Publicado originalmente em domingo, 03 de março de 2011
RALLY - MARÇO DE 2011
Para quem, até agora, se esbaldou com as narrações dos diários de bordo
publicados aqui, devido às fantásticas aventuras de um rally do sertão, trago
uma narração diferente - pois a chuva estava mais calma e boa parte do caminho
era pavimentada-, mas não menos interessante, com detalhes específicos e
peculiares às condições da região visitada.
O roteiro, desta vez, englobou as cidades, e distritos, de Juara-MT, Porto dos
Gaúchos-MT e Tabaporã-MT.
Bem, repetindo a advertência já feita nos outros diários, esclareço que os
relatos narrados nos diários de viagens não são oficiais, motivo pelo
qual pontuarei as curiosidades e situações interessantes vividas durante o
percurso, sem fidelidade a detalhes, bem como utilizarei a primeira pessoa do
plural para facilitar a escrita.
A viagem teria início dia 21.03.2011, com tempo suficiente (em não havendo
empecilhos) para entregar todos os mandados em carga para os municípios
citados. Contudo, o rally feito anteriormente (Diário de bordo II) deixou a
viatura oficial em estado de calamidade e a revisão/manutenção demorou mais
que o esperado.
Assim, somente dia 22.03.2011, logo após o almoço, conseguimos sair em
direção a Juara-MT, há uns 200 km do centro urbano de Juína-MT, cuja estrada
é toda pavimentada.
Como estamos falando do interior do Estado de Mato Grosso, no início já nos
deparamos com nossa primeira ponte de madeira, com um vão de 200m sobre o
Rio do Sangue:
Logo adiante começou uma chuva torrencial que nos acompanhou por todo o
restante do trajeto.
Uma vez que as condições do asfalto eram precárias e a visibilidade estava
prejudicada pelo aguaceiro que caía, o percurso, extremamente cansativo,
consumiu mais tempo que o previsto, de modo que chegamos a Juara no final
da tarde, sem possibilidades de realizar diligências naquele dia.
Isso me deixou abatida, tensa e com uma sensação de incompetência, pensando
que devíamos ter sido mais rápidos no caminho. Entretanto, também sabia que
era nossa responsabilidade manter a velocidade adequada e segura do veículo,
dispensando o cuidado necessário, tanto quanto à viatura, como em relação à
nossa própria integridade física.
Bem, depois de um dia cheio e estressante, nada melhor que um banho quente e
cama para recuperar as energias e amanhecer com disposição dobrada... Quem
dera! Ao ligar o chuveiro descubro que a opção de água quente não funciona...
Ufs!! Meus ombros enrijecem e reclamam debaixo da água gelada e, então, já sei
que as dores musculares serão companhia pelas próximas horas (ou dias).
Na quarta-feira ficamos no centro urbano de Juara, cumprindo mandados.
Na quinta-feira, logo cedo, saímos em direção aos Distritos de Porta do Céu e de
Paranorte, sendo que este dista uns 150 km do centro urbano de Juara. E mais
uma ponte de madeira (dentre outras que vieram) atravessa nosso caminho:
Enfrentamos alguns trechos enlameados e outros completamente secos e cheios
de “costelas de vaca”, além de depressões difíceis de serem visualizados à
distância, de forma que a viagem foi um “sacolejo” só e os braços e as pernas
não paravam, transitando entre o volante, o freio, o acelerador e a mudança de
marchas.
Uma carreta atravessada na estrada nos deu a certeza de que estrada de chão é
estrada de chão em qualquer lugar; e que 4x4 também é 4x4 onde quer que seja
necessário:
A vegetação da floresta, nesta região, dá lugar a grandes pastos e algumas
poucas reservas de matas ladeando a estrada, criando fotografias tristes e
curiosas:
A ausência de grandes espaços de florestas para os animais silvestres acaba por
expulsá-los para as estradas, de forma que, desta vez, encontrei mais facilidade
para tirar fotos de cobras, como eu já havia prometido. Pena que me distraí e
não tirei foto de um lindo cervo que pastava ao largo da estrada e que, ao se
assustar, atravessou velozmente e graciosamente na frente do veículo.
Conseguimos ir e voltar no mesmo dia, dormindo em Juara novamente.
