Florestan Fernandes - "Os papeis políticos dos intelectuais"

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Florestan Fernandes - "Os papeis políticos dos intelectuais"

  1. 1. apoio social necessário. Os chamados “setores radicais” da classe média podem oferecer um cenário, algumas condições de comuni- cação de massa e uma estreita base política. Não obstante, como são uma minoria desorganizada e instável, ate' agora mostram-se mais capazes de fazer face às frustrações da própria classe média, que de abrir caminho para as reformas democráticas ou a revo- lução social. Por conseguinte, a intellígentsia latino-americana usa o vácuo político e o tipo de liberdade criados pela ordem social existente para fins conservadores e para a dominação autocrática. Assim que os setores dominantes das classes alta e média perce- beram os riscos inerentes à existência, ao crescimento e às ativi- dades de tal intellígentsia, existiam «duas coisas que eles podiam fazer facilmente: I. a supressão do vácuo político (através de uma superconcentração do poder); 2. restrição da liberdade para os interesses e valores políticosrda elite no poder (mediante uma superestimulação dos mecanismos existentes de opressão de clas- se). Se a situação histórica fosse diferente, essas duas medidas não seriam exeqüíveis (o que significa que os golpes de estado mili- tares e a militarização do poder seriam impedidos através da ação social dos setores "radicais" das classes médias e dos pobres). Mas na situação dada, ambas as medidas foram impostas sucessiva- mente e a intelligentsia latino-americana perdeu, por algum tempo, seu débil sustentáculo social e suas oportunidades para uma influên- cia aberta. A análise anterior demonstra que a fraqueza básica da intelli- gentsia latino-americana é um produto estrutural e dinâmico de suas inter-relações com as elites culturais existentes. Para ser livre e revolucionária, uma intelligentsía precisa romper, parcial ou total- mente, com as classes dominantes e suas elites no poder. Mas a intelligentsia latino-americana é predominantemente composta de profissionais, ligados à ordem social através de posições de classe média (a grande maioria) e alta (uma pequena minoria). Como as sociedades não possuem garantias de liberdade institucionali- zadas e reais, esse setor não pode empreender uma luta indepen- dente pela democracia, pela reforma social e mesmo pela "revo- lução nacional". As implicações negativas de tal situação são muito complexas, uma vez que as identificações sociais e as orien- tações de valor das classes médias, dentro de uma sociedade ca- pitalista de consumo em massa subdesenvolvida, ultrapassam o nívelpolítico. O estilo de vida e as expectativas sociais predomi- nantes produzem um compromisso com o uso conspícuo do tempo e com objetivos políticos ou culturais que estão em contradição com uma atitude de negação da ordem social. Esta situação provo- ca algumas incongruências insuperáveis, tais como um radicalis- 130 th? tipicamente compeiisat ? Mam da ambigüidade do listas subdesenvolvidas A ô mente formas diferentes desde a c da “fel/ dução através do dese dentro da ordem” nv fundem opções p “Ugem a um pensamento ' n - -. r « 30 Conformista politicamente w malo ro d ' . . E e suas sociedades, com respmo a dos privile ' giados controla o oder o ' ' . » . de civica parcialmente feehafia 14131111235:: agdsves : e uma sociedu. margínalizada ou semimir ' " a ° P0 res e da gente ~' Bmalizada constituem - - uiídas de poder A in ° - Wngelles desti- . telligentsla fo' ' › d histórica e sua o - - x 1 “WEP” e superar a brecha . P°S1Ç80 a contra-revolu ã a ' ' ' minho em direção a uma ç o penas "uma ° ca' . nova . ' › ~ entre os intelectuais que opôs : :Mila _qualidadelde unico setor militares e à militariza ã 6mm aos g0 pes de estado o do ' - - . Usmagada e banida d: suas ? dirigi 201mm' 671a fm Pêrçmlmente resumo, Os ¡ntelcctum não Consmãães cultiLrIais estrategicas. Em -- 121m pro ema ara d' d . militar e para a nova tira ' P a "a u” _ iiia d v ~ a . K l ndência com lealdade ou polêifllltbrícsgflçã deram-Ê* apoio a nova emocracia e na o ^ ~ '. ' 5 que matam °°m a POSIÇaO eram demasiado fraco~ - uma