deu de ombros e revirou os
olhos; ainda que amasse muito sua esposa, nunca teve paciência com seu sogro. O duque logo
percebeu que aquela circunstância não ia resultar de grande ajuda.
—Por outro lado, soube também que houveram boas notícias na família —disse o jovem
duque com fingido entusiasmo enquanto retirava a mão do ombro de sir Arthur—. Sua filha
caçula está nova, não é mesmo?
Anne foi a primeira a mostrar reação; deixou escapar um breve gemido e se levantou
bruscamente. Mas, sem saber muito bem o que fazer, se aproximou de uma das janelas.
Tentou aparentar que havia ido expressamente contemplar a vista, mas Jeremy sabia que, no
inverno, a vista do salão dourado era muito monótona, pois tudo que se podia ver era o campo
coberto de neve.
—Ah, sim —contestou o advogado com insegurança, olhando a esbelta costa de sua filha—.
Sim, Margaret está prometida, porém…
Sem tirar o olhar de sir Arthur, Jeremy se deixou cair na chaise longue da qual havia acabado
de se levantar Anne.
—Sim? —inquiriu com um sorriso que talvez tivesse dado um descanso a sir Arthur.
—Em fim —continuou o cavalheiro com forçada tranqüilidade—. Como bem sabe, excelência,
Margaret sempre foi muito… teimosa. Por isso creio que haja assuntos mais interessantes para
falar. Como suas aventuras no estrangeiro, por exemplo. Temos tido noticias de todas suas
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
heróicas façanhas na Índia. Além disso, estamos impacientes para ver essa jovem… a Estrela da
Índia.
—De Jaipur — corrigiu o duque. Estendeu as pernas, junto da almofada de veludo verde,
cruzou os tornozelos e levou os dedos entrelaçados para trás da cabeça—. Na verdade não
muito o que dizer sobre ela. Correram rumores que asseguravam de que íamos nos casar, mas
não eram verdadeiros. Agora mesmo, se me permite, preferiria que falássemos de sua filha
Maggie.
—Mas… —o cavalheiro ficou olhando, confuso—. Oh, céus. Devo protestar, excelência. Essa é
uma questão… uma questão…
—É uma questão que tenho um grande interesse —interveio Jeremy, arrastando as palavras,
com o olhar perdido do teto abobadado—. Um grande interesse pessoal, se me permite.
Os olhos de sir Arthur, pequenos e ocultos das dobrinhas de gordura, se abriram até o limite
de suas possibilidades. De tanto rancor que havia acumulado aquele homem, que inclusive
Jeremy sentiu-se penalizado.
—Mas, excelência —exclamou—. Talvez não saiba que… é claro, tenho certeza de que não lhe
disseram que Margaret… nos decepcionou.
—Como? —Jeremy não pode evitar soltar uma risada diante da perturbação do cavalheiro—.
O que pode ter feito Maggie que o deixe sem palavras, sir Arthur? Por acaso não aprova o
homem com que ela vai se casar?
—Não, não —respondeu o advogado, enquanto tirava um lenço do bolso do paletó para
enxugar o rosto empapado de suor. Ao que parece, tinha passado seu frio—. Não se trata
disso. Veja, excelência, é que Margaret nos expôs ao mudar-se para Londres para…
Jeremy arregalou os olhos, com expressão de horror.
—Meu Deus! Não me diga que ela seu uniu as coristas de Vauxhall!
—Basta! Basta!
Jeremy se virou, surpreso. Anne Cartwright ainda junto a janela, havia se virado para olhá-lo.
Contudo, não se parecia com a jovem que havia conhecido quando criança, nem a mulher que
havia sido momentos antes. Aquela dama não estava pálida, pelo contrário, tinha as
bochechas pegando fogo. E a expressão de seus olhos, que não se pareciam em nada com os
da sua irmã, não era amável nem afável, mas sim, gélida… ainda que ao duque parecesse que
se formava algumas lágrimas.
—Sabes perfeitamente o que ela fez —afirmou com a voz trêmula—. Devia ter me dado conta
desde o momento em que cruzaste a porta, Jerry. Devia ter imaginado que estavas planejando
algo. Mas nunca, nem em um milhão de anos, teria adivinhado que tinha a ver com minha
irmã.
—Querida, por favor! —murmurou seu pai, confuso—. Não grite. Não percebe com que está
falando?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Ah, é claro que sei com quem estou falando, papai —respondeu Anne—. Estou falando com
Jeremy Rawlings; o bebedor, baderneiro e insolente duque de Rawlings, quem está mais
interessado em satisfazer sua lasciva…
—Escute, senhora Cartwright —interrompeu o duque, pondo-se de pé—. Não nego que tudo
isso um dia foi verdade, mas é injusto que me julgue por como me comportava há muitos anos
atrás. Eu mudei. Trabalhei duro, e creio que mereço uma segunda chance.
Anne continuou como se não tivesse ouvido.
—O jovem por culpa de quem meus pais se viram obrigados a enviar minha irmão caçula para
outro país, a fim de protegê-la de suas libidinosas inclinações…
—Já chega, é o suficiente — interrompeu Jeremy, com a mandíbula apertada—. Para começar,
minhas inclinações não são assunto seu. E, além disso, para que saiba, faz cinco anos que
propus casamento a sua irmão e ela me rejeitou, portanto, não quero ouvir mais nenhuma
palavra de que seus pais foram obrigados a mandar a filha para outro país por minha culpa,
pois fui quem saiu perdendo.
—O que disse? —exclamou Anne, quase sem fôlego. Seu pai parecia igualmente estupefato.
De fato, se deixou cair pesadamente em uma cadeira que tremeu com seu peso.
—Me ouviu muito bem —replicou Jeremy, andando para cima e para baixo em frente a lareira
—. Pode me depreciar o quanto quiser. Estou pouco me lixando com o que você pensa de
mim. A única coisa que me interessa é Maggie, e é ridículo que a tratem como se fosse uma
criminosa, quando seu único delito é fazer aquilo que verdadeiramente ama.
Anne pestanejou inúmeras vezes.
—Você a propôs casamento —murmurou, como se precisasse esclarecer aquele ponto—, E ela
lhe rejeitou?
—Foi assim mesmo — contestou Jeremy, que parou de andar, enquanto virara para olhá-la—.
Posso saber por que é tão difícil de acreditar?
—Mas… —Anne havia ficado pálida de novo—. Maggie, duquesa de Rawlings? Não, senhor,
isso sim é que não posso acreditar.
—Pois terá que começar a crer —resmungou o jovem—. Porque tenho a intenção de me casar
com ela tão logo a convença.
Anne pareceu não ter ouvido.
—Mesmo que case, Jeremy, lhe asseguro que ela não deixaria de pintar…
—Tão pouco vou pedir que o faça. Por que faria isso? Ela ama a pintura, e é uma grande
artista. Tem visto algum dos quadros que ela pintou ultimamente, senhora Cartwright? São
muito bons…
Sir Arthur pigarreou.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Seria muito impróprio —disse—. Muito impróprio. Inclusive um disparate. Quase pior do
que se casa com a jovem indiana. Tenho certeza de que a Rainha não aprovaria.—O que é um
disparate, e estou seguro de que a reina não aprovaria, é seu comportamento —replicou
Jeremy com firmeza—. Estou farto de ouvi-los, assim vou por um ponto final nisso tudo agora
mesmo —disse enquanto metia uma mão no bolso e olhava o relógio—. Há um trem que sai
para Londres dentro de duas horas. Se tem algo de que necessite para passar uma noite fora,
senhora Cartwright, lhe sugiro que mande um de meus criados buscar. O cocheiro estará aqui
dentro de meia hora.
Anne o olhou fixamente.
—Do que... está falando?
—Nós vamos a Londres —lhe explicou o jovem pacientemente—. A inauguração da exposição
de sua irmã se realiza hoje a noite na galeria de seu noivo, em Bond Street. Significaria muito
para ela que vocês e seu pai participassem, então vou me encarregar de que assim seja.
—Mas… —a dama trocou com seu pai um olhar pasmo—. Mas isso é um loucura! Eu não vou a
lugar algum!
—Sim —replicou o duque com serenidade, enquanto guardava o relógio—. Sim, a senhora vai.
—Não mesmo! —exclamou Anne dando uma cotovelada no pai—. Papai, diga a ele.
—Bem —começou sir Arthur, vacilante—. É que ele é o duque…
—Mas não pode fazer isso! —Anne se voltou para seu marido, que havia se endireitado na
poltrona e observava os acontecimentos com interesse—. Alistair, diga a ele! Diga que não
pode fazer isso!
O cavalheiro olhou Jeremy. Parecia ler a súplica escrita em seus olhos, pois suas palavras
seguintes foram:
—Ainda que eu lamente lhe afligir, querida, temo que estou de acordo com ele. Já estava na
hora de que mostre um pouco de amor fraternal para sua irmã caçula.
—Oh! —Ela o ficou olhando, com os olhos inundados de lágrimas—. Como pode me fazer isso,
Alistair? —E, tapando a boca com a mão para sufocar um soluço, se levantou e saiu
apressadamente do salão. Seu pai a olhou sair, preocupado.
—Oh, céus —disse—. Suponho que deveria… Suponho que…
—Sim —suspirou o duque—. Vá atrás dela, sir Arthur. E se assegure de que esteja pronta em
meia hora.
—Como o senhor manda, excelência —contestou o cavalheiro ante de sair do salão,
murmurando uma ladainha de incoerentes desculpas.
Quando a porta se fechou atrás dele, Alistair, sentado na poltrona, começou a aplaudir
lentamente.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Bem pensado, rapaz —disse com sarcasmo—. Bem pensado. Eu não teria feito melhor. Com
essas habilidades diplomáticas, devias seguir o exemplo se seus tio e ocupar uma cadeira na
Câmara dos Lordes.
Consciente de que ele estava zombando dele, ainda que fosse com afeto, Jeremy deu de
ombros.
—Pelo menos não precisei usar a pistola —disse.
CAPÍTULO 36
Quando Augustin, que nunca tomava o café com açúcar, pôs o terceiro torrão na xícara,
Maggie não pode suportá-lo mais.
—Não vai me dizer o que está acontecendo contigo? —explodiu.
Seu noivo levanto a vista da mesa e a ficou olhando, surpreso.
—Pardon, chérie?
—Você vai ter uma indigestão —continuou ela com a voz mais suave—. Comer com essa
tristeza não vai lhe fazer bem. Por que não me conta o que lhe aflige?
—Nada, chérie —contestou de Veygoux com melosa condescendência enquanto pegava a mão
dela, que estava do outro lado da mesa, junto de sua xícara—. Não está acontecendo nada.
Porém Maggie sabia muito bem que ele mentia. Ficou falando com o mesmo tom brando toda
a tarde, primeiro na galeria e depois na cafeteria. Todavia evitava seu olhar, e nem sequer a
havia contestado quando ela havia pedido uma fatia de torta, como teria feito normalmente;
Augustin sempre lhe dizia que os doces deviam ser ingeridos após a refeição, e não em seu
lugar.
Maggie pensou que aquele homem não podia ser um assassino. Por que ela estava tão
preocupada, então? Será que ele soube do que estava acontecendo entre ela e Jeremy? Mas
como? Sabia muito bem que não podia adivinhar que tinha perdido a virgindade, como havia
feito Berangére. Então, como poderia saber? Estava segura de que Jeremy não teria lhe
contado; a jovem a conhecia bem e sabia que seria incapaz de alardear algo assim com
Augustin. Seria indigno dele; Teria preferido pegar um tiro do que admitir que havia deflorado
a sua noiva.
Se não foi Berangére que contou? A jovem comeu um pedaço da torta e assentiu de qualquer
jeito para o garçom que lhe perguntava se queria mais chá. Maggie não tinha contado isso
para mais ninguém, então se alguém a havia delatado, só podia ser a senhorita Jacquard. Mas
porque sua amiga faria uma coisa dessas? O que ganharia com isso?
Queria ajudá-la. Tinha que ser isso. Na intenção de ajudá-la a tomar a decisão correta sobre
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
seu futuro, ela havia contado a verdade a Augustin. É claro. Por acaso ela não teria dito: “Eu
me encarrego dele”?
Quanto mais pensava nisso, mais convencida estava de que aquela era a causa do estranho
comportamento de seu noivo: Berangére lhe contou tudo sobre a noite de ardente paizão que
havia compartilhado com Jeremy. Então, como sabia que de Veygoux era demais educado para
introduzir o assunto, decidiu ela mesma fazer isso.
—Por casualidade…? —começou, vacilante—. Por casualidade você se encontrou com
Berangére a noite, quando saiu de minha casa?
Augustin pousou a xícara de café.
Por sorte, acertou colocá-la no pires e não quebrou, ainda que parte de seu conteúdo tenha se
derramado na toalha branca. O ruído chamou a atenção de alguns clientes, que se viraram
para olhá-los, e Maggie, que observava a reação de seu prometido, ficou perplexa. “Ai, não. Ela
contou! Eu vou matá-la. Por não me deixou eu mesma contar?”
Augustin esfregou suavemente a mancha com seu guardanapo, e passou umedeceu os lábios.
—Como… sabes?
—Intuição —respondeu com um sorriso sombrio.
—Não sei… não sei como pode acontecer —começou a dizer Veygoux com a olhar fixo no seu
colo. Continuava incapaz encará-la nos olhos.
Maggie estendeu o braço para pegar a mão dele, como ele havia feito com ela momentos
antes. O gesto lhe pareceu pateticamente inadequado, mas, que podia fazer? Foi assim que
disse a primeira coisa que lhe ocorreu, que não era parte do discurso que tinha preparado.
—Eu sinto muitíssimo …
Então Augustin levantou a cabeça e a ficou olhando com expressão de agradecimento.
—Vous étes vraiment angélique… —murmurou. Maggie pestanejou.
—Vamos, Augustin —sussurrou—. Não sou nenhum anjo.
—Claro que sim! —respondeu ele pegando lhe a mão entre as suas com desespero—. Que
outra mulher seria tão compreensiva, tão indulgente? Sou o homem mais afortunado sobre a
face da terra.
—Compreensiva? —repetiu a jovem—. O que eu tenho para compreender? Sou eu quem
necessita de sua compreensão.
—Não —exclamou ele, levando a mão dela aos lábios e cobrindo-a de beijos—. Não, fui eu
quem pequei. Cometi um pecado contra meu amor! Ela me assegurou que você não me
perdoaria. Mas agora me perdoa! Me compreende! Oh, Marguerethe! Não mereço uma
mulher como você, sou um egoísta…
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Maggie, perplexa, retirou a mão e o olhou fixamente.
—Do que você está falando? Quem disse que eu não entenderia?
—Berangére, é claro. —Augustin sorriu—. Me disse para não lhe contar, que não
compreenderias, mas eu disse a ela que estava equivocada. Não há outra mulher no mundo
como minha Marguerethe. Tão generosa, tão compreensiva.
—Deixa eu ver se entendi. Podias me dizer o que eu tenha que perdoar exatamente?
—Que? Minha infidelidade, chérie —contestou o jovem francês, pestanejando—. De ontem a
noite.
Maggie se recostou na cadeira, catatônica, mas risonha. Augustin se deitou com Berangére?
—É isso que não entende, chérie? —continuou o jovem. Falava com a voz tão baixa e tão de
pressa, que a jovem apenas podia ouvir o que dizia por cima do ruído das do salão, do
murmúrio das conversas dos demais clientes e do batuque dos saltos das garçonetes no chão
—. Quando fui embora de sua casa, estava com fome, então fui ao Vauxhall… É um ambiente
animado demais para meu gosto, mas admito que me sentia um pouco entristecido. Ali me
encontrei com Berangére, que também estava só, então a convidei para jantar,
naturellement…
—Ah —assentiu Maggie, ao ver que de Veygoux fazia uma pausa, esperando sua aprovação—.
Naturellement.
—Foi um jantar maravilhoso, e bebemos um pouco de champanhe, e mais um pouco…
Suponho que tomamos demais, porque em seguida o que me recordo é que Berangére me
disse que havia arrebentado o cordão do sapato, e se eu podia acompanhá-la até seu
apartamento para trocar. Um cavalheiro jamais permitiria que uma jovem andasse sozinha tão
tarde, é claro, então eu disse que si, e quando chegamos em sua casa, abrimos outra garrafa
de champanhe e…
—Ah —repetiu Maggie. Se sentia embargada por uma sensação que não podia descrever com
exatidão. Era como si tivesse tirado um enorme peso de cima dela, mas não dos ombros, como
se podia dizer, mas sim do coração—. Entendo.
Augustin esboçou um sorriso, mas evidentemente não era de alegria, pois o que disse em
seguida estava carregado de mais emoção do que ela jamais havia expressado.
—Mas não significou nada para mim, Marguerethe! Fui um estúpido. Havia bebido demais, e já
sabes como é Berangére, é uma mulher atraente e encantadora…
—Oh, sim —assentiu a jovem. Lhe custava conter um sorrido, provocado por sentimentos
muito diferentes dos que haviam feito sorrir seu noivo—. Já sei como é Berangére.
Então era a isso que havia se referido sua amiga ao dizer que ela se encarregaria de Augustin!
Meu Deus! Devia ter imaginado. Ela o seduziu! E se não estava enganada, de Veygoux parecia
ter desfrutado muito com ela. Não havia dúvida de que por isso se sentia tão culpado; havia
traído sua noiva; e havia aproveitado cada minuto disso!
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Talvez pudesse convencê-lo de que aquilo não era o fim do mundo… Ao contrário, podia ser o
principio de algo muito melhor que seu relacionamento com Maggie.
—Está me dizendo que fizeste amor com Berangére sem sentir nada por ela? —ela lhe
perguntou com seriedade.
—Não —contestou o jovem, de imediato—. Não queria dizer isso… não que eu não sentisse
nada, mas… Talvez se você e eu não tivéssemos nos conhecido, Berangére e eu… —Augustin
balançou a cabeça, como se tentasse despertar de um sonho embriagador—. Mas não é
possível.
—Por que não? —perguntou a jovem pondo os cotovelos em cima da mesa e apoiando o
queixo em uma mão.
Augustin a ficou olhando como se estivesse louca.
—Porque estou comprometido contigo, Marguerethe!
—E você se casaria comigo mesmo que estivesse apaixonado por outra mulher?
Augustin se ruborizou.
—Eu não queria dizer... não sei se…
Maggie sentiu um onda de carinho vindo do jovem e lhe pegou a mão com um sorriso.
—Eu estava brincando, eu sinto muito; não pude evitar. Você e eu somos bons amigos, e
brincar contigo é algo que sai com mais naturalidade que… —e baixando o olhar, emendou—…
outros sentimentos.
—Ah. Então é isso. —Quando Maggie sentiu a coragem de levantar a vista, se deu conta de
que de Veygoux não parecia especialmente abatido, só um pouco desanimado—. Quer que
sejamos apenas amigos?
—Não pensas que seria melhor? —perguntou apertando-lhe um pouco mais a mão dele. —. A
verdade é que não me parece que para casar seja suficiente o carinho… fraternal.
—Meus sentimentos por você não eram fraternais —contestou o jovem com um suspiro.
Quando, incomodada, a jovem quis retirar a mão, Augustin a pegou com mais força e
continuou—. Mas não posso lhe culpar por não me corresponder. Você sempre foi muito
sincera comigo. Me deixou muito claro desde o principio que não estava apaixonada por mim,
mais eu pensei que talvez com o tempo … Agora vejo que isso nunca poderia ocorrer. Uma
mulher como você não pode amar um homem como eu.
—Não diga besteiras —respondeu Maggie severamente—. Sabe muito bem que você tem
muito a oferecer. Porém, deve encontrar a mulher certa, e creio que não sou eu.
—Talvez não —disse ele, aflito—. Mas…
—Mas o quê? —Maggie o olhou com curiosidade do outro lado da mesa.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
De Veygoux balançou a cabeça, como se quisesse se livrar de uma idéia, e soltou subitamente
a mão.
—Não é nada —contestou—. E só que… Acredita que Berangére…?
A jovem teve quer morder um lábio para conter o sorriso.
—É uma pergunta de difícil resposta… —começou, tentando soar pensativa—. Para ganhar
Berangére deverá adotar uma estratégia eficaz. Não é tonta, e estou certa de que com os
estímulos adequados, poderias conquistá-la.
—Estímulos?
—Ela gosta muito do dinheiro —sorriu.
—Ah, entendo! —exclamou Augustin, mais animado—. E disso, eu tenho bastante.
—Sim, isso mesmo —riu a jovem—. Então se investir uma parte para festejá-la…
—Eu a cobrirei de presentes —decidiu o jovem—. Jóias, peles, flores…
—Creio que acertará no alvo —assentiu Maggie sorrindo—. É assim que ganhará o coração de
Berangére.
—Contudo, agora que disse isso… —respondeu com um olhar carinhoso—. E que acontecerá
com você, chère Marguerethe? Sei que minha confissão não partiu seu coração, mas gostaria
de lhe ver feliz. Esse seu duque … pois sei que é ele quem você sempre amou e não a mim …
Poderá lhe fazer feliz?
Surpresa, Maggie lhe deu uma resposta qualquer para se livrar. Porém mais tarde, quando
estava na carruagem de volta para casa, se repetiu a pergunta para si mesma. Poderia fazê-la
feliz? Ao se lembrar da noite que haviam passado juntos, presumiu que sim... sem dúvida. E
não só na cama.
Porém, ela poderia fazê-lo feliz?
CAPÍTULO 37
Quatro horas mais tarde, seguia perguntando-se o mesmo.
Começavam a doer seus pés calçados com sapatos de salto, tinha as bochechas cansadas de
tanto sorriso forçado com que cumprimentava a todos, e a mão dolorida depois de tantos
apertos de entusiasmados amantes da arte. Ainda que achasse muito bajulador que todo
mundo admirasse seu talento, Maggie só se importava com a opinião de uma pessoa, que
todavia, não tinha aparecido.
Por acaso não ia comparecer? Ao saber que havia saído de Londres, ela se sentia muito
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
abatida; seu único consolo havia sido a informação que lhe passou Hill sobre a carta da
mansão Rawlings. Não havia dúvida de que estava na hora de fazer uma visita a sua família,
mas deixá-la só por tanto tempo…
Mas se ele havia ido no dia anterior! O que ela estava pensando? Parecia uma colegial
apaixonada, suspirando por seu primeiro amor. E se ele não chegasse a tempo para a
inauguração? E se não voltasse jamais? Havia outros homens, estava segura...
Entretanto, durante toda a noite, uma voz em seu interior ficava sussurrando que não, que só
havia um homem em sua vida. Só Jeremy.
Ao que parece, estava enganada por pensar que ninguém sairia de casa com esse frio para ver
umas pinturas. A exposição havia atraído a uma dúzia de visitantes, ou talvez inclusive umas
vinte pessoas, para as quais o frio não parecia um obstáculo. Uma bonita moça contratada
para a ocasião lhes pegava os casacos quando entravam na galeria, e lhes dava uma ficha com
um número para que pudesse recolher sua roupa ao sair. Contudo, como Augustin havia
decidido que deveria haver garçons servindo champanhe, ostras gratinadas e canapés em
bandejas de prata, poucos dos que entravam estavam dispostos a sair. De modo que em pouco
menos de uma hora do início da inauguração, em mais da metade dos quadros havia uma
plaqueta que indicava que estavam vendidos.
Mesmo que ainda fosse oito horas da noite, Maggie havia apertado a mão de pelo menos uma
centena de pessoas, nenhuma delas era a que estava esperando. E se não aparecesse? A
galeria ia fechar em uma hora, e tinha combinado um jantar de comemoração com Augustin e
seus amigos. Não obstante, sabia que não podia comer nada, pois não pensava em mais nada
que não fosse Jeremy. Como ele reagiria ao saber que não estava mais comprometida?
Voltaria a lhe propor casamento? Era uma insensatez de sua parte acreditar que o faria? E se
ela se declarasse para ele? Presumia que seria o mais justo. Afinal, ela o havia rejeitado na
primeira vez …
Mas estava segura? Estava realmente convencida de que podia fazê-lo feliz? Mas nada daquilo
importava. Jeremy não ia voltar. Algo havia ocorrido, tinha certeza. Talvez o trem de Yorkshire
tenha descarrilado, ou a carruagem tenha virado. Talvez aquele homem, o assassino
misterioso que o estava cercando desde seu retorno da Índia, por fim havia conseguido lhe
fazer mais dano, e naquele momento o duque estava na cama de um hospital, febril,
chamando seu nome sem cessar. A jovem pegou uma taça de champanhe de uma bandeja e
virou todo seu conteúdo de um gole só.
Subitamente, teve um pensamento ainda mais funesto. Enquanto aceitava outra taça de
champanhe de um homem corpulento de óculos, que comparava efusivamente seu estilo
artístico com o dos impressionistas, lhe ocorreu que talvez, uma vez na mansão Rawlings,
Jeremy se dera conta de que ela seria uma péssima duquesa. E se naquele preciso instante o
duque estivesse reunido com a princesa Usha, aquela charmosa mulher a qual o papel de
senhora da mansão Rawlings lhe cairia como uma luva?
Maggie virou a segunda taça de champanhe. Não, isso não podia ser. Ele a amava. Estava
segura disso. A havia esperado durante cinco anos, cinco anos! De forma que ela deveria ser
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
capaz de esperá-lo por uma noite; sobreviveria.
Desde que havia rompido seu compromisso, tinha vontade de contar para todo mundo,
principalmente para ele. “Muito obrigada por seus elogios, senhora. Sabia que estou
apaixonada pelo décimo sétimo duque de Rawlings? Ah, não sabia? Pois é”, queria dizer isso
para a dama de aspecto elegante que lhe apertava a mão.
Fazendo um esforço, conseguiu conter-se, inclusive quando as pessoas a parabenizavam pela
exposição e logo perguntavam com curiosidade: “Quem é o jovem de cabelo escuro do
retrato?”
A principio, Maggie, horrorizada, não sabia como reagir. Havia pedido ao senhor Corman que
tirasse esse quadro. Enquanto o jovem corria para cima e para baixo com a lista das vendas, o
havia agarrado pelo braço e, com o coração apertado, tinha implorado que tirasse o quadro.
Mas ele conseguiu se livrar suavemente do aperto dela enquanto dizia com voz
tranqüilizadora:
—Francamente, senhora, se é o melhor de todos. Eu já informei que não está a venda, mas
não posso tirá-lo. É uma pintura magnífica.
Além do mais, o senhor Corman não era o único que pensava assim. Quase todo mundo,
incluindo o crítico de arte do Times, comentou o mesmo. E como a não queria confessar o
nome do jovem retratado, começaram a correr todo tipo de rumores. Entretanto, para
desgosto de Maggie, os Mitchell, que o havia conhecido no baile dos Althorpe, o
reconheceram.
—Mas este é aquele jovem que… —exclamou Lady Mitchell. Inclusive seu imperturbável
marido arqueou uma sobrancelha.
—Caramba, de Veygoux! —disse o cavalheiro—. Não foi esse rapaz que lhe quebrou o nariz na
outra noite? Como pode permitir que pendurem um retrato dele em sua galeria?
Augustin, que esteve ocupado demais para reparar no retrato antes de abrir as portas, soltou
uma risada como se fosse uma brincadeira. Mais tarde, durante uma breve pausa na maré de
congratulações, o marchand pegou a jovem pelo braço e com tom carinhoso, lhe repreendeu
porque ela nunca o havia mostrado aquele retrato.
—Ainda que tenha sido melhor assim —admitiu, o francês—. Se eu o tivesse visto antes,
entenderia que jamais poderia ter tido qualquer esperança contigo.
A jovem se ruborizou e tentou se desculpar, mas de Veygoux a calou.
—Besteira. É uma pintura preciosa. Se algum dia decidir vendê-la, peço que venda para mim.
Acredito que seria muito útil tê-lo a vista quando me sentir demais satisfeito comigo mesmo.
Maggie estava muito envergonhada para responder. Já lhe era bastante difícil que seu trabalho
estivesse a vista de todo mundo, para que seus sentimentos também estivesses expostos. Mas
ambos pareciam andar juntos. Diferente de Berangére, Maggie nunca foi capaz de evitar
expressar algo de si mesma em cada um de seus quadros, de modo que sua relação com seu
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
trabalho era muito pessoal. Cada pintura era quase como um filho, e cada vez que vendia um
quadro, sentia uma pontada de remorso.
Enquanto olhava com tristeza como o senhor Corman pregava uma placa de vendido em mais
uma paisagem, ouviu uma voz familiar em suas costas.
—Bonsoir, princesse —sussurrou Berangére.
Maggie virou a cabeça e a amiga lhe sorriu, que como de costume, estava incrivelmente
elegante; aquela noite, com um vestido de veludo púrpura.
—Teu querido de Veygoux conseguiu reunir uma multidão para você, princesse —observou
Berangére de trás de um leque de plumas de avestruz—. E não param de comprar! Deve estar
contente.
Maggie aceitou uma terceira taça de champanhe, que lhe oferecia o garçom.
—Ah, sim, estou muito contente —disse enquanto levava a taça aos lábios, mas sem provar
seu conteúdo—. Mas já não é mais meu querido de Veygoux.
Berangére baixou o leque com um gesto fingida surpresa que sua amiga reconheceu logo.
—Non? Mon Dieu! O que aconteceu, princesse? Ele soube de você e seu duc diabolique?
—Não, não soube —contestou Maggie. Ao se dar conta de que os Mitchell estavam muito
perto delas, pegou sua amiga pelo braço, e a levou até um local menos movimentado da
galeria e se inclinou até seu ouvido—. Sabe perfeitamente o que aconteceu. Não te faças de
inocente comigo. A noite seduziste de propósito Augustin!
Berangére nem se incomodou em negar.
—Está muito chateada comigo, princesse? —ela perguntou com um doce expressão em seus
olhos azuis.
—Eu ficarei se você ferir os sentimentos dele — contestou Maggie severamente.
—Ferir seus sentimentos? —Berangére inclinou a cabeça para trás, balançando os dourados
cachos—. Pfuf! Essa é boa! Lhe fiz um enorme favor, e ainda tem o desparamente de me
acusar de ferir…
—Eu falo sério —a interrompeu Maggie com dureza—. Augustin está apaixonado por ti. Deve
tratá-lo bem; ele não é como os outros homens que conquistaste. É muito sensível.
—Pfuf! —repetiu Berangére revirando os olhos—. Sensível! E eu sou o que, se posso saber?
—Insensível —contestou a jovem sem vacilar—. E está enganada; estou muito agradecida.
—De verdade? —disse sua amiga sorrindo—. Me alegro. Sabia que não aprovaria meus
métodos, mas estava farta de ver você tão triste a “ma pauvre princesse”. Tinha que fazer algo.
E sabe o que mais? Seu Augustin não está nada mal. Sabia que ele é ruivo em todas as partes
do corpo? —Berangére arqueou as sobrancelhas com expressão de cumplicidade, e sua amiga,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
incomodada, deixou escapar uma risada nervosa. Por sorte, a jovem francesa mudou de
assunto em seguida—. E por onde anda teu Jerry? Como recebeu a noticia de que agora é
livre?
Maggie franziu o cenho. Começava a se arrepender de ter aceitado a terceira taça de
champanhe. Talvez devesse comer uma ostra gratinada.
—Eh… ainda não sabe.
—Não sabe? —Sua amiga fechou o leque de súbito e apontou o nariz de Maggie—. Quem está
sendo coquete agora? Marguerethe, deves dizê-lo. Agora que já não está prometida, tem que
se decidir. Quer o duque ou não?
—Oh, é claro que quero! Mas…
—Não — interrompeu a jovem francesa levantando uma mão com a palma virada para fora—.
Não me diga que não o merece, e que seria uma duquesa terrível. Estou farta de ouvi-la dizer
isso. Ele acredita que você será uma boa duquesa, e é isso que importa.
Maggie, que não compartilhava do mesmo otimismo de sua amiga, olhou com expressão triste
ao seu redor buscando um lugar onde se sentar. Todas as cadeiras estavam ocupadas, tal
como os bancos de veludo que foram dispostos por toda galeria.
—Não tive a oportunidade de dizê-lo, porque não o vi mais. Não sei por que, mas ele foi para
Yorkshire e ainda não voltou. E a verdade é que… não sei se voltará.
—Não voltou? —Berangére arqueou as sobrancelhas tudo que podia—. Ah, deve ter
encontrado alguma resistência inesperada…
Maggie deixou de buscar um assento com o olhar para voltar-se para sua amiga.
—Resistência? —inquiriu—. Do que está falando?
A jovem francesa abriu o leque e começou a agitá-lo com energia, desviando o olhar.
—Onde está o garçom com o champanhe? Estou morta de sede. Faz muito calor aqui, não é?
—Berangére —disse Maggie com tom de advertência, mas não teve tempo de continuar, pois
Augustin a agarrou subitamente pelo braço.
—Marguerethe —exclamou sem reparar Berangére, de tão excitado como estava—.
¡Marguerethe, ele veio! Finalmente chegou!
O coração de Maggie deu uma salto. Respirou fundo e se voltou para onde chamava de
Veygoux. Sentia a pressão de seus dedos no seu braço desnudo e viu que sua amiga havia
ficado paralisada, com o leque na mão; contudo, por um momento, lhe parece que estava só.
O barulhenta multidão subitamente se calou e se separou em dois lados, como se as
empurrasse uma mão invisível. E então viu se aproximar um homem alto, com a cabeça
erguida e um sorriso nos lábios…
Porém não era Jeremy. Era um cavalheiro que Maggie tinha a impressão de já tê-lo visto
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
alguma vez, mas não era Jeremy. Ela sentiu que seu coração recuperava seu ritmo normal.
Exalou, e com uma ligeira tontura, tentou desfazer-se da mão que Augustin lhe apertava o
braço, pois os dedos dele estavam cortando sua circulação.
—Nom de Dieu! —ouviu que sussurrava Berangére—. É o príncipe de Gales.
Maggie voltou a olhar aquele homem e percebeu que sua amiga tinha razão; era o príncipe de
Gales. Era um cavalheiro corpulento, com uma barriga proeminente debaixo de um colete
branco, que a julgar por como estava vestido, parecia ter saído do teatro. Em seu braço ia uma
mulher a quem Maggie também reconheceu, mas que não era nem de longe a princesa de
Gales. A não ser que a princesa de Gales tivesse despertado uma afixação por maquiagem e
plumas, que aquela mulher exibia profusamente.
—Sabia que viria —disse Augustin com tom triunfante—. Eu sabia! A Rainha está buscando um
artista para que pinte seus netos. Marguerethe, sei que você será escolhida; não existe
nenhum pintor de retratos tão bom como você em toda Inglaterra. Oh, esse é o melhor dia da
minha vida. O melhor!
Pena que ela não podia dizer o mesmo. Estava profundamente decepcionada, e se sentia
enjoada. Quando de Veygoux havia exclamado “Por fim ele chegou”, teve certeza de que se
referia a Jeremy. Onde ele se meteu? O que Berangére quis dizer com disse…?
—Ah, senhor de Vaygoo. —O príncipe se deteve diante de Augustin e o olhou com um sorriso
simpático—. Tem uma galeria deliciosa. E que maravilha de exposição.
O jovem francês ficou de boca aberta um instante, mas uma acotovelada de Berangére o
recompôs em seguida, e fez uma reverencia inclinando-se até a cintura.
—Muito obrigado, alteza —gaguejou—. Muitíssimo obrigado. É uma grande honra para mim…
—E você deve ser a senhorita Herbert —disse o príncipe sorrindo para Berangére—. Tenho
ouvido falar muito de seu talento, querida, mas devo dizer que sua beleza supera sua destreza
com o pincel.
Com um vaidoso baixar de olhos, a francesa fez a reverencia mais graciosa imaginável.
—Merci beaucoup, alteza. Me sinto muito grata, mas eu não sou a artista. —A jovem se
endireitou e, ao ver que sua amiga tentava escapulir por trás dela sem que ninguém a visse, se
afastou e deu um firme empurrãozinho nela para a frente o príncipe—. Lhe apresento a
mademoiselle Herbert, alteza.
A moça deu uns passos adiante e, mortificada, flexionou ligeiramente os joelhos com a
esperança de que não as pernas não falhassem.
—Alteza —disse olhando o chão, sentindo que suas bochechas ardiam.
—Ah! —Com um amplo sorriso, o príncipe de Gales estendeu a mão e quando Maggie
levantou a vista, se deu conta de que esperava que ele estendesse a sua. Quando o fez, ficou
maravilhada com a suavidade da pele do herdeiro do trono—. Querida, a senhorita é tão
charmosa quanto suas pinturas.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Obrigada —ela respondeu, desejando que o chão se abrisse e a engolisse.
—E agora me diga —continuou o príncipe sem lhe soltar a mão—. Quem é esse jovem de olhar
brilhante a quem a senhorita retratou com tanta habilidade?
Confusa, Maggie levantou a vista e percebeu que estavam em frente o retrato de Jeremy.
—Oh, esse é… O décimo sétimo duque de Rawlings —respondeu com a boca seca.
O príncipe levantou as sobrancelhas.
—Verdade? —E, olhando a sua acompanhante, emendou—. Deve ser o sobrinho de Lord
Edward, Bella. Aquele jovem que causou sensação com seu heroísmo em Jaipur.
—Ah —disse Bella, separando os lábios pintados e revelando uns dentes amarelos e tortos—. É
muito bonito.
No entanto, o príncipe já não lhe prestava atenção.
—Diga-me —ele disse a Maggie, olhando a tela diante deles com olhos concentrados—. Esses
cavalos que se vêem ao fundo, são mesmo cinza?
A jovem se inclinou para frente para olhá-los.
—Sim, senhor —disse depois de um momento—. São cinza.
—Maldição! —O príncipe se aprumou de súbito e retirou a mão como se tivesse queimado—.
São os cavalos que me ganhou Edward Rawlings, Bella! Os puros-sangues.
—Verdade? —perguntou a dama desinteressada.
—Adorava esses cavalos —continuou o herdeiro do trono com voz triste. E logo, como se
tivesse acabado de ter uma grande idéia, se voltou para a pintora e disse—. Certamente,
querida, faz retratos de animais? Cachorros e outros.
O interesse do príncipe pelo quadro de Jeremy havia dissipado quase por completo os enjôos
de Maggie, que não pode conter um sorriso; sabia exatamente o que ocorreria a seguir.
—Sim, senhor —respondeu—. De fato, faço bastante detalhado.
—Esplendido! —exclamou o príncipe dando uma palmada—. O que você acha de fazer um
retrato da linda égua que comprei na semana passada? É preciosa, toda de cor negra; eu a
chamei de Meia Noite. Pode fazer?
—Seria uma honra para mim, senhor —respondeu Maggie, inclinando a cabeça
respeitosamente. Entretanto, não pode evitar que seus ombros tremessem pela alegria que
lhe percorreu o corpo.
—Excelente! —Sorridente, o príncipe deu uma piscada para Augustin—. Isso é uma achado, de
Vaygoo. Um verdadeiro achado. Faça a jovem vir pela segunda de manhã, combinado? Talvez
inclusive possa lhe apresentar a minha mãe. —E, depois de estender um braço para sua
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
acompanhante, ele disse—. Estou muito contente que tenhamos nos dado ao trabalho de
passar por aqui, não é mesmo Bella?
A dama sorriu, mostrando de novo os dentes horríveis, e a seguir o herdeiro do trono a levou
com tanta delicadeza como se fosse leve como as plumas que adornavam seu vestido e
pudesse sair voando a qualquer momento.
Quando o príncipe de Gales já não nos ouvia, Augustin cercou Maggie com os braços e, para
sua surpresa, ele a levantou e começou a dar voltar no ar como se ela também fosse feita de
plumas.
—Marguerethe! —exclamou, emocionado—. Marguerethe, sabes o que isso significa?
—Me ponha no chão! —ela suplicou agarrando os ombros dele—. Oh, Deus, me ponha no
chão pois estou enjoada.
O jovem francês fez o que ela pedia, mas não a soltou.
—Marguerethe, este é o melhor dia da minha vida! Entende o que isso significa? Significa que,
depois de anos de esforços, a família de Veygoux poderá vangloriar-se de ser um dos
mercantes da Rainha da Inglaterra. Tem idéia da importância disso para os negócios, e para
minha família em Paris? Mon Dieu, tenho que lhes enviar telegrama imediatamente.
—Maravilhoso —concordou a pintora, rindo com afabilidade—. Mas agora me solte. Bebi
champanhe demais e se continuares da dar piruetas comigo, vou por tudo para fora …
Incapaz de conter seu entusiasmo, Augustin soltou a jovem e deu um firme beijo em seus
lábios. Tão depressa, como a pegou, ela a soltou e se afastou, naquela ocasião para dar espaço
para alguém que Maggie conhecia muito bem.
—Jeremy! —exclamou, feliz.
Porém toda a alegria que sua chegada lhe despertou se desvaneceu de súbito, porque atrás
dele havia outras pessoas a quem ela também reconheceu, e a quem por nada nesse mundo
havia esperado ver na inauguração.
Maggie sentiu que todo o champanhe que havia bebido durante a noite lhe subiu pela
garganta.
CAPÍTULO 38
Jeremy não estava seguro de como reagiria Maggie ao vê-lo chegar com seu pai e sua irmã.
Acreditava que ela derramaria algumas lágrima, ou então que os receberia com palavras de
censura; sabia que ela não se dava bem em ocultar seus sentimentos.
No entanto, nunca esperou encontrá-la nos braços de outro homem.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Tão surpreendido estava que nem sequer percebeu a expressão de perplexidade da jovem
quando avistou o par que havia entrado atrás dele. O duque se dirigiu a grandes pernadas até
o noivo, em havia empalidecido ao vê-lo. Não podia ser de outro modo, pois era evidente que
Jeremy estava disposto a acabar com ele ali mesmo. Aquilo já havia ido longe demais. Se
Maggie não se decidisse tirá-lo de cima dela, ele mesmo o faria, e com muito gosto…
Então ouviu uma suave e familiar voz vinda de sua costa.
—Coronel duque?
O jovem se paralisou. Não era possível... sinceramente... não podia ser.
Mas era ela. Ao virar-se lentamente sobre uma perna, se deu conta de que Maggie e seu
prometido não olhavam para sir Arthur e sua filha mais velha, mas sim para a princesa Usha,
que vestia um reluzente vestido de noite branco decorado com pérolas, acompanhada de seu
tradutor, Sanjay.
Oh, sir Arthur estava ali, é claro. Não havia conseguido escapulir ainda que tivesse desejado.
Um homem tão corpulento não passava despercebido. No entanto, sua presença foi ofuscada
pela radiante aparição da princesa, que olhava Jeremy com uma expressão de admiração, ou
de avareza, pois o duque nunca sabia o que queria realmente aquela mulher.
Santo Deus, não estranhou que todo mundo os tivesse olhando! Nem mesmo que Maggie
parecia tão surpresa como ele havia ficado ao vê-la nos braços de outro.
Jeremy retrocedeu, agarrou a dama pelo braço e, sem fazer caso do que pudessem falar, ele a
levou através da multidão, que se separou para deixá-los passar. Talvez fosse o extraordinário
atrativo da jovem, ou a frieza que expressavam os prateados olhos dele, mas fosse qual fosse a
razão, o certo era que todos os intelectuais e mecenas ali reunidos se apressaram a sair de seu
caminho.
—O Que estas fazendo aqui? —resmungou quando conseguiu arrastá-la a um quadrante da
galeria relativamente solitário.
—Minhas mais sinceras desculpas, excelência —disse Sanjay com uma inclinação de cabeça,
quando chegou correndo atrás deles—. Seguimos a senhorita Herbert até aqui, pois sabíamos
que o encontraríamos onde ela estivesse.
Jeremy não podia crer no que ouvia. Seu maravilhoso plano de reunir Maggie com sua família,
foi por água abaixo por causa dessa princesinha detestável y cabeça oca! O jovem viu de
relance que o que ele havia planejado estava se realizando sem ele. Maggie estendeu
graciosamente a mão para seu pai, a quem, pela primeira vez naquela tarde, ficou sem
palavras. Durante a viagem, o cavalheiro não parava de falar. Sua filha Anne, em troca, não
disse nada durante o longo trajeto de trem até Londres, sentada junto de seu marido, com o
corpo ereto e a boca fechada firmemente. Jeremy tinha desejado que sir Arthur seguisse seu
exemplo, mas o cavalheiro não havia feito nada mais que se queixar pelos incômodos daquela
viagem e seu absurdo propósito. O duque esteve a ponto de lhe apontar a pistola, com a
esperança de que isso o fizesse se calar.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Entretanto Alistair, ao se dar conta de que a paciência do jovem estava a ponto de se esgotar,
passou um sermão no sogro, recitando um parágrafo do Antigo Testamento sobre o dever dos
pais de amar a seus filhos apesar de seus defeitos. Jeremy o escutou admirado, pois não sabia
que o senhor Cartwright fosse tão familiarizado com as Sagradas Escrituras.
Não obstante, quando sua esposa disse severamente que a Bíblia não dizia que os pais devia
tolerar que sua filha caçula se tornasse artista, o duque percebeu que Alistair estava perdendo
tempo.
A única coisa que fez sir Arthur se calar foi ver o príncipe de Gales apertar as mãos de sua filha
caçula. Isso, e o convide que sua alteza lhe fez para que visitasse o palácio de Kensington na
segunda-feira, colocaram o pobre homem a beira de um infarto … de alegria. Ao ver que lhe
faltava equilíbrio nas portas, seu genro o levou a um sofá, onde se sentou murmurando:
—Sua alteza real, o príncipe de Gales, afirmou que seria um prazer desfrutar da companhia de
minha filha na manhã de segunda-feira. Eu ouvi bem senhor Cartwright? Eu ouvi?
—Sim, homem, sim —lhe assegurou Alistair com uns tapinhas no ombro do sogro—. Foi isso
que o senhor ouviu.
Inclusive Anne parecia perturbada com a cena. Ao entrar na galeria, estava muito nervosa; era
evidente que esperava encontrar um monte de fumadores de ópio semi-nus. No entanto, só
viu ingleses de vestimenta respeitável, muitos dos quais eram vizinhos muito elegantes. E os
quadros! Não havia pinturas obscenas de homem vestidos jogando cartas sobre o gramado,
com mulheres nuas em segundo plano; tão pouco viu bailarinas de pernas longas, prostitutas
deitadas na cama, nem nenhuma outra imagem escandalosa como as que pintavam muitos
dos artistas modernos sobre os quais tinha lido. Aquilo eram cenas campestres, ternas
representações de crianças brincando, ou retratos de gente com aspecto normal. A dama os
olhava pestanejando com perplexidade; essas pinturas não tinham nada de indecoroso. Na
realidade, eram bastante bonitas. Será que havia se equivocado ao julgar a decisão de sua
irmão de tornar-se uma artista? Tinha um conceito errôneo do mundo da arte em geral?
Jeremy percebeu que a senhora Cartwright lutava contra sua própria consciência. Tal como
Maggie, Anne era incapaz de ocultar seus sentimentos, e sua surpresa e admiração ao
descobrir sua irmão menor na companhia do herdeiro do trono eram tão evidentes como os
de seu pai.
Ao que parece, apenas o duque tinha se impressionado mais com o abraço da artista com seu
prometido do que com os cumprimentos do príncipe. Tinha que reconhecer que Maggie
parecia contrariada e havia pedido a de Veygoux que a soltasse mas era difícil para ele
determinar até que ponto aquilo a incomodou.
Naquele momento, Anne havia se aproximado de sua irmão e falava com tom caloroso. Isso
presumiu Jeremy, pois não podia ouvir nada além da ladainha de Sanjay, que tratava de
justificar por que a princesa o havia seguido até ali. Não obstante, a explicação não tinha o
menor fundamento. Era evidente que a intenção de Usha havia sido fazê-lo passar por ridículo
e despertar a compaixão dos demais. E assim tinha sido; seu aspecto era de uma patetice
extraordinária, ainda que fosse uma patetice bela e deslumbrante. Ela o olhava com esses
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
olhos cativantes, grandes e redondos, e com a paixão refletida no palpitar do coração no peito.
Um grupo de artistas, entre os quais o duque reconheceu serem os pintores do prédio onde
Maggie mantinha seu estúdio, seguiam a princesa indiana com o olhar, se davam cotoveladas
e cochichavam; parecia que se perguntavam quanto teriam que pagar aquela jovem para que
pousasse para eles.
Enquanto isso, do outro lado da sala, Maggie e sua irmã sentavam num banco, e Berangére
Jacquard as olhava com ar de presunção, desfrutando de um triunfo que só Jeremy lhe
correspondia…
—Sanjay —disse Jeremy com um sonoro suspiro—. Este não é um bom momento, de verdade.
—Entendo —se desculpou o intérprete—. No entanto, necessito lhe perguntar uma última vez
se está de todo seguro de que não quer se casar com a princesa.
O duque o olhou, estupefato.
—É claro que estou. Venho a quase um ano tentando fazê-los entender. Nada mudou.
—Eu supunha —respondeu Sanjay, assentindo com a cabeça—. Só queria estar totalmente
seguro…
—Porque vai regressar a Índia? —perguntou Jeremy, esperançoso.
—Oh, sim —disse Sanjay—. Vamos voltar logo, mas só depois de …
Ao ver que Jeremy piscava os olhos cinza, o jovem indiano não terminou a frase. No entanto,
não era para ele que o jovem duque olhava, mas sim para a pintura que até então sua silhueta
estava ocultando. Até esse momento, o duque não havia visto o quadro que tanto
impressionou o herdeiro do trono e, ao contemplar uma reprodução de si mesmo quase em
tamanho natural, não pode conter uma expressão de incredulidade.
Num primeiro momento, não soube determinar por que ele havia se impressionado tanto.
Talvez fosse porque, de repente, enfrentava um momento de sua vida que acreditava ter
compartilhado com um só pessoa, mas que, ao que parecia, para essa pessoa havia sido tão
insignificante que o quis compartilhar com centenas de pessoas mais. Sabia exatamente o que
o quadro representava; era o instante, cinco anos antes, em que, depois de sair do quarto de
Maggie, ela lhe perguntou onde iria. “Ao inferno”, havia respondido ele. Então a jovem
pronunciou as palavras que o haviam acompanhado dia e noite durante os anos que passou no
estrangeiro: “Pois mande lembranças ao diabo por mim.”
Lhe parecia uma frase própria dela, ainda que fosse um tanto curiosa. Quantas moças teriam
se mostrado tão serenas nas mesmas circunstancias? Em vez de uma repreensão ou uma
manifestação de surpresa diante de sua insolência, ela simplesmente sorriu e lhe pediu que
mandasse lembranças ao diabo.
E não foi isso o que Jeremy esteve fazendo todos esses anos na Índia? Dar lembranças ao
diabo por parte dela?
Maggie havia imortalizado esse momento com cores vivas, e o expôs a todo mundo. Cada
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
detalhe estava minuciosa e extraordinariamente representado, desde sua expressão cínica e
indiferente, até o modo em que o luar iluminava o gramado naquela noite, assim como o pasto
de puros-sangues de seu tio. O quadro também transmitia uma emoção, mas o jovem não
soube determinar qual. Arrependimento? Talvez. Nostalgia? Talvez. Mas era evidente que
faltava algo, e era confiança. O homem retratado na pintura era muito charmoso, seguro de si
mesmo e cínico. Mas não era de modo algum digno de confiança; se notava pela cruel careta
nos volumosos lábios e pelo brilho sarcástico nos olhos prateados. A artista poderia ter
intitulado o quadro: Retrato de um libertino.
Então Jeremy se deu conta de que foi um estúpido. Durante todos esses anos recordava
aquela cena uma vez atrás da outra com um sentimento agridoce enquanto esperava uma
carta dela, convencido de que um dia ou outro chegaria. Porém, durante todo esse tempo, ela
o recordava como um libertino desonesto e lascivo.
Não lhe estranhava que não tivesse escrito, nem que tivesse se comprometido com outro
homem. Maggie nunca chegou a confiar nele, jamais acreditou numa palavra dele. E aquele
retrato era a prova de que nunca o faria. Podia seduzi-la cada noite, e arrastar sua família de
Londres a Nova Déli, ida e volta, mas mesmo assim, ela nunca aceitaria se casar com ele.
Aquele dia, anos atrás, ela lhe havia dito que não aceitava sua proposta porque não confiava
em si mesma, mas então entendeu que não se tratava dela.
Era nele que ela não confiava. A pintura o demonstrava. Não confiava nele, e nunca confiaria.
Ofuscado e aturdido, Jeremy se virou para ir embora. Só conseguia pensar em sair
imediatamente pela porta.
No entanto, não conseguiu fazê-lo, pois uma bala roçou sua orelha antes que ouvisse o
disparo. O ensurdecedor ruído da detonação retumbou pela abarrotada sala, e alguns garçons
deixaram cair as bandejas com taças, contribuindo ainda mais com a histeria generalizada.
CAPÍTULO 39
Maggie não havia visto a sua irmã Anne há quase um ano, e lhe pareceu que ela não tinha bom
aspecto. No entanto, supôs que ela mesma também não, e muito menos depois do choque a
havia sentido ao ver a princesa Usha na inauguração. Justo naquele momento estava
pensando que talvez o duque tivesse decidido se casar com ela, e vê-lo entrar com essa
expressão austera no rosto, e com a princesa atrás dele…
A jovem não desvaneceu, mas naquele momento notou que lhe faltava o chão.
Por sorte, Augustin percebeu e a conduziu a um banco próximo. Maggie se deixou cair entre as
almofadas, e antes de ter tempo de se recompor, viu Alistair Cartwright se mover
nervosamente na direção dela.
—Sentimos muito chegar tarde —disse com sua acostumada jovialidade—. Sua excelência nos
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
fez vir tão de pressa desde Yorkshire que estávamos seguros de que chegaríamos as sete. Mas
as ruas estavam congeladas, e levamos uma eternidade desde a estação até aqui.
Nem assim Maggie compreendeu; só quando Anne entrou em seu campo de visão começou a
entender. Ela demorava para processar cada pensamento, como se, um por um, tivesse que
passar por uma estreita porta para chegar a sua mente. Quando Anne se sentou no banco ao
seu lado e levantou a mão, a jovem ainda não entendia o que estava ocorrendo.
—Posso… poderia… falar contigo? —perguntou Anne pegando-lhe as mãos com os dedos
enluvados.
—Sim, é claro —respondeu ela, meio confusa pela vacilação de sua irmã. Ainda que Anne se
mostrasse tímida com os estranhos, era muito franca com os membros de sua família.
Olhou seu marido com expressão nervosa, e umedeceu os lábios com a língua.
—Só levará um minuto. Não quero lhe incomodar nem lhe entreter no dia da inauguração de
sua exposição.
Naquele momento, Maggie começou a voltar a si e se dar conta do que acontecia ao seu redor.
Viu, por exemplo, que seu pai estava sentado em um banco, como aquele em que ela estava, e
que o senhor Corman o paparicava e lhe mostrava uma tacinha de brandy debaixo do nariz.
Também viu que Augustin falava com o crítico do Times, gesticulando com entusiasmo
enquanto lhe descrevia algo, e no outro extremo do salão, visualizou Jeremy falando com o
intérprete da princesa.
—Não pretendo que me perdoes por como tenho te tratado —dizia sua irmã em voz baixa—.
Agora me dou conta de que estava equivocada. Mas seu que desculpas não são mais que isso…
desculpas. Eu nunca fui como você, tão decidida e segura de si mesma. O único gesto de
valentia que tomei na vida foi me casar com Alistair, e só porque foi muito fácil; ele me pediu,
e eu só tive que dizer sim. Por isso, justamente por esse ter sido meu único ato de coragem,
me dói tanto ter fracassado…
—Fracassado? —Aquelas palavras atraíram a atenção de Maggie—. Do que estás falando? És a
esposa perfeita, e a mãe perfeita. O único que me estranha é que, com todas as atenções que
dedicas a eles, meus sobrinhos não sejam umas crianças mimadas.
—Mas eu perdi tantos, que o mínimo que eu podia fazer era cuidar bem dos demais —
respondeu com a voz quase inaudível.
O sofrimento de sua irmã provocou em Maggie uma pontada de comiseração tão intensa que
chegou a ser física.
—Por isso você sente que fracassou? Pelos abortos? Mas isso é ridículo. Não pode se culpar
por isso. E sabes muito bem que Alistair nunca…
—Sim —Anne levantou a mão enluvada, como se quisesse deter as palavras que a jovem ia
pronunciar—. Eu sei. Suponho que sempre soube, mas só hoje percebi até que ponto meu
marido se preocupa comigo. O bastante para permitir que o duque de Rawlings nos fizesse vir
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
até Londres quase debaixo da mira de uma pistola para que nos reconciliássemos.
—Na mira de uma pistola? —repetiu Maggie sem sinal de humor—. Me odeias tanto, que só
veio me ver porque te ameaçaram tirar a vida?
—Suponho que houve um momento em foi assim— admitiu Anne com franqueza—. Afinal,
fizeste o que eu nunca fui capaz de fazer: seguir o que manda o coração. Não estou dizendo
que teria preferido outra coisa além de ser a esposa de Alistair Cartwright e a mãe de seus
filhos. É só que… Me faltou a valentia para descobrir. Mamãe sabia, e por isso você era a
preferida dela. Você era a única valente, a que não tinha medo de nada; nem da escuridão,
nem de ratos, nem de alturas, de nada…
—Anne —ela interrompeu, pensando no que ocorreu nesse dia, cinco anos antes, no estábulo
da mansão Rawlings—. Isso não é verdade.
—É claro que é. E suponho que sempre te invejei por isso. Era natural que mamãe te
admirasse, porque sempre querias alcançar teus sonhos, por mais que disséssemos que havia
coisas que não deverias fazer. Me incomodava que quisesse fazer coisas extraordinárias:
pintar, ir a Paris, o duque de Rawlings… e que sempre as conseguisse. Você sempre conseguiu
o que quis. E isso parecia injusto para uma pessoa como eu, que nunca teve a coragem para
admitir que não tivesse nenhum desejo em meu coração, ver que sua própria irmã não só o
admitia, como também o conseguia uma vez atrás da outra.
—A carta —disse Maggie com tom inexpressivo.
—Como disse?
—A carta que Jeremy mandou a Herbert Park depois da morte da mamãe. —Ela falava como
segurança que na realidade não tinha—. Não se extraviou, não é mesmo? Você a recebeu.
Pela primeira vez, Anne parecia a ponto de chorar.
—Sim —assentiu com um soluço—. Eu a peguei.
—Ah —suspirou sua irmã, balançando a cabeça—. Como pode? Entendo que se sentisse
incomodada com o comportamento dele, mas essa carta… Como pode?
—Eu não… Pensei que era o que tinha que fazer. —Anne, com as bochechas úmidas de
lágrimas parecia lastimosamente diminuída—. Você sempre conseguia o que queria, fosse o
que fosse. E que tivesse também um duque… não me parecia justo.
Maggie, mais ressentida do que estava disposta a admitir, ficou olhando com frieza a ponto de
seus sapatos.
—Sei que fiz mal —continuou Anne—. Porém não havia percebido o quanto me enganei até
esta manhã, quando Jeremy nos confessou que havia lhe pedido em casamento naquele dia
anos atrás… A verdade é que eu não fazia idéia de que teus sentimentos eram…
correspondidos. Quero dizer que sempre soube que você o amava, mas que ele também... não
podes imaginar o quão mal me sinto. Sei que não acreditará em mim, mas quando destruí a
carta pensei que estava lhe fazendo um favor. Nunca, nem em um milhão de anos, teria
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
imaginado que o duque tivesse lhe proposto matrimonio. Por que inferno o rejeitou?
—Não sou tão valente como acreditas —respondeu Maggie, negando com a cabeça—. Eu o
recusei por medo e nada mais.
—Nunca teria imaginado —respondeu Anne, com expressão de surpresa—. Você nunca teve
medo de nada.
—Tinha medo de muitas coisas —replicou sua irmã, que subitamente se sentiu muito cansada
—. Eu apenas não demonstrava.
—Então, talvez deverias ter sido atriz, em vez de pintora. Poderá me perdoar, Maggie?
A jovem estava a ponto de responder que sim, sem duvidar em nenhum momento, quando o
ruído de um disparo retumbou por toda a galeria, e um gorducho mecenas, que fingia não
escutar a conversa entre a artista e sua irmã, soltou um grito alarmado.
—Meu Deus! o que foi isso? —exclamou Anne, sobressaltada.
Porém Maggie soube de imediato: era o assassino de Jeremy. Ele o achou; por fim o havia
surpreendido em um momento de vulnerabilidade.
Em seguida se levantou e, enquanto a multidão saia em debandada, tentando fugir das balas,
ela se apressou até o canto de onde provinha o cheiro de pólvora queimada. Teve que abri
caminho a passos largos e cotoveladas entre os elegantes londrinenses que lutavam para
chegar a porta de saída, mas quando, finalmente, com a respiração entrecortada, quando
conseguiu passar por cima da última calda de vestido de veludo, se encontrou diante de uma
assustadora cena.
Jeremy, com uma mão de lado da cabeça, havia se virado para enfrentar seu atacante, que
sustentava uma fumegante pistola. Por sorte, a bala só havia arranhado sua orelha, mas tinha
a gola da camisa empapada de sangue e revelava um aspecto horrível. Maggie se deu conta de
que a bala havia perfurado a pintura atrás dele, e havia atravessado o peito do jovem no
retrato, bem debaixo do bolso, onde estaria seu coração.
Entretanto, o mais surpreendente de tudo, ao menos para Maggie, não era a ferida de Jeremy,
nem o barulho que havia feito a bala, mas sim a identidade do agressor. Apesar da insistência
do criado do duque, não era Augustin, pois o jovem francês estava ali de pé, paralisado de
terror, com Berangére agarrada em seu braço, com os olhos abertos como pratos.
Não, era Sanjay; o educado e sereno intérprete da princesa, quem, impávido, mantinha a
pistola fumegante cano curto apontado para o peito de Jeremy.
—Eu lamento —disse com um tom aparentemente sincero—. Nunca tive boa pontaria. Estava
tentando acabar com o senhor, mas não posso negar que é um homem muito difícil de matar,
excelência, e só tenho conseguido causar-lhe danos. Não se preocupe, a próxima bala porá fim
a sua dor …
A próxima bala? Horrorizada, Maggie respirou fundo para gritar e jogar-se nos braços daquele
homem, quando o duque afastou a mão da orelha, deixando que jorrasse sangue da ferida no
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
lóbulo, e perguntou com voz furiosa:
—A mim? Por que diabos deseja me matar? O que lhe fiz?
Sanjay sorriu, e Maggie observou o extraordinário contraste entre seus brancos dentes e sua
pele morena.
—Me parece que isso é bastante óbvio; o senhor desonrou a Estrela de Jaipur.
Maggie olhou aterrada para Usha, e viu com surpresa que a bela índia estava tão estupefata
como todos os demais; Suas mãos estavam segurando as bochechas, e olhava seu intérprete
com uma expressão atemorizada no grandes olhos.
—Desonrado a…? —Jeremy arregalou os olhos—. Vamos, isso já é demais. Eu não desonrei
ninguém; de qualquer modo, a princesa se desonrou a si mesma, me seguindo em todas as
partes e se mostrando tão inconveniente. Ela não me ama, nem mesmo me deseja. Só quer
meu título e meu dinheiro. Se você parar para pensar, te darás conta de que se há alguém
desonrado nessa história, esse sou eu.
—Como se atreve? —O jovem indiano, que até então mostrava uma inquietante serenidade,
começou a se agitar, furioso, e Maggie viu que a pistola começava a se balançar de um lado a
outro—. Como se atreve a falar assim da mulher que eu amo?
—Você me ama? —exclamou a princesa num inglês perfeito e sem sotaque algum.
—É claro que a amo —contestou Sanjay virando-se para ela com um olhar impaciente—. Por
que se não… —Mas então se deteve, boquiaberto, de modo que se a situação não fosse tão
trágica, teria sido cômica—. Falas inglês?
—É óbvio que sim —replicou a princesa, ofendida—. Não sou uma estúpida.
Apesar da pele morena, o intérprete pareceu empalidecer.
—Mas… se fala inglês, alteza, por que fingiu durante tanto tempo?
Usha arregalou os olhos.
—Vamos, Denish —disse—. Como pose ser tão obtuso para não imaginar sozinho?
Ao que parece, o jovem era meio obtuso, pois gaguejou:
—Mas… mas…
—Baixa essa pistola —ordenou a princesa, contrariada—. Quem lhe deu permissão para matar
o coronel? Eu, sem dúvida que não foi.
Sanjay vacilou durante um instante. No entanto, foi tempo suficiente para que o criado de
Jeremy saísse subitamente de trás da coluna e apontasse a sua própria arma no atacante.
—Já ouviu a dama —interveio Peters—. Baixa a pistola.
Para alivio de Maggie, o intérprete deixou a arma na mão estendida do criado, que, satisfeito,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
guardou a sua.
—Lamento, coronel —disse o criado ao seu senhor com tom despreocupado—. Estava
vigiando o francês, como o senhor me pediu. Nem por um momento pensei que era este aqui
quem estivesse por trás dos atentados.
—Está bem —tranqüilizou o duque com o aceno de mão.
Mas para Sanjay não estava nada bem.
—Só fiz isso pela senhorita, minha princesa —exclamou com sincera emoção—. Não sabes os
anos que levo amando-a, e o quanto desejava acabar com este galinho que desprezava seu
amor com tanta crueldade.
A bela indiana bufou. Maggie ficou olhando para ela, mas realmente não havia outro modo de
descrever o som que saiu da boca da Estrela de Jaipur; foi uma bufada que teria soltado
qualquer mulher inglesa na mesma situação.
—Eu, amar o duque? —disse com desdém, apontando para Jeremy com a cabeça. O jovem
havia tirado um lenço do bolso do paletó e pressionava contra a orelha—. Esta de brincadeira.
Eu jamais poderia amá-lo.
Sanjay parecia tão desconcertado como se sentia Maggie.
—Então por que quis segui-lo até aqui?
—Não queria a ele —esclareceu Usha—, mas sim a Estrela.
—A estrela? —gaguejou o intérprete—. Que estrela?
—Minha estrela, é claro. A Estrela de Jaipur —explicou a princesa com um olhar furioso ao
duque—. Meu tio o presenteou para lhe agradecer por ter salvo o Palácio dos Ventos, mas não
tinha nenhum direito de fazê-lo. Essa safira pertencia a minha mãe, e era minha herança.
Ao olhar para Jeremy, Maggie percebeu que a historia não o comovia nem um pouco. A orelha
já havia parado de sangrar, mas tinha a gola da camisa e o lenço empapados de sangue.
—Eu implorei ao meu tio que o desse a estrela —continuou a bela indiana com toda
naturalidade—, mas ele insistiu que, uma vez que coronel não me queria, devia então
recompensá-lo de uma outra forma. Foi assim que meu tio tirou meu dote e a ofereceu ao
homem para quem a Estrela significava tão pouco que a meteu no bolso, quando deveria
colocá-la num pedestal, que é o seu lugar merecido.
—Não sabia que a safira a pertencia —interveio Jeremy, pensativo, com o cenho franzido—.
Pensei que fosse do marajá.
A princesa revirou os olhos.
—Por nada desse mundo meu tio ofereceria algo de suas próprias arcas! A ele, parece muito
mais fácil recorrer a dos demais, e ainda assim, todo mundo o continua considerando o
homem de espírito mais generoso.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Então veio para a Inglaterra com a intenção de me roubar a pedra preciosa? —perguntou o
duque.
—Roubá-la? —repetiu Usha, como se a palavra fosse de extremo mau gosto—. Eu não vou
roubar nada de ninguém.
—Como nunca ouvi você me pedi-la, presumir que queria...
—Queria persuadi-lo para que me devolvesse. Mas devo reconhecer que o senhor é o homem
mais difícil de persuadir que já conheci. Nunca antes ninguém havia resistido tanto aos meus
encantos —disse indignada—. Era muito frustrante.
—Na verdade, me parece muito mais persuasiva agora do que quando fingia não saber inglês…
A dama arqueou uma sobrancelha de cor ébano.
—Verdade? Que interessante. Para a maioria dos homens, a ignorância em uma mulher é
irresistível. —E apontando para Sanjay com a cabeça, adicionou—. Como para Denish, por
exemplo.
Ao ouvir pronunciar seu nome, o intérprete voltou a intervir com o mesmo entusiasmo.
—Faria qualquer coisa por ti, alteza —exclamou—. Qualquer coisa!
Para uma mulher acostumada aos homens beijarem seus pés, Usha se mostrou bastante
comovida com aquela exclamação. Não obstante, ainda não havia terminado de repreender
seu ajudante por agir de iniciativa própria.
—Mas tentar matar o coronel… —ela repreendeu—. E presumo que não seja a primeira vez.
—Não —Sanjay, ao menos nessa ocasião, pareceu envergonhado—. Foi eu quem tentou o
apunhalar diante sua casa, excelência.
—E tentou me atropelar no dia seguinte? —perguntou Jeremy com curiosidade.
—Sim, isso mesmo —admitiu, baixando a cabeça—. Suponho que queira chamar as
autoridades. Não me importa ser preso, pois tudo o que fiz foi a serviço da verdadeira Estrela
de Jaipur.
Com uma expressão de sincero alvoroço nas delicadas feições, Usha estava mais formosa que
nunca.
—Faria isso por mim? —ela o perguntou depois de pousar as mãos no ombro de seu intérprete
—. Cumpririas pena perpetua nesse país gelado? Você, que sempre foi tão severo comigo?
Sanjay agarrou a mão da dama e a levou aos lábios.
—O que fosse necessário —murmurou—. Eu faria por você, minha queridíssima Usha. Se
alguma vez fui severo contigo é porque, diferente de outros homens, não sou cego para os
seus defeitos… no entanto estes só me fazem amá-la ainda mais.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Maggie acreditava que uma mulher como a princesa se sentiria insultada por aquela
insinuação de que podia ter defeitos, mas, em vez disso, a dama deixou escapar um suspiro.
—Mas já sabes, Denish, que nosso amor é impossível. Tenho que regressar a Índia e me casar
com o homem que meu tio escolheu para mim…
—Não! —O intérprete levou a mão dela ao coração dele, como se ela tivesse aberto uma
ferida—. Isso jamais. Nós ficaremos aqui. Encontrarei um trabalho. Posso fazer muitas coisas…
Maggie, comovida pela emocionante cena, sentiu que seus olhos se inundaram de lágrimas.
Olhou ao seu redor e percebeu que não era a única. Tanto Berangére como Augustin pareciam
profundamente emocionados, assim como Anne e Alistair que, para sua surpresa, não haviam
saído correndo da galeria como todo mundo. Inclusive Peters tinha uma atitude menos
agressiva do que o de costume.
Apenas Jeremy parecia imune aquela emoção. Não obstante, isso não evitou que Maggie
desse um passo adiante e, antes de saber o que estava fazendo, tirou a Estrela de Jaipur do
bolso e a colocou na mão da desconcertada Usha.
—Pegue isso —disse com a voz rouca enquanto fechava os dedos da princesa ao redor da
pesada safira—. Isso os ajudará. De qualquer modo, creio que lhe pertence.
CAPÍTULO 40
Maggie não estava consciente da enormidade do que acabara de fazer até o momento em
que, com lágrimas nos olhos enquanto se desviava do jovem par, se voltou para Jeremy; a
expressão em seu rosto lhe devolveu de imediato a realidade.
O duque estava atônito, ou mais que isso: parecia tão horrorizado como havia ficado ela
quando ouviu o disparo da pistola de Sanjay. Seus olhos prateados a encaravam com frieza,
traspassando-a, com a mesma expressão inescrutável de sempre…
Ah meu Deus! Maggie ficou paralisada de consternação, com a vista cravada nos olhos dele. O
que ela havia feito?
Acabara de presentear uma safira de vinte e quatro quilates! Quando deveria valer? A julgar
pelas expressões entusiasmo de Usha y Sanjay, muito. Berangére parecia que acabaram de lhe
dar um bofetão, uma prova a mais de havia feito uma loucura; Peters a olhava de boca aberta,
e Augustin e a família de Maggie estavam simplesmente confusos.
Santo Deus! O que ela fez?
Ao ver que Maggie ficava ali, retorcendo os dedos com nervosismo, a princesa e seu intérprete
se aproximaram dela apressadamente e começaram a desfazer-se em expressões de
agradecimento, pegando as mãos dela, até que suas bochechas ficassem de cor carmim e lhe
parecia que fosse morrer ali mesmo. No entanto, subitamente, todos voltaram sua atenção ao
Jeremy…
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
O duque deu de ombros e, sem dizer uma palavra, se virou e saiu da galeria, seguido por seu
criado, quem passou a correr atrás de seu senhor, gritando:
—Coronel, coronel, espere!
Estupefata, Maggie ficou olhando para eles enquanto saiam. O que aconteceu? Por que
Jeremy estava tão aborrecido? Oh meu Deus, o que ela fez?
A jovem não reagiu até que alguém lhe deu uma palmada na costa. Ao virar-se, viu com
surpresa sua irmã Anne, pálida como a porcelana.
—Não fique aí olhando —disse sinalizando a porta pela qual acabara de sair o duque—. Corra,
vá atrás dele!
—Oh, meu Deus —exclamou a jovem mordendo o lábio, nervosa—. Suponho que… não tinha o
direito de ter dado a safira. Afinal, era de Jeremy…
—Não seja estúpida —resmungou sua irmã franzindo o cenho—. Não tem nada a ver com isso.
Vamos, pense!
Maggie não necessitou que lhe dissessem nada mais e, um instante depois, se dirigiu a porta
por onde tinha acabado de sair Jeremy. Entretanto, seu pai se levantou subitamente do sofá
em que estava sentado durante toda a primeira hora, e do qual não havia se levantando nem
quando ouviu o disparo, e a agarrou pelo braço.
—Margaret —disse com entusiasmo—. Aonde vai? Nós temos muito o que conversar. Me
disseram que na segunda-feira você vai visitar o príncipe de Gales, e precisamente nesse dia
não tenho nada para fazer. Posso me oferecer como seu acompanhante? Não seria decoroso
que uma moça atravessasse Londres sozinha…
Com um grunhido como única resposta, e depois de liberar-se das mãos de seu pai com um
puxão de braço, Maggie saiu apressadamente pela Bond Street. O tempo seguia sendo tão
inclemente como havia sido durante todo o dia, e a jovem, com o vestido sem mangas e
delicados sapatos, começou a tremer. Já eram quase nove da noite, e a capa baixa de nuvens
que refletia nas luzes de Londres fazia brilhar a neve com uma nuance rosada. Deu tempo
apenas para ela ver a carruagem Rawlings, guiada por um par de cavalos castanhos acabando
de empreender a marcha.
Maggie amaldiçoou entre dentes e levantou um braço, mas as elegantes charretes que
passavam não só não paravam, como também que salpicavam o vestido branco com neve
derretida. No entanto, em nenhum momento ela pensou em voltar para buscar seu casaco;
esquivando-se tanto dos pedestres como das carruagens, começou a andar com um braço nu
levantado, e não passou muito tempo antes que os sapatos forrados de tecido se empapassem
de água gelada. Quase por um milagre, uma charrete livre parou e o condutor, alarmado pela
precariedade de sua vestimenta, se apressou a descer para ajudá-la. No entanto, a jovem
segurou a calda do vestido e subiu na charrete antes que o cocheiro tivesse tempo de se
levantar seu chapéu para cumprimentá-la.
—Ao número vinte e dois de Park Lane —exclamou. Enquanto isso, para si mesma, se
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
perguntou se levava dinheiro suficiente para pagar a corrida—. E de pressa, por favor.
O condutor subiu em seu assento e chicoteou o seu único corcel, um cavalo de aspecto
cansado cujo alento se mesclava com a neve londrinense em vaporosos suspiros.
—Sim, senhora. Perdoe-me, mas não gostaria de um abrigo?
Só então Maggie sentiu que estava gelada e, apesar de que era uma lã áspera e cheirava mal,
pegou a manta e cobriu as pernas e os ombros.
—Sim —disse—. Por favor, depressa.
Para ser justa, tinha que reconhecer que o cocheiro tentou ser rápido, mas era sábado a noite.
Ainda que as sessões de teatro não tivesse terminado, havia muito tráfico e, além disso, a
calçada estava congelada. Muitas das ruas estavam congestionadas, e onde havia
congestionamento, havia mendigos pedindo esmola e mulheres de questionável virtude,
buscando nos veículos algum cavalheiro com quem passar um par de horas dando voltas pelo
parque debaixo de uma acolhedora manta; só Deus sabia quantas mulheres da noite
infestadas de piolhos haviam se coberto com a manta que agora lhe aquecia os ombros. Por ali
também perambulavam as vendedoras de flores e frutas, oferecendo mercadoria no meio da
rua, deixando o tráfego mais lento ainda. Para Maggie pareceu que a carruagem levou ao
menos uma hora para chegar em frente a casa dos Rawlings; nesse momento, os dentes
rangiam de frio, e não deixava de pensar de devia ter esperado para que levasse seu casaco e
chapéu antes de sair enlouquecida da galeria.
Por sorte, tinha bastante dinheiro para pagar o cocheiro; lhe agradeceu e se apressou a subir
as escadas até a porta principal. Ao ouvir a marcha dos cascos do cavalo, um criado abriu a
porta antes que Maggie tivesse tempo de tirar as chaves do bolso.
—Senhorita Herbert! —exclamou o criado—. É você?
Maggie se apressou para entrar, e em seguida entendeu por que havia surpreendido tanto o
criado. Ao olhar-se em um dos espelhos de corpo inteiro do vestíbulo de piso de mármore, viu
uma moça alta com o cabelo caindo pelos ombros, um vestido que devia ser branco coberto
com manchas de barro e fuligem, e a pele azulada de frio, exceto o nariz, que estava muito
vermelho. Não sentia os dedos dos pés, e a calda o vestido estava rasgada, pois ao descer,
havia se enganchado na roda de trás da carruagem.
—Não se preocupe por isso agora —disse para si—. Sua Excelência retornou, Freddie?
O lacaio pareceu surpreso.
—Sim, senhorita. Ele chegou a meia hora, mas se retirou logo para o seu quarto. Permita-me
que chame a sua criada. Me parece que necessita beber algo quente.
—Não, não se preocupe —respondeu Maggie, que já havia começado a subir a escadaria,
levantando o saia do vestido até o calcanhar—. Estou bem.
—Mas senhorita…
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Estou bem, já disse! —Ela estava a ponto de chegar no quarto verde quando Evers saiu pela
porta com um decantador vazio nas mãos. A surpresa do lacaio ao ver Maggie não havia sido
nada em comparação com o estupor do mordomo, a quem os olhos estiveram a ponto de sair
das órbitas.
—Senhorita Margaret! —exclamou—. A senhorita está bem?
—Perfeitamente, obrigada —ofegou, colhendo ar a cada palavra—. Mas necessito ver sua
excelência agora mesmo.
O criado arqueou as sobrancelhas.
—Temo que isso é impossível. Sua excelência já se retirou esta noite. Sofreu um terrível
acidente; tem uma dolorosa ferida em uma orelha…
Maggie se deu conta que o olhar de Evers havia se desviado para o peito dela, que subia e
descia a toda velocidade, enquanto tentava recuperar o ar. Não podia culpá-lo; com a pressa,
enquanto subia as escadas, o vestido devia ter saído do lugar, deixando descoberto parte que
até então estavam escondidas segundo as normas do decoro.
—Evers —disse entrecortadamente—. Tenho que ver o duque por um assunto de máxima
urgência.
—Terá que esperar até amanhã —insistiu o mordomo com firmeza, olhando-a de novo nos
olhos—. Está muito pálida, senhorita. Se encontra mesmo bem? Posso fazer algo pela
senhorita?
—Sim, saia do meu caminho —lhe ordenou a jovem, impaciente, com a voz tão alta que o
criado esteve a ponto de derrubar o decantador—. Tenho que ver sua excelência, e não me
importa o que nem você nem ninguém tenha que dizer a respeito!
E, depois de pronunciar essas palavras, ela o afastou com um empurrão, pegou a maçaneta e
abriu com um golpe a porta do quarto do duque.
CAPÍTULO 41
A última coisa que Maggie esperava ver do outro lado da porta era Jeremy nu, em uma
banheira. Entretanto, foi exatamente isso que ela encontrou ao entrar no quarto; além do
Peters com expressão de perplexidade, passando o paletó do coronel.
A última coisa que o duque esperava ver era Maggie com o vestido e o cabelo em total
desordem, e quase sem fôlego. Não obstante, foi precisamente isso que ele encontrou quando
a porta do seu quarto se abriu.
—Meu Deus, Mags —disse com serenidade, dentro da banheira—. O que te aconteceu?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Parece que acabaste de chegar do inferno.
Antes que a jovem tivesse tempo de responder, Evers entrou pela porta atrás dela.
—Eu sinto muitíssimo, excelência —exclamou—. Ela insistia em vê-lo. Eu disse que o senhor já
havia se retirado, mas não quis aceitar um não como resposta. —E virando-se para a jovem,
acrescentou enquanto a agarrava pelo braço com firmeza—. E agora, senhorita Margaret, já é
hora de sair. Como pode ver, sua excelência está indisposto. Estou seguro de que o que veio
dizer-lhe pode esperar até amanhã.
Maggie se soltou da mão do mordomo com um puxão de braço.
—Não, não pode —ele rosnou—. E se voltar a me tocar, enfiarei um dedo no seu olho.
Evers piscou, indignado, e por uns momentos, Maggie se sentiu culpada; afinal, o criado só
estava fazendo seu trabalho. Mesmo assim, disse a si mesma, ele não precisava fazê-lo tão
bem.
—Senhorita! —exclamou—. Penso em informar o seu pai sobre seu comportamento esta noite
mesmo.
Da banheira disposta a poucos passos da lareira, Jeremy arregalou os olhos.
—Vamos, Mags —disse, arrastando as palavras—. Estou de acordo com Evers. Não é
necessário que se comporte assim. Diga-me o que veio me dizer e volte para o seu noivo,
como uma boa menina.
—Eu não tenho mais noivo —respondeu a jovem com altivez—. Você mesmo poderia ter
descoberto esta noite se tivesse ao menos se incomodado em perguntar, em vez de sumir
daquele modo. Porém por nada desse mundo me atreveria a afirmar que o duque de Rawlings
pode estar equivocado. —E, fazendo um cumprimento com a cabeça, se virou para sair.
—Espera!
Aquela ordem foi pronunciada com uma voz tão ensurdecedora que Evers deu um pulo que fez
tinir o decantador que levava nas mãos. No entanto, a jovem apenas olhou o duque com
descaso por cima do ombro.
—É a mim a quem o senhor se dirige com tanta grosseria, excelência? —inquiriu.
Jeremy havia se inclinado para frente, agarrando a beira da banheira com tanto força que os
nós dos seus dedos ficaram brancos.
—O que quer dizer com que já não tem mais noivo? —perguntou com gravidade.
—Foi o que eu disse —contestou Maggie, recomeçando o caminho até a porta—O que mais
poderia ser? O senhor me disse para sair, e é o que vou fazer. E com muito gosto.
—Mags!
Naquela hora, o bramido foi tão forte que Evers soltou um grito e saiu correndo do quarto que
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
quase jogou Maggie no chão com o empurrão que ele deu. Peters deixou cair o paletó que
estava passando, mas se inclinou rapidamente para recolhê-lo, na esperança de que o coronel
não percebesse. Só Maggie ficou onde estava, dentro do quarto com uma mão na maçaneta
da porta.
—Que foi? —perguntou friamente, por cima do ombro.
—Peters, deixe-nos a sós —disse impaciente o duque ao seu criado, com um olhar fulminante.
O criado não demorou um segundo sequer, mesmo que só tivesse uma perna para andar, pois
quando recebia uma ordem assim se movia com assombrosa agilidade. Em vez de se dirigir ao
closet anexo, saiu pela mesma porta que acabara de atravessar o mordomo. No entanto, se
deteve um instante para dar uma piscadinha para Maggie, quem, surpreendida por aquele
gesto de camaradagem, ficou pestanejando, incrédula, enquanto a porta se fechava atrás dele.
—E agora, me conte —começou Jeremy soltando a beirada da banheira e encostando-se de
novo. O vapor da água quente se elevava em tênues brilhos ao redor. Quando voltou a falar, o
fez com mesurada serenidade—. Que história é essa de que já não está mais prometida?
Maggie sentiu um frio na costa nua. Quando conseguiu pegá-lo, percebeu que era um broche
de marfim que pendia do elaborado penteado que Hill havia feito aquela tarde, recolocando a
mecha no coque alto. Com um suave puxão, tirou o broche do cabelo emaranhado.
—Foi o que eu disse —repetiu, com mais frieza do que realmente sentia—. Que o senhor de
Veygoux e eu não estamos mais comprometidos.
—Entendo. —O duque levantou os braços e os apoiou nas laterais da banheira.
O quarto verde estava na penumbra, iluminava unicamente pela luz que crepitava na lareira e
por uma lamparina colocado junto a enorme cama. A luz das chamas refletiam na banheira e
iluminava o teto alto, de modo que quando o duque chapinhava dentro d’água, sua sombra
bailava no tecido dourado sobre suas cabeças.
Apesar da débil luz, Maggie podia imaginar com facilidade a suave pele dos volumosos bíceps,
acomodados sobre a beira da banheira. Os espessos pelos debaixo dos braços dele se
confundiam com o suave manto que cobria o peito largo, e cuja forma se estreitava até
desaparecer por baixo da superfície da água. A água opaca pelo sabão a impedia de ver mais
adiante, mas a jovem já sabia o que haviam naquela turva profundidades. A orelha do duque já
não sangrava, e até mesmo a ferida do ombro parecia melhor. Para um homem convalescente
de malária, se recuperava muito depressa.
Jeremy, em troca, via Maggie com bastante claridade, pois a luz definia sua silhueta, de pé em
frente a lareira. E que silhueta. A jovem levava o vestido úmido pregado ao corpo como uma
segunda pele, e o duque tinha vontade de sair da banheira e dar uns amassos com ela sobre a
cama.
Porém ele se lembrou da maldita pintura que lhe impedia de fazê-lo. Não era suficiente que
ele a desejasse, se dizia a si mesmo; era necessário que confiasse nele.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
Com a mão trêmula, o jovem pegou a taça de brandy de uma pequena mesa portável que seu
criado havia disposto junto a banheira, e bebeu um trago do líquido âmbar. Ah, assim estava
melhor.
—E como isso aconteceu? —perguntou quando terminou de beber—. Me refiro ao
rompimento de seu compromisso. Porque quando os vi esta noite, estavam abraçados. Não
pareciam um casal que haviam acabado de se separar.
—Porque ainda somos amigos —contestou Maggie. Não podia evitar olhar com anseio para o
conteúdo da taça. Seguia tendo muito frio. Devia ter aceitado o oferecimento do lacaio de
tomar algo quente. Tinha a sensação de que nunca voltaria a sentir calor—. Suponho que
sempre seremos —continuou—. Augustin estava contente porque o príncipe de Gales me
encomendou um, isso foi tudo. Ele não está mais apaixonado por mim, mas sim por Berangére.
—Verdade? —perguntou ele deixando de novo a taça, que não estava vazia, na mesinha—. E
como pensas que pode ter acontecido uma coisa assim?
—Ah —disse ela, dando de ombros. O isso importava? Por que perdiam tempo falando,
quando podiam estar um nos braços do outro?—. Berangére o seduziu.
Jeremy arqueou as escuras sobrancelhas com um sorrido irônico. Aquilo não fazia parte do
plano que havia concebido com a senhorita Jacquard. Não obstante, era uma brilhante
improvisação de sua parte. Teria que providenciar para que ela recebesse uma merecida
recompensa.
—Vejo que os acontecimentos deram um giro interessante— comentou com frieza.
—Isso me pareceu também. —Maggie baixou o olhar aos dedos que brincavam com o broche
—. Igualmente interessante foram as… muitas coisas que ocorreram esta noite.
O duque não fez nenhum comentário a respeito. Sabia a que ela estava se referindo? É claro!
Deve ter entendido que ela falava da princesa. No entanto, não dizia nada. O que ocorria?, se
perguntou. Acreditava que, quando lhe dissesse que havia rompido seu compromisso, saltaria
da banheira e a abraçaria. Entretanto, parecia que fazer amor com ela, ou qualquer outra coisa
que tivessem relação com ela, era a última coisa que ele tinha em mente. Poderia dizer que ele
não tinha nenhuma vontade de se mover de onde estava. Depois de um olhar furtivo, se deu
conta de que ele nem sequer a olhava, mas tinha o olhar fixo nas chamas, com o rosto
inexpressivo. Meu Deus, estava tão chateado assim por causa da safira?
Ou se tratava de outra coisa? Será que agora que estava livre, ele não já não estava mais
seguro de que queria estar com ela? Aquele pensamento congelou seu coração, a única parte
de seu corpo que não havia esfriado até então. Talvez só a havia desejado quando acreditava
que ela não podia ser sua. Mas não, não podia ser. E todo o trabalho que teve para reuni-la
com sua família? Por que ele faria uma coisa assim por alguém por quem não estivesse
apaixonado e com quem não quisesse se casar?
Então, por que ele não a pedia, quando finalmente ela estava disposta a dizer sim?
Talvez ele tivesse percebido de que ela era a mulher mais estúpida e covarde do mundo. Oh,
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
era certo que estava disposta a correr riscos; havia pendurado muitas de suas pinturas em uma
parede e havia deixado que todo mundo as visse e fizesse comentários sobre elas. No entanto,
quando se tratava de um assunto realmente importante, como o amor, teria recorrido a
qualquer desculpa para evitar enfrentar a sim mesma. E por que um homem como Jeremy, o
mais valente que já havia conhecido, iria se casar com uma covarde como ela?
Ele não faria isso, a menos que ela demonstrasse a ele que não era tão medrosa como ela
mesma acreditava.
Respirando fundo, Maggie atravessou o quarto e não parou até chegar na mesinha onde o
duque havia deixado a taça. Se inclinou e a pegou. O olhar de Jeremy, até então fixo nas
chamas, se desviou até seu decote, e Maggie achou aquele gesto bastante esperançoso.
—Posso? —perguntou sinalizando a taça.
O duque assentiu sem dizer uma palavra e umedeceu os lábios, que subitamente haviam
ficado secos.
—Obrigada. —Maggie levou a taça aos lábio frios. Inclinou a cabeça para trás e deixou que o
líquido abrasador descesse pela garganta. O brandy começou a aquecer seu corpo de
imediato, até os congelados dedos dos pés, de um modo que fogo era incapaz de fazer.
Jeremy parecia sofrer uma sensação similar, mas não nos dedos; se inclinou um pouco para
um lado, e a água fumegante se derramou pela borda da banheira. Mas ele nem percebeu.
—Assim está melhor —disse Maggie enquanto baixava a taça na mesa. Enquanto o fazia,
prestou especial atenção no modo como o duque seguia todos os seus movimentos com o
olhar. Não desviou a vista quando ela se sentou na poltrona forrada de pele perto da banheira,
nem mesmo quando começou a tirar os broches de marfim do espesso e escuro cabelo.
—Bem —disse o jovem umedecendo de novo os lábios—. Já que pareces ter explicação para
tudo … —Depois de limpar a garganta, terminou—. Como explicarias o retrato?
Maggie demorou uns segundos para entender do que ele estava falando. O retrato? Que
retrato? Subitamente, compreendeu porque estava aborrecido. O retrato de Jeremy! Não lhe
havia ocorrido que ele pudesse ter visto. Agora não se estranhava que …
—Essa pintura não formava parte da exposição —explicou com delicadeza.
A expressão do duque não mudou, mas muito menos afastou o olhar dela.
—Ah, não?
—Não. —Maggie deixou cair um punhado de grampos no chão—. Os carregadores que
Augustin contratou o levaram sem me perguntar primeiro. Então, uma vez na galeria, seus
ajudantes o penduraram sem me consultar, e não queriam retirá-lo quando eu pedi. Não creio
que seja uma boa amostra do meu trabalho. Além disso, eu o pintei a muito tempo.
Jeremy a observou enquanto ela dava um puxão no coque meio desfeito e as mechas caíram
como uma espessa cascada sobre os ombros nus.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Verdade? —inquiriu com um tom apagado.
—Sim. Eu tinha a estúpida idéia de que se pintasse um retrato seu, conseguiria… não sei,
apagá-lo da minha mente —explicou enquanto afrouxava os botões das luvas.
—Compreendo. —Dentro da banheira, o duque apenas se movia—. E, ao que parece,
funcionou.
—Não seja estúpido —ela disse com um olhar—. Já sabes que não funcionou. Pois caso
contrário, porque eu estaria aqui então??
—Eu não sei —contestou Jeremy com sinceridade—. Não sei o que você está fazendo aqui.
Depois de tirar as luvas, a jovem se inclinou a frente e começou a tirar os sapatos molhados.
—Então és mesmo um estúpido —foi tudo o que disse.
O jovem se endireitou e se sentou mais erguido dentro da água.
—Sabe, Mags? Creio que, pelo menos essa vez, estou de acordo contigo. Sou um imbecil.
Acreditei que entre eu e você havia algo especial. Pensei que era de verdade. Mas quando vi
esse retrato entendi que…
—Me faz o favor de esquecer esse maldito retrato —ela o interrompeu, descontente,
enquanto levantava as saias para tirar as ligas.
—Mas me pintaste como um criminoso —ele a acusou—. Como a um jogador, um ladrão de
cavalos, ou algo assim.
—Oh, bendito seja Deus —ela resmungou. Levantou uma perna até apoiar o pé na beira da
banheira e começou a baixar pouco a pouco a meia de seda molhada—. Eu tinha dezessete
anos! Para mim, eras um criminoso. Pois me roubaste o coração. E acredito que não custa
lembrar que ainda não me devolveste.
—O que? —perguntou Jeremy—. A esperei durante cinco anos, e de repente descobri que
estavas noivo de outro homem!
—Eu sei —concordou Maggie enquanto tirava a meia da perna esquerda—. Eu também tenho
culpa. Mas me permita lhe lembrar que naquela ocasião eu acreditava que havias aceitado a
princesa como recompensa.
