Folhas de
OUTONO    Os dias passavam, minhas mãos
estavam agora, cheias de doloridas
feridas feitas pelo trabalho no campo. Já
fazia alguns dias que não via minha pobre
mãe, isso me corroia por dentro, será que
ela estava bem? Era o que perguntava a
mim mesma.
Folhas de
OUTONO  O sol escaldante nos castigava
enquanto colhíamos os grãos de café,
tentávamos nos proteger com grandes
chapéus de palha, que não adiantavam
para nada, pois os raios do sol atingiam
nossas cabeças mesmo assim.
Folhas de
OUTONO    O trabalho então é interrompido
com um grande tumulto em frente à
grande casa que ficava ao centro do
cafezal, todos os escravos correm em
direção até lá, para ver o que estava
ocorrendo, eu faço o mesmo. O tumulto
se intensifica, e com grande dificuldade
tento ver o que estava acontecendo, vejo
senhor Mackenzie trajado de um elegante
terno de uma famosa marca Italiana,
Folhas de
OUTONO
se parecia com aquele grotesco homem
qual havia nos buscado na praia e menos
ainda com um homem que vive com o
tráfico de pessoas e trabalho escravo em
plenos anos 80. Ele esta acompanhado
de uma elegante mulher, trajada com um
lindo vestido branco com delicadas
rendas, semelhante a um vestido de
noiva, seu rosto esta coberta com um
delicado véu branco e em suas mãos esta
um lindo buquê de dedaleiras.
Folhas de
OUTONO    Tudo indicava que aquilo era
uma breve cerimônia de
casamento, aliás, os dois estavam
ajoelhados em frente a um velho homem
trajado como um típico padre da igreja
católica.
Folhas de
OUTONO    Após breves palavras, uma
desagradável surpresa ocorre, uma
pequena brisa levanta o delicado véu da
dama, revelando ser minha própria mãe.
No mesmo momento, meus olhos
prontamente se enchem de lágrimas,
como ela poderia ter se entregado a um
homem tão horrível, que merecia arder no
fogo do inferno por toda a eternidade? Era
o que achava, mesmo não crendo em
céu, inferno, Deus ou Diabo.
Folhas de
OUTONO    Ela, no mesmo instante, olha
brevemente para mim, já eu, deixo o local
no mesmo momento, uma mulher
independente, guerreira, que batalhou por
toda a vida para ganhar míseras migalhas
de pão, hoje, se torna submissa a uma
criatura tão desagradável como Kennedy
Mackenzie, merecia apenas um
sentimento de minha parte, o desprezo.
Folhas de
OUTONO   O dia passa, a noite chega, e
todos nós seguimos a uma espécie de
senzala, onde permanecíamos até o
amanhecer do dia seguinte.
         A noite era o único momento que
se podia refletir, aliás todos estavam
dormindo e o silêncio dominava o local.
Folhas de
OUTONO   A insônia não me permitia
adormecer, insônia causada pelo ocorrido
há algumas horas atrás, mesmo com a
decepção que havia sofrido, não sei se
era certo desprezar a mulher que tanto
zelou por mim, mas o que ela havia feito
era imperdoável, sei que estava agindo
como uma criança mimada, mas não
conseguia mudar meu modo de pensar.
.
Folhas de
OUTONO  Dias, semanas, meses se
passavam, a época do café havia
terminado, sem trabalho para fazer,
Senhor Mackenzie nos ocupava nos
dando tarefas para a preservação das
boas condições de sua enorme fazenda.
.
Folhas de
OUTONO    Eram raras às vezes em que via
Sra. Mackenzie – passei a chamá-la
assim depois que se casou com aquele
horrível homem – só a via quando esta
inspecionava nosso trabalho, passava nos
cafezais no lugar dos capatazes pelo
menos uma vez a cada quinzena, sem
nenhum motivo aparente, talvez por puro
prazer de ver pessoas acatando suas
ordens.
.
Folhas de
OUTONO    Confesso que nunca imaginaria
que minha mãe um dia se tornaria uma
pessoa tão diferente, tratava a todos,
inclusive a mim, como verdadeiros súditos
– Aliás, não passávamos disso – mas o
que me doía, era a indiferença por parte
dela a mim, parecíamos duas verdadeiras
desconhecidas..
Folhas de
OUTONO    Havia completado sete anos,
confesso que nem me importava mais
com aniversários, já havia passado um
ano desde que havia chegado naquele
lugar, e neste um ano perdi
completamente a fé e o amor pela vida,
aliás, como poderia amar uma vida tão
cruel? Não tinha cabimento.