reação interna Por isso 1_ . s para organizar 7 . oram deriotados quase sem luta, embora não tenham se nen ' , .. dido - ' - . . militar e da contra-revolução nsgufêãesíiãora, diante da violencia 05 Papéis Políticos dos intelectuais A característica " ' a . . olitica ~ . multar e de tirania dePClaSSc ébâsica do ~novo tipo de ditadura legal 6 Policial de todas as ar 'êupresãao' Inlblçao ou controle mais” em uma sociedade COIÊpeÉ-¡lll 135 5 hberdades que são "nor- ciüs» pelos Setores d _ i iva e eram consideradas “essen. , _ ominantes das . musas mms avançados da América Laücllãisslãs altade média, nos - . sse e ' Lontrole formal e esta restrição ou e t' - n llreclmenm do foram planejados para suprimir as ¡fuiçao da _liberdade não caz da elite no poder Ao cont ' ççndlçoes da açao política em' ¡necanísmo para impedir O uso Ear? , foram impostos como um preexislentes em _ p ssivel das _garantias e liberdades “utras classe termos dos interesses e orientações de valor de ' S, especialmente ar ' reformas democráticas reclamaãasa gel? ? mudança? qsiíumrais e ses media e baixa urbanas ou P* S Setores rêfhcals das das' * rurais. Em consequência, a transi. 131 ório e › - ~ _ _ “e outras , irracionalidadeg que u_ t squerdismo nas sociedades capita- negaçao da ordem” toma simultanea- “Consolidação da democracia” ) t, Olvimento" (ambas “revoluções ae a revolu 7' ' - . olíticas, ideológicla: Seara. 'Tais altem-auvas um' e uopi. .as exclusivas, dando O malogro da intell' ' ^ ineficiente' l em _- ' . 8 sta latino americana reflete, de fato, interna e à s . - . . _sua Organlzaçãl) ua evoluçao como sociedades competitivas. A minoria
  2. 2. ção autoritária tem uma função bem definida: instituir as con dições sociais, culturais e políticas sob as quais aquelas garantia, e liberdades podem ser usadas “seguramente”, para os fins do** setores sociais dominantes e suas elites no poder. Em termos socio- lógicos, isso significa que as elites culturais têm um campo so» guro, amplo e aprovado de atividades intelectuais. Essas ativida-_ des não foram (nem poderiam ser) abolidas. Como requisito dl transição para um 11ovo padrão de desenvolvimento econômico c_ cultural dependente, é necessário introduzir novas formas de ativi-' dades intelectuais e substituir ou mudar as formas antigas. Assim, ' o regime autoritário aparece em conexão com uma inevitável am- pliação e modernização das atividades intelectuais, cm um P61 riodo de rápida diferenciação dos papéis dos intelectuais e do intensa inovação na esfera cultural. Os regimes autoritários não são (nem poderiam ser) contrários a esses processos. Eles são so- mente contra o controle de tais processos pelos intelectuais, porque_ isso poderia significar a perda do controle da situação pelos setore¡ sociais dominantes. Enfim, a dominação militar e o novo tipo de tirania de classe modificararn as condições de recrutamento, trabalho e in fluência dos intelectuais, impondo-lhes que adaptassem suas ativi- dades e papéis sociais às funções de uma elite cultural sob um' regime autoritário. O objetivo consiste em integrar os intelectuais às elites no poder, dentro dos limites e dos fins da tirania de classe existente. A reorganização do mundo das atividades intelectuais é, assim. um dos aspectos dos processo¡ mais amplos de reorga~ nização das estruturas econômicas, sociais e políticas. Isso põe duas questões básicas para a nossa discussão: 1. que círculos intelectuais serão capazes de aceitar ou de desafiar manipulações tão substanciais? 2. Quais são as linhas políticas alternativas de ação e opção abertas aos intelectuais? Em referência à primeira questão, é necessário encarar a si» tuação presente de uma perspectiva bem ampla. Alguns sociólo- gos, por convicções ideológicas ou suposições teóricas, refutam a existência tanto de uma revoluçãõ burguesa quanto de uma integra- ção nacional como processo revolucionário nos paises da América Latina. Em minha opinião, nas sociedades capitalistas subdesenvol-í vidas, a revolução burguesa ocorre como um padrão de evolução! estrutural, seja do seu capitalismo dependente, seja de seu sistemas_ correspondente de classes. De outro lado, a integração nacionali pode scr expandida dentro das possibilidades estreitas de uma( revolução burguma controlada do exterior, já que ela pod. : scr u! fonte de tensões econômicas, sociais e políticas de caráter revolu-l cionário (como um: : “revolução dentro da ordem”, que poderia? . 