Jeremy bufou.
—Pois então já viste como acabou essa história.
—Sim —admitiu ela—. Espero que possas me perdoar por ter dúvida de ti. E também que… —
Maggie engoliu em seco enquanto pensava: “Será melhor que acabe com isso o quanto antes”,
assim que terminou apressadamente— …tenha entregado sua safira.
O duque demonstrou a pouca importância disso com um gesto de mão. Então compreendeu
que estava enganada. Jerry não tinha ficado chateado por ter perdido a Estrela de Jaipur; ao
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
que parecia, nem tinha voltado a pensar no assunto. Era Maggie que ele desejava, e ao dar-se
conta daquilo, ela sentiu um estremecimento de prazer percorrer seu corpo.
—Mas até mesmo agora, com o maldito francês fora de cena, ainda há um obstáculo
intransponível —ele se queixou com amargura—. É que, se você se casar comigo, teria que ser
a duquesa. Não posso fazer nada para evitar isso.
Com as pernas nuas, Maggie começou a desabotoar as laterais do vestido.
—Eu sei —disse meio tonta de alívio ao se liberar da pressão da roupa.
—Se é assim, o que está fazendo aqui? —exclamou ele frustrado.
Maggie se levantou e deixou o vestido cair até seus pés, ficando só de corpete e calça.
—Procuro alguém que me esfregue as costas —respondeu com mais serenidade do que sentia.
Com a justa e obscena roupa interior e o cabelo caindo pelas costas, parecia uma cortesã de
rua. Não era nem um pouco típico dela agir desse modo, e por uns momentos, Jeremy não
pode fazer mais nada além de olhá-la, constrangido.
Mas então se deu conta de que, apesar do descaramento de seus abundantes seios, a jovem
respirava cada vez mais rápido, entrecortadamente, como se tivesse acabado de correr uma
longa distancia. Além do mais, tinha uma expressão atemorizada nos olhos marrons. Era
evidente que no estava segura de como seria recebida.
Isso, mais que qualquer outra coisa que tivesse ocorrido naquela noite, foi o que o
impulsionou a inclinar-se para frente e agarrá-la pela cintura.
—Jeremy! —exclamou ela, encantada, quando sentiu os braços molhados ao seu redor. E ao
perceber que ele a arrastava da poltrona, acrescentou—. Espera… o que está fazendo? —
gritou quando ele a meteu dentro da banheira com ele. Oh! —Com a água transbordando por
causa do volume de ambos os corpos, Maggie ficou oscilando sobre o colo de Jeremy, com a
calça ensopada pregada ao corpo—. Jeremy! —exclamou de novo. A água molhou as pontas
do cabelo e entrou pelo seu decote. Debaixo de seu corpo, sentia os músculos do duque,
fortes e escorregadios, e os braços envolvendo-a, que a apertavam com força para evitar que
se pusesse de pé—. Meu Deus! Mas eu só estava brincando.
—Verdade? —O jovem afastou uma mecha de cabelo e beijou seu pescoço, embaixo de sua
orelha—. Pois eu não.
Apesar de sua indignação, Maggie notou a desassossego que produziam seus lábios. Seus
beijos pareciam despertar todas as partes de seu corpo, sobretudo os mamilos, que se
endureceram apenas com o contato se sua boca. Ela estendeu uma mão para afastá-lo dela;
não se sentia pronta para um ataque de paixão como aquele, mas já era tarde demais, teria
sido o mesmo que pretender evitar a queda de um árvore. Jeremy percorreu se pescoço com
os lábios, buscando os seus, enquanto com os dedos desfazia os laços do corpete molhado.
Quando ele conseguiu se desfazer dos laços e lançado o corpete por cima da banheira, ele
também havia conseguido vencer sua resistência feminina. Com um gemido, Maggie se
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
entregou as suas caricias ao sentir as fortes mãos sobre seu mamilos endurecidos.
O duque não necessitou de mais convite. Logo ela sentiu a língua dele abrindo seus suaves
lábios e, enquanto uma mão acariciava um dos volumosos seios, a outra deslizava por baixo da
superfície da água e tirava o cordão que sustentava a calça dela. O protesto dela quando ele
rasgou o cordão foi quase inaudível. O que isso importava?, pensou com languidez. Ele podia
lhe comprar um novo todos os dias, se fosse necessário.
E pensou que provavelmente iria ser necessário.
Depois de lançar a calça dela por cima do ombro, Jeremy colou seu corpo mais ainda no de
Maggie, até que ela estivesse montada nele como num cavalo, apertando o áspero pelo se deu
peito contra seus suaves seios. Por debaixo d’água, ela sentiu a ereção dele contra seu sexo.
Então percebeu que a única coisa que precisava fazer que se baixar um pouco mais para que
seu membro viril a penetrasse.
Ela o fez com um movimento tão lento, que só quando a ponta do pênis realmente entrou nela
Jeremy se deu conta do que ela estava fazendo. O duque, que até então estava com os olhos
fechados, os abriu de súbito. Com um sorriso travesso, Maggie desceu um pouco mais,
encantada ao vê-lo afogar um grito na medida que seu membro se deslizava por dentre suas
pernas. Ele agarrou as nádegas dela e apertou os dedos com urgente desejo. Maggie baixou
um pouquinho mais, e ele, incapaz de suportar por mais tempo aquela doce tortura, se
arqueou para penetrá-la completamente, pressionando ao mesmo tempo as nádegas de sua
amante para baixo, de modo que seus corpos se uniram com tal ímpeto, que provocaram uma
cascata de água nos laterais da banheira.
Entretanto, nenhum dos dois percebeu. Sentindo-se por fim em completa fusão com o amor
de sua vida, Maggie começou a se mover, devagar no início, e com mais urgência ao notar que
estremecia debaixo dela. De repente, ela segurou as bordas da banheira, e inclinando a cabeça
para trás, sentiu um tremor que parecia começar em cima da cabeça e descia fazendo cócegas
até a palma dos pés. Naquele momento havia jurado que a luz que refletia no teto descia
sobre ela, beijando a pele desnuda e cobrindo o quarto com minúsculos pontos douradas.
—Meu Deus, Mags! —se queixou o duque depois do êxtase, com um tom nem um pouco
aborrecido—. O que está tentando fazer? Me afogar?
Então Maggie percebeu que não havia pontos dourados nenhum, mas sim uma grande
quantidade de água no chão.
—Oh, céus —murmurou, ainda ofegante, ao percorrer o quarto com o olhar.
—Isso digo eu. —O duque se endireitou, mas a manteve firmemente submissa a ele—. Bem, o
que dizias sobre buscar alguém que esfregasse suas costas?
—Ah, sim. Você quer aceitar o encargo? —perguntou ela, desviando o olhar com timidez.
—Eu não sei —respondeu ele com prudência—. Depende. É uma proposta para uma vez
apenas, ou um compromisso para toda a vida?
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Eu confiava de que se tratava de um compromisso para toda a vida —respondeu, incapaz de
olhá-lo nos olhos.
—Um compromisso para toda a vida para esfregar suas costas, em troca de que? —ele
perguntou, estudando-a com o olhar.
—Hum… —Maggie mordeu o lábio—. Serei sua esposa.
O duque ficou petrificado.
—E que me diz de ser duquesa?
—Eu tenho pensado nisso e talvez não seja tão ruim —ela disse e continuou—. Quero dizer
que, se você não se importar em passar uma temporada em Londres todos os anos…
—Oh, terei que fazer isso mesmo —ele a interrompeu—. Vou ser assessor em Whitehall, ou
algo assim. Logo, terei mesmo que passar a maior parte do tempo aqui. Seguro que tia Pegeen
e tio Edward não se incomodarão.
—Ah, sim —interveio ela com entusiasmo—. Creio que seria melhor que lhes deixássemos
ficar com a mansão Rawlings.
—Sem dúvida. Com todos aquelas crianças…
—E muito melhor que morem no campo.
—É claro. Além do mais, seria um pouco embaraçoso viver tão perto do seu pai.
—Sim —admitiu ela—. Herbert Park está perto demais da mansão Rawlings.
—Mas sempre podemos ir visitá-lo — assegurou o duque—. Se você quiser, claro.
—Isso me parece bom —contestou Maggie com precaução—. Sempre que não seja com
freqüência.
Então houve um momento de silencio, durante o qual Jeremy permaneceu com o olhar
perdido no teto.
—Você fala sério, Mags? Tem certeza?
Recostando-se entre seus braços, ela assentiu.
—Sim, tenho certeza.
—Eu teria uma pedra para uma aliança —disse o duque—. Bastante bonita, por sinal. Uma
safira.
A senhorita Herbert franziu o nariz.
—Nas verdade eu gosto de safiras.
—Ah, isso é ótimo. —Os olhos prateados brilharam com ternura—. Porque eu perdi a pedra.
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
—Que lástima —sorriu ela. Então voltou a beijá-lo, e passou muito, muito tempo, para que
voltassem a falar
CAPÍTULO 42
Sem se incomodar em bater, Edward abriu a porta do quarto verde e gritou:
—Jerry!
Os montinhos encobertos na enorme cama começaram a se mexer e Jeremy levantou a cabeça
com os olhos sonolentos.
—O que está acontecendo? Quem está aí?
—Sou eu —respondeu o cavalheiro. Depois de observar com desgosto que seu sobrinho havía
deixado os acessórios de banho, incluindo a banheira, no meio do quarto, se aproximou da
janela e recolheu as cortinas, para deixar entrar os intensos raios de sol matutino—. Vim lhe
dizer que ontem sua tia deu a luz a um menino. Deu tudo certo. No entanto, para meu pesar,
ela decidiu chamá-lo de Jeremy. Ainda que eu esteja completamente em desacordo, ela está
convencida de que por fim tenhas demonstrado a maturidade necessária para ser capaz de
desempenhar o papel de padrinho. Me pediu que viesse especialmente de Yorkshire até
Londres para informá-lo de que o batizado será dentro de três semanas. Acreditas que poderá
se levantar da cama a tempo suficiente para participar da ocasião?
Ao lado do duque, outro montinho de cobertor começou a ser mover e, para enorme surpresa
de Edward, a cabeça de Maggie Herbert apareceu dentre os lençóis.
—O que está acontecendo? —perguntou meio adormecida repetindo as palavras do duque—.
Quem está aí?
De pé junto a janela, o cavalheiro cruzou os braços.
—Agora chega —disse com severidade—. Isso já é mais do que suficiente. Vocês dois vão se
casar, e não quero ouvir mais nenhuma palavra a respeito disso.
—Sim, senhor —murmurou Maggie, envergonhada, antes de se meter de novo por baixo dos
cobertores.
Jeremy soltou uma risada.
—Sim. Acredito que já era hora.
FIM
Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”

E book portrait_of_my_heart

  • 1.
    Portrait of myheart – Patricia Cabot (Retrato do meu coração) Seqüência de “A Rosa do Inverno”
  • 2.
    Créditos: comunidade doorkut “Traduções de Mag Cabot” http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx? cmm=23073194 Agradecimentos Meu muito obrigado a Shehira Davezac, da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Indiana, que me ajudou dando informações sobre a historia da arte que há neste livro. Também quero agradecer a minha amiga Jennifer Brown, por ler cada palavra; a Jennifer Weis, minha editora da St. Martin's Press, e mais especialmente a minha agente, Laura Langlie. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 3.
    Primeira parte Capítulo 1 Yorkshire,maio de 1871 —Diga-me que não é verdade. —rosnou Edward Rawlings, afundando a cabeça entre as mãos — De Oxford, não, Jeremy. O jovem ficou olhando para seu tio com preocupação do outro lado da mesa da taberna. Se perguntou se devia chamar a garçonete e pedir-lhe um copo de algo mais forte que cerveja; Edward parecia precisar de um gole de uísque. No entanto, ainda era cedo, e estavam no Goat and Anvil, uma cantina a poucos quilômetros da mansão de Rawlings, e as pessoas seguramente desaprovariam se o Duque de Rawlings e seu tio tomassem uísque antes do meio-dia. —Também não é para tanto, tio Edward. —respondeu com tom despreocupado— Não vai me dizer que você já não esperava. Afinal, já tive a honra de ser expulso de Eton e Harrow; não queria negar-lhe o privilégio a tua alma mater. Edward não riu; embora, na realidade, o rapaz não esperava que o fizesse. Se pôs a observar, pensativo, a cabeça inclinada do tio. O havia visto pela última vez no Natal, há seis meses, e lhe parecia que tinha agora a têmpora mais grisalha. Jeremy não acreditava ser tão importante para supor que era o único culpado por essa mudança; já que, seu tio era um dos cavalheiros mais influentes da Câmara do Lordes e, em uma posição de tamanha autoridade, era compreensível que tivesse alguns fios brancos, que inclusive eram essenciais para reafirmar a posição de um homem a quem, com pouco mais de quarenta anos, os pares* mais conservadores podiam considerar jovem demais. No entanto, o duque não gostava de acrescentar mais preocupações as já causativas responsabilidades de seu tio. *pares: título de nobreza —Expulso de Oxford — resmungou Edward enquanto sugava a espuma que derramava da jarra de cerveja. Desde que Jeremy tinha deixado escapar casualmente a razão de sua súbita reaparição em Yorkshire, seu tio não parava de repetir essa mesma frase, e o jovem estava começando a se arrepender de tê-lo contado. Se dava conta, quando já era tarde, de que deveria ter esperado para anunciá-la durante o jantar na mansão, na presença de sua tia Pegeen. Ainda que não houvesse ninguém no mundo a quem detestasse mais decepcionar, ao menos ela, diferentemente de seu esposo, nunca perdia a esperança diante das muitas e variadas desgraças de seu sobrinho. Pelo fato de lhe terem expulsado de Oxford, Pegeen sequer levantaria uma sobrancelha. No entanto, quando soubesse a verdadeira razão de sua expulsão… isso sim a afligiria e, por isso, antes de voltar para casa, o rapaz havia decidido contar a seu tio. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 4.
    —Maldito seja! —exclamouEdward, levantando finalmente a cabeça para olhar seu sobrinho nos olhos, do mesmo tom cinza claro que os seus— Por que tinha que matá-lo, Jerry? Não podia simplesmente feri-lo? — Quando um homem assegura que tem intenção de lutar contigo até a morte, se considera mais sensato despachá-lo para sempre, se possível.—respondeu Jeremy com certo azedume— Se só o tivesse ferido, quando se recuperasse viria atrás de mim. Não posso passar minha vida vigiando se há algum louco assassino nas minhas costas. —E você diz que nunca tocou na menina? —perguntou Edward balançando a cabeça. Pela primeira vez, Jeremy pareceu incomodado. O garoto havia crescido até alcançar a mesma altura e corpulência do tio, que, com seu metro e oitenta de altura, se destacava por cima da maioria dos homens. Por essa razão, os estreitos bancos do Goat and Anvil se mostravam pequenos, e era preciso colocar os cotovelos sobre a mesa para poder respirar. Entretanto, naquele momento essa não era a razão de seu incômodo. —Bem —disse lentamente— Eu nunca disse que não a havia tocado… —Jeremy —murmurou seu tio com ameaçadora desaprovação. —Mas te asseguro que nunca tive intenção de me casar com ela. E esse é o problema. —Jeremy —repetiu Edward com a voz grave que o jovem sabia que utilizava em suas intervenções no parlamento e para disciplinar seus filhos— Por acaso não te expliquei mil vezes que há mulheres com as quais um homem pode… se divertir sem que esperem que se case com elas, e outras com as quais é melhor não se relacionar a menos que suas intenções sejam…? — Eu sei —respondeu Jeremy rapidamente. Queria interromper um sermão que sabia de cor, pois o havia escutado ao menos duas vezes ao mês desde que começou a barbear-se. — E posso te assegurar que, com os anos, aprendi a diferença. Mas a esta jovem em particular me apresentaram de propósito, agora entendo, e a pesar de não poder imaginar algo tão sórdido, foi seu próprio irmão, e o fez de tal modo que qualquer homem teria acreditado que era mais que uma grosseria não se dispor a vontade. Te asseguro que a menina aceitou o Pinheiro de imediato. Mas depois, quando o mal estava feito, esse Pierce veio a mim gritando, escandalizado que eu houvesse manchado a honra de sua irmã. —Jeremy estremeceu ao recordar— Insistiu que eu devia me casar com aquela desavergonhada ou me entender com a ponta de sua espada. É surpreendente que depois ele ergueu a espada? —O jovem levantou a caneca e tomou um gole de cerveja— Pierce teve azar ao erguer a espada— acrescentou, assombrado— Creio que ele teria se dado melhor com as pistolas. —Jeremy… —Edward, que nos onze anos desde que o conhecera havia se tornado mais magro e atraente ao ter abandonado a vida desregrada, adotou uma expressão severa— Você está consciente de que cometeu assassinato, não está? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 5.
    —Oh, vamos, tioEdward. —o censurou— Foi uma luta justa, inclusive seu próprio padrinho o disse. Além do mais, devo admitir que apontei para o braço, e não para o coração, mas o estúpido tentou fazer uma ameaça, e o seguinte que me lembro é que… —Não aprovo os duelos. —o interrompeu seu tio com tom imperioso — Tentei deixar-lhe bem claro da última vez que ocorreu. E me lembro perfeitamente de haver te dito que, se queria lutar, o fizesse no Continente, por Deus santo! Fazer parte da aristocracia não te coloca acima da lei, e você sabe. Assim, agora não te resta outro remédio a não ser sair do país. —Eu sei. —respondeu Jeremy revirando os olhos. Aquele sermão também já havia ouvido dezenas de vezes. Edward não percebeu o tom de voz cansado de seu sobrinho. —Suponho que a vila de Portofino será o melhor lugar, ainda que acredite que neste momento o apartamento de Paris também está desocupado. Como você preferir. Suponho que seis meses será suficiente. Tem sorte de a universidade não ter tido provas suficientes para interpor uma ação judicial, pois… —Sim —o interrompeu o jovem com uma piscadela,—pois agora mesmo estaria atrás das grades, ao invés de estar desfrutando de um copo de cerveja com meu querido tio Ed. —Agradeceria se não brincasse sobre isso —lhe repreendeu Edward com severidade—. Você é um duque, Jerry, e esse fato lhe confere tantos privilégios como responsabilidades, e uma delas é que deverias tentar não matar os demais cidadãos. Então foi Jeremy quem se aborreceu. Depois de pousar ruidosamente a jarra de cerveja, golpeou com força o centro da mesa com o punho tão fechado que os nós dos seus dedos estavam brancos. —Por acaso pensa que eu não sei? —explodiu com um tom de voz bastante baixo para não chamar a atenção dos demais clientes da taberna—. Não lembra que o senhor vem metendo isso na minha cabeça durante toda a última década? Desde o dia em que o senhor apareceu na porta de Applesby e informou a Pegeen de que eu era o herdeiro do ducado de Rawlings não tenho ouvido outra coisa que não seja “Não pode fazer isso, Jerry, lembre-se de que é um duque”, “Tem que fazer de outro modo, Jerry, pois é duque”. Por Santo Deus, o senhor tem idéia de que estou farto de que me digam o que devo e o que não devo fazer? Edward pestanejou, surpreendido diante daquele súbito arrebatamento de cólera. —Não… mas tenho a impressão de vai me dizer. —Eu nunca quis ir para outro colégio —continuou o jovem com amargura—. Preferia ter ficado na escola da vila, aqui, em Rawlingsgate. Mas ainda assim, fui enviado a Eton, e quando me expulsaram, subornaste os de Harrow, e depois os de Winchester, e logo decidiu que eu deveria passar os anos seguintes da minha vida na universidade. Eu não tinha nenhum interesse de ir para Oxford, e o senhor sabia disso, mas continuou insistindo embora soubesse que manejo muito melhor a espada do que a pena de um tinteiro. Então, agora não fique surpreso por terem me expulsado de Oxford só por que bati em um colega. —A quem admites ter assassinado —recapitulou o tio. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 6.
    —É claro queeu o matei! —Jeremy levantou as mãos com as palmas viradas para cima, num gesto de impotência—. Pierce era um canalha parasita, e não sou a única pessoa que se alegra de que ele esteja morto, mas eu não senti mais satisfação acabando com ele do que teria sentido esmagando um mosquito. E o senhor ainda tem a ousadia de me acusar de brincar sobre isso. O que quer que eu faça? Até agora, toda a minha vida não tem sido mais do que isso, uma brincadeira. Não é verdade? —O jovem olhou seu tio do outro lado da mesa—. Então, não foi sempre assim? Edward, cujas feições eram tão finamente talhadas e atraentes quanto as de seu sobrinho, esboçou uma careta cínica. —Ah, sim —respondeu com sarcasmo—. Sua existência tem sido verdadeiramente trágica. Nunca recebeu o amor nem carinho de ninguém. Sua tia Pegeen não sacrificou nada por você durante todos esses anos que cuidou de ti sem ter a mais remota idéia de que serias herdeiro de um ducado. Nunca se privou de comer para se assegurar de que você desfrutaria de um bom desjejum … —Não meta Pegeen nisso —interrompeu Jeremy de imediato—. Não estou falando dela, mas sim de como, depois de nos trazer a Rawlings e se casar com ela, o senhor… Pela primeira vez desde que lhe havia sabido da expulsão, Edward parecia se divertir. —Se o fato de eu ter me casado com sua tia lhe incomoda, Jerry, temo que seja um pouco tarde para remediar. Não esqueça de que você já tem quatro primos. Seria difícil convencer o arcebispo anular a nossa união. O jovem nem riu. —Veja bem, tio Edward —disse—. Reformularei a pergunta. Por que o senhor investiu tanto tempo e dinheiro para me encontrar há onze anos atrás, quando poderia ter dito a todo mundo que seu irmão mais velho não teve herdeiros, de forma que pudesse o senhor mesmo ficar com o título? —Porque isso não seria honesto —respondeu o tio, perplexo—. Eu sabia que John havia tido um filho antes de morrer, e era justo que essa criança herdasse o título de seu pai. —Não foi isso que o sir Arthur me contou —respondeu Jeremy negando com a cabeça—. Ele me disse que o senhor não queria carregar a responsabilidade de ser duque, e que faria qualquer coisa para evitar herdar o título. —Bem —respondeu Edward, dando de ombros, incomodado a pesar do impecável caimento do paletó—. Essa não foi a única razão mas não deixa de ser verdade. —Pois bem, como acha que me sinto? —inquiriu o jovem—. Eu também não queria! —E por que não, eu posso saber? —perguntou subindo o tom da voz—. Por acaso não possui uma das maiores fortunas da Inglaterra? Não tens os melhores cavalos? Não és o proprietário de uma casa em Londres, de uma das maiores mansões de Yorkshire, de um apartamento em Paris e de uma vila italiana? Tens mais de setecentos criados, o melhor alfaiate da Europa e um lugar na Câmara dos Lordes que, agora que alcançaste a maioridade, lhe cederei com muito gosto. Gozas de todos os privilégios, de todas as prerrogativas que alguém de sua posição merece… —Menos a liberdade para fazer o que desejo —interrompeu seu sobrinho com a voz baixa. —Ah, sim, muito bem —disse de novo Edward com sarcasmo—. Tenho que reconhecer de que é um preço alto. Mas o que deseja exatamente, Jerry? Quero dizer, fora se deitar com a mulherada e matar as pessoas. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 7.
    Foi uma sortepara o jovem que, nesse mesmo instante, a garçonete se aproximou da mesa, pois do contrário, talvez tivesse cometido outro homicídio. —Posso lhe trazer algo, excelência? —Rosalinda, cujas bochechas e a boca rosada faziam justiça ao seu nome, sorriu com graça para os dois cavalheiros enquanto se inclinava para limpar a mesa com um pano úmido, oferecendo a Jeremy uma generosa vista do precioso vale entre seios generosos—. Outra jarra de cerveja, pode ser? —Não, obrigado, Rosalinda —respondeu o duque fazendo um esforço para desviar o olhar para o rosto dela—. E o senhor, tio? O jovem se deu conta, com desgosto, que se tio nem se apercebeu do modo como havia se aberto o corpete da moça. Pelo que ele sabia, seu tio jamais havia olhado para outra mulher que não fosse sua esposa. —Como vai seu pai, Rosalinda? —perguntou Edward educadamente—. Ouvi dizer que ele não estava muito bem. —Ah, já está muito melhor. Obrigada, senhor. Ele tomou o tônico que nos mandou sua esposa e se recuperou em seguida. —Rosalinda conseguiu responder co cortesia a pergunta sem afastar seu olhar de Jeremy, quem, sentindo-se incapaz de desviar o olhar do decote dela, havia virado a cabeça para a janela—. Vai ficar mais tempo por aqui, excelência, ou vai voltar logo para seu estudos? —Não tenho certeza —respondeu o jovem—. Suponho que ficarei pelo menos uns dias… Como evitava a todo custo olhar a garçonete, o jovem não viu que ela sorria, nem capturou o fulgor naqueles olhos azuis. —Oh, me alegro muito. E certamente a senhorita Maggie também ficará muito contente. Outro dia mesmo eu a encontrei no mercado, e quando a perguntei quando voltaria a ver sua excelência, me respondeu que não sabia, mas que havia passado tanto tempo desde a última vez que se encontraram que nem se reconheceriam. Jeremy se limitou a assentir educadamente com a cabeça como resposta, mas, ao que parece, foi suficiente para que Rosalinda se retirasse como se lhe tivesse crescido asas. Quando a jovem estava longe o bastante para que não os ouvisse, o jovem afastou o olhar do cavalo em que fixou seu olhar durante todo o tempo em que a garçonete esteve falando e se virou para encarar o tio. —Está vendo? —perguntou—. Entende agora do que me refiro? Nem sequer posso estar tranqüilo na taberna da vila. Onde quer que eu vá, tenho que impor limites às pessoas que tem interesse em mim. —Não creio que Rosalinda Murphy tem interesse em ti, Jerry —replicou Edward com serenidade—. Me pareceu que ela só estava interessada no seu bem-estar. —Não se interessa por meu bem-estar —corrigiu o jovem—, mas sim por meu dinheiro. —Ou por tua pessoa —emendou seu tio com uma gargalhada—. A jovem é bastante prendada, que há de mal nisso? Jeremy respondeu com impaciência. - Mas não me desejam! – insistiu – Só o meu dinheiro, e esse maldito título! Todas as mulheres que conheço, no preciso instante em que sabem que sou duque, não param de repetir “ sua excelência isso” e “ sua excelência aquilo”, e só pensam no dia em que podem colocar em seu nome o título de duquesa de Rawlings. Eu vejo em seus olhos; se imaginam com a tiara no Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 8.
    cabelo e umapele sobre os ombros. O que vê em seus olhos, Jerry, é desejo, mas não pelo título – respondeu o cavalheiro tentando, sem conseguir, conter um sorriso - . Olhe você mesmo. Talvez, na verdade, te considerem o garoto mirrado que era aos dez anos, mas Rosalinda vê alguém totalmente diferente. Ela vê um jovem alto e robusto, com o cabelo escuro e os olhos claros, com uns dentes bonitos... - Duvido que Rosalinda Murphy tenha observado em algum momento meus dentes – murmurou o jovem, tentando dissimular a vergonha que lhe provocava as palavras de seu tio. - Talvez não – riu –. Mas segue sendo um homem bonito, e não podes achar que as mulheres não te observem. E quando façam, não deveria depreciar essas atenções por acreditar ser fruto de interesse material. - Desde cedo ser duque não me facilita as coisas – sussurrou Jeremy incômodo, roçando com os lábios a espuma da cerveja –. Por Deus, mas se nem posso escolher a pessoa com quem quero me casar! Tem que ser uma mulher que saiba se comportar como uma duquesa. - Certo. Mas isso não significa que não podes encontrar a felicidade com uma mulher que além disso seja uma duquesa perfeita. – E, pensativamente, levantou a jarra -, No fim das contas eu consegui. - É uma pena que meu pai não fosse tão sensato – comentou o jovem com amargura –, De duas irmãs, escolheu a que no final fez com que o matassem. Surpreendido e incomodado, Edward pigarreou com a garganta e deixou a jarra na mesa. - Sim, em fim. No entanto, creio que quando John conheceu a sua irmã, Pegeen só tinha dez anos, assim não estava disponível. Prontamente, como se tivesse lembrado de algo, inclinou-se para frente e, em um tom de voz totalmente distinto, acrescentou -, Por certo, Jerry, não diga à sua tia por quê foi expulso desta vez. - Não ia fazê-lo – replicou o jovem com frieza -. A última coisa que quero é que tia Pegeen saiba. No entanto, estou seguro de que acabará sabendo de todo modo. Inclusive é possível que saia nos jornais. - Desde cedo – respondeu seu tio assentindo brevemente com a cabeça-. Mas não é o mesmo que se você confessasse. Essa seria a única maneira para Pegeen crer que cometeu um assassinato. - Tem razão, - continuou Jeremy com um sorriso tão cínico como o de seu tio momentos antes. Como eu iria fazer algo assim, um garotinho que chorou durante horas depois de sua primeira caçada porque sentia pena pela raposa. - Tampouco choraste tanto – replicou Edward se remexendo no assento, ao recordar aquele infeliz dia-. Mas tem razão. É difícil conciliar o que eras então com o que é agora. - E o que sou agora? – Perguntou Jeremy, com a mesma expressão sarcástica no rosto. - Você saberá – respondeu seu tio antes de tomar outro gole de cerveja. Depois perguntou-. Que tipo de homem quer ser? -O que seja, menos duque – disse sem pensar duas vezes. Mas isso é impossível. O jovem assentiu, como se esperasse aquela resposta e, sem dizer uma palavras mais, se levantou. - Onde vais? – perguntou Edward surpreendido. - Ao inferno. – respondeu o jovem com indiferença. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 9.
    -Ah – assentiuEdward, ficando para trás na mesa. Levantou a jarra de cerveja em direção às costas de seu sobrinho, como se brindasse solenemente-. Então te esperamos em casa para a cena. Capítulo 2 - Oh, Maggie! – exclamou Lady Edward Rawlings depois de retirar o papel de seda que envolvia um pequeno lenço -. Oh! É magnífico! De pé atrás da cadeira de Pegeen, Maggie Herbert olhou o quadro e enrugou o nariz com ceticismo. “Há muito verde – pensou -. Sim, o fundo tem um tom excessivamente verde.” Enquanto examinava a pintura, uma pétala branca caiu dos ramos que se estendiam por suas cabeças e, depois de descrever uma espiral, pousou sobre a pintura. A garota pensou que aquilo melhorava sua obra, mas a dama o retirou em seguida. - Estou impaciente para mostrá-lo ao meu esposo – adicionou com a vista fixa no quadro -. Vai encantá-lo. Nenhum dos retratos que temos mandado fazer das crianças os reproduz com tanta fidelidade... - Sério? – perguntou a garota com um toque de incredulidade na voz. Inclinou os olhos até ver confusa a imagem do lenço, mas só conseguiu ver a série de formas e cores que havia pintado no dia anterior, e não o detalhado retrato que Lady Edward descrevia. Além de que, havia muito verde. -Oh sim! – Lhe assegurou -. É como se tivesse conseguido capturar suas jovens almas. -Oh, não, por favor! – riu Maggie -. Se realmente tivesse conseguido, Lizzie seria completamente distinta. Assim com está, tem uma expressão muito doce. - A que você se refere com “demasiado doce”? – Pegeen alcançou a pintura, que media pouco mais de quinze centímetros de lado, e a manteve no alto com os braços estendidos. Estava tão emocionada pelo retrato que parecia incapaz de apartar a visão dele -. Lizzie tem um aspecto adorável, e John também. Oh, e olhe a pose de Mary. E o queixo de Alistair. Você os reproduziu maravilhosamente! Eu ouvi alguns dizendo que o queixo de Alistair lhe dava a aparência de teimoso, mas só é firmeza. Maggie voltou-se para sua mãe, sentada em uma cadeira de jardim de ferro forjado frente a Pegeen, e trocaram um olhar de cumplicidade. Todos os filhos dos Rawlings tinham um queixo proeminente, com se, de um modo inconsciente, imitaram a expressão de teimosia de sua mãe em seus momentos de maior intransigência, e o fato de que a dama se nega a reconhecer-lo era motivo de zombaria entre seus amigos e vizinhos. - Oh – suspirou Pegeen, ainda embelezada -. É precioso. Não sei como consegues. - Eu tampouco – interveio Lady Herbert enquanto se inclinava para servir outra xícara de chá do jogo de prata colocado na mesinha de centro instalada entre ambas as damas. Pegeen estava grávida, não tão avançada como a irmã maior de Maggie, Anne, que sentada em frente a sua mãe sustentava a xícara de chá sobre a volumosa barriga. Por causa do estado da anfitriã, Lady Herbert havia assumido este papel, mesmo que, de fato, ela e suas filhas eram convidadas de Pegeen na mansão em que sir Arthur, o pai de Maggie, trabalhava como Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 10.
    administrador das propriedadesdo jovem duque. Os Herbert passavam tanto tempo em Rawlings que Maggie havia chegado a considerar um segundo lar, e tendia a comportar-se como se fosse. Esta conduta desgostava a recatada Anne, especialmente quando via a sua irmã menor deslizar-se pelos corrimões, algo que fazia muito desde o ano anterior. -Desde cedo, não é um talento que foi herdado por mim – afirmou Lady Herbert enquanto removia o açúcar que acabou de depositar em sua xícara de chá -. Deve ter vindo por parte de pai. - De papai? – Anne pareceu incomodada, algo que ocorria sempre que se mencionava o talento artístico de sua irmã menor -. Nunca. Ninguém da família do papai pegou uma só vez em um pincel na vida. Por Deus, mamãe. Como podes sugerir uma coisa assim? Maggie voltou sua atenção ao pequeno retrato que acabou de presentear e meneou a cabeça. - Não, o sorriso de Lizzie não está bem – murmurou para si mesma -. Nem de longe consegue ser tão travessa. Infelizmente a mãe de Lizzie ouviu - Travessa? - disse Pegeen pressionando o pano contra o seu peito , como se estivesse com medo que a menina poderia estender a mão para fazer essas mudanças. - Tolice , minha filha não é nem um pouco travessa , mas é um anjo , todos os meus filhos são! - uma vez que a menina não tinha a intenção de exigir o dom (? , a mulher jogou um olhar sobre o retrato e voltou a se alienar novamente em louvor - Oh Anne , veja como pintou os olhos de John! Tinha visto algo tão incrível? A filha caçula de Herbert , que ainda não parecia convencida , desviou seu olhar do quadro para o jardim ,onde os filhos que Pegeen insistia em chamar de 'anjos' se dedicavam a destruir um canteiro de rosas. Os filhos de Anne colaboravam nessa tarefa , mas eram bastante menos 'revoltados' do que os Rawlings , e tinham quinze garotos da casa Rawlings para órfãos , que tinham sido convidados por Pegeen para um piquenique no jardim , para celebrar a festa de primavera em primeiro de maio. Um fugaz relance na filha mais velha de Edward e Pegeen foi o suficiente para convencer Maggie , que indubitavelmente , tinha pintado uma expressão muito doce. Elisabeth Rawlings era uma menina linda mas tão teimosa como o pai e a mãe , uma característica que foi ilustrada , ao mesmo tempo que jogava uma bola de barro em seu irmão porque ele se recusou a obedecer suas ordens. - Por certo Maggie , você conseguiu convencer o seu pai a deixá-la freqüentar uma academia de arte parisiense da qual eu lhe falei? - indagou Pegeen - Não - respondeu a jovem sem esconder o ressentimento em sua voz - ele crê que no momento que sair da Inglaterra me deixarei seduzir e serei levada para o Marrocos , onde serei vendida como uma escrava para um príncipe Árabe! - Maggie! - Anne deixou a xícara bater sobre o pires - Posso saber do que vocês está falando? - exclamou Lady Herbert com a mesma expressão de espanto que sua filha mais velha , embora com uma voz mais suave. - Seu pai não acredita nisso! - Sim ele pensa - respondeu a menina com um suspiro , enquanto se recostava em um tronco de cerejeira - Papai está consciente de minhas peculiares inclinações carnais. - Maggie! - exclamou Anne envergonhada , com as bochechas pintadas de um forte carmim - Quantas vezes tenho que lhe dizer em público que não usam palavras como ... como... - sua voz se tornou um sussurro - carnal - e dirigindo - se a Pegeen acrescentou no tom de súplica - Ah! pare de rir Lady Edward , isso só vai incentivá-la a prosseguir! - Oh! - exclamou Pegeen sobre as lágrimas que escapavam pelos seus olhos verdes - Oh querida Maggie , é verdade! não pode dizer essas coisas , vai acabar ganhando uma péssima reputação! - Entre quem? - questionou a menina enojada - entre os moradores da cidade? duvido que se Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 11.
    importem que euuse a palavra carnal! - Não , não se trata deles minha filha - fala suavemente Lady Herbert - mas os jovens cavalheiros - Quem está falando? - a menina começou a rasgar pedaços de casca do tronco de cerejeira com uma vara de ponta afiada que encontrou sobre a erva fresca - os únicos jovens que temos por aqui são pastores , e duvido que eles saibam muito sobre prazeres carnais! - Maggie! - Anne parecia a ponto de beliscar a irmã menor , No entanto, a sua barriga proeminente, não lhe permitem mover com agilidade, e sabia, por experiência que tinha que ser rápido se quisesse repreender sem receber uma bofetada.- Pelo amor de Deus! A menina deu de ombros - Bom , é a verdade! - Sim , mas tem quase dezessete anos querida! - respondeu sua irmão com uma serenidade forçada - no ano que vem comemorará o seus dezoito anos , e tenho certeza que durante sua primeira temporada em Londres , os jovens não estarão interessados em suas ... inclinações! - Na realidade - interveio Pegeen pensativa - creio que eles amariam conhecê-las, mas acho que não deve espalhar isso aos quatro ventos - Está vendo? - continua a irmã mais velha - tomemos o caso de Lady Edward , este é o mesmo que vocês diz , se vocês quer encontrar um marido em Londres , têm que começar a se comportar como uma dama. - Mas não quero me comportar como uma dama! - sussurrou a menina encarando um buraco que estava fazendo no tronco da árvore se agir como uma dama quer dizer , não fazer nada mais o dia todo além de combinar roupas- sussurrou enquanto arrancava um bom pedaço da casca da árvore com o bastão - e não fazer nada mais a noite além de escutar conversas insípidas de barões idiotas! - O que está fazendo com a árvore? - indagou Lady Herbert - venha , sente-se e largue esse bastão! Maggie desceu da árvore , mas não se sentou. Ficou de pé na frente do buraco que tinha feito - não sei porque se sentiu culpada de ferir uma inocente árvore , mas pensou que era um melhor ataque a árvore do que a sua irmã mais velha! - Se não quer se comportar como uma dama Margaret o que quer fazer? - perguntou sua mãe com humor em sua voz - Eu te disse mãe - suspirou a menina - Pintar é o que eu quero , e aprender com madame Bonheur. Lady Herbert levantou a vista para o céu , mas foi Anne que respondeu. - Já sabe que é impossível freqüentar a Academia de Arte de Madame Bonheur. - mãe , vocês tem que ser firme e dizer de uma vez , você não pode permitir que ... - Mas porquê? - Pegeen perguntou com uma certa impaciência Maggie não podia deixar de sorrir , Lady Edward parecia estar sempre procurando uma causa para defender , e naquele dia havia tocado nela.- Porque é impossível? É ridículo não usar os talentos de sua irmã , é mil vezes melhor que o pintor que Edward chamou ano passado para me fazer um retrato. Olha as cores do retrato dos meninos! - Pegeen levantou o pano para que pudessem ver bem o misto de modo que cada um se parece com uma verdadeira jóia. Ela captou a expressão dos meninos com mais habilidade do que um daguerreótipo. - Eu concordo plenamente com você - afirmou Lady Herbert com tom cansado , - mas ... - Eu suponho que Sir Arthur não tenha essa idéia ultrapassada de que educar uma menina é um desperdício de dinheiro , certo? - indagou Pegeen - Porque se for assim eu vou ser feliz em dizer quatro coisas para Herbert Park - Não apenas isso - respondeu Anne severamente - O Papai não aprova mulheres que trabalham fora de casa, muito menos se o trabalho tem a ver com arte ... Jesus Cristo! A própria idéia coloca-o à beira de um ataque cardíaco. No entanto, devo dizer que concordo com ele. É escandaloso que muitas meninas que vão a Londres em busca de uma carreira como enfermeiras, funcionárias, professoras e sabe Deus o que mais. Mas acho que elas não têm escolha, porque elas precisam trabalhar para sobreviver. Mas Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 12.
    Maggie? Ela nãoprecisa trabalhar! Só porque você sente que pretende fazê-lo, e isso é absolutamente ridículo. Toda a gente sabe que a única ocupação para as mulheres é a maternidade ... - Sim querida ... - sua mão a interrompeu com um sorriso condescendente - Todos sabemos a importância que você dá para ser uma mãe, mas acho que a principal objeção do seu pai Maggie é que vocês é a mais jovem , e a única que ainda vive conosco. Lady Herbert sorriu carinhosamente pra sua filha mais jovem que estava olhando para as flores de cereja que estavam por sobre sua cabeça - Ainda não estamos preparados para deixá-la ir - Mas tem que fazê-lo - respondeu Pegeen - seu aniversário de 18 é na próxima temporada A dama deixou sair um curto gemido de dor , enquanto mordia um pedaço da torta - E conhecendo-a ela irá detestar! - suspirou depois de deixarem o titular na chapa , apoiada no colo Pegeen não riu. - Tenho certeza. Uma rapariga como ela... - Uma menina como ela não vai durar um minuto, em Londres - continuou a menina irritada por falarem sobre ela como se ela não estivesse lá - grande mundo rapidamente deixado para trás. As outras meninas riem dela porque ele é muito alta, fala forte , e tem sua unhas pintadas. E os homens, se eles estão conscientes da sua existência, vão se sentir incomodados porque ela usa palavras como "carnal" em público. - Oh não Senhora - disse Lady Edward Claro que não. Você é muito bonita, tem um lindo cabelo castanho e grandes olhos castanhos. Você está mais bonita que a filha mais velha do Smythe, e você vai ter um bom casamento. - O que importa que é bom? - sempre que vocês abre a boca , o quarto começa a esvaziar! Fala com demasiado descaro. — Não é bem assim — protestou Pegeen—. Ela só diz o que pensa, sempre foi dessa maneira. — E, voltando-se para Maggie com um sorriso, acrescentou —. Por isso gosto tanto dela. —Diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça sem pensar nas consequências —continuou Anne, sem a menor expressão de afeto —. Além do mais, costuma fazê-lo quando ninguém pede sua opinião. —Porque é muito honesta. — interveio Lady Herbert, vindo em defesa de sua filha mais nova. —Mãe, mas não tem o mínimo senso de decoro. Outro dia a encontrei subindo em uma árvore com a saia do vestido presa no elástico da roupa de baixo. As três damas se voltaram para Maggie com uma expressão acusadora no olhar. — Precisava de flores para uma coisa —murmurou, endireitando-se, com toda dignidade que foi capaz. —Margaret — sua mãe repreendeu-a —. A verdade é que às vezes você leva as coisas longe demais. Poderia tê-las pedido ao jardineiro. —Acho que vou ver o que as crianças estão fazendo. — respondeu a jovem engolindo saliva. — Melhor assim. — Lady Herbert respondeu com tanta diligência que Maggie logo se deu conta que queria que se retirasse para falar sobre ela. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 13.
    Com um suspiro,ela se afastou da árvore e começou a caminhar em direção ao local do qual vieram os gritos das crianças. Foi um dia de maio extraordinariamente quente, a primeira coisa que trouxe a primavera e a jovem tomou todas as manhãs com certo sentimento de letargia. Ela sabia que parte do seu torpor era devido ao tédio, uma vez que ela havia concluído o retrato dos filhos dos Rawlings, agora não tinha nada para fazer, ou de qualquer projeto em perspectiva. Ah, tinha pintura que a velha dama Ashforth tinha solicitado, mas era de dois gatos, mais isto não a entusiasmara. A pintar pessoas era muito mais interessante e sempre representou um desafio, tinha que captar exatamente sua expressão, e obter o máximo da pessoa retratada sem deixá-la ofendida... isso sim era excitante. Pinturas de gatos eram muito fáceis. Ao se aproximar das crianças, Maggie viu Elisabeth, cuja expressão tinha sido mostrado com tanta doçura no retrato, tinha imobilizado seu irmão segurando a cabeça dele debaixo do seu braço. Sua babá e as funcionárias do orfanato não estavam em qualquer lugar. Conhecendo as crianças, não teria se surpreendido se encontrasse as pobres mulheres amordaçadas e com os pés e as mãos amarrados no labirinto de arbustos. Com um suspiro, reuniu saia de musselina do seu vestido branco e correu para salvar o menino, que chorava com desespero, a tirania de sua irmã. -Mas ele ta insistindo que o primeiro-ministro - disse Lizzie quando Maggie a interrompeu. E assume-se que hoje o primeiro-ministro seja eu. A mamãe que falou. -Garotas não pode ser o primeiro-ministro - insistiu John. –O papai que disse. Maggie recordou que havia mantido discussões parecidas, com o Duque de Rawlings, há muitos anos. - Por que não jogam outra coisa? - O que pensam em jogar um jogo que seu primo Jerry e eu inventamos quando éramos pequenos? Lizzie, que teve de esticar o pescoço para olhar para o rosto da jovem, parecia intrigada. - Você já foi pequena alguma vez? Ela perguntou, incrédula. Mas você é tão alta! Não sou tanto –sussurrou Maggie,tentando esconder sua irritação. Sim, sim, você é – interrompeu John. Mais do que o papai. -Eu não sou maior que o seu pai, - disse Maggie, cada vez mais chateada. Talvez mais do que sua mãe, mas não maior que seu pai, tenho certeza. -Sim você é o garoto insistiu.- Certo, Lizzie? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 14.
    -"Não", -respondeu ajovem Elisabeth olhando a jovem Herbert de cima para baixo. Mesmo assim, você é muito alta. -E acima de tudo, por ser uma menina. Margaret sentiu que ficou ruborizada, então ficou zangado com ela mesmo por permitir esta criança inocente a amolentasse, sabia que era muito vulnerável quando se tratava da sua altura. Mas o que importância tinha que havia sido sempre a menina mais do colégio? Pelo menos, tinham finalmente parado de crescer. Com quase um e setenta metros de altura, que ela tinha alcançado quando ela tinha apenas dez anos, era mais alta do que sua mãe e quaisquer de suas irmãs, e apenas um pouco menor do que o seu pai. No entanto, não tinha dúvida que ser alto tinha suas vantagens. Ele sabia que o novo meio, a crinolina que se tornou moda,que tinha a parte frontal plana e a parte traseira grande, lhe assentava muito bem, e lhe moldava soberbamente à figura. Ela também poderia alcançar o que precisasse sobre as prateleiras mais altas, tornando-se uma grande vantagem quando fazia compras. -Ouça-me – ela disse para crianças dos Rawlings. Quando seu primo Jerry e eu éramos crianças, jogávamos um jogo chamado Marajó, que era muito divertido. Um fazia o príncipe o outro a princesa indiana e o outro intrépido explorador Inglês, a quem o marajá captura e amarra em uma estaca para queimá-lo vivo como uma homenagem a um deus pagão. Os demais podem ser os soldados britânicos, e vocês devem tentar resgatá-lo dos selvagens dançando em torno da pira ardente e que dispararam dardos venenosos nos soldados. É ai parece bom? Eu vou ser o marajá - disse Lizzie. Não - disse John. Quero ser eu. -Você será o intrépido explorador, - disse à irmã dele calmamente. John se enfureceu tanto quanto Jeremy, quando Maggie insistia que ele seria o explorador. No entanto, convencida de que tinha feito o seu dever, a jovem deu meia volta e começo a caminhar para o grupo de senhoras sentadas à sombra da cerejeira. Antes de chegar ao ponto em que elas estavam pode ouvir suas melodiosas vozes. -Não há nada impróprio, que uma dama seja uma pintora de retratos Anne. -disse a voz inconfundível rouca de Pegeen, com esse ligeiro sotaque escocês nas vogais. Têm havido muitas ao longo da história ... -Pergunto-me quantos foram casadas – interrompeu sua amiga indignada. Aposto que foram poucas. Uma mulher não pode ter ambos, o marido e o trabalho. Talvez não - disse Pegeen, pensativa. A menos se casar com um homem que a entenda ... E com uma voz alegre ela acrescentou. - O Melhor de tudo é que com o talento que tem, é provável que Maggie não precisará se casar. A menos que ela queira, claro. Poderá manter se, retratando as crianças de boa família. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 15.
    Ao dar seconta que falavam sobre ela, o jovem sentiu ardiam lhes as bochechas. Ela sabia que ela deveria fazer sentir a sua presença, mas a tentação de escutar as escondidas era demasiado forte. Fingindo um súbito interesse por uma platéia de íris, ela aguçou os ouvidos. Mas isso é o que mais me preocupa Pegeen - disse Anne. –Você sabe o quão excêntrica que pode ser minha irmã. Imagine se ela apaixona por um desses poetas franceses mortos de fome e vai viver em um sótão em Montmartre infectado com um monte de artistas. Estas pessoas não acreditam na instituição do casamento, você sabe? Dizem que é burguês. Então minha irmã se transforme em uma mulher perdida. O que as pessoas vão dizer sobre nós, então, hein? Pegeen inspirou profundamente antes de responder, o que permitiu a Lady Herbert respondesse antes do que ela. -A verdade é que eu acho que você é demasiada dura para com a sua irmã. Ela não é uma menina tola. Duvido que faça algo tão estúpido como se apaixonar por um francês. Eu tenho certeza que você pode haver coisas piores. -respondeu Anne, que nesse caso, não concordava com a opinião de sua mãe. Isso você pode ter certeza. Papai e a senhora permitiram que se tornasse uma garota rebelde. Não tente negá-lo, eu tenho visto com meus próprios olhos. Vocês a tem estragado. Como você pode explicar isso? Nenhum de nós, Elisabeth, Fanny, Claire nem eu somos tão teimosas ou obstinadas como ela. Bem ... "respondeu a Lady, meditando. Nenhuma de vocês tiveram a influência que ela recebeu... A voz da senhora morreu, mas Maggie não foi à única que compreendeu o que ela quis dizer. Pegeen se apresou a sair em defesa de seu sobrinho. - Oh suponho que se refere a Jerry - disse levianamente. É verdade que eles têm sido inseparáveis, mas devo dizer-vos que, apesar do fato de que o meu sobrinho era muito maior, sempre me pareceu que era Margaret que tramava suas travessuras. Por um longo tempo, ela foi fisicamente superior. Na realidade, uma vez eu a encontrei esfregando o rosto de Jerry na lama, e ele parecia incapaz de se defender. Ele devia ter uns doze anos, o que significa que sua filha tinha sete anos, mas mesmo assim, ela era muito mais alta. Imagino que deve ter sido muito humilhante para ele. -Eu suponho que não veremos Sua Graça em breve – aventurou Anne com fingido descuido. Maggie sabia muito bem como a desagradava o duque à sua irmã. – Continua em Oxford, certo? -Só ontem à noite, recebemos um telegrama anunciando sua volta hoje mesmo – respondeu a anfitriã calmamente. De acordo com Lucy disse-me que ela ouviu dizer da cozinheira, cujo sobrinho tem trabalhado como valete de Jerry e o último trimestre, esta manhã, ele e seu tio tem uma reunião a ser realizada em segredo, e é por isso que Edward foi ao povoado com a Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 16.
    carruagem para esperá-loa uma hora atrás. Suponho que não querem que eu saiba a razão para o inesperado retorno do meu sobrinho. Estou curiosa para ver quanto tempo eles conseguem manter segredo desta vez. Maggie não ficou para ouvir o resto da conversa. No momento em que ela ouviu o nome de Jeremy e soube que ele estava a caminho de Rawlings, seus lábios abriram em um grande sorriso e sentiu que seus pés, como que por vontade própria, começaram a andar em direção a casa. Sabia que o Duque ia subir ao longo da avenida alinhada com carvalhos, e que passaria por debaixo de uma das antigas arvores, que ficava perto da estrada, apesar dos esforços dos jardineiros, que durante anos tentaram sustentar o tronco com suportes metálicos. Os ramos da copa formaram uma espécie de dossel para pouco mais de dois metros do solo. Seria divertido fazer uma emboscada, igual ao que faziam quando éramos crianças e assaltavam os visitantes, uma vez em que entravam no caminho para a mansão. Não, seria difícil fazer-lo cair do cavalo, era o mínimo que merecia por ter sido expulso novamente, se caso Pegeen tivesse certa. Ignorando completamente os apelos de sua irmã para se comportar como uma dama, a menina levantou a sua saia e começou a correr pela relva em frente da mansão dos Rawlings, sem perceber que, para além das botas sem saltos, mostrava as brancas e torneadas panturrilhas. Fazia muito tempo que não via Jeremy, já que suas férias escolares não coincidiam, e quando sim, um deles estava na cidade ou no estrangeiro, por isso não tinha certeza que ia reconhecê-lo. Segundo contavam seus tios orgulhosamente, o jovem tinha-se tornado um verdadeiro cavalheiro: ele era um perito cavaleiro, inigualável esgrimista, excelente nadador e boxeador. Suas irmãs mais velhas, que haviam encontrado com ele em alguns bailes em Londres, asseguraram que o Duque era um jovem muito bonito, algo que Maggie achava difícil de acreditar. E o que era ainda mais ridículo: elas insistiam que era muito alto. Jerry mais alto que ela? Impossível. A jovem Herbert escalou a árvore, sem qualquer dificuldade, mas ao fazê-lo, ela rasgou a meia, rasgou a crinolina e soltou um botão de madrepérola do Jugo, sem que ela repara se. Após alguns instantes, ela estava sentado confortavelmente nuns dos frondosos ramos que cobriam a estrada. A partir de sua posição privilegiada, a cerca de dois metros acima do solo, teve uma visão clara da avenida, no início da qual cavalgava um homem sozinho a meio galope. Com grande decepção, ela descobriu em seguida que não se tratava do seu amigo, uma vez que o cavaleiro tinha ombros demasiado grandes e era muito alto. Na realidade, parecia muito com Lorde Edward, mas o seu cavalo era castanho, e o do homem que chegava era negro como o carvão ... parecido com Rei, o cavalo de Jeremy. A jovem inclinou-se para frente até deita-se sobre um grosso ramo, e olhou através da folhagem espessa e viu com grande surpresa, que na verdade, era rei, o primeiro cavalo do Duque, que manteve como seu favorito. Jerry não deixava ninguém montar nele, de modo que significa que ... Não, não podia ser. Ninguém muda tanto, em tão pouco tempo –rapidamente contou nos dedos o tempo em que não se viam – cinco anos. Nossa, já haviam se passado 5 anos! Ao levantar a vista, Maggie viu que o cavaleiro e sua montaria já estavam quase debaixo dela, e Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 17.
    não havia menorduvida, que esse jovem era Jeremy. E suas irmãs não estavam a mentir, tinha-se tornado um jovem muito bonito. Para as mulheres que gostam desse tipo de homem byroniano e melancólico devia lhes parecer irresistível. Ela, no entanto, preferia os homens robustos. De sua posição privilegiada, Maggie viu que os cabelos encaracolados e escuros, do jovem saiam inquietos sob o elegante chapéu, e cujo prateado dos olhos tinham um olhar penetrante e uma expressão de ironia que imediatamente reconheceu. O Duque pareceu irritado, ele estava apertando mandíbula e queixo elevado, como se quisesse ajeitar o lenço usado ao redor do pescoço. Os longos dedos agarravam as rédeas da montaria que cavalgava com a mesma naturalidade como se fosse à extensão do seu próprio corpo. A garota observou com interesse, e percebeu que ele parecia tão magro e forte como os ferreiros, cujo tronco nu tinha furtivamente admirado quando forjavam a golpes de martelo as ferraduras para os cavalos de seu pai. Meu deus, lá estava ela tendo de novo uma de suas fantasias carnais! "Mas é o Jerry!" Pensou escandalizada. O que estava acontecendo? Não podia pensar nele dessa maneira. Havia bombardeado esse garoto com bolas de neve e havia esfregado sua cara na lama mais vezes que podia se lembrar. Jeremy estava passando naquele justo momento por debaixo dela, tão perto que poderia remover o chapéu da sua cabeça, sem nenhum problema. Um segundo mais ia partir a toda pressa, estragando a surpresa. Sem pensar mais, Maggie esticou o braço em uma tentativa de tirar o chapéu, pois se a rir antecipando sua reação. No entanto, ao ir para frente perdeu o equilíbrio e escorregou do ramo em que ela estava encostada. Tentou desesperadamente agarra-se a ele em vão. Um instante depois caia em direção ao ar. Capítulo 3 A primeira coisa que Jeremy pensou quando ouviu um guincho e sentiu o impacto de um corpo contra o dele era que, de uma forma ou de outra, Pierce havia retornado dos mortos e queria vingar-se dele por haver desflorado sua irmã e telo assassinado. Por isso, sua primeira reação foi virar-se na sela e empurrar o seu adversário, no entanto, o assaltante tinha colocado seus braços suaves e morenos ao redor do seu pescoço, e precipitando a queda de ambos. O rapaz nunca soube determinar com precisão em que ponto ele percebeu que seu atacante tinha cabelos compridos ate à cintura e generosos seios, mas foi provavelmente quando colidiram contra o chão e rodaram poucos metros na grama, emaranhadas com a crinolina da saia. Atordoado pelo golpe, o Duque demorou um momento para perceber que ele estava deitado em cima de uma mulher, e portanto não poderia ser Pierce, a menos que ele tivesse crescido no peito após a sua morte. De fato, antes de levantar a cabeça, estava recostada entre os seios, que pareciam ter sido libertado da opressão do espartilho, e enquanto sua dona Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 18.
    estava estendida paracima, ainda se situava em direção ao sol.( essa parte ficou meia confusa para mim) Ele pelo menos, se sentiu muito confortável nessa posição. Jeremy pensou se ele a havia deixado sem fôlego, a queda poderia ter deixado a mulher inconsciente, e decidiu se comportar como um cavalheiro e ir ate ela para ver se podia ajudar. No entanto, ao alcançá-la encontrou olhos castanhos de expressão sorridente e estranhamente familiar que o olhavam fixamente. - Você é um porco! -disse a moça com um tom de zombaria uma voz muito doce e sonora para pronunciar aquelas palavras. - Grita como um porco espancado. Eu nunca tinha ouvido nada parecido. Por alguns momentos, o jovem realmente acreditou que ele tinha na sua frente um fantasma. Apenas um ser sobrenatural poderia assemelhar tanto a alguém que conhecia, ao mesmo tempo, parece tão diferente. Parecia que a garota estava deitada sob seu corpo era Maggie Herbert, que também era a única mulher que ele sabia que podia falar assim. No entanto, não podia ser ela, pois não era a mesma pessoa que havia lhe atormentado durante a sua infância. A última vez que viu Maggie Herbert ele conhecia tinha os dentes separados, era magra, usava os cabelos recolhidos em duas tranças e tinha pernas tão longas que parecia em expansão e que parecia não saber o que fazer com elas, as quais se assemelham a um potro recém- nascido, que dá os primeiros passos. Mas essa mulher via tinha o corpo mais robusto e exuberante que uma cortesã cara, e Jeremy havia estado com mais de uma, então sabia do que falava. Em nada recordava o potro, e ele não tinha a menor dúvida de que as pernas em que se recostava não tinha nada de desajeitadas. Na verdade, as coxas, abertas ao abrigo do seu peso, perfeitamente harmonizadas com as outras partes de um corpo magro, forte, mas, acima de tudo, extremamente feminino. Então ele percebeu que a filha caçula de Sir Arthur tinha crescido e se transformado em uma linda garota, você poderia dizer de seios abundante, mas com os punhos e tornozelos finos e delgados e a cintura muito estreita. Era a mulher mais linda que ele tinha conhecido até então, e não parecia perceber a sua recém-adquirida curvas feminina... ou o efeito que eles possam ter sobre um homem. Só quando olhou para a cara dela e que percebeu que a menina que conheceu e aquela garota eram a mesma pessoa. Já não usava tranças, em seu lugar havia um cabelo castanho tão escuro, contrastando com o verde da grama fresca, parecia quase negro. Também não tinha os dentes separados, sim bem dispostos e muito brancos. Contudo, ele reconheceu o brilho daqueles olhos escuros é uma expressão muito gentil para ser mal, mas muito travessa para parecerem ingênuos. Além disso, a moça fez uma careta com a boca, cujos lábios sempre lhe haviam parecido demasiados grossos, e agora lhe resultavam sensuais e tentadores, ele se recordou da pequena Maggie, a menina que o atormentava sem piedade, mas que tinham lhe avisado que ele não poderia retaliar porque era uma menina. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 19.
    E agora, pareciaque, pelo simples fato de crescer, Maggie Herbert vencia novamente, porque Jeremy nunca tinha visto uma mulher tão bela e tão estranha ao seu charme. - Ah! exclamou a garota, rindo. Que cara você fez. É de morrer de rir! O duque levantou apoiando-se nos cotovelos, seu rosto a poucos centímetros da aquela jovem com abundantes seios. - Você ficou louca? Ele perguntou severamente. Percebendo que a sua única resposta foi um riso, continuou ele. – Poderia ter me matado. -Haveria valido a pena - respondeu com entusiasmo. Ria tão forte que o rapaz, ainda deitado em cima dela, sentia os movimentos espasmódicos dos músculos do estômago sob o espartilho. Maggie Herbert usava espartilho! Sempre tinha pensado que não viveria para ver isso. -Mesmo assim, você não pode andar por aí dando estas pancadas - respondeu sério. Poderia ter causado muito mais danos. -Oh, bem. Nunca soubeste encarar uma brincadeira. Já vi que todas estas escolas para crianças ricas não conseguiram mudar-lo. -Depois de afastar algumas mechas do cabelo escuro para longe do seu rosto oval, Maggie apoiou-se nos cotovelos. Isso fez com que o corpete do vestido se abrisse ainda mais e oferecendo ao rapaz uma esplêndida vista do que escondiam o topo das rendas da camisola. Ao contrário do que aconteceu naquela manhã na taberna, e que naquele momento era impossível desviar os olhos, e parecia que não podia mover de onde estava e nem deixar de admirar as curvas daquela pele macia. Maggie demorou apenas instante em fixar-se nos olhos do duque, que sempre acreditou que eram de uma cor cinza embasado, mas ao olhar-los naquela posição pareciam mais expressivos do que recordava, na verdade, a Iris era de uma cor azul clara com reflexos prateados. Mas seu amigo não olhava-lhe o rosto. Na realidade, parecia enraizado no seu peito, de repente ela percebeu o botão que havia perdido ao subir a arvore desempenhava uma função essencial, e que seus exuberantes seios sobressaíam pra fora do decote do vestido branco. Imediatamente, Maggie começou a ser debater-se um mar de emoções conflitantes. Por um lado, mesmo em uma situação tão embaraçosa como essa, a situação parecia realmente cômica. Estava com os seios desnudos na frente do Duque de Rawlings! Que ia dizer Lady Herbert? No entanto, por outro lado, a forma como a jovem olhava não era engraçado em todo. Se tinha alguma duvida de Jeremy havia mudado desde a ultima que o viu a expressão em seu rosto, nesse momento não deixou margem para dúvidas. Nunca antes tinha visto ele com um olhar como aquele. Ou pelo menos dirigido para ela. No entanto, foi o tipo de olhar que atraiu nos últimos meses. Ela tinha visto nos olhos de alguns desconhecidos, que tinham atravessado na aldeia, era uma expressão de admiração, mas havia algo mais do que isso, e que só poderia ser descrita como ... desejo. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 20.
    Desejo? De Jeremy? Naquele momentoela percebeu que aquele já não era um jogo infantil. O rapaz que estava deitado sobre ela já não era uma criança, mas um homem de mais de vinte anos. E ela era uma mulher, ou quase, por isso é melhor ser separassem antes que alguém passasse por ali ou visse uma das janelas da mansão. -Saia de cima de mim- balbuciou Maggie, voltando a deitar-se no chão. Embora tenha sido obrigada a baixar a cabeça e os ombros, a situação piorou aparentemente permitido melhor visão do decote do vestido. “Acho que você perdeu um botão, Mag“, - disse o duque com um certo divertimento, desfrutando do embaraço da jovem, tanto como da vista oferecida. -Acho que eu não vi imbecil? Ela respondeu incapaz de olhar o seu amigo no rosto. Seus olhos, tudo nele tinha mudado, e agora parecia ter um estranho efeito sobre ela, que contribuíram para seu rubor tanto como haver perdido o botão. -Tenho a impressão de que precisa de ajuda, - disse o rapaz, que observava seus esforços com uma sobrancelha arqueada. – Me permites? Ante essas palavras, o embaraço de Maggie tornou-se imediatamente em indignação. Com uma mão, mantendo o decote do vestido, o outro lhe deu um forte tapa nas mãos morenas, encalecidas, muito maior do que as delas. - Não, não quero! – falou destacando cada palavra com um novo tapa. - Sai de cima de mim agora! Se considerarmos que você foi você que pulou em cima de mim, sua raiva é completamente fora do lugar, Mags - disse Jeremy. - Levanta-te! –exclamou a garota, olhando em volta dele. Jesus Cristo, alguém pode nos ver. -Você devia ter pensado nisso antes de me derrubar do cavalo. -Jeremy, decepcionado por ver que a garota tinha conseguido fechar o decote, e o observava com punhos fechados cenho franzido. - Além disso, por que fica assim? Eu vi você nua muitas vezes, embora eu deva admitir que isso foi antes de que você tivesse essa maravilhosa curvas. - Eu disse pra você se levantar! -Embaraçada, Maggie lhe golpeou a cabeça com o cotovelo do braço que ainda estava livre. Embora a cotovelada não poderia ter feito muito dano, Jerry parecia surpreso. A jovem supôs que ao duque de Rawlings não devia acontecer muitas vezes de que uma mulher lhe bate-se. Que mulher iria querer ofender um duque, que também era solteiro? Mas, nesse momento, a Miss Herbert não lhe importava de absoluto o que o Duque de Rawlings, ou qualquer outro Duque, achava dela. No entanto, talvez tenha sido melhor assim, porque que o rapaz estava pensando era de que Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 21.
    ele tinha sidoestúpido por passar tanto tempo longe de casa. No entanto, isso não foi o que ele disse. -Isso não foi muito simpático da sua parte, - disse ele esfregando a orelha dele e tentando parecer zangado. Não se tornou em uma dessas garotas tontas que dão bofetadas por tudo, certo? -”Oh, santo Deus “, respondeu ela com aspereza. Levanta-te de uma vez. Meu pai poderia ver- nos. -”Essa é a única razão sensata que me ocorre para por fim a esse extremamente agradável interlúdio“, - disse o jovem com veemência. Pouco a pouco se separou dela, e enquanto ele fazia não se esqueceu de observar à maneira em que tinha subido a barra do vestido, deixando a mostra às panturrilhas bem torneadas co tal perfeição, que daria a inveja a qualquer dançarina. E isso não foi tudo o que viu. Uma vez de pé, ele estendeu a mão para ajudá-la a levantar-se, e isso permitiu-lhe para discernir o ponto que terminava as meias e começava as ligas, nas coxas brancas e lisas. Deitado no chão, Maggie estava bem ciente de como Jeremy olhava furtivamente entre as pernas dela, e, confusa e nervosa, abaixou saia antes de alcançar o seu olhar, desconfiada diante à mão estendida. - O que acontece agora? –exclamou o duque ao ver que a garota franzia o cara. – To estendendo a mão para ajudar-te. Serás tonta... Não me olhe assim, como eu fosse te morder. Maggie engoliu a saliva. Mordê-la, ou pior era precisamente o que o rapaz parece tentado a fazer. Seu amigo de infância havia se tornado um homem bonito, e tinha certeza que ele tinha um monte de garotas que teria oferecido mais do que apenas a mão ... e havia feito muito mais do que morder. Jeremy, no entanto,interpretou mal o motivo de sua hesitação. -Vamos, eu não vou jogar-la na piscina novamente, se é isso que você está pensando – disse Jeremy. Se esquecer a emboscada que acaba de me dar, creio já somos grandes para continuar fazendo travessuras. Percebendo que estava sendo ridícula, Maggie deu-lhe a mão, tendo especial cuidado para não soltar o decote do vestido que estava segurando com a outra mão. No momento em que fortes dedos do jovem enlaçaram com os seus, Maggie sabia que estava em apuros, o duque poderia manter-la sujeita quanto tempo quisesse, e ela não seria capaz de fazer nada sobre isso. Mas apesar da força daqueles longos dedos, seu toque foi muito gentil, e nenhum momento tirou com rudeza como teria feito há muito tempo. Foi sorte que Jerry não a soltara logo, porque ao se juntar a ele, à garota teve a maior surpresa de todas. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 22.
    Jeremy era maisalto que ela. E não só um pouco, era muito maior, pois apenas atingia-lhe aos ombros. Se o jovem não tivesse a segurado com mais firmeza quando ela tropeçou, Ela teria batido o seu nariz no seu peito. - Você está bem? -O Duque a olhava com uma expressão irônica. Você não quebrou nada, certo? Atordoada, balançou a cabeça. Jeremy Rawlings era mais alto do que ela! E quase um palmo. Quando isso teria acontecido? Na última vez em que ela o tinha visto, ela era um palmo mais alta do que ele, de modo que seu amigo tinha crescido cerca de meio metro em cinco anos. Santo Deus, mas ele era tão alto como Lorde Edward! -O que estava a dizer, - observou o rapaz, surpreendido. Maggie Herbert é uma jovem mulher que bate em homens e desmaia facilmente. Como havia mudado. Ele nunca teria acreditado que ela ia se tornar uma flor tão delicada. Isso foi o que tirou a garota do seu estupor. - Eu não desmaiei, - disse levantando a cabeça para lhe encarar, algo que eu nunca pensou que teria que fazer ao olhar para os olhos de Jerry. E tão pouco te bati. Eu dei um empurrão, e eu fiz porque você mereceu. E agora, solta me. Jeremy sorriu, e desviou rapidamente a vista. Para jovem parecia que o seu sorriso tinha o mesmo efeito devastador que seu olhar, ambos aceleravam o coração. - Apesar de ter desenvolvido estas deliciosas curvas, continua sendo a mesma, - respondeu o duque, levando a mão da garota aos lábios com sincera admiração. Horrorizada pela casual referência ao seu corpo e modo a qual o jovem a observava quando lhe beijava os dedos, Maggie tentou tirar sua mão em seguida, mas foi em vão. Jeremy, com um sorriso, ele pressionou vigorosamente os dedos e começou a observar as unhas. Ah, vermelho, magenta e um pouco ... Ah, sim, branco. Vejo que ainda continua pintando. Como estão os gatos da Madame Ashforth? A essa altura deve ter retratos suficientes para forrar o vestíbulo. Me solta - repetiu a garota, tentando manter a voz firme. No entanto, não foi fácil, porque estava à beira de um colapso nervoso. – Eu to falando serio, Jeremy. – Me solta já. -Me solta. Eu to falando serio – imitou o duque. Você acha que isso e maneira de cumprimentar um amigo que você não ver a quase meia década? Isso a distraiu, deixando-a de tentar tirar a mão com toda a força. - Amigos? Repetiu a jovem com desdém. Desde quando somos amigos? Inimigo seria mais preciso. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 23.
    -Era você queabrigava tais sentimentos de animosidade, ele respondeu com um tom de falsa consternação. Nunca entendi o por que. Fazia da minha vida impossível, mas a única coisa que eu queria era ... -A única coisa que eu queria era dar ordens a todos – ela o interrompeu. Depois foi ela quem imitou ele. Você não pode fazer um capitão pirata, Maggie, sou o Duque, de modo que o capitão pirata vou ser eu. Não, Maggie, você não pode comer o último Magdalena, Eu sou o Duque e eu quero para mim. Você tem que fazer o que eu digo porque eu sou ... - O quê? - replicou Jeremy, aparentando que tudo aquilo não lhe importava. Enfim, nunca fez o que eu disse. -Pelo menos, havia alguém que não se intimidava com a sua atitude prepotente, - disse Maggie. Ou você teria transformado em um canalha, desses que não soltam a mão de uma jovem quando solicitado. - Canalha? Então, te pareço um Canalha hein? Ele perguntou com um sorriso, como se o que Maggie acabara de dizer fosse um elogio. Sem demora, ele soltou sua mão e estava olhar a garota com uma expressão meditativa. Enquanto se perguntava o que estava pensando, ela cruzou os braços em atitude defensiva. Então ele gostava de suas curvas, hein? E teve a coragem de admitir isso na sua cara. Santo Deus! Se a sua irmã Anne tivesse ouvido essa conversa teria desmaiado. Mas a irmã Maggie teria feito mais do que apenas desmaiar se soubesse o que o duque estava pensando naquele exato momento, Jeremy estava repreendendo-se por não ter tentado seduzi a filha mais nova de Sir Arthur anos atrás. Como era possível que não havia se dado conta, se perguntava. Por que não tinha previsto que esta menina se tornaria tão deliciosa? A verdade é que nenhuma das suas irmãs tinha nada de especial, assim naquele sentido não havia tido nenhuma pista, mas Maggie... Que encontrado! Nunca tinha desfrutado tanto com uma jovem a quem tivera que pagar. Havia algo nela, que aquela irreprimível impertinência, que sugeria que mesmo que tivesse ainda acabado de deixar a escola, não era uma garotinha hipócrita. O jovem pensou que afinal de tudo, talvez sua visita a mansão não seria tão aborrecida... A garota, porém, não gostou da virada que haviam tomado os acontecimentos. Ela não gostava em absoluto. Maggie não estava acostumada a estar perto de pessoas mais altas e corpulentas do que ela, e Jeremy, a que durante anos havia sido dominado fisicamente por ela, fez a sentir pequena, o que era extremamente desconfortável. Ou o que era pior, o rapaz era tão grande que chegava a lhe causar medo. E a Maggie não havia nada lhe desgostava mais do que o medo. Considerava-se uma pessoa audaz o que diferenciava de suas irmãs, e que não tinha medo de altura, da água, ratos, insetos, espaços fechados ou do escuro. Não entendia como ela podia sentir medo de Jeremy Rawlings, mas o sentimento estava lá e ia ter que fazer algo sobre isso, ou resignar-se a aceitá-lo. No entanto, ainda não tinha certeza se o lhe provocava esse temor era o duque, ou como ele a fazia sentir. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 24.
    A jovem olhoufurtivamente o rosto de Jerry e viu que ele continuou com os olhos fixos nela com a mesma expressão pensativa. Santo Deus ele era realmente atraente! Como era possível que não tivesse se dado conta? De fato, exceto Lord Edward e seu cunhado, Alistair Cartwright, a Margaret lhe desagradável os homens atraentes, sempre tinha lhe parecido que eles estavam demasiado apegados a si mesmo. Supôs Jeremy tinha razões para sentir-se superior, já que havia se tornado um rapaz muito bonito, e tinha mais dinheiro do que a rainha. No entanto, tanto seu aspecto como seu dinheiro foram dons da fortuna, (essa parte ficou confusa) e só um idiota poderia ter orgulho do que ele recebeu de Deus. -Jerry ... - ela começou a olhar para além do ombro do seu amigo de infância. - O quê? - Ele pergunto com sobrancelhas arqueadas com expectativa. - Acho que você deveria ir atrás de seu cavalo. Ele escapou. Surpreendido, Jeremy virou e viu que o Rei tinha começado a correr para os prados ao sul, onde as éguas pastavam. -Maldito seja - balbuciou. Fique aqui, ele acrescentou com um gesto semelhante aos que os pastores de Yorkshire faziam para os seus cães, para que os esperassem. Certo? Volto em seguida. Claro, "respondeu a garota, com sinceridade. Mas no momento em que o rapaz virou as costas, começou a caminhar para a mansão. Não correu porque ela achou difícil de fazer, mantendo o jugo do vestido, e porque não queria que Jeremy pensasse que ela estava fugindo dele, mas andava mais rápido que podia. Nestas circunstâncias, a retirada parecia ser a melhor estratégia. Precisava colocar em ordem algo mais do que seu vestido... depois de ser bombardeada com tantas sensações novas de uma só vez, pensamentos rodavam em sua cabeça. Jeremy Rawlings tão masculino e forte quanto os filhos do ferreiro, que levou um ano admirando a distância? Jeremy Rawlings olhando-a com desejo com olhos que sempre lhe haviam parecido apagados, mas agora brilhavam como o serviço de chá de prata e sua mãe? Jeremy Rawlings mais alto do que ela? O que estava acontecendo? Tudo aquilo era mais do que uma garota como Maggie poderia assimilar. Estava acostumada a vida no campo e não sabia como reagir ante ao giro que haviam tomado os acontecimentos. Precisava de tempo para refletir, recompor-se - tanto no sentido literal como figurativamente, - e decidir como lidar com esta descoberta perturbadora: Jeremy Rawlings lhe dava medo. Não teve a oportunidade de fazê-lo. Tinha acabado de deixar pra traz o distribuidor do labirinto da mansão de três andares quando ouviu uma voz profunda. Sua voz havia mudado Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 25.
    muito, a chamava.Maldição! A garota parou em seco, olhou para céu para pedir a Deus que lhe desse forças e virou lentamente. - Onde você pensa que vai? - Ele perguntou à jovem. Maggie reconheceu um tom brincalhão na grave voz. Foi com a mesma inflexão que o rapaz se dirigia a ela, muitas vezes quando seria vitima de uma de suas travessuras. - Bem... - respondeu. - A nenhuma parte. A casa. Tenho de encontrar um botão. - “ Brilhante conversação", reprovou a si mesmo. Vem comigo, - disse Jerry. Havia alcançado Rei, e ofegava pelo esforço. A Maggie lhe parecia que era irresistível, ele tinha perdido o chapéu, e os raios de sol davam ao seu cabelo, negro grafite, reflexos azulado; além disso, usava o lenço levemente desatado, deixando descoberto alguns cachos de cabelo escuro na base da pescoço É que.... – começou dizer. A garota, que sempre tinha uma resposta na ponta da língua, parecia não saber o que dizer. Eu não posso. Sério, eu tenho que ... -Vamos, me acompanha ate os estábulos para deixar esse animal, - respondeu o rapaz rindo tão baixo, como se essa renúncia lhe parecesse muito divertida. Logo iremos para dentro e buscaremos um botão. -Eu não posso, realmente, Jeremy. Minha mãe ... -Oh, vá lá, esqueça sua mãe. -O olhos de cor prata acinzentado brilharam com uma expressão de desafio, e o duque a olhou com um sorriso. O que você tem medo? - Nada, ela respondeu imediatamente, franzindo o cenho. Parecia que havia recuperado a fala. -Você não tem medo de mim, não é, Mag? -Os olhos cinzentos piscavam. - Claro que não! - Não estar mentindo para mim, Mag? -Não ... Os lábios do Duque abriram em um sorriso tão grande que ela podia ver seus dentes brancos e regulares. Não, claro que não. Foi uma brincadeira. Venha. Ele disse virando-se para ela para oferecer o seu braço que estava livre. Venha comigo. Quero que me conte o que te aconteceu ao longo destes últimos cinco anos. Obviamente continua a pintar. Mas o que mais tem vindo a fazer? Maggie estava olhando com languidez a entrada principal da mansão, depois daquela porta dupla estava a segurança de sua sanidade. Mas ela não podia agüentar covardia, muito menos em si mesmo, assim com um suspiro, ela atravessou a avenida e agarrou o braço de Jeremy. -Oh, disse rapidamente. Não muito. Capítulo 4 Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 26.
    Tinha sido muitofácil. Só tinha que estimular seu orgulho, e ela era dele. Na realidade, ainda não era totalmente sua ... mas estava seguro que não demoraria a consegui-la. O importante foi ter descoberto a sua fraqueza, ou talvez devesse dizer redescoberto, porque mais tarde, recordou que sempre podia instigar Maggie com uma frase: Você tem medo, não é, Mags? “ No momento, a garota disfarçava muito bem o seu medo, ela estava sentada com um fingido desinteresse sobre um fardo de feno na frente do estábulo do Rei, recostada sobre um poste de madeira, balançando os pés sobre o chão. Infelizmente, ainda segurava cuidadosamente o decote, impedindo o jovem de contemplar as preciosas e pálidas curvas. No entanto, Jeremy estava certo de que não demoraria muito tempo antes do que pudesse fazer algo mais do que só observar. Já sabia o que dizer para conseguir o que queria, assim poderia se vingar todas as maldades que ela tinha feito com ele quando eram crianças. Por enquanto, se contentava com apenas olhar, os raios de sol filtrados pela porta entreaberta do estábulo e que iluminava as costas e os cabelos soltos e macios. Ele tinha tido sorte de chegar em casa na hora do chá, pois todos que trabalhavam no estábulo tinham ido a mansão para desfrutar da famosa torta da cozinheira. Maggie e Jeremy estavam sozinhos no estábulo com os cavalos é algumas aves que tinham ninho nas vigas do teto, e gorjeavam ao ver invadida sua intimidade. Por sua parte, Maggie se sentia mais tranqüila. Jeremy tinha parado olhar para ela com expressão de luxúria, e a jovem estava começando a pensar que tinha se confundido. Afinal, ele poderia ter todas as mulheres que quisesse. Por que iria desejar ela? Era apenas uma vizinha, a filha do seu administrador. Sua irmã tinha casado com o melhor amigo do seu tio e sua tia e sua mãe eram muito amigas, quando crianças tinham brincado juntos muitas vezes. Nada mais. Com toda certeza, a amabilidade do rapaz se devia a antiga relação, porque era inconcebível que ele a visse como algo mais do que apenas uma amiga de infância. Pensar nisso ajudava a apaziguar sua perturbação. -Então, - disse a garota, enquanto Jeremy desencilhava Rei, Evers continua aqui, em Rawlings, e seu filho é o mordomo da casa, em Londres, disseram-me o seu neto está em uma escola de mordomos, e tem a esperança de que seu avô se aposente logo para tomar o seu lugar. De acordo com a sua tia, Evers disse que não vai se aposentar até que ele morra, e insiste em continuar a servir as bebidas, porém, quando algo fica mais pesada do que um caneco, as mãos tremem muitíssimo. Jeremy, que tinha tirado o casaco para escovar o cavalo, pensou que era melhor remover também o lenço do pescoço, tentou fazer isso, naturalmente, e deixou a peça de vestuário de linho sobre o casaco pendurado na porta. - Sério? – perguntou enquanto se inclinava para frente escovar a crina do seu cavalo. - Sim. E Lucy, a camareira da sua tia, teve outra filha, a quarta. A quem diga que já deveria ser o suficiente, mas ela diz que não vai ser feliz ate dar à luz um filho varão. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 27.
    - Entendo -disse Jeremy, deixou a escova e ficou olhando para a garota sem que ela se desse conta, pois percebera que era o sol estava em seu rosto, enquanto ele estava de traz pra luz. -A senhora Praehurst vai fazer sessenta e cinco no próximo outono, continuou, contente de poder informá-lo de todos os detalhes da vida privada dos seus criados, - e seus tios querem lhe dar uma viagem para Itália. Mas aparentemente, ela odeia os italianos, disse que uma cozinha que é tão dependente de tomates não pode ser boa para a digestão, e que alguém deveria avisá-los ... -Maggie – Jeremy a interrompeu. Algo em sua voz dava a entender a garota, que ele não a interrompia para perguntar algo sobre atitude de sua governanta sobre cozinha mediterrânica. Jerry havia aberto a porta do estábulo, tinha ido para trás dela e estava a um par de passos de distância do fardo de feno em que se sentava sua amiga de infância. Ela não podia ver a expressão em seu rosto, mas pelo seu tom de voz parecia que ele estava alterado. - Sim? – Perguntou com cautela. Quando ele estava perto o suficiente para que seu rosto saísse da sombra, Maggie esticou o pescoço e viu que não que não parecia em absoluto nervoso ou desconfortável. De fato, sua expressão era descaradamente brincalhona. - Tem me falado sobre todo mundo relacionado, mesmo que remotamente, com a mansão Rawlings começou enquanto se sentava ao lado dela sobre o fardo de palha, sem sequer pedir licença, mas você não disse uma palavra sobre você. O jovem tinha se sentado muito perto, de modo que seus ombros se rosavam, ou melhor, o ombro dela rosava com o braço dele. Maggie se moveu pro lado para criar um espaço entre eles. -Não tenho muito a dizer ", respondeu com rispidez. Eu fui para a escola. - Claro, - assentiu ele. Havia sido sua imaginação, ou o duque tinha se aproximado o tanto que ela tinha se afastado para o lado? -. Agora o que você vai fazer? -"Bem", - respondeu a garota, se afastando um pouco mais, não sei. Eu queria estudar pintura em Paris, mas o meu pai não me deixa. - Sério? - Porque ele tinha a soar tão feliz? E como era possível que Maggie estava repentinamente à beira do fardo de feno, prestes a cair? - E então, o que vai fazer? - “Eu não sei”, respondeu a garota olhando para o chão. Começou a ficar nervosa, não só porque o jovem tinha se sentado tão próxima, mas porque não entendia por que ele tinha feito. Como não queria acabar sentada no seu colo, pensou que ele se aproximasse um pouco Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 28.
    mais seria melhorterminar no chão. No entanto, pensou que talvez se seguisse falando o manteria distraído. - Suponho que tem que ir a Londres para a temporada. Já sabes... -Oh, a temporada – repetiu o duque enquanto lhe rodeava os ombros com o braço. Maggie estava olhando para aquela mão que lhe caia sobre o lado esquerdo e viu com sobressalto que estava coberta com pelos negros, semelhante ao que se destacava no pescoço na abertura da sua camisa. Havia algo profundamente masculina na aspereza daquele braço, e ela sentia que lhe acelerava a pulsação, apenas olhando para ele. - Você quer ir? - Ele perguntou. Não muitos, ela respondeu. Então, girou a cabeça até que ficou olhando nos olhos dele, um gesto que não foi muito difícil, porque seu rosto estava apenas alguns centímetros do seu. No entanto, ela percebeu que tinha sido um erro, e que seu olhar continuava a ter uma estranha influência sobre ela. - A verdade é que me sinto muito estúpida – pois se a disser. Novamente parecia ter esgotado as palavras. - Eu odeio as festas, e eu não gosto de dançar. Então ela viu o duque baixava a vista. – Jeremy – sussurrou sentindo que novamente lhe ocorria um acesso de ansiedade. Porque estás a olhar os meus lábios? O jovem sorriu, e mão esquerda que havia deixado sobre seu ombro a rodeou como se quisesse abraçá-la. - Porque eu vou te beijar, Mags - respondeu com uma voz tão doce que parecia uma carícia. Você gostaria que eu fizesse? Naquele momento, Maggie sentiu que o coração começava a bater freneticamente. - Na verdade não - respondeu se colocando para trás , então se deu conta que estava presa , como um rato na ratoeira , então estendeu os braços em um gesto defensivo esquecendo do botão perdido . - Não. Mas era tarde demais . Ele não era o mesmo rapaz de 5 anos atrás , a quem dominava com facilidade , era sim um homem muito mais corpulento e forte do que ela , e que não se importava com a sua opinião sobre a questão . Apesar dos seus protestos , o rapaz caiu em sua boca. De repente ela pareceu esquecer a razão dos seus protestos. Era estranho , muito estranho que Jeremy a beijasse , mas provocava uma sensação muito prazerosa , foi a primeira vez que um homem a beijava , e a estreitava em seus braços , e nunca esteve tão perto para perceber que tudo nele era diferente. Tudo . Seu contato era muito diferente do de uma mulher , e lhe pareceu que suas carícias eram algo bruto o corpo de Jeremy era sólido , onde tocava só sentia fortes músculos. Nem sequer a pele era suave , Maggie sentiu a aspereza da sua barba mal feita ao redor de sua boca e o bigode duro como um papel de lixa . Além disso descobriu que os homens também cheirava, diferente das mulheres , a couro , cavalo e um pouco de tabaco. Um odor que a desprendera , e ela teria feito de tudo para oculta-lo . No entanto , um homem lhe parecia agradável , tudo lhe parecia agradável. O braço que lhe rodeava a cintura e a puxava para mais perto do corpo dele. Incluindo os lábios que exploravam os seus com doçura e paixão , e a lenta e sedutora exploração da boca onde a língua ... enfim , era agradável. A única coisa que parecia fora do lugar foi como tudo a fez sentir .Ela sabia que deveria estar furiosa com Jerry por sua ousadia , e que deveria tentar afastá-lo . Mas ela não podia. Não sentia nem um pouco de indignação , porque no momento em que começou a beijá-la , ela sentiu uma deliciosa letargia. O homem a segurava com aqueles fortes braços e a beijava na Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 29.
    boca com umardor que a fazia sentir a menina frágil e delicada que sempre quisera ser , a mulher que precisava cheirar sais para não desmaiar , e não era muito alta e corpulenta para que um homem a levantasse facilmente nos braços mas não sentia só isso , sentia uma estranha sensação em suas partes íntimas . Enquanto o resto do corpo sentia um doce langor , entre as pernas sentia uma crescente tensão e uma súbita umidade , para qual a única explicação , para qual sempre havia temido , SUAS INCLINAÇÕES CARNAIS HAVIAM SE APODERADO DELA! Se sentia como uma gata no cio , e não podia negar que , assim como Jeremy pressionava seu corpo contra o dela , ela o fazia contra o dele , até o ponto em que certas partes chegavam a doer , pois desejavam ser acariciadas. Mas o jovem que estava acariciando a pele do braço com a mão livre , se aventurou a meter a mão dentro do decote e acariciar um dos generosos seios . Maggie se colocou tensa e supôs de imediato que aquilo não estava bem . Mas não parecia desagradável , pois nunca teria podido imaginar como seria bom ter esses dedos calosos deslizando sobre a sua pele desnuda , muito pelo contrário , aquela carícia era tão prazerosa que ela supôs que se não o impedisse , não seria mais capaz de fazê-lo. - Jerry - ela disse quando ele separou sua boca , para beijar-lhe o colo - Mmm - o menino tinha metido a mão sob as copas de encaixe da camisola , e acariciava com doçura a pele acetinada. Maggie procurou ar. - Jerry - repetiu - Para! - Porque? - perguntou ele com certa curiosidade , sem tirar as mãos dos seios , com os mamilos intumescido , ele o cobriu com os dedos e apertava a mama com o resto da mão . Maggie arqueou e deixou sair um gemido , um gesto que a fez parecer ainda mais uma gata no cio . A menina sentia que sua roupa de baixo se umedecia cada vez mais. - Jeremy - ela exclamou com voz forte. Mas a voz do Duque soou letárgica , como se tivesse bebido - - O quê Maggs? - perguntou antes de colocar os lábios sobre a curva dos seios . Maggie o agarrou pelo cabelo , em uma tentativa de impedir que ele abaixasse mais a cabeça m e se surpreendeu pela suavidade dos cabelos negros. - Jeremy - insistiu . Resistir ao impulso de se entregar às suas carícias era um verdadeiro calvário , que chegava a sentir como uma dor física - para , por favor... - Eu não posso! - respondeu ele com o rosto afundado no vale dos seus seios. A chuva de beijos se aproximava perigosamente do mamilo coberto com a palma da mão - Oh Maggs , quando tudo isto aconteceu? - A menina olhou fixamente para a cabeleira preta. - Quando aconteceu o que? - perguntou ela confusa. - Tudo isto! - contestou o Duque enquanto passava a mão de um seio a outro , deixando nu o mamilo duro que havia sido acariciado. No entanto , antes que a menina pudesse cobri-lo , os lábios de Jeremy o fizeram por ela. Maggie sentiu uma onda de calor e desejo passarem , e deixou escapar outro gemido , que soou como irreprimível gemido de desejo. Aquilo era terrível , muito mais do que tinha imaginado. Aquelas alturas além de querer continuar , sentia a necessidade física de fazê-lo... Mas o que aconteceria em seguida? Se apenas acariciando o mamilo com a língua ele conseguia fazê-la gemer de prazer , o que aconteceria se ele lhe levantasse a saia? Não. O coração batia tão forte que sentia o retumbar do seu peito. Não , o simples pensamento que aquilo poderia acontecer a causou um verdadeiro pavor . Pensar nesse homem , que realmente pouco conhecia nu na frente dela , a idéia de que ele a tocaria em lugares mais íntimos dos que tocava agora , imaginar como reagiria a sua nudez e ao contato de suas carícias ... era simplesmente demais pra ela! Jerry ha havia acusado de estar assustada . Mas ela realmente estava . Estava mais assustada do que já esteve em toda sua vida. Se sentia muita mais viva , do que já havia se sentido... e por isso mesmo estava Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 30.
    assustada O medo venciao desejo, e com ele apareceu por fim a indignação. Como se atrevia? Talvez estivesse acostumado a remodelação em aves quando ele gostava (não ficou muito claro , mas foi o melhor que eu consegui) mas ele era um homem! E não um homem qualquer , mas um Duque! Podia ter quantas aventuras quisesse sem pensar nas conseqüências . Ela porém , nunca havia beijado um homem antes , Como podia se aproveitar da sua inexperiência? , sua relativa inocência nos assuntos mundanos? Maggie, que não havia conseguido converter um impulso sexual em uma incontrolável e exacerbada raiva, agarrou Jeremy pelos cabelos e tentou afastar sua cabeça com todas as suas forças. - Solt... Solta-me! Balbuciou apertando os dentes. Para sua surpresa, o rapaz levantou a cabeça, e a olhou nos olhos e disse com uma voz forte: - Ah, não. Você se divertiu muito quando era pequenos e jogávamos, mas agora e a minha vez. E, logo se apressou para alcançar de novo os seus lábios. Maggie, não pensou duas vezes. Reagiu instintivamente, tal como havia feito momentos antes, quando tinha aberto a boca ao abrigo do mesmo, mas desta vez foi a fúria, e não a paixão que a impulsionou. Soltou os cabelos, jogou o braço para trás e fechando o seu punho, golpeou o Duque com toda sua força no nariz. Ele mesmo havia explicado cinco anos antes que era um lugar ideal para se dar um murro, porque a cartilagem do nariz é muito sensível, e não danificaria os dedos. Infelizmente, devido ao estreito abraço, não conseguiu atingir o alvo, machucou o punho batendo nos dentes de Jeremy . Mesmo assim, o soco teve o efeito desejado, o jovem a soltou e Maggie, sacudindo a mão no ar, pode se levantar e sair do alcance dele. - Mas que diabos...? Jeremy exclamou, levando a mão à boca. Ao baixá-la, viu que tinha uma gota de sangue, proveniente com certeza, do momento em que o punho tinha esmagado o lábio superior contra os dentes. Embora o golpe não tenha feito muito dano, ele havia deixado atordoado. - Mags, o que você esta fazendo? – exclamou atordoado, olhando- a com uma expressão de descrença. - Eu te disse para me soltar, - respondeu com irritação ao mesmo tempo olhava seus dedos, que haviam começado a inchar. Temia ter deslocado um dedo. O que iria fazer agora? Se tivesse quebrado a mão contra os dentes do Duque de Rawlings. Como poderia explicar isso para sua mãe? - Sim, mas... - O jovem olhava para o sangue em sua mão com uma indescritível expressão de espanto. Você me pegou. Com o sol iluminando de cima para baixo, Maggie lhe lançou um olhar de exasperação. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 31.
