ESTADO DE SANTA CATARINA
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
COORDENADORIA REGIONAL DE JOAÇABA
ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA RUTH LEBARBECHON - ÁGUA DOCE – SC
Rua Rui Barbosa, nº 81 – Centro Fone: (49) 3527-9370 e-mail: eebruth@sed.sc.go.br
SEQUÊNCIA DIDÁTICA
Professor(a): ROSELY PINTO DATA: 15/02/2024 a 15/03/2024
Área de Conhecimento: Linguagens
Componentes Curriculares Envolvidos: CCE - Prática das linguagens artísticas.
Turma(s): 1a., 2a. e 3a. séries
Número de aulas: 14 aulas
Competência específica da área:
Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural. Conhecer e
explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em diferentes campos da
atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas possibilidades de participação na vida social.
Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos
contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da
comunidade a que pertencem.
Habilidades selecionadas:
(EM13AR05) Analisar, interpretar e relacionar, em produções artísticas, as condições de produção, as
características técnicas e conceituais, os contextos culturais e políticos e as transformações ocorridas ao
longo do tempo.
(EM13AR06) Utilizar diferentes procedimentos para compor e organizar trabalhos bidimensionais e
tridimensionais, como colagem, montagem, assemblagem, instalação e intervenção, explorando as
possibilidades expressivas dos materiais e dos suportes.
(EM13AR08) Analisar a relação entre a arte, o contexto cultural, histórico e social, reconhecendo a
diversidade cultural, étnica e estética das produções artísticas.
Objeto(s) de conhecimento em estudo: A arte contemporânea de Hélio Oiticica.
Critérios / Forma de avaliação:
● Compreender a explanação do tema proposto, dialogando sobre o mesmo. Estética e contextualização
do trabalho prático.
● Conhecer a vida e as obras do artista
● Desenvolver a observação, sensibilidade, crítica e o gosto pela arte.
● Explorar diferentes aspectos da obra como linhas, formas e cores.
● Incentivar a criação de uma obra com base no estilo do artista.
Caminho metodológico:
1ª Etapa: Recepção dos alunos e explanação das regras em sala de aula e andamento das aulas.
Inicie a atividade, compartilhando a proposta de trabalho do dia com os alunos.
Assistir vídeo sobre o artista Hélio Oiticica.
https://youtu.be/LqgbwJPAMhI
2a. Etapa: Explicação e debate sobre obras e vida do artista.
3a. Etapa: Pesquisa sobre as obras de arte do artista Hélio Oiticica, catalogando cada movimento artístico.
Produzir uma obra de arte baseada nas obras geométricas de Hélio Oiticica, primeiramente em uma folha
sulfite e depois em 3D.
METAESQUEMAS, 1956-1958
Metaesquema (1958), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, 68 x 50
cm, Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, doação
Fininvest. Foto: Vicente de Mello.
Metaesquema (1957), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão,
45,5 x 54 cm, Coleção César e Claudio Oiticica. Foto Jaime
Acioli
Lá e cá 10 (1958), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, 46 x 57 cm, da
Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio. Foto Vicente de Mello
Piercing (1958), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, 51 x 57,8 cm,
da Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio. Foto Vicente de Mello
Sêco 03 (1956), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, Coleção
Ricardo Rêgo
Atividade aula Não Presencial:
1a. Etapa:
1. Quem foi Hélio Oiticica?
Hélio Oiticica foi um artista plástico brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro em 1937 e morreu em 1980.
Sua arte é uma forma de viver que traz a força de suas experiências. Oiticica se destaca pela riqueza e
diversidade de seu projeto poético. As mudanças radicais de sua obra acompanham o processo de
crescimento e transformação que o artista experimenta ao longo de sua vida. Sua obra expressa, por via
sensorial, os problemas de seu tempo, assumindo posição diante dos fatos que dizem respeito à condição
humana e à sociedade. Oiticica é um artista rigoroso e preocupado com a técnica e com a organização de
sua obra. Com criações inovadoras como metaesquemas, monocromáticos, bilaterais, relevos espaciais,
grandes núcleos, penetráveis, bólides, Parangolé e projetos ambientais, Oiticica construiu, em 25 anos de
carreira, não apenas uma obra, mas um novo vocabulário de formas, sensações e atitudes para a produção
artística contemporânea brasileira.
