A Espada

1- Introdução:
“Espada – 1. Acessório muito usado nas
cerimônias maçônicas, geralmente como símbolo do poder e da
autoridade, e emblema dissipador das trevas da ignorância; 2 - . Nas
reuniões de banquetes, é a denominação que se dá à faca ou
alforge”.
FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, in “Dicionário de Maçonaria”
Ed. Pensamento. São Paulo. 1970.
“Espada – Em primeiro lugar é o símbolo das
virtudes militares, sobretudo da força masculina e da valentia; daí
também ser o símbolo do poder e, ao mesmo tempo, do sol (do ponto
de vista do princípio ativo e masculino, como também com sua
semelhança com os raios do sol e com os relâmpagos); no sentido
negativo, simboliza o horror da guerra; muitos deuses da guerra e da
tempestade tem a espada como atributo. Muitas vezes, também é um
símbolo fálico. Por ser instrumento afiado e cortante, é símbolo da
decisão, da separação, do Bem e do Mal e, por extensão, um símbolo
da justiça; em muitas representações do Juízo Final, uma espada, em
geral de dois gumes, aparece saindo da boca de Cristo. Segundo a
teoria medieval da espada dupla, formulada pelo Poder Curial
(Primazia da Igreja sobre o Estado) e pelo Poder
Imperial
(Igualdade de direitos e de ambas as instâncias) cada espada
simboliza o poder mundano e o poder espiritual, respectivamente.
Igualmente, símbolo do poder e da justiça é a espada flamejante que
expulsou Adão e Eva do Paraíso. A espada pode ser também símbolo
do raio, como por exemplo, no Japão e na China onde ela é chamada
de “Raio de Indra”, por ser espada do sacrificador védico. Uma
espada firmemente enfiada na bainha simboliza uma das virtudes
cardeais: a Temperança, isto é, o comedimento”
HERDER LEXIKON, in DICIONÁRIO DOS SÍMBOLOS, Círculo do
Livro, SP, 1974.

2 – História:
Toda a história da civilização que se
utilizava da escrita – Oriente Médio, Europa, Ásia e
norte
da
África
conta,
através
das
pesquisas
paleontológicas, que um instrumento assemelhado ao
que
denominamos
como
Espada,
fazia
parte
do
quotidiano de suas vidas.
A
cultura
aborígine
–
únicos
conhecedores
das
técnicas
do
bumerangue
–
os
ameríndios,
os
esquimós
e
as
tribos
africanas
setentrional e meridional, muito embora manejando
com destreza o arco e a flecha, utilizando lanças e
tendo noções de escudos manuais para a defesa
pessoal, não utilizavam a Espada para a caça, nem
como arma de guerra, atribuindo-se a tal fato o
desconhecimento da forja de metais.
No Livro da Lei a Espada tem repetidas
citações, tanto no Antigo como no Novo Testamento,
iniciando a sua presença na referência da Espada
Flamígera utilizada pelos Anjos, logo após a expulsão
de Adão e Eva do Paraíso, para guardarem a Árvore da
Vida, para a preservação de seus frutos, passando pelo
momento em que Simão Pedro, reagindo à prisão de
Jesus Cristo, na véspera de sua paixão, toma sua
Espada e corta a orelha direita de Malco, servo do
Sumo Sacerdote, nas Epístolas de São Paulo até as
alusões contidas no livro do Apocalipse.
A Espada, por mais de três mil anos foi
a extensão do braço do homem, arma indispensável dos
exércitos,
evoluindo
na
forma
e
nos
materiais
empregados, até que recebeu especial importância após
a descoberta da utilização da liga de ferro endurecida
em contato com o carbono, por volta de 1.400 anos
A.C., na região onde hoje se situa o Iraque, pelos
Hititas, povo da raça Cananéia, pré-israelita, de onde
Salomão buscou uma de suas esposas.