    -Oh,vai - respondeu,tentando soar mais indignada do que estava. Você acha só porque e um duque, você pode incomodar com impunidade qualquer pessoa? Na próxima vez você pensara melhor, e será menos convencido. “Eu te disse para me deixar, eu disse a sério”, - respondeu ao mesmo tempo em que olhava com grande satisfação o fio de sangue que escorria a partir da comissura da boca. Aliviada, ela percebeu que o coração batia a um ritmo mais tranqüilo, e a paixão ardente que sentiu pouco antes havia acalmado, pelo menos por agora. Mas não quis te causar dano... - Objetou Jeremy suavemente. A garota viu no rosto do duque uma estranha expressão que nunca tinha visto antes em todos os anos em que o conhecia. O que não sabia era que ninguém tinha visto antes o Duque de Rawlings com um aspecto semelhante. Essa foi a primeira vez que Jeremy a esboçava. Como era, afinal, a primeira vez que uma mulher o rejeitava. - Sei – respondeu Maggie, a sua fúria continuava a arder como uma brasa. - Eu sei exatamente o que você queria fazer, e te aconselho a pensar duas vezes antes de tentar novamente, porque eu prometo que voltarei a te bater. Jeremy não podia acreditar no que ouvia. Tinha na sua frente a mais bela mulher que ele tinha visto em um longo tempo, a casualidade e que a conhecia desde a infância, e o havia rejeitado! Nunca em sua longa e variada vida sexual nada semelhante tinha acontecido. Nunca uma mulher tinha resistido. Nunca. Simplesmente não tinha ocorrido. Não sabia o que pensar. Ele estava certo de que garota se sentia atraída por ele, pois os seus beijos tinham sido apaixonados. Não poderia ter entendido mal. Então, por que ela o tinha parado? Talvez porque desde pequena haviam lhe ensinado que uma garota deveria ser casada, ou pelo menos prometida, antes de permitir que um homem fizesse o que Jeremy havia tentado, sem o beneficio do casamento. Mas esse não foi um obstáculo para muitas senhoras da alta sociedade que tinha conhecido durante a ultima temporada, em Londres. Por que isso tinha parado Maggie? O jovem estava a olhar para ela, iluminada pelo sol, tinha as bochechas coloridas e respirava entrecortadamente, tentando recuperar o fôlego, que parecia mais uma prova do seu desejo por ele. Por um instante, não pode evitar admirar a forma com que o decote abria mais com cada inspiração. Também foi isso que Edward tinha visto quando chegou ao estábulo um instante mais tarde. - Jeremy! Vociferou o cavalheiro. Os pássaros que repousavam sobre as vigas piaram assustados e começaram a voar em bando ao ouvir a voz grave no silencioso edifício frisado pelos raios de sol. Mas as aves não foram os únicos que Edward assustou, Maggie soltou um guincho, e com um intenso rubor nas bochechas, cruzou braços para cobrir os seios semi-desnudos. - Que diabos está acontecendo aqui? Edward perguntou, irritado. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 32.
    -Santo Deus, -contestou Jeremy arrastando as palavras, desde o fardo de feno que ainda estava deitado. Por que você tem ser sempre tão inoportuno? Maggie e eu estávamos apenas nos conhecendo um pouco melhor depois de todo este tempo. -Margaret. –A garota estremeceu ao perceber severidade na voz de Lord Edward. Ela nunca o tinha visto com tanta raiva, nem mesmo quando os surpreendeu a por bombas na parte posterior do coche do vigário. Volta para a sua mãe agora mesmo. - Sim, senhor, - a jovem não precisou que lhe dissesse maia nada. Sem uma única palavra, virou-se e correu para a porta. Ou tentou, mais teve que parar em seco ao notar que alguém a segurava por um dos aros metálicos da crinolina na parte de trás da saia. As fitas que seguram a crinolina à cintura lhe apertaram o estômago e a garota soltou uma breve exclamação antes de olhar com expressão acusadora por cima do ombro. Mais Jeremy não olhava para ela, sim para seu tio. Não é necessário que a mande para sua mãe, - disse o jovem com tom autoritário. Claro, pensou Maggie como ele devia estar acostumado dar ordens. - Ela não fez nada de errado. Se você quiser ficar bravo com alguém, fica comigo. Ela é inocente... -Oh, não tenho nenhuma dúvida de sua inocência, - disse Lord Edward. O medo de a garota passou a ver que o cavaleiro começou a tirar o seu casaco. O homem, que nunca tinha visto com um cabelo fora do lugar, estava tirando a roupa nos estábulos! - É você quem vou despelar vivo. Mas se você quiser que Maggie esteja presente enquanto eu faço isso, não tenho qualquer problema. A garota soltou de uma exclamação de alarme, puxou o aro do crinolina das mãos de Jeremy e fugiu tão rápido que pôde. Capítulo 5 - Não precisava assustá-la - reclamou Jeremy franzindo o cenho , olhando Maggie correndo a luz do sol , pela porta do estábulo. - Oh , não - repulsou Edward com o olhar fixo nos punhos da camisa dobrada com cuidado - Você estava se encarregando disso não é? - Eu? - o menino parecia ofendido - Eu não a assustava . - Ah , não? - disse seu tio com as mangas puxadas até os cotovelos - Então porque sua boca está sangrando? O Duque levou uma das mãos aos lábios , havia esquecido do corte feito pelo soco - Ah , estou - riu entre dentes - Não vai acreditar , fui eu quem a ensinou este gancho. Nunca pensei que ela ia usá-lo contra mim - De verdade? - o cavalheiro continuou olhando - e o que acreditava que ela ia fazer Jerry? Se derreter em seus braços? - Bom - contestou - Isto é o que freqüentemente é feito. De verdade , isso é a primeira vez que me acontece . Eu ainda não entendo porque , mas acho... - Pois pensa um pouco - o interrompeu seu tio com severidade - Talvez vocês tenha alcançado a maior idade mas a Maggie ainda é uma menina Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 33.
    - Oh porfavor - respondeu o menino indignado - Ela vai fazer dezessete anos. É a idade em que minha mão me trouxe ao mundo. Edward surpreendido por Jerry mencionar a sua mãe , de quem falava em poucas ocasiões apenas disse : - Maggie Herbert é filha de um cavalheiro. Seu pai é seu assessor financeiro , e meu amigo. - Jeremy tinha ouvido muitas vezes seu tio queixar-se o quanto enraivecido poderia tornar-se Sir Arthur. A garota é convidada da minha esposa, e isso significa ficar nesta casa, sob a sua proteção. Como você pode ser tão sem vergonha, ou melhor, tão estúpido, tentando seduzi-la nada menos que no estábulo, como se fosse uma camareira qualquer em uma noite de farra? Isso não é verdade, - respondeu o rapaz com tom de dignidade ferida. Eu nunca tentaria seduzir uma camareira em um estábulo. Antes de dignar me a deitar com ela, exigiria que no mínimo me oferecesse um bom quarto com uma boa cama... Ele viu na hora que golpe veio. No entanto, para a surpresa de Edward, o seu sobrinho não tentou impedir ou esquivar do soco. Seus dedos se precipitaram com força na mandíbula de Jeremy, que desabou sobre um monte de fardos de feno. O cavalheiro sacudiu a mão machucada pela força do impacto, havia muito tempo que não se envolvia em uma briga corpo a corpo, pois não era bem visto que os membros da Câmara dos Lordes participassem de brigas de qualquer tipo. -Lamento ter tido que fazer isso, - disse ele com um tom de indignação. Mas, por bendito Deus, Jerry... - Eu sei. - O jovem, com o rebelde cabelo preto cheio de palha, se sentava enquanto acariciava seu queixo, duplamente penalizados. Eu mereci. Isso e mais, - respondeu o tio gravemente. Esta noite você irá para Herbert Park e vai pedir desculpa tanto a Maggie, que duvido que queira ver-te, como aos seus pais. Deixará o continente, amanhã de manhã na primeira hora. –Aproximando-se do seu sobrinho, Edward estendeu a mão para ajudá-lo a levantar-se. Quanto mais cedo você for, - disse ele bufando enquanto puxava Jeremy com força, - mais cedo poderemos esquecer este lamentável incidente. Após levantar-se, Jeremy começou a sacudir o calças para que saíssem os pequenos pedaços de palha. - Quando se celebrará o casamento? Dentro de seis meses? Acho que vou ter de esperar pelo menos seis meses antes de regressar, para estar seguro ... Por Pierce, que dizer. Edward, que tinha sido flexionar seus dedos para verificar que não havia nada quebrado, permaneceu imóvel, olhando para o seu sobrinho com atitude severa. - Que casamento? –perguntou com receio. -O Casamento, - respondeu o rapaz enquanto removia uma lâmina de palha cabelo. Quer dizer, entre Maggie e eu. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 34.
    - Você pediuque Maggie Herbert se casasse com você? - Bom, na verdade não, - explicou o sobrinho, não antes de soltar um riso desconfortável. Claro que não! Nenhum homem quer casar. -O riso terminou com a mesma bruscalidade com que ele tinha começado, e Jeremy nervoso perguntou. Não vai obrigar-me a casar com ela? Tendo em conta nos pegou ... Como é que você diria? Em flagrante delicio... -Estou satisfeito de saber que, durante a sua estadia em Oxford tenha aprendido alguma coisa de latim, - respondeu o seu tio, devo confessar que não, nem tinha passado por minha cabeça te forçar a casar com Maggie Herbert. Para surpresa de Edward, o rapaz parecia desapontada. - Mas eu a comprometi. – replicou. –pensava que... -A única coisa que eu vi e que estava com o decote desabotoado –o interrompeu antes de levantar com gesto ameaçante o dolorido punho. Está me dizendo que você a desonrou? -Jeremy se pegou mirando punho. "Bem..." respondeu. Não. Mas se ela não tivesse tentado esmagar o meu nariz. E se você não tivesse chegado, claro. -Bem uma razão a mais razão para você ir para França –disse o cavaleiro enquanto abaixava o braço. - Você poderá seduzir as francesas que desejar. Mas esquece as inglesas, especialmente Maggie Herbert. E agora, vá arrumasse. Sua tia pergunta por ti, por isso vim te buscar. Edward se dirigiu para a porta do estábulo, onde ele tinha deixado o casaco e o lenço. Quando se virou para o seu sobrinho, ele encontrou-o de pé na frente dele, com a mandíbula vermelha e inchada, e com uma expressão de raiva nos olhos cinzentos. - Porque não? – Perguntou com tom de voz baixa e grave que o seu tio mal reconheceu. - O quê? – perguntou o cavaleiro desconcertado. - Porque não pode ser Maggie? -O rapaz tinha os punhos apertados ao lado do corpo. – Por que você acha que não seria uma boa duquesa? Pensa que ela não esta a altura, né? Seu tio começou a sacudir o casaco com tranqüilidade. -Pelo contrário, - respondeu com uma voz amável, em contraste a severidade das suas palavras. Maggie seria um grande duquesa; é você, meu filho, que não está a sua altura. Jeremy tencionou o músculo de sua mandíbula. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 35.
    - Diz issopor minha mãe? - Ele perguntou com rispidez. - Santo Deus, claro que não, - disse Edward com um riso forçado. Isto não tem nada a ver com a sua mãe ter sido uma prostituta. Ao ver que Jeremy não mudava ao ouvir falar assim, sentiu um profundo respeito por ele. No entanto, continuou no mesmo tom. Você não merece a Maggie, ou qualquer outra mulher decente, é porque você é um libertino. O Duque pestanejou. - Eu sou o quê? -Jerry, estou surpreso Seu tio negou com a cabeça com uma expressão de decepção, mas sorriu para si mesma. Não sei se você notou, mas sua tia Pegeen tem dedicado de coração e alma em trabalhar em seu nome, nas instituições de caridade e fundações beneficentes. Neste preciso momento, há uma dúzia de órfãos, a quem minha esposa convidou para um piquenique, estão arrasando as rosas do jardim. Edward viu que Jeremy permaneceu imperturbável. Tem te criado desde que era um bebê, não aprendeu nada que ela tem te ensinado? Sua tia vive para tornar este mundo um lugar melhor para as crianças, as mulheres e os pobres. E é isso que você deveria estar fazendo também. - Quer que eu faça obras de caridade? - perguntou Jeremy com um tom de voz evidenciava rejeição que a mera idéia lhe causava. Não é necessário, - respondeu seu tio impacientemente. Mas você deve fazer algo de útil com a sua vida. - Por quê? - Indagou o rapaz em um tom beligerante. Sou um Duque. -É exatamente por isso. Você tem que provar que merece o título. Você não pode gastar vida batendo em duelo e seduzindo jovens. - Porque não? Quando você era a minha idade, fez o mesmo. - Sim, - respondeu Edward levantando o dedo indicador. Não queria parecer pedante, mas não pode evitá-lo. - Você está certo. Eu era como você. Pensava que a minha única obrigação na vida era me divertir. Mas quando eu conheci a sua tia, eu percebi que estava muito errado. Se você quiser conseguir uma mulher decente, não pode limitar a seduzi-la em um estábulo e esperar seus pais o forçarem a casar com ela. - Isso não era o que eu pretendia – respondeu o duque ligeiramente ruborizado. - E você não pode pretender impressionar a nenhuma mulher que vale a pena só porque você tem um título. Ao menos deveria conseguir te ame por si mesmo... A verdade é que, quando eu conheci a sua tia, o homem que eu era não valia nada, além das centenas de libras em notas de alfaiataria, como ela mesmo me fez ver. Mas eu mudei Jerry, e eu tenho feito algo de útil com a minha vida. Aperfeiçoei uma das minhas habilidades naturais, discutir, e a converti Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 36.
    em meu trabalho.Agora discuto, com bons resultados, para melhorar a vida das pessoas, na Inglaterra, ou pelo menos eu tento. Isso é o que você deve fazer, descubra o que você faz e dedicar-se a ela. Só então poderia atrair uma garota como Maggie... - Eu não quero uma garota como Maggie – falou o jovem. - Eu quero ela. Edward arqueou as sobrancelhas. Não que isso realmente o surpreendia, afinal, Maggie Herbert foi uma das poucas mulheres que Jeremy conhecia que não tinha o menor interesse em se tornar uma duquesa. Contudo, ele se deu conta que seu sobrinho não tinha percebido que era precisamente isso que o atrai nela. -Não importa. Você tem que fazer alguma coisa... -A única coisa que sei fazer - respondeu o jovem e lutar. Seu tio assentiu. - Não há dúvida que você tem mostrado uma certa aptidão para isso. - Além disso, os estudos não parecem te interessar em absoluto, e duvido que a política ... - Só sei lutar - insistiu o rapaz, que parecia ter parado escutar. Virou-se para trás e seu tio deu alguns passos apressado através do feno. Sou muito hábil com a espada, sei também utilizar a pistola. Eu também sou um bom cavaleiro. - É inegável que são qualidades que são dignas de admiração, mas... Jeremy parou a poucos passos da porta do estábulo de Rei e Edward e viu que colocava seus ombros para trás e erguia cabeça. -Já Sei - resolveu, dirigindo-se para seu cavalo, em seguida voltou-se para seu tio. Eu me alistarei na cavalaria. Aquilo havia sido uma declaração e não uma pergunta. -Bem, talvez devêssemos falar sobre isso ... -Não há nada para falar sobre isso - Jeremy interrompeu em tom peremptório. E depois continuou ele. - Preciso de um emprego e, o exército é um lugar tão bom como qualquer outro. Como não é possível pagar, a fim de alcançar a posição de oficial terei que merecê-la. Na verdade, tanto melhor. Edward se sentia cada vez mais desgostoso. - Mas, Jerry, o exercito é para os filhos que não que vão herdar a fortuna da familiar ou o título, e não quer entrar no seminário. Em geral, os duques não... - Entrarei na guarda montada - respondeu o rapaz. Seu tio não estava certo se ele havia lhe escutado, ou se ele fazia caso. O jovem começou a andar novamente, com aparente entusiasmo. – Pedirei que me mandem para Índia. É o lugar mais perigoso, certo? É uma pena Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 37.
    que não estamosem guerra, eu teria gostado de lutar na frente. Talvez eu possa começar uma. E, sem dizer uma palavra, estava saindo do celeiro. -Jeremy – chamou seu tio. - Ele retornou aparentemente surpreendido com o fato de continuar ali. - O quê? - Não valou serio, certo? – ele perguntou. - Eu não posso acreditar que você deseja alistasse no exército... - Sou um Duque, não é? - Respondeu com um sorriso. Posso fazer o que eu quiser. Capítulo 6 - O quê disse? - exclamou Pegeen, deixando cair das mãos a escova revestida de prata. - Na cavalaria, - disse Edward, sentando na beirada da cama com o cotovelo apoiado sobre o seu joelho, a poucos passos do tocador de sua esposa. Ele tinha uma expressão de profundo desânimo. - Pelo menos, isso é o que ele disse. - Mas... Pegeen levantou-se, segurando a escova com um mínimo de forças. O exército? Você disse que ele queria alistasse no exército? -Na cavalaria - repetiu com um sorriso de desamparo, olhando para sua esposa, que havia começado a andar para cima e para baixo no quarto. Havia sido interrompida, enquanto se arrumava para o jantar, e vestindo apenas uma camisola e calçolas novas de corte francês. Agarrava a escova com muita força, como se fosse ela que quebrara pacífica existência que eles tinham levado, até que seu marido havia informado a ela aquela inesperada notícia. - A cavalaria? - Questionou aumentando a voz que transmitia uma sensação de crescente pânico. - Meu Deus, o matarão. Não vai durar um minuto. É demasiado sensível... O cavalheiro se perguntou se devia dizer a ela que seu sensível sobrinho, havia ferido mortalmente um homem em um duelo, no dia anterior. No entanto, decidiu que seria melhor esperar ela se acalmar. - O que vai fazer um cara como Jerry na cavalaria? – se perguntou passando em frente à cama. Ao dar meia volta seus cabelos longos e escuro flutuaram no ar caindo sobre suas costas e após uma breve pausa, começou a caminhar na direção oposta. Levará um tiro no primeiro dia. -Não levará um tiro – tranqüilizou seu marido. A Guarda montada utiliza espadas, não armas. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 38.
    - Não importaque tipo de arma e usada. Ela não será capaz de defender exclamou. Se ele não pode sequer disparar em um faisão. É incapaz de matar uma pessoa! - A verdade, Edward começou devagar, na realidade... - E na Índia! Meu Deus! Contrairá malária e vai morrer sozinho em um país estranho e tórrido... - Querida – a interrompeu o cavaleiro enquanto a observava caminhar para cima para baixo sobre o desenho de rosas do carpete. -Você tem que impedi-lo, - decidiu Pegeen. Não há outra opção. -Não podemos fazer isso, - respondeu ele com tom cansado. -Agora é maior de idade, e pode tomar suas próprias decisões. - Maior? – Pegeen virou-se para olhar-lo de frente e apontar para o peito dele com a escova num gesto acusador. - Mas, ele ainda é uma criança! Ainda não atingiu vinte e um, e se não o determos não completara os vinte e dois. -Segundo a lei, já e um homem - replicou Edward enquanto tirava suavemente a escova de suas mãos para que não continuasse brandindo como uma arma. Nós não podemos evitar que ele faça o que ele quer. Além disso, não creio que o exército é tão má escolha, aprendera disciplina e o manterá afastado de Maggie. - Maggie! - Pegeen se lamentou, levando as mãos para as bochechas que ardiam. Oh, meu Deus. Eu nunca vou me perdoar. Pobre menina. - Perdoar-se? – O Cavalheiro esticou braços e puxando a sua esposa pelo quadril, fazendo a sentar no seu colo. O que você tem a ver com o que aconteceu? Não me lembro de ter visto você nos estábulos. - Por Deus! - Mortificada, Pegeen afundou o rosto no pescoço de seu marido. Como vou ser capaz de olhar na cara da Anne? E sua mãe? Como poderei Edward? – Se perguntou, golpeando suavemente o seu peito com o punho num gesto de impotência. Como ele pode? Edward negou com a cabeça, mas ele compreendia perfeitamente como o seu sobrinho havia feito algo tão repreensível... e tentador. Ele havia sido testemunha da evolução dos fatos, estava tão surpreso quanto Jeremy da bela moça que se tornou o mais jovem filha de Sir Arthur. Se tivesse vinte e um anos e fosse solteiro, teria feito o mesmo. No entanto, Jeremy havia se mostrado tão disposto a casar-se com ela, essa era questão que mais lhe surpreendeu. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 39.
    - Você achaque está apaixonado por ela? – perguntou apoiando o queixo na cabeça de sua esposa. - Por Maggie? - indagou Pegeen, com voz parcialmente absorvida pela roupa de Edward. Oh, eu não creio. A menina foi sempre muito cruel com ele. Se bem me lembro, você também era muito cruel comigo quando nos conhecemos. - Isso não é verdade! Ela disse levantando a cabeça. - Sim, é. - Tentou cortar meu dedo com uma faca de pão. -Oh - Pegeen voltou a encostar a cabeça no peito do seu marido. - Você mereceu. Edward arqueou as sobrancelhas, mas preferiu ser prudente e não dizer mais nada. - Acha que se trata disso? – perguntou Pegeen momentos mais tarde, com uma expressão pensativa. - Que se trata de que? - Você disse que ele havia sido golpeado, certo? O cavalheiro assentiu. - Sim, e creio que bateu tão forte como eu. No entanto, errou o golpe e acertou na boca. Não ficarei surpreso de ver Miss Maggie Herbert com uma tala na mão amanhã. - Oh, querido exclamou com uma careta. Desejava que você não tivesse feito. Duvido que fosse necessário atingi-lo. - Se você o tivesse ouvido, você também teria dado um soco nele, não tenho dúvidas, - disse com um sorriso. - Bem, que seja -respondeu a Sra. Rawlings, tentando aparentar uma certa dignidade apesar de estar sentada no colo do marido e com nada mais do que a roupa intima. Suponho que a resistência de Maggie a seus...encantos, é o que tem levado a se sentir atraído por ela. Duvido que qualquer mulher o tem rejeitado antes. Deve ter sido profundamente desconcertante. - Tanto para querer casar com ela? -A pessoas que se casam por razões muito mais absurdas. Não sei por que você se admira que Jeremy queira casar-se com alguém que é o trata como um igual e não como um Deus só porque tem um título e uma considerável fortuna, como fizeram todos aquelas jovens que ele conheceu em Londres na última temporada. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 40.
    Eu não achoque queira casar-se com ela porque ela o rejeitou, mas sim por sua beleza. Você ficaria surpreso como que um rostinho bonito pode abalar as convicções mais firmes de um homem. - Edward abaixou a cabeça e beijou suavemente o pescoço de sua esposa. Por exemplo, só vim para te dizer que seu sobrinho quer alistar-se no exército, mas está tão sedutora com essas roupas... Pegeen rindo não protestou quando seu marido a reclinou ate deitá-la sobre a cama - eu acho que nós vamos chegar atrasados para o jantar mais uma vez. Capítulo 7 A poucos quilômetros de distância dali, a última coisa que Maggie Herbert fazia era rir. Desde que Jeremy havia saído da biblioteca de Sir Arthur uns vinte minutos mais cedo, seus pais não tinham parado de brigar com ela. -Não vou perguntar o que veio contar o Duque é ou não verdade, - começou o cavalheiro sentado atrás de sua enorme mesa de mogno. Penso que um homem como o duque de Rawlings não vai sair contando mentiras sobre as filhas de seus vizinhos. Maggie estava em pé de frente pra mesa com as mãos atrás das costas para evitar que seu pai visse a bandagem em seu dedo. Olhava nervosamente para sua mãe, enterrado em uma cadeira de couro a poucos passos de distância dela, que embora um pouco pálida, manteve sua compostura muito melhor do que ela havia previsto. -Não há necessidade que olhe para a sua mãe para que saia em sua defesa, - continuou o cavalheiro com toda a dureza que era capaz. Nunca havia sabido impor muita disciplina e aquele dia não era uma exceção. Ela estava tão envergonhada como ele pelo que havia feito. Você desonrou a nossa família, e também comprometeu a casa Rawlings. Tenho a certeza que Lord Edward compartilha minha decepção com o seu comportamento... Ainda penso que a culpa recai principalmente sobre você, Margaret. - A jovem entreabriu os seus lábios, pronto para defender-se dessa injusta acusação, mas se conteve ao ver que sua mãe negava com a sua cabeça. - Apesar de ter dito inúmeras vezes que deixasse quieto o jovem duque, - prosseguiu Sir Arthur, você nunca deixou martirizado-lo, sem levar em conta, que como conseqüência da equivocada escolha de seu pai em escolher a esposa sua excelência teve uma infância difícil... A moça havia ouvido essa história tantas vezes que era impossível continuar prestando atenção. Ainda assim, o seu pai continuou a explicar como John, o irmão mais velho de Lord Edward, tinha se casado com Katherine, filha de um pastor e irmã mais velha Lady Pegeen, um erro que acabou por pagar com sua vida. No entanto, ele nunca explicou o que tinha acontecido com a mãe do duque. Quando era criança, Maggie tinha ouvido fragmentos de conversas e havia concluído que Katherine não só estava viva, como também vivia em Londres. No entanto, ela também tinha ouvido que Lord Edward a tinha proibido de aproximar-se do filho. Aparentemente, o motivo foi que John tinha sido morto em um duelo por culpa dela. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 41.
    -Não tenho nenhumadúvida de que o incidente de hoje, - procedia impassível o cavalheiro, - como em muitas outras ocasiões, é conseqüência de sua vontade de incitar sua excelência se comportar com uma total falta de decoro ... A jovem bufou com a intenção de começar a defender-se, mas mais uma vez, sua mãe a parou com um gesto de cabeça. Maggie apertou os dentes e ficou olhando para que seu pai não visse a expressão de revolta em seus olhos. -Eu apresentei a Vossa Excelência minhas mais sinceras desculpas por seu comportamento, ainda que, como um cavalheiro discreto que é, insistiu em que toda a culpa era dele. Amanhã eu vou pedir desculpas para a Lord e Lady Edward. - O corpulento Sir Arthur apoiou a mãos gorduchas na mesa e suspirou. Margaret, sua mãe e eu acreditamos que este comportamento comprometa o seu futuro. Não creio que seja necessário explicar que o seu comportamento desta tarde estaria totalmente fora de lugar nos salões de Londres. Por outro lado, me disseram que em algumas ocasiões, você admitiu que se sente controlada por seus... impulsos. Se isso o que aconteceu hoje é uma indicação de para onde se dirigem estes impulsos, seria insensato te levar para Londres na próxima temporada.. Temos de ter em conta o alojamento, depois do que aconteceu hoje duvido que Lord e Lady Edward sejam tão amáveis para permitir que nos utilizemos sua casa na cidade, como fizeram com suas irmãs. Além disso, também temos de comprar vestidos, chapéus e todo tipo de futilidade. Não penso que seja razoável que gastar uma soma considerável de dinheiro em uma apresentação a sociedade de uma jovem, que muito provavelmente ira nos por em evidencia, caindo nos braços do primeiro homem que a tirar para dançar... Maggie levantou a vista e estava olhando para seu pai com uma expressão colérica. No entanto, o cavalheiro não parecia se dar conta dos dados envenenados que lhe lançavam os olhos da moça. -Assim, após longa e cuidadosa análise, sua mãe e eu décimos não te apresentar na próxima temporada. A garota sabia que aquilo pretendia ser um castigo, por isso, desobedecendo a seu primeiro impulso, não expressou qualquer alegria. Em vez disso, olhou para baixo novamente e tentou suprimir o sorriso que se manifestava nos seus lábios. - Sim, pai - disse com convincente humildade. - Neste momento a sua mãe e eu estamos em um dilema. Em minha opinião, devo dizer também na de Anne, acho que para alguém com o seu temperamento, seria altamente desejável passar alguns meses em um convento... Surpreendida, a jovem olhou fixamente para sua mãe, que encolheu os ombros em um gesto quase imperceptível. - No entanto, sua mãe não concorda. Ela acredita que parte do seu problema é porque você Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 42.
    tem uma almainquieta de artista - após pronunciar essas palavras, fez uma careta como se tivesse um gosto ruim na boca, - e como pais, a nossa obrigação, na medida de nossas possibilidades, e aplacar essa exaltação. Embora eu acredite que o convento seria um bom lugar para fazê-lo, sua mãe acha que uma pessoa com o seu talento pode se sentir sufocada neste apertado ambiente, e propôs como melhor solução, te enviar para Academia de Arte de Paris que nos falaste no mês passado... Nessa ocasião, Maggie foi incapaz de suprimir os seus sentimentos, e virou-se para olhar para sua mãe. - Não pode ser! Exclamou com descrença. Sério? Estás a falar a sério? Lady Herbert, que era mais hábil em ocultar seus sentimentos, respondeu calmamente, apesar de seus lábios esboçarem um sorriso de satisfação. -Sim, querida. Você pode começar no outono... A garota se jogou no pescoço de sua mãe, com lágrimas de gratidão. Sir Arthur, sentado atrás da mesa, pigarreou com ênfase para obter a atenção das duas mulheres. -Isso não é nenhuma recompensa - ele recordou com um tom severo. Você terá que estudar intensamente, e qualquer relato de Madame Bonheur sobre o seu comportamento... voluptuoso, resultará em seu imediato retorno. -Oh, sim papai, - disse ela fungando o nariz, enquanto secava suas lágrimas com um lenço que sua mãe havia lhe dado. Você não vai se arrepender de ter me oferecido esta oportunidade. Eu Prometo que de Madame Bonheur vocês só vão receber elogios sobre mim. -Assim espero. Hill ira contigo para te vigiar. Não imaginava iríamos te enviar para fora da Inglaterra, sem ninguém a acompanhá-la. -Claro que não,- respondeu a garota, que estava sentada no braço da cadeira de sua mãe. -Oh, papai, você não sabe o que isto significa para mim... Não, tem razão – ele a interrompeu com um tom de voz ligeiramente irritado. Eu não sei. No meu tempo, as jovenzinhas não acompanhavam os rapazes aos estábulos... e muito menos se fossem duques solteiros! E naturalmente, tão pouco iriam para uma academia de arte. Eu não entendo o que acontece com à sua geração, e creio que eu nunca vou entender. O lugar de uma mulher e em casa e o seu trabalho e cuidar do seu marido e lhe dar um herdeiro. Todas as suas irmãs parecem ter compreendido, e espero que quando você esquecer essa infernal vocação para rabiscar, você volte para casa e se case com um homem decente, tal como fez Anne. Eu não entendo porque você não pode se parecer um pouco mais com ela. Suas irmãs nunca insistiram para deixá-las estudarem na França, as escolas inglesas foram mais do que suficiente para elas. E quando terminaram a sua educação, se casaram como uma mulher deve fazer. Esta nova tendência que as mulheres parecem ter de trabalhar fora de casa será a ruína... Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 43.
    -Sim, Arthur –interrompeu Lady Herbert enquanto colocava uma mecha de cabelo de sua filha atrás da orelha. Eu sei. Mas Maggie não é como nossas outras filhas. Ela é especial. Especialmente problemático – resmungou o cavalheiro. É a única coisa especial vejo nela. E agora, se tiver acabado de chorar, gostaria de jantar. O que é que tem no dedo, Margaret? Um curativo? O que aconteceu desta vez? Depois do jantar, ela se retirou o seu quarto com Hill, a camareira de sua mãe, para começar a elaboração da lista de coisas que levaria para Paris. Embora ainda faltasse quatro meses para a partida, Maggie sentia que nunca era demasiado cedo para começar a planejar uma longa viagem para o estrangeiro. Além disso, precisava remover da mente o que tinha acontecido naquela tarde, ele sabia que a atividade constante era uma boa maneira de conseguir isso. Na realidade, e que Maggie não podia deixar de pensar no Duque de Rawlings. Absolutamente. Entendia perfeitamente o que tinha acontecido entre eles, e se sentiu muito envergonhada e um pouco irritada. Agora ficou claro como cristal, Jeremy havia aproveitado a oportunidade de passar o tempo tratando de seduzir uma garota a quem conhecia desde a infância. Ela tinha certeza que não havia nada mais do que isso, apesar do que teria sido se Lord Edward não os tivesse surpreendido. No entanto, ela não podia negar que ela tinha permitido o que se sucedera, mas isso era fácil de explicar, sempre havia sido uma garota muito impulsiva, e havia se deixado levar pelas circunstâncias. Felizmente, havia se salvado da desonra, pelo menos por agora, e também tinha aprendido uma valiosa lição: ela não podia confiar nos homens, e muito menos em si mesma quando se tratava deles. Evitar uma repetição do incidente como aquele iria ser fácil, pois tudo que tinha que fazer era nunca mais ficar sozinha com um homem. Isso era tudo. Problema resolvido. No entanto, a primeira oportunidade de testar o novo plano seria muito mais cedo do que ela esperava. Hill estava fazendo inventário do quarda-roupa quando ela ouviu um barulhinho vindo da porta de vidro do terraço que havia em seu quarto. Quando abriu, pensando que era o gato que queriam entrar, se surpreendeu ao encontrar o Duque de Rawlings a luz da lua, com o dedo indicador sobre seus lábios. - Tenho que falar com você, - sussurrou. - Você perdeu a cabeça? - Indagado Maggie, com uma mão segurando o trinco e a outra na batente da porta. De repente, seus lábios tinham se tornado muito pálido. Meu pai está lá em baixo. Se te encontrar aqui vai te matar. Ele não fará, - disse o jovem, imperturbável. Trabalha para mim, lembra? - Ele leva as contas apenas como uma distração - respondeu a garota atirando a cabeça para trás. Ele não precisa do emprego. Tem a sua própria renda. Agora vá. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 44.
    Ao tentar fechar,percebeu com irritação que Jeremy havia colocado a bota entre a porta e a batente e por mais que tentasse, não poderia fechá-la. - Eu te disse para ir embora, - ela disse finalmente. Eu não quero voltar a falar com você nunca mais. A lua era brilhante o suficiente para Maggie ver que o jovem esboçava um sorriso. - Você pareceu muito convincente. Talvez se você fechasse a boca, poderia parecer real. - Eu digo serio Jerry – resmungou a garota, furiosa com mandíbula apertada. Hoje você me colocou numa tremenda confusão... - Eu que te coloquei em uma confusão? – ele a interrompeu com um riso forçado. Isso é realmente bom. Pensei que era eu quem tinha dar a cara como se fosse... agitou sua cabeça em uma maneira significativa. - E se você fosse o quê? - Ela perguntou em um tom defensivo. -Como se fosse o cumulo da perfeição, terminou com evidente desgosto. E agora, você vai deixar entrar ou vou ter que derrubar a porta? - Não te atrevas! - Maggie exclamou com as bochechas ardendo. O que havia acontecido naquela tarde só se repetiria por cima de seu cadáver. - Quase me trancam em um convento por sua causa. Jeremy inspirou profundamente, como se esforçasse para manter a calma. - Olha, Mags - disse após um momento. Eu vim pedir desculpas. Me deixa entrar ou vou ter que esperar até que venha seu pai e me um tiro na cabeça? A garota sentiu que o seu coração acelerava novamente. - Eu... - olhou com nervosismo por cima do ombro. No entanto não era Hill que a preocupava, mas a grande e confortável cama com dossel que havia a alguns passos dela. E que... O Duque estendeu as suas mãos. Mesmo a luz da lua pareciam ameaçadoramente grandes e masculinas. - Se é delas que têm medo, - disse com amabilidade -não as tirarei do bolso. Eu prometo. Maggie levantou seu queixo. - Eu não tenho medo, - mentiu com desdém. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 45.
    -Oh, eu sei,-respondeu ele petulante. Tenho algumas contusões para provar isso. -Mas então, por que não me deixar entrar? Ele a tinha desafiado, e Maggie não poderia voltar atrás sem perder o pouco de honra que sobrara. - Hill? Disse sobre o ombro, olhando com desconfiança Jeremy. Do fundo do quarto, chegou amortecida a voz da criada. - Sim, senhorita? - Importas-te se deixarmos o resto para amanhã? Continuou com os olhos fixos no homem esperava no terraço. Estou com um pouco de dor de cabeça e vou me deitar. Na suas costas, uma mulher de meia idade debruçou-se no closet. - Você ta com dor de cabeça? A garota percebeu, tarde demais, que não foi uma boa desculpa. Margaret Herbert não havia estado doente nenhum dia em sua vida, e os criados de Herbert Park sabiam disso. - Quer que eu diga para sua mãe, ou que vá buscar o Doutor Parks? -Oh, - Maggie voltou com toda pressa para ficar de costa para a porta de vidro. Não há necessidade. Eu só preciso dormir um pouco. - Te trarei um tônico. Vou estar de volta em um momento... Não, não, disse jovem com um gesto de mão pra tranqüilizar a criada. Você pode ir, muito obrigado. Terminaremos amanhã. - Esta bem, senhorita - respondeu Hill com ligeira inclinação de cabeça que expressava certa desaprovação. Mas se você deseja mais tarde um tônico, por favor, contate-me. -Está bem, vou fazer - a jovem sorriu agradecida. Muito obrigado. Na altura em que a empregada deixou o quarto, Jeremy abriu a porta de vidro com tanto ímpeto que estava ponto de derrubar a garota. - Bem ... - disse, observando por uns momentos o feminino e branco quarto. - Por fim fui admitido no quarto da senhorita Maggie Herbert. Devo reconhecer que é uma honra para mim. Nunca em minha vida havia estado em um ambiente tão virginal. -Oh, vamos, cala-se - Ruborizada, a jovem foi até a porta do terraço, que o duque havia Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 46.
    deixado aberta ea fechou - Se minha virgindade segue intacta não é precisamente graças a você. Jeremy arqueou as sobrancelhas diante da noticia que acabara de receber, mas lhe pareceu melhor não falar do assunto. - Sim - respondeu enquanto colocava as mãos no bolso, tal como havia prometido - Sinto o ocorrido. Queriam mesmo te trancar em um convento? -Sim - a menina nunca havia estado com um homem em seu dormitório, mas somente depois de deixar o duque entrar que entendeu que era um lugar muito inapropriado para manter uma conversa com um membro do sexo oposto. Por todo o quarto se via roupas intimas em desordem; no chão estava a crinolina desgastada, que parecia uma desleixada jaula de pássaro, e no encosto da cadeira de cetim rosa havia pendurado vários pares de meias, camisolas e espartilhos. Depois de seu primeiro comentário, o duque se comportou com descrição, fingindo não se dar conta do que o rodeava, e se aproximou, com as mãos no bolso, ao cavalete que estava disposto próximo à janela. -Caramba - comentou depois de examinar um pequeno desenho - é muito bonito. Não sabia que pintava paisagens. - As vezes já não sei o que pintar - respondeu Maggie, incomoda - Não vem muita gente pra cá. -Eu vi o quadro que fez dos meus primos. Me impressionou; parece o trabalho de um profissional. Não há duvidas que não tem perdido tempo nos últimos anos. A senhorita Herbert não sabia o que dizer. Era a primeira vez que o duque de Rawlings lhe fazia um elogio, a menos que levasse em conta os avanços daquela tarde à sua nova figura; e ela não tinha levado em conta, pois sua figura havia se desenrolado sem nenhum esforço de sua parte. Seu comentário sobre a pintura, em compensação, lhe pareceu um verdadeiro elogio e lhe ruborizou mais. Se sentia tão incomoda que o que disse em seguida soou menos amável do que havia desejado. -Olhe, Jerry, me sinto muito honrada, mas porque não diz de uma vez porque veio e se vai? Já me trouxe bastante problemas por hoje. -Eu sei - de pé, no meio do quarto, com as mãos nos bolsos, o jovem ficou calado, olhando. À luz da lamparina, Maggie estava tão linda como os raios do sol.Á noite, a cor escura dos seus cabelos contrastava ainda mais com o tom marfim de sua pele, e lhe dava um ar mais exótico. Usava outro vestido de musselina, este rosa claro, e parecia ser de outro mundo, como uma sílfide, ou uma princesa cigana. Se movia com a elegância de uma rainha, e Jeremy a imaginou facilmente com uma tiara no cabelo e uma capa sobre os ombros. Se não houvesse sido, por suposto, porque levava um pano branco envolvendo o dedo da mão direita. - Dói? - lhe perguntou sinalizando o dedo com um gesto de cabeça. -Só quando eu pinto - respondeu baixando os olhos - E você? O duque sorrio. -Só quando sorrio. Maggie se aproximou alguns centímetros dele. Se sentia um pouco intimidada por sua altura, mas levantou a mão e , sujeitando-lhe a barba, lhe envolveu a cabeça para melhor ver os lábios inchados. Quando o tocou, o jovem fez uma cara de dor, mas não a deteve. Então viu que ele também tinha um hematoma no maxilar. -Hmmm -disse com admirável calma - Vejo que Lord Edward lhe deu um belo soco, hein? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 47.
    Oh - rioJeremy com ar despreocupado - Sim, ele me bateu com vontade. Não sei qual dos dois tem um gancho melhor. Porém era menos do que merecia - Ficou admirando e se deu conta que ainda mordia os lábios enquanto observava algo de perto - Sinto muito pelo que aconteceu hoje, de verdade. Decepcionada, Maggie tirou a mão tão depressa como se houvesse se queimado. -Sim - respondeu ela baixando a vista. As pálidas bochechas se puseram a corar - Bem... -Se estivesse seguro de que iria me receber, viria te visitar como uma pessoa normal, pela porta da frente - o duque se apressou a dizer - Mas sabia que diria que estava indisposta, ou daria qualquer outra desculpa, e eu não suportaria. Provavelmente haveria golpeado o mordomo, ou haveria dito qualquer outra barbaridade. Por isso entrei pela janela. Necessitava te ver, Mags.. - Esticou o braço e agarrou a mão intacta. Sentiu nos dedos uma sensação cálida e vibrante, a mesma que havia sentido em todo o corpo quando a abraçou no estábulo. - Tenho que lhe perguntar algo. A jovem se calou, observando suas mãos entrelaçadas. -E o que houve com sua promessa? - perguntou. Jeremy seguiu a direção de seus olhos, mas só viu sua enorme mão entrelaçando uma outra, pequena e branca. - Que promessa? -A de manter as mãos nos bolsos, canalha miserável. Jeremy a olhou com frieza. -Tem idéia de como é extraordinariamente difícil - perguntou, apertando os dentes - declara-se a uma mulher que acaba de lhe chamar de miserável canalha? Capítulo 8 - Declarar-se? - exclamou Maggie abrindo um pouco mais os grandes olhos. Logo, para desgosto de Jeremy, começou a rir. - Essa sim é boa! - continuou, divertida - Se declaras a todas as meninas que beija, Jerry? Ou sou uma menina de sorte? Mesmo que nunca estando em uma situação parecida, o duque estava convencido de que as propostas de casamento não costumam ter risadas em resposta. A reação da jovem o desencorajou. - Não brinque, Mags, e te agradeceria se parasse de rir - disse com frieza, sem soltar a mão. Contudo, como ela parecia incapaz de se conter, continuou em voz baixa - Estive pensando e creio que fomos feitos um para o outro. Tenho que ir para o estrangeiro durante um tempo, mas estive pensando que, se me acompanhar, poderíamos passar muito bem. Poderíamos parar em Gretna Green pelo caminho... Durante essa alegação, Maggie havia recobrado a compostura. Se endireito, secou os olhos com o dorso da mão livre, e calou-se observando o jovem com desconfiança. -Deus Santo - disse com uma voz rouca de tanto ir - Estás falando serio! -Claro que estou falando sério - disse Jeremy, irritado - Não costumo ir por ai me declarando a primeira que passa, sabe? - Meteu a mão no bolso e tirou um relógio de ouro. Depois de consultar as horas, continuou - Se sairmos agora, chegaríamos a Gretna Green pela manhã. Quer que eu te ajude com as malas? Não acho que seja uma boa idéia pedir que a criada a ajude, seus pais poderiam ficar sabendo... Maggie retirou a mão e retrocedeu até que deu de costas com a parede, -Você está louco! - exclamou com uma expressão incrédula nos olhos escuros - Não pode estar Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 48.
    falando sério. -Você sedá conta que não para de dizer isso? - respondeu Jeremy enquanto guardava tranquilamente o relógio - É evidente que não estou louco, porque estou te falando com sensatez e sanidade. É você que não para de rir com uma hiena enlouquecida... A jovem apenas o olhou. Estava tentando assimilar que o duque de Rawlings havia lhe pedido em casamento. Embora seja curioso, ele não parecia um louco. Porém, é claro que estava. Só um louco iria querer se casar com uma menina de dezesseis anos que a umas horas atrás havia partido seus lábios com um soco. Aproveitando sua confusão, Jeremy cruzou os escassos metros que os separavam. Ao vê-lo chegar perto dela, a menina abriu ainda mais os olhos e percorreu o quarto com os olhos como se procurasse algo.. uma arma que a defendesse, pensou ele com sarcasmo. O duque apoiou as mãos na parede, prendendo-a entre seus braços, de modo que lhe seria impossível escapar. Então se inclinou até que se aproximou tanto que seu peito quase lhe roçava os seios. -Maggie, falo sério - disse com uma voz grave e persuasiva com que sempre conseguia o que queria - Quero que se case comigo agora, esta noite mesmo. A jovem engoliu a saliva, tentando desesperadamente retroceder e apegar-se o Maximo possível a parede. Tentava evitar de respirar profundamente, porque cada vez que respirava o odor masculino lhe assaltava os sentidos, e a curva de seus peitos roçavam no colete de cetim de Jeremy, "Isso não pode estar acontecendo - pensou - Este é o tipo de coisa que ocorrem a heroínas de novelas, não a Maggie Herbert." Jeremy percebeu o desnorteamento em seu rosto e suspirou. Teria preferido não ter que recorrer aquilo. Queria que ela aceitasse sem ter que se valer de seus encantos físicos. Mas, ao rachar de rir, a moça havia ferido seu orgulho, e seu comportamento desde então não havia feito mais do que aumentar seu desespero. Não a compreendeu. Maggie Herbet não era estúpida; sabia que ele era um dos homens mais ricos da Inglaterra, como demonstrava seus títulos e suas propriedades. Por uma vez, não se importava que essa mulher em particular lhe quisesse por seu dinheiro, só queria que ela fosse sua de algum modo. Além do mais, apesar do que havia dito a seu tio aquela manhã, sabia perfeitamente que as mulheres o achavam atrativo por sua aparência, não somente pelo que ele era. E com Maggie, isso só poderia jogar em seu favor. Porém, para a jovem tudo aquilo não parecia importante, e o olhava com uma expressão de ansiedade e até mesmo medo. De fato, parecia tão disposta a aceitar sua proposta de casamento como descer até a biblioteca do seu pai e despir-se cantando “Deus salve a Rainha”. [“God save the Queen” (hino do Reino Unido)]. Mas estava decidido a acabar de vez com esse medo, mesmo que levasse toda a noite. Baixando a cabeça, o duque aproximou seus lábios da boca dela, interrompendo assim o que a moça iria dizer, que com toda a possibilidade era um "não", uma palavra que utilizava com uma freqüência inquietante. Desta vez, Maggie resistiu só um par de segundos. Em seguida pareceu entender que estava aprisionada e com um suspiro de resignação, relaxou entre seus braços. Apesar de manter as mãos sobre o peito do duque como um gesto defensivo, não lhe rodeou o pescoço nem fez nenhum outro gesto que o incitara a continuar, abriu os lábios em contato com os seus. E para Jeremy aquilo foi o suficiente; deslizou suas mãos ao redor de sua cintura delgada, a Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 49.
    aproximou para siaté que quase sustentou todo o peso de seu corpo com seus braços fortes, e mergulhou sua boca na dela. As batidas do coração golpeavam os ouvidos de Maggie. Não podia acreditar que se encontrava na mesma situação que à algumas horas atrás... porém dessa vez era pior, porque nada os interromperiam e havia uma cama a poucos passos deles. Deus! O que estava acontecendo? Porque nem sequer havia tentado remove-lo de cima? Não havia duvida de que tinha um problema sério. Ansiava o abraço daquele homem e quando estava em seus braços, só sentia medo pelo que poderia vir depois. E ele havia pedido que ela se casasse com ele! Jeremy nem sequer parecia ter bebido, mas lhe havia pedido em casamento! Não que ele houvesse expressado um grande amor por ela nem nada parecido; na realidade, sua proposta havia sido pouco romântica. Mas, Deus Santo, quando a beijava, era tão agradável! Na realidade não era agradável, e sim o contrário; seus beijos a transtornavam, mas estava descobrindo que aquela era uma sensação maravilhosa. Em um dado momento, os beijos deram lugar a outras coisas, que Maggie só havia visto nos pastos dos pastoreios e que delas não queria saber nada. Era natural que os carneiros o fizessem, mas as ovelhas não pareciam desfrutar muito com ele.... e alguns meses mais tardes, se via assombrada com um cordeiro saindo por seu traseiro. Ela não estava disposta a passar o resto da vida como as ovelhas, parindo cordeiros. E muito menos quando havia convencido seus pais a deixarem ela ir para a França. Mas, casar-se? Com o duque de Rawlings? Não. Seu sangue gelou só de pensar. Maggie Herbert, duquesa de Rawling? Jesus Cristo, isso devia ser algo parecido a suportar uma temporada em Londres todos os dias da sua vida. Em que estava pensando Jerry? Havia perdido a cabeça? Seria a pior duquesa da história da Inglaterra! Que duquesa tinha unhas sujas de tinta e passava o tempo caindo de árvores? Nem sequer todos os beijos e estremecimentos do mundo podiam compensar! Naquele instante preciso, a jovem sentiu uma pressão sobre a saia de seu espartilho. Não estava segura, mas lhe parecia que provinha da parte da frente das calças de Jeremy. Movida pela curiosidade, deslizou, sem pensar, uma mão até aquele objeto rígido, crendo que encontraria o cabo de uma faca, ou mesmo uma coronha de arma, e então poderia rir do duque por achar necessário ir até Herbert Park, armado. O que apalpou, todavia, não foi um cabo de uma faca nem uma coronha de arma, e sim o membro viril de Jeremy. Não é necessário dizer que o jovem se surpreendeu com a maneira que a moça tocara sua pulsante ereção. O certo é que, de prontidão, se sentiu inundado, entre outra coisas, por uma onda de esperança ao pensar que havia conseguido mudar sua mente. Ainda sim, jamais imaginou que se comportaria com tanto atrevimento. Depois, só tinha dezesseis anos, e estava seguro que aquela tarde era a primeira vez que beijava um homem. Contudo, se queira acariciá-lo, não ia ser ele que iria detê-la. Quando Maggie retirou bruscamente a mão com se houvesse tocado uma objeto em brasas, o jovem se deu conta que ela não havia tido a menor idéia do que fazia. De imediato, sentiu que ela paralisou em seus braços, e então entendeu que, como suas palavras, seus beijos tampouco haviam convencido ela. Demônios! O que se passava na cabeça dessa menina? O que mais queria? Que se pusesse de Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 50.
    joelhos e lhejurasse amor eterno? Ao que lhe pareceu, assim era, porque de imediato Maggie o empurrou com tanta força que o duque cambaleou, desnorteado. Rápida como um felino, a moça correu a se refugiar detrás da cadeira de cetim rosa, como se esta pudesse protegê-la da vontade daquele homem. Embora só falou duas palavras, sua voz soava desoladora. -Por que? Perplexo, Jeremy franziu o cenho. -Por que, o que? - Por que quer se casar comigo? - perguntou com uma expressão de angustia no rosto. -Por que? Me perguntaste por que? O jovem estava a ponto de cair na gargalhada. Por acaso, não é evidente? Nunca antes uma moça havia saltado em cima de mim de um galho de arvore, havia me beijado com ardente paixão, me dado um soco na boca e tinha pego minha ereção como se fosse uma raquete de badminton. Que homem não iria querer casar com uma mulher assim? - A que se refere?- perguntou, incapaz que conter uma risada. -Por isso - contestou Maggie, muito seria - Se apenas me conhecesse, Jerry. -Se apenas te conhecesse? - repetiu ele rindo - Te conheço melhor que ninguém. Conheço o modo como seus olhos brilham quando ri, como abre os olhos quando quer ver algo que se afasta; a forma como morde os lábios quando olha algo de perto, que inflam suas narinas quando você mente.... - A jovem abriu a boca para desmentir, mas ao vê-la, o duque rio e continuou - Como agora. Mags, não há nada em você que eu não sei. Inclusive sei como beija... Ao ouvir aquilo, Margaret olhou sua boca e de imediato, ao ver o hematoma em sua mandíbula, entendeu tudo. Não lhe cabia menor duvida. Isso explicava tudo. -Foi o Lord Edward, não? - perguntou, receosa, revirando os olhos. Jeremy piscou. -Como disse? -Lord Edward te obrigou - De repente se sentia enfurecida, invadida por uma profunda ira. Como se atrevia? Como era capaz de entrar em seu quarto daquele modo e exigir que se casasse com ele? Seu tio havia metido isso em sua cabeça, agora entendia! - Diga a seu tio que se crê que tenhas que me propor casamento só porque me beijou, ele é um antiquado. Quero dizer talvez as coisas fossem assim quando ele tinha nossa idade, mas nos já estamos em 1871, pelo amor de Deus. Acredita de verdade? -O que? - O duque parecia confuso - Do que está falando? A moça balançou a cabeça com tanta energia que o laço do cabelo se desfez e seu cabelo deslizou por diante de seus ombros, emoldurando-lhe o rosto. - Já pode voltar a Rawling e agradecer o seu tio por se preocupar com minha reputação, mas diga a ele que não me casaria com você mesmo que houvesse me encontrado nua em sua cama, nem que fosse o ultimo homem sobre a face da terra! Essas ultimas palavras deixaram Jeremy estarrecido, mas manteve a compostura. Nem aquela expressão podia dissuadi-lo do que se havia proposto. Sabia que a raiva era uma forma de mascara o que sentia, que naquele momento não era mais que medo, simples e plenamente. Então entendeu que tinha medo, e achava que sabia o porque: Maggie só tinha medo do desconhecido. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 51.
    Contudo, estava dispostoa aplacar esse medo. - Meu tio Edward - começou com parcimônia - não me convenceu de nada. Isto foi idéia minha. -Acredito que deveria ir - continuou a jovem com se não senti-se ódio. As bochechas de Maggie tinham uma cor mais que rosada, estavam tingidas de vermelho escuro. - Não vou embora - respondeu sem se alterar - até que me diga sim -Então terá que esperar muito - espetou ela com aspereza - porque não vou me casar com você, Jerry; Jerry não se alterou. -Porque não? Detrás da cadeira, a jovem Herbert deu um chute no chão com impaciência. -Como porque não? - perguntou - Porque tenho que te dar satisfação? Vai embora já! -Não vou - começou Jeremy com serenidade, cruzando os braços - até que me diga porque não quer se casar comigo. -Porque é um absurdo! - replicou ela com outro golpe - Somos muito jovens. -De acordo. Estou disposto a esperar, e você? -Eu... Como podia dizer que, mesmo que esperasse os cinco anos, ela continuaria muito assustada para casar com ele? Maggie nunca havia sido capaz de admitir uma fraqueza como aquela; era melhor acreditar que não gostava antes de reconhecer que tinha medo. -Não- respondeu com firmeza - Não o esperarei. Meu pais me deram permissão para estudar em uma escola em Paris, e é provável que eu me vá durante muito tempo. -E? - inquiriu o jovem, encolhendo os ombros - Eu vou me alistar no exercito, e também ficarei fora durante uma longa temporada. A jovem ficou tão surpreendida que estava a ponto de sair de detrás da cadeira com que se protegia. -De verdade? - exclamou entusiasmada - No exercito? Estou certa que ficara lindíssimo de uniforme. Acredita que o enviaram para a Índia e conhecera um marajá, como no nosso jogo? -Sim - contestou Jeremy com impaciência - Então, me espera? O sorriso se apagou do rosto da moça. - Oh, Jerry, não. Será melhor nos esquecermos. Quem sabe o que pode acontecer durante esses anos? Além do mais, se posso viver da pintura, talvez não me case nunca. Sua tia crê que talvez... -Não se casará nunca? - repetiu Jeremy, incrédulo - Como podia Pegeen ter metido uma idéia tão absurda em sua cabeça? Mesmo que a suposição de que não se casar era preferível a de se casar com outro homem, não podia imaginar a sua amiga de infância vivendo no celibato, como uma monja. Era impossível uma mulher tão linda viver sozinha; iria contra a natureza - Não diga tonteiras - respondeu - Claro que vai se casar. Diga que será comigo e eu irei embora. Jerry, por favor, pense sobre o que você está dizendo, Maggie percebeu que alguém tinha de dizê-lo, se ele não, ela diria. Não seria uma boa duquesa. E depois o meu aspecto não corresponde a de uma Lady e ademais a única coisa que me interessa é pintar. Não faria bem qualquer destas coisas de duquesa, você sabe, ir a bailes, inaugurar festivais da colheita, coisas assim. Sou incapaz de dar sequer o mais breve discurso, e sempre quando eu abro a boca para Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 52.
    dizer é inconveniências.Via que Jeremy abria boca para replicar, assim se apressou a seguir falando, para que ele não a interrompesse. Eu sou uma péssima anfitriã! Nunca sei que vinho deve ser servido com o pato e uso o garfo de peixe para os legumes. E nem consigo manter o penteado. Não serviria. É melhor que procures outra. No entanto, ao pronunciar aquelas últimas palavras, Maggie percebeu que ao imaginar Jeremy com outra mulher lhe produzia intenso desconforto, como se um cavalo pisasse no seu estômago. - Não, - respondeu Jeremy. Não é isso. Atravessou o quarto para ficar na frente da cadeira e inclinou-se para poder observar o rosto da garota. Você está mentindo novamente, as narinas do seu nariz estão inflando. Qual é a verdadeira razão para que você não queira se casar comigo? - No momento em que o jovem apoiou o cotovelo na almofada da cadeira, Maggie começou a recuar, mas Jeremy avançou rapidamente e a agarrou pelo pulso para evitar que ela se afastasse mais. - Maldição! – Praguejou incrédulo ao sentir a rápida pulsação do pulso sob seus dedos. Tem medo de mim de verdade! Por quê? A jovem negou com a cabeça. -Não tenho medo de você, -disse com um riso nervoso. Não seja ridículo. - Sim, tem medo. E você vai me dizer por que a razão, ou eu vou ficar aqui até que venha Hill amanhã de manhã. Veremos então o acha Sir Arthur sobre sua ida para Paris. - Isso é chantagem! - Exclamou a garota após uma forte inalação. - Não é, - objetou Jeremy. - Trata-se de coação, mas e parecido, por isso é um erro compreensível. E agora, você vai me contar ou me acomodo nesta bela cadeira para passar a noite? Maggie inspirou profundamente. -E que... - Santo Deus, como iria explicar o que pensava, sem parecer uma estúpida? Ela pensou que seria mais fácil se não olhasse para ele, assim baixou a vista e continuou com a voz entrecortada... Quando me tocas, como você faz, tudo o que posso pensar é que você continue me tocando... em outras partes. E eu sei que esses pensamentos não são próprios de uma dama. Então, isso me assusta, pensar que não sou uma dama, que não vou ser capaz de dizer não se as coisas forem muito longe, e por isso acabarei em um convento, que é o que minha irmã Anne sempre diz, porque tenho uma natureza demasiado carnal... Aquilo estava tão longe daquilo que Jeremy esperava ouvir que, por alguns momentos, ele ficou em silencio, absolutamente atordoado. Então ele pegou sua mão machucada e levou-a aos lábios. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 53.
    -Querida, - nãover? – Murmurou entusiasmado entre beijos. - Isso mostra que você gosta de mim, mesmo que seja um pouco. Agora tudo que você tem que fazer é se casar comigo... - Não! Maggie retirou a mão entre seus dedos. Isso não prova coisa alguma! A única coisa que prova é que, quando um homem me beija eu não consigo resistir. Não sei se e com você ou qualquer homem, porque... - Porque eu sou o único quem beijou - terminou o Duque amargamente. - Bom, - respondeu a garota baixando os ombros, derrotada. - Sim, lamento, mas é assim. Ele não podia acusá-la por que isso, não era culpa dela. No entanto, não podia evitar de se sentir desgostoso por muitas coisas: em primeiro lugar, pela sua diferença idade, mas também porque a tinham protegido tanto. Não era que ele quisesse que ela fosse saindo beijando outros homens para que se desse conta que eles tinham alguma coisa especial, mas, aparentemente, a experiência seria necessária. No entanto, ficou claro que não ia ficar ali para vê-lo, não sem querer torcer o pescoço de todo aquele que a abordasse. Com um suspiro, Jeremy deixou-se cair na cadeira e levou uma mão a testa. A dor de cabeça que a jovem tinha fingido para sua criada parecia estar se apoderando dele. Maggie o olhava dos pés da cama, onde havia ido sentar-se. -Desculpe, Jerry. -Isso você já disse. -Mas é verdade. Desculpe. Você queria saber. -Eu sei o que queria saber – a interrompeu. - Estou bem ciente do que eu perguntei. De repente, sentiu que ele precisava de um uísque, assim apoiando o braço na cadeira estofada em cetim rosa, estava de pé. Ok, você venceu. Estou saindo. -Oh. - A garota levantou-se, um pouco decepcionada. Não sabia o que havia dito para desgostá-lo tanto. Aparentemente, não haveria mais beijos e nem propostas de casamento. Enquanto por um lado se sentia aliviada, por outro estava triste. Jeremy se dirigiu para a janela, mas antes de sair se voltou para jovem. - Prometa-me uma coisa, você vai? Ela atravessou o quarto e ficou ao seu lado, como uma anfitriã que acompanha o hospede ate a porta depois do chá. - É claro. – Sempre que seja possível. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 54.
    - Creio quesim. É muito simples. Eu vou sair por um tempo, mas Tia Pegeen sempre saberá onde me encontrar. Se por acaso descobrir... que só sou eu, ou os homens em geral, você escreve? Você não precisa ser algo elaborado, um simples "Sim, é você 'ou' Não é você 'será suficiente. Penso que você pode prometer, ainda que seja só pelos velhos tempos? Maggie assentiu vacilante. -Está bem, Jerry. - Boa menina. -Se inclinou para frente e deu-lhe um beijo fraternal na bochecha antes de sair para o terraço. Então, adeus. Foi uma noite quente. A moça estava em pé na porta, olhando Jeremy enquanto ele pulava a grade e começava a descer agarrando a hera. - Jerry? -Ela chamou. - O quê? - Ele perguntou. - Aonde você vai? O jovem a olhou com um sorriso ligeiramente torcido. - Eu não sei. Ao Inferno, eu acho. -Oh, - respondeu a garota. Bem, dê lembranças ao diabo para mim. O sorriso desapareceu. - Eu darei. E depois desapareceu. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 55.
    SEGUNDA PARTE Capítulo 9 Londres,Fevereiro de 1876 O mordomo de uma residência como a do Duque de Rawlings poderia chegar a desempenhar várias funções. Para começar, as tarefas que estavam estritamente relacionadas com o seu posto de trabalho, tais como selecionar, despedir e fiscalizar o pessoal de menor categoria. Ele também tinha de assegurar que a adega estivesse bem abastecida, guardar a prataria usada à noite, anunciar os visitantes, e inclusive passar o jornal da manhã que chegava com a tinta pegajosa. Quando o senhor, que nesse caso se tratava de Lord Edward, o tio do Duque, estava em casa havia sempre mais coisas para fazer, como a obtenção de uma dúzia de rosas em pleno inverno para colocar junto ao serviço de Lady Edward na mesa de café da manhã, ou como ocorria algumas vezes, quando tinha sessões do Parlamento, informar ao magistrado local de uma ameaça de morte. No entanto, apesar dos desordenados horários de Lord e Lady Edward em plena temporada Londrina, era escandaloso que o mordomo tinha que sair da cama às cinco da manhã porque alguém chamava com insistentemente a campainha. Normalmente, isso corresponderia a um lacaio de baixo calibre para abrir a porta, mas aquela noite, como os senhores ainda não haviam regressado do campo e os lacaios tinham saído para comemorar um casamento que se oficiaria em breve, o único homem que tinha na mansão do Rawlings era Evers. E a última coisa que queria em seus cinqüenta anos mal levados, era levantar-se de sua confortável e quente cama, e descer quatro lances de escadas e abrir a porta para alguém que nestes horários só poderia ser o portador de más notícias. Por um tempo, Evers colocou o travesseiro sobre cabeça, na esperança de que o desconhecido fosse embora, ao pensar que não havia ninguém em casa. Mas estava claro quem quer que estivesse à espera na rua, sabia que mais cedo ou mais tarde alguém iria abrir a porta, porque continuava a insistir. Consciente de que se esperasse um pouco mais as criadas acordariam e reagiriam com a típica histeria feminina ante as visitas noturnas, Evers acabou levantando o cobertor quente, e com um arrepio, vestiu o roupão, sapatilhas e o gorro de dormir, e se lançou tão rapidamente o quanto a sua idade e enfermidades permitiam o longo caminho desde o quarto andar da casa de cinco andares. Demorou cerca de dez minutos para chegar à porta, durante o qual a campanhinha não deixou de tocar. No entanto, quem quer que fosse que chamasse parecia ter transformado em um jogo: chamado duas vezes, fez uma pausa, para chamar mais uma vez, parou e, em seguida, quatro vezes mais rápido ... A periodicidade variava, mas a mensagem era muito clara "Abra a porta, que está frio." - Já vou – gritou o criado com a voz tremula e sonolenta quando finalmente chegou ao átrio de mármore. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 56.
    Talvez na ruafizesse frio, mas na entrada sem aquecimento a temperatura também era gélida. O mordomo pensou com nostalgia na bolsa de água quente em sua cama, que quando regressa-se já teria esfriado. - Já vou. Santo Deus pare de chamar. – Já vou. Mas depois de destrancar todas as fechaduras, Evers abriu a porta, não encontrou o vigia noturno, como ele havia esperado, ou o leiteiro, a que havia chamado na porta da frente e não da de serviço. O homem que esperava na espessa neblina que caiu sobre Londres no inverno, era um desconhecido, mas com um olhar que era óbvio que este era um cavalheiro de linhagem. No entanto, cobria-se com um, sobretudo, um gorro de pele, um cachecol de lã e luvas de couro, não daria para reconhecer sua própria mãe. Na verdade, o criado via apenas um longo nariz, que no passado tinham sido Aquilino, mas que parecia ter quebrado e operado mal depois, um par de olhos muito claros e um pouco de pele bronzeada e ligeiramente amarelada. - Boa noite, - disse Evers, que tinham começado a tremer ao sentir o gélido ar matutino. - Posso ajudá-lo, senhor? - Evers? - Embora a voz, chegasse abafada pelas camadas de roupas, o criado supôs que apesar da tonalidade amarelada da pele, se tratava de um cavalheiro Inglês. - Sim, sou eu. - Quem é você? - Mas não e Samuel Evers - respondeu o homem. - Claro que não. – Sou Jacob, seu neto. Samuel morreu há quatro anos e trabalhava na mansão em Yorkshire, cujo posto ocupa agora o meu pai, John. Quem é você, como conhece o meu avô? - Você não me reconhece? – Pergunto o cavalheiro em um tom divertido. Evers abriu bem os olhos e olhou através da neblina. Os Joelhos tremiam por causa do frio intenso, e começava a ultrapassar o roupão. No entanto, o estranho parecia ser insensível à temperatura. -Eu não saberia dizer, - respondeu o mordomo, que batia os dentes. - Mas faz um pouco frio aqui fora para ficar jogando jogos de adivinhação, senhor. - Você está certo, - respondeu o homem. Além disso, essas coisas nunca foram boas. E, levantou o braço e tirou o gorro e deixou descoberto uma desordenada mata de cabelos negros e encaracolados. Ao ver na mesma pessoa os espessos cabelos e olhos cinzentos, o criado o reconheceu e soltou um grito... - Santo Deus - exclamou. – E você excelência? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 57.
    O Duque deRawlings jogou sua cabeça para trás, rindo. As gargalhadas ressonavam na rua solitária, quebrando sua profunda quietude. Não era o típico riso que se ouvia em Park Lane, e muito menos às cinco horas da manhã de uma glacial quarta-feira de fevereiro. - Sim, Evers - confirmou Jeremy em fim, quando deixou de rir. Sou eu. – Recém chegado do Extremo Oriente, e com promessas de malária. Meu valete chegara daqui a pouco com as malas, por isso esteja atento. E agora, você pode oferecer uma bebida a um pobre vagabundo Duque? Temo que eu tenha perdido toda a resistência que eu tinha a este maldito frio da Inglaterra, e necessito desesperadamente de um uísque. - Obviamente, excelência. – Evers apressou a abrir a porta para que o duque entrasse em sua casa. Por favor me perdoe, mas não o esperávamos. Nós não recebemos qualquer comunicação sobre o seu regresso da Índia. - Não, porque eu não enviei - respondeu o jovem. Tinha atravessado o amplo lobby e aberto as portas da sala, e tinha começado a se livrar de várias camadas de roupas, que deixava cair, peça por peça, sobre uma das chaise longues estofadas em veludo verde. - Saí de Nova Déli, de repente, e duvido que o hospital tivesse tempo para enviar uma notificação para a minha família. O mordomo havia acendido as luzes das lâmpadas a gás, e após alguns momentos, tinha reacendido a chamas para obter um bom fogo para queimar na lareira de mármore esculpida. - No hospital, excelência? -Sim, - disse Jeremy com secura. No hospital militar. Tudo o bom que se pode ter em Nova Déli, nunca será suficiente. A comida não era ruim, mas havia uma enorme escassez de licor no país. Gostaria que alguém tivesse me dito antes. -O duque deixou a par de chaise longues de veludo verde e se aproximou de uma cadeira perto da lareira, onde se deixou cair com um suspiro. - Deus, Evers - murmurou com os olhos fechados, depois de esticar as suas longas pernas. Como e bom estar em casa. - Também e bom ter-lo de volta. No entanto, nos não perdemos as notícias sobre os feitos heróicos de sua excelência que lemos nos jornais. Estamos muito orgulhosos de sua coragem, e especialmente, pelo seu desempenho durante aquela rebelião que sufocaram em Jaipur. -Oh, - disse Jeremy com uma total falta de interesse, os olhos ainda fechados. Então, chegou aqui as notícias do que aconteceu. - Noticias? As pessoas não falaram de outra coisa por semanas. Que a rainha deu-lhe a Medalha de Honra... A voz de Evers refletia um profundo respeito, que foi apagando-se. No entanto, vendo que o duque não tinha intenção de responder, limpou a garganta e acrescentou. Que o senhor foi homenageado pelo próprio marajá! Pelo o que eu entendi, a Estrela de Jaipur é uma das maravilhas do mundo... Aja-... - murmurou o jovem por qualquer resposta. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 58.
    Ao ver quenão conseguiria fazer o Duque falar, o criado começou a servir o uísque. Havia se dado conta, não sem algum alívio, que debaixo do sobretudo, e apesar de não ter pisado na Europa durante quase cinco anos, o recém chegado usava um traje Inglês na ultima moda, vestindo uma jaqueta preta com camisa branca e um colete, calça apertada, também preta, e um par de botas brilhante. Além disso, usava um lenço em torno de seu pescoço que tinha o número exato de nós. Parece que aquele quente e bárbaro país não tinha convertido o seu valete um desleixado. No entanto, Evers também observou que o Duque não parecia ter um bom aspecto. O tom amarelado da pele que tinha visto na rua não foi devido a reflexo da luz da iluminação a gás, sem dúvida, o jovem sofria de malária. Embora suposto que estava melhor, pois ninguém se atreveria a arriscar sua vida viajando com uma doença mortal. Mesmo assim, não faria mal uma visita do Dr. Wallace, assim quando os restos dos empregados levantassem, enviaria uma empregada para buscá-lo. Ah, - disse Jeremy abrindo seus olhos, quando o mordomo lhe estendeu um copo de cristal com dois dedos de líquido âmbar. - Evers, você é um bom homem, um santo, como o seu avô. -Oh, não, excelência, - respondeu o criado, com modéstia característica da sua família. - Vai ficar muito tempo em Londres? - Tanto quanto seja necessário, - murmurou o jovem em tom enigmático, olhando para o copo. Tomou o puro uísque em um trago e estremeceu de forma involuntária. Em seguida, devolveu o copo ao mordomo, que voltou a servir-lhe outra dose. Foi nesse momento em que o duque percebeu de que o criado estava de roupão e chinelos. Por Deus, Evers, que horas são? Eu te despertei? - Sim, excelência. - Seu retorno nos pegou desprevenido, - disse. E acrescentou, com satisfação. – São cinco e vinte da manhã. - São cinco e vinte? - O Jovem estava tão surpreso que esteve a ponto de deixar cair o copo que o mordomo tinha acabado de lhe entregar. - Jesus Cristo! Por que você não disse antes? E eu chamando da maldita porta... Estou surpreso que eu não tenha acordado todo mundo. - Não se preocupe ninguém esta em casa, além de... - O quê? -Jeremy olhou o criado, surpreendido. Onde estão os meus tios? -Lorde e Lady Edward tiveram que ir para Yorkshire este fim de semana para assistir a um funeral. Quando o jovem o olhou com atenção, Evers continuou. - Sim, uma tragédia. Morreu o filho pequeno de um dos arrendatários de sua excelência. Mas são esperados nos próximos dias, continuou com um tom mais jovial. - Você gostaria de se acomodar no quarto que costumava ocupar, ou prefere outro quarto? -Mais uma vez, com mais sutileza desta vez, ele tentou voltar à questão da Estrela de Jaipur. - Veio apenas com o seu valete, ou devo preparar Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 59.
    mais quartos? - MaisQuartos? - Disse o duque. Para que diabos iria necessitar de mais quartos? -Bem, no caso haver trazido para casa... a Estrela de Jaipur. -Claro que eu trouxe - rapaz disse, impaciente. - Só um idiota não traria, mas não acho que necessite de um quarto só para ela. Não é tão grande. Evers tossiu. - Ah, não, claro que não - respondeu. Então percebeu que era melhor mudar de assunto. Nesse caso, lhe sugiro o quarto verde. O branco agora está ocupado por Miss Margaret, mas se eu acender o fogo em seguida... Um Jeremy se engasgou com o uísque. Preocupado, o criado aproximou dele, mas conteve o impulso de dar tapinhas na suas costas. - Excelência? - Ele perguntou, preocupado. Não se encontra bem? - Mags? Que diabos ela está fazendo aqui? – Gaguejou o Duque sem deixar de tossir. -Miss Margaret tem acompanhado Lady Edward esta temporada e está conosco desde pouco depois do Ano Novo. -O criado tomou o copo das mãos do jovem antes que ele deixasse cair, como parecia que estava ponto de ocorrer, e se aproximou do aparador para preenche-lo uma terceira vez. Segundo entendi a intenção de Miss Herbert era hospedar-se por pouco tempo em Park Lane, até encontrar um apartamento. No entanto, acho que não foi fácil para um jovem estabelecesse em uma grande cidade como Londres, especialmente se você quiser ganhar a vida em uma profissão tão competitiva... Por sua vez, Evers viu que o Duque tinha se levantado e cambaleava um pouco, talvez com mais solicitude que seu posto requeria, não podia evitar em insistir. -Desculpe-me, sua excelência, mas tem certeza de que você está bem? Parece muito doente... Jeremy fez um gesto com a mão como resposta. - E sobre esse prometido sobre que me escreveu minha tia? –Também está hospedado aqui? - O Senhor dos Veygoux? – Perguntou o mordomo perplexo. Um francês sob este? Claro que não. Imaginava, mas fiquei tanto tempo fora.. - o duque olhou com um sorriso forçado - nunca se sabe o quanto as coisas mudam durante a sua ausência, né? - Após esfregar a jaqueta com ar decidido, acrescentou - Está no quarto branco, verdade? -Sim, excelência- respondeu o criado. Logo, ao ver que o duque se encaminhava resulto até a porta, não pode evitar exclamar - Mas... O jovem se deteve no limiar e se voltou com uma expressão inquisitiva. -Sim, Evers? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 60.
    -Não ira excelência...Suponho que não esta pensando em entrar no quarto da senhorita Margaret - disse Evers sorrindo, nervoso - Já sabe que sua tia proibiria esse comportamento - o mordomo estava envergonhado; jamais um Evers havia contradito um Rawlings, foi muito irresponsável seu comportamento. Não o bastante, o criado acrescentou com suavidade - Os cavaleiros não entram em quartos de jovens, excelência. Estou seguro de que Lady Edward ficaria muito surpreendida se supuser que havia entrado em casa sem estar devidamente acompanhado quando a senhorita Margaret se alojava aqui... O duque sorriu, e Evers deu um passo atrás. Era absurdo e ele sabia, mas por um instante com aquele negro cabelo, os olhos prateados e esse estranho tom de pele amarelado, pensou que duque Rawlings lhe aparentava uma notável semelhança com... o diabo. -Sua preocupação com a reputação da senhorita Maggie é comovedora - respondeu Jeremy com um riso - De verdade. Contudo, a ultima vez que comprovei, esta casa me pertencia e portanto tudo que há nela. Sem uma palavra mais, Jeremy se voltou e dirigiu-se a escadaria de mármore que conduzia ao segundo piso. A suas costas, Evers, de pé em meio ao vestíbulo com o gorro de dormir e a bata, levou o copo de uísque aos lábios e bebeu em um trago. Tinha pouco tempo trabalhando com a família Rawlings, e tinha a esperança de seguir fazê-lo por tanto tempo quanto seu avó. Porem, lhe parecia que sua carreira ia terminar de forma abrupta, porque se Lady Edward não o demiti-se por ter permitido que o duque e a senhorita Herbert ficassem sobre o mesmo teto, o faria o duque por motivo oposto ao dela. O criado decidiu escrever uma carta a seu pai, necessitava de um conselho. Um conselho e mesmo que lamentava dizer-lhe, outra taça. Capítulo 10 Durante sua infância, Jeremy havia passado muito mais tempo em Yorkshire que na casa em Park Lane, mas se recordava o suficiente para entender porque Maggie havia escolhido o quarto branco. Todos os demais dormitórios da casa tinham parede de uma cor, alcatifados de outra e mobiliada por uma terceira; aquela havia sido uma pratica decorativa de sua tia Pegeen, convencida de que quanto mais cor houvesse no quarto, menos se veriam as manchas. O certo era que, como naquela casa havia muitas crianças, incluindo o próprio Jeremy, a idéia havido sido eficaz. Porem, o quarto branco não era mais que isso, um espaço de paredes brancas e moveis da mesma cor. Era o único quarto em que não se permitia a entrada das crianças, que sempre tinham mãos sujas e sapatos cheios de barro. O tipo de quarto que só um pintor, que passava o dia mesclando cor, podia relaxar. O duque supunha que essa era precisamente a razão por que Maggie havia o preferido a qualquer outro dos dez quartos da casa; ao entrar, mesmo com a apagada luz laranjada que crepitava da lareira de mármore branco, se deu conta de imediato que a moça havia dado ao quarto seu toque pessoal. Nas paredes distantes da porta havia um cavalete dobrável e uma caixa de madeira, que se não se enganava, continha pincéis e tubos de tinta. Junto a eles, ocupava um grande espaço uma grande pasta de couro preto que parecia muito pesada e devia conter trabalhos feitos ou copias de pinturas para mostrar aos possíveis clientes. Em cima de uma mesa baixa, junto a um par de cadeiras de cor marfim, podia-se ver algumas Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 61.
    ferramentas de trabalhomenos habituais, como um enorme pássaro dissecado, um cavalo mecânico, um barco de papel machê e algumas bonecas de diferentes tamanhos com trajes de varias cores. O duque não tinha nem a mais remota idéia de para que podiam servir aqueles brinquedos, a menos que, aos seus vinte anos, a jovem Herbert fosse mais criança do que deveria. Porém, ao rapaz lhe pareceu muito mais interessante as roupas que estavam no encosto da cadeira espalhadas pelo quarto, como um espartilho e um par de calças. As coisas eram tão sedutoras como sua dona, que jazia na enorme e branca cama com dossel, a poucos passos da lareira. Jeremy comprovou que Maggie era tão desordenada de noite como de dia; havia retirado todas as mantas e apesar do frio, dormia tampada apenas por uma colcha de linho. Infelizmente, o que provavelmente a mantinha aquecida era um grosso camisolão de algodão, que lhe cobria desde o pescoço até os tornozelos. Não o bastante, ao se aproximar e observar com mais determinação a moça, Jeremy descobriu vários detalhes que lhe resultaram interesse; o camisolão havia levantado ligeiramente, deixando descoberto a delgada curva do tornozelo e a branca panturrilha. Além disso, a jovem dormia com um braço sobre a cabeça, de modo que a tensão do tecido por cima dos peitos revelava a curva de um mamilo. Segundo Jeremy pode observar com deleite, seus peitos continuavam volumosos, sobretudo para uma jovem que não havia desenvolvido nem a mais ligeira curva durante anos. O cabelo comprido e solto caia desordenadamente sobre o travesseiro. O rosto, voltado para o brilho que saia da lareira, havia perdido a redondeza infantil, e as altas e sobressalentes bochechas davam a sua encantadora beleza um ar de altivez que antes não tinha. “Deus meu” - pensou o duque enquanto observava a moça de perto - Se converteu em uma verdadeira beleza as minhas costas. Aquele pensamento lhe fez sentir-se tão irritado com o fato de que havia prometido. Mas, o que esperava? Por acaso havia acreditado que seus pais seriam capazes de mantê-la afastada da atenção dos outros homens para sempre? Que era o único capaz de apreciar sua natural e selvagem beleza? Que uma moça como Maggie, com aqueles volumosos lábios, lhe esperaria a vida toda? Repentinamente, Jeremy se sentiu muito cansado, se sentou na borda da cama e levou uma mão a frente. Notava o calor na pele. O mais provável é que tinha febre outra vez, mesmo que isso não fosse nenhuma novidade; levou semanas lutando contra os sintomas tardios da doença. Os médicos de Nova Deli lhe haviam assegurado que era normal, e um deles lhe havia explicado que continuaria sofrendo esses sintomas durante pelo menos três ou quatro anos. Ao ouvi-lo, o duque havia estado a ponto de lhe dar um soco, mas estava fraco demais para levantar o punho O jovem distanciou a mão dos olhos e olhou Maggie, que respirava lentamente e pausadamente. Recordou então que, desde criança, tinha um sono muito profundo e não acordava nem sequer quando dormia na mesa durante o jantar e tinham que carregá-la para a cama. Aquele dia não havia despertado quando ele havia batido na porta com insistência e apesar de estar sentado em sua cama, a moça seguia alheia a sua presença. Podia tê-la violado de dez formas diferentes e ela continuaria dormindo. Aquele pensamento lhe foi tentador. O duque olhou o corpo dormindo escondido embaixo do Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 62.
    grosso camisolão erecordou aquela tarde, cinco anos atrás. Ao mesmo tempo, quase sem pensar, aproximou a mão da bainha do camisolão para tocar a branca e desnuda panturrilha. Todavia, sem saber porque, se deteve. Havia estado tão perto que chegou a sentir o calor de seu corpo nas pontas dos dedos. Mas algo o havia feito apertar a mão. “O que esta acontecendo comigo?”, se perguntou. Tinha todo o direito de tocar na moça. Cinco anos atrás havia ido embora da Inglaterra com a convicção de que, ao voltar, se casaria com Maggie Herbert. Ainda assim, tinha que reconhecer que freqüentemente havia buscado consolo nos braços de outras mulheres. A Jeremy lhe havia parecido que o mínimo que podia fazer era tentar apagar a recordação dos beijos de Maggie. Ele não era um homem sem desejos; as aventuras sexuais do tenente coronel Rawlings haviam sido motivo de admiração entre seus homens, e objeto de piada entre seus iguais, na qual a maioria eram oficiais casados. No geral, o duque fazia questão de ignorar os comentários e somente debatia quando estava bêbado ou de mal humor... algo que ocorria bastante ao jovem, porque a Índia era um poço sem fundo de miséria e doenças, e que fazia um calor insuportável e que nada tinha a ver com o lugar mágico que ele e sua amiga haviam imaginado em seus jogos infantis. Entretanto, apesar de que durante quase meia década o jovem oficial havia conquistado dezenas de mulheres, não havia conhecido ninguém que lhe acelerava o coração como lhe ocorreu aquele dia no estábulo, nem alguém que o cativasse tanto, emocionalmente e intelectualmente, por não dizer fisicamente, como Maggie Herbert. Enquanto aquele descobrimento lhe havia complicado a vida, como por exemplo o incidente relacionado com a Estrela de Jaipur, também lhe havia sido muito motivador. Lembrando-se do conselho do tio, o jovem havia posto todo o seu empenho e inteligência para demonstrar que era merecedor de uma moça como Maggie. Para sua surpresa, aquilo que rendeu um lugar deslumbrante nas fileiras da cavalaria da sua majestade.O duque realizava com esmero todas as tarefas que lhe designavam, desde escoltar importantes embaixadores através da selva, ate sufocar uma ocasional revolta camponesa, qualquer coisa lhe parecia boa, porque com isso não conseguia pensar demais, algo que tendia a acontecer sempre que estava desocupado. Mesmo que fosse a ultima coisa que Jeremy havia pretendido, sua inteligência e valentia acabaram por impressionar seus superiores. Ao se alistar ao exercito, tinha evitado utilizar seus títulos, de modo que poucos sabiam que o jovem que acabara de começar sua carreira militar como Jeremy Rawlings era, de fato, um dos homens mais ricos da Inglaterra, um aristocrata cujo tio gozava de grande influencia nas Câmaras dos Lordes. Para seus companheiros, o duque era apenas o capitão Rawlings, mesmo que por pouco tempo, pois logo o elevaram a major e recebeu a Medalha de Honra da rainha por ter sufocado a rebelião de Jaipur. Quando ao fim sucumbiu, por causa da enfermidade, e não por causa de uma bala inimiga, Jeremy era considerado um dos homens mais valentes ao serviços da rainha, um intrépido herói cuja habilidade com a espada não teria comparação. Por isso foi elevado a tenente coronel e logo ganhou outra estrela dourada, que reluzia no pescoço de sua farda roxa. Porem, as ascensões, as medalhas e as honras, incluindo a Estrela de Jaipur, não significavam nada para ele. Sabia que, pela primeira vez na sua vida, estava fazendo algo em que se dava bem, e com que, alias, desfrutava. Apesar disso, somente desejava uma coisa: uma carta de Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 63.
    Maggie em queela pedisse que ele voltasse para casa. Acreditou que a esperada carta chegaria em quatro anos, quando sua tia Pegeen lhe escreveu para contar que Lady Herbert, a mãe de Maggie,havia ficado doente e que apos uma longa temporada na cama, havia falecido naquela primavera. Mesmo que detestasse escrever cartas, esta foi a única ocasião durante sua larga ausência em que o fez, e enviou a moça uma carta de condolência, mas não recebeu reposta. Doze meses mais tarde, supôs que ela estava comprometida. Então se deu conta de que os longos anos de espera não haviam servido para nada, pois a mulher que amava ia se casar com outro homem. Supunha que a jovem nunca havia tomado sua proposta a serio, e que a havia se esquecido dela tão depressa como outra mulher se esqueceria de comprar ovos no mercado. Não havia se enganado, e isso fazia com que se sentisse estúpido; havia passado cinco anos naquele pais tórrido e incivilizado para nada. E voltou para casa para vingar-se. Desde que havia conhecido a traição. Jeremy somente pensava em alguma coisa para descarregar sua fúria na primeira oportunidade. De fato, havia sido aquele pensamento que estava o mantendo vivo durante as semanas de delírio e febre. Estava convencido de que essa sede de vingança havia salvado sua vida. Se morresse, não poderia conseguir que Maggie Herbert se arrependesse de ter se entregado a outro. Finalmente, esse desejo o havia feito levantar-se da cama para regressar a Inglaterra, apesar da insistência dos médicos em que ficasse no hospital ate que recobrasse as forças. Contudo, quando tinha o objeto de sua vingança ao alcance de suas mãos, não decidiu lhe infligir um castigo. Ainda não. Sim, era isso; ainda não. Primeiro jogaria com ela, como havia visto os tigres jogar com sua presa antes de devorá-la. Seria muito mais satisfatório torturá-la, antes de lhe infligir o golpe final. Jeremy levou a mão ao rosto, e acariciando-lhe a barba, ficou observando a moça por uns momentos. Então, com a mesma mão grande e morena, e com uma considerável força e barulho, lhe golpeou as nádegas cordiformes, protegida apenas pela camisola de algodão. Capítulo 11 Maggie gritou tão alto com se alguém houvesse colocado fogo em seu cabelo e se incorporou ao golpe, com os olhos muito abertos, indignada, buscando ao seu redor o agressor que a havia despertado tão brutalmente. Quando seu olhar se pôs sobre o homem sentado na borda da cama, soltou outro grito, desta vez de modéstia ultrajada, e quis cobrir com a colcha seus pés. Por infortúnio, o desconhecido, que havia começado a rir, estava em cima dos cobertores, assim, por muito que tentasse, não conseguia puxar o cobertor. Com a respiração entrecortada, a moça agarrou uma almofada e levou ao peito para tampar o que a camisola deixava entrever. -Quem é você? -exclamou, como se as palavras escapassem uma atrás da outra - Saia já do meu quarto ou chamarei a policia. Jeremy não podia parar de rir; havia valido a pena suportar aquele maldito calor durante cinco anos somente para ver a expressão do rosto da jovem. Se lhe prometessem que ele poderia ver aquela expressão outra vez, cruzaria o Saara a pé. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 64.
    -Ah, Mags -disse um pouco mais calmo, mas não sem deixar de rir - Se pudesse ver sua cara.. Não tem preço! Naquele preciso instante Maggie pareceu reconhecê-lo. Devido a fraca luz que vinha da lareira, era difícil saber com certeza, mas a pessoa que estava sentada na borda da cama parecia... tinha o aspecto de ser... -Jeremy? - arriscou, arregalando os olhos escuros para olhar na escuridão - É você? -Eu mesmo - respondeu o duque. De tanto rir, começaram a sair lagrimas dos olhos, assim enxugou as lagrimas com a manga do casaco. -Deus santo, grite mais baixe. Parecia a senhora Praehurst no dia em que escondemos uma cobra na balaustrada do vestíbulo. -Mas que demônios...? - Maggie ainda o observava fixamente, com os olhos abertos como pratos - o que está fazendo aqui? O jovem sorriu. -Vivo aqui. Esta é minha casa, relembra-se? - E fazendo um gesto com a cabeça para assinalar a camisola, acrescentou - Sempre dorme com uma camisola tão pouco sedutora? Não tem nada que leve um pouco de renda? Maggie sabia que tinha as bochechas escarlates. Deus santo, era ele! Havia voltado da Índia e estava no seu quarto! Aquilo só podia ser um sonho. Deus sabia que havia fantasiado com sua volta uma infinidade de vezes. Porem.. nenhum de seus sonhos se parecia com este. O Jeremy com quem ela sonhava nunca lhe havia pegado nas nádegas. Mas esse Jeremy tampouco havia ido para voltar comprometido com uma princesa da Índia... -O que faz na Inglaterra? - gaguejou - Eu acreditava que ... tinha entendido que... -Que o que? Que eu ia apodrecer na Índia? Pois estava enganada. A jovem Herbert olhou a porta do quarto. Estava fechada. Onde estava a princesa da Índia? Esperando no palácio? -Você voltou... sozinho? -Vê alguém mais? Claro que estou só. O que achou? Já vejo, que desde que me fui, você ficou um pouco tonta. O duque esperava que ela se ofende-se, mas, em vez disse, a moça seguiu com o olhar fixo nele, mordendo os lábios, com uma expressão de preocupação em seus olhos escuros. Durante alguns momentos, Jeremy se perguntou o que lhe acontecia. Se sentia culpada, talvez? Sim, devia ser isso. Se sentia profundamente culpada pelo que havia feito. Ele, em compensação, estava muito satisfeito consigo mesmo, até que a ouviu dizer: -Tens um aspecto horrível. E era verdade. Maggie observou o homem sentado em sua cama; não lhe cabia duvida que parecia seu amigo de infância... ou ao menos o menino que havia visto pela ultima vez descer pela hidra do terraço de seu quarto em Herbert Park, cinco anos atrás. E o tapa que ele havia lhe dado era próprio dele; Jerry aproveitaria qualquer oportunidade que lhe aparecesse para tocar-lhe as nádegas, estava segura. Contudo, aquele não podia ser Jeremy Rawlings, porque o Jeremy que ela conhecia estava a milhas de quilômetros dali, empunhando uma espada imperial nas colônias da Índia... ... enquanto, em algum lugar, lhe esperava a Estrela de Jaipur; o premio com que havia sido distinguido por salvar a cidade da ruína. A menos que aquele premio estivesse ali, em Londres, pensou a moça horrorizada. Maggie tragou o mal sabor que inevitavelmente lhe subia pela garganta cada vez que pensava Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 65.
    na Estrela deJaipur. “Talvez não seja ele”, disse para si mesma. O duque de Rawlings era um homem muito bonito, enquanto que aquele homem pálido e adoentado não lhe houvera atraído, e nem sequer com o uniforme, conseguiria uma olhada de nenhuma dama distinta. Jeremy levou a mão ao rosto. Esse não era o recebimento que havia esperado; havia gostado de presenciar uma reação de consternação feminina, e inclusive ver Maggie derramar algumas lagrimas, mas a jovem não dava mostras de sentir nenhuma emoção daquela natureza. Parecia realmente preocupada por sua aparência, o talvez fosse melhor dizer angustiada. -A que se refere? - se ouvindo dizendo a si mesmo, com uma atitude defensiva - Que quer dizer com que tenho um aspecto horrível? -O que aconteceu com seu nariz? - perguntou O jovem tirou a mão do rosto -Esta quebrado, de acordo? -Varias vezes, pelo que parece - respondeu a jovem, soltando ligeiramente a almofada que apertava contra seu peito. Não lhe cabia duvidas de que aquele era Jeremy. Somente ele era capaz de responder a suas insolentes perguntas com a mesma grosseria - Por acaso não utilizam pistolas na Índia? Sempre lutam aos socos? -Nem sempre - replicou o jovem com serenidade - Mas quando surgia um desacordo com algum outro oficial, usávamos... -Saia aos socos uns com os outros? - Maggie levantou a mão e colocou uma mecha do cabelo detrás do ombro - Que brutos. A julgar pelo aspecto do seu nariz, devia perder com bastante freqüência. -Não é verdade - replicou o duque com irritação - De fato, eu... -E porque tens um tom de pele tão estranho? - perguntou, curiosa. Jeremy ficou observando-a. - Havia escutado sobre o bom humor que você tem ao despertar - balbuciou quase para si mesmo. -Se não me houvesse acordado como você fez, talvez teria recebido mais amabilidade - espetou a moça - Mas não creio que mereça que te trate com bons modos. Se o que quer é ser lisonjeada, veio ao lugar errado. -Sim - contestou o jovem, um pouco surpreendido. Não havia esperado que se jogassem nos braços dos outro, bem, talvez no fundo do coração, sim, mas aquela hostilidade era absurda. Por acaso nunca o havia amado? - Estou vendo. -Por certo, que horas são? - Maggie se inclinou ate os pés da cama e então puxou o edredom para se cobrir - Faz muito frio. Poderia jogar outra madeira na lareira? O duque não haveria se levantado se a moça não tivesse começado a tirar com força o edredom sobre o qual ele estava sentado. Além do mais, tinha razão, fazia muito frio. E era mais frio para ele do que para a moça; ela não havia passado os últimos cinco anos embaixo de um sol equatorial, nem havia contraído malaria. O jovem se levantou, e quando liberou os cobertores, Maggie perdeu o equilíbrio e caiu para trás, sobre as almofadas. Aquele brusco movimento despertou um bicho branco e peludo, que latiu indignado e mexeu as orelhas para frente e para trás provocando um barulho parecido ao que faziam os cisnes da mansão de Rawlings quando sacudiam a água das asas. -Deus Santo - exclamou Jeremy, detendo-se junto a lareira com um tronco na mão - o que é isso? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 66.