2. Qual a relação entre o Parangolé e as outras obras de Hélio Oiticica?
A obra Parangolé dá continuidade ao trabalho anterior de Oiticica. Ao longo de toda a sua trajetória,
Oiticica sempre buscou explorar o conteúdo expressivo da cor. Primeiro ele pintou quadros, depois criou
objetos e instalações. Nesse caminho, Oiticica foi expandindo a cor: do quadro para a parede e da parede
para o ambiente; de uma forma plana para uma forma tridimensional. Mas ele não parou por aí. Depois de
ter ocupado o espaço com cores, para que as pessoas pudessem andar em volta delas, Oiticica colocou
pigmentos coloridos em caixas e vidros para que as pessoas pudessem “pegar as cores”.
3. Como Parangolé inovou o campo da arte?
Com a obra Parangolé, Oiticica deu um passo a mais no seu trabalho com a cor. Vestidas pelas pessoas, as
cores dançam no espaço! Mas a inovação mais radical do Parangolé não foi o fato de colocar as cores em
movimento. O que torna essa série de obras um marco na história da arte é o convite para que as pessoas
participem da criação da obra de arte. A proposta é muito ousada porque na década de 1960, quando
essas obras foram criadas, os papéis do artista e do espectador da obra de arte eram bem separados: o
artista criava e o público apreciava. Uma obra de arte era apresentada pronta e não devia ser alterada de
nenhum modo. Geralmente a obra não devia ser nem mesmo tocada pelas pessoas. Era para “ver com os
olhos”, sem encostar a mão! Oiticica quebra essa barreira, chamando as pessoas a interagir com o
Parangolé. Assim, a obra de arte deixa de ser um objeto imutável, pois o jeito de dançar a transforma.
4. O que Hélio Oiticica queria com o Parangolé?
Cada pessoa que dança com o Parangolé incorpora nele seu próprio modo de dançar, de ser, de agir no
mundo. Participando, a pessoa se aproxima do lugar do artista, pois ela também cria um modo seu de
movimentar as cores no espaço. Com o convite para interagir com a obra de arte, Oiticica busca despertar
nas pessoas o desejo de explorar o potencial criativo que todo mundo tem. Veja o que o próprio Oiticica diz
sobre isso, em um texto que ele escreveu em 1967 (ele usa a palavra “proposições” para se referir a obras
de arte): “Nas minhas proposições procuro ‘abrir’ o participador para ele mesmo – há um processo de
‘dilatamento’ interior, um mergulhar em si mesmo necessário à tal descoberta do processo criador – a
ação seria a complementação do mesmo.”Oiticica afirma que, para participar do processo de criação, a
pessoa precisa conhecer-se. Ele se coloca como um incentivador dessa descoberta, e usa a obra de arte
como um instrumento para possibilitar às pessoas conhecerem a si mesmas.
5. O que é ARTE TOTAL?
As obras de arte de Hélio Oiticica exploram todos os sentidos: a visão, o tato, a audição, o movimento do
corpo... Com o Parangolé, Oiticica cria uma obra de arte total, que combina artes plásticas, música e dança.
Essa fusão de diferentes linguagens artísticas representa uma segunda ruptura no modo como as artes
funcionavam naquela época. Combinar tudo foi uma grande ousadia! Haroldo de Campos, poeta brasileiro
importante, fez o seguinte comentário sobre isso: “O músico da matéria". O artista Hélio Oiticica renunciou
ao quadro, incorporou a dança e criou os ‘Parangolés’.”
6. Em que Hélio Oiticica se inspirou para criar o Parangolé?
Essa grande invenção de Oiticica não surgiu do nada. No campo da arte erudita existia uma separação
rígida: artistas plásticos de um lado, músicos de outro, dançarinos em outro ainda. Mas nas artes populares
não se trabalha desse modo. O próprio Oiticica revela que sua inspiração para criar o Parangolé veio da sua
experiência com o samba, quando ele começou a frequentar os ensaios da Escola de Samba da Mangueira,
no Rio de Janeiro. No trecho a seguir, ele fala sobre o impacto das manifestações populares na ideia de
“arte total” (aqui, ele usa “proposição” com o sentido de criação): “Houve algo que, a meu ver, determinou
de certo modo essa intensificação para a proposição de uma arte coletiva total: a descoberta de
manifestações populares organizadas (escolas de samba, ranchos, frevos, festas de toda ordem, futebol,
feiras), e as espontâneas ou os ‘acasos’ (‘arte das ruas’ ou antiarte surgida ao acaso). Ferreira Gullar
assinalara já, certa vez, o sentido de arte total que possuiriam as escolas de samba onde a dança, o ritmo e
a música vêm unidos indissoluvelmente à exuberância visual da cor, das vestimentas etc.”
