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O Marxismo ocidental - Introdução

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Pequena introdução feito por José Guilherme Merquior (falecido em 1991) sobre o Marxismo Ocidental.

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O Marxismo ocidental - Introdução

  1. 1. UM CONCEITO E SEU . BáCiíG §i OUÀ'D 1. O QUE É ÍViARXISàiO OCÍDENTAL? Geralmente se entende por 'marxismo ocidental' um corpo de idéias, principalmente filosóficas, que abarca a obra de autores tão diversos quanto Georg Lukács o Althusser, Walter Benjamin e Jean-Paul Sartre. Abram» ge também intervenções teóricas e análises históiricas *anão distantes umas das outras no tempo, no escopo e ; ao eszaíaiio quanto as de Antonio Gramsci (morto em iââ? ) Wigan Habermas, o qual, nascido en¡ 1929. co- meçou a publicar há apenas trinta anos. É, ao mesmo ameno. , em produto típico da criativa cultura do primeiro iodo-mena e uma teorização em curso, reconlieeíxfel como ea! (embora profundamente transformada) na produção da segunda gestação da chamada escola de Frankfurt. «examinada en: torno de Habermas, on, ainda, naquilo que acabou conhecido como marxismo estruturalista francês. Tai diversidade dificulta a inierp *estação crítica. ?vias pelo amenas se sabe, grosso suado. quem são os mar- matas ocidentais: Lukács, Gramsci, os frankfuriianos, Althusser, alguns teóricos das 'nova esquerda* o @Nim por adiante. lá” quando chega as hora de definir TW, até. de descrever o marxismo ocidental em bloco; como denominador ; comum -Gnifü diseases tena- no 'marxismo do século XX¡ eo rótulos se novela
  2. 2. *bem traiçoeiro. Por exemplü. tljâclicíonalmente, denota o pensamento marxista -não-soviettco, ou diferente do pensamento soviético. Entretanto, tomado em sentido por demais literal, esse significado geográfico engana. Di- versas tendências marxistas nO Ocidente, conquanto apertadas do cânon soviético, estão longe de enquadrar. se no 'marxismo ocidental', no seu sentido filosófico. Considerem-se uns poucos exemplos a esmo: um trots- kista como o influente economista belga Ernest Mandel; um teórico da revolução como o Régis Debray dos pri- meiros tempos; ou um dissidente da República Demo- crática Alemã, como Rudolf Bahro -- possivelmente o mais importante caso de heresia comunista desde A nova classe (1957), de Ivlilovan Djilas. Todos esses, nas suas obras mais notáveis: Revolução na revolução (1969), de Debray; Capitalismo tardio (1972), de Mandel; e A alternativa na Europa Oriental (1977), de Bahro -- en- traram em choque com o credo soviético. Todavia, nun- ca se atribuiu ao pensamento de qualquer um deles o , rótulo , de 'marxismo ocidental'. Logo, é claro que não . basta ser marxista' no Ocidente para transformar uma pessoa em 'marxista ocidental'. Sob esse aspecto, a eti- cgueta é uma ímpropriedade. Todavia, se considerada em perspectiva histórica, a e expressão se torna muito mais significativa. Pois o 'mar- xismo tmídental' vnasceu, no começo da década de 1920, lírlnstaBloeh, Karl Korsch e Gramsci -- estavam em rt) , desacordo com o materialismo histórico deter; l! Startsdazafílüsofia bolchevique, tal como defnntdâ. poe 7°” _Bl1kharin. Tanto, Lenitn quanto Bukharm»