    Maggie havia sesentado na cama e se tampado com o edredom, acondicionada no calor do cobertor, de modo que se via somente sua cabeça e seu pescoço. O jovem reprovou a si mesmo por não ter tirado a camisola quando teve a oportunidade. -Isso? - perguntou olhando a bola de pelo atrás das almofadas - É meu cachorro. Jeremy piscou e observou ao pequeno animal, de olhos redondos e brilhantes. -Não parece um cachorro- comentou - Me lembra um esfregão. A senhorita Herbert não pareceu ofendida. -É um bichon fris - respondeu, encolhendo os ombros debaixo do edredom. -E que demônios é este bichon fris? A palavra francesa para esfregão? -Não, é uma raça de cachorro. A propósito, não respondeu minha pergunta. O duque afastou os olhos do cachorro que o olhava com uma expressão acusadora e começou a avivar o fogo. -Ah, sim? - perguntou enquanto utilizava o atiçador com mais força do que precisava - Que pergunta? -Sobre a cor da sua pele - o jovem penso, que, igual ao cachorrinho, Maggie não estava disposta a soltar aquele osso - Parece doente. -Isto é porque... - começou o jovem, endireitando-se - tenho estado doente. -De verdade? - a jovem observou com os olhos entornados, como fez no seu sitio. Era tão alto como se lembrava, e continuava tendo o peito largo e a cintura e cadeiras estreitas. Por esse suposto que, fora qual fosse aquela doença de que ele falava, não devia ter-lhe afetado muito. Aparte a cor de sua pele, parecia tão forte como da ultima vez que o viu... E Deus sabia que recordava daquele dia com a mesma claridade que se houvesse sido no dia anterior. De fato, era uma lembrança que nunca se permitia pensar, porque, ao fazê-lo, sempre reavivava um fogo que preferia manter dormindo. -Sua tia nunca me disse que esteve enfermo - explicou Maggie que, sem se dar conta, acabava de revelar algo que preferia ocultar. Mas o duque o advertiu em seguida, como um falcão que caça um rato em um campo. Voltou a cama e se sentou com uma sensação se satisfação. -Você e Pegeen falavam de mim com freqüência? A moça, humilhada, notou que ruborizava. Deus Santo, fazia anos que não se ruborizava. Porque tinha que fazer-lo nesse instante. -Por suposto que não - contestou com desdém - Mas quando Lady Edward começava a falar de ti, era impossível ir embora. Quando se trata de seu querido sobrinho, não a quem a pare. -Oh - disse Jeremy, um pouco desmoralizado - É que não disse nada sobre minha doença a tia Pegeen e ao tio Edward. -Supus isso - continuou a jovem com o mesmo tom desdenhoso - Nunca lhes escrevia, verdade? Tudo que sabíamos de ti era através de jornais e do governo... O duque deu o ombro. -Não me dou bem ao escrever cartas, e eles sabem. À propósito, como estão? Refiro-me a meus tios. - Bem – A jovem Herbert tirou o braço debaixo da colcha e colocou a mão sobre a cabeça do cão, que com a língua pra fora, ofegava agradecido. Muito bem, aliás. Mas, veras por tu mesmo. Deve estar de volta hoje, a menos que ... Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 67.
    - A menosquê? – O rapaz arqueou as sobrancelhas. - Pegeen não te contou em sua última carta? O Duque a olhava ansioso. - Então finalmente iria admitir a verdade sobre o seu noivo, pensou. -Sua tia está nas últimas semanas de gravidez, por isso certamente no próximo mês, terá um outro primo. - Oh, Bendito Deus! - Exclamou Jeremy deixando-se cair em cima do colchão. E levando suas mãos sob sua cabeça, olhava perdidamente para o dossel. Não me diga que ainda estão assim! Eles são como um par de coelhos, não acha? E na sua idade... é nojento. -Vamos, Jerry,- repreendeu a garota. - Quantos são com este? Oito? - Sete – Ela corrigiu. Venha, mas eles são a sua família. -Acho que sim. O jovem deu meia volta ate ficar cabeça pra baixo e olhou para Maggie, embora ela teria preferido que ele não o fizesse. Era muito estranho que houvesse um homem no quarto dela... e ainda mais estranho que estivesse em sua cama. No entanto, a última coisa que queria, era que ele se desse conta. Havia passado cinco anos desde aquele incidente, e ela era mil vezes mais sofisticada agora. Afinal, ela tinha vivido em Paris e havia visto como era o mundo fora do Yorkshire. Tinha desenhado e pintado homens nus, embora a principio aquilo a havia chocado, não era necessário que Jeremy soubesse. Tudo que devia saber era que Maggie Herbert estava bem familiarizada com o corpo masculino. Que foi somente através da caneta e do pincel era outra questão. Tivesse superar a timidez e embaraço que provocavam as relações sociais, havia mantido conversas com pessoas inteligentes e espirituosa, que haviam considerado-a inteligente e espirituosa também. E o mais importante, tinha esquecido Jeremy Rawlings. Ah, não havia sido fácil. Demorou um longo, longo tempo. Mas ela tinha conseguido. Estava curada. E nada do que ele poderia fazer iria afeta-la. Nada em absoluto. -Sinto muito sobre sua mãe, Mags, - disse o duque com uma voz tão suave que a pegou de surpresa. - Oh, você ficou sabendo? - Acho quem te disse foi sua tia – contestou ela adotando o mesmo ar de despreocupação que ele, situado ao pé da cama. Jeremy se incorporou, inclinou sobre os cotovelos, com um intenso brilho nos olhos cinza. -Claro que eu sabia - respondeu com a mesma voz profunda. Não recebeu a minha carta? - Que carta? – Maggie piscou várias vezes. Eu nunca recebi qualquer carta sua, - assegurou Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 68.
    tentando esconder atristeza que subitamente a abordou. Era verdade, nunca tinha recebido nenhuma carta dele, nem após a morte de sua mãe, ou quando os jornais anunciaram sua vitória em Jaipur. Tampouco havia chegado uma só palavra sobre a recompensa que rumores falavam que ele tinha recebido... - Eu te escrevi - explicou o rapaz. Sua voz não era amável, soava indignada. E foi uma bela carta. Onde demônios foi parar? A enviei para o Herbert Park. -Não sei, o mais provável e que se tenha extraviado, - respondeu ela um pouco assustada com a sua veemência. Às vezes isso acontece, eu não me preocuparia com isso. Ainda assim, obrigado por pensar em mim... Na luz vermelha das chamas, os olhos cinzentos do jovem cintilavam. -Santo Deus. Claro que pensei em ti. A jovem Herbert desviou a vista dos olhos brilhantes do duque, que lembrava a de um animal durante a noite, iluminado com uma lanterna. Mas não era o seu olhar que a perturbava, não, isso já havia acabado para ela. O que a tinha transtornado foi à menção a morte de sua mãe. Tinham falecido fazia quase um ano, mas ainda não podia pensar sobre isso, ou a expressão de seu pai quando o médico anunciou solenemente que Lady Herbert tinha morrido, sem que seus olhos se inundassem de lágrimas. Então ela sentiu um toque quente na mão. Ao baixar a vista pensando que era o cachorro, se surpreendeu ao ver os longos e bronzeados dedos de Jeremy que capturavam os seus, finos e brancos, com um gesto tranqüilizador. - Mags? -Estava sentado muito próximo a ela, com a cabeça e os ombros ocupando todo o seu campo de visão, e a olhava com uma expressão preocupada. - Você está bem? A jovem assentiu incapaz de pronunciar palavras. - Tem certeza? - Quando Maggie assentiu novamente, ele levantou a sua mão com descuido e começou a examinar os dedos, como o fazia quando eram crianças. - Ah, - começou com um tom divertido. Vejo que está pintado com ocre ultimamente. - E o que é isto? Negro! Espanta-me, minha menina. Não sabia que gostava de preto. Que mais? Ah, azul celeste. Azur – ela corrigiu rindo, mas ela sabia que devia ter retirado sua mão em seguida. O que aconteceria se sua camareira entrasse? Se encontrasse um homem no quarto de sua senhora, mesmo que fosse o proprietário da casa, cairia como uma pedra. Sabia que de todo modo Hill a repreenderia por passar a noite sob o mesmo teto que um homem solteiro, para não falar que ele tinha entrado seu quarto ... Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 69.
    - Azur? -Perguntouo duque, com um olhar desconfiado. Eu suponho que seja um tolo termo usado na academia de arte. O que há de errado com azul celeste? - Nada, - respondeu a garota com mais doçura que havia querido. Na verdade, sua voz soou tão doce, que surpreendido Jeremy levantou a vista para olhar-la. "Oh, Deus, - pensou a jovem, - irá me beijar. De repente, o coração começou a bater com o mesmo frenesi que cinco anos atrás ... Eles estavam sozinhos no quarto, e desta vez, não havia ninguém para detê-los. Maggie não sabia que horas era, mas a julgar pelas escuridão que reinava no exterior, era muito cedo, nem mesmo Hill deveria ter se levantado. Se Jerry a beijasse, e ela se entregasse a seu abraço incapaz de deter-lo, o que iria acontecer? CAPÍTULO 12 Jeremy não a beijou. A idéia passou pela sua cabeça centenas de vezes desde que ela havia aberto aqueles olhos castanhos, mas algo o reteve, uma voz interior disse-lhe que não era a hora ainda. Além disso, havia em ter em conta esse noivo. Embora sentisse curiosidade em ver o seu aspecto, para o Duque, esse cretino tinha que tomar cuidado. No entanto, sempre que possível, queria evitar matá-lo. Ao longo dos últimos cinco anos, havia cansado de matar, e tinha aprendido que, por vezes, resultava menos chato deixar alguém viver do que acabar com ele. Também lhe importava atirar nesse seu noivo, é claro, mas isso poderia complicar as coisas, se ela realmente gostasse desse bastardo. Então, ao invés de beijá-la, soltou-lhe a mão. Bem - disse como se retornasse à conversa que tinha começado antes. - Então agora você é uma artista famosa. Pelo menos é isso que me disse à minha tia Pegeen em sua última carta. Maggie, embora claramente aliviada por ter saído daquela situação, ela estava um pouco decepcionada de ele não a beijara. O coração ainda batia forte, mas eu sabia que os beijos de Jerry estavam proibidos, pois pertencia a outro. - Não sei se sou famosa, - começou lentamente. Tudo em ordem, nem sequer estava tremendo a voz. Mas eu sou uma artista. Pelo menos eu creio que sim. - Sério? – Jeremy levantou-se, mas em seguida lamentou ter feito. De repente a cabeça, começou a dar voltas e tudo parecia girar ao seu redor. Como não queria que a garota percebesse sua fraqueza sé recompôs como pode, deu um par de passos e se deixou cair em uma das cadeiras estofadas de brocado perto da lareira. - E a pessoas que pagam por seus "rabiscos? - Não são "rabiscos", - respondeu ela, se endireitando. -São retratos, e me pagam muito bem. - Sério? -O Duque se inclinou para frente e agarrou um pássaro empalhado na mesa de cor de Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 70.
    marfim. Como éque te pagam? Com brinquedos para crianças? - Claro que não - contestou. - Me pagam com libras. Os brinquedos são para entreter as crianças enquanto eu faça o esboço. Especializei-me em retratos de crianças. - Crianças? - repetiu Jeremy com uma careta de desgosto. E o que aconteceu com os animais? Já não pinta bichos? - Às vezes, - disse Maggie. Que descarado! Ela não podia acreditar, que o jovem estava no quarto dela dando ar, como se fosse dele. Embora, na realidade era. Entretanto, isso não lhe dava o direito de mexer em suas coisas. Estava claro que o exercito não havia conseguido lhe ensinar como se comportar como um cavalheiro. Naquele momento, a moça tinha muita vontade de se levantar e tira-lhe o pássaro da mão, mas não se atrevia a passear pelo quarto de camisola, sem cinta para manter os seios. Sabia que tinha muito o que esconder e que a fina tela de algodão no ocultava - Às vezes não me resta outro remédio, para pagar as contas. -Que contas tem para pagar? - Jeremy deixou o pássaro e pegou o cavalo mecânico - Não me diga que tio Edward e tia Pegeen te cobram por ficar aqui. -Certamente que não - contestou - mas tenho um pequeno estúdio de aluguel em Chelsea; não quero que a casa fique fedendo a terebentina. Além do mais, tenho que comprar telas, molduras e pincéis. Também tenho que pagar o transporte ate a casa dos meus clientes e a comida quando estou fora e depois tem a Hill... Jeremy, que estava dando corda ao cavalo, se deteve e ficou a observando como se tivesse ouvido um absurdo. -Porque demônios tem que pagar todas estas coisas? - exclamou, perplexo - Suponho que Sir Arthur te designou o salário que deixou sua mãe... Maldita seja! estava ruborizada de novo. Maggie sentiu que suas bochechas ardiam. -Meu pai não aprova que eu pinte - disse olhando o cachorro, com toda a despreocupação que foi capaz - O único dinheiro que tenho é o ganhei durante os últimos meses. Por isso esta tão difícil para mim encontrar um apartamento. Seus tios são muito amáveis ao deixar que eu fique nesta casa enquanto eles estão aqui. Antes de terminar de falar, o jovem havia se levantado da cadeira dando um respingo. -O que? - gritou tão forte que o cachorro levantou as peludas e pequenas orelhas - O velho Herbert te deixou sem nada? A moça levantou o queixo em sinal defensivo. -Não sei porque te surpreende tanto. Ganho o suficiente para me manter. Ou ao menos o farei, depois da exposição. -Exposição? - o duque tinha deixado o cavalo mecânico, que andava com as patas tensas pela mesa, fazendo grande barulho - Que exposição? -Uma exposição de meus quadros - explicou Maggie com cansado. - Do que pintei ate agora, e que não vendi ainda, naturalmente. É no sábado. É um grande acontecimento. Quanto mais encomendas receber, mais... Jeremy não deixe que se caia, por favor. Vai se quebrar e eu não posso comprar outro. O jovem se inclinou para frente e agarrou o brinquedo que avançava para a borda da mesa. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 71.
    -Não posso crer- disse abanando a cabeça - Herbert te deixou sem nada porque não aprova que pintes. Grande vigarista! - Então Jeremy entendeu melhor o que havia por detrás das lagrimas de Maggie pela sua mãe; com sua morte, havia acabado toda a esperança de que seu pai aprovasse a única coisa que ela gostava de fazer, e que fazia bem. Ele entendia perfeitamente. Nesse momento se lembrou de algo. -E suas irmãs? - perguntou - Se mal me recordo, estão casadas e gozam de uma boa posição. Porque não pede a elas que te ajudem de vez em quando? -Deus me livre! - exclamou a moça em voz baixa - Mesmo que pareça mais fácil, não vou descer tão baixo. Além do mais, todas concordam com meu pai. Mesmo sem querer, a jovem não pode evitar que sua voz refletisse pouco melancolia. A desaprovação de suas irmãs era o que mais lhe doía. Uma coisa era decepcionar seu pai, e outra muito diferente era decepcionar suas cinco irmãs, e em especial, mais velha, a opinião dela era apoiada incondicionalmente pelas demais. Anne nunca havia aceitado as preferências de Maggie, desde sua relação com o duque Rawlings até sua decisão de estudar na academia de arte, mas com a morte de sua mãe, parecia ter perdido toda a paciência. A irmã maior não podia perdoá-la de preferir pintar a ser mãe, pois essa era a única ocupação que considerava adequada a uma mulher. Maggie imaginava porque Anne se sentia daquele modo; sempre havia sido a mais delicada de todas e fazia pouco tempo que tinha sofrido um aborto, o terceiro durante seus dez anos de casamento. Em conseqüência de ter perdido os bebês, amava seus quatro filhos mais que qualquer outra mãe, e tudo lhe reafirmava sua convicção que a única ocupação natural para as mulheres era a maternidade. A decisão de sua irmã menor de se converter em artista, e o fato de que a morte de sua mãe não havia alterado sua convicção a aterrorizava. E, como se isso fosse pouco, seu compromisso de casamento havia enfurecido ao resto da família, para quem, ao parecer, qualquer esposo era melhor que um francês. Ao ver a aflição da moça, Jeremy fechou os punhos, e dominado por um sentimento de impotência, os colocou no bolso da calça. -Não te angustie, Mags - disse com fingida despreocupação - Sempre pensei que fossem um bando de tontas. Exceto você, é claro. A moça o olhou com apenas um sorriso esboçado. -Obrigado, mas acredito que desta vez tenham razão. “Honrará seu pai e sua mãe”, recorda- se? Está na bíblia. -É verdade - assentiu - Mas, não diz também que quem não tem pecado que atire a primeira pedra? Acredito que suas irmãs deveriam deixar de meter as mãos na massa. A jovem Herbert não pode evitar de rir. -Oh, Jerry, acredito que está mesclando a bíblia com os refrões da senhora Praeshurt! -É provável - concedeu ele, conteve de vê-la rindo - Embora, quando voltar a casa, vou dizer quatro coisas ao Sir Arthur, pode ter certeza. -A casa? Quer dizer que... não voltou só de visita? - Maggie se deu conta que sua voz refletia a crescente sensação de pânico que se apoderava dela - Deixou a guarda montada para sempre? -Pois... - respondeu Jeremy, que de repente se sentiu incomodado. Não queria falar demais, fora que não entendia a verdadeira razão para seu inesperado regresso. - Não exatamente. -Oh - disse a moça - Terá que voltar para que se recupere da doença, verdade? É tão grave? O Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 72.
    que você tem?- e com outra risada, acrescentou - Suponho que seja malaria, não? Sua tia morria de preocupação. - Não, não é isso - contestou, pensativo - A verdade é que decidir voltar para casa durante algum tempo para atar alguns cabos soltos. Lentamente, sua voz foi se apagando e Maggie, que havia esperado ele fazer alguma referencia ao acontecido em Jaipur, teve que contentar-se com aquela resposta. Como não ficaria muito lisonjeiro que se referisse a ela como “um cabo solto”, a moça supôs que ele não se referia a ela. É claro que não! Era evidente que ele a havia abandonado, e pensava nela somente como uma amiga de infância. O cabo solto podia ser sua tia Pegeen, quem, como Maggie sabia perfeitamente, levava tempo em suspense desejando que lhe fornecessem a recompensa por seu heroísmo na liberação do Palácio dos Ventos. Como não ia ficar? Apesar da expectativa que havia despertado aquele assunto, sua família não havia escutado uma palavra de Jeremy a respeito. Nem uma. Ele a observou com cuidado e se perguntou como ela havia reagido por tê-la chamado de “ cabo solto”. Havia esperado uma expressão de culpa, ao menos um suspiro, mas a moça não se alterou. Só disse “oh” e desviou os olhos para o ridículo cachorrinho de pelo enrolado. “Nem uma só menção ao seu prometido”, pensou decepcionado. O havia abandonado? Mesmo estando seguro que aquele cretino não merece recordação, acreditou que Maggie evitava a questão de propósito. Com os olhos perdidos nos cristais cobertos de gelo, Jeremy pigarreou. Começava a amanhecer sobre Hyde Park, mas a troca de cor do céu era quase imperceptível. -Acredito que deverias descer para ver se Peters já chegou aqui. Lhe disse para trazer minhas coisas com ele. “Suas coisas” Maggie se sentiu enjoada. Mesmo sabendo que ia soar como uma esposa chorosa, não pode deixar de perguntar: -Entre essas coisas esta a Estrela de Jaipur? Quando pronunciou a ultima palavra, se arrependeu do que havia dito. Mas mesmo que desejasse não ter tocado no assunto, necessitava saber. Uma parte dela, mesmo que pequena, ainda conservava a esperança de que o que havia lido no Times não fosse certo, que aquela Estrela de Jaipur não existisse, e que como agradecimento por salvar o Palácio dos Ventos, o marajá houvesse lhe dado de presente um cavalo ou outra coisa do gênero. Mas não era assim. O jovem ficou a observando, surpreendido. -Claro que sim! Não acreditou que eu fosse deixá-la lá, né? Você e Evers, me perguntaram a mesma coisa, como de costume. A jovem o olhou sem dizer nada. Não podia acreditar que fosse tão frio. Como podia ter mudado tanto? Cinco anos era muito tempo e Jeremy os havia passado lutando, matando gente e destruindo povos. Mas, ainda sim, parecia impossível que um ser humano se tornasse tão insensível. “As coisas mudam” pensou. E ela sabia melhor que ninguém. -Pois será melhor se apressar então, não acha? - disse, sentindo-se cada vez mais enjoada - Não vai fazer algo tão precioso como a Estrela de Jaipur esperar. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 73.
    O duque ficoua observando com curiosidade, mas finalmente se levantou, assentindo. -Suponho que tenhas razão. Nos vemos no café-da-manhã, não? -Acredito que não tenha outra forma de evitá-lo - respondeu. Embora, em vez de soar sarcástica, tal como havia pretendido, sua voz refletiu tristeza. Jeremy levantou as sobrancelhas, mas decidiu não fazer nenhum comentário. Se dava conta que aquela moça se sentia incomoda com algo, mas não tinha a mais remota idéia do que podia ser, pois se alguém tinha razões para estar zangado era ele. Do começo ao fim, ela o havia deixado plantado. Ainda assim, tentou que sua voz saísse despreocupada quando se aproximou para acariciar a cabeça do cachorro. -Boa noite, vira-lata. Para a surpresa de sua dona, ao se ver próxima a mão do jovem, o cachorro começou a grunhir. -Jerry! - exclamou, repreendendo o mascote antes de pensar no que dizia - Para! Não faça isso! Não se deu conta que havia dito isso até que levantou os olhos e viu a expressão de desconcerto no rosto do rapaz. Desviou os olhos em seguida, mas já era muito tarde; suas bochechas estavam em chama. -Por Deus santo! -exclamou Jeremy com a voz afogada. Nunca havia se sentido tão perplexo - Você colocou o meu nome no cachorro, Mags? Maggie estava ruborizada. Não havia nada que pudesse fazer para acalmá-lo; além do mais, ele acabaria sabendo de qualquer jeito. -Eu gosto do nome Jerry - respondeu com tom indignado. -Ah, sim? - respondeu ele - Esta bem. Pois passe bem. Tenso, deu meia volta e com a mesma graça do cavalo mecânico, saiu do quarto e fechou a porta com força atrás dele. Capítulo 13 “Não foi assim tão terrível, né?” disse para si mesma logo que Jeremy saiu do seu quarto. Tratando-se de um primeiro encontro, não havia sido tão ruim. Ela havia se comportado com um mínimo de compostura; não havia desmaiado nem feito nenhuma tonteira. Se sentia satisfeita por não ter feito ou dito nada que revelava o que ainda sentia por ele. Exceto pelo nome do cachorro. Mas isso não era um problema; durante o café-da-manhã teria tempo de explicar-se. Mesmo que tudo realmente fosse bastante ridículo. Ao chagar em Paris, Maggie havia sentido- se só. Terrivelmente só. Madame Bonheur era uma artista famosa que havia sido honrada com uma medalha de rainha Vitoria, mas, apesar disso, mostrou ser uma pessoa excêntrica que usava colete e calça e fumava charuto. Sua aparência impressionou a moça, que compreendeu, que seus pais e Anne tivessem conhecido Madame Bonheur, nunca permitiriam que assistissem uma aula em sua academia Suas companheiras de classe tampouco lhe facilitaram as coisas, Muito poucas tinham verdadeiro talento, e delas, menos ainda eram as que realmente queriam melhorar suas capacidades artísticas. As demais estavam ali porque seus pais não sabiam o que fazer com elas; eram muito velhas, feias e pobres para que qualquer homem lhe fizessem uma proposta Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 74.
    de casamento, assimenviaram as a academia de arte, para que aprendessem algo com que ganhar a vida, ou simplesmente para tira-las de casa alguns dias da semana. Por isso, as que tinham talento dominavam as demais; atribuíam criticas, estabeleciam o tom em cada classe, eram objetos constante de adulação e ninguém as vaiava. Maggie se deu conta no primeiro dia que a cabeça era uma jovem francesa, rica e atraente chamada Berangére Jacquard; tinha a mesma idade que ela, mas era exatamente seu oposto em todo o demais. Berangére era loira e ela morena, a francesa era delicada e Maggie corpulenta, e o que ela tinha de amável sua companheira tinha de cruel. A única coisa que as meninas tinham em comum, apesar da idade e da posição social, era o talento. A senhorita Jacquard era uma excelente desenhista, e estampava tudo o que se colocasse adiante com incrível detalhe, até o ponto que o resultado poderia passar por um daguerreótipo. Somente em seus melhores sonhos Maggie poderia ter esperança de desenhar tão bem. Então, Maggie se sentia deprimida; estava só, com exceção de Hill, em um pais estrangeiro, senti saudade de sua família, e não tinha amigos, e suas companheiras de classe riam dela por seu sotaque e seus estranhos costumes inglês. Além disso, pela primeira vez em sua vida, não era a melhor artista, nem sequer entre as meninas da sua classe. Um dia lhe chegou cedo ao estúdio de pintura, e sentou-se na frente de seu cavalete, enquanto esperava que a assistente de Madame Bonheur terminasse de preparar a natureza morta, e colocou-se a pensar se não seria melhor fazer as malas e voltar a Inglaterra. Momentos depois, entrou a professora e depois de olhar ao redor para ver se todo mundo estava prestando atenção, deixou cair uma coisa branca e pequena no pedestal que havia na parte da frente da sala. - É o último do bando da cadela de minha sobrinha, - disse uma voz rouca, antes de acender uns dos cigarros marrons que fumava regularmente. Maggie estava olhando a bola de pêlos que se retorcia no centro de uma natureza morta de frutas e vegetais, e sentiu que ele lhe despertava uma profunda ternura. - Não espera que pintemos isso – exclamou Berangére Jacquard, rindo, atrás de sua mesa. Madame Bonheur exalou um fino fio de fumaça azul. - E porque não? - Mas... ele nunca pára se mover! A professora olhou para o cão. - Sim, certamente. E o que eu faça mademoiselle Jacquard? Que o mate? Maggie deixou escapar uma exclamação e a professora virou-se para ela. -Não se preocupe senhorita Herbert, - disse esboçando um sorriso. Os franceses adoram animais, tanto quanto os britânicos. E agora, meninas, pararem de reclamar e comecem pintura. Maggie começou a trabalhar imediatamente. O cãozinho não parava de se mover: caminhando para cima e para baixo do pedestal mirando o chão, assustado, latia porque ele não se atrevia a saltar. Ainda assim, Maggie fez um belo retrato. O resultado foi tão positivo que, no final da Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 75.
    aula, quatro horasmais tarde, Madame Bonheur aproximou-se dela, ela estava olhando para a tela e, sem dizer nada, tirou do cavalete e colocou-o na janela, apoiando no vidro. Depois se aproximou do cavalete de Berangére, pegou sua pintura e o colocou ao lado da de Maggie. Foi quando a garota fez uma surpreendente descoberta. Sua pintura era melhor do que de sua companheira, muito melhor. Claro que não era perfeito. As uvas tinham um tom demasiado verde, e tinha que trabalhar mais o fundo, e ademais os pêssegos não tinham ficado bons, pois eram demasiado grandes para o primeiro plano. Mas tudo aquilo, como apontou a renomada artista, era secundário, o importante naquela pintura era o cão. A Mademoiselle Herbert não tinha pintado o aspecto do cachorro, mas o que ele realmente era havia conseguido de traduzir a alma do animal. A professora explicou que o retrato refletia com perfeição que seu modelo era ligeiramente bobo, nervoso, mas de bom caráter. Era um cão com personalidade própria, com suas preferências e aversões, e com qualidades diferentes delas e outros. Apontando para a tela Berangére, Madame Bonheur comentou que a aparência de que o cão tinha sido muito bem retratado na pintura. Mas, como explicou à classe, aquele animal poderia ser qualquer cão não tinha personalidade. Os olhos poderia ter sido de cristal, pois não expressava qualquer coisa, não havia neles qualquer emoção nem alegria. A artista afirmou que talvez um estranho pudesse pagar por esse quadro, e colocaria sobre a sua lareira e sentiria satisfeito de que fazia parte de sua coleção, mas alguém que conhecesse esse cão iria preferir o de Maggie. No mundo da pintura de retrato, o público encarrega um artista que desenha um membro da família, seja animal ou humano, e que ele queria era que a pintura refletisse a sua personalidade, não apenas a sua aparência. Por essa razão, conclui a professora, mademoiselle Herbert seria uma grande pintora de retratos, enquanto mademoiselle Jacquard seria apenas mais uma entre uma multidão. Berangére, indignada disse que se o cão não tivesse estado se movendo o tempo todo, ele haveria feito melhor, o que madame Bonheur respondeu, que infelizmente, não havia muitas pessoas que pedissem retratos de cadáveres. Depois disso, sem dizer mais nada, a professora pegou o cachorro e deixou no colo de Maggie e saiu da sala de aula. Foi preciso esperar até quatro anos mais tarde, quando a garota tinha se tornado o melhor aluna da academia e gozava da confiança da ilustre pintora, para lhe perguntar como sabia que ela queria ficar com o cachorro. Madame Bonheur simplesmente sorriu e disse, - Querida, qualquer pessoa que olhasse para o quadro saberia que você tinha ficado fascinada por ele. Eu só te dei o que, no seu coração, já te pertencia. Aquela resposta tinha parecido a Maggie bastante irônica, tendo em conta que, quase desde o início, tinham começado a chamar o cão de Jerry. Não era que Jeremy Rawlings lhe recordava um cão branco e macio. Claro que não. Mas durante os primeiros meses longe de casa não passava um momento sem pensar nele. Perguntava-se sem parar o que estaria fazendo, como se sentiria, o que pensava. Estava preocupada com ele. A Índia era muito longe, e sua família nunca recebia notícias dele. Apenas as relações de Lord Edward com os altos cargos da guarda Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 76.
    montada lhe mantinhaminformado de como estava seu sobrinho. Mas desde que Maggie não estava em Herbert Park perto da Mansão Rawlings, mas do outro lado do canal, muito pouco dessa informação chegou a ela. Além disso, seus pais nunca mencionavam o Duque de Rawlings, uma vez que o assunto tinha se tornado quase um tabu. Por isso, sozinho com seus pensamentos, não deixa de pensar nas tentações que Jeremy devia estar rodeado nessa terra distante, as exóticas princesas com uma jóia no umbigo, as atrativas esposas dos demais oficiais, ou mesmo as camponesas Indianas, com um jarro de água sobre a cabeça. Quando começam a pensar, por exemplo, não conseguia dormir, algo incomum até então, e no dia seguinte ficava cansada e irritada. A menina sabia que sua atitude era ridícula. Eu não tinha direito de estar com ciúmes, porque ela tinha rejeitado a sua proposta de casamento, assim, perdia qualquer direito que podia ter sobre ele. Por isso, sozinha com seus pensamentos, não deixava de pensar nas tentações que Jeremy devia estar rodeado nessa terra distante, as exóticas princesas com uma jóia no umbigo, as atrativas esposas dos demais oficiais, ou mesmo as camponesas Indianas, com um jarro de água sobre a cabeça. Quando começava a pensar, por exemplo, não conseguia dormir, algo incomum até então, e no dia seguinte ficava cansada e irritada. A menina sabia que sua atitude era ridícula. Eu não tinha direito de estar com ciúmes, porque ela tinha rejeitado a sua proposta de casamento, assim perdia qualquer direito que podia ter sobre ele. Além disso, era absurdo supor que após a sua recusa, ele permaneceria fiel. Muito absurdo e pouco realista. O Duque de Rawlings era um homem viril... mais que viril, uma espécie de ser humano masculino fora do comum. E como todos os homens, tinham as suas necessidades. Dado que ela tinha recusado o seu direito a satisfazê-las, era claro que outra faria isso. Era muito infantil supor que Jeremy não esteve com outra mulher... a quem talvez cortejara, a quem poderia até ter proposto casamento e ela aceitara. Havia muitas possibilidades de ter regressado da Índia, com uma bela mulher e submissa, e desempenharia com perfeição o papel de duquesa e que gostaria do tipo de coisas que as aristocratas se interessam, como roupas, jóias e fofocas. Em vez disso, a única coisa que Maggie teria trazido para o casamento seria o seu amor pela arte e um conhecimento detalhado dos hábitos de cães. Às vezes, porém, Maggie se permitia fantasiar sobre o que poderia ter acontecido se ela tivesse aceitado a proposta de casamento. O que teria acontecido se tivesse ido com ele a Gretna Green? O que teria sido dela se tivesse feito amor com Jerry naquela noite no seu quarto? Poucas vezes se atrevia a pensar nisso, porque quando fazia, sentia como se o ar lhe faltasse, só a idéia do corpo desnudo de Jeremy junto ao seu, lhe produzia um desejo tão intenso que muitas vezes acabava por colocar a coleira no cão para dar uma longa caminhada. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 77.
    A garota pensavaque devia haver algo nela que não estava bem, por ter aquele tipo de pensamento. E, em vez de melhorar com os anos, a sua obsessão só piorou. A medida que suas habilidades artísticas melhoraram, as aulas começaram a ser mais avançadas, até que havia se matriculado em cursos de pintura de modelos vivos, que sempre estavam desnudos, e alguns dos quais eram homens. A capacidade de observar de perto pela primeira vez em sua vida corpo de um homem aumentou a freqüência de fantasias sobre Jeremy. Por vezes se surpreendia a si mesmo formulando estranhas perguntas. Teria o peito tão amplo como Philippe o modelo de posições? Seria tão musculoso como Etienne da classe de anatomia? Seria os ligamentos inguinais do duque tão bem definidos como os de Gerard? E, claro, se descobria horrorizada, perguntando-se como seriam as suas genitais, comparado com as dos homens que pintava, se seriam tão grandes, escuros, com cabelos tão espessos... Imaginou que ela estava obcecado. Também as outras meninas da academia estavam obcecadas com os homens, seus amantes, seus noivos, o leiteiro ou o garçom do café da esquina e falavam neles constantemente. Berangére Jacquard, que, depois das críticas de Madame Bonheur era muito agradável para ela, não falava de outra coisa. De fato, a jovem Inglesa era a única que não fazia, em cinco anos, nunca pronunciou o nome de Jeremy. Que sentido teria em falar dele? Em um momento de temor infantil, por medo de perder o controle, ela tinha perdido ele para sempre. Maggie considerava que alguém tão covarde, não merecia uma segunda chance, então não tinha esperanças. Nunca, durante esses cinco anos, ocorreu que Jeremy havia falado a sério quando ele lhe pediu que enviasse uma carta, se mudasse de opinião sobre a proposta. Não havia nenhum homem que uma vez rejeitado, arriscaria o seu coração uma segunda vez com a mesma mulher. Maggie não sabia muito sobre os homens, mas sabia qual teria sido a sua resposta. Nunca falar em Jeremy não significava que você não se lembrava dele. Pelo contrário, ela nunca deixava de pensar nele. De fato, a maioria dos dias no meio da manhã, deixando um pouco o pincel e dizia para si mesma: 'Meu Deus, são quase onze e eu não pensei em nada mais do que Jeremy. "E esse pensamento era sempre acompanhado de tristeza e dor que não a abandonava ate que dormisse. Quando ela acordou naquela manhã e encontrou o duque sentado na beira de sua cama, Maggie virou uma pedra. O que mais a surpreendeu foi mudança na no seu aspecto, ainda mais impressionante, e que ele estava ali. Por que estava sentado em sua cama? Ele a tinha esquecido, isso não era certo? Ela tinha certeza que não tinha pensado nela um só instante ao longo do tempo. Por que, então, quando não havia nada entre os dois, tinha reaparecido na sua vida? O mais provável era que não supôs que ela estava em sua casa. Com certeza, se soubesse, teria o tato de evitar-la... especialmente se levasse em conta que estava acompanhado da Estrela de Jaipur. Mesmo que talvez deseja-se a emoção de estar entre amigos novamente. Sim, era isso. Eram amigos de infância, e nada mais. Tinha decidido contar que havia posto o nome do cachorro por aquela mesma razão; porque era um bom e velho amigo. É claro, não era porque nunca houvesse de parar de pensar nele, nem porque esse dia, cinco anos atrás, havia ficado gravado em sua memória; tampouco porque Jeremy Rawlings tivesse se convertido em seu ideal masculino, e não houve nenhum Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 78.
    homem, nem sequerseu prometido, que se iguala-se.... Naquele preciso instante, sentada na mesa de café-da-manhã, enquanto esperava Jeremy, Maggie se deu conta de Augustin. Por Deus Santo! Seu prometido! Havia se esquecido dele! Não havia outra explicação; havia perdido o juízo. Já podiam lhe reservar uma cela no manicômio, porque não tardaria muito chagar. Havia sentado na cama a alta hora da noite falando com um homem que uma vez lhe havia proposto casamento e se esqueceu completamente de que estava prometida. Oh, Deus. Era a moça mais ingrata e egoísta do mundo. Em que estava pensando, sentada de camisola falando com Jeremy enquanto Augustin dormia muito perto dali? Entretanto, o fato de que não merecia as atenções de seu prometido não eram tão importante como que havia se esquecido por completo de mencionar sua existência ao duque. Sabia que não ia se importar. Claro que não! Ele tinha a Estrela de Jaipur! Mas, ainda sim, deveria ter dito a ele... De todos os modos, aquele era um problema com fácil solução. Só teria que comentar-lo na hora do desjejum, enquanto oferecia uma explicação sobre o nome do cachorro. Sim, era isso. “Jeremy, pus o seu nome no cachorro porque é um bom amigo de infância e a propósito, sabia que estou prometida e vou me casar? Me passe a manteiga, por favor?” Mas o duque não apareceu no desjejum, e as dez, quando faltava somente meia hora para a primeira hora marcada do dia, Maggie começou a se aborrecer. Queria lhe falar sobre Augustin enquanto ainda tinha coragem. Onde havia se metido? Perguntou a Evers, cuja resposta foi mais que insatisfatória: sua excelência ainda estava dormindo. Em seguida tentou tirar dele onde estava a Estrela de Jaipur, mas foi igualmente inútil. Segundo o mordomo, somente usava um quarto anexo a sua. A moça estava segura de que Jeremy não havia a acomodado em um hotel, assim a única explicação era que repartia o quarto com ela. Isso explicaria porque dormia até tão tarde, pois de seu quarto havia ido direto para.... Só de pensar já se sentia doente. Então, em vez de dar mais voltas, recolheu suas coisas e pegou o ônibus para o lugar de sua primeira hora marcada. Era com Lord e Lady Chettenhouse, que queriam encomendar um retrato de sua filha mais velha, uma senhorita mimada da alta sociedade. Depois de uma hora já haviam decidido o vestido, a postura e o pagamento, assim, as duas, Maggie estava de volta em casa.... mas lhe disseram que o duque ainda dormia. A moça conteve uma expressão de desgosto e almoçou com calma. Se entreteve tanto como pode em seu quarto, e quando se deu conta de que estava se comportando como uma estúpida, pegou o ônibus e foi para seu estúdio. Passou cinco horas pintando ali, sem pensar no homem que a havia visitado naquela noite. Só quando deixou o pincel e notou que o braço estava dolorido, se perguntou se Jeremy já haveria levantado. Depois de organizar o estúdio, voltou a casa de Park Lane, e durante o caminho se preparou para um desagradável encontro com seu proprietário. Usava um vestido de tecido azul, de saia longa e um corpete apertado que terminava um pouco acima do abdômen. Sabia que não estava muito elegante, mas tinha certo estilo. Ao menos, seu cabelo ainda estava arrumado; se seus peitos mantiverem se no lugar durante o encontro, tudo iria bem. O que a moça não tinha previsto era preparar-se para um encontro com a amante do duque e contudo, foi ela quem encontrou esperando no vestíbulo, quando entrou pela porta principal. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 79.
    Capítulo 14 Maggie sedeu conta de que a Estrela de Jaipur era tal como seus piores pesadelos haviam a levado a imaginar: baixa, exótica e bonita. De fato, a seu lado, a moça se sentia como um ruminante desajeitado. A princesa índia tinha os maiores e mais escuros olhos que jamais tinha visto e apesar de estar envolta de uma capa arminho e veludo, tinha um aspecto tão elegante e gracioso que lhe pareceu que ela poderia se sentar na palma de sua mão. Abaixo da saia do sári rosa sobressaiam-se uns sapatos com incrustações de pedras preciosas, e nas mãos, que havia tirado da manga da pele, levava pesados anéis de esmeralda e rubis. Mas tudo isso era pouco, ao vê-la entrar, a princesa índia lhe sorriu. Aquele sorriso doce e amável fez com que Maggie se constrangesse mais dentro do vestido, deu um tropeço e esteve a ponto de quebrar um jarro com rosas que estava no meio de uma pequena mesa de mármore junto a porta. “Deus Meu - pensou a moça, consternada, enquanto se apoiava na mesa para recuperar o equilíbrio - Porque, além de bonita, tinha que ser amável?” -Desculpa - disse uma melodiosa voz masculina atrás dela, com sotaque, mas um bom inglês - Está tudo bem? Maggie inspirou profundamente e disse a si mesma que ia sobreviver aquilo; estava decidida a não morrer na tentativa. A única coisa que tinha que fazer era cumprimentá-la com educação, subir as escadas e ... Fazer as malas. Porque não podia ficar naquela casa nem um minuto mais. Maggie virou devagar e viu um homem magro, muito alto, com um pequeno chapéu escarlate e um pendão sobre a coroa. Ia muito bem enfeitado, e tinha uma expressão inteligente no rosto, que, mesmo não sendo bonito, era muito agradável. Não se atreveu a arriscar sua idade, mas supôs que era mais jovem do que aparentava. Sem saber muito bem como, a moça conseguiu esboçar um sorriso. -Estou bem - respondeu - Foi a surpresa de os encontrar aqui. -Ah - O homem sorriu, assentindo, e logo se voltou para dizer algo incompreensível a bela indiana. Falava em um idioma melódico e cantando, sem nenhum som gutural. Ao ouvi-lo, Maggie acordou do jogo que ela e Jeremy jogavam quando eram pequenos, e do som do vento que faziam sussurrar as folha naquela tarde de verão, na propriedade Rawlings. Quando a Estrela de Jaipur respondeu, algo em sua voz doce e aflautada fez com que os pelos do braço da moça se levanta-se. Quando terminaram de falar, o cavaleiro indiano se dirigiu de novo a moça. -Permita-me fazer as apresentações. Está é a princesa Esha Rajput de Rajastan. Eu sou Sanjay, seu interprete. A princesa quer que você saiba que é bem vinda em sua casa. Quer saber se você veio vê-la ou ao coronel. -Em sua... - A voz de Maggie foi se apagando. Por Deus bendito! Aquilo era pior que jamais imaginou. Jeremy ia se casar com essa... mulher. Havia assumido que tinha a aceitado como acompanhante, mas era evidente que ele tinha intenção de desposá-la. Ao menos essa era a impressão que a princesa parecia ter. A menos que...já estivesse casados! Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 80.
    -Hum - gaguejou-De fato a nenhum dos dois. Veja, estou morando aqui... -Ah - exclamou o homem - Você é do serviço? Perfeito! Porque necessitamos de alguém para pegar nossos casacos - continuou enquanto assinalava a pesada capa de arminho da bonita dama e a sua própria, da mesma cor escarlate que o chapéu - O homem que nos abriu a porta era muito grosseiro. Nos disse para esperar aqui e logo desapareceu. Disse isso a bastante tempo, mas ate agora não voltou e a princesa esta cansada de esperar e necessita se sentar. A jovem assentiu; os ouvidos zumbiam como se tivessem colocado uma abelha em sua cabeça que estivesse tentando sair. Nem em seus piores pesadelos havia imaginado uma situação tão violenta. Supunha que Evers, ao abrir a porta, havia sentido o mesmo. Se não, como explicava que os houvesse deixado esperando no vestíbulo? Um mordomo com oficio jamais deixa os convidados naquela situação; ou os faziam entrar e os acomodavam no sofá ou lhes pediam para ir embora. Mas Maggie não o reprovava, pois compreendia seus sentimento perfeitamente. Aquilo era mais do que um inglês, ou uma inglesa, era capaz de compreender. Que o marajá Rajastan, poder supremo da província depois da majestade, houvesse oferecido sua sobrinha como recompensa e que Jeremy lhe aceitou era incompreensível. Maggie sentiu náuseas, e deu Graças a Deus de que houvessem passados varias horas desde que havia comido. Contudo, decidiu comportar-se como haveria feito qualquer cidadão inglês decente. -Sigam-me, por favor. Lhe mostrarei o salão - disse com tanta elegância como foi capaz, engolindo o amargo sabor da boca - E claro, dei-me seus casacos. Os guardarei com prazer. -Obrigado - respondeu Sanjay com um sorriso - Muito obrigado. Viajamos de muito longe, e estamos cansados. Temo que não estamos acostumados com esse frio, e nos deixa muito cansados. A jovem sorrio, mesmo temendo que sua expressão fosse aparentasse ser extremamente forçada. -Pedirei que tragam chá em seguida - Então deu meia volta e abriu as portas do salão. Em alguns minutos a princesa e seu intérprete estavam convenientemente acomodados. Quando Maggie percebeu que não precisavam de mais nada, exceto o chá, que estava a caminho, decidiu se retirar. No momento da despedida, a princesa pegou sua mão, e ao observar o encantador rosto virado para ela, a moça entendeu porque Jeremy não havia negado o oferecimento do marajá; A Estrela de Jaipur fazia jus a seu nome. Além de grandes e hipnotizadores olhos, a bela indiana tinha a boca perfeita, a pele cor de avelã, um cabelo comprido e preto como o ébano e a cintura tão magra e graciosa como a de uma bailarina. Mesmo estando segura de que não agradaria a Pegeen, pois desaprovava o presente do marajá por considerá-lo, talvez acertadamente, trafico de seres humanos, não havia duvidas de que o duque havia encontrado a duquesa perfeita para Rawlings, alguém que saberia levar com dignidade a pesada tiara de diamantes que correspondia ao titulo. A princesa reteve a mão entrelaçada a de Maggie por alguns minutos enquanto falava rapidamente o que Maggie supôs ser indiano. Quando terminou, Sanjay traduziu brevemente o discurso. - A princesa Usha quer que você saiba que sua amabilidade não ficara sem recompensa. Pela generosidade que demonstrou com nos hoje, a partir de agora, será considerada membro do serviço pessoal de sua alteza. Por isso, quer saber sobre sua experiência com aposentos e se Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 81.
    você sabe ler. Ajovem demorou um minuto inteiro para conseguir articular uma resposta, mas, quando o fez, comprovou com satisfação que podia fazê-lo sem rir... ou vomitar -Me sinto muito honrada - começou lentamente - mas não sou criada, e sim uma convidada da casa, e agora tenho que ir; desejo a vocês uma boa tarde. Sem esperar a resposta da princesa, deu meia volta e se apressou para sair. A única coisa que queria era trancar-se no seu quarto. Entretanto, momentos depois de entrar, sua criada saiu detrás do trocador com um traje de seda branco entre as mãos. -Aqui esta, por fim - exclamou enquanto Maggie estirava dramaticamente na cama, com vontade de chorar - Chegou tarde. Tem somente alguns momentos para se trocar. -Me trocar? - respondeu, abatida - Para que? -Para o baile de Lord e Lady Althorpe -respondeu a criada, sacudindo a cabeça - Realmente, senhorita Margaret, você esta sempre nas nuvens. Maggie sufocou um grito -Oh, Deus, não! Tinha esquecido por completo! O baile! Que estúpida era! Estava atormentando Augustin durantes semanas com medo de que Lady Althorpe esquecesse de convidá-la para aquele importante acontecimento social. Iam assistir a todas as damas da alta sociedade londrina acompanhadas de suas filhas, e veriam o retrato que acabou de terminar de Cordelia Althorpe, e cuja honra celebram seus pais naquele baile. Maggie sabia que era uma oportunidade única para se apresentar ao tipo de pessoa que podiam encomendar um retrato. Se ganhasse a atenção dos ricos e influentes amigos de Lord e Lady Althorpe, nunca voltaria a lhe faltar dinheiro. -Felizmente, o senhor Veygoux não esqueceu. Vem apanhá-la em meia hora. Ao menos era o que dizia a mensagem que deixou a uma da tarde. Vamos, tire isso, temos muito que fazer se quisermos que esteja linda quando seu prometido chegar. Com um suspiro, a moça se deixou cair adiante, enterrando a cabeça entre os braços. -Oh! - exclamou - Você não pode nem imaginar o dia que eu tive hoje. -O dia que teve? - repetiu a criada tirando o chapéu de sua senhora - Essa sim que é boa! Pois se prepare, porque o que vou lhe dizer vai ser muito pior. -Oh, não - se lamentou enquanto se levantava, com uma súbita pressão no peito - Não recebeu más noticias de Park Herbert, né? -Por Deus, não - respondeu a servente, enquanto começava a tirar os grampos do cabelo - Nada disso. É só que... bem, é que... A única vez que Maggie tinha visto Hill tão perturbada foi na noite em que quisera despedi-la, pouco depois de que seu pai decidiu deixar de pagar sua pensão. Quando no fim lhe havia confessado que não tinha dinheiro, a criada simplesmente havia levantado o queixo e respondido com gravidade: Sua mãe me pediu que cuidasse de você quando tinhas dezesseis anos. Se ouvisse que ia abandoná-la agora quando mais precisa, se reviraria no túmulo. Não se preocupe com dinheiro, senhorita. Nos o arrumaremos. Sempre o fizemos. - Do que se trata, então? - perguntou a jovem, que sentia curiosidade por saber o que poderia ter alterado aquela mulher de caráter impassível. - Evers fez algo que a chateou? Sei que é uma pessoa difícil, mas deve tentar se dar bem com ele. Somos hospedes nesta casa. -Não, senhorita, esta vez não se trata do senhor Evers - A criada pegou a escova da penteadeira e começou a despentear a espessa e emaranhada cabeleira - é ele. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 82.
    Maggie franziu ocenho, tanto pelo desconcerto como pelos puxões que a criada dava em seu cabelo. -Ele? Quem? -Senhorita Margaret... - Hill fez uma pausa para dar maior dramaticidade ao que ia dizer, e continuou - O duque voltou da Índia. -Oh - respondeu a jovem. Ao ver que sua senhora não se desfalecia ao ouvir aquela noticia, a criada se deteve para olhá- la nos olhos. -Você já sabia! - exclamou depois de analisar a expressão da moça uns momentos - Você sabia desde o principio! -Bom - começou devagar. Hill se endireitou e se envolveu em um novo ataque sem piedade no cabelo da jovem. -Não posso crer que sabia que ele havia voltado e não me disse nada. -Ah! - se queixou a senhorita Herbert - Te prometo que descobri por minha conta. Contudo, a criada não tinha piedade, e lhe fazia girar a cabeça de um lado para o outro com bruscalidade para desfazer os nós. -Deveria se envergonhar! O que diria sua mãe se soubesse que estamos sós em uma casa com um homem solteiro? E não qualquer homem, e sim o duque de Rawlings! Não gostaria nada, e você sabe. Maggie suspirou. -Sim, eu sei. Tens razão. -Mais que isso - insistiu a servente - Tenho toda a razão - continuou enquanto deixava a escova e começava a fazer uma trança - Não podemos ficar aqui com um homem que mantém relações com uma infiel. Surpreendida, a moça ficou olhando o reflexo de sua criada no grande espelho da penteadeira. -Uma infiel? A que se refere? -Eu sei do que falo - murmurou num tom de mistério - Me refiro a aquela que chamam de Estrela. Estrela! - Hill ofegou - Essa sim que é boa. -Oh - replicou Maggie com um fio de voz - Entendo. Mas... -Mas o que? - a criada sustentava os grampos com os dentes, de modo que a frase seguinte soou um pouco confusa - Não há "mas" que valam. Menos mal que Lord e Lady Edward voltam esta noite, porque se não, íamos ter que ir embora agora mesmo. Não podemos ficar sós aqui com ele. -E para onde iríamos? - perguntou Maggie olhando sua criada - Sabe que não tenho dinheiro para alugar um apartamento... um lugar decente, em um bairro em que possamos sair e passear com Jerry a noite sem medo. Suponho que poderia pedir a Berangére.. A criada pareceu horrorizada. -A francesa que alugou o estúdio de pintura em frente ao seu? -exclamou. -Vamos, mulher. Mas sim é uma boa amiga minha - respondeu a senhorita Herbert com o olhar receoso - Estou segura de que se tiver um quarto livre, nos deixaria ficar tanto tempo quanto... -Não viverei com uma francesa - declarou com decisão - E você tampouco. Mesmo que tenha dinheiro, essa mademoiselle Jacquard não é uma dama, assim você não vai compartilhar a casa com ela. Sei como são as mulheres como ela... essas artistas. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 83.
    -Hill -respondeu Maggiecom suavidade - Eu também sou uma artista, lembra-se? A criada deu patada no chão, furiosa. -Não iras se comparar com esta senhorita, vai? Conheço outras mulheres como ela, e sei como vivem. Não são melhores que a infiel com que o duque vai se casar. A propósito, se sua excelência fosse um verdadeiro cavaleiro, não a teria colocado em situação tão embaraçosa. Não lhe parece? Vocês dois já não são crianças, e sua relação não pode ser mais como antes. Agora ele é um homem, e você uma dama, a pesar do que pensam alguns membros da sua família - Hill, leal a sua senhora, desaprovava profundamente o trato que o seu pai e suas irmãs lhe dispensavam fazia algum tempo - Já veremos o que Lady Edward dirá disso tudo quando voltar. Estou segura de que vai dizer quatro coisas ao sobrinho, por mais duque e herói de guerra que seja. E espero estar lá para ouvir. Maggie se olhou com tristeza no espelho. Esperava não estar perto quando Pegeen repreender seu sobrinho. Havia visto a dama de mal humor em outras ocasiões e não era um espetáculo muito agradável. “Deus - pensou com um suspiro - Minha vida é um verdadeiro desastre... e tudo por culpa desse maldito Jeremy!” Capítulo 15 Até onde Jacob Evers podia se lembrar, sua família sempre havia servido aos duque de Rawlings. Seu pai, seu avo, inclusive seu bisavô, haviam trabalhado de mordomos, fosse na casa da cidade ou na mansão de Yorkshire. E durante todo esse tempo, só um conselho havia se passado de pais para filhos; uma única norma se havia transmitido de geração em geração, e pelo que Jacob sabia, nunca ninguém havia transgredido. Até esse dia. O mordomo estava de pé, vacilando, frente a porta do dormitório do duque, o quarto que somente Lord e Lady Edward ocupavam quando estavam na cidade. Sabia que o castigo pelo que estava pronto a fazer não iria demorar. A menos não teria que temer uma longa agonia, mas mesmo assim, não podia evitar perguntasse se o duque simplesmente o jogaria na rua ou daria ao despedido uma surra. Mesmo que Evers não havia ouvido contar nenhum episódio de brutalidade sobre o filho de Lord John, se armou de coragem para afrontar um tratamento cruel. Depois se depois a fazer algo inimaginável: Despertar um Rawlings. O criado aproximou os dedos da porta, chamou varias vezes e retrocedeu em seguida, como se temesse que inclusive a porta fosse lhe dar uma surra. Depois de um par de minutos, a porta se abriu, deixando entrever um grande quarto, cujas janelas, cobertas por cortinas, davam para Hyde Park. As paredes estavam pintadas de um acolhedor verde oliva combinando com um marrom tão claro que parecia violeta. Contudo, o mordomo se deu conta de imediato, com o coração encolhido, de que não havia nada de acolhedor na expressão do homem diante de si. Era Peters, o criado de sua excelência, um jovem que havia lutado sob as ordens do duque, mas que não tinha a menor idéia de como se devia comportar o criado de um cavaleiro. Além disso, só tinha uma perna, pois havia perdido a maior parte da outra em uma batalha. O moço havia tirado a perna de madeira que tinha ao chegar, e havia horrorizado a cozinheira e aterrorizado as criadas. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 84.
    No momento, Petersnão havia conseguido ganhar o favor dos demais membros do serviço do números vinte e dois da Park Lane. -Que? - sussurrou o jovem com expressão de estupefação - O que quer, companheiro? Já sabe que o coronel esta dormindo... Antes que Evers pudesse abrir a boca para expressar sua indignação porque lhe havia chamado de “companheiro”, ouviram uma voz inexpressiva proveniente de um lugar indeterminado do quarto. -Fale com propriedade - disse Jeremy - o coronel estava dormindo. Peters que ficou olhando o mordomo com uma expressão astuta. -Olha o que armou. Não sabe que jamais deve acordar o coronel? Acaso tem vontade de morrer? -O que aconteceu? - perguntou o duque com tom imperioso. -Não se encontra bem, sabes, companheiro? Necessita dormir - murmurou o criado no portal da porta. Jacob pigarreou. -Não me atreveria a perturbar o sono de sua excelência a não ser por uma circunstancia extrema. -Com que circunstancia extrema? - disse Jeremy. Aliviado, o mordomo acreditou ter percebido na voz de sua excelência um pouco de humor. Pela primeira vez, desde que a meia hora antes havia aberto a porta para os visitantes, pensou que talvez, e somente talvez, conseguiria conservar seu emprego depois de comunicar as terríveis noticias. -Se as circunstancias são extremas que Evers acreditou necessário me acordar, será melhor que o deixe passar, Peters. Mordendo os lábios em desaprovação, o jovem tirou a perna de madeira do meio, pois impossibilitava a entrada do mordomo e retrocedeu para lhe deixar passar. Jacobs o fez com a cabeça bem erguida... ate que seus olhos encontraram com o da figura que estava estendida na grande cama com dossel, a poucos metros dele. E somente graças a seus anos de aplicado aprendizado, pode dissimular uma expressão de extrema surpresa. Não obstante, não pode evitar de exclamar: -Por Deus santo! -Oh, vamos, Evers - respondeu Jeremy com um sorriso burlão - Estou certo de que já viu coisas piores. O criado recobrou a compostura e atravessou rapidamente o quarto na penumbra, procurando não tropeçar com nenhum dos numerosos objetos espalhados pelo chão, que havia deixado Peters ao desfazer a bagagem. -Temo que não, excelência - respondeu com fria formalidade - Lhe rogo que perdoe meu atrevimento, mas sugiro que me permita mandar buscar o medico. Há um excelente no final da rua, o doutor Wallace, não tenho duvidas de que estará aqui logo. O duque pareceu surpreso, ao menos como poderia parecer um homem com febre alta deitado na cama. -Morda a língua, Evers - replicou - Os médicos não podem fazer nada mais por mim. Só tenho que suar um pouco e dentro de meia hora estarei fresco como uma rosa. -Não se preocupe - Peters havia fechado a porta do quarto e avançava coxeando ate um baú Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 85.
    que, ao parecer,estava esvaziando - Ao coronel a febre baixa com a mesma rapidez com que sobe. Não estranharia que se levante para o jantar. -Falando em jantar... - Jeremy, com o torso nu, estava apoiado sobre varias almofadas, muitas da qual estavam amassada como se um par de mãos febris as tivesse retorcido - Que Maggie vai fazer esta noite? -A senhorita Margaret, excelência? - perguntou o mordomo, a quem a pergunta havia pego com extrema surpresa - Sua camareira me disse que ela e monsieur Veygoux assistiram a um baile que oferece o conde de Althorpe. Uma expressão de profundo desgosto cruzou o rosto do duque. -Que? - exclamou, juntando a cama com bruscalidade - Esta me dizendo que esse francezinho vai ser seu acompanhante? -Sim, claro, excelência - respondeu - Afinal, é seu prometido. Excelência, me permite sugerir que ponha uma camisa? Quando se tem febre, é recomendado que... -Maldita seja - murmurou Jeremy, afastando os cobertores; então, o mordomo comprovou que o duque dormia nu debaixo das suaves cobertas de linho - Peters - ordenou com tom autoritário - Meu uniforme, por favor. -Excelência! - exclamou Evers, desviando os olhos - De verdade acredito que... -Seu uniforme, coronel? - perguntou o criado enquanto coxeava ate a borda da cama para ajudar o duque a se levantar, tirando puxando um dos seus musculosos braços. -O uniforme de gala - resmungou Jeremy enquanto descia da cama alta - Precisarei da espada, luvas brancas, as condecorações... -Serio, coronel? - perguntou Peters, que parecia agradavelmente surpreso. - As condecorações também? Todas? -Todas. - Nu, Jeremy se ergueu e virou-se por casualidade para o mordomo, que o olhava com uma expressão próxima ao terror - Obrigado, Evers - disse com amabilidade - Pode se retirar. -Mas... excelência, não esta pensando em sair, esta? - aventurou Evers com estremecimento. -Claro que sim - respondeu o duque com um sorriso - De repente, tenho muita vontade de fazer uma visita ao conde de Althorpe. -Mas... - Evers negou com a cabeça como um cachorro que sacode a água das orelhas. - Excelência, devo me opor. É evidente que esta doente e tem febre alta. Seria loucura de sua parte sair a rua com esse frio. -Por Deus bendito, velho - resmungou Peters com desgosto, enquanto colocava uma camisa branca e limpa sobre os largos ombros de seu senhor - Contenha-se. Não sabes com quem esta falando? -É claro que sei - respondeu o mordomo, ofendido - Estou falando com o décimo sétimo duque de Rawlings. -Não, senhor - murmurou o criado - Esta falando com o tenente coronel Jeremy Rawlings. Um homem que, como demonstra suas medalhas e condecorações, não tem medo de nada e de ninguém. -Ilustrou minhas botas? - perguntou Jeremy enquanto metia um braço pela manga da camisa. -Sim, senhor. E lhe dei brilho com pano seco - respondeu o moço enquanto desdobrava umas calças de cor bege - Tal como você gosta. -Muito bem - Mesmo conseguindo colocar a roupa de baixo sem ajuda, o duque teve que apoiar uma mão no ombro de seu criado para manter as pernas nos buracos da calça - Evers, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 86.
    ordene que preparemminha carruagem para sair imediatamente depois que Maggie tiver ido. A propósito, ainda temos aquele par de cavalos cinzas que meu tio ganhou do príncipe de Gales? -Sim, excelência. Mas... -Perfeito - disse o duque enquanto colocava o casaco escarlate de elegante corte, com a cauda até seus joelhos. O criado se apressou para pentear as franjas da ombreira dourada, que refletiam a luz dos candelabros. O jovem se voltou para examinar seu reflexo no espelho de corpo inteiro que havia no canto mais distante do quarto e, com um olhar critico, colocou para trás algumas mechas do cabelo preto que tinha caído na frente - Peters, você conduzira. - É claro, coronel - respondeu o jovem, contente - Creio que, mesmo que mesmo fazendo muito tempo que não venho aqui, saberei conduzir pelas ruas de Londres. Evers não pode mais se conter. -Excelência! - exclamou - Você está doente. Devo insistir que me permita mandar buscar o medico. A menos, fique em casa esta noite e descanse. Tem uma aparência horrível, meu senhor. Verdadeiramente horrível. Isso fez Jeremy se olhar no espelho com mais determinação. -Verdade? - perguntou, surpreso. - Isso porque Peters ainda não colocou as condecorações. Espere e verás. Reluzo como uma dama cheia de jóias. Intrépido, Evers continuou: -Seria absolutamente impróprio, excelência, que se apresente no baile dos Althorpe sem ser convidado. -Acaso acredita que o conde negaria um copo de ponche ao décimo sétimo duque de Rawlings? - o jovem sorrio com cinismo ao seu próprio reflexo - Eu acredito que não. Peters, poderia fazer algo com meu cabelo? - Certamente, coronel - assentiu o criado, brandindo umas tesouras - Só necessita de um retoque. Mas antes, deixe-me que ponha uma toalha sobre os ombros para proteger o casaco. -É uma loucura - murmurou Evers - Uma absoluta loucura - E, com uma voz mais alta, continuou - Temo, excelência, que não me deixa outra opção. Sua falta de consideração com a própria saúde me obriga a tomar a decisão de notificar Lord e Lady Edward tão logo quanto eles cheguem .... Antes que pudesse terminar a frase, Jeremy havia dado a volta e com um só movimento, havia agarrado o criado pela solapa e o havia levantado quase um palmo do chão. Jacob, que por fim parecia ter ficado sem palavras, olhou o chão e depois o rosto irritado do seu senhor, quem, parecia, não estar tão fraco como ele havia acreditado. -Pobre de você - balbuciou o duque com uma voz que fez o mordomo estremecer -Se atreva a dizer uma palavra sobre minha enfermidade e terá que se ver comigo. Entendeu o que estou dizendo? O servente, petrificado, e mais convencido do que nunca de que no Extremo Oriente sua excelência havia se convertido em um demônio, gaguejou: -Mas, mas... excelência, eles vão se dar conta assim que o virem. Estou certo de que... -Eu mesmo direi - lhe informou o jovem com aspereza - Mas a minha maneira. Não necessito que ninguém vá contar a meus tios o que eu faço ou deixo de fazer. Não quero que lhes digam uma só palavra. Entendido? O criado tremia ate tal ponto que era incapaz de responder. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 87.
    -Não se preocupecom ele, coronel - disse de maneira cordial o criado, indo para frente tranquilamente - Se lhe escapar algo, eu me encarregarei. Lhe darei o que merece como aqueles bengalês de Jaipur... - E, para ilustrar o que queria dizer, passou o dedo pela garganta enquanto produzia um espantoso ruído sibilante. -Não direi nada - assegurou Evers engolindo a saliva - Nem uma palavra. Eu juro! Jeremy observou o rosto do criado, sem saber que sua própria cara havia tomado uma expressão de tal frieza que ninguém que o tivesse visto criança o reconheceria. Ao duque de Rawlings ninguém lhe havia negado nada. Ao menos, até aquele momento. -Espero que assim seja - resmungou enquanto colocava o mordomo no chão com bastante suavidade, especialmente levando em conta seu estado de raiva momentos antes. Evers se apoiou no dossel da cama, aliviado de se salvar de uma surra daqueles imensos punhos que o havia sustentado inquieto. Seu coração palpitava forte, e tinha a boca seca. Deus santo! O que ia fazer? Era o empregado de um louco. Nunca, na história de sua família, um Evers havia recebido semelhante trato de um Rawlings. E o que esperava? Talvez fosse verdade fosse o que diziam sobre a origem do duque. Desde logo podia se esperar um comportamento como aquele do filho de uma prostituta. -E agora - disse Jeremy no fim, enquanto Peters colocava uma toalha sobre os ombros e começava a corta seu cabelo - o que tinha vindo me dizer? Deus Santo. Havia se esquecido por completo. Depois de limpar a garganta, o mordomo se endireitou e disse: -A Estrela de Jaipur esta lá embaixo, no vestíbulo. O duque olhou com curiosidade o reflexo do criado no espelho. -Não esta não. - respondeu -Como disse, excelência? - respondeu Evers com certa indignação - Não haveria perturbado seu sono se não estivesse absolutamente certo de que... -A Estrela de Jaipur esta ali - afirmou o jovem, confuso, voltando o olhar para os baús apinhados no chão - Bom, em algum desses baús. Onde ela esta, Peters? -Aqui, coronel - O ajudante se inclinou para frente, e apos se deter sobre uma mala, apareceu com uma pequena bolsa de veludo na mão. -Aqui esta - disse o duque - Me alcance ela, ok? - o moço fez o que lhe pedia, e Jeremy pegou a bolsa com uma mão. Depois a abriu, deu meia volta para que seu conteúdo caísse sobre a palma da mão e estendeu o braço para o mordomo, que contemplou a pedra preciosa do tamanho do punho de um bebe e da cor do mar Mediterrâneo - Aqui esta ela, Evers. A Estrela de Jaipur. Sã e salva. Confuso, Evers ficou olhando a safira. -Lhe rogo que me perdoe, excelência... Se isso é a Estrela de Jaipur, quem é a dama indiana que o espera no vestíbulo? O medo que havia feito o mordomo temer por sua vida pouco antes não foi nada em comparação com o que sentiu ao vislumbrar o rosto do duque ao assimilar aquelas palavras. Capítulo 16 Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 88.
    A filha maiordo conde Althorpe não era uma menina que se pudesse considerar bonita. De fato, com seus dentes de coelho, um pescoço apenas esboçado e uma figura um pouco obesa por causa da quantidade de doce que ela comia, só se podia qualificar de feia...mesmo que, claro, Maggie havia procurado não retratá-la como tal. Afinal, tinha tido muita sorte que a tivessem escolhido para pintar o retrato da honorável senhorita Althorpe. Vários artistas muito mais prestigiados haviam disputado aquela honra, e as centenas de libras que a acompanhavam, mas no fim os condes haviam se decidido por ela. Porque, mesmo que os demais fossem mais celebres, nenhum soube ressaltar, no esboço que apresentaram, a única característica bonita de Cordelia Althorpe: seus olhos verdes quase iridescentes, que se assemelhavam a pedras preciosas. Ao observar, a beira do desespero, a pobre Cordelia em busca de algum atrativo, nenhum desses artistas se haviam fixado em seus olhos, quase ocultos pelas dobras de gordura. Maggie, pensava, enquanto bebia champanhe e olhava o retrato com satisfação, que mesmo aquela moça sorridente e de olhos brilhantes da pintura se parecia muito pouco com a astuta Cordelia, ao menos seus pais estavam contentes, e lhe haviam entregado o atrativo e bem- vindo cheque segundo o previsto, da mesma forma que ela tinha terminado o retrato a tempo para a festa que celebravam em homenagem a sua filha. -Isto é quase um milagre - disse uma voz, com tom divertido, por trás da jovem. Maggie virou a cabeça e sorriu para seu prometido. -Estou de acordo com você - disse com burlona solenidade - O fato de que alguém chegue a pagar tanto dinheiro por uma tela manchada de tinta é realmente incrível. -Não me refiro a isso, mademoiselle Herbert - riu entre os dentes Augustin de Veygoux - Falo de como pintou Cordelia Althorpe; conseguiu que uma jovem pouco atraente passe por bonita sem cometer perjúrio. A jovem desviou o olhar, mas não pode conter um sorriso. -Me ofende, monsieur. Sou uma pintora de retratos. Não embelezo ninguém, simplesmente pinto o que vejo. -Então eu gostaria de ver o mundo através de seus olhos - riu ele - pois são os olhos mais benevolentes que se possam imaginar. Descobrem beleza em qualquer lugar, especialmente onde não há. - Vous étes un homme horrible - lhe respondeu a artista, brincando, enquanto lha golpeava o peito com o leque - A honorável senhorita Althorpe é uma jovem de formação muito completa; canta e toca de maneira admirável. O que lhe falta em beleza, sobra em talento. -Em dinheiro, você quer dizer - Augustin olhou ao outro lado da sala de baile, onde a jovem em questão devorava um grande pedaço de torta holandesa, sem prestar atenção em ninguém - A única razão para um homem querer casar com ela é por seu dinheiro. Maggie começou a se abanar. Mesmo estando em pleno fevereiro, o salão, que não era particularmente grande, começava a esquentar por causa da multidão que havia assistido a festa. -Que desagradável. Não faz falta que seja tão cruel. -Não sou eu quem é cruel, ma chérie, e sim o mundo - respondeu Veygoux com despreocupação - Sem atrativo nem interessem, as mulheres como Cordelia não podem esperar casar-se por amor, a menos que encontrem um homem com seus mesmo defeitos. Mas isso não ocorre com freqüência. Sinto magoá-la, mademoiselle, mas o único encanto da Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 89.
    honorável senhorita Althorpeé o dinheiro de seu pai. A jovem ficou olhando seu prometido. -Talvez seja verdade, mas não faz falta que o diga tão alto. Não imagina o que agradeço não ter que me preocupar nunca de ouvir alguém dizer algo assim de mim. Augustin sorriu. -Vamos, ma chérie, qualquer homem se casaria com você mesmo que fosse mais pobre que uma rata. -E eu sou - lhe recordou a moça - A isso que me refiro. Ninguém se casaria comigo por dinheiro, porque não o tenho. -Sim - assentiu o francês - Mas tem algo muito mais interessante. -Ah, sim? - perguntou Maggie, duvidosa - O que? O senhor de Veygoux a olhou com um sorriso diabólico. - Votre silhouette, naturellement - disse, e observou com deleite o rubor que inundava a bochecha de sua prometida tal como sabia que ia acontecer. Margaret, consciente de que aquela referencia a sua figura lhe havia feito ruborizar, olhou nervosa ao seu redor para ver se alguém tinha escutado. Por mais sofisticada que acreditava ser, os comentários sobre seu aspecto ainda a incomodavam. Poderia pensar que depois de 5 anos em Paris, deveria ter se acostumado a bajulação, que lhe rendia muita chateação; diferente dos ingleses, os franceses eram muito loquazes ao expressar sua admiração por uma mulher, mesmo em locais tão formais como os salões de bailes, e Maggie havia recebido comprimentos ali onde havia ido. Apesar de que o espelho desmentia, a moça continuava considerando-se uma menina desengonçada e deselegante que havia sido, e desconfiava que todo mundo que afirmava ver-la de outro modo. Isso significava que desconfiava de seu prometido. Ao contrario, pensava Maggie enquanto o olhava através da ponta de renda de seu leque. Apesar de sua tendência a elogiá-la em excesso, Augustin de Veygoux era o homem mais amável e digno de confiança que conhecia. Era um jovem alto e carismático, mais de dez anos maior que ela, que costumava visitá-la no estúdio de madame Bonheur por algo mais que sua generosidade com os excelentes cigarros que fumava. A família Veygoux era muito respeitada no mundo artístico, tinha grandes galerias de arte em sete cidades européias, e uma nos Estados Unidos, e diziam que sua coleção renascentista era uma das mais valiosas do mundo. Augustin estava sempre buscando novos talentos para promover em seu salão em Paris, e madame Bonheur, que era tão hábil para os negócios como para a pintura, se preocupou para que ele visse alguns retratos de Maggie. O jovem comprou o quadro de Jerry antes de conhecer a artista, e pouco depois de a apresentarem, seu projeto para promovê-la havia dado um giro mais pessoal. A jovem Herbert não estava segura de quando havia começado seu interesse por ela, mas durante os últimos anos de sua estada na capital francesa, o jovem passeava com ela todas as tardes. Maggie não estava apaixonada por ele. Disso não havia duvidas. Quando Augustin se declarou, duas ou três semanas depois de conhecê-la, a moça começou a rir, pensando que era uma brincadeira. Contudo, quando, dada a insistência, se deu conta de que era serio, não lhe restou outro remédio do que dizer a ele que não correspondia seus sentimentos. Quando Augustin entrava no salão onde ela se encontrava, seu coração não acelerava, quando a beijava não sentia nada. Ela sabia o que era estar apaixonada... sabia perfeitamente. Por isso, com freqüência dizia a seu prometido que ele merecia algo melhor. Além disso, podia Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 90.
    conseguir a mulherque quisesse, pois era rico e muito atraente, caso não se fixasse demais na espessa e estridente mata de cabelo ruivo e ondulado. Mas, ao parecer, Augustin preferia o desafio de corteja a única mulher no mundo que estava irremediavelmente e irrevogavelmente apaixonada por outro homem, mesmo que Maggie não estava segura de que seu prometido estivesse ciente sobre ele. A única ocasião em que esteve a ponto de admitir a existência de outro homem em sua vida foi quando sua mãe faleceu. Quando Margaret supôs a gravidade da doença de sua mãe e decidiu regressar a Inglaterra, Augustin insistiu em acompanhá-la; de Veygoux estava ali quando o doutor Parks declarou a morte da dama, e foi testemunha da terrível reação de sir Arthur. O jovem francês falou com o padre para preparar o funeral, mandou uma mensagem a Anne, a irmã mais velha de Maggie, que estava em Londres no nono mês de sua quarta gravidez, e consolou os serventes enquanto eles cobriam com pano preto os espelhos do salão. Aquele dia, Augustin encontrou a moça chorando no terraço de seu quarto, apesar do frio de outono. Mesmo sabendo encontrar as palavras adequadas para a situação, preferiu não dizer nada, e simplesmente pôs o casaco sobre os ombros da moça e se sentou ao seu lado, olhando o horizonte como se estivesse no teatro da opera de Paris. Quando decidiu falar, foi para recordá-la que a senhora de Veygoux ainda vivia, e se ela aceitasse casar-se com ele, seria uma mãe para ela. Claro que seria só sua sogra, mas, ainda sim, sempre era melhor que não ter mãe. Ainda que o inapropriado comentário haveria feito Maggie rir entre lagrimas em qualquer outra situação, naquela circunstância a envergonhou; pela primeira vez em todo o dia não chorava pela sua mãe, e sim por ela mesma. A pesar dos esforços de suas irmãs para ocultar, aquela manhã havia lido uma noticia no Times em que retratava a grande vitoria de Jeremy em Jaipur; o jovem, sem ajuda, havia derrotado a facção rebelde que queria queimar o Palácio dos Ventos. E o marajá lhe havia agradecido com uma inusitada recompensa. O Times falava daquela gratificação como de uma curiosidade, que havia provocado risadas brincalhonas por toda Londres. E pensar que naqueles tempos ainda se oferecia um ser humano como recompensa! Os abolicionistas iam dar um grito aos céus! Mas para Maggie, aquele pequeno detalhe sobre o que haviam oferecido ao duque, e que parecia que ele tinha aceitado – pois o jornal não dizia que ele havia recusado o presente do marajá, que consistia em uma princesa indiana -, não era uma simples curiosidade, nem lhe parecia muito engraçado. Na realidade, ficou desfeita. Haviam se passado quase cinco anos desde que tinha visto Jeremy pela ultima vez, e em todo esse tempo não havia recebido nem um só carta sua que lhe indicasse que ele se lembrava dela; Mas, porque iria escrevê-la? Só era uma moça com quem ele havia tido um devaneio no estábulo,nada mais. Se podia ter uma princesa indiana, para que iria querer Maggie Herbert? Mesmo que fosse ridículo chorar por algo tão absurdo no dia do falecimento de sua mãe, isso era o que fazia quando Augustin lhe propôs casamento pela ultima vez. E foi a ultima vez porque, quando conseguiu recompor-se, lhe respondeu que sim; Apesar da tristeza que a apreendia, Maggie se dava conta de tudo o que de Veygoux havia feito por sua família durante os últimos dias de vida de sua mãe. E o que havia feito Jeremy Rawlings por ela? Nada! Em todo o tempo longe de casa, não lhe havia escrito uma só vez, nem lhe havia enviado uma só mensagem através de sua família. Estava claro que o duque não havia voltado a pensar nela desde o episódio do estábulo. Não podia recusar a proposta de Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 91.
    matrimonio de umjovem encantador por outro homem que nem sequer se havia preocupado em enviá-la uma carta durante anos, e que, além do mais, havia ganho uma princesa indiana. E Augustin havia feito tanto por ela! O menino que podia fazer era tentar fazê-lo feliz. Maggie sabia muito bem que nunca amaria outro homem que não fosse o duque de Rawlings, mas ela e o jovem de Veygoux eram bons amigos, e lhe havia cobrado muito afeto; amizade e afeto era mais do que tinham muitos matrimônios. Assim, em vez de recusar sua proposta de novo, como haveria feito se não houvesse lido o jornal aquela manhã, Margaret a aceitou. Que outra coisa podia fazer? Sem deixar de se abanar, a moça observou como seu prometido se virava para cumprimentar a uns conhecidos. Não havia duvidas de que sua mata de cabelo ruivo era algo estridente. Em uma mulher talvez ficasse exuberante, mas em um homem... distraia, como havia dito Berangére. E sua mãe! A senhora de Veygoux tinha uma personalidade realmente difícil. Mas, apesar de tudo, Augustin seria um bom marido. E ela realmente necessitava de um bom marido. Não podia passar a vida suspirando por um homem que não havia pensado nela nem um instante durante cinco anos. Cinco anos! Oh, tinha aquela carta que ele dizia ter escrito. Talvez fosse verdade, mas, o que significava só uma carta? Nada. Era evidente que ela não significava nada para o duque. Então, ela era inocente e inexperiente, e havia se apaixonado por ele, mas estava decidida a desapaixonar-se, custasse o que custasse. Não passaria o resto da vida amando Jeremy Rawlings. Nem pensar. Tão consumida estava em seus pensamentos que, no primeiro momento, não escutou o repentino silencio que se fez a seu redor. Apesar de suas afirmações cinco anos antes que um salão de baile era o ultimo lugar da Terra em que podia sentir-se a vontade, Maggie havia se acostumado ao barulho, ao calor e a confusão daqueles ambientes. Por isso, não havia nada em salão que captasse sua atenção antes que uma voz sussurrante. Maggie curvou o leque e olhou com curiosidade aos interlocutores do seu prometido; reconheceu em seguida Lorde e Lady Mitchell, cuja coleção de pintura flamenca rivalizava com a da família Veygoux, e com quem Augustin competia amistosamente em muitos leilões. De costas para ela, os Mitchell e Augustin observavam a alguém no salão do baile. -Não tenho nem a mais remota idéia de quem pode ser – disse Lord Mitchell em voz alta. Era evidente que não lhe importava que o ouvissem – Nem me interessa. Não entendo por que me trouxe aqui, Letícia. Sabe que não suporto aglomerações. -Mas tem que ser alguém importante – insistiu sua esposa – Os Althorpe não convidaria a qualquer pessoa, na apresentação de sua filha. “Ah – pensou Maggie abrindo o leque – Viram na multidão o rosto de alguém que não reconhecem isso é tudo”, e sorriu para si mesma. Augustin era curioso; em sua fascinação pelo grande mundo, se comportava quase como uma mulher. Pobre Augustin. Nunca havia se dado bem em ocultar seus sentimentos, em especial o entusiasmo, que às vezes parecia exagerado. À moça havia sido difícil convencê-lo a conter sua alegria quando aceitou sua proposta de casamento, posto que quisesse espalhar aos quatro ventos que era o homem mais feliz do mundo. Tinham que manter seu compromisso em segredo até que tivesse passado um tempo razoável de luto pela sua mãe. Aquele tinha sido Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 92.
    um ano difícilpara o jovem de Veygoux; além disso, sir Arthur acabou mostrando-se tão contrário ao compromisso quanto a sua vocação de pintora. Segundo seu pai, a filha mais nova tinha o dever de cuidar dele. O cavaleiro acreditou que a moça tinha voltado a Herbert Park para ocupar-se dele, mesmo que suas filhas vivessem relativamente perto de sua casa. Ao pensar em seu pai, Margaret se abanou com mais energia do que necessário. O que diria sir Arthur quando se enterrasse de que o duque de Rawlings havia voltado da Índia... E com uma noiva da realeza? Perguntou-se. Não gostaria; seu pai sentia uma desconfiança por todo estrangeiro. Não seria fácil ele se inclinar diante de uma duquesa que não falava nem uma só palavra de inglês. E os tios de Jeremy! Ao ouvir pela primeira vez sobre a Estrela de Jaipur, Pegeen esteve a ponto de sofrer um infarto. Assim ver a princesa Ushar servir chá no salão dourado da mansão Rawlings podia ser demais para ela. Maggie fechou os olhos. Hill tinha razão. Ia ter que encontrar um apartamento logo. Não podia seguir vivendo embaixo do mesmo teto que essa. Essa mulher. Para não mencionar o homem. - Caramba – exclamou Augustin com admiração – Vejam como as mulheres o olham. Até captou a atenção da honorável senhorita Althorpe. Jamais acreditei que renunciaria a seu bolo por uma cara bonita. Lady Mitchell soltou uma breve gargalhada. -Não acredito que esse cavaleiro possa ser considerado uma cara bonita, monsieur de Veygoux. Mas, que mulher resistiria a um homem de uniforme? Já sabe o êxito que tem a guarda montada nos desfiles. Os membros da cavalaria têm algo especial... -Eu direi o que é – respondeu seu marido com grosseria – O fedor de excremento de cavalo que os seguem aonde vão. -Vamos, James. Que você seja muito desajeitado para montar em cavalos brandindo uma espada não te dá o direito de ser tão grosseiro com os que podem fazê-lo – contestou Lady Mitchell entornando os olhos – Valha, e esse é realmente alto. E quantas medalhas. Deve ter sido muito valente em alguma batalha. -Na Índia, suponho – interveio Augustin – Onde poderia ter adquirido um tom de pele tão tostado? É moreno como um cigano. Foi nesse instante quando Maggie, que havia escutado sem prestar muita atenção, sentiu que o coração dava um pulo. Era impossível. Não podia ser Jeremy, pois nem sequer conhecia ao conde Althorpe. Talvez seu tio, sim, mas ele? Como ia conhecer ao Lord e Lady Althorpe? Como os Mitchell e Augustin lhe tapavam a vista, a moça foi se apoiar em uma coluna de onde podia ver todo o salão. Naquele momento, o coração parou de palpitar. A orquestra não deixou de tocar a valsa, nem a sala ficou em silencio. Tampouco os bailes que dançavam se separaram como o mar Vermelho, para abrir passagem. Contudo, a Margaret lhe Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 93.
    pareceu que tudoisso aconteceu, porque, repentinamente, não ouviu nada mais que o barulho de sua própria respiração entrecortada, e não viu ninguém mais além do cavaleiro alto e uniformizado ao outro lado do salão. Deus Santo. Era Jeremy. A ultima vez que tinha o visto havia sido ao amanhecer, na penumbra de seu quarto, ainda meio sonolenta. A principio havia se assustado de que havia um homem em seu quarto, e logo de que fosse o duque. Apesar de todos, não havia duvidas de que o jovem que estava de pé a uns doze metros dela, com uma taça de champanhe em uma mão e desviando com descuido dos pares que dançavam entre eles, era o duque de Rawlings. Naquela madrugada lhe havia parecido que tinha uma fisionomia muito mal, com aquele tom amarelado na pele e com o nariz quebrado, mas havia se engano. Não havia duvida de que já não era tão aposto como há cinco anos, mas tinha um ar muito mais masculino e, portanto, muito mais atrativo. Maggie se perguntou por que não estavam todas as mulheres do salão rendendo-se a seus pés, como temia que fizesse ela. O duque levava um casaco de corte impecável. As ombreiras realçavam a curva dos largos ombros; tinha o porte orgulhoso de um almirante, como se o solo da sala de baile fosse à corretora de um dos grandes navios de guerra de sua majestade, e ele estivesse a ponto de ordenar os canhoneiros que abrissem fogo. Seu porte emanava uma sensação de perigo que o fazia parecer um bandoleiro ou um foragido. Talvez fosse seu cabelo de fios desordeiros, impossíveis de pentear e que, mesmo recém cortados, lhe caiam no rosto. O talvez fosse seu olhar desdenhoso, com que observava a todos que o rodeavam. Mas, fosse o que fosse a moça não havia se surpreendido ao ver-lo com um brinco de ouro na orelha. O duque se desenvolvia com uma seguridade de si mesmo. Maggie nunca tinha visto a nenhum homem encher um salão só com a sua presença, e não tinha nem a mais remota idéia de como ele conseguia. Ela, ao menos, era incapaz de desviar a vista de sua alta e elegante figura. Mesmo que, por suposto, ela estava apaixonada dele. Foi esse pensamento que a devolveu imediatamente a realidade. Por Deus santo! O que estava fazendo, olhando-o desse modo, como uma simples criada? Era evidente que o jovem buscava a alguém. “ A mim? – se disse com o coração encolhido – Claro que não.” Para que ia procurá- la tendo uma mulher como a Estrela de Jaipur? E, afinal, onde estava sua princesinha? Margaret olhou por todas as partes, mas não consegui localizá-la. Todavia, isso não significava que não estivesse no baile, e Maggie não estava disposta a ser testemunha de seu reencontro. Não havia jantado muito aquela noite, mas, ainda sim, um espetáculo como aquele podia fazê- la devolver tudo o que ela tinha comido. Entretanto, raciocinou um pouco tarde. Só foi um instante, mas não precisou de mais. Apesar de que todo mundo se movia para baixo e para cima do salão, o duque detectou seu movimento e, rapidamente seus olhares se encontraram. A jovem ficou paralisada, impotente, enquanto Jeremy estudava atentamente seu penteado, a curva desnuda do colo e dos ombros; abriu um pouco mais os olhos ao pousar a vista no generoso decote e fixou os ao descer pelas Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 94.
    curvas da saiabranca que terminava em uma longa barra. Com toda a dignidade que foi capaz de reunir depois daquela insultante olhada, Maggie se inclinou, levantou a barra do vestido e deu as costas com frialdade ao duque de Rawlings. Capítulo 17 Jeremy estava a ponto de começar a rir. Sua querida Maggie era de tomar nos braços. Onde acreditava que ia? Não havia nenhum lugar no mundo onde pudesse escapar dele. A seguiria até as estranhas do inferno se precisasse. Mesmo imaginando que não seria necessário chegar a esse extremo. Maggie só estava ofendida. E que mulher não estaria? Acreditava-se, como parecia pensar o resto de Londres, que a Estrela de Jaipur era da especial animal, e não mineral, sua chateação era compreensível. Bom, talvez não de todo, pois a final, ela havia se comprometido com esse estrangeiro. E ainda tinha a desfaçatez de estar zangada com ele? Pequena hipócrita. Perguntava-se se ela tinha ficado zangada de ter lido seus pensamentos enquanto ele a olhava do outro lado do salão. A imagem de Maggie tão bonita com a fria elegância daquele vestido de noite branco como a neve, com pequenas gotas de cristais como se fosse gelo, e com os ombros desnudos, lhe haviam deixado estupefato. Mesmo que no salão houvesse mulheres mais belas, nenhuma lhe acelerava o pulso como ela. E quando recolheu a barra do vestido, o coração havia começado a palpitar tão de pressa que lhe pareceu que ia parar. Inclinar-se para frente em um vestido como aquele, e com semelhante figura, tinha que ser considerado um pecado capital. Seus peitos, que o espartilho parecia estar a ponto de liberar de sua opressão, haviam ameaçado sair do decote. Jeremy olhou ao redor com ciúmes, para comprovar que nenhum outro homem tinha visto o que acreditava ser sua propriedade. Onde estava seu prometido? Como se atrevia a deixá-la sozinha levando um vestido assim? Mesmo que só fosse por isso, esse tipo merecia uma boa surra. Rápido e sigiloso como uma serpente, o duque atravessou a sala, esquivando-se dos pares que dançavam e sentindo roçar as barras dos vestidos das damas em suas pernas. Havia visto Maggie desaparecer detrás de uma enorme coluna, mas quando chegou, só havia um cavaleiro alto e ruivo, e uma parceira bastante ostentosa que o olhava com surpresa. -O que foi? – lhe perguntou – Nunca viram um membro da guarda montada de sua majestade? Sem esperar pela resposta, se apressou para o único lugar que a moça poderia ter escapado uma porta de painéis escondidos na parede. Ao cruzar o portal se encontrou em um quarto na penumbra, com uma decoração muito masculina, que supôs ser a biblioteca. A sala sem luz estava iluminada somente por uma luz que passava no par de altas janelas que havia na parede da frente, mas não era muita, porque a lua era crescente. Ainda sim, era suficiente para refletir a renda com contas transparentes do vestido de Maggie. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 95.