O surgimento da siderurgia moderna,
com a descoberta do aço, a Espada alcançou seu
estágio de maior perfeição, a ponto de porfiarem as
Cidades habilitadas na produção de aço fino e de
fundirem
as
melhores
lâminas,
como
Toledo,
na
Espanha, Milão na Itália e Damasco, na Síria, famosas
pela
flexibilidade
e
alta
resistência
de
tais
instrumentos.
O emprego da pólvora para utilização
de armas de fogo, ainda na fase inicial, não tirou a
necessidade do homem continuar se valendo da Espada
como garantia de defesa pessoal e até mesmo como
arma de guerra, até que os cartuchos e projeteis
industrializados retiraram a Espada do cenário das
armas militares, sobrevivendo tal instrumento, nos
dias de hoje, apenas reservado para uso de comando
ou como símbolo de honra militar para cerimônias de
salvas e continência e para emprego no esporte.
3 – A ESPADA NA MAÇONARIA:
Não se pode imaginar a Maçonaria sem
símbolos.
Todo
o
seu
alicerce
―
ideológico,
doutrinário, místico, mítico, cultural, social, cívico,
filosófico, fraternal, universal ― busca, através do
simbolismo,
encontrar
os
reflexos
de
sua
essencialidade.
Ao entreabrir-se, pela primeira vez a
Porta do Templo para o pretendente ao ingresso na
Maçonaria, o Cobr∴ do T∴ antes de indagar quem é o
temerário que tem o arrojo de querer forçar a entrada,
coloca cautelosamente a ponta da espada no candidato.
Imediatamente o M∴CCer∴ pede ao Cobr∴ do Templo
para o Irmão suspender sua espada, manifestando que
vem apresentar um Prof∴ para a Augusta Loja.
Mantendo
a
Porta
do
Templo
entreaberta, após o Cobr∴ do T∴ anunciar ao Ir∴ 1º
Vig∴ que é o M∴ CCer∴ que vem apresentar um Prof∴
à Augusta Loja, e este anúncio ser transmitido para o
Ven∴ M∴, este último determina, em voz alta, para que
os Irmão se armem, porque um Profano se acha na
Porta do Templo.
Quando o Candidato é convidado para
ingressar no Templo, ainda com os olhos vendados,
entre colunas, o Exp∴ coloca a ponta de sua espada no
peito nu do Candidato para que este sinta a pressão de
uma ponta de ferro.
Depois
que
o
Candidato
tem
a
percepção de que está com a ponta de uma Espada no
seu peito desnudo, o Venerável Mestre explica que a
ponta que está sentido simboliza o remorso que há de
perseguir o neófito se for traidor à associação a que
deseja pertencer.
reflita

bem

A admoestação para que o candidato
sobre a sua decisão de ingressar na
Maçonaria, sobre as responsabilidades futuras para
com
a
ORDEM
são
feitas
enquanto
o
Candidato
permanece com a espada em seu peito, para que este
reafirme a sua determinação para sua admissão.
A primeira luz recebida pelo Maçon
durante o ritual da iniciação contém o brilho do sol
espargindo-se em raios refletidos nas pontas e nas
lâminas das espadas dos Irmãos que o recepcionam.
Ao
mesmo
tempo
em
que
concedida ao neófito também vem refletida nos
relâmpagos das espadas voltadas contra si, ao
é assegurada a condição dos demais como
“prontos para correr em seu socorro”.

a
Luz
raios e
neófito
Irmãos,

Logo a seguir, o Ven∴ M∴ vai até o A∴
dos JJ∴ e empunha a Espada Flamejante e estende a
folha sobre a cabeça do neófito, declarando-o como
membro ativo da Of∴, e bate com o malhete, sobre a
folha da espada(╤)-(╤)-(╤).
Na
mesma
cerimônia
ritualística
o
neófito constata a presença do Cob ∴ do T∴, também se
movimentando em L∴, a empunhar uma espada.
Todos
os
conteúdos
de
instruções
maçônicas são constatados através dos significados dos
contidos “símbolos” que impregnam o conhecimento
que vem sendo transmitido através de sua existência,
de geração a geração.