7. Quem conhecia a arte popular na década de 1960?
Quando Oiticica usa a expressão “descoberta de manifestações populares”, ele se refere a um processo
muito interessante: o de ver, como se fosse pela primeira vez, alguma coisa que sempre esteve diante dos
olhos mas nunca tinha sido notada. Porque é exatamente isso que se passava com as manifestações
populares na década de 1960: embora estivessem sempre presentes, eram consideradas como algo menor,
sem importância ou valor. Aqui, de novo, a obra Parangolé teve papel inovador no panorama da arte
brasileira: contribuiu para mostrar o valor da arte popular. Ao incorporar elementos do samba – a
participação coletiva, a música, a dança, as cores – na criação de uma obra de arte, Oiticica comemora a
alegria, a energia e a descontração do povo brasileiro.
8. Qual a importância de valorizar a arte popular?
Ao valorizar a arte popular, Hélio Oiticica encontrou muita resistência. O crítico de arte Roberto Pontual
descreve o que aconteceu durante uma apresentação do Parangolé no Museu de Arte Moderna do Rio de
Janeiro em 1967: “Sem qualquer falsa cerimônia, ele carregou para o Museu as capas, os estandartes e as
tendas de seus Parangolés. Mais ainda, quis que os seus convidados da Escola de Samba da Mangueira se
apresentassem no interior do prédio, onde a mostra se estava inaugurando. Proibido, arranjou um jeito de
ir até o fim do que programara. É Gerchman quem conta: ‘Ele entrou pelo museu adentro com o pessoal da
Mangueira, e fomos atrás. Quiseram expulsá-lo, ele respondeu com palavrões, gritando para todo mundo
ouvir: – É isso mesmo, crioulo não entra no MAM, isto é racismo. E foi ficando exaltado. Expulso, ele foi se
apresentar nos jardins, trazendo consigo a multidão que se acotovelava entre os quadros’. ”Assim, Hélio
Oiticica iniciou um movimento que Roberto Pontual chamou “Arte na rua, arte total”.
2a. Etapa: Leitura sobre os Metaesquemas
METAESQUEMAS, 1956-1958
A série Metaesquemas revela o espírito das investigações abstrato-concretas realizadas por
Hélio Oiticica durante sua participação em 1955 e 1956 no Grupo Frente, fundado no Rio de
Janeiro por Ivan Serpa com Aluísio Carvão e Lygia Pape, entre outros. Oiticica havia iniciado seus
estudos de arte no Curso Livre de Pintura de Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,
em 1954. Em 1956, quando acabara de completar 20 anos, começou a produzir seus
Metaesquemas. Composta por mais de 400 trabalhos, a série consiste em exercícios metódicos,
em pequeno formato, em sua maioria em guache sobre cartão, privilegiando experimentações
com cores (preto, vermelho, amarelo, azul e verde), formas abstratas geométricas e espaço.
Os Metaesquemas de 1956 a 1957 apresentam formas como trapézios, losangos, retângulos,
quadrados. As figuras parecem passear pelo papel, em alguns casos de forma ordenada pelo
movimento de rotação ou explosão. Em outros casos, as formas tomam direções independentes
das demais na composição, apontando para lados distintos, reforçando uma sensação de ruptura
do plano da imagem.
Nos últimos trabalhos da série, feitos em 1957 e 1958, o artista explora, sobretudo, o retângulo
e o trapézio, tanto em configurações chapadas de cor quanto em formas compostas por grossas
linhas coloridas. O formato original desses elementos geométricos é esgarçado, dando
maleabilidade às figuras, o que agrega mais movimento às composições. No entanto, o aspecto
extraordinário e de fato dançante dessas formas se dá quando elas roçam umas nas outras,
tocando-se levemente, e quando são dispostas de forma assimétrica, criando vibrações e ritmos,
encontros e desencontros.