  3. 3. antes deles Engels e Plekhanov, acreditavam em leis caco- nômieas objetivas como força emotriz da história. Tam- bém entendiam que a consciência era essencialmente um reflexo da realidade natural e social. Na década de 1920, essas posições-chave foram sustentadas, no campo le- ninista, em tratados marxistas muito lidos, como a Teo- ria do materialismo histórico (1921), de Bukharin; e, no campo antibolchevique, em A interpretação mate- rialistaeda história (1927), de Kautsky. Mas foram ener- gicamente combatidas por pensadores como Lukács e Gramsci, que díscordavam do aberto naturalismo das formas mais determínistas de marxismo. Apesar de tudo isso, nada seria mais errôneo que pensar nos primeiros marxistas ocidentais como anti- leninistas. Desde a ll Guerra Mundial, a auto-imagem do marxismo ocidental tende a pintar o movimento como uma espécie liberal ou libertáría de marxismo, infini- tamente mais próxima da visão humanista do jovem Marx do que da sombria posição política do 'realismo socialista”, i. e., dos. regimes comunistas implantados sob a bandeira do 'marxismo-leninismo'. Na verdade, a pró- pria_ expressão 'marxismo ocidental' parece ter sido cunhada, ,por Maurice Merleau-Ponty, num espírito an- tileninista. Por volta de 1930, Korsch já descrevia a si mesmo, a Lukács e a outros opositores do Comintern retornos 'comunistas ocidentais'. Mesmo antes disso, segui- fesedo Comintern tinham estigmatízado Korsch & Co. ?amar teóricos 'da Europa Ocidental'. Mas a voga da lisase, 'marxismo ocidental' não é anterior às controvér- Âãíãs~intestineasr do marxismo francês em meados da década l Apesar disso, a verdade histórica é que OS . gran- @êfeíllliifàxiadores do pensamento marxista ocidental, so- 13
  4. 4. , Gramsci demonstraram a vi bretudo Lukacs e d mvà ao movimento C0 uma lealdadía (tio aàiais democratas alemã d' ao contrario osdã triunfo bolchevique, n à” S: gããuàíagâubro. A despeito de todos evo u da inteira munista e es -- sem- a esteira da os seus des- - elação à filosofia de Lenin, tanto L ' V108 em ão¡ ermaneceram até o fim impecáv to Gralttffíca pOs fundadores que, 00H10 31°C em P0 ' . ~ - eis leninistas
  5. 5. reeonomia, é a combinação e C0m-. , um a quase inexistência esíêX-iplic. ação , dos fenômenos cu dental se preocupou em primeiro lugar com cum”- ideolfogia. Em vez de analisar processos de acumulaaãe de icapital, a mecânica da crise ou a reprodução dasçr: lações sociais, os marxistas ocidentais, na maior parte escreveram abundantemente sobre os problemas da alíe: nação e reifícação no seio da sociedade capitalista. Na- turalmente, nem tudo sob a mirada do marxismo oci- dental foi cultura, em oposição a política e economia, Gramsci, por exemplo, era dado a esmiuçar variedades históricas da luta de classes e alianças de classe. E os althusserianos deram grande atenção a modos de pro- dução e formações sociais. De modo geral, porém, não é inexato descrever o marxismo ocidental como um mar- xismo da superestrutnra, porque, mesmo quando suas análises estão voltadas para a dominação de classe, elas tendem, muita vez, a ser conduzidas (como em Gramsci) sem especificar fatores localizados na infra- estrutura icone-econômica --- o mundo daquilo a que o marxismo clássico chamou forças e relações (sociais) de produção. De regra. nas análises que leva a cabo, o marxismo ocidental exibe pouco senso de condiciona- e natureza econômica ou , mentos sociais, especialmente d _ socioeconômicas. Na verdade, o que distingue o marxis- ltura antes que na mai) ocidental, além da ênfase na cu de uma temática cultural de peso infra-estrutural H3 lturais e ideológicos. Kautsky, Lemn e Bu' Marx e Engels, Bernstein os dois fundadores do . ..- em outras palavras, ÍlmaPX-ÍSIDOZ; i o príncip al revisionista, a -II lntemacíôüa . “o d . - ao temp _ e o , melhor teórico do regime