A primeira constatação a fazer, aqui, é
que a Espada não figura nos rituais e nos tratados
maçônicos
como
ornamento
(Pavimento
Mosaico,
Estrela Flamígera borda dentada) como mobiliário (o
volume da Ciência Sagrada, o Esquadro e o Compasso),
nem como jóia (o Quadro de Traçar, a pedra bruta, e a
Pedra Cúbica que são as jóias imóveis; e as jóias
moveis (Esquadro, Nível e Prumo).
A Espada entra nos trabalhos de Loja
no rol da sua instrumentália, não pertencendo a outro
grupo qualquer, mas sempre marcada de forte dose
mística e de simbologia.
Nos
tempos
passados,
quando
da
preparação do candidato este, ao entrar no Templo,
recebia um toque de Espada, porque por este é que se
sabia se se tratava de um homem e não de mulher
disfarçada. Naturalmente este remoto cuidado teria sua
razão de ser nos fatos da época ante situações veladas
de
que
a
Maçonaria
precisava
proteger-se.
O
importante é se destacar que a Espada, quer como
arma de defesa, quer como símbolo de repulsa, surgia
como séria barreira aos intrusos.
A Espada, no peito do neófito, aí
denominada “ferro” por metonímia, tem a função de
faze-lo ver se ele trair o compromisso feito em
momento tão magnificamente solene e emocionante,
será perturbado pelo remorso de haver violado os
princípio do silêncio, remorso este que o não deixará
mais.
O neófito cumpre, diante da Espada, o
compromisso sério – sobre o qual é reiteradamente
concitado a refletir, para a observância dos Princípios
contidos na Constituição Maçônica.
Durante a Segunda Viagem o Profano
ouve
o
tinir
de
Espadas
que,
com
seus
ruídos
representam o Segundo Elemento, o Ar. Indispensável
à vida, e o tinir das Espadas dão ao Candidato a noção
da luta que deve travar contra a Escuridão que se
encerra na ignorância.
O outro momento que pede meditação e
compreensão: É quando a Espada Flamejante passa do
Altar do Venerável para o Altar dos Juramentos. Aí, ela
assume uma expressão profunda, porque passa da
Ciência que o Venerável detém para consolidar sua
Sabedoria – a busca da Sabedoria de Salomão – ao
Conhecimento das forças vivas do Espírito. Ela integrase no cosmos, no Cósmico, e reacende em si a gênese
das Energias do Fogo e a Luz transcendendo a própria
manifestação simbológica, sobrepassando o plano das
energias da Terra, ascende à infinitude intocável
luminesce na trilha maior da própria Criação, a
Harmonia Cósmica que se transmuta para derramar-se
em abundante luz, para aspergir-se por sobre todo o
templo, tão generosa e bela como as bênçãos que
jorram do alto.1
1

VEADO, Wilson – A Espada na Maçonaria e na História – Madras, SP., 1998. pág.
157/158.
A Espada da Guerra, das Lutas de
Defesa ou de Ataque perdeu o seu sentido como Arma.
Mesmo para ser portada por militares, os regulamentos
modernos
reservam
para
a
Espada
uma
função
simbólica de comando, de honraria, de saudação.
Assim
também
a
Maçonaria
utiliza
simbolicamente a Espada cumprindo a tradição e se
vale deste símbolo para agregar aos significantes
associação de idéias em suas representações.
A Espada utilizada pelo Irmão Cobridor
do Templo simboliza a necessidade do Maçon estar
sempre alerta contra as adversidades externas quer
contra a Ordem quer contra as adversidades contra o
desenvolvimento harmônico dos trabalhos em Loja.
Guardar,
neste
sentido,
quer
dizer
vigiar,
olhar,
observar para que haja segurança interna e externa do
Templo e de todos os Irmãos reunidos.
A Espada Flamígera, colocada sobre no
Altar do Venerável Mestre, tem o sentido simbólico de
manter presente, em todos os trabalhos, a presença da
Autoridade, lembrando uma de suas folhas representa
os direitos que são assegurados dentro dos preceitos
Constitucionais da Ordem a todos os Irmãos e, na sua
outra folha da Espada representa as obrigações a que
estão todos vinculados dentro da Fraternidade.
