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               A sonoridade do futebol
                                           A afinidade e a sintonia perfeita da bola com a música
             IVAN SGARABOTTO
             ivan.sgarabotto@hotmail.com




             O
                      casamento em 1906 de              De acordo com o radialista                                                                 Tita Sachet
                      Charles Miller, pai da bola Carlos Guimarães, para a maio-
                      no país, com Antonieta Rud- ria das pessoas o futebol e a
             ge, pianista brasileira, foi o ponta- música funcionam como lazer,
             pé inicial do matrimônio futebol e mas para ele é um ganha-pão.
             música.         A participação do “Eu ganho dinheiro fazendo isso,
             Brasil no primeiro mundial em 1930 é uma maravilha. Não sei o que
             no Uruguai e o começo da “era do seria da minha vida sem o fute-
             rádio” consolidaram as duas maio- bol e a música. Provavelmente
             res paixões da população bra- estaria muito frustado”, afirma.
             sileira até hoje, o som e a bola.          As emissoras FM que atual-
                 Conforme o jornalista da rádio mente vivem na mesmice de “mú-
             Bandeirantes AM e Ipanema FM, sica + música” apesar de ser uma
             Carlos Guimarães,                                       paixão nacional,
             31 anos, Charles                                        têm a necessida-
             Miller e Antonieta                                      de de investir em
             Rudge podem ter “É parte da cultura outras formas de
             sido um símbolo                                         entretenimento,
             de duas culturas             do menino.”                afirma o comu-
             nacionais.     “Não                                     nicador Guima-
             há cultura, civili-                                     rães. “O futebol é
             zação ou período                                        uma delas, o for-
             da      humanidade                                      mato AM/FM do           A paixão pelo esporte ultrapassa as barreiras da música
             que não tenha relação com a me- rádio vai terminar. Ninguém cria
             lodia. Com o futebol, foi como um uma rádio de notícias, até porque               Segundo o jornalista, o pro-      A implementação do rock se
             encontro à primeira vista. E como notícia e jogo de futebol não se            jeto da Máquina está fechando deve à chegada de profissionais
             paixão combina com paixão, os inventa. Quem quer ouvir música,                o terceiro ano de transmissões. mais jovens, que estão aos pou-
             dois acabaram se confundindo”. pode escolher as suas e colocar                “A intenção é desenvolver novas cos substituindo figuras consagra-
                 Guimarães começou a trabalhar no ipod, no celular, em casa...”            ‘ideias’ para atrair mais ouvintes. das nos meios das transmissões
             com o futebol há 11 anos quando            Para o radialista é uma ten-       O público já é variado, crianças, esportivas. “É uma fase de transi-
             esteve na rádio Gaúcha AM, e des- dência o futebol e o noticiário             jovens, adolescentes, adultos e ção, daqui a uns 10 anos, a nossa
             de 2008 apresenta o programa de estarem no rádio FM. “O AM tem                idosos. Queremos é fidelizar a geração dos 30 aos 45 anos es-
             música Sub Pop na Ipanema. Ele os dias contados. É uma forma                  audiência como nossa maneira tará perto da aposentadoria e aí
             acredita que o interesse pelo fute- absolutamente ultrapassada de             descontraída de ver o futebol”. as coisas devem mudar”, avisa.
             bol chegou da mesma maneira que veiculação, o som é ruim, a qua-                  A Máquina do Cafezinho se di-     O jornalista Ramiro Ruschel foi
             para todo o brasileiro. “A força que o lidade é péssima. Extinguiram          ferencia em duas situações que repórter esportivo da rádio Guaí-
             esporte tem praticamente impossi- com o vinil e o AM continua vivo.           a fazem um produto único no rá- ba AM, antes de trabalhar na Pop
             bilita a gente de não acompanhar. É Só vai servir de recordação”.             dio. “O bom humor e a formação Rock FM. Ele trocou de emissora
             parte da cultura do menino mesmo”.         Hoje a urgência pede um som        da equipe nas transmissões, jo- e por consequencia de estilo, do
                 O gosto pela música iniciou cedo digital, com opções de interativi-       gos do Grêmio,                                       jornalismo para
             com o radialista quando olhava os dade, de dinâmica e de limpeza              com os gremistas                                     o musical, por
             LPs (discos) de samba do seu avô, na audição. “O futebol precisa              e partidas do Inter,                                 precisar de um
             como Originais do Samba, Beth invadir o FM, tem que acabar a                  com os colorados. “O futebol precisa                 espaço     para
             Carvalho e Moreira da Silva. A des- cultura de ouvir futebol com chia-        Puxamos para o
                                                                                           lado da paixão, e
                                                                                                                      invadir o FM.”            crescer profis-
                                                                                                                                                sionalmente.