132 'z associar alguma forma do “socialismo de acumulação” com um desenvolvimento autônomo das estruturas nacionais, agora estran- guladas sob o capitalismo dependente). O novo estilo dos regimes autoritários surgiu (ou está surgindo), na América Latina, como requisito político para a intensificação da revolução burguesa sob impulso e controle externo, na fase do industrialismo financeiro. As atitudes e orientações de valor dos intelectuais diante desse regime são e serão, crescentemente, uma função de suas polari- zações de classe. As tendências em processo estão produzindo um novo tipo de capitalismo industrial na América Latina. Mas, ao mesmo tempo, elas estão produzindo novas formas de dependência externa e de neocolonialismo. As estruturas nacionais estão so- frendo a sofrerão novas modalidades de estrangulamento e dete- rioração em proveito dos interesses privados internos e externos. O que poderia ser considerado a amplitude política do com- portamento critico dos intelectuais, nesta dada situação histórica, irão é nem determinada pelo próprio regime autoritário nem por qualquer virtude inerente aos intelectuais como um todo. O regime autoritário é “instrumento político” de uma tirania de classe e a militarização do poder constitui o único meio pelo qual cla poderia scr eficientemente realizada. A reação política (positiva, negativa ou “neutra”) dos intelectuais a um regime autoritário, como foi visto, é primordialmente uma questão de interesses de classe. Como os intelectuais estão fragmentados em diversas congérics e sofrem um envolvimento moral e politico predominante pelo . status quo, sua avaliação da ditadura militar é, sócio-dinamicamente, moldada pela estrutura dos interesses de classe dos setores dominantes das classes alta e média, a curto ou a largo prazo. Da mesma forma, os intelectuais carecem de autonomia social e de homogeneidade cultural, especialmente em questões políticas decisivas. Os intelec- t. uais desempenham seus papeis específicos de conformidade com “as regras do jogo", estabelecidas fora do mundo intelectual, por vezes até em termos extra-intelectuais. Não obstante, algumas ins- tituições (especialmente as universidades) podem “proteger” , algumas poucas atividades intelectuais independentes, de signifi- cação política, ou com implicações políticas, em diferentes níveis da cultura e da modernização. A polarização de classe dos papéis dos intelectuais, desper- tada e fortalecida por controles politicos e morais circunstanciais, de natureza extra-intelectual, gera condições de frustação amarga, de desorientação e desmoralização. Os setores intelectuais ligados às classes dominantes e à elite no poder contam com possibili- dades definidas para a sublimação de tais tensões. Através da identificação social, cultural e política com os interesses de classe 133
  3. 3. das classes dominantes, eles são capazes de absorver as tensões e de assumir papéis políticos velhos ou novos no seio de um regime autoritário de dominação e de governo. O mesmo processo é aberto a outros setores intelectuais, que operam nos campos “neutros” das atividades intelectuais (ou que se consideram “com- prometidos de modo puramente intelectual”). Esses setores tam- bém são capazes de absorver as tensões e de assumir papéis políticos velhos ou novos de uma maneira tipicamente racional (em termos de interesses calculados; ou em nome dos “interesses da nação", dos “interesses da ciência", dos “interesses da educa- ção” etc. ) no seio do regime autoritário. Nos diferentes casos, tais papéis políticos não estão isentos de exigências intelectuais espe- cificas. Isso significa que os círculos intelectuais, anteriormente mencionados, podem desempenhar alguns papéis políticos constru- tivos - para a emergente tirania de classe e seu regime autori- tário, mas também em um sentido amplo, para o crescimento da cultura. Os setores intelectuais que estão ligados às classes