A
utilização
ritualística
da
Espada,
exige que todos os Irmãos a utilizem vestidos com suas
luvas e que a Espada Flamígera seja tocada, em
qualquer ocasião, somente pelo Venerável Mestre, e,
em seus deslocamentos operacionais – não ritualísticos
– seja transportada sobre seu estojo, com o respeito e
a reverência do Poder que ela representa.
A tradição de ser portada pela mão
esquerda remonta na primeira reconstrução do Templo
de Jerusalém, conforme narrado no Velho Testamento,
quando Zorobabel, com os Irmãos que haviam sido
banidos por Nabucodonosor, restaurando as edificações
feitas pelo Rei Salomão nos trabalhos de reconstrução,
utilizavam
uma
mão
direita
para
as
obras
de
restauração na mão esquerda empunhavam a Espada
para
defenderem-se
da
ira
inimiga
dos
árabes,
samaritanos, amonitas, de Azoto e outros mais...
A utilização da Espada ritualisticamente
também significa que, dentro do Templo Maçônico, não
pode haver qualquer tipo de agressividade entre os
Irmãos.
A Espada na bainha tem o significado
da temperança, do comedimento dos ímpetos a que
todos estão sujeitos. Provém da lição levada a efeito
quando o Apóstolo Pedro, reagindo contra a guarda do
sumo sacerdote, desembainhou sua Espada e cortou a
orelha direita do servo Maltus, mas Jesus disse a
Pedro: “Mete tua Espada na bainha; não beberei eu o
cálice que meu Pai me deu?” ―(João 18;10-11).
A Convenção de Lausanne, na Suíça, em
1875, regulamentou o uso da Espada Flamígera.
A Espada significa: Proteção, quando
empunhada pelo Experto; Igualdade, quando está com
o Porta-Espada; Combatividade, quando às mãos do
Cobridor do Templo.
A
Espada,
no
símbolo
da
Justiça,
representa a Força que deve sustentar o Direito
Aplicável, para que o mundo e cada um de nós
possamos nos tornar cada vez mais Justos e Perfeitos.
Assim como a Espada está presente no
Ritual de Iniciação, de Exaltação e em todos os
trabalhos de Grau, sua presença é constante nos
momentos
mais
significativos
da
vida
do
Maçon,
também está prevista para as solenidades de Pompa
Fúnebre, acompanhando as homenagens para o Irmão
em sua partida para o Oriente Eterno.

A espada3

  • 1.
    A Espada 1- Introdução: “Espada– 1. Acessório muito usado nas cerimônias maçônicas, geralmente como símbolo do poder e da autoridade, e emblema dissipador das trevas da ignorância; 2 - . Nas reuniões de banquetes, é a denominação que se dá à faca ou alforge”. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, in “Dicionário de Maçonaria” Ed. Pensamento. São Paulo. 1970. “Espada – Em primeiro lugar é o símbolo das virtudes militares, sobretudo da força masculina e da valentia; daí também ser o símbolo do poder e, ao mesmo tempo, do sol (do ponto de vista do princípio ativo e masculino, como também com sua semelhança com os raios do sol e com os relâmpagos); no sentido negativo, simboliza o horror da guerra; muitos deuses da guerra e da tempestade tem a espada como atributo. Muitas vezes, também é um símbolo fálico. Por ser instrumento afiado e cortante, é símbolo da decisão, da separação, do Bem e do Mal e, por extensão, um símbolo da justiça; em muitas representações do Juízo Final, uma espada, em geral de dois gumes, aparece saindo da boca de Cristo. Segundo a teoria medieval da espada dupla, formulada pelo Poder Curial (Primazia da Igreja sobre o Estado) e pelo Poder Imperial (Igualdade de direitos e de ambas as instâncias) cada espada simboliza o poder mundano e o poder espiritual, respectivamente. Igualmente, símbolo do poder e da justiça é a espada flamejante que expulsou Adão e Eva do Paraíso. A espada pode ser também símbolo do raio, como por exemplo, no Japão e na China onde ela é chamada de “Raio de Indra”, por ser espada do sacrificador védico. Uma espada firmemente enfiada na bainha simboliza uma das virtudes cardeais: a Temperança, isto é, o comedimento” HERDER LEXIKON, in DICIONÁRIO DOS SÍMBOLOS, Círculo do Livro, SP, 1974. 2 – História: Toda a história da civilização que se utilizava da escrita – Oriente Médio, Europa, Ásia e norte da África conta, através das pesquisas paleontológicas, que um instrumento assemelhado ao que denominamos como Espada, fazia parte do quotidiano de suas vidas.
