Os primos pobres do futebol alagoano

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O Esporte Total caiu em campo para contar um pouco da realidade de São Domingos e Sete de Setembro, os primos pobres do futebol alagoano.

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Os primos pobres do futebol alagoano

  1. 1. OS PRIMOS POBRES DO FUTEBOL ALAGOANO CONTAGEM REGRESSIVA ois clubes alagoanos são donos de 65 títulos dos 85 disputados até hoje. CRB e CSA Dsão as duas maiores forças de Alagoas, com torcidas gigantescas, história e tradição conhecidas dentro e fora do Estado por quem acompanha o dia a dia do esporte. Por outro lado, no mar dessa imensa popularidade, existem outras equipes que não conquistaram nem fama, nem títulos e ganharam um espaço reservado ao folclore do futebol: São Domingos e Sete de Setembro - dois velhos clubes da capital que se encaixam muito bem nessa definição. Mesmo assim, ambos resistem à falta de recursos, ausência de torcedores e a estrutura precária, tudo na esperança de um dia conseguirem um pouco da luz dos holofotes que são direcionadas quase sempre aos primos ricos e famosos da capital. O InFoca caiu em campo para contar um poucodarealidadedos primospobresdofutebolalagoano. Depois de anos de espera, São Domingos e Sete de Setembro vivem sonho de poder voltar a primeira divisão do campeonato estadual Repórteres | Fillipe Lima e João Victor Souza
  2. 2. Mesmo sendo fundado pelo carioca Valdemar Santana, o São Domingos é um clube que carrega consigo as cores da bandeira alagoana. O time surgiu no ano de 1964 com a proposta social de pôr em atividade os internos do Lar São Domingos, um orfanato situado no bairro de Mangabeiras,emMaceió. À medida que os jovens jogadores foram se destacando nos campeonatos juvenis, a equipe começou a alçar voos m a i o r e s , a t é e n t ã o , s e profissionalizar, disputando o seu primeiro campeonato alagoano, em 1970. No ano seguinte, o então presidente, Miguel Spinelli decidiu investir e montar uma grande equipe, trazendo jogadores veteranos como: Reinaldo Straciuna, Giraldo, Canhoteiro, China, Major, Gabriel, Zé Leite e mais alguns. Para o jornalista e historiador, Lauthenay Perdigão, essa equipe do São Domingos fez história, ao c h e g a r à f a s e fi n a l d o campeonato alagoano de 1971. “A equipe do São Domingos fazia frente aos dois principais times da capital. CSA e CRB, várias vezes, foram derrotados pelo Tricolor, que chegou a compor o trio de ferro do futebol maceioense naquele ano.” – diz Lauthenay. SÃO DOMINGOS SEMPRE A ESPERA DE UM MILAGRE Acervo / Museu dos Esportes Gabriel e China eram destaques do forte time do São Domingos em 1971 2
  3. 3. Max Ney Braga Costa, o Ney, foi e x - g o l e i r o d a e q u i p e d o m i n g u e n s e , s e profissionalizou na equipe e fez parte do time no ano de 1972. Para ele, foi uma importância enorme ter jogado na equipe, que acabara de surpreender o futebol alagoano com a boa campanha realizadanoanoanterior. “Comecei minha carreira no São Domingos, justamente no ano seguinte ao primeiro ano de sucesso da equipe. Isso serviu de experiência para o restante da minha carreira. Vivi bons momentos no clube” – conta Ney. No mesmo ano, o São Domingos e o CSA foram os representantes de Alagoas na segunda divisão do Campeonato Brasileiro, um feito inédito para o Tricolor. Ney lamenta o atual momento da equipe e atribui a queda de rendimento da equipe à falta de investimentos por parte dos poderespúblicoeprivado. “O time não tem investimentos. Os patrocinadores não querem aliar sua marca à equipe e hoje e m d i a , s e m u m a p o r t e financeiro, fica difícil montar uma equipe competitiva para brigar de igual para igual com os outros times alagoanos” – desabafa. Ney adjetiva o presidente Cordeiro Lima de ‘o grande guerreiro da equipe’. Ele o cita como batalhador e grande entusiasta do Tricolor da Igreja, como é conhecido o São D o m i n g o s . O a d v o g a d o Cordeiro Lima é quem hoje comanda o clube. Ele se divide entre a vida profissional e a sua paixão esportiva. A frente do time há 33 anos, o presidente diz não medir esforços para ajudar a instituição, inclusive tirando dinheiro do próprio bolso para investirnotime. “ C o m o n ã o t e m o s patrocinadores ou apoio por partedeempresas,euinvistono clube com meus próprios recursos e conto com a ajuda de alguns abnegados simpatizantes com a causa da equipe.” – conta Cordeiro. Da ascensão a queda - Depois de perder seus melhores jogadores no decorrer da década de 70, o time se tornou um mero participante do campeonato, sem muitas aspirações no futebol do Estado. O brilho voltou em 1989, quando o Domingão teve o seu melhor desempenho em todos os tempos no campeonato estadual. A e q u i p e d i s p u t o u o quadrangularfinaldoprimeiroe Arquivo pessoal Ney foi goleiro do São Domingos em 1972 SÃO DOMINGOS SEMPRE A ESPERA DE UM MILAGRE 3