do- minantes, mas se opõem à ditadura militar embora pequenos em número e politicamente insignificantes, estão, na pior situação. Como abandonaram seus interesses de classe e seus papéis dentro da elite no poder e carecem de uma linha de oposição consistente à ditadura militar, eles são destruídos pela ambivalência de sua posição. As frustrações geram confusões morais e pessimismo sis- temático, dando origem a uma superavaliação das atividades inte- lectuais como refúgio e fim em si mesmas. Os papéis políticos abertos a esses setores são indiretos (dentro do mundo “intelec- tual": as universidades, organizações de pesquisa, casas editoras, serviços técnicos públicos ou privados etc. ; e, como artifício neuró- tico, a febre da produtividade intelectual). Os setores que formam a intelligentsia, estritamente falando, estão numa posição mais difícil. Eles carecem de meios de absor- ção de suas frustrações e são sobrecarregados com expectativas de controle e de ação conflitantes, impostas pela ditadura militar ou pelos grupos radicais e por si próprios. A situação global cria uma tempestade de fricções, desilusão e desorientação moral. Aqueles que ainda se acham protegidos institucionalmenle podem tentar uma “reversão neutra", envolvendo-se em atividades inte- lectuais de significado político apenas latente (de “importânciif” para os estudantes, para a ciência, para o futuro da instituição, para o desenvolvimento da nação etc. ). O caráter compensatório dos ajustamentos não elimina a importância' dessa orientação, como uma frente silenciosa de resistência, tanto contra a tirania de classe, quanto contra o regime autoritário. Aqueles que se viram engajados politicamente em movimentos organizados, radicais ou 134 de esquerda, também estão protegidos, em certo grau, pelo menos contra a autodesintegração e a desmoralização pessoal. Eles po- dem preencher papéis políticos bem definidos e construtivos, ne- gando e opondo-se à ditadura militar através de atividades inte- lectuais clandestinas. Aqueles que perderam suas posições e agiam como franco-atiradores enfrentam uma dura escolha: a solução oferecida por uma “reversão neutra”, sem sustentação ou pro- teção institucional (a qual implica uma retratação dissimulada e a aceitação aberta de uma acomodação política dentro do "siste- ma"); ou a solução oferecida pela “radicalização política", através da incorporação a movimentos radicais ou revolucionários subsis- tentes. Essa enumeração demonstra que, nas presentes condições, a tirania de classe dominante: I. possui controle externo sobre as atividades intelectuais e sobre as funções políticas dos intelectuais na sociedade; 2. tem controle intemo dos papéis políticos dos intelectuais, requeridos pela superconcentração do poder ao nível dos setores dominantes das classes alta e média e pCla militari- zação do poder político. Em conseqüência, os regimes autoritários, sob a dominação militar, possuem poder suficiente para produzir o tipo de intelectual de que necessitam. Sob esse aspecto, a questão não é de “falta de papéis políticos" dos intelectuais, mas de uma sistemática corrupção, através da qual os intelectuais estão sendo transformados em lacaios políticos de uma tirania de classe e de sua ditadura militar. Em contrapartida, só poucos representantes da pequena mas estimulante intelligentsia preservaram alguns papéis políticos tolerados ou proibidos, a um alto preço em sacri- fícios pessoais, e com pequena eficácia e sob riscos crescentes de marginalização. Eles não são capazes de desafiar e destruir, por si mesmos, os novos regimes autoritários. Porém, podem desem- penhar seus papéis politicos em diversos níveis, desde as ativida- des intelectuais organizadas institucionalmente aos movimentos clandestinos de oposição e rebelião. Sua força e influência políticas não são produto de números, mas da qualidade e da necessidade. A fraqueza fundamental do tipo descrito de tirania de classe e a iniqüidade da ditadura militar, sua sustentação política exterior, estão dando (e darão cada vez mais) maior importância aos pa- péis políticos da intelligentsia latino-americana. ' Quanto à segunda questão, as linhas políticas alternativas de ação e de opção abertas aos intelectuais, seria necessário conside- rar as diferentes probabilidades de evolução da presente situação política. Alguns papéis específicos dos intelectuais e suas implica- cações políticas indiretas (para o desenvolvimento da pesquisa científica, da educação, do planejamento etc. , ou para empreendi- 135