Em texto de 1972, Oiticica escreveria que os Metaesquemas teriam sido uma “obsessiva
dissecação do espaço” e um “espaço sem tempo: frestas no plano mudo”.

1 - Sequência didática CCE - 1a., 2a. e 3a. séries.docx

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    ESTADO DE SANTACATARINA SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO COORDENADORIA REGIONAL DE JOAÇABA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA RUTH LEBARBECHON - ÁGUA DOCE – SC Rua Rui Barbosa, nº 81 – Centro Fone: (49) 3527-9370 e-mail: eebruth@sed.sc.go.br SEQUÊNCIA DIDÁTICA Professor(a): ROSELY PINTO DATA: 15/02/2024 a 15/03/2024 Área de Conhecimento: Linguagens Componentes Curriculares Envolvidos: CCE - Prática das linguagens artísticas. Turma(s): 1a., 2a. e 3a. séries Número de aulas: 14 aulas Competência específica da área: Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural. Conhecer e explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em diferentes campos da atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas possibilidades de participação na vida social. Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a que pertencem. Habilidades selecionadas: (EM13AR05) Analisar, interpretar e relacionar, em produções artísticas, as condições de produção, as características técnicas e conceituais, os contextos culturais e políticos e as transformações ocorridas ao longo do tempo. (EM13AR06) Utilizar diferentes procedimentos para compor e organizar trabalhos bidimensionais e tridimensionais, como colagem, montagem, assemblagem, instalação e intervenção, explorando as possibilidades expressivas dos materiais e dos suportes. (EM13AR08) Analisar a relação entre a arte, o contexto cultural, histórico e social, reconhecendo a diversidade cultural, étnica e estética das produções artísticas. Objeto(s) de conhecimento em estudo: A arte contemporânea de Hélio Oiticica. Critérios / Forma de avaliação: ● Compreender a explanação do tema proposto, dialogando sobre o mesmo. Estética e contextualização do trabalho prático. ● Conhecer a vida e as obras do artista ● Desenvolver a observação, sensibilidade, crítica e o gosto pela arte. ● Explorar diferentes aspectos da obra como linhas, formas e cores.
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    ● Incentivar acriação de uma obra com base no estilo do artista. Caminho metodológico: 1ª Etapa: Recepção dos alunos e explanação das regras em sala de aula e andamento das aulas. Inicie a atividade, compartilhando a proposta de trabalho do dia com os alunos. Assistir vídeo sobre o artista Hélio Oiticica. https://youtu.be/LqgbwJPAMhI 2a. Etapa: Explicação e debate sobre obras e vida do artista. 3a. Etapa: Pesquisa sobre as obras de arte do artista Hélio Oiticica, catalogando cada movimento artístico. Produzir uma obra de arte baseada nas obras geométricas de Hélio Oiticica, primeiramente em uma folha sulfite e depois em 3D. METAESQUEMAS, 1956-1958 Metaesquema (1958), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, 68 x 50 cm, Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, doação Fininvest. Foto: Vicente de Mello. Metaesquema (1957), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, 45,5 x 54 cm, Coleção César e Claudio Oiticica. Foto Jaime Acioli
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    Lá e cá10 (1958), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, 46 x 57 cm, da Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio. Foto Vicente de Mello Piercing (1958), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, 51 x 57,8 cm, da Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio. Foto Vicente de Mello Sêco 03 (1956), de Hélio Oiticica, guache sobre cartão, Coleção Ricardo Rêgo Atividade aula Não Presencial: 1a. Etapa: 1. Quem foi Hélio Oiticica?