  6. 6. bolchevista --, todos sustentaram, no interior doümar- xísmo, o ideal de uma ciência soberana. Mas nao os (marxistas (acidentais. Estes preferern ver no marxis- mo não uma ciência mas uma crítica. Decerto o pro- prio Marx, como Korsch se deu pressa em mostrar, intitulara ou subintitulara assim todas as suas obras prm- cipais, desde a juvenil Crítica da filosofia do direito de Hegel (184%) até a Contribuição à crítica da economia politica (1859) e last, but not least, o próprio O capital (1867). E todavia tudo o que iriam quis fazer foi uma sociologízrzção do que fora até etttão teiratado por disci. plisias menos voltadas para o social, como a filosofia política idealista ou a economia política clássica. Essa sociologização marxista constituía, por sua vez, uma ten- tativa de aprofundar aquela perspectiva histórica gene- ~ o social na explicação d , mudança econômica. ”
  7. 7. «especulativa , do ser, o e *materia Mas Marx e Engels partilhavam da mesma conce ão naturalista do conhecimento e v' , pç . l, . a 13m, ate certo ponto, o marxismo cassico como uma Suplama ão . , do ¡deaüsmo __ a filosofia Sobretudo lç ~ iãreversivel d r-m - , 331118, o começo e a pl elra metade do seculo XIX que insistira na primazia do esp1r1to. Não contentes em acentuar o papel aum da Consciência no conhecimento os idealistas ti , - nham °he83d0 a igualar a realidade com a mente bus 031m0 explicar todos os fenômenos em termos das ope- raçoes atrrbuidoras de sentido da consciência humana. Na pratica. Portanto, o idealismo era o ponto de vista humano -- e, como tal, dificilmente compatível com a disciplina antiantropomórfica exigida pelo pensamento científico. fundamental e nece naturalista de Marx. O marxismo ocidental optou osten- sivamcnte por uma epistemologia "humanística": o verdadeiro wnhecimento passou a ser identificado, mais to de vista humano. Os mar» : Listas ocidentais não se deram quase nunca à busca. de causas --- mas quase sempre interpretam: : o “senador”, o . significado do 'fator humanoí Dai o seu constrangi» mento ante a rigidez materialista do marxismo clássico. Relutantes em repadisr o materialismo depois do longe 'tdealisttu os marxistas ocidentais , se viram claramente embaraçados diante (de suas implica-r sua svísãe a A ções sepistemo-tlógietas, oque* se crentrapunham à _p humanista do conhecímentoi Por outra lado, como teoria o 6:íPiekl-1aaev. aaãao~ era melhor; lisina, dialético' e de Elngels ¡ e em a, metafísica: da
  8. 8. da tradição idealista. ¡Watter ar mind, no matter; mmd or tnatter, never mind. . . Oavelho 1030 de palaVras C313* ta o sem-sentido desse vetusto dilema). NO ? manu 'form teoria do conhecimento, o materialismo tinha muito a oferecer_ Em . última análise, representava uma estrato. gia naturalista de análise exPllÊaüvar f*a”°a', ”°r¡*. *° CÉU' sa¡ em sua direção e determtmsta em sua . mc maçao. Assim, na prática da análise não e nada ÍÍCIÍ harmonr: azar o materialismo com os preconceitos humanISíaS e o ânimo anticiência. .do marxísmü Ocidental- Em larga medida, o marxismo ocidental ímPOÍÍm/ a numa restauração do elemento idealista no marxismo, e pretendo derrotar o próximo capítulo a lembrar os rcontomos desse componente idealista, focalizando a co- nexão Hegel/ làãarx. O lugar de nascimento do marxismo ocidental é ensaio (sobre a consciência de classe) em o Lnkács tinha por objetivo, .nas palavras mesmo, alcançar "um hegelianismo mais hegeliano' saque "f Para alguns comentaristas, Neil Nlclnnes namorando, a marca Hegel no marxismo ocidental é tão vísíael qria cor-apartado a versões anteriores da doutrina raarxieta, cotrtrasta com elas ; veio pouco desejo de @montar com outras escolas filosóficas, ãífttã( jãífôjitíiia fonte hegeliatta. ta; Plgghana; ; aetaaatnanto CVOÍUCIOHIS~ _ a e . a esta: : 1:01
