Adaptação do texto de Maria João Lopo de Carvalho
ESCOLA BÁSICA DE RIO TINTO Nº 2 - EDUCAÇÃO ESPECIAL – MAIO 2013
A Minha Mãe é a
Melhor Mãe do Mundo
O Gil devia ter cinco, quase seis anos.
Vivia numa casa alta e magra com o pátio pequeno onde cabia apenas a casota do cão, o Puma.
Gil andava cada vez mais cansado da mãe que tinha.
Estava um bocado farto de se deitar cedo, de comer carne e peixe, de não poder
dormir na casa do Puma sempre que lhe apetecesse, de ter que engolir o xarope
para a tosse, de ser obrigado a lavar a cabeça com um champô que picava nos
olhos, de não poder subir ao telhado e, pior, ter de arrumar o quarto… em resumo
tinha de haver mães melhorzinhas…
Foi então que o Gil decidiu ir à Loja das Mães à procura de uma que lhe tornasse a vida mais fácil.
Bateu à porta, não apareceu ninguém. Bateu outra vez (com mais força) e a porta abriu-se sozinha,
de repente com grande estrondo.
Lá dentro, numa sala redonda, dentro de molduras de todas as cores do arco-íris, estavam muitos
desenhos diferentes. Cada desenho era uma mãe.
O Gil fez um esforço, ajeitou os óculos e ficou ali muito tempo a tentar ler as legendas das mães, o
que foi fácil, pois, ao mesmo tempo que ia lendo, havia uma voz doce e redondinha que lia com ele.
Mãe que que nunca obriga a
tomar remédios mesmo
quando estamos doentes.
Mãe que não sabe ver as
horas e nunca nos manda
deitar.
Mãe que deixa comer todas
as guloseimas e gomas do
Mundo.
Mãe que nunca obriga a
comer peixe cozido.
Mãe que nunca apaga a
televisão no meio do nosso
programa preferido
Mãe que deixa fazer tudo.
Mãe que só sabe rir e
jogar futebol.
Mãe que nunca leva às
vacinas, nem ao médico,
nem ao dentista.
Mãe que não obriga a
tomar banho nem a
vestir roupa lavada.
Gil não sabia qual escolher! Começou por escolher a mãe que deixava comer todas as guloseimas do
mundo e comeu tantas gomas, tantos chocolates, tantos chupas e tantos gelados que ficou tão
doente, tão doente que jurou nunca mais comer guloseimas na vida.
Depois, resolveu escolher a mãe que nunca obrigava a tomar remédios. Como estava enjoado
devido às guloseimas e a mãe não o obrigava a tomar remédios ficou ainda mais enjoado e teve
que ser ele a pedir à mãe que lhe desse o xarope. Mas, a mãe não tinha ali o xarope nem se
importou nada que ele estivesse doente.
A seguir o Gil resolveu escolher a mãe que nunca apagava a televisão, e, assim não foi à escola.
Viu os desenhos animados que lhe apeteceu, vídeos e DVD e nem teve tempo para dormir.
-Esta não me serve, porque só vejo televisão... Mas há outras para escolher.
- Já sei, agora vou escolher a mãe que nunca nos leva ao médico.
E o Gil lá voltou à escola e parou de ver televisão durante todo o dia e toda a noite.
O pior foi a dor de dentes. Como tinha comido tantas guloseimas doía-lhe muito um dente
de baixo. Mas como a mãe não o levava ao dentista, o Gil não fazia mais nada senão andar
com uma mão agarrada ao dente. A mãe não parecia preocupar-se nada com o assunto;
por isso resolveu voltar a trocar de mãe.
Foi experimentar a mãe que deixava fazer tudo o que lhe apetecesse, ou seja ter a
vida igual à do Puma. Mas era uma vida de cão…
O Gil ficou farto de andar já há muitos dias a experimentar mães diferentes. Mas nenhuma lhe
agradava. Eram boazinhas demais, magras demais, gordas demais, não se importavam demais e
deixavam tudo demais.
O Gil pensou, pensou e resolveu voltar para a sua casa e para a sua mãe. Estava até arrependido de
ter ido à procura de outra mãe, porque na verdade até tinha saudades da sua.
Mal abriu a porta, o Puma veio a correr para ele, saltou e lambeu-o todo, pôs-se a abanar o rabo com
quanta força tinha, mas… mais nada.
- Onde está a mãe, Puma?
O Puma não respondeu. Não foi preciso muito tempo até o Gil ir ao frigorífico e descobrir um recado
escrito pela mãe.
- Onde estás, Gil? Como não apareceste, fui à Loja das Mães ver se encontro outro filho.
Onde estás,
Gil? Como não
apareceste, fui
à Loja das
Mães ver se
encontro outro
filho.
O Gil não queria acreditar. Voltou a correr desesperado até à Loja das Mães. Não encontrou nada.
Voltou a casa e esta continuava vazia. Só o Puma.
O Gil foi deitar-se. Doía-lhe a barriga e o coração. Afinal, a mãe tinha escolhido outro filho.
No dia seguinte, o Gil acordou com o Puma a lamber-lhe a cara.
Vamos, Gil, toca a levantar, vais chegar tarde à escola!
Mas… era a voz
da mãe…
Desculpa, mãe.
És a Melhor Mãe do
Mundo!
Não te preocupes, Gil.
Não encontrei um filho
como tu.
A MINHA MÃE É A MELHOR MÃE DO MUNDO
A MINHA MÃE É A MELHOR MÃE DO MUNDO

A MINHA MÃE É A MELHOR MÃE DO MUNDO

  • 1.