             coberta pelo rock, ocorreu como um do”, conclui Carlos Guimarães.
             estalo ao ver que era aquilo que so-       O jornalista Ramiro Ruschel,       mesmo assim, os                                      “Chegou     um
             nhava, com um disco do Iron Mai- 33 anos, coordenador da jornada              gremistas ouvem as transmissões ponto em que eu não conseguia
             den de um colega. “Acho que existe esportiva e narrador da Máquina            do Internacional e vice-versa”. mais evoluir na profissão por
             uma magia na arte de                   do Cafezinho, da rádio Pop Rock            As barreiras foram quebra- questões hierárquicas”, lembra.
Reprodução




             um disco”.                             FM, explica que, por ter um som        das e acabaram com os ranços          A contratação do Ramiro Rus-
                                                    mais “limpo” e atingir um núme-        que envolvem o meio do futebol, chel na rádio musical ocorreu
                                                    ro maior de pessoas (ouvintes),        afirma Ruschel. “Sem as críticas através de uma indicação do
                                                    e em razão das novas tecnolo-          destrutivas, sem o revanchismo comunicador Paulo Inchauspe,
                                                    gias, as emissoras FMs vão tomar       com as emissoras concorrentes ao ex-coordenador da emisso-
                                                    conta do mercado. “Aqueles que         e uma jornada honesta, enxuta. ra Alexandre Fetter. “A Pop Rock
                                                    não modernizarem suas trans-           Não massacramos a audiência caiu como uma ‘luva’, o Fetter
                                                    missões, tornando a linguagem          com matérias repetitivas”, explica. como visionário que é, comprou
                                                    mais popular, vão perder espaço”.          Conforme o narrador, depois a ideia de implantar o esporte
                                                        O criador da Máquina do Cafe-      da inovação da rádio Pop Rock, as diariamente em uma emissora
                                                    zinho, Thadeu Malta, sempre dizia      emissoras AMs estão usando mais FM, estávamos ali inovando em
                                                    que o projeto era um “boing” deco-     trilhas de rock em seus programas rádio jovem no estado. Deu tão
                                                    lando. “Não se sabia o real destino,   de pré-jogo. “O samba também certo que o projeto continua vivo
                                                    mas sabia que ia subir cada vez        é muito utilizado por ser eterna- na Pop Rock e o Fetter levou
                                                    mais”, relembra Ramiro Ruschel.        mente relacionado ao futebol”. a ideia para a rádio Atlântida”.
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                  Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
                   Olha o sambão, aqui é o país do futebol
                                                                                                    Milton Nascimento
  IVAN SGARABOTTO
  ivan.sgarabotto@hotmail.com


                                                            Tita Sachet     perde alguns jogos do time, mas
                                                                            não deixa de acompanhar o clu-
                                                                            be. “O rádio está sempre comigo!”
                                                                               Semanalmente o torcedor e
                                                                            músico Rafa Gubert participa do
                                                                            programa Na Torcida, da rádio
                                                                            São Francisco AM. Ele salienta
                                                                            que o formato da atração é mui-
                                                                            to parecido com o da Máquina
                                                                            do Cafezinho. “Muito legal essa
                                                                            abordagem mais descontraída
                                                                            no futebol, acho que Caxias do
                                                                            Sul ganharia muito com esse
                                                                            tipo de transmissão de jogos”.
                                                                               O publicitário, comunicador e
                                                                            integrante da banda Os Tortos,
                                                                            Luiz Gustavo de Paris Ferreira,
                                                                            conhecido como Bivis, 31 anos, é
                                                                            torcedor declarado do Grêmio, e
                                                                            trabalha na Máquina do Cafezinho
                                                                            como repórter de campo. “É fan-        Relento no futebol, com músicas




                                                                                                                                                                Reprodução
                                                                            tástico trabalhar com as duas pai-     homenageando o Internacional.
                                                                            xões. Mudamos o perfil das outras      “Irado! Eles estão se dando tri bem
                                                                            transmissões de rádio por associar     com a banda Ataque Colorado.”