    A jovem estavana frente de uma das janelas, com as mãos cerradas em punho ao lado do corpo. -Oh, Jerry! – exclamou exasperada, dando uma patada no chão – O que quer? Porque me segue? – Talvez se equivocasse, mas o duque lhe pareceu que soluçava – Porque não me deixa em paz? Imediatamente, Jeremy já não teve vontade de rir. Acabava de perceber que não havia nada engraçado naquela situação. -Já o disse – respondeu enquanto fechava com cuidado a porta atrás dele, abafando assim a musica da orquestra e o riso da platéia. A biblioteca estava em silencio, pois nem sequer havia fogo crepitando na lareira, e fazia muito frio. Entretanto, e apesar do indecente decote de seu vestido, Maggie parecia não senti-lo. Tinha lhe virado as costas, mas aquela vez estava encurralada, e o sabia, por que estava cruzando os braços em posição defensiva. Ao falar, seu hálito embaçava o vidro da janela. -O quer dizer? - perguntou com aspereza – O que quer dizer com já o disse? -O que eu disse – Jeremy era consciente de que, mesmo dissimulando, a moça o olhava pelo canto do olho, assim colocou as mãos nos bolsos da calça para que não se sentisse ameaçada. Recordava com perfeição o medo que lhe provocava, como se seu encontro no quarto em Herbert Park tivesse sido no dia anterior – Queria que eu te deixasse em paz, e eu fiz. Durante cinco anos, para ser exato. Maggie engoliu saliva. -Pois parece que cinco anos não foram suficientes. -Já vi – observou o duque – Sabe Mags? Às vezes põe em provo minha paciência. Tem sorte de que sou muito compreensivo, porque qualquer outro homem já teria começado a se sentir depreciado. Sobretudo depois de ter te esperado cinco anos – Lentamente, e com o olhar fixo na magra figura, foi para frente do sofá de couro. -Parece que esteve muito entretido enquanto isso – insinuou a moça. -Ah, sim? - perguntou Jeremy enquanto rodeava uma mesa com tampa de marfim. -Sim – respondeu Maggie – Teus gestos heróicos no Extremo Oriente que relatavam os jornais mantinham a todos muito distraídos. O duque estava então tão perto dela que podia tê-la tocado, mas não tirou as mãos dos bolsos. Não queria, depois de ter conseguido chegar até esse ponto, que tudo terminasse com um tapa. Além do mais, se não recordava mal, a moça não dava tapas, e sim socos. -Sim, fiquei sabendo que o Times informava com regularidade meus movimentos. Porém, há um par de coisas importantes sobre as quais se enganou. -Duvido – respondeu Maggie com frieza – O Times é o jornal mais lido no mundo, estou certa Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 96.
    de que seusjornalistas o documentam muito bem. -Há uma historia correta – continuou Jeremy com suavidade – é sobre um fato que eles se enganaram. Aquilo captou a atenção de Maggie, que se virou e, surpreendida de que tivesse se aproximado tanto sem ela se dar conta, retrocedeu até que bateu com as costas desnudas no vidro. -Diga-o já – disse com voz tenebrosa. -O que? – Jeremy ficou onde estava, pois lhe pareceu que, se desse outro passo para frente, a moça iria se atirar pela janela. -Já sabe a que me refiro – lhe espetou Maggie. O jovem não podia ver seus olhos, mas, pelo seu tom de voz, supôs que estavam cheios de lagrimas – Sei que a historia é verdade. Anete reconheceu que trouxe a Estrela de Jaipur, e eu mesma a vi no vestíbulo há menos de duas horas. Jeremy levantou a sobrancelha, mas foi o único músculo que se moveu ao responder. -Você viu a princesa Usha, não a Estrela de Jaipur. Maggie estava tão zangada que sentiu que ia ter um ataque. Levantou o leque como se empunhasse uma arma e apontou ao peito do duque. -Jerry – balbuciou com a mandíbula apertada – a princesa Usha é a Estrela de Jaipur. -Em sua opinião, talvez – respondeu ele, encolhendo os ombros – De fato, muita gente a chama assim, incluindo seu tio. É seu apelido. Mas a verdadeira Estrela de Jaipur não é uma mulher, e sim uma pedra preciosa. A moça manteve o leque onde estava apontando-o ao coração do duque com uma atitude ameaçadora. -O jornal dizia que haviam te oferecido a Estrela de Jaipur como recompensa por salvar o Palácio dos Ventos. E, segundo o Times, é a sobrinha do marajá. -De acordo – assentiu com viveza – Há alguma verdade nisso. O marajá quis me presentear com sua sobrinha. Como compreende, foi uma situação muito embaraçosa, porque, na Índia, se te oferecem uma sobrinha ou uma filha é considerada uma grande honra. Em especial se é uma mulher como a princesa, a quem muitos nativos acreditam ser muito bonita para olhá-la diretamente. Ao ouvir aquilo, Maggie não pode evitar ofegar, mas o jovem fingiu não ter escutado. -O que estou tentando dizer – continuou – é que não podia dizer ao marajá muito obrigado, mas podia ficar com seu presente. Isso teria sido um insulto gravíssimo. Os ingleses não são muito populares, sabe? E uma coisa assim poderia ter posto a perder qualquer oportunidade de manter uma relação amistosa com o governo local da província. A jovem Herbert parecia estar a ponto de cravar o leque no olho dele a qualquer momento. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 97.
    -Falta muito profinal? – perguntou. Jeremy sorriu. Não havia nenhuma outra mulher na Terra, talvez com exceção de sua tia, que tinha o costume de ser tão grossa com ele. Talvez por isso a amava. -Não, já terminei Mags. O que esta claro é que o Times não contou o que aconteceu depois, seguramente porque não é tão espetacular; a verdade é que voltei ao palácio e disse a sua alteza que, mesmo me sentindo muito honrado por seu oferecimento, eu já tinha uma moça me esperando no meu pais – O jovem começou a remexer no bolso – Ele aceitou muito bem, e em troca me deu isso. Tirou a mão do bolso, abriu o punho e mostrou a Maggie a Estrela de Jaipur, que resplandecia mesmo na fraca luz da lua. Tinha um pouco de pelo do tecido da calça, mas ainda sim, era evidente que se tratava de uma pedra preciosa como não se havia visto jamais. Entretanto, Maggie não tirou o leque. Que pareceu ao duque uma típica reação sua, a moça não se alterou nem pareceu impressionada pela beleza e valor da pedra. -Se o que acaba de me contar é verdade – começou com severidade – o que a princesa Usha fazia esta tarde no vestíbulo? -Isso também é um mistério pra mim – respondeu o duque, cerrando o pulso com um suspiro e metendo no bolso – Como sabe Usha mal fala inglês, mas pelo que pude tirar de seu interprete, parece que esta louca por mim e que, apesar de minhas negativas, quer se casar comigo. Maggie lhe atirou com o leque com toda a sua força. Por sorte, Jeremy havia previsto o ataque e abaixou a tempo,fazendo com que o leque batesse contra o braço do sofá de pele e caísse no chão tamborilando. Agachado, o moço levantou a vista com surpresa. -Eu sabia! – gritou ela – Eu sabia! Jerry, como pode? -O que? – o duque levantou os braços para proteger-se da jovem, que movia as mãos no ar. Sua atitude lhe fazia suspeitar que, em sua ausência, havia adquirido o habito de repartir socos – O que eu fiz agora? -O que você fez? – repetiu Maggie com a voz rouca – Eu te direi o que você fez, estúpido! Você fez a princesa Usha se apaixonar por você... ““... como você fez comigo”, terminou para si mesma. Só de pensar ficou tão furiosa que sentiu vontade de socar algo, e como Jeremy estava na frente dela, piscando e consumido por uma profunda confusão, lhe pareceu o objeto perfeito para descarregar sua raiva. Contudo, o duque, adivinhando suas intenções, deteve o punho com o antebraço, mesmo que não pode conter uma careta de dor. A moça continuava com um bom gancho. E se levasse em conta que ele era quem lhe havia ensinado a golpear desse modo, resultava muito humilhante. Jeremy detestava fazer-lhe danos, mas detestava ainda mais que ela mesma o fizesse, e pelo modo que se movia e sacudia a mão, parecia que havia voltado a se lastimar tratando de Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 98.
    goleá-lo. Assim, mesmoque aquela posição lhe oferecesse uma deliciosa vista do generoso decote, decidiu por fim aquela briga, e, como um bom militar, o fez com rapidez e decisão. Talvez agarrar Maggie pela cintura e tombá-la no sofá não fosse à forma mais delicada de fazer-lo; tampouco deitar-se sobre ela instantes depois para evitar que se levantasse, nem que prendesse suas mãos ao lado da cabeça. Entretanto, e apesar da súbita palidez da jovem, aquilo deu um interessante giro na situação. -Levante-se imediatamente – ofegou Maggie. -Nem pensar – respondeu Jeremy enquanto admirava o movimento se seus seios no decote, onde a renda deixava entrever os rosados mamilos. Se seguisse respirando daquele modo, suposto que não passaria muito tempo antes que o espartilho liberaria algo mais dos preciosos peitos, assim seria estupidez de sua parte não ficar ali para ver. – Tive que esperar cinco anos desde a ultima vez que me disse para levantar-me para poder ter você entre meus braços. E, se aprendi algo no estábulo, querida, é que a oportunidade é tudo, e que a retirada não conduz a nada. -Jerry... – começo Maggie. Mas, antes que terminasse, o duque descobriu que tampar a boca dela com a sua era um bom jeito de fazê-la se calar. Capítulo 18 -Jerry – disse Maggie quando finalmente o duque a deixou respirar. -Que? – perguntou o duque enquanto lhe beijava o colo, começando por onde o pulso batia tão depressa quanto o seu, e subindo até o lóbulo da orelha direita. -O que acontecera se alguém entrar? – continuou ela com a respiração entrecortada, virando a cabeça para que Jeremy alcançasse mais facilmente seu objetivo. -Pedirei para que vá embora – lhe sussurrou no ouvido, enquanto beijava sua orelha. As sensações que despertou aquele beijo fizeram Maggie ofegar. Não estava segura do que havia ocorrido, pois um minuto antes estava furiosa com ele e só tinha vontade de matá-lo. Durante muito tempo havia se preparado mentalmente para seu regresso, pois sabia que ele voltaria. Tinha ensaiado o que ia lhe diria, como ia se comportar... Mas nunca, nem em suas fantasias mais descabeladas, chegou a imaginar que vinte quatro horas depois de sua chegada estariam outra vez em seus braços, deixando-se beijar atrás da orelha. E isso não era tudo o que fazia: Jeremy havia soltado seus braços, e com ambas as mãos sobre seu seio, acariciava uma parte de seu corpo que só ele havia tocado antes. Maggie não podia evitar levantar as costas ao sentir o contato de seus calorosos dedos sobre sua suave pele, nem parecia poder controlar o movimento de seus braços, que lhe haviam rodeado o colo para que aproximar sua cabeça e a beijá-la novamente. O que podia fazer se sua boca sentia irresistivelmente atraída pela sua? Como conter o suave gemido que lhe havia provocado o contato de sua língua? Aquele pequeno gemido tinha excitado ainda mais o duque, que Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 99.
    apertava ainda maisseu corpo contra os peitos, duro como rochas por causa do desejo e do frio. A única coisa em que podia pensar era: “ Este é Jeremy.” E por alguma razão, aquilo a fazia se sentir bem. Mas não era como a primeira vez. Não mesmo. Cinco anos atrás ela era uma menina, e não tinha entendido o que lhe ocorria. Naquela ocasião, em compensação, mesmo continuando completamente inexperiente, compreendia um pouco melhor as reações de seu corpo. Ao menos sabia pelo que lhe havia contado Berangére, que aquela tensão entre as pernas era normal. E quando Jeremy baixou a cabeça para beijar um dos duros peitos, supôs a razão da conseqüente e repentina umidade que notou entre as pernas. Já não era mais tão ignorante para acreditar que aquele objeto firme e duro que sentia contra o abdômen dela era o cabo de uma faca; sabia exatamente o que era, e por um momento se estremeceu ao pensar que estava assim por causa dela. Tão encantada estava com aquela idéia que não pode evitar deslizar a mão com vacilação e roçar o membro viril com a gema dos dedos para se assegura de que era o que pensava... E que era dela. Jeremy havia ficado sem fôlego ao sentir o primeiro contato de sua mão, e Maggie se viu surpreendida quando ele decidiu corresponde-la e começou a acariciá-la entre as pernas. Maggie não tinha nem idéia de como havia conseguido meter a mão por debaixo de sua roupa interior, mas, pela primeira vez, agradeceu que fosse um homem com experiência. Nunca em sua vida havia sentido nada tão prazeroso como os dedos de Jeremy, abrindo-se com suavidade e logo acariciando-la. Tão consumida estava em seu gozo que não se ruborizou quando ele levantou a cabeça para olhá-la nos olhos enquanto deslizava um dedo na borda do músculo. Escapou-lhe um gemido inaudível, era uma sensação tão agradável! Nem sequer se ruborizou quando ele apertou a mão, impregnada de seus fluidos, contra o osso púbico e começou a massageá-lo, fazendo com que ela levantasse as costas para apertar-se contra ele, cheia de desejo. Mesmo que a moça não supôs, com aquela reação acabava de responder a uma pergunta que atormentava o duque desde que havia recebido a ultima carta de Pegeen, em que o informava sobre o compromisso de Maggie. Durante meses, tinha se torturado com a idéia de que outro homem pudesse ter explorado o território que desejava fazer seu há tantos anos. Mas o gemido da jovem ao sentir suas primeiras caricias em seu cálido sexo não deixava duvidas: ainda era virgem, estava seguro. Mesmo assim, se entregava com mais paixão que nenhuma das experimentadas mulheres com quem havia compartilhado a cama. -Acaricia-me você também – lhe sussurrou com uma voz tremula. Maggie supôs em seguida a que se referia. E não hesitou em fazê-lo; deslizou a mão até a parte dianteira de suas calças e, com os dedos trêmulos, desabotoou sem dificuldade. Imediatamente sentiu o contato de seu membro viril, e se surpreendeu com sua firmeza e o modo como vibrava contra a palma de sua mão. Então notou que ele pressionava com mais urgência a mão entre suas pernas, e isso a encheu de desejo e lhe provocou uma sensação de vazio que só podia ser preenchida com... Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 100.
    Foi naquele instantepreciso que a porta da biblioteca se abriu, e a sobre a musica da orquestra e das estridentes risadas femininas, ouviram uma voz masculina: -Marguerethe? Est-ce que vous étes ici? Maggie reagiu tão depressa que a única coisa que Jeremy viu foi um borrão branco. A moça, que, abraçava ele, e acariciando-lhe com suavidade e parecia à beira de um orgasmo um instante antes, imediatamente estava de pé a poucos passos dele, com o vestido no lugar, mesmo que a respiração ainda estivesse rápida e entrecortada como se acabasse de terminar uma corrida. -Ah, olá, Augustin – disse com uma voz que não traia suas emoções – Sim, estou aqui, me procura? Jeremy, ainda tombado no sofá, começou a abotoar as calças lentamente, sentindo um intenso calor no peito. Por infelicidade, se tratava de uma sensação conhecida: a que só notava antes de matar alguém. Olhou por cima das costas do sofá o homem que estava no portal da porta, uma silueta negra contra a brilhante iluminação do salão. A única coisa que o duque podia dizer daquele homem é que parecia alto. E que não sabia pronunciar o nome de Maggie. -Porque se escondeu aqui, ma chérie, neste quarto frio e escuro? – perguntou de Veygoux com um doce tom de desaprovação – Estou com a marquesa de Lynne. Quer encarregar um retrato de seus netos... - se interrompeu ao ver Jeremy, que acabava de levantar-se – Ah, mas, quem esta com você, chérie? A moça olhou alguns momentos por cima do ombro desnudo, como se acabasse de se dar conta da presença do jovem. -Se refere a ele? – perguntou tentando ganhar tempo, com a esperança de que tudo aquilo fosse um pesadelo do qual estivesse a ponto de acordar – É bom. Ao se dar conta de que a moça ia responder com uma evasiva para evitar apresentá-los, o duque interveio. -Me chamo Rawlings – disse rodeando o sofá, consciente do que ia fazer – Sou o tenente coronel Rawlings, da guarda montada da majestade. -Sério? – Augustin entrou e fechou a porta atrás dele, abafando o barulho e mergulhou na escuridão da sala – Que casualidade! Marguerethe, seu pai não é administrador do duque de Rawlings? Maggie só pode assentir, pois lhe pareceu que havia perdido a capacidade de falar. -E, diga-me, coronel – continuou o jovem Frances – É parente do duque? Conheço a seus tios, mas ainda não tive o prazer de ser apresentada a sua excelência. -Bom, pois podemos modificar essa situação, não lhe parece? – Quando de Veygoux fechou a porta, Jeremy se deu conta de que o prometido de Maggie devia ser tão alto quanto ele, e ter Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 101.
    a sua idade.Contudo, era ruivo, com intensos reflexos vermelhos. Então percebeu que era o mesmo homem que tinha ficado olhando-o na sala de baile, tendo assim outra razão para lhe desagradar – Estou seguro de que podia apresentá-lo. -Ah, de acordo, que maravilha! – exclamou de Veygoux enquanto dava uns passos adiante com a mão estendida – Permita me apresentar, coronel. Sou Augustin de Veygoux, prometido de mademoiselle Herbert... As coisas não podiam pintar melhor para Jeremy, exceto saber que podia ter desflorado Maggie no sofá de couro de Lord Althorpe. Maggie fechou os olhos, com a esperança de que quando voltasse a abri-los estaria em sua cama em Herbert Park, longe, muito longe de Londres. Contudo, não teve essa sorte, pois, quando abriu os olhos, os dois homens a olhavam, um confuso e outro aparentemente enfurecido. -Jerry – suspirou – Queria te dizer, mas... -Jerry? – repetiu Augustin interrompendo-la e olhando o duque com receio – Mas esse não é o nome de seu cachorrinho, ma...? -Ela não é seu chérie – lhe cortou Jeremy com bruscalidade – Maldito bastardo francês. E, sem mais nenhuma palavra, apertou o punho e golpeou com todas as suas forças o rosto de Augustin de Veygoux. Capítulo 19 -Devo presumir que esse era o duque de Rawlings? – disse Augustin, com a voz abafada pelo pano de linho empapado de sangue que lhe tampava a boca. -Claro que era! – exclamou a moça, furiosa, revirando-se no assento do cupê – Quem mais teria a desfaçatez de ter dar um soco em seu prometido? O jovem de Veygoux piscou, olhando pela janela da carruagem a rua envolta de neblina e fracamente iluminada pela luz de gás. -Não sabia que tua relação com ele fosse de tal natureza que ele se sentisse impelido a golpear seu prometido – comentou. Ao falar, se deu conta de que com o nariz quebrado podia pronunciar melhor os sons ingleses que até então era incapaz de articular. – Acredito que você esqueceu me contar algo. Incapaz de falar, Maggie negou veementemente com a cabeça, e os brincos de diamante de sua mãe balançaram com bruscalidade. Sentia lastima por Augustin, pois o pobre tinha o nariz quebrado por sua culpa, mas estava muito furiosa para falar. Queria deixar seu prometido em casa e voltar a Park Lane... Onde ia ter uma discussão toa desagradável com Jeremy que talvez ele também acabasse com o nariz quebrado. Deus santo, como ele tinha a envergonhado! Primeiro, tinha estado a ponto de desflorá-la na biblioteca de Lord Althorpe e depois havia golpeado seu acompanhante. Sua violenta reação não tinha sido conseqüência de nenhuma provocação, e Augustin ficou tão confuso que nem Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 102.
    se defendeu. Comsomente um soco tinha lhe lançado contra o aparador, onde havia quebrado varias tampas de vidro que cobriam pássaros dissecados e arranjos florais. Como não podia ser de outra maneira, o episódio tinha atraído todo mundo, incluindo o anfitrião. E mesmo que Jeremy tivesse ficado ali de pé, agulhando Augustin para que se levantasse e lutasse como homem, ninguém havia lhe dito nenhuma palavra de reprovação. Ninguém. Maggie se enfureceu só de lembrar. Afinal, ele era duque. Duque ou não, Maggie gostaria de ter lhe dito quatro coisas, mas não havia se atrevido de fazê-lo na presença dos demais convidados de Lord e Lady Althorpe, de quem tinha esperança de conseguir alguma encomenda. Desde logo, podia esquecer disso. Quem ia encomendar um retrato a uma pintora que podia provocar uma briga e fazer um estropício no aparador se sua casa? Todos seus esforços daquela noite, as apresentações e os sorrisos não tinham servido para nada, porque esse vaidoso e sem-vergonha Jeremy Rawlings, filho de uma prostituta, e sim, era isso que ele era, havia colocado tudo a perder. E tudo, por quê? Por seu estúpido e abominável orgulho. O duque não a amava; só a desejava porque ainda não a havia feito sua. Como se atrevia a fingir indignação porque se comprometeu com outro homem, depois de cinco anos sem receber notícias suas? Acaso acreditou que ela o esperaria para sempre? Para que? Para convertê-la em sua amante?Nunca escutou que era costume na Inglaterra tentar seduzir sua futura esposa no sofá da casa de um completo desconhecido. Mas se arrependeria. Oh, sim, Maggie ia se assegurar. Seguramente Lord e Lady Althorpe lhe haviam dado uma palmadinha nas costas antes de oferecê-lo um charuto dizendo-lhe algo como: “Oh, os jovens, já sabe”, enquanto suas serventes limpavam o sangue e recolhiam os vidros quebrados. Mas ela não ia permitir que saísse assim. Quando voltasse para casa ia arremeter contra ele como ninguém nunca havia feito antes; se acreditava que os tigres da Índia eram ferozes era porque nunca tinha visto Maggie Herbert zangada. -Suponho que alguma vez houve algo entre vocês. – A voz abafada de Augustin interrompeu seus pensamentos. Sobressaltada, a moça ficou olhando a fraca luz da lâmpada de óleo do cupê – Sim – disse Augustin escrutando seu rosto emoldurado por um marco de arminho – Sim, houve algo, não negue chérie. -Não – respondeu ela com voz rouca. Antes de continuar, pigarreou – Nunca houve nada entre nós. Eu tinha dezesseis anos e ele era... Maior que eu. Foi só uma criancice de uma tarde – Ao ver a expressão do jovem de Veygoux, se apressou em acrescentar – Não aconteceu nada. Ele foi para o lado dele, e eu para o meu. Isso foi tudo. Ao terminar, virou a cabeça e ficou observando pela janela. Sabia que seus olhos podiam traí-la tanto como sua roupa interior, ainda úmida pela excitação provocada pelas caricias de Jeremy. Entretanto, apesar de seus esforços para ocultar a verdade, seu prometido parecia se dar conta de que mentia. -Isso não foi tudo – replicou com a mesma voz carinhosa com a advertia que estava colocando Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 103.
    muito gesso numatela – Talvez foi só isso para você, mas esta claro que não foi para ele. Marguerethe, não acredito que ninguém rompa o nariz de seu prometido se isso fosse tudo. Maggie cerrou os punhos dentro do manguito de pele. -Se engana ele não sente nada por mim. Nada mais. Além disso, agora esta com outra mulher – acrescentaram procurando não tremer a voz – Estou segura de que leu no jornal. É uma princesa. Uma princesa indiana. -Então, porque me bateu? -Porque é a única coisa que sabe fazer – começou a moça com desgosto – Quando era pequeno sempre batia em todo mundo. Parece que a única diferença é que na Índia os outros devolviam os golpes. -Pois da próxima vez que o vir, chérie, eu também devolverei. A jovem Herbert se virou para olhá-lo com uma expressão horrorizada. -Oh, não, por Deus, Augustin! Ele te mataria! Augustin sorriu com amargura debaixo do pano empapado de sangue que tampava a parte inferior do rosto, assim ela não pode vê-lo. -Tem tão pouca fé nas minhas habilidades de boxeador, chérie? Ao se dar conta do seu erro, a moça reagiu em seguida. -Não, não é isso. Mas é que... Justo nesse momento, o cocheiro parou e um dos lacaios do jovem de Veygoux abriu a porta, impaciente para levar seu senhor a casa, onde o esperava um médico a quem os criados, avisados por Maggie, já tinham ido buscar. Só havia uma coisa para agradecer, e era que a senhora de Veygoux ainda estava em Paris. Só Deus sabia o que teria dito se ficasse sabendo da agressão que seu filho preferido havia sido vitima. -Se assegure de fazer tudo o que o medico disser – advertiu a jovem ao lacaio enquanto este ajudava a seu prometido de descer do cupê – Augustin, faça o que o medico disser. -Não gosto de nada disso – contestou ele da rua. Tinha um aspecto triste, debaixo da neve que caia um homem alto de chapéu, que sustentava um pano tingido de sangue sobre o nariz – Não gosto que volte sozinha a aquela casa. O que fará se ele estiver lá, te esperando? Maggie não teve que perguntar a quem ele se referia. -Não se preocupe por mim – respondeu com decisão – Lord e Lady Edward já devem ter chegado de Yorkshire, assim não estarei só. Além do mais, sei cuidar de mim mesma. Sem esperar que os lacaios o fizessem, a moça fechou a porta do cupê antes de se recostar no banco forrado de pele. Deus, que noite! E ainda ia ser pior. Ao menos, para alguém. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 104.
    Mas quando Maggiechegou à casa de Park Lane, Evers lhe informou de que sua excelência ainda não havia voltado. Maggie não estranhou; com toda a certeza, ainda estaria desfrutando um dos excelentes charutos de Lord Althorpe enquanto jogavam bilhar, um jogo que Jeremy sempre foi bom. “ Que país!” - pensou a moça enquanto tirava o casaco – Um homem pode golpear um convidado e destruir um aparador e ser perdoado imediatamente só porque é do décimo sétimo duque de Rawlings. É vergonhoso.” -Evers, quero que me avise quando sua excelência chegar – disse ao mordomo, enquanto lhe estendia o casaco – Em seguida. Não importa a hora que seja. -Sim, senhorita – respondeu o criado – Claro. -Ah, e não você não precisa comentar com Lord e Lady Edward – completou com fingida despreocupação – Me refiro ao meu desejo de ver o duque esta noite. -Lord e Lady Edward não regressaram de Yorkshire – respondeu o servente em voz baixa. Maggie se virou para olhá-lo, com os olhos como pratos. -Que? Mas eu acreditava que eles chegariam essa tarde! -E assim era, mas suponho que eles adiaram – Evers sacudiu o casaco antes de dobrá-lo sobre o braço – Suponho que tenha sido por uma tempestade de neve. Ou talvez chegou o momento de Lady Edward... -Oh, céus – Maggie cobriu o rosto com as mãos, incapaz de ocultar sua consternação. – Evers, se não voltaram... Não posso ficar aqui só com... -Eu se fosse você não me preocuparia senhorita Margaret – respondeu Evers em um tom incomum a ele – O mais provável é que sua demora seja conseqüência do mal tempo. Nesta época do ano, é freqüente que os trens de Yorkshire não cheguem à estação até depois da meia-noite. Se quiser, lhe avisarei quando chegarem. Maggie mordeu os lábios. O que ia fazer? Todo o mundo entenderia que ela havia passado a noite sozinha na casa do duque de Rawlings...Mesmo que, depois daquela cena na festa de Lord Althorpe, seria difícil imaginar algo que pudesse sujar ainda mais sua reputação. Imediatamente, ao olhar a porta da sala, lhe ocorreu um pensamento ainda mais funesto. -Evers – murmurou antes de morder os lábios. -Sim, senhorita? -Os visitantes que chegaram esta tarde... – começou, sem saber como abordar o tema. -Se refere a... A princesa? – perguntou o mordomo encolhendo ligeiramente os ombros. -Sim. Onde... -A princesa e o senhor Sanjay se hospedaram no hotel Dorchester, onde haviam reservado varias suítes. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 105.
    -Oh – disseMaggie, procurando que não se notasse o alivio que sentia – Obrigado, Evers. -De nada, senhorita.Apesar daquela reconfortante resposta, o longo banho quente e a infusão calmante que Hill lhe preparou, a moça permaneceu desperta na cama, acariciando ociosamente as orelhas de Jerry, enquanto esperava ouvir o barulho de uma carruagem. Quando os minutos se converteram em horas e os sinos da igreja bateram meia noite, e logo uma Maggie começou a ficar nervosa. Não havia sinais do duque e nem de sua família. Onde estavam? O atraso de Jeremy era até certo ponto compreensível; supunha que ele devia estar com medo de voltar para casa, e que se senta muito envergonhado para olhá-la na cara. Pequeno covarde. Entretanto, o duque era um herói militar condecorado. Temeria um homem assim uma confrontação como aquela? Isso supondo que a estivera evitando de propósito, pois também era possível que estivesse passando a noite em algum outro lugar. Talvez... Estava com a princesa no hotel! Maggie se levantou totalmente desperta, e consultou à hora no relógio da mesinha de noite, ao reflexo da mortiça luz das brasas. Eram duas da madrugada. Onde poderia ter ido, se não lá? Nem sequer em Londres havia muitos lugares abertos há essa hora, nem sequer para um duque. Não tinha duvidas; estava com a princesa. Em que outro lugar poderia estar? E porque não? A princesa não arremessou seu leque nele, não golpeou seu braço, nem se comprometeu a outro homem. A beleza indiana não tinha gritado como um verdureiro, não tinha o tratado com desrespeito e sarcasmo nem sido desagradável com ele, nem, em geral, havia se comportado de uma maneira tão desagradável desde que ele voltou como Maggie. Que homem não preferia a companhia de outra mulher, qualquer que fosse a da de Maggie, que tinha sido tão desagradável aquela noite? Oh, Deus! Tinha que ser isso! Estava com Usha, a bela princesa de olhos amendoados, com seus sapatos com jóias incrustadas, os pequenos e torneados peitos e aqueles dedos compridos e morenos... A suave chamada da porta não a despertou. Fazia um minuto que acreditava que aquela noite ela não conseguiria dormir.Ao abrir os olhos, piscou deslumbrada pela chama da vela. Somente instantes depois reconheceu Evers, que não vestia terno preto e lenço engomado como de costume e sim, um pijama, bata e gorro de dormir de um vermelho brilhante. -Sinto desperta-la, senhorita – sussurrou o mordomo, quem, a pesar da educada desculpa, estava visivelmente agitado – Mas em minha opinião esta a borda de suas forças. Alguém tem que fazê-lo raciocinar. -A jovem piscou, com os olhos fixos no criado. -Fazer quem raciocinar? – perguntou ela com a voz rouca, devido à falta de uso – Que horas são? -São três e meia. O duque, senhorita. Temo que... -O duque? – Maggie balançou a cabeça com desconcerto – Ele voltou? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 106.
    -Oh, sim. Mas... Amoça se apressou em procurar a bata de lã. -Que? – inquiriu enquanto metia os braços pela manga. Então se deteve imediatamente e se virou para olhar o mordomo – Oh, meu Deus. Não esta doente, Ne? -Doente, não – Evers engoliu antes de continuar – Apunhalado, temo. -Apunhalado? -Sem esperar mais explicações, a jovem passou como uma flecha na frente do criado e se apressou ao corredor. Capítulo 20 Jeremy não se enganou. Sabia e não se importava em admiti-lo. Tinha que ser um homem muito valente para fazê-lo, e Jeremy era tão valente como um homem poderia ser. Tinha se enganado. Ele tinha estragado tudo. Havia complicado as coisas. Dada a situação, só lhe restava pergunta-se como consertá-lo. Tinha que admitir que pegar o francês não havia sido a decisão mais inteligente de sua vida, mas tampouco acreditava que pudesse ser responsabilizado pelo que havia feito em um momento como aquele. Afinal, esteve a uns minuto, ou talvez segundos, de conseguir o que levou tanto tempo ansiando. Alguns homens sonham em construir pontes. Outros, com ganhar a guerra. Os que queriam curar doenças e acabar com a fome, e também tinha a quem só interessava dinheiro. Jeremy entendia todos aqueles sonhos, e estava preparado para tratar com os homens que as ansiavam, mas para ele, só tinha uma coisa em que valia investir todo o seu tempo e energia; um só objetivo, que lhe havia impulsionado durante os últimos cinco anos. E aquele sonho se chamava Maggie Herbert. Tinha estado muito perto de consegui-lo. mas suas esperanças tinham sido estragadas por um francês deselegante e ruivo. Com uma palmada nas costas, Althorpe havia o despertado de seu sonho. -Vamos, excelência - lhe disse - Não é para tanto. Esses cristais não devem valer mais de dez libras. E os objetos que protegiam não eram mais que uns estúpidos pássaros dissecados. Não faça caso do que disse minha esposa. A verdade é que, da minha parte, me alegro de perde-los de vista. Vamos, tome outro brandy. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 107.
    Sentado no mesmosofá em que um momento antes esteve a ponto de alcançar a dita pela qual esteve cinco anos suspirando, Jeremy estendeu o copo ao conde para que ele a enchesse de novo. “Coloquei tudo a perder”, murmurou enquanto o conde o servia. Sabia que estava pondo muito sentimentalismo, mas não podia evitá-lo. Esteve tão perto... tão perto.-Vamos - respondeu Lord Althorpe, endireitando-se para examinar o conteúdo do decantador de cristal que segurava - Nada disso. Compre-lhe um bracelete e ela o perdoara. Sempre perdoam. -Não - respondeu o duque com um suspiro - Ela não. -Tonteira. Claro que sim. É uma mulher, não? -Sim... -Então perdoará - O conde suspirou enquanto se deixava cair na poltrona. Tinham acendido a lareira e a biblioteca estava bem iluminada, assim como excessivamente quente, mas Lord Althorpe não parecia sentir. Jeremy sabia que o anfitrião estava encantado, pois o incidente lhe havia dado uma desculpa para continuar bebendo com ele depois que os demais convidados foram embora. Todavia, ao jovem não era muito reconfortante falar sobre o amor de sua vida com um conde quarentão completamente bêbado. Mesmo que, por um momento, não lhe restava outro remédio. Podia voltar para casa também, mas isso só traria mais problemas. Sabia que Maggie estaria ali, mas que não lhe deixaria tocá-la nem se aproximar dela, furiosa porque ele tinha batido em seu prometido. A viu depois de quebrar o nariz do frangote, e sua expressão não era nada indulgente. E aquele frio “ nos veremos em casa” tinha soado mais como uma ameaça do que como uma promessa de continuar o que de Veygoux havia interrompido. Não, não havia nada a fazer; tinha colocado tudo a perder. -De acordo, de acordo - continuou Althorpe, arrastando as palavras - Talvez um bracelete não. Mas, o que me diz de uma casa na cidade? Uma casinha só pra ela. Não há mulher que possa resistir a isso. Poderá decorá-la a seu gosto, colocar cortinas de encaixe e essas coisas. Uma casa na cidade é sempre o melhor, meu amigo. Porque não procura algo em Cardington Crescent? Minha irmã vive ali e esta encantada. O duque olhou com pêsame para seu anfitrião; tudo aquilo não lhe resultava nenhuma ajuda. Contudo, ao menos, o entretinha. De todo o modo, Lord Althorpe parecia incapaz de se dar conta da magnitude do erro de Jeremy.Porque aquilo não tinha começado ao quebrar o nariz do frangote, e sim meses antes, na Índia, quando escutou pela primeira vez aquele estúpido rumor sobre que iam lhe oferecer a mão da sobrinha do marajá. O jovem coronel tinha rido, sem dar credito ao que ouvia, até que o marajá em pessoa lhe havia feito a proposta. Mas ate então, lhe havia parecido engraçado, tinha pensado que era simplesmente uma esplendida piada. Deveria ter notado antes, especialmente quando a princesa começou a aparecer em atos públicos e a olhá-lo com uma expressão tão sedutora que seus homens se davam cotoveladas de cumplicidade. Nas recepções privadas a que Jeremy tinha a obrigação de assistir, Usha tinha lhe parecido uma jovem agradável, mas só haviam trocado algumas palavras através de seu interprete, e o coronel sempre tinha se mostrado distante. Entretanto, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 108.
    quando um funcionárioda embaixada levou do lado e lhe advertiu das possíveis conseqüências de romper o coração de um membro da família real de Rajastan, o moço se deu conta de que o que havia tomado como um simples gesto por parte do marajá era serio. A princesa acreditava estar prometida a ele, e a embaixada o via como um risco diplomático. Uma breve fala em particular com o tio da jovem era todo que necessitava para resolver o assunto... Pelo menos para o coronel, porque as aspirações da princesa Usha não iam acabar com quatro palavras, e a aparição dela em sua casa aquela tarde era uma boa mostra disso. O duque do Rawlings tinha ficado furioso ao encontrá-la na sala... E, pela primeira vez, de que a imprensa britânica havia convertido o que ele acreditava ser um ameno episódio de suas aventuras no estrangeiro era um assunto de primeira ordem. Era evidente que a Estrela de Jaipur não significava o mesmo para ele que para o resto da população de Londres, e muito menos para Maggie. Tinha sido então quando Jeremy, com crescente inquietude, começou a suspeitar que a razão que se escondia atrás do súbito compromisso de Maggie: ela acreditava que ele também estava comprometido. Conhecendo-o, a moça deveria saber que ele nunca poderia amar outra mulher, mas com essa nova perspectiva, era muito mais fácil de entender. A partir de então, ele tinha a tarefa monumental de mostrar para ela que Usha não significava nada para ele. Contudo, a princesa não ia lhe facilitar as coisas, como havia demonstrado aquela tarde, quando, ao ver-lo entrar na sala, se atirou em seus braços. Deu graças a Deus que Maggie não estivesse ali para ver! -Coronel duque! – tinha exclamado Usha apertando seu ágil corpo contra o dele – Olá! Pondo os olhos em branco, Jeremy tinha a tirado amavelmente de cima dele enquanto se dirigia ao seu interprete, um homem decente que se licenciou na mesma universidade que tinham o expulsado há cinco anos. -Deus santo, Sanjay. O que esta fazendo aqui? O tio dela sabe que esta aqui? O interprete negou tristemente com a cabeça, sacudindo de um lado para o outro a borla de seu gorro de seda. -Não, excelência. Insistiu em viajar até aqui com nomes falsos. Acredito que era parte da emoção de... Como se diz? Ah, sim, escapar de casa. -Mas não podem ficar – respondeu Jeremy – O melhor será que escreva ao marajá, e rápido. Só me falta que ele acredite que eu raptei a Estrela de Jaipur. -Eu já o fiz, excelência – contestou Sanjay – Lhe deixei uma carta quando a princesa não olhava. -Muito bem – assentiu o duque olhando a bela indiana, que o observava com expressão de suposta adoração nos olhos negros. Entretanto, tinha em seus lábios um gesto calculador, e Jeremy desviou a vista, incomodo. -Escute Sanjay, isto é muito violento. Não podem ficar aqui. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 109.
    -Não se preocupeexcelência. Apesar dos protestos da princesa, reservei varias suítes em Dorchester – disse voltando-se a Usha, que continuava com o olhar fixo no duque – Com a desaprovação da princesa, é claro. Estava convencida de que ficaria aqui com você. -Mas já tínhamos conversado sobre isso – começou o jovem, com tom cansado – Eu acreditava que... -Tentei fazê-la entender o que nos explicou em Jaipur, que estava comprometido com outra mulher – lhe interrompeu o interprete constrangido – Mas tem que entender que se não se casar com ela, sua única alternativa é unir-se ao homem que esta comprometida desde que nasceu o marajá de uma província afastada de Rajastan. -Isso não parece tão mal – respondeu Jeremy. -Mas não é, porque a princesa não seria a primeira esposa, como exige sua condição, e sim a terceira, o que significaria que teria de obedecer às outras duas. Casar-se com você é a ultima esperança que lhe resta para manter a qualidade de vida que levava no Palácio dos Ventos. Por isso sua negativa é assunto tão grave – As palavras de Sanjay não expressavam reprovação; se limitava a expor os fatos – Esta é uma razão, e a outra é que, como compreende a princesa não esta acostumada a ser rejeitada. Em nosso país, os rajputas são conhecidos por não aceitar jamais um não como resposta. É uma tribo guerreira, a estirpe de muitos dos grandes lideres militares do país e das mais famosas belezas. A Jeremy aquela triste historia não comoveu. -E porque não se nega a casar com esse homem que seu tio escolheu? -Isso seria uma desonra para a família – respondeu Sanjay com gravidade – Expulsariam a princesa do palácio e a privariam de todas as comodidades a que esta acostumada. As únicas riquezas que possui são as que seu tio se digna a conceder; se fizer algo que o aborreça, não terá do que viver. O interprete se interrompeu quando a princesa, que havia se acomodado a uma espreguiçadeira com o sári de cores brilhantes estendido ao seu redor, começou a falar, olhando o duque de relance. Quando terminou, Sanjay suspirou e traduziu com evidente relutância. -A princesa quer que saiba que, depois de pensar muito, esta disposta a aceitar que se case com a outra mulher, se ficar claro que ela, Usha, é a primeira esposa, e que, portanto, a segunda esposa devera obedecê-la. Jeremy colocou os olhos em branco de novo. -Deus. Falou-lhe que a bigamia é ilegal nesse país? -Claro excelência – respondeu o interprete ofendido – Mas temo que sua alteza seja incapaz de entender que um herói militar, que ainda é membro da classe governante, não possa ter duas esposas. Frustrado, o duque soltou um bufo que soou com um grunhido. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 110.
    -Olha, Sanjay –começou – Isso já foi muito longe. Não me importa como o consiga, mas tem que fazê-la entender que sob nenhuma circunstancia vou me casar com ela. Jamais. Não é nada pessoal, mas simplesmente não me interessa. E agora, se me perdoa, tenho um encontro importante e devo ir... Mas, quando deu meia volta, a princesa se levantou e tratou de detê-lo rodeando-lhe o pescoço com os bronzeados braços, negando se a aceitar que seu “coronel duque” se fosse. Foram necessários os melhores dotes de persuasão de Sanjay, e umas quantas maldições de Jeremy, para convencê-la de solta-lo, e mesmo então, o duque escapou com a sensação de que aquilo não ia terminar ali. De certo modo, admirava a tenacidade da princesa. Aparentemente, quando a Estrela de Jaipur queria algo, não se detinha diante de nada. Nesse sentido se pareciam bastante, pensou o jovem; a única diferença era que Usha se enganava ao pensar que Jeremy poderia chegar a se apaixonar por ela, e o duque estava seguro de que Maggie o amava. O problema era conseguir que ela admitisse. Consumido por esses sombrios pensamentos, olhou por casualidade seu anfitrião, e se deu conta de que finalmente tinha sucumbido a Morfeu ; Lord Althorpe havia dormido sentado na cadeira, com o queixo apoiado nas sedosas dobras de tecido do pescoço, e a cada poucos segundos um suave ronco escapava de seus lábios. Com um suspiro, o duque deixou o copo na mesa e se levantou; por uns momentos, lhe pareceu que o quarto dava voltas ao seu redor. Perguntou-se se isso seria um dos persistentes sintomas da malaria, ou simplesmente um excesso de álcool. Fosse o que fosse, decidiu que tinha chegado a hora de voltar para casa. Todavia, isso era mais fácil de falar do que de fazer. Mesmo que Peters era um excelente ajudante, não era um bom condutor, e demorou bastante para encontrar Park Lane. Quando por fim se deteve frente ao numero vinte e dois, eram quase três da madrugada, e Jeremy tinha mais frio do que jamais havia sentido. Fevereiro era um mês cruel, e pensou que talvez por isso fosse o mais curto; quem ia agüentar trinta dias inteiros com esse frio que transpassava o osso? O duque de Rawlings, certamente, que não. Aquele vento gelado o havia debilitado até o ponto de que não pode descer da carruagem com seus próprios pés, e teve que pedir ajuda ao seu criado. Peters se apressou ate a porta e ofereceu o ombro ao seu senhor para que se apoiasse. Entretanto, com a perna de madeira, o jovem não era o suporte muito estável sobre o chão gelado, e os dois homens avançavam aos tropeções, como se estivessem completamente bêbados. Não havia luz nos faróis, e a rua estava completamente escura. Por acaso o faroleiro, amedrontado pelo frio, tinha desistido de fazer a ronda? Ou alguém tinha apagado a lâmpada de propósito? Fosse qual fosse a razão, Jeremy não se recordava de ter visto Park Lane tão escura, nem de ter sentido tanto frio ali, mas como necessitava concentrar toda a sua atenção em manter se de pé, não parou para pensar. Mais tarde se reprovaria: deveria ter se dado conta antes que dois homens aparentemente bêbados em uma rua escura a essa hora da madrugada era muito tentador para os ladrões. Contudo, o ataque pegou os dois militares desprevenidos. Peters estava ajudando o duque a subir o primeiro degrau do numero vinte e dois de Park Lane quando uma figura alta, coberta Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 111.
    por uma capanegra, saiu das sombras da entrada de serviço, onde parecia estar aguardando- os, e se lançou sobre eles. Jeremy só teve tempo de levantar a vista e dizer: “Que demônios...”, antes do atacante afundar em seu ombro um objeto brilhante que agarrava na mão direita. O criado gritou com a voz quebrada e se pôs na frente de seu senhor para protegê-lo, mas o agressor se movia com mais rapidez e seguridade; o desconhecido se voltou para a parte de trás do duque e levantou de novo a arma, mas o jovem coronel previu seu movimento. Mesmo que o primeiro golpe não tinha doido, Jeremy não is consentir que desferisse outro. Esta vez, quando viu o braço vir, o deteve com o punho, um movimento que pegou o assaltante de surpresa. Aquilo deve ter lhe feito bastante dano, pois lhe escapou um forte grito. Quando o duque se dispôs a arremeter-se contra ele, a figura vestida de negro escapou como uma aranha que se retira depois de perder uma pata, deixando o coronel e seu criado ofegando, incrédulos, ao pé da escadaria. -Deus santo – exclamou Peters, que foi o primeiro a recobrar a voz – Esta bem? Jeremy tinha se inclinado para frente e apoiado as mãos sobre os joelhos para não perder o equilíbrio. -Acredito que sim – assentiu – Roubou sua carteira? -Não, e a sua? -Não – respondeu apalpando o bolso do casaco – Nem sequer tentou. -É um comportamento estranho para um ladrão – observou Peters. -Sim – admitiu seu senhor – É sim. -O que poderia querer se não era dinheiro? O jovem ambientou os olhos e olhou na direção pela qual o assaltante havia desaparecido. -Não posso imaginar. Londres mudou muito desde que estive aqui pela ultima vez. -Tem razão, senhor. Quer que vá chamar um lacaio? Talvez deveríamos dizer para avisar a policia... – O criado se interrompeu, e segurou um grito – Senhor, esta sangrando! -Que? – o duque olhou seu ajudante – O que disse? Estou bem... Então se fixou na neve a seus pés, e nas manchas se sangue que, espelhadas como pétalas de rosas, pareciam gotejar de seu peito. -Maldita seja – balbuciou enfurecido. Capítulo 21 - Querem deixar de fazer tanto alvoroço? Já disse que estou bem. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 112.
    Essas foram asprimeiras palavras que Maggie escutou ao cruzar o portal da porta do quarto do duque, e o tom de irritação em que foram pronunciadas a fez sentir-se imediatamente aliviada. Se Jeremy podia se queixar desse modo, não devia ser grave. Todavia, seu aspecto assustava. Estava deitado na cama, recostado sobre umas almofadas, com o torso desnudo. A moça não podia ver se estava de calça, pois as cobertas lhe cobriam da cintura para baixo. Estava branco como cera, e tinha uma bandagem no ombro direito. -Só quero assegurar-me que deixou de sangrar – respondeu, com agressividade, um homem que Maggie não tinha visto e que parecia ser um criado do duque. O jovem havia subido na escada que tinha ao lado da enorme cama e estava tentando olhar por debaixo da bandagem. Entretanto, não estava sendo fácil, e sua tarefa se via obstruída pela resistência de seu senhor e pelo que a Maggie pareceu ser um pedaço de madeira atada a sua perna direita, debaixo do joelho. A moça supôs que não devia ser fácil manter-se em equilíbrio com uma só perna em um degrau de escada. Ao servente foi mais difícil ainda se manter de pé instantes depois, quando Jeremy levantou os olhos e viu a moça no portal da porta. Com uma careta de dor, o duque se levantou com bruscalidade, e o ajudante perdeu completamente o equilíbrio; entretanto, graças a uns rápidos reflexos, se agarrou as cortinas do dossel e evitou cair. -Você! – o duque trocou de mão o copo do que parecia ser uísque e sinalizou Evers, que tinha seguido Maggie com atitude submissa ate o quarto – Esta despedido! Já pode começar a fazer as malas, porque te quero fora amanhã de manhã. -Oh, por Deus! – exclamou o mordomo, tenebroso. Margaret ficou olhando a figura deitada na cama. -Oh, Jerry, cale-se. Não pode despedir Evers. Avisou-me porque você não queria que chamassem o medico... - Ou a Scotland Yard – interveio o criado, queixoso. -Também te proibi de acordá-la – replicou o duque, carrancudo – Desobedeceu a uma ordem direta. Evers pode vir buscar seu pagamento na semana que vem. E agora, fora. -Não, Evers – respondeu a moça ao servente, que se retirava apressadamente – Fique onde esta. O mordomo se deteve e olhou por cima do ombro. -Acredito que será melhor que eu faça o que sugere sua excelência – objetou desculpando-se. -Besteira – foi a sucinta resposta de Maggie, antes de voltar para a cama – É grave? – perguntou ao ajudante, que a mirava com a boca aberta desde que havia entrado no quarto. -Pois... – começou o jovem olhando seu senhor. -Quero a verdade – disse Maggie cruzando os braços. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 113.
    -Ficara bem logo.A clavícula deteve a faca, só feriu um pouco da carne. Isso teria matado a qualquer outro homem, mas o coronel é forte como um boi, assim... -Peters – balbuciou Jeremy com irritação. -Que? – perguntou o jovem criado, que parecia divertido – Também vai me despedir, coronel? -Ninguém vai despedir ninguém – assegurou a moça imperiosamente – Que doença acomete o duque, Peters? -Malária, é claro – respondeu o servente, encolhendo os ombros. Isso já foi demais. Que tivessem apunhalado Jeremy, e que dissessem que Jeremy ainda sofria de malaria, era mais do que Maggie podia suportar. Por sorte, tinha um baú no chão, perto de onde estava, e se deixou cair sobre ele com bruscalidade, como se seus joelhos houvessem falhado. -Malaria – murmurou – Porque não me disse Jerry? Por quê? -Mags – respondeu o duque, agitando o copo de uísque – Não é o que aprece... -Não – replicou ela, constrangida, meneando a cabeça – Com você nunca é o que parece, não? O jovem ficou olhando-a, com os olhos encostados. A única luz que havia no quarto provinha de uma lamparina junto à cama e do fogo que crepitava da lareira. A jovem não podia ver sua expressão, mas lhe apareceu que havia um tom de preocupação em sua voz. -Peters – ordenou ao ajudante – sirva a Maggie um copo. Acho que ela precisa. -Não, não – respondeu ela, com um fraco gesto de mão – Estou bem. Mas não era verdade. Apunhalado? Malaria? Apunhalado? Contudo, antes de poder formular outra pergunta, o criado apareceu ao seu lado com um copo de liquido âmbar. -Aqui esta senhorita – disse com amabilidade, enquanto colocava o copo em sua mão – Beba. E não se preocupe com o coronel. É o homem mais forte que conheci. Vi ele brandir a espada até com o cotovelo quebrado. Quando os médicos de Nova Deli lhe disseram que a viajem de volta a Inglaterra poderia matá-lo, começou a rir. Maggie piscou e olhou Jeremy. Os desejos de matá-lo que tão ardentemente haviam fervido em seu interior um momento antes haviam desvanecido por completo, convertendo-se em uma onda de adoração. Que homem mais teimoso! Em que estava pensando para querer regressar ainda convalescente de uma doença mortal? Era verdade, a viajem poderia te-lo matado, para não falar na súbita mudança de clima! Não era de se estranhar que houvera passado o dia inteiro na cama! Não estava na folga como havia pensado, e sim, lutando contra a febre. Mas apunhalado? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 114.
    A jovem levouo copo aos lábios. O copo de uísque lhe ardeu os olhos, depois de fechá-los, apurou o copo em um só trago, notando que o liquido abrasador lhe descia pela garganta. Imediatamente, sentiu náuseas e começou a tossir. Peters Le deu uns tapas nas costas, pensando que tinha se engasgado. -Não, não – conseguiu dizer por fim – Estou bem. E era verdade, se sentia melhor. O uísque tinha esquentado o corpo, e parecia haver recobrado a força nos joelhos. Talvez tudo aquilo não fosse tão grave como tinha acreditado. -Apunhalado? – repetiu incrédula. -Vamos – disse Jeremy da cama – Não foi nada. Peters e eu tivemos um pequeno contratempo. Maggie ofegou. -Não estranho. Onde estavam até tão tarde? Em Vauxhall? Já sabe que não é um lugar seguro... -Oh, não foi em Vauxhall - informou Peters com entusiasmo – Um tipo atacou o coronel aqui na porta, ao pé da escada. -Peters – balbuciou o duque com tom de advertência. Mas já era muito tarde. Depois de deixar o copo de uísque em cima do baú, Maggie se levantou e avançou até a cama. -Que? – gritou com voz rouca – Alguém te apunhalou aqui mesmo, em Park Lane? -Não vê senhorita? – interveio Evers, do portal da porta – Já o disse. Tínhamos que ter avisado a Scotland Yard, mas sua excelência... -Evers – o interrompeu a jovem, fazendo um esforço para se controlar – Por favor. Continue Jerry. -Porque será que as mulheres gastam tanto dinheiro nas roupas que usam fora de casa e tão pouco nas que põe quando estão na intimidade do lar, que são as que os homens vêem mais freqüentemente? – se perguntou o duque, depois de observar com detrimento a bata que a moça usava. Aos pés da cama, Maggie se olhou de cima abaixo. Era verdade, a bata de quadros escoceses era um pouco desluzida, mas... -Não mude de assunto – respondeu com irritação – Quero saber como te apunhalaram. -Oh, Mags – disse ele deixando-se cair sobre as almofadas, tendo o cuidado de não golpear o ombro – Não sei. Temos que falar disso agora? Estou certo de que há coisas mais importantes... -Pois eu acredito que foi esse Frances – o interrompeu Peters. -Que? – Maggie ficou com a boca aberta. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 115.
    Da cama, oduque lançou a seu ajudante uma mirada furiosa. -Obrigado, Peters. Pode se retirar. -Está bem – concluiu o criado – Mas se você mesmo o disse não faz nem dez minutos... -Augustin nunca faria... – exclamou Maggie, horrorizada. -Sim, sim, Maggie – Jeremy tentou acalmá-la – Nós sabemos. Com certeza foi só um ladrãozinho que queria roubar minha carteira, mais nada. Contudo, a moça não pareceu convencida; ficou olhando com os olhos muito abertos, aferroando-se com uma mão a um poste do dossel. A bandagem não era grande, mas já estava manchada de sangue, mesmo que não empapado. Não havia duvidas que alguém tinha tentado causar lhe danos de verdade. Alguns centímetros abaixo, e lhe teria cravado o punhal no coração. Augustin era capaz de fazer uma coisa assim? Estava que estar muito zangado, isso era certo, o bastante como para querer se vingar... Mas de Veygoux não era o tipo de homem que esperava entocado na escuridão, brandindo um punhal. Nem de longe! Era uma pessoa decente, serena... E Maggie teve que admitir que também era um pouco lerdo. Aquela idéia era absurda. Entretanto, quem mais podia guardar rancor? Fora ela, claro. Jeremy não pode evitar se sentir incômodo ante o inquietante olhar da jovem. Não podia adivinhar o que estava pensando, mas sua expressão não lhe agradava, não lhe agradava nada. A pesar de seus protestos, estava decidido a despedir Evers, e Peters também; parecia que ambos haviam se aliado para humilhá-lo diante dela. Ia mandar os dois para a rua. Ultimamente parecia impossível encontrar pessoas de serviço decente... De todo o modo, pensou que podia tirar o melhor daquela penosa situação, assim fechou os olhos e soltou um gemido. -Jerry? O duque entreabriu um olho e viu que Maggie o olhava com expressão preocupada, mordendo o lábio. Perfeito. Fechou de novo o olho e gemeu, deixando cair à cabeça sobre a almofada. -Coronel? – A voz do ajudante tinha um tom receoso, não de preocupação – Esta bem? Jeremy fingiu que as pálpebras lhe pesavam demais para poder abrir os olhos, e piscou varias vezes com expressão cansada. -Sim – suspirou – Mas gostaria que me deixassem a sós. O esperto Peters não pode deixar conter um sorriso. -oh, entendo – disse – De acordo. O verei pela manhã, então, senhor. – E virou para retirar-se á cama que havia disposto no vestiário anexo. -Que? – exclamou Maggie atônita – Vai dormir? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 116.
    O criado aolhou com surpresa. -Sim, senhora. O coronel quer que o deixemos a sós, assim vou me deitar. -Mas ele esta doente! O jovem olhou com expressão critica a figura que estava deitada na cama. -Sim, mas sua excelência não quer mais nada de mim. -Alguém tem que cuidar dele – insistiu a jovem. -Talvez sim, mas não vai ser eu que o farei – respondeu o servente assentindo bruscamente – Talvez a ele não lhe importe que o despida – continuou, sinalizando ao mordomo com um gesto de cabeça – mas eu não quero lhe dar motivo. Boa noite. Peters se foi, mancando, deixando Maggie e a Evers olhando-se um ao outro. O criado pigarreou. -Até onde minha memória alcança, sempre houve um Evers servindo na casa dos Rawlings...- começou com dignidade. -Claro – lhe confortou Maggie – É absurdo que queira te despedir... Jeremy, alarmado ao ouvir aquilo, levantou a cabeça e olhou ao mordomo com uma expressão tão envenenada que Evers retrocedeu assustado. A moça, que estava de costas ao duque, não viu o que aconteceu, e não compreendeu porque o criado procurava a maçaneta da porta com tanto nervosismo. -Não gostaria de ser eu quem acabara com esta larga tradição familiar – gaguejou – Se necessitar de mim, excelência, só tem que chamar á companhia. E, com uma brusca inclinação de cabeça, abriu a porta e se foi com toda pressa. Quando o mordomo fechou a porta atrás dele e Maggie se voltou para a cama, viu que o doente tinha os olhos encostados. -Jerry – começou com suplica. Mas foi muito tarde. O jovem tirou um braço de dentro das cobertas, a agarrou pela cintura e puxou-a até que a moça ficou deitada em uma posição pouco decorosa sobre seu colo. Então ela descobriu, sem sombras de duvidas, que o duque estava nu debaixo das cobertas. Capítulo 22 -Jerry! – exclamou Maggie, indignada, falando com dificuldade, com o rosto no colchão – Que demônios crê estar fazendo? O duque levantou a saia da bata ate o quadril, e notou com interesse que traves da camisola Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 117.
    de algodão seadivinhavam as redondas nádegas em forma de coração. -Eu? – perguntou em um tom inocente – Continuar de onde paramos mais cedo... -Deus santo! – A moça tentou escapar, mas ele a segurava firmemente pelo quadril – Jerry, por favor! – o reprovou por cima do ombro – Acabam de tentar te assassinar! Como pode pensar em fazer amos em um momento assim? -Querida Mags – respondeu ele com secura – Se pude pensar em fazer amor com você enquanto centenas de balas bengalesas zumbiam sobre minha cabeça, não é estranho que posso pensar nisso em um momento como este – E, inclinando-se para beijar lhe as costas, acrescentou ao ver que ela abria a boca para replicar – E não me pergunte pelo ombro. Não dói, nem acredito que fazendo amor a ferida se abra. A moça capturou o ar. -Você é um animal – lhe espetou enquanto tratava com relativo êxito de livrar-se de seu abraço – Como tem a desfaçatez de acreditar que vou me deitar com você depois do que fez? -O que eu fiz? – perguntou o jovem, levantou a sobrancelha. Maggie comprovou consternada que o peito nu do duque, cheio de cicatrizes, também estava coberto de espesso pelo. Os fios negros formavam um denso manto a ser aberto para descobrir os planos mamilos, e que se estreitava ao descer pelo liso e musculoso abdômen, desaparecendo debaixo da coberta em uma provocativa forma de flecha. Contudo, Maggie não ia investigar o que essa flecha assinalava. Pelo menos, era o que dizia a si mesmo. -Sabe muito bem o que fez – lhe reprovou, tirando o cabelo do rosto com um gesto altivo – Você... E quase sem se dar conta, imediatamente se encontrava debaixo do corpo de Jeremy. Estendeu os braços para separá-lo dela, em seguida sentiu que ele agarrava com força suas mãos contra o colchão, como se suspeitasse que ia tentar golpeá-lo, como tinha feito na biblioteca de Lord Althorpe, para não falar daquele dia no estábulo da mansão Rawlings, cinco anos atrás. Com todo o peso de seu corpo sobre ela, Maggie apenas podia se mover, mas qualquer contra-ataque era impensável. -Me solte imediatamente, idiota – balbuciou com o olhar fixo no rosto do duque, a poucos centímetros do seu. Ao jovem, encantado pelo contato desse corpo sedutor, lhe custava um pouco respirar. Era consciente de que acontecia o mesmo com a moça, pois seus seios, apertados contra seu peito, se moviam para cima e para baixo com rapidez. Inclusive pareceu sentir as batidas de seu coração, que faziam seu peito tremer suavemente. Era pela mesmo paixão o invadia, ou era só por medo? Só tinha uma maneira de saber. -Tem medo, Mags? – perguntou com indiferença, levantando uma sobrancelha. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 118.
    -Nem nos sonhos...– começou a dizer ela com indignação. Mas antes que pudesse terminar a frase, o jovem apertou os lábios contra os seus. Por um momento, o pânico invadiu Maggie e ela fechou os pulsos contra a almofada, tentando articular um protesto. Não porque queria. Mas aquilo... Aquilo era serio. Jeremy não a ouviu protestar ou, se ouviu, não entendeu. A única coisa que sabia é que, por fim, depois de cinco longos anos, tinha Maggie exatamente onde sempre quis que ela estivesse: deitada debaixo de seu corpo. E naquela ocasião, tinha se assegurado de que não haveria interrupções; não teria tios proferindo ameaças, mordomos intrometidos, nem noivos com pretensões. Somente eles dois, como deveria ter sido sempre, e teria sido se não fosse a obstinação que ambos tinham demonstrado nesses últimos anos. Pois bem, isso não voltaria a acontecer, não enquanto ele vivesse. Em fim, ela era sua... Aquilo compensava todos os deslizes e infortúnios que tinha sofrido para consegui-la. O duque esteve com muitas mulheres, mas nunca havia apertado uma entre os braços que o fizesse se sentir tão bem, não havia experimentado as perfeitas complementaridades de seus corpos. Seu corpo magro, gracioso e de peito generoso era profundamente feminino. O seu, em compensação, de ombros largos, quadril estreito e músculos duros como pedra pelas longas horas de cavalgar e empunhar espada, era a personificação da masculinidade. Não havia duvidas que eram feitos um para o outro. E se ela não via do mesmo modo, Jeremy se encarregaria de fazê-la entender antes de chegar à manhã. Contudo, a julgar pela sua reação, a jovem já parecia estar se dando conta disso; ao primeiro contato de seus lábios, pareceu fundir-se em seu abraço, e toda a tensão dos braços, que ate então ele havia mantido imobilizada sobre o colchão, desvaneceu. Maggie separou os lábios com a mesma naturalidade que aquela tarde no estábulo, com a mesma ânsia que na biblioteca umas horas atrás, e se entregou ao beijo com um inocente entusiasmo. Todavia, naquela ocasião, e para o grande deleite do jovem, usava muito menos roupa. Quando soltou um de seus pulsos para levar a mão onde seu coração batia com mais força, não lhe fez falta tirar capas e capas de vestido e camisola, só teve que desabrochar um botão de nácar. Onde pousava os dedos, sentia somente pele nua, suave e acetinada que, apesar do frio no dormitório e sua relativa nudez, desprendia um intenso calor. Ao sentir o contato de seus dedos na delicada pele do peito, Maggie deixou escapar um gemido. E quando a mão do jovem deslizou com impaciência mais abaixo, abriu ainda mais o decote da bata e deixou descoberto um dos grandes e bem torneados peitos, a moça afastou a cabeça e ficou olhando Jeremy, assombrada com a miríade de emoções que ele despertava em seu interior. Imediatamente, se sentia mais viva que nunca durante os últimos cinco anos; o que havia experimentado na biblioteca, algumas horas antes, não era nada em comparação com aquilo. Era como se seu corpo, ao que Jeremy havia infundido vida na cavalaria aquele dia tanto tempo atrás, tivesse permanecido em hibernação até aquele momento, todas as emoções e sensações que havia sentido então reapareceram com maior intensidade. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 119.
    Para Jeremy, aexpressão de profunda surpresa no rosto da moça teve efeito imediato; de pronto se deu conta que tinha que ir devagar e com cuidado; não podia se esquecer que, apesar de sua extraordinária sensualidade, Maggie era virgem. Se não quisesse assustá-la teria que agir com calma, e deixar que fosse ela quem marcasse o ritmo. Entretanto, quando seu olhar se encontrou com aqueles grandes e preciosos olhos marrons, e logo contemplou os úmidos lábios meio aberto, todo o seu autocontrole se desvaneceu. As mãos sobre as quais sempre acreditou exercer um completo domínio começaram a fazer coisas que ele não havia lhe ordenado, tentavam desabotoar a bata e subir a camisola. Sentia- se inundado de desejo, e perdido em sua própria paixão. Felizmente, Maggie parecia sentir o mesmo. Em vez de retroceder diante de seu desenfreio, como teria feito qualquer outra jovenzinha inocente, mostrava a mesma avidez, e respondia a seus ardentes beijos com veemência. Imediatamente, sentiu a vital necessidade de notar o contato de sua pele desnuda e, enquanto o jovem lhe arrancava o resto dos botões da batam começou a tirar sua camisola. Momentos depois, o duque, inconsciente da ferida do ombro, acabou de tirar a bata com bruscalidade, e a lançou longe da cama. Por alguns instantes, seu torso moreno reluziu cor de bronze devido à luz da lareira, e Maggie pode contemplar, com olhar de artista, seu espetacular corpo, tão masculino e perfeito como o David de Miguel Angel. Entretanto, aquela obra de arte era de carne e osso, e não de mármore frio. Com uma exclamação de triunfo, Jeremy terminou de desabotoar o ultimo botão que mantinha abotoada a camisola, descobrindo assim o que havia esperado tanto tempo para contemplar. A moça sentiu o calor do fogo na terna e branca pele dos seios, em fim livres do tecido de algodão. Ao notar a respiração entrecortada do duque, Maggie levantou o olhar e se sentiu desconcertada ao ver que seus lábios esboçavam um sorriso de satisfação; entretanto, sua expressão a convenceu, mais que seus beijos e a evidente paixão que ele despertava, de que aquele homem a desejava. E não somente a desejava, e sim necessitava dela. Aquela certeza provocou o que tinha começado como uma sutil tensão entre as pernas se converter em um ardor que sabia que somente podia se apagar de uma maneira... Então o jovem voltou a se deitar sobre seu corpo e deslizou as mãos por ele até rodear com elas seus brancos seios. A jovem estremeceu ao sentir as calorosas palmas sobre a sensível pele de seus peitos, mas aquilo foi só o principio de uma doce tortura: um instante depois, as mãos foram trocadas pela boca, e Maggie teve que segurar um grito diante daquela sensação desconhecida, produzida pela quente umidade em seu peito ereto. Ao contato da língua, os dedos que ele tinha afundado instintivamente na espessa cabeleira se fecharam suavemente entre os escuros cachos, e seu quadril, sem que ela se desse conta, começou um movimento ondulatório contra o membro viril em ereção. Entretanto, Jeremy, totalmente consciente daquilo, teve que fazer um esforço para não abandonar-se a seu prazer naquele momento. Com a mandíbula apertada, levantou o rosto dos peitos e olhou a moça, quem, com a cabeça afundada entre as almofadas, o longo cabelo escuro estendido como uma espessa cortina sobre os lençóis e os olhos encostados, respirava entrecortadamente. Quando Maggie se deu conta de que a olhava, não tentou ocultar sua Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 120.
    nudez; era evidenteque se senti mais cômoda desnuda do que vestida, um fato incomum, pelo que sua experiência lhe dizia, nas mulheres de peitos volumosos. O descobrimento foi prazeroso... Mesmo que não tanto quanto a visão de suas compridas e bem torneadas pernas, e em especial a parte coberta de pelo que havia entre elas. O sedoso triangulo era muito mais incitante que o de nenhuma outra mulher que já conheceu. Sentia uma atração semelhante a que a lua exerce sobre a água. O duque se deitou ate seu corpo voltar a cobrir por completo o da moça, e procurou seus lábios com a boca... Enquanto com os dedos se aventurava naquela escura sinuosidade entre as pernas. O conhecimento da Maggie sobre o ato sexual havia melhorado consideravelmente desde que deixou o colégio, graças, sobretudo as aulas de desenho e a informação que Berangére lhe havia proporcionado com suas fofocas. Tinha visto outros homens nus, mesmo que nunca com um membro viril tão grande como o de Jeremy, e sabia aonde ia cada coisa. Entretanto, ninguém tinha lhe explicado o que se sentia. A jovem acreditou que ia morrer de prazer ao notar que ele beijava seus peitos, mas quando o duque introduziu em seu interior primeiro um dedo, e depois o outro, não estava mesmo preparado para as sensações que aquilo lhe provocou. Teve que fazer um grande esforço para não agarrar o aveludado sexo masculino que com tanta prudência havia acariciado na biblioteca de Lord Althorpe e fazê-lo entrar em seu interior. Mas se seu amante havia se mostrado tão surpreendido então,quando só tinha roçado, não podia imaginar o que pensaria se fizesse aquilo... Todavia, não tinha que se preocupar. A Jeremy não lhe surpreendeu que abrisse as pernas ao sentir seu contato, nem tampouco que se sexo estivesse úmido e escorregadio; quando, com um suava gemido, ela levantou seu quadril instintivamente para provocar a fricção da base da mão contra seu ponto mais sensível, o jovem teve a certeza que estava preparada. Durante alguns momentos seguiram na mesma posição, com os eretos peitos da moça contra o peludo peito, respirando entre ofegadas enquanto o jovem apertava com suavidade os dedos no sexo. O duque estava fascinado pela profundidade dos olhos da jovem, que piscou diante de sua intensa olhada. Jeremy abaixou a cabeça e beijou os suaves lábios, e ao mesmo tempo retirou os dedos e os substituiu pela aquela parte de seu corpo que ansiava entrar nela. Maggie segurou um grito ao sentir que a penetrava; era uma sensação muito diferente da dos dedos que com tanta facilidade haviam se deslizado em seu interior. De feto, quando a ponta do duro membro começou a abrir-se a caminha dela, a moça pensou que aquilo não iria funcionar que seu sexo era anormalmente pequeno, e o dele demasiadamente grande, por isso sua união física iria ser impossível. Imediatamente voltou a sentir o mesmo medo que aquela noite no seu quarto de Herbert Park... Contudo, quando estava a ponto de protestar e de pedir para que parasse, mesmo sabendo que depois a acusaria de covarde, sentiu que algo se rasgava em seu interior. Seus dedos, que estava apoiado sobre o amplo peito em um esforço de ultimo momento para separá-lo dela, se cravaram na pele desnuda, afundando as unhas, ate que aquele tamanho impossível deslizou Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 121.
    por completo emseu interior, e a dor desapareceu milagrosamente. Jeremy ficou petrificado, dentro dela, consciente de que lhe havia feito algum dano, não somente porque tinha cravado as unhas, e sim porque havia parado o movimento do quadril. Por alguns momentos, entrou em pânico. O que ia fazer? A ultima coisa no mundo que queria fazer era causar-lhe dano. E ele acreditou que ela estava preparada! Não havia duvidas de que estava muito úmida... Oh, Deus! Porque tinha tido a desgraça de se apaixonar por uma virgem? Porque não poderia ter se apaixonado por uma prostituta, como o seu pai? -Maggie – sussurrou – Eu sinto. Eu... Mas ela não lhe escutava, e uns momentos depois o duque entendeu por que. Seu quadril começou a ondular de novo, timidamente primeiro, e depois, ao confirmar que a dor havia desaparecido por completo, com mais confiança. O jovem ficou sem respiração ao notar que a pele em torno de seu sexo retrocedia ainda mais ao atraí-lo mais para dentro dela. Mas em seguida o quadril se afastou, liberando a tensão... Para oscilar de novo, instantes depois, apertando-se de novo junto a seu corpo. Jeremy, quase sentindo, igualou seus movimentos aos da jovem, que murmurava de prazer embaixo dele, com a cabeça afundada entre as almofadas. Aparte a sensação de estar possuindo por fim a Maggie lhe pareceu que aquele era o sexo mais suave e cálido que jamais tinha sentido. Sentia seu corpo vibrando debaixo do seu, a doce pressão das coxas malhadas em seu quadril, e os dedos, enroscados em seu cabelo, puxando o suavemente para que a beijasse de novo. Acariciando-lhe os seios com suavidade, Jeremy a penetrou profundamente com a língua e o membro cada vez. E Maggie respondeu com a mesma paixão. A moça não demorou muito em sentir a tensão que tinha experimentado, especialmente entre as pernas, se convertia em um intenso impulso que a levava a se aproximar cada vez mais do sexo de seu amante. Entretanto, não esperava nada parecido à sensação que lhe provocou um energético avanço, que pareceu que is lançá-la para fora da cama; imediatamente, e mesmo que fisicamente se abraçou mais forte ao duque do que antes, lhe pareceu que deixava seu corpo, e flutuava em um mar de cores, dourado, azul, vermelho... Mais de do que nunca tinha sido capaz de conseguido com sua caixa de tintas, e mais do que, com toda a certeza de artista, sabia que existiam. As viu reluzir debaixo de sua pálpebras fechadas em uma explosão de luz que a envolveu como um nuvem de cores brilhantes, e com uma sensação de profunda felicidade, entendeu os braços para agarrar tudo o que pudesse. Quando o jovem se deu conta de que Maggie chegava ao clímax, o invadiu um profundo jubilo; nunca, em toda a sua experiência com as mulheres, esteve tão seguro de que sua parceira havia alcançado o êxtase, e de que não estava fingindo para satisfazer ele... Ou sua carteira. Com ela não havia a menor duvida. Tinha lhe satisfeito, ou mais do que, ao julgar sua expressão de beatifico gozo. Então, ao contemplar seu rosto e o largo colo branco, com a cabeça jogada para trás, Jeremy alcançou o clímax também, com tal intensidade que a jovem, que ainda não tinha voltado a si, temeu durante alguns momentos que a partiria em duas. Ao liberar toda a sua tensão, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 122.
    afundou o corpode Maggie no colchão e soltou um grito de prazer tão forte que a moça teve certeza de que tinha acordado todo os serviçais. Momentos depois o duque relaxou sobre ela, apoiando a frente úmida no espaço entre o colo e o ombro; respirava entrecortadamente, e o coração batia tão forte que por um momento a jovem se perguntou se havia sofrido uma apoplexia. Porem, não pode evitar de pensar com orgulho que ela tinha sido a causa de tal reação. Só ela. Aquela idéia era tão gratificante quanto às sensações provocadas pelo clímax. Um momento depois, quando Jeremy se separou dela pra deitar ao seu lado, viu que Maggie fazia um gesto, e ao olhar os lençóis, o duque descobriu por que. -Deus meu! – exclamou levantando-se com as palmas da mão sobre o colchão, sem ligar para a pontada de dor que lhe transpassava o ombro – Esta bem, Mags? Maggie, que não sabia do que ele falava, seguiu a direção de seu olhar. -Oh, não – disse quando viu a mancha vermelha no branco linho – Como vamos explicar isso? -Não se preocupe por isso. Esta bem ou não? – perguntou o duque com o cenho franzido. A moça ficou olhando-o com uma expressão divertida. -Claro. Um pouco dolorida, mas isso é tudo. Talvez se deixarmos de molho toda a noite... -Não se preocupe com os malditos lençóis – resmungou ele – Amanhã comprarei outros. -Oh, tinha me esquecido! – disse ela sorrindo – Deve ser maravilhoso ser rico. O duque esteve a ponto de lhe dizer que, quando se casarem, ela também seria, mas decidiu que não era o melhor momento para abordar o assunto. Por fim tinha conseguido possuir seu corpo, mas ainda tinha que se assegurar de que também era dono de seu coração. Todavia, enquanto isso ia aproveitar ao Maximo o tempo. Maggie deve ter entendido o brilho de seus olhos, porque imediatamente disse: -Oh, Jerry. Outra vez não. Tenho que voltar a meu quarto antes que Hill... Mas não a deixou terminar, pois lhe pareceu que o que ela tinha a dizer sobre o assunto não ia lhe agradar. Capítulo 23 Jeremy estava convencido de que sonhava. Já tinha acontecido antes, e esses sonhos sempre acabavam iguais: quando acorda, a deliciosa figura que estava deitada ao seu lado entre as almofadas se desvanecia. Mas naquela ocasião, tinha ocorrido ao duque uma forma que não tinha lhe ocorrido; Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 123.
    simplesmente, não acordaria.Manteria os olhos fechados para sempre, faria falta, mas valeria à pena, porque poderia se aconchegar contra o calor de Maggie, e isso era tudo o que queria. Quem necessitava de comida e bebida quando podia abraçar aquela maravilhosa mulher? O jovem não recordava ter se sentido tão confortável em sua vida. Nem louco ia coloca tudo a perder abrindo os olhos. Então lhe ocorreu algo que não lhe havia ocorrido em nenhum sonha; a figura que se apertava entre seus braços deu meia volta e recostou a cabeça entre seu pescoço e seu ombro. Por alguns momentos, sentiu uma pontada de dor, e forte. O lugar onde lhe haviam cravado a navalha na noite passada queimava. Mas quando viu Maggie a seu lado, contemplou a espessa cabeleira negra estendida sobre a almofada e sentiu o contato de seus seios desnudos contra seu peito, a dor desapareceu. Fazia muito tempo que não acordava em companhia de uma mulher. Ter relações sexuais com as mulheres locais era mal visto pelos seus companheiros da guarda montada, obrigando o coronel a freqüentar casas de prazer, onde não era recomendável passar a noite. Se mal se recordava, a melhor maneira de despeitar uma mulher apaixonada, e não tinha duvida que Maggie fosse, era beijá-la atrás do lóbulo da orelha... O duque afastou as mechas de cabelo e se inclinou para pousar com suavidade os lábios sobre o pescoço, onde sentiu um rítmico palpitar de seu coração. A jovem se revirou, e a sensação debaixo da orelha a fez mexer um pouco o ombro enquanto seus lábios esboçavam um sorriso, como se tivesse com algo agradável. Aquela reação animou o jovem, que beijou aqueles lábios sorridentes e ficou encantado ao ver que ela respondia com doçura e com a perfeita inocência de uma menina. Mas não era a menina que lhe interessava, e sim a mulher que tinha se tornado. Ainda sim, queria ir devagar. A inocência de seu beijo era cativante; inclusive sonhando, a moça beijava como alguém que não esta acostumado, mas que esta com vontade de aprender, Extasiado, se inclinou para provar de novo o sabor de seus lábios. Quando voltou a beijá-la, a moça lhe surpreendeu novamente, deixando escapar um suspiro. Aquela era uma reação muito alentadora, sobretudo porque com esse suspiro, Maggie entreabriu os lábios, convidando-o a entrar. Jeremy deslizou a língua em sua boca, e a resposta da jovem lhe pereceu mais sensual do que de qualquer outra mulher que tinha conhecido; no momento em que suas línguas se tocaram, deixou escapar um rouco gemido e deu meia volta, desfazendo do beijo. Porem se aproximou mais dele e, como estava de costas, apertou sua pulsante ereção entre as suaves curvas de suas nádegas. O duque notou que o coração palpitava depressa, e começou a sentir como se a paixão inflamasse em seu interior. Imediatamente, o que tinha começado como um jogo para acordá-la havia se tornado em desejo, e o jovem se deu conta de que não ia poder se deter mesmo que seus sentimentos ao despertar não fossem os mesmos que demonstrava durante o sonho. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 124.
    Por isso, decidiudesfrutar dele enquanto durava, mesmo que a disposição de Maggie se devesse a seu estado de inconsciência. Só Deus sabia quando poderia voltar a ter aquela mulher entre seus braços novamente. Passou o braço por cima da estreita cintura, ate que alcançou com os dedos o suave vale baixo seu púbis, e ao separar com cuidado as dobras aveludadas entre seus músculos, confirmou o que suspeitava: estava úmida. Em seguida notou os dedos impregnados de sua essência. Esse descobrimento o excitou ate o ponto que sabia não ter volta, e sentiu seu membro viril duro contra a delicada pele de suas nádegas. A umidade e o calor de seu sexo o atraiam irresistivelmente; a única coisa que tinha que fazer era mover-se um pouco... Ficou assombrado com a facilidade que seu membro deslizou em seu interior e, uma vez dentro, se maravilhou de novo com a perfeição que parecia adaptasse a ele, como uma mão. Com um braço ao redor de sua cintura, apertando suavemente a pequena protuberância por baixo do osso púbico com a mão, e com a outra acariciando-lhe os seios, começou a entrar e sair dela lentamente, com seu peito apertado contra as suas costas, e com os olhos fechados, como ela, se deleitava com sua recompensa entre os braços. Assim não tinha sido um sonho. Era realidade. Tinha feito amor durante toda a noite ate que, exausto, haviam caído em um sono profundo. Jeremy sabia muito bem que, freqüentemente, o que se sussurrava na penumbra perdia o valor na manhã do dia, e não ia permitir que aquilo ocorresse com Maggie. Desejava que fosse toda sua; não queria ouvi-la dizer que a noite anterior tinha perdido a cabeça; não permitiria que a noite ocultasse o que o amanhecer traria. Quando escutou que sua respiração acelerava, aumentou a pressão dos dedos entre suas pernas, e o movimento do quadril, que facilitava a penetração por trás, fez com que aumentasse a pressão contra os dedos calejados. Com a cabeça afundada entre a perfumada cortina de seus cabelos, o duque a ouviu gemer, ainda adormecida, e sentiu como seu corpo se abria a ele e respondia a seus avanços. Cada vez penetrava mais profundamente nela, deleitando-se com sua carinhosa reação, da umidade que empapava os dedos, das ofegadas irregulares quando ele penetrava em seu corpo... Imediatamente sentiu que ela se esticava e levantava as costas, apertando a pélvis com avidez contra sua palma. O sexo, que, quando ele se retirava, apertava seu membro como se não quisesse deixá-lo escapar, estremeceu e contraiu espasmodicamente. Naquela ocasião, Jeremy não pode se separar dela; estava preso na armadilha que ele mesmo tinha preparado, e de lá não desejava escapar. Em vez disso, agarrou o quadril de Maggie e explodiu em seu interior, inundando-la com seus ardentes fluidos. A moça gemeu de prazer, tremendo depois do clímax. Somente quando ele se esgotou dentro dela, Maggie abriu os olhos, e o duque pode contemplar a profundidade daquelas pupilas que conhecia tão bem. -Bom dia – disse Jeremy com doçura. Porém, por causa do recente orgasmo, sua voz era rouca e entrecortada, muito diferente da habitual. Maggie piscou e o olhou. Tinha os lábios avermelhados por causa da barba de Jeremy, e ainda Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 125.
    respirava entrecortadamente, comose tentasse recuperar o fôlego. -Isso foi um engano – disse afônica. O jovem levantou uma sobrancelha. Ainda enterrado dentro dela, apoiou o cotovelo na cama e recostou a cabeça sobre a mão. -O que foi um erro? – perguntou com expressão inocente. -Sabe muito bem a que me refiro – respondeu ela, que não parecia nada perturbada. E, dizendo isso, se afastou dele, se virou para cima e começou a se espreguiçar como um gato, roçando sem querer no ombro vendado de Jeremy. Imediatamente, abriu os olhos bem abertos e a lembrança os inundou como se fossem lagrimas. O duque, que estava deitado a um palmo dela, a olhava fascinado quando sua Iris mudou de marrom para preto. -Jeremy – disse a moça agarrando os lençóis e puxando-os até o queixo com expressão horrorizada – o que fizemos? O jovem encolheu os ombros, e o movimento lhe provocou uma pontada de dor. -Eu não fiz nada – respondeu com fingida indignação, em tom de brincadeira – Estava dormindo placidamente, e um lascivo me despertou. Defendi-me como pude, mas foi impossível refrear sua paixão, Mags, e eu temo que no final me deixei levar por suas exigências luxuriosas. -Oh, Deus. Como pode brincar sobre isso? – exclamou enquanto se levantava e o cabelo escorrido lhe resvalava sobre os brancos – Alguém tentou te matar a noite, e nos... E nos... -Fizemos amor desenfreadamente durante toda a noite? – terminou – Sim, já me dei conta. Aliás, eu não sabia que você era tão sanguinária. Se soubesse que a única coisa que tinha que fazer para te seduzir era sangrar, deixaria tentarem me matar muito antes. -Oh, Jerry! – murmurou Maggie levando as mãos nos joelhos, que tinham se inundado de um vermelho intenso. Começava a se dar conta da enormidade do que havia ocorrido; fez amor com o duque da Rawlings, e não uma vez, e sim varias. De fato, ainda sentia a cosquinha de seu contato na pele. E se isso não fosse prova suficiente, os lençóis estavam manchados com seu sangue. Deus santo tinha perdido a virgindade! E com um homem que nem era seu prometido. No que estava pensando? O que tinha feito? O duque, absolutamente alheio ao suplicio pelo qual a moça estava passando, entrelaçou as mãos atrás da cabeça e, feliz, ficou com o olhar perdido no dossel da cama. Aquele gesto lhe provocou certa desavença com seu ombro, mas como ao fazer amor suas articulações haviam se soltado, apenas notou a ferida. -Bem – suspirou – E o que vamos fazer hoje, hein, Mags? Quer pegar o trem e ir a Yorkshire saudar a família? Ou prefere que fiquemos em Londres e vamos fazer compras ou ver algum espetáculo? Faz cinco anos que não vou ao teatro. Não me importaria de ver um musical... – E, enquanto falava, olhou a moça e viu que estava tentando por a camisola cujos botões tinham Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 126.
    sido arrancados nanoite anterior. – Aonde vai? -Ao meu quarto, é claro – respondeu – Você viu a minha bata? -Não seria isso? – perguntou o duque levantando uma sobrancelha, enquanto levantava uma vestimenta que havia em seus pés – Mags, de verdade, acredito que devia te comprar algo mais atrevido que uma bata de quadros escoceses. Talvez uma transparente, ou com plumas... Maggie tirou a bata de suas mãos. -Vamos, cale-se – balbuciou – como não é você que tem que escapulir pro piso abaixo como se fosse um criminoso... -E porque vai fazer uma coisa assim? – perguntou o jovem, tentando não começar a rir diante sua adorável indignação. A moça o olhou com irritação. -Por Hill, obviamente! -Sua criada? – perguntou o duque, levantando as sobrancelhas. -É claro, quem mais seria? – disse Maggie enquanto metia os braços pelas mangas da bata – Espero que ainda não tenha se dado conta de minha ausência. -E o que te importa o que pensam os criados? Siga meu exemplo; se te disserem alguma impertinência, a despida. -Despedi-la? – a moça se virou para olhá-lo, com uma expressão de desgosto nos serenos olhos – Jerry, caso você não saiba, Hill é o único membro de minha família ou... Bem, a única pessoa de Herbert Park que me apoiou durante os últimos meses. Não posso despedi-la – continuou, tirando com bruscalidade da manga – Mesmo que, de todos os modos, o mais provável é que hoje mesmo vá embora por seus próprios pés. -Por quê? – perguntou ele com curiosidade. -Porque nenhuma criada respeitável iria querer alguém com eu – respondeu Maggie com certa exasperação – Se já não fosse suficiente que me cerque de artistas e boêmio, e que minha família tenha me renegado, agora arruinei completamente a reputação que eu ainda tinha passando à noite a sós com o duque de Rawlings... -Como que a sós? Não estamos sós. Não sabe o que me custou tirar toda essa gente que não parava de entrar e sair. -Oh, Jerry, o serviço não conta. Estamos sem a companhia de alguém respeitável. Seus tios deveriam ter voltado de noite, mas algo deve ter os atrasados... -Graças a Deus... – murmurou Jeremy. -E se chegam, a saber, que você e eu ficamos sós na mesma casa... Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 127.
    Imediatamente, passou pelacabeça do duque uma idéia espantosa, e ficou sobressaltado. -E se souberem? Que importância tem? Não esta preocupada com o que esse frangote vai pensar né? -Estou preocupada com o que todo mundo vai pensar, e em especial seus tios, que devem estar a ponto de chegar – contestou a moça enquanto fechava a bata – E deixa de chamar Augustin de Veygoux de frangote. Jeremy abriu a boca para responder, quando alguém bateu suavemente na porta. Maggie se virou com expressão assustada, e o jovem a olhou levando o dedo indicador aos lábios. –Shhh – riu entre os dentes – Não se assunte, é Peters. É o único membro do serviço que se atreveria a despertar a um Rawlings. Longe de seguir seu conselho de não se deixar levar pelos nervos, Maggie baixou com prontidão a escada da cama, se emaranhou com a bata e esteve a ponto de cair. Quando recuperou o equilíbrio, olhou furioso o duque, a quem seu nervosismo parecia ser engraçado. -Oh, você não tem nada a que temer – gaguejou – Não tem que se preocupar com a reputação de ninguém. -Se engana – contestou ele com fingida gravidade – Sua reputação me preocupa muito; tanto que vou pedir a Peters que distraia Hill para que possa voltar a seu quarto... -Não – disse entrecortadamente – não o faça... Mas já era muito tarde; Jeremy estava chamando a seu ajudante, que entrou mancando e olhou distraidamente a moça sem nenhuma curiosidade – Bom dia, senhor. Senhorita Herbert – começou, educado – Como vai o ombro, senhor? Ainda dói? -Nem o noto – respondeu o jovem com calma – A propósito, viu a criada da senhorita Herbert esta manhã? -Sim, senhor – o servente tinha se aproximado da janela e começado a abrir as longas cortinas de veludo – Tomei a liberdade de armar uma pequena confusão lá em baixo que a senhora Hill esta limpando agora. Se a senhorita Herbert quiser se retirar para seu quarto, esse é o momento ideal. Maggie não hesitou nem um instante; avançando sem fazer barulho no chão de madeira, se apressou ate a porta. Porém a pegar a maçaneta se virou para olhar o duque. Estava sentado no meio da grande cama com dossel, os olhos brilhantes e a pele morena contrastava intensamente com os imaculados lençóis. -Hum - comentou. Deus santo, aquilo era muito incomodo. Tinha acreditado que ele falaria sobre matrimonio, ao menos sobre amor. Afinal, ela tinha se entregado completamente enquanto a maioria das moças esperam até depois do casamento. O duque havia sugerido que fossem ao teatro, mas não havia dito nenhuma palavra de levá-la ao altar. Oh, céus! Que presunção de sua parte ter pensado sequer...! -Sim, sim - sorriu ele - Corra, ratinha, antes que o gato te pegue. Maggie abaixou a cabeça para que os cabelos cobrissem as bochechas rosadas e saiu do quarto Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 128.
    se dizer maisnenhuma palavra. -Lhe felicito, senhor - comentou Peters com jovialidade, quando a porta se fechou atrás dela - Vejo que finalmente conseguiu... -Cuidado com o que diz, moço - lhe interrompeu o duque, se o mais leve tem de malevolência - esta falando de minha futura esposa. -Com todo o meu respeito... -Não se preocupe - Feliz, Jeremy se deixou cair entre as almofadas. Mesmo sendo Fevereiro, lhe parecia que o sol nunca tinha reluzido tanto, e que os pássaros jamais tinham gorjeado tão maravilhosamente - Peters, que te sirva de lição; já viu que com um pouco de paciência, ingenuidade e encanto um homem pode conseguir o que quiser. -Você é um modelo para todos nós, senhor - respondeu o ajudante enquanto pegava o decantador de uísque que estava na mesinha auxiliar - Mas temo que a criada da senhorita Herbert vá ser um verdadeiro problema. -Isso consertaremos depois. Dentro de uma hora, você e eu iremos ao centro para obter uma permissão especial. E pela tarde, a senhorita Herbert se tornara a décima sétima duquesa de Rawlings; assim Hill não poderá dizer nada. Encolhendo os ombros, Peters serviu uma generosa quantidade de uísque. -Rogo que me perdoe, coronel, mas acredito que não será nada fácil conseguir essa permissão especial - E, se aproximando da cama, lhe estendeu o copo. Jeremy ficou olhando com uma sobrancelha levantada. -Uísque para o café da manhã? - perguntou com curiosidade - Não podem sertão más noticias. -São sim senhor - respondeu o moço - E acredito que estará de acordo comigo - Depois de meter o copo entre os dedos de seu senhor, Peters desdobrou o jornal que levava e baixo do braço e o estendeu aberto para o duque, na pagina de sociedade, na que com grande letras, se lia o seguinte titulo: “Herói militar volta a Londres para se casar com uma princesa indiana” Depois de lê-lo, Jeremy levou o copo de uísque a boca e o bebeu em um só gole. Capítulo 24 -Eu não sei - declarou a baronesa de Lancaster - O azul é mais bonito, mas creio que branco é mais apropriado. -Oh, mamãe! - reclamou Fanny, sua filha de dezesseis anos - Só as meninas pequenas vão de branco, e eu já sou mais velha. Quero por o azul. -É que... - titubeou a dama - Não me parece adequado. O que você acha, senhorita Herbert? - Lady Lancaster sorriu com condescendência; a parecer, a jovem estava sonhando acordada. E o que esperava de uma artista? Lavinia Michaels havia lhe dito que a moça tinha a tendência a se ensimesmar. Seguramente tinha passado a noite em branco em alguma festa boemia. Mas o retrato que havia feito da sobrinha de Lavinia era tão bonito! Tinha pintado a jovem de tal maneira que apenas se notava a papada - Senhorita Herbert? Era certo, Maggie tinha passado a noite em branco, mas não em uma festa. De fato, ainda não podia acreditar no ocorrido; havia feito amor com o duque de Rawlings, e não uma vez, e sim três, o talvez quatro vezes... havia perdido a conta. Aquela tinha sido a noite mais emocionante e extraordinária de toda a sua vida. Porém, quando durante o café da manhã abriu o jornal a pagina da sociedade, que somente lia para conhecer a seus clientes em potenciais, se deu conta de que também tinha sido a noite mais humilhante. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 129.