Na sexta, partimos em direção à cidade de Porto dos Gaúchos, a 60 km de
Juara. Além das diligências realizadas na cidade, nos deslocamos uns 32km de
estrada de chão até a Gleba São João, onde conseguimos nosso segundo atoleiro
oficial e, “ói, sô, deu trabaio prá tirá, hein...” Um “escorregueiro” só. Quanto
mais acelerava, mais o carro escorregava para o lado e para dentro do lamaçal.
Da gleba em questão, rumamos direto para Tabaporã, rodando mais uns 50 km
de chão.
Em todo o percurso as dificuldades práticas foram as mesmas já citadas
anteriormente, ou seja, manter a direção e a velocidade adequadas, numa
movimentação de braços e pernas constantes.
De diferente, percebi um “barulho” embaixo d o banco do motorista, o que me
deixou apreensiva; entretanto, estávamos em meio a uma estrada deserta, de
modo que, enquanto o veículo respondesse, continuaria dirigindo até chegar a
algum povoado.
Em Tabaporã veio a surpresa: os parafusos da bandeja da suspensão estavam
soltos. Não entendo muito de veículos, mas sei que corremos riscos de a bandeja
terminar de se soltar na estrada e eu perder a direção do veículo.
Tomamos as devidas providências (mandamos apertar os parafusos, ligamos na
Seção de manutenção de veículos no TRT, e para o chefe), cumprimos as
diligências em Tabaporã, dormimos e, no sábado, pegamos o caminho de volta.
Alguns mandados ficaram pendentes de cumprimento, eis que as diligências
deveriam ser realizadas em locais muito distantes do centro urbano de
Tabaporã, as condições da estrada exigiam velocidade mínima (com eventual
empecilho impeditivo de continuação) e o tempo não era suficiente, devido ao
atraso no início da viagem.
O retorno, pelo mesmo caminho, não
acrescentou qualquer outra surpresa,
além de um au-au enorme vigiando
um banheiro feminino e do qual
ninguém me avisou.
Tudo bem. Quase fiz “xixi” nas calças,
ali mesmo, na porta, mas consegui
“segurar a onda” e resolver a questão
com o bichão que, ao final das contas,
era mansinho, mansinho...
Aleluia!
Mais uma história abençoada por Deus!
As fotos estão no álbum do Blog (link na barra lateral).

Diário d bordo março 2011

  • 1.
    Publicado originalmente emdomingo, 03 de março de 2011 RALLY - MARÇO DE 2011 Para quem, até agora, se esbaldou com as narrações dos diários de bordo publicados aqui, devido às fantásticas aventuras de um rally do sertão, trago uma narração diferente - pois a chuva estava mais calma e boa parte do caminho era pavimentada-, mas não menos interessante, com detalhes específicos e peculiares às condições da região visitada. O roteiro, desta vez, englobou as cidades, e distritos, de Juara-MT, Porto dos Gaúchos-MT e Tabaporã-MT. Bem, repetindo a advertência já feita nos outros diários, esclareço que os relatos narrados nos diários de viagens não são oficiais, motivo pelo qual pontuarei as curiosidades e situações interessantes vividas durante o percurso, sem fidelidade a detalhes, bem como utilizarei a primeira pessoa do plural para facilitar a escrita. A viagem teria início dia 21.03.2011, com tempo suficiente (em não havendo empecilhos) para entregar todos os mandados em carga para os municípios citados. Contudo, o rally feito anteriormente (Diário de bordo II) deixou a viatura oficial em estado de calamidade e a revisão/manutenção demorou mais que o esperado. Assim, somente dia 22.03.2011, logo após o almoço, conseguimos sair em direção a Juara-MT, há uns 200 km do centro urbano de Juína-MT, cuja estrada é toda pavimentada. Como estamos falando do interior do Estado de Mato Grosso, no início já nos deparamos com nossa primeira ponte de madeira, com um vão de 200m sobre o Rio do Sangue:
  • 2.