                                                                            as duas coisas... música e futebol.”       O casamento da bola com o
                                                                               Conforme o comunicador Bivis,       som é perfeito para o público e
  Rafa Gubert, músico e torcedor incondicional do Juventude                 é preciso casar mais os espetácu-      pra quem fatura com ele, salien-
                                                                            los da bola e do som. “Estilo Su-      ta o publicitário. “O mercado da
   O futebol e a música são as        tivos, e a bola e a canção repre-
                                                                            perbowl, jogos com shows antes         bola é muito forte e rico, e o da
maiores paixões do radialista Ra-     sentam a alegria. O futebol chegou
                                                                            e ou depois do intervalo. Além de      música é um mercado mais for-
miro Ruschel, depois da família.      a ser chamado de o ‘ópio do povo’
                                                                            produtos como CDs promocionais         te no que tange a arte.”
“Ao natural os brasileiros são fes-   e a música já está na veia de cada
                                                                            e clips. Os torcedores argentinos          A “paixão” é o sentimento que
                                      pessoa que nasce no país; junta os
                                                                            misturam essa ideia com a cumbia.”     define o matrimônio do futebol
                                      dois e dá samba”, brinca Ruschel.
   LINHA DO TEMPO                                                              Bivis destaca os envolvimento       com a da música, que deu certo no
                                          O músico, torcedor identificado
 FUTEBOL NA MÚSICA                                                          do grupo de rock gaúcho Maria do       Brasil, o país da bola e da canção.
                                      e apaixonado pelo Juventude,
                                      Rafael Gubert, 35 anos, define o
 1912 - Flamengo - Bonfiglio de       futebol e a música em uma pala-
 Oliveira                             vra, ‘arte’. “Um jogador de futebol




                                                                                                                                                         Divulgação
                                      é um artista. O Brasil é o país do
 1919 - 1 x 0 - Pixinguinha, Be-      futebol, já a música é uma paixão
 nedito Lacerda e Nelson Ângelo       universal”.
                                          Para Gubert, o povo brasileiro
 1954 - Um a um - Jackson do          é muito peculiar, tanto no som,
 Pandeiro                             quanto na bola. “Ele tem uma
                                      ginga única, em todos os cantos
 1956 - Na cadência do samba/         do mundo, a nossa música é
 Que bonito é - Luis Bandeira         respeitada e admirada, o mesmo
                                      acontece com o futebol, o melhor
 1969 - Aqui é o país do futebol      mundo”.
 - Milton Nascimento e Fernando           O cantor já compôs músicas
 Brant                                para a reinauguração do Alfredo
                                      Jaconi, estádio do Juventude. “Foi
 1972 - Fio Maravilha - Jorge Ben     um prazer imenso, um prêmio ao
                                      meu amor pelo clube do meu co-
 1976 - Gol anulado - João Bosco      ração, ‘Juventude pra sempre’.”
 e Aldir Blanc                        Rafa Gubert também criou uma
                                      composição para tentar mobilizar
 1982 - Povo feliz/Voa canarinho      a torcida alviverde na ideia de re-
 voa - Memeco e Nono                  erguer o time, ‘Vamos subir papo’
                                      e regravou neste ano o hino do
 1989 - O futebol - Chico Buarque     Juventude em uma versão pop.
                                          Rafael Gubert trabalha exclu-
 1996 - É uma partida de futebol -    sivamente com a música, os ho-
 Samuel Rosa e Nando Reis             rários das apresentações quando       Cabine de transmissão: Máquina do Cafezinho - rádio Pop Rock FM
                                      coincidem com os das partidas, ele

A sonoridade do futebol