  4. 4. d o s e g u n d o t u r n o d o C a m p e o n a t o A l a g o a n o , vencidos por ASA e CSA respectivamente,decidiu o Super Turno juntamente com CRB e CSA, e ficou com o vice- campeonato após perder para o Azulão do Mutange pelo placar de2a1. Após a boa campanha, o time viveu os seus altos e baixos, muito mais baixos do que altos, e sem o investimento necessário para manter a competitividade dentro de um campeonato que exige, sendo assim o declínio foi gradativo com o tempo. Desde o ano de 2000, o Tricolor desapareceu da elite do futebol local. Diante da profunda queda de desempenho no cenário estadual, o São Domingos ainda tem planos para voltar a triunfar no esporte alagoano. O time construiu o seu estádio em Marechal Deodoro e isso, segundo seu presidente, já é um importante passo para voltar a bater de frente com CSA e CRB. “Agora nós temos o nosso próprio estádio, que tem condições de bilheteria e assim fazermos bonito nos jogos da primeira divisão. Também iremos repatriar os nossos jogadores que estão emprestados aoutrosclubes.Comessa estrutura, confio numa volta por cima do São Domingos.” – afirmaCordeiro. Segundo o presidente, o São Domingos ainda leva consigo o sonho dos garotos que iniciaram a equipe nos anos 60. Jovens meninos órfãos que foram acolhidos pelo esporte e envolvidos pelas cores de Alagoas e com esse espírito retornar a incomodar os primos ricosdofutebolnoestado. SÃO DOMINGOS SEMPRE A ESPERA DE UM MILAGRE O São Domingos chegou a se destacar entre os grandes times do Estado em 1971 Acervo / Museu dos Esportes Acervo / Museu dos Esportes 4
  5. 5. SETE DE SETEMBRO, UM TIME DEPENDENTE O Sete de Setembro é outro tradicional clube da capital alagoana. Famoso por ser um excelente formador de novos talentos, em seu campo de futebol no bairro do Clima Bom, ele tenta retomar o seu lugar entre os clubes de elite do futebol de Alagoas, de onde saiu em 1999enãovoltoumais. Fundado em 1945, apenas nos anos 90 a equipe ganhou um pouco de notoriedade. Campeão da Segunda Divisão do Estadual em 1994, o clube viveu no ano seguinte os melhores resultados de sua história. O Canário da Capital conseguiu uma vitória contundente sobre o CSA pelo placar de 2 a 1, eliminando o time azulino da fase decisiva. O Sete passou ao quadrangular final do primeiro turno com CRB, CapelenseeBatalhense. No mesmo ano de 1995, o Sete de Setembro disputou a Série C do Campeonato Brasileiro. Depois disso, foi só queda livre. O rebaixamento no estadual ocorreu no ano de 1999, e apesar d e c o n s e g u i r d o i s v i c e - campeonatos seguidos da segunda divisão, o time segue fora da principal divisão de Alagoas (apenas o campeão conseguia o acesso) por mais de quinzeanos. Com o comando vitalício do ex- p r e s i d e n t e J o ã o B a t i s t a (oficialmente é a filha dele quem preside o clube), a equipe geralmente participa dos campeonatos de juniores e procura dias melhores no cenário do futebol profissional. Para o presidente informal do Sete, o time que carrega as cores do futebol brasileiro tem o sonho de b r i l h a r c o m o a e q u i p e pentacampeã que lhe serve de inspiração. E espera que seu nome, enfim, ganhe sentido ao se libertar das dificuldades e retomar as batalhas contra os gigantesdoestado. “Sabemos das dificuldades que é disputar a segundona, mas estamos preparados para o acesso à primeira divisão. Todos estão unidos em prol desse objetivo e temos nos preparado o melhorpossível.”–afirmaJoão. O time do Sete de Setembro fez uma boa campanha do Campeonato Alagoano de 1995 Acervo / Museu dos Esportes 5
  6. 6. SETE DE SETEMBRO, UM TIME DEPENDENTE N o v o s t a l e n t o s , v e l h o s problemas - Júlio César Oliveira é mais um jovem jogador que foi formado pela equipe canária. Ele ressalta a importância da equipe no futebol de base, porém, ele lamenta a dificuldade e a estrutura oferecida pelo clube para que pudesse dar vida ao sonho de ser jogador. “ F o m o s v i c e - c a m p e õ e s alagoanos no ano passado, o que d e u a o c l u b e a i n é d i t a classificação para a Copa São Paulo de Futebol Júnior (principal competição esportiva do país para essa categoria). Porém, a falta de estrutura do clube impediu muitos jovens de continuarem, pois muitas vezes, não tínhamos nem água para b e b e r m o s d u r a n t e o s treinamentos, dificultando bastante nossas atividades e era complicado ter motivação de continuar”–desabafouJúlio. Em meios a trancos e barrancos, o Canário da Capital vai construindo seu caminho para voltar a figurar entre os times de elite do futebol, tentando trazer para o profissional o sucesso recentemente alcançado nas categoriasdebase. Arquivo pessoal Júlio César, ex-goleiro da base do Sete de Setembro LUZ NO FIM DO TÚNEL O Campeonato Alagoano da Segunda Divisão 2015 começou em setembro de maneira conturbada dentro e fora dos gramados. A confusão terminou favorecendo bastante ao São Domingos e ao Sete de Setembro na missão de voltarem à elite do estadual. Comercial de Viçosa e Desportivo Aliança foram eliminados pela Federação Alagoana de Futebol por terem inscrito jogadores com irregularidades. Além dos primos pobres, somente o Penedense continuou na disputa, o que faz com que no mínimo uma vaga das vagasdeacessojáserápreenchidaporumadasequipes. 6

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