    Ao menos, entãoentendeu porque o duque não lhe propôs matrimonio. -Senhorita Herbert? - A dama ficou olhando através do binóculo a jovem sentada na borda da chaise longue. Não parecia que se encontrava ma; só estava um pouco pálida, mas isso devia ser pela falta de sono.Por outro lado, com aquele vestido de lã escura e o chapéu seguro a um gracioso penteado de cachos, seu aspecto era bastante apresentável. Ainda que, é claro, não tinha o aspecto de alguém da classe de Lady Lancaster para a preciosa senhorita Eterbert era suficiente.Então, que lhe acontecia? Levava cinco minutos com o olhar fixo na mesma rosa da almofada. -Senhorita Herbert - disse Fanny, dando outra insolente patada o chão, fazendo tocar os sinos dos pastores de Dresde dispostos na lareira. Isso chamou a atenção da artista. -Sim? - perguntou a jovem dando um sobressalto. “Ah, já voltou em si”, Lady Lancaster disse para si mesma. Maggie só demorou alguns minutos para convencer Fanny de que o branco era a única cor apropriada para o vestido de uma jovem de quem pintam seu primeiro retrato. Esquecido isso, marcaram a hora para a sessão; seria na terça seguinte, ás uma e ponto. Pouco depois, a jovem pintora pegou seus cadernos e seus lápis de colores, e de despediu da baronesa e de sua filha. Ao sair a Grosvernor Square, o frio e o cortante vento lhe devolveram cor as pálidas bochechas. A jovem inspirou profundamente algumas vezes, na tentativa de que o gélido ar a despertasse antes de pegar o ônibus para voltar a seu estúdio. Sentia como se tivesse uma terrível ressaca. Era certo que tinha dormido pouco, mas não era a primeira vez que passava a noite em branco, e nunca tinha se sentido tão desanimada no dia seguinte. Supôs que descobrir que o homem com quem acabara de perder a virgindade estava comprometido com outra mulher não devia ajudar muito a recuperar os ânimos. Pela enésima vez aquela manhã, disse para si mesma que se sua mãe ainda vivesse, seguramente saberia o que fazer. Mas, então, não tinha ninguém a quem pedir conselho. Nenhuma de suas irmãs lhe dirigia a palavra e mesmo que o fizessem, tampouco poderia lhes contar seus problemas, pois ficariam horrorizadas. Sabia muito bem que Hill, que adorava Augustin por tudo que tinha feito a sua senhora, lhe diria sobre o assunto. Também sabia que, se acudisse a Pegeen, a tia de Jeremy, que tinha lhe ajudado incondicionalmente com os problemas de sua família, lhe recomendaria que não deixasse o duque escapar. Assim não tinha ninguém imparcial a quem pedir conselho. Mais tarde, de volta a estúdio, Maggie observava com ar taciturno o quadro que estava terminando para sua exposição de sábado; era o retrato de um par de meninos loiros que sorriam com doçura, agarrados ao colo de um paciente galgo {raça de cachorro} . Estava tão absorta que não se deu conta de que alguém abria a porta a suas costas, e levou um bom susto ao ouvir uma voz rugosa que sussurrava a suas costas. -O que é isso? A alegre madeoiselle Marguerethe parece triste. C´est impossible! Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 130.
    A jovem olhoupor cima do ombro e forçou um sorris ao ver Berangére Jacquard apoiada no portal da porta, com os braços cruzados sobre o peito. Como era habitual nela, ia vestida a ultima moda parisiana, ainda que não tivesse a intenção de sair de seu estúdio, ao outro lado do vestíbulo. -O que esta acontecendo? - disse estalando a língua enquanto atravessava com elegância o luminoso estúdio - Acreditava que as mulheres inglesas nunca se permitiam o luxo de se mostrar chateadas. -Não estou chateada - respondeu Maggie com um suspiro - Bom... não muito. -Ah, não? Então é uma grande atriz, princesse. - Berangére mordeu os lábios ao se fixar na pintura que estava na frente de sua amiga - Ugh! Que horreur! Suponho que pelo menos devem ser condes, non? -Este é o herdeiro de um marquesado - lhe corrigiu - E esse outro bebê é seu irmão. -Entendo. Seu papa e sua maman devem estar muito orgulhosos de seus filhos . Deveria ter os ter pintado enquanto metiam o dedo no nariz; estou segura de que fazem isso na maior parte do tempo. Encolhendo os ombros, se afastou do quadro e se aproximou do parapeito da janela, de onde Maggie tinha uma garrafa de vinho tinto para ocasiões como aquela. Depois de servir uma taça, a jovem francesa se aproximou de um sofá baixo em que se amontoavam varias almofadas e se deixou cair com um delicado suspiro. Todos seus movimentos recordavam muito a uma gata, pulcra e travessa, e lhe pareceu que tinha um estilo parecido com o da princesa Usha. Ela, entretanto, se sentia como um grande cachorro de movimentos desajeitados e deselegantes. -Vamos, princesse - começou a jovem parisiana, depois de tomar um gole de vinho- Agora diga a tante Berangére o que a fez sentir tão malheureuse. -Oh - respondeu Maggie, abatida- Não saberia por onde começar. -Ah - respondeu sua amiga, olhando a taça de vinho, na qual flutuava um pedaço de cortiça; com o longo dedo indicador, a tirou com delicadeza - Suponho que não tenha nada a ver com o golpe que deram em Augustin em na nez da noite, verdade? Maggie a olhou com surpresa. -Como você ficou sabendo? -Lá, e quem não ficou sabendo? - respondeu Berangére Jacquard com um gesto de mão - As pessoas não falavam em outra coisa. Maggie soltou um gemido. O edifício em que se localizavam seus estúdios era velho e estava se deteriorando; ali tinham outros pintores trabalhando e um par de escultores. As duas amigas eram as únicas mulheres do bloco, por isso era objeto de constantes especulações entre os demais artistas, que falavam de suas idas e vindas em seus círculos sociais. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 131.
    -Oh, Berangére -disse a moça tampando o rosto com as mãos - O que vou fazer? -Fazer? - perguntou sua amiga depois de um gole de vinho - Com o que, princesse? -Com Jerry, é claro! - Maggie levantou a cabeça e prendeu uma mecha de cabelo que tinha se soltado do penteado, deixando um raio de cor violeta no branco e suave rosto. Sua amiga sorriu com condescendência. -Qual o problema com Jerry? Voltou a urinar atrás do sofá? -Que? - Apesar da desolação que a apreendia, a jovem começou a rir - Oh, não - exclamou - Não se trata desse Jerry. Não falo do cachorro, e sim de Jeremy Rawlings. Berangére franziu o cenho, juntando as sobrancelhas escrupulosamente depiladas. -Jeremy Rawlings? Mas não é esse soldado que rompeu o nez de Augustin? - Ao ver que sua amiga assentia, a olhou com cumplicidade - Ah, agora começo a entende-lo. Jeremy Rawlings. Tenho a impressão de ter ouvido esse nome antes. - Berangére deu uns golpezinhos nos brancos incisivos com um dos longos dedos de unhas perfeitas - De onde escutei esse nome? -O leu o jornal desta manhã, com certeza - suspirou Maggie. -Pardon? - perguntou a jovem francesa arqueando uma fina e loira sobrancelha. -Hoje, na pagina de sociedade, se anunciava seu compromisso com a princesa Usha de Jaipur. -Ah - respondeu Berangére com cumplicidade - Sim, agora me lembro. Então ele é o homem por quem esteve suspirando desde que te conheço? - Margaret assentiu, vacilante; não lhe agradava admitir que sempre fora apaixonada por Jeremy, e muito menos que suspirava por ele. Sua amiga continuou - Já vi. Não estranho que esteja tão triste. Voltou da Índia com uma princesa, quebrou o nariz de seu prometido e agora você não sabe o que fazer. Maggie assentiu de novo. -Pfuf! - exclamou Berangére. Sempre que algo lhe parecia incrível, fazia aquele curioso som; era como uma minúscula explosão dos lábios, que lhe levantava os cachos dourados que caiam sobre o rosto - Eu sempre tinha acreditado que era muito afetada, princesse, mas nunca havia imaginado que fosse stupide. -Não sou estúpida - respondeu Maggie em atitude defensiva - Mas é que não seu o que fazer. Jamais havia me encontrado em tal situação. -Nunca dois homens tinham brigado por você? - perguntou, surpresa. - Ma pauvre princesse! Então nunca viveu de verdade. Não há nada mais delicioso do que dois homens brigando por uma. Faça caso, tem que tentar prolongar essa situação tanto quanto possa. -Está louca? - exclamou a moça olhando a amiga - Isto é serio. Alguém... tentou apunhalar Jerry de noite, e ele suspeita de Augustin. A jovem francesa levantou, e seus delicados traços adquiriram uma expressão de entusiasmo. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 132.
    -Verdade? Trés romantique! -Romântico?- Maggie encolheu os ombros - É terrível. -Terrivelmente romantique!Acredita que foi Augustin? - perguntou, perplexa - Nunca havia pesado que Augustin pudesse matar alguém. Em um duelo, talvez, mas não assim. Porém, com aquele cabelo tão ruivo não pode ter certeza de nada... -Berangére! - A jovem cobriu o rosto com as mãos - Não tem nenhuma graça, nem tampouco é romântico. Alguém tentou matar Jerry de noite e não posso evitar pensar que... Mas sua amiga a interrompeu. -Nom de Dieu - sussurrou. E algo em sua voz rugosa fez Maggie levantar a cabeça para olhá-la, desconcertada. Berangére tinha a vista fixa nela, com os olhos completamente abertos, e uma expressão de estupefação - Você e Jerry fizeram amor. -Berangére! -Não posso acreditar. Ma petite princesse! Não estranho que Augustin tentar matá-lo - A jovem aplaudiu, entusiasmada - E como foi? Gostou? Não é maravilhoso? Maggie ficou olhando-a com os olhos muito abertos, consciente de que não valia a pena negar. -Como... soube? -Se nota - contestou, encolhendo o ombro. -Não é verdade! - exclamou Maggie, horrorizada. -Sim, princesse. Sinto dizê-lo, mas é sim. Só um estúpido, ou o próprio prometido, não se daria conta. -Não pude evitar - gemeu, cobrindo o rosto com as mãos manchadas de tinta - Oh, Deus, não pude evitar. Eu não queria. Nunca tinha acreditado que algo assim pudesse acontecer. Mas me disse que não estava comprometido! A jovem francesa ofegou. -Isso é o que todos dizem. -Mas eu acreditei! Me disse que a Estrela de Jaipur não era uma mulher, e sim uma pedra preciosa. -Não continue - respondeu sua amiga, incrédula - Acredito que com isso já disse tudo. -Oh, eu coloquei tudo a perder! - se lamentou, se poder conter um soluço - Sei que o busquei, e que não mereço a compaixão de ninguém. Mas estava segura... acreditava que queria se casar comigo. Não entendo o que me aconteceu. -Eu sim. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 133.
    Maggie levantou acabeça, piscando, com os olhos inundados de lagrimas. Para sua surpresa, sua amiga estava de pé a seu lado, com uma taça de vinho em cada mão. Lhe estendeu uma, e logo a conduziu com delicadeza até o sofá, onde se sentou junto dela, em um movimento que era um tanto complicado devido as volumosas anáguas de ambas. -Sei exatamente o que te aconteceu - prosseguiu Berangére - L´amour. Brindemos a ele, o que te parece? - E dizendo isso, aproximou sua taça a de sua amiga e logo bebeu quase um terço de seu conteúdo. Indecisa, Maggie bebeu um gole; nunca tinha tomado vinho antes da hora do chá. Todavia, tampouco tinha perdido a virgindade antes, assim supôs que a ocasião merecia. Para sua surpresa, sentiu que o forte vinho lhe esquentava o corpo e a reanimava, assim tomou outro gole. -Então... - perguntou com cautela - não me odeia profundamente? -Te odiar? - Aquela pergunta surpreendeu Berangére a tal ponto que ela esteve a ponto de derramar o vinho que ainda tinha na boca com uma careta que sua amiga nunca tinha visto antes. - Porque iria te odiar? Maggie sorveu o nariz com expressão triste. -Se minhas irmãs supuserem... o que eu e Jerry fizemos, não voltariam a me dirigir a palavra. -Tampouco o fazem agora - lhe recordou Berangére - Igual fizeram a muitas mulheres antes de nós, seu único crime foi se entregar a vida com o talento que Deus te deu - A jovem sacudiu a cabeça, fazendo oscilar as mechas douradas - É uma artista! Não há nada de mal nisso. Não é o mesmo que ser uma... uma... - se interrompeu, enquanto se esforçava em pensar na pior ocupação que pudesse pensar - uma prostituta! -Não - admitiu Maggie, triste - Mas suponho que para elas, as pintoras levam uma vida dissipada e escandalosa. E como vê, agora demonstrei que elas tem razão - E, com um desconsolado suspiro, acrescentou - Sou uma mulher perdida. Berangére esboçou um sorriso irônico, enquanto se inclinava para trás para apoiar as costas no encosto. -Ma chérie. Se você é uma mulher perdida, me estremeço só de pensar o que devo ser. Me encantaria conhecer suas irmãs, princesse. Como é possível que crescerá em uma família tão bourgeois e ainda assim tem tanto talento para a pintura? -Não acredito que minha família seja bourgeois - contestou Maggie, na defensiva - Ao menos, não mais do que a media. Simplesmente acredito que estou mal dita por ter uma natureza mais... carnal do que minhas irmãs. Estou certa de que nenhuma delas fez amor com seu marido antes de se casar. E Anne, menos ainda; é tão melindrosa. Quando minha mãe ainda era viva, era muito mais... tolerante, mas agora que já não está. parece como se sentisse a obrigação de me dizer sempre o que tenho que fazer. -Mas você não lhe faz caso - respondeu a amiga - É muito... como se diz? Oui, carnal. Eu gosto Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 134.
    dessa palavra. Sorteque encontrou um marido que é igualmente carnal. -Augustin? - Maggie apurou a taça de vinho - Augustin não é em absoluto carnal. -Augustin, não, imbecile - respondeu Berangére - Esse Jerry de quem você fala. -Jeremy? - A jovem piscou - Mas não posso me casar com ele. -Por que não? -Como por que não? Não escutou o que eu acabei de dizer? Por que está comprometido com outra mulher! -Pfut! - Foi a céptica resposta de Berangére. -A Estrela de Jaipur é uma mulher exótica e muito bonita. Você não a viu. É... - Maggie se deteve justo antes de dizer “como você”. Em vez disso, terminou - Não poderia imaginar. -Oui, chérie. Mas com quem Jerry passou toda a noite? Com essa pedra, com essa Estrela de Jaipur, ou com você? Maggie balançou a cabeça. -Você não entende? Se, por algum milagre, Jeremy quiser se casar comigo, não poderia aceitar... -Por que não? -Porque estou comprometida com Augustin! Não posso romper meu compromisso sem mais nem menos. - Maggie estalou os dedos - Não seria justo, sobretudo tendo em conta como se comportou bem comigo. -E o que tem? - Berangére entrelaçou os dedos atrás da cabeça, se recostou nas almofadas e ficou olhando pela clarabóia o invernal céu cinza - Você não lhe pediu para se comportar bem com você. O fez porque quis. E não tem que se casar com ele por isso. Simplesmente lhe agradeça e o deixe. -Mas isso é muito cruel! Deixei que ele acreditasse que correspondia a seus sentimentos, mas nunca deixei de amar a outro homem. Sua amiga pôs os olhos em branco. -É uma estúpida. Case-se com o soldado e pronto. Se quiser, eu me encarregarei de Augustin. Mas que conste que eu não suporto homens ruivos - concluiu com um expressivo encolhimento dos ombros. -A que se refere com que se encarrega de Augustin? - perguntou Maggie com receio. -Pois isto. -Quer dizer... - a moça de endireitou - Quer dizer que você...? - De imediato se interrompeu, perturbada - Oh, Berangére - murmurou - Não deveria... Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 135.
    A gargalhada deBerangére ressoou pelo estúdio, batendo na clarabóia e estalando contra o solo de madeira como se fosse de vidro. -Ma pauvre princesse - exclamou - Te escandalizei! -Isso é exatamente sobre o que me refiro - respondeu Maggie com tristeza - Não sou uma princesa, e nunca serei. Você é a única que pensa assim. E Jerry, o soldado, como você o chama, não é só isso. É um duque. Assim que se me pedir para casar com ele, não poderia aceitar, porque teria que me converter em... -Duchesse? - A jovem Jacquard se levantou e deu uma palmada, entusiasmada com a idéia - Oh, Marguerethe, c' ést magnifique! Serias uma duchesse encantadora. Assim poderá me convidar a todos os jantares de gala, e os bailes, e conhecerei muitos homens ricos e bonitos! - exclamou com os olhos cintilantes - Oh! É maravilhoso! A princesse se converterá em duchesse. -Não, Berangére - insistiu Maggie - Só sou princesa a teus olhos. De fato, segundo as normas da sociedade inglesa, sou um completo desastre. Em troca, essa mulher, a Estrela de Jaipur, é uma princesa de verdade, será melhor duquesa do que eu jamais poderia ser. Sua amiga, recostando novamente no apoio do sofá, entrecerrou os olhos como se fosse um gato que, ao descobrir a presa, se concentra antes de se lançar sobre ela. -Entendo - começou, pouco a pouco - Assim está disposta a renunciar a ele só porque acredita que não seria uma boa duquesa. -Não é só por isso. Já te disse que ele nem sequer pediu. Berangére tinha deixado a porta do estúdio aberta, e ouviram passos na entrada. Nesse piso, o ultimo do edifício, só estavam os estúdios das duas amigas, assim quem quer que fosse que se aproximava ia visitar a uma delas. -E se te pedir? - insistiu Berangére - O que responderia? Mas Maggie não pode responder, pois nesse preciso instante Jeremy em pessoa entrou pela porta do estúdio. Capítulo 25 Jeremy não estava de muito bom humor. Mesmo que fosse compreensível, pois além do que o Times ter publicado seu compromisso com alguém que ele não tinha a intenção de se casar, acabaram de tentar assassiná-lo de novo. Não que isso o preocupasse muito. A verdade é que apenas havia voltado a pensar no ataque da noite passada e, com todos os problemas que o assediavam, aquilo parecia insignificante. Mas, ao sair com toda a pressa do escritório do Times, de onde tinha ido exigir uma retratação publica, uma carruagem esteve a ponto de atropelá-lo. Uma coisa era tentar apunhala0lo na metade da noite diante de sua própria casa, pois isso podia se atribuir ao aumento da criminalidade em Londres, e outra muito distinta era tentar Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 136.
    aniquilá-lo em frentea redação do jornal. Enquanto se levantava em meio a neva suja e meio derretida sobre a qual havia se lançado para evitar o atropelamento, o duque decidiu que tinha chegado o momento de atuar e ordenou a seu ajudante que seguisse Augustin de Veygoux para determinar se ele estava detrás das tentativas de assassinato. Não temia por sua vida, mas era muito cansativo ter que andar pela rua se defendendo, atirando-se no chão, esquivando-se de apunhaladas e cascos de cavalo. Além do mais, se de Veygoux estava tentando matá-lo, teria uma desculpa perfeita para acabar com ele. Em um duelo mataria dois pássaros com um tiro só: se livraria de quem tentava assassiná-lo, e Maggie já não teria um prometido. -E pelo que te contei, assegure-se de que Maggie não te veja —advertiu o duque a seu criado —. A única maneira de convencê-la de que esse tipo é quem tem tentado matar-me é pegando-o em flagrante. Mas se descobrir que o estamos seguindo, pensará que o estamos acusando e sentirá pena dele. — Não tema, coronel! —exclamou Peters, erguendo-se—. Pode contar comigo para levar a cabo a missão. Não falharei. Feito isso, o Duque voltou para casa, mudou a roupa estragada, colocou algo mais apresentável e voltou a sair imediatamente. Sua primeira parada foi Dorchester, onde encontrou a princesa Usha cercada por chapeleiros e alfaiates. Aparentemente, a Estrela de Jaipur tinha decidido que os sáris eram antiquados e queria fazer um vestido de noiva ao estilo ocidental. No entanto, era bastante difícil de fazer as encomendas, devido à ausência de seu intérprete, que pouco antes havia saído para mandar outra carta ao Marajá. Pela mesma razão, o Duque achou extremamente difícil fazer compreender os seus sentimentos sobre a notícia que apareceu no Times esta manhã ... pelo menos para a princesa, porque os alfaiates o compreenderam com perfeição, a julgar pelos olhares trocados quando Jeremy saiu pela porta. Fazer um vestido de noiva para um casamento com um namorado tão relutante não era bom, e todos os presentes sabiam disso, à exceção talvez da princesa. Tendo falhado ao tentar impressionar a Usha com sua manifestação de repúdio, Jeremy decidiu concentrar-se na igualmente difícil tarefa de encontrar Maggie e reparar as feridas que podiam ter sido causadas pela notícia. A esperança de que não tinha lido o jornal naquela manhã havia desaparecido logo após o café da manhã, quando ele tinha ido para o quarto dele para dar explicações e Hill abriu a porta. -"Bom dia, Excelência - lhe disse a criada friamente ao recebê-lo - . Miss Margaret já partiu para sua primeira entrevista. À propósito, parabéns. Espero que você e a princesa sejam muito feliz. Tenho a certeza que os seus tios estão encantados ... Jeremy sabia, sem sombra de dúvida, que os seus tios não estariam encantados, mas muito pelo contrário. Oh, supunha que se a amasse de verdade, a teriam aceito com prazer ... pelo menos até a princesa se afastar deles por causa do seu absoluto e total desrespeito para com os sentimentos dos outros; isso acabaria ofendendo a qualquer um. O interrogatório a obstinada Hill tinha resultado muito decepcionante. Apenas havia conseguido saber a direção do estúdio da sua senhora, e para isso havia utilizado todos os seus Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 137.
    recursos. Pelo menosera melhor do que nada. Quando ele chegou lá, o duque ficou petrificado, nunca havia visto um edifício mais arruinado, com exceção talvez de algumas imitações de arquitetura européia em Mumbai. Aquele era o único a que Maggie podia permitir-se? Nesse caso, tinha uma outra razão para estar chateado com Sir Arthur; o seu orgulho obrigou a filha a alugar em um edifício inabitável. Não era de se estranhar que os apartamentos daquele bloco tivessem sido convertidos em estúdios de artistas; as únicas pessoas que poderiam habitar um lugar como esse eram pintores e escultores, que viveram em seu próprio mundo. O jovem tinha conseguido arrancar da criada a direção do estúdio, mas não o andar nem a porta, por isso o Duque começou a dar voltas pelos longos e escuros corredores, procurando a menina. Flutuou no ar um forte cheiro de terebentina, misturado com o cheiro de ópio, que o duque reconheceu por uma breve incursão feita para a Birmânia. Enquanto vagava pelos halls e corredores, viu muitos artistas pintando mulheres nuas, com modelos robustas e de aspecto estranhamente desagradável, que se sentavam em um trono de gesso, e o faziam em posições bastante grosseiras sobre Divãs sujos. Mesmo assim, alguns quadros eram muito bons. De repente, ao passar pelo estúdio de um homem que não estava pintando uma mulher, mas um homem nu, Jeremy, foi atacado por uma idéia perturbadora. Maggie havia pintado algum homem nu? Nesse caso, talvez ele não teria sido o primeiro a quem a menina tinha visto sem roupas ... A imagem de Margaret na companhia de um homem nu que não era ele o fez sentir-se muito desconfortável, e aumentou o seu desejo de encontrá-la em breve. Momentos mais tarde, colocou a cabeça pela porta encostada de um estúdio no terceiro piso e perguntou a um jovem que limpava com paciência os pinceis em uma tigela transbordante de cheia. - Desculpe-me, você poderia me dizer onde encontrar a Senhorita Herbert? O pintor deu um respingo, virou-se para olhar o visitante e tirou da boca o cachimbo de ópio. - Você quer dizer, Maggie? Ele perguntou em uma voz surpreendentemente aguda. -Eh, sim ", - responde Jeremy. Por acaso a menina era próxima de todos esses homens? Quando se tornar duquesa de Rawlings teria que pôr fim aquele excesso de confiança. - Qual é o seu estúdio? -Sexto-piso, porta esquerda - , foi a resposta lacônica. - Mas não se incomode em pedir-lhe que pose para você. Nem ela nem essa prostituta francesa, não tiram nem o casaco. Acredite em mim, eu tentei. Ele levou a canalização para os lábios e aspirou com languidez. - Todos nós pedimos. Jeremy pigarreou. -Está bem. Obrigado, de qualquer forma. -No entanto, se você quiser ir tomar um pouco de vinho, - acrescentou o jovem, quando o Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 138.
    Duque estava prestesa sair. - As mulheres que pintam são todas iguais, não tiram a roupa, mas são generosas com o álcool, continuou ele, olhando com ar carrancudo a tela que descansava sobre um cavalete no centro da sala. - Claro que elas podem pagá-lo. Todo mundo que lhe pintem um retrato, mas quase ninguém compra uma pintura dos portões da prisão de Newgate. O jovem Rawlings desviou o olhar da pintura deprimente. -Sim. Boa tarde, disse adeus à pressa antes que o pintor pudesse mostrar outra de suas obras de arte. Depois de subir três lances de escadas em ruínas, Jeremy ouvir a doce voz de Maggie no final do corredor. Não entendia o que dizia, nem tinha certeza de com quem falava, mas o coração deu uma volta de alegria, e todo o resto perdeu importância. Tinha finalmente encontrado Maggie. E, com passo firme, passou pela porta aberta do estudo. Capítulo 26 Maggie o olhou, incrédula. Tinha deixado o número vinte e dois de Park Lane pensando que, se algum dia voltasse a ver Jeremy, não seria até o final de um longo tempo. Então, vê-lo entrar do nada em seu estudo lhe causou uma impressão da qual ia demorar a se recuperar. Não é que o Duque tivesse mal aspecto. Absolutamente. Ele estava vestindo um traje a rigor, não um uniforme de gala, mas com um traje de noite na moda. Ele usava um casaco preto forrado com pele de castor sobre uma jaqueta preta e calças também pretas de corte impecável, camisa branca e colete, e um lenço na lapela. Usava sapatos lustrados e luvas brancas, impecáveis. Segurava um chapéu na mão e parecia que ele tinha tentado pentear-se, porém, ficou claro que nem mesmo a melhor cabeleireira poderia controlar seus cabelos. Apesar disso, para Maggie parecia incrivelmente bonito. A menina olhou furtivamente para Berangére, que, a julgar pela expressão de admiração com que olhava o duque, devia estar pensando a mesma coisa. -Oh, aí está você, - ele disse com indiferença, como se acabassem de se encontrar na rua. - Posso entrar? -Ah, isso, oi - gaguejou Maggie, deslocando o olhar de sua amiga ao duque. - O que aconteceu? - Presumia-se que estava zangada com ele, muito zangada! Tinha-lhe roubado a virgindade ... na verdade, não podia negar que ela a havia entregado, mas acreditou que não teriam que discutir por essas minúcias. Fosse como fosse, ela estava lá, Levantou-se com dificuldade do sofá e arrumou a saia. Quando percebeu que vestia a bata de pintar sobre o vestido, apressou- se a desamarrá-lo. Enquanto isso, pensava: 'Este homem te enganou. Te julgou com premeditação e maldade. Você não deve se mostrar amável com ele. " Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 139.
    - Quer umabebida? gaguejou pondo todo seu empenho em soar indiferente com ele. - Um pouco de vinho, talvez? "Eu adoraria, muito obrigado",- respondeu Jeremy. Mas o Duque já não a olhava. Após entrar no amplo estúdio de teto alto, começou a olhar com curiosidade as inacabadas pinturas que estavam apoiadas nas paredes, as prateleiras de madeira com obras concluídas, o acolhedor fogo crepitante na estufa, a tigela para limpar os utensílios cujas bordas estavam manchadas com tinta, e especialmente para a jovem loira que, com atitude felina, estava recostada no sofá em frente da janela. -Olá- se dirigiu a Berangére. A menina sorriu com uma expressão sedutora. -Olá. Você deve ser Jerry - respondeu, fazendo vibrar os dois "r" com sensualidade, apesar da olhada de advertência de sua amiga. - Isso mesmo? - respondeu o duque. - E você, quem é? -Se chama Berangére Jacquard- falou Maggie com um tom áspero do que teria gostado, - e estava prestes a sair. - Tanto Jeremy como Berangére se voltaram para olhar para olhá-la, piscando, assim não restou outro remédio a não ser proceder as apresentações. - Excelência, permita-me lhe apresentar a Mademoiselle Jacquard. Mademoiselle Jacquard, sua excelência, Jeremy, Duque de Rawlings. A pintora estendeu a delgada mão ao duque. -Je suis enchantée - sussurrou em um arrulho. -O prazer é meu ", disse Jeremy enquanto guiava a mão estendida e a levava aos lábios. Maggie percebeu que, com cavalheiresca galanteria, deu um beijo no ar a poucos centímetros da mão da menina. No entanto, não a soltou em seguida, mas parecia analisá-la. - Está posando para um retrato, Mademoiselle Jacquard? -Moi? - A garota riu com aveludada voz. - Non, non… -Berangére era uma de minhas colegas de classe na Academia de Paris. - Maggie interveio imediatamente. - E como eu veio a Londres para tentar a sorte com a pintura de retratos. Tem um estúdio alugado do outro lado deste vestíbulo. Na verdade, estava prestes a regressar ao trabalho, não é, Berangére? Durante todo esse tempo, a jovem Jacquard não havia parado de olhar para o rosto de Jeremy, e ele não lhe havia soltado a mão. —Il est superbe, princesse —lhe disse sua amiga. — Un duc diabolique. Vous étes une vraie imbécile. Maggie fechou os olhos e agradeceu a Deus por dentro de que seu amante não falava uma palavra de francês. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 140.
    -Perguntei-lhe se estavaposando para um retrato, mademoiselle Jacquard, porque não vejo restos de tinta em seus dedos. -O Duque continuou a considerar a mão da pintora com um ar pensativo. - Maggie sempre as tem manchadas. -Ah - exclamou Berangére. - É que, ao contrário Marguerethe, ponho luvas para pintar. As substâncias com as quais trabalhamos, como a terebentina ou óleo de linhaça, são muito agressivas para a pele delicada das mulheres, e eu quero manter as mãos o mais suave possível. Que estupidez era aquela? Maggie arrancou seu avental pintura. A ela lhe partia o coração, e esses dois falando sobre a pele das mãos de Berangére! Tinha que acabar com aquela conversa imediatamente. - O que te traz por Chelsea, excelência? - Perguntou enquanto enrugava o avental e o jogava desconsideradamente em um canto, antes de se aproximar da mesa onde guardava o vinho para servir a Jeremy. O Duque se endireitou e pegou a taça com uma mão enquanto balançava o chapéu com a outra. -Eu pensei que poderia passar por aqui para perguntar-lhe o que vai fazer esta noite. Tenho duas entradas para o balé, e eu pensei que poderíamos ir jantar ... - Para o balé? Repetiu Berangére, endireitando-se. Jeremy olhou sobre o ombro, era evidente que não entendia a mademoiselle Jacquard, nem a sua amizade com Maggie. -Sim, - respondeu voltando sua atenção para Maggie. - O balé. E antes ou depois, poderíamos ir jantar. A jovem mulher francesa se recostou no sofá de modo que pudesse olhar para o duque sem que ele a visse. -Je l'adore! Sussurrou para sua amiga com descaro. Maggie, consciente de que comparada com ela devia parecer um completo desastre, com as mãos e o rosto, ainda que não soubesse, manchadas de pintura, e um vestido de lã um tanto desbotado, decidiu que havia chegado o momento de deixar de fingir o papel de anfitriã. —Não creio que seja apropriado, excelência, que se deixe ver acompanhado de outra mulher que não seja sua prometida —ela alfinetou com aspereza. Jeremy tomou um gole de vinho. —Oh —contestou com exasperante naturalidade—. Não se preocupe por isso. Já cuidei desse pequeno detalhe. —Pequeno detalhe! —repetiu Maggie com incredulidade. Do sofá, Berangére movia a cabeça de um para outro como se estivesse num teatro—. Jerry, esse pequeno detalhe é a futura Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 141.
    duquesa de Rawlings! —Não—negou o duque—. Não é não. —Ah, não? —Maggie se sentia a ponto de explodir. Como se atrevia a negar o que ela e todos os demais leitores do jornal mais famoso do mundo haviam lido aquela manhã?—. Pois será melhor que diga aos redatores do Times, porque, diferente de mim, eles não acreditaram na sua ridícula desculpa de que a Estrela de Jaipur não é uma mulher, mas sim uma pedra. —Me agrada esta parte —comentou Berangére do sofá—. Me refiro a parte da pedra. A considero muito imaginativa. —Não é imaginativa —resmungou o jovem—. É a verdade. E não é uma pedra qualquer, é uma safira. De vinte e quatro quilates, para ser exato. — O senhor disse vinte e quatro? —exclamou a jovem francesa, endireitando-se—. Vinte e quatro? —Vamos, não me venha com historias —alfinetou Maggie com as mãos na cintura—. A Estrela de Jaipur mede mais ou menos um metro e cinqüenta e pesa uns quarenta e cinco quilos, tem olhos escuros, pés muito pequenos e um intérprete pessoal, que é sem dúvida de quem eu necessitaria, pois sem saber muito bem como, me tornei a amante do homem com quem vai se casar. —Você não minha amante — resmungou o duque, que fazia evidentes esforços para manter a calma—. Nem tão pouco vou me casar com ela. Maggie arregalou os olhos. —Entendo. Suponho que acontecem tão poucas coisas no mundo que os redatores do Times não tem mais o que fazer a não ser inventar historias para entreter seus leitores… —Eu não disse que inventaram — ele a interrompeu—. Só disse que a informação era incorreta. Ademais, já falei com os responsáveis, e se retratarão do que publicaram na edição de amanhã. —Oh, claro que sim —replicou Maggie com sarcasmo—. E também caíram do céu safiras de vinte e quatro quilates. —Está vindo alguém —disse Berangére de pronto, endireitando-se no sofá. Jeremy ignorou seu comentário. —Acreditas de verdade que tenho a intenção de te transformar em minha amante? — perguntou com evidente tom ferido, em com a voz mais baixa. Maggie desviou o olhar de seu rosto. Se alguém lhe tivesse formulado a mesma pergunta meia hora antes, havia dito que sim. Porém naquele momento, olhando o rosto sério do duque e sua expressão quase desesperada, se recordou das horas que haviam passado juntos, do modo em ele a abraçava e não pode evitar pensar que… Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 142.
    —Augustin! —exclamou Berangéreem um tom de alvoroço, levantando-se do sofá num salto. Maggie se virou; de pronto, lhe zumbiam os ouvidos. Não era possível. Aquilo não podia estar acontecendo. Mas estava. Augustin estava de pé na porta com o guarda chuva e a bengala em uma mão e um buquê de rosas brancas na outra. Por estar discutindo com Jeremy, ela não havia ouvido seus passos no corredor. —Boa tarde — disse de Veygoux com um tom levemente doído. Não era de estranhar que se sentira ofendido, pensou Maggie ao desviar a vista do terno de seu prometido, que também estava bem vestido. Ao olhá-lo no rosto, Maggie apenas pode engolir um grito ao ver os hematomas ao redor dos olhos, e o inchaço no nariz. Havia algodões manchados de sangue nos orifícios nasais e depois de subir seis lances de escada, respirava com dificuldade. E aquele era o homem a quem Jeremy acusava de tentar matá-lo! Era evidente que aquele jovem quase inválido estava tão dolorido que havia sido incapaz de brandir um punhal ainda que houvesse querido. Oh, não que culpasse o duque por suspeitar dele, mas a idéia era absurda. Não era seu prometido quem havia tentado matá-lo, ele não era capaz de algo semelhante… Pobre Augustin! Que mal se havia comportado com ele! Então Maggie se deu conta de que não podia encarar seus olhos. O que iria fazer? Tão cavalheiro como sempre, de Veygoux entrou no estúdio e, com uma inclinação de cabeça, estendeu a sua prometida o ramo de rosas. —Para ti, ma chérie —disse, e a Maggie não lhe passou desapercebida a olhada furtiva que ele dirigiu ao Jeremy, como se ele o desafiava a contradizê-lo—. Minhas desculpas pelo que ocorreu ontem a noite. Lamento que tenhamos que interromper a maravilhosa festa por aquele … desafortunado incidente. Maggie pegou o precioso ramo e agradeceu para si mesma que a florista se preocupou em tirar os espinhos dos talos, ainda que soubesse que sua terrível traição merecia castigo pior que uns espinhos. Oh, Deus, como iria contar a ele o que ocorreu? Sabia que aquilo iria feri-lo muito. —Eh —começou, com um arrependimento tão profundo que quase lhe dava náuseas. Contudo, confiava que ele não notava muito. Ela lhe diria mais tarde, disse para si mesma, quando estivesse sozinhos—. Muito obrigada. Não precisava fazer isso, sou eu quem devo me desculpar … —Não —interveio Jeremy com sua voz grave e calma. Maggie lhe lançou um olhar de advertência, temendo que repetisse a desastrosa cena da noite anterior. Contudo, o duque seguiu falando com um tom de extraordinária cortesia—. Sou eu quem deveria pedir desculpas. Me comportei de forma vergonhosa com o senhor de Veygoux. Quero lhe apresentar minhas mais sinceras desculpas —terminou enquanto estendia as mãos. Augustin não foi o único que lhe olhou com incredulidade. Tanto Maggie como Berangére, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 143.
    trocaram olhares rápidos,se voltaram também para ele, perplexas. “Que demônios pretende?”, pensou Maggie, abrumada. Por acaso a malaria lhe havia danificado seus miolos? Era possível que queria fazer amizade com seu prometido? Mas por que? De Veygoux foi o primeiro a recobrar-se; se inclinou adiante e apertou a mão do duque. Nenhum dos homens deixou transparecer seus sentimentos, porém Maggie supôs que guardavam rancor. —Aceito suas desculpas, excelência —disse o francês com cordialidade—. Devo lhe dizer que me alegra que se mostre tão protetor com mademoiselle Marguerethe. Suponho que está sabendo que ninguém de sua família a apóia, assim é bom saber que ao menor existe alguém cuidando dela. —Todavia, acredito que ontem fui longe demais —respondeu Jeremy com aspereza enquanto soltava as mãos, ruborizado pelas palavras do francês—. Maggie sempre foi... eh.... como um irmã para mim. E bem, só quero que ela seja feliz. —Eu também, excelência —assentiu o jovem levando um braço ao redor dos ombros de sua prometida e dando-lhe um apertão. Olhando-a com adoração, repetiu—. Eu também. Margaret forçou um sorriso. Oh, Deus, aquilo iria ser terrível. —E bem? —disse de pronto de Veygoux, com um tom de voz excessivamente alegre em comparação com o clima que reinava no estúdio—. O que o traz aqui, excelência? Queria ver a artista trabalhando? Aqui tem coisas maravilhosas. Veio em um bom momento, a manhã empacotaremos tudo para levarmos a Bond Street. Sabia que no sábado inauguramos uma exposição com suas obras em minha galeria? Virá a inauguração, verdade? —É claro — respondeu o duque, olhando Maggie, que lhe fazia sinais com a cabeça desesperada para que recusasse o convite—. Eu não perderia por nada. —Ótimo —exclamou o francês—. Não tenho a menor dúvida de que será um sucesso. Não me surpreenderia que lhe pedisse que expusesse na Academia Real de Artes no próximo mês de maio. Absolutamente não me surpreenderia. Nem tão pouco que recebesse uma encomenda do reino. Esta senhorita é excepcional. —É claro que é —afirmou o duque, sem tirar os olhos de cima de Maggie. De repente, Augustin pareceu se dar conta da direção do olhar de Jeremy, e que sua indiscrição havia ruborizado sua prometida. —Veio ver as pinturas de Marguerethe, verdade, excelência? —perguntou com aspereza. O coração de Maggie deu um pulo com a expressão de Jeremy, de quase diabólica complacência. “Ai meu Deus —pensou desesperada—. Ele vai lhe dizer!” Ela desejava que seu prometido soubesse do que aconteceu, mas não daquele modo. —De fato —começou o duque—. Vim… —Sua excelência veio me ver—lhe interrompeu Berangére no meio da frase, que havia Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 144.
    levantado imediatamente dosofá—. Ora, porque me olham tão surpresos? —exclamou rindo ao ver que todos, incluído Jeremy, se voltaram para ela, incrédulos. A jovem balançou a cabeça as mechas douradas lhe caíram na face; se postou ao lado dele e segurou seu braço com ambas as mãos. Era tão pequena que, comparada com o duque, tão alto, atlético e corpulento, parecia uma boneca. Maggie não pode evitar pensar no par que faria com a princesa Usha, e sentiu como se lhe atravessassem o coração com uma faca—. Ele vai me levar para jantar. Os duques também comem, sabiam? Igual aos demais mortais. Augustin sorriu, manifestamente satisfeito com o rumo que haviam tomado os acontecimentos. —Que coincidência —exclamou. — Marguerethe e eu também vamos sair para jantar. —E, ao ver o olhar confuso de sua prometida, acrescentou com tom ofendido—. Não esqueceu, certo? Nos prometemos ao Lord e Lady Mitchell que jantaríamos com eles. E se não quisermos chegar tarde, será melhor que te acompanhe a sua casa para que se troque de roupa, chérie. Meu chofer nos está esperando embaixo. Estás pronta? Maggie começou a sentir pontadas de dor de cabeça por trás do olho direito. —Sim, claro —respondeu, evitando o olhar de Jeremy—. Só me deixe pegar o casaco. “Por favor —começou a rezar para si mesma—. Meu Deus, não no permitas que ele diga nada a Augustin. Por favor, no deixe que diga nada como "Nos veremos em casa, certo, Mags?". Quero contar o que houve a Augustin da minha maneira, no momento oportuno” —Então, boa noite —disse o jovem Rawlings afastando-se para deixá-los passar. —Bonsoir —respondeu de Veygoux, pegando Maggie pelo braço e conduzindo-a pela porta. —Boa Noite —murmurou ela, com a voz tão baixa que duvidou se o duque pode ouvi-la. Quando estavam a ponto de chegar nas escadas e Maggie acreditava que estavam a salvo, ouviu a voz de Jeremy, que dizia: —Oh, certamente. — Maggie se paralisou no primeiro degrau. — Nos veremos em casa, certo, Mags? CAPÍTULO 27 —Estás fazendo tudo errado —comentou Berangére enquanto comia outro camarão. Do outro lado da mesa, Jeremy estava sentado com o queixo apoiado na mão, e com o cotovelo junto da tigela em que a jovem francesa despejava a casca dos crustáceos que devorava com admirável apetite. No que dizia ao jantar, o duque não conseguiu ingerir nada mais que duas doses de uísque. Berangére, ao contrário, havia engolido uma dúzia de ostras, uma terrinha de caviar, e aquela era sua segunda fonte de mariscos. —Não tenho dúvida de que estou fazendo algo errado —concordou o jovem com amargura—. Estou sentado em um restaurante que não suporto, com uma mulher que não conheço, e gastei uma fortuna em um par de entradas para o balé que não vou utilizar. Enquanto isso, a Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 145.
    mulher que amoestá Deus sabe onde com um homem que está tentando me assassinar. Sim, tenho a impressão de que estou fazendo algo errado. Com sua graça habitual, Berangére terminou de mastigar, e pegou a taça de champanhe. —É uma pena que não use as entradas —disse depois de esvaziar o conteúdo da taça—. Depois do que lhe custou consegui-las. As entradas para este balé se esgotaram faz semanas. Onde as comprou? Jeremy encolheu os ombros. —paguei uma fortuna a uma vendedor ambulante. A francesa ficou olhando para ele e soltou um carinhoso “imbécile”. —Como disse? —perguntou o duque, piscando. —Você ouviu. Gastou uma fortuna com dois ingressos e Marguerethe nem sequer gosta de balé. —Ah, não? —inquiriu, céptico—. Eu acreditava que isso encantava todas as mulheres. —Béte — lhe acusou a jovem francesa enquanto pegava outro camarão. — A Marguerethe, não. Diz que ver essas mulheres dançar na ponta dos pés a faz sentir como um elefante. — Meteu os dedos por dentro da casca do camarão e num instante estava com a suave carne entre seus dedos—. Eu sempre me encanto com a pompe do balé. Creio que poderia ter sido uma grande bailarina. Sou muito magra e tenho os pés bonitos —disse vaidosa, olhando seu acompanhante—. Quer eu te mostre, Jerry? Jeremy a olhou e piscou. Berangére era uma mulher muito charmosa, inclusive mais que Maggie, ainda que nem tanto como Usha. Tinha o cabelo dourado, a pele de porcelana, impressionantes olhos azuis e uma boca rosas no forma de um arco do cupido. Aquela noite, a jovem tinha insistido em que parasse em sua casa para que pudesse se trocar para o jantar, e ao vê-la sair do toucador com um vestido de noite, o duque se deu conta de que, ainda que delicada como uma menina, a figura de Berangére não tinha nada de infantil; tinha os peitos pequenos mas empinados, a cintura fina e nádegas bem definidas cujo tecido rosa de seda as tornava ainda mais atrativas. Em qualquer outra circunstancia, o duque teria pulado da cadeira diante do seu convite de olhar os pés de uma mulher como Berangére Jacquard. Contudo, naquele momento, tinha tanta vontade de fazê-lo como de assistir o balé. A jovem francesa não se mostrou nem um pouco ofendida por seu desinteresse. De fato, pareceu encantada. —Ah —disse mordendo o camarão—. Me parece muito bem. O duque a olhou com uma expressão triste. A orquestra havia começado a tocar uma polca e, no cenário, as bailarinas levantaram os calcanhares e agitaram as saias, revelando as meias pretas. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 146.
    No sabia seera por causa do uísque, do barulho, ou pelo fato de que Maggie estava em algum lugar de Londres com outro homem, mas o jovem começou a sentir dor de cabeça. —O que disse? —Que me parece muito bem —repetiu Berangére—. Por Marguerethe. —Me alegro de que te pareça bem —respondeu o duque rindo com amargura—. O problema é que Maggie não parece pensar o mesmo. - Esse não é o problema. Jeremy ofegou. — O problema é esse francezinho. —Não, esse também não é o problema —replicou a jovem com a testa franzida. —Não irás me dizer agora que o problema é Usha —disse o duque arregalando os olhos. —Não. O problema é Marguerethe. —Maggie? —perguntou olhando a jovem francesa com curiosidade—. A que se refere? Então foi Berangére quem arregalou os olhos. —Mon Dieu! Pensa um pouco, Jerry. —Pensar não é meu forte — ele disse com franqueza—. Me dou muito melhor em destruir as coisas com as mãos. Ela ficou olhando as mãos grande e bronzeadas que pegavam o copo de uísque e limpou a garanta, incomodada. —Sim, já percebi. Mas estamos falando de amor, e não de sufocar uma rebelião. Para seduzir Marguerethe é preciso finesse, e não socos. —Me ajudarias a conquistar Maggie? —ele perguntou com receio. A jovem parecia surpresa. —Ela é minha amiga —respondeu, indignada. —De verdade? —inquiriu Jeremy cético—. Mas nem sequer a chama por seu verdadeiro nome. —Non —objetou a moça com segurança—. É você que não a chama pelo seu verdadeiro nome. Ela se chama Marguerethe, e não esse horrível som gutural de Maggie —argumentou, dando de ombros—. Ah! Nunca vou entender como é possível que os ingleses escolham nomes tão bonitos para logo arruiná-los… —Está bem. —O duque a interrompeu antes de que pudesse começar outro discurso acerca da Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 147.
    superioridade da culturafrancesa sobre a inglesa. Durante aquela noitada já teve que suportar vários desses sermões—. Concordo. Dizias que Maggie é tua amiga. —Sim. E eu quero que minhas amigas sejam felizes —começou a francesa dando de ombros graciosamente—. Especialmente ela. É a moça mais doce e bondosa que já conheci —explicou enquanto balançava de forma irritante sobre outro camarão—. Sua família a tem tratado de uma maneira horrível. As vezes entro em seu estúdio e a encontro chorando, chorando!, diante do cavalete. E por todo o modo em que seu pai e essas suas irmãs sujas, bah!, a abandonaram, quando podia ser tão fez, agora que tem seu talento reconhecido. —Berangére fixou os olhos em seu acompanhante—. Gostaria muito de vê-la feliz. E se para isso necessita de você, farei o que estiver em minhas mãos para que consiga … ainda que isso signifique conspirar contra ela. Jeremy se viu piscando de novo, olhando perplexo a jovem francesa. A veemência com que havia se expressado lhe recordava um pouco sua tia… contudo, sabia que Pegeen nunca se havia oferecido para lhe mostrar os pés em um restaurante. —Estou de acordo. O que sugere, então? A primeira sugestão de Berangére foi pedir outra garrafa de champanhe; pois tinha sua taça vazia. A seguinte, era que devia convencer a família Herbert para que aceitassem a decisão de Maggie de que se dedicara profissionalmente a pintura de retratos. —E, como supõe que devo fazer isso? —inquiriu o jovem, resistente. A jovem sorriu enquanto o garçom servia o champanhe. — E eu que sei! —exclamou quando este último se retirou—. És um duque. Não podes ordenar-lhes que o façam? —É claro de não —replicou Jeremy. Berangére pareceu surpresa. —Então, que graça tem ser duque se não podes obrigar as pessoas a fazer o que desejas? —Nenhuma. Isso é que eu tento fazer as pessoas entenderem. Tudo isso é uma mentira. —Hum. —A jovem francesa bateu impaciente na sua taça de champanhe—. Pois isso não pode acontecer. Marguerethe necessita da aprovação deles, entende? Diferente de mim, lhe importa muito o que suas família pensa dela. O fato de que não falam com ela lhe tem feito muito dano. Eu acredito que se apega a Augustin porque é a única pessoa que esteve ao seu lado quando seu pai lhe deu esse … Como se diz? Ah, sim, ultimato. Por isso, se conseguires fazer-los mudar de opinião, conseguiríamos transferir essa gratidão de Augustin para ti. —Por quê? Berangére revirou os olhos. —Stupide! Porque para que deixe de se sentir em dívida com Augustin, tem que se sentir grata a outra pessoa. Se conseguir lhe devolver o amor de sua família, se dará conta do grande favor que você lhe fez e vai querer te oferecer algo em troca. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 148.
    —Certo —assentiu oduque—. Farei isso. —Ainda que não saiba como, porém terei que fazer. Farei o que for—. Alguma outra idéia? Berangére baixou a taça na mesa. —Oui. Tens que pedi-la em casamento. Estou certa de que um moça como Marguerethe gostaria, sobretudo depois de ter feito amor pela primeira vez. —A francesa olhou o duque com cumplicidade—. As jovens inglesas são muito antiquadas. Jeremy arqueou uma sobrancelha. Assim que Maggie a havia contado que tinham feito amor? Santo Deus, não tinha nem idéia de que as mulheres conversavam sobre essas coisas. Por acaso não lhe havia pedido em casamento aquela manhã? Depois de refletir um instantes, se deu conta de que talvez não. Estava difícil de se lembrar. Haviam feito amor meia dúzia de vezes e logo… Não, não havia proposto. Que falta de consideração! Não lhe estranhava que estivesse tão aborrecida. —Eu farei —disse olhando a francesa—. E agora, posso perguntar algo? —Claro —respondeu Berangére com uma respeitosa inclinação de cabeça. — Qual é a verdadeira razão que te move a me ajudar? —disse encarando-a—. Não será porque assim podias dizer a todo mundo que és amiga da duquesa de Rawlings? —Mas é claro —sorriu Berangére - é claro que sim. CAPÍTULO 28 Quando Maggie chegou em Park Lane, estava cansada e com dor de cabeça. Foi um verdadeiro alivio entrar em seu quanto e fechar a porta, mesmo que tenha estranhado não ter se encontrado com Jeremy na escada. Não se atreve a perguntar a Evers se sua excelência estava em casa, pois não queria chamar a atenção para o fato de que provavelmente voltariam a passar a noite sozinhos na mesma casa. Todavia, depois da desagradável cena no seu estúdio, era possível que Jeremy tivesse encontrado outro lugar onde dormir. Com a princesa, por exemplo. Maggie tentou com todas suas forças deixar de pensar nele; não era assunto seu. Por ela, podia até dormir no pé da cama de Usha. A único coisa que queria era ir para cama, sozinha. Porém, antes teria que se livrar de todas esses grampos que Hill lhe havia colocado para tentar controlar a cabeleira de cachos escuros e pentear o cabelo; seu couro cabeludo doía. —Hill? —chamou ao entrar em seu quarto. Alguém havia acendido a lareira e preparado a cama, mas não havia nem rastro de sua criada. Jerry, o cão, saltou dentre as almofadas da cama e rodeou sua dona latindo com entusiasmo. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 149.
    —Bonsoir, Jerry —disseMaggie enquanto lhe carregava no colo e coçava suas orelhas—. Ça va? Hill já te levou para passear? —Pelo modo que o cãozinho havia relaxado a cabeça enquanto lhe acariciava, era evidente que não tinha vontade de sair—. Já vi que sim. E onde está agora, hein? Aposto que está lá embaixo. Maggie tocou o sino apenas uma vez. Sentou-se no toucador, pôs Jerry no colo e começou a tirar as luvas compridas que iam até os cotovelos. Pensou que tal vez fosse melhor tirá-las sem a criada; no queria ter que suportar outro discurso sobre a situação inapropriada de permanecer naquela casa sem Lord e Lady Edward. Ao chegar e perguntar a Evers, este lhe havia confirmado que os senhores ainda estavam em Yorkshire e, a julgar pelo modo em que havia desviado o olhar ao pegar o casaco da jovem, era evidente que o mordomo desaprovava aquela situação tanto como Hill. Outra mancha em seu bom nome; um final digno de horrível dia como aquele. Maggie franziu o cenho enquanto despejava as luvas e começava a tirar as jóias. Havia sido uma noitada horrível. O que havia começado como um grande incômodo terminou sendo simplesmente espantoso. Augustin, decidido a demonstrar-lhe que mesmo que o duque lhe tivesse arruinado o nariz não lhe havia ferido o ânimo, havia insistido em lhe levar de um local a outro depois de jantar, sem ter em conta nem sua dificuldade para respirar, devido aos algodões que lhe tapavam o nariz, nem o cansaço de sua prometida. Maggie nem sequer se deu ao trabalho de fingir que estava bem, pois parecia que aquilo não importava a de Veygoux; havia decidido confortá-la, e estava resolvido a fazê-lo. Era como um homem possuído pelo demônio. E Maggie sabia muito bem que esse demônio era Jeremy Rawlings. A jovem entendia Augustin, e não lhe culpava pelo que queria fazer. Compreendia seus sentimentos… ou ao menos nisso acreditava. Devia ser humilhante para um homem receber um soco na presença de sua prometida. Ademais, não pôde devolver-lhe o golpe, pois o duque o havia derrubado de primeira. Como se isso fosse pouco, no dia seguinte Jeremy lhe havia pedido desculpas, de modo que de Veygoux nem sequer pode desafiá-lo; ainda que jamais teria sobrevivido ao duelo. Fosse qual fosse a arma que tivesse escolhido, a pistola, a espada ou o corpo a corpo, o duque de Rawlings teria acabado com ele sem nenhuma dificuldade. Pobre, pobre Augustin. Nem mesmo sabia que havia sido derrotado em outra arena… e em momento algum durante toda a noite Maggie teve a intenção de contar-lhe. Ou, talvez aquilo não foi de todo certo, mas não tinha encontrado o momento oportuno… se é que há um momento oportuno para confessar ao homem com quem estava prometida que havia perdido a virgindade com outro. Aquela noite, o jovem francês parecia estar de muito bom humor, e não cessava de falar com entusiasmo sobre a exposição de sábado e dos planos do futuro para sua carreira de pintora. Essa conversa evitou a Maggie ter que responder a perguntas embaraçosas sobre o comentário de Jeremy quando haviam saído do estúdio. Se a tivesse interrogado, ela decidiu assegurar-lhe, sem importar se fosse verdade, que a tia do duque havia regressado de Yorkshire, motivo pelo qual não haveria nenhum inconveniente para que dormisse em Park Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 150.
    Lane. Contudo, acegueira de seu prometido ao que ocorria diante de seu nariz quebrado não deixava de ser estranha. Era possível que de Veygoux não estivesse tão apaixonado dela como acreditava? Havia alguma possibilidade de que sua relação acabaria em uma boa amizade? Não, deixar Augustin sem ferir seus sentimentos era pedir demais. Essas coisas não aconteciam; não choviam safiras de vinte e quatro quilates, os duques não deixavam uma princesa por uma pintora, e as senhoritas não podiam abandonar seus prometido sem romper- lhe o coração. Ao pensar naquilo, lhe ocorreu que Jeremy devia estar coma princesa. O duque não era o tipo de homem que passa a noite sozinho. Assim que, sem não estava com ela, com quem estava então? Depois da forma desagradável que o havia tratado no estúdio, como iria querer passar a noite com ela? Não cabia duvida de que Maggie no havia feito nada para dar-lhe a entender que seria bem-vindo em sua cama. E, claro, ele não era. E ela o iria demonstrar. No dia seguinte, pediria um empréstimo a Augustin que poderia devolver-lhe depois da exposição, e se mudaria para um hotel. Ao Dorchester não, claro. Certa de que seu prometido poderia dar-lhe a referencia de um hotel decente; assim não teria que voltar a pensar em armas e princesas. Viveria por sua conta, como quando estava em Paris. Diria ao duque que, por ela, podia ficar com sua charmosa princesa. Seria melhor assim. Muito melhor. A jovem esboçou um sorriso ao recordar a surpresa que foi aquela manhã ao despertar-se nos braços de Jeremy… ou melhor dizendo, com Jeremy dentro dela! Lhe parecia escandaloso, mas também maravilhoso. Como seria despertar cada manhã ao seu lado, sentindo sua doce respiração no seu cabelo? Valeria a pena?, se perguntou enquanto afrouxava o corpete de cetim rosa. Compensaria despertar cada manhã entre os braços de Jeremy os inconvenientes de ser duquesa? Não estava segura. Maggie deixou os brincos na prateleira de cristal da penteadeira e se levantou. Depois de desabotoar os colchetes das costas, tirou o vestido deixando-o cair no chão e começou a desatar a cinta da roupa de baixo. Talvez Jeremy tivesse razão. Talvez pudesse ser duquesa e continuar pintando. No fim das contas, inclusive a rainha fazia isso de vez em quando. Não organizava exposições, mas sempre encontrava tempo para pintar. Não que isso mudasse as coisas, pois o duque não a pediu em casamento em nenhuma de suas conversas, nem antes nem depois de fazer amor com ela, havia mencionado matrimonio. Oh, tinha assegurado que não se casaria com a Estrela de Jaipur, porém não disse que queria se casar com ela. Vestida só com a calça e o corpete, Maggie voltou a se sentar na frente da penteadeira e ficou olhando sua imagem no espelho, enquanto tirava os grampos do cabelo. Como podia ter se enganado tanto com ele? Justamente ela que o conhecia tão bem. Havia sucumbido a sua galanteria? Não tinha dúvida de que, apesar da cor amarelada de sua pele, seqüela da malaria, e do nariz um pouco torcido, era muito charmoso. Na verdade, ele parecia mais lindo do que cinco anos antes. Mesmo que cinco anos atrás não teve o privilégio de vê-lo nu. Depois de sua noite juntos, sua opinião sobre o aspecto do jovem havia melhorado mil vezes. Inclusive Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 151.
    enquanto dormia, seusbíceps eram impressionantes, e as linhas do seu abdômen eram incríveis. Maggie ficou ruborizada só de pensar na esteira de pelos negros que desciam até o meio de suas pernas. Não, não havia a menor dúvida, em questão de físico, Jeremy era quase perfeito. De fato, também era quase perfeito intelectualmente, e compensava o que lhe faltava de formação com sua vivaz inteligência. Além do mais, era divertido; lhe fazia rir, inclusive quando estava a ponto de chorar, pois gozava de um agudo sarcasmo e um gênio mordaz. Tampouco ninguém poderia duvidar de sua valentia, ainda que se pudesse acusá-lo de temerário, já que se descuidava de sua própria segurança. Na noite anterior lhe haviam cravado uma navalha no ombro, e tinha dado tão pouca importância que uma hora depois estava fazendo amor com arrebatamento. Se existia de verdade o homem perfeito, era Jeremy, apesar de sua tendência para violência. Maggie não podia culpar a princesa por ter se apaixonado por ele, afinal, ela tinha feito o mesmo. Quando Maggie conseguiu tirar o último grampo que sustentava o penteado, a espessa e brilhante cabeleira lhe caiu sobre os ombros. Com um suspiro, pegou a escova de crina de cavalo e começou a desembaraçar as mechas, tentando alisar os nós. Não era tarefa fácil, e logo cansou seu braço. Aquela semana havia estado pintando durante mais de dez horas cada dia para terminar alguns quadros para a exposição de sábado. Havia momentos em que doíam tanto as mãos que parecia não poder mais levantar-las, e aquele era um desses momentos. Apenas havia descansado durante as últimas vinte e quatro horas, e sentia que não teria forças nem para se pentear. Seria melhor que deixasse Hill fazer isso na manhã seguinte. Maggie deixou a escova e ficou sentada em frente ao espelho com o olhar perdido em seu colo. Confiava que a exposição de sábado seria um êxito. Ao menos, assim podia deixar de se preocupar com seu futuro financeiro a curto prazo. Enquanto estava ali sentada, percebeu que alguém entrava no seu quarto. —Oh, Hill. Pode pentear meu cabelo? —disse sem levantar a cabeça, certa de que era a sua criada—. Esta noite não tenho forças nem para isso. Então sentiu que lhe levantaram a massa de cabelos e deixou escapar um suspiro de alivio. Contudo, em vez de sentir a escova na nuca, notou um suave pressão de uns lábios no local. Com um grito aflito, ergueu a vista ao espelho e se deparou com o sorridente reflexo de Jeremy. CAPÍTULO 29 —O que está fazendo aqui? —exclamou Maggie, virando-se na banqueta de veludo. Jeremy deu de ombros com um amplo sorriso nos lábios. —Vivo aqui, lembra? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 152.
    O duque estavaatrás dela, com um copo de uísque pela metade nas mãos; estava sem jaqueta, suéter ou cachecol, e tinha os três ou quatro primeiros botões da camisa aberto e parecia completamente indiferente ao estado de cólera de Margaret. Estava arrebatador. A tênue luz do fogo que crepitava na chaminé lhe iluminava metade do rosto, ainda assim viu a centelha prateada em seus olhos enquanto a olhava com uma expressão que dizia que ele havia acabado de se dar conta de que ela só estava com as roupas de baixo. Maggie vislumbrou o espesso emaranhado de pelos negros que cobria o peito dele através da parte aberta da camisa. — O que dizias do seu cabelo? —Oh! —Maggie se levantou com os punhos apertados ao lado do corpo—. Pensei que era Hill. O que fez com ela? —A sua criada? —Jeremy arqueou uma sobrancelha—. Nada. Por que sempre pensas mal de mim, Mags? é um defeito muito feio. —Quando se trata de ti, não posso evitar pensar mal —ela alfinetou—. E agora me diz onde está Hill. —Ela sofreu um pequeno acidente —respondeu o jovem com expressão sombria. —Que tipo de acidente? —perguntou Maggie segurando um grito—. Como pode tê-la machucado, canalha… —Não, não se trata desse tipo de acidente —se defendeu o duque, arregalando os olhos —. Acontece que ela tomou por engano uma xícara de chá que era para mim, e agora deve estar dormindo no seu aposento. —Oh, entendi. Uma xícara de chá que era para ti. —ela replicou—. E, o que tinha nesse chá, posso saber? —Nada que lhe possa causar dano permanente —ele assegurou—. Só um pouco de ópio. —Ópio! —Maggie se viu de boca aberta, sem acreditar no que ouvia—. Você drogou a minha criada? Jeremy fez uma careta e lançou um olhar para a porta do quarto. —Não lhe causará nenhum dano. E não aumente a voz, sim? Pois não droguei os demais criados. A menos que queiras que Evers venha e jogue a porta abaixo, sugiro que… —Assim que admites? —Maggie levou as mãos às bochechas—. Admites tê-la drogado? —Claro que sim —disse o duque descuidadamente, como se fosse a coisa mais normal do mundo—. Depois de como ficaste nervosa hoje de manhã pelo que poderia dizer a Hill sobre o fato de que nós passamos a noite na mesma casa sem acompanhante, me pareceu o mais sensato. Caso contrário, como poderia ficar sozinho contigo esta noite? —Ficar sozinhos… —Com um olhar fixo em Jerry, a voz de Maggie foi se apagando. Aquele Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 153.
    homem estava louco;a malaria devia ter feito danos no seu cérebro. Estava sozinha em seu quarto com um lunático, que acima de tudo havia drogado a sua criada—. Jeremy! —exclamou por fim—. Não podes sair por aí drogando as pessoas! —Por que não? —O jovem começava a se cansar daquela discussão. Observar Maggie dar voltas pelo quarto em pleno estado de fúria tinha seus atrativos, sobretudo se levasse em conta que ela só vestia o corpete e a calça, contudo, havia coisas mais interessantes para fazer, e decidiu que havia chegado momento de redirecionar a conversa para um fim mais proveitoso—. Eu consegui o que queria: que você e eu voltássemos a ficar a sós. E para se assegurar de que seria exatamente assim, o duque atravessou o quarto em três passos e se deteve diante da porta. Deixou com cuidado o copo uísque, se inclinou e fechou a porta com chave para que ninguém pudesse entrar. Em seguida, olhando para Maggie com expressão desafiadora por cima do ombro,o duque tirou a chave da fechadura e a meteu no bolso da calça. Só então se ergueu e se voltou com um amplo sorriso que a jovem só poderia descrever como diabólico. Un duc diabolique. Berangére não estava equivocada. Margaret o encarava como alguém que havia perdido a cabeça. Por um lado, lhe parecia gracioso que o duque de Rawlings se trancava no quarto com a filha de seu administrador, porém, por outro lado, tudo aquilo não tinha uma ponta de engraçado. De fato, só de pensar que estava trancada com ele em seu dormitório, lhe acelerava o pulso. Não precisava ser gênio para imaginar o que iria ocorrer depois. Não obstante, isso não significava que tivesse de aceitar. Ao contrario. Quem ele pensava que era? Não podia sair por aí drogando as criadas e se trancando no quarto de uma mulher. Como podia se comportar daquele modo um herói militar? Se o que havia planejado era outra noitada como a noite anterior, iria ficar surpreso, pois Maggie não tinha a menor intenção de voltar a se deitar com ele, nem agora nem nunca. —Muito bem —começou, cruzando os braços, com a esperança de que ele não notasse que seu coração palpitava a toda velocidade—. Suponho que estás orgulhoso de ti mesmo. Nas últimas vinte e quatro horas, quebrou o nariz de um homem, sofreu uma tentativa de assassinato… —Duas vezes —pontuou Jeremy. —Duas vezes? — Maggie não pode evitar uma expressão de surpresa. —Isso mesmo. Alguém tentou me atropelar esta manhã, quando saía do escritório do Times. —Oh —disse Maggie—. Depois de seduzir a prometida de outro homem, de anunciar teu compromisso com uma princesa indiana no Times, de drogar uma criada, agora te trancas com uma mulher que te despreza. Parabéns. Estou segura de que a rainha estaria encantada de saber como se comportam seus oficiais quando não estão de serviço. —Você não me despreza —replicou o duque com segurança. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 154.
    —Ah, não? —Margaretarqueou uma sobrancelha, cética—. De verdade? Você se esqueceu de mim durante cinco anos, te comprometeste com uma princesa indiana, agrediste meu prometido e me roubaste a virgindade. Sim, Jeremy, creio que tenho boas razões para te desprezar. —Eu não roubei a sua virgindade —esclareceu—. Você a me deu. —Poderias tê-la recusado. —Eu? —o jovem começou a rir—. Recusar o oferecimento de uma mulher bonita? Maggie apontou para a porta aborrecida. —Saia daqui agora mesmo —lhe disse, acompanhando cada palavra com uma batida de pé. —Vamos, senhorita Herbert —exclamou o duque, encantado, ignorando seu pedido de que fosse embora—. Estás enciumada! —Eu! —exclamou Maggie com desdém, como resposta a aquela indigna sugestão—. Nunca. —Sim —respondeu Jeremy, balançando a cabeça. Enquanto lhe cercava com um sorriso, Maggie viu como brilhavam seu dentes brancos a luz do fogo. Se deteve a um palmo dela, estendeu o braço e levou um dedo debaixo de seu queixo obrigando-a a olhá-lo—. Sim — repetiu com expressão de satisfação—. É evidente, está claro que estás enciumada, Mags. Mas por que? Suponho que não acreditas que tenha havido algo entre mim e a senhorita Jacquard, certo? Afinal, creio já ter deixado bem claro que és a única mulher que amei na vida. Maggie se estremeceu e afastou a cabeça com uma sacudida. A proximidade do corpo masculino lhe entrecortava a respiração, por si só já dificultada por causa da opressão do corpete. —Estavas com Berangére? Então… você e princesa não… —Se calou, pois não tinha sentido terminar uma pergunta que já sabia a resposta. O duque negou com a cabeça; já não sorria, e tinha uma expressão de tristeza nos olhos prateados. —Meu Deus, Mags. Que tipo de pessoa acha que sou? Não ouviu uma palavra do que tenho lhe dito? Para mim só existe uma mulher e é você, ainda que não consiga ver isso já que é teimosa como uma mula. Para que fique sabendo, passei a tarde toda escutando sua amiga Berangére falar de ti —continuou enquanto he afastava alguns cachos da bochecha—. Ela é muito melhor amiga sua do que você é consigo mesma. Oh, Deus. O que ela contou a ele? Berangére era uma fofoqueira nata, e adorava fofocar. Tanto quanto a pesqueira da esquina. Só Deus sabia o que ela havia dito a Jeremy. — O que quer dizer com isso? —perguntou Maggie na defensiva. — Que a senhorita Jacquard está de acordo comigo —contestou. Depois de afastar as mechas de cabelo, o duque acariciou sua face, percorrendo com o calejado dedo indicador o suave Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 155.
    arco do rostodela, sua mandíbula e seu ombro. Maggie tentou dissimular o calafrio que lhe percorria o corpo com aquela caricia. Todavia, lhe resultava mais difícil de ocultar o estremecimento de seus mamilos endurecidos no corpete, e rezou para que Jeremy não se desse conta. —Em que ela está de acordo contigo? —perguntou, com intenção de distraí-lo. —De que, se te casares com Augustin, vais cometer uma estupidez —contestou ele com a voz mais suave que se poderia imaginar, enquanto percorria com doçura o perfil de sua clavícula. —E Berangére sabe que desapareceste da minha vida durante cinco anos? —perguntou a jovem; notava a boca seca só de pensar em que o duque podia fazer ao dar-se conta de que como suas caricias haviam endurecido seus mamilos—. O que esperava que eu fizesse? Me sentasse para esperar a sua decisão de regressar? Por acaso eu não teria direito de viver minha vida enquanto isso? —A única coisa que tinha de fazer era me mandar uma carta, Mags. —O duque deslizou o dedo até o lugar em que começava a curva do seio direito, no ponto onde a jovem sentia que seu coração retumbava com força—. Uma única linha teria bastado para que eu voltasse para casa de imediato. —Verdade? —inquiriu Maggie arrastando as palavras, procurando converter sua perturbação em sarcasmo. —Sim —respondeu Jeremy. Estava tão perto dela que a jovem percebia o aroma limpo que emanava de seu corpo. Se estendesse os braços poderia acariciar seu peito cabeludo, que via através dos botões aberto da camisa—. Esperei durante cinco anos que me escrevesse uma carta, que me desse alguma pista sobre se me restava alguma esperança, até o dia em que minha tia me disse que havia te comprometido com outro homem. —Tua tia? —Maggie pestanejou, confundida—. Lady Edward? —Me escreveu há alguns meses, informando que havias anunciado teu compromisso — admitiu o duque. Satisfeito viu que aquilo a deixava de boca aberta—. Antes de eu ir para a Índia, lhe pedi que me mantivesse informado de todas as suas atividades. Sempre que ouvia qualquer coisa através de tua mãe ou tuas irmãs, ela me contava em suas cartas. Quando soube do seu plano de casamento, me escreveu, e eu embarquei no primeiro navio que partia para Inglaterra. —Você… —Maggie estava consciente de que não parava de abrir e fechar a boca, como um peixe fora d’água, mas não podia evitar. Não podia crer no que Jerry acabou de lhe contar. Tinha voltado para a Inglaterra só porque sua tia lhe contou que estava prometida? Havia viajado ainda doente de malaria para evitar que se casasse com outro homem? Isso significava que ele sempre sabia, e que aquela noite no baile estava fingindo não saber só para se divertir vendo como ela balbuciava uma explicação. —Então você sabia! —exclamou furiosa, afastando a mão do peito—. Na noite que chegaste Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 156.
    em casa ete sentaste na minha cama… E no baile, fingiste… —Sentindo que estava a ponto de explodir, inspirou profundamente—. Enquanto, eu me martirizava pensando em como iria lhe explicar. E você foi a festa com a intenção de bater no Augustin, verdade? Querias me humilhar diante de todo mundo! —Vamos, Mags —respondeu Jeremy, levantando o dedo indicador como um gesto de advertência. Contudo, seus prateados olhos revelava uma expressão divertida—. Não perca a estribeira. Maggie deixou escapar um grito afogado, e apertou os punhos. Antes que o duque pudesse argüir mais alguma coisa em sua defesa, a jovem avançou sobre ele com os punhos fechados na frente. Graças ao seu treinamento militar, o coronel se afastou a tempo para se esquivar do primeiro soco, dirigido a sua boca. Não obstante, para sua surpresa, Maggie mudou a direção no último momento e lhe bateu no estômago. O golpe nem doeu, pois ela não tinha força suficiente no braço e seu abdômen eram duros como aço, mas lhe deixou estupefato, sobretudo porque foi ele quem ensinou a ela aquele golpe quando eram crianças. —Parabéns —exclamou com um sorriso, endireitando-se—. Já vi que andou aperfeiçoando esse golpe. —Você! —foi todo que ela podo dizer entre dentes, por causa da dor em sua mão direita. Quem diria que o estômago de um homem poderia chegar a ser tão duro? Parecia que tinha golpeado uma parede—. Sai do meu quarto! —Vamos, Mags —respondeu Jeremy enquanto a olhava dar voltas ao seu redor, buscando um ponto frágil onde bater—. Isso é ridículo. Você vai se machucar. Por que não conversamos como adultos? Afinal, acredito que já não somos mais crianças… Com um grunhido de pura raiva, Maggie avançou de novo sobre ele, mas dessa vez com ambos os punhos com a intenção de fazer de sua cara um mingau. Mais alarmado pelo estranho grunhido do que pelo novo ataque, o jovem a segurou pelos pulsos, o que causou uma atrativa abertura no corpete. Como não queria se render sem lutar, Maggie lhe deu chute na canela, porém o único resultado foi arrebentar seus dedos contra o osso duro e deixou escapar um grito de dor. Então Jeremy perdeu a paciência. —Está vendo? —a repreendeu enquanto ela se retorcia entre seus braços, tentando se libertar das fortes mãos que lhe agarravam os pulsos—. Eu disse que ia se machucar e veja o que aconteceu. —Me solta! —grunhiu a jovem. —Não te soltarei até que tenha se acalmado —ele explicou—. És uma ameaça para ti mesma… Ah! —Essa última exclamação foi provocada por uma mordida de dentes pequenos e afiados que recebeu nos dedos. Depois de ver com uma rápida olhada que não estava sangrando, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 157.
    Jeremy ficou olhandoMaggie com uma expressão de absoluta perplexidade—. Será… Maggie não ouviu como termina a frase, porque na segunda sílaba sentiu que o ombro do duque se fundia no seu estômago, cravando a armação do corpete na sua costela e deixando-a sem respiração. Um segundo depois, notou que seus pés se ergueram do chão e sua cabeça caia pendente sobre o amplo corpo do duque, de maneira que toda seu sangue lhe subi até a raiz do cabelo. —Que demônios pensas que estás fazendo? —perguntou ofegante, quando conseguiu colher ar suficiente para falar. —Algo que passei o dia todo esperando —resmungou ele enquanto lhe passava um braço pelas nádegas, enquanto com o outro segurava os tornozelos para evitar que lhe desse um chute enquanto andava. — Me abaixe, seu bárbaro! —balbuciou a moça. Fora as calças de Jeremy, a única coisa que via era o chão se mover rapidamente debaixo de sua cabeça. Estava tão enjoada que havia perdido o sentido de orientação e não tinha idéia de onde a levava. Pensou que andava com ela pelo corredor e fosse deixá-la na rua, assim que começou a gritar com mais energia—. Me põe no chão! —Com muito prazer. E, como se fosse um saco de batatas, a fez voar pelo ar. Maggie gritou aterrorizada ao sentir que o quarto começava a dar voltas ao seu redor, mas logo se deteve quando aterrissou no colchão macio de sua cama. Apoiando-se sobre os cotovelos, com os dedos, os pés e as costelas doloridas, Maggie afastou o cabelo do rosto e encarou Jeremy, que a observava de pé ao lado da cama. —Vai se comportar com sensatez? —ele perguntou com educação. Embora, enquanto percorria o corpo dela com o olhar, seus olhos prateados brilhavam com uma fúria e paixão que não tinham nada de educado. Ela o encarou; tinha o cabelo alvoroçado e o peito coberto de pelo negro que se movia para cima e para baixo dão de pressa como o seu. —Não! —ela disse com o mesmo ressentimento com que lhe respondia essa pergunta quando eram crianças, quando Jeremy lhe dizia que, como ele era o mais velho, era o mais maduro. Os olhos prateados faiscavam. —Não? —Os lábios esboçaram um sorrido complacente, e a jovem sentiu que seu coração dava voltas—. Não sabes como me alegra ouvir isso. CAPÍTULO 30 Quando viu que Jeremy se lançava encima dela, Maggie deu um grito tão alto que o duque agradeceu ter drogado a criada. Ela não se deu conta, é claro, de que Jeremy pensava deter Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 158.
    sua queda comos braços; a única coisa que sabia era que um homem de uns 90 quilos estava a ponto de desabar sobre ela. Convencida de que ele queria matá-la, tentou proteger a cabeça com as mão. Porém matar Maggie não era o que o duque tinha em mente. De fato, nada mais distante de suas verdadeiras intenções. Quando estava encima dela, e apesar de que suportava quase todo o peso de seu corpo com os braços, conseguiu imobilizá-la pondo uma mão de cada lado. Maggie não se atreveu a olhar entre os dedos com que havia coberto o rosto a menos de um minuto atrás, quando a cama havia deixado de quicar. Ao arriscar um rápido olhar, viu que Jeremy a olhava com um sorriso diabólico. —Já conseguiu o que querias —disse sentindo o coração palpitando contra o corpete—. Agora vai embora. —De fato —começou o duque, sorrindo mais ainda—. Nem sequer comecei a conseguir o que queria … Então, Maggie sentiu que uma de suas pernas, que tinha ficado entre as dela, exercia uma ligeira pressão contra a parte interna da calça. Quando, surpresa, quis protestar, ele inclinou a cabeça e a silenciou com os lábios. “Oh, não —lamentou Maggie para si mesma, sentindo as batidas retumbantes do coração em seu peito—. Outra vez, não.” No entanto, estava ocorrendo de novo e, como nas demais ocasiões, sentia que não podia, nem queria, detê-lo. Logo, começou a embaraçar os sentidos, até que a única coisa que existia em seu mundo era Jeremy. Não se tratava exclusivamente da visão, que só percebia o rosto bronzeado, a covinha do queixo e o protuberante pomo-de-adão na garganta. Tão pouco era unicamente o sentido do tato, ainda que ela fosse mais do que consciente do áspero contato de sua barba sobre a pele suave do rosto, e do calor que parecia irradiar de seu corpo pelo espaço aberto de sua camisa. Não, eram sobretudo os demais sentidos, aqueles de que apenas era consciente desde que o duque havia entrado em seu quarto, os que pareciam revelar-se super sensíveis em sua presença. Ao ouvir a respiração irregular do jovem, a perturbou profundamente pensar que ela era a causa daquela alteração. Por que os sons guturais de prazer que emitia Jeremy quando a beijava a faziam sentir tão debilitada e lânguida? Era como se a só idéia de que o duque não pudesse controlar aqueles sons, ao ter perdido também o controle, despertava seu lado mais animal. Aquele não era, contudo, o único componente instintivo da atração que sentiam um pelo outro. Se a tivesse deixado de olhos vendados em um quarto com centenas de homens, Maggie teria reconhecido Jeremy por seu cheiro; um cheiro inconfundível… e excitante. Quando o sentia, os mamilos da jovem sempre endureciam, mesmo que não pudesse entender o que havia de excitante em uma mistura de sabonete, uísque, tabaco, e um pouco de cavalo. Ainda assim, quando cheirava aquela peculiar e masculina fragrância, se sentia Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 159.
    invadida por umsentimento de satisfação, como se… Como se cheirasse seu lar. Inclusive seu sabor parecia devolver lhe o passado; era o sabor de algo bom, de alguma deliciosa sobremesa. Não era um sabor doce, porém tão pouco azedo. Talvez um pouco amargo… mas nem um pouco desagradável. Nada desagradável. Por que? Por que tinha que ser daquele jeito? Por que tinha que ser tão difícil deixar de amá- lo? Por que ele não podia cheirar a alho, como Augustin, por causa dos pratos que lhe preparava em sua cozinha francesa? Por que tinha que cheirar tão bem, soar tão bem? Por que ele lhe atraía tanto? Por que não lhe havia ocorrido trancar a porta de seu quarto com chave ao chegar em casa? Então os lábios do duque se deslizaram pelo seu colo, e ela não foi capaz de pensar mais nada. Arqueando o colo, levantou os seios, com os mamilos duros como seixos debaixo da camisola, para envolver-lhes o peito peludo de Jeremy, que deixou escapar um gemido. Um instante depois, o duque meteu as mãos por debaixo do corpete e descobriu os seios para levá-los aos lábios, primeiro um depois o outro. Quando ela começou sentir a áspera barba na sensível aureola, que ele acariciava com a língua, afundou os dedos nos ombros largos dele e deixou escapar um leve gemido. Aquilo pareceu incitar o duque a fazer caricias de uma natureza mais íntima, e antes de que pudesse dar-se conta, Jeremy havia desfeito o laço que sustentava a calça e baixou sua roupa intima até as pernas. Maggie se deu conta de que a peça de algodão estava molhada com seu próprio desejo. Deus, ela, que estava se esforçando para fingir que era indiferente a ele! Retirou as mãos de seus ombros e tentou tapar o que ele acabava de deixar descoberto, e o duque riu entre dentes daquele súbito ataque de decoro. Em seguida, ele separou os dedos e meteu um no vão úmido, com os olhos semicerrados como se lhe pesasse as pálpebras e estivesse adormecendo. Na realidade, Jeremy estava bastante acordado, e observava com atenção as reações de Maggie as suas caricias, desfrutando de cada ondulação de seus quadris, de cada suspiro. Como todavia ainda estava de corpete, respirava cada vez com mais dificuldade, mas o duque decidiu não tirá-lo pois lhe conferiu um ar extraordinariamente feminino; a faixa de seda rosa entre os seios grandes e os quadris nus que terminava enfaticamente em forma de “v”, justo na altura do umbigo, como se apontasse para aquela parte de seu corpo que tanto lhe atraía. Olhar não era o único que atraia o duque para aquele triângulo negro; Jeremy já havia começado a percorrer com beijos pelo interior de sua pálida coxa. Maggie, com a cabeça inclinada para trás e olhos fechados, com o longo cabelo estendido sobre as almofadas brancas, lhe facilitou o acesso abrindo um pouco mais as pernas. Assim que o duque inclinou a cabeça e, com os rebeldes cachos acariciando lhe as coxas, começou a explorar o úmido emaranhado de pelos negros, desta vez não com os dedos, mas sim os lábios e a língua. Maggie esteve a ponto de levantar da cama. Instintivamente, fechou as nádegas, prendendo a Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 160.
    cabeça do duqueem uma pose que, ainda que fosse muito erótica, era também um tanto restritiva. —O que você está fazendo? —ela perguntou, perplexa, com a respiração entrecortada. —Se soltar minha cabeça, eu te mostro —respondeu o jovem com a voz afogada. —Mas não é... não devias… No entanto, enquanto falava, Maggie começou a relaxar e voltou a se deixar cair sobre as almofadas. Jeremy aproveitou a ocasião para deslizar as mãos entre suas coxas e separar um pouco as pernas. —Mas, Jerry, isso não está certo… Não obstante, a frase acabou em um suspiro de intenso prazer, quando a língua de duque afundou entre as aveludadas dobras. Aquilo era algo sobre o qual ela nunca tinha ouvido falar de nenhuma das alunas da academia de madame Bonheur… porém lhe provocou a sensação mais prazerosa que jamais havia experimentado, fora a parte de ter Jeremy dentro de seu corpo. Estendeu os braços e afundou os dedos na espessa cabeleira do duque, guiando-lhe a cabeça enquanto ele percorria seu sexo com a língua, maravilhada com os tremores de prazer que aquilo lhe provocava. Antes do que podia crer ser possível, aqueles tremores se converteram em intensas ondas que, em vez de quebrarem suavemente, começaram a romper em seu interior cada vez mais forte. Entretanto, nenhuma dessas ondas parecia apagar o fogo que a consumia e que a fazia ter cada vez mais calor. Sua respiração irregular deu passo a ofegadas aflitas e a jovem fechou os punhos agarrando mechas de cabelo como se fosse a crina de um cavalo desgovernado. Então, quando o duque levou suas mãos por debaixo das nádegas dela para aproximas mais seus sexo dos lábios, a jovem deu outra sacudida... mas naquela ocasião, de puro prazer. Porque na hora, Maggie sentiu que uma daquelas ondas de levantava, mais e mais alto, até que rompeu com ela encima. Aquilo sufocou a chama, umedecendo-a completamente. Ela gemeu de satisfação; todo seu corpo tremia pela intensidade da experiência, como se tivesse de verdade caído em um espumoso mar gelado de cor turquesa. Quando todo havia terminado, se sentia esgotada e sonolenta, com uma sensação parecida com a que experimentava quando criança, saía dos prados da mansão Rawlings nos quentes dias de verão. Contudo, só pode se regozijar em sua letargia durante alguns instantes, antes que o rosto de Jeremy voltasse a aparecer em seu campo de visão. A olhava com uma expressão de satisfação e reconheceu em seguida que seus olhos tinha um estranho brilho. Maggie não sabia por qué, até que o duque se pôs de joelho e com o olhar fixo nela começou a desabotoar sua calça. Quando seu membro viril em ereção se libertou da prisão opressiva, a jovem ficou boquiaberta. Percebeu, era óbvio, que aquela estranha expressão era necessidade. Necessidade dela. Por isso não se atreveu a perguntar nada quando ele pegava uma almofada e a colocava Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 161.
    debaixo do quadrildela. Tão pouco pronunciou uma palavra, quando, sem nem mesmo tirar a camisa, e com as calças arriadas no meio da perna, Jeremy se estendeu sobre ela apoiando os braços nos lados. Olhou por um momento o rígido sexo, e pensou que seria tecnicamente impossível que algo tão grande entrasse em um espaço tão pequeno, apesar de que havia comprovado o contrário nas últimas vinte e quatro horas. Quando ele se deslizou para o seu interior, de imediato se deu conta de para que servia a almofada: lhe levantava os quadris de modo que ele podia penetrá-la profundamente. Lhe parecia que a ponta do membro de Jeremy chegava a tocar a base da coluna, e não era uma sensação nem um pouco desagradável. Todavia, aquela não era a única função da almofada; também empurrava sua púbis contra seu abdômen, e isso produzia uma estimulação parecida com as caricias de sua língua. Em um instante, a sensação de saciedade se desvaneceu, e ela voltou a sentir-se impulsionada por uma nova onda de desejo… mas nessa ocasião, Jeremy ia com ela na crista daquelas incríveis ondas. Maggie não soube quanto tempo transcorreu antes de que o cristalino mar os arrastou para a orla. O tempo parecia ter parado… e, enquanto tentava respirar, consumida em outro embriagador orgasmo, Jeremy soltou um grito estrondoso. Surpresa, ela o olhou e viu que fazia uma careta como se algo estivesse provocando-lhe uma intensa dor … até que um segundo depois, a expressão de angustia se converteu em uma de profundo gozo. O duque se deixou cair sem mirar, com o peito molhado de suor sobre o dela, ofegando junto ao seu ouvido. —Agora entendes por que droguei tua criada? —sussurrou com uma voz tão lânguida que soou como um ronronar. —Começo a compreendê-lo —ela respondeu com um tom vaidoso, mas igualmente adormecido. —Começas a entender? —suspirou—. Já vi que será uma noite muito longa… CAPÍTULO 31 Maggie se despertou na manhã seguinte porque Jerry, seu cão, ofegava com uma quente respiração em seu rosto. Ela o afastou com um empurrão mas de nada adiantou porque o animal voltou a sentar-se diante dela. Finalmente, Maggie levantou a cabeça para consultar a hora no relógio da cabeceira. Sim era hora que Jerry se levantava, também seria a que Hill chegava e lhe preparava o banho. Onde estava Hill? Maggie não podia ver a hora porque um largo ombro desnudo lhe tapava a visão. Depois de esfregar os olhos sonolentos, se deu conta horrorizada de que havia um homem em sua cama. Um homem. Em sua cama. Então a memória começou a inundá-la de novo, e a invadiu uma sensação de culpa que a fez ruborizar-se. Santo Deus. Havia passado a noite com Jeremy Rawlings. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 162.