    Adaptação do textode Maria João Lopo de Carvalho ESCOLA BÁSICA DE RIO TINTO Nº 2 - EDUCAÇÃO ESPECIAL – MAIO 2013 A Minha Mãe é a Melhor Mãe do Mundo
  • 2.
    O Gil deviater cinco, quase seis anos. Vivia numa casa alta e magra com o pátio pequeno onde cabia apenas a casota do cão, o Puma.
  • 3.
    Gil andava cadavez mais cansado da mãe que tinha. Estava um bocado farto de se deitar cedo, de comer carne e peixe, de não poder dormir na casa do Puma sempre que lhe apetecesse, de ter que engolir o xarope para a tosse, de ser obrigado a lavar a cabeça com um champô que picava nos olhos, de não poder subir ao telhado e, pior, ter de arrumar o quarto… em resumo tinha de haver mães melhorzinhas…
  • 4.
    Foi então queo Gil decidiu ir à Loja das Mães à procura de uma que lhe tornasse a vida mais fácil. Bateu à porta, não apareceu ninguém. Bateu outra vez (com mais força) e a porta abriu-se sozinha, de repente com grande estrondo.
  • 5.
    Lá dentro, numasala redonda, dentro de molduras de todas as cores do arco-íris, estavam muitos desenhos diferentes. Cada desenho era uma mãe. O Gil fez um esforço, ajeitou os óculos e ficou ali muito tempo a tentar ler as legendas das mães, o que foi fácil, pois, ao mesmo tempo que ia lendo, havia uma voz doce e redondinha que lia com ele.
  • 6.
    Mãe que quenunca obriga a tomar remédios mesmo quando estamos doentes. Mãe que não sabe ver as horas e nunca nos manda deitar. Mãe que deixa comer todas as guloseimas e gomas do Mundo.
  • 7.
    Mãe que nuncaobriga a comer peixe cozido. Mãe que nunca apaga a televisão no meio do nosso programa preferido Mãe que deixa fazer tudo.
  • 8.
    Mãe que sósabe rir e jogar futebol. Mãe que nunca leva às vacinas, nem ao médico, nem ao dentista. Mãe que não obriga a tomar banho nem a vestir roupa lavada.
  • 9.
    Gil não sabiaqual escolher! Começou por escolher a mãe que deixava comer todas as guloseimas do mundo e comeu tantas gomas, tantos chocolates, tantos chupas e tantos gelados que ficou tão doente, tão doente que jurou nunca mais comer guloseimas na vida.
  • 10.
    Depois, resolveu escolhera mãe que nunca obrigava a tomar remédios. Como estava enjoado devido às guloseimas e a mãe não o obrigava a tomar remédios ficou ainda mais enjoado e teve que ser ele a pedir à mãe que lhe desse o xarope. Mas, a mãe não tinha ali o xarope nem se importou nada que ele estivesse doente.
  • 11.
    A seguir oGil resolveu escolher a mãe que nunca apagava a televisão, e, assim não foi à escola. Viu os desenhos animados que lhe apeteceu, vídeos e DVD e nem teve tempo para dormir. -Esta não me serve, porque só vejo televisão... Mas há outras para escolher.
  • 12.
    - Já sei,agora vou escolher a mãe que nunca nos leva ao médico. E o Gil lá voltou à escola e parou de ver televisão durante todo o dia e toda a noite. O pior foi a dor de dentes. Como tinha comido tantas guloseimas doía-lhe muito um dente de baixo. Mas como a mãe não o levava ao dentista, o Gil não fazia mais nada senão andar com uma mão agarrada ao dente. A mãe não parecia preocupar-se nada com o assunto; por isso resolveu voltar a trocar de mãe.
  • 13.
    Foi experimentar amãe que deixava fazer tudo o que lhe apetecesse, ou seja ter a vida igual à do Puma. Mas era uma vida de cão…
  • 14.
    O Gil ficoufarto de andar já há muitos dias a experimentar mães diferentes. Mas nenhuma lhe agradava. Eram boazinhas demais, magras demais, gordas demais, não se importavam demais e deixavam tudo demais. O Gil pensou, pensou e resolveu voltar para a sua casa e para a sua mãe. Estava até arrependido de ter ido à procura de outra mãe, porque na verdade até tinha saudades da sua.
  • 15.
    Mal abriu aporta, o Puma veio a correr para ele, saltou e lambeu-o todo, pôs-se a abanar o rabo com quanta força tinha, mas… mais nada. - Onde está a mãe, Puma? O Puma não respondeu. Não foi preciso muito tempo até o Gil ir ao frigorífico e descobrir um recado escrito pela mãe. - Onde estás, Gil? Como não apareceste, fui à Loja das Mães ver se encontro outro filho. Onde estás, Gil? Como não apareceste, fui à Loja das Mães ver se encontro outro filho.
  • 16.
    O Gil nãoqueria acreditar. Voltou a correr desesperado até à Loja das Mães. Não encontrou nada. Voltou a casa e esta continuava vazia. Só o Puma. O Gil foi deitar-se. Doía-lhe a barriga e o coração. Afinal, a mãe tinha escolhido outro filho.
  • 17.
    No dia seguinte,o Gil acordou com o Puma a lamber-lhe a cara. Vamos, Gil, toca a levantar, vais chegar tarde à escola! Mas… era a voz da mãe…
  • 18.
    Desculpa, mãe. És aMelhor Mãe do Mundo! Não te preocupes, Gil. Não encontrei um filho como tu.