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    2 A sonoridade do futebol A afinidade e a sintonia perfeita da bola com a música IVAN SGARABOTTO ivan.sgarabotto@hotmail.com O casamento em 1906 de De acordo com o radialista Tita Sachet Charles Miller, pai da bola Carlos Guimarães, para a maio- no país, com Antonieta Rud- ria das pessoas o futebol e a ge, pianista brasileira, foi o ponta- música funcionam como lazer, pé inicial do matrimônio futebol e mas para ele é um ganha-pão. música. A participação do “Eu ganho dinheiro fazendo isso, Brasil no primeiro mundial em 1930 é uma maravilha. Não sei o que no Uruguai e o começo da “era do seria da minha vida sem o fute- rádio” consolidaram as duas maio- bol e a música. Provavelmente res paixões da população bra- estaria muito frustado”, afirma. sileira até hoje, o som e a bola. As emissoras FM que atual- Conforme o jornalista da rádio mente vivem na mesmice de “mú- Bandeirantes AM e Ipanema FM, sica + música” apesar de ser uma Carlos Guimarães, paixão nacional, 31 anos, Charles têm a necessida- Miller e Antonieta de de investir em Rudge podem ter “É parte da cultura outras formas de sido um símbolo entretenimento, de duas culturas do menino.” afirma o comu- nacionais. “Não nicador Guima- há cultura, civili- rães. “O futebol é zação ou período uma delas, o for- da humanidade mato AM/FM do A paixão pelo esporte ultrapassa as barreiras da música que não tenha relação com a me- rádio vai terminar. Ninguém cria lodia. Com o futebol, foi como um uma rádio de notícias, até porque Segundo o jornalista, o pro- A implementação do rock se encontro à primeira vista. E como notícia e jogo de futebol não se jeto da Máquina está fechando deve à chegada de profissionais paixão combina com paixão, os inventa. Quem quer ouvir música, o terceiro ano de transmissões. mais jovens, que estão aos pou- dois acabaram se confundindo”. pode escolher as suas e colocar “A intenção é desenvolver novas cos substituindo figuras consagra- Guimarães começou a trabalhar no ipod, no celular, em casa...” ‘ideias’ para atrair mais ouvintes. das nos meios das transmissões com o futebol há 11 anos quando Para o radialista é uma ten- O público já é variado, crianças, esportivas. “É uma fase de transi- esteve na rádio Gaúcha AM, e des- dência o futebol e o noticiário jovens, adolescentes, adultos e ção, daqui a uns 10 anos, a nossa de 2008 apresenta o programa de estarem no rádio FM. “O AM tem idosos. Queremos é fidelizar a geração dos 30 aos 45 anos es- música Sub Pop na Ipanema. Ele os dias contados. É uma forma audiência como nossa maneira tará perto da aposentadoria e aí acredita que o interesse pelo fute- absolutamente ultrapassada de descontraída de ver o futebol”. as coisas devem mudar”, avisa. bol chegou da mesma maneira que veiculação, o som é ruim, a qua- A Máquina do Cafezinho se di- O jornalista Ramiro Ruschel foi para todo o brasileiro. “A força que o lidade é péssima. Extinguiram ferencia em duas situações que repórter esportivo da rádio Guaí- esporte tem praticamente impossi- com o vinil e o AM continua vivo. a fazem um produto único no rá- ba AM, antes de trabalhar na Pop bilita a gente de não acompanhar. É Só vai servir de recordação”. dio. “O bom humor e a formação Rock FM. Ele trocou de emissora parte da cultura do menino mesmo”. Hoje a urgência pede um som da equipe nas transmissões, jo- e por consequencia de estilo, do O gosto pela música iniciou cedo digital, com opções de interativi- gos do Grêmio, jornalismo para com o radialista quando olhava os dade, de dinâmica e de limpeza com os gremistas o musical, por LPs (discos) de samba do seu avô, na audição. “O futebol precisa e partidas do Inter, precisar de um como Originais do Samba, Beth invadir o FM, tem que acabar a com os colorados. “O futebol precisa espaço para Carvalho e Moreira da Silva. A des- cultura de ouvir futebol com chia- Puxamos para o lado da paixão, e invadir o FM.” crescer profis- sionalmente. coberta pelo rock, ocorreu como um do”, conclui Carlos Guimarães. estalo ao ver que era aquilo que so- O jornalista Ramiro Ruschel, mesmo assim, os “Chegou um nhava, com um disco do Iron Mai- 33 anos, coordenador da jornada gremistas ouvem as transmissões ponto em que eu não conseguia den de um colega. “Acho que existe esportiva e narrador da Máquina do Internacional e vice-versa”. mais evoluir na profissão por uma magia na arte de do Cafezinho, da rádio Pop Rock As barreiras foram quebra- questões hierárquicas”, lembra. Reprodução um disco”. FM, explica que, por ter um som das e acabaram com os ranços A contratação do Ramiro Rus- mais “limpo” e atingir um núme- que envolvem o meio do futebol, chel na rádio musical ocorreu ro maior de pessoas (ouvintes), afirma Ruschel. “Sem as críticas através de uma indicação do e em razão das novas tecnolo- destrutivas, sem o revanchismo comunicador Paulo Inchauspe, gias, as emissoras FMs vão tomar com as emissoras concorrentes ao ex-coordenador da emisso- conta do mercado. “Aqueles que e uma jornada honesta, enxuta. ra Alexandre Fetter. “A Pop Rock não modernizarem suas trans- Não massacramos a audiência caiu como uma ‘luva’, o Fetter missões, tornando a linguagem com matérias repetitivas”, explica. como visionário que é, comprou mais popular, vão perder espaço”. Conforme o narrador, depois a ideia de implantar o esporte O criador da Máquina do Cafe- da inovação da rádio Pop Rock, as diariamente em uma emissora zinho, Thadeu Malta, sempre dizia emissoras AMs estão usando mais FM, estávamos ali inovando em que o projeto era um “boing” deco- trilhas de rock em seus programas rádio jovem no estado. Deu tão lando. “Não se sabia o real destino, de pré-jogo. “O samba também certo que o projeto continua vivo mas sabia que ia subir cada vez é muito utilizado por ser eterna- na Pop Rock e o Fetter levou mais”, relembra Ramiro Ruschel. mente relacionado ao futebol”. a ideia para a rádio Atlântida”.