  4. 4. mmwF abstfatos) não foram afetados. Eles sofreram uma mudança de orientação, em conseqüência do novo padrão de dominaçc econômica e cultur l . . ao 1 A a externa. As esperanças de creseznento cu tural autonomo e de uma "revolução intelectual" através da ciência da tecnolo ' - , . _ basícaàente destmgàa aVijllçada õ da educaçao democratica serao 1_ Ó . 1 as. _ as, aqueles papeis e suas implicações P0_ IÇICHS Indiretas sao inerentes ao sistema de institui ões d “civilização tecnológica moderna” Acham-se estrutural eçd' 'a camente rote 'd : ~ ~ - . lnzimb mente mgdianfe iirsn iilolyeltltaraã quanmailvamentc e quahtatlva- trolada do exterior D o IPO e moiíenllzaçat) d°P°“d°m°› C011' A_ , _ _ _ - e putro lado, a tirania de classe e os regimes autoiitarios mllllaICS nao sao contra “o homem de saber" em si mesmo. A enas e _ . . Cham d hP mpenhanr se em controlar ou destruir o assim . a ° Omem de saber rebelde" e o desenvolvimento do “c - nhecimento crítico” sobre a sociedade Porém se a supe o tração e a militariza ' ' i ' ' ~ n rconcgrl' cos, Sob o novo _nodüã : fdFwdFr atingirem seus OÕJBUVOS politi- na surgirá alguni tipo de e 'clfglpaçatíçconômca e cultural ater_ › › . . _Srebeldtajy e O “Conhecimerllqllàl icrgqxpolitiw, e com ele o intelectual . rea ar ' ~ ' ma_ Tawez . .o homem de Saber" Será “ã ttâecrao na cena histó- e os setores dominantes da sociedade e dep sua: :lar: Cautelar); . - s no o um~pouco mais tolerantes. O essencial é o fato de que a "givilcir za a ' ~ . - H ç o ocidental moderna" nao pode sobreviver sem os intelectuais rebeldes e o “conhecimento crítico" Eles fazem at d - . . - re padrao de- continuidade através de mudanças permanintes eorásãu 1_ das. Isto também é verdadeiro , _ para o rese t dos paises da América Latina. p n e e para O futuro De toda a discussão mimar” de estado e a milããíicjãeãlxgedgeprãendeáse que os golpes . , _ ' po er s destruíram al - mas condiçoes históricas ' ' ' - - . gli ram nem os intelectuais gâãlârlxgdídís intelectuais. Nao suprimi- . *a ' a e oria social ' '_ Serif-Via, de modo particular. Como agrevolução, tiiizgugsantelilá numa etapa crítica de ' * - - . . es encontra ameaçada pelatragiosrilçízincâça intqgraçao nacional ainda se . . ao ex er ' efeitos estruturais do capitalismo dependentgflaou Êervemda Pclçs de milhões continuam a ser uma realidadeycrii): recta ou miséria esse desafio social o ' ^ ' - - ' a reiposm a nível do poder poíítícousprgcíliãizxràâlentãahatingiu o seu Climax ao . o. o ant ' " dos intelectuais estão adquirindo e adquirirãooideofnfifêiéiis polmcos uma nova dimensão h' ' ~ ' r Crescente os regimes autoritárioslsdgolcfoiriiã? linpfma o tempo 'que durem' estado tampão e_ são ove i e 'Em rumentos equivalentes ao res Problemas econômigo me? -Iampgeâi Eles em” °"a“d° maio- resolver especialmente ãàãoêmliiç Politicos de que os que podem ” ' 0" W005 a América Latina Por 136 causa disso, os “intelectuais não conformistas" serão chamados, talvez mesmo pelos militares, mas certamente pelas novas compo- sições do poder, para participar dos processos políticos necessá- rios à revolução democrática, requerida pelos países da América Latina. Deve-se considerar, no entanto, que o significado, as funções e as manifestações sociais do “radicalismo intelectual”, e o envol- vimento dos intelectuais no uso político da violência sofrerão algumas mudanças previsíveis. Até agora, o “radicalismo intelec- tual" foi uma simples expressão de atritos absorvidos pelas elites no poder. Uma intelligentsia expurgada e marginalizada, nas con- dições de crescimento e de proteção proporcionadas pelas ativi- dades políticas clandestinas, afasta-se por sua própria natureza da “normalidade” das elites culturais. Em relação ao uso da violên- cia, os países da América Latina estão agora alcançando um ponto crítico de transição na história: o