Esta é uma carta
que uma
senhora
escreveu para
um canal de
televisão para
que a lessem em
directo:
"Desde que aos
emblemas lhes chamam
pins, aos maricas gays,
às comidas frias
lunches, e aos elencos
de filmes, castings,
este país não é o
mesmo: agora é muito,
muitíssimo mais
moderno.
Antes as crianças liam
banda desenhada em vez de
comics, os estudantes
colavam posters pensando
serem cartazes, os
empresários faziam
negócios em vez de
business, e os operários,
tão ordinários que eles
eram, pegavam numa caixa
ao meio-dia em vez da
tupperware.
Eu, no colégio, fiz aeróbica
muitas vezes, mas, que
tonta que era, pensava estar
a fazer ginástica. Ninguém é
realmente moderno se não
disser todos os dias cem
palavras em inglês.
As coisas, noutra língua,
soam-nos muito melhor.
É evidente que não é o
mesmo dizer bacon em
vez de presunto, ainda que
tenham a mesma gordura,
nem vestíbulo em vez de
hall, nem deficiente em
vez de handicap... Sob
este ponto de vista, nós,
os portugueses somos
moderníssimos.
Já não dizemos biscoito, mas
cup-cake, nem temos
sentimentos, mas feelings.
Compramos tickets, tablets,
comemos sandwiches, vamos
ao pub, praticamos rappel e
raffting, em vez de acampar,
fazemos camping e quando
vem o frio, assoamo-nos com
kleenex.
Estas mudanças de
linguagem influenciaram os
nossos costumes e
melhoraram muito o nosso
aspecto.
As mulheres não usam
meias, mas panties, e os
homens não usam cuecas
mas slips e depois de se
barbearem, deitam after-
shave que deixa a cara
muito mais fresca que o
tónico.
O português moderno já não
corre, porque correr é de
cobardes, mas faz jogging e
footing; não estuda, mas faz
masters e nunca consegue
estacionar mas encontra
sempre um parking. O
mercado agora é o
marketing; o auto-serviço, o
self-service; a escala, o
ranking e o director, o
manager.
Os importantes são vips,
os auriculares walkmen,
os postos de venda
stands, os executivos
yuppies; as babás baby-
sitters, e até, nannies.
No escritório, o chefe está
sempre em meetings ou brain
storms e quase sempre com a
public-relations, enquanto a
assistant envia mailings e
organiza trainings; depois irá
ao ginásio fazer gim-jazz, e
encontrar-se-á com todas as
do jet, que acabam de fazer
liftings, e com alguma top-
model amante do yogurte light
e do body-fitness.
O arcaico aperitivo deu
lugar aos cocktails, onde
se oferece roast-beef
ainda que pareça o
mesmo, engorda muito
menos que a carne.
Uns, trabalham num magazine, não num
programa. Na televisão, quando o
apresentador diz várias vezes a palavra
O.K. e dança, rodando pelo palco, a isso
chama-se show, muito diferente, como
sabem, do antiquado espectáculo;
Já não põem anúncios, mas spots que,
para além de serem melhores,
permitem-lhe fazer zapping.
Espero que
tenham gostado...
E que não
tenham ficado
com stress .

Du yu espic inglish v

  • 2.
    Esta é umacarta que uma senhora escreveu para um canal de televisão para que a lessem em directo:
  • 3.
    "Desde que aos emblemaslhes chamam pins, aos maricas gays, às comidas frias lunches, e aos elencos de filmes, castings, este país não é o mesmo: agora é muito, muitíssimo mais moderno.
  • 4.
    Antes as criançasliam banda desenhada em vez de comics, os estudantes colavam posters pensando serem cartazes, os empresários faziam negócios em vez de business, e os operários, tão ordinários que eles eram, pegavam numa caixa ao meio-dia em vez da tupperware.
  • 5.
    Eu, no colégio,fiz aeróbica muitas vezes, mas, que tonta que era, pensava estar a fazer ginástica. Ninguém é realmente moderno se não disser todos os dias cem palavras em inglês. As coisas, noutra língua, soam-nos muito melhor.
  • 6.
    É evidente quenão é o mesmo dizer bacon em vez de presunto, ainda que tenham a mesma gordura, nem vestíbulo em vez de hall, nem deficiente em vez de handicap... Sob este ponto de vista, nós, os portugueses somos moderníssimos.
  • 7.
    Já não dizemosbiscoito, mas cup-cake, nem temos sentimentos, mas feelings. Compramos tickets, tablets, comemos sandwiches, vamos ao pub, praticamos rappel e raffting, em vez de acampar, fazemos camping e quando vem o frio, assoamo-nos com kleenex.
  • 8.
    Estas mudanças de linguageminfluenciaram os nossos costumes e melhoraram muito o nosso aspecto. As mulheres não usam meias, mas panties, e os homens não usam cuecas mas slips e depois de se barbearem, deitam after- shave que deixa a cara muito mais fresca que o tónico.
  • 9.
    O português modernojá não corre, porque correr é de cobardes, mas faz jogging e footing; não estuda, mas faz masters e nunca consegue estacionar mas encontra sempre um parking. O mercado agora é o marketing; o auto-serviço, o self-service; a escala, o ranking e o director, o manager.
  • 10.
    Os importantes sãovips, os auriculares walkmen, os postos de venda stands, os executivos yuppies; as babás baby- sitters, e até, nannies.
  • 11.
    No escritório, ochefe está sempre em meetings ou brain storms e quase sempre com a public-relations, enquanto a assistant envia mailings e organiza trainings; depois irá ao ginásio fazer gim-jazz, e encontrar-se-á com todas as do jet, que acabam de fazer liftings, e com alguma top- model amante do yogurte light e do body-fitness.
  • 12.
    O arcaico aperitivodeu lugar aos cocktails, onde se oferece roast-beef ainda que pareça o mesmo, engorda muito menos que a carne.
  • 13.
    Uns, trabalham nummagazine, não num programa. Na televisão, quando o apresentador diz várias vezes a palavra O.K. e dança, rodando pelo palco, a isso chama-se show, muito diferente, como sabem, do antiquado espectáculo; Já não põem anúncios, mas spots que, para além de serem melhores, permitem-lhe fazer zapping.
  • 14.
    Espero que tenham gostado... Eque não tenham ficado com stress .