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    3 Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão, aqui é o país do futebol Milton Nascimento IVAN SGARABOTTO ivan.sgarabotto@hotmail.com Tita Sachet perde alguns jogos do time, mas não deixa de acompanhar o clu- be. “O rádio está sempre comigo!” Semanalmente o torcedor e músico Rafa Gubert participa do programa Na Torcida, da rádio São Francisco AM. Ele salienta que o formato da atração é mui- to parecido com o da Máquina do Cafezinho. “Muito legal essa abordagem mais descontraída no futebol, acho que Caxias do Sul ganharia muito com esse tipo de transmissão de jogos”. O publicitário, comunicador e integrante da banda Os Tortos, Luiz Gustavo de Paris Ferreira, conhecido como Bivis, 31 anos, é torcedor declarado do Grêmio, e trabalha na Máquina do Cafezinho como repórter de campo. “É fan- Relento no futebol, com músicas Reprodução tástico trabalhar com as duas pai- homenageando o Internacional. xões. Mudamos o perfil das outras “Irado! Eles estão se dando tri bem transmissões de rádio por associar com a banda Ataque Colorado.” as duas coisas... música e futebol.” O casamento da bola com o Conforme o comunicador Bivis, som é perfeito para o público e Rafa Gubert, músico e torcedor incondicional do Juventude é preciso casar mais os espetácu- pra quem fatura com ele, salien- los da bola e do som. “Estilo Su- ta o publicitário. “O mercado da O futebol e a música são as tivos, e a bola e a canção repre- perbowl, jogos com shows antes bola é muito forte e rico, e o da maiores paixões do radialista Ra- sentam a alegria. O futebol chegou e ou depois do intervalo. Além de música é um mercado mais for- miro Ruschel, depois da família. a ser chamado de o ‘ópio do povo’ produtos como CDs promocionais te no que tange a arte.” “Ao natural os brasileiros são fes- e a música já está na veia de cada e clips. Os torcedores argentinos A “paixão” é o sentimento que pessoa que nasce no país; junta os misturam essa ideia com a cumbia.” define o matrimônio do futebol dois e dá samba”, brinca Ruschel. LINHA DO TEMPO Bivis destaca os envolvimento com a da música, que deu certo no O músico, torcedor identificado FUTEBOL NA MÚSICA do grupo de rock gaúcho Maria do Brasil, o país da bola e da canção. e apaixonado pelo Juventude, Rafael Gubert, 35 anos, define o 1912 - Flamengo - Bonfiglio de futebol e a música em uma pala- Oliveira vra, ‘arte’. “Um jogador de futebol Divulgação é um artista. O Brasil é o país do 1919 - 1 x 0 - Pixinguinha, Be- futebol, já a música é uma paixão nedito Lacerda e Nelson Ângelo universal”. Para Gubert, o povo brasileiro 1954 - Um a um - Jackson do é muito peculiar, tanto no som, Pandeiro quanto na bola. “Ele tem uma ginga única, em todos os cantos 1956 - Na cadência do samba/ do mundo, a nossa música é Que bonito é - Luis Bandeira respeitada e admirada, o mesmo acontece com o futebol, o melhor 1969 - Aqui é o país do futebol mundo”. - Milton Nascimento e Fernando O cantor já compôs músicas Brant para a reinauguração do Alfredo Jaconi, estádio do Juventude. “Foi 1972 - Fio Maravilha - Jorge Ben um prazer imenso, um prêmio ao meu amor pelo clube do meu co- 1976 - Gol anulado - João Bosco ração, ‘Juventude pra sempre’.” e Aldir Blanc Rafa Gubert também criou uma composição para tentar mobilizar 1982 - Povo feliz/Voa canarinho a torcida alviverde na ideia de re- voa - Memeco e Nono erguer o time, ‘Vamos subir papo’ e regravou neste ano o hino do 1989 - O futebol - Chico Buarque Juventude em uma versão pop. Rafael Gubert trabalha exclu- 1996 - É uma partida de futebol - sivamente com a música, os ho- Samuel Rosa e Nando Reis rários das apresentações quando Cabine de transmissão: Máquina do Cafezinho - rádio Pop Rock FM coincidem com os das partidas, ele