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    Hélio Oiticica foium artista plástico brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro em 1937 e morreu em 1980. Sua arte é uma forma de viver que traz a força de suas experiências. Oiticica se destaca pela riqueza e diversidade de seu projeto poético. As mudanças radicais de sua obra acompanham o processo de crescimento e transformação que o artista experimenta ao longo de sua vida. Sua obra expressa, por via sensorial, os problemas de seu tempo, assumindo posição diante dos fatos que dizem respeito à condição humana e à sociedade. Oiticica é um artista rigoroso e preocupado com a técnica e com a organização de sua obra. Com criações inovadoras como metaesquemas, monocromáticos, bilaterais, relevos espaciais, grandes núcleos, penetráveis, bólides, Parangolé e projetos ambientais, Oiticica construiu, em 25 anos de carreira, não apenas uma obra, mas um novo vocabulário de formas, sensações e atitudes para a produção artística contemporânea brasileira. 2. Qual a relação entre o Parangolé e as outras obras de Hélio Oiticica? A obra Parangolé dá continuidade ao trabalho anterior de Oiticica. Ao longo de toda a sua trajetória, Oiticica sempre buscou explorar o conteúdo expressivo da cor. Primeiro ele pintou quadros, depois criou objetos e instalações. Nesse caminho, Oiticica foi expandindo a cor: do quadro para a parede e da parede para o ambiente; de uma forma plana para uma forma tridimensional. Mas ele não parou por aí. Depois de ter ocupado o espaço com cores, para que as pessoas pudessem andar em volta delas, Oiticica colocou pigmentos coloridos em caixas e vidros para que as pessoas pudessem “pegar as cores”. 3. Como Parangolé inovou o campo da arte? Com a obra Parangolé, Oiticica deu um passo a mais no seu trabalho com a cor. Vestidas pelas pessoas, as cores dançam no espaço! Mas a inovação mais radical do Parangolé não foi o fato de colocar as cores em movimento. O que torna essa série de obras um marco na história da arte é o convite para que as pessoas participem da criação da obra de arte. A proposta é muito ousada porque na década de 1960, quando essas obras foram criadas, os papéis do artista e do espectador da obra de arte eram bem separados: o artista criava e o público apreciava. Uma obra de arte era apresentada pronta e não devia ser alterada de nenhum modo. Geralmente a obra não devia ser nem mesmo tocada pelas pessoas. Era para “ver com os olhos”, sem encostar a mão! Oiticica quebra essa barreira, chamando as pessoas a interagir com o Parangolé. Assim, a obra de arte deixa de ser um objeto imutável, pois o jeito de dançar a transforma. 4. O que Hélio Oiticica queria com o Parangolé? Cada pessoa que dança com o Parangolé incorpora nele seu próprio modo de dançar, de ser, de agir no mundo. Participando, a pessoa se aproxima do lugar do artista, pois ela também cria um modo seu de movimentar as cores no espaço. Com o convite para interagir com a obra de arte, Oiticica busca despertar nas pessoas o desejo de explorar o potencial criativo que todo mundo tem. Veja o que o próprio Oiticica diz sobre isso, em um texto que ele escreveu em 1967 (ele usa a palavra “proposições” para se referir a obras de arte): “Nas minhas proposições procuro ‘abrir’ o participador para ele mesmo – há um processo de ‘dilatamento’ interior, um mergulhar em si mesmo necessário à tal descoberta do processo criador – a ação seria a complementação do mesmo.”Oiticica afirma que, para participar do processo de criação, a pessoa precisa conhecer-se. Ele se coloca como um incentivador dessa descoberta, e usa a obra de arte como um instrumento para possibilitar às pessoas conhecerem a si mesmas. 5. O que é ARTE TOTAL? As obras de arte de Hélio Oiticica exploram todos os sentidos: a visão, o tato, a audição, o movimento do corpo... Com o Parangolé, Oiticica cria uma obra de arte total, que combina artes plásticas, música e dança. Essa fusão de diferentes linguagens artísticas representa uma segunda ruptura no modo como as artes funcionavam naquela época. Combinar tudo foi uma grande ousadia! Haroldo de Campos, poeta brasileiro
  • 5.