monopólio da violência pelos setores dominantes da sociedade, por meios institucionais mais ou menos dissimulados, atingiu seu clímax num período em que a violência começou a ser moralmente combatida (inclusive por “círculos conservadores” da Igreja Católica) e ameaçada politi- camente pela confrontação ativa. Sob tais condições, o “radicalis- mo intelcctual” defronta-se com a necessidade política da contra- violência e converte-se em fonte do pensamento revolucionário sistemático. No cerne do dilema político, criado pela tirania de classe e seus regimes militares autoritários, está um processo de radicalização politica do intelectual “não-conlormista" e o enga- jamento revolucionário da inrellzgenzsia. A superconcentração do poder político e o uso irracional da violência não deixam outra alternativa aos intelectuais envolvidos na luta por uma democracia verdadeira. A derrota da tirania de classe e a destruição de seus regimes autoritários, por quaisquer meios possíveis, converte-se em papel politico primário não só dos “intelectuais” _ on do seu setor comprometido politicamente com o não-conformismo, a in- re/ lígenrsia -- mas do homem comum. Não obstante, as diferentes probabilidades políticas, mencio- nadas acima (cf. Estado e Sociedade em Tensão) merecem alguma atenção nesta discussão. A presente situação é uma fase de transi- ção politicamente perigosa para os setores sociais dominantes, para os interesses externos privados e para o poder hegemônico conti- nental, os Estados Unidos. Como não existe possibilidade de "pro- testo popular” e de “crítica livre”, as atividades terroristas e de guerrilha tornam-se, de modo crescente, um equivalente funcional da democracia. sta situação politicamente perigosa impõe alter- nativas contraditorias: a radicalização da opressão e da repressão; 137
  5. 5. e uma confusa busca da. transição segura para um novo padrão d¡ desenvolvimento industrial dependente sob o capitalismo monopo- EÊIÊEOÊUadãO cgado por tal situação, _entre os intelectuais, acabou . r escri o. ara os setores sociais dominantes, os interesse¡ privados externos e os Estados Unidos, o que realmente ¡mgressà e a segunda alternativa (a primeira é, para eles apenas um “mai / - n - , , . , ~ ' “ necessario ). Nao_e facil alcança-la e ela nao pode ser alcançada na mesma extensao e do mesmo modo em todos os paises da âzrinélrica Lãtina. Contudo, o que fica absolutamente claro é que tao po e ser atingida sob e atraves da violência organizada, : Êãaãoârlíllte ! por lrneio do crescimento econômico rápido da S9 ocia ace erada e da modernização cultural intensa. _ e esses fins puderem ser aicaiiçados (através de uma coope- raçao competitiva vigorosa entre os Estados Unidos, alguns países europeus elo Japao)_ osÁ golpes de estado e a militarização do poder politico lograrao exito. Sob novas condições econômicas . .u, 4.- ____ . ., I' sociais e culturais, a tiiaiiia de classe adquirira flexibilidade poli- tica e meios eficientes e indiretos para estabilizar organizar e ~ « . 1 l. . _ , controlar o poder, com uma grande margem de “participação P011- tica , niobilizaçao de massa" e “governo representativo" Será umaurealidade. política onipresente, mas invisivel. Dado que a transiçai) significará a aceitação de um estado dc neocolonialismo ¡nde v o Arno, os atuais fatoies de teiisoes sociais internas e externas subsistirao, alguns com uma força mais aguda e explosiva Além domas t v -›. - É Os &leufwgyítfoob os : :trotes intelectuais adquiriiao papéis pollllcos_ , ~ z ~ ~ _ - _ . riieria ares dos intelectuais, poique ver-se-ao cnvol. Vld°5 “O PTOCCSSO de "nâfiVilação" dos centros de decisão de poder; os setores inovadores dos intelectuais, especialmente os técnicos, os tecnocratas e os cientistas "neutros" porque estarão . . _ H intelectuais nos países dependentes: tentando ajustar politicamente a“rel” '«”M. .