©2013 Portal Machado de

Cap 6

  • 3.
    Folhas de OUTONO Os dias passavam, minhas mãos estavam agora, cheias de doloridas feridas feitas pelo trabalho no campo. Já fazia alguns dias que não via minha pobre mãe, isso me corroia por dentro, será que ela estava bem? Era o que perguntava a mim mesma.
  • 4.
    Folhas de OUTONO O sol escaldante nos castigava enquanto colhíamos os grãos de café, tentávamos nos proteger com grandes chapéus de palha, que não adiantavam para nada, pois os raios do sol atingiam nossas cabeças mesmo assim.
  • 5.
    Folhas de OUTONO O trabalho então é interrompido com um grande tumulto em frente à grande casa que ficava ao centro do cafezal, todos os escravos correm em direção até lá, para ver o que estava ocorrendo, eu faço o mesmo. O tumulto se intensifica, e com grande dificuldade tento ver o que estava acontecendo, vejo senhor Mackenzie trajado de um elegante terno de uma famosa marca Italiana,
  • 6.
    Folhas de OUTONO se pareciacom aquele grotesco homem qual havia nos buscado na praia e menos ainda com um homem que vive com o tráfico de pessoas e trabalho escravo em plenos anos 80. Ele esta acompanhado de uma elegante mulher, trajada com um lindo vestido branco com delicadas rendas, semelhante a um vestido de noiva, seu rosto esta coberta com um delicado véu branco e em suas mãos esta um lindo buquê de dedaleiras.
  • 7.
    Folhas de OUTONO Tudo indicava que aquilo era uma breve cerimônia de casamento, aliás, os dois estavam ajoelhados em frente a um velho homem trajado como um típico padre da igreja católica.
  • 8.
    Folhas de OUTONO Após breves palavras, uma desagradável surpresa ocorre, uma pequena brisa levanta o delicado véu da dama, revelando ser minha própria mãe. No mesmo momento, meus olhos prontamente se enchem de lágrimas, como ela poderia ter se entregado a um homem tão horrível, que merecia arder no fogo do inferno por toda a eternidade? Era o que achava, mesmo não crendo em céu, inferno, Deus ou Diabo.
  • 9.
    Folhas de OUTONO Ela, no mesmo instante, olha brevemente para mim, já eu, deixo o local no mesmo momento, uma mulher independente, guerreira, que batalhou por toda a vida para ganhar míseras migalhas de pão, hoje, se torna submissa a uma criatura tão desagradável como Kennedy Mackenzie, merecia apenas um sentimento de minha parte, o desprezo.
  • 10.
    Folhas de OUTONO O dia passa, a noite chega, e todos nós seguimos a uma espécie de senzala, onde permanecíamos até o amanhecer do dia seguinte. A noite era o único momento que se podia refletir, aliás todos estavam dormindo e o silêncio dominava o local.
  • 11.
    Folhas de OUTONO A insônia não me permitia adormecer, insônia causada pelo ocorrido há algumas horas atrás, mesmo com a decepção que havia sofrido, não sei se era certo desprezar a mulher que tanto zelou por mim, mas o que ela havia feito era imperdoável, sei que estava agindo como uma criança mimada, mas não conseguia mudar meu modo de pensar. .
  • 12.
    Folhas de OUTONO Dias, semanas, meses se passavam, a época do café havia terminado, sem trabalho para fazer, Senhor Mackenzie nos ocupava nos dando tarefas para a preservação das boas condições de sua enorme fazenda. .
  • 13.
    Folhas de OUTONO Eram raras às vezes em que via Sra. Mackenzie – passei a chamá-la assim depois que se casou com aquele horrível homem – só a via quando esta inspecionava nosso trabalho, passava nos cafezais no lugar dos capatazes pelo menos uma vez a cada quinzena, sem nenhum motivo aparente, talvez por puro prazer de ver pessoas acatando suas ordens. .
  • 14.
    Folhas de OUTONO Confesso que nunca imaginaria que minha mãe um dia se tornaria uma pessoa tão diferente, tratava a todos, inclusive a mim, como verdadeiros súditos – Aliás, não passávamos disso – mas o que me doía, era a indiferença por parte dela a mim, parecíamos duas verdadeiras desconhecidas..
  • 15.
    Folhas de OUTONO Havia completado sete anos, confesso que nem me importava mais com aniversários, já havia passado um ano desde que havia chegado naquele lugar, e neste um ano perdi completamente a fé e o amor pela vida, aliás, como poderia amar uma vida tão cruel? Não tinha cabimento.
  • 16.