  9. 9. No entanto, essa marcada fidelidade à matriz hege si. n ' ' ' ' - . ' la a HaÔfmDedrU o marxismo ocidental de pedir em- prestado importantes conceitos a diversos quadrantes do pensamento contemporâneo. Se a influência de Croce sobre Gramsci pode ser tida como mais um caso de hegelianísmo (uma vez que Croce foi, manifestamente, o mais. notavel hegeliano deste século), muito do que era asstmtlado pelo marxismo ocidental provinha não só de filósofos independentes, como Simmel e mesmo Nietz- sche, mas também da corrente principal do movimento neo-idealista encabeçado por Dilthey, que reconstruiu o conceito de conhecimento histórico em estreita afinidade room uma disciplina gerada pelo romantismo: a herme- náutica, ou arte da interpretação. Outros elementos in- imrprorados no marxismo ocidental eram, originariamen- te, estranhos à filosofia acadêmica: a sociologia de We- er, a psicanálise, a estética modernista, e isso para no- mear apenas uns poucos. Assim, e desde o começo, o marxismo ocídcnml distanciou-se daquele horror a priori da ideologia 'burguesa', tão estritamente observado pela sruigartta de lmateríalismo dialético entronizada e vene- rada em iriomu. Uínia descrição, por orais singela, do materialismo oci- dental terá. de sublinhar pelo metros três caracteristicas: temente cultural: b) sua visão atleticana temática proemincn , humanista do tconhecimento; c) seu amplo ít-eritrnt) Hi3 que concerne a equipamento conceituaí. kiífíámnggñteg-gntão, eo mar'xisnFro« rocridental não é _apenas-V , face do marxisttm ssovrético: sé, mais exa- theresia: ,à sabor especial. , ! saci q , torne-g ndo : se: compara o 1113131151110 *acl* t. 5': : , o antofiõxgâ* em Yeíaçãü 3° -, i 1
  10. 10. marxismo clássico, ou ainda com 216111313 175m3 dO legado marxista que foi, de maneira escleroeada. tfansffmnada em sabedoria oficial por decreto sovletreo. 17:01' exemplo, o período denominado 'crise do *marxismo (1397f99), adominado pelo surto revisionista; O11 0 aüstfümafxlsmo, nascido na primeira década do século XX. í v Cada um; dos protagonistas do debate sobre a cnse do marxismo' -- Antonio Labriola, o jovem Benedetto Croce, Eduard Bernstein, Georges' Sorel, e o tcheco 'Thomás Masaryk, que cunhou a expressão -- era um feroz antidetenninísta. Vendo em Marx um crente cego no determinismo histórico, Masarykaa -- Os fundamentos filosóficos e sociológicos do marxismo (1899) -- não se dizia marxista. Por outro lado, Labriola -- A concep- Çífzo materialista da história (1896) ”-- adotou uma visão nao-detemjínista (Alo mearxísmo. Em conseqüência, rejei-
  11. 11. a ldeientcournotí contra o determin leis históricas (econômicas “ . I'd d ma - )'. nao em uma Imagem da : eai a e s apenas um mito social útil -_ um ativo para as massas sacrificadas uma r ' credo I , › ationale para a EVO uçao. i Porém a diferem a m (bem diversos entreçsi) earcant? entre esses pensadmes _ o , , a mam' Parte dos mestres do marxismo ocidental, de Lukács a Adorno e Sart é nhum del ' - - m' que H3 n95 33111315 ÍOI, ou se tornou 'humanista' sentido de rejeitar o ideal ' 'f' , - , no _ e _ e _ H cienti lCO ou denunciar os princípios cientificos. Masaryk tinha uma mentalidade profundamente religiosa, e atribuiu, desde o principio, a crise da civilização à decadência da fé cristã. Não obs- tante, í°uv°u a Ciência. e até chegou a afirmar, à ma- neira de Comte, que a tarefa da filosofia era construir uma nova visão do mundo fundada nas descobertas da ciência. Labriola, um ex-hegeliano, via em Marx um sau- dável rompimento com o idealismo. Em conseqüência, não discordava do materialismo per se, mas apenas de sua. irariedade mecanicista. O engenheiro Sorel não re- jeitou o determinismo histórico de Marx por considerá- io científico, mas por achar que não o era suficiente- mente: o maurxismo clássico não proporcionava um re- lato convincente, causal, de seus próprios pressupostos agir-profecias. Os argumentos de Croce contra o materia- lismo histórico qua determinismo histórico tinham idên- tica motivação. Para Sorel, pareciam ainda mais con- tvincentes por se coadunarem facilmente com as críticas ismo universal, as quais ógícas e de caráter cien- em não pequena escala, do próprio Sorel. “arame-ademais, perfeitamente l e e haviam- , contribuído, repara: tomar as »idéias epistemológicas 21