  • 2.
    A cultura aborígine – únicos conhecedores das técnicas do bumerangue – os ameríndios, os esquimós e as tribos africanas setentrional e meridional,muito embora manejando com destreza o arco e a flecha, utilizando lanças e tendo noções de escudos manuais para a defesa pessoal, não utilizavam a Espada para a caça, nem como arma de guerra, atribuindo-se a tal fato o desconhecimento da forja de metais. No Livro da Lei a Espada tem repetidas citações, tanto no Antigo como no Novo Testamento, iniciando a sua presença na referência da Espada Flamígera utilizada pelos Anjos, logo após a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, para guardarem a Árvore da Vida, para a preservação de seus frutos, passando pelo momento em que Simão Pedro, reagindo à prisão de Jesus Cristo, na véspera de sua paixão, toma sua Espada e corta a orelha direita de Malco, servo do Sumo Sacerdote, nas Epístolas de São Paulo até as alusões contidas no livro do Apocalipse. A Espada, por mais de três mil anos foi a extensão do braço do homem, arma indispensável dos exércitos, evoluindo na forma e nos materiais empregados, até que recebeu especial importância após a descoberta da utilização da liga de ferro endurecida em contato com o carbono, por volta de 1.400 anos A.C., na região onde hoje se situa o Iraque, pelos Hititas, povo da raça Cananéia, pré-israelita, de onde Salomão buscou uma de suas esposas. O surgimento da siderurgia moderna, com a descoberta do aço, a Espada alcançou seu estágio de maior perfeição, a ponto de porfiarem as Cidades habilitadas na produção de aço fino e de fundirem as melhores lâminas, como Toledo, na Espanha, Milão na Itália e Damasco, na Síria, famosas pela flexibilidade e alta resistência de tais instrumentos. O emprego da pólvora para utilização de armas de fogo, ainda na fase inicial, não tirou a necessidade do homem continuar se valendo da Espada como garantia de defesa pessoal e até mesmo como arma de guerra, até que os cartuchos e projeteis industrializados retiraram a Espada do cenário das
  • 3.
    armas militares, sobrevivendotal instrumento, nos dias de hoje, apenas reservado para uso de comando ou como símbolo de honra militar para cerimônias de salvas e continência e para emprego no esporte. 3 – A ESPADA NA MAÇONARIA: Não se pode imaginar a Maçonaria sem símbolos. Todo o seu alicerce ― ideológico, doutrinário, místico, mítico, cultural, social, cívico, filosófico, fraternal, universal ― busca, através do simbolismo, encontrar os reflexos de sua essencialidade. Ao entreabrir-se, pela primeira vez a Porta do Templo para o pretendente ao ingresso na Maçonaria, o Cobr∴ do T∴ antes de indagar quem é o temerário que tem o arrojo de querer forçar a entrada, coloca cautelosamente a ponta da espada no candidato. Imediatamente o M∴CCer∴ pede ao Cobr∴ do Templo para o Irmão suspender sua espada, manifestando que vem apresentar um Prof∴ para a Augusta Loja. Mantendo a Porta do Templo entreaberta, após o Cobr∴ do T∴ anunciar ao Ir∴ 1º Vig∴ que é o M∴ CCer∴ que vem apresentar um Prof∴ à Augusta Loja, e este anúncio ser transmitido para o Ven∴ M∴, este último determina, em voz alta, para que os Irmão se armem, porque um Profano se acha na Porta do Templo. Quando o Candidato é convidado para ingressar no Templo, ainda com os olhos vendados, entre colunas, o Exp∴ coloca a ponta de sua espada no peito nu do Candidato para que este sinta a pressão de uma ponta de ferro. Depois que o Candidato tem a percepção de que está com a ponta de uma Espada no seu peito desnudo, o Venerável Mestre explica que a ponta que está sentido simboliza o remorso que há de perseguir o neófito se for traidor à associação a que deseja pertencer. reflita bem A admoestação para que o candidato sobre a sua decisão de ingressar na
  • 4.