    importante, fez oseguinte comentário sobre isso: “O músico da matéria". O artista Hélio Oiticica renunciou ao quadro, incorporou a dança e criou os ‘Parangolés’.” 6. Em que Hélio Oiticica se inspirou para criar o Parangolé? Essa grande invenção de Oiticica não surgiu do nada. No campo da arte erudita existia uma separação rígida: artistas plásticos de um lado, músicos de outro, dançarinos em outro ainda. Mas nas artes populares não se trabalha desse modo. O próprio Oiticica revela que sua inspiração para criar o Parangolé veio da sua experiência com o samba, quando ele começou a frequentar os ensaios da Escola de Samba da Mangueira, no Rio de Janeiro. No trecho a seguir, ele fala sobre o impacto das manifestações populares na ideia de “arte total” (aqui, ele usa “proposição” com o sentido de criação): “Houve algo que, a meu ver, determinou de certo modo essa intensificação para a proposição de uma arte coletiva total: a descoberta de manifestações populares organizadas (escolas de samba, ranchos, frevos, festas de toda ordem, futebol, feiras), e as espontâneas ou os ‘acasos’ (‘arte das ruas’ ou antiarte surgida ao acaso). Ferreira Gullar assinalara já, certa vez, o sentido de arte total que possuiriam as escolas de samba onde a dança, o ritmo e a música vêm unidos indissoluvelmente à exuberância visual da cor, das vestimentas etc.” 7. Quem conhecia a arte popular na década de 1960? Quando Oiticica usa a expressão “descoberta de manifestações populares”, ele se refere a um processo muito interessante: o de ver, como se fosse pela primeira vez, alguma coisa que sempre esteve diante dos olhos mas nunca tinha sido notada. Porque é exatamente isso que se passava com as manifestações populares na década de 1960: embora estivessem sempre presentes, eram consideradas como algo menor, sem importância ou valor. Aqui, de novo, a obra Parangolé teve papel inovador no panorama da arte brasileira: contribuiu para mostrar o valor da arte popular. Ao incorporar elementos do samba – a participação coletiva, a música, a dança, as cores – na criação de uma obra de arte, Oiticica comemora a alegria, a energia e a descontração do povo brasileiro. 8. Qual a importância de valorizar a arte popular? Ao valorizar a arte popular, Hélio Oiticica encontrou muita resistência. O crítico de arte Roberto Pontual descreve o que aconteceu durante uma apresentação do Parangolé no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1967: “Sem qualquer falsa cerimônia, ele carregou para o Museu as capas, os estandartes e as tendas de seus Parangolés. Mais ainda, quis que os seus convidados da Escola de Samba da Mangueira se apresentassem no interior do prédio, onde a mostra se estava inaugurando. Proibido, arranjou um jeito de ir até o fim do que programara. É Gerchman quem conta: ‘Ele entrou pelo museu adentro com o pessoal da Mangueira, e fomos atrás. Quiseram expulsá-lo, ele respondeu com palavrões, gritando para todo mundo ouvir: – É isso mesmo, crioulo não entra no MAM, isto é racismo. E foi ficando exaltado. Expulso, ele foi se apresentar nos jardins, trazendo consigo a multidão que se acotovelava entre os quadros’. ”Assim, Hélio Oiticica iniciou um movimento que Roberto Pontual chamou “Arte na rua, arte total”. 2a. Etapa: Leitura sobre os Metaesquemas METAESQUEMAS, 1956-1958 A série Metaesquemas revela o espírito das investigações abstrato-concretas realizadas por Hélio Oiticica durante sua participação em 1955 e 1956 no Grupo Frente, fundado no Rio de Janeiro por Ivan Serpa com Aluísio Carvão e Lygia Pape, entre outros. Oiticica havia iniciado seus
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    estudos de arteno Curso Livre de Pintura de Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1954. Em 1956, quando acabara de completar 20 anos, começou a produzir seus Metaesquemas. Composta por mais de 400 trabalhos, a série consiste em exercícios metódicos, em pequeno formato, em sua maioria em guache sobre cartão, privilegiando experimentações com cores (preto, vermelho, amarelo, azul e verde), formas abstratas geométricas e espaço. Os Metaesquemas de 1956 a 1957 apresentam formas como trapézios, losangos, retângulos, quadrados. As figuras parecem passear pelo papel, em alguns casos de forma ordenada pelo movimento de rotação ou explosão. Em outros casos, as formas tomam direções independentes das demais na composição, apontando para lados distintos, reforçando uma sensação de ruptura do plano da imagem. Nos últimos trabalhos da série, feitos em 1957 e 1958, o artista explora, sobretudo, o retângulo e o trapézio, tanto em configurações chapadas de cor quanto em formas compostas por grossas linhas coloridas. O formato original desses elementos geométricos é esgarçado, dando maleabilidade às figuras, o que agrega mais movimento às composições. No entanto, o aspecto extraordinário e de fato dançante dessas formas se dá quando elas roçam umas nas outras, tocando-se levemente, e quando são dispostas de forma assimétrica, criando vibrações e ritmos, encontros e desencontros. Em texto de 1972, Oiticica escreveria que os Metaesquemas teriam sido uma “obsessiva dissecação do espaço” e um “espaço sem tempo: frestas no plano mudo”.