- . . . . H _. V0 “S330 1180101141 'as condiçoes economicas, sociais e cultu- iais emergentes¡ com vistas a um estagio mais complexo e avan- çado do capitalismo dependente. A intelligentsia, por seu turno enfre t' " - ~ ~ , . ' , ri ara os mesmos_ problemas sociais e dilemas politicos da America Latina de hOJC, porém em condicões políticas piores A acelera ão 4 ' ^ ' ' ' ç do crescimento economico e cultural, sob o controle fere te ~ ' - . au “ t5 aspõcãos de economia, da sociedade e da cultura, com um : frio gera das oportunidades de trabalho (para as dasses mc 13 8 baixa), provavelmente terão efeito inibidores sobre as 138 “tendências radicais" dos movimentos sociais. Não obstante, a percepção social e o padrão de critica da_ pobreza, da falta de participação popular, ou da exploraçao externa. serao _mais refi- nados e exigentes. A intelligentsia deverá adquirir politicamente mais do que o que está perdendo através da presente repressão e extermínio. Ela poderá ser melhor sucedida, portanto, na aquisi- ção de novos papéis politicos, em três níveis simultaneos: 1. as pressões em favor de uma verdadeira democracia, em todas as esferas da vida social; 2. as pressões contra o impacto negativo da extrema concentração da riqueza ou do poder, e da exploraçao externa na integração e autonomia nacionais; 3. as pressoes em favor de reformas estruturalmente igualitarias e da revolução social. O "sistema" necessitará de tais tipos de manifestações do radicalismo político, como um artifício adaptativo para pressionar, ao mesmo tempo, os interesses privados internos e os controles políticos externos. -Parece que o inalogro nessa direção, como vimos, poderá contribuir para uma inevitável exacerbação do controle militar do poder politico. As alternativas mencionadas _ um extremo en- durecimento direitista da ditadura militar ou sua transformação num “populismo militar" _ possuem significados muito diferentes para o desempenho político dos intelectuais. Sob a primeira pro- babilidade, as tendências seriam intensificadas. Os setores “velhos” e “modernos” dos intelectuais, em termos de interesses dissimula- dos e de comportamento racional, estariam literalmente compro- metidos na construção de uma versão “colonial-fascista” dos regi- mes autoritários militares existentes. Certo uso “nacional” e “ra- dical” de ambos os setores poderia estar em harmonia com uma “política patriótica” predatória. A íntelligentsia, como tal, estaria condenada à destruição completa ou a ser “usada” para tais fins “patrióticos". Entretanto, essa alternativa possui um elemento positivo: uma radicalização extrema e “profissional” das atividades políticas clandestinas da íntelligentsia. Os intelectuais ativistas se tornariam militantes revolucionários, lutando para a “restauração da democracia” ou para a “revolução socialista". Sob a segunda probabilidade, os papéis políticos dos intelectuais sofreriam algu- ma convulsão. De fato, apesar do proclamado “nacionalismo revo- lucionário”, o populismo militar é uma forma disfarçada e débil de concentração e organização direitistas do poder. Sua importância resulta de certos compromissos abertos c sistemáticos em face da participação popular, da política nacionalista e anti-imperialista, mudanças sociais estruturais e planificadas etc. Tais compromissos não só criam tendências voltadas para a integração nacional; sob pressões de massa, eles podem impelir alguns círculos das elites 139
  6. 6. no poder (inclusive os militares) e a sociedade nacional na direção de um capitalismo de estado, do reformismo democrático, ou do socialismo. Grande parte do “velho" setor dos intelectuais ficaria marginalizada, mas o seu setor “moderno”, imerso em pro- cessos de decisão nacional, como componente de uma burocracia tecnocrática, voltar-se-ia para o “radicalismd” político e para a “esquerda”. A íntelligentsia se veria, então, congestionada pela ele- vação de aderentes e politicamente solapada e pervcrtida. Mas teria diferentes probabilidades de desempenho politico construtivo, e pelo menos sua verdadeira esquerda poderia assumir algumas polarizações politicas decisivas. A tendência para uma revolução socialista, no contexto histó- rico latino-americano, como em outros países subdesenvolvidos, não é exatamente um “produto inerente às contradições do capi- talismof'. Essa seria uma imagem clássica, de um ponto dc vista europeu ou alienado. Em todas as nações subdesenvolvidas, e isso mesmo nas que são mais orientadas pelo capitalismo e relativa- mente