    Maçonaria, sobre asresponsabilidades futuras para com a ORDEM são feitas enquanto o Candidato permanece com a espada em seu peito, para que este reafirme a sua determinação para sua admissão. A primeira luz recebida pelo Maçon durante o ritual da iniciação contém o brilho do sol espargindo-se em raios refletidos nas pontas e nas lâminas das espadas dos Irmãos que o recepcionam. Ao mesmo tempo em que concedida ao neófito também vem refletida nos relâmpagos das espadas voltadas contra si, ao é assegurada a condição dos demais como “prontos para correr em seu socorro”. a Luz raios e neófito Irmãos, Logo a seguir, o Ven∴ M∴ vai até o A∴ dos JJ∴ e empunha a Espada Flamejante e estende a folha sobre a cabeça do neófito, declarando-o como membro ativo da Of∴, e bate com o malhete, sobre a folha da espada(╤)-(╤)-(╤). Na mesma cerimônia ritualística o neófito constata a presença do Cob ∴ do T∴, também se movimentando em L∴, a empunhar uma espada. Todos os conteúdos de instruções maçônicas são constatados através dos significados dos contidos “símbolos” que impregnam o conhecimento que vem sendo transmitido através de sua existência, de geração a geração. A primeira constatação a fazer, aqui, é que a Espada não figura nos rituais e nos tratados maçônicos como ornamento (Pavimento Mosaico, Estrela Flamígera borda dentada) como mobiliário (o volume da Ciência Sagrada, o Esquadro e o Compasso), nem como jóia (o Quadro de Traçar, a pedra bruta, e a Pedra Cúbica que são as jóias imóveis; e as jóias moveis (Esquadro, Nível e Prumo). A Espada entra nos trabalhos de Loja no rol da sua instrumentália, não pertencendo a outro grupo qualquer, mas sempre marcada de forte dose mística e de simbologia.
  • 5.
    Nos tempos passados, quando da preparação do candidatoeste, ao entrar no Templo, recebia um toque de Espada, porque por este é que se sabia se se tratava de um homem e não de mulher disfarçada. Naturalmente este remoto cuidado teria sua razão de ser nos fatos da época ante situações veladas de que a Maçonaria precisava proteger-se. O importante é se destacar que a Espada, quer como arma de defesa, quer como símbolo de repulsa, surgia como séria barreira aos intrusos. A Espada, no peito do neófito, aí denominada “ferro” por metonímia, tem a função de faze-lo ver se ele trair o compromisso feito em momento tão magnificamente solene e emocionante, será perturbado pelo remorso de haver violado os princípio do silêncio, remorso este que o não deixará mais. O neófito cumpre, diante da Espada, o compromisso sério – sobre o qual é reiteradamente concitado a refletir, para a observância dos Princípios contidos na Constituição Maçônica. Durante a Segunda Viagem o Profano ouve o tinir de Espadas que, com seus ruídos representam o Segundo Elemento, o Ar. Indispensável à vida, e o tinir das Espadas dão ao Candidato a noção da luta que deve travar contra a Escuridão que se encerra na ignorância. O outro momento que pede meditação e compreensão: É quando a Espada Flamejante passa do Altar do Venerável para o Altar dos Juramentos. Aí, ela assume uma expressão profunda, porque passa da Ciência que o Venerável detém para consolidar sua Sabedoria – a busca da Sabedoria de Salomão – ao Conhecimento das forças vivas do Espírito. Ela integrase no cosmos, no Cósmico, e reacende em si a gênese das Energias do Fogo e a Luz transcendendo a própria manifestação simbológica, sobrepassando o plano das energias da Terra, ascende à infinitude intocável luminesce na trilha maior da própria Criação, a Harmonia Cósmica que se transmuta para derramar-se em abundante luz, para aspergir-se por sobre todo o templo, tão generosa e bela como as bênçãos que jorram do alto.1 1 VEADO, Wilson – A Espada na Maçonaria e na História – Madras, SP., 1998. pág. 157/158.