  12. 12. *A segunda heresia maior a considerar é a do austro- 'marxismo. No seu primeiro surto criativo (1904-10), os marxistas austríacos fizeram muito para refinar o mar- xismo clássico ou para passar ao largo dos dogmas crassos do 'marxismo vulgar'. Assim, enquanto Max Adler, valendo-se do positivismo machiano, salientava que as causas sociais operam normalmente através da mediação da consciência, Karl Renner argumentava que o direito burguês estava longe de ser um simples reflexo do poder econômico. Mais tarde, no primeiro pós-guerra, o austin-marxismo ficou ainda mais audacioso. Rudolf Hilferding discorreu sobre 'capitalismo organizado' como uma nova fase na história sócio-econômica. Enquanto Adler estudava a metamorfose da classe operária, Ren- net identificar/ a novos estamentos de serviço; e Otto Bauer não hesitou em
  13. 13. e como 'anticapitalismo romântic i eAmâhiicaiizerararcombinação dertataques- à Soc “C30 teóriw CUÍO berço foi o revolucionarismo requen- tado norastro da Revolução de Outubro (1917) ~-- mas seu habztat' tem sido, sobretudo, e desde aqueles dias, a mtellzgentsza humanista. O marxismo ocidenta¡ deriva de uma obstinada rejeição do ethos industrial e, mais geralmente, dos valores da cultura social moderna, e com essa rejeição prospera. Tal repúdio, desde o movi- mento 'decadente' e os primeiros vagidos da arte mo- derna, cem anos atrás, jamais esmoreceu entre os inte- lectuais humanístas do Ocidente. E claro que a retórica do marxismo ocidental não con- dana a modernidade como tal, só a modernidade capita- lista. ixfias é fácil mostrar que muito do que entrou na sua definição (freqüentemente implícita) de capitalismo pertence à condição social do homem moderno, no in» radustrialismo avançado. O marxismo ocidental lançou uma inesperada reprise, pela esquerda, de certos Leitmo- iíiâenel ida crítica conservadora da sociedade industrial. Renegando as posições de História e consciência de Classe (1923), a bíblia do movimento, Lukács o descre~ o'. Ora, o que havia lembra a crítica do rvadorismo ro- iedade burgue- '23 trás* 'romântico no jovem Lukács (e a Pííimeiro reapitalismo; inedusatrial pelo conse
  14. 14. sa com a a recusa da civilização industrial, moderna tecnologia e numa crescente divisã lho. Pois, bem; grande parte do marxismo ocidental me_ rece a censura que Lukács dirigiu à sua própria visão do mundo, à época em que tanto ajudou a funda-lo. e Veremos no devido tempo que essa ênfase romântica no pathos humanista, além de não fazer justiça a muito do pensamento de Gramsci, tampouco se ajusta à Obra de Althusser. Mas veremos também que o althusseria- lirismo constitui, sob esse aspecto, uma espécie de exce. ção que confirma a regra. Por enquanto, devemos passar da caracterização ge- ral do marxismo ocidental à evocação das suas bases fi- losóficas principais: Hegel e Marx. Ao fazê-lo, procura. rei, naturalmente, focalizar o que, em Marx ou em Hegel, mais atraiu os marxistas ocidentais. Mas nenhuma tenta. baseada na o dO traba- A_ _ ' "a ; porque aqui as diferenças sao pelo menos tao eioquentes quanto os pontos de con- 2. O LEGADO: HEGEL Do Absoluto devemos dizer ue é ess in ' ganhado. *l . e, oralmente, um Hegel

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