    Logo adiante começouuma chuva torrencial que nos acompanhou por todo o restante do trajeto. Uma vez que as condições do asfalto eram precárias e a visibilidade estava prejudicada pelo aguaceiro que caía, o percurso, extremamente cansativo,
  • 3.
    consumiu mais tempoque o previsto, de modo que chegamos a Juara no final da tarde, sem possibilidades de realizar diligências naquele dia. Isso me deixou abatida, tensa e com uma sensação de incompetência, pensando que devíamos ter sido mais rápidos no caminho. Entretanto, também sabia que era nossa responsabilidade manter a velocidade adequada e segura do veículo, dispensando o cuidado necessário, tanto quanto à viatura, como em relação à nossa própria integridade física. Bem, depois de um dia cheio e estressante, nada melhor que um banho quente e cama para recuperar as energias e amanhecer com disposição dobrada... Quem dera! Ao ligar o chuveiro descubro que a opção de água quente não funciona... Ufs!! Meus ombros enrijecem e reclamam debaixo da água gelada e, então, já sei que as dores musculares serão companhia pelas próximas horas (ou dias). Na quarta-feira ficamos no centro urbano de Juara, cumprindo mandados. Na quinta-feira, logo cedo, saímos em direção aos Distritos de Porta do Céu e de Paranorte, sendo que este dista uns 150 km do centro urbano de Juara. E mais uma ponte de madeira (dentre outras que vieram) atravessa nosso caminho: Enfrentamos alguns trechos enlameados e outros completamente secos e cheios de “costelas de vaca”, além de depressões difíceis de serem visualizados à distância, de forma que a viagem foi um “sacolejo” só e os braços e as pernas não paravam, transitando entre o volante, o freio, o acelerador e a mudança de marchas.
  • 4.
    Uma carreta atravessadana estrada nos deu a certeza de que estrada de chão é estrada de chão em qualquer lugar; e que 4x4 também é 4x4 onde quer que seja necessário: A vegetação da floresta, nesta região, dá lugar a grandes pastos e algumas poucas reservas de matas ladeando a estrada, criando fotografias tristes e curiosas:
  • 5.
    A ausência degrandes espaços de florestas para os animais silvestres acaba por expulsá-los para as estradas, de forma que, desta vez, encontrei mais facilidade para tirar fotos de cobras, como eu já havia prometido. Pena que me distraí e não tirei foto de um lindo cervo que pastava ao largo da estrada e que, ao se assustar, atravessou velozmente e graciosamente na frente do veículo. Conseguimos ir e voltar no mesmo dia, dormindo em Juara novamente. Na sexta, partimos em direção à cidade de Porto dos Gaúchos, a 60 km de Juara. Além das diligências realizadas na cidade, nos deslocamos uns 32km de estrada de chão até a Gleba São João, onde conseguimos nosso segundo atoleiro
  • 6.
    oficial e, “ói,sô, deu trabaio prá tirá, hein...” Um “escorregueiro” só. Quanto mais acelerava, mais o carro escorregava para o lado e para dentro do lamaçal. Da gleba em questão, rumamos direto para Tabaporã, rodando mais uns 50 km de chão. Em todo o percurso as dificuldades práticas foram as mesmas já citadas anteriormente, ou seja, manter a direção e a velocidade adequadas, numa movimentação de braços e pernas constantes. De diferente, percebi um “barulho” embaixo d o banco do motorista, o que me deixou apreensiva; entretanto, estávamos em meio a uma estrada deserta, de modo que, enquanto o veículo respondesse, continuaria dirigindo até chegar a algum povoado. Em Tabaporã veio a surpresa: os parafusos da bandeja da suspensão estavam soltos. Não entendo muito de veículos, mas sei que corremos riscos de a bandeja terminar de se soltar na estrada e eu perder a direção do veículo. Tomamos as devidas providências (mandamos apertar os parafusos, ligamos na Seção de manutenção de veículos no TRT, e para o chefe), cumprimos as diligências em Tabaporã, dormimos e, no sábado, pegamos o caminho de volta.
  • 7.
    Alguns mandados ficarampendentes de cumprimento, eis que as diligências deveriam ser realizadas em locais muito distantes do centro urbano de Tabaporã, as condições da estrada exigiam velocidade mínima (com eventual empecilho impeditivo de continuação) e o tempo não era suficiente, devido ao atraso no início da viagem. O retorno, pelo mesmo caminho, não acrescentou qualquer outra surpresa, além de um au-au enorme vigiando um banheiro feminino e do qual ninguém me avisou. Tudo bem. Quase fiz “xixi” nas calças, ali mesmo, na porta, mas consegui “segurar a onda” e resolver a questão com o bichão que, ao final das contas, era mansinho, mansinho... Aleluia! Mais uma história abençoada por Deus! As fotos estão no álbum do Blog (link na barra lateral).