    Outra vez. E haviafeito algo mais que passar a noite com ele. Quando ela pensou nas coisas que haviam feito durante a noite, o rubor se intensificou e avermelhou ainda mais. Oh, Deus, como pode ter permitido? Uma vez era perdoável; duas, ainda que reprovável, podia entender, tendo em conta o muito que havia desfrutado na primeira. Mas três… não, quatro. Céus, quantas vezes já fizeram? Havia perdido a conta, mas eram muitas. Entretanto, não lhe havia proposto matrimonio. Tão pouco lhe havia dado nenhuma explicação convincente sobre sua relação com a princesa Usha. Nem sequer um “te quero”. E ela o havia levado para cama como uma prostituta de bairro sujo. Outra vez. Por que havia permitido que isso voltasse a ocorrer? Por quê? Porém ao olhar Jeremy dormindo ao seu lado, teve de imediato a resposta. Estendido na cama, junto dela, descoberto até a cintura e com a pele bronzeada em contraste com a impecável brancura dos lençóis, lhe lembrava um deus grego vencido pelo sono. Mas qual? Ainda que tivesse a mesma personalidade travessa, era demasiado corpulento para ser Pan. Era demasiado moreno para ser Apolo, mas inclusive quando descansava, tinha os músculos igualmente bem formados. Talvez mais se parecia com Vulcano; havia algo excepcionalmente diabólico nessas espessas e escuras sobrancelhas, que quando estava acordado, sempre arqueava com expressão cética. Sim, tinha que ser Vulcano… Maggie voltou a si. Por todos os santos, o que estava acontecendo com ela? Se deixava levar por seus ilusões de mundos de fantasia, enquanto naquele preciso instante tinha um grave problema no mundo real. O que ia fazer com aquele homem que estava dormindo em sua cama? A julgar pela cinzenta luz que se infiltrava pelas finas e brancas cortinas, deviam de ser ao menos nove da manhã. Hill iria entrar a qualquer momento… ou ao menos iria tentar. Quando descobrisse que a porta estava fechada com chave, a criada entraria em pânico, pois sabia que na casa dos Herbert nunca ninguém trancava seus quartos. Então, assustada, despertaria Evers, quem sem duvida chamaria os lacaios, e Jeremy teria que abrir para evitar que jogassem a porta abaixo. E todo o serviço saberia o que eles dois… Ela se voltou para o lado e sacudiu o amplo ombro. —Jeremy —sussurrou, assustada—. Jeremy, acorda! O jovem suspirou e virou o rosto de modo que ficou a poucos centímetros do dela. —Jeremy —sussurrou de novo—. Estou falando sério. Tens que levantar Sem abrir os olhos, o duque estendeu um braço para rodear sua cintura nua. Mesmo quando estava meio dormindo tinha uma força impressionante, e a arrastou como se fosse uma Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 163.
    boneca de trapo. —Bomdia, Mags —murmurou contra seu cabelo. —Não me dê bom dia —resmungou—. Tem que sair daqui antes de que os criados se venham. —Hmmm —respondeu ele, afundando a cabeça entre seus cabelos para aproximar os lábios de seu pescoço—. Você sempre é tão amável pela manhã. É uma das coisas que mais me encantam em ti; ás muito consistente. —Estou falando sério —replicou Maggie, fingindo não haver notado o estremecimento que lhe havia produzido a pequena mordida no lóbulo de sua orelha—. Hill vai chegar a qualquer momento. —Oh, não te preocupes com Hill —afirmou o duque enquanto lhe acariciava com parcimônia o seio esquerdo. Fascinado, observou como o mamilo se endurecia de imediato ao sentir seu contato. —O que queres dizer com isso? —Maggie o olhou receosa—. Disseste que a havias drogado. Porém… —E afogando um grito, perguntou—. Você não a matou, certo? Jeremy arqueou uma sobrancelha. —É claro que não. Que tipo de pessoa você pensa que eu sou? Acontece que o ópio que tomou a noite tem um efeito debilitante no dia seguinte, sobretudo para as pessoas que não estão acostumadas. —Quer dizer que…? —O mais provável é que durma o dia todo — concluiu o duque com um arrependimento pouco convincente. —Jerry! —Maggie estava tão horrorizada que nem sequer se deu conta de que, assustado por aquela exclamação, o cão havia levantado e começado a brinca entre as almofadas, latindo—. Como pode fazer uma coisa assim? —Deixe de se preocupar com essa mulher —disse o duque, incomodado que Maggie tenha se afastado dele—. Não lhe acontecerá nada. Eu darei um aumento no soldo da Hill. —Aumentar o salário dela? Mas fazem seis meses que nem sequer posso pagá-lo! O duque pestanejou. —Oh, então eu pagarei os meses atrasados, e mais um aumento para agradecer sua lealdade. Erguendo-se, Maggie se recostou sobre as almofadas e ficou olhando o jovem duque com expressão irritada. —Creio que a pessoa que drogou a criada tem que levar o cachorro para passear. Jeremy arqueou uma sobrancelha. Parecia como se estivesse se esforçando para franzir a Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 164.
    testa, mas foiincapaz de conter o traiçoeiro sorriso que surgia em seus lábios. —Assim pensas? —Sim —ela confirmou, assistindo com a cabeça enquanto se acomodava nas almofadas, com atitude melindrosa. O duque deixou de tentar franzir a testa e a olhou com um amplo sorriso, revelando os dentes brancos e uniformes. —Concordo —respondeu, dando de ombros—. Vamos, Jerry. Papai vai te levar para passear. O branco e pequeno animal se levantou num salto e caminhou com dificuldade hasta na borda da cama, de onde saltou em uma plataforma que sua dona havia colocado para esse fim, e dali desceu até o chão. Jeremy afastou os cobertores e se levantou, não sem antes alongar suas articulações. Maggie sabe que não devia olhar aquele corpo nu, mas se sentia incapaz de desviar a vista. As nádegas do jovem eram de uma redondeza perfeita e tinham uma fenda côncava de cada lado; contudo, não estavam cobertas de pelo negro como o resto do corpo. Era uma espécime perfeito de ser humano masculino tanto pela frente como por trás. Quanto teria gostado a madame Bonheur tê-lo como modelo na classe de anatomia! Acima de tudo tinha os ligamentos inguinais perfeitamente definidos. —A coleira está pendurada no gancho atrás da porta do trocador — disse Maggie, e pigarreou enquanto observava seu amante vestir as calças que havia deixado no chão na noite anterior. O duque grunhiu para si mesmo e foi descalço para o trocador, onde estava a coleira. —Vou um instante no meu quarto para me trocar. Creio que daria muito o que falar aos vezinhos se eu saísse para passear em Park Lane as nove da manhã com traje de noite. —Como queira —contestou ela com rapidez. Jeremy se agachou para por a coleira no cão, mas como o animal não parava de se retorcer e brincar de excitação, lhe custou um bom tempo encontrar a minúscula feixe dourado. Maggie os observada da cama, divertida. Quando por fim conseguiu atar, o duque se ergueu e ficou olhando-a. Sentada na cama, com as escuras madeixas revoltas sobre os ombros e cobrindo-se recatadamente com os lençóis abaixo das axilas, Maggie tinha exatamente o mesmo aspecto que havia imaginado que teria depois de fazer amor com desenfreio durante toda a noite. Tinha os lábios um pouco inchados, e havia em seus olhos um brilho que não lhe havia visto jamais. O jovem duque estava desejando, mais que qualquer outra coisa, voltar para cama com ela. Maldito cachorro! —Nem se dê ao trabalho de se levantar antes de eu voltar —ele a advertiu—. Certo? Você e eu temos algumas coisas para conversar. Ao ver a expressão desafiante no olhos prateados, a jovem assentiu sem dizer nada. Não queria discutir com ele, pois Jerry necessitava que o levasse para passear o quanto antes. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 165.
    Satisfeito com aresposta, o duque agarrou a maçaneta da porta. Ao perceber que não abria, e ignorando a bufada desdenhosa de Maggie, meteu a mão no bolso e pegou a chave; tinha se esquecido de que na noite anterior havia trancado a porta para evitar interrupções. Depois de um último olhar de advertência a Maggie, abriu, meteu a cabeça para fora para se assegurar de que não havia ninguém e escapuliu para o corredor com o cachorro saltando de excitação atrás dele. Na cama, Maggie sorriu para si. Jeremy tinha deixado a camisa, as meias e os sapatos esparramados pelo chão, junto com sua própria roupa. Ao que parece, o duque não era a pessoa mais organizada do mundo, nem ela tampouco. Talvez por isso se davam tão bem. Augustin, ao contrário, era extremamente organizado, e sempre lhe dava sermões porque embolava as luvas para enfiar no bolso, ou deixava os pinceis de molho a noite toda. Logo a jovem se ergueu como se tivesse jogado água fria. Por Deus Santo, Augustin. A exposição. A inauguração era no dia seguinte. Os transportadores chegariam no estúdio às onze e só faltava —Maggie olhou o relógio na cabeceira— uma hora e meia! De um pulo, saltou da cama e tocou a campainha. No final do corredor, Jeremy chegou a porta de seu quarto, entrou e atravessou o ambiente com o cachorro brincando entre suas pernas, cravando-lhe a unhas cada vez com mais energia. —Eu sei —ele disse, mal humorado—. Vou tão depressa como posso. Abriu a porta do trocador e acordou Peters, que dormia em um colchão debaixo do cabide, embora lhe tenha oferecido um quarto no último piso, onde se acomodavam o resto dos serviçais. Contudo, seu criado preferia estar a disposição de seu senhor em todo momento. —Coronel! —exclamou, contente de vê-lo, enquanto se ergui a esfregava os olhos—. Valha-me Deus! Já é dia? Onde estava? Lhe esperei acordado até que não pude mais … —Sim, sim —contestou o duque com aspereza. E estendendo-lhe a coleira, emendou—. Leve-o para passear, queres? Peters ficou olhando o excitado cãozinho e o sorriso de seu rosto se desvaneceu. —Coronel! Não está falando serio. Eu? Passear com isso? Seria motivo de riso... —Faça isso —lhe interrompeu seu senhor de maneira sucinta—. E agora me conta o que descobriste à noite, quando seguiste o francês. O criado franziu o cenho, ainda mais aborrecido. —Se for ele quem deseja matá-lo, deve ter pago alguém para que o faça. Ele nem saiu de casa, e a luz de sua janela se apagou meia noite. Nunca vi um homem menos capaz de segurar um punhal, ou tentar atropelar alguém com um carro. —Onde está a bata? —perguntou enquanto revirava as roupas penduradas no cabide sobre a cabeça do criado—. A de seda. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 166.
    Peters procurou aoseu redor a perna de madeira e a prendeu debaixo das calças com que havia dormido. —Aqui, a sua esquerda, coronel. Quer que continue seguindo ele, senhor? —Sim, é claro. —Jeremy meteu os braços pelas amplas mangas da bata, feita com seda indiana e coberta de bordados que representavam pavões reais e tigres—. Não temos nenhum outro suspeito. Tem que ser ele. —Sem o senhor diz —respondeu o criado. Jeremy rodeou Peters para pegar a Estrela de Jaipur, que estava numa bolsinha de veludo na primeira gaveta do trocador. Abriu a bolsa, lhe deu meia volta e a pesada safira caiu na palma de sua mão, reluzente até mesmo na tênue luz do trocador. Lançou a pedra preciosa no ar, a agarrou de volta e o enfiou no bolsinho. —Há algo mais, Peters? —Só mais isso, senhor —respondeu o criado enquanto tirava uma carta do bolso da calça. Com o coração encolhido, o duque reconheceu em seguida a esmerada letra de sua tia, apesar de que parecia escrita a toda pressa. A havia entregado em mãos pois não havia selos, de modo que o mensageiro devia ter viajado toda a noite desde a mansão Rawlings—.Temo que o tenham descoberto. —Malditos jornais —resmungou. Jeremy abriu e leu a carta. Estava certo, o havia descoberto. E Pegeen estava furiosa. Ao que parece, não havia podido regressar a Londres depois do funeral por causa de algumas complicações menores, porém graves o bastante para preocupar o médico. Por isso, Edward havia ficado com ela. Apesar de estar de cama, a dama soube de seu regresso a Inglaterra. O jovem se lembrou, tarde demais, de que sua tia tinha uma habilidade especial para tirar todo tipo de informação dos criados… ainda que estivessem a quilômetros. A tia exigia que se pusesse imediatamente a caminho da mansão Rawlings, a fim de explicar tanto seu compromisso como por que ficou tantos dias em Park Lane com Maggie e sem acompanhante. Se não o fizesse, o ameaçava mandar Edward para buscá-lo. “E se Edward não estiver aqui para o nascimento de nosso sétimo filho —ela dizia— porque teve de ir a Londres lhe buscar-te, Jeremy, nunca te perdoarei. Sua tia, Pegeen.” —Deus —resmungou—. Vamos de mal a pior. —Já preparei sua mala com o necessário para passar uma noite fora —disse o criado com tom inexpressivo, ignorando o cachorro que latia ao seu lado—. Presumi que se tratava de uma emergência. —Obrigado, Peters. —Ainda que a Estrela de Jaipur não deixasse muito espaço livre, o duque enfiou a carta no bolso. Talvez uma viajem para Yorkshire não fosse tão mal idéia, disse a si mesmo. Queria fazer as coisas direito, e sabia que isso significava falar primeiro com o padre. A idéia de pedir a sir Arthur a mão de sua filha não lhe agradava muito, mas, naquelas Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 167.
    circunstancias, seguramente seriamelhor. E, como lhe havia recomendado Berangére, não faria mal, uma vez ali, tentar arrumar as coisas entre Maggie e sua família. Jeremy calçou um par de sandálias indianas, com a ponta curvada para cima, e passou a dar ordens como se voltasse a ser um líder militar. —Leva este animal ao parque, Peters, e cuidado para não o perder. Se fosse você não soltaria a coleira. —Certo —assentiu o criado—. É tão pequeno, que talvez acabaria devorado por outro cachorro maior. —Exatamente. E as possibilidades de me casar com a mulher que amo diminuiriam significativamente se meu assistente deixasse morrer seu cachorro em seu passeio matutino. —Sim, senhor —afirmou o criado energeticamente—. Pode confiar em mim. —Quando Jerry, excitado, cravou as unhas das patas dianteiras na perna de madeira, em vez de esboçar uma careta de dor, como havia ocorrido com Jeremy, o criado se rachou de rir—. Eh, tigre —disse inclinando-se para acariciar as orelhas com afeto—. Calminha. Vou por uma camisa e já vamos. O duque atou o cinto da bata ao redor da cintura e se apresou a voltar ao quarto branco. Nem por um momento havia acreditado que Maggie ficaria na cama, como lhe havia ordenado. Ela nunca lhe obedecia em nada, e isso era parte de seu encanto. Quantas vezes alguém se atrevia a desobedecer um duque? Tantas como a um coronel, pode-se dizer, muito poucas. Contudo, o jovem se surpreendeu até que pondo ela o havia desobedecido naquela ocasião. Ao entrar em seu quarto, ficou atônito ante a mudança que havia sofrido o ambiente durante sua breve ausência. Havia desaparecido toda evidencia de sua presença… incluindo a roupa. A cama estava desfeita e a porta do trocador, aberta. Do pequeno quarto anexo ouvia o som de um vigoroso chapinhar e fuxico nervoso de uma criada. Momentos depois, Maggie apareceu vestida com a bata de xadrez escocês que havia usado no dia anterior, e o cabelo úmido penteado em uma trança. Ela arregalou os olhos ao vê-lo na porta e depois de uma olhada fugaz por cima do ombro para se certificar de que a criada estava ocupada, resmungou: —O que fazer aqui tão rápido? Onde está Jerry? O que é isso que está vestindo? —Minha bata —contestou o jovem ofendido, olhando-se de baixo para cima. —Não me digas —respondeu ela, enquanto se sentava diante da penteadeira. —Pois olha quem fala —respondeu o duque—. De onde tiraste essa roupa que estás vestindo? Do trapeiro? —Muito engraçado —observou Maggie, enquanto pegava um pouco de creme de um pote e passava no rosto—. Onde está meu cachorro? —Peters o levou para passear no parque —respondeu o duque. E depois de olhar para o trocador, emendou—. Lembro de ter dito a você que… Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 168.
    —Não posso crerque tiveste o descaramento de pedir a um manco para levar meu cachorro para passar —objetou Maggie, com os olhos marrons bem abertos—. És incrível, Jeremy. A sua costa, a porta do trocador se abriu num golpe e entrou Pamela, uma jovenzinha, filha de um dos arrendatários da mansão Rawlings, que haviam contratado para trabalhar na casa de Londres. Levava um montão de roupa no braço. —É este o vestido que queria? —perguntou justo antes de tropeçar com Jeremy—. Oh! —Com os olhos azuis abertos como pratos, a mocinha deixou cair toda roupa que levava e, envergonhada, fez uma profunda reverencia—. Excelência! peço que me desculpe. Não havia visto o senhor. —Não se preocupe —disse Maggie. Terminou de passar o creme e levantou com toda tranqüilidade para ajudar a criada a recolher a roupa—. O duque já estava de saída, não é verdade, excelência? —Logo mais, Pamela —contestou o jovem, antes de se inclinar adiante e agarrar Maggie pelo braço—. Antes necessito falar um momento em particular com a senhorita Herbert —disse enquanto a arrastava para o trocador, de onde ainda se viam indícios de um apressado banho. Fechou a porta e depois repreendeu Maggie—. Acredito ter lhe dito para são sair da cama. —E eu acredito que havia lhe dito para passear com meu cachorro —replicou. —Teu cachorro está passeando —esclareceu o jovem—. Eu não descumpri minha parte do trato. —E eu não descumpri a minha —ela assegurou, arregalando uma das mangas da bata que havia dobrado do avesso— se não tivesse combinado com os transportadores chegasse ao meu estúdio as onze e tenho que estar lá para abrir. —Os transportadores? —Sim, para a exposição de amanhã a noite, lembra? Eles tem que levar os quadros para a galeria de Augustin. Ao ouvir mencionar o nome do jovem francês, o duque franziu o cenho. —Escuta —começou apressadamente—. Tenho que falar contigo sobre uma coisa. —Sinto muito, mas não tenho tempo. Já é muito tarde, e conseguiste transtornar Pamela. Conversaremos depois… Maggie começou a caminhar na direção da porta, mas Jeremy a pegou pelo cinto da horrível bata xadrez. Ela se voltou com um olhar inquisitivo, e aborrecida. —Tenho que ir embora —disse ele apenas—, de forma que, por favor, guarda isto para mim enquanto eu estiver fora, certo? Desesperado como estava por demonstrar lhe o que sentia por ela, e ao ver que não podia dizer, pegou a Estrela de Jaipur e enfiou no bolso da bata xadrez. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 169.
    Surpresa, e semprestar atenção a enorme safira, Maggie ficou olhando as costas de Jeremy. —Embora? —perguntou sem convicção—. Onde vai? Quando volta? Porém a única resposta que teve foi o baque seco da porta de seu quarto ao fechar atrás dele. CAPÍTULO 32 Maggie sabia muito bem que nenhum pintor gostava que alguém, fora ele mesmo, tocasse em suas criações. Só o artista sabia o duro trabalho que havia por detrás de cada obra, e vendo como o manejava um homem robusto que parecia não tomar banho há anos e que comentava com descuido que a pintura não estava mal… Que artista não experimentaria certa inquietação? Contudo, para Maggie, o traslado de suas pinturas era a última de suas preocupações. Não podia deixar de pensar na incômodo cena daquela manhã no seu trocador. Quando foi capaz de se recompor e ir buscar Jerry, descobriu que ele estava falando sério… havia indo embora! Tão pouco encontrou o seu criado. Lhe havia devolvido o cachorro, é claro, mas segundo explicou Evers, indignado, Peters havia desaparecido pela porta segundos mais tarde. Maggie considerou que não havia tratado com muito tato Jeremy e seu pedido de falar com ela. Não precisava ter sido tão cortante. Mas estava tão preocupada com a exposição! Ele tinha que ser compreensivo com uma mulher de negócios, e a perdoar por ter compromisso mais urgente… Um compromisso! Essa palavra já a deixava nervosa. O que iria fazer com Augustin? Tinha que encontrar uma maneira de romper o compromisso naquele mesmo dia. Não podia permitir que ele continuasse acreditando que … bem, que podia fazer com ele o que estava fazendo com Jeremy nos últimos dias. Aquilo era, sinceramente, impossível. Não estava em absoluto segura de que sua relação com Jeremy pudesse funcionar, exceto, talvez, no quarto; na cama nunca parecia haver nenhum problema, mas fora da cama, sempre ocorria algum desastre. Todavia, passava o que passasse, sabia que nunca poderia amar mais ninguém. Por mais agradecida que estivesse com Augustin por tudo o que havia feito por ela, nunca poderia deixar que ele… Oh, céus, só de pensar já ruborizava! Todas essas preocupações fizeram com que, o que deveria ser bastante simples, se transformasse num pesadelo. Maggie parecia incapaz de se concentrar no que estava fazendo. Chegou meia hora atrasada, e Augustin lhe repreendeu varias vezes por que teria que pagar os transportadores pelo tempo no qual havia esperado no corredor, sem fazer nada. —Isso não é típico de ti, Marguerethe —não cessava de dizer—. Dos outros artistas a quem represento podia esperar algo assim, mas de ti? O que aconteceu? —Nada, não há nada —murmurou a jovem depois de conter a respiração ao ver um dos homens levantar boca abaixo o retrato do marquês e seu irmão. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 170.
    —Não quero criticar,mas se sabias que iria chegar tarde, podias ter me deixado a chave e teríamos começado sem ti. —Mas eu não sabia que ia chegar tarde. Oh, cuidado! —exclamou apreensiva quando a moldura de madeira que sustentava a tela se abriu nas mãos do tosco carregador—. O bastidor! O homem pestanejou, com a moldura se desfazendo nas mãos. —Não foi culpa minha —exclamou enquanto Augustin começava a maldizer exasperadamente em francês. —Oh, céus —Maggie se aproximou para examinar a tela. Por sorte, a pintura no estava de todo seca, e não rachou—. Talvez possa reparar. Pega essas paisagens ali, certo? —disse com um gesto de mãos—. Deixe este comigo. Todavia, a pintura de “essas paisagens ali” não estava seca, como assinalou o marchand quando já era tarde demais; o resultado foram quatro telas com grandes manchas de sujeira nas bordas. Consciente de que não podia vender os quadros nesse estado, a jovem os colocou em vários cavaletes para repará-los; no entanto, não demorou para perceber que não se lembrava como se faziam para mesclar as sombras para dissimular os defeitos. No final, os carregadores, confusos por suas nervosas ordens e incomodados pelos impropérios em francês de Augustin, deixaram no estúdio a metade dos quadros. Maggie e seu prometido tiveram que ir atrás deles, descendo com pressa com seis lances de escada; divertidos, os demais artistas do edifício colocaram a cabeça pela porta de seus estúdios para rir da correria daqueles dois. As treze horas, os carregadores acabaram de carregar todo o material. Entretanto, estavam de mal humor, pois achavam que o dono da galeria lhe pagaria logo. —Oh, no, mes garçons —foi a seca resposta do jovem francês—. O pagamento será feito no momento da entrega. Aquilo fez com os carregadores resmungassem baixo todas as desgraças que poderiam ocorrer com as pinturas dela pelas enlameadas ruas que levavam a Bond Street. Ao ouvi-los, Maggie sentiu que lhe faltavam as pernas e se deixou cair no sofá junto a janela. —Oh, Augustin —sussurrou—. Vá com eles, por favor. Ao dar-se conta da palidez do rosto de sua prometida, de Veygoux no pode conter outra ladainha repleta de maldições. —Concordo, irei com eles para me assegurar de que não vão arrastar seus quadros pelo bairro —resmungou finalmente com toda a dignidade de que foi capaz, enquanto pegava o chapéu —. Fique aqui e conserta aqueles quadros que foram danificados, certo? Maggie assentiu, aturdida. —Me encontre a tarde galeria, para que, quando tivermos emoldurado os quadros, possamos Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 171.
    arrumá-los de acordocom suas especificações. Maggie assentiu de novo, ainda que não estivesse tão entusiasmada com a disposição dos quadros como havia estado com o traslado. Augustin foi embora, tão angustiado como ela, mesmo que por distintas razões. Todavia lhe doía o nariz, e estava nervoso e preocupado com a apresentação de uma nova pintora em sua galeria no dia seguinte. Mas isso seria pouco, se não fosse pelo fato da artista estar de tão mal humor que nem podia contar com sua cooperação. Maggie sabia que devia estar profundamente agradecida por todas as coisas maravilhosas que seu prometido fazia por ela, e por ser tão paciente e tolerante. Por que não podia amá-lo? As coisas seriam muito mais simples! No entanto, sabia que aquilo era impossível. E lhe diria isso naquela mesma noite. Tinha que fazê-lo. Maggie demorou o dia todo para reparar os quadros de paisagens, e chegou a Bond Street as cinco da tarde. Havia pego frio na viajem de coche, carregada com as telas, e depois de ter bebido até a última gota de vinho que havia no estúdio, estava sedenta. Acreditava que o vinho lhe daria coragem para repetir a Augustin as palavras que levou o dia todo ensaiando: “Augustin —lhe diria—. Eu sinto muito, mas não posso me casar contigo. A verdade é que estou apaixonada por outro homem, e seria injusto que tu…” Sim, assim mesmo. Não era necessário mencionar que já havia se deitado com esse outro homem. No entanto, no momento em que entrou pela porta, se deu conta de que não teria nenhuma oportunidade de fazer aquela confissão. De Veygoux gritava furioso com de seus ajudantes, que parece ter atravessado a parede com um martelo, que havia ido parar no mostruário de luvas da loja ao lado. Também viu os outros ajudantes correndo para cima e para baixo com suas pinturas em baixo do braço, demais assustados por aquele ataque de cólera de seu chefe para aventurar-se a pendurá-las. Com uma careta de desgosto, Maggie passou diante deles, resolvida a entregar as pinturas, ainda frescas, ao carpinteiro que devia emoldurá-las, e que estava trabalhando nos fundos da galeria, onde estavam guardadas as obras que não havia sido expostas. Porém aquele homem, um artesão italiano que, ao que parece, pensou que Maggie era uma empregada qualquer ou algo do tipo, entregou as pinturas e, quando ela quis ver como estavam ficando suas criações, ele lhe pediu que saísse com um gesto de mãos. Sem Augustin para traduzir, era impossível fazer o carpinteiro entender que ela era a artista e que, portanto, estava no seu direito de olhar como emoldurava suas telas. Mesmo apontando para si mesmo e depois sinalizando os quadros, gesticulando como se pintava, o italiano a ficou olhando e soltou uma ladainha de palavras estrangeiras malsonantes, de modo que não restou outra alternativa a não ser retirar-se. Na galeria, viu que seu prometido havia agarrado seu ajudante pelas orelhas; aquilo era mais Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 172.
    do que ajovem artista podia suportar, então foi embora sem que ninguém a visse. Abatida, vagou pela gélida rua, deixando-se arrastar entre os distintos londrinos que faziam compras naquela sexta-feira a tarde nas caras e elegantes lojas da Bond Street. Como podia ser tão covarde?, se perguntou. Com todo o vinho que havia tomado e não havia sido capaz de acabar com aquilo. Era horrível. Presumiu não havia mais remédio a não se retornar para Park Lane. Esse mero pensamento lhe provocou um profundo suspiro, que se materializou em uma espessa nuvem de vapor que saiu de sua boca. Jeremy estaria ali, e pensou que não teria valor para enfrentar ele; cada vez que se encontravam, acabavam na cama, e isso não resolvia nada. Tinha muitas dúvidas, muitas preocupações sobre sua relação. Varias vezes nesse dia, se havia perguntado por que lhe havia metido a Estrela de Jaipur no seu bolso. Naquele mesmo instante notava seu peso no fundo do bolso. Não acreditava que tinha sido uma boa idéia levar a preciosa pedra consigo o dia todo, mas havia decidido não deixá-la em casa. Só Deus sabia o que poderia ocorrer. Confiava plenamente em Hill e em Evers, mas não nos demais criados. Não, era melhor levá-la consigo. Mas porque Jeremy lhe confiou a pedra? Era um gesto estranho para com a pessoa com quem havia passado a noite. A menos que fosse… uma mostra de afeto. Outros homens presenteavam com um anel de compromisso, e Jeremy Rawlings, com uma safira do tamanho de uma ameixa. Talvez, pensou, sentada no ônibus que tamborilava pelas ruas de Londres, havia sido uma forma de lhe propor matrimonio. Mas não, aquilo era absurdo. O duque já havia se declarado uma vez, e ela o havia recusado, de modo que ele não voltaria a tentar. Ademais, a safira não tinha sido nenhum presente; ele somente pediu que ela a guardasse. Devia considerar que alguém estava tentando matá-lo. Era um objeto de grande beleza; Maggie a havia tirado uma única vez do bolso, quando o sol da tarde entrava pela clarabóia de seu estúdio, e a havia observado por todos os lados. Valia a pena matar por aquilo, sem dúvida, mas não acreditava que esse fosse o motivo porque estavam tentando assassinar Jeremy. Estava segura de que, se ele suspeitasse de que aquela era a razão, não teria entregado a pedra a ela. Quando o visse, lhe perguntaria por que lhe havia dado a pedra preciosa. Porém, isso não era tudo o que lhe perguntaria. Também queria saber por que havia desaparecido, e porque tinha tanta vontade de falar com ele naquela manhã. E também quais eram exatamente suas pretensões no que se referia ao relacionamento deles. No entanto, quando chegou a Park Lane, Evers lhe informou, enquanto pegava tranquilamente seu casaco, de que sua excelência não estava em casa. Não havia aparecido para comer, e tão pouco havia avisado se iria jantar. A Maggie aquilo lhe pareceu muito estranho. Onde demônios podia estar? Com a princesa? Não, isso não era possível, porque a princesa também o estava procurando. Claro que Maggie nada soube até que entrou no seu quarto e encontrou Hill, que acabara de Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 173.
    passear com Jerry.A jovem ficou tão surpresa de vê-los que esteve a ponto de desmaiar. —Hill! —exclamou envergonhada de que seus problemas lhe haviam feito esquecer da criada e de seu cachorro—. Como estás? Me deixaste preocupada. A criada não tinha um bom aspecto, mas pelo menos estava viva. —Oh, senhorita —começou enquanto de desabotoava o vestido e Jerry brincava nos seus tornozelos—. Não imagina a noite que passei! Evers insiste que devo ter comido algo ruim, mas a cozinheira disse que não pode ser, pois todos jantamos a mesma refeição e ninguém mais passou mal. Mas que noite! —se queixou Hill, enquanto caminhava para cima e para baixo no quarto—. Me parece que nunca havia tido tantas náuseas em toda minha vida. Deixe- me dizer ainda que nunca tive semelhantes sonhos também. Eram uns sonhos maravilhosos. Oxalá me lembro de todos os detalhes. Maggie, atormentada pelo remorso de saber que era a causa direta de sua enfermidade, lhe pediu que se sentasse para descansara, mas criada se negou. Tinha muita vontade de falar e fofocar, enquanto a jovem, em troca, estava arrasada. —E que me diz do duque, hein? —lhe perguntou enquanto afofava as almofadas. —O que? —perguntou a jovem, nervosa. Hill olhou sua senhora com expressão de reprovação. —Não me diga que não sabe. —O quê? —O que noticiou o Times desta manhã. —Oh —respondeu a jovem, aliviada—. Não. Por quê? —Está na segunda página. O senhor Evers me mostrou esta manhã. Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, jamais teria acreditado. —A criada disse com uma pausa carregada de dramatismo—. Uma retratação! —Uma retratação? —repetiu Maggie debilmente. —Sim, senhorita. Se retrataram da notícia publicada na edição de ontem, onde se dizia que sua excelência ia se casar com aquela desavergonhada princesa infiel. Santo Deus! Ele estava falando a verdade! Era verdade, não tinha qualquer intenção de se casar com a princesa Usha. Apesar da escuridão que reinava no seu quarto, logo parecia que o sol resplandecia para Maggie. —Essa mulher não me agrada nem um pouco —ia dizendo a criada—. Desde o momento em que a tinha visto entrar pela porta percebeu que ela tinha um olhar esquivo, e não podia confiar nos infiéis de olhar esquivo. —Hill —perguntou Maggie com curiosidade—. Quanto tempo faz que viste a princesa? —Faz meia hora que ela e aquele interprete sujo vieram aqui. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 174.
    Maggie deu umsobressalto, e se levantou da poltrona colocada junto a lareira, tirando Jerry de seu colo. —Quê? —exclamou—. A princesa veio aqui? A princesa Usha veio procurá-lo? —Santo Céu, já disse que sim —contestou a criada, surpresa—. Por que reage assim? Quer que toda a vizinhança ouça? — Jeremy sabe disse? —inquiriu—. o que ele disse? —Como iríamos dizê-lo? O duque viajou de trem para Yorkshire faz horas. —Yorkshire? —exclamou Maggie—. Jerry foi para Yorkshire? Estás certa disso, Hill? —É claro que tenho certeza —disse Hill irritada. —Para quê? —exclamou de novo Maggie—. Ele disse, Jer… quero dizer, sua excelência, por que foi a Yorkshire? Há mal noticias da mansão Rawlings? —O senhor Evers me contou que trouxeram carta para o duque esta manhã. Creio que era de Lady Edward. Suponho que soube de seu regresso, e de que vocês dois estavam dormindo na mesma casa sem acompanhante. Maggie ficou olhando sua criada. —Me pergunto como eles souberam —disse, incomodada. —Não tenho nem idéia —respondeu Hill com inocência—. Pelo senhor Evers, suponho. Não me estranharia que ele tenha contado. De todo modo, por que lhe assusta tanto que sua excelência vá visitar a seus tios? —A criada foi para a poltrona que Maggie havia deixado vazia —. Na verdade, já era hora de ir visitá-los. Se meu sobrinho tivesse se alistado no exército, ficado fora durante cinco anos e se comprometido com uma infiel que quisesse levar seus budas de sete cabeças para o vigário… —Hill —interrompeu Margaret—. Por favor. Não é uma infiel. Ela simplesmente tem uma religião diferente da nossa… —Mas se você a tivesse visto! —declarou a criada com firmeza—. É uma infiel! O que estou dizendo é que se estivesse no lugar de Lord e Lady Edward, me desgostaria muito que meu sobrinho não viesse me ver no tão logo tivesse regressado a Inglaterra. —Sim —murmurou a jovem—. Suponho que sim. Mas me parece tão estranho. Eu o vi esta manhã e ele não me disse nada… —Sua voz foi se apagando. Talvez, sua decisão de ir a Yorkshire havia sido fruto de sua conversa, durante a qual ela se mostrou bastante desagradável. Por outro lado, durante a noite tinha sido mais que amável … isso também contava! Todavia, talvez ele não enxergasse desse modo. Era possível que tivesse interpretado mal seus comentários sarcásticos e burlões, e tivesse acreditado que falava séria, quando, na realidade, ela só queria dissimular sua inquietação. Talvez havia partido a Yorkshire convencido de que Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 175.
    ela não sentianada por ele. Afinal, estava comprometida com outro homem. Porém, era certo que havia se entregado a ele… Oh, Deus, pensou com um estremecimento. Que homem ia querer se casar com uma mulher como ela? Oh, estava claro que o duque havia desfrutado fazendo amor com ela. Ela o ouviu gemer de prazer na noite anterior, quando chegou ao clímax. Aquilo não havia sido o grito de um homem entediado, mas sim de alguém que se sente libertado depois de um período interminável de encarceramento. No entanto, logo partiu para longe. Por que insistir? O amava, e já era hora de admitir isso. Se tivesse que se converter em duquesa e deixar de pintar para estar com ele, ela o faria. Oh, Deus, o que estava acontecendo com ela? Nunca em sua vida havia querido fazer outra coisa além de pintar, e então… Então queria Jeremy. Justo quando ele não parecia ter mais o mínimo interesse nela. Ao olhar a cama em que na noite passada tinha alcançado a felicidade, Maggie começou a soluçar. Foi um som quase imperceptível mas, por azar, Hill ouviu. —Valha-me Deus! —exclamou enquanto saia do closet, onde estava preparando-lhe um banho quente—. O que te ocorre? Se sou eu que tenho a cabeça a ponto de estourar. Por que chora? —Por nada —murmurou Maggie, tapando o rosto com as mãos. —Tem algo acontecendo com você. Do que se trata? Aposto que é porque não tem recebido nenhuma carta do teu prometido. Entretanto, já lhe disse inúmeras vezes que um compromisso de casamento não se rompe porque o noivo não escreve um dia. Nem que fossem dois dias. Talvez se fossem três dias, e fosse o caso de que ele não estivesse fora do país, podia começar a se preocupar. Mas um dia só … —Não é isso, Hill —lhe assegurou a jovem enquanto levantava a cabeça, fungando o nariz. O que estava fazendo? Chorava porque o homem com quem havia feito amor na noite anterior tinha viajado para Yorkshire? Estava ficando louca? Não era uma professorinha perdidamente apaixonada, nem uma leiteira, era uma artista! E com certeza faria amor com dezenas de homens durante toda sua vida! Não podia rachar de chorar cada vez que um decidisse pegar o trem para visitar sua família no dia seguinte. Só tinha de se espelhar em Berangére; nunca a havia visto chorar, jamais, e já teve dezenas de amantes, alguns dos quais ela nem mesmo se lembrava uma semana depois de sua aventura. Maggie teria que se endurecer e fazer como Berangére, isso era tudo. No entanto, por dentro, a jovem sabia que, por mais que tentasse, nunca seria como sua amiga. Ela não queria dezenas de amantes. Nem sequer podia se imaginar fazendo amor com outro homem que não fosse Jeremy. Ficava horrorizada só de pensar. Queria uma só pessoa, que estava num trem a caminho de Yorkshire, e além do mais, era provável que retornara a Índia. Alguém bateu na porta, e Hill, murmurando para si, foi abrir. Maggie, que tentava se Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 176.
    recompor, ouviu unsmurmúrios, tendo depois a criada fechado a porta e se aproximado da cama. —Parece que esta noite a senhorita está muito solicitada —disse com voz doce—. Creio que lhe interessará saber que, segundo me disse Evers, o senhor de Veygoux está lá embaixo e quer vê-la. Na hora Maggie sentiu náuseas. —Pode dizer a ele para ir embora, por favor? Esta noite não estou de humor para recebê-lo. —Não estou disposta a fazer uma coisa dessas —respondeu a criada, indignada—. É seu noivo, e não posso dispensá-lo como um pretendente qualquer. —Oh —disse Maggie, rompendo-se de novo em soluços. A criada olhou sua senhora e saiu apressadamente do quarto. Quando regressou, momentos mais tarde, viu que a jovem secava o rosto banhado em lágrimas com a costa da mão. Preocupada, Hill começou a enxugar a bochecha com seu lenço. —Vamos, senhorita —ela sussurrou—. Não se preocupe. Ele já foi embora. Ficou muito penalizado quando lhe disse que a senhorita não se encontrava bem. Está com o nariz inchado e os olhos tão vermelhos que parece impossível ver algo. Pobre homem. Ele lhe trouxe mais rosas —disse sinalizando para um ramo que tinha deixado em cima da cama—. Ponho na água, com as demais? Maggie olhou o jarro repleto de flores, na mesa de cabeceira. —Sim, creio que sim —disse abatida—. Nunca deixa de me trazer rosas. Deve ter gasto uma fortuna na floricultura. —Me pediu para lhe trazer suas desculpas pelo que houve essa tarde na galeria. Estava muito entristecido; disse que não entende como aquilo pode ter acontecido. Ele roga que o perdoe se a chateou. —A criada começou a colocar as flores no jarro, junto com as do dia anterior—. E que os retoques das paisagens… Eram paisagens, certo? Sim… que ficaram perfeitos, e que a espera amanhã às dez em ponto para pendurar os quadros. Falando em amanhã, suponho que vai querer o vestido branco para a inauguração; eu vou passá-lo cedo. O problema é que falta um botão em uma das luvas, não entendo como pode ser tão pouco cuidadosa. Terei que ir ao armarinho comprar outro que sirva. Veja —disse enquanto dava um passo para traz e contemplava o arranjo floral—. Ficou divino, não foi? E cheiram tão bem! É maravilhoso ver um pouco de cor no inverno. Maggie olhou as rosas semi-abertas. —Sim —disse, mas não pensava nas flores, sim em Jeremy—. É verdade. CAPÍTULO 33 Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 177.
    Jeremy praguejava baixoenquanto abria com uma batida violenta na pesava porta dupla da mansão Rawlings. O vento gélido e cortante que soprava nos campo tinha alcançado a força de um vendaval nas duas horas que havia demorado o duque para chegar na casa desde a estação de trem. Havia esquecido como podia chegar a ser Yorkshire em pleno inverno. Teve que alugar uma carruagem pelo triplo do preço, e logo, a maldita berlinda estava a ponto de voar para Post Road. A neve era tão ofuscante que o cocheiro tinha se negado a continuar, assim o jovem teve que lhe oferecer mais cinco libras e a metade do conteúdo de sua garrafa de uísque para convencê-lo a prosseguir. No vestíbulo, com os ombros e botas jorrando de neve, Jeremy resmungou outra maldição, essa vez por ter chegado tarde demais para que alguém o recebesse. Deviam ser mais de dez horas, e no campo, a essa hora todo mundo já tinha se retirado, ou estava bêbados, pois beber era uma das poucas distrações de que dispunham durante as noites de inverno. Deus, não havia nada que lhe servisse de abrigo! Cruzou o vestíbulo ladrilhado com passo firme, comprovando com desgosto que a maioria dos candelabros que pendiam do teto estavam apagados, e de deteve em frente a uma cadeira, sobre a qual começou a amontoar seus casacos empapados. Tremia da cabeça aos pés, e desejava encontrar uma lareira acesa para que aquecer; no entanto, presumia que não encontraria nem uma chama acesa no térreo. Tinha que encontrar Evers, John Evers, recordou, para lhe pedir que mandasse alguém acender a lareira de seu quarto. Grande acolhida. Devia ter pedido a Peters que o acompanhasse. Ou talvez deveria ter ido diretamente a Herbert Park, para por os pingos nos “is” com sir Arthur sem mais demoras. Sem dúvida, estava com um humor de cão ideal para a ocasião. Ou talvez não. Estava tão fora do sério que podia atirar no pobre homem, e isso só pioraria as coisas. Nunca poderia convencer Maggie para se casar com ele depois de assassinar seu pai. Quando se livrou do cachecol, viu o vislumbre da chama de uma vela que se aproximava dele, atravessando a escuridão que reinava no vestíbulo. Quando a lamparina estava bastante perto para iluminar seu portador, o duque se deu conta de que não a conhecia; era uma menina de uns quatorze anos, com uma emaranhada madeixa de cachos loiros que emolduravam seu rosto gracioso e vagamente familiar. Levava uma bata de cor azul céu, demais suntuosa para uma criada, e umas sapatilhas rebordadas com pele de coelho. Jeremy pensou de deveria falar com seu tio sobre o salário dos serviçais. Porém quando a menina se dirigiu para ele, percebeu que não poderia ser um membro do serviço, pois sua tia nunca teria contratado alguém tão grosseiro. —Quem é você? —perguntou com um tom de receio. O jovem a ficou olhando; tinha os olhos de um azul tão claro como sua bata. —Ia lhe perguntar o mesmo —respondeu. —Sou Elisabeth Rawlings —se apresentou a menina, melindrosa—. E moro aqui. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 178.
    —Pois eu souteu primo Jerry —esclareceu o duque depois de se recompor da surpresa. A última vez que havia visto Lizzie lhe chegava na cintura, e nesse momento a cabeça de cabelo anelado estava na altura de seus ombros—. Eu também moro aqui. De fato, esta casa é minha. —Mentira —ela alfinetou, piscando—. Meu primo Jerry está na Índia. —Não, não está—respondeu ele—. O tens diante de ti. Além disso, o que fazer de pé? A sua mãe sabe que tens o costume de rondar a casa às escuras? Acredito que já tenha te proibido aos dez anos quando te descobriu meia-noite na cozinha, devorando os restos de bolo do aniversário do seu irmão. Lizzie arregalou os olhos e olhou o jovem, boquiaberta. —Primo Jerry? —exclamou entrecortadamente—. É você! —É claro que sim —contestou ele, deixando o cachecol na cadeira—. Onde está todo mundo? Esta casa parece um cemitério. —Mamãe está na cama —começou a menina, que não podia tirar os olhos dele—. O doutor Parks lhe disse que não deve se levantar até que nasça o bebê, mas ela não para de ir para cima e para baixo. E suponho que papai está lendo na biblioteca. Minhas irmãs estão dormindo, e meus irmãos não sei. Por que tens uma cor de pele tão diferente? —Estou moreno. Isso acontece quando se passa um tempo perto da linha do equador —ele explicou—. Que fazes levantada? —Não fale comigo se fosse uma criança —respondeu Lizzie, indignada—. Tenho quinze anos, e posso estar levantada até a hora que quiser. Jeremy ofegou. —Acredito que ia te encontrar com um rapaz. De quem se trata? Um dos lacaios? O despedirei amanhã mesmo. —O duque agarrou sua prima pelo braço e se dirigiu para a escada que se estendia até a galeria que cercava o vestíbulo por três de seus lados—. E não penses que não vou dizer para seu pai, sem dúvida. A jovem deu um puxão no braço, com uma força surpreendente para uma menina tão delgada. —Me solta, palhaço atrevido—exigiu—. Só desci para buscar o livro que estou lendo. —Oh, claro —replicou ele com ironia—. E como se chama? Guia para jovenzinhas em suas primeiras aventuras amorosas? —Pois, apenas para que saiba, estou lendo Escritos sobre educação —resmungou a jovem—. É um tratado sobre os direitos das mulheres, de Catherine McCauley, contemporânea de Mary Wollstonecraft, admirada atualmente pelos oito volumes de sua obra Historia da Inglaterra. — E, com a última palavra, Lizzie conseguiu se libertar, já que Jeremy estava demais surpreso e a soltou sem se dar conta. —Meu Deus! —exclamou—. E por que estás lendo isso? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 179.
    A jovem Rawlingsarrumou a manga de sua bata com afetação. —Porque me interessa o tema, ignorante —disse com tom desdenhoso. Jeremy deixou escapar um suspiro. Apesar de seu cabelo loiro, aquela menina era igual a mãe, sem dúvida. Não lembrava de uma única vez em que havia visto a tia sem um livro de características similares nas mãos. Se perguntou como seria aquela menina dentro de uns anos; uma intelectual atrelada em um corpo de bailarina, e sentiu pena dos homens que sofresse a desgraça de se apaixonar por ela. —Que demônios está acontecendo aí embaixo? —retumbou uma grave voz desde a galeria, por cima de suas cabeças. O duque levantou os olhos e viu a alta silhueta de seu tio no alto da escada. —Ah, oi, tio Edward —disse com indiferença—. Sinto ter lhe incomodado. —Jeremy? —perguntou o cavalheiro enquanto tirava os óculos da ponta do nariz. “Deus santo!”, esteve a ponto de exclamar o jovem. Edward Rawlings com a vista cansada? Que outras calamidades haviam sucedido enquanto estava fora? —Sim, tio —respondeu Jerry com jovialidade—. Sou eu. Estava tentando disciplinar a tua filha mais velha, mas parece que ela acredita que sou eu quem necessita de uma lição. —Jeremy! —Ainda que Edward tivesse envelhecido durante a ausência de seu sobrinho, era um homem atlético, e desceu a escadaria com rapidez para dar um abraço no recém chegado. —Meu Deus! —exclamou Jeremy, em situação incômoda, com a voz abafada pelo roupão de veludo de seu tio—. Se soubesse que este era a recepção que me esperava, nunca teria saído de Nova Déli. Surpreso com sua própria demonstração de emoção, Edward soltou o sobrinho de súbito, mas deixou uma mão apoiada no ombro dele. —Bem vindo ao lar —disse bruscamente—. Sentimos saudades. —E, olhando-o com os olhos baixos, adicionou—. Tens um aspecto horrível. Vamos tomar um uísque? —Excelente idéia —contestou Jeremy enquanto os dois homens começaram a subir a escadaria. Edward se deteve de súbito, se virou e olhou severamente para sua filha, que escapulia para a sala de jantar, situada entre as duas escadarias. —E a senhorita onde pensa que vai? —inquiriu. Sem se deter, Lizzie o olhou com expressão ofendida por cima do ombro. —Buscar meu livro, claro. Eu o esqueci na mesa depois do jantar. —Está bem —respondeu seu pai, pigarreando com desaprovação—. Anda, vai logo buscar e volte para cama. E não deixe sua mãe saber que a permito ler na mesa, ou ela arrancará minha pele em tiras. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 180.
    —Sim, papai —assentiua jovem com um suspiro de resignação. Virando-se de novo para seu sobrinho, Edward o olhou com um sorriso de desculpa. —Se tornam um pouco desobedientes quando a mãe não está. Pegeen está na cama há dois dias, e creio que durante esse tempo não tem visto nenhum deles. —E o sétimo resiste a sair, hein? —perguntou o duque com um sorriso. —Um pouco, mas acredito não vai demorar —contestou seu tio, com uma expressão risonha, enquanto subiam para o segundo piso—. Creio que quando ela ver você, sua tia ficará tão surpreendida que dará a luz subitamente. —Estou tão mal assim? —perguntou Jeremy lavando a mão a mandíbula, coberta de áspero pelo escuro—. Lizzie não me reconheceu, mesmo que a recíproca seja verdadeira. —É o bronzeado —disse depois de observá-lo um momento—. E o nariz, é claro. Por fim conseguiste alguém que o quebrasse, hein? Bom trabalho. Sabia que estavas desejando se desfazer dessas linhas tão retas que herdaste. —Quando chegaram no alto da escada e estava a ponto de dobrar no corredor, Edward se deteve e o olhou com uma sobrancelha arqueada—. A verdade é que eu havia pensado em quebrá-lo eu mesmo quando você tivesse o descaramento de aparecer por aqui. Jeremy deu um passo para trás, ao lembrar da força com que golpeava seu tio. —Se está falando da Estrela de Jaipur, posso explicar. —Verdade? —perguntou Edward com um tom ligeiramente irônico—. Certamente será interessante. Eu li a retratação esta manhã no Times, então suponho que não teremos uma nova duquesa de Rawlings tão cedo como esperávamos. —Eu não disse isso —respondeu o duque—. Mas, ela não será da Índia. De fato, ela é das redondezas. A Edward Rawlings podiam atribuir-se muitos defeitos, mas sem dúvida, ninguém podia negar que sempre fora perspicaz. —Assim que está certo —disse, sacudindo a cabeça—. Pegeen me disse que votarias para casa tão logo soubesse que Maggie havia noivado, mas eu não acreditei muito nela. —Espero que não tenha apostado nada —sorriu. —Temo que sim. Maldita seja! Agora lhe devo cem libras ao Lar Rawlings para órfãos. — Negando com a cabeça, fingindo estar desgostoso, o cavalheiro se dirigiu para a porta da biblioteca—. Santo Deus, Jerry. Já se passaram cinco anos. Não podes deixar a coitada em paz? Na hora, o sorrido do duque se desvaneceu. —Não, não posso —respondeu com frieza—. E, ao que parece, você tão pouco pode deixar minha tia em paz. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 181.
    Então foi Edwardquem sorriu. —Touché! —assentiu com a mão na maçaneta da porta. Na biblioteca, Jeremy viu com grande alivio uma grande chama acesa na lareira, e o decantador de uísque, destampado, sobre uma mesa auxiliar. Se aproximou do fogo e estendeu as mãos para se aquecer, enquanto seu tio fechava a porta e servia dois generosos copos. —Aqui —disse, entregando um dos copos—. Por teu regresso. —Obrigado. —Jeremy bebeu quase todo o uísque de um gole, e sentiu como o liquido abrasador passou a aquecer as extremidades congeladas. Todavia não estava suficientemente recuperado de uma noite de tórrido romance e um dia inteiro viajando em diferentes meios de transporte que os deixaram exausto. Ao pensar que ainda teria que lidar com sua tia, para não falar que ainda teria que convencer a família de Maggie, se sentiu invadido por um profundo cansaço. Seu tio pegou amavelmente o copo vazio de suas mãos e o encheu pela segunda vez. —Bem —começou Edward com um suspiro, enquanto se deixava cair no sofá de couro. Ao que parece, minutos antes estava lendo o jornal, pois havia um exemplar do Times mal dobrado no chão, a seus pés—. Deixa eu ver se entendi direito. Te alistaste na guarda montada e embarcaste para a Índia, mataste um monte de rebeldes bengalês, conseguiste ser promovido, salvaste o embaixador da Rainha em Bombaim de um disparo de bala, te promoveram de novo, evitaste o saque e destruição do Palácio dos Ventos de Jaipur, e te recompensaram com a Estrela de Jaipur… Me diga se esqueci de alguma coisa… —Nadinha —contestou Jeremy, impressionado para seu pesar—. Parece que tens seguido minha carreira militar até os mínimos detalhes. Entretanto, quero esclarecer que a Estrela de Jaipur é uma safira, e não uma princesa. Seu tio pareceu aceitar aquilo com toda naturalidade. —Ah, e o artigo de ontem do Times? —A princesa parece ter certas dificuldades para aceitar minha decisão de preferir uma safira em seu lugar —contestou, dando de ombros como se quisesse dizer: “Que quer que faça um pobre tipo como eu?” —Entendo —pigarreou o cavalheiro—. Devo admitir que conseguiste impressionar muitos Lordes com tua valentia. Ouvi falar que pensam em enviá-lo para lutar contra os zulus, em Isandhlwana, para acabar de vez com os rumores sobre uma rebelião. Tenho feito o que posso para tirar-lhe essa idéia da cabeça. Na minha opinião, creio que serias muito mais útil aqui, na Inglaterra, como consultor em Whitehall. —Whitehall? —inquiriu Jeremy enquanto se sentava em frente a lareira para que o calor penetrasse até os ossos congelados—. Vamos, tio Ed, não creio que isso me agradaria nem um pouco. Não é para que os almirantes na reserva revivam suas velhas glorias? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 182.
    —Sem dúvida quenão —contestou Edward com indignação—. Em Whitehall estão os escritórios centrais das Forças Armadas de Sua Majestade. Será melhor que aceite se chegarem a lhe propor; nenhum oficial vivo deixaria passar uma oportunidade assim. —Suponho que Whitehall será melhor que Nova Déli —concordou o duque, dando de ombros —. Estou farto da Índia; não há uísque e os mosquitos são do tamanho de uma mão. —E ao que parece, não há mulheres —respondeu o cavalheiro com aspereza—. Fora a princesa, quero dizer. —Hã, o que disse? Há muitas mulheres —replicou Jeremy com um olhar desconcertado. —Mas ainda assim, continuas querendo se casar com Maggie? —inquiriu, cético. —Claro que sim —argumentou o jovem, um pouco na defensiva—. Creio que no fim a mereço. Edward levantou as sobrancelhas. —Do que estás falando? —Não se lembra de nossa conversa depois que... nos flagrou no estábulo? Me acusou de ser um libertino, e me disse que eu não merecia uma moça como Maggie porque não havia feito nada de proveitoso na vida. —Jeremy se inclinou para frente para apoiar o cotovelo na poltrona, com o copo de uísque nas mãos—. Bem, creio que estarás de acordo comigo que agora a fiz por merecer, certo? Arrisquei minha vida centenas de vezes a serviço do país. —Não me digas… —Seu tio deixou o uísque, que apenas havia tocado, na mesa auxiliar—. Jerry, não me digas que fizeste tudo isso para demonstrar que mereces Maggie. —Por um acaso acreditas que ela não valha a pena? —perguntou com rapidez, na defensiva. O cavalheiro pestanejou. —Se acredito que...? Mas, por Deus, Jerry, não tem nada a ver. Estou surpreso, isso é tudo. Eu acreditava que a essa altura tinhas te esquecido completamente dela. —Por quê? —perguntou o duque com rispidez—. Faz cinco anos que me disseste que ela seria uma excelente duquesa. Não pode ter mudado de opinião agora? Ou por acaso sir Arthur lhe convenceu de que pintar retratos não é adequado para uma mulher? —Não é nada disso —riu—. Só me referia a que cinco anos é um tempo relativamente longo para que um jovem como você.... se mantenha naturalmente... fiel a uma mulher. E em especial, uma mulher que, segundo entendi, anunciou seu compromisso com outro homem. —Por que diabos acreditas que eu voltei, então? —inquiriu o jovem duque, que se levantou de súbito e começou a andar para cima e para baixo no aposento. —Santo Deus —exclamou Edward, olhando seu sobrinho dar voltas pela sala—. Não tinha me dado conta antes, porém és pior que Pegeen. Quando se mete uma idéia na cabeça, não há quem os faça mudar de opinião. —E que mal tem isso? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 183.
    —Nada. Me fazrir, só isso. Então, você vai matar o noivo dela? —Não. Ainda que seja tentador. No entanto, acho que seria melhor planejar de outro modo. Por isso estou aqui, de fato. —Verdade? —perguntou Edward, interessado—. Pois não diga isso a Pegeen. Se não ela vai pensar que vocês fez pouco caso dela. Jeremy sorriu. —Recebi sua carta, e me deixa alegre saber que estão todos bem … —Vamos —lhe interrompeu seu tio, com tom cético—. Nunca foste um bom puxa-saco, Jerry. Aliás, como foi mesmo que conseguiste chegar tão longe no exército? Bem, deixe prá lá. Melhor me contar a verdade sobre o que te traz a Yorkshire quando o amor de tua vida e seu noivo estão em Londres. —Sua família —respondeu o jovem de forma sucinta. —Sua família? —Edward pareceu confuso—. O que tem a ver a família dela com todo isso? —Tudo. Quero fazer-lhes reencontrar a razão, e que se dêem conta de que sua desaprovação sobre a pintura de Maggie é absurda. Além disso, quero que aceitem que eu me case com ela, no lugar desse francezinho. —Jeremy se deteve e se virou para o tio para olhá-lo de frente—. Alguma objeção? Edward pegou o copo de uísque que tinha deixado na mesa. —E se eu tiver? —perguntou com um sorriso. Seu sobrinho também sorriu, mas não havia nenhuma pitada de humor em sua expressão. —Então não me restaria outro remédio a não ser lhe convencer na base do soco. —Nesse caso —respondeu Edward com fingida seriedade—, não tenho nenhuma objeção. O duque relaxou os punhos, surpreso. —Está falando sério, tio Ed? De verdade lhe parece certo? —De verdade —respondeu Edward, dando de ombros—. Maggie Herbert me agrada. Não suporta os cretinos, nem mesmo de sua própria família, e não posso evitar admira-la por isso. Não obstante, não sei como vai conseguir convencer a sua irmã Anne. Sua tia disse que desde seu último aborto não está nada bem, e não me refiro fisicamente. Ao que parece, está convencida de que as mulheres que estão em idade de conceber e não o fazer vivem contra a natureza. Suponho que Anne gostaria de ter muito mais filhos, mas não pode, e não suporta que outra mulher, podendo, não os tenha. Jeremy, quem especialmente não gostava muito das crianças, pois sempre lhe parecia que estavam com as mãos sujas e nunca paravam de gritar, assentiu com uma fingida expressão compreensiva. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 184.
    Edward continuou: —Anne nuncaconcordou que seus pais permitissem que Maggie fosse estudar em Paris, mas suponho que, tratando-se dela, uma academia de arte era… —olhou seu sobrinho com severidade e emendou— …um mal menor. O duque arqueou uma sobrancelha diante daquela insinuação sobre ele ser um mal maior, mas como seu tio havia chamado de coisas muito piores o seu passado, deixou passar sem comentários. —Quando Maggie anunciou sua intenção de viver da arte, Pegeen me disse que Anne perdeu as estribeiras —continuou Edward—. Não só era uma de suas irmãs que desafiava a ordem natural das coisas, como também, ao fazê-lo, manchava o bom nome da família Herbert. —Entendo —assentiu o jovem—. Então esse é o problema que vou enfrentar? —Ah, isso não é tudo —lhe assegurou seu tio, divertido—. Não esqueça sir Arthur. Anne tem alimentado seu rancor contra sua filha caçula. Nunca o havia visto tão inflexível sobre nada. Ele queria que Maggie voltasse para casa para cuidar dele, e não quer ouvir falar de que ela viva em Londres pintando os filhos dos nobres. Além disso, estou certo de não lhe agradará nada que interfira em seus assuntos familiares, nem que queiras se casar com sua filha. Já sabes que tem idéias firmes sobre ambas as coisas. —Eu sei —disse o jovem com expressão sombria—. Por isso mesmo eu trouxe a pistola. Edward arqueou uma sobrancelha. —Ah —disse—. Compreendo. Bom, isso muda tudo, não? Então foi a vez do duque sorrir. —Assim espero. CAPÍTULO 34 Maggie, no meio da Galeria de Veygoux, mordia o lábio. Eram quase onze horas da manhã e Augustin todavia não havia chegado. Não era típico dele chegar tarde. Absolutamente não. Não que ela se incomodasse; não tinha nenhuma vontade de vê-lo. Sabia que naquele dia não teria nenhuma desculpa; nem uma dor de cabeça, nem carregadores estabanados, nem um desafortunado acidente de um ajudante nem, talvez o mais importante de tudo, Jeremy. Naquele dia tinha que romper seu compromisso. Por sorte, os ajudantes de Augustin estavam n a galeria quando ela chegou; se não fosse assim, teria congelado esperando na rua. Era um típico dia de fevereiro, frio e ventoso, com uma fina cortina de água e neve cobrindo tudo. Um dia ideal para inaugurar uma exposição, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 185.
    pensou a jovem,desgostosa. Certa de que as pessoas estavam desejando sair na rua com aquele frio para ver umas pinturas, em vez de ficar bem acomodado em casa junto da lareira. Maggie sabia perfeitamente que ninguém assistiria a inauguração de sua exposição. E não se importava. Augustin tomaria uma decepção, é claro. Mas, para ela, seria um alivio. Com os altos e baixos emocionais pelos quais estava passando, não se sentia capaz de sorrir e escutar cumprimentos, ou críticas, das pessoas sobre seu trabalho. Pela primeira vez na vida, não se preocupava com que pudessem falar ou pensar sobre seus quadros. Que importância teriam um monte de telas quando se estava partindo seu coração? Estava convencida de que era certo; estaria partindo o seu coração. Mas merecia isso, pois era a mulher mais infame sobre a face da terra. Uma mulher que fazia amor com um homem quando estava comprometida com outro… no só merecia que se lhe partisse o coração, como também que os jornais de domingo publicassem críticas ferozes sobre sua exposição. Isso era o que de verdade merecia, e confiava que o Times não a decepcionaria. Um dos ajudantes de Augustin, o mesmo que seu noivo havia arrancado as orelhas no dia anterior, parecia preocupado por ela; devia ter um aspecto horrível, no centro da sala, com o guarda-chuva gotejando sobre o reluzente piso de madeira. O jovem se aproximou com timidez e lhe deu uma xícara de chá. Surpresa, Maggie aceitou, e apenas se deu conta de que o rapaz lhe pegava o guarda-chuva do braço e o levava para guardá-lo. Depois se desculpou pelo atraso de seu chefe, lhe perguntou se não gostaria de dar uma volta para comprovar se os quadros estavam pendurados a seu gosto. Maggie não pode dissimular sua surpresa; acreditava que a razão por que havia ido a galeria aquela manhã era para decidir onde e como dispor as obras. O jovem se ruborizou, e olhando-a com expressão de culpa, lhe respondeu que tinha razão, mas que ele e seus companheiros haviam adiantado o trabalho na tarde anterior. Maggie pode ler seus pensamentos, e compreendeu que o ajudante havia se sentido tão culpado por ter atravessado a parede com o martelo no dia anterior, que havia trabalhado até tarde para impressionar o seu chefe com sua diligencia e iniciativa. Porém seu chefe ainda não teve a delicadeza de aparecer. E aquilo não era próprio dele. Nada próprio de Augustin. Maggie, comovida pela nervosa solicitude do rapaz, passou a se sentir incomodada com a falta de consideração de seu prometido. Respondeu que ficaria encantada de dar uma volta, e o senhor Corman, que assim se chamava o jovem, quis acompanhá-la para explicar tudo. As molduras eram preciosas; de fato, em alguns casos Maggie as achou muito melhores que a pintura. Além disso, era evidente que os haviam colocado com muito cuidado, de maneira que os maiores não ofuscavam os menores, e as paisagens se intercalavam entre os retratos, para que a vista não se cansasse de tanto verde ou azul. Enquanto tomava o chá, a jovem não deixava de elogiar o senhor Corman e seus companheiros, ainda que na realidade apenas podia prestar atenção ao lhe diziam. Não Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 186.
    deixava de seperguntar onde estaria Augustin; ele nunca chegava tarde. Logo lhe ocorreu algo horrível. E se Jeremy tivesse razão, e era seu prometido quem havia tentado matá-lo em frente ao número vinte e dois de Park Lane e no dia seguinte no escritório do Times? Se esse fosse o caso, talvez Augustin o havia seguido até Yorkshire, para terminar seu trabalho. Não, isso era ridículo. Augustin nunca tentaria matar alguém. Era incapaz de uma coisa assim. Chegara tarde, isso era tudo. E Jeremy estava perfeitamente a salvo. Ao que tudo indica, a havia usado, e logo abandonado, mas pelo menos estava a salvo. Com esses pensamentos na cabeça, a jovem seguiu o senhor Corman, que virou uma esquina para lhe mostrar, o lugar de honra, embaixo de uma lâmpada a óleo, um enorme retrato de Jeremy. Maggie ficou tão surpresa que a xícara e o pires estavam a ponto de cair de suas mãos. —De onde o senhor tirou isso? —perguntou, horrorizada, com os olhos arregalados. O ajudante pareceu confuso por aquela pergunta, pois, como lhe esclareceu em seguida, ela mesma o havia mandado de seu estúdio, junto com os demais quadros. —Ah, não —exclamou—. Deve ter sido um erro. Este não é parte da exposição. Os carregadores que contratou Augu… quero dizer, o senhor de Veygoux, devem ter levado por engano. Esse quadro não estava destinado a ser exposto para ninguém! —Peço que me desculpe, senhorita —respondeu o senhor Corman, com uma expressão preocupada no pálido rosto—. Permita-me que lhe diga que esta é uma das melhores pinturas de sua coleção. Não pode nos pedir para tirá-la daí; nós a transformamos no centro da exposição. Nesse momento, Maggie se deu conta de que, se não deixasse a xícara de chá segura num lugar firme, acabaria aos pedaços no chão. A pousou com cuidado em cima de um pedestal e se deixou cair num sofá de veludo azul colocado diante do retrato de Jeremy, como se estivesse prevendo que as mulheres se desvaneciam ao vê-lo. De fato, a artista não se surpreenderia se isso ocorresse. O retrato, pintado há anos, representava o duque com o aspecto que tinha naquela noite no terraço de Herbert Park, quando, ao lhe perguntar Maggie aonde iria, ele lhe respondeu: “Ao inferno.” Tinha a mesma expressão, meio irônica, meio enfadada, uma das sobrancelhas arqueadas num gesto céptico, e um meio sorriso nos lábios. O jovem estava retratado com um só pé na balaustrada, e com o corpo meio voltado para o espectador; levava o chapéu em uma mão e apoiava o punho fechado da outra mão em cima da perna levantada. A distancia se via a mansão Rawlings, tal como a jovem se lembrava de havê-la visto esse dia anos atrás. Jeremy ia vestido com roupa de montaria, que realçava os músculos definidos do seu corpo masculino. Maggie se ruborizou só de olhá-lo. Em que devia estar pensando quando o pintou? Em fim, isso era evidente. Ainda que fosse impossível alguém adivinhar, havia pintado o retrato totalmente de memória. Todas as linhas e os detalhes eram precisos, como si se fosse uma fotografia. Contudo, a Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 187.
    diferença de umafotografia, o retrato plasmava o duque em todas as suas facetas; não só seu aspecto, mas também sua essência, seu humor sarcástico, sua aguda inteligência… e, sobretudo, sua sensualidade, tão evidente que para ela parecia que seu amante ia sair da tela, envolvê-la e beijá-la ali mesmo. Graças a Deus que estava no sofá, porque lhe faltavam equilíbrio nas pernas e seria impossível manter-se em pé. Havia pintado aquele retrato fazia quase dois anos, em apenas quatro dias; haviam sido quatro dias de trabalho febril, durante os quais não havia permitido que ninguém visse o que estava fazendo, nem mesmo Berangére ou madame Bonheur. Fazia pouco tempo que havia conhecido Augustin, e Maggie acreditava que se pintasse Jeremy, conseguiria tirá-lo de sua mente e da sua vida. Porém, não havia funcionado. Nunca havia sido capaz de olhar a pintura terminada sem uma inexplicável sensação de opressão no peito. Por isso a havia guardado, resolvida a não olhá-la nunca mais. E assim tinha sido. Até então. —Tenho que discordar —disse debilmente. O senhor Corman, que havia trabalhado com muitos artistas e conhecia seu caráter temperamental, tentou acalmá-la. —Entendo que deve estar nervosa pela inauguração desta tarde, porém insisto que este é seu melhor trabalho. Seria um crime não incluí-lo na exposição. Veja como cai bem com essas paisagens aos lados. Não há nenhum outro quadro da mesma medida para colocar em seu lugar. —Já vi que o senhor não entende —começou a jovem—. Estou dizendo que deve tirá-lo. Esta tela faz parte de minha coleção pessoal. Não está a venda, nem está destinada a que alguém a veja. Nem mesmo o modelo, que… tão pouco virá a inauguração. Aquilo era algo em que Maggie apenas se atrevia a pensar. Não tinha nem idéia de por que Jeremy havia ido para Yorkshire, mas, mesmo sabendo que era uma estupidez, tinha a esperança de que estivesse ali no dia mais importante de sua vida. Pela primeira vez, o jovem pareceu compreender. —Ah, entendo. Ainda assim, senhorita Herbert, não creio que o cavalheiro se sentiria insultado. Estou seguro de que está favorecido neste retrato. —E, com os claros olhos voltados para a pintura, completou—. Nenhum homem poderia não gostar de que alguém os pintasse tão… masculino. Com um gemido, a jovem afundou o rosto entre as mãos. Estava naquela mesma posição quando a sobressaltou uma voz em suas costas. —Marguerethe? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 188.
    A jovem seendireitou imediatamente, como se alguém tivesse tirado de um fio que levava preso na cabeça. Horrorizada, se virou e viu Augustin entrar apressadamente na galeria, tirando o casaco. Então não havia ido a Yorkshire para matar Jeremy. —Oh, céus —murmurou com uma última olhadela para a pintura. Por sorte, o senhor Corman pareceu entender sua angustia e se pôs diante do retrato para tapá-lo. —Marguerethe? —a chamou de novo Augustin. Havia algo estranho em sua voz, mas Maggie não pode determinar de que se tratava. A jovem se levantou do sofá e atravessou a galeria com surpreendente compostura, tendo em conta como estava alterada momentos antes. Contudo, não tinha se aproximado nem três metros de seu prometido quando se deu conta de que ele estava mais descomposto que ela. De fato, tinha um aspecto horrível. Mas o mau aspecto não se devia aos hematomas; na realidade estavam desaparecendo bastante rápido, pois as marcas de debaixo dos olhos já tinham uma cor amarelada, e o nariz estava muito menos inchado. Não, era outra coisa, mas ela não sabia exatamente o que. Era algo diferente… estranho. —Oh, Marguerethe —exclamou de Veygoux, com um sorriso nervoso, enquanto se inclinava para lhe dar um beijo no rosto—. Sinto muito chegar, chérie. Não sei o que me aconteceu. Nunca em minha vida havia dormido até tão tarde. —Você ficou dormindo até tarde? —perguntou Maggie franzindo o cenho. Lhe custava acreditar. Augustin sempre se levantava cedo; não obstante, era evidente que dizia a verdade, pois ainda tinha os olhos sonolentos. A jovem sorriu—. Augustin —disse com tom reprovador —. Não sente vergonha! Aposto que saiu ontem a noite depois de me levar aquele precioso ramo de rosas. O jovem francês se virou para dar o casaco para um de seus ajudantes. —Não, que isso —respondeu. Porém disse com tanto entusiasmo que Maggie supôs que mentia. Se perguntou que demônios estava tentando esconder—. Suponho que estou ficando resfriado. —Ah, claro —respondeu ela—. Um resfriado. Espero que não esteja se descuidando de sua saúde. —Não, nem um pouco —disse Augustin, que parecia ter a cabeça em outra coisa—. O que houve? —perguntou, percorrendo a galeria com o olhar—. Já está tudo pronto? Que trabalhadora, chérie. Maggie ficou olhando para ele. Alguma coisa estava acontecendo com seu noivo, tinha certeza. Mas, o que? Não conseguia adivinhar. —Não fui eu —respondeu com franqueza—. Foram o senhor Corman e seus companheiros. Colocaram os quadros ontem pela tarde, para que estivesse tudo pronto quando eu chegasse. A verdade é que estou muito contente com o resultado. —Maggie mordeu o lábio. Dava graças Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 189.
    a Deus deque Augustin não tivesse visto o retrato de Jeremy… ainda que não soubesse como faria para evitar que isso acontecesse. A pintura parecia atrair a atenção de todo mundo, igual como ocorria a seu modelo. Enquanto falava, Maggie se deu conta de que os ajudantes do marchand se mexiam, nervosos, esperando a reação de seu chefe sobre sua iniciativa. Ao ver suas expressões de assombro momentos depois, quando seu prometido os parabenizou, supôs que aquilo não ocorria muito, e que de Veygoux só elogiava seus empregados quando realmente o mereciam. —Superbe —disse olhando os quadros pendurados nas paredes—. Estou encantado. E você, Marguerethe? Gostou? Maggie assentiu, e então percebeu por que achava estranho Augustin: evitava olhá-la nos olhos. Era isso! “Que estranho”, pensou. Lhe pareceu que seu prometido se sentia culpado por algo. “Sou eu quem devia se sentir culpada, e ao contrário dele, sou capaz de manter o olhar.” Se perguntava o que devia ter sucedido para que se sentisse assim. Será que ele havia realmente feito algo contra Jeremy? Mas não, isso não era possível. Se alguém o tivesse machucado, ela saberia. Ou não? Ou não? Enquanto Maggie pensava na questão, Augustin começou a falar com o mesmo tom de falso entusiasmo, sem encará-la nos olhos. —Agora, espero que esteja preparada para uma grande noticia, chérie —disse enquanto ajustava o lenço—. É uma excelente noticia. Quando me disseram, não acreditava, mas esta manhã recebi uma nota de confirmação do primeiro ministro. Estás preparada? Maggie não se sentia com ânimos para nada… exceto para se sentar de novo em frente ao quadro de Jeremy. —Sim, creio que sim —respondeu com sinceridade. —Sua alteza real, o príncipe de Gales em pessoa, vem assistir a inauguração esta noite — anunciou de Veygoux, com tanta satisfação que ela não pode evitar sorrir, mas não pela visita do príncipe, mas sim pela emoção que parecia embargar seu noivo. Para falar a verdade, estava um pouco decepcionada. Por um momento havia se agarrado a esperança de que ele anunciaria a presença de seu pai, ou algo assim. Porém é claro de devia estar contente. —Que maravilha! —Vraiment! Mas não me pareces entusiasmada! —exclamou de Veygoux—. Creio que não tenha entendido o que acabo de lhe dizer. O príncipe de… —Sim, eu o entendi —ela o interrompeu com um sorriso forçado—. E estou encantada. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 190.
    —Marguerethe… —Parecia queMaggie havia conseguido atrair toda sua atenção—. É isso que não entende? A Rainha quer encomendar um retrato de seus netos, e o fato de que envie o príncipe de Gales a sua exposição quer dizer que está considerando a possibilidade de que seja você a artista encarregada. A pesar de seu mal humor, aquilo a impressionou. Uma encomenda da Rainha? Era a maior honra que podia aspirar um artista. Augustin forçou um sorriso, mas entre o nariz torto e o fingimento, acabou em uma careta. —O Que me diz, mademoiselle, vamos comer juntos no café da frente para celebrar? Assim podemos falar de como devemos receber o príncipe de Gales. Porém aquilo não era o único assunto sobre o qual iriam conversar. Um salão de chá não era o lugar ideal para romper um compromisso, mas não havia mais remédio. Havia feito o que fosse, absolutamente o que fosse, para evitar que visse o retrato. Ainda que, pensando bem, talvez estivesse se comportando como uma tonta. Que mal podia fazer um pequeno quadro? CAPÍTULO 35 —Como você pode? Jeremy abriu um olho. Lhe pareceu que aquela frase, pronunciada muito próxima de seu ouvido, vinha de alguém que se encontrava bem ao seu lado. Sem se lembrar onde estava, estendeu os braços para abraçar Maggie, pensando que a encontraria enrolada ao seu lado. Em vez disso, apalpou objeto redondo e firme. Ao abrir o outro olho, o duque descobriu consternado que se tratava da proeminente barriga de sua tia. O jovem afastou a mão e se ergueu, confuso. —Tia Pegeen! Porém a dama não parecia dividir a surpresa de seu sobrinho. —Como você pode? —perguntou de novo, de pé junto da borda da cama—. Não tens vergonha, Jerry! Jeremy olhou sua tia apreensivo. Apesar de seu avançado estado de gravidez, tinha exatamente o mesmo aspecto que da última vez que a tinha visto, cinco anos antes, exceto por algumas finas rugas ao redor dos lábios e dos olhos verdes, e uns poucos fios brancos nas madeixas escuras que caiam soltas sobre seus ombros. Era evidente que acabara de se levantar da cama, e estava vestida com uma volumosa bata de veludo verde, atada abaixo dos seios com um cinto dourado. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 191.
    Não tinha nema mais remota idéia a que ela se referia com aquela pergunta; Queria saber como podia ter se comprometido com uma princesa indiana?, ou como pode ter ficado tanto tempo fora sem lhe escrever? —Acreditava que o doutor Parks recomendou que a senhora ficasse de cama —disse para mudar de assunto e evitar que sua tia seguisse por esse caminho. —Que ficasse na cama! —ela gritou—. Como posse ficar de repouso na cama quando acabo de saber que meu sobrinho apareceu depois de cinco anos de ausência? E que, ainda por cima, está doente de malaria? —Pegeen balançou a cabeça em reprovação—. Como pode? Por que não nos escreveste para nos contar? Se eu soubesse, nunca teria lhe contado sobre a Maggie. —Pois foi por isso mesmo que não lhe contei —murmurou o jovem. —Mas malaria! —Pegeen voltou a negar com a cabeça—. Você tem um aspecto horrível. —Já me disseram isso. —Jeremy pensou que talvez deveria se levantar, mas então se lembrou de que não vestia nada por baixo dos lençóis; não podia retirar os cobertores e ficar pelado diante de sua tia. Em vez disso, se aquietou—. Quem lhe deu permissão entrar, afinal? —Não, ninguém —contestou Pegeen. E, para seu aborrecimento, viu que sua tia se sentava na beira da cama—. E não dê uma de espertinho. O fato de ser tenente coronel não significa que possa ser grosseiro com as mais velhos. O duque bufou. —Tio Edward sabe que a senhora levantou? Tenho certeza que quando ele souber não vai gostar nada … —Mas ele nem mesmo sabe por onde andam seus filhos, quem dirá sua esposa —disse Pegeen, fazendo um gesto no ar com as mãos—. E agora me conte o que tem se passado entre você e Maggie. Foi muita desconsideração da sua parte passar tantos dias na casa de Park Lane com ela, sem nenhum acompanhante. O pobre Evers estava a beira de um infarto. A única coisa que pude fazer para evitar que ele fosse embora logo no primeiro dia foi lhe oferecer uma aumento. Além disso, lhe asseguramos que tinha a intenção de se casar com ela. Então, o que ela lhe respondeu? —Quem respondeu o quê?? —perguntou Jeremy, sem saber exatamente a quem nem a que se referia. —Maggie, é óbvio! O que ela disse quando você lhe propôs casamento? —Se quer que eu lhe diga a verdade, ainda não disse nada, porque sequer pude planejar a questão … —Ao ver que sua tia engolia ar para protestar, o duque arregalou os olhos e emendou—. Escuta, tia Pegeen, estou muito feliz em lhe ver e quando tudo isso terminar, vou lhe fazer uma visita como Deus manda. Contudo, tenho coisas importantes fazer nesse instante. E me parece que a senhora também. —Ainda vou estar em trabalho de parto nas próximas horas —contestou ela com outro aceno de mão—. O que você quer realmente dizer com que não pode ainda expor a questão? Não Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 192.
    me diga quedeixaste a pobre moça em Londres sem ter a menor idéia de quais são suas intenções. Acredito que Edward tenha lhe advertido… —A senhora está em trabalho de parto? —a interrompeu seu sobrinho, quando em fim entendeu o que ela acabara de dizer—. Está de trabalho de parto nesse minuto? A dama o olhou, pestanejando. —Bom, só desde que amanheceu. Passaram pelo menos duas horas antes de que… —Pegeen! —O estrondoso som chegou até eles acompanhado de um barulho de algo se rompendo. Lady Edward deu um suspiro e virou para ver qual seria a causa daquela comoção. —Tinha entendido de que devia ficar quieta na cama —disse seu marido debaixo da porta com um olhar furioso. Aquela frase foi pronunciada com tanta cólera contida que Jeremy sentiu seus pelos da nuca se eriçarem em sinal de advertência. A dama inclinou a cabeça para trás. —Isso é o que você, meu marido, e o doutor Parks entendem, mas eu não compartilho dessa opinião. —Pegeen. —O cavalheiro parecia estar se controlando para não arrebentar a primeira coisa que se pusesse no seu caminho—. Volte para cama agora mesmo. —Não pode estar falando sério, Jeremy —continuou ela como se nada tivesse interrompido, virando-se para seu sobrinho—. Alistair e Anne Cartwright estão lá embaixo no salão dourado com sir Arthur. Segundo me disse Edward, queres falar com eles. Espero que os faça reencontrar a razão. Eles tem se comportado de uma maneira horrível com Maggie desde que… Oh! Esta última exclamação foi proferida quando Edward, depois de se aproximar de sua esposa, lhe carregou nos braços sem esforço aparente. —Me ponha no chão agora mesmo! —gritou, raivosa—. Ficou louco? —Eu não —contestou ele com aspereza, enquanto se dirigia para a porta—. Mas é evidente que você sim. —Isso não passa de uma vingança. Ao longo da historia, e segundo a época, os homens trataram com indiferença a fragilidade das mulheres grávidas. —A voz começou a se afastar, a medida que Edward levava a dama pelo corredor—. Consideravam que a mulher grávida era um ser irracional. Contudo, quero que saiba que meu intelecto funciona perfeitamente. —Assim é como você, minha esposa, entende, mas eu não compartilho dessa opinião. O duque se estremeceu ao imaginar a reação de sua tia ao ouvir que seu marido lhe devolvia suas próprias palavras. Por azar, já estavam bem longe para ouvir a resposta de Pegeen a provocação de seu marido. Era melhor assim; Jeremy tinha coisas muito mais importantes para Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 193.
    fazer que ficarescutando a discussão de seus tios. Afastou os cobertores e se vestiu a toda pressa, mas cuidadosamente; no fim das contas, quem lhe esperava lá embaixo não eram quaisquer pessoas, mas sim sua futura família política, e queria lhes causar boa impressão. Dez minutos depois, vestido e barbeado, o duque desceu a escadaria que conduzia ao grande vestíbulo, enquanto terminava de arrumar o lenço do colarinho. Maldição! Devia ter trazido Peters consigo. Tão concentrado estava o jovem com o lenço que quase se chocou com um criado que se dirigia ao salão com uma bandeja de taças de xerez nas mãos. No último segundo, o mordomo viu o duque e se desviou do choque. —Desculpe, excelência —disse surpreso, e Jeremy levantou a vista. —Evers? —perguntou, estreitando os olhos—. É você mesmo? —É claro, excelência. Meu filho tem a honra de lhe servir em Londres, e meu pai foi o mordomo desta casa durante muitos anos. Ao jovem duque parecia que não havia nenhuma diferença aparente entre aquele homem que servia em Park Lane, exceto por aquele ser mais jovem e ter um pouco mais de cabelo penteado sobre a incipiente careca. —Me alegro de voltar a vê-lo —disse o duque—. Como está este último nó? —Muito bom, senhor —assentiu Evers depois de observar o lenço com atenção. —Ótimo. —E apontando a bandeja com a cabeça, acrescentou—. Um pouco cedo para tomar xerez, não lhe parece? —Sem dúvida, excelência. No entanto, sir Arthur pegou muito frio no caminho desde Herbert Park, e pensei que… O duque suspirou. —Entendo. Está bem, me dê isso. —E, diante do olhar perplexo do criado, esclareceu—. Minha tia está em trabalho de parto. Estou seguro de que necessitam de seus serviços em outra parte. Vá levar um pouco de água. Evers pareceu ofendido. —Isso seria me incumbir das tarefas da cozinheira. —Então vá servir um brandy para meu tio. Tenho a impressão de que ele vai precisar de uma taça logo logo. O mordomo inclinou a cabeça, mas era evidente que desaprovava a decisão de Jeremy de servir os seus próprios convidados. —Como queira, excelência —murmurou. Seu filho já havia lhe informado de que o novo duque tinha um gênio difícil, mas não havia imaginado que pudesse chegar a tal extremo. Teria que falar sobre isso com Lord Edward. Aquele tipo de coisa era inconcebível na mansão Rawlings; afinal, o duque tinha que preservar sua reputação. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 194.
    Jeremy se deteveem frente a porta do salão dourado e usou a mão livre para tirar o lenço do paletó. No salão se ouvia um murmúrio de vozes, a conhecida voz de barítono de Alistair em contraste com o nervoso tom de soprano de sua esposa, sufocadas pelo irritante baixo de seu pai. —Gostaria de saber por que me fizeram sai de casa, do conforto em que estava —ouvir o que dizia sir Arthur com aparente ar ofendido—, para vir a casa de um homem que sequer pode nos receber como é devido. —Sem dúvida —interveio Anne—. Não creio que seja um bom momento para vir a Rawlings, com a senhora indisposta e Lord Edward tão ocupado. Jeremy não esperou para escutar a resposta de seu pai; abriu a porta dupla e perguntou com indiferença: —Alguém aceita um pouco de xerez? Sir Arthur, que estava sentado em um dos sofás de veludo dourado escuro, com as mãos redondas estendidas até a chama, se levantou de súbito com uma rapidez surpreendente para um homem tão corpulento. —Santo Deus —exclamou, com a papada rosada trêmula. É possível que seja…? —Sem dúvida —lhe assegurou o duque enquanto deixava a bandeja na mesa, junto com a filha mais velha do cavalheiro, que o olhava estupefata—. Como vai, senhora Cartwright? — perguntou enquanto pegava com galanteria uma das mãos enluvadas e a aproximava dos lábios—. Faz muito tempo que não nos víamos, não é mesmo? Tempo demais, eu diria. Está um pouco pálida. Quer uma taça de xerez? Anne, uma mulher atraente, estava vestida de luto. Jeremy supôs que não era por sua mãe, que havia falecido há mais de ano, mas sim pelo filho que Edward lhe havia contado que perdera. Havia mudado pouco desde a última vez que a tinha visto, exceto talvez, que sempre tivera uma cor bonita, e nesse momento havia perdido a cor. Contudo, não estava seguro se essa mudança se devia ao choque de vê-lo ou a algum desgosto recente. —Eu, eu… —Anne mordeu o pálido lábio—. Oh, céus —murmurou—. Não sabia que tinha retornado, Jeremy. —Excelência, querida —lhe corrigiu sir Arthur rapidamente—. Ao duque deve chamar de excelência. Já é maior de idade —O cavalheiro se afastou da lareira e se aproximou do jovem com a mão estendida—. Não sabíamos que havia regressado, excelência. É uma enorme surpresa! —Espero que seja uma surpresa agradável —sorriu Jeremy enquanto apertava a mão do pai de Maggie. —Oh, sem dúvida, sem dúvida! —Apesar de suas expressões de entusiasmo ao ver o duque de Rawlings, o cavalheiro parecia nervoso—. Mas o senhor está bem? Espero que não tenha voltado por causa de alguma doença. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 195.
    —Sim, mas nãoé nada grave —disse Jeremy sem dar importância—. Nada comparado com o que os senhores passaram durante este último ano. Sir Arthur ficou olhando os fios de cor esmeralda e dourado do tapete. —Ah —disse com tristeza—. Então soube de nossa terrível perda. —Uma terrível perda, sem dúvida —repetiu Jeremy enquanto, com gesto consolador, colocava um mão sobre o corpulento ombro do administrador. Não estava listo para estrangular o pai de Maggie. Por enquanto, ainda não—. A noticia sobre o falecimento de Lady Herbert me entristeceu muito. Creio que não seria um exagero afirmar que sua esposa era uma dama muito querida por todos. —É muito amável de sua parte, excelência —consegui dizer sir Arthur, e o duque viu com preocupação que o cavalheiro tinha os olhos inundados de lágrimas. Arqueando as sobrancelhas, Jeremy se virou para Alistair para lhe pedir ajuda com o olhar. O marido de Anne havia se levantado ao vê-lo entrar, mas tinha sentado novamente na poltrona, e algumas mechas de pelo loiro havia caído sobre o rosto. Jeremy observou que, fora uns poucos fios brancos, o senhor Cartwright estava exatamente igual a sempre. Alistair também era rico por herança, mas não tinha nenhum título de nobreza, não ocupava nenhuma cadeira na Câmara dos Lordes. Em conseqüência, havia envelhecido bem menos que seu amigo, a quem se referia como o “feliz reformado”, Edward Rawlings. Ao se dar conta de que Jeremy o olhava, o senhor Cartwright deu de ombros e revirou os olhos; ainda que amasse muito sua esposa, nunca teve paciência com seu sogro. O duque logo percebeu que aquela circunstância não ia resultar de grande ajuda. —Por outro lado, soube também que houveram boas notícias na família —disse o jovem duque com fingido entusiasmo enquanto retirava a mão do ombro de sir Arthur—. Sua filha caçula está nova, não é mesmo? Anne foi a primeira a mostrar reação; deixou escapar um breve gemido e se levantou bruscamente. Mas, sem saber muito bem o que fazer, se aproximou de uma das janelas. Tentou aparentar que havia ido expressamente contemplar a vista, mas Jeremy sabia que, no inverno, a vista do salão dourado era muito monótona, pois tudo que se podia ver era o campo coberto de neve. —Ah, sim —contestou o advogado com insegurança, olhando a esbelta costa de sua filha—. Sim, Margaret está prometida, porém… Sem tirar o olhar de sir Arthur, Jeremy se deixou cair na chaise longue da qual havia acabado de se levantar Anne. —Sim? —inquiriu com um sorriso que talvez tivesse dado um descanso a sir Arthur. —Em fim —continuou o cavalheiro com forçada tranqüilidade—. Como bem sabe, excelência, Margaret sempre foi muito… teimosa. Por isso creio que haja assuntos mais interessantes para falar. Como suas aventuras no estrangeiro, por exemplo. Temos tido noticias de todas suas Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 196.
    heróicas façanhas naÍndia. Além disso, estamos impacientes para ver essa jovem… a Estrela da Índia. —De Jaipur — corrigiu o duque. Estendeu as pernas, junto da almofada de veludo verde, cruzou os tornozelos e levou os dedos entrelaçados para trás da cabeça—. Na verdade não muito o que dizer sobre ela. Correram rumores que asseguravam de que íamos nos casar, mas não eram verdadeiros. Agora mesmo, se me permite, preferiria que falássemos de sua filha Maggie. —Mas… —o cavalheiro ficou olhando, confuso—. Oh, céus. Devo protestar, excelência. Essa é uma questão… uma questão… —É uma questão que tenho um grande interesse —interveio Jeremy, arrastando as palavras, com o olhar perdido do teto abobadado—. Um grande interesse pessoal, se me permite. Os olhos de sir Arthur, pequenos e ocultos das dobrinhas de gordura, se abriram até o limite de suas possibilidades. De tanto rancor que havia acumulado aquele homem, que inclusive Jeremy sentiu-se penalizado. —Mas, excelência —exclamou—. Talvez não saiba que… é claro, tenho certeza de que não lhe disseram que Margaret… nos decepcionou. —Como? —Jeremy não pode evitar soltar uma risada diante da perturbação do cavalheiro—. O que pode ter feito Maggie que o deixe sem palavras, sir Arthur? Por acaso não aprova o homem com que ela vai se casar? —Não, não —respondeu o advogado, enquanto tirava um lenço do bolso do paletó para enxugar o rosto empapado de suor. Ao que parece, tinha passado seu frio—. Não se trata disso. Veja, excelência, é que Margaret nos expôs ao mudar-se para Londres para… Jeremy arregalou os olhos, com expressão de horror. —Meu Deus! Não me diga que ela seu uniu as coristas de Vauxhall! —Basta! Basta! Jeremy se virou, surpreso. Anne Cartwright ainda junto a janela, havia se virado para olhá-lo. Contudo, não se parecia com a jovem que havia conhecido quando criança, nem a mulher que havia sido momentos antes. Aquela dama não estava pálida, pelo contrário, tinha as bochechas pegando fogo. E a expressão de seus olhos, que não se pareciam em nada com os da sua irmã, não era amável nem afável, mas sim, gélida… ainda que ao duque parecesse que se formava algumas lágrimas. —Sabes perfeitamente o que ela fez —afirmou com a voz trêmula—. Devia ter me dado conta desde o momento em que cruzaste a porta, Jerry. Devia ter imaginado que estavas planejando algo. Mas nunca, nem em um milhão de anos, teria adivinhado que tinha a ver com minha irmã. —Querida, por favor! —murmurou seu pai, confuso—. Não grite. Não percebe com que está falando? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 197.
    —Ah, é claroque sei com quem estou falando, papai —respondeu Anne—. Estou falando com Jeremy Rawlings; o bebedor, baderneiro e insolente duque de Rawlings, quem está mais interessado em satisfazer sua lasciva… —Escute, senhora Cartwright —interrompeu o duque, pondo-se de pé—. Não nego que tudo isso um dia foi verdade, mas é injusto que me julgue por como me comportava há muitos anos atrás. Eu mudei. Trabalhei duro, e creio que mereço uma segunda chance. Anne continuou como se não tivesse ouvido. —O jovem por culpa de quem meus pais se viram obrigados a enviar minha irmão caçula para outro país, a fim de protegê-la de suas libidinosas inclinações… —Já chega, é o suficiente — interrompeu Jeremy, com a mandíbula apertada—. Para começar, minhas inclinações não são assunto seu. E, além disso, para que saiba, faz cinco anos que propus casamento a sua irmão e ela me rejeitou, portanto, não quero ouvir mais nenhuma palavra de que seus pais foram obrigados a mandar a filha para outro país por minha culpa, pois fui quem saiu perdendo. —O que disse? —exclamou Anne, quase sem fôlego. Seu pai parecia igualmente estupefato. De fato, se deixou cair pesadamente em uma cadeira que tremeu com seu peso. —Me ouviu muito bem —replicou Jeremy, andando para cima e para baixo em frente a lareira —. Pode me depreciar o quanto quiser. Estou pouco me lixando com o que você pensa de mim. A única coisa que me interessa é Maggie, e é ridículo que a tratem como se fosse uma criminosa, quando seu único delito é fazer aquilo que verdadeiramente ama. Anne pestanejou inúmeras vezes. —Você a propôs casamento —murmurou, como se precisasse esclarecer aquele ponto—, E ela lhe rejeitou? —Foi assim mesmo — contestou Jeremy, que parou de andar, enquanto virara para olhá-la—. Posso saber por que é tão difícil de acreditar? —Mas… —Anne havia ficado pálida de novo—. Maggie, duquesa de Rawlings? Não, senhor, isso sim é que não posso acreditar. —Pois terá que começar a crer —resmungou o jovem—. Porque tenho a intenção de me casar com ela tão logo a convença. Anne pareceu não ter ouvido. —Mesmo que case, Jeremy, lhe asseguro que ela não deixaria de pintar… —Tão pouco vou pedir que o faça. Por que faria isso? Ela ama a pintura, e é uma grande artista. Tem visto algum dos quadros que ela pintou ultimamente, senhora Cartwright? São muito bons… Sir Arthur pigarreou. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 198.