  • 6.
    A Espada daGuerra, das Lutas de Defesa ou de Ataque perdeu o seu sentido como Arma. Mesmo para ser portada por militares, os regulamentos modernos reservam para a Espada uma função simbólica de comando, de honraria, de saudação. Assim também a Maçonaria utiliza simbolicamente a Espada cumprindo a tradição e se vale deste símbolo para agregar aos significantes associação de idéias em suas representações. A Espada utilizada pelo Irmão Cobridor do Templo simboliza a necessidade do Maçon estar sempre alerta contra as adversidades externas quer contra a Ordem quer contra as adversidades contra o desenvolvimento harmônico dos trabalhos em Loja. Guardar, neste sentido, quer dizer vigiar, olhar, observar para que haja segurança interna e externa do Templo e de todos os Irmãos reunidos. A Espada Flamígera, colocada sobre no Altar do Venerável Mestre, tem o sentido simbólico de manter presente, em todos os trabalhos, a presença da Autoridade, lembrando uma de suas folhas representa os direitos que são assegurados dentro dos preceitos Constitucionais da Ordem a todos os Irmãos e, na sua outra folha da Espada representa as obrigações a que estão todos vinculados dentro da Fraternidade. A utilização ritualística da Espada, exige que todos os Irmãos a utilizem vestidos com suas luvas e que a Espada Flamígera seja tocada, em qualquer ocasião, somente pelo Venerável Mestre, e, em seus deslocamentos operacionais – não ritualísticos – seja transportada sobre seu estojo, com o respeito e a reverência do Poder que ela representa. A tradição de ser portada pela mão esquerda remonta na primeira reconstrução do Templo de Jerusalém, conforme narrado no Velho Testamento, quando Zorobabel, com os Irmãos que haviam sido banidos por Nabucodonosor, restaurando as edificações feitas pelo Rei Salomão nos trabalhos de reconstrução, utilizavam uma mão direita para as obras de restauração na mão esquerda empunhavam a Espada para defenderem-se da ira inimiga dos árabes, samaritanos, amonitas, de Azoto e outros mais...
  • 7.
    A utilização daEspada ritualisticamente também significa que, dentro do Templo Maçônico, não pode haver qualquer tipo de agressividade entre os Irmãos. A Espada na bainha tem o significado da temperança, do comedimento dos ímpetos a que todos estão sujeitos. Provém da lição levada a efeito quando o Apóstolo Pedro, reagindo contra a guarda do sumo sacerdote, desembainhou sua Espada e cortou a orelha direita do servo Maltus, mas Jesus disse a Pedro: “Mete tua Espada na bainha; não beberei eu o cálice que meu Pai me deu?” ―(João 18;10-11). A Convenção de Lausanne, na Suíça, em 1875, regulamentou o uso da Espada Flamígera. A Espada significa: Proteção, quando empunhada pelo Experto; Igualdade, quando está com o Porta-Espada; Combatividade, quando às mãos do Cobridor do Templo. A Espada, no símbolo da Justiça, representa a Força que deve sustentar o Direito Aplicável, para que o mundo e cada um de nós possamos nos tornar cada vez mais Justos e Perfeitos. Assim como a Espada está presente no Ritual de Iniciação, de Exaltação e em todos os trabalhos de Grau, sua presença é constante nos momentos mais significativos da vida do Maçon, também está prevista para as solenidades de Pompa Fúnebre, acompanhando as homenagens para o Irmão em sua partida para o Oriente Eterno.