mais avançadas (a exemplo de alguns países latino-ameri- canos). o que conta não são as “contradições intrínsecas” do capitalismo, mas o fracasso relativo do capitalismo para enfrentar os problemas sociais e os dilemas politicos dessas nações. O capitalismo dependente é incapaz de sobrepujar a pobreza crônica e generalizada, a marginalização sistemática de milhões, a falta permanente de integração nacional, e a exploração externa cres- cente. As razões para tal fracasso são estruturais. A “revolução dentro da ordem”, através do desenvolvimento, é impossivel: I. sob a extrema concentração social da riqueza, do prestígio social e do poder; 2. Sob o controlo externo espoliativo do crescimento econômico, da modernização cultural e da política “nacional”. As ditaduras militares atuais e seus possíveis sucedâneos não podem evitar um colapso futuro (que poderia ser evitado unicamente se uma revolução burguesa autônoma ocorresse, como sucedeu nos Estados Unidos e no Japão). A consciência política de tal situa- ção histórica não foi alcançada por todos os intelectuais. No entan- to, os círculos intelectuais mais maduros e resolutos da inrelllgentsia latino-americana estão aprendendo, através de experiências con- crctas. De um lado, estão descobrindo os meios potenciais da revo- lução socialista n. a América Latina (tão diversos dos outros mo- delos "clássicos", já conhecidos). Por outro lado, estão acumu- lando novos conhecimentos sobre a estrutura e a dinâmica do sistema de classe sob o capitalismo dependente, ou seja, conheci- mentos que constituirão a base para uma teoria viável da revolu- ção socialista na América Latina. 140 Ambos os tipos de aprendizagem e de pensamentos revolu- cionários são muito importantes para esses círculos da intelli- genrsía. Isso porque eles não irão concentrar os seus esforços exclusivamente em uma oposição estreita e superficial contra os regimes autoritários militares: o alvo de seus ataques será a tira- nia de classe, produzida por uma revolução burguesa permanen- temente abortiva, incapaz de atingir os caminhos e os fins de um desenvolvimento capitalista auto-sustentado e relativamente autônomo. Enquanto os regimes autoritários militares podem se tornar instrumentais para outros intentos políticos, sob condi- ções históricas diversas, a influência politica de uma inrelligentsia verdadeiramente revolucionária também pode contribuir para uma percepção melhor da realidade histórica e para a sua transforma- ção social pelo comportamento revolucionário da massa. Esse é, talvez, o papel político específico de uma autêntica intelligentria, que se ache disposta a participar do destino social e das lutas de povos impiedosamente brutalizados. Apesar do meu envolvimento pessoal e de minhas inclinações políticas ou ideológicas explícitas, tentei traçar uma perspectiva objetiva da situação do intelectual diante dos golpes de errada militares e da militarização do poder. Por essa razão, todas as polarizações possíveis ou cm potencial dos papéis politicos dos intelectuais foram consideradas, seja em termos de defensores ou de opositores dos regimes autoritários militares. Não obstante, a intelligentsia mereceu maior atenção. A razão de tal ênfase é fácil de se entender. Um estudo sociológico engajado Posse fenô- meno deveria ser não só uma tentativa de caracterizaçao empírica e de explicação teórica, mas também, acima de tudo, uma análise das condições através das quais a ordem social que gerou a necessidade histórica de coisas como a tirania de classe e (em conseqüência) os regimes autoritários militares, pode' ser destruí- da. A iritelligentsia encontra-se, ao mesmo tempo, sob a maior pressão e no centro da oposição política a tal ordem social. Seus papéis políticos ativos, em seus aspectos negativos (como negação daquela ordem social), e em seus aspectos positivos (como afir- mação de uma ordem social igualitária e democrática), exigiram atenção cuidadosa. Não só porque ela compreende os “rebeldes responsáveis", mas porque ela está tentando se unir à maioria silenciosa dos pobres e oprimidos, para a construção de um novo tipo de sociedade. 141

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