    —Seria muito impróprio—disse—. Muito impróprio. Inclusive um disparate. Quase pior do que se casa com a jovem indiana. Tenho certeza de que a Rainha não aprovaria.—O que é um disparate, e estou seguro de que a reina não aprovaria, é seu comportamento —replicou Jeremy com firmeza—. Estou farto de ouvi-los, assim vou por um ponto final nisso tudo agora mesmo —disse enquanto metia uma mão no bolso e olhava o relógio—. Há um trem que sai para Londres dentro de duas horas. Se tem algo de que necessite para passar uma noite fora, senhora Cartwright, lhe sugiro que mande um de meus criados buscar. O cocheiro estará aqui dentro de meia hora. Anne o olhou fixamente. —Do que... está falando? —Nós vamos a Londres —lhe explicou o jovem pacientemente—. A inauguração da exposição de sua irmã se realiza hoje a noite na galeria de seu noivo, em Bond Street. Significaria muito para ela que vocês e seu pai participassem, então vou me encarregar de que assim seja. —Mas… —a dama trocou com seu pai um olhar pasmo—. Mas isso é um loucura! Eu não vou a lugar algum! —Sim —replicou o duque com serenidade, enquanto guardava o relógio—. Sim, a senhora vai. —Não mesmo! —exclamou Anne dando uma cotovelada no pai—. Papai, diga a ele. —Bem —começou sir Arthur, vacilante—. É que ele é o duque… —Mas não pode fazer isso! —Anne se voltou para seu marido, que havia se endireitado na poltrona e observava os acontecimentos com interesse—. Alistair, diga a ele! Diga que não pode fazer isso! O cavalheiro olhou Jeremy. Parecia ler a súplica escrita em seus olhos, pois suas palavras seguintes foram: —Ainda que eu lamente lhe afligir, querida, temo que estou de acordo com ele. Já estava na hora de que mostre um pouco de amor fraternal para sua irmã caçula. —Oh! —Ela o ficou olhando, com os olhos inundados de lágrimas—. Como pode me fazer isso, Alistair? —E, tapando a boca com a mão para sufocar um soluço, se levantou e saiu apressadamente do salão. Seu pai a olhou sair, preocupado. —Oh, céus —disse—. Suponho que deveria… Suponho que… —Sim —suspirou o duque—. Vá atrás dela, sir Arthur. E se assegure de que esteja pronta em meia hora. —Como o senhor manda, excelência —contestou o cavalheiro ante de sair do salão, murmurando uma ladainha de incoerentes desculpas. Quando a porta se fechou atrás dele, Alistair, sentado na poltrona, começou a aplaudir lentamente. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 199.
    —Bem pensado, rapaz—disse com sarcasmo—. Bem pensado. Eu não teria feito melhor. Com essas habilidades diplomáticas, devias seguir o exemplo se seus tio e ocupar uma cadeira na Câmara dos Lordes. Consciente de que ele estava zombando dele, ainda que fosse com afeto, Jeremy deu de ombros. —Pelo menos não precisei usar a pistola —disse. CAPÍTULO 36 Quando Augustin, que nunca tomava o café com açúcar, pôs o terceiro torrão na xícara, Maggie não pode suportá-lo mais. —Não vai me dizer o que está acontecendo contigo? —explodiu. Seu noivo levanto a vista da mesa e a ficou olhando, surpreso. —Pardon, chérie? —Você vai ter uma indigestão —continuou ela com a voz mais suave—. Comer com essa tristeza não vai lhe fazer bem. Por que não me conta o que lhe aflige? —Nada, chérie —contestou de Veygoux com melosa condescendência enquanto pegava a mão dela, que estava do outro lado da mesa, junto de sua xícara—. Não está acontecendo nada. Porém Maggie sabia muito bem que ele mentia. Ficou falando com o mesmo tom brando toda a tarde, primeiro na galeria e depois na cafeteria. Todavia evitava seu olhar, e nem sequer a havia contestado quando ela havia pedido uma fatia de torta, como teria feito normalmente; Augustin sempre lhe dizia que os doces deviam ser ingeridos após a refeição, e não em seu lugar. Maggie pensou que aquele homem não podia ser um assassino. Por que ela estava tão preocupada, então? Será que ele soube do que estava acontecendo entre ela e Jeremy? Mas como? Sabia muito bem que não podia adivinhar que tinha perdido a virgindade, como havia feito Berangére. Então, como poderia saber? Estava segura de que Jeremy não teria lhe contado; a jovem a conhecia bem e sabia que seria incapaz de alardear algo assim com Augustin. Seria indigno dele; Teria preferido pegar um tiro do que admitir que havia deflorado a sua noiva. Se não foi Berangére que contou? A jovem comeu um pedaço da torta e assentiu de qualquer jeito para o garçom que lhe perguntava se queria mais chá. Maggie não tinha contado isso para mais ninguém, então se alguém a havia delatado, só podia ser a senhorita Jacquard. Mas porque sua amiga faria uma coisa dessas? O que ganharia com isso? Queria ajudá-la. Tinha que ser isso. Na intenção de ajudá-la a tomar a decisão correta sobre Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 200.
    seu futuro, elahavia contado a verdade a Augustin. É claro. Por acaso ela não teria dito: “Eu me encarrego dele”? Quanto mais pensava nisso, mais convencida estava de que aquela era a causa do estranho comportamento de seu noivo: Berangére lhe contou tudo sobre a noite de ardente paizão que havia compartilhado com Jeremy. Então, como sabia que de Veygoux era demais educado para introduzir o assunto, decidiu ela mesma fazer isso. —Por casualidade…? —começou, vacilante—. Por casualidade você se encontrou com Berangére a noite, quando saiu de minha casa? Augustin pousou a xícara de café. Por sorte, acertou colocá-la no pires e não quebrou, ainda que parte de seu conteúdo tenha se derramado na toalha branca. O ruído chamou a atenção de alguns clientes, que se viraram para olhá-los, e Maggie, que observava a reação de seu prometido, ficou perplexa. “Ai, não. Ela contou! Eu vou matá-la. Por não me deixou eu mesma contar?” Augustin esfregou suavemente a mancha com seu guardanapo, e passou umedeceu os lábios. —Como… sabes? —Intuição —respondeu com um sorriso sombrio. —Não sei… não sei como pode acontecer —começou a dizer Veygoux com a olhar fixo no seu colo. Continuava incapaz encará-la nos olhos. Maggie estendeu o braço para pegar a mão dele, como ele havia feito com ela momentos antes. O gesto lhe pareceu pateticamente inadequado, mas, que podia fazer? Foi assim que disse a primeira coisa que lhe ocorreu, que não era parte do discurso que tinha preparado. —Eu sinto muitíssimo … Então Augustin levantou a cabeça e a ficou olhando com expressão de agradecimento. —Vous étes vraiment angélique… —murmurou. Maggie pestanejou. —Vamos, Augustin —sussurrou—. Não sou nenhum anjo. —Claro que sim! —respondeu ele pegando lhe a mão entre as suas com desespero—. Que outra mulher seria tão compreensiva, tão indulgente? Sou o homem mais afortunado sobre a face da terra. —Compreensiva? —repetiu a jovem—. O que eu tenho para compreender? Sou eu quem necessita de sua compreensão. —Não —exclamou ele, levando a mão dela aos lábios e cobrindo-a de beijos—. Não, fui eu quem pequei. Cometi um pecado contra meu amor! Ela me assegurou que você não me perdoaria. Mas agora me perdoa! Me compreende! Oh, Marguerethe! Não mereço uma mulher como você, sou um egoísta… Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 201.
    Maggie, perplexa, retiroua mão e o olhou fixamente. —Do que você está falando? Quem disse que eu não entenderia? —Berangére, é claro. —Augustin sorriu—. Me disse para não lhe contar, que não compreenderias, mas eu disse a ela que estava equivocada. Não há outra mulher no mundo como minha Marguerethe. Tão generosa, tão compreensiva. —Deixa eu ver se entendi. Podias me dizer o que eu tenha que perdoar exatamente? —Que? Minha infidelidade, chérie —contestou o jovem francês, pestanejando—. De ontem a noite. Maggie se recostou na cadeira, catatônica, mas risonha. Augustin se deitou com Berangére? —É isso que não entende, chérie? —continuou o jovem. Falava com a voz tão baixa e tão de pressa, que a jovem apenas podia ouvir o que dizia por cima do ruído das do salão, do murmúrio das conversas dos demais clientes e do batuque dos saltos das garçonetes no chão —. Quando fui embora de sua casa, estava com fome, então fui ao Vauxhall… É um ambiente animado demais para meu gosto, mas admito que me sentia um pouco entristecido. Ali me encontrei com Berangére, que também estava só, então a convidei para jantar, naturellement… —Ah —assentiu Maggie, ao ver que de Veygoux fazia uma pausa, esperando sua aprovação—. Naturellement. —Foi um jantar maravilhoso, e bebemos um pouco de champanhe, e mais um pouco… Suponho que tomamos demais, porque em seguida o que me recordo é que Berangére me disse que havia arrebentado o cordão do sapato, e se eu podia acompanhá-la até seu apartamento para trocar. Um cavalheiro jamais permitiria que uma jovem andasse sozinha tão tarde, é claro, então eu disse que si, e quando chegamos em sua casa, abrimos outra garrafa de champanhe e… —Ah —repetiu Maggie. Se sentia embargada por uma sensação que não podia descrever com exatidão. Era como si tivesse tirado um enorme peso de cima dela, mas não dos ombros, como se podia dizer, mas sim do coração—. Entendo. Augustin esboçou um sorriso, mas evidentemente não era de alegria, pois o que disse em seguida estava carregado de mais emoção do que ela jamais havia expressado. —Mas não significou nada para mim, Marguerethe! Fui um estúpido. Havia bebido demais, e já sabes como é Berangére, é uma mulher atraente e encantadora… —Oh, sim —assentiu a jovem. Lhe custava conter um sorrido, provocado por sentimentos muito diferentes dos que haviam feito sorrir seu noivo—. Já sei como é Berangére. Então era a isso que havia se referido sua amiga ao dizer que ela se encarregaria de Augustin! Meu Deus! Devia ter imaginado. Ela o seduziu! E se não estava enganada, de Veygoux parecia ter desfrutado muito com ela. Não havia dúvida de que por isso se sentia tão culpado; havia traído sua noiva; e havia aproveitado cada minuto disso! Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 202.
    Talvez pudesse convencê-lode que aquilo não era o fim do mundo… Ao contrário, podia ser o principio de algo muito melhor que seu relacionamento com Maggie. —Está me dizendo que fizeste amor com Berangére sem sentir nada por ela? —ela lhe perguntou com seriedade. —Não —contestou o jovem, de imediato—. Não queria dizer isso… não que eu não sentisse nada, mas… Talvez se você e eu não tivéssemos nos conhecido, Berangére e eu… —Augustin balançou a cabeça, como se tentasse despertar de um sonho embriagador—. Mas não é possível. —Por que não? —perguntou a jovem pondo os cotovelos em cima da mesa e apoiando o queixo em uma mão. Augustin a ficou olhando como se estivesse louca. —Porque estou comprometido contigo, Marguerethe! —E você se casaria comigo mesmo que estivesse apaixonado por outra mulher? Augustin se ruborizou. —Eu não queria dizer... não sei se… Maggie sentiu um onda de carinho vindo do jovem e lhe pegou a mão com um sorriso. —Eu estava brincando, eu sinto muito; não pude evitar. Você e eu somos bons amigos, e brincar contigo é algo que sai com mais naturalidade que… —e baixando o olhar, emendou—… outros sentimentos. —Ah. Então é isso. —Quando Maggie sentiu a coragem de levantar a vista, se deu conta de que de Veygoux não parecia especialmente abatido, só um pouco desanimado—. Quer que sejamos apenas amigos? —Não pensas que seria melhor? —perguntou apertando-lhe um pouco mais a mão dele. —. A verdade é que não me parece que para casar seja suficiente o carinho… fraternal. —Meus sentimentos por você não eram fraternais —contestou o jovem com um suspiro. Quando, incomodada, a jovem quis retirar a mão, Augustin a pegou com mais força e continuou—. Mas não posso lhe culpar por não me corresponder. Você sempre foi muito sincera comigo. Me deixou muito claro desde o principio que não estava apaixonada por mim, mais eu pensei que talvez com o tempo … Agora vejo que isso nunca poderia ocorrer. Uma mulher como você não pode amar um homem como eu. —Não diga besteiras —respondeu Maggie severamente—. Sabe muito bem que você tem muito a oferecer. Porém, deve encontrar a mulher certa, e creio que não sou eu. —Talvez não —disse ele, aflito—. Mas… —Mas o quê? —Maggie o olhou com curiosidade do outro lado da mesa. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 203.
    De Veygoux balançoua cabeça, como se quisesse se livrar de uma idéia, e soltou subitamente a mão. —Não é nada —contestou—. E só que… Acredita que Berangére…? A jovem teve quer morder um lábio para conter o sorriso. —É uma pergunta de difícil resposta… —começou, tentando soar pensativa—. Para ganhar Berangére deverá adotar uma estratégia eficaz. Não é tonta, e estou certa de que com os estímulos adequados, poderias conquistá-la. —Estímulos? —Ela gosta muito do dinheiro —sorriu. —Ah, entendo! —exclamou Augustin, mais animado—. E disso, eu tenho bastante. —Sim, isso mesmo —riu a jovem—. Então se investir uma parte para festejá-la… —Eu a cobrirei de presentes —decidiu o jovem—. Jóias, peles, flores… —Creio que acertará no alvo —assentiu Maggie sorrindo—. É assim que ganhará o coração de Berangére. —Contudo, agora que disse isso… —respondeu com um olhar carinhoso—. E que acontecerá com você, chère Marguerethe? Sei que minha confissão não partiu seu coração, mas gostaria de lhe ver feliz. Esse seu duque … pois sei que é ele quem você sempre amou e não a mim … Poderá lhe fazer feliz? Surpresa, Maggie lhe deu uma resposta qualquer para se livrar. Porém mais tarde, quando estava na carruagem de volta para casa, se repetiu a pergunta para si mesma. Poderia fazê-la feliz? Ao se lembrar da noite que haviam passado juntos, presumiu que sim... sem dúvida. E não só na cama. Porém, ela poderia fazê-lo feliz? CAPÍTULO 37 Quatro horas mais tarde, seguia perguntando-se o mesmo. Começavam a doer seus pés calçados com sapatos de salto, tinha as bochechas cansadas de tanto sorriso forçado com que cumprimentava a todos, e a mão dolorida depois de tantos apertos de entusiasmados amantes da arte. Ainda que achasse muito bajulador que todo mundo admirasse seu talento, Maggie só se importava com a opinião de uma pessoa, que todavia, não tinha aparecido. Por acaso não ia comparecer? Ao saber que havia saído de Londres, ela se sentia muito Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 204.
    abatida; seu únicoconsolo havia sido a informação que lhe passou Hill sobre a carta da mansão Rawlings. Não havia dúvida de que estava na hora de fazer uma visita a sua família, mas deixá-la só por tanto tempo… Mas se ele havia ido no dia anterior! O que ela estava pensando? Parecia uma colegial apaixonada, suspirando por seu primeiro amor. E se ele não chegasse a tempo para a inauguração? E se não voltasse jamais? Havia outros homens, estava segura... Entretanto, durante toda a noite, uma voz em seu interior ficava sussurrando que não, que só havia um homem em sua vida. Só Jeremy. Ao que parece, estava enganada por pensar que ninguém sairia de casa com esse frio para ver umas pinturas. A exposição havia atraído a uma dúzia de visitantes, ou talvez inclusive umas vinte pessoas, para as quais o frio não parecia um obstáculo. Uma bonita moça contratada para a ocasião lhes pegava os casacos quando entravam na galeria, e lhes dava uma ficha com um número para que pudesse recolher sua roupa ao sair. Contudo, como Augustin havia decidido que deveria haver garçons servindo champanhe, ostras gratinadas e canapés em bandejas de prata, poucos dos que entravam estavam dispostos a sair. De modo que em pouco menos de uma hora do início da inauguração, em mais da metade dos quadros havia uma plaqueta que indicava que estavam vendidos. Mesmo que ainda fosse oito horas da noite, Maggie havia apertado a mão de pelo menos uma centena de pessoas, nenhuma delas era a que estava esperando. E se não aparecesse? A galeria ia fechar em uma hora, e tinha combinado um jantar de comemoração com Augustin e seus amigos. Não obstante, sabia que não podia comer nada, pois não pensava em mais nada que não fosse Jeremy. Como ele reagiria ao saber que não estava mais comprometida? Voltaria a lhe propor casamento? Era uma insensatez de sua parte acreditar que o faria? E se ela se declarasse para ele? Presumia que seria o mais justo. Afinal, ela o havia rejeitado na primeira vez … Mas estava segura? Estava realmente convencida de que podia fazê-lo feliz? Mas nada daquilo importava. Jeremy não ia voltar. Algo havia ocorrido, tinha certeza. Talvez o trem de Yorkshire tenha descarrilado, ou a carruagem tenha virado. Talvez aquele homem, o assassino misterioso que o estava cercando desde seu retorno da Índia, por fim havia conseguido lhe fazer mais dano, e naquele momento o duque estava na cama de um hospital, febril, chamando seu nome sem cessar. A jovem pegou uma taça de champanhe de uma bandeja e virou todo seu conteúdo de um gole só. Subitamente, teve um pensamento ainda mais funesto. Enquanto aceitava outra taça de champanhe de um homem corpulento de óculos, que comparava efusivamente seu estilo artístico com o dos impressionistas, lhe ocorreu que talvez, uma vez na mansão Rawlings, Jeremy se dera conta de que ela seria uma péssima duquesa. E se naquele preciso instante o duque estivesse reunido com a princesa Usha, aquela charmosa mulher a qual o papel de senhora da mansão Rawlings lhe cairia como uma luva? Maggie virou a segunda taça de champanhe. Não, isso não podia ser. Ele a amava. Estava segura disso. A havia esperado durante cinco anos, cinco anos! De forma que ela deveria ser Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 205.
    capaz de esperá-lopor uma noite; sobreviveria. Desde que havia rompido seu compromisso, tinha vontade de contar para todo mundo, principalmente para ele. “Muito obrigada por seus elogios, senhora. Sabia que estou apaixonada pelo décimo sétimo duque de Rawlings? Ah, não sabia? Pois é”, queria dizer isso para a dama de aspecto elegante que lhe apertava a mão. Fazendo um esforço, conseguiu conter-se, inclusive quando as pessoas a parabenizavam pela exposição e logo perguntavam com curiosidade: “Quem é o jovem de cabelo escuro do retrato?” A principio, Maggie, horrorizada, não sabia como reagir. Havia pedido ao senhor Corman que tirasse esse quadro. Enquanto o jovem corria para cima e para baixo com a lista das vendas, o havia agarrado pelo braço e, com o coração apertado, tinha implorado que tirasse o quadro. Mas ele conseguiu se livrar suavemente do aperto dela enquanto dizia com voz tranqüilizadora: —Francamente, senhora, se é o melhor de todos. Eu já informei que não está a venda, mas não posso tirá-lo. É uma pintura magnífica. Além do mais, o senhor Corman não era o único que pensava assim. Quase todo mundo, incluindo o crítico de arte do Times, comentou o mesmo. E como a não queria confessar o nome do jovem retratado, começaram a correr todo tipo de rumores. Entretanto, para desgosto de Maggie, os Mitchell, que o havia conhecido no baile dos Althorpe, o reconheceram. —Mas este é aquele jovem que… —exclamou Lady Mitchell. Inclusive seu imperturbável marido arqueou uma sobrancelha. —Caramba, de Veygoux! —disse o cavalheiro—. Não foi esse rapaz que lhe quebrou o nariz na outra noite? Como pode permitir que pendurem um retrato dele em sua galeria? Augustin, que esteve ocupado demais para reparar no retrato antes de abrir as portas, soltou uma risada como se fosse uma brincadeira. Mais tarde, durante uma breve pausa na maré de congratulações, o marchand pegou a jovem pelo braço e com tom carinhoso, lhe repreendeu porque ela nunca o havia mostrado aquele retrato. —Ainda que tenha sido melhor assim —admitiu, o francês—. Se eu o tivesse visto antes, entenderia que jamais poderia ter tido qualquer esperança contigo. A jovem se ruborizou e tentou se desculpar, mas de Veygoux a calou. —Besteira. É uma pintura preciosa. Se algum dia decidir vendê-la, peço que venda para mim. Acredito que seria muito útil tê-lo a vista quando me sentir demais satisfeito comigo mesmo. Maggie estava muito envergonhada para responder. Já lhe era bastante difícil que seu trabalho estivesse a vista de todo mundo, para que seus sentimentos também estivesses expostos. Mas ambos pareciam andar juntos. Diferente de Berangére, Maggie nunca foi capaz de evitar expressar algo de si mesma em cada um de seus quadros, de modo que sua relação com seu Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 206.
    trabalho era muitopessoal. Cada pintura era quase como um filho, e cada vez que vendia um quadro, sentia uma pontada de remorso. Enquanto olhava com tristeza como o senhor Corman pregava uma placa de vendido em mais uma paisagem, ouviu uma voz familiar em suas costas. —Bonsoir, princesse —sussurrou Berangére. Maggie virou a cabeça e a amiga lhe sorriu, que como de costume, estava incrivelmente elegante; aquela noite, com um vestido de veludo púrpura. —Teu querido de Veygoux conseguiu reunir uma multidão para você, princesse —observou Berangére de trás de um leque de plumas de avestruz—. E não param de comprar! Deve estar contente. Maggie aceitou uma terceira taça de champanhe, que lhe oferecia o garçom. —Ah, sim, estou muito contente —disse enquanto levava a taça aos lábios, mas sem provar seu conteúdo—. Mas já não é mais meu querido de Veygoux. Berangére baixou o leque com um gesto fingida surpresa que sua amiga reconheceu logo. —Non? Mon Dieu! O que aconteceu, princesse? Ele soube de você e seu duc diabolique? —Não, não soube —contestou Maggie. Ao se dar conta de que os Mitchell estavam muito perto delas, pegou sua amiga pelo braço, e a levou até um local menos movimentado da galeria e se inclinou até seu ouvido—. Sabe perfeitamente o que aconteceu. Não te faças de inocente comigo. A noite seduziste de propósito Augustin! Berangére nem se incomodou em negar. —Está muito chateada comigo, princesse? —ela perguntou com um doce expressão em seus olhos azuis. —Eu ficarei se você ferir os sentimentos dele — contestou Maggie severamente. —Ferir seus sentimentos? —Berangére inclinou a cabeça para trás, balançando os dourados cachos—. Pfuf! Essa é boa! Lhe fiz um enorme favor, e ainda tem o desparamente de me acusar de ferir… —Eu falo sério —a interrompeu Maggie com dureza—. Augustin está apaixonado por ti. Deve tratá-lo bem; ele não é como os outros homens que conquistaste. É muito sensível. —Pfuf! —repetiu Berangére revirando os olhos—. Sensível! E eu sou o que, se posso saber? —Insensível —contestou a jovem sem vacilar—. E está enganada; estou muito agradecida. —De verdade? —disse sua amiga sorrindo—. Me alegro. Sabia que não aprovaria meus métodos, mas estava farta de ver você tão triste a “ma pauvre princesse”. Tinha que fazer algo. E sabe o que mais? Seu Augustin não está nada mal. Sabia que ele é ruivo em todas as partes do corpo? —Berangére arqueou as sobrancelhas com expressão de cumplicidade, e sua amiga, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 207.
    incomodada, deixou escaparuma risada nervosa. Por sorte, a jovem francesa mudou de assunto em seguida—. E por onde anda teu Jerry? Como recebeu a noticia de que agora é livre? Maggie franziu o cenho. Começava a se arrepender de ter aceitado a terceira taça de champanhe. Talvez devesse comer uma ostra gratinada. —Eh… ainda não sabe. —Não sabe? —Sua amiga fechou o leque de súbito e apontou o nariz de Maggie—. Quem está sendo coquete agora? Marguerethe, deves dizê-lo. Agora que já não está prometida, tem que se decidir. Quer o duque ou não? —Oh, é claro que quero! Mas… —Não — interrompeu a jovem francesa levantando uma mão com a palma virada para fora—. Não me diga que não o merece, e que seria uma duquesa terrível. Estou farta de ouvi-la dizer isso. Ele acredita que você será uma boa duquesa, e é isso que importa. Maggie, que não compartilhava do mesmo otimismo de sua amiga, olhou com expressão triste ao seu redor buscando um lugar onde se sentar. Todas as cadeiras estavam ocupadas, tal como os bancos de veludo que foram dispostos por toda galeria. —Não tive a oportunidade de dizê-lo, porque não o vi mais. Não sei por que, mas ele foi para Yorkshire e ainda não voltou. E a verdade é que… não sei se voltará. —Não voltou? —Berangére arqueou as sobrancelhas tudo que podia—. Ah, deve ter encontrado alguma resistência inesperada… Maggie deixou de buscar um assento com o olhar para voltar-se para sua amiga. —Resistência? —inquiriu—. Do que está falando? A jovem francesa abriu o leque e começou a agitá-lo com energia, desviando o olhar. —Onde está o garçom com o champanhe? Estou morta de sede. Faz muito calor aqui, não é? —Berangére —disse Maggie com tom de advertência, mas não teve tempo de continuar, pois Augustin a agarrou subitamente pelo braço. —Marguerethe —exclamou sem reparar Berangére, de tão excitado como estava—. ¡Marguerethe, ele veio! Finalmente chegou! O coração de Maggie deu uma salto. Respirou fundo e se voltou para onde chamava de Veygoux. Sentia a pressão de seus dedos no seu braço desnudo e viu que sua amiga havia ficado paralisada, com o leque na mão; contudo, por um momento, lhe parece que estava só. O barulhenta multidão subitamente se calou e se separou em dois lados, como se as empurrasse uma mão invisível. E então viu se aproximar um homem alto, com a cabeça erguida e um sorriso nos lábios… Porém não era Jeremy. Era um cavalheiro que Maggie tinha a impressão de já tê-lo visto Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 208.
    alguma vez, masnão era Jeremy. Ela sentiu que seu coração recuperava seu ritmo normal. Exalou, e com uma ligeira tontura, tentou desfazer-se da mão que Augustin lhe apertava o braço, pois os dedos dele estavam cortando sua circulação. —Nom de Dieu! —ouviu que sussurrava Berangére—. É o príncipe de Gales. Maggie voltou a olhar aquele homem e percebeu que sua amiga tinha razão; era o príncipe de Gales. Era um cavalheiro corpulento, com uma barriga proeminente debaixo de um colete branco, que a julgar por como estava vestido, parecia ter saído do teatro. Em seu braço ia uma mulher a quem Maggie também reconheceu, mas que não era nem de longe a princesa de Gales. A não ser que a princesa de Gales tivesse despertado uma afixação por maquiagem e plumas, que aquela mulher exibia profusamente. —Sabia que viria —disse Augustin com tom triunfante—. Eu sabia! A Rainha está buscando um artista para que pinte seus netos. Marguerethe, sei que você será escolhida; não existe nenhum pintor de retratos tão bom como você em toda Inglaterra. Oh, esse é o melhor dia da minha vida. O melhor! Pena que ela não podia dizer o mesmo. Estava profundamente decepcionada, e se sentia enjoada. Quando de Veygoux havia exclamado “Por fim ele chegou”, teve certeza de que se referia a Jeremy. Onde ele se meteu? O que Berangére quis dizer com disse…? —Ah, senhor de Vaygoo. —O príncipe se deteve diante de Augustin e o olhou com um sorriso simpático—. Tem uma galeria deliciosa. E que maravilha de exposição. O jovem francês ficou de boca aberta um instante, mas uma acotovelada de Berangére o recompôs em seguida, e fez uma reverencia inclinando-se até a cintura. —Muito obrigado, alteza —gaguejou—. Muitíssimo obrigado. É uma grande honra para mim… —E você deve ser a senhorita Herbert —disse o príncipe sorrindo para Berangére—. Tenho ouvido falar muito de seu talento, querida, mas devo dizer que sua beleza supera sua destreza com o pincel. Com um vaidoso baixar de olhos, a francesa fez a reverencia mais graciosa imaginável. —Merci beaucoup, alteza. Me sinto muito grata, mas eu não sou a artista. —A jovem se endireitou e, ao ver que sua amiga tentava escapulir por trás dela sem que ninguém a visse, se afastou e deu um firme empurrãozinho nela para a frente o príncipe—. Lhe apresento a mademoiselle Herbert, alteza. A moça deu uns passos adiante e, mortificada, flexionou ligeiramente os joelhos com a esperança de que não as pernas não falhassem. —Alteza —disse olhando o chão, sentindo que suas bochechas ardiam. —Ah! —Com um amplo sorriso, o príncipe de Gales estendeu a mão e quando Maggie levantou a vista, se deu conta de que esperava que ele estendesse a sua. Quando o fez, ficou maravilhada com a suavidade da pele do herdeiro do trono—. Querida, a senhorita é tão charmosa quanto suas pinturas. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 209.
    —Obrigada —ela respondeu,desejando que o chão se abrisse e a engolisse. —E agora me diga —continuou o príncipe sem lhe soltar a mão—. Quem é esse jovem de olhar brilhante a quem a senhorita retratou com tanta habilidade? Confusa, Maggie levantou a vista e percebeu que estavam em frente o retrato de Jeremy. —Oh, esse é… O décimo sétimo duque de Rawlings —respondeu com a boca seca. O príncipe levantou as sobrancelhas. —Verdade? —E, olhando a sua acompanhante, emendou—. Deve ser o sobrinho de Lord Edward, Bella. Aquele jovem que causou sensação com seu heroísmo em Jaipur. —Ah —disse Bella, separando os lábios pintados e revelando uns dentes amarelos e tortos—. É muito bonito. No entanto, o príncipe já não lhe prestava atenção. —Diga-me —ele disse a Maggie, olhando a tela diante deles com olhos concentrados—. Esses cavalos que se vêem ao fundo, são mesmo cinza? A jovem se inclinou para frente para olhá-los. —Sim, senhor —disse depois de um momento—. São cinza. —Maldição! —O príncipe se aprumou de súbito e retirou a mão como se tivesse queimado—. São os cavalos que me ganhou Edward Rawlings, Bella! Os puros-sangues. —Verdade? —perguntou a dama desinteressada. —Adorava esses cavalos —continuou o herdeiro do trono com voz triste. E logo, como se tivesse acabado de ter uma grande idéia, se voltou para a pintora e disse—. Certamente, querida, faz retratos de animais? Cachorros e outros. O interesse do príncipe pelo quadro de Jeremy havia dissipado quase por completo os enjôos de Maggie, que não pode conter um sorriso; sabia exatamente o que ocorreria a seguir. —Sim, senhor —respondeu—. De fato, faço bastante detalhado. —Esplendido! —exclamou o príncipe dando uma palmada—. O que você acha de fazer um retrato da linda égua que comprei na semana passada? É preciosa, toda de cor negra; eu a chamei de Meia Noite. Pode fazer? —Seria uma honra para mim, senhor —respondeu Maggie, inclinando a cabeça respeitosamente. Entretanto, não pode evitar que seus ombros tremessem pela alegria que lhe percorreu o corpo. —Excelente! —Sorridente, o príncipe deu uma piscada para Augustin—. Isso é uma achado, de Vaygoo. Um verdadeiro achado. Faça a jovem vir pela segunda de manhã, combinado? Talvez inclusive possa lhe apresentar a minha mãe. —E, depois de estender um braço para sua Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 210.
    acompanhante, ele disse—.Estou muito contente que tenhamos nos dado ao trabalho de passar por aqui, não é mesmo Bella? A dama sorriu, mostrando de novo os dentes horríveis, e a seguir o herdeiro do trono a levou com tanta delicadeza como se fosse leve como as plumas que adornavam seu vestido e pudesse sair voando a qualquer momento. Quando o príncipe de Gales já não nos ouvia, Augustin cercou Maggie com os braços e, para sua surpresa, ele a levantou e começou a dar voltar no ar como se ela também fosse feita de plumas. —Marguerethe! —exclamou, emocionado—. Marguerethe, sabes o que isso significa? —Me ponha no chão! —ela suplicou agarrando os ombros dele—. Oh, Deus, me ponha no chão pois estou enjoada. O jovem francês fez o que ela pedia, mas não a soltou. —Marguerethe, este é o melhor dia da minha vida! Entende o que isso significa? Significa que, depois de anos de esforços, a família de Veygoux poderá vangloriar-se de ser um dos mercantes da Rainha da Inglaterra. Tem idéia da importância disso para os negócios, e para minha família em Paris? Mon Dieu, tenho que lhes enviar telegrama imediatamente. —Maravilhoso —concordou a pintora, rindo com afabilidade—. Mas agora me solte. Bebi champanhe demais e se continuares da dar piruetas comigo, vou por tudo para fora … Incapaz de conter seu entusiasmo, Augustin soltou a jovem e deu um firme beijo em seus lábios. Tão depressa, como a pegou, ela a soltou e se afastou, naquela ocasião para dar espaço para alguém que Maggie conhecia muito bem. —Jeremy! —exclamou, feliz. Porém toda a alegria que sua chegada lhe despertou se desvaneceu de súbito, porque atrás dele havia outras pessoas a quem ela também reconheceu, e a quem por nada nesse mundo havia esperado ver na inauguração. Maggie sentiu que todo o champanhe que havia bebido durante a noite lhe subiu pela garganta. CAPÍTULO 38 Jeremy não estava seguro de como reagiria Maggie ao vê-lo chegar com seu pai e sua irmã. Acreditava que ela derramaria algumas lágrima, ou então que os receberia com palavras de censura; sabia que ela não se dava bem em ocultar seus sentimentos. No entanto, nunca esperou encontrá-la nos braços de outro homem. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 211.
    Tão surpreendido estavaque nem sequer percebeu a expressão de perplexidade da jovem quando avistou o par que havia entrado atrás dele. O duque se dirigiu a grandes pernadas até o noivo, em havia empalidecido ao vê-lo. Não podia ser de outro modo, pois era evidente que Jeremy estava disposto a acabar com ele ali mesmo. Aquilo já havia ido longe demais. Se Maggie não se decidisse tirá-lo de cima dela, ele mesmo o faria, e com muito gosto… Então ouviu uma suave e familiar voz vinda de sua costa. —Coronel duque? O jovem se paralisou. Não era possível... sinceramente... não podia ser. Mas era ela. Ao virar-se lentamente sobre uma perna, se deu conta de que Maggie e seu prometido não olhavam para sir Arthur e sua filha mais velha, mas sim para a princesa Usha, que vestia um reluzente vestido de noite branco decorado com pérolas, acompanhada de seu tradutor, Sanjay. Oh, sir Arthur estava ali, é claro. Não havia conseguido escapulir ainda que tivesse desejado. Um homem tão corpulento não passava despercebido. No entanto, sua presença foi ofuscada pela radiante aparição da princesa, que olhava Jeremy com uma expressão de admiração, ou de avareza, pois o duque nunca sabia o que queria realmente aquela mulher. Santo Deus, não estranhou que todo mundo os tivesse olhando! Nem mesmo que Maggie parecia tão surpresa como ele havia ficado ao vê-la nos braços de outro. Jeremy retrocedeu, agarrou a dama pelo braço e, sem fazer caso do que pudessem falar, ele a levou através da multidão, que se separou para deixá-los passar. Talvez fosse o extraordinário atrativo da jovem, ou a frieza que expressavam os prateados olhos dele, mas fosse qual fosse a razão, o certo era que todos os intelectuais e mecenas ali reunidos se apressaram a sair de seu caminho. —O Que estas fazendo aqui? —resmungou quando conseguiu arrastá-la a um quadrante da galeria relativamente solitário. —Minhas mais sinceras desculpas, excelência —disse Sanjay com uma inclinação de cabeça, quando chegou correndo atrás deles—. Seguimos a senhorita Herbert até aqui, pois sabíamos que o encontraríamos onde ela estivesse. Jeremy não podia crer no que ouvia. Seu maravilhoso plano de reunir Maggie com sua família, foi por água abaixo por causa dessa princesinha detestável y cabeça oca! O jovem viu de relance que o que ele havia planejado estava se realizando sem ele. Maggie estendeu graciosamente a mão para seu pai, a quem, pela primeira vez naquela tarde, ficou sem palavras. Durante a viagem, o cavalheiro não parava de falar. Sua filha Anne, em troca, não disse nada durante o longo trajeto de trem até Londres, sentada junto de seu marido, com o corpo ereto e a boca fechada firmemente. Jeremy tinha desejado que sir Arthur seguisse seu exemplo, mas o cavalheiro não havia feito nada mais que se queixar pelos incômodos daquela viagem e seu absurdo propósito. O duque esteve a ponto de lhe apontar a pistola, com a esperança de que isso o fizesse se calar. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 212.
    Entretanto Alistair, aose dar conta de que a paciência do jovem estava a ponto de se esgotar, passou um sermão no sogro, recitando um parágrafo do Antigo Testamento sobre o dever dos pais de amar a seus filhos apesar de seus defeitos. Jeremy o escutou admirado, pois não sabia que o senhor Cartwright fosse tão familiarizado com as Sagradas Escrituras. Não obstante, quando sua esposa disse severamente que a Bíblia não dizia que os pais devia tolerar que sua filha caçula se tornasse artista, o duque percebeu que Alistair estava perdendo tempo. A única coisa que fez sir Arthur se calar foi ver o príncipe de Gales apertar as mãos de sua filha caçula. Isso, e o convide que sua alteza lhe fez para que visitasse o palácio de Kensington na segunda-feira, colocaram o pobre homem a beira de um infarto … de alegria. Ao ver que lhe faltava equilíbrio nas portas, seu genro o levou a um sofá, onde se sentou murmurando: —Sua alteza real, o príncipe de Gales, afirmou que seria um prazer desfrutar da companhia de minha filha na manhã de segunda-feira. Eu ouvi bem senhor Cartwright? Eu ouvi? —Sim, homem, sim —lhe assegurou Alistair com uns tapinhas no ombro do sogro—. Foi isso que o senhor ouviu. Inclusive Anne parecia perturbada com a cena. Ao entrar na galeria, estava muito nervosa; era evidente que esperava encontrar um monte de fumadores de ópio semi-nus. No entanto, só viu ingleses de vestimenta respeitável, muitos dos quais eram vizinhos muito elegantes. E os quadros! Não havia pinturas obscenas de homem vestidos jogando cartas sobre o gramado, com mulheres nuas em segundo plano; tão pouco viu bailarinas de pernas longas, prostitutas deitadas na cama, nem nenhuma outra imagem escandalosa como as que pintavam muitos dos artistas modernos sobre os quais tinha lido. Aquilo eram cenas campestres, ternas representações de crianças brincando, ou retratos de gente com aspecto normal. A dama os olhava pestanejando com perplexidade; essas pinturas não tinham nada de indecoroso. Na realidade, eram bastante bonitas. Será que havia se equivocado ao julgar a decisão de sua irmão de tornar-se uma artista? Tinha um conceito errôneo do mundo da arte em geral? Jeremy percebeu que a senhora Cartwright lutava contra sua própria consciência. Tal como Maggie, Anne era incapaz de ocultar seus sentimentos, e sua surpresa e admiração ao descobrir sua irmão menor na companhia do herdeiro do trono eram tão evidentes como os de seu pai. Ao que parece, apenas o duque tinha se impressionado mais com o abraço da artista com seu prometido do que com os cumprimentos do príncipe. Tinha que reconhecer que Maggie parecia contrariada e havia pedido a de Veygoux que a soltasse mas era difícil para ele determinar até que ponto aquilo a incomodou. Naquele momento, Anne havia se aproximado de sua irmão e falava com tom caloroso. Isso presumiu Jeremy, pois não podia ouvir nada além da ladainha de Sanjay, que tratava de justificar por que a princesa o havia seguido até ali. Não obstante, a explicação não tinha o menor fundamento. Era evidente que a intenção de Usha havia sido fazê-lo passar por ridículo e despertar a compaixão dos demais. E assim tinha sido; seu aspecto era de uma patetice extraordinária, ainda que fosse uma patetice bela e deslumbrante. Ela o olhava com esses Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 213.
    olhos cativantes, grandese redondos, e com a paixão refletida no palpitar do coração no peito. Um grupo de artistas, entre os quais o duque reconheceu serem os pintores do prédio onde Maggie mantinha seu estúdio, seguiam a princesa indiana com o olhar, se davam cotoveladas e cochichavam; parecia que se perguntavam quanto teriam que pagar aquela jovem para que pousasse para eles. Enquanto isso, do outro lado da sala, Maggie e sua irmã sentavam num banco, e Berangére Jacquard as olhava com ar de presunção, desfrutando de um triunfo que só Jeremy lhe correspondia… —Sanjay —disse Jeremy com um sonoro suspiro—. Este não é um bom momento, de verdade. —Entendo —se desculpou o intérprete—. No entanto, necessito lhe perguntar uma última vez se está de todo seguro de que não quer se casar com a princesa. O duque o olhou, estupefato. —É claro que estou. Venho a quase um ano tentando fazê-los entender. Nada mudou. —Eu supunha —respondeu Sanjay, assentindo com a cabeça—. Só queria estar totalmente seguro… —Porque vai regressar a Índia? —perguntou Jeremy, esperançoso. —Oh, sim —disse Sanjay—. Vamos voltar logo, mas só depois de … Ao ver que Jeremy piscava os olhos cinza, o jovem indiano não terminou a frase. No entanto, não era para ele que o jovem duque olhava, mas sim para a pintura que até então sua silhueta estava ocultando. Até esse momento, o duque não havia visto o quadro que tanto impressionou o herdeiro do trono e, ao contemplar uma reprodução de si mesmo quase em tamanho natural, não pode conter uma expressão de incredulidade. Num primeiro momento, não soube determinar por que ele havia se impressionado tanto. Talvez fosse porque, de repente, enfrentava um momento de sua vida que acreditava ter compartilhado com um só pessoa, mas que, ao que parecia, para essa pessoa havia sido tão insignificante que o quis compartilhar com centenas de pessoas mais. Sabia exatamente o que o quadro representava; era o instante, cinco anos antes, em que, depois de sair do quarto de Maggie, ela lhe perguntou onde iria. “Ao inferno”, havia respondido ele. Então a jovem pronunciou as palavras que o haviam acompanhado dia e noite durante os anos que passou no estrangeiro: “Pois mande lembranças ao diabo por mim.” Lhe parecia uma frase própria dela, ainda que fosse um tanto curiosa. Quantas moças teriam se mostrado tão serenas nas mesmas circunstancias? Em vez de uma repreensão ou uma manifestação de surpresa diante de sua insolência, ela simplesmente sorriu e lhe pediu que mandasse lembranças ao diabo. E não foi isso o que Jeremy esteve fazendo todos esses anos na Índia? Dar lembranças ao diabo por parte dela? Maggie havia imortalizado esse momento com cores vivas, e o expôs a todo mundo. Cada Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 214.
    detalhe estava minuciosae extraordinariamente representado, desde sua expressão cínica e indiferente, até o modo em que o luar iluminava o gramado naquela noite, assim como o pasto de puros-sangues de seu tio. O quadro também transmitia uma emoção, mas o jovem não soube determinar qual. Arrependimento? Talvez. Nostalgia? Talvez. Mas era evidente que faltava algo, e era confiança. O homem retratado na pintura era muito charmoso, seguro de si mesmo e cínico. Mas não era de modo algum digno de confiança; se notava pela cruel careta nos volumosos lábios e pelo brilho sarcástico nos olhos prateados. A artista poderia ter intitulado o quadro: Retrato de um libertino. Então Jeremy se deu conta de que foi um estúpido. Durante todos esses anos recordava aquela cena uma vez atrás da outra com um sentimento agridoce enquanto esperava uma carta dela, convencido de que um dia ou outro chegaria. Porém, durante todo esse tempo, ela o recordava como um libertino desonesto e lascivo. Não lhe estranhava que não tivesse escrito, nem que tivesse se comprometido com outro homem. Maggie nunca chegou a confiar nele, jamais acreditou numa palavra dele. E aquele retrato era a prova de que nunca o faria. Podia seduzi-la cada noite, e arrastar sua família de Londres a Nova Déli, ida e volta, mas mesmo assim, ela nunca aceitaria se casar com ele. Aquele dia, anos atrás, ela lhe havia dito que não aceitava sua proposta porque não confiava em si mesma, mas então entendeu que não se tratava dela. Era nele que ela não confiava. A pintura o demonstrava. Não confiava nele, e nunca confiaria. Ofuscado e aturdido, Jeremy se virou para ir embora. Só conseguia pensar em sair imediatamente pela porta. No entanto, não conseguiu fazê-lo, pois uma bala roçou sua orelha antes que ouvisse o disparo. O ensurdecedor ruído da detonação retumbou pela abarrotada sala, e alguns garçons deixaram cair as bandejas com taças, contribuindo ainda mais com a histeria generalizada. CAPÍTULO 39 Maggie não havia visto a sua irmã Anne há quase um ano, e lhe pareceu que ela não tinha bom aspecto. No entanto, supôs que ela mesma também não, e muito menos depois do choque a havia sentido ao ver a princesa Usha na inauguração. Justo naquele momento estava pensando que talvez o duque tivesse decidido se casar com ela, e vê-lo entrar com essa expressão austera no rosto, e com a princesa atrás dele… A jovem não desvaneceu, mas naquele momento notou que lhe faltava o chão. Por sorte, Augustin percebeu e a conduziu a um banco próximo. Maggie se deixou cair entre as almofadas, e antes de ter tempo de se recompor, viu Alistair Cartwright se mover nervosamente na direção dela. —Sentimos muito chegar tarde —disse com sua acostumada jovialidade—. Sua excelência nos Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 215.
    fez vir tãode pressa desde Yorkshire que estávamos seguros de que chegaríamos as sete. Mas as ruas estavam congeladas, e levamos uma eternidade desde a estação até aqui. Nem assim Maggie compreendeu; só quando Anne entrou em seu campo de visão começou a entender. Ela demorava para processar cada pensamento, como se, um por um, tivesse que passar por uma estreita porta para chegar a sua mente. Quando Anne se sentou no banco ao seu lado e levantou a mão, a jovem ainda não entendia o que estava ocorrendo. —Posso… poderia… falar contigo? —perguntou Anne pegando-lhe as mãos com os dedos enluvados. —Sim, é claro —respondeu ela, meio confusa pela vacilação de sua irmã. Ainda que Anne se mostrasse tímida com os estranhos, era muito franca com os membros de sua família. Olhou seu marido com expressão nervosa, e umedeceu os lábios com a língua. —Só levará um minuto. Não quero lhe incomodar nem lhe entreter no dia da inauguração de sua exposição. Naquele momento, Maggie começou a voltar a si e se dar conta do que acontecia ao seu redor. Viu, por exemplo, que seu pai estava sentado em um banco, como aquele em que ela estava, e que o senhor Corman o paparicava e lhe mostrava uma tacinha de brandy debaixo do nariz. Também viu que Augustin falava com o crítico do Times, gesticulando com entusiasmo enquanto lhe descrevia algo, e no outro extremo do salão, visualizou Jeremy falando com o intérprete da princesa. —Não pretendo que me perdoes por como tenho te tratado —dizia sua irmã em voz baixa—. Agora me dou conta de que estava equivocada. Mas seu que desculpas não são mais que isso… desculpas. Eu nunca fui como você, tão decidida e segura de si mesma. O único gesto de valentia que tomei na vida foi me casar com Alistair, e só porque foi muito fácil; ele me pediu, e eu só tive que dizer sim. Por isso, justamente por esse ter sido meu único ato de coragem, me dói tanto ter fracassado… —Fracassado? —Aquelas palavras atraíram a atenção de Maggie—. Do que estás falando? És a esposa perfeita, e a mãe perfeita. O único que me estranha é que, com todas as atenções que dedicas a eles, meus sobrinhos não sejam umas crianças mimadas. —Mas eu perdi tantos, que o mínimo que eu podia fazer era cuidar bem dos demais — respondeu com a voz quase inaudível. O sofrimento de sua irmã provocou em Maggie uma pontada de comiseração tão intensa que chegou a ser física. —Por isso você sente que fracassou? Pelos abortos? Mas isso é ridículo. Não pode se culpar por isso. E sabes muito bem que Alistair nunca… —Sim —Anne levantou a mão enluvada, como se quisesse deter as palavras que a jovem ia pronunciar—. Eu sei. Suponho que sempre soube, mas só hoje percebi até que ponto meu marido se preocupa comigo. O bastante para permitir que o duque de Rawlings nos fizesse vir Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 216.
    até Londres quasedebaixo da mira de uma pistola para que nos reconciliássemos. —Na mira de uma pistola? —repetiu Maggie sem sinal de humor—. Me odeias tanto, que só veio me ver porque te ameaçaram tirar a vida? —Suponho que houve um momento em foi assim— admitiu Anne com franqueza—. Afinal, fizeste o que eu nunca fui capaz de fazer: seguir o que manda o coração. Não estou dizendo que teria preferido outra coisa além de ser a esposa de Alistair Cartwright e a mãe de seus filhos. É só que… Me faltou a valentia para descobrir. Mamãe sabia, e por isso você era a preferida dela. Você era a única valente, a que não tinha medo de nada; nem da escuridão, nem de ratos, nem de alturas, de nada… —Anne —ela interrompeu, pensando no que ocorreu nesse dia, cinco anos antes, no estábulo da mansão Rawlings—. Isso não é verdade. —É claro que é. E suponho que sempre te invejei por isso. Era natural que mamãe te admirasse, porque sempre querias alcançar teus sonhos, por mais que disséssemos que havia coisas que não deverias fazer. Me incomodava que quisesse fazer coisas extraordinárias: pintar, ir a Paris, o duque de Rawlings… e que sempre as conseguisse. Você sempre conseguiu o que quis. E isso parecia injusto para uma pessoa como eu, que nunca teve a coragem para admitir que não tivesse nenhum desejo em meu coração, ver que sua própria irmã não só o admitia, como também o conseguia uma vez atrás da outra. —A carta —disse Maggie com tom inexpressivo. —Como disse? —A carta que Jeremy mandou a Herbert Park depois da morte da mamãe. —Ela falava como segurança que na realidade não tinha—. Não se extraviou, não é mesmo? Você a recebeu. Pela primeira vez, Anne parecia a ponto de chorar. —Sim —assentiu com um soluço—. Eu a peguei. —Ah —suspirou sua irmã, balançando a cabeça—. Como pode? Entendo que se sentisse incomodada com o comportamento dele, mas essa carta… Como pode? —Eu não… Pensei que era o que tinha que fazer. —Anne, com as bochechas úmidas de lágrimas parecia lastimosamente diminuída—. Você sempre conseguia o que queria, fosse o que fosse. E que tivesse também um duque… não me parecia justo. Maggie, mais ressentida do que estava disposta a admitir, ficou olhando com frieza a ponto de seus sapatos. —Sei que fiz mal —continuou Anne—. Porém não havia percebido o quanto me enganei até esta manhã, quando Jeremy nos confessou que havia lhe pedido em casamento naquele dia anos atrás… A verdade é que eu não fazia idéia de que teus sentimentos eram… correspondidos. Quero dizer que sempre soube que você o amava, mas que ele também... não podes imaginar o quão mal me sinto. Sei que não acreditará em mim, mas quando destruí a carta pensei que estava lhe fazendo um favor. Nunca, nem em um milhão de anos, teria Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 217.
    imaginado que oduque tivesse lhe proposto matrimonio. Por que inferno o rejeitou? —Não sou tão valente como acreditas —respondeu Maggie, negando com a cabeça—. Eu o recusei por medo e nada mais. —Nunca teria imaginado —respondeu Anne, com expressão de surpresa—. Você nunca teve medo de nada. —Tinha medo de muitas coisas —replicou sua irmã, que subitamente se sentiu muito cansada —. Eu apenas não demonstrava. —Então, talvez deverias ter sido atriz, em vez de pintora. Poderá me perdoar, Maggie? A jovem estava a ponto de responder que sim, sem duvidar em nenhum momento, quando o ruído de um disparo retumbou por toda a galeria, e um gorducho mecenas, que fingia não escutar a conversa entre a artista e sua irmã, soltou um grito alarmado. —Meu Deus! o que foi isso? —exclamou Anne, sobressaltada. Porém Maggie soube de imediato: era o assassino de Jeremy. Ele o achou; por fim o havia surpreendido em um momento de vulnerabilidade. Em seguida se levantou e, enquanto a multidão saia em debandada, tentando fugir das balas, ela se apressou até o canto de onde provinha o cheiro de pólvora queimada. Teve que abri caminho a passos largos e cotoveladas entre os elegantes londrinenses que lutavam para chegar a porta de saída, mas quando, finalmente, com a respiração entrecortada, quando conseguiu passar por cima da última calda de vestido de veludo, se encontrou diante de uma assustadora cena. Jeremy, com uma mão de lado da cabeça, havia se virado para enfrentar seu atacante, que sustentava uma fumegante pistola. Por sorte, a bala só havia arranhado sua orelha, mas tinha a gola da camisa empapada de sangue e revelava um aspecto horrível. Maggie se deu conta de que a bala havia perfurado a pintura atrás dele, e havia atravessado o peito do jovem no retrato, bem debaixo do bolso, onde estaria seu coração. Entretanto, o mais surpreendente de tudo, ao menos para Maggie, não era a ferida de Jeremy, nem o barulho que havia feito a bala, mas sim a identidade do agressor. Apesar da insistência do criado do duque, não era Augustin, pois o jovem francês estava ali de pé, paralisado de terror, com Berangére agarrada em seu braço, com os olhos abertos como pratos. Não, era Sanjay; o educado e sereno intérprete da princesa, quem, impávido, mantinha a pistola fumegante cano curto apontado para o peito de Jeremy. —Eu lamento —disse com um tom aparentemente sincero—. Nunca tive boa pontaria. Estava tentando acabar com o senhor, mas não posso negar que é um homem muito difícil de matar, excelência, e só tenho conseguido causar-lhe danos. Não se preocupe, a próxima bala porá fim a sua dor … A próxima bala? Horrorizada, Maggie respirou fundo para gritar e jogar-se nos braços daquele homem, quando o duque afastou a mão da orelha, deixando que jorrasse sangue da ferida no Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 218.
    lóbulo, e perguntoucom voz furiosa: —A mim? Por que diabos deseja me matar? O que lhe fiz? Sanjay sorriu, e Maggie observou o extraordinário contraste entre seus brancos dentes e sua pele morena. —Me parece que isso é bastante óbvio; o senhor desonrou a Estrela de Jaipur. Maggie olhou aterrada para Usha, e viu com surpresa que a bela índia estava tão estupefata como todos os demais; Suas mãos estavam segurando as bochechas, e olhava seu intérprete com uma expressão atemorizada no grandes olhos. —Desonrado a…? —Jeremy arregalou os olhos—. Vamos, isso já é demais. Eu não desonrei ninguém; de qualquer modo, a princesa se desonrou a si mesma, me seguindo em todas as partes e se mostrando tão inconveniente. Ela não me ama, nem mesmo me deseja. Só quer meu título e meu dinheiro. Se você parar para pensar, te darás conta de que se há alguém desonrado nessa história, esse sou eu. —Como se atreve? —O jovem indiano, que até então mostrava uma inquietante serenidade, começou a se agitar, furioso, e Maggie viu que a pistola começava a se balançar de um lado a outro—. Como se atreve a falar assim da mulher que eu amo? —Você me ama? —exclamou a princesa num inglês perfeito e sem sotaque algum. —É claro que a amo —contestou Sanjay virando-se para ela com um olhar impaciente—. Por que se não… —Mas então se deteve, boquiaberto, de modo que se a situação não fosse tão trágica, teria sido cômica—. Falas inglês? —É óbvio que sim —replicou a princesa, ofendida—. Não sou uma estúpida. Apesar da pele morena, o intérprete pareceu empalidecer. —Mas… se fala inglês, alteza, por que fingiu durante tanto tempo? Usha arregalou os olhos. —Vamos, Denish —disse—. Como pose ser tão obtuso para não imaginar sozinho? Ao que parece, o jovem era meio obtuso, pois gaguejou: —Mas… mas… —Baixa essa pistola —ordenou a princesa, contrariada—. Quem lhe deu permissão para matar o coronel? Eu, sem dúvida que não foi. Sanjay vacilou durante um instante. No entanto, foi tempo suficiente para que o criado de Jeremy saísse subitamente de trás da coluna e apontasse a sua própria arma no atacante. —Já ouviu a dama —interveio Peters—. Baixa a pistola. Para alivio de Maggie, o intérprete deixou a arma na mão estendida do criado, que, satisfeito, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 219.
    guardou a sua. —Lamento,coronel —disse o criado ao seu senhor com tom despreocupado—. Estava vigiando o francês, como o senhor me pediu. Nem por um momento pensei que era este aqui quem estivesse por trás dos atentados. —Está bem —tranqüilizou o duque com o aceno de mão. Mas para Sanjay não estava nada bem. —Só fiz isso pela senhorita, minha princesa —exclamou com sincera emoção—. Não sabes os anos que levo amando-a, e o quanto desejava acabar com este galinho que desprezava seu amor com tanta crueldade. A bela indiana bufou. Maggie ficou olhando para ela, mas realmente não havia outro modo de descrever o som que saiu da boca da Estrela de Jaipur; foi uma bufada que teria soltado qualquer mulher inglesa na mesma situação. —Eu, amar o duque? —disse com desdém, apontando para Jeremy com a cabeça. O jovem havia tirado um lenço do bolso do paletó e pressionava contra a orelha—. Esta de brincadeira. Eu jamais poderia amá-lo. Sanjay parecia tão desconcertado como se sentia Maggie. —Então por que quis segui-lo até aqui? —Não queria a ele —esclareceu Usha—, mas sim a Estrela. —A estrela? —gaguejou o intérprete—. Que estrela? —Minha estrela, é claro. A Estrela de Jaipur —explicou a princesa com um olhar furioso ao duque—. Meu tio o presenteou para lhe agradecer por ter salvo o Palácio dos Ventos, mas não tinha nenhum direito de fazê-lo. Essa safira pertencia a minha mãe, e era minha herança. Ao olhar para Jeremy, Maggie percebeu que a historia não o comovia nem um pouco. A orelha já havia parado de sangrar, mas tinha a gola da camisa e o lenço empapados de sangue. —Eu implorei ao meu tio que o desse a estrela —continuou a bela indiana com toda naturalidade—, mas ele insistiu que, uma vez que coronel não me queria, devia então recompensá-lo de uma outra forma. Foi assim que meu tio tirou meu dote e a ofereceu ao homem para quem a Estrela significava tão pouco que a meteu no bolso, quando deveria colocá-la num pedestal, que é o seu lugar merecido. —Não sabia que a safira a pertencia —interveio Jeremy, pensativo, com o cenho franzido—. Pensei que fosse do marajá. A princesa revirou os olhos. —Por nada desse mundo meu tio ofereceria algo de suas próprias arcas! A ele, parece muito mais fácil recorrer a dos demais, e ainda assim, todo mundo o continua considerando o homem de espírito mais generoso. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 220.
    —Então veio paraa Inglaterra com a intenção de me roubar a pedra preciosa? —perguntou o duque. —Roubá-la? —repetiu Usha, como se a palavra fosse de extremo mau gosto—. Eu não vou roubar nada de ninguém. —Como nunca ouvi você me pedi-la, presumir que queria... —Queria persuadi-lo para que me devolvesse. Mas devo reconhecer que o senhor é o homem mais difícil de persuadir que já conheci. Nunca antes ninguém havia resistido tanto aos meus encantos —disse indignada—. Era muito frustrante. —Na verdade, me parece muito mais persuasiva agora do que quando fingia não saber inglês… A dama arqueou uma sobrancelha de cor ébano. —Verdade? Que interessante. Para a maioria dos homens, a ignorância em uma mulher é irresistível. —E apontando para Sanjay com a cabeça, adicionou—. Como para Denish, por exemplo. Ao ouvir pronunciar seu nome, o intérprete voltou a intervir com o mesmo entusiasmo. —Faria qualquer coisa por ti, alteza —exclamou—. Qualquer coisa! Para uma mulher acostumada aos homens beijarem seus pés, Usha se mostrou bastante comovida com aquela exclamação. Não obstante, ainda não havia terminado de repreender seu ajudante por agir de iniciativa própria. —Mas tentar matar o coronel… —ela repreendeu—. E presumo que não seja a primeira vez. —Não —Sanjay, ao menos nessa ocasião, pareceu envergonhado—. Foi eu quem tentou o apunhalar diante sua casa, excelência. —E tentou me atropelar no dia seguinte? —perguntou Jeremy com curiosidade. —Sim, isso mesmo —admitiu, baixando a cabeça—. Suponho que queira chamar as autoridades. Não me importa ser preso, pois tudo o que fiz foi a serviço da verdadeira Estrela de Jaipur. Com uma expressão de sincero alvoroço nas delicadas feições, Usha estava mais formosa que nunca. —Faria isso por mim? —ela o perguntou depois de pousar as mãos no ombro de seu intérprete —. Cumpririas pena perpetua nesse país gelado? Você, que sempre foi tão severo comigo? Sanjay agarrou a mão da dama e a levou aos lábios. —O que fosse necessário —murmurou—. Eu faria por você, minha queridíssima Usha. Se alguma vez fui severo contigo é porque, diferente de outros homens, não sou cego para os seus defeitos… no entanto estes só me fazem amá-la ainda mais. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 221.
    Maggie acreditava queuma mulher como a princesa se sentiria insultada por aquela insinuação de que podia ter defeitos, mas, em vez disso, a dama deixou escapar um suspiro. —Mas já sabes, Denish, que nosso amor é impossível. Tenho que regressar a Índia e me casar com o homem que meu tio escolheu para mim… —Não! —O intérprete levou a mão dela ao coração dele, como se ela tivesse aberto uma ferida—. Isso jamais. Nós ficaremos aqui. Encontrarei um trabalho. Posso fazer muitas coisas… Maggie, comovida pela emocionante cena, sentiu que seus olhos se inundaram de lágrimas. Olhou ao seu redor e percebeu que não era a única. Tanto Berangére como Augustin pareciam profundamente emocionados, assim como Anne e Alistair que, para sua surpresa, não haviam saído correndo da galeria como todo mundo. Inclusive Peters tinha uma atitude menos agressiva do que o de costume. Apenas Jeremy parecia imune aquela emoção. Não obstante, isso não evitou que Maggie desse um passo adiante e, antes de saber o que estava fazendo, tirou a Estrela de Jaipur do bolso e a colocou na mão da desconcertada Usha. —Pegue isso —disse com a voz rouca enquanto fechava os dedos da princesa ao redor da pesada safira—. Isso os ajudará. De qualquer modo, creio que lhe pertence. CAPÍTULO 40 Maggie não estava consciente da enormidade do que acabara de fazer até o momento em que, com lágrimas nos olhos enquanto se desviava do jovem par, se voltou para Jeremy; a expressão em seu rosto lhe devolveu de imediato a realidade. O duque estava atônito, ou mais que isso: parecia tão horrorizado como havia ficado ela quando ouviu o disparo da pistola de Sanjay. Seus olhos prateados a encaravam com frieza, traspassando-a, com a mesma expressão inescrutável de sempre… Ah meu Deus! Maggie ficou paralisada de consternação, com a vista cravada nos olhos dele. O que ela havia feito? Acabara de presentear uma safira de vinte e quatro quilates! Quando deveria valer? A julgar pelas expressões entusiasmo de Usha y Sanjay, muito. Berangére parecia que acabaram de lhe dar um bofetão, uma prova a mais de havia feito uma loucura; Peters a olhava de boca aberta, e Augustin e a família de Maggie estavam simplesmente confusos. Santo Deus! O que ela fez? Ao ver que Maggie ficava ali, retorcendo os dedos com nervosismo, a princesa e seu intérprete se aproximaram dela apressadamente e começaram a desfazer-se em expressões de agradecimento, pegando as mãos dela, até que suas bochechas ficassem de cor carmim e lhe parecia que fosse morrer ali mesmo. No entanto, subitamente, todos voltaram sua atenção ao Jeremy… Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 222.
    O duque deude ombros e, sem dizer uma palavra, se virou e saiu da galeria, seguido por seu criado, quem passou a correr atrás de seu senhor, gritando: —Coronel, coronel, espere! Estupefata, Maggie ficou olhando para eles enquanto saiam. O que aconteceu? Por que Jeremy estava tão aborrecido? Oh meu Deus, o que ela fez? A jovem não reagiu até que alguém lhe deu uma palmada na costa. Ao virar-se, viu com surpresa sua irmã Anne, pálida como a porcelana. —Não fique aí olhando —disse sinalizando a porta pela qual acabara de sair o duque—. Corra, vá atrás dele! —Oh, meu Deus —exclamou a jovem mordendo o lábio, nervosa—. Suponho que… não tinha o direito de ter dado a safira. Afinal, era de Jeremy… —Não seja estúpida —resmungou sua irmã franzindo o cenho—. Não tem nada a ver com isso. Vamos, pense! Maggie não necessitou que lhe dissessem nada mais e, um instante depois, se dirigiu a porta por onde tinha acabado de sair Jeremy. Entretanto, seu pai se levantou subitamente do sofá em que estava sentado durante toda a primeira hora, e do qual não havia se levantando nem quando ouviu o disparo, e a agarrou pelo braço. —Margaret —disse com entusiasmo—. Aonde vai? Nós temos muito o que conversar. Me disseram que na segunda-feira você vai visitar o príncipe de Gales, e precisamente nesse dia não tenho nada para fazer. Posso me oferecer como seu acompanhante? Não seria decoroso que uma moça atravessasse Londres sozinha… Com um grunhido como única resposta, e depois de liberar-se das mãos de seu pai com um puxão de braço, Maggie saiu apressadamente pela Bond Street. O tempo seguia sendo tão inclemente como havia sido durante todo o dia, e a jovem, com o vestido sem mangas e delicados sapatos, começou a tremer. Já eram quase nove da noite, e a capa baixa de nuvens que refletia nas luzes de Londres fazia brilhar a neve com uma nuance rosada. Deu tempo apenas para ela ver a carruagem Rawlings, guiada por um par de cavalos castanhos acabando de empreender a marcha. Maggie amaldiçoou entre dentes e levantou um braço, mas as elegantes charretes que passavam não só não paravam, como também que salpicavam o vestido branco com neve derretida. No entanto, em nenhum momento ela pensou em voltar para buscar seu casaco; esquivando-se tanto dos pedestres como das carruagens, começou a andar com um braço nu levantado, e não passou muito tempo antes que os sapatos forrados de tecido se empapassem de água gelada. Quase por um milagre, uma charrete livre parou e o condutor, alarmado pela precariedade de sua vestimenta, se apressou a descer para ajudá-la. No entanto, a jovem segurou a calda do vestido e subiu na charrete antes que o cocheiro tivesse tempo de se levantar seu chapéu para cumprimentá-la. —Ao número vinte e dois de Park Lane —exclamou. Enquanto isso, para si mesma, se Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 223.
    perguntou se levavadinheiro suficiente para pagar a corrida—. E de pressa, por favor. O condutor subiu em seu assento e chicoteou o seu único corcel, um cavalo de aspecto cansado cujo alento se mesclava com a neve londrinense em vaporosos suspiros. —Sim, senhora. Perdoe-me, mas não gostaria de um abrigo? Só então Maggie sentiu que estava gelada e, apesar de que era uma lã áspera e cheirava mal, pegou a manta e cobriu as pernas e os ombros. —Sim —disse—. Por favor, depressa. Para ser justa, tinha que reconhecer que o cocheiro tentou ser rápido, mas era sábado a noite. Ainda que as sessões de teatro não tivesse terminado, havia muito tráfico e, além disso, a calçada estava congelada. Muitas das ruas estavam congestionadas, e onde havia congestionamento, havia mendigos pedindo esmola e mulheres de questionável virtude, buscando nos veículos algum cavalheiro com quem passar um par de horas dando voltas pelo parque debaixo de uma acolhedora manta; só Deus sabia quantas mulheres da noite infestadas de piolhos haviam se coberto com a manta que agora lhe aquecia os ombros. Por ali também perambulavam as vendedoras de flores e frutas, oferecendo mercadoria no meio da rua, deixando o tráfego mais lento ainda. Para Maggie pareceu que a carruagem levou ao menos uma hora para chegar em frente a casa dos Rawlings; nesse momento, os dentes rangiam de frio, e não deixava de pensar de devia ter esperado para que levasse seu casaco e chapéu antes de sair enlouquecida da galeria. Por sorte, tinha bastante dinheiro para pagar o cocheiro; lhe agradeceu e se apressou a subir as escadas até a porta principal. Ao ouvir a marcha dos cascos do cavalo, um criado abriu a porta antes que Maggie tivesse tempo de tirar as chaves do bolso. —Senhorita Herbert! —exclamou o criado—. É você? Maggie se apressou para entrar, e em seguida entendeu por que havia surpreendido tanto o criado. Ao olhar-se em um dos espelhos de corpo inteiro do vestíbulo de piso de mármore, viu uma moça alta com o cabelo caindo pelos ombros, um vestido que devia ser branco coberto com manchas de barro e fuligem, e a pele azulada de frio, exceto o nariz, que estava muito vermelho. Não sentia os dedos dos pés, e a calda o vestido estava rasgada, pois ao descer, havia se enganchado na roda de trás da carruagem. —Não se preocupe por isso agora —disse para si—. Sua Excelência retornou, Freddie? O lacaio pareceu surpreso. —Sim, senhorita. Ele chegou a meia hora, mas se retirou logo para o seu quarto. Permita-me que chame a sua criada. Me parece que necessita beber algo quente. —Não, não se preocupe —respondeu Maggie, que já havia começado a subir a escadaria, levantando o saia do vestido até o calcanhar—. Estou bem. —Mas senhorita… Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 224.
    —Estou bem, jádisse! —Ela estava a ponto de chegar no quarto verde quando Evers saiu pela porta com um decantador vazio nas mãos. A surpresa do lacaio ao ver Maggie não havia sido nada em comparação com o estupor do mordomo, a quem os olhos estiveram a ponto de sair das órbitas. —Senhorita Margaret! —exclamou—. A senhorita está bem? —Perfeitamente, obrigada —ofegou, colhendo ar a cada palavra—. Mas necessito ver sua excelência agora mesmo. O criado arqueou as sobrancelhas. —Temo que isso é impossível. Sua excelência já se retirou esta noite. Sofreu um terrível acidente; tem uma dolorosa ferida em uma orelha… Maggie se deu conta que o olhar de Evers havia se desviado para o peito dela, que subia e descia a toda velocidade, enquanto tentava recuperar o ar. Não podia culpá-lo; com a pressa, enquanto subia as escadas, o vestido devia ter saído do lugar, deixando descoberto parte que até então estavam escondidas segundo as normas do decoro. —Evers —disse entrecortadamente—. Tenho que ver o duque por um assunto de máxima urgência. —Terá que esperar até amanhã —insistiu o mordomo com firmeza, olhando-a de novo nos olhos—. Está muito pálida, senhorita. Se encontra mesmo bem? Posso fazer algo pela senhorita? —Sim, saia do meu caminho —lhe ordenou a jovem, impaciente, com a voz tão alta que o criado esteve a ponto de derrubar o decantador—. Tenho que ver sua excelência, e não me importa o que nem você nem ninguém tenha que dizer a respeito! E, depois de pronunciar essas palavras, ela o afastou com um empurrão, pegou a maçaneta e abriu com um golpe a porta do quarto do duque. CAPÍTULO 41 A última coisa que Maggie esperava ver do outro lado da porta era Jeremy nu, em uma banheira. Entretanto, foi exatamente isso que ela encontrou ao entrar no quarto; além do Peters com expressão de perplexidade, passando o paletó do coronel. A última coisa que o duque esperava ver era Maggie com o vestido e o cabelo em total desordem, e quase sem fôlego. Não obstante, foi precisamente isso que ele encontrou quando a porta do seu quarto se abriu. —Meu Deus, Mags —disse com serenidade, dentro da banheira—. O que te aconteceu? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 225.
    Parece que acabastede chegar do inferno. Antes que a jovem tivesse tempo de responder, Evers entrou pela porta atrás dela. —Eu sinto muitíssimo, excelência —exclamou—. Ela insistia em vê-lo. Eu disse que o senhor já havia se retirado, mas não quis aceitar um não como resposta. —E virando-se para a jovem, acrescentou enquanto a agarrava pelo braço com firmeza—. E agora, senhorita Margaret, já é hora de sair. Como pode ver, sua excelência está indisposto. Estou seguro de que o que veio dizer-lhe pode esperar até amanhã. Maggie se soltou da mão do mordomo com um puxão de braço. —Não, não pode —ele rosnou—. E se voltar a me tocar, enfiarei um dedo no seu olho. Evers piscou, indignado, e por uns momentos, Maggie se sentiu culpada; afinal, o criado só estava fazendo seu trabalho. Mesmo assim, disse a si mesma, ele não precisava fazê-lo tão bem. —Senhorita! —exclamou—. Penso em informar o seu pai sobre seu comportamento esta noite mesmo. Da banheira disposta a poucos passos da lareira, Jeremy arregalou os olhos. —Vamos, Mags —disse, arrastando as palavras—. Estou de acordo com Evers. Não é necessário que se comporte assim. Diga-me o que veio me dizer e volte para o seu noivo, como uma boa menina. —Eu não tenho mais noivo —respondeu a jovem com altivez—. Você mesmo poderia ter descoberto esta noite se tivesse ao menos se incomodado em perguntar, em vez de sumir daquele modo. Porém por nada desse mundo me atreveria a afirmar que o duque de Rawlings pode estar equivocado. —E, fazendo um cumprimento com a cabeça, se virou para sair. —Espera! Aquela ordem foi pronunciada com uma voz tão ensurdecedora que Evers deu um pulo que fez tinir o decantador que levava nas mãos. No entanto, a jovem apenas olhou o duque com descaso por cima do ombro. —É a mim a quem o senhor se dirige com tanta grosseria, excelência? —inquiriu. Jeremy havia se inclinado para frente, agarrando a beira da banheira com tanto força que os nós dos seus dedos ficaram brancos. —O que quer dizer com que já não tem mais noivo? —perguntou com gravidade. —Foi o que eu disse —contestou Maggie, recomeçando o caminho até a porta—O que mais poderia ser? O senhor me disse para sair, e é o que vou fazer. E com muito gosto. —Mags! Naquela hora, o bramido foi tão forte que Evers soltou um grito e saiu correndo do quarto que Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 226.
    quase jogou Maggieno chão com o empurrão que ele deu. Peters deixou cair o paletó que estava passando, mas se inclinou rapidamente para recolhê-lo, na esperança de que o coronel não percebesse. Só Maggie ficou onde estava, dentro do quarto com uma mão na maçaneta da porta. —Que foi? —perguntou friamente, por cima do ombro. —Peters, deixe-nos a sós —disse impaciente o duque ao seu criado, com um olhar fulminante. O criado não demorou um segundo sequer, mesmo que só tivesse uma perna para andar, pois quando recebia uma ordem assim se movia com assombrosa agilidade. Em vez de se dirigir ao closet anexo, saiu pela mesma porta que acabara de atravessar o mordomo. No entanto, se deteve um instante para dar uma piscadinha para Maggie, quem, surpreendida por aquele gesto de camaradagem, ficou pestanejando, incrédula, enquanto a porta se fechava atrás dele. —E agora, me conte —começou Jeremy soltando a beirada da banheira e encostando-se de novo. O vapor da água quente se elevava em tênues brilhos ao redor. Quando voltou a falar, o fez com mesurada serenidade—. Que história é essa de que já não está mais prometida? Maggie sentiu um frio na costa nua. Quando conseguiu pegá-lo, percebeu que era um broche de marfim que pendia do elaborado penteado que Hill havia feito aquela tarde, recolocando a mecha no coque alto. Com um suave puxão, tirou o broche do cabelo emaranhado. —Foi o que eu disse —repetiu, com mais frieza do que realmente sentia—. Que o senhor de Veygoux e eu não estamos mais comprometidos. —Entendo. —O duque levantou os braços e os apoiou nas laterais da banheira. O quarto verde estava na penumbra, iluminava unicamente pela luz que crepitava na lareira e por uma lamparina colocado junto a enorme cama. A luz das chamas refletiam na banheira e iluminava o teto alto, de modo que quando o duque chapinhava dentro d’água, sua sombra bailava no tecido dourado sobre suas cabeças. Apesar da débil luz, Maggie podia imaginar com facilidade a suave pele dos volumosos bíceps, acomodados sobre a beira da banheira. Os espessos pelos debaixo dos braços dele se confundiam com o suave manto que cobria o peito largo, e cuja forma se estreitava até desaparecer por baixo da superfície da água. A água opaca pelo sabão a impedia de ver mais adiante, mas a jovem já sabia o que haviam naquela turva profundidades. A orelha do duque já não sangrava, e até mesmo a ferida do ombro parecia melhor. Para um homem convalescente de malária, se recuperava muito depressa. Jeremy, em troca, via Maggie com bastante claridade, pois a luz definia sua silhueta, de pé em frente a lareira. E que silhueta. A jovem levava o vestido úmido pregado ao corpo como uma segunda pele, e o duque tinha vontade de sair da banheira e dar uns amassos com ela sobre a cama. Porém ele se lembrou da maldita pintura que lhe impedia de fazê-lo. Não era suficiente que ele a desejasse, se dizia a si mesmo; era necessário que confiasse nele. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 227.
    Com a mãotrêmula, o jovem pegou a taça de brandy de uma pequena mesa portável que seu criado havia disposto junto a banheira, e bebeu um trago do líquido âmbar. Ah, assim estava melhor. —E como isso aconteceu? —perguntou quando terminou de beber—. Me refiro ao rompimento de seu compromisso. Porque quando os vi esta noite, estavam abraçados. Não pareciam um casal que haviam acabado de se separar. —Porque ainda somos amigos —contestou Maggie. Não podia evitar olhar com anseio para o conteúdo da taça. Seguia tendo muito frio. Devia ter aceitado o oferecimento do lacaio de tomar algo quente. Tinha a sensação de que nunca voltaria a sentir calor—. Suponho que sempre seremos —continuou—. Augustin estava contente porque o príncipe de Gales me encomendou um, isso foi tudo. Ele não está mais apaixonado por mim, mas sim por Berangére. —Verdade? —perguntou ele deixando de novo a taça, que não estava vazia, na mesinha—. E como pensas que pode ter acontecido uma coisa assim? —Ah —disse ela, dando de ombros. O isso importava? Por que perdiam tempo falando, quando podiam estar um nos braços do outro?—. Berangére o seduziu. Jeremy arqueou as escuras sobrancelhas com um sorrido irônico. Aquilo não fazia parte do plano que havia concebido com a senhorita Jacquard. Não obstante, era uma brilhante improvisação de sua parte. Teria que providenciar para que ela recebesse uma merecida recompensa. —Vejo que os acontecimentos deram um giro interessante— comentou com frieza. —Isso me pareceu também. —Maggie baixou o olhar aos dedos que brincavam com o broche —. Igualmente interessante foram as… muitas coisas que ocorreram esta noite. O duque não fez nenhum comentário a respeito. Sabia a que ela estava se referindo? É claro! Deve ter entendido que ela falava da princesa. No entanto, não dizia nada. O que ocorria?, se perguntou. Acreditava que, quando lhe dissesse que havia rompido seu compromisso, saltaria da banheira e a abraçaria. Entretanto, parecia que fazer amor com ela, ou qualquer outra coisa que tivessem relação com ela, era a última coisa que ele tinha em mente. Poderia dizer que ele não tinha nenhuma vontade de se mover de onde estava. Depois de um olhar furtivo, se deu conta de que ele nem sequer a olhava, mas tinha o olhar fixo nas chamas, com o rosto inexpressivo. Meu Deus, estava tão chateado assim por causa da safira? Ou se tratava de outra coisa? Será que agora que estava livre, ele não já não estava mais seguro de que queria estar com ela? Aquele pensamento congelou seu coração, a única parte de seu corpo que não havia esfriado até então. Talvez só a havia desejado quando acreditava que ela não podia ser sua. Mas não, não podia ser. E todo o trabalho que teve para reuni-la com sua família? Por que ele faria uma coisa assim por alguém por quem não estivesse apaixonado e com quem não quisesse se casar? Então, por que ele não a pedia, quando finalmente ela estava disposta a dizer sim? Talvez ele tivesse percebido de que ela era a mulher mais estúpida e covarde do mundo. Oh, Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 228.
    era certo queestava disposta a correr riscos; havia pendurado muitas de suas pinturas em uma parede e havia deixado que todo mundo as visse e fizesse comentários sobre elas. No entanto, quando se tratava de um assunto realmente importante, como o amor, teria recorrido a qualquer desculpa para evitar enfrentar a sim mesma. E por que um homem como Jeremy, o mais valente que já havia conhecido, iria se casar com uma covarde como ela? Ele não faria isso, a menos que ela demonstrasse a ele que não era tão medrosa como ela mesma acreditava. Respirando fundo, Maggie atravessou o quarto e não parou até chegar na mesinha onde o duque havia deixado a taça. Se inclinou e a pegou. O olhar de Jeremy, até então fixo nas chamas, se desviou até seu decote, e Maggie achou aquele gesto bastante esperançoso. —Posso? —perguntou sinalizando a taça. O duque assentiu sem dizer uma palavra e umedeceu os lábios, que subitamente haviam ficado secos. —Obrigada. —Maggie levou a taça aos lábio frios. Inclinou a cabeça para trás e deixou que o líquido abrasador descesse pela garganta. O brandy começou a aquecer seu corpo de imediato, até os congelados dedos dos pés, de um modo que fogo era incapaz de fazer. Jeremy parecia sofrer uma sensação similar, mas não nos dedos; se inclinou um pouco para um lado, e a água fumegante se derramou pela borda da banheira. Mas ele nem percebeu. —Assim está melhor —disse Maggie enquanto baixava a taça na mesa. Enquanto o fazia, prestou especial atenção no modo como o duque seguia todos os seus movimentos com o olhar. Não desviou a vista quando ela se sentou na poltrona forrada de pele perto da banheira, nem mesmo quando começou a tirar os broches de marfim do espesso e escuro cabelo. —Bem —disse o jovem umedecendo de novo os lábios—. Já que pareces ter explicação para tudo … —Depois de limpar a garganta, terminou—. Como explicarias o retrato? Maggie demorou uns segundos para entender do que ele estava falando. O retrato? Que retrato? Subitamente, compreendeu porque estava aborrecido. O retrato de Jeremy! Não lhe havia ocorrido que ele pudesse ter visto. Agora não se estranhava que … —Essa pintura não formava parte da exposição —explicou com delicadeza. A expressão do duque não mudou, mas muito menos afastou o olhar dela. —Ah, não? —Não. —Maggie deixou cair um punhado de grampos no chão—. Os carregadores que Augustin contratou o levaram sem me perguntar primeiro. Então, uma vez na galeria, seus ajudantes o penduraram sem me consultar, e não queriam retirá-lo quando eu pedi. Não creio que seja uma boa amostra do meu trabalho. Além disso, eu o pintei a muito tempo. Jeremy a observou enquanto ela dava um puxão no coque meio desfeito e as mechas caíram como uma espessa cascada sobre os ombros nus. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 229.
    —Verdade? —inquiriu comum tom apagado. —Sim. Eu tinha a estúpida idéia de que se pintasse um retrato seu, conseguiria… não sei, apagá-lo da minha mente —explicou enquanto afrouxava os botões das luvas. —Compreendo. —Dentro da banheira, o duque apenas se movia—. E, ao que parece, funcionou. —Não seja estúpido —ela disse com um olhar—. Já sabes que não funcionou. Pois caso contrário, porque eu estaria aqui então?? —Eu não sei —contestou Jeremy com sinceridade—. Não sei o que você está fazendo aqui. Depois de tirar as luvas, a jovem se inclinou a frente e começou a tirar os sapatos molhados. —Então és mesmo um estúpido —foi tudo o que disse. O jovem se endireitou e se sentou mais erguido dentro da água. —Sabe, Mags? Creio que, pelo menos essa vez, estou de acordo contigo. Sou um imbecil. Acreditei que entre eu e você havia algo especial. Pensei que era de verdade. Mas quando vi esse retrato entendi que… —Me faz o favor de esquecer esse maldito retrato —ela o interrompeu, descontente, enquanto levantava as saias para tirar as ligas. —Mas me pintaste como um criminoso —ele a acusou—. Como a um jogador, um ladrão de cavalos, ou algo assim. —Oh, bendito seja Deus —ela resmungou. Levantou uma perna até apoiar o pé na beira da banheira e começou a baixar pouco a pouco a meia de seda molhada—. Eu tinha dezessete anos! Para mim, eras um criminoso. Pois me roubaste o coração. E acredito que não custa lembrar que ainda não me devolveste. —O que? —perguntou Jeremy—. A esperei durante cinco anos, e de repente descobri que estavas noivo de outro homem! —Eu sei —concordou Maggie enquanto tirava a meia da perna esquerda—. Eu também tenho culpa. Mas me permita lhe lembrar que naquela ocasião eu acreditava que havias aceitado a princesa como recompensa. Jeremy bufou. —Pois então já viste como acabou essa história. —Sim —admitiu ela—. Espero que possas me perdoar por ter dúvida de ti. E também que… — Maggie engoliu em seco enquanto pensava: “Será melhor que acabe com isso o quanto antes”, assim que terminou apressadamente— …tenha entregado sua safira. O duque demonstrou a pouca importância disso com um gesto de mão. Então compreendeu que estava enganada. Jerry não tinha ficado chateado por ter perdido a Estrela de Jaipur; ao Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 230.
    que parecia, nemtinha voltado a pensar no assunto. Era Maggie que ele desejava, e ao dar-se conta daquilo, ela sentiu um estremecimento de prazer percorrer seu corpo. —Mas até mesmo agora, com o maldito francês fora de cena, ainda há um obstáculo intransponível —ele se queixou com amargura—. É que, se você se casar comigo, teria que ser a duquesa. Não posso fazer nada para evitar isso. Com as pernas nuas, Maggie começou a desabotoar as laterais do vestido. —Eu sei —disse meio tonta de alívio ao se liberar da pressão da roupa. —Se é assim, o que está fazendo aqui? —exclamou ele frustrado. Maggie se levantou e deixou o vestido cair até seus pés, ficando só de corpete e calça. —Procuro alguém que me esfregue as costas —respondeu com mais serenidade do que sentia. Com a justa e obscena roupa interior e o cabelo caindo pelas costas, parecia uma cortesã de rua. Não era nem um pouco típico dela agir desse modo, e por uns momentos, Jeremy não pode fazer mais nada além de olhá-la, constrangido. Mas então se deu conta de que, apesar do descaramento de seus abundantes seios, a jovem respirava cada vez mais rápido, entrecortadamente, como se tivesse acabado de correr uma longa distancia. Além do mais, tinha uma expressão atemorizada nos olhos marrons. Era evidente que no estava segura de como seria recebida. Isso, mais que qualquer outra coisa que tivesse ocorrido naquela noite, foi o que o impulsionou a inclinar-se para frente e agarrá-la pela cintura. —Jeremy! —exclamou ela, encantada, quando sentiu os braços molhados ao seu redor. E ao perceber que ele a arrastava da poltrona, acrescentou—. Espera… o que está fazendo? — gritou quando ele a meteu dentro da banheira com ele. Oh! —Com a água transbordando por causa do volume de ambos os corpos, Maggie ficou oscilando sobre o colo de Jeremy, com a calça ensopada pregada ao corpo—. Jeremy! —exclamou de novo. A água molhou as pontas do cabelo e entrou pelo seu decote. Debaixo de seu corpo, sentia os músculos do duque, fortes e escorregadios, e os braços envolvendo-a, que a apertavam com força para evitar que se pusesse de pé—. Meu Deus! Mas eu só estava brincando. —Verdade? —O jovem afastou uma mecha de cabelo e beijou seu pescoço, embaixo de sua orelha—. Pois eu não. Apesar de sua indignação, Maggie notou a desassossego que produziam seus lábios. Seus beijos pareciam despertar todas as partes de seu corpo, sobretudo os mamilos, que se endureceram apenas com o contato se sua boca. Ela estendeu uma mão para afastá-lo dela; não se sentia pronta para um ataque de paixão como aquele, mas já era tarde demais, teria sido o mesmo que pretender evitar a queda de um árvore. Jeremy percorreu se pescoço com os lábios, buscando os seus, enquanto com os dedos desfazia os laços do corpete molhado. Quando ele conseguiu se desfazer dos laços e lançado o corpete por cima da banheira, ele também havia conseguido vencer sua resistência feminina. Com um gemido, Maggie se Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 231.
    entregou as suascaricias ao sentir as fortes mãos sobre seu mamilos endurecidos. O duque não necessitou de mais convite. Logo ela sentiu a língua dele abrindo seus suaves lábios e, enquanto uma mão acariciava um dos volumosos seios, a outra deslizava por baixo da superfície da água e tirava o cordão que sustentava a calça dela. O protesto dela quando ele rasgou o cordão foi quase inaudível. O que isso importava?, pensou com languidez. Ele podia lhe comprar um novo todos os dias, se fosse necessário. E pensou que provavelmente iria ser necessário. Depois de lançar a calça dela por cima do ombro, Jeremy colou seu corpo mais ainda no de Maggie, até que ela estivesse montada nele como num cavalo, apertando o áspero pelo se deu peito contra seus suaves seios. Por debaixo d’água, ela sentiu a ereção dele contra seu sexo. Então percebeu que a única coisa que precisava fazer que se baixar um pouco mais para que seu membro viril a penetrasse. Ela o fez com um movimento tão lento, que só quando a ponta do pênis realmente entrou nela Jeremy se deu conta do que ela estava fazendo. O duque, que até então estava com os olhos fechados, os abriu de súbito. Com um sorriso travesso, Maggie desceu um pouco mais, encantada ao vê-lo afogar um grito na medida que seu membro se deslizava por dentre suas pernas. Ele agarrou as nádegas dela e apertou os dedos com urgente desejo. Maggie baixou um pouquinho mais, e ele, incapaz de suportar por mais tempo aquela doce tortura, se arqueou para penetrá-la completamente, pressionando ao mesmo tempo as nádegas de sua amante para baixo, de modo que seus corpos se uniram com tal ímpeto, que provocaram uma cascata de água nos laterais da banheira. Entretanto, nenhum dos dois percebeu. Sentindo-se por fim em completa fusão com o amor de sua vida, Maggie começou a se mover, devagar no início, e com mais urgência ao notar que estremecia debaixo dela. De repente, ela segurou as bordas da banheira, e inclinando a cabeça para trás, sentiu um tremor que parecia começar em cima da cabeça e descia fazendo cócegas até a palma dos pés. Naquele momento havia jurado que a luz que refletia no teto descia sobre ela, beijando a pele desnuda e cobrindo o quarto com minúsculos pontos douradas. —Meu Deus, Mags! —se queixou o duque depois do êxtase, com um tom nem um pouco aborrecido—. O que está tentando fazer? Me afogar? Então Maggie percebeu que não havia pontos dourados nenhum, mas sim uma grande quantidade de água no chão. —Oh, céus —murmurou, ainda ofegante, ao percorrer o quarto com o olhar. —Isso digo eu. —O duque se endireitou, mas a manteve firmemente submissa a ele—. Bem, o que dizias sobre buscar alguém que esfregasse suas costas? —Ah, sim. Você quer aceitar o encargo? —perguntou ela, desviando o olhar com timidez. —Eu não sei —respondeu ele com prudência—. Depende. É uma proposta para uma vez apenas, ou um compromisso para toda a vida? Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 232.
    —Eu confiava deque se tratava de um compromisso para toda a vida —respondeu, incapaz de olhá-lo nos olhos. —Um compromisso para toda a vida para esfregar suas costas, em troca de que? —ele perguntou, estudando-a com o olhar. —Hum… —Maggie mordeu o lábio—. Serei sua esposa. O duque ficou petrificado. —E que me diz de ser duquesa? —Eu tenho pensado nisso e talvez não seja tão ruim —ela disse e continuou—. Quero dizer que, se você não se importar em passar uma temporada em Londres todos os anos… —Oh, terei que fazer isso mesmo —ele a interrompeu—. Vou ser assessor em Whitehall, ou algo assim. Logo, terei mesmo que passar a maior parte do tempo aqui. Seguro que tia Pegeen e tio Edward não se incomodarão. —Ah, sim —interveio ela com entusiasmo—. Creio que seria melhor que lhes deixássemos ficar com a mansão Rawlings. —Sem dúvida. Com todos aquelas crianças… —E muito melhor que morem no campo. —É claro. Além do mais, seria um pouco embaraçoso viver tão perto do seu pai. —Sim —admitiu ela—. Herbert Park está perto demais da mansão Rawlings. —Mas sempre podemos ir visitá-lo — assegurou o duque—. Se você quiser, claro. —Isso me parece bom —contestou Maggie com precaução—. Sempre que não seja com freqüência. Então houve um momento de silencio, durante o qual Jeremy permaneceu com o olhar perdido no teto. —Você fala sério, Mags? Tem certeza? Recostando-se entre seus braços, ela assentiu. —Sim, tenho certeza. —Eu teria uma pedra para uma aliança —disse o duque—. Bastante bonita, por sinal. Uma safira. A senhorita Herbert franziu o nariz. —Nas verdade eu gosto de safiras. —Ah, isso é ótimo. —Os olhos prateados brilharam com ternura—. Porque eu perdi a pedra. Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”
  • 233.
    —Que lástima —sorriuela. Então voltou a beijá-lo, e passou muito, muito tempo, para que voltassem a falar CAPÍTULO 42 Sem se incomodar em bater, Edward abriu a porta do quarto verde e gritou: —Jerry! Os montinhos encobertos na enorme cama começaram a se mexer e Jeremy levantou a cabeça com os olhos sonolentos. —O que está acontecendo? Quem está aí? —Sou eu —respondeu o cavalheiro. Depois de observar com desgosto que seu sobrinho havía deixado os acessórios de banho, incluindo a banheira, no meio do quarto, se aproximou da janela e recolheu as cortinas, para deixar entrar os intensos raios de sol matutino—. Vim lhe dizer que ontem sua tia deu a luz a um menino. Deu tudo certo. No entanto, para meu pesar, ela decidiu chamá-lo de Jeremy. Ainda que eu esteja completamente em desacordo, ela está convencida de que por fim tenhas demonstrado a maturidade necessária para ser capaz de desempenhar o papel de padrinho. Me pediu que viesse especialmente de Yorkshire até Londres para informá-lo de que o batizado será dentro de três semanas. Acreditas que poderá se levantar da cama a tempo suficiente para participar da ocasião? Ao lado do duque, outro montinho de cobertor começou a ser mover e, para enorme surpresa de Edward, a cabeça de Maggie Herbert apareceu dentre os lençóis. —O que está acontecendo? —perguntou meio adormecida repetindo as palavras do duque—. Quem está aí? De pé junto a janela, o cavalheiro cruzou os braços. —Agora chega —disse com severidade—. Isso já é mais do que suficiente. Vocês dois vão se casar, e não quero ouvir mais nenhuma palavra a respeito disso. —Sim, senhor —murmurou Maggie, envergonhada, antes de se meter de novo por baixo dos cobertores. Jeremy soltou uma risada. —Sim. Acredito que já era hora. FIM Comunidade do orkut